FISSURAS DE FLEXÃO EM VIGAS DE CONCRETO ARMADO Rodrigo Ribeiro de Almeida1 Minos Trocoli de Azevedo2 RESUMO: A análise da formação e crescimento

de fissuras em vigas de concreto armado permanece como uma das principais dificuldades no campo da engenharia estrutural. Considerando que as fissuras têm uma influência muito grande no comportamento estrutural global, estudos para prever e controlar a fissuração do concreto é de essencial importância. O objetivo deste trabalho é analisar as fissuras causadas durante o concreto fresco e endurecido a fim de evitá-las. Palavras - chave: Fissuras; Vigas de concreto armado; Flexão.

1 - INTRODUÇÃO Nos tempos de hoje, não é raro nos depararmos com residências, edifícios, ou qualquer tipo de construção, no qual não apresente nenhum tipo de fissura. Um dos fatores relevantes no Brasil é o fator climático, pois em cada região a temperatura varia bruscamente durante vários meses do ano. Devido a isso as obras de pequeno, médio ou grande porte apresentam fissurações com o tempo. Em uma estrutura de concreto armado, podem ocorrer danificações no concreto, no qual o agente causador pode ser de vários tipos. O campo das patologias das estruturas é uma área da Engenharia Civil que apresenta grande diversidade e complexidade, devido à abrangência de aspectos em análise, que podem advir de erros de projetos, erro de execução, agressividade do meio ambiente, má escolha de materiais, entre outras. Em uma estrutura de concreto armado, as patologias podem ocorrer no concreto e/ou no aço, destacando-se que os agentes podem advir das mais diversas fontes, sendo de muita importância a correta caracterização de onde estas advêm para que ocorra uma intervenção adequada, a fim de minimizar ou evitar a ação do agente gerador. A fissuração é um fenômeno inevitável no concreto e um dos fatores que mais influenciam no comportamento das peças estruturais de concreto armado, tendo em vista que pode comprometer a utilização (necessidade funcional da estrutura), a durabilidade e a estética das mesmas. As fissuras ocorrem basicamente nas zonas
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(1) Concluinte do Curso de Engenharia Civil - Universidade Católica do Salvador. E-mail: rodrigo.r.almeida@hotmail.com – Autor.

_____________________________________________________________________________ 2 (2) Professor Titular - Universidade Católica do Salvador. Engenheiro Civil – Concreta Tecnologia em Engenharia Ltda. E-mail: minos@concreta.com.br – Orientador.

Beeby. entre outros. no entanto. sendo este período relativamente curto. Portanto. separadamente. a corrosão é essencialmente independente da abertura da fissura. torna-se necessário atender a alguns aspectos importantes para que seja amenizado. A necessidade da estanqueidade depende da natureza do gás ou do líquido que será retido pela estrutura. Por outro lado. As aberturas da fissuras com valores abaixo de 0. pois a abertura da fissura tem influência apenas no início do processo de corrosão. muitos estudos tem sido realizados tentando retratar o seu comportamento. foi neste século. na década de 30. 2 – CONTROLE DAS FISSURAS A fissuração no concreto é inevitável. prevendo-se que venha a acontecer. a aparência tolerável da abertura da fissura é muito subjetiva e depende de vários fatores. Ainda se mantém validos os princípios fundamentados por alguns desses modelos. essas razões. Discutem-se a seguir. a porosidade e o cobrimento do concreto são parâmetros importantes no processo da corrosão da armadura. Existem basicamente três razões para se controlar a fissuração: a durabilidade (corrosão da armadura). Teoricamente é possível especificar e contar com uma estrutura sem fissuras visíveis. quando se especifica . A corrosão da armadura está geralmente associada a três mecanismos que desencadeiam o processo corrosivo: a carbonatação.3 mm geralmente não causam inquietação as pessoas. Nawy. Embora o concreto armado tenha surgido nos meados do século passado. Melhorar a qualidade do concreto e controlar a abertura das fissuras são fatores importantes para o controle da fissuração. a partir de trabalhos realizados principalmente por Ferry Borges. a espessura. esses modelos só tomaram significativa expressão. Obviamente. colocar em risco a armadura.submetidas a esforços de tração. Gergely & Lutz e Broms. Sendo as zonas tracionadas as que mais merecem atenção nas peças de concreto armado submetidos à flexão. Portanto. tais como a distância entre o observador e a fissura. em relação à teoria da fissuração e aos métodos para previsão de abertura de fissuras. Goto. que causam fissuras transversais que podem em principio. a iluminação e as condições da superfície. Porém. a aparência e a estanqueidade a líquidos e gases. que surgiu o primeiro modelo analítico de simulação do comportamento das zonas tracionadas. embora ultimamente tenha sido enriquecido por alguns pesquisadores. Isto é mais coerente. Após o período de 5 a 10 anos. por serem susceptíveis à fissuração. 1988). a presença de cloretos ou a ruptura do concreto por esforços mecânicos. com o intuito de aprimorá-los e melhorar suas aplicabilidades. não influenciando no desenvolvimento da corrosão. nas décadas de 50 e 60. na Europa e nos Estados Unidos da América (CÂMARA. devido à baixa resistência do concreto a esse tipo de solicitação. é necessário especificar o valor limite da abertura da fissura de acordo com a agressividade do meio ambiente.

Assim uma fissura. A NBR 6118/2003 considera que a fissuração é nociva quando a abertura das fissuras na superfície do concreto ultrapassa os seguintes valores (Tabela 1): . mas o estancamento do vazamento ocorre em poucos dias. Pesquisas e experiências têm mostrado que estruturas para retenção de água podem ter fissuras com aberturas de ate 0. pode permitir a penetração de umidade após a ocorrência da primeira fissura. as fissuras podem ser decorrentes da solicitação por flexão. torção ou tração (resultante de carregamentos diretos ou deformações restringidas e impostas). • Fissuras não podem comprometer a utilização ou a durabilidade. as exigências para esse estado limite são: • Deve-se garantir. • A aparência da estrutura não pode ser inaceitável por causa da fissuração.1 a 0. que as fissuras não prejudiquem a utilização e a durabilidade da estrutura. nas estruturas de concreto armado.um limite para a abertura da fissura. garantindo assim a durabilidade e o bom funcionamento da estrutura. No entanto as exigências podem ser respeitadas caso a caso: • O funcionamento da estrutura não pode ser prejudicado pela formação das fissuras. a verificação consiste em satisfazer à seguinte condição: Wk ≤ Wlim Wk . sem necessariamente prejudicar a utilização ou a durabilidade. devem ser previstas nos projetos e execução.2mm. bem como tensões de tração não previstas. • A durabilidade da estrutura durante o período da vida útil não pode ser prejudicada pela formação da fissura. Em situações em que o controle da abertura da fissura é exigido. 3 . mesmo quando atravessa totalmente a espessura da parede. Wlim – valor limite da abertura da fissura especificada de acordo com exigências adotadas. cisalhamento. • Exigências complementares para um controle apropriado da fissuração pode resultar da necessidade de limitar ou evitar vibrações ou prejuízos causados por deformações excessivas ou ruptura frágil.ESTADO LIMITE DA FISSURAÇÃO De acordo com o CEB-FIP MC 90. • Incertezas na resistência do concreto a tração.abertura característica da fissura ou calculada conforme as combinações de ações consideradas. com uma probabilidade adequada.

flexão.3mm ELS-W wk ≤ 0. cisalhamento ou torção.10 4 – FISSURAS ANTES DO CARREGAMENTO Existem fatores que afetam na formação de fissuras antes do carregamento e este mecanismo ocorre em duas etapas: uma com o concreto ainda fresco. Tabela 3 – Limite de abertura de fissuras (ACI Commitee 224/224R(2001)) CONDIÇÕES DE EXPOSIÇÃO ABERTURA DA FISSURA (mm) Clima seco ou peça protegida 0. peça em contato com o 0.4mm ELS-W wk ≤ 0. molhado ou seco 0.18 Ambiente marinho. de acordo com as condições de exposição da estrutura. antes do endurecimento.41 Ambiente úmido. e outra com o concreto já endurecido. tração.Tabela 1 – Limite de abertura de fissuras (NBR 6118/2003) Tipo de concreto estrutural Concreto armado Classe de agressividade ambiental (CAA) CAA I CAA II a CAA III CAA IV Exigências relativas à fissuração ELS-W wk ≤ 0. onde este trabalho foca o esforço de flexão por ser o mais freqüente em concreto armado.30 solo Agressividade química 0. sendo que estas ocorrem com o concreto endurecido. antes do carregamento. Pode-se dizer também que as fissuras ocorrem antes da estrutura ser colocada em uso.15 Estruturas para retenção de líquidos 0.2mm Combinação de ações em serviço a utilizar Combinação freqüente ELS-W: Estado Limite de Serviço de abertura de fissuras Tabela 2 – Classe de agressividade (NBR 6118/2003) Classe de agressividade ambiental Classe de agressividade ambiental CAA I CAA II CAA III CAA IV Classificação geral do tipo Agressividad de ambiente para efeito de e projeto Fraca Rural / Submersa Moderada Urbana Forte Marinha / Industrial Industrial / Respingos de Muito Forte maré Risco de deterioração da estrutura Insignificante Pequeno Grande Elevado O ACI Commitee 224 adota os valores da tabela 3 para abertura máxima da fissura. As fissuras que ocorrem devido ao carregamento externo são basicamente decorrentes de tensões de tração devidos aos esforços de compressão. ou seja. .

tanto na quantidade de cimento a ser empregado. cimento. Um dos grandes problemas do cimento empregado no concreto é a presença de adições inertes ou não ativas que ele possa conter. Água A água de amassamento tem uma importância fundamental quanto à quantidade utilizada relacionada com a quantidade de cimento. textura superficial e a variação do tamanho dos agregados afetam as proporções previstas. todo o excesso repercute na compacidade. Os cimentos com adições inertes. pela repercussão que possa ter. poderá acarretar em fissuras no concreto armado antes mesmo da viga absorver o carregamento que lhe foi aplicada. caracteriza-se por ter um endurecimento mais lento que os cimentos puros. lançamento.15mm. quanto na quantidade de água a ser utilizada. Em geral concretos mais ricos em cimentos fissuram mais. apresentam-se alguns fatores como: a água. Para uma determinada resistência.20. Altos consumos trazem como conseqüência forte calor de hidratação com as conseqüentes elevações de temperatura. Caso a água não seja utilizada na dosagem correta. maior a porosidade. cura. As águas de curas inadequadas podem ser muito nocivas ao agir sobre um concreto já aplicado e começando a endurecer e sobre o qual podem exercer efeitos expansivos e destrutivos. e especialmente as que têm finura comparável com a do cimento. quanto maior a quantidade de água. adensamento e condições climáticas que afetam na fissuração antes do carregamento que serão analisados abaixo. coeficientes térmicos. retração. agregados. As frações de finos de tamanho inferior a 0. são . retrações de origem térmica com perigo de fissuração. sempre se deve procurar empregar a menor quantidade possível de cimento. como por exemplo. Cimento O cimento também é um fator importante quanto à fissuração. Agregado A composição mineral. moídos na mesma finura.Desta forma. e aumenta também o risco de retração hidráulica. fissuração no concreto recém lançado. portanto. devendo ser considerada essa circunstância na hora de dosar o concreto. o carbonato de cálcio. conseqüentemente. deformação lenta e resistência do concreto. dureza. especialmente em épocas de calor. maior retração e maior o risco de ataque ao concreto. menor as resistências mecânicas. Para a hidratação dos componentes ativos do cimento seria suficiente uma relação água/cimento teórica aproximada de 0. A dosagem de cimento também pode criar problemas no concreto. A água ocupa um papel importantíssimo na cura do concreto. forma. A água que não se combina quimicamente com o cimento deve sair da massa na pega e ao sair deixa poros e capilares que tornam o concreto tanto mais permeável quanto maior for a quantidade de água a ser eliminada. que se traduzirão em fortes.

agente químico. eles requerem muita água para molhá-los. podendo ocorrer o aparecimento de fissuras. portanto enfraquecendo o concreto. bem como contra choques e vibrações de intensidade tal que possam produzir fissuração na massa do concreto ou prejudicar a sua aderência à armadura. não sendo permitido. pelo excesso de água. Na composição do concreto os grãos de diferentes tamanhos devem entrar em proporções calculadas e estudadas para que seja máxima a compacidade da mistura. Para os lançamentos que tenham que ser feitos a seco. diminui a água disponível à hidratação do cimento provocando sua hidratação incompleta. para conseguir a mesma trabalhabilidade. se utilizada agitação mecânica. . pelo menos durante os sete primeiros dias após o lançamento do concreto. Em nenhuma hipótese se fará lançamento do concreto após o inicio da pega. ocasionando fissuras na peça estrutural. esse prazo será contado a partir do fim da agitação. Lançamento e adensamento O concreto deve ser lançado logo após o amassamento. principalmente se entram em proporção excessiva. tais como mudanças bruscas de temperaturas.Exigem mais água para a mesma consistência. em recintos sujeitos a penetração de água. Os agregados afetam se usados de forma inadequada. o concreto deverá ser mantido protegido contra agentes prejudiciais. deverão ser tomadas as precauções necessárias para que não haja .perniciosas para o concreto. a relação água/cimento tem que ser aumentada. entre o fim deste e o lançamento. Cura e outros cuidados Enquanto não atingir endurecimento satisfatório.As frações finas prejudicam a boa aderência entre a argamassa e os agregados graúdos bem como com as armaduras. aumentando este mínimo quando a natureza do cimento o exigir poderá ser feita mantendo-se umedecida a superfície ou protegendo-se com uma película impermeável. O endurecimento do concreto poderá ser antecipado por meio de tratamento térmico adequado e devidamente controlado. conseqüentemente. chuva forte. Isso pode ocorre quando: . A proteção contra a secagem prematura. Certas argilas nos agregados causam alta retração e fissuração. evaporação de água. não se dispensando as medidas de proteção contra a secagem. as resistências mecânicas. . Com o uso de retardadores de pega o prazo poderá ser aumentado de acordo com as características do aditivo. assim. intervalo superior à uma hora. diminuindo. pois a argila contrai mais do que a pasta de cimento. e. água torrencial.Dada a grande superfície especifica desses finos. Se não for executado como descrito acima o concreto seca antecipadamente e conseqüentemente causando assim fissuras em toda a estrutura. diretamente na qualidade do concreto.

vindo a ocasionar o fissuramento. as temperaturas devem ter um limite de oitenta graus e a umidade relativa do ar ser elevada ou estar em saturação. O concreto deverá ser lançado o mais próximo possível de sua posição final. A altura de queda livre não poderá ultrapassar 2m. a umidade relativa do ambiente que envolve o concreto desce a valores muito baixos. Durante o adensamento deverão ser tomadas todas as precauções necessárias para que não se formem ninhos ou haja segregação dos materiais. a espessura da camada deverá ser aproximadamente igual a ¾ do comprimento da agulha. Cuidados especiais deverão ser tomados quando o lançamento se der em ambiente com temperatura inferior a dez graus ou superior a quarenta graus. No adensamento manual as camadas de concreto não deverão exceder 20 cm. A ação do calor sobre o concreto em processo de pega ou principio de endurecimento pode ser vantajosa. consiste em retardar e inclusive anular seu endurecimento. o calor e a baixa umidade. com prejuízo da aderência. Para que o calor possa causar problemas ao concreto é preciso que a temperatura seja muito elevada e que o concreto se encontre numa atmosfera com baixa umidade relativa. Deverão ser tomadas precauções para manter a homogeneidade do concreto. para peças estreitas e altas. A ação do frio. Durante e imediatamente após o lançamento. evitando-se a incrustação de argamassa nas paredes das formas e nas armaduras. dever-se-á evitar a vibração da armadura para que não se formem vazios ao seu redor. seja natural ou artificial sobre o concreto em período de pega ou principio de endurecimento. Geralmente. esse é o caso mais freqüente. fazendo com que o concreto perca água durante a pega ou principio de endurecimento. ao diminuir a velocidade de hidratação dos componentes ativos do cimento ou destruir a resistência do concreto caso o frio seja intenso a ponto de gelar a água de amassamento. O adensamento deverá ser cuidadoso para que o concreto preencha todos os recantos da forma. O processo de lançamento e adensamento se não executados como descrito acima poderá vim a comprometer a peça estrutural. o concreto deverá ser lançado por janelas abertas na parte lateral. ou por meio de funis ou trombas. ao se produzir uma elevação de temperatura. se não puder atender a esta exigência não devera ser empregado vibrador de imersão. mas para que isso aconteça. Quando se utilizarem vibradores de imersão. Condições Climáticas As condições climáticas que podem causar problemas no concreto são: o frio. pois. o concreto deverá ser vibrado ou socado continua e energicamente com equipamentos adequados à trabalhabilidade do concreto. pois ajuda a sua cura. Produz-se assim uma grande secagem superficial que fará com que essa água de sua massa interna migre para essas superfícies e ocasione deficiências na .água no local em que se lança o concreto nem possa o concreto fresco vir a ser por ela elevado.

ou seja. submetida a duas forças F iguais e eqüidistantes dos apoios. Como se pode ver. ruptura. Apresenta-se a tabela 4 com os principais tipos de fissuras. inclusive. as suas seções permanecem no Estádio I. sílica reativa porosidade do concreto acões ex cepcionais carg acim das as a previstas Período de Aparecim ento 10 m a 3 horas in 30 m a 6horas in im ediato sem anas ou m eses sem anas ou m eses 1 dia ou sem anas acim de três a m eses acim de 5 anos a acim de 1 ano a após carreg adas acim de 6 a m eses E ndurecim e nto 5 – AVANÇOS DAS FISSURAS EM UMA VIGA BIAPOIADA Considere-se a viga biapoiada. respectivamente. No entanto. no trecho de momento máximo (entre as forças). suas causas e período mais provável de aparecimento. Tabela 4 – Principais mecanismos de fissuração M ecanism de fissuração o Concreto Fresco (antes do início da peg a) Mecanism o assentam ento plástico retração plástica m ovim ento das form as fenôm eno físico fenôm eno térm ico retração por secag em variação sazonal de tem peratura calor de hidratação corrosão da arm adura fenôm eno quím ico reação alcali ag ado reg form ação de etring ita carg de projeto as estrutural deform ação lenta Causas Principais escesso de ex sudação secag /dessecam em en to rápido escoram ento insuficiente falta de juntas de m ovim entação E cesso de x com posto com reações ex icas cobrim otérm ento insuficiente cobrim ento insuficiente álcali emex cesso no cim ento sulfatos cálculo inadequado concreto de baix a resistência Causas secundarias secag /dessecam em ento rápido ex sudação lançam ento inadequado cura inadequada ausência de proteção térm ica lançam ento inadequado concreto poroso. a viga não apresenta fissuras. a resistência do concreto à tração é ultrapassada e surgem as primeiras fissuras . ao mesmo tempo que se produzirá um estado tensional por retração hidráulica no concreto. Com o aumento do carregamento. enquanto a tensão de tração for inferior à resistência do concreto à tração na flexão. Para pequenos valores da força F. que poderá resultar em sua fissuração e.hidratação dos componentes ativos do cimento que traduzirão em baixas resistências. A armadura de cisalhamento poderia também ser constituída por estribos associados a barras longitudinais curvadas (barras dobradas). a resistência do concreto é influenciada pela temperatura. origina-se um sistema de tensões principais de tração e de compressão. a influência principal da temperatura na fissuração é estabelecida nas primeiras horas em que o concreto começa a endurecer. para resistir os esforços de flexão e de cisalhamento. Nessa fase. armada com barras longitudinais tracionadas e com estribos.

Nas seções fissuradas a viga encontra-se no Estádio II e a resultante de tração é resistida exclusivamente pelas barras longitudinais. isto é. Ao iniciar o carregamento a viga se apresenta sem fissuras (Figura 2). O ensaio foi realizado com uma viga de concreto armado simplesmente apoiada com cargas concentradas no meio do vão.de flexão (verticais). os trechos junto aos apoios. A Figura 1 indica a evolução da fissuração de uma viga de seção T. por causa da inclinação das tensões principais de tração σI (fissuras de cisalhamento). até a ocorrência de ruptura. Com carregamento elevado. a seguir mostra-se um ensaio em uma viga de concreto armado realizada pela Faculdade Federal Fluminense. apenas as regiões dos apoios permanecem isentas de fissuras. . sem fissuras. surgem fissuras nos trechos entre as forças e os apoios. as quais são inclinadas. em quase toda sua extensão. ainda se encontram no Estádio I. A inclinação das fissuras corresponde aproximadamente à inclinação das trajetórias das tensões principais. Figura 1 – Formação das fissuras durante o carregamento de uma viga (Pinheiro. 2007) Para ilustrar melhor. para vários estágios de carregamento. encontra-se no Estádio II. aproximadamente perpendicular à direção das tensões principais de tração. Em geral. Continuando o aumento do carregamento. No início da fissuração da região central. a viga.

2008) Ao ter-se tensão normal igual à resistência à tração do concreto. . Figura 3 – Formação das fissuras de flexão (UFF. 2008) Após certo estágio de carregamento.Figura 2 – Viga submetida a ensaio de flexão (UFF. as fissuras inicialmente perpendiculares ao eixo das vigas. devido à força cortante passam a ficar inclinadas (Figura 4). aparecem fissuras de flexão perpendicular à direção dessa tensão e o aço passa a resistir à tensão de tração (Figura 3). Em vigas com poucas armaduras longitudinais. a ruptura ocorre depois do aparecimento de poucas fissuras ou mesmo apenas uma fissura de flexão.

espessuras maiores que essas têm forte tendência a fissuração por outros mecanismos.Cobrimento Mínimo O cobrimento de concreto é na realidade uma proteção à armadura.Armadura de pele As normas recomendam uma armadura de pele longitudinal mínima para reduzir a fissuração das vigas (fissuras na alma). Isso tem uma limitação na ordem de 60 mm. A NBR 6118/2003 adota a seguinte condição: O espaçamento s entre as armaduras é: s ≤ d/3 ou s ≤ 20 cm (considerar o menor dos dois valores). existe a tendência à arborização das fissuras. veremos que a qualidade dessa proteção depende da espessura que em princípio quanto maior a espessura do cobrimento.2 . fixadas as demais variáveis. 2008) 6 . 6. É evidente que aumentar o cobrimento implica aumentar o custo da estrutura. mas podemos amenizá-las. “nas vigas altas em que toda a armadura está concentrada na face inferior do banzo tracionado (h ≥ 80 cm). Se assim raciocinarmos.1 . pois. o que pode provocar maiores aberturas superficiais ao longo da altura da alma da viga”. .Figura 4 – Aparecimento de fissuras de cisalhamento (UFF. Segundo FUSCO (1996). tais como a retração por secagem e movimentação térmica.RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR AS FISSURAS Como citado anteriormente não podemos acabar totalmente com as fissuras nas construções. por isso apresentam-se algumas recomendações: 6. maior a proteção.

A NBR-6118/2003. A armadura mínima de tração deve ser determinada pelo dimensionamento ao momento mínimo.3 .15%.5. devido a um excesso de carga.Para o controle da fissuração. 6. a armadura de pele mínima deve ser de 0. Vigas. Para o cálculo da armadura de pele admite-se que a fissuração do concreto nela provoque a tensão σs = fyk e que suas barras tenham espaçamentos Sr máximo de 20 cm e não seja maior que d/3 (d é a altura útil da seção). define o momento fletor mínimo pela seguinte expressão: onde: .3 da NBR 6118/2003. a armadura de pele deve ser colocada junto a cada face da peça estrutural a ser protegida.mim que seja suficientemente capaz de assegurar à viga uma resistência à flexão. tendo uma ruptura brusca do concreto tracionado.Armadura Mínima A armadura mínima visa à prevenção de situações em que a seção transversal de concreto é muito superior aquela que seria teoricamente necessária. Figura 5 . tornase necessária uma armadura de tração As.3. Para evitar que o concreto seja fissurado. 2003) Para vigas com altura igual ou inferior a 60 cm pode ser dispensada a utilização de armadura de pele. cuja situação de trabalho pode ainda não ter provocado fissuração. submetidas às cargas de serviço. dependendo da resistência à compressão do concreto e da seção transversal da peça.10% Ac.alma em cada face da alma da viga e composta por barras de alta aderência (h1 ≥ 2. devendo resistir aos esforços de tração liberados pela ruptura da camada periférica do concreto que lhe é adjacente.Esquema da Disposição da Armadura de Pele (NBR 6118.25) com espaçamento não maior que 20 cm (Figura 5). pelo menos igual aquela que possuía no concreto sem fissuras. respeitando uma taxa mínima absoluta de 0.2. leva em consideração que a tensão máxima na região tracionada não atinge o valor característico da resistência à tração fct (fctk.sup). com o concreto já fissurado. Segundo o item 17.

W é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto.. sendo: o I é a inércia da seção yt é a distância do centro de gravidade à fibra mais tracionada da seção.fctk. 2004) Figura 7 . et al. et al. relativo à fibra mais tracionada. Figura 6 .sup é a resistência característica superior do concreto à tração. 2004) . Para exemplificar melhor o modelo de fissuração por flexão será ilustrado aqui o ensaio realizado por acadêmicos da Universidade Católica de Goiás.Armadura utilizada para ensaio da viga 01 (Rocha.Viga 01 posicionada na prensa para ser ensaiada (Rocha..

Existem basicamente três razões para se controlar a fissuração: a durabilidade. os agregados.45 tf (Rocha. .. 7 . apesar das fissuras estarem intrínsecas ao concreto armado.. proporcionando à peça uma durabilidade maior. alguns fatores como: a água. o lançamento. et al. cisalhamento ou torção.Viga 01 rompida por flexão pura . o cimento. sendo que estas ocorrem com o concreto endurecido por ser o mais freqüente em concreto armado. o adensamento e as condições climáticas afetam na fissuração das peças e as fissuras que ocorrem devido ao carregamento externo são basicamente decorrentes de tensões de tração devidos aos esforços de compressão.Figura 8 . Antes do carregamento.Viga 01 recebendo o carregamento (Rocha. tração. a cura.P=1. 2004) Contudo. et al. à estrutura uma estabilidade maior e aos usuários um conforto maior. existe algumas maneiras de evitá-las. tendo em vista que pode comprometer a utilização.CONSIDERAÇÕES FINAIS A fissuração é um fenômeno inevitável no concreto e um dos fatores que mais influenciam no comportamento das peças estruturais de concreto armado. 2004) Figura 9 . flexão. a durabilidade e a estética das mesmas. a aparência e a estanqueidade a líquidos e gases.

mas podemos amenizá-las através do controle do cobrimento mínimo. 1988. à estrutura uma estabilidade maior e aos usuários um conforto maior. as patologias podem ocorrer no concreto e/ou no aço.Fip Model Code (MC-90) Final Draft”. Bulletin D’Information N 203.br/ Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 6118/2003 .2003 http://www.pdf AMERICAN CONCRETE INSTITUTE.Projeto de Estruturas de Concreto Armado – Procedimento.pro.Em uma estrutura de concreto armado. Manuel – Patologia e terapia do Concreto Armado – São Paulo.br/resmatcivil/pdf's/Ensaio_viga_de_concreto http://www.. Informado por el Comité ACI 224. sendo de muita importância a correta caracterização de onde estas advêm para que ocorra uma intervenção adequada. Rio de Janeiro. Reforço e Proteção de Estruturas de Concreto. http://www. http://habitare. Julho .infra.uff. Pini.São Paulo: Pini. 8 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HELENE. 1992. CEB – (Commite Euro-Internacional du Beton)(1991).ita. da utilização da armadura de pele para algumas seções de concreto e garantir a utilização da armadura mínima.ucg. Paulo – Manual para Reparo. FERNÁNDEZ.br/mary/download/teses_tgs/Fissuras. Control de La fisuración em estructuras de hormigón. proporcionando à peça uma durabilidade maior. ACI 224R (2001). a fim de minimizar ou evitar a ação do agente gerador. seria praticamente impossível acabarmos totalmente com as fissuras nas construções.pedagogiaemfoco.br/acad_web/professor/sitedocente/admin/arquivosUpload/3922/ material/Ensaios%20de%20Stuttgart_artigo_ibracon_2004(6). destacando-se que os agentes podem advir das mais diversas fontes.”CEB. Como visto ao longo do artigo.

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