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Resumo Psicologia Jurídica

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Histórico da Psicologia Jurídica No início do século XIX, na França, os médicos foram chamados pelos juízes da época para desvendarem

o µµenigma¶¶ que certos crimes apresentavam. Eram ações criminosas sem razão aparente e que, também ³não partiam de indivíduos que se encaixavam nos quadros clássicos da loucura´ (CARRARA, 1998, p.70). Segundo Carrara (1998), estes crimes que clamaram pelas considerações médicas não eram motivados por lucros financeiros ou paixões, pareciam possuir uma outra estrutura, pois diziam respeito à subversão escandalosa de valores tão básicos que se imagina que estejam enraizados na própria ³natureza humana´, como o amor filial, o amor materno, ou a piedade frente à dor e ao sofrimento humano. Conforme Castel (1978), estas foram as primeiras incursões dos alienistas franceses para fora dos asilos de alienados. Mas, e a Psicologia, que lugar viria ocupar nesta relação entre a criminalidade e a justiça? De acordo com Bonger (1943), a Psicologia só viria aparecer no cenário das ciências que auxiliam a justiça em 1868, com a publicação do livro Psychologie Naturelle, do médico francês Prosper Despine, que apresenta estudos de casos dos grandes criminosos (somente delinquentes graves) daquela época. Ele obteve seu material de estudo das detalhadas informações contidas na La Gazette des Tribunaux e de outras publicações análogas. Despine dividiu o material em grupos de acordo com os motivos que desencadearam os crimes e, logo em seguida, investigou as particularidades psicológicas de cada um dos membros dos vários grupos. Concluiu ao final que o delinquente, com exceção de poucos casos, não apresenta enfermidade física e nem mental. Segundo ele, as anomalias apresentadas pelos delinquentes situam-se em suas tendências e seu comportamento moral e não afetam sua capacidade intelectual (que poderá ser inferior em alguns casos e enormemente superior em outros). Conforme suas observações, o delinquente age com frequência motivado por tendências nocivas, como o ódio, a vingança, a avareza, a aversão ao trabalho, entre outras. Na opinião de Despine, o delinquente possui uma deficiência ou carece em absoluto de verdadeiro interesse por si mesmo, de simpatia para com seus semelhantes, de consciência moral e de sentimento de dever. Não é prudente, nem simpático e nem é capaz de arrependimento. O próprio Despine considera que sua obra era somente uma iniciativa e incitou as demais pessoas para que prossigam nesta mesma linha de investigação. Despine passou então a ser considerado o fundador da Psicologia Criminal - denominação dada naquela época às práticas psicológicas voltadas para o estudo dos aspectos psicológicos do criminoso. Em 1875, a criminologia surge no cenário das ciências humanas como o saber que viria dar conta do estudo da relação entre o crime e o criminoso, tendo como campo de pesquisa ³as causas (fatores determinantes) da criminalidade, bem como a personalidade e a conduta do delinquente e a maneira de ressocializá (OLIVEIRA, -lo´ 1992, p. 31). A criminologia: ³em sua tentativa para chegar ao diagnóstico etiológico do crime, e, assim, compreender e interpretar as causas da criminalidade, os mecanismos do crime e os móveis do ato criminal, conclui que tudo se resumia em um problema especial de conduta, que é a expressão imediata e direta da personalidade. Assim, antes do crime, é o criminoso o ponto fundamental da Criminologia contemporânea´ (MACEDO, 1977, P. 16). Neste momento a Psicologia Criminal passa a ocupar uma posição de maior destaque como uma ciência que viria contribuir para a compreensão da conduta e da personalidade do criminoso. Para García-Pablos de Molina (2002, p. 253), ³corresponde à Psicologia o estudo da estrutura, gênese e desenvolvimento da conduta criminal´. O crime passa a ser visto como um problema que não é apenas ³do criminoso, mas também, do Juiz, do advogado, do psiquiatra, do psicólogo e do sociólogo´ (DOURADO, 1965, p.7). Na visão de Dourado (1965, P. 7), atualmente: ³não se concebe, no processo penal, que se omitam os conhecimentos científicos da Psicologia, no sentido de se obter maior perfeição no julgamento de cada caso em particular. (...) Para se compreender o delinquente, mister se faz que se conheçam as forças psicológicas que o levaram ao crime. Esta compreensão só se pode obter examinando os aspectos -se psicológico-psiquiátricos do criminoso e de seu crime´. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, Segre (1996, p.27) destaca que ³o que deve prevalecer no estudo criminológico é a tentativa de esclarecimento do ato humano anti-social, visando à sua prevenção e, tanto quanto possível, a evitar a sua reiteração (terapêutica criminal)´. De acordo com Bonger (1943), a Psicologia Criminal é importante para todos os profissionais de Direito Penal. Para a polícia é útil saber quais são os tipos psicológicos mais suscetíveis ao cometimento de determinado tipo de delito. Também é importante que os promotores e juizes conheçam o grau de perigo para a segurança pública que é inerente a certos tipos de delinquentes, a fim de fixarem as penas e demais medidas corretivas. Por último, o conhecimento da Psicologia Criminal é de utilidade especial para todas aquelas pessoas que trabalham em presídios e manicômios. Na opinião de Bonger (1943), encontramos entre os delinquentes todos os tipos humanos possíveis, não existe uma tipologia psicológica específica do delinquente. Para ele, o que diferencia o delinquente das demais pessoas é uma deficiência moral associada a uma exagerada tendência materialista.Bonger (1943), ao descrever o surgimento da psicologia criminal, cita alguns autores anteriores a Despine que, segundo ele, fazem parte da pré-história da psicologia criminal, como Pitaval, na França, em 1734; Richer, na França, em 1772; Schaumann, na Alemanha, em 1792; Feuerbach, na Alemanha, em 1808; Lauvergne, na França, em 1841; Häring e Hitizig, na Alemanha, em 1842 e Avé-Lallemant, na Alemanha, em 1858. Na sua opinião, apesar de apresentarem uma preocupação em descrever aspectos psicológicos dos delitos e dos delinquentes, estes autores pecaram por não haver um rigor metodológico na escolha dos casos e nem uma preocupação em construir uma teoria sobre os dados encontrados. Com relação à história propriamente dita da psicologia criminal, Bonger (1943) conseguiu fazer uma pesquisa bibliográfica bastante expressiva, envolvendo autores de diversos países, como Lomb roso, na Itália, em 1876; Marro,

Apesar de superficialmente. Se por constituição corporal entendemos o conjunto de propriedades morfológicas e bioquímicas transmitidas ao indivíduo por herança. como médico de prisioneiros. Suas investigações realizaram-se com mais frequência e como um maior rigor metodológico. De acordo com Mira Y Lopez (2008). o delinquente se caracteriza principalmente por um defeito em sua capacidade de refletir e de impressionar as pessoas. descuidado. dos fatores psíquicos que podem tomar parte na investigação e no julgamento dos delitos. na Alemanha. em 1908. abreviadamente conhecido como Gross¶Archiv. Aschaffenburg. em 1893. Baer e Gross. o temperamento e a inteligência. a constituição corporal imprime um selo característico na pessoa e condiciona em grande parte o seu jeito de ser. publicou um estudo bastante extenso sobre Psicologia Criminal onde menciona os seguintes traços como sendo característicos dos delinquentes: parasitismo. para a Psicologia Criminal. Seu grande mérito consiste em ser o primeiro a produzir uma crítica da prova e do testemunho. -se Laurent.Fatores gerais responsáveis pela reação pessoal em um dado momento. seriam responsáveis pela reação de uma pessoa em um dado momento. tatuagem e religiosidade. E com relação . cruel e se caracteriza por uma tendência a entregar-se à bebida. crueldade. segundo Mira Y Lopez. Gross trata em seus dois livros da Psicologia Criminal aplicada. o delinquente é um indivíduo de inteligência inferior à média. Baer. preguiçoso. numa tentativa de compreender como as pessoas reagem em situações de conflito. na qual haveria de desenvolver mais tarde como uma ramificação da Psicologia Criminal. sendo responsável pela nossa tendência mais primitiva de reação em frente dos estímulos ambientais.na Itália. assim como estudos de casos separados. assim como. A Alemanha foi o país que mais se destacou. A partir do final do século XIX. quanto à constituição corporal. enumerou nove fatores que. tendência a mentir. na França. em muitos aspectos. também se ocupou da Psicologia do delinquente. Kurella. valente (e às vezes. Figura 1 .Mira Y Lopez (2008). tais como a gíria dos delinquentes.Lombroso. presunçoso e pobre de vontade. fez significativas observações sobre a importância da influência que o meio ambiente exerce sobre as tendências psíquicas de uma pessoa. a Psicologia Criminal começou a ser dona do seu próprio destino. publicou uma revista que contém igualmente uma grande quantidade de material de interesse para a Psicologia Criminal. biógrafo de Lombroso. em 1904. ele cita um ou dois exemplos e discute os mais diversos temas. classi icando-os em herdados. pai da criminologia e criador da antropologia criminal (ciência que estuda a relação entre as características físicas do indivíduo e a criminalidade). adquiridos e mistos f (Figura 1). teve grandes e variadas oportunidades para estudar a personalidade do delinquente. o delinquente representa um caso extremo das características psíquicas que mais abundam na classe social de onde ele procede. O fator morfológico origina na pessoa um obscuro sentimento de superioridade ou inferioridade física em frente às situações e influencia a determinação do seu modo de reagir. em 1887. os fatores herdados que influenciam o modo de reação da pessoa são a . Ao longo dos seus dezesseis capítulos o autor procura discutir o papel da Psicologia no campo do Direito e oferecer conhecimentos sobre o comportamento humano que auxiliem os juristas em suas decisões. presunção e veemente ânsia de prazeres. seguido o exemplo de Gross. Segundo ele. Gross fundou o Archiv fur Kriminalantropologie und Kriminalistik. de pouca simpatia. o delinquente é insensível. Segundo ele. psiquiatra. uma crítica vinda de um jovem adolescente não será recebida da mesma forma se for feita por um idoso. podemos definir o temperamento como a resultante funcional direta da constituição corporal. ao jogo e às mulheres. Em 1950. inconstante. covarde). presunçoso. segundo ele. Aschaffenburg. Mira Y Lopez utiliza o termo Psicologia Jurídica ao publicar o Manual de Psicologia Jurídica. Segundo sua opinião. Para ele. a reação de um homem corpulento difere da de um homem magro e baixo. O alemão Kurella. em 1904 e Laurent. ao analisar o comportamento do delinquente. falta de piedade. constituição corporal. é considerado um autêntico tesouro para a criminologia e. falta de sentimento de honra. Em outras palavras. ou seja. na Alemanha. Já para Marro. Com mais de noventa volumes.

34). De fato. a constelação. a situação externa atual. 1995. p. Contudo. O caráter constitui o término das transações entre os fatores endógenos e os exógenos integrantes da personalidade e representa o resultado desta luta. A pessoa cujo insight é prejudicado apresenta uma dificuldade de compreensão e de reflexão ante a realidade.199). E. Contudo. o modo de percepção da situação seria o fator mais importante de todos na determinação da reação pessoal. que se encontra relacionando à sua própria maneira de existir´. os fatores adquiridos que influenciam a forma como a pessoa reage são a prévia experiência de situações análogas. sentimentos´. como foi comentado anteriormente. Para ele. É evidente que uma pessoa que sai de um concerto de música ou de um sermão religioso não está com igual disposição para agredir do que quando acaba de ver uma luta de boxe ou uma partida de futebol. conduzem o indivíduo à completa submissão ao meio externo. Na visão de Naffah Neto (1995. Para ele. ao contrário. É o modo como refletimos sobre as coisas que ocorrem no nosso dia-a-dia. mas de descobrir o ³porquê´. nas grandes alterações deste. quando enumeramos as características pessoais de um sujeito. Estas diversas formas de compreender o fenômeno podem até se complementar ou ser totalmente antagônicas. Para Mira Y Lopez (2008). Neste sentido. para uma pessoa pouco dotada do ponto de vista intelectual. isto é. seguindo esta mesma linha de raciocínio. o desafio que a vida em sociedade apresenta não se limita a apontar uma única e simplificada explicação do ³porquê´ o homem mata outro homem. o tipo médio de reação social (coletiva) e o modo de percepção da situação. impulsivos e agressivos. mas. complementa: ³as situações que alguém vivencia não possuem. ele defende a idéia de que o insight ³é estruturado pela integração da biologia. podendo vir a ter comportamentos autodestrutivos. assimilar. Pontes denomina de falsa normalidade (são as pessoas portadoras de transtornos de personalidade). Já os exógenos. um registro. o estímulo desencadeador da reação pessoal e o tipo médio de reação social diz respeito ao modo como a maioria das pessoas reagiriam a uma dada situação. há em todo momento uma influência recíproca entre o sujeito e seu meio social. O Insight é a capacidade da pessoa para perceber. Cohen (1996. cujas consequências vão do suicídio ao homicídio. o exemplo vivido. compreender e elaborar a realidade e os acontecimentos em sua volta. Pontes (1995. os sentimentos e os pensamentos suscitados nele pela situação? Até que ponto ele está sentindo-se agredido ou violentado? Entendemos por subjetividade o modo como o ser humano se relaciona com o mundo e consigo mesmo. p. e isto representaria o seu caráter. Na sua opinião. Segundo Mira Y Lopez Mira Y Lopez (2008). havia apontado como uma das características de personalidade do delinquente. um defeito em sua capacidade de reflexão. p. a experiência anterior influenciam de modo decisivo a determinação da reação atual. Essa clássica disputa entre o endógeno e o exógeno tem como produto final o tipo de conduta externa que a pessoa apresenta. dizemos que o ³caracterizamos´. Ele denomina de constelação a influência que a vivência ou a experiência imediatamente antecedente exerce na determinação da resposta à situação atual. o caráter é um fator importantíssimo na reação pessoal porque ele costuma definir e determinar a conduta. a subjetividade seria um espaço psíquico onde as experiências humanas podem encontrar um lugar de expressão. ou seja. de modo que a experiência da realidade de um fenômeno pertence unicamente ao domínio de quem a está experienciando e o que o outro pode fazer é tentar compreender.126). Quando o insight é bastante prejudicado ou ausente. o comportamento individual reflete a toda hora aspectos da conduta social. De acordo com as idéias de Pontes (1997). Portanto. um significado em si mesmas.58). Mira Y Lopez (2008) defende a idéia de que ela nos fornece subsídios para uma adaptação melhor à realidade e uma melhor compreensão dela. os fatores endógenos impulsionam o indivíduo para uma conduta puramente animal.74). A explicação não pode estar em supostos instintos humanos. capaz de acolher. A experiência prévia de situações análogas seria o primeiro fator a considerar puramente exógeno. Segundo Pontes (1997. que variam amplamente de uma pessoa para outra. ou seja. De acordo com Mira Y Lopez (2008).10) defende a idéia de que ³melhor do que procurar rotular ou classificar µtipos criminosos¶ seria . p. que tenderiam a dirigir sempre todos os homens numa única direção. Em 1887. pensamentos. Marro. de certo e de errado. Pontes (1997) apresenta uma importante correlação entre baixo nível intelectual e ³insight prejudicado´. baseado em sua experiência clínica. p. A situação externa atual representa a causa. Entretanto. que damos conta do seu caráter. os recursos de adaptação a uma situação acabarão mais rápido do que para outra um pouco mais inteligente. em circunstâncias similares. as leis não são universais. um homem mata. principalmente. define a inteligência como sendo uma ³capacidade para adquirir e acumular experiências. as vivências. dar abrigo e morada às experiências da vida: percepções.à inteligência. apenas. é comum dizermos que o caráter é o fator mais importante na descrição da personalidade de uma pessoa. Ele diz respeito à subjetividade do ser humano: como o sujeito está percebendo aquele conflito? Quais as impressões. Segundo Fernandes (2002. nas experiências de suas vidas inteiras. Um único fenômeno psíquico remete-nos a diversas leituras e modos de compreensão.199). Forghieri (1993. objetivando a satisfação de seus anseios. fantasias. sendo difícil assimilar noções de limites. de vazio. a subjetividade representaria as ³diferentes expressões de como somos afetados pelo mundo´ (NAFFAH NETO. p. de tal forma que não há perda total do contato com a realidade. de Direito e de deveres e de bem e de mal. outro socorre e um terceiro finge que nada viu. mas adquirem um sentido para quem as experiencia. Psicologia e sociedade. visando a resolver os problemas que a vida impõe´. a subjetividade seria ³uma espécie de envergadura interior. o modo como o insight se origina é uma incógnita. seguindo esta mesma linha de pensamento. em se tratando de ciências humanas. a biologia prevalece´. adquirido em vida. p. apresentando sérios transtornos de conduta. Sem dúvida alguma. as pessoas que possuem um baixo nível intelectual em concomitância com um insight prejudicado tendem a delirar nos atos e não nas idéias. quando o insight se encontra prejudicado. Na visão de Mira Y Lopez (2008). a pessoa é considerada psicótica.

Segundo Gomes (2003). sabemos que o trabalho começou muito antes. após quase sessenta anos de prisão. E é exatamente esta relação o ponto central de investigação da Psicologia Jurídica. o psicólogo polonês W. a prática da Psicologia Aplicada. o criminoso é o objeto do estudo criminológico. a atividade de médico não deveria se restringir aos cuidados com os presos. um entendimento que reordena a loucura. faz uma análise do laudo de trinta e três páginas. em alguns estados. vários trabalhos simultâneos registram fatos importantes no campo da Psicologia: Ulisses Pernambucano fundou o Instituto de Psicologia de Recife e reestruturou o trabalho de Assistência às Psicopatas de Pernambuco. principalmente das técnicas projetivas. que se ocupavam principalmente de exames em doentes mentais. sua insensibilidade moral e ausência de remorso. Um livro reeditado em 1923 do eminente jurista Tobias Barreto tinha justamente este título: "Menores e Loucos". entretanto. cujo caso terminou em prisão perpétua. foram identificados profissionais que atuam nessa área desde 1970.. pelo CFP. Havia. entre outros. na década de 20. absolutamente incorporadas. ao passar se por médico ginecologista e cirurgião-dentista. Febrônio viveu no manicômio judiciário até morrer. de Mira Y Lópes (1945 A história da Psicologia no Sistema Judicial brasileiro Na coleta de dados realizada em 2005. Esse é. covardia. influenciados pelo pensamento positivista.. previsibilidade. Menores e loucos: estes os principais clientes que o Direito encaminhou à Psicologia. ganhando força. Mecanismos esses que já são terrivelmente complexos por se relacionar com o universo do homem e cujo enfoque se fará sob as óticas mais diversificadas. Trata-se do lendário Febrônio Índio do Brasil. registros anteriores de outros dez rapazes que sofreram abuso sexual por parte de Febrônio. Desse modo.. com a prática de ilicitudes´. apoiado em noções de uma normalidade idealmente cientifizada. como pesquisas e prestação de serviços psicológicos. Diz ela: ³[. na época. A leitura foucaultiana de que a Psicologia é a superfície do mundo moral em que o homem se aliena ao buscar a sua verdade é aqui mu ito pertinente. feito pelo médico Heitor Carrilho. que entrou para a história como o primeiro caso de inimputabilidade no país. num projeto de compreensão dos mecanismos que o levam a descumprir a lei. seu comportamento sexual e a possibilidade de regeneração. pois a medida de segurança que lhe fora imposta só permitiu que saísse de lá morto. A utilização de testes. em um determinado contexto. não existe um perfil criminoso. aos 89 anos. emitido por solicitação da defesa. todavia. em 1906.. O início do século XX é marcado por um período que registra a criação de laboratórios de Psicologia no Brasil. Na perspectiva de Segre (1996. amplamente utilizadas em outras áreas do conhecimento. [. p. suas novas propostas de tratamento penal e medidas de segurança. representa a plena penetração dos saberes ³psi´ nos recônditos antes reservados exclusivamente ao Direito. Na história do sistema penal brasileiro. levando em conta a relatividade das leis. procedimento que substituiu cientificamente o inquérito na produção da verdade jurídica (Foucault. também marcaram o ingresso do psicólogo no sistema penal brasileiro e foram. portanto. Quando em liberdade. Logo. desenvolveram práticas psicológicas. 1996). a primeira aos 21 anos de idade.27). 68-71) vários registros marcam. a introdução de procedimentos e práticas da Psicologia. hegemônico no século (1897). baseado no título do livro de caráter místico e religioso que o próprio Febrônio escreveu e publicou em 1926: As Revelações do Príncipe do Fogo. em 1927. foi ele quem permaneceu o maior tempo encarcerado. ao organizar e dirigir o Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro. O que se pretende no estudo criminológico é o vislumbre de algo que dê alguma explicação.] seu famoso laudo sobre Febrônio Índio do Brasil. a partir do recorte e condensação de saberes diversos. ferocidade. Calil encontrou um exemplar dessa publicação na biblioteca de Mário de Andrade ± fato raro. sobre Febrônio Índio do Brasil. vaidade. da pesquisa e da Psicologia Experimental. em 1984. no Rio de Janeiro. como impostor.. que tinha como prática tatuar todas as suas vítimas. um menor de idade. à realização do ato criminoso. seus sentimentos de crueldade. Carlos Augusto Calil. no período de 1890 a 1950. revolucionários[. após . seus vícios. um intrigante fato registra o ingresso do preso de número 00001 na instituição Manicômio Judiciário do Brasil. foi criado o primeiro Laboratório de Psicologia no Hospital de Alienados do Rio de Janeiro.] mas uma caracterização não estaria completa sem englobar também a dimensão psicológica dos detentos. Os laboratórios. o relator buscou dados que revelam a inteligência e a memória dos detentos..procurar estabelecer possíveis relações entre uma condição humana. Investigou também suas relações com os familiares e com a religião. O cineasta e professor da USP. já que quase todos os livros foram queimados pela Polícia Federal. A Psicologia serviu somente como mais uma das técnicas de exame.] ele reconhecia a seriedade de sua investigação e a colocava entre as primeiras realizadas no país com o intuito de clarificar a questão do comportamento criminoso [.]´.. No mesmo período. e. evoluindo para outras modalidades criminais mais ousadas. durante a gestão do médico Juliano Moreira. De acordo com os estudos de Lhullier (2003. e sobrevivia de práticas ilícitas de menor importância. chegou ao Rio de Janeiro com 14 anos. No Brasil. junto aos psicólogos que trabalham no sistema prisional dos diferentes estados. Um exemplo desta visão centrada na psicopatologia objetivando a manutenção da inquestionável ordem pública pode ser encontrada no livro Manual de Psicologia Jurídica. Fraudes de diversas ordens e roubos foram ocorrendo até seu caso se tornar famoso a partir do episódio de abusos sexuais e estrangulamento de dois rapazes. Radecki. às vezes altamente contraditórios ± muitos.]´.. O tratamento fora à base de eletrochoques e fortes medicamentos. Jacó-Vilela (1999). portanto. de edema pulmonar e completamente senil. em 1923. Relatos sobre a história de Febrônio encontrados em diversos textos pesquisados revelam que ele foi preso várias vezes. Nascido em Minas Gerais. criados para justificar a Psicologia como ciência.. ao referir-se ao processo de consolidação do Direito Positivo no Brasil. lançou um curta-metragem intitulado O Príncipe do Fogo. p.. mas à utilização dos dados fornecidos por esse serviço (da Antropologia Criminal) para contribuir com o avanço da ciência [. à época. passou para a história da Psicologia no Brasil.

Outro dado histórico importante foi a criação do Núcleo de Atendimento à Família (NAF). inaugurado no Rio de Janeiro.210/84) Brasil (1984). Contudo..] a Antropometria se fez presente em laudos periciais célebres do período.. No estado de São Paulo. o Juizado de Menores passou a ser denominado Juizado da Infância e Juventude..170) sobre o laudo de Febrônio: ³[. área em que o psicólogo iniciou sua atuação no então denominado Juizado de Menores. O Manicômio Judiciário Heitor Carrilho deu o suporte básico à doutrina positivista da produção científica. naquele estabelecimento hospitalar. à investigação e explicação dos fenômenos psíquicos naturais. logo após a regulamentação da profissão no Brasil (1962). revestindo a fórmula da loucura moral e perversões instintivas. podendo ser recontratado após esse período. seus métodos e evolução enquanto ciência. a retórica humanista de regeneração do delinqüente. Os psicólogos. p. realizado pelos psicólogos do sistema penitenciário desse estado. para a celeridade do Sistema Judiciário (Silva & Polanczyk. envolvendo atividades na área pericial. Febrônio foi diagnosticado como: ³[. destaca-se o Direito da Infância e Juventude.] portador de uma psicopatia caracterizada por desvios éticos. Segundo ainda o mesmo autor. destituído de noção de seus atos. em homenagem ao seu primeiro diretor (1921. dentro do curso de especialização em psicologia clínica.. e que cumpriam.]´. Isto influenciou também o ensino universitário.1954). implantado no Foro Central de Porto Alegre e pioneiro na justiça brasileira.]´. reformularam a proposta existente.] o discurso positivista. Ainda dentro do Direito Civil. acompanhamentos e aplicação das medidas de proteção ou medidas socioeducativas (Tabajaski. determinada passagem do laudo. basicamente apoio a questões familiares. o presidente do Tribunal de Justiça apresentou à Assembléia Legislativa um projeto criando o cargo de psicólogo judiciário. Mais tarde. sempre oscilou entre dois pólos: de um lado. denominada ³Psicodiagnóstico para Fins Jurídicos´ (Brito. em 1990.. tendo como objetivo principal sua reestruturação e manutenção da criança no lar. Esse histórico inicial reforça a aproximação da Psicologia e do Direito através da área criminal e a importância dada à avaliação psicológica. considerados inimputáveis diante da lei. e. em 1980. constituindo-se num curso de especialização em . a Lei nº 500 do CPC instituiu a contratação do Psicólogo.. em outubro de 1997. que possibilitassem a exclusão do convívio social de indivíduos perigosos [.]´ Segundo informações contidas no trabalho Resgate histórico da Psicologia no Sistema Penitenciário do estado do Rio de Janeiro. foi a partir da promulgação da Lei de Execução Penal (Lei Federal nº 7. irresponsável pelos seus atos. O trabalho objetiva oferecer a casais e famílias com dificuldades de resolver seus conflitos um espaço terapêutico que os auxilie a assumir o controle sobre suas vidas. que atendeu a esta reivindicação criando. Porém. nenhuma delas guardava qualquer relação com o laudo[. Com a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Brasil (1990). buscaram se especializar nas técnicas de exame. em última análise. sendo registradas as medidas de seu crânio [. eventualmente. Rio Grande do Sul (1993) e Rio de Janeiro (1998) (Rovinski. em 1921. por conseguinte.. a tarefa dos setores de psicologia era. expressas no homossexualismo com impulsões sádicas.. 1998). de crime e. a participação do psicólogo nas questões judiciais começou em 1980. toda vez que o discurso positivista se mostrava persuasivo no que dizia respeito ao combate à criminalidade e à ordem social. no período de 1967 a 1976..] no entanto.. Segundo comentários do historiador Ferla (2005. ficando ligado ao departamento de psicologia social. ganhava adeptos e respaldo social [.] Heitor Carrilho e Manoel Clemente Reyio assinaram o laudo médico-psicológico em 20 de fevereiro de 1929. a perícia psicológica nos processos cíveis. colaborando. estado esse a que se juntam idéias delirantes de imaginação. de car áter místico[. de outro. pela primeira vez no Rio de Janeiro. encaminhado para internação no primeiro manicômio judiciário do Brasil. encontramos os registros antropométricos. O caso mais emblemático é o de Febrônio. No Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. muitos deles responsáveis pelo prolongamento indefinido da execução da pena. 1998). e. que o psicólogo passou a ser reconhecido legalmente pela instituição penitenciária (Fernandes. procurando atender demanda do poder judiciário.. posteriormente. indigno de castigo. Essa expansão do campo de atuação do psicólogo gerou um aumento do número de profissionais em instituições judiciárias mediante a legalização dos cargos pelos concursos públicos. a reivindicação de mecanismos mais eficientes de defesa da sociedade. o seu programa de intervenção social. que é µabsolvido¶ [. passou a se chamar Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. o ingresso dos primeiros psicólogos no sistema penal brasileiro ocorreu no Rio de Janeiro.... O trabalho do psicólogo foi ampliado..várias passagens pela polícia. professores da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ainda Ferla: ³[. basicamente. Apesar de quase todo ele ter sido estruturado em torno das questões psíquicas em .. no Tribunal de Justiça. E foi a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 2002). não era apenas no campo do Direito Penal que existia a demanda pelo trabalho dos psicólogos. Em 1985. que. por um ano. a título precário. quando um grupo de psicólogos voluntários orientava pessoas que lhes eram encaminhadas pelo Serviço Social. Em 1986 passou por uma reformulação.. Febrônio foi considerado inimputável4 pela Justiça. Gaiger & Rodrigues. nos processos de adoção. Atentos a esta realidade. em meados da década de 60. tornando se um curso de especialização independente do departamento de clínica. esses profissionais faziam suas residências acadêmicas integrando o corpo técnico que trabalhava com os chamados ³loucos infratores´. o que significou a consolidação do posto de psicólogo no sistema judiciário. portanto. uma área de concentração. São exemplos a criação do cargo de psicólogo nos Tribu nais de Justiça dos estados de Minas Gerais (1992). Febrônio vendia o livro nas ruas do Rio de Janeiro. 1999). a medida de segurança..] Em outras palavras. 1998). Apesar das particularidades decada estado brasileiro. assim. Outro campo em ascensão até os dias atuais é a participação do psicólogo nos processos de Direito Civil.

Toda e qualquer prática da Psicologia relacionada às práticas jurídicas podem ser nomeadas como Psicologia Jurídica. ligando então -se ao departamento de psicologia social. a Psicologia do delito e a Psicologia das testemunhas. reforçando a ideia de que o psicólogo não decide. Esta mudança favoreceu uma ênfase muito menor às preocupações da clínica (ao psicodiagnóstico. A Psicologia Criminal é um subconjunto da Psicologia Forense e. acrescidas daquelas realizadas pelo psicólogo assistente técnico. ou seja. Nos casos em que julgar necessário. Cabe ressaltar que o psicólogo. segundo Bruno (1967). o psicólogo assistente técnico que questiona as conclusões de um estudo psicológico elaborado por um psicólogo judiciário. Principais campos de atuação Na Psicologia Jurídica há uma predominância das atividades de confecções de laudos. não sendo mais uma área de concentração dentro de departamento de clínica. como na prática as ações são ajuizadas em varas diferenciadas. de maneira racional. Direito Penal e Direito do Trabalho. A Psicologia Judiciária corresponde à prática profissional do psicólogo judiciário. Não são muito comuns os casos em que os cônjuges consegu em. optou-se por fazer essa divisão. por conseguinte. nos meandros dos relacionamentos humanos. Ao juiz cabe a decisão judicial. O termo Psicologia Jurídica é uma denominação genérica das aplicações da Psicologia relacionadas às práticas jurídicas. pareceres e relatórios. mas jamais determinar os procedimentos jurídicos que deverão ser tomados. nos casos em que os litigantes se disponham a tentar um acordo ou. o psicólogo pode atuar como mediador. ou seja. o psicólogo buscará os motivos que levaram o casal ao litígio e os conflitos subjacentes que impedem um acordo em relação aos aspectos citados. a Psicologia Forense e. Portanto. Separação e divórcio: os processos de separação e divórcio que envolvem a participação do psicólogo são na sua maioria litigiosos. enquanto Psicologia Criminal. ao psicólogo pode ser solicitada uma avaliação de uma das partes ou do casal.³psicologia jurídica´. parágrafo 1º. Contudo. A Psicologia Judiciária também é um subconjunto da Psicologia Forense e corresponde a toda prática psicológica realizada a mando e a serviço da justiça. não compete ao psicólogo incumbir-se desta tarefa. Porém. a Psicologia Judiciária estão nela contidas. Cabe observar que o Direito de Família e o Direito da Criança e do Adolescente fazem parte do Direito Civil. atingir o consenso para a separação. assim. define este Código : O psicólogo atuará na instituição de forma a promover ações para que esta possa se tornar um lugar de crescimento dos indivíduos. são processos em que as partes não conseguiram acordar em relação às questões que um processo desse cunho envolve. conforme se apresenta a seguir. em particular). . quando o juiz não considerar viável a mediação. É aqui que se encontra o assistente técnico. seja como avaliador ou mediador. todos são praticantes da Psicologia Jurídica. estabelecimento de pensão alimentícia e direito à visitação. A Psicologia Judiciária está contida na Psicologia Forense. É aqui que se exerce a função pericial. a Psicologia Jurídica corresponde a toda aplicação do saber psicológico às questões relacionadas ao saber do Direito. pelo psicólogo judiciário. Os ramos do Direito que frequentemente demandam a participação do psicólogo são: Direito da Família. romper com o vínculo afetivo -emocional (Silveira. Direito Civil. Psicologia Forense e Psicologia Judiciária são especificidades aí reconhecíveis e discrimináveis. artigo 4. Isso implica resolver o conflito que está ou que ficou nas entrelinhas. A Psicologia Criminal. a toda a Psicologia aplicada no âmbito de um processo ou procedimento em andamento no Foro (ou realizada vislumbrando tal objetivo). Incluem as intervenções exercidas pelo psicólogo criminal. Psicólogo jurídico e o direito de família : destaca--se a participação dos psicólogos nos processos de separação e divórcio. o psicólogo poderá. guarda de filhos. ao concluir o processo da avaliação. pode recomendar soluçõespara os conflitos apresentados. A Psicologia Forense corresponde a toda aplicação do saber psicológico realizada sobre uma situação que se sabe estar (ou estará) sob apreciação judicial. Desta forma. Processos de separação e divórcio englobam partilha de bens. RAMIFICAÇÕES E ÁREAS DE ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA JURÍDICA Conceitualmente. Direito da Criança e do Adolescente. disputa de guarda e regulamentação de visitas. sugerir e/ou indicar possibilidades de solução da questão apresentada pelo litígio judicial. inclusive. Seu campo de atuação abrange a Psicologia do delinquente. A Psicologia Forense é o subconjunto em que se incluem as práticas psicológicas relacionadas aos procedimentos forenses. sendo que toda ela ocorre sob imediata subordinação à autoridade judiciária. por ser também didaticamente coerente. É preciso deixar clara esta distinção. ou seja. 2006). sugerir encaminhamento para tratamento psicológico ou psiquiátrico da(s) parte(s). nem sempre o trabalho do psicólogo jurídico está ligado à questão da avaliação e consequente elaboração de documentos. estuda as condições psíquicas do criminoso e o modo pelo qual nele se origina e se processa a ação criminosa. No capítulo que trata ³Das responsabilidades e relações com instituições empregadoras e outras´. como também o psicólogo judiciário que elabora uma dissertação de mestrado a partir de sua prática cotidiana no Foro. apenas conclui a partir dos dados levantados mediante a avaliação e pode. mantendo uma posição crítica que garanta o desenvolvimento da instituição e da sociedade. O acadêmico que produz um artigo discutindo as interfaces entre a Psicologia e o Direito. O que passou a nortear esta formação é um dos indicadores dispostos no Código de Ética Profissional dos Psicólogos. voltando-se para questões pertinentes à psicologia social. que está contida na Psicologia Jurídica. pressupondo-se que compete à Psicologia uma atividade de cunho avaliativo e de subsídio aos magistrados.

Portanto. dado o alto nível de conflitos existentes entre os ex-cônjuges e que os fazem disputar seus filhos judicialmente. Pais que colocam os interesses e vaidade pessoal acima do sofrimento que uma disputa judicial pode acarretar aos filhos. na esperança de que isso o favoreça na disputa judicial. Myers (1992) ressalta que a entrevista com a vítima . mas que havia também uma contribuição dos filhos para essa desmoralização. a idade dos filhos. Contudo. Esse conjunto de manobras confere prazer ao alienador em sua trajetória de promover a destruição do antigo parceiro. A guarda compartilhada não implica alternância de lares. psicopatologia. atendendo ao melhor interesse da criança (Brasil. Dias (2006) observa que o detentor da guarda. Contudo. Há também diferenças entre guarda alternada e guarda compartilhada. pois a mesma só se estabelece mediante a complementaridade entre destruição da imagem pelo genitor e pelo próprio filho. Nesses casos. a guarda exclusiva ou simples é aquela em que ambos os genitores mantêm o poder familiar. Calçada (2005) observa que não se deve iniciar uma avaliação de abuso sexual considerando que a denúncia seja válida.). Dessa forma. De acordo com Kaplan e Sadock (1990). o juiz pode solicitar uma perícia psicológica para que se avalie qual dos genitores tem melhores condições de exercer esse direito. Guarda compartilhada: De acordo com Trindade (2004). nesses casos. um intruso a ser afastado a qualquer preço. incluídos na investigação. jamais levando em consideração apenas o relato da criança. os estilos de temperamento. Em casos mais graves. falsas acusações de abuso sexual e síndrome de alienação parental podem estar envolvidos nesses processos. em junho de 2008. Disputa de guarda: nos processos de separação ou divórcio é preciso definir qual dos ex-cônjuges deterá a guarda dos filhos. com sugestões das medidas que poderiam ser tomadas. O pai não-guardião passa a ser considerado um invasor. a qualidade dos relacionamentos pais-filhos. O psicólogo pode. Nesses casos. psicologia do desenvolvimento e psicodinâmica do casal. Gardner (2002) constatou não apenas que o genitor alienador incutia no filho idéias negativas em relação ao ex-cônjuge. A partir daí. estabelece-se um pacto de lealdade em função da dependência emocional e material. do qual tenta vingar-se fazendo crer aos filhos que aquele não é merecedor de nenhum afeto. mas as decisões recaem sobre o pai guardião.Regulamentação de visitas: conforme exposto acima. Geralmente. É fa preciso analisar a história do casal. Esse conjunto de aspectos é que será determinante para o sucesso ou fracasso da guarda compartilhada. com o objetivo de produzir um acordo pautado na colaboração. e sim uma co-responsabilização de dever familiar entre os pais. ambos os pais detêm o poder familiar e a tomada de decisões. conforme observa Silva (2006). 1994). na tentativa de atingir ou magoar o ex-companheiro. Gardner (2002) ressalta a importância de realizar entrevistas conjuntas. as disputas pré e pós-divórcio. não é possível falar em SAP. o filho absorve essa negatividade em relação ao genitor aliena do. ressaltando que a guarda poderá ser modificada a qualquer momento. 2005). foi sancionado pelo Presidente da República o projeto de lei que prevê a inclusão da guarda compartilhada na legislação brasileira. coloca-se como vítima de um tratamento injusto e cruel por parte do outro genitor. Este termo foi criado pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner. a mediação não é uma prática comum. podem ocorrer disputas judiciais pela guarda (Silva. o direito à visitação é uma das questões a ser definida a partir do processo de separação ou divórcio. O referido autor observou um aumento significativo das situações em que um dos genitores programa o filho para alienar-se do outro. o que exige do psicólogo uma postura mais crítica sobre o assunto. de autoria do Deputado T ilden Santiago. Há que se atentar também para o fenômeno da negação. unindo-se ao filho. objetivando esclarecer os conflitos e informar ao juiz a dinâmica presente nesta família. com divisões de tempo que podem variar de dias a anos alternados. que é um perfil não só dos abusadores mas também dos falsos acusados. Síndrome de alienação parental: Este fenômeno tem sido comumente visto no contexto de disputas de guarda (Gardner. as habilidades de coping e o exercício da co-parentalidade. A guarda exclusiva ainda é predominante no Brasil. O alienador caracteriza-se como uma figura superprotetora. Sem essa contribuição da criança. sentindo-se no ³dever´ de proteger o alienador. o que pode nos levar ao erro de entrar na sua fantasia.350/2002. A atitude deve ser de respeito e de busca de evidências. que pode ficar cego de raiva ou animar-se por um espírito de vingança provocado pela inveja ou pela cólera. define a guarda compartilhada e estabelece os casos em que a mesma será possível. 2005). Seu objetivo é distanciar o filho do outro genitor (Simão. assume o controle total. Contudo. n. O acusado fornecerá informações e documentos importantes. É necessário investigar o entorno histórico e social da família. assuntos atuais como a guarda compartilhada. ao destruir a relação do filho com o outro. independentemente do tempo em que os filhos passem com cada um deles. Além dos conhecimentos sobre avaliação.d. ainda. Na guarda compartilhada. o foco aqui apresentado será nas alegações de abuso sexual que envolvem a disputa de guarda. se necessário. que devem ser checados e. Para o diagnóstico da síndrome de alienação parental. de forma que a autonomia da vontade das partes seja preservada (Schabbel. 2007) por meio de interceptação de ligações e de correspondências e pelo uso de termos pejorativos e críticas ostensivas ao estilo de vida. que faz com que o filho demonstre medo em desagradar ou em opor se ao genitor guardião. A primeira implica a possibilidade de cada um dos pais deter a guarda do filho alternadamente. Falsas acusações de abuso sexual: É sabido que situações de abuso sexual intrafamiliar são freqüentes e apresentam conseqüências danosas às vítimas (Flores & Caminha. solicitando uma revisão nos dias e horários ou forma de visitas. ainda que influenciado pelo primeiro. procurando apontar a interferência de conflitos intrapessoais na dinâmica interpessoal dos cônjuges. ficando os filhos normalmente sob a custódia da mãe. revelam-se com problemas para exercer a parentalidade de forma madura e responsável (Castro. O Projeto de Lei nº 6. 1999). aproximadamente 50% do abuso é cometido por membros da família. Saposnek (1991) destaca que definir se a guarda compartilhada funciona ou não é uma tare muito complexa. com todas as partes envolvidas e em todas as combinações possíveis. Assim. atuar como mediador. após a decisão judicial podem surgir questões de ordem prática ou até mesmo novos conflitos que tornem necessário recorrer mais uma vez ao Judiciário. Cabe observar que o sistema da guarda compartilhada não é aplicável a todos os casos de separação conjugal. o psicólogo jurídico contribui por meio de avaliações com a família. 2006).

Assistente técnico: O Código de Processo Civil prevê a figura do perito. sugestionabilidade. Calçada. do perito e assistentes. O papel do psicólogo nesses casos é fundamental. 2000). de forma irrevogável. existe também o dos psicólogos que trabalham nas Fundações de Proteção Especial. Adoção: os psicólogos participam do processo de adoção por meio de uma assessoria constante para as famílias adotivas.a transferência da responsabilidade para estranhos jamais deve ser feita sem muita reflexão (Cesca. Significa debater tanto a conclusão a que o expert chegou . Cabe ao psicólogo. Assim. Perguntas diretivas do avaliador podem ocasionar sugestionabilidade da criança e talvez prejudicá-la permanentemente. avaliar a real presença desse dano. envolver a família e a comunidade com atividades que respeitem o princípio da não discriminação e não estigmatização. abandono. habilidade para distinguir entre realidade e fantasia e a veracidade das afirmações. com oportunidade de acesso à formação e à informação. são decisivas para o desenlace do processo de adoção (Albornoz. cabe mencionar que a relação entre o Assistente Técnico e o Juiz é indireta. prevenindo assim a negligência. Porém. no mínimo com a mesma atenção que deve dar aos outros elementos trazidos ao processo. tanto as partes quanto o promotor podem contratar um assistente técnico com a finalidade de ³acompanhar o trabalho do perito´. como memória. e não apenas ³selecionar´ os mais aptos (Weber. uma vez que se estabelece e se mantém nos mesmos a capacidade de vincular-se afetivamente. A relação entre o Assistente Técnico e o Perito deve ser de colaboração. no entanto. Entretanto. Espera-se que o Juiz considere suas colocações. Os vínculos estabelecidos com os monitores que cuidam delas são facilitadores do vínculo posterior na adoção. Psicólogo jurídico e o direito civil: o psicólogo atua nos processos em que são requeridas indenizações em virtude de danos psíquicos e também nos casos de interdição judicial. prioritariamente. informar e avaliar os interessados. Essas instituições têm como objetivo oferecer um cuidado especial capaz de minorar os efeitos da institucionalização. de posse de seu referencial teórico e instrumental técnico. toda a sua vida futura. 2004). médicos. podemos ter no mesmo processo laudos divergentes. Dano psíquico: o dano psíquico pode ser definido como a sequela. quanto as operações realizadas durante a perícia. São medidas punitivas no sentido de que responsabilizam socialmente os infratores. O juiz pode determinar o trabalho de um perito em questões técnicas que estão fora de sua área do conhecimento e que são importantes para melhor subsidiar sua sentença. Pode-se dizer que o dano está presente quando são gerados efeitos traumáticos na organização psíquica e/ou no repertório comportamental da vítima. É importante acessar a memória. Destituição do poder familiar: o poder familiar é um direito concedido a ambos os pais. Sua operacionalização deve. criação e educação dos filhos. É preciso considerar que a decisão de separar uma criança de sua família é muito séria. Adolescentes autores de atos infracionais: o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas socioeducativas que comportam aspectos de natureza coercitiva. o abuso. para citar alguns exemplos. elaborado especialmente para assessorar. pautada na ética e no conhecimento técnico. ou até mesmo destituído. para que eles determinem a assistência. em maior ou menor grau. não há uma história a ser contada. evitando rótulos que marquem os adolescentes e os exponham a situações vexatórias. e possuem aspectos eminentemente educativos. o estudo psicossocial torna-se primordial para garantir o cumprimento da lei.doença. além de impedi-los de superar as dificuldades na inclusão social. Como a adoção é um vínculo irrevogável. A primeira tarefa de uma equipe de adoção é garantir que os candidatos estejam dentro dos limites das disposições legais e a segunda é iniciar um programa de trabalho com os postulantes aceitos. tanto antes quanto depois da colocação da criança. proporcionando às crianças e aos adolescentes abrigados uma vivência que se aproxima à realidade familiar. Esse direito é assistido aos genitores. Os psicólogos que desenvolvem seu trabalho junto aos adolescentes infratores devem lhes propiciar a superação de sua condição de exclusão. 1997). psicólogos e assistentes sociais. bem como a formação de valores positivos de participação na vida social. a legislação brasileira prevê casos em que esse direito pode ser suspenso. que podem expressar não apenas interesses diversos mas também pontos de vista diferentes a respeito da mesma questão. na esfera emocional ou psicológica. Psicólogo jurídico e o direito da criança e do adolescente : destaca-se o trabalho dos psicólogos junto aos processos de adoção e destituição de poder familiar e também o desenvolvimento e aplicação de medidas socioeducativas dos adolescentes autores de ato infracional. de um fato particular traumatizante (Evangelista & Menezes. a rejeição ou a devolução. Para auxiliá-las a debater as questões técnicas envolvidas. Além do trabalho desenvolvido junto aos Juizados da Infância e Juventude. A equipe técnica dos Juizados da Infância e da Juventude deve saber recrutar candidatos para as crianças que precisam de uma família e ajudar os postulantes a se tornarem pais capazes de satisfazer às necessidades de um filho adotivo (Weber. pois desencadeia uma série de acontecimentos que afetarão. Isto significa que é dada a cada uma das partes do processo a possibilidade de discutir todos os documentos produzidos. 2004). os pais perdem todos os direitos sobre o filho. negligência. Os peritos podem ser de diversas áreas do conhecimento: engenheiros. no sentido da proteção integral. As relações substitutas provisórias. representadas pelo acolhimento institucional que abriga os que aguardam uma possibilidade de inclusão em família substituta. Independentemente da causa da remoção . A partir desta determinação judicial. diferenciando as funções profissionais. Finalmente. abuso sexual. . ou seja. e não aquilo que foi instruído ou ouvido repetidamente. que poderá ficar sob a tutela de uma família até a maioridade civil. ineficiência ou morte dos pais . ainda que separados e a guarda conferida a apenas um dos dois. Cavaggioni e Neri (2001) sugerem que a entrevista seja conduzida de maneira que a criança se sinta livre o suficiente para relatar o que desejar. sem nenhuma distinção ou preferência. maus-tratos. 2001). o que não quer dizer que eles devam necessariamente concordar.também é muito complicada por inúmeros fatores. O Código de Processo Civil é regido pelo Princípio do Contraditório.

nulidade ou anulabilidade de negócios jurídicos. ficam prejudicadas a contração de deveres e aquisição de direitos.792/2003 trouxe mudanças à LEP. disposição para o acolhimento e capacidade de deixar o depoente à vontade durante a audiência. o que pode denotar uma cumplicidade passiva ou ativa para com o criminoso. prevenção de DST/AIDS em população carcerária. no qual irá traduzir. proporcionar um ³tratamento penal´ aos apenados ou estabelecer outro tipo de relações institucionais com os demais funcionários. 2007). Cabe ao psicólogo a elaboração de um laudo.o psicólogo deve estar atento a possíveis manipulações dos sintomas. A criação da Lei de Execução Penal (LEP). ou não. Psicólogo jurídico e o direito do trabalho: o psicólogo pode atuar como perito em processos trabalhistas. são solicitadas verificações de possíveis danos psicológicos supostamente causados por acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. As questões levantadas em um processo de interdição incluem a validade. intervenção junto ao recluso. O técnico deve. Hoje. 1999). Esses sujeitos recebem medida de segurança. destaca-se o papel dos psicólogos junto ao Sistema Penitenciário e aos Institutos Psiquiátricos Forenses. decretada pelo juiz. Além dessas. conhecer acerca da dinâmica do abuso e. as únicas exigências previstas são o lapso de tempo já cumprido e a boa conduta. Atualmente existem no Brasil 28 instituições psiquiátricas forenses e cerca de 4 mil internos (Piccinini. testamentos e casamentos. a análise é feita desde a ocorrência até as consequências do crime (Brega Filho. assim. Nesses casos. Além de abrigar esses doentes mentais. que objetiva proteger psicologicamente crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais e outras infrações penais que deixam graves sequelas no âmbito da estrutura da personalidade. É preciso desenvolver pesquisas na área que possam contribuir para a elucidação dos mecanismos responsáveis pelas falsas memórias e. visando. de forma a colaborar com os operadores da justiça. 2004). Psicologia do testemunho : os psicólogos podem ser solicitados a avaliar a veracidade dos depoimentos de testemunhas e suspeitos. O chamado fenômeno das falsas memórias tem assumido um papel muito importante na área da Psicologia do Testemunho. assim. Trata-se da possibilidade de crianças e jovens. demonstre paciência. Além disso. Interdição: a interdição refere-se à incapacidade de exercício por si mesmo dos atos da vida civil. Existe ainda o trabalho dos psicólogos junto aos doentes mentais que cometeram algum delito. preferencialmente. possuir experiência em situações de perícia. Esse projeto foi criado no Segundo Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre. serem inquiridos em processos judiciais por psicólogos ou assistentes sociais. os sujeitos de direito não tenham o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil. após as rebeliões ocorridas no sistema penitenciário. das condições de discernimento ou sanidade mental das partes em litígio ou em julgamento (Arantes. há uma pressão por parte do Ministério Público e Poder Judiciário pela continuidade das avaliações técnicas. o que facilita a compreensão e interação de todos os envolvidos no ato judicial . A fim de atingir tais objetivos. à reparação de danos causados pelo delito. trabalho com egressos. foi um marco no trabalho dos psicólogos no sistema prisional. é importante que o técnico entrevistador possua habilidade em ouvir. as avaliações técnicas estão voltando a ser uma exigência para a concessão dos benefícios legais (Sá. penas alternativas (penas de prestação de serviço à comunidade). a vitimologia dedica-se também à aplicação de medidas preventivas e à prestação de assistência às vítimas. A perícia a ser realizada nesses casos serve como uma vistoria para avaliar o nexo entre as condições de trabalho e a repercussão na saúde mental do indivíduo. Vitimologia: objetiva a avaliação do comportamento e da personalidade da vítima. a aptidão para o trabalho. A intenção é averiguar se a prática do crime foi estimulada pela atitude da vítima. Chalub & Abdalla-Filho. Cabe ao psicólogo atuante nessa área traçar o perfil e compreender as reações das vítimas perante a infração penal. No entanto. uma vez que extinguiu o exame criminológico feito para instruir pedidos de benefícios e o parecer da Comissão Técnica de Classificação Brasil (2003). os IPF são responsáveis pela realização de perícias oficiais na área criminal e pelo atendimento psiquiátrico à rede penitenciária. A Lei 10. Na maioria das vezes. À justiça interessa saber se a doença mental de que o paciente é portador o torna incapaz de reger sua pessoa e seus bens (Monteiro. e são encaminhados para Institutos Psiquiátricos Forenses (IPF). Para a concessão de benefícios legais. compete ao psicólogo nomeado perito pelo juiz realizar avaliação que comprove ou não tal enfermidade mental. As avaliações psicológicas individualizadas. já que está em suas mãos a recomendação. de um ressarcimento financeiro (Rovinski. Portanto. a natureza dos processos psicológicos sob investigação (Cruz & Maciel. 2004). Psicólogo jurídico e o direito penal: o psicólogo pode ser solicitado a atuar como perito para averiguação de periculosidade. em 1984. 2000). auxiliar o aprimoramento de técnicas para avaliação de testemunhos (Stein. Pelo mesmo motivo. 2006). trabalho com agentes de segurança. 2005). pois a partir dela o cargo de psicólogo passou a existir oficialmente (Carvalho. sabe-se que o ser humano é capaz de armazenar e recordar informações que não ocorreram. internos e/ou seus familiares são tarefas difíceis para os psicólogos que trabalham junto ao sistema carcerário (Kolker. são inviáveis nos presídios brasileiros em razão das superpopulações existentes. atuação do psicólogo. em razão das dificuldades enfrentadas pela justiça na tomada de depoimentos de crianças e adolescentes (Cezar. Uma área recente e relacionada à Psicologia do Testemunho que vem ganhando espaço é o Depoimento sem Dano. ainda. 2004). 2007). Psicologia Penitenciária ou Carcerária: estudos sobre reeducandos. Uma das possibilidades de interdição previstas pelo código civil são os casos em que. 2004). 2005). por enfermidade ou deficiência mental. Para tanto. a capacidade de testemunhar e a possibilidade de ele próprio assumir tutela ou curatela de incapaz e exercer o poder familiar (Taborda. casos de afastamento e aposentadoria por sofrimento psicológico. stress em agentes de segurança penitenciária. previstas em lei. 2004). com suas habilidades e conhecimento. empatia. No estado de São Paulo. As falsas memórias podem resultar da repetição de informações consistentes e inconsistentes no depoimento de testemunhas sobre o mesmo evento. acomodados em salas especialmente projetadas com câmeras e microfones.

difícil¶´. à infância e à juventude. Tem-se priorizado a formação de equipe interdisciplinar. a autora destaca que há uma grande concentração de psicólogos jurídicos atuando na Psicologia penitenciária e nas questões relacionadas à família. de acordo com um levantamento realizado por França (2004). Uma outra oportunidade que tem surgido para a atuação dos profissionais da Psicologia é a Mediação Interdisciplinar. O resultado desta confusão é que o conflito retornará com igual ou maior força.lugar de adolescente µinfrator¶. No entanto. que é feita pelos psicólogos? Ela defende também que a equipe de psicologia assessore o atendimento à criança e ao jovem envolvidos numa disputa judicial. E como saber quem tem mais condições ? Quais os critérios para esta avaliação. lugar de criança µincapaz¶. 1999: 66). sem diminuir o conflito e a dor dos envolvidos . o Jornal do Conselho Federal de Psicologia apresenta a matéria ³CFP é contra Depoimento Sem Dano´. na Psicologia policial e militar. na Psicologia e os Direitos Humanos e na autópsia psíquica há uma carência muito grande de psicólogos jurídicos. como forma de diminuir as demandas ao Poder Judiciário. que muitas vezes não é cumprida. defendem também. a resolução de um impasse. o trabalho do psicólogo quase que se restringia a fazer perícia e parecer. visando somente desafogar o Judiciário. tal a carga identificatória que adquirem ³. µabusador¶. defende que a equipe de psicólogos deve priorizar o trabalho com os pais com o objetivo de chegar a um acordo sobre os cuidados e a guarda dos filhos. que estão na verdade fazendo Conciliações. A psicóloga jurídica do Tribunal de Justiça de São Paulo Dayse C. Não cabe aqui um posicionamento contra a finalidade destas empreitadas.(Cezar. No trabalho na 2ª Vara. 2007). Desta forma. Brito. as atividades de integração e de intercâmbio com outros profissionais (da Justiça. na proteção de testemunhas. como a saúde e a educação . mas também o meio acadêmico) para permitir uma visão mais ampliada dos diferentes serviços disponíveis e estabelecer parcerias e procedimentos de encaminhamento. mas o de construir. o grupo de estudo (para aprofundamento de questões teóricas que a prática cotidiana coloca). Ou seja. expressos nas Varas da Infância e Juventude. escrevem ainda estas psicólogas (Teixeira e Belém. ³parecendo muitas vezes como um sobrenome. mas alertar para a confusão e o tratamento indevido que está sendo dado aos conflitos. o acompanhamento psicológico. µmarginal¶. µvítima da sociedade¶. Na Vara de Família. a importância de se fazer grupo de adolescentes. e o caso retorna à Justiça. e também de instituições externas. desde então ganhou novas modalidades. Fundamental distinguir a atividade de Conciliação e Mediação: a Conciliação tem como finalidade o acordo. Há uma preocupação praticamente inexistente antes com a promoção de saúde mental dos que estão envolvidos em causas junto à Justiça. o juiz ³deve deferir a guarda ao responsável que reúna condições mais apropriadas para educar as crianças. as particularidades dos sujeitos e das relações nos problemas psicossociais. µabusada¶. o estudo de caso. a escola. a Psicologia Jurídica está presente em quase todas as áreas de atuação.neste caso. Estes adjetivos funcionam como estigmas fortes. quando. na Psicologia e o Direito Civil. na verdade. No Brasil. F. avaliação pericial em instituição militar. que o trabalho do psicólogo auxilie na resolução dos conflitos que fazem com que a família recorra ao poder judiciário. assim. enquanto que na Psicologia do testemunho. acompanhar e dar orientação pertinente a cada caso atendido nos diversos âmbitos do sistema judiciário. quando os pais não chegam a um acordo sobre a guarda de filhos. na Psicologia e o atendimento aos juízes e promotores. um processo menos oneroso e mais justo para o caso. ´descontruindo lugares já marcados para cada parte envolvida´. Deve-se tomar cuidado com a confusão entre Conciliação e Mediação. Todavia. A Conciliação é um instituto que tem seu grande valor desde que diferenciado do da Mediação Interdisciplinar. num processo que se alonga por vários anos. ao invés de ser um profissional que se limita a fazer parecer para o juiz aplicar a lei. em que pode se fazer crer que o trabalho está sendo realizado num nível mais profundo de uma Mediação. µlugar de mãe ou pai negligente¶. em artigo em que falam de maneira muito interessante sobre o desenvolvimento do Núcleo de Psicologia. com o contexto social e político que as definem´(Bernardi 1999: 108). apoiar. psicólogas com longa experiência nas Varas da Infância e Juventude. da Costa Belém. de pais e de casais guardiões e adotantes. Isto porque. A Mediação não tem como finalidade o acordo e sim o estabelecimento ou restabelecimento da comunicação e a ampliação da responsabilidade na tomada de decisões. permitindo. A Mediação e Conciliação não podem ser mal utilizadas. ressaltando-se que ³a criança não pode ter o dever de depor na Justiça´.³repousa na possibilidade desse profissional abordar as questões da subjetividade humana. e daquele que faz um laudo que pode funcionar como um ³pré-veredicto judicial´. Psicologia Policial/Militar: treinamento e formação básica em Psicologia Policial. não mais de inves tigador.1999). auxiliando-os na procura por respostas próprias dentro de suas possibilidades e história familiar. elas atentam para a função do psicólogo como sendo. antes da década de 90. está se colocando ³a sujeira embaixo do tapete´ se não houver uma conscientização do significado deste conflito. implantação do curso de direitos humanos para policiais civis e militares. especialista em questões referentes a esta área. como também de criar condições que visem a eliminar a opressão e a marginalização. Atualmente vemos um movimento em que são recrutados Mediadores voluntários. expressando a repetição de problemas familiares não elaborados. em maio de 2008. junto aos adolescentes a quem se atribui a prática de atos infracionais. RELAÇÃO ENTRE DIREITO E PSICOLOGIA JURÍDICA . Se. Maria de Fátima da Silva Teixeira e Ruth C. junto ao Juizado da Comarca do Rio de Janeiro. Bernardi resume de maneira clara a importância da atuação do psicólogo na instância judiciária . cabendo ao outro o direito de visitação´(Brito. Seu trabalho tem sido também o de informar. a inserção de uma equipe psicossocial no âmbito da justiça respeita e preserva o estado emocional da vítima. junto ao adolescente uma possibilidade de escuta. µperigoso¶.

uma modalidade de relação entre a Psicologia jurídica e o Direito é o modelo de subordinação. a modalidade de relação entre o Judiciário e a Psicologia é de subordinação. Mesmo que a prática psicológica seja limitada numa instituição jurídica. Nesses termos. No entanto. caracterizada pela interseção entre o conhecimento psicológico e o jurídico. aqueles do campo do direito. por outro. Um se traduz no outro. no entanto. o psicólogo atua como auxiliar do médico e contribui com a elaboração do diagnóstico clínico. e não o psicólogo. Frente às mudanças que aqui abordamos. a questão é não permitir a estagnação da Psicologia jurídica nesse tipo de relação. com certeza favorece que o psicólogo. contribuir para o melhor exercício do Direito. em particular. Dessa forma. em contínua transformação. Portanto. Esse mesmo autor (POLOLO. o responsável pela avaliação é o médico. Vejamos então como. a questão a ser considerada diz respeito à correspondência entre prática submetida e conhecimento submetido. é importante levantarmos a questão sobre a função e atribuições do psicólogo na área jurídica. o trabalho implica numa parceria com os outros profissionais. Afinal. Muitas vezes. Também importa refletir sobre a possibilidade de responder. juízes chegam a indicar o instrumento a ser utilizado numa avaliação psicológica. nem de responder às suas perguntas. quem é o cliente do psicólogo ? A instituição que lhe demanda o trabalho ou o sujeito que por algum motivo foi inserido no discurso institucional ? Sem desconsiderar a importância que ocupa a instituição em nosso trabalho. Nesse caso. Se. E isto em relação direta com uma prática situada dentro de um contexto histórico e cultural. assumindo a função de assessor. principalmente. . 1996) não identifica problema no fato de a Psicologia jurídica atender às demandas do mundo jurídico. por um lado. a outra modalidade de relação entre a Psicologia jurídica e o Direito é a de complementaridade. assim. na qual o saber psicológico está a serviço da Psiquiatria. importa ao pensamento psicológico transcender às solicitações do mundo jurídico. O mesmo tipo de subordinação ocorre entre Psicologia e Psiquiatria forense. pode haver diálogo e interação entre os saberes.Segundo Popolo (1996). tenha autonomia para definir suas funções dentro do sistema judiciário. sob o ponto de vista psicológico. focalizando a área penal. Por fim. esta prática se diversificou e ampliou o seu campo de ação junto ao sistema judiciário. a Psicologia jurídica torna-se uma Psicologia aplicada para atender à demanda jurídica e. nosso cliente é o sujeito que atendemos. a partir dos anos 90. com a legitimidade que lhe confere seu campo específico de saber. todas as perguntas lançadas pelo jurídico.

‡ Uso de técnicas psicológicas Relaciona-se os resultados e faz-se análise dos dados apurados ‡ Descrição minuciosa da avaliação Etapa conclusiva: ‡ Relacionar todas as informações colhidas ‡ Elaboração do Laudo ou Parecer. ‡ Funcionamento global ‡ Peculiaridades (ex: cópia de desenho) Levanta-se dados para uma avaliação de personalidade. Inicia-se com Estudo das partes do processo.Na atuação da Psicologia Forense na elaboração do laudo e na pericia psicologica deve ser abservado algumas etapas necessárias para elaboração do processo.: ‡ Data do delito ‡ Data da notificação ‡ Versão do acusado ‡ Versão da vítima ‡ Versão das testemunhas Na seqüência a importância da Entrevista Psicológica investigando-se: ‡ Peculiaridades ‡ Contrato ‡ Relato do ocorrido ‡ Dados de anamnese Posteriormente ocorre a avaliação das funções cognitivas. .

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