CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro. para que . aprimorá-la. Entre os egípcios a trigonometria. o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem . a mecânica. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica. as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica. entre os romanos a hidráulica. Somos. de opinião que uma metodologia se alia. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. e de oferecer-lhe.do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado.construtor do saber científico . ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica. e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a. Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. Por isso. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. O livro apresenta.procuremos.* A preocupação com o conhecimento não é nova. A ORGANIZADORA Campinas. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário.no caso de uma eventual reedição . contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. sobretudo. que animou a realização deste projeto. Por isso. além disso. a astronomia e a acústica. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia. naturalmente. Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp. entretanto. lacunas. de natureza mais prática. entre os gregos a geometria. gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. enquanto possível. certamente. Paralelamente ao . Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. o outro.9 conduzam inexoravelmente à verdade. Consideramos que a Metodologia pode. filosófico. também. em especial à professora Vera Irma Furlan. a lógica. da Universidade Federal do Piauí. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber.

já que por princípio uma coisa perfeita. sua atividade foi considerada superior. A ciência grega. Neste processo.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas. Este método.e conhecimento teórico . É professor na Universidade Federal do Piauí.ligado ao prazer de saber . Para Platão. se mudar. neste caso. pura e livre. ou o método socrático. . as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns.de uma separação de atividades de classe. 1. a Academia. para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. Conforme o autor. Introducción a la filosofia de la ciencia. o conhecimento aristotélico. M. só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. diria Popper. A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. M. o mundo sensível está em constante mudança e. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior. já que era executado por escravos para os senhores. B. dos meros fenômenos empíricos. mais tarde. foi de extrema importância na história do pensamento. imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal. Metodologia da pesquisa tecnológica. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas. se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo. Assim. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. Head and Hand in Ancien: Greece. WARTOFSKY. que se desenvolveu a Dialética e. elimina as teorias que não suportam a prova . mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas. Para Platão. considerado inferior. Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. A dialética. Esta diferença entre conhecimento prático . mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. Mesopotâmia e Egito. da separação entre "cabeça e mão". pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza. e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. em oposição ao trabalho prático.que estava ligado ao trabalho. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência. A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera. um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp.segundo Farrington 2 . VARGAS. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. FARRINGTON. Foi na escola platônica. é para pior. B.conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. isto é. As idéias são perfeitas. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . FARRINGTON. 2. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida . Como esta classe tinha mais prestígio e status. os gregos desenvolveram um tipo de reflexão .a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. desinteressante e preso ao interesse de outrem.

a indução e a dedução. de sua lógica formal. imutáveis e independentes do mundo sensível . e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. Deve-se associar. 14 1ç -. formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. PLATÃO. mas da percepção aplicada aos particulares. depois.é. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável. Conjecturas e refiaações. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) . a de homem. 5. A sociedade aberta e seus inimigos. 7. a partir destes. op. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias. partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. para Aristóteles. Fédon. pois são meros acidentes. ARISTÓTELES. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. Ibidem. As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6. Saber o que Sócrates é. cit.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. Lógica. Juntamente com Platão. Cit. POPPER. Ele criticou a dialética por sua negatividade. em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. K. WARTOFSKY. bem como as propriedades da classe a que pertence. por meio da dedução. então. por dedução. explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre. é saber quais são suas propriedades individualizarites. M. POPPER. Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação. Da observação de que os corpos caem.até a obra de Euclides. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio).3. Aristóteles se utilizou da indução . explicarão novas ocorrências.6 Assim. A descrição desta demonstração encontra-se em W. ruas não se resume a isto. op. SALMON. A repiiblica. desde Pitágoras . A existência das Formas que para Platão eram eternas. Ter quatro patas. J. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que.para formular princípios explanatórios gerais e. IDEM. Esta crença se desfez somente no século XX com o . um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. Losee. O conhecimento consistia. 4. K. voltar a fazer deduções de novas ocorrências. WARTOFSKY. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. Tópicos. Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência. portanto. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis). M. por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos.

Ménon. Temos. 1. permanecem estáveis. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. a contribuição dos gregos para o pensamento social. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. Essa informações são. Há. mas não que são verdadeiras ou falsas. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. quando pronunciada por uma certa pessoa. inconscientes. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. lendas ou parte delas. portanto. o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. informais e. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. enfim. então. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. Quando uma mulher afirma. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas. bem como a experiência pessoal acumulada. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". no entanto. ou seja. por exemplo. de Platão. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. Pelo primeiro caminho. e seu valor é tal que não difere. Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. doutrinas religiosas. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. quando as opiniões certas são amarradas. e especialmente de Rudolf Carnap. em geral. não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. princípios ideológicos às vezes conflitantes. pois. justas ou injustas. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a .programa epistemológico do Círculo de Viena. existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. transformam-se em conhecimento. assim como para muitos de nós. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. Quando emitimos opiniões. Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. da opinião. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. enquanto que com as valorações isso não ocorre. não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. a que chamamos de senso comum. PLATÃO. em ciência. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. mas. 8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. As crenças se manifestam através de proposições. no mais das vezes. e que inclui um conjunto de valorações. desejáveis ou indesejáveis. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. Valorações e crenças são. às vezes. p. Mas de onde vem. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa.

Se alguém afirmar ser liberal.para onde convergem crenças. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. MYRDAL. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra. interage com o senso comum e modifica-o. desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial.d en la invesrigacidn social. Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. racista ou cristão. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. como a do movimento da terra em redor do sol. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso. Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade. De qualquer modo. dependendo do seu grau de esoterismo. Com as valorações. isto já não é possível. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. sendo absorvido parcial e totalmente. É comum entretanto. Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . como se fossem verdades. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência. Este conhecimento. o senso comum vai . Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais. é a sua sofistificação. Artur Gobineau (1816-1882). Este é o caso dos modernos regimes totalitários. por outro lado. Essas teorias. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos". G. cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença.fisiologia etc. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos. por sua vez. O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. não têm nenhuma validade. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo. socialista. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum .ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores. Poderíamos esquematizar.sejam elas verdadeiras ou não . Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. 10. obviamente. A teoria mais conhecida é a do Conde J. então. seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. Objetivido. a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. gerando um conhecimento mais ou menos racional. não temos como testar sua doutrina. entendendo racional como argumentativo e coerente. valorações. mas continuam subsistindo no senso comum. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las. Por isso. na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. Assim.

ALVES. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1. na psicanálise. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. os músculos quando não utilizados se atrofiam. cit. K. eventualmente. cit. 2. MYRDAL. 2. a busca de afirmações e teorias universais. cit. W. ci:. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação. o senso comum é muito poderoso. Há. A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo. são exemplos de proposições observacionais. 13. São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e. CHALMERS. isto é. 15. M. A.. O objetivo da explicação científica é. Ver A. a própria concepção de corpo que vigorava. Ver K. caps. no entanto. POPPER. 1 e 2. mais tarde. in Os pensadores. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. no entanto. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares. CHALMERS. F. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados.. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . havia as entidades 11. F. então. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais.l e psicologia. FOUCAULT.. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão. revelam. F. CHALMERS. fosse ele bom ou mau. G. o metal quando aquecido se dilata. R. aparece como torta. castigando-as até a morte -. op. POPPER. op. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. O. op. lo 3. O grande problema do indutivismo passa a ser. làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e.What is this thing called Science? 14. Doença menw. cit. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos. audição.. quando parcialmente submersa em água. cujo campo de aplicação seja o maior possível. Filosofia da ciencia. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. 12. Conhecimento objetivo.progressivamente se modificando ao longo das gerações. W. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. no entanto. op. op. tato etc. Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com . SALMON.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. QUINE. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. Epistemologia naturalizada. neste ponto.

nenhuma demonstração foi feita. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. F. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica.a lei geral. HANSON. Em muitos casos. As figuras a. b e c (p. apesar de olharmos a mesma figura. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. quando outro objeto diferente. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico. a pirâmide (fig.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. No primeiro caso. No segundo caso. mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. por exemplo) que são mostradas a um observador. como se fosse para subir ou descer. cii. R. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. de repente. N. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. Então. Em qualquer dos casos. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". mas a impressão que se forma na mente não o é. O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. Além das objeções sobre a inferência indutiva. até mesmo componentes culturais. op. A. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e. É preciso . a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado.a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. 21) podem ilustrar isso. CHALMERS. portanto. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. Padrones de descubrimienro. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig. existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. 16. por exemplo. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva. dando-lhe grande subjetividade. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa. não "vemos" a mesma coisa. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. mas semelhante. Nos casos acima. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. 17.c).

fig. certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho. Nada mais ele fará porque. 2. c fig. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. . b 91 e ' -. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior. Por si sós as figuras não dizem nada. Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê". então. QU1NE. mesmo assim. que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. dificuldades apareceram. 22). O. Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos". como por exemplo em d e e (p. mesmo que esta seja de senso comum. são exemplos de proposições básicas. por exemplo. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas. a fig. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo". que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. ele não fará uma simples descrição dos objetos.'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos. não há nenhum fato a não ser os objetos visuais.ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. como. m Os pensadores. voltagens. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante. para ele. W. os metais quando aquecidos se dilatam. As interpretações e as "cadeias 18. mas falará de corrente elétrica. seja ela científica ou não. Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. 3. devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto. No entanto.que operemos uma inferência para que a figura faça sentido. Todo fato pressupõe uma teoria. resistências etc. Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. aceitas universalrnente. Dois dogmas do empirismo. Na figura d. Podemos dizer. podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. Para sermos rigorosos. os metais são bons condutores de eletricidade. As . Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. '1 fig.

por sua vez. despidas de subjetividade e valorações. mas numa teoria científica isto não é admissível. segundo o autor. por exemplo. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. tanto quanto possível. se aplica a um conjunto específico de fenômenos. Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional. teorias. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso.regularidades que observamos cotidianamente. onde não há nenhum tipo de contradição interna. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. mas a campos específicos. por exemplo. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . em algum momento da história. sejam elas científicas ou não. e que já incorporamos como absolutamente naturais. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. Em segundo lugar. Este. então.a pretensa transmissão de características culturais e morais. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento. Nós temos. outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos.como na teoria racista de senso comum . São proposições amarradas no encadeamento racional. as teorias são. É a característica de solucionadoras de problemas. os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. Podemos começar afirmando. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. aliás. Isto é. conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. Como acentuou Popper. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. Assim. 3. Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. o conceito de Gene na teoria genética moderna. determinado por certas circunstâncias extra-científicas. e 22 23 Vejam. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. isto é. a ciência começa com problemas. sempre. Dessa forma. fig. ainda. revolucionário. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. Isto significa que. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. mas não serve para explicar . uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela. Assim. é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. Numa teoria de senso comum. ele mesmo. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. que são os da reprodução. onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. Podemos adicionar. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos.

que estaria "atrapalhando" Mercúrio. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. não foi agradável. tanto a passada quanto a futura.Vulcano . O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência. desabar frente à relatividade. as teorias devem. Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. Marx. certa vez.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. Mas a história é curiosa. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. O. no entanto. as anomalias. logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. No fundo. LAKATOS. sua posição e massa. Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier. in LAKATOS e MUSGRAVE. e efetivamente o fazem. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. T. Além de surgirem problemas. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas.vagabundos". e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta. A estrutura das revoluções cient(ficas. 19. Começou. devemos discutir o aspecto observacional das teorias. utilizando simplesmente papel e lápis. Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. KUHN. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna. contribuir para sua p:ápria superação e. o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. que é o papel da expectativa na construção das teorias. Isto deriva do fato de que as teorias . Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento.um outro planeta . A resposta. 1. Pouco depois. descobriu Netuno. Finalmente. Darwin. então. Ofal. promover o crescimento e progresso do conhecimento. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica. Para a mecânica. desta forma. indicando a grandeza e o poder da mecânica. Ou seja. como as de Newton. Freud. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a . a partir do início deste século. Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo. a calcular as dimensões do planeta. dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante.seamento e a metodologia dos programas de pesquisa. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. As grandes construções. O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que. tendo até batizado o novo planeta . Einstein e Bohr. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria. 20 Do observatório de Berlim.

M. mais tarde. se subíssemos uma montanha. o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos. p. Discuiso sobre as duas novas ciências. op. O enigma do cosmo. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 . a pressão deveria ser menor. cii. maior do que cada um deles. portanto. léptons. sua velocidade. . 22. Os conceitos de força. são exemplos disso. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e.com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . seria maior. já que há menos ar em seu topo do que na sua base. se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. As "expetiências de pensamento"em física. Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental.cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo . in Ciência e Cultzira. No entanto. energia etc. A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para. citado em LOSEE. popularizadas por Einstein. Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência. J.. a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. GALILEU.observáveis: são os conceitos teóricos. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. com velocidades naturais diferentes. inconsciente.e 1647 . valor. por outro lado. conjecturas na forniação das teorias.mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. mas com os tempos de queda. CARTIER. é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. Se os dois corpos fossem unidos. Para a teoria aristotélica. Foi o que fez Perrier em 1647.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas. de Galileu . Os conceitos teóricos . 68.com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. 22 Neste sentido. portanto. formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória. Eles não se referem diretamente a entidades. mas a outros conjuntos de proposições (que. Logo. no caso dos léptons e hádrons. Neste caso. causalidade. Mas. atração. O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema. 13ASSALO. F.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo. em seguida. hádrons. Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". Galileu contestou esta teoria. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes . por hipótese. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas. a não ser em pensamento. para resolver o problema. Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. Era o chamado horror vacui.

acidentes. Iii: Ciência e Cultura. De fato. a partir do Renascimento. As "experiências de pensamento" em física. cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . e este é o chamado contexto da jusfificaçõo. A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. Galileu e Newton. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. no entanto. M. CARTIER. RJ: Primor. 36 (3). não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. em maior ou menor grau. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. Durante muitos séculos. religiosas e mitológicas de conceber o mundo. BASSALO. embora não tivessem . pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico. Deve haver. Isto. R. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland. O enigma do cosmo.na prática . Esta tarefa foi executada. R Filosofia da ciência. É esta a imagem k limiana 23da ciência. onde ele se toma mais inchado. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. no entanto. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. ARISTÓTELES. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. SP: Brasiliense. um método para se testar as conjecturas. Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. não há uma lógica de descoberta. 1978. no fundo. Descartes. CHALMERS. São as formas artísticas. onde intuições. Estas estruturas engendram programas de pesquisa. Bibliografia ALVES.e o cume da montanha. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. constatando que no cume a pressão diminuía. A. 23. KUHN.novas referências para a organização do pensamento. As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. não há um método de se fazer descobertas. Tópicos. oferecendo pouco a pouco . Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. SP: Abril.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. as teorias e as hipóteses. "chutes" etc. então. isto é. A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias. cii. F. 1978. religiosas e metafísicas. e este tende a ser sempre ampliado. podem interferir decisivamente. com as próprias teorias. T. 1983. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. 3. 1978. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e. op. 1984.

POPPER. de Comte. METAFfSICA. SP: Hemus. SP: Edusp. 1978. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina.. J. sendo Comte. 1949. da moderna civilização e indica o seu progresso. que tem a ciência como suporte. capitalistas. Londres: Wats and Co.za Ed. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou.. 1978. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles. Conjecturas e refutações. 1978. G. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura. A. Capítulo II MITO. A sociedade aberta e seus inimigos. A estrutura das revoluções cient(ficas. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". Dado um . SP: Edusp. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. Doença mental e psicologia. 1982. Lógica. Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento. de permitir sua apreensão material e espiritual. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. sld. Madri: Alian. Ri: Globo. SP: Ibrasa. Padrones de descubrimiento. ______ Ménon. SP: Abril. 1961. W. SP: Abril. que percorre três fases distintas: a teológica. SP: Edusp. 1n Ospensadores. N. a metafísica e a positiva. ______ Conhecimento objetivo. Epistemologia naturalizada. LOSEE. 1970. são estritamente racionais e científicas. M. RJ: Tempo Brasileiro. 1968.que baseiam suas explicações nas causas primeiras . Madri: Alianza Ed. 1970. Metodologia da pesquisa tecnológica. SP: Abril. 1979. a existir a concepção de que as sociedades modernas. SP: Edusp. Ri: Tecnoprint. Progressivamente. Objetividad en la investigación social. O abandono da teologia e da metafísica . ______ Dois dogmas do empirismo. Todo este processo de forniação da ciência moderna. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência.. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Introdução histórica à filosofia da ciência. ______ A república. In: Os pensadores. 1975. inclusive. Ri: Zahar. Fe'don. Segundo ela. W. T. M. B. Brasilia: UnB. SP: Perspectiva. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology. Introdución a lafilosofi'a de la ciencia. R.moderna. QUINE. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. PLATÃO. M. K. CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. FOUCAULT. assim como da ciência. 1975. SALMON. Como a ciência. 1977. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. A fase positiva. explicar o mundo.é o marco. MYRDAL.. LAKATOS E MUSGRAVE. 1978. VARGAS. 1978. 1974. ______ Head and hand in Ancient Greece. HANSON. A ciência grega. que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. 1978. 1975. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. fazer seus fenômenos inteligíveis. KUHN. México: Fondo de Cultura Econômica. WARTOFSKY.

portanto. mas Menelau o contestou. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. Antíloco se recusou a jurar inocência. e transpõe sua eficácia para um plano superior. A terra é o elemento mais pesado e. por exemplo. As cruzadas e as guerras religiosas. Este tipo de prova recusa a teste.são equivalentes. empreender ações que sejam coerentes. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. e. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus. foram feitas pelos cristãos. Se ele houvesse jurado "em falso". por isso. os objetos físicos têm um desejo.nunha. onde desejos e vontades são atribuidos à natureza. Ou seja: os mitos. Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso. ou por uma combinação deles. a evidência. a cosmologia e o senso comum . Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos. por exemplo. onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos. quando posta em dúvida. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás". Num certo sentido. por isso. lhes foi destinado. afirmando que ele cometera muna irregularidade. embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. Na teoria aristotélica. Mas. por natureza. . Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. esta forma de solução de disputas também foi muito comum. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . Entre os gregos. por exemplo. tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. então. está abaixo dos outros. mostrando assim a sua culpabilidade. que o teria fulminado com um raio. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. Para Aristóteles. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo. terra. A água é mais pesada que o ar. Na Idade Média. A 1. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. Antíloco venceu a disputa. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar.universo cheio de incertezas e mistérios. Assim. por exemplo.no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria. a verdade era dada pela voz do enunciador e. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. 9.na idéia de que o céu é a morada dos deuses e.de que falamos no capítulo anterior . p. Nas sociedades míticas. por isso.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) . uma testemunha. o repouso. fica acima desta. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. tanto quanto a ciência. os astros têm um movimento perfeito. uma vontade de permanecer no lugar que. Larousse World Mythology. mas é mais leve que a terra e. que se encarregaria da regularidade da corrida. circular e uniforme.

Apesar dessa característica geral da época. os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento. Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e. os homens nasceram livres. Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. é chamado de Estado de Natureza. em termos de Absolutismo de Estado. inviabiizando qualquer tipo de associação. Isto decorre. a cosmologia. iguais. sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. em sua filosofia e em sua metafísica. De outro lado. para o Deus cristão. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. A verdade e as formas jun'dicas. É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica. Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental. onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. os homens alienam suas vontades ao Soberano. ao contrário. na Idade Média. de um lado.estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. filosóficos. Platão .a ausência do desenvolvimento do método experimental.é urna forma de saber que também não se submete à verificação. é chamado de Estado de Sociedade. Com uma tal natureza. Os dois autores são considerados contratualistas. neste contrato. A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e. A metafísica como modernamente é entendida . depois. M.que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . Pode-se entender também porque.pelo menos em parte . por isso. Assim. em erro. podemos explicar . os homens são mesquinhos.igualitária e libertária. Daí a necessidade de um contrato 3. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. da natureza do ser. No entanto. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria. para Rousseau. Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento. para Hobbes. FOUCAULT. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade.Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. assim como. e são por natureza bons. . pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. que as administrará como Vontade Geral. para Hobbes. Ver LAKATOS e MUSGRAVE. o que permitirá que sua associação seja . Para Rousseau. colocando em risco a sua sobrevivência. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2. Só que.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. por isso. isto é. Para Hobbes. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade. os homens se consumiriam em guerras e disputas. o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível. foi dissolvida na ciência grega. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. ou vsão mítica do mundo.

resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. H.cuja forma lógica é (pv Øp). 6 Uma hipótese ou teoria que. na aceitação da teoria copernicana. Os conhecimentos mítico. não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. por ser circular e uniforme. BURT. pela sua própria forma. a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável .4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. onde p é uma proposição qualquer . O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. da idéia de vercaçõo. seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade. Este tipo de proposição . religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. Este resultado teórico. metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e. 2. só pôde ser . não pode ser testada. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza. Uma das coisas que diferencia 4. As questões metafísicas. BROWN. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. pois o "Senhor não joga dados". alcançado em 1915. Einstein. 1-lá outro tipo de proposição que. mas entre eles os de que: 1. em especial. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas. 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica. não deve ser incluída no rol da ciência. E. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. Assim. 5.é chamada de tautologia. Se o movimento dos astros é perfeito. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. 3. Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. uru dos pilares do conhecimento científico. então com muito mais razão a terra deve girar. As bases metafiicas da ciência moderna. Ela passa a ser simples objeto de valoração. Este é. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. por princípio. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. e protegem as teorias de certos questionamentos. A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos.Nas ciências naturais. podem ser testados. A. ruas não de ciência. não pode ser verificada. aliás. no entanto. Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal.

Este fio era o "funículus". portanto. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas. HEMPEL. Não está em questão aqui o modo como isto será feito. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. K. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade. Filosofia da ciência natural. ilusória etc. atingir a essência da realidade. POPPER. Ele era invisível e. ALVES. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade.quando encontrada . deixando de pertencer ao domínio da ciência.verificado em 1919. 8. poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. A primeira delas é que a verdade . A lógica da pesquisa cient(fca. 7. os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". que é. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. op. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. cit. por isso. no entanto. A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. A idéia de Verdade aparece. R. chegando até a imunização completa. o mercúrio. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes.9 Há. eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. que é permanente e verdadeira. Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. que não é". Para Platão. Estes episódios foram narrados por C. ou seja. idem. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. compensaria positivamente depois da queima. Atingir a verdade seria. no entanto. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório. então. . Autobiografia intelectual. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas. um outn. É interessante notar. H.edo que não é. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. então. que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada. que são fugazes e enganadoras. cognoscível. somente a essência adquire o estatuto de permanente e. É quando de sua aplicação a urna realidade. BROWN. quando de um eclipse do sol. Depois da experiência de Pérrier. Esta concepção é também chamada de ontológica.será definitiva. e. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real.sentido para verdade. não poderia ser jamais verificado. portanto. que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. Filosofia da ciência. Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é.

11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la. . É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes. mesmo daqueles considerados básicos. teremos o seu estabelecimento. então. Em segundo lugar. MORA. Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato". Há uma assimetria . seria sempre possível . por que não se instaura. 35 por Popper. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. Assim. Se a verdade é a correspondência com os fatos. verdade e essência coincidem. K.atingir a verdade. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã. Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade. POPPER. Isto significa que. A lógica da pesquisa cien:(fica. que é uma certa visão conspiratória do mundo. Conjecturas e reflita ções. por princípio. ao contrário. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. não aparece? É necessário. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos. ibidem. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias.como acentuou Popper 12 . pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda. das proposições e teorias. a um certo contexto. então não pode ser refutada. Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos. F. Diciondrio de filosofia. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos". 11. Há ainda outra característica do essencialismo. 12.pois a essência é permanente. Mas. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade. Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. coisa que foi bem acentuada 9. POPPER. 10.para esta concepção . 10 Se a verdade existe. Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. 13 Segundo esta concepção. J. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua. A história da ciência revelaria este esforço de representação. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. todas as teorias. portanto. Nesta medida. do desenvolvimento científico. Existem teorias. K. Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. A concepção marxista é a típica representante desta visão. dizem os essencialistas.entre a confiimação e a falsificação.

Mas. Hamlyn. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. Revista Filosofica Brasileira. As bases metafísicas da ciência moderna. a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. Vol. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. então. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. progride.A. Einstein. 37 Larousse World Mythology. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. 1983. Maciri: Alianza Ed. 4. 1983. 2. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. Manuscrito. n. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. M. no entanto. BROWN. ou por não ter sido falseada. Mas. 3. RI: Zahar. III.. Não podemos chegar a verdades definitivas. F. 1965. Dicionário de filosofia. Como postular a veracidade de uma teoria se. que através de Ménon 1 nos diz: . geraram uma certa instabilidade na ciência. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. isto é. SP: Brasiliense. SP: Brasiliense. Filosofia da ciência natural. De qualquer maneira. 1. a qualquer momento. ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. 1983. H. É a noção de causalidade que passaremos a discutir. Filosofia da ciência. R. UFRJ. SP. Eles são interdependentes. paradigrnas de verdade e coerência. 1984. que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades. FOUCAULT. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. Neste sentido. Brasflia: UnB. A verdade e as formas jurídicas. Unicamp.13. Londres. E. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. HEMPEL. 1981. MORA. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. BURr. C. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. 1986. 1986. 1. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. J. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. VI. Vol.

mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. a fugir. 3) O universo existe somente através de Deus. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. a outros casamentos. No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. Da mesma forma é o exemplo 5. o dinheiro de Paulo com um casamento. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. Neste caso. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus. Assim. Neste caso. pela própria forma do enunciado. mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. 2) Os milagres têm causa desconhecida. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. existem várias causas.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. 1. a relação aparece como necessária. isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. mas indeterminada. valem um tesouro e só produzem o que é bom. Nos casos 4 e 5. por exemplo. São eventos concomitantes e. as encadeia. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. É a causalidade. as liga por um raciocínio de causalidade. O exemplo 1 relaciona. Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la. que é a energia cinética das moléculas. como. O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . 7) A crise econômica. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. Os exemplos 6. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. Ménon. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. PLATÃO. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. Neste caso. No exemplo 4. Aqui não há um "antes" e um "depois". em um caso particular. quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. isto é. 6) A radioatividade causa mutações genéticas. A relação é de caráter acidental. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. No 6. como fator explicativo. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. universais. aparecendo como leis.

mas não de fonna precisa. • a produção científica reduz a dependência tecnológica. este tipo de utilização está fora da ciência. ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos. onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada. encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor. de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". isto é. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex.como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos. já que se trata de um evento particular. 6). a previsão de uma ocorrência e. a agitação social e a corrupção geram golpes de estado". mas não sabemos quando. 4. Sabemos que irá ocorrer. Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite.foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado. onde um evento anterior causa um outro evento posterior. Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns. em sua genealogia. A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. como em "A crise econômica.seria factualmente falsificada.mesmo que transformada numa proposição universal. como na descrição do exemplo 7 . Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. . mas como fator explicativo é de muito pouco valor. O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. a proposição . dado um certo evento A. no entanto. de outro.que é do mesmo tipo do anterior . O exemplo 8 . Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares.tem. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex. Por isto. 1 e 7). Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum. podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex. • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários. sem que seja possível a sua detenninação precisa . 5 e 8). isto seria facilmente falsificado. 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide.próprio fato. c) Relação Invariante. no entanto. ocorre sempre um outro B. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). de um lado. Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. Esta forma geral de cau'a [idade . uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação. Ademais. Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos. Ela pode.

foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza. às vezes. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos. se faz entre a linguagem e a realidade. e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. Para ele. ruas também determinada. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada. Historicamente. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. Portanto. Quando dizemos. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. o "quando" e o "quanto" da relação. publicado em 1749. No caso do princípio de causalidade. a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto. Ou. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. um dia. como a chama e o calor. por exemplo. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza.iá nenhum indício de um fenômeno no outro. Em primeiro lugar. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. que todos os . então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . podemos dizer o "como". a neve e o frio. Aliás. Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. até hoje. esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. aparecem sempre ligadas. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. em outras palavras: após descobrir.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. Assim. que duas espécies e objetos. de causalidade. isto é. Empirista radical. portanto. que aprofundou sua crítica. para Hume. Não se imaginava que elas pudessem. o princípio de causalidade não é da natureza. pela observação de muitos exemplos. (ji 153) Assim. Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. que é uma característica das coisas. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. ou seja. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos.

por exemplo. que é a predição. Isto porque. dessa forma. mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio. Por outro lado. 4. NAGEL. 2. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos. 3. Introducción a la filosofki de la ciencia. então.corpos caem. Investigação sobre o entendimento humano. Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências. então. mesmo finito. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. Isto porque . já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. seria o nada que antecederia o efeito. pois se organiza em . já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão. HUME. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação. Mas. B. gerador de conhecimentos. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa. Segundo ele. Logo. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. Ver E. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. na verdade. Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. RUSSELL. Além disso. Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. nem mesmo poderá haver queda. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências. a depender da altitude. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . e que enunciemos isto na forma de leis. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. a altitude. A explicação científica deve se aplicar a vários casos.a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente.diferentemente do estágio pré-científico. Assim. D. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias. seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. pode ser infinitamente dividido. Misticismo e lógica. como. de um princípio gerador de pesquisas e. A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. 42 43 intervalo de tempo t que é finito. Devemos tornar a causalidade como uma suposição. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. em última amiuise. in Os pensadores.

Ressalvado o seu caráter não-ontológico. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. mas precisa das outras condições iniciais. 135-175 (Vol. que acabamos de examinar. exerce uru importante papel. Lt explicación cient (fica. Para ele. HEMPEL. Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. A proposição 1. se organiza na forma de Estruturas Teóricas. as proposições 1. pela sua própria forma. 15). Num artigo publicado em 1948. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. a fim de que nosso problema inicial . mas seguindo urna espécie de hierarquia. que era o nosso problema inicial. Teremos. 6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. Neste sentido. Normalmente. A depender do recipiente. p. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. necessárias e determinadas entre eventos. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica.função das regularidades que encontra ou postula. esta reflexão não ocorre.apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. Aqui. uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. tem um caráter de generalidade e de lei. C. repmduzido em Lii explicación científica (op. a noção de causalidade. 2. 3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5). 6. Num . além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. para o senso comum. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação. cit. 5. A explicação disto envolve. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição.a formação de umidade num recipiente com água gelada . Idem. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. de ordem. por esse motivo. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. então. idem. a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. The logic o! expIa nation in philosophy of science. Filosofia da ciência natural. 1) Todo meio material provoca refração da luz. liquefez o vapor d'água.

C2 . portanto. Da mesma forma que no exemplo anterior. Ç poderemos deduzir E. Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água. L2 . Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. Estas suposições. e C1 . Na formulação de Hempel.. Se isto fosse necessário. Em ambos os exemplos.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1. É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. a luz se propaga a menor velocidade. a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. em relação à parte que está dentro da água. certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel. Quando as condições iniciais estiverem dadas . ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. condições iniciais e conclusão. 3) Num meio mais denso. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais. De qualquer maneira. 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral.poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. então. por estarem assimiladas às concepções correntes. teremos a impressão de que está torta ou quebrada. de fato. a luz se propaga a menor velocidade. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água. 5) Em vista disso. a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1. Dados L1 .ambiente muito seco (umidade baixa). C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. esse é o esquema Nomológico . Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1). e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. a de adequação a fim de que possa haver. A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser. percebemos a barra como estando torta ou partida. onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra. 3) Num meio mais denso. L Leis Gerais C1 C2 . 2) A água é mais densa do que o ar. em relação à que está submersa. a barra como estando torta ou partida. A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. Além disso. L. L2 .e de posse das Leis Gerais . ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo. O caminho inverso . 5) Percebemos. dedução.

devem ter os seguintes requisitos : 1. Assim. as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans. de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. por exemplo. C2 . op. cit. inclusive das ciências sociais. portanto. O Explanans deve ter conteiido empírico. 3.. haverá. HEMPEL. Conforme C.). por exemplo. é uma virtude. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se. o ideal de explicação já era a física. como diria o Ménon de Pistão. Dado E. como. Em primeiro lugar . Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente.Durkheim e Marx . O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. de coerência e unidade às explicações. Ç e a vigência das Leis L1 . no passado. as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais.. Newton. As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual.. pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. elas conferem o caráter de estrutura. em laboratório. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. então teria ocorrido aquilo". Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. deve ser dedutível dele.com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica." onde o antecedente do condicional não ocorreu. 2. que servia como o grande paradigma das cências. .também deve ser verdadeiro. Einstein etc. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans. No paradigma hempeliano de explicação. então.expressaram claramente esta pretensão de cientificidade. as leis de Galileu e de Kepler -. A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu. Esta cláusula ficará 7. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido. ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas. L. cujo modelo era sempre o das ciências naturais. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. No século XIX. 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. as Leis têm um papel decisivo. Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica . O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais. necessárias para a explicação. isto é. especificamente preparadas para isso. Em segundo lugar. tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial.. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda.. sempre. L2 . São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso.

Estas concepções de história ou de homem exercem. Marx. as conjecturas de longo alcance não têm. bem como outros pensadores menores. Os exemplos podem mostrar isso: 1. 9. cir. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. a sua mesquinhez e individualidade. op. Os sociólogos. caráter explicativo. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. no entanto. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM. as ciências sociais se confonnarani .foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade. T. NAGEL. sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social.já no século XX . Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX. Nestes escritos. C. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. apenas um papel limitado na explicação.8. embora de menor abrangência.em desempenhar um papel menos pretensioso. R. elas mesmas. Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. no entanto. cit. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. em concepções da história de ampla generalidade. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. 11. fiction and forecast. Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848. que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. então. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. suporte de toda sua construção posterior. e da institucionalização das ciências sociais. MERTON. R. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. Spencer. cit. KUHN. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. Marx e Darwin. Sociologia: teoria e estrutura. N. sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. GOODMAN. a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido. o ideal científico no campo das ciências humanas . MERTON. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política. têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. op. no caso de Hobbes.. op. que passaremos a discutir. 10. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas. op. numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. Facr.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana . Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. 3. Ambas. como as chamou Merton. Ver E. HEMPEL. As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. por exemplo. cit. As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista.

a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho. b) O homem é um ser eminentemente social. g) A existência. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital. Deve-se. Além disso. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos. necessárias e independentes de sua vontade. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial.sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. A totalidade destas relações. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida.. em suas diferentes formas. que funcionam como axiomas para a teoria. com urna análise detalhada da economia burguesa. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. FROMM. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. O conceito marxista do homem. A "detenninação" de 12. relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais. pois existem alguns fatores que a retardam. no entanto. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. Assim. os homens contraem relações determinadas. Manuscntos econômicos e filosóficos. o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. então. os cânones do esquema hempeliano. a rigor. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. necessárias e independentes da vontade. 12 De posse destes princípios. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. uma vez obtido. A sua teoria se estrutura. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. não são compatíveis. da superpopulação relativa. K. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. hi E. . as diferentes formas de pensar a si mesmo. o trabalho. com as Leis Gerais e Condições Iniciais. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que. De qualquer modo. por sua vez. determinam a consciência. MARX.. São eles: a) O homem é um ser da natureza. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. c) O homem é um ser que tem consciência. Nesse sentido.

17 enquanto as TLA. a zona posterior é ocupada por moradias operárias. Burguess. neste modelo não há Leis Gerais. então. mas o de um raciocínio que. bastante diferentes das do exemplo anterior. no entanto. a zona seguinte. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. O interesse maior foi pragmático. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. MARX. K. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. D. hií urna tendência para a "expansão radial". há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". por isso. O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. pois tende a ser invadida pelo 13. Conforme salientou Merton. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. Em segundo lugar. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. são incompatíveis. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. Em primeiro lugar. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. conforme este modelo. in Os pensadores. A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. O capital. a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop"). Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. PIERSON. por residências de luxo e. Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. 14. as grandes sínteses. Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas. este fenômeno não falsifica a hipótese. Mas pode-se. no sentido de que têm origem factual e de . uma zona chamada de "com nzuters". As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. Estudos da ecologia humana. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. seu caráter é probabilístico. trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. MARX. as TMA guardam uma certa "positividade". 15. pelos mais diversos motivos.2. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo. a zona seguinte é chamada de zona de transição. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. por último. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. de Emest W. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. K.

a previsibilidade é uma das características importantes. Cit. mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes. queda nos preços das ações por excesso de oferta. em milenarismo. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas. Isto. pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. ou ainda. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. por exemplo. ao contrário. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. R. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire. A divulgação desta "previsão" . MERTON.poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo. diríamos. isto é. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. 369.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . necessariamente. no limite. cit. no caso das TLA. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". por si só. afirmando que "ainda não chegou a hora". enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e. de certas relações e seus também necessários desdobramentos. op. Suponhamos. J. A noção de tendência. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. esta atitude provocará. 16. um certo poder de autoproteção. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá. pois ela previra apenas urna tendência. 17. são de dificil aceitação. Um outro . se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. A determinação expressa o caráter necessário. A. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente.. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. op. p. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais. O Explanans gera o Explanandum por dedução. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana. as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. inD. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura.que servem como fatos básicos para as TLA. o das ciências naturais. confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. hoje. Assim. No esquema hempeliano original da explicação. Já com as TMA. Qualquer teoria pode. PIERSON. por exemplo. O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca. de Lei. de fato. QUINN.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro.

com medo de perderem seu dinheiro. 4. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. evitando-se assim a elevação da inflação. 18. op.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. no que concerne à explicação. op. A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. que instituiu um .. por exemplo. A sociedade aberta e seus inimigos. POPPER. em pouco tempo. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa. Os depositantes. MERTON. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais. 20. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada. Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. Por outro lado. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. A situação do banco era normal. à bancarrota. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. E não poderia ser diferente. A pretensão científica das ciências sociais. K. cir. sua inspiração nas ciências da natureza. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. as postulações de vários epistemólogos da atualidade. R. mesmo que não explicitamente. E NAGEL. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. taxa de crescimento populacional. 19. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos.1. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças. mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. 4. RYAN. e tem ainda. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. No entanto. Ver A. teve. A análise de determinada situação pode sugerir. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. correram todos a sacar suas economias. taxa de criminalidade etc. Filosofia das ciências sociais. cit. levando o banco. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. por conta de que providências são tomadas para evitá-los.

a referência mais conhecida na epistemologia foi. No entanto. baseado em Conjecturas e Refutações. já que deverão resistir a severos testes. Popper discutia. veremos. Ver o cap. por sua vez. um empreendimento que visa a solução de problemas. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. Karl Popper. essencialinente. portanto. aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. item 2.22 Depois da formação do cfrculo de Viena. sabemos. mostrando que os cientistas formam um grupo social e. filósofos como Aristóteles. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. a busca pela refuta çõo das teorias. jamais será alcançada. Hegel e Marx. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena. serão testadas e refutadas. Este modelo de organização e progresso. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. Para Popper a ciência é. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. IV.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. sem dúvida. não condiz com as postulações abstratas de Popper. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. através de testes críticos. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. . A epistemologia de Thomas Kuhn parte. Em seu livro A lógica das ciências sociais. já neste século. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. IV. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação. no fmal da década de 1920. ou grupos dentro dela. que podem ser de natureza prática ou teórica. de um 21. a lógica do processo científico. um movimento de "revolução permanente" na ciência. tendo em sua linha de sucessão. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos. com maior conteúdo empírico. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência. Este assunto será desenvolvido no cap. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. mas. Assim. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas. Dados os problemas. portanto. Paul Feyerabend e Imry Lakatos. por novas teorias. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. Para Kuhn. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos. assim como os epistemólogos anteriores. como dissemos.movimento nitidamente racionalista e historicista. 22. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. ao contrário. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. fazendo surgir novas conjecturas que. pelo menos como princípio.

a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). Aqui.2. Assim. Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos. 4. Para ele. já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores. .Assim. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas. tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas. composta por um" cinto de proteção" . 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. pois . nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas.conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que.diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos . Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos. algum dia. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias).conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. Na visão kuhniana. mas aquela que. mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências. o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn. indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. assim como a sua dinâmica. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. e por uma heun'stica positiva. cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções. Os recentes desdobramentos .está cada vez mais claro que a incerteza é universal. As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. quando os resolve. a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que. Ao contrário. elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade. entra em crise e inicia urna era revolucionária.

porque há certos bens que. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais. pois. p. conseqüentemente. isto é. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. por definição. SANTOS. um melhor posicionamento na escala social. 13. in Educaçdo e Compromisso. assim. serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. frustra urna parcela da sociedade. Podemos dizer que. op. deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. os bens são escassos e. necessariamente. entendida como um fenômeno simbólico. H. Heisenberg. a sociologia e o princípio da incerteza. para serem aceitos.e para a realização de testes cruciais . Na verdade. 58 . estabelece regras para a sua satisfação e. MERTON. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos. em primeiro lugar. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. S. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais .. Deste modo. isto é. contribui para as mudanças sociais. devem partilhar de uma linguagem comum. B. não contextual. não teriam sentido social. a realidade social. devem entrar na rede simbólica.26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. Idem. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. Heisenberg. em sentido mais geral. Isto ocorre porque. apesar de haver sentido partilhado na linguagem.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . 14. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais. cit. em segundo. mas como parte do próprio conceito de sociedade. 24. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. devem ser escassos e concentrados. O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias.. a sociologia e o princípio da incerteza.24 No entanto.No que diz respeito às infonnações. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e. Caso isto não ocorra.como propõem os popperianos. a linguagem não tem a propriedade da univocidade.25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. os comportamentos dos indivíduos. Assim. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca. e. MATALLO JR. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções). na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano. As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. No que diz respeito ao desejo. p. 25. 23. em vez de teorias. H. caso contrário. 26. MATALLO JR.

Investigação sobre o entendimento humano. para um mesmo explanandum E e utilizando-se um mesmo conjunto básico de postulados. 1983. 1978. BROWN. _______ The logic ofexplanation in philosophy ofscience. Londres: Watts and Co. E. In FROMM. D. Heisenberg. 1983. 1978. no entanto. Filosofia da ciência natural. SP: Brasiliense. Filosofia da ciência. C. R. Padrones de descubrimiento. Einstein. BURTT. R. As "experiências de pensamento" em física. FOUCAULT. Madri: Fondo de Cultura Económica. RJ: Zahar. La explicación cient(fica. O enigma do cosmo. SP: Edusp. cit. Madri: Alianza Ed. a sociologia e o princípio da incerteza. 1981. CARTIER. É preciso constatar. ______ Head and hand in Ancient Greece.. 36 (3). HUME. J. 1. SP: Abril. 1n Os pensadores. MATALLO IR. 1972. a construção histórico-social (seleção e descrição) varia não somente entre as diversas correntes de pensamento. Doença mental e psicologia.. K. N. SP: Brasiliense. F. 1978. mas urna constante reconstrução a "partir do zero". SP: Edusp. SP: Perspectiva. fiction and forecast.). Brasilia: UnB. N. LOSEE. GOODMAN. 1965. Indiana: Bobbs-Merril Co. Whatisthis thing called Science? Queensland: University of Queesland 1978.O paralelo entre as estruturas de teorias que faremos com as ciências naturais tem como referência o modelo nomológico-dedutivo de Hempel. MARX. H. RI: Zahar. que o indetenninismo e o arbítrio existentes são partes constituintes das ações individuais e coletivas e de nossa imensa capacidade de criar e recriar as formas de convivência social. o esquema seria: Explanans Conjunto de Postulados Básicos Descrição . SP: Abril. 1978. F. 15. LAKATOS. A ciência grega. B. Segundo esta nova versão. 1949. Reproduzido em La explicación cient(fica (op. de tal maneira que nunca temos urna explicação definitiva sobre um conjunto de fenômenos. 1975. SP: Ibrasa. 1n Ciência e Cultura. Buenos Aires: Paidós. H. A. _______ Prefácio da contribuição à crítica da economia politica. Fact. 1979. KUHN. 1984. M.. mas com significativas alterações em seu conteiido. As bases metaflsicos da ciência moderna. SP: Abril. ______ O capital. Introdução histórica á filosofia da ciência. CHALMERS A.. 1978. 1975. 1977. Tópicos. A estrutura dos revoluções cient(ficas. 1961. RI: Primor. Estes são os fundamentos do pluralismo teórico das ciências sociais e da aparente arbitrariedade reinante na disciplina. 1. 1n Os pensadores. HEMPEL. M. 1979. . & MUSGRAVE. Larousse World Mythology. 1978. RJ: Tempo Brasileim. 1965. Bibliografia ALVES.Reconstrução Histórico-Social Explanandum E A diferença está em que. mas também entre pensadores de uma mesma corrente. HANSON. R. Vol. E. ARISTÓTELES. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. T. FARRINGTON. A. Londres: Hamlyn. Manuscritos econômicos e filosóficos. BASSALO. 1984. O conceito marxista do homem.

POPPER. 1978. SP: Edusp. ainda. em que consistem seus métodos. ______ Dois dogmas do empirismo. K. VARGAS. Madri: Alianza Ed. A sociedade aberta e seus inimigos. SANTOS. La estructura de la ciencia. Filosofia das ciências sociais. _______ Conhecimento objetivo. RI: Zabar. NAGEL. 1982. D. MORA 1. Dicionário de filosofia. SP: Revista de Estudos Avançados. Conjecturas e refutações. porém. teoria da ciência. Brasilia: Tempo Brasileiro. S. Madri: Alianza Ed. B. metodologia. ______ Ménon. WARTOFSKY. 1985. Edusp. LOSEE. M. os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal. pois. RJ: Zahar. ______ A lógica das ciências sociais. 1991. 1978. 1979. as mais conhecidas são: epistemologia. Introdución a lo filosofia de la ciencia. Mas ela se preocupa também em articular os critérios que nos permitem avaliar o desempenho de teorias já formuladas e que nos possibilitam. México: Fondo de Cultura Económica. 1977. W. República Federal da Alemanha. n2 3. diversas denominações. Sociologia: teoria e estrutura. 1977. 1974. Belo Horizorne. SP: Abril. Misticismo e lógica. 1988. Fédon.Teresina: Educação e Compromisso. 1978. Introduçõo histórica dfilosofia da ciéncia São Paulo. A investigação teórica acerca do fenómeno "ciência" tem recebido. 1970. Lógica. s/d. Um discurso sobre as ciências na transição para urna ciência pós-moderna. SP: Martins. 1. 1978. 1978. R. filosofia da ciência e. Considerações introdutórias As reflexões críticas acerca dos fundamentos da ciência vêm sendo elaboradas desde tempos remotos. Capítulo IV A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTf FICO: ALGUMAS POSIÇÕES Maria Cecilia Maringoni de Carvalho* 1. decidir entre teorias concorrentes. G. O. Podemos dizer que filósofos e cientistas em geral sempre buscaram alcançar uma compreensão adequada do que vem a ser o saber científico. SP: Francisco Alves. MERTON.. ______ A lógica da pesquisa cient(flca. Epistemologia naturalizada. PIERSON. SP: Cultrix. 1970. 1986 MYRDAL. RUSSEL. A. 1978. II. Para se ter uma boa visão dos empenhos epistemológicos desenvolvidos através da história recomendamos a leitura de J. M. Objetividad en la investigación social. como ele procede. Edusp. qual a sua credibilidade etc. SP: Abril. Itatiaia. Metodologia da pesquisa tecnológica. SP: Mestre Jou. RJ: Globo. 1968. RI: Tecnoprint. QUINE. tais reflexões epistemológicas não constituíram uma disciplina independente. como a palavra sugere. Estudos de ecologia humana. RYAN. 61 SALMON. ou seja. A metodologia seria urna parte mais restrita da epistemologia. também. que é a produção do saber. W. F. 1978. B. mas foram empreendidas no quadro de uma * Doutora em Filosofia pela Universidade de Munique. como a ciência atinge seus resultados. ao longo dos anos. SP: Abril. PLATÃO. 1 Durante séculos. Professora de Filosofia da Puccamp.. E. Vol. . Brasilia: UnB. SP: Edusp. Buenos Aires: Paidós. 1978. ela investiga fundamentalmente os métodos. 1978.

ela deve ser abandonada ou corrigida. Hans Hahn etc. A fantasia criadora do 2. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias. mas estenderam-se aos domínios da ética. p. vol. a se alterar. Na matemática. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que. 1.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). Kuhn. Contudo. O grupo. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. que emergiu do Empirismo Lógico. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. Historicamente. além de Schlick. da filosofia da linguagem e da filosofia da história.2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. sobretudo nos países anglo-saxões. no decorrer da década de 20. Existe. o que parecia faltar à filosofia. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa. É muito difícil. o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. Todavia. uma vez elaborada a hipótese. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados. pois. Nas ciências empíricas. o Racionalismo Critico de Karl R. quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. Segundo Stegmiiller. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. conhecido sob o nome de Círculo de Viena. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. Wolfgang STEGMOLLER. Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. 277 ss. aos poucos. -' Nosso estudo pretende abordar. o controle é feito com base em processos lógicos. Rudolf Carnap. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. ela deve ser submetida ao teste da experiência. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo . A filosofia contempordnea. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo. Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica. Tal corrente. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa. o controle é feito com base na observação e na experimentação. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. Seus principais integrantes foram. Otto Neurath. se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico. de modo sucinto. quando não impossível. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário.

é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico.4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica. factual. Princzvio do Logicismo . e que.. havia um debate fecundo entre eles. cit. 2.um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. ou seja. Wolfgang STEGMOLLER. Popper é. é verdade. 3. pp. segundo o princípio empirista. na medida em que priorizou as dimensões históricas. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. . real. sociais e psicológicas da pesquisa científica. É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. mediante comparação dos objetos entre si. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não. seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. op. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados. Kulm Todavia. traduzidos em uma linguagem observacional. Popper Karl R. contudo. se chegaria a um conceito geral. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. como mostraremos em nosso trabalho. porém. na medida em que for fundado na experiência. ou seja.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. ou seja. e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução. sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica. foi. Thomas S. De outro lado.. sem diiv ida. 277-284. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. Na realidade. como pensavam os empiristas clássicos.para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. 1. vol. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos . Não se tratava. 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo. sem dúvida. exige. Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época.

aparentemente plausível . Termos disposicionais. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. se atentarmos melhor. Entretanto. Elas nada declaram a respeito de um objeto. ou seja. esse ideal. Esta definição . Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras". então x se desmancha" é urna condicional. ainda que plausível. Teríamos. as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. Ver. como a palavra sugere. inteligente. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. elástico. como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água".Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso. Entretanto. Contudo. mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico. verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. Entretanto. item 3.é todavia inadequada. O enunciado "se x é colocado na água. eram passíveis de 4.1 deste capítulo. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. introvertido etc. ser caracterizadas como definições propriamente ditas.um objeto x é solúvel em água. solúvel. magnético. parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira . Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição. dada a falsidade do antecedente. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. seria considerado solúvel. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual. Sendo de madeira. Em suma. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. são termos que denotam uma disposição. Em vista da dificuldade ora apontada. de acordo com a definição proposta. o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso. a rigor. Contudo. então: se um objeto x é colocado na água. uma tendência de um determinado objeto para. Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. certamente que "a" não é solúvel em água. estas não podem. então x se desmancha. a condição de ser colocado na água). apresentar uma determinada reação ou comportamento. como veremos agora.

STEGMULLER." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência. 1983. a Europa encontrava-se imersa em grande crise. Edições 70. Nessa medida. O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler. 1977. 5. A filosofIa contempordnea. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. porém. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. a teoria da relatividade. e. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. De fato. Dentre as que me interessavam. Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco." 6 O problema que o intrigou. 274-329. 3. as três teorias anteriormente mencionadas. IX. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. Na época. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. de outro. é a de A. também W. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. contudo. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. Karl R. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. 1. 64 7.já que o conceito é deixado em aberto. Teve o mérito. vol. e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação. abrindo os olhos para uma nova verdade. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável. K. Ciência: conjecturas e refutações. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão. de chamar a atenção para o caráter aberto. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. Camap. pp. de um lado. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência. Além disso. R.de um conceito . São Paulo. outras três eram a teoria de Marx. Camap. p. a evolução do Empirismo Lógico. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. POPPER. Lisboa. 6. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. 63. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. Cap. p. escondida dos ainda não-iniciados. tais teorias não eram . in Conjecturas e reflaações. Uma vez abertos os olhos. Ibidem. da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. em certo sentido. EPU/Edusp. os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais. o qual corporifica. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre.

ou seja. em princípio. lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade. a teoria da relatividade pode. As três teorias precedentes não são falseáveis. Quanto mais uma teoria profbe. K. refutabiidade ou falseabiidade. caso ela resulte de urna tentativa séria. Einstein deu-se conta de que. que ela nos diz algo sobre a realidade. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. ser refutável. Uma teoria que pretende ser empírica. A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria.. Nesse caso. p. a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. Como diz Popper. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade. Ela é. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. em princípio. Ibidem p.1. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. porém malograda. nesse contexto. 11 Em suma. ou seja. 66. Por isso. predições que. 64. se não realizadas. ci:. Como descreveu Popper. colocar em risco as teorias em que se baseiam. Esta teoria parecia aberta à refutação. de refutar a teoria. 68 69 certas coisas de acontecer. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8. juntamente com os resultados de sua crítica à indução. 11. p. Ibidem. 10. "a irrefutabilidade não é urna virtude. deve. 65. refutável. p. Numa palavra. melhor ela é. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. Popper lembra. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão.testadas com base na experiência. ou seja. inspirar sua metodologia. POPPER. passando próxima do Sol. o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade. op. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo".13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. 9. não são capazes de sustentar predições que possam. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. "falseável". a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. mostrar-se incompatível com resultados de observação. factual. uma vez que as procuremos. ou seja. 66. isto é. caso sua teoria fosse verdadeira. 3. no dizer de Popper. em virtude da atração gravitacional do Sol. deveria refletir-se. Ibidem. mas um vício". Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. como frequentemente se pensa. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. R. O problema da indução . refutariam a teoria. em princípio.

ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. a experiência nos dá impressões sensíveis. p. K. Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade.para Popper . deve interpretá-las como repetições. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. POPPER. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes.. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema. A expectativa é . devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. é o sujeito que estabelece conexões entre eles. Segundo Hume. Ibidem. no futuro. tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. 66. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. segundo a qual dois eventos seriam em si similares. op. 13. porém. Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas. R. Fui levado portanto. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança). "A" virá sempre acompanhado de "B". a inferência indutiva não pode ser legitimada. Segundo Hurne. Todavia. baseada em similaridade que só ele poderá identificar. por considerações puramente lógicas. Como tais conexões não provêm da experiência. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. De um ponto de vista meramente lógico. Hume nega que a indução possua uma base lógica.a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela. e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. 14 A concepção ingênua. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12. mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. Popper aceita o argumento lógico contra a indução. Temos aí um empirismo radical. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos. Em suma. construções do sujeito. Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. cit. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. p. como o funcionamento de um relógio. só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . Mas devemos notar que. com o tempo acostumamos a essa repetição. numa teoria psicológica como a de Hume. precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. 66. Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). deve considerá-las similares. parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. Segundo Popper.

como mostraremos a seguir .. cit." ' O conhecimento não tem início com a experiência. ou seja. caso as observações não as corroborem. um problema. Pois. cit. alterar fundamentalmente o estado da questão. enunciados que exprimem leis naturais ou teorias.portanto. nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. POPPER. que exprimem leis. extraordinariamente limitados. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. um ponto de vista. Em Überblick.0] 70 71 definida. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16. demonstrar a verdade de . Teu II. "demonstração da verdade"). quer dizer. pois tais enunciados não são passíveis de verificação. Wolfgang STEGMÚLLER. 74. isto é. nesse contexto. É claro que uma tal verificação é impossível. 3. pretendem valer para qualquer tempo e lugar.da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação. K. . op. publicada em meados dos anos 30. convicção ou expectativa e os dados da observação. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes.que as repetições nos imponham suas regularidades. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria. enquanto que os enunciados de observação são singulares. op. se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. damos um salto para chegar a conclusões . 75-76.1 • iI 1. . POPPER. R. obviamente. A ciência começa com a percepção de um problema. Logo. 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos. 440-441. A metodologia de Popper resulta . uma tarefa 14. Se alguém quisesse verificar . pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação. desde que.que precisamos pôr de lado. descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada.2.um enunciado nomológico. R. e a dos enunciados que descrevem dados de observação. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). 76.. Ibidem. Theorie der empinschen Wissenschaften. 15. Os enunciados nomológicos são estritamente universais. p. isto é. Modeme Wissenschaftstheorie. 17. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto. in Naturwissenschaften 66. K. Popper. um interesse especial. precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação. Os dados de experiência são. p. p. mas com uma teoria. a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência. pp. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação. Sem nos determos em premissas. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa. pois.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

KUHN. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos. p. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. K.. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas. T. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos. Uma tal construção é. pp. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. cit. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo. SCHNEIDER. 32 ss. 30.. cit. ou será um movimento ondulatório. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. técnicas e saberes é muito pouco transparente. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. verificam-se as seguintes conseqüências. 28. KIJHN. que partilham o mesmo paradigma. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina.2. portanto. op. via de regra. 237 ss. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade. assim. cit. a Química e a Biologia. S. Vide H. p. em geral. quanto à natureza da luz. entre outros. 71. a Óptica de Newton etc. 20-21. The tacir dimension Thomas S. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. ia op. acolhida como superior às suas correntes. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. 29 A Física. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da . Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona. op. pelo menos intuitivamente. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. POLANYI. O paradigma caracteriza. bem como a maioria de suas ramificações. Kuhn dá o nome de paradigma. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão. eles conhecem a resposta. BAYERTZ.. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido. será ela composta de partículas de matéria. portanto. 37. 23. ou seja. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação.). G. Posfácio. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. ou ainda composta de fótons. Desaparecem. Constitui-se. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. M. pois toda essa rede de posturas. Ibidem. de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc.27. 29. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. A uma realização científica dessa envergadura. o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso. 4. a Física de Aristóteles. um grupo homogêneo.

A natureza de uni paradigma. O paradigma representa. nesse sentido. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. Masterrnann. Daí decorre que. 13. Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper).31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. durante algum tempo. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". KUHN. Nesse sentido. Nega que eles tenham a . 32. p. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. Como diz Kuhn. S. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. Em algumas passagens. in 1. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. Por receber adesão coletiva. interessá-lo. Com isso. a existência de fenômenos recalcitrantes. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. op. 72-108. ele adquire uma dimensão normativa.fecundidade de um tal conceito. para o qual já existe uma solução paradignultica. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada. M. MUSGRAVE (orgs. Ibidem p. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe. o qual não é o resultado direto de experiências. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência". propriedade coletiva da comunidade científica. Não nega. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. na ciência. então. que não se ajustam facilmente ao paradigma. 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. mas que direciona qualquer experiência. ci:. LAKATOS e A. naturalmente. pp. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. ou seja. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. 33. Posto isso. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. MASTERMANN. de antemão. T. Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. um arcabouço teórico de cunho bem geral. quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista.. M. o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. porém. detectou 21 acepções diferentes desse conceito. que ele comporta solução. 65. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo. A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão.) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. ele é tido por inatacável. Aí estão os problemas considerados legítimos.

The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent. Além disso. KUHN. MUSGRAVE. A Crítica da ciência. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. G. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos.3. proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas. 162-174.. não se pode esquecer.). op. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso. pp. dirigido ao pormenor. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma. T. S. esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento. p. Vide H. 12. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham. 4.36 34. S. vide T. S. a atividade científica tem um forte componente social. W. assim. Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. efetuado pelo artesão científico. cit. 36. Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. ele goza de certas imunidades. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. Especulações ousadas . Cit. 5. A fase de triunfo. proibidos pelo paradigma. Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. vide T. ela é condição de possibilidade de emergência do novo. iii 1. pp. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria.). p. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades. pois. KUHN. 45. 53-80. SCHNEIDER. O paradigma está ameaçado. cit. op. Contudo. T. importante papel na produção do novo. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. in Jorge Dias de DEUS (org. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. cede lugar a um período de crise. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade. tem. LAKATOS e A. da acumulação bemsucedida de saber. KUHN. Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. O trabalho miúdo. KUHN. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes.37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. 35. TAYLOR (org. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante. A função do dogma na investigação científica.). A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática.função que Popper lhes atribui. papel mediador na emergência do novo. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele.

parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. op. se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia. mas a altera profundamente.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. porém. 44. 38. cit. 116. como assinala K. 42 De qualquer forma. Bayertz. The essential tension. Em geral. A crise parece desempenhar esse papel. de início. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas. ao seu conservadorismo. Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. T. p. KUHN. para cada situação possível. A estrutura das revoluções científicas.. S. enriquecendo-a com novas informações. 39. Ele é mais urna "promessa de sucesso". 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. p. cit. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. dominada por um paradigma sucessor. 57 ss. por muita confusão e inquietação. via de regra. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade. dessa promessa". p. como é que. pois não é possível pesquisar sem paradigma. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. as revoluções pareceriam impossíveis. 44. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. u Entretanto.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. Contudo. 43. ' Com o agravamento da crise. KUHN. Kurt BAYERTZ. 113 ss. De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. S. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. 41. As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. T. p. Vide nota 36. os cientistas não o abandonarão. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. na visão de Kuhn. cit. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. Contudo. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência. S. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40. 190-191. A questão é que. Ibidem. 42. Ibidem.. in op. contudo. op. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade. critérios gerais que determinam de modo unívoco. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. Não existem. . É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. pp. diferentemente. o qual é precedido. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. Ibidem. T. Sem crise. KUHN. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos.

LAKATOS e A. elevando o seu grau de probabilidade. Popper rompe com essa tradição indutivista. defendida por Thomas Kuhn. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes.). quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. ou seja. a outra. op. falseamento de concepções existentes. mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. a menos que seja guiada por um paradigma. S. in Wemer DIEDERICH (org. acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. urna vez de posse de urna hipótese. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente. 10 ss. 113-114. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. T. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência. mas. p. como. as quais confumariam a hipótese em questão. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. as quais. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. STEGMULLER. Idem. KUHN. 46. mantendo-se crítica frente a ele. dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. nessa fase pós-paradigmática. Procura tomar mais aguda a crise. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos. tratava-se de confirmá-la indutivamente. 81 extraordinária. A filosofia contempordnea. 167-211. 114. por exemplo. Para . ' Em meados da década de 30. suas teses provocaram grande impacto. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. Isso é compreensível. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. então.45. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. não para descobrir hipóteses. pp. busca de alternativas. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. A estrutura das revoluções cient(ficas.). cit. Em uma palavra. W. pp. Em outras palavras. 47. 5. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares. 48. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. tentará formular novas teorias. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. a pesquisa se toma aleatória. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. o método indutivo era usado. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. pp. representada por Karl R. Ibidem. Popper e seus discípulos. Como sabemos. p. (org. 49. Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. 353-391. pois propiciou uma articulação mais clara. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. se tiverem êxito. MUSGRAVE.

até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . MUSGRAVE. ou a admitir que. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva. E tal reflexão poderá mostrar que. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. regras de lógica dedutiva. ou seja. p. Sua metodologia é urna metodologia crítica. aberta à refutação. Todavia. deste capítulo. Ver. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. no entender de Kuhn. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1. além disso. nem de longe.ele. de fato. (orgs. E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. LAKATOS e A.. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência. e que seriam. a-crítica. 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação. sim. teimosas. certamente. T. negativa. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). mas se prende ao fato de que. que privilegia o espírito crítico. mesmo preservadas as idéias . em outro. uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar. contudo. não se impor. nem pela dedução. pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade. 51. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese. o 50. um empreendimento irracional. E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos.via indução . quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. KUHN. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante. não possuem.não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. É preciso. parece bastante saudável para a ciência. S. ainda que estes possam ocorrer. Se. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas . ela é. nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva. se Kuhn tem razão. com o tempo. 18 ss.e nesse ponto concorda com Popper -. em um caso. A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. aos poucos.nem a refutação das mesmas . À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. rever nosso conceito de racionalidade. a crença na indução não passa de uma ficção. item 2. não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece. Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo. quem tem razão? A posição de Popper. se a ciência não se orientar nem pela indução. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido.) op cit. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. a relevância que Popper lhes atribui.via dedução .

Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria. 54. quando. MUSGRAVE (orgs. cit. p. fixado antecipadamente. Contra a ciência normal. D. Em vez disso. além disso. 53. pp. p.. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. S. A ciência normal e seus perigos. vemos apenas um quadro geral. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. KUHN. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. explicar os fenômenos da óptica. seria possível. De início. ela não se apresenta logo como algo acabado. POPPER. Ver também a contribuiç5o de J. nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. K. pp. em sistema acabado. LAKATOS e A. portanto. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. no século XIX. in 1. que contém uma estrutura matemática. Newton havia prognosticado que. contudo. concluiu-se. Apoiaino-nos na exposição de W. . Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. T. S. W. arcabouço teórico. ou que se conheça de antemão. obviamente. WATKINS. estas refutações não atingem a teoria enquanto tal. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração. porém. 63-71. A estrutura das revoluções científicas (op. N. 186. op. articulado em todos os seus detalhes. cit. KUHN. 55. R. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal. conhecem-se algumas aplicações da teoria. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. passíveis. 191. ainda não conhecidas. Isso. Todavia. o movimento pendular. Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. in 1.centrais de Kuhn. cit. não corresponde à realidade. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito.). a razão está do lado de Kuhn. Existem refutações na ciência e. a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e. SNEED. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis. de serem verdadeiros ou falsos. com o auxilio de sua mecânica de partículas. impôsse a teoria ondulatória da luz. um dia. E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica. e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região. Para ilustrar. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade. MUSGRAVE. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. nesse sentido.) op. nesse ponto. Quando uma teoria é concebida. T. Vejamos um exemplo. A classe das aplicações possíveis não constitui. (orgs. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação. sugere-se 52. via de regra. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei. que a luz não era constituída de partículas. 33-48." liii núcleo estrutural não é passível de refutação. ci:. o fenômeno das manis etc. porém. A estrutura das revoluções científicas. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade. Popper tem razão. LAKATOS e A. The logical structure of mathemaiical physics. todos os esforços nesse sentido foram inúteis.) op..

). The tacit di. 1 e MUSGRAVE. Ciência: conjecturas e refutações.Wissenschaftskritik. A crítica da ciência. H. pois que a vivemos de forma ambígua. Naturwissenschaften 66. POLANYI. PASQUINELLI.Sor1erdntck . Brasilia: Ed. Nova York: Doubleday & Company mc. Frankfurt: Suhrkamp.. SP: Cu1trixEdusp. é normal haver defensores da teoria até então dominante. _______ Duas faces do senso comum. Belo Horizonte: Itatiaia.ssenschaftsgeschichte.. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. Afilosofia contemporânea. 2t ed. ht Psychologie heute . Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado. 1983. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. Itatiaia. N. lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade.nension. B. bem como defensores da nova teoria então nascente. 1979. 70. Karl R. 1n Conjecturas e refutações. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. 1n Conhecimento objetivo. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . um dia. Dado que as teorias são irrefutáveis. Além disso. Carnap e o positivismo lógico. LAKATOS. WATKINS. ampliando seu domínio de aplicação. 1n DIEDERICH. Jorge Dias de (org. 1966. A. hoje em dia. Boston. A crítica e o desenvolvimento da ciência. As origens do conhecimento e da ignorância. Weinheimund Basel Beltz Verlag. Bibliografia BAYERTZ.). Contra a ciência normal. Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear. KUHN. (org. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. contudo. 1978. Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J. POPPER. (org. 1979. Verdade. E. 1971. Eis porque em outros escritos meus já . 2 ed. A. 1979. Lisboa: Ed. Kurt. Dordrecht. Brasilia: Ed. como parece ter sugerido Kuhn. s/d. J. já se disse que se. Garden City. 1975. J. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome. 1. BH. Wemer (org. Wissenschafiliche Revolution. 1n Conjecturas e refutações. SP: EPUJEdusp. A estrutura das revoluções cient(ficas. s/d. STEGMÜLLER. em ambas as teorias.). Racionalidade e a expansão do conhecimento. (2 voL). e MUSGRAVE. certamente. SP: Perspectiva. numa época de transição. a outra parte da população está morrendo porque a tem. LOSEE. SP: Oaltrix/Edusp. D. W. 1977. RJ: Zahar. da UnB. J. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. Wolfgang. DEUS.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea. The logical structure of mathematical physics. a nosso ver. não há nada de irracional nesses comportamentos. da Universidade de Brasília. Introdução histórica d filosofia da ciência. 197.. Munique: Springer Verlag. A. 1978. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis.). SCHNEIDER. Theorien der Wi. G. SP: Edusp. os quais esperam e acreditam que ela. Thomas S. 1979. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas. 1974. SNEED.A comunidade científica não é irracional. Para isso. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha. Michael. João Francisco Regis de Morais* Concretamente. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. 1n LAKATOS.

não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". a ser apenas bom.de se olhar para a vida e interpretá-la. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. penso. o que gera. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp.no mais salutar sentido da palavra . correspondem funções latentes. pelo menos. negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar. nunca será apenas mau. pode ser. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental. 1.. a realidade humana seja "isto e aquilo". a ciência e a tecnologia não são boas ou más. às suas funções manfestas. mas é necessário que. São ambas as coisas. Discutível? Sim. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade. ou só em seus lados positivos. num projeto histórico mais modesto irias. conhecidas e declaradas. nos negócios humanos. negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado. expondo-nos à permanência do provisório. Não muito preocupado com essas periodizações. O nosso meio. de um lado. e. Volto sempre a dizer que. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas. Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. factível. tampouco lograremos que chegue algum dia. para não quebrar o fluxo dialético da vida. nas quais se lê que. Inevitavelmente. não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio. E isto porque. dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século.se é que algum dia o tenham sido. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade. . pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. São dois modos de ver. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. do século XVI (Renascimento) até hoje. A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos. imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim. Evidentemente. de outro lado. Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal. Certamente que não é um modo cômodo de ver. não podem mais ser livres de valores (value free) . menciono três grandes momentos do mundo moderno. que é marcadamente científico-tecnológico. Mas parece ser o modo realista .

estava. conhecida como o Barroco. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial. na Igreja de Notre Dame de Paris. pelos séculos . Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. Para Newton. Ora. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. conseqüentemente. A arte deste século. imutáveis. quando a Revolução Francesa. quanto à queda dos corpos na física. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica. perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. entre o humano e o divino. necessárias e. entre a luz e a sombra. o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. e este campo abria-se de forma ilimitada. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. inaugura a chamada ciência experimental. o universo sagrado. prepara. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno.Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. Ora. regido por leis internas. em muitos aspectos. curiosamente. de nome Galileu Galilei. no meu entender. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente. no século XVIII. o mundo "encantado" da Idade Média. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. é o primeiro grande momento do mundo moderno. Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo". De repente. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. lugar no qual. Num golpe histórico. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. é urna aguda expressão de perplexidade. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica. de espanto. tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. em um preciso dia do preciso ano de 1590. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. Na primeira metade do século XVII. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. É muito importante que atentemos bem para isto. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. um altar para a Deusa Razão. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. Porém. porém.

Mas.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. e a coisa vai assim até que morremos e. como disse. Está transcodificada a nossa realidade e. Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito. à deterioração. à entropia". agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. . Se antes dormia-se quando se tinha sono. com as chaves antigas de leitura. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade. A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia. desde que ultrapassada a fase de programação. instalando-se definitivamente o tempo da máquina. Bolzrnann (na Alemanha). quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. agora. crescemos em organizações (escolas). somos cuidados pelas organizações funerárias. Como tenho dito. Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. via-o como algo que "tende ao caos. Com os avanços da ciência cibernética. ao contrário. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. quase inconcebível. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. a eletricidade etc. de modo que o operário pudesse intervir. para se poder levantar cedo. o carvão. S.seguintes. por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. 1983). Duas Cidades. de ensino ou outros. sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. já não se podia ler. comerciais.. Paulo. Com a crescente urbanização do Ocidente. comia-se quando se tinha fome. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. trabalhando junto com a máquina. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. Um novo tempo com novo ritmo começava. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que. Um tanto perplexos com tudo isto. Isto vem até dentro do presente século. Estávamos na "era da incerteza' '. oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris.. tenha-se ou não fome.. às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo.. passamos a vida trabalhando em complexos industriais. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza". surge o computador.no mundo da vertigem e do espanto. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo. desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. a realidade global da sociedade. A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. como o vapor. de um "universo de situações probabilisticas".7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade). ou se despertava quando o sono acabava.

Mas a pretensão é. Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . O século XVIII. E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". 2. tinha apenas na base um impulso salutar. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível. Diante disso.muito pior em um brevíssimo ensaio como este.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento. é perder um pouco da própria identidade. demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância . perdeu. E só se tornou negativa. preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. em si. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. a princípio. da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que. a consciência de si. à medida em que quis romper com a reflexão filosófica. quando a contestação se transformou em ruptura. em um processo normal e salutar de crescimento psicológico. compete perguntar se tudo está perdido. sem que a outra perna crescesse também. visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. menos que responder completamente a tais indagações. uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer. Assim foi que a ciência. a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna. convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é. Tentemos algo. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos. e muito. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia. conseguiu. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado. em termos genéticos. a atividade científica toda emergiu. Era positiva a tal contestação. De uma certa maneira.e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. são questões grandes demais. há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. maravilhosa. mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. enfim. provoca. um ledo engano. Negar a mãe é necessário. a vontade (WoIlen). quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. a visão fragmentária de um mundo mecânico . A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente. Ora. isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos.esta mesma humanidade está atrofiada. na vida do homem. em apenas quatro séculos de experimentalismo. é se tornar uma atividade febril e sem história. chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. em um desastre mesmo. Como se pode ver. Assim como. Com pouco que se contribua neste campo será muito. pelo menos em campo material. mas em tennos espirituais . o que é uma falácia. mas romper com ela é se perder das origens mais reais. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo.

para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos. com certo prazer autodestrutivo. À Weltanschauung. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica. Paulo. da forma mais assustadora. precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa.sendo que. na qual." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte. Zargwill. Ao que me parece. enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa . O médico e pensador Albert Schweitzer. Todavia. trata-se da facilidade com que expor a vida. e enlouquecer-me-ão. Mas não o sou. pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. S. analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. visão de mundo ou concepção de mundo. da escola etc. Num sentido sócio-cultural. o dr. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. 1959). as coisas se compensam.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica. como visão de vida. Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. crendo que a história faz inteiramente a consciência. Creio que o homem é "ele e sua circunstância". se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. há mais uma grave questão. propõe. de uma tal forma que. escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro. a verdade de um sistema interdependente. transformou-se num esporte contemporâneo. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. E. estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo. Chemobyl acaba de mostrar-nos. da igreja. Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor. em um momento de explosão bendita. Editora Melhoramentos. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver.em termos de desequilíbrio climático . Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. em suas palavras. mais do que interdependência. se isto é verdade. Ora. Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço . no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem.meticulosamente articulado. tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo. aí. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo.de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. na recuperação de uma . e esta de ordem psicológica. para não enlouquecer.

mas não foram tentadas todos . cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento. que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. O mesmo dr.visão de vida (Lebensanschauung). quando na primavera os campos reverdecem. no seu íntimo. Não se trata. havendo amor. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. isto só se dá porque cada ramículo. temos energia nuclear. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto.0] 92 93 mundo. Conchindo. as boas e as más. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. e muitos mais feitos da ciência. do próprio processo de educação. fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres. no entanto. O fundamental é. tomando-se. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque. Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). No século XIX. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. portanto. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades. Albert Schweitzer dizia que.1 Ii Í'.. como também da sanidade da ciência. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. .o que nos faz ver razão de esperança. Isto porque. uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis. para cruzarmos os braços em hora tão delicada. e. temos infonnática computacional. unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. dentro da escola. trata-se de que cada um. Seu objetivo é convocar o estudante a participar. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu . temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação.. o estudante deve estudar primeiro como aprender. não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade. com maior maturidade. Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico." Hoje temos muito. segundo.

educandoeducador.. interdisciplinaridade. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'. pela linguagem. tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos. Jornais e revistas.. dinâmica de grupo. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa. com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância. e portanto da intenção. a organização de um pensamento correto em ambos. . mas sim o de proporcionar. em saltos qualitativos. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. sobretudo. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. Professor de Filosofia da Puccamp. pelo aumento da demanda escolar. uma situação desejada. feita nas salas de aula. Extensõo ou comunicaçdo?. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. Mas. Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . Antigamente. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia. as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP).Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar. desmoronando fronteiras. 1. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. através da relação dialógica educador-educando. Doutorando em Educação (Unicamp). ação extensionista escola-comunidade.. isto é. Por causa da célere geração e substituição de informações. Hoje. rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. extinguindo mesmo funções. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador. Se surgem novas palavras. De alguns anos para cá. pela "forçosidade" de especialização profissional. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. uma realidade emergente. Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. inclusive semanticamente. para manifestar ou preceder. trabalho cooperativo. a educação sistemática. Dessa maneira. mas para representar. que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro. no nível da comunicação. 53. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem. com reflexos na prática didático-pedagógica. de ordem técnica ou não. mais do que o professor ou qualquer livro didático.. 07 de leitura da realidade. pelo acúmulo de infounações. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. de urna nova dinâmica educacional. P. FREIRE. substituindo valores. p. necessária e esperada. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade.

op. atrvés do emprego de processos científicos. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. Consultar livros e revistas. Qu 'appelle-t-on penser. Um desafio que envolve professor e aluno. de indagação. fazendo perguntas para obter resposta. Dentro dessa perspectiva educacional. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. 89. p. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. M. seres humanos. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. com risco de o professor querer competir. A pessoa agirá por etapas. Certamente. engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. para uma incorporação rica de informações. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual. como nenhum cientista. genericamente. Neste sentido lato. A pesquisa bibliografica Pesquisar. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar. no domínio desse conhecimento. 1. que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. FREIRE. como sinônimo de busca. 54. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. são formas de pesqulsa. que é perda de tempo e de energia. HEIDEGGER. pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo. em direção ao seu objetivo ordinário.Portanto." Assim. 3. Para não . 98 O termo pesquisa é aplicado aqui. de bairro em bairro. do simples ao mais complexo. num sentido amplo. P. p. conversar com pessoas. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. a fim de que. percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. com os veículos de comunicação modernos. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. examinar documentos. 2. a não ser que seja insensata. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno. cit." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. de investigação. làis métodos (do grego: meta = para. A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender". Mas o que professor e aluno. O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. intuitivamente ou não. nenhum pensador. do próximo ao distante. em desvantagem. desafiado.. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno.

o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. sem mais nenhum dado que forneça pistas. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. caminhando a esmo. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras. Um objeto de estudo bem pode ser: . após várias tentativas. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua. Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar. A leitura das tabuletas com o nome de rua. a pessoa solicita.passar ridículo.o título de uma conferência ou simpósio. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte. propriamente dita. . o exame de mapa ou lista telefônica são métodos.o texto básico para um seminário. aleatoriamente. e compilação das informações (documentação). . Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico.a obra científica ou literária de um autor. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. vagamente na cabeça. lendo todas as tabuletas indicativas da cidade. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna. localização dessas fontes. Do ponto de vista prático. . um carteiro. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. "caminhos para" se obter a informação desejada. A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro. Assim.uma hipótese-problema para pesquisa científica.o conteúdo programado de uma aula. um motorista de táxi ou.urna doutrina ou um sistema de idéias. . Diante das respostas negativas dos transeuntes. . . . ao primeiro indivíduo que passa. isto é. defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes. . uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. por exemplo. Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando. . a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. por si só. um jornaleiro.o assunto para urna matéria jornalística. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita.uma tese para um trabalho monográfico. Neste caso. grafia = descrição. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. a consulta de indivíduos abalizados ou não.um tópico especffico do programa. que poderia ser considerado um expert no assunto. é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa. Têm.os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. . um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor. eventuafruente.

tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. cadernos de séries já cursadas. do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. ao matricular-se em urna escola superior. A organização de todo esse material didático. uma HISTÓRIA. para bem orientar.O professor. em um caderno pessoal. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. Um estudante. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. que apresente uma visão geral desse campo. a formação geral e a formação específica dentro da escola. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. A partir da definição clara do objeto de estudo. como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. Além do enriquecimento do vocabulário. trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. mas o " companheirodos-sábios". se possível. um TRATADO. Um bom dicionário comum da língua materna e. 1 101 Não obstante. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor. como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber. respectivarnente. dos principais tópicos. Neste período. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. procurar adquirir livros. Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. O dicionário não é o" pai-dos-burros". teses e monografias mais específicas. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. De início. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. que concorre também para aumentar a velocidade de . No caso do estudante. Anotações de aula. como diz o senso comum. fichamentos de livros. provas corrigidas. Nas séries finais. Se esse material estiver guardado ordenadamente. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. quando o campo de interesse já estiver bem-definido. sínteses de artigos udos e analisados. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos.

programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. uma HISTÓRIA. isto é. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. o aluno. Sendo o sistema de consulta "self-service". um dicionário da língua e outro especializado. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica. dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. no caso de urgência para completar o estudo. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. Nem isso é possível na atual politica educacional. Muitas escolas. por exemplo. No que se refere à bibliografia da disciplina. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. com acesso direto às estantes. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. a médio ou longo prazo. Para economizar tempo na localização dessas outras obras. principalmente as de nível superior. ler os sumários e orelhas. para enriquecer a sua biblioteca profissional. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias. 102 A relação de livros e textos básicos. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. De posse dessa bibliografia básica.leitura. uma INTRODUÇÃO. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. um TRATADO. em que são escassas as verbas para educação. o aluno poderá. direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. através de uma exploração inicial. Além das bibliotecas escolares e universitárias. Assim. não encontrada nas primeiras. a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino. danos e perdas de livros. o estudante poderá manusear vários livros. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra. De outro modo. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado. às particulares ou às públicas. segundo as grandes . ganhando tempo e segurança.

O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático. 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . 22cm. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas. Arcangelo R.Filosofia . M564f Fenomenologia da Percepção. segundo a classificação do Catálogo de Assunto. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. Teologia. Matemática. Recorre ao Catálogo de Assunto. classificados alfabeticamente por sobrenome. 7 edição. Tem-se assim. Educação. Artes etc. em ordem alfabética. Maurice (1908-1961). com as fichas de obras e autores que versam a respeito. A Biblioteca possui 3 exemplares. Rio de Janeiro. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. flmdamentalmente. 3 ed. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. 206 p. Publicações CID . busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras. 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. 465 p. Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. Sociologia. Psicologia. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas. Contudo. 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. B992i a linguagem. fornecido pelo Catálogo de Assunto. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. 100 Introdução ao pensar: o ser. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. Vozes. 21 cm.. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. Freitas Bastos. Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico.. também denominado Ideográfico. Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor. e as respectivas obras.áreas do saber: Filosofia. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo.v. 142-7 MERLEAU-PONTY. Petrópolis. 1978. De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto. 1971. Comunicação. o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor. o conhecer.

100 .100. quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto. Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY.Ciências Sociais 400 . 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra.Ciências Puras 600 .540.A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra).. uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338.Literatura 900 . Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA. O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal.8. 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto. Nesse sistema. idealizou e publicou em 1876. Geografia e História 000 . Saúde Pública 614. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico.Belas Artes 800 .Religião 300 . Por exemplo. um livro que contenha urna parte de Química Analitica. é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto. que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. 9 Dimensão do livro.Ciências Aplicadas 700 .321. É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja. A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar. 3 Título da obra.Biografia. 8 Número de páginas. A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY. 11 Número de exemplares da Biblioteca. Por exemplo. quanto mais algarismos tiver a classificação numérica. 10 Páginas com indicação bibliográfica. tem-se que. Democracia . 6 Casa editora. 2 Sobrenome e prenome do autor. trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado. Por outro lado. 5 Local de publicação. Resumindo-se.. 7 Data de publicação. . seu número de classificação será geral. Exemplo: . o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia . outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica .0944.Filosofia 200 . 4 Número de edição.Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões. funcionário de uma biblioteca americana.Filologia e Lingüística 500 .

Conhecimento. à da experiência do corpo no mundo. Joel Justino Batista 107 S487i .15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. 8 Valor. .. Lisboa. d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade. divisão 140 (ficha 2). 128 Homem. Conhecimento. -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . 112 Saber.13 Artérias 611. um referente a um tema da área de Ciências Humanas. 6 3 2 45 SERRÃO. 198 p. tem-se que: .o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático.1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611.Iniciação ao filosofar.Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 . Filosofia. ::::as::1ms. Epistemologia.o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1). Essência. Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia.Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia.14 Veias 611. b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. 1970.Sã da Costa. 22cm.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611. . 2' edição. outro referente a um terna da área de Ciências Exatas. c) é um tema de Filosofia Crítica. Filosofia. Metafísica. Filosofia. 123 Liberdade. . 121.

é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes.o item b remete à seção Ótica Física. divisão 142 (ficha 3). tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. caso o aluno tenha acesso direto. Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: . . divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). .535 Física .5 do Catálogo Sistemático (ficha 3).o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. divisão 142. Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. mais específica (ficha 4). . tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa. é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron. ficaria muito difidil encontrar. Apocal4oticos e integrados. de Física. Meditações.o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático. só pelo título. O dorso do tigre também não é da área de Zoologia. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura.o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático..Propagação . Finalmente. ou mesmo universitárias. Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático. Para localizar um livro na estante. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático. Portanto. b) é um tema abordado pela Ótica Física. as seguintes obras: A reprodução.o item a remete à classe de Física. O dorso do tigre.530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático. O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor. 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. que parece um tratado de Teologia. há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais. Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes. Apocalípticos e integrados. mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes. c) é um tema relacionado com a propagação da luz. Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. . Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar. A reprodução. Como mera ilustração. as revistas especializadas e os catálogos de editora. divisão 535. embora pareça obra de Genética da área de Biologia.7. divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1).535. Luz . raramente têm Catálogo de Títulos.5 Ótica Física . isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação. Meditações é título de duas obras homônimas.

Ciente disso. Veja e Visõo. Economia. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência. Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). As mais conhecidas são Isto É. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras. encanes. Direito. da participação em conferências e seminários. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. redigidos e assinados por especialistas." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. documentação bibliográfica e documentação temática. Publicidade e outros. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. Antonio Joaquim Severino. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada. via postal. Ambietie. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados. 5. 4. deve procurar as revistas especializadas.?Senhor. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar. . remetendo endereço e dados pessoais. Medicina. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização. o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. da assistência às aulas. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. seções. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. nos jornais de sua cidade e região. aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado. na prática. 2. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral.Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. Após a identificação e a localização das fontes. Para tanto. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. quando houver. Saúde.

Vide l-leloísa de Almeida PRADO. cap. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos.citados anteriormente -. depois de colados em folha sulfite. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. Organize sua biblioteca. em pastas ou fichários simples. titulo do artigo. Isto é.tais como: trabalhos didáticos. Assim. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. Não é o caso também de armazenar. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. prospectos de conferências. as infomiações dos textos armazenados. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. 7. desse modo. 6. folhetos e catálogos das editoras. classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. p. IX. ficam melhor acondicionados. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. J. o estudo . Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. data. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. material instrucional de aula etc. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente. A. gráficos estatísticos. de modo que ajude a identificação quando necessário. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. SEVERINO. Na montagem dessas folhas. ruas apenas de modo técnico. de poucas folhas. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. apostilas. nesses arquivos. em qualquer tempo. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. tudo o que cai nas mãos. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais. com relação alfabética ou numérica dos textos. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. Uma página de frente. o conjunto básico dos livros . Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. encabeçados também por um índice remissivo. como recortes de jornais. autor. de várias folhas. estampas e ilustrações. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. roteiros de seminários. mapas. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica. para facilitar utilização posterior. 72. X e XI. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa.A vantagem dessa atividade. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. em ordem cronológica. desenvolvida como forma de estudo. ci:. É evidente que essa atividade. sem critério. Documentos menores. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem. Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. op. textos fotocopiados. Do mesmo modo que colecionamos livros.. documentos inéditos. A biblioteca do aluno é. artigos de revistas. nome do jornal ou revista. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação.

quando for consultar. O estudante que empreende tal estudo. Para tanto. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno. Entretanto. o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse. na forma de documentação. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. próprias para fichários-padráo. As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. registrar simplesmente sem código. o estudante deve anotar também suas idéias. isto é. escolher um outro código para identificá-las. críticas. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. posteriormente. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa. as anotações de idéias pessoais. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa.5 x 15. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura. isto é. Finalmente. problematizações. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. embora esteja investigando um saber já elaborado. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. de quem é a autoria do texto anotado. recensões e teses. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. o aluno consegue identificar os pressupostos. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris. à venda em papelarias. É uru requisito necessário ao . que forem surgindo durante a leitura. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023. não menos essenciais. os argumentos. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. é prudente estabelecer um código simples para identificar. 3. Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. não se comporta como um mero repetidor. Para ilustrar isso. as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. é colocar essas citações entre aspas. resumos. artigos. É conveniente que o aluno faça comentários. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. Do ponto de vista gnoseológico. No Brasil. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). indicando entre parênteses a página do documento.5 cm. Em agosto de 1989.

são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário. São Paulo.notas complementares e especiais (opcional). Para referenciação de livros e textos acadêmicos. de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica. .prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula). boletins.subtítulo (depois de dois pontos. deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques).titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. consultar: ZANAGA.). O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap. Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo. . . A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap.. Mariangela Pisoni. ainda. Textos didáticos n. Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. editora. e o . . data de publicação). 32 Da segunda linha em diante. 1992. 21). dois pontos. trata da organização da vida de estudos. letras minúsculas). No l cap. 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação. 1.tradução (se houver). O Cap. Cortez Ed. c) encabeçando resumos ou recensões. SEVER1NO. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico. outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap. A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986. . trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. Aqui o A. O aprofundamento do estudo científico pressupõe.edição (quando mencionada ria obra). textos avulsos ou outros).. 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. Segundo o A.aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento.irnprenta (local de publicação. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto. visando torná-lo organizado. (continuação) No 42 cap. Para referências específicas de fontes peculiares (teses. vfrgula.).sobrenome do autor (letras maiúsculas). congressos. 9. o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo. opcional. . A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p. Campinas: Puccamp/Fabi. Para maiores infonnações técnicas. 21). O autor apresenta normas práticas para o estudo. sem grifo. 1980. . que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . exceto nomes próprios).

meios de informação. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS. São Paulo: Francisco Alves. As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento. 1980. ei ai. revisto e atualizado 2. Campinas: Papirus. 4683. 1982. 1. Folha da Tarde.). João Francisco Regis de. p. 143-144). LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. = pagina n. Maria Helena. v. resumos de textos e resenhas (pp. em nota especial no final. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. 16 jan. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. 6 Quando se tratar de obra traduzida. opcionalmente. se o estudante não aprender e compreender Delta. p. consecutivamente. Tradução por Ivo Stomiolo. Campinas: Instituto de Filosofia. pode-se indicar Jornal do Brasil.diário. (expressão latina) = e outros 3.. (Coleção vida e meditação). Rio de Janeiro. (exceto maio). 2! cd. Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido. Puccamp. at. mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. 10. = mímem (fascículo) SODRÉ. IX. exemplos: jan. trabalhos didóticos. Alberto e SOUZA FILHO. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. São Paulo. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista. e MARTINS. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. 14. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. 5 ed. 1989 . (*) O A. ii. jun. fundamentais no contexto da vida universitária. 114 11ç 8. = ilustrado rev. Este desafio . at. Campinas: Papirus.nonogra. ago. Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er.) na seqiência do título e. 9Op. 1968.. 1988. os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. ii. Muniz e FERRARI. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor. ed. em ordem crescente. OBRA COLETIVA registrando. feita pelo próprio autor. (Tradução por . sistemática (J)or assunto) ou cronológica. ediçâo. nas 9.cap. 1982. por um travessão. A colheita. mar. v. Rabindranath. Tradução do bengali para o inglês. Contraponto.. 1991. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. rev. distingue os tipos de trabalho: .. volume (tomo) p. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA. VII.fia (que aborda um único tema). Danilo M. quando mencionado. São Paulo: Exemplos: Paulinas. título ou o idioma original (Tradução de .

São Paulo: Atlas. São Paulo: Cortez e Autores Associados. THIOLLENT. 1990. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. T. pp. CERVO. ERBOLATO. Paris: PUF. 1985. São Paulo: Atlas. 116 DIAS. MORAL. Gonzales Ireneo S. São Paulo: Paulinas. Os homens e suas pontes. E. 1. Paulo. 1967. A. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . Mutações em educação segundo McLuhan. IV. Análise do discurso de Maiakovski. FREIRE. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. Metodologia do trabalho cientifico. 1985. Mania. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. Folhetim. HEIDEGGER. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira. 1980. e BARBOSA. v. 1971. 7. (Coleção didática. 1973. Metodologia da pesquisa-ação. 1. 1974. Comunicação e cotidiano. Metodologia cient(fica. 1992. 1977. Lauro de. M. ASTI VERA. Haroldo.n. 1984. 2! ed. Armando. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. 1). Antonio Joaquim. C. Metodologia dei trabajo cient(fico. Josephina. pp. 25. 55 e 14 cd. 1973.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo: Polígono. 1979. (Edição interna). OLIVEIRA LIMA. 24jun.pp. PRADO. Porto Alegre: Globo. Antônio Cândido. amp. 45 ed. HILLAL. São Paulo: McGraw-Hill. 1983. RUIZ. Heloísa de Almeida. L. Elementos de catalogação. 1973. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. Petrópolis: Vozes. Margaret. João Àlvaro. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação. 1969. 6. Catalogação e clossflcação de livros. DOMINGUES DE CASTRO. rev. São Paulo: AbrilCultural. Santander: Editorial Sal Terras. 1971. 6 ed. L. 1962. SEVERINO. 2 cd. São Paulo: Cortez e Autores Associados. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. 1. LAKATOS. 19 dez. Paulo. 1955. P. Maria Duma de Oliveira et ai. 57-76. J. 2 cd. Michel. Qu 'appelle-t-on penser. Organize sua biblioteca. Paulo. (Boletim n 306). Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. M. v. Folha de S. assunto do próximo capítulo. Tradução CAMPOS. e MARCONI. v. Amélia Americano F. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. GONÇALVES. Metodologia da investigação cient(fica. Resgate. A. M. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . MANN. 5-6. 48-54. e BERVIAN. 1978. Tradução por Washington José de Almeida Moura. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. MICELI. São Paulo. Veja. por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães. Campinas: Papirus. A.

outras perguntas. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. também "faz" sombras. que transforma o mundo colocando algo de si. políticas.. cientistas.. querna importância geral que desempenha. definitivo. à medida que são sistematizados. é ao mesmo tempo produtor. e mesmo de outras expressões do conhecimento. absoluto. É um eterno fazer-se. nenhum ultrapassa a linguagem." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas. Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. Esclarece." 2 fraduzem as angústias. que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. são imprimidos pela marca da historicidade. É através dela que expressa a sua vida. sempre guarda um sentido subjacente. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. a ser assimilado pelo leitor. obscurece. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes. 2. as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens. esculturas. A sistematização.O texto é obra humana. É carregado de significações. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História. participar é o produto colocado no mundo. portanto.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem). televisão.. levanta outras questões. da literatura. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens. os problemas. ideológicas e culturais. Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. Como toda obra humana. Enquanto produto das suas relações com o mundo. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos.. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. filmes. organizados. metódicos. que vive a experiência no mundo com os homens. e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. é a expressão do viver. querna flexibilidade e no poder comunicativos. artigos de revistas e jornais etc.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo. foram definindo caminhos. a obra. livros científicos e filosóficos. tem a marca humana. do saber. poesia. não é algo pronto. O texto. obscurece o mundo e. literatura... experienciar.. 3. Mas não se pode esquecer: o que ilumina. O texto "é uma voz . O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada . com os homens e com a própria produção do saber. acabado. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep. O texto iluniina e esconde. pinturas. produto humano.. das obras. acabado.linguagem. etc. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. não é um objeto. autores dos textos. Professora de Filosofia da Puccamp. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . O autor do texto é o homem historicamente situado. ". como se ele fosse um objeto pronto.

B . Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4. 1bidem p. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. para a explicitação. Compreender. cit. 5. uma voz do passado à qual temos.. exige o "ouvir" a sua palavra. de certo modo. o objetivo do estudo do mesmo. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. R. "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa. A leitura de um texto pressupõe objetivos." Neste sentido. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. 9-12. que é possível a compreensão e interpretação de textos. Metodologia do trabalho cient(fico. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão.Em seguida. verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada.De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura. enciclopédias." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1. 18. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor. interpretar. p. É somente neste encontro histórico. após a leitura. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e.. 120 C . onde experiências diferentes se defrontam. Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap. sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. o seu autor. intencionalidade.. pp. 111 da obra de A. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. distanciam o leitor da obra. 3. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. pp. PALMER. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. É imprescindível ter claro as questões. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam. PALMER. R.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. FREIRE. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. o seu mundo. Considerações em tomo do ato de estudar. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. pp. J. a consulta aos dicionários. manuais. 4. O leitor. P. a compreensão dos significados nele implícitos. dos conceitos apresentados pelo autor. É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. em primeiro lugar. das doutrinas desconhecidas. Hermenêutica. ao se dirigir ao texto. 22. SEVERINO. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade.humana. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos. dos autores citados e. 20-21. op. os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto. . pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. Sugerese a demarcação dos conceitos. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . que dar vida. 2. 112-135.

que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado. problematiza o seu mundo. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. de seus questionamentos a partir de suas experiências. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. Não pretendem . Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana. a posição do autor diante do problema levantado. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor. o seu ponto de vista. exige como condição prévia este "ouvir" o autor. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos.O estudo de textos.A partir deste trabalho é possível expressar. Nesta perspectiva. na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. as idéias que confirmam a tese. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor. confrontando-os com outras posições. para depois dedicar atenção às partes do texto. rigor. de suas preocupações. os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. apresenta uma resposta. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal. de desenvolver a "sua leitura" do texto. É o momento mais importante do estudo. Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor. ideológicos. seriedade. a partir de "sua leitura" do mundo. é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. captando antes o todo. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo. que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. mediatizados pela obra. 5. F . é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. para isso. seguindo. a ordem lógica de exposição das mesmas. de outras abordagens. epistemológicos) neles presentes. na perspectiva aqui desenvolvida.D . 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. na interpretação. descobrindo os pressupostos (históricos. de outros pontos de vista. as suas angústias. o estudo de textos teóricos exige disciplina. 32) Diante do problema levantado. E . qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. Nesta etapa. a partir do questionamento. pois trata-se de "ir além" do texto.

via de regra. 8. que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica. Escrever édes. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor. Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: .6. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. desenvolve e conclui o texto. Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. maior interesse por parte do leitor. o excelente trabalho de Severino Antonio M. no seu conjunto. Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. no momento da interpretação do texto. C. c) Conclusão (últimos parágrafos) . São as "palavras-chave". b) Desenvolvimento . BARBOSA e Emilia AMARAL. no seu conjunto. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes.neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. SALOMON. 5. Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. iniciantes na vida acadêmica. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D.vendar o mundo. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. pp. pp. sendo assim. Sobre redação e dissertação consultar. IV.nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. 83-117. III. elementos de metodologia do trabalho cientifico. Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos. 83-102. no desdobramento da argumentação. Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap.Deve-se grifar estas palavras. Como atividade acadêmica. que. na apresentação de idéias ou conceitos que.onde o autor apresenta o assunto. a "visão do todo" do texto.1. entre outros. 7. elabora-se o Esquema destas idéias. . quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor. Como fazer uma monografia. normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio. Os textos. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) . Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. assim.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? . 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos. possibilitando. demonstram a posição assumida pelo autor.

ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura.4. congressos etc. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão). 125 5.2. e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor".O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto. é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. deve-se identificar autor. simpósios. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5. Sobre a documentação verificar o cap. IV. os argumentos. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados.2. problema e posição do autor. problema.3. 1. e na Conclusão a própria conclusão do autor. pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade. Quanto aos comentários pessoais. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto. Pressupõe. Na Introdução apresentam-se o assunto. época em que o texto foi redigido. desta forma. Informações gerais sobre o texto. deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros. 9. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. analisar a importância do texto. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. como atividade acadêmica. posição do autor e argumentos). a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap. Inicialmente. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação. texto. 10. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor. a sua posição frente às questões desenvolvidas. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal.). Desenvolvimento e Conclusão). O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo. elaboração de resenhas.2. com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução. . Deve-se elaborar uma redação resumida.2. 5. tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central. A seguir. 5. no Desenvolvimento. para publicação ou divulgação. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1.1. O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos. 11. num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto.

Na crítica. 4. também denominado recensõo ou resenha.Combinação dos anteriores.documentação secundária: projetos e catálogos de editoras. Uma resenha deve ser sintética.Indica apenas os pontos principais do texto. Comentários sobre o plano de assunto do texto.Associação Brasileira de Normas Técnicas . atas de congresso etc. metodologia. Bibliografia . . estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas. assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central. monografias.Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral.88/86. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras. Como a ABNT . identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. Resumo crítico .documentação primária espec(flca: artigos. relatórios. com a utilização de terminologia específica. 2. não apresentando dados qualitativos ou quantitativos. É utilizado para: . mas de uso corrente em alguns setores da Universidade. É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor. atualização de gráficos e tabelas. principalmente como tarefa acadêmica. de livrarias. . resultados e conclusões. até 500 (quinhentas) palavras. atualização da bibliografia utilizada pelo autor. Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas. à revisão textual. Comentários sobre a idéia central do texto. bem como à seqüência lógica e organização do texto. . . • para relatórios e teses. teses. • para monografias e artigos. 3. publicação de indexação e análise etc. Comentários pessoais e críticas. Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos. A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". até 100 (cem) palavras.Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar.documentação de dados bibliográficos. deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto. a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB . Expõe finalidades. A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves. Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo .

o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. Metodologia do trabalho cientifico. e AMARAL. 1n Escrever é desvendar o mundo.é que ela se constrói de uma forma coletiva.e também de outras formas de conhecimento . Neste sentido. C. . D. Ri: Paz e Terra.. A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: . um debate.coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer. PALMER.. as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. Belo Horizonte: Interlivros. os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita. 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 1978. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo. J.um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo. 1986.. Professor de Filosofia da Puccamp. FREIRE. A. SALOMON.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto. Antonio Severino M. Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . . 35 cd. 1-'o 129 . Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. porque. 12! cd. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. Campinas-SP: Papirus. São Paulo: Cortez Edit. entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade. Hermenêutica. permite um melhor resultado. 1973.a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. 2 cd. o estudo de um texto ou de um problema. É também chamado de facilitador. R. A dissertação e o pensamento lógico. elementos de metodologia do trabalho científico. Para realizar o processo de conhecimento. P. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis. Como fazer uma monografia. SEVERINO.relator: em geral. Autores Associados. Mesmo que se forme espontanearnente. 1985. . Considerações em tomo do ato de estudar. 1987. ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). a existência do grupo depende de alguns fatores: . organizando suas atividades. Emilia. mantendo a unidade do grupo.BARBOSA. . mas também a formas de convivência e produção cooperativa. Lisboa: Edições 70. tal como uma pesquisa.

ao que nos parece. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises. a respeito de um tema. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade. urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos. seja numa sala de aula. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. procurando chegar a um resultado comum. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás). o que permite avaliar o trabalho de todos. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. em número conveniente. mas nem sempre conveniente. Aplica çõo: Sondagem de opinião. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos.avaliador: é um papel que todos devem desempenhar. bem como promover o entrosamento entre eles. bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. apresentam suas posições e análises acerca de um tema. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p. 2. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. em seguida. . as mais adequadas aos cfrculos universitários. num auditório. complementares ou divergentes. 1. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. coordenados por um mediador. resolução de exercíciosfeed back. ex. por ser uma forma bastante prática. e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo. A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades. 3.Painel de especialistas: expositores. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário. ou outra forma de grupo. parceiros lado a lado). Neste sentido. pode-se recorrer a três tipos de painel: . Contudo. entrosamento de todos e rapidez.. que o relator apresenta. Havendo necessidade. no entanto.. e. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições.

A validade da técnica.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores. Em qualquer um destes procedimentos. Em sala de aula. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. permitindo abrirem-se os debates. perdendo tempo e qualidade. que vão estudá-los empmfi. ou duas pequenas equipes de especialistas. o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos. 130 . De outro lado. Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção. mas por outro critério. quando usada em sala de aula. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. em termos de tempo e qualidade. 5. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados. evitando assim apresentar ao debate repetições. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos. já nos subgrupos. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos.mdidade. a exposição de um especialista. o que amplia os horizontes da discussão. para discutir e redigir documentos e conclusões. no qual os alunos. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. é bom exercício de reflexão. pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. Em seguida. Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos.Painel de exposição: dois especialistas. sindicalistas.). Observe-se que. como no Philips 66. ainda que demande pesquisa. Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes. por exigir longo e cuidadoso trabalho. 4. inclusive realizando pesquisas. podendo ser combinados entre si. após as exposições. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo. de um lado. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes.. advogados. para selecionar. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. convidados. Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. Se for grande o número de subgrupos. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). É bastante utilizado nos congressos. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. mas por áreas profissionais ou de interesse. que recolherá. . poderá ser necessária a presença de um coordenador. as melhores perguntas. questões fora do assunto ou irrelevantes. Nisto difere do debate aberto.. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta.. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados.

bem como um roteiro de discussão. portanto. e. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. dificuldades teóricas. por outro lado. que todos devem estudar os textos antecipadamente. mas é o conjunto de aspectos de um tema. . orientado pelo professor. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor. além de informações sobre o texto. submetendo. em laboratório. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. Isso implica. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. 7. escolhido pelo seminarista. orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro.Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. de campo. . o trabalho individual à crítica do grupo. na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido. ou pequeno grupo (seminarista). A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos..Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo. O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir. para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos. primeiramente. real ou fictícia. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p. para isso. para exercício coletivo de análise. Em seguida. pondo em comum esclarecimentos. que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. conjunto de textos. algumas informações complementares e bibliográficas. sua estrutura lógica. Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla. algumas idéias secundárias. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. e conclusões obtidas. expor as principais idéias do texto. que. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. suas premissas. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico. é recomendável a técnica do simpósio.: texto-roteiro. Contudo. Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos. suas lacunas.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. 6. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão. ex. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo.) e na problematização do texto. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição.. de um lado. mas puderem discutir o tema. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. A função do seminarista na apresentação é. sob orientação do professor ou de um especialista. Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. Procedimento: .

médico atendendo paciente. relato. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal. * Mestre em Filosofia Social. solução dos problemas propostos. da reflexão e da crítica. 1. através do debate. análise de situação relevante ocorrida. congressos. mas que se responda. orador discursando). O papel do professor é o de coordenar a atividade. Objetivo: Em geral. os critérios de avaliação da técnica. Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento).Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas. 17 REALIZAÇÃO . dramatização. emoções transmitidas etc. entre outros usos. exercício de aplicação de conhecimentos. observação in toco etc. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação. como resposta às suas expectativas. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. III. É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. valores envolvidos. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. conseqüentemente. às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. POZZEBON. cap. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. envolvidas no relacionamento interpessoal. mas também às linguagens não-verbais. Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. motivação de alunos. os objetivos específicos. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. 1. É o grande grupo que determina. 8. encontros. posturas e atitudes para com o outro. a forma de aplicação e. pós-graduação. de fato. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. deste modo. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando.

de textos complementares. • o grupo deve elaborar questões. Preparação dos textos complementares. dicionários especializados. de acordo com as orientações da leitura analítica.ETAPA 1. • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas. apresentada ao fmal do texto-roteiro. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. para se familiarizarem com a técnica. para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido. • Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico . • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados. enciclopédias. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. para debate em classe. a fim de facilitar o trabalho dos participantes. pelo professor. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. da mesma forma que o texto básico.contextuação do autor . b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. recursos 1 dicionário de língua portuguesa. • Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto. . • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário. • Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina. Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação. quando necessários. de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas).esclarecimento de conceitos .PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. ETAPA II . • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. indicação. • Quando necessário. manuais especializados. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário.esquema do texto . 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário.1.

é permitida a intervenção de qualquer participante. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. • O grupo elege um relator. as mais relevantes e polémicas. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. 2. • Para finalizar.3 1° Momento . o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem. Aristóteles. 1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos.c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. apontando pontos divergentes. esclarecendo dúvidas. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. levando a novas indagações sobre o assunto do texto. • O grupo responsável procura estimular o debate. elaborando relatório. ao confronto de posições divergentes. 2 Momento . .através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos. 2. como forma de "provocar" mais discussões. para incrementar o debate. Seminário de ternas . à crítica. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. inclusive avaliação. cap. 3. Dá início ao debate. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos. por exemplo. geralmente levantamos poucas questões.Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. IV. • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico. • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. despertando a curiosidade dos participantes. conforme os objetivos deste tipo de Seminário. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. pois é o momento que leva à reflexão. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate. para podermos aprofundar o estudo. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo. Quando realizamos um seminário de texto de um autor.

outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais.Se houver um texto que oriente a organização do trabalho. tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina. . • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade. desenhos. para que todos possam ter idéia do tema que será discutido. • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto. nos moldes do seminário de texto .textos complementares .Breve apresentação do tema a ser discutido .textos básicos . 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência.Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido. inclusive avaliação. ETAPA 1 . . depoimentos etc.depoimentos de especialistas . para que o grupo não extrapole o tema proposto.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes.Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária. ETAPA II. • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. assim. perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar. discussão com especialistas.Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema . apresentar esquema. apontando as várias possibilidades de sua abordagem.filmes . ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina. Dá início ao debate. que podem inclusive sugerir os temas. O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes. pinturas etc.painéis com fotos. . ou outra. para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes.vídeos . • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: .Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema .

SP: McGraw Hill do Brasil.3.se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários. 144 Bibliografia CARVALHO. o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las. A. como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe. .se foi elaborado de forma clara e objetiva . 1983.Construindo o saber. Campinas: Papirus.se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um . L. 1991. 3' ed. Cecilia M. b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo. M.se foram alcançados . (org.. ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação. CERVO.se foram parcialmente alcançados . Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor. . demais participantes (classe). P.Metodologia cient(fica. assim que se encen-arem as atividades. grupo responsável. 143 c) Quanto ao texto-roteiro: . e BERVIAN. Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: .ou mais participante para uma avaliação d Seminário. 2' ei. A.) . • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate. quando não há o envolvimento dos participantes.

Puccamp. ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. estas síndromes e resistências expressam. na vida acadêmica. O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. 1985. Autores Associados. de normas e procedimentos metodológicos. de instrumentos para manipular o real. 12' ed. propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". Ri: Agir. sem dúvida necessários. em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração. a "síndrome da monografia" . o procedimento lógico. em maior ou menor grau. devem constituir nossos objetivos. observações. mimeo. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. críticas e reflexões feitas pelo educando. dos resumos ou opiniões pessoais. SEVERINO. sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação.HCJHNE. Mais do que a "posse" de técnicas. que não tem incentivado os educandos à reflexão. a sistematização. ou mesmo uma forma de resumo. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados. 1987. vai sistematizar o resultado das leituras.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema.. resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos . 1984. . i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. Leda Miranda (org.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa. a disciplina intelectual. 147 Na realidade.) Metodologia cientijica . SP: Cortez Edit. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico. as falhas estruturais do processo educacional brasileiro. Joaquim . por outro lado. buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto. o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos. Instituto de Filosofia. A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando.Metodologia do trabalho cienr(fico. A. * Mestre em Filosofia Social.Caderno de textos e técnicas.

ALVES. Lembre-se que. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias. A leitura de outras monografias. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente. a discussão com especialistas da área. que envolve os seguintes passos: 1. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. 4. bem como o conhecimento de qualquer tipo. provisório. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. bem como as suas relações com as teorias existentes. que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. 61-76. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. Levantamento bibliográfico inicial. Filosofia da ciência.A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina. que oriente o educando no seu trabalho. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo. e deve-se levar em consideração que. já contém a resposta. debates. 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema. rigor científico e reflexão crítica. Elaboração do cronograma de trabalho. pp. p.. a pergunta. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. 1. 2. introdução à metodologia da pesquisa. 5. 85. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. cap. constitui a fase de planejamento da pesquisa. mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. nesta fase inicial da pesquisa. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho. Rubem A. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. 3. ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial. A arte da investigaçdo criadora.)... estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções."2 1. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. O tema escolhido deve se constituir num desafio. . muitas revisões serão efetuadas. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. na verdade. 149 Isto quer dizer que. O Levantamento das hipóteses "A ciência. 5. a que se dá o nome de hipótese. filmes. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa". especialmente roteiro para delimitação do tema. 2. 2. Para complementação vide: Darci DUSILEK. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade..

Métodos em pesquisa social. 5. 3. cap. T. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. K. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. Para complementação vide: W.De certa maneira. com a intenção de uma pré-seleção de textos. porque é seletiva. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. HATT. com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio). Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros. feito a partir do sumário. Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. GOODE e P. Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto. que também deve ser anotado. embora este contato seja inicial. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. complementada com outros recursos metodológicos. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract). O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial.4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. 74-97.3 3. auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho. Nas revistas especializadas. A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida . que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial. relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. No geral. Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa. 4. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa. e um resumo do seu conteúdo. Na transcrição. Apresentam geralmente resenhas de textos novos. se forutilizado o texto selecionado. que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. 6. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área. pp. os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. difidilmente encontrada nos cursos de graduação. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos.

onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. 3. 5. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos. Isso tem gerado situações dramáticas. observação sistemática. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa. pesquisa bibliográfica. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' . Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica. Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. 2. É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. 8. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo. questionários e formulários. 4. Queremos salientar que o método. itens e subitens com as respectivas titulações. (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc. 139-152. 2. com a busca exaustiva dos dados. 3. Para complementaçso vide: A. 5. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. SEVERJNO. VII . estudo de caso. pp. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa. relatórios de estágio. Tema ou assunto especifico da pesquisa. entrevistas. enquanto processo lógico e técnico. 4. Metodologia do trabalho cien'(flcc cap.universitária requer. 6. 7. pesquisa experimental.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas. seqüencia]. discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa.) 6. pesquisa documental. 3. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . 7. Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa.

complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. questionários. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador. Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa. Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área. por si. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. antecedendo a própria pesquisa experimental. os documentos propriamente ditos. em termos de coleta de dados. destacando-se a monografia. dependendo da técnica adotada. estabelecendo suas características ou tendências.'. além das fontes primárias. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. 1) Denomina-se pesquisa experimental. os quais. Requer que se organize um roteiro inicial para . são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. 4) Entrevistas .. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. publicações de órgãos oficiais etc. Pela sua característica. Nos trabalhos acadêmicos. utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. bem como a quantificação dos resultados. utilizando-se os procedimentos no método científico. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. A verificabilidade. localização e compilação dos dados escritos em livros. formulários. como dados estatísticos. valorativos e éticos. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. a pesquisa bibliográfica. tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos. a fim de descrever/comparar fatos sociais. já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. artigos de revistas especializadas. na investigação histórica. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. presta-se à formação acadêmica. mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos. pesquisa básica. estudos de caso e observação sistemática. com especialistas ou mesmo outros professores do curso.

para evitar respostas dicotômicas (sim/não). mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa.se há ou não necessidade de identificação pessoal . ou ainda entrevista de grupo. . as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas. garantir o anonimato. Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade.nos casos em que for necessário. cap. . é indispensável uma carta de apresentação. numa avaliação global.introdução ao tema. 1 desta parte. quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado. Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões.a distribuição do tempo para cada área ou assunto. Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista. pode-se enviar pelos Correios. 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande. que deve conter indicações sobre: . ou estas não residem no local da pesquisa.Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador.a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas. O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho. . sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador. O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa. ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica. Para maior segurança e fidelidade.qual a finalidade do estudo. Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa. . Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. 5) Questionários eformulários . devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho. Neste caso. assunto da pesquisa.como preencher o questionário. Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa. itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes . a fim de que possa ser respondido num curto período. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos. originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. . Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas. devidamente autorizadas pelos entrevistados. onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial. mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5. no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema. para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto.

que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados. 6) A Observa çõo Sistemática . filmes. ou idealizada. são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação.. a fim de verificar as dificuldades do aplicador. para se obter um registro padronizado das observações feitas. quanto o formulário. por se constituírem de perguntas fechadas. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. estado civil. quando o observado interfere e cria situações novas. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. ou outros dados de interesse para a pesquisa. deve-se fazer um pré-teste. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades. das mais simples às mais complexas. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas. padronizadas. mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. data da aplicação). deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas. Neste sentido.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. informal ou assistemática. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. a observação sistemática é seletiva. Este registro pode ser ainda complementado com fotos. Para a aplicação do formulário. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. Como nas entrevistas. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. as dificuldades de entendimento das questões. porque são mais fáceis de codificar e tabular. idade. autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). para posterior avaliação. como local de trabalho. cultura. slides. profissão. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. As perguntas devem ser ordenadas. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência. numa situação "face a face" com o entrevistado. natural ou social. também denominada observa çõo participante.6 . Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. ]into o questionário. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. grau de escolaridade. quando os registros são feitos sem que os observados percebam. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa.como devolver o questionário preenchido. "visão de mundo". faixa salarial etc. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade. com ou sem a consciência dos observados.

O estudo de caso. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante. 8) Relatórios de Estágio . Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. material expressivo. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. Em ambos os casos. uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. seguido de um estágio onde há maior participação.. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. no caso de vários sujeitos pesquisados. HATT. 6. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. como uma análise qualitativa. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. cit. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. do grupo ou de um dado processo social. preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. em si. conversas etc. cartas. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando. pp. o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico. na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. alguns tipos de trabalhos literários.O estudo de caso é um meio para se coletar dados. GOODE e P. 171-268. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados. biológico ou social. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. um trabalho monográfico. em diários. no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados.Na vida acadêmica. quer físico. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo. K. op. Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais.7) Estudos de Caso . Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática. Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica. 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. Para compIementaço vide: W. conversas ou entrevistas. tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um . sob a supervisão do professor. permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado. Como conseqüência. Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação. T. é uma construção intelectual. sob orientação do professor. com mínima influência do pesquisador.

verifique os fatos.pontos de divergência. 7. . . ainda. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas. vide: Tereza PORZECANSKY. . Deve-se também verificar a atualização das informações. 57.regularidades. significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso. havendo ainda oportunidade de uma complementação. tendências ou regularidades.tendências. Esta etapa envolve: 1. Lógica y relato en irabajo social. O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área. estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados. pp. seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores. os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados.verifique as técnicas utilizadas. . as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas.procure enos lógicos. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho. permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão. muitas vezes. classificação e organização das informações. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando. tornando claras estas diferenças. Neste caso. 2. tratamento estatístico dos dados. devem constar dos anexos. ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados. para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho. D. de outras áreas do conhecimento.pontos de convergência. No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. pode-se arquivá-los para uso posterior. os relatórios de estágio podem. As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. outros pontos de vista.verifique os materiais ou fontes utilizados. separados por assunto ou disciplina. . Na coleta de dados para urna pesquisa. igualdades. 3.verifique o esquema de referência teórica. Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio. podemos ter uma visão de conjunto do trabalho. caso seja necessário. No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico. . quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação.contexto de interpretação científica. . introduz. cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. 1çz 159 A partir desta organização dos dados.verifique os pressupostos. . a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. . . deve-se elaborar quadros explicativos.73. tendo em vista os objetivos do trabalho.

a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados. op. 1972. desenvolvimento e conclusão. 2. FERES. 9. atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho. Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho.verifique a inter-relação entre a hipótese. elabora-se. sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto. 3.Conclusõo . muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico. Alfa-Omega. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. vide: Murray R. com as subdivisões que se fizerem necessárias: .. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados. A. com base no plano de assunto do projeto provisório. McGraw-Hill do Brasil. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários. Estatística. cit. SP. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. SPIEGEL. apresentar a idéia geral da pesquisa. Apisentação gráfica geral do trabalho. GATTI e N. D. p. Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. .. O plano é composto de três partes distintas. visa comunicar os resultados da pesquisa. DUSILEK. delimitar o tema e mostrar a sua importância. 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível. 108.. L.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1. em itens e subitens.verifique o esquema de análise. a idéia central de cada parte ou capítulo. cujo objetivo é só o levantamento de dados). .O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho. 1986. definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa. . o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. isto é. Estatística bdsica para ciências humanas. 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. B. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio. a teoria e o esquema de análise proposto. introdução. a estrutura definitiva. A redação final. Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido. 1. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. 8.

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

Elementos metodológicos da pesquisa participante. As bases da ação. 4. 437p. Como se faz uma tese. SP: A. Teses e hipóteses. 3. 4. Preparo do relatório de uma investigação. L. FEITOSA. 1983. 271p. Vera Cristina. 3. Queiroz. rever. 4. 4.. 2. Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas. 1. 5.) Pesquisa participante. 1. 3. Reflexões metodológicas. Metodologia cient(fica. Os cientistas precisam escrever. Falar sobre Ciência. A lógica dos procedimentos. 4. l84p. .3 .. Bibliografia ACROFF. Como proceder à investigação. Como transmitir os conhecimentos adquiridos. SP: EPU.3 . 4. Avaliação do relatório de pesquisa. 5. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4. l55p. P. 2! cd.0 plano de trabalho e o fechamento. 3. 4. 252p. escrever.. 1. DUVERGER. 8. BARRAS. 2. 3! ed. O método científico. 1. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações. a observação participante. modelo e planejamento. DUSILEK. Natureza da atividade de pesquisa.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. SP: McGraw-Hill do Brasil. A pesquisa. 243p. Planejamento da pesquisa. SP: Perspectiva. Coleta e análise de dados. Redação de Textos Cient(ficos. Planejamento de pesquisa social. Ciência política. O conhecimento científico. 6. 2. A arte da investigação criadora. 3. comentário de texto. desenvolvimento e conclusão.Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa. aplicação do questionário. 2. amostragem. 1. Economia camponesa e pesquisa participante. 1986. 5. A. 1991. O cientista no processo de comunicação. Pesquisar-participar: proposta e projeto. 1979. métodos gráficos. O significado da pesquisa. Rodrigues (org. RJ: Zahar.A apresentação gráfica geral do trabalho. A escolha do terna. 4. engenheiros e estudantes. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático.. 1. 2. O que é iia tese e para que serve. A observação direta. Como os cientistas devem escrever. Metodologia do conhecimento científico através da ação. 4! ed.1 . CERVO. Registros pessoais. BRANDÃO. 1983. Fases de uma pesquisa. 3. 556p. comunicações. planejar. métodos de interrogação: preparação do questionário. Pensar. Modelos demonstrativos. 3. Umberto. 7. Pensamentos postos em palavras. R. C. 2.. ECO. A observação documental. Campinas: Papirus. 1. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa.2 . Darci. Técnica de estudo pela leitura. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos. elementos de estatística. 5. L. A pesquisa do material. 2l8p. Dinâmica do conhecimento científico. 7! cd. 6. 3. A redação.2 . Edusp. Pesquisa-ação. M. 2. 1. seminário de estudo. SP: Brasiliense. 3. Os nómeros contribuem para precisão. 4. leitura. 1984. Observação intensiva: as entrevistas. A. guia de redação para cientistas. R.A redação final. e BERVIAN.Tratamento estatístico dos dados.3. 2. teoria e método.

A redação do texto. 1979. introdução à filosofia da ciência. SP: EPUfEdusp. 3. 8. 3. SP: Nacional. 3. Ainostragem. P. 6. O levantamento de amostras com entrevistas formais. 5. Escolha do tema. Técnicas de pesquisa.. KAPLAN. 4.0 questionário fechado. hipóteses. 6. Dados históricos: Mach. 7. M. codificação. Volume 1: 1. A. Etapas da investigação cient (fica. Lickert. Elaboração de dados. leis e teorias. 1975.). 1. A base empírica. publicação e divulgação. 4. Escalas de distância social: Bogardus. Positivismo lógico. Crenças e Ciência. 1975. 5. 3. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. Sócio-mútua e sociogramas. E. SP: Atlas. 6. O trabalho científico. 5. Ciência: pura e aplicada. Filosofia da Ciência. 5. Métodos de investigaçõo sociológica. Nova Sociologia. Pessoas como fonte de dados. lhurstone. planejamento. o papel da estatística. 5. MORGENBESSER. 4. Pesquisa: conceito. valores e ciência.Preparativos para a comunicação eficaz. 4. Como avaliar e organizar a infonuação. M. 1973. verificação da hipótese. 3aed. Pesquisa bibliográfica.. 167 MANN. Indicação. 1. 5. Explicações cient (ficas. Revisão crítica. Sociologia e ciência. HEGENBERG. outras técnicas. 2. 3. 2. fonnulário. Explicações. Elementos básicos do método científico: conceitos. A. 23lp. RJ: Zahar. G. 9. Ciências Sociais. As ciências sociais: observações gerais. Método científico. P. 440p. Modelos. 2. 2! cd. Técnicas de escalonamento.. 3. LIYI'ON . 4. K. Etapas básicas da investigação sociológica. SP: Atlas. l88p. 2. Ciência: natureza e objetivo. Apresentação. Teorias. H. Análise e interpretação. explicações e valores. Leônidas. 7. 2O7p. e MARCONI. e HATT. volume 1. As leis e funções.. Ciência: teoria e fato. 4. Volume II: 1. Russeil. 5. obras de referência. Contexto da pesquisa. 7. Observação. 8. 6. 4. Sidney (org. 4. 2. 5. O que é uma teoria científica. 254p. A importância da pesquisa. 3. O experimento. 1. Medidas: função e estrutura. 1975. 2. 2OSp. SP: Cultrix. 3. 3. teorias. 1. Leis naturais. Métodos científicos. Questionários e entrevistas. Análise e apresentação dos resultados. 6. Hipóteses. SP: EPUfEdusp. Planejamento. A conduta da pesquisa. 1976. 4. volume II. Observação. 10. 1. Observação e experimentação.. Ciência e conhecimento científico. Determinismo e causalidade. Anexos. Metodologia cient(fica. metodologia e pesquisa. Observação e interpretação. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. a observação nas ciências do comportamento. Mensuração. 488p. Relações e funções. A preparação do relatório. 1982. 1982. 2. W. Método científico em sociologia. LAKATOS. 3O8p. Probabilidade e amostragem. GOODE. 4. 2. Plano de prova: verificação das hipóteses. ______ Técnicas de pesquisa. 1. 2. SP: McGraw-Hill do Brasil. tabulação. Fatos. 9. entrevista. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário). Subjetividade. leis e teorias. 2. l99p. SP: HerderfEdusp. 1. 1. A história. Filosofia da ciência. Probabilidade. 1969. 2! ed. . Documentação como fonte de dados. 1. 3. Utilidade e condições de aceitação da hipótese. questionário. Wittgenstein. 6.

redação e apresentação formal. 2. 18! ed. normas. relatório. 2! ed. 235p. 2. A observação. P Parte: 1. V. Organização da vida de estudos na Universidade. SEVERINO. Explicação científica. A realização do seminário. Como fazer uma monografia. Pontos de vista: a função das situações sociais. 33lp. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. prática da documentação pessoal. Oracy. 3. Ciência e existência. 1978. 6! ed. paixão. Análise e interpretação. análise e interpretação dos dados.). 2. coleta de dados. Social da Puccarnp). Coleta. 7. 6W7p.Filosofia e pesquisa. Lógica y relato en trabajo social. 2. Pesquisa: discutiva e experimental. 4. 6. 57-73. Aplicação da pesquisa social. Problema social e problema de investigação. Tereza. BH: Interlivros. 1. Análises explicativas das soluções. 1. Método do trabalho cient(fico. formulação de problemas. 5. 4! ed. 2! ed. Tipos de relatórios. Serv. 1. Alegre: Siilina. 2! Parte: 1. 5. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação.. 1974. problemas filosóficos da pesquisa científica. 5. 537p. Petrópolis: Vozes. Joaquim. SP: Cortez. 4. 1977. Questões teóricas. Versão quantitativa. Investigação das soluções. A documentação como método de estudo pessoal. O ator. Evolução do conhecimento científico.0 problema metodológico da pesquisa. O processo de pesquisa: problema. História e conhecimento. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. Comunicação e conhecimento científico. l. elementos de metodologia do trabalho científico. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos. 2. 6. Métodos de pesquisa nas relações sociais. . leitura. 1971. introdução às suas técnicas. Edson de Oliveira (org. 1974. A pesquisa como trabalho. PORZECANSKY. 1969. 4. 3. Conceito e estrutura de relatórios científicos. PINTO. O projeto de pesquisa. 8. classificação. 4! ed. Os estudos de comunidade. SALOMON. 1. planejamento. 3Olp. Versão qualitativa. A. F. 3. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. seu papel e condições de trabalho. 5. SP: Nacional. improviso e métodos na pesquisa social. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. 3. Leitura. Leitura. RI: Paz e Terra. Fac. 6. Ciência-homem-meio. 8. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK.. RI: Zahar. 6. Pesquisa e teoria. 4. 4. 3. RUDIO. SALVADOR. biblioteca e documentação. A aventura sociológica. Lógica e dialética. 1971. técnicas de livros.5. 1992. D. Buenos Aires: Humanistas. 4. O problema da pesquisa. Associação das técnicas. elaboração e relatório de estudos científicos. 1982. NOGUEIRA. 2.. Domingos. NUNES. 224p. elaboração da monografia. 2. Reconstrução e análise do passado recente. 4. 1. 3. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. 3. observação participante. objetividade.. Hipóteses. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica.. 2. técnica. análise e interpretação de textos. O pesquisador. O trabalho científico. SP: Edusp. Vieira. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. 6. A. Plano e relatório de pesquisa. p. (Mimeo. P. escolha do assunto.0 método do estudo eficiente. Alvaro Vieira. 1. resumo. l2lp. Aspectos da explicação em teorias biológicas.. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais... relatório e informe científico. diário de pesquisa e outros registros. 7. planejamento. Pesquisa social. composição e modelos de fichas.

ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS . Paciente Terminal 11 2. pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.Roteiro de Entrevistas 38 II .CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1. Retrospectiva Histórica 23 2.169 1. Atividade Versus Processo de Morte 26 3. Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III .MORTE. Produtividade 28 4. UMA QUESTÃO 05 1.Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 . sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães. Vivência da Morte 17 II .-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional.Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III . Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 .

p. 36. Revista Diálogo. Folha de 5. devendo. Theodore LIDZ. 26. vol. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos.). na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. BRITa. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. regida pelo capitalismo consumista. entretanto. A. tornando-a inominável.86. D'ASSUMPÇÃO.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer. 139 p. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. BOWLBY. 486 p. Magali R..) D'ASSUMPÇÂO. (coord. Campinas: Puccamp. A pessoa. 2. 1986. pois com a morte este sistema não se mantêm. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos. III . impedir o questionamento sobre o materialismo. M. aumenta o valor de tais relacionamentos. 35 p. 1984. A. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra.. 1985. sendo necessário negar sua existência. A morte e o morrer. A sociedade ocidental. 1 Nairo de 5. delegando à morte o espaço de tabu. G. 135 p. VARGAS. hierarquia do poder e coisificação do homem. pretende manter suas relações de poder e consumo. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam. mas. E. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção.) e BESSA. E. p. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. também. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e . que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência. atual mente. São Paulo: Cortez Editora. John. Maria Elisabeth M. advém da percepção da finitude do ser. A percepção da morte na criança e outros escritos. monografia.. Formação e rompimento de laços afetivos.07." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos. Tanatologia e o doente terminal.. Paulo. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. (coord. 165 p. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. 1984. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda.Perda.. 237 p. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível. 531. (coord. D'ASSUMPÇÃO. com a sociedade voltada para a produção e o progresso.. o homem se coisifica.na sociedade de produção e consumo. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. criou-se um tabu em torno dessa questão. Morte e suicídio. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. A." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano. Apego e perda. BOEMER. Arminda. 1983. Este questionamento. portanto. A. A partir desta transformação. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração. H. 1982.

). org.ilustração (ções). .. cit. FREITAS.Farmacêuticos 5/A. junto a.(ibidem) mesma obra e mesmo autor.confira.organizado por. em linhas ou páginas anteriores. n op. etc. Campinas: Puccamp. . já referidos em nota imediatamente anterior. 166 p. 20 p. ibid. . 4) Abreviaturas mais utilizadass ap.número.. .página. v . já conferidos em nota imediatamente anterior. . .(para citações indiretas) segundo..exemplo (s). fig. . . .. infra n. id. Ano 10. .(idem) o mesmo autor. T. ex.(opus citatum) na obra ou autor já citado. FRANCISCO. . . . ou a mesma obra.figura. 1985. Berenice R. apud cf. Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana.d.0. (mimeo.sem data. 174 . 1985. 175 .acima. 1984. n 2. São Paulo: Ágora Ltda. Luís C.(et cetera) e outros. supra s. em linhas ou páginas adiante. Por que fazer terapia?.ver o texto original. p. organizador. . pg.abaixo. .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful