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AÇAÍ

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  • Ambiente edafo climático
  • Cultivar e produção de mudas
  • Cultivo de açaizeiro em terra firme
  • Cultivo de açaizeiro em várzea
  • Manejo de açaizais nativos
  • Pragas e métodos de controle
  • Noções básicas para o uso de agrotóxicos
  • Colheita e pós-colheita
  • Processamento embalagem e conservação

AÇAÍ

Açaí é o fruto bacáceo roxo que dá em cacho na palmeira conhecida como açaizeiro, cujo nome científico é Euterpe oleracea. É uma espécie nativa das várzeas da região amazônica, especificamente dos seguintes países: Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas, e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia Acre e Tocantins ), assim como em Trinidad e Tobago e nas bacías do Pacífico na Colômbia e no Ecuador. A Festa da Juçara do Maranhão refere-se ao açaí. O açaí é um alimento muito importante na dieta dos habitantes do Pará, [1] onde seu consumo remonta aos tempos pré-colombianos. Hoje em dia é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa.

Descrição
O açaizeiro é muito semelhante à palmeira juçara (Euterpe edulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se porque cada planta de juçara tem somente um caule mas os açaís crescem em touceiras de 4 a 8 estipes (troncos de palmeira) cada um de 12 m de altura e 14 cm de diâmetro ponto-médio e podendo chegar até uns 20 metros.

Usos
Da palmeira, tudo se aproveita: frutos (alimento e artesanato), folhas (coberturas de casas, trançados), estipe (ripas de telhado), raízes (vermífugo), palmito (alimento e remédio anti-hemorrágico). Seu sumo é muito consumido como suco ou pirão e cujo gomo terminal constituí o palmito. Assim pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido subindo -se na palmeira com o auxílio de uma trançado de folha amarrado aos pés - a peconha. (Peconha é um utensílio rudimentar amazônico similar a um cinto, utilizado na escalada de árvores comumente fabricado a partir de fibras de Ubuçu (tururi), Ripeira ou Matamatá) Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí. A forma tradicional na Amazônia de tomar o açaí é gelado com farinha de mandioca ou tapioca. [6] Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer com peixe assado ou camarão e mesmo os que preferem o suco com açúcar (ainda assim, bem mais grosso que qualquer suco servido no sudeste). [carece de fontes?] As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato.[7] Quando descartadas, servem como adubo orgânico para plantas. [carece de fontes?]

Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais, o que não é bem visto pelos habitantes da região Norte, que encaram a mistura como um desperdício de açaí. Conhecido como açaí n a tigela, é um alimento muito apreciado por freqüentadores de academias e desportistas.

Origem do nome
A etimologia da palavra açaí encontra-se no vocábulo tupi que significa fruto que chora, ou seja fruto que elimina água.

Importância comercial
O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos. Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos é quase impossível, devido à falta de controle nas vendas, bem como à inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apoia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta. No Pará, principal produtor, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite. Neste sentido, constitui-se num item de alimentação fundamental para muitas pessoas. Entretanto, a exportação em larga escala tem acarretado uma diminuição significativa na qualidade do suco consumido pela população de baixa renda que para consumir o fruto com uma qualidade razoável necessita pagar mais caro. O que tornase inviável do ponto de vista da renda financeira que possuem. Consumindo um suco fino que as pessoas denominam de chula. A mistura com água e outros ingredientes, promovida fora da região Norte do Brasil, reduzindo a participação efetiva de açaí na mistura, é devido ao alto custo que seria exportar açaí do Norte, sobretudo do Pará, para ou tras regiões do país. Para se tornar econômicamente viável, comerciantes passaram a misturar o açaí original, adquirido a alto custo, com outros elementos de menor valor econômico, viabilizando a venda. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: muitos brasileiros não sabem que o fruto é nativo do Norte ou que é consumido puro. Na região Norte, tanto humildes ribeirinhos (moradores tradicionais das marge ns dos rios) como as classes economicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios comumente empregados em outras regiões do país, considerando o açaí de duas classes: o açaí integral, sem tais artifícios, e o açaí misturado, que é aquele no qual se acrescenta água para dar mais volume e muitas das vezes até amido com intuito de obter mais consistência, comercializado com frequência em todo o país.

Valor nutricional
Por 100g (cem gramas) de polpa:

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Calorias: 69 K/cal (em média) Proteínas: 3,8g Lipídios: 12,2g Fibra: 16,90g Cálcio: 118 mg Ferro: 11 mg Fósforo: 0,5 mg Vitamina B1: 11,80 Vitamina B2: 0,36 Vitamina C: 0,01

Apesar do alto teor de gordura do açaí, trata-se em grande parte de gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%),[9] também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL) e melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto do coração.

Lenda
Conta a lenda que existia uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos estavam escassos, era difícil conseguir comida para toda a tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças recém nascidas seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional da tribo. Até que um dia a filha do cacique, chamada Iaçá, deu à luz uma menina que também teve de ser sacrificada. Iaçá ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades. Ficando vários dias enclausurada em sua oca e pediu a Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças. Certa noite de lua, Iaçá ouviu um choro de criança. Aproximou -se da porta de sua oca e viu sua filhinha sorridente, ao pé de uma grand e palmeira. Lançou-se em direção à filha, abraçando - a . Porém misteriosamente sua filha desapareceu. Iaçá, inconsolável, chorou muito até morrer. No dia seguinte seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorr iso de felicidade e seus olhos estavam em direção ao alto da palmeira, que se encontrava carregada de frutinhos escuros. Itaki então mandou que apanhassem os frutos, obtendo um vinho avermelhado que batizou de acaí, em homenagem a sua filha (Iaçá invertido ). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu a ordem de sacrificar as crianças.
Açaí (Euterpe oleracea Mart.): a extração de frutos da palmeira do açaí para produção de polpa é uma atividade de grande importância econômica. Está intimamente ligada à cultura e à dieta das populações da Amazônia. Seus produtos e subprodutos são utilizados há várias gerações como fonte de alimento e de renda. Da palmeira do açaí pode-se aproveitar praticamente todas as partes: o palmito é alimento nobre, o "tronco" pode ser usado na

Também ocorre em áreas de terra firme. compondo ecossistemas de floresta natural ou em forma de maciços conhecidos como açaizais.) é nativo da Amazônia brasileira e o Estado do Pará é o principal centro de dispersão natural dessa palmácea. adaptada às condições elevadas de temperatura. localizadas em regiões com maior precipitação pluviométrica. de açaizais nativos manejados e de cultivos implantados em áreas de várzea e de terra firme. importante alimento para as populações locais. Dos frutos do açaizeiro é extraído o vinho. panificação. sorvetes e outros produtos derivados (Tinoco. é na região do estuário do Rio Amazonas que se encontram as maiores e mais densas populações naturais dessa palmeira. Maranhão. As mais recentes pesquisas mostram o novo organograma do aproveitamento do fruto do açaizeiro. no consumo alimentar. além de uso na geração de vapor. a partir da década de 1990. polpa ou simplesmente açaí. com área estimada em 1 milhão de hectares. Dados estatísticos comprovam que cerca de 80% da produção de frutos têm origem no extrativismo. A polpa representa 15% e é aproveitada. Suriname e Guiana) e da América Central (Panamá). O caroço corresponde a 85% do peso total. como é conhecido na região. xaxim. licores.com.br/gestao/artigos/desenvolvimento_sustentavel _na_amazonia_legal. para a extração de corantes e antocianina. compensados. Populações espontâneas também são encontradas nos Estados do Amapá. enquanto os 20% restantes são provenientes de açaizais manejados e cultivados em várzea e terra firme. doces.fabricação de papel e como isolante elétrico. extração de óleo comestível. também. placas acústicas. do qual a borra é utilizada na produção de cosméticos. O açaizeiro se destaca. A produção de frutos. além de ser fonte de álcool e servir como antidiarréico. entre os diversos recursos vegetais. precipitação pluviométrica e umidade relativa do ar.html Sistema de Produção do Açaí Introdução e importância econômica O açaizeiro (Euterpe oleracea Mart. camarão ou carne. como na torrefação de café. associado ao peixe. Mato Grosso. as fibras em móveis. carvão vegetal e adubo orgânico. Colômbia. principalmente quando localizadas próximas às várzeas e igapós. O açaí é habitualmente consumido com farinha de mandioca.ambientebrasil. com e sem irrigação. fitoterápicos e ração animal. Tocantins. Com o açaí são fabricados sorvetes. do fruto pode-se obter a polpa e o adubo. podendo ser aproveitado. indústria automobilística. de forma tradicional. No entanto. néctares e geléias. 2005). além de ser a principal fonte de matéria-prima para a agroindústria de palmito no Brasil. Equador. . também. que provinha quase que exclusivamente do extrativismo. sendo o alimento básico para as populações de origem ribeirinha. passou a ser obtida. entre outros. pela sua abundância e por produzir. em sistemas solteiros e consorciados. http://ambientes. As maiores concentrações ocorrem em solos de várzeas e igapós. e em países da América do Sul (Venezuela. os caroços limpos na industrialização de produtos A4.

Em termos de oferta de frutos. ultrapassam a mil toneladas por ano. O incremento das exportações vem provocando a escassez do produto e a elevação dos preços ao consumidor local. antes destinado totalmente ao consumo local.O interesse pela implementação da produção de frutos tem se dado pelo fato do açaí. Nas áreas de exploração extrativa. e estimulou a implantação de cultivos racionais em terra firme. Abaetetuba. mas é esperado sensível aumento quando as áreas de cultivo e de manejo apresentarem níveis satisfatórios de produtividade. de janeiro a junho. às microrregiões homogêneas de Cametá (MRH 041). responsáveis por cerca de 80% da produção paraense. pois é rico em proteínas e minerais. no Estado do Pará. Esta publicação reúne informações tecnológicas e socioeconômicas sobre os sistemas de cultivo. ter conquistado novos mercados e se tornado em importante fonte de renda e de emprego. O reflexo imediato da valorização do produto resultou na expansão de açaizais manejados. o açaí representa a principal base alimentar da população. O valor anual da produção de frutos de açaizeiro. podendo chegar à cerca de 12 mil toneladas. com elevado percentual de lipídeos. para outros Estados brasileiros. No agronegócio do açaí. com vistas ao incremento do desempenho do agronegócio. estimados em 8 toneladas por hectare. Do total colhido. gerando aproximadamente 2 mil empregos diretos. A composição química e o valor nutricional do açaí são discriminados na Tabela 1. Igarapé-Miri. cerca de 20% é consumido pelas famílias no local de produção. para outros países. a produção econômica de frutos é creditada. A produção anual de frutos se mantém por volta de 160 mil toneladas. processamento e comercialização. têm destacadas participações os Municípios de Cametá. ao longo dos últimos 10 anos. no Pará. vem aumentando significativamente com taxas anuais superiores a 30%. Furos de Breves (MRH 035) e Arari (MRH 036) que. Ponta de Pedras e Mocajuba. em áreas de várzeas. Embora o açaizeiro ocorra naturalmente em grandes concentrações em toda a região do estuário amazônico. é de aproximadamente 66 milhões de reais. e nutricional. à melhoria da renda e da qualidade de vida dos agricultores e extrativistas envolvidos na exploração comercial do açaizeiro. é estimado o envolvimento de 25 mil pessoas. basicamente. notadamente dos ribeirinhos da região do estuário do Rio Amazonas. Limoeiro do Ajuru. . Os dados mais recentes estimam em mais de 15 mil hectares de áreas manejadas e financiadas no Estado do Pará. transporte. manejo. contribuíram com mais de 90% da produção estadual. Composição química do açaí O açaí é considerado alimento de alto valor calórico. As exportações de polpa ou na forma de mix. A venda de polpa congelada. principalmente no período da entressafra.

50 0.25 45.00 34.00 0.50 1. Composição Unidade Quantidade na matéria seca pH Matéria seca Proteínas Lipídios totais Açúcares totais Açúcares redutores Frutose Glicose Sacarose Fibras Brutas Energia Cinzas Sódio Potássio Cálcio Magnésio Ferro Cobre Zinco Fósforo Vitamina B1 -Tocoferol (vitamina E) % g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) Kcal/100g g/100 g(1) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) 5.00 13.50 56.50 1.00 124.40 932.50 0.70 7.Tabela 1.00 1.00 .30 3.00 1.80 15.00 174.00 1. Composição química e valor nutricional do açaí.00 48.00 286.00 66.

além da precipitação pluviométrica.49%).000 mm anuais. causadores da arteriosclerose. sendo estes responsáveis pela cor do açaí. As temperaturas médias anuais oscilam entre 22 oC e 27 oC. nas perdas de água pelo processo de evapotranspiração. a variedade climática i se caracteriza por não ter verão ou inverno estacional.8 g de lipídios. com a alta nebulosidade. . exceto a cidade de Cárceres. A definição das possibilidades ou limitações do cultivo do açaizeiro. Além disto. pertencentes à família dos flavonóides. onde as temperaturas médias dos meses não são inferiores a 18 oC. com 60% de monoinsaturados e 13% de poliinsaturados. e está estreitamente relacionada aos períodos pluviométricos. dentre as vitaminas. O açaí possui elevado teor de antocianinas. As antocianinas são pigmentos naturais.400 a 2. o que corresponde de 25% a 30% da quantidade nutricional diária necessária. Segundo Bastos (1972). Os tipos climáticos. 31. é considerado como região tipicamente tropical.6 g de proteínas. principalmente potássio e cálcio e. contendo cerca de 1.50%) e do ovo (12. A umidade relativa do ar varia entre 70% e 91%. 1972. o que equivale a 90% das recomendações diárias e 12. o que corresponde a 66% da ingestão diária requerida. que apresenta amplitude anual um pouco acima desse limite. Fonte: Rogez (2000). exige o conhecimento da disponibilidade de água no solo.5 g de fibras alimentares totais. pode ser destacada a vitamina E. O consumo diário de um litro de açaí do tipo médio. com 12. distribuídos em 2 períodos. baixa latitude e clima quente. Ambiente edafo climático Clima O estuário amazônico. um antioxidante natural que atua na eliminação dos radicais livres.300 a 3. de acordo com o balanço hídrico que se baseia. 1986). possui teor superior ao do leite (3. em áreas da Região Amazônica. O açaí é rico em minerais. A região se beneficia com índices pluviométricos de 1.500 horas que. Bastos et al.02 /100 g de extrato seco. os períodos de insolação correspondem de 35% a 60% do total de horas. Ami e Awi se diferenciam a partir do total pluviométrico do mês com menor precipitação em relação ao total anual (Fig.(1)Matéria seca. o mais chuvoso e o menos chuvoso (Bastos. pela sua posição geográfica. O total de brilho solar anual é de 1. (2)Cálculo por diferença. Com relação às proteínas. Afi. O óleo extraído do açaí é composto de ácidos graxos de boa qualidade. O açaizeiro encontra condições satisfatórias de cultivo nas faixas climáticas com regular distribuição de chuvas e em áreas que. a Região Amazônica está situada no grupo de clima tropical chuvoso A. que assegura melhor circulação sanguínea e protegem o organismo contra o acúmulo de placas de depósito de lipídeos. enquanto o perfil em aminoácidos é semelhante ao do ovo. MT. contém 65. 1). com oscilações inferiores a 5 oC.5% de matéria seca. com as máximas variando de 28 oC a 33 oC e as mínimas de 17 oC a 23 oC. possuem função antioxidante. De acordo com a classificação de Köppen.

intermediário entre Afi e Awi. normalmente. Fig. a utilização de sistema de irrigação.5 e. O Ami. 1972). Na Amazônia brasileira predominam.mesmo com período seco definido. com pH variando de 4. pois neles se fixam e extraem parte dos elementos necessários à sua sobrevivência e desenvolvimento (Falesi. Distribuição de tipos climáticos na Amazônia Brasileira. nos períodos menos chuvosos.500 mm. no mês de menor precipitação. como nas várzeas.500 mm anuais) e.5 a 6. 1972). floração e frutificação do açaizeiro. e construtivos.000 e 2. Desse modo. é importante planejar. Fonte: Bastos. 1972. 1. com nítida estação seca. pela superfície que ocupam. que garanta a suplementação hídrica às plantas (Bastos. 1982. relacionados com a decomposição e desintegração (física e química) dos minerais e de restos orgânicos (vegetais e animais). estrutura e composição química que irão influir no desenvolvimento das plantas. possui regime pluviométrico anual que define uma estação relativamente seca. com tipo climático Ami e Awi. Calzavara. Quando cultivado em áreas de terra firme. condições adequadas para o cultivo do açaizeiro. disponham de umidade satisfatória no solo. Solos Os solos são originados da decomposição de rochas superficiais e resultam de processos destrutivos. dois padrões de solos: os de terra firme (87%). orgânicos e inorgânicos. com a formação de novos corpos químicos. com vistas a evitar a redução ou paralisação do crescimento. O tipo Afi apresenta abundância de chuvas durante todo o ano (acima de 2. mas com precipitação total acima de 2. pobres em .500 mm anuais. O tipo climático Awi se caracteriza por ter índice pluviométrico anual entre 1. as chuvas alcançam mais de 60 mm. os solos apresentam textura.

várzea baixa e igapó (Falesi. Essas áreas. são distinguidas em várzea alta.cálcio. Solos de várzea e igapó Esses solos hidromórficos ocupam áreas planas. Apesar da baixa fertilidade natural. Vermelhoamarelo e Vermelho-escuro (Latossolo Vermelho). muitas das quais são passíveis de serem utilizadas com sistemas produtivos. Dentre esses. mas sob condições com baixa deficiência hídrica.Plintossolos ou Lateritas Hidromórficas: normalmente de baixa fertilidade. 1972). segundo Falesi (1986) são: . Por isso. Solos de terra firme Os solos latossólicos. tais como os de açaizeiro. Os solos de terra firme. e os de várzea (13%). a unidade pedogenética de maior importância é constituída pelos Latossolos Amarelo. é indicado para as condições tropicais de grande precipitação pluviométrica e elevada temperatura. com textura variando de leve (arenosa) a muito pesada (argilosa). ao longo do Rio Amazonas e seus afluentes. de formação sedimentar recente. bem drenados. porosos. são opções importantes para o cultivo dessa palmácea. . Os principais solos hidromórficos encontrados na Região Amazônica. Na implantação de açaizais em solos de terra firme. é dada preferência aos solos planos e com baixa declividade. embora o açaizeiro seja espécie típica de áreas inundáveis. fortemente ácidos e de baixa fertilidade. em sistemas de cultivo solteiro e consorciado. 1972). 1972). são bem drenados. situados às margens dos rios com influência constante das marés (Nascimento & Homma. baixa capacidade de troca de cátions e baixo índice de saturação. com características de cultura permanente. ultrapassam os 200. no Estado do Pará. baixa soma de bases. baixas. bem como utilizar coberturas viva ou morta nas áreas de plantio. As áreas desmatadas para uso agrícola.000 km2. Por ser espécie florestal típica da região. que margeiam os rios e apresentam extensões de alguns quilômetros de largura. o que faz com que os atributos físicos desses solos sejam mais importantes do que os químicos (Falesi. crescimento lento dos estipes e redução do diâmetro. fortemente desgastados. A grande intensidade e freqüência de chuvas ocorrentes na região podem causar a desagregação das partículas dos solos provocando a sua erosão. pois são obstáculos à penetração das raízes superficiais dessa espécie e concorrem para a redução do número de brotações. é recomendável a utilização de áreas exploradas com plantios sucessivos. que são solos profundos. que ocorrem nas áreas não-inundáveis do estuário amazônico. onde exerce proteção permanente do solo. respondem muito bem à adubação. 1984). As áreas de pastagens degradadas ou as capoeiras finas (macegas) permitem menores custos de implantação do açaizal. com reflexos na produção (Calzavara. Os solos concrecionários não são recomendáveis para o cultivo do açaizeiro.

apresenta grande variação de tipos para os mais diversos caracteres de interesse. com ampla ocorrência na Amazônia Continental. havendo também considerável redução no número de perfilhos. as populações de açaizeiro são menos densas. número de frutos por ráquila e diâmetro dos estipes. seguida das de várzea baixa. explica a menor freqüência de espécies arbóreas e de açaizeiro. responsáveis pelo aparecimento de mosqueados. Cultivar e produção de mudas O açaizeiro. Os solos de várzea não apresentam boas propriedades físicas. as sementes germinam e as plântulas retomam o seu desenvolvimento.5. Quando o suprimento de oxigênio é normalizado. até então proveniente da exploração extrativa. que requerem práticas de manejos específicas e maior volume de investimento. por períodos superiores a 15 dias. por isso. representadas por raízes aéreas com lenticelas e aerênquimas. devem ser priorizados a implantação de cultivos racionais e o manejo de populações nativas nas áreas de várzeas. com a participação de açaizais nativos . que tenham valor econômico. rendimento de polpa e época de produção. Nos igapós. Por isso. como o açaizeiro que desenvolveu mecanismos de adaptações morfológica e anatômica. a produção de frutos de açaizeiro. açaí-espada e açaí-sanguede-boi. por ser espécie alógama (originária de cruzamentos). que caracterizam esses solos de terras inundáveis. A partir da década de 1990. solo e sistema de produção é o princípio fundamental para a obtenção de incrementos de produtividade e de qualidade de qualquer vegetal. em ambiente anóxico da várzea baixa. tem fertilidade de média a alta. Em condições naturais.Gleissolos háplicos. sem excluir as de igapó.. açaí-branco.Espodossolos ou Podzol Hidromórfico: são de baixa fertilidade e excessivamente ácidos. açaí-açu. as denominações de açaí-roxo ou preto. pois a germinação de sementes é limitada e o crescimento das plântulas é prejudicado. O regime de inundações periódicas nas áreas de várzea provocou a adaptação de algumas espécies vegetais. As oscilações do lençol freático determinam a maior ou menor disponibilidade de água e oxigênio. . produtividade de frutos. As estratégias fisiológicas desenvolvidas pelas plantas desta palmácea.5 a 5. A partir dessas características resultaram. Esses devem ser os preferidos quando da aplicação do manejo de açaizais ou enriquecimento de ecotipos produtivos dessa palmácea. provocando os processos de oxidação e redução do ferro. passou a contar. formas de inflorescências e cachos. como precocidade. entre outras. permitem manter as sementes viáveis e as plântulas vivas. Os vários tipos de açaizeiro foram definidos de acordo com a coloração de frutos. e pH de 4. por causa das sucessivas deposições de sedimentos. Gley Pouco Húmico ou Gley Húmico: resultante do acúmulo de sedimentos e. a densidade de açaizeiro nas populações nativas é maior nos solos de várzea alta. A redução do teor de oxigênio em solo de igapó. também. ou com outras espécies de área inundável. mas têm elevada fertilidade. O uso de cultivares adaptadas às diferentes condições de clima.

obrigatoriamente. O programa de melhoramento genético da Embrapa Amazônia Oriental. 1). em várzea e terra firme. número de cachos/planta (4. para a produção de frutos por 3 anos consecutivos. Foto: João Tomé de Farias Neto . selecionada para as condições de terra firme. a cultivar BRS-Pará. os valores médios de altura (4. obedecendo aos padrões técnicos exigidos para a certificação de sementes. A cultivar BRS-Pará. transformado em área de produção de sementes (APS) ou de população melhorada. não reproduzirão as mesmas características das plantas matrizes. Nesses cultivos foram usadas sementes de origem genética desconhecida. De cada planta selecionada foram colhidas e misturadas quantidades iguais de sementes para a produção de mudas. Aos 3 anos de idade.4) e altura do 1o cacho (112 cm) foram considerados vantajosos em relação à população de origem (Fig. com produção acima de 25 kg de frutos/planta/ano. em sistemas solteiros e consorciados. no Município de Belém. ocorreu à eliminação daquelas com padrão de desenvolvimento vegetativo e perfilhamento (estipe único) indesejável. com base na seleção fenotípica na coleção de germoplasma de açaizeiro. com bons níveis de produtividade de frutos. circunferência do diâmetro à altura do colo (58 cm). apresentará plantas que.2 m). Nesse ciclo foram identificadas e selecionadas 25 plantas promissoras. resultando em plantios heterogêneos quanto à produtividade e qualidade do fruto. em área de terra firme no Município de Santa Izabel do Pará. lançou. 2005) resultou de 2 ciclos de seleção massal. de forma a permitir o intercruzamento. O 2o ciclo visou à seleção de plantas para as características de perfilhamento e vigor. por meio de polinização livre. O 1o visou à avaliação de 849 plantas da coleção de germoplasma. apenas das plantas superiores. As sementes utilizadas para o lançamento da cultivar BRS-Pará foram provenientes desse plantio. por resultar de plantas de polinização aberta ou cruzada. PA. implantada em área de terra firme. provenientes de matrizes selecionadas. em razão de não existir campos de produção de sementes.manejados e de cultivos. plantadas num lote isolado. Antes do florescimento das plantas (3o ano). A cultivar BRS-Pará (Oliveira & Farias Neto. em 2004.

com tipo climático Ami. Produção de mudas O açaizeiro pode ser propagado pelas vias assexuada (retirada de perfilhos) e sexuada (germinação de sementes). avaliadas em um único local (Santa Izabel do Pará). por meio de perfilhos. pelas dificuldades de serem obtidos perfilhos em número suficiente. quando comparado com a propagação assexuada. Esse processo deve ter o seu uso restrito aos trabalhos de melhoramento genético. mas com a tendência de uniformidade a partir do 5o ano. em pequena escala. nas 2 primeiras safras. com maior concentração da produção de frutos no 2o semestre. produtividades de aproximadamente 3 toneladas por hectare/ano. como alta produtividade. poderão sofrer algumas alterações em função da interação genótipo x ambiente. a partir do 6o ano.Fig. maturação uniforme dos frutos no cacho e período de frutificação na entressafra. de indivíduos que apresentem características desejáveis. no 5o ano. além de sua baixa taxa de sobrevivência em viveiro ou no campo. é comum a desuniformidade de lançamento de cachos produtivos. sendo possível obter. pois possibilita produzir grande número de indivíduos com menor custo. em número variável. De modo geral. ocorram aumentos progressivos que poderão alcançar a 10 toneladas de frutos no 8o ano. A extração de perfilhos tem uso . é indicada para a propagação. dependendo do genótipo e das condições ambientais. 1. Plantio de açaizeiro da cultivar BRS-Pará. A produção de mudas a partir de sementes é o processo mais indicado para o estabelecimento de cultivos comerciais. é estimado que. No período inicial de produção. Propagação assexuada Os perfilhos são emitidos na base do estipe do açaizeiro. elevado rendimento de polpa. A produção de mudas. Vale ressaltar que as características produtivas da cultivar BRSPará. a produtividade possa chegar a 4 toneladas e. A produção de frutos tem início a partir do 3o ano.

1998. quando maduro. Quando novos. para a obtenção de . O açaizeiro por ser planta de fecundação cruzada (alógama) favorece a segregação de suas características morfológicas e produtivas. de verde (açaí branco) a violáceo (açaí preto). com produções desuniformes e de baixo rendimento de frutos e polpa. proteínas e amido. esses são mantidos junto à planta-mãe por cerca de 60 dias. e mantidas em viveiro com interceptação de 50% da radiação solar direta. O epicarpo corresponde à fina camada externa do fruto. de forma arredondada. anualmente. O mesocarpo ou polpa tem a espessura de 1 a 2 mm e corresponde de 5% a 15% do volume do fruto (Carvalho et al. a taxa de multiplicação é baixa. Assim. com base no tipo de estipe (touceira). quando comparada com a sexuada. O endocarpo é lenhoso. pelo menos. recoberta por fina cutícula oleosa. O endocarpo. apresenta um embrião diminuto. estrutura utilizada na propagação sexuada do açaizeiro. Os perfilhos estão intimamente ligados à parte basal do estipe adulto e emitidos abaixo do coleto. não ultrapassando os 60%. quando são observadas maiores taxas de sobrevivência no viveiro. uma folha (flecha) ainda fechada. sendo possível extrair de 5 a 10 perfilhos por touceira a cada ano. enquanto uma única planta pode produzir. representa cerca de 73% do peso do fruto. séssil. 2000). Nesse processo de propagação. até 10 mil sementes. até recentemente. os perfilhos não têm raízes em número suficientes que garantam o desenvolvimento normal das mudas. A extração de perfilhos da planta-mãe é realizada no período mais chuvoso do ano. Obtenção de sementes e preparo de mudas A maioria dos plantios comerciais implantados no Estado do Pará foi feita. a partir de sementes com características desconhecidas e nãoselecionadas. comprimento do entrenó (cicatriz foliar). constituído de solo (60%) e matéria orgânica (40%). 2000). contendo substrato orgânico. com diâmetro de 1 a 2 cm e peso de 0. o perianto parcialmente fibroso. quando a área de cultivo estiver próxima ao campo de matrizes.restrito. número de cachos emitidos. produção de frutos. Os perfilhos devem ter a altura mínima de 50 cm e apresentarem. rendimento de frutos por cacho e de polpa por fruto. Essas mudas podem ser transplantadas para sacos de plástico preto (15 x 35 cm). para o completo desenvolvimento do sistema radicular. quando do desmembramento. porém. rico em sílica e pobre em lipídios (gorduras). com abundante tecido endospermático compacto. Rogez. por causa do pequeno número de plantas que podem ser obtidas por esse processo (Oliveira et al. resultando na formação de plantios heterogêneos.3 g. Propagação sexuada A semente do açaizeiro é envolvida por uma camada de fibras. As sementes são obtidas de plantas-matrizes com características desejadas. São bons parâmetros de avaliação e seleção de plantas-matrizes. ou plantadas diretamente no campo.8 a 2. com coloração que pode variar.

e antes da semeadura. Depois de colhidos. dificultando o manuseio das embalagens. visando à implantação de 1 hectare. necessitando de tratamento prévio. as sementes são estratificadas em serragem (curtida ou esterilizada em água fervente por duas horas).000 sementes (1. dispostas em camadas estratificadas em serragem ou ainda sem este substrato. cujos pressupostos básicos consideram a secagem e o armazenamento das sementes a baixas temperaturas. em camada única. Alternativamente. Necessidade de sementes A quantidade necessária de sementes para a produção de mudas. seguido de secagem superficial mantendo o teor de umidade entre 25% e 30%. O ideal é que sejam semeadas logo após a colheita e o despolpamento. com o auxílio de um estilete.7 kg) para cada hectare a ser implantado no espaçamento 5 x 5 m (400 mudas/hectare). garantindo a germinação de aproximadamente 100%. não suportando a secagem nem o armazenamento a temperaturas abaixo de 15 oC. do mesocarpo e do epicarpo.sementes. Na impossibilidade de realizar a semeadura de imediato. aquelas com produção de frutos superior a 5 latas/touceira e com o rendimento mínimo de 8 litros de polpa/lata com 14 a 15 kg de frutos. O modo prático de ser obtido esse nível de umidade é dispondo as sementes. Por esse motivo. a germinação requer cerca de . Após o despolpamento. Acondicionamento de sementes As sementes de açaizeiro perdem a viabilidade rapidamente. vermiculita ou carvão moído umedecidos previamente com água. os frutos são submetidos ao processo de extração da polpa. sobre papel jornal e mantê-las à sombra durante 24 horas. pois apresentam comportamento recalcitrante. A areia ou solo não são indicados para a estratificação das sementes do açaizeiro. O despolpamento m anual pode ser usado para pequenas quantidades de sementes e consiste da remoção. Considerando que cada quilograma possui de 600 a 720 sementes e a necessidade de seleção de plântulas na sementeira e de mudas no viveiro. com fungicida específico para sementes. e se inicia por volta dos 22 dias após a semeadura e se estabiliza aos 48 dias.4 a 1. As sementes também podem ser colocadas para germinar em sacos de plástico. é recomendável a semeadura de aproximadamente 1. dependerá do espaçamento a ser adotado. com a ajuda de máquinas despolpadoras ou batedeiras de açaí. não podem ser conservadas pelos processos convencionais de armazenamento. Em média. as sementes são lavadas com água potável. por serem demasiadamente pesados. Semeadura e Germinação de Sementes A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de plástico preto ou em sementeiras preenchidos com substrato orgânico. A emergência de plântula do açaizeiro é desuniforme. por via úmida. as sementes de açaizeiro podem ser acondicionadas em sacos de plástico sem substrato.

Quando necessário. Semeadura direta em saco plástico com substrato Este método é recomendado quando a quantidade de mudas a ser produzida é pequena. preferencialmente. com ou sem substrato.000 sementes por metro quadrado. Por outro lado. na profundidade de 1 cm. o que exigirá novas semeaduras. É necessário umedecer o substrato antes da semeadura e depois. pois implica em considerável economia de mão-de-obra e possibilita a realização de criteriosa seleção de plântulas a serem transplantadas para os sacos de plástico com substrato. Nessa condição. praticamente 100% das plântulas sobrevivem à repicagem e apresentam desenvolvimento normal.000. com ajuda com a ajuda de um bastão. são feitas pequenas covas com profundidade aproximadamente de 2 cm. A semeadura de 50. no estádio "palito". Os sacos de plástico devem ter dimensões mínimas de 15 cm de largura por 25 cm de altura. no estádio denominado de "palito". normalmente com 5 a 7 cm de altura. onde as sementes são depositadas e cobertas por uma fina camada de substrato. é realizada a poda das raízes. Semeadura em sementeira Este método é indicado quando é grande a quantidade de mudas a serem produzidas. entre 500 a 1. a repicagem das plântulas para o viveiro é efetuada antes da abertura do 1o par de folhas. nem todas as sementes germinam. com dimensões compatíveis com a quantidade de sementes. na proporção volumétrica de 1:1. além disso. e o controle de plantas invasoras. As sementes são semeadas em sulcos distanciados de 4 cm. onde são distribuídas 40 sementes por metro linear. As sementes germinadas são imediatamente repicadas para o viveiro. a semeadura de duas ou mais sementes por saco implicará na eliminação das plântulas excedentes. em quantidade adequada. O substrato de enchimento dos sacos é constituído da mistura de 60% de solo.000 sementes ocupará somente 50 m2 na sementeira. A estratificação pode ser feita com serragem curtida. A área ocupada com a sementeira é bem pequena e permite o suprimento de água. A semeadura direta de 50. por exemplo. 1998). para que contenha oxigênio suficiente às necessidades respiratórias das sementes e serem hermeticamente fechados para evitar o dessecamento muito rápido do . o que permite a concentração de 1. A repicagem das plântulas para os sacos será efetuada. vermiculita ou carvão vegetal moído. onerando os custos operacionais. previamente umedecido. Estes sacos devem ter o dobro do volume ocupado pelas sementes estratificadas mais o substrato. 20% de serragem e 20% de esterco curtido ou ainda da mistura de 60% de solo e 40% de cama de aviário.30 dias e a aceleração do processo ocorre com a imersão das sementes em água morna durante 10 a 15 minutos (Carvalho et al.000 sementes. Quando a germinação das sementes é realizada em sementeira ou em sacos de plástico. Pré-germinação de sementes estratificadas As sementes são colocadas para germinar dentro de sacos de plástico transparentes. O substrato para o preparo da sementeira é constituído da mistura de areia lavada com serragem curtida. antes da abertura do 1o par de folhas. ocupará uma área de 500 m2 do viveiro.

haverá a necessidade de irrigação. sempre que necessário. irrigação no período menos chuvoso. manutenção da cobertura e seu gradual raleamento a partir do 8o mês. Para cada 100 mudas são necessários 2 litros dessa solução ou 20 mL por saco. e distanciados entre si de 50 cm. Esses sacos são perfurados no terço inferior para permitir a drenagem do excesso de água. cor e folhagem harmônicas. evitando aplicar jato muito forte sobre as mudas ou substrato. . que exercem concorrência por água e luz. fixada com arame ou cordão de plástico. Os sacos de plástico a serem utilizados devem medir 15 x 25 cm. preferencialmente. Viveiro O local para instalação do viveiro deve ser de fácil acesso e próximo de fontes de água. solução de uréia a 0. para a produção de mudas fiscalizadas de açaizeiro obtidas de sementes.5 m de largura por 20 m de comprimento. As mudas de açaizeiro necessitam de cerca de 2 litros de água por dia.substrato. protegidos da radiação solar direta e à temperatura ambiente. Antes do transporte das mudas para o plantio no campo. Esse procedimento minimiza o excesso de movimentação das mudas e diminui os custos de transporte. via foliar. estar situado próximo ao local do plantio definitivo. preferencialmente. sadias e tratadas com mistura de inseticida e fungicida) ou sombrite (50% de interceptação da radiação solar) e com a altura mínima de 2 m. que consiste da eliminação de folhas secas e amarrio das folhas em torno da flecha. aspecto vigoroso. é realizado o toalete das mesmas. Deve ter boa drenagem e reduzida declividade. se as mudas permanecerem no viveiro de 6 a 8 meses. Os canteiros devem ter 1.5% (5 g de uréia para 1 litro de água). caso sejam mantidas por período superior àquele período. que deve ser realizada. Os sacos são mantidos. Essa cobertura é suportada por uma armação de colmos de bambu ou outro material de mais fácil obtenção no local. no início da manhã ou no final da tarde. é aplicada mensalmente. ou de 17 x 27 cm. até a germinação das sementes. são realizados os seguintes tratos de manutenção: capinas manuais nos sacos (mondas).Apresentar altura uniforme. assim. para permitir a movimentação de pessoas. as seguintes normas e padrões: . As mondas periódicas são realizadas para eliminar as ervas invasoras. adubações (somente se o período de produção de mudas passar de 8 meses). manutenção dos drenos. se as chuvas não forem suficientes (2 mm/dia). A cobertura do viveiro pode ser feita com palhas de palmeiras (verdes. Quando o período de produção de mudas passar de 8 meses. A Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Pará estabeleceu. para a irrigação das mudas no período de menor pluviosidade. No viveiro. para permitir a adaptação das mudas à radiação direta. mas que permita o escoamento dos excedentes pluviométricos e.

manual ou mecanizada. para que as mudas se beneficiem da umidade do solo e possam ter um bom desenvolvimento inicial. sob pequena pressão para evitar a formação de bolhas de ar e posterior apodrecimento das raízes. o espaçamento recomendado para o açaizeiro é o de 5 x 5 m ou. . início da produção e produtividade. após o plantio da muda.A comercialização das mudas somente será permitida em torrões. Para produção de frutos. com. . de acordo com o espaçamento e o manejo de touceiras adotados. são propostos os números de plantas e de estipes por hectare. a porção de terra da camada superior da cova (20 cm) é misturada com 200 g de superfosfato triplo e 5 litros de cama de aviário ou 10 litros de esterco de curral curtido. Quando o cultivo do açaizeiro for em consorciação com culturas de ciclo curto. No momento do plantio. acondicionadas em sacos de plástico. sanfonados e perfurados.. . preservando o torrão inteiro. crescimento. a partir da emergência das plântulas. . os espaçamentos de 5 x 4 m e 6 x 4 m. no mínimo. no mínimo.Isentas de pragas e moléstias (Regulamento da Defesa Sanitária Vegetal). é aconselhável o preparo do solo de forma mecanizada. Cultivo de açaizeiro em terra firme O preparo da área deve contemplar a roçagem. . O coleto da muda deve ficar ao nível do solo. Cultivo solteiro O espaçamento entre as plantas tem influência sobre a taxa de sobrevivência. enxadeco ou perfuratriz acoplada à tomada de força de trator. com manejo de 3 a 4 estipes por touceira. cinco folhas fisiologicamente ativas (maduras). alternativamente. Essa mistura retornará à cova que.Ter de 4 a 8 meses de idade.Apresentar altura de 40 a 60 cm. No plantio. . O coleto deve apresentar a espessura da base maior que a da extremidade das mudas. práticas culturais ou manejo.Possuir. Essa operação é realizada no início do período mais chuvoso. e as operações de limpeza e de preparo do solo executadas durante o período da estiagem.Apresentar sistema radicular bem desenvolvido e ter suas extremidades aparadas quando ultrapassar o torrão. pecíolos longos e as folhas mais velhas com folíolos separados. Na Tabela 1. 15 cm de largura e 25 cm de altura. será devidamente preenchida com o solo da camada inferior. a muda é retirada do saco de plástico. visando à amortização de custos. Abertura de covas e plantio As covas devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40 cm e podem ser feitas com draga. ou equivalentes. medidos a partir do colo da planta. com reflexos sobre o custo do processo de produção.

1). Nesse caso.) Schum. para evitar a competição entre as raízes e as copas das plantas. quando ocorre modificação dos espaçamentos das culturas envolvidas. A associação ou consorciação com outras culturas anuais ou semiperenes. que permite a densidade de 460 plantas por hectare. para que seja mantida a luminosidade necessária. no caso do açaizeiro. Para alguns especialistas. o arranjo que distribua as plantas dessas espécies nos espaçamentos de 5 x 10 m (Fig.600 2. com o plantio de outra cultura nas entrelinhas.Tabela 1. Ex-Spreng. e facilita a operação de colheita. Enquanto isso. Os arranjos de cultivos mistos de açaizeiro. durante a fase de implantação e crescimento do açaizeiro. minimizando os riscos de tombamento. a consorciação dessas culturas exige. racionalização do uso de mão-de-obra e maior equilíbrio ambiental. Cultivos associados e consorciados Nos plantios com associação de culturas. Embora seja pouco utilizado. Espaçamento Plantas por Estipes por Estipes por (m) hectare touceira hectare 5x5 400 5x5 400 5x5 400 6x4 416 6x4 416 6x4 416 Fonte: Embrapa Amazônia Oriental 3 4 5 3 4 5 1. pode ser adotado o espaçamento mínimo de 7 x 4 m (357 plantas/hectare). há a necessidade de ser aumentado o espaçamento entre as linhas de açaizeiro.).664 2. notadamente quanto há diversificação e distribuição da produção. dispostas em forma de triângulos eqüiláteros (quincôncio). considerando que nos cultivo solteiros são recomendados os espaçamentos de 5 x 5 m. é possível arranjar as plantas de açaizeiro no espaçamento de 5 x 5 m. Por outro lado. mantendo de 3 a 4 estipes por touceira. tanto para o açaizeiro como para o cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. Esses arranjos permitem que essa palmácea se beneficie dos tratos culturais e dos fertilizantes. é 5 x 5 m. nos consórcios são preservados os espaçamentos recomendados para a cultura principal que. Número de plantas e de estipes por hectare. aplicados para suprir as necessidades das culturas anuais e perenes. As linhas de plantio de açaizeiro devem ser dispostas no sentido nascente-poente. quando duas ou mais espécies compõem o sistema agroflorestal. reduz a altura das plantas. o consórcio passa a ser uma associação de plantas.248 1.000 1. propicia renda ao produtor nos primeiros anos de estabelecimento do açaizal. químicos e orgânicos. segundo o espaçamento e manejo adotados no plantio do açaizeiro. possibilitam situações mais vantajosas que na monocultura.080 A adoção desses espaçamentos propicia bom desenvolvimento em diâmetro.200 1. . pela ação de ventos fortes. garantindo bons níveis de produção do cupuaçuzeiro (cultura de porte mais baixo).

preservar e valorizar o ecossistema. e semiperenes _ maracujazeiro (Passiflora edulis Sims. podem ser destacados os plantios. 2).). ainda. 2. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Dentre os sistemas de associações e consorciações praticados e recomendados para a região.) Walp. cacaueiro (Theobroma cacao L. mamoeiro (Carica papaya L. permitir o plantio de 20 a 25 essências florestais por hectare.) e cafeeiro (Coffea spp.). contribuindo para recuperar.Fig. do açaizeiro com espécies anuais _ caupi (Vigna unguiculata (L.) e abacaxizeiro (Ananas comosus (L. em terra firme. milho (Zea mays L. Fig. como o cupuaçuzeiro. com o maracujazeiro como cultura semiperene (Fig.). 1. bananeira (Musa spp.) (e mandioca ou macaxeira) _ durante o 1o ano. O açaizeiro também pode ser consorciado com espécies perenes. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. Essas práticas permitem a redução dos custos de implantação dos açaizais. Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. Os arranjos espaciais das culturas consorciadas podem. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro.).) Merril) _ até o 3o ano. com o .

garante incidência de luz. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental . Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. são eliminadas as bananeiras das linhas de açaizeiro. são eliminadas as bananeiras das linhas de cupuaçuzeiro. 4a/4b). Após o 2o desbaste. 3. ao agricultor. . dispor de receita durante o ano inteiro. no período de junho a fevereiro.Observação: Após o 3o ano. com a macaxeira ou mandioca como cultura anual (Fig. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Esse sistema possibilita. de novembro a maio. sendo mantida a densidade de 700 plantas/hectare durante 1 ano e 6 meses. com bom nível de produtividade do açaizeiro. Consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene (Fig.maracujazeiro como cultura semiperene. com a bananeira como cultura semiperene (Fig. e do cupuaçuzeiro. 5). O aumento do espaçamento. Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. são mantidas 300 touceiras/hectare. sentido norte-sul (2). sem nenhum prejuízo à frutificação das plantas de cupuaçuzeiro. Fig. finalmente. em torno de 80%. na direção nascente-poente (1). Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. entre as touceiras de açaizeiro. 3). com a bananeira como cultura semiperene. e.

como cultura anual. 4b. Croqui da consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene.Fig. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Fig. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Consorciação de açaizeiro com bananeira (Fig. com os cultivos (2 o ao 4o ano) de macaxeira ou mandioca. 6). . Croqui da associação de açai-zeiro e cupuaçuzeiro. 5. com o primeiro cultivo de macaxeira ou mandioca como cultura anual. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Fig. 4a.

B = cultivo após o 3o ano. cultivos do 1o ano (A) e 2o ano (B). como cultura anual. 7. 6. 7).Fig. . são apresentadas as estimativas de produtividades das espécies associadas ou consorciadas com o açaizeiro. Croqui da consorciação de açaizeiro e macaxeira ou mandioca. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Consorciação de açaizeiro com a macaxeira ou mandioca (Fig. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Na Tabela 2. Croqui da consorciação de açaizeiro e bananeira. Fig. com desbaste). como cultura semiperene (A = cultivo até o 2o ano.

Tabela 2. Produtividades (t/hectare) estimadas de açaizeiro e de espécies associadas ou consorciadas. Anos após plantios Cultura Espaçamento 1 2 3 4 5 Açaizeiro (frutos) Cupuaçuzeiro (polpa) Maracujazeiro (frutos) Bananeira (cachos) 5 x 5 m (3)1 5 x 10 m (4)1 10 x 10 m (5)1 5x5m 5 x 10 m 10 x 10 m 2 (3 x 5 m) x 2 m 2,5 x 2,5 m 2,5 x 5,0 m 5,0 x 5,0 m 17,00 4,00 4,00 4,00 0,60 0,60 0,60 5,60 3,00 2,00 0,96 0,96 0,96 -

6

8,80 12,00 5,00 7,00 3,00 4,50 1,44 1,44 1,44 1,80 1,80 1,80 -

22,90a 41,70a 32,30a 17,50 b 31,00 b 12,30a 23,00b - 10,50a -

4 (1 x 1 m) x 2 m 20, 80 3 (1 x 1 m) x 3 15,10 15,10 15,10 m 1 Números de estipes por touceira. a b , Produtividades seqüenciais a partir de espaçamentos modificados por desbastes. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Macaxeira ou mandioca (raízes) Fatores que interferem nas associações e consorciações de plantas - Direção nascente-poente. Conhecido como caminho do sol, permite melhorar a eficiência no aproveitamento da radiação solar pelas plantas consorciadas. - Arquitetura e envergadura da copa. Nas espécies que crescem por lançamentos de ramos laterais ou plagiotrópicos (ex. freijó cinza, Cordia goeldiana Huber) com grandes dimensões, os ramos mais baixos são eliminados, gradativamente, à medida que surjam novos lançamentos. Com essa prática é facilitada a entrada lateral da luz solar. - Densidade da copa. Espécies de plantas com copa muito densa não se prestam para consórcio ou, quando muito, são usadas em pastagem, dispostas em grandes espaçamentos. - Altura. Geralmente as plantas perenes consorciadas devem ter alturas diferentes, para que as copas ocupem estratos diferenciados. - Exigência de luz. As plantas que suportam certo grau de sombreamento são as mais recomendadas para o estabelecimento de consórcios. O cupuaçuzeiro, por exemplo, não tem a sua produtividade afetada com até 20% de sombreamento. - Época de produção. As espécies consorciadas, preferencialmente, devem ter épocas diferentes de produção. No entanto, considerando a necessidade da geração de receitas

para o agricultor, é importante que uma dessas espécies possa ter a sua produção distribuída durante todo o ano (Fig. 8).

Fig. 8. Distribuição percentual da produção de frutos de açaizeiro e de cupuaçuzeiro durante o ano na microrregião de Belém, PA. Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986 - Época de adubação. Quando há diferenciação de épocas de florescimento das plantas, as adubações são efetuadas três vezes por ano, sempre regida pelo período chuvoso. - Freqüência de adubação. As espécies que têm perfilhos em crescimento (bananeira) e com lançamentos mensais de folhas e cachos (açaizeiro), são adubadas a cada 2 me ses. - Doses de adubos a aplicar. O adubo é ministrado de acordo com a idade das plantas. As doses mais elevadas são ministradas gradativamente. - Manejo das espécies. Nos consórcios triplos há necessidade da realização de desbastes, retirada de folhas e podas, ou o raleamento (densidade menor) ou a eliminação de uma das espécies. Adubação As informações sobre a adubação do açaizeiro, em terra firme, ainda são de pouca consistência do ponto de vista de resultado conclusivo de pesquisa. Os agricultores pioneiros no plantio de açaizeiro, em terra firme, têm utilizado práticas de adubação de seus açaizais que, se não estão corretas sob o ponto de vista técnico, lhes permitem produzir frutos de açaizeiro de forma rentável. De acordo com o que vem sendo praticado nos sistema de produção, há certo desperdício de nutrientes, contornáveis por meio de resultados de análise de solo, técnica bastante difundida e adotada pelo segmento produtivo, e de análise de tecido foliar (técnica ainda em desenvolvimento), que permitem a realização de ajustes nas doses de nutrientes a serem aplicadas nos açaizais.

A princípio serão indicadas, com base nas informações disponíveis, no andamento dos estudos experimentais e nas experiências do setor produtivo, as doses de nutrientes teoricamente compatíveis com as necessidades do açaizeiro, em cultivos solteiros, associados ou consorciados. Adubação para cultivo solteiro Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, são efetuadas mais 3 aplicações de adubos, constituídas de 100 g do formulado químico 10-28-20 (NPK), distribuídas em cobertura circular a 30 cm em torno da planta. No 1o ano após o plantio, são aplicados 150 g do formulado 10-28-20, à distância de 50 cm da touceira. Nessa ocasião, juntamente com a adubação química, distribuir, também, 10 litros de esterco de gado. No 2o ano após o plantio, as plantas de açaizeiro são adubadas com 3 aplicações de 200 g do formulado 10-28-20 e mais 20 litros de esterco de gado, distribuídos num raio a 100 cm da touceira. A partir do 3o ano após o plantio, quando as plantas tiverem iniciado a fase produtiva, é aumentada a oferta de potássio nas 3 aplicações (início, meio e final do período chuvoso), compostas de 290 g do formulado 10-28-20 (NPK), mais 110 g de cloreto de potássio e 20 litros de esterco de gado à distância de 150 cm da touceira. Na última aplicação anual, é recomendável disponibilizar de 10 a 20 g de bórax, por touceira, na área do coroamento. Adubação prática para cultivos associados e consorciados - Açaizeiro: Na cova de plantio, são aplicados 10 litros de esterco e mais 200 g de superfosfato triplo. No ano do plantio, a cada 2 meses, são aplicados 50 g da mistura composta de 5 partes do formulado 10-28-20 (NPK) e mais 2 partes de cloreto de potássio. Nos anos seguintes, a cada 2 meses, são feitas adubações com 100 g (1o ano), 150 g (2 o ano), 200 g (3o ano) e com 250 a 300 g (a partir do 4o ano) da mistura (5 partes do formulado 10-28-20 e mais 2 partes de cloreto de potássio). A partir do 3º de cultivo, não haverá a necessidade da aplicação de matéria organica, mas nas adubações químicas devem ser guardadas as mesmas distâncias das touceiras previstas para o 3º ano dos cultivo solteiro do açaizeiro. - Cupuaçuzeiro: Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, a cada 2 meses, são aplicados, em torno da planta, 50 g do formulado 10-28-20 (NPK). No 1o ano, após o plantio do cupuaçuzeiro, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário, mais 100 g de FTE (Fritted Trace Elements) Br 13 (início das chuvas) e 6 aplicações, espaçadas de 2 meses, de 100 g do formulado 10-28-20 (NPK).

meio e fim do período chuvoso. com indicações que possam definir os níveis de adubação.Bananeira: Na cova. do Estado do Pará. Nas adubações praticadas pelo agricultor. . . são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas). por cova. como os 14-14-14 ou 10-10-10. 1 litro de esterco de gado e mais 25 g do formulado 10-28-20. ocorre certo desperdício de nutrientes. são usados de 10 a 20 litros de esterco aplicados a cada 6 meses. é colocado. A partir do 2o ano. aplicadas no início. são aplicados. de 900 a 1. são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas). são aplicados de 10 a 20 litros de esterco a cada 6 meses. antes do plantio. a cada 2 meses. e os aspectos ambientais que o desequilíbrio nutricional pode provocar.500 g do formulado 10-28-20. pois a diferença é mínima em relação aos outros formulados disponíveis no mercado. aplicadas no início. também é importante considerar os aspectos técnicos do equilíbrio entre os nutrientes. A partir do 3o ano. 1. divididos em 3 parcelas iguais.200 g do formulado 10-28-20. e 30 g de bórax aplicados no final do período chuvoso. para não haver distúrbios no crescimento e na produção. . no final do período chuvoso. com a aplicação do formulado 10-28-20. T = S + (H + Al+3). são colocados 10 litros de esterco e 200 g de superfosfato triplo.No 2o ano após o plantio. Do 10 ano após o plantio em diante. Adubação compatível às necessidades da cultura A seguir são descritas recomendações de ordem técnica. Calagem Com antecedência mínima de 90 dias do plantio das mudas no campo. 200 g da mistura constituída de 5 partes do formulado 10-28-20 e 2 partes de cloreto de potássio. são coletadas amostras compostas de solos. principalmente do fósforo (P2O5). de modo que a saturação por bases atinja a 60%. a argumentação básica de seu uso está associada ao custo de compra. No 1o ano. meio e fim do período chuvoso. No entanto. No entanto. e 30 g de bórax. divididos em 3 parcelas iguais. Para o cálculo da necessidade de calcário (NC) é utilizada a seguinte fórmula: onde: NC = Necessidade de calcário em tonelada por hectare. T = capacidade de troca de cátions.Maracujazeiro: Na cova de plantio são aplicados 10 litros de esterco + 200 g de superfosfato triplo. para análise e definição das recomendações de quantidades de calcário a serem aplicadas. a serem adotados em plantios de açaizeiro em área de terra firme.Macaxeira ou mandioca: Aos 30 dias do plantio. .

quando a precipitação pluviométrica começa a diminuir de intensidade. em função da análise do solo. é utilizado o superfosfato triplo como fonte de fósforo (P2O5 ) e. Até o 1o ano. indicadas nessa tabela. A época de adubação está estreitamente relacionada com as características climática.dm -3) Idade 0-10 11-20 P2 O5 g/touceira 1 ano 30 45 30 2 anos 60 75 45 3 anos 70 90 60 4 anos 80 100 75 5 anos 90 110 90 6 anos 100 120 105 7 anos 110 130 115 Fonte: Embrapa Amazônia Oriental 15 30 45 60 75 90 105 50 70 120 150 180 210 240 30 50 70 90 110 130 150 15 25 35 45 55 65 75 >20 0-40 41-90 K2O >90 É importante executar. V2 = valor da saturação por bases desejada (60%). não só a absorção dos nutrientes pelas plantas. Recomendação de adubação para o açaizeiro cultivado em terra firme. são aplicados 20 g de FTE Br 13 por planta e as quantidades de N. para que os fertilizantes possam ser bem aproveitados. o coroamento das plantas. A partir do 2o ano. conforme os resultados da análise do solo. P e K. as quais influenciam. no início do período chuvoso. A dose de magnésio (MgO) aplicada corresponde a 1/3 da recomendação da dose de potássio (K2 ) indicada na Tabela 3. como também as condições de umidade do solo mais apropriadas. 10 g por planta de FTE BR 13 e a dose de fósforo da Tabela 3 (1o ano). PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário. Tabela 3. V1 = valor da saturação por bases do solo antes da correção. A calagem deverá ser realizada pelo menos 2 meses antes do plantio. Adubação Incorporar na cova. . Os fertilizantes fosfatados são aplicados de uma só vez. N P no solo (mg. para melhor aproveitamento dos fertilizantes.dm -3) K no solo (mg. a partir do 2o ano.S = (K+Ca+Mg+Na). 10 litros de esterco de curral curtido ou 3 litros de esterco de galinha. antes da adubação. definidas com base nos resultados da análise do solo. é recomendável usar o fosfato natural. A época mais propícia para aplicação dos fertilizantes é no início das chuvas ou no final da estação chuvosa. com dimensões de 40 x 40 x 40 cm.

Nas áreas de clima Ami e Awi. Controle manual Prática realizada com maior freqüência sob condições de viveiro. é indicado para controlar as plantas invasoras que se reproduzem sexuadamente. os 65% restantes. drenagem. roçagens e arranquíos. Em condições de campo. efetuada em torno das touceiras. maquinas e implementos agrícolas. como aeração. Os adubos nitrogenados. . assim como para manter a cultura em condições de produzir satisfatoriamente. são parcelados em duas aplicações. potássicos e magnesianos. provocando o desgaste da matéria orgânica e. a alta pluviosidade e temperatura elevada. com a eliminação das plantas indesejáveis. proceder adequado preparo do solo. necessitando de aplicação de adubos orgânicos. Por outro lado. dão condições favoráveis à atividade microbiana no solo. A primeira adubação anual coincide com o início da estação mais chuvosa. com isso. para a eliminação das plantas invasoras. a adubação é realizada a cada 2 meses e haverá a necessidade de irrigação das plantas. Alguns cuidados devem ser tomados. é aconselhável a realização do coroamento que consiste de capina ou roçagem baixa. Nas áreas submetidas ao clima Afi. dentro do período chuvoso. Controle mecânico O uso de roçadeira rotativa ou grade. combinando os diferentes métodos de caráter prático com os tradicionais: Controle preventivo Devem ser evitadas as práticas que contribuam para espalhar as sementes de plantas invasoras. e respondem bem às adubações com elementos nutritivos. para propiciar a fixação dos elementos químicos. usar esterco ou matéria orgânica fermentados. e deve ser executado antes do início da produção de sementes. e consiste de atividade identificada como a monda. consistência. ao final do período chuvoso. profundidade e estrutura. acoplada ao trator. no final da estação chuvosa. Na fase inicial do crescimento do açaizeiro. utilizar mudas isentas de plantas invasoras. no caso dos potássicos é recomendada a aplicação de 35% do total no início das chuvas e.As áreas de terra firme da Amazônia possuem solos de baixa fertilidade química. após o plantio das mudas no campo. Quando as invasoras se reproduzem por rebrotamento. notadamente em áreas onde ainda persistem as plantas invasoras. mas possuem boas características físicas. Aplicar 70% dos nitrogenados no início das chuvas e os 30% restantes. como a limpeza dos tratores. evitando a concorrência e o sombreamento prejudiciais para as plantas novas. a adubação é realizada a cada 2 meses. são comuns as capinas. É aconselhável manter esse esquema de adubação nos 3 primeiros anos. Controle de plantas invasoras O controle das plantas invasoras pode ser realizado de forma integrada.

também pode ser realizado o coroamento em torno das touceiras. Para que essa prática seja eficaz. casca de arroz (Oryza sativa L. pois concorrem para aumentar a ocorrência de espécies de gramíneas e ciperáceas invasoras. principalmente nos locais onde o período de estiagem é prolongado. ciclo anual ou perene. desde que haja a suplementação de água através de sistemas de irrigação nos períodos de menor precipitação pluviométrica. mecânica ou manual. principalmente no período chuvoso. mas é possível cultiva-lo sob clima Ami e até mesmo Awi. No caso específico de áreas cultivadas com o açaizeiro. o açaizeiro é muito exigente em água. Por ser uma espécie de ambiente úmido.raízes ou batatas. das linhas de plantio.) ou outros materiais orgânicos. somente no período menos chuvoso. ocupando a área de projeção da copa da planta. mecanicamente. Um benefício adicional da utilização de leguminosa é a de possibilitar a fixação simbiótica de nitrogênio atmosférico. preferencialmente. a partir do 1o ano da implantação do açaizal. Na associação com o açaizeiro. principalmente. a leguminosa deve ter as seguintes características: boa adaptação às condições locais. não deve ser utilizada a grade. deixando as entrelinha para serem roçadas. Essa prática é essencial no período de implantação da cultura. porte herbáceo. Esses materiais são distribuídos em forma de coroamento. A aplicação do herbicida. Como cobertura viva podem ser utilizadas. Visando reduzir custos de manutenção. produzir sementes e. Entre os materiais orgânicos devem ser evitados os capins secos com semente. Controle físico É realizado pela cobertura do solo utilizando serragem. algumas plantas da família das leguminosas. deve ser levada em consideração a época de aplicação. de modo a renovar constantemente a biomassa para cobrir e proteger o solo. Controle químico Realizado com uso de herbicidas específicos para o controle de gramíneas que possam ocorrer na área (ex. nas entrelinhas de plantio. hábito decumbente. pode ser realizada a roçagem. sob o ponto de vista técnico-econômico.: glifosato a 1% que equivale a 200 mL diluídos em 20 litros de água). nas áreas de clima Afi. deve ser realizada somente nas linhas de plantio. misturado a um espalhante adesivo. No comércio existem outros herbicidas e as dosagens são aplicadas de acordo com a recomendação contida nas embalagens dos produtos. quando as . a idade do plantio e a possibilidade de combinação com outros métodos de controle. combinado com o controle mecânico no restante da área. deixando a roçagem geral para ser realizada durante o período de estiagem. o controle das invasoras deve ser realizado no início do período chuvoso. Por outro lado. pois contribui para aumentar a infestação nas áreas cultivadas. Assim é aconselhável o uso de irrigação. Irrigação O plantio do açaizeiro é realizado. ter persistência após a roçagem.

eliminando as bainhas das folhas que ainda persistirem após a queda das mesmas. pois nesse período as plantas ainda necessitam de pouca quantidade de água. 1 e 2). para utilização com agricultura de subsistência. 1998). em pequena escala (cana-de-açúcar. adaptadas a essas condições. banana. mas que possibilite maior disponibilidade ou vazão de água. ocupam faixas de áreas de várzea alta. é feita por micro aspersão ou por gotejamento. semiperenes e perenes. Essa prática favorece o crescimento das plantas em diâme tro. Nos açaizais. que consiste da eliminação das brotações excedentes. mas podem ser encontradas plantas desprovidas dessas brotações e outras que apresentam até 10 perfilhos. milho. Por ocasião do desbaste. A partir do 3o ano. Essas áreas desmatadas. é efetuada a limpeza da touceira. Cultivo de açaizeiro em várzea Nas várzeas do estuário amazônico são encontradas quantidades expressivas de pequenas áreas desmatadas. por meio de plantios em áreas desflorestadas. a ser realizada durante o final do período chuvoso (abril/maio). pela exuberância de sua brotação que ocorre em sua base. em sistemas de produção solteiro ou consorciado com espécies frutíferas e/ou florestais. anteriormente cultivadas com espécies de ciclo curto ou que se encontrem com a cobertura vegetal característica de capoeira rala. de manejo e de enriquecimento florestal. geralmente. mas apropriadas aos cultivos de espécies anuais. anualmente. as quais são abandonadas após um curto período de utilização. é conveniente adotar o sistema de irrigação por gotejamento ou aspersão.plantas necessitam de umidade em quantidade suficiente para a absorção de nutrientes e para não sofrerem estresse hídrico. Seleção e preparo da área Devem ser utilizadas as áreas de várzeas desmatadas. é incentivado e visto como uma das opções para tornar essas áreas ribeirinhas mais produtivas e ecologicamente melhor protegidas (Nogueira & Homma. a irrigação. Desbaste e limpeza das touceiras O açaizeiro é uma espécie florestal que foge a regra geral das palmeiras. Durante os 2 primeiros anos de cultivo. pelos moradores ribeirinhos. arroz. O preparo da área consistirá apenas de roçagem manual. o que possibilita a maior longevidade das plantas e maior produção de frutos. no período de estiagem. são realizadas a prática de desbrota. . (Fig. Essas áreas podem ser reflorestadas com o plantio de açaizeiro. os primeiros perfilhos são normalmente emitidos entre 12 e 15 meses após o plantio das mudas no campo. Por esse motivo. quando as plantas iniciam a floração. O cultivo de açaizeiro em várzeas. em associação com outras espécies frutíferas e florestais. pastagem). quando é possível a implementação de práticas agrícolas em função do menor nível das águas das marés. Quando do desbaste são mantidos somente os perfilhos bem desenvolvidos e em número compatível com o plano de manejo estabelecido.

roçagem. milho. 4. a proteção ambiental com o rendimento econômico. também. 3). com a população de 420 plantas/hectare e de uma ou mais espécies de essências florestais. com vistas à redução da concorrência por água. como opções de aproveitamento das áreas limpas e de renda para o agricultor em curto prazo. banana). são eliminados os estipes de açaizeiro excedentes das touceiras e. No sistema consorciado. O sistema também contempla o plantio de uma espécie de fruteira (cupuaçu ou cacau). mesmo durante a estiagem na região. maxixe e abóbora. No caso da opção pelo plantio de açaizeiro em sistema solteiro. luz e nutrientes. Não é recomenda adubação química. com a manutenção de 3 a 4 estipes por touceira. Junto com essas espécies. que garante a população de 104 plantas/hectare. guardando o mesmo espaçamento dos açaizeiros. Durante os 2 primeiros anos. no espaçamento de 6 x 4 m. quando há a ocorrência de cobertura florestal. pela facilidade de reconstituir o revestimento florístico. Nas áreas destinadas para a produção de frutos.Plantio e tratos culturais Nessas áreas. o açaizeiro tem se destacado como componente desse ecossistema. Ambos os casos provocam sensíveis alterações nos fatores que afetam a produtividade dessa palmeira. com 420 plantas por hectare (Fig. ocorre entre 12 e 15 meses após o plantio das mudas no campo. geralmente. também podem ser cultivados o feijão caupi. algumas plantas de outras espécies. com intervalos de 15 dias. pode ser cultivada a bananeira nas entrelinhas. face as boas condições de fertilidade natural dos solos de várzea do estuário amazônico. utilizando mudas de variedades adaptadas ao ecossistema de várzea. cuja emissão. o espaçamento a ser adotado é de 5 x 5 m entre covas. Juntamente com o açaizeiro. Nas várzeas. normalmente. os espaços entre os açaizeiros podem ser aproveitados para o cultivo de espécies de ciclo rápido (hortaliças. O croqui do sistema completo é apresentado na Fig. Nesse período. . de modo racional e equilibrado. Manejo de açaizais nativos Dentre as possibilidades de exploração das áreas de várzeas. no espaçamento de 12 x 8 m. impedindo que as plantas sejam submetidas a estresse hídrico. arroz. os solos das áreas de várzea são permanentemente úmidos. com lâmina de água de aproximadamente 40 cm. em decorrência das marés periódicas que cobrem essas áreas. que permite abrigar a população de 420 touceiras/hectare. coroamento e limpeza dos estipes. conciliando. Os principais tratos culturais são os mesmos realizados nos cultivos em terra firme e constam de desbaste dos perfilhos. é possível fazer o manejo da vegetação visando o aumento da população de açaizeiro ou o enriquecimento com o plantio de mudas dessa e de outras espécies de interesse comercial. as mudas de açaizeiro são plantadas em covas. obedecendo ao espaçamento de 6 x 4 m. o plantio é realizado no início do período de estiagem (maio/junho). além de ser importante fonte de alimento e de renda para as populações ribeirinhas.

O ribeirinho tem diante de si a alternativa de colher frutos ou extrair palmito do açaizeiro (Fig. cuja manutenção é considerada desnecessária pelos ribeirinhos. a rentabilidade. equivalente a de um plantio racional. O manejo de açaizais visa o aumento da capacidade de suporte e. com a valorização dos frutos do açaizeiro. são alterados os custos de extração. mas de importância para a produção de pólen e produção de frutos nas plantas femininas. 2). dependendo dos preços relativos destes dois produtos e do custo da . permitindo a regeneração das populações de açaizais. devem ter os seus efeitos sobre a biodiversidade melhor analisada. com isso. No entanto. Muito embora esta atividade provoque danos ambientais menores do que as atividades agrícolas. levadas a efeito nos últimos dois séculos e meio (extração de madeira. não garante a sustentabilidade econômica. obter taxas de extração que assegurem maior rentabilidade à atividade. juntamente com o processo de crescimento de populações homogêneas de açaizeiro. cautela para determinadas propostas que procuram induzir a adoção da "colonização extrativa" na Amazônia. é provável que grandes áreas do estuário amazônico sejam transformadas em populações homogêneas de açaizeiro ao longo das margens dos cursos d'água. Por outro lado.). há a preocupação de serem igualadas as taxas de extrações com a capacidade de regeneração. se constitui um erro analisar as atividades extrativas considerando apenas do ponto de vista estático. que sofre duplo extrativismo (colheita de fruto e extração de palmito). as transformações e as inter-relações ao longo do tempo. Nos últimos 10 anos. pesca e caça.No caso da exploração do palmito.). outras transformações antrópicas. O fato das áreas de ocorrência de açaizeiro sofrerem inundações diárias tem restringido a pressão de uso da terra para fins agrícolas. coleta de outros produtos extrativos etc. esquecendo seu dinamismo. em comparação com as áreas de terra firme. As conseqüências da formação dessas populações homogêneas devem ser bem avaliadas em todos os seus aspectos. o crescimento do mercado de fruto proporcionou à formação de populações mais homogêneas nas áreas mais próximas dos grandes centros consumidores. são eliminadas grandes quantidades de estipes de açaizeiro em decorrência da própria atividade. a redução da biodiversidade de várzea. abertura de canais. O manejo de açaizeiro tem a condição de modificar a capacidade de suporte Xc1 para a capacidade limite Xc2 . Com isto. 1). por exemplo. recomendam. Com o gradativo crescimento do mercado de frutos. como conseqüência indireta. No extrativismo da madeira. muitas vezes. há a tendência de adensamento desta espécie e. com a eliminação de plantas não-produtoras de frutos. No caso do açaizeiro. decorrente da redução da extração de palmito. como as palmeiras masculinas de buritizeiro (Mauritia flexuosa L. portanto. a taxa de extração biológica. As diferentes características quanto ao manejo dos recursos naturais. O manejo tem sido enfatizado como a forma de garantir a extração sustentada dos recursos naturais. a produtividade máxima sustentável (PMS) e o ponto ótimo econômico (Fig.

) Barb. tal como o açaí no Estado do Pará.).K. proporcionalmente. Para muitos produtos extrativos. na colheita de frutos (A). tais como madeira. Por outro lado.mão-de-obra.B. quando comparada com as políticas ambientais restritivas e que não tiveram sucesso. fato que pode motivar a implantação de cultivos racionais. a extração de palmito é mais vantajosa. a fim de não prejudicar a capacidade de suporte. com maior ênfase. em outras regiões do Brasil. o aumento da produtividade da terra e da mão-de-obra. 2. tem como resultado os estoques mais homogêneos e. Esse fato não deve ser considerado como regra geral. Isto asseguraria uma exploração por um período maior. conseqüentemente. uma vez que depende das relações econômicas. a tendência é de ser dada maior importância para a extração de palmito (B). tanto para aqueles que exigem o aniquilamento do recurso como apenas a coleta. Fig. Rodr. estes podem ser aumentados com a prática de manejo. esforços devem ser efetuados para garantir a extração o mais racional/sustentável possível. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Nas áreas mais próximas do mercado e com facilidades de transporte. O cenário futuro para a expansão do cultivo do açaizeiro está relacionado com o crescimento dos mercados de fruto e palmito. mais que o do palmito.) e açaí. para a coleta de frutos. quando o preço do fruto é menor. Apesar da grande disponibilidade de estoques de açaizeiro. babaçu (Orbygnia speciosa (Mart. Para muitos produtos extrativos. Possibilidade de manejo de recursos extrativos no aumento da fronteira de produção e de eficiência. castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H. na qual o produto extrativo está inserido. a extração é efetuada da forma mais racional possível. Em áreas distantes do mercado e com dificuldades de transporte. o manejo da floresta. É bom lembrar que o manejo racional não implica na permissão de sua exploração ad infinitum. Os produtos extrativos que se encontram em grandes estoques. como nos casos em que a extração de outros . a tendência da ação extrativa é de ser concentrada. Se o preço do fruto sobe. bem como garantiria a sua conservação. a extração dos frutos do açaizeiro tem sido mais lucrativa e vantajosa. A relação de preço mais desvantajosa para o palmito foi a principal causa que motivou a conservação dos estoques de açaizeiro.

Costa et al. são relativamente elevadas em comparação com a observada em regiões com reduzida densidade demográfica e. além de elevadas. intensamente manejada para a formação de um açaizal. rotineiramente. baixa intensidade de exploração dos recursos naturais. além de propiciar ao produtor ribeirinho a concentração de espécies de valor econômico (Brondizio et al. Essas populações. o açaizeiro. pelos habitantes ribeirinhos. em condições naturais. fundamentalmente. Essas condicionantes conferem vantagens à espécie em se tratando de estratégia e equilíbrio demográficos da população (Bullock. aplicadas pelos ribeirinhos nas áreas de açaizais nativos. O inventário da vegetação de floresta de várzea não-manejada. da localização do açaizal em relação aos principais conglomerados urbanos. depende. . por ser considerado planta pioneira. não abandonaram o hábito de consumo do açaí. a partir de touceiras remanescentes do corte do palmito. capazes de sobreviver sob condições de sub-bosque. domina o ambiente. 1974. a ocorrência foi de apenas 15 espécies. A forma de exploração sistemática dos açaizais nativos de várzea. mesmo em áreas onde é praticado. As populações de açaizeiro. afetam as condições ambientais e. Ao contrário do que ocorre com algumas espécies de palmeiras nativas. com destaque para a cidade de Belém e alguns municípios situados às suas proximidades.produtos pode levar ao desaparecimento ou perda de recursos genéticos importantes para o ecossistema. Com isso. enquanto na floresta de várzea. permitem aos açaizais manterem as características funcionais e estruturais da floresta. chegando a formar populações até 5 vezes maiores que aquelas observadas em áreas de várzea com a vegetação original pouco ou não-alterada. as plantas remanescentes. 1976. é o fato dessas áreas serem intensamente exploradas pelos habitantes ribeirinhos. encontradas em áreas de florestas submetidas a constantes alterações. dando origem a grande quantidade de plantas jovens. o açaizeiro. Mesmo com o processo de urbanização. A grande capacidade de regeneração do açaizeiro. A principal razão para que os açaizais do estuário amazônico apresentem grande concentração de plantas de açaizeiro. no Município de Ponta de Pedras. As práticas de manejo. Calzavara. tradicionalmente consumidores do açaí. apresenta elevada taxa de germinação das sementes. a espera de luminosidade para atingirem com mais rapidez a fase adulta. cuja dispersão ocorre das mais variadas formas. 1995). 1993). conseqüentemente. apesar de provocarem mudanças consideráveis na composição florística da floresta de várzea. são semelhantes quando comparadas com outras áreas com diferentes idades após o corte do palmito. o extrativismo do palmito. 1973. Sist. conseqüentemen-te. 1980. As práticas de manejo desenvolvidas pelos produtores ribeirinhos para a formação de açaizais. tem possibilitado a formação de açaizais com elevada concentração de plantas. os quais praticam a eliminação das espécies consideradas de baixo valor comercial que ocorrem naturalmente nas áreas de várzea. com a finalidade de produção de frutos. possibilitou a identificação de 44 espécies. as populações rurais que migraram para os centros urbanos. segundo alguns autores (Costa et al. e de sementes que germinam espontaneamente nas áreas de várzeas. Pollak et al. 1989).

Nas localidades mais distantes. ao longo do período de safra. com ênfase para o extrativismo do açaizeiro visando às produções de fruto e palmito. em que o açaizeiro é um dos componentes mais importantes. no mínimo. 3 representa o processo tradicional de exploração dessas florestas. industrializam e comercializam o palmito sem qualquer forma de controle. para as regiões onde a pressão pela coleta de frutos é ainda relativamente pequena. 1992. com rendimento sustentável e exploração de forma cíclica. são exploradas das mais variadas formas. maiores vantagens econômicas. as taxas de incremento e a regeneração natural de cada espécie a ser explorada (Reis et al. a indústria palmiteira. pois. A partir de resultados experimentais e de informações obtidas junto aos ribeirinhos. que se dedicam ao extrativismo do açaizeiro e de outras espécies. Brondizio et al. permanecendo apenas as "fabriquetas" que extraem. 1994). a adoção de práticas de manejo sustentável de recursos naturais. principalmente. os ribeirinhos exploram. Modelos de manejo É bastante enfatizada na Amazônia. & Nascimento. Para que seja garantido o manejo de floresta. destinando-os. a consciência é quase geral para a preservação dos açaizais. preferencialmente. onde o tempo gasto com o transporte fluvial é superior a 12 horas. é facilmente comercializada. quase que exclusivamente os açaizais nativos para a produção de palmito. 1993). O diagrama da Fig. que é o estoque de palmito disponível no açaizal produtivo. lustração: Oscar Lameira Nogueira . através de atividades extrativas (Anderson & Jardim. em curto prazo. Por essa razão. Entretanto. inviabiliza a conservação e comercialização dos frutos. As florestas de várzea.Nas áreas circunvizinhas a grandes centros urbanos. 1992. pois. 1997). como solução ecológica-econômica. considerando a facilidade quanto ao acesso a novos estoques de recursos naturais. como Belém. Nessas áreas. foi deslocada. ou seja. o extrativismo em áreas não-manejadas tem apresentado. deverão ser observados os aspectos de avaliação do estoque disponível. Anderson & Ioris. ao plantio de enriquecimento de áreas. 1989. a extração de palmito só ocorre quando o produtor ribeirinho necessita de capitalização imediata. é sabido que toda a produção obtida. Oliveira Jr. mesmo que a preços menores quando comparados com os alcançados durante a entressafra. tem a consciência de que o mesmo estará recomposto algum tempo depois. gradativamente. quando recorre à sua "poupança". na maioria das vezes. foram definidas algumas estratégias com vistas à melhoraria do rendimento dos sistemas de exploração das florestas de várzeas do estuário amazônico (Nogueira. para a produção de frutos. e à coleta de frutos e extração de palmito. inicialmente instalada às proximidades de Belém.

O pressuposto básico deve estar voltado para o estabelecimento de florestas diversificadas de várzeas . Ilustração: Oscar Lameira Nogueira . consorciado com as espécies de ocorrência natural na própria área e com outras introduzidas. com isso. 4. tendo o açaizeiro como componente principal. Processo tradicional de uso do ecossistema de floresta de várzeas do estuário amazônico. 3. que praticamente desapareceram da região. deve ser considerado que o manejo e a exploração do maior número possível de espécies. de modo racional e equilibrado. caracterizando dessa forma o enriquecimento e a manutenção da biodiversidade. conciliando a proteção ambiental com o rendimento econômico. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Considerando a forma como os açaizais vêm sendo explorados. manejo de exploração de açaizais nativos. propõe o manejo e a utilização das florestas de várzeas. O diagrama representado na Fig. é possível propor. evitando. o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais (tendência atual).Fig. porém. e também favorecer o ressurgimento de espécies vegetais nativas. constituirão em aspectos favoráveis para a manutenção da biodiversidade. que possam proporcionar aos ribeirinhos rentabilidade maior que a obtida com a forma atual de exploração. Nesse contexto. e algumas práticas bem sucedidas realizadas pelos ribeirinhos.

andirobeira (Carapa guianensis Aubl. nessas áreas de várzeas. Dentre as espécies utilizadas no enriquecimento. No caso específico do açaizeiro.). são encontradas. derruba ou ateando fogo no tronco.). cacauzeiro.K. viroleira (Virola surinamensis L. com 4 a 5 folhas e altura média de 50 cm.) e seringueira (Hevea brasiliensis H. 5). dependendo do porte e da altura. Proposta de exploração do ecossistema florestal de várzea do estuário amazônico. há de ser destacado o aproveitamento do cupuaçuzeiro. 4. As espécies. no entanto.). cujos espaços livres surgidos são ocupados com o plantio de mudas de açaizeiro e de outras espécies com importância econômica. também podem ser utilizadas plantas jovens.B. buritizeiro. basicamente. com enriquecimento da biodiversidade na formação de florestas econômicas Ilustração: Oscar Lameira Nogueira O processo consiste. como o taperebazeiro (Spondias mombin L. espontaneamente. A eliminação das plantas pode ser feita por anelamento. jenipapeiro (Genipa americana L.). oriundas de germinação espontânea de sementes e transplantadas de áreas próximas (Fig. a .). em conjunto com o açaizeiro. mangueira (Mangifera indica L. havendo.) e pau-mulato (Calycophyllum spruceanum L.Fig. na eliminação das plantas de espécies consideradas de baixo valor comercial.

Essas práticas possibilitam disponibilizar. As árvores mais finas e as palmeiras podem ser eliminadas por meio de corte. Ao final do processo de implantação será possível dispor de sistema agroflorestal. mas é importante realizar o raleamento da vegetação. Desbaste das touceiras . para esse fim e devem levar em consideração todos os procedimentos mencionados anteriormente. em forma de anel de 25 a 100 cm de largura. por causa das facilidades de desenvolvimento das operações necessárias ao estabelecimento e à manutenção desses sistemas. é recomendado o enriquecimento por meio do manejo das touceiras de açaizeiro existentes. preferencialmente. nas áreas de baixa concentração. No caso de áreas de várzea baixa. de parte do córtex em torno do tronco. consistindo da retirada. e as mais grossas por anelamento. induz à implantação de sistemas direcionados. e visa facilitar o deslocamento de pessoas que implementarão as demais práticas. estão representados os detalhamentos dos procedimentos iniciais de raleamento da vegetação de várzea.necessidade de compatibilizar a densidade em função da população total de plantas que possa ser ideal. facilitando o crescimento e o aumento da produção de frutos do açaizeiro e das outras espécies. florestas de várzeas diversificadas e econômicas. pois o plantio e a manutenção de outras espécies são praticamente inviáveis. Operações necessárias ao manejo Limpeza da área A roçagem é o primeiro trabalho feito na área e consiste da eliminação das plantas de menor porte e de cipós. prioritariamente. óleos e fitoterápicos. 6 e 7. caracterizado como açaizal de várzea enriquecido com espécies nativas e introduzidas. A grande vantagem econômica do manejo de açaizais. para a produção de frutos. com mudas de açaizeiro. frutos. fibras. Nas Fig. dependendo da espécie. para a exploração racional. constituído de aproximadamente 400 a 500 plantas adultas de açaizeiro e 100 a 150 plantas de espécies frutíferas e árvores de essências florestais por hectare. cujos solos permanecem quase sempre inundados. Na implantação de sistemas diversificados são recomendadas. mantendo aquelas produtoras de madeira. bem como da retirada de galhos. Quando o interesse pela exploração dos açaizais manejados for. com a eliminação de espécies consideradas de baixos valores comerciais. seguido do enriquecimento. essencialmente. seguido do remanejamento do plantio do açaizeiro e de outras espécies. látex. respectivamente. Raleamento da vegetação Nessa etapa são identificadas e eliminadas as árvores sem valor de mercado. para a produção de palmito é desaconselhável o plantio de outras espécies. permitindo a penetração da luz do sol na área. As árvores preservadas devem estar bem distribuídas. as áreas de várzea alta. sementes.

junto com as folhas. Os custos com a técnica de manejo são ressarcidos com a produção da primeira safra após o manejo. é possível obter. Estimativas dos impactos positivos do manejo Impactos econômicos Os sistemas não-manejados propiciam a renda líquida de R$ 400. podem ser obtidas a partir de plantas jovens oriundas da germinação natural de sementes ou produzidas especificamente para esse fim. reduzindo os impactos ambientais. foi o desestímulo para extração de palmito. até R$ 700. finos. Para que os estipes do açaizeiro apresentem rápido crescimento em diâmetro. São eliminadas as brotações novas. a extração de palmito. pela maior lucratividade proporcionada. naturalmente. com aproveitamento dos palmitos. Essa prática é realizada na entressafra. sem a ocorrência de mudanças espaciais nas áreas às proximidades dos principais centros urbanos. correspondendo a 75% de aumento. geralmente.00/hectare. deixando somente as que substituirão os açaizeiros grandes indesejáveis. Essa prática é mais necessária nas plantas jovens. são plantadas as mudas de açaizeiro nas áreas mais espaçadas. a cada 3 anos. Com as técnicas de manejo. As mudas das outras espécies. a produtividade de frutos aumenta para 8. Com o manejado.00/hectare. . que consiste da retirada das bainhas presas no estipe após a morte da folha. no Estado do Pará. deixando de 3 a 4 em cada touceira.Nos açaizais não-manejados. há indicativo que algo em torno de 37 mil hectares estejam sendo explorados. quase o dobro nos açaizais manejados para fruto. para a valorização do mercado do fruto de açaí. a partir do 4º ano. Após o desbaste. nas áreas mais próximas a Belém. em média 4. as touceiras apresentam número excessivo de estipes. indicando a existência de mais de 10 mil hectares de açaizais manejados. para plantios nas áreas com baixa concentração dessa espécie. Com isso. houve o acréscimo de 42 mil toneladas de frutos. A prática de desbaste visa eliminar o excesso de estipes. Manutenção do açaizal Anualmente é efetuada a eliminação das plantas de valor comercial desconhecido. para que seja constituída a população aproximada de 400 touceiras por hectare. para que o açaizal seja mantido limpo e mais produtivo.2 toneladas de frutos. que representa R$ 48 milhões. com a vantagem de possibilitar. é indispensável a realização da limpeza das touceiras.4 toneladas. Considerando que 1 hectare de açaizal não-manejado produz. podem ser produzidas às proximidades da área em manejo ou adquiridas junto a produtores credenciados. pois nas adultas as bainhas se desprendem. ad infinitum. também. que serão cultivadas em associação com o açaizeiro. com o apoio de financiamento oficial. Outro aspecto importante. sendo eliminados aqueles muito altos. com vistas a manter a população recomendada. Obtenção de mudas As mudas de açaizeiro. defeituosos ou que apresentem pouca produção de frutos.

3 milhões. A produção de frutos no Estado do Pará cresceu de 91. indica que pelo menos 2.581 toneladas. são os aspectos favoráveis para a manutenção do equilíbrio da biodiversidade. nem. para 156. a utilização de recursos energéticos modernos. tampouco. como corretivos e fertilizantes. as exportações de palmito do Estado do Pará. o que não ocorre com a mão-de-obra. As atividades de extração. aos ribeirinhos. Impactos ambientais O manejo dos açaizais nativos concilia a proteção ambiental com o rendimento econômico. transporte. a produtividade da terra é dobrada para a produção de fruto. mas em 1992 alcançou cerca de US$ 29.000 empregos diretos tenham sido criados com os 15. para a extração de palmito e colheita de frutos. maior rentabilidade que os açaizais nativos na forma como são explorados atualmente. Eficiência tecnológica O emprego dessa técnica de manejo não requer o uso de insumos. . Alcance da tecnologia No Estado do Pará. o dobro da necessidade de esforço humano. houve substancial aumento da extração para atender o crescente mercado exportador e de consumo local. evitando assim o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais e favorecendo o ressurgimento de espécies vegetais nativas que praticamente desapareceram da região. correspondendo a mais de 15 mil hectares. O pressuposto básico é o estabelecimento de florestas de várzea diversificadas. produziram a cifra de aproximadamente US$ 7. o manejo e a exploração do maior número possível de espécies. Essa perda de participação. em 1994. Em 1999. Como o sistema manejado implica no uso adicional de 46 dias/homem/hectare decorrente do aumento da produtividade e das técnicas de manejo.5 milhões. em relação ao sistema não-manejado. as ações de manejo estão limitadas às áreas existentes. de modo racional e equilibrado. um aumento de aproximadamente 70%.000 hectares manejados. Sob o ponto de vista ecológico. com a adoção das técnicas de manejo. dessa forma. A exploração do açaizeiro é de fundamental importância para a sustentação econômica das populações ribeirinhas dos Estados do Pará e Amapá. estão sendo financiados mais de 6 mil pequenos produtores. Impactos sociais Com o emprego da técnica de manejo. além da destruição dos açaizais. sem a possibilidade de se estender a novas áreas ou a de inserir novos recursos naturais. comercialização e beneficiamento de frutos e palmitos de açaizeiro são as responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos. injetando anualmente mais de R$ 40 milhões na economia regional. Nesse contexto. exigindo. decorre da competitividade com a colheita de frutos. pela impossibilidade de mecanização do processo de colheita.046 em 2000. proporcionando.Desse modo.

. desde a fase de sementeira at é o plantio adulto. Ataque do pulgão-preto-do-coqueiro (Cerataphis lataniae) em açaizeiro jovem. . Rio Grande do Sul. Pernambuco. Diversos insetos são capazes de atacar o açaizeiro. Maranhão. Santa Catarina e São Paulo. Principais pragas a) Cerataphis lataniae Boisudval. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. que impedem a presença de inimigos naturais dessa praga. principalmente.Pragas e métodos de controle Dentre os fatores que comprometem a produção racional do açaizeiro. ataca mais intensamente o açaizeiro no viveiro e durante os 3 primeiros anos de vida no campo (Fig. 1. Minas Gerais. por cerca de 10 dias. mede cerca de 2 mm de diâmetro.Ocorrência: No Brasil. Excreta uma substância adocicada que atrai vespas. até . o controle é feito separando as mudas atacadas das sadias e os insetos retirados manualmente com auxílio de um pano umedecido em água.Sintomas: Esse inseto provoca o atraso no desenvolvimento das mudas do açaizeiro. ocorre nos Estados do Amazonas. 1). . moscas e. podendo ser de forma alada ou sem asas. tornando-as raquíticas e com as folhas amareladas. As mudas atacadas são mantidas isoladas fora do viveiro e observadas.Controle: No viveiro. formigas. As pragas que atacam o açaizeiro ainda são pouco conhecidas. Paraíba. Ataca. os problemas causados por esses organismos têm surgido com maior evidência e aumentado a preocupação quanto aos prejuízos que vêm causando ao açaizeiro. Rio de Janeiro. pode ser destacada a ocorrência de insetos. Conhecida como o pulgão-preto-do-coqueiro. Com a expansão de cultivos comerciais na Região Norte do Brasil. a flecha da palmeira e a inserção das folhas jovens ao estipe. tem a coloração quase preta e locomoção lenta. 1867 (Heteroptera: Aphididae). preferencialmente.Descrição: Esse pulgão tem o formato circular. Piauí. fato que dá importância às informações sobre o assunto. Bahia. Pará. por causa da seiva que tanto as ninfas como os adultos sugam para se alimentarem. .

assim como o açaizeiro. A saúva-damata.) e a saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca ataca o açaizeiro e outras palmeiras e fruteiras. mas pode atacar essa palmácea nos primeiros anos de vida no campo. torna a planta amarelada. As espécies mais comuns são: A. sexdens sexdens (saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca). (Hymenoptera: Formicidae). as medidas de controle são as mesmas propostas para C. rodeada de serosidade branca e vivem na face inferior da folha. . a saúva-cabeça-de-vidro também ataca diversas fruteiras. . c) Atta spp. deve haver o cuidado de não levar mudas atacadas para o plantio definitivo. Conhecida por mosca branca causa maior dano ao açaizeiro no viveiro. Conhecidas popularmente por saúvas. além do açaizeiro ataca diversas fruteiras. 2). tem a cor branca. No nível do solo. atacam as plântulas do açaizeiro na sementeira. quando então poderão retornar ao viveiro. com comunicação entre si por meio de galerias. debilitada e depois clorótica. coqueiro (Cocos nucifera L. podendo causar a morte do açaizeiro no caso de ataque severo. O ninho é formado por dezenas ou centenas de câmaras ou panelas. as mudas no viveiro e as plantas nos primeiros anos de vida no campo. na maioria das vezes.Controle: Tanto no viveiro como no campo. . onde excretam uma substância adocicada. lataniae. b) Alleurodicus cocois (Curtis. . atrasando o desenvolvimento e a produção. As saúvas se alimentam do fungo Gonylophora pholiota (Rhozitles) Moeller. por isso. . laevigata (saúva-da-mata). .Ocorrência: Essas saúvas são encontradas em todos os Estados do Brasil.Sintomas: Por se alimentar da seiva. que são cultivados com folhas trazidas pelas próprias saúvas para o interior do sauveiro. Ainda não existe um método de controle dessa praga no campo. ocupam toda a área dos folíolos. em virtude das folhas estarem muito tenras (Fig. No entanto. proporcionando o aparecimento de formigas e do fungo fumagina. 1846) (Heteroptera: Alyrodiae). As ninfas medem cerca de 1mm de comprimento. cephalotes (saúvacabeça-de-vidro) e A. A.Ocorrência: A mosca branca ataca um grande número de fruteiras e diversas palmeiras.que haja a certeza de que a praga foi completamente eliminada. 1893. onde se alimentam e se reproduzem. têm coloração amarelada.) e o dendezeiro (Elaeis guineensis Jack.Descrição: O adulto se assemelha a uma pequena mosca.Descrição: São insetos sociais que vivem em ninhos subterrâneos. os ataques são mais drásticos na sementeira e no viveiro. chamam a atenção. É encontra de Norte ao Sul do Brasil (Silva et al. As ninfas e os adultos formam colônias e. possui 4 asas membranosas e cobertas por uma secreção pulverulenta. . Esse inseto favorece o aparecimento do fungo fumagina. pois formam montes de terra solta com muitos orifícios (olheiros). que provoca a diminuição na fotossíntese da planta. mede cerca de 2mm de comprimento por 4mm de envergadura. 1968). tanajura e formigas-saúvas.

Controle: Como controle preventivo são observados os locais de instalações dos viveiros. concorrendo para o atraso no desenvolvimento ou até mesmo a morte da planta. . seguidos de tratamento do solo com inseticida. que são mais práticos.Sintomas: As saúvas cortam os folíolos do açaizeiro no viveiro. . Outro fator a ser observado é se existem sauveiros às proximidades e.) em folhas jovens de açaizeiro .Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. pois são os ambientes preferidos das saúvas. provocando o desfolhamento parcial ou total das mudas. 2. mas podem ser aplicados produtos líquidos (termonebulizáveis _ fenitrothion e deltametrin) e iscas granuladas (diflubenzuron). Devem ser evitadas as proximidades de áreas de matas. Essas providências são de grande importância. O controle químico com gases liquefeitos (metil bromide) é o mais utilizado. não só antes da instalação do viveiro. . eficientes e econômicos. Ataque de saúvas (Atta spp. esses são retirados e queimados. como antecedendo ao plantio do açaizeiro no local definitivo. quando se tratar de áreas infestadas.

tanto no campo como sob condições de laboratório (Bondar. bicudo e broca-do-coqueiro (Fig. . 250 ovos durante o seu ciclo de vida. em média.Ocorrência: O gênero Rhynchophorus é encontrado disperso por todo o Brasil. ácaros parasitas. onde é possível observar todos os membros do besouro adulto. d) Rhynchophorus palmarum Linnaeus. O adulto recém emergido. formigas predadoras e um coleóptero da família Scarabaeidae. redução ou ausência de cachos. Pode também ser feita a gradagem do terreno para destruir os ninhos no solo. nematóides. Conhecida por broca-do-olho-do-coqueiro. bloqueando a .Sintomas: O açaizeiro atacado apresenta porte reduzido. O adulto vive de 45 a 60 dias e as fêmeas põem. no campo. depois de algumas horas. predador das rainhas (Della Lúcia. Além do açaizeiro. é facilmente vista voando dentro de plantações atacadas. 5 cm de comprimento. Adultos (macho e fêmea) de brocado-coqueiro (Rhynchophorus palmarum). . mede 75 mm de comprimento por 25 mm de largura. 1978. Essa praga além de fazer enormes galerias no estipe e na região da coroa foliar. 1746 (Coleóptera: Curculionidae). as folhas mais jovens são mais curtas e não se abrem completamente. redução do número de folhas. folhas mais curtas e amareladas. essa praga ataca outras palmeiras. . começa a voar à procura de fêmea para acasalar e uma palmeira para se alimentar. 3. A larva. como fungos. 1993). com o pecíolo bronzeado. Foto: Paulo Manoel Pontes Lins Fig. quando as plantas estão com o estipe suficientemente desenvolvido.Descrição: Essa praga possui hábito diurno e. A pupa tem a coloração amarelada. Na fase adulta é um besouro de cor preto-aveludada. medindo. 1940. sendo possível observar machos e fêmeas em constantes acasalamentos. inflorescências abortadas e estipe com furos enegrecidos junto à região da coroa. completamente desenvolvida. 1998). Genty et al. em média. Ferreira et al. 3). a partir dos 3 anos de idade. principalmente o coqueiro e o dendezeiro. possui corpo recurvado de coloração branco-cremosa. tomando o formato de uma vassoura.As saúvas também podem ser controladas por inimigos naturais. pelo seu tamanho. ataca o açaizeiro. Quando o açaizeiro está muito atacado.

com a parte afunilada voltada para dentro da armadilha. da doença conhecida por "anel-vermelho". do modo a facilitar a entrada do inseto. Conhecida por escama vírgula e cochonilha escama vírgula. 1998). semelhante a uma vírgula ou um marisco.passagem dos nutrientes. e) Mytilococcus (Lepidosaphis) bechii (Newman. que são focos e servem de criadouro para a broca-do-coqueiro. utilizados no envasamento de óleo para máquinas agrícolas. nas palmáceas. . As armadilhas (Fig.Descrição: Seu corpo é curvo. ou insetos secundários capazes de provocar novos danos. propicia a entrada de microrganismos como fungos. com um furo de aproximadamente 10 cm ao centro. A troca da cana deve ser feita a cada 15 dias. 4. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. No interior da armadilha deve conter iscas compostas por feromônio de agregação sintético rincoforol (trocados a cada 3 meses). A parte superior dos recipientes é retirada e. no qual é fixado um funil feito com a parte superior de garrafa de plástico descartável de refrigerante (2 litros). ocasião em que será feita a coleta dos insetos capturados (Silva et al. provocando o enfraquecimento ou até a morte da planta. para que os adultos não sejam atraídos pela seiva exudada. A fêmea põe em média 50 ovos e mede cerca . 4) são colocadas em moirões de madeira com 1 metro de altura e distribuídas dentro do açaizal a cada 150 metros. no local. é o vetor do nematóide causador. ataca o açaizeiro no viveiro e nos primeiros anos de vida no campo. O uso de armadilhas é o método mais seguro para o controle dessa praga e pode ser feita com o aproveitamento de recipientes descartáveis de plástico (20 litros). cortados transversalmente). quando eliminadas concorrem para a redução da ocorrência dessa praga. adaptada uma tampa de madeira. Também devem ser evitados ferimentos mecânicos acentuados durante a colheita dos cachos. . 1869) (Heteroptera: Diaspididae). Os estipes eliminados são cortados em pedaços e queimados fora da plantação. bactérias e vírus. Além disso. a coloração varia de marrom-clara a marrom-violeta.Controle: As plantas decadentes ou mortas. Armadilha para captura de adultos de broca-do-coqueiro. mais 6 roletes de cana de açúcar (20 cm cada.

. a sua produção. . 1988).de 3 mm de comprimento (Gallo et al. favorecendo o aparecimento de formigas. baseadas em cuidados de não instalar o viveiro próximo a plantas atacadas por esse inseto. . 1895) (Heteroptera: Aleyrodiae). . moscas e do fungo fumagina. ficam amarelados. é conhecida por mosca branca e o corpo é recoberto por uma serosidade esbranquiçada. a planta fica. chegando mesmo a cobrir toda a folha.Sintomas: Os folíolos. Em decorrência de sua constante sucção da seiva.Ocorrência: A mosca branca é encontrada em todos os Estados do Brasil. e depois de 10 dias ocorre a eclosão das ninfas. pelo ao seu formato e a sua cor. . Conhecida por gafanhoto do coqueiro. . depois a planta fica debilitada. pois são envolvidos por densa aglomeração flocosa. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. Exudam um líquido açucarado. atrasando seu desenvolvimento e. . ataca o açaizeiro no viveiro e as plantas jovens no campo. principalmente. 5).Sintomas: Essa praga se fixa ao longo da nervura principal. f) Alleurothrixus floccosus (Maskell.Descrição: O adulto dessa praga.Ocorrência: Encontrada dispersa por todo o Brasil. para que não haja a possibilidade de ser levada planta atacada para o local de plantio definitivo. Conhecida por mosca branca ou piolho farinhento. Tanto as ninfas como os adultos são facilmente observados. com as folhas amareladas e depois cloróticas.Controle: Como não existe nenhum inseticida registrado para o controle dessa praga em açaizeiro. formada por filamentos cerosos de cor branca. gafanhotão e tucurão (Fig. inicialmente. g) Eutropidacris cristata (L. por causa do sugamento da seiva. na parte ventral dos folíolos. podem ser adotadas ações preventivas.. atrasando o seu desenvolvimento e sua produção. . As fêmeas põem os ovos na face inferior da folha. 1758) (Orthoptera: Acridiae). 5. as plantas jovens no campo. conseqüentemente. ataca o açaizeiro no viveiro e.Controle: Pode ser o mesmo descrito para Alleurodicus cocois. Ninfa do gafanhoto do coqueiro. inicialmente.

quando o gafanhoto está. A lagarta. . no estádio de "mosquito" ou mesmo "saltões". pois nesses estádios vivem agregados para se protegerem. esverdeadas com leve tonalidade azul. 1940).5 kg de triclorfon 50%.8 kg de melaço. 0. de cor prata com manchas brancas e translúcidas nas asas anteriores.Ocorrência: É encontrado em todos os Estados da Região Norte e em extensas áreas das outras regiões do Brasil. permanece no abrigo durante o dia. e só depois alcançam a fase adulta. é pela observação de grande quantidade de folíolos severamente cortados. o atraso no início da fase produtiva. cujo interior é revestido por um pó branco que também lhe reveste. também. 0. cujas asas ainda são rudimentares. as asas anteriores são verde -pardacentas e. h) Synale hylaspes (Cramer. ataca o açaizeiro (Fig.4 kg de açúcar mascavo. com a extremidade amarelo-dourada. preferencialmente. Esses componentes são bem misturados. . Ataca também outras palmeiras (Gallo et al. e branca. após atingirem certo desenvolvimento são chamados de "saltões". As fêmeas põem os ovos no chão e.Sintomas: Provoca a redução no desenvolvimento da planta e.Controle: Deve ser feito com o uso de iscas colocadas na vegetação rasteira junta às palmeiras. arroz ou milho. conseqüentemente. 1988). 6) no viveiro e nos primeiros anos de vida no campo. constrói seu abrigo unindo as bordas do folíolo com fortes filamentos brancos.5 L de água. nas asas posteriore s. . mede 110 mm de comprimento. . 0. que ficam caídos no solo. Conhecida por lagarta-verde-do-coqueiro ou lagarta -verde. esse abrigo para empupar (Bondar. e 6. recebem o nome de "mosquitos". verde-clara brilhante. 1988). 1782) (Lepidoptera: Hesperidae). As iscas são preparadas com a mistura de: 10 kg de farelo de trigo. Foto: Lindáurea Alves de Souza .Descrição: O adulto é uma borboleta com 4. as posteriores. até que seja alcançada a consistência moldável de massa (Gallo et al. pela voracidade com que as ninfas e os adultos se alimentam.gafanhotão e tucurão (Eutropidacris cristata). essa praga é conh ecida por gafanhotão.Descrição: No Estado do Pará. sai à noite para se alimentar e usa.5 cm de envergadura. quando emergem. . Outra maneira de ser detectado o ataque desse gafanhoto.

por 3.a. foi encontrada atacando o açaizeiro nos Municípios de Belém e de Tomé-Açu.Sintomas: A lagarta se alimenta do limbo foliar. no Estado do Pará. 1998). Ainda não existe um método para controlar o ataque dessa praga.16% i. . Por isso. Conhecida por inseto-rodilha (Fig. são imprescindíveis as inspeções mais intensas. Danos provocados pela lagartaverde-do-coqueiro ou agarta-verde (Synale hylaspes).15 i. . 7.Descrição: O adulto é um besouro de cor azul escura.Ocorrência: É encontrada nos Estados da Bahia e Sergipe (Silva et al. 7) Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. em coqueiro. em açaizeiro. ou trichlorphon a 0. . Sintomas de ataque de insetorodilha (Hemisphaerota tristis) em açaizeiro. no campo. formando para se . quando da produção de mudas. seco e com a coloração amarronzada. 1968) e. (Ferreira et al.a. corpo relativamente esférico com cerca de 4 mm de comprimento. Entretanto. i) Hemisphaerota tristis (Bohheman. com o corpo coberto de seus próprios excrementos. A larva é brancoamarelada. . as lagartas são retiradas manualmente para não infestar as mudas sadias que estão próximas.Controle: Quando o ataque ocorre no viveiro. 6.Fig.2 mm de largura.1850) (Coleóptera: Crysomeliade). o controle é feito com o uso dos inseticidas carbaryl a 0. tornando-o esgarçado.

No Brasil. . lagarta-das-folhasdo-coqueiro e brassolis (Brassolis sophorae). nos Estados do Amazonas. castanho-avermelhada. Em coqueiro. . é de cerca de 100 dias (Ferreira et al. 1978). 8. (1998). é controlada com inseticidas fosforados (Ferreira et al. . O ciclo de vida. em Sergipe. Foto: Antonio Agostinho Müller Fig. Conhecida por lagarta-das-folhas. facilmente. há registros de ocorrência no Amazonas. depois se torna marrom. no Brasil. é verde-clara. possui bastante movimentação em relação ao corpo e é recoberta por uma fina camada de pelos. Possui hábito gregário. com uma faixa transversal de cor alaranjada e expansão média de 8. do estádio de ovo à fase adulta. Sua cabeça. j) Brassolis sophorae (Linnaeus.5 cm. com as cores marrons. são marromescuras. 1998). . anteriores e posteriores. A lagarta é cremosa e apresenta listras longitudinais escuras ao longo do corpo. pela ação do vento. Adulto de lagarta-das-folhas. Adultos e larvas alimentam-se da face inferior dos folíolos raspando os mesmos.Ocorrência: A sua distribuição foi feita através da Colômbia. 1969) e.Descrição: O adulto é uma mariposa cujas asas. . unindo vários folíolos em forma de sacos alongados. Seu hábito de voar é crepuscular vespertino. a ocorrência dessa espécie foi registrada na Bahia. constrói os seus ninhos para se proteger.Controle: Não existe nenhum tipo de controle para essa praga em açaizeiro. 8). por Ferreira et al. Além desses Estados. Minas . tornando-os secos.proteger uma espiral em forma de rodilha. inicialmente. Bahia. onde permanece durante a noite. Suriname e Brasil (Genty et al. As palmeiras atacadas exibem desenvolvimento e produção reduzidos. por Silva et al. que se rompem. e. ficando pendurado nas folhas.Ocorrência: Ocorre em quase todos os países tropicais da América do Sul (Lever. (1968). Espírito Santo. fazendo ranhuras no sentido longitudinal do folíolo (Bondar.Sintomas: O açaizeiro atacado tem os folíolos esgarçados longitudinalmente. Maranhão. 1998). 1758) (Lepidoptera: Nyphalidae). 1940). A crisálida. lagarta-das-folhas-do-coqueiro e brassolis (Fig. Pará e Amapá.

35% i. queda prematura dos frutos e a redução da produção.Sintomas: As lagartas são muito vorazes. Conhecida por lagarta-desfolhadora e opisifane (Fig. parcialmente.Controle: A ocorrência dessa praga pode ser controlada da seguinte forma: . e os parasitóides. Adulto de lagarta-desfolhadora ou opisifane (Opsiphanes invirae).Os ninhos examinados. quando isso não for possível. Rio Grande do Sul. é muito comum a ocorrência em plantações de dendezeiro e de coqueiro.a.Consiste da retirada dos ninhos não parasitados por microrganismos. para a verificação da existência de lagartas parasitadas pelo fungo Beauveria bassiana ou B. Existe recomendação de uso do trichlorphon a 0. facilmente constatada pela presença de lagartas mortas e esbranquiçadas. Outros agentes biológicos que se destacam são o fungo Bacillus thuringiensis. . pode ocorrer o atraso no desenvolvimento da planta. Controle biológico . em casos de altas infestações em plantações de coqueiro. no caso de ser negativa. com gancho na ponta. e do carbaryl a 0. ocorre a diminuição da absorção de nutrientes retirados do solo. . . deixando somente as nervuras centrais dos folíolos e da ráquila. Pará. Em plantas altas é usada uma vara. Como conseqüência. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. 1968) e Sergipe (Ferreira & Leal. os ninhos não são retirados do campo. no controle das lagartas (Ferreira & Leal. pela presença dos esporos. brongniartii.Não existe nenhum inseticida registrado e liberado no mercado para essa praga em açaizeiro. No Pará. 1818) (Lepidoptera: Brassolidae). Dependendo da intensidade do ataque. bastantes eficientes no controle das crisálidas. Controle mecânico .Gerais. Mato Grosso. Rio de Janeiro. cuja coloração esbranquiçada. . para baixar a folha com o ninho. e.a. 1989). são verificadas as fezes amontoadas no solo. 9). ou ainda a morte da planta. consomem grande quantidade de massa foliar. São Paulo e Distrito Federal (Silva et al. podendo ser encontradas mais de mil lagartas em um único ninho. são abertos. Controle químico . k) Opsiphanes invirae (Huebner. parasitóides tanto em crisálidas como em ovos. indica que as lagartas estão parasitadas dentro do ninho. os ninhos não-parasitados são retirados e as lagartas eliminadas. Caso seja positiva. 1989). de dentro da plantação. . para que o fungo possa ser disseminado dentro da plantação.4% i. 9.

A crisálida. broca-da-coroa-foliar e broca-dos-cachos-do-dendezeiro (Fig. ataca com maior freqüência o coqueiro e o dendezeiro. .Descrição: O adulto é uma mariposa cujas asas anteriores são negras. No interior das armadilhas. Lepidoptera: Castniidae). no Pará. ou vasilhas de plástico cortadas de maneira a formar uma janela para entrada dos insetos adultos.. à distância uma das outras de 150 m. Não possui nenhuma proteção externa em seu corpo. 1998). em virtude da alta voracidade. com 80 cm de comprimento e 15 cm de diâmetro. inicialmente. A lagarta é de cor verde-clara brilhante. com uma faixa larga amarela na parte mediana e duas pontuações da mesma cor na parte superior. pode ser feito com armadilhas feitas com o aproveitamento de latões cilíndricos. sua cabeça é cor-de-rosa com dois cornos cefálicos em forma de espinho.1% do produto comercial. há uma faixa amarela transversal com pontuações da mesma cor nas extremidades. mas. fixas em suportes de madeira. As armadilhas devem ficar suspensas a 1 metro do solo. 1947). no entanto. atacando açaizeiros jovens e adultos. apresenta grande parte dos folíolos destruídos desordenadamente. .Ocorrência: Essa praga está distribuída por toda a parte setentrional das Américas do Sul e Central (Lepesme. na parte média das asas anteriores. . Ferreira et al. Possui duas fileiras de pontuações amarelas esbranquiçadas acompanhando o contorno das asas posteriores e. No Brasil. broca-da-coroa-foliar e broca-dos-cachos-do-dendezeiro (Eupalamides dedalus). Castnia dedalus. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. até a emergência do adulto. Devem ser realizadas inspeções periódicas. Alimenta-se dos folíolos causando danos à planta. depois se torna marrom com listras transversais e longitudinais róseo-ferrugem. Na cabeça chama atenção . Conhecida por broca-do-estipe. quando está para empupar permanece dependurada em algum ponto da planta.Controle: O controle dessa mariposa.Sintomas: O açaizeiro. cujo abdômen termina por dois prolongamentos caudais. é verde-clara brilhante. Larva e adulto broca-do-estipe. 1775) (sin. 10).1968. quando atacado. só foi constatada. l) Eupalamides dedalus (Cramer. com vistas à constatação da ocorrência dessa praga e à avaliação dos danos causados. a envergadura das asas da fêmea varia de 170 a 205 mm e dos machos de 170 a 185 mm. com duas listras finas longitudinais amarelasclaras ao longo do corpo. quando a população é grande podem também empupar na vegetação rasteira junto ao açaizeiro.Descrição: O adulto é uma mariposa com asas marrom-escura e reflexos violeta. e vivem na face inferior dos folíolos. em 2003. cortados transversalmente. 10. está presente em quase todos os Estados (Silva et al. principalmente nos folíolos próximo ao estipe. é colocado o inseticida trichlorphon a 0. .

o que indica a grande capacidade de dispersão da espécie (Korkytkowski & Ruiz. danificando seus tecidos. em média. . semelhantes a um grão de arroz. O ovo mede de 5 a 6mm de comprimento.). No final do ciclo. mede aproximadamente 7 mm de comprimento e pode alcançar de 110 a 130 mm no último estádio de seu desenvolvimento. na Venezuela. o número de ovos postos pela fêmea varia de 200 a 500.o tamanho grande dos olhos. as larvas se dispersam pela coroa da palmeira e na medida que crescem. Guiana. Após a emergência. No período de 12 a 17 dias. é de 12 a 13 dias e. em cada local de postura. por 2mm de largura. ocorre na região da inserção da folha (axila foliar). No Estado do Pará. pousada no estipe próximo a copa da palmeira. permanecendo.Sintomas: O ataque. 1979a). causando grandes prejuízos à produção (Schuilling & Dinther. A pupa é de cor castanho-escura brilhante e mede de 64 a 95 mm de comprimento. Suriname. onde permanece durante todo seu desenvolvimento. a fêmea deposita de 2 a 30 ovos. as folhas . Peru e Panamá. O período pupal foi estimado por Korkytkowski & Ruiz (1979a) em aproximadamente 30 dias. palmeiras nativas da Região Norte. Como conseqüência. depois levemente rosado e. durante o dia. 1973. O estipe. de 15 a 18 dias. fica totalmente perfurado e enegrecido em decorrência da oxidação da seiva. 1973). Colômbia. que escorre por meio das galerias abertas externamente. Inicialmente é esbranquiçado. A postura é feita em grupos de 2 a 8 ovos (Ray. A longevidade do macho. Karst e O. Genty et al. No final de seu desenvolvimento a lagarta passa por um período de pré-pupa. que varia de 144 a 403 dias. escuro quando se aproxima a eclosão da larva. Em 1996. cabeça fortemente esclerificada de cor castanha brilhante e com mandíbulas negras muito fortes. Ao emergir. Brasil (Região Norte). impedindo a circulação e o transporte de nutrientes para a região da copa. minor Mart. foi detectada a presença dessa praga atacando os estipes de açaizeiro e de bacabeiras (Oenocarpus maropa H.Ocorrência: É encontrada. o vôo é rápido e silencioso. 1979b). . 1979b). voando somente por um período de 10 a 15 minutos nas primeiras horas da manhã (6h às 6h15m) e nas primeiras horas da noite (18h às 18h15m). transfere-se para a região superior do estipe onde empupa. caminham em direção ao estipe fazendo enormes galerias. e se realiza a uma altura entre 1 a 4 metros. junto à coroa. 1980). A larva possui coloração branca leitosa. dos quais a maioria é colocada nos 5 primeiros dias e. Korkytkowski & Ruiz. junto à coroa. (1968). A incubação do ovo varia de 10 a 15 dias (Korkytkowski & Ruiz. constrói galerias no estipe do açaizeiro. Seu hábito de vida é do tipo "minador". fortemente compactadas (Korkytkowski & Ruiz 1979b). das fêmeas. com formato ovalado e provido de 5 estrias longitudinais proeminentes. 1978. coqueiro e algumas palmeiras nativas. inicialmente. durante 19 dias. Equador. em plantações de dendezeiro. finalmente. (Ray. A mariposa possui comportamento matutino e vespertino muito característico. e o ciclo biológico completo é de aproximadamente 14 meses. o primeiro registro desta praga atacando diversas palmeiras foi por Silva et al. com uma média de 233 dias. 1979b). o casulo formado pela pupa é marrom escuro e é confeccionado com as fibras da palmeira. em média (Korkytkowski & Ruiz. com uma média de 265.

concorrer para a ocorrência de problema mais sério. moluscidas (combatem as lesmas) e raticidas (agem sobre os ratos). que pendem junto ao estipe e terminam por cair. podem ser utilizadas algumas práticas de controle adotadas para o coqueiro e o dendezeiro. na concentração de 0. podem causar sérios problemas às mudas de açaizeiro ou ainda nos primeiros anos de vida.a.ficam carcomidas ao nível dos pecíolos. Ohashi et al. O uso de agrotóxicos tem sido questionado pelos ambientalistas. encontrados por toda a planta. Concomitantemente. com cerca de 10 mm de comprimento. 1998). . na flecha e nos folíolos mais jovens. entretanto. realizada periodicamente nas plantas jovens. quando aplicados de forma indiscriminada e inadequada. São encontrados. 1998.. mas com hábito alimentar semelhante ao dos caracóis. é possível encontrar danos simultâneos de larvas de Rhynchophorus palmarum atraídos pelo odor de fermentação dos tecidos danificados pelas larvas da broca-do-estipe (Risco. são distribuídos em grupos de produtos classificados como inseticidas (controlam as pragas). à fauna e ao próprio homem.Controle: Não existem informações sobre o controle dessa praga em açaizeiro. reduzindo consideravelmente a população da praga (Genty et al. Souza et al. Dependendo da população. ecologistas e biólogos. providos de conchas. herbicidas (combatem as plantas invasoras). Outras pragas a) Caracóis: São moluscos. Noções básicas para o uso de agrotóxicos Os agrotóxicos. acaricidas (eliminam os ácaros). causam problemas à flora.02% de i. principalmente nos 2 primeiros anos de vida no campo. 1996). (Lins et al. nematicidas (agem sobre os nematóides do solo). principal vetor do agente causal da doença "anel-vermelho". uma vez que se reproduzem em material vegetal úmido e em decomposição. raspando os mesmos para se alimentarem. na época chuvosa e em lugares mais úmidos. Pouco se conhece sobre a ação de agentes naturais que tenham ação efetiva de controle dessa praga no campo. fungicidas (agem sobre os fungos). O controle pode ser feito por meio de catação manual. Este autor estima que a forte incidência dessa broca no coqueiro pode reduzir a produção em até 50% e. 1998. pois são produtos químicos que. tem sido eficiente no controle dessa praga. propiciando o ataque de broca-do-coqueiro. 1978). Atacam o açaizeiro tanto no viveiro como palmeiras jovens no campo. O inseticida carbosulfan. retirando os pedaços de madeiras podres. b) Lesmas: São moluscos desprovidos de conchas. da ação danosa de outros seres vivos considerados nocivos. pulverizado na coroa foliar do coqueiro. como a poda das folhas infestadas e a coleta manual de crisálidas e adultos. . bactericidas (controlam as bactérias). cuja finalidade é a de preservar. Alimentam-se raspando os folíolos mais jovens e as flechas. a flora e a fauna. O controle pode ser feito através da catação manual nas plantas e limpezas ao redor do viveiro. com maior freqüência. produtos e agentes químicos ou biológicos. Ocorrem. principalmente. com os prejuízos causados pelas larvas desse inseto.

contendo informações importantes sobre o produto. os agrotóxicos devem ser armazenados ou guardados longe do alcance de crianças e de animais. se o agrotóxico é recomendado para o controle desejado. após a abertura das embalagens. É importante avaliar. caixa. a melhor época para controlar as doenças. e sobre a formulação do produto e a indicação do princípio ativo. pó seco). lata e vidro. óculos e máscara para evitar o contato e a inspiração do produto. a compatibilidade. não atingiram ainda estágios de comprometimento econômico à produção de frutos. Nas propriedades. são observados. pois se restringem a poucas ações no controle de pragas. Os agrotóxicos. praga ou concorrência de plantas invasoras justifica o controle. que devem ser sempre preservados. pois o "anel-vermelho". pragas e plantas invasoras nas culturas de importância socioeconômica. pragas ou plantas invasoras que podem ser tratadas.O uso de agrotóxicos nos cultivos de açaizeiro ainda são limitados. e se o uso de agrotóxico provoca desequilíbrio à cultura e ao meio ambiente. como princípios básicos. a hora e a época de aplicações. para que o agrotóxico não contamine os alimentos. comercializados em embalagens do tipo pacote. para não se contaminar. Escolha do agrotóxico Para que sejam obtidos resultados eficientes. em sementeiras. pragas e plantas invasoras. a classe toxicológica e sobre os cuidados durante e após as aplicações no controle de doenças. Quando do manuseio. são dotados de rótulos. a céu aberto e próximo das habitações. o intervalo entre as aplicações. assim como na manipulação das embalagens após o esvaziamento das mesmas. viveiros e no campo. e evitados os lugares úmidos. Quando houver a necessidade do uso de dois produtos é prudente verificar se não há incompatibilidade e não deve ser esquecido o respeito ao intervalo mínimo entre a aplicação e a colheita. As embalagens devem ser mantidas sempre fechadas e os produtos conservados na embalagem original. tendo sempre em mente a preocupação de escolher produtos menos tóxicos. a dosagem recomendada. a carência ou intervalo entre a última aplicação e a colheita. vetor do nematóide causador dessa doença. as doenças. Cuidados especiais no uso e manuseio de agrotóxicos O uso de agrotóxicos exige de seus manuseadores o conhecimento básico sobre o modo de ação. o produtos não deve ser tocado sem a observação dos cuidados necessários. quando da decisão do combate à nocividade. . as doses recomendadas. O uso de fungicidas praticamente inexiste. no controle desses seres nocivos dentro da atividade agrícola. os cuidados a serem tomados pelo aplicador. tais como luvas. como: as culturas beneficiadas com a sua aplicação. a formulação do produto (pó-molhável. associados às ações provocadas pela broca-do-coqueiro. se a incidência de doença. quando da possibilidade e necessidade de se aplicar mais de um produto ao mesmo tempo. até então referido em alguns trabalhos entomológicos. concentrado emulsionável. como os usos de equipamentos de proteção individual (EPI).

o armazenamento. o registro. As formulações granulares são aplicadas a lanço e oferecem maior segurança aos aplicadores. nos casos de embalagens abertas ou rasgadas. a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos. As formulações na forma de pó seco contêm 0.802. é maior. o que facilita a lavagem pela chuva. e dá outras providências. que trata especificamente sobre o destino das embalagens vazias. foi regulamenta pelo Decreto nº 3. vêm causando danos ao ambiente e ao próprio homem. a importação. como a Lei n° 7. líquidas (pó-molhável ou emulsionável). que dispõe sobre a pesquisa. que comprometem a rentabilidade de suas lavouras. animais. o transporte.974. de 06 de junho de 2000. quando usados. por isso vêm sendo . alimentos e ao ambiente.As embalagens devem ser recolhidas e encaminhadas para terem o destino final. a embalagem e rotulagem. as mesmas devem ser mantidas em sacos de plástico. a comercialização. a propaganda comercial. porém eficazes. que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e alterada pela Lei 9. por unidade de área. Formulação e modo de aplicação Os defensivos são comercializados nas formulações sólidas (pó e granulado). Os agrotóxicos são poderosos contaminantes que necessitam. a classificação. pragas e plantas invasoras. e. e ao alto risco de inalação das partículas pelos aplicadores. de custo mais alto como ocorre com os pós-secos. de 11 de julho de 1989.179. o destino final dos resíduos e embalagens. mesmo quando são necessários poucos gramas de ingrediente ativo por hectare para controlar as doenças. a baixa aderência das mesmas. Essas formulações têm baixas concentrações. Na impossibilidade de cumprimentos das normas de proteção. portanto. Parte dessa lei. as aplicações do produto. sendo estas últimas de uso bastante restrito. devem ser inutilizadas e enterradas em locais adequados. e gasosas. estão relacionadas com o uso e lavagens dos pulverizadores. a utilização. fontes e igarapés. os cuidados com o aplicador e o destino final dos resíduos e embalagens. de cuidados que minimizem ou neutralizem os seus efeitos prejudiciais ao homem. As ações que devem ser postas em prática. por causa dos seus usos indiscriminados e inadequados. que o agricultor dispõe para o controle de doenças. a produção. o controle. de acordo com a legislação regulamentada pelo Ministério da Agricultura. a experimentação. seus componentes e afins. Esses temas são regulamentados por leis específicas e detalhados quanto aos seus usos e aplicações. de 21. As desvantagens da aplicação de pó estão relacionadas ao fato das partículas serem levadas pelo vento a longas distâncias. O maior problema com o uso de granulados é o fato de terem ação sistêmica. mas sempre longe de rios. No entanto. a exportação. com vistas à redução do perigo da contaminação.1999.09. Pecuária e Abastecimento. pragas e plantas invasoras. Os grânulos também contêm baixa concentração de ingrediente ativo sendo. Técnica de aplicação Os defensivos químicos são os meios mais perigosos.5% a 10% de ingrediente ativo e a aplicação é feita com polvilhadora ou polvilhadeira. por isso o custo da aplicação.

pois são usados diferentes tipos para que sejam conseguidos espectros de gotas desejados e mais eficientes. além do tipo universal. . usados na aplicação de herbicidas. e ultrabaixo volume de 5 L/hectare. são classificados de acordo com a energia utilizada em: .Eletrohidrodinâmico (energia elétrica): utilizados na aplicação de produtos oleosos e volumes reduzidos (0.desenvolvidos produtos microencapsulados.001 milímetro). 210 mL/100 L.5 L/hectare). médio volume.Nebulização: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros. respectivamente. O bico é a parte mais importante do pulverizador. . existem pelo menos 5 tipos de aplicações de defensivos.Bicos de impacto. baixo volume.Pneumático e vertical (energia gasosa): usados para as aplicações em folhagem de arbustos e árvores. pulverização fina. normalmente são aplicados de 600 a 1.5 a 1. foi definido ou classificado pela Organização Mundial de Saúde (1976) em: . . são aplicadas em pulverizadores. As formulações líquida. As dosagens dos agrotóxicos usados nas lavouras podem ser expressas em quantidades do produto por unidade de área (hectare ou alqueire) ou pela quantidade do produto por 100 litros de água (180 g/100 L. de liberação lenta. leque ou cone (energia hidráulica): são de baixa pressão e gotas grandes. uso em recinto fechado ou floresta. 320 cc/100 L). pó-molhável ou concentrado emulsionável. De acordo com os volumes de agrotóxicos aplicados nas lavouras. com o mínimo de contaminação ambiental. que reduz mais os riscos de contaminação do aplicador.Aerossol: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros (1 micrômetro = 0. que têm grande importância na eficiência da aplicação de diferentes defensivos. e . O tamanho das gotas. Os bicos são usados para fracionar o líquido em gotas e.Vibratório (energias cinética e térmica): empregados para produzir grandes gotas (herbicidas) e neblina ou fumaça. quando também é levado em consideração o porte das culturas. para plantas rasteiras e árvores/arbustos. constituídos de bomba de pressão e de bico. de 50/200 a 200/500 L/hectare. e espacial de aerossóis.000 L/hectare. . distribui gotas com diâmetro médio do volume entre 50 e 100 micrômetros. .Disco rotativo e gaiolas (energia centrífuga): usados para aplicação de herbicidas em volumes pequenos com gotas de tamanho quase uniformes. respectivamente. de 200/600 a 600/1. . a saber: alto volume.000 L/hectare.Pulverização grossa: distribui gotas com diâmetro médio do volume superior 400 micrômetros. muito baixo volume 5/50 a 50/ 200 L/hectare.

sendo exceção o açaizeiro do tipo branco. O florescimento ocorre durante todos os meses do ano. têm a coloração roxoazulada e o açaí produzido é considerado de qualidade inferior. após o desenvolvimento dos frutos. freqüentemente. principalmente. têm a coloração roxo-escura. e aplicar a mistura no mesmo dia em que foi preparada. Antecedendo à aplicação do agrotóxico. o equipamento de distribuição. quando das aplicações de agrotóxicos. 1). pulverizador costal (manual e motorizado). antes há a necessidade de misturá-lo com um pouco de água. . rios e igarapés. Cada cacho. são necessários. com o pico entre os meses de fevereiro e julho.O preparo da calda é uma operação que oferece perigo ao aplicador e ao ambiente. para evitar a formação de espuma. em balde ou outro tipo de vasilha. quando maduros. Os principais cuidados no preparo da calda são: o pó não deve ser colocado diretamente no tanque do pulverizador. considerada na operação. aproximadamente. assim precisam ser substituídos para não haver prejuízos à pulverização. adicionar o espalhante-adesivo.Safra de inverno: Corresponde à época das chuvas e os frutos. A produção anual de cachos frutíferos por touceira depende da fertilidade e umidade do solo. A preparação da calda não deve ser feita às proximidades de poços. Colheita e pós-colheita O açaizeiro inicia seu ciclo de produção de frutos com a idade entre 3 e 4 anos. é conhecido por cacho (Fig. pulverizador de barra ou atomizador. Após a abertura (antese) e fecundação das flores. pois o defensivo químico está concentrado. deve ser regulado. que pode provocar entupimento de bicos e provocar desgastes no equipamento. por isso muitas vezes é denominado de roxo ou preto. é comum o desgaste dos bicos após algumas horas de trabalho. usar água limpa no preparo da calda. normalmente são colhidos em diferentes estágios de maturação. e da luminosidade. assim é evitada a deposição do produto no fundo do tanque do pulverizador. etc. pois no caso de ocorrer vazamentos e respingos resultará em contaminação. para a obtenção de uma mistura mais homogênea. planta. que não afete a concentração da calda de aplicação. Na Região do Estuário Amazônico se destacam duas épocas perfeitamente diferenciadas para a produção de frutos de açaizeiro: . de modo a garantir a vazão correta da calda e o volume a ser aplicado na área. com isso não haverá o entupimento e menor será o desgaste do equipamento. contém algumas centenas de frutos que. nesse período. abastecer antes com certa quantidade de água. com a coloração verde. É importante observar que. o defensivo não deve ser colocado no pulverizador vazio. de 5 a 6 meses para os frutos atingirem a fase de colheita. após o preparo da calda. A sua inflorescência é formada por um conjunto de ramos com números variáveis de flores masculinas e femininas que. daqueles que usarão a água para consumo e sobrevivência.

existem variações entre as diferentes regiões produtoras quanto ao período de produção de frutos. Portanto. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. Procedimentos de colheita A colheita se inicia aos 180 dias após a antese. ambas recobertas por uma camada acinzentada. na sua base. A colheita deve ser seguida de imediata seleção. pois com essa prática é possível evitar a maior contaminação dos frutos.. Durante a operação de colheita devem ser estabelecidos certos padrões. a produção vai de janeiro a agosto. O colhedor escala o estipe com auxílio de uma peconha e corta o cacho. Os produtos rejeitados não devem ser mantidos sobre o solo por longos períodos. . com o perigo de quebra ou tombamento dos mesmos. como realizá-la na época certa e de higiene ainda no campo. pois são focos de contaminação dos produtos sadios (Chitarra. ocasião em que o epicarpo apresenta uma coloração roxo-escura ou verde-escura. o cacho normalmente é depositado ao solo. com picos de produção de fevereiro a abril e. tendo o cuidado para que não se desprenda uma quantidade elevada de frutos das ráquilas (Fig. 2). no Estado do Amazonas. Os cachos apresentam maior homogeneidade quanto ao estágio de maturação e o açaí obtido tem a coloração vermelho-arroxeada.Safra de verão: Ocorre no período de estiagem. A colheita é uma operação onerosa e difícil. Após o corte. mas é recomendado faze-lo sobre lona ou toalha de plástico. com um volume de produção de duas a três vezes maior que a safra de inverno. Frutos de açaizeiros dos ecotipos preto e branco. com a remoção de produtos indesejáveis à comercialização e ao processamento. 1990). pois os estipes atingem facilmente de 10 a 15 metros de altura. 1. o qual é considerado de melhor qualidade sensorial. No Estado do Amapá a produção de frutos é mais acentuada no período compreendido entre janeiro e junho.

são realizadas as operações de debulha e de catação. certamente. um equipamento na colheita de cachos de pupunheira (Bactris gasipaes H. facilitando a operação de colheita em áreas com exploração intensa e racionalizada. preferencialmente. que ficam mais escorregadios. de 3 a 5 cachos em uma única escalada. para o corte do cacho. coletando. 3). permitindo a descida e a subida desse recipiente. em função do peso.B.K. A colheita. respectivamente. deve ser realizada pela manhã. um bom escalador é capaz de colher de 150 a 200 kg de frutos numa jornada de trabalho de 6 horas. pois as chuvas. normalmente acompanhadas de ventos fortes. contendo na sua extremidade superior uma lâmina. dando maior segurança ao colhedor. Um escalador habilidoso é capaz de passar de um estipe para outro. Escalador com cacho de açaizeiro colhido e o detalhe do uso de peconha. sem descer ao solo. Consiste de uma vara de alumínio. que consistem da liberação dos frutos dos cachos e da seleção dos frutos de acordo com a coloração ou estágio de maturação (Fig. Procedimentos de pós-colheita Debulha Após a colheita dos cachos. ocorrem com maior freqüência no período vespertino e tornam mais difícil a escalada nos estipes. ainda no açaizal.Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. em uma mesma touceira. pode ser utilizado na otimização do processo de colheita de cachos de açaizeiro. Normalmente. Os frutos do açaizeiro são classificados em: Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos . com 6 metros de comprimento. com sucesso. pois dispensa a necessidade de escalar o açaizeiro.). um recipiente. 2. para a depositação do cacho e uma roldana. A Embrapa Amazônia Oriental testou. que.

que caracteriza estádio adequado para a colheita dos frutos. como combustíveis ou produtos químicos. Nessa operação. Na impossibilidade de imediata tomada dessa providência. é feita a seleção visual e a eliminação de frutos atacados por insetos. os frutos devem ser mantidos a sombras das árvores ou protegidos da radiação usando. como medida preventiva à exposição desnecessária à radiação solar direta. não estando em condições de colheita. folhas de açaizeiro ou de outras palmeiras. Debulha de frutos de açaizeiro em paneiros e amostra de frutos excluídos durante a seleção. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig.Tuíra: os frutos apresentam a casca com a tonalidade roxo-escura intensa. evitando o contato direto dos frutos com o solo ou com qualquer outro contaminante. Os frutos do açaizeiro devem ser debulhados. . . . Os frutos colhidos devem ser removidos do campo de produção. sobre lonas ou plásticos (Fig. 4. É prudente a não-permanência na área. para tal.Fig. . mas ainda não no ponto ideal de colheita. quando da debulha dos frutos. de animais domésticos. preferencialmente. doenças ou animais e daqueles contaminados por material fecal de aves.Paró ou Parau: os frutos apresentam a coloração roxo-escura intensa. mas recoberta por uma camada de pó com a tonalidade branco-acinzentada. com brilho na superfície da casca. Debulha de frutos do açaizeiro sobre plástico. 3. ou ainda diretamente nas caixas de plástico. 4). como precaução à contaminação cruzada dos frutos. o mais rápido possível.Vitrin: os frutos apresentam grande parte da casca (epicarpo) com a coloração roxoescura e o restante a verde-escura.

). feitos com fibras vegetais.) ou de guarumã (Ischinasiphon obliquus (Rud.Deve ser ressaltado que existem iniciativas para o transporte dos frutos dentro do açaizal. ou paneiros. Acondicionamento Os frutos. Os cestos ou rasas oferecem boa aeração. confeccionados com fibras de jacitara (Desmoncus polyacanthus Mart. servem de adubo orgânico. Após a debulha. os restos dos cachos são deixados no local e. com a decomposição. 5). são acondicionados. melhora a qualidade do açaí. . Vagoneta usada no transporte de frutos de açaizeiro dentro da proprie-dade em área de várzea. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. rusticamente. Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. Fotos: Antonio Agostinho Müller. mas podem ser utilizados na confecção de vassouras rústicas. conseqüentemente. 6). Cestos usados para o acondicionamento de frutos de açaizeiro. que se deslocam sobre trilhos (Fig. e circulam entre as touceiras recolhendo as caixas de plástico contendo os frutos. favorecendo a conservação dos frutos.) Koern. com capacidade para comportar 14 ou 28 kg de frutos (Fig. 6. em cestos. Essa operação concorre para a redução de danos mecânicos nos frutos e torna o produto menos susceptível à deterioração e. 5. após a colheita e debulha manual das ráquilas. através do uso de vagonetas.

combustíveis. quando comparado aos cestos e paneiros. esse tipo de acondicionador tem o custo mais elevado. Armazenamento Os locais de armazenamento. eliminando as sujidades. antes do transporte dos frutos para os locais de processamento. o que torna a sua popularização mais lenta. além de proteger os frutos contra danos mecânicos. peças de motores. direta ou indiretamente.O acondicionamento dos frutos também pode ser feito em caixas de plástico (Fig. Outra vantagem das caixas de plástico é de ocupar menor espaço e dar maior estabilidade à carga durante o transporte. sendo vetado a ambiência com outros alimentos. Ao final de cada safra. Caixas de plástico usadas no acondicionamento de frutos de açaizeiro. lubrificantes. O uso de caixas de plástico minimiza a contaminação dos frutos. material de limpeza. os frutos. Entretanto. e no início da próxima. . além de exposições desnecessárias à radiação direta dos raios solares. tão comuns nos frutos do açaizeiro quando acondicionados em cestos ou paneiros. as quais possuem aberturas laterais facilitando a aeração. devem ser tomados os cuidados necessários que evitem o contato desses recipientes com o solo. insetos ou qualquer outro material estranho ou indesejável. defensivos agrícolas ou qualquer outro material que possa concorrer para a contaminação da produção. pois aumentam a possibilidade de ressecamento e deterioração dos frutos. causado pelo empilhamento desses durante o transporte aos centros consumidores. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. é recomendável a limpeza do local de armazenamento. pois possuem encaixe perfeito quando sobrepostas. paneiros ou caixas de plásticos. devem ser exclusivos para a estocagem do açaí. Essas caixas são mais fáceis de higienizar. resistentes e duráveis. O ambiente de armazenagem deve ser preservado da ocorrência de pragas que possam contaminar. maximizando a utilização dos espaços e diminuindo a pressão sobre os frutos.. 7) utilizadas na colheita e transporte de outras frutas. quando comparado ao que possa ocorrer quando acondicionados em cestos ou paneiros. seja em cestos. Quando do acondicionamento dos frutos. mesmo se mantidas indevidamente em contato com o solo. 7.

o meio de transporte mais utilizado é o fluvial. garante. paneiros. em caminhões ou pequenos veículos utilitários e os frutos são acondicionados em sacos de plástico. No transporte fluvial. pelas temperaturas elevadas nas áreas de produção e comercialização. 8). quando estocados sob temperatura ambiente. No entanto. Os pequenos produtores ribeirinhos muitas das vezes comercializam as suas produções. com capacidade variando de 200 kg até poucas toneladas. diminuindo a qualidade do produto e aumentando a área de exposição à contaminação por microrganismos. O transporte fluvial pode ser realizado em embarcação de pequeno porte (Fig. pois os frutos estão com a temperatura mais baixa. realizada no período noturno e com o tempo entre 30 minutos a 3 horas. Quando há a necessidade de transportar volumes maiores de frutos. desde que convenientemente higienizados. a chegada dos frutos nos grandes centros consumidores. com capacidade para até 60 kg. principalmente. normalmente. pode provocar a ocorrência de danos físicos aos frutos. dependendo da distância. Quando o transporte é realizado nas primeiras horas do dia. por via rodoviária. em pontos distantes dos centros de consumo. Na Região Amazônica. são utilizadas embarcações com capacidade entre 10 e 20 toneladas. com restrições da aceitabilidade quando da comercialização. deve ser evitado o contato ou a ocupação de ambientes que transportem produtos químicos. A produção originada de áreas de terra firme é transportada. na maioria das vezes. muito embora não existam estudos formais sobre a conservação desses frutos em ambientes refrigerados. mantendo-os em ambientes com temperatura em torno de 10 oC. recobertos com gelo. o que torna a proteção contra radiação solar direta um fator importante para evitar a perda excessiva de água. Transporte O horário matutino é fundamental para o transporte. a exemplo do que ocorre com outras frutas tropicais. os frutos do açaizeiro têm sido transportados em sacos de polipropileno. com capacidade para 60 kg. os barcos que transportam pescados também podem ser usados. O transporte em recipientes não-adequados. o que facilita o escoamento da produção de frutos de açaizeiro provenientes das áreas de várzeas. para serem transportadas em barcos maiores. graxas. que pode provocar queimaduras no epicarpo. como Belém. cestos. prejudicial a despolpa. acelerando a sua degradação. por isso devem ser despolpados no tempo máximo de 24 horas. Durante o transporte dos frutos. deve ser evitado o contado direto dos frutos com o gelo. defensivos químicos e . Esse tipo de embarcação cobre pequenas distâncias e a operação de transporte.Os frutos de açaizeiro são muito perecíveis. pois provoca a diminuição do rendimento e o açaí obtido apresentará cor inadequada. A preservação de pós-colheita dos frutos do açaizeiro pode ser prolongada. combustíveis. como cestos e paneiros. no dia seguinte ao da colheita. o que reduz o processo de degradação. O processo de degradação é acelerado. Quando o tempo entre a colheita e o despolpamento for superior a 48 horas. após a colheita. caixas de plástico ou a granel.

Seleção A seleção manual dos frutos. Processamento industrial A extração do açaí. Durante a entressafra do açaizeiro. deixando passar as impurezas menores. ou mesmo com qualquer outro tipo de defeito. pelo processo industrial. .Açaí fino ou popular (tipo C): a polpa extraída com a adição de água apresenta. de 11% a 14% de sólidos totais e tem a aparência densa. o açaí processado é classificado em: . frangos e outras carnes. de 8% a 11% de sólidos totais e a aparência é pouco densa. após ser filtrada. rasas ou caixas de plástico. evitando danos aos próximos lotes a serem transportados. dotadas de peneiras. são supridos pelos frutos produzidos nos Estados do Maranhão e do Amapá. principalmente. 1) e conduzidos para o processo de seleção. . paneiros. 2). assim como qualquer outra substância capaz de contribuir para a contaminação dos frutos do açaizeiro. Após a descarga. . fragmentos de ráquilas. após ser filtrada. (Fig. que os torne inadequados ao processamento. ou que acondicionem peixes. deve ser limpo.animais vivos. terra. Processamento embalagem e conservação O açaí é o produto extraído do epicarpo e do mesocarpo. no Estado do Pará. partes comestíveis do fruto do açaizeiro. mais de 14% de sólidos totais e a aparência é muito densa. como os restos de sépalas. utiliza barcos dotados de câmaras frias ou em compartimento de carga com gelo.Açaí médio ou regular (tipo B): a polpa extraída com a adição de água apresenta. Nessa etapa. muitas das vezes.Açaí grosso ou especial (tipo A): a polpa extraída com a adição de água apresenta. devem ser retirados do lote. após amolecimento obtido por processos tecnológicos adequados. após ser filtrada. os frutos verdes e em estado fitossanitário precário. é realizada em mesas de aço inoxidável. A produção vinda do Maranhão é transportada por via rodoviária e a do Amapá. Conforme legislação vigente. os processadores de Belém. os quais são pesados (Fig. cujas dimensões possam reter os frutos. envolve as seguintes etapas: Recepção dos frutos Os frutos de açaizeiro chegam às unidades de processamento acondicionados em cestos. como medida preventiva à propagação de microrganismos ou pragas. o veículo utilizado para o transporte de frutos de açaizeiro. geralmente. frutos chochos etc.

O tempo de amolecimento varia de 10 a 60 minutos e. tecnicamente. o produto obtido é transferido para o tanque de homogeneização. em que.5 mL de hipoclorito de sódio a 2%. Constituída do epicarpo e do mesocarpo. para o tanque de refino (segundo estágio). A 3a lavagem é feita com água clorada (20 ppm a 50 ppm1 de cloro ativo). Esses valores são empíricos. . em peneiras apropriadas. Pré-lavagem. quanto maior for o grau de maturação. os frutos. onde é procedida a homogeneização do produto açaí (Fig. por gravidade. os frutos são imersos em água para a retirada das sujidades aderidas aos frutos (Fig. menor será o tempo de imersão dos frutos. pois não existem. variam conforme a procedência dos frutos e de seu grau de maturidade. quando. com a finalidade de facilitar o processo de despolpamento (Fig. por meio de esteira. os caroços saem pela rosca transportadora de resíduo e a polpa obtida passa. As variáveis deste processo são a temperatura da água e o tempo de imersão. são despolpados. no transporte ou oriundas dos próprios frutos. Após essa separação. o excesso de cloro é retirado por meio da lavagem por aspersão com água potável. não devendo exceder a este valor. experiências comprovando. Na 4a.Em algumas indústrias de processamento. são retidos outros resíduos indesejáveis. 5). de acordo com os processadores. amolecimento e lavagem Os frutos de açaizeiro são transportados para um sistema composto de quatro lavagens em série: Na 1a. Exemplo: Para preparar 1 L de solução. sem afetar as propriedades da matéria-prima. qual a temperatura da água e o tempo de imersão adequados para que o epicarpo e o mesocarpo amoleçam o suficiente para favorecer o despolpamento. são necessários 2. os frutos também são imersos em água para o amolecimento do epicarpo e do mesocarpo. No primeiro estágio do processamento. 4). com o auxílio de injeção de água. cuja operação consiste da remoção da polpa do açaí. até a base do transportador. pois o poder desinfetante da solução diminui em virtude da oxidação e da evaporação do cloro. os frutos são transferidos. 3) Na 2a. No terceiro estágio. que os conduz até o despolpador. com 50 ppm de cloro ativo. os frutos passam por um equipamento dotado de ventilador para a retirada das sujidades adquiridas na colheita. Despolpamento e refino Após a lavagem e o amolecimento do epicarpo e do mesocarpo. A solução de cloro para a lavagem não deve ser utilizada para várias bateladas. A água pode estar à temperatura ambiente ou na de 40 ºC a 60 ºC. do tipo rosca-sem-fim. por cerca de 20 a 40 minutos. até o momento.

cujo movimento circular proporciona atrito com os frutos. Esse tipo de congelamento proporciona melhor qualidade ao açaí. e o açaí é depositado em bacias de aço inoxidável. e imediatamente resfriado no próprio trocador de calor. O produto processado desce por gravidade. e o açaí é depositado em bacias de aço inoxidável alimentação da batedeira com os frutos (Fig. sob a temperatura de 80 ºC a 85 ºC. 500 e 1. O rendimento da extração de açaí varia de acordo com a procedência. modelo vertical. durante 10 segundos. construídas em aço inoxidável. precedida do acionamento das palhetas. do tipo tubular. o intervalo de tempo entre a colheita e o tipo de processamento dos frutos. o produto é bombeado para o trocador de calor. Processamento tradicional ou semi-industrial Nesse tipo de processamento. passando em peneira de malha fina.0 litros 2. O processo tem início com a alimentação da batedeira com os frutos (Fig.5 litros Açaí médio 3. são utilizadas as tradicionais máquinas despolpadeiras ou. O produto processado desce por gravidade. No tratamento térmico (pasteurização). Tabela 1. regulado a -40 ºC. Redimento Guimarãe e Tipo Nascimento Henrique Poulet (1997) (1992) Fraham (1996) Açaí fino 4. tem como embalagem primária o saco de polietileno de baixa densidade. que procede ao despolpamento de bateladas de frutos de açaizeiro com a adição de água. o período de produção.5 litros 2. Procedimentos de embalagem O açaí. sendo normalmente empregados aqueles com capacidade para 100. pois diminui a possibilidade de . a partir da despolpa de 5 kg de frutos. passando em peneira de malha fina. Na Tabela 5. popularmente denominadas de batedeiras. o produto deve ser retirado com a temperatura de 5 ºC. Redimento de extração de açaí.0 a 4.0 litros 1. estão descritos os valores de rendimentos de açaí processados em despolpadeiras tradicionais ou semi-industriais. após o tratamento térmico ou não.5 a 2.0 litros Fonte: Rogez (2000).7).O açaí obtido pelo despolpamento pode ser imediatamente embalado e congelado ou passar por tratamento térmico. seguido da progressiva adição de água.000 g (Fig. cujo movimento circular proporciona atrito com os frutos. O produto embalado é conduzido a um túnel de congelamento rápido.8). No final do tratamento.5 litros 2.7 litros Cavalcante (1991) 6. precedida do acionamento das palhetas. seguido da progressiva adição de água.5 a 7.6).5 litros Açaí grosso 1.

a pasteurização. acondicionamento. bioquímicas e microbiológicas. remover gases dos tecidos. O resfriamento pode ser feito imergindo-os em banho de água e gelo ou por meio de aspersão de água fria. também. a sua inativação é utilizada como indicadora da eficiência nos tratamentos térmicos. na superfície dos frutos de açaizeiro. devem ser evitadas as condições drásticas de branqueamento para não modificar as propriedades organolépticas do fruto. mesmo sob refrigeração. de ações enzimáticas. tem a vida de prateleira muito curta. no máximo 12 horas. por ser a enzima mais termorresistente. seleção e lavagem dos frutos. responsáveis por mudanças nas suas propriedades organolépticas e nutricionais. Em adição BPA e BPF. A degradação do açaí pode decorrer da ação da enzima polifenoloxidase. Além desses fatores externos. por 10 segundos. A sua alta perecibilidade pode estar associada. O tempo e a temperatura variam conforme o tipo de matéria-prima. naturalmente. A adoção de boas práticas agrícolas (BPA) e de fabricação (BPF) minimizam a probabilidade de contaminação microbiológica dos frutos e do açaí durante o processamento. o congelamento ou a desidratação do açaí. Após serem submetidos ao branqueamento. resfriados para evitar a contaminação por microrganismos termófilos e para não comprometer a sua textura. provocam a separação das matérias graxas. à elevada carga microbiana presente no fruto. tais como o branqueamento dos frutos. a carga microbiana inicial. contribuindo para a conservação do produto. fixar cor. As temperaturas superiores a 80 ºC. salmonelas e outros microrganismos patogênicos são devidos ao seu manuseio inadequado. necessariamente. Branqueamento O branqueamento é um tratamento térmico comumente aplicado após a colheita. as enzimas termorresistentes presentes. No caso de frutos de açaizeiro. 9). . com o objetivo de inativar enzimas. o método de aquecimento e o tipo de enzima a ser inativada. Após o congelamento.ocorrência de alterações químicas. ou tempos mais longos que 10 segundos. porém não permitem inativar. com destaque para a peroxidase que. Além disso. os frutos devem ser. Os bolores e as leveduras estão presentes. deve ser realizado um conjunto de etapas de procedimentos visando a obtenção de produto seguro e de qualidade. por completo. à temperatura pré-determinada ou utilizar vapor fluente ou superaquecido. principalmente. o açaí deve ser armazenado em câmara fria (Fig. o branqueamento pode ser feito pela exposição à temperatura de 80 ºC. além de diminuir a carga microbiana. Essa operação consiste em mergulhar os frutos em água. pois tais condições reduzem a carga microbiana. o processo de degradação do açaí decorre. causada por condições inadequadas de colheita. enquanto as contaminações por coliformes fecais. Processos de conservação O açaí quando não-submetido a processos de conservação. transporte e processamento. a dimensão e a forma do material a ser branqueado. com a temperatura entre -18 ºC e -20 ºC.

e. isto é. 1988). É importante ressaltar que todos os métodos de conservação do açaí provocam modificações no seu sabor original. todo o processo metabólico. as atividades das enzimas peroxidase e polifenoloxidase. também. para a Região Amazônica. para a obtenção de açaí em pó. Desidratação A desidratação é o método de preservação de alimentos que utiliza energia térmica para remover parte ou a quase totalidade da água. Esse método de conservação é bastante oneroso. O produto é conduzido à câmara de secagem em finas gotículas. Para o açaí. entrando em contato com a corrente de ar quente. a secagem se processa de maneira rápida e o produto resultante se apresenta na forma de pó. Para as antocianinas. além de encarecer o produto. praticamente. o mesmo é imediatamente congelado (Fig. significativamente. cujo objetivo é a destruição de células vegetativas dos microrganismos presentes nos alimentos. Desse modo.Pasteurização A pasteurização é um tratamento térmico.10). tais como a refrigeração e o congelamento. A pasteurização deve ser empregada em conjunto com outros métodos de preservação. podem ser aplicadas as seguintes condições operacionais: temperatura do ar de entrada de 135 ºC a 140 ºC. mais lenta será a atividade enzimática. Com isso. modelo Mobile Minor Unit AS0340D. em outras regiões do País e do exterior. O açaí pode ser desidratado por atomização (spray dryer). Quanto menor a temperatura de armazenamento. Por isso. Nesse processo. o produto deve ser conservado à baixa temperatura desde a produção até o consumo. assim obtido. o mesmo processo empregado para a fabricação de leite em pó. é possível limitar ou evitar o crescimento de microrganismos ou outras reações de ordem química. o tempo de secagem é curto (1 a 10 segundos). terá maior vida útil de prateleira quando embalado em cartuchos plásticos aluminizados (Melo at al. seu consumo ainda se restringe à compra do produto processado na hora. inibem.9 a 6. Utilizando um spray dryer. ocorre consideráveis perdas. que são pigmentos naturais responsáveis pela coloração roxa-avermelhada do açaí. por afetar suas propriedades organolépticas e nutritivas. A remoção da água proporciona. onde o açaí é bastante .2 kg/cm2. como é o caso das frutas. O açaí em pó. armazenamento e manuseio do produto final. Congelamento É o método comumente utilizado para a conservação do açaí. No entanto. pois exige a necessidade da chamada "cadeia do frio". por 10 segundos. sob temperaturas de -18 ºC a -20 ºC ou mais baixas. as indústrias costumam empregar temperaturas em torno de 80 ºC a 85 ºC. Este processo se aplica a alimentos que não podem sofrer tratamentos mais rigorosos. após a pasteurização. temperatura do ar de saída 85 ºC a 90 ºC e pressão de trabalho de 4. maior facilidade no transporte. Com esse procedimento é inibido o crescimento microbiano e retardado. O congelamento do açaí.

A planta fornece ainda um ótimo palmito e as suas folhas são utilizadas para cobertura de casas dos habitantes do interior da região. criado em junho de 1996. motivado por melhorias nos preços. Maranhão. quando foi atingido o ápice das exportações de palmito.322 toneladas. especialmente para o primeiro e o terceiro. uma das mais rentáveis possibilidades comerciais proporcionadas pelo açaizeiro é a produção e comercialização de seu fruto "in natura". um aumento de quase 33%. A partir de 1992. Os grandes interesses pela . a produção foi de 160. pupunha e o bacuri. Acre e Rondônia.000 toneladas. Essa exposição da Amazônia. A produção de frutos para o mercado local é uma atividade de baixo custo e de excelente rentabilidade econômica. entre os principais. a produção de frutos de açaizeiro experimentou crescimentos anuais significativos. do seu enorme potencial de aproveitamento integral de matéria-prima. A importância socioeconômica do açaizeiro decorre. em função do aumento da competitividade da coleta de frutos. em 2002. nos últimos anos. pois responde pela sustentação econômica das populações ribeirinhas. portanto. Em 2003. Com a expansão do consumo do açaí. cupuaçu. transporte. A produção de frutos de açaizeiro no Estado do Pará cresceu de 92. como o guaraná. têm diminuído a extração e venda de palmito para as indústrias processadoras e concentraram as suas atividades na coleta e venda de frutos. O principal aproveitamento é a extração do açaí. mas as sementes (caroços) do açaizeiro são aproveitadas no artesanato e como adubo orgânico. para 122. com o aumento da pressão internacional para a preservação da Amazônia. comercialização e industrialização de frutos e palmito de açaizeiro são responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos e geram anualmente mais de R$ 40 milhões em receitas. Mercado e comercialização Mercado e comercialização A exploração do açaí é de fundamental importância para as economias dos Estados do Pará. Dos estipes adultos. que tiveram forte crescimento no mercado nacional e atraíram o interesse do mercado internacional. açaí.apreciado. componente do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). cuja valorização teve efeito econômico e ecológico positivo sobre a conservação de açaizais.021 toneladas. e do aumento da fiscalização. os ribeirinhos. chamou a atenção para diversos frutos regionais. nos últimos anos. Para a população ribeirinha. evitando a destruição maior dos açaizais. A valorização do fruto do açaizeiro contribuiu. Tem sido estimado que as atividades de extração. na mídia mundial. para consolidar o manejo de açaizais nativos como a principal atividade do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Extrativismo (PRODEX). em 1997. Amapá. A partir da década 1990. os produtos florestais não-madeireiros ganharam importância como alternativa para evitar desmatamentos e queimadas. 30% podem ser cortados de 5 em 5 anos e destinados à fabricação de pastas e polpa de celulose para papel. o seu consumo só é viável se o mesmo passar por processo adequado de conservação.

exploradas.223 hectares. A imigração rural é outro fator relevante para a ampliação do consumo urbano. São Paulo. Um dos grandes problemas do comércio do açaí é a sua característica de alta perecibilidade. A demanda pelo açaí fora da região também está em alta. O forte crescimento do mercado de fruto de açaí tem sido o indutor dessa expansão. desde que seja explorado de forma racional. A principal finalidade da utilização do açaizeiro ainda é para extração do açaí. tanto para produção de frutos como para extração de palmito. que faz com que o produto seja consumido durante todo o ano. dessa maneira. comercializando diariamente 120 mil litros. principalmente no Rio de Janeiro. torna a espécie um componente da floresta nativa. em face do interesse despertado. fato bastante comum na agricultura itinerante regional. onde a demanda pelo produto. pelos seus altos valores nutricionais e de unânime preferência popular por seu singular paladar. Nazaré. antes . No Estado do Pará. Rogez. atendendo.1% são do Estado do Pará. Em Belém é estimada a existência de mais de 3 mil pontos de venda de açaí. atendendo mais de 5 mil produtores. a espécie permite à indústria instalada na região o abastecimento seguro e fácil. para 18. A concentração de açaizeiro no estuário amazônico. após estudos demonstrando excelentes oportunidades para o aproveitamento integral dessa palmeira pelas indústrias alimentícias.cultura e por esses recursos. em 2002. No Rio de Janeiro. Nas indústrias de sorvetes da região é comum submeter o açaí concentrado à temperatura de -40 oC. mesmo sob refrigeração. 1998. com o produto tendo boas possibilidades de mercado. de fármacos. basicamente. tendo em vista que pessoas oriundas do interior acostumadas a tomar açaí regularmente. Ao mesmo tempo. o abandono dessas áreas e a sua transformação em capoeira desprovida de espécies valorizadas. 1974. 1988. evitando. com custo baixo da matéria-prima e do transporte. 2000). Brasília. por ser importante na alimentação diária das populações locais. O fruto e o açaí possuem um mercado regional muito forte. O açaizeiro é uma espécie vegetal com grande potencial de aproveitamento por pequenos produtores e populações ribeirinhas. É também vendido diretamente ao consumidor.816 hectares. formando maciços de açaizais naturais. de cosméticos. embora nos últimos anos tenha surgido um grande leque de alternativas para a cultura. o açaí é oferecido nas praias e se tornou muito popular entre os adeptos da "cultura da saúde" e entre os freqüentadores de academias. preservando grande parte de suas propriedades. onde o açaí faz parte de sua cultura. entre outras (Melo et al. as populações de baixa renda. de corantes naturais. em 1996. Goiás e na Região Nordeste. com o cultivo do arroz e cana-de-açúcar. dos quais 92. de celulose e papel. possibilita o aproveitamento permanente das áreas de várzea e igapó. anualmente. mantêm esse hábito quando imigram para as grandes cidades do Estado. como conseqüência do processo de congelamento utilizado pelo consumidor. Melo et al. Em decorrência da facilidade de extração de seus frutos. o consumo vem aumentando no decorrer dos anos. com a área estimada em 1 milhão de hectares. fizeram com que a área manejada e de cultivo passasse de 9.

No Município de Igarapé-Miri. custos. por não ser espécie arbórea. Arari. sob risco de infringir danos à saúde dos consumidores e a perda de mercados no futuro. da distância do mercado consumidor e do tamanho desse mercado. é crescente e começa a ganhar popularidade entre os nativos e turistas. A oferta brasileira está concentrada na Amazônia. que motivará pendengas judiciais e entraves à comercialização. O açaizeiro. poderá haver problemas com o registro da marca "açaí". o que se consome é o açaí fino que. na entressafra. a exploração do açaizeiro (fruto. há necessidade de políticas públicas que ampliem a oferta para atender os consumidores locais.00. Este aspecto realça a importância de se estabelecer critérios mais rígidos quanto ao teor de água em mistura com o açaí comercializado. em razão de incentivos financeiros e disponibilização de novas técnicas de cultivo e manejo. especialmente no Estado do Pará _ seu principal produtor. no Pará. Para o . em alguns pontos de venda. mas é de grande importância para a preservação da floresta amazônica. é difícil quantificar o volume ofertado de açaí. com 92% da oferta _ vindo em seguida o Maranhão. Em 2002. Com a chegada de barcos carregados de frutos esse preço começa a cair. Nesses locais. Salgado. Quanto aos preços do fruto na região. o cultivo dessa palmácea na Região Norte do país. o primeiro preço do dia. há variações importantes em função. a microrregião Cametá contribuiu com 77 mil toneladas. O produtor tem um maior ou menor retorno financeiro de acordo com a distância entre a sua propriedade e o mercado consumidor. rendimentos e rentabilidade Até a década de 1980. misturado com outros produtos. ou 119 mil toneladas. uma rasa de 28 kg custava R$ 12. experimentou sensível crescimento. foi iniciada a exportação de polpa congelada de açaí para os Estados Unidos e para a Itália. em São Paulo 150 toneladas/mês e outros Estados somam 200 toneladas/mês. palmito e folhas) era feita somente de forma extrativa. Esse mercado externo vem crescendo 20% ao ano nos últimos 3 anos. adequando de acordo com o preço oferecido. mas poderia chegar a R$ 45. É estimado que no Rio de Janeiro sejam consumidas 500 toneladas/mês. o odor e até o valor calórico da fruta. A abertura de novos mercados tem contribuído para o aumento do déficit de matéria-prima. Por se tratar de um produto.considerado exótico. tanto na União Européia como nos Estados Unidos da América do Norte. A partir de 1990. é sempre o último praticado no dia anterior. em face do custo de transporte do produto até esse mercado. dado o aumento da oferta.00. Belém. A formação do preço se dá no momento da chegada do intermediário no local de comercialização. No Pará.00 ou até R$ 60. Amapá. perde o gosto. Além da mistura com outros produtos. Futuramente. respondem por 97% da produção estadual. Em 2000. Cametá e Guamá. face ao aumento da demanda. principalmente. as microrregiões Furos de Breves. é freqüente o aumento da dosagem de água. Como todo produto extrativo. em 2004. cujo crescimento do mercado concorreu para o aumento dos níveis de preços. principalmente na época da entressafra. O preço de "abertura". da oferta local. Acre e Rondônia. não tem interesse para a indústria madeireira. registrado em março de 2001. Coeficientes técnicos. com a comercialização do açaí concentrado em latas e com a popularização da mistura com diversas outras frutas feitas em academias de ginástica.

Se for menor. foram extraídos de trabalhos científicos e teses defendidas por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e obtidos em viagens às regiões maiores produtoras. t = número de anos do projeto. então o empreendimento é viável. foi calculado o benefício líquido e o ponto de equilíbrio para cada nível de produção. Quanto maior é o VPL melhor será o empreendimento. Se a TIR é maior que as taxas médias de remuneração do capital que o mercado paga. Com a relação B/C podem ser comparados os diversos fluxos de benefícios e verificados se tem rentabilidade financeira. desde o momento futuro em que essa renda ou despesa será realizada. Quando for maior que 1. aqui tratados. significa que os benefícios ultrapassam os custos. E quando a relação B/C é menor que 1 indica que os custos são maiores que os benefícios. A TIR indica qual a taxa máxima de remuneração que o investimento paga como custo de oportunidade. Os custos de produção e a rentabilidade foram analisados com base no cálculo dos seguintes indicadores financeiros: valor presente líquido. Foi feita a análise econômica dos três sistemas de produção considerados neste estudo. para poder comparar com o preço de mercado e decidir pela manutenção ou não do plantio e da área de exploração extrativa. Os cálculos foram executados em planilhas do programa Excel. Quando a B/C é igual a 1 indica o equilíbrio ou equivalência entre os benefícios e os custos. Bt = benefício em cada ano do projeto. É calculado com base na aplicação de uma determinada taxa de desconto sobre os lucros financeiros da atividade.estabelecimento da cultura é necessário que o produtor rural conheça o custo de sua produção. i = taxa de desconto. através das seguintes fórmulas: onde: VPL= valor presente líquido. A decisão de plantar culturas perenes. pela irreversibilidade da sua introdução ao sistema de cultivo. Ct = custo em cada ano do projeto. O VPL é o valor atual de uma sucessão futura de benefícios líquidos. convém investir em outras opções. e i* = taxa interna de retorno. deve ser bem planejada. relação beneficio/custo e taxa interna de retorno. até o presente. O benefício líquido é a diferença entre as receitas e os custos de produção e o ponto de . Os coeficientes técnicos e rendimentos do cultivo e da exploração extrativa do açaizeiro. sendo a relação ideal para os proprietários dos recursos produtivos. B/C= relação benefício/custo.

No cultivo em área de várzea não há abertura de cova padrão. Cultivo em área de várzea Os coeficientes técnicos e os custos de produção para implantação de 1 hectare de açaizeiro em área de várzea para a produção de frutos. VPL = R$ 9.800. respectivamente para o 5°.equilíbrio mostra qual a quantidade mínima a ser produzida para que as receitas paguem os custos de produção. quando tendem a se estabilizar. O fluxo de caixa do plantio também é bastante promissor. somam R$ 1. quando essa margem é de 188%. 69% e 96%. pois as dimensões necessárias são aquelas que permitam colocar o torrão de terra para a preservação das raízes da planta. Já no 4° ano. constam da Tabela 4. também. e B/C = 2. A adoção de sistema de irrigação contribuirá. Os investimentos iniciais. Os dados dessa tabela mostram um fluxo de caixa bastante promissor. quando essa margem é de 38%. principalmente na fase de implantação do cultivo. para a redução dos períodos de entressafras e.48. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano. a receita gerada supera os custos de manutenção em 98%. No 4° ano.65.448. com facilidade. que normalmente o produtor a possui recebida de herança de seus ascendentes. Também é feito um resumo dos custos de cada sistema. o mesmo ocorre nos anos subseqüentes. mas que oneram o investimento em cerca de R$ 1. constam da Tabela 1. 6° e 7° anos. Dessa forma. bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio.00. de baixo custo. quando é iniciada a produção. Não há referências aos custos com adubos. . para tanto. adaptado na Embrapa Amazônia Oriental. pois para essas condições de cultivo não há necessidade de práticas de adubação em razão da maior fertilidade desses solos. Com a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros: TIR = 44. o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago. Dessa forma. Os investimentos iniciais. relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. quando tem início a produção. até o 5° ano (Tabela 5). 222% e 241%. sem também considerar o custo da terra.666. bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio. sem considerar o custo da terra. Cultivo em área de terra firme Os coeficientes técnicos e os custos para a implantação de 1 hectare de açaizeiro para a produção de frutos em área de terra firme. Em áreas onde for prolongado o período sem chuvas. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano. somam R$ 2.00 por hectare. respectivamente para o 5°. relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos.5%.40%. pode ser utilizada a irrigação por gotejamento. quando tendem a se estabilizar. é recomendável o uso de sistema de irrigação.00. com facilidade.155. o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago. até o 8° ano (Tabelas 2 e 3). 6° e 7° anos. o mesmo ocorre nos anos subseqüentes. a receita gerada supera os custos de manutenção em 4.

Os coeficientes técnicos e os custos de produção foram estimados até o 4° ano. 87% e 87%. indicando a viabilidade econômica da atividade. Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi observado que o valor presente líquido é positivo. Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano. seguido dos gastos com mão-de-obra. pode ser observado que desde o 1° ano a atividade apresenta superávit no fluxo de caixa.68.40% indica um retorno superior às taxas oferecidas pelo mercado para aplicações financeiras. e B/C = 2. a relação benefício/custo é maior que 1. Pelos dados da Tabela 6. Pelos dados da Tabela 13. . pode ser constatado que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção. 900 estipes em produção e 2.026. Para a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros: VPL = R$ 16.700 cachos. e. o valor presente líquido é positivo. anualmente. quando a produção deverá se manter estável a partir daí. b) Rentabilidade: . demonstrando que os benefícios são 148% superiores aos custos de produção. pois a produção inicia desde o 1o ano. outros indicadores econômicos vêm confirmar a viabilidade do plantio: a) Margem de lucro: .Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63% Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total. quando tendem a se estabilizar.Benefício líquido acumulado / investimento inicial = 994% Mostra que o lucro líquido é quase 10 vezes o valor dos investimentos feitos (gastos com implantação e manutenção até o 3° ano). e. foi de 198%. tendo em vista que o manejo possibilita dobrar a produção de frutos a partir desse período.Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi constatado que a TIR de 44. . demonstrando que os benefícios são 168% superiores aos custos de produção. Manejo de açaizais nativos Na composição dos custos foi considerado o manejo de 1 hectare de açaizal nativo com 800 plantas adultas. Não há investimento inicial no manejo. a partir do 4° ano. respectivamente. indicando a viabilidade econômica da atividade. O superávit. Até o 3° ano a receita superou o custo em 90%.07. a relação Benefício/Custo é maior que 1. e os dados constam da Tabela 8. A partir do 4° ano os custos e receitas tendem a se estabilizar a níveis altamente satisfatórios.Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172% Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção.

seguido dos gastos com mão-de-obra. . Os dados da Tabela 7.htm .br/FontesHTML/Acai/SistemaProducaoAcai_2ed/ paginas/sp3.Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63% Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total.embrapa. http://sistemasdeproducao. quando a produção deverá se manter estável a partir daí.Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano.Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172% Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção.cnptia. possibilitam constatar que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção. a margem de lucro vem confirmar a viabilidade do plantio: Margem de lucro: .

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