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Maria_Cecília_M_De_Carvalho-Construindo_O_Saber_Metodologia_Científica_Fundamentos_E_Tecnicas

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CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência.procuremos. de natureza mais prática. entre os gregos a geometria. enquanto possível. que animou a realização deste projeto. ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber.no caso de uma eventual reedição . sobretudo. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia. e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. a astronomia e a acústica. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica. Por isso. em especial à professora Vera Irma Furlan. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto. O livro apresenta. gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem . também. Consideramos que a Metodologia pode. a lógica.* A preocupação com o conhecimento não é nova. Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. o outro. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. além disso. de opinião que uma metodologia se alia. certamente. lacunas. Por isso.construtor do saber científico . para que .do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado. filosófico.9 conduzam inexoravelmente à verdade. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica. Somos. a mecânica. e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário. e de oferecer-lhe. Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp. naturalmente. Entre os egípcios a trigonometria. Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. entre os romanos a hidráulica. Paralelamente ao . aprimorá-la. Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro. da Universidade Federal do Piauí. entretanto. A ORGANIZADORA Campinas.

Introducción a la filosofia de la ciencia. é para pior. da separação entre "cabeça e mão". foi de extrema importância na história do pensamento. isto é. que se desenvolveu a Dialética e. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência. A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. FARRINGTON.que estava ligado ao trabalho.segundo Farrington 2 . M. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . . o mundo sensível está em constante mudança e.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas.e conhecimento teórico . B. Para Platão. Este método. 1. B. ou o método socrático. Metodologia da pesquisa tecnológica. as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns. Head and Hand in Ancien: Greece. A dialética. só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. elimina as teorias que não suportam a prova . sua atividade foi considerada superior. 2. o conhecimento aristotélico. A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera. se mudar. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. já que era executado por escravos para os senhores. A ciência grega. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida . M. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. Para Platão. mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas. sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. neste caso. Assim. É professor na Universidade Federal do Piauí. pura e livre. Foi na escola platônica.a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. diria Popper. Neste processo. Como esta classe tinha mais prestígio e status. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior. se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo. pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza. um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp.ligado ao prazer de saber . em oposição ao trabalho prático. imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal.conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. VARGAS. Conforme o autor. Esta diferença entre conhecimento prático . As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas. Mesopotâmia e Egito. e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. As idéias são perfeitas. os gregos desenvolveram um tipo de reflexão . já que por princípio uma coisa perfeita. desinteressante e preso ao interesse de outrem. para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. WARTOFSKY. Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. a Academia. dos meros fenômenos empíricos. FARRINGTON. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. mais tarde.de uma separação de atividades de classe. considerado inferior.

Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação. POPPER. op. op. cit. portanto. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias.para formular princípios explanatórios gerais e. SALMON. por meio da dedução. A repiiblica. mas da percepção aplicada aos particulares. Conjecturas e refiaações. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio). a de homem. Saber o que Sócrates é. explicarão novas ocorrências.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . por dedução. ARISTÓTELES.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) . POPPER. Tópicos. Losee. K. M. 4. em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que. Cit. As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6. Ter quatro patas. então. depois. Da observação de que os corpos caem. IDEM. Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. O conhecimento consistia. ruas não se resume a isto. WARTOFSKY. 7. partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. Aristóteles se utilizou da indução . K. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável. Esta crença se desfez somente no século XX com o . Lógica. PLATÃO.até a obra de Euclides. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis). Juntamente com Platão. bem como as propriedades da classe a que pertence. WARTOFSKY. um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. A existência das Formas que para Platão eram eternas. Ibidem. é saber quais são suas propriedades individualizarites.3.é. Ele criticou a dialética por sua negatividade. imutáveis e independentes do mundo sensível . 5. a partir destes. para Aristóteles. J. A descrição desta demonstração encontra-se em W. e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento. Deve-se associar. pois são meros acidentes. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre. de sua lógica formal. A sociedade aberta e seus inimigos.6 Assim. formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. Fédon. do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. desde Pitágoras . por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos. voltar a fazer deduções de novas ocorrências. M. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência. a indução e a dedução. 14 1ç -.

Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. Essa informações são.programa epistemológico do Círculo de Viena. pois. lendas ou parte delas. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. mas. portanto. e seu valor é tal que não difere. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. a que chamamos de senso comum. quando as opiniões certas são amarradas. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. em ciência. no mais das vezes. Pelo primeiro caminho. doutrinas religiosas. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. Quando uma mulher afirma. Quando emitimos opiniões. quando pronunciada por uma certa pessoa. inconscientes. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. e que inclui um conjunto de valorações. em geral. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas. e especialmente de Rudolf Carnap. Mas de onde vem. de Platão. Há. a contribuição dos gregos para o pensamento social. então. enquanto que com as valorações isso não ocorre. Valorações e crenças são. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. da opinião. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". Ménon. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. às vezes. por exemplo. mas não que são verdadeiras ou falsas. ou seja. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. justas ou injustas. PLATÃO. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. Temos. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa. informais e. transformam-se em conhecimento. Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". assim como para muitos de nós. 1. p. no entanto. princípios ideológicos às vezes conflitantes. enfim. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. As crenças se manifestam através de proposições. desejáveis ou indesejáveis. não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. bem como a experiência pessoal acumulada. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a . 8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. permanecem estáveis.

isto já não é possível. por sua vez. Este é o caso dos modernos regimes totalitários. De qualquer modo. na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. valorações. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência. Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. Se alguém afirmar ser liberal. a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. racista ou cristão. não temos como testar sua doutrina.d en la invesrigacidn social. sendo absorvido parcial e totalmente. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum. como a do movimento da terra em redor do sol. G. Com as valorações. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum . Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . o senso comum vai . Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. não têm nenhuma validade. O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. Por isso. mas continuam subsistindo no senso comum. como se fossem verdades. A teoria mais conhecida é a do Conde J. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. dependendo do seu grau de esoterismo. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos". Assim. socialista. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo.ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores. Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade. é a sua sofistificação. entendendo racional como argumentativo e coerente. por outro lado. desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial. obviamente. Este conhecimento. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra.sejam elas verdadeiras ou não . então. 10. Artur Gobineau (1816-1882). interage com o senso comum e modifica-o. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos.fisiologia etc. MYRDAL. Objetivido. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. Poderíamos esquematizar.para onde convergem crenças. seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. É comum entretanto. gerando um conhecimento mais ou menos racional. Essas teorias.

l e psicologia. mais tarde.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. revelam. Epistemologia naturalizada. Ver A. POPPER.. a própria concepção de corpo que vigorava. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos. R. cit. F. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1. Filosofia da ciencia. a busca de afirmações e teorias universais. ALVES. castigando-as até a morte -. 12. op. 13. audição. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais. K. in Os pensadores. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. op. op.What is this thing called Science? 14. CHALMERS. caps. 2. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. o metal quando aquecido se dilata. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados. op. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com . São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. ci:. no entanto. QUINE. isto é. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. lo 3. neste ponto. então. G. Há. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. no entanto. Conhecimento objetivo. Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. Doença menw. o senso comum é muito poderoso. O objetivo da explicação científica é. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão. na psicanálise. A. quando parcialmente submersa em água. CHALMERS. CHALMERS. O. cit. O grande problema do indutivismo passa a ser. làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. 15. FOUCAULT. M. 2. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação. MYRDAL. aparece como torta. 1 e 2. no entanto.. cit. os músculos quando não utilizados se atrofiam. SALMON. F. POPPER. tato etc. cujo campo de aplicação seja o maior possível. são exemplos de proposições observacionais.progressivamente se modificando ao longo das gerações. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. op. W. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares. eventualmente. fosse ele bom ou mau.. F. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. W. havia as entidades 11. Ver K.. cit.

mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. até mesmo componentes culturais. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. 21) podem ilustrar isso. é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente. 17.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. por exemplo. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. A. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. As figuras a. R. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. portanto. No segundo caso. não "vemos" a mesma coisa. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa. por exemplo) que são mostradas a um observador. Nos casos acima. quando outro objeto diferente. nenhuma demonstração foi feita. O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva. Em qualquer dos casos. op. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico.c).a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". HANSON. apesar de olharmos a mesma figura. mas semelhante. de repente. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. a pirâmide (fig. CHALMERS. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. Em muitos casos. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e. Além das objeções sobre a inferência indutiva. existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. Padrones de descubrimienro. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig. 16. b e c (p. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. É preciso . Então. N. No primeiro caso. cii.a lei geral. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. mas a impressão que se forma na mente não o é. como se fosse para subir ou descer. dando-lhe grande subjetividade. F.

Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. 3. Todo fato pressupõe uma teoria. As interpretações e as "cadeias 18. 2. como. como por exemplo em d e e (p. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. a fig. Dois dogmas do empirismo. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo". resistências etc.'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos. b 91 e ' -. Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. então. os metais quando aquecidos se dilatam. 22). O. voltagens. mesmo que esta seja de senso comum. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. '1 fig. m Os pensadores. . certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho.que operemos uma inferência para que a figura faça sentido. ele não fará uma simples descrição dos objetos. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante. As . c fig. para ele. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. Para sermos rigorosos. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. No entanto. os metais são bons condutores de eletricidade. Por si sós as figuras não dizem nada. são exemplos de proposições básicas. Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê". W.ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. QU1NE. Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. Podemos dizer. dificuldades apareceram. não há nenhum fato a não ser os objetos visuais. Na figura d. Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. mesmo assim. aceitas universalrnente. devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto. por exemplo. Nada mais ele fará porque. seja ela científica ou não. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos". fig. mas falará de corrente elétrica. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas.

se aplica a um conjunto específico de fenômenos. Isto significa que. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. o conceito de Gene na teoria genética moderna. Podemos adicionar. por exemplo. é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. tanto quanto possível. Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. segundo o autor. mas numa teoria científica isto não é admissível. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. isto é. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. Em segundo lugar. Assim.a pretensa transmissão de características culturais e morais. ele mesmo. Isto é. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. Este. mas a campos específicos. aliás. São proposições amarradas no encadeamento racional. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. então. as teorias são. Assim. despidas de subjetividade e valorações.regularidades que observamos cotidianamente.como na teoria racista de senso comum . outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. 3. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. sempre. Nós temos. mas não serve para explicar . revolucionário. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos. que são os da reprodução. fig. Podemos começar afirmando. determinado por certas circunstâncias extra-científicas. e 22 23 Vejam. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso. conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico. ainda. Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. Dessa forma. É a característica de solucionadoras de problemas. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. Como acentuou Popper. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. por sua vez. e que já incorporamos como absolutamente naturais. uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento. as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. a ciência começa com problemas. os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. por exemplo. teorias. em algum momento da história. de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. sejam elas científicas ou não. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . Numa teoria de senso comum. onde não há nenhum tipo de contradição interna.

O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que. Freud. Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier. tanto a passada quanto a futura. tendo até batizado o novo planeta . e efetivamente o fazem. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência. Einstein e Bohr. Finalmente. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria.vagabundos". certa vez. LAKATOS. as teorias devem. Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica. Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. A estrutura das revoluções cient(ficas. contribuir para sua p:ápria superação e.Vulcano . promover o crescimento e progresso do conhecimento. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta. que é o papel da expectativa na construção das teorias. No fundo. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. 20 Do observatório de Berlim. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. T. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. não foi agradável. devemos discutir o aspecto observacional das teorias. Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo. Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para. 1.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. O.seamento e a metodologia dos programas de pesquisa. logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa. Mas a história é curiosa.que estaria "atrapalhando" Mercúrio. KUHN. A resposta. in LAKATOS e MUSGRAVE. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas. As grandes construções.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a . as anomalias. Marx. dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante. a calcular as dimensões do planeta. Ou seja. Para a mecânica. Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. Ofal. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. então. Isto deriva do fato de que as teorias . desta forma. Começou. o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. Além de surgirem problemas. sua posição e massa. Pouco depois. como as de Newton. no entanto. utilizando simplesmente papel e lápis.um outro planeta . Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. 19. a partir do início deste século. desabar frente à relatividade. Darwin. indicando a grandeza e o poder da mecânica. descobriu Netuno.

com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. CARTIER. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 . hádrons. Se os dois corpos fossem unidos. 22 Neste sentido. Os conceitos teóricos . energia etc. Foi o que fez Perrier em 1647. cii. seria maior. mais tarde. mas a outros conjuntos de proposições (que. 68. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes . léptons.e 1647 . sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. citado em LOSEE.mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. com velocidades naturais diferentes.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo. a não ser em pensamento. p. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e. em seguida. 13ASSALO. Galileu contestou esta teoria. popularizadas por Einstein. por outro lado. Discuiso sobre as duas novas ciências. portanto. mas com os tempos de queda. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos. Os conceitos de força. Logo. J. muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas. O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema. o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. No entanto. F. . a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. in Ciência e Cultzira. valor. já que há menos ar em seu topo do que na sua base. por hipótese. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. são exemplos disso. conjecturas na forniação das teorias. sua velocidade. portanto. O enigma do cosmo.observáveis: são os conceitos teóricos. Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. Mas.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas. Eles não se referem diretamente a entidades. para resolver o problema. no caso dos léptons e hádrons. Era o chamado horror vacui. a pressão deveria ser menor. Neste caso. 22.. A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. As "expetiências de pensamento"em física. inconsciente. Para a teoria aristotélica. de Galileu .cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo . se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e. se subíssemos uma montanha. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência. atração. formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória.com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. M. causalidade. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para. é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. GALILEU. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante. maior do que cada um deles. op.

A. religiosas e mitológicas de conceber o mundo. O enigma do cosmo. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias. 1978. É esta a imagem k limiana 23da ciência. 1984. Durante muitos séculos. cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . Galileu e Newton. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. Estas estruturas engendram programas de pesquisa. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. 23. F. onde intuições. isto é. no entanto. As "experiências de pensamento" em física. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. CARTIER. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. Descartes. acidentes. com as próprias teorias. Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. 1978. pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico. constatando que no cume a pressão diminuía. Esta tarefa foi executada. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e. então. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento. Isto. cii. e este é o chamado contexto da jusfificaçõo. R Filosofia da ciência. BASSALO. SP: Abril. A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. 36 (3). oferecendo pouco a pouco . Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. Deve haver. podem interferir decisivamente. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. religiosas e metafísicas. 1978. ARISTÓTELES. no entanto. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e. KUHN. op. De fato. A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. 1983. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. no fundo. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. não há um método de se fazer descobertas. São as formas artísticas. a partir do Renascimento. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland.na prática . As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. CHALMERS.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. em maior ou menor grau. Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta. "chutes" etc. embora não tivessem . não há uma lógica de descoberta. T. Tópicos. RJ: Primor. R.novas referências para a organização do pensamento. SP: Brasiliense. Bibliografia ALVES. Iii: Ciência e Cultura.e o cume da montanha. onde ele se toma mais inchado. 3. um método para se testar as conjecturas. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. e este tende a ser sempre ampliado. M. as teorias e as hipóteses.

Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento.moderna. SP: Hemus. CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. de permitir sua apreensão material e espiritual. T. Introdución a lafilosofi'a de la ciencia. G. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura. 1978. M. O abandono da teologia e da metafísica . A fase positiva. A estrutura das revoluções cient(ficas. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. 1970. são estritamente racionais e científicas. PLATÃO. Brasilia: UnB. Conjecturas e refutações. 1978. K. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. Como a ciência. 1974. 1977. de Comte. explicar o mundo. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". SP: Abril. 1978. SALMON.. M. 1978. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. Londres: Wats and Co.. sld. sendo Comte. inclusive. B. Dado um . R. SP: Edusp. FOUCAULT. SP: Abril. 1978. Todo este processo de forniação da ciência moderna. A. ______ Dois dogmas do empirismo. RJ: Tempo Brasileiro. Fe'don. SP: Edusp. fazer seus fenômenos inteligíveis. Progressivamente. Madri: Alian. 1970. a metafísica e a positiva. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles.que baseiam suas explicações nas causas primeiras .. que tem a ciência como suporte. LOSEE. da moderna civilização e indica o seu progresso. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou. México: Fondo de Cultura Econômica. 1978. POPPER. Ri: Tecnoprint. LAKATOS E MUSGRAVE. 1975.. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina. WARTOFSKY. Padrones de descubrimiento. que percorre três fases distintas: a teológica. 1979. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento.za Ed. assim como da ciência. A ciência grega. Ri: Globo. J. Segundo ela. 1n Ospensadores. ______ Ménon. Capítulo II MITO. 1949. a existir a concepção de que as sociedades modernas. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. Madri: Alianza Ed. ______ A república. SP: Edusp. Epistemologia naturalizada. 1975. capitalistas. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. SP: Edusp. W. 1982. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência. ______ Conhecimento objetivo. Doença mental e psicologia. SP: Perspectiva. Ri: Zahar. SP: Ibrasa. N.é o marco. que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. KUHN. Lógica. In: Os pensadores. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology. Introdução histórica à filosofia da ciência. HANSON. SP: Abril. 1975. M. Objetividad en la investigación social. QUINE. Metodologia da pesquisa tecnológica. VARGAS. W. 1961. MYRDAL. METAFfSICA. ______ Head and hand in Ancient Greece. A sociedade aberta e seus inimigos. 1968.

embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. empreender ações que sejam coerentes. e transpõe sua eficácia para um plano superior. está abaixo dos outros. o repouso. Este tipo de prova recusa a teste. ou por uma combinação deles. Se ele houvesse jurado "em falso".no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria. Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. circular e uniforme. tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. por exemplo. lhes foi destinado. por exemplo. foram feitas pelos cristãos. p. .são equivalentes. por isso. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. onde desejos e vontades são atribuidos à natureza. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. A terra é o elemento mais pesado e. que o teria fulminado com um raio. por exemplo. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. que se encarregaria da regularidade da corrida. a verdade era dada pela voz do enunciador e. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus. Ou seja: os mitos.universo cheio de incertezas e mistérios. Assim. A 1. Na teoria aristotélica.de que falamos no capítulo anterior . por isso. Mas. uma testemunha. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade.nunha.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) .na idéia de que o céu é a morada dos deuses e. mas é mais leve que a terra e. Entre os gregos. qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. por natureza. que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás". Antíloco se recusou a jurar inocência. As cruzadas e as guerras religiosas. Larousse World Mythology. então. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. esta forma de solução de disputas também foi muito comum. Na Idade Média. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . Num certo sentido. os objetos físicos têm um desejo. Nas sociedades míticas. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. por exemplo. Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos. tanto quanto a ciência. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso. uma vontade de permanecer no lugar que. afirmando que ele cometera muna irregularidade. terra. fica acima desta. A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo. Para Aristóteles. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos. e. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. Antíloco venceu a disputa. A água é mais pesada que o ar. portanto. Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo. mostrando assim a sua culpabilidade. 9. quando posta em dúvida. por isso. a evidência. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. a cosmologia e o senso comum . os astros têm um movimento perfeito. Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. mas Menelau o contestou.

ao contrário. Só que. onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade. neste contrato. Apesar dessa característica geral da época. a cosmologia. em termos de Absolutismo de Estado. A metafísica como modernamente é entendida . Ver LAKATOS e MUSGRAVE. em erro. Com uma tal natureza. o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível.é urna forma de saber que também não se submete à verificação. Para Hobbes. Platão . FOUCAULT. os homens nasceram livres. Para Rousseau. da natureza do ser. podemos explicar . sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. Assim. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2. as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. Daí a necessidade de um contrato 3. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento. para o Deus cristão. Isto decorre. o que permitirá que sua associação seja . de um lado. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria. para Hobbes. iguais. para Hobbes.que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . filosóficos. Pode-se entender também porque. ou vsão mítica do mundo. isto é. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. por isso. os homens se consumiriam em guerras e disputas. suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. assim como. Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo. Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. que as administrará como Vontade Geral.pelo menos em parte . A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. e são por natureza bons. inviabiizando qualquer tipo de associação. Os dois autores são considerados contratualistas. em sua filosofia e em sua metafísica. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e. os homens são mesquinhos. No entanto. é chamado de Estado de Sociedade. foi dissolvida na ciência grega. os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento. de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. para Rousseau. O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica. por isso. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental.igualitária e libertária. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade.estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. depois. pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. os homens alienam suas vontades ao Soberano. na Idade Média. M. A verdade e as formas jun'dicas. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. . A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. colocando em risco a sua sobrevivência. é chamado de Estado de Natureza.Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. De outro lado.a ausência do desenvolvimento do método experimental.

Nas ciências naturais. pela sua própria forma. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. Ela passa a ser simples objeto de valoração. Einstein. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e. pois o "Senhor não joga dados". 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica. ruas não de ciência. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. da idéia de vercaçõo. Este é. alcançado em 1915. não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. por ser circular e uniforme. resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. 3. 1-lá outro tipo de proposição que. não deve ser incluída no rol da ciência. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal. Este tipo de proposição . mas entre eles os de que: 1. podem ser testados. As bases metafiicas da ciência moderna. É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade.cuja forma lógica é (pv Øp). 6 Uma hipótese ou teoria que. Os conhecimentos mítico. As questões metafísicas. Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira.4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. no entanto. Este resultado teórico. A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. BURT. Assim. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. não pode ser testada.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. na aceitação da teoria copernicana. onde p é uma proposição qualquer . H. aliás. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza. Uma das coisas que diferencia 4. E. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. uru dos pilares do conhecimento científico. em especial. religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. 5. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas. A. não pode ser verificada. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos. então com muito mais razão a terra deve girar. por princípio. BROWN. e protegem as teorias de certos questionamentos. mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. 2. a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável . Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado.é chamada de tautologia. o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. Se o movimento dos astros é perfeito. só pôde ser .

que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada. cognoscível. A primeira delas é que a verdade . então. chegando até a imunização completa.quando encontrada .verificado em 1919. os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. portanto. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório.9 Há. que é permanente e verdadeira. 7. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. HEMPEL. eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. ilusória etc. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo. que não é". que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. A lógica da pesquisa cient(fca. ou seja. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes.sentido para verdade. Para Platão. op. Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é. A idéia de Verdade aparece. O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. que é. Filosofia da ciência. K.será definitiva. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. Ele era invisível e. quando de um eclipse do sol. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. Atingir a verdade seria. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade. ALVES. o mercúrio. cit. Este fio era o "funículus". não poderia ser jamais verificado. deixando de pertencer ao domínio da ciência. POPPER. Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. um outn. e. Não está em questão aqui o modo como isto será feito. no entanto. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente. no entanto. . Autobiografia intelectual. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. BROWN. É quando de sua aplicação a urna realidade. Filosofia da ciência natural. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências. os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas. que são fugazes e enganadoras. portanto. Depois da experiência de Pérrier. Estes episódios foram narrados por C. compensaria positivamente depois da queima. 8. poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. atingir a essência da realidade. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. R. Esta concepção é também chamada de ontológica. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real. idem. É interessante notar.edo que não é. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas. por isso. somente a essência adquire o estatuto de permanente e. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. então. H.

K. A lógica da pesquisa cien:(fica. K. bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade. Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. Diciondrio de filosofia. F. teremos o seu estabelecimento. então não pode ser refutada. . A história da ciência revelaria este esforço de representação. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos.entre a confiimação e a falsificação. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. Mas. do desenvolvimento científico. Em segundo lugar. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. 12. Assim. mesmo daqueles considerados básicos. 10 Se a verdade existe. A concepção marxista é a típica representante desta visão. todas as teorias. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda. POPPER. não aparece? É necessário. coisa que foi bem acentuada 9. Conjecturas e reflita ções. ibidem. Nesta medida. por que não se instaura.pois a essência é permanente.como acentuou Popper 12 . MORA. Há uma assimetria . 13 Segundo esta concepção. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. por princípio. ao contrário. Há ainda outra característica do essencialismo. Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos". Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade. Isto significa que. pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. J. então. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. que é uma certa visão conspiratória do mundo.para esta concepção . Existem teorias. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. 35 por Popper. das proposições e teorias. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias. Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. 10. verdade e essência coincidem. 11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato". É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes.atingir a verdade. Se a verdade é a correspondência com os fatos. portanto. seria sempre possível . 11. POPPER. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos. a um certo contexto. Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade. dizem os essencialistas. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua.

Vol. 1986. Londres. então. A verdade e as formas jurídicas. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade.. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. Manuscrito. ou por não ter sido falseada. que através de Ménon 1 nos diz: . Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. Mas. que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades. RI: Zahar. 1983. SP: Brasiliense. H. Brasflia: UnB. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. isto é. BURr. geraram uma certa instabilidade na ciência. 1965. a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. J. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. F. 3. MORA. Eles são interdependentes. Mas. Como postular a veracidade de uma teoria se.13. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. SP: Brasiliense. As bases metafísicas da ciência moderna. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. UFRJ.A. R. 1981. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. De qualquer maneira. 2. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. Dicionário de filosofia. SP. É a noção de causalidade que passaremos a discutir. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. C. Hamlyn. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. FOUCAULT. Filosofia da ciência natural. Neste sentido. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. Revista Filosofica Brasileira. 37 Larousse World Mythology. BROWN. Unicamp. paradigrnas de verdade e coerência. Vol. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. E. 1984. Filosofia da ciência. 1983. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. 4. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. VI. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. a qualquer momento. 1. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. HEMPEL. progride. n. 1986. III. ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. 1983. no entanto. Não podemos chegar a verdades definitivas. Einstein. Maciri: Alianza Ed. 1. M.

No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. existem várias causas. isto é. mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante. Neste caso. que é a energia cinética das moléculas. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. 2) Os milagres têm causa desconhecida. Assim. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. A relação é de caráter acidental. 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. Neste caso. 3) O universo existe somente através de Deus. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. O exemplo 1 relaciona. mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. 6) A radioatividade causa mutações genéticas. 7) A crise econômica. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". São eventos concomitantes e. No 6. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus. por exemplo. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. Neste caso. como. aparecendo como leis. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. Aqui não há um "antes" e um "depois". em um caso particular. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. Ménon. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. o dinheiro de Paulo com um casamento. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. Nos casos 4 e 5. mas indeterminada. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. a fugir. É a causalidade. Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. Os exemplos 6. pela própria forma do enunciado. a outros casamentos. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. universais. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. 1. valem um tesouro e só produzem o que é bom. as encadeia. a relação aparece como necessária. as liga por um raciocínio de causalidade. Da mesma forma é o exemplo 5. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. como fator explicativo. PLATÃO. A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. No exemplo 4.

de um lado. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. Esta forma geral de cau'a [idade . mas não sabemos quando. a agitação social e a corrupção geram golpes de estado".seria factualmente falsificada. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex. a proposição . Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. 6). ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos. ocorre sempre um outro B. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex. onde um evento anterior causa um outro evento posterior. sem que seja possível a sua detenninação precisa .foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. isto seria facilmente falsificado. como na descrição do exemplo 7 . onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada.que é do mesmo tipo do anterior . Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo. • a produção científica reduz a dependência tecnológica. já que se trata de um evento particular. no entanto. uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado.mesmo que transformada numa proposição universal. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. Ela pode. 5 e 8). Ademais. . mas não de fonna precisa. O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. a previsão de uma ocorrência e. c) Relação Invariante. Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares. de outro. Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite. 1 e 7). Sabemos que irá ocorrer. Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum. dado um certo evento A. 4. Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns. O exemplo 8 . Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". em sua genealogia. • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários.próprio fato. mas como fator explicativo é de muito pouco valor. Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos. Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. isto é. 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide. este tipo de utilização está fora da ciência. de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. Por isto. como em "A crise econômica.como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos. encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor.tem. podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex. no entanto.

ruas também determinada. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos. para Hume. publicado em 1749. que todos os . O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . podemos dizer o "como". então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. o "quando" e o "quanto" da relação. No caso do princípio de causalidade. até hoje. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. Historicamente. e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu. Quando dizemos. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. Aliás. que aprofundou sua crítica. Portanto. a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto. um dia.iá nenhum indício de um fenômeno no outro. Empirista radical. às vezes. aparecem sempre ligadas. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. (ji 153) Assim. a neve e o frio. portanto. o princípio de causalidade não é da natureza. esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. de causalidade. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. Não se imaginava que elas pudessem. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. se faz entre a linguagem e a realidade. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. que duas espécies e objetos. Ou.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza. como a chama e o calor. isto é. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. Assim. em outras palavras: após descobrir. Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos. pela observação de muitos exemplos. ou seja. por exemplo. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. que é uma característica das coisas. Em primeiro lugar. Para ele. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos.

o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa. Mas. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. pode ser infinitamente dividido. mesmo finito. então. seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. Além disso. como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. 3. e que enunciemos isto na forma de leis. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. 2. A explicação científica deve se aplicar a vários casos. de um princípio gerador de pesquisas e.a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. Ver E. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências. Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. RUSSELL. dessa forma. a altitude. então. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos.corpos caem. A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. na verdade. Assim. Por outro lado. Isto porque. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico. gerador de conhecimentos.diferentemente do estágio pré-científico. Isto porque . toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente. pois se organiza em . Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências. Introducción a la filosofki de la ciencia. nem mesmo poderá haver queda. a depender da altitude. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que. 42 43 intervalo de tempo t que é finito. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. B. como. em última amiuise. já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso. como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão. seria o nada que antecederia o efeito. 4. por exemplo. Investigação sobre o entendimento humano. Misticismo e lógica. Segundo ele. que é a predição. HUME. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias. D. Logo. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação. in Os pensadores. NAGEL. Devemos tornar a causalidade como uma suposição.

3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5). por esse motivo. p. HEMPEL. Normalmente. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. para o senso comum. pela sua própria forma. as proposições 1. cit. 6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. esta reflexão não ocorre. A explicação disto envolve. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. Lt explicación cient (fica. Idem. necessárias e determinadas entre eventos. 1) Todo meio material provoca refração da luz. que acabamos de examinar. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. Neste sentido.a formação de umidade num recipiente com água gelada . este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade. Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação. a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. a noção de causalidade. se organiza na forma de Estruturas Teóricas. Aqui. além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. idem. A proposição 1. Para ele.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. mas seguindo urna espécie de hierarquia. Filosofia da ciência natural. A depender do recipiente. tem um caráter de generalidade e de lei. de ordem. 2. 135-175 (Vol. Num . 5. liquefez o vapor d'água. Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. a fim de que nosso problema inicial . uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz.função das regularidades que encontra ou postula. 6. 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. Teremos.apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. mas precisa das outras condições iniciais. então. C. Num artigo publicado em 1948. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. The logic o! expIa nation in philosophy of science. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. Ressalvado o seu caráter não-ontológico. que era o nosso problema inicial. exerce uru importante papel. 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica. 15). Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. repmduzido em Lii explicación científica (op.

A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. Da mesma forma que no exemplo anterior. e C1 . Se isto fosse necessário. Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. por estarem assimiladas às concepções correntes. 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema. O caminho inverso . a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. a luz se propaga a menor velocidade.e de posse das Leis Gerais . L2 . De qualquer maneira. Além disso. a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei. 3) Num meio mais denso. L2 . em relação à que está submersa.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1.ambiente muito seco (umidade baixa). e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. L. 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral. portanto. L Leis Gerais C1 C2 . Ç poderemos deduzir E. C2 . A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser. 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água. 5) Em vista disso. a de adequação a fim de que possa haver. então. condições iniciais e conclusão. Em ambos os exemplos. ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. 5) Percebemos. em relação à parte que está dentro da água. a luz se propaga a menor velocidade. Dados L1 . esse é o esquema Nomológico . Quando as condições iniciais estiverem dadas . onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra. de fato. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. 3) Num meio mais denso. teremos a impressão de que está torta ou quebrada. Na formulação de Hempel. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo.poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. a barra como estando torta ou partida. percebemos a barra como estando torta ou partida. Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. dedução. É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. Estas suposições.. certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel. Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1). 2) A água é mais densa do que o ar. podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água.

Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação. ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. Em segundo lugar.com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica. cit." onde o antecedente do condicional não ocorreu. então. deve ser dedutível dele. L. devem ter os seguintes requisitos : 1.. Esta cláusula ficará 7. Em primeiro lugar . No século XIX. no passado. 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda. as leis de Galileu e de Kepler -.. HEMPEL. podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. C2 . por exemplo. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. haverá. sempre. Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica . em laboratório. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido. que servia como o grande paradigma das cências. 2. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais. Assim. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. como diria o Ménon de Pistão. então teria ocorrido aquilo". 3. Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se.. Conforme C. . por exemplo. de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples. o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. No paradigma hempeliano de explicação.. necessárias para a explicação. São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso. op. As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual. elas conferem o caráter de estrutura. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans. Ç e a vigência das Leis L1 . isto é. as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais. O Explanans deve ter conteiido empírico. pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial.expressaram claramente esta pretensão de cientificidade. especificamente preparadas para isso. como. O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. Dado E. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa.também deve ser verdadeiro. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente. de coerência e unidade às explicações. A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu. é uma virtude. Newton. o ideal de explicação já era a física. L2 . as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans. inclusive das ciências sociais. O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. Einstein etc.Durkheim e Marx .). cujo modelo era sempre o das ciências naturais. portanto. as Leis têm um papel decisivo..

Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). cit. As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas. pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. MERTON. Estas concepções de história ou de homem exercem. cit. Os exemplos podem mostrar isso: 1. HEMPEL.em desempenhar um papel menos pretensioso. Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). no entanto. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política. que passaremos a discutir.. Marx. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . e da institucionalização das ciências sociais. 9. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX. caráter explicativo. sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social. apenas um papel limitado na explicação. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. 10. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. C. Nestes escritos. a sua mesquinhez e individualidade. MERTON. A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. as conjecturas de longo alcance não têm. 3. Spencer. sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. fiction and forecast. Facr. Sociologia: teoria e estrutura. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. o ideal científico no campo das ciências humanas . As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. NAGEL. as ciências sociais se confonnarani . por exemplo. op. mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. 11. elas mesmas. Ver E. GOODMAN.foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana . Marx e Darwin. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista. R. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. no caso de Hobbes. N. suporte de toda sua construção posterior. Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. Ambas. Os sociólogos. cir. em concepções da história de ampla generalidade. cit. como as chamou Merton. então. T.8. no entanto. As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas. embora de menor abrangência. R. que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. KUHN. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. bem como outros pensadores menores. op. a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido.já no século XX . op. op. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM.

sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. O conceito marxista do homem. Assim. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. Nesse sentido. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais. b) O homem é um ser eminentemente social. Além disso. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital. Manuscntos econômicos e filosóficos. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos. K. em suas diferentes formas. hi E. Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. g) A existência. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. no entanto.. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. as diferentes formas de pensar a si mesmo. determinam a consciência. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho. com as Leis Gerais e Condições Iniciais. o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. uma vez obtido. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. não são compatíveis. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. De qualquer modo. necessárias e independentes da vontade. São eles: a) O homem é um ser da natureza. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. MARX. Deve-se. que funcionam como axiomas para a teoria. os homens contraem relações determinadas. FROMM. o trabalho. necessárias e independentes de sua vontade. 12 De posse destes princípios. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida. A "detenninação" de 12. pois existem alguns fatores que a retardam. . com urna análise detalhada da economia burguesa. então. por sua vez. da superpopulação relativa. os cânones do esquema hempeliano. A sua teoria se estrutura. A totalidade destas relações. a rigor. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz.. c) O homem é um ser que tem consciência.

a zona posterior é ocupada por moradias operárias. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. O interesse maior foi pragmático. As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". bastante diferentes das do exemplo anterior. Burguess. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo. por último. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. O capital. seu caráter é probabilístico. MARX.2. mas o de um raciocínio que. A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. Conforme salientou Merton. conforme este modelo. K. 14. a zona seguinte é chamada de zona de transição. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. são incompatíveis. neste modelo não há Leis Gerais. Mas pode-se. MARX. no entanto. Em segundo lugar. pois tende a ser invadida pelo 13. Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. PIERSON. a zona seguinte. as grandes sínteses. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. de Emest W. hií urna tendência para a "expansão radial". D. a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop"). então. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa. Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. as TMA guardam uma certa "positividade". 15. 17 enquanto as TLA. Em primeiro lugar. Estudos da ecologia humana. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. in Os pensadores. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas. uma zona chamada de "com nzuters". no sentido de que têm origem factual e de . pelos mais diversos motivos. K. este fenômeno não falsifica a hipótese. por residências de luxo e. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. por isso.

diríamos. No esquema hempeliano original da explicação. de Lei. Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. MERTON. O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca. ou ainda. por exemplo. pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. p. mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura. a previsibilidade é uma das características importantes. O Explanans gera o Explanandum por dedução. ao contrário. R. 17. QUINN. hoje. de fato. um certo poder de autoproteção. enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e.poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo. inD. esta atitude provocará. de certas relações e seus também necessários desdobramentos. Cit.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro. por si só. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana. são de dificil aceitação. as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes. 369.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . Um outro . PIERSON. op. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas. 16. A divulgação desta "previsão" . A. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá. Suponhamos. em milenarismo.. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. queda nos preços das ações por excesso de oferta. isto é. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. Isto. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente. Assim. Já com as TMA. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. A noção de tendência.que servem como fatos básicos para as TLA. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". o das ciências naturais. Qualquer teoria pode. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. no limite. no caso das TLA. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. A determinação expressa o caráter necessário. afirmando que "ainda não chegou a hora". cit.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. pois ela previra apenas urna tendência. op. confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. por exemplo. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais. J. necessariamente.

Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva. 19. A pretensão científica das ciências sociais. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada. No entanto. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa. E não poderia ser diferente. e tem ainda. cit. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. Os depositantes. em pouco tempo. 4. 20. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. por exemplo. mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. taxa de crescimento populacional. por conta de que providências são tomadas para evitá-los.. teve. 18. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. MERTON. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. A análise de determinada situação pode sugerir.1. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. cir. 4. op. Ver A. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos. à bancarrota. evitando-se assim a elevação da inflação. R. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. sua inspiração nas ciências da natureza.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. op. no que concerne à explicação. A sociedade aberta e seus inimigos. o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. K. as postulações de vários epistemólogos da atualidade. mesmo que não explicitamente. que instituiu um . A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças. taxa de criminalidade etc. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. E NAGEL. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. RYAN. POPPER. Por outro lado. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais. com medo de perderem seu dinheiro. A situação do banco era normal. Filosofia das ciências sociais. levando o banco. correram todos a sacar suas economias. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas.

aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática. um empreendimento que visa a solução de problemas. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. como dissemos. assim como os epistemólogos anteriores. com maior conteúdo empírico. essencialinente. através de testes críticos. Este assunto será desenvolvido no cap. Para Kuhn. no fmal da década de 1920. não condiz com as postulações abstratas de Popper. portanto. mostrando que os cientistas formam um grupo social e. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. No entanto. Paul Feyerabend e Imry Lakatos.22 Depois da formação do cfrculo de Viena. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. um movimento de "revolução permanente" na ciência. ao contrário. portanto. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. Dados os problemas. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. veremos. a lógica do processo científico. baseado em Conjecturas e Refutações. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas. já neste século. filósofos como Aristóteles. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. a referência mais conhecida na epistemologia foi. IV. de um 21. 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos. 22. tendo em sua linha de sucessão. Karl Popper. Popper discutia. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. Este modelo de organização e progresso. já que deverão resistir a severos testes. IV. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. A epistemologia de Thomas Kuhn parte. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos. ou grupos dentro dela. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. serão testadas e refutadas. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. por novas teorias. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. sabemos. Para Popper a ciência é. Em seu livro A lógica das ciências sociais.movimento nitidamente racionalista e historicista. que podem ser de natureza prática ou teórica. por sua vez. Ver o cap. mas. jamais será alcançada. pelo menos como princípio. Assim. sem dúvida. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. fazendo surgir novas conjecturas que. . a busca pela refuta çõo das teorias. Hegel e Marx. item 2. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas.

cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade. mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. assim como a sua dinâmica. Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. composta por um" cinto de proteção" .conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. mas aquela que. Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. Na visão kuhniana. Ao contrário. Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos. Os recentes desdobramentos . As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. 4. entra em crise e inicia urna era revolucionária. indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. . Para ele. e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas.2.está cada vez mais claro que a incerteza é universal. Aqui. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias). a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). algum dia.diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos .conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que. já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores. quando os resolve. Assim. pois . mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas. o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn. cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções. e por uma heun'stica positiva.Assim. a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas.

MERTON. por definição. 24. MATALLO JR.25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. B.como propõem os popperianos. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais. 23. isto é. serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. SANTOS. caso contrário. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna. op. deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. a linguagem não tem a propriedade da univocidade.. MATALLO JR. 26. Podemos dizer que. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais . estabelece regras para a sua satisfação e. na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano. em primeiro lugar. Heisenberg. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. não teriam sentido social. Deste modo. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial. assim.26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. a realidade social. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções). Assim. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. para serem aceitos. entendida como um fenômeno simbólico. porque há certos bens que. 13. H. 14. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos.24 No entanto. Isto ocorre porque. Idem. Na verdade. os bens são escassos e. isto é.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . 58 . devem ser escassos e concentrados. H. devem partilhar de uma linguagem comum. cit. O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias. S. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos. necessariamente. conseqüentemente. p. apesar de haver sentido partilhado na linguagem. e.e para a realização de testes cruciais . não contextual. 25. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. No que diz respeito ao desejo. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca. frustra urna parcela da sociedade. p. in Educaçdo e Compromisso. contribui para as mudanças sociais. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e. pois. em sentido mais geral. em vez de teorias. em segundo.No que diz respeito às infonnações. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. Caso isto não ocorra. os comportamentos dos indivíduos.. mas como parte do próprio conceito de sociedade. Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais. a sociologia e o princípio da incerteza. um melhor posicionamento na escala social. devem entrar na rede simbólica. a sociologia e o princípio da incerteza. Heisenberg.

BASSALO.O paralelo entre as estruturas de teorias que faremos com as ciências naturais tem como referência o modelo nomológico-dedutivo de Hempel. E. 1981. CHALMERS A. R. Madri: Fondo de Cultura Económica. Larousse World Mythology. FOUCAULT. Einstein. M. SP: Edusp. CARTIER. Vol. Indiana: Bobbs-Merril Co. SP: Perspectiva. B. Fact. Investigação sobre o entendimento humano. MARX. Doença mental e psicologia. N. mas com significativas alterações em seu conteiido. Buenos Aires: Paidós. 1984. 1n Os pensadores. 1. fiction and forecast. HUME. SP: Brasiliense. E. 1975. R. 1979. M. 1n Os pensadores. Filosofia da ciência. Heisenberg. Londres: Hamlyn. 1. que o indetenninismo e o arbítrio existentes são partes constituintes das ações individuais e coletivas e de nossa imensa capacidade de criar e recriar as formas de convivência social.. As "experiências de pensamento" em física. 15. T. R. N. para um mesmo explanandum E e utilizando-se um mesmo conjunto básico de postulados. 1961. 1978. 1978. GOODMAN. K. SP: Edusp. 1965. 1949. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. . D. LOSEE. RJ: Tempo Brasileim. SP: Abril. & MUSGRAVE. Tópicos. ARISTÓTELES. o esquema seria: Explanans Conjunto de Postulados Básicos Descrição . no entanto. Bibliografia ALVES. In FROMM. FARRINGTON. 1978. H. J. SP: Abril. Estes são os fundamentos do pluralismo teórico das ciências sociais e da aparente arbitrariedade reinante na disciplina.. RI: Primor. SP: Brasiliense. ______ Head and hand in Ancient Greece. H. 1n Ciência e Cultura. ______ O capital. O enigma do cosmo. de tal maneira que nunca temos urna explicação definitiva sobre um conjunto de fenômenos.Reconstrução Histórico-Social Explanandum E A diferença está em que. Reproduzido em La explicación cient(fica (op. 1977. Manuscritos econômicos e filosóficos. 1978. A. _______ The logic ofexplanation in philosophy ofscience. 1979. As bases metaflsicos da ciência moderna. HANSON. Brasilia: UnB. 1978. 1983. mas urna constante reconstrução a "partir do zero".. 1975. É preciso constatar. Filosofia da ciência natural. 1983.). Madri: Alianza Ed. HEMPEL. Whatisthis thing called Science? Queensland: University of Queesland 1978. 1972. BROWN. RJ: Zahar. KUHN. 1984. a sociologia e o princípio da incerteza. La explicación cient(fica. RI: Zahar. MATALLO IR. A. Padrones de descubrimiento. a construção histórico-social (seleção e descrição) varia não somente entre as diversas correntes de pensamento. F. C. BURTT. O conceito marxista do homem. Segundo esta nova versão. 1978. A ciência grega. SP: Abril. F. _______ Prefácio da contribuição à crítica da economia politica. SP: Ibrasa. mas também entre pensadores de uma mesma corrente. LAKATOS. Introdução histórica á filosofia da ciência. 36 (3).. 1965. Londres: Watts and Co. A estrutura dos revoluções cient(ficas. cit.

decidir entre teorias concorrentes. os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal. A. A sociedade aberta e seus inimigos. WARTOFSKY. PLATÃO. 1988. 1970. II. Sociologia: teoria e estrutura. filosofia da ciência e. K. 1985. Estudos de ecologia humana. como ele procede. 1 Durante séculos. SANTOS. Mas ela se preocupa também em articular os critérios que nos permitem avaliar o desempenho de teorias já formuladas e que nos possibilitam. 1970. 1977. 1982. PIERSON. Vol. ______ Dois dogmas do empirismo. também. Metodologia da pesquisa tecnológica.. Misticismo e lógica. Introdución a lo filosofia de la ciencia. Lógica. tais reflexões epistemológicas não constituíram uma disciplina independente. qual a sua credibilidade etc. Madri: Alianza Ed. SP: Abril. POPPER. Brasilia: UnB. 1978. RJ: Zahar. SP: Martins. M. República Federal da Alemanha. Edusp. Brasilia: Tempo Brasileiro. Um discurso sobre as ciências na transição para urna ciência pós-moderna. ______ A lógica das ciências sociais. QUINE. 1991. Fédon. ______ Ménon. 1978. R. como a palavra sugere. RI: Zabar. 1986 MYRDAL. SP: Cultrix. . O. 1978.Teresina: Educação e Compromisso. _______ Conhecimento objetivo. W. diversas denominações. 1979. Introduçõo histórica dfilosofia da ciéncia São Paulo. 1978. porém. Belo Horizorne. B. A metodologia seria urna parte mais restrita da epistemologia. 1. MERTON. W. Considerações introdutórias As reflexões críticas acerca dos fundamentos da ciência vêm sendo elaboradas desde tempos remotos. Itatiaia. 1978. LOSEE. 1978. que é a produção do saber. SP: Edusp. Objetividad en la investigación social. RI: Tecnoprint. Buenos Aires: Paidós. SP: Edusp. ao longo dos anos. 1978. México: Fondo de Cultura Económica.. 1978. s/d. Podemos dizer que filósofos e cientistas em geral sempre buscaram alcançar uma compreensão adequada do que vem a ser o saber científico. S. B. F. mas foram empreendidas no quadro de uma * Doutora em Filosofia pela Universidade de Munique. as mais conhecidas são: epistemologia. E. NAGEL. 1977. A investigação teórica acerca do fenómeno "ciência" tem recebido. ______ A lógica da pesquisa cient(flca. VARGAS. SP: Abril. Epistemologia naturalizada. MORA 1. La estructura de la ciencia. teoria da ciência. RUSSEL. G. n2 3. SP: Mestre Jou. Filosofia das ciências sociais. M. Conjecturas e refutações. RYAN. 61 SALMON. metodologia. ou seja. Edusp. Professora de Filosofia da Puccamp. SP: Abril. 1968. Para se ter uma boa visão dos empenhos epistemológicos desenvolvidos através da história recomendamos a leitura de J. ainda. 1974. como a ciência atinge seus resultados. D. pois. Dicionário de filosofia. Capítulo IV A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTf FICO: ALGUMAS POSIÇÕES Maria Cecilia Maringoni de Carvalho* 1. SP: Francisco Alves. 1978. ela investiga fundamentalmente os métodos. em que consistem seus métodos. SP: Revista de Estudos Avançados. Madri: Alianza Ed. RJ: Globo.

fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. o que parecia faltar à filosofia. Nas ciências empíricas. Hans Hahn etc. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. aos poucos. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário. da filosofia da linguagem e da filosofia da história. o controle é feito com base em processos lógicos. vol. Otto Neurath. Seus principais integrantes foram. se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. que emergiu do Empirismo Lógico. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. ela deve ser abandonada ou corrigida. Existe. Tal corrente. a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. É muito difícil. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo. quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa. quando não impossível. ela deve ser submetida ao teste da experiência. Contudo. uma vez elaborada a hipótese. A fantasia criadora do 2. o Racionalismo Critico de Karl R.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. Na matemática. no decorrer da década de 20. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. o controle é feito com base na observação e na experimentação. a se alterar. mas estenderam-se aos domínios da ética. 277 ss. sobretudo nos países anglo-saxões. de modo sucinto. p. alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico. Historicamente. Kuhn. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. O grupo. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. Todavia. pois. Wolfgang STEGMOLLER. A filosofia contempordnea. o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. além de Schlick. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados. conhecido sob o nome de Círculo de Viena. 1. Segundo Stegmiiller. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica. -' Nosso estudo pretende abordar. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa.2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo . Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. Rudolf Carnap.

Thomas S.. na medida em que for fundado na experiência. sem diiv ida. porém. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não. É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. e que.um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos . vol. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. ou seja. na medida em que priorizou as dimensões históricas. mediante comparação dos objetos entre si. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. traduzidos em uma linguagem observacional.4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica. exige. Na realidade. Wolfgang STEGMOLLER. op. é verdade. como pensavam os empiristas clássicos. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. se chegaria a um conceito geral. Kulm Todavia. ou seja. seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. real.para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. pp. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. sociais e psicológicas da pesquisa científica. contudo. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados. Popper Karl R. como mostraremos em nosso trabalho. factual. 277-284. segundo o princípio empirista. Não se tratava. ou seja. Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R. foi. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. sem dúvida. cit. Princzvio do Logicismo . 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. De outro lado. 3. 1. Popper é. e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução. é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico. 2. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo. havia um debate fecundo entre eles. ..

Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica.1 deste capítulo. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. ser caracterizadas como definições propriamente ditas. a condição de ser colocado na água). mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico. Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. seria considerado solúvel. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras". as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. O enunciado "se x é colocado na água. uma tendência de um determinado objeto para. como veremos agora. Contudo. inteligente. tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. a rigor. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. Entretanto. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. ou seja. de acordo com a definição proposta. Termos disposicionais. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso.aparentemente plausível . como a palavra sugere. eram passíveis de 4. ainda que plausível. então: se um objeto x é colocado na água. Elas nada declaram a respeito de um objeto. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. magnético.é todavia inadequada.um objeto x é solúvel em água. Esta definição . dada a falsidade do antecedente. Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. então x se desmancha" é urna condicional. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". certamente que "a" não é solúvel em água. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. item 3. verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional. o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso. elástico. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. estas não podem. apresentar uma determinada reação ou comportamento. introvertido etc. Sendo de madeira. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. esse ideal. Entretanto. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira .Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas. A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. Entretanto. Ver. Em suma. Em vista da dificuldade ora apontada. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água". solúvel. Teríamos. Contudo. são termos que denotam uma disposição. se atentarmos melhor. Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição. então x se desmancha. que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual.

63. R. Na época. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. Lisboa. A filosofIa contempordnea. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável. EPU/Edusp. a evolução do Empirismo Lógico. IX. Karl R. contudo. vol. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra. 64 7. abrindo os olhos para uma nova verdade. Uma vez abertos os olhos. De fato. outras três eram a teoria de Marx. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. Ciência: conjecturas e refutações. pp. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. in Conjecturas e reflaações. Ibidem. 5. também W." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. a teoria da relatividade. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. tais teorias não eram . Camap. porém. e. da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. em certo sentido. e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação. p. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. STEGMULLER. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. de um lado. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. Cap. Camap. Edições 70. Teve o mérito. as três teorias anteriormente mencionadas." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. de outro. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. 1977.de um conceito . p. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência.já que o conceito é deixado em aberto. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. 1. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. 6. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. a Europa encontrava-se imersa em grande crise." 6 O problema que o intrigou. Além disso. Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão. POPPER. de chamar a atenção para o caráter aberto. 3. 1983. os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais. o qual corporifica. 274-329. Nessa medida. São Paulo. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler. Dentre as que me interessavam. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. K. escondida dos ainda não-iniciados. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. é a de A.

66. Ibidem p. nesse contexto. refutável. Ibidem. o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade. 11.. p. se não realizadas. uma vez que as procuremos. factual. em princípio. Popper lembra. que ela nos diz algo sobre a realidade. Por isso. Numa palavra. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria. ou seja. isto é. Quanto mais uma teoria profbe. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. em princípio. de refutar a teoria. ou seja. ou seja. as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8. 10. Como diz Popper. 11 Em suma. refutariam a teoria. mas um vício". mostrar-se incompatível com resultados de observação. deveria refletir-se. refutabiidade ou falseabiidade. ser refutável. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo". em princípio.testadas com base na experiência. juntamente com os resultados de sua crítica à indução. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. Como descreveu Popper. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. caso sua teoria fosse verdadeira." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. POPPER. p. inspirar sua metodologia. Uma teoria que pretende ser empírica. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão. ci:. 66.13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. porém malograda. "a irrefutabilidade não é urna virtude. O problema da indução . deve. no dizer de Popper. Einstein deu-se conta de que. Ela é. Esta teoria parecia aberta à refutação. Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. p. A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. a teoria da relatividade pode. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade. 65. R. colocar em risco as teorias em que se baseiam. ou seja. lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade. passando próxima do Sol. 9. 68 69 certas coisas de acontecer. Nesse caso. Ibidem. em virtude da atração gravitacional do Sol. predições que. "falseável". caso ela resulte de urna tentativa séria. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria. 64. As três teorias precedentes não são falseáveis. a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. como frequentemente se pensa. melhor ela é.1. K. op. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. 3. não são capazes de sustentar predições que possam.

"A" virá sempre acompanhado de "B". Segundo Hurne. Temos aí um empirismo radical. deve interpretá-las como repetições. tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. De um ponto de vista meramente lógico. com o tempo acostumamos a essa repetição. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. Segundo Hume. ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. R. cit. Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema. Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade. op. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. baseada em similaridade que só ele poderá identificar. Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes. Como tais conexões não provêm da experiência. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos. 66. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. deve considerá-las similares.a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela.para Popper . numa teoria psicológica como a de Hume. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. p. porém. no futuro. POPPER. 66. somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. A expectativa é . mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12. como o funcionamento de um relógio. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes. Segundo Popper. K. a inferência indutiva não pode ser legitimada. por considerações puramente lógicas. Hume nega que a indução possua uma base lógica. Todavia. segundo a qual dois eventos seriam em si similares. Em suma. a experiência nos dá impressões sensíveis. é o sujeito que estabelece conexões entre eles. Popper aceita o argumento lógico contra a indução. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. p.. Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas. Fui levado portanto. precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. 13. 14 A concepção ingênua.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923. construções do sujeito. Ibidem. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição. Mas devemos notar que. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança).

pois tais enunciados não são passíveis de verificação.que as repetições nos imponham suas regularidades. Em Überblick. um ponto de vista. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria.. Sem nos determos em premissas. Teu II. um interesse especial. pretendem valer para qualquer tempo e lugar. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). e a dos enunciados que descrevem dados de observação. nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. enquanto que os enunciados de observação são singulares.1 • iI 1. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto. cit. POPPER. cit. p. descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar. demonstrar a verdade de . p. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. 17. pois. 76.da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. op. procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. in Naturwissenschaften 66.como mostraremos a seguir .que precisamos pôr de lado. caso as observações não as corroborem. desde que. A metodologia de Popper resulta . extraordinariamente limitados. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16. a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência. precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação. 15." ' O conhecimento não tem início com a experiência. nesse contexto. K.0] 70 71 definida. Wolfgang STEGMÚLLER. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa.2. 74. p. R. 440-441. obviamente. mas com uma teoria. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos. R. A ciência começa com a percepção de um problema. enunciados que exprimem leis naturais ou teorias. Ibidem. "demonstração da verdade"). uma tarefa 14. isto é. Se alguém quisesse verificar . op. damos um salto para chegar a conclusões .portanto. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes. É claro que uma tal verificação é impossível. Logo. que exprimem leis. . . convicção ou expectativa e os dados da observação. se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis. ou seja. Popper. pp. Modeme Wissenschaftstheorie. Os enunciados nomológicos são estritamente universais.. 75-76.um enunciado nomológico. quer dizer. Os dados de experiência são. alterar fundamentalmente o estado da questão. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação. isto é. 3. K. Theorie der empinschen Wissenschaften. POPPER. um problema. 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. publicada em meados dos anos 30. Pois.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

23. p. Uma tal construção é. a Óptica de Newton etc. portanto. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. O paradigma caracteriza. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da . op. técnicas e saberes é muito pouco transparente. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação. de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc. pp.. 29 A Física. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão. M. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. ia op. Ibidem. 37. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. G. A uma realização científica dessa envergadura.27.). 29. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido. a Química e a Biologia. quanto à natureza da luz.. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade. Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona. bem como a maioria de suas ramificações. T. Constitui-se. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina. 30. 4. KIJHN. um grupo homogêneo. KUHN. o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso. pelo menos intuitivamente. ou seja. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. pois toda essa rede de posturas. SCHNEIDER. 32 ss. Kuhn dá o nome de paradigma. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. eles conhecem a resposta. verificam-se as seguintes conseqüências. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. 20-21. Posfácio. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos. cit. entre outros. cit. será ela composta de partículas de matéria. 28. Desaparecem. 237 ss. em geral. The tacir dimension Thomas S. a Física de Aristóteles. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo. S. ou será um movimento ondulatório. ou ainda composta de fótons.2. BAYERTZ. portanto. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. assim. op. 71. Vide H. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos. p. POLANYI. via de regra. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. K. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. que partilham o mesmo paradigma.. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. acolhida como superior às suas correntes. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria. cit.

detectou 21 acepções diferentes desse conceito. A natureza de uni paradigma. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. M. op. interessá-lo. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência". KUHN. 32. naturalmente. Nega que eles tenham a . Por receber adesão coletiva. o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. um arcabouço teórico de cunho bem geral. 33. de antemão. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". S. pp. T. nesse sentido. Ibidem p. 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper). entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista. na ciência. mas que direciona qualquer experiência.. MASTERMANN.fecundidade de um tal conceito. durante algum tempo. Aí estão os problemas considerados legítimos. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. LAKATOS e A.) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. 65. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. in 1.31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. p. Como diz Kuhn. Não nega. MUSGRAVE (orgs. o qual não é o resultado direto de experiências. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. Daí decorre que. para o qual já existe uma solução paradignultica. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica. que ele comporta solução. M. que não se ajustam facilmente ao paradigma. A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão. então. propriedade coletiva da comunidade científica. Posto isso. quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. 72-108. Masterrnann. ele adquire uma dimensão normativa. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. ci:. 13. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. ou seja. Com isso. porém. ele é tido por inatacável. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. O paradigma representa. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. Em algumas passagens. Nesse sentido. a existência de fenômenos recalcitrantes.

O trabalho miúdo. 162-174. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura. Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. não se pode esquecer. cede lugar a um período de crise. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). KUHN. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. TAYLOR (org. vide T. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C. efetuado pelo artesão científico. importante papel na produção do novo. S. G. cit. 4. MUSGRAVE. The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham. p. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma. Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. S. 35. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. O paradigma está ameaçado. T. papel mediador na emergência do novo. a atividade científica tem um forte componente social. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades. LAKATOS e A. W. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. op. Além disso. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal. ele goza de certas imunidades. Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes. Cit. pp. pois. Especulações ousadas . Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. 45. proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas.3. 12. KUHN.36 34. pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. vide T. pp. 5. SCHNEIDER. A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática. tem.). Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. S. A Crítica da ciência. KUHN. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso. op.função que Popper lhes atribui. A função do dogma na investigação científica. 53-80.. Vide H. Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante. KUHN. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos. ela é condição de possibilidade de emergência do novo. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. proibidos pelo paradigma. A fase de triunfo. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. p. assim.37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. T. Contudo. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. in Jorge Dias de DEUS (org. cit. da acumulação bemsucedida de saber. iii 1.).). 36. esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento. dirigido ao pormenor.

p. 113 ss. Bayertz. dessa promessa". Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia. 42. Ele é mais urna "promessa de sucesso". Ibidem. 39. Contudo. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos. 190-191. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. 44. Sem crise. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade. cit.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas. ' Com o agravamento da crise. É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. A questão é que. porém. KUHN. . De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. S. pois não é possível pesquisar sem paradigma. enriquecendo-a com novas informações. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. mas a altera profundamente. p. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. KUHN. 57 ss. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. in op. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência. p. op. cit. A crise parece desempenhar esse papel. A estrutura das revoluções científicas. 43. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. S. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. 38. na visão de Kuhn. o qual é precedido. de início. contudo. Contudo. The essential tension. 41. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. para cada situação possível. via de regra. T. cit. T. Ibidem.. T. Em geral. critérios gerais que determinam de modo unívoco. pp. op. p. os cientistas não o abandonarão. como assinala K. dominada por um paradigma sucessor. diferentemente. ao seu conservadorismo. Não existem. 44. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade.. por muita confusão e inquietação. Kurt BAYERTZ. como é que. u Entretanto. Vide nota 36. 42 De qualquer forma. S. as revoluções pareceriam impossíveis. Ibidem.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. KUHN. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. 116.

Isso é compreensível. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. tratava-se de confirmá-la indutivamente. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. 10 ss. 353-391. Como sabemos. Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. op. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência. elevando o seu grau de probabilidade. 5. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares. p. 47. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. representada por Karl R. LAKATOS e A. Idem. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. pp. como. as quais confumariam a hipótese em questão. por exemplo. 114. 113-114. retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes. T. Em outras palavras. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. mas. defendida por Thomas Kuhn. in Wemer DIEDERICH (org. a outra. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma. ' Em meados da década de 30. dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre. então. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo. A estrutura das revoluções cient(ficas. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. a pesquisa se toma aleatória. Ibidem. quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. falseamento de concepções existentes. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. urna vez de posse de urna hipótese. mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. as quais.). suas teses provocaram grande impacto. (org. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. KUHN. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos. 49. W. Procura tomar mais aguda a crise. STEGMULLER. ou seja. nessa fase pós-paradigmática. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. busca de alternativas. MUSGRAVE. pp. pois propiciou uma articulação mais clara. 48. se tiverem êxito. Popper rompe com essa tradição indutivista. Popper e seus discípulos. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. 81 extraordinária. mantendo-se crítica frente a ele. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. 46. S.). A crítica e o desenvolvimento do conhecimento.45. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. p. 167-211. não para descobrir hipóteses. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. o método indutivo era usado. tentará formular novas teorias. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente. Para . Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. a menos que seja guiada por um paradigma. pp. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER. Em uma palavra. A filosofia contempordnea. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. cit.

E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos. mesmo preservadas as idéias . E tal reflexão poderá mostrar que. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1. MUSGRAVE. nem pela dedução. certamente. ou a admitir que. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido. ela é. um empreendimento irracional. de fato. a relevância que Popper lhes atribui. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia. Se.ele. no entender de Kuhn. abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva. É preciso. p. se Kuhn tem razão. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . 18 ss. sim. 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação.nem a refutação das mesmas . o 50. (orgs. regras de lógica dedutiva. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. T. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. KUHN. quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. em um caso. Sua metodologia é urna metodologia crítica. ou seja. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. Ver. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas . uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar. nem de longe. negativa.não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem. a-crítica. À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. se a ciência não se orientar nem pela indução. parece bastante saudável para a ciência. rever nosso conceito de racionalidade. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). a crença na indução não passa de uma ficção. aos poucos. contudo. não se impor. deste capítulo. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. além disso. aberta à refutação. não possuem. e que seriam. pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade.e nesse ponto concorda com Popper -.via indução . nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas.. A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. S. que privilegia o espírito crítico. em outro. LAKATOS e A. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo. mas se prende ao fato de que. que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. quem tem razão? A posição de Popper. E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. 51. teimosas. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. Todavia. ainda que estes possam ocorrer. não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece.) op cit. Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. com o tempo. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. item 2. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese.via dedução . E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva.

T. MUSGRAVE (orgs. Ver também a contribuiç5o de J. cit. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. The logical structure of mathemaiical physics. 33-48. Apoiaino-nos na exposição de W. KUHN. Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. KUHN. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade. W. seria possível. MUSGRAVE. conhecem-se algumas aplicações da teoria.. SNEED. 55. D. concluiu-se. o fenômeno das manis etc. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal.centrais de Kuhn. o movimento pendular. A estrutura das revoluções científicas (op. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. op. nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. N. quando. R. LAKATOS e A. LAKATOS e A. vemos apenas um quadro geral. pp. Contra a ciência normal. não corresponde à realidade. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito. Vejamos um exemplo. in 1. em sistema acabado. nesse sentido. p. POPPER. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito. articulado em todos os seus detalhes. A classe das aplicações possíveis não constitui. S. de serem verdadeiros ou falsos. 54. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre." liii núcleo estrutural não é passível de refutação. portanto. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade. cit. 53. Popper tem razão. Newton havia prognosticado que. 191. 63-71. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. Existem refutações na ciência e. De início. a razão está do lado de Kuhn. pp. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. no século XIX. que contém uma estrutura matemática. via de regra. A estrutura das revoluções científicas. Para ilustrar. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e.). e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região. um dia. fixado antecipadamente. Em vez disso. arcabouço teórico. contudo. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. ela não se apresenta logo como algo acabado. além disso. T. . explicar os fenômenos da óptica. ou que se conheça de antemão. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. estas refutações não atingem a teoria enquanto tal. (orgs. com o auxilio de sua mecânica de partículas. 186. p. porém. Quando uma teoria é concebida. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação. ainda não conhecidas. impôsse a teoria ondulatória da luz. porém. Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis. A ciência normal e seus perigos. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. que a luz não era constituída de partículas. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração. in 1. S. todos os esforços nesse sentido foram inúteis. obviamente. WATKINS. Todavia. cit. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional. passíveis.) op. ci:.. E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica.) op. sugere-se 52. nesse ponto. Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria. Isso. K.

70. Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J. DEUS.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea. 2 ed. A. já se disse que se. STEGMÜLLER. Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear. J. Naturwissenschaften 66. The logical structure of mathematical physics. e MUSGRAVE. Nova York: Doubleday & Company mc. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. os quais esperam e acreditam que ela. SP: Oaltrix/Edusp. Wolfgang. 1n Conjecturas e refutações. lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. um dia.Wissenschaftskritik. (org. (2 voL). Munique: Springer Verlag. A.). João Francisco Regis de Morais* Concretamente. Boston. _______ Duas faces do senso comum..). SP: Edusp. 1n Conhecimento objetivo. 1974. As origens do conhecimento e da ignorância. Lisboa: Ed.). Verdade. BH. 1978. Karl R. 1 e MUSGRAVE. Wemer (org. Além disso. SP: Cu1trixEdusp. Eis porque em outros escritos meus já . A estrutura das revoluções cient(ficas. a outra parte da população está morrendo porque a tem. A crítica da ciência.. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. Carnap e o positivismo lógico. hoje em dia. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha. Dordrecht. numa época de transição. Dado que as teorias são irrefutáveis.ssenschaftsgeschichte. SP: EPUJEdusp. ht Psychologie heute . 1. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. Garden City. em ambas as teorias. 1971. Theorien der Wi. Weinheimund Basel Beltz Verlag. Racionalidade e a expansão do conhecimento. SNEED. Thomas S. da Universidade de Brasília. Para isso. J. 1979. a nosso ver. POPPER. 1975. D. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento.A comunidade científica não é irracional. J. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado. é normal haver defensores da teoria até então dominante. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis. pois que a vivemos de forma ambígua.Sor1erdntck . 1979. 1977. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. SCHNEIDER. N. 1983. 2t ed.). W. 1n Conjecturas e refutações. Bibliografia BAYERTZ. bem como defensores da nova teoria então nascente. Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981. contudo. ampliando seu domínio de aplicação. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome. 1979. da UnB. Frankfurt: Suhrkamp. 1n DIEDERICH. H. WATKINS. Kurt. 197. Contra a ciência normal. certamente. RJ: Zahar. (org. Michael. G. LAKATOS. Belo Horizonte: Itatiaia. hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade. Brasilia: Ed. 1966. 1978. The tacit di. A crítica e o desenvolvimento da ciência. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . PASQUINELLI. LOSEE.nension. Jorge Dias de (org. não há nada de irracional nesses comportamentos. 1979. SP: Perspectiva. s/d. Brasilia: Ed. Itatiaia. A. KUHN. Introdução histórica d filosofia da ciência. 1n LAKATOS. B. POLANYI. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. s/d. Wissenschafiliche Revolution. E. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas.. Ciência: conjecturas e refutações. como parece ter sugerido Kuhn. Afilosofia contemporânea.

. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. Não muito preocupado com essas periodizações. pode ser. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas.. a ser apenas bom. Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. mas é necessário que. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp. de um lado. E isto porque. de outro lado. às suas funções manfestas. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio. pelo menos. a ciência e a tecnologia não são boas ou más. O nosso meio. conhecidas e declaradas. nunca será apenas mau. a realidade humana seja "isto e aquilo". não podem mais ser livres de valores (value free) . A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. correspondem funções latentes. pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo. para não quebrar o fluxo dialético da vida. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar. sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim. e. penso. Mas parece ser o modo realista . negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos. menciono três grandes momentos do mundo moderno.no mais salutar sentido da palavra . nos negócios humanos. factível.se é que algum dia o tenham sido. Inevitavelmente. São dois modos de ver. dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. tampouco lograremos que chegue algum dia.de se olhar para a vida e interpretá-la. nas quais se lê que.afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século. Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal. Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje. ou só em seus lados positivos. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. 1. o que gera. Certamente que não é um modo cômodo de ver. num projeto histórico mais modesto irias. ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade. que é marcadamente científico-tecnológico. do século XVI (Renascimento) até hoje. Evidentemente. expondo-nos à permanência do provisório. São ambas as coisas. Discutível? Sim.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. Volto sempre a dizer que.

É muito importante que atentemos bem para isto. o mundo "encantado" da Idade Média. O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. lugar no qual. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. regido por leis internas. quando a Revolução Francesa. Ora. a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. Ora. um altar para a Deusa Razão. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. o universo sagrado. De repente. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. Num golpe histórico. inaugura a chamada ciência experimental. no meu entender. entre a luz e a sombra. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. quanto à queda dos corpos na física. em um preciso dia do preciso ano de 1590. na Igreja de Notre Dame de Paris. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente. entre o humano e o divino. curiosamente. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial.Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. conseqüentemente. porém. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica. prepara. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles. A arte deste século. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. necessárias e. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. Para Newton. o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. no século XVIII. estava. perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. de nome Galileu Galilei. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo". imutáveis. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. conhecida como o Barroco. de espanto. Porém. é urna aguda expressão de perplexidade. Na primeira metade do século XVII. em muitos aspectos. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. pelos séculos . é o primeiro grande momento do mundo moderno. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno. e este campo abria-se de forma ilimitada.

como disse. de ensino ou outros. via-o como algo que "tende ao caos.no mundo da vertigem e do espanto. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. Bolzrnann (na Alemanha). a realidade global da sociedade. 1983). às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo. Está transcodificada a nossa realidade e.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. Com os avanços da ciência cibernética. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. S. Paulo. crescemos em organizações (escolas).seguintes. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. já não se podia ler. quase inconcebível. sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris. surge o computador. desde que ultrapassada a fase de programação. de modo que o operário pudesse intervir. à deterioração. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que. como o vapor. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. somos cuidados pelas organizações funerárias. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade. passamos a vida trabalhando em complexos industriais.. trabalhando junto com a máquina. Um tanto perplexos com tudo isto. por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. ao contrário. Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). Mas. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade. comerciais. Se antes dormia-se quando se tinha sono. o carvão. com as chaves antigas de leitura. a eletricidade etc. comia-se quando se tinha fome.7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. Como tenho dito. desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. Um novo tempo com novo ritmo começava. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo.. Estávamos na "era da incerteza' '. A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia. instalando-se definitivamente o tempo da máquina. A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. à entropia". . Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza".. Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. ou se despertava quando o sono acabava. tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton. e a coisa vai assim até que morremos e. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade). Isto vem até dentro do presente século. de um "universo de situações probabilisticas". Duas Cidades. para se poder levantar cedo. Com a crescente urbanização do Ocidente. agora.. tenha-se ou não fome.

demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância . é perder um pouco da própria identidade. Era positiva a tal contestação. em termos genéticos. Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia. quando a contestação se transformou em ruptura. Ora. Mas a pretensão é.esta mesma humanidade está atrofiada. preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. Diante disso. A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente. em si. tinha apenas na base um impulso salutar. em um processo normal e salutar de crescimento psicológico. O século XVIII. menos que responder completamente a tais indagações. a princípio. é se tornar uma atividade febril e sem história. à medida em que quis romper com a reflexão filosófica. provoca. mas romper com ela é se perder das origens mais reais. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. mas em tennos espirituais . isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos. E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. a vontade (WoIlen). da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que. E só se tornou negativa. e muito. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. Assim foi que a ciência. há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. perdeu. enfim. Assim como. maravilhosa.muito pior em um brevíssimo ensaio como este. são questões grandes demais. Como se pode ver. Com pouco que se contribua neste campo será muito.e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento. a consciência de si. a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. sem que a outra perna crescesse também. principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. um ledo engano. Tentemos algo. na vida do homem. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos. 2. conseguiu. Negar a mãe é necessário. o que é uma falácia. compete perguntar se tudo está perdido. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). De uma certa maneira. chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . em um desastre mesmo. pelo menos em campo material. a visão fragmentária de um mundo mecânico . uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. em apenas quatro séculos de experimentalismo. Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível. visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos. a atividade científica toda emergiu.

A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem. na qual. da forma mais assustadora. pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. E. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica. o dr. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. Paulo. se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica. analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor. de uma tal forma que. mais do que interdependência." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós. enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa . creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. O médico e pensador Albert Schweitzer. em um momento de explosão bendita. a verdade de um sistema interdependente. para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos. crendo que a história faz inteiramente a consciência. Editora Melhoramentos. na recuperação de uma . as coisas se compensam. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. Mas não o sou. como visão de vida. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa. para não enlouquecer.em termos de desequilíbrio climático . Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. e esta de ordem psicológica. transformou-se num esporte contemporâneo. Ora. como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço .meticulosamente articulado. há mais uma grave questão. e enlouquecer-me-ão. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. 1959). S. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. trata-se da facilidade com que expor a vida. propõe. Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar. em suas palavras. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte. da escola etc. Creio que o homem é "ele e sua circunstância".de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. visão de mundo ou concepção de mundo. Todavia. Chemobyl acaba de mostrar-nos. se isto é verdade. com certo prazer autodestrutivo. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo. aí. Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver. Ao que me parece.sendo que. da igreja. precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. À Weltanschauung. tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo. Num sentido sócio-cultural. Zargwill. escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro. estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais.

trata-se de que cada um.. e muitos mais feitos da ciência. que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. isto só se dá porque cada ramículo. as boas e as más. fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres. unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro. Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência." Hoje temos muito. com maior maturidade. Isto porque. cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento. temos energia nuclear. Seu objetivo é convocar o estudante a participar.. O fundamental é. como também da sanidade da ciência. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. Conchindo. não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade. no seu íntimo. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis. mas não foram tentadas todos . segundo. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. dentro da escola. uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). .0] 92 93 mundo. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu . temos infonnática computacional. o estudante deve estudar primeiro como aprender. para cruzarmos os braços em hora tão delicada." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa. havendo amor. Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico.o que nos faz ver razão de esperança.visão de vida (Lebensanschauung). O mesmo dr. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão. tomando-se. do próprio processo de educação. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. No século XIX.1 Ii Í'. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades. portanto. Não se trata. e. Albert Schweitzer dizia que. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto. quando na primavera os campos reverdecem. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. no entanto.

tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos.. trabalho cooperativo. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. pelo acúmulo de infounações. uma situação desejada. pela "forçosidade" de especialização profissional. rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente. dinâmica de grupo. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa. ação extensionista escola-comunidade. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. De alguns anos para cá. Doutorando em Educação (Unicamp). desmoronando fronteiras. feita nas salas de aula. Antigamente. substituindo valores. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada. Extensõo ou comunicaçdo?. P. Jornais e revistas. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. com reflexos na prática didático-pedagógica. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. necessária e esperada. para manifestar ou preceder. Por causa da célere geração e substituição de informações. e portanto da intenção. 07 de leitura da realidade. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade. . inclusive semanticamente. mas sim o de proporcionar. Se surgem novas palavras. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador. Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí.. pela linguagem. 1.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar.. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. 53. a educação sistemática. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. Hoje. mais do que o professor ou qualquer livro didático. isto é.. Professor de Filosofia da Puccamp. através da relação dialógica educador-educando. FREIRE. Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. Mas. no nível da comunicação. em saltos qualitativos. Dessa maneira. significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia. que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro.Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente. a organização de um pensamento correto em ambos. de urna nova dinâmica educacional. interdisciplinaridade. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . mas para representar. p. extinguindo mesmo funções. pelo aumento da demanda escolar. educandoeducador. uma realidade emergente. as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP). sobretudo. de ordem técnica ou não. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância.

percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço.. em desvantagem. p. 54. intuitivamente ou não. genericamente. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. A pessoa agirá por etapas. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. fazendo perguntas para obter resposta. em direção ao seu objetivo ordinário. com os veículos de comunicação modernos. Consultar livros e revistas. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. como sinônimo de busca. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. seres humanos. Um desafio que envolve professor e aluno. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade. atrvés do emprego de processos científicos. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. 2. P. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. são formas de pesqulsa. para uma incorporação rica de informações. làis métodos (do grego: meta = para. de indagação. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. examinar documentos. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. num sentido amplo. a não ser que seja insensata. nenhum pensador. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. 3. Para não . que é perda de tempo e de energia. do próximo ao distante. no domínio desse conhecimento. M. engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. Certamente. de bairro em bairro. desafiado. FREIRE. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno. 98 O termo pesquisa é aplicado aqui.Portanto. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. de investigação. Qu 'appelle-t-on penser. conversar com pessoas. O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. cit. do simples ao mais complexo." Assim. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. com risco de o professor querer competir. A pesquisa bibliografica Pesquisar. A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender"." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual. HEIDEGGER. como nenhum cientista. Dentro dessa perspectiva educacional. Mas o que professor e aluno. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. 89. Neste sentido lato. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar. op. a fim de que. p. 1. pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo.

vagamente na cabeça. Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico. após várias tentativas. Um objeto de estudo bem pode ser: .uma hipótese-problema para pesquisa científica.o conteúdo programado de uma aula. localização dessas fontes. "caminhos para" se obter a informação desejada. uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna. . caminhando a esmo. grafia = descrição. . a consulta de indivíduos abalizados ou não. Neste caso. . que poderia ser considerado um expert no assunto. Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando. .a obra científica ou literária de um autor. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. um carteiro. . defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes. . Assim.o assunto para urna matéria jornalística. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. sem mais nenhum dado que forneça pistas. A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro. o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras. e compilação das informações (documentação). por exemplo. A leitura das tabuletas com o nome de rua. . o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. . é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa.urna doutrina ou um sistema de idéias. Diante das respostas negativas dos transeuntes. aleatoriamente. por si só. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. Do ponto de vista prático. lendo todas as tabuletas indicativas da cidade.o título de uma conferência ou simpósio. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. isto é.uma tese para um trabalho monográfico. a pessoa solicita. Têm. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua.os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. ao primeiro indivíduo que passa. . Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA.o texto básico para um seminário. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte.um tópico especffico do programa. propriamente dita. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. o exame de mapa ou lista telefônica são métodos. . um motorista de táxi ou. Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar.passar ridículo. um jornaleiro. um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor. eventuafruente.

que concorre também para aumentar a velocidade de . cadernos de séries já cursadas. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. quando o campo de interesse já estiver bem-definido. De início. a formação geral e a formação específica dentro da escola. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor. uma HISTÓRIA. Um bom dicionário comum da língua materna e.O professor. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. Anotações de aula. O dicionário não é o" pai-dos-burros". percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. como diz o senso comum. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. No caso do estudante. fichamentos de livros. teses e monografias mais específicas. ao matricular-se em urna escola superior. Nas séries finais. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos. mas o " companheirodos-sábios". como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente. sínteses de artigos udos e analisados. do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente. se possível. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. um TRATADO. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo. 1 101 Não obstante. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. dos principais tópicos. A partir da definição clara do objeto de estudo. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. em um caderno pessoal. Se esse material estiver guardado ordenadamente. A organização de todo esse material didático. Um estudante. respectivarnente. Neste período. para bem orientar. Além do enriquecimento do vocabulário. Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. que apresente uma visão geral desse campo. procurar adquirir livros. provas corrigidas.

Assim.leitura. através de uma exploração inicial. Para economizar tempo na localização dessas outras obras. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido. às particulares ou às públicas. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. segundo as grandes . no caso de urgência para completar o estudo. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. De outro modo. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. De posse dessa bibliografia básica. programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. isto é. não encontrada nas primeiras. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. um dicionário da língua e outro especializado. Além das bibliotecas escolares e universitárias. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. um TRATADO. direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. No que se refere à bibliografia da disciplina. a médio ou longo prazo. o aluno poderá. com acesso direto às estantes. principalmente as de nível superior. por exemplo. Sendo o sistema de consulta "self-service". dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. uma HISTÓRIA. 102 A relação de livros e textos básicos. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. danos e perdas de livros. ler os sumários e orelhas. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra. mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. em que são escassas as verbas para educação. o aluno. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. o estudante poderá manusear vários livros. ganhando tempo e segurança. Nem isso é possível na atual politica educacional. a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. Muitas escolas. para enriquecer a sua biblioteca profissional. uma INTRODUÇÃO. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos.

142-7 MERLEAU-PONTY. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas. 1971. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. M564f Fenomenologia da Percepção.. Maurice (1908-1961). De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. Publicações CID ..áreas do saber: Filosofia. Comunicação. Sociologia. Petrópolis. B992i a linguagem.v. A Biblioteca possui 3 exemplares. fornecido pelo Catálogo de Assunto. 1978. Rio de Janeiro. O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático. classificados alfabeticamente por sobrenome. 21 cm. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. Freitas Bastos. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. com as fichas de obras e autores que versam a respeito. Psicologia. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. em ordem alfabética. Teologia. e as respectivas obras. 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor. Contudo. 7 edição. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras. Vozes. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas. segundo a classificação do Catálogo de Assunto. 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo. Matemática. 3 ed. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. Arcangelo R.Filosofia . Educação. Tem-se assim. busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. 100 Introdução ao pensar: o ser. 22cm. o conhecer. 465 p. Artes etc. Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor. 206 p. também denominado Ideográfico. 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. flmdamentalmente. Recorre ao Catálogo de Assunto. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto.

o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia . 100 . trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado.Ciências Sociais 400 . 6 Casa editora. 7 Data de publicação. 9 Dimensão do livro.Filosofia 200 . 3 Título da obra. 10 Páginas com indicação bibliográfica.Ciências Aplicadas 700 .Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões.A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra).8. outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica . Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA. quanto mais algarismos tiver a classificação numérica. Por outro lado. Saúde Pública 614. Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY.0944. Democracia . Exemplo: .540.Belas Artes 800 . A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY. 5 Local de publicação. Nesse sistema. Resumindo-se.Religião 300 . A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar. tem-se que. 8 Número de páginas.100. Geografia e História 000 .Literatura 900 . quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto.321. 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra. Por exemplo. . 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). funcionário de uma biblioteca americana.. é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto. 4 Número de edição.Biografia. É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja. O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal. seu número de classificação será geral. 2 Sobrenome e prenome do autor. uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338. Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto. Por exemplo. que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico. 11 Número de exemplares da Biblioteca. um livro que contenha urna parte de Química Analitica. idealizou e publicou em 1876.Ciências Puras 600 .Filologia e Lingüística 500 ..

o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1). 198 p. Filosofia.15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. 2' edição. Filosofia. 121. .1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611.Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 . Essência. ::::as::1ms. 123 Liberdade.13 Artérias 611..14 Veias 611. Joel Justino Batista 107 S487i . .Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia. Conhecimento. 112 Saber. à da experiência do corpo no mundo. 8 Valor. Filosofia.Sã da Costa. 22cm. Epistemologia.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611. Metafísica. -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. outro referente a um terna da área de Ciências Exatas. Lisboa. c) é um tema de Filosofia Crítica.o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático. divisão 140 (ficha 2). tem-se que: . um referente a um tema da área de Ciências Humanas. d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade. 128 Homem. Conhecimento. 1970. 6 3 2 45 SERRÃO.Iniciação ao filosofar. Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia. .

Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes.535. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura. Luz . ficaria muito difidil encontrar.535 Física . O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. só pelo título. Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. raramente têm Catálogo de Títulos. é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa.Propagação . Como mera ilustração. as revistas especializadas e os catálogos de editora. . Meditações é título de duas obras homônimas. embora pareça obra de Genética da área de Biologia.5 do Catálogo Sistemático (ficha 3).o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. divisão 142. divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1). isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. as seguintes obras: A reprodução. ou mesmo universitárias. Para localizar um livro na estante.. divisão 535. divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes. de Física. . é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron. Apocal4oticos e integrados.o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático. 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes. Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. . Meditações.530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático.7.o item b remete à seção Ótica Física. tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. que parece um tratado de Teologia. Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar. divisão 142 (ficha 3). b) é um tema abordado pela Ótica Física. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático. c) é um tema relacionado com a propagação da luz.5 Ótica Física . Portanto.o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático. Finalmente. O dorso do tigre também não é da área de Zoologia. A reprodução. Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: . O dorso do tigre.o item a remete à classe de Física. mais específica (ficha 4). Apocalípticos e integrados. caso o aluno tenha acesso direto. há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais. é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor. . Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático.

o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada. Ambietie.?Senhor. 5. no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras. Medicina. 2. Ciente disso. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência. Para tanto. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados. Antonio Joaquim Severino. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar. . aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. da assistência às aulas. 4. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização. seções. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. deve procurar as revistas especializadas. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. Direito. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. documentação bibliográfica e documentação temática. Saúde. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. Após a identificação e a localização das fontes. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. redigidos e assinados por especialistas. via postal.Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. Publicidade e outros. nos jornais de sua cidade e região. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. quando houver. na prática. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. Economia. encanes. da participação em conferências e seminários. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). Veja e Visõo. As mais conhecidas são Isto É. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. remetendo endereço e dados pessoais.

Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. Do mesmo modo que colecionamos livros. autor. 72. material instrucional de aula etc. como recortes de jornais. op. p. tudo o que cai nas mãos. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. prospectos de conferências. folhetos e catálogos das editoras. de várias folhas. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação. titulo do artigo. artigos de revistas. 6. sem critério. X e XI.citados anteriormente -. apostilas. classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. ruas apenas de modo técnico. depois de colados em folha sulfite. com relação alfabética ou numérica dos textos. ci:. Não é o caso também de armazenar. nome do jornal ou revista. Documentos menores. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. as infomiações dos textos armazenados. ficam melhor acondicionados. de modo que ajude a identificação quando necessário. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos. cap. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. encabeçados também por um índice remissivo. roteiros de seminários. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem. desse modo. desenvolvida como forma de estudo. gráficos estatísticos. SEVERINO. Vide l-leloísa de Almeida PRADO. É evidente que essa atividade. data. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. nesses arquivos. textos fotocopiados. o estudo . em ordem cronológica. documentos inéditos.A vantagem dessa atividade. Assim. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. Uma página de frente. de poucas folhas. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais. A biblioteca do aluno é. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. para facilitar utilização posterior. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. o conjunto básico dos livros . não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente. mapas. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. Isto é. em qualquer tempo. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. em pastas ou fichários simples. J. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa. Na montagem dessas folhas. IX. Organize sua biblioteca. 7.. estampas e ilustrações. A.tais como: trabalhos didáticos.

encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. as anotações de idéias pessoais. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. o aluno consegue identificar os pressupostos. É uru requisito necessário ao . o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão. próprias para fichários-padráo. indicando entre parênteses a página do documento. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. embora esteja investigando um saber já elaborado. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. o estudante deve anotar também suas idéias. 3. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa. Entretanto. a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023. é prudente estabelecer um código simples para identificar. Para tanto. As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. No Brasil. resumos. à venda em papelarias. recensões e teses. posteriormente. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse.5 x 15. registrar simplesmente sem código. isto é. não menos essenciais. isto é. que forem surgindo durante a leitura. de quem é a autoria do texto anotado.5 cm. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. O estudante que empreende tal estudo. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. críticas. Em agosto de 1989. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Finalmente. escolher um outro código para identificá-las. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas. Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. os argumentos. Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura. problematizações. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. quando for consultar. Do ponto de vista gnoseológico. Para ilustrar isso. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. artigos. na forma de documentação. não se comporta como um mero repetidor. é colocar essas citações entre aspas. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. É conveniente que o aluno faça comentários.

consultar: ZANAGA. .. editora. 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. Para referenciação de livros e textos acadêmicos. deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques). Aqui o A.subtítulo (depois de dois pontos. Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. trata da organização da vida de estudos. exceto nomes próprios). SEVER1NO. A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap. dois pontos. opcional. e o . .prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula). 21). Segundo o A. 32 Da segunda linha em diante. . Campinas: Puccamp/Fabi. Textos didáticos n.titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico. 1. O aprofundamento do estudo científico pressupõe. Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. 1992. A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA.. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p. Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo. trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. congressos. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto. data de publicação). O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap. outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap. ainda.tradução (se houver). letras minúsculas). . vfrgula. No l cap. O autor apresenta normas práticas para o estudo.irnprenta (local de publicação. Para referências específicas de fontes peculiares (teses. Para maiores infonnações técnicas. são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário. boletins. textos avulsos ou outros). A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986. o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo. (continuação) No 42 cap. Cortez Ed. que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . 9. b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica.).edição (quando mencionada ria obra). de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. . 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação. 1980.aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento.sobrenome do autor (letras maiúsculas).). c) encabeçando resumos ou recensões. São Paulo. Mariangela Pisoni.notas complementares e especiais (opcional). . sem grifo. O Cap. visando torná-lo organizado. . 21).

consecutivamente. feita pelo próprio autor. ii.fia (que aborda um único tema). em ordem crescente. Tradução por Ivo Stomiolo. 1. título ou o idioma original (Tradução de . OBRA COLETIVA registrando. Contraponto. Alberto e SOUZA FILHO. 2! cd.cap. os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. 1982. rev. Rabindranath. nas 9. = ilustrado rev. (expressão latina) = e outros 3. ediçâo. por um travessão. ii. ago. Folha da Tarde. 10.) na seqiência do título e. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. em nota especial no final. As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento. se o estudante não aprender e compreender Delta. ed. volume (tomo) p. Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. at. IX. resumos de textos e resenhas (pp. at. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. e MARTINS. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA. 1982. 1968.. Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido. LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. 5 ed. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. trabalhos didóticos. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor. 4683. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista.. São Paulo: Exemplos: Paulinas. Campinas: Instituto de Filosofia. 114 11ç 8.diário. sistemática (J)or assunto) ou cronológica. (*) O A. João Francisco Regis de. São Paulo: Francisco Alves. Maria Helena.. v. 14. Este desafio . Danilo M. mar. quando mencionado. Muniz e FERRARI. 16 jan. p.. (Coleção vida e meditação). (exceto maio). fundamentais no contexto da vida universitária. exemplos: jan. Tradução do bengali para o inglês. opcionalmente. = pagina n. p. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er. 1980. 1991. 6 Quando se tratar de obra traduzida. VII.nonogra. meios de informação. São Paulo. Rio de Janeiro. jun. A colheita. Campinas: Papirus. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. distingue os tipos de trabalho: . v. (Tradução por . LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. pode-se indicar Jornal do Brasil.). Puccamp. 143-144). 1989 . mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. 9Op. 1988. revisto e atualizado 2. ei ai. Campinas: Papirus. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. = mímem (fascículo) SODRÉ.

(Coleção didática. C. 2! ed. Paulo. São Paulo: McGraw-Hill. e BERVIAN. Paris: PUF. A. Veja. (Boletim n 306). CERVO. OLIVEIRA LIMA. 1973. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. GONÇALVES. Mutações em educação segundo McLuhan. J. M. Campinas: Papirus. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . A. Santander: Editorial Sal Terras. Antônio Cândido. 1992. 19 dez. 2 cd. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. 5-6. 1990. 2 cd. Maria Duma de Oliveira et ai. v. P. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação. 6. Josephina. DOMINGUES DE CASTRO. HILLAL. 6 ed. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira. amp.pp. Michel. Margaret. 116 DIAS. L. João Àlvaro. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1973. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. Catalogação e clossflcação de livros. 7. São Paulo: Atlas. Elementos de catalogação. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. MICELI. 55 e 14 cd. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. Antonio Joaquim. 48-54. Folha de S. MANN. Metodologia dei trabajo cient(fico. L. Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. LAKATOS.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. M. Metodologia cient(fica. 25. Amélia Americano F. 1984. 1971.n. Mania. 1971. 1985. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. Petrópolis: Vozes. Paulo. Armando. Heloísa de Almeida. 1980. Lauro de. HEIDEGGER. ASTI VERA. Organize sua biblioteca. Análise do discurso de Maiakovski. M. SEVERINO. e MARCONI. pp. Comunicação e cotidiano. e BARBOSA. 1962. pp. São Paulo: Polígono. FREIRE. 45 ed. Os homens e suas pontes. Tradução por Washington José de Almeida Moura. PRADO. 1967. 1978. Qu 'appelle-t-on penser. 1. 1. rev. Resgate. v. 24jun. 1979. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. T. 1983. Folhetim. 1973. Metodologia da pesquisa-ação. assunto do próximo capítulo. 1969. Metodologia da investigação cient(fica. Paulo. 1974. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. IV. 1977. São Paulo: AbrilCultural. 1985. Haroldo. São Paulo. RUIZ. São Paulo: Paulinas. 57-76. E. ERBOLATO. 1. MORAL. Gonzales Ireneo S. 1955. São Paulo: Cortez e Autores Associados. por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães. A. Tradução CAMPOS. Metodologia do trabalho cientifico. Porto Alegre: Globo. 1). v. São Paulo: Cortez e Autores Associados. (Edição interna). THIOLLENT.

são imprimidos pela marca da historicidade.O texto é obra humana. querna flexibilidade e no poder comunicativos. esculturas." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas. foram definindo caminhos. é a expressão do viver. acabado. Enquanto produto das suas relações com o mundo. e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. Esclarece. que vive a experiência no mundo com os homens. ". os problemas. absoluto. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. cientistas. 3. da literatura.. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos. tem a marca humana.. poesia. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo. como se ele fosse um objeto pronto. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens... levanta outras questões. Mas não se pode esquecer: o que ilumina. O texto "é uma voz . artigos de revistas e jornais etc. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. obscurece. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . definitivo. outras perguntas. não é um objeto. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. acabado. televisão. políticas. A sistematização.linguagem. é ao mesmo tempo produtor. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História. do saber. também "faz" sombras.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. não é algo pronto. obscurece o mundo e. nenhum ultrapassa a linguagem. literatura. filmes. O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada . Professora de Filosofia da Puccamp. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza. É através dela que expressa a sua vida. e mesmo de outras expressões do conhecimento. 2. metódicos. O texto iluniina e esconde. livros científicos e filosóficos. Como toda obra humana. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. à medida que são sistematizados.. com os homens e com a própria produção do saber. É carregado de significações. O texto. a obra. autores dos textos. Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes. querna importância geral que desempenha. pinturas. participar é o produto colocado no mundo. organizados. portanto. O autor do texto é o homem historicamente situado. experienciar.. produto humano. sempre guarda um sentido subjacente. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens.. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep." 2 fraduzem as angústias.. que transforma o mundo colocando algo de si.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem). ideológicas e culturais. Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. a ser assimilado pelo leitor. É um eterno fazer-se. das obras. etc.

Sugerese a demarcação dos conceitos.De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura. o objetivo do estudo do mesmo. PALMER. pp.. 1bidem p. pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. 18. op. ao se dirigir ao texto. enciclopédias. Hermenêutica. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. O leitor. manuais.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. a consulta aos dicionários. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos. uma voz do passado à qual temos. FREIRE. P. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1.humana. verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada." Neste sentido. . 4. "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam. Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. distanciam o leitor da obra. Compreender. de certo modo.. 111 da obra de A. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão. 112-135. a compreensão dos significados nele implícitos. 5. É somente neste encontro histórico. que dar vida. SEVERINO. B . dos conceitos apresentados pelo autor. 22. para a explicitação. PALMER. pp. R. dos autores citados e. das doutrinas desconhecidas. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap. o seu mundo. os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto. após a leitura. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade. exige o "ouvir" a sua palavra. A leitura de um texto pressupõe objetivos. Metodologia do trabalho cient(fico. 3. p. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. 120 C . é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. 20-21. sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. intencionalidade. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor. em primeiro lugar. É imprescindível ter claro as questões. 9-12. J. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. interpretar. pp. onde experiências diferentes se defrontam.. É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. R. 2. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. o seu autor. que é possível a compreensão e interpretação de textos. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. cit. Considerações em tomo do ato de estudar.Em seguida.

é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. de outros pontos de vista. rigor. na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. ideológicos. a partir de "sua leitura" do mundo. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. É o momento mais importante do estudo. F . as idéias que confirmam a tese. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. para depois dedicar atenção às partes do texto. descobrindo os pressupostos (históricos. 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. seguindo. 32) Diante do problema levantado. é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal.D . os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. epistemológicos) neles presentes. o estudo de textos teóricos exige disciplina. a partir do questionamento. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. de seus questionamentos a partir de suas experiências. a ordem lógica de exposição das mesmas. que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado. as suas angústias.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. Nesta perspectiva. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. captando antes o todo. exige como condição prévia este "ouvir" o autor. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto. 5. na perspectiva aqui desenvolvida. E .O estudo de textos.A partir deste trabalho é possível expressar. de outras abordagens. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo. mediatizados pela obra. seriedade. apresenta uma resposta. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor. na interpretação. mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana. o seu ponto de vista. problematiza o seu mundo. de desenvolver a "sua leitura" do texto. para isso. qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. a posição do autor diante do problema levantado. Nesta etapa. Não pretendem . pois trata-se de "ir além" do texto. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos. de suas preocupações. confrontando-os com outras posições. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor.

possibilitando. demonstram a posição assumida pelo autor. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. no seu conjunto. desenvolve e conclui o texto. São as "palavras-chave". 7.6. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. iniciantes na vida acadêmica. Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. entre outros. Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. no desdobramento da argumentação. c) Conclusão (últimos parágrafos) . . Os textos. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura. 83-102. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio. sendo assim.onde o autor apresenta o assunto. maior interesse por parte do leitor. Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. b) Desenvolvimento . 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? .nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes. que. 83-117. na apresentação de idéias ou conceitos que. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) . BARBOSA e Emilia AMARAL. III. Como fazer uma monografia.Deve-se grifar estas palavras. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor. o excelente trabalho de Severino Antonio M. Escrever édes. assim. via de regra. Sobre redação e dissertação consultar. 5. a "visão do todo" do texto.neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica. no seu conjunto. Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos.vendar o mundo. elabora-se o Esquema destas idéias. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D. Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: . IV. no momento da interpretação do texto. 8. pp. C. Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap.1. normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes. Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. elementos de metodologia do trabalho cientifico. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez. SALOMON. Como atividade acadêmica. pp.

e na Conclusão a própria conclusão do autor. com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução. os argumentos. desta forma. a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto. IV. é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação. A seguir. Deve-se elaborar uma redação resumida. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1. texto. tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central. elaboração de resenhas. Sobre a documentação verificar o cap. 9. Quanto aos comentários pessoais. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados. 10. 11. analisar a importância do texto. congressos etc. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor.1. problema e posição do autor. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. deve-se identificar autor. Inicialmente. O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. simpósios. 1.O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto.2. 5. Informações gerais sobre o texto. no Desenvolvimento. como atividade acadêmica.2. Desenvolvimento e Conclusão). a sua posição frente às questões desenvolvidas. Pressupõe. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos.). É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor". e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade. para publicação ou divulgação. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão).2. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. posição do autor e argumentos). num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5. ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. problema.4.2. Na Introdução apresentam-se o assunto. época em que o texto foi redigido. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta. 125 5. . a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap.3. 5. deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura.

• para relatórios e teses.Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. 2. não apresentando dados qualitativos ou quantitativos. até 100 (cem) palavras. deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto. Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. publicação de indexação e análise etc. metodologia.Na crítica.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral. identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. . Resumo crítico . 4. assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central. monografias.documentação de dados bibliográficos. Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo . . A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves.Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto. Uma resenha deve ser sintética. estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas. 3. bem como à seqüência lógica e organização do texto. também denominado recensõo ou resenha. até 500 (quinhentas) palavras. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras. É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor. Bibliografia . aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas. Expõe finalidades. Como a ABNT . Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos.Associação Brasileira de Normas Técnicas . O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar. Comentários sobre a idéia central do texto. atualização de gráficos e tabelas.documentação secundária: projetos e catálogos de editoras. Comentários pessoais e críticas. de livrarias. . .Combinação dos anteriores. atualização da bibliografia utilizada pelo autor. a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB . relatórios. Comentários sobre o plano de assunto do texto. à revisão textual. atas de congresso etc.Indica apenas os pontos principais do texto. principalmente como tarefa acadêmica. A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". teses. • para monografias e artigos. resultados e conclusões. com a utilização de terminologia específica.documentação primária espec(flca: artigos. É utilizado para: . mas de uso corrente em alguns setores da Universidade.88/86.

A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: . . SALOMON. A. Hermenêutica. mas também a formas de convivência e produção cooperativa. Metodologia do trabalho cientifico.. 1985.um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo. mantendo a unidade do grupo. Antonio Severino M. 12! cd. 1978. organizando suas atividades. 35 cd. a existência do grupo depende de alguns fatores: .. 2 cd.. Para realizar o processo de conhecimento. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita.relator: em geral.a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. É também chamado de facilitador. Ri: Paz e Terra. . as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos. porque. 1n Escrever é desvendar o mundo. o estudo de um texto ou de um problema. Mesmo que se forme espontanearnente. permite um melhor resultado. 1-'o 129 . FREIRE. Lisboa: Edições 70. São Paulo: Cortez Edit. Emilia.e também de outras formas de conhecimento . ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). Como fazer uma monografia. Considerações em tomo do ato de estudar. A dissertação e o pensamento lógico. 1986. elementos de metodologia do trabalho científico. P. Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 1987. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis. . PALMER. J. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba. Belo Horizonte: Interlivros.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto. 1973. um debate.coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer. Autores Associados. Professor de Filosofia da Puccamp. Campinas-SP: Papirus. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. R. Neste sentido. . C. tal como uma pesquisa.BARBOSA.o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. D. entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade. e AMARAL. SEVERINO.é que ela se constrói de uma forma coletiva.

A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades. por ser uma forma bastante prática. mas nem sempre conveniente. seja numa sala de aula. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos. Contudo. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises. entrosamento de todos e rapidez. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. . apresentam suas posições e análises acerca de um tema. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. parceiros lado a lado). procurando chegar a um resultado comum. complementares ou divergentes. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. 3. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. Aplica çõo: Sondagem de opinião. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. as mais adequadas aos cfrculos universitários. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. ao que nos parece. Havendo necessidade. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. bem como promover o entrosamento entre eles. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. no entanto. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário. 1. 2. Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás). ex. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade.. em número conveniente. em seguida. que o relator apresenta. o que permite avaliar o trabalho de todos. coordenados por um mediador. Neste sentido. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo. bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. e. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. resolução de exercíciosfeed back. ou outra forma de grupo. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação.Painel de especialistas: expositores. urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos.. num auditório. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. pode-se recorrer a três tipos de painel: .avaliador: é um papel que todos devem desempenhar. a respeito de um tema. Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p.

o que amplia os horizontes da discussão. advogados. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta. Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados. É bastante utilizado nos congressos. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados. . ainda que demande pesquisa. por exigir longo e cuidadoso trabalho. poderá ser necessária a presença de um coordenador. que recolherá. mas por outro critério. em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. evitando assim apresentar ao debate repetições.mdidade. 4. Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos. ou duas pequenas equipes de especialistas. a exposição de um especialista. inclusive realizando pesquisas. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos. Em sala de aula. é bom exercício de reflexão. Em seguida. como no Philips 66. 130 . já nos subgrupos. questões fora do assunto ou irrelevantes. Em qualquer um destes procedimentos. em termos de tempo e qualidade. as melhores perguntas. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. de um lado. Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção.Painel de exposição: dois especialistas. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos.. De outro lado.. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). no qual os alunos. Se for grande o número de subgrupos. para discutir e redigir documentos e conclusões. sindicalistas. para selecionar. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto.). podendo ser combinados entre si. Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes. perdendo tempo e qualidade. permitindo abrirem-se os debates. quando usada em sala de aula. que vão estudá-los empmfi. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes.. após as exposições. convidados. A validade da técnica. Nisto difere do debate aberto. mas por áreas profissionais ou de interesse. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. Observe-se que. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. 5. o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor.

para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos.. Isso implica. . ou pequeno grupo (seminarista).Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. e. Contudo. expor as principais idéias do texto. em laboratório.) e na problematização do texto. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor. Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido. . 7. é recomendável a técnica do simpósio. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo. O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir. por outro lado. 6. submetendo. além de informações sobre o texto. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. real ou fictícia. orientado pelo professor. e conclusões obtidas. algumas idéias secundárias. algumas informações complementares e bibliográficas. portanto. Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição. sob orientação do professor ou de um especialista. escolhido pelo seminarista. A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos.: texto-roteiro. que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. mas puderem discutir o tema. orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro. para exercício coletivo de análise. mas é o conjunto de aspectos de um tema. de um lado. Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos.Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão. primeiramente. Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. para isso. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. de campo. conjunto de textos. Em seguida.. que todos devem estudar os textos antecipadamente. Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. A função do seminarista na apresentação é. dificuldades teóricas. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. ex. o trabalho individual à crítica do grupo. sua estrutura lógica. Procedimento: . suas lacunas. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. pondo em comum esclarecimentos. bem como um roteiro de discussão. suas premissas. que.

motivação de alunos. conseqüentemente. análise de situação relevante ocorrida. mas também às linguagens não-verbais. como resposta às suas expectativas. às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. orador discursando). 1. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal. da reflexão e da crítica. a forma de aplicação e. observação in toco etc. posturas e atitudes para com o outro. Objetivo: Em geral. Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. emoções transmitidas etc. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento). exercício de aplicação de conhecimentos. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando. 8. cap. através do debate. POZZEBON. deste modo. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. 1. dramatização. Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. os objetivos específicos. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. III. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. congressos. O papel do professor é o de coordenar a atividade. os critérios de avaliação da técnica. valores envolvidos. mas que se responda. encontros. Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas. relato. pós-graduação. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. de fato. médico atendendo paciente. É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. 17 REALIZAÇÃO . solução dos problemas propostos.Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. entre outros usos. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação. * Mestre em Filosofia Social. O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. envolvidas no relacionamento interpessoal. É o grande grupo que determina.

• Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto. manuais especializados. enciclopédias. . apresentada ao fmal do texto-roteiro.ETAPA 1. • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados. dicionários especializados. • o grupo deve elaborar questões. indicação.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico .esquema do texto . pelo professor. de textos complementares. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário. • Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. da mesma forma que o texto básico. quando necessários. • Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto. • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas. Preparação dos textos complementares. • Quando necessário. de acordo com as orientações da leitura analítica. recursos 1 dicionário de língua portuguesa.1.contextuação do autor . b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. para debate em classe. de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas). 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário. para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido. ETAPA II . SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação. a fim de facilitar o trabalho dos participantes. para se familiarizarem com a técnica.esclarecimento de conceitos . b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto.

1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo. para podermos aprofundar o estudo. Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico. 3. que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. inclusive avaliação. 2. é permitida a intervenção de qualquer participante. Quando realizamos um seminário de texto de um autor. IV. 2 Momento . as mais relevantes e polémicas. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. ao confronto de posições divergentes. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem. apontando pontos divergentes. 2. • Para finalizar. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo. encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. à crítica. geralmente levantamos poucas questões. cap.Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. Seminário de ternas . levando a novas indagações sobre o assunto do texto. como forma de "provocar" mais discussões. para incrementar o debate. Aristóteles. .c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. pois é o momento que leva à reflexão. despertando a curiosidade dos participantes.através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos. esclarecendo dúvidas. • O grupo elege um relator. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. por exemplo. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo.3 1° Momento . conforme os objetivos deste tipo de Seminário. • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. • O grupo responsável procura estimular o debate. Dá início ao debate. elaborando relatório.

pinturas etc. tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina. discussão com especialistas. Dá início ao debate.Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema . apontando as várias possibilidades de sua abordagem.Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema . O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes.textos básicos . SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária.filmes . • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina. • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto. para que todos possam ter idéia do tema que será discutido. para que o grupo não extrapole o tema proposto.Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes. • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: .Se houver um texto que oriente a organização do trabalho. depoimentos etc. assim. ETAPA 1 . b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência.Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes. deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. ETAPA II. inclusive avaliação. 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto. apresentar esquema.vídeos . ou outra. perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar.textos complementares . desenhos.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido.depoimentos de especialistas .outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais. nos moldes do seminário de texto . . . • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário. que podem inclusive sugerir os temas.Breve apresentação do tema a ser discutido . .painéis com fotos.

Campinas: Papirus. P. . (org. M.se foram parcialmente alcançados . 143 c) Quanto ao texto-roteiro: .Construindo o saber.ou mais participante para uma avaliação d Seminário. grupo responsável.se foram alcançados .se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários. como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe. Cecilia M. o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las. 1983. quando não há o envolvimento dos participantes.3. • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate.. demais participantes (classe). e BERVIAN. A. L.Metodologia cient(fica.se foi elaborado de forma clara e objetiva .se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um .) . assim que se encen-arem as atividades. . b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo. 3' ed. A. SP: McGraw Hill do Brasil. 2' ei. Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor. 1991. Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: . 144 Bibliografia CARVALHO. ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação. CERVO.

Leda Miranda (org. a sistematização. 1984. desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. mimeo. Joaquim . estas síndromes e resistências expressam. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados.) Metodologia cientijica . A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos.. 12' ed. devem constituir nossos objetivos. a disciplina intelectual.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa. i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando. vai sistematizar o resultado das leituras. o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. a "síndrome da monografia" . observações. em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração. A. * Mestre em Filosofia Social. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. SP: Cortez Edit. Ri: Agir. Autores Associados. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema. de normas e procedimentos metodológicos. resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos . propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber. por outro lado. SEVERINO. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". . na vida acadêmica. buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto. o procedimento lógico.HCJHNE. Instituto de Filosofia. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos. O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. de instrumentos para manipular o real. Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. críticas e reflexões feitas pelo educando. 1985. em maior ou menor grau. as falhas estruturais do processo educacional brasileiro. que não tem incentivado os educandos à reflexão. ou mesmo uma forma de resumo.Caderno de textos e técnicas. Mais do que a "posse" de técnicas. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp. dos resumos ou opiniões pessoais. 1987. sem dúvida necessários. 147 Na realidade. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos.Metodologia do trabalho cienr(fico. Puccamp.

bem como o conhecimento de qualquer tipo. 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema.. O tema escolhido deve se constituir num desafio. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. A leitura de outras monografias. pp.. na verdade. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias. 2. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. provisório. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa". Para complementação vide: Darci DUSILEK. 5. 5. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. já contém a resposta.). estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções. constitui a fase de planejamento da pesquisa. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho. filmes. 2. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. Rubem A."2 1. rigor científico e reflexão crítica. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial. nesta fase inicial da pesquisa.. 3. a que se dá o nome de hipótese. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo. e deve-se levar em consideração que. a pergunta. cap. mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. 149 Isto quer dizer que. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema. Elaboração do cronograma de trabalho. a discussão com especialistas da área. muitas revisões serão efetuadas. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. O Levantamento das hipóteses "A ciência. 2. A arte da investigaçdo criadora. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. Levantamento bibliográfico inicial.. ALVES. especialmente roteiro para delimitação do tema. Lembre-se que. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. . p. 4. Filosofia da ciência. introdução à metodologia da pesquisa. que envolve os seguintes passos: 1. bem como as suas relações com as teorias existentes. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. debates. que oriente o educando no seu trabalho. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente. 1. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa. 61-76. 85.A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina.

Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido. O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial. Apresentam geralmente resenhas de textos novos. difidilmente encontrada nos cursos de graduação. embora este contato seja inicial. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. se forutilizado o texto selecionado. Na transcrição. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa.3 3. os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. HATT. e um resumo do seu conteúdo. Métodos em pesquisa social. com a intenção de uma pré-seleção de textos. Para complementação vide: W. 5. 3. GOODE e P. 74-97. auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. 4. Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador. K. pp. seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio). No geral. Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área. 6.De certa maneira. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. feito a partir do sumário. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. complementada com outros recursos metodológicos. que também deve ser anotado. Nas revistas especializadas. porque é seletiva. A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida . relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. cap. T. No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract).4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros.

Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. Para complementaçso vide: A. (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc. pesquisa bibliográfica. 7. 4. 4. pesquisa experimental. (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo. 3. observação sistemática. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho. É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. Isso tem gerado situações dramáticas. 139-152. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' . 8. o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. 7. Queremos salientar que o método. 5. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. 6. seqüencia]. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. pesquisa documental. estudo de caso. 2. discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa. relatórios de estágio. Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa. 5. 2. 3. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. Tema ou assunto especifico da pesquisa. entrevistas.universitária requer. 3. com a busca exaustiva dos dados. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas.) 6.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. SEVERJNO. enquanto processo lógico e técnico. recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. questionários e formulários. itens e subitens com as respectivas titulações. pp. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . VII . Metodologia do trabalho cien'(flcc cap. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos.

mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa. além das fontes primárias. são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. com especialistas ou mesmo outros professores do curso. localização e compilação dos dados escritos em livros. estudos de caso e observação sistemática. os documentos propriamente ditos. 4) Entrevistas . a pesquisa bibliográfica. dependendo da técnica adotada. em termos de coleta de dados. Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. Nos trabalhos acadêmicos. utilizando-se os procedimentos no método científico. questionários.. Requer que se organize um roteiro inicial para . o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. estabelecendo suas características ou tendências. Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. 1) Denomina-se pesquisa experimental. A verificabilidade. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador.'. como dados estatísticos. a fim de descrever/comparar fatos sociais. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. bem como a quantificação dos resultados. os quais. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. por si. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). publicações de órgãos oficiais etc. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. formulários. através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. valorativos e éticos. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. antecedendo a própria pesquisa experimental. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema. tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. destacando-se a monografia.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. artigos de revistas especializadas. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos. já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. pesquisa básica. Pela sua característica. presta-se à formação acadêmica. na investigação histórica. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade.

onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos. 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande.como preencher o questionário. mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa.introdução ao tema. quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado. 5) Questionários eformulários . numa avaliação global.a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas. para evitar respostas dicotômicas (sim/não). Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa. Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade. Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista. Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador. . 1 desta parte.Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador.qual a finalidade do estudo. ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica. Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa. O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões. cap. . no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho. . para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto. Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas. Neste caso. devidamente autorizadas pelos entrevistados. Para maior segurança e fidelidade. garantir o anonimato. . a fim de que possa ser respondido num curto período. pode-se enviar pelos Correios. as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa. é indispensável uma carta de apresentação. ou ainda entrevista de grupo. relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar. ou estas não residem no local da pesquisa. O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho.se há ou não necessidade de identificação pessoal .a distribuição do tempo para cada área ou assunto. assunto da pesquisa. itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes . mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. . originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões.nos casos em que for necessário. que deve conter indicações sobre: . pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema.

ou outros dados de interesse para a pesquisa. deve-se fazer um pré-teste. faixa salarial etc. também denominada observa çõo participante. estado civil. numa situação "face a face" com o entrevistado. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. Como nas entrevistas. natural ou social. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade.como devolver o questionário preenchido. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. slides. Este registro pode ser ainda complementado com fotos. com ou sem a consciência dos observados. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. a observação sistemática é seletiva. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. informal ou assistemática. quando o observado interfere e cria situações novas. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação. idade. cultura. quanto o formulário. Para a aplicação do formulário. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. As perguntas devem ser ordenadas. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. 6) A Observa çõo Sistemática . quando os registros são feitos sem que os observados percebam. como local de trabalho. ou idealizada. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. Neste sentido. mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. "visão de mundo".. para posterior avaliação. autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas. que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. das mais simples às mais complexas. profissão. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. para se obter um registro padronizado das observações feitas. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade. porque são mais fáceis de codificar e tabular. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas. filmes. ]into o questionário. grau de escolaridade. data da aplicação). a fim de verificar as dificuldades do aplicador. por se constituírem de perguntas fechadas. padronizadas.6 . as dificuldades de entendimento das questões.

GOODE e P. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. K.. HATT. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. conversas etc. 6. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. Como conseqüência. alguns tipos de trabalhos literários. como uma análise qualitativa. conversas ou entrevistas. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática. material expressivo. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica. no caso de vários sujeitos pesquisados. op. biológico ou social. quer físico. com mínima influência do pesquisador. sob orientação do professor. tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um . pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. em si. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. 8) Relatórios de Estágio .Na vida acadêmica. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. T. em diários. Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos. 171-268. seguido de um estágio onde há maior participação. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. Para compIementaço vide: W. uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. sob a supervisão do professor. do grupo ou de um dado processo social. Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação. Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais.O estudo de caso é um meio para se coletar dados. é uma construção intelectual. registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante. cartas. pp. Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados. Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância. Em ambos os casos. preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. um trabalho monográfico. permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado.7) Estudos de Caso . o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico. O estudo de caso. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. cit. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados.

tratamento estatístico dos dados. D. O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação. ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados. Deve-se também verificar a atualização das informações. . igualdades.verifique os fatos.regularidades. caso seja necessário. 3. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho.contexto de interpretação científica. os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados. 2. classificação e organização das informações. deve-se elaborar quadros explicativos.verifique as técnicas utilizadas. Lógica y relato en irabajo social. as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas. outros pontos de vista. os relatórios de estágio podem. No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. . Na coleta de dados para urna pesquisa. . tornando claras estas diferenças. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando.verifique os pressupostos. devem constar dos anexos. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área. a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. 7. tendências ou regularidades. Neste caso. podemos ter uma visão de conjunto do trabalho. tendo em vista os objetivos do trabalho. muitas vezes. . deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas. para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho.verifique o esquema de referência teórica. Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio. vide: Tereza PORZECANSKY. significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso. . No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico. . 1çz 159 A partir desta organização dos dados.tendências.pontos de divergência. 57. introduz. pp.pontos de convergência. de outras áreas do conhecimento. cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. . ainda.73. havendo ainda oportunidade de uma complementação. seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores.procure enos lógicos. permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão. Esta etapa envolve: 1. separados por assunto ou disciplina. . pode-se arquivá-los para uso posterior.verifique os materiais ou fontes utilizados. . As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. . estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados.

vide: Murray R. apresentar a idéia geral da pesquisa. o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. Alfa-Omega. GATTI e N. A redação final. com as subdivisões que se fizerem necessárias: . Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio. com base no plano de assunto do projeto provisório.. . desenvolvimento e conclusão. Estatística bdsica para ciências humanas. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. isto é. atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. SPIEGEL. Apisentação gráfica geral do trabalho. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. 3. Estatística. B. Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho. p. McGraw-Hill do Brasil. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. .Conclusõo . Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. A. envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1. Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados.. op. a idéia central de cada parte ou capítulo.verifique a inter-relação entre a hipótese. a teoria e o esquema de análise proposto.verifique o esquema de análise. DUSILEK. sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto. 108.O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho. 1972. 9. delimitar o tema e mostrar a sua importância. definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa. FERES. introdução. em itens e subitens. 8. D. elabora-se. 1. 2. cit. muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico. a estrutura definitiva. O plano é composto de três partes distintas. 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. visa comunicar os resultados da pesquisa. cujo objetivo é só o levantamento de dados).. 1986. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho. SP. 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho. L. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. .

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

A lógica dos procedimentos. DUSILEK.A redação final. 243p. 3! ed. FEITOSA. 2. 437p. Campinas: Papirus. SP: McGraw-Hill do Brasil. Como proceder à investigação. O conhecimento científico.2 . BARRAS. R. 4. elementos de estatística. Rodrigues (org. amostragem.1 . 2. SP: EPU. 4. A pesquisa. aplicação do questionário. 2. 5. 2. 5. 4. Como transmitir os conhecimentos adquiridos. modelo e planejamento. Coleta e análise de dados. 7! cd. Modelos demonstrativos. Como se faz uma tese. desenvolvimento e conclusão. C. 3. 2! cd. 1. 3. 1. 1986. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4. Darci.0 plano de trabalho e o fechamento. RJ: Zahar. 1983. 5. 3. Preparo do relatório de uma investigação.. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa. rever. 6. O significado da pesquisa. engenheiros e estudantes. Elementos metodológicos da pesquisa participante. leitura. 4. 3. Pesquisar-participar: proposta e projeto. 3. 2. Pensar. Umberto.A apresentação gráfica geral do trabalho. e BERVIAN. planejar. 4. l84p. Metodologia cient(fica. L. Pesquisa-ação. BRANDÃO.2 . A. 2. 5. O que é iia tese e para que serve. 556p. SP: Brasiliense.3 . Economia camponesa e pesquisa participante. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático. 1. Planejamento de pesquisa social. Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas. 7. 6. Dinâmica do conhecimento científico. Observação intensiva: as entrevistas. 3. SP: Perspectiva. métodos gráficos. Metodologia do conhecimento científico através da ação.Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa.3 . A arte da investigação criadora. A observação direta. 1. A redação. Reflexões metodológicas. O método científico. 1991. métodos de interrogação: preparação do questionário. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações. L. 2. Edusp. comunicações. M. 8. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos. Falar sobre Ciência. 4. 1984. O cientista no processo de comunicação. A. guia de redação para cientistas. Registros pessoais. 1. Fases de uma pesquisa. P. a observação participante. A escolha do terna. 4. 3. 1983. A observação documental. Pensamentos postos em palavras. 3. seminário de estudo. 1. 2. 4. Bibliografia ACROFF. Os nómeros contribuem para precisão. A pesquisa do material. escrever. 271p. 252p. Como os cientistas devem escrever. 1979. Queiroz.. Os cientistas precisam escrever. Ciência política. Técnica de estudo pela leitura. Avaliação do relatório de pesquisa. 4! ed. l55p. Teses e hipóteses. Planejamento da pesquisa.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. 4. teoria e método.3. DUVERGER. Natureza da atividade de pesquisa.. 2l8p. R. . 1. Redação de Textos Cient(ficos..Tratamento estatístico dos dados. 3.. Vera Cristina. 1. ECO. SP: A. CERVO.) Pesquisa participante. comentário de texto. As bases da ação.

fonnulário. Volume II: 1. Escalas de distância social: Bogardus. Ciência: teoria e fato. 7. 4. Probabilidade. 5. 3. As ciências sociais: observações gerais. 2! cd. SP: Atlas. Plano de prova: verificação das hipóteses. Probabilidade e amostragem. 4. 8. 4. KAPLAN. Positivismo lógico. Sidney (org. Apresentação. 5. Teorias. 4. Elaboração de dados. Leônidas. l99p. Filosofia da ciência. 3. Questionários e entrevistas. 2. Etapas da investigação cient (fica. 1. Ainostragem. 4. GOODE. Elementos básicos do método científico: conceitos. 1982. questionário. SP: McGraw-Hill do Brasil. A. 3. 2. 2! ed. 2. 440p. Ciência e conhecimento científico. 2. Sociologia e ciência. 6. A base empírica. E. lhurstone. Observação e interpretação. Pessoas como fonte de dados.. 1975. SP: Atlas.. 3. Determinismo e causalidade. 3O8p. O que é uma teoria científica. 3. 2. LIYI'ON . Ciências Sociais. 5. Método científico em sociologia. Modelos. 4. 1. SP: EPUfEdusp. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. Pesquisa bibliográfica. Explicações cient (ficas. 5. Método científico. 10. 7. volume 1. entrevista.. M. 4. 488p. Ciência: natureza e objetivo. SP: EPUfEdusp. 1. A preparação do relatório. l88p.. O experimento. 3. Mensuração. obras de referência. 8. H. leis e teorias. HEGENBERG. 1. 3. O levantamento de amostras com entrevistas formais. K. SP: Nacional. volume II. 2. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário). 6. O trabalho científico. Leis naturais. 1982. 5. Dados históricos: Mach. A história. Técnicas de pesquisa. 1. metodologia e pesquisa. P. 1979. Métodos científicos. 9.). Observação. 2. Etapas básicas da investigação sociológica. 167 MANN. planejamento. Planejamento. MORGENBESSER. leis e teorias. 6. 3. G. Russeil. Sócio-mútua e sociogramas. 1976. Metodologia cient(fica. Observação. 23lp. 7. .Preparativos para a comunicação eficaz. 6. Ciência: pura e aplicada.0 questionário fechado. Técnicas de escalonamento. valores e ciência. SP: HerderfEdusp. Análise e apresentação dos resultados. 2. 4. 3aed. LAKATOS. Hipóteses. A redação do texto. e HATT. 1975. A. e MARCONI. hipóteses. A conduta da pesquisa. 254p. 3. 2OSp. Filosofia da Ciência. A importância da pesquisa. a observação nas ciências do comportamento. 5. Pesquisa: conceito. 1975. 1. Volume 1: 1. Análise e interpretação. Utilidade e condições de aceitação da hipótese. 1. 1. Como avaliar e organizar a infonuação. introdução à filosofia da ciência.. 1969. Explicações. Relações e funções. M. o papel da estatística. tabulação. Wittgenstein. Revisão crítica. RJ: Zahar. Nova Sociologia. As leis e funções. Indicação. verificação da hipótese. 4. 2O7p. Crenças e Ciência. Escolha do tema. Fatos. P. explicações e valores. Contexto da pesquisa. W. 9. ______ Técnicas de pesquisa. 6. 2. codificação. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. Métodos de investigaçõo sociológica. Medidas: função e estrutura. 5. 4. Observação e experimentação. Documentação como fonte de dados. SP: Cultrix. 1973. 2. Anexos. Lickert. 5. 1. publicação e divulgação. 3. teorias. 6. outras técnicas. Subjetividade.

Métodos de pesquisa nas relações sociais. 1978.0 método do estudo eficiente. redação e apresentação formal. 6. biblioteca e documentação. Versão qualitativa. observação participante. Buenos Aires: Humanistas.Filosofia e pesquisa. 2! ed. 1. Plano e relatório de pesquisa. 1974. Método do trabalho cient(fico.. Análise e interpretação. RI: Zahar. A documentação como método de estudo pessoal. 8. SALOMON. História e conhecimento. 2. 5. O pesquisador. introdução às suas técnicas. análise e interpretação de textos. Conceito e estrutura de relatórios científicos. 4! ed. 33lp. Petrópolis: Vozes. 6. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK. Oracy. Ciência e existência. SALVADOR. l2lp. 4. Como fazer uma monografia. 7. análise e interpretação dos dados.. Joaquim. 2. prática da documentação pessoal.. problemas filosóficos da pesquisa científica. 1. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. Questões teóricas.. SP: Nacional. (Mimeo. improviso e métodos na pesquisa social. 1982. 3. 7. 3. Os estudos de comunidade. composição e modelos de fichas. Vieira. elaboração e relatório de estudos científicos. 1992. 1977. 6! ed. Edson de Oliveira (org. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação. Explicação científica. Domingos. 1969. 3. SP: Cortez. 2. 2! ed. escolha do assunto.. Fac. Reconstrução e análise do passado recente. normas. O ator. A pesquisa como trabalho. A. 6. Coleta. 4. 3. 6W7p. técnicas de livros. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. Organização da vida de estudos na Universidade. O trabalho científico. O processo de pesquisa: problema. A aventura sociológica. Evolução do conhecimento científico. p. Pontos de vista: a função das situações sociais. 5. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. RI: Paz e Terra. 6. 2. P. SEVERINO. 3. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. BH: Interlivros. 1974. Pesquisa social. Aplicação da pesquisa social. resumo. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais. classificação. Alegre: Siilina. 4. Investigação das soluções. PORZECANSKY. planejamento. l. Social da Puccarnp).5. F. PINTO. 1. 57-73. RUDIO. seu papel e condições de trabalho. 2.0 problema metodológico da pesquisa. Comunicação e conhecimento científico.. Lógica y relato en trabajo social. P Parte: 1. 2. NUNES. Análises explicativas das soluções. formulação de problemas. 4. elementos de metodologia do trabalho científico. 235p. O problema da pesquisa. 1. relatório. Associação das técnicas. D. Lógica e dialética. 18! ed. 5. NOGUEIRA. 537p. Alvaro Vieira. . Tipos de relatórios. 3. 2! Parte: 1. 2. 224p.. 4! ed. 1. paixão. 1971.. Leitura. 4. 4. 6. A. técnica. Ciência-homem-meio. Versão quantitativa. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. O projeto de pesquisa. 3. 1971. 8. diário de pesquisa e outros registros. elaboração da monografia. 4. coleta de dados.). A observação. A realização do seminário. 2. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. Problema social e problema de investigação. Pesquisa: discutiva e experimental. Serv. Aspectos da explicação em teorias biológicas. planejamento. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos. Leitura. 3Olp. V. relatório e informe científico. 1. objetividade. leitura. Tereza. Hipóteses. SP: Edusp. 5. Pesquisa e teoria.

Atividade Versus Processo de Morte 26 3. Produtividade 28 4. Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III .Roteiro de Entrevistas 38 II . Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 .ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS . sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães.-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional.MORTE. UMA QUESTÃO 05 1. Vivência da Morte 17 II .Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III .169 1.CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1. Paciente Terminal 11 2.Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 . pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Retrospectiva Histórica 23 2.

pretende manter suas relações de poder e consumo. criou-se um tabu em torno dessa questão. p.Perda.. Paulo. M. A partir desta transformação. A. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. também. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer. com a sociedade voltada para a produção e o progresso. monografia. 165 p. BOEMER. BRITa. 1982. 1983. A sociedade ocidental.). p. aumenta o valor de tais relacionamentos. III .86. 531. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e . Magali R. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. Este questionamento. D'ASSUMPÇÃO. 26. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível. tornando-a inominável. (coord. G. mas. São Paulo: Cortez Editora. Morte e suicídio. 139 p. 1985. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. pois com a morte este sistema não se mantêm. Arminda. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra. A percepção da morte na criança e outros escritos. impedir o questionamento sobre o materialismo. na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. A morte e o morrer.. 135 p. 2. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos. D'ASSUMPÇÃO. BOWLBY. VARGAS. 36.na sociedade de produção e consumo. A. Formação e rompimento de laços afetivos. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração. H.. 1984.. A pessoa. John. 35 p. vol. regida pelo capitalismo consumista. o homem se coisifica. (coord. advém da percepção da finitude do ser. delegando à morte o espaço de tabu. Apego e perda. que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência. Campinas: Puccamp. atual mente.. E. sendo necessário negar sua existência. 486 p. entretanto. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. portanto. A. Theodore LIDZ. (coord.) D'ASSUMPÇÂO. 237 p. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. 1984. hierarquia do poder e coisificação do homem. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. Revista Diálogo..) e BESSA. 1986. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam. E. Maria Elisabeth M. Folha de 5. devendo. Tanatologia e o doente terminal." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano.07. 1 Nairo de 5. A." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos.

. supra s. ex.abaixo. id. .confira.Farmacêuticos 5/A. (mimeo. junto a. Ano 10. 174 . T.d.figura. org.(para citações indiretas) segundo. Luís C. . 175 .sem data. n 2.(idem) o mesmo autor.ilustração (ções). FREITAS. em linhas ou páginas adiante. ou a mesma obra. 1985. .exemplo (s).0.ver o texto original. organizador. ibid. São Paulo: Ágora Ltda. . cit.organizado por. Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana. FRANCISCO.(ibidem) mesma obra e mesmo autor. já conferidos em nota imediatamente anterior. Berenice R.(opus citatum) na obra ou autor já citado. . . apud cf. .(et cetera) e outros. p. . 4) Abreviaturas mais utilizadass ap. Por que fazer terapia?. 1984.. 20 p.). 166 p..página. . . pg.acima. Campinas: Puccamp. etc. . 1985.número. fig. . v . já referidos em nota imediatamente anterior. em linhas ou páginas anteriores.. n op.. . infra n. .

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