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Usuario e Traficante de Drogas

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA CENTRO DE APOIO OPERACIONAL CRIMINAL ___________________________________________________________________

O USUÁRIO E O TRAFICANTE À LUZ DA NOVA LEI DE DROGAS.

2009 BELÉM

br/caocriminal .pa.gov.PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ GERALDO DE MENDONÇA ROCHA Procurador Geral de Justiça CORREGEDORIA GERAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ UBIRAGILDA SILVA PIMENTEL Corregedora Geral do Ministério Público MANUAL DE PLANTÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ CENTRO DE APOIO OPERACIONAL CRIMINAL COORDENADOR ALDIR JORGE VIANA DA SILVA Promotor de Justiça SERVIDORA JAEL LOPES DE SOUZA OLIVEIRA ASSESSORA TÉCNICA ESPECIALIZADA JANE FERRAZ DE SOUZA MONTEIRO ESTAGIÁRIAS DE DIREITO FLÁVIA DANIELLE CORRÊA SALDANHA ALEXANDRA BERNARDES GALDEZ REVISOR ORTOGRÁFICO THALES BRANCHE PAES DE MENDONÇA CAPA CENTRO DE APOIO OPERACIONAL CRIMINAL Fone: (91) 4006-3505 Sítio: http://www.mp.

409. prestação de serviço à comunidade. gerou-se a seguinte polêmica: teria a Lei nº 11. ocorreu uma novatio legis in pejus. Como visto no intróito.. ou seja. em detrimento da autoridade policial. imediatamente.343/2006 descriminalizado a posse de droga para consumo pessoal? 3 .). abrangendo desde o condenado até aquele que está sendo investigado em inquérito policial. Quanto ao tráfico de drogas.368. Considerações Gerais: Com o advento da Lei nº 11. de 21 de outubro de 1976. de 11 de janeiro de 2002. tendo em vista que a nova lei revelou-se muito mais benéfica que a anterior e.. a lógica da nova lei de drogas pressupõe juizados (ou juízes) de plantão. pois. Em virtude das sanções previstas. Ressalte-se que.A DIFERENÇA ENTRE USUÁRIO E TRAFICANTE DE DROGAS 1. Atualmente. o usuário recebeu tratamento diferenciado. na falta ou ausência do juiz. determinará o laudo de constatação. multa. também. Destarte.343/06 houve a unificação das matérias tratadas nas Leis nº 6. ao juízo competente. requisitará exames e perícias. constituindo-se em uma das principais inovações da novel legislação.Termo Circunstanciado de Ocorrência. priorizou a lei o “juízo competente”. A referida lei acabou com a pena de prisão para o usuário de drogas. adotou-se. tem caráter retroativo pleno. vinte e quatro horas. (que lavrará TCO . que foram expressamente revogadas. portanto. em último caso. no ordenamento jurídico brasileiro a política criminal da justiça terapêutica em relação ao tratamento conferido ao usuário e dependente de drogas. quando concretizada a captura do agente (e feita a apreensão da droga ou da planta tóxica) cabe ao condutor (pessoa que efetuou a prisão em flagrante) levar o autor do fato. Todavia. No tocante ao traficante de drogas o tratamento penal mostrou-se mais gravoso. e nº 10. etc. medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo e. o usuário pode ser submetido às seguintes medidas: advertência verbal. ocorreu uma novatio legis in melius. o fato será levado ao conhecimento da autoridade policial.

p. 28 desta 1 GOMES. as sanções só podem ser aplicadas por juiz criminal e não por autoridade administrativa. conforme expressa determinação legal do art. pela “brandura da punição com resultado imponderável”. parte da doutrina defende o ponto de vista de que não houve a descriminalização da conduta. 4 . p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.] A falta de efetiva punição ao usuário de drogas (não estamos falando do dependente. o procedimento criminal do Juizado Especial Criminal. Guilherme de Souza. Editora Revista dos Tribunais. Não seria norma administrativa. só é crime. A despeito disso. CUNHA. os operadores do Direito. 2006.756. BIANCHINI. Nessa linha de raciocínio. observando-se o devido processo legal (no caso. ao maior enquadramento dos usuários como traficantes. Nova Lei de Drogas Comentada. 28 da Lei n. Alice. 48. pois. nem penal. com o beneplácito da sociedade.. § 1º. Rogério Sanches da.343/2006. A Lei de Introdução ao Código Penal está ultrapassada nesse aspecto e não pode ditar os parâmetros para a nova tipificação legal do século XXI. da nova Lei). na medida em que a própria Lei o inseriu no capítulo relativo aos crimes e as penas (Capítulo III). E conclui: [. Para o autor. optando por outras formas de sanção extremamente brandas”.. Essa medida pode desvirtuar as finalidades do novo art.108/113. 2006. que é viciado. assevera: “parece que. art. OLIVEIRA. 2. alternativa ou cumulativamente.Luiz Flávio Gomes1 defende o ponto de vista de que se trata de infração sui generis inserida no âmbito do Direito Judicial Sancionador. o legislador preferiu eliminar a pena privativa de liberdade. além do que. logo. 11. doente mental) pode levar. Luiz Flávio. o que não ocorreria na hipótese do art. o fato continua a ter a natureza de crime. São Paulo. Isso porque de acordo com a Lei de Introdução ao Código Penal. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 2 NUCCI. se houver rejeição à idéia lançada pelo legislador. se for prevista a pena privativa de liberdade. o usuário de drogas assemelha-se ao “doente mental”. 1º. William Terra de. A Doutrina e o Usuário de Drogas: Nucci2 critica o novo tratamento conferido ao usuário. temendo a reação social à eventual descriminalização da conduta do consumidor de drogas.

Lei. não há que se falar em “crime” ou em “contravenção penal”.118 e 119. Luiz Flávio. convém salientar que o fato não perdeu o caráter de ilícito. o âmbito da punição justa em matéria de crime envolvendo o uso de drogas ilícitas. Nesse diapasão Luiz Flávio Gomes4 preleciona: [. p. consequentemente. porém. enormemente. Paulo. 2007. de certo modo. não se pode esquecer que a autolesão que pratica afeta a todos de um jeito ou de outro”.43.. Constitui um fato ilícito. vendo-o como um dependente químico e não como um criminoso. prejudicando. Não obstante a acalorada discussão doutrinária sobre a nova situação jurídica do usuário. RANGEL. Nova Lei .Op.. 3 BACILA. p. por uma questão humanitária. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris. não se pode também deixar de compreender que o usuário de droga sustenta o tráfico.como visto linhas atrás. parece errôneo tipificar a conduta do dependente de drogas ou daqueles que as usam eventualmente. a posse de droga não foi legalizada. pois. Carlos Roberto. o art. os autores acima referidos defendem que a melhor maneira de lidar com a questão é tratar o usuário com responsabilidade.. Contudo.] Se as penas cominadas para a posse de droga para consumo pessoal são exclusivamente alternativas. 28 contempla uma infração sui generis (uma terceira categoria. Nesse sentido. para a sociedade e. Comentários Penais e Processuais Penais à Lei de Drogas. 5 . que precisa ser punido custe o que custar. de natureza sui generis. Na visão de Carlos Bacila e Paulo Rangel3 “assim como ninguém conceberia punir criminalmente um dependente de álcool. que não se confunde nem com o crime nem com a contravenção penal).. gera problemas para a família. 4 GOMES. cit..

O direito penal não se ocupa de bagatelas. alcançando 5 6 GOMES. De minimus non curat pretor. a conduta de portar pequena quantidade de substância entorpecente..] A tipicidade penal é formada pela tipicidade legal (descrição do tipo prevista na lei) acrescentada da tipicidade conglobante (que analisa em conjunto com a ordem normativa. não existe na situação em comento.127. Eugenio Raul. Assim. embora formalmente se amolde ao tipo penal. seja penal ou não. 6 . Nova Lei . conduta a ser punida. 1999.. afasta-se liminarmente a tipicidade penal porque em verdade o bem jurídico não chegou a ser lesado. Luiz Flávio. Em outras palavras. Destarte. Na esteira da mesma linha de raciocínio Zaffaroni6 explica: [. ZAFFARONI.3. cit. Mister se faz. entretanto.. p. 463-476. Manual de Derecho Penal. Buenos Aires: Ediar. pp. Enfim. do princípio da insignificância. a posse de drogas para consumo pessoal for ínfima. para a consumação da infração.. que retrata uma categoria penal muito singular no Direito Penal. a insignificância da ofensa ao bem jurídico afasta a tipicidade.. em razão da sua quantidade ínfima. Comungando dessa opinião Luiz Flávio Gomes5 ensina: [. não há que se falar em infração. depreende-se que se a droga apreendida não reúne nenhuma potencialidade ofensiva.. Nesse contexto alguns doutrinadores defendem ser viável a aplicação do princípio da insignificância (causa de exclusão da tipicidade material do fato) quando. Sendo assim.. constatar a idoneidade ofensiva (periculosidade) do próprio objeto material da conduta. Princípio da Insignificância: Outra questão que emerge da nova situação jurídica do usuário de drogas é a possibilidade de aplicação ou não.Op. não apresenta nenhuma relevância material.] A posse de droga para consumo pessoal configura uma das modalidades do chamado delito de posse (“delitos de posesión”).

Logo. Nesse passo nossos Tribunais tem pontificado: Ementa PENAL. (STJ . consequentemente. enquadrando-se a hipótese no princípio da insignificância. Ordem concedida para absolver o paciente. atipicidade penal. ENTORPECENTES.as condutas determinadas pelo Direito . ORDEM CONCEDIDA. (STF . PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. condutas insignificantes que não afetem de forma sequer grave o bem jurídico seriam casos de atipicidade conglobante e. Ementa HABEAS CORPUS. . . APLICAÇÃO.HABEAS CORPUS: HC 17956 SP 2001/0096779-7). em atenção ao princípio da insignificância.Habeas Corpus concedido. Até mesmo o Pretório Excelso já reconheceu o princípio da insignificância com base na ínfima quantidade de droga apreendida.HABEAS CORPUS: HC 91074 SP). Não constitui crime militar trazer consigo quantidade ínfima de substância entorpecente (4. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.Sendo ínfima a pequena quantidade de droga encontrada em poder do réu. PEQUENA QUANTIDADE. à míngua de efetiva lesão do bem jurídico tutelado. o fato não tem repercussão na seara penal.estrito cumprimento de dever legal – ou as condutas estimuladas pelo Direito – lesões no exercício da medicina ou do esporte – e as condutas insignificantes). POSSE DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE.7 gramas de maconha). Ementa 7 .

ART. o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica constituem os requisitos de ordem objetiva autorizadores da aplicação do princípio da insignificância. 1º. contra ele. 6. arrolado na Constituição do Brasil de modo destacado. 5. 3. A mínima ofensividade da conduta. 290 do Código Penal Militar (portava. Paciente jovem. pequena quantidade de maconha). PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 7. Punição severa e exemplar deve ser reservada aos traficantes. no interior da unidade militar. em prol da saúde.Lei n. 11. No caso se impõe a aplicação do princípio da insignificância. apenas a lavratura de termo circunstanciado. não alcançando os usuários. APLICAÇÃO NO ÂMBITO DA JUSTIÇA MILITAR.343/2006 --. Paciente. 2. óbice à aplicação da nova Lei de Drogas. III DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL.possibilita a recuperação do civil que praticou a mesma conduta. Preocupação. a ausência de periculosidade social da ação. USO DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE. com futuro comprometido por condenação penal militar quando há lei que. 8. condenado pela prática do delito tipificado no art. militar. incisivo. de 8 . 4. como princípio fundamental (art.nova Lei de Drogas --. com o princípio da dignidade humana. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. PENAL MILITAR. incumbindo-lhe confrontar o princípio da especialidade da lei penal militar. 11. 343/2006 --. vigoroso. 1. Não-aplicação do princípio da insignificância. do Estado. cabe a esta Corte fazê-lo. Não obstante. em alterar a visão que se tem em relação aos usuários de drogas. seja porque presentes seus requisitos. O Superior Tribunal Militar não cogitou da aplicação da Lei n.HABEAS CORPUS. disciplina e hierarquia militares.veda a prisão do usuário. 1º. A estes devem ser oferecidas políticas sociais eficientes para recuperá-los do vício. 11.343/2006. Prevê. Condenação por posse e uso de entorpecentes. A Lei n. III). em lugar de apenar --. sem antecedentes criminais.

mera advertência.u.natureza objetiva.. independentes de sua gravidade.2006.143).05.HABEAS CORPUS: HC 90125 RS).. p. 20050110008830. Ordem concedida. inclusive. rel. comportando. mesmo quando classificada como „leve‟ (maconha). Guilherme de Souza.] O delito de porte de drogas para consumo próprio adquiriu caráter de infração de ínfimo potencial ofensivo. com isso. Evita-se. DJU 12. o ideal é haver. (STF .. tanto que as penas são brandas. 27. seja por imposição da dignidade da pessoa humana. constitui um risco potencial para a sociedade (Turma Recursal JECRIM-DF: Ap. cit. por menor que seja a quantidade de tóxico. a aplicação de sanção amena. Por isso. pelo menos. Pequena quantidade apreendida. v. 9 .757. não implica necessariamente que o juízo deva acatar o chamado „princípio da insignificância‟ em favor do acusado.09.ªT. Leis Penais .2005.. Fato que não impede a caracterização do delito. p.. Contrário ao entendimento adotado pelo STF e STJ Guilherme de Souza Nucci7 adverte: [. porque todo delito associado a entorpecentes. Ementa Tráfico de entorpecentes. José Guilherme de Souza. Nesse diapasão é válido salientar as seguintes decisões jurisprudenciais: Ementa Pequena quantidade de substância tóxica. Prisão em 7 NUCCI. Op.. o crescimento da atividade do agente.. 1. podendo tornar-se traficante ou viciado.

Ministro Eros Grau. CONSTITUCIONAL. minimamente. Nas circunstâncias do caso. Condenação mantida.2. Rel. 4. Ministro Menezes Direito). PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FAVORÁVEIS À TESE DA IMPETRAÇÃO: NÃO APLICAÇÃO À ESPÉCIE VERTENTE. a periculosidade social da ação do Paciente. o que configuraria.2008). não é bastante a demonstrar como legítima sua pretensão. Prova muito mais satisfatória do que a simples quantidade. 10 . PACIENTE DENUNCIADO PELA INFRAÇÃO DO ART.HABEAS CORPUS: HC 91759. Recurso não provido (TJSP . 1. Rel.Apelação Criminal com Revisão: ACR 990080605291 SP). A jurisprudência predominante do Supremo Tribunal Federal é no sentido de reverenciar a especialidade da legislação penal militar e da justiça castrense. A existência de decisão neste Supremo Tribunal no sentido pretendido pela Impetrante. 92. 290 DO CÓDIGO PENAL MILITAR. 2.961. Habeas corpus indeferido (STF . DJ 21. o fato não é penalmente irrelevante. Ressalte-se que o assunto abordado é bastante polêmico. inclusive admitindo a incidência do princípio da insignificância à justiça castrense.flagrante no ato da venda. PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR. tendo o STF e o STJ decidido em ambos os sentidos: Ementa HABEAS CORPUS. pois a droga apreendida. além de ter sido encomendada por outra pessoa. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. „a despeito do princípio da especialidade e em consideração ao princípio maior da dignidade humana‟ (Habeas Corpus n. HABEAS CORPUS INDEFERIDO. sem a submissão à legislação penal comum do crime militar devidamente caracterizado. 3. seria suficiente para o consumo de duas pessoas.

. salvo exceções (enormes quantidades de entorpecentes). São eles: natureza e quantidade da substância apreendida (objeto material do delito). Ministro Néri da Silveira). bem como a conduta e os antecedentes do agente (agente do fato). critério determinante.] Há dois sistemas legais para se decidir sobre se o agente (que está envolvido com a posse ou porte de droga) é usuário ou 8 GOMES. não constitui. por si só. Discorrendo de maneira clara e objetiva sobre os sistemas legais Luiz Flávio Gomes8 ensina: [. senão todos os fixados na Lei. Não há como trancar a ação penal por falta de justa causa. Em outras palavras. mister se faz saber todas as circunstâncias do caso concreto. 11 . Luiz Flávio.. Rel. Invocação dos princípios da insignificância e da proporcionalidade.. 3.131.Op. Posse de substância entorpecente em local sob a Administração Militar. em regra. A pequena quantidade de entorpecente apreendida não descaracteriza o crime de posse de substância entorpecente. Habeas corpus indeferido (STJ HABEAS CORPUS: HC 81735. 290. circunstâncias sociais e pessoais. 4. local e condições em que se desenvolveu a ação (o desvalor da ação). Daí a necessidade de se valorar não somente um critério (o quantitativo).343/2006 estabeleceu uma série de critérios para definir se a droga destina-se ou não ao consumo pessoal. 2.Ementa HABEAS CORPUS. Art. cit. Nova Lei . pois a quantidade da droga... p. 5. Consumo pessoal ou tráfico? A lei nº 11. do CPM. 4.

a pena é de reclusão de 5 a 15 anos. consideradas muito graves. até esse limite legal não há que se falar em tráfico). de maneira que a lei incide apenas nas situações novas. A última palavra é a judicial. tem a pena de reclusão um pouco inferior. 5.343/2006: O crime de tráfico ilícito de drogas não deixa de ser. as seguintes figuras: a) a do traficante – para ele. um delito hediondo. da Carta Magna. Todo aquele que trabalha fabricando ou transportando maquinários e aparatos para o tráfico. pois o legislador constituinte. Logo. O ordenamento jurídico pátrio adotou o segundo critério (sistema do reconhecimento judicial ou policial). com fundamento nos critérios legais objetivos.500 dias-multa. note-se que o critério de avaliação é objetivo e não subjetivo. de qualquer modo. O traficante de drogas à luz da lei nº 11. (b) sistema do reconhecimento judicial ou policial (cabe ao juiz ou à autoridade policial analisar cada caso concreto e decidir sobre o correto enquadramento típico). pois terá como parâmetro os critérios legais para valorar se o fato configura tráfico ou consumo pessoal de drogas. compete ao juiz ou a autoridade policial reconhecer. nesse caso.traficante: (a) sistema da quantificação legal (fixa-se. mas a multa é mais gravosa. ocorrendo uma novatio legis in pejus. 5º. XLIII. Todavia.200 a 2. 12 . e a multa varia de 500 a 1. dentre estas. ao redigir o art. se a droga encontrada destina-se ao consumo pessoal ou ao tráfico. a nova lei conferiu tratamento mais rigoroso ao traficante. No tocante ao tráfico de drogas (artigo 33). Destaque-se. Destarte. um quantum diário para o consumo pessoal. é certo que a autoridade policial (quando o fato chega ao seu conhecimento) deve fazer a distinção entre o usuário e o traficante. o tráfico de drogas. o julgamento do magistrado não pode constituir-se em apreciação meramente subjetiva.000 dias-multa. de 3 a 10 anos. pois varia de 1. na essência. atribuiu tratamento mais rigoroso a determinadas infrações penais.

A pena é de 6 meses a 1 ano e pagamento de 700 a 1. ocorreram na pena mínima que era de 3 e agora foi para 5 anos e na pena de multa que inicia no patamar de 500 e vai até 1500 dias-multa.500 a 4. c) a do financiador – a mais preocupante figura do tráfico de drogas em geral é aquela que tem extraordinário poder econômico e custeia a logística do tráfico. A nova lei foi bastante severa em relação ao agente que financiar ou custear a prática do crime de tráfico. eis que fica sujeito a uma pena de reclusão. 12 da Lei nº 6. tendo todos os benefícios da lei. em relação à lei nova. sem o intuito de lucro. já que não há qualquer conduta que configure tráfico na hipótese em questão. no sentido geral. 43. é a daquele que colabora com o traficante. as alterações. Como se observa. 38) porque também não é traficante. enquanto que o art. quando envolver ou visar a atingir criança ou adolescente. 36). não é um traficante. na verdade. b) a do incentivador – aquele que simplesmente oferece drogas. da 13 . iniciando em um trinta avos do maior salário mínimo (art.000 dias-multa. de 8 a 20 anos e pagamento de multa de 1. De maneira semelhante. caput).500 dias-multa.343/06 estabelece penas de 5 a 15 anos de reclusão e de multa de 500 a 1500 dias-multa. A terceira situação tipificada como tráfico.368/76 previa penas de reclusão de 3 a 15 anos e de multa de 50 a 360 dias-multa. O número de dias-multa poderá ser multiplicado por cinco.500 a 4. o médico ou operador do Sistema de Saúde que erra na dosagem de drogas também tem uma pena de 6 meses a 2 anos de detenção e pagamento de 50 a 200 dias-multa (art. A lei também foi mais rígida quando o tráfico envolver dois ou mais países. podendo ser aumentada em caso de concurso de crimes até o décuplo. Será de reclusão (de 2 a 6 anos) e. entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal.000 diasmulta (art.Visa o legislador desestimular o aparelhamento do traficante sob o ponto de vista econômico. O art. que também pode ser majorada até o décuplo. o que significa um aumento substancial. 33 da Lei nº 11. chamado de grande traficante ou chefe do narcotráfico. a multa um pouco mitigada (de 300 a 700 dias-multa). e a multa varia de 1. quando o traficante prevalecer-se para tal. Aqui a pena mínima é de 8 anos de reclusão. podendo chegar a 20 anos. cuja pena é um pouco inferior. para consumir com terceiro e que.

visando punir gravosamente condutas típicas relevantes e reinserir socialmente o usuário. poder familiar. sociais.função pública. Quanto à discussão em relação à possibilidade ou não da substituição da pena de prisão aplicada em caso de condenação por crime de tráfico por pena restritiva de direito por fato praticado na vigência do novo instrumento legal está prejudicada. de maneira diferenciada. Nesse sentido apresentou equilíbrio ao tratar. de sede de entidades estudantis. Posição do CAO Criminal Após essas considerações de índole doutrinária e jurisprudencial. guarda ou vigilância. recreativas. 6. Ademais. convém lembrar que houve o reconhecimento expresso na lei de que o usuário ou dependente necessita de tratamento. de ensino ou hospitalares. até porque a pena de prisão. eis que. pode-se afirmar que o legislador ao elaborar a nova Lei de Drogas quis dar o primeiro passo em direção à moderna política criminal. No contexto do tráfico ilícito de drogas não nos parece aceitável a aplicação do princípio da insignificância. 14 . Logo. se não houver a devida punição. jamais atingiria o seu objetivo. que é o da reinserção social e não da terapia clínica. conforme inovação do § 7º do artigo 28 da lei nº 11. De maneira acertada. beneficentes. esportivas. culturais. focando sua preocupação na dignidade da pessoa humana. de locais de trabalho coletivo e outros. a nova lei literalmente proíbe a substituição. quando a infração for praticada nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais. que confere ao Juiz de Direito a faculdade de determinar ao poder público disponibilização de local adequado para o tratamento especializado e gratuito ao usuário para sua desintoxicação. nesses casos. o usuário e o traficante. posto que o bem jurídico tutelado é a saúde pública e o traficante não se contentará em materializar o crime uma única vez. Nessas hipóteses. a nova lei não pune o usuário ou dependente com pena privativa de liberdade. a pena será aumentada de um sexto a dois terços. quando no desempenho de missão de educação. a reincidência será inexorável.343/2006. não bastasse a impossibilidade em face da quantidade de pena prevista (5 a 15 anos).

Por derradeiro.Outrossim. este CAO defende que o Ministério Público do Estado do Pará fomente a criação. bem como a criação dos estabelecimentos de saúde para tratamento ambulatorial especializado. a severidade da lei destina-se aos verdadeiros traficantes. implantação e funcionamento dos COMAD‟S (Conselho Municipal Anti-Drogas) como importante instrumento de prevenção ao uso indevido de drogas. não será beneficiado pela substituição da sua reprimenda. de bons antecedentes e que não for integrante de organização criminosa poderá se beneficiar com a pena reduzida de um sexto a dois terços. eis que o traficante eventual. ALDIR JORGE VIANA DA SILVA Promotor de Justiça Coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal 15 . primário. mesmo assim. em todo Estado do Pará. porém.

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