CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

a mecânica. sobretudo. Por isso. A ORGANIZADORA Campinas. também. enquanto possível.procuremos.no caso de uma eventual reedição . gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. Paralelamente ao . Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. além disso. de opinião que uma metodologia se alia. aprimorá-la. ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber. Consideramos que a Metodologia pode. certamente. Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro.9 conduzam inexoravelmente à verdade. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário. Entre os egípcios a trigonometria. lacunas.do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado. O livro apresenta. e de oferecer-lhe.* A preocupação com o conhecimento não é nova. entre os romanos a hidráulica. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica. a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem . e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a. o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. o outro. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência. a lógica. filosófico. entre os gregos a geometria. entretanto. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica. Por isso. de natureza mais prática. Somos.construtor do saber científico . a astronomia e a acústica. em especial à professora Vera Irma Furlan. Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp. para que . que animou a realização deste projeto. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto. da Universidade Federal do Piauí. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. naturalmente. e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica.

um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp. A ciência grega. VARGAS. Como esta classe tinha mais prestígio e status. só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. Head and Hand in Ancien: Greece.que estava ligado ao trabalho. B. A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera.ligado ao prazer de saber . é para pior. Introducción a la filosofia de la ciencia. As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas. As idéias são perfeitas. A dialética.a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. Mesopotâmia e Egito. Para Platão. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. M. se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo. mais tarde.conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. WARTOFSKY.segundo Farrington 2 . diria Popper. isto é. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior.de uma separação de atividades de classe. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência. 1. já que por princípio uma coisa perfeita. imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal. Assim. Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida . mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. Conforme o autor. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. Esta diferença entre conhecimento prático . os gregos desenvolveram um tipo de reflexão .e conhecimento teórico . Metodologia da pesquisa tecnológica. considerado inferior. Este método. o mundo sensível está em constante mudança e. desinteressante e preso ao interesse de outrem. É professor na Universidade Federal do Piauí. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . já que era executado por escravos para os senhores. o conhecimento aristotélico. Foi na escola platônica. ou o método socrático.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. dos meros fenômenos empíricos. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns. Para Platão. em oposição ao trabalho prático. sua atividade foi considerada superior. FARRINGTON. se mudar. Neste processo. pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza. a Academia. pura e livre. elimina as teorias que não suportam a prova . 2. neste caso. que se desenvolveu a Dialética e. A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. B. para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. da separação entre "cabeça e mão". e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. M. FARRINGTON. foi de extrema importância na história do pensamento. . mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas.

Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. M. mas da percepção aplicada aos particulares.para formular princípios explanatórios gerais e. por dedução. Juntamente com Platão. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que. em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. é saber quais são suas propriedades individualizarites. explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . op. Ibidem. 4. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. voltar a fazer deduções de novas ocorrências. Deve-se associar. Tópicos. K. Esta crença se desfez somente no século XX com o . IDEM. de sua lógica formal. por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos. para Aristóteles. formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. O conhecimento consistia. partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. A existência das Formas que para Platão eram eternas. Lógica. a indução e a dedução. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação. bem como as propriedades da classe a que pertence. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência.6 Assim. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio). a partir destes. do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. pois são meros acidentes.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) . As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias. ARISTÓTELES. Conjecturas e refiaações. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis). Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria.é. POPPER. por meio da dedução. então. 7. Ter quatro patas. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável. 14 1ç -. Cit. POPPER. Aristóteles se utilizou da indução . Ele criticou a dialética por sua negatividade. 5. op.3. K. um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. J. WARTOFSKY. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. Losee. ruas não se resume a isto. M. explicarão novas ocorrências. portanto. WARTOFSKY. a de homem. SALMON. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. A descrição desta demonstração encontra-se em W. PLATÃO. A sociedade aberta e seus inimigos. e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. Fédon. A repiiblica. imutáveis e independentes do mundo sensível . desde Pitágoras . Saber o que Sócrates é. cit.até a obra de Euclides. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento. depois. Da observação de que os corpos caem.

8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. a que chamamos de senso comum. no mais das vezes. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. mas. a contribuição dos gregos para o pensamento social. e que inclui um conjunto de valorações. doutrinas religiosas. Ménon. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. portanto. lendas ou parte delas. de Platão. o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. por exemplo. existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". em ciência. 1. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. justas ou injustas. enquanto que com as valorações isso não ocorre. no entanto. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. desejáveis ou indesejáveis. transformam-se em conhecimento. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. inconscientes. Quando emitimos opiniões. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. da opinião. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a . Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. em geral. Essa informações são. ou seja. bem como a experiência pessoal acumulada. p. Temos. então. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. Valorações e crenças são. às vezes. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. quando as opiniões certas são amarradas. mas não que são verdadeiras ou falsas. pois. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. e especialmente de Rudolf Carnap. e seu valor é tal que não difere. Quando uma mulher afirma. informais e.programa epistemológico do Círculo de Viena. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. quando pronunciada por uma certa pessoa. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. Pelo primeiro caminho. poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. princípios ideológicos às vezes conflitantes. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. assim como para muitos de nós. As crenças se manifestam através de proposições. PLATÃO. Mas de onde vem. Há. Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. permanecem estáveis. enfim.

dependendo do seu grau de esoterismo. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo. Com as valorações. é a sua sofistificação. por sua vez. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum.fisiologia etc. socialista. Este é o caso dos modernos regimes totalitários. gerando um conhecimento mais ou menos racional. Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. Objetivido. Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. Se alguém afirmar ser liberal. não têm nenhuma validade. Artur Gobineau (1816-1882). a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . De qualquer modo.sejam elas verdadeiras ou não . cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença. Assim. não temos como testar sua doutrina. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos. na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. interage com o senso comum e modifica-o. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência.d en la invesrigacidn social. O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. como a do movimento da terra em redor do sol. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. como se fossem verdades. G. o senso comum vai .para onde convergem crenças. por outro lado. sendo absorvido parcial e totalmente. mas continuam subsistindo no senso comum. Essas teorias. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais. entendendo racional como argumentativo e coerente. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. 10. A teoria mais conhecida é a do Conde J. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente. obviamente. Este conhecimento. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las.ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores. então. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos". Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. Poderíamos esquematizar. seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra. isto já não é possível. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum . Por isso. valorações. racista ou cristão. desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial. MYRDAL. É comum entretanto.

op. F. Epistemologia naturalizada. os músculos quando não utilizados se atrofiam.. cit. 13.. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão. CHALMERS. Filosofia da ciencia. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais. no entanto. O objetivo da explicação científica é. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e. no entanto. cit. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1. A. neste ponto. São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. revelam. tato etc.progressivamente se modificando ao longo das gerações. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. a busca de afirmações e teorias universais. na psicanálise. op. W. isto é. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados. M. O. CHALMERS. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares. Conhecimento objetivo. POPPER. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e. Ver A. o senso comum é muito poderoso.What is this thing called Science? 14.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. Doença menw. então. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. F. castigando-as até a morte -. Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. 2. havia as entidades 11. K. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. cit. 1 e 2. cujo campo de aplicação seja o maior possível.. O grande problema do indutivismo passa a ser. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. 2. mais tarde. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos. o metal quando aquecido se dilata. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com . op. FOUCAULT. ALVES. Há. aparece como torta. MYRDAL. 15. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. R. SALMON. 12. F. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. são exemplos de proposições observacionais. a própria concepção de corpo que vigorava. Ver K. no entanto. CHALMERS.. W. quando parcialmente submersa em água. A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo. lo 3.l e psicologia. QUINE. fosse ele bom ou mau. cit. in Os pensadores. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação. op. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. G. audição. op. POPPER. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. ci:. caps. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. eventualmente.

por exemplo) que são mostradas a um observador. No segundo caso. Padrones de descubrimienro.a lei geral. não "vemos" a mesma coisa. mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. Em muitos casos. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. por exemplo. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. É preciso . Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. portanto. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. 17. é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente.a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. CHALMERS. 16. A. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica. b e c (p. HANSON. existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. op. E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. Em qualquer dos casos. cii. quando outro objeto diferente. Além das objeções sobre a inferência indutiva. a pirâmide (fig. 21) podem ilustrar isso. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. mas a impressão que se forma na mente não o é. Nos casos acima. No primeiro caso. a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva.c). Então. R. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. apesar de olharmos a mesma figura. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. dando-lhe grande subjetividade. de repente. F. até mesmo componentes culturais. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig. como se fosse para subir ou descer. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. As figuras a. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e. nenhuma demonstração foi feita. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. N. mas semelhante.

Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. QU1NE. O. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. mesmo assim. resistências etc. '1 fig. . 3. dificuldades apareceram. Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. aceitas universalrnente. No entanto. As .'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos. voltagens. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. Nada mais ele fará porque. ele não fará uma simples descrição dos objetos. que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. 2. para ele. fig. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. seja ela científica ou não. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. os metais são bons condutores de eletricidade. mesmo que esta seja de senso comum. b 91 e ' -. 22). Todo fato pressupõe uma teoria. a fig. como por exemplo em d e e (p. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. Dois dogmas do empirismo. W. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior. c fig. Na figura d. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. mas falará de corrente elétrica. por exemplo. são exemplos de proposições básicas. devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo".ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. então. não há nenhum fato a não ser os objetos visuais. podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. como. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas. que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. As interpretações e as "cadeias 18. m Os pensadores. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante. Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê".que operemos uma inferência para que a figura faça sentido. Podemos dizer. certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho. Para sermos rigorosos. os metais quando aquecidos se dilatam. Por si sós as figuras não dizem nada. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos".

segundo o autor. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. É a característica de solucionadoras de problemas. as teorias são. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. ainda. ele mesmo. Assim. tanto quanto possível. aliás. Este. o conceito de Gene na teoria genética moderna. Em segundo lugar. Isto significa que. e que já incorporamos como absolutamente naturais.regularidades que observamos cotidianamente. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. e 22 23 Vejam. sempre. a ciência começa com problemas. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. onde não há nenhum tipo de contradição interna. mas a campos específicos.a pretensa transmissão de características culturais e morais. Isto é. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. Podemos começar afirmando. Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. Como acentuou Popper. teorias. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. se aplica a um conjunto específico de fenômenos. as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. São proposições amarradas no encadeamento racional. Nós temos. por exemplo. conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. em algum momento da história. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. Podemos adicionar. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. então. mas não serve para explicar . de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. sejam elas científicas ou não. é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. por exemplo. despidas de subjetividade e valorações. Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. isto é. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos. determinado por certas circunstâncias extra-científicas. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . Dessa forma. outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. revolucionário. mas numa teoria científica isto não é admissível. Numa teoria de senso comum. fig. onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. por sua vez. que são os da reprodução. onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento. uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela. 3.como na teoria racista de senso comum . Assim.

e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta. não foi agradável. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna. devemos discutir o aspecto observacional das teorias. no entanto.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. que é o papel da expectativa na construção das teorias.vagabundos". Para a mecânica. 19. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento.um outro planeta . Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. 1. indicando a grandeza e o poder da mecânica. A estrutura das revoluções cient(ficas. contribuir para sua p:ápria superação e. O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que. Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . Finalmente. As grandes construções. Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. as anomalias. Começou. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. Einstein e Bohr. o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. sua posição e massa. Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo. e efetivamente o fazem. como as de Newton. desta forma. Pouco depois. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência.que estaria "atrapalhando" Mercúrio. O. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. 20 Do observatório de Berlim. Darwin. Além de surgirem problemas. a calcular as dimensões do planeta. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas. in LAKATOS e MUSGRAVE. certa vez. dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante. desabar frente à relatividade. eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. A resposta. tendo até batizado o novo planeta . Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento. O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. a partir do início deste século. promover o crescimento e progresso do conhecimento. utilizando simplesmente papel e lápis. Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. Ofal. T. tanto a passada quanto a futura. Isto deriva do fato de que as teorias . Ou seja. Mas a história é curiosa. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria. KUHN. Marx. Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para. Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica. No fundo. Freud. descobriu Netuno. então. as teorias devem. LAKATOS. logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa.Vulcano .seamento e a metodologia dos programas de pesquisa.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a .

O enigma do cosmo. 22. 68. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante. popularizadas por Einstein. op. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 . cii. 13ASSALO. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. Eles não se referem diretamente a entidades. Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". As "expetiências de pensamento"em física. a não ser em pensamento. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. valor. M. já que há menos ar em seu topo do que na sua base. a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. Logo. inconsciente. Mas.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo. por hipótese. Neste caso. mas com os tempos de queda. A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. se subíssemos uma montanha.com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos. Se os dois corpos fossem unidos.. energia etc. Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas. Os conceitos de força. a pressão deveria ser menor. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. sua velocidade. No entanto. causalidade. conjecturas na forniação das teorias. GALILEU. Foi o que fez Perrier em 1647. Os conceitos teóricos . de Galileu . O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema.mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. com velocidades naturais diferentes. mais tarde. p. Galileu contestou esta teoria. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes .cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo . é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. 22 Neste sentido.observáveis: são os conceitos teóricos. . Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental. citado em LOSEE. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para. portanto. em seguida. Era o chamado horror vacui. CARTIER. para resolver o problema. atração. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. maior do que cada um deles. Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. no caso dos léptons e hádrons.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas. in Ciência e Cultzira. se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e. Para a teoria aristotélica. mas a outros conjuntos de proposições (que.e 1647 . formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória. hádrons. F.com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . são exemplos disso. portanto. sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. J. o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. léptons. seria maior. por outro lado. Discuiso sobre as duas novas ciências.

isto é. SP: Brasiliense. Estas estruturas engendram programas de pesquisa. CARTIER. a partir do Renascimento. as teorias e as hipóteses. religiosas e mitológicas de conceber o mundo. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento. RJ: Primor. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e. em maior ou menor grau. T. 36 (3).e o cume da montanha. onde intuições. ARISTÓTELES. Durante muitos séculos. 1984.na prática . KUHN. É esta a imagem k limiana 23da ciência. não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. então. Isto. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. Galileu e Newton. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. 23. CHALMERS. acidentes. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. Esta tarefa foi executada. A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias. R. Bibliografia ALVES. De fato. Tópicos. pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico.novas referências para a organização do pensamento. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. BASSALO. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. SP: Abril. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. não há uma lógica de descoberta. M. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. 1978. 1978. 1978. A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. não há um método de se fazer descobertas. embora não tivessem . cii. Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. 1983. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland. religiosas e metafísicas. São as formas artísticas. um método para se testar as conjecturas. no entanto. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. A. F. onde ele se toma mais inchado. "chutes" etc. As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. no fundo. O enigma do cosmo. R Filosofia da ciência. e este é o chamado contexto da jusfificaçõo. e este tende a ser sempre ampliado. no entanto. cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . constatando que no cume a pressão diminuía.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. As "experiências de pensamento" em física. Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. podem interferir decisivamente. com as próprias teorias. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e. oferecendo pouco a pouco . Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. op. Iii: Ciência e Cultura. Descartes. Deve haver. 3.

1961. SP: Hemus. Epistemologia naturalizada. W. LOSEE. A estrutura das revoluções cient(ficas. SP: Abril. Ri: Tecnoprint. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. SP: Edusp. de Comte. a metafísica e a positiva. Padrones de descubrimiento. M. A fase positiva. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. que percorre três fases distintas: a teológica. Capítulo II MITO. Metodologia da pesquisa tecnológica. sendo Comte. LAKATOS E MUSGRAVE. Doença mental e psicologia. SP: Abril. Londres: Wats and Co. O abandono da teologia e da metafísica .moderna. A sociedade aberta e seus inimigos. que tem a ciência como suporte. PLATÃO. Dado um . Conjecturas e refutações. ______ Dois dogmas do empirismo. sld. 1975. Como a ciência. W.. ______ Head and hand in Ancient Greece. 1978. assim como da ciência. 1978.za Ed. KUHN. são estritamente racionais e científicas. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou. 1977. capitalistas. 1975. 1949. T. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles. Lógica. 1n Ospensadores. SALMON. ______ A república. fazer seus fenômenos inteligíveis. QUINE. VARGAS. que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. a existir a concepção de que as sociedades modernas. 1968. N. 1978. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology.. SP: Ibrasa. Madri: Alianza Ed. Brasilia: UnB.. 1979. K.. 1975. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura. 1970. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. MYRDAL. HANSON. SP: Abril. Todo este processo de forniação da ciência moderna. J. R. Progressivamente. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. METAFfSICA. SP: Perspectiva. WARTOFSKY. FOUCAULT. A ciência grega. da moderna civilização e indica o seu progresso. 1982.é o marco. SP: Edusp. A. 1974. ______ Ménon. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina. 1978. RJ: Tempo Brasileiro. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". Madri: Alian. Ri: Globo. M. B. Introdución a lafilosofi'a de la ciencia.que baseiam suas explicações nas causas primeiras . M. explicar o mundo. Introdução histórica à filosofia da ciência. inclusive. 1978. México: Fondo de Cultura Econômica. ______ Conhecimento objetivo. G. SP: Edusp. de permitir sua apreensão material e espiritual. 1970. SP: Edusp. Ri: Zahar. Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento. CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. In: Os pensadores. POPPER. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. Fe'don. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. Objetividad en la investigación social. Segundo ela. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. 1978.

Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. Larousse World Mythology. Na teoria aristotélica.universo cheio de incertezas e mistérios. os objetos físicos têm um desejo. Ou seja: os mitos. qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) . Este tipo de prova recusa a teste.de que falamos no capítulo anterior . ou por uma combinação deles. lhes foi destinado. p. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. A terra é o elemento mais pesado e. 9. afirmando que ele cometera muna irregularidade. por natureza. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus. uma testemunha. por exemplo. então. tanto quanto a ciência. Num certo sentido. Mas. Antíloco venceu a disputa. Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. a verdade era dada pela voz do enunciador e. quando posta em dúvida. está abaixo dos outros. As cruzadas e as guerras religiosas. Antíloco se recusou a jurar inocência. A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . onde desejos e vontades são atribuidos à natureza. Nas sociedades míticas. empreender ações que sejam coerentes. Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos. esta forma de solução de disputas também foi muito comum. por exemplo. A 1. tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. os astros têm um movimento perfeito. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. que se encarregaria da regularidade da corrida. uma vontade de permanecer no lugar que. mas Menelau o contestou. mostrando assim a sua culpabilidade. embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. foram feitas pelos cristãos. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso. por exemplo. terra. mas é mais leve que a terra e. Assim. A água é mais pesada que o ar.são equivalentes. Se ele houvesse jurado "em falso". por isso. que o teria fulminado com um raio. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos.na idéia de que o céu é a morada dos deuses e.no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria.nunha. Para Aristóteles. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. o repouso. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . e transpõe sua eficácia para um plano superior. e. circular e uniforme. onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade. a evidência. a cosmologia e o senso comum . Na Idade Média. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. fica acima desta. . os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar. Entre os gregos. por exemplo. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. por isso. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade. por isso. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo. portanto. que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás".

foi dissolvida na ciência grega. . pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. por isso. a cosmologia. os homens se consumiriam em guerras e disputas. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento. para o Deus cristão. os homens nasceram livres. Platão . iguais. A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. que as administrará como Vontade Geral. para Rousseau. os homens são mesquinhos. é chamado de Estado de Sociedade. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. inviabiizando qualquer tipo de associação. Com uma tal natureza. em sua filosofia e em sua metafísica. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade. o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível. O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica. neste contrato. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. A verdade e as formas jun'dicas.a ausência do desenvolvimento do método experimental. o que permitirá que sua associação seja . M. de um lado. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade. isto é. Apesar dessa característica geral da época. Ver LAKATOS e MUSGRAVE. Isto decorre. Só que.Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. podemos explicar . Para Rousseau. para Hobbes.igualitária e libertária. onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. colocando em risco a sua sobrevivência. filosóficos. Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. ao contrário. depois. na Idade Média. por isso. De outro lado. para Hobbes. os homens alienam suas vontades ao Soberano. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental. Os dois autores são considerados contratualistas.estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. em erro. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. assim como. sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. Pode-se entender também porque. Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. FOUCAULT. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e.pelo menos em parte . as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. A metafísica como modernamente é entendida . Assim. e são por natureza bons. O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e. No entanto. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria.que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . ou vsão mítica do mundo.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento. Daí a necessidade de um contrato 3.é urna forma de saber que também não se submete à verificação. é chamado de Estado de Natureza. de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. Para Hobbes. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2. Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. em termos de Absolutismo de Estado. da natureza do ser. Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo.

BROWN. não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. Se o movimento dos astros é perfeito. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal. 2. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado. então com muito mais razão a terra deve girar. ruas não de ciência. só pôde ser . metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. E. A. por ser circular e uniforme. Einstein. 1-lá outro tipo de proposição que. aliás. H. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade. As questões metafísicas. o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. pois o "Senhor não joga dados". seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. mas entre eles os de que: 1. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza. A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. não pode ser testada. Os conhecimentos mítico.cuja forma lógica é (pv Øp). o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. As bases metafiicas da ciência moderna. alcançado em 1915.4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. da idéia de vercaçõo. 6 Uma hipótese ou teoria que. Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira. Este tipo de proposição . Este é. BURT. Ela passa a ser simples objeto de valoração. São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e. Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. não deve ser incluída no rol da ciência. não pode ser verificada. a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável . no entanto. 3. uru dos pilares do conhecimento científico. resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. na aceitação da teoria copernicana. pela sua própria forma. mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica. em especial. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. podem ser testados. Assim. O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. onde p é uma proposição qualquer . 5. e protegem as teorias de certos questionamentos. Uma das coisas que diferencia 4.Nas ciências naturais. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas.é chamada de tautologia. Este resultado teórico. por princípio.

8. Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. ilusória etc. ALVES. A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas. É interessante notar.9 Há. então. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. portanto. Esta concepção é também chamada de ontológica. cognoscível. e. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. Atingir a verdade seria. A idéia de Verdade aparece. H. que é.verificado em 1919. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes. que não é". O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. somente a essência adquire o estatuto de permanente e. Estes episódios foram narrados por C. Depois da experiência de Pérrier. ou seja.será definitiva. quando de um eclipse do sol. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. A primeira delas é que a verdade . poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. 7. compensaria positivamente depois da queima. portanto. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. atingir a essência da realidade. Para Platão. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo. no entanto. cit.edo que não é. Ele era invisível e.quando encontrada . . deixando de pertencer ao domínio da ciência. POPPER. É quando de sua aplicação a urna realidade. K. que é permanente e verdadeira. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade. Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é. Autobiografia intelectual. não poderia ser jamais verificado. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório. então. o mercúrio. Filosofia da ciência natural. Este fio era o "funículus". op. que são fugazes e enganadoras. que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. chegando até a imunização completa. um outn. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade. HEMPEL.sentido para verdade. por isso. os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. idem. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências. no entanto. A lógica da pesquisa cient(fca. Não está em questão aqui o modo como isto será feito. Filosofia da ciência. BROWN. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. R. que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada.

como acentuou Popper 12 . Nesta medida. seria sempre possível . verdade e essência coincidem. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias.para esta concepção . mesmo daqueles considerados básicos. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã. teremos o seu estabelecimento. POPPER. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. Mas. 35 por Popper. então. Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos". POPPER. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade. Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. das proposições e teorias. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. 10 Se a verdade existe. K. todas as teorias. 12. MORA. coisa que foi bem acentuada 9. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. Diciondrio de filosofia. Há ainda outra característica do essencialismo. . bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade.atingir a verdade. Em segundo lugar. A concepção marxista é a típica representante desta visão. 11.entre a confiimação e a falsificação. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. por princípio. K. ibidem. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos. por que não se instaura. 13 Segundo esta concepção. A lógica da pesquisa cien:(fica. do desenvolvimento científico. 11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la. então não pode ser refutada. Assim. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. 10. Existem teorias. Isto significa que. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. não aparece? É necessário. Há uma assimetria . portanto. dizem os essencialistas. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos. Se a verdade é a correspondência com os fatos. A história da ciência revelaria este esforço de representação. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. que é uma certa visão conspiratória do mundo. a um certo contexto. ao contrário. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda.pois a essência é permanente. É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes. F. Conjecturas e reflita ções. Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias. J. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua. Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato".

ou por não ter sido falseada. 1. 1986. Londres. As bases metafísicas da ciência moderna. progride. C. 1983. a qualquer momento. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. 1986. SP: Brasiliense. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. 4. Revista Filosofica Brasileira. Brasflia: UnB. VI. Maciri: Alianza Ed. R. Vol. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. geraram uma certa instabilidade na ciência. A verdade e as formas jurídicas. J. então. Filosofia da ciência natural. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. E. paradigrnas de verdade e coerência. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. Eles são interdependentes. 1983. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. M. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. De qualquer maneira. SP.A. Mas. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. BROWN. SP: Brasiliense. Hamlyn.. Manuscrito. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. Unicamp. isto é. FOUCAULT. Mas. que através de Ménon 1 nos diz: . a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. 1984. 2. Neste sentido. Dicionário de filosofia. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. Vol. 3. III. Não podemos chegar a verdades definitivas. BURr. Filosofia da ciência. n. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. HEMPEL. Como postular a veracidade de uma teoria se. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade. 1965. no entanto. RI: Zahar. UFRJ. que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades.13. MORA. 37 Larousse World Mythology. 1983. F. É a noção de causalidade que passaremos a discutir. H. Einstein. ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. 1981. 1.

isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. Ménon. A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. pela própria forma do enunciado. as liga por um raciocínio de causalidade. Nos casos 4 e 5. 7) A crise econômica. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. No 6. É a causalidade. valem um tesouro e só produzem o que é bom. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. as encadeia. São eventos concomitantes e. aparecendo como leis. O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. a outros casamentos. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. 3) O universo existe somente através de Deus. como fator explicativo. Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . em um caso particular. 6) A radioatividade causa mutações genéticas. existem várias causas. 1. O exemplo 1 relaciona. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. PLATÃO.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. o dinheiro de Paulo com um casamento. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. Da mesma forma é o exemplo 5. que é a energia cinética das moléculas. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. a relação aparece como necessária. O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. Neste caso. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus. a fugir. universais. mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. Neste caso. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. por exemplo. mas indeterminada. 2) Os milagres têm causa desconhecida. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. A relação é de caráter acidental. Assim. No exemplo 4. Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la. como. Aqui não há um "antes" e um "depois". mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. Neste caso. Os exemplos 6. isto é. quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante.

sem que seja possível a sua detenninação precisa . em sua genealogia. Esta forma geral de cau'a [idade . como em "A crise econômica. pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado. Por isto. Ela pode.mesmo que transformada numa proposição universal. uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex. onde um evento anterior causa um outro evento posterior. • a produção científica reduz a dependência tecnológica. ocorre sempre um outro B.tem. como na descrição do exemplo 7 . mas não de fonna precisa. Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum. no entanto. no entanto. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo.seria factualmente falsificada. mas como fator explicativo é de muito pouco valor. isto seria facilmente falsificado. a agitação social e a corrupção geram golpes de estado". ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos. O exemplo 8 . Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite. . onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada. O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. já que se trata de um evento particular. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. a proposição .foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex.como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos. este tipo de utilização está fora da ciência. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). 6). 1 e 7). a previsão de uma ocorrência e. Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos.que é do mesmo tipo do anterior . A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. Ademais.próprio fato. de outro. encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor. de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. mas não sabemos quando. 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide. dado um certo evento A. isto é. 5 e 8). 4. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex. Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários. de um lado. Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns. Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares. c) Relação Invariante. Sabemos que irá ocorrer.

aparecem sempre ligadas. Historicamente. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. isto é. Assim. que aprofundou sua crítica. que é uma característica das coisas. publicado em 1749. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. portanto. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu. Quando dizemos. pela observação de muitos exemplos. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza. ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. Para ele. de causalidade. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. Ou. em outras palavras: após descobrir. Portanto. o princípio de causalidade não é da natureza. para Hume. Empirista radical.iá nenhum indício de um fenômeno no outro. (ji 153) Assim. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil. ou seja. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. como a chama e o calor. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos. por exemplo. Em primeiro lugar. a neve e o frio. um dia. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos. Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos. o "quando" e o "quanto" da relação. No caso do princípio de causalidade. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. Não se imaginava que elas pudessem. que todos os . ruas também determinada. O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . que duas espécies e objetos. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. podemos dizer o "como". a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto. e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. Aliás. até hoje. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. às vezes. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. se faz entre a linguagem e a realidade.

Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação. então. Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. como. Introducción a la filosofki de la ciencia. que é a predição. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. B. gerador de conhecimentos. pode ser infinitamente dividido. Segundo ele. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias. Isto porque . como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. a depender da altitude. A explicação científica deve se aplicar a vários casos. mesmo finito. Por outro lado. Ver E. Logo. por exemplo. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. 3. pois se organiza em . A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. in Os pensadores. seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente. 42 43 intervalo de tempo t que é finito. seria o nada que antecederia o efeito. já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que.a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. Mas. em última amiuise. 4. nem mesmo poderá haver queda. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. Isto porque. e que enunciemos isto na forma de leis. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. a altitude. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio. então. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. HUME. poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências.corpos caem. RUSSELL. o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. na verdade. D. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. de um princípio gerador de pesquisas e.diferentemente do estágio pré-científico. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. Misticismo e lógica. Assim. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências. dessa forma. NAGEL. Devemos tornar a causalidade como uma suposição. Além disso. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos. 2. Investigação sobre o entendimento humano. já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso.

além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. A explicação disto envolve. Teremos. mas seguindo urna espécie de hierarquia. uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". pela sua própria forma. Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. 6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. se organiza na forma de Estruturas Teóricas. liquefez o vapor d'água. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. p. repmduzido em Lii explicación científica (op. Normalmente. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. esta reflexão não ocorre. A depender do recipiente. The logic o! expIa nation in philosophy of science. Para ele. 6. C.apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. que acabamos de examinar. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. 15). Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno. a fim de que nosso problema inicial . que era o nosso problema inicial. 1) Todo meio material provoca refração da luz. Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica. as proposições 1. Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. Filosofia da ciência natural. 2. Idem. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. Lt explicación cient (fica. 135-175 (Vol. de ordem. por esse motivo. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. necessárias e determinadas entre eventos. para o senso comum. A proposição 1. este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade.função das regularidades que encontra ou postula. 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. 5. Num . exerce uru importante papel. cit. mas precisa das outras condições iniciais. Ressalvado o seu caráter não-ontológico. tem um caráter de generalidade e de lei.a formação de umidade num recipiente com água gelada . 3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5). 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. HEMPEL. então. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. Num artigo publicado em 1948. Neste sentido. a noção de causalidade. Aqui. a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. idem. Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar.

então. e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. Em ambos os exemplos. Se isto fosse necessário. ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. Na formulação de Hempel. 3) Num meio mais denso.e de posse das Leis Gerais . Quando as condições iniciais estiverem dadas . onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra. a barra como estando torta ou partida. L Leis Gerais C1 C2 . a luz se propaga a menor velocidade. percebemos a barra como estando torta ou partida. Ç poderemos deduzir E. 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema. 2) A água é mais densa do que o ar. dedução. L2 . C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. Estas suposições.poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. portanto. a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. 5) Em vista disso. a de adequação a fim de que possa haver. em relação à que está submersa. L. teremos a impressão de que está torta ou quebrada. por estarem assimiladas às concepções correntes. De qualquer maneira. Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. L2 .ambiente muito seco (umidade baixa). Além disso. 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. a luz se propaga a menor velocidade. Da mesma forma que no exemplo anterior. O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1. a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei. de fato. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. Dados L1 .. A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. condições iniciais e conclusão. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral. e C1 . C2 . 3) Num meio mais denso. esse é o esquema Nomológico . Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel. em relação à parte que está dentro da água. O caminho inverso . 5) Percebemos. Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1). 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo. podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1. ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais. A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser.

O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais. inclusive das ciências sociais. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente. HEMPEL. por exemplo. podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. Em segundo lugar. de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples.). no passado. as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans.. o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais." onde o antecedente do condicional não ocorreu. elas conferem o caráter de estrutura. Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. 3. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans. Einstein etc. Assim. portanto. Dado E. as leis de Galileu e de Kepler -.. cit. ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas. Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação. em laboratório. C2 . 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso.expressaram claramente esta pretensão de cientificidade. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se.com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica. as Leis têm um papel decisivo. o ideal de explicação já era a física. op. isto é. Ç e a vigência das Leis L1 . é uma virtude. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. como diria o Ménon de Pistão. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. então teria ocorrido aquilo". A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu. . Em primeiro lugar . por exemplo. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. O Explanans deve ter conteiido empírico. devem ter os seguintes requisitos : 1. especificamente preparadas para isso. Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica .. sempre.Durkheim e Marx . tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial. necessárias para a explicação. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa. pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. que servia como o grande paradigma das cências. No paradigma hempeliano de explicação. Conforme C.também deve ser verdadeiro. Newton. Esta cláusula ficará 7. cujo modelo era sempre o das ciências naturais. No século XIX. 2. como. As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual. haverá. L2 . as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais. então. deve ser dedutível dele. L. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido... de coerência e unidade às explicações.

no entanto. 11. e da institucionalização das ciências sociais. cir. Sociologia: teoria e estrutura. caráter explicativo. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . fiction and forecast. que passaremos a discutir. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX. As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. Marx. C. as conjecturas de longo alcance não têm. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. Nestes escritos. Marx e Darwin. suporte de toda sua construção posterior. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. Ver E. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. T. mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. por exemplo. no entanto. MERTON. cit. Estas concepções de história ou de homem exercem. R. Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). GOODMAN. numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. R. como as chamou Merton. op. Ambas. bem como outros pensadores menores. sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas.foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. Facr. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. a sua mesquinhez e individualidade. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. 9. N. em concepções da história de ampla generalidade. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848.8. então. As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista. MERTON. cit. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana . têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. embora de menor abrangência. no caso de Hobbes. Os sociólogos. Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. apenas um papel limitado na explicação. 10. op. elas mesmas. sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social. cit. a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido. que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. HEMPEL. 3. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. Os exemplos podem mostrar isso: 1. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM. op. Spencer. o ideal científico no campo das ciências humanas . Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. NAGEL.já no século XX . também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas.. op. pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. as ciências sociais se confonnarani .em desempenhar um papel menos pretensioso. KUHN.

o trabalho. 12 De posse destes princípios. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. Assim. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. A "detenninação" de 12. b) O homem é um ser eminentemente social. da superpopulação relativa. O conceito marxista do homem. g) A existência. então. que funcionam como axiomas para a teoria. necessárias e independentes da vontade. com as Leis Gerais e Condições Iniciais.. hi E. A sua teoria se estrutura. relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais.. as diferentes formas de pensar a si mesmo. os cânones do esquema hempeliano. c) O homem é um ser que tem consciência. em suas diferentes formas.sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. no entanto. pois existem alguns fatores que a retardam. a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. Nesse sentido. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. necessárias e independentes de sua vontade. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. não são compatíveis. o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. MARX. a rigor. São eles: a) O homem é um ser da natureza. A totalidade destas relações. determinam a consciência. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. por sua vez. . K. Além disso. Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. FROMM. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que. uma vez obtido. os homens contraem relações determinadas. com urna análise detalhada da economia burguesa. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos. Deve-se. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. De qualquer modo. Manuscntos econômicos e filosóficos.

por residências de luxo e. 14. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. O capital. As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. O interesse maior foi pragmático. K. a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop"). pois tende a ser invadida pelo 13. então. hií urna tendência para a "expansão radial". mas o de um raciocínio que. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. Burguess. pelos mais diversos motivos. A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. 17 enquanto as TLA. Mas pode-se. bastante diferentes das do exemplo anterior. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. MARX. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas. 15. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. MARX. in Os pensadores. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. conforme este modelo. neste modelo não há Leis Gerais. a zona posterior é ocupada por moradias operárias. trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. são incompatíveis. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. PIERSON. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. Em primeiro lugar. uma zona chamada de "com nzuters". O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. a zona seguinte. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. de Emest W. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. as grandes sínteses. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. a zona seguinte é chamada de zona de transição. no entanto. Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. as TMA guardam uma certa "positividade". por último.2. por isso. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. seu caráter é probabilístico. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. Em segundo lugar. este fenômeno não falsifica a hipótese. há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". D. K. Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. Estudos da ecologia humana. no sentido de que têm origem factual e de . Conforme salientou Merton. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo.

de certas relações e seus também necessários desdobramentos. Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes. por exemplo. de Lei. queda nos preços das ações por excesso de oferta. no caso das TLA. op. as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. Já com as TMA. J.que servem como fatos básicos para as TLA.poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo. um certo poder de autoproteção. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. no limite. R. enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. A noção de tendência. ao contrário. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana.. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. são de dificil aceitação. A divulgação desta "previsão" . afirmando que "ainda não chegou a hora". diríamos. hoje. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. a previsibilidade é uma das características importantes. confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. isto é. o das ciências naturais. A. O Explanans gera o Explanandum por dedução. O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca. esta atitude provocará. MERTON. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá. por si só. em milenarismo. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. Cit. op. pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. Suponhamos. Qualquer teoria pode. PIERSON. A determinação expressa o caráter necessário.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro. Assim.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. Isto. ou ainda. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura. de fato. É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". Um outro . p. inD. No esquema hempeliano original da explicação. QUINN. 17. mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. cit. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais. necessariamente. 369. por exemplo. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas. 16. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. pois ela previra apenas urna tendência.

No entanto. E não poderia ser diferente. mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas. e tem ainda. Por outro lado. por conta de que providências são tomadas para evitá-los. A pretensão científica das ciências sociais.1. A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. cir. 4. POPPER. RYAN. no que concerne à explicação. à bancarrota. A sociedade aberta e seus inimigos. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. R. Ver A. as postulações de vários epistemólogos da atualidade. A situação do banco era normal. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. op. o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. taxa de crescimento populacional. cit. 18. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. MERTON. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças. E NAGEL. que instituiu um . mesmo que não explicitamente. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. por exemplo. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. K. levando o banco. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. em pouco tempo. teve. correram todos a sacar suas economias. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. A análise de determinada situação pode sugerir. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. op. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais. Os depositantes. 20. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada. evitando-se assim a elevação da inflação. 19. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. sua inspiração nas ciências da natureza. com medo de perderem seu dinheiro. taxa de criminalidade etc. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. 4. Filosofia das ciências sociais. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos.. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva.

por sua vez. que podem ser de natureza prática ou teórica. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. . no fmal da década de 1920. Para Popper a ciência é. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. um empreendimento que visa a solução de problemas. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. assim como os epistemólogos anteriores. portanto. mostrando que os cientistas formam um grupo social e. essencialinente. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. já que deverão resistir a severos testes. Este assunto será desenvolvido no cap. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. com maior conteúdo empírico. tendo em sua linha de sucessão. sem dúvida.movimento nitidamente racionalista e historicista. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. filósofos como Aristóteles. veremos. Popper discutia. 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. No entanto. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas. de um 21. já neste século. Karl Popper. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. Ver o cap. IV. jamais será alcançada. um movimento de "revolução permanente" na ciência. baseado em Conjecturas e Refutações. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena. IV. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. Hegel e Marx. A epistemologia de Thomas Kuhn parte. a lógica do processo científico. como dissemos. não condiz com as postulações abstratas de Popper. pelo menos como princípio. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. por novas teorias. fazendo surgir novas conjecturas que. serão testadas e refutadas. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência. Paul Feyerabend e Imry Lakatos. a busca pela refuta çõo das teorias. através de testes críticos. item 2. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. portanto. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. Assim. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. ao contrário. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos. ou grupos dentro dela.22 Depois da formação do cfrculo de Viena. aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. mas. Para Kuhn. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. sabemos. Em seu livro A lógica das ciências sociais. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. 22. Este modelo de organização e progresso. a referência mais conhecida na epistemologia foi. Dados os problemas. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação.

indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos. o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn. Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores.Assim. Ao contrário. composta por um" cinto de proteção" . Aqui. Para ele. Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos. a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas. Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. Assim. 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. Os recentes desdobramentos .diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos .conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que. . mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. quando os resolve. já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. assim como a sua dinâmica. Na visão kuhniana. entra em crise e inicia urna era revolucionária. tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas. pois . e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas.está cada vez mais claro que a incerteza é universal.conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. e por uma heun'stica positiva. mas aquela que.2. as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias). algum dia. 4. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções.

58 . mas como parte do próprio conceito de sociedade. isto é. Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. um melhor posicionamento na escala social. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca.como propõem os popperianos.. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos. 13. em sentido mais geral. S. p. Heisenberg. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna. na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais.. conseqüentemente.24 No entanto. não teriam sentido social. assim. H. pois. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções). As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. estabelece regras para a sua satisfação e. a sociologia e o princípio da incerteza. MATALLO JR. devem partilhar de uma linguagem comum. entendida como um fenômeno simbólico. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . apesar de haver sentido partilhado na linguagem. necessariamente. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. No que diz respeito ao desejo. B. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. e. H. a sociologia e o princípio da incerteza. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. em vez de teorias. 25. frustra urna parcela da sociedade.e para a realização de testes cruciais . deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. Idem.No que diz respeito às infonnações. contribui para as mudanças sociais. MATALLO JR. devem entrar na rede simbólica. Na verdade. 26. devem ser escassos e concentrados. não contextual. SANTOS. in Educaçdo e Compromisso. isto é. a realidade social. porque há certos bens que. cit. Isto ocorre porque. os bens são escassos e. op. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial. 14.26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. os comportamentos dos indivíduos. em segundo. O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias. em primeiro lugar. Heisenberg. 23. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais . serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. Deste modo. MERTON. p. por definição. Caso isto não ocorra. a linguagem não tem a propriedade da univocidade. 24.25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. caso contrário. Assim. Podemos dizer que. para serem aceitos.

SP: Brasiliense. O enigma do cosmo. 1965. M. BROWN. 1978. que o indetenninismo e o arbítrio existentes são partes constituintes das ações individuais e coletivas e de nossa imensa capacidade de criar e recriar as formas de convivência social. A estrutura dos revoluções cient(ficas. 1965. SP: Abril. LOSEE. A. para um mesmo explanandum E e utilizando-se um mesmo conjunto básico de postulados.. HEMPEL. 1n Os pensadores. 1983. A. 1978. a construção histórico-social (seleção e descrição) varia não somente entre as diversas correntes de pensamento. FARRINGTON. R. Estes são os fundamentos do pluralismo teórico das ciências sociais e da aparente arbitrariedade reinante na disciplina. GOODMAN.. 1972. . Indiana: Bobbs-Merril Co. FOUCAULT. J. o esquema seria: Explanans Conjunto de Postulados Básicos Descrição . Londres: Hamlyn. O conceito marxista do homem. 1984. C. CARTIER. 1975. Filosofia da ciência. Segundo esta nova versão. RI: Primor. Madri: Fondo de Cultura Económica. Filosofia da ciência natural. MARX. R. E. 36 (3). _______ The logic ofexplanation in philosophy ofscience. T. H. HUME.O paralelo entre as estruturas de teorias que faremos com as ciências naturais tem como referência o modelo nomológico-dedutivo de Hempel. BASSALO.). Introdução histórica á filosofia da ciência. CHALMERS A. É preciso constatar. Larousse World Mythology. 1. RJ: Zahar. no entanto. Reproduzido em La explicación cient(fica (op. mas também entre pensadores de uma mesma corrente. In FROMM. _______ Prefácio da contribuição à crítica da economia politica. K. ______ O capital. Tópicos. 1979. mas urna constante reconstrução a "partir do zero". R. Fact. A ciência grega. E. F. N. Whatisthis thing called Science? Queensland: University of Queesland 1978. SP: Perspectiva. ______ Head and hand in Ancient Greece. 1979. 1949. D. 1978. As "experiências de pensamento" em física. Manuscritos econômicos e filosóficos. SP: Abril. de tal maneira que nunca temos urna explicação definitiva sobre um conjunto de fenômenos.. HANSON. Vol. Einstein. SP: Abril. 1984. a sociologia e o princípio da incerteza. mas com significativas alterações em seu conteiido. 1n Ciência e Cultura. Londres: Watts and Co. Heisenberg. 1978. As bases metaflsicos da ciência moderna. ARISTÓTELES. SP: Brasiliense. H.Reconstrução Histórico-Social Explanandum E A diferença está em que. MATALLO IR. La explicación cient(fica. cit. Brasilia: UnB. KUHN. 1975. 1983. Investigação sobre o entendimento humano. fiction and forecast. Madri: Alianza Ed.. Bibliografia ALVES. 1n Os pensadores. 1977. SP: Ibrasa. LAKATOS. RJ: Tempo Brasileim. 1961. Doença mental e psicologia. Padrones de descubrimiento. B. SP: Edusp. 1981. M. 1. BURTT. N. 15. 1978. 1978. & MUSGRAVE. F. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. RI: Zahar. Buenos Aires: Paidós. SP: Edusp.

RUSSEL. ou seja. II. em que consistem seus métodos. A. que é a produção do saber. QUINE. B. 1988. K. Lógica. SANTOS. 1978. Introdución a lo filosofia de la ciencia. Fédon. 1978. qual a sua credibilidade etc. 1991. Dicionário de filosofia. s/d. . ela investiga fundamentalmente os métodos. República Federal da Alemanha.Teresina: Educação e Compromisso. WARTOFSKY. ainda. SP: Martins. 1978. Edusp. O. 1978. A sociedade aberta e seus inimigos. W. SP: Edusp. teoria da ciência. ______ Dois dogmas do empirismo. LOSEE. Belo Horizorne. 1. E. NAGEL. 1978. porém. 1970.. SP: Abril. VARGAS. diversas denominações. Itatiaia. MORA 1. Um discurso sobre as ciências na transição para urna ciência pós-moderna. como a ciência atinge seus resultados. Podemos dizer que filósofos e cientistas em geral sempre buscaram alcançar uma compreensão adequada do que vem a ser o saber científico. Estudos de ecologia humana. tais reflexões epistemológicas não constituíram uma disciplina independente. Professora de Filosofia da Puccamp. como ele procede. RI: Zabar. como a palavra sugere. Epistemologia naturalizada. D. RYAN. PLATÃO. RJ: Globo. mas foram empreendidas no quadro de uma * Doutora em Filosofia pela Universidade de Munique. SP: Revista de Estudos Avançados. 1978. S. Objetividad en la investigación social. Conjecturas e refutações. Filosofia das ciências sociais. 61 SALMON. M. Buenos Aires: Paidós. 1977. n2 3. SP: Mestre Jou. MERTON. 1968. México: Fondo de Cultura Económica. 1978. Considerações introdutórias As reflexões críticas acerca dos fundamentos da ciência vêm sendo elaboradas desde tempos remotos. _______ Conhecimento objetivo. POPPER. Vol. 1978. Madri: Alianza Ed. 1978. 1982. Introduçõo histórica dfilosofia da ciéncia São Paulo. SP: Abril. 1 Durante séculos. G. Misticismo e lógica. ______ A lógica da pesquisa cient(flca. ______ Ménon. 1970. metodologia. Brasilia: Tempo Brasileiro. ao longo dos anos. F. 1986 MYRDAL. B. Metodologia da pesquisa tecnológica. RI: Tecnoprint. RJ: Zahar. ______ A lógica das ciências sociais. R. La estructura de la ciencia. W. também. A investigação teórica acerca do fenómeno "ciência" tem recebido. SP: Edusp.. SP: Abril. 1974. pois. Para se ter uma boa visão dos empenhos epistemológicos desenvolvidos através da história recomendamos a leitura de J. A metodologia seria urna parte mais restrita da epistemologia. PIERSON. Mas ela se preocupa também em articular os critérios que nos permitem avaliar o desempenho de teorias já formuladas e que nos possibilitam. Edusp. os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal. 1977. Brasilia: UnB. as mais conhecidas são: epistemologia. Sociologia: teoria e estrutura. SP: Francisco Alves. Capítulo IV A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTf FICO: ALGUMAS POSIÇÕES Maria Cecilia Maringoni de Carvalho* 1. M. 1985. decidir entre teorias concorrentes. 1979. SP: Cultrix. Madri: Alianza Ed. filosofia da ciência e.

É muito difícil. Segundo Stegmiiller. mas estenderam-se aos domínios da ética. da filosofia da linguagem e da filosofia da história. Seus principais integrantes foram. a se alterar. A fantasia criadora do 2. no decorrer da década de 20. Todavia. de modo sucinto. Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados. o que parecia faltar à filosofia. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. Tal corrente. alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. 277 ss. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. Rudolf Carnap. Otto Neurath. o controle é feito com base em processos lógicos. -' Nosso estudo pretende abordar. pois. além de Schlick.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. Contudo. Historicamente. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica. uma vez elaborada a hipótese. quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. p. que emergiu do Empirismo Lógico. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. ela deve ser submetida ao teste da experiência. fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. sobretudo nos países anglo-saxões. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa. se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. O grupo. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. quando não impossível. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. Kuhn. o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. vol. ela deve ser abandonada ou corrigida. Na matemática. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. Nas ciências empíricas. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo . Existe. o Racionalismo Critico de Karl R. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que.2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. 1. A filosofia contempordnea. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa. o controle é feito com base na observação e na experimentação. Hans Hahn etc. aos poucos. Wolfgang STEGMOLLER. conhecido sob o nome de Círculo de Viena. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico.

cit. vol.um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. real. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. foi. Popper Karl R. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo. Não se tratava. contudo. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. factual.. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação. Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R. 1. 3. pp. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não. como pensavam os empiristas clássicos. Princzvio do Logicismo . ou seja. se chegaria a um conceito geral. Kulm Todavia. na medida em que for fundado na experiência. op. ou seja. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados. porém. seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. é verdade. sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica. mediante comparação dos objetos entre si. exige. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. sem dúvida. segundo o princípio empirista. Na realidade. Wolfgang STEGMOLLER. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. Thomas S. De outro lado. traduzidos em uma linguagem observacional. sociais e psicológicas da pesquisa científica. 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. na medida em que priorizou as dimensões históricas. 2. sem diiv ida.4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica. e que.. Popper é.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. como mostraremos em nosso trabalho. havia um debate fecundo entre eles.para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução. . O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos . análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. 277-284. É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. ou seja.

magnético. como a palavra sugere. Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica. como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição. elástico. Contudo. a condição de ser colocado na água). então x se desmancha. Sendo de madeira. certamente que "a" não é solúvel em água. mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico.é todavia inadequada. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais. uma tendência de um determinado objeto para.aparentemente plausível . Elas nada declaram a respeito de um objeto.1 deste capítulo. ainda que plausível. Teríamos. então: se um objeto x é colocado na água. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. apresentar uma determinada reação ou comportamento. estas não podem. Esta definição . solúvel. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. Entretanto. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . inteligente. verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional. item 3.um objeto x é solúvel em água. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. seria considerado solúvel. Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso. esse ideal. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. Ver. como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. Entretanto. Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. Contudo. que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual. são termos que denotam uma disposição. introvertido etc. Termos disposicionais. de acordo com a definição proposta. eram passíveis de 4. ou seja. parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira . Entretanto. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. O enunciado "se x é colocado na água. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. então x se desmancha" é urna condicional. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. a rigor. então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". como veremos agora. Em vista da dificuldade ora apontada. A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. se atentarmos melhor. dada a falsidade do antecedente. Em suma. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água". o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso.Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas. ser caracterizadas como definições propriamente ditas. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras".

5. 274-329." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência. e. o qual corporifica. 1983. p. Uma vez abertos os olhos. Ciência: conjecturas e refutações. STEGMULLER. outras três eram a teoria de Marx. de chamar a atenção para o caráter aberto. a Europa encontrava-se imersa em grande crise. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. Camap. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão. de outro. é a de A. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. Karl R. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. escondida dos ainda não-iniciados. a evolução do Empirismo Lógico. Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco. R. in Conjecturas e reflaações. IX. Camap. Edições 70. de um lado. 1977. De fato. POPPER. 64 7. Cap. abrindo os olhos para uma nova verdade. 1. p. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. porém. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. Dentre as que me interessavam. São Paulo. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. Lisboa. as três teorias anteriormente mencionadas. contudo. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. pp. 63." 6 O problema que o intrigou. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. a teoria da relatividade. A filosofIa contempordnea. 3. 6. Teve o mérito. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler. tais teorias não eram . O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais.de um conceito . e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação.já que o conceito é deixado em aberto. K." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre. também W. Ibidem. em certo sentido. Nessa medida. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. Além disso. Na época. EPU/Edusp. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. vol.

Por isso. uma vez que as procuremos. predições que. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo". p. ou seja. em virtude da atração gravitacional do Sol. refutabiidade ou falseabiidade.. Ela é. caso sua teoria fosse verdadeira. mostrar-se incompatível com resultados de observação. POPPER. 3. O problema da indução . Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. R. como frequentemente se pensa. em princípio. lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade. deve. Popper lembra. caso ela resulte de urna tentativa séria. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. passando próxima do Sol. Como diz Popper. Ibidem. porém malograda. 68 69 certas coisas de acontecer. 11 Em suma. Ibidem p. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. Ibidem. 9. p. o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade. mas um vício".testadas com base na experiência. As três teorias precedentes não são falseáveis. p. 10. a teoria da relatividade pode. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria. melhor ela é. factual. ou seja. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. 66. op. a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. isto é. de refutar a teoria. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. Como descreveu Popper. K. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade. inspirar sua metodologia. deveria refletir-se. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. Quanto mais uma teoria profbe. ci:. em princípio. Esta teoria parecia aberta à refutação. em princípio. 11. ou seja. Einstein deu-se conta de que.13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. Numa palavra. 66. ou seja.1. 64. refutável. Uma teoria que pretende ser empírica. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão. colocar em risco as teorias em que se baseiam. juntamente com os resultados de sua crítica à indução. nesse contexto. refutariam a teoria. 65. Nesse caso. ser refutável. A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. "a irrefutabilidade não é urna virtude. "falseável". as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. não são capazes de sustentar predições que possam. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. que ela nos diz algo sobre a realidade. se não realizadas. no dizer de Popper.

e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança).a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela. devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente. parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. com o tempo acostumamos a essa repetição. Ibidem. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . R. Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. é o sujeito que estabelece conexões entre eles. De um ponto de vista meramente lógico. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. Em suma. Mas devemos notar que. deve interpretá-las como repetições. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas. Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. K.. construções do sujeito. mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. "A" virá sempre acompanhado de "B". Todavia. somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. p. porém. numa teoria psicológica como a de Hume. cit. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. Fui levado portanto. 66. p. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos. op. Hume nega que a indução possua uma base lógica. Segundo Hume. Popper aceita o argumento lógico contra a indução. POPPER. A expectativa é . deve considerá-las similares.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923. só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição. a experiência nos dá impressões sensíveis. Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. Como tais conexões não provêm da experiência. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. 66. como o funcionamento de um relógio. no futuro. Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12. Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes. 14 A concepção ingênua. Segundo Popper.para Popper . 13. Temos aí um empirismo radical. baseada em similaridade que só ele poderá identificar. segundo a qual dois eventos seriam em si similares. por considerações puramente lógicas. Segundo Hurne. a inferência indutiva não pode ser legitimada.

. e a dos enunciados que descrevem dados de observação. a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência. demonstrar a verdade de .da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação." ' O conhecimento não tem início com a experiência. 17. descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar.como mostraremos a seguir . 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. um ponto de vista. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. p. nesse contexto. ou seja. enunciados que exprimem leis naturais ou teorias. procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. pois. 440-441. publicada em meados dos anos 30. pp. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. Sem nos determos em premissas. POPPER. pois tais enunciados não são passíveis de verificação. É claro que uma tal verificação é impossível. Em Überblick. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação. "demonstração da verdade"). op.0] 70 71 definida. nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação. op. 75-76. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria. extraordinariamente limitados. R. A ciência começa com a percepção de um problema. pretendem valer para qualquer tempo e lugar.. isto é. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). isto é. enquanto que os enunciados de observação são singulares. desde que. mas com uma teoria. R.que precisamos pôr de lado. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes. um problema.portanto. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16.que as repetições nos imponham suas regularidades. um interesse especial. 15. Logo. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. caso as observações não as corroborem. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. p. uma tarefa 14.2. convicção ou expectativa e os dados da observação. damos um salto para chegar a conclusões . Pois. Popper. cit. Teu II. quer dizer. Wolfgang STEGMÚLLER. se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis. Se alguém quisesse verificar . p. Os dados de experiência são. obviamente. pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação. 3..1 • iI 1. alterar fundamentalmente o estado da questão. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa.um enunciado nomológico. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto. Ibidem. Theorie der empinschen Wissenschaften. Os enunciados nomológicos são estritamente universais. K. cit. POPPER. in Naturwissenschaften 66. . 76. A metodologia de Popper resulta . Modeme Wissenschaftstheorie. K. que exprimem leis. 74.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc. KIJHN. 37. ou ainda composta de fótons. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. Uma tal construção é. G. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria. KUHN. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação. ia op. 71. o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso. op. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão. M. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. cit.2. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. a Química e a Biologia. a Física de Aristóteles. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da . verificam-se as seguintes conseqüências. portanto. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas. ou seja.. 4. um grupo homogêneo. O paradigma caracteriza. técnicas e saberes é muito pouco transparente. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. ou será um movimento ondulatório. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. será ela composta de partículas de matéria. Kuhn dá o nome de paradigma. Ibidem.. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. SCHNEIDER. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos. que partilham o mesmo paradigma. op. 29 A Física. p. eles conhecem a resposta. pois toda essa rede de posturas. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. a Óptica de Newton etc. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo. 23. Desaparecem. 30. pp. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. quanto à natureza da luz. cit. acolhida como superior às suas correntes. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido. A uma realização científica dessa envergadura. p. via de regra. 29. BAYERTZ. 20-21. 237 ss.27. 32 ss. em geral. pelo menos intuitivamente. cit. The tacir dimension Thomas S. assim.). entre outros. 28. Constitui-se. S. Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona.. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. Posfácio. portanto. Vide H. K. POLANYI. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. T. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina. bem como a maioria de suas ramificações.

que não se ajustam facilmente ao paradigma. KUHN. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. que ele comporta solução. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. M. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe.. quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo. então. detectou 21 acepções diferentes desse conceito. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. MASTERMANN. durante algum tempo. ou seja. Daí decorre que. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma. o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. ele é tido por inatacável. um arcabouço teórico de cunho bem geral. MUSGRAVE (orgs. naturalmente. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada.) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. LAKATOS e A. de antemão. Posto isso. 33. ci:. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência". na ciência. Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper). A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão. a existência de fenômenos recalcitrantes. p. O paradigma representa.31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. Não nega. 13. pp. propriedade coletiva da comunidade científica. porém. o qual não é o resultado direto de experiências. Nega que eles tenham a . Nesse sentido. Masterrnann. ele adquire uma dimensão normativa. A natureza de uni paradigma. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. Ibidem p. interessá-lo. 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica.fecundidade de um tal conceito. 65. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. op. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. S. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. Como diz Kuhn. para o qual já existe uma solução paradignultica. mas que direciona qualquer experiência. 32. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. Aí estão os problemas considerados legítimos. nesse sentido. M. in 1. T. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. Em algumas passagens. Por receber adesão coletiva. Com isso. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. 72-108.

esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento. Especulações ousadas . 5. dirigido ao pormenor. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos. Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. T.. 53-80. Vide H. op. da acumulação bemsucedida de saber.37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. KUHN. cit. pp. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. MUSGRAVE. Cit. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). cede lugar a um período de crise. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade. 4. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante. efetuado pelo artesão científico. Além disso. KUHN. importante papel na produção do novo. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele. LAKATOS e A. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. A fase de triunfo. A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática. não se pode esquecer. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades. p. G. Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. W. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. pp. S. Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes. The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent.função que Popper lhes atribui. O paradigma está ameaçado. papel mediador na emergência do novo. TAYLOR (org. tem. ele goza de certas imunidades. 45. op. iii 1. KUHN.36 34. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso.). pois. A Crítica da ciência. Contudo.). SCHNEIDER. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. 36. vide T. Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. 12. in Jorge Dias de DEUS (org. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. A função do dogma na investigação científica. vide T. proibidos pelo paradigma. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham. KUHN. pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. O trabalho miúdo. S. p. ela é condição de possibilidade de emergência do novo. Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. 35. assim.).3. 162-174. cit. T. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal. S. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. a atividade científica tem um forte componente social.

op. 42 De qualquer forma. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. cit. critérios gerais que determinam de modo unívoco. S. os cientistas não o abandonarão. Em geral. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. como é que. Não existem. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência. T. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos. p. KUHN. parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. T. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas. para cada situação possível. se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia. . porém. A questão é que. Contudo. in op. ' Com o agravamento da crise. Bayertz. p. A crise parece desempenhar esse papel.. na visão de Kuhn. via de regra. T. enriquecendo-a com novas informações. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade. 113 ss. S.. ao seu conservadorismo. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. 42. Vide nota 36. 190-191. KUHN. de início. The essential tension. 38. Sem crise. 44. dominada por um paradigma sucessor. as revoluções pareceriam impossíveis.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. 39. diferentemente. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma. É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. Ibidem. 57 ss. u Entretanto. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. p. S. KUHN. 41. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. mas a altera profundamente. contudo. 116. A estrutura das revoluções científicas. Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. pp. dessa promessa". como assinala K. 43. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade. por muita confusão e inquietação. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. Contudo. As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. Ibidem. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. op. cit. pois não é possível pesquisar sem paradigma.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. p. Ibidem. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. cit. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. Ele é mais urna "promessa de sucesso". 44. o qual é precedido. Kurt BAYERTZ. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40.

Como sabemos. quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. a outra. 47. tentará formular novas teorias. Popper rompe com essa tradição indutivista. mantendo-se crítica frente a ele. 49. in Wemer DIEDERICH (org. Para . Em uma palavra. KUHN. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. 48. op. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. por exemplo. Idem. ou seja. a pesquisa se toma aleatória.). urna vez de posse de urna hipótese. p. 10 ss. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. as quais. o método indutivo era usado. retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos. W. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência. (org. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. pp. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. busca de alternativas. ' Em meados da década de 30. Em outras palavras. como. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre.45. nessa fase pós-paradigmática. STEGMULLER. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. tratava-se de confirmá-la indutivamente. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. as quais confumariam a hipótese em questão. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. elevando o seu grau de probabilidade. A estrutura das revoluções cient(ficas. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. Popper e seus discípulos. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. defendida por Thomas Kuhn. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma. 5. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente. T. dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. não para descobrir hipóteses. pois propiciou uma articulação mais clara. 81 extraordinária. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares.). falseamento de concepções existentes. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. pp. Isso é compreensível. então. 167-211. cit. se tiverem êxito. mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. 46. A filosofia contempordnea. S. 113-114. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. MUSGRAVE. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. pp. p. suas teses provocaram grande impacto. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas. mas. 114. Procura tomar mais aguda a crise. representada por Karl R. Ibidem. a menos que seja guiada por um paradigma. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. LAKATOS e A. Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. 353-391.

a-crítica. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. Sua metodologia é urna metodologia crítica. com o tempo. Ver. quem tem razão? A posição de Popper. negativa.e nesse ponto concorda com Popper -. a relevância que Popper lhes atribui. (orgs. KUHN. regras de lógica dedutiva. se Kuhn tem razão. 18 ss. deste capítulo. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1. E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva. T. item 2. Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. E tal reflexão poderá mostrar que. mesmo preservadas as idéias . S. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. sim. 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. p. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido. A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva. certamente..não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem. abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. em outro. de fato. e que seriam. que privilegia o espírito crítico. ou a admitir que. pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. em um caso. a crença na indução não passa de uma ficção. E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos. quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. no entender de Kuhn. não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece. uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar.) op cit. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. aos poucos. se a ciência não se orientar nem pela indução. ainda que estes possam ocorrer. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas . LAKATOS e A. 51.via indução . até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . aberta à refutação. não possuem. não se impor. contudo. nem pela dedução.ele. À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. Se. além disso. Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo. parece bastante saudável para a ciência. nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas. ou seja. ela é. E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. rever nosso conceito de racionalidade.nem a refutação das mesmas .via dedução . MUSGRAVE. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese. mas se prende ao fato de que. Todavia. É preciso. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante. nem de longe. um empreendimento irracional. teimosas. o 50.

nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. R. Todavia. in 1. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração. estas refutações não atingem a teoria enquanto tal. um dia. Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. o fenômeno das manis etc. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. Para ilustrar. De início. vemos apenas um quadro geral. A estrutura das revoluções científicas. pp. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e. W. p. impôsse a teoria ondulatória da luz. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação. Contra a ciência normal. a razão está do lado de Kuhn. Ver também a contribuiç5o de J. WATKINS. que contém uma estrutura matemática. porém.) op. 186. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. além disso. via de regra. Popper tem razão. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. portanto. 54. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei. articulado em todos os seus detalhes. contudo. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. T. Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria. explicar os fenômenos da óptica. p. POPPER. KUHN. porém. op. arcabouço teórico. A ciência normal e seus perigos. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito.centrais de Kuhn. obviamente. pp. Apoiaino-nos na exposição de W. Vejamos um exemplo. A estrutura das revoluções científicas (op. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade. 53. S. seria possível.) op. passíveis. no século XIX. 191. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. cit. in 1. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal. a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre. MUSGRAVE (orgs. Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. N. nesse sentido. quando.. SNEED. não corresponde à realidade. Quando uma teoria é concebida. KUHN. A classe das aplicações possíveis não constitui. 33-48. e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região.). E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica. ainda não conhecidas. 55. que a luz não era constituída de partículas. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade. The logical structure of mathemaiical physics. 63-71. cit. K. fixado antecipadamente. D. ela não se apresenta logo como algo acabado. conhecem-se algumas aplicações da teoria. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. Newton havia prognosticado que. todos os esforços nesse sentido foram inúteis. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. S. concluiu-se.. em sistema acabado. (orgs. Em vez disso. com o auxilio de sua mecânica de partículas. T. Existem refutações na ciência e. ou que se conheça de antemão. LAKATOS e A. nesse ponto. ci:. o movimento pendular. cit. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis. sugere-se 52. . Isso. LAKATOS e A. de serem verdadeiros ou falsos. MUSGRAVE." liii núcleo estrutural não é passível de refutação.

DEUS. 1978. A crítica da ciência. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. Karl R. STEGMÜLLER. contudo. J. A. Carnap e o positivismo lógico.). SCHNEIDER. pois que a vivemos de forma ambígua. A crítica e o desenvolvimento da ciência. Wemer (org. PASQUINELLI. The tacit di. As origens do conhecimento e da ignorância. Além disso. da UnB. SP: Oaltrix/Edusp. Theorien der Wi. KUHN. 1979. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. Brasilia: Ed. Jorge Dias de (org. POPPER. SP: Edusp.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea. 1979. 1978. Munique: Springer Verlag. Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981.).A comunidade científica não é irracional. bem como defensores da nova teoria então nascente. em ambas as teorias. B. SP: EPUJEdusp. Frankfurt: Suhrkamp. Ciência: conjecturas e refutações. um dia. s/d.). J. A. 1 e MUSGRAVE. RJ: Zahar. 197. A. The logical structure of mathematical physics. é normal haver defensores da teoria até então dominante.Sor1erdntck . 70. Introdução histórica d filosofia da ciência. 1983. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado. Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J.Wissenschaftskritik. 1. 1971. Naturwissenschaften 66. Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear. 1966. Lisboa: Ed. BH. G. Nova York: Doubleday & Company mc. e MUSGRAVE. Contra a ciência normal. certamente. Wissenschafiliche Revolution. 1974. (2 voL). 1n DIEDERICH. a nosso ver. s/d. Michael.). João Francisco Regis de Morais* Concretamente. E. Dordrecht. hoje em dia. J. Eis porque em outros escritos meus já . Garden City. a outra parte da população está morrendo porque a tem. Kurt. 1979. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas.ssenschaftsgeschichte. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome. _______ Duas faces do senso comum. 1n Conjecturas e refutações. Afilosofia contemporânea. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha. 1n LAKATOS. (org. Dado que as teorias são irrefutáveis. Para isso. POLANYI. SNEED. hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade.. Racionalidade e a expansão do conhecimento. LOSEE. Wolfgang. WATKINS. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. 1979. D. Brasilia: Ed. Thomas S. os quais esperam e acreditam que ela. H. Bibliografia BAYERTZ. Boston. 1975. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis. N. 1n Conhecimento objetivo. da Universidade de Brasília. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. ht Psychologie heute . ampliando seu domínio de aplicação. 2t ed. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. Belo Horizonte: Itatiaia. como parece ter sugerido Kuhn. SP: Cu1trixEdusp. A estrutura das revoluções cient(ficas. 2 ed. Itatiaia. já se disse que se.. 1977. não há nada de irracional nesses comportamentos. 1n Conjecturas e refutações. Weinheimund Basel Beltz Verlag.. (org. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . Verdade. W. numa época de transição. LAKATOS.nension. lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. SP: Perspectiva.

Mas parece ser o modo realista . Inevitavelmente. Evidentemente. às suas funções manfestas.de se olhar para a vida e interpretá-la. tampouco lograremos que chegue algum dia. correspondem funções latentes.. penso. negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. de um lado. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. 1. expondo-nos à permanência do provisório. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos. Volto sempre a dizer que. num projeto histórico mais modesto irias. do século XVI (Renascimento) até hoje. dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar. pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo. a realidade humana seja "isto e aquilo". nos negócios humanos. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp. A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. a ciência e a tecnologia não são boas ou más. Certamente que não é um modo cômodo de ver. nas quais se lê que. conhecidas e declaradas. menciono três grandes momentos do mundo moderno. São ambas as coisas. e. a ser apenas bom. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. o que gera. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje.no mais salutar sentido da palavra .afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio. imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim. São dois modos de ver. factível. Discutível? Sim. negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado. Não muito preocupado com essas periodizações. mas é necessário que. que é marcadamente científico-tecnológico. nunca será apenas mau. Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal.se é que algum dia o tenham sido. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas. ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade. pode ser. Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. de outro lado. sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". para não quebrar o fluxo dialético da vida. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade. O nosso meio. E isto porque. . não podem mais ser livres de valores (value free) . pelo menos. ou só em seus lados positivos.

Na primeira metade do século XVII. curiosamente. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. de nome Galileu Galilei. a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. na Igreja de Notre Dame de Paris. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. entre a luz e a sombra. O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. regido por leis internas. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. é o primeiro grande momento do mundo moderno. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. Num golpe histórico. Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. no século XVIII. É muito importante que atentemos bem para isto. De repente. quando a Revolução Francesa. no meu entender. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. entre o humano e o divino. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica. tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. estava. Para Newton. conseqüentemente. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. em um preciso dia do preciso ano de 1590. imutáveis. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno. lugar no qual. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica. perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. A arte deste século. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). necessárias e. pelos séculos . um altar para a Deusa Razão. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. conhecida como o Barroco. prepara. quanto à queda dos corpos na física. Porém. inaugura a chamada ciência experimental. o universo sagrado. Ora. de espanto. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. Ora. o mundo "encantado" da Idade Média.Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa. e este campo abria-se de forma ilimitada. porém. é urna aguda expressão de perplexidade. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo". em muitos aspectos. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente.

crescemos em organizações (escolas). Como tenho dito. Com os avanços da ciência cibernética. o carvão. quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. Mas.. como disse. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que.no mundo da vertigem e do espanto. Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). S. Duas Cidades. Um tanto perplexos com tudo isto. Um novo tempo com novo ritmo começava. Estávamos na "era da incerteza' '. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton. Paulo. a realidade global da sociedade. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo. A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. como o vapor. de modo que o operário pudesse intervir.. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade. agora. Está transcodificada a nossa realidade e. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. 1983).. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora. ou se despertava quando o sono acabava. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo. A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia. agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris. ao contrário. Se antes dormia-se quando se tinha sono. instalando-se definitivamente o tempo da máquina.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. de ensino ou outros. comia-se quando se tinha fome. surge o computador. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito.. Com a crescente urbanização do Ocidente. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. com as chaves antigas de leitura. à entropia". sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. desde que ultrapassada a fase de programação. e a coisa vai assim até que morremos e. comerciais. para se poder levantar cedo. trabalhando junto com a máquina. . tenha-se ou não fome. somos cuidados pelas organizações funerárias. passamos a vida trabalhando em complexos industriais.7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. à deterioração. quase inconcebível. de um "universo de situações probabilisticas". Bolzrnann (na Alemanha). Isto vem até dentro do presente século. Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza".seguintes. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade). por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. via-o como algo que "tende ao caos. a eletricidade etc. Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. já não se podia ler.

é perder um pouco da própria identidade. em um desastre mesmo. chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. são questões grandes demais. preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. em apenas quatro séculos de experimentalismo. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos.esta mesma humanidade está atrofiada. compete perguntar se tudo está perdido. da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que. Era positiva a tal contestação. há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. o que é uma falácia. enfim. é se tornar uma atividade febril e sem história. maravilhosa.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento. a consciência de si. quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. um ledo engano. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo. a visão fragmentária de um mundo mecânico . E só se tornou negativa. A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). em si. Tentemos algo. Assim como. provoca. na vida do homem. Assim foi que a ciência. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. conseguiu. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. a princípio. Mas a pretensão é. convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é. perdeu. mas em tennos espirituais . De uma certa maneira. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia.e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos. em termos genéticos. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. Diante disso. quando a contestação se transformou em ruptura. Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível. mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. a vontade (WoIlen). isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos. sem que a outra perna crescesse também. e muito. Negar a mãe é necessário. mas romper com ela é se perder das origens mais reais.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que. a atividade científica toda emergiu. 2. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer. O século XVIII. à medida em que quis romper com a reflexão filosófica.muito pior em um brevíssimo ensaio como este. E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância . pelo menos em campo material. Como se pode ver. Com pouco que se contribua neste campo será muito. em um processo normal e salutar de crescimento psicológico. menos que responder completamente a tais indagações. Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . Ora. tinha apenas na base um impulso salutar. Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado.

como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço .em termos de desequilíbrio climático . Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar. A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo. enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa ." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós. creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. crendo que a história faz inteiramente a consciência. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa. se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. o dr. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. de uma tal forma que. com certo prazer autodestrutivo. propõe. Chemobyl acaba de mostrar-nos. as coisas se compensam. Mas não o sou. transformou-se num esporte contemporâneo. como visão de vida. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica. pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. À Weltanschauung. para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos. em suas palavras. na recuperação de uma . Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor. na qual. e enlouquecer-me-ão. aí. analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. 1959). Editora Melhoramentos. Ora. da forma mais assustadora.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais. Creio que o homem é "ele e sua circunstância". em um momento de explosão bendita. mais do que interdependência. tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. visão de mundo ou concepção de mundo. da igreja. se isto é verdade. trata-se da facilidade com que expor a vida. Zargwill. Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. para não enlouquecer. Paulo. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver.meticulosamente articulado. Num sentido sócio-cultural. Todavia. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica.sendo que. S. e esta de ordem psicológica. a verdade de um sistema interdependente. Ao que me parece. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte. da escola etc. escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro. há mais uma grave questão. no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem.de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. E. O médico e pensador Albert Schweitzer.

provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. trata-se de que cada um.visão de vida (Lebensanschauung). Albert Schweitzer dizia que. e. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto.o que nos faz ver razão de esperança. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão. as boas e as más. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque. segundo. Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. no seu íntimo. temos energia nuclear. havendo amor. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro.1 Ii Í'. Seu objetivo é convocar o estudante a participar. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. O fundamental é. como também da sanidade da ciência. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades. e muitos mais feitos da ciência. Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico. portanto." Hoje temos muito. dentro da escola.. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis. que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. com maior maturidade. O mesmo dr. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. Conchindo. No século XIX. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação. Não se trata. do próprio processo de educação. isto só se dá porque cada ramículo. Isto porque. no entanto. unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. para cruzarmos os braços em hora tão delicada. mas não foram tentadas todos ." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa.0] 92 93 mundo. tomando-se. não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade. . o estudante deve estudar primeiro como aprender. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu . fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres. temos infonnática computacional. quando na primavera os campos reverdecem. uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns..

interdisciplinaridade. pelo aumento da demanda escolar. a educação sistemática. substituindo valores.. através da relação dialógica educador-educando. P. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. Hoje. que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro. Mas. 1. de ordem técnica ou não. com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância. inclusive semanticamente. e portanto da intenção. desmoronando fronteiras. ação extensionista escola-comunidade. Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. Se surgem novas palavras. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. mas para representar. 53. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'. isto é." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí. Doutorando em Educação (Unicamp). rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente. feita nas salas de aula. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar. significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia. extinguindo mesmo funções. educandoeducador. Dessa maneira.. . De alguns anos para cá. dinâmica de grupo.. pelo acúmulo de infounações. com reflexos na prática didático-pedagógica. no nível da comunicação. Antigamente. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. de urna nova dinâmica educacional. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem. uma realidade emergente. mais do que o professor ou qualquer livro didático. 07 de leitura da realidade. FREIRE. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. sobretudo. necessária e esperada. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. trabalho cooperativo. p. para manifestar ou preceder. Professor de Filosofia da Puccamp. Extensõo ou comunicaçdo?. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador.. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade. mas sim o de proporcionar. Por causa da célere geração e substituição de informações. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. uma situação desejada. a organização de um pensamento correto em ambos. Jornais e revistas. as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP).Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. pela linguagem. em saltos qualitativos. pela "forçosidade" de especialização profissional.

num sentido amplo. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. 89. O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. A pessoa agirá por etapas. seres humanos. 98 O termo pesquisa é aplicado aqui. FREIRE. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. fazendo perguntas para obter resposta. A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender". são formas de pesqulsa. como nenhum cientista. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade. nenhum pensador.. p. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. do próximo ao distante. Neste sentido lato. como sinônimo de busca. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar. no domínio desse conhecimento. em direção ao seu objetivo ordinário. intuitivamente ou não. de investigação. que é perda de tempo e de energia. percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço." Assim. M. que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. HEIDEGGER. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. desafiado. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. atrvés do emprego de processos científicos. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber.Portanto. com risco de o professor querer competir. 2. Mas o que professor e aluno. pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo. de indagação. A pesquisa bibliografica Pesquisar. genericamente. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. de bairro em bairro. P. com os veículos de comunicação modernos. Para não . Dentro dessa perspectiva educacional. Um desafio que envolve professor e aluno. cit. engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. a não ser que seja insensata. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. Qu 'appelle-t-on penser. Consultar livros e revistas. do simples ao mais complexo. em desvantagem. para uma incorporação rica de informações. conversar com pessoas. 1. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. p. làis métodos (do grego: meta = para. Certamente. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. examinar documentos. 54. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. op. 3. a fim de que.

a consulta de indivíduos abalizados ou não. um jornaleiro. por exemplo. . um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor.os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. . que poderia ser considerado um expert no assunto. é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa. isto é. um carteiro.passar ridículo. uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. "caminhos para" se obter a informação desejada. . Um objeto de estudo bem pode ser: .o assunto para urna matéria jornalística. aleatoriamente. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. ao primeiro indivíduo que passa. lendo todas as tabuletas indicativas da cidade. A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro. Diante das respostas negativas dos transeuntes. o exame de mapa ou lista telefônica são métodos. grafia = descrição. Do ponto de vista prático. . Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna. e compilação das informações (documentação). o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. . Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar. após várias tentativas. Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando. eventuafruente. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. .o título de uma conferência ou simpósio. a pessoa solicita.um tópico especffico do programa. por si só. Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico. a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. .o conteúdo programado de uma aula.uma hipótese-problema para pesquisa científica. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita.uma tese para um trabalho monográfico. vagamente na cabeça. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. Neste caso. sem mais nenhum dado que forneça pistas. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. caminhando a esmo. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua. A leitura das tabuletas com o nome de rua. localização dessas fontes. um motorista de táxi ou. .urna doutrina ou um sistema de idéias. Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. . Têm. . o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras.o texto básico para um seminário. Assim. defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes. propriamente dita.a obra científica ou literária de um autor.

vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. Além do enriquecimento do vocabulário. provas corrigidas. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber. Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. O dicionário não é o" pai-dos-burros". quando o campo de interesse já estiver bem-definido. A organização de todo esse material didático. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. Neste período. sínteses de artigos udos e analisados. Um estudante. em um caderno pessoal. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. procurar adquirir livros. cadernos de séries já cursadas. Anotações de aula. percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. uma HISTÓRIA. para bem orientar. fichamentos de livros. Se esse material estiver guardado ordenadamente. um TRATADO. a formação geral e a formação específica dentro da escola. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. que apresente uma visão geral desse campo. De início. como diz o senso comum. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. que concorre também para aumentar a velocidade de . se possível. No caso do estudante. tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. dos principais tópicos. trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. Nas séries finais. A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. ao matricular-se em urna escola superior. A partir da definição clara do objeto de estudo. Um bom dicionário comum da língua materna e. respectivarnente. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente. Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. mas o " companheirodos-sábios". teses e monografias mais específicas. como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo.O professor. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. 1 101 Não obstante.

o estudante poderá manusear vários livros. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. Assim. o aluno poderá. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. segundo as grandes . o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. para enriquecer a sua biblioteca profissional. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. não encontrada nas primeiras. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. a médio ou longo prazo. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. às particulares ou às públicas. com acesso direto às estantes. isto é. No que se refere à bibliografia da disciplina. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos. por exemplo. danos e perdas de livros. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. ler os sumários e orelhas. empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino. Muitas escolas. um TRATADO. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. Além das bibliotecas escolares e universitárias. o aluno. programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. principalmente as de nível superior. um dicionário da língua e outro especializado. Nem isso é possível na atual politica educacional. no caso de urgência para completar o estudo. Sendo o sistema de consulta "self-service". Para economizar tempo na localização dessas outras obras. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. em que são escassas as verbas para educação. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado. De posse dessa bibliografia básica. 102 A relação de livros e textos básicos. uma INTRODUÇÃO. ganhando tempo e segurança. através de uma exploração inicial.leitura. a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias. uma HISTÓRIA. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido. De outro modo. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica.

Matemática. Maurice (1908-1961). Vozes. A Biblioteca possui 3 exemplares. Publicações CID . busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. segundo a classificação do Catálogo de Assunto. 465 p. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas. também denominado Ideográfico. Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. B992i a linguagem. 100 Introdução ao pensar: o ser. Artes etc. em ordem alfabética. 142-7 MERLEAU-PONTY. Rio de Janeiro. 22cm. o conhecer. classificados alfabeticamente por sobrenome. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras.Filosofia . Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. Sociologia.. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. 21 cm. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. 3 ed. M564f Fenomenologia da Percepção. 7 edição.v. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo. 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor.áreas do saber: Filosofia. o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor.. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. Tem-se assim. Psicologia. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. 1971. Comunicação. Petrópolis. De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas. flmdamentalmente. Teologia. com as fichas de obras e autores que versam a respeito. e as respectivas obras. Educação. 1978. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto. fornecido pelo Catálogo de Assunto. O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático. Arcangelo R. Freitas Bastos. Recorre ao Catálogo de Assunto. 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . 206 p. Contudo.

quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto. o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia . Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY. 8 Número de páginas. Resumindo-se. funcionário de uma biblioteca americana. Por exemplo. Por exemplo. É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja. Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto. 7 Data de publicação. Exemplo: .540. Nesse sistema. 5 Local de publicação..Filosofia 200 . A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar. seu número de classificação será geral. uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338. Geografia e História 000 . 10 Páginas com indicação bibliográfica. 11 Número de exemplares da Biblioteca. idealizou e publicou em 1876. é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto.Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico. 100 . . outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica .A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra). um livro que contenha urna parte de Química Analitica.Religião 300 . O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal. 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra. 3 Título da obra. Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA.0944.Biografia.. Democracia .Filologia e Lingüística 500 . tem-se que. trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado. que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. 2 Sobrenome e prenome do autor.Ciências Puras 600 .8. Saúde Pública 614.Ciências Aplicadas 700 . A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY. 9 Dimensão do livro. 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). quanto mais algarismos tiver a classificação numérica.100.Belas Artes 800 . 4 Número de edição. 6 Casa editora.321.Literatura 900 .Ciências Sociais 400 . Por outro lado.

d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade. Metafísica.15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. ::::as::1ms.13 Artérias 611.1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611.o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático.Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 . Conhecimento. -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia. Filosofia. um referente a um tema da área de Ciências Humanas. . 2' edição..o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1). tem-se que: . divisão 140 (ficha 2). Essência. 121. Filosofia. 128 Homem.Sã da Costa.Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia. Joel Justino Batista 107 S487i . Conhecimento. 6 3 2 45 SERRÃO. à da experiência do corpo no mundo. 1970. outro referente a um terna da área de Ciências Exatas.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611.Iniciação ao filosofar. . 22cm. 8 Valor. b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. Filosofia. . c) é um tema de Filosofia Crítica. Lisboa. 112 Saber. Epistemologia. 198 p.14 Veias 611. 123 Liberdade.

ou mesmo universitárias. . é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor. mais específica (ficha 4). é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron.o item b remete à seção Ótica Física. Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático. Portanto. caso o aluno tenha acesso direto.535 Física .535. Para localizar um livro na estante.530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático.o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático.. raramente têm Catálogo de Títulos. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático. Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar. Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. . divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). O dorso do tigre. A reprodução. Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes. que parece um tratado de Teologia. c) é um tema relacionado com a propagação da luz. só pelo título. embora pareça obra de Genética da área de Biologia. Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: .o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático. tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa. Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes. divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1). O dorso do tigre também não é da área de Zoologia.o item a remete à classe de Física.5 Ótica Física . as seguintes obras: A reprodução. tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. divisão 142. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura. Finalmente. 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. Meditações.7. isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação.Propagação . é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. Como mera ilustração. divisão 535. Luz . b) é um tema abordado pela Ótica Física. . há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais. as revistas especializadas e os catálogos de editora.o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. Meditações é título de duas obras homônimas. Apocalípticos e integrados. de Física. Apocal4oticos e integrados. O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. divisão 142 (ficha 3). .5 do Catálogo Sistemático (ficha 3). escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes. ficaria muito difidil encontrar.

Antonio Joaquim Severino. conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. Após a identificação e a localização das fontes. 5. Publicidade e outros. via postal. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. quando houver. Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. Ambietie. 2. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. . encanes. o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência.Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. documentação bibliográfica e documentação temática. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral. redigidos e assinados por especialistas. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. remetendo endereço e dados pessoais. Saúde. da assistência às aulas. Economia. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar. Ciente disso. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. deve procurar as revistas especializadas. nos jornais de sua cidade e região. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. 4. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados. Veja e Visõo. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado.?Senhor. As mais conhecidas são Isto É. seções. na prática. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. Para tanto. Medicina. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. da participação em conferências e seminários. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. Direito. Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais.

A. em ordem cronológica. encabeçados também por um índice remissivo. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. as infomiações dos textos armazenados. Do mesmo modo que colecionamos livros.A vantagem dessa atividade. ci:. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. em pastas ou fichários simples. de poucas folhas. folhetos e catálogos das editoras. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem. desenvolvida como forma de estudo. A biblioteca do aluno é. autor. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. Não é o caso também de armazenar. 6. como recortes de jornais.citados anteriormente -. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. depois de colados em folha sulfite. J. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. É evidente que essa atividade. p. nesses arquivos. Isto é. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. prospectos de conferências. X e XI. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. apostilas. IX. SEVERINO. data. ruas apenas de modo técnico. não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. de várias folhas. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos. Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. gráficos estatísticos. Organize sua biblioteca.tais como: trabalhos didáticos. Documentos menores. textos fotocopiados. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. 7. classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. material instrucional de aula etc. Assim. cap. em qualquer tempo. titulo do artigo. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica.. estampas e ilustrações. o conjunto básico dos livros . para facilitar utilização posterior. op. Na montagem dessas folhas. de modo que ajude a identificação quando necessário. Vide l-leloísa de Almeida PRADO. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais. artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. tudo o que cai nas mãos. roteiros de seminários. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. nome do jornal ou revista. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. mapas. sem critério. Uma página de frente. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. 72. desse modo. o estudo . artigos de revistas. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação. com relação alfabética ou numérica dos textos. ficam melhor acondicionados. documentos inéditos.

a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa. à venda em papelarias. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. de quem é a autoria do texto anotado. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. No Brasil. as anotações de idéias pessoais. próprias para fichários-padráo. artigos. Para tanto. É uru requisito necessário ao . não se comporta como um mero repetidor. não menos essenciais. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. O estudante que empreende tal estudo. encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. na forma de documentação. críticas. é prudente estabelecer um código simples para identificar.5 x 15. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. Do ponto de vista gnoseológico. Entretanto. 3. o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão. é colocar essas citações entre aspas.5 cm. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. registrar simplesmente sem código. embora esteja investigando um saber já elaborado. o aluno consegue identificar os pressupostos. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. o estudante deve anotar também suas idéias. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. quando for consultar. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. os argumentos. Para ilustrar isso. Em agosto de 1989. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas. É conveniente que o aluno faça comentários. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa. Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor. Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura. isto é. O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. isto é. resumos. escolher um outro código para identificá-las. que forem surgindo durante a leitura. Finalmente. indicando entre parênteses a página do documento. posteriormente. problematizações. recensões e teses. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques). Para referências específicas de fontes peculiares (teses. SEVER1NO. boletins. .irnprenta (local de publicação. Cortez Ed. de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap. e o . exceto nomes próprios). 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. O autor apresenta normas práticas para o estudo. 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação. Para referenciação de livros e textos acadêmicos. . (continuação) No 42 cap.notas complementares e especiais (opcional). 32 Da segunda linha em diante. . 21). O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p. 21).subtítulo (depois de dois pontos. . Mariangela Pisoni. O Cap. 9. A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA. letras minúsculas)..). Textos didáticos n. Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo.titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. sem grifo. textos avulsos ou outros). c) encabeçando resumos ou recensões. são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário. visando torná-lo organizado. A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto. Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. . Aqui o A. 1992. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico.aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento. b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica. 1980. vfrgula.sobrenome do autor (letras maiúsculas). A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986. 1. No l cap. . opcional. dois pontos. Para maiores infonnações técnicas. o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo.).tradução (se houver).prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula). data de publicação).edição (quando mencionada ria obra). Segundo o A. São Paulo. que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . congressos. trata da organização da vida de estudos. editora. Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. O aprofundamento do estudo científico pressupõe.. consultar: ZANAGA. ainda. . trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. Campinas: Puccamp/Fabi.

VII. ago. volume (tomo) p. 4683. resumos de textos e resenhas (pp. fundamentais no contexto da vida universitária.nonogra. Campinas: Papirus. 1988. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor. pode-se indicar Jornal do Brasil. Puccamp. por um travessão. Tradução por Ivo Stomiolo. mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. título ou o idioma original (Tradução de . (exceto maio). 1968. São Paulo: Francisco Alves. OBRA COLETIVA registrando. consecutivamente. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. nas 9. 14. exemplos: jan.. (*) O A. ii. 1989 . em ordem crescente. mar. (expressão latina) = e outros 3. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista. Alberto e SOUZA FILHO. 114 11ç 8. = ilustrado rev. v. Campinas: Papirus. ei ai. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. rev. Rabindranath. meios de informação. jun. 1991. = pagina n. LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. 1982. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er. em nota especial no final. As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento. distingue os tipos de trabalho: . João Francisco Regis de. p.) na seqiência do título e.. at. LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. revisto e atualizado 2. p. Contraponto.). São Paulo: Exemplos: Paulinas.diário. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA. 9Op. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. trabalhos didóticos. at. Maria Helena. quando mencionado. Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido. se o estudante não aprender e compreender Delta.fia (que aborda um único tema). Danilo M.. IX. = mímem (fascículo) SODRÉ. (Tradução por . opcionalmente. 143-144). Rio de Janeiro. v.cap. sistemática (J)or assunto) ou cronológica. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. Folha da Tarde. 1. 6 Quando se tratar de obra traduzida. São Paulo. ii. 1982. 2! cd. e MARTINS. 1980. Este desafio . Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. Tradução do bengali para o inglês. (Coleção vida e meditação). 10. feita pelo próprio autor. A colheita.. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS. Campinas: Instituto de Filosofia. ed. Muniz e FERRARI. ediçâo. 16 jan. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. 5 ed.

João Àlvaro. Campinas: Papirus. 5-6. 2! ed. 6 ed. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. Maria Duma de Oliveira et ai. v. 2 cd. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo: Cortez e Autores Associados. São Paulo: AbrilCultural. Folhetim. e MARCONI. CERVO. 1985. 1). Paulo. São Paulo: Cortez e Autores Associados. GONÇALVES. Metodologia dei trabajo cient(fico. 6. 1962. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . 25. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . MICELI. Josephina.pp. 1974. Armando. por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. P. M. FREIRE. MORAL. Tradução CAMPOS. (Boletim n 306). OLIVEIRA LIMA. L.n. Tradução por Washington José de Almeida Moura. 1. pp. 1971. 1973. Paris: PUF. 1. Metodologia do trabalho cientifico. Heloísa de Almeida. Elementos de catalogação. Mutações em educação segundo McLuhan. DOMINGUES DE CASTRO. 19 dez. Catalogação e clossflcação de livros. São Paulo: Atlas. Metodologia cient(fica. SEVERINO. Paulo. São Paulo: McGraw-Hill. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. IV. 1984. C. Porto Alegre: Globo. 7. e BERVIAN. Paulo. 1979. Qu 'appelle-t-on penser. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. rev. 1990. E. v. 1992. (Edição interna). amp. 2 cd. (Coleção didática. São Paulo: Atlas.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. Petrópolis: Vozes. Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. Organize sua biblioteca. Haroldo. M. RUIZ. v. 55 e 14 cd. Lauro de. 1973. 1977. Antonio Joaquim. Antônio Cândido. M. São Paulo: Paulinas. Santander: Editorial Sal Terras. Os homens e suas pontes. 1978. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. PRADO. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. Margaret. THIOLLENT. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira. 48-54. 1983. 1985. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. Resgate. HILLAL. 1971. 1980. 45 ed. A. 24jun. São Paulo: Polígono. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. 1969. 1. e BARBOSA. 1967. pp. Metodologia da investigação cient(fica. São Paulo. 57-76. Michel. 1973. assunto do próximo capítulo. LAKATOS. Gonzales Ireneo S. Comunicação e cotidiano. T. A. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. Veja. Amélia Americano F. Folha de S. A. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação. Mania. 116 DIAS. 1955. Metodologia da pesquisa-ação. ASTI VERA. HEIDEGGER. ERBOLATO. J. Análise do discurso de Maiakovski. L. MANN.

Como toda obra humana. O texto iluniina e esconde. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens. é ao mesmo tempo produtor. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. É através dela que expressa a sua vida. definitivo. ideológicas e culturais. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem). A sistematização. tem a marca humana. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes. outras perguntas.. organizados.. Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. pinturas. acabado. do saber. das obras.. filmes. É carregado de significações. É um eterno fazer-se. os problemas. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. que vive a experiência no mundo com os homens. não é um objeto... as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens. querna importância geral que desempenha.." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas. sempre guarda um sentido subjacente. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . portanto. Mas não se pode esquecer: o que ilumina. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. artigos de revistas e jornais etc. foram definindo caminhos. televisão. são imprimidos pela marca da historicidade. levanta outras questões. e mesmo de outras expressões do conhecimento. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza. Esclarece. cientistas. O texto "é uma voz . ". Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. a ser assimilado pelo leitor. autores dos textos. obscurece o mundo e. que transforma o mundo colocando algo de si. literatura. 3. à medida que são sistematizados. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo. com os homens e com a própria produção do saber. como se ele fosse um objeto pronto. é a expressão do viver." 2 fraduzem as angústias. O autor do texto é o homem historicamente situado. Professora de Filosofia da Puccamp. que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos. absoluto. experienciar. poesia. Enquanto produto das suas relações com o mundo. O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada . produto humano. nenhum ultrapassa a linguagem. esculturas. participar é o produto colocado no mundo. também "faz" sombras.O texto é obra humana. O texto. não é algo pronto. obscurece. querna flexibilidade e no poder comunicativos. acabado. a obra. metódicos. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História.. etc. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. livros científicos e filosóficos.linguagem.. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. 2. e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. da literatura.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. políticas.

exige o "ouvir" a sua palavra. de certo modo. enciclopédias. que dar vida. que é possível a compreensão e interpretação de textos. após a leitura. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. 3." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1. Hermenêutica. 20-21. pp. intencionalidade. É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. O leitor. dos conceitos apresentados pelo autor. os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto. 112-135. 4. verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada. Considerações em tomo do ato de estudar. op." Neste sentido. A leitura de um texto pressupõe objetivos. 5. Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap. PALMER. manuais. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. cit. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. É somente neste encontro histórico. 18. distanciam o leitor da obra. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. 22. para a explicitação. a compreensão dos significados nele implícitos. o objetivo do estudo do mesmo. R. R. Sugerese a demarcação dos conceitos. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam. Metodologia do trabalho cient(fico. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos.. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. PALMER. uma voz do passado à qual temos. ao se dirigir ao texto. o seu autor. p. onde experiências diferentes se defrontam. é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. pp. em primeiro lugar. 9-12.Em seguida.. 120 C .humana. sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. dos autores citados e. J. SEVERINO. P. É imprescindível ter claro as questões. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor. FREIRE. Compreender. Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão.. a consulta aos dicionários. B . 2. interpretar. pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. pp. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . das doutrinas desconhecidas. .De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura. 111 da obra de A. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa. o seu mundo. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. 1bidem p. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade.

Nesta perspectiva. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. na perspectiva aqui desenvolvida.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos. F . mediatizados pela obra. E . apresenta uma resposta. epistemológicos) neles presentes. a posição do autor diante do problema levantado. seguindo. de seus questionamentos a partir de suas experiências.D . na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor. os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor. 32) Diante do problema levantado. confrontando-os com outras posições. Nesta etapa. as suas angústias. que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor. a partir de "sua leitura" do mundo. para depois dedicar atenção às partes do texto. seriedade. pois trata-se de "ir além" do texto. de outros pontos de vista. Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana. o seu ponto de vista. 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. captando antes o todo. de suas preocupações. 5. de desenvolver a "sua leitura" do texto. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. É o momento mais importante do estudo. rigor. descobrindo os pressupostos (históricos. é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. de outras abordagens. Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade. é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. exige como condição prévia este "ouvir" o autor. a ordem lógica de exposição das mesmas. as idéias que confirmam a tese.A partir deste trabalho é possível expressar. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. na interpretação.O estudo de textos. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. problematiza o seu mundo. a partir do questionamento. ideológicos. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. para isso. Não pretendem . mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal. que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado. o estudo de textos teóricos exige disciplina.

Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor. no desdobramento da argumentação. pp. via de regra. BARBOSA e Emilia AMARAL. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) . III. no seu conjunto. C. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio. o excelente trabalho de Severino Antonio M. pp. Como fazer uma monografia. no seu conjunto. b) Desenvolvimento . Escrever édes. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. 83-117. sendo assim. Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: . Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. 5. elabora-se o Esquema destas idéias. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes. normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes. entre outros. Os textos. . 8. assim. Sobre redação e dissertação consultar. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. desenvolve e conclui o texto. 83-102. elementos de metodologia do trabalho cientifico.6. demonstram a posição assumida pelo autor.Deve-se grifar estas palavras. Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap. que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez.onde o autor apresenta o assunto. Como atividade acadêmica. Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos. 7. SALOMON. a "visão do todo" do texto.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? . Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. possibilitando. c) Conclusão (últimos parágrafos) . Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração. São as "palavras-chave".neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. maior interesse por parte do leitor.vendar o mundo. que. Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. na apresentação de idéias ou conceitos que. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura.nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. no momento da interpretação do texto. 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos. iniciantes na vida acadêmica.1. IV. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D.

cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta. Na Introdução apresentam-se o assunto. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor.2. congressos etc. desta forma.2. simpósios. posição do autor e argumentos). A seguir. O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. elaboração de resenhas.). Desenvolvimento e Conclusão). analisar a importância do texto. pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação.3. a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto. e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto. com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução. ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. Deve-se elaborar uma redação resumida. época em que o texto foi redigido. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. Pressupõe. como atividade acadêmica. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal. deve-se identificar autor. IV. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central. O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão). é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. 9. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos. Quanto aos comentários pessoais.4. 5. a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap. Inicialmente. os argumentos. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1. deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros. texto. 5. problema. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. 125 5. e na Conclusão a própria conclusão do autor. . 10. Informações gerais sobre o texto.2. no Desenvolvimento. para publicação ou divulgação.2. a sua posição frente às questões desenvolvidas. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. Sobre a documentação verificar o cap.1. 11. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. 1. problema e posição do autor. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor". o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo.O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto.

A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central.Indica apenas os pontos principais do texto. Uma resenha deve ser sintética. resultados e conclusões.documentação de dados bibliográficos. Comentários pessoais e críticas. Comentários sobre a idéia central do texto. com a utilização de terminologia específica. atas de congresso etc. de livrarias.Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto.Associação Brasileira de Normas Técnicas . . Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. 3. até 500 (quinhentas) palavras. Comentários sobre o plano de assunto do texto. . até 100 (cem) palavras. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras.Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. principalmente como tarefa acadêmica.Na crítica. Expõe finalidades. • para relatórios e teses. . metodologia. Resumo crítico . 4. deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto. Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos. É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor.Combinação dos anteriores. à revisão textual. Bibliografia . a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB . relatórios.documentação primária espec(flca: artigos. também denominado recensõo ou resenha. identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo . publicação de indexação e análise etc.88/86. monografias. .documentação secundária: projetos e catálogos de editoras. bem como à seqüência lógica e organização do texto. • para monografias e artigos. 2. não apresentando dados qualitativos ou quantitativos. Como a ABNT . teses.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral. O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar. atualização da bibliografia utilizada pelo autor. A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves. É utilizado para: . estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas. atualização de gráficos e tabelas. mas de uso corrente em alguns setores da Universidade. aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas.

1985. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. 35 cd. PALMER. É também chamado de facilitador. Metodologia do trabalho cientifico. Ri: Paz e Terra. C. FREIRE. permite um melhor resultado. Mesmo que se forme espontanearnente. 1n Escrever é desvendar o mundo. um debate.. Autores Associados. A.. P.o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. Hermenêutica.BARBOSA. 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. elementos de metodologia do trabalho científico. entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade.relator: em geral. A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: . a existência do grupo depende de alguns fatores: . mas também a formas de convivência e produção cooperativa. Como fazer uma monografia. . tal como uma pesquisa. o estudo de um texto ou de um problema. 2 cd. A dissertação e o pensamento lógico. as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos.e também de outras formas de conhecimento . e AMARAL.coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer. . Antonio Severino M.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto. Emilia. ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). 1987. Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba. Considerações em tomo do ato de estudar. .a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. 1-'o 129 . mantendo a unidade do grupo. 1986. Para realizar o processo de conhecimento.é que ela se constrói de uma forma coletiva.. Neste sentido. São Paulo: Cortez Edit. SEVERINO. Belo Horizonte: Interlivros. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. SALOMON. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. Lisboa: Edições 70. 1973.um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo. J. Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . R. organizando suas atividades. porque. 12! cd. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis. . Campinas-SP: Papirus. Professor de Filosofia da Puccamp. 1978. D. os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita.

urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos. ... no entanto. mas nem sempre conveniente. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos. por ser uma forma bastante prática. resolução de exercíciosfeed back. apresentam suas posições e análises acerca de um tema. em seguida. Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás). Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p. num auditório. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação. 3. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. a respeito de um tema. bem como promover o entrosamento entre eles. procurando chegar a um resultado comum. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade. 1. Aplica çõo: Sondagem de opinião. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. parceiros lado a lado). que o relator apresenta. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário. 2. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo.avaliador: é um papel que todos devem desempenhar. coordenados por um mediador. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises. e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. entrosamento de todos e rapidez. em número conveniente. o que permite avaliar o trabalho de todos. e. A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. complementares ou divergentes. ao que nos parece. seja numa sala de aula. bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. Contudo. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. ou outra forma de grupo. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições. ex. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos. Neste sentido. as mais adequadas aos cfrculos universitários.Painel de especialistas: expositores. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis. pode-se recorrer a três tipos de painel: . Havendo necessidade.

Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos. para selecionar. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. Em seguida. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto. Se for grande o número de subgrupos. como no Philips 66. Em sala de aula. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta.mdidade. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos. ainda que demande pesquisa. em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. ou duas pequenas equipes de especialistas. sindicalistas. Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção. o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo. permitindo abrirem-se os debates. pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. de um lado.. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. as melhores perguntas. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. já nos subgrupos. Nisto difere do debate aberto. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. A validade da técnica. Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. inclusive realizando pesquisas. mas por outro critério. mas por áreas profissionais ou de interesse. após as exposições. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. podendo ser combinados entre si. quando usada em sala de aula.). para discutir e redigir documentos e conclusões. poderá ser necessária a presença de um coordenador. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados. 4. . em termos de tempo e qualidade. É bastante utilizado nos congressos. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos. 5. que recolherá. é bom exercício de reflexão. Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos. o que amplia os horizontes da discussão. Observe-se que. perdendo tempo e qualidade.. por exigir longo e cuidadoso trabalho. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. convidados. evitando assim apresentar ao debate repetições. no qual os alunos. De outro lado. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados. advogados. Em qualquer um destes procedimentos. que vão estudá-los empmfi. 130 .Painel de exposição: dois especialistas. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). questões fora do assunto ou irrelevantes.. a exposição de um especialista.

Procedimento: . 6. e. expor as principais idéias do texto. e conclusões obtidas. mas puderem discutir o tema. A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo. orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro. Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão. escolhido pelo seminarista. submetendo. ex. portanto. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. algumas idéias secundárias. primeiramente.Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. suas lacunas. Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos. que. o trabalho individual à crítica do grupo. pondo em comum esclarecimentos. de um lado. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico. Isso implica. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p. que todos devem estudar os textos antecipadamente. ou pequeno grupo (seminarista). O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir. algumas informações complementares e bibliográficas. além de informações sobre o texto. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição. na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. . Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla. é recomendável a técnica do simpósio. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. por outro lado. real ou fictícia. . Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor. bem como um roteiro de discussão..) e na problematização do texto. A função do seminarista na apresentação é.. que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. de campo. conjunto de textos. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos. sob orientação do professor ou de um especialista.Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo. suas premissas. para isso. sua estrutura lógica. orientado pelo professor. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. 7. para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos. mas é o conjunto de aspectos de um tema.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. em laboratório. Contudo.: texto-roteiro. para exercício coletivo de análise. dificuldades teóricas. Em seguida.

médico atendendo paciente. análise de situação relevante ocorrida. III. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento). O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. de fato. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando. Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. observação in toco etc. Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. orador discursando). Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. * Mestre em Filosofia Social. É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. como resposta às suas expectativas. os critérios de avaliação da técnica. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. pós-graduação. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. emoções transmitidas etc. valores envolvidos. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal. dramatização. motivação de alunos. Objetivo: Em geral. relato. através do debate. posturas e atitudes para com o outro. mas também às linguagens não-verbais. congressos. os objetivos específicos. 1. deste modo. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. 1. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. É o grande grupo que determina. POZZEBON. conseqüentemente. a forma de aplicação e. solução dos problemas propostos. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. cap. envolvidas no relacionamento interpessoal. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. mas que se responda. 8. 17 REALIZAÇÃO . exercício de aplicação de conhecimentos. entre outros usos. O papel do professor é o de coordenar a atividade. Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. encontros. da reflexão e da crítica. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação.Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas.

• Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto. de acordo com as orientações da leitura analítica.1. de textos complementares. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário. .contextuação do autor . • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas. • Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. enciclopédias. dicionários especializados. b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. para se familiarizarem com a técnica.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados. • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. indicação. Preparação dos textos complementares. a fim de facilitar o trabalho dos participantes. • Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto.esclarecimento de conceitos . • o grupo deve elaborar questões. • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto. apresentada ao fmal do texto-roteiro. da mesma forma que o texto básico.ETAPA 1. recursos 1 dicionário de língua portuguesa. manuais especializados. • Quando necessário. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário. de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas). b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. ETAPA II . para debate em classe. quando necessários. 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico . pelo professor.esquema do texto . Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação. para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido.

3 1° Momento . pois é o momento que leva à reflexão.c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. como forma de "provocar" mais discussões. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. 1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos. geralmente levantamos poucas questões. Quando realizamos um seminário de texto de um autor. esclarecendo dúvidas. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. • O grupo responsável procura estimular o debate. o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem.Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. 3. 2. conforme os objetivos deste tipo de Seminário. por exemplo. as mais relevantes e polémicas. levando a novas indagações sobre o assunto do texto. apontando pontos divergentes. ao confronto de posições divergentes. é permitida a intervenção de qualquer participante. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo. para incrementar o debate. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. inclusive avaliação. • O grupo elege um relator. à crítica. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo. Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico.através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. elaborando relatório. IV. para podermos aprofundar o estudo. despertando a curiosidade dos participantes. 2. • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate. encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. . Seminário de ternas . cap. Dá início ao debate. 2 Momento . Aristóteles. • Para finalizar. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos.

textos básicos .Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema . • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. discussão com especialistas. • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: .vídeos . nos moldes do seminário de texto . • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto. apresentar esquema.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes. assim.Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade.textos complementares . .Breve apresentação do tema a ser discutido . que podem inclusive sugerir os temas. deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. ou outra. Dá início ao debate.painéis com fotos.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido. perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar.depoimentos de especialistas . . apontando as várias possibilidades de sua abordagem. ETAPA 1 .filmes .Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo. 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. para que todos possam ter idéia do tema que será discutido.outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais. desenhos.Se houver um texto que oriente a organização do trabalho. • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário.Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema . tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina. . O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes. ETAPA II. depoimentos etc. para que o grupo não extrapole o tema proposto. pinturas etc. SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina. inclusive avaliação. para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes.

1991. M. (org. L.se foram alcançados . quando não há o envolvimento dos participantes.) .se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um . A. P. e BERVIAN. . 1983.se foram parcialmente alcançados . • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate. . SP: McGraw Hill do Brasil.ou mais participante para uma avaliação d Seminário. 2' ei. CERVO. Cecilia M. como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe. o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las. ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação. demais participantes (classe).Construindo o saber..Metodologia cient(fica. Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor. Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: . 143 c) Quanto ao texto-roteiro: . 3' ed.3. 144 Bibliografia CARVALHO. b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo.se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários. A. Campinas: Papirus.se foi elaborado de forma clara e objetiva . assim que se encen-arem as atividades. grupo responsável.

1987. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp. a disciplina intelectual. devem constituir nossos objetivos.. as falhas estruturais do processo educacional brasileiro. A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. o procedimento lógico. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando. ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. 1985.Metodologia do trabalho cienr(fico. de instrumentos para manipular o real. em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa. vai sistematizar o resultado das leituras. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos. coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". a "síndrome da monografia" . buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto. 12' ed. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados. dos resumos ou opiniões pessoais. Puccamp. Instituto de Filosofia. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico. que não tem incentivado os educandos à reflexão. sem dúvida necessários.) Metodologia cientijica . SP: Cortez Edit. Mais do que a "posse" de técnicas. de normas e procedimentos metodológicos. por outro lado. em maior ou menor grau. i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. mimeo. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. observações. Joaquim . o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. Autores Associados. na vida acadêmica. estas síndromes e resistências expressam. O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. A. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos. desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. ou mesmo uma forma de resumo. propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber. . a sistematização. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". Leda Miranda (org. 147 Na realidade. 1984. críticas e reflexões feitas pelo educando.Caderno de textos e técnicas. sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação. resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos . * Mestre em Filosofia Social. Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. Ri: Agir. SEVERINO.HCJHNE.

2. filmes. 85. 4. rigor científico e reflexão crítica. provisório. nesta fase inicial da pesquisa. 5. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente. constitui a fase de planejamento da pesquisa. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica.). a que se dá o nome de hipótese. O Levantamento das hipóteses "A ciência. bem como as suas relações com as teorias existentes. bem como o conhecimento de qualquer tipo."2 1. mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. a pergunta. 2. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa.. Filosofia da ciência. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema. e deve-se levar em consideração que. muitas revisões serão efetuadas. 2. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema. O tema escolhido deve se constituir num desafio. Elaboração do cronograma de trabalho. a discussão com especialistas da área.. Para complementação vide: Darci DUSILEK. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. cap. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho. A arte da investigaçdo criadora. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa". que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. 1. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo. já contém a resposta. debates. ALVES.. introdução à metodologia da pesquisa. . A leitura de outras monografias. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. Levantamento bibliográfico inicial. Lembre-se que. 3. que oriente o educando no seu trabalho. que envolve os seguintes passos: 1. ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial. 149 Isto quer dizer que. 61-76. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. p.A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina.. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. especialmente roteiro para delimitação do tema. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. pp. Rubem A. na verdade. 5. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias.

Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador. que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área. difidilmente encontrada nos cursos de graduação. 74-97. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract). No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial. Métodos em pesquisa social. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros. que também deve ser anotado. O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial. T. auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. 4.De certa maneira. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos. complementada com outros recursos metodológicos. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto.4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. pp. Na transcrição. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. 3.3 3. cap. Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. HATT. A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida . Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. Para complementação vide: W. que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. com a intenção de uma pré-seleção de textos. 6. No geral. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. embora este contato seja inicial. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. se forutilizado o texto selecionado. relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. Nas revistas especializadas. feito a partir do sumário. Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido. com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. e um resumo do seu conteúdo. 5. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. porque é seletiva. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. Apresentam geralmente resenhas de textos novos. GOODE e P. seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio). os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa. K.

3. 2. onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo. 3. seqüencia]. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. Metodologia do trabalho cien'(flcc cap.universitária requer. (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. 4. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' . É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa. 7. enquanto processo lógico e técnico. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas. VII . 4. recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. 7. Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa. 139-152. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica. observação sistemática. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. 5. Tema ou assunto especifico da pesquisa. 2. Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. SEVERJNO. relatórios de estágio. itens e subitens com as respectivas titulações. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa. Isso tem gerado situações dramáticas.) 6. pesquisa experimental. pp. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. 3. Para complementaçso vide: A. questionários e formulários. (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc. 6. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . 8. Queremos salientar que o método. com a busca exaustiva dos dados. estudo de caso. pesquisa bibliográfica. entrevistas.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. pesquisa documental. 5. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa.

Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação. são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa.. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. localização e compilação dos dados escritos em livros. tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais. em termos de coleta de dados. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. os documentos propriamente ditos. os quais. formulários. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. bem como a quantificação dos resultados. valorativos e éticos. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. com especialistas ou mesmo outros professores do curso. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. destacando-se a monografia. A verificabilidade. utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. na investigação histórica. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador. além das fontes primárias. 4) Entrevistas . Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. como dados estatísticos. já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. a fim de descrever/comparar fatos sociais. mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos. artigos de revistas especializadas. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. Nos trabalhos acadêmicos. estudos de caso e observação sistemática. utilizando-se os procedimentos no método científico. Requer que se organize um roteiro inicial para . questionários.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema. por si. publicações de órgãos oficiais etc. estabelecendo suas características ou tendências. complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. presta-se à formação acadêmica. dependendo da técnica adotada. 1) Denomina-se pesquisa experimental.'. a pesquisa bibliográfica. Pela sua característica. o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. pesquisa básica. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade. antecedendo a própria pesquisa experimental.

Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista. mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa. 1 desta parte. pode-se enviar pelos Correios. devidamente autorizadas pelos entrevistados. Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa. assunto da pesquisa. originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões.como preencher o questionário. itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes . Para maior segurança e fidelidade. relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar. . . para evitar respostas dicotômicas (sim/não). quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado. ou ainda entrevista de grupo.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. garantir o anonimato. no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa. .nos casos em que for necessário. é indispensável uma carta de apresentação. . cap.introdução ao tema. as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas.a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas. Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade. Neste caso. O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho.Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador. Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões. Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5. ou estas não residem no local da pesquisa. onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial. mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema. que deve conter indicações sobre: .a distribuição do tempo para cada área ou assunto. sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador. 5) Questionários eformulários .qual a finalidade do estudo. . a fim de que possa ser respondido num curto período. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos.se há ou não necessidade de identificação pessoal . O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica. devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho. para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto. numa avaliação global. Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande. Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa.

são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação. informal ou assistemática. "visão de mundo". natural ou social. por se constituírem de perguntas fechadas.como devolver o questionário preenchido. a observação sistemática é seletiva. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. a fim de verificar as dificuldades do aplicador. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. Como nas entrevistas. quando os registros são feitos sem que os observados percebam. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. das mais simples às mais complexas. Para a aplicação do formulário. grau de escolaridade. cultura. com ou sem a consciência dos observados.. como local de trabalho. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade.6 . padronizadas. estado civil. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades. filmes. Neste sentido. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. As perguntas devem ser ordenadas. porque são mais fáceis de codificar e tabular. profissão. também denominada observa çõo participante. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa. faixa salarial etc. propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. ou outros dados de interesse para a pesquisa. data da aplicação). mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. para posterior avaliação. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. quando o observado interfere e cria situações novas. deve-se fazer um pré-teste. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. quanto o formulário. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade. numa situação "face a face" com o entrevistado. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. ou idealizada. 6) A Observa çõo Sistemática . para se obter um registro padronizado das observações feitas. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência. deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas. Este registro pode ser ainda complementado com fotos. idade. as dificuldades de entendimento das questões. ]into o questionário. slides.

um trabalho monográfico. Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. com mínima influência do pesquisador. sob orientação do professor. 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando. 6. Para compIementaço vide: W. Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação. na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos. biológico ou social. tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um . no caso de vários sujeitos pesquisados. no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. 171-268. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados. conversas ou entrevistas. registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante. permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. conversas etc. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. 8) Relatórios de Estágio . sob a supervisão do professor. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. Como conseqüência. O estudo de caso. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. do grupo ou de um dado processo social. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. como uma análise qualitativa. Em ambos os casos. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. alguns tipos de trabalhos literários. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo.O estudo de caso é um meio para se coletar dados. material expressivo. K. cit. preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. seguido de um estágio onde há maior participação. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável. é uma construção intelectual. em diários. HATT. em si. Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. quer físico. Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. op. GOODE e P.7) Estudos de Caso . pp. cartas. T..Na vida acadêmica.

. tratamento estatístico dos dados. deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas.verifique o esquema de referência teórica.verifique os fatos. de outras áreas do conhecimento. permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão. No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. tornando claras estas diferenças. vide: Tereza PORZECANSKY. caso seja necessário.pontos de convergência. tendo em vista os objetivos do trabalho. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho. ainda. Lógica y relato en irabajo social. 3. Deve-se também verificar a atualização das informações. 1çz 159 A partir desta organização dos dados.procure enos lógicos. classificação e organização das informações. . estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados. seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores. 2. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados.verifique os pressupostos. . . havendo ainda oportunidade de uma complementação.73. O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. 7.verifique as técnicas utilizadas. No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico. 57. tendências ou regularidades. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área.contexto de interpretação científica. deve-se elaborar quadros explicativos. os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados. D.regularidades. outros pontos de vista. . quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação. . significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso. . . para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho. cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. separados por assunto ou disciplina. devem constar dos anexos. Neste caso. muitas vezes. os relatórios de estágio podem. as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas. igualdades. introduz. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando. . pp. Na coleta de dados para urna pesquisa. Esta etapa envolve: 1.tendências.pontos de divergência. podemos ter uma visão de conjunto do trabalho. pode-se arquivá-los para uso posterior. Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio. .verifique os materiais ou fontes utilizados.

visa comunicar os resultados da pesquisa. o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. . 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. FERES. SPIEGEL. com base no plano de assunto do projeto provisório. .. 1972. McGraw-Hill do Brasil.verifique o esquema de análise. desenvolvimento e conclusão. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. A. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. cujo objetivo é só o levantamento de dados). muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico. Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido. p. delimitar o tema e mostrar a sua importância. apresentar a idéia geral da pesquisa. B. a teoria e o esquema de análise proposto. Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio. SP. op. vide: Murray R. Apisentação gráfica geral do trabalho.Conclusõo . 9. DUSILEK. atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados. sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto. 1986. 108. introdução. Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho. Estatística bdsica para ciências humanas. elabora-se. A redação final. 1. GATTI e N. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível. Estatística. a estrutura definitiva. a idéia central de cada parte ou capítulo. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. . Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. em itens e subitens.verifique a inter-relação entre a hipótese. 2. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho. isto é. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1. L. 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho... Alfa-Omega. O plano é composto de três partes distintas. 8. 3. cit. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. D. com as subdivisões que se fizerem necessárias: . a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados.O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho.

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

Avaliação do relatório de pesquisa. 2! cd. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa. Os cientistas precisam escrever. 1. 2. Elementos metodológicos da pesquisa participante. 2. 4. teoria e método. 7. guia de redação para cientistas. Campinas: Papirus. 3! ed. P. métodos gráficos. 3. Coleta e análise de dados. A. A.. 1983. Como transmitir os conhecimentos adquiridos. . aplicação do questionário. seminário de estudo. Metodologia do conhecimento científico através da ação. 243p. Registros pessoais. 4. 4! ed. 3. 4. leitura.. As bases da ação. 2. 556p. A escolha do terna.A apresentação gráfica geral do trabalho.A redação final. R. Como se faz uma tese. comentário de texto. Pensar. 1. modelo e planejamento. 1979. 4. métodos de interrogação: preparação do questionário.. 2l8p. rever. 6. Edusp. l84p. BARRAS. a observação participante. 3. SP: Perspectiva. RJ: Zahar. Queiroz. SP: Brasiliense. 2. Dinâmica do conhecimento científico. comunicações. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações. O conhecimento científico. 3. A observação direta. Darci. A pesquisa do material. A observação documental. M. Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas.. 5. FEITOSA. 4.2 . CERVO. 1984.3 .. Redação de Textos Cient(ficos. Como os cientistas devem escrever. SP: McGraw-Hill do Brasil. 5. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4. 4. Planejamento de pesquisa social. O significado da pesquisa. 1. Umberto.) Pesquisa participante. Reflexões metodológicas. Como proceder à investigação.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. SP: EPU. 271p. 4. 3. elementos de estatística. l55p.1 . DUSILEK. 437p. Modelos demonstrativos. Teses e hipóteses. Planejamento da pesquisa. Fases de uma pesquisa. SP: A.0 plano de trabalho e o fechamento. Falar sobre Ciência. desenvolvimento e conclusão.2 . 252p. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático. Rodrigues (org. Observação intensiva: as entrevistas. Ciência política. Técnica de estudo pela leitura.3. Pesquisar-participar: proposta e projeto. Economia camponesa e pesquisa participante. L. A pesquisa.3 .Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa. L. escrever. Natureza da atividade de pesquisa. 8. A arte da investigação criadora. 2. A lógica dos procedimentos. Pesquisa-ação. O cientista no processo de comunicação. 7! cd. 5. 1991. 6. 2. Pensamentos postos em palavras. 1. O método científico. 1983.Tratamento estatístico dos dados. 1. 2. Bibliografia ACROFF. 1. engenheiros e estudantes. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos. Os nómeros contribuem para precisão. planejar. C. BRANDÃO. 3. Metodologia cient(fica. A redação. 5. 2. R. 1. ECO. 1986. 3. e BERVIAN. Vera Cristina. DUVERGER. 3. O que é iia tese e para que serve. amostragem. 4. 4. 3. Preparo do relatório de uma investigação. 1.

K. 7. l88p. Revisão crítica. Análise e apresentação dos resultados. 6. Sociologia e ciência. KAPLAN. 4. 1. 1. 2! cd. W. 6. teorias. O que é uma teoria científica. volume 1.. 23lp. 1975. obras de referência. 2. HEGENBERG. Volume 1: 1. Planejamento. Indicação. Mensuração. Relações e funções. Leis naturais. e HATT. SP: Atlas. 1969. 2. codificação. Como avaliar e organizar a infonuação. 254p. Positivismo lógico. planejamento. Determinismo e causalidade. valores e ciência. 1. 2. Crenças e Ciência. outras técnicas. 2. Medidas: função e estrutura. E. LIYI'ON . 9. Ciência e conhecimento científico. 5. Hipóteses. Apresentação. 3. SP: EPUfEdusp.. Elementos básicos do método científico: conceitos. 4. 5. Documentação como fonte de dados. 1. 1. 167 MANN. 1. 1979. Observação e interpretação. A. Escalas de distância social: Bogardus. o papel da estatística. 1975. P. Lickert. 2. Nova Sociologia. 4. Método científico. Anexos. a observação nas ciências do comportamento. 440p. 1973. A conduta da pesquisa. 3. M. verificação da hipótese. 5. P. As ciências sociais: observações gerais. 4. l99p. 5. 7. Modelos. RJ: Zahar. Subjetividade. entrevista. questionário. Leônidas. Observação e experimentação. Técnicas de escalonamento. SP: HerderfEdusp. O levantamento de amostras com entrevistas formais. publicação e divulgação. leis e teorias. Técnicas de pesquisa. Filosofia da Ciência. Volume II: 1. 2O7p. Fatos. 4. 3. Utilidade e condições de aceitação da hipótese. LAKATOS. hipóteses. . A. A história. Sidney (org. 8. A preparação do relatório. 7. Sócio-mútua e sociogramas. explicações e valores. ______ Técnicas de pesquisa. 5. 3. SP: Atlas. Explicações. 5. SP: Cultrix. Método científico em sociologia.. Ciência: teoria e fato. Etapas da investigação cient (fica. 3O8p. Ciências Sociais. lhurstone. 3. Explicações cient (ficas. 4.0 questionário fechado. 1975.. fonnulário. Dados históricos: Mach. SP: Nacional. O experimento. Ainostragem. tabulação. 1982. 3. O trabalho científico.Preparativos para a comunicação eficaz. Teorias. 9. 2. A base empírica. 2. 2! ed. Pesquisa bibliográfica. Escolha do tema. volume II. SP: McGraw-Hill do Brasil. 6. 3aed. H. Métodos de investigaçõo sociológica. leis e teorias. MORGENBESSER. e MARCONI. Plano de prova: verificação das hipóteses. Observação. A importância da pesquisa. As leis e funções. 4. 10. 4. 1982. 4. Elaboração de dados. 488p. 8. Observação. 3. Contexto da pesquisa. introdução à filosofia da ciência. 3. Metodologia cient(fica. Pesquisa: conceito.). metodologia e pesquisa. Métodos científicos. 2. Ciência: pura e aplicada. Questionários e entrevistas. 1. 2OSp.. 3. 6. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. 2. Ciência: natureza e objetivo. SP: EPUfEdusp. 3. 6. GOODE. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. 5. G. 1976. A redação do texto. 2. M. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário). Pessoas como fonte de dados. Filosofia da ciência. 6. Probabilidade e amostragem. Russeil. 5. Wittgenstein. 1. Probabilidade. Análise e interpretação. 1. Etapas básicas da investigação sociológica. 4.

Organização da vida de estudos na Universidade.0 problema metodológico da pesquisa. Tereza. relatório e informe científico. 3. 4. A. biblioteca e documentação. SALVADOR. 4. SP: Edusp. Análise e interpretação. A. Questões teóricas. O projeto de pesquisa. 2. A documentação como método de estudo pessoal. 1974. Reconstrução e análise do passado recente. Métodos de pesquisa nas relações sociais. 6. 2. 1. 4. coleta de dados. 6W7p. Pontos de vista: a função das situações sociais. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. NOGUEIRA. 4! ed. 224p.0 método do estudo eficiente. 8. P Parte: 1. A pesquisa como trabalho. 7. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação.. 1971. Tipos de relatórios..). 3Olp. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. elementos de metodologia do trabalho científico. RI: Zahar. paixão. Pesquisa e teoria. Como fazer uma monografia. Versão qualitativa. História e conhecimento. 537p. improviso e métodos na pesquisa social.. Leitura. 3.. técnicas de livros. Investigação das soluções. 2! ed. PINTO. 5. 2. 6! ed. O pesquisador. leitura. 7. V. 3. 4. 6. F. O problema da pesquisa. Alegre: Siilina. 3. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. relatório.. A realização do seminário. diário de pesquisa e outros registros. 6. observação participante. RUDIO. 4! ed. 235p. O processo de pesquisa: problema. formulação de problemas. Leitura. Aspectos da explicação em teorias biológicas. O trabalho científico. 1969.. O ator. l. . Serv. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais. Pesquisa: discutiva e experimental. Coleta. Plano e relatório de pesquisa. 3. 57-73. Fac. Social da Puccarnp). Versão quantitativa. Hipóteses. 1. l2lp.5. Associação das técnicas. SP: Cortez. 5. A aventura sociológica. problemas filosóficos da pesquisa científica. 8. Domingos. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. Vieira. 33lp.Filosofia e pesquisa. 4. Comunicação e conhecimento científico. SP: Nacional. Petrópolis: Vozes. Ciência e existência. escolha do assunto. 1977. 4. 3. SEVERINO. SALOMON. Edson de Oliveira (org. Os estudos de comunidade. 2.. Aplicação da pesquisa social. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. (Mimeo. 2! Parte: 1. 2. 2. 5. Oracy. A observação. redação e apresentação formal. análise e interpretação dos dados. 4. técnica. 2! ed. planejamento. elaboração e relatório de estudos científicos. Análises explicativas das soluções. 1974. 1992. normas. classificação. Lógica e dialética. 6. 1978. composição e modelos de fichas. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. NUNES. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. PORZECANSKY. 1971. elaboração da monografia. Problema social e problema de investigação. P. planejamento. resumo. Alvaro Vieira. Evolução do conhecimento científico. introdução às suas técnicas. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. Lógica y relato en trabajo social. 1. prática da documentação pessoal. Buenos Aires: Humanistas. 3. Ciência-homem-meio. 2. Método do trabalho cient(fico.. RI: Paz e Terra. Pesquisa social. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos. BH: Interlivros. 6. p. objetividade. Joaquim. 18! ed. 1. 1. Conceito e estrutura de relatórios científicos. análise e interpretação de textos. 1982. 1. Explicação científica. D. 2. seu papel e condições de trabalho. 5.

Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III . Retrospectiva Histórica 23 2.Roteiro de Entrevistas 38 II .169 1. Vivência da Morte 17 II . pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional. Atividade Versus Processo de Morte 26 3. Paciente Terminal 11 2.MORTE.CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1.Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 . Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 . sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães.Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III . Produtividade 28 4.ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS . UMA QUESTÃO 05 1.

Campinas: Puccamp.. Morte e suicídio. impedir o questionamento sobre o materialismo. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda. A. sendo necessário negar sua existência. Maria Elisabeth M.. John. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. BRITa. advém da percepção da finitude do ser. A sociedade ocidental. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra.. que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência.) D'ASSUMPÇÂO.86. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração. (coord. hierarquia do poder e coisificação do homem. D'ASSUMPÇÃO. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. 1982. A percepção da morte na criança e outros escritos.. mas. atual mente.Perda. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam. BOEMER. delegando à morte o espaço de tabu. monografia. III . criou-se um tabu em torno dessa questão. Folha de 5. Paulo. VARGAS.na sociedade de produção e consumo. Theodore LIDZ. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. A partir desta transformação. regida pelo capitalismo consumista. aumenta o valor de tais relacionamentos. A. p. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. G. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. (coord. A pessoa. 36. o homem se coisifica. também. BOWLBY. 1986. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos. (coord. 165 p. vol. H.) e BESSA. 35 p. São Paulo: Cortez Editora. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível.). Apego e perda. Magali R. Este questionamento. M. A morte e o morrer. portanto. 1 Nairo de 5. 2. A. 26. 1985.. 139 p. devendo." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano.07. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer. E. entretanto. pois com a morte este sistema não se mantêm. 531. Arminda. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção. com a sociedade voltada para a produção e o progresso. Tanatologia e o doente terminal.. p. tornando-a inominável. E. Revista Diálogo. 237 p. D'ASSUMPÇÃO. A. pretende manter suas relações de poder e consumo. Formação e rompimento de laços afetivos." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e . 1984. 1983. na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. 1984. 135 p. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. 486 p.

.organizado por. ex. n 2.abaixo. Berenice R. em linhas ou páginas anteriores. 166 p.confira. 4) Abreviaturas mais utilizadass ap.ilustração (ções). . . Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana. cit.). pg.. 20 p.(para citações indiretas) segundo. 1985. fig. . id.figura. Campinas: Puccamp. .0.(et cetera) e outros. . já referidos em nota imediatamente anterior.Farmacêuticos 5/A. organizador. Por que fazer terapia?. 1984. infra n. Luís C. etc.sem data. supra s. Ano 10. . FREITAS. junto a.. . (mimeo. FRANCISCO. T.(ibidem) mesma obra e mesmo autor. São Paulo: Ágora Ltda..ver o texto original. em linhas ou páginas adiante. org. 1985. . .(idem) o mesmo autor. v .número. 174 . . n op. . ou a mesma obra. 175 . .acima. . p. já conferidos em nota imediatamente anterior. ibid..(opus citatum) na obra ou autor já citado.página. apud cf. .d.exemplo (s).

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