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resenha critica psicanalise

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FREUD, Sigmund. (1920) Além do Principio do Prazer.

In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XVIII. Rio de Janeiro, Editora Imago, 1996.

2.

Contextualização Biográfica

Sigmund Freud nasceu em 8 de maio de 1856 na cidade de Freiberg que era um território constituinte do Império Austro-húngaro. Sua mãe era a terceira esposa de seu pai, um modesto comerciante judeu. Em 1960, a família muda-se para Viena, capital do Império. Em 1873 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Viena, interessando-se inicialmente por neurofisiologia. Estuda hipnose com o francês Jean-Martin Charcot, porém, anos mais tarde abandona esse método de cura. Regressando a Viena, passa a trabalhar no Hospital Geral onde trata com método hipnótico de senhoras vienenses que apresentavam histeria. Juntamente com seu colega, Breuer, Freud começa a fundamentar e aplicar os conceitos recém-descobertos da psicanálise. Casa-se com Martha Bernays em 1886 com quem teve seis filhos, sendo a última uma discípula fiel as ideias do pai. Em 1899, publica “A Interpretação dos Sonhos” sua obra mais conhecida e mais divulgada. Apresenta as ideias de que os sonhos são “a porta de entrada para o inconsciente”, um mundo profundo na mente humana que rege nossos comportamentos sob nosso estado consciente. Freud então funda em 1908 a Sociedade Psicanalítica de Viena reunindo vários de seus seguidores, como Karl Abraham, Sandor Ferenczi e Ernest Jones, além dos dissidentes Carl Gustav Jung e Alfred Adler. Sensibilizado com a perda de sua filha, Sophie, e com a primeira guerra mundial, Freud inicia a teorização da luta das forças da vida e do amor contra a morte e a destruição, simbolizados pelos deuses Eros (amor) e Tanatos (morte). A sua teoria da mente ganhou forma com a publicação em 1923, de "O Ego e o Id".

Em 1938, graças ao inicio do nazismo na Europa, Freud foge para a Inglaterra onde morre um ano depois, supõe-se que com uma injeção de morfina para livrar-se das dores do câncer de boca que lhe afligia.

3. Perspectiva Teórica da Obra Obra pautada sobre a Teoria Psicanalítica fundamentada pelo próprio autor. Constituise um dos trabalhos que auxiliaram o autor a terminar sua teoria da mente em 1922 com a obra “Id e Ego”. Trazendo novas ideias para a formação topográfica da mente e de tudo aquilo que está além dela, possibilita também uma melhor compreensão das neuroses traumáticas, seu funcionamento e sua representação através de sonhos. Nessa obra, Freud faz uma regressão aos primórdios da vida para apresentar um paradigma sexual, já que ainda não se existia as divisões de gênero ou o ato sexual em si, porém, ainda assim apresentava-se um pré-indicio da libido e também da compulsão pela repetição e a pulsão da morte.

4. Síntese da Obra Em “Além do Principio do Prazer”, Freud expõe suas ideias sobre a existência de uma pulsão de morte existente nos seres vivos, assim, nos seres humanos e do paralelo existente a repetição. A obra se divide em 4 partes: Nos dois primeiros capítulos, Freud prepara o leitor para o que sera apresentado no texto e dando uma breve introdução a primeira ideia desenvolvida, a que o humano têm tendências a repetição compulsiva. Freud também trabalha com as definições de prazer e desprazer, e do brincar das crianças; No terceiro capítulo, o autor delineia sobre a compulsão da repetição existente em pacientes em análise, comenta sobre a influência disso sob a os processos de resistência do ego, e sobre a formação do principio da realidade sobrepujando o principio do prazer; A terceira parte abrange o capítulo 4, apresentando a formação encefálica e o comparando com a formação topográfica da mente, como uma forma de proteção contra as energias externas; Os últimos três capítulos, 5, 6 e 7. Apresenta a repetição como uma fonte de prazer, demonstra os traços da repetição nos contextos zoológicos, e através de explicações biológicas explica a formação da pulsão de morte nos seres vivos e sua relação com a

procriação. Freud nessa etapa utiliza-se de várias outras fontes de pesquisa e termina seu livro dizendo que os sentimentos de prazer e desprazer podem ser vinculados igualmente por processos excitatórios vinculados e livres e que se o principio de prazer é o primeiro a aparecer é tão intenso no inicio da vida, não seria difícil de se concluir que fora o primeiro a aparecer nos seres vivos.

5. Resenha-critica 5.1 Parte 1 Neste trabalho, Freud abordara um pensamento mais metapsicológico, assim, um ponto de vista mais econômico, mais topográfico e mais dinâmico. Através das observações diárias em campo de estudo da análise, percebe-se o significado do prazer e desprazer. Toma-se como análise então o desprazer, para Freud, um aumento da quantidade de excitação e o prazer sua diminuição. A infância é uma etapa de desenvolvimento atrelado ao principio de prazer, a criança sente fome – desprazer, grande aumento da quantidade de excitação – e logo vêm o prazer de poder mamar – diminuição da excitação. Com o passar do tempo, o ambiente fornecerá entraves para o prazer vir de imediato e o principio de prazer, apesar de ser difícil de modificação, é substituído pelo principio de realidade que esta atrelado com o adiamento da satisfação. A Primeira Grande Guerra possibilitou vários estudos no campo das ciências, um desses foi o estudo das neuroses traumáticas causadas pela surpresa – susto, a entrada em perigo sem preparo - e pelos ferimentos em campo. E é apenas com o estado de sonho que podemos confiar como método, porém as pessoas em análise estão mais interessadas em não pensar nas tragédias. É facilmente observável em crianças, brincadeiras de repetição, essas brincadeiras elucidam o caráter de vingança aos pais e de satisfação por um impulso elucidando o retorno, por este ser mais prazeroso – pensando aqui na transferência que a criança faz a sua mãe com o objeto, o ir é penoso para a criança porque é o desagarro com a mãe, causando assim excitação da energia, a volta é mais satisfatória porque significaria o regresso da figura materna e a diminuição da excitação, sendo mais lento e mais significativo. Os temas da

brincadeira também podem ter significados da última atividade assustadora sendo representada ali. O jogo, seguindo esse pensamento, seria uma forma de transferir a experiência desagradável para um de seus companheiros. Pensando-se assim podemos ver que nesse tipo de atividade a criança deixa de ser mero membro passivo do ambiente e torna-se um membro ativo. Machucar os outros companheiros de brincadeira constitui-se um vingar-se da experiência. Apenas o teatro e outras manifestações culturais “adultas” podem ser prazerosas porque não necessita da transferência, já esta elucidado no contexto do que esta sendo trabalhado como algo desagradável.

5.2

Parte 2 Na psicanalise, recordar o conteúdo reprimido é um grande problema para o paciente,

e por não ser recordado é então repetido, reproduzido. O conteúdo reprimido não oferece nenhuma forma de resistência, a resistência vêm do sistema que causou a repressão, no caso, o ego. Para entendermos, a memória humana não esta em nossa consciência, mas sim nos sistemas seguintes, porém, quando ocorre uma repressão dessa memória, o grande causador é o próprio ego que evita o recordar para evitar o desprazer que já ocorreu anteriormente. A lógica aqui é que a consciência, sendo apenas um canal de escoamento de estímulos e um escudo contra esses mesmos estímulos, torna-se apenas um transmissor da memória e tendo seu caráter protetivo. Sempre que algum dano se inflige na memória, não repetir seria o mais apropriado, logo, repreendido. A repetição da experiência traria então um desprazer para o ego, pensando assim, a resistência funciona então sob a influência do principio de prazer. Torna-se mais prazeroso não se lembrar do ocorrido.

5.3

Parte 3 A consciência, segundo Freud, é uma barreira aos estímulos, percepções e sentimentos

de prazer e desprazer externos. Sabe-se que a sede da consciência fica no córtex cerebral, a parte mais externa do cérebro e que várias funções emocionais e instintivas ficam em regiões

mais profundas do cérebro, como por exemplo o hipotálamo e o talamo. Saindo desse ponto Freud vai a suas conclusões neurofisiológicas. Seguindo essa forma de pensamento, as camadas mais exteriores de um complexo de massa cinzenta torna-se morto para salvar a internas pois essas são mais fracas e necessitam de um “filtro” de recepção dos estímulos. Por isso em seres vertebrados, um sofisticado sistema provindo das profundezas do corpo surge para a recepção, os sistemas perceptivos. A proteção contra os estímulos é mais importante que a recepção deles pois o aumento de energia no aparelho psíquico seria causador de grande desprazer, a projeção age como mecanismo de defesa. O trauma é justamente a quebra dessa barreira e com aumento da energia causa desprazer, o distúrbio forma-se. Energia catéxica vinda de várias regiões do ego surgem para fornecer catexias nos arredores desse rompimento, porém há o empobrecimento dos outros sistemas psíquicos. Diferentemente da teoria do choque, a teoria psicanalítica não acredita na ruptura histológica, o que se manifesta como interessante já que não existem comprovações de tais lesões no órgão, a psicanálise assume um pensamento de lesão no órgão mental, o que esta mais relacionado com a divisão psicopatológica do aparelho do organismo e do aparelho funcional iniciada no inicio do século passado. É eloquente pensar que todas essas proteções mentais só podem vir à tona de uma forma: através dos sonhos, onde a pessoa não pode dominar o estimulo e isso vem à tona. Agora o caráter repetitivo a qual Freud tanto comenta na parte anterior, só aparecem durante os sonhos de ansiedade, é a realização dos desejos de sentimentos de culpa. A ansiedade munida da hipercatexia, perdura como uma ultima defesa contra os estímulos. A ansiedade tem como função proteger essa camada, preparar-se para que ocorra e quando ocorrer, que não seja tão desprazeroso. Terminando essa parte, vemos claramente que as neuroses de guerra podem não se passar de neuroses traumáticas facilitadas por um conflito no ego. No caso da neuroses de guerra, podem não se desenvolver caso ocorra um grande dano físico na experiência, pois a agitação mecânica – causada pelo dano físico – pode ser reconhecida como uma das fontes de excitação sexual e as moléstias penosas e febris exercem poder sobre a distribuição da libido. Podemos avaliar assim que a lesão mecânica do trauma liberaria muita energia e a falta de preparação para a ansiedade levaria a um efeito traumático, ao contrário de um dano

físico simultâneo exigiria uma hipercatexia do órgão prejudicado, sujeitando o excesso de excitação.

5.4

Parte Final Freud Retorna um pouco a teoria psicanalítica para observarmos as pulsões

lembraremos que as pulsões provém dos processos primários inconscientes. Com a alteração do funcionamento das catexias, quando não bem elaborada, temos o indicio de um distúrbio análogo a uma neurose traumática e somente após sua efetividade é que “torna-se possível a dominância do principio de prazer (e de sua modificação, o principio de realidade) avançar sem obstáculos.” (pág 52). A compulsão a repetição aparece desde os primeiros anos de vida mental e em tratamentos psicanalítico. Essa compulsão tem um caráter instintual e esta em oposição ao principio de prazer. Crianças normalmente não se cansam de pedir a repetição de um jogo, de um comportamento ou de que uma nova história seja contada de novo e geralmente não aceitam que o que foi feito seja feito diferentemente. Já adultos tendem a inovas buscando nova aprovação do que foi feito. Vemos aqui que na verdade, a repetição esta dentro do principio de prazer pois tornase fonte de prazer. Porém, pessoas em análise geralmente apresentam desprezo ao principio de prazer ao demonstrar compulsoriamente à repetição na transferência do ocorrido na infância. Têm-se então que a repetição é na verdade um impulso a restaurar um estado anterior das coisas. A criança quer de volta aquilo que foi recentemente apresentada a ela e o adulto em analise a retornar a sua infância, ou um estado anterior ao que esta naquele momento. Freud apresenta vários casos sobre os seres vivos da terra e suas relações com ao voltar ao estado inicial – inanimado. A Auto-conservação, a auto-afirmação e o domínio são meros sentidos para traçar o próprio caminho para a morte. O instinto sexual, mesmo ainda não existindo em gênero ou ato, já funcionava desde o inicio como uma função – os seres buscavam a repetição e sua replicação, buscavam nascer e morrer o tempo todo. Esse era o primeiro instinto. Percebe-se a existência da pulsão a morte, uma necessidade. Nos organismos multicelulares, na substância viva existe a parte destinada a morrer, a soma, e a parte imortal, o plasma germinal. Já os seres unicelulares são potencialmente imortais e a morte só se faria através de metazoários multicelulares.

A morte é uma questão de conveniência, e ela coincide com a reprodução. E apesar dos seres terem essa potencialidade a vida, ainda assim buscam pela reprodução. Pode-se tirar algumas conclusões dai. Que o proposito da existência da-se então não por manter-se apenas vivo, mas sim para repetir algo – voltar ao inorgânico – e poder chegar a reprodução – passar os genes para frente não importando se isso custe a sua vida, é esse o propósito da sua vida. E que esses genes juntem-se a outro e torne-se mais forte, podendo assim ter maiores chances para a replicação. Podemos também pensar em uma analogia do ser humano não como um ser diferente dos outros, mas assim como os outros animais, um ser que busca a repetição, mesmo que isso lhe cause a morte – lembrando aqui os machos da aranha viúva-negra (Latrodectus mactans) que morrem para poder copular. Freud completa sua obra apoiando uma nova teoria, os seres pluricelulares se mantém unidos, uma comunidade de unicelulares, através de uma pulsão por vida – Eros – , manter-se vivo é o objetivo. Por outro lado, as células têm compulsão pela repetição e assim buscar retornar ao estado inanimado, procurando pela morte, uma pulsão de morte – Tanatos – que seria a repetição dos primeiros seres orgânicos da terra. Essas pulsões descobertas são as que levam os seres humanos a procurar nostalgicamente a repetição buscando algo prazeroso nessa atividade. Apesar da existência da pulsão de morta, a vida continua porque, os instintos sexuais ativos em cada célula tornam as outras células como seu objeto que neutralizam os instintos de morte e as outras fazem o mesmo por elas. Seria uma espécie de “amor” narcisista das células pelas outras células e o contrário também, assim mantém-se vivas. A partir dai surge uma nova concepção e uma nova teoria, não mais seria o ego e as pulsões sexuais que administram o funcionamento psíquico, mas sim as pulsões de morte e de vida. Três anos após a publicação de “Além do Principio do Prazer”, Freud publica “Id e Ego” onde completa sua nova teoria.

Alex Zopeletto da Silva é graduando de psicologia pela Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Cuiabá e escreveu essa resenha ao segundo semestre do ano de 2010 para a matéria de Teoria Psicanalítica II sob orientação da Profª Drª Regina Mara Jurgielewecz Gomes.

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