CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

também. naturalmente. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia.* A preocupação com o conhecimento não é nova. lacunas. em especial à professora Vera Irma Furlan. Somos. da Universidade Federal do Piauí. e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a. ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. e de oferecer-lhe. Consideramos que a Metodologia pode. contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência.9 conduzam inexoravelmente à verdade. entre os gregos a geometria. a astronomia e a acústica.construtor do saber científico .do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado. para que .procuremos. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto. Por isso. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica. de natureza mais prática. o outro. entre os romanos a hidráulica. Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário. a mecânica. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. filosófico. o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. Paralelamente ao . que animou a realização deste projeto. A ORGANIZADORA Campinas. Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp. enquanto possível. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber. a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem . entretanto. de opinião que uma metodologia se alia.no caso de uma eventual reedição . Entre os egípcios a trigonometria. Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. a lógica. sobretudo. e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica. aprimorá-la. O livro apresenta. Por isso. certamente. além disso.

É professor na Universidade Federal do Piauí. Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. isto é. a Academia. . e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. elimina as teorias que não suportam a prova . mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. As idéias são perfeitas. FARRINGTON. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. B. A dialética. para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. Head and Hand in Ancien: Greece. Metodologia da pesquisa tecnológica.conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior. Esta diferença entre conhecimento prático . B.ligado ao prazer de saber . se mudar. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. desinteressante e preso ao interesse de outrem. Para Platão. sua atividade foi considerada superior. mais tarde. Mesopotâmia e Egito. VARGAS.que estava ligado ao trabalho.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas. 1. em oposição ao trabalho prático. é para pior. Introducción a la filosofia de la ciencia. que se desenvolveu a Dialética e. A ciência grega. Para Platão. o conhecimento aristotélico. já que por princípio uma coisa perfeita. A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera. já que era executado por escravos para os senhores. se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo. ou o método socrático. dos meros fenômenos empíricos. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. Neste processo.e conhecimento teórico . Assim. FARRINGTON. neste caso. imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal. Este método.segundo Farrington 2 . sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas. WARTOFSKY. A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. M. o mundo sensível está em constante mudança e. Foi na escola platônica. 2. os gregos desenvolveram um tipo de reflexão . da separação entre "cabeça e mão".de uma separação de atividades de classe. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. M. Como esta classe tinha mais prestígio e status. um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp. considerado inferior. diria Popper. mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas. pura e livre. Conforme o autor. à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida .a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. foi de extrema importância na história do pensamento.

K. Lógica. Losee. Cit. cit. Aristóteles se utilizou da indução . Fédon. IDEM. A descrição desta demonstração encontra-se em W. A existência das Formas que para Platão eram eternas. 5. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis). pois são meros acidentes. desde Pitágoras .até a obra de Euclides. voltar a fazer deduções de novas ocorrências. M. Esta crença se desfez somente no século XX com o . Ter quatro patas. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento. partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. SALMON. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio). PLATÃO. do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. A sociedade aberta e seus inimigos. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação.6 Assim. então. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que. Ele criticou a dialética por sua negatividade. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias. Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria. ARISTÓTELES. é saber quais são suas propriedades individualizarites. por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos. K. Deve-se associar. Da observação de que os corpos caem. bem como as propriedades da classe a que pertence. imutáveis e independentes do mundo sensível . J. As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6.para formular princípios explanatórios gerais e.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. O conhecimento consistia. op. a de homem. Juntamente com Platão.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) .3. ruas não se resume a isto. depois. a indução e a dedução. WARTOFSKY. formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. por meio da dedução. Ibidem. WARTOFSKY. A repiiblica. portanto. Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. Conjecturas e refiaações. Saber o que Sócrates é. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável. explicarão novas ocorrências. POPPER. Tópicos. para Aristóteles.é. a partir destes. de sua lógica formal. M. um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. op. em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. POPPER. 4. 14 1ç -. mas da percepção aplicada aos particulares. 7. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência. por dedução.

Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. bem como a experiência pessoal acumulada. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. às vezes. não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. e seu valor é tal que não difere. enquanto que com as valorações isso não ocorre. de Platão. Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. e especialmente de Rudolf Carnap. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. no entanto. Mas de onde vem. Valorações e crenças são. mas não que são verdadeiras ou falsas. ou seja. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. assim como para muitos de nós. da opinião. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. p. Quando uma mulher afirma. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. informais e. lendas ou parte delas. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a . Temos. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. Pelo primeiro caminho. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". a contribuição dos gregos para o pensamento social. poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. 8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. transformam-se em conhecimento. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. mas.programa epistemológico do Círculo de Viena. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas. e que inclui um conjunto de valorações. em ciência. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. quando as opiniões certas são amarradas. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. em geral. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. Quando emitimos opiniões. quando pronunciada por uma certa pessoa. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. doutrinas religiosas. enfim. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. Há. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. pois. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. no mais das vezes. permanecem estáveis. PLATÃO. o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. portanto. 1. princípios ideológicos às vezes conflitantes. por exemplo. então. As crenças se manifestam através de proposições. justas ou injustas. Ménon. a que chamamos de senso comum. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa. desejáveis ou indesejáveis. existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". inconscientes. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. Essa informações são.

O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência.para onde convergem crenças. racista ou cristão. Objetivido. dependendo do seu grau de esoterismo. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. Essas teorias. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. G. gerando um conhecimento mais ou menos racional. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. De qualquer modo. não temos como testar sua doutrina. Este é o caso dos modernos regimes totalitários.fisiologia etc. Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos. como a do movimento da terra em redor do sol. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las. Se alguém afirmar ser liberal. Assim. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . por outro lado. Poderíamos esquematizar. 10. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso. Este conhecimento. obviamente. por sua vez. como se fossem verdades. MYRDAL. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente.sejam elas verdadeiras ou não . socialista. mas continuam subsistindo no senso comum. interage com o senso comum e modifica-o. a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum. então. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos". seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. A teoria mais conhecida é a do Conde J. Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais. Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum .ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores. Artur Gobineau (1816-1882). entendendo racional como argumentativo e coerente.d en la invesrigacidn social. isto já não é possível. cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença. é a sua sofistificação. o senso comum vai . na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra. não têm nenhuma validade. Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade. Por isso. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. sendo absorvido parcial e totalmente. valorações. Com as valorações. É comum entretanto.

Ver K. CHALMERS. são exemplos de proposições observacionais. castigando-as até a morte -. os músculos quando não utilizados se atrofiam. POPPER. tato etc. então. A. op. mais tarde. 13. audição. isto é. no entanto. caps. 1 e 2. W. FOUCAULT. neste ponto.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e. a própria concepção de corpo que vigorava. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. CHALMERS. làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. 2. havia as entidades 11. Doença menw. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. G. F.What is this thing called Science? 14. O grande problema do indutivismo passa a ser. no entanto. cit. op. cujo campo de aplicação seja o maior possível. no entanto. cit. Há. eventualmente. POPPER. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. O objetivo da explicação científica é.progressivamente se modificando ao longo das gerações. ALVES.. lo 3. op... 2. CHALMERS. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados.. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. QUINE. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . M. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e. F. Conhecimento objetivo. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com . São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. quando parcialmente submersa em água. 12. in Os pensadores. Ver A. fosse ele bom ou mau. op. R. 15. W. SALMON. o metal quando aquecido se dilata. F. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. op. ci:. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. revelam. o senso comum é muito poderoso. K. a busca de afirmações e teorias universais. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos.l e psicologia. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares. Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. cit. Epistemologia naturalizada. Filosofia da ciencia. cit. na psicanálise. O. MYRDAL. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1. aparece como torta. A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo.

R. existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado. mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. como se fosse para subir ou descer. As figuras a. é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e. O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. portanto. apesar de olharmos a mesma figura. nenhuma demonstração foi feita. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. cii. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. por exemplo) que são mostradas a um observador.c). E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. 16. Padrones de descubrimienro.a lei geral. mas semelhante. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico. A. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva. 17. Em qualquer dos casos. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. CHALMERS. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". por exemplo. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. Então. No primeiro caso. Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. No segundo caso. N. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. mas a impressão que se forma na mente não o é. HANSON. Além das objeções sobre a inferência indutiva. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa. É preciso .a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. quando outro objeto diferente. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. F. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações. 21) podem ilustrar isso. mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. Nos casos acima. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. de repente. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig. até mesmo componentes culturais. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. op. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. não "vemos" a mesma coisa. Em muitos casos. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe. b e c (p.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. dando-lhe grande subjetividade. a pirâmide (fig. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica.

No entanto. As . ele não fará uma simples descrição dos objetos. m Os pensadores. certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho. c fig. As interpretações e as "cadeias 18.'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. . fig. dificuldades apareceram. mas falará de corrente elétrica. os metais quando aquecidos se dilatam. Na figura d. são exemplos de proposições básicas. 2. por exemplo. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior. como por exemplo em d e e (p. Para sermos rigorosos. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. mesmo que esta seja de senso comum. que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. como. devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto. os metais são bons condutores de eletricidade. b 91 e ' -. para ele. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo". Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. voltagens. Podemos dizer. Por si sós as figuras não dizem nada. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas. a fig. 3. Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. não há nenhum fato a não ser os objetos visuais. O. Todo fato pressupõe uma teoria. resistências etc. Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê". podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. mesmo assim. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. aceitas universalrnente. 22). QU1NE. que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. então.ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos". Dois dogmas do empirismo. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante. Nada mais ele fará porque. seja ela científica ou não.que operemos uma inferência para que a figura faça sentido. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. '1 fig. W.

conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. em algum momento da história. é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . Assim. aliás. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. ainda. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. 3. mas numa teoria científica isto não é admissível. mas a campos específicos. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. Em segundo lugar. os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. sejam elas científicas ou não. Podemos adicionar. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos. Numa teoria de senso comum. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional. de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. as teorias são. outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. o conceito de Gene na teoria genética moderna. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento. Como acentuou Popper. fig. por exemplo. por exemplo. isto é. uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela. São proposições amarradas no encadeamento racional. por sua vez. e que já incorporamos como absolutamente naturais. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico. revolucionário. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. a ciência começa com problemas. mas não serve para explicar . onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. Isto significa que. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso.como na teoria racista de senso comum .regularidades que observamos cotidianamente. tanto quanto possível. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. e 22 23 Vejam. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. que são os da reprodução. Dessa forma. onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. Isto é. É a característica de solucionadoras de problemas. Este. Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. Nós temos. então. as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. sempre. determinado por certas circunstâncias extra-científicas. Assim. teorias. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. se aplica a um conjunto específico de fenômenos. Podemos começar afirmando. Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. onde não há nenhum tipo de contradição interna. despidas de subjetividade e valorações. ele mesmo. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. segundo o autor.a pretensa transmissão de características culturais e morais.

Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . Freud.seamento e a metodologia dos programas de pesquisa. Einstein e Bohr. utilizando simplesmente papel e lápis. in LAKATOS e MUSGRAVE. Marx. 1. no entanto. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. 20 Do observatório de Berlim. dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência. As grandes construções. e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. tendo até batizado o novo planeta . Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. Começou. certa vez. No fundo. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria. indicando a grandeza e o poder da mecânica. contribuir para sua p:ápria superação e. Isto deriva do fato de que as teorias . Darwin. 19. eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. não foi agradável. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas. desabar frente à relatividade. T. LAKATOS. A resposta. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento.Vulcano .vagabundos". Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier.que estaria "atrapalhando" Mercúrio. tanto a passada quanto a futura. Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. como as de Newton. Mas a história é curiosa. O. promover o crescimento e progresso do conhecimento. Pouco depois. desta forma. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a . sua posição e massa. Finalmente. Ou seja. Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo. Para a mecânica. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. e efetivamente o fazem. as anomalias. a calcular as dimensões do planeta. KUHN. descobriu Netuno. Além de surgirem problemas. logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa. O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para. as teorias devem. O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que. a partir do início deste século. Ofal. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. então. A estrutura das revoluções cient(ficas. devemos discutir o aspecto observacional das teorias. Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica.um outro planeta . que é o papel da expectativa na construção das teorias.

M. São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. Neste caso. por outro lado. a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. causalidade. para resolver o problema. mas com os tempos de queda. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante. in Ciência e Cultzira. Galileu contestou esta teoria. op. em seguida. a não ser em pensamento. Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". F. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. são exemplos disso. cii.com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e. o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. Se os dois corpos fossem unidos. 22. No entanto. sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência. no caso dos léptons e hádrons. sua velocidade. Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes . muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas. Mas. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. inconsciente. mas a outros conjuntos de proposições (que. p.mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. CARTIER. de Galileu . hádrons. As "expetiências de pensamento"em física. Para a teoria aristotélica. Era o chamado horror vacui. O enigma do cosmo. formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória.. O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema. valor. Os conceitos de força. energia etc. portanto. A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. 13ASSALO. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos. portanto.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo. mais tarde. . 68. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 . Eles não se referem diretamente a entidades.observáveis: são os conceitos teóricos. se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e. J. já que há menos ar em seu topo do que na sua base. conjecturas na forniação das teorias.e 1647 . Discuiso sobre as duas novas ciências. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. seria maior. 22 Neste sentido. é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. maior do que cada um deles.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas. popularizadas por Einstein. por hipótese. GALILEU. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. com velocidades naturais diferentes.cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo .com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . citado em LOSEE. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. a pressão deveria ser menor. atração. Os conceitos teóricos . léptons. se subíssemos uma montanha. Logo. Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. Foi o que fez Perrier em 1647. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para.

A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias. É esta a imagem k limiana 23da ciência. e este tende a ser sempre ampliado. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland. isto é. em maior ou menor grau. podem interferir decisivamente. então. onde intuições. cii. 3. Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. no fundo. ARISTÓTELES. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. CHALMERS. um método para se testar as conjecturas. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. com as próprias teorias. Estas estruturas engendram programas de pesquisa. SP: Brasiliense. religiosas e mitológicas de conceber o mundo.na prática . a partir do Renascimento. op. M. RJ: Primor. no entanto. 1984. A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . Tópicos. KUHN. acidentes. não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. e este é o chamado contexto da jusfificaçõo. não há um método de se fazer descobertas. Deve haver. R. T. 1983. Descartes. A. F. onde ele se toma mais inchado. constatando que no cume a pressão diminuía. Durante muitos séculos. "chutes" etc. Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. CARTIER. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. BASSALO. 1978. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. religiosas e metafísicas. Bibliografia ALVES. Galileu e Newton. R Filosofia da ciência. embora não tivessem . 36 (3). Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta.e o cume da montanha. pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico. As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. Iii: Ciência e Cultura. as teorias e as hipóteses. Isto. O enigma do cosmo. SP: Abril. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. 1978. não há uma lógica de descoberta. oferecendo pouco a pouco . As "experiências de pensamento" em física. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento.novas referências para a organização do pensamento. 1978. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. São as formas artísticas. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. 23. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias. no entanto. Esta tarefa foi executada. De fato.

KUHN. M. A sociedade aberta e seus inimigos. da moderna civilização e indica o seu progresso. RJ: Tempo Brasileiro. 1975. Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento. N.. SP: Edusp. A. que percorre três fases distintas: a teológica. a existir a concepção de que as sociedades modernas. 1949. 1975. 1978. SP: Abril. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência. 1978. PLATÃO. Introdución a lafilosofi'a de la ciencia. B. SP: Edusp. de Comte.za Ed. G. ______ Ménon. inclusive. 1968. LAKATOS E MUSGRAVE. Todo este processo de forniação da ciência moderna. Fe'don. A fase positiva. ______ Head and hand in Ancient Greece. LOSEE. FOUCAULT. Progressivamente. Brasilia: UnB. SP: Edusp. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura. K.. ______ A república. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. a metafísica e a positiva. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles. 1978.. Madri: Alianza Ed. 1979.que baseiam suas explicações nas causas primeiras . que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. M. México: Fondo de Cultura Econômica. Lógica. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. SP: Edusp. Capítulo II MITO. CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. 1975. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. são estritamente racionais e científicas. SALMON. Epistemologia naturalizada. QUINE. METAFfSICA. Objetividad en la investigación social. que tem a ciência como suporte. capitalistas. Ri: Globo. de permitir sua apreensão material e espiritual. VARGAS. 1970. Ri: Tecnoprint. POPPER. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. T. Padrones de descubrimiento. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Ri: Zahar. Londres: Wats and Co. SP: Abril. Dado um . In: Os pensadores. ______ Conhecimento objetivo. 1974. W. Metodologia da pesquisa tecnológica. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. 1978. W. Como a ciência. 1978. ______ Dois dogmas do empirismo. 1982.. SP: Abril. Madri: Alian. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology. 1961. R. SP: Perspectiva. fazer seus fenômenos inteligíveis. explicar o mundo. Doença mental e psicologia. Segundo ela. HANSON. M. Introdução histórica à filosofia da ciência. A ciência grega. WARTOFSKY. sld. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou.é o marco. assim como da ciência. sendo Comte. 1977. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". 1978. MYRDAL. 1970. SP: Hemus. O abandono da teologia e da metafísica .moderna. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina. 1n Ospensadores. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. SP: Ibrasa. A estrutura das revoluções cient(ficas. J. Conjecturas e refutações.

por exemplo. por exemplo. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo. uma testemunha. fica acima desta. Num certo sentido. onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso. Na Idade Média. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus. que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás". afirmando que ele cometera muna irregularidade. o repouso. mas Menelau o contestou. terra. está abaixo dos outros. Antíloco se recusou a jurar inocência. os astros têm um movimento perfeito. Nas sociedades míticas. Para Aristóteles.no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos. mas é mais leve que a terra e.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) . a cosmologia e o senso comum . tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. onde desejos e vontades são atribuidos à natureza. por exemplo. embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. As cruzadas e as guerras religiosas. Na teoria aristotélica.nunha. 9. circular e uniforme. os objetos físicos têm um desejo. Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. Antíloco venceu a disputa. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo.na idéia de que o céu é a morada dos deuses e. a verdade era dada pela voz do enunciador e. A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . e. Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. ou por uma combinação deles. por isso. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. A terra é o elemento mais pesado e. portanto. por natureza. Se ele houvesse jurado "em falso". e transpõe sua eficácia para um plano superior. foram feitas pelos cristãos. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. quando posta em dúvida. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. por exemplo. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. que se encarregaria da regularidade da corrida.universo cheio de incertezas e mistérios. mostrando assim a sua culpabilidade. A água é mais pesada que o ar. que o teria fulminado com um raio. tanto quanto a ciência. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. Larousse World Mythology.são equivalentes. a evidência.de que falamos no capítulo anterior . . esta forma de solução de disputas também foi muito comum. Entre os gregos. os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar. A 1. p. Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. lhes foi destinado. por isso. uma vontade de permanecer no lugar que. então. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. por isso. Assim. empreender ações que sejam coerentes. Mas. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. Este tipo de prova recusa a teste. Ou seja: os mitos.

foi dissolvida na ciência grega. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade. a cosmologia. neste contrato. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. ou vsão mítica do mundo. os homens nasceram livres.é urna forma de saber que também não se submete à verificação. Assim. pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. podemos explicar . M.igualitária e libertária. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental.pelo menos em parte . para Hobbes. Platão . Só que. suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. por isso. para Hobbes. É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . e são por natureza bons.estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. No entanto. em erro. o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível. na Idade Média. em termos de Absolutismo de Estado. Com uma tal natureza. de um lado. colocando em risco a sua sobrevivência. filosóficos. os homens são mesquinhos. em sua filosofia e em sua metafísica. Para Rousseau. Pode-se entender também porque. assim como. A metafísica como modernamente é entendida . de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo. para Rousseau. ao contrário. iguais. A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. que as administrará como Vontade Geral. os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento. Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. Ver LAKATOS e MUSGRAVE. por isso. A verdade e as formas jun'dicas. o que permitirá que sua associação seja . os homens alienam suas vontades ao Soberano. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento. Os dois autores são considerados contratualistas. sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. depois. .Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. para o Deus cristão. é chamado de Estado de Natureza. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. De outro lado. Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. da natureza do ser.a ausência do desenvolvimento do método experimental. FOUCAULT. os homens se consumiriam em guerras e disputas. Para Hobbes. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria.que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . Daí a necessidade de um contrato 3. onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. inviabiizando qualquer tipo de associação. O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e. Apesar dessa característica geral da época. O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e. as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2. é chamado de Estado de Sociedade. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade. isto é. Isto decorre.

Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. não deve ser incluída no rol da ciência. Se o movimento dos astros é perfeito. Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. não pode ser verificada. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos. 6 Uma hipótese ou teoria que. As questões metafísicas. no entanto. 5. alcançado em 1915. o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. E. aliás. Este é. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas. Einstein. onde p é uma proposição qualquer . religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. pois o "Senhor não joga dados". ruas não de ciência. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. e protegem as teorias de certos questionamentos. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. não pode ser testada. 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica. uru dos pilares do conhecimento científico. pela sua própria forma. A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal. só pôde ser .4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. A. a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável . Os conhecimentos mítico. o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. por princípio. BROWN. É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. em especial.é chamada de tautologia. Assim. seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. Este resultado teórico. Este tipo de proposição . Ela passa a ser simples objeto de valoração.cuja forma lógica é (pv Øp). não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. 2. 3. por ser circular e uniforme.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. 1-lá outro tipo de proposição que. H. da idéia de vercaçõo. As bases metafiicas da ciência moderna. mas entre eles os de que: 1. São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e. metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. podem ser testados. resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. então com muito mais razão a terra deve girar. na aceitação da teoria copernicana. Uma das coisas que diferencia 4. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica. Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira.Nas ciências naturais. mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. BURT. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza.

Filosofia da ciência natural. É interessante notar. Depois da experiência de Pérrier. um outn. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências.quando encontrada . atingir a essência da realidade. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade. que não é".verificado em 1919. que são fugazes e enganadoras. Para Platão.edo que não é. K. portanto. portanto. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes. A lógica da pesquisa cient(fca. BROWN. Ele era invisível e. que é permanente e verdadeira. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é. compensaria positivamente depois da queima. Este fio era o "funículus". H. Atingir a verdade seria. no entanto. e. Filosofia da ciência. HEMPEL. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo.sentido para verdade. cit.9 Há. idem. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade. R. A primeira delas é que a verdade . não poderia ser jamais verificado. POPPER. Esta concepção é também chamada de ontológica. É quando de sua aplicação a urna realidade. A idéia de Verdade aparece. O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. somente a essência adquire o estatuto de permanente e. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada. então. no entanto. ou seja. que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas. cognoscível. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas.será definitiva. chegando até a imunização completa. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real. por isso. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. op. eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. Autobiografia intelectual. Estes episódios foram narrados por C. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente. quando de um eclipse do sol. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. . ALVES. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas. os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. então. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. 7. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório. deixando de pertencer ao domínio da ciência. o mercúrio. que é. ilusória etc. os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". 8. Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. Não está em questão aqui o modo como isto será feito.

. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. então. 11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la.atingir a verdade. Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade.entre a confiimação e a falsificação. pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. 12.pois a essência é permanente. Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. 13 Segundo esta concepção. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias. coisa que foi bem acentuada 9. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. Há uma assimetria . A concepção marxista é a típica representante desta visão. mesmo daqueles considerados básicos.para esta concepção . bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade. por que não se instaura. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã. 11. por princípio. Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos. A lógica da pesquisa cien:(fica. portanto. POPPER. não aparece? É necessário. F. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. Se a verdade é a correspondência com os fatos. todas as teorias. K. que é uma certa visão conspiratória do mundo. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. então não pode ser refutada. Existem teorias. Nesta medida. POPPER. É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes. Isto significa que. a um certo contexto. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. ao contrário. 35 por Popper. Mas. 10 Se a verdade existe. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos. Conjecturas e reflita ções. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos".como acentuou Popper 12 . 10. Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias. MORA. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. verdade e essência coincidem. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua. Assim. Diciondrio de filosofia. teremos o seu estabelecimento. seria sempre possível . ibidem. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade. do desenvolvimento científico. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. K. Há ainda outra característica do essencialismo. Em segundo lugar. das proposições e teorias. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato". A história da ciência revelaria este esforço de representação. dizem os essencialistas. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. J.

C. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. 1986. Neste sentido. Unicamp. MORA. 2. Filosofia da ciência. J. RI: Zahar. M. H. 1984.A. 1965. isto é. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. UFRJ. Manuscrito. Hamlyn. E. Como postular a veracidade de uma teoria se. É a noção de causalidade que passaremos a discutir. 1. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. A verdade e as formas jurídicas. Brasflia: UnB. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. 1. VI. que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades. ou por não ter sido falseada. 3. III. De qualquer maneira. 37 Larousse World Mythology. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. Não podemos chegar a verdades definitivas. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. Dicionário de filosofia. Vol. Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. SP. 1983. geraram uma certa instabilidade na ciência. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. Maciri: Alianza Ed. SP: Brasiliense. 1981. Mas. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. Vol. n. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. HEMPEL. 1983. F. a qualquer momento. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. paradigrnas de verdade e coerência. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. então. FOUCAULT. BROWN. As bases metafísicas da ciência moderna. Filosofia da ciência natural. SP: Brasiliense. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade. Einstein. que através de Ménon 1 nos diz: . ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. Londres. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. R. Revista Filosofica Brasileira. BURr. 1983.. progride. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. 1986. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. 4. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. no entanto. Eles são interdependentes.13. a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. Mas.

Neste caso. PLATÃO.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. Aqui não há um "antes" e um "depois". O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". 1. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. a fugir. 7) A crise econômica. 2) Os milagres têm causa desconhecida. as liga por um raciocínio de causalidade. Ménon. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus. a relação aparece como necessária. aparecendo como leis. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. por exemplo. É a causalidade. 6) A radioatividade causa mutações genéticas. 3) O universo existe somente através de Deus. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. que é a energia cinética das moléculas. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. São eventos concomitantes e. as encadeia. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la. em um caso particular. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. O exemplo 1 relaciona. pela própria forma do enunciado. isto é. valem um tesouro e só produzem o que é bom. No 6. Os exemplos 6. o dinheiro de Paulo com um casamento. Assim. como. existem várias causas. A relação é de caráter acidental. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. como fator explicativo. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. Nos casos 4 e 5. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. a outros casamentos. Neste caso. mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. No exemplo 4. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. mas indeterminada. A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. universais. quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante. Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . Neste caso. quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. Da mesma forma é o exemplo 5.

Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". . • a produção científica reduz a dependência tecnológica.tem. mas como fator explicativo é de muito pouco valor.que é do mesmo tipo do anterior . O exemplo 8 . Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns. 4. podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex. Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos. Por isto. Sabemos que irá ocorrer. sem que seja possível a sua detenninação precisa . Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo. a agitação social e a corrupção geram golpes de estado". a previsão de uma ocorrência e. A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. como na descrição do exemplo 7 . ocorre sempre um outro B. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. de outro. onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada.como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor. Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum.próprio fato. Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. isto é. de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. 6). no entanto. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex. Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite. onde um evento anterior causa um outro evento posterior. c) Relação Invariante. como em "A crise econômica. • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários. a proposição . este tipo de utilização está fora da ciência. pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado.foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. Ademais. 1 e 7). 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide. mas não sabemos quando.seria factualmente falsificada. Esta forma geral de cau'a [idade . no entanto. Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares. isto seria facilmente falsificado. 5 e 8). ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos.mesmo que transformada numa proposição universal. de um lado. Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. já que se trata de um evento particular. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex. dado um certo evento A. O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). mas não de fonna precisa. em sua genealogia. Ela pode.

e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. Em primeiro lugar. No caso do princípio de causalidade. que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. que é uma característica das coisas. ruas também determinada. às vezes. Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. para Hume.iá nenhum indício de um fenômeno no outro. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. a neve e o frio. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes. Para ele. pela observação de muitos exemplos. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. em outras palavras: após descobrir. Quando dizemos. aparecem sempre ligadas. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. por exemplo. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza. então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos. isto é. que aprofundou sua crítica. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. se faz entre a linguagem e a realidade. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada. Portanto. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. (ji 153) Assim. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil. como a chama e o calor. O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . podemos dizer o "como". esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. de causalidade. o princípio de causalidade não é da natureza. foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. Ou. portanto. Aliás. um dia. que duas espécies e objetos. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. publicado em 1749. Assim. Empirista radical. Não se imaginava que elas pudessem. ou seja. o "quando" e o "quanto" da relação. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. até hoje. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. que todos os . Historicamente. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu. ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos.

a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. Introducción a la filosofki de la ciencia. Isto porque. a altitude. já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. Devemos tornar a causalidade como uma suposição. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. in Os pensadores. por exemplo. A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências. 42 43 intervalo de tempo t que é finito. nem mesmo poderá haver queda. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias. de um princípio gerador de pesquisas e. Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências. na verdade. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. D. A explicação científica deve se aplicar a vários casos. Além disso. a depender da altitude. gerador de conhecimentos. mesmo finito. Por outro lado. em última amiuise. HUME. então. B. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. Segundo ele. 4. NAGEL. RUSSELL. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. como. 2. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. Investigação sobre o entendimento humano. Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. então. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação. como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão.diferentemente do estágio pré-científico. pois se organiza em . como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. seria o nada que antecederia o efeito. Assim. pode ser infinitamente dividido. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos. dessa forma. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico. que é a predição. Logo. Misticismo e lógica. mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio. e que enunciemos isto na forma de leis. Isto porque . seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. 3. Mas. Ver E. toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente. o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa.corpos caem.

6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. a noção de causalidade. p. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. idem. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. por esse motivo.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. de ordem. Ressalvado o seu caráter não-ontológico. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição.a formação de umidade num recipiente com água gelada . A explicação disto envolve. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. Num . Normalmente. além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. esta reflexão não ocorre. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação. a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. Filosofia da ciência natural. A proposição 1. Num artigo publicado em 1948.apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar.função das regularidades que encontra ou postula. que acabamos de examinar. mas precisa das outras condições iniciais. The logic o! expIa nation in philosophy of science. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. que era o nosso problema inicial. 5. Neste sentido. liquefez o vapor d'água. a fim de que nosso problema inicial . repmduzido em Lii explicación científica (op. Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. A depender do recipiente. 1) Todo meio material provoca refração da luz. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. 3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5). necessárias e determinadas entre eventos. pela sua própria forma. Aqui. para o senso comum. cit. Lt explicación cient (fica. Teremos. Idem. então. Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. as proposições 1. mas seguindo urna espécie de hierarquia. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade. 2. HEMPEL. Para ele. Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica. 6. 15). Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno. exerce uru importante papel. 135-175 (Vol. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. C. uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". se organiza na forma de Estruturas Teóricas. tem um caráter de generalidade e de lei.

em relação à que está submersa. O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1. Dados L1 . condições iniciais e conclusão. Estas suposições. Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1). 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1. por estarem assimiladas às concepções correntes. 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. C2 . Ç poderemos deduzir E. L Leis Gerais C1 C2 . teremos a impressão de que está torta ou quebrada. 3) Num meio mais denso. a barra como estando torta ou partida.. percebemos a barra como estando torta ou partida. L2 . De qualquer maneira. Na formulação de Hempel. podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água. a de adequação a fim de que possa haver. onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra.e de posse das Leis Gerais . C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo. portanto. 5) Em vista disso. L. em relação à parte que está dentro da água. Em ambos os exemplos. a luz se propaga a menor velocidade. então. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel. Se isto fosse necessário. É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. 2) A água é mais densa do que o ar. Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. de fato. e C1 . O caminho inverso . Da mesma forma que no exemplo anterior. Além disso. ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei. A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser. que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. 3) Num meio mais denso. A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. Quando as condições iniciais estiverem dadas . e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. esse é o esquema Nomológico . 5) Percebemos. L2 . dedução. 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água.poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. a luz se propaga a menor velocidade. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral.ambiente muito seco (umidade baixa).

também deve ser verdadeiro. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se.expressaram claramente esta pretensão de cientificidade. No paradigma hempeliano de explicação. Einstein etc. L2 . então teria ocorrido aquilo". cujo modelo era sempre o das ciências naturais. por exemplo. por exemplo..com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica. então. necessárias para a explicação. haverá. O Explanans deve ter conteiido empírico. sempre." onde o antecedente do condicional não ocorreu. as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans. Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação. pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. op. podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. Em primeiro lugar . O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica . 3. de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples. Conforme C... elas conferem o caráter de estrutura. devem ter os seguintes requisitos : 1. isto é. como. o ideal de explicação já era a física. o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa. Assim. São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso. no passado.). O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais. as Leis têm um papel decisivo. inclusive das ciências sociais. que servia como o grande paradigma das cências. as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais. portanto.. No século XIX. HEMPEL. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. as leis de Galileu e de Kepler -. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente. especificamente preparadas para isso. tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial. em laboratório. é uma virtude. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans.. Esta cláusula ficará 7. cit. L. C2 . ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas. 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. . Dado E. A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu. de coerência e unidade às explicações. como diria o Ménon de Pistão. Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. Newton. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda. 2. Em segundo lugar. Ç e a vigência das Leis L1 .Durkheim e Marx . deve ser dedutível dele. As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual.

3. Sociologia: teoria e estrutura. Marx. MERTON. que passaremos a discutir. embora de menor abrangência. sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). Estas concepções de história ou de homem exercem. op. numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido. NAGEL. suporte de toda sua construção posterior. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. R. 10. bem como outros pensadores menores. têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. op. Os exemplos podem mostrar isso: 1. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX.8. também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. cit. Facr. mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. KUHN. no entanto. cir. desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista.já no século XX . pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. Spencer. o ideal científico no campo das ciências humanas . As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. 9. N. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas. apenas um papel limitado na explicação. cit. as conjecturas de longo alcance não têm. Marx e Darwin. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . no caso de Hobbes. Os sociólogos.em desempenhar um papel menos pretensioso. no entanto. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana .. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. R. As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. caráter explicativo. as ciências sociais se confonnarani . MERTON. 11. HEMPEL. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. elas mesmas. Ambas. Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. cit. então. As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas. Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). a sua mesquinhez e individualidade. op. A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. em concepções da história de ampla generalidade. como as chamou Merton.foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade. por exemplo. op. sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social. T. Nestes escritos. C. Ver E. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. GOODMAN. fiction and forecast. e da institucionalização das ciências sociais.

o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. com as Leis Gerais e Condições Iniciais. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida. c) O homem é um ser que tem consciência. Nesse sentido. a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho. relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital. hi E. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos. os cânones do esquema hempeliano. uma vez obtido. por sua vez. em suas diferentes formas. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. São eles: a) O homem é um ser da natureza.sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. com urna análise detalhada da economia burguesa. FROMM. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. b) O homem é um ser eminentemente social. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. o trabalho. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. a rigor. que funcionam como axiomas para a teoria. De qualquer modo.. necessárias e independentes da vontade. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. . A sua teoria se estrutura. K. não são compatíveis. Deve-se. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. os homens contraem relações determinadas. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz. as diferentes formas de pensar a si mesmo. Manuscntos econômicos e filosóficos. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. 12 De posse destes princípios. MARX. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. necessárias e independentes de sua vontade. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. no entanto. pois existem alguns fatores que a retardam. g) A existência. Além disso. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. Assim. Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. determinam a consciência. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que. O conceito marxista do homem. da superpopulação relativa. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. então. A "detenninação" de 12.. A totalidade destas relações.

no sentido de que têm origem factual e de . Mas pode-se. Em segundo lugar. D. O capital. O interesse maior foi pragmático. uma zona chamada de "com nzuters". conforme este modelo. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa. hií urna tendência para a "expansão radial". bastante diferentes das do exemplo anterior. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop"). MARX. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. 14. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". 15.2. 17 enquanto as TLA. Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. MARX. Em primeiro lugar. este fenômeno não falsifica a hipótese. as grandes sínteses. Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. a zona posterior é ocupada por moradias operárias. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. de Emest W. no entanto. in Os pensadores. PIERSON. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. por último. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. por residências de luxo e. mas o de um raciocínio que. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. por isso. trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. pois tende a ser invadida pelo 13. então. Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. K. seu caráter é probabilístico. as TMA guardam uma certa "positividade". Conforme salientou Merton. Estudos da ecologia humana. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. K. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. são incompatíveis. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. Burguess. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. a zona seguinte é chamada de zona de transição. neste modelo não há Leis Gerais. a zona seguinte. pelos mais diversos motivos.

as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. op. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana. MERTON. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. ou ainda. por exemplo. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. J. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro. em milenarismo. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. a previsibilidade é uma das características importantes. hoje. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. ao contrário. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. No esquema hempeliano original da explicação. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais. no caso das TLA. op. Já com as TMA. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá. são de dificil aceitação. 17. Isto. O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca. A divulgação desta "previsão" . mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. isto é. pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. um certo poder de autoproteção. PIERSON. queda nos preços das ações por excesso de oferta. o das ciências naturais. 16. de fato. esta atitude provocará. enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire. 369. necessariamente. Suponhamos.que servem como fatos básicos para as TLA. A. Cit. A noção de tendência. Um outro . no limite. QUINN. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. Assim..poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. de certas relações e seus também necessários desdobramentos. O Explanans gera o Explanandum por dedução. de Lei. se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. afirmando que "ainda não chegou a hora". p. por si só. A determinação expressa o caráter necessário. inD. diríamos.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. por exemplo. R. pois ela previra apenas urna tendência. Qualquer teoria pode. cit. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes.

o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. A sociedade aberta e seus inimigos. 20. op.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. op. as postulações de vários epistemólogos da atualidade. levando o banco. Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva. evitando-se assim a elevação da inflação. sua inspiração nas ciências da natureza. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. No entanto. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. E NAGEL. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. cir. 4. A análise de determinada situação pode sugerir. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. RYAN. A pretensão científica das ciências sociais. no que concerne à explicação. E não poderia ser diferente. 18. taxa de criminalidade etc. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. POPPER. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. Filosofia das ciências sociais. Por outro lado. cit. 4. MERTON. com medo de perderem seu dinheiro. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças. K. taxa de crescimento populacional. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva. mesmo que não explicitamente. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. por exemplo. e tem ainda. 19. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos.1. que instituiu um . por conta de que providências são tomadas para evitá-los. A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. teve. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas. R. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. Os depositantes. A situação do banco era normal. mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. Ver A. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. em pouco tempo. à bancarrota. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada.. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. correram todos a sacar suas economias.

a referência mais conhecida na epistemologia foi. um empreendimento que visa a solução de problemas. baseado em Conjecturas e Refutações.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. A epistemologia de Thomas Kuhn parte. assim como os epistemólogos anteriores. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. serão testadas e refutadas. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. filósofos como Aristóteles. por novas teorias. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. portanto. já que deverão resistir a severos testes. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos. fazendo surgir novas conjecturas que. Karl Popper. que podem ser de natureza prática ou teórica. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas.22 Depois da formação do cfrculo de Viena. 22. Assim. através de testes críticos. Hegel e Marx. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. de um 21. Em seu livro A lógica das ciências sociais. como dissemos. não condiz com as postulações abstratas de Popper. . No entanto. Este assunto será desenvolvido no cap. Popper discutia. Para Popper a ciência é.movimento nitidamente racionalista e historicista. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. IV. ou grupos dentro dela. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência. veremos. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. já neste século. item 2. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. um movimento de "revolução permanente" na ciência. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. Ver o cap. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. pelo menos como princípio. aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática. portanto. Paul Feyerabend e Imry Lakatos. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. no fmal da década de 1920. sem dúvida. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. por sua vez. IV. sabemos. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. a lógica do processo científico. jamais será alcançada. Para Kuhn. com maior conteúdo empírico. tendo em sua linha de sucessão. Dados os problemas. essencialinente. Este modelo de organização e progresso. ao contrário. a busca pela refuta çõo das teorias. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. mas. mostrando que os cientistas formam um grupo social e.

diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos .conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que. mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. algum dia. a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade. 4. 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. Ao contrário. mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores.conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções. Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. composta por um" cinto de proteção" . as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas. Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos.está cada vez mais claro que a incerteza é universal. Os recentes desdobramentos . quando os resolve. mas aquela que. As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias). . o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas. Assim. entra em crise e inicia urna era revolucionária. elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. Aqui. assim como a sua dinâmica.Assim. tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas. Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos. e por uma heun'stica positiva. a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. Na visão kuhniana.2. pois . Para ele. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências.

O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias. conseqüentemente. a sociologia e o princípio da incerteza. 26. porque há certos bens que. cit.25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. op. 23. por definição. para serem aceitos. frustra urna parcela da sociedade.como propõem os popperianos. devem entrar na rede simbólica. MERTON. SANTOS.24 No entanto. mas como parte do próprio conceito de sociedade. serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. 24. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. in Educaçdo e Compromisso. deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. a sociologia e o princípio da incerteza. Assim.. No que diz respeito ao desejo. 13. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial. p. em vez de teorias. Heisenberg. 58 . não contextual. MATALLO JR. um melhor posicionamento na escala social. MATALLO JR.26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. Deste modo. Podemos dizer que. caso contrário. estabelece regras para a sua satisfação e. em primeiro lugar. os bens são escassos e. H. a linguagem não tem a propriedade da univocidade. a realidade social. Isto ocorre porque. Na verdade. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. contribui para as mudanças sociais. pois. assim. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções).e para a realização de testes cruciais . p. devem partilhar de uma linguagem comum. 25. e. na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano. entendida como um fenômeno simbólico. 14. não teriam sentido social. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. Heisenberg. Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais. em sentido mais geral.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . Idem. em segundo. isto é. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais . isto é. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. os comportamentos dos indivíduos.No que diz respeito às infonnações. Caso isto não ocorra. B. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e.. apesar de haver sentido partilhado na linguagem. S. devem ser escassos e concentrados. necessariamente. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna. As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. H.

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Contudo. o que parecia faltar à filosofia. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. Todavia. Tal corrente. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa. o Racionalismo Critico de Karl R. É muito difícil. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. Rudolf Carnap. 1. conhecido sob o nome de Círculo de Viena. ela deve ser abandonada ou corrigida. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. -' Nosso estudo pretende abordar. Historicamente. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. Na matemática.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. aos poucos. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que. se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. pois. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. Hans Hahn etc. no decorrer da década de 20. mas estenderam-se aos domínios da ética. sobretudo nos países anglo-saxões. quando não impossível. Seus principais integrantes foram. o controle é feito com base em processos lógicos. Wolfgang STEGMOLLER. A fantasia criadora do 2. além de Schlick. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. que emergiu do Empirismo Lógico. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário. o controle é feito com base na observação e na experimentação. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo . Segundo Stegmiiller. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa. da filosofia da linguagem e da filosofia da história. o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. Nas ciências empíricas. quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico. alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias. A filosofia contempordnea. ela deve ser submetida ao teste da experiência. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo. Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. de modo sucinto. p. vol. Existe. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. Otto Neurath. 277 ss. O grupo. a se alterar.2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. uma vez elaborada a hipótese. Kuhn. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica.

na medida em que priorizou as dimensões históricas. é verdade. é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico. sem diiv ida.para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. Princzvio do Logicismo . foi. se chegaria a um conceito geral. real.. 2. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica. factual. análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos . Popper Karl R. pp. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação. op. De outro lado. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. contudo. 1. 3. vol. ou seja. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo.um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. ou seja. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não. havia um debate fecundo entre eles. . como mostraremos em nosso trabalho. exige. ou seja. 277-284. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. como pensavam os empiristas clássicos. cit. Thomas S. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. Não se tratava. 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. Wolfgang STEGMOLLER. Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R.. e que. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época. mediante comparação dos objetos entre si.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. traduzidos em uma linguagem observacional. na medida em que for fundado na experiência. Na realidade. segundo o princípio empirista. porém. Kulm Todavia. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. Popper é. sociais e psicológicas da pesquisa científica. sem dúvida. e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução.4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica.

então: se um objeto x é colocado na água. solúvel. Entretanto. como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso.aparentemente plausível . como a palavra sugere. as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. Termos disposicionais.um objeto x é solúvel em água. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. Teríamos. de acordo com a definição proposta. são termos que denotam uma disposição. tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. Contudo. Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. a rigor. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. como veremos agora. que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual. eram passíveis de 4. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". uma tendência de um determinado objeto para. Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. apresentar uma determinada reação ou comportamento. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água". Entretanto. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. Em vista da dificuldade ora apontada. A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. magnético. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais. Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso.Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas. Contudo. como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. então x se desmancha" é urna condicional. item 3. inteligente. Em suma. ainda que plausível. Entretanto. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. Sendo de madeira. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional.é todavia inadequada. introvertido etc. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. ou seja. Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica. elástico. Ver. mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. ser caracterizadas como definições propriamente ditas. Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. Elas nada declaram a respeito de um objeto. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. O enunciado "se x é colocado na água. a condição de ser colocado na água). esse ideal. parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira . então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. dada a falsidade do antecedente.1 deste capítulo. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. se atentarmos melhor. estas não podem. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras". Esta definição . seria considerado solúvel. são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . então x se desmancha. certamente que "a" não é solúvel em água.

e. de outro. Teve o mérito. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. Camap. os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais. Lisboa. pp. Ciência: conjecturas e refutações. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre. Na época. EPU/Edusp. tais teorias não eram . da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. porém. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. Karl R. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. 3. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. a teoria da relatividade. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. Ibidem. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência. é a de A. STEGMULLER. abrindo os olhos para uma nova verdade. Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco. K. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. de chamar a atenção para o caráter aberto. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra. outras três eram a teoria de Marx. A filosofIa contempordnea. O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso." 6 O problema que o intrigou. a evolução do Empirismo Lógico. Dentre as que me interessavam. também W. em certo sentido. De fato. as três teorias anteriormente mencionadas. 1983. Camap. 6. 1977. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. Cap. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual. p. a Europa encontrava-se imersa em grande crise. o qual corporifica. vol. Nessa medida." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência.de um conceito . 63. in Conjecturas e reflaações. R. de um lado. 5. Uma vez abertos os olhos. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. 274-329. p. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919.já que o conceito é deixado em aberto. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. 64 7. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. escondida dos ainda não-iniciados. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão. São Paulo. Edições 70. contudo. e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação. POPPER. IX. 1. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. Além disso.

ou seja. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. Einstein deu-se conta de que. "a irrefutabilidade não é urna virtude. juntamente com os resultados de sua crítica à indução. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. p. colocar em risco as teorias em que se baseiam. "falseável". 66. Quanto mais uma teoria profbe. como frequentemente se pensa. refutariam a teoria. 65. o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. deve. POPPER.1. 64. lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade. Esta teoria parecia aberta à refutação. uma vez que as procuremos. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade. ser refutável. de refutar a teoria. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8.13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. ou seja. se não realizadas. 66. Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. predições que. em virtude da atração gravitacional do Sol. ou seja. refutável. Nesse caso. factual. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. ou seja. 3.testadas com base na experiência." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. As três teorias precedentes não são falseáveis.. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria. Como descreveu Popper. R. ci:. nesse contexto. que ela nos diz algo sobre a realidade. p. em princípio. em princípio. Ibidem. inspirar sua metodologia. Ibidem p. porém malograda. Popper lembra. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. em princípio. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo". a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão. caso ela resulte de urna tentativa séria. 9. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. refutabiidade ou falseabiidade. Por isso. melhor ela é. Ela é. isto é. 11 Em suma. caso sua teoria fosse verdadeira. p. as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. mas um vício". Uma teoria que pretende ser empírica. K. 68 69 certas coisas de acontecer. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. a teoria da relatividade pode. O problema da indução . 10. Numa palavra. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. Como diz Popper. deveria refletir-se. op. passando próxima do Sol. no dizer de Popper. Ibidem. mostrar-se incompatível com resultados de observação. não são capazes de sustentar predições que possam. A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. 11.

é o sujeito que estabelece conexões entre eles. com o tempo acostumamos a essa repetição. deve considerá-las similares.a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12. baseada em similaridade que só ele poderá identificar. Mas devemos notar que. porém. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes. Segundo Hurne. p. Popper aceita o argumento lógico contra a indução. parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. De um ponto de vista meramente lógico. a experiência nos dá impressões sensíveis. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. Segundo Popper. Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. R. Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema. p. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. a inferência indutiva não pode ser legitimada. mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. 66. e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. Como tais conexões não provêm da experiência. Temos aí um empirismo radical. "A" virá sempre acompanhado de "B". Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. Hume nega que a indução possua uma base lógica. Todavia. segundo a qual dois eventos seriam em si similares.. como o funcionamento de um relógio. 66. Segundo Hume. Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. cit. Ibidem. no futuro. K. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança). devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente.para Popper . Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. A expectativa é . por considerações puramente lógicas. Fui levado portanto. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. op. construções do sujeito. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". Em suma. numa teoria psicológica como a de Hume. só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição. Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . deve interpretá-las como repetições. POPPER. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). 13. 14 A concepção ingênua. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos.

como mostraremos a seguir . nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. mas com uma teoria. A ciência começa com a percepção de um problema. POPPER. in Naturwissenschaften 66. um ponto de vista. Se alguém quisesse verificar . enunciados que exprimem leis naturais ou teorias. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos. p. 75-76. um interesse especial. Ibidem. isto é. p.que precisamos pôr de lado. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. caso as observações não as corroborem.da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes. "demonstração da verdade"). publicada em meados dos anos 30. Popper. POPPER. damos um salto para chegar a conclusões . Os enunciados nomológicos são estritamente universais. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16. cit. K. Theorie der empinschen Wissenschaften. É claro que uma tal verificação é impossível. nesse contexto. um problema. e a dos enunciados que descrevem dados de observação. 440-441. Logo. precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação. pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação. descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. pois.portanto. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação.0] 70 71 definida. desde que. . pp. demonstrar a verdade de .um enunciado nomológico.1 • iI 1.que as repetições nos imponham suas regularidades. isto é. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. . 17. extraordinariamente limitados. obviamente. p. uma tarefa 14. convicção ou expectativa e os dados da observação. procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. 76. a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência." ' O conhecimento não tem início com a experiência. pois tais enunciados não são passíveis de verificação. 3. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. 15. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto. 74.. Wolfgang STEGMÚLLER. pretendem valer para qualquer tempo e lugar. op. ou seja. R. se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis. Modeme Wissenschaftstheorie. Sem nos determos em premissas. cit. Teu II. Os dados de experiência são. 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. A metodologia de Popper resulta . R. enquanto que os enunciados de observação são singulares. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). Em Überblick. que exprimem leis. K.. alterar fundamentalmente o estado da questão. op. Pois. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa.2. quer dizer.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

30. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina. que partilham o mesmo paradigma. O paradigma caracteriza. op. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da .2. Vide H. Uma tal construção é. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido. The tacir dimension Thomas S. M. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. K. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. 29. S.. A uma realização científica dessa envergadura. 4. via de regra. verificam-se as seguintes conseqüências. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade.). Desaparecem. BAYERTZ. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. G. ou seja. portanto.. entre outros. de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc. o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso. cit. a Química e a Biologia. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. Constitui-se. Posfácio. Kuhn dá o nome de paradigma. bem como a maioria de suas ramificações. assim. 32 ss.. um grupo homogêneo. p. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação. p. 71. POLANYI. KUHN. a Óptica de Newton etc. a Física de Aristóteles. pelo menos intuitivamente. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo.27. eles conhecem a resposta. 28. portanto. SCHNEIDER. ou será um movimento ondulatório. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. T. Ibidem. 23. 20-21. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. quanto à natureza da luz. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria. op. Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. ia op. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos. KIJHN. em geral. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão. ou ainda composta de fótons. 29 A Física. cit. será ela composta de partículas de matéria. cit. 37. acolhida como superior às suas correntes. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. pp. 237 ss. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. pois toda essa rede de posturas. técnicas e saberes é muito pouco transparente.

Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo. ele é tido por inatacável. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência". p. que não se ajustam facilmente ao paradigma. 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. S. 65. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. Nega que eles tenham a . quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. MUSGRAVE (orgs. pp. um arcabouço teórico de cunho bem geral. entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão. Aí estão os problemas considerados legítimos. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. ci:. 32. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. KUHN.. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. 72-108. que ele comporta solução. in 1. M. Com isso. ele adquire uma dimensão normativa. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. op. durante algum tempo. de antemão. ou seja. 13. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. detectou 21 acepções diferentes desse conceito. Por receber adesão coletiva. Masterrnann. M. T. Ibidem p. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. Nesse sentido. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. a existência de fenômenos recalcitrantes. o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. 33. Posto isso. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma. propriedade coletiva da comunidade científica. para o qual já existe uma solução paradignultica. MASTERMANN.fecundidade de um tal conceito. então. nesse sentido. mas que direciona qualquer experiência.31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. Em algumas passagens. Como diz Kuhn. Não nega. na ciência. A natureza de uni paradigma. Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper). fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. interessá-lo. naturalmente. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. Daí decorre que. LAKATOS e A.) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista. porém. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. O paradigma representa. o qual não é o resultado direto de experiências. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe.

Cit. pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades. dirigido ao pormenor. Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante. 162-174. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria. cit. 35. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal. ele goza de certas imunidades. papel mediador na emergência do novo.). Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. ela é condição de possibilidade de emergência do novo. O paradigma está ameaçado. não se pode esquecer. pp. 4. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura.função que Popper lhes atribui. Além disso. p. 12. Contudo. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. efetuado pelo artesão científico. op.36 34. TAYLOR (org.). p. vide T. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso. Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. G. cit. importante papel na produção do novo. KUHN. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes. pois.3. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). T. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. vide T. A função do dogma na investigação científica. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade. SCHNEIDER.37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas. esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento. 36. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática. in Jorge Dias de DEUS (org. KUHN. 45. Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. Vide H. 5. A fase de triunfo. cede lugar a um período de crise. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C. LAKATOS e A. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham. W. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. 53-80.). tem. KUHN. Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. T. KUHN. The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent. pp. Especulações ousadas . S. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma. a atividade científica tem um forte componente social. iii 1. MUSGRAVE. assim. S. proibidos pelo paradigma.. op. S. O trabalho miúdo. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. A Crítica da ciência. da acumulação bemsucedida de saber.

via de regra. 44. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. S. como assinala K. dominada por um paradigma sucessor. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. 190-191. Ibidem. cit. 44. Contudo. mas a altera profundamente. de início. T. para cada situação possível. Kurt BAYERTZ. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. Bayertz. ao seu conservadorismo.. . 39. cit.. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos. o qual é precedido. Em geral. porém. S. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. The essential tension. 43. como é que. dessa promessa". in op. pp. por muita confusão e inquietação. na visão de Kuhn. Ele é mais urna "promessa de sucesso". 42 De qualquer forma. os cientistas não o abandonarão. contudo. p. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas. 42. 41. pois não é possível pesquisar sem paradigma.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. ' Com o agravamento da crise. Ibidem. Contudo. op. p. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40. enriquecendo-a com novas informações. u Entretanto. 113 ss. as revoluções pareceriam impossíveis. Não existem. cit.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. Sem crise. op. T. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. Ibidem. S. KUHN. A estrutura das revoluções científicas. 57 ss. KUHN. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. KUHN. 116. Vide nota 36. T. se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia. É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma. As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. p. A crise parece desempenhar esse papel. critérios gerais que determinam de modo unívoco. diferentemente. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. p. 38. A questão é que.

10 ss. busca de alternativas. Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. Ibidem. urna vez de posse de urna hipótese. A filosofia contempordnea. Popper e seus discípulos. Em uma palavra. Procura tomar mais aguda a crise. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares. 48. W. se tiverem êxito.45. pp. 46. Em outras palavras. a menos que seja guiada por um paradigma. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. pp. ' Em meados da década de 30. então. 167-211. op. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência.). dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. Como sabemos. STEGMULLER. pois propiciou uma articulação mais clara. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. tratava-se de confirmá-la indutivamente. Popper rompe com essa tradição indutivista. o método indutivo era usado. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. Idem. por exemplo. ou seja. Para . quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. 113-114. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo.). as quais confumariam a hipótese em questão. mantendo-se crítica frente a ele. retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. (org. Isso é compreensível. a outra. a pesquisa se toma aleatória. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. as quais. KUHN. A estrutura das revoluções cient(ficas. p. como. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. 81 extraordinária. in Wemer DIEDERICH (org. cit. p. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre. elevando o seu grau de probabilidade. LAKATOS e A. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos. nessa fase pós-paradigmática. 5. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma. 353-391. 49. S. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. mas. 47. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. T. defendida por Thomas Kuhn. pp. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER. representada por Karl R. MUSGRAVE. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. 114. suas teses provocaram grande impacto. tentará formular novas teorias. não para descobrir hipóteses. falseamento de concepções existentes. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente.

se a ciência não se orientar nem pela indução. além disso. que privilegia o espírito crítico.. KUHN. S. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. se Kuhn tem razão.ele. ou a admitir que. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia. (orgs. a crença na indução não passa de uma ficção. T. teimosas.nem a refutação das mesmas .via indução . abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. com o tempo. até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo. um empreendimento irracional. uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas. não possuem. À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. nem de longe. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva. aos poucos. parece bastante saudável para a ciência. 51. E tal reflexão poderá mostrar que. ainda que estes possam ocorrer. no entender de Kuhn. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. item 2. não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece. ou seja. negativa. rever nosso conceito de racionalidade. Sua metodologia é urna metodologia crítica. 18 ss. nem pela dedução. Todavia. quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. a-crítica. E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos.) op cit. E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva. ela é. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante. o 50. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese. E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. aberta à refutação. sim.e nesse ponto concorda com Popper -. p. contudo. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido. mesmo preservadas as idéias . em outro. pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade. de fato. não se impor. LAKATOS e A. Se. MUSGRAVE. regras de lógica dedutiva. deste capítulo. certamente. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência. Ver.via dedução . 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação. e que seriam. É preciso. mas se prende ao fato de que. a relevância que Popper lhes atribui. em um caso. Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas . quem tem razão? A posição de Popper. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1.não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem.

estas refutações não atingem a teoria enquanto tal. A estrutura das revoluções científicas. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito. KUHN. T.centrais de Kuhn. Em vez disso. T. nesse sentido. com o auxilio de sua mecânica de partículas. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional.) op. o fenômeno das manis etc. Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. p. 191. porém. 33-48. obviamente. 54. LAKATOS e A. nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. sugere-se 52. concluiu-se. quando. não corresponde à realidade. SNEED. 186. (orgs. pp. MUSGRAVE. D. que contém uma estrutura matemática. via de regra. Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria. De início. Vejamos um exemplo. explicar os fenômenos da óptica. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. N. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. ela não se apresenta logo como algo acabado. The logical structure of mathemaiical physics. Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. MUSGRAVE (orgs. o movimento pendular. Ver também a contribuiç5o de J. in 1.. ci:.). passíveis. Isso. nesse ponto. R. KUHN. além disso. no século XIX." liii núcleo estrutural não é passível de refutação. seria possível. portanto. arcabouço teórico. a razão está do lado de Kuhn. um dia. de serem verdadeiros ou falsos.. A classe das aplicações possíveis não constitui. K. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei. e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade. ou que se conheça de antemão. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação. a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. WATKINS. Apoiaino-nos na exposição de W. vemos apenas um quadro geral. 55. Existem refutações na ciência e. fixado antecipadamente. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. Quando uma teoria é concebida. in 1. cit. que a luz não era constituída de partículas. Contra a ciência normal. 63-71. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. cit.) op. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. op. LAKATOS e A. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade. p. todos os esforços nesse sentido foram inúteis. conhecem-se algumas aplicações da teoria. ainda não conhecidas. Popper tem razão. cit. POPPER. 53. pp. E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica. A ciência normal e seus perigos. contudo. Newton havia prognosticado que. A estrutura das revoluções científicas (op. porém. W. Para ilustrar. S. Todavia. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito. S. . articulado em todos os seus detalhes. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis. impôsse a teoria ondulatória da luz. em sistema acabado.

Eis porque em outros escritos meus já .Wissenschaftskritik. 1979. PASQUINELLI. 1983. POPPER. Carnap e o positivismo lógico.nension. hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. As origens do conhecimento e da ignorância. A. Introdução histórica d filosofia da ciência. 70. Wissenschafiliche Revolution. Jorge Dias de (org. 1971. J. 1974. Wemer (org. 1977. ht Psychologie heute . Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear. da Universidade de Brasília. Naturwissenschaften 66. SP: Perspectiva. W. bem como defensores da nova teoria então nascente. SP: Oaltrix/Edusp. B. A estrutura das revoluções cient(ficas. Lisboa: Ed. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis. 1n DIEDERICH. A. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas. um dia. Karl R. ampliando seu domínio de aplicação.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea. J. DEUS. E. (org. SNEED. 1n LAKATOS. Thomas S. é normal haver defensores da teoria até então dominante. já se disse que se. em ambas as teorias. 1978. Racionalidade e a expansão do conhecimento. como parece ter sugerido Kuhn. POLANYI.). RJ: Zahar. Belo Horizonte: Itatiaia.). BH. SP: EPUJEdusp. Para isso. s/d. Dordrecht. STEGMÜLLER. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. LOSEE. SP: Cu1trixEdusp. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome.. Munique: Springer Verlag. Garden City. Nova York: Doubleday & Company mc. (2 voL). Além disso. Dado que as teorias são irrefutáveis. Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J. LAKATOS. A crítica e o desenvolvimento da ciência. (org. Michael. não há nada de irracional nesses comportamentos. 1979. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . Weinheimund Basel Beltz Verlag.A comunidade científica não é irracional. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. J. 1n Conjecturas e refutações. Brasilia: Ed. s/d. da UnB.). os quais esperam e acreditam que ela. D. SCHNEIDER. Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981.Sor1erdntck . Frankfurt: Suhrkamp. 1979. N.. KUHN. 1. 1n Conjecturas e refutações. numa época de transição. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha. Boston. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. 1n Conhecimento objetivo. contudo. G. 2t ed. Kurt. lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. 1975. e MUSGRAVE. 1 e MUSGRAVE. _______ Duas faces do senso comum. 2 ed. A. certamente. a outra parte da população está morrendo porque a tem. hoje em dia. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. 1978. SP: Edusp.. The logical structure of mathematical physics. pois que a vivemos de forma ambígua. The tacit di. Contra a ciência normal. WATKINS. 1979. Ciência: conjecturas e refutações. Itatiaia. Theorien der Wi. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado.ssenschaftsgeschichte. H. Afilosofia contemporânea. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento.). João Francisco Regis de Morais* Concretamente. Wolfgang. Brasilia: Ed. Verdade. Bibliografia BAYERTZ. 197. 1966. a nosso ver. A crítica da ciência.

para não quebrar o fluxo dialético da vida.no mais salutar sentido da palavra . não podem mais ser livres de valores (value free) . São dois modos de ver. o que gera. ou só em seus lados positivos. tampouco lograremos que chegue algum dia. E isto porque. Mas parece ser o modo realista . São ambas as coisas. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp. a realidade humana seja "isto e aquilo". Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje. menciono três grandes momentos do mundo moderno. factível. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade. Volto sempre a dizer que.. do século XVI (Renascimento) até hoje. num projeto histórico mais modesto irias. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. de um lado. sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos. expondo-nos à permanência do provisório. não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade. . Certamente que não é um modo cômodo de ver. negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. Inevitavelmente. correspondem funções latentes. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. de outro lado. que é marcadamente científico-tecnológico.de se olhar para a vida e interpretá-la. pode ser. nas quais se lê que. a ser apenas bom. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. a ciência e a tecnologia não são boas ou más. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. pelo menos. nunca será apenas mau. 1. não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar. e. imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim. nos negócios humanos. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . Evidentemente. pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo.se é que algum dia o tenham sido. O nosso meio. conhecidas e declaradas. Discutível? Sim. A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado. mas é necessário que. às suas funções manfestas. Não muito preocupado com essas periodizações. Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal. penso.afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental.

porém. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. necessárias e. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. entre o humano e o divino. Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo". no século XVIII. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. entre a luz e a sombra. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. de espanto. o universo sagrado. conhecida como o Barroco. Porém. é o primeiro grande momento do mundo moderno. prepara. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. o mundo "encantado" da Idade Média. lugar no qual. Para Newton. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial. De repente. curiosamente. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. A arte deste século. a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. na Igreja de Notre Dame de Paris. de nome Galileu Galilei. um altar para a Deusa Razão. O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. É muito importante que atentemos bem para isto. conseqüentemente. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica.Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa. Num golpe histórico. Ora. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. Na primeira metade do século XVII. e este campo abria-se de forma ilimitada. é urna aguda expressão de perplexidade. quando a Revolução Francesa. o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. pelos séculos . Ora. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica. em muitos aspectos. imutáveis. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno. quanto à queda dos corpos na física. no meu entender. em um preciso dia do preciso ano de 1590. regido por leis internas. inaugura a chamada ciência experimental. estava. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles.

Está transcodificada a nossa realidade e. agora.. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. tenha-se ou não fome. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). quase inconcebível. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade).. o carvão. já não se podia ler. comerciais. Mas. A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton. 1983).. e a coisa vai assim até que morremos e. como o vapor.7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. passamos a vida trabalhando em complexos industriais. surge o computador. Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. via-o como algo que "tende ao caos. comia-se quando se tinha fome. como disse. Com os avanços da ciência cibernética. de modo que o operário pudesse intervir.no mundo da vertigem e do espanto. a realidade global da sociedade.. Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza".seguintes. S. somos cuidados pelas organizações funerárias. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. . Com a crescente urbanização do Ocidente. Duas Cidades. à deterioração. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo. Paulo. a eletricidade etc. crescemos em organizações (escolas). tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito. desde que ultrapassada a fase de programação.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. trabalhando junto com a máquina. quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. instalando-se definitivamente o tempo da máquina. agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade. à entropia". oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris. Um tanto perplexos com tudo isto. ao contrário. ou se despertava quando o sono acabava. Se antes dormia-se quando se tinha sono. para se poder levantar cedo. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora. Como tenho dito. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que. Estávamos na "era da incerteza' '. por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo. Bolzrnann (na Alemanha). de um "universo de situações probabilisticas". Um novo tempo com novo ritmo começava. com as chaves antigas de leitura. desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. de ensino ou outros. Isto vem até dentro do presente século.

a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. a princípio.muito pior em um brevíssimo ensaio como este. O século XVIII. principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. conseguiu. em apenas quatro séculos de experimentalismo. Tentemos algo.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento. mas romper com ela é se perder das origens mais reais. maravilhosa. visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos. E só se tornou negativa. perdeu. Assim como.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que.esta mesma humanidade está atrofiada. convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é. 2. Ora. Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado. um ledo engano. e muito. De uma certa maneira. pelo menos em campo material. demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância .e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. Negar a mãe é necessário. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). em um processo normal e salutar de crescimento psicológico. Como se pode ver. em um desastre mesmo. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo. o que é uma falácia. compete perguntar se tudo está perdido. a visão fragmentária de um mundo mecânico . tinha apenas na base um impulso salutar. sem que a outra perna crescesse também. a atividade científica toda emergiu. Diante disso. é perder um pouco da própria identidade. mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos. uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer. Assim foi que a ciência. Mas a pretensão é. a vontade (WoIlen). Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível. em si. a consciência de si. chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. na vida do homem. Era positiva a tal contestação. provoca. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . à medida em que quis romper com a reflexão filosófica. quando a contestação se transformou em ruptura. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia. Com pouco que se contribua neste campo será muito. em termos genéticos. mas em tennos espirituais . E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que. são questões grandes demais. enfim. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna. é se tornar uma atividade febril e sem história. menos que responder completamente a tais indagações. preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente.

como visão de vida. Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos. Zargwill. em suas palavras. se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil.de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. O médico e pensador Albert Schweitzer. o dr. de uma tal forma que. Paulo. Num sentido sócio-cultural. A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor.sendo que. Editora Melhoramentos. Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. 1959). da forma mais assustadora. na recuperação de uma . no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem. propõe. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. transformou-se num esporte contemporâneo. Ao que me parece. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço . enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa . escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro. mais do que interdependência. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. crendo que a história faz inteiramente a consciência. se isto é verdade. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte.em termos de desequilíbrio climático . Mas não o sou. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. a verdade de um sistema interdependente.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais. para não enlouquecer. da escola etc. Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós. Ora. há mais uma grave questão. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica. da igreja. em um momento de explosão bendita. aí. com certo prazer autodestrutivo. Chemobyl acaba de mostrar-nos. E. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo. e esta de ordem psicológica. Todavia. estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo. À Weltanschauung. S. tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo. Creio que o homem é "ele e sua circunstância". trata-se da facilidade com que expor a vida.meticulosamente articulado. na qual. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa. e enlouquecer-me-ão. as coisas se compensam. pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. visão de mundo ou concepção de mundo.

" Hoje temos muito.o que nos faz ver razão de esperança. trata-se de que cada um. temos energia nuclear. do próprio processo de educação. Não se trata. Isto porque. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação. no seu íntimo. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. e muitos mais feitos da ciência. tomando-se.0] 92 93 mundo. Seu objetivo é convocar o estudante a participar. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. as boas e as más. . quando na primavera os campos reverdecem. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque. dentro da escola. para cruzarmos os braços em hora tão delicada. segundo. cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa. mas não foram tentadas todos . temos infonnática computacional.. como também da sanidade da ciência. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu .1 Ii Í'. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade. o estudante deve estudar primeiro como aprender. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão. No século XIX.. O fundamental é. havendo amor. e. no entanto. fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres. Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência. Albert Schweitzer dizia que. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. com maior maturidade. O mesmo dr.visão de vida (Lebensanschauung). provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. Conchindo. uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns. Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro. isto só se dá porque cada ramículo. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. portanto.

mas para representar. isto é. . uma realidade emergente. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador. Doutorando em Educação (Unicamp). com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância. trabalho cooperativo. mas sim o de proporcionar." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP). necessária e esperada. sobretudo. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. FREIRE. em saltos qualitativos. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade. para manifestar ou preceder. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa.. de ordem técnica ou não. desmoronando fronteiras. pela "forçosidade" de especialização profissional. Antigamente. rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente.. substituindo valores. uma situação desejada. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia.. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem. pela linguagem. que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro. Mas. de urna nova dinâmica educacional. a organização de um pensamento correto em ambos. 07 de leitura da realidade. Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. Professor de Filosofia da Puccamp. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. Jornais e revistas. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. feita nas salas de aula. pelo aumento da demanda escolar.. no nível da comunicação. De alguns anos para cá. Dessa maneira. 1. Se surgem novas palavras. p. e portanto da intenção.Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. 53. inclusive semanticamente. a educação sistemática. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. dinâmica de grupo. tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos. Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. Por causa da célere geração e substituição de informações.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar. através da relação dialógica educador-educando. ação extensionista escola-comunidade. Extensõo ou comunicaçdo?. interdisciplinaridade. com reflexos na prática didático-pedagógica. P. Hoje. pelo acúmulo de infounações. extinguindo mesmo funções. educandoeducador. mais do que o professor ou qualquer livro didático.

apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. fazendo perguntas para obter resposta. seres humanos. com risco de o professor querer competir. examinar documentos. làis métodos (do grego: meta = para. P. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço. são formas de pesqulsa. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual. FREIRE. em direção ao seu objetivo ordinário.. Consultar livros e revistas. para uma incorporação rica de informações. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. como sinônimo de busca. num sentido amplo. atrvés do emprego de processos científicos. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. desafiado. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno. HEIDEGGER. conversar com pessoas. Qu 'appelle-t-on penser. Dentro dessa perspectiva educacional. p. a fim de que. com os veículos de comunicação modernos. em desvantagem. a não ser que seja insensata. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. 54. no domínio desse conhecimento. op. engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. de bairro em bairro. intuitivamente ou não. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. do próximo ao distante. de indagação. A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender". que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. 2." Assim. Certamente. Para não . do simples ao mais complexo. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo.Portanto. 89. que é perda de tempo e de energia. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. cit. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema. como nenhum cientista. 98 O termo pesquisa é aplicado aqui. A pessoa agirá por etapas. p. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. 3. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. Um desafio que envolve professor e aluno. genericamente. Mas o que professor e aluno. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno. 1. nenhum pensador." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. A pesquisa bibliografica Pesquisar. Neste sentido lato. de investigação. M.

grafia = descrição. um motorista de táxi ou. Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar. propriamente dita. Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico. eventuafruente. ao primeiro indivíduo que passa. .uma hipótese-problema para pesquisa científica. Diante das respostas negativas dos transeuntes. um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor. um carteiro. Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua. que poderia ser considerado um expert no assunto.passar ridículo. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. . o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte. . o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. . a consulta de indivíduos abalizados ou não. Têm. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. .os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. isto é. aleatoriamente. por exemplo. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. "caminhos para" se obter a informação desejada. vagamente na cabeça.o texto básico para um seminário.o título de uma conferência ou simpósio. um jornaleiro. após várias tentativas. é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa. A leitura das tabuletas com o nome de rua.uma tese para um trabalho monográfico. localização dessas fontes. Um objeto de estudo bem pode ser: .a obra científica ou literária de um autor. a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna.um tópico especffico do programa.o assunto para urna matéria jornalística. a pessoa solicita. A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro. .o conteúdo programado de uma aula.urna doutrina ou um sistema de idéias. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita. e compilação das informações (documentação). lendo todas as tabuletas indicativas da cidade. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. . o exame de mapa ou lista telefônica são métodos. caminhando a esmo. . sem mais nenhum dado que forneça pistas. . . Assim. Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. Do ponto de vista prático. Neste caso. por si só. defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes.

como diz o senso comum. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber. cadernos de séries já cursadas. dos principais tópicos. um TRATADO. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. mas o " companheirodos-sábios". No caso do estudante. A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. em um caderno pessoal. teses e monografias mais específicas. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. provas corrigidas. procurar adquirir livros. Anotações de aula. do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. sínteses de artigos udos e analisados. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente. trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo. Um bom dicionário comum da língua materna e. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. uma HISTÓRIA. Nas séries finais. quando o campo de interesse já estiver bem-definido. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. fichamentos de livros. Um estudante. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. a formação geral e a formação específica dentro da escola. como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. Além do enriquecimento do vocabulário. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. O dicionário não é o" pai-dos-burros". para bem orientar. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. A organização de todo esse material didático.O professor. Neste período. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. A partir da definição clara do objeto de estudo. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. que apresente uma visão geral desse campo. ao matricular-se em urna escola superior. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. Se esse material estiver guardado ordenadamente. como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. 1 101 Não obstante. se possível. respectivarnente. De início. que concorre também para aumentar a velocidade de .

direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. De posse dessa bibliografia básica. danos e perdas de livros. principalmente as de nível superior. Sendo o sistema de consulta "self-service". a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. o aluno. no caso de urgência para completar o estudo. No que se refere à bibliografia da disciplina. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. o aluno poderá. Para economizar tempo na localização dessas outras obras. dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. isto é. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido. Além das bibliotecas escolares e universitárias. o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. ler os sumários e orelhas. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. a médio ou longo prazo. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica. o estudante poderá manusear vários livros. com acesso direto às estantes. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. Nem isso é possível na atual politica educacional. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. um dicionário da língua e outro especializado. Assim. uma INTRODUÇÃO. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias. em que são escassas as verbas para educação. De outro modo. Muitas escolas. por exemplo. segundo as grandes . mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. para enriquecer a sua biblioteca profissional. um TRATADO. ganhando tempo e segurança. uma HISTÓRIA.leitura. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. às particulares ou às públicas. não encontrada nas primeiras. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos. através de uma exploração inicial. 102 A relação de livros e textos básicos. empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino.

busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. Psicologia. 142-7 MERLEAU-PONTY. Comunicação. 21 cm. 3 ed. Maurice (1908-1961). 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor.. o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor. Arcangelo R. com as fichas de obras e autores que versam a respeito. Freitas Bastos. B992i a linguagem. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. Vozes. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. Rio de Janeiro. Contudo. 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. também denominado Ideográfico. Teologia. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. M564f Fenomenologia da Percepção. 206 p. em ordem alfabética. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. 1978. 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. 7 edição. Artes etc. 100 Introdução ao pensar: o ser. A Biblioteca possui 3 exemplares.Filosofia . Tem-se assim. e as respectivas obras. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras. Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico. classificados alfabeticamente por sobrenome. Sociologia. Recorre ao Catálogo de Assunto. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas. Petrópolis. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto. flmdamentalmente. 465 p. O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático.áreas do saber: Filosofia. Educação..v. fornecido pelo Catálogo de Assunto. Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. segundo a classificação do Catálogo de Assunto. 22cm. o conhecer. Matemática. Publicações CID . 1971.

7 Data de publicação. 4 Número de edição. A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY.Filosofia 200 .8.321. funcionário de uma biblioteca americana. Por outro lado. quanto mais algarismos tiver a classificação numérica. que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338. Geografia e História 000 . 9 Dimensão do livro.. A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar. 6 Casa editora. idealizou e publicou em 1876. Exemplo: . 5 Local de publicação.Filologia e Lingüística 500 .Belas Artes 800 . Por exemplo. 3 Título da obra. o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia . 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). seu número de classificação será geral. é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto. Saúde Pública 614. 10 Páginas com indicação bibliográfica. Resumindo-se.100. Democracia . outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica .Literatura 900 . . Por exemplo. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico. quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto. É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja. um livro que contenha urna parte de Química Analitica. Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY. O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal. 8 Número de páginas.. 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra. Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto.A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra).Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões. 2 Sobrenome e prenome do autor.Religião 300 .0944. tem-se que. 11 Número de exemplares da Biblioteca. trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado.Biografia. Nesse sistema.540. 100 .Ciências Puras 600 .Ciências Sociais 400 . Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA.Ciências Aplicadas 700 .

o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático. divisão 140 (ficha 2). Conhecimento. d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade.13 Artérias 611. 123 Liberdade. -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . . Epistemologia. b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. ::::as::1ms. 6 3 2 45 SERRÃO. um referente a um tema da área de Ciências Humanas.14 Veias 611. Filosofia.. Joel Justino Batista 107 S487i . Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia. 121. c) é um tema de Filosofia Crítica. 8 Valor.Iniciação ao filosofar. . Filosofia. 22cm. Metafísica. Conhecimento.Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 . 128 Homem.Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia. Lisboa. Essência.1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611.o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1).Sã da Costa. 112 Saber. Filosofia. 2' edição. . 198 p. 1970. tem-se que: . outro referente a um terna da área de Ciências Exatas.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611.15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. à da experiência do corpo no mundo.

ou mesmo universitárias. é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. ficaria muito difidil encontrar. O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. divisão 142. há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais. as seguintes obras: A reprodução. Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada.535. O dorso do tigre. é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron.o item a remete à classe de Física. A reprodução. mais específica (ficha 4). Portanto. mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes. que parece um tratado de Teologia. só pelo título. Meditações. isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação. Luz . b) é um tema abordado pela Ótica Física. embora pareça obra de Genética da área de Biologia.7.o item b remete à seção Ótica Física.535 Física . as revistas especializadas e os catálogos de editora. . escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes. Apocal4oticos e integrados. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. . Apocalípticos e integrados. é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor.o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático. 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático. Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes.5 do Catálogo Sistemático (ficha 3). Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar. . Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: . Como mera ilustração. divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1). Finalmente. caso o aluno tenha acesso direto. de Física.530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático. Para localizar um livro na estante.o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático.o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura. tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa..Propagação . Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático. Meditações é título de duas obras homônimas. O dorso do tigre também não é da área de Zoologia. . Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. c) é um tema relacionado com a propagação da luz.5 Ótica Física . divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). divisão 535. divisão 142 (ficha 3). raramente têm Catálogo de Títulos.

pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. da participação em conferências e seminários. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. Saúde. na prática. aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado. remetendo endereço e dados pessoais. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. documentação bibliográfica e documentação temática. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. redigidos e assinados por especialistas. Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). via postal. Ambietie. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. seções. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência. Veja e Visõo. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras. Medicina. conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. Antonio Joaquim Severino. o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. deve procurar as revistas especializadas. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. As mais conhecidas são Isto É. da assistência às aulas. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. Após a identificação e a localização das fontes. no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. nos jornais de sua cidade e região. 4. Publicidade e outros.Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. 5. quando houver. . 2.?Senhor. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. encanes. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. Para tanto. Ciente disso. Economia. Direito. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar.

as infomiações dos textos armazenados. 7. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. textos fotocopiados. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos. ficam melhor acondicionados. gráficos estatísticos. Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. Uma página de frente. Na montagem dessas folhas.A vantagem dessa atividade. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. Isto é. Não é o caso também de armazenar. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem. A. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse. A biblioteca do aluno é. Assim. o conjunto básico dos livros . documentos inéditos. prospectos de conferências. estampas e ilustrações. o estudo . É evidente que essa atividade. Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. roteiros de seminários. classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. de várias folhas. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. tudo o que cai nas mãos. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação.tais como: trabalhos didáticos. cap. para facilitar utilização posterior. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa. em qualquer tempo. não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente. encabeçados também por um índice remissivo. em pastas ou fichários simples. J. titulo do artigo. 6. Organize sua biblioteca. mapas. folhetos e catálogos das editoras. 72. Documentos menores. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais.. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. SEVERINO. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. de poucas folhas. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. em ordem cronológica. como recortes de jornais. desenvolvida como forma de estudo. apostilas. op. material instrucional de aula etc. ci:. p. nesses arquivos. ruas apenas de modo técnico. de modo que ajude a identificação quando necessário.citados anteriormente -. com relação alfabética ou numérica dos textos. Vide l-leloísa de Almeida PRADO. sem critério. data. autor. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica. artigos de revistas. desse modo. depois de colados em folha sulfite. IX. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. X e XI. nome do jornal ou revista. Do mesmo modo que colecionamos livros.

o aluno consegue identificar os pressupostos. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. os argumentos. No Brasil.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse. Do ponto de vista gnoseológico. indicando entre parênteses a página do documento. à venda em papelarias. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas. encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. O estudante que empreende tal estudo. É uru requisito necessário ao . as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. não se comporta como um mero repetidor. o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. é colocar essas citações entre aspas. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos. isto é. não menos essenciais. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. quando for consultar. artigos. a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023. próprias para fichários-padráo. 3. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. é prudente estabelecer um código simples para identificar. as anotações de idéias pessoais. As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. que forem surgindo durante a leitura. problematizações. É conveniente que o aluno faça comentários. na forma de documentação. Entretanto. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. Finalmente.5 x 15. Em agosto de 1989. registrar simplesmente sem código. escolher um outro código para identificá-las. isto é. de quem é a autoria do texto anotado. o estudante deve anotar também suas idéias.5 cm. embora esteja investigando um saber já elaborado. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. críticas. Para ilustrar isso. Para tanto. resumos. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. recensões e teses. posteriormente.

21). Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques). São Paulo. Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. Textos didáticos n. Cortez Ed. visando torná-lo organizado. Para referências específicas de fontes peculiares (teses. O autor apresenta normas práticas para o estudo. Para maiores infonnações técnicas. de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap.. boletins. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p. data de publicação). 21). No l cap. opcional. 1980. sem grifo. (continuação) No 42 cap. A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA.). Aqui o A.edição (quando mencionada ria obra). . dois pontos. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico. .sobrenome do autor (letras maiúsculas). 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação. 32 Da segunda linha em diante. consultar: ZANAGA. .notas complementares e especiais (opcional). textos avulsos ou outros). exceto nomes próprios). congressos. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto.tradução (se houver).prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula).. b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica. Campinas: Puccamp/Fabi. 1.titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. Para referenciação de livros e textos acadêmicos. Mariangela Pisoni. 9. A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap. . SEVER1NO. trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. O Cap. trata da organização da vida de estudos.subtítulo (depois de dois pontos. . 1992. c) encabeçando resumos ou recensões. editora.). Segundo o A. vfrgula. .aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento. ainda. Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo. . o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo. A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986. e o .irnprenta (local de publicação. que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. letras minúsculas). são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário. O aprofundamento do estudo científico pressupõe. O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap.

em nota especial no final. 1989 . Tradução por Ivo Stomiolo. Campinas: Papirus. 6 Quando se tratar de obra traduzida. LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. ediçâo. Tradução do bengali para o inglês. As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento.diário. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er. nas 9. feita pelo próprio autor. 10.) na seqiência do título e. (Tradução por . consecutivamente. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. mar. Muniz e FERRARI. (exceto maio). 1991. por um travessão. VII. v. São Paulo: Exemplos: Paulinas. quando mencionado. 1982.. os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. e MARTINS. volume (tomo) p. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. Contraponto. 1982. jun. = ilustrado rev. resumos de textos e resenhas (pp. pode-se indicar Jornal do Brasil. = mímem (fascículo) SODRÉ. Alberto e SOUZA FILHO. João Francisco Regis de.. ed. p. São Paulo. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. 9Op.). ago. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. revisto e atualizado 2. Este desafio . Rabindranath. (expressão latina) = e outros 3. at. título ou o idioma original (Tradução de . Rio de Janeiro. 2! cd. Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido. ei ai. v. Folha da Tarde. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. ii.cap. (Coleção vida e meditação). IX. 1968. trabalhos didóticos. meios de informação. = pagina n. 5 ed. Campinas: Instituto de Filosofia.fia (que aborda um único tema). PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. Puccamp. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS. LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista. 1980. se o estudante não aprender e compreender Delta. sistemática (J)or assunto) ou cronológica. Campinas: Papirus. Danilo M. 114 11ç 8. 1. exemplos: jan. A colheita.. 14. (*) O A. fundamentais no contexto da vida universitária.nonogra. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA.. opcionalmente. São Paulo: Francisco Alves. 143-144). Maria Helena. distingue os tipos de trabalho: . p. em ordem crescente. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. 16 jan. ii. OBRA COLETIVA registrando. 1988. rev. 4683. at. Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor.

São Paulo. Lauro de. FREIRE. 1973. São Paulo: Atlas. Mutações em educação segundo McLuhan. 1978. Folhetim. L. São Paulo: Cortez e Autores Associados. 1969. São Paulo: Polígono. v. THIOLLENT. A. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . MORAL. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. Antonio Joaquim. v. 1. 1. 48-54. ASTI VERA. M. Amélia Americano F. 5-6. 1973. 45 ed. J. assunto do próximo capítulo. Margaret. Metodologia da pesquisa-ação. Metodologia do trabalho cientifico. 1974.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. Tradução por Washington José de Almeida Moura. Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. Campinas: Papirus. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. PRADO. T. 1984. Metodologia dei trabajo cient(fico. C. DOMINGUES DE CASTRO. HEIDEGGER. 2 cd. Santander: Editorial Sal Terras. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. João Àlvaro. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação. Michel. 1990. A. rev. v. São Paulo: AbrilCultural. M. 55 e 14 cd. 2! ed. Mania. 6 ed. Paulo. OLIVEIRA LIMA. Antônio Cândido. 1979. IV. 1977. HILLAL. Haroldo. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. 19 dez. Heloísa de Almeida. 6. Metodologia cient(fica. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. São Paulo: Cortez e Autores Associados. 1985. 1962. SEVERINO. 1985. Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira. M. Paulo. Tradução CAMPOS. GONÇALVES. e MARCONI. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. Petrópolis: Vozes. 57-76. 1955. L. 1. Qu 'appelle-t-on penser. RUIZ. Paris: PUF.pp. São Paulo: McGraw-Hill. (Edição interna).n. 25. 2 cd. (Boletim n 306). MICELI. Porto Alegre: Globo. 1971. e BARBOSA. Elementos de catalogação. 24jun. 1971. ERBOLATO. Organize sua biblioteca. Metodologia da investigação cient(fica. CERVO. e BERVIAN. São Paulo: Atlas. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães. 1992. MANN. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. Comunicação e cotidiano. LAKATOS. Resgate. São Paulo: Paulinas. Maria Duma de Oliveira et ai. 116 DIAS. Folha de S. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. Paulo. pp. Análise do discurso de Maiakovski. 1983. (Coleção didática. A. Veja. Armando. Josephina. pp. 1973. E. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. P. 1980. 7. amp. 1967. Gonzales Ireneo S. Os homens e suas pontes. 1). Catalogação e clossflcação de livros.

Professora de Filosofia da Puccamp. pinturas. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História. sempre guarda um sentido subjacente. querna flexibilidade e no poder comunicativos. obscurece o mundo e. à medida que são sistematizados. Como toda obra humana. O texto. 3. não é um objeto.. esculturas. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza. É carregado de significações.. poesia. experienciar. autores dos textos. os problemas. definitivo." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas..O texto é obra humana." 2 fraduzem as angústias. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. como se ele fosse um objeto pronto. com os homens e com a própria produção do saber. O autor do texto é o homem historicamente situado. não é algo pronto.. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep. ideológicas e culturais. etc.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. é ao mesmo tempo produtor. nenhum ultrapassa a linguagem. foram definindo caminhos. a obra.linguagem. organizados. livros científicos e filosóficos. A sistematização. Enquanto produto das suas relações com o mundo. das obras. da literatura. que transforma o mundo colocando algo de si. O texto iluniina e esconde. a ser assimilado pelo leitor. artigos de revistas e jornais etc. absoluto. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. também "faz" sombras. e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. É um eterno fazer-se. as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos. acabado. e mesmo de outras expressões do conhecimento. do saber. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. Esclarece. querna importância geral que desempenha.. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. portanto. 2.. participar é o produto colocado no mundo. filmes. O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada . televisão. levanta outras questões. produto humano. políticas. Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . tem a marca humana. literatura. outras perguntas. O texto "é uma voz . que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. É através dela que expressa a sua vida. obscurece. ". Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. acabado.. Mas não se pode esquecer: o que ilumina. são imprimidos pela marca da historicidade. é a expressão do viver. cientistas. que vive a experiência no mundo com os homens.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem). metódicos.. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes.

pp. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão. 3. 2. É imprescindível ter claro as questões. manuais. cit. 1bidem p. . "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa.De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos.. pp. op. R. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade. o seu mundo. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. 120 C . Hermenêutica. o objetivo do estudo do mesmo.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor. PALMER.humana. onde experiências diferentes se defrontam. p. Metodologia do trabalho cient(fico. 18. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto.Em seguida. é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. P. dos conceitos apresentados pelo autor. 111 da obra de A. R. para a explicitação. É somente neste encontro histórico. pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4. uma voz do passado à qual temos. B . em primeiro lugar. a compreensão dos significados nele implícitos. sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. Considerações em tomo do ato de estudar. verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam. a consulta aos dicionários. PALMER. das doutrinas desconhecidas. o seu autor. após a leitura. O leitor. dos autores citados e. 9-12." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1. que é possível a compreensão e interpretação de textos. 4. distanciam o leitor da obra. FREIRE. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. A leitura de um texto pressupõe objetivos. ao se dirigir ao texto. 112-135. exige o "ouvir" a sua palavra. que dar vida. Compreender. pp.. 20-21. Sugerese a demarcação dos conceitos. J. 5. 22. enciclopédias. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. SEVERINO. Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap. de certo modo.. intencionalidade. interpretar." Neste sentido.

F . Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. de outras abordagens.O estudo de textos. que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. problematiza o seu mundo. a partir do questionamento. seguindo. na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. exige como condição prévia este "ouvir" o autor. a ordem lógica de exposição das mesmas. é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. pois trata-se de "ir além" do texto. 5. mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. o seu ponto de vista. as suas angústias. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. 32) Diante do problema levantado. de desenvolver a "sua leitura" do texto. ideológicos. na perspectiva aqui desenvolvida. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade.A partir deste trabalho é possível expressar. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor. os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. captando antes o todo. qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. Nesta perspectiva. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. as idéias que confirmam a tese. epistemológicos) neles presentes. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. confrontando-os com outras posições. Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana. que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado. E . de outros pontos de vista. na interpretação. É o momento mais importante do estudo.D . Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. apresenta uma resposta. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor. Não pretendem . mediatizados pela obra. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo. a posição do autor diante do problema levantado. para depois dedicar atenção às partes do texto. seriedade. rigor. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. Nesta etapa. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto. para isso. de seus questionamentos a partir de suas experiências. é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. o estudo de textos teóricos exige disciplina. a partir de "sua leitura" do mundo. de suas preocupações. descobrindo os pressupostos (históricos.

c) Conclusão (últimos parágrafos) . elementos de metodologia do trabalho cientifico. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio. no seu conjunto.6. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: . que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica. sendo assim. 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos. pp.neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos. Os textos. . normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes. possibilitando. via de regra. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. iniciantes na vida acadêmica. 5. IV.1. maior interesse por parte do leitor. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) . Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap. entre outros. Sobre redação e dissertação consultar. São as "palavras-chave". 7. BARBOSA e Emilia AMARAL. no desdobramento da argumentação. C. a "visão do todo" do texto. 83-102.onde o autor apresenta o assunto.nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor. Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. pp. demonstram a posição assumida pelo autor. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D. Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. 8. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. o excelente trabalho de Severino Antonio M. Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura.Deve-se grifar estas palavras. 83-117. assim. III. no seu conjunto. elabora-se o Esquema destas idéias. desenvolve e conclui o texto. no momento da interpretação do texto.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? . que. Escrever édes. Como fazer uma monografia. Como atividade acadêmica.vendar o mundo. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. b) Desenvolvimento . na apresentação de idéias ou conceitos que. Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor. SALOMON.

a sua posição frente às questões desenvolvidas. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor. Informações gerais sobre o texto. 125 5. . O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1. O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. A seguir. 11. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura. Inicialmente. os argumentos. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. Pressupõe. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação. 1. Na Introdução apresentam-se o assunto. ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. simpósios.2. Quanto aos comentários pessoais. a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão). tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central.2. e na Conclusão a própria conclusão do autor. Sobre a documentação verificar o cap. deve-se identificar autor. IV. 10. o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens.4. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. para publicação ou divulgação. num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5. 9. desta forma.O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto. texto. Desenvolvimento e Conclusão). deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros.3. 5. elaboração de resenhas.1. posição do autor e argumentos).). como atividade acadêmica. Deve-se elaborar uma redação resumida. problema e posição do autor. a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados. cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta. no Desenvolvimento. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor". pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade. é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. problema. congressos etc. 5.2. analisar a importância do texto.2. e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. época em que o texto foi redigido. com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução.

3. Uma resenha deve ser sintética. até 100 (cem) palavras. atualização da bibliografia utilizada pelo autor. A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". Comentários pessoais e críticas. estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas. com a utilização de terminologia específica. 2. relatórios.Na crítica. teses. 4. .88/86. Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos. metodologia. Resumo crítico . Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. principalmente como tarefa acadêmica.documentação secundária: projetos e catálogos de editoras.documentação primária espec(flca: artigos. publicação de indexação e análise etc. atualização de gráficos e tabelas. .Associação Brasileira de Normas Técnicas . resultados e conclusões.Indica apenas os pontos principais do texto. . Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo . Comentários sobre a idéia central do texto. identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. até 500 (quinhentas) palavras.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral.Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro.documentação de dados bibliográficos. a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB . • para relatórios e teses. O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar. A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves. deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto.Combinação dos anteriores. Comentários sobre o plano de assunto do texto. também denominado recensõo ou resenha. É utilizado para: . de livrarias. bem como à seqüência lógica e organização do texto. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras. Como a ABNT . Expõe finalidades. assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central. à revisão textual. mas de uso corrente em alguns setores da Universidade. monografias. aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas.Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto. atas de congresso etc. . não apresentando dados qualitativos ou quantitativos. É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor. Bibliografia . • para monografias e artigos.

.. Campinas-SP: Papirus. 35 cd.e também de outras formas de conhecimento . entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade.o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. mas também a formas de convivência e produção cooperativa. permite um melhor resultado. 1n Escrever é desvendar o mundo. É também chamado de facilitador.relator: em geral. Ri: Paz e Terra. Metodologia do trabalho cientifico. as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos. PALMER. 2 cd.é que ela se constrói de uma forma coletiva. P. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. 12! cd. organizando suas atividades. . Como fazer uma monografia. e AMARAL. o estudo de um texto ou de um problema. A. Hermenêutica. Belo Horizonte: Interlivros. Antonio Severino M. Para realizar o processo de conhecimento. C. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis. Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . R. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba. Lisboa: Edições 70. Autores Associados. 1973. elementos de metodologia do trabalho científico. . os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita. Professor de Filosofia da Puccamp. 1978. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo. A dissertação e o pensamento lógico. Considerações em tomo do ato de estudar. Mesmo que se forme espontanearnente.BARBOSA.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto. tal como uma pesquisa. 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. D. . A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: . . SEVERINO. SALOMON.um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo. um debate.a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. a existência do grupo depende de alguns fatores: . Neste sentido. São Paulo: Cortez Edit. ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). 1986. 1985.coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer. 1-'o 129 . mantendo a unidade do grupo. FREIRE.. Emilia. porque. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. J. 1987.

. ex. no entanto. e. e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo. seja numa sala de aula. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. 3. Aplica çõo: Sondagem de opinião. parceiros lado a lado). por ser uma forma bastante prática. ao que nos parece. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. coordenados por um mediador. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. a respeito de um tema. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições. mas nem sempre conveniente. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos. A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades. em número conveniente. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário. apresentam suas posições e análises acerca de um tema. Havendo necessidade. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. ou outra forma de grupo. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo.Painel de especialistas: expositores.avaliador: é um papel que todos devem desempenhar. o que permite avaliar o trabalho de todos. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. que o relator apresenta. Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás). Contudo. Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p. em seguida. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. 2. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. entrosamento de todos e rapidez. 1. . num auditório. bem como promover o entrosamento entre eles. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. complementares ou divergentes. pode-se recorrer a três tipos de painel: . as mais adequadas aos cfrculos universitários. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises.. Neste sentido. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. procurando chegar a um resultado comum. resolução de exercíciosfeed back.

Observe-se que. poderá ser necessária a presença de um coordenador. Em sala de aula. que recolherá. 4. o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor. após as exposições. para discutir e redigir documentos e conclusões. Em qualquer um destes procedimentos. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos. Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos. . que vão estudá-los empmfi. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. ou duas pequenas equipes de especialistas. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. mas por áreas profissionais ou de interesse. inclusive realizando pesquisas. mas por outro critério. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes.. Se for grande o número de subgrupos. perdendo tempo e qualidade. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. Nisto difere do debate aberto. evitando assim apresentar ao debate repetições. ainda que demande pesquisa. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. de um lado. advogados.). as melhores perguntas.. já nos subgrupos. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados. sindicalistas. 5. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto.. quando usada em sala de aula. convidados. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. por exigir longo e cuidadoso trabalho. em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. permitindo abrirem-se os debates.Painel de exposição: dois especialistas. É bastante utilizado nos congressos. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção. A validade da técnica. a exposição de um especialista. 130 . como no Philips 66. o que amplia os horizontes da discussão. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos. questões fora do assunto ou irrelevantes.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados. pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. Em seguida. para selecionar. em termos de tempo e qualidade. podendo ser combinados entre si. no qual os alunos. é bom exercício de reflexão. De outro lado.mdidade.

ou pequeno grupo (seminarista). e conclusões obtidas. de um lado. algumas informações complementares e bibliográficas. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor. mas é o conjunto de aspectos de um tema.Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla. Contudo. que. A função do seminarista na apresentação é. o trabalho individual à crítica do grupo. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. suas premissas.. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p. ex. e. O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir. de campo. para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos. orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro. submetendo. sob orientação do professor ou de um especialista. dificuldades teóricas. Isso implica. . na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido. para isso. 6. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. suas lacunas. que todos devem estudar os textos antecipadamente. Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. por outro lado. além de informações sobre o texto.) e na problematização do texto. A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos. . algumas idéias secundárias. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. orientado pelo professor. que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos. Em seguida. primeiramente.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. Procedimento: . portanto. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. é recomendável a técnica do simpósio. 7.Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição. pondo em comum esclarecimentos. escolhido pelo seminarista. bem como um roteiro de discussão. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. mas puderem discutir o tema. em laboratório. expor as principais idéias do texto. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico. Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. para exercício coletivo de análise. A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão.: texto-roteiro.. real ou fictícia. conjunto de textos. sua estrutura lógica. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos.

Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. 1. a forma de aplicação e. valores envolvidos. III. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. análise de situação relevante ocorrida. É o grande grupo que determina. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas. deste modo. orador discursando). 17 REALIZAÇÃO . Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. como resposta às suas expectativas. mas que se responda. * Mestre em Filosofia Social. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. congressos. relato. pós-graduação. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando. 1. médico atendendo paciente. entre outros usos. Objetivo: Em geral. emoções transmitidas etc. dramatização. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. da reflexão e da crítica. Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. de fato. às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. encontros. O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. os objetivos específicos. O papel do professor é o de coordenar a atividade. Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. mas também às linguagens não-verbais. motivação de alunos. POZZEBON. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. exercício de aplicação de conhecimentos. conseqüentemente. posturas e atitudes para com o outro. envolvidas no relacionamento interpessoal. através do debate. 8. cap. solução dos problemas propostos. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. observação in toco etc.Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. os critérios de avaliação da técnica. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento).

PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. dicionários especializados. SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário. enciclopédias. para debate em classe.ETAPA 1. b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. • Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina. ETAPA II . indicação. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes.contextuação do autor . • Quando necessário. de textos complementares. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. • Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto. de acordo com as orientações da leitura analítica. para se familiarizarem com a técnica. • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados. • o grupo deve elaborar questões.esclarecimento de conceitos . • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto. Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação. quando necessários. manuais especializados. da mesma forma que o texto básico. . Preparação dos textos complementares. recursos 1 dicionário de língua portuguesa. apresentada ao fmal do texto-roteiro.1. de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas). para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. pelo professor.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico . • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas.esquema do texto . 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário. a fim de facilitar o trabalho dos participantes. • Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto.

que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. 2 Momento . 3. levando a novas indagações sobre o assunto do texto. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. 2. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo. para incrementar o debate. o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem. cap.c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. despertando a curiosidade dos participantes. . • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. ao confronto de posições divergentes. • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo. Dá início ao debate. 2. elaborando relatório. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo. IV. à crítica. • O grupo responsável procura estimular o debate.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico.através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos.3 1° Momento .Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. esclarecendo dúvidas. apontando pontos divergentes. 1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. como forma de "provocar" mais discussões. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo. por exemplo. geralmente levantamos poucas questões. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate. para podermos aprofundar o estudo. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. • O grupo elege um relator. Aristóteles. inclusive avaliação. é permitida a intervenção de qualquer participante. Seminário de ternas . encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. conforme os objetivos deste tipo de Seminário. pois é o momento que leva à reflexão. as mais relevantes e polémicas. • Para finalizar. Quando realizamos um seminário de texto de um autor.

desenhos. discussão com especialistas.textos básicos . apresentar esquema.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes.Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. . nos moldes do seminário de texto . b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. ETAPA 1 .filmes . . pinturas etc. O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes. para que o grupo não extrapole o tema proposto. 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto.Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade. • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto.Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema .Se houver um texto que oriente a organização do trabalho. ETAPA II. • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes.Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema . para que todos possam ter idéia do tema que será discutido. apontando as várias possibilidades de sua abordagem.Breve apresentação do tema a ser discutido .depoimentos de especialistas . assim. depoimentos etc. ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina. tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina.painéis com fotos. SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária. que podem inclusive sugerir os temas.vídeos . Dá início ao debate. . deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: . perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar. ou outra. • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário. inclusive avaliação.outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais. para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes.textos complementares .

144 Bibliografia CARVALHO. demais participantes (classe). ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação. Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: . assim que se encen-arem as atividades. 1983. grupo responsável. como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe. . 3' ed. quando não há o envolvimento dos participantes.Metodologia cient(fica. P. M. SP: McGraw Hill do Brasil. 143 c) Quanto ao texto-roteiro: .se foram parcialmente alcançados .Construindo o saber. Campinas: Papirus.) . A. Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor. . e BERVIAN.ou mais participante para uma avaliação d Seminário.se foram alcançados . A. o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las. Cecilia M.se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um . 2' ei. L.se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários. 1991. (org. CERVO.. • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate.3.se foi elaborado de forma clara e objetiva . b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo.

o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico.) Metodologia cientijica . de normas e procedimentos metodológicos. 1985. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando. devem constituir nossos objetivos. * Mestre em Filosofia Social. propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa.HCJHNE. Mais do que a "posse" de técnicas. Ri: Agir. sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação. estas síndromes e resistências expressam. sem dúvida necessários. 1987. a sistematização. ou mesmo uma forma de resumo. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos.Caderno de textos e técnicas. A. Leda Miranda (org. a disciplina intelectual. SP: Cortez Edit.. SEVERINO. i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. 147 Na realidade. dos resumos ou opiniões pessoais. Puccamp. em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração. Instituto de Filosofia. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp. A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. as falhas estruturais do processo educacional brasileiro. vai sistematizar o resultado das leituras. por outro lado. na vida acadêmica. 1984. em maior ou menor grau. críticas e reflexões feitas pelo educando.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". a "síndrome da monografia" . Joaquim . 12' ed. o procedimento lógico.Metodologia do trabalho cienr(fico. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados. observações. mimeo. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. Autores Associados. buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto. que não tem incentivado os educandos à reflexão. . resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos . de instrumentos para manipular o real.

ALVES. 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema. estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções. introdução à metodologia da pesquisa. ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial. constitui a fase de planejamento da pesquisa. 149 Isto quer dizer que. . 2. provisório.A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina. e deve-se levar em consideração que. Rubem A. filmes. 1. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica. nesta fase inicial da pesquisa. que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. muitas revisões serão efetuadas. Lembre-se que. A arte da investigaçdo criadora. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo."2 1.. p. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho. pp. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema.. que envolve os seguintes passos: 1. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. na verdade. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho. que oriente o educando no seu trabalho. A leitura de outras monografias. mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. O Levantamento das hipóteses "A ciência. bem como as suas relações com as teorias existentes. especialmente roteiro para delimitação do tema. 61-76.). Para complementação vide: Darci DUSILEK. 5. O tema escolhido deve se constituir num desafio. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. 2. debates. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. 85. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. rigor científico e reflexão crítica. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa". a pergunta. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. a discussão com especialistas da área.. já contém a resposta.. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. Filosofia da ciência. Levantamento bibliográfico inicial. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. a que se dá o nome de hipótese. 2. 3. cap. 4. 5. Elaboração do cronograma de trabalho. bem como o conhecimento de qualquer tipo.

auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. embora este contato seja inicial. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos. feito a partir do sumário. No geral. os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. difidilmente encontrada nos cursos de graduação. 6. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. Apresentam geralmente resenhas de textos novos.4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. T.De certa maneira. Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. pp. 4. 3. 5. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract). A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida . que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador. Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial. HATT. Métodos em pesquisa social. relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. Nas revistas especializadas. K. Para complementação vide: W. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto. que também deve ser anotado. GOODE e P. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. se forutilizado o texto selecionado. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. complementada com outros recursos metodológicos. 74-97. cap. Na transcrição. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa. com a intenção de uma pré-seleção de textos. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. e um resumo do seu conteúdo. na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área.3 3. porque é seletiva. No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial. que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio).

observação sistemática. 4. Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. relatórios de estágio. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' . entrevistas. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa. VII . Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. Queremos salientar que o método. 2. (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo. questionários e formulários. 7. 139-152. 5. (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc. 3. pesquisa experimental. com a busca exaustiva dos dados. 5. pp. itens e subitens com as respectivas titulações. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas. 7. onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. 6. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. Isso tem gerado situações dramáticas. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho. Metodologia do trabalho cien'(flcc cap. seqüencia]. pesquisa bibliográfica. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa.) 6. É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. 2.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. SEVERJNO. 3. Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa. Tema ou assunto especifico da pesquisa. enquanto processo lógico e técnico.universitária requer. 4. 3. Para complementaçso vide: A. 8. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. estudo de caso. pesquisa documental.

A verificabilidade. bem como a quantificação dos resultados. utilizando-se os procedimentos no método científico. a pesquisa bibliográfica. mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. Nos trabalhos acadêmicos. presta-se à formação acadêmica. Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa. além das fontes primárias. Pela sua característica. o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. dependendo da técnica adotada. tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação. complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. destacando-se a monografia. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. artigos de revistas especializadas. antecedendo a própria pesquisa experimental. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. como dados estatísticos.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos. pesquisa básica. Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. por si. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos. são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. 1) Denomina-se pesquisa experimental. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. Requer que se organize um roteiro inicial para . estudos de caso e observação sistemática. em termos de coleta de dados. localização e compilação dos dados escritos em livros. com especialistas ou mesmo outros professores do curso.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. estabelecendo suas características ou tendências. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. os quais. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). 4) Entrevistas . Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. na investigação histórica.'. valorativos e éticos. os documentos propriamente ditos. questionários. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema.. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador. publicações de órgãos oficiais etc. a fim de descrever/comparar fatos sociais. formulários. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa.

a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas. 5) Questionários eformulários . relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar. pode-se enviar pelos Correios. originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões. itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes . a fim de que possa ser respondido num curto período. Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas. devidamente autorizadas pelos entrevistados. Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões. onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos. devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho. Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5. . ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica.se há ou não necessidade de identificação pessoal .Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador.como preencher o questionário. garantir o anonimato. Para maior segurança e fidelidade. para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto. ou estas não residem no local da pesquisa. sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador. cap. pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema. que deve conter indicações sobre: . O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho. . Neste caso. é indispensável uma carta de apresentação. mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. . Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa.introdução ao tema. as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas. O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa. Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade. 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. ou ainda entrevista de grupo. quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado.nos casos em que for necessário. Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista. Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa. 1 desta parte. Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. assunto da pesquisa.qual a finalidade do estudo. .a distribuição do tempo para cada área ou assunto. para evitar respostas dicotômicas (sim/não). numa avaliação global. no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. .

a fim de verificar as dificuldades do aplicador. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. estado civil. 6) A Observa çõo Sistemática . cultura. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. filmes. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas.. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). por se constituírem de perguntas fechadas. como local de trabalho. As perguntas devem ser ordenadas. quanto o formulário. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades.6 . "visão de mundo". são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação. idade. deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas. das mais simples às mais complexas. que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. deve-se fazer um pré-teste. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. com ou sem a consciência dos observados. grau de escolaridade. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. ou idealizada. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. ]into o questionário. quando os registros são feitos sem que os observados percebam. para posterior avaliação. data da aplicação).como devolver o questionário preenchido. informal ou assistemática. as dificuldades de entendimento das questões. Para a aplicação do formulário. a observação sistemática é seletiva. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade. profissão. ou outros dados de interesse para a pesquisa. para se obter um registro padronizado das observações feitas. faixa salarial etc. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. numa situação "face a face" com o entrevistado. Como nas entrevistas. Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. Neste sentido. também denominada observa çõo participante. padronizadas. mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa. porque são mais fáceis de codificar e tabular. slides. natural ou social. quando o observado interfere e cria situações novas. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. Este registro pode ser ainda complementado com fotos.

uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. do grupo ou de um dado processo social. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados.7) Estudos de Caso . Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação. registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante. Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. HATT. no caso de vários sujeitos pesquisados. GOODE e P. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. 6.Na vida acadêmica. op. cit. um trabalho monográfico. 8) Relatórios de Estágio . alguns tipos de trabalhos literários. Como conseqüência. Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos. cartas. preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. seguido de um estágio onde há maior participação. conversas etc. com mínima influência do pesquisador. T. o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico. biológico ou social. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. Em ambos os casos. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo. K. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. como uma análise qualitativa. pp. Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância. Para compIementaço vide: W. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica. 171-268. Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. material expressivo. sob orientação do professor.O estudo de caso é um meio para se coletar dados. Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável.. em si. permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado. é uma construção intelectual. quer físico. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. O estudo de caso. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. conversas ou entrevistas. em diários. tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um . 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. sob a supervisão do professor. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando.

a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. de outras áreas do conhecimento. No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico. pode-se arquivá-los para uso posterior.verifique o esquema de referência teórica. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho.regularidades. caso seja necessário.contexto de interpretação científica. devem constar dos anexos.tendências. cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. separados por assunto ou disciplina. igualdades. Na coleta de dados para urna pesquisa. Neste caso. para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho. 3. . . No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. Lógica y relato en irabajo social. tornando claras estas diferenças. . 57.verifique os fatos. tratamento estatístico dos dados. 1çz 159 A partir desta organização dos dados. ainda. Deve-se também verificar a atualização das informações. 7. podemos ter uma visão de conjunto do trabalho. as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas. D. ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados. havendo ainda oportunidade de uma complementação. . seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores. tendências ou regularidades. deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas. .verifique os materiais ou fontes utilizados.verifique os pressupostos. classificação e organização das informações. tendo em vista os objetivos do trabalho. estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados. muitas vezes. vide: Tereza PORZECANSKY. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando. 2. introduz. Esta etapa envolve: 1. . O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados. .procure enos lógicos.pontos de convergência.73. permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão. Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio. As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. . pp.pontos de divergência. os relatórios de estágio podem. quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação. . significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso. deve-se elaborar quadros explicativos. outros pontos de vista.verifique as técnicas utilizadas. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . .

. cit. a idéia central de cada parte ou capítulo. op. muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico. McGraw-Hill do Brasil. definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa. Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. Estatística. 2. 1. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível.. 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho. 1972. com base no plano de assunto do projeto provisório. apresentar a idéia geral da pesquisa.verifique a inter-relação entre a hipótese.Conclusõo . SP. a estrutura definitiva. . FERES. A. a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. elabora-se. Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio. . introdução. GATTI e N.. A redação final. 8. D. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. . L. 1986. Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho. vide: Murray R. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. 9. com as subdivisões que se fizerem necessárias: . sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários. 108. 3.verifique o esquema de análise. Apisentação gráfica geral do trabalho. visa comunicar os resultados da pesquisa. desenvolvimento e conclusão. DUSILEK. a teoria e o esquema de análise proposto. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. isto é. 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho.O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho. envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1. o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. em itens e subitens. SPIEGEL. delimitar o tema e mostrar a sua importância. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados. Estatística bdsica para ciências humanas.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. O plano é composto de três partes distintas. B. Alfa-Omega. cujo objetivo é só o levantamento de dados). atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. p. Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido.

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

1983. DUVERGER.3 .A apresentação gráfica geral do trabalho. leitura. 4.0 plano de trabalho e o fechamento. 5. modelo e planejamento. guia de redação para cientistas. elementos de estatística. FEITOSA. Metodologia do conhecimento científico através da ação. Natureza da atividade de pesquisa. amostragem. 3. 556p. O cientista no processo de comunicação. comentário de texto. Pesquisa-ação. Os nómeros contribuem para precisão. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4.3 . 3. Umberto. 1. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa. 4! ed. l84p. comunicações. SP: McGraw-Hill do Brasil. 2. Falar sobre Ciência. 6. 3. l55p. 7! cd. desenvolvimento e conclusão. 243p. Pesquisar-participar: proposta e projeto. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos. 3. Coleta e análise de dados. 7. 1979. 4. Queiroz. SP: Perspectiva.2 . 4. Como transmitir os conhecimentos adquiridos.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. Elementos metodológicos da pesquisa participante. Planejamento de pesquisa social. 1991. SP: EPU. planejar. 5.1 . rever. 1983. A pesquisa. As bases da ação. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações.Tratamento estatístico dos dados. A observação documental.A redação final. 2. 2. teoria e método. Metodologia cient(fica. BARRAS. 4.2 . Fases de uma pesquisa. Avaliação do relatório de pesquisa. BRANDÃO. 3. 6. A redação. aplicação do questionário. O método científico. Técnica de estudo pela leitura. e BERVIAN. A arte da investigação criadora.. A.. RJ: Zahar. ECO. 3. 3. 1. 1. Redação de Textos Cient(ficos.3. 1. métodos gráficos. 3. 4. 252p. C. 2. 2. Vera Cristina. métodos de interrogação: preparação do questionário. Darci. 2. L. L. Ciência política. Rodrigues (org.. 1986. 2l8p. P. 5. Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas. 2. 4. R. Economia camponesa e pesquisa participante. 1. Teses e hipóteses. Como se faz uma tese. A lógica dos procedimentos. Registros pessoais. R. a observação participante. 8. O que é iia tese e para que serve. Preparo do relatório de uma investigação. A pesquisa do material. 3. 1. A. M. engenheiros e estudantes.. seminário de estudo. 2! cd. 4. Bibliografia ACROFF. Planejamento da pesquisa. O conhecimento científico. Como proceder à investigação. Modelos demonstrativos.) Pesquisa participante. 3! ed. Pensamentos postos em palavras. . 437p. O significado da pesquisa. CERVO. 271p.. escrever. Campinas: Papirus. Os cientistas precisam escrever. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático. DUSILEK. A observação direta. 1. 5. 1. 1984.Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa. SP: A. Pensar. 4. Reflexões metodológicas. Dinâmica do conhecimento científico. A escolha do terna. 2. Edusp. 4. SP: Brasiliense. Como os cientistas devem escrever. Observação intensiva: as entrevistas.

1. Probabilidade. MORGENBESSER. Sidney (org. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário).. Ciência e conhecimento científico. Métodos científicos. hipóteses. LAKATOS.0 questionário fechado. 5. 6. 1973. E. A importância da pesquisa. 6. A história.. Questionários e entrevistas. Contexto da pesquisa. 2. 4. 5. Explicações cient (ficas. Como avaliar e organizar a infonuação. 167 MANN. Mensuração. 2. Metodologia cient(fica. As leis e funções. 8. Plano de prova: verificação das hipóteses. . 2. 10. 3. Indicação. 4. 4. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. 3. P. O experimento. As ciências sociais: observações gerais. Volume 1: 1. questionário. Positivismo lógico. 3. Ainostragem. Análise e apresentação dos resultados. publicação e divulgação. SP: EPUfEdusp. Planejamento. 7. Ciência: teoria e fato. Apresentação. W. 7. 4. 2. 3. 5. planejamento. 1982. Observação e experimentação. A conduta da pesquisa. 2. introdução à filosofia da ciência. 1975. 6. entrevista. 5. M. 4. K. Pesquisa: conceito. Determinismo e causalidade. e MARCONI. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. 3. 1975. Métodos de investigaçõo sociológica. 9. tabulação. 2OSp. Método científico. volume 1. 2. Nova Sociologia. lhurstone. Anexos. Probabilidade e amostragem. Filosofia da Ciência.. Análise e interpretação. 3. o papel da estatística.Preparativos para a comunicação eficaz. Ciência: natureza e objetivo. Hipóteses. 2. Filosofia da ciência. codificação. Escolha do tema. Método científico em sociologia. Observação e interpretação. leis e teorias. Revisão crítica. Documentação como fonte de dados. 5. Lickert. 5. 1. Ciências Sociais. 440p. A redação do texto. Leônidas. 2. Elaboração de dados. Modelos. 254p. l99p. 1. O trabalho científico. fonnulário.. 488p. Escalas de distância social: Bogardus. Subjetividade. Observação. Volume II: 1. Dados históricos: Mach. teorias. SP: Atlas. 2. A. 7. a observação nas ciências do comportamento. 2! cd. 6. 1976. 2O7p. O que é uma teoria científica. 1. 23lp. 9. 4. Observação. M. obras de referência. Crenças e Ciência. 1. P. G. SP: EPUfEdusp. verificação da hipótese. SP: Nacional. GOODE. 1975. Utilidade e condições de aceitação da hipótese. Sociologia e ciência. 8. valores e ciência. Pesquisa bibliográfica. 1. A preparação do relatório. KAPLAN. 3. 1.. Russeil. 2! ed. Etapas da investigação cient (fica. RJ: Zahar. 6. metodologia e pesquisa. 3. 3. leis e teorias. Técnicas de pesquisa. H. Leis naturais. 1979. Elementos básicos do método científico: conceitos. 1. Sócio-mútua e sociogramas. Técnicas de escalonamento. O levantamento de amostras com entrevistas formais. 3. 6. 4. outras técnicas. SP: McGraw-Hill do Brasil. 1969. Relações e funções. 1. 4. 4. 3O8p.). e HATT. explicações e valores. 4. volume II. LIYI'ON . HEGENBERG. l88p. ______ Técnicas de pesquisa. 5. Wittgenstein. 3aed. A base empírica. 5. SP: HerderfEdusp. A. 2. Medidas: função e estrutura. Pessoas como fonte de dados. Teorias. Ciência: pura e aplicada. Explicações. Etapas básicas da investigação sociológica. Fatos. 1982. SP: Cultrix. SP: Atlas.

A observação. Plano e relatório de pesquisa.. Versão quantitativa.Filosofia e pesquisa. 4. Alegre: Siilina. 3. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. PINTO. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. Organização da vida de estudos na Universidade. 5. RUDIO. A pesquisa como trabalho. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. 235p. Oracy. 57-73. 1. coleta de dados. 6. formulação de problemas. V. 3.. 1969. O processo de pesquisa: problema. SP: Nacional. P Parte: 1. 2. Tipos de relatórios. prática da documentação pessoal. A realização do seminário. 1971. 33lp.. 3Olp. improviso e métodos na pesquisa social. O ator. Explicação científica. Questões teóricas. Social da Puccarnp). Joaquim. 1982.. NOGUEIRA. elementos de metodologia do trabalho científico. l. 8. SP: Cortez.). técnica. Leitura. 6. 5. Domingos. biblioteca e documentação. planejamento. escolha do assunto. Lógica e dialética. Conceito e estrutura de relatórios científicos. Pesquisa: discutiva e experimental.. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK. SALVADOR. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais. 2. l2lp. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. diário de pesquisa e outros registros. História e conhecimento. p. Versão qualitativa. relatório. 2. 2. Coleta. F. problemas filosóficos da pesquisa científica. seu papel e condições de trabalho. 1. elaboração da monografia. leitura. 2! ed. A documentação como método de estudo pessoal. A.. 6. Pontos de vista: a função das situações sociais. Hipóteses.5. 5. 2! ed. resumo. 2. D. Análises explicativas das soluções. RI: Zahar. Aplicação da pesquisa social. 4! ed. 537p. 1992. Fac. 4. 1974. Evolução do conhecimento científico. Investigação das soluções. análise e interpretação de textos.. Pesquisa e teoria. 18! ed. Aspectos da explicação em teorias biológicas. Método do trabalho cient(fico. Análise e interpretação. Edson de Oliveira (org. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. normas. P. (Mimeo. 1. 224p.. planejamento. SEVERINO. Leitura. O projeto de pesquisa. 1971. O trabalho científico. observação participante.0 método do estudo eficiente. Tereza. 1977. Como fazer uma monografia. Buenos Aires: Humanistas. Associação das técnicas. Os estudos de comunidade. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. 6. 1. 2. 1978. 3. relatório e informe científico. objetividade. 8. O pesquisador. Comunicação e conhecimento científico. Alvaro Vieira. análise e interpretação dos dados. 3. O problema da pesquisa. A aventura sociológica. Ciência-homem-meio. Problema social e problema de investigação. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação. 1974. SP: Edusp. 3. 6! ed. introdução às suas técnicas. paixão. 4. Vieira. Pesquisa social. Serv. 2. Ciência e existência. SALOMON. elaboração e relatório de estudos científicos. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. 7. classificação. . 4.0 problema metodológico da pesquisa. 1. RI: Paz e Terra. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos. 7. 3. Métodos de pesquisa nas relações sociais. técnicas de livros. BH: Interlivros. 3. PORZECANSKY. NUNES. 5. redação e apresentação formal. 4! ed. composição e modelos de fichas. Lógica y relato en trabajo social. 4. 4. 4. 6. Petrópolis: Vozes. 6W7p. 1. Reconstrução e análise do passado recente. 2. A. 2! Parte: 1.

-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional. Atividade Versus Processo de Morte 26 3. pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães.Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 . Paciente Terminal 11 2. Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III . Vivência da Morte 17 II .Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III .ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS . UMA QUESTÃO 05 1. Produtividade 28 4.CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1.169 1.MORTE.Roteiro de Entrevistas 38 II . Retrospectiva Histórica 23 2. Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 .

p. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção. (coord. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam. Arminda. 486 p.. 139 p. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos. Folha de 5. 237 p. com a sociedade voltada para a produção e o progresso. Este questionamento. 531.07. Revista Diálogo. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. sendo necessário negar sua existência. E.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e . A.Perda.. 1983. advém da percepção da finitude do ser. criou-se um tabu em torno dessa questão. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. Paulo. 1984. 26. delegando à morte o espaço de tabu. devendo.) e BESSA. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. Apego e perda. 1984..na sociedade de produção e consumo. Formação e rompimento de laços afetivos. BRITa. A partir desta transformação. E. 2. vol. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos. o homem se coisifica. pois com a morte este sistema não se mantêm.. também. 1986. p.). (coord. A pessoa. John.. A sociedade ocidental." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano. Theodore LIDZ. impedir o questionamento sobre o materialismo. entretanto. Morte e suicídio. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração. A morte e o morrer.) D'ASSUMPÇÂO. A percepção da morte na criança e outros escritos. atual mente. tornando-a inominável. regida pelo capitalismo consumista. BOEMER. 135 p. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. A. A. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. D'ASSUMPÇÃO. Tanatologia e o doente terminal. pretende manter suas relações de poder e consumo. (coord. D'ASSUMPÇÃO. que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência. III .. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda. mas. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra. 1985. M. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível. 36. 165 p. BOWLBY. aumenta o valor de tais relacionamentos. Campinas: Puccamp. monografia. hierarquia do poder e coisificação do homem. G. na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. Magali R. São Paulo: Cortez Editora. VARGAS. portanto. Maria Elisabeth M. 1 Nairo de 5. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. A. 35 p.86. H. 1982.

0. Por que fazer terapia?. . .(idem) o mesmo autor. n 2. organizador.número. apud cf. Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana. . cit.Farmacêuticos 5/A. fig. . 1985. junto a. 174 . Ano 10. ..figura. ex. v .confira.abaixo. etc. Luís C. org. ou a mesma obra. . . n op. 20 p.exemplo (s). em linhas ou páginas anteriores. (mimeo. já conferidos em nota imediatamente anterior. Berenice R. FRANCISCO. . infra n.ilustração (ções). já referidos em nota imediatamente anterior. 175 .ver o texto original. 4) Abreviaturas mais utilizadass ap. . .(ibidem) mesma obra e mesmo autor.acima. pg.sem data.(para citações indiretas) segundo. . T. supra s. 1984. em linhas ou páginas adiante. .d.página.).organizado por. Campinas: Puccamp. . 1985. São Paulo: Ágora Ltda.(et cetera) e outros. FREITAS.. 166 p. .. ibid.(opus citatum) na obra ou autor já citado. p. .. id.