CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. e de oferecer-lhe. enquanto possível. a astronomia e a acústica. o outro. Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. certamente. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem . naturalmente. Consideramos que a Metodologia pode. as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. Somos. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica.construtor do saber científico . de natureza mais prática. Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. A ORGANIZADORA Campinas. Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp.do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. filosófico. da Universidade Federal do Piauí.procuremos. Por isso. gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. que animou a realização deste projeto. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto. Paralelamente ao .no caso de uma eventual reedição . sobretudo. Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro.* A preocupação com o conhecimento não é nova. entretanto. a mecânica. ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. para que . aprimorá-la. e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica. e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a. Por isso. além disso. O livro apresenta. de opinião que uma metodologia se alia. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. Entre os egípcios a trigonometria. contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência. entre os gregos a geometria. também. a lógica. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. lacunas. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica. em especial à professora Vera Irma Furlan. entre os romanos a hidráulica. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia.9 conduzam inexoravelmente à verdade. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário.

WARTOFSKY. As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas. da separação entre "cabeça e mão".conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza. para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. Conforme o autor. em oposição ao trabalho prático. B. É professor na Universidade Federal do Piauí. Head and Hand in Ancien: Greece.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas. neste caso. se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo.ligado ao prazer de saber . o mundo sensível está em constante mudança e. Metodologia da pesquisa tecnológica. isto é. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. diria Popper. Introducción a la filosofia de la ciencia. FARRINGTON.e conhecimento teórico . elimina as teorias que não suportam a prova . Como esta classe tinha mais prestígio e status. sua atividade foi considerada superior. sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. mais tarde. mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas. já que era executado por escravos para os senhores. A dialética. Para Platão. VARGAS. dos meros fenômenos empíricos. a Academia. só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera.de uma separação de atividades de classe. As idéias são perfeitas. Mesopotâmia e Egito. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. Esta diferença entre conhecimento prático . Para Platão. Neste processo. B. M. foi de extrema importância na história do pensamento. Foi na escola platônica. 1. se mudar. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. é para pior. Este método. já que por princípio uma coisa perfeita. FARRINGTON. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . . pura e livre. ou o método socrático. mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. o conhecimento aristotélico.a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. A ciência grega. desinteressante e preso ao interesse de outrem. os gregos desenvolveram um tipo de reflexão . Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior. à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida . imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal. considerado inferior. que se desenvolveu a Dialética e. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência. Assim.que estava ligado ao trabalho. M.segundo Farrington 2 . A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns. 2. um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp.

A repiiblica. a indução e a dedução. explicarão novas ocorrências. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis).3. Ter quatro patas. M. Tópicos. Esta crença se desfez somente no século XX com o . é saber quais são suas propriedades individualizarites. para Aristóteles. formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. voltar a fazer deduções de novas ocorrências. explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre. WARTOFSKY. Losee. op. Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio). M. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento. Ele criticou a dialética por sua negatividade. WARTOFSKY. As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6. a de homem. imutáveis e independentes do mundo sensível . em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. bem como as propriedades da classe a que pertence. desde Pitágoras . Saber o que Sócrates é. op.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) . por meio da dedução. Aristóteles se utilizou da indução .até a obra de Euclides. POPPER. a partir destes. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. 7. Lógica.6 Assim. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. IDEM. do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. portanto. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos. depois. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que. partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. pois são meros acidentes. K. A sociedade aberta e seus inimigos. 4. Cit. A descrição desta demonstração encontra-se em W. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias. por dedução. Deve-se associar. A existência das Formas que para Platão eram eternas. K. Juntamente com Platão. de sua lógica formal. J.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . mas da percepção aplicada aos particulares. ARISTÓTELES. então.é. Conjecturas e refiaações. Fédon. SALMON. PLATÃO.para formular princípios explanatórios gerais e. Da observação de que os corpos caem. O conhecimento consistia. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável. POPPER. ruas não se resume a isto. e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. 5. cit. 14 1ç -. Ibidem. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência.

existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". em ciência. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. Quando uma mulher afirma. não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. mas não que são verdadeiras ou falsas. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. e seu valor é tal que não difere. Mas de onde vem. Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. informais e. Essa informações são. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". As crenças se manifestam através de proposições. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. de Platão. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. e especialmente de Rudolf Carnap. transformam-se em conhecimento. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. p. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. e que inclui um conjunto de valorações. enfim. Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. ou seja. assim como para muitos de nós. por exemplo. 8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. desejáveis ou indesejáveis. a contribuição dos gregos para o pensamento social. enquanto que com as valorações isso não ocorre. o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. em geral. doutrinas religiosas. no entanto. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a . quando as opiniões certas são amarradas. a que chamamos de senso comum. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. pois. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. quando pronunciada por uma certa pessoa. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. mas. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas. permanecem estáveis. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. Ménon. lendas ou parte delas. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. PLATÃO. bem como a experiência pessoal acumulada. Há.programa epistemológico do Círculo de Viena. princípios ideológicos às vezes conflitantes. às vezes. então. portanto. não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. Quando emitimos opiniões. Valorações e crenças são. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. no mais das vezes. 1. inconscientes. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa. Pelo primeiro caminho. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. justas ou injustas. da opinião. Temos.

socialista. interage com o senso comum e modifica-o. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência. a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. não temos como testar sua doutrina. Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade. Essas teorias. Este conhecimento. desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. Por isso. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las. Com as valorações. Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. De qualquer modo. como a do movimento da terra em redor do sol. MYRDAL. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. por sua vez. Poderíamos esquematizar. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo.para onde convergem crenças. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. Este é o caso dos modernos regimes totalitários. O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente. Artur Gobineau (1816-1882). é a sua sofistificação.d en la invesrigacidn social. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos". 10. Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. A teoria mais conhecida é a do Conde J. entendendo racional como argumentativo e coerente. dependendo do seu grau de esoterismo. obviamente. gerando um conhecimento mais ou menos racional. Objetivido. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum . então. valorações. o senso comum vai . Se alguém afirmar ser liberal. Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . G. Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais. sendo absorvido parcial e totalmente. mas continuam subsistindo no senso comum. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos. Assim.sejam elas verdadeiras ou não . seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. como se fossem verdades. racista ou cristão. É comum entretanto. isto já não é possível. por outro lado.fisiologia etc. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença.ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores. não têm nenhuma validade. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso.

Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. O objetivo da explicação científica é. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . neste ponto. aparece como torta. F. F. MYRDAL. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com . cit. havia as entidades 11.What is this thing called Science? 14. Ver A. no entanto. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação. POPPER.. 2. CHALMERS.progressivamente se modificando ao longo das gerações. SALMON.. isto é. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares. R. op. revelam. G. 12. no entanto. cujo campo de aplicação seja o maior possível. 13. fosse ele bom ou mau. o metal quando aquecido se dilata. Epistemologia naturalizada. W. Filosofia da ciencia. Conhecimento objetivo. A. in Os pensadores. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e.l e psicologia. M. os músculos quando não utilizados se atrofiam. op. eventualmente. lo 3.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. op. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados. 15. Ver K. então. cit. audição. POPPER. na psicanálise. quando parcialmente submersa em água. 1 e 2. cit. O. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1. op. cit. ci:. São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. castigando-as até a morte -. CHALMERS. Há. ALVES. o senso comum é muito poderoso. F. QUINE. a própria concepção de corpo que vigorava. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão. FOUCAULT. a busca de afirmações e teorias universais. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos. tato etc. no entanto. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. caps. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. op. W. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. Doença menw. CHALMERS.. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e. são exemplos de proposições observacionais.. 2. K. A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo. O grande problema do indutivismo passa a ser. mais tarde.

R. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. por exemplo. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente. F. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. Então. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações. O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. de repente. apesar de olharmos a mesma figura. não "vemos" a mesma coisa. quando outro objeto diferente. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. HANSON. mas semelhante. op. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e.a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. nenhuma demonstração foi feita. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. CHALMERS. 17. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. 21) podem ilustrar isso. a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. No segundo caso.c). É preciso . Além das objeções sobre a inferência indutiva. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig. N. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica. Padrones de descubrimienro. As figuras a. mas a impressão que se forma na mente não o é.a lei geral. a pirâmide (fig. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. por exemplo) que são mostradas a um observador. b e c (p. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico. cii. dando-lhe grande subjetividade. como se fosse para subir ou descer. Em muitos casos. mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. até mesmo componentes culturais. 16. No primeiro caso. Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. portanto. A. Em qualquer dos casos. Nos casos acima.

'1 fig. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. 2. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. O. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. Podemos dizer. os metais são bons condutores de eletricidade.ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. mesmo assim. Todo fato pressupõe uma teoria. m Os pensadores. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior. voltagens. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. 3. que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. então. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante. Para sermos rigorosos. Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. resistências etc. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. As . não há nenhum fato a não ser os objetos visuais. No entanto. 22). b 91 e ' -. Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. Na figura d. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo". ele não fará uma simples descrição dos objetos. mas falará de corrente elétrica. como por exemplo em d e e (p. W. aceitas universalrnente. como. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. Dois dogmas do empirismo. dificuldades apareceram. podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. As interpretações e as "cadeias 18. são exemplos de proposições básicas. seja ela científica ou não. os metais quando aquecidos se dilatam. . por exemplo. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. a fig. para ele. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos". Nada mais ele fará porque. certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho. Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê". devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto.'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos. c fig. QU1NE.que operemos uma inferência para que a figura faça sentido. Por si sós as figuras não dizem nada. fig. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. mesmo que esta seja de senso comum.

sejam elas científicas ou não. onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. mas numa teoria científica isto não é admissível. Este. se aplica a um conjunto específico de fenômenos. Podemos adicionar. as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. despidas de subjetividade e valorações. uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. Assim. É a característica de solucionadoras de problemas. onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. Em segundo lugar. Numa teoria de senso comum. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional.como na teoria racista de senso comum . Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. teorias. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. Isto significa que. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento.a pretensa transmissão de características culturais e morais. São proposições amarradas no encadeamento racional. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico. em algum momento da história. Podemos começar afirmando. de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. mas a campos específicos. Dessa forma. 3. então. onde não há nenhum tipo de contradição interna. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. Como acentuou Popper. sempre. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. determinado por certas circunstâncias extra-científicas. Nós temos. conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . aliás. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. o conceito de Gene na teoria genética moderna. os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. ele mesmo. tanto quanto possível. por exemplo. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. e 22 23 Vejam. ainda. por exemplo. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. fig.regularidades que observamos cotidianamente. isto é. e que já incorporamos como absolutamente naturais. a ciência começa com problemas. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. Isto é. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos. mas não serve para explicar . que são os da reprodução. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. por sua vez. outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. segundo o autor. as teorias são. revolucionário. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso. Assim.

No fundo.seamento e a metodologia dos programas de pesquisa. As grandes construções. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. 19. contribuir para sua p:ápria superação e. Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. Ou seja. logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa. que é o papel da expectativa na construção das teorias. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência. Para a mecânica.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a . o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. A resposta. então. eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. desabar frente à relatividade. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. Marx. tanto a passada quanto a futura. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. promover o crescimento e progresso do conhecimento. certa vez. Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo. O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que.vagabundos". Além de surgirem problemas. O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta. Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. 20 Do observatório de Berlim. Freud. T. Ofal. e efetivamente o fazem. LAKATOS. como as de Newton. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. devemos discutir o aspecto observacional das teorias. in LAKATOS e MUSGRAVE. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica. Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para. Mas a história é curiosa. no entanto.Vulcano . utilizando simplesmente papel e lápis. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. Finalmente. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. as anomalias. Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento. as teorias devem.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. descobriu Netuno. Começou. 1.um outro planeta . desta forma. Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. A estrutura das revoluções cient(ficas. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. tendo até batizado o novo planeta . Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna.que estaria "atrapalhando" Mercúrio. indicando a grandeza e o poder da mecânica. Isto deriva do fato de que as teorias . a partir do início deste século. Pouco depois. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria. O. não foi agradável. sua posição e massa. a calcular as dimensões do planeta. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas. Einstein e Bohr. Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. Darwin. Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante. KUHN.

a pressão deveria ser menor. valor. maior do que cada um deles. Era o chamado horror vacui. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para. causalidade.com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. já que há menos ar em seu topo do que na sua base. Para a teoria aristotélica. Mas. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 .e 1647 . portanto. Discuiso sobre as duas novas ciências. para resolver o problema. Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência.observáveis: são os conceitos teóricos. Neste caso. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e. São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. M. em seguida. popularizadas por Einstein. mas a outros conjuntos de proposições (que. p. 13ASSALO. Os conceitos de força. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos.. portanto. sua velocidade. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. Se os dois corpos fossem unidos.cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo . por outro lado. é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. Logo. CARTIER. com velocidades naturais diferentes. de Galileu . 22 Neste sentido. O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema. a não ser em pensamento. Galileu contestou esta teoria. As "expetiências de pensamento"em física. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. op. GALILEU. 68. energia etc. Foi o que fez Perrier em 1647. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes . conjecturas na forniação das teorias. Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. 22. a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. mas com os tempos de queda. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. se subíssemos uma montanha. muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas. in Ciência e Cultzira. No entanto.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo.com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . . F. cii. Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental. J. Eles não se referem diretamente a entidades. por hipótese.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas. no caso dos léptons e hádrons. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante. hádrons. mais tarde. sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. léptons. são exemplos disso. Os conceitos teóricos . seria maior. Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. O enigma do cosmo. inconsciente. citado em LOSEE.mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. atração. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e.

cii.e o cume da montanha. constatando que no cume a pressão diminuía. e este tende a ser sempre ampliado. Estas estruturas engendram programas de pesquisa. SP: Abril. Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. R. BASSALO. religiosas e metafísicas. em maior ou menor grau. As "experiências de pensamento" em física. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. op. F. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. podem interferir decisivamente.novas referências para a organização do pensamento. 3. onde intuições. SP: Brasiliense. embora não tivessem . A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias. 1978. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento. com as próprias teorias. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. onde ele se toma mais inchado. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. 1983. Descartes. a partir do Renascimento. Deve haver. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e. R Filosofia da ciência. cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . Iii: Ciência e Cultura. no entanto. e este é o chamado contexto da jusfificaçõo.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. Bibliografia ALVES. pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico. M. As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. RJ: Primor. São as formas artísticas. Tópicos. não há uma lógica de descoberta. CARTIER. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. "chutes" etc. no fundo. um método para se testar as conjecturas. É esta a imagem k limiana 23da ciência. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e. Esta tarefa foi executada. ARISTÓTELES. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. no entanto. acidentes. não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. Durante muitos séculos. Isto. CHALMERS. De fato. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. 1978. religiosas e mitológicas de conceber o mundo. A. 1984. 23. não há um método de se fazer descobertas. O enigma do cosmo. KUHN. 1978. as teorias e as hipóteses. oferecendo pouco a pouco . A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. T. isto é. então.na prática . 36 (3). Galileu e Newton. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias.

O abandono da teologia e da metafísica . sendo Comte. A. México: Fondo de Cultura Econômica. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou. HANSON.é o marco. que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. Epistemologia naturalizada. 1979. VARGAS. SALMON. Doença mental e psicologia.. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology. Madri: Alianza Ed. K.. explicar o mundo. 1975. B. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. ______ Conhecimento objetivo. de permitir sua apreensão material e espiritual. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. LAKATOS E MUSGRAVE. SP: Abril. Progressivamente. SP: Abril. 1978. QUINE. Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento.que baseiam suas explicações nas causas primeiras . J. que tem a ciência como suporte. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura.moderna. MYRDAL. 1978. Madri: Alian. SP: Hemus.. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. a existir a concepção de que as sociedades modernas. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina. Metodologia da pesquisa tecnológica. 1978. Fe'don. A ciência grega.. ______ Head and hand in Ancient Greece. 1974. R. A fase positiva. 1978. M. Todo este processo de forniação da ciência moderna. Padrones de descubrimiento. Brasilia: UnB. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles. 1949. 1975. SP: Perspectiva. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. Conjecturas e refutações. são estritamente racionais e científicas. 1961. ______ Ménon. Introdução histórica à filosofia da ciência. 1977. RJ: Tempo Brasileiro. M. 1n Ospensadores. sld. KUHN. Segundo ela. Capítulo II MITO. SP: Edusp. W. fazer seus fenômenos inteligíveis. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. A estrutura das revoluções cient(ficas. inclusive. METAFfSICA. ______ Dois dogmas do empirismo. ______ A república. Como a ciência. assim como da ciência. 1978. 1968. A sociedade aberta e seus inimigos. N. 1982. Lógica. a metafísica e a positiva.za Ed. LOSEE. M. PLATÃO. WARTOFSKY. SP: Abril. G. 1970. SP: Edusp. da moderna civilização e indica o seu progresso. de Comte. 1975. In: Os pensadores. T. POPPER. Objetividad en la investigación social. SP: Edusp. Ri: Zahar. FOUCAULT. Ri: Globo. que percorre três fases distintas: a teológica. capitalistas. W. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. Dado um . CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. 1978. Ri: Tecnoprint. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". SP: Ibrasa. Londres: Wats and Co. 1970. Introdución a lafilosofi'a de la ciencia. SP: Edusp.

A água é mais pesada que o ar.na idéia de que o céu é a morada dos deuses e. Assim. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. que se encarregaria da regularidade da corrida. p.universo cheio de incertezas e mistérios.no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. As cruzadas e as guerras religiosas. circular e uniforme. Este tipo de prova recusa a teste. que o teria fulminado com um raio. por isso. Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. uma testemunha. onde desejos e vontades são atribuidos à natureza.de que falamos no capítulo anterior . A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . foram feitas pelos cristãos. empreender ações que sejam coerentes. terra. os astros têm um movimento perfeito. A 1. por exemplo. e transpõe sua eficácia para um plano superior. 9. Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo. . por exemplo. Para Aristóteles. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. mas Menelau o contestou.são equivalentes. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar. por natureza. fica acima desta. por exemplo. Antíloco se recusou a jurar inocência. afirmando que ele cometera muna irregularidade. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade. Mas. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . a verdade era dada pela voz do enunciador e. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. portanto. qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) . então. Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. Na Idade Média. e. lhes foi destinado. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. Antíloco venceu a disputa. mas é mais leve que a terra e. A terra é o elemento mais pesado e. Se ele houvesse jurado "em falso". onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade. os objetos físicos têm um desejo. está abaixo dos outros. Entre os gregos. por exemplo. Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. uma vontade de permanecer no lugar que.nunha. Larousse World Mythology. embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso. quando posta em dúvida. a evidência. Ou seja: os mitos. esta forma de solução de disputas também foi muito comum. por isso. que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás". Nas sociedades míticas. ou por uma combinação deles. Num certo sentido. Na teoria aristotélica. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. tanto quanto a ciência. a cosmologia e o senso comum . mostrando assim a sua culpabilidade. Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos. por isso. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. o repouso.

estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. para Rousseau. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria. suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento. e são por natureza bons. que as administrará como Vontade Geral. A verdade e as formas jun'dicas. de um lado. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade.pelo menos em parte . é chamado de Estado de Sociedade. De outro lado.a ausência do desenvolvimento do método experimental. iguais. da natureza do ser. o que permitirá que sua associação seja . A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. os homens são mesquinhos. filosóficos. os homens alienam suas vontades ao Soberano. Daí a necessidade de um contrato 3.Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica.igualitária e libertária. ao contrário. Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo. depois. Ver LAKATOS e MUSGRAVE.que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . Assim. foi dissolvida na ciência grega. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. em sua filosofia e em sua metafísica. a cosmologia. No entanto. Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. os homens se consumiriam em guerras e disputas. A metafísica como modernamente é entendida . FOUCAULT. por isso. O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e. Pode-se entender também porque. podemos explicar . Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. Para Hobbes. Platão . assim como. Com uma tal natureza. sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. em erro. na Idade Média. neste contrato. pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2. colocando em risco a sua sobrevivência.é urna forma de saber que também não se submete à verificação. os homens nasceram livres. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade. Para Rousseau. é chamado de Estado de Natureza. M. para Hobbes. ou vsão mítica do mundo. para Hobbes. em termos de Absolutismo de Estado. Os dois autores são considerados contratualistas. Apesar dessa característica geral da época. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. por isso. de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental. as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. isto é. O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. para o Deus cristão. Só que. onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. Isto decorre. inviabiizando qualquer tipo de associação. os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . .

Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica. 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica.Nas ciências naturais. no entanto. mas entre eles os de que: 1. Se o movimento dos astros é perfeito. Ela passa a ser simples objeto de valoração. 1-lá outro tipo de proposição que. O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. Este resultado teórico. uru dos pilares do conhecimento científico. onde p é uma proposição qualquer .4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. 5. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. 2. não deve ser incluída no rol da ciência. Einstein. na aceitação da teoria copernicana. pois o "Senhor não joga dados". mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. Este é. não pode ser verificada.é chamada de tautologia.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. alcançado em 1915. H. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado. BURT. As questões metafísicas. pela sua própria forma. da idéia de vercaçõo. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. por ser circular e uniforme. em especial. a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável . Uma das coisas que diferencia 4. e protegem as teorias de certos questionamentos. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos.cuja forma lógica é (pv Øp). Assim. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e. 6 Uma hipótese ou teoria que. então com muito mais razão a terra deve girar. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza. não pode ser testada. não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. Este tipo de proposição . metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. E. ruas não de ciência. BROWN. As bases metafiicas da ciência moderna. por princípio. religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas. seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira. É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade. só pôde ser . o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. podem ser testados. aliás. A. 3. o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. Os conhecimentos mítico.

Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é. 8. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". BROWN. eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. que são fugazes e enganadoras. não poderia ser jamais verificado. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências. por isso. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. . somente a essência adquire o estatuto de permanente e. H. A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas.sentido para verdade. então. POPPER. Este fio era o "funículus". Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. compensaria positivamente depois da queima. deixando de pertencer ao domínio da ciência. que não é". K. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente.será definitiva. ilusória etc. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade. no entanto. quando de um eclipse do sol. um outn. cognoscível. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. Filosofia da ciência natural. É quando de sua aplicação a urna realidade. os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. Não está em questão aqui o modo como isto será feito. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. que é. Ele era invisível e. idem. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas. O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. e. Para Platão. então. A primeira delas é que a verdade .9 Há. Atingir a verdade seria. A lógica da pesquisa cient(fca. no entanto. ALVES. Estes episódios foram narrados por C. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas. Esta concepção é também chamada de ontológica. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real. que é permanente e verdadeira. Depois da experiência de Pérrier. cit. o mercúrio. poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo. portanto. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade.quando encontrada . R. chegando até a imunização completa. op. Filosofia da ciência. portanto. ou seja. que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. atingir a essência da realidade. A idéia de Verdade aparece.edo que não é. Autobiografia intelectual. HEMPEL. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório.verificado em 1919. É interessante notar. 7.

coisa que foi bem acentuada 9. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos. dizem os essencialistas. 11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la. Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias.atingir a verdade. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. 12. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. A história da ciência revelaria este esforço de representação. do desenvolvimento científico. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda. teremos o seu estabelecimento. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato". pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. por que não se instaura. que é uma certa visão conspiratória do mundo. A concepção marxista é a típica representante desta visão. Há ainda outra característica do essencialismo. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. Diciondrio de filosofia. K. 11. K. POPPER. Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã. seria sempre possível . a um certo contexto. ibidem. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. Se a verdade é a correspondência com os fatos. MORA. ao contrário. então. 10. A lógica da pesquisa cien:(fica. Nesta medida. 35 por Popper. mesmo daqueles considerados básicos. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias. Isto significa que. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. não aparece? É necessário.como acentuou Popper 12 . Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. das proposições e teorias. Existem teorias. todas as teorias. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade. então não pode ser refutada. verdade e essência coincidem. POPPER. . por princípio. J. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos". 10 Se a verdade existe. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade.entre a confiimação e a falsificação. Há uma assimetria . Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. Mas. Em segundo lugar. Conjecturas e reflita ções. bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade. É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes. Assim.pois a essência é permanente.para esta concepção . 13 Segundo esta concepção. portanto. F.

3. 37 Larousse World Mythology. 1986. 2. n. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. Mas. SP. no entanto. De qualquer maneira. então.13. J. H. R. RI: Zahar. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. Londres. Eles são interdependentes. a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. A verdade e as formas jurídicas. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. VI. 1. SP: Brasiliense. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. Vol. Einstein. Brasflia: UnB. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. 1986. isto é. ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. Dicionário de filosofia. que através de Ménon 1 nos diz: . Revista Filosofica Brasileira. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. III. 1983. As bases metafísicas da ciência moderna. 1981. 4. E. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. Neste sentido. Mas. a qualquer momento.. geraram uma certa instabilidade na ciência. M. BURr. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade. Vol. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. SP: Brasiliense. Como postular a veracidade de uma teoria se. progride. ou por não ter sido falseada. MORA. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. 1983. Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. BROWN. 1984.A. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. Manuscrito. Não podemos chegar a verdades definitivas. UFRJ. que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades. 1965. 1983. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. HEMPEL. Maciri: Alianza Ed. 1. Filosofia da ciência natural. FOUCAULT. Hamlyn. Filosofia da ciência. C. paradigrnas de verdade e coerência. F. Unicamp. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. É a noção de causalidade que passaremos a discutir.

6) A radioatividade causa mutações genéticas. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. existem várias causas. que é a energia cinética das moléculas. mas indeterminada. como. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. a relação aparece como necessária. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. o dinheiro de Paulo com um casamento. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". a outros casamentos. mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. PLATÃO. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. em um caso particular. São eventos concomitantes e. A relação é de caráter acidental. O exemplo 1 relaciona. 3) O universo existe somente através de Deus. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante. Os exemplos 6. O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. a fugir. Nos casos 4 e 5. por exemplo. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. É a causalidade. Neste caso. pela própria forma do enunciado. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus. as liga por um raciocínio de causalidade. isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. como fator explicativo.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. universais. Da mesma forma é o exemplo 5. mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. 2) Os milagres têm causa desconhecida. aparecendo como leis. A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. Assim. No exemplo 4. Aqui não há um "antes" e um "depois". 1. O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. Neste caso. isto é. as encadeia. Neste caso. 7) A crise econômica. valem um tesouro e só produzem o que é bom. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. No 6. No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. Ménon.

em sua genealogia. O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. mas como fator explicativo é de muito pouco valor. Esta forma geral de cau'a [idade .seria factualmente falsificada. 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite. Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. de outro. 1 e 7). dado um certo evento A. a agitação social e a corrupção geram golpes de estado". como na descrição do exemplo 7 . isto seria facilmente falsificado. Sabemos que irá ocorrer. como em "A crise econômica. ocorre sempre um outro B. ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos. Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns. A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex. este tipo de utilização está fora da ciência. Ademais. isto é. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. Ela pode. Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. O exemplo 8 . Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos. a previsão de uma ocorrência e. no entanto. mas não sabemos quando. • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários. onde um evento anterior causa um outro evento posterior. c) Relação Invariante. 4. Por isto. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. a proposição . de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum.tem.foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. já que se trata de um evento particular. Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo. . no entanto. 6).que é do mesmo tipo do anterior . encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor. mas não de fonna precisa. Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex. pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado.próprio fato. onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada. 5 e 8). • a produção científica reduz a dependência tecnológica. de um lado.mesmo que transformada numa proposição universal. uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação. Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex. sem que seja possível a sua detenninação precisa .como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos.

iá nenhum indício de um fenômeno no outro. até hoje. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza. aparecem sempre ligadas. que duas espécies e objetos. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. por exemplo. para Hume. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . No caso do princípio de causalidade. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto. e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. portanto. (ji 153) Assim. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. Aliás. o princípio de causalidade não é da natureza. em outras palavras: após descobrir. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos. a neve e o frio. isto é. Portanto. Historicamente. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. se faz entre a linguagem e a realidade. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. de causalidade. o "quando" e o "quanto" da relação. foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes. podemos dizer o "como". ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. publicado em 1749. que aprofundou sua crítica. às vezes. um dia. Assim. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. que todos os . esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. Para ele. que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. Empirista radical. que é uma característica das coisas. ruas também determinada. então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. pela observação de muitos exemplos. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. como a chama e o calor. Ou. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. Em primeiro lugar. Não se imaginava que elas pudessem. Quando dizemos. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada. ou seja. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu.

seria o nada que antecederia o efeito. 4. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso. A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências.diferentemente do estágio pré-científico. a altitude. dessa forma. como. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. Introducción a la filosofki de la ciencia. como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão. a depender da altitude. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa. Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. Devemos tornar a causalidade como uma suposição. Além disso. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. Assim. poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos. Isto porque. então. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. HUME. Investigação sobre o entendimento humano. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. gerador de conhecimentos. pode ser infinitamente dividido. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. Mas. in Os pensadores.corpos caem. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação.a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. de um princípio gerador de pesquisas e. NAGEL. Logo. Segundo ele. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. na verdade. por exemplo. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. pois se organiza em . B. que é a predição. em última amiuise. A explicação científica deve se aplicar a vários casos. então. 2. RUSSELL. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico. toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias. Por outro lado. mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. mesmo finito. como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . Isto porque . 3. já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que. D. Ver E. Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. e que enunciemos isto na forma de leis. seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. nem mesmo poderá haver queda. Misticismo e lógica. 42 43 intervalo de tempo t que é finito.

6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. idem. então. Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. 3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5). a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. Para ele. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. esta reflexão não ocorre. a fim de que nosso problema inicial .apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. para o senso comum. uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação.função das regularidades que encontra ou postula. a noção de causalidade. que era o nosso problema inicial. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. Lt explicación cient (fica. C. cit. Aqui. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. A explicação disto envolve.a formação de umidade num recipiente com água gelada . liquefez o vapor d'água. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. Idem. 2. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. HEMPEL. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. as proposições 1. A depender do recipiente. 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. mas precisa das outras condições iniciais. pela sua própria forma. Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno. 6. Teremos. The logic o! expIa nation in philosophy of science. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. mas seguindo urna espécie de hierarquia. 135-175 (Vol. Num . 15). se organiza na forma de Estruturas Teóricas. Filosofia da ciência natural. A proposição 1. Neste sentido. tem um caráter de generalidade e de lei. 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. 1) Todo meio material provoca refração da luz. exerce uru importante papel. este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade. além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. por esse motivo. necessárias e determinadas entre eventos. Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica. 5. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. repmduzido em Lii explicación científica (op. Normalmente. que acabamos de examinar. p. de ordem. Num artigo publicado em 1948. Ressalvado o seu caráter não-ontológico.

O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1. condições iniciais e conclusão. de fato. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo. Na formulação de Hempel.ambiente muito seco (umidade baixa). teremos a impressão de que está torta ou quebrada. A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. L2 . 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. a barra como estando torta ou partida. A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser. 5) Em vista disso. ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. O caminho inverso . Estas suposições. É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. percebemos a barra como estando torta ou partida. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. e C1 . 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema. dedução. em relação à parte que está dentro da água.e de posse das Leis Gerais . certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel. Quando as condições iniciais estiverem dadas . L2 . C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água. Além disso. L Leis Gerais C1 C2 . em relação à que está submersa.. Da mesma forma que no exemplo anterior. a luz se propaga a menor velocidade. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral. que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei. por estarem assimiladas às concepções correntes. 2) A água é mais densa do que o ar. a de adequação a fim de que possa haver. C2 . portanto. De qualquer maneira. 3) Num meio mais denso.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1. 5) Percebemos. Em ambos os exemplos. Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1). 3) Num meio mais denso. então. esse é o esquema Nomológico . Se isto fosse necessário. a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água. Ç poderemos deduzir E.poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. L. a luz se propaga a menor velocidade. ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. Dados L1 . Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais.

elas conferem o caráter de estrutura. as Leis têm um papel decisivo. No século XIX. tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial. em laboratório. então. HEMPEL. As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual. Einstein etc. Assim. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido. portanto. haverá. o ideal de explicação já era a física. L2 . No paradigma hempeliano de explicação. 3. Dado E. ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas. por exemplo. as leis de Galileu e de Kepler -. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se. Newton. devem ter os seguintes requisitos : 1. inclusive das ciências sociais. C2 . Conforme C. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans. . de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples. Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. cit. O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. op. Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação.. de coerência e unidade às explicações. as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans. é uma virtude. no passado. cujo modelo era sempre o das ciências naturais. isto é.. A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu. como. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa. Em primeiro lugar . o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. Em segundo lugar. O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. necessárias para a explicação.. de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda. L. 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais." onde o antecedente do condicional não ocorreu. por exemplo.Durkheim e Marx .)... pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais. Ç e a vigência das Leis L1 . Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica . especificamente preparadas para isso. deve ser dedutível dele. São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso. Esta cláusula ficará 7. então teria ocorrido aquilo".com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica. 2. que servia como o grande paradigma das cências. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente. como diria o Ménon de Pistão.também deve ser verdadeiro. sempre.expressaram claramente esta pretensão de cientificidade. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. O Explanans deve ter conteiido empírico.

no entanto. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). elas mesmas..em desempenhar um papel menos pretensioso. bem como outros pensadores menores. Ambas. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. Facr. op. HEMPEL. NAGEL. sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social. Marx. op. por exemplo. As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas. op. mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. Os sociólogos. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. T. 10. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. Estas concepções de história ou de homem exercem. Marx e Darwin. no caso de Hobbes. Spencer. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido. Sociologia: teoria e estrutura. numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. N. a sua mesquinhez e individualidade.foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade. Ver E. KUHN. e da institucionalização das ciências sociais. sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. o ideal científico no campo das ciências humanas . As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. que passaremos a discutir. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. Nestes escritos.já no século XX . cit. cir. caráter explicativo. então. 11. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política. no entanto. apenas um papel limitado na explicação. as ciências sociais se confonnarani . As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. R. Os exemplos podem mostrar isso: 1. 9. C. cit. GOODMAN. fiction and forecast. A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848. 3. suporte de toda sua construção posterior. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX. As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. op. que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. MERTON. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. embora de menor abrangência.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana . desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas. como as chamou Merton. Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. MERTON. Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). em concepções da história de ampla generalidade. R.8. cit. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM. as conjecturas de longo alcance não têm.

FROMM. 12 De posse destes princípios. Manuscntos econômicos e filosóficos. com as Leis Gerais e Condições Iniciais. relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais. Assim. A sua teoria se estrutura.. em suas diferentes formas. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida. os cânones do esquema hempeliano. b) O homem é um ser eminentemente social. então. g) A existência. necessárias e independentes da vontade.. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. O conceito marxista do homem. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. o trabalho. De qualquer modo. os homens contraem relações determinadas. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. São eles: a) O homem é um ser da natureza. não são compatíveis. a rigor. necessárias e independentes de sua vontade. a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho. que funcionam como axiomas para a teoria. hi E. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital. com urna análise detalhada da economia burguesa. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos. determinam a consciência. Além disso. A totalidade destas relações. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. da superpopulação relativa. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. uma vez obtido. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz. pois existem alguns fatores que a retardam.sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. Nesse sentido. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que. as diferentes formas de pensar a si mesmo. A "detenninação" de 12. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. no entanto. por sua vez. . Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. c) O homem é um ser que tem consciência. Deve-se. K. MARX.

a zona posterior é ocupada por moradias operárias. seu caráter é probabilístico. Em primeiro lugar. As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. Conforme salientou Merton. Mas pode-se. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. hií urna tendência para a "expansão radial". por último. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. Estudos da ecologia humana. O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. D. bastante diferentes das do exemplo anterior. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. a zona seguinte é chamada de zona de transição. neste modelo não há Leis Gerais. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa.2. trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. mas o de um raciocínio que. Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. MARX. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. no sentido de que têm origem factual e de . pois tende a ser invadida pelo 13. 17 enquanto as TLA. O capital. as grandes sínteses. por residências de luxo e. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. então. Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop"). conforme este modelo. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. são incompatíveis. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. K. uma zona chamada de "com nzuters". as TMA guardam uma certa "positividade". 14. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. O interesse maior foi pragmático. Burguess. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. a zona seguinte. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. Em segundo lugar. PIERSON. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. este fenômeno não falsifica a hipótese. MARX. 15. Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. de Emest W. K. in Os pensadores. no entanto. por isso. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. pelos mais diversos motivos. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas.

Qualquer teoria pode. de Lei. O Explanans gera o Explanandum por dedução. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire.poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo. Isto. 16. necessariamente. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente. Um outro . p. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". afirmando que "ainda não chegou a hora". Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. Assim. QUINN. A divulgação desta "previsão" . O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca.. hoje. pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. por si só.que servem como fatos básicos para as TLA. se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. MERTON. as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. por exemplo. A. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. A determinação expressa o caráter necessário. É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. Já com as TMA. enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana. pois ela previra apenas urna tendência. por exemplo. J. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. PIERSON. de fato. o das ciências naturais. de certas relações e seus também necessários desdobramentos.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro. op. No esquema hempeliano original da explicação. um certo poder de autoproteção. diríamos.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . inD. são de dificil aceitação. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. no limite. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais. Suponhamos. isto é. 17. op. ao contrário. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. no caso das TLA. 369. em milenarismo. cit. esta atitude provocará. a previsibilidade é uma das características importantes. queda nos preços das ações por excesso de oferta. R. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. Cit. A noção de tendência. ou ainda.

4. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. 18. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. Os depositantes. sua inspiração nas ciências da natureza. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas. por exemplo.. A pretensão científica das ciências sociais. taxa de crescimento populacional. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. R. o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. com medo de perderem seu dinheiro. à bancarrota. Ver A. op. correram todos a sacar suas economias. A situação do banco era normal.1. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa. cit. e tem ainda. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. 19. mesmo que não explicitamente. A sociedade aberta e seus inimigos. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos. Por outro lado. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. no que concerne à explicação. taxa de criminalidade etc. E não poderia ser diferente. No entanto. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. em pouco tempo. Filosofia das ciências sociais. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. evitando-se assim a elevação da inflação. as postulações de vários epistemólogos da atualidade. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. 4. mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. cir. POPPER. A análise de determinada situação pode sugerir. que instituiu um . MERTON. 20. levando o banco. RYAN. A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. E NAGEL. Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva. teve. op. K. por conta de que providências são tomadas para evitá-los.

IV. de um 21. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. que podem ser de natureza prática ou teórica. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. portanto. portanto. A epistemologia de Thomas Kuhn parte. Este modelo de organização e progresso. tendo em sua linha de sucessão. Em seu livro A lógica das ciências sociais. mas. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. IV. através de testes críticos. ao contrário. fazendo surgir novas conjecturas que. com maior conteúdo empírico. mostrando que os cientistas formam um grupo social e. Popper discutia. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena. Assim. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas. No entanto. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. um movimento de "revolução permanente" na ciência. pelo menos como princípio. Ver o cap. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. por sua vez. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. filósofos como Aristóteles. aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática. veremos. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. sabemos. essencialinente. item 2. por novas teorias. serão testadas e refutadas.movimento nitidamente racionalista e historicista. jamais será alcançada. Este assunto será desenvolvido no cap. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. . Hegel e Marx. já que deverão resistir a severos testes. a referência mais conhecida na epistemologia foi. sem dúvida. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas. já neste século. Para Popper a ciência é. 22. Karl Popper. não condiz com as postulações abstratas de Popper. como dissemos. a lógica do processo científico. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência. assim como os epistemólogos anteriores. Para Kuhn. Dados os problemas.22 Depois da formação do cfrculo de Viena. Paul Feyerabend e Imry Lakatos. ou grupos dentro dela. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. no fmal da década de 1920. um empreendimento que visa a solução de problemas. baseado em Conjecturas e Refutações. a busca pela refuta çõo das teorias. 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos.

as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. . cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas. a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. Ao contrário. As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn. Os recentes desdobramentos . e por uma heun'stica positiva. Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos. Assim. mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. Para ele.está cada vez mais claro que a incerteza é universal.diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos . composta por um" cinto de proteção" .Assim.conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade.conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que. 4. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. assim como a sua dinâmica. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores. elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. mas aquela que. 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias). a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que. pois . tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. Aqui. Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos. quando os resolve. Na visão kuhniana. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências. algum dia. e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas.2. entra em crise e inicia urna era revolucionária.

pois. op. Assim.No que diz respeito às infonnações. Isto ocorre porque. em segundo. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. 13. cit. necessariamente. em vez de teorias. conseqüentemente. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. Deste modo. serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. um melhor posicionamento na escala social. caso contrário. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. devem entrar na rede simbólica. MATALLO JR. não contextual.. devem partilhar de uma linguagem comum. p. 25. p. H. devem ser escassos e concentrados. 23. isto é. os bens são escassos e. 24. para serem aceitos. SANTOS. 26. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções). os comportamentos dos indivíduos. Podemos dizer que. No que diz respeito ao desejo. contribui para as mudanças sociais. a linguagem não tem a propriedade da univocidade. H. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca. isto é. e. em sentido mais geral. Caso isto não ocorra.. Heisenberg. Heisenberg. por definição. a sociologia e o princípio da incerteza. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. a realidade social. 58 . Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais.24 No entanto. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e.26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. em primeiro lugar. O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias. mas como parte do próprio conceito de sociedade. porque há certos bens que. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais . estabelece regras para a sua satisfação e. S. MATALLO JR. apesar de haver sentido partilhado na linguagem. in Educaçdo e Compromisso. Na verdade. a sociologia e o princípio da incerteza. MERTON. na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano. assim. Idem. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos.25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. B. entendida como um fenômeno simbólico. frustra urna parcela da sociedade. 14.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna.como propõem os popperianos. deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais. não teriam sentido social.e para a realização de testes cruciais .

1978. HUME. 1n Os pensadores. 1965. para um mesmo explanandum E e utilizando-se um mesmo conjunto básico de postulados.Reconstrução Histórico-Social Explanandum E A diferença está em que. Londres: Hamlyn. HEMPEL. Estes são os fundamentos do pluralismo teórico das ciências sociais e da aparente arbitrariedade reinante na disciplina. 1978. . 1979. fiction and forecast. que o indetenninismo e o arbítrio existentes são partes constituintes das ações individuais e coletivas e de nossa imensa capacidade de criar e recriar as formas de convivência social. RI: Zahar. SP: Brasiliense. MATALLO IR. J. 1981. Segundo esta nova versão. SP: Abril. no entanto. RJ: Tempo Brasileim. 1949. de tal maneira que nunca temos urna explicação definitiva sobre um conjunto de fenômenos. BROWN. F.O paralelo entre as estruturas de teorias que faremos com as ciências naturais tem como referência o modelo nomológico-dedutivo de Hempel. O enigma do cosmo.. H. a construção histórico-social (seleção e descrição) varia não somente entre as diversas correntes de pensamento. LAKATOS. CHALMERS A. 1983. Manuscritos econômicos e filosóficos. H. Vol. É preciso constatar. _______ Prefácio da contribuição à crítica da economia politica. F. SP: Abril. As bases metaflsicos da ciência moderna. SP: Edusp. Einstein. SP: Edusp.). GOODMAN. M. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. a sociologia e o princípio da incerteza. E. Investigação sobre o entendimento humano. Padrones de descubrimiento. 1. BASSALO. E. RI: Primor. 36 (3). 1978. La explicación cient(fica. cit. ______ Head and hand in Ancient Greece. 1975. 1n Ciência e Cultura. M. R. 1979. As "experiências de pensamento" em física. KUHN. Buenos Aires: Paidós. 1977. RJ: Zahar. Doença mental e psicologia. SP: Brasiliense. 1978. ARISTÓTELES. & MUSGRAVE. N. Madri: Fondo de Cultura Económica. LOSEE. R. 1961. SP: Perspectiva.. Larousse World Mythology. MARX. Filosofia da ciência natural. Fact. Introdução histórica á filosofia da ciência. Tópicos. _______ The logic ofexplanation in philosophy ofscience. o esquema seria: Explanans Conjunto de Postulados Básicos Descrição . Brasilia: UnB. BURTT. HANSON. Reproduzido em La explicación cient(fica (op.. Indiana: Bobbs-Merril Co. T. R. 1975. FARRINGTON. O conceito marxista do homem. K. A. 1983. 1984. Filosofia da ciência. 1984. C. 1972.. mas com significativas alterações em seu conteiido. 1978. 1. Bibliografia ALVES. CARTIER. Whatisthis thing called Science? Queensland: University of Queesland 1978. A ciência grega. A estrutura dos revoluções cient(ficas. SP: Ibrasa. 15. A. Madri: Alianza Ed. B. 1978. D. Heisenberg. 1965. 1n Os pensadores. Londres: Watts and Co. mas urna constante reconstrução a "partir do zero". SP: Abril. ______ O capital. In FROMM. N. mas também entre pensadores de uma mesma corrente. FOUCAULT.

Podemos dizer que filósofos e cientistas em geral sempre buscaram alcançar uma compreensão adequada do que vem a ser o saber científico. Estudos de ecologia humana. RUSSEL. 1978. Sociologia: teoria e estrutura. como a ciência atinge seus resultados. G. W. teoria da ciência. México: Fondo de Cultura Económica. SP: Edusp. República Federal da Alemanha. M. VARGAS. K. 1970. Brasilia: Tempo Brasileiro. Dicionário de filosofia. as mais conhecidas são: epistemologia. RJ: Globo. n2 3. SP: Abril. Madri: Alianza Ed. 1978. WARTOFSKY. Objetividad en la investigación social. Itatiaia. A investigação teórica acerca do fenómeno "ciência" tem recebido. 61 SALMON. 1970. D. 1978. SP: Francisco Alves. Um discurso sobre as ciências na transição para urna ciência pós-moderna. 1991. Lógica. Para se ter uma boa visão dos empenhos epistemológicos desenvolvidos através da história recomendamos a leitura de J. RI: Zabar. B. 1968. pois. B. Edusp. Capítulo IV A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTf FICO: ALGUMAS POSIÇÕES Maria Cecilia Maringoni de Carvalho* 1. F. 1988. ela investiga fundamentalmente os métodos. NAGEL. RI: Tecnoprint. A sociedade aberta e seus inimigos. ao longo dos anos. Mas ela se preocupa também em articular os critérios que nos permitem avaliar o desempenho de teorias já formuladas e que nos possibilitam. Considerações introdutórias As reflexões críticas acerca dos fundamentos da ciência vêm sendo elaboradas desde tempos remotos. POPPER. Fédon. 1986 MYRDAL. 1982.. SP: Edusp. 1978. metodologia. O. 1979. 1978. Edusp. PIERSON. Introdución a lo filosofia de la ciencia.Teresina: Educação e Compromisso. Buenos Aires: Paidós. 1977. como a palavra sugere. MORA 1. RJ: Zahar. RYAN. 1977. Madri: Alianza Ed. W. mas foram empreendidas no quadro de uma * Doutora em Filosofia pela Universidade de Munique. . MERTON. porém. ______ A lógica da pesquisa cient(flca. que é a produção do saber. filosofia da ciência e. Conjecturas e refutações. Professora de Filosofia da Puccamp. diversas denominações. qual a sua credibilidade etc. 1978. decidir entre teorias concorrentes. SP: Martins. S. Metodologia da pesquisa tecnológica. PLATÃO. também. SP: Mestre Jou. Introduçõo histórica dfilosofia da ciéncia São Paulo. 1978. SP: Cultrix. ______ Ménon. ou seja. Misticismo e lógica. _______ Conhecimento objetivo. Filosofia das ciências sociais. 1978. E. em que consistem seus métodos. tais reflexões epistemológicas não constituíram uma disciplina independente. 1974. SP: Abril. 1985. A. Vol.. Belo Horizorne. como ele procede. 1978. R. s/d. M. 1. Brasilia: UnB. SP: Revista de Estudos Avançados. II. ainda. LOSEE. 1 Durante séculos. ______ Dois dogmas do empirismo. os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal. ______ A lógica das ciências sociais. SP: Abril. QUINE. A metodologia seria urna parte mais restrita da epistemologia. Epistemologia naturalizada. La estructura de la ciencia. SANTOS.

se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. Na matemática. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. É muito difícil. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. Todavia. no decorrer da década de 20. quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias. Seus principais integrantes foram. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. Contudo. Historicamente. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. mas estenderam-se aos domínios da ética. 277 ss. ela deve ser submetida ao teste da experiência. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. uma vez elaborada a hipótese. A filosofia contempordnea. Wolfgang STEGMOLLER. 1. Nas ciências empíricas. pois. Segundo Stegmiiller. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa.2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. O grupo. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. a se alterar. o Racionalismo Critico de Karl R. Kuhn. o controle é feito com base em processos lógicos. sobretudo nos países anglo-saxões. o controle é feito com base na observação e na experimentação. o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. A fantasia criadora do 2.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. da filosofia da linguagem e da filosofia da história. p. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica. de modo sucinto. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. além de Schlick. Hans Hahn etc. Otto Neurath. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que. Existe. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo . quando não impossível. -' Nosso estudo pretende abordar. vol. ela deve ser abandonada ou corrigida. que emergiu do Empirismo Lógico. conhecido sob o nome de Círculo de Viena. Rudolf Carnap. o que parecia faltar à filosofia. aos poucos. Tal corrente. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo.

é verdade. ou seja. Popper é. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época. pp. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados. sociais e psicológicas da pesquisa científica. análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. 1. e que. na medida em que for fundado na experiência. mediante comparação dos objetos entre si. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. .para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. vol. sem diiv ida. Princzvio do Logicismo . exige. ou seja. real. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. 3. factual. havia um debate fecundo entre eles. op. Thomas S. 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. De outro lado.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. como pensavam os empiristas clássicos. É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. como mostraremos em nosso trabalho. e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução. Popper Karl R. cit. na medida em que priorizou as dimensões históricas. Kulm Todavia. contudo. Na realidade. seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. 277-284. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos .4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. ou seja. se chegaria a um conceito geral. é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo. traduzidos em uma linguagem observacional. sem dúvida. sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica. Wolfgang STEGMOLLER. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não..um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R. 2. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. segundo o princípio empirista. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação.. porém. Não se tratava. foi.

elástico. Elas nada declaram a respeito de um objeto. como veremos agora.1 deste capítulo. que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual. Esta definição . item 3. ser caracterizadas como definições propriamente ditas. magnético. uma tendência de um determinado objeto para. apresentar uma determinada reação ou comportamento. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água". O enunciado "se x é colocado na água. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico. Ver. de acordo com a definição proposta. como a palavra sugere. estas não podem. então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. Termos disposicionais. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. Contudo. parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira . Teríamos. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. seria considerado solúvel. eram passíveis de 4. Sendo de madeira. introvertido etc. as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. Em suma. então x se desmancha" é urna condicional. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. inteligente. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. Entretanto. como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". solúvel. Entretanto. Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição.Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas.é todavia inadequada. Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica.aparentemente plausível . o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras". a condição de ser colocado na água). então: se um objeto x é colocado na água. esse ideal.um objeto x é solúvel em água. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. Entretanto. A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. ainda que plausível. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. se atentarmos melhor. como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais. Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. Em vista da dificuldade ora apontada. Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. dada a falsidade do antecedente. Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso. a rigor. Contudo. verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional. certamente que "a" não é solúvel em água. então x se desmancha. são termos que denotam uma disposição. ou seja.

Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. contudo. as três teorias anteriormente mencionadas. Karl R. de um lado. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. abrindo os olhos para uma nova verdade. outras três eram a teoria de Marx. 5. POPPER. tais teorias não eram . em certo sentido. e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação. De fato. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. EPU/Edusp. Uma vez abertos os olhos. é a de A. 274-329. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. e. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. 6. a teoria da relatividade. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco. 3. p. Cap. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. Dentre as que me interessavam. Camap. Além disso. também W. vol. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler. Na época. porém. Lisboa.de um conceito ." 6 O problema que o intrigou. Nessa medida. o qual corporifica. 63. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão.já que o conceito é deixado em aberto. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual. R. pp. A filosofIa contempordnea. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre. de chamar a atenção para o caráter aberto. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. de outro. Teve o mérito. Ciência: conjecturas e refutações. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. a evolução do Empirismo Lógico. in Conjecturas e reflaações. a Europa encontrava-se imersa em grande crise. O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. São Paulo. Ibidem. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. 1983. K. 1. Edições 70. IX." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência. os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais. 1977. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência. STEGMULLER. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. p. Camap. 64 7. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. escondida dos ainda não-iniciados.

Numa palavra. Por isso. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade. op. deve. a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. caso ela resulte de urna tentativa séria. melhor ela é. em princípio. passando próxima do Sol. refutabiidade ou falseabiidade.. em princípio. ou seja. Ela é." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria. predições que. R. p. porém malograda. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. de refutar a teoria. O problema da indução . como frequentemente se pensa. Nesse caso.testadas com base na experiência. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. 9. 11 Em suma. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria. As três teorias precedentes não são falseáveis. 64. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. a teoria da relatividade pode. ou seja. Ibidem. 68 69 certas coisas de acontecer. refutável. juntamente com os resultados de sua crítica à indução.13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. mostrar-se incompatível com resultados de observação. POPPER. Quanto mais uma teoria profbe. Como diz Popper. 66. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. p. caso sua teoria fosse verdadeira. isto é. em princípio. Popper lembra. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. ci:. refutariam a teoria. Ibidem. ou seja. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo". lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade.1. Uma teoria que pretende ser empírica. 10. deveria refletir-se. não são capazes de sustentar predições que possam. uma vez que as procuremos. 65. Ibidem p. ser refutável. "a irrefutabilidade não é urna virtude. mas um vício". Esta teoria parecia aberta à refutação. colocar em risco as teorias em que se baseiam. Como descreveu Popper. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. que ela nos diz algo sobre a realidade. no dizer de Popper. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade. se não realizadas. 3. nesse contexto. as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. 66. ou seja. 11. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. Einstein deu-se conta de que. factual. K. p. em virtude da atração gravitacional do Sol. "falseável". inspirar sua metodologia. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8.

numa teoria psicológica como a de Hume.a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela. Fui levado portanto. 66. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança). tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. Em suma. Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas. parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. porém. "A" virá sempre acompanhado de "B". só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição. Temos aí um empirismo radical. no futuro. e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. com o tempo acostumamos a essa repetição. Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade. De um ponto de vista meramente lógico.para Popper . Como tais conexões não provêm da experiência. a experiência nos dá impressões sensíveis. precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. Segundo Hurne. como o funcionamento de um relógio. Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. é o sujeito que estabelece conexões entre eles. 14 A concepção ingênua. construções do sujeito. R. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". segundo a qual dois eventos seriam em si similares. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. 13. K. devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente. 66. baseada em similaridade que só ele poderá identificar. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. Popper aceita o argumento lógico contra a indução. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. deve considerá-las similares. Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. Segundo Popper. Hume nega que a indução possua uma base lógica.. POPPER. op. Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12. Todavia. Ibidem. p. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos. ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. deve interpretá-las como repetições. mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. por considerações puramente lógicas. A expectativa é . a inferência indutiva não pode ser legitimada. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. p. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . Mas devemos notar que. Segundo Hume. cit. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes.

R. pretendem valer para qualquer tempo e lugar. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. Wolfgang STEGMÚLLER.um enunciado nomológico. Logo.1 • iI 1. Popper. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos. extraordinariamente limitados." ' O conhecimento não tem início com a experiência. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa. in Naturwissenschaften 66. descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). K. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria.que precisamos pôr de lado.que as repetições nos imponham suas regularidades. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. 3. a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência. POPPER. ou seja. A ciência começa com a percepção de um problema. 440-441.portanto. Theorie der empinschen Wissenschaften. Modeme Wissenschaftstheorie. pois. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto. pp.. desde que. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação. um interesse especial. É claro que uma tal verificação é impossível. Em Überblick. . 15. . p. "demonstração da verdade"). demonstrar a verdade de . precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação.da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação. p. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. Teu II. alterar fundamentalmente o estado da questão. mas com uma teoria. Os enunciados nomológicos são estritamente universais. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. publicada em meados dos anos 30. Os dados de experiência são.0] 70 71 definida. cit. Ibidem. uma tarefa 14. 74. enquanto que os enunciados de observação são singulares. cit. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes. se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis. pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação. quer dizer. 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. op. Pois. POPPER. 17. pois tais enunciados não são passíveis de verificação. Sem nos determos em premissas. e a dos enunciados que descrevem dados de observação. isto é. isto é. obviamente.. K.como mostraremos a seguir . convicção ou expectativa e os dados da observação. caso as observações não as corroborem. um ponto de vista. que exprimem leis. R. um problema. 76. 75-76. p. op. enunciados que exprimem leis naturais ou teorias. nesse contexto. damos um salto para chegar a conclusões . A metodologia de Popper resulta . Se alguém quisesse verificar .2.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. pelo menos intuitivamente. de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação. G. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria.27. ou será um movimento ondulatório. assim. 29. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. T. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas.). S. 30. 37. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. cit. 71. um grupo homogêneo. p. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. entre outros. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina. em geral. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos. pois toda essa rede de posturas. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. portanto. bem como a maioria de suas ramificações. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. via de regra. O paradigma caracteriza. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da . Desaparecem. Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona. p. que partilham o mesmo paradigma. Vide H. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos. The tacir dimension Thomas S. 4. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido.2. ou ainda composta de fótons. M. a Química e a Biologia. 32 ss. BAYERTZ. Constitui-se. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. A uma realização científica dessa envergadura. SCHNEIDER. 28. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. POLANYI. KIJHN. 23. Ibidem. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. Posfácio. op. op. Uma tal construção é. 20-21. 237 ss. verificam-se as seguintes conseqüências. a Física de Aristóteles. cit. o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso. portanto. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. 29 A Física.. quanto à natureza da luz. Kuhn dá o nome de paradigma. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. K. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão.. técnicas e saberes é muito pouco transparente. eles conhecem a resposta. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. cit. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade. a Óptica de Newton etc. KUHN. pp. será ela composta de partículas de matéria. acolhida como superior às suas correntes. ou seja. ia op.

Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. op. in 1. então.) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. T. KUHN. ele é tido por inatacável.31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. Masterrnann. 32. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. detectou 21 acepções diferentes desse conceito. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. MUSGRAVE (orgs. Nesse sentido. a existência de fenômenos recalcitrantes. M. LAKATOS e A. Como diz Kuhn. A natureza de uni paradigma. Com isso. p. ele adquire uma dimensão normativa. Por receber adesão coletiva. naturalmente. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. MASTERMANN. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. que ele comporta solução. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. um arcabouço teórico de cunho bem geral. 13. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica. o qual não é o resultado direto de experiências. mas que direciona qualquer experiência. Aí estão os problemas considerados legítimos. que não se ajustam facilmente ao paradigma. 72-108. Ibidem p. propriedade coletiva da comunidade científica. nesse sentido.fecundidade de um tal conceito. A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão. 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. para o qual já existe uma solução paradignultica. O paradigma representa. Nega que eles tenham a . Não nega. ci:.. pp. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. Daí decorre que. 65. Posto isso. na ciência. interessá-lo. durante algum tempo. de antemão. entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência". 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. 33. porém. M. Em algumas passagens. ou seja. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper). S.

proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. T. a atividade científica tem um forte componente social. A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática. KUHN. KUHN. A função do dogma na investigação científica. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham. iii 1. Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. W. cit. 12. TAYLOR (org. T. LAKATOS e A. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. in Jorge Dias de DEUS (org.). A Crítica da ciência. Vide H.. 36.36 34. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. ela é condição de possibilidade de emergência do novo.). Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. papel mediador na emergência do novo. S. cede lugar a um período de crise. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. Cit. vide T.função que Popper lhes atribui. The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent. proibidos pelo paradigma. A fase de triunfo. S. 45. dirigido ao pormenor. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante. G.3. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria. pois. 35. S. O trabalho miúdo. KUHN. p. 162-174. Além disso. não se pode esquecer. 4. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos. p. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal. vide T. pp. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma.37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. efetuado pelo artesão científico. op. tem. Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. pp. importante papel na produção do novo. ele goza de certas imunidades. 5. O paradigma está ameaçado. Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. KUHN.). Especulações ousadas . pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. cit. assim. 53-80. MUSGRAVE. SCHNEIDER. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso. op. Contudo. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. da acumulação bemsucedida de saber. esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento.

parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. dominada por um paradigma sucessor. A questão é que. Em geral. p. Ele é mais urna "promessa de sucesso". p. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. as revoluções pareceriam impossíveis. . É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. 39. cit. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. p. para cada situação possível. 42. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade. ' Com o agravamento da crise. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40. cit. enriquecendo-a com novas informações. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. 113 ss. Vide nota 36. pois não é possível pesquisar sem paradigma. op. Contudo. 116. Não existem. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma. p. A crise parece desempenhar esse papel. por muita confusão e inquietação. 190-191. Ibidem. critérios gerais que determinam de modo unívoco. se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia. KUHN. op. de início. Ibidem. S. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas. T. KUHN. Contudo. ao seu conservadorismo. Ibidem. De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. 57 ss. Sem crise. mas a altera profundamente. o qual é precedido. Bayertz. u Entretanto. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. in op. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade. 42 De qualquer forma.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. porém. 44. na visão de Kuhn. T. S. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. como é que. 44. 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. pp. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. contudo. 43. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos. The essential tension. Kurt BAYERTZ... 38. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. KUHN.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. A estrutura das revoluções científicas. diferentemente. S. como assinala K. 41. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. os cientistas não o abandonarão. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência. As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. cit. dessa promessa". Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. T. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. via de regra.

acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. Como sabemos. ' Em meados da década de 30. 10 ss. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. Ibidem. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. não para descobrir hipóteses. a outra. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. representada por Karl R. Em uma palavra. 81 extraordinária. busca de alternativas. Isso é compreensível. dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. Popper rompe com essa tradição indutivista. quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. Procura tomar mais aguda a crise. 167-211. por exemplo. 47. pois propiciou uma articulação mais clara. pp. tratava-se de confirmá-la indutivamente. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas.). urna vez de posse de urna hipótese. cit. a menos que seja guiada por um paradigma. nessa fase pós-paradigmática. Idem. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência. 114. A estrutura das revoluções cient(ficas. elevando o seu grau de probabilidade. 48. se tiverem êxito. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre. 113-114. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. S. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. W. o método indutivo era usado. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. então. op. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER.45. LAKATOS e A. p. pp. retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos. mas. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. como. p. as quais. A filosofia contempordnea. a pesquisa se toma aleatória. in Wemer DIEDERICH (org. 46. pp. as quais confumariam a hipótese em questão. mantendo-se crítica frente a ele. defendida por Thomas Kuhn. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares. 49. (org. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo.). Para . mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. T. tentará formular novas teorias. 5. Popper e seus discípulos. falseamento de concepções existentes. 353-391. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. STEGMULLER. Em outras palavras. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. KUHN. suas teses provocaram grande impacto. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. MUSGRAVE. ou seja.

um empreendimento irracional.) op cit.. E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos. certamente. p. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido. com o tempo. Todavia. se a ciência não se orientar nem pela indução. ou seja. contudo. ainda que estes possam ocorrer. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante.não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem. nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas. Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. Sua metodologia é urna metodologia crítica. teimosas. nem de longe. rever nosso conceito de racionalidade. no entender de Kuhn. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. (orgs. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva. aos poucos. 18 ss. pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. negativa. além disso. ela é. a relevância que Popper lhes atribui. que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. o 50. 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese.via indução . A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). Ver. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia. LAKATOS e A. 51. de fato.nem a refutação das mesmas . não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece. Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. nem pela dedução. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência.e nesse ponto concorda com Popper -. até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . não possuem. T.via dedução . deste capítulo. parece bastante saudável para a ciência. uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar. MUSGRAVE. regras de lógica dedutiva.ele. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. mas se prende ao fato de que. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. E tal reflexão poderá mostrar que. mesmo preservadas as idéias . que privilegia o espírito crítico. item 2. S. a-crítica. É preciso. quem tem razão? A posição de Popper. KUHN. em outro. aberta à refutação. não se impor. se Kuhn tem razão. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. em um caso. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas . Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. a crença na indução não passa de uma ficção. Se. ou a admitir que. sim. quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. e que seriam.

LAKATOS e A. Vejamos um exemplo. de serem verdadeiros ou falsos. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. A estrutura das revoluções científicas (op. pp. Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. não corresponde à realidade. Apoiaino-nos na exposição de W. MUSGRAVE (orgs. que a luz não era constituída de partículas. S. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade. fixado antecipadamente. conhecem-se algumas aplicações da teoria. A classe das aplicações possíveis não constitui. Todavia. W. T. nesse sentido. . e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região. além disso. 53. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. 33-48. Para ilustrar. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. pp. MUSGRAVE. A ciência normal e seus perigos.) op. Existem refutações na ciência e. The logical structure of mathemaiical physics. Contra a ciência normal. N. op. De início.. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis." liii núcleo estrutural não é passível de refutação. vemos apenas um quadro geral. LAKATOS e A. cit. D. 186. obviamente. S. WATKINS. T. ci:. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito. in 1. o movimento pendular. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. estas refutações não atingem a teoria enquanto tal.). Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. com o auxilio de sua mecânica de partículas. cit. nesse ponto. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação. portanto. 63-71. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. seria possível. concluiu-se. o fenômeno das manis etc. Quando uma teoria é concebida. ou que se conheça de antemão. SNEED. a razão está do lado de Kuhn. ela não se apresenta logo como algo acabado. explicar os fenômenos da óptica. 54. quando. Em vez disso. articulado em todos os seus detalhes. E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica. 55. ainda não conhecidas. todos os esforços nesse sentido foram inúteis. p. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal. p. cit. passíveis. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e. KUHN. porém.) op. a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre. no século XIX. Popper tem razão. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei. sugere-se 52. Ver também a contribuiç5o de J. via de regra. R. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. um dia. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. K. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade.centrais de Kuhn. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito. in 1. KUHN. Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração. em sistema acabado. POPPER. (orgs. impôsse a teoria ondulatória da luz. 191. contudo. A estrutura das revoluções científicas. porém. Isso. Newton havia prognosticado que. que contém uma estrutura matemática.. nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. arcabouço teórico.

Wissenschafiliche Revolution. Dado que as teorias são irrefutáveis. J. A. As origens do conhecimento e da ignorância. SP: Perspectiva. Eis porque em outros escritos meus já . Contra a ciência normal. 1n DIEDERICH.. Kurt. Naturwissenschaften 66. Nova York: Doubleday & Company mc. A. 1n LAKATOS. SP: EPUJEdusp. Karl R. J. a outra parte da população está morrendo porque a tem. 1977. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. Wolfgang..). Itatiaia. Carnap e o positivismo lógico. 1979. 1979.Sor1erdntck . lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. pois que a vivemos de forma ambígua. 1975. s/d. 1n Conjecturas e refutações. Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea.ssenschaftsgeschichte. 70. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome. POPPER. (2 voL). A crítica e o desenvolvimento da ciência. SP: Oaltrix/Edusp. Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J. A crítica da ciência. WATKINS. Jorge Dias de (org.). ht Psychologie heute . The logical structure of mathematical physics. 1 e MUSGRAVE. 1. da UnB. como parece ter sugerido Kuhn. Lisboa: Ed.). já se disse que se. hoje em dia. Racionalidade e a expansão do conhecimento. em ambas as teorias. N. 1n Conjecturas e refutações. W. Frankfurt: Suhrkamp. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas. H. Weinheimund Basel Beltz Verlag. SP: Edusp. D. RJ: Zahar. 2t ed. Afilosofia contemporânea. ampliando seu domínio de aplicação. Bibliografia BAYERTZ. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. BH. Para isso. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha. 1978. Michael. SCHNEIDER. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. Introdução histórica d filosofia da ciência. 1971. Garden City. PASQUINELLI. Além disso. J.). _______ Duas faces do senso comum. A. STEGMÜLLER. (org. 197. s/d. LAKATOS. (org. 1979. A estrutura das revoluções cient(ficas. Boston. Verdade. G. Belo Horizonte: Itatiaia. e MUSGRAVE. POLANYI. 1978. Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981.A comunidade científica não é irracional. Brasilia: Ed. 1983. 1974. não há nada de irracional nesses comportamentos. KUHN.Wissenschaftskritik. 1979. contudo. Munique: Springer Verlag. B. The tacit di. Wemer (org.nension. João Francisco Regis de Morais* Concretamente. Thomas S. Brasilia: Ed. LOSEE. SP: Cu1trixEdusp. certamente. Ciência: conjecturas e refutações. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. 1n Conhecimento objetivo. os quais esperam e acreditam que ela. 1966. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. da Universidade de Brasília. é normal haver defensores da teoria até então dominante. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado. Dordrecht. E. um dia. numa época de transição. SNEED.. bem como defensores da nova teoria então nascente. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . Theorien der Wi. a nosso ver. hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade. 2 ed. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis. DEUS.

a ser apenas bom. às suas funções manfestas. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar. Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal. ou só em seus lados positivos.afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século. . não podem mais ser livres de valores (value free) . factível. imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). São dois modos de ver. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade. de outro lado. Inevitavelmente. O nosso meio. a realidade humana seja "isto e aquilo". tampouco lograremos que chegue algum dia. E isto porque. dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. Volto sempre a dizer que. A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental. nas quais se lê que. o que gera. num projeto histórico mais modesto irias. pode ser. pelo menos.de se olhar para a vida e interpretá-la. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. Certamente que não é um modo cômodo de ver. a ciência e a tecnologia não são boas ou más. não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". do século XVI (Renascimento) até hoje. 1. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp.se é que algum dia o tenham sido. que é marcadamente científico-tecnológico.. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje. e. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado. ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade. nunca será apenas mau. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . nos negócios humanos. Mas parece ser o modo realista . penso. correspondem funções latentes. Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. menciono três grandes momentos do mundo moderno. de um lado. pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo.no mais salutar sentido da palavra . para não quebrar o fluxo dialético da vida. negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. São ambas as coisas. Evidentemente. expondo-nos à permanência do provisório. Discutível? Sim. conhecidas e declaradas. Não muito preocupado com essas periodizações. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. mas é necessário que. não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio.

Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). lugar no qual. pelos séculos . o mundo "encantado" da Idade Média. é o primeiro grande momento do mundo moderno. conseqüentemente. imutáveis. de espanto. entre o humano e o divino. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. Ora. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. conhecida como o Barroco. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. é urna aguda expressão de perplexidade. Ora. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. Na primeira metade do século XVII. necessárias e. o universo sagrado. quanto à queda dos corpos na física. na Igreja de Notre Dame de Paris. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. no século XVIII. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. regido por leis internas. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. estava. É muito importante que atentemos bem para isto. inaugura a chamada ciência experimental. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. curiosamente. em muitos aspectos. Num golpe histórico. Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. Para Newton. no meu entender. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. um altar para a Deusa Razão. A arte deste século. tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo". o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial. de nome Galileu Galilei. em um preciso dia do preciso ano de 1590. porém. entre a luz e a sombra. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. quando a Revolução Francesa. perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. Porém. prepara. e este campo abria-se de forma ilimitada. De repente. a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica.

tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito. sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. . Um tanto perplexos com tudo isto. surge o computador. passamos a vida trabalhando em complexos industriais. tenha-se ou não fome. ou se despertava quando o sono acabava.. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo. para se poder levantar cedo. agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . Paulo. comia-se quando se tinha fome.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. somos cuidados pelas organizações funerárias. de ensino ou outros. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora.. à entropia". crescemos em organizações (escolas). Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza". a eletricidade etc. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade..no mundo da vertigem e do espanto. Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. como disse. de um "universo de situações probabilisticas". comerciais. Mas. Com os avanços da ciência cibernética. Está transcodificada a nossa realidade e. já não se podia ler. via-o como algo que "tende ao caos. Estávamos na "era da incerteza' '. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo. S.7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton. quase inconcebível. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade). à deterioração. 1983). de modo que o operário pudesse intervir. e a coisa vai assim até que morremos e. oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris. trabalhando junto com a máquina.. instalando-se definitivamente o tempo da máquina. Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. Com a crescente urbanização do Ocidente. Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). Se antes dormia-se quando se tinha sono. com as chaves antigas de leitura. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. a realidade global da sociedade. Bolzrnann (na Alemanha). Isto vem até dentro do presente século. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia. Como tenho dito. Um novo tempo com novo ritmo começava. desde que ultrapassada a fase de programação. o carvão. Duas Cidades. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade.seguintes. desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. agora. ao contrário. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que. A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. como o vapor.

provoca. um ledo engano. é se tornar uma atividade febril e sem história.e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. a princípio. Tentemos algo. O século XVIII. a vontade (WoIlen). mas em tennos espirituais . em apenas quatro séculos de experimentalismo. mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. pelo menos em campo material. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna. E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". Ora. E só se tornou negativa. menos que responder completamente a tais indagações. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. Como se pode ver. em um processo normal e salutar de crescimento psicológico.muito pior em um brevíssimo ensaio como este. Assim foi que a ciência. conseguiu. Era positiva a tal contestação. Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento. De uma certa maneira. a atividade científica toda emergiu. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). sem que a outra perna crescesse também. em si. principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado. maravilhosa. Com pouco que se contribua neste campo será muito. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. mas romper com ela é se perder das origens mais reais. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo. convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos. demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância .esta mesma humanidade está atrofiada. isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos. uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que. A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente. tinha apenas na base um impulso salutar. à medida em que quis romper com a reflexão filosófica. quando a contestação se transformou em ruptura. Assim como. na vida do homem. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . a visão fragmentária de um mundo mecânico . enfim. são questões grandes demais. Negar a mãe é necessário. Mas a pretensão é. é perder um pouco da própria identidade. perdeu. 2. a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos. compete perguntar se tudo está perdido. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia. o que é uma falácia. e muito. Diante disso. em termos genéticos. quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. em um desastre mesmo. chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que. a consciência de si.

pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. aí. propõe. da escola etc. Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar. como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço . Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. mais do que interdependência. E. para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos.sendo que. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo. 1959). analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. Editora Melhoramentos. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver. para não enlouquecer. trata-se da facilidade com que expor a vida. Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. na qual. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte. da igreja. À Weltanschauung. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica. há mais uma grave questão. se isto é verdade. Mas não o sou. o dr. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. Creio que o homem é "ele e sua circunstância". Ora. precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. em suas palavras.de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil. escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro. visão de mundo ou concepção de mundo. e enlouquecer-me-ão. as coisas se compensam. crendo que a história faz inteiramente a consciência. em um momento de explosão bendita. transformou-se num esporte contemporâneo. com certo prazer autodestrutivo. Zargwill.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais. O médico e pensador Albert Schweitzer. A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa . tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. Ao que me parece.em termos de desequilíbrio climático . Chemobyl acaba de mostrar-nos. S. Paulo. creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. de uma tal forma que." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós. na recuperação de uma . Todavia. como visão de vida. e esta de ordem psicológica.meticulosamente articulado. da forma mais assustadora. no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem. Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor. Num sentido sócio-cultural. a verdade de um sistema interdependente.

Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência. Isto porque. com maior maturidade. temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação. . havendo amor. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu . do próprio processo de educação. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. dentro da escola. e. No século XIX. Seu objetivo é convocar o estudante a participar. tomando-se. quando na primavera os campos reverdecem." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. as boas e as más. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades.0] 92 93 mundo. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns. fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres. cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento. o estudante deve estudar primeiro como aprender. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. portanto. e muitos mais feitos da ciência. segundo. no entanto. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro. isto só se dá porque cada ramículo. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis." Hoje temos muito. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. temos infonnática computacional. como também da sanidade da ciência. Albert Schweitzer dizia que. Não se trata. O fundamental é. provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto. O mesmo dr.. Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico.1 Ii Í'. mas não foram tentadas todos .. não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade. Conchindo. trata-se de que cada um. temos energia nuclear.visão de vida (Lebensanschauung).o que nos faz ver razão de esperança. no seu íntimo. para cruzarmos os braços em hora tão delicada. unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão.

significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. no nível da comunicação. 1. feita nas salas de aula. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. para manifestar ou preceder. desmoronando fronteiras. dinâmica de grupo. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa. extinguindo mesmo funções. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . educandoeducador. Se surgem novas palavras. com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. Extensõo ou comunicaçdo?. inclusive semanticamente. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. isto é. pelo aumento da demanda escolar. 53. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP). que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro.. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. sobretudo.. Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. uma realidade emergente. pela linguagem. mais do que o professor ou qualquer livro didático. em saltos qualitativos. Antigamente. . Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. substituindo valores. Professor de Filosofia da Puccamp. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador. Hoje. a organização de um pensamento correto em ambos. rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente. trabalho cooperativo. necessária e esperada. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. pela "forçosidade" de especialização profissional. ação extensionista escola-comunidade. Jornais e revistas. Mas. Doutorando em Educação (Unicamp). a educação sistemática. tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos. p. de ordem técnica ou não. uma situação desejada.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar. e portanto da intenção. De alguns anos para cá.. de urna nova dinâmica educacional. P. interdisciplinaridade. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. 07 de leitura da realidade. mas para representar. Por causa da célere geração e substituição de informações. mas sim o de proporcionar. através da relação dialógica educador-educando. com reflexos na prática didático-pedagógica. pelo acúmulo de infounações. FREIRE.. Dessa maneira.Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente.

percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço. nenhum pensador. 54. op. para uma incorporação rica de informações. do próximo ao distante. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. num sentido amplo. 98 O termo pesquisa é aplicado aqui. Neste sentido lato. HEIDEGGER. 89. intuitivamente ou não. Qu 'appelle-t-on penser. fazendo perguntas para obter resposta. 3." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. cit. com os veículos de comunicação modernos. Mas o que professor e aluno. Consultar livros e revistas. em desvantagem. p. de bairro em bairro. são formas de pesqulsa. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar. examinar documentos. FREIRE. engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. Um desafio que envolve professor e aluno. de investigação. conversar com pessoas. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno.Portanto. làis métodos (do grego: meta = para. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. Dentro dessa perspectiva educacional. a fim de que. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema." Assim. seres humanos. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. A pessoa agirá por etapas. p. pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo. com risco de o professor querer competir. do simples ao mais complexo. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade.. atrvés do emprego de processos científicos. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. de indagação. desafiado. como nenhum cientista. P. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. a não ser que seja insensata. A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender". O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. 2. genericamente. 1. Certamente. A pesquisa bibliografica Pesquisar. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. no domínio desse conhecimento. Para não . em direção ao seu objetivo ordinário. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. como sinônimo de busca. que é perda de tempo e de energia. apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual. M. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno.

Neste caso. .passar ridículo.uma hipótese-problema para pesquisa científica. Do ponto de vista prático. um carteiro. Um objeto de estudo bem pode ser: .a obra científica ou literária de um autor. a pessoa solicita.uma tese para um trabalho monográfico. é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa. o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. .o texto básico para um seminário. localização dessas fontes. caminhando a esmo. a consulta de indivíduos abalizados ou não. . A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita. e compilação das informações (documentação). vagamente na cabeça. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua. a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. . . grafia = descrição. .um tópico especffico do programa. o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. "caminhos para" se obter a informação desejada. . Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando. aleatoriamente. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. ao primeiro indivíduo que passa. Diante das respostas negativas dos transeuntes. Assim. um motorista de táxi ou. defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes. Têm.o conteúdo programado de uma aula. uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. isto é.o assunto para urna matéria jornalística.o título de uma conferência ou simpósio. por si só. lendo todas as tabuletas indicativas da cidade. A leitura das tabuletas com o nome de rua. por exemplo. propriamente dita. Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico. . . um jornaleiro. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. que poderia ser considerado um expert no assunto. Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. após várias tentativas. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. sem mais nenhum dado que forneça pistas. eventuafruente. Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar.os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. o exame de mapa ou lista telefônica são métodos. Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. . A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro.urna doutrina ou um sistema de idéias. um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte.

procurar adquirir livros. para bem orientar. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. uma HISTÓRIA. No caso do estudante. Neste período. 1 101 Não obstante. um TRATADO. Se esse material estiver guardado ordenadamente. quando o campo de interesse já estiver bem-definido. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. que apresente uma visão geral desse campo. dos principais tópicos. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente. provas corrigidas. que concorre também para aumentar a velocidade de . como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo. teses e monografias mais específicas. ao matricular-se em urna escola superior. O dicionário não é o" pai-dos-burros". A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos. A partir da definição clara do objeto de estudo. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. Um estudante. a formação geral e a formação específica dentro da escola. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber.O professor. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. Nas séries finais. se possível. Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. Além do enriquecimento do vocabulário. como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente. trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. como diz o senso comum. Anotações de aula. do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. Um bom dicionário comum da língua materna e. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor. cadernos de séries já cursadas. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. De início. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. em um caderno pessoal. tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. respectivarnente. mas o " companheirodos-sábios". Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. sínteses de artigos udos e analisados. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. fichamentos de livros. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. A organização de todo esse material didático.

dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. não encontrada nas primeiras. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. ler os sumários e orelhas. segundo as grandes . principalmente as de nível superior. com acesso direto às estantes. o aluno poderá. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. Assim. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica. Muitas escolas. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. às particulares ou às públicas. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. através de uma exploração inicial. De posse dessa bibliografia básica. uma INTRODUÇÃO. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra. uma HISTÓRIA. um TRATADO. No que se refere à bibliografia da disciplina. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido.leitura. um dicionário da língua e outro especializado. a médio ou longo prazo. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos. em que são escassas as verbas para educação. por exemplo. a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. Para economizar tempo na localização dessas outras obras. Além das bibliotecas escolares e universitárias. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. Nem isso é possível na atual politica educacional. danos e perdas de livros. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. o aluno. o estudante poderá manusear vários livros. direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. De outro modo. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. Sendo o sistema de consulta "self-service". empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino. no caso de urgência para completar o estudo. isto é. ganhando tempo e segurança. para enriquecer a sua biblioteca profissional. 102 A relação de livros e textos básicos. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado.

Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor. e as respectivas obras. Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico. Arcangelo R. com as fichas de obras e autores que versam a respeito. 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. Teologia. 1971. Recorre ao Catálogo de Assunto. Vozes. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo. Sociologia. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas.Filosofia .áreas do saber: Filosofia. busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. flmdamentalmente. O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático... em ordem alfabética. 206 p. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. Rio de Janeiro. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. 465 p. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. o conhecer. 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . segundo a classificação do Catálogo de Assunto. 22cm. Psicologia. 1978. A Biblioteca possui 3 exemplares. Freitas Bastos. M564f Fenomenologia da Percepção. De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. Contudo. o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. Petrópolis. 7 edição. 100 Introdução ao pensar: o ser. B992i a linguagem. também denominado Ideográfico. Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. fornecido pelo Catálogo de Assunto. Comunicação. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto.v. Artes etc. Publicações CID . Matemática. 21 cm. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas. classificados alfabeticamente por sobrenome. 142-7 MERLEAU-PONTY. Educação. Tem-se assim. 3 ed. Maurice (1908-1961).

seu número de classificação será geral.0944.Filosofia 200 . 9 Dimensão do livro. 2 Sobrenome e prenome do autor.Biografia. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico. uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338.8. A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY. 4 Número de edição. 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra.Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões. 7 Data de publicação. funcionário de uma biblioteca americana. Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto. trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado. Por outro lado. outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica . Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA.Belas Artes 800 . 10 Páginas com indicação bibliográfica. Nesse sistema. . é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto. 11 Número de exemplares da Biblioteca. 100 . Resumindo-se. Por exemplo.Ciências Aplicadas 700 .540. 6 Casa editora. tem-se que.A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra). Saúde Pública 614. O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal. quanto mais algarismos tiver a classificação numérica. Geografia e História 000 . quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto..Filologia e Lingüística 500 . Democracia .Ciências Sociais 400 ..Literatura 900 . É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja.Religião 300 . 5 Local de publicação. que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. um livro que contenha urna parte de Química Analitica. idealizou e publicou em 1876.Ciências Puras 600 .100. Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY.321. A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar. Exemplo: . 3 Título da obra. Por exemplo. 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). 8 Número de páginas. o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia .

22cm.o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático. Joel Justino Batista 107 S487i . à da experiência do corpo no mundo.1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611. . Essência. Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia. Filosofia. 198 p. tem-se que: . 121. 6 3 2 45 SERRÃO.14 Veias 611. ::::as::1ms. 8 Valor.13 Artérias 611. outro referente a um terna da área de Ciências Exatas. 128 Homem.Sã da Costa. Metafísica. b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. Epistemologia. 112 Saber. Conhecimento.15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. Filosofia. um referente a um tema da área de Ciências Humanas. .Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 .Iniciação ao filosofar. 2' edição. d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade. Conhecimento..o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1). . divisão 140 (ficha 2).Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia. Lisboa. 1970. Filosofia. -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . 123 Liberdade.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611. c) é um tema de Filosofia Crítica.

mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes..5 do Catálogo Sistemático (ficha 3). Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: . tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. que parece um tratado de Teologia. Como mera ilustração.Propagação . tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa. O dorso do tigre.o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático. divisão 142 (ficha 3). 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. ou mesmo universitárias.o item a remete à classe de Física. b) é um tema abordado pela Ótica Física.535.535 Física . Meditações é título de duas obras homônimas. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura. Portanto. O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. A reprodução. .o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático. Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático.7.o item b remete à seção Ótica Física. escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes. divisão 142. Finalmente. caso o aluno tenha acesso direto. as revistas especializadas e os catálogos de editora. . divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar.o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais. Luz . Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes. raramente têm Catálogo de Títulos. . embora pareça obra de Genética da área de Biologia. as seguintes obras: A reprodução. é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. ficaria muito difidil encontrar. é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron. O dorso do tigre também não é da área de Zoologia. . divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1). Apocal4oticos e integrados. Meditações. só pelo título. Para localizar um livro na estante. Apocalípticos e integrados.5 Ótica Física . c) é um tema relacionado com a propagação da luz. mais específica (ficha 4). de Física. é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor.530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático. divisão 535. Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático.

conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada.?Senhor. deve procurar as revistas especializadas. Saúde.Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. . Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais. o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. 4. Medicina. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. via postal. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados. As mais conhecidas são Isto É. Ambietie. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. Economia. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. Após a identificação e a localização das fontes. encanes. nos jornais de sua cidade e região. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização. seções. Veja e Visõo. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. quando houver. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). Publicidade e outros. da participação em conferências e seminários. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral. documentação bibliográfica e documentação temática. remetendo endereço e dados pessoais. pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. redigidos e assinados por especialistas. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar. Direito. no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. Antonio Joaquim Severino. da assistência às aulas. Ciente disso. 2. na prática. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. Para tanto. 5." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras.

citados anteriormente -. ruas apenas de modo técnico. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. nesses arquivos. Documentos menores. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais. encabeçados também por um índice remissivo. titulo do artigo. prospectos de conferências. nome do jornal ou revista. de várias folhas.. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. Na montagem dessas folhas. Isto é. sem critério. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. textos fotocopiados. p. Uma página de frente. as infomiações dos textos armazenados. IX. Organize sua biblioteca. 6.A vantagem dessa atividade. com relação alfabética ou numérica dos textos. A biblioteca do aluno é. gráficos estatísticos. estampas e ilustrações. mapas. o conjunto básico dos livros . ficam melhor acondicionados.tais como: trabalhos didáticos. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. artigos de revistas. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. em pastas ou fichários simples. depois de colados em folha sulfite. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. X e XI. apostilas. folhetos e catálogos das editoras. em qualquer tempo. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse. desse modo. É evidente que essa atividade. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. desenvolvida como forma de estudo. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. ci:. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. em ordem cronológica. 7. autor. SEVERINO. documentos inéditos. J. Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. de modo que ajude a identificação quando necessário. para facilitar utilização posterior. A. material instrucional de aula etc. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. op. como recortes de jornais. Assim. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. tudo o que cai nas mãos. 72. Não é o caso também de armazenar. cap. Do mesmo modo que colecionamos livros. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa. data. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. o estudo . artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. roteiros de seminários. Vide l-leloísa de Almeida PRADO. de poucas folhas. classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem.

O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura. artigos. de quem é a autoria do texto anotado. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. é prudente estabelecer um código simples para identificar. As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. O estudante que empreende tal estudo. as anotações de idéias pessoais. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa. Para ilustrar isso. o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão. Em agosto de 1989. à venda em papelarias. Para tanto. as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor.5 cm. recensões e teses. É uru requisito necessário ao . Do ponto de vista gnoseológico. Entretanto. o estudante deve anotar também suas idéias. posteriormente. No Brasil. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. indicando entre parênteses a página do documento. não menos essenciais. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023. é colocar essas citações entre aspas. na forma de documentação. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. problematizações. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. isto é. isto é. quando for consultar. registrar simplesmente sem código. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. resumos. escolher um outro código para identificá-las. os argumentos. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. É conveniente que o aluno faça comentários. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. o aluno consegue identificar os pressupostos. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. não se comporta como um mero repetidor. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).5 x 15. Finalmente. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse. 3. críticas. que forem surgindo durante a leitura. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa. Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. embora esteja investigando um saber já elaborado. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. próprias para fichários-padráo. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas.

titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. congressos. O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap. SEVER1NO. deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques). são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário.. A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap. data de publicação).). b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica. trata da organização da vida de estudos. 32 Da segunda linha em diante. 1980. . opcional. de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto. O Cap. No l cap. . editora. O aprofundamento do estudo científico pressupõe. 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. textos avulsos ou outros). . outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap. Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p. . Segundo o A. Textos didáticos n.edição (quando mencionada ria obra). . trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. 21). Aqui o A.irnprenta (local de publicação. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico. Para maiores infonnações técnicas. Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . letras minúsculas). O autor apresenta normas práticas para o estudo.prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula). sem grifo. c) encabeçando resumos ou recensões. vfrgula. A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986. 9. e o .notas complementares e especiais (opcional).aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento. ainda. o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo. 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação. Campinas: Puccamp/Fabi. 21).subtítulo (depois de dois pontos. 1992. .tradução (se houver). dois pontos. 1. consultar: ZANAGA. Mariangela Pisoni. exceto nomes próprios). . Cortez Ed. A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA. boletins. São Paulo. Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. Para referenciação de livros e textos acadêmicos. Para referências específicas de fontes peculiares (teses.sobrenome do autor (letras maiúsculas).. visando torná-lo organizado. (continuação) No 42 cap.).

1.cap. São Paulo: Exemplos: Paulinas. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. OBRA COLETIVA registrando. As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento. Este desafio . at. distingue os tipos de trabalho: . VII. Rabindranath. 1982. 114 11ç 8. por um travessão. Folha da Tarde. fundamentais no contexto da vida universitária.. jun. nas 9. pode-se indicar Jornal do Brasil. 6 Quando se tratar de obra traduzida. ei ai.). os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. em nota especial no final. (exceto maio). (*) O A. p. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. ii. João Francisco Regis de. (Tradução por . ediçâo. A colheita. 4683. quando mencionado. p. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. Alberto e SOUZA FILHO. feita pelo próprio autor. 1982.. mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. = mímem (fascículo) SODRÉ. resumos de textos e resenhas (pp. sistemática (J)or assunto) ou cronológica. ii. v. 14. 16 jan.fia (que aborda um único tema). Danilo M. e MARTINS. título ou o idioma original (Tradução de . meios de informação. trabalhos didóticos. 2! cd. Rio de Janeiro. São Paulo: Francisco Alves. exemplos: jan.diário. at. v.. 1991. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS. 5 ed. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. opcionalmente. 1988. (Coleção vida e meditação). São Paulo. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. 10. Campinas: Instituto de Filosofia. IX. 1980. Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. Puccamp.nonogra. Campinas: Papirus. consecutivamente. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. 1989 .) na seqiência do título e. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA. volume (tomo) p. (expressão latina) = e outros 3. = ilustrado rev. rev. Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido. ed. 9Op. revisto e atualizado 2. = pagina n. mar. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor. Tradução do bengali para o inglês. 1968. Muniz e FERRARI. Campinas: Papirus. Maria Helena. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. Contraponto. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista. LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. Tradução por Ivo Stomiolo. 143-144). em ordem crescente. ago.. se o estudante não aprender e compreender Delta. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er.

LAKATOS. São Paulo: Paulinas. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. 1). GONÇALVES. Paulo. 7. Folha de S. 1978. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . Margaret. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1980. Mutações em educação segundo McLuhan. São Paulo: Atlas. Haroldo. J. e MARCONI. 55 e 14 cd. 1992. Tradução CAMPOS. 1971. Paulo. São Paulo: AbrilCultural. 6. Paris: PUF. Metodologia do trabalho cientifico. 1962. A. L. Folhetim.n. 24jun. SEVERINO. v. L. 19 dez. Antonio Joaquim. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. CERVO. Michel. Armando. Metodologia cient(fica. pp. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. e BARBOSA. Os homens e suas pontes. Veja. São Paulo: McGraw-Hill. (Boletim n 306). Gonzales Ireneo S. Amélia Americano F. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. HILLAL. por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães. Metodologia da investigação cient(fica. T. Análise do discurso de Maiakovski. e BERVIAN. RUIZ. assunto do próximo capítulo. 5-6. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. A. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. 1983. São Paulo. Santander: Editorial Sal Terras. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. Paulo. Heloísa de Almeida. 1. Porto Alegre: Globo. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. HEIDEGGER. A. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. São Paulo: Atlas. amp. rev. ERBOLATO. Catalogação e clossflcação de livros. 1977. 45 ed. Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira. Qu 'appelle-t-on penser. 1985. Mania. Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. Lauro de. (Edição interna). MANN. 1979. E. 57-76. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. MORAL. São Paulo: Cortez e Autores Associados. 1. pp. OLIVEIRA LIMA. (Coleção didática. 1990. 1973. 2 cd. M. Organize sua biblioteca. MICELI. Campinas: Papirus. 25. 1984. 1969. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez e Autores Associados. João Àlvaro. 1971. 116 DIAS. 1985.pp. 1974. 1973. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . Antônio Cândido. v. Petrópolis: Vozes. DOMINGUES DE CASTRO. Resgate. C. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. FREIRE. 1967. Comunicação e cotidiano. 1973. 1. THIOLLENT. 6 ed. 2! ed. São Paulo: Polígono. M. Tradução por Washington José de Almeida Moura. ASTI VERA. Metodologia dei trabajo cient(fico. P. M. IV. 48-54. Elementos de catalogação. 1955. v. PRADO. 2 cd. Maria Duma de Oliveira et ai. Josephina.

levanta outras questões. Como toda obra humana. são imprimidos pela marca da historicidade. filmes. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. produto humano.. livros científicos e filosóficos. não é algo pronto. obscurece o mundo e. do saber. a ser assimilado pelo leitor.. que vive a experiência no mundo com os homens. querna flexibilidade e no poder comunicativos. O texto.. acabado. experienciar." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas. a obra. A sistematização. O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada . Enquanto produto das suas relações com o mundo. não é um objeto. O texto iluniina e esconde. 2. também "faz" sombras. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. que transforma o mundo colocando algo de si. artigos de revistas e jornais etc.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem). as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens. Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. organizados.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. Mas não se pode esquecer: o que ilumina. das obras. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. pinturas. O autor do texto é o homem historicamente situado. que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. da literatura. etc. com os homens e com a própria produção do saber. É através dela que expressa a sua vida. foram definindo caminhos. televisão. literatura. participar é o produto colocado no mundo. esculturas.O texto é obra humana. acabado. metódicos. ". ideológicas e culturais. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza. é a expressão do viver.linguagem. obscurece... e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. portanto. políticas. sempre guarda um sentido subjacente." 2 fraduzem as angústias. e mesmo de outras expressões do conhecimento. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. autores dos textos. Professora de Filosofia da Puccamp.. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo. O texto "é uma voz . os problemas. é ao mesmo tempo produtor. à medida que são sistematizados.. absoluto. nenhum ultrapassa a linguagem. outras perguntas. tem a marca humana. poesia. cientistas.. querna importância geral que desempenha. É um eterno fazer-se. É carregado de significações. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes. definitivo. como se ele fosse um objeto pronto. Esclarece. 3.

sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. manuais. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. enciclopédias. R. Compreender. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. É imprescindível ter claro as questões. 120 C . 112-135. 9-12. é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. interpretar. P. que é possível a compreensão e interpretação de textos. pp. op.. É somente neste encontro histórico. o seu autor. verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada. 2. 3.. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. J. R. 111 da obra de A. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade. p. para a explicitação. dos autores citados e.humana. pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. em primeiro lugar. cit. PALMER. o objetivo do estudo do mesmo. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão. . Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap.De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura. Hermenêutica. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor. Metodologia do trabalho cient(fico. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos. 5. Considerações em tomo do ato de estudar. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. PALMER. após a leitura. FREIRE. dos conceitos apresentados pelo autor. das doutrinas desconhecidas. distanciam o leitor da obra. exige o "ouvir" a sua palavra. pp. Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1. a consulta aos dicionários. que dar vida.. uma voz do passado à qual temos. 22. pp. SEVERINO. ao se dirigir ao texto. É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. a compreensão dos significados nele implícitos. os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto. 20-21. intencionalidade. 4. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. B . compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. 1bidem p.Em seguida. "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. o seu mundo. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. A leitura de um texto pressupõe objetivos." Neste sentido.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. onde experiências diferentes se defrontam. de certo modo. O leitor. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . Sugerese a demarcação dos conceitos. 18. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam.

é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. seriedade. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. 5.O estudo de textos. de seus questionamentos a partir de suas experiências. na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. para isso. rigor. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. exige como condição prévia este "ouvir" o autor. seguindo. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. descobrindo os pressupostos (históricos. a partir de "sua leitura" do mundo. Não pretendem . problematiza o seu mundo. ideológicos. mediatizados pela obra. captando antes o todo. é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. na interpretação. na perspectiva aqui desenvolvida. o estudo de textos teóricos exige disciplina. Nesta perspectiva. 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. confrontando-os com outras posições. Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana.D . de suas preocupações. pois trata-se de "ir além" do texto. de desenvolver a "sua leitura" do texto. Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana.A partir deste trabalho é possível expressar. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor. E . Nesta etapa. apresenta uma resposta. as suas angústias. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. para depois dedicar atenção às partes do texto. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. as idéias que confirmam a tese. a posição do autor diante do problema levantado. o seu ponto de vista. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. F . a ordem lógica de exposição das mesmas. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. de outros pontos de vista. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor. 32) Diante do problema levantado. É o momento mais importante do estudo. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade. a partir do questionamento. de outras abordagens. epistemológicos) neles presentes. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto. qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo.

Como fazer uma monografia. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. 7. no momento da interpretação do texto. Os textos. IV. normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes. 83-117. maior interesse por parte do leitor. que. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez.vendar o mundo. c) Conclusão (últimos parágrafos) . Como atividade acadêmica. elementos de metodologia do trabalho cientifico. no seu conjunto. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura. assim. São as "palavras-chave". demonstram a posição assumida pelo autor.onde o autor apresenta o assunto. Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: .Deve-se grifar estas palavras. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos. Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. via de regra. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) . Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes. Sobre redação e dissertação consultar. 83-102. 5. 8. C. iniciantes na vida acadêmica.neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. o excelente trabalho de Severino Antonio M. Escrever édes. . que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica. no desdobramento da argumentação. SALOMON. elabora-se o Esquema destas idéias. quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor. Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. III. sendo assim. desenvolve e conclui o texto. pp. entre outros. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D. no seu conjunto. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio.6. Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração. possibilitando.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? . pp. BARBOSA e Emilia AMARAL. b) Desenvolvimento . na apresentação de idéias ou conceitos que. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. a "visão do todo" do texto. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor.nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap.1.

2. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens.3. num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. simpósios. para publicação ou divulgação. O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. deve-se identificar autor. problema e posição do autor. 5. a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap. analisar a importância do texto. os argumentos. e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. a sua posição frente às questões desenvolvidas. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. Quanto aos comentários pessoais. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor". a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto.). ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. Na Introdução apresentam-se o assunto. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. 10. deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros. Pressupõe. IV. A seguir. no Desenvolvimento. é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. e na Conclusão a própria conclusão do autor. 9. problema. elaboração de resenhas. O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução. 125 5. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação. Sobre a documentação verificar o cap. Informações gerais sobre o texto.2. tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central.4.2. congressos etc. . posição do autor e argumentos).O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto. como atividade acadêmica. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal. cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta. pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade.2. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos. 5. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor.1. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão). 11. 1. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. texto. época em que o texto foi redigido. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5. Deve-se elaborar uma redação resumida. Inicialmente. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura. Desenvolvimento e Conclusão). desta forma.

A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves.Combinação dos anteriores. 3. com a utilização de terminologia específica. teses. relatórios. até 500 (quinhentas) palavras. Como a ABNT . de livrarias.documentação secundária: projetos e catálogos de editoras. O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar. A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". . Comentários pessoais e críticas. • para monografias e artigos. monografias. à revisão textual. É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor. assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central.Indica apenas os pontos principais do texto. publicação de indexação e análise etc. .Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB . É utilizado para: . .88/86. também denominado recensõo ou resenha. atualização de gráficos e tabelas. bem como à seqüência lógica e organização do texto. resultados e conclusões. principalmente como tarefa acadêmica. Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo . até 100 (cem) palavras.Associação Brasileira de Normas Técnicas . 2. deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto.Na crítica.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras. Comentários sobre o plano de assunto do texto. estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas. .documentação de dados bibliográficos. identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. Expõe finalidades.documentação primária espec(flca: artigos. mas de uso corrente em alguns setores da Universidade. atualização da bibliografia utilizada pelo autor. 4. não apresentando dados qualitativos ou quantitativos. Comentários sobre a idéia central do texto. atas de congresso etc. Bibliografia . • para relatórios e teses. Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. Resumo crítico . aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas.Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto. Uma resenha deve ser sintética. metodologia. Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos.

A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: . . Como fazer uma monografia. A. Considerações em tomo do ato de estudar.e também de outras formas de conhecimento .um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo.a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. 1985. 1986. PALMER. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. São Paulo: Cortez Edit. Metodologia do trabalho cientifico. porque. 1987. R. permite um melhor resultado. a existência do grupo depende de alguns fatores: . A dissertação e o pensamento lógico. É também chamado de facilitador. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. o estudo de um texto ou de um problema. e AMARAL. 1973. Mesmo que se forme espontanearnente. Antonio Severino M. . mas também a formas de convivência e produção cooperativa. Belo Horizonte: Interlivros. Para realizar o processo de conhecimento. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto.o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . 2 cd. tal como uma pesquisa. P. ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). J. . 12! cd. 1978. Professor de Filosofia da Puccamp. SALOMON. entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade. Autores Associados. Emilia. 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 1-'o 129 . um debate.coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer.é que ela se constrói de uma forma coletiva. Lisboa: Edições 70.BARBOSA. Hermenêutica. C. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. mantendo a unidade do grupo. as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos. Ri: Paz e Terra.. 1n Escrever é desvendar o mundo.. D. organizando suas atividades. Campinas-SP: Papirus. FREIRE. 35 cd. elementos de metodologia do trabalho científico. os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita. SEVERINO.relator: em geral. Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis.. Neste sentido. .

coordenados por um mediador. Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p. num auditório. Contudo. Aplica çõo: Sondagem de opinião. Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás). e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. e. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. ao que nos parece. parceiros lado a lado). mas nem sempre conveniente. ex. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições. A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades. o que permite avaliar o trabalho de todos. 1. procurando chegar a um resultado comum. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. Havendo necessidade. entrosamento de todos e rapidez. por ser uma forma bastante prática. 3. a respeito de um tema. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo. em seguida. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação. seja numa sala de aula. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. em número conveniente. bem como promover o entrosamento entre eles. as mais adequadas aos cfrculos universitários. no entanto. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis. urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos. apresentam suas posições e análises acerca de um tema. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos. pode-se recorrer a três tipos de painel: . complementares ou divergentes.avaliador: é um papel que todos devem desempenhar.. que o relator apresenta. 2. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. Neste sentido. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade. resolução de exercíciosfeed back. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. .. ou outra forma de grupo.Painel de especialistas: expositores.

. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. por exigir longo e cuidadoso trabalho. Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos.). em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. mas por outro critério. podendo ser combinados entre si. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados. Em seguida.. de um lado. permitindo abrirem-se os debates. Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes. questões fora do assunto ou irrelevantes. inclusive realizando pesquisas. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. É bastante utilizado nos congressos.. Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados.Painel de exposição: dois especialistas. Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta. perdendo tempo e qualidade.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto. advogados. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. Nisto difere do debate aberto. quando usada em sala de aula. evitando assim apresentar ao debate repetições. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes. como no Philips 66.. as melhores perguntas. convidados. ainda que demande pesquisa. no qual os alunos. a exposição de um especialista. é bom exercício de reflexão. Observe-se que. que vão estudá-los empmfi. o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor.mdidade. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo. o que amplia os horizontes da discussão. mas por áreas profissionais ou de interesse. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. 4. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. Em qualquer um destes procedimentos. De outro lado. Em sala de aula. A validade da técnica. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos. para selecionar. em termos de tempo e qualidade. 130 . para discutir e redigir documentos e conclusões. poderá ser necessária a presença de um coordenador. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. que recolherá. após as exposições. Se for grande o número de subgrupos. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos. 5. já nos subgrupos. sindicalistas. ou duas pequenas equipes de especialistas.

dificuldades teóricas. mas é o conjunto de aspectos de um tema. algumas idéias secundárias. de um lado. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. orientado pelo professor. para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos. que todos devem estudar os textos antecipadamente. que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. sua estrutura lógica. Isso implica. o trabalho individual à crítica do grupo. orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p. Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla. mas puderem discutir o tema. na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido. . Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. de campo. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. pondo em comum esclarecimentos. expor as principais idéias do texto. é recomendável a técnica do simpósio. para exercício coletivo de análise. conjunto de textos. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. ou pequeno grupo (seminarista).Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição. 7. em laboratório. A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos. para isso. escolhido pelo seminarista. suas lacunas. . Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. Em seguida. primeiramente.: texto-roteiro. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão. O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico. além de informações sobre o texto. que.. Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. e conclusões obtidas. Contudo. bem como um roteiro de discussão.) e na problematização do texto.Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. A função do seminarista na apresentação é. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. real ou fictícia. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. sob orientação do professor ou de um especialista. por outro lado. Procedimento: . 6. portanto.. e. algumas informações complementares e bibliográficas. suas premissas. ex. A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo. submetendo. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor.

POZZEBON. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. O papel do professor é o de coordenar a atividade. da reflexão e da crítica. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação. médico atendendo paciente. Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. através do debate. como resposta às suas expectativas. solução dos problemas propostos. Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. exercício de aplicação de conhecimentos. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. orador discursando). cap. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. conseqüentemente. a forma de aplicação e. encontros. Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. Objetivo: Em geral. relato. análise de situação relevante ocorrida. observação in toco etc. pós-graduação. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. emoções transmitidas etc. valores envolvidos. III. 1. Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. 17 REALIZAÇÃO . congressos. É o grande grupo que determina. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas. posturas e atitudes para com o outro. deste modo.Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. mas que se responda. motivação de alunos. O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. * Mestre em Filosofia Social. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento). 1. 8. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. dramatização. envolvidas no relacionamento interpessoal. os critérios de avaliação da técnica. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando. os objetivos específicos. às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. de fato. mas também às linguagens não-verbais. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. entre outros usos. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal.

• Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário.contextuação do autor . • Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto. b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. a fim de facilitar o trabalho dos participantes. 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário. • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas. indicação.esquema do texto . quando necessários. • o grupo deve elaborar questões.ETAPA 1. para debate em classe. • Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto. para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. de textos complementares. manuais especializados. dicionários especializados. • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados. para se familiarizarem com a técnica. apresentada ao fmal do texto-roteiro.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico . recursos 1 dicionário de língua portuguesa. Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação.1.esclarecimento de conceitos .PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. . de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas). • Quando necessário. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário. pelo professor. de acordo com as orientações da leitura analítica. da mesma forma que o texto básico. • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto. enciclopédias. ETAPA II . Preparação dos textos complementares.

• Para finalizar. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. elaborando relatório. levando a novas indagações sobre o assunto do texto. é permitida a intervenção de qualquer participante. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. para incrementar o debate.Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. cap. 3. • O grupo responsável procura estimular o debate. 2. o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate. pois é o momento que leva à reflexão.3 1° Momento . • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. esclarecendo dúvidas. inclusive avaliação. Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos. 2 Momento . IV. à crítica.através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos. 1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos. Seminário de ternas . as mais relevantes e polémicas. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. apontando pontos divergentes. para podermos aprofundar o estudo. conforme os objetivos deste tipo de Seminário. Quando realizamos um seminário de texto de um autor. despertando a curiosidade dos participantes. geralmente levantamos poucas questões. como forma de "provocar" mais discussões. Aristóteles. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. Dá início ao debate. por exemplo.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. ao confronto de posições divergentes. • O grupo elege um relator. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo. • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo. . 2.c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo.

textos básicos . ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes.Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema . • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. ETAPA II. .Se houver um texto que oriente a organização do trabalho. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade. O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes.Breve apresentação do tema a ser discutido . que podem inclusive sugerir os temas. nos moldes do seminário de texto .PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes. .outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais. para que todos possam ter idéia do tema que será discutido. • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto. 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto. Dá início ao debate.Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema . discussão com especialistas.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido. depoimentos etc. . assim. ou outra.textos complementares . apontando as várias possibilidades de sua abordagem.depoimentos de especialistas . SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária. inclusive avaliação. deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar. apresentar esquema.Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo. para que o grupo não extrapole o tema proposto.vídeos . • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário. tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina.filmes . ETAPA 1 .Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. desenhos. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência.painéis com fotos. • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: . pinturas etc.

demais participantes (classe). L.se foram alcançados . Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: . 2' ei. CERVO. grupo responsável. A. Campinas: Papirus.3.se foi elaborado de forma clara e objetiva . (org.se foram parcialmente alcançados . 143 c) Quanto ao texto-roteiro: . M.se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um . b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo.ou mais participante para uma avaliação d Seminário. 3' ed.. assim que se encen-arem as atividades. A. quando não há o envolvimento dos participantes. SP: McGraw Hill do Brasil. . o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las. P. • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate.Construindo o saber.se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários. . Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor.Metodologia cient(fica. Cecilia M. e BERVIAN.) . 1983. ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação. 1991. 144 Bibliografia CARVALHO. como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe.

A. 1985. Mais do que a "posse" de técnicas. as falhas estruturais do processo educacional brasileiro.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa. 1987. Leda Miranda (org. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos. buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto. Ri: Agir. A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. * Mestre em Filosofia Social. a "síndrome da monografia" . sem dúvida necessários. 147 Na realidade. a sistematização. Instituto de Filosofia. na vida acadêmica. de instrumentos para manipular o real. SP: Cortez Edit. de normas e procedimentos metodológicos. ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração. Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. por outro lado. vai sistematizar o resultado das leituras. dos resumos ou opiniões pessoais. coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema. Autores Associados. Joaquim . que não tem incentivado os educandos à reflexão. Puccamp. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos. em maior ou menor grau. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber. observações. resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos .) Metodologia cientijica . mimeo. 12' ed.HCJHNE. 1984. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico. i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp. a disciplina intelectual. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos. o procedimento lógico. . devem constituir nossos objetivos.Metodologia do trabalho cienr(fico. ou mesmo uma forma de resumo. O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. SEVERINO.Caderno de textos e técnicas.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". críticas e reflexões feitas pelo educando.. estas síndromes e resistências expressam. desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação.

Para complementação vide: Darci DUSILEK. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho.). mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. . ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial."2 1. O tema escolhido deve se constituir num desafio. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. nesta fase inicial da pesquisa. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa. que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. 5.. pp.. Elaboração do cronograma de trabalho. bem como as suas relações com as teorias existentes. bem como o conhecimento de qualquer tipo. ALVES. 5. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. O Levantamento das hipóteses "A ciência.A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina. 3. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo. muitas revisões serão efetuadas. 61-76. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. 1. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema. Levantamento bibliográfico inicial. A arte da investigaçdo criadora. que oriente o educando no seu trabalho. filmes. na verdade. e deve-se levar em consideração que. 2. provisório. a que se dá o nome de hipótese. Filosofia da ciência. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias. cap. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. 2. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica. p. Rubem A. debates. 4. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. 149 Isto quer dizer que. Lembre-se que. estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções. constitui a fase de planejamento da pesquisa. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho.. especialmente roteiro para delimitação do tema. a discussão com especialistas da área. A leitura de outras monografias. que envolve os seguintes passos: 1. a pergunta. introdução à metodologia da pesquisa. 85. já contém a resposta. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. rigor científico e reflexão crítica. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa".. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente. 2.

que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. Nas revistas especializadas. que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. complementada com outros recursos metodológicos. Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. porque é seletiva. Para complementação vide: W. Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. No geral. os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. 74-97. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. e um resumo do seu conteúdo. O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial. Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. 5. 3. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido. feito a partir do sumário. 6. pp. Apresentam geralmente resenhas de textos novos.4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. embora este contato seja inicial. auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho. que também deve ser anotado. 4. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa.3 3. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros. K. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa. difidilmente encontrada nos cursos de graduação. A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida .De certa maneira. cap. T. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. Na transcrição. com a intenção de uma pré-seleção de textos. HATT. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. Métodos em pesquisa social. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract). seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio). com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. GOODE e P. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos. relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. se forutilizado o texto selecionado. No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial.

entrevistas. 7. 2. pp. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. 4. pesquisa documental. 6. Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. estudo de caso. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa. enquanto processo lógico e técnico. discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa. Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. 4. com a busca exaustiva dos dados. itens e subitens com as respectivas titulações. Para complementaçso vide: A. observação sistemática. seqüencia]. onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. 3. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas. que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo. pesquisa bibliográfica. 3.universitária requer.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. 8. relatórios de estágio. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos. 2. Metodologia do trabalho cien'(flcc cap. recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. Isso tem gerado situações dramáticas. 5. VII . SEVERJNO. Queremos salientar que o método. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. 3. questionários e formulários. (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc.) 6. É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. pesquisa experimental. 5. 7. Tema ou assunto especifico da pesquisa. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' . 139-152.

artigos de revistas especializadas. bem como a quantificação dos resultados. em termos de coleta de dados. pesquisa básica. 1) Denomina-se pesquisa experimental. mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. dependendo da técnica adotada. Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. 4) Entrevistas . já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa. Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área. são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema. publicações de órgãos oficiais etc. como dados estatísticos. além das fontes primárias. estudos de caso e observação sistemática. presta-se à formação acadêmica. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. formulários. valorativos e éticos.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). Nos trabalhos acadêmicos. antecedendo a própria pesquisa experimental. complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa. com especialistas ou mesmo outros professores do curso. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. destacando-se a monografia. os quais. na investigação histórica. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. utilizando-se os procedimentos no método científico. os documentos propriamente ditos. Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador. estabelecendo suas características ou tendências. Requer que se organize um roteiro inicial para .'. Pela sua característica. por si. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade. A verificabilidade. questionários.. a pesquisa bibliográfica. o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. localização e compilação dos dados escritos em livros. a fim de descrever/comparar fatos sociais.

O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. a fim de que possa ser respondido num curto período. . no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas. .introdução ao tema. Neste caso. quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado. . as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas. pode-se enviar pelos Correios. garantir o anonimato. Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa. Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista. . é indispensável uma carta de apresentação. mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa. assunto da pesquisa.a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas. Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5. Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões. cap. devidamente autorizadas pelos entrevistados. itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes .se há ou não necessidade de identificação pessoal . para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto. ou estas não residem no local da pesquisa. mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa.a distribuição do tempo para cada área ou assunto. originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões.qual a finalidade do estudo. Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade. ou ainda entrevista de grupo.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. que deve conter indicações sobre: . . Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador. 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande. ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica.Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador. O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho. Para maior segurança e fidelidade.como preencher o questionário. onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial. 1 desta parte. numa avaliação global. relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar. Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa. 5) Questionários eformulários . devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho.nos casos em que for necessário. para evitar respostas dicotômicas (sim/não). pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema.

autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). com ou sem a consciência dos observados. das mais simples às mais complexas. como local de trabalho. profissão. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. para se obter um registro padronizado das observações feitas. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. a observação sistemática é seletiva. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade. natural ou social. ]into o questionário. também denominada observa çõo participante. Este registro pode ser ainda complementado com fotos. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. Para a aplicação do formulário. ou idealizada.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência. 6) A Observa çõo Sistemática . propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. a fim de verificar as dificuldades do aplicador. quanto o formulário. Como nas entrevistas. por se constituírem de perguntas fechadas. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. idade. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. informal ou assistemática. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados.. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. as dificuldades de entendimento das questões. porque são mais fáceis de codificar e tabular. "visão de mundo". Neste sentido. ou outros dados de interesse para a pesquisa. grau de escolaridade. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. para posterior avaliação. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. filmes.como devolver o questionário preenchido. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. quando o observado interfere e cria situações novas. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação. cultura.6 . As perguntas devem ser ordenadas. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. faixa salarial etc. deve-se fazer um pré-teste. slides. data da aplicação). estado civil. padronizadas. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas. quando os registros são feitos sem que os observados percebam. numa situação "face a face" com o entrevistado. deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas.

na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. Em ambos os casos. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. HATT. GOODE e P. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. do grupo ou de um dado processo social. Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante.Na vida acadêmica. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. material expressivo. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. op. 171-268. no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados. é uma construção intelectual.O estudo de caso é um meio para se coletar dados. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. pp. Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. T. 8) Relatórios de Estágio . tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um . preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. quer físico. alguns tipos de trabalhos literários. cartas. o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico.7) Estudos de Caso . Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. sob orientação do professor. como uma análise qualitativa. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática.. Como conseqüência. no caso de vários sujeitos pesquisados. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância. sob a supervisão do professor. seguido de um estágio onde há maior participação. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. Para compIementaço vide: W. uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo. conversas etc. cit. com mínima influência do pesquisador. conversas ou entrevistas. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando. pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. em si. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados. permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica. em diários. Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável. O estudo de caso. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. um trabalho monográfico. biológico ou social. Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais. 6. K. Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos.

. . as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas. D. ainda. classificação e organização das informações. pode-se arquivá-los para uso posterior.pontos de convergência.verifique as técnicas utilizadas. quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação. tendo em vista os objetivos do trabalho. .pontos de divergência. . No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico. estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados. de outras áreas do conhecimento. No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho.verifique os materiais ou fontes utilizados. 3. ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados.tendências. 7. significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso.verifique os fatos.verifique os pressupostos. Na coleta de dados para urna pesquisa. devem constar dos anexos. os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados. Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio.contexto de interpretação científica. introduz. muitas vezes. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando. tendências ou regularidades. seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . Esta etapa envolve: 1. . Lógica y relato en irabajo social. 2.regularidades. tratamento estatístico dos dados. havendo ainda oportunidade de uma complementação. .verifique o esquema de referência teórica. 1çz 159 A partir desta organização dos dados. permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão. O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. . . cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. .73. 57. igualdades. tornando claras estas diferenças. deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas. outros pontos de vista. a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. Neste caso. para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho. vide: Tereza PORZECANSKY. As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. pp. os relatórios de estágio podem. . deve-se elaborar quadros explicativos. podemos ter uma visão de conjunto do trabalho.procure enos lógicos. caso seja necessário. separados por assunto ou disciplina. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área. Deve-se também verificar a atualização das informações.

Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. FERES.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. GATTI e N. . Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho. 9. cit. Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio.. visa comunicar os resultados da pesquisa. O plano é composto de três partes distintas. isto é. p. 8. D. a teoria e o esquema de análise proposto. Estatística. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. vide: Murray R. o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. Apisentação gráfica geral do trabalho. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho. desenvolvimento e conclusão. 3. com as subdivisões que se fizerem necessárias: . A redação final. sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto.O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho. cujo objetivo é só o levantamento de dados). introdução. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível. muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico.. 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados. L.verifique o esquema de análise. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados. . em itens e subitens. atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. SP. B. Estatística bdsica para ciências humanas.Conclusõo . McGraw-Hill do Brasil.. DUSILEK. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. SPIEGEL. apresentar a idéia geral da pesquisa. delimitar o tema e mostrar a sua importância. elabora-se. . definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa. 1986. envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1.verifique a inter-relação entre a hipótese. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. com base no plano de assunto do projeto provisório. Alfa-Omega. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários. 1. 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho. 2. 108. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. a estrutura definitiva. op. A. 1972. Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido. a idéia central de cada parte ou capítulo.

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

Técnica de estudo pela leitura. A escolha do terna. 3. O significado da pesquisa. 8. O cientista no processo de comunicação. seminário de estudo. 1983. A lógica dos procedimentos. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4. R. Falar sobre Ciência. 2. Fases de uma pesquisa. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa. Os cientistas precisam escrever. RJ: Zahar. planejar. L. R. 252p. CERVO. 4. 2. 3. . O método científico. 5. Como os cientistas devem escrever. Como proceder à investigação. 2. Vera Cristina. 7! cd. 4. 2! cd. P. Edusp. 1.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações. 5. Reflexões metodológicas. Como se faz uma tese. métodos de interrogação: preparação do questionário. 243p. A observação documental. engenheiros e estudantes. BARRAS. 1984.3. Economia camponesa e pesquisa participante. 7. 4. A observação direta. 2. 2l8p. comentário de texto.A apresentação gráfica geral do trabalho. desenvolvimento e conclusão. 3! ed. 1. DUVERGER. A redação.. 1979. 5. Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas. métodos gráficos. SP: Brasiliense. C. Preparo do relatório de uma investigação. A arte da investigação criadora. comunicações. 1. Rodrigues (org. Planejamento de pesquisa social. 6. SP: EPU. Os nómeros contribuem para precisão.. 4. Coleta e análise de dados. a observação participante. 5. 2. 4! ed. Pesquisar-participar: proposta e projeto. 3. 1. Bibliografia ACROFF. Como transmitir os conhecimentos adquiridos. Campinas: Papirus.) Pesquisa participante. Avaliação do relatório de pesquisa. Pensamentos postos em palavras.. 3. modelo e planejamento. ECO.3 . elementos de estatística. Redação de Textos Cient(ficos. Pesquisa-ação. Elementos metodológicos da pesquisa participante. Darci. Metodologia cient(fica. FEITOSA. Teses e hipóteses. 3. 1.0 plano de trabalho e o fechamento. Umberto. 1. BRANDÃO. 4. M. SP: A.Tratamento estatístico dos dados. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático. SP: McGraw-Hill do Brasil. aplicação do questionário. A. rever. Observação intensiva: as entrevistas. 3. 4. 6. 1991. 4. l84p. 4. 2. leitura. 271p. 1986. 1983. 556p. Queiroz. 1. Pensar. As bases da ação. Metodologia do conhecimento científico através da ação. 3. A. O que é iia tese e para que serve. Ciência política. 437p. L. 2.1 . 3. Planejamento da pesquisa.. Dinâmica do conhecimento científico. Modelos demonstrativos. A pesquisa..3 . l55p. 2. 4. amostragem. Natureza da atividade de pesquisa. guia de redação para cientistas.Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa. 3. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos.2 . DUSILEK.2 . Registros pessoais. A pesquisa do material. e BERVIAN. escrever. O conhecimento científico. teoria e método. 1. SP: Perspectiva.A redação final.

Mensuração. 1979. 1. 488p. 3. 1976. E. 1975. questionário. 5. A. planejamento. 3. Pessoas como fonte de dados. 10. o papel da estatística. Utilidade e condições de aceitação da hipótese. 2. KAPLAN. Contexto da pesquisa. 5. SP: HerderfEdusp. Análise e apresentação dos resultados. W. 1. 1982. valores e ciência. 6. 2. O trabalho científico. Etapas da investigação cient (fica. 5. 9. 4.0 questionário fechado. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. Leis naturais. Subjetividade. As ciências sociais: observações gerais. 3.). O que é uma teoria científica. 1. e HATT. Nova Sociologia. P. M. 7. Dados históricos: Mach. 6. Determinismo e causalidade. Ciências Sociais. 2OSp. 2O7p. 1. Medidas: função e estrutura. Documentação como fonte de dados. 2. Análise e interpretação. 8. Relações e funções. entrevista.. introdução à filosofia da ciência. e MARCONI. 3O8p. obras de referência. hipóteses. Indicação. 6. leis e teorias. 23lp. Etapas básicas da investigação sociológica. 1. ______ Técnicas de pesquisa. lhurstone.. 1. 1969. 7. 1982. volume 1. Metodologia cient(fica. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. Ciência: pura e aplicada. Elaboração de dados. K. A história.. A base empírica. G. 440p. 4. Pesquisa bibliográfica. Explicações. l99p. . 6. 6. SP: Nacional. Probabilidade. O levantamento de amostras com entrevistas formais. H. 3. Pesquisa: conceito. O experimento. SP: EPUfEdusp.Preparativos para a comunicação eficaz. a observação nas ciências do comportamento. P. Questionários e entrevistas. Técnicas de escalonamento. 2. explicações e valores. Sócio-mútua e sociogramas. MORGENBESSER. 4. Observação e interpretação. 254p. 6. Teorias. Leônidas. SP: Atlas. 2. l88p. 2. Planejamento. HEGENBERG. Probabilidade e amostragem. Positivismo lógico. Ciência: natureza e objetivo. Modelos. Fatos. Ciência e conhecimento científico. 2. 1973. codificação. 2! ed. 4. leis e teorias. 3. Lickert. Revisão crítica. 1. SP: Cultrix. Técnicas de pesquisa. RJ: Zahar. 5. 5. 5. 3. M. 2! cd. metodologia e pesquisa. 1. LAKATOS. A conduta da pesquisa. verificação da hipótese. Crenças e Ciência. volume II. Métodos de investigaçõo sociológica. 1. 4. SP: Atlas. Método científico. Plano de prova: verificação das hipóteses. Ainostragem. tabulação. Filosofia da ciência. A redação do texto. 5. Métodos científicos. fonnulário. Escolha do tema. A. GOODE. SP: EPUfEdusp. teorias. Método científico em sociologia. 2. 1975. Volume II: 1. As leis e funções. Como avaliar e organizar a infonuação. 4.. 9. Explicações cient (ficas. 5.. 4. 7. 3. Observação e experimentação. 3aed. Escalas de distância social: Bogardus. Russeil. Wittgenstein. 167 MANN. Observação. outras técnicas. Volume 1: 1. Anexos. SP: McGraw-Hill do Brasil. 2. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário). 4. 2. Observação. LIYI'ON . 3. 3. Apresentação. A importância da pesquisa. Sidney (org. Elementos básicos do método científico: conceitos. 3. A preparação do relatório. Sociologia e ciência. 1975. Filosofia da Ciência. 4. 8. Ciência: teoria e fato. Hipóteses. publicação e divulgação. 4.

8. 2. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação. 6. . paixão. 2. Domingos. 1974.5. Tipos de relatórios. Pesquisa e teoria. 5. 2! ed. Oracy. SP: Cortez. 1. Explicação científica. p. análise e interpretação de textos. Lógica e dialética. 3. Investigação das soluções. 1. elaboração da monografia.). resumo. Comunicação e conhecimento científico. F. BH: Interlivros. Alvaro Vieira. escolha do assunto. Serv. 1992. formulação de problemas. 33lp. NOGUEIRA.. Social da Puccarnp). relatório. 2. P. 1. 4! ed. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais. Associação das técnicas. problemas filosóficos da pesquisa científica.. Plano e relatório de pesquisa. Petrópolis: Vozes. observação participante. 2. O pesquisador. técnicas de livros. relatório e informe científico. Como fazer uma monografia. técnica. classificação.0 método do estudo eficiente. O ator. SEVERINO. normas. Evolução do conhecimento científico. 3Olp. A realização do seminário. seu papel e condições de trabalho. 2. PORZECANSKY. RUDIO. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. planejamento. SALOMON. V.. Alegre: Siilina.. Pesquisa social. 5. Métodos de pesquisa nas relações sociais. O trabalho científico. Vieira. Problema social e problema de investigação. SP: Nacional. l. 6. 1971.0 problema metodológico da pesquisa. 7. O processo de pesquisa: problema. Método do trabalho cient(fico. A documentação como método de estudo pessoal. 4.Filosofia e pesquisa. P Parte: 1. Buenos Aires: Humanistas. 4. Ciência e existência. O projeto de pesquisa. coleta de dados. improviso e métodos na pesquisa social. 537p.. Aplicação da pesquisa social. Reconstrução e análise do passado recente. 2! Parte: 1.. 57-73. A. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. 4. 6. elementos de metodologia do trabalho científico. A aventura sociológica. Análises explicativas das soluções. SALVADOR. Hipóteses. elaboração e relatório de estudos científicos. 2. 7. Versão qualitativa. (Mimeo. l2lp. composição e modelos de fichas. 224p. Aspectos da explicação em teorias biológicas. 8. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. 3. D. 2! ed. 1. objetividade. 2. 3. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. prática da documentação pessoal. 1978. Tereza. análise e interpretação dos dados. 6W7p. RI: Zahar. leitura. Os estudos de comunidade. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK. biblioteca e documentação. Questões teóricas. Análise e interpretação. 5. História e conhecimento.. A.. 1. 4. NUNES. 3. Pesquisa: discutiva e experimental. Lógica y relato en trabajo social. 4. planejamento. 3. 235p. A pesquisa como trabalho. 2. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. 6. 1. Ciência-homem-meio. PINTO. 1971. 18! ed. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos. 1969. 1977. 4. RI: Paz e Terra. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. Organização da vida de estudos na Universidade. 4. Versão quantitativa. Coleta. Fac. 3. Edson de Oliveira (org. introdução às suas técnicas. diário de pesquisa e outros registros. 1974. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. Pontos de vista: a função das situações sociais. 4! ed. 6. 3. Conceito e estrutura de relatórios científicos. 5. 6! ed. Leitura. A observação. SP: Edusp. Leitura. 1982. redação e apresentação formal. O problema da pesquisa. Joaquim.

Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 . Vivência da Morte 17 II .169 1. Produtividade 28 4.-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional.CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1. Retrospectiva Histórica 23 2.MORTE.Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III .ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS .Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 . sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães. Atividade Versus Processo de Morte 26 3. Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III . UMA QUESTÃO 05 1. Paciente Terminal 11 2.Roteiro de Entrevistas 38 II . pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

devendo. 1 Nairo de 5. tornando-a inominável. BOEMER. (coord. pois com a morte este sistema não se mantêm." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos..Perda. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer.. aumenta o valor de tais relacionamentos.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. Folha de 5. Morte e suicídio. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. 26. A partir desta transformação. A sociedade ocidental. (coord. A morte e o morrer. 1985. impedir o questionamento sobre o materialismo. Maria Elisabeth M.. BRITa. Tanatologia e o doente terminal. A pessoa. 486 p. advém da percepção da finitude do ser. D'ASSUMPÇÃO. 1982. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. A percepção da morte na criança e outros escritos. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. 165 p. delegando à morte o espaço de tabu. também. 1984. Revista Diálogo. vol. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. 1984. Campinas: Puccamp. Este questionamento.) D'ASSUMPÇÂO. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra. Apego e perda. Paulo. criou-se um tabu em torno dessa questão.. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos. p. 139 p. com a sociedade voltada para a produção e o progresso.). M. VARGAS. portanto. 1986. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda. H. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. Arminda. E. G. hierarquia do poder e coisificação do homem. A. John. III . Theodore LIDZ. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e ." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano.07. (coord. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam. BOWLBY. que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência. 135 p. pretende manter suas relações de poder e consumo. São Paulo: Cortez Editora. D'ASSUMPÇÃO. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível. sendo necessário negar sua existência. atual mente. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos. Formação e rompimento de laços afetivos. Magali R. 237 p. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração. monografia.na sociedade de produção e consumo. 35 p.86. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção. o homem se coisifica. A. mas. 531. A. 1983. 36. regida pelo capitalismo consumista. A. entretanto.) e BESSA.. 2. p.. E.

figura. FRANCISCO. T. 166 p. Por que fazer terapia?.(opus citatum) na obra ou autor já citado. ibid.abaixo. ex.. p. Luís C.organizado por.sem data. 20 p.(et cetera) e outros. cit. organizador.Farmacêuticos 5/A. id.número. junto a. Berenice R. 1985. já referidos em nota imediatamente anterior. 1984. Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana.). Campinas: Puccamp. 175 . . n 2. já conferidos em nota imediatamente anterior. 1985.0. . . FREITAS. . São Paulo: Ágora Ltda.(idem) o mesmo autor. em linhas ou páginas adiante. . ou a mesma obra.confira. . n op. . 4) Abreviaturas mais utilizadass ap.. em linhas ou páginas anteriores. infra n. .(ibidem) mesma obra e mesmo autor. . etc.. . supra s. apud cf.página. v . . . . Ano 10. .ver o texto original. .exemplo (s).acima..ilustração (ções). fig.d.(para citações indiretas) segundo. (mimeo. pg. org. 174 .

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