DECRETO Nº 13.319 DE 20 DE OUTUBRO DE 1994.

DISPÕE SOBRE NORMAS DE ÉTICA PROFISSIONAL

DO SERVIDOR PÚBLICO CIVIL DO PODER

EXECUTIVO MUNICIPAL.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 84, inciso IV e VI, tendo em vista o disposto no artigo 37 da Constituição, bem como nos artigos 168 e 169 da Lei nº 94 de 14 de março de 1979 DECRETA: Art.1º - Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Municipal, constante no Anexo. Art. 2º - Os órgãos e entidades da Administração Pública Municipal direta e indireta implementarão as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética. Art. 3º - Os preceitos éticos inscritos no Código não substituem os deveres e proibições constantes do Estatuto do Funcionalismo Público do Poder Executivo, cujo não atendimento importará na sanção administrativa prevista em lei, respeitados os direitos constitucionais do devido processo legal. Parágrafo único - O atendimento dos requisitos éticos de seu cargo ou função será apreciado por ocasião da avaliação do estágio probatório, da progressão funcional e nas demais circunstâncias onde seja ponderado o merecimento do servidor. Art. 4º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação. Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1994 - 430º ano da fundação da Cidade. CESAR MAIA

ANEXO

a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso. mas principalmente entre o honesto e o desonesto. e por isso se exige. IV . III . devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum. suas esperanças e seus esforços para construí-los. mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência. ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. em fator de legalidade.A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos.O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. consoante as regras contidas no artigo 37. o decoro. é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. a boa vontade. já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. seu tempo. Seus atos. VI . o oportuno e o inoportuno.A cortesia. se integra na vida particular de cada servidor público.Salvo os casos de segurança nacional. ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum. o conveniente e o inconveniente. IX . não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado. imputável a quem o negar. Assim.Toda pessoa tem direito à verdade. investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade. o zelo. da Constituição Federal.A dignidade. portanto. VIII . II . ou fora dele.CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIDOR PÚBLICO CIVIL DO PODER EXECUTICO MUNICIPAL Capítulo I Seção I Das Regras Deontológicas I . os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. até por ele próprio. nos termos da lei. não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro. como contrapartida. causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público. Assim. Da mesma forma. como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade. .O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar. V . VII . como cidadão. a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público. o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. deteriorando-o. erigindose. seja no exercício do cargo ou função. como conseqüência. quanto mais a de uma Nação. que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana.A função pública deve ser tida como exercício profissional e. o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio. integrante da sociedade. que a moralidade administrativa se integre no Direito. por descuido ou má vontade. O servidor não pode omití-la ou falseá-la. já que.A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal. na conduta do servidor público. a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade. o justo e o injusto. da opressão ou da mentira. "caput" e parágrafo 4º. comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.

sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça. e. velando atentamente por seu cumprimento. com o fim de evitar dano moral no usuário.O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores. função ou emprego público de que seja titular. de contratantes. porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal. demonstrando toda a integridade do seu caráter. perfeição e rendimento. quando estiver diante de duas opções. colabora e de todos pode receber colaboração. interessados e outros que visam a obter quaisquer favores. permitindo a formação de longas filas.X . principalmente. respeitando seus colegas e cada concidadão. h) ter respeito à hierarquia. pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias. XIII . quando lícito o exercício da greve. f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos. a melhor e a mais vantajosa para o bem comum. d) jamais retardar qualquer prestacão de contas. ter urbanidade. leal e justo. ilegais ou aéticas e denunciá-las. abstendo-se. não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade. benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais. mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se. g) ser cortês. j) zelar. sexo. às vezes. XII . reto. cor. nacionalidade. i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos. direitos e serviços da coletividade a seu cargo. o que quase sempre conduz a desordem nas relações humanas. difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública. pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. de causar-lhes dano moral. diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições. idade. respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público. escolhendo sempre. disponibilidade e atenção. aperfeiçoando o processo de comunicação com o público. ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço. Seção II Dos Principais Deveres do Servidor Público XIV .São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar. condição essencial da gestão dos bens. c) ser probo. dessa forma. pelas exigências específicas de defesa da vida e da . a tempo.Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções. Os repetidos erros. b) exercer suas atribuições com rapidez.O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional. assim. religião. cunho político e posição social. evitando a conduta negligente. e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços.Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público. XI . as atribuições do cargo.

ainda. permanecer em exercício de cargo ou função de confiança. as normas de serviço e a legalização pertinentes ao órgão onde exerce suas funções. estimulando o seu integral cumprimento. tempo. mantendo tudo sempre em boa ordem. t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas. n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho. de exercer sua função. segurança e rapidez.É vedado ao servidor público: a) o uso do cargo ou função. . tendo por escopo a realização do bem comum. facilidades. na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado. até que entre em exercício seu substituto regular. exigindo as providências cabíveis. mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei. tanto quanto possível. m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público. v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética. disso eximido pela autoridade superior. com critério. mesmo no caso de licença. posição e influências. ou seja. q) manter-se atualizado com as instruções.segurança coletiva. para si ou para outrem. para obter qualquer favorecimento. em função de seu espírito de solidariedade. conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão. seguindo os métodos mais adequados à sua organização e distribuição. Seção III Das Vedações ao Servidor Público XV . devendo. abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos. l) ser assíduo e freqüente ao serviço. b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam. r) cumprir. férias ou exoneração a pedido. amizades. s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito. poder ou autoridade com finalidade estranha o interesse público. o) participar das iniciativas que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções. as tarefas de seu cargo ou função. p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função. de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores. refletindo negativamente em todo o sistema. u) abster-se. causando-lhe dano moral ou material. de forma absoluta. c) ser. d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa.

simpatias. n) apresentar-se embriagado ou intoxicado no serviço ou fora dele habitualmente. para si. sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira. gratificação. com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores. livro ou bem pertencente ao patrimônio público. prêmio. paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público. i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos. familiares ou qualquer pessoa para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim. qualquer documento. m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço. movimento ou instituição que atente contra a moral. f) permitir que perseguições. l) retirar da repartição pública. provocar. p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso. em benefício próprio. caprichos. j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular. doação ou vantagem de qualquer espécie. solicitar. de parentes. comissão. sem estar legalmente autorizado. g) pleitear.e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister. a honestidade ou a dignidade da pessoa humana. de amigos ou de terceiros. . antipatias. h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências. o) dar o seu concurso a qualquer grupo.

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