P. 1
Resenha crítica

Resenha crítica

|Views: 160|Likes:
Resenha de dois artigos versando sobre a questão das exportações brasileiras, as taxas de câmbio e a competitividade no mercado internacional.
Resenha de dois artigos versando sobre a questão das exportações brasileiras, as taxas de câmbio e a competitividade no mercado internacional.

More info:

Published by: iTCC Assessoria Acadêmica on Jun 22, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/10/2015

pdf

text

original

Resenha crítica

³Efeitos do câmbio e juros sobre as exportações da indústria brasileira´ 1

O artigo analisa diversas fases relacionadas à economia brasileira, em especial nos últimos 25 anos. Apontando para a questão de o setor exportador ser um determinante na composição relacionada ao desempenho da economia do país. Apesar de existir a constatação sobre o caráter essencial deste setor, constata-se o desempenho fraco nos anos compreendidos no estudo. O próprio crescimento está vinculado às exportações pois estimulam a demanda dos produtos junto ao mercado interno e promovem o relaxamento de medidas externas de restrição ao crescimento. As características dinâmicas da exportação servem como base para análises efetuadas sobre a estrutura produtiva do país, sobre a competitividade e sobre o papel que a taxa de câmbio assume no contexto. Em tópico específico sobre a taxa de câmbio são elencados diversos itens que asseveram a sua importância para a economia. Através da mesma, de acordo com os autore s, são fomentadas mudanças no cenário doméstico em relação aos bens produzido no exterior; determinam, também, fatores que regulamentam a estrutura produtiva da economia. A estrutura produtiva é salientada como um principal centro de atuação das taxas cambiais, pois os setores e segmentos compostos por grandes empresas têm maior facilidade de financiamento externo. Desse modo, eles são menos sensíveis a variações da taxa de juros doméstica. O crescimento da renda mundial, por sua vez, tende a favorecer mais a exportação dos bens com maiores elasticidades renda. O artigo prima por propor a análise da relação entre taxas de câmbio, de juros e do crescimento mundial sobre o total das exportações brasileiras e de sua composição. Para tanto, utilizam-se pesquisas realizadas por Nassif que constata a existência de uma elevação da participação relativa do segmento baseado em recursos naturais nos investimentos e no valor adicionado da indústria brasileira, com redução ou estagnação nos demais.

1

NAKABASHI, Luciano; CRUZ, Marcio J.V. da; SCATOLIN, Fábio D. Efeitos do câmbio e juros sobre as exportações da indústria brasileira. R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 433-461, set./dez. 2008 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rec/v12n3/02.pdf. Acesso: 08/jun/2011.

Ressalte-se que o setor exportador carrega consigo aspectos fundamentais haja visto que promove o afrouxamento da restrição externa e exerce papel fundamental diante da composição da malha produtiva da economia como um todo. O câmbio é uma variável-chave no desempenho do setor de exportações e existe o levantamento da questão sobre se deixar que o câmbio permaneça em um patamar extremamente valorizado fará com que o desempenho econômico do país seja prejudicado, pois, além de ter impactos negativos em alguns setores-chave da economia, contendo as exportações destes, o aumento das importações se dará via mudança relativa de preços. Não ficando restrita ao crescimento econômico e conseqüente aumento da demanda interna. Os autores concluem que os ³segmentos mais dinâmicos e com maiores capacidades de dinamizar as exportações brasileiras em um prazo mais longo de tempo, como o intensivo em escala e diferenciação, vêm perdendo participação: passaram de 34,03% e 12,52%, em junho de 1996, para 28,96% e 11,31%, em fevereiro de 2008, respectivamente. Além disso, o segmento mais importante na geração de empregos foi o que mais reduziu a participação, passando de 10,24% para 6,18% no período da análise´. Gala apud Nakabashi, Cruz e Scatolin cita que: ³As evidências aqui apresentadas apontam para uma recorrente subvalorização das moedas asiáticas quando comparadas às latino-americanas (...).´ Bem como Rodrik, também citado no artigo, fornece evidências da correlação entre desvalorização e crescimento econômico para os países em desenvolvimento. Tais apontamentos servem como introdução ao próximo artigo, através do qual se espera estabelecer uma relação pertinente entre os dois aspectos, a valorização do Real e a concorrência dos produtos chineses.

³Desempenho exportador global e competição nos mercados da União Européia e dos Estados Unidos´2

FERRAZ, Galeano; RIBEIRO, Fernando. Desempenho exportador global e competição nos mercados da União Européia e dos Estados Unidos. Artigo. RBCE (Revista Brasileira de Comércio Exterior)± 80.Disponível em: http://www.funcex.com.br/material/rbce/80-GFRF.pdf. Acesso: 08/jun/2011.

2

A China vem apresentando contínuos índices de crescimento no comércio internacional no decorrer dos últimos anos. Essa dinâmica tem provocado efeitos diferenciados sobre economias com grau de desenvolvimento similar ao da economia brasileira e, por isso, sido objeto de estudo em muitas perspectivas. São apontadas pelos autores, questões que se relacionam com as oportunidades de exportação, a ameaças a produtores locais no mercado doméstico e, para alguns setores produtivos exportadores, o acirramento da competição em terceiros mercados. As exportações brasileiras demonstraram índices apenas razoáveis entre os anos de 1996 e 2002. Cresceram 26,4% em termos acumulados, sendo que nos anos de 1998 e 1999 refletiram uma queda em comparação com o ano anterior. Por outro lado, o desempenho exportador da China foi além de qualquer prognóstico, dado que seu montante mais do que dobrou entre os extremos do período. Apenas em 1998 a taxa de crescimento das exportações chinesas mostrou-se reduzida, refletindo a queda do nível de atividade mundial que se seguiu à crise asiática do final de 1997. A primeira parte do artigo ressaltará, justamente, as diferenças importantes entre o desempenho das exportações globais do Brasil e da China entre os anos de 1996 e 2002, tanto em termos de crescimento quanto de composição setorial, intensidade tecnológica dos produtos e outros atributos analisados. Destaca-se,

primeiramente, que as exportações da China, além de alcançarem valores muito superiores aos das exportações brasileiras, apresentam um crescimento muito mais rápido. Na média do período 2001-02, a China exportou 5,4 vezes mais do Brasil e o crescimento em relação à média dos anos de 1996-97 foi quase cinco vezes maior do que o do comércio mundial. No mesmo período, as exportações brasileiras cresceram, por sua vez, a um ritmo similar ao da média mundial. A análise dos atributos dos produtos exportados revela que as vendas externas chinesas são relativamente mais concentradas. Enquanto que as exportações brasileiras apresentam uma participação relativamente maior de produtos básicos, agrícolas e minerais. As exportações do Brasil registram ainda maior participação de produtos intensivos em economias de escala, devido ao grande peso dos produtos siderúrgicos, automóveis e autopeças. Por seu lado, a China exporta um percentual relativamente mais elevado de produtos intensivos em pesquisa e desenvolvimento, que representam 25% de sua pauta. Ferraz e Ribeiro salientam que em termos setoriais, a pauta chinesa é comandada por equipamentos eletrônicos, têxteis e vestuário e material elétrico, ao passo que na pauta brasileira sobressaem peças e outros veículos, agropecuária, extrativa mineral, siderurgia e abate de animais.

Quanto à intensidade tecnológica, as diferenças entre os países não são tão expressivas, visto que as exportações de ambos apresentam elevada concentração em produtos de tecnologia baixa ou média-baixa. Além do mais, nos dois casos a evolução é positiva, dada a participação crescente dos produtos de tecnologia alta ou média- alta. Embora as pautas de ambos os países registrem uma participação elevada de produtos de baixo dinamismo no comércio mundial (em decadência ou em regressão), a chinesa possui uma participação cerca de 14 pontos percentuais mais elevada que a brasileira nos produtos de maior dinamismo. Este fato ajuda a explicar, ao menos em parte, a diferença de crescimento das exportações totais dos dois países no período considerado. Outra conclusão importante é que, embora as pautas de exportação dos dois países sejam bastante concentradas, o grau de concentração é relativamente mais elevado no caso brasileiro. Observa-se que 90% do valor exportado referem-se a 22% do total de produtos exportados pela China, mas a apenas 11% dos produtos exportados pelo Brasil.

ASPECTOS PERTINENTES SOBRE A CORRELAÇÃO ENTRE QUESTÕES ABORDADAS NOS ARTIGOS

A discussão sobre o regime cambial é considerada crucial para todos os países. Especificamente sobre a relação possível de estabelecer-se entre a taxa praticada pelo Brasil e o regime chinês, torna-se evidente a perda de competitividade do Brasil nas exportações de produtos onde exista a concorrência da China. O regime cambial da China é pautado pela rigidez da taxa de câmbio (8,28 yuan/dólar), uma taxa de câmbio que serve de instrumento ao estímulo às exportações chinesas no mercado mundial. Existe uma taxa considerada desvalorizada em termos reais, e distante do chamado nível de equilíbrio. Pode-se inferir do estudo dos dois artigos que o regime e a política cambial adotada na China nas últimas décadas tem desempenhado um papel preponderante quando se pensa em quais são os determinantes do excepcional crescimento econômico chinês, além do fato de que a desvalorização real da taxa de câmbio verificada a partir da década de 90 acaba por se constituir em um elemento adicional que confere ganhos de competitividade ao setor exportador, cujo desempenho está diretamente atrelado às elevadas taxas de crescimento econômico. Mesmo que a China continue adotando medidas que tenham como finalidade o controle seletivo dos fluxos de capitais, é um elemento importante no sentido de dar suporte à

sustentação destas elevadas taxas de crescimento econômico. A condução da política cambial chinesa não tem fornecido evidências que apontem para uma mudança dentro dos parâmetros pretendidos pelos EUA e demais parceiros comerciais.3

3

VIEIRA, Flávio V. China: crescimento econômico de longo prazo. Artigo. Rev. Econ. Polit. vol.26 no.3 São Paulo July/Sept. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572006000300005. Acesso: 08/jun/2011.

REFERÊNCIAS

FERRAZ, Galeano; RIBEIRO, Fernando. Desempenho exportador global e competição nos mercados da União Européia e dos Estados Unidos. Artigo. RBCE (Revista Brasileira de Comércio Exterior)± 80.Disponível em: http://www.funcex.com.br/material/rbce/80-

GFRF.pdf. Acesso: 08/jun/2011.

NAKABASHI, Luciano; CRUZ, Marcio J.V. da; SCATOLIN, Fábio D. Efeitos do câmbio e juros sobre as exportações da indústria brasileira. R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 433-461, set./dez. 2008 Disponível em: Acesso: 08/jun/2011. VIEIRA, Flávio V. China: crescimento econômico de longo prazo. Artigo. Rev. Econ. Polit. vol.26 no.3 São Paulo July/Sept. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rec/v12n3/02.pdf.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572006000300005 . Acesso: 08/jun/2011.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->