CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

também. o outro. a astronomia e a acústica. Somos. além disso. filosófico. A ORGANIZADORA Campinas. contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber.* A preocupação com o conhecimento não é nova.procuremos.construtor do saber científico . Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp. para que . a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem . de natureza mais prática. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. lacunas. Entre os egípcios a trigonometria. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto.no caso de uma eventual reedição . que animou a realização deste projeto. Por isso. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. Consideramos que a Metodologia pode.do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado. as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. a lógica. em especial à professora Vera Irma Furlan. aprimorá-la. gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. sobretudo. e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica. entre os gregos a geometria. enquanto possível. da Universidade Federal do Piauí. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica. e de oferecer-lhe. a mecânica. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica. Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro. entre os romanos a hidráulica. entretanto. certamente. de opinião que uma metodologia se alia. ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. O livro apresenta. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. Por isso. Paralelamente ao . e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a.9 conduzam inexoravelmente à verdade. Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber. o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. naturalmente.

Esta diferença entre conhecimento prático . mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas. B. em oposição ao trabalho prático. foi de extrema importância na história do pensamento. 2. a Academia. ou o método socrático. Metodologia da pesquisa tecnológica. Como esta classe tinha mais prestígio e status. considerado inferior. dos meros fenômenos empíricos. Conforme o autor. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência. A ciência grega. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. desinteressante e preso ao interesse de outrem. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal. Assim. pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza. neste caso. Introducción a la filosofia de la ciencia. VARGAS. Para Platão. já que por princípio uma coisa perfeita. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. Foi na escola platônica.a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. da separação entre "cabeça e mão". um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp. M. FARRINGTON. e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. Neste processo. FARRINGTON. 1. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. As idéias são perfeitas. . B. Head and Hand in Ancien: Greece.que estava ligado ao trabalho. o conhecimento aristotélico.segundo Farrington 2 . mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. já que era executado por escravos para os senhores. Mesopotâmia e Egito.ligado ao prazer de saber . WARTOFSKY. isto é. As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas.de uma separação de atividades de classe. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo. se mudar. Para Platão. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior.conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. É professor na Universidade Federal do Piauí. diria Popper. mais tarde. os gregos desenvolveram um tipo de reflexão . para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. Este método. as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns. sua atividade foi considerada superior.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas. A dialética. pura e livre. que se desenvolveu a Dialética e. à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida . o mundo sensível está em constante mudança e.e conhecimento teórico . M. elimina as teorias que não suportam a prova . só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera. sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. é para pior.

J. desde Pitágoras . imutáveis e independentes do mundo sensível . Conjecturas e refiaações. M. é saber quais são suas propriedades individualizarites. op. M. do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis). op. A repiiblica. Ibidem.é. ARISTÓTELES. Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. Da observação de que os corpos caem. Cit. 14 1ç -. a de homem. cit.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. depois. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência. por dedução. As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6. voltar a fazer deduções de novas ocorrências.até a obra de Euclides. O conhecimento consistia. A existência das Formas que para Platão eram eternas. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. a indução e a dedução. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação. PLATÃO. Deve-se associar. mas da percepção aplicada aos particulares. partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. WARTOFSKY. Lógica. Aristóteles se utilizou da indução . 4. explicarão novas ocorrências. por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. 7. WARTOFSKY. por meio da dedução. pois são meros acidentes. Juntamente com Platão. A sociedade aberta e seus inimigos. Esta crença se desfez somente no século XX com o . um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria. K. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio). 5.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) . A descrição desta demonstração encontra-se em W. bem como as propriedades da classe a que pertence. explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre.6 Assim. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que. de sua lógica formal. Fédon. SALMON. K. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias. IDEM. Ter quatro patas. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento. em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. POPPER. para Aristóteles.3. portanto. então. Ele criticou a dialética por sua negatividade. a partir destes. Saber o que Sócrates é.para formular princípios explanatórios gerais e. ruas não se resume a isto. Losee. Tópicos. POPPER.

o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. a que chamamos de senso comum. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. e que inclui um conjunto de valorações. assim como para muitos de nós. doutrinas religiosas. Essa informações são. transformam-se em conhecimento. justas ou injustas. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. portanto.programa epistemológico do Círculo de Viena. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. informais e. mas não que são verdadeiras ou falsas. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. em ciência. Temos. quando as opiniões certas são amarradas. a contribuição dos gregos para o pensamento social. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. Quando emitimos opiniões. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. no entanto. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. Há. Valorações e crenças são. pois. permanecem estáveis. Pelo primeiro caminho. ou seja. e especialmente de Rudolf Carnap. inconscientes. de Platão. da opinião. às vezes. Quando uma mulher afirma. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. por exemplo. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. As crenças se manifestam através de proposições. desejáveis ou indesejáveis. Mas de onde vem. lendas ou parte delas. e seu valor é tal que não difere. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a . no mais das vezes. mas. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. quando pronunciada por uma certa pessoa. 8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. enquanto que com as valorações isso não ocorre. enfim. então. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. PLATÃO. p. não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. 1. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. em geral. princípios ideológicos às vezes conflitantes. existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". Ménon. bem como a experiência pessoal acumulada.

Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial. gerando um conhecimento mais ou menos racional. interage com o senso comum e modifica-o. A teoria mais conhecida é a do Conde J. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos. não têm nenhuma validade. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. 10. Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos".para onde convergem crenças. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso. sendo absorvido parcial e totalmente. socialista. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência. Este conhecimento. O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. como a do movimento da terra em redor do sol. entendendo racional como argumentativo e coerente. é a sua sofistificação. isto já não é possível. Por isso. É comum entretanto. De qualquer modo. Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade.ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores. Essas teorias. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las. Artur Gobineau (1816-1882). MYRDAL. na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. Com as valorações. Assim. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. não temos como testar sua doutrina. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra. como se fossem verdades. valorações. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente. o senso comum vai . dependendo do seu grau de esoterismo.sejam elas verdadeiras ou não . por outro lado. Se alguém afirmar ser liberal. obviamente. por sua vez. G. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum . Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum. mas continuam subsistindo no senso comum. então. a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. Poderíamos esquematizar. Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais.d en la invesrigacidn social. cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. Este é o caso dos modernos regimes totalitários. seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. racista ou cristão. Objetivido.fisiologia etc.

QUINE. 15. Conhecimento objetivo. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. op. làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. caps. F. W. op. no entanto. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. CHALMERS. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1.l e psicologia. eventualmente. CHALMERS. SALMON. são exemplos de proposições observacionais. cit. São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. 13. o senso comum é muito poderoso. a busca de afirmações e teorias universais. castigando-as até a morte -. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e. W.. MYRDAL. no entanto. Filosofia da ciencia. A. os músculos quando não utilizados se atrofiam. lo 3. CHALMERS. tato etc. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. O objetivo da explicação científica é. quando parcialmente submersa em água. cit. O grande problema do indutivismo passa a ser. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . Epistemologia naturalizada. o metal quando aquecido se dilata.. FOUCAULT. Ver K.. ci:. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos. fosse ele bom ou mau. Há. F. A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo. havia as entidades 11. op. mais tarde. op. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. 1 e 2.. 2. neste ponto. 2. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados.progressivamente se modificando ao longo das gerações. M. aparece como torta.What is this thing called Science? 14. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. cujo campo de aplicação seja o maior possível. isto é. POPPER. 12. a própria concepção de corpo que vigorava. revelam. Doença menw. K. então. audição. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais. POPPER. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. in Os pensadores. O. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e. R. op. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. ALVES. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares. Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação. no entanto. cit. na psicanálise. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. cit. Ver A. G. F. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com .

não "vemos" a mesma coisa. 16. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. No primeiro caso. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. Então. mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. 17.c). existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. A. Padrones de descubrimienro. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. nenhuma demonstração foi feita. é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente. por exemplo. até mesmo componentes culturais. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e.a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. quando outro objeto diferente. op. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa. portanto. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica. N. As figuras a. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. No segundo caso. E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe. Além das objeções sobre a inferência indutiva. R. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. 21) podem ilustrar isso. a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado. Em qualquer dos casos. de repente. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico. a pirâmide (fig. apesar de olharmos a mesma figura. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. como se fosse para subir ou descer. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. por exemplo) que são mostradas a um observador. F. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. mas semelhante. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. cii. CHALMERS. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. HANSON. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações.a lei geral. É preciso . dando-lhe grande subjetividade. O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. b e c (p. mas a impressão que se forma na mente não o é. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. Nos casos acima. Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. Em muitos casos.

Dois dogmas do empirismo. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. voltagens. m Os pensadores. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê". mas falará de corrente elétrica. . Todo fato pressupõe uma teoria. como. Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. aceitas universalrnente. que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. para ele. mesmo assim. como por exemplo em d e e (p. seja ela científica ou não.ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. QU1NE. por exemplo. resistências etc. fig. Nada mais ele fará porque. W. Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos". que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. 2. Podemos dizer. a fig. b 91 e ' -. '1 fig. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo". As interpretações e as "cadeias 18. os metais são bons condutores de eletricidade. 3. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior. Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas. mesmo que esta seja de senso comum. O. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. Por si sós as figuras não dizem nada. devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto. ele não fará uma simples descrição dos objetos. então. 22). Para sermos rigorosos. As .que operemos uma inferência para que a figura faça sentido. c fig. Na figura d. os metais quando aquecidos se dilatam. No entanto. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. são exemplos de proposições básicas. não há nenhum fato a não ser os objetos visuais. certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho. dificuldades apareceram. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante.'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos.

ele mesmo.como na teoria racista de senso comum . os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. se aplica a um conjunto específico de fenômenos. então. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. Numa teoria de senso comum. isto é.regularidades que observamos cotidianamente. despidas de subjetividade e valorações. Isto é. aliás. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. mas não serve para explicar . onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. Isto significa que. fig. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. que são os da reprodução. onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. as teorias são. Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. por sua vez. sejam elas científicas ou não. Podemos adicionar. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . São proposições amarradas no encadeamento racional. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. revolucionário. Nós temos. as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional. Assim. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. Dessa forma. a ciência começa com problemas. sempre. de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. determinado por certas circunstâncias extra-científicas. teorias. outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. 3. Podemos começar afirmando. mas numa teoria científica isto não é admissível. onde não há nenhum tipo de contradição interna. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. e 22 23 Vejam.a pretensa transmissão de características culturais e morais. e que já incorporamos como absolutamente naturais. mas a campos específicos. Como acentuou Popper. É a característica de solucionadoras de problemas. por exemplo. segundo o autor. tanto quanto possível. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento. Assim. Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso. o conceito de Gene na teoria genética moderna. em algum momento da história. Este. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos. Em segundo lugar. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. ainda. por exemplo. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem.

descobriu Netuno.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a . a calcular as dimensões do planeta. Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. Einstein e Bohr. e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta. Darwin. o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. que é o papel da expectativa na construção das teorias. certa vez. Além de surgirem problemas. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria. Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . 1.vagabundos". O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que. 20 Do observatório de Berlim.um outro planeta . A resposta. in LAKATOS e MUSGRAVE. sua posição e massa. Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo. então. Isto deriva do fato de que as teorias . no entanto. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica. as anomalias. utilizando simplesmente papel e lápis. LAKATOS. Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. a partir do início deste século. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. Ofal. No fundo. as teorias devem.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. As grandes construções. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. Pouco depois. eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante. Mas a história é curiosa. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. KUHN.que estaria "atrapalhando" Mercúrio. como as de Newton. devemos discutir o aspecto observacional das teorias. não foi agradável. Começou. T.seamento e a metodologia dos programas de pesquisa. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência. tanto a passada quanto a futura.Vulcano . Ou seja. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier. Para a mecânica. O. A estrutura das revoluções cient(ficas. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. e efetivamente o fazem. Marx. 19. tendo até batizado o novo planeta . Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa. indicando a grandeza e o poder da mecânica. contribuir para sua p:ápria superação e. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas. O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento. Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. Finalmente. Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. Freud. promover o crescimento e progresso do conhecimento. desabar frente à relatividade. desta forma.

por hipótese. Logo. CARTIER. Neste caso. mas a outros conjuntos de proposições (que. o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória. de Galileu . no caso dos léptons e hádrons. sua velocidade. Os conceitos de força. por outro lado. valor. op. atração. 68. p. Mas. popularizadas por Einstein. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos. conjecturas na forniação das teorias. em seguida. No entanto. Se os dois corpos fossem unidos. citado em LOSEE. 22 Neste sentido. são exemplos disso. mas com os tempos de queda. O enigma do cosmo. se subíssemos uma montanha. Foi o que fez Perrier em 1647. in Ciência e Cultzira.com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. com velocidades naturais diferentes. GALILEU. A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. 13ASSALO.observáveis: são os conceitos teóricos. cii. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes .cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo . São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. 22.com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema. para resolver o problema. hádrons. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas. a não ser em pensamento. F. Discuiso sobre as duas novas ciências. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 . mais tarde. a pressão deveria ser menor. causalidade. Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental. Galileu contestou esta teoria.e 1647 . Os conceitos teóricos . Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo. portanto. é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. Eles não se referem diretamente a entidades. M. Era o chamado horror vacui. maior do que cada um deles. Para a teoria aristotélica. léptons. As "expetiências de pensamento"em física. sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. seria maior. portanto.. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e. .mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. J. energia etc.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas. inconsciente. Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e. já que há menos ar em seu topo do que na sua base.

1978. Galileu e Newton. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. É esta a imagem k limiana 23da ciência. Descartes. Bibliografia ALVES.novas referências para a organização do pensamento. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. São as formas artísticas. KUHN. O enigma do cosmo. M. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. 1978. isto é. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland. Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. F. Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta. Deve haver. Isto. A. 23. SP: Brasiliense. onde intuições. As "experiências de pensamento" em física. constatando que no cume a pressão diminuía. no entanto. não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. embora não tivessem . no fundo.e o cume da montanha. 36 (3). cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . Estas estruturas engendram programas de pesquisa. com as próprias teorias. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. Durante muitos séculos. onde ele se toma mais inchado. religiosas e metafísicas. De fato. A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias.na prática . não há uma lógica de descoberta. 1978. oferecendo pouco a pouco . 1984. A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. Iii: Ciência e Cultura. Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. 1983. religiosas e mitológicas de conceber o mundo. Tópicos. e este é o chamado contexto da jusfificaçõo. BASSALO. pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico. podem interferir decisivamente. então. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. op. As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. "chutes" etc. T. não há um método de se fazer descobertas. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e. Esta tarefa foi executada. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. R. R Filosofia da ciência. no entanto. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. RJ: Primor. cii. a partir do Renascimento. um método para se testar as conjecturas. CHALMERS. ARISTÓTELES. as teorias e as hipóteses. CARTIER. SP: Abril. em maior ou menor grau. e este tende a ser sempre ampliado. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. 3. acidentes.

Introdución a lafilosofi'a de la ciencia. J. SP: Abril. capitalistas. 1949. a existir a concepção de que as sociedades modernas. SP: Perspectiva. Progressivamente. ______ Conhecimento objetivo. QUINE. Conjecturas e refutações. M. A estrutura das revoluções cient(ficas. POPPER. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou.. W. SP: Abril. Doença mental e psicologia. 1978. ______ Head and hand in Ancient Greece. R. que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. 1977. A. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. HANSON.. A fase positiva. Dado um . fazer seus fenômenos inteligíveis. RJ: Tempo Brasileiro. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. G. sendo Comte. Capítulo II MITO. Londres: Wats and Co. Fe'don. Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento. METAFfSICA. de permitir sua apreensão material e espiritual. sld. Brasilia: UnB. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. SALMON. M. ______ Dois dogmas do empirismo. FOUCAULT. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". W. Segundo ela. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. M. assim como da ciência. Lógica.. O abandono da teologia e da metafísica . Ri: Zahar. ______ Ménon. são estritamente racionais e científicas. SP: Ibrasa. CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. da moderna civilização e indica o seu progresso. 1982. 1970. N. 1978. SP: Edusp. Madri: Alianza Ed. MYRDAL. VARGAS. LOSEE. Metodologia da pesquisa tecnológica. WARTOFSKY.moderna. In: Os pensadores. de Comte. 1978. Objetividad en la investigación social. inclusive. que percorre três fases distintas: a teológica. Epistemologia naturalizada. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. Ri: Globo. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. A ciência grega. explicar o mundo. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura. ______ A república. SP: Edusp. a metafísica e a positiva. Introdução histórica à filosofia da ciência. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina. que tem a ciência como suporte. SP: Edusp. B. T. Todo este processo de forniação da ciência moderna. SP: Edusp.que baseiam suas explicações nas causas primeiras . 1968. A sociedade aberta e seus inimigos. Padrones de descubrimiento. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles. Ri: Tecnoprint. 1n Ospensadores. K. 1975. 1974.é o marco.za Ed. SP: Hemus. Madri: Alian. LAKATOS E MUSGRAVE. 1978. 1970. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência. 1975.. 1961. 1975. 1978. 1979. SP: Abril. PLATÃO. Como a ciência. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. México: Fondo de Cultura Econômica. KUHN. 1978.

na idéia de que o céu é a morada dos deuses e. Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. Se ele houvesse jurado "em falso".nunha. Nas sociedades míticas. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. Na Idade Média. Para Aristóteles.universo cheio de incertezas e mistérios. 9. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. mas Menelau o contestou. uma vontade de permanecer no lugar que. por exemplo. A terra é o elemento mais pesado e. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. mas é mais leve que a terra e. p. tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. Antíloco se recusou a jurar inocência. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. a cosmologia e o senso comum . quando posta em dúvida. onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade. e transpõe sua eficácia para um plano superior. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. A água é mais pesada que o ar. por isso. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. a verdade era dada pela voz do enunciador e.no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria. o repouso. então. os astros têm um movimento perfeito. Entre os gregos. por exemplo. que o teria fulminado com um raio. fica acima desta. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade. uma testemunha. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) . Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. que se encarregaria da regularidade da corrida. A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . os objetos físicos têm um desejo. Ou seja: os mitos. onde desejos e vontades são atribuidos à natureza. que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás". por natureza. por isso. mostrando assim a sua culpabilidade. qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar. esta forma de solução de disputas também foi muito comum.de que falamos no capítulo anterior . Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. . por exemplo. Mas. lhes foi destinado. Este tipo de prova recusa a teste. e. Num certo sentido. a evidência. por isso. está abaixo dos outros. Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. circular e uniforme.são equivalentes. ou por uma combinação deles. Na teoria aristotélica. empreender ações que sejam coerentes. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. Assim. As cruzadas e as guerras religiosas. portanto. Larousse World Mythology. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus. terra. Antíloco venceu a disputa. embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. A 1. afirmando que ele cometera muna irregularidade. tanto quanto a ciência. por exemplo. foram feitas pelos cristãos. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso.

foi dissolvida na ciência grega. FOUCAULT. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade. para Hobbes. que as administrará como Vontade Geral. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. assim como.é urna forma de saber que também não se submete à verificação. é chamado de Estado de Natureza. neste contrato. Pode-se entender também porque.estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade. Com uma tal natureza.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . A metafísica como modernamente é entendida . Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo. sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. de um lado. Só que. em erro.pelo menos em parte .que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . para Hobbes. isto é. M. O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. na Idade Média. Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. o que permitirá que sua associação seja . A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. De outro lado. podemos explicar . é chamado de Estado de Sociedade. iguais. inviabiizando qualquer tipo de associação. de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). em sua filosofia e em sua metafísica. A verdade e as formas jun'dicas. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2.igualitária e libertária. por isso. colocando em risco a sua sobrevivência. a cosmologia. filosóficos. ou vsão mítica do mundo.Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. depois. Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento.a ausência do desenvolvimento do método experimental. Para Hobbes. ao contrário. por isso. os homens são mesquinhos. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental. No entanto. os homens se consumiriam em guerras e disputas. . Isto decorre. Assim. em termos de Absolutismo de Estado. Os dois autores são considerados contratualistas. Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. os homens alienam suas vontades ao Soberano. e são por natureza bons. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e. onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. Platão . pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento. o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. Apesar dessa característica geral da época. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria. Ver LAKATOS e MUSGRAVE. para o Deus cristão. O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e. os homens nasceram livres. Para Rousseau. para Rousseau. Daí a necessidade de um contrato 3. É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica. da natureza do ser.

ruas não de ciência. É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. pela sua própria forma. mas entre eles os de que: 1. o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e. BURT. mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. Este é.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. Se o movimento dos astros é perfeito. resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. A. podem ser testados. 3. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. As bases metafiicas da ciência moderna. não pode ser testada. metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. 2. Einstein. Assim.cuja forma lógica é (pv Øp). a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável . A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. pois o "Senhor não joga dados". na aceitação da teoria copernicana. 5. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza. Uma das coisas que diferencia 4. Ela passa a ser simples objeto de valoração. uru dos pilares do conhecimento científico. O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas. Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. H.é chamada de tautologia. no entanto. alcançado em 1915. Este resultado teórico.4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. aliás. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos.Nas ciências naturais. Este tipo de proposição . Os conhecimentos mítico. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. E. então com muito mais razão a terra deve girar. 1-lá outro tipo de proposição que. BROWN. da idéia de vercaçõo. onde p é uma proposição qualquer . não pode ser verificada. só pôde ser . não deve ser incluída no rol da ciência. 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica. religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. e protegem as teorias de certos questionamentos. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica. por princípio. o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. em especial. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado. As questões metafísicas. 6 Uma hipótese ou teoria que. Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira. por ser circular e uniforme.

É interessante notar.sentido para verdade. H. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo. compensaria positivamente depois da queima. Ele era invisível e. HEMPEL.será definitiva. o mercúrio. idem. K. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências. que não é". um outn. Estes episódios foram narrados por C. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade. que é. Filosofia da ciência. Filosofia da ciência natural. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. BROWN. A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas. Autobiografia intelectual. quando de um eclipse do sol. eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. Este fio era o "funículus". Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. Depois da experiência de Pérrier. no entanto. Não está em questão aqui o modo como isto será feito. A idéia de Verdade aparece. . que são fugazes e enganadoras. no entanto. por isso. atingir a essência da realidade. que é permanente e verdadeira. os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". Esta concepção é também chamada de ontológica. op. portanto. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade. R.edo que não é.quando encontrada . Atingir a verdade seria. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. e. ou seja. então. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente. A lógica da pesquisa cient(fca. É quando de sua aplicação a urna realidade. Para Platão. que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada. somente a essência adquire o estatuto de permanente e. não poderia ser jamais verificado. poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real. cit. então. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes. POPPER. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas. chegando até a imunização completa. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas.9 Há. cognoscível. Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é. ALVES. 8. deixando de pertencer ao domínio da ciência.verificado em 1919. 7. portanto. A primeira delas é que a verdade . os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. ilusória etc.

verdade e essência coincidem. Assim. dizem os essencialistas. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. POPPER. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos". ao contrário. 13 Segundo esta concepção. A lógica da pesquisa cien:(fica.atingir a verdade. Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. das proposições e teorias. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua. J. por princípio. 12. 10 Se a verdade existe. que é uma certa visão conspiratória do mundo. Há uma assimetria . do desenvolvimento científico. Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos. A concepção marxista é a típica representante desta visão. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias. 35 por Popper. Nesta medida. Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. K. coisa que foi bem acentuada 9. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. a um certo contexto. então não pode ser refutada. Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato". portanto. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade.para esta concepção . F. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã.pois a essência é permanente. MORA. A história da ciência revelaria este esforço de representação. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. POPPER. por que não se instaura. teremos o seu estabelecimento. ibidem. . Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. 10. Se a verdade é a correspondência com os fatos. Isto significa que. 11. K. Existem teorias. seria sempre possível . 11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. Diciondrio de filosofia. então. mesmo daqueles considerados básicos.como acentuou Popper 12 . pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda.entre a confiimação e a falsificação. Em segundo lugar. Conjecturas e reflita ções. não aparece? É necessário. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. todas as teorias. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade. Há ainda outra característica do essencialismo. Mas.

Revista Filosofica Brasileira. 1986. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. SP: Brasiliense. De qualquer maneira. no entanto. VI. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. E. M. 1. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. H. 1983. 1986. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. 4.13. 1. BROWN. Neste sentido. SP: Brasiliense. J. 2. 1981. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade. que através de Ménon 1 nos diz: . III. R. que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades. É a noção de causalidade que passaremos a discutir. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. 1984. HEMPEL. Manuscrito. Mas. n. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. ou por não ter sido falseada. Brasflia: UnB. Filosofia da ciência. C. Vol. Filosofia da ciência natural. Mas. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. 1965. 1983. Não podemos chegar a verdades definitivas. UFRJ.. BURr. geraram uma certa instabilidade na ciência. Hamlyn. isto é. ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. A verdade e as formas jurídicas. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. RI: Zahar. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. paradigrnas de verdade e coerência. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. 37 Larousse World Mythology. Maciri: Alianza Ed. 1983. As bases metafísicas da ciência moderna.A. Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. Einstein. então. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. a qualquer momento. Vol. 3. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. MORA. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. Dicionário de filosofia. Eles são interdependentes. Londres. F. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. Unicamp. progride. FOUCAULT. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. Como postular a veracidade de uma teoria se. SP.

isto é. a relação aparece como necessária. o dinheiro de Paulo com um casamento. Neste caso. quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. as liga por um raciocínio de causalidade. O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. 3) O universo existe somente através de Deus. a outros casamentos. como fator explicativo. Aqui não há um "antes" e um "depois". Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . mas indeterminada. Ménon. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. 1. Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la. Neste caso. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. PLATÃO. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. 6) A radioatividade causa mutações genéticas. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". 7) A crise econômica. O exemplo 1 relaciona. Assim. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. No 6. isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. Nos casos 4 e 5. No exemplo 4. em um caso particular. O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. A relação é de caráter acidental. as encadeia. Da mesma forma é o exemplo 5. universais. valem um tesouro e só produzem o que é bom. No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. Os exemplos 6. aparecendo como leis. 2) Os milagres têm causa desconhecida. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. É a causalidade. existem várias causas. mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante. a fugir. Neste caso.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. que é a energia cinética das moléculas. São eventos concomitantes e. pela própria forma do enunciado. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. como. mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. por exemplo. A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus.

Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo. no entanto. • a produção científica reduz a dependência tecnológica. mas não sabemos quando.seria factualmente falsificada. 6). já que se trata de um evento particular. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex.tem. a previsão de uma ocorrência e. como em "A crise econômica. c) Relação Invariante. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. ocorre sempre um outro B. O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. em sua genealogia. Ela pode. onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada. Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite. isto é. ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. Sabemos que irá ocorrer.próprio fato. este tipo de utilização está fora da ciência. Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. Esta forma geral de cau'a [idade .como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos. mas como fator explicativo é de muito pouco valor. podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex. de um lado. . Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares. de outro. a proposição . como na descrição do exemplo 7 . Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". dado um certo evento A. Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum. onde um evento anterior causa um outro evento posterior. encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor. Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). mas não de fonna precisa. 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide. no entanto. pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado. uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação.foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. sem que seja possível a sua detenninação precisa . a agitação social e a corrupção geram golpes de estado". 1 e 7). 4. isto seria facilmente falsificado. O exemplo 8 . 5 e 8).que é do mesmo tipo do anterior . Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos. Por isto. A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns.mesmo que transformada numa proposição universal. Ademais. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex.

Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil.iá nenhum indício de um fenômeno no outro. ruas também determinada. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. Para ele. às vezes. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. que aprofundou sua crítica. um dia. publicado em 1749. Assim. para Hume. que todos os . Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. se faz entre a linguagem e a realidade. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. pela observação de muitos exemplos. a neve e o frio. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza. portanto. Ou.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. aparecem sempre ligadas. até hoje. Em primeiro lugar. Empirista radical. Quando dizemos. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. isto é. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos. (ji 153) Assim. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada. o "quando" e o "quanto" da relação. Historicamente. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. de causalidade. então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. Aliás. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes. como a chama e o calor. ou seja. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu. podemos dizer o "como". que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. o princípio de causalidade não é da natureza. No caso do princípio de causalidade. que duas espécies e objetos. que é uma característica das coisas. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. Não se imaginava que elas pudessem. por exemplo. foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. em outras palavras: após descobrir. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos. O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . Portanto. a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto.

Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio. em última amiuise. 4.a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. Por outro lado. então. Assim. já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que. A explicação científica deve se aplicar a vários casos. e que enunciemos isto na forma de leis. na verdade. in Os pensadores. NAGEL. poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . seria o nada que antecederia o efeito. pode ser infinitamente dividido. B. Isto porque . como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão. Mas. Logo.corpos caem. já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. RUSSELL. 3. seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. gerador de conhecimentos. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. pois se organiza em . Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. 42 43 intervalo de tempo t que é finito. Introducción a la filosofki de la ciencia. Isto porque. Misticismo e lógica. a altitude. toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente. que é a predição. mesmo finito. D. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico.diferentemente do estágio pré-científico. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação. nem mesmo poderá haver queda. 2. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. Ver E. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos. como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. como. de um princípio gerador de pesquisas e. Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. então. Segundo ele. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. Além disso. A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. a depender da altitude. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. Devemos tornar a causalidade como uma suposição. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências. por exemplo. HUME. Investigação sobre o entendimento humano. dessa forma.

The logic o! expIa nation in philosophy of science. Teremos. 135-175 (Vol. 6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. Normalmente. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. Num . Filosofia da ciência natural. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. A depender do recipiente. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. 1) Todo meio material provoca refração da luz. que acabamos de examinar. a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. Num artigo publicado em 1948. para o senso comum. as proposições 1.função das regularidades que encontra ou postula. exerce uru importante papel. A explicação disto envolve. mas precisa das outras condições iniciais. p. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação. por esse motivo. repmduzido em Lii explicación científica (op. Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar. Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno. esta reflexão não ocorre.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. Lt explicación cient (fica. que era o nosso problema inicial. cit. necessárias e determinadas entre eventos. 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. tem um caráter de generalidade e de lei. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. pela sua própria forma.a formação de umidade num recipiente com água gelada . HEMPEL. A proposição 1. se organiza na forma de Estruturas Teóricas. idem. mas seguindo urna espécie de hierarquia. Neste sentido. 3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5).apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade. Para ele. Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. a noção de causalidade. de ordem. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. então. Ressalvado o seu caráter não-ontológico. 6. Aqui. 15). Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. a fim de que nosso problema inicial . 5. 2. uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica. C. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. liquefez o vapor d'água. Idem.

condições iniciais e conclusão. Em ambos os exemplos. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água. L Leis Gerais C1 C2 .poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. 5) Em vista disso. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais. Quando as condições iniciais estiverem dadas . que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. e C1 . É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral. 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema. portanto. O caminho inverso . C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. a luz se propaga a menor velocidade. a barra como estando torta ou partida. por estarem assimiladas às concepções correntes. a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. a de adequação a fim de que possa haver. teremos a impressão de que está torta ou quebrada. dedução. 2) A água é mais densa do que o ar. 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. Além disso. percebemos a barra como estando torta ou partida. Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1). Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. 3) Num meio mais denso. Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo. e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. 5) Percebemos.ambiente muito seco (umidade baixa). esse é o esquema Nomológico . 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água. Na formulação de Hempel. em relação à que está submersa. A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel.. Dados L1 . Estas suposições. ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. Se isto fosse necessário. De qualquer maneira. em relação à parte que está dentro da água. a luz se propaga a menor velocidade.e de posse das Leis Gerais . 3) Num meio mais denso. Ç poderemos deduzir E. onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra. A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser. de fato. O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1. L2 . L2 . a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1. L. Da mesma forma que no exemplo anterior. ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. então. C2 .

de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda. no passado. deve ser dedutível dele. 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. as Leis têm um papel decisivo. de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples. o ideal de explicação já era a física. então. São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso. cujo modelo era sempre o das ciências naturais. L2 ." onde o antecedente do condicional não ocorreu. 2.. inclusive das ciências sociais. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se. por exemplo. o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. Conforme C. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente. tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial. C2 ..também deve ser verdadeiro. Esta cláusula ficará 7. Dado E. as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans. op.. O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. O Explanans deve ter conteiido empírico. Em primeiro lugar . cit. L. de coerência e unidade às explicações. especificamente preparadas para isso. O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais.. por exemplo. Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação. Einstein etc. então teria ocorrido aquilo". Assim. Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica .expressaram claramente esta pretensão de cientificidade. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas. Ç e a vigência das Leis L1 . Em segundo lugar. haverá. pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais. é uma virtude. No paradigma hempeliano de explicação. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. elas conferem o caráter de estrutura. que servia como o grande paradigma das cências. isto é. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. HEMPEL. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. as leis de Galileu e de Kepler -. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais. . A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu.. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa. portanto. necessárias para a explicação. Newton.com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica. 3. sempre.).Durkheim e Marx . As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual. como diria o Ménon de Pistão. No século XIX. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans. devem ter os seguintes requisitos : 1. em laboratório. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido. podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. como.

caráter explicativo. op. e da institucionalização das ciências sociais. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. N. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. HEMPEL.já no século XX . as ciências sociais se confonnarani . que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. MERTON. fiction and forecast. têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848. As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas. Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. cit. por exemplo.. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política. como as chamou Merton. Os sociólogos. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista. 10. as conjecturas de longo alcance não têm. 11. então. NAGEL. numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. KUHN.em desempenhar um papel menos pretensioso. cit. As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. T.foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade. que passaremos a discutir. op. Ver E. no entanto. bem como outros pensadores menores. Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. C. Sociologia: teoria e estrutura. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. a sua mesquinhez e individualidade. apenas um papel limitado na explicação. também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. suporte de toda sua construção posterior. mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. R. o ideal científico no campo das ciências humanas . em concepções da história de ampla generalidade. Estas concepções de história ou de homem exercem.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana . a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido. Marx e Darwin. 9. Ambas. op. GOODMAN. Spencer. Facr. Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. MERTON. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM.8. Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. 3. Marx. op. no caso de Hobbes. Nestes escritos. As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. cir. no entanto. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX. elas mesmas. Os exemplos podem mostrar isso: 1. embora de menor abrangência. R. cit.

c) O homem é um ser que tem consciência. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. hi E. A "detenninação" de 12. Manuscntos econômicos e filosóficos. A sua teoria se estrutura. A totalidade destas relações. com as Leis Gerais e Condições Iniciais. os cânones do esquema hempeliano. Assim. 12 De posse destes princípios. . b) O homem é um ser eminentemente social. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. De qualquer modo. a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho. o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. por sua vez. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. da superpopulação relativa. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. no entanto. Deve-se. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. necessárias e independentes de sua vontade. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que. determinam a consciência. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz. Nesse sentido. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital. em suas diferentes formas. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. K. necessárias e independentes da vontade. que funcionam como axiomas para a teoria. Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial. o trabalho. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. O conceito marxista do homem. então. relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais. FROMM. uma vez obtido.sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. g) A existência. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. as diferentes formas de pensar a si mesmo.. com urna análise detalhada da economia burguesa. São eles: a) O homem é um ser da natureza. Além disso. a rigor. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida. pois existem alguns fatores que a retardam. não são compatíveis. os homens contraem relações determinadas.. MARX. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos.

Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. Conforme salientou Merton. por último. K. são incompatíveis. MARX. O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. Estudos da ecologia humana. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. a zona posterior é ocupada por moradias operárias. mas o de um raciocínio que. então. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. seu caráter é probabilístico. por isso. as TMA guardam uma certa "positividade". de Emest W. in Os pensadores. Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. hií urna tendência para a "expansão radial". MARX. Mas pode-se.2. por residências de luxo e. O capital. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas. bastante diferentes das do exemplo anterior. no entanto. há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". 17 enquanto as TLA. no sentido de que têm origem factual e de . trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. uma zona chamada de "com nzuters". Burguess. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. conforme este modelo. O interesse maior foi pragmático. 15. pelos mais diversos motivos. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. 14. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. a zona seguinte é chamada de zona de transição. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. Em primeiro lugar. D. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. K. PIERSON. A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. Em segundo lugar. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. a zona seguinte. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. neste modelo não há Leis Gerais. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. este fenômeno não falsifica a hipótese. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo. pois tende a ser invadida pelo 13. as grandes sínteses. a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop").

diríamos.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro. O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . O Explanans gera o Explanandum por dedução. Assim. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. são de dificil aceitação. A. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas. A noção de tendência. J. 369. enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e.. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. em milenarismo. ao contrário. É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". Qualquer teoria pode. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. afirmando que "ainda não chegou a hora". pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. o das ciências naturais. p. Cit. Isto. as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. esta atitude provocará. Um outro . MERTON. de certas relações e seus também necessários desdobramentos. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana. confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. de fato. a previsibilidade é uma das características importantes. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente. op. cit.que servem como fatos básicos para as TLA. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais. por exemplo. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire. isto é. queda nos preços das ações por excesso de oferta. op. no limite. Já com as TMA. A determinação expressa o caráter necessário. mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. No esquema hempeliano original da explicação. por si só. necessariamente. pois ela previra apenas urna tendência.poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá. 17. ou ainda. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. A divulgação desta "previsão" . um certo poder de autoproteção. de Lei. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. QUINN. PIERSON. 16.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. por exemplo. inD. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. R. hoje. Suponhamos. no caso das TLA. Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais.

por exemplo. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada.. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa. A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. à bancarrota. POPPER. A pretensão científica das ciências sociais. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. E NAGEL. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. cir. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. op. com medo de perderem seu dinheiro. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas. e tem ainda. 19. mesmo que não explicitamente. No entanto. no que concerne à explicação. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. A análise de determinada situação pode sugerir. 18. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva. cit. 4. Filosofia das ciências sociais. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. R. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. taxa de crescimento populacional. correram todos a sacar suas economias. o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. as postulações de vários epistemólogos da atualidade.1. que instituiu um . por conta de que providências são tomadas para evitá-los. taxa de criminalidade etc. levando o banco. RYAN. sua inspiração nas ciências da natureza. teve. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. E não poderia ser diferente. K. 20. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. A situação do banco era normal. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. Por outro lado. op. Ver A. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. 4. A sociedade aberta e seus inimigos. em pouco tempo. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. Os depositantes. mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva. MERTON. evitando-se assim a elevação da inflação.

Este modelo de organização e progresso. essencialinente. Dados os problemas. Para Kuhn. item 2. a lógica do processo científico. 22. um movimento de "revolução permanente" na ciência. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. Popper discutia. IV.22 Depois da formação do cfrculo de Viena. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena. como dissemos. assim como os epistemólogos anteriores. Ver o cap. portanto. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. não condiz com as postulações abstratas de Popper. Karl Popper. Paul Feyerabend e Imry Lakatos. Assim. por novas teorias. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. sabemos. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. Hegel e Marx. A epistemologia de Thomas Kuhn parte. ao contrário. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. Em seu livro A lógica das ciências sociais. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. No entanto. sem dúvida. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos.movimento nitidamente racionalista e historicista.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas. fazendo surgir novas conjecturas que. mostrando que os cientistas formam um grupo social e. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. com maior conteúdo empírico. de um 21. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação. a referência mais conhecida na epistemologia foi. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. que podem ser de natureza prática ou teórica. filósofos como Aristóteles. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas. portanto. já neste século. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. . 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos. por sua vez. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. através de testes críticos. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência. pelo menos como princípio. veremos. baseado em Conjecturas e Refutações. tendo em sua linha de sucessão. já que deverão resistir a severos testes. ou grupos dentro dela. Para Popper a ciência é. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. um empreendimento que visa a solução de problemas. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. a busca pela refuta çõo das teorias. serão testadas e refutadas. jamais será alcançada. aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática. no fmal da década de 1920. mas. IV. Este assunto será desenvolvido no cap.

Assim. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. Aqui.está cada vez mais claro que a incerteza é universal. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias). já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. composta por um" cinto de proteção" . As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. Ao contrário. cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções.diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos . Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. assim como a sua dinâmica. cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade.conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que. Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos. as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores. Na visão kuhniana. mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. Os recentes desdobramentos . mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. Assim. elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. algum dia. quando os resolve. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas. . Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos. a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn. 4.2.conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências. pois . mas aquela que. 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas. entra em crise e inicia urna era revolucionária. e por uma heun'stica positiva. Para ele. tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas.

Deste modo. 23. p. a linguagem não tem a propriedade da univocidade. devem ser escassos e concentrados. mas como parte do próprio conceito de sociedade. Isto ocorre porque. in Educaçdo e Compromisso. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna.24 No entanto. Heisenberg..25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. Heisenberg. devem partilhar de uma linguagem comum. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais . No que diz respeito ao desejo. e. Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais. conseqüentemente. em sentido mais geral. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos. O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias. As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. os bens são escassos e. 25. cit. um melhor posicionamento na escala social. não teriam sentido social. 26. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. frustra urna parcela da sociedade. Caso isto não ocorra. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções). assim. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais. p.26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. Podemos dizer que. caso contrário. na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano. 14. pois. MERTON. S. a realidade social. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. contribui para as mudanças sociais. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e.. os comportamentos dos indivíduos.e para a realização de testes cruciais .como propõem os popperianos. Na verdade. MATALLO JR. a sociologia e o princípio da incerteza. apesar de haver sentido partilhado na linguagem. H. Assim. Idem. em segundo. porque há certos bens que. estabelece regras para a sua satisfação e. isto é. para serem aceitos. SANTOS. op. 58 . em vez de teorias. a sociologia e o princípio da incerteza.No que diz respeito às infonnações.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . devem entrar na rede simbólica. por definição. B. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca. 13. deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. entendida como um fenômeno simbólico. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. MATALLO JR. necessariamente. 24. em primeiro lugar. não contextual. H. isto é. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial.

CHALMERS A.O paralelo entre as estruturas de teorias que faremos com as ciências naturais tem como referência o modelo nomológico-dedutivo de Hempel. A ciência grega. 1n Os pensadores. fiction and forecast. M. MARX. SP: Abril. Heisenberg. RI: Zahar. N.). É preciso constatar. Indiana: Bobbs-Merril Co. A estrutura dos revoluções cient(ficas. 1978. cit. J. C. KUHN. HEMPEL. FOUCAULT. Investigação sobre o entendimento humano. 1984. de tal maneira que nunca temos urna explicação definitiva sobre um conjunto de fenômenos. Londres: Watts and Co. 1961. BASSALO. Segundo esta nova versão. F. LOSEE. Filosofia da ciência natural. . R. Filosofia da ciência. H. 1972. 1979. M. 1965. ______ Head and hand in Ancient Greece. Londres: Hamlyn. 1978. _______ The logic ofexplanation in philosophy ofscience. K. 1975. 36 (3). 1978. o esquema seria: Explanans Conjunto de Postulados Básicos Descrição . HUME. Manuscritos econômicos e filosóficos. mas também entre pensadores de uma mesma corrente. As "experiências de pensamento" em física. 1983. SP: Edusp. RJ: Zahar. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento.. 1n Ciência e Cultura. mas com significativas alterações em seu conteiido. 1. Introdução histórica á filosofia da ciência. Bibliografia ALVES. SP: Brasiliense. As bases metaflsicos da ciência moderna. 1978. ARISTÓTELES. Tópicos. E. SP: Abril. Madri: Alianza Ed.. SP: Abril. SP: Brasiliense. RJ: Tempo Brasileim. MATALLO IR. D. 1978.Reconstrução Histórico-Social Explanandum E A diferença está em que. 1. Doença mental e psicologia.. HANSON. ______ O capital. E. _______ Prefácio da contribuição à crítica da economia politica. que o indetenninismo e o arbítrio existentes são partes constituintes das ações individuais e coletivas e de nossa imensa capacidade de criar e recriar as formas de convivência social. A. Einstein. R. 1984. O conceito marxista do homem. 1965. a sociologia e o princípio da incerteza. 1975. B. 1978. 1983. SP: Perspectiva. 1949. FARRINGTON. 1n Os pensadores. N. CARTIER. Vol. Estes são os fundamentos do pluralismo teórico das ciências sociais e da aparente arbitrariedade reinante na disciplina. A. O enigma do cosmo. SP: Edusp.. R. Brasilia: UnB. 1981. LAKATOS. BROWN. a construção histórico-social (seleção e descrição) varia não somente entre as diversas correntes de pensamento. 1977. GOODMAN. La explicación cient(fica. mas urna constante reconstrução a "partir do zero". SP: Ibrasa. para um mesmo explanandum E e utilizando-se um mesmo conjunto básico de postulados. RI: Primor. Reproduzido em La explicación cient(fica (op. F. Larousse World Mythology. BURTT. H. Buenos Aires: Paidós. Whatisthis thing called Science? Queensland: University of Queesland 1978. Padrones de descubrimiento. no entanto. Madri: Fondo de Cultura Económica. 1979. 15. & MUSGRAVE. In FROMM. Fact. T.

1977. s/d. VARGAS. ______ Ménon. S. os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal. RJ: Globo. diversas denominações. Professora de Filosofia da Puccamp. 1. La estructura de la ciencia. como ele procede. NAGEL. ainda. como a ciência atinge seus resultados. n2 3. as mais conhecidas são: epistemologia. Capítulo IV A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTf FICO: ALGUMAS POSIÇÕES Maria Cecilia Maringoni de Carvalho* 1. Madri: Alianza Ed. ______ A lógica das ciências sociais. Dicionário de filosofia. 1978. Brasilia: Tempo Brasileiro. Conjecturas e refutações. F. A metodologia seria urna parte mais restrita da epistemologia. tais reflexões epistemológicas não constituíram uma disciplina independente. Edusp. A. MERTON. B. 1978. Um discurso sobre as ciências na transição para urna ciência pós-moderna. 1978. decidir entre teorias concorrentes. PIERSON. _______ Conhecimento objetivo. Vol. W. RI: Tecnoprint. 1986 MYRDAL. W. SP: Revista de Estudos Avançados. mas foram empreendidas no quadro de uma * Doutora em Filosofia pela Universidade de Munique. 1970. ______ A lógica da pesquisa cient(flca. G. M. SP: Abril. Filosofia das ciências sociais. 61 SALMON. SP: Cultrix. A sociedade aberta e seus inimigos. M. Madri: Alianza Ed. Mas ela se preocupa também em articular os critérios que nos permitem avaliar o desempenho de teorias já formuladas e que nos possibilitam. Misticismo e lógica. Belo Horizorne. 1978. RJ: Zahar. 1979. O. SP: Martins. em que consistem seus métodos. A investigação teórica acerca do fenómeno "ciência" tem recebido. SP: Mestre Jou. ______ Dois dogmas do empirismo. D.. ao longo dos anos. 1978. POPPER. SP: Edusp. K. 1985. 1978. 1982. MORA 1. Objetividad en la investigación social. pois. 1978. 1968. Edusp. E. 1970. República Federal da Alemanha. porém. WARTOFSKY. 1 Durante séculos.. Itatiaia. PLATÃO. Sociologia: teoria e estrutura. como a palavra sugere.Teresina: Educação e Compromisso. B. 1988. que é a produção do saber. teoria da ciência. qual a sua credibilidade etc. R. 1978. SP: Abril. 1977. filosofia da ciência e. Lógica. RI: Zabar. SANTOS. II. Introdución a lo filosofia de la ciencia. também. Epistemologia naturalizada. Considerações introdutórias As reflexões críticas acerca dos fundamentos da ciência vêm sendo elaboradas desde tempos remotos. RUSSEL. SP: Francisco Alves. Podemos dizer que filósofos e cientistas em geral sempre buscaram alcançar uma compreensão adequada do que vem a ser o saber científico. LOSEE. metodologia. México: Fondo de Cultura Económica. SP: Edusp. Brasilia: UnB. ou seja. Metodologia da pesquisa tecnológica. RYAN. ela investiga fundamentalmente os métodos. . Introduçõo histórica dfilosofia da ciéncia São Paulo. Estudos de ecologia humana. Fédon. 1974. QUINE. 1991. Buenos Aires: Paidós. Para se ter uma boa visão dos empenhos epistemológicos desenvolvidos através da história recomendamos a leitura de J. 1978. SP: Abril.

quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. o controle é feito com base na observação e na experimentação. alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. A filosofia contempordnea. Nas ciências empíricas. Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados. quando não impossível. aos poucos. Kuhn. Wolfgang STEGMOLLER. Tal corrente. uma vez elaborada a hipótese. se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. Segundo Stegmiiller. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. 277 ss. ela deve ser abandonada ou corrigida. a se alterar. Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica. -' Nosso estudo pretende abordar. Contudo. ela deve ser submetida ao teste da experiência. a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. da filosofia da linguagem e da filosofia da história. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo. o Racionalismo Critico de Karl R. que emergiu do Empirismo Lógico. o que parecia faltar à filosofia. Rudolf Carnap. fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. além de Schlick. O grupo. Todavia. o controle é feito com base em processos lógicos. Historicamente. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo .2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. A fantasia criadora do 2. pois. no decorrer da década de 20. Otto Neurath. sobretudo nos países anglo-saxões. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. 1. p. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa. conhecido sob o nome de Círculo de Viena. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. Existe. Hans Hahn etc. Seus principais integrantes foram. de modo sucinto. É muito difícil. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. vol. Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. mas estenderam-se aos domínios da ética. Na matemática.

e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução. como pensavam os empiristas clássicos.4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. Popper é. e que. Princzvio do Logicismo . seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. se chegaria a um conceito geral. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. pp. sociais e psicológicas da pesquisa científica. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. exige.um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. vol. segundo o princípio empirista. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo. 2. 277-284. Popper Karl R. De outro lado.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. ou seja. Não se tratava. . Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R. cit. na medida em que priorizou as dimensões históricas.para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. contudo. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época. 3. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. 1. Thomas S. é verdade. é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico. sem diiv ida. op. ou seja. Wolfgang STEGMOLLER. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. como mostraremos em nosso trabalho. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos . É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não. factual. ou seja. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. na medida em que for fundado na experiência. Na realidade. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação. sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica. análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. havia um debate fecundo entre eles. 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados.. foi. sem dúvida. mediante comparação dos objetos entre si. porém. real.. Kulm Todavia. traduzidos em uma linguagem observacional.

que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual. certamente que "a" não é solúvel em água. introvertido etc. Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica. inteligente. Entretanto. Elas nada declaram a respeito de um objeto. como a palavra sugere. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. como veremos agora. então: se um objeto x é colocado na água. O enunciado "se x é colocado na água. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água". parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira . Esta definição . apresentar uma determinada reação ou comportamento.um objeto x é solúvel em água. a condição de ser colocado na água).1 deste capítulo. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais.Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas. Em suma. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional. as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. solúvel. Sendo de madeira. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. Ver. esse ideal. Contudo. ainda que plausível. elástico. estas não podem. uma tendência de um determinado objeto para. tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. ou seja. ser caracterizadas como definições propriamente ditas. de acordo com a definição proposta. então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição. Em vista da dificuldade ora apontada. a rigor. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. Entretanto. eram passíveis de 4. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. então x se desmancha" é urna condicional. como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. seria considerado solúvel. então x se desmancha. o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso. Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso. são termos que denotam uma disposição. Entretanto.é todavia inadequada. Termos disposicionais. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico. se atentarmos melhor. Contudo. dada a falsidade do antecedente. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". Teríamos. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras". magnético. item 3.aparentemente plausível .

1983. pp. contudo. A filosofIa contempordnea. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. Ciência: conjecturas e refutações. Além disso. outras três eram a teoria de Marx. de um lado. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável. 1. POPPER. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. em certo sentido. O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. 5." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência. Na época. p. tais teorias não eram . Dentre as que me interessavam. STEGMULLER. Cap. da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais. R. de chamar a atenção para o caráter aberto. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. p. 1977. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. 6. a Europa encontrava-se imersa em grande crise. 274-329. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. também W. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra.já que o conceito é deixado em aberto. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. Ibidem. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. IX. in Conjecturas e reflaações. Lisboa. 63. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. é a de A. Edições 70. Teve o mérito. Karl R. as três teorias anteriormente mencionadas. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre. De fato. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. abrindo os olhos para uma nova verdade. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação. de outro. 3. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. 64 7. a teoria da relatividade. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. o qual corporifica. Camap. Nessa medida. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler. e. escondida dos ainda não-iniciados." 6 O problema que o intrigou. porém. Camap. São Paulo. a evolução do Empirismo Lógico. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. Uma vez abertos os olhos. K. vol.de um conceito . Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco. EPU/Edusp.

as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. ci:. 10. a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. "falseável". 66. predições que. p. POPPER. em princípio. 9. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8. ou seja. melhor ela é. mas um vício". A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. caso sua teoria fosse verdadeira. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria. Ibidem p. op. Como descreveu Popper. deve. o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. no dizer de Popper. Ibidem.1. inspirar sua metodologia. uma vez que as procuremos. isto é. que ela nos diz algo sobre a realidade. em princípio. Esta teoria parecia aberta à refutação. Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. ser refutável. R. Ibidem. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. As três teorias precedentes não são falseáveis. ou seja. deveria refletir-se. refutável. Einstein deu-se conta de que. Por isso. p. se não realizadas. p. O problema da indução . de refutar a teoria. nesse contexto. mostrar-se incompatível com resultados de observação. em virtude da atração gravitacional do Sol. refutabiidade ou falseabiidade.13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. não são capazes de sustentar predições que possam. em princípio. a teoria da relatividade pode. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. 3. 64. juntamente com os resultados de sua crítica à indução. Ela é. Como diz Popper. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. Uma teoria que pretende ser empírica. Numa palavra. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade. Nesse caso. 68 69 certas coisas de acontecer. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria. lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade.testadas com base na experiência. 11. como frequentemente se pensa. 65. Quanto mais uma teoria profbe. Popper lembra. ou seja. 66. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. K. factual. caso ela resulte de urna tentativa séria. 11 Em suma. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo". porém malograda. "a irrefutabilidade não é urna virtude. colocar em risco as teorias em que se baseiam.. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. ou seja. passando próxima do Sol. refutariam a teoria.

Como tais conexões não provêm da experiência.a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. Fui levado portanto. POPPER. Popper aceita o argumento lógico contra a indução. e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. cit. Segundo Popper. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12. baseada em similaridade que só ele poderá identificar. Ibidem. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. Hume nega que a indução possua uma base lógica. tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. R. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas. Segundo Hurne. "A" virá sempre acompanhado de "B". Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes. Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. op.. porém. segundo a qual dois eventos seriam em si similares. A expectativa é . como o funcionamento de um relógio. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). 66. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . 66. Todavia. a experiência nos dá impressões sensíveis. 14 A concepção ingênua. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. a inferência indutiva não pode ser legitimada. com o tempo acostumamos a essa repetição. Mas devemos notar que. construções do sujeito. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança). p. deve interpretá-las como repetições. 13. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos. De um ponto de vista meramente lógico. Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade. Temos aí um empirismo radical. é o sujeito que estabelece conexões entre eles. deve considerá-las similares. por considerações puramente lógicas. no futuro. precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. K. p. Segundo Hume.para Popper . parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. Em suma. só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição. mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. numa teoria psicológica como a de Hume. Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema.

extraordinariamente limitados. um interesse especial. damos um salto para chegar a conclusões . in Naturwissenschaften 66.um enunciado nomológico. POPPER. Os dados de experiência são. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa. quer dizer. . publicada em meados dos anos 30.que precisamos pôr de lado. Teu II. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16. Se alguém quisesse verificar . descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes. Popper. um problema. Pois. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação. precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação. demonstrar a verdade de . p. isto é. Os enunciados nomológicos são estritamente universais.1 • iI 1. cit. 440-441. Ibidem. É claro que uma tal verificação é impossível.. Theorie der empinschen Wissenschaften. obviamente. Sem nos determos em premissas. 75-76. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto. "demonstração da verdade"). Logo. cit. mas com uma teoria. ou seja.como mostraremos a seguir . enunciados que exprimem leis naturais ou teorias.0] 70 71 definida. procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. A ciência começa com a percepção de um problema. R. p. isto é. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria. p. pois. K.2. Wolfgang STEGMÚLLER. pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação.da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação. pois tais enunciados não são passíveis de verificação.. Em Überblick. nesse contexto.portanto. pretendem valer para qualquer tempo e lugar. e a dos enunciados que descrevem dados de observação." ' O conhecimento não tem início com a experiência. K. Modeme Wissenschaftstheorie. R. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência. A metodologia de Popper resulta . se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. caso as observações não as corroborem. enquanto que os enunciados de observação são singulares. desde que. alterar fundamentalmente o estado da questão. op. nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. convicção ou expectativa e os dados da observação. . 15.que as repetições nos imponham suas regularidades. um ponto de vista. 74. POPPER. uma tarefa 14. 76. 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. pp. op. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. que exprimem leis. 17. 3.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

Constitui-se. técnicas e saberes é muito pouco transparente. p. KIJHN. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. SCHNEIDER. op. pelo menos intuitivamente. 20-21. M. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. ou seja. cit. 237 ss. G. cit. K. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. POLANYI. 23. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo. 4. a Química e a Biologia. a Óptica de Newton etc. p. de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc. via de regra. entre outros. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. Desaparecem. Uma tal construção é. 30. ou será um movimento ondulatório.. Vide H. pois toda essa rede de posturas. eles conhecem a resposta. BAYERTZ. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade. Ibidem. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas.). quanto à natureza da luz. bem como a maioria de suas ramificações. KUHN. cit. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. op. verificam-se as seguintes conseqüências. 71. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos. 29 A Física.27. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. pp. em geral.. ou ainda composta de fótons. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria. T. 29. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da . ia op. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. Posfácio. portanto. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. será ela composta de partículas de matéria. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos.. um grupo homogêneo. S. acolhida como superior às suas correntes. A uma realização científica dessa envergadura.2. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. a Física de Aristóteles. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. 32 ss. Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. O paradigma caracteriza. 28. The tacir dimension Thomas S. assim. que partilham o mesmo paradigma. Kuhn dá o nome de paradigma. portanto. 37. o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso.

Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper). 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. Aí estão os problemas considerados legítimos. 32.. S. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. M. ele adquire uma dimensão normativa.) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. então. ele é tido por inatacável. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. 33. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência". 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. interessá-lo. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. porém. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe. de antemão. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. propriedade coletiva da comunidade científica. a existência de fenômenos recalcitrantes. o qual não é o resultado direto de experiências. 13. que não se ajustam facilmente ao paradigma. MASTERMANN. ou seja. Nega que eles tenham a . Em algumas passagens. nesse sentido. Posto isso. um arcabouço teórico de cunho bem geral. pp. 72-108. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. Por receber adesão coletiva. Como diz Kuhn. Daí decorre que. Nesse sentido. o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. Não nega. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada. A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão. 65. na ciência. M. KUHN. Com isso. entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. que ele comporta solução. mas que direciona qualquer experiência. O paradigma representa. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. detectou 21 acepções diferentes desse conceito. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. Masterrnann. para o qual já existe uma solução paradignultica. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista. naturalmente. A natureza de uni paradigma. LAKATOS e A.31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. T. op. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". ci:. durante algum tempo. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma.fecundidade de um tal conceito. MUSGRAVE (orgs. p. in 1. Ibidem p. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo.

O trabalho miúdo. Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. vide T. 5. ela é condição de possibilidade de emergência do novo. G. iii 1. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. cit. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria. 4. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma. Especulações ousadas .37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. pp. KUHN. W. esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento. assim. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C.36 34. Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. S. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso. KUHN. cit. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele. Cit. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal.. pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. LAKATOS e A. 35. in Jorge Dias de DEUS (org. 162-174. Vide H. 36. Além disso. Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. p. importante papel na produção do novo. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos. A Crítica da ciência. a atividade científica tem um forte componente social. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). pois. da acumulação bemsucedida de saber. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura. não se pode esquecer. proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas. T. efetuado pelo artesão científico. pp. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades.3. A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática. Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes. A fase de triunfo.função que Popper lhes atribui. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. papel mediador na emergência do novo. SCHNEIDER. Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. vide T. p. op. MUSGRAVE. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade. proibidos pelo paradigma. dirigido ao pormenor. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. op.). tem. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. A função do dogma na investigação científica. KUHN. S. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. ele goza de certas imunidades. TAYLOR (org. S. T. cede lugar a um período de crise. 53-80. Contudo. KUHN. Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante.). 45. O paradigma está ameaçado. 12. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham.).

As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. op. Ele é mais urna "promessa de sucesso". S. 116. KUHN. Contudo. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos. parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. Vide nota 36. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40. dominada por um paradigma sucessor. cit. 42. 41. 44. Ibidem. Em geral. os cientistas não o abandonarão. S. diferentemente. se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia. na visão de Kuhn. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. p. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência. Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. pp. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. p. op. ' Com o agravamento da crise. como é que. p. u Entretanto. Contudo. para cada situação possível. pois não é possível pesquisar sem paradigma. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. S. 57 ss. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. A crise parece desempenhar esse papel.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. Não existem. p. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. The essential tension. 43. T. cit. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. Bayertz. 44. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. KUHN. T. de início. critérios gerais que determinam de modo unívoco. in op. por muita confusão e inquietação. 113 ss.. 190-191. T. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. . o qual é precedido. 42 De qualquer forma. A questão é que. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade. contudo. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade. A estrutura das revoluções científicas.. como assinala K. cit. 39. via de regra. as revoluções pareceriam impossíveis. dessa promessa". Ibidem. Sem crise. Kurt BAYERTZ. porém. 38. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. enriquecendo-a com novas informações. Ibidem. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. mas a altera profundamente. 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. KUHN. ao seu conservadorismo.

busca de alternativas. ' Em meados da década de 30. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. Em uma palavra. 113-114. ou seja. 81 extraordinária. 10 ss.45. não para descobrir hipóteses. pp. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER. 353-391. Isso é compreensível. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. tratava-se de confirmá-la indutivamente. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. Popper e seus discípulos. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. mas. como. pp. W. pp. elevando o seu grau de probabilidade. LAKATOS e A. Idem. quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. Para . tentará formular novas teorias. Ibidem. STEGMULLER. (org. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente. acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. por exemplo. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma.). p. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. a outra. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. urna vez de posse de urna hipótese. Como sabemos. 49. A estrutura das revoluções cient(ficas. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre. Procura tomar mais aguda a crise. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. suas teses provocaram grande impacto. cit. 167-211. KUHN. mantendo-se crítica frente a ele. op. Em outras palavras. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares. se tiverem êxito. pois propiciou uma articulação mais clara. T. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. então. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. S. Popper rompe com essa tradição indutivista. 114. a pesquisa se toma aleatória. as quais confumariam a hipótese em questão. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas. 46. representada por Karl R. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. as quais. 48. in Wemer DIEDERICH (org.). retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes. o método indutivo era usado. 47. dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. A filosofia contempordnea. falseamento de concepções existentes. a menos que seja guiada por um paradigma. 5. p. nessa fase pós-paradigmática. defendida por Thomas Kuhn. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo. Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. MUSGRAVE.

Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. contudo. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. p. quem tem razão? A posição de Popper.. no entender de Kuhn. negativa. ela é.) op cit. o 50. É preciso. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. MUSGRAVE. deste capítulo. rever nosso conceito de racionalidade. mesmo preservadas as idéias . que privilegia o espírito crítico. além disso. certamente. se Kuhn tem razão. 51. nem de longe. LAKATOS e A. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido. não se impor. Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo. aberta à refutação. que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. (orgs. quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. se a ciência não se orientar nem pela indução. regras de lógica dedutiva. E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos. não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece. 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação. A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência. mas se prende ao fato de que. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva. item 2. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. parece bastante saudável para a ciência. a-crítica. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1. Ver. e que seriam. ainda que estes possam ocorrer. de fato.via dedução . um empreendimento irracional. a relevância que Popper lhes atribui.e nesse ponto concorda com Popper -. em outro. À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. sim. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade. a crença na indução não passa de uma ficção. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. 18 ss. nem pela dedução.nem a refutação das mesmas . nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas. ou seja. em um caso. Se. KUHN. T. abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. E tal reflexão poderá mostrar que. uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar.ele. aos poucos. E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva. teimosas. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas .não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. com o tempo. Todavia. ou a admitir que. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia.via indução . E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . Sua metodologia é urna metodologia crítica. não possuem. S.

a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre. Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. 191. POPPER. SNEED. em sistema acabado. um dia. S. não corresponde à realidade. 53. 54. Apoiaino-nos na exposição de W. cit. porém. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. portanto. ou que se conheça de antemão. sugere-se 52. que a luz não era constituída de partículas. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito. vemos apenas um quadro geral. passíveis. LAKATOS e A. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e. obviamente. ci:. MUSGRAVE (orgs. Isso. quando. 63-71. pp. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. T. MUSGRAVE. Em vez disso. S. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração. A estrutura das revoluções científicas. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. o movimento pendular. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional. A ciência normal e seus perigos. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade. Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. ela não se apresenta logo como algo acabado. T. K. Todavia. The logical structure of mathemaiical physics. in 1. Popper tem razão. 33-48. Newton havia prognosticado que. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. todos os esforços nesse sentido foram inúteis. arcabouço teórico. e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região. N. A estrutura das revoluções científicas (op.. cit. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação.)." liii núcleo estrutural não é passível de refutação. p. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis. que contém uma estrutura matemática.) op. in 1. WATKINS.. (orgs. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal. Para ilustrar. seria possível. concluiu-se. De início. o fenômeno das manis etc. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. no século XIX. pp. Ver também a contribuiç5o de J. Contra a ciência normal. R. estas refutações não atingem a teoria enquanto tal. impôsse a teoria ondulatória da luz. E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica. ainda não conhecidas. contudo. Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria.) op. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. 186. a razão está do lado de Kuhn. p. D. Vejamos um exemplo. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. Existem refutações na ciência e. nesse ponto. . W. op. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade. 55. Quando uma teoria é concebida. com o auxilio de sua mecânica de partículas. KUHN. fixado antecipadamente. LAKATOS e A. conhecem-se algumas aplicações da teoria. porém. explicar os fenômenos da óptica. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito. KUHN. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei. via de regra.centrais de Kuhn. nesse sentido. cit. A classe das aplicações possíveis não constitui. de serem verdadeiros ou falsos. nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. além disso. articulado em todos os seus detalhes.

SP: EPUJEdusp. POLANYI. E. s/d. como parece ter sugerido Kuhn. bem como defensores da nova teoria então nascente. 1983.). J. 1n Conjecturas e refutações. Racionalidade e a expansão do conhecimento. 1978. da Universidade de Brasília. ampliando seu domínio de aplicação. Dado que as teorias são irrefutáveis. Nova York: Doubleday & Company mc. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. N. s/d.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea. SCHNEIDER.). H. W. 1974. 70.. Wemer (org. 1978. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. KUHN. hoje em dia. 1. Carnap e o positivismo lógico. 2t ed.A comunidade científica não é irracional. DEUS. Contra a ciência normal. J. LAKATOS. D. STEGMÜLLER. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas. _______ Duas faces do senso comum. Para isso. lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. SP: Cu1trixEdusp. Brasilia: Ed. (org. a outra parte da população está morrendo porque a tem. BH. A. ht Psychologie heute . 1 e MUSGRAVE. e MUSGRAVE. Munique: Springer Verlag. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome. Introdução histórica d filosofia da ciência. 1n Conjecturas e refutações. Dordrecht. Jorge Dias de (org. Eis porque em outros escritos meus já . 1979. 1n DIEDERICH. Além disso. os quais esperam e acreditam que ela. SP: Edusp. WATKINS. SNEED. a nosso ver. Ciência: conjecturas e refutações. não há nada de irracional nesses comportamentos. A crítica e o desenvolvimento da ciência. POPPER. pois que a vivemos de forma ambígua. The tacit di. é normal haver defensores da teoria até então dominante.ssenschaftsgeschichte. G. 1971. Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981. Wissenschafiliche Revolution.Sor1erdntck . 1n LAKATOS. Garden City. J. Verdade. 1966. Lisboa: Ed. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. PASQUINELLI. LOSEE. certamente. Afilosofia contemporânea. 1979. SP: Oaltrix/Edusp. numa época de transição. contudo. The logical structure of mathematical physics. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. já se disse que se. Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. RJ: Zahar. um dia. Karl R. 2 ed. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado. Weinheimund Basel Beltz Verlag.. 1979. Itatiaia. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis. (2 voL). Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J. 1977. 1n Conhecimento objetivo. 197. João Francisco Regis de Morais* Concretamente. Michael. A estrutura das revoluções cient(ficas. A. B. A.). hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade. A crítica da ciência. Brasilia: Ed.nension.). As origens do conhecimento e da ignorância. SP: Perspectiva. Belo Horizonte: Itatiaia.. Thomas S. em ambas as teorias. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . 1979. Kurt. 1975. da UnB. Boston. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. Frankfurt: Suhrkamp. Theorien der Wi. Bibliografia BAYERTZ. (org.Wissenschaftskritik. Naturwissenschaften 66. Wolfgang. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha.

nas quais se lê que. o que gera. Volto sempre a dizer que. que é marcadamente científico-tecnológico. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental. pode ser. conhecidas e declaradas. O nosso meio. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. Não muito preocupado com essas periodizações. pelo menos. correspondem funções latentes. a ser apenas bom. dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade.no mais salutar sentido da palavra . de outro lado. Mas parece ser o modo realista . A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. menciono três grandes momentos do mundo moderno. . do século XVI (Renascimento) até hoje. de um lado. negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim. não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. expondo-nos à permanência do provisório. mas é necessário que. ou só em seus lados positivos. para não quebrar o fluxo dialético da vida. penso. Certamente que não é um modo cômodo de ver. a ciência e a tecnologia não são boas ou más. São ambas as coisas. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal. não podem mais ser livres de valores (value free) .de se olhar para a vida e interpretá-la. Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. num projeto histórico mais modesto irias. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar.. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp. Evidentemente. Discutível? Sim. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje. Inevitavelmente. tampouco lograremos que chegue algum dia.se é que algum dia o tenham sido. 1. ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade. factível. nunca será apenas mau. nos negócios humanos. a realidade humana seja "isto e aquilo". pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo. às suas funções manfestas. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado.afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. e. E isto porque. não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio. São dois modos de ver.

Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa. entre a luz e a sombra. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. prepara. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. curiosamente. De repente. a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. de espanto. conhecida como o Barroco. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica. lugar no qual. e este campo abria-se de forma ilimitada. quando a Revolução Francesa. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. quanto à queda dos corpos na física. o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. em um preciso dia do preciso ano de 1590. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. inaugura a chamada ciência experimental. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial. de nome Galileu Galilei. Ora. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo". Num golpe histórico. estava. em muitos aspectos. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. é o primeiro grande momento do mundo moderno. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. A arte deste século. necessárias e. conseqüentemente. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. imutáveis. na Igreja de Notre Dame de Paris. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. o mundo "encantado" da Idade Média. no meu entender. pelos séculos . um altar para a Deusa Razão. Porém. É muito importante que atentemos bem para isto. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. Na primeira metade do século XVII. Para Newton. é urna aguda expressão de perplexidade. perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. entre o humano e o divino. porém. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica. Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. regido por leis internas. o universo sagrado. Ora. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno. no século XVIII.

A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia.7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. à entropia". sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade. Está transcodificada a nossa realidade e. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. comia-se quando se tinha fome. A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. a realidade global da sociedade. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade. Isto vem até dentro do presente século. quase inconcebível.seguintes. com as chaves antigas de leitura. S. agora. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que. como o vapor. Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. a eletricidade etc. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade). Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). Um tanto perplexos com tudo isto. à deterioração. instalando-se definitivamente o tempo da máquina. 1983). surge o computador. Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza". Paulo. tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito.no mundo da vertigem e do espanto. de ensino ou outros. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . Estávamos na "era da incerteza' '. . Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora. e a coisa vai assim até que morremos e. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo. por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. trabalhando junto com a máquina. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo. ao contrário. Como tenho dito. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. Bolzrnann (na Alemanha). tenha-se ou não fome.. via-o como algo que "tende ao caos. Com os avanços da ciência cibernética.. comerciais.. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. ou se despertava quando o sono acabava. o carvão. de um "universo de situações probabilisticas". de modo que o operário pudesse intervir. Mas. passamos a vida trabalhando em complexos industriais. Duas Cidades. Se antes dormia-se quando se tinha sono.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris. Com a crescente urbanização do Ocidente. desde que ultrapassada a fase de programação. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. crescemos em organizações (escolas). já não se podia ler. como disse. quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. Um novo tempo com novo ritmo começava. para se poder levantar cedo. somos cuidados pelas organizações funerárias. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton..

e muito. há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. mas em tennos espirituais . Diante disso. em um processo normal e salutar de crescimento psicológico. quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. O século XVIII. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. Era positiva a tal contestação. demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância . Mas a pretensão é. Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado. maravilhosa. uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia. isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos. a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. o que é uma falácia. à medida em que quis romper com a reflexão filosófica. Negar a mãe é necessário. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. é perder um pouco da própria identidade. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos. quando a contestação se transformou em ruptura. Ora. perdeu.e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . provoca. menos que responder completamente a tais indagações. sem que a outra perna crescesse também. um ledo engano. pelo menos em campo material. na vida do homem. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . a vontade (WoIlen). Assim foi que a ciência. em um desastre mesmo. em termos genéticos. são questões grandes demais. tinha apenas na base um impulso salutar. principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo. enfim. Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível. chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. Com pouco que se contribua neste campo será muito. a atividade científica toda emergiu. a visão fragmentária de um mundo mecânico . é se tornar uma atividade febril e sem história. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. Tentemos algo. compete perguntar se tudo está perdido. E só se tornou negativa. Como se pode ver. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). 2. mas romper com ela é se perder das origens mais reais.esta mesma humanidade está atrofiada. visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos. preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. a consciência de si. mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. em apenas quatro séculos de experimentalismo. convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é. a princípio. De uma certa maneira. em si. conseguiu. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna.muito pior em um brevíssimo ensaio como este. Assim como.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que. da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento.

Creio que o homem é "ele e sua circunstância". no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem. de uma tal forma que. creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil.em termos de desequilíbrio climático .meticulosamente articulado. Ao que me parece. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. trata-se da facilidade com que expor a vida. na qual. S. para não enlouquecer. da forma mais assustadora. Ora. transformou-se num esporte contemporâneo." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós. analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. como visão de vida. Mas não o sou. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte. aí. da igreja. crendo que a história faz inteiramente a consciência. se isto é verdade. em suas palavras. para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais. as coisas se compensam. pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. e enlouquecer-me-ão. como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço . visão de mundo ou concepção de mundo. com certo prazer autodestrutivo. A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. propõe. a verdade de um sistema interdependente. há mais uma grave questão. mais do que interdependência. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. Chemobyl acaba de mostrar-nos. Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. Todavia. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor. Editora Melhoramentos. da escola etc. O médico e pensador Albert Schweitzer. E. tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo.de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo. em um momento de explosão bendita. 1959). na recuperação de uma . precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. Zargwill. enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa . À Weltanschauung. Paulo. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica.sendo que. e esta de ordem psicológica. o dr. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica. Num sentido sócio-cultural. Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar.

. com maior maturidade. o estudante deve estudar primeiro como aprender. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu . temos energia nuclear. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão.o que nos faz ver razão de esperança. no seu íntimo. Albert Schweitzer dizia que. do próprio processo de educação. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. mas não foram tentadas todos . unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. isto só se dá porque cada ramículo. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. trata-se de que cada um. Seu objetivo é convocar o estudante a participar. Conchindo. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto. portanto. temos infonnática computacional.1 Ii Í'. havendo amor. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. as boas e as más. Isto porque. O mesmo dr. e muitos mais feitos da ciência. dentro da escola. tomando-se. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres." Hoje temos muito. para cruzarmos os braços em hora tão delicada. como também da sanidade da ciência. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades. não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade.0] 92 93 mundo.. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). e. segundo." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa. cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. no entanto. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque.visão de vida (Lebensanschauung). que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. O fundamental é. No século XIX.. temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico. Não se trata. quando na primavera os campos reverdecem. provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns. Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência.

pela "forçosidade" de especialização profissional. e portanto da intenção. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada. interdisciplinaridade. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro. inclusive semanticamente. FREIRE.. de ordem técnica ou não. necessária e esperada. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. mas sim o de proporcionar. isto é. ação extensionista escola-comunidade. Antigamente. Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. Se surgem novas palavras.. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. uma realidade emergente. a educação sistemática. em saltos qualitativos. com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância. 07 de leitura da realidade. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. extinguindo mesmo funções. Professor de Filosofia da Puccamp. Hoje. para manifestar ou preceder. pelo aumento da demanda escolar. pela linguagem." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos. Extensõo ou comunicaçdo?.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar. mas para representar. . 1. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade. no nível da comunicação. Dessa maneira. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem.. sobretudo. Por causa da célere geração e substituição de informações. dinâmica de grupo. a organização de um pensamento correto em ambos. P. uma situação desejada. Mas. educandoeducador. com reflexos na prática didático-pedagógica.. através da relação dialógica educador-educando. p. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. 53. substituindo valores. Jornais e revistas. rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa. mais do que o professor ou qualquer livro didático. feita nas salas de aula. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador. pelo acúmulo de infounações. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP). de urna nova dinâmica educacional. De alguns anos para cá. desmoronando fronteiras.Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente. trabalho cooperativo. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia. Doutorando em Educação (Unicamp).

pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo. fazendo perguntas para obter resposta. p. de indagação. 98 O termo pesquisa é aplicado aqui. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema. genericamente. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. para uma incorporação rica de informações." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. Neste sentido lato. do simples ao mais complexo. HEIDEGGER. O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. 3. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. de investigação. com risco de o professor querer competir. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno. desafiado. a não ser que seja insensata. apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. nenhum pensador. 2. p. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. examinar documentos." Assim. A pesquisa bibliografica Pesquisar. engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar.Portanto. Qu 'appelle-t-on penser. Dentro dessa perspectiva educacional. làis métodos (do grego: meta = para. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. Consultar livros e revistas. Certamente. intuitivamente ou não. M. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. 89. em direção ao seu objetivo ordinário. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. atrvés do emprego de processos científicos. que é perda de tempo e de energia. percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço. op. FREIRE. do próximo ao distante. de bairro em bairro. em desvantagem. que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. como sinônimo de busca. conversar com pessoas. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade. a fim de que. P. 54. A pessoa agirá por etapas. como nenhum cientista. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. no domínio desse conhecimento. cit. são formas de pesqulsa. Mas o que professor e aluno. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual. 1. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno. com os veículos de comunicação modernos. Um desafio que envolve professor e aluno. num sentido amplo. Para não . A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender". seres humanos..

a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. . A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. caminhando a esmo. por si só. Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar.urna doutrina ou um sistema de idéias. a consulta de indivíduos abalizados ou não. que poderia ser considerado um expert no assunto. lendo todas as tabuletas indicativas da cidade. uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando. localização dessas fontes. . defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes. a pessoa solicita. . propriamente dita. grafia = descrição. . ao primeiro indivíduo que passa. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna. e compilação das informações (documentação). Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico. o exame de mapa ou lista telefônica são métodos. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. . um jornaleiro. aleatoriamente. o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. Um objeto de estudo bem pode ser: . isto é. um motorista de táxi ou. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte.o título de uma conferência ou simpósio.passar ridículo. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras.o conteúdo programado de uma aula. por exemplo.os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. . Diante das respostas negativas dos transeuntes. um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor. após várias tentativas.o texto básico para um seminário. . Do ponto de vista prático. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua. .a obra científica ou literária de um autor. Assim. "caminhos para" se obter a informação desejada. o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. A leitura das tabuletas com o nome de rua.o assunto para urna matéria jornalística.uma hipótese-problema para pesquisa científica. vagamente na cabeça. .uma tese para um trabalho monográfico.um tópico especffico do programa. . Neste caso. Têm. sem mais nenhum dado que forneça pistas. um carteiro. eventuafruente.

do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. Um estudante. mas o " companheirodos-sábios". Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. que concorre também para aumentar a velocidade de . um TRATADO. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. A organização de todo esse material didático. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber. quando o campo de interesse já estiver bem-definido. a formação geral e a formação específica dentro da escola. A partir da definição clara do objeto de estudo. como diz o senso comum. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor.O professor. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo. Anotações de aula. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. que apresente uma visão geral desse campo. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. Além do enriquecimento do vocabulário. teses e monografias mais específicas. para bem orientar. Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. cadernos de séries já cursadas. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. De início. dos principais tópicos. como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. uma HISTÓRIA. fichamentos de livros. respectivarnente. Se esse material estiver guardado ordenadamente. como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. provas corrigidas. Nas séries finais. procurar adquirir livros. 1 101 Não obstante. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos. em um caderno pessoal. Neste período. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. sínteses de artigos udos e analisados. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. O dicionário não é o" pai-dos-burros". No caso do estudante. ao matricular-se em urna escola superior. se possível. Um bom dicionário comum da língua materna e. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente.

o aluno poderá. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. a médio ou longo prazo.leitura. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. Nem isso é possível na atual politica educacional. para enriquecer a sua biblioteca profissional. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. No que se refere à bibliografia da disciplina. às particulares ou às públicas. 102 A relação de livros e textos básicos. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado. direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. no caso de urgência para completar o estudo. segundo as grandes . principalmente as de nível superior. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias. não encontrada nas primeiras. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos. Sendo o sistema de consulta "self-service". ganhando tempo e segurança. dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. uma INTRODUÇÃO. com acesso direto às estantes. o aluno. De outro modo. por exemplo. o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. isto é. danos e perdas de livros. uma HISTÓRIA. Além das bibliotecas escolares e universitárias. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido. um TRATADO. em que são escassas as verbas para educação. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. através de uma exploração inicial. ler os sumários e orelhas. Assim. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. Para economizar tempo na localização dessas outras obras. empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. De posse dessa bibliografia básica. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. o estudante poderá manusear vários livros. um dicionário da língua e outro especializado. Muitas escolas. a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra.

e as respectivas obras. 100 Introdução ao pensar: o ser. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras. 21 cm. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. B992i a linguagem. o conhecer. 206 p. 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. Vozes. 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . Petrópolis. em ordem alfabética. 465 p. Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico. Contudo. O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático. Publicações CID .v. Matemática. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. com as fichas de obras e autores que versam a respeito. Artes etc. também denominado Ideográfico.. Educação. Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor.. fornecido pelo Catálogo de Assunto. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. Psicologia. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas. M564f Fenomenologia da Percepção. Freitas Bastos.áreas do saber: Filosofia. classificados alfabeticamente por sobrenome. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas. 142-7 MERLEAU-PONTY. Teologia. Recorre ao Catálogo de Assunto. Maurice (1908-1961).Filosofia . busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. 3 ed. 7 edição. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. Comunicação. Tem-se assim. o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor. 1971. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. 22cm. 1978. De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. Arcangelo R. Rio de Janeiro. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto. flmdamentalmente. segundo a classificação do Catálogo de Assunto. 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. Sociologia. A Biblioteca possui 3 exemplares.

Literatura 900 . 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra.Ciências Puras 600 . O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal. 3 Título da obra. 10 Páginas com indicação bibliográfica. outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica . quanto mais algarismos tiver a classificação numérica. Nesse sistema. 11 Número de exemplares da Biblioteca. 9 Dimensão do livro. Resumindo-se. A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar. idealizou e publicou em 1876.Filosofia 200 .. 8 Número de páginas.Ciências Sociais 400 . 7 Data de publicação.Belas Artes 800 . Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA. Por outro lado. Por exemplo. Democracia . tem-se que. funcionário de uma biblioteca americana.Ciências Aplicadas 700 . Exemplo: . .540. Saúde Pública 614. Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY.Religião 300 .100. É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja.. Geografia e História 000 .Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões. seu número de classificação será geral. um livro que contenha urna parte de Química Analitica.A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra). A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY.Filologia e Lingüística 500 .0944. 2 Sobrenome e prenome do autor. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico. 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado.321. uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338. Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto. 6 Casa editora. é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto. quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto. Por exemplo.Biografia. 4 Número de edição.8. o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia . que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. 5 Local de publicação. 100 .

13 Artérias 611.Iniciação ao filosofar. b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. um referente a um tema da área de Ciências Humanas. Essência. Metafísica. c) é um tema de Filosofia Crítica.o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1). à da experiência do corpo no mundo.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611. .Sã da Costa. Lisboa. ::::as::1ms. 6 3 2 45 SERRÃO. -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . divisão 140 (ficha 2).14 Veias 611.Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia. tem-se que: . 8 Valor. 198 p.. .Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 . Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia.15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. 123 Liberdade. Filosofia. Filosofia. 128 Homem. 112 Saber. 1970. outro referente a um terna da área de Ciências Exatas.o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático. Epistemologia. d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade. 22cm. 121.1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611. . 2' edição. Joel Justino Batista 107 S487i . Filosofia. Conhecimento. Conhecimento.

ficaria muito difidil encontrar. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático. as seguintes obras: A reprodução. Meditações.o item a remete à classe de Física. mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes. raramente têm Catálogo de Títulos. há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais.5 do Catálogo Sistemático (ficha 3). Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada.o item b remete à seção Ótica Física. tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa.o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático. divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1). mais específica (ficha 4). Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: . Portanto. caso o aluno tenha acesso direto. Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. que parece um tratado de Teologia. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. . divisão 535. escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes. .o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. Apocal4oticos e integrados. O dorso do tigre também não é da área de Zoologia. ou mesmo universitárias.7.o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático. Como mera ilustração. . divisão 142 (ficha 3). A reprodução.5 Ótica Física . Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes.Propagação . tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. de Física. Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático. Luz . é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron. Para localizar um livro na estante. isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação.535 Física . c) é um tema relacionado com a propagação da luz. Meditações é título de duas obras homônimas. Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar. é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor. Finalmente. embora pareça obra de Genética da área de Biologia. Apocalípticos e integrados. 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. as revistas especializadas e os catálogos de editora.535. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura. divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). .. divisão 142. b) é um tema abordado pela Ótica Física. é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. só pelo título.530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático. O dorso do tigre.

?Senhor. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. seções. deve procurar as revistas especializadas. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. Para tanto. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. nos jornais de sua cidade e região. Ciente disso. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. Direito. redigidos e assinados por especialistas. da assistência às aulas. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. . Economia. pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. As mais conhecidas são Isto É. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). Publicidade e outros. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência. remetendo endereço e dados pessoais. Medicina. Após a identificação e a localização das fontes. Ambietie. da participação em conferências e seminários. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados. aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado. 2. encanes. na prática. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. Veja e Visõo. conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada. Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. 5." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar. 4. documentação bibliográfica e documentação temática.Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. Saúde. no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais. Antonio Joaquim Severino. via postal. quando houver.

o estudo . Isto é. artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação. op. estampas e ilustrações. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. cap. Organize sua biblioteca. em pastas ou fichários simples. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais. Não é o caso também de armazenar. ci:. IX. encabeçados também por um índice remissivo. classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. titulo do artigo. J. prospectos de conferências. Assim. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. nesses arquivos. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. de poucas folhas. de modo que ajude a identificação quando necessário. É evidente que essa atividade. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. 7. Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. folhetos e catálogos das editoras. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. em qualquer tempo. ficam melhor acondicionados. SEVERINO. A. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos. Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. nome do jornal ou revista. autor. textos fotocopiados. não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente. como recortes de jornais. gráficos estatísticos. o conjunto básico dos livros . de várias folhas. desse modo. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. Vide l-leloísa de Almeida PRADO. tudo o que cai nas mãos.tais como: trabalhos didáticos. Do mesmo modo que colecionamos livros. depois de colados em folha sulfite. A biblioteca do aluno é. mapas. 6. 72. para facilitar utilização posterior. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse.A vantagem dessa atividade. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. material instrucional de aula etc. sem critério. apostilas. p. as infomiações dos textos armazenados. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. documentos inéditos.citados anteriormente -. com relação alfabética ou numérica dos textos. data. X e XI. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. desenvolvida como forma de estudo. ruas apenas de modo técnico.. Documentos menores. Na montagem dessas folhas. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem. artigos de revistas. Uma página de frente. roteiros de seminários. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. em ordem cronológica.

Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura. à venda em papelarias. indicando entre parênteses a página do documento. resumos. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. 3.5 x 15. Finalmente. embora esteja investigando um saber já elaborado. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. É conveniente que o aluno faça comentários. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas. É uru requisito necessário ao . o aluno consegue identificar os pressupostos. O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno. o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. problematizações. Para ilustrar isso. Do ponto de vista gnoseológico. próprias para fichários-padráo. críticas. artigos. que forem surgindo durante a leitura. posteriormente. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. Para tanto. na forma de documentação. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos.5 cm. encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse. o estudante deve anotar também suas idéias. quando for consultar. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. é prudente estabelecer um código simples para identificar. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. escolher um outro código para identificá-las. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa. de quem é a autoria do texto anotado. registrar simplesmente sem código. Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. O estudante que empreende tal estudo. é colocar essas citações entre aspas. não se comporta como um mero repetidor. Em agosto de 1989. isto é. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Entretanto. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. recensões e teses. os argumentos. isto é. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. No Brasil. as anotações de idéias pessoais. as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. não menos essenciais.

vfrgula. visando torná-lo organizado. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p. sem grifo. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto. Textos didáticos n. São Paulo.irnprenta (local de publicação. b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica. 1992. . (continuação) No 42 cap. 21). SEVER1NO. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico. . data de publicação). 21). Mariangela Pisoni. . de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. O Cap. A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap.tradução (se houver). boletins. exceto nomes próprios).aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento.sobrenome do autor (letras maiúsculas). Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. . A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986.titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. c) encabeçando resumos ou recensões. 1980. Campinas: Puccamp/Fabi. ainda. . textos avulsos ou outros). o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo. O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap. trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. Para referenciação de livros e textos acadêmicos. 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação.edição (quando mencionada ria obra). Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo. .subtítulo (depois de dois pontos. editora. . são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário. dois pontos. 9. Cortez Ed. outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap. consultar: ZANAGA.. letras minúsculas). O aprofundamento do estudo científico pressupõe. opcional. e o .. No l cap. O autor apresenta normas práticas para o estudo.).).notas complementares e especiais (opcional). 32 Da segunda linha em diante. Segundo o A. trata da organização da vida de estudos. Para maiores infonnações técnicas.prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula). Para referências específicas de fontes peculiares (teses. Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. congressos. deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques). A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA. Aqui o A. 1.

nas 9. Campinas: Papirus. em ordem crescente. (Coleção vida e meditação). Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido.nonogra. distingue os tipos de trabalho: . por um travessão. 114 11ç 8. 1982. 14.. OBRA COLETIVA registrando. ii. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. ed. 10. se o estudante não aprender e compreender Delta. rev. = mímem (fascículo) SODRÉ. volume (tomo) p. 1988. resumos de textos e resenhas (pp.fia (que aborda um único tema). Tradução do bengali para o inglês. 5 ed. LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. mar. em nota especial no final.diário. v. at. Danilo M. os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. trabalhos didóticos. feita pelo próprio autor. revisto e atualizado 2. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er. = ilustrado rev. Puccamp. 1982. 1989 . título ou o idioma original (Tradução de . e MARTINS.cap. 4683. 1968. 9Op. São Paulo: Francisco Alves. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA. Campinas: Instituto de Filosofia.). exemplos: jan. (expressão latina) = e outros 3. (*) O A.. 1980. São Paulo. 1991. Alberto e SOUZA FILHO. meios de informação. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. 1.. sistemática (J)or assunto) ou cronológica. Este desafio . Maria Helena. p. mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. ii. 2! cd. A colheita. ediçâo. (exceto maio). VII. consecutivamente. IX. Muniz e FERRARI.) na seqiência do título e. Campinas: Papirus. at. jun. (Tradução por . São Paulo: Exemplos: Paulinas. Tradução por Ivo Stomiolo. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. p. = pagina n. ei ai. Rio de Janeiro.. pode-se indicar Jornal do Brasil. ago. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. Rabindranath. opcionalmente. As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento. Folha da Tarde. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor. Contraponto. fundamentais no contexto da vida universitária. 16 jan. v. 143-144). 6 Quando se tratar de obra traduzida. quando mencionado. João Francisco Regis de. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista. Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS.

M. Paulo. São Paulo: Polígono. v. RUIZ. pp. 1984. Heloísa de Almeida. v. 2! ed. Santander: Editorial Sal Terras. Paulo. Amélia Americano F. HILLAL. 57-76. 55 e 14 cd. Antônio Cândido. Metodologia da pesquisa-ação. Resgate. A. 1. PRADO. 1979. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. 2 cd. L. São Paulo: Cortez e Autores Associados. 1969. 1974. Catalogação e clossflcação de livros. Josephina. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. A. 1971. 24jun. 1978. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. A. Antonio Joaquim. 48-54. amp. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. (Boletim n 306). por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães.pp. Michel.n. (Edição interna). 1971. THIOLLENT. FREIRE. T. Armando. 116 DIAS. Metodologia do trabalho cientifico. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 45 ed. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. DOMINGUES DE CASTRO. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. OLIVEIRA LIMA. 7. rev. v. Mutações em educação segundo McLuhan. P. 6 ed. São Paulo. Folhetim. Veja. 1. ERBOLATO. Lauro de. M. J. São Paulo: Cortez e Autores Associados. Margaret. 1983. L. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação. Organize sua biblioteca. 1977. (Coleção didática. São Paulo: Atlas. MORAL. LAKATOS. Tradução CAMPOS. Tradução por Washington José de Almeida Moura. 1985. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. GONÇALVES. São Paulo: Atlas. 1. Metodologia cient(fica. 1990. 19 dez. Elementos de catalogação. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. 1980. Qu 'appelle-t-on penser. 5-6.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. SEVERINO. Mania. Porto Alegre: Globo. Campinas: Papirus. 1967. Metodologia da investigação cient(fica. 1992. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. assunto do próximo capítulo. João Àlvaro. HEIDEGGER. 1973. Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. ASTI VERA. e BARBOSA. e BERVIAN. Petrópolis: Vozes. 1973. Folha de S. e MARCONI. IV. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. 1962. Comunicação e cotidiano. E. pp. MICELI. 1955. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira. MANN. 2 cd. 1). Metodologia dei trabajo cient(fico. São Paulo: Paulinas. C. Paris: PUF. Gonzales Ireneo S. Os homens e suas pontes. São Paulo: AbrilCultural. CERVO. Paulo. 1985. 25. M. 1973. Maria Duma de Oliveira et ai. Haroldo. 6. São Paulo: McGraw-Hill. Análise do discurso de Maiakovski.

os problemas.. O texto. É através dela que expressa a sua vida. Professora de Filosofia da Puccamp." 2 fraduzem as angústias. pinturas. acabado.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. que transforma o mundo colocando algo de si. participar é o produto colocado no mundo. poesia. 2. foram definindo caminhos. não é algo pronto. que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. a obra. outras perguntas. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza. são imprimidos pela marca da historicidade. é a expressão do viver. A sistematização...linguagem. televisão. à medida que são sistematizados. organizados. filmes. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. obscurece. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. sempre guarda um sentido subjacente. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . e mesmo de outras expressões do conhecimento. O autor do texto é o homem historicamente situado.O texto é obra humana. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. ideológicas e culturais. que vive a experiência no mundo com os homens. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. produto humano. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep. políticas. do saber. Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. querna flexibilidade e no poder comunicativos. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História. as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens.. não é um objeto. É carregado de significações. livros científicos e filosóficos. Como toda obra humana.. literatura. cientistas. O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada . etc. como se ele fosse um objeto pronto. obscurece o mundo e. tem a marca humana. com os homens e com a própria produção do saber. portanto. metódicos. também "faz" sombras.. acabado. artigos de revistas e jornais etc. experienciar.. ". nenhum ultrapassa a linguagem. definitivo. autores dos textos. 3. Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. Enquanto produto das suas relações com o mundo. é ao mesmo tempo produtor. da literatura. Mas não se pode esquecer: o que ilumina. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes. O texto iluniina e esconde. das obras.. Esclarece. É um eterno fazer-se.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem)." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas. absoluto. querna importância geral que desempenha. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens. esculturas. levanta outras questões. O texto "é uma voz . a ser assimilado pelo leitor. e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo.

. que dar vida. 20-21. Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap. 111 da obra de A.. uma voz do passado à qual temos. após a leitura. cit. R. pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. distanciam o leitor da obra. que é possível a compreensão e interpretação de textos. manuais. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. p. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. J. É imprescindível ter claro as questões. o seu mundo.Em seguida. Sugerese a demarcação dos conceitos. A leitura de um texto pressupõe objetivos. Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4. 112-135. é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. 4. pp. o seu autor. das doutrinas desconhecidas. ao se dirigir ao texto. Hermenêutica. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. interpretar. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. pp. Compreender. 1bidem p. 22.humana. 3. o objetivo do estudo do mesmo. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam. exige o "ouvir" a sua palavra." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1. P. B . de certo modo. dos autores citados e. Considerações em tomo do ato de estudar. pp. a consulta aos dicionários. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor. 18. O leitor. R. onde experiências diferentes se defrontam. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade. PALMER.De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura. 9-12. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada." Neste sentido. op. SEVERINO. Metodologia do trabalho cient(fico. "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . em primeiro lugar. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. enciclopédias. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos. 2. intencionalidade.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. 120 C . É somente neste encontro histórico. PALMER. . os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. dos conceitos apresentados pelo autor. para a explicitação. FREIRE. É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. 5.. a compreensão dos significados nele implícitos. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor.

de desenvolver a "sua leitura" do texto. captando antes o todo. apresenta uma resposta. problematiza o seu mundo. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor. ideológicos. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. a partir de "sua leitura" do mundo. na perspectiva aqui desenvolvida. de outras abordagens.O estudo de textos. para isso. que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado.A partir deste trabalho é possível expressar. epistemológicos) neles presentes. a ordem lógica de exposição das mesmas. de suas preocupações. Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana. é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. Nesta etapa. para depois dedicar atenção às partes do texto. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto. as suas angústias. Nesta perspectiva. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal. F . descobrindo os pressupostos (históricos. Não pretendem . as idéias que confirmam a tese. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos. o seu ponto de vista. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo. confrontando-os com outras posições. qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. a posição do autor diante do problema levantado. os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. seriedade. 32) Diante do problema levantado. na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. a partir do questionamento. na interpretação. de seus questionamentos a partir de suas experiências. o estudo de textos teóricos exige disciplina. 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor. É o momento mais importante do estudo. E .D . mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. seguindo. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor. é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. 5. que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. pois trata-se de "ir além" do texto. de outros pontos de vista. mediatizados pela obra. exige como condição prévia este "ouvir" o autor.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade. Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana. rigor.

na apresentação de idéias ou conceitos que. III. 83-117. 8. IV. 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos. Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração.1.onde o autor apresenta o assunto. Escrever édes.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? . que.neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. desenvolve e conclui o texto. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes. SALOMON. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura. Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes.Deve-se grifar estas palavras. Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos. assim. Como atividade acadêmica. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D. demonstram a posição assumida pelo autor. no momento da interpretação do texto. o excelente trabalho de Severino Antonio M. no seu conjunto. C. Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. São as "palavras-chave". Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. entre outros. b) Desenvolvimento . elabora-se o Esquema destas idéias. maior interesse por parte do leitor. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio. pp. Sobre redação e dissertação consultar.vendar o mundo.6. Como fazer uma monografia. elementos de metodologia do trabalho cientifico. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) . iniciantes na vida acadêmica. Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap. Os textos. possibilitando. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. no seu conjunto. que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica.nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. no desdobramento da argumentação. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. . 83-102. a "visão do todo" do texto. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. via de regra. pp. 5. 7. BARBOSA e Emilia AMARAL. quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor. Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: . sendo assim. c) Conclusão (últimos parágrafos) .

IV. Inicialmente. a sua posição frente às questões desenvolvidas. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. Quanto aos comentários pessoais. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação. analisar a importância do texto. cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens. pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade. posição do autor e argumentos). Informações gerais sobre o texto. o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo. 125 5. 11. tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central. os argumentos.1. deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão). com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução. Sobre a documentação verificar o cap. .2. num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto. Desenvolvimento e Conclusão). elaboração de resenhas. a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. 5. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1. 1. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. e na Conclusão a própria conclusão do autor. problema.2. Na Introdução apresentam-se o assunto. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5.4.). A seguir. Deve-se elaborar uma redação resumida. 10.2. 9. texto. O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. 5.3. Pressupõe. problema e posição do autor. e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. deve-se identificar autor. no Desenvolvimento. ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. simpósios. desta forma. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor". época em que o texto foi redigido.2. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos.O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados. para publicação ou divulgação. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap. como atividade acadêmica. é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. congressos etc.

atualização da bibliografia utilizada pelo autor. atas de congresso etc.documentação de dados bibliográficos. Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos. 4. resultados e conclusões. . Expõe finalidades.Combinação dos anteriores. publicação de indexação e análise etc. Bibliografia .Associação Brasileira de Normas Técnicas . teses. à revisão textual. deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto. O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar. 2.Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. . É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor. aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas. 3. estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras. a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB . Resumo crítico . assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central. • para monografias e artigos.Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto. principalmente como tarefa acadêmica. até 100 (cem) palavras. Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. mas de uso corrente em alguns setores da Universidade. A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". também denominado recensõo ou resenha. de livrarias. não apresentando dados qualitativos ou quantitativos.Na crítica. Uma resenha deve ser sintética. É utilizado para: . monografias. • para relatórios e teses. A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves. . Comentários sobre o plano de assunto do texto. Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo . . metodologia. Comentários pessoais e críticas. atualização de gráficos e tabelas. bem como à seqüência lógica e organização do texto. até 500 (quinhentas) palavras.88/86.documentação primária espec(flca: artigos. identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. Comentários sobre a idéia central do texto.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral. relatórios. com a utilização de terminologia específica.documentação secundária: projetos e catálogos de editoras.Indica apenas os pontos principais do texto. Como a ABNT .

tal como uma pesquisa. Autores Associados. A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: .coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer. São Paulo: Cortez Edit. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. Metodologia do trabalho cientifico. 35 cd. 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 2 cd. e AMARAL. Ri: Paz e Terra. Hermenêutica. SALOMON.o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. D. SEVERINO. mas também a formas de convivência e produção cooperativa. . Lisboa: Edições 70. um debate. permite um melhor resultado. ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). É também chamado de facilitador. R. organizando suas atividades. entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade. Considerações em tomo do ato de estudar. FREIRE. 1973. Mesmo que se forme espontanearnente.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto. . PALMER. mantendo a unidade do grupo. as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos.relator: em geral. 1-'o 129 . Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . J.. Professor de Filosofia da Puccamp. C.e também de outras formas de conhecimento . A. Belo Horizonte: Interlivros.é que ela se constrói de uma forma coletiva. Emilia. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita. Campinas-SP: Papirus. .um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo. porque. o estudo de um texto ou de um problema. 1987. 1986. 12! cd. Para realizar o processo de conhecimento. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo. P. Neste sentido. Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba. elementos de metodologia do trabalho científico. .BARBOSA. 1n Escrever é desvendar o mundo. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. 1985. 1978..a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. Como fazer uma monografia. Antonio Severino M. a existência do grupo depende de alguns fatores: .. A dissertação e o pensamento lógico.

procurando chegar a um resultado comum. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições. que o relator apresenta.avaliador: é um papel que todos devem desempenhar. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário.. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. 1. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo. mas nem sempre conveniente. o que permite avaliar o trabalho de todos. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. complementares ou divergentes. urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos. Havendo necessidade. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. Neste sentido.. pode-se recorrer a três tipos de painel: . Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás).Painel de especialistas: expositores. no entanto. bem como promover o entrosamento entre eles. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. seja numa sala de aula. por ser uma forma bastante prática. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo. coordenados por um mediador. ou outra forma de grupo. e. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. entrosamento de todos e rapidez. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação. em número conveniente. num auditório. parceiros lado a lado). resolução de exercíciosfeed back. as mais adequadas aos cfrculos universitários. Aplica çõo: Sondagem de opinião. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. ao que nos parece. Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade. apresentam suas posições e análises acerca de um tema. bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. ex. 3. Contudo. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. 2. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. . a respeito de um tema. em seguida. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises. A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades.

o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor.. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados.Painel de exposição: dois especialistas. que recolherá. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos. para selecionar. 4. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. quando usada em sala de aula. permitindo abrirem-se os debates. por exigir longo e cuidadoso trabalho. A validade da técnica. inclusive realizando pesquisas. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo. questões fora do assunto ou irrelevantes. em termos de tempo e qualidade. 130 . mas por áreas profissionais ou de interesse. como no Philips 66. . em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. Nisto difere do debate aberto. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção. advogados. perdendo tempo e qualidade. Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos. para discutir e redigir documentos e conclusões. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. no qual os alunos. Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados. Se for grande o número de subgrupos. é bom exercício de reflexão. já nos subgrupos. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos. sindicalistas. É bastante utilizado nos congressos. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto. pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. ainda que demande pesquisa. Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes. Em sala de aula. a exposição de um especialista. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. o que amplia os horizontes da discussão.mdidade. poderá ser necessária a presença de um coordenador. podendo ser combinados entre si. Em qualquer um destes procedimentos. evitando assim apresentar ao debate repetições. as melhores perguntas. Em seguida. de um lado. De outro lado. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta. mas por outro critério. que vão estudá-los empmfi.. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). Observe-se que.). após as exposições. 5.. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. convidados. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes. ou duas pequenas equipes de especialistas.

mas é o conjunto de aspectos de um tema.Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. bem como um roteiro de discussão. de um lado. por outro lado. A função do seminarista na apresentação é. real ou fictícia. além de informações sobre o texto. para exercício coletivo de análise. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. submetendo. que todos devem estudar os textos antecipadamente. Procedimento: . A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo. . ex. Contudo. que. Em seguida. dificuldades teóricas. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor. 6. ou pequeno grupo (seminarista). Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos. Isso implica. o trabalho individual à crítica do grupo. orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro. sob orientação do professor ou de um especialista.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos. em laboratório.) e na problematização do texto. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. portanto. algumas idéias secundárias. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico... que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão. mas puderem discutir o tema. A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos. e. primeiramente. orientado pelo professor.Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. suas lacunas. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir. 7. Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido. suas premissas. sua estrutura lógica.: texto-roteiro. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p. expor as principais idéias do texto. Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. pondo em comum esclarecimentos. escolhido pelo seminarista. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. para isso. . algumas informações complementares e bibliográficas. é recomendável a técnica do simpósio. conjunto de textos. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição. Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla. de campo. e conclusões obtidas.

exercício de aplicação de conhecimentos. através do debate. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. como resposta às suas expectativas. deste modo. pós-graduação. congressos. Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. solução dos problemas propostos. conseqüentemente. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. análise de situação relevante ocorrida. É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento). posturas e atitudes para com o outro. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. * Mestre em Filosofia Social. os critérios de avaliação da técnica. envolvidas no relacionamento interpessoal. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. mas também às linguagens não-verbais. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. entre outros usos. É o grande grupo que determina.Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal. 1. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas. cap. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação. POZZEBON. os objetivos específicos. a forma de aplicação e. emoções transmitidas etc. observação in toco etc. O papel do professor é o de coordenar a atividade. mas que se responda. Objetivo: Em geral. Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. relato. III. orador discursando). valores envolvidos. O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. médico atendendo paciente. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. motivação de alunos. 8. 1. da reflexão e da crítica. dramatização. 17 REALIZAÇÃO . às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. encontros. de fato.

para se familiarizarem com a técnica. 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário. ETAPA II . b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. Preparação dos textos complementares. de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas). para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido. • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência.esquema do texto .1. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário. • Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto. Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação. quando necessários. recursos 1 dicionário de língua portuguesa. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. pelo professor.ETAPA 1. • Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina. • Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto. • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas.contextuação do autor . • o grupo deve elaborar questões. dicionários especializados.esclarecimento de conceitos . da mesma forma que o texto básico. apresentada ao fmal do texto-roteiro. . manuais especializados. • Quando necessário.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico . de acordo com as orientações da leitura analítica. de textos complementares. para debate em classe. indicação. • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto. SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. enciclopédias. a fim de facilitar o trabalho dos participantes.

Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico. conforme os objetivos deste tipo de Seminário. à crítica. é permitida a intervenção de qualquer participante. Dá início ao debate. para podermos aprofundar o estudo. geralmente levantamos poucas questões. • O grupo responsável procura estimular o debate. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. elaborando relatório. levando a novas indagações sobre o assunto do texto. 2.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate.através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos. o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem. inclusive avaliação. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo.3 1° Momento .c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. como forma de "provocar" mais discussões. encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. despertando a curiosidade dos participantes. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. 1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo. as mais relevantes e polémicas. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. • O grupo elege um relator.Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. Quando realizamos um seminário de texto de um autor. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos. para incrementar o debate. 3. esclarecendo dúvidas. Aristóteles. 2. Seminário de ternas . • Para finalizar. pois é o momento que leva à reflexão. que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. . • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo. ao confronto de posições divergentes. apontando pontos divergentes. IV. por exemplo. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. cap. 2 Momento .

outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais.textos básicos .DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido.Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo. desenhos.Se houver um texto que oriente a organização do trabalho. • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário.Breve apresentação do tema a ser discutido .painéis com fotos. nos moldes do seminário de texto . para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes. apresentar esquema. para que o grupo não extrapole o tema proposto. .Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema . para que todos possam ter idéia do tema que será discutido.Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. . inclusive avaliação. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar. apontando as várias possibilidades de sua abordagem. 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto. ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina. ou outra.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes.filmes . discussão com especialistas. Dá início ao debate. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina.Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema .depoimentos de especialistas . • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade. O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes. • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto. depoimentos etc.vídeos .textos complementares . . • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: . assim. deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. que podem inclusive sugerir os temas. ETAPA 1 . ETAPA II. pinturas etc. SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária.

ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação.3. . grupo responsável. Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: . A. quando não há o envolvimento dos participantes.se foram alcançados . como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe. 2' ei.. 1983. (org.Construindo o saber. P. L. M.) . Cecilia M.se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários.ou mais participante para uma avaliação d Seminário. b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo.Metodologia cient(fica. 3' ed. demais participantes (classe). e BERVIAN. Campinas: Papirus. Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor. • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate.se foram parcialmente alcançados .se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um . A. assim que se encen-arem as atividades. . SP: McGraw Hill do Brasil. 144 Bibliografia CARVALHO.se foi elaborado de forma clara e objetiva . CERVO. 143 c) Quanto ao texto-roteiro: . o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las. 1991.

1987. vai sistematizar o resultado das leituras. desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema. 147 Na realidade. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico. 1984. Joaquim . as falhas estruturais do processo educacional brasileiro.HCJHNE. sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação. de normas e procedimentos metodológicos. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados. Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. Ri: Agir. SEVERINO. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp. Leda Miranda (org. críticas e reflexões feitas pelo educando. propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos . em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto. o procedimento lógico. Autores Associados. Mais do que a "posse" de técnicas. estas síndromes e resistências expressam. de instrumentos para manipular o real.. . observações. sem dúvida necessários. mimeo. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. * Mestre em Filosofia Social. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos. A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. SP: Cortez Edit. que não tem incentivado os educandos à reflexão. o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. a sistematização. Instituto de Filosofia. por outro lado. Puccamp. devem constituir nossos objetivos.Metodologia do trabalho cienr(fico.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa. a disciplina intelectual. em maior ou menor grau. A.Caderno de textos e técnicas. a "síndrome da monografia" . O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. ou mesmo uma forma de resumo. 12' ed. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos. dos resumos ou opiniões pessoais. 1985. na vida acadêmica.) Metodologia cientijica .

provisório. pp. na verdade. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. bem como o conhecimento de qualquer tipo. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. Elaboração do cronograma de trabalho. muitas revisões serão efetuadas. p. 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica. Lembre-se que. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. 149 Isto quer dizer que. introdução à metodologia da pesquisa."2 1. Levantamento bibliográfico inicial.). 2. 5. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente.A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina. 61-76. 2. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. cap. que envolve os seguintes passos: 1. 2. constitui a fase de planejamento da pesquisa. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. a pergunta.. A arte da investigaçdo criadora. 4. 5. debates. Rubem A. Filosofia da ciência. que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa". já contém a resposta. e deve-se levar em consideração que. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. ALVES. que oriente o educando no seu trabalho. 85. bem como as suas relações com as teorias existentes. especialmente roteiro para delimitação do tema. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. 3. O Levantamento das hipóteses "A ciência. filmes. ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial.. A leitura de outras monografias. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema. rigor científico e reflexão crítica. O tema escolhido deve se constituir num desafio. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. a que se dá o nome de hipótese. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias.. a discussão com especialistas da área. . estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções.. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho. Para complementação vide: Darci DUSILEK. 1. nesta fase inicial da pesquisa. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa.

Na transcrição. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. No geral. Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador. complementada com outros recursos metodológicos. Para complementação vide: W. K. pp. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract). seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio). na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros. os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. feito a partir do sumário. T. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. se forutilizado o texto selecionado. auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho.3 3. que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. e um resumo do seu conteúdo. porque é seletiva. HATT. Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido.4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. com a intenção de uma pré-seleção de textos. que também deve ser anotado. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa. 5. 3. Nas revistas especializadas. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. GOODE e P. A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida . difidilmente encontrada nos cursos de graduação.De certa maneira. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial. 6. Apresentam geralmente resenhas de textos novos. embora este contato seja inicial. Métodos em pesquisa social. Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. 4. cap. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial. que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto. 74-97.

recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica. 5. entrevistas. pesquisa documental.universitária requer. 4. com a busca exaustiva dos dados. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos. pesquisa experimental. relatórios de estágio. (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. Metodologia do trabalho cien'(flcc cap. 2. Tema ou assunto especifico da pesquisa. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. VII . discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa. Queremos salientar que o método. itens e subitens com as respectivas titulações.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. 8. 2. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa. enquanto processo lógico e técnico. 7. 3. É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. 7. (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. 6. 5. Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. observação sistemática. 4. questionários e formulários. Isso tem gerado situações dramáticas. 139-152. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' .) 6. SEVERJNO. estudo de caso. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. Para complementaçso vide: A. 3. Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa. seqüencia]. pesquisa bibliográfica. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. 3. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. pp. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas. que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo.

como dados estatísticos. com especialistas ou mesmo outros professores do curso. Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. dependendo da técnica adotada.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. em termos de coleta de dados. presta-se à formação acadêmica. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema. destacando-se a monografia. estudos de caso e observação sistemática. os quais. valorativos e éticos. publicações de órgãos oficiais etc. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. estabelecendo suas características ou tendências. A verificabilidade. complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade. Pela sua característica. a fim de descrever/comparar fatos sociais. pesquisa básica. Nos trabalhos acadêmicos. são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. na investigação histórica. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. além das fontes primárias. Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. a pesquisa bibliográfica. localização e compilação dos dados escritos em livros.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). artigos de revistas especializadas. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. bem como a quantificação dos resultados. formulários. 1) Denomina-se pesquisa experimental. o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. os documentos propriamente ditos. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa. questionários. já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. utilizando-se os procedimentos no método científico.. por si. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa. utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. 4) Entrevistas . Requer que se organize um roteiro inicial para . tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais.'. através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. antecedendo a própria pesquisa experimental. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos.

Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade. quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado. que deve conter indicações sobre: .qual a finalidade do estudo. O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. 1 desta parte. 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande. numa avaliação global. assunto da pesquisa. cap. . ou ainda entrevista de grupo. O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho. Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista. para evitar respostas dicotômicas (sim/não). Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5. para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto. ou estas não residem no local da pesquisa. Neste caso. devidamente autorizadas pelos entrevistados. mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa. .Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador. . Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa.a distribuição do tempo para cada área ou assunto. devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho. mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. garantir o anonimato. as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas. . a fim de que possa ser respondido num curto período.a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas. é indispensável uma carta de apresentação. originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões. Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa. . ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica. itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes . relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar. sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador.se há ou não necessidade de identificação pessoal . no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. 5) Questionários eformulários .como preencher o questionário. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa.introdução ao tema. Para maior segurança e fidelidade.nos casos em que for necessário. Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões. pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema. pode-se enviar pelos Correios. Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas.

padronizadas. idade. a fim de verificar as dificuldades do aplicador. numa situação "face a face" com o entrevistado. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência. das mais simples às mais complexas.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. slides. cultura.como devolver o questionário preenchido. filmes. como local de trabalho. Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. porque são mais fáceis de codificar e tabular. Neste sentido. mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade. grau de escolaridade. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade. 6) A Observa çõo Sistemática . quando os registros são feitos sem que os observados percebam. quanto o formulário. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas. natural ou social. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. também denominada observa çõo participante. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa. ou idealizada. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. Como nas entrevistas. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. para posterior avaliação. informal ou assistemática. ou outros dados de interesse para a pesquisa. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades.. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. "visão de mundo". data da aplicação). As perguntas devem ser ordenadas. Para a aplicação do formulário. quando o observado interfere e cria situações novas. profissão. autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). ]into o questionário. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados. a observação sistemática é seletiva. deve-se fazer um pré-teste. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. com ou sem a consciência dos observados.6 . para se obter um registro padronizado das observações feitas. por se constituírem de perguntas fechadas. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação. faixa salarial etc. propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. as dificuldades de entendimento das questões. estado civil. Este registro pode ser ainda complementado com fotos.

conversas etc. 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. alguns tipos de trabalhos literários. é uma construção intelectual. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável. O estudo de caso. T. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. HATT. op. pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. biológico ou social. cit. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados.. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. em si. do grupo ou de um dado processo social. conversas ou entrevistas. permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado. Para compIementaço vide: W. 8) Relatórios de Estágio . no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados. material expressivo. Em ambos os casos. preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando. GOODE e P. Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos. pp. com mínima influência do pesquisador. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. em diários. sob a supervisão do professor. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. quer físico. um trabalho monográfico. o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico. como uma análise qualitativa. 6. registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante. cartas. Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação.O estudo de caso é um meio para se coletar dados. K. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância.Na vida acadêmica. tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um . no caso de vários sujeitos pesquisados. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. sob orientação do professor.7) Estudos de Caso . Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais. 171-268. Como conseqüência. seguido de um estágio onde há maior participação. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica.

pontos de convergência. . ainda. No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho. Neste caso. Esta etapa envolve: 1. seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores. . classificação e organização das informações. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando. quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação. caso seja necessário.verifique o esquema de referência teórica. Na coleta de dados para urna pesquisa. igualdades. tendo em vista os objetivos do trabalho. Deve-se também verificar a atualização das informações. permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão. deve-se elaborar quadros explicativos. tratamento estatístico dos dados. pode-se arquivá-los para uso posterior. tornando claras estas diferenças.regularidades. devem constar dos anexos. a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. pp. . D.verifique as técnicas utilizadas.pontos de divergência. 3.contexto de interpretação científica.73. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área. deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas. Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio. de outras áreas do conhecimento. ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados. introduz.procure enos lógicos. 57. . .verifique os pressupostos. 7. 2. havendo ainda oportunidade de uma complementação. As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. 1çz 159 A partir desta organização dos dados. . separados por assunto ou disciplina. vide: Tereza PORZECANSKY. outros pontos de vista.verifique os fatos. tendências ou regularidades. O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. . as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas.tendências. . No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico. os relatórios de estágio podem. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . muitas vezes. Lógica y relato en irabajo social. estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados.verifique os materiais ou fontes utilizados. os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados. podemos ter uma visão de conjunto do trabalho. para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho. significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso. . .

. 9. Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. SP. a estrutura definitiva. .. p. delimitar o tema e mostrar a sua importância. desenvolvimento e conclusão. Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho. 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. 2. elabora-se. op. cit. Estatística. com base no plano de assunto do projeto provisório. cujo objetivo é só o levantamento de dados). McGraw-Hill do Brasil. GATTI e N. 108. FERES. 1. Apisentação gráfica geral do trabalho. D. SPIEGEL.verifique a inter-relação entre a hipótese. Alfa-Omega. Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio.verifique o esquema de análise. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico. atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto. a idéia central de cada parte ou capítulo. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários.Conclusõo . 8. A. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. 1986. . Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados. DUSILEK. a teoria e o esquema de análise proposto.. 1972. apresentar a idéia geral da pesquisa. Estatística bdsica para ciências humanas. vide: Murray R.O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho. a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados. B. com as subdivisões que se fizerem necessárias: . isto é. introdução. A redação final. visa comunicar os resultados da pesquisa. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível. L. em itens e subitens. 3. O plano é composto de três partes distintas. definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa. .

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

guia de redação para cientistas. Registros pessoais.3. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos. Reflexões metodológicas. 4. Queiroz. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa. 1. 1983. Pensar. 1. A observação documental.. 1979. R. Natureza da atividade de pesquisa. 3! ed. As bases da ação. L. 1. Economia camponesa e pesquisa participante.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. Modelos demonstrativos. Teses e hipóteses. 2. 2. 6. A. BARRAS. 2.3 . escrever. 5. 2. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático.A apresentação gráfica geral do trabalho. comunicações. SP: Perspectiva. 2. Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas. seminário de estudo. Planejamento de pesquisa social. rever. 437p. Coleta e análise de dados. métodos de interrogação: preparação do questionário. Campinas: Papirus.A redação final.. 5. M. SP: McGraw-Hill do Brasil. 7! cd. e BERVIAN. Avaliação do relatório de pesquisa. planejar. Pesquisa-ação. Umberto. 2! cd. C. leitura. 243p. 4. Dinâmica do conhecimento científico. A observação direta. O significado da pesquisa. Técnica de estudo pela leitura. métodos gráficos. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações. 3. A pesquisa do material. Planejamento da pesquisa. l84p. 2. 271p. 1. 6. Pensamentos postos em palavras. Como os cientistas devem escrever. 7.) Pesquisa participante. 252p. Bibliografia ACROFF. 4. Observação intensiva: as entrevistas. P. Como transmitir os conhecimentos adquiridos. 1. 5. amostragem. elementos de estatística. 1986. O que é iia tese e para que serve. Metodologia cient(fica. 1. modelo e planejamento. 3. Pesquisar-participar: proposta e projeto. 4.2 . 4.3 . Preparo do relatório de uma investigação. teoria e método. DUVERGER. FEITOSA. Rodrigues (org. Metodologia do conhecimento científico através da ação. L. 1991. 1983. R.. Fases de uma pesquisa. 2l8p. O cientista no processo de comunicação. Os cientistas precisam escrever.0 plano de trabalho e o fechamento. Os nómeros contribuem para precisão. 4. desenvolvimento e conclusão. 3. O método científico.Tratamento estatístico dos dados. Ciência política. 1984.. Vera Cristina. 2.2 . ECO. Como se faz uma tese. DUSILEK. 3. Darci. 3. 4! ed. CERVO. 3. A pesquisa. Redação de Textos Cient(ficos. 1. A escolha do terna. BRANDÃO. comentário de texto. Como proceder à investigação. 4. aplicação do questionário.. O conhecimento científico. A lógica dos procedimentos. 4. l55p. 5. a observação participante. 4. . SP: A. Edusp. 3. 3. A redação. RJ: Zahar. 3. SP: EPU. A arte da investigação criadora. Falar sobre Ciência. 1. A. 556p. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4. SP: Brasiliense.1 . 8. engenheiros e estudantes. Elementos metodológicos da pesquisa participante. 2.Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa.

A redação do texto. e MARCONI. O que é uma teoria científica.0 questionário fechado. Ciência: pura e aplicada. Etapas básicas da investigação sociológica. 4. Observação. 1982. M. 6. A. 3. 5. Metodologia cient(fica. 7. 4. 4.. O levantamento de amostras com entrevistas formais. Medidas: função e estrutura. 2! ed. Métodos científicos. Leônidas.). 1. Técnicas de pesquisa. Dados históricos: Mach. Wittgenstein. A base empírica. Elementos básicos do método científico: conceitos. 488p. planejamento. 4. K. O experimento. 3.. Ainostragem. Determinismo e causalidade. Método científico em sociologia. 1. Fatos. 3. SP: EPUfEdusp. SP: McGraw-Hill do Brasil. Sidney (org. volume 1. . 23lp. hipóteses. fonnulário. Escalas de distância social: Bogardus. 440p. questionário. 1973. 6. Pessoas como fonte de dados. SP: Atlas. Probabilidade e amostragem. 5. 1. 5. SP: EPUfEdusp. As leis e funções. 3. 1975. A importância da pesquisa. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário). RJ: Zahar. 2OSp. Planejamento. obras de referência. Ciência: natureza e objetivo. Sociologia e ciência. 8. publicação e divulgação. 2. Técnicas de escalonamento. Volume II: 1. ______ Técnicas de pesquisa.. 5. A preparação do relatório. 2. Observação e experimentação. Teorias. 1. 254p. Explicações. l88p. KAPLAN. 1. 167 MANN. Probabilidade. Volume 1: 1. SP: Atlas. Contexto da pesquisa. 9. Sócio-mútua e sociogramas. Ciências Sociais. 3. 5. P. 8. Observação. 7. G. 3. Escolha do tema.. 3. Ciência: teoria e fato. outras técnicas. a observação nas ciências do comportamento. explicações e valores. Análise e interpretação. Explicações cient (ficas. leis e teorias. Leis naturais. Plano de prova: verificação das hipóteses. M. SP: Nacional. 6. Hipóteses. 5. Ciência e conhecimento científico. 4. Russeil. 5. 2. 1. 1975. 1. entrevista. Filosofia da ciência. Observação e interpretação. LAKATOS. metodologia e pesquisa. 7. introdução à filosofia da ciência. As ciências sociais: observações gerais. 1982. O trabalho científico. Etapas da investigação cient (fica. 6.. Questionários e entrevistas. Anexos. valores e ciência. 3. 1975. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. 1969. E. H. 2. 2! cd. Nova Sociologia. Modelos. Lickert. 4. Positivismo lógico. Pesquisa: conceito. Relações e funções. Método científico. 2. e HATT. 2. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. teorias. A história. Documentação como fonte de dados. tabulação. l99p. Utilidade e condições de aceitação da hipótese.Preparativos para a comunicação eficaz. 2O7p. Indicação. 6. Análise e apresentação dos resultados. 4. 2. 1979. volume II. Como avaliar e organizar a infonuação. MORGENBESSER. 3O8p. 5. 1. Filosofia da Ciência. Elaboração de dados. 9. codificação. 10. Crenças e Ciência. Apresentação. 2. A conduta da pesquisa. SP: HerderfEdusp. 3aed. Mensuração. 2. 1. 1976. W. 4. lhurstone. HEGENBERG. GOODE. o papel da estatística. leis e teorias. P. Revisão crítica. Pesquisa bibliográfica. verificação da hipótese. Métodos de investigaçõo sociológica. 2. Subjetividade. 6. 4. 3. SP: Cultrix. LIYI'ON . 4. 3. A.

0 método do estudo eficiente. RI: Paz e Terra. 3. 6. 5. 3. Edson de Oliveira (org. Ciência e existência. 1. diário de pesquisa e outros registros. 3. Pesquisa: discutiva e experimental. Lógica e dialética. relatório. 4. resumo.. Hipóteses. 4. SP: Nacional. 4! ed. PORZECANSKY. NUNES. O pesquisador. Serv. formulação de problemas. 235p. Questões teóricas. 5. O problema da pesquisa. 1. planejamento.). coleta de dados.. A aventura sociológica. l2lp. 1974. A documentação como método de estudo pessoal. 2. SALOMON. 1982. RUDIO. redação e apresentação formal. 2! ed. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. 5. 7. 4. 1. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. 8. Problema social e problema de investigação. seu papel e condições de trabalho. Pontos de vista: a função das situações sociais. 1978. 18! ed. Reconstrução e análise do passado recente.. elaboração e relatório de estudos científicos. Social da Puccarnp). técnicas de livros. O projeto de pesquisa. Lógica y relato en trabajo social. 6. objetividade. Análises explicativas das soluções. (Mimeo. 1. Oracy. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. P Parte: 1. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos. SEVERINO. 6! ed. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação. 224p. introdução às suas técnicas. Método do trabalho cient(fico. 6.. 4. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. classificação. Tipos de relatórios. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. técnica. . Aplicação da pesquisa social.5. A. 1977. Pesquisa social. 5. SP: Cortez. 3. 1971. NOGUEIRA. P.. Tereza. 1992. 1971. 4. leitura. Vieira. Associação das técnicas. SALVADOR. Joaquim. 4! ed. Os estudos de comunidade. l. análise e interpretação de textos. 2.0 problema metodológico da pesquisa. Leitura. História e conhecimento. 8. RI: Zahar. Métodos de pesquisa nas relações sociais. Pesquisa e teoria. 4. F. relatório e informe científico. 3Olp. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. 6W7p. Aspectos da explicação em teorias biológicas. Investigação das soluções. Análise e interpretação. 1. 2. Comunicação e conhecimento científico. 3. V. PINTO. Leitura.Filosofia e pesquisa. Coleta. 7. planejamento. 2! Parte: 1. 2. Ciência-homem-meio.. Versão qualitativa. BH: Interlivros. 3. A observação. A pesquisa como trabalho. observação participante. paixão. Como fazer uma monografia. p. 1969. D. Domingos. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK. normas. Evolução do conhecimento científico. A realização do seminário. Explicação científica. 4. Organização da vida de estudos na Universidade. SP: Edusp. escolha do assunto. 33lp. A. Petrópolis: Vozes. Conceito e estrutura de relatórios científicos. O ator. Plano e relatório de pesquisa. 6. 2. 537p. 6. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. problemas filosóficos da pesquisa científica. Versão quantitativa.. 57-73. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais. 2. elementos de metodologia do trabalho científico. prática da documentação pessoal. 2! ed.. Buenos Aires: Humanistas. improviso e métodos na pesquisa social. Fac. 2. biblioteca e documentação. análise e interpretação dos dados. 1974. O trabalho científico. O processo de pesquisa: problema. 3. composição e modelos de fichas. 1. 2. elaboração da monografia. Alvaro Vieira. Alegre: Siilina.

Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 .ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS . Atividade Versus Processo de Morte 26 3. Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III . pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III . Vivência da Morte 17 II .MORTE. sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães.CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1. Paciente Terminal 11 2.Roteiro de Entrevistas 38 II . Retrospectiva Histórica 23 2.169 1. UMA QUESTÃO 05 1.-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional. Produtividade 28 4.Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 .

monografia. 139 p. p. p. 35 p. vol. John. G.na sociedade de produção e consumo.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. 135 p. Revista Diálogo. A pessoa.. portanto. também. que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência. VARGAS. Arminda. 531. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção. na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. BOWLBY. impedir o questionamento sobre o materialismo. 1983. devendo. (coord. 165 p. 1985. 26. aumenta o valor de tais relacionamentos. Apego e perda. (coord. Magali R. M. E. BOEMER. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. A sociedade ocidental.. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. D'ASSUMPÇÃO. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e . Folha de 5. hierarquia do poder e coisificação do homem. atual mente. com a sociedade voltada para a produção e o progresso. sendo necessário negar sua existência. 1984. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. A morte e o morrer. São Paulo: Cortez Editora.. delegando à morte o espaço de tabu. (coord. advém da percepção da finitude do ser. 36. 1986. Maria Elisabeth M. Campinas: Puccamp. pois com a morte este sistema não se mantêm. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra..) D'ASSUMPÇÂO. mas. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam.86. A partir desta transformação. Tanatologia e o doente terminal. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. A percepção da morte na criança e outros escritos. pretende manter suas relações de poder e consumo. III . tornando-a inominável." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos. Formação e rompimento de laços afetivos. 1 Nairo de 5. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos. BRITa. 1984.. A. Este questionamento.) e BESSA. entretanto. Theodore LIDZ. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano. Paulo. 486 p. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. E. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer. Morte e suicídio. A. o homem se coisifica. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos.. A. regida pelo capitalismo consumista. D'ASSUMPÇÃO.07. 2. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível. 1982.Perda. 237 p.). H. A. criou-se um tabu em torno dessa questão.

. fig.figura.confira. 166 p. v . 1985. .d.(ibidem) mesma obra e mesmo autor. (mimeo. . . . 4) Abreviaturas mais utilizadass ap. .0.exemplo (s). Luís C.. . .ver o texto original. apud cf.acima. n 2.Farmacêuticos 5/A.página. etc. .número. 175 . 174 . infra n. Por que fazer terapia?. 20 p. p. supra s. cit. T.. ex. id. organizador. Campinas: Puccamp. 1984.abaixo. Ano 10. São Paulo: Ágora Ltda.). . Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana. . em linhas ou páginas adiante.(opus citatum) na obra ou autor já citado. .ilustração (ções). em linhas ou páginas anteriores.(idem) o mesmo autor. junto a. FREITAS. n op.organizado por.(para citações indiretas) segundo. FRANCISCO.. já conferidos em nota imediatamente anterior. org. 1985.sem data. ou a mesma obra.(et cetera) e outros.. pg. ibid. Berenice R. já referidos em nota imediatamente anterior. . . .

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