COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.

1.0 DEFINIÇÃO E CONCEITOS Para dar início ao estudo da competência faz mister, tecer comentários a respeito da jurisdição, que nada mais é o poder do estado em declarar o direito em casos concretos, essa definição é de suma importância para o presente estudo, pois não há como estudar competência sem definir jurisdição, nesse sentido citando Sérgio Pinto Martins: A competência é uma parcela da jurisdição, dada a cada juiz. É a parte da jurisdição atribuída a cada juiz, ou seja, a área geográfica e o setor do Direito em que vai atuar, podendo emitir suas decisões. Consiste a competência na delimitação do poder jurisdicional. É portanto, o limite da jurisdição, a medida da jurisdição, a quantidade da jurisdição . 1 Outra definição bem interessante a cerca de competência é a de Marcos Claudio Aquaviva, que diz que competência é: Alcance da jurisdição de um magistrado. É o âmbito de seu poder de dizer o direito. Por isso, um juiz competente para causas trabalhistas poderá não ser competente para questões penais, não porque ele não conheça Direito Penal, mas porque a própria lei estabelece que o juiz não pode invadir a competência, o raio de ação do outro 2 A DECISÃO DE JUIZ INCOMPETENTE É NULA OU ANULÁVEL??????????

Após essas brilhantes definições chega-se a conclusão que a competência é a limitação da jurisdição. Nesse sentido o presente estudo se faz atual e necessário, uma vez que, no que tange a justiça do trabalho é tema de intensa discussão, porquanto da emenda constitucional 45/2004, que ampliou e muito a questão da competência da justiça laboral.

MARTINS, SÉRGIO PINTO, 2011 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO- PAGINA 92 32ª EDIÇÃO EDITORA ATLAS. 2 AQUAVIVA, MARCUS CLÁUDIO DICIONÁRIO JURÍDICO AQUAVIVA - Pag.195 3ª Ed. ATUAL. E AMPL. SÃO PAULO: RIDEEL, 2009

1

E AMPL.. Tal conceito se dessume da própria definição legal de empregado.0 DA COMPETÊNCIA DA FASE PRÉ CONTRATUAL Antes de adentrar na classificação acima mencionada é de importante se faz tecer comentários sobre a fase pré contratual da relação de trabalho. hoje não se pode pensar na questão do empregado x empregador . após a emenda 45/2004 a justiça laboral passou a ser competente. Cabe ressaltar também que o quão genérico é o termo relação de trabalho . A alteração do texto constitucional foi de suma importância para o atual contexto econômico.pois.. nesse sentido o já mencionado autor Aquaviva define a relação de emprego como: vínculo contratual. a processar e julgar as relações de trabalho. entre empregador (pessoa física ou jurídica) e empregado (exclusivamente pessoa física). para dirimir con flitos de relação do trabalho julgados por juízes do trabalho. a discussões ferrenhas de se utilizar a lei 8078/90. pelo qual este se subordina em sua atividade. além de questões mais específicas que serão estudadas a frente. ATUAL. como por exemplo. àquele. de natureza não eventual. 2009 3 . 2.731 3ª Ed. Código de Defesa do Consumidor. buscando dar mais celeridade e abrangendo mais conteúdos a temas intimamente ligados a relação de trabalho.De modo extremamente diverso do que dizia o antigo texto constitucional. SÃO PAULO: RIDEEL. político e social. 3 AQUAVIVA.Pag. o termo usado no texto constitucional é muito mais amplo. ao lugar e funcional. a questão do dano moral. MARCUS CLÁUDIO DICIONÁRIO JURÍDICO AQUAVIVA . o autor divide a competência trabalhista em relação a matéria. Importante é também fazer a distinção entre relação de emprego e relação de trabalho. O conceituado autor Sergio Pinto Martins faz uma perfeita classificação da competência o qual será usada no presente trabalho. ás pessoas. e não mais conciliar e julgar os dissídios da relação de emprego. mediante um salário como contraprestação de seu trabalho. em certas circunstâncias há relação de trabalho entre prestador e tomador de serviços.

MARCUS CLÁUDIO DICIONÁRIO JURÍDICO AQUAVIVA . Nesse sentido Sergio pinto Martins diz: na relação de emprego. como de natureza privada. SÉRGIO PINTO. mas o termo há de ser observado em um contexto mais amplo. E AMPL. Emprego é o trabalho subordinado. Não se confunde com a relação de emprego que tem natureza não eventual e exige subordinação do empregado ao empregador 4 Logo a relação de emprego está contida na relação de trabalho. 6 Vale frisar que a subordinação que trata Amador Paes de Almeida. enquanto na relação de trabalho pode tanto ocorrer um vínculo de natureza pública . a recíproca não seja verdadeira. do qual relação de emprego é espécie. ocorre um vínculo de natureza privada. pag. não é de relevância financeira. que só se consubstancia se presentes os seus elementos caracterizadores trabalho de natureza não eventual e dependência. SÃO PAULO: RIDEEL. 5 E para complementar cita-se novamente Aquaviva: não há o que confundir relação de emprego com relação de trabalho. mas não exerce um emprego. ATUAL. Amador Paes de Almeida: trabalho é o esforço intelectual ou físico destinado a produção. Observa com grande clareza.PAGINA 93 32ª EDIÇÃO EDITORA ATLAS 6 AQUAVIVA. 732 MARTINS. Após essa explanação..Já a relação de trabalho é definida pelo mesmo autor como: Vínculo contratual de prestação de serviços em que o prestador trabalha sem subordinação e por conta própria. Pode haver trabalho sem que haja emprego. sobre a problemática da competência da justiça laboral na fase pré contratual o autor Sergio Pinto Martins é categórico afirmando: Ibidem. Na verdade relação de trabalho é gênero. embora evidentemente. 2009 5 4 .731 3ª Ed.. o poder decorrente do jus variandi do empregador.Pag. de subordinação hierárquica. 2011 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO. Um profissional autônomo trabalha. a relação de trabalho é gênero.

I onde diz que compete a justiça do trabalho as ações oriundas da relação de trabalho. levando em consideração a definição de relação de trabalho. 2011 EDITORA ATLAS 8 7 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO.só existe empregador se houver contrato de trabalho. do professor Leonardo dias Borges. Assim. Creio. 8 Notadamente.PAGINA 93 32ª EDIÇÃO Material de estudo do curso de pos graduação da ugf 2011. P. MARTINS. 7 De modo diverso enxergam outros doutrinadores como o brilhante autor Otávio Augusto Reis de Sousa. já que delas derivam. que. bem como afirmando que as questões relativas a competência devem ser interpretadas de forma restritivas. ou mesmo o professor Leonardo Dias Borges que afirma: muito já se discutiu se a Justiça do Trabalho tinha competência para dirimir os conflitos précontratuais e pós-contratuais. de forma indubitável assiste razão ao autor Sergio Pinto Martins quando afirma que no que tange a fase p ré contratual. na fase pré-contratual não há competência da justiça do trabalho para analisar a questão . diante da abrangência da competência à Justiça do Trabalho. não existe empregador. até porque os conflitos pré ou pós relações de trabalho se inserem no contexto desta.. não se tem motivos para afastar essa atribuição.. uma vez que se faz necessário um esforço. 114. não há que se falar em competência da justiça laboral.. . Não havendo contrato de trabalho. no entanto. onde certamente já há obrigatoriamente um contrato estabelecido.23 . SÉRGIO PINTO. e acatando o texto constitucional do art. intelectual ou físico desprendido.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful