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Livro de Algebra

Livro de Algebra

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´

ALGEBRA
Um Guia de Estudo
4
a
Edi¸ c˜ ao
Marco Aur´elio Palumbo Cabral
mcabral@labma.ufrj.br
Laborat´ orio de Matem´ atica Aplicada - Dep. 05
Instituto de Matem´ atica - U.F.R.J.
Caixa Postal 68530 - CEP 21945 - Rio de Janeiro - RJ
SUM
´
ARIO:
I – Pref´ acio
II – Introdu¸ c˜ ao
III – Fun¸ c˜ ao
IV – Rela¸ c˜ ao de Equivalˆencia
V – Anel, Dom´ınio, Corpo, Polinˆ omio
VI – T´ opicos em Aneis
VII – Dom´ınios Euclidianos
VIII – Irredutibilidade em Polinˆ omios
IX – Extens˜ oes Alg´ebricas
X – Introdu¸ c˜ ao ` a Teoria de Galois
XI – Apˆendices
XII – Bibliografia
I – Pref´acio
Gostaria de dedicar esta monografia ao Prof. Felipe Acker,
meu orientador de inicia¸ c˜ ao cient´ıfica, que foi o principal mo-
tivo de meu entusiasmo pela Matem´ atica. Embora tenha feito
este trabalho sem sua orienta¸ c˜ ao — assumindo pessoalmente
o risco de qualquer trope¸ co — sua influˆencia se faz presente
no modo como o material est´ a apresentado.
Al´em disto gostaria de agradecer aos meus colegas Victor
Giraldo e Maria Darci Godinho, sem os quais me teria fal-
tado motiva¸ c˜ ao para encerrar o presente. Agrade¸ co tamb´em
a turma da qual fui monitor pelas d´ uvidas e sugest˜ oes. Gosta-
ria de agradecer a F´ atima Lins pela leitura atenta e corre¸ c˜ ao
de diversos erros da 3
a
edi¸ c˜ ao. Para esta 4
a
edi¸ c˜ ao foi mo-
dificado o layout, inclu´ımos novos exerc´ıcios e melhoramos a
reda¸ c˜ ao de forma geral.
Gostaria, por fim, de agradecer o Laborat´ orio de Ma-
tem´ atica Aplicada, o Instituto de Matem´ atica e ao CNPq,
pelo suporte financeiro.
Rio de Janeiro, Maio/1991
II – Introdu¸ c˜ao
Esta monografia foi feita com base na minha experiˆencia
como monitor da disciplina
´
ALGEBRA II oferecida aos alunos
do ciclo b´ asico de Matem´ atica do IM – UFRJ.
Logo percebi a grande dificuldade dos alunos compreende-
rem os conceitos principais: Classes de Equivalˆencia, Anel
Quociente, Teorema do Homomorfismo, Automorfismos de
Corpos, etc.
Se em determinados momentos posso n˜ ao ser inteiramente
formal, deixando este trabalho para livros de consulta, pro-
curo dar aqui a maneira como os conceitos s˜ ao pensados e
utilizados em linguagem coloquial. Procuro fazer analogias
com
´
Algebra Linear, que tem forte apelo intuitivo.
Como referˆencias principais o livro Introdu¸ c˜ ao ` a
´
Algebra
de Adilson Gon¸ calves — que cont´em muitos exerc´ıcios, alguns
dos quais retirei explicitamente com a devida men¸ c˜ ao ao longo
do texto — e
´
Algebra: Um curso de Introdu¸ c˜ ao, de Arnaldo
Garcia e Ives Lequain. Outro livro excelente ´e A First Course
in Abstract Algebra (John B. Fraleigh).
III – Fun¸ c˜ao
1) Introdu¸ c˜ao
Admitiremos conhecida a teoria elementar de conjuntos,
ou seja, as defini¸ c˜ oes de pertinˆencia, contido, etc. e a no¸ c˜ ao
intuitiva de fun¸ c˜ ao: Uma f : A −→ B ´e “uma coisa” que
associa a todo elemento do conjunto A, o dom´ınio da fun¸ c˜ ao,
um ´ unico elemento do conjunto B, o contradom´ınio.
2) Defini¸ c˜ oes
Defini¸ c˜ao: DOM
´
INIO – Conjunto onde f est´ a definida, ou
seja, o conjunto A acima.
Defini¸ c˜ao: CONTRADOM
´
INIO – Conjunto onde f assume
valores (conjunto B acima).
Defini¸ c˜ao: IMAGEM – Subconjunto do contradom´ınio onde
seus elementos tem ao menos um correspondente no Dom´ınio.
Denota-se e define-se Im(f) = ¦b ∈ B; b = f(a) com a ∈ A¦.
Defini¸ c˜ao: IMAGEM INVERSA – Denota-se e define-se:
f
−1
(C) = ¦a ∈ A; f(a) ∈ C¦ . A imagem inversa ´e um
subconjunto do dom´ınio.
Obs: N˜ ao confundir com fun¸ c˜ ao inversa, que associa ele-
mentos de B a A. A imagem inversa ´e um conjunto, e n˜ ao
um elemento !
h
h
h
h
h
h
h
h
(
(
(
(
(
(
(
(
'
&
$
%
&%
'$
f
−1
(C)
'
&
$
%
m
C
f : A B
-
Definiremos agora dois conceitos fundamentais: Fun¸ c˜ ao So-
brejetiva, que assegura que o contradom´ınio e a imagem s˜ ao
o mesmo conjunto; e Fun¸ c˜ ao Injetiva, que assegura que a
cada elemento da imagem corresponde somente um elemento
do dom´ınio. Juntando estas duas caracter´ısticas definimos
1
a Fun¸ c˜ ao Bijetiva, que implica na existˆencia de uma fun¸ c˜ ao
inversa f
−1
.
Defini¸ c˜ao: FUNC¸
˜
AO INJETIVA – Se f(a) = f(b) implica
que a = b.
Defini¸ c˜ao: FUNC¸
˜
AO SOBREJETIVA – Se ∀b ∈ B, ∃a ∈
A; f(a) = b.
Defini¸ c˜ao: FUNC¸
˜
AO BIJETIVA – Quando ´e sobrejetiva e
injetiva ao mesmo tempo.
Defini¸ c˜ao: FUNC¸
˜
AO INVERSA – Quando uma fun¸ c˜ ao ´e
bijetiva podemos definir uma fun¸ c˜ ao inversa f
−1
, que associa
para todo b ∈ B, um a ∈ A; f
−1
(b) = a.
Defini¸ c˜ao: FUNC¸
˜
AO IDENTIDADE – Uma fun¸ c˜ ao f :
A −→A; f(a) = a.
Conforme j´ a foi visto, nos deparamos com dois problemas
quando queremos inverter uma fun¸ c˜ ao (torn´ a-la uma bije¸ c˜ ao).
O primeiro ´e o fato da fun¸ c˜ ao n˜ ao ser sobrejetiva, que pode
facilmente ser contornado, bastando redefini-la para que o
contradom´ınio seja Im(f), ou f : A −→ Im(f). (Pense nisto
!!!) Para evitar a n˜ ao injetividade teremos que aprender antes
o importante conceito de classe de equivalˆencia, o que faremos
logo adiante.
Para definirmos conjunto finito precisamos da seguinte
nota¸ c˜ ao: I
n
o subconjunto dos n´ umeros entre 1 e n.
Defini¸ c˜ao: CONJUNTO FINITO – Todo conjunto que po-
demos estabelecer uma bije¸ c˜ ao com I
n
, onde “n” ser´ a cha-
mado a cardinalidade do conjunto, ou seu n´ umero de elemen-
tos.
Defini¸ c˜ao: CONJUNTO INFINITO – Quando n˜ ao ´e finito.
Defini¸ c˜ao: CONJUNTO INFINITO ENUMER
´
AVEL –
Aquele que podemos estabelecer uma bije¸ c˜ ao com N.
Exerc´ıcio: Tente estabelecer uma bije¸ c˜ ao de N em Z, N em
Q e N em R, e da´ı conclua quem ´e infinito enumer´ avel, quem
n˜ ao ´e.
IV – Rela¸ c˜ao de Equivalˆencia
Antes de vermos a defini¸ c˜ ao formal gostaria de passar a
id´eia intuitiva que est´ a por tr´ as deste conceito. A met´ afora
que utilizaremos ser´ a a de uma prato, representando um con-
junto, onde seus elementos s˜ ao os ´ atomos que o constituem.
Joguemos este prato no ch˜ ao para quebr´ a-lo ! Ele se partir´ a
e teremos cacos de diversos tamanhos no ch˜ ao.
Pensemos agora neste novo conjunto, onde cada elemento
´e um caco (ao inv´es de um ´ atomo). Denotaremos por C este
conjunto dos cacos do prato, e por P o conjunto de ´ atomos do
prato. A id´eia importante ´e ver que o conjunto P foi partido,
formando um novo conjunto C, onde os elementos s˜ ao cacos.
PSfrag replacements
A
B
f : A
¯
f : A/I
Im(f)
P C
A/∼
Agora temos que para quaisquer ´ atomos a, b e c pertencen-
tes ao prato P:
(i) Cada ´ atomo pertence a um caco.
(ii) Se a pertence a um mesmo caco que b ent˜ ao b pertence
ao mesmo caco que a.
(iii) Se a pertence ao mesmo caco que b, b pertence ao
mesmo caco que c, ent˜ ao a pertence ao mesmo caco que c.
Agora come¸ caremos a definir os termos t´ecnicos associados
a estas id´eias intuitivas. Uma rela¸ c˜ ao ´e uma propriedade que
dois elementos de um conjunto podem ter entre si. No caso
em estudo a propriedade ´e pertencer ao mesmo caco. Deno-
taremos a ∼ b para dizer que o ´ atomo a pertence ao mesmo
caco que o ´ atomo b.
Obs: Pode-se definir formalmente rela¸ c˜ ao com pares orde-
nados: Uma rela¸ c˜ ao num conjunto A ser´ a um subconjunto de
A A (lˆe-se A cartesiano A). Esta defini¸ c˜ ao informal, neste
caso, nos basta.
Defini¸ c˜ao: RELAC¸
˜
AO de EQUIVAL
ˆ
ENCIA – Uma rela¸ c˜ ao
“∼” num conjunto A ser´ a de equivalˆencia quando respeitar
as seguintes propriedades ∀ a, b, c ∈ A,
(i) a ∼ a (Reflexiva)
(ii) a ∼ b implica que b ∼ a (Sim´etrica)
(iii) a ∼ b e b ∼ c implica que a ∼ c (Transitiva)
Exerc´ıcios: Leia novamente os ´ıtens (i), (ii) e (iii) relativos
a ´ atomo e caco dados acima e compare com a defini¸ c˜ ao de
rela¸ c˜ ao de equivalˆencia.
Exemplo: A rela¸ c˜ ao em R
2
, x e y retas , x ∼ y se, e somente
se x | y (x e y s˜ ao retas paralelas) ´e rela¸ c˜ ao de equivalˆencia
(verifique !).
Vamos denotar para cada ´ atomo a ∈ P, o caco a que o
´ atomo pertence por ¯ a ∈ C. Este caco ser´ a chamado classe
de equivalˆencia de a. Vemos portanto que cada classe de
equivalˆencia do conjunto P (o prato) ser´ a um caco.
Defini¸ c˜ao: CLASSE de EQUIVAL
ˆ
ENCIA – Seja a ∈ A, ¯ a =
¦b ∈ A; a ∼ b¦ ser´ a a classe de equivalˆencia de a ∈ A.
Defini¸ c˜ao: CONJUNTO QUOCIENTE –
´
E o conjunto das
classes de equivalˆencia de um conjunto, denotando-se A/∼=
¦¯ x; x ∈ A¦ (Lˆe-se A dividido pela rela¸ c˜ ao de equivalˆencia ).
Obs1: Na nossa analogia, o conjunto quociente de P (o
prato) ´e o conjunto C, onde cada elemento ´e um caco, ou
seja, P/∼= C.
Obs2: O conjunto A e A/∼ n˜ ao est´ a contido um no outro,
nem vice-versa. Isto tem que ficar bem claro: Os elementos
s˜ ao distintos, como se dado um conjunto de bananas e outros
de laranjas fosse perguntado quem est´ a contido em quem !
Observe a figura abaixo.
PSfrag replacements
A
B
f : A
¯
f : A/I
Im(f)
P
C
A/∼
2
Obs3: Poderia definir o que ´e uma parti¸ c˜ ao de um conjunto
e mostrar que toda rela¸ c˜ ao de equivalˆencia determina uma
parti¸ c˜ ao e vice-versa. Uma parti¸ c˜ ao seria separar um conjunto
em subconjuntos com intersec¸ c˜ ao vazia e com uni˜ ao dando o
conjunto todo.
Exemplo: Fra¸ c˜ oes e Q. Seja F = ¦a/b; a, b ∈ Z, b = 0¦
o conjunto das fra¸ c˜ oes. Exemplos de elementos de F s˜ ao:
2/3, 7/4, 10/5, 3/2 . . .
Come¸ caremos notando que 10/5 e 2/1 s˜ ao elementos dis-
tintos de F representando o mesmo elemento de Q, 10/5 =
2/1 = 2 ∈ Q. Dado um elemento de F podemos corresponder
um ´ unico elemento de Q de maneira ´ obvia, no entanto um ele-
mento de Q possui infinitas representa¸ c˜ oes em F. Exemplo:
0.5 = 1/2 = 2/4 = 3/6 = . . .
Queremos que estes elementos de F sejam considerados
equivalentes. De fato definimos a seguinte rela¸ c˜ ao de equi-
valˆencia em F (verifique !): a/b ∼ c/d se, e somente se
ad = bc (em Z). Desta forma podemos fazer F/ ∼ iso-
morfo a Q (ver apˆendice 5). Exemplos de elementos de F/∼:
¦7/3, 14/6, 21/9, . . .¦, ¦2/3, 4/6, 6/9, . . .¦
Resumindo: Dado um conjunto A e uma rela¸ c˜ ao de equi-
valˆencia “∼”, esta quebra o conjunto A determinando um
novo conjunto A/ ∼, cujos elementos s˜ ao classes de equi-
valˆencia.
Exerc´ıcios:
1) Mostre que ´e rela¸ c˜ ao de equivalˆencia:
a) x, y ∈ A qualquer, x ∼ y se, e somente se f(x) = f(y)
b) x, y ∈ Z, dado um n ∈ Z, x ∼ y se, e somente se x−y
´e m´ ultiplo de n denotado por x
n
≡ y (x ´e cˆ ongruo m´ odulo
n a y).
2) Fazer exerc´ıcios 8 e 9, p´ ag.13 do [GON].
3) Considere a rela¸ c˜ ao de equivalˆencia do exerc´ıcio 1 letra
b. Determine para n = 2 a classe de equivalˆencia de zero
e um. Fa¸ ca o mesmo para n = 6.
4) Considere uma fun¸ c˜ ao f : A −→ B sobrejetiva, e a se-
guinte rela¸ c˜ ao de equivalˆencia em A, x ∼ y se, e somente
se f(x) = f(y). Defina uma nova g : A/∼−→ B da se-
guinte forma: g(¯ a) = f(a). Verifique que por constru¸ c˜ ao
g ´e injetiva, e portanto bijetiva.
5) Defina em R
2
a seguinte rela¸ c˜ ao de equivalˆencia: (x, y) ∼
(a, b) se, e somente se x = ±a.
a) Prove que “∼” ´e uma rela¸ c˜ ao de equivalˆencia.
b) Calcule a classe de equivalˆencia de (1, 0).
c) Descreva o espa¸ co quociente R
2
/∼ .
6) Considere a rela¸ c˜ ao emZ: a ∼ b se, e somente se [a[ = [b[.
a) Mostre que ´e de equivalˆencia.
b) Determine as classes.
c) Descreva Z/∼.
7) Considere em NN a rela¸ c˜ ao (a, b) ∼ (a, d) se, e somente
se a +d = b +c.
a) Mostre que ´e de equivalˆencia.
b) Defina a soma e produto como:
(a, b) +

(c, d) = (a +b, c +d)
(a, b) ∗

(c, d) = (a ∗ c +b ∗ d, a ∗ d +b ∗ c)
Mostre que o quociente (NN)/∼ ´e isomorfo ao dom´ınio
Z com as opera¸ c˜ oes acima.
V – Anel, Dom´ınio, Corpo, Polinˆ omio
Come¸ caremos falando sobre as semelhan¸ cas e diferen¸ cas en-
tre anel, dom´ınio, corpo.
Estas estruturas alg´ebricas consistem de um conjunto A
munido de duas opera¸ c˜ oes que respeitam algumas proprieda-
des. S˜ ao estas propriedades que distinguir˜ ao uma estrutura
da outra. Os conjuntos n˜ ao precisam ser n´ umeros, podendo
ser matrizes, polinˆ omios, fun¸ c˜ oes etc., contanto que as duas
opera¸ c˜ oes definidas nos mesmos respeitem as propriedades.
Por analogia com os inteiros normalmente uma opera¸ c˜ ao ´e
chamada de soma outra produto, mas n˜ ao deixe que isto o
induza a pensar na “soma” e “produto” de n´ umeros exclusi-
vamente, embora sirva de referˆencia concreta. Eventualmente
a soma pode ser uma rota¸ c˜ ao no espa¸ co etc.
As estruturas foram criadas porque se demonstrarmos um
teorema para an´eis automaticamente tudo que for anel ter´ a
esta propriedade, n˜ ao sendo necess´ ario redemonstrar caso a
caso.
Exemplo: Veremos que a existˆencia de MDC e fatora¸ c˜ ao
nos inteiros e nos polinˆ omios decorrem destes serem Dom´ınios
Euclidianos (mais tarde veremos o que ´e isto), e n˜ ao de qual-
quer outra caracter´ıstica peculiar.
Formalmente temos (A, +, ∗) uma estrutura alg´ebrica, onde
“+” e “∗” s˜ ao opera¸ c˜ oes bin´ arias em A, ou seja, associam a
cada dois elementos de A um outro:
+ : AA −→A
∗ : AA −→A
Para que um conjunto vire um Anel, Dom´ınio ou Corpo,
devemos definir as duas opera¸ c˜ oes de forma adequada e a
seguir demonstrar que de fato todas as propriedades valem.
Defini¸ c˜ao: ANEL – Procure todas as propriedades em qual-
quer livro de
´
Algebra, e lembre-se que ´e uma estrutura onde
a soma ´e bem comportada (tem neutro, inverso, associativa,
´e comutativa) e a multiplica¸ c˜ ao somente ´e associativa. Temos
tamb´em a ´ unica propriedade que relaciona ambas: a distri-
butividade. Um anel comutativo ´e uma anel onde a multi-
plica¸ c˜ ao ´e comutativa. Um anel com identidade ´e um anel
que possui o elemento neutro (o “1”) da multiplica¸ c˜ ao.
Defini¸ c˜ao: DOM
´
INIO DE INTEGRIDADE –
´
E anel comu-
tativo, com identidade e (fato mais importante !) sem divi-
sores de zero, que quer dizer que se a ∗ b = 0 ent˜ ao a = 0 ou
b = 0.
Defini¸ c˜ao: CORPO –
´
E anel comutativo com identidade e
que possui inverso multiplicativo, ou seja, ∀a ∈ K, a = 0,
∃a
−1
∈ K; a ∗ a
−1
= 1.
Como exemplos destes objetos temos em primeiro lugar os
conjuntos num´ericos. N n˜ ao ´e sequer anel, pois n˜ ao possui
elemento inverso para adi¸ c˜ ao. Z ´e um anel comutativo, na
realidade mais do que isto, ´e um dom´ınio de integridade, pois
n˜ ao possui divisores de zero. Q, R, e C s˜ ao exemplos de an´eis,
dom´ınios e corpos. Deve estar claro que todo corpo ´e dom´ınio
de integridade e todo dom´ınio ´e anel.
3
Como outro exemplo de anel temos o conjunto das matrizes
quadradas com soma e produto usuais. N˜ ao ´e dom´ınio pois
possui divisores de zero (verifique !).
Exerc´ıcios:
1) Prove que num anel a lei do corte (a ∗ b = a ∗ c implica
que b = c) ´e equivalente a n˜ ao existˆencia de divisores de
zero.
2) Prove que num anel comutativo com unidade a existˆencia
de inverso multiplicativo implica na n˜ ao existˆencia de
divisores de zero. Conclua que todo corpo ´e dom´ınio de
integridade.
3) Seja D um Dom´ınio de Integridade. Prove que as ´ unicas
solu¸ c˜ oes de x
2
= x s˜ ao x = 0 ou x = 1.
4) Fa¸ ca, do livro [GON], p´ ag.40, os exerc´ıcios
7,8,9,10,14,15,16,18.
Defini¸ c˜ao: POLIN
ˆ
OMIOS – Dado um anel A definimos um
novo conjunto denotado por A[x] (um mero s´ımbolo) para
indicar o conjunto de polinˆ omios f(x) com coeficientes em A.
Estes polinˆ omios ser˜ ao “coisas” da forma f(x) = a
0
+a
1
x +
a
2
x
2
+ + a
n
x
n
. Podemos ver um polinˆ omio sem os x’s
assim (a
0
, a
1
, , a
n−1
, a
n
), como uma sucess˜ ao ordenada de
coeficientes, tal qual as coordenadas de um vetor em
´
Algebra
linear.
Exemplo: Um vetor em R
3
pode ser denotado por (3, 4, 5),
ou 3e
1
+ 4e
2
+ 5e
3
ou 3i + 4j + 5k = 4j + 3i + 5k. A im-
portˆ ancia das letras ao lado dos n´ umeros — neste exemplo,
i, j, k, e
1
, e
2
, e
3
; no caso de polinˆ omios x, x
2
, . . . , x
n
— ´e para
se recuperar os coeficientes de forma ordenada quando for
necess´ ario.
Neste ponto n˜ ao nos interessa ainda substituir os x’s por
n´ umeros, f(x) ´e uma mera express˜ ao formal. Quando que-
remos substituir x por um n´ umero e verificar quanto vale
f(x) estaremos lidando com uma fun¸ c˜ ao polinomial. De fato
polinˆ omios e fun¸ c˜ oes polinomiais apresentam uma rela¸ c˜ ao im-
portant´ıssima, que veremos mais adiante.
Exemplo: No anel Z
2
= ¦
¯
0,
¯
1¦ o polinˆ omio em Z
2
[x] f(x) =
¯
1x
2
+
¯
1x n˜ ao ´e nulo, por´em como fun¸ c˜ ao polinomial, f(x) ´e
sempre zero (verifique !).
Agora que definimos o conjunto A[x], resta definir a soma
e o produto de dois elementos deste conjunto, ou seja, dois
polinˆ omios. Leia a defini¸ c˜ ao em qualquer livro de
´
Algebra, e
preste aten¸ c˜ ao que a soma e o produto de polinˆ omios ´e de-
finida atrav´es da soma e produto no anel A. Desta forma ´e
imediato verificar que (A[x], +

, ∗

) ´e anel (+

e ∗

em con-
traste com + e ∗ do anel A). Leia tamb´em a defini¸ c˜ ao de
grau de um polinˆ omio, denotado por grau(f(x)).
Exerc´ıcios:
1) Mostre que as matrizes reais da forma

a b
0 0

relati-
vamente a soma e produto usual de matrizes forma um
anel. Este anel n˜ ao possui unidade ` a direita, no entanto
possui uma infinidade de unidades ` a esquerda da forma:

1 t
0 0

2) Verifique que o conjunto de matrizes com coeficientes em
Z, com a soma e produto usuais de matrizes, ´e um anel.
3) Mostre que se f(x), g(x) = 0 ∈ D[x], D um dom´ınio de
integridade, grau(f(x) ∗ g(x)) = grau f(x) + grau g(x).
VI – T´ opicos em An´eis
1) Introdu¸ c˜ao
Antes de come¸ car n˜ ao custa lembrar que estas defini¸ c˜ oes
valem para dom´ınios e corpos, pois estes s˜ ao an´eis tamb´em.
Um subanel de um anel A ´e um subconjunto de A que con-
tinue sendo um anel. O risco de um subconjunto n˜ ao ser
subanel ´e que ele n˜ ao seja fechado para soma e produto, ou
seja, a, b ∈ B, a−b ∈ B ou a∗b ∈ B. A defini¸ c˜ ao que daremos
a seguir ´e tamb´em o guia para se resolver todo exerc´ıcio que
pe¸ ca para se verificar se um determinado subconjunto de A ´e
subanel.
2) Subanel e Ideal
Defini¸ c˜ao: SUBANEL – Seja A uma anel, B ⊆ A, dizemos
que B ´e subanel de A caso:
(i) 0 ∈ B
(ii) x, y ∈ B implica que x −y ∈ B
(iii) x, y ∈ B implica que x ∗ y ∈ B
Defini¸ c˜ao: IDEAL – Seja A um anel, I ⊆ A. Dizemos que
I ´e ideal a esquerda de A caso:
(i) 0 ∈ I
(ii) x, y ∈ I implica que x −y ∈ I
(iii) a ∈ A, b ∈ I implica que a ∗ b ∈ I
Definimos um ideal a direita de A de forma an´ aloga. Deve-
se notar que a diferen¸ ca entre subanel e ideal ´e quanto ao
fechamento da multiplica¸ c˜ ao. Enquanto no subanel basta se
verificar o fechamento entre elementos do subconjunto, no
caso do ideal temos que verific´ a-lo entre todos os elementos
do anel vezes os elementos do ideal. Disto deve ficar claro que
todo ideal ´e um subanel.
Exemplo: A forma mais natural de se gerar um ideal ´e
pegar um a ∈ A e definir I = ¦a ∗ x; ∀x ∈ A¦. Denotamos
I = (a), e dizemos que o ideal I ´e gerado por a.
Obs1: Cuidado que quando falamos em ANEL n˜ ao esta-
mos assumindo que a multiplica¸ c˜ ao seja comutativa. Por isto
temos ideais a esquerda e a direita de A. Na resolu¸ c˜ ao de
exerc´ıcios seja cuidadoso com isto.
Obs2: Para demonstrar que algum conjunto ´e um ideal,
ajuda cham´ a-lo de outra letra, J por exemplo, e escrever as
propriedades que tem que valer para J. Desta forma evitam-
se trope¸ cos, pois na propriedade de fechamento pela multi-
plica¸ c˜ ao por elemento do anel, um est´ a no ideal, outro no
anel. Cuidado !!!
Obs3: Um ideal ´e como um subespa¸ co vetorial, tendo mui-
tas caracter´ısticas interessantes como ser gerados por alguns
elementos do anel, tal qual um subespa¸ co (Veremos isto no
exerc´ıcio 6 abaixo !).
4
Exerc´ıcios:
1) Assuma que I
n
´e ideal para todo n. Prove que s˜ ao ideais:
a) I
1
∩ I
2
∩ ∩ I
n
b) I
1
+I
2
+ +I
n
= ¦x
1
+x
2
+ +x
n
; x
j
∈ I
j
¦
2) Prove que se A ´e um anel com identidade 1, e I ⊂ A
ideal, 1 ∈ I implica que I = A.
3) Seja I um ideal de A. Mostre que se para x, y ∈ A
definirmos x ∼ y se, e somente se x − y ∈ I ´e uma
rela¸ c˜ ao de equivalˆencia em A.
4) Sejam aZ e bZ ideais de Z com aZ ⊆ bZ. Prove que b
divide a.
5) Assuma que aZ = bZ. Prove que a = b ou a = −b.
6) Prove que o conjunto I = (a) definido no exemplo
´e de fato um ideal. Mais geralmente assuma que
a
1
, . . . , a
n
∈ A, mostre que I = ¦a
1
x
1
+ a
2
x
2
+ +
a
n
x
n
; x
1
, . . . , x
n
∈ A¦ ´e um ideal. Este ideal ´e denotado
por I = (a
1
, a
2
, . . . , a
n
).
Obs: O ideal do exerc´ıcio 6) ´e formado pela combina¸ c˜ ao
linear de coeficientes. Fazendo analogia com ´ algebra linear,
dado um conjunto de vetores, a combina¸ c˜ ao linear destes de-
termina um subespa¸ co vetorial.
3) Anel Quociente
O resumo do que faremos ´e que, dado um anel A qualquer
e um ideal I ⊆ A, podemos definir um novo conjunto A/I
e novas opera¸ c˜ oes neste conjunto de modo que tenhamos um
outro anel. O roteiro do nosso procedimento ´e:
a) Definir a rela¸ c˜ ao de equivalˆencia do exerc´ıcio 4) anterior,
x ∼ y se, e somente se x −y ∈ I.
b) Denotar A quociente pela rela¸ c˜ ao acima, por A/I =
A/∼. Este conjunto novo ´e o conjunto do anel quociente.
c) Definir as novas opera¸ c˜ oes em A/I para que vire um
anel.
Exemplo: Seja A = Z, e I = 3Z. A/I = ¦
¯
0,
¯
1,
¯

Pelo resumo fica imediato quem ´e o novo conjunto. Resta
definir novas opera¸ c˜ oes neste, opera¸ c˜ oes estas induzidas pelas
opera¸ c˜ oes no anel A.
Definiremos ¯ a,
¯
b ∈ A/I, ¯ a +
¯
b = a +b. Ou seja para so-
mar duas classes de equivalˆencia tomamos dois representantes
quaisquer em A/I destas classes, somamos em A, e tomamos
a classe da soma. A defini¸ c˜ ao para o produto ´e inteiramente
an´ aloga.
Exerc´ıcios:
1) Verifique se as opera¸ c˜ oes est˜ ao bem definidas, isto ´e, to-
mando qualquer representante o resultado ´e o mesmo.
Vocˆe tem que verificar se tomando ¯ a =
¯
b, e ¯ c =
¯
d implica
que ¯ a +
¯
b = ¯ c +
¯
d (an´ alogo para o produto).
2) Verifique que no anel quociente A/I a classe de a ∈ A ´e
a mesma do zero se, e somente se a ∈ I; ou seja, ¯ a =
¯
0
se, e somente se a ∈ I. Quando passamos o quociente os
elementos do ideal viram o zero do anel quociente.
Agora que temos o conjunto A/I, duas opera¸ c˜ oes bem defi-
nidas, resta verificar se satisfaz as propriedades de anel. N˜ ao
farei a verifica¸ c˜ ao, por´em, pela forma como definimos a soma
e o produto, esta ´e imediata, decorrendo do fato de A ser
anel.
Finalmente podemos afirmar que dado um anel A qualquer
e um ideal I ⊆ A podemos construir (A/I, +

, ∗

), chamado
anel quociente de A por I.
Obs1: Uma analogia poss´ıvel ´e que dado um espa¸ co vetorial
V , T : V −→ V linear, ker(T) ´e um subespa¸ co vetorial e po-
demos definir de forma an´ aloga V/ ker(T) um espa¸ co vetorial
quociente.
Obs2: Nota¸ c˜ oes:
• 3Z = ¦3a; a ∈ Z¦ = ¦ , −6, −3, 0, 3, 6, ¦ = Ideal
gerado por 3.
• Z/3Z = Z
3
= ¦
¯
0,
¯
1,
¯
2¦ = Anel quociente Z pelo ideal 3Z
Obs3: Logo nZ = Z
n
= Z/nZ. O primeiro ´e o ideal gerado
por n, o segundo ´e um anel quociente. Z
n
possui n elementos,
enquanto nZ possui infinitos elementos. A soma de elementos
de nZ ´e a mesma em Z (a “normal”), enquanto em Z
n
´e a
soma m´ odulo n.
Abaixo vem uma s´erie de exerc´ıcios que aplicam os an´eis
Z
n
. Espero que motivem o aprendizado e uso dos mesmos.
Exerc´ıcios:
1) Procure os elementos invert´ıveis em Z
12
e em Z
7
. Qual
a diferen¸ ca ? Porque ? Enuncie (e prove) um teorema
com sua conclus˜ ao.
2) Prove que s˜ ao irracionais:

3,
3

2,
3

9,

21,
5

16 e

30.
3) Generalize o exerc´ıcio anterior provando que dado um
p ∈ N primo e n > 1 s˜ ao irracionais:
n

p e
n

p
m
(com
0 < m < n).
4) Generalize o exerc´ıcio anterior provando que dados p
i

N primos distintos entre si s˜ ao irracionais:
n

p
1
p
2
p
k
(n > 1) e
n

p
a1
1
p
a2
2
p
a
k
k
(se a
k
mod n = 0 para pelo
menos um k).
5) Lembra-se da prova dos nove ?
´
E o seguinte: vocˆe faz
uma soma de a + b = c, n´ umeros inteiros grandes, e
quer verificar se o resultado est´ a correto. Some todos
os algarismos de a e b com resto m´ odulo 9 (em Z
9
) e
verifique se a soma de todos os algarismos de c d´ a o
mesmo resultado. Para checar o produto some todos
os algarismos de a com resto mod 9 e multiplique pela
soma mod 9 de b. O resultado mod 9 tem que ser a soma
dos algarismos de c mod 9. Prove porque funciona. Por
exemplo:
1759 1 + 7 + 5 + 9 = 22
9
≡ 4
+3877 3 + 8 + 7 + 7 = 25
9
≡ +7
5636 5 + 6 + 3 + 6 = 20
9
≡ 11
9
≡ 2
1329 1 + 3 + 2 + 9 = 15
9
≡ 6
88 8 + 8 = 16
9
≡ 7
116952 1 + 1 + 6 + 9 + 5 + 2 = 24
9
≡ 42
9
≡ 6
6) Sejam a
1
, a
2
, . . . , a
n
, “n” n´ umeros naturais diferentes de
zero. Prove que ´e poss´ıvel escolher um subconjunto des-
tes n´ umeros de modo que a soma deles seja divis´ıvel por
“n”. Dica: Utilizando a barra para denotar congruˆencia
m´ odulo “n”, denote b
1
= a
1
, b
2
= a
1
+a
2
, b
k
=

k
i=1
a
i
.
Mostre que b
i
= b
j
para i = j implica na existˆencia de
subseq¨ uˆencia de n´ umeros naturais com soma divis´ıvel por
zero. Caso todos b
i
’s sejam distintos mostre que existir˜ ao
“n” classes e que uma delas ter´ a que ser zero.
5
7) Aprendemos no col´egio alguns crit´erios de divisibilidade.
Gostaria de aplicar a teoria aprendida sobre os Z
n
para se
demonstrar a validade dos crit´erios. Vou enunci´ a-los e o
exerc´ıcio consiste em demonstrar a validade. Em todos os
enunciados utilizo a nota¸ c˜ ao a =

N
i=0
a
i
10
i
, 0 ≤ a
i
≤ 9.
Ex: 125 = 5 10 + 2 10 + 1 10. Nesta nota¸ c˜ ao a
0
´e o
´ ultimo d´ıgito.
a) Div 2: Se a
0
´e par (ou a
0
mod 2 = 0).
b) Div 3: Se

i
a
i
mod 3 = 0.
c) Div 4: Se o n´ umero formado pelos dois ´ ultimos d´ıgitos
(a
1
a
0
) for divis´ıvel por 4.
e) Div 5: Se termina em zero ou cinco.
c) Div 8: Se o n´ umero formado pelos trˆes ´ ultimos d´ıgitos
(a
2
a
1
a
0
) for divis´ıvel por 8.
d) Div 9: Se

i
a
i
mod 9 = 0.
e) Div 10: Se termina em zero.
f) Div 11: Se a soma a
0
−a
1
+a
2
−a
3
=

i
(−1)
i
a
i
mod
11 = 0.
8) Existe um crit´erio simples para divisibilidade por 7 ?
Porque ? E para 16 ?
4) Homomorfismo e Isomorfismo
Estes conceitos s˜ ao muito importantes, na realidade tendo
um papel fundamental na Matem´ atica. Literalmente ISO-
MORFISMO quer dizer “aquele que tem ou apresenta a
mesma forma”.
Come¸ caremos com uma analogia para entender o que ´e ho-
momorfismo. Suponha que temos um conjunto de ovelhas
(chamaremos de O) e o conjunto N dos n´ umeros naturais.
Agora definimos a opera¸ c˜ ao de agrupamento no conjunto O
como a jun¸ c˜ ao de um conjunto de ovelhas com o outro.
Agora verificamos que somar em N ´e uma opera¸ c˜ ao f´ acil
de ser realizada. Por outro lado ir para uma fazenda e ten-
tar reunir um conjunto de ovelhas com outro (mesmo com a
ajuda de um c˜ ao pastor !) ´e uma tarefa bastante penosa, que
al´em do esfor¸ co f´ısico toma bastante tempo. Na pr´ atica di´ aria
fazemos o seguinte:
(i) Identificamos uma ovelha com o n´ umero 1.
(ii) Identificamos duas ovelhas com o n´ umero 2, e assim
sucessivamente . . .
(iii) Quando queremos agrupar ovelhas transformamos em
n´ umeros, somamos em N, e retornamos para o conjunto de
ovelhas sem ter que sair do lugar !
Exemplo: Uma outra analogia para homomorfismo. Temos
um conjunto de bananas e outro de ma¸ cas. Suponha que sa-
bemos somar bananas mas n˜ ao sabemos somar ma¸ c˜ as. Agora
nos pedem para fazer uma conta em ma¸ c˜ as. Caso tiv´essemos
uma f relacionando um conjunto ao outro que preservasse as
opera¸ c˜ oes levar´ıamos as ma¸ c˜ as para o conjunto de bananas,
far´ıamos as contas l´ a, e devolver´ıamos em ma¸ c˜ as a resposta.
Formalizando, um homomorfismo entre an´eis ´e uma fun¸ c˜ ao
f : A −→ B, que preserva a soma e o produto. Quero dizer
que somar dois elementos em A e levar para B ´e o mesmo que
levar os elementos de A para B e somar em B. O mesmo deve
ocorrer com o produto (observe a figura abaixo). Deve ficar
claro que a soma e o produto de A s˜ ao diferentes da soma e
produto em B.
Defini¸ c˜ao: HOMOMORFISMO – Dados (A, +, ∗),
(B, +

, ∗

) an´eis, uma f : A −→ B ´e homomorfismo quando
∀a, b ∈ A; f(a +b) = f(a) +

f(b) e f(a ∗ b) = f(a) ∗

f(b).
&%
'$
&%
'$
a
-
f(a)
b
-
f(b)
a+b
-
f(a+b) = f(a)+

f(b)
f : A B
-
Obs: Para mostrar que f ´e um homomorfismo basta mostrar
que f respeita a soma/produto como acima, f n˜ ao precisa ser
injetiva nem sobrejetiva.
Exemplo1: f : Z −→Z
n
dado por f(x) = x mod n = ¯ x
Exemplo2: A, B an´eis quaisquer, f : A −→ B, f(x) =
0, ∀x ∈ A.
Exerc´ıcios:
1) Sejam A, B an´eis. f : A −→ B um homomorfismo.
Prove que:
a) ker f = ¦a ∈ A; f(a) = 0¦ ´e um ideal.
b) Imf = ¦f(a); a ∈ A¦ ´e subanel de B.
c) f ´e injetiva se, e somente se ker f = ¦0¦
2) Sejam A e A

an´eis, f : A −→ A

homomorfismo. Prove
que:
a) f(0) = 0

b) f(−a) = −f(a); ∀a ∈ A.
3) Seja f : A −→B um homomorfismo de an´eis, I = ker(f).
Prove que f(x) = f(y) se, e somente se x − y ∈ I. Por-
tanto ´e a mesma coisa definir x ∼ y de qualquer uma das
duas formas anteriores.
4) Seja K um corpo. Mostre que todo ideal de K ´e trivial,
ou seja, ou ´e ¦0¦ ou o pr´ oprio K.
Obs: Deve ficar clara a analogia com
´
Algebra linear, onde o
n´ ucleo de uma transforma¸ c˜ ao linear ´e sempre um subespa¸ co
vetorial, e a T.L. ´e injetiva se, e s´ o se, o n´ ucleo = (0) (vide
Exerc´ıcio 1 acima).
Defini¸ c˜ao: ISOMORFISMO –
´
E um homomorfismo bijetivo,
ou seja, uma fun¸ c˜ ao f que seja homomorfismo, f uma bije¸ c˜ ao,
significa dizer que f ´e um isomorfismo.
Exerc´ıcio: Mostre que se f ´e homomorfismo, f : A −→B ´e
bijetiva, f
−1
´e homomorfismo f
−1
: B −→A.
Pelo exerc´ıcio anterior, quando temos um isomorfismo te-
mos um homomorfismo de A em B, e de B em A. Para per-
ceber a importˆ ancia podemos voltar ao exemplo das ovelhas e
de N. Na realidade temos um isomorfismo. Toda vez que nos
derem um problema em ovelhas transformamos em n´ umeros,
fazemos as contas, e devolvemos a resposta em ovelhas.
De modo geral, supondo que seja mais f´ acil operar num con-
junto do que em um outro, tendo um isomorfismo entre eles
podemos pela f (ou f
−1
) trazer o problema para o conjunto
f´ acil, operar, e devolver a resposta onde quiser.
Exemplo: A opera¸ c˜ ao de soma em R, e produto em R

.
Somar ´e muito mais f´ acil do que multiplicar, e temos de fato
uma f : R −→R

bijetiva que satisfa¸ ca f(ab) = f(a)+f(b).
6
Deve-se notar que f(x) = log(x) ´e tal fun¸ c˜ ao. Este, ali´ as, ´e
o princ´ıpio da r´egua de c´ alculo, onde toda vez que temos que
multiplicar diversos n´ umeros tomamos seus log’s, somamos, e
aplicamos log
−1
para obter a resposta.
Quando estabelecemos um isomorfismo entre duas estrutu-
ras (neste caso an´eis) dizemos que estas estruturas s˜ ao iguais,
idˆenticas, ou a mesma a menos de um isomorfismo. Ou dire-
tamente, as estruturas s˜ ao isomorfas. Denota-se A · B para
dizer que A e B s˜ ao isomorfos.
Exemplo: J´ a sabemos o que ´e um corpo, um conjunto or-
denado a maioria deve saber, e completo, quem j´ a viu an´ alise
sabe.
´
E poss´ıvel demonstrar que a menos de um isomorfismo
existe um ´ unico corpo ordenado completo, R. Qualquer outro
ser´ a isomorfo a este.
Defini¸ c˜ao: ENDOMORFISMO – Homomorfismo de um anel
nele mesmo.
Defini¸ c˜ao: AUTOMORFISMO – Isomorfismo de um anel
nele mesmo.
Exemplo1: A fun¸ c˜ ao I : A −→ A, I(x) = x para todo
x ∈ A (fun¸ c˜ ao Identidade) ´e um automorfismo de A em A.
Exemplo2: f : C −→ C; f(z) = ¯ z (conjugado complexo) ´e
um automorfismo de C (Verifique !).
Exerc´ıcios:
1) Assuma que f(x) ∈ K[x]. Verifique que ´e necess´ ario que
ϕ seja um homomorfismo e que para todo a ∈ K, ϕ(a) =
a para que ϕ(f(x)) = f(ϕ(x)).
2) Considere f:Z −→Z dada por f(n) = 3n. Verifique se f ´e
endomorfismo do anel Z.
3) Considere o anel Z[

2]. Este anel tem elemento neutro
da multiplica¸ c˜ ao ? Considere f(a + b

2) = ab

2. f ´e
automorfismo ?
4) Fa¸ ca [GON] p´ ag. 59, ex. 10.
5) Teorema do Homomorfismo
Antes de enunciar este teorema vamos fazer um roteiro do
que desejamos fazer. Come¸ cando com um homomorfismo f :
A −→B queremos chegar a um isomorfismo.
I) A fun¸ c˜ ao f deve tornar-se bijetiva
a) Caso f n˜ ao seja sobrejetiva, fa¸ camos o processo que en-
sinamos acima, ou seja, restringir o contradom´ınio ` a imagem,
transformando em f : A −→Im(f).
PSfrag replacements
A
B f : A f : A
¯
f : A/I
Im(f)
P
C
A/∼
b) Caso f n˜ ao seja injetiva fa¸ ca o processo de torn´ a-la in-
jetiva definindo o novo conjunto de classe de equivalˆencia de
A, onde x, y ∈ A, x ∼ y se, e somente se f(x) = f(y) (ou
se, e somente se x − y ∈ ker(f)). Chamando ker(f) = I;
¯
f :
A/I −→B ser´ a injetiva, onde A/I ´e o anel quociente de A.
PSfrag replacements
A
B B f : A
¯
f : A/I
Im(f)
P
C
A/∼
II) Agora que
¯
f ´e sobrejetiva, temos que verificar se ´e ho-
momorfismo do anel A/I em Im(f).
III) Finalmente, A/I e Im(f) s˜ ao an´eis,
¯
f ´e homomorfismo
bijetivo, e portanto um isomorfismo.
Teorema Dados A, B an´eis, f : A −→B homomorfismo, I =
ker(f), ent˜ ao A/I ´e isomorfo a Im(f), ou seja, A/I · Im(f).
Dem.: Est´ a acima.
Obs: Para este teorema ser melhor entendido faremos no-
vamente uma analogia com ´ algebra linear. Seja T : V −→ V
uma transforma¸ c˜ ao linear. Temos que ker(T) ´e subespa¸ co
vetorial. Podemos definir, conforme j´ a dissemos, o espa¸ co
vetorial quociente V/ ker(T). Tamb´em temos que V/ ker(T)
´e isomorfo a Im(T). Para que dois espa¸ cos vetoriais se-
jam isomorfos eles tem que possuir a mesma dimens˜ ao. Te-
mos portanto que dim(V/ ker(T)) = dim(Im(T)). Pelo te-
orema do n´ ucleo-imagem (
´
Algebra Linear) calculamos que
dim(V/ ker(T)) = dim(Im(T)) = dim(V ) −dim(ker(T)).
6) Tipos de Ideais
Defini¸ c˜ao: Ideal MAXIMAL – Um M
=
⊂ A ´e maximal se, e
somente se n˜ ao existe J tal que M
=
⊂ J
=
⊂ A.
Um ideal maximal ´e tal que n˜ ao existe um ideal que esteja
contido propriamente entre este e o anel. Outra forma de se
ver ´e que caso tentemos aumentar um ideal para obtermos
outro ideal um pouco maior obtemos todo o anel.
Exemplo: 7Z ´e maximal em Z. Por outro lado 8Z n˜ ao ´e
maximal em Z pois temos 8Z
=
⊂ 4Z
=
⊂ Z.
Defini¸ c˜ao: Ideal PRINCIPAL – I ⊆ A ´e principal se, e so-
mente se I pode ser gerado por um ´ unico elemento do anel,
ou seja, ∃a ∈ A, I = (a).
Exemplo: A = Z[x], I = 2A+xA (gerado por 2 e x) n˜ ao ´e
principal.
Lema Seja M um ideal, A um anel comutativo com unidade.
Ent˜ ao, M ´e um ideal maximal se, e somente se A/M ´e corpo.
Dem.: (=⇒) Considere o ideal J = ¦ra+m; r ∈ A, m ∈ M¦,
onde a ∈ M. Queremos mostrar agora que todo a = 0 ∈ A/M
tem inverso.
a) Temos que verificar se J ´e de fato um ideal, por´em isto
ser´ a deixado como exerc´ıcio. Dica J = (a) +M.
b) Temos claramente que M ⊂ J, no entanto, como
a ∈ M, M = J. Portanto temos, M
=
⊂ J ⊂ A. Como M
´e maximal, J = A.
c) Como J = A, 1 ∈ A implica que 1 ∈ J. Portanto,
∃b ∈ A, ∃m ∈ M, 1 = ba +m. Passando a barra em ambos os
lados, temos que
¯
1 =
¯
b¯ a, ou seja,
¯
b ´e o inverso de ¯ a.
d) Portanto como A´e anel quociente de um anel comutativo
com unidade, A/M ´e anel comutativo com unidade onde todo
elemento n˜ ao nulo tem inverso, ou seja, ´e um corpo.
7
(⇐=) Seja f : A −→ A/M o homomorfismo natural que
associa a cada elemento do anel sua classe de equivalˆencia.
Seja J ⊂ A um ideal de A.
a) f(J) ´e um ideal em A/M (fica como exerc´ıcio !).
b) Como A/M ´e corpo, f(J) = ¦0¦ ou f(J) = A/M.
c) Caso f(J) = ¦0¦, a ∈ J implica que a ∼ 0 se, e somente
se a −0 ∈ M se, e somente se a ∈ M. Ou seja, J = M.
d) Caso f(J) = A/M, como
¯
1 ∈ A/M, 1 ∈ J. Isto implica
que J = A.
Exerc´ıcios:
1) Fazer exerc´ıcios 2, 3, 4, 16 e 20, p´ ag.39 do [GON].
2) Fazer exerc´ıcios 1, 4, 5 e 6, p´ ag.45 do [GON].
VII – Dom´ınios Euclidianos
1) Introdu¸ c˜ao
Estamos interessados neste trabalho principalmente nos
dom´ınios Z e K[x], ou seja, nos inteiros e nos polinˆ omios de
um corpo, principalmente Q ou R. Na parte de irredutibili-
dade de polinˆ omios trabalharemos com Z[x] tamb´em. Apesar
de trabalharmos quase exclusivamente com estes dois objetos,
gostaria de explicar porque introduzo o conceito de dom´ınios
euclidianos. Em primeiro lugar porque ser´ a importante no
prosseguimento do aprendizado de ´ algebra e, principalmente,
porque demonstraremos logo abaixo diversos teoremas cujas
demonstra¸ c˜ oes valem basicamente por causa da existˆencia do
algoritmo de divis˜ ao de Euclides, e n˜ ao por outro fato qual-
quer.
2) Defini¸ c˜ oes
Um dom´ınio euclidiano ´e um dom´ınio de integridade em
que existe o algoritmo da divis˜ ao de Euclides. Para isto pre-
cisamos de uma fun¸ c˜ ao ϕ : D ` ¦0¦ −→ N que medir´ a o
“tamanho” do resto. No caso dos inteiros Z esta fun¸ c˜ ao ser´ a
o m´ odulo, ϕ(x) = [x[. No caso dos polinˆ omios a fun¸ c˜ ao ser´ a
o grau do polinˆ omio, ϕ(f(x)) = grau(f(x)).
Defini¸ c˜ao: DOM
´
INIO EUCLIDIANO – Seja D um dom´ınio
de integridade e ϕ : D ` ¦0¦ −→ N em que: ∀a, b ∈ D, b = 0,
existe q e r ∈ D tal que a = b ∗ q + r, com ϕ(r) < ϕ(q) ou
r = 0.
Agora ter´ıamos que verificar que Z e K[x] s˜ ao de fato
dom´ınios euclidianos, entretanto recomendamos que o leitor
recorra ao [GON] para ver a demonstra¸ c˜ ao.
Obs1: Daqui por diante come¸ caremos a demonstrar teore-
mas importantes para dom´ınios euclidianos, alertas que temos
em mente neste curso Z e R[x]. No entanto, sabemos que s˜ ao
v´ alidos para Z[i] e outros dom´ınios euclidianos.
Obs2: Z[i] ´e dom´ınio euclidiano com a seguinte fun¸ c˜ ao, seja
a +bi ∈ Z[i], ϕ(a +bi) = a
2
+b
2
.
Obs3: Qualquer corpo vira um dom´ınio euclidiano com a
fun¸ c˜ ao ϕ(x) ≡ 0 pois a divis˜ ao num corpo ´e exata (o resto ´e
sempre zero !).
Exerc´ıcio: Mostre que Z[x] n˜ ao ´e dom´ınio euclidiano com
a fun¸ c˜ ao grau. Dica: Tente dividir um polinˆ omio por uma
constante.
3) Dom´ınio Principal
Demonstraremos agora o fato de todo dom´ınio euclidiano
ser um dom´ınio de ideais principais. Daqui decorre que sem-
pre que dermos um I ⊂ D dom´ınio principal, podemos es-
crever I = (a) para algum a ∈ D. Na demonstra¸ c˜ ao fica
clara a importˆ ancia fundamental da existˆencia do algoritmo
de Euclides.
Teorema Para todo ideal I ⊂ D um dom´ınio euclidiano,
∃a ∈ D, I = (a).
Dem.:
a) Defina o conjunto B ⊂ N por B = Im(ϕ) = ϕ(I ` ¦0¦).
b) Obviamente todo subconjunto de N possui menor ele-
mento, logo para B ⊂ N, existe um b menor elemento de
B.
c) Considere um a ∈ I tal que ϕ(a) = b (pode n˜ ao ser
´ unico, qualquer um serve !).
d) Agora mostraremos que I = (a), ou seja, a gera todo
o ideal. Para isto considere um x ∈ I. Podemos utilizar o
algoritmo de Euclides e dividir x por a. Deste modo x =
a ∗ q +r, com ϕ(r) < ϕ(a) ou r = 0, q, r ∈ D.
e) Afirmo que r ∈ I, pois r = x−a∗q e temos o fechamento
da soma/produto do ideal.
f) Sabendo que r ∈ I, temos por outro lado que r = 0 ou
ϕ(r) < ϕ(a). Por´em ϕ(a) foi escolhido o menor poss´ıvel, o
que implica que r = 0.
g) Resumindo, ∀x ∈ I, ∃a ∈ I, x = a ∗ q + 0, q ∈ D.
Portanto I = (a) = aD
4) Existˆencia do MDC
O importante conceito de MDC ser´ a introduzido aqui de
uma forma que possa ser generalizado para outros dom´ınios
que n˜ ao sejam os n´ umeros inteiros. Para isto ser´ a necess´ ario
repens´ a-lo na linguagem de ideais.
Embora a defini¸ c˜ ao aqui possa parecer mais pedante, vere-
mos que o MDC de um conjunto finito de elementos de um
dom´ınio euclidiano ser´ a tal que MDC¦a
1
, . . . , a
n
¦ = d:
i) d divide cada elemento a
i
ii) Caso exista outro elemento d

que divida cada a
i
, d

di-
vidir´ a d, o que podemos entender em Z como [d

[ < [d[, ou
seja, ele ´e o maior entre os divisores.
Com d satisfazendo i) e ii) justifica-se que se diga que ele ´e
o MDC (maior divisor comum). Necessitaremos da linguagem
de ideais para demonstrar que ele (d) sempre existe em um
dom´ınio euclidiano.
Teorema (Existˆencia do MDC) Seja D um dom´ınio euclidi-
ano, I = a
1
D +a
2
D + +a
n
D. Teremos que:
i) ∃d ∈ D, I = (d) = dD.
ii) d[a
i
; ∀i ∈ ¦1, . . . , n¦
iii) Caso ∃d

∈ D; d

[a
i
; ∀i ∈ ¦1, . . . , n¦; d

[d.
iv) ∃r
1
, r
2
, . . . , r
n
∈ D; d = a
1
r
1
+ +a
n
r
n
Dem.:
i) J´ a foi provado que todo ideal I ⊂ D pode ser gerado por
um d ∈ D.
8
ii) Para cada i, a
i
D ⊂ I = (d) implica que d[a
i
. Observe
que quando somamos os ideais obtemos mais do que a simples
uni˜ ao dos conjuntos.
iii) Como d

[a
i
; a
i
D ⊆ d

D. Temos portanto que cada ideal
que somamos est´ a contido no ideal d

D. A soma deles, que ´e
I, esta contido em d

D, ou, I = (d) = dD ⊆ d

D implica que
d

[d.
iv) Pela defini¸ c˜ ao de soma de ideais isto ´e imediato.
Obs1: Se 1 = ab+cd em Z ent˜ ao MDC(a, c) = MDC(b, d) =
MDC(a, d) = MDC(b, c) = 1. Isto ´e verdade pois tomando
I = aZ + cZ, ∃b, d ∈ Z, ab + cd = 1. Logo 1 ∈ I e portando
I = Z = (1). Logo MDC(a, c) = 1. Os outros casos s˜ ao
an´ alogos.
Obs2: Isto n˜ ao ´e verdade para qualquer elemento de Z.
4 = ab + cd n˜ ao implica que MDC(a, c) = 4. Exemplo: 4 =
8 1 + 2 (−2) e MDC(8, 2) = 2, e n˜ ao 4.
5) Ideais Maximais e Primos
Em primeiro lugar vamos ver o que s˜ ao elementos primos
ou irredut´ıveis. Para isto precisamos de algumas defini¸ c˜ oes:
Defini¸ c˜ao: INVERT
´
IVEL – Elemento a ∈ D tal que existe
um b ∈ D satisfazendo a ∗ b = 1.
Exemplo: Em Z os invert´ıveis s˜ ao o 1 e o -1. Em K[x] s˜ ao
os polinˆ omios constantes, f(x) = c, c ∈ K.
Exerc´ıcios:
1) Mostre que caso os ideais I e J ∈ R[x] sejam iguais ´e
porque os polinˆ omios geradores de I e J diferem por um
a ∈ R, ou seja, f(x) = ag(x), onde f(x) e g(x) geram
respectivamente I e J.
2) Mostre que caso tenhamos I = J ⊂ D dom´ınio eu-
clidiano, o gerador de I difere do gerador de J por
um elemento invert´ıvel de D. Mais precisamente, seja
I = aD, J = bD. aD = bD se, e somente se a e b diferem
por um invert´ıvel, ou seja, a = ub, u invert´ıvel.
Defini¸ c˜ao: IRREDUT
´
IVEL OU PRIMO – Um a ∈ D ` ¦0¦
´e irredut´ıvel quando:
(i) a n˜ ao ´e invert´ıvel
(ii) a s´ o possui fatora¸ c˜ ao trivial, i.e., a = b ∗ c implica que
b ou c ´e invert´ıvel.
Exemplo: Em Z os irredut´ıveis s˜ ao os n´ umeros primos. Em
K[x], f(x) = x +c, ´e sempre irredut´ıvel.
Em K[x] os irredut´ıveis s˜ ao um problema de modo geral
bastante dif´ıcil de se determinar. Teremos uma se¸ c˜ ao inteira
somente para determinar crit´erios de irredutibilidade de um
polinˆ omio.
Veremos mais adiante que x
2
+1 ´e irredut´ıvel em R[x]. No
entanto ele ´e redut´ıvel em C[x] pois x
2
+ 1 = (x − i)(x + i),
uma fatora¸ c˜ ao n˜ ao trivial.
Obs1: Embora exista uma distin¸ c˜ ao entre irredut´ıveis e pri-
mos, aqui trataremos os conceitos como se fossem o mesmo,
pois em dom´ınios fatoriais (veja 6 abaixo) eles coincidem.
Para maiores detalhes, consultar o [GAR], p´ ag.28.
Obs2: Neste contexto de Primo = Irredut´ıvel, vale que p
um primo (ou irredut´ıvel), p[ab implica que p[a ou p[b.
Agora que sabemos o que ´e um elemento irredut´ıvel prova-
remos um teorema que diz que todo ideal maximal ´e gerado
por um elemento irredut´ıvel. Assim, todos os ideais maximais
de Z s˜ ao os gerados por n´ umeros primos.
Teorema Considere I = (p) ⊂ D, com D um dom´ınio eucli-
diano e p ∈ D. S˜ ao equivalentes:
i) I ´e um ideal maximal.
ii) p ´e um elemento irredut´ıvel (ou primo) de D.
Dem.: (i =⇒ ii)
Seja I = pD. Temos que mostrar que p ´e irredut´ıvel (ou
primo). p n˜ ao ´e invert´ıvel, pois sen˜ ao ter´ıamos I = pD = D.
Agora caso possamos escrever p = a ∗ b, ter´ıamos que:
I = pD ⊂ aD ⊂ D. Como I ´e maximal, temos duas
possibilidades.
• aD = D =⇒a ´e invert´ıvel
• aD = pD =⇒a e p diferem por um invert´ıvel, ou seja, b
´e invert´ıvel.
(ii =⇒ i)
Seja um ideal J, I ⊂ J ⊂ D. Temos que J ´e gerado por
algum elemento de D, J = (a). Temos portanto que (p) ⊂
(a) ⊂ D. Pela inclus˜ ao de ideais, temos que a[p, ou, p =
a ∗ b, b ∈ D. Como p ´e irredut´ıvel(ou primo), a ´e invert´ıvel
ou b ´e invert´ıvel. Temos portanto dois casos:
• a ´e invert´ıvel =⇒aD = D
• b ´e invert´ıvel =⇒pD = (a ∗ b)D = a ∗ (bD) = aD.
Exerc´ıcio: Como generaliza¸ c˜ ao de uma observa¸ c˜ ao feita an-
teriormente seja p um primo em Z com p = ab + cd. Prove
que MDC(a, c) = p ou MDC(a, c) = 1. Dica: I = aZ + cZ,
verifique que pZ ⊆ I ⊆ Z. Como pZ ´e maximal, I = Z ou
I = pZ).
6) Dom´ınio Fatorial
Um dom´ınio fatorial ´e um dom´ınio de integridade no qual
todo elemento n˜ ao invert´ıvel se escreve como um produto fi-
nito de irredut´ıveis ou primos. A menos de ordena¸ c˜ ao e mul-
tiplica¸ c˜ ao por invert´ıveis, a fatora¸ c˜ ao ´e ´ unica.
Exemplo: Em Z todo elemento pode ser fatorado como um
produto de primos. Quando se fala que a fatora¸ c˜ ao ´e a menos
de invert´ıveis ´e porque 6 = 2 ∗ 3 = (−2) ∗ (−3). No caso
de polinˆ omios R[x] os invert´ıveis s˜ ao as constantes c ∈ K.
x
2
− 1 = (x + 1)(x − 1) = (5x − 5)(x/5 − 1/5). A´ı tamb´em
a fatora¸ c˜ ao ´e ´ unica, a menos de multiplica¸ c˜ ao por invert´ıveis
(neste caso o n´ umero 5 !).
Teorema Se D um dom´ınio euclidiano ent˜ ao D ´e um dom´ınio
fatorial.
Dem.: A demonstra¸ c˜ ao ´e um pouco longa, sendo mais impor-
tante conhecer e saber aplicar este teorema. Para os leitores
interessados, consultar [GAR], p´ ag. 29.
Obs: Poder´ıamos provar tamb´em que Z[x], embora n˜ ao
sendo dom´ınio euclidiano, ´e dom´ınio fatorial. Para tal ver
[GAR], p´ ag.35.
9
VIII – Irredutibilidade em Polinˆ omios
1) Introdu¸ c˜ao
Nesta se¸ c˜ ao aprenderemos algumas condi¸ c˜ oes para se de-
terminar a irredutibilidade de um polinˆ omio. Veremos dois
crit´erios (o Lema de Gauss e o do corpo finito) que transferem
o estudo de irredutibilidade no corpo Q para o dom´ınio Z ou
para o corpo finito Z
p
. Temos ainda o de Eiseinstein e o das
ra´ızes.
Obs: Ao contr´ ario do que fizemos no cap´ıtulo anterior, aqui
trabalharemos comZ e Qdiretamente, no entanto os teoremas
e lemas abaixo funcionam igualmente para um dom´ınio (ao
inv´es de Z) e seu corpo de fra¸ c˜ oes (ao inv´es de Q). A respeito
de corpo de fra¸ c˜ oes de um dom´ınio ver apˆendice 4.
Dado um dom´ınio, podemos classificar seus elementos n˜ ao-
nulos como:
(i) Invert´ıvel: Elemento u ∈ D, ∃u
−1
∈ D, u ∗ u
−1
= 1.
(ii) Irredut´ıvel ou Primo: Elementos que s´ o possuem fa-
tora¸ c˜ ao trivial, isto ´e, a = b ∗ c, b ou c ´e invert´ıvel.
(iii) Fator´ avel: Elemento que possui fatora¸ c˜ ao n˜ ao trivial,
i.e., a = b ∗ c, b e c n˜ ao invert´ıveis.
Obs1: Um elemento n˜ ao pode ser duas coisas ao mesmo
tempo.
Obs2: Se todo elemento n˜ ao-nulo do dom´ınio ´e invert´ıvel
ent˜ ao o dom´ınio ´e um corpo.
Exemplo1: Em Z os invert´ıveis s˜ ao: ¦1, −1¦. Em Q, R e C
todos os elementos = 0 s˜ ao invert´ıveis.
Exemplo2: Nos polinˆ omios, todo polinˆ omio de grau > 0 ´e
n˜ ao invert´ıvel (porque ?).
Exemplo3: Em Z[x] os invert´ıveis s˜ ao ¦1, −1¦ Em K[x]
os invert´ıveis s˜ ao os polinˆ omios constantes diferentes de zero,
i.e., f(x) = k, k ∈ K(= 0). (Para Q, R, C, Z
p
)
Exemplo4: f(x) = 6x+3 em Z[x] ´e fator´ avel como f(x) =
3(2x + 1), onde os fatores s˜ ao elementos n˜ ao invert´ıveis. No
entanto, em Q[x], R[x], C[x] este polinˆ omio ´e irredut´ıvel (s´ o
possui fatora¸ c˜ ao trivial).
2) Ra´ızes
Lema Todo polinˆ omio de grau 1 em K[x] ´e irredut´ıvel.
Dem.: Para um polinˆ omio de grau 1 a ´ unica fatora¸ c˜ ao
poss´ıvel ´e um polinˆ omio de grau 0 e outro de grau 1. No
entanto, todo polinˆ omio de grau 0 em K[x] ´e invert´ıvel, e
portanto esta fatora¸ c˜ ao ser´ a sempre trivial.
Lema Considere f(x) ∈ K[x] e c ∈ K. f(c) = 0 se, e somente
se f(x) = g(x)(x −c).
Dem.: Exerc´ıcio.
Corol´ario Se grau(f(x)) > 1 e existe c ∈ K com f(c) = 0
ent˜ ao f(x) n˜ ao ´e irredut´ıvel, ou seja, ´e fator´ avel.
Obs: A rec´ıproca n˜ ao ´e verdadeira, pois x
4
+ 2x
2
+ 1 =
(x
2
+1)(x
2
+1) n˜ ao possui ra´ız em R, mas pode ser fatorado
em polinˆ omios de grau 2. No entanto temos o
Lema Todo polinˆ omio em K[x] de grau 2 ou 3 que n˜ ao possui
ra´ız em K ´e irredut´ıvel.
Dem.: Para tal ter´ıamos que f(x) = g(x)(x − c), onde g(x)
teria grau 1 ou 2.
´
E imposs´ıvel pois neste caso “c” seria ra´ız.
Obs: Este fato ´e importante porque num corpo finito (Z
p
, p
primo por exemplo) podemos testar todos os elementos.
Exemplo1:
¯
1X
2
+
¯
3X +
¯
4 em Z
5
[x]. Temos que testar
¯
0, . . . ,
¯
4.
Caso n˜ ao seja ra´ız implica que ´e irredut´ıvel. Caso tenha
ra´ız implica que ´e fator´ avel. Caso o grau do polinˆ omio fosse
3 a conclus˜ ao seria a mesma.
Exemplo2:
¯
2X
4
+
¯
1X
2
+
¯
3X +
¯
2 em Z
7
[x]. Caso tenha
ra´ız implica que ´e fator´ avel. Caso n˜ ao tenha ra´ız implica que
NADA PODEMOS AFIRMAR (com o uso deste crit´erio !).
Este ´e o caso para polinˆ omios de grau igual ou maior que 4.
Exerc´ıcios:
1) Considere f(x) ∈ R[x]. Se λ ∈ C uma ra´ız ent˜ ao seu
conjugado
¯
λ tamb´em ´e ra´ız, ou seja, λ = a + bi,
¯
λ =
a−bi, f(λ) = f(
¯
λ) = 0 Dica: Considere que a conjuga¸ c˜ ao
´e um isomorfismo em C.
2) Utilize o exerc´ıcio anterior para provar que todo f(x) ∈
R[x] de grau ´ımpar possui pelo menos uma ra´ız real.
Dica: As ra´ızes complexas aparecem aos pares.
3) Utilize o teorema do valor intermedi´ ario para a fun¸ c˜ ao
polinomial (que ´e sempre continua) f(x) com grau´ımpar
e conclua o mesmo do exerc´ıcio anterior.
4) Todo f(x) ∈ R[x] pode ser fatorado em polinˆ omios de
grau 1 ou 2.
3) Lema de Gauss
Este assegura que caso seja irredut´ıvel em Z[x] o polinˆ omio
´e irredut´ıvel em Q[x].
´
E claro que caso seja irredut´ıvel em
Q[x] ´e irredut´ıvel em Z[x].
Lema Se f(x) ∈ Z[x] ´e irredut´ıvel em Z[x] ent˜ ao ´e irredut´ıvel
em Q[x].
Dem.: Veja em [GON] p´ ag. 82.
4) Corpo Finito
Lema Seja p um n´ umero primo. Se f(x) ∈ Z[x] vamos definir
¯
f(x) ∈ Z
p
[x] tomando a classe de cada coeficiente de f(x).
Ent˜ ao se p n˜ ao divide a
n
e
¯
f(x) ´e irredut´ıvel sobre Z
p
ent˜ ao
f(x) ´e irredut´ıvel sobre Q.
Dem.: Veja [GON] p´ ag.85
5) Crit´erio de Eiseinstein
Consultar [GON] p´ ag.83.
6) Resumo dos Irredut´ıveis
C[x] – Somente os polinˆ omios de grau 1, (x −c), c ∈ C.
R[x] – Os polinˆ omios de grau 1 e os de grau 2 que possuam
ra´ızes complexas.
Q[x], Z
p
[x] – Os polinˆ omios de grau 1, e para graus mai-
ores temos que utilizar outros crit´erios, como o da ra´ız, o de
Eiseinstein etc.
Z[x] – Os polinˆ omios constantes primos (f(x) = 7, f(x) =
11), os polinˆ omios de grau 1 que n˜ ao possuam um fator cons-
tante que possa ser retirado para fatorar (f(x) = 9x − 3 =
10
3(3x − 1)). Para outros polinˆ omios temos que utilizar os
crit´erios anteriormente citados.
Exerc´ıcios:
1) Prove que se f(x) ∈ K[x], K corpo, ∃a ∈ K, f(a) = 0 se,
e somente se f(x) = q(x)(x −a), q(x) ∈ K[x].
2) Fa¸ ca os seguintes exerc´ıcios do [GON]:
a) p´ ag.69: 1, 4, 5, 6, 8, 11, 12, 16, 21, 22.
b) p´ ag.74: 2, 3, 9, 10.
c) p´ ag.78: 2, 6, 7.
d) p´ ag.81: 5, 6, 7, 8, 10.
3) Seja um dom´ınio D, f(x), g(x) = 0 ∈ D[x].
a) Mostre que grau(f(x)*g(x)) = grau(f(x)) + grau(g(x))
b) Dˆe um exemplo em A[x], onde A ´e anel em que isto
n˜ ao seja verdade.
4) Prove que o anel (Z[x], +, ∗) n˜ ao ´e um dom´ınio de ideais
principais (Dica: Tente ver o ideal gerado por x e por 2).
5) Mostre que R[x, y] n˜ ao ´e dom´ınio principal (Dica: Con-
sidere o ideal gerado por x e y).
6) Mostre que f(x) = x
4
+x
3
+x
2
+x +1 n˜ ao ´e irredut´ıvel
em R[x].
7) Considere f(x) =
¯
1x
3
+
¯
1x
2
+
¯
1. Mostre que f(x) ´e
irredut´ıvel em Z
2
[x]. Investigue em Z
3
[x] e Z
5
[x].
8) Seja p um primo e f(x) ∈ Z
p
[x] irredut´ıvel de grau n.
Mostre que Z
p
[x]/f(x) ´e corpo com p
n
elementos.
IX – Extens˜ oes Alg´ebricas
1) Introdu¸ c˜ao
Nosso objetivo aqui ser´ a gerar a partir de um corpo K, um
corpo maior K

⊃ K. Um caminho seria o processo que faze-
mos para passar de Q para R, atrav´es de limites (ver apˆendice
5). Aqui, no entanto, todas as extens˜ oes ser˜ ao feitas da se-
guinte forma: Dado um corpo L ⊃ K, λ ∈ L ra´ız de f(x) ∈
K[x] irredut´ıvel, definimos K[λ] = ¦g(λ); g(x) ∈ K[x]¦. Ve-
remos que isto ser´ a um corpo entre L e K.
2) Conceitos B´asicos
Defini¸ c˜ao: ALG
´
EBRICOS e TRANSCENDENTES – Dize-
mos que λ ∈ L ´e alg´ebrico sobre K se, e somente se existe
f(x) ∈ K[x] ` ¦0¦ tal que f(λ) = 0. Caso contr´ ario dizemos
que λ ´e transcendente (ver [GON] p´ ag. 88).
Defini¸ c˜ao: irr(λ, K) – Caso λ seja alg´ebrico sobre K,
irr(λ, K) ´e o polinˆ omio mˆ onico irredut´ıvel f(x) tal que λ ´e
uma ra´ız.
A seguir daremos um teorema que resume toda esta
hist´ oria. Para ver com detalhes consulte [GON] p´ ag.89.
Teorema Seja λ ∈ L ⊃ K. Definimos o ideal (verifique !)
I = ¦f(x); f(λ) = 0¦. Temos que K[x]/I · K[λ]. Caso λ seja
alg´ebrico, teremos um corpo (I = irr(λ, K)K[x]). Caso seja
transcendente, teremos um dom´ınio de integridade isomorfo
a K[x] (I = ¦0¦).
Dem.: Consulte [GON].
Defini¸ c˜ao: GALOISIANO – Denota-se Gal(f, K).
´
E o me-
nor sub-corpo de C que cont´emK e todas as ra´ızes de f(x) em
C.
´
E constru´ıdo da seguinte forma: Calcula-se todas as ra´ızes
a
1
, . . . , a
n
de f(x) em C e Gal(f, K) = K[a
1
, a
2
, . . . , a
n
].
Exerc´ıcio: Seja α ∈ K. Prove as seguintes regras de simpli-
fica¸ c˜ ao:
a) K[αβ] = K[β]
b) K[α, a
2
, . . . , a
n
] = K[a
2
, . . . , a
n
]
Teorema (Elemento Primitivo) Seja L ⊃ K ⊃ Q tal que L
seja uma extens˜ ao alg´ebrica de K. Ent˜ ao, ∃u ∈ L tal que
L = K[u].
Dem.: Consulte [GON] p´ ag. 102.
Obs1: Este teorema mostra que mesmo que o galoisiano seja
feito passo a passo podemos escolher um elemento de modo
que baste um passo para se obter este corpo.
Obs2: Para calcular u tal que Q[u] = Q[a, b] tome a
1
= a
e a
2
, . . . , a
n
as outras ra´ızes de irr(a, Q), b
1
= b e b
2
, . . . , b
n
as outras ra´ızes de irr(b, Q). Considere os seguintes n´ umeros
complexos: j = 1, λ
ij
=
ai−a
b−bj
∈ C. Escolha um λ ∈ K tal que
λ = λ
ij
. Finalmente u = a + λb. Um bom chute que quase
sempre funciona ´e u = a +b.
3) Aplicando em Q
Definimos todos os conceitos com um corpo K qualquer.
Faremos agora uma revis˜ ao informal com K = Q e L = R ou
C.
Quando falamos que um n´ umero λ ∈ R ´e alg´ebrico que-
remos dizer que ele ´e alg´ebrico sobre Q, ou seja, ra´ız de um
polinˆ omio em Q[x]. caso contr´ ario ´e transcendente.
Defini¸ c˜ao: GRAU – O grau de um λ ∈ C ´e definido como o
grau de f(x) de menor grau tal que f(λ) = 0.
Exemplo1:

2 ´e alg´ebrico de grau 2, pois para f(x) =
x
2
−1, f(

2) = 0. Embora seja ra´ız de f(x) = x
4
−4x
2
+4,
este n˜ ao ´e o de menor grau.
Exemplo2: ∀a ∈ Q, f(x) = x − a, f(a) = 0, ou seja, grau
de a ´e 1. O conceito de n´ umeros alg´ebricos generaliza o de
n´ umeros racionais.
Exemplo3:

2 +

3 ´e alg´ebrico de grau 4.
Exemplo4: “π” e “e” s˜ ao transcendentes em Q, n˜ ao s˜ ao
ra´ızes de nenhum polinˆ omio em Q[x]. No entanto, em R[x]
eles s˜ ao alg´ebricos: Tome f(x) = x−π, f(x) = x−e. A prova
da transcendˆencia de “π” e “e” exige m´etodos anal´ıticos. Aos
interessados remeto a livros de c´ alculo e an´ alise.
Exerc´ıcios:
1) Determine o grau de:
a)
4

1 +

2
b)

2 +

8
c) α ra´ız de f(x) = x
8
−4x
4
+ 4
d) i + 1
e) i

2
2) Demonstre que β ´e n´ umero racional se, e somente se
a expans˜ ao decimal de β apresenta d´ızima peri´ odica.
Exemplo: 1, 217423 (23 repete). Entenda como d´ızima
peri´ odica o 0 se repetindo, 2, 5 = 2, 5000000 . . . Dica:
Para volta utilize o algoritmo para expressar um n´ umero
com d´ızima peri´ odica como fra¸ c˜ ao. Para ida mostre que
o resto repete ap´ os k divis˜ oes, o que implicar´ a que tere-
mos k d´ıgitos repetindo-se indefinidamente. ([BIR] p´ ag.
97).
11
3) Construa um n´ umero irracional diferente de “π” e “e”.
Dica: Construa um n´ umero com d´ızima aperi´ odica.
4) Utilize 2) para demonstrar que Q ´e denso em R, ou seja,
dado um a ∈ R ` Q (irracional) ∀ε > 0 ∃q ∈ Q, [a −q[ <
ε. Em outras palavras, todo n´ umero irracional pode ser
aproximado por um racional t˜ ao perto quanto se queira.
Dica: Trunque a expans˜ ao decimal de a e comece uma
d´ızima peri´ odica. Fa¸ ca isto na casa decimal n tal que
10
−n
< ε.
5) Demonstre que todo n´ umero racional pode ser aproxi-
mado por um irracional t˜ ao perto quanto se queira. Dica:
Utilize 2) e 3).
4) Dimens˜ao
Nosso objetivo ser´ a calcular a dimens˜ ao de uma extens˜ ao
alg´ebrica qualquer atrav´es de dois teoremas que daremos a
seguir. Para tal utilizaremos conceitos da ´ algebra linear como
bases e dimens˜ ao de espa¸ cos. Em caso de d´ uvida consulte
qualquer livro de ´ algebra linear.
Defini¸ c˜ao: [V : K] – Significa a dimens˜ ao do espa¸ co vetorial
V sobre o corpo dos escalares K.
Teorema Seja u alg´ebrico sobre K e grau de irr(u, K) = n.
Ent˜ ao K[u] al´em de corpo ´e um espa¸ co vetorial sobre K com
base 1, u, u
2
, . . . , u
n−1
, portanto de dimens˜ ao n = [K[u] : K].
Dem.: Ver [GON] p´ ag.90 e 98.
Corol´ario K[u] ter´ a dimens˜ ao finita se, e somente se ´e
alg´ebrico sobre K. Similarmente, K[u] ter´ a dimens˜ ao infi-
nita se, e somente se u ´e transcendente.
Obs: Considere L = Q[

2,
3

2, . . . ,
n

2, . . .].
´
E uma ex-
tens˜ ao alg´ebrica de dimens˜ ao infinita. Toda extens˜ ao de di-
mens˜ ao finita ´e alg´ebrica, mas extens˜ oes de dimens˜ ao infinita
podem ser alg´ebricas ou transcendentes. Este exemplo n˜ ao
contradiz o corol´ ario pois n˜ ao existe u ∈ L, L = Q[u] e u ra´ız
de polinˆ omio em Q[x].
Teorema Sejam M ⊃ L ⊂ K corpos tais [M : L] e [L : K]
s˜ ao finitos. Ent˜ ao [M : K] = [M : L] [L : K].
Dem.: Ver [GON] p´ ag.99.
Com o primeiro teorema aprendemos a calcular a dimens˜ ao
de uma extens˜ ao em que se acrescenta somente um elemento,
bastando saber o grau do irr(u, K). Com o segundo teorema
aprendemos a calcular a dimens˜ ao no caso em que acrescen-
tamos mais de um elemento, bastando fazer um processo in-
dutivo.
Exemplo1: O grau de Q[
4

2] ´e 4, pois irr(
4

2, Q) = x
4
−2,
um polinˆ omio de grau 4.
Exemplo2: O grau de Q[
4

2, i] ´e 8, pois irr(i, Q[
4

2]) =
x
2
+ 1, sendo portanto o grau final o produto dos graus do
primeiro vezes o grau do segundo, 4 2 = 8.
5) Automorfismos
Nosso objetivo aqui ´e caracterizar todos os automorfismo
de extens˜ oes alg´ebricas de Q e determinar o seu n´ umero.
Lema Seja K um corpo e ϕ ∈ Aut(K). Ent˜ ao A = ¦x ∈
K; ϕ(x) = x¦ ´e subcorpo de K (os elementos mantidos fixos
pelo automorfismo).
Dem.: Exerc´ıcio.
Exerc´ıcio: Mostre que os elementos de um corpo K mantidos
fixos por todos automorfismos de K formam um subcorpo.
Dica: A intersec¸ c˜ ao de corpos ´e ainda um corpo.
Defini¸ c˜ao: CORPO PRIMO – Dado um corpo L, P ´e seu
corpo primo caso ele seja o menor subcorpo de L. P ser´ a
igual a intersec¸ c˜ ao de todos subcorpos de L.
Obs: O corpo primo de qualquer extens˜ ao de Q ´e o pr´ oprio
Q. Deste modo o corpo primo de R, C, Q[

2] etc ´e Q.
Teorema Seja L um corpo e P ⊂ L seu corpo primo. Ent˜ ao
∀ϕ ∈ Aut(L), ∀a ∈ P, ϕ(a) = a.
Dem.: Seja ϕ ∈ Aut(L). Defina A como os elementos manti-
dos fixos pelo automorfismo ϕ. Pelo lema anterior, A ´e corpo.
Como P ´e o subcorpo primo (a intersec¸ c˜ ao de todos os sub-
corpos de L) P ⊂ A, portanto ∀a ∈ P, ϕ(a) = a.
Defini¸ c˜ao: Aut
K
L – Conjunto dos automorfismos de L que
mant´em fixo todos os elementos de K.
Obs1: Este conjunto forma um grupo com a opera¸ c˜ ao de
composi¸ c˜ ao de fun¸ c˜ oes (prove !), o chamado grupo de auto-
morfismos de L que mant´em fixo os elementos de K.
Obs2: Como para toda extens˜ ao L ⊃ Q, o corpo primo de
L ´e Q, Aut
Q
L = Aut L.
Exerc´ıcios:
1) Seja f(x) ∈ Q[x], L = Gal(f, Q), λ ra´ız de f(x) e ϕ ∈
Aut L. Ent˜ ao ϕ(λ) ´e ra´ız de f(x).
2) No exerc´ıcio anterior mostre que caso f(x) seja irre-
dut´ıvel em Q[x] ent˜ ao Q[λ] · Q[ϕ(λ)]. Dica: Utilize
o primeiro teorema desta se¸ c˜ ao, que diz que K[λ] ·
K[x]/I.
Teorema Todo automorfismo de Q[u] ´e da forma: ϕ(a+bu) =
a +bv, a, b ∈ Q, irr(u, Q) = irr(v, Q).
Dem.: ϕ(a +bu) = ϕ(a) +ϕ(b)ϕ(u) = a +bϕ(u). Como u ´e
ra´ız de irr(u, Q), ϕ(u) = v tamb´em ´e ra´ız de irr(u, Q), ou seja,
irr(u, Q) = irr(v, Q). Obs: Sabemos que ϕ automorfismo,
∀a ∈ Q; ϕ(a) = a.
Portanto os automorfismos de corpos levam ra´ız em ra´ız,
mais do que isto, a ´ unica maneira de termos automorfismos
emQ[u] ´e levando u nas outras ra´ızes de irr(u, Q). O detalhe ´e
que nem sempre as outras ra´ızes pertencem a Q[u], conforme
veremos abaixo.
Exemplo1: Os automorfismos de Q[

2]. irr(

2, Q) =
x
2
− 2 = irr(−

2, Q). Portanto temos ϕ levando

2 em

2 e outro automorfismo levando

2 em −

2, ou seja,
[Aut Q[

2][ = 2.
Exemplo2: Os automorfismos de Q[
4

3]. irr(
4

3, Q) =
x
4
− 3. Temos quatro ra´ızes:
4

3, −
4

3, i
4

3, −i
4

3. No
entanto, somente as duas primeiras ra´ızes pertencem a Q[
4

3],
e portanto [Aut Q[
4

3][ = 2.
Exemplo3: Os automorfismo de Q[
4

3, i]. Temos que
irr(
4

3, Q) = x
4
−3, irr(i, Q[
4

3]) = x
2
+ 1. As quatro ra´ızes
de x
4
− 3 pertencem ao corpo, bem como as duas ra´ızes i e
−i. Portanto temos quatro op¸ c˜ oes para
4

3 e duas para i, o
que d´ a: [Aut Q[
4

3, i][ = 4 2 = 8.
12
Daremos agora a “receita de bolo” para se encontrar o
n´ umero de automorfismos de extens˜ oes L de Q:
1. Escrever L = Q[u
1
, u
2
, . . . , u
n
].
2. Denotando K
0
= Q, K
1
= Q[u
1
], K
2
=
Q[u
1
, u
2
],. . . , K
n
= L, considere f
1
(x) = irr(u
1
, K
0
), f
2
(x) =
irr(u
2
, K
1
),. . . , f
n
(x) = irr(u
n
, K
n−1
).
3. Para cada f
n
(x) considere o n´ umero de ra´ızes distintas
que pertencem ao corpo L.
4. [Aut L[ ´e o produto do n´ umero de ra´ızes distintas (per-
tencentes ao corpo L) de cada f
n
(x) .
Obs: Deve-se evitar redundˆ ancias na representa¸ c˜ ao de L =
Q[u
1
, u
2
, . . . , u
n
], de modo que fique na forma m´ınima. Por
exemplo, Q[

2, i, −i

2] = Q[

2, i].
Teorema [Aut L[ = [L : Q[ se, e somente se L ´e uma extens˜ ao
galoisiana.
Dem.: Ver [GON].
Obs: Pelo teorema anterior o n´ umero de automorfismos ´e
igual ao grau da extens˜ ao se, e s´ o se a extens˜ ao ´e galoisiana.
De modo geral o n´ umero de automorfismo ´e menor ou igual
ao grau da extens˜ ao.
X – Introdu¸ c˜ao `a Teoria de Galois
A aplica¸ c˜ ao mais comum desta teoria ´e para se verificar a
solubilidade por meio de radicais de ra´ızes de polinˆ omios, isto
´e, a existˆencia de f´ ormulas envolvendo opera¸ c˜ oes aritm´eticas
b´ asicas (soma, subtra¸ c˜ ao, multiplica¸ c˜ ao e divis˜ ao) e radi-
cia¸ c˜ oes (ra´ızes quadradas, c´ ubicas etc.) para determinar
ra´ızes de polinˆ omios. Podemos demonstrar que existem po-
linˆ omios de grau maior ou igual a 5 para os quais n˜ ao existe
uma express˜ ao radical fechada para calcular suas ra´ızes.
O conceito mais importante a ser entendido inicialmente
´e como um corpo pode gerar um grupo e como um grupo
pode gerar um corpo. N´ os vimos na parte de extens˜ oes como
um corpo K ⊂ L gera o grupo dos automorfismos de L que
mant´em fixo K, ou seja, Aut
K
L. Dado um corpo inter-
medi´ ario M, K ⊂ M ⊂ L podemos gerar o grupo Aut
M
L,
que ser´ a um subgrupo de Aut
K
L. Ele ser´ a um subgrupo pois
aumentando o n´ umero de elementos a serem mantidos fixos
diminuem o n´ umero de automorfismos.
Similarmente dado um subgrupo G de Aut
K
L temos o
corpo fixo deste grupo, ou seja, o corpo
M = ¦u ∈ L; ϕ(u) = u ∀ϕ ∈ G¦, que estar´ a entre K e L
(K ⊂ M ⊂ L).
No caso da teoria de Galois devemos considerar um corpo K
e uma extens˜ ao alg´ebrica galoisiana L , ou seja, L = Gal(f, K)
para algum f(x) ∈ K[x]. Agora queremos encontrar corpos
intermedi´ arios M tais que L ⊃ M ⊃ K.
Teorema (Teorema fundamental de Galois) A cada subcorpo
de L que seja uma extens˜ ao galoisiana de K corresponde um
subgrupo normal de Aut
K
L. Similarmente a cada subgrupo
normal corresponde uma extens˜ ao galoisiana.
Dem.: Ver [FRA].
Defini¸ c˜ao: GRUPO SOL
´
UVEL – Um grupo ´e sol´ uvel se
existe uma seq¨ uˆencia de subgrupos, cada um subgrupo normal
do anterior, e os grupos quocientes sucessivos s˜ ao abelianos.
A rela¸ c˜ ao com a solubilidade por meio de radicais foi dada
por Evariste Galois:
Teorema Um polinˆ omio ´e sol´ uvel por meio de radicais se, e
s´ o se, o grupo Aut
K
L, onde L = Gal(f, K), ´e sol´ uvel.
Dem.: Ver [FRA].
Para demonstrar a existˆencia de um polinˆ omio de grau 5
cujas ra´ızes n˜ ao podem ser expressas por meio de radicais o
roteiro ´e:
1. Estudar o subgrupo do S
5
(grupo das permuta¸ c˜ oes de um
conjunto com 5 elementos) formado pelas permuta¸ c˜ oes pares,
denotado por A
5
. O A
5
n˜ ao ´e abeliano e n˜ ao possui subgrupo
normal n˜ ao-trivial. Isto implica que S
5
n˜ ao ´e sol´ uvel.
2. Estudar um polinˆ omio de grau 5 cujo grupo de auto-
morfismos ´e o S
5
.
3. Portanto n˜ ao existe f´ ormula por meio de radicais para
determinar as ra´ızes deste polinˆ omio.
Obs1: Prova-se que, para n > 4, A
n
(subgrupo das per-
muta¸ c˜ oes pares de S
n
) ´e simples, i.e., n˜ ao possui subgrupo
normal diferente dos triviais (zero e o pr´ oprio). Isto implica
que S
n
n˜ ao ´e sol´ uvel para n > 4. Ver qualquer livro de ´ algebra
(por exemplo [HER]).
Obs2: Pode-se exibir um polinˆ omio de grau n para qual-
quer n tal que o grupo de automorfismos ´e o S
n
. Portanto,
utilizando-se a observa¸ c˜ ao anterior, para n > 4 existe po-
linˆ omio de grau n que n˜ ao ´e sol´ uvel por meio de radicais. Dai
decorre a impossibilidade de f´ ormulas para polinˆ omios com
grau maior, ou igual a 5.
Obs3: Os grupos simples tˆem uma importˆ ancia similar aos
n´ umeros primos. Os grupos simples n˜ ao possuem subgrupo
normal diferente dos triviais e os primos n˜ ao possuem divisor
diferente dos triviais (ele pr´ oprio e a unidade).
XI – Apˆendices
1) Como Demonstrar
Reconhecendo ser as demonstra¸ c˜ oes a parte mais dif´ıcil do
aprendizado de Matem´ atica, gostaria de explicar como acho
correto proceder. O mais importante ´e que a formaliza¸ c˜ ao
seja o ´ ultimo passo deste processo.
1.1) Delineamento
Em primeiro lugar devemos ter claro o que ´e a hip´ otese e o
que ´e a conclus˜ ao a que se deseja chegar. Para n˜ ao haver pro-
blemas nesta parte, devemos escrever claramente o que dese-
jamos provar com uma interroga¸ c˜ ao ao lado. Ao come¸ carmos
a demonstra¸ c˜ ao devemos reescrever as hip´ oteses.
Deve-se prestar aten¸ c˜ ao se o problema ´e do tipo: A =⇒ B
ou B =⇒ A ou A ⇐⇒ B. Neste ´ ultimo caso devemos separar
a demonstra¸ c˜ ao em duas partes: A ida (A =⇒ B) e a volta
(B =⇒ A).
13
1.2) Pensar intuitivamente
Agora devemos procurar entender o que est´ a sendo pedido,
tentando exemplos conhecidos, casos particulares, etc. De-
vemos procurar desenhar, discutir com um colega, evitando
nesta fase uma formaliza¸ c˜ ao precipitada. Atrav´es de alguns
exemplos verificamos a validade ou n˜ ao de nosso racioc´ınio.
Quando o seu professor faz demonstra¸ c˜ oes diretamente em
linguagem formalizada pode ter certeza: quando ele estava
aprendendo fazia o mesmo.
´
E uma quest˜ ao de n´ıvel, para
ele tudo isto s˜ ao trivialidades, mas para os problemas que
ele tenta resolver como um pesquisador em Matem´ atica, o
processo de abordagem ´e o mesmo, o da intui¸ c˜ ao.
1.3) Formalizar
Proceder a formaliza¸ c˜ ao passo a passo, eventualmente pu-
lando alguns detalhes. Com isto quero dizer que se ao longo
de uma demonstra¸ c˜ ao necessitar de um fato n˜ ao demonstrado,
assuma que vale, termine a demonstra¸ c˜ ao, a seguir demons-
trando o que faltou. Para quem sabe computa¸ c˜ ao, ´e como
se o fato n˜ ao demonstrado fosse uma subrotina do programa
principal.
2) Teorema Fundamental da
´
Algebra
Este teorema afirma que todo polinˆ omio em C[x] apresenta
ra´ızes em C. O interessante ´e que n˜ ao existe prova alg´ebrica
deste teorema, sendo necess´ ario se recorrer a an´ alise complexa
(ou topologia alg´ebrica) para demonstr´ a-lo.
3) Solu¸ c˜ao por Radical
Uma express˜ ao radical ´e uma express˜ ao que envolve so-
mente opera¸ c˜ oes simples, como multiplica¸ c˜ oes, divis˜ oes, so-
mas, subtra¸ c˜ oes e radicia¸ c˜ oes.
Durante muito tempo procurou-se por uma express˜ ao radi-
cal que fosse a f´ ormula para calcular as ra´ızes de um polinˆ omio
geral. Ao longo da Hist´ oria foram surgindo express˜ oes radi-
cais para resolver os polinˆ omios de grau 2, 3 e 4. Procurou-se
em v˜ ao pela express˜ ao de grau 5 at´e que Abel demonstrou
que n˜ ao existia express˜ ao radical para polinˆ omios de grau 5.
Evariste Galois deu a resposta definitiva com um crit´erio
geral para determinar se uma equa¸ c˜ ao polinomial dada pos-
sui solu¸ c˜ ao por express˜ ao radical ou n˜ ao (ver a parte X –
Introdu¸ c˜ ao ` a Teoria de Galois). Deste crit´erio resulta que
existem polinˆ omios de grau maior ou igual a 5 para os quais
n˜ ao existe uma express˜ ao radical para suas ra´ızes.
Nestes casos, apesar de termos ra´ızes asseguradas pelo teo-
rema fundamental da
´
Algebra, teremos que utilizar m´etodos
num´ericos para obter as ra´ızes.
4) Corpo de Fra¸ c˜ oes de um Dom´ınio
Aqui demonstraremos que todo dom´ınio de integridade
pode ser estendido de forma que se torne um corpo, i.e., todo
elemento tenha inverso multiplicativo.
O processo de constru¸ c˜ ao deste corpo ´e feito em completa
analogia com a constru¸ c˜ ao de Q a partir Z:
1. Definiremos um novo conjunto K, gerado por D de uma
forma adequada.
2. Definiremos novas opera¸ c˜ oes de soma e produto neste
conjunto de forma que K vire um corpo.
3. Colocaremos o dom´ınio D dentro do novo corpo K, de
modo que de alguma forma D ⊂ K, da mesma forma que
podemos colocar Z ⊂ Q.
4.1) Definindo o novo conjunto
Considere K

= D D

, onde D

= D ` ¦0¦. K

ser´ a
formado por pares ordenados (a, b), onde a ∈ D e b ∈ D

. No
entanto vamos denotar (a, b) por a/b.
Agora defina a seguinte rela¸ c˜ ao de equivalˆencia em K

:
(a/b) ∼ (c/d) se, e somente se a ∗ d = b ∗ c (foi passado
como exerc´ıcio verificar que ´e rela¸ c˜ ao de equivalˆencia !).
Finalmente K = K

/∼, ou seja, cada elemento de K ´e uma
classe de equivalˆencia em K

.
Exemplo: Em Z Z

, (6/9) = (2/3), pois 2 ∗ 9 = 3 ∗ 6.
4.2) Definindo novas opera¸ c˜ oes
Em K, definiremos a/b ∗

c/d = (a∗c)/(b ∗d), e para a/b +

c/d = (a ∗ d +b ∗ c)/(b ∗ d). Resta verificar se estas opera¸ c˜ oes
est˜ ao bem definidas, ou seja, tomando x
1
, x
2
, y
1
, y
2
∈ K

, com
¯ x
1
= ¯ x
2
e ¯ y
1
= ¯ y
2
, verificar se ¯ x
1
+

¯ y
1
= ¯ x
2
+

¯ y
2
(mesmo
para o produto). N˜ ao procederemos com esta verifica¸ c˜ ao, mas
o leitor poder´ a recorrer a [GAR], p´ ag.38.
Obs: Quando falamos que ¯ x
1
= ¯ x
2
queremos dizer que to-
mamos dois representantes da mesma classe de equivalˆencia,
ou seja, x
1
= a/b, x
2
= c/d, com a ∗ d = b ∗ c. Em Z po-
der´ıamos tomar x
1
= 9/6 e x
2
= 18/12.
Ter´ıamos que verificar agora se (K, +

, ∗

) ´e de fato um
corpo, quem ´e o zero, o elemento neutro da multiplica¸ c˜ ao,
etc. Al´em disto ter´ıamos que colocar D dentro de K. Todo
este trabalho fica por conta do leitor, que em caso de d´ uvida
poder´ a recorrer ` a referˆencia supra citada.
5) Constru¸ c˜ao dos Conjuntos Num´ericos
5.1) Constru¸ c˜ao de N
N˜ ao procederemos a esta constru¸ c˜ ao b´ asica, que consiste
em axiomatizar os inteiros N com os axiomas de Peano. Des-
tes decorrem todas as propriedades de N. Para tal consulte
[HAL] p´ ag. 46.
O mais importante na constru¸ c˜ ao de Peano ´e a fun¸ c˜ ao su-
cessor, que a cada elemento de N associa o pr´ oximo. Seria
como somar “mais um”.
Define-se a soma por indu¸ c˜ ao com a fun¸ c˜ ao sucessor, e o
produto atrav´es da soma. Define-se tamb´em uma rela¸ c˜ ao de
ordem.
5.2) Constru¸ c˜ao de Z
Dada a existˆencia de N podemos construir Z do seguinte
modo:
1. Defina o conjunto Z

= N N.
2. Defina em Z

a rela¸ c˜ ao de equivalˆencia (a, b) ∼ (c, d) se,
e somente se a −b = c −d.
3. Defina Z = Z

/∼.
4. Defina em Z a soma e o produto atrav´es da soma e
produto em N:
14
(a, b) +

(c, d) = (a+c, b +d) e (a, b) ∗

(c, d) = (a∗c +b ∗d, b ∗
c +a ∗ d)
5. Verifique se as opera¸ c˜ oes est˜ ao bem definidas.
6. Veja que agora todo elemento ter´ a inverso aditivo.
7. Teremos todas as propriedades necess´ arias: Comutati-
vidade, associatividade, distributividade etc.
8. Desta forma Z ser´ a um dom´ınio de integridade.
5.3) Constru¸ c˜ao de Q
Foi feita no apˆendice anterior, atrav´es do corpo de fra¸ c˜ oes
do dom´ınio Z.
5.4) Constru¸ c˜ao de R
Para esta constru¸ c˜ ao necessitaremos de algo mais do que
conceitos puramente alg´ebricos. A passagem de Q para R
necessita de conceitos anal´ıticos.
A diferen¸ ca destes corpos ser´ a que R ´e um corpo completo,
ou seja, toda seq¨ uˆencia de Cauchy converge. Na realidade a
´ unica raz˜ ao para uma seq¨ uˆencia de Cauchy n˜ ao convergir ´e a
existˆencia de um “buraco” no espa¸ co.
Obs: Uma seq¨ uˆencia de Cauchy ´e uma seq¨ uˆencia em que os
termos sucessivos est˜ ao cada vez mais pr´ oximos. Para uma
defini¸ c˜ ao precisa veja [LIM] p´ ag.98.
Exemplo: A seq¨ uˆencia (1, 1.4, 1.41, 1.414, . . .) ´e seq¨ uˆencia
de Cauchy convergindo para

2. Em Q esta seq¨ uˆencia n˜ ao ´e
convergente pois Q apresenta “lacunas”.
1. Definimos o conjunto R

das seq¨ uˆencias de Cauchy de
n´ umeros racionais, ou seja, (a
n
), a
n
∈ Q, tais que a seq¨ uˆencia
seja de Cauchy.
2. Definimos a rela¸ c˜ ao de equivalˆencia, (a
n
) ∼ (b
n
) se, e
somente se lim
n−→∞
(a
n
−b
n
) = 0
3. Agora o conjunto R ser´ a R

/∼.
4. Definimos a soma e o produto em R como o limite da
soma dos termos da seq¨ uˆencia em Q, ou seja, (a
n
) +

(b
n
) =
(a
n
+b
n
), analogamente para o produto.
5. Agora resta verificar se estas opera¸ c˜ oes est˜ ao bem de-
finidas, se temos de fato um corpo etc. Poderemos tamb´em
definir uma rela¸ c˜ ao de ordem em R a partir da rela¸ c˜ ao de
ordem em Q, que por sua vez ´e definida a partir da rela¸ c˜ ao
de ordem de N.
Obs1: Podemos axiomatizar R atrav´es da propriedade do
supremo, ou seja, que todo conjunto limitado de R possui
supremo.
Obs2: Outra maneira cl´ assica de construir R ´e atrav´es de
cortes de Dedekind.
5.5) Constru¸ c˜ao de C
Esta constru¸ c˜ ao j´ a deve ter sido feita como um exerc´ıcio.
Ela envolve somente conceitos alg´ebricos. No entanto a ca-
racteriza¸ c˜ ao principal de C, o fato de ser um corpo algebri-
camente fechado, conforme j´ a foi visto, envolve conceitos n˜ ao
alg´ebricos.
1. Dividir o dom´ınio R[x] de polinˆ omios pelo ideal maximal
gerado pelo polinˆ omio irredut´ıvel x
2
+ 1, ou seja, o conjunto
C ser´ a R[x]/I, onde I = (x
2
+ 1)R[x].
2. Define-se as opera¸ c˜ oes de soma e produto da forma usual,
sendo que neste caso ´e imposs´ıvel definir-se uma rela¸ c˜ ao de
ordem como nos anteriores.
Obs: Outra maneira de definir C ´e definir no conjunto de
pares ordenados (a, b) ∈ R R as opera¸ c˜ oes de soma e pro-
duto destes pares de forma apropriada. Depois introduzir a
nota¸ c˜ ao a +bi.
6) Outros Corpos
Seguindo o caminho de obter C a partir de R, um corpo
de dimens˜ ao 2 sobre R, podemos ser tentados a obter corpos
que contenham R, por´em de dimens˜ ao maior que 2. Pode-
mos provar que isto ´e imposs´ıvel para dimens˜ ao 3 (ver [FEL]
p´ ag.3).
Hamilton conseguiu, em 1843, uma generaliza¸ c˜ ao dos
n´ umeros complexos: Os Quat´ernios. Eles s˜ ao um corpo de
dimens˜ ao 4 sobre os reais onde a multiplica¸ c˜ ao n˜ ao ´e comu-
tativa.
Logo ap´ os Hamilton, Cayley obteve, n˜ ao exigindo comu-
tatividade nem associatividade, os Bi-Quat´ernios, corpo de
dimens˜ ao 8 sobre os Reais.
Ainda houveram muitas tentativas frustradas de se obter
corpos com outras dimens˜ oes sobre os reais. Em 1877 Frobe-
nius provou que exigindo-se associatividade os ´ unicos corpos
s˜ ao: R, C e Quat´ernios. Restou o problema para as n˜ ao as-
sociativas, resolvidas em 1957 por Bott e Milnor e Kervaire :
R, C, Quat´ernios e Bi-Quat´ernios.
Obs: Este t´ opico do apˆendice est´ a inteiramente baseado em
[FEL].
XII – Bibliografia
[BIR] Birkhoff, Garrett; MacLane, Saunders; –
´
Algebra Mo-
derna B´ asica – Guanabara Dois, 1980.
[CAR] Cara¸ ca, Bento de Jesus – Conceitos Fundamentais
da Matem´ atica – Lisboa, 1958
[FEL] Felzenszwalb, Bernardo –
´
Algebras de Dimens˜ ao Fi-
nitas – IMPA – 12
o
– Col´ oquio – 1979
[FRA] Fraleigh, John – A First Course in Abstract Algebra
– Addison-Wesley
[GAR] Garcia, Arnaldo –
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Algebra: um curso de introdu¸ c˜ ao
– IMPA
[GON] Gon¸ calves, Adilson – Introdu¸ c˜ ao ` a
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Algebra – IMPA,
1979.
[HAL1] Halmos, Paul – Teoria Ingˆenua dos Conjuntos – D.
Van Nostrand Company
[HAL2] Halmos, Paul – Espa¸ cos Vetoriais de Dimens˜ ao Fi-
nita – D. Van Nostrand Company
[HER] Hernstein, I. – Topics in Algebra – Blaisdell Book
Co.
[LIM] Lima, Elon Lages – Curso de An´ alise Vol. I – IMPA,
1989.
[NAC] Nachbin, Leopoldo – Introdu¸ c˜ ao ` a
´
Algebra –
McGraw-Hill
15

ent˜o a pertence ao mesmo caco que c. onde “n” ser´ chac˜ a mado a cardinalidade do conjunto. Vamos denotar para cada atomo a ∈ P . Este caco ser´ chamado classe ´ ¯ a de equivalˆncia de a. x e c˜ e . nos deparamos com dois problemas a quando queremos inverter uma fun¸ao (torn´-la uma bije¸ao). a Agora come¸aremos a definir os termos t´cnicos associados c e a estas id´ias intuitivas. Obs: Pode-se definir formalmente rela¸ao com pares ordec˜ nados: Uma rela¸ao num conjunto A ser´ um subconjunto de c˜ a A × A (lˆ-se A cartesiano A). e a ˆ Defini¸˜o: CLASSE de EQUIVALENCIA – Seja a ∈ A. x ∼ y se. Defini¸˜o: FUNCAO BIJETIVA – Quando ´ sobrejetiva e ca ¸˜ e injetiva ao mesmo tempo. No caso em estudo a propriedade ´ pertencer ao mesmo caco. a e Agora temos que para quaisquer atomos a. f (a) = b. o caco a que o ´ atomo pertence por a ∈ C. a ∼ b} ser´ a classe de equivalˆncia de a ∈ A. e somente c˜ se x y (x e y s˜o retas paralelas) ´ rela¸ao de equivalˆncia a e c˜ e (verifique !). ou seu n´mero de elemenu tos. o conjunto quociente de P (o a ´ Joguemos este prato no ch˜o para quebr´-lo ! Ele se partir´ prato) ´ o conjunto C. ´ (ii) Se a pertence a um mesmo caco que b ent˜o b pertence a ao mesmo caco que a. que implica na existˆncia de uma fun¸ao c˜ e c˜ inversa f −1 . s˜o distintos. a = ca ¯ {b ∈ A. f (a) = a. b. Denotaremos por C este Obs2: O conjunto A e A/∼ n˜o est´ contido um no outro. Esta defini¸ao informal. A met´fora e a a a que utilizaremos ser´ a de uma prato. como se dado um conjunto de bananas e outros e e de laranjas fosse perguntado quem est´ contido em quem ! a formando um A novo conjunto C.a Fun¸ao Bijetiva. Denoe taremos a ∼ b para dizer que o atomo a pertence ao mesmo ´ ´ caco que o atomo b. ou f : A −→ Im(f). o que faremos e logo adiante. Defini¸˜o: FUNCAO INVERSA – Quando uma fun¸ao ´ ca ¸˜ c˜ e bijetiva podemos definir uma fun¸ao inversa f −1 . denotando-se A/∼ = e {¯. Uma rela¸ao ´ uma propriedade que e c˜ e dois elementos de um conjunto podem ter entre si. ca a e ´ Defini¸˜o: CONJUNTO INFINITO ENUMERAVEL – ca Aquele que podemos estabelecer uma bije¸ao com N. P/∼ = C. e por P o conjunto de atomos do ´ a PSfrag replacements PSfrag replacements prato. B B f :A f:A ¯ ¯ f : A/I f : A/I Im(f ) Im(f ) P C A/∼ P C A A/∼ 2 Exemplo: A rela¸ao em R2 . Pensemos agora neste novo conjunto. f −1 (b) = a. quem ı e a n˜o ´. (iii) Se a pertence ao mesmo caco que b. N em c˜ Q e N em R. a e ´ Defini¸˜o: CONJUNTO QUOCIENTE – E o conjunto das ca classes de equivalˆncia de um conjunto. nos basta. onde cada elemento a a ´ um caco (ao inv´s de um atomo). c˜ e IV – Rela¸˜o de Equivalˆncia ca e Antes de vermos a defini¸ao formal gostaria de passar a c˜ id´ia intuitiva que est´ por tr´s deste conceito. Isto tem que ficar bem claro: Os elementos conjunto dos cacos do prato. a seja. Defini¸˜o: FUNCAO INJETIVA – Se f (a) = f (b) implica ca ¸˜ que a = b. a Observe a figura abaixo. ˆ Defini¸˜o: RELACAO de EQUIVALENCIA – Uma rela¸ao ca ¸˜ c˜ “∼” num conjunto A ser´ de equivalˆncia quando respeitar a e as seguintes propriedades ∀ a. ou a a a e e e teremos cacos de diversos tamanhos no ch˜o. e e ´ nem vice-versa. c˜ a c˜ O primeiro ´ o fato da fun¸ao n˜o ser sobrejetiva. A id´ia importante ´ ver que o conjunto P foi partido. b e c pertencen´ tes ao prato P : (i) Cada atomo pertence a um caco. onde os elementos s˜o cacos. neste e c˜ caso. onde cada elemento ´ um caco. que associa c˜ para todo b ∈ B. (i) a ∼ a (Reflexiva) (ii) a ∼ b implica que b ∼ a (Sim´trica) e (iii) a ∼ b e b ∼ c implica que a ∼ c (Transitiva) Exerc´ ıcios: Leia novamente os ´ ıtens (i). (Pense nisto !!!) Para evitar a n˜o injetividade teremos que aprender antes a o importante conceito de classe de equivalˆncia. Defini¸˜o: FUNCAO SOBREJETIVA – Se ∀b ∈ B. c ∈ A. Para definirmos conjunto finito precisamos da seguinte nota¸ao: In o subconjunto dos n´meros entre 1 e n. que pode e c˜ a facilmente ser contornado. c˜ Exerc´ ıcio: Tente estabelecer uma bije¸ao de N em Z. e da´ conclua quem ´ infinito enumer´vel. Vemos portanto que cada classe de e equivalˆncia do conjunto P (o prato) ser´ um caco. x e y retas . x ∈ A} (Lˆ-se A dividido pela rela¸ao de equivalˆncia ). b pertence ao mesmo caco que c. um a ∈ A. bastando redefini-la para que o contradom´ ınio seja Im(f ). representando um cona junto. Defini¸˜o: CONJUNTO INFINITO – Quando n˜o ´ finito. c˜ u Defini¸˜o: CONJUNTO FINITO – Todo conjunto que poca demos estabelecer uma bije¸ao com In . ∃a ∈ ca ¸˜ A. (ii) e (iii) relativos a atomo e caco dados acima e compare com a defini¸ao de ´ c˜ rela¸ao de equivalˆncia. Obs1: Na nossa analogia. onde seus elementos s˜o os atomos que o constituem. Defini¸˜o: FUNCAO IDENTIDADE – Uma fun¸ao f : ca ¸˜ c˜ A −→ A. Conforme j´ foi visto.

contanto que as duas o c˜ Come¸aremos notando que 10/5 e 2/1 s˜o elementos dis. ou seja. c˜ se a + d = b + c. Z ´ um anel comutativo. a a e Mostre que o quociente (N × N)/∼ ´ isomorfo ao dom´ e ınio dom´ ınios e corpos. a. Determine para n = 2 a classe de equivalˆncia de zero seguir demonstrar que de fato todas as propriedades valem. que quer dizer que se a ∗ b = 0 ent˜o a = 0 ou a 6) Considere a rela¸ao em Z: a ∼ b se. N n˜o ´ sequer anel. b ∈ Z. c˜ de integridade e todo dom´ ınio ´ anel. dom´ ınio. c) Descreva Z/∼. Um anel comutativo ´ uma anel onde a multie 5) Defina em R2 a seguinte rela¸ao de equivalˆncia: (x. c a c˜ tintos de F representando o mesmo elemento de Q. e e conjuntos num´ricos. Como exemplos destes objetos temos em primeiro lugar os a) Mostre que ´ de equivalˆncia. morfo a Q (ver apˆndice 5). pois (a. e somente se x − y n ∗ : A × A −→ A ´ m´ltiplo de n denotado por x ≡ y (x ´ cˆngruo m´dulo e u e o o n a y).´ comutativa) e a multiplica¸ao somente ´ associativa. R. b) ∗ (c. Um anel com identidade ´ um anel c˜ e c˜ e e (a. .caso. 0). a ∗ a−1 = 1. embora sirva de referˆncia concreta. d) se.opera¸oes definidas nos mesmos respeitem as propriedades. e “+” e “∗” s˜o opera¸oes bin´rias em A. 14/6. c sores de zero. corpo. b) ∼ (a. ∀a ∈ K. . a soma pode ser uma rota¸ao no espa¸o etc. Uma parti¸ao seria separar um conjunto c˜ c˜ em subconjuntos com intersec¸ao vazia e com uni˜o dando o c˜ a conjunto todo. Seja F = {a/b. esta quebra o conjunto A determinando um e quer outra caracter´ ıstica peculiar. e somente se |a| = |b|. e somente se f (x) = f (y) + : A × A −→ A b) x. e portanto bijetiva. a ∗ d + b ∗ c) n˜o possui divisores de zero. b = 0} des. {2/3. ser matrizes.induza a pensar na “soma” e “produto” de n´meros exclusi´ ´ u mento de Q possui infinitas representa¸oes em F. . y ∈ Z. Os conjuntos n˜o precisam ser n´meros. com identidade e (fato mais importante !) sem divic) Descreva o espa¸o quociente R2 /∼ . b) se.13 do [GON]. c˜ a) Prove que “∼” ´ uma rela¸ao de equivalˆncia. De fato definimos a seguinte rela¸ao de equi. Para que um conjunto vire um Anel.teorema para an´is automaticamente tudo que for anel ter´ c˜ e a valˆncia em F (verifique !): a/b ∼ c/d se. e Defini¸˜o: ANEL – Procure todas as propriedades em qualca e um. e somente ∃a−1 ∈ K. e c˜ e ´ Defini¸˜o: DOM´ ca INIO DE INTEGRIDADE – E anel comub) Calcule a classe de equivalˆncia de (1. 4/6. Exemplos de elementos de F s˜o: da outra. onde e valˆncia. 6/9. . e e ´ Defini¸˜o: CORPO – E anel comutativo com identidade e ca b) Determine as classes.}. Deve estar claro que todo corpo ´ dom´ e ınio Z com as opera¸oes acima. c˜ c Queremos que estes elementos de F sejam considerados As estruturas foram criadas porque se demonstrarmos um equivalentes. 7) Considere em N×N a rela¸ao (a. . 10/5. ´ um dom´ e ınio de integridade. ∗) uma estrutura alg´brica. n˜o sendo necess´rio redemonstrar caso a e a a ad = bc (em Z). e 3 Obs3: Poderia definir o que ´ uma parti¸ao de um conjunto e c˜ e mostrar que toda rela¸ao de equivalˆncia determina uma c˜ e parti¸ao e vice-versa. polinˆmios. 3/2 . . c˜ b = 0. Temos e c˜ e guinte forma: g(¯) = f (a). V – Anel. x ∼ y se. Corpo. Fa¸a o mesmo para n = 6. fun¸oes etc. S˜o estas propriedades que distinguir˜o uma estrutura c˜ a a o conjunto das fra¸oes. cujos elementos s˜o classes de equia Formalmente temos (A. Polinˆmio o . que possui o elemento neutro (o “1”) da multiplica¸ao. c ´ 4) Considere uma fun¸ao f : A −→ B sobrejetiva. . e somente a soma ´ bem comportada (tem neutro. 10/5 = Por analogia com os inteiros normalmente uma opera¸ao ´ c˜ e 2/1 = 2 ∈ Q. e C s˜o exemplos de an´is. pois n˜o possui e a e a b) Defina a soma e produto como: elemento inverso para adi¸ao.. d) = (a ∗ c + b ∗ d. inverso.5 = 1/2 = 2/4 = 3/6 = . b) + (c. dado um n ∈ Z. 2) Fazer exerc´ ıcios 8 e 9. 7/4. associam a a c˜ a Exerc´ ıcios: cada dois elementos de A um outro: 1) Mostre que ´ rela¸ao de equivalˆncia: e c˜ e a) x. a = 0. Desta forma podemos fazer F/ ∼ iso. e a se. Dom´ ınio ou Corpo. 21/9. que possui inverso multiplicativo. y) ∼ plica¸ao ´ comutativa. e n˜o de quale a valˆncia “∼”. ou seja. Estas estruturas alg´bricas consistem de um conjunto A e munido de duas opera¸oes que respeitam algumas propriedac˜ Exemplo: Fra¸oes e Q. Verifique que por constru¸ao tamb´m a unica propriedade que relaciona ambas: a distria c˜ e ´ g ´ injetiva. . +. na c˜ e (a. mas n˜o deixe que isto o a um unico elemento de Q de maneira obvia. Defina uma nova g : A/∼ −→ B da se. c + d) realidade mais do que isto. Exemplos de elementos de F/∼: e Exemplo: Veremos que a existˆncia de MDC e fatora¸ao e c˜ {7/3. associativa. p´g. no entanto um ele. Eventualmente c˜ e 0. a) Mostre que ´ de equivalˆncia. y ∈ A qualquer. e lembre-se que ´ uma estrutura onde c˜ e guinte rela¸ao de equivalˆncia em A.quer livro de Algebra.Come¸aremos falando sobre as semelhan¸as e diferen¸as enc c c tre anel. e somente se esta propriedade. Exemplo: vamente. novo conjunto A/ ∼. a devemos definir as duas opera¸oes de forma adequada e a c˜ 3) Considere a rela¸ao de equivalˆncia do exerc´ 1 letra c˜ e ıcio b. e tativo. c˜ e e se f (x) = f (y). . Q. x ∼ y se. podendo c˜ a a u 2/3. e butividade. Dom´ ınio. e somente se x = ±a. . x ∼ y se. Dado um elemento de F podemos corresponder chamada de soma outra produto. d) = (a + b.} nos inteiros e nos polinˆmios decorrem destes serem Dom´ o ınios Resumindo: Dado um conjunto A e uma rela¸ao de equic˜ Euclidianos (mais tarde veremos o que ´ isto).

1} o ¯ 2 + ¯ n˜o ´ nulo. tal qual um subespa¸o (Veremos isto no c exerc´ 6 abaixo !). um est´ no ideal. os exerc´ c a ıcios 7. e Exemplo: A forma mais natural de se gerar um ideal ´ e pegar um a ∈ A e definir I = {a ∗ x. Quando queu e a remos substituir x por um n´mero e verificar quanto vale u f (x) estaremos lidando com uma fun¸ao polinomial. Exemplo: Um vetor em R3 pode ser denotado por (3. O risco de um subconjunto n˜o ser a subanel ´ que ele n˜o seja fechado para soma e produto. tal qual as coordenadas de um vetor em Algebra linear. 3) Seja D um Dom´ ınio de Integridade. pois na propriedade de fechamento pela multic plica¸ao por elemento do anel. A importˆncia das letras ao lado dos n´meros — neste exemplo. k.10. 2) Subanel e Ideal Defini¸˜o: SUBANEL – Seja A uma anel. VI – T´picos em An´is o e 1) Introdu¸˜o ca Antes de come¸ar n˜o custa lembrar que estas defini¸oes c a c˜ valem para dom´ ınios e corpos. A defini¸ao que daremos c˜ a seguir ´ tamb´m o guia para se resolver todo exerc´ que e e ıcio pe¸a para se verificar se um determinado subconjunto de A ´ c e subanel. a Neste ponto n˜o nos interessa ainda substituir os x’s por a n´meros.18.Como outro exemplo de anel temos o conjunto das matrizes quadradas com soma e produto usuais. . b ∈ B. Este anel n˜o possui unidade a direita. . tendo muie c tas caracter´ ısticas interessantes como ser gerados por alguns elementos do anel. a−b ∈ B ou a∗b ∈ B. com a soma e produto usuais de matrizes. Leia tamb´m a defini¸ao de e c˜ grau de um polinˆmio. J por exemplo. Disto deve ficar claro que todo ideal ´ um subanel. Desta forma evitamse trope¸os. 2) Prove que num anel comutativo com unidade a existˆncia e de inverso multiplicativo implica na n˜o existˆncia de a e divisores de zero. f (x) ´ uma mera express˜o formal. a1 . a u i. que veremos mais adiante. dizemos ca que B ´ subanel de A caso: e (i) 0 ∈ B (ii) x. b ∈ I implica que a ∗ b ∈ I Definimos um ideal a direita de A de forma an´loga. Enquanto no subanel basta se c˜ verificar o fechamento entre elementos do subconjunto. ∗ ) ´ anel (+ e ∗ em cone traste com + e ∗ do anel A). grau(f (x) ∗ g(x)) = grau f (x) + grau g(x). an ). xn — ´ para o e se recuperar os coeficientes de forma ordenada quando for necess´rio. e escrever as a propriedades que tem que valer para J. f (x) ´ 1x 1x a e e c˜ e sempre zero (verifique !). an−1 . do livro [GON]. no entanto a ` possui uma infinidade de unidades a esquerda da forma: ` 1 t 0 0 2) Verifique que o conjunto de matrizes com coeficientes em Z. ıcio . denotado por grau(f (x)).9. no caso do ideal temos que verific´-lo entre todos os elementos a do anel vezes os elementos do ideal. . e2 . ou 3e1 + 4e2 + 5e3 ou 3i + 4j + 5k = 4j + 3i + 5k. e3 . y ∈ I implica que x − y ∈ I (iii) a ∈ A. 5). j. ˆ Defini¸˜o: POLINOMIOS – Dado um anel A definimos um ca novo conjunto denotado por A[x] (um mero s´ ımbolo) para indicar o conjunto de polinˆmios f (x) com coeficientes em A. ´ um anel. o Exerc´ ıcios: a b relati1) Mostre que as matrizes reais da forma 0 0 vamente a soma e produto usual de matrizes forma um anel. como uma sucess˜o ordenada de a ´ coeficientes. no caso de polinˆmios x. . B ⊆ A. Podemos ver um polinˆmio sem os x’s assim (a0 . N˜o ´ dom´ a e ınio pois possui divisores de zero (verifique !). Exemplo: No anel Z2 = {¯ ¯ o polinˆmio em Z2 [x] f (x) = 0. e Obs1: Cuidado que quando falamos em ANEL n˜o estaa mos assumindo que a multiplica¸ao seja comutativa. ∀x ∈ A}. y ∈ B implica que x ∗ y ∈ B Defini¸˜o: IDEAL – Seja A um anel. por´m como fun¸ao polinomial. Conclua que todo corpo ´ dom´ e ınio de integridade. Denotamos I = (a). Obs2: Para demonstrar que algum conjunto ´ um ideal. + . Desta forma ´ e e imediato verificar que (A[x]. Prove que as unicas ´ solu¸oes de x2 = x s˜o x = 0 ou x = 1. Leia a defini¸ao em qualquer livro de Algebra. e dizemos que o ideal I ´ gerado por a. · · · . a e e Um subanel de um anel A ´ um subconjunto de A que cone tinue sendo um anel. e 4 3) Mostre que se f (x). p´g.40. c˜ a 4) Fa¸a.15. outro no c˜ a anel. Exerc´ ıcios: 1) Prove que num anel a lei do corte (a ∗ b = a ∗ c implica que b = c) ´ equivalente a n˜o existˆncia de divisores de e a e zero.8. 4. ou e a seja. e1 . e o c˜ preste aten¸ao que a soma e o produto de polinˆmios ´ dec˜ o e finida atrav´s da soma e produto no anel A. pois estes s˜o an´is tamb´m. Agora que definimos o conjunto A[x]. Por isto c˜ temos ideais a esquerda e a direita de A. Dizemos que ca I ´ ideal a esquerda de A caso: e (i) 0 ∈ I (ii) x.14. dois ´ polinˆmios. x2 . ou seja. Na resolu¸ao de c˜ exerc´ ıcios seja cuidadoso com isto. Cuidado !!! Obs3: Um ideal ´ como um subespa¸o vetorial.16. o Estes polinˆmios ser˜o “coisas” da forma f (x) = a0 + a1 x + o a o a2 x2 + · · · + an xn . a. y ∈ B implica que x − y ∈ B (iii) x. g(x) = 0 ∈ D[x]. I ⊆ A. D um dom´ ınio de integridade. resta definir a soma e o produto de dois elementos deste conjunto. e ajuda cham´-lo de outra letra. Devea se notar que a diferen¸a entre subanel e ideal ´ quanto ao c e fechamento da multiplica¸ao. De fato c˜ polinˆmios e fun¸oes polinomiais apresentam uma rela¸ao imo c˜ c˜ portant´ ıssima.

2} verifique se a soma de todos os algarismos de c d´ o a Pelo resumo fica imediato quem ´ o novo conjunto. 6) Prove que o conjunto I = (a) definido no exemplo ´ de fato um ideal. mostre que I = {a1 x1 + a2 x2 + · · · + an xn . a ∈ Z} = {· · · . 3) Seja I um ideal de A. O resultado mod 9 tem que ser a soma Definiremos a. n´meros inteiros grandes. 0. enquanto em Zn ´ a e e soma m´dulo n. . 21. 4) Generalize o exerc´ anterior provando que dados pi ∈ ıcio outro anel. Obs: O ideal do exerc´ ıcio 6) ´ formado pela combina¸ao e c˜ linear de coeficientes. somamos em A. opera¸oes estas induzidas pelas c˜ c˜ os algarismos de a com resto mod 9 e multiplique pela opera¸oes no anel A. . 6. . e 9 8 + 8 = 16 ≡ ×7 ×88 ¯ e c = d implica ¯ Vocˆ tem que verificar se tomando a = b. Zn possui n elementos. Por mar duas classes de equivalˆncia tomamos dois representantes e exemplo: quaisquer em A/I destas classes. Prove que s˜o ideais: e a a) I1 ∩ I2 ∩ · · · ∩ In b) I1 + I2 + · · · + In = {x1 + x2 + · · · + xn . Para checar o produto some todos definir novas opera¸oes neste. 2} • Z/3Z = Z3 = {0. toc˜ a e 9 1329 1 + 3 + 2 + 9 = 15 ≡ 6 mando qualquer representante o resultado ´ o mesmo. . Prove porque funciona. x1 . Prove que b divide a. a combina¸ao linear destes dec˜ termina um subespa¸o vetorial. Prove que ´ poss´ escolher um subconjunto dese ıvel a mesma do zero se. y ∈ A definirmos x ∼ y se. 1. an ). e somente se a ∈ I. 5 16 e 30. Qual 1) Procure os elementos invert´ a diferen¸a ? Porque ? Enuncie (e prove) um teorema c com sua conclus˜o. a + ¯ = a + b. e somente se a ∈ I.e Obs3: Logo nZ = Zn = Z/nZ. A defini¸ao para o produto ´ inteiramente c˜ e 9 +3877 3 + 8 + 7 + 7 = 25 ≡ +7 an´loga. an ∈ A. Ou seja para so¯ b ¯ b dos algarismos de c mod 9. 3 9. a = ¯ ¯ 0 tes n´meros de modo que a soma deles seja divis´ por u ıvel se. ¯ ¯ = Anel quociente Z pelo ideal 3Z . N˜o a Mostre que bi = bj para i = j implica na existˆncia de e farei a verifica¸ao. a 5 Exerc´ ıcios: 1) Assuma que In ´ ideal para todo n. resta verificar se satisfaz as propriedades de anel. e I ⊂ A e ideal. e somente se x − y ∈ I. a O resumo do que faremos ´ que. . Prove que a = b ou a = −b. a √ √ √ √ √ √ 3) Anel Quociente 2) Prove que s˜o irracionais: 3. O roteiro do nosso procedimento ´: e √ N primos distintos entre si s˜o irracionais: n p1 p2 · · · pk a a) Definir a rela¸ao de equivalˆncia do exerc´ 4) anterior. ¯ 6) Sejam a1 . 1 2 k menos um k). Dica: Utilizando a barra para denotar congruˆncia e elementos do ideal viram o zero do anel quociente. Espero que motivem o aprendizado e uso dos mesmos. ¯ e ¯ 9 9 ¯ 116952 1 + 1 + 6 + 9 + 5 + 2 = 24 ≡ 42 ≡ 6 a b ¯ que a + ¯ = c + d (an´logo para o produto). o e ıcios que aplicam os an´is e Abaixo vem uma s´rie de exerc´ Zn . o nidas. ¯ 1. 1 ∈ I implica que I = A. e enquanto nZ possui infinitos elementos. xj ∈ Ij } 2) Prove que se A ´ um anel com identidade 1. ker(T ) ´ um subespa¸o vetorial e poe c demos definir de forma an´loga V / ker(T ) um espa¸o vetorial a c quociente. e I = 3Z. isto ´. O primeiro ´ o ideal gerado por n. . duas opera¸oes bem defic˜ m´dulo “n”. b) Denotar A quociente pela rela¸ao acima. k Agora que temos o conjunto A/I. Some todos a anel. 3. a 9 9 5636 5 + 6 + 3 + 6 = 20 ≡ 11 ≡ 2 Exerc´ ıcios: 1) Verifique se as opera¸oes est˜o bem definidas. . ¯ ∈ A/I. pela forma como definimos a soma c˜ e subseq¨ˆncia de n´meros naturais com soma divis´ por ue u ıvel e o produto. 3 2. e tomamos 9 1759 1 + 7 + 5 + 9 = 22 ≡ 4 a classe da soma. e uma soma de a + b = c. por´m. A/I = {¯ ¯ ¯ 0. + . c Finalmente podemos afirmar que dado um anel A qualquer e um ideal I ⊆ A podemos construir (A/I. . e somente se x − y ∈ I ´ uma e rela¸ao de equivalˆncia em A. Caso todos bi ’s sejam distintos mostre que existir˜o a anel. an . denote b1 = a1 . podemos definir um novo conjunto A/I p ∈ N primo e n > 1 s˜o irracionais: n p e n pm (com a e novas opera¸oes neste conjunto de modo que tenhamos um c˜ 0 < m < n). por A/I = c˜ ´ 5) Lembra-se da prova dos nove ? E o seguinte: vocˆ faz e A/∼. ∗ ). . . xn ∈ A} ´ um ideal. T : V −→ V linear. e u c) Definir as novas opera¸oes em A/I para que vire um c˜ quer verificar se o resultado est´ correto. . . Exerc´ ıcios: ıveis em Z12 e em Z7 . a2 . dado um anel A qualquer 3) Generalize o exerc´ e ıcio anterior provando que√dado um √ e um ideal I ⊆ A. os algarismos de a e b com resto m´dulo 9 (em Z9 ) e o Exemplo: Seja A = Z. c˜ e ıcio (n > 1) e n pa1 pa2 · · · pak (se ak mod n = 0 para pelo x ∼ y se. bk = i=1 ai . −6. Obs1: Uma analogia poss´ ´ que dado um espa¸o vetorial ıvel e c V . Fazendo analogia com algebra linear. ou seja. Mais geralmente assuma que e a1 . o segundo ´ um anel quociente. · · ·} = Ideal gerado por 3. b2 = a1 + a2 . a2 . . chamado anel quociente de A por I. esta ´ imediata. c˜ e 4) Sejam aZ e bZ ideais de Z com aZ ⊆ bZ. Resta e mesmo resultado. Este conjunto novo ´ o conjunto do anel quociente. . . “n” classes e que uma delas ter´ que ser zero. . Quando passamos o quociente os “n”. Mostre que se para x. Obs2: Nota¸oes: c˜ • 3Z = {3a. −3. “n” n´meros naturais diferentes de u 2) Verifique que no anel quociente A/I a classe de a ∈ A ´ e zero. c˜ soma mod 9 de b. 5) Assuma que aZ = bZ. A soma de elementos de nZ ´ a mesma em Z (a “normal”). decorrendo do fato de A ser e zero. ´ dado um conjunto de vetores. Este ideal ´ denotado e e por I = (a1 .

e retornamos para o conjunto de bijetiva. O mesmo deve Somar ´ muito mais f´cil do que multiplicar. u significa dizer que f ´ um isomorfismo.ceber a importˆncia podemos voltar ao exemplo das ovelhas e c de N . operar. e c˜ levar os elementos de A para B e somar em B. e devolver a resposta onde quiser. que somar dois elementos em A e levar para B ´ o mesmo que Exemplo: A opera¸ao de soma em R. u Prove que f (x) = f (y) se. e o de ser realizada. ∗). e devolvemos a resposta em ovelhas. somamos em N . ou ´ {0} ou o pr´prio K. e produto em R∗ .f (a+b) = f (a)+ f (b) a+b &% &% -B f :A . u e ovelhas sem ter que sair do lugar ! Pelo exerc´ anterior. uma f relacionando um conjunto ao outro que preservasse as De modo geral. e 4) Homomorfismo e Isomorfismo b) Imf = {f (a). e a T. e de B em A. '$ '$ -f (a) a -f (b) b . f −1 ´ homomorfismo f −1 : B −→ A. e s´ se. f (x) = e 0. c 6 7) Aprendemos no col´gio alguns crit´rios de divisibilidade.2) Sejam A e A an´is. c) Div 4: Se o n´mero formado pelos dois ultimos d´ u ´ ıgitos ıvel (a1 a0 ) for divis´ por 4. supondo que seja mais f´cil operar num cona opera¸oes levar´ c˜ ıamos as ma¸as para o conjunto de bananas. e b) Div 3: Se i ai mod 3 = 0. c˜ duas formas anteriores. Para perExemplo: Uma outra analogia para homomorfismo. c) Div 8: Se o n´mero formado pelos trˆs ultimos d´ u e ´ ıgitos (a2 a1 a0 ) for divis´ por 8. Na pr´tica di´ria a a Exerc´ 1 acima). f) Div 11: Se a soma a0 − a1 + a2 − a3 · = i (−1)i ai mod 11 = 0. + . ıcios: Exerc´ 1) Sejam A. Literalmente ISO. f uma bije¸ao. f : A −→ A homomorfismo. (B. na realidade tendo a e c) f ´ injetiva se. f n˜o precisa ser a injetiva nem sobrejetiva. 0 ≤ ai ≤ 9. Nesta nota¸ao a0 ´ o c˜ e ultimo d´ ´ ıgito. B an´is. c˜ e fazemos as contas. momorfismo. e Prove que: a) ker f = {a ∈ A. Exemplo1: f : Z −→ Zn dado por f (x) = x mod n = x ¯ Exemplo2: A. Em todos os ıcio N enunciados utilizo a nota¸ao a = i=0 ai 10i . Deve ficar uma f : R −→ R∗ bijetiva que satisfa¸a f (a×b) = f (a)+f (b). c˜ −1 Formalizando. Caso tiv´ssemos derem um problema em ovelhas transformamos em n´meros. e) Div 5: Se termina em zero ou cinco. e sucessivamente . . ıcio fazemos o seguinte: ´ (i) Identificamos uma ovelha com o n´mero 1. Na realidade temos um isomorfismo. Suponha que sa. e Estes conceitos s˜o muito importantes. e e Gostaria de aplicar a teoria aprendida sobre os Zn para se demonstrar a validade dos crit´rios. e c˜ a ou seja. f (a) = 0} ´ um ideal. uma f : A −→ B ´ homomorfismo quando e e ∀a. uma fun¸ao f que seja homomorfismo. a) Div 2: Se a0 ´ par (ou a0 mod 2 = 0). f : A −→ B ´ e e n´meros. ´ injetiva se. ∗ ) an´is. I = ker(f ). Suponha que temos um conjunto de ovelhas 3) Seja f : A −→ B um homomorfismo de an´is. um homomorfismo entre an´is ´ uma fun¸ao podemos pela f (ou f ) trazer o problema para o conjunto e e c˜ a f : A −→ B. e Agora verificamos que somar em N ´ uma opera¸ao f´cil 4) Seja K um corpo. e assim ou seja. ∀a ∈ A. e somente se x − y ∈ I. 8) Existe um crit´rio simples para divisibilidade por 7 ? e Porque ? E para 16 ? claro que a soma e o produto de A s˜o diferentes da soma e a produto em B. que n´cleo de uma transforma¸ao linear ´ sempre um subespa¸o a e vetorial. Agora a c˜ u nos pedem para fazer uma conta em ma¸as. e) Div 10: Se termina em zero. f : A −→ B um homomorfismo. Quero dizer f´cil. Por outro lado ir para uma fazenda e ten´ tar reunir um conjunto de ovelhas com outro (mesmo com a Obs: Deve ficar clara a analogia com Algebra linear. a) f (0) = 0 Come¸aremos com uma analogia para entender o que ´ hoc e b) f (−a) = −f (a). Vou enunci´-los e o e a exerc´ consiste em demonstrar a validade. c˜ Ex: 125 = 5 · 10 + 2 · 10 + 1 · 10. f (a + b) = f (a) + f (b) e f (a ∗ b) = f (a) ∗ f (b). f : A −→ B. ∀x ∈ A.L. e somente se ker f = {0} um papel fundamental na Matem´tica. u Defini¸˜o: ISOMORFISMO – E um homomorfismo bijetivo. e temos de fato e a ocorrer com o produto (observe a figura abaixo).Obs: Para mostrar que f ´ um homomorfismo basta mostrar e que f respeita a soma/produto como acima. e (chamaremos de O) e o conjunto N dos n´meros naturais. Mostre que todo ideal de K ´ trivial. quando temos um isomorfismo teıcio mos um homomorfismo de A em B. c˜ junto do que em um outro. onde o u c˜ e c ajuda de um c˜o pastor !) ´ uma tarefa bastante penosa. (iii) Quando queremos agrupar ovelhas transformamos em Exerc´ ıcio: Mostre que se f ´ homomorfismo. b ∈ A. a ∈ A} ´ subanel de B. Toda vez que nos bemos somar bananas mas n˜o sabemos somar ma¸as. +. Defini¸˜o: ca HOMOMORFISMO – Dados (A. que preserva a soma e o produto. . Temos a um conjunto de bananas e outro de ma¸as. Prove a e MORFISMO quer dizer “aquele que tem ou apresenta a que: mesma forma”. e devolver´ a ıamos em ma¸as a resposta. ıvel d) Div 9: Se i ai mod 9 = 0. o n´cleo = (0) (vide e o u al´m do esfor¸o f´ e c ısico toma bastante tempo. B an´is quaisquer. PorAgora definimos a opera¸ao de agrupamento no conjunto O c˜ tanto ´ a mesma coisa definir x ∼ y de qualquer uma das e como a jun¸ao de um conjunto de ovelhas com o outro. tendo um isomorfismo entre eles far´ ıamos as contas l´. ca c˜ c˜ (ii) Identificamos duas ovelhas com o n´mero 2.

Temos que ker(T ) ´ subespa¸o c˜ e c vetorial. E poss´ demonstrar que a menos de um isomorfismo ıvel existe um unico corpo ordenado completo. ∃a ∈ A. C ¯ Quando estabelecemos um isomorfismo entre duas estrutu. 59. a Um ideal maximal ´ tal que n˜o existe um ideal que esteja e a contido propriamente entre este e o anel. Ou dire. onde x. Queremos mostrar agora que todo a = 0 ∈ A/M tem inverso. Verifique que ´ necess´rio que e a ϕ seja um homomorfismo e que para todo a ∈ K. x ∼ y se. Podemos definir. a e Dem. Seja T : V −→ V ´ uma transforma¸ao linear. ou seja. a bijetivo. quem j´ viu an´lise a a ´ sabe. y ∈ A. a Obs: Para este teorema ser melhor entendido faremos novamente uma analogia com algebra linear. e soca e mente se I pode ser gerado por um unico elemento do anel. ´ e c˜ a e o princ´ ıpio da r´gua de c´lculo. e A. M ⊂ J ⊂ A. Verifique se f ´ e endomorfismo do anel Z. a) Temos que verificar se J ´ de fato um ideal. somamos. Outra forma de se ver ´ que caso tentemos aumentar um ideal para obtermos e outro ideal um pouco maior obtemos todo o anel. = 5) Teorema do Homomorfismo Antes de enunciar este teorema vamos fazer um roteiro do que desejamos fazer. B an´is. as estruturas s˜o isomorfas. c a 6) Tipos de Ideais Defini¸˜o: Ideal MAXIMAL – Um M ⊂ A ´ maximal se. Ent˜o. ¯ ´ o inverso de a. onde toda vez que temos queIm(f ) e a multiplicar diversos n´meros tomamos seus log’s. a e e Dem.: (=⇒) Considere o ideal J = {ra + m. temos que ¯ = ¯a. I = e ker(f ). no entanto.: Est´ acima.momorfismo do anel A/I em Im(f ). I(x) = x para todo c˜ x ∈ A (fun¸ao Identidade) ´ um automorfismo de A em A. ´ um corpo. ou seja. a e elemento n˜o nulo tem inverso. um conjunto ora e denado a maioria deve saber. temos que verificar se ´ hoII) Agora que f e e idˆnticas. R. ou a mesma a menos de um isomorfismo. c˜ e Teorema Dados A. a Defini¸˜o: ENDOMORFISMO – Homomorfismo de um anel ca nele mesmo. Portanto. A/M ´ anel comutativo com unidade onde todo e A/I −→ B ser´ injetiva. conforme j´ dissemos. f ´ homomorfismo a e ¯e dizer que A e B s˜o isomorfos. ∃m ∈ M. Exemplo2: f : C −→ C. ´ ou seja. A/I e Im(f ) s˜o an´is. Exemplo: J´ sabemos o que ´ um corpo. A/I Im(f ). A um anel comutativo com unidade. a e 7 . e a ¯ ´ sobrejetiva. como = P a ∈ M. e ca e = = somente se n˜o existe J tal que M ⊂ J ⊂ A. M ´ um ideal maximal se. por´m isto e e ¯ f : A/I ser´ deixado como exerc´ a ıcio. r ∈ A. Exemplo: A = Z[x]. Lema Seja M um ideal. onde a ∈ M . f ´ c˜ e automorfismo ? 4) Fa¸a [GON] p´g. e completo. Come¸ando com um homomorfismo f : c A −→ B queremos chegar a um isomorfismo. M = J. e tamente. Por outro lado 8Z n˜o ´ e a e = = maximal em Z pois temos 8Z ⊂ 4Z ⊂ Z. Este. ınio ` A transformando em f : A −→ Im(f ). 10. f : A −→ B homomorfismo. 1 ∈ A implica que 1 ∈ J. Tea mos portanto que dim(V / ker(T )) = dim(Im(T )). b) Temos claramente que M ⊂ J. ent˜o A/I ´ isomorfo a Im(f ). I = (a). Exerc´ ıcios: 1) Assuma que f (x) ∈ K[x]. Qualquer outro ´ ser´ isomorfo a este. ϕ(a) = a para que ϕ(f (x)) = f (ϕ(x)). ou seja. ou seja. e somente se f (x) = f (y) (ou d) Portanto como A ´ anel quociente de um anel comutativo e ¯ se. Pelo te´ orema do n´cleo-imagem (Algebra Linear) calculamos que u dim(V / ker(T )) = dim(Im(T )) = dim(V ) − dim(ker(T )). 2) Considere f:Z −→ Z dada por f(n) = 3n. f : com unidade. b) Caso f n˜o seja injetiva fa¸a o processo de torn´-la in.Deve-se notar que f (x) = log(x) ´ tal fun¸ao. Defini¸˜o: AUTOMORFISMO – Isomorfismo de um anel ca nele mesmo.A/∼ f : A B B f : A/I ras (neste caso an´is) dizemos que estas estruturas s˜o iguais. I) A fun¸ao f deve tornar-se bijetiva c˜ placements Caso f n˜o seja sobrejetiva. ex. Passando a barra em ambos os a c a 1 b¯ be ¯ jetiva definindo o novo conjunto de classe de equivalˆncia de lados. I = 2A + xA (gerado por 2 e x) n˜o ´ a e principal. Exemplo: 7Z ´ maximal em Z. Chamando ker(f ) = I. Denota-se A B para a III) Finalmente. e u P aplicamos log−1 para obter a resposta. √ 3) Considere o anel Z[ 2]. Este anel tem elemento neutro √ √ da multiplica¸ao ? Considere f (a + b 2) = ab 2. Exemplo1: A fun¸ao I : A −→ A. Defini¸˜o: Ideal PRINCIPAL – I ⊆ A ´ principal se. e B f :A Im(f ) A/∼ f : A c) Como J = A. Dica J = (a) + M . Como M C ´ maximal.∃b ∈ A. f (z) = z (conjugado complexo) ´ ¯ e um automorfismo de C (Verifique !). 1 = ba + m. e somente se A/M ´ corpo. o espa¸o a c vetorial quociente V / ker(T ). m ∈ M }. Para que dois espa¸os vetoriais see c jam isomorfos eles tem que possuir a mesma dimens˜o. ali´s. restringir o contradom´ a imagem. onde A/I ´ o anel quociente de A. Portanto temos. e somente se x − y ∈ ker(f )). Tamb´m temos que V / ker(T ) e ´ isomorfo a Im(T ). J = A. e portanto um isomorfismo. fa¸amos o processo que ena) a c sinamos acima.

. existe q e r ∈ D tal que a = b ∗ q + r. . . 8 4) Existˆncia do MDC e O importante conceito de MDC ser´ introduzido aqui de a uma forma que possa ser generalizado para outros dom´ ınios que n˜o sejam os n´meros inteiros. a) f (J) ´ um ideal em A/M (fica como exerc´ !).45 do [GON]. e c) Caso f (J) = {0}. f) Sabendo que r ∈ I. a Embora a defini¸ao aqui possa parecer mais pedante. verec˜ mos que o MDC de um conjunto finito de elementos de um dom´ ınio euclidiano ser´ tal que MDC{a1 . nos inteiros e nos polinˆmios de o um corpo. No entanto. J = M . gostaria de explicar porque introduzo o conceito de dom´ ınios euclidianos. ∃a ∈ I. . Dem. d = a1 r1 + · · · + an rn Dem. ϕ(a + bi) = a2 + b2 . ou a seja. ´ d) Agora mostraremos que I = (a). Para isto ser´ necess´rio a u a a repens´-lo na linguagem de ideais. 4. o que podemos entender em Z como |d | < |d|. principalmente Q ou R. . Portanto I = (a) = aD VII – Dom´ ınios Euclidianos 1) Introdu¸˜o ca Estamos interessados neste trabalho principalmente nos dom´ ınios Z e K[x]. No caso dos polinˆmios a fun¸ao ser´ o o c˜ a o grau do polinˆmio. seja e ınio c˜ a + bi ∈ Z[i]. Para isto considere um x ∈ I. c˜ Obs1: Daqui por diante come¸aremos a demonstrar teorec mas importantes para dom´ ınios euclidianos. temos por outro lado que r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(a).39 do [GON]. Daqui decorre que sempre que dermos um I ⊂ D dom´ ınio principal. c) Considere um a ∈ I tal que ϕ(a) = b (pode n˜o ser a unico. . Apesar o e de trabalharmos quase exclusivamente com estes dois objetos. ele ´ o maior entre os divisores. Exerc´ ıcios: 1) Fazer exerc´ ıcios 2. Dica: Tente dividir um polinˆmio por uma c˜ o constante. e somente se a − 0 ∈ M se. Teorema Para todo ideal I ⊂ D um dom´ ınio euclidiano. ∀i ∈ {1. d |d. e) Afirmo que r ∈ I. 16 e 20. com ϕ(r) < ϕ(q) ou r = 0. 2) Defini¸oes c˜ Um dom´ ınio euclidiano ´ um dom´ e ınio de integridade em que existe o algoritmo da divis˜o de Euclides. ϕ(f (x)) = grau(f (x)). b ∈ D. an } = d: a i) d divide cada elemento ai ii) Caso exista outro elemento d que divida cada ai . Obs2: Z[i] ´ dom´ euclidiano com a seguinte fun¸ao. Necessitaremos da linguagem de ideais para demonstrar que ele (d) sempre existe em um dom´ ınio euclidiano. e Seja J ⊂ A um ideal de A. 3. ϕ(x) = |x|. como ¯ ∈ A/M. d |ai . ∃a ∈ D. logo para B ⊂ N . com ϕ(r) < ϕ(a) ou r = 0. podemos escrever I = (a) para algum a ∈ D. . n}. Agora ter´ ıamos que verificar que Z e K[x] s˜o de fato a dom´ ınios euclidianos. d) Caso f (J) = A/M . rn ∈ D. principalmente. Por´m ϕ(a) foi escolhido o menor poss´ e ıvel. r2 . o Defini¸˜o: DOM´ ca INIO EUCLIDIANO – Seja D um dom´ ınio de integridade e ϕ : D \ {0} −→ N em que: ∀a. . I = a1 D + a2 D + · · · + an D. qualquer um serve !). . pois r = x−a∗q e temos o fechamento da soma/produto do ideal. Podemos utilizar o algoritmo de Euclides e dividir x por a. p´g. x = a ∗ q + 0.: a) Defina o conjunto B ⊂ N por B = Im(ϕ) = ϕ(I \ {0}). b) Obviamente todo subconjunto de N possui menor elemento. q ∈ D. f (J) = {0} ou f (J) = A/M . sabemos que s˜o a v´lidos para Z[i] e outros dom´ a ınios euclidianos. e somente se a ∈ M . a 3) Dom´ ınio Principal Demonstraremos agora o fato de todo dom´ ınio euclidiano ser um dom´ ınio de ideais principais. . n} iii) Caso ∃d ∈ D. Deste modo x = a ∗ q + r. I = (d) = dD. g) Resumindo. existe um b menor elemento de B. . . Teorema (Existˆncia do MDC) Seja D um dom´ e ınio euclidiano. alertas que temos em mente neste curso Z e R[x]. o que implica que r = 0. d dividir´ d. Na demonstra¸ao fica c˜ clara a importˆncia fundamental da existˆncia do algoritmo a e de Euclides.: i) J´ foi provado que todo ideal I ⊂ D pode ser gerado por a um d ∈ D. 5 e 6. ∀x ∈ I. Em primeiro lugar porque ser´ importante no a prosseguimento do aprendizado de algebra e. iv) ∃r1 . 4. Teremos que: i) ∃d ∈ D. a 2) Fazer exerc´ ıcios 1. Na parte de irredutibilidade de polinˆmios trabalharemos com Z[x] tamb´m. ou seja. ∀i ∈ {1. ´ porque demonstraremos logo abaixo diversos teoremas cujas demonstra¸oes valem basicamente por causa da existˆncia do c˜ e algoritmo de divis˜o de Euclides. . e n˜o por outro fato quala a quer. Isto implica 1 que J = A. p´g. No caso dos inteiros Z esta fun¸ao ser´ c˜ a o m´dulo. Para isto prea cisamos de uma fun¸ao ϕ : D \ {0} −→ N que medir´ o c˜ a “tamanho” do resto. r ∈ D. . b = 0. . ou seja. Exerc´ ıcio: Mostre que Z[x] n˜o ´ dom´ a e ınio euclidiano com a fun¸ao grau. entretanto recomendamos que o leitor recorra ao [GON] para ver a demonstra¸ao. q. ii) d|ai . a ∈ J implica que a ∼ 0 se. 1 ∈ J.(⇐=) Seja f : A −→ A/M o homomorfismo natural que associa a cada elemento do anel sua classe de equivalˆncia. . . a gera todo o ideal. Obs3: Qualquer corpo vira um dom´ ınio euclidiano com a fun¸ao ϕ(x) ≡ 0 pois a divis˜o num corpo ´ exata (o resto ´ c˜ a e e sempre zero !). Ou seja. e Com d satisfazendo i) e ii) justifica-se que se diga que ele ´ e o MDC (maior divisor comum). I = (a). e ıcio b) Como A/M ´ corpo.

e n˜o 4. iv) Pela defini¸ao de soma de ideais isto ´ imediato. Logo 1 ∈ I e portando I = Z = (1). Pela inclus˜o de ideais. c˜ e Obs1: Se 1 = ab+cd em Z ent˜o MDC(a. Prove que MDC(a. Para tal ver [GAR]. o ıcios: Exerc´ 1) Mostre que caso os ideais I e J ∈ R[x] sejam iguais ´ e porque os polinˆmios geradores de I e J diferem por um o a ∈ R. I = Z ou e I = pZ).e. ou. a x2 − 1 = (x + 1)(x − 1) = (5x − 5)(x/5 − 1/5). ou seja. e ii) p ´ um elemento irredut´ (ou primo) de D. Para maiores detalhes. p´g. sendo mais imporc˜ e tante conhecer e saber aplicar este teorema. aD = bD se. Para os leitores interessados. a = ub. a u Teorema Considere I = (p) ⊂ D. a ´ invert´ e ıvel ou b ´ invert´ e ıvel.ii) Para cada i. f (x) = ag(x). com D um dom´ ınio euclidiano e p ∈ D. ou seja. o Veremos mais adiante que x2 + 1 ´ irredut´ em R[x]. que ´ a e I. 9 Agora que sabemos o que ´ um elemento irredut´ provae ıvel remos um teorema que diz que todo ideal maximal ´ gerado e por um elemento irredut´ ıvel. ou. o gerador de I difere do gerador de J por um elemento invert´ ıvel de D.35. a Obs2: Neste contexto de Primo = Irredut´ ıvel. p|ab implica que p|a ou p|b. e ıvel uma fatora¸ao n˜o trivial. a 5) Ideais Maximais e Primos Em primeiro lugar vamos ver o que s˜o elementos primos a ou irredut´ ıveis. Mais precisamente. a e 4 = ab + cd n˜o implica que MDC(a. f (x) = x + c. c˜ e ´ Exemplo: Em Z todo elemento pode ser fatorado como um produto de primos. ai D ⊂ I = (d) implica que d|ai . Dica: I = aZ + cZ. c˜ a Obs1: Embora exista uma distin¸ao entre irredut´ c˜ ıveis e primos. u Teorema Se D um dom´ euclidiano ent˜o D ´ um dom´ ınio a e ınio fatorial. Como p ´ irredut´ e ıvel(ou primo). esta contido em d D. verifique que pZ ⊆ I ⊆ Z. Quando se fala que a fatora¸ao ´ a menos c˜ e de invert´ ıveis ´ porque 6 = 2 ∗ 3 = (−2) ∗ (−3). ıveis s˜o o 1 e o -1. Temos portanto que cada ideal que somamos est´ contido no ideal d D. c) = p ou MDC(a. Observe que quando somamos os ideais obtemos mais do que a simples uni˜o dos conjuntos. c) = MDC(b. temos duas e possibilidades. No e ıvel entanto ele ´ redut´ em C[x] pois x2 + 1 = (x − i)(x + i). 2) = 2. ´ dom´ e ınio fatorial. Os outros casos s˜o a an´logos. c) = 1. ai D ⊆ d D.: A demonstra¸ao ´ um pouco longa. a Obs2: Isto n˜o ´ verdade para qualquer elemento de Z. a Obs: Poder´ ıamos provar tamb´m que Z[x]. A´ tamb´m ı e a fatora¸ao ´ unica. consultar o [GAR]. Exemplo: Em Z os irredut´ ıveis s˜o os n´meros primos. A soma deles. Em a u K[x]. p = a a ∗ b. c) = 1. Temos portanto que (p) ⊂ (a) ⊂ D. embora n˜o e a sendo dom´ ınio euclidiano. d) = MDC(b. e ıvel Exerc´ ıcio: Como generaliza¸ao de uma observa¸ao feita anc˜ c˜ teriormente seja p um primo em Z com p = ab + cd. b ´ invert´ e ıvel. • aD = D =⇒ a ´ invert´ e ıvel • aD = pD =⇒ a e p diferem por um invert´ ıvel. 2) Mostre que caso tenhamos I = J ⊂ D dom´ ınio euclidiano. c ∈ K. S˜o equivalentes: a i) I ´ um ideal maximal. ´ sempre irredut´ e ıvel.: (i =⇒ ii) Seja I = pD. pois em dom´ ınios fatoriais (veja 6 abaixo) eles coincidem. ∃b. (ii =⇒ i) Seja um ideal J. d) = a MDC(a. J = (a). pois sen˜o ter´ a ıamos I = pD = D. ter´ ıamos que: I = pD ⊂ aD ⊂ D.. f (x) = c. Assim. Exemplo: 4 = a 8 · 1 + 2 · (−2) e MDC(8. 29. c) = 4. p´g. c) = 1. Logo MDC(a. Temos que J ´ gerado por e algum elemento de D. Dem. onde f (x) e g(x) geram respectivamente I e J. Temos que mostrar que p ´ irredut´ (ou e ıvel primo). A menos de ordena¸ao e mulc˜ tiplica¸ao por invert´ c˜ ıveis. todos os ideais maximais de Z s˜o os gerados por n´meros primos. Para isto precisamos de algumas defini¸oes: c˜ ´ ca Defini¸˜o: INVERTIVEL – Elemento a ∈ D tal que existe um b ∈ D satisfazendo a ∗ b = 1. a = b ∗ c implica que o c˜ b ou c ´ invert´ e ıvel. Defini¸˜o: IRREDUT´ ca IVEL OU PRIMO – Um a ∈ D \ {0} ´ irredut´ quando: e ıvel (i) a n˜o ´ invert´ a e ıvel (ii) a s´ possui fatora¸ao trivial. e somente se a e b diferem por um invert´ ıvel.28. temos que a|p. I = (d) = dD ⊆ d D implica que d |d. b ∈ D. consultar [GAR]. Como I ´ maximal. a iii) Como d |ai . vale que p um primo (ou irredut´ ıvel). I ⊂ J ⊂ D. Em K[x] os irredut´ ıveis s˜o um problema de modo geral a bastante dif´ de se determinar. a . d ∈ Z. No caso e de polinˆmios R[x] os invert´ o ıveis s˜o as constantes c ∈ K. i. Agora caso possamos escrever p = a ∗ b. 6) Dom´ ınio Fatorial Um dom´ ınio fatorial ´ um dom´ e ınio de integridade no qual todo elemento n˜o invert´ se escreve como um produto fia ıvel nito de irredut´ ıveis ou primos. Temos portanto dois casos: e ıvel • a ´ invert´ =⇒ aD = D • b ´ invert´ =⇒ pD = (a ∗ b)D = a ∗ (bD) = aD. e ıvel Dem. seja I = aD. Em K[x] s˜o a a Exemplo: Em Z os invert´ os polinˆmios constantes. p´g. Como pZ ´ maximal. J = bD. ab + cd = 1. u invert´ ıvel. Teremos uma se¸ao inteira ıcil c˜ somente para determinar crit´rios de irredutibilidade de um e polinˆmio. ou seja. p n˜o ´ invert´ a e ıvel. Isto ´ verdade pois tomando e I = aZ + cZ. aqui trataremos os conceitos como se fossem o mesmo. a menos de multiplica¸ao por invert´ c˜ e ´ c˜ ıveis (neste caso o n´mero 5 !). a fatora¸ao ´ unica.

Obs: Este fato ´ importante porque num corpo finito (Zp . Eiseinstein etc. ızes 3) Utilize o teorema do valor intermedi´rio para a fun¸ao a c˜ polinomial (que ´ sempre continua) f (x) com grau ´ e ımpar ıcio e conclua o mesmo do exerc´ anterior. os polinˆmios de grau 1 que n˜o possuam um fator conso a tante que possa ser retirado para fatorar (f (x) = 9x − 3 = 10 . Obs2: Se todo elemento n˜o-nulo do dom´ a ınio ´ invert´ e ıvel ent˜o o dom´ a ınio ´ um corpo. ¯ a−bi. e Exemplo1: Em Z os invert´ ıveis s˜o: {1. Veremos dois o crit´rios (o Lema de Gauss e o do corpo finito) que transferem e o estudo de irredutibilidade no corpo Q para o dom´ ınio Z ou para o corpo finito Zp . R. mas pode ser fatorado a ız em polinˆmios de grau 2. Se λ ∈ C uma ra´ ent˜o seu ız a ¯ ¯ conjugado λ tamb´m ´ ra´ ou seja. E claro que caso seja irredut´ ıvel em Q[x] ´ irredut´ em Z[x]. b ou c ´ invert´ c˜ e e ıvel. e portanto esta fatora¸ao ser´ sempre trivial. Caso n˜o tenha ra´ implica que ız e a a ız NADA PODEMOS AFIRMAR (com o uso deste crit´rio !). e o Exerc´ ıcios: 1) Considere f (x) ∈ R[x]. Dem. C[x] este polinˆmio ´ irredut´ o e ıvel (s´ o possui fatora¸ao trivial). e Dado um dom´ ınio. Exemplo1: ¯ 2 + ¯ + ¯ em Z5 [x].VIII – Irredutibilidade em Polinˆmios o 1) Introdu¸˜o ca Nesta se¸ao aprenderemos algumas condi¸oes para se dec˜ c˜ terminar a irredutibilidade de um polinˆmio. ´ fator´vel. Dem.: Veja [GON] p´g. a = b ∗ c. Caso n˜o seja ra´ implica que ´ irredut´ a ız e ıvel. λ = e e ız. No entanto. Temos que testar 1X 3X 4 ¯ . Zp [x] – Os polinˆmios de grau 1. λ = a + bi. c˜ a Lema Considere f (x) ∈ K[x] e c ∈ K. (x − c). em Q[x]. Temos ainda o de Eiseinstein e o das ra´ ızes. (iii) Fator´vel: Elemento que possui fatora¸ao n˜o trivial. Caso o grau do polinˆmio fosse ız e a o 3 a conclus˜o seria a mesma. f (λ) = f (λ) = 0 Dica: Considere que a conjuga¸ao c˜ ´ um isomorfismo em C. Dem.: Para um polinˆmio de grau 1 a unica fatora¸ao o ´ c˜ poss´ ıvel ´ um polinˆmio de grau 0 e outro de grau 1. ızes Q[x].. Caso tenha 2X 1X 3X 2 ra´ implica que ´ fator´vel. f (x) = k. c˜ Dem. e ıvel Lema Se f (x) ∈ Z[x] ´ irredut´ em Z[x] ent˜o ´ irredut´ e ıvel a e ıvel em Q[x]. Exemplo2: Nos polinˆmios. c ∈ C. a o i. o R[x] – Os polinˆmios de grau 1 e os de grau 2 que possuam o ra´ complexas.. e 2) Utilize o exerc´ anterior para provar que todo f (x) ∈ ıcio R[x] de grau ´ ımpar possui pelo menos uma ra´ real. a 4) Corpo Finito Lema Seja p um n´mero primo.. No e o entanto. e a Obs: A rec´ ıproca n˜o ´ verdadeira. ∃u−1 ∈ D. pois x4 + 2x2 + 1 = a e (x2 + 1)(x2 + 1) n˜o possui ra´ em R. isto ´.83.: Para tal ter´ ıamos que f (x) = g(x)(x − c). ¯ Ent˜o se p n˜o divide an e f(x) ´ irredut´ sobre Zp ent˜o a a e ıvel a f (x) ´ irredut´ sobre Q. p e primo por exemplo) podemos testar todos os elementos. onde os fatores s˜o elementos n˜o invert´ a a ıveis. u ∗ u−1 = 1. todo polinˆmio de grau 0 em K[x] ´ invert´ o e ıvel.: Veja em [GON] p´g. No entanto temos o o Lema Todo polinˆmio em K[x] de grau 2 ou 3 que n˜o possui o a ra´ em K ´ irredut´ ız e ıvel. aqui trabalharemos com Z e Q diretamente. 4) Todo f (x) ∈ R[x] pode ser fatorado em polinˆmios de o grau 1 ou 2. a ıvel Exemplo3: Em Z[x] os invert´ ıveis s˜o {1. Obs1: Um elemento n˜o pode ser duas coisas ao mesmo a tempo. e para graus maio ores temos que utilizar outros crit´rios. ou seja. podemos classificar seus elementos n˜oa nulos como: (i) Invert´ ıvel: Elemento u ∈ D. onde g(x) ´ teria grau 1 ou 2. e somente se f (x) = g(x)(x − c). como o da ra´ o de e ız. Em Q. R e C a todos os elementos = 0 s˜o invert´ a ıveis. a Exemplo2: ¯ 4 + ¯ 2 + ¯ + ¯ em Z7 [x]. a = b ∗ c. Caso tenha ra´ implica que ´ fator´vel. −1} Em K[x] a os invert´ ıveis s˜o os polinˆmios constantes diferentes de zero. A respeito e c˜ e de corpo de fra¸oes de um dom´ c˜ ınio ver apˆndice 4. b e c n˜o invert´ a ıveis. todo polinˆmio de grau > 0 ´ o o e n˜o invert´ (porque ?). Zp ) Exemplo4: f (x) = 6x + 3 em Z[x] ´ fator´vel como f (x) = e a 3(2x + 1). E imposs´ pois neste caso “c” seria ra´ ıvel ız. R[x]. (Para Q.. 5) Crit´rio de Eiseinstein e Consultar [GON] p´g. 3) Lema de Gauss Este assegura que caso seja irredut´ em Z[x] o polinˆmio ıvel o ´ ´ irredut´ e ıvel em Q[x].85 a 2) Ra´ ızes Lema Todo polinˆmio de grau 1 em K[x] ´ irredut´ o e ıvel. ız Dica: As ra´ complexas aparecem aos pares. Obs: Ao contr´rio do que fizemos no cap´ a ıtulo anterior. e Este ´ o caso para polinˆmios de grau igual ou maior que 4..: Exerc´ ıcio.¯ 0. f (c) = 0 se.e. e ıvel Dem. Corol´rio Se grau(f (x)) > 1 e existe c ∈ K com f (c) = 0 a ent˜o f (x) n˜o ´ irredut´ a a e ıvel. Se f (x) ∈ Z[x] vamos definir u ¯ f(x) ∈ Zp [x] tomando a classe de cada coeficiente de f (x). C. 82. k ∈ K(= 0). a 6) Resumo dos Irredut´ ıveis C[x] – Somente os polinˆmios de grau 1. a c˜ a i. 4. no entanto os teoremas e lemas abaixo funcionam igualmente para um dom´ ınio (ao inv´s de Z) e seu corpo de fra¸oes (ao inv´s de Q). −1}.e. f (x) = o 11). (ii) Irredut´ ıvel ou Primo: Elementos que s´ possuem fao tora¸ao trivial. Z[x] – Os polinˆmios constantes primos (f (x) = 7.

Para volta utilize o algoritmo para expressar um n´mero u ´ Defini¸˜o: GALOISIANO – Denota-se Gal(f. . definimos K[λ] = {g(λ).69: 1. a 4) Prove que o anel (Z[x].3(3x − 1)). Caso contr´rio dizemos da transcendˆncia de “π” e “e” exige m´todos anal´ a e e ıticos. e Exerc´ ıcio: Seja α ∈ K. teremos um corpo (I = irr(λ. b) 2 + 8 A seguir daremos um teorema que resume toda esta c) α ra´ de f (x) = x8 − 4x4 + 4 ız hist´ria. Aqui. o transcendente. f ( 2) = 0. Definimos o ideal (verifique !) e) i 2 I = {f (x). 97). 6. 5 = 2.: Consulte [GON]. todas as extens˜es ser˜o feitas da seo a guinte forma: Dado um corpo L ⊃ K. 10. um a √ 2 ´ alg´brico de grau 2. . o a d) i√ 1 + Teorema Seja λ ∈ L ⊃ K. ∃a ∈ K. 9.Exemplo1: √ x2 − 1. b1 = b e b2 . 8) Seja p um primo e f (x) ∈ Zp [x] irredut´ ıvel de grau n. a) Mostre que grau(f(x)*g(x)) = grau(f(x)) + grau(g(x)) b) Dˆ um exemplo em A[x]. a2 . 6. E o meca com d´ ızima peri´dica como fra¸ao. . an as outras ra´ ızes de irr(a. 5. f (x) = x−e. . K) = K[a1 . 3. . a √ √ Exemplo3: 2 + 3 ´ alg´brico de grau 4. a2 . peri´dica o 0 se repetindo. . ∃u ∈ L tal que a e a L = K[u]. f (λ) = 0}. ra´ de um e e ız IX – Extens˜es Alg´bricas o e polinˆmio em Q[x]. ou seja. . pois para f (x) = e e corpo maior K ⊃ K. . a e ıvel 6) Mostre que f (x) = x4 + x3 + x2 + x + 1 n˜o ´ irredut´ em R[x]. e Exerc´ ıcios: 1) Prove que se f (x) ∈ K[x]. . Entenda como d´ ızima a K[x] (I = {0}). K) – Caso λ seja alg´brico sobre K. . 11. 102. q(x) ∈ K[x]. o a e Defini¸˜o: GRAU – O grau de um λ ∈ C ´ definido como o ca e 1) Introdu¸˜o ca grau de f (x) de menor grau tal que f (λ) = 0. 217423 (23 repete). K corpo. Obs2: Para calcular u tal que Q[u] = Q[a. e e 2) Conceitos B´sicos a Exemplo4: “π” e “e” s˜o transcendentes em Q. 88). K) ´ o polinˆmio mˆnico irredut´ e o o ıvel f (x) tal que λ ´ 1) Determine o grau de: e √ 4 a) √ 1 + √ 2 uma ra´ ız. a e 5). E constru´ da seguinte forma: Calcula-se todas as ra´ ıdo ızes mos k d´ ıgitos repetindo-se indefinidamente. O conceito de n´meros alg´bricos generaliza o de n´meros racionais. g(x) ∈ K[x]}. g(x) = 0 ∈ D[x]. 21. Q). a c) p´g. Um caminho seria o processo que faze. . . a 3) Seja um dom´ ınio D. 5) Mostre que R[x. . K). a d) p´g. a a Defini¸˜o: irr(λ. ou seja. e a interessados remeto a livros de c´lculo e an´lise. Caso seja e a expans˜o decimal de β apresenta d´ a ızima peri´dica. 22. Embora seja ra´ de f (x) = x4 − 4x2 + 4.de a ´ 1. grau ız e u e K[x] irredut´ ıvel.81: 5. 11 . . Ent˜o. Exerc´ ca e ıcios: irr(λ. u remos que isto ser´ um corpo entre L e K. Caso λ seja 2) Demonstre que β ´ n´mero racional se. . 7. Finalmente u = a + λb. . f (a) = 0 se. . an de f (x) em C e Gal(f. 6. 8.89. no entanto. Temos que K[x]/I K[λ]. Para ver com detalhes consulte [GON] p´g. Um bom chute que quase sempre funciona ´ u = a + b. ([BIR] p´g. Prove as seguintes regras de simplifica¸ao: c˜ a) K[αβ] = K[β] b) K[α. Faremos agora uma revis˜o informal com K = Q e L = R ou a C. . an ]. caso contr´rio ´ transcendente. y] n˜o ´ dom´ a e ınio principal (Dica: Considere o ideal gerado por x e y). b] tome a1 = a e a2 . bn as outras ra´ ızes de irr(b. 4.ra´ ca ızes de nenhum polinˆmio em Q[x]. . Q). e somente se existe eles s˜o alg´bricos: Tome f (x) = x−π. a Obs1: Este teorema mostra que mesmo que o galoisiano seja feito passo a passo podemos escolher um elemento de modo que baste um passo para se obter este corpo. teremos um dom´ ınio de integridade isomorfo Exemplo: 1. Quando falamos que um n´mero λ ∈ R ´ alg´brico queu e e remos dizer que ele ´ alg´brico sobre Q. a a1 . K)K[x]). A prova e e a e f (x) ∈ K[x] \ {0} tal que f (λ) = 0. 2. . 7. f (x) = x − a. No entanto. Mostre que f (x) ´ e ıvel irredut´ em Z2 [x]. atrav´s de limites (ver apˆndice e e este n˜o ´ o de menor grau. Para ida mostre que o c˜ nor sub-corpo de C que cont´m K e todas as ra´ de f (x) em e ızes o resto repete ap´s k divis˜es. . Nosso objetivo aqui ser´ gerar a partir de um corpo K. 10. onde A ´ anel em que isto e e n˜o seja verdade. e somente se e u alg´brico. +. e 3) Aplicando em Q Definimos todos os conceitos com um corpo K qualquer. f (x).: Consulte [GON] p´g. . Investigue em Z3 [x] e Z5 [x]. 16. Aos que λ ´ transcendente (ver [GON] p´g. a b) p´g. 5000000 . Mostre que Zp [x]/f (x) ´ corpo com pn elementos. Dica: o Dem. .74: 2. em R[x] o mos que λ ∈ L ´ alg´brico sobre K se. λ ∈ L ra´ de f (x) ∈ Exemplo2: ∀a ∈ Q. an ] Teorema (Elemento Primitivo) Seja L ⊃ K ⊃ Q tal que L seja uma extens˜o alg´brica de K. . 8. f (a) = 0. 2) Fa¸a os seguintes exerc´ c ıcios do [GON]: a) p´g. o que implicar´ que tereo o a ´ C. . ız mos para passar de Q para R. e somente se f (x) = q(x)(x − a).78: 2. 12. Escolha um λ ∈ K tal que b−bj λ = λij . λij = ai −a ∈ C. ¯ 1x 1x 7) Considere f (x) = ¯ 3 + ¯ 2 + 1. Dem. Considere os seguintes n´meros u complexos: j = 1. n˜o s˜o a a a ´ Defini¸˜o: ALGEBRICOS e TRANSCENDENTES – Dize. . Ve. Para outros polinˆmios temos que utilizar os o crit´rios anteriormente citados. ∗) n˜o ´ um dom´ a e ınio de ideais principais (Dica: Tente ver o ideal gerado por x e por 2). an ] = K[a2 .

: Exerc´ ıcio. Em outras palavras. o 4) Utilize 2) para demonstrar que Q ´ denso em R. ou seja. Q[ 2] etc ´ Q. Q) = irr(v. Fa¸a isto na casa decimal n tal que o c 10−n < ε. a e ız 2) No exerc´ ıcio anterior mostre que caso f (x) seja irredut´ ıvel em Q[x] ent˜o Q[λ] a Q[ϕ(λ)]. L = Q[u] e u ra´ a a ız de polinˆmio em Q[x]. a. √ √ Exemplo1: O grau de Q[ 4 2] ´ 4. bem como as duas ra´ ızes i e √ −i. somente as duas primeiras ra´ pertencem a Q[ 4 3]. Q).: Ver [GON] p´g. L = Gal(f. portanto ∀a ∈ P. Ent˜o ϕ(λ) ´ ra´ de f (x). Dica: Utilize o primeiro teorema desta se¸ao. Q) = √ √ x2 − 2 = irr(− 2. ∀a ∈ Q. Defini¸˜o: AutK L – Conjunto dos automorfismos de L que ca mant´m fixo todos os elementos de K. . pois irr( 4 2. a Dem. Q). portanto de dimens˜o n = [K[u] : K]. Exerc´ ıcio: Mostre que os elementos de um corpo K mantidos fixos por todos automorfismos de K formam um subcorpo. e Obs1: Este conjunto forma um grupo com a opera¸ao de c˜ composi¸ao de fun¸oes (prove !). . Portanto temos quatro op¸oes para 4 3 e duas para i. o c˜ √ que d´: |Aut Q[ 4 3. irr( 2. ϕ(a) = a. A ´ corpo. 4 · 2 = 8. K). e dado um a ∈ R \ Q (irracional) ∀ε > 0 ∃q ∈ Q. e um polinˆmio de grau 4. o e u Lema Seja K um corpo e ϕ ∈ Aut(K). √ √ √ x4 − 3. a Corol´rio K[u] ter´ dimens˜o finita se. Este exemplo n˜o e a contradiz o corol´rio pois n˜o existe u ∈ L. Q[ 4 3]) = x2 + 1. 4) Dimens˜o a Nosso objetivo ser´ calcular a dimens˜o de uma extens˜o a a a alg´brica qualquer atrav´s de dois teoremas que daremos a e e seguir. Q). que diz que K[λ] c˜ K[x]/I. . Dem. a Dica: Trunque a expans˜o decimal de a e comece uma a d´ ızima peri´dica. e somente se ´ a a a e alg´brico sobre K.: Seja ϕ ∈ Aut(L). K[u] ter´ dimens˜o infie a a nita se.3) Construa um n´mero irracional diferente de “π” e “e”. Em caso de d´vida consulte a c u qualquer livro de algebra linear. Temos quatro ra´ ızes: 4 3. − 4 3. . ϕ(x) = x} ´ subcorpo de K (os elementos mantidos fixos e pelo automorfismo). Ent˜o a ∀ϕ ∈ Aut(L). e Ent˜o K[u] al´m de corpo ´ um espa¸o vetorial sobre K com a e e c base 1. u. . 3 2. c˜ Obs: O corpo primo de qualquer extens˜o de Q ´ o pr´prio a e o √ Q. As quatro ra´ ızes de x4 − 3 pertencem ao corpo. un−1 . Portanto temos ϕ levando 2 em √ √ √ 2 e outro automorfismo levando 2 em − 2. e somente se u ´ transcendente. mais do que isto. o chamado grupo de autoc˜ c˜ morfismos de L que mant´m fixo os elementos de K. Dica: A intersec¸ao de corpos ´ ainda um corpo. . E uma extens˜o alg´brica de dimens˜o infinita. o corpo primo de a L ´ Q. Q). ϕ(a) = a. Q). ϕ(a) = a. u Dica: Construa um n´mero com d´ u ızima aperi´dica. . Teorema Seja u alg´brico sobre K e grau de irr(u. i]. AutQ L = Aut L. √ √ Exemplo2: Os automorfismos de Q[ 4 3]. o √ √ Exemplo2: O grau de Q[ 4 2. a a Dem. i]| = 4 · 2 = 8. C. Defina A como os elementos mantidos fixos pelo automorfismo ϕ. ou seja. mas extens˜es de dimens˜o infinita a e e o a podem ser alg´bricas ou transcendentes. √ Exemplo3: Os automorfismo de Q[ 4 3. . Similarmente. Para tal utilizaremos conceitos da algebra linear como ´ bases e dimens˜o de espa¸os.: ϕ(a + bu) = ϕ(a) + ϕ(b)ϕ(u) = a + bϕ(u). P ´ seu ca e corpo primo caso ele seja o menor subcorpo de L. K) = n. e Como P ´ o subcorpo primo (a intersec¸ao de todos os sube c˜ corpos de L) P ⊂ A. irr(u. Q) = x4 − 2. o Teorema Sejam M ⊃ L ⊂ K corpos tais [M : L] e [L : K] s˜o finitos. u2 . Teorema Todo automorfismo de Q[u] ´ da forma: ϕ(a+bu) = e a + bv. ϕ(u) = v tamb´m ´ ra´ de irr(u. . irr(i. λ ra´ de f (x) e ϕ ∈ ız Aut L.90 e 98. conforme ızes veremos abaixo. Q). Q) = irr(v. todo n´mero irracional pode ser u aproximado por um racional t˜o perto quanto se queira. i] ´ 8. irr( 4 √ Q) = 3. e Exerc´ ıcios: 1) Seja f (x) ∈ Q[x]. ∀a ∈ P. ´ Defini¸˜o: [V : K] – Significa a dimens˜o do espa¸o vetorial ca a c V sobre o corpo dos escalares K. Portanto os automorfismos de corpos levam ra´ em ra´ ız ız. Q[ 4 2]) = e x2 + 1. O detalhe ´ e ızes e que nem sempre as outras ra´ pertencem a Q[u]. Como u ´ e ız e e ız ra´ de irr(u. e Obs2: Como para toda extens˜o L ⊃ Q. a bastando saber o grau do irr(u. sendo portanto o grau final o produto dos graus do primeiro vezes o grau do segundo. 12 . e √ √ √ ´ Obs: Considere L = Q[ 2. b ∈ Q. Dem.: Ver [GON] p´g. bastando fazer um processo indutivo. pois irr(i. Q) = x4 − 3. P ser´ a igual a intersec¸ao de todos subcorpos de L.99. Com o segundo teorema aprendemos a calcular a dimens˜o no caso em que acrescena tamos mais de um elemento. .]. Ent˜o A = {x ∈ a K. √ √ Exemplo1: Os automorfismos de Q[ 2]. irr(u. Dica: a Utilize 2) e 3). √No entanto. Toda extens˜o de dia e a a mens˜o finita ´ alg´brica. Dem. a 5) Automorfismos Nosso objetivo aqui ´ caracterizar todos os automorfismo e de extens˜es alg´bricas de Q e determinar o seu n´mero. Deste modo o corpo primo de R. Temos que √ √ irr( 4 3. Q). c˜ e Defini¸˜o: CORPO PRIMO – Dado um corpo L. Obs: Sabemos que ϕ automorfismo. Pelo lema anterior. i 4 3. e Teorema Seja L um corpo e P ⊂ L seu corpo primo. . ou seja. Ent˜o [M : K] = [M : L] · [L : K]. −i 4 3. |a − q| < ε. a Com o primeiro teorema aprendemos a calcular a dimens˜o a de uma extens˜o em que se acrescenta somente um elemento. √ |Aut Q[ 2]| = 2. n 2. a unica maneira de termos automorfismos ´ em Q[u] ´ levando u nas outras ra´ de irr(u. 5) Demonstre que todo n´mero racional pode ser aproxiu mado por um irracional t˜o perto quanto se queira. ızes √ e portanto |Aut Q[ 4 3]| = 2.

e utilizando-se a observa¸ao anterior. A aplica¸ao mais comum desta teoria ´ para se verificar a c˜ e solubilidade por meio de radicais de ra´ de polinˆmios. AutK L.: Ver [FRA]. c´bicas etc. Q[ 2. Ver qualquer livro de algebra a e u ´ X – Introdu¸˜o ` Teoria de Galois ca a (por exemplo [HER]). L = Gal(f. K ⊂ M ⊂ L podemos gerar o grupo Aut M L.u modo que fique na forma m´ ınima. . N´s vimos na parte de extens˜es como o o um corpo K ⊂ L gera o grupo dos automorfismos de L que mant´m fixo K. ou seja. ´ sol´vel. ϕ(u) = u ∀ϕ ∈ G}. Daremos agora a “receita de bolo” para se encontrar o n´mero de automorfismos de extens˜es L de Q: u o 1. Para n˜o haver proe a a blemas nesta parte. . a que ser´ um subgrupo de AutK L. fn (x) = irr(un . o grupo AutK L. Podemos demonstrar que existem poo linˆmios de grau maior ou igual a 5 para os quais n˜o existe o a uma express˜o radical fechada para calcular suas ra´ a ızes. 2. a Dem. u2 ]. e somente se L ´ uma extens˜o normal n˜o-trivial. ızes o igual ao grau da extens˜o se. K1 = Q[u1 ].1) Delineamento Em primeiro lugar devemos ter claro o que ´ a hip´tese e o e o que ´ a conclus˜o a que se deseja chegar. a existˆncia de f´rmulas envolvendo opera¸oes aritm´ticas e e o c˜ e b´sicas (soma. Para cada fn (x) considere o n´mero de ra´ u ızes distintas que pertencem ao corpo L. Agora queremos encontrar corpos intermedi´rios M tais que L ⊃ M ⊃ K. c˜ o Deve-se prestar aten¸ao se o problema ´ do tipo: A =⇒ B c˜ e Teorema (Teorema fundamental de Galois) A cada subcorpo ou B =⇒ A ou A ⇐⇒ B.. K) a e para algum f (x) ∈ K[x]. No caso da teoria de Galois devemos considerar um corpo K e uma extens˜o alg´brica galoisiana L . 4. Portanto.. 13 . ´ 1. a normal diferente dos triviais (zero e o pr´prio). Ao come¸armos c˜ c a demonstra¸ao devemos reescrever as hip´teses. O mais importante ´ que a formaliza¸ao e c˜ seja o ultimo passo deste processo. Obs3: Os grupos simples tˆm uma importˆncia similar aos e a n´meros primos. An (subgrupo das peru e muta¸oes pares de Sn ) ´ simples.e. Similarmente a cada subgrupo (B =⇒ A). e os grupos quocientes sucessivos s˜o abelianos. subtra¸ao. Para demonstrar a existˆncia de um polinˆmio de grau 5 e o cujas ra´ ızes n˜o podem ser expressas por meio de radicais o a roteiro ´: e Obs: Deve-se evitar redundˆncias na representa¸ao de L = a c˜ 1. . c˜ exemplo. para n > 4. devemos escrever claramente o que desejamos provar com uma interroga¸ao ao lado. . de √ . o e u Dem. Portanto n˜o existe f´rmula por meio de radicais para a o Obs: Pelo teorema anterior o n´mero de automorfismos ´ u e determinar as ra´ deste polinˆmio. e s´ se a extens˜o ´ galoisiana. . . u Similarmente dado um subgrupo G de AutK L temos o corpo fixo deste grupo. o corpo M = {u ∈ L. . a o a e De modo geral o n´mero de automorfismo ´ menor ou igual Obs1: Prova-se que. i. . ou seja. isto ızes o ´. un ].: Ver [GON]. Escrever L = Q[u1 . n˜o possui subgrupo c˜ e a ao grau da extens˜o. Os grupos simples n˜o possuem subgrupo u a normal diferente dos triviais e os primos n˜o possuem divisor a diferente dos triviais (ele pr´prio e a unidade). Estudar um polinˆmio de grau 5 cujo grupo de autoo morfismos ´ o S5 .: Ver [FRA]. a Obs2: Pode-se exibir um polinˆmio de grau n para qualo quer n tal que o grupo de automorfismos ´ o Sn . gostaria de explicar como acho a correto proceder. Neste ultimo caso devemos separar ´ de L que seja uma extens˜o galoisiana de K corresponde um a a demonstra¸ao em duas partes: A ida (A =⇒ B) e a volta c˜ subgrupo normal de AutK L. . . e a a a e u galoisiana. . 3. que estar´ entre K e L a (K ⊂ M ⊂ L). . |Aut L| ´ o produto do n´mero de ra´ e u ızes distintas (pertencentes ao corpo L) de cada fn (x) . a A rela¸ao com a solubilidade por meio de radicais foi dada c˜ por Evariste Galois: o e u Teorema Um polinˆmio ´ sol´vel por meio de radicais se. f2 (x) = irr(u2 . −i 2] = Q[ 2. Dai o a e u decorre a impossibilidade de f´rmulas para polinˆmios com o o grau maior. K0 ). u2 . Denotando K0 = Q. √ n ]. o XI – Apˆndices e 1) Como Demonstrar Reconhecendo ser as demonstra¸oes a parte mais dif´ do c˜ ıcil aprendizado de Matem´tica. Kn−1 ). considere f1 (x) = irr(u1 . e s´ se. Kn = L. Dado um corpo intere medi´rio M.. Isto implica que S5 n˜o ´ sol´vel. i]. 3. u2 . ou seja. e Dem. cada um subgrupo normal ue do anterior. normal corresponde uma extens˜o galoisiana. 2.) para determinar u ra´ ızes de polinˆmios. i. . Por √ conjunto com 5 elementos) formado pelas permuta¸oes pares. O conceito mais importante a ser entendido inicialmente ´ como um corpo pode gerar um grupo e como um grupo e pode gerar um corpo. multiplica¸ao e divis˜o) e radia c˜ c˜ a cia¸oes (ra´ c˜ ızes quadradas. Estudar o subgrupo do S5 (grupo das permuta¸oes de um c˜ Q[u1 . denotado por A5 . Isto implica o que Sn n˜o ´ sol´vel para n > 4.´ Defini¸˜o: GRUPO SOLUVEL – Um grupo ´ sol´vel se ca e u existe uma seq¨ˆncia de subgrupos. onde L = Gal(f. ou igual a 5. Ele ser´ um subgrupo pois a a aumentando o n´mero de elementos a serem mantidos fixos u diminuem o n´mero de automorfismos. para n > 4 existe poc˜ linˆmio de grau n que n˜o ´ sol´vel por meio de radicais. K1 ). K). K2 = Q[u1 . O A5 n˜o ´ abeliano e n˜o possui subgrupo a e a Teorema |Aut L| = |L : Q| se.

e. i. com a x1 = x2 e y1 = y2 . divis˜es. casos particulares. Para quem sabe computa¸ao. que a cada elemento de N associa o pr´ximo. Define-se tamb´m uma rela¸ao de ızes e e c˜ ´ rema fundamental da Algebra.3) Formalizar Proceder a formaliza¸ao passo a passo. definiremos a/b ∗ c/d = (a ∗ c)/(b ∗ d). da mesma forma que podemos colocar Z ⊂ Q. Define-se a soma por indu¸ao com a fun¸ao sucessor.1.[HAL] p´g. para ele tudo isto s˜o trivialidades. 46. Defina o conjunto Z = N × N. (6/9) = (2/3). e para a/b + c/d = (a ∗ d + b ∗ c)/(b ∗ d). b) ∼ (c. Procurou-se 5. a seguir demonsc˜ trando o que faltou. Atrav´s de alguns c˜ e exemplos verificamos a validade ou n˜o de nosso racioc´ a ınio. Para tal consulte e geral para determinar se uma equa¸ao polinomial dada pos. p´g. Exemplo: Em Z × Z∗ . Resta verificar se estas opera¸oes c˜ est˜o bem definidas. y1 . eventualmente puc˜ lando alguns detalhes. Em Z po(ou topologia alg´brica) para demonstr´-lo. Seria c˜ ` e o existem polinˆmios de grau maior ou igual a 5 para os quais como somar “mais um”. 4. mas a c˜ ´ 2) Teorema Fundamental da Algebra o leitor poder´ recorrer a [GAR]. O interessante ´ que n˜o existe prova alg´brica Obs: Quando falamos que x1 = x2 queremos dizer que toe a e e deste teorema. b). 4. Colocaremos o dom´ ınio D dentro do novo corpo K. x2 = c/d.2) Definindo novas opera¸oes c˜ Em K. x2 . de modo que de alguma forma D ⊂ K. gerado por D de uma produto em N: forma adequada. ou seja. Definiremos novas opera¸oes de soma e produto neste c˜ conjunto de forma que K vire um corpo. e c˜ Uma express˜o radical ´ uma express˜o que envolve soa e a etc. o da intui¸ao. 5. cada elemento de K ´ uma e e classe de equivalˆncia em K . ıcio e c˜ e Finalmente K = K /∼. sendo necess´rio se recorrer a an´lise complexa mamos dois representantes da mesma classe de equivalˆncia. Defina em Z a rela¸ao de equivalˆncia (a. + . c˜ a sui solu¸ao por express˜o radical ou n˜o (ver a parte X – c˜ a a O mais importante na constru¸ao de Peano ´ a fun¸ao suc˜ e c˜ Introdu¸ao a Teoria de Galois). que em caso de d´vida u mas. o a processo de abordagem ´ o mesmo. Com isto quero dizer que se ao longo de uma demonstra¸ao necessitar de um fato n˜o demonstrado. c˜ e analogia com a constru¸ao de Q a partir Z: c˜ 3. c˜ a assuma que vale. pois 2 ∗ 9 = 3 ∗ 6. No entanto vamos denotar (a. y2 ∈ K . Desa a o Evariste Galois deu a resposta definitiva com um crit´rio tes decorrem todas as propriedades de N.1) Constru¸˜o de N o em v˜o pela express˜o de grau 5 at´ que Abel demonstrou a a e N˜o procederemos a esta constru¸ao b´sica. 3) Solu¸˜o por Radical ca Ter´ ıamos que verificar agora se (K.38. em axiomatizar os inteiros N com os axiomas de Peano. e c˜ 1. soc˜ c˜ o este trabalho fica por conta do leitor. etc. 3. a a ou seja. todo 1. apesar de termos ra´ asseguradas pelo teo. como multiplica¸oes. teremos que utilizar m´todos ordem. b) por a/b. termine a demonstra¸ao. verificar se x1 + y1 = x2 + y2 (mesmo ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ para o produto).. com a ∗ d = b ∗ c. Deste crit´rio resulta que cessor. ´ como c˜ e se o fato n˜o demonstrado fosse uma subrotina do programa a principal. 2. Al´m disto ter´ e ıamos que colocar D dentro de K. onde D∗ = D \ {0}. discutir com um colega. Todo mente opera¸oes simples. que consiste a c˜ a que n˜o existia express˜o radical para polinˆmios de grau 5. a tentando exemplos conhecidos. e a der´ ıamos tomar x1 = 9/6 e x2 = 18/12. o n˜o existe uma express˜o radical para suas ra´ a a ızes. a a Este teorema afirma que todo polinˆmio em C[x] apresenta o ¯ ¯ ra´ ızes em C. a ` e Durante muito tempo procurou-se por uma express˜o radia cal que fosse a f´rmula para calcular as ra´ de um polinˆmio 5) Constru¸˜o dos Conjuntos Num´ricos o ızes o ca e geral. c˜ e O processo de constru¸ao deste corpo ´ feito em completa e somente se a − b = c − d. tomando x1 . elemento tenha inverso multiplicativo. e num´ricos para obter as ra´ e ızes. Defina Z = Z /∼. onde a ∈ D e b ∈ D ∗ .1) Definindo o novo conjunto Considere K = D × D∗ .produto atrav´s da soma. x1 = a/b. Definiremos um novo conjunto K. K ser´ a formado por pares ordenados (a. Defina em Z a soma e o produto atrav´s da soma e e 1. e o c˜ c˜ Nestes casos. Ao longo da Hist´ria foram surgindo express˜es radio o ca cais para resolver os polinˆmios de grau 2. Quando o seu professor faz demonstra¸oes diretamente em c˜ linguagem formalizada pode ter certeza: quando ele estava ´ aprendendo fazia o mesmo. subtra¸oes e radicia¸oes. ou seja. 2. d) se. 4. E uma quest˜o de n´ a ıvel.2) Constru¸˜o de Z ca 4) Corpo de Fra¸oes de um Dom´ c˜ ınio Dada a existˆncia de N podemos construir Z do seguinte e Aqui demonstraremos que todo dom´ ınio de integridade modo: pode ser estendido de forma que se torne um corpo. o elemento neutro da multiplica¸ao. e somente se a ∗ d = b ∗ c (foi passado como exerc´ verificar que ´ rela¸ao de equivalˆncia !).2) Pensar intuitivamente Agora devemos procurar entender o que est´ sendo pedido. ∗ ) ´ de fato um e corpo. 3 e 4. c˜ c˜ poder´ recorrer a referˆncia supra citada. N˜o procederemos com esta verifica¸ao. Agora defina a seguinte rela¸ao de equivalˆncia em K : c˜ e (a/b) ∼ (c/d) se. mas para os problemas que a ele tenta resolver como um pesquisador em Matem´tica. quem ´ o zero. Devemos procurar desenhar. evitando nesta fase uma formaliza¸ao precipitada. 14 .

4) Constru¸˜o de R ca mos provar que isto ´ imposs´ para dimens˜o 3 (ver [FEL] e ıvel a Para esta constru¸ao necessitaremos de algo mais do que p´g. Obs2: Outra maneira cl´ssica de construir R ´ atrav´s de a e e [HAL1] Halmos. c˜ a corpos com outras dimens˜es sobre os reais. ou seja. em 1843. a ´ [BIR] Birkhoff. e c tatividade nem associatividade. (an ). c˜ a 6. 2. a camente fechado. MacLane. 1958 a 5.414. se temos de fato um corpo etc. Desta forma Z ser´ um dom´ a ınio de integridade. b ∗ c + a ∗ d) 5. ou seja. C e Quat´rnios. Na realidade a tativa. Em Q esta seq¨ˆncia n˜o ´ sociativas. o fato de ser um corpo algebric˜ [LIM] Lima. Definimos a soma e o produto em R como o limite da derna B´sica – Guanabara Dois. tais que a seq¨ˆncia Obs: Este t´pico do apˆndice est´ inteiramente baseado em u ue o e a seja de Cauchy. Leopoldo – Introdu¸ao a Algebra – c˜ ` ´ 1. e cortes de Dedekind. . por´m de dimens˜o maior que 2. [FEL]. um corpo de dimens˜o 2 sobre R.3). unica raz˜o para uma seq¨ˆncia de Cauchy n˜o convergir ´ a ´ a ue a e o a Logo ap´s Hamilton.5) Constru¸˜o de C ca nita – D.4. Definimos a rela¸ao de equivalˆncia.) ´ seq¨ˆncia ue 1. que por sua vez ´ definida a partir da rela¸ao e c˜ – Addison-Wesley de ordem de N. a 15 . Eles s˜o um corpo de u e a A diferen¸a destes corpos ser´ que R ´ um corpo completo. d) = (a + c. n´meros complexos: Os Quat´rnios. Van Nostrand Company [HAL2] Halmos. os Bi-Quat´rnios. onde I = (x2 + 1)R[x]. b) + (c. e racteriza¸ao principal de C. c˜ 6) Outros Corpos Seguindo o caminho de obter C a partir de R.3) Constru¸˜o de Q ca Foi feita no apˆndice anterior. Agora resta verificar se estas opera¸oes est˜o bem dec˜ a ´ [FEL] Felzenszwalb. ou seja. Veja que agora todo elemento ter´ inverso aditivo. e [NAC] Nachbin. corpo de e Obs: Uma seq¨ˆncia de Cauchy ´ uma seq¨ˆncia em que os dimens˜o 8 sobre os Reais. Define-se as opera¸oes de soma e produto da forma usual. Podee a 5. a soma dos termos da seq¨ˆncia em Q. I. Restou o problema para as n˜o asa e a ue a e de Cauchy convergindo para 2. conforme j´ foi visto.98. A passagem de Q para R Hamilton conseguiu. dimens˜o 4 sobre os reais onde a multiplica¸ao n˜o ´ comuc a e a c˜ a e ue ou seja. b) ∈ R × R as opera¸oes de soma e proc˜ duto destes pares de forma apropriada. distributividade etc. – Algebra Mo4. podemos ser tentados a obter corpos a que contenham R. da Matem´tica – Lisboa. atrav´s do corpo de fra¸oes e e c˜ do dom´ ınio Z. c˜ sendo que neste caso ´ imposs´ e ıvel definir-se uma rela¸ao de c˜ ordem como nos anteriores. d) = (a ∗ c + b ∗ d.(a. Dividir o dom´ R[x] de polinˆmios pelo ideal maximal McGraw-Hill ınio o gerado pelo polinˆmio irredut´ x2 + 1. Teremos todas as propriedades necess´rias: Comutatia vidade. envolve conceitos n˜o 1989. Poderemos tamb´m e nitas – IMPA – 12o – Col´quio – 1979 o definir uma rela¸ao de ordem em R a partir da rela¸ao de c˜ c˜ [FRA] Fraleigh. Depois introduzir a nota¸ao a + bi. b) ∗ (c. Quat´rnios e Bi-Quat´rnios. e ue s˜o: R. n˜o exigindo comuexistˆncia de um “buraco” no espa¸o. Adilson – Introdu¸ao a Algebra – IMPA. 1979. Verifique se as opera¸oes est˜o bem definidas. an ∈ Q. Agora o conjunto R ser´ R /∼. C. Garrett. Paul – Teoria Ingˆnua dos Conjuntos – D. Van Nostrand Company Esta constru¸ao j´ deve ter sido feita como um exerc´ c˜ a ıcio. c c˜ ` ´ supremo. uma generaliza¸ao dos c˜ necessita de conceitos anal´ ıticos. ue n´meros racionais. Elon Lages – Curso de An´lise Vol. b + d) e (a. 8.√ 1. c˜ a e conceitos puramente alg´bricos. Paul – Espa¸os Vetoriais de Dimens˜o Fic a 5. (an ) + (bn ) = ue [CAR] Cara¸a. a a alg´bricos. . e e 1. I – IMPA. Arnaldo – Algebra: um curso de introdu¸ao c˜ Obs1: Podemos axiomatizar R atrav´s da propriedade do e – IMPA supremo. (an ) ∼ (bn ) se. Cayley obteve. – Topics in Algebra – Blaisdell Book Ela envolve somente conceitos alg´bricos. toda seq¨ˆncia de Cauchy converge. 5. o conjunto o ıvel C ser´ R[x]/I. que todo conjunto limitado de R possui [GON] Gon¸alves. Saunders. [HER] Hernstein. No entanto a ca. ue e ue a termos sucessivos est˜o cada vez mais pr´ximos. John – A First Course in Abstract Algebra ordem em Q. analogamente para o produto. Bento de Jesus – Conceitos Fundamentais c (an + bn ). 1. 1980. 2.41. Definimos o conjunto R das seq¨ˆncias de Cauchy de R. Obs: Outra maneira de definir C ´ definir no conjunto de e pares ordenados (a. Para uma a o Ainda houveram muitas tentativas frustradas de se obter defini¸ao precisa veja [LIM] p´g. resolvidas em 1957 por Bott e Milnor e Kervaire : convergente pois Q apresenta “lacunas”. Em 1877 Frobeo nius provou que exigindo-se associatividade os unicos corpos ´ Exemplo: A seq¨ˆncia (1. . ´ [GAR] Garcia. e c˜ e somente se limn−→∞ (an − bn ) = 0 XII – Bibliografia 3. Bernardo – Algebras de Dimens˜o Fia finidas. associatividade. ou seja.Co. a 7.

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