P. 1
Oficina de l Portuguesa

Oficina de l Portuguesa

|Views: 1.127|Likes:

More info:

Published by: Macilda Sena Dos Santos on Jun 19, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/26/2013

pdf

text

original

Sections

  • Fragmento do Código Civil Brasileiro
  • Clube da esquina
  • A língua maltratada
  • Famigerado
  • Do Projeto de Lei do Deputado Federal Aldo Rebelo
  • Um projeto de lei
  • José
  • E agora, José?
  • Dolce vita
  • Advogada entra de gaiata no navio
  • História malcontada
  • A verdadeira dialética
  • ATIVIDADES PARA O GRUPO 1
  • O folhetim
  • ATIVIDADES PARA O GRUPO 2
  • ATIVIDADES PARA O GRUPO 3
  • Poema de Drummond
  • ATIVIDADES PARA O GRUPO 4
  • Meus oito anos
  • ATIVIDADES PARA O GRUPO 5
  • Mamãe Coragem
  • Ser mãe
  • O gigolô das palavras
  • Quarto de despejo
  • Pronominais
  • Uma revolucao linguistica*
  • Iracema voou
  • Yankees go home!
  • Jeca Total
  • I-Juca Pirama
  • O vergalho
  • Bom conselho
  • Canção do exílio
  • Trechos dos PCNEM

LÍNGUA PORTUGUESA

JUCIMARA TARRICONE E CARLOS EMÍLIO FARACO

1 2 3 4

USOS DA LÍNGUA DIÁLOGO ENTRE TEXTOS: UM EXERCÍCIO DE LEITURA ENSINO DE GRAMÁTICA: ALGUMAS REFLEXÕES TEXTO, IMAGINÁRIO E PATRIMÔNIO CULTURAL

LÍNGUA PORTUGUESA

MÓDULO 1 USOS DA LÍNGUA
Saber usar a língua ultrapassa o domínio da eficácia comunicativa. É, sobretudo, adquirir a possibilidade de desvendar a dimensão dialógica da linguagem para poder interagir social e culturalmente.

Tempo previsto: 16 horas Finalidades do Módulo
Refletir sobre a importância da língua como base construtora de uma identidade sociocultural. Considerar a necessidade de criar situações cada vez mais eficazes para a superação dos preconceitos lingüísticos e sociais. Construir ou mobilizar as competências e habilidades de:
• analisar o estudo da disciplina na perspectiva da construção da cidadania; • reconhecer os recursos expressivos da linguagem verbal nas várias situações de comunicação; • compreender, analisar e aceitar as diferenças lingüísticas como próprias de uma identidade social e de contextos de uso; • analisar os recursos expressivos da linguagem verbal, relacionando textos/contextos, mediante a natureza, a função, a organização e a estrutura, de acordo com as condições de produção/recepção (intenção, época, local, interlocutores).

Conceitos
Linguagem; língua falada; língua escrita; discurso. Diversidades lingüísticas e socioculturais.

Materiais necessários
Lousa e giz. Caderno, lápis e caneta. Anexos do Módulo 1 de Língua Portuguesa. PCNEM.

Dinâmica de trabalho
Atividade 1 Distribua o Anexo 1 (páginas 61-63) e diga para os professores lerem apenas o Texto 1. Incentive o relato de ações cotidianas que impliquem o emprego da língua e vá fazendo uma lista na lousa. Solicite a leitura do Texto 2 do mesmo Anexo. Sugira que procurem na lista da lousa as situações comentadas no texto e, quando for o caso, acrescente os novos itens que forem identificados.

56

Diga então para lerem o Texto 3 do mesmo Anexo e coloque em discussão a seguinte afirmativa: O indivíduo adquire essa linguagem, na sua forma oral, independentemente de freqüentar a escola. A aquisição da forma escrita dessa linguagem depende de escolarização. Leve o grupo a analisar a atuação da escola nesse aspecto, considerando as passagens dos PCNEM transcritas nos Textos 4 e 5 do mesmo Anexo. Faça uma síntese dos aspectos analisados. Proponha a leitura do Texto 6 e, depois disso, peça para os professores explicarem por que, apesar de sua semelhança com uma receita culinária, o texto escapa da condição informativa e é identificado como literatura. Conceitos: língua falada; língua escrita; gramática natural; automatização e estranhamento. Competências: conceituar; identificar intenções e situações de uso. Atividade 2 Diga para os professores relerem o Texto 2, do Anexo 1, e proponha a questão: Das formas escritas de comunicação listadas na lousa na atividade anterior, quais poderiam ser citadas como exemplo de ‘textos do cotidiano’? Distribua o Anexo 2 (página 63) e peça para o grupo identificar, no índice do jornal, as seções cujos textos apresentam uma forma socialmente padronizada. Leve os professores a justificar as respostas e explicar como ocorre tal padronização na história do uso da língua. Coloque duas questões para responderem: • Para o usuário da língua, qual é a importância de conhecer esses tipos de texto, no percurso de sua interação social? • O falante da língua é livre para formular esses textos da maneira que quiser, em qualquer situação de comunicação? Solicite o depoimento de cada professor, respondendo: Com quais desses tipos de texto tem trabalhado em sua aula? Para encerrar, discuta com o grupo uma rápida caracterização do que foi denominado ‘linguagem do cotidiano’, nas formas oral e escrita. Conceitos: linguagem; língua falada; língua escrita; tipologia textual. Competência: analisar os recursos expressivos da linguagem verbal, relacionando texto e contexto de uso. Atividade 3 Distribua o Anexo 3 (página 64) e dê um tempo para os professores lerem o enunciado das duas tarefas. Proponha então uma outra tarefa: Considerando a noção de cotidiano anteriormente analisada, o falante só goza da liberdade de empregar a linguagem do cotidiano

57

LÍNGUA PORTUGUESA . Peça então para elaborarem um exercício para trabalhar esse tipo de texto. entre as quais a gíria. formulem um exercício para passar aos alunos. Organize a turma em grupos de três e apresente-lhes uma tarefa. dizendo para lerem e comentarem o texto. eficácia. contexto. adequar a linguagem ao contexto. ou outras expressões mais atuais. interlocutores etc. Considerando que os alunos usam muitas gírias – até mesmo em situações inadequadas –. Competências: distinguir contextos. Leve os professores a citar duas estratégias que poderiam empregar para capacitar o aluno a distinguir as duas situações e solucionar o problema de forma adequada. Terminada a tarefa. a partir dos conceitos implícitos no Texto 1. deixe comentarem livremente a natureza da gíria: mecanismos de formação. 58 . na qual cada grupo possa expor seu trabalho e comentar os dos demais. entregue-lhes cópias do Anexo 5 (páginas 65-66) e. Essa linguagem pode assumir muitas variantes. Encaminhe uma análise das opiniões do cronista. Atividade 5 Converse com o grupo sobre o fato de a linguagem cotidiana propiciar a resolução de problemas práticos. Vá sintetizando e registrando no quadro as observações que julgar pertinentes à análise que será feita em seguida. levando-os a analisar a adequação (ou inadequação) da gíria em determinados contextos – considerando espaço. escolher uma das variantes disponibilizadas pela língua. após a leitura. analisem o tipo de linguagem utilizada no Texto 2. mas levando-o a examiná-la com olhar crítico. Conceitos: gíria. Proponha que. organize uma roda de discussão. tempo. O objetivo mais importante do trabalho é enriquecer a capacidade de interlocução do aluno. Atividade 4 Distribua o Anexo 4 (páginas 64-65) para os professores lerem. Conceito: tipologia textual versus situação de interlocução.Módulo 1 em uma das tarefas. permanência no tempo e no espaço etc. enfatizando os aspectos relacionados abaixo. Identifique a tarefa e justifique a resposta. Atividade 6 Distribua o Anexo 6 (páginas 66-68) para grupos de até três participantes. Em seguida. proponha aos professores: Com as gírias utilizadas no texto lido. Competências: relacionar língua e contexto. preservando uma variante que ele emprega com eficiência.

Terminada a tarefa. proponha que os participantes se manifestem em relação às idéias de Walcir Carrasco. Coloque em questão o segmento da crônica em que o autor diz: “É impressionante como as pessoas falam e escrevem de maneira errada”. (Relembre que falar e escrever são competências diferentes. Atividade 7 Distribua o Anexo 7 (páginas 68-72) para leitura individual do Texto 1. Oriente o debate. não deu?”. usando a língua como instrumento que o define como pessoa entre pessoas. socializando as conclusões. 138) b. A língua situada no emaranhado das relações humanas. para fugir a questionamentos sobre a norma culta. Competências: identificar níveis de linguagem. seguindo as instruções do Texto 2 do mesmo Anexo.a. comparar. Após a leitura. opinar. analisar. argumentando a favor delas ou contra elas. intertextualizar. relembre aos professores este fragmento dos PCNEM: Comunicação aqui entendida como um processo de construção de significados em que o sujeito interage socialmente. mesmo em situação escolar. Leve os professores a localizar um equívoco no trecho. tão comum na fala de nossos alunos. seqüenciar graus de dificuldade. Conceitos: língua e contexto. A língua compreendida como linguagem que constrói e ‘desconstrói’ significados sociais. Sendo ela dialógica por princípio. analisar julgamentos. Enquanto os grupos trabalham. Competências: relacionar textos a contextos. circule pela sala. Peça para os professores contarem como costumam lidar com essa situação. e não a língua divorciada do contexto social vivido. não há como separá-la de sua própria natureza. A idéia implícita na chamada da crônica. Atividade 8 Peça para os professores lerem os textos do Anexo 8 (páginas 73-74). (p.) Proponha que sejam identificadas as situações narradas pelo cronista em que se usa a linguagem cotidiana. proponha aos professores que se reúnam em grupos de até quatro. No texto. solucionando dúvidas. Conceitos: todos os que já foram trabalhados neste módulo. c. é aceita hoje pelos lingüistas? Qual a posição dos PCNEM em relação a essa idéia de língua? Como apoio. língua falada e língua escrita. com o objetivo de criar um roteiro de interpretação para o conto. 59 . que é um conto de Guimarães Rosa. Walcir Carrasco relembra que. de que existe um sistema lingüístico independente do falante. as pessoas muitas vezes dizem: “Deu pra entender. Para encerrar. nas quais o aluno está presente e mergulhado. promova a socialização dos resultados.

Masa. Quando estamos estudando a língua. Linguagem funcional e literatura – presença do cotidiano no texto literário. Para encerrar. 1993. Edith. como por exemplo: • A necessidade de importar certos termos neste momento histórico. São Paulo. 1996.] pela e na linguagem é possível transformar/reiterar o social. A obra apresenta estudos interessantes a respeito do discurso informal e da incorporação desse discurso pela literatura. Consulte também NOMURA. 144).Módulo 1 Apresente estes dois trechos dos PCNEM: A língua. os desejos. O português popular escrito. podem-se fazer extrapolações para o caso brasileiro. procure identificar os professores cujo ponto de vista se solidariza com o de Ariano Suassuna e aqueles que se opõem à posição do escritor. • Considerando que a relação de um escritor com a língua é diversa da relação de um falante ‘comum’. a visão de mundo. mas deve garantir tal exercício de uso amplo no seu espaço. na sua atualização. A autora analisa o emprego da língua portuguesa em letreiros. mas compete também a ela a tarefa de mostrar ao aluno que ao se “fazer compreender [. Armá-lo para poder competir em situação de igualdade com aqueles que julgam ter o domínio social da língua. p. o que pode significar o termo ‘horroroso’? Durante o debate. Glossário chamada No jornalismo impresso. o pessoal” (PCNEM. (p. sobretudo no campo de significados da informática. 144) Para finalizar os trabalhos deste Módulo. placas. como deve ser analisada a opinião de Suassuna? • O comentário de Suassuna a respeito do plural ‘gols’ deságua na subjetividade.. Annablume. as necessidades. Embora o estudo seja aplicado à literatura alemã. as emoções. São Paulo. impressos volantes e cartas.. frase ou texto curto que se coloca no início da matéria. com apoio nos trechos dos PCNEM transcritos acima. (p. 60 . expressa pelo termo ‘horroroso’. os pontos de vista. 143) A escola não pode garantir o uso da linguagem fora do seu espaço. representa e reflete a experiência em ação. o cultural. organize uma mesa-redonda para discutir os textos. com o objetivo de atrair o leitor e remetê-lo ao texto integral. recolha os Anexos. Contexto. Levante algumas questões para orientar o debate. Proponha que apresentem argumentos favoráveis ou contrários aos do texto. PIMENTEL PINTO. Cabe à escola garantir o respeito às variantes lingüísticas. como forma de instrumentalizar o aluno para o seu desempenho social.LÍNGUA PORTUGUESA . os valores.

resultante do fenômeno de acumulação de tipificações dos atos verbais em situações comunicativas típicas. cit. cartazes de rua. Texto 2 A modalidade escrita da comunicação cotidiana As formas escritas da comunicação cotidiana sofrem um processo de padronização. Entre as formas escritas com tendência para a padronização de sua estrutura textual contam-se as seguintes: cartas comerciais. São Paulo. Masa Nomura. anúncios e classificados. fez ou planeja fazer nele. p. p. A mais próxima é a zona da vida cotidiana diretamente acessível à sua manipulação corporal – o mundo ao seu alcance. folhetos. catálogos. instruções para uso de produtos comercializados. receitas culinárias. Essa parte da comunicação cotidiana. manifesta-se em exemplares de tipologias textuais. aqui denominadas textos do cotidiano ou textos de uso corrente. 38. é nesse mundo que a sua consciência é dominada pela motivação pragmática. 23. bulas de remédio. receitas médicas. e o aqui/agora constitui o foco de atenção dele dentro da realidade da vida cotidiana. boletins meteorológicos. toda a gama de formas escritas de comunicação com que diariamente nos defrontamos.Anexo 1 Texto 1 A motivação pragmática A realidade da vida cotidiana está organizada em torno do aqui/agora do indivíduo. panfletos – enfim. o mundo em que ele trabalha e vive. horóscopos. cardápios. op. Masa Nomura. pelo “aglomerado de significados diretamente relacionados a ações presentes ou futuras” (P. Annablume. Berger e T. Linguagem funcional e literatura. 61 . tanto temporal quanto espacialmente. Essa realidade é vivida por ele em graus variáveis de aproximação e distância. isto é. A atenção do indivíduo a esse mundo é predominantemente determinada por aquilo que ele está fazendo. comunicados. o mundo em que ele atua a fim de lhe modificar a realidade. ligada a grupos organizados privados ou a instituições públicas –. seja através de manifestações textuais diretamente relacionadas com algum aspecto pragmático de nossa vida cotidiana. seja através dos órgãos da mídia. Luckmann). 1993. de difícil caracterização – uma vez que nela fluem elementos da comunicação especializada.. avisos.

O que deveria ser um exercício para o falar/escrever/ler melhor se transforma em uma camisa-de-força incompreensível. 137) Texto 6 Como armar um presépio Pegar uma paisagem qualquer cortar todas as árvores e transformá-las em papel de imprensa enviar para o matadouro mais próximo todos os animais retirar da terra o petróleo ferro urânio que possa eventualmente conter e fabricar carros tanques aviões mísseis nucleares cujos morticínios hão de ser noticiados com destaque despejar os detritos industriais nos rios e lagos exterminar com herbicida ou napalm os últimos traços de vegetação evacuar a população sobrevivente para as fábricas e cortiços da cidade depois de reduzir assim a paisagem à medida do homem erguer um estábulo com restos de madeira cobri-lo de chapas enferrujadas e esperar esperar que algum boi doente algum burro fugido algum carneiro sem dono venha nele esconder-se esperar que venha ajoelhar-se diante dele algum velho 62 . Texto 4 Bem sabemos que graves são os problemas oriundos do domínio básico e instrumental. principalmente da língua escrita. ibidem. tendo a comunicação como base das ações.LÍNGUA PORTUGUESA . p. entretanto as finalidades devem visar a um saber lingüístico amplo. Idem. Como resolvê-los? O diagnóstico sensato daquilo que o aluno sabe e do que não sabe deverá ser o princípio das ações. determinam o emprego de uma linguagem que pode ser chamada de “linguagem cotidiana”. que o aluno deveria ter adquirido no Ensino Fundamental. (PCNEM. movidas por razões eminentemente pragmáticas. (PCNEM. 138) Texto 5 Será que a gramática que se ensina faz sentido para aqueles que sabem gramática porque são falantes nativos? A confusão entre norma e gramaticalidade é o grande problema da gramática ensinada pela escola.Módulo 1 Anexo 1 Texto 3 Essas ações.

.............Anexo 1 pastor que ainda acredite no milagre esperar esperar quem sabe um dia não nasce ali uma criança e a vida recomeça? José Paulo Paes... Um por todos............ São Paulo....-Debates A3 BRASIL . 32 de Classificados (não circulam no DF) 443. A2 e A3 Erramos A3 Painel do Leitor A3 Tend.....A14 DINHEIRO............ 82 COTIDIANO .......com. El a E10 Astrologia E9 Cinema Esp. . 1986. Al 1 a A13 MuItimídia A12 CIÊNCIA .... 41-2....... 81 a 812 Câmbio R8 Falências 810 Mercados B8 a B l 1 Op........ .... Anexo 2 ÍNDICE OPINIÃO .. A4 a A10 Painel A4 MUNDO ........ pp......246 exemplares www.........4 Cruzadas E9 José Simão E9 Mônica Bergamo E2 Quadrinhos E9 Televisão ES FOLHINHA .... Brasiliense...........folha. Fl a F8 Brincadeiras F7 Esta edição tem 100 Páginas Incluem 8 de Folhinha.br 63 .A........D1 a D6 José Geraldo Couto D5 Motor D4 Painel FC D2 ILUS TRADA.... 4 de Acontece......Cl a C8 Atmosfera C2 Mortes C4 ESPORTE . Econômica B2 Painel S..

densa. transformaram-se em instrumentos culturais. Nesse artigo. com o objetivo de dominar a complexidade da organização social humana. escreveu-lhe uma carta em que. Trazia a transcrição de um artigo.] o mundo cotidiano e a linguagem cotidiana fornecem uma determinada matéria-prima para outros campos da cultura: para as instituições. específica. a ordem social. para as ciências e as técnicas. para a literatura. Esses conceitos. o direito e os costumes – de forma já elaborada.Módulo 1 Anexo 3 Texto 1 Seu irmão.” Anexo 4 Texto 1 Linguagem funcional e literatura [. revela-se impressionado pela limpeza das ruas da cidade onde reside. escrito por um empresário. na forma de um texto argumentativo. e fez comentários desabonadores a respeito da sujeira que costumava enfrentar em São Paulo. cit. 23-5 (grifo nosso). intitulado “Até quando.LÍNGUA PORTUGUESA . A proposta de redação foi esta: “A partir da leitura e da sua reflexão sobre os implícitos. escreva-lhe uma carta. que têm sua origem no mundo cotidiano e na linguagem cotidiana. pp. tinha o seguinte teor: 1.. a moral. 64 . Texto 2 Uma das propostas de redação no vestibular da Unicamp. Masa Nomura. o autor refere-se ao que ele denomina “a imundície que campeia na cidade de São Paulo”. em 1998.. entre outros assuntos. e imaginando que você discorda do articulista. na qual você exponha as razões de sua discordância. por seu lado. 2. op.. que mora em outro país. Esses campos da cultura. São Paulo?”. Responda à carta e comente seu desagrado com relação ao comentário de seu irmão. fornecem de volta ao domínio da vida cotidiana conteúdos relevantes do domínio da norma – a ética.

Não constituem atos ilícitos: I – os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. colégios e boates freqüentados basicamente por jovens é um exercício de semiologia. Aquele que. Mas balada que é balada não pode se restringir à velharia. Mas nem tudo é efêmero no vocabulário das ruas. As palavras aparecem e somem com uma rapidez de cometa. o ato será legítimo.532 e 1. Art. 160. sujou. Jóia. dar um tempo. Só quero mordê umas cavalas e abraçar uns corpos em algum setor que não tenha mano. pintar um lance e o próprio lance também estão entre as que concorrem ao trono do atemporal. manjar. compreender a nova linguagem praticada nos bares.537 a 1. Parágrafo único. 1. violar direito. fica obrigado a reparar o dano.553. Legal parece eterna. II – a deterioração ou destruição da coisa alheia. 159. não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. por ação ou omissão voluntária. ou causar prejuízo a outrem. a fim de remover perigo iminente (arts. Neste último caso. negligência. 1. na escola ou nos 65 . O que era dito há dois anos. cara. arts. Anexo 5 Clube da esquina “Aí coroa.519 e 1. libera um tempo pra eu sair de goma e encontrar uns véio numa muvuca por aí. “Gíria é um linguajar desenvolvido entre a moçada. somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário. sacar. ou imprudência. barato.Anexo 4 Texto 2 Fragmento do Código Civil Brasileiro TÍTULO II – DOS ATOS ILÍCITOS Art.520).518 a 1. A verificação da culpa e a avaliação da responsabilidade regulam-se pelo disposto neste Código. Algumas gírias conseguem driblar o tempo e se firmar por longos períodos. Sossega que não vou voltar chamberlau.” Para quem parou no tempo dos brotinhos e do bacana. hoje está totalmente fora de moda.

e crack é casca. Fico de cabelo em pé ao perceber que as pessoas acham feio falar corretamente. de 18 anos. O personagem que fala certinho é sempre o chato nos programas humorísticos. Rappers. “Às vezes os pais não entendem e pedem para a gente explicar”.. tudo bem?” é o mesmo que dizer “E aí sangue bom. onde a concorrência profissional é enorme. As palavras pouco convencionais são usadas justamente como diferenciação. o garoto de 15 anos conhece todos os apelidos dados às drogas mais consumidas.H. Incluem-se aí profissionais de nível universitário.LÍNGUA PORTUGUESA . As diferentes ‘raças’ seguem glossários distintos. hein? Vira motivo de piada. Se alguém usa uma palavra diferente. garotos da classe média. acaba ouvindo: – Hoje você está gastando. numa roda de amigos. Habituado com o submundo das ruas.M.Módulo 1 Anexo 5 agitos noturnos”. ou sangão. de 17 anos. baranga e muvuca são alguns dos vocábulos que convivem. 13/4/1997. O bom português até já foi tema de campanha publicitária do McDonald’s. Campinas. desfere gírias em quantidade industrial. skatistas. o verborrágico D. em diferentes grupos. ou sangue B”. Freqüentador das esquinas da cidade à cata de alguns trocados. surfistas. Maconha é bagulho.. democraticamente. Mordê. Douglas se autodenomina manezão ou tiguela porque não usa nenhum tipo de droga. O papo das ruas tem variações. ninguém parece preocupado em corrigir erros de linguagem. para os meninos de periferia é o mesmo que amigo. Mesmo em uma cidade como São Paulo. esclarece o estudante L. Anexo 6 A língua maltratada Como castigam nosso pobre português! É impressionante como as pessoas falam e escrevem de maneira errada. chinelo. da periferia.M. cocaína é farinha ou bright. Um dos 66 . cara. A tribo jovem não pode estar enquadrada no ritmo lento da conversa simples e comum que permeia o mundo adulto. Outros não têm essa flexibilidade. Silvana Guaiume. gays e outros universos têm cada um sua lista específica de palavras. Mas alguns termos rompem territórios e se espalham por ‘classes’ diversas. exemplifica o garoto de rua D. acrescenta T. Enquanto para um jovem de classe média mano quer dizer pé-rapado. in Revista do Correio Popular. “E aí mano.S. Presenciar punhaladas na língua não me assusta tanto.

o responsável pelas frases tortas é bem capaz de dizer: – Deu para entender. Lá pelas tantas. Os atores devem falar como os personagens que interpretam.. É a necessidade de manter uma linguagem coloquial. O verbo é prevenir. A história se passava durante a Abolição da Escravatura. por exemplo. passo horas buscando alternativas. Nunca vou esquecer o que aconteceu numa novela de época. Só o demônio é a encarnação do mal. 67 . Quem lê muitas vezes nem sequer presta atenção. Diz-se que um personagem é ‘mal’. Mas há limites. Um amigo me disse: – Encontrei com ela na night. Todos preferem: – Eu vi ele.”. não deu? Errar. O certo é ‘mau’. Lá pelas tantas. Novelas de televisão. tornaram-se um festival de arrasa-língua. estava assistindo ao trailer de Medidas Extremas. ela escrevia como ‘Aucides’. Outro dia. Para manter o tom coloquial sem massacrar a língua. como faria uma mestra da literatura. Por exemplo: – Ontem eu vi a menina. assim como outros autores que conheço. Adianta? Para se sentir à vontade. Nenhum jovem diz: – Eu o vi. Mesmo em jornais. O problema é deixar o erro seguir em frente. Já tive uma secretária incapaz de soletrar o nome correto de alguns conhecidos. Em teatro e televisão.. No filme Asas do Amor. o vilão dizia: – Chutei o balde! Mas o ator interpretou. Amigos se tratam de ‘mermão’. Vários jornais fizeram piada. Esfaqueiam as palavras até para expressar carinho. Ninguém pode esperar que uma quituteira baiana. use ‘deixe-a’ ou “ofereçolhe”. também não falta uma preciosidade. É uma experiência que vivo na carne. Gente descolada emprega termos ingleses a torto e a direito. Casais chamam o cônjuge de ‘mô’. Só para não cair no hediondo “eu vi ela”. surge a legenda: “Vou previni-lo”. do ponto de vista da gramática. ‘Alcides’. é importante. Seria injustiça falar apenas de atores. tudo bem. Como usar essa expressão no século passado? O sapo ficou para o autor. Há memorandos internos de executivos de arrepiar. Existe um argumento para justificar essa forma de falar. aliás. costumo ler: “Não se sabe a quanto tempo. Mesmo um texto correto corre riscos. Legendas de filme não deveriam sofrer um cuidado extra? Para se defender. certos atores crivam o diálogo de horrores.Anexo 6 maiores crimes é cometido contra o verbo haver. Raramente alguém coloca o H. de boca cheia: – Chutei o pau da barraca! Foi ao ar.

os cavalos se apertando. embolados. nem olhassem para nada. Seu cavalo era alto. metros. Muita gente passa o dia malhando na academia. um alazão. tomando ganho da topografia. insolitíssimo. vendo melhor: um cavaleiro rente. As pessoas usam a torto e a direito para dar a impressão de refinamento. o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos. e dos dois lados avançava a cerca. tristes três. curto pesadamente. O cavaleiro esse – o oh-homem-oh – com cara de nenhum amigo. mal me haviam olhado. sem contar que. desprezivo. Será que um dia essa mentalidade vai mudar? Walcyr Carrasco. Existem gourmets capazes de identificar um raro tempero na primeira garfada. não dispunham de rápida mobilidade. que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto. frente à minha porta. unidos assim.Módulo 1 Anexo 6 Era uma maneira de dizer que se cruzaram na noite paulistana. p. Boa parte acha normal atropelar o português. como gíria. espécie de resguardo. equiparado. Um grupo de cavaleiros. Isso por isso. “Up to date”. Saíra e viera. o arraial sendo de todo tranqüilo. Descaso com a língua é desprezo em relação à cultura. Outros conhecem vinhos. Parou-me à porta o tropel. Tudo enxergara. bem arreado. Cheguei à janela. da linha da rua. sim. in Veja São Paulo. três homens a cavalo. e. enquanto barrava-lhes qualquer fuga. Saudou-me seco. E por aí vai. E concebi grande dúvida. sopitados. suado. “fashion” e uma infinidade de termos tornaram-se essenciais no vocabulário. tropa desbaratada. Os outros. de banda. 22/4/1998. formava-se ali um encantoável. Nenhum se apeava. intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. aquele homem. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa. Dado que a frente da minha casa reentrava. Semelhavam a gente receosa.LÍNGUA PORTUGUESA . Valendo-se do que. Os 68 . Ninguém sabe exatamente o que significam. Anexo 7 Texto 1 Famigerado Foi de incerta feita – o evento. para morrer em guerra. ferrado. Tudo. Sei o que é influência de fisionomia. exato. Tomei-me nos nervos. Isto é. num relance. 106. constrangidos – coagidos. Analistas econômicos são capazes de analisar todas as bolsas do universo.

pelo menos de tão boa feitura. a fala de gente de mais longe. Tivesse aceitado de entrar e um café. a catadura de canibal. maneiro. sua farrusca.. Sua voz se espaçava. podendo desfechar com algo. em suas tenções. tinha para um se inquietar. porém. Senti que não me ficava útil dar cara amena. quem. O medo me miava. sem medida e sem certeza. jagunço até na escuma do bofe. uma jereba papuda urucuiana. que de para uns anos ele se serenara – evitava o de evitar. Tudo de gente brava. Assim. Perguntei: respondeu-me que não estava doente. grossudo. quase que sorriu. se compareceu um moço do Governo. Saiba que estou com ele à reve- 69 . não seus sequazes. Mas avessado. E ele era para muito. Causava outra inquietude. Com um pingo no i. que usado baixo. porém. homem perigosíssimo. perverso brusco.Anexo 7 três seriam seus prisioneiros. Pequeno. quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas. Damázio. de repente. dos Siqueiras. na região. por o ultimamente. calmava-me. para ela estar-se já ao nível justo. Fie-se. Desfranziu-se. Via-se que passara a descansar na sela – decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. porém. antenasal.. rapaz meio estrondoso. conquanto os costumes.. Conservava-se de chapéu. O medo O. O chapéu sempre na cabeça. Dava para se sentir o peso da de fogo. ele me dissolvia. Aquele homem.. Eu não tinha arma ao alcance. não adiantava.” Carregara a celha. todo em tronco de árvore. com dezenas de carregadas mortes. na Serra. Um alarve. mentalmente.. sem farroma. de mim a palmo! Continuava: – “Saiba vosmecê que. – “Vosmecê é que não me conhece. Constando também. por um és-não-és. pronto meneável. desceu do cavalo. querendo-se calma. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. Mais os ínvios olhos. estranhão. Sendo a sela.. só podia ser um brabo sertanejo.. Convidei-o a desmontar. de notar-se. pouco de se achar. em tais tréguas de pantera? Ali. comecei a me organizar. banda de fora. a entrar. por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto. Seria de ver-se: estava em armas – e de armas alimpadas. Tivesse. se verdade. para proceder da forma. no cinturão. Sua máxima violência podia ser para cada momento. Estou vindo da Serra. nem vindo à receita ou consulta. também.’’ Sobressalto. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia. mostras de temeroso. mas duro.. ademão. tanto que ele se persistia de braço direito pendido. o alazão era para paz. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos. Muito de macio. Ele falou: – “Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada. Disse de não. talvez são-franciscano. Daí. Damázio. imprevisto. Aquele propunha sangue. sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes.

Esses trizes: – Famigerado? – “Sim senhor. tem nenhum ninguém ciente.” Só tinha de desentalar-me. pensava. se resolveu.LÍNGUA PORTUGUESA . não queria que eu a desse de imediato. Como por socorro. pois. Soara com riso seco. Encarar. inseqüentes. A conversa era para teias de aranha. de golpe. mumumudos. o termo. no São Ão. como dificultação. não me encarava. espiei os três outros. familhas-gerado. que muito. Levantou as feições. – Famigerado? Habitei preâmbulos. – “Lá. E. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio. Bem que eu me carecia noutro ínterim. Mais me diga: 70 ... e por estes meios de caminho.. em seus cavalos. Cá eu não quero questão com o Governo. pra testemunho. no aperfeiçoado: o que é que é. Só se o padre. diversas pessoas e coisas. travados assuntos. faz-me-gerado.. mas com padres não me dou: eles logo engambelam.. Transfoi-se-me. invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem.. de evidente. trazia entre dentes aquela frase. O rapaz. não estou em saúde nem idade. no pau da peroba. pá: – “Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado. Damázio: – “Vosmecê declare. São da Serra. enfim nos vermelhões da raiva. só se fito à meia esguelha. Cabismeditado. Se digo.. é “célebre”.. que aqui ele se famanasse. seguir seus propósitos e silêncios. a vexatória satisfação? – “Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra. rosto a rosto. Mas. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações. o que já lhe perguntei?” Se simples.. vezes. sonso. por se fingirem de menos ignorâncias.” – e.”? Disse... do São Ão. “notório”.. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. se era.. repetiu. intimativo – apertava-me. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga. – “Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender.Módulo 1 Anexo 7 lia. de sua presença dilatada.. capaz.. o gesto. “notável”. pelo claro. ele enigmava. se me faz mercê. no me iludir. da Serra. sem parar. pensava.. intugidos até então.. Assim no fechar-se com o jogo. essas seis léguas. O que frouxo falava: de outras. Tinha eu que descobrir a cara. alto... Mas..... Latejava-lhe um orgulho indeciso. E gente pra informação torta. Só vieram comigo. – Famigerado é inóxio. sua voz fora de foco. vosmecê me fale. o fatal. A bem.. expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta.. Transiu-se-me. em indúcias. Estes aí são de nada não.. que se seguiu. imperava-se de toda a rudez primitiva. que vim. falmisgeraldo.” Com arranco. interpelador.. Agora. calou-se. Detinha minha resposta. vindo para exigir-me. muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado.. Como arrependido de ter começado assim.” Se sério. Redigiu seu monologar. Contra que aí estava com o fígado em más margens. nem têm o legítimo – o livro que aprende as palavras. E já me olhava. Do que.

Só pra azedar a mandioca. ele se levantou de molas. Só aí se chegou. Vocês escutaram bem a boa descrição. considerando estes aspectos: a. Subiu em si. Disse: – “Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!” Seja que de novo.. exultante. se achar adequado. que geralmente sente dificuldades. a seguir. mão na Escritura?” Se certo! Era para se empenhar a barba.. o grupo pode utilizar no trabalho o Texto 4 deste Anexo... Primeiras Estórias. tese para alto rir.. que merece louvor. d. em fala de pobre.. com vantagens. quis me apertar a mão... por um mero. É: “importante”.. Oh. hum.” – soltou. – “Ah. São expressões neutras. bem!..” Agradeceu. 71 . sei não. João Guimarães Rosa. 2. às vezes o melhor mesmo. Outra vez. era ir-se embora.. s/d pg 13-17. pra a paz das mães. o famoso assunto. dessas desconfianças. nenhum doesto.Anexo 7 é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?” – Vilta nenhuma. Sorriu-se. Esporou. O trabalho com textos de Guimarães Rosa se beneficia bastante com alguma atividade prévia. Rio de Janeiro. o que eu queria uma hora destas era ser famigerado – bem famigerado.” Mas mais sorriu. linguagem de em dia-desemana?” – Famigerado? Bem. e considerar as observações recortadas dos PCNEM. como o sr. pois. especialmente as questões relacionadas ao contexto. aceitava um copo d’água. aceitaria de entrar em minha casa. c. – “Pois. beirando-me a janela. – “Vosmecê agarante. compadres... com noções de História da Literatura Brasileira.. Sugerir alguma atividade desse tipo... ed. e mais. apagara-se-lhe a inquietação. Texto 2 Instruções 1. e o que é que é. de outros usos.” – e eles prestes se partiram. Criar um roteiro de interpretação para o conto. Saltando na sela. foi-se. as reflexões feitas sobre os usos da língua. Disse: – “A gente tem cada cisma de dúvida boba. Satisfez aqueles três: – “Vocês podem ir. o roteiro deve incorporar. outro. em forma de atividades. deve-se atender à competência exposta no Texto 3. me vê. se torvava? Disse: – “Sei lá. pra esse moço do Governo. então eu sincero disse: – Olhe: eu. respeito. desagravava-se. o mais que pudesse!. o alazão. num desafogaréu.. não pensava no que o trouxera. o trabalho será proposto a alunos da 3a série do Ensino Médio. um tipo de ‘aquecimento’ para a leitura do aluno. Nova Fronteira. 14.. Do que o diabo. b.

o chavão. é a angústia de evitar a chapa. 142) [. No conto “Sarapalha”: Até a 2a edição: Do colmado dos juncos. No conto “O burrinho pedrês”: Até a 3a edição: E Juca Bananeira.. ao rever as páginas escritas. irrompe o vôo curto de uma garça. em direção à mata. mas como algo com o qual nos identificamos e que faz parte de nós como seres humanos.. que dá uma pancada na anca do Belmonte. A partir da 3a edição: Do colmado dos juncos. A partir da 4a edição: E Juca Bananeira.. É o caso de Sagarana. de modo que obras já publicadas sofriam alterações de uma edição para a outra. 140) Texto 4 “O que me preocupa e tortura. que é apenas um movimento branco. Todas as áreas partilham dessa necessidade de conhecimento. (p. (p. 2. em direção à mata.. que Rosa só considerou como obra ‘acabada’ na quinta edição. é o princípio para aceitar aquilo que não sabemos. a frase feita. 140) É com a língua que as significações da vida assumem formas de poesia ou da fala cotidiana nossa de cada dia..] Os papéis dos interlocutores.Módulo 1 Anexo 7 Texto 3 Trechos dos PCNEM Compreender as diferenças não pelo seu ‘caráter folclórico’. (p.. 72 . riscado no alto. se estira o vôo de uma garça. tão ligeiro. Veja duas dessas alterações feitas em Sagarana: 1. a avaliação que se faz do “outro” e a expressão dessa avaliação em contextos comunicativos devem ser pauta dos estudos da língua.LÍNGUA PORTUGUESA . que dá uma palmada na anca do Belmonte.” Essa declaração de Guimarães Rosa pretende justificar as revisões constantes a que o escritor submetia seu trabalho.

. self-service [. 1999. fascinante. [.. Vem daí o amor profundo.. o primeiro com o qual seus cidadãos entram em contato. descobri que ela era o caminho que se abria diante de mim para que eu pudesse enfrentar com alegria a dura mas bela tarefa de viver. desde muito moço. e.Anexo 8 Texto 1 Do Projeto de Lei do Deputado Federal Aldo Rebelo A História nos ensina que uma das formas de dominação de um povo sobre o outro se dá pela imposição da língua.] Deputado Federal Aldo Rebelo.] Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural. isto é tanto mais verdadeiro na medida em que.. o exercício da literatura pode ser um ofício duro. a língua que ele fala é. Entre os bens culturais que um povo possui.. que dominam o nosso cotidiano [. ao mesmo tempo. Existem escritores que nascem e se 73 . a língua portuguesa é meu instrumento de trabalho.]. a paixão irreprimível..] [.. sem dúvida. poderoso..] estamos a assistir a uma verdadeira descaracterização da Língua Portuguesa. E isso vem ocorrendo com voracidade e rapidez tão espantosas que não é exagero supor que estamos na iminência de comprometer.. em geral do inglês norte-americano. o mais importante e. tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos – como holding. recall. sendo escritor.] Como explicar esse fenômeno indesejável. Texto 2 Um projeto de lei O deputado Aldo Rebelo apresentou à Câmara dos Deputados um projeto de lei destinado a defender a língua portuguesa das palavras e expressões que a estão desfigurando. quem sabe até truncar. assim... ameaçador de um dos elementos mais vitais do nosso patrimônio cultural – a língua materna –. No meu caso particular. não afeito às palavras e expressões importadas. franchise. Encaro a literatura como missão e festa. mas sem xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie. Para mim. conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria. coffee-break. [. a relação de carne e sangue que me liga à língua portuguesa.. a comunicação oral e escrita com o nosso homem simples do campo. mas é também um jogo esmaltador e indispensável. talvez. que vem ocorrendo com intensidade crescente ao longo dos últimos 10 a 20 anos? [.

um dia. Mas elas devem ser adaptadas à forma e ao espírito do idioma que as acolhe. Por tudo isso. ele me convidou a ir a Portugal. tal fato jamais poderia acontecer comigo. traduziram. Sei perfeitamente (e o deputado Aldo Rebelo sabe também) que um idioma é uma coisa viva e pulsante. ‘escanteio’.LÍNGUA PORTUGUESA . Acho que foi em 1995 que o então presidente de Portugal Mário Soares me deu uma condecoração que muito me orgulha – a da Ordem do Infante Dom Henrique. 1-2. que aprendem depois de adultos. Somente assim é que deixam de ser mostrengos que nos desfiguram e se transformam em incorporações que nos enriquecem. mando daqui meu abraço a Aldo Rebelo. p. dizendo-lhe que. assinei um manifesto de apoio à sua candidatura. trazendo-a para o Brasil há 500 anos. se enriquece com as palavras e expressões das outras. 5/4/2000. para exemplificar: no país onde se joga o melhor futebol do mundo. entre os países da Europa. se. mas. No momento em que lhe agradeci a honraria. mesmo não morando em São Paulo. 74 . Pode-se imaginar. que. Estou com 73 anos e a cada dia me embrenho mais pelos encantos e encantações da bela língua que os portugueses nos legaram. nunca saíra do Brasil. se adotaram palavras tão boas quanto ‘zaga’. Isto num setor em que. Respondi que. “o único onde o povo tem o bom senso de falar português”. então. Mas estão escrevendo seu plural de maneira ao mesmo tempo horrorosa e errada. para substituir os vocábulos estrangeiros. a palavra inglesa goal por ‘gol’. como está acontecendo. Folha de S. como acontece com qualquer outra língua. como fico preocupado ao ver a língua portuguesa desfigurada. isto viesse a acontecer. pelo espírito e pela forma da nossa língua). em 1998. Para falar com sinceridade. Paulo. e bem. com seu projeto de lei. por ser.Módulo 1 Anexo 8 criam falando uma língua e passam a escrever noutra. que. minha preferência seria por Portugal. ‘impedimento’ etc. Ariano Suassuna. ‘gols’ (e não ‘gôis’. Cito um caso. ele me deu mais uma prova de que fiz bem quando. Não queremos isolar o português. como é exigido ao mesmo tempo pelo bom gosto. não gostando de viajar.

Linguagem. Cada retomada dessas matrizes pode se pautar pela sintonia ou pelo conflito – flagrante ou mascarado –. • contextualizar a situação discursiva. no estudo da intertextualidade. 75 . PCNEM. num movimento constante. uma vez que pensar os discursos em sua intertextualidade pode revelar a diversidade do pensamento humano. Socialize depois a discussão e faça uma seleção dos comentários que se relacionarem com o conceito de intertextualidade. Conceitos Intertextualidade. Caderno. especialmente em textos com temática semelhante.LÍNGUA PORTUGUESA MÓDULO 2 DIÁLOGO ENTRE TEXTOS: UM EXERCÍCIO DE LEITURA Uma das manifestações da língua é a intertextualidade. Construir ou mobilizar as competências e habilidades de: • identificar. • reconhecer. responsável pelo caráter dialógico do discurso e pela dinâmica da cultura. analisar e comparar os diversos recursos expressivos da linguagem verbal (língua). Textos dos Anexos do Módulo 2 de Língua Portuguesa. uma ferramenta eficaz para o trabalho com leitura e análise de texto. acabam emergindo matrizes verbais que refletem identidades sociais. lápis e caneta. Materiais necessários Diferentes jornais para realizar a Atividade 5. Lousa e giz. Do emaranhado das relações humanas. Tempo previsto: 16 horas Finalidades do Módulo Rever e ampliar o conceito de intertextualidade. Estilo. Dinâmica de trabalho Atividade 1 Entregue cópias do Anexo 1 (páginas 80-82) a grupos de três professores e dê um tempo para lerem e comentarem os textos. língua e discurso. analisando a intenção do intertexto. Registre-os de forma resumida no quadro-negro.

diga para compararem os dois textos. (p. jornal. Atividade 2 Solicite a cada professor um depoimento a respeito dos seguintes pontos: • Ao corrigir as redações de seus alunos. E apresentou em seguida o Texto 2. c. uma análise comparativa dos dois textos. Tendo em vista que o intertexto sempre implica uma operação de interpretação do texto matriz. a. televisão. d. Se achar que é o caso. um professor escolheu o recorte do texto do Canto IV de Os Lusíadas que aparece no Anexo. apresente esta situação: Para trabalhar o conceito de intertextualidade. por escrito. por parte do autor: • Quais os significados projetados por Saramago no texto de Drummond? • Pode-se afirmar que essa leitura desentranhou novos significados do texto do poeta brasileiro? Justificar a resposta. Em seguida.. oriente o trabalho com um roteiro.LÍNGUA PORTUGUESA . É imprescindível conhecer a poesia de Drummond para compreender o texto de José Saramago? Justificar a resposta.. b. o princípio das diferenciações encontra no social o alimento de referência. Identificar o segmento do texto de Saramago que traduz. 142).] O texto só existe na sociedade e é produto de uma história social e cultural. exponham aos demais sua resposta à seguinte questão: Neste momento. como este abaixo. (p. tem observado a ocorrência de intertextualidade? • Quais são as fontes mais freqüentes dessa intertextualidade: cinema. proponha que façam. Competência: analisar os recursos expressivos da linguagem verbal. de acordo com os seguintes aspectos: a. que situação de sua vida profissional ou social mereceria uma exposição passível de ser fechada com a pergunta “E agora. José?”? Conceito: função e natureza da intertextualidade. porque marca o diálogo entre os interlocutores que o produzem e entre os outros textos que o compõem. espontaneamente. letras de música. 76 . 139) Atividade 3 Entregue cópias do Anexo 3 (páginas 83-85) e peça para os professores lerem. a seguinte afirmativa dos PCNEM: O homem pode ser conhecido pelos textos que produz. Peça para o grupo relacionar a atividade desenvolvida pelo professor hipotético com esta passagem dos PCNEM: [. relacionando texto e contexto. em linguagem poética. do mesmo Anexo. a literatura estudada na escola? Outras fontes? Quais? Distribua o Anexo 2 (página 83) e diga para lerem os Textos 1 e 2. Nos textos. os homens geram intertextos cada vez mais diversificados. A fidelidade (ou não) do título do texto jornalístico ao fato. Terminada a leitura. ao realizar esta atividade.Módulo 2 Em seguida. Proponha que alguns professores. único em cada contexto.

] as relações lingüísticas. tem sido comum seus alunos utilizarem a ironia. 77 . mas. Distribua o Anexo 4 (páginas 85-86) para os professores lerem e comentarem livremente. uma advogada paulistana de classe média alta foi surpreendida em um supermercado.) c. Competência: confrontar opiniões e pontos de vista sobre diferentes manifestações da linguagem verbal. identificar as informações necessárias para uma compreensão mais profunda da intertextualidade entre o Texto 1 e o Texto 2.] O desenvolvimento da competência lingüística do aluno no Ensino Médio. A utilização da ironia – um recurso freqüente na intertextualidade – no texto de Scliar. 131) Converse com o grupo. Atividade 4 Relate aos professores este fato: Um dia após ter sido publicada a notícia transcrita no Anexo 3. intertextualidade. não está pautado na exclusividade do domínio técnico de uso da língua legitimada pela norma padrão. em situações subjetivas e/ou objetivas que exijam graus de distanciamento e reflexão sobre contextos e estatutos de interlocutores – a competência comunicativa vista pelo prisma da referência do valor social e simbólico da atividade lingüística e dos inúmeros discursos concorrentes. principalmente. a partir da comparação dos textos.. La dolce vita. (p. apresente o seguinte trecho dos PCNEM: [. b.. título que também é um intertexto.. escolher uma atividade que poderia ser proposta com o objetivo específico de tornar relevante para o aluno a busca de informações sobre o contexto em que cada um dos textos foi produzido e sobre a importância do suporte em que foram veiculados. Em relação a esse aspecto.. recurso que pode conduzir à paródia? Dependendo das respostas. Discuta com os participantes: A relação com o fato real que Barbara Gancia cria em seu texto é semelhante à relação existente entre os dois textos do Anexo 3? Considerando a condição profissional da jornalista Barbara Gancia. leve o grupo a relacionar o texto a esta passagem dos PCNEM: [. (p. levando-o a relacionar esse texto com as atividades realizadas. relembre que o título do texto de Scliar repete o de um filme de Frederico Fellini. analise com o grupo o motivo de os alunos manifestarem essa preferência.b. especialmente em dois aspectos: a. Peça para os professores retomarem as anotações feitas na atividade anterior e definirem intertextualidade. A advogada foi presa. pergunte aos professores: Nos exercícios de intertextualidade. longe de serem uniformes. marcam o poder simbólico acumulado pelos seus protagonistas. A dupla significação do título do texto de Scliar. no saber utilizar a língua. (Se for preciso. dentro dessa perspectiva. Para finalizar a atividade. furtando chocolates. 131) Conceitos: protagonista do discurso.

Atividade 6 Distribua o Anexo 5 (páginas 86-87) entre grupos de no máximo quatro pessoas. teatro. em manifestações que não pertençam ao universo da literatura. indica o comportamento que deve ser considerado bom e mau. Nesse trabalho deve-se levar em conta: a. São Paulo.LÍNGUA PORTUGUESA . p. a questão da cidadania e do trabalho serve de exemplo do uso da língua.Módulo 2 Atividade 5 Cada participante do grupo de três professores se encarrega de levar um jornal diferente. O homem visto como um texto que constrói textos. como também dialogar com esses trabalhos. 139) Sugira que se monte um painel com o resultado do trabalho. e observar também: a. vista como conhecimento de mundo em interação. Proponha à maioria dos grupos que. Esses intertextos – quadros. elabore um plano de aula para trabalhar a intertextualidade. cartuns. esta disposição dos PCNEM: No Parecer do CNE. Os professores deverão levar em conta o grau de maturidade e conhecimento de seus alunos. mas do mesmo dia. porque marca o diálogo entre os interlocutores que o produzem e entre os outros textos que o compõem. 38) b. em que a linguagem representa fonte da ética e estética em ação. numa determinada sociedade. partindo da historicidade presente nos valores. único em cada contexto. quando a Lei fala sobre as diretrizes dos conteúdos curriculares. Terezinha A. esta questão: Que valor(es) se pode(m) mobilizar com esse trabalho? Explique então a tarefa do grupo que ficou à parte: identificar e indicar. 27. Ética e competência. Deverão comparar as fontes e analisar o diálogo permanente entre os usuários da língua. intertextos da história de Chapeuzinho Vermelho.. A ética procura o fundamento do valor que norteia o comportamento. – deverão não só ilustrar o trabalho dos colegas dos outros grupos.. Cortez. Para finalizar. Peça para todos os grupos analisarem os textos e comentarem a intertextualidade. telenovelas. sites da internet. está reservada uma tarefa diferente da realizada pelos demais. a fim de que todos possam ler as notícias colhidas e os textos produzidos pelos colegas. vista como formadora de valores sociais e culturais. (p. Promova a análise dos trabalhos. (p. 138-9) b. (pp. jornalismo escrito e televisivo.. Escolha um dos grupos e explique: para eles. 1993.] No Art. Sugira que escolham uma notícia que tenha sido publicada nos três jornais. Peça para esperarem. Rios. escultura etc. 78 . proponha a montagem de um ‘varal’.. destaca-se a questão da formação ética. dança.] O texto só existe na sociedade e é produto de uma história social e cultural. inclusive com seus desdobramentos temáticos (por exemplo. 24. esta reflexão: A moral. filmes. este fragmento dos PCNEM: [. o homem conquistador encarnado no lobo mau). estética e política na e pela língua. recorrendo aos textos do Anexo. quadrinhos. levando em conta esta passagem dos PCNEM: [.

Intertextualidade: teoria e prática. Paródia. a necessidade de compreender a linguagem como parte do conhecimento de si próprio e da cultura e a responsabilidade ética e estética do uso social da língua materna. No mundo globalizado. fazer o aluno se compreender como um texto em diálogo constante com outros textos. Maria Zilda. qualquer que seja. Affonso Romano de. agir e sentir. SANT’ANNA. sempre criando intertextos novos. As autoras apresentam várias propostas de trabalho com intertextualidade. paráfrase e Cia. (PCNEM. como parte das vozes possíveis e necessárias para o desenvolvimento humano. entregue um Anexo diferente a cada grupo (Anexos 6. o pessoal. Terminado o trabalho. fazer compreender que pela e na linguagem é possível transformar/ reiterar o social. cortes. abra um painel para que cada grupo explique sua tarefa.Atividade 7 Reorganize a sala em cinco grupos. (p. A intenção é levar o aluno a se conscientizar de sua condição de um intertexto vivo. Belo Horizonte. por sua vez. capaz de referendar. 144) Consulte também PAULINO. que reproduz o texto de encerramento. Se considerar pertinente. 9 e 10 (páginas 87-93). como por exemplo diversas versões da história de Chapeuzinho Vermelho. mesmo que. em que a identidade de cada um se instaura a partir da herança social e cultural comum. desmontá-los. Para encerrar. 8. 79 . haja avanços/retrocessos próprios dos usos da linguagem. acréscimos etc. é um texto entre textos e será recriado em outro texto. p. citar. Planeje uma forma de documentar a síntese do trabalho – por escrito. social e individual de seus alunos. enfim. em um hipertexto a que a escola deve garantir. relate as soluções encontradas e as possíveis dificuldades para a resolução pedagógico/educacional do problema. ou com gravação em áudio ou em vídeo – e posteriormente colocá-la à disposição de todos os participantes do curso. acesso e condição de preservação da marca histórica. O espaço da Língua Portuguesa na escola é garantir o uso ético e estético da linguagem verbal. Esta passagem dos PCNEM referenda essas idéias: O ponto de vista. o respeito pelas falas. 1998 A obra traz estudos teóricos e aplicados de intertextualidade. parafrasear os discursos estabelecidos ou negociar sentidos. recolha os Anexos. promova uma rodada de discussão desse texto. sugerir mudanças. o cultural. 7. ao mesmo tempo. a seguir. São Paulo. aceitar a complexidade humana. circule entre eles e oriente-os se for necessário. objetivando a socialização das formas de pensar. Lê. esses intertextos se inserem. Incentive os grupos a avaliar mutuamente seus trabalhos. fazer comentários. grifo nosso) O trecho grifado pode sintetizar bem o que se pretende com o trabalho de intertextualidade. WALTY. Quando terminarem. 144. Graça. no jogo comunicativo. Ática. Ivete & CURY. entregue aos professores o Anexo 11 (página 94). que deverá realizar a tarefa proposta em seu Anexo. Enquanto os grupos trabalham. em um exercício constante de diálogo (a que os PCN chamam de ‘jogo comunicativo’).

José. sem teogonia.LÍNGUA PORTUGUESA . está sem discurso. José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato. protesta? e agora. você é duro. Rio de Janeiro. você marcha. José? sua doce palavra. a valsa vienense. p. in Obra completa. o povo sumiu. está sem carinho. Minas não há mais. 80 . José? A festa acabou. e agora. que ama. Você que faz versos. e agora. José! José.. se você dormisse. 1967. não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou. mas o mar secou. o bonde não veio. seu ódio. para onde? Carlos Drummond de Andrade. quer morrer no mar. o dia não veio. se você gemesse. quer ir para Minas. José? Está sem mulher. sua biblioteca. já não pode beber. sem cavalo preto que fuja a galope. Mas você não morre.. o riso não veio. Carlos Drummond de Andrade © 1988 Graña Drummond. Aguilar. – e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta. Você? Você que é sem nome. sua incoerência. a luz apagou. José? E agora. sua lavra de ouro. não existe porta. já não pode fumar. que zomba dos outros. se você cansasse. seu instante de febre. seu terno de vidro. a noite esfriou. 130. cuspir já não pode. e agora? Se você gritasse. sem parede nua para se encostar. José? e agora. se você morresse. sua gula e jejum.Módulo 2 Anexo 1 Texto 1 José E agora. se você tocasse. a noite esfriou.

que não se pode censurar a ninguém um instante de desconforto total. um segundo em que tudo dentro de nós pede socorro. por um desses misteriosos acasos que fazem do que viveu já. não o esqueçamos nunca. Considero privilégio meu dispor deste verso. que veio ao mundo muito depois de mim. há situações de tal modo absurdas (ou que o pareceriam vinte e quatro horas antes). fosso de víboras. violentada. Sei que se chama José Júnior. acompanha-me desde que nasci. porque me chamo José e muitas vezes na vida me tenho interrogado: “E agora?” Foram aquelas horas em que o mundo escureceu. Este. A esses. E se isto não fizeram. Um outro José está diante da mesa onde escrevo. que chegaram ao limite das forças. bússolas — ou segredos. acidentes. um golpe de espora. José?” Precisamente um desses casos me mostra que já falei demasiado de mim. do que vive e do que ainda não vive. A eles também sucedem casos. Mas outros Josés andam pelo mundo. embriaga-se. ao mesmo tempo feroz e 81 . é o poder da poesia para que aconteça.Anexo 1 Texto 2 E agora. cartas de marear. como um derradeiro apelo ao orgulho de ser homem: “E agora. e tratam-no como se fosse uma espécie de bobo. é um vulto apenas. sinais de trânsito. como roteiros. ainda que saibamos que logo a seguir a mola pisada. tentação. às vezes vencidos. os que tornam insignificantes e fúteis as nossas penas. porém. pelas mãos de Carlos Drummond de Andrade. de que saem às vezes vencedores. é que a pergunta de Carlos Drummond de Andrade deve ser feita. como poderia ser. sem coragem para o último ainda que mortal arranco. Não tem rosto. José? Há versos célebres que se transmitem através das idades do homem. sem mais riqueza de apelidos e genealogias. em que as mãos ficaram vazias e atónitas. que esta pergunta simples aja como um tónico. desencontros. bandeiras. acuados a um canto pela matilha. uma superfície que treme como uma dor contínua. Alguns não têm nada nem ninguém a seu favor. o começo da interminável ladainha que é a piedade por nós próprios. É novo. agressões. empurraram-no com aquela súbita crueldade das crianças. “E agora. talvez o apedrejem de longe. e esses são. Divertem-se à sua custa alguns adultos. em que o desânimo se fez muralha. um mesmo nó apertado e vertiginoso de tempo sem medida. se vai distender vibrante e verticalmente afirmar. e vive em São Jorge da Beira. como juro que acontece. José?” Grande. e as crianças fazemlhe assuadas. e não seja. Nesse momento veloz tocarase o fundo do poço. afinal. Em todo o caso.

“E agora. do gozo infinito que é para os homens esmagarem outros homens. de irrisão. ou talvez não. pobre.LÍNGUA PORTUGUESA . pp. e o José Júnior. perdido de bêbedo. conta forte no banco. Mísero corpo. o vinho ardente e exterminador. o que agora és. Companhia das Letras. Entretanto. fraco e bêbedo. José?” Afasto para o lado os meus próprios pesares e raivas diante deste quadro desolado de uma degradação. tarde mansa que não será igual amanhã. José Júnior está no hospital. orgulho ausente – “E agora. Há uma taberna. como um diamante. Escrevo estas palavras num fim de tarde cor de madrugada com espumas no céu. Mas estes nomes apenas designam casos particulares de um fenómeno geral: o desprezo pelo próximo. a embriaguez vitoriosa enquanto dura.Módulo 2 Anexo 1 cobarde. Tudo isto porque o pobre José Júnior é um José Júnior pobre. e teria dificuldade em encontrar no mapa São Jorge da Beira. José?” José Saramago. o esquecimento de tudo no fundo da garrafa. caiu e partiu uma perna. A bagagem do viajante. automóvel à porta — e todos os vícios lhe seriam perdoados. e foi para o hospital. Será possível que a vida volte ao princípio? Será possível que os homens matem José Júnior? Será possível? Cheguei ao fim da crónica. Ah. que não serás. fiz o meu dever. aviltá-los. 38-40. sobretudo. quando não o ódio. afogá-los deliberadamente. 1996. onde há barcos vagarosos que vão de margem a margem levando pessoas e recados. não sei quem é José Júnior. ou saiu já e arrasta a perna coxa pelas ruas frias de São Jorge da Beira. em toda a parte. uma espécie de loucura epidémica que prefere as vítimas fáceis. tão constantes ali como aqui mesmo. São Paulo. Mas assim. Tivesse ele bens avultados na terra. sob a asa da lei ou perante a sua indiferença. tendo diante dos olhos uma nesga do Tejo. alma pobre. fazer deles objecto de troça. de chacota – matando sem matar. esta vida preciosa que vai fugindo. 82 . E tudo isto parece pacífico e harmonioso como os dois pombos que pousam na varanda e sussurram confidencialmente. Nem todas as terras de Portugal se podem gabar de dispor de um alvo humano para darem livre expansão a ferocidades ocultas. Escrevo estas palavras a muitos quilómetros de distância. que grande fortuna para São Jorge da Beira. A vida vai voltar ao princípio.

Ontem forma palpável. branca existência. Texto 2 Inês da terra. Rio de Janeiro. Hoje ignota. Inês. Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas. linda Inês. De teus anos colhendo doce fruito. s/d. Edições de Ouro. 186. O desempregado Kenneth Dude Payne. Preferida dos anjos. Luís de Camões. Nos saudosos campos do Mondego. estrofe 120. Ediouro. Inês do céu. porta recriada para os sem-sossego. s/d. face da sem tez. ledo e cego. de uma loja da cidade de Tyler em 16 83 . levou sem pagar um chocolate da marca Snickers. Naquele engano da alma. Jorge de Lima. Os Lusíadas. Que a Fortuna não deixa durar muito. posta em sossego. Canto IX – Permanência de Inês. Eterna linda Inês. De teus fermosos olhos nunca enxuito. 29. 310. p. p. Anexo 3 Texto 1 Desempregado do Texas levou barra que custava US$ 1 Americano é condenado a 16 anos por furtar um chocolate Um homem foi condenado a 16 anos de prisão no Texas (sul dos EUA) após ter furtado uma barra de chocolate. que valia US$ 1. Invenção de Orfeu. Árdua rota. Mas após amplidão sempre remota. Rio de Janeiro. desapego. paz. conúbio consumado.Anexo 2 Texto 1 Estavas. anteviuvez. Canto III.

“ Eu sei que esse caso parece um pouco patético”. uma barra de chocolate Snickers. Mas o guarda confirmou. Pelo menos agora você vai ter comida todos os dias. Paulo. “Mas a condenação não foi resultado apenas do furto de uma barra de chocolate. a Promotoria pediu que Payne fosse julgado por “conduta criminosa habitual”. Afirmou que não tinha dinheiro para comprar o chocolate e disse que sabia que o dono da loja não daria a barra se ele pedisse. p. Folha de S.LÍNGUA PORTUGUESA . Payne pegaria uma pena máxima de 4 anos. aos domingos. E vai ganhar inclusive chocolate. Podia comer dez barras de uma só vez. crimes pelos quais foi condenado a 10 anos de prisão. desempregado. a primeira delas por ter furtado um pacote de biscoitos. 1-15. aos 17 anos. Se tivesse sido julgado apenas pelo furto do chocolate. O desempregado já tinha outras passagens pela polícia. 5/4/2000. após o almoço. ele também furtou uma caixa de ferramentas e dois cartões de crédito. disse Brown. rapaz. essencialmente. que ele escolheu aos 16 anos e vem praticando desde então”. Dezesseis anos por ter roubado uma barra de chocolate! Que Justiça era aquela? Quem o acalmou foi o guarda que o escoltava: – Calma.Módulo 2 Anexo 3 de dezembro do ano passado. sim – ele já tinha trabalhado na prisão da cidade e sabia que aquilo era praxe. Foi preso e julgado. Ele achou que o homem estava debochando. Texto 2 Dolce vita Americano é condenado a 16 anos por furtar um chocolate Era uma paixão que vinha da infância: ele adorava chocolate. não tinha dinheiro para isso. Acabou roubando um Snickers. Quando o juiz pronunciou a sentença. afirmou o promotor Jodi Brown. Linda Altier. Estava em liberdade condicional depois de ter cumprido quatro anos e meio de detenção. mas o caso só foi divulgado ontem. No julgamento. os prisioneiros recebiam. afirmou que vai recorrer. Ele foi condenado pelo seu estilo de vida. Depois. 84 . uma tipificação existente no Estado do Texas que estipula uma pena mínima de 16 anos de prisão. Mas. podia comer meio quilo de bombons. A advogada do desempregado. sua primeira reação foi de revolta. A sentença foi proferida em 16 de março. A mesma marca daquele que tinha roubado. quis até brigar. chocolate.

. na terceira condenação o sujeito fica passível a ver o sol nascer quadrado forever . Com um único pensamento: no domingo ele ganharia uma barra de chocolate. Naquele mesmo dia iniciou-se sua rotina. passou pelo médico que o examinou e foi levado para a cela. in Folha de São Paulo. de acordo com as condenações anteriores.Anexo 3 Conformado – pelo menos teria como satisfazer sua paixão –. ele era o primeiro da fila. ele se deixou conduzir para a cadeia. que ele enfrentou com resignação. Mas o que nos interessa no momento é o que acontece aqui e não acolá.] se roubar uma caixa de chocolates e uns doces espanhóis de um supermercado é motivo para ser preso e ter o nome exposto no jornal e na TV. Mas não pôde comer. Moacir Scliar. no domingo. p.. – Está escrito aqui: descobriram que você tem peso acima do normal. À hora do almoço. Diante da quantidade de crimes que ocorre nesta cidade 85 . então a que tipo de punição deve ser submetido quem mente para o eleitor. – Por que não? O homem mostrou um papel assinado pelo médico. Snickers para você. Recebeu o uniforme. – Para você não – disse o chefe da cozinha. Nos EUA a pena aumenta. e muito. ele foi para a mesa. não. Com a mesma resignação enfrentou também a zombaria dos companheiros de prisão. nos Estados Unidos. por menor que seja o crime. quem faz qualquer manobra para continuar a prevaricar livremente ou quem usa e abusa da passividade dessa nossa gente acomodada? O leitor polemista há de dizer que. dias atrás. 10/4/2000. Em alguns Estados. Um túnel que ele cavaria de qualquer jeito. Só pensava numa coisa: no túnel que o levaria à liberdade. Anexo 4 Advogada entra de gaiata no navio [. Nem que levasse dezesseis anos para isso. Tinha sido designado para a lavanderia. um rapaz foi condenado a passar 16 anos atrás das grades por roubar uma barra de chocolate. Nada a ver. Recebeu a sua bandeja com a comida – mas nada de chocolate. Sem dizer nada. 5-16. Trabalho duro.

Segundo ali se dizia. justamente. Estes são pormenores da versão da história. ouvida por Tia Nicota. Por sua vez. eu gostaria de saber do leitor se ele considera correto o tratamento que a advogada recebeu: é justo ela ter seu nome. que também dirigem carros importados. dentro e fora do poder. representa algum perigo para a sociedade e pode colocar a vida de alguém em risco? Em vez de dar show de demagogia com a advogada. e foi isto. Os textos a seguir retomam a velha história. Paulo. mas com ligeireza de lebre.LÍNGUA PORTUGUESA . p. Chapeuzinho e o 86 . que fez Chapeuzinho condoer-se dele. será que os criminosos não estão entre os que ficaram? Estamos até a tampa com criminosos de colarinho branco. in Folha de S. só porque ela dirige um Mitsubishi e suas filhas estudam em colégio tradicional. a avozinha e o lobo. Ela vencera na escola o campeonato infantil de corrida a pé. por que a polícia não trata de fazer uma devassa na favela Paraguai e prende os traficantes que expulsaram quase todas as famílias do local? Ora. e normalmente não andava a passo. Começa que Chapeuzinho jamais chegaria depois do lobo à choupana da avozinha.Módulo 2 Anexo 4 desgovernada. se a maioria das famílias foi embora. Mas não é indo à desforra contra ladrões de galinhas ou de chocolates que a gente vai ficar quite. Texto 1 História malcontada A história de Chapeuzinho Vermelho sempre me pareceu mal contada e não há esperança de se conhecer exatamente o que se passou entre ela. o do marido e da escola das filhas divulgados nos jornais e na televisão? É justo enviá-la para o cárcere em vez de cobrar uma fiança e deixá-la ir para casa? Ou será que essa senhora. no começo do século. 3-2. em Macaé. 7/4/2000. que se manteve calma durante todo o depoimento na delegacia. de Charles Perrault. o lobo se queixava de dores reumáticas. Anexo 5 Todos conhecem a história de Chapeuzinho Vermelho. Barbara Gancia.

Tinha uma finalidade precisa: era um espaço destinado ao entretenimento. se 87 . Carlos Drummond de Andrade © 1988 Graña Drummond. nas cercanias de Macaé..] Aquele espaço vale-tudo suscita todas as formas e modalidades de diversão escrita: nele se contam piadas. Claro Enigma”. Seriam felizes. se propõem charadas. e Chapeuzinho. ou seja. começos do século XIX. Rio de Janeiro. p. e que o casamento o faria voltar ao estado natural. le feuilleton designa um lugar preciso do jornal: o rez-de-chausée – rés-do-chão. “História malcontada”. Ela estava persuadida de que o lobo era um príncipe encantado. que há tempos ainda uiva à noite. e houve na choupana uma cena desagradável entre os três. Duas Cidades. se fala de crimes e de monstros. unindo-se a ele. 1988. Carlos Drummond de Andrade. rodapé –. 84. geralmente o da primeira página.. A avozinha opôs-se ao enlace. in Contos plausíveis. 1985. O lobo não era absolutamente príncipe.Anexo 5 Lobo fizeram boa liga e resolveram casar-se. p. Anexo 6 ATIVIDADES PARA O GRUPO 1 Texto 1 O folhetim De início. in Obra em dobras. 73. [. José Olympio. São Paulo. transformou-se em loba perfeita. Texto 2 A verdadeira dialética aí os caçadores chegaram mataram o lobo e abriram a barriga e encontraram a vovozinha toda mastigadinha quanto a chapeuzinho vermelho eles comeram Sebastião Uchoa Leite. “Col. teriam gêmeos.

57-9. partindo da reflexão transcrita no Texto 2.. [. as escolhas estilísticas. p. Marlise Meyer. o então chamado folhetim-romance vai se transformar no feuilleton tout court.. o caráter intertextual e intratextual. numa época em que a ficção está na crista da onda. a fórmula ‘continua amanhã’ entrou nos hábitos e suscita expectativas.LÍNGUA PORTUGUESA . O plano de trabalho deve dar destaque sobretudo a dois aspectos da reflexão: a questão do tempo histórico e o papel dos interlocutores no campo artístico. uma nova forma de ficção. um gênero novo de romance. no texto. 88 . No começo da década de 1840 a receita está no ponto. permite abordar a criação das estéticas que refletem. comentar e analisar o porquê da intertextualização de um gênero tão tradicional feita por um suporte novo – a televisão e sua linguagem. suspense. marcadas de acordo com as lutas discursivas em jogo naquela época/ local.] Já pelos fins de 1836. Escolher uma telenovela que esteja fazendo sucesso no momento. o contexto do campo de produção. adaptado às novas condições de corte. é o filé mignon do jornal. no espaço consagrado ao folhetim vale-tudo.Módulo 2 Anexo 6 oferecem receitas de cozinha ou de beleza [.] E. Texto 2 Em uma situação de ensino. Traçar um plano de trabalho para sala de aula. Brotou assim. pp. grande isca para atrair e segurar os indispensáveis assinantes. São Paulo. é o espaço onde se pode treinar a narrativa. (PCNEM. [.. O trabalho deve prever a comparação da telenovela com o folhetim e o objetivo final é que o aluno consiga identificar. histórias curtas ou menos curtas e adota-se a moda inglesa de publicações em série se houver mais textos e menos colunas. onde se aceitam mestres e noviços do gênero. no campo artístico. vai-se jogar ficção em fatias no jornal diário. Destinado de início a ser uma outra modalidade de folhetim. 2.. Folhetim – uma história. 1996. a análise da origem de gêneros e tempos.. com as necessárias redundâncias para reativar memórias ou esclarecer o leitor que pegou o bonde andando. 129) Tarefa 1.] Lançando a sementeira de um boom lítero-jornalístico sem precedentes e aberto a formidável descendência.. de puras necessidades jornalísticas. Companhia das Letras. 3. Falta ainda fazer o romance ad hoc que responda às mesmas. ou seja.

ideologias. Quando nasci um anjo esbelto Desses que tocam trombeta. b. apresentada no Enem de 1999. Aguilar. ausência de recursos. 1989) III.Anexo 7 ATIVIDADES PARA O GRUPO 2 1. um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: Vai. Companhia das Letras. São Paulo. em relação a Carlos Drummond de Andrade. Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim. Bagagem. 140) 89 . negação dos versos. c. Leia os seguintes textos: I. Carlos! Ser ‘gauche’ na vida (ANDRADE. anunciou: Vai carregar bandeira. simulacros e pensar os discursos em sua intertextualidade podem revelar a diversidade do pensamento humano. (BUARQUE. 1986) Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade. Alguma poesia. reiteração de imagens. Leia esta questão. e. Quando nasci. Rio de Janeiro. Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. d. Carlos Drummond de. Chico. Letra e Música. por: a. Rio de Janeiro. oposição de idéias. 1964) II. (p. (PRADO. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Identifique o que há de comum entre o objetivo dessa questão e esta competência expressa nos PCNEM: Relacionar os discursos com contextos sócio-históricos. 2. Guanabara. falta de criatividade. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada. Adélia.

Poema de Drummond Para te acordar do sono profundo disfarço-me: em leão que ao te roçar esquece a missão. Anexo 8 ATIVIDADES PARA O GRUPO 3 1. in Arte em exposição. 4. Carlos Drummond de Andrade. 1990. A cigana adormecida. Veja o quadro e leia o poema de Drummond inspirado na tela. Rio de Janeiro. Carlos Drummond de Andrade © 1988 Graña Drummond. tom do intertexto e conceito de imagem. identifique o grau de dificuldade da questão para seus alunos que estão concluindo o Ensino Médio. conteúdo. 90 .LÍNGUA PORTUGUESA . baseando-se nas alternativas fornecidas. Record/Salamandra. Leve em conta gênero. de Henri Rousseau. 81. Considere os pré-requisitos para responder corretamente à questão. p.Módulo 2 Anexo 7 3. A partir dessa análise.

. 91 . a sua escolha. O mundo – um sonho dourado. Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência Respira a alma inocência Como perfumes a flor. Valendo-se da comparação entre o texto e o quadro. Assim como há uma entoação ou entonação de voz na leitura de um texto. 142) 3. Se possível. faça essa montagem e apresente-a para o grupo. p. O texto literário se apropria desse jogo do possível com maestria. [. Anexo 9 ATIVIDADES PARA O GRUPO 4 Texto 1 Meus oito anos Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida. (PCNEM. O mar é – lago sereno. São Paulo. 1857) Casimiro de Abreu. 1995. Musa. Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor. Naquelas tardes fagueiras. que estratégia(s) poderia(m) ser utilizada(s) para demonstrar ao aluno que “uma entoação de voz pode transformar o sentido de um texto”? 4. 222. que flores. A simples inversão de um adjetivo modifica o significado de uma frase. O céu – um manto azulado. que sonhos.. Leia este texto: Há uma “diversidade de vozes” em um mesmo texto. A propaganda faz o mesmo.Anexo 8 2.). A vida – um hino d’amor! (O poema está datado: Lisboa. p. À sombra das bananeiras. podemos falar em uma entoação ou entonação de uma época. in Magaly Trindade Gonçalves et al (org. Indique uma obra do campo das artes plásticas que possa dialogar com um texto da literatura brasileira.] Uma entoação de voz pode transformar o sentido de um texto. Antologia de antologias.

p. O crítico Sábato Magaldi viu a peça desta forma: “Naum teve o cuidado de pesquisar os poemas antológicos transmitidos na escola. bem como os hinos de diferentes inspirações. Rio de Janeiro. pelo estudo do texto literário. (p.LÍNGUA PORTUGUESA . Oswald de Andrade. as formas instituídas de construção do imaginário coletivo. Utilizando os textos e a informação sobre a peça teatral. vista como formadora de valores sociais e culturais. talvez pelo reconhecimento de passagens semelhantes em sua biografia. destaca-se a questão da formação ética. 138) Recuperar.” Tarefa 1. 7. de forma que os objetivos expostos acima sejam atingidos. v. In Obras completas. elabore um exercício que privilegie o estudo da intertextualidade.Módulo 2 Anexo 9 Texto 2 Meus oito anos Oh que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida Das horas De minha infância Que os anos não trazem mais Naquele quintal de terra Da Rua Santo Antônio Debaixo da bananeira Sem nenhum laranjais. o patrimônio representativo da cultura e as classificações preservadas e divulgadas. 162.. do dramaturgo Naum Alves de Souza. estimulado ainda. no eixo temporal e espacial. 1974. estética e política na e pela língua. [. Texto 3 Em 1982 encenou-se a peça A aurora da minha vida . encarregados de moldar a personalidade. (p. Considere os trechos seguintes dos PCNEM e os objetivos neles explícitos ou implícitos: No Parecer do CNE. Civilização Brasileira.] O espectador ri o tempo inteiro. 145) 2. 92 ..

Este é o texto gerador da paródia: Ser mãe Coelho Neto Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração! Ser mãe é ter no alheio lábio que suga. leia um romance Veja as contas do mercado. branco. é ser temeridade. que não conheciam o texto gerador da paródia. 1995. (p. Alguns alunos. Um dos alunos escreveu: “O azul do céu é bonito. Crie um exercício para tentar recuperar para os ‘alunos’ a intenção do texto de Caetano e Torquato Neto. é ser receio. é ser força que os males equilibra! In Magaly Trindade Gonçalves et al (org. Leia esta passagem dos PCNEM: Tomemos como exemplo um acontecimento escolar. 4. 336. confessaram não ter identificado qualquer traço de ironia ou humor. o professor ensinou que paródias são textos dotados de humor e exemplificou com a seguinte letra de música. cantando. mamãe não chore Pegue uns panos pra lavar. 3. onde o amor. verde. Musa. o pedestal do seio. 93 .). Numa sala de aula. as cores em geral” eram adjetivos e solicitou que os alunos construíssem frases com as palavras. um X foi colocado sobre as frases. p. 5. A professora ensinou que “azul. 137) 2. pague as prestações Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos Seja feliz. Ser mãe é ser um anjo que se libra sobre um berço dormindo! É ser anseio. mamãe não chore A vida é assim mesmo eu fui embora Mamãe. sem revelar o texto gerador da paródia: Mamãe Coragem Caetano Veloso e Torquato Neto Mamãe. São Paulo. seja feliz Mamãe. mamãe não chore A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui Mamãe. Logicamente. mamãe não chore. o aluno nunca soube. O branco significa paz etc”. vibra. O porquê. Antologia de antologias. onde a vida.Anexo 10 ATIVIDADES PARA O GRUPO 5 1. mamãe não chore Eu nunca mais vou voltar por aí Mamãe.

acesso e condição de preservação da marca histórica. fazer o aluno se compreender como um texto em diálogo constante com outros textos.Módulo 2 Anexo 11 O espaço da Língua Portuguesa na escola é garantir o uso ético e estético da linguagem verbal. (p. a necessidade de compreender a linguagem como parte do conhecimento de si próprio e da cultura e a responsabilidade ética e estética do uso social da língua materna. o respeito pelas falas. esses intertextos. fazer compreender que pela e na linguagem é possível transformar/reiterar o social. citar. desmontá-los. é um texto entre textos e será recriado em outro texto. enfim. 144 – grifo nosso) O trecho destacado pode ser uma boa síntese do que se pretende com o trabalho de intertextualidade: o aluno se conscientizar de sua condição de um intertexto vivo. o cultural. ao mesmo tempo. parafrasear os discursos estabelecidos ou negociar sentidos. aceitar a complexidade humana. em que a identidade de cada um se instaure a partir da herança social e cultural comum. no jogo comunicativo.LÍNGUA PORTUGUESA . p. num exercício constante de diálogo (a que os PCN chamam de ‘jogo comunicativo’). objetivando a socialização das formas de pensar. social e individual de seus alunos. como parte das vozes possíveis e necessárias para o desenvolvimento humano. Nos PCNEM essa idéia está referendada: O ponto de vista. haja avanços/retrocessos próprios dos usos da linguagem. sempre criando intertextos novos. mesmo que. se inserem num hipertexto a que a escola deve garantir. No mundo globalizado. 144) 94 . qualquer que seja. o pessoal. capaz de referendar. (PCNEM. por sua vez. agir e sentir.

Anexos do Módulo 1 de Língua Portuguesa. Demonstrar ao aluno a importância da aquisição da norma considerada culta como fator de possível inserção social. Materiais necessários Lousa e giz. contextuais e lingüísticos. comente com os professores que. sem desrespeitar as demais variedades lingüísticas. lápis e caneta. [.LÍNGUA PORTUGUESA MÓDULO 3 ENSINO DE GRAMÁTICA: ALGUMAS REFLEXÕES Não cabe à instituição de ensino a simples substituição da norma coloquial usada na língua funcional do aluno pela norma culta usada na língua funcional da escola. Caderno. • articular as redes de diferenças e semelhanças entre a língua. Reavaliar o conceito de erro. descritiva e normativa. Evanildo Bechara Tempo previsto: 16 horas Finalidades do Módulo Reavaliar o ensino da gramática para integrá-la na comunicação como instrumento efetivo. Conceitos Norma culta. oral e escrita.] caberá ao professor e à escola como um todo transformar o aluno num poliglota dentro da sua própria língua histórica – a portuguesa. valendo-se de estudos lingüísticos e gramaticais contemporâneos. Gramática natural. PCNEM. na obra Língua e liberdade – por uma 95 . redimensionando o alcance do que se costuma considerar como ‘norma culta’. Erro.. e seus códigos sociais. Trabalhar com a gramática a partir de situações práticas de uso da língua.. Dinâmica de trabalho Atividade 1 Distribua o Anexo 1 (páginas 100-101) para leitura individual. Após a leitura. em nosso caso. Construir ou mobilizar as competências e habilidades de: • identificar e analisar as várias dimensões da linguagem.

. b. 96 . por essencial. escencial. (p. cançada. Peça para identificarem e discutirem esse trecho. Mercado das Letras.LÍNGUA PORTUGUESA . por mantém. Não se trata de achar agora que aqueles que utilizam formas mais antigas é que estão errados. Para finalizar. em seus comentários da crônica de Veríssimo: Haveria. agrupar esses erros em categorias. não de princípio”.] devem visar a um saber lingüístico amplo. como afirmou um dos artigos de preocupados conservadores? Celso Pedro Luft. pode estimular um preconceito desse tipo. 138) Escreva na lousa para os professores pesquisarem: a....] vive”.Módulo 3 nova concepção da língua materna (leitura fundamental para professores de Português). pela Gramática”. “há as mulheres que os esposos adoece”. analisada e ensinada como entidade viva”. escreva no quadro-negro: Toda infração à norma tem explicação lingüística. hontem. O grupo certamente identificará as seguintes ocorrências: 1. o trecho diretamente relacionado a este fragmento dos PCNEM: [As finalidades do domínio da língua. 2000. Sírio Possenti. por cansada. relacionando essa afirmativa com passagens da crônica.. excetuando os casos patológicos. usando a língua como instrumento que o define como pessoa entre pessoas. Atividade 2 Entregue o Anexo 2 (páginas 101) a grupos de três pessoas para lerem em conjunto. na crônica. cit. peça para o grupo tentar responder à seguinte pergunta de Celso Luft. in Por que (não) ensinar gramática na escola.. em um certo trecho. Terminado o levantamento. Sintaxe: “os políticos estingue” (concordância). lumbriga. na mesma construção. Copie na lousa (ou em um cartaz) esta reflexão: [. por ontem. além das implícitas no texto. comente que o texto de Veríssimo. Em sua análise.] que fique claro: não se trata agora de incentivar um preconceito contra o domínio dessas formas escorreitas. por lombriga. uma ocorrência considerada errada pela gramática normativa que sirva para ilustrar esta passagem da crônica: “A sintaxe é uma questão de uso. o uso do indicativo pelo subjuntivo. mantem. tendo a comunicação como base das ações.. que contrariam a índole do português falado e escrito no Brasil. o autor afirma que “[.] a língua deve ser vista. Celso Pedro Luft transcreve e analisa essa mesma crônica. Comunicação aqui entendida como um processo de construção de significados em que o sujeito interage socialmente. Oriente cada grupo no sentido de identificar as ocorrências que a gramática normativa consideraria como erros no texto do Anexo e. 2. por extingue. Campinas. “os que [.. sempre que possível. naquela crônica. realmente um “insidioso desrespeito pela Língua. Grafia: estingue. Incentive os professores a expressar sua opinião a respeito da colocação de Luft. Peça aos professores para identificarem. Em seguida. op. duas regras da gramática normativa (relacionadas sobretudo à fonética e à morfologia).

O primeiro professor está trabalhando com gramática descritiva e normativa. • Outro professor insiste para que o mesmo aluno ‘corrija’ a pronúncia.Solicite aos professores que. analisem oralmente cada ocorrência do texto estudado. Em seguida. Nem mesmo os falantes tidos como cultos cumprem todas as exigências da chamada ‘norma culta’. Proponha que se faça a análise dos problemas sintáticos do texto lido. Leve sempre em conta que a exigência da correção ortográfica. b. mas deve escrever ‘lombriga’. redundâncias sintáticas tendem a ser eliminadas pelo falante não-escolarizado. as pronúncias citadas não constituem erro: são variantes previstas na língua. em qualquer língua. O segundo professor precisa rever o conceito de erro. ‘maridu’.. Discuta com os professores a rejeição ao pronome ‘cujo’ na língua falada. Cada grupo deve escolher um relator. Além do mais. considerando que: a. A hesitação do narrador entre duas construções (“os que. a. excetuando os casos patológicos”). A partir das conclusões do grupo. (p. sugira aos grupos que elaborem um exercício para ser aplicado em sala de aula tendo por objetivo a aquisição de uma habilidade ou uma competência que considerem importante no estudo da Língua Portuguesa. o quadro de pronomes exposto pela gramática normativa merece uma revisão. e muitas vezes também na escrita.. Proponha que os grupos discutam a situação. O ponto de partida deve ser o repertório do aluno. b. para expor de forma sintética suas conclusões. equivalência cuja legitimidade é questionável. com base nessa afirmativa. mas jamais se transformar em maneira de estigmatizar o discurso e seu autor. o raciocínio por analogia pode induzir a erros. proponha aos professores que comentem esta passagem dos PCNEM: A confusão entre norma e gramaticalidade é o grande problema da gramática ensinada pela escola. 97 . ‘marido’”. pelo menos no universo da língua falada. erro de grafia tornou-se sinônimo de ‘erro de português’. a escrita nunca representa a fala com exatidão. estabelecida por lei. c. vive” / “demonstram”) decorre da tentativa de se adequar à norma culta. Tanto na fala quanto na escrita. considerando a afirmativa geral (“Toda infração à norma tem explicação lingüística. ‘isposa’. O que deveria ser um exercício para o falar/escrever/ler melhor se transforma em uma camisa-de-força incompreensível. narre esta situação: • Um professor diz ao aluno: “Você pode falar ‘lumbriga’. Ortografia deve ser objeto de estudo sistemático e contínuo. Nesse aspecto. c. 137) Aproveitando o texto de Carolina Maria de Jesus. com base nas afirmativas abaixo. c. b. deve servir de garantia para a compreensão das palavras. e também dos seguintes tópicos: a. ‘esposa’.

deixe comentarem oralmente. Atividade 4 Mantenha os grupos formados e distribua para leitura o Anexo 5 (páginas 103105). Dê um tempo para todos lerem e comentarem livremente os dois textos do Anexo. em razão do ato comunicativo. Distribua o Anexo 4 (página 103): ele apresenta um roteiro para analisar os dois textos lidos no Anexo 3. O problema está em como ensiná-las. Atividade 3 Distribua o Anexo 3 (página 102) para todos os professores e divida a sala em grupos de seis pessoas.Módulo 3 Conceitos: gramática. Encaminhe a socialização das conclusões. Após uma rodada de comentários. 139) Peça para cada grupo elaborar um exercício relacionado ao tema do módulo. erro. Competência: considerar a Língua Portuguesa como fonte de legitimação de acordos e condutas sociais e como representação simbólica de experiências humanas manifestas nas formas de sentir. (PCNEM. ciência versus ‘achismo’. de acordo com o roteiro proposto. diga para trocarem os exercícios entre si e uns resolverem as tarefas dos outros. 98 . p. gramaticalidade. Conceitos: gramática normativa. Encerre a atividade com um painel. Competência: compreender e usar a Língua Portuguesa como língua materna. à vontade. como no caso do ensino das classificações apriorísticas de termos gramaticais. sem fornecer as respostas. Conceitos: gramática normativa. Competência: articular as redes de diferenças e semelhanças entre a língua oral e a escrita em seus códigos sociais. Circule entre os grupos. distribua o Anexo 6 (páginas 105-107) e peça para os grupos executarem a tarefa. lingüística. Terminada a leitura. contextuais e lingüísticos. pensar e agir na vida social. Nada contra ensinálas. sintetizadas pelo relator de cada grupo. Dê um tempo para os professores realizarem essa tarefa. Escreva na lousa (ou em um cartaz) as duas afirmativas abaixo. orientando a atividade. que deverão orientar as conclusões. Quando todos terminarem. As mudanças no ensino da gramática dependem de conhecimento profundo da mesma – capacidade que todo professor de Português deve possuir – e do conhecimento da realidade em que se trabalha. geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.LÍNGUA PORTUGUESA . Chame a atenção para a nota de rodapé do texto. Há estereótipos educacionais complexos e difíceis de serem rompidos. utilizando um ou mais textos do Anexo 6.

] o caráter sócio-interacionista da linguagem verbal aponta para uma opção metodológica de verificação do saber lingüístico do aluno.” Texto extraído de: Luiz Carlos Travaglia.. da classe de prestígio) constitui o Português correto.. baseando-se na reflexão de Perini..Atividade 5 Distribua o Anexo 7 (páginas 107-108) para leitura individual.. [. b. Apresente cada um dos preconceitos abaixo. O ensino de gramática: um exercício de reflexão O descompasso entre o ensino de gramática e sua realização na produção de texto torna necessária uma reflexão mais contundente sobre a abordagem desse tema. tudo que foge à norma representa um erro. já no sétimo volume.. “A norma (culta. Atividade 6 Entregue o Anexo 8 (página 109) e diga para os professores lerem todos os textos. e 2o. veio a decadência da língua. só uma é correta e todas as demais são erradas. Se achar que é o caso. até hoje há um discurso social reverberante. recolha os Anexos. como ponto de partida para a decisão daquilo que será desenvolvido. 139) Para encerrar. 2. p. escrita por pesquisadores da Unicamp e publicada pela editora daquela universidade. graus. Levante depois estas questões: a. que a tradição literária e os veículos de massa registram. no Texto 1.” b. “O bom Português é aquele exemplificado nas chamadas épocas de ouro da literatura.] o Português de Portugal é mais correto do que o do Brasil [. exposta no Texto 6 (texto que não deverá ser fornecido ao aluno).].. ed. Existe atualmente alguma descrição abrangente e bem fundamentada da norma culta do português brasileiro? Lembre-se de mencionar a obra “Gramática do português falado”. Depois dos clássicos.. para comentário oral: a. “Entre a multiplicidade de formas de expressão. contestando: “Mas ninguém escreve assim.” c. prestando atenção à procedência de cada um. (PCNEM. Proponha o tópico abaixo para discussão em grupo e registro da síntese feita. Cortez. “O bom Português é aquele praticado em determinada região. 1997. A que se deve essa imagem que o brasileiro faz de si mesmo? Peça para um representante de cada grupo expor a síntese. se levarmos em conta que: [.. 99 . Como proceder se o aluno questionar a correção efetuada pelo professor.. tendo como referência o valor da linguagem nas diferentes esferas sociais. São Paulo. Assim como os viajantes ‘analisaram’ a fala do indígena.”? Sugira que cada professor formule uma solução para explicar ao aluno a infração cometida. Gramática e interação – uma proposta para o ensino de gramática no 1o. segundo o qual “nós falamos errado a língua portuguesa”. “brasileiro não fala bem o português”. peça para os professores comentarem e discutirem outros preconceitos lingüísticos.” d.

comover. não tem futuro. mas ele não informa nada.. Respondi que a linguagem. gente em geral pouco comunicativa. As palavras.LÍNGUA PORTUGUESA . Não raro. Escrever bem é escrever claro. não necessariamente certo. e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim. Não me meto na sua vida particular. Só predomina nas línguas mortas. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna. Só uso as que eu conheço. suas origens. Mas – isto eu disse – vejam vocês. E adverti que minha implicância com a gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. apesar de minha total inocência na matéria. quando acho que vou ganhar com isto.] É o esqueleto que nos traz de pé. Cada grupo portava seu gravador cassete. afinal. certamente o instrumento vital da pedagogia moderna. A sintaxe é uma questão de uso. (E quando possível surpreender. Já estava até preparando. São faladíssimas. Mas aí entramos na área do talento. Sou um gigolô das palavras. e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. vivem na boca do povo. se descabela diariamente com as suas afrontas às leis da língua. que também não tem nada a ver com a Gramática. Se bem que não tenha também o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro. designada por seu professor de português: saber se eu considerava o estudo da gramática indispensável para aprender ou usar a nossa ou qualquer outra língua. Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas 100 100 . E tenho com elas a exemplar conduta de um cáften profissional. certo? O importante é comunicar. E jamais me deixo dominar por elas. Não me interessa seu passado.[.Módulo 3 Anexo 1 O gigolô das palavras Quatro ou cinco grupos diferentes do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão. Sempre fui péssimo em Português.. Respeitadas algumas regras básicas da gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Algumas são de baixíssimo calão. Então vamos em frente. minha defesa (“Culpa da revisão”! “Culpa da revisão”!). divertir. Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. para evitar os vexames mais gritantes. as outras são dispensáveis. a intimidade com a gramática é tão dispensável que eu ganho a vida escrevendo. Não merecem o mínimo respeito. Vivo às suas custas. como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada.. Claro que eu não disse tudo isso para meus entrevistadores. é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. certo. as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Maltrato-as.. não de princípios. Exijo submissão. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro. As múmias conversam entre si em Gramática pura. sua família nem o que os outros já fizeram com elas. sem dúvida. e andava arrecadando opiniões. às pressas. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Abuso delas. qualquer linguagem. iluminar.

] Estou residindo na favela. Dos textos. com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público. ficaram os recortes mais significativos. Vou deitar. anotava seu dia-a-dia. 1995. Hoje estou com vontade de beber outra vez. pp. Tenho responsabilidade.. O que eu reprovo nas favelas são os pais que mandam os filhos comprar pinga e dá as crianças para beber. pp. 17-18. até a última linha”. Carolina Maria de Jesus. Mas se Deus me ajudar hei de mudar daqui. 10-12. Não estou cançada e não tenho sono.. etimologistas e colegas. Acabaria impotente. o jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina Maria de Jesus. não vou beber.. Observação O livro Quarto de despejo foi produzido a partir de cadernos em que uma favelada. Luís Fernando Veríssimo. que lhe mostrou vinte cadernos encardidos que guardava em seu barraco. Há casa que tem cinco filhos e a velha é quem anda o dia inteiro pedindo esmola. Anexo 2 Quarto de despejo [. ed. Hontem eu bebi uma cerveja. Porto Alegre. 2. L & PM. O jornalista afirma: “Mexi na pontuação assim como em algumas palavras cuja grafia poderia levar à incompreensão da leitura.. E foi só. Quarto de despejo – diário de uma favelada. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados. E diz: – Ele tem lumbriga. Não quero viciar.. selecionados. Mas. [. Os esposos quando vê as esposas manter o lar. incapaz de uma conjunção. Há as mulheres que os esposos adoece e elas no penado da enfermidade mantem o lar. Há os que prevalecem de meio em que vive. não saram nunca mais. 101 . Espero que os politicos estingue as favelas. ed. Enquanto fazia uma matéria na favela do Canindé.. 1982. demonstram valentia para intimidar os fracos. Ática. São Paulo. Os meus filhos! E o dinheiro gasto em cerveja falta para o escencial. A gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda. alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos.Anexo 1 palavras seria tão ineficiente quando um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel.] Hoje não saí para catar papel. O gigolô das palavras (crônicas selecionadas e comentadas por Maria da Glória Bordini). que vivia de catar papéis. 4.

pp. cerca de 20 anos atrás. 1980. 1-4 102 . Obséquio tomar providências logísticas cabíveis”. entre o prefeito de Bom Sucesso (MG) e o então secretário estadual do interior. Conta o deputado Elias Murad (PSDB-MG) que Abreu sempre gostou de falar difícil. de tão inacreditáveis. Houve terremoto na cidade”. incomunicável.LÍNGUA PORTUGUESA . p. o secretário recebeu a informação de que Bom Sucesso (MG) sofreria um tremor de terra capaz de quebrar copos e trincar pratos. Ovídeo Abreu. Folha de S. 24/11/1992. Ou vice-versa: algumas piadas traduzem tão bem determinadas características da cultura política. São Paulo. O secretário esperou ansioso pela resposta. Desculpe demora.Módulo 3 Anexo 3 Texto 1 Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro Oswald de Andrade. Paulo. Epicentro preso. expediu rapidamente um telegrama ao prefeito: “Movimento sísmico previsto essa região. Quatro dias depois chegava o telegrama do prefeito: “Movimento sísmico debelado. Numa certa ocasião. 22-3. Abril Educação. acabam virando parte do anedotário. Provável epicentro movimento telúrico sua cidade. cadeia local. Texto 2 Certos casos da política. Em uma das hipóteses se encaixa a correspondência trocada. in Literatura comentada. que assumem ares de verdade. Preocupado.

você entendeu. Mas começa a cheirar mal.] a interação é o que faz com que a linguagem seja comunicativa. Que diferença fundamental há entre “respeitar a norma culta” e “falar difícil”? Anexo 5 Uma revolucao linguistica* O computador está conseguindo o que os burocratas não querem: revolucionar a língua Leia o título de novo. agora? Já temos uma presença geográfica limitada: Portugal. 2. b. ou se é autêntica. no entanto. O grupo formula explicações para os dois fatos: a . Em termos bem práticos – para que serve a língua portuguesa. Esse princípio anula qualquer pressuposto que tenta referendar o estudo de uma língua isolada do ato interlocutivo. Essas diferenças. 3. falta cedilha. Como se poderia conduzir essa discussão com os discentes? Um relator anota as conclusões do grupo.Anexo 4 Roteiro para discussão dos textos 1. Os dois textos anteriores trabalham com as diferenças entre norma culta e coloquialismo. o motivo da valorização desse item da gramática normativa. Angola. No Texto 2. Ao comentar o Texto 2.. Não entendeu? Vamos encarar os fatos: a língua portuguesa não morreu. esqueça o nacionalismo irracional que nos implantam desde que nascemos. ou se é rica. a ocorrência constante dessas infrações. que procurar falar difícil não é uma exclusividade dos políticos. Sabemos. Eu sei que ele está errado – falta acento. O poema de Oswald de Andrade foi escrito na época do Modernismo. Apesar de até hoje se considerar o rigor na colocação pronominal como um dos requisitos para o bem escrever. Esqueça as emoções. são geralmente utilizadas pelos alunos para questionar o ensino da gramática. considerar este trecho dos PCNEM: [. pouca gente obedece às regras da gramática normativa nesse particular. (p. falta trema. Cabo Verde... quando surgem em sala de aula. a linguagem utilizada pelo secretário do Interior é vista como típica da cultura política. A desagregação de Moçambique faz com que cada vez mais moçambicanos adotem o inglês da 103 . mas. 139) 4. Esqueça se ela é bonita..

ou a língua portuguesa muda radicalmente.“ “&Phi. o significado da palavra será reconhecida no contexto da frase. é apenas um instrumento a serviço do homem. “ç“. É um mastodonte atolado em regras. Timor. O “ã“ que você envia pode chegar do outro lado como um símbolo gráfico completamente irreconhecível. Pense no espanhol. O que deveria ser motivo de comemoração (ter uma população parcialmente bilíngüe) é considerado uma vergonha nacional. Aliás. mas se nem Hong Kong resistiu. porque é objetiva. “ü“ podem virar “&gamma. E simplesmente escrever sem qualquer acento. Por razões técnicas. Qual a diferença? Ou diferenca? Regras exis- 104 .“ ou “&Sigma“. em Terminator-2. “à“. Nada de leis protecionistas. E essa revolução não pode ficar nas mãos de acadêmicos e burocratas da língua. As pessoas passavam do inglês para o espanhol e vice-versa com toda a naturalidade. Achar que o leitor não vai entender que “revolucao” quer dizer “revolução” é chamar o leitor de estúpido. o que tem a ver esse papo todo sobre lingüística com uma revista de informática? Acontece que. temos Macau. fragilizado num ecossistema cada vez mais hostil. “&Omicron. baby”.Módulo 3 Anexo 5 vizinha República Sul Africana.“. trocar mensagens por e-mail usando o português “correto“ é arriscado. Enquanto os franceses se negam a falar outra coisa que não seja o francês (ridículas leis impedem chamar um hambúrguer de hamburger). Os “á“. A língua. Essa revolução está nascendo – e o fórceps chama-se email. E não um objeto de culto religioso. Ou estupido. se possível por alguma repartição pública.“. A BBC World mostrou uma reportagem curiosa sobre o nascimento de uma nova língua – o spanglish. O software do outro lado pode reconhecer a floresta de acentos e sinais gráficos – ou não. que fazia as honras da língua portuguesa na Ásia. ou entra em coma. o inglês. ainda. Uma língua prolixa ao extremo. econômica. E o português? Nossos filhos passam alguns de seus mais produtivos anos escolares decorando uma língua que jamais falarão. “&delta.. foi destruída pela truculência indonésia. é que a história da linguagem humana obedece a leis naturais e dinâmicas. A saída para não mandar uma mensagem truncada e incompreensível é não arriscar. Os intelectuais de sempre aparecem para denunciar que a cultura brasileira está sendo devorada pelo “imperialismo” e precisa ser salva. como o computador e o carro. E o Brasil? Todos sabemos o que está acontecendo: ao lado da língua oficial convive uma língua paralela. deve ser espontânea e com objetivos muito práticos. Como qualquer mudança verdadeira. O que esses intelectuais não entendem. que conjuga seus verbos em um zilhão de modos diferentes. “ê“. O inglês tornou-se a língua planetária.LÍNGUA PORTUGUESA . os hispânicos relaxam e o espanhol está mais forte. e jamais entenderão. entre outras coisas. Como na língua inglesa. Ah. Eu tive um sinal de que o espanhol sobreviveria quando vi Arnold Schwarzenegger dizendo “Hasta la vista. simples..

ou se é rica. Não entendeu? Vamos encarar os fatos: a língua portuguesa não morreu. as emoções. Estamos caminhando para um portuglish. Pelo menos dois destes segmentos do texto de Marchezzi: a.. Para os guardiões da tradição. n. 23. os programas de texto empregados no e-mail não apresentavam alguns recursos gráficos de nossa língua. por meio de argumentos científicos. p. Esqueça se ela é bonita. falta trema. falta cedilha. valores. Caminhamos também para um português mais objetivo. A própria lógica objetiva da informática está exigindo que brasileiros aprendam noções básicas de inglês. a visão de mundo. cada grupo formula um exercício para seus alunos. e já está ajudando a tentar tirar a língua portuguesa da UTI da História. Abril. nao. Mas começa a cheirar mal. ou se é autêntica. Dagomir Marchezzi. maio de 1997. na sua atualização. O email veio para ficar. “Setup” será sempre uma palavra mais fácil de se dizer e usar do que “configuração”. Atualmente. assim como “download” é mais simples e direta do que “importar arquivos através da linha telefônica”.. O exercício deverá empregar. 143) 4. pontos de visa”. Refutar. é uma péssima notícia. tendo como objetivo conscientizá-los destes dois princípios: a. assim é para a Constituição. “representa e reflete a experiência em ação. * Quando este artigo foi publicado.Anexo 5 tem para alguma coisa. como acentos e cedilha. p. a língua. Anexo 6 1. desejos. esqueça o nacionalismo irracional que nos implantaram desde que nascemos. necessariamente: I. e nossa cultura só tem a ganhar com isso. Em termos bem práticos – para que serve a língua portuguesa agora? 105 . esse problema já não existe. uma mistura dinâmica de português com inglês. mais adaptado aos novos tempos. ano 10. 134. Eu sei que ele está errado – falta acento.. (PCNEM. in Revista Informática Exame. a língua funciona como [. as afirmações do jornalista a respeito de língua e gramática. Esqueça as emoções. mas você entendeu. 144) b.. (PCNEM. Uma revolucao linguistica Leia o título de novo. Assim é para a língua.] “integradora da organização do mundo e da própria identidade”. Para o resto de nos. necessidades. p. mais simples. São Paulo. Partindo da síntese das respostas anteriores. 2. De que forma a informação da nota de rodapé neutraliza a argumentação do jornalista? 3.

econômica. o pé grácil e nu. José de Alencar. a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu? onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara. Esta capa de revista Veja. muito além daquela serra. 26/4/2000. II. 106 . mal roçando alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. entre outras coisas. 16. como o computador e o carro. simples. Um destes textos: a. O inglês tornou-se a língua planetária. 1992. São Paulo. Ática. Iracema. nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.LÍNGUA PORTUGUESA . Fragmento de romance: Além.Módulo 3 Anexo 6 b. c. porque é objetiva. A língua. Iracema. a virgem dos lábios de mel. nasceu Iracema. III. é apenas um instrumento a serviço do homem. Mais rápida que a ema selvagem. que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. p. que ainda azula no horizonte. O favo da jati não era doce como seu sorriso.

] Alguns vocábulos há nela de que não usam senão as fêmeas. e outros que não servem senão para os machos: carece de três letras. Chico Buarque de Holanda. um juízo de valor sobre a organização social dos mesmos. Pero de Magalhães Gandavo. nem R. convém a saber. coisa digna de espanto porque assim não têm Fé. não se acha nela F. 1998. afoita Me liga a cobrar: – É Iracema da América. nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente. Anexo 7 Texto 1 A língua de que usam. nem Lei.. Muitas vezes a raiz do preconceito reside nesse tipo de relação. toda pela costa. Letra de música: Iracema voou Iracema voou Para a América Leva roupa de lã E anda lépida Vê um filme de quando em vez Não domina o idioma inglês Lava chão numa casa de chá Tem saído ao luar Com um mímico Ambiciona estudar Canto lírico Não dá mole pra polícia Se puder.Anexo 6 b. erroneamente. é uma [.. nem L. 107 . Observação O comentário sobre a língua dos indígenas acaba produzindo.. As cidades. Século XVI. História da Província de Santa Cruz.. vai ficando por lá Tem saudade do Ceará Mas não muita Uns dias.

algumas comentadas pelo próprio autor. 6-5 (grifo nosso). disse o moço depois de pequena pausa. fazendo shows. p. Paulo Folha E você pretende levar sua produção para esse pessoal.. O bacana é esse crossover (fusão). como é que você pode achar legal o funk carioca. amigo meu. Texto 4 Carta de leitor para a “Revista da Folha” Yankees go home! Cerca de 95% das placas e anúncios ostentam palavras em inglês. Folha de S. Agora. é inglês por toda a parte. Podemos ver a sua doentinha e aproveitar a parada da febre para mim* atalhá-lha de pronto. Enfim.” * É este erro comum no interior de todo o Brasil e sobretudo nas províncias de São Paulo. andar tranqüilamente na favela onde eu nasci”. última página (grifo nosso). personagem do romance Inocência. Quero fazer um show agora na quadra da Império Serrano. estou às suas ordens. publicado pela primeira vez em 1872: “Agora. Cerca de 95% das camisetas.. 108 . idem. [. onde pessoas até ilustradas nele incorrem com freqüência. 27/11/1995. em clubes funk? Fernanda Sem dúvida. Em tais casos. Paulo. O cara da favela cantar “Eu só quero é ser feliz.] Folha de S. a menina do condomínio da Barra da Tijuca cantar isso é que é bacana. Paulo. neguinho que fala errado o português?”. 23/11/1997. (Nota de Taunay) No texto. por exemplo.Módulo 3 Anexo 7 Texto 2 Fala de Cirino. não gosto de adiamentos. esta e muitas outras ocorrências que registram a fala do sertanejo vêm em itálico. do Visconde de Taunay. Tem gente que fala: “Pô. Texto 3 Fragmento de entrevista da cantora Fernanda Abreu para a Folha de S. tá tudo limpo.LÍNGUA PORTUGUESA . Será que é por isso que cerca de 95% dos brasileiros não sabem português? “Revista da Folha”.

Rio de Janeiro.... O que deveria ser um exercício para o falar/ escrever/ler melhor se transforma em uma camisa-de-força incompreensível. ficamos preocupados. O professor assinalou a construção “dela voltar” e fez a correção: “de ela voltar”. 1977. Assim. estão incorretas construções como “É hora do almoço estar pronto” (É hora de o almoço estar pronto). p. Folha de S. afirma que o professor de gramática não deve ser “dispensado da formação científica que se exige de um professor de biologia ou de psicologia [. 109 . 16-17). Regra preservada pela gramática normativa. Jorge Amado. mas que “é definitivamente necessário conceber a gramática como uma disciplina viva. “Não há necessidade deles irem agora” (Não há necessidade de eles irem agora). 137) Texto 6 O estudioso Mário Perini. Texto 2 Era capaz dela ficar com pena e mandar até mais do que manda.Anexo 8 Texto 1 Texto de aluno (ficcional): Quando já estava na hora dela voltar e nada aconteceu.. (PCNEM. 14/7/1994. Texto 3 Sacchi definiu o seu atleta como “excepcional” e não quis discutir a possibilidade dele ficar fora da final. em Gramática descritiva do Português. Record. em revisão e elaboração constante” (pp. p.]”. Texto 4 A preposição que rege o sujeito de um infinitivo não deve combinar com esse sujeito. 23 (grifo nosso). Texto 5 A confusão entre norma e gramaticalidade é o grande problema da gramática ensinada pela escola. 4-8 (grifo nosso). p. Só que não tenho coragem de arriscar. Paulo. Tieta do Agreste.

o conceito de identidade nacional. o respeito às diferenças culturais plasmadas nas variadas criações estéticas. IMAGINÁRIO E PATRIMÔNIO CULTURAL Walker Connor corrigiu o clichê que classificava o homem como ‘um ser racional’ preferindo considerá-lo como ‘um ser nacional’. experienciadas. despertem a reflexão sobre a brasilidade. pela presença de elementos recorrentes de nosso imaginário coletivo. Construir ou mobilizar as competências e habilidades de: • ler e selecionar diferentes textos que. Caderno. • construir categorias de diferenciação. • usufruir do patrimônio nacional e internacional. Na verdade.LÍNGUA PORTUGUESA MÓDULO 4 TEXTO. http://www. abordando-as de acordo com sua contribuição ao imaginário coletivo. com suas diferentes visões de mundo. Materiais necessários Lousa e giz. e também por símbolos. PCNEM. de forma a garantir amplo contato com os vários significados culturais e sociais implícitos na língua e em seu uso. Trabalhar com variedades lingüísticas. alegorias. Dênis de Moraes 110 . lápis e caneta. Onésimio Teotónio Almeida. Diversidade. rituais e mitos. e não pelo que possam apresentar de ‘pitoresco’ ou ‘exótico’.ipn. Conceitos Imaginário coletivo. junto aos alunos. apreciação e criação. Enfatizar. Dinâmica de trabalho Atividade 1 Organize a turma em grupos de três a cinco participantes e escreva na lousa: O imaginário social se expressa por ideologias e utopias. por meio da literatura. Clichê. essas concepções de pertença a comunidades não são apenas mentalmente concebidas porque são acima de tudo sentidas. Anexos do Módulo 4 de Língua Portuguesa.pt/literatura/letras/ensaio60/htm) Tempo previsto: 16 horas Finalidades do Módulo Trabalhar criticamente. in.

Converse com o grupo. Se achar que é o caso. b. de acordo com a visão expressa no poema de Oswald de Andrade. Distribua então o Anexo 1 (página 115) e dê um tempo para os participantes lerem os textos. comum nos veículos de massa. Compare esse procedimento com aquele que levou à ampliação do sentido do termo ‘jeca’. Peça para os grupos fazerem uma síntese de sua discussão e. pelo estudo do texto literário. Discuta com o grupo o procedimento social do qual resultou a incorporação. visando sua inserção num universo cultural tido como cosmopolita e provocando uma falsa equivalência de conceitos (do ‘caipira’ ao ‘country’). 111 .Em seguida. c. oriente a apresentação dessas sínteses em um painel. e os traços contemporâneos dessa criação. O resultado da intertextualização feita por Oswald de Andrade sobre o texto de Gonçalves Dias é uma paródia. Procure analisar como funciona a paródia na desconstrução de uma imagem e. em seguida. Sintetize o modo de participação do índio na formação da raça. Comentar a tendência atual. Enumerar as revelações que esse verdadeiro símbolo permite deduzir a respeito do que “está por trás da organização da sociedade” (Texto 2 do Anexo). ‘caipira’ e sinônimos despertam em determinados contextos. Conceito: o funcionamento discursivo do clichê. Competência: recuperar. discuta a questão da língua como potencial meio de veiculação e manutenção de diversos preconceitos. pelo imaginário coletivo. a ‘glamourizar’ o símbolo. apresente esse conceito para introduzir o passo seguinte. d. proponha que façam a articulação entre os três textos do Anexo observando os seguintes pontos: a. e vá anotando na lousa um resumo das respostas. as formas instituídas de construção do imaginário coletivo. Identificar a permanência da criação de Lobato na região em que atuam profissionalmente. discutindo a razão pela qual a palavra ‘caipira’ apresenta tantos sinônimos – ou seja. Analisar o efeito de desmontagem instaurado pelo texto de Gil. Coloque em discussão o preconceito que os termos ‘jeca’. leve-os a analisar a extensão semântica do termo. Solicite a cada professor sua interpretação do termo ‘jeca’ e registre alguns significados na lousa. peça para cada professor citar um símbolo. Atividade 2 Distribua o Anexo 3 (páginas 117-118) para os professores lerem e comentarem. ritual ou mito de que a literatura tenha se apossado como assunto ou tema. A seguir. portanto. Entregue o Anexo 2 (página 116) para lerem e comentarem à vontade. de traços – reais ou não – da cultura indígena. de um significado social. ao dialogar com a criação de Monteiro Lobato. Se nenhum participante mencionar o tema ‘caipira’. enfeixados na expressão ‘programa de índio’.

LÍNGUA PORTUGUESA - Módulo 4

Conceitos: funcionamento discursivo do clichê; preconceito; paródia. Competência: recuperar, pelo estudo do texto literário, as formas instituídas de construção do imaginário coletivo.

Atividade 3 Distribua o Anexo 4 (páginas 118-120) para leitura. Peça para os professores identificarem uma passagem do Texto 2 que esteja relacionada com o Texto 1, de Machado de Assis. Coloque a seguinte questão: Por serem textos, nenhum dos dois é cópia do real. No entanto, um deles ativa de forma mais contundente – com imagens mais expressivas – o aspecto simbólico do imaginário. Explique como se dá isso no texto literário. De acordo com a resposta obtida, procure discutir o alcance da literatura na construção do imaginário. Comece pela análise do emprego das frases do Texto 3: Muitas pessoas que empregam essas expressões nunca leram Camões, Bandeira ou Drummond – nem sequer ouviram falar neles. Por quê? O Texto 4 do mesmo Anexo fornece subsídios para essa resposta. Para finalizar, peça para os professores darem exemplos de outras expressões de uso corrente cuja origem esteja na literatura, ou que foram incorporadas por ela no circuito autor-obra-público. Atividade 4 Entregue para leitura o Anexo 5 (página 121), que trata de provérbios. Os provérbios e as frases feitas, que fazem parte da estratégia de conversação de muitos usuários da língua, cristalizam traços do imaginário coletivo. Proponha aos professores que citem provérbios e frases feitas relacionados ao tema ‘trabalho’. Vá fazendo o registro na lousa. Alguns exemplos, para estimular a atividade:
• Deus ajuda a quem cedo madruga. • Faça o que eu mando, e não o que eu faço. • Gente boba é trabalho dos outros. • Mãos demais, trabalho de menos. • Não há atalho sem trabalho. • O trabalho dignifica, o que avilta é o salário. • Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer. • A aranha vive do que tece. • A preguiça anda tão devagar que a miséria a alcança. • Abelha atarefada não tem tempo pra tristeza. • Água parada não move moinho. • Batendo ferro é que se vira ferreiro. • Nem só de pão vive o homem.

112

• Quem não trabuca não manduca. (Quem não trabalha não come.) • Quem quer colher tem de plantar.

Promova a análise dos provérbios e pergunte depois: Em um trecho do texto de Roberto Pompeu de Toledo, no Anexo 4, o autor afirma: “Este é um país formado na concepção de que trabalho é algo que se obriga outro a fazer [...]”. O material coletado endossa ou desautoriza essa frase? Coloque também em discussão o clichê segundo o qual ‘brasileiro trabalha pouco’. Oriente os professores para, reunidos em grupos de quatro, prepararem uma atividade para sala de aula a partir dos provérbios anotados na lousa, baseando-se também no Texto 2 do mesmo Anexo. A atividade deverá contribuir para que os alunos desenvolvam a seguinte competência:
Reconhecer, pela análise da dimensão dialógica da linguagem, pontos de vista diferentes de um mesmo objeto de estudo e formar um ponto de vista próprio. (PCNEM, p. 143, adaptação)

Peça para os grupos apresentarem suas propostas e promova a análise de cada uma, avaliando se atende ao objetivo previsto. Conceitos: identidade nacional; construção e desconstrução do clichê. Competência: compreender a Língua Portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização de mundo e da própria identidade.

Atividade 5 O imaginário expresso na literatura e em grande parte na tradição narrativa oral – bem como em outras artes – plasmou uma visão paradisíaca da natureza brasileira. O Anexo 6 (página 122) apresenta exemplos dessa ocorrência em dois momentos de nossa história literária. Peça para os mesmos grupos formados na atividade anterior analisarem esses textos, considerando:
a. As origens do mito da superioridade brasileira em relação ao estrangeiro, em determinadas épocas de nossa história. b. O Texto 4 do Anexo, que transcreve um trecho dos PCNEM.

Oriente os grupos para que apresentem sua análise em forma de seminário, levantando as opiniões convergentes e as divergências. Na discussão da síntese, diga para partirem da perspectiva fornecida por esta reflexão:
A verdade material do discurso [...] é a união da materialidade histórica dos fatos com os sonhos dos produtores do discurso.
Dênis de Moraes

Peça então para os professores identificarem as disciplinas que poderiam integrar um trabalho conjunto sobre o tema “A idealização da natureza brasileira” e sugerirem, oralmente, atividades interdisciplinares. Atividade 6 Reorganize a turma em grupos maiores (de até seis pessoas) e distribua para leitura o Anexo 7 (página 123).

113

LÍNGUA PORTUGUESA - Módulo 4

Converse com os professares, pedindo para selecionarem três elementos de nosso imaginário (com exceção dos já explorados neste Módulo) que tenham sido incorporados pela literatura, bem como sua presença em outras manifestações culturais – artes plásticas, música popular, cantigas de roda, cinema, televisão, representações circenses, folhetins, cordel, dança, festas populares, causos, solenidades etc. Nesse levantamento, incentive cada participante a relembrar a própria experiência, procurando privilegiar a cultura regional. Proponha aos grupos que façam o planejamento de uma atividade, interdisciplinar ou não, para ser desenvolvida com os alunos em um bimestre, em torno do tema “O imaginário brasileiro”. Esse planejamento deve incorporar os aspectos dos PCNEM transcritos no Texto 2 do Anexo 7. Reorganize a turma em grupos maiores, se possível de acordo com a identidade ou a semelhança dos elementos do imaginário escolhidos. Para encerrar, peça para cada grupo apresentar seu plano de atividade. Socialize a discussão, levando os participantes a avaliar a possibilidade de realizar de fato as atividades propostas. Se for possível realizar a atividade, sugira a montagem de um grande painel temático para ser fixado na escola. Conceitos: todos os anteriormente citados. Competências: todas as anteriormente citadas.

A língua é uma construção coletiva. Por isso, “o homem pode ser conhecido pelos textos que produz. Nos textos, os homens geram intertextos cada vez mais diversificados; o princípio das diferenciações encontra no social o elemento de referência”. (PCNEM, p. 142)

Para encerrar, recolha os Anexos.

114

catrumano. pé-no-chão. casaca. 5. 1. botocudo. cambembe.Paulo . Bras.. restingueiro. sertanejo. Monteiro Lobato lançava seu personagem mais famoso: o Jeca Tatu. caboclo. tabaréu. [Cf. cafumango. Diz-se do indivíduo sem traquejo social. Bras. maratimba. cafona. pioca. de jeca-tatu. matuto. controvertida. mandi ou mandim. caburé. catimbó.] Bras. urumbeba ou urumbeva. guasca. [De or. Pertencente ou relativo a. V. capa-bode. mocorongo.. roceiro.Anexo 1 Texto 1 Com Urupês . 2. catatuá. V. 3. curau. Texto 2 jeca: jeca [F. groteiro. baiquara. caiçara. Rio de Janeiro. biriba ou biriva. queijeiro. canguaí. matuto. cafona (1). Diz-se do caipira (1). baiano. 2 g. particularmente os de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros. 2 g. S. ext. babeco. 1. ou próprio de caipira (1). 3. sitiano. caapora. [Sin. piraquara. 115 . Era uma resposta a outra imagem pré-republicana: a do homem rural aventureiro e livre. 4. beira-corgo. 3. Diz-se das festas juninas e do traje típico usado nessas festas.] Bras. beiradeiro. cariazal. curumba. mucufo. mateiro. S. roceiro. capiau. tapiocano. capuava. 2000. macaqueiro. [. mixuango ou muxuango. 4 e 5) provinciano. biriba ou biriva. que criou raízes em nosso imaginário. capicongo. pé-duro. mano-juca. mandioqueiro. Nova Fronteira. caipira (1). tornando-se sinônimo de homem rural. S. 2. (nas acepç. moqueta. mixanga. Bras. Adj.] Novo Aurélio – Século XXI. capurreiro. red.] caipira: caipira 1. saquarema. 4 e 5). Bras. em 1914. piraguara. estereótipo do anti-herói anêmico e derrotado. poss.. canguçu. babaquara. jacu. Habitante do campo ou da roça. casca-grossa. mambira. sertanejo. brocoió. caipira (3. sertanejo. m. chapadeiro. casacudo. camisão. matuto. jeca. biriba ou biriva. V. jeca. sendo alguns regionais: araruama. publicado originalmente no jornal O Estado de S. casca-grossa. tupi. bruaqueiro. P.

) possibilita-nos observar a vitalidade histórica das criações dos sujeitos — isto é. o uso social das representações e das idéias. 143) 116 . textual deve considerar a dimensão dialógica da linguagem como ponto de partida. Um tempo perdido. os significados sociais. Os símbolos revelam o que está por trás da organização da sociedade e da própria compreensão da história humana. o dialogismo entre textos e o diálogo fazem o cenário no qual a língua assume o papel principal. Quer dizer. decorrer da história. Observação Notar o significado conotativo do título do disco que inclui essa música: Refazenda. 1. Dores e emancipação. era de aquarius ou mera ilusão. imaginacionando o que seria a criação De um ditado.. alegoria. recursos utilizados pelos interlocutores para afirmar o dito/escrito. estilística. Texto 2 A rede imaginária (símbolos. Em plena sessão. Versão on-line. Gilberto Gil. Jeca Total deve ser Jeca Tatu. representante da gente no Olimpo Da imaginação. se perder no correr.LÍNGUA PORTUGUESA . representante da gente no Senado. os interlocutores.. memória. representante da gente na sala. Dênis de Moraes. Jeca Total deve ser Jeca Tatu. p.Módulo 4 Anexo 2 Texto 1 Jeca Total Jeca Total deve ser Jeca Tatu Presente. gêneros discursivos. O contexto. Decadência. (PCNEM. mitos. glória. defendendo um projeto que eleva o teto Salarial no sertão. dito popular. mito da mitologia brasileira: Jeca Total.. interessante a maneira do tempo ter perdição. em Refazenda. passado. assistindo Gabriela viver tantas cores. a função social. as relações de autoridade. julho/dezembro de 1997. Defronte da televisão. As paixões escondidas nas palavras.. revista Contracampo n. Jeca Total deve ser Jeca Tatu Doente curado. Um ente querido. Texto 3 Toda e qualquer análise gramatical. os valores e o ponto de vista determinam formas de dizer/escrever.

1. 117 . in “A turma do Pererê”. Que agora anda errante Por fado inconstante. ouvi. Sou filho do Norte. Abril. p. Meu canto de morte. São Paulo. s/d. nasci: Sou bravo. sou forte. Guerreiros. 82.Anexo 3 Texto 1 Ziraldo. Almanaque n. Gonçalves Dias. trecho do Canto IV de “I-Juca Pirama”. Guerreiros. Texto 2 I-Juca Pirama Da tribo pujante.

in Poesias reunidas. perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele. sou filho da Morte Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! O negro zonzo saído da fornalha Tomou a palavra e respondeu – Sim pela graça de Deus Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! E fizeram o Carnaval. perdão!” Mas o primeiro não fazia caso. 5. – Cala a boca. meu senhor. toma mais perdão. 1978. bêbado! – Meu senhor! gemia o outro. Anexo 4 Texto 1 O vergalho Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo. ele deteve-se logo e pediu-me a bênção. pp. o que meu pai libertara alguns anos antes. Parei. Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio.LÍNGUA PORTUGUESA .. – Toma. Ainda hoje deixei ele na qui- 118 . O outro não se atrevia a fugir. Civilização Brasileira. besta! replicava o vergalho. olhei. 169-170.Módulo 4 Anexo 3 Texto 3 brasil O Zé Pereira chegou de caravela E perguntou pro guarani da mata virgem – Sois cristão? – Não. logo depois de ver e ajustar a casa. Sou bravo. gemia somente estas únicas palavras: — “Não. sou forte. por aquele Valongo fora. Oswald de Andrade. Rio de Janeiro. perdão meu senhor.. diabo! dizia ele. nhonhô. Cheguei-me. Interrompeu-mas um ajuntamento. – Fez-te alguma cousa? – É um vadio e um bêbado muito grande. – É sim.ed. e a cada súplica. respondia com uma vergalhada nova. era um preto que vergalhava outro na praça.

Entra para casa. Logo que meti mais dentro a faca do raciocínio achei-lhe um miolo gaiato. folgar. nas senzalas. dormir. disse eu. 582.Anexo 4 tanda. é o meu fraco. que era livre. também. – Está bom. ele gemia e sofria. mas só exteriormente. fugidos no mato. Prestando serviços nas grandes cidades. como conta um observador da vida brasileira do século passado. badulaques. o francês Jean-Baptiste Debret: “. a desfiar uma infinidade de reflexões. porém. punha-lhe um freio na boca e desancava-o sem compaixão. desagrilhoado da antiga condição. dispunha de si mesmo. dos braços. 119 . bêbado! Saí do grupo. fino. 1. certo de aí encontrar numa mesma pessoa um barbeiro hábil. Nova Aguilar. um cabeleireiro exímio. Memórias póstumas de Brás Cubas. trechos selecionados de um longo artigo de Roberto Pompeu de Toledo que trata da escravidão. montava-o. Nhonhô manda. nas cidades. seria matéria para um bom capítulo.” Eles eram carregadores. Como foi isso? E o que tem a ver conosco. que sinto haver inteiramente perdido. O Brasil é um país fundado sobre o trabalho forçado e o comércio de gente. e ele deixou a quitanda para ir na venda beber. Agora. das pernas. p. não pede. 1985. comida. que me olhava espantado e cochichava as suas conjeturas. aliás. panelas. perdoa-lhe. não impede ao habitante do Rio de entrar com confiança numa dessas lojas. e talvez alegre. Vol. Vejam as subtilezas do maroto! Machado de Assis. e ia-lhe pagando.. transmitindo-as a outro. hoje? Eles estavam por toda parte. no livro Negros. em criança. com alto juro. podia trabalhar.. as quantias que de mim recebera. Na lavoura. e até profundo. nhonhô. Exercendo ofícios especializados. agora é que ele se desbancava: comprou um escravo. Estrangeiros. – Pois não. um cirurgião familiarizado com o bisturi e um destro aplicador de sanguessugas. Esse contraste. Exteriormente. como Rio de Janeiro e Salvador: vendendo água. era torvo o episódio do Valongo. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas. enquanto eu ia lá embaixo na cidade. Segui caminho. “Carregavam tudo nesse Brasil. Rio de Janeiro. escreve a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha. onde homens de qualidade se recusavam a levar o mais ínfimo pacote”. Dentro de casa. Obra completa. Eu gosto dos capítulos alegres. chocante para o europeu.o oficial de barbeiro no Brasil é quase sempre um negro ou pelo menos escravo. miçangas. Eu. Texto 2 A seguir.

que o senso comum costuma imaginar homogênea e até.. mandes os seus pretos Minas”. contra apenas um de trabalho livre. (PCNEM. como a música. patrimônios representativos da cultura. era diversa e abrigava conflitos em seu seio.LÍNGUA PORTUGUESA . Mas eles também não querem “fazer camboas e mariscar”. [.. a dança etc. folgar e cantar em todos os tempos que quisermos sem que nos impeça e nem seja preciso licença”. notável porque os negros amotinados deixaram um documento contendo suas reivindicações ao proprietário. as formas instituídas de construção do imaginário coletivo. manifestos em linguagens que detêm estatutos e códigos próprios. 40% das importações totais das Américas. 52-5. nós queremos paz. Em 1789 houve um levante de escravos na Fazenda Santana. e não queremos guerra”. “Agora Inês é morta. Em muitos episódios. na perspectiva de recuperar. numa das mais volumosas operações de transferência forçada de pessoas havidas na História. até a liberdade de “brincar. p.” b. solidária. a pintura. “Meu senhor. “E agora.. incluindo-se aí a literatura.] A massa dos escravos. preservados no eixo temporal e espacial.. Em seguida os revoltosos..] O Brasil teve três séculos e meio de regime escravocrata. Texto 3 Três expressões de uso comum na linguagem cotidiana: a. que durante dois anos conseguiram manter-se escondidos no mato. pelo seu estudo. começa o documento. Três e meio para um! Ao longo desses três séculos e meio.” Texto 4 Os modos de apreciação e produção dos objetos artísticos integram a área. e dizem ao senhor: “Quando quiser fazer camboas e mariscar. 15/5/1996. pedem desde a permissão para trabalhar em suas próprias roças. emergiu o conflito entre crioulos e africanos. importou 4 milhões de negros africanos.] Roberto Pompeu de Toledo. in Veja. nome genérico dos africanos caçados na Costa da Mina. e eles estavam pouco se importando com a sorte dos “pretos minas”. Manuel da Silva Ferreira. “Rumos e desafios”) 120 . “Vou-me embora pra Pasárgada. pp.Módulo 4 Anexo 4 [. Bahia. Tratava-se de uma rebelião de crioulos.. em Ilhéus. na África Ocidental. Este é um país formado na concepção de que trabalho é algo que se obriga outro a fazer e pessoas humanas são mercadorias. nas visões mais românticas. 192. nas sextas-feiras e nos sábados. José?” c. [..

fixa.html Texto 2 Bom conselho Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça Inútil dormir que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado. cristalizada. em geral metaforicamente. O provérbio é uma estratégia para se lidar com uma situação. meu amigo Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar Corro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio o vento Na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade. Se ouvirmos uma dessas frases isoladamente. somos capazes de recriar a situação em que se insere.au/docs/flonta/DPbooks/VELLASCO/BRASILEIRO. não referida a nenhum caso particular. expressões comuns aos falantes de uma língua.utas. isto é. o provérbio possui um valor de verdade geral. A metáfora é uma estratégia. A característica precípua dos provérbios é o anonimato da sua autoria — excetuando-se os provérbios bíblicos. um conselho. parte do inventário da língua. uma advertência. Considerado fora do discurso. sem distinção de lugar e tempo.S. congelada. in http://www. a sua formulação abstrata. São características dos provérbios. É discursivamente autônomo – a sua aparição independe de uma mudança conversacional. isto é. É lexicalizado.edu. que direta ou indiretamente expressa um pensamento. que não muda. uma regra. Velllasco. É também sintaticamente autônomo — surge no discurso sob forma canônica. petrificada. quem espera nunca alcança Venha. como nos exemplos acima. e a sua validade é universal. Já as frases feitas são dizeres. uma verdade ou resumem uma experiência.Anexo 5 Texto 1 O provérbio é a designação genérica dos ditos cristalizados que exprimem. uma experiência. quanto ao conteúdo. Texto adaptado de Ana Maria M. É uma sentença independente e de sentido completo. Chico Buarque de Holanda 121 . dicionarizado. uma norma. fora do contexto.

LÍNGUA PORTUGUESA .. [. usando a língua como instrumento que o define como pessoa entre pessoas.Módulo 4 Anexo 6 Texto 1 Da carta de Caminha: Esta terra.] Gonçalves Dias Texto 4 Comunicação aqui entendida como um processo de construção de significados em que o sujeito interage socialmente. [. infindas. é tudo praia-palma. dar-se-á nela tudo.] De ponta a ponta. onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba. perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros. Nossos bosques têm mais vida. Nossa vida mais amores. Iracema. Texto 3 Canção do exílio Minha terra tem palmeiras. As aves que aqui gorjeiam. me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem. cap. será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Não gorjeiam como lá. E em tal maneira é graciosa que. 1.] Águas são muitas. Texto 2 Verdes mares bravios de minha terra natal. p. Ática.. 35 – grifo nosso) 122 .. Onde canta o sabiá. querendo-as aproveitar. p.. A língua compreendida como linguagem que constrói e ‘desconstrói’ significados sociais.. muito chã e muito formosa. por bem das águas que tem. São Paulo. José de Alencar. Nosso céu tem mais estrelas.. Senhor. de que nós deste porto houvemos vista. [.. 1992. Verdes mares. Nossas várzeas têm mais flores. 15. que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente. (PCNEM..

dos interesses sociais colocados em jogo. (p. 145) [. os medos e as esperanças de um povo. julho/dezembro de 1997.. o patrimônio representativo da cultura e as classificações preservadas e divulgadas no eixo temporal e espacial. das escolhas de atribuição de sentidos. organizam seu passado. em movimentos contínuos ou descontínuos de preservação da ordem vigente ou de introdução de mudanças. presente e futuro.] toda linguagem carrega dentro de si uma visão de mundo. Tais elementos plasmam visões de mundo e modelam condutas e estilos de vida.. Dênis de Moraes. É nele que as sociedades esboçam suas identidades e objetivos.Anexo 7 Texto 1 Bronislaw Baczko assinala que é por meio do imaginário que se podem atingir as aspirações.. alegorias. (p. Texto 2 Trechos dos PCNEM Recuperar. ainda. da valoração. (p. detectam seus inimigos e. 126) 123 123 . revista Contracampo. 126) Compreender as diferenças não pelo seu ‘caráter folclórico’. rituais e mitos. prenha de significações que vão além do seu aspecto formal. mas como algo com o qual nos identificamos e que faz parte de nós como seres humanos.. O imaginário social se expressa por ideologias e utopias. (p. Versão on-line. as formas instituídas de construção do imaginário coletivo.] o exame do caráter histórico e contextual de determinadas manifestações da linguagem pode permitir o entendimento das razões do uso. 1.. n. e também por símbolos. pelo estudo literário.. da representatividade. 142) [.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->