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Instrumentacao-Medidas-Grandezas-Mecanicas

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1- 1

-





INSTRUMENTAÇÃO
E MEDIDAS:

grandezas mec
â
nicas
















Fernando A. França: Instrumentação e Medidas: grandezas mecanicas, UNICAMP 2007.

2











INDICE


LISTA DE FIGURAS.............................................................................................................................. 6
LISTA DE TABELAS........................................................................................................................... 13
APRESENTAÇÃO............................................................................................................................... 14
1 Conceitos básicos e características gerais de instrumentos ............................................ 16
1.1 O método experimental na engenharia.....................................................................................16
1.2 Elementos funcionais e características operacionais de instrumentos.....................................18
1.3 Sensores....................................................................................................................................21
1.3.1 Sensor Lambda...............................................................................................................22
1.4 Características operacionais de instrumentos ..........................................................................23
1.4.1 Sensores/Transdutores ativos e passivos ......................................................................23
1.4.2 Modos de operação analógico e digital...........................................................................25
1.4.3 Instrumentos de deflexão e cancelamento .....................................................................25
1.5 O modo de operação analógico ................................................................................................27
1.6 O modo de operação digital ......................................................................................................29
1.7 Características de sinais de entrada e saída ............................................................................29
1.8 Desempenho estático e dinâmico dos instrumentos.................................................................37
1.9 Natureza dos sinais de entrada e saída....................................................................................44
1.10 Análise de Fourier .....................................................................................................................48
2 Incerteza e Erro ....................................................................................................................... 61
2.1 O erro nos dados experimentais ...............................................................................................61
2.2 O Tratamento dos erros aleatórios............................................................................................75
2.2.1 A incerteza estimada de um conjunto de dados.............................................................75
2.2.2 Média, desvio padrão, distribuição Normal .....................................................................76
2.2.3 Outras distribuições estatísticas .....................................................................................78
2.2.4 A decisão final sobre a incerteza a adotar ......................................................................84
2.2.5 Erros relativo e absoluto .................................................................................................84
2.3 Propagação de Erro em Operações de Cálculo.......................................................................84
2.3.1 Adição e subtração, z=x+y e z=x-y .................................................................................87

3
2.3.2 Multiplicação e divisão, z=xy e z=x/y ..............................................................................88
2.3.3 Potência, z=x
n
................................................................................................................88
2.3.4 Produto de potências, z = x
m
x
n
......................................................................................88
2.3.5 2.3.5 Funções simples, como z = sen(x) ........................................................................89
2.3.6 Funções complexas, como z = f(x, y, w, ...)....................................................................89
2.4 Arredondamento Numérico .......................................................................................................89
2.5 Exemplos...................................................................................................................................91
2.5.1 Escolha de um Método de Medida..................................................................................91
2.5.2 Seleção de Instrumentos ................................................................................................92
2.5.3 Medida da potência em um eixo rotativo ........................................................................93
3 Medição de temperatura......................................................................................................... 96
3.1 Unidades de Temperatura.........................................................................................................97
3.1.1 A Lei Zero da Termodinâmica e a Definição de Temperatura......................................100
3.1.2 A Segunda Lei da Termodinâmica e a Definição de Temperatura...............................102
3.2 Capacidade Térmica ...............................................................................................................106
3.2.1 Temperatura Negativa...................................................................................................106
3.2.2 Temperatura dos Gases ...............................................................................................107
3.2.3 A Medição da Temperatura...........................................................................................107
3.3 Termômetros de Expansão .....................................................................................................108
3.3.1 Termômetro de gás ideal ..............................................................................................108
3.3.2 Termômetro bimetálico..................................................................................................111
3.3.3 Termômetro de bulbo....................................................................................................112
3.4 Termômetros de Resistência...................................................................................................115
3.4.1 Termômetros de resistência elétrica, RTD....................................................................115
3.4.2 Termômetros de termistores .........................................................................................121
3.5 Termopares .............................................................................................................................123
3.6 Termômetros de Radiação......................................................................................................135
3.6.1 Aplicação dos Termômetros .........................................................................................150
3.7 Efeito da Transferência de Calor nas Medidas de Temperatura ............................................152
3.8 Medidas Térmicas: a Condutividade Térmica.........................................................................160
3.8.1 Condutividade Térmica de Sólidos ...............................................................................161
3.8.2 Medida da Condutividade Térmica de Líquidos e Gases .............................................162
3.9 Medida do Fluxo Térmico........................................................................................................163
4 Medição de Vazão ................................................................................................................. 165
4.1 Conversão de Unidades..........................................................................................................165
4.2 Condição Padrão e Intervalo...................................................................................................166
4.3 Medidores por Obstrução de Área ..........................................................................................167
4.4 Vazão Teórica..........................................................................................................................168

4
4.4.1 Fluido Incompressível (escoamento idealizado) ...........................................................168
Aplicação da Equação da Energia (ou Eq. de Bernouille, aplicação peculiar) .......................168
4.4.2 Fluido Compressível (escoamento ainda idealizado) ...................................................169
4.5 Vazão Real ..............................................................................................................................172
4.6 Placa de Orifício: Detalhes Geométricos ................................................................................173
4.6.1 Coeficiente de Descarga: Placas de Orifício ................................................................174
4.6.2 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício de Borda Quadrada .................................176
4.6.3 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício (norma ISO, 1980) ...................................177
4.7 O Bocal ASME.........................................................................................................................178
4.7.1 Coeficiente de Descarga: Bocal ASME.........................................................................179
4.8 O venturi Herschel ...................................................................................................................180
4.9 Dimensionamento de Medidores de Vazão por Obstrução de Área.......................................181
4.10 Acerto de cálculo para condições não-normalizadas..............................................................186
4.10.1 As singularidades do sistema de tubulações e a instalação dos medidores por
obstrução.......................................................................................................................188
4.10.2 Comprimento de tubo livre e retificadores de escoamento ..........................................188
4.10.3 Exemplo de dimensionamento: perda de carga e posição de instalação.....................190
4.10.4 Exemplo de dimensionamento: alteração de condição operacional.............................191
5 Medição de Pressão.............................................................................................................. 192
5.1 Pressão: princípio físico ..........................................................................................................193
5.1.1 Definições......................................................................................................................194
5.1.2 Unidades de medida de pressão ..................................................................................196
5.2 Manômetros.............................................................................................................................196
5.2.1 Manômetro de Tubo em U............................................................................................196
5.2.2 Manômetro de Tubo U inclinado...................................................................................197
5.2.3 Manômetro de Poço......................................................................................................198
5.2.4 Barômetro......................................................................................................................198
5.2.5 Manômetro de poço multi-tubos....................................................................................199
5.2.6 O micro-manômetro ......................................................................................................200
5.2.7 Balança anular ..............................................................................................................201
5.2.8 Exercício: seleção de manômetros...............................................................................202
5.3 Características dos fluídos manométricos ..............................................................................203
5.3.1 Fontes de erro na medição com manômetros U...........................................................206
5.3.2 Sensibilidade.................................................................................................................206
5.4 Medidor Bourdon .....................................................................................................................206
5.4.1 Recomendações de instalação.....................................................................................207
5.5 Transdutores elétro-mecânicos...............................................................................................209
5.6 Transdutores Elétricos.............................................................................................................210

5
5.6.1 Princípio físico...............................................................................................................211
5.6.2 Ponte de Wheatstone....................................................................................................213
5.6.3 Sensor capacitivo..........................................................................................................214
5.6.4 Sensor piezo-elétrico.....................................................................................................214
5.6.5 Sensor Magnético de Pressão......................................................................................215
5.6.6 Sensor de indutância variável .......................................................................................216
5.6.7 Sensor de relutância variável ........................................................................................217
6 Medição de Nível, Interface e Viscosidade de Líquidos.................................................... 218
6.1 Nível de líquido........................................................................................................................218
6.2 Viscosidade .............................................................................................................................225
7 Medição de deformação, tensão, força e movimento ....................................................... 232
7.1 Medição de deformação e tensão ...........................................................................................232
7.2 Medição de força e torque.......................................................................................................239
7.3 Medição de movimento ...........................................................................................................244
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................. 249


6

LISTA DE FIGURAS


Figura 1.1 – Configuração de um instrumento............................................................................18
Figura 1.2 – Manômetro Bourdon: (a) elemento sensor tipo "C"; (b) elemento sensor tipo espiral ....19
Figura 1.3 – Configuração clássica do Manômetro Bourdon........................................................20
Figura 1.4 – Manômetro Bourdon em uma configuração mais simplificada. ..................................21
Figura 1.5 – Esquema de um medidor eletrônico de deformação (strain)........................................21
Figura 1.6 – Sensores automotivos............................................................................................22
Figura 1.7 – Sensores lambda Bosch.........................................................................................23
Figura 1.8 – Transdutores passivos. ..........................................................................................24
Figura 1.9 – Anemômetro de fio quente: (a) sensor e eletrônica de alimentação, filtragem,
conversão, apresentação e armazenamento dos dados; (b) detalhe do sensor......................... 24
Figura 1.10 – Transdutores ativos. ............................................................................................25
Figura 1.10 – Instrumento de deflexão: o calibrador de pneu. .......................................................26
Figura 1.11 - Instrumento de cancelamento: balança de braço......................................................26
Figura 1.12 - (a) Esquema de galvanômetro de d´Arsonval (não aparecem os ímãs que geram o
campo magnético permanente) e (b) galvanômetro de d´Arsonval em tacômetro. .................... 28
Figura 1.13 - A ponte de Wheatstone.........................................................................................28
Figura 1.14 - Entradas atuantes em instrumentos e saídas resultantes. .........................................30
Figura 1.15 – Ação das três entradas desejada, interferente e modificadora na operação de um
manômetro de mercúrio. (a) As pressões p1 e p2 são as entradas desejadas; não há a ação
de entradas interferentes ou modificadoras. (b) O manômetro sobre um veículo em
aceleração; a aceleração do veículo representa uma entrada interferente que causará um
erro de leitura. (c) O ângulo de inclinação do manômetro com relação à gravidade também
representa uma entrada interferente e modificadora. ......................................................... 31
Figura 1.16 – (a) Instrumento operando como um sistema em circuito aberto. (b) Instrumento
operando como um sistema em circuito fechado (ou sistema com realimentação).................... 32
Figura 1.17 – (a) Instrumento com filtragem na entrada. (b) Circuito de instrumento com filtragem
na saída........................................................................................................................................ 33
Figura 1.18 - Filtragem propiciada pela isolação térmica da junção de referência de termopar..........34
Figura 1.19 - Filtragem em instalação de manômetro propiciada por estrangulamento de linha de
entrada ......................................................................................................................................... 35
Figura 1.20 - Tipos de filtros .....................................................................................................35

7
Figura 1.21 - Diagrama de instrumento com cancelamento de entradas indesejáveis. .....................36
Figura 1.22 – (a) O tubo de Prandtl (b) Diagrama funcional do tubo de Prandtl. ..............................37
Figura 1.28 - Relógio Atômico Brasileiro.....................................................................................45
Figura 1.29 - Senóide genérica. ................................................................................................46
Figura 1.30 - Onda quadrada de período T. ................................................................................46
Figura 1.31 - Sinal analógico e sinal digital. ................................................................................47
Figura 1.32 - Sinais periódicos simples: senóide e cos-senóide. ...................................................48
Figura 1.33 - Sinal periódico complexo.......................................................................................49
Figura 1.34 - Onda quadrada de período T = 4 segundos e média 15 volts. ...................................50
Figura 1.35 - Harmônicas da série de Fourier formando a onda quadrada da Fig. 1.34. ...................51
Figura 1.36 – Exemplo 1: sinal representando o nascimento de bezerras. ......................................54
Figura 1.37 – Exemplo 1: sinal discreto. .....................................................................................54
Figura 1.38 – Exemplo 1: Autocorrelação. ..................................................................................54
Figura 1.39 – Exemplo 2: intensidade da luz. ..............................................................................55
Figura 1.40 – Exemplo 2: autocorrelação. ..................................................................................55
Figura 1.41 – Ruído. ................................................................................................................56
Figura 1.42 – PSD. ..................................................................................................................56
Figura 1.43 – PSD em gráfico log-log.........................................................................................56
Figura 1.44 – Alexander Graham Bell. .......................................................................................57
Figura 1.45 – Sinal temporal. ....................................................................................................58
Figura 1.46 – PSD do sinal temporal da Fig. 1.45. .......................................................................58
Figura 1.47 – O espectro após a filtragem. .................................................................................59
Figura 1.48 – Densidade espectral de potência de escoamento intermitente “plug flow” e
escoamento anular, ambos horizontais. ...................................................................................... 59
Figura 2.1 - Manômetro de Bourdon (http://www.zurichpt.com.br/apre_prod_18.htm) ......................63
Figura 2.2 - Curva de aferição de um manômetro Bourdon...........................................................64
Figura 2.3 - Curva de aferição de um instrumento sensibilidade constante e variável, de acordo
com faixa de operação. ..................................................................................................65
Figura 2.4 - Deslocamento de zero (zero drift) e deslocamento de sensibilidade (sensitivity drift). .....66
Figura 2.5. Definições de linearidade.........................................................................................67
Figura 2.6 - Efeitos de histerese................................................................................................68
Figura 2.7 - Ilustrando definições com o manômetro Bourdon. ......................................................69

8
Figura 2.8 - A PDF de uma distribuição Gaussiana......................................................................77
Figura 2.9 - A CDF de uma distribuição Gaussiana .....................................................................79
Figura 2.10 - A PPF de uma distribuição Gaussiana....................................................................80
Figura 2.11 - PDF's de funções normais.....................................................................................80
Figura 2.12 - Funções Log-Normais...........................................................................................81
Figura 2.13 – Distribuição t-Student. ..........................................................................................82
Figura 2.14 – Distribuições: (a) com skewness positiva; (b) com skewness negativa. ......................83
Figura 2.15 – Distribuições com diferentes kurtosis: (a) tem kurtosis menor que (b).........................83
Figura 3.1 – (a) Anders Celsius. (b) Termômetro Celsius .............................................................98
Figura 3.2 - Representações do ciclo de Carnot e de sua eficiência.............................................105
Figura 3.3 - Aplicação dos instrumentos de medição de temperatura, de acordo com a temperatura108
Figura 3.4 - Configuração de um termômetro a gás ideal............................................................110
Figura 3.5 - Termômetro de expansão a gás da IWZ .................................................................110
Figura 3.6 – (a) Hastes metálicas de termômetro bimetálico (b) Flexão de termômetro bimetálico
de hastes lineares. (http://home.howstuffworks.com/therm2.htm) ......................................111
Figura 3.7 - Termômetro bimetálico de haste com sensor helicoidal. ...........................................112
Figura 3.8 – (a) Termômetros de bulbo de mercúrio; (b) Termômetros de bulbo de álcool. .............113
Figura 3.9 - Sensores RTDs fabricados pela OMEGA................................................................116
Figura 3.10 - Variação da resistência com a temperatura para vários materiais de RTDs...............117
Figura 3.11 - Sensores de RTDs da Precom-USA. ....................................................................118
Figura 3.12 - Sensores de RTDs: (a) sensores variados e alguns conectores; (b) sensor e
cabeçote para aplicação industrial; (c) Sensores RTDs de conexão rápida..........................118
Figura 3.13 - Montagem a dois fios. .........................................................................................119
Figura 3.14 - Montagem a três fios. .........................................................................................119
Figura 3.15 - Montagem a 4 fios tipo Callendar. ........................................................................120
Figura 3.16 - Montagem a quatro fios.......................................................................................120
Figura 3.17 - Comportamento R x T de um termistor..................................................................121
Figura 3.18 - Termômetro de termistor .....................................................................................122
Figura 3.19 - Sensores termistores (a) padrão e (b) de filme. .....................................................122
Figura 3.20 - Fios metálicos distintos conectados para formar um termopar .................................124
Figura 3.21 - Cooler de CPU com módulo de refrigeração Peltier ................................................125
Figura 3.22 - Ligação de termopar com junção fria em banho de gelo..........................................126

9
Figura 3.23 - Ligação de termopar com junção fria em TRC (Thermolectric Refrigeration Junction)
e compensação por circuito elétrico. ...............................................................................126
Figura 3.24 - Magnitude de força eletromotriz (milivoltagem) de termopares variados, tipos E, J, K
e R. 127
Figura 3.25 - Códigos de cor de termopares da norma americana ASTM. ....................................128
Figura 3.26 – “Se o metal C for inserido entre A e B, a temperatura de C em qualquer ponto
distante das novas junções AC e BC é irrelevante desde que estas estejam à mesma
temperatura”. ...............................................................................................................130
Figura 3.27 – “Se a força eletromotriz gerada por um termopar AC for EAC e aquela do termopar
CB for ECB, então a força eletromotriz gerada pelo termopar AB será EAB=EAC+ECB”. .....131
Figura 3.28 - Lei das temperaturas intermediárias ou sucessivas. ...............................................131
Figura 3.29 - Montagem de termopares como termopilha. ..........................................................132
Figura 3.30 - Montagem de termopares em paralelo para medir temperatura média. .....................133
Figura 3.31 - Tipos de junções. ...............................................................................................134
Figura 3.32 - Tipos e utilização de revestimentos de termopares.................................................135
Figura 3.33 - Medição sem interferência...................................................................................136
Figura 3.34 – (a) O espectro de radiação emitida pelo Sol; (b) O espectro visível e suas cores (a
versão sem o indigo, se tivesse o indigo seria ROY G. BIV) ..............................................137
Figura 3.35 – Relação entre freqüência e comprimento da onda. ................................................138
Figura 3.36 - Emitância espectral de corpo negro para cinco temperaturas, log x log.....................139
Figura 3.37 - Emitância espectral de corpo negro para quatro temperaturas, linear. ......................139
Figura 3.38 - Emissividade espectral de superfície: dependência com
λ
e T. ..............................141
Figura 3.39 - Relação absortividade, refletividade e transmissividade. .........................................143
Figura 3.40 - Emissividade espectral de corpos negros, corpos cinzentos e corpos reais
(qualitativo)..................................................................................................................144
Figura 3.41 - Janelas atmosféricas e transmissão do ar. ............................................................144
Figura 3.42 - Pirômetro ótico de fio. .........................................................................................146
Figura 3.43 - Pirômetro de fio, da Spectrodyne. ........................................................................146
Figura 3.44 - Anatomia de um CCD. ........................................................................................148
Figura 3.45 - Pirômetro digital. ................................................................................................148
Figura 3.46 - Pirômetro de fibra ótica. ......................................................................................149
Figura 3.47 – (a) Pireliômetro; (b) ................................................................................ Piranômetro 149

10
Figura 3.48 - Termopar medindo temperatura em uma placa aquecida colocada em escoamento:
desprezada a troca de calor radiativa .............................................................................154
Figura 4.1 - Medidor-separador multifásico (gás+líquido) da Agar ...............................................165
Figura 4.2 – Esquema de medidores de vazão por obstrução de área .........................................167
Figura 4.3 - Conjunto de medidores de vazão por obstrução de área. ..........................................167
Figura 4.4 - Conjunto de placas de orifício da EuroMisure. .........................................................168
Figura 4.5 - Variação da energia entre entrada e saída de medidor de vazão por obstrução de área
colocado na horizontal (sem variação de energia potencial) ..............................................168
Figura 4.6 - Representação da energia específicas em pontos distintos de um venturi ..................169
Figura 4.7 - Fator de expansão Y com relação ao parâmetro β. ..................................................171
Figura 4.8 - Escoamento em venturi: à esquerda, V= 0,4 m/s; à direita, V = 2,0 m/s ......................171
Figura 4.9 - Escoamento em placa de orifício, Rey = 4300 .........................................................171
Figura 4.10 - Orifício Concêntrico. Tomada de Pressão: Flange ou (1D e 1/2D, montante e jusante)173
Figura 4.11 - Orifícios excêntricos ou segmentados para evitar deposição de material...................174
Figura 4.12 – Comportamento de Cd em função do número de Reynolds. ...................................174
Figura 4.13 – Diagrama do circuito de teste de aferição de medidores de vazão. ..........................175
Figura 4.14 - Variações típicas de Cd de placa de orifício de borda quadrada, padrão ASME.........177
Figura 4.15 – Bocal da ASME.................................................................................................178
Figura 4.16 - Localização das tomadas de pressão para bocais utilizados em tubulações. .............178
Figura 4.17 - Curvas de Cd para bocais ASME, Cd versus Re tubulação. ....................................179
Figura 4.18 - Dimensões de venturi Hershel .............................................................................180
Figura 4.19 - Coeficiente de descarga, Cd, de venturi Hershel ....................................................180
Figura 4.20 - Condição de aferição e condição alterada.............................................................186
Figura 4.21 - A perda de pressão (ou perda de carga) nos medidores por obstrução.....................187
Figura 4.22 - Perda de carga (relativa, referente ao Dp lido) em medidores por obstrução de área..187
Figura 4.23 - Desenvolvimento de escoamento após entrada em tubulação. ................................188
Figura 4.24 – Formação de vórtices em singularidades (curvas e tês)..........................................188
Figura 4.25 - Indicação de comprimento de trechos retos à montante de medidores de vazão........189
Figura 4.26 - Sugestão de retificadores de fluxo para aplicação de medidores de vazão................189
Figura 4.27 - Retificador de escoamento da Daniel....................................................................190
Figura 4.28 - Instalações típicas de sistemas de medição por placa de orifício..............................190
Figura 4.29 - Retificador de escoamento da Daniel....................................................................191

11
Figura 5.1 - Fluido parado. .....................................................................................................195
Figura 5.2 - Fluido em movimento ...........................................................................................196
Figura 5.3 - Balança anular (a) mantido estável por um peso W; (b) o anel gira devido a diferença
de pressão. .................................................................................................................201
Figura 5.4 - Diagrama de blocos de um transdutor elétro-mecânico de pressão............................210
Figura 5.5 - Diagrama de blocos de um transdutor elétro-eletrônico de pressão............................210
Figura 5.6 – (a) Sensor resistivo da Omega, série 600 (b) Ilustração: Produto Omega, diafragma. ..211
Figura 5.7 – Deformação radial e tangencial de um diafragma submetido a uma diferença de
pressão. ......................................................................................................................212
Figura 5.8 - Balanceamento da ponte
4 2 3 1
R R R R . . =
implicando em e=0 .................................213
Figura 5.9 - Transdutor de Indutância Variável ..........................................................................216
Figura 5.10 - Transdutor Indutivo de Fole. ................................................................................217
Figura 5.11 – Sensor de relutância variável. .............................................................................217
Figura 6.1 - Medição de nível em tanque com visualização direta................................................218
Figura 6.2 - Medição de nível em tanque com vareta molhada. ...................................................219
Figura 6.3 - Arranjo mecânico e arranjo elétrico para medição de nível. .......................................219
Figura 6.4 - Outras chaves de nível, de catálogo da Omega. ......................................................220
Figura 6.5 - Medição de nível com pesagem do tanque..............................................................220
Figura 6.6 - Medição de nível através de medição de pressão: (a) tanque aberto; (b) tanque
pressurizado com gás. ..................................................................................................221
Figura 6.7 - Medição de nível com método capacitivo. ...............................................................222
Figura 6.8 - Medição de capacitância entre placas paralelas ......................................................223
Figura 6.9 - Medição de nível com ultrasom. .............................................................................224
Figura 6.10 - Medição através da pressão de um borbulhador ....................................................225
Figura 6.11 - Arrasto entre duas placas paralelas. A inferior está estacionária. .............................226
Figura 6.12 - Esquema de viscosímetros primários....................................................................227
Figura 6.13 - Viscosímetro Brookfield.......................................................................................228
Figura 6.14 - Esquema de viscosímetros secundários................................................................229
Figura 6.15 - Viscosímetro Copo Ford......................................................................................230
Figura 7.1 - Definição de deformação ......................................................................................232
Figura 7.2 - Carregamento axial de eixo...................................................................................233
Figura 7.3 - Deformação vs tensão, lei de Hooke. .....................................................................234

12
Figura 7.4 - Algumas aplicações de extensômetros ...................................................................236
Figura 7.5 – Extensômetros (a) "dual" da MFL (b) "rosette" (roseta) da MFL (c) simples da Vishay .236
Figura 7.6 - Circuito elétrico da ponte de Wheatstone. ..............................................................237
Figura 7.7 - Balança de pivot central (a) e balança de massa deslizante (b). ................................239
Figura 7.8 - Balança de mola ..................................................................................................240
Figura 7.9 - Esquema do TDVL. ..............................................................................................241
Figura 7.10 - Células de carga de carbono e de fluido................................................................241
Figura 7.11 Montagem de extensômetro para construção de torquímetro (à esquerda) e célula de
carga de compressão (à direita) .....................................................................................242
Figura 7.12 - Células de carga da Vishay e esquema construtivo de célula de carga cilíndrica .......243
Figura 7.13 - Um sensor de torque da Omega ..........................................................................243
Figura 7.14 - Freio de Prony ...................................................................................................244
Figura 7.15 - Relógio comparador. ..........................................................................................244
Figura 7.16 - Potenciômetro linear. ..........................................................................................245
Figura 7.17 - Potenciômetro circular. .......................................................................................246
Figura 7.18 - Transformador linear diferencial. ..........................................................................246
Figura 7.19 - Encoder ótico.....................................................................................................247
Figura 7.20 - Tacômetro elétrico. .............................................................................................247
Figura 7.21 - "Pick-up" magnético...........................................................................................248




13

LISTA DE TABELAS


Tabela 2.1 - Calibração de um manômetro de Bourdon na faixa de pressão de 0 a 10 kPa. .............63
Tabela 2.2 - Conceitos recém-discutidos, que se aplicam a instrumentos e ao procedimento de
medição. .................................................................................................................... 71
Tabela 2.3 - Valor médio e desvio padrão de n medições de tempo...............................................75
Tabela 2.4 - Extrato de um t-Table ............................................................................................82
Tabela 3.1 - Pontos Fixos da ITS 90 (Michalski et al, 1991) ........................................................100
A Lei Zero da Termodinâmica e a Definição de Temperatura......................................................100
Tabela 3.2 - Escalas Kelvin e Celsius (SI) para Escalas Farenheit e Rankine (Inglês)....................101
Tabela 3.3 - Coeficientes de temperatura α para RTDs (Parr, 1985)............................................115
Tabela 3.4 - Tolerância de RTDs de platina Pt 100, de acordo com as normas IEC751 e BS1904,
de catálogo da Rototherm (UK)....................................................................................117
Tabela 3.5 - Especificação de norma da força eletromotriz de termopares variados, e sua
tolerância, de acordo com a norma inglesa BS4937. ......................................................127
Tabela 3.6 - Termopares da norma americana ASTM, polaridade dos metais e faixa de aplicação
recomendada. ...........................................................................................................128
Tabela 3.7 – Tipos e usos de Termopares. ...............................................................................134
Tabela 3.8 - Incerteza típica de medição com termopares comerciais. .........................................135
Tabela 3.9 - Emissividade de superfícies..................................................................................142
Tabela 3.10 - vantagens e desvantagens de termômetros. .........................................................151
Tabela 4.1 – Conversão de unidades de vazão. ........................................................................166
Tabela 4.2 – Aplicações da relação de Stoltz. ...........................................................................178
Tabela 5.1 – Manômetros e fluidos manométricos empregados, por faixa de vazão. .....................203
Tabela 5.2 – Fluidos manométricos .........................................................................................204
Tabela 5.3 - Propriedades do mercúrio e da água. ....................................................................205
Tabela 5.4 - Exemplo de valores da coluna deslocada h , em relação ao diâmetro do tubo d..........205
Tabela 6.1 – Aplicação de sensores de nível. ...........................................................................226





14

APRESENTAÇÃO



Na resolução de problemas de engenharia, teoria e experimentação se complementam. O
método experimental requer uso intensivo de instrumentos. Assim, é necessário que o engenheiro
conheça as técnicas de medição, os instrumentos, a forma adequada de aplicá-los em seus aparatos
experimentais e técnicas de processamento dos dados obtidos. Além disso, para construir o aparato
experimental e realizar um experimento de forma eficiente o engenheiro deve conhecer os princípios
básicos de funcionamento de uma larga gama de instrumentos. A disciplina “Medidas de grandezas
térmicas e fluidas” tem por objetivo preparar o profissional para realizar estes procedimentos em
aplicações cujas grandezas a serem medidas são térmicas e fluidas.
Os sensores serão o tema principal desse curso, que apresentará uma visão geral dos
sensores, explicará como eles operam, descreverá como eles são aplicados e apresentará alguns
circuitos básicos necessários para apoiá-los em sua operação. No primeiro capítulo são apresentados
conceitos básicos de instrumentação e as principais características que os instrumentos apresentam.
No segundo, são apresentados os conceitos de incerteza e erro e introdução à análise estatística em
medições. Detalhes sobre temperatura e sua medição são abordados no capítulo três. Os capítulos
quatro e cinco apresentam técnicas para a medição de vazão e pressão, respectivamente. Nível,
interface e viscosidade de líquidos são abordados no capítulo seis e finalmente, no capítulo sete, são
apresentadas técnicas de medição de deslocamento, força, torque, e aspectos na utilização de de
strain-gages.
A estrutura de apresentação das aulas da disciplina é apresentada na tabela abaixo,
referindo-se ao conteúdo básico da apostila didática e material bibliográfico nela referenciado.

AULA ASSUNTO DATA

1
Introdução: apresentação do instrutor, ementa analítica, critério de avaliação,
apresentação dos alunos.

2 Conceitos básicos e características gerais de instrumentos.

3 Medição de Temperatura.

4 Medição de Temperatura.

5 Medição de Vazão.


15
6 Avaliação P1

7 Medição de Pressão.

8 Medição de Nível, Interface e Viscosidade de Líquidos.

9 Medição de Nível, Interface e Viscosidade de Líquidos.

10 Medição de deformação, tensão, força e movimento.

11 Medição de deformação, tensão, força e movimento.

12 Avaliação P2



16


1 Conceitos básicos e características
gerais de instrumentos


1.1 O método experimental na engenharia

A resolução de problemas de engenharia envolve, geralmente, dois métodos distintos: o
método teórico e o método experimental. A partir desta constatação, pode-se ir além e afirmar que
teoria e experimentação se complementam. O engenheiro consciente deste fato será mais eficiente
na resolução de problemas do que aquele que não dá a devida atenção a uma ou outra abordagem.
Os aspectos principais do método teórico são :
1. Os resultados são normalmente de uso geral;
2. É muito comum o uso de hipóteses simplificadoras (simplificações no modelo matemático );
3. Em alguns casos o método teórico resulta em problemas matemáticos complexos;
4. Não requer o uso de equipamentos de laboratório, apenas lápis, papel, calculadoras,
computadores, etc;
5. Muitas vezes o tempo requerido para a solução do problema é menor, já que não é
necessário construir modelos em escala ou dispositivos experimentais e realizar medidas.
Os principais aspectos do método experimental são:
1. Quase sempre os resultados aplicam-se somente ao sistema sendo testado;
2. Hipóteses simplificadoras não são necessárias caso se teste o sistema real;
3. Medidas bastante exatas são necessárias para se obter um retrato fiel do fenômeno em
questão;
4. Requer a construção do sistema real ou de um modelo de teste;
5. O tempo requerido para a solução do problema é normalmente longo por envolver o projeto,
construção e depuração do dispositivo experimental e realização das medidas propriamente
ditas.
Os problemas que requerem o método experimental para a sua solução podem ser divididos
em cinco tipos:

1. Testes de validade de previsões teóricas para se "refinar" uma teoria.
Exemplos: teste da resposta em freqüência de acoplamentos mecânicos para a determinação
das freqüências de ressonância; verificações experimentais de modelos de turbulência.


17
2. Obtenção de uma correlação empírica em situações onde uma teoria satisfatória não
existe.
Exemplos: determinação do fator de atrito em escoamentos turbulentos; determinação do
coeficiente de transferência de calor por convecção no escoamento em um tubo (coeficiente
de película).

3. Determinação de parâmetros do sistema e/ou do seu desempenho.
Exemplos: determinação do ponto de deformação plástica de ligas metálicas; obtenção da
curva do coeficiente de descarga versus o número de Reynolds de um medidor de vazão por
obstrução de área; determinação da eficiência térmica de uma turbina a vapor.

4. Estudo de fenômenos para se desenvolver uma teoria.
Exemplos: microscopia eletrônica de fissuras por fadiga em metais; experimentos sobre o
comportamento das bolhas durante a ebulição sobre uma superfície.

5. Solução de equações matemáticas por meio de analogias.
Exemplos: experimentos com modelos em naftalina para se determinar o coeficiente de
película de convecção (analogia entre transferência de massa e transferência de calor).

Não há experimento fácil e nem há substituto para a experimentação cuidadosa em muitas
áreas da pesquisa básica ou do desenvolvimento de produtos. O engenheiro deve então estar
familiarizado com os métodos e técnicas de medida e com a análise de dados experimentais. De
maneira geral, pode-se afirmar que o engenheiro deve estar capacitado a executar três tarefas
distintas:
1. O engenheiro deve especificar as variáveis físicas a serem investigadas e conhecer o papel
destas no trabalho analítico posterior, a fim de projetar o experimento coerente;
2. O engenheiro deve conhecer os princípios básicos de funcionamento de uma larga gama de
instrumentos para construir o aparato experimental;
3. O engenheiro deve ter uma compreensão profunda dos princípios físicos envolvidos nos
fenômenos estudados, bem como das limitações dos dados experimentais, para que possa
analisar os dados coletados.
Obviamente, não se deve esperar que uma única pessoa domine todas as áreas do trabalho
experimental. Uma só pessoa se desenvolverá necessariamente nas áreas de experimentação
diretamente ligadas aos seus interesses profissionais e conhecimentos analíticos e teóricos. Quanto
mais abrangentes estes interesses, mais amplas serão as áreas do trabalho experimental dominadas
por esta pessoa.


18
1.2 Elementos funcionais e características
operacionais de instrumentos

O método experimental requer uso intensivo de instrumentos. Assim, é necessário que o
engenheiro conheça as técnicas de medição, os instrumentos, a forma adequada de aplicá-los em
seus aparatos experimentais e técnicas de processamento dos dados obtidos. Para entender o
funcionamento de instrumentos de medição, ou mesmo projetar um instrumento, é necessário saber
como eles são configurados a partir de elementos funcionais. A configuração geral a partir de
elementos funcionais deve ser aplicável aos sistemas de medição como um todo, não atendo-se a
um equipamento específico. Muitas vezes, entretanto, não há uma única configuração possível para
um certo instrumento. A Fig. 1.1 mostra apenas um dos vários arranjos possíveis. Ele inclui todos os
elementos que executam as funções básicas consideradas necessárias para a constituição de
qualquer instrumento.


Figura 1.1 – Configuração de um instrumento

Esses elementos são:
Elemento sensor primário - aquele que primeiro recebe a informação do meio físico medido
e gera um sinal de saída que depende de algum modo da quantidade medida.
Elemento conversor de variável - aquele que converte o sinal de saída do elemento sensor
primário em um outro sinal mais apropriado para a medição, sem entretanto alterar a informação
contida no sinal original.
Elemento manipulador de variável - aquele que opera uma mudança no valor numérico
associado ao sinal de saída do elemento conversor de variável segundo uma regra precisamente
definida, mantendo entretanto a natureza física do sinal.
Elemento transmissor de dados - aquele que transmite dados entre os elementos
funcionais do sistema de medição quando estes se encontram fisicamente separados.
Elemento apresentador de dados - aquele que coloca os dados em uma forma reconhecida
por um dos sentidos humanos (pelo observador) para efeito de monitoramento, controle ou análise.

19
Elemento armazenador/reprodutor de dados - aquele que armazena os dados de maneira
não necessariamente reconhecida pelos sentidos humanos e que os apresenta (reproduz) a partir de
um comando qualquer.
Deve-se salientar mais uma vez que a Fig. 1.1 apresenta os elementos funcionais de um
sistema de medição, isto é, do instrumento, e não seus elementos físicos. Um instrumento específico
pode apresentar várias combinações das funções básicas, em seqüências distintas daquela da Fig.
1.1, sendo que um mesmo componente físico pode desempenhar várias destas funções. Uma outra
configuração menos detalhada considera os sistemas de medição como contendo três partes:
Estágio sensor/transdutor - realiza a detecção da variável física e a converte em um sinal
mais apropriado para medição, normalmente mecânico ou elétrico. O sensor deveria ser, idealmente,
insensível a cada uma das outras possíveis entradas interferentes não desejadas, tais como: ruído,
por definição um sinal não-desejável que varia (flutua) muito rapidamente; e o deslocamento (drift),
um sinal não-desejável que varia lentamente.
Estágio intermediário - realiza uma modificação do sinal oriundo do estágio anterior através
de amplificação, filtragem, etc. Isto é, o estágio intermediário deve realizar a transdução da
informação para torná-la aceitável. Nele se realiza, por exemplo, a filtragem do sinal para remover
ruídos, e a amplificação do sinal, isto é o aumento de sua potência.
Estágio final - realiza a apresentação final dos dados, o seu armazenamento e, se
necessário, o controle da variável medida. Ou seja, no estágio final está o mostrador (ou display), o
banco de memória onde dados são armazenados, o computador que fará o controle do processo, etc.
Como exemplo de um sistema de medição mecânico, onde todas estas funções são
facilmente identificáveis, pode-se considerar o manômetro de Bourdon mostrado na Fig. 1.2.



(a) (b)
Figura 1.2 – Manômetro Bourdon: (a) elemento sensor tipo "C"; (b) elemento sensor tipo espiral


20
O meio medido é o fluido na tubulação ou reservatório no qual se instala o manômetro de
bourdon, sendo a pressão deste fluido a quantidade medida. A Fig. 1.2 apresenta dois tipos de
manômetros de Bourdon: no primeiro, à esquerda (Fig. 1.2 (a)), o elemento sensor primário também
faz o papel de elemento de manipulação e transmissão do sinal; no segundo, Fig. 1.2 (b), está um
outro manômetro Bourdon no qual o elemento que recebe a pressão é espiral (indicado pela letra I) e
está diretamente conectado ao ponteiro.
De acordo com a primeira configuração geral de medição, que apresenta seis elementos
funcionais, o tubo de Bourdon é o elemento sensor primário e o elemento conversor de variável, já
que é nele que a pressão do fluido é sentida e convertida em um deslocamento. A articulação e o
arco dentado equivalem ao elemento transmissor de dados onde o deslocamento do tubo de Bourdon
é transmitido à engrenagem central através de um movimento giratório do arco dentado. A
engrenagem central e a mola representam o elemento manipulador de variável já que “amplificam” o
movimento giratório do arco dentado transformando-o em um movimento giratório mais amplo da
engrenagem. O ponteiro e a escala são o elemento apresentador de dados onde o movimento
giratório da engrenagem central é apresentado como um valor correspondente de pressão
compreensível para o observador. Deve-se notar que neste exemplo simples não temos o elemento
armazenador/reprodutor de dados. A Fig. 1.3 apresenta o detalhamento funcional do manômetro de
Bourdon segundo esta configuração.


Figura 1.3 – Configuração clássica do Manômetro Bourdon.

Em termos da segunda configuração funcional apresentada, que utiliza apenas três estágios
funcionais, o tubo de Bourdon corresponde ao estágio detector/transdutor, já que ele converte o sinal
de pressão em um deslocamento mecânico. O conjunto formado pela articulação, arco dentado,
engrenagem central e mola corresponde ao estágio intermediário, onde o deslocamento do tubo de
Bourdon é amplificado e transformado em um movimento giratório. O ponteiro e a escala
correspondem ao estágio final já que fornecem uma indicação (um valor) da pressão agindo sobre o
tubo de Bourdon. A Fig. 1.4 apresenta o manômetro de Bourdon sob esta configuração.

21

Figura 1.4 – Manômetro Bourdon em uma configuração mais simplificada.

A Fig. 1.5 apresenta um esquema exemplo de um medidor eletrônico de deformação (strain).

Figura 1.5 – Esquema de um medidor eletrônico de deformação (strain).

1.3 Sensores

Os sensores (também chamados de transdutores) são elementos muito importantes nos
instrumentos modernos. Mais e mais os sensores mecânicos vêm sendo substituídos por sensores
elétricos ou eletrônicos por permitirem o interfaceamento com computadores e o controle de
processos à distância em tempo real. Hoje é comum que instrumentos estejam conectados a um
barramento ("bus") de instrumentação, o qual por sua vez conecta-se a sistema de aquisição de
dados e controle de processos em um microcomputador. Desta forma controla-se centrais de ar-
condicionado à distância, mesmo através da Internet; ou o gasoduto Brasil-Bolívia, altamente
descentralizado pois os instrumentos se distribuem por milhares de quilômetros, através de satélite.
Pode-se dizer que os sensores são os olhos e os ouvidos dos instrumentos de medida e dos
sistemas de medição e controle. Eles serão o tema principal de nosso curso, que apresentará uma
visão geral dos sensores, explicará como eles operam, descreverá como eles são aplicados e
apresentará alguns circuitos básicos necessários para apoiá-los em sua operação. O sensor detecta
um sinal ou estímulo e produz uma saída mensurável. Por exemplo: (1) a balança de uma mola
produz uma mudança em deslocamento; (2) a dilatação de um tubo Bourdon também produz um

22
deslocamento linear que é convertido em deslocamento angular; (3) um termistor (um sensor de
temperatura) e o "strain-gage" produzem uma saída que é uma variação de resistência; (4) um tubo
venturi mede uma diferença de pressão para determinar a vazão de um fluido.
A Fig. 1.6 mostra os vários sensores que vêm instalados em um automóvel moderno. A cada
dia que passa mais sensores vêm sendo agregados aos automóveis e se tornado indispensáveis à
sua operação.

Figura 1.6 – Sensores automotivos

1.3.1 Sensor Lambda

O sensor Lambda é talvez o menos conhecido de todos os utilizados em automóveis. Ele é o
sensor de oxigênio dos gases de escape dos motores a combustão. Monitora a concentração de
oxigênio no gás de exaustão para manter a relação ar-combustível tão ideal quanto possível, isto é,
tão estequiométrica quanto possível. O sensor lambda utiliza um eletrólito de estado sólido
denominado de ítrium-zircônio. Caracteriza-se pela alta condutividade de íons de oxigênio em
temperaturas elevadas (em torno de 700 K). É construído, normalmente, como um cilindro oco,

23
revestido por paredes interna e externa, microporosas, de platina, que são os eletrodos. A parede
externa é imersa no gás de escape, e a parede interna é exposta ao ar ambiente, cujo conteúdo de
oxigênio igual a 21% serve como referência. A Fig. 1.7 apresenta um modelo de sensor lambda.


Figura 1.7 – Sensores lambda Bosch

A equação de Nermst estabelece que a voltagem da sonda é como segue:
|
|
¹
|

\
|
=
p
p
V
ex. 2 O
ref. 2 O
L
ln
F 4
RT

onde R é a constante do gás, T é a temperatura absoluta, F é a constante de Faraday e p é a pressão
parcial.

1.4 Características operacionais de instrumentos

Uma vez identificadas as características funcionais comuns a todos os instrumentos de
medição, é possível proceder-se a algumas generalizações a respeito da maneira como estas funções
são desempenhadas, isto é, como atua um instrumento. A seguir são discutidas algumas
classificações normalmente usadas.
1.4.1 Sensores/Transdutores ativos e passivos
A fim de desempenhar qualquer uma das funções típicas, um componente de um sistema de
medição, isto é, de um instrumento, deve operar seja como um transdutor ativo, seja como um
transdutor passivo. (Neste contexto, o termo transdutor não significa necessariamente um dispositivo
capaz de converter uma forma de energia em outra, mas simplesmente um dispositivo capaz de
transformar um sinal em outro).
Um componente cuja energia de saída é fornecida integralmente ou quase integralmente pelo
sinal de entrada é denominado um transdutor passivo. Os sinais de entrada e saída podem
constituir-se da mesma forma de energia ou pode haver uma conversão de energia de uma forma em
outra. Exemplos simples de transdutores passivos são: o manômetro de bourdon, o termômetro de

24
bulbo, o termômetro bimetálico, etc. De uma maneira bem geral, podemos dizer que são transdutores
passivos: os fotovoltaicos, que respondem com variação de resistência ou voltagem à mudança de
iluminação; os piezoelétricos, que respondem com variação de carga elétrica à aplicação de uma
força; os termoelétricos, onde a variação de temperatura está associada à variação de resistência
elétrica; os eletromagnéticos, cuja voltagem está associada à variação de campo elétrico ou
magnético; nos sensores restantes, miscelâneos, a pressão de um fluido está associada à deflexão
mecânica, como nos manômetros, a temperatura está associada à dilatação diferencial e então à
deflexão, como nos termômetros bimetálicos, etc.

Figura 1.8 – Transdutores passivos.

Um transdutor ativo de um instrumento, por outro lado, dispõe de uma fonte auxiliar de
energia que fornece a maior parte da energia contida no sinal de saída. Mais uma vez, pode ou não
haver uma conversão de energia de uma forma à outra. Exemplos de transdutores ativos são o
anemômetro de fio quente, os leitores de termopares, etc.

(a) (b)
Figura 1.9 – Anemômetro de fio quente: (a) sensor e eletrônica de alimentação, filtragem, conversão,
apresentação e armazenamento dos dados; (b) detalhe do sensor.


25
De uma maneira bem geral, podemos dizer que são transdutores ativos: os sensores de
resistência variável, potenciômetros, strain gages e os termistores; os sensores que operam com o
efeito Hall (a voltagem é proporcional ao produto da corrente de excitação com o campo magnético);
os opto-eletrônicos, como os emissores de luz e os fotosensores; os sensores de reatância variável,
dos tipos indutância variável (transformador diferencial) e capacitância variável.

Figura 1.10 – Transdutores ativos.

1.4.2 Modos de operação analógico e digital
Esta classificação diz respeito à natureza do sinal que contém a informação desejada. O
sinal analógico é uma função contínua associada ao processo que se mede. Em sinais analógicos, o
valor preciso da quantidade contendo a informação (voltagem, rotação, deslocamento, etc.) é
relevante. Os sinais digitais, por outro lado, são de natureza binária, isto é, são o resultado do
estado lógico (falso/verdadeiro) de um circuito eletrônico que tem um conversor analógico digital,
conversor A/D. A grande vantagem de um sinal digital é ser imune, quando transmitido, a “ruídos” que
poderiam adulterar a informação original.
Os instrumentos atuais são normalmente sistemas combinados analógico/digital, onde a
porção digital não representa o fator limitante para a precisão do sistema. Estas limitações provêm
geralmente da porção analógica e/ou dos dispositivos de conversão analógico/digital. Vale dizer que a
maioria dos elementos sensores primários é analógica.

1.4.3 Instrumentos de deflexão e cancelamento
Esta classificação diz respeito ao princípio de operação do um sistema que constitui um
instrumento. Em instrumentos de deflexão a quantidade medida produz um efeito físico que leva a
um efeito similar mas contrário em alguma parte do instrumento. Este efeito contrário, por sua vez,
está intimamente ligado a alguma variável diretamente perceptível por algum dos sentidos humanos,
por exemplo, um deslocamento mecânico. O efeito contrário aumentará até se atingir um ponto de

26
equilíbrio, quando então se mede a deflexão para se inferir o valor da quantidade medida. Exemplos:
o "calibrador de pneus" portátil (um instrumento muito simples, veja Fig. 1.10), o manômetro de
bourdon, o termômetro bimetálico, etc. Quando o calibrador de pneu é pressionado contra o bico do
pneu, a pressão do pneu exerce uma força sobre o pistão, que desloca a haste calibrada e comprime
a mola. O efeito contrário à força associada à pressão é feito pela mola. Na condição de equilíbrio a
haste calibrada indicará o valor da pressão do pneu.


Figura 1.10 – Instrumento de deflexão: o calibrador de pneu.

Em instrumentos de cancelamento, a deflexão é idealmente mantida nula pela aplicação de
um efeito contrário àquele gerado pela quantidade medida. Tornam-se então necessários um detector
de desequilíbrio e uma maneira de restaurar o equilíbrio. A determinação de valor numérico da
variável a ser medida requer um conhecimento preciso da magnitude do efeito contrário. Exemplos:
medidores de pressão de peso morto, a balança de braço articulado (a "balança de feira", o
instrumento de cancelamento mais simples e talvez o mais antigo que existe – Fig. 1.11), o
manômetro de tubo U, etc. Note que na balança de pratos (até há pouco tempo chamada também de
balança de feira) o material a ser pesado é colocado em um dos pratos e pesos aferidos são
colocados no outro. O cancelamento do peso do material é indicado pelo ponteiro que se desloca
sobre a escala central.

Figura 1.11 - Instrumento de cancelamento: balança de braço


27
De maneira geral, a precisão obtida pelo instrumento que opera com o método do
cancelamento em uma certa medida é maior do que aquela obtida pelo instrumento que opera com o
método da deflexão. Uma primeira razão para tal é que o instrumento que opera com o método de
cancelamento faz uma comparação direta entre uma quantidade desconhecida e uma quantidade
padrão, enquanto que o instrumento que opera com o método da deflexão requer a prévia calibração
do elemento sensor, isto é, a comparação é indireta. Uma outra vantagem do método do
cancelamento é que, sendo a medida feita somente ao se restaurar o equilíbrio, conseguem-se uma
maior sensibilidade e precisão já que o detector de desequilíbrio operará sempre em uma estreita
faixa ao redor de zero. Além disso, não há necessidade de calibração do detector já que este deve
simplesmente detectar a ocorrência e o sentido do desequilíbrio sem porém quantificá-lo. Um
instrumento de deflexão, entretanto, é maior e mais robusto, e portanto menos sensível, a fim de
medir magnitudes elevadas de qualquer grandeza.
As desvantagens do método do cancelamento dizem respeito principalmente a medidas
dinâmicas. Todavia, a utilização de sistemas de balanceamento automático permitem estender o
método do cancelamento a inúmeras aplicações de grande importância. Exemplo: anemômetro de fio
quente.

1.5 O modo de operação analógico

Os instrumentos analógicos muitas vezes utilizam circuitos elétricos como forma de indicação
dos valores medidos, pois estes tornam viável ou facilitam a transmissão à distância, além de permitir
o controle do processo sob observação. Assim, a variável primária medida é transformada em
corrente elétrica, voltagem ou resistência.
Os instrumentos analógicos são, geralmente, baseados no movimento do medidor de
d'Arsonval. Ele consiste de uma série de espirais colocadas no campo magnético de um ímã
permanente. Quando uma corrente elétrica percorre as espirais, ela cria um torque nas espirais,
fazendo com que se desloquem, movendo um ponteiro sobre uma escala calibrada. Por projeto, a
deflexão do ponteiro é diretamente proporcional à corrente nas espirais. O medidor de d´Arsonval
opera com corrente contínua ou alternada. Neste último caso precauções devem ser tomadas para
minimizar a oscilação do ponteiro. A Fig. 1.12 é uma ilustração de um galvanômetro de d´Arsonval,
onde aparecem a câmara de amortecimento e a pá conectada ao eixo do ponteiro, as quais irão
realizar esta função de amortecimento da oscilação do ponteiro. Não aparecem os ímãs que devem
ser montados lateralmente à espiral.


28


(a) (b)
Figura 1.12 - (a) Esquema de galvanômetro de d´Arsonval (não aparecem os ímãs que geram o campo
magnético permanente) e (b) galvanômetro de d´Arsonval em tacômetro.

Se o sinal elétrico é a voltagem, para fazer sua leitura pode-se usar o galvanômetro de
d´Arsonval com uma resistência conhecida em série, pode-se usar um osciloscópio ou então um
circuito divisor de voltagem. Se a resistência é a grandeza elétrica do sinal a ser medido, pode-se
usar o circuito de d´Arsonval com voltagem e resistência conhecidos, ou então uma ponte de
Wheatstone.


Figura 1.13 - A ponte de Wheatstone

A ponte de Wheatstone é um circuito elétrico usado para medir resistência. Ele consiste de
uma fonte de tensão e um galvanômetro que conecta dois ramos de um circuito elétrico em paralelo.

29
Estes dois ramos em paralelo têm quatro resistências, três das quais são conhecidas (Fig. 1.13). Para
determinar a resistência desconhecida, a ponte deve ser balanceada até que o galvanômetro indique
o valor zero.

1.6 O modo de operação digital

O modo de operação digital tem várias vantagens sobre o modo analógico. Entre elas pode-
se dizer: a leitura digital é direta e precisa, não necessita de interpolação; instrumentos digitais podem
ser facilmente acoplados entre si e também a computadores; instrumentos digitais são "resistentes a
ruídos" (pois não são "dependentes da amplitude" como os sinais analógicos); operam em baixas
voltagens (de 5 a 10 volts).
Os sinais do mundo físico são analógicos, isto é, são quantidades que variam continuamente.
Também são analógicos os sinais de controle enviados para interação com o mundo físico. Assim, de
forma a usar o poder do modo digital, há que se converter de analógica para digital a variável que se
deseja medir, e vice-versa a variável que controlará o sistema experimental. A unidade básica do
modo digital é o bit: 1 bit pode assumir valores 0 ou 1 (ligado ou desligado); 1 byte = 8 bits, e a
palavra digital é feita de bits (por exemplo, uma palavra de 4 bits).
No processo de conversão analógico/digital alguns aspectos devem ser considerados:
1. a resolução de um conversor analógico-digital é igual a 1 / (2
M
- 1), onde M é o número de
bits. Por exemplo, se o conversor tem 4 bits, o número de intervalos de amostragem é 15 e a
resolução é (1/15); se o conversor tem 12 bits, o número de intervalos de amostragem é 2047
e a resolução, (1/2047).
2. a frequência de Nyquist, f
N
, que é definida como a metade da frequência de amostragem, f
N
=
f
A
/ 2. Quando um sinal tem frequências superiores à frequência de Nyquist, sua amostragem
gerará frequências distorcidas inferiores às frequências aparentes (isto é, alias, uma falsa
frequência ocasionada pela baixa taxa de amostragem). Assim, a frequência de Nyquist é a
frequência mais alta do sinal que pode ser adquirido sem indesejáveis distorções de
frequência.

1.7 Características de sinais de entrada e saída

Referindo-se à Fig. 1.14, pode-se observar que as quantidades (ou sinais) de entrada que um
instrumento pode medir são divididas em três tipos:
Entrada Desejada, i
D
==> quantidade que se deseja medir com um dado instrumento.
Entrada Interferente, i
I
==> quantidade à qual o instrumento é acidentalmente sensível.

30
Entrada Modificadora, i
M
==> quantidade que causa uma modificação na relação
saída/entrada para as entradas desejadas e interferentes.

Figura 1.14 - Entradas atuantes em instrumentos e saídas resultantes.

O símbolo F
D
representa todas as operações matemáticas necessárias à obtenção da
quantidade (ou sinal) de saída a partir do sinal de entrada I
D
. Por exemplo, em medidas estáticas
uma relação linear entre a entrada e a saída implica F
D
= constante. Uma relação não-linear entre a
entrada e a saída, entretanto, implicará que F
D
seja uma função matemática. Para se relacionar a
entrada e a saída em medidas dinâmicas, F
D
será uma equação diferencial. O símbolo F
I
representa
operações semelhantes para a entrada interferente. Os símbolos F
M,I
e F
M,D
representam a maneira
particular como i
M
afeta F
I
e F
D
, respectivamente.
A Fig. 1.15 mostra a ação das três entradas recém discutidas, na operação de um manômetro
de mercúrio. As pressões p1 e p2 são as entradas desejadas cuja diferença causa o deslocamento de
saída x. Neste caso não há a ação de entradas interferentes ou modificadoras (Fig. 1.15 (a)). Ao se
montar o manômetro sobre um veículo em aceleração, haverá um deslocamento de saída x mesmo
quando não houver uma diferença de pressão. Isto é, a aceleração do veículo representa uma
entrada interferente que causará um erro de leitura (Fig. 1.15 (b)). Analogamente, o ângulo de
inclinação do manômetro com relação à gravidade também representa uma entrada interferente e
modificadora que produzirá um deslocamento de saída x mesmo na ausência de uma diferença de
pressão (Fig. 1.15 (c)).


31


(a) (b) (c)
Figura 1.15 – Ação das três entradas desejada, interferente e modificadora na operação de um
manômetro de mercúrio. (a) As pressões p1 e p2 são as entradas desejadas; não há a ação de
entradas interferentes ou modificadoras. (b) O manômetro sobre um veículo em aceleração; a aceleração
do veículo representa uma entrada interferente que causará um erro de leitura. (c) O ângulo de inclinação
do manômetro com relação à gravidade também representa uma entrada interferente e modificadora.

A seguir são discutidos alguns dos métodos mais comumente usados para se eliminar ou
atenuar os efeitos de entradas espúrias.

1. Método da Insensibilidade Inerente
Os elementos do sistema de medição devem ser inerentemente sensíveis somente às
entradas desejadas, isto é, F
I
e/ou F
M,D
devem ser o mais próximas possível de zero. Este
método é uma idealização que, via de regra, não é alcançada na prática. Mas soa como uma
filosofia de projeto de que os elementos de um instrumento devam ser inerentemente
sensíveis somente às entradas desejadas.

2. Método da Realimentação de Alto Ganho
Seja a medida de uma certa voltagem e
i
, a qual é realizada através de sua alimentação a um
motor elétrico. O motor está em balanço e o torque resultante no estator é aplicado, através
de um braço, a uma mola, causando o deslocamento x
o
, que é medido em uma escala
calibrada (Fig. 1.16 (a)). Um instrumento projetado deste modo,

onde K
MO
e K
SP
são constantes, e tem-se o que é denominado de sistema aberto. As entradas
modificadoras I
M1
e I
M2
causam mudanças em K
MO
e K
SP
, as quais acarretam erros na relação
entre e
i
e x
o
. Estes erros são então diretamente proporcionais às variações em K
MO
e K
SP.

Na Fig. 1.16 (b), um sistema alternativo é proposto. O deslocamento x
o
é medido por um
dispositivo de realimentação que produz uma voltagem e
o
proporcional a x
o
. Esta voltagem e
o

é subtraída da voltagem de entrada e
i
e a diferença é aplicada ao amplificador que aciona o
conjunto motor-mola. Neste caso,

32
( ) ( )
x K K K x K e K K K e e
0 SP MO AM 0 FB i SP MO AM 0 i
= − = −

e chega-se facilmente a
e
K K K K 1
K K K
x
i
SP FB 0 M AM
SP 0 M AM
0
+
=
.

Se o sistema for projetado de modo que K
AM
seja muito grande (sistema de alto ganho), tem-
se
e
K
x
i
FB
0
1
≈ .

(a)

(b)
Figura 1.16 – (a) Instrumento operando como um sistema em circuito aberto. (b) Instrumento
operando como um sistema em circuito fechado (ou sistema com realimentação).

Portanto, requer-se agora apenas que K
FB
permaneça constante (não influenciada por i
M4
)
para se manter constante a relação entre a entrada e a saída. Na prática, os sistemas de

33
realimentação permitem obter maior precisão nas medidas. Entretanto, pode haver casos em
que se tem uma instabilidade dinâmica, isto é, oscilações causadas por amplificações
excessivamente altas.

3. Método da Filtragem de Sinais
Certos elementos (“filtros”) são introduzidos no instrumento com a finalidade de se bloquear
sinais espúrios e assim remover ou diminuir seus efeitos sobre o sinal de saída. Os filtros
podem ser aplicados diretamente aos sinais de entrada, de saída ou a algum sinal
intermediário (Fig. 1.17).
(a)


(b)
Figura 1.17 – (a) Instrumento com filtragem na entrada. (b) Circuito de instrumento com filtragem
na saída.


34
Por exemplo, na Fig. 1.18, a junção de referência do termopar está isolada termicamente do
ambiente. Assim, flutuações na temperatura ambiente não interferem na medida do termopar,
ou seja, estas entradas interferentes foram eliminadas (“filtradas”) do sistema pelo isolante
térmico que envolve a junção que referência.

Figura 1.18 - Filtragem propiciada pela isolação térmica da junção de referência de termopar

Na Fig. 1.19, um estrangulamento é introduzido entre a fonte de pressão e o manômetro (com
uma válvula, por exemplo). A variação da razão entre a amplitude do sinal de saída e a
amplitude do sinal de entrada |p
o
/p
i
| em função da freqüência também é mostrada. Assim,
pressões de entrada constantes ou sujeitas a lentas variações podem ser medidas com
precisão enquanto que flutuações de alta freqüência são eficazmente atenuadas. O
estrangulamento pode ser conseguido, por exemplo, por uma válvula de agulha que permite
ainda ajustar-se o efeito de filtragem.

Em resumo, pode-se afirmar que filtros mecânicos, elétricos, térmicos, pneumáticos, etc.
podem ser construídos a fim de se realizar uma separação do sinal em função do seu
conteúdo em freqüência. No caso específico de filtragem de sinais elétricos, analógicos ou
digitalizados, isto é, sinais analógicos que foram convertidos em um conversor analógico-
digital, e armazenados em um banco de memória ou gravados em meio magnético ("hard-
disk" por exemplo, fita magnética, etc), a filtragem é um recurso simples que pode ser
implementado via "hardware" no analisadores de sinais, ou via "software", em laboratórios
virtuais, como o LabView, da National Instruments, e programas como o MatLab, o MathCad,
o Mathematica, entre vários outros. A Fig. 1.20 mostra os tipos de filtro mais comuns.


35

Figura 1.19 - Filtragem em instalação de manômetro propiciada por estrangulamento de linha de entrada

Figura 1.20 - Tipos de filtros


36
4. Método da Saída Corrigida
Conhecendo-se a magnitude das entradas interferente e modificadora e sua ação sobre a
saída, podem-se calcular correções de modo a se ter somente o componente da saída
associado à entrada desejada. Este método é bastante adequado no caso de medidas
automatizadas por microcomputadores.

5. Método das Entradas Contrárias
Consiste em intencionalmente introduzir no instrumento entradas interferentes e/ou
modificadoras que tenderão a cancelar o efeito indesejável de entradas espúrias inevitáveis
(Fig. 1.21).


Figura 1.21 - Diagrama de instrumento com cancelamento de entradas indesejáveis.

Como ilustração, a Fig 1.22 mostra o projeto de uma sonda de pressão estática desenvolvida
por L. Prandtl. À medida que o fluido escoa sobre a superfície da sonda, a sua velocidade
deve aumentar já que as linhas de corrente são mais longas do que aquelas no escoamento
não perturbado. Este aumento da velocidade causa uma queda na pressão estática de modo
que a tomada de pressão mostrada fornece uma leitura incorreta. Este erro devido à
subpressão varia com a distância d
1
da tomada à extremidade da sonda. Prandtl raciocinou
que o suporte da sonda também terá uma linha de estagnação ao longo de sua parte frontal e
que a conseqüente sobrepressão se propagará à montante. Este efeito, entretanto, será tão
menor quanto maior for a distância d
2
. Testes experimentais permitem a escolha adequada
das distâncias d
1
e d
2
de maneira que os dois efeitos se cancelem mutuamente, obtendo-se

37
assim o valor correto da pressão estática. Aparece também na Fig. 1.22 o diagrama funcional
do tubo de Prandtl.


(a)

(b)
Figura 1.22 – (a) O tubo de Prandtl (b) Diagrama funcional do tubo de Prandtl.


1.8 Desempenho estático e dinâmico dos
instrumentos

O estudo das características de desempenho de um instrumento de medida e de sistemas de
medição em geral é normalmente feito em termos da análise de suas características estáticas e
características dinâmicas. As razões que explicam são:

38
• algumas aplicações envolvem a medida de quantidades que permanecem constantes ou que
variam apenas muito lentamente (grandezas estáticas ou semi-estáticas, como por exemplo a
pressão e a temperatura ambientes).
• outras aplicações requerem a medida de quantidades que variam rapidamente, sendo
portanto necessário examinar-se as relações dinâmicas entre a entrada e a saída do
instrumento de medida (por exemplo, a flutuação de velocidade típica da turbulência de um
escoamento de fluido).
• as características estáticas de um instrumento influenciam a qualidade das medidas
realizadas em condições dinâmicas, mas o tratamento simultâneo de ambas é inviável
matematicamente.

Percebe-se, portanto, que embora a separação do comportamento de um instrumento em
características estáticas e dinâmicas seja muitas vezes acadêmica, trata-se de uma abordagem
aproximada necessária para a solução de problemas práticos.
Todas as características de desempenho estático de um instrumento são obtidas através de
um procedimento denominado calibração estática. Este termo refere-se a uma situação onde todas
as entradas (desejadas, interferentes e modificadoras) são mantidas constantes durante um certo
intervalo de tempo, exceto uma. Ou seja, a entrada sendo investigada é variada dentro de uma faixa
de valores constantes, o que faz com que a saída varie dentro de uma outra faixa de valores
constantes. A relação entrada-saída obtida representa uma calibração estática do instrumento válida
para as condições de valores constantes de todas as outras entradas.
Normalmente, há muitas entradas interferentes e/ou modificadoras para um dado
instrumento, cada qual causando apenas um efeito muito pequeno sobre a entrada desejada. Dada a
inviabilidade prática de controlá-las todas, a afirmação “todas as entradas exceto uma são mantidas
constantes” refere-se a uma situação ideal que pode ser aproximada mas nunca atingida na prática. O
termo “método de medida” descreve esta situação ideal enquanto o termo “processo de medida”
descreve a realização prática (imperfeita) do método de medida.
As entradas mantidas constantes requerem a sua medida independentemente do instrumento
sendo calibrado. Para entradas interferentes ou modificadoras (cujos efeitos sobre a saída devem ser
relativamente pequenos em um instrumento de boa qualidade), não é necessária uma grande
precisão nas medidas. Entretanto, ao se calibrar a resposta do instrumento às entradas desejadas,
estas devem ser medidas com uma precisão maior do que aquela do instrumento sendo calibrado.
Como regra geral, o padrão de calibração (entrada desejada) deve ser no mínimo dez vezes mais
preciso do que o instrumento sendo calibrado.
Em geral, o procedimento de calibração estática pode ser realizado seguindo-se as etapas
abaixo:
1. Identifique e relacione todas as possíveis entradas para um dado instrumento.

39
2. Decida, com base na aplicação em questão, quais entradas são relevantes.
3. Obtenha os equipamentos que possibilitarão a variação das entradas relevantes em todas as
faixas consideradas necessárias.
4. Obtenha as relações entrada-saída variando alternadamente cada entrada considerada
relevante e mantendo todas as outras constantes.
5. Realize uma superposição adequada das várias relações entrada-saída de forma a descrever
o comportamento global estático do instrumento.

Ao medirmos uma quantidade física qualquer com um dado instrumento, perguntamo-nos o
quão próximo o valor numérico obtido está do valor “verdadeiro”. Obviamente, o assim chamado valor
verdadeiro geralmente não é conhecido já que medidas perfeitas ou mesmo definições exatas das
quantidades físicas são impossíveis. Portanto, o termo valor “verdadeiro” refere-se ao valor que seria
obtido se a quantidade física em questão fosse medida por um método exemplar de medição, isto é,
um método suficientemente preciso em vista da utilização final dos dados.
Há também um aspecto legal na questão, que é a rastreabilidade do padrão de calibração.
Refere-se à possibilidade de verificação da exatidão de um padrão de calibração qualquer relativa aos
padrões básicos junto ao INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial, no Brasil, ou o National Bureau of Standards, nos EUA). No Brasil, o INMETRO é o órgão
central e executivo que tem por competência executar a política de metrologia legal, científica e
industrial, de normalização técnica e de conformidade de produtos e processos industriais de acordo
com diretrizes estabelecidas por lei. Todavia, o INMETRO busca aproveitar todo o potencial público e
privado nacional que exerça atividades ligadas à metrologia, formando a Rede Nacional de Calibração
(RNC). Os laboratórios capacitados podem ser credenciados pelo INMETRO para executar
atividades de sua competência desde que satisfaçam às condições exigidas pelo mesmo.
Mas o que nos interessa aquí são os modelos matemáticos que representam a relação entre
os sinais de saída e entrada em um instrumento. Uma equação diferencial ordinária estabelece esta
relação, isto é, e a ordem mais elevada da derivada da EDO fixa a ordem do instrumento.
Instrumentos são então de ordem zero, de primeira ou segunda ordem. Instrumentos de mesma
ordem (ou EDOs de mesma ordem) têm comportamento dinâmico similar.
Assim, o modelo matemático geral é a EDO de ordem n-ésima. Se o sinal de saída é
representado por y(t), o sinal de entrada é representado por F(t), e os coeficientes são parâmetros
físicos do instrumento,
( ) t F y
dt
dy y y
a a
dt
d
a
dt
d
a
n
n
n
n
n
n
= + + + +


− 0 1
1
1
1
...


O instrumento é de ordem zero se não há derivada temporal de y, isto é, a relação entre saída
e entrada torna-se somente algébrica, e não diferencial.

40
( ) ( ) t F t y
a
=
0


Neste instrumento estático o sinal de saída depende somente da entrada corrente, atual, e
não de entradas passadas. A saída responde instantaneamente (em termos, veja a discussão sobre o
tempo, mais adiante!) ao sinal de entrada. Um exemplo razoável é a balança de mola (a balança de
açougue, a balança de peixe ou dinamômetro de mola (Fig. 1.23)), na qual o deslocamento medido é
diretamente proporcional à força aplicada:

F/k ou x , kx F = =





Figura 1.23 – Balança de mola.


Uma forma alternativa de escrever a equação da mola, ou de nosso instrumento de ordem
zero, é
( ) ( ) t kF t y =


onde k = 1/a
0
é a chamada sensibilidade estática (ou ganho permanente) do instrumento.
Um instrumento é de segunda ordem se somente a derivada de ordem unitária existe na
relação funcional entre saída e entrada. O que isto implica, fisicamente, é que há um atraso entre
entrada e saída, em outras palavras, decorre um certo tempo para que se tenha efeito total do sinal
de entrada no sinal de saída. Exemplos típicos de instrumentos de primeira ordem são os
termômetros e os termopares. Assim,

( ) t F y
dt
dy
a a
= +
0 1

ou, alternativamente,
( ) t F
k
y
dt
dy
τ τ
= +
1


41
onde t = a
1
/a
0
é a constante de tempo e, novamente, k = 1/a
0
.
A resposta de um instrumento de primeira ordem para um sinal de entrada tipo pulso (sinal
rampa ou step function) de amplitude A é
( )
e
y
t
o
kA kA t y
τ

− + = ) (


Novamente, kA é a resposta permanente, como vimos nos instrumentos de ordem zero, e
todo o segundo termo à direita do sinal de igualdade é a chamada resposta transiente, sendo y
0
a
condição inicial (a magnitude do sinal antes da entrada tipo pulso). A Fig. 1.24 exemplifica a resposta
de um instrumento de primeira ordem à função pulso de amplitude A para uma resposta permanente
kA maior que a condição inicial, kA > y
0
.

Figura 1.24 - Curva de resposta de um instrumento de ordem 1.

A constante de tempo é definida como o tempo necessário para que o instrumento responda à
função rampa com 63,2% da faixa de variação do sinal, isto é, o range (kA-y
0
). A influência da
constante de tempo t na resposta do instrumento de primeira ordem à entrada em pulso aparece na
figura abaixo. No caso, fizemos a condição inicial nula, y
0
= 0, e a solução se reduz a
|
¹
|

\
|
− =

e
t
kA t y
τ
1 ) (

y0
kA
5
t/τ ττ τ
4 3 2 1
0,632 (kA - y0)
y(t)

42

Figura 1.25 - Influência da constante de tempo na resposta de instrumento de ordem 1

Para exemplificar a utilidade da formulação matemática de um instrumento de primeira ordem,
vamos definir a fração erro:
( ) ( )
e
y y y
e
kA y kA t y
t
o
t
o
τ τ

∞ ∞

− + = − + = ) (


ou, definindo a fração de erro
( )
( )
( ) [ ]
( )
τ
τ
t
y y
y t y
y y
y t y
− =



= Γ =
= −

= Γ
∞ ∞ 0
0
t
-
0
0
ln t ln ,
e
t


Note então que o logaritmo da fração erro varia linearmente com a temperatura, e a inclinação
da reta é (-1/t). Uma expressão do tipo torna prática a determinação experimental da constante de
tempo de um instrumento de primeira ordem à uma entrada tipo pulso, veja na Fig. 1.26.
Seja então um exemplo de aplicação:
Um termopar que tem constante de tempo τ igual a 15 s está a uma temperatura inicial de 20ºC mas
é subitamente exposto a uma temperatura de 100ºC. Determine o seu tempo de subida (rise time),
isto é, o tempo que o termopar leva para chegar a 90% da temperatura de regime permanente, e qual
é a temperatura neste tempo.
Se a temperatura desejada é 90% da temperatura de regime permanente, G(t) = 1 - 0,9 = 0,1.
Assim, ln(0,1)=-2,302. Conseqüentemente, t = -(15)(-2,302) = 34,5 s.
Conhecido t = 34,4 s, é possível calcular y(t), pois t = 15 s, y
00
= 100ºC e y
0
= 20ºC.
Logo, y(t) = 92ºC.
0
kA
t
F(t)
y(t)
y(t)
grande τ ττ τ
pequeno τ ττ τ

43

Figura 1.26 - Comportamento da fração erro.


A equação de um instrumento de segunda ordem é
( ) t F y
dt
dy y
a a
dt
d
a
= + +
0 1
2
2
2


ou, na forma alternativa,
( ) t F k y
dt
dy y
n n n
dt
d
ω ω ω
ξ
2 2
2
2
2 = + +


onde wn = (a
0
/a
2
)
1/2
, x = a
1
/ [2 (a
0
a
2
)
1/2
], k = 1/a
0
wn é a freqüência natural e x é a razão de
amortecimento. A relação entre entrada e saída envolve uma derivada de ordem 2. Fisicamente,
implica em que há um atraso entre entrada e saída, da mesma forma que em instrumentos de ordem
1, mas de natureza diferente. Exemplos de instrumentos de ordem 2 são os acelerômetros, os
transdutores de força e os transdutores de pressão.
A resposta de um instrumento de segunda ordem a uma entrada tipo pulso (step function) de
amplitude A está mostrada na Figura 1.27, como função da razão de amortecimento x. Se a razão de
amortecimento é unitária, x = 1, o instrumento é criticamente amortecido. Se 0 < x < 1, é sub-
amortecido (note na figura que instrumentos sub-amortecidos apresentam overshoot, isto é, a
resposta supera o pulso de entrada, inicialmente, e termina por oscilar em torno deste. Se x > 1, o
instrumento é superamortecido, tendendo assintoticamente, cada vez com mais atraso, à condição de
regime permanente.


0
t
Inclinação -1/τ ττ τ
ln[Γ ΓΓ Γ(t)]
Aumenta τ ττ τ
Diminui τ ττ τ

44

Figura 1.27 - Resposta de instrumento de segunda ordem a entrada tipo pulso, para diferentes razões de
amortecimento


1.9 Natureza dos sinais de entrada e saída

Na medida em que sensores e instrumentos lidam com sinais, é necessário que os
classifiquemos. Quanto à sua dependência do tempo, os sinais podem ser: estáticos, isto é,
constantes no tempo, como a DDP de uma pilha, ou dinâmicos, isto é, variáveis no tempo. Neste
último caso são subdivididos em: dinâmicos periódicos, isto é, repetem-se periodicamente em
regime permanente, como a corrente alternada a 60 Hz, ou dinâmicos a-periódicos, isto é, os não-
repetitivos ou transientes, como um pulso simples, ou um sinal aleatório. Os sinais dinâmicos podem
ser, também, estacionários, isto é, seu valor médio temporal não varia com o tempo (em suma, o
sinal é estacionário no sentido estrito se as suas propriedades estatísticas são invariáveis por
qualquer translação da origem do tempo) ou não-estacionários.
Quando afirmamos que um sinal é estático, constante no tempo, como a DDP de uma pilha,
desconfie desta afirmação. Afinal, tudo é relativo, vai depender do seu método de medição. Se você
está medindo a DDP da pilha com um galvanômetro de D'Arsonval, por exemplo, não verificará
qualquer mudança na DDP da pilha em um intervalo curto de tempo medição. Entretanto, se seu
instrumento for muito preciso, verificará que a DDP da pilha varia. Se seu tempo de medição for
suficientemente longo, mesmo com um medidor impreciso, verificará decaimento da voltagem da
pilha, já que o próprio processo de medição consumirá parte de energia da pilha. Enfim, mesmo o
tempo é relativo, como já alertava Einstein: se o tempo é curto ou longo, sua tolerância pessoal é que
y(0)
kA
ω ω ω ω n t
y(t)
6 4 2
ξ ξξ ξ = 0
ξ ξξ ξ = 0,25
ξ ξξ ξ = 1
ξ ξξ ξ = 2

45
vai decidir! A esse respeito, é interessante consultar o site do Instituto de Física da USP - São Carlos
sobre o relógio atômico brasileiro (Fig. 1.28).

Figura 1.28 - Relógio Atômico Brasileiro
(http://www.cepa.if.usp.br/OLD/e-fisica/mecanica/pesquisa/cap3/defaultframebaixo.htm)

Pois é, insatisfeitos com a medição do tempo a partir das oscilações de cristais de quartzo, os
físicos desenvolveram medidas de tempo e freqüência a partir da ressonância de átomos excitados
por campos magnéticos. A partir de 1967, a definição internacional do tempo passou a basear-se no
relógio atômico de césio: hoje, um segundo — a grandeza física mais bem medida — equivale a
9.192.631.770 oscilações da freqüência de ressonância do átomo de césio. A margem de erro de um
relógio atômico desses é de apenas alguns segundos em milhões de anos, contra um segundo por
dia em um relógio de pulso comum. Mas um relógio atômico já vem sendo construído, o brasileiro
entre eles. A margem de erro passará a ser de 1 segundo em três bilhões de anos.
Dentre os sinais dinâmicos periódicos, dois são de nosso interesse particular: o sinal senoidal e a
onda quadrada. O sinal senoidal repete-se a intervalos de tempo regulares e então é periódico. Sua
representação matemática é
( ) φ ω + = t A t y sen ) (


onde A é a amplitude, ω é a freqüência e φ é o ângulo de fase. Um exemplo de uma senóide é
y(t)=10sen(100t+π /4). A representação gráfica genérica de uma senóide que tem valor médio nulo
aparece na Fig. 1.29.


46

Figura 1.29 - Senóide genérica.

Uma representação gráfica de uma onda quadrada de período T está mostrada Fig. 1.30.
Observe que esta onda quadrada também tem valor médio nulo, assim como a senóide:
( ) 0
1
2
1
=

=

t
t
dt t y
t
y

O valor médio simples do sinal, como definido acima, mede a porção estática do sinal ao
longo do tempo. É freqüentemente chamada de componente DC do sinal ou ainda DC off-set do sinal.
Figura 1.30 - Onda quadrada de período T.

t
y(t)
y(0)
T/2 T 3T/2
- y(0)
t
y(t)
Asen(φ φφ φ)
ω ωω ωt+φ = π/2 +φ = π/2 +φ = π/2 +φ = π/2
ω ωω ωt+φ = π +φ = π +φ = π +φ = π

47
A senóide da Fig.1.29 tem uma freqüência angular ω, radianos por segundo (também
chamada de freqüência circular), enquanto que a onda quadrada tem uma freqüência cíclica f = 1/T,
ciclos por segundo ou Hertz. A conversão de freqüência cíclica em freqüência angular é realizada por
ω = 2π f = 2π / T. Outra grandeza de interesse quando se analisa sinais é a sua média quadrática,
RMS (root mean square):
( ) [ ] dt
t
t
rms
t y
t t
y


=
2
1
2
1 2
1



Enquanto a média simples da onda quadrada da Fig. 1.30 é nula, a média RMS é

( ) [ ] y y y t y y T
T
dt
T
dt
T
T T
rms 0
2
0
2
0
2
0
1
0
1 1
= = = =
∫ ∫


A média RMS do sinal é uma medida do desvio do sinal em relação à sua média. Neste
sentido, está relacionada com o desvio padrão. De fato, se a média do sinal é nula, a média RMS é
igual ao desvio padrão.
Uma outra forma de caracterizar um sinal quanto à sua natureza é dividi-lo entre analógico e
digital (Fig. 1.31). O sinal analógico é contínuo no tempo e usualmente varia no tempo de forma
relativamente suave. O sinal digital é formado por uma série de números discretos, cada um deles
correspondendo a um valor do sinal analógico em um certo instante de tempo.


Figura 1.31 - Sinal analógico e sinal digital.



y(t)
t
DC offset
Componente AC
y(t)
t
DC offset
analógico
digital

48
Quais são as particularidades dos sinais digitais frente aos analógicos?
O sinal analógico carrega a informação (a magnitude do sinal) em todo o intervalo de tempo
de observação. O sinal digital tem informação sobre o sinal somente no tempo de amostragem.
Assim, se quero manter a integridade do sinal digitalizado, quanto maior a freqüência de amostragem,
melhor. Evidentemente, procedimentos matemáticos podem ser aplicados se o sinal é absolutamente
periódico: se sei que o sinal é uma senóide pura, ou uma onda quadrada, basta adquirir uma série
limitada de pontos, com freqüência apropriada, para reproduzi-lo integralmente.
As vantagens relativas do sinal digital frente ao analógico: facilidade de condicionamento de
sinal; os computadores são digitais e podem então processar os sinais digitais em pré e pós-
processamento, isto é, filtragem, operações matemáticas, visualização gráfica, etc; os sinais digitais
podem ser apresentados diretamente em displays numéricos; problemas com ruídos são minorados, e
a transmissão de dados é mais simples. A digitalização de um sinal analógico para um sinal digital é
realizada por conversores analógico-para-digital, conversor A/D (o conversor D/A faz o contrário).
Hoje são muito comuns as placas de conversão A/D que operam instaladas em barramentos de
microcomputadores tipo PC-AT.

1.10 Análise de Fourier

Os sinais periódicos estão presentes no mundo físico e, conseqüentemente, influenciam
sensores e instrumentos em geral. O processo de calcular a composição de freqüências de um sinal
periódico é chamado de análise harmônica ou análise de Fourier. Ela se baseia no princípio de que
qualquer sinal periódico complexo é a superposição de vários sinais periódicos simples, como a
senóide e a cos-senóide (Fig. 1.32).
Figura 1.32 - Sinais periódicos simples: senóide e cos-senóide.

Asen θ θθ θ
θ θθ θ
A
- A
0 2π ππ π
Acos θ θθ θ
θ θθ θ
A
- A
0 2π ππ π −π/2 −π/2 −π/2 −π/2

49
A Fig. 1.33 mostra um sinal periódico complexo.
Figura 1.33 - Sinal periódico complexo.

Um sinal complexo como o da Fig. 1.33 pode ser descrito como uma soma de uma
componente estática e de componentes harmônicas simples (senóides e cos-senóides), no processo
conhecido como a série de Fourier:
( )
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
...
3 sen 3 cos
2 sen 2 cos
sen cos
3 3
2 2
1 1
0
A
A
A
+ + +
+ + +
+ + +
+ =
t t
t t
t t
t y
B
B
B
A
ω ω
ω ω
ω ω

Na série de Fourier A
0
é a constante, [A
1
cos(ωt) + B
1
sen(ωt)] é a fundamental ou primeira
harmônica, [A
2
cos(2ωt)+B
2
sen(2ωt)] é a segunda harmônica e assim por diante. Uma forma
compacta de escrever a série de Fourier é
( ) ( ) ( ) [ ]


=
+ + =
1
0
sen cos
n
n n
t n t n t y
B A A
ω ω



onde A
0
, A
n
e B
n
são os coeficientes de Fourier, ω = 2π /T, onde T é o período. Quando n = 1, tem-se
a primeira harmônica, e se n = 2, 3, 4, ... tem-se as harmônicas de ordem crescente.
Os coeficientes de Fourier são obtidos de:
t
y(t)
T
2T

50
( )
( )
( ) , ) sen(
2
, ) cos(
2
,
1
2 /
2 /
2 /
2 /
2 /
2 /
0

=

=

=
+

+

+

T
T
n
T
T
n
T
T
dt t n t y
T
B
dt t n t y
T
A
dt t y
T
A
ω
ω

Vamos mostrar a série de Fourier que representa um sinal simples, isto é, vamos determinar
os coeficientes de Fourier da onda quadrada mostrada na Fig. 1.34, definida por f(t) = 10 volts para
-2< t <0 s e f(t) = 20 volts para 0< t <2 s.

Figura 1.34 - Onda quadrada de período T = 4 segundos e média 15 volts.


( ) 15 20 10
4
1 1
2
0
0
2
2 /
2 /
0
=
|
|
¹
|

\
|
+ = =
∫ ∫ ∫

+

dt dt dt t y
T
T
T
A


( ) 0
2
cos 20
2
cos 10
4
2
) cos(
2
0
2
2
0
2 /
2 /
=

+
|
¹
|

\
|
+
|
¹
|

\
|
= =
∫ ∫ ∫

+

dt t
n
dt t
n
dt t n t f
T
T
T
n
A
π π
ω


( )

∫ ∫ |
¹
|

\
|
+ |
¹
|

\
|

= =

+

0
2
2
0
2 /
2 /
2
sen 20
2
sen 10
4
2
) sen(
2
dt t
n
dt t
n
dt t n t f
T
B
T
T
n
π π
ω

t (s)
y(t)
-2 2 0 4
10
20
(volt)

51
( ) [ ] π
π
n
n
B
n
cos 1
10
− =

Observe então que Bn será nulo para todo n par (isto é, B
2
= B
4
= B
6
= ... = 0) e será igual a
(20/nπ) para todo n ímpar (isto é, B
1
= (20/π), B
3
= (20/3π), etc). A série de Fourier que representa a
onda quadrada da Fig. 1.34 é então
( )


=

|
¹
|

\
|
+ =
,... 5 , 3 , 1
2
sen
1 20
15
n
t
n
n
t y
π
π


Graficamente, a representação da onda quadrada aparece como mostram a Fig. 1.35.

Figura 1.35 - Harmônicas da série de Fourier formando a onda quadrada da Fig. 1.34.

Geralmente algumas poucas harmônicas são necessárias para representar uma função
periódica (em teoria, são necessárias infinitas harmônicas). Em muitas aplicações de engenharia
menos que 10 harmônicas são necessárias. Para que uma função periódica possa ser representada
por uma série de Fourier é necessário que atenda a condição de Dirichlet: que seja uma função de
valor único (um único valor de y(t) para cada t), que tenha número finito de descontinuidades e que
t (s)
y(t)
2 0 4
10
20
(volt)
t (s)
y(t)
2 0 4
10
20
(volt)
Fundamental
3a Harmônica
t (s)
y(t)
2 0 4
10
20
(volt)
t (s)
y(t)
2 0 4
10
20
(volt) 5a Harmônica 7a Harmônica

52
tenha valor máximo e mínimo em um ciclo. Não podem ser descritos por séries de Fourier sinais não-
periódicos, do tipo transiente (existe em um intervalo de tempo finito) ou aleatório, isto é, que variam
continuamente, mas não de forma previsível.
Representar um sinal como uma série de Fourier é de grande utilidade, pois torna-se fácil
obter várias propriedades do mesmo. Um sinal analógico pode então ser adquirido, digitalizado e
armazenado por um sistema de aquisição de dados (uma placa digitalizadora A/D, instalada no
barramento de um micro-computador, talvez o "hardware" mais utilizado hoje em dia, por seu baixo
custo e facilidade de operação). Assim, sua convolução pode ser obtida. A convolução de duas
funções y e z contínuas é definida como


A convolução é muitas vezes denominada de função de correlação cruzada, na medida em
que correlaciona o sinal y ( a função temporal y) em um tempo t com o sinal z em um tempo (t-t).
Similar à ela é a função correlação, que correlaciona o sinal y em um tempo t com o sinal z em um
tempo (t+t):

Notar, entretanto, que nossos sinais digitalizados são séries discretas, e a correlação dos
sinais discretos y e z é:

Deve-se ser cuidadoso no processamento de sinais discretos, na medida em que os termos
finais da função correlação não serão completos, isto é, terão menos termos das séries y e z para
somar. Considere duas séries bem pequenas, como exemplo:

A correlação de y e z será:

E a correlação de z com y será:



Observe que nem mesmo comutativa é a operação correlação destas duas pequenas séries
discretas. Este problema será contornado quando os sinais forem discretizados com muitos termos,
tendendo ao infinito.

53
Neste momento deve-se dizer que a convolução de y e z é a transformada inversa de Fourier
do produto das transformadas de Fourier Y[ω] e Z[ω], sendo ω a freqüência:


A autocorrelação é a correlação de uma função consigo mesma:

Assim, chega-se ao Teorema de Wierner-Khinchin, que estabelece que a Densidade
Espectral de Potência (PSD, Power Spectra Density, |Y(w)|2) é :


Se y é um sinal discreto (série), a Densidade Espectral de Potência (PSD) é:


Deve-se ser cuidadoso ao processar séries discretas. Quando o sinal é digitalizado em
pontos separados pelo intervalo de tempo Dt, isto é, com freqüência de amostragem f
a
= 1/Dt, a
freqüência de corte (a máxima freqüência processada), denominada de freqüência de Nyqist, é a
metade da frequência de amostragem, f
c
= (1 / 2Dt). Em outras palavras, se o sinal for digitalizado
com a frequência, por exemplo, de 10 kHz, o critério de Nyqist estabelece que a maior freqüência que
a transformada de Fourier processa sem alias é 5 kHz (alias, "What is your name?" "Which one?"
"Have you got more than one?" "I get a new one every time I'm stolen. I used to have an honest name,
but that was early; I've forgotten it. Since then I've had thirteen ALIASES." "Aliases? What is alias?" "A
false name." Mark twain, em A Horse's Tale).

O significado físico de tudo isso?
Vamos lá! Considere o sinal mostrado na Fig. 1.36 representando o nascimento de bezerras
numa certa região do Estado de São Paulo, ao longo dos 360 dias do ano de 2002. Os fazendeiros,
produtores de leite, se perguntam: "Há um período mais propício para a inseminação artificial que
resulte em bezerras"? Vamos então calcular o valor médio desta série e subtrair de seu valor
instantâneo, de forma que resulte somente a variação em torno da média. O sinal discreto resultante
agora está pronto para nossa análise (Fig. 1.37). A autocorrelação desta série discreta (Fig. 1.38)
responde a pergunta dos fazendeiros: infelizmente não há correlação imediatamente identificável
entre o nascimento de bezerras e a fase da lua (a autocorrelação deveria ser, pelo menos, levemente
cíclica com freqüência de 12 vezes/ano, etc). Observe que, aparentemente, não há correlação
alguma para os 360 dias do ano, a menos de uma oscilação muito leve com freqüência de 4
vezes/ano (mais ou menos).

54

Figura 1.36 – Exemplo 1: sinal representando o nascimento de bezerras.



Figura 1.37 – Exemplo 1: sinal discreto.


Figura 1.38 – Exemplo 1: Autocorrelação.


55
Um outro exemplo? Seja a intensidade de luz gerada por uma certa estrela da constelação de
Andrômeda, medida ao longo de dois anos, mostrada na Fig. 1.39. Qual é a característica do
fenômeno? Veja na Fig. 1.40 o que a autocorrelação do sinal revela: "sim o fenômeno é cíclico, a
estrela brilha mais intensamente de tempos em tempos". Bom, não tem muita novidade nisso, o sinal
temporal já indicava a característica de certa forma cíclica presente. A autocorrelação veio confirmar a
suspeita inicial.


Figura 1.39 – Exemplo 2: intensidade da luz.


Figura 1.40 – Exemplo 2: autocorrelação.

E se um sinal aleatório é composto pela superposição de senóides e cos-senóides de
freqüências e amplitudes diferentes, qual é a intensidade do sinal por banda de freqüência? A PSD
revela! Veja na Fig. 1.41 um ruído branco, que estava superposto a um valor DC de um sinal elétrico.
O valor DC foi subtraído do sinal instantâneo e sobrou o ruído. A PSD revela a composição de
freqüência do sinal, veja na Fig. 1.42.


56

Figura 1.41 – Ruído.

Figura 1.42 – PSD.

Humm, nem tanto, veja que a PSD (isto é, a transformada de Fourier da função de
autocorrelação) se revela um pouco difícil de interpretar, mas é coisa que se resolve: vamos
apresentar a PSD em gráfico log-log. O motivo é simples: a potência é o sinal ao quadrado. Há
variações muito grandes entre os limites de valores da potência. O gráfico log-log resolve essa
questão:

Figura 1.43 – PSD em gráfico log-log.


57
Então, a PSD fornece a composição do sinal no domínio da freqüência, a potência do sinal
por banda de freqüência. E o ruído branco (white noise) é isso aí: tem potência significativa em todo o
espectro da freqüência analisado. É como se diz: o ruído branco tem espectro plano. A Fig. 1.44
mostra um espectro azul (blue spectra), a potência cresce para comprimentos de ondas mais
elevados, o azul (violeta) é a banda de freqüência mais elevada do espectro visível.
A potência está relacionada à luz e também ao ruído, como vimos! Isto é, qualquer fenômeno
de natureza cíclica. Assim, um ruído branco tem a mesma potência em cada oitava. Se uma nota
vibra a 440 Hz, em uma oitava mais alta ela vibra a 880 Hz, e então a 1760 Hz, 3520 Hz, etc. Fazer o
logarítmo da potência é equivalente a medir a potência em escala de decibel:


sendo P
0
uma potência de referência. Para a potência sonora, por exemplo, medida em W/m
2
, 1
decibel é o limite mínimo de potência audível para um ser humano (normal, evidentemente). O nome
da unidade de medição de potência sonora, decibel, é uma homenagem a Alexander Graham Bell, o
inventor do telephone. O Bell, por sinal, tem um sino no nome.


Figura 1.44 – Alexander Graham Bell.

A Fig. 1.45 e a Fig. 1.46 mostram um sinal temporal (amplitude, em volt, versus tempo, em
segundo) e sua PSD. Veja que o sinal é basicamente periódico, com frequência dominante de 200 Hz,
com alguma coisa mais em 240 Hz, 310 Hz e 370 Hz e 420 Hz. Não há potência significativa em
outras freqüências, somente um ruído de base de menor importância no espectro de 0 Hz a 500 Hz.

58

Figura 1.45 – Sinal temporal.


Figura 1.46 – PSD do sinal temporal da Fig. 1.45.

Poderíamos pensar então em aplicar um filtro passa-banda nesse sinal, preservando as
propriedades básicas do mesmo. Êpa, cuidado! A água suja vai embora, mas quase sempre alguma
coisa do bebê também vai junto. Mas o filtro seria alguma coisa do tipo:

( ) Hz 400 Hz 150 , 1 C < ω < = ω


O que daria o sinal
( ) ( ) ( ) dt
e
Y C t y
t jω
ω ω
π

+∞
∞ −

=
2
1



59
E o espectro, após filtragem é apresentado na Fig. 1.47 (note que há pequenas alterações,
quase imperceptíveis, na medida em que a potência do sinal nas bandas filtradas era pouco
representativa).


Figura 1.47 – O espectro após a filtragem.

Entretanto, há outras aplicações possíveis para a PSD, relacionadas à interpretação da
natureza física do fenômeno que gerou o sinal. Por exemplo, na Fig. 1.48 dois tipos de escoamentos
gás-líquido horizontais estão representados, em termos da PSD de sinais de pressão estática. Pois é,
escoamento bifásico também tem natureza oscilatória: gás e líquido ocupam, em proporção diversa,
alternadamente, uma seção transversal da tubulação. Então, porquê não usar a análise de um sinal
de um escoamento bifásico, digamos a pressão estática do mesmo, para caracterizá-lo?


(a) (b)
Figura 1.48 – Densidade espectral de potência de escoamento intermitente “plug flow” e escoamento
anular, ambos horizontais.


60
O sinal mostrado na Fig. 1.48 (a) é resultado de medição da pressão estática do chamado
escoamento intermitente ou pistonado, tipo "plug flow". Bolsões de gás e líquido, de comprimento bem
superior ao diâmetro da tubulação, se sucedem, escoando ao longo do sistema. Observe que a PSD
do sinal de pressão tem um pico de potência elevada em freqüência baixa, em torno de 1 Hz ou 2 Hz.
Mas o sinal também tem potências razoáveis em freqüências entre 5 Hz até 20 Hz. Após isto, a
potência do sinal é sempre decrescente e praticamente não tem representatividade com valores de
frequência superiores a 32 Hz. Conclusões a que se pode chegar, analisando o PSD de um sinal de
pressão estática neste tipo de escoamento:
1- os bolsões de líquido e gás ocorrem, predominantemente, com freqüência de 1 Hz a 2 Hz
(estamos admitindo que os bolsões de líquido e gás são responsáveis pela flutuação de pressão do
escoamento);
2- os bolsões não têm o mesmo tamanho. Bolsões menores ocorrem e causam oscilações de
menor intensidade, com freqüência maior (pois são menores!)
3- parece existir um limite mínimo para os bolsões de gás e líquido que provocam oscilações
de pressão de monta no sistema, pois há potência significativa em amplitudes superiores a 32 Hz;
4- outras conclusões?
Na Fig. 1.48 (b) está representado o escoamento anular horizontal. Observe que a potência
do sinal é representativa até valores freqüência da ordem de 30 Hz. Pouca coisa resta entre 30 Hz e
50 Hz, e muito menos a partir desta freqüência. O escoamento anular horizontal caracteriza-se pela
existência de um filme de líquido escoando junto às paredes da tubulação. Na parte de baixo da
tubulação o filme é mais espesso, devido à ação da forca gravitacional. O gás escoa na região central
da tubulação e forma ondas no filme de líquido. As ondas têm maior amplitude na parte inferior da
tubulação, onde o filme é mais espesso. São estas ondas formadas na parte de baixo da tubulação
que, levadas pela corrente de gás em alta velocidade, crescem (aumentam a amplitude, instabilidade
de Kelvin-Helmholtz) e atingem a parede superior da tubulação, molhando-a. Assim, o filme de líquido
é formado em toda periferia interna da tubulação. Mas o filme mais fino também apresenta ondas, de
menor amplitude, por ter menos massa de líquido. Interprete então o sinal da Fig. 1.48 (b), da forma
como fizemos com o escoamento intermitente, e apresente algumas conclusões sobre a topologia do
escoamento.








61

2 Incerteza e Erro


Vimos que nenhuma medida de qualquer grandeza física é exata. A acurácia (ou exatidão) e
a precisão (número de algarismos significativos do valor medido) de um certo dado medido estarão
sempre limitadas tanto pela sofisticação do equipamento utilizado, pela habilidade do sujeito que
realiza a medida, pelos princípios físicos básicos tanto do instrumento de medida, quanto do
fenômeno que gerou o experimento e o conhecimento que se tem sobre o valor "verdadeiro" da
grandeza física. Note que ter um instrumento preciso, que faça leituras de temperatura como
20,01ºC, não implica em que ele seja mais exato que aquele que mede 19ºC. Mesmo sem números
decimais, este pode ser mais preciso que aquele. Em palavras, é necessário que o instrumento seja
coerente com o experimento que se realiza. Neste texto usa-se os termos incerteza, erro ou desvio
("bias") para expressar a variação do dado medido em relação a um valor de referência (o valor
"verdadeiro" da grandeza física, no caso do erro).

2.1 O erro nos dados experimentais

Para deixar claros estes termos, considere um anemômetro de fio quente, um instrumento
utilizado para medir a velocidade de uma corrente de ar. Uma corrente elétrica flui através do fio, gera
um fluxo de calor por efeito Joule, o qual é dissipado para a corrente de ar que se deseja medir. O fio
então estabiliza a uma certa temperatura, proporcional à velocidade do ar. Anemômetros de fio são
disponíveis para aplicações comerciais, por exemplo, medir a velocidade do ar em um duto de ar
condicionado. Um anemômetro deste tipo, cujo fio tem diâmetro de 0,1mm ou 0,2mm, pode medir
com acurácia e precisão, em uma estreita faixa de valores reais possíveis, a velocidade média da
corrente de ar em dutos de ar condicionado. O sensor do anemômetro é inserido, através de um furo
no duto, e mede em várias posições transversais a velocidade do ar. Assim, o instrumento está
coerente com o experimento e com os princípios básicos do fenômeno. Entretanto, este mesmo
anemômetro não seria capaz de medir as flutuações de velocidade inerentes à turbulência da mesma
corrente de ar. Neste caso não há coerência entre fenômeno que se deseja medir e instrumentação:
talvez porque a inércia térmica do fio de 0,1 mm é grande demais, e as flutuações de velocidade que
se quer medir não afetam a dissipação de calor e, conseqüentemente, a temperatura do fio. Para
tanto, necessitar-se-ia de anemômetro muito mais sofisticado em termos da eletrônica do circuito
alimentador, e sensores com fios de 20µm ou mesmo 10µm de diâmetro.
Em experimentos temos que nos contentar muitas vezes com um número limitado, algumas
vezes até restrito de medidas. Neste contexto, devemos considerar também a faixa dos valores

62
efetivos (ou reais) possíveis e recorrer à estatística para auxiliar o processamento e entendimento do
conjunto de dados medidos. Mesmo com limitações, em alguns casos, um dado experimental é, via
de regra, apenas uma amostra de uma população estatística que pode ser gerada pelo processo de
medida com o instrumento. Se conhecermos as características do processo, podemos estabelecer
limites para o erro em uma única leitura, embora não possamos determinar o valor do erro (já que isto
implicaria no conhecimento do valor verdadeiro). Isto é, estaremos em condições de afirmar algo a
respeito da exatidão (ausência de erro) das leituras.
Se o processo de medida for repetido inúmeras vezes em condições supostamente idênticas,
serão obtidas inúmeras leituras do instrumento que normalmente não serão todas iguais. Isto significa
que nunca é possível garantir condições perfeitamente idênticas para cada tentativa. Todavia, estas
leituras podem ser usadas para a estimativa numérica do erro associado ao processo de medida.
Para tal, os dados acima devem compor uma seqüência aleatória ou, em outras palavras, o
processo de medida deve estar em condições de controle estatístico. A este respeito, deve-se notar
que o conceito de exatidão de um instrumento envolve na verdade o instrumento, o seu ambiente e o
método de utilização, ou seja, o instrumento e as suas várias entradas. Este agregado constitui o
processo de medida ao qual se aplica o conceito de exatidão.
Os fatores que podem afetar a saída de um instrumento, mesmo que marginalmente, são
infinitos. Os efeitos das condições ambientais, pressão atmosférica, temperatura e umidade, além de
oscilações da fonte de alimentação do instrumento, são apenas os mais óbvios. Ao definirmos um
procedimento de calibração para um instrumento específico, afirmamos que determinadas entradas
devem permanecer “constantes” dentro de certos limites. Estas entradas, espera-se, são
responsáveis pelas maiores parcelas do erro global do instrumento. As infinitas entradas restantes
permanecem fora de controle, esperando-se que o efeito individual de cada uma seja muito pequeno
e que, no conjunto, o seu efeito sobre a saída do instrumento seja aleatório. Se este for realmente o
caso, o processo de medida está em condições de controle estatístico.
Admitindo-se que um processo de medida qualquer esteja em condições de controle
estatístico satisfatórias, podemos voltar ao problema de calibração estática do instrumento. Neste
caso, não há repetição múltipla de um dado valor verdadeiro. O procedimento normalmente
empregado é simplesmente variar o valor verdadeiro em incrementos crescentes e decrescentes,
cobrindo-se assim uma determinada faixa de interesse da grandeza em ambos os sentidos. Isto
significa que um dado valor verdadeiro é repetido no máximo duas vezes se forem utilizados os
mesmos valores nas leituras crescentes e decrescentes. Como exemplo, a Tabela 2.1 apresenta os
resultados da calibração de um manômetro de Bourdon (Fig. 2.1) na faixa de pressão de 0 a 10 kPa.

63
Pressão real Pressão indicada
kPa Aumentando Diminuindo
0,00 -1,12 -0,69
1,00 0,21 0,42
2,00 1,18 1,65
3,00 2,09 2,48
4,00 3,33 3,62
5,00 4,50 4,71
6,00 5,26 5,87
7,00 6,59 6,89
8,00 7,73 7,92
9,00 8,68 9,10
10,00 9,80 10,20
Tabela 2.1 - Calibração de um manômetro de Bourdon na
faixa de pressão de 0 a 10 kPa.

Figura 2.1 - Manômetro de Bourdon
(http://www.zurichpt.com.br/apre_prod_18.htm)



Neste instrumento (como na maioria dos instrumentos, mas não em todos), a relação entrada-
saída é idealmente uma linha reta. No momento estamos interessados na decomposição do erro
global do processo de medida em duas partes: o desvio (“bias”) e a incerteza. Na equação mostrada
na Fig. 2.2, P
i
representa o valor verdadeiro da pressão aplicada na entrada do manômetro de
Bourdon (variável independente) e P
o
representa o valor lido na escala do instrumento, ou seja, o
valor de saída (variável dependente). Para obtermos a curva de calibração, isto é, a equação a que
nos referimos, duas corridas experimentais foram realizadas, uma para a pressão crescente de zero
até 10 kPa (símbolo +, azul) e outra para a pressão decrescente, de 10 kPa até zero (símbolo o,
vermelho).
Ao utilizarmos os resultados da calibração, a situação é tal que P
o
(pressão indicada) é
conhecida e gostaríamos de poder afirmar algo a respeito de Pi (pressão verdadeira). Assim, para
uma leitura do manômetro de 4,32 kPa sabemos da curva de calibração que o valor verdadeiro é 4,72
± 0,66 kPa (comentaremos adiante o cálculo do desvio-padrão, por enquanto considere que o desvio
padrão para P
o
é 0,22 kPa. A incerteza para P
i
será considerada como 3 vezes seu desvio-padrão,
isto é, 0,66 kPa) conforme mostrado na Fig. 2.2. Logo o desvio na leitura é q
o
- q
i
= - 0,40 kPa e a
incerteza é ± 0,66 kPa. Observamos então que a calibração do instrumento permite a correção do
desvio e que o único erro restante é aquele devido à incerteza. O desvio é também chamado de erro

64
sistemático já que para qualquer leitura de 4,32 kPa ele será sempre - 0,40 kPa. O erro devido à
incerteza é chamado de erro aleatório ou não-repetibilidade já que ele é diferente para cada leitura e
podemos apenas estimar a sua faixa de variação. Calibração é, portanto, o processo através do qual
o desvio em uma leitura é corrigido e a incerteza é definida numericamente (quantificada).


Figura 2.2 - Curva de aferição de um manômetro Bourdon

Outros conceitos, próprios do projeto de um instrumento ou que surgem no processo de
calibração de um instrumento, são:

Sensibilidade estática - Quando se obtém uma curva de calibração entrada-saída como aquela da
Fig. 2.2, a inclinação desta curva é chamada de sensibilidade estática do instrumento. Na Fig. 2.3
temos um instrumento cuja curva de calibração é uma reta em uma certa faixa inicial de operação,
com desvio crescente da linearidade à medida em que a faixa de operação aumenta. Note então que
podemos definir a faixa operacional do instrumento como aquela na qual a linearidade estática é
constante. Se a curva não for uma linha reta, a sensibilidade variará em função da entrada conforme
mostrado na Fig. 2.3.

65

Figura 2.3 - Curva de aferição de um instrumento sensibilidade constante e variável, de acordo com faixa
de operação.

A fim de se ter uma definição adequada da sensibilidade de um instrumento, a quantidade de
saída deve ser tomada como a quantidade física real e não como aquela representada pelos números
da escala (por exemplo, usar a rotação angular do ponteiro do manômetro e não a variação de
pressão a ela associada).
A calibração entrada-saída mencionada acima refere-se à entrada desejada do instrumento.
Entretanto, a sua sensibilidade às entradas interferentes e/ou modificadoras também deve ser
conhecida. Como mostrado na Fig. 2.4, o deslocamento do zero (“zero drift”) refere-se ao efeito de
uma entrada interferente cuja magnitude é independente do valor da entrada desejada. Por outro
lado, o deslocamento da sensibilidade (“sensitivity drift” ou “scale-factor drift”) refere-se ao efeito de
uma entrada modificadora cuja magnitude é função da variável de entrada. No caso de um
manômetro, por exemplo, ao qual a Figura 2.4 pode se aplicar, a temperatura ambiente representa ao
mesmo tempo uma entrada interferente e modificadora. Ao causar uma expansão ou contração dos
componentes do manômetro, haverá uma variação da leitura da pressão mesma quando esta se
mantiver constante (deslocamento do zero). Deste ponto de vista, a temperatura é uma entrada
interferente. Além disso, a temperatura pode alterar o módulo de elasticidade da mola do manômetro,
o que afetará a sua sensibilidade à pressão (deslocamento da sensibilidade). Neste sentido, a
temperatura representa uma entrada modificadora.


66

Figura 2.4 - Deslocamento de zero (zero drift) e deslocamento de sensibilidade (sensitivity drift).

Há, por conseguinte, a necessidade de testes de calibração apropriados para se quantificar
estes efeitos. A fim de se quantificar o deslocamento do zero, a pressão é mantida constante (por
exemplo, uma pressão relativa nula) enquanto se faz variar a temperatura ambiente. Para faixas de
temperatura não muito amplas, a variação da leitura da pressão em função da temperatura é
aproximadamente linear, podendo ser especificada como, digamos, 0,01 rad/°C. Com relação ao
deslocamento da sensibilidade, os testes são feitos mantendo-se a temperatura constante e
procedendo-se a uma calibração da pressão de modo a se determinar a sensibilidade do manômetro.
Repetindo-se este procedimento para várias temperaturas, obtém-se o efeito da temperatura sobre a
sensibilidade do manômetro à pressão. Se este efeito for aproximadamente linear, ele pode ser
especificado como, por exemplo, 0,0005 (rad/kPa)/°C. Observe então que a sensibilidade de um
instrumento é a razão entre o incremento de saída e o incremento de entrada, isto é, sinal de
saída/sinal de entrada. Alguns exemplos: transdutor de pressão eletrônico, S = 2,0 x 10
-3
mA/Pa;
termopar, S = 50 mV/ºC; multímetro, S = 50,00 Ohms/V
DC
. Finalmente, o desejável é que um
instrumento tenha alta sensibilidade.

Linearidade - É o desvio máximo entre os pontos experimentais e a curva de calibração
representada por uma linha reta. É geralmente expressa como uma combinação da porcentagem da
leitura real e uma porcentagem do fundo de escala do instrumento. Tem-se então uma especificação
do tipo :
não-linearidade = ± ±± ± A % da leitura ou
± ±± ± B % do fundo de escala, o que for maior.

67

A primeira definição está ligada à condição idealizada de uma não-linearidade porcentual
constante. A segunda definição leva em consideração a impossibilidade prática de se testar desvios
muito pequenos, próximos ao zero da escala do instrumento. A este respeito, deve-se lembrar que os
instrumentos de calibração devem ser cerca de dez vezes mais exatos do que o instrumento sendo
calibrado. Isto significa que, próximo ao zero deste instrumento, variações absolutas muito pequenas
da entrada desejada, que corresponderiam a um valor constante da porcentagem da leitura, não
podem ser detectadas. A Fig. 2.5 mostra as faixas de tolerância associadas à especificação da não-
linearidade feita acima.


Figura 2.5. Definições de linearidade

Histerese - Consideremos a situação em que a pressão de entrada do manômetro da Fig. 2.7
seja lenta e gradualmente aumentada de zero até o fundo de escala e então trazida de volta a zero.
Caso não houvesse atrito devido ao deslizamento de partes móveis, o gráfico da relação entrada-
saída seria como mostrado na Fig. 2.6 (a). A não coincidência das curvas ascendente e descendente
é devida ao atrito interno ou amortecimento histerético das partes sob tensão (no caso do manômetro,
principalmente a mola). Isto é, nem toda energia introduzida nas partes sob tensão durante o
carregamento pode ser recuperada durante o descarregamento conforme previsto pela segunda lei da
termodinâmica. Para instrumentos cuja faixa de operação se estende de ambos os lados do zero, o
comportamento é como mostrado na Fig. 2.6(b).

68

Figura 2.6 - Efeitos de histerese


69
Caso fosse possível eliminar completamente o atrito interno, mas não o atrito externo devido
ao deslizamento de partes móveis, o comportamento seria como mostrado nas Figs. 2.6(c) e 2.6(d),
admitindo-se constante a força de atrito. Um comportamento semelhante é obtido no caso de haver
folga no mecanismo de um instrumento. Em um dado instrumento, a combinação dos vários fatores
acima resulta em um efeito de histerese global como mostrado na Fig. 2.6(e). Deve-se salientar,
porém, que quando o componente devido ao atrito interno for grande pode haver efeitos temporais
associados ao relaxamento e recuperação das várias partes. Assim, a leitura obtida imediatamente
após a variação da entrada pode mudar após o decorrer de alguns instantes.


Figura 2.7 - Ilustrando definições com o manômetro Bourdon.

Faixa de Operação - Faixa entre os valores mínimo e máximo da variável de entrada para a
qual se projetou o instrumento de medida, veja na Fig. 2.7.

Limiar (“threshold”) - Todo instrumento tem um valor mínimo de entrada, abaixo do qual ele
não tem qualquer sinal de saída. Este valor mínimo corresponde ao menor valor mensurável da
entrada, sendo denominado limiar do instrumento, ver na Fig. 2.7 do manômetro Bourdon.

Menor Divisão da Escala - Nos instrumentos de indicação analógica, as leituras em geral
são obtidas a partir da posição de um elemento indicador (ponteiro, coluna de líquido, etc.) em relação
a uma escala. O parâmetro menor divisão da escala corresponde ao valor nominal da variação da
leitura entre dois traços adjacentes da escala, veja Fig. 2.7. Algumas vezes o limite de erro de um
instrumento analógico é fixado como sendo a menor divisão da escala. Mas pode também ser um
critério subjetivo, definido pelo experimentalista. Se a menor divisão da escala do instrumento for
suficientemente grande, você pode achar que o limite de erro pode ser estabelecido em 1/5 da menor

70
divisão da escala, por exemplo. Se a menor divisão da escala for muito pequena, talvez seja
conveniente estabelecer o limite de erro à menor divisão. Via de regra, pode-se estabelecer que bons
instrumentos analógicos têm a escala de tal forma que o limite de erro é igual a 1/2 da menor leitura.
Há que ser cuidadoso com os instrumentos digitais: alguns mostram um número de algarismos
significativos que não é coerente com o fenômeno físico medido ou com a instrumentação adotada.

Incremento Digital - Nos instrumentos de indicação digital, o conceito de divisão da escala
não é mais pertinente e passa-se a falar em incremento digital. Este termo refere-se à variação da
entrada capaz de causar a variarão do último dígito da leitura (observar que esta variação nem
sempre é unitária).

Resolução - Se a entrada do instrumento for aumentada gradualmente a partir de um valor
arbitrário qualquer diferente de zero, mais uma vez a saída do instrumento não variará até que um
certo valor do incremento seja excedido. Define-se então resolução como a menor variação da
entrada que pode ser medida pelo instrumento, veja Fig. 2.7.

Largura de banda (bandwidth) - É a banda (ou faixa) de freqüência na qual pode operar o
instrumento. Um instrumento com largura de banda de 100 Hz mede a variável de interesse com
freqüência de até 100 Hz.

Faixa dinâmica (dynamic range) - É determinada pelos limites superior e inferior de entrada
ou saída que mantêm a medição no nível adequado de precisão.

Legibilidade da Escala - Em um instrumento analógico, a quantificação da saída depende da
leitura por um observador humano, subjetiva até certo ponto, da posição de um ponteiro em uma
escala. Assim sendo, antes de efetuar quaisquer leituras o observador deve decidir até que ponto ele
ou ela consegue quantificar diferentes posições do ponteiro entre duas graduações da escala. A esta
característica do processo de medida, que depende tanto do instrumento quanto do observador, dá-se
o nome de legibilidade da escala.

Repetibilidade - É o desvio máximo do valor da grandeza indicada pelo instrumento, para
uma dada entrada constante, em relação ao valor de referência, em um conjunto de medições. Por
exemplo, "melhor que +/- 0,2%", " < +/- 0,15%.

Calibração e aferição - Teste no qual valores conhecidos da variável medida são aplicados e
os correspondentes valores de saída são gravados. A função de uma calibração é estabelecer uma
escala de saída correta para o sistema de medidas. Há dois tipos de calibração: estática, na qual o
sinal de entrada é constante, e a dinâmica, na qual a entrada é um sinal que varia com o tempo.

71
Apresentados os conceitos próprios dos instrumentos e de seu processo de calibração,
convém agora retornarmos aos conceitos de Precisão e Exatidão, mais especificamente no que se
refere à sua conceituação idiomática e à prática corrente (Fig. 2.8).
1. Exatidão: Qualidade daquilo que é exato, em conformidade com um padrão. Medidas exatas
implicam na inexistência de erros.

2. Precisão: Qualidade do que é preciso, definido claramente. Ou seja, medidas precisas
significam medidas com pouca dispersão. A precisão está, portanto, ligada ao conceito de
repetibilidade e estabilidade de um instrumento, isto é, a precisão está conectada aos erros
aleatórios. Por isso a precisão é também chamada de limite de erro do instrumento.

Na prática, o termo precisão é o mais difundido. Entretanto a combinação de exatidão e
precisão, isto é, um instrumento onde exatidão e precisão são maximizados, é o melhor qualificador
de um instrumento. A tabela seguinte apresenta os conceitos recém-discutidos, que se aplicam a
instrumentos e ao procedimento de medição:

1 Exatidão
2 Precisão
3 Coerência (do instrumento)
4 Erro / incerteza / desvio
5 Sensibilidade estática
6 Linearidade
7 Histerese
8 Faixa de operação
9 Limiar (ou threshold)
10 Menor divisão
11 Incremento digital (do display)
12 Resolução
13 Largura de banda (bandwidth)
14 Faixa dinâmica (dynamic range)
15 Legibilidade (da escala ou display)
16 Repetibilidade
17 Aferição/Calibração
Tabela 2.2 - Conceitos recém-discutidos, que se aplicam a instrumentos e ao procedimento de medição.

Assim sendo, na medida em que exatidão (acurácia) e precisão são, em última instância,
erro e limite de erro, os instrumentos e os processo de medição podem ser qualificados nestes
termos: erro sistemático e erro aleatório. O erro sistemático é resultado do uso de um equipamento

72
não-aferido ou da utilização de técnica de medida não-coerente. Os resultados serão, sempre, valores
medidos com desvios positivos ou negativos em relação ao valor "verdadeiro". Há um erro sistemático
constante, que pode ser eliminado com a aferição do instrumento, mas há, também, um erro
sistemático de natureza determinística. O resultado é que a precisão de um instrumento está
relacionada com estes dois tipos de erros sistemáticos, apesar da confusão semântica. Quando for
inevitável o seu uso, o termo precisão deve estar associado ao erro global do instrumento, isto é, não
somente ao erro aleatório. E erro global é a combinação do erro sistemático com o erro aleatório.
Alguns outros autores trabalham com o conceito de erro variável: a superposição do erro aleatório
convencional mais a parcela determinística do erro sistemático.
Não custa chamar a atenção, mais uma vez, para tal o fato de que medir uma grandeza
implica, na maioria das vezes, em interferir no processo que a gera. Portanto, o próprio processo de
medição altera o valor "verdadeiro" da grandeza. Considere como exemplo, a medição da
temperatura do ar em uma sala condicionada. O instrumento a ser usado será um termômetro, que
todos conhecem. Para medir a temperatura de ar na sala, o termômetro foi colocado no centro da
sala, pendurado no teto. Um intervalo de tempo suficientemente longo foi dado para que entrasse em
regime com o ar insuflado pelo sistema de condicionamento. Há pelo menos quatro opções para a
definição da temperatura “verdadeira”:
T(1): a temperatura indicada pelo termômetro (o valor obtido, isto é, que o instrumentista lê
na escala do termômetro);
T(2): a temperatura do ar condicionado em torno do bulbo do termômetro (o valor
disponível);
T(3): a temperatura que o ar teria caso o termômetro não tivesse perturbado a distribuição
de temperaturas da sala (o valor não- perturbado);
T(4): a temperatura que o ar teria na exata posição do bulbo do termômetro caso a
instrumentação não tivesse perturbado a distribuição de temperaturas e velocidades do ar
insuflado na sala (o valor conceitual).
Dentre estas opções, qual é o valor verdadeiro da temperatura? A lista das possíveis fontes
de erro depende do que se define, estabelece como "valor verdadeiro". Os erros do procedimento de
medida são então classificados em:

1. Erros do Sistema de Medida
Se T(1) for tomada como o valor verdadeiro, somente os erros do sistema de medida são
levados em consideração. Aqui estão incluídos todos os erros fixos e variáveis introduzidos por
cada componente do sistema de medida tais como erro no ganho (fixo), flutuações na fonte de tensão
(aleatório) e oscilações causadas pelas variações de temperatura no instrumento. Estes erros podem
ser estimados experimentalmente através de uma calibração do sistema de medida. Os erros fixos
serão evidenciados por um desvio do valor médio da saída com relação ao valor constante da entrada
enquanto que os erros variáveis serão evidenciados por variações dos valores individuais da saída.

73
Cabe notar que em uma calibração, as medidas devem ser realizadas durante um intervalo de tempo
e em condições ambientes representativas do teste real. Caso contrário, os componentes variáveis
mas determinísticos do erro global não serão sentidos.

2. Erros da Interação Sensor-Meio
Se a temperatura do ar, T(2), for tomada como o valor verdadeiro, esta deve ser determinada
a partir do valor obtido para a temperatura da junção do termopar, T(1). A interação sensor-meio é
normalmente dada por uma equação analítica relacionando o valor obtido ao valor disponível, mas
que envolve parâmetros cujos valores estão sujeitos a erros. Por exemplo, o bulbo do termômetro
troca calor por condução com sua haste, por radiação com as paredes da sala e por convecção com o
ar. Desprezando-se a troca por condução, a interação sensor-meio seria dada pelo seguinte balanço
de energia (calor ganho na troca radiativa entre a parede da sala e o termômetro igual ao calor
perdido pelo termômetro por convecção para o ar ambiente):

( ) ( ) [ ]
h
T T
T T
par t
t ar
4 4

+ =
εσ


onde σ é a constante de Stephan-Boltzmann, ε é a emissividade do sensor; T
t
é a temperatura do
termômetro - o valor obtido T(1); T
par
é a temperatura da parede, T
ar
é a temperatura do ar na posição
do bulbo do termômetro de mercúrio [o valor disponível T(2)] e h é o coeficiente de película ar-bulbo
do termômetro.
Há quatro variáveis nesta equação sujeitas a erros: h, ε, T
par
e T
t
. Portanto, ao se utilizar
esta equação os erros em h, ε e T
par
que não são erros relacionados ao instrumento que mede T
t
,
também afetarão o valor calculado (que se espera "verdadeiro") para T
ar
. Esta equação pode então
ser vista como um pequeno “programa de tratamento de dados” para se calcular T
ar
a partir de T
t
e a
sua incerteza deve ser calculada separadamente.

3. Erros de Perturbação do Meio
Se o valor não perturbado, T(3), for tomado como valor verdadeiro, todas as perturbações no
meio introduzidas pelo sistema de medição devem ser levadas em consideração e a incerteza no seu
cálculo será uma incerteza residual na medida realizada. Como regra geral, os sensores usados
devem ser tão pequenos quanto possível a fim de se minimizar a perturbação e a estimativa desta
deve ser feita por meio de uma equação simples. Ou então a medição deve ser realizada com
instrumento não-intrusivo.
No caso do termômetro que mede a temperatura do ar na sala, a perturbação introduzida
depende de vários fatores. A haste do termômetro comporta-se como uma aleta se há um certo
gradiente de temperatura do ar condicionado. Este é um efeito típico de perturbação do meio: a
presença do termômetro resfriará ou aquecerá (depende do gradiente de temperatura) o ar em torno

74
do bulbo. Admitindo-se, por simplicidade, que não haja outras fontes de erro, a indicação do
termômetro (valor obtido) pode ser admitida igual à temperatura do ar na posição do bulbo (valor
disponível). A temperatura não perturbada do meio nesta mesma posição pode então ser calculada de

φ
φ +
=

− 1
3 1
3 2
T T
T T
onde
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
+ =
t
ar
t
ar
k
hDk
k
hDk
2 2
1 φ .

Na equação acima, há seis variáveis sujeitas a erro (h, D, k
ar
, k
t
, T
ar
e T
2
) e a incerteza
envolvida no uso desta equação deve ser estimada ao se calcular T
3
. A abordagem é análoga àquela
usada no caso dos erros na interação sensor-meio.

4. Erros Conceituais
Se a temperatura de mistura, T(4), for tomada como a temperatura verdadeira no exemplo
acima, os efeitos das distribuições de temperatura e velocidade na seção transversal devem ser
levados em conta por meio da aplicação de correções pertinentes. Mais uma vez, as incertezas
nestas correções devem ser estimadas quando do cálculo do valor verdadeiro, T(4). Como é
evidente, o processo de determinação do valor "verdadeiro" da temperatura do ar torna-se cada vez
mais complexo. Cabe enfatizar que em muitas situações os erros conceituais são muito maiores que
os demais (por exemplo, qual o valor exato de h? E do k
t
? Etc, etc. Assim, pode-se concluir que,
aparentemente, não há limites para as interpretações errôneas que uma pessoa pode dar ao
resultado da medição de uma certa grandeza.

Em muitos casos os experimentalistas não consideram a influência do erro variável (mas
determinístico) na determinação da incerteza de uma certa medida. O motivo é simples: ele é o mais
difícil de ser analisado e processado. No confronto com as diferentes opções para a definição do valor
verdadeiro, deve- se perguntar: “Qual será a utilização final desta medida? Qual é o seu significado
físico nas equações que descrevem o fenômeno em estudo?” O bom experimentalista deve estar
ciente, no entanto, de que os erros da interação sistema-meio, os erros de perturbação do meio e os
erros conceituais são geralmente maiores do que os erros do sistema de medição. Esta afirmação é
válida principalmente para experimentos envolvendo transferência de calor e medidas de temperatura.
Assim, mesmo que todo erro sistemático seja eliminado, seja a parcela constante, por aferição, ou até
mesmo a parcela variável determinística, permanecerão ainda os erros aleatórios, isto é, um segundo
tipo de desvio dos valores medidos em relação ao valor de referência, que resultam das entradas
interferente e modificadora no sistema que é o instrumento. O tratamento dos erros aleatórios é tema
do ítem seguinte.
Concluindo, para se eliminar o erro sistemático as soluções são: (1) a escolha de
instrumento coerente com a medição a ser realizada e (2) sua aferição (e eventual calibração)

75
apropriada. O análise de grandeza de erros aleatórios requer procedimento estatístico, que será
discutido na sequência.

2.2 O Tratamento dos erros aleatórios

Várias abordagens, dependendo da aplicação, podem ser usadas para tratar os erros
aleatórios provenientes de uma medição.
2.2.1 A incerteza estimada de um conjunto de dados
Freqüentemente, ocorre em experimentos que a incerteza seja maior que o limite de erro do
instrumento. Isto se dá, por exemplo, quando a variável que se deseja medir tem um comportamento
intrinsecamente variável. Considere novamente a medição da velocidade de ar com um anemômetro
de fio quente. Há uma natural flutuação da velocidade provocada pelas singularidades do sistema (as
curvas, tês, dampers, etc) e pelo ventilador (digamos +/- 0,5 m/s). O valor da velocidade do ar pode
então oscilar no painel do instrumento em amplitude superior ao limite de erro do mesmo (+/- 0,1 m/s).
A solução é então estabelecer uma incerteza estimada, a metade da maior amplitude de oscilação
do dado experimental, igual a +/- 0,5 m/s, que será mais que duas vezes maior que o limite de erro.
Para se determinar a incerteza de um conjunto de dados experimentais pode-se usar também
alguns conceitos estatísticos. Para encontrar o valor médio de uma grandeza experimental e sua
incerteza deve-se realizar a medição diversas vezes, calcular a média (o valor médio dos dados) e
também o desvio médio e o desvio padrão. A grandeza passa então a ser referida pelo seu valor
médio +/- a incerteza ( p. exemplo, 22,6 +/- 0,2 Volts, ou 10,2 +/- 0,38 s). Isto é, a média é um
indicador pontual, ela é o ponto central em torno do qual a incerteza é estabelecida. Em outras
palavras, a média está cercada pela incerteza, com seus limites inferior e superior.
A Tab. 2.3 mostra o procedimento de cálculo do valor médio e das grandezas que podem
caracterizar a incerteza de "n" medições do tempo X (no caso, n = 4):

Tempo, s µ = (X - <X>), s | µ |, s ( | µ | )
2
, s
2
( | µ | )
2
, s
2

10,3 µ = 0,1 0,1 0,01 0,01
10,7 µ = 0,5 0,5 0,25 0,25
9,9 µ = -0,3 0,3 0,09 0,09
9,9 µ = -0,3 0,3 0,09 0,09
< X > = 10,2 < µ >= 0,0
<∆X> = Σ | µ | / n =
0,3
Σ ( | µ | )
2
/ 4 =
0,11
σ
2
=Σ ( | µ | )
2
/ 3 = 0,15
SD = (0,15)
1/2
= +/- 0,38
< X > representa o valor médio de X, Σ é o somatório do conjunto de n dados medidos.
Tabela 2.3 - Valor médio e desvio padrão de n medições de tempo.

76
A média simples, <X>, é a soma dos quatro termos dividida por 4, obtendo-se 10,2. O desvio
do dado medido em relação ao valor médio, µ, está na coluna 2. O valor médio < µ > é nulo, 0,0, e
não traz qualquer informação adicional. A terceira coluna é o valor absoluto do desvio; seu valor
médio é o que se denomina de desvio médio, <∆X> = 0,3.
Na coluna 4 estão os valores dos quadrados dos desvios médios, ( | µ| )
2
, e seu valor médio.
A coluna 5 reproduz a coluna quatro: se a soma dos quadrados dos desvios médios (Σ | µ | )
2
) é
agora dividida pelo número de amostras menos um (n - 1 = 3), obtém-se a variância, σ. A raiz
quadrada da variância é o desvio padrão, SD. Observe que o desvio padrão é maior que o desvio
médio, SD = 0,38 e < ∆X > = 0,3, mas cada um deles pode ser adotado para caracterizar a variação
dos dados experimentais.

2.2.2 Média, desvio padrão, distribuição Normal
Surgiram então os primeiros conceitos estatísticos: a média aritmética e o desvio padrão. A
média não é eficiente em informar sobre o conjunto dos dados medidos. Pode-se ter dados com
valores muito grandes e pequenos no mesmo conjunto, e também muitos dados com valores
próximos da média. Observa-se, então, que a média é uma medida de localização dos dados
experimentais. Mas, além da localização dos dados, é necessário conhecer como estes dados estão
espalhados. A maior parte é de valores menores que a média? Ou de valores maiores que a média?
Informar sobre o espalhamento dos dados medidos será é o papel da faixa de valores medidos, da
variância, do desvio padrão, das distribuições estatísticas e suas características.
A faixa dos valores medidos (a diferença entre o maior e o menor valor medido) é importante,
evidentemente, para os valores no topo e na base do conjunto de dados. Por exemplo, pode-se
questionar se são representativos frente ao conjunto de dados e ao experimento em questão:
FVM = X
máx
- X
mín

A variância indica a dispersão do conjunto de dados em relação à média. Ela é a média do
quadrado dos desvios: na tab. 2.3, some os valores e divida por 3, o número de dados da amostra
menos 1:
σ σσ σ
2
= ( 0,01 + 0,25 + 0,09 + 0,09) / 3 = 0,15s
A fórmula é então,
σ σσ σ
2
= Σ ΣΣ Σ ( X - < X >)
2
/ (N-1)
Uma informação mais detalhada que a variância sobre quão espalhados estão os dados
experimentais será obtida, entretanto, com o uso do conceito de desvio padrão. O desvio padrão é a
base adequada de interpretação de dados experimentais quando estes apresentam uma distribuição
chamada de "Normal" ou Gaussiana. O desvio padrão é definido como:
SD = (σ σσ σ
2
)
1/2

77
A distribuição Normal é representada por uma família de curvas definidas unicamente por dois
parâmetros, a média e o desvio padrão do conjunto de dados. Uma curva de distribuição dos dados
experimentais é obtida em um gráfico cartesiano tipo (x versus y): no eixo x estão os valores dos
dados medidos; no eixo y, estão as probabilidades de ocorrência dos valores dos dados
experimentais ou o número de ocorrência do valores conjunto de dados. A figura abaixo mostra uma
distribuição Gaussiana. Os valores medidos estão no eixo x; o eixo y indica o número de ocorrências
dos valores medidos. O gráfico foi elaborado inicialmente como um gráfico de colunas.


Figura 2.8 - A PDF de uma distribuição Gaussiana

Note que a Gaussiana é uma curva simétrica com a forma de sino. O "eixo de simetria" da
curva indica a média, < X > = 82. Quão "achatada ou esticada" ou "magra ou gorda" é a Gaussiana,
os valores do desvio padrão vão estabelecer. Deve-se observar que o simples fato da curva ter a
forma de sino não é indicador de distribuição Normal. Entretanto, esta é uma distribuição muito
comum na área de engenharia e deve ser considerada. A ordenada y da Gaussiana, para um certo
valor X é:


Observe na Fig. 2.8 que as linhas tracejadas representam o número de desvios-padrão (SD)
que a curva abriga: estão marcados, de dentro para fora, +/-1 SD, +/- 2 SD e +/- 3 SD. E esta é a
razão do desvio-padrão ser importante se a distribuição dos dados medidos for Normal.

78
• Para +/-1 SD, a curva abriga 68% dos dados experimentais;
• Para +/-2 SD, a curva abriga 95% ,
• Para +/-3 SD, a curva abriga 99,7% dos dados experimentais.
Consequentemente, se a média e o desvio padrão de um conjunto de dados experimentais
são conhecidos, pode-se obter informações úteis com cálculos aritméticos simples. Colocando 1, 2 ou
3 SD acima e abaixo da média, <X>, pode-se obter a faixa de valores que inclui, respectivamente,
68%, 95% e 99,7% dos dados experimentais.

2.2.3 Outras distribuições estatísticas
A distribuição normal tem destaque na engenharia mecânica pois muitas variáveis típicas dos
processos da área apresentam distribuição normal. Entretanto, ela não é a única e outras
distribuições devem ser consideradas. Antes de apresentá-las, convém definir com mais rigor as
distribuições estatísticas em geral, as quais são, via de regra, definidas em termos da PDF, ou
função densidade de probabilidade. Entretanto, há outras funções de probabilidade que podem ser
usadas e convém conhecer algumas.
Para uma função contínua, a função densidade de probabilidade, PDF, é a probabilidade que
a variável tenha o valor X. Desde que para funções contínuas a probabilidade em um certo ponto é
zero, ela é usualmente expressa em termos de uma integral entre dois pontos:



Em uma distribuição discreta, a PDF é a probabilidade que a variável assuma o valor X:



Observe que a Fig. 2.8 mostra uma PDF Gaussiana contínua (a linha tracejada) obtida a partir
de uma distribuição discreta (isto é, não-contínua) dos dados. Observe também que a integral de uma
PDF de menos infinito até um valor X = b indica a probabilidade de que a variável tenha valor igual ou
inferior a b. Este valor é o que se denomina de percentil de uma distribuição.
Uma função distribuição de probabilidade, também conhecida por função de distribuição
cumulativa (CDF), é a probabilidade que a variável assuma valor menor ou igual a X, isto é,



Se a distribuição é contínua,

Se a distribuição é discreta,

79




Figura 2.9 - A CDF de uma distribuição Gaussiana


A Fig. 2.9 exemplifica uma CDF Gaussiana. O eixo horizontal é o domínio dos valores que a
variável X pode assumir. O eixo vertical indica a probabilidade que cada valor de X tem de ocorrer. No
caso ela varia de 0 a 1 (poderia ser de 0 a 100%). Já que essa é uma distribuição normal, observe
que 50% dos valores de X são menores que zero. Observe também que à medida em que o eixo
horizontal vai "varrendo" os valores possíveis de X, a probabilidade obrigatoriamente aumenta até que
100% dos valores estejam contemplados (no caso, quando X varia de -3 até 3).
A função de pontos percentuais, PPF, é a inversa da CDF. Por esta razão a função de pontos
percentuais é muito conhecida como a função de distribuição inversa. Isto é, dada uma certa função
de distribuição, calcula-se a probabilidade que variável seja igual ou maior que um dado valor X. A
Fig. 2.10 é a PPF da função mostrada na Fig. 2.10. Note que o eixo horizontal representa agora a
probabilidade de ocorrência de valores maiores que X. E o eixo vertical, a faixa de valores que X pode
assumir.
Isto posto, vamos conhecer a influência do valor do desvio padrão na forma da distribuição
Normal e algumas outras distribuições estatísticas de uso comum na engenharia: Log-normal e t-
Student.

80

Figura 2.10 - A PPF de uma distribuição Gaussiana


A Fig. 2.11 mostra a PDF de uma função Normal cuja média é 10 e o desvio padrão é 2; na
sequência está uma distribuição Normal com média 10 e desvio padrão 1.


Figura 2.11 - PDF's de funções normais


As duas figuras apresentadas em Fig. 2.12 trazem duas funções estatísticas com distribuição
Log-Normal:




81


Figura 2.12 - Funções Log-Normais


A função Log_Normal é definida por

f (X) = exp{-1/2 [[ln(X)- µ µµ µ ]/s]
2
}/( 2 Pi s
2
X
2
)
1/2



A Fig. 2.13 mostra a distribição t-Student. O nome deve-se a William Gosset, que escreveu
com o pseudônimo Student, em 1908, o trabalho intitulado "The Probable Error of a Mean". Neste
trabalho Gosset especulou sobre a importância de se ver o valor médio de uma amostra de um
experimento como o exemplo do valor médio de uma "população de experimentos realizados sob as
mesmas condições". Esta idéia de uma população de experimentos gerou o que se denomina
atualmente de distribuiçao de médias amostradas. Quando se amostra um experimento as seguintes
observações são válidas:
- à medida em que se aumenta o tamanho da amostra sobre a qual a média é calculada, a
distribuição obtida tende progressivamente a uma distribuição na forma de sino. Isto se deve ao
teorema do limite central, que postula que a distribuição da média tende à normalidade (distribuição
normal) à medida em que o número de amostras cresce;
- a distribuição da médias é centrada em torno da média da população. A razão disto é que o valor
esperado da amostra é o valor médio da população.
A distribuição t-Student é útil quando se deseja especificar a incerteza do valor médio da amostra de
um experimento para um dado intervalo de confiança. Neste caso não se conhece o desvio padrão da
população de dados experimentais, sendo o intervalo de confiança a probabilidade de que a
incerteza a ser obtida inclua a média.
Por exemplo, seja a seguinte amostra de uma população de dados experimentais: 107, 119,
99, 114, 120, 104, 88, 114, 124, 116, 101, 121, 152, 100, 125, 114, 95, 117. A unidade da medida é o
segundo. São n = 18 valores, cuja média (média da amostra) é 112,778 s e o desvio padrão é 14,424.

82
Calcula-se então o que se denomina de erro padrão da amostra (ou sem = standard error of the
mean):
sem = SD / n
1/2
= 14,424 / 18
1/2
= 3,4

e a média da amostra e sua incerteza, para um intervalo de confiança de 97,5%, é obtida de
<X> = 112,78 +/- (t
n-1,1-0.05/2
) 3,4 = 112,78 +/- (2,11)(3,4) = 112,78 +/- 7,17

onde t
n-1,1-α/2
é o (1- α/2) percentil de uma distribuição t-Student (Fig. 2.13) com (n-1) graus de
liberdade (valor obtido em tabela de percentil de distribuição t-Student), sendo α = (1-intervalo de
confiança). Quanto maior o grau de liberdade de uma t-Student, mais ela se aproxima de uma
distribuição normal (isto é, quanto mais o número de pontos amostrados aproxima-se da população
de dados, mais a distribuição t-Student aproxima-se de uma distribuição normal). Uma t-Student com
grau de liberdade baixo tem caudas "gordas". Um extrato de uma t-Table está na tab. 2.4:

n-1 t
0,90
t
0,95
t
0,975
t
0,99

5 1,48 2,02 2,57 3,36
6 1,44 1,94 2,45 3,14
7 1,41 1,89 2,36 3,00
8 1,40 1,86 2,31 2,90
9 1,38 1,83 2,26 2,82
10 1,37 1,81 2,23 2,76
11 1,36 1,80 2,20 2,72
12 1,36 1,78 2,18 2,68
13 1,35 1,77 2,16 2,65
14 1,35 1,76 2,14 2,62
15 1,34 1,75 2,13 2,60
16 1,34 1,75 2,12 2,58
17 1,33 1,74 2,11 2,57
18 1,33 1,73 2,10 2,55


Tabela 2.4 - Extrato de um t-Table Figura 2.13 – Distribuição t-Student.





83
Dentre as distribuições mostradas acima observe que a distribuição Log-Normal não é
simétrica. A não-simetria das PDFs pode ser usada para caracterizá-las e são medidas pelos terceiro
e quarto momentos da população de dados experimentais em relação à médias. Os momentos de
uma população são própria média (primeiro momento), a variância (segundo momento), a
"skewness" (terceiro momento) e pela "kurtosis" (quarto momento).
A skewness é definida por:
µ µµ µ
3
= Σ ΣΣ Σ ( X - <X>)
3
/ N

A Fig. 2.14 mostra a duas distribuições, a primeira com skewness positiva, a segunda com
skewness negativa. Veja que a skewness quantifica a distorção da distribuição em relação à média
(evidentemente, se a distribuição for simétrica, a skewness será nula).


(a) (b)
Figura 2.14 – Distribuições: (a) com skewness positiva; (b) com skewness negativa.

A kurtosis é uma medida do tamanho da "cauda" da distribuição, sendo calculada por
µ µµ µ
4
= Σ ΣΣ Σ ( X - <X>)
4
/ N

A distribuição normal padrão isto é, aquela que tem média igual a zero, <X> = 0, e desvio
padrão igual a SD =1, tem kurtosis µ
4
= 3. Quando uma distribuição tem kurtosis superior a 3 diz-se
que há "excesso de kurtosis". A Fig. 2.15 mostra distribuições com diferentes kurtosis, a da direita,
com pico mais acentuado e cauda mais ampla e "gorda", tem kurtosis, µ
4 direita
> µ
4 esquerda
, maior que
a da esquerda.


(a) (b)
Figura 2.15 – Distribuições com diferentes kurtosis: (a) tem kurtosis menor que (b).


84
2.2.4 A decisão final sobre a incerteza a adotar
Até agora temos quatro conceitos para especificar a incerteza do conjunto dos dados
medidos: a menor leitura do instrumento, o desvio médio, a incerteza estimada e o desvio padrão.
Qual deles adotar no seu experimento? 1) escolha o maior entre os três; 2) Arredonde a incerteza
para 1 ou dois algarítimos significativos; 3) Arredonde a resposta de forma que tenha o mesmo
número de algarismos que a incerteza.

2.2.5 Erros relativo e absoluto
Se o dado medido é X, o erro absoluto é DX. O erro relativo, ou incerteza fracionária, é
(DX/X). O erro percentual ó o erro relativo multiplicado por 100. Cada um deles pode ser utilizado. O
que acontece é que certas áreas de trabalho tradicionalmente optaram por expressar o erro de uma
forma particular. Em eletrônica, por exemplo, é comum dar o erro percentual. Na mecânica, por outro
lado, as dimensões de peças são apresentadas com erros absolutos. Assim, escreva seus o resultado
final do processamento de seus dados como o valor médio mais ou menos o erro absoluto ou relativo.
Escolha a unidade apropriada (m, cm, ou mm, qual seja) de forma a deixar claro a acurácia da
medida. Uma boa possibilidade é adotar a notação científica. E lembre-se de que, se usar o desvio
padrão como o erro escolhido, não tem sentido em escrevê-lo com mais que dois algarismos
significativos, já que é um conceito estatístico.

2.3 Propagação de Erro em Operações de Cálculo

Viu-se anteriormente que qualquer dado experimental, mesmo quando livre de erros
sistemáticos, terá erros aleatórios, isto é, um desvio padrão diferente de zero. A questão apresentada
aquí trata de discutir como estes erros se propagam através de cálculos. Em suma, a propagação de
erro é uma forma de combinar dois ou mais erros aleatórios para obter um terceiro erro. É o que se
denomina de determinação da incerteza padronizada combinada.
Considere que você necessita calcular a quantidade de movimento de um carrinho de controle
remoto. Se quantidade de movimento é o produto da velocidade com a massa, uma forma é medir
vária vezes comprimento, tempo e massa (comprimento e o tempo que o carrinho leva para percorrê-
lo, além de pesá-lo). A quantidade de movimento é QM = M ( L/ t ), e cada um dos dados tem uma
incerteza associada, o que resultará em uma incerteza para QM. Como se propagam a incertezas de
M, L e t na equação acima até chegar a QM? É o tema deste ítem, observando que todas as
equações apresentadas assumem que os erros aleatórios dos dados primários são de natureza
Gaussiana.

85
Vamos então para um novo exemplo, o conhecido cálculo da aceleração da gravidade através
da medida do comprimento e do período de um pêndulo. Sabe-se que o período de oscilação de um
pêndulo relaciona-se com seu comprimento por

Assim,

isto é, para determinar g é necessário medir L e T. Por sua vez, cada uma destas medidas é
suscetível a erros, e como se combinam estes erros no cálculo de g? Vamos olhar um caso mais
geral, onde a variável dependente u é uma função qualquer das duas variáveis independentes x e y,
isto é, u = f(x,y). Seja então

u
i
= <u> + du
i
, x
i
= <x> + dx
i
, y
i
= <y> + dy
i
,

onde o delta, d, é usado para indicar um resíduo. Então,

<u> + du = f (<x> + dx, <y> + dy)

que, se expandido em uma série de Taylor, resulta em



Desde que f (<x>,<y>) = <u>, ele pode ser eliminado de ambos os lados da equação, o que
produz


Esta equação pode ser estendida para incluir quantas variáveis se desejar. Vamos voltar
agora ao exemplo do pêndulo:
T
T
g
L
L
g
g
δ δ δ


+


=

T L
T
L
T
g
δ π δ
π
δ
2
3
2
2
2
4
2 4
|
|
¹
|

\
|
− + =


Observe que o sinal de um resíduo individual não é conhecido, de forma que toma-se sempre
o pior caso, isto é, os resíduos se superpõem com o mesmo sinal. Levando isto em consideração e
rearranjando a equação,

86
T
T
T
L
L
L
T
L
g
δ π δ
π
δ
2 4 4
2
2
2
2
+ =
Dividindo ambos os termos por g,
T
T
L
L
g
g ∂
+

=
2
δ

Esta, então, pode ser uma regra para combinar erros individuais na composição de um erro
total de uma expressão. Note que o termo que na expressão aparece elevado ao quadrado, isto é, o
período T, na composição do erro total é o de maior peso, pois o valor da potência o multiplica. Esta
regra, entretanto, tem uma restrição fundamental, pois considera sempre o pior caso, em outras
palavras, soma os erros individuais na composição do erro total. E a intuição nos diz que dificilmente
todos os erros se comporão aditivamente. Mas como chegar a uma combinação de erros individuais
mais realística? É o que veremos na sequência.
Se n medidas de x e y forem feitas para o cálculo de u, a variância da amostra é dada por



Substituindo o valor de du,



Os resíduos de x e y, no caso, são positivos. Conseqüentemente, também será positivo o
produto dos resíduos, dxdy. Quando n é muito grande, entretanto, haverá tanto produtos de resíduos
com valores positivos quanto negativos, fazendo com que o termo na expressão acima se anule. Isto
é, se x e y forem independentes, as variações de uma das grandezas de entrada não implicarão em
variações da outra, e o somatório se anulará. Pode-se então escrever:

ou


Este resultado, como o anterior, pode ser estendido para contemplar qualquer número de
variáveis, isto é, o erro resultante de uma expressão contendo j variáveis, x
1
, x
2
, x
3
, ..., x
j
, é

87

|
|
¹
|

\
|


=
=
j
i
i
i
j
s
x
u
s
1
2
2
2


A equação anterior é chamada de Teorema de Superposição dos Erros.
Podemos voltar e aplicar agora o Teorema da Superposição dos Erros ao problema do
pêndulo:
s
T
g
s
L
g
s
T L
g
2
2
2
2
2
|
¹
|

\
|


+
|
¹
|

\
|


=


s
T
L
s
T
s
T L g
2
2
2
2
2
3
2
2
2
8 4
|
|
¹
|

\
|

|
|
¹
|

\
|
+ =
π π


T
s
T
L
L
s
T
L
s
T L
g
2
2
2
2
2
2
2
4 4 4
2
2
2
2
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
+ =
π π


Dividindo tudo por g
2
e rearranjando,
|
¹
|

\
|
+
|
¹
|

\
|
=
|
|
¹
|

\
|
T
s
L
sL
g
s
T
g 2
2 2
2


Compare a expressão que deduzimos anteriormente para o erro relativo em g e fica claro que
esta acima produz um erro menor, é menos conservadora que a anterior. Ficamos então com as duas
opções para o cálculo da incerteza na propagação de erro em operações matemáticas, as quais serão
aplicadas a várias operações matemáticas na sequência do texto.
Sejam então x e y duas variáveis cujos valores médios são <x> e <y> e seja z o resultado da
operação matemática de de x e y. Deseja-se obter o valor médio e a incerteza absoluta de z, <z> e
Dz, sabendo-se que Dx e Dy são as incertezas absolutas de x e y.

2.3.1 Adição e subtração, z=x+y e z=x-y
z=<z>+∆z=(<x>+<y>)+(∆x+∆y)

Veja que a perspectiva mais otimista foi considerada, isto é, os valores positivos das
incertezas se somando para dar o mais alto valor de Dz. O mesmo vale para a subtração. Assim, a
regra geral para a soma e a subtração é de que as incertezas absolutas sejam somadas. Caso a
incerteza seja dada como o desvio padrão, SD, some em quadratura (isto é, a raiz quadrada do
quadrado do valor) as incertezas de x e y.

88
∆ ∆∆ ∆z = (∆ ∆∆ ∆x + ∆ ∆∆ ∆y) para erros absolutos, e
∆ ∆∆ ∆z = [(∆ ∆∆ ∆x)
2
+ (∆ ∆∆ ∆y)
2
]
1/2
se o erro for dado como o SD

Exemplo: (1,50 +/- 0,03) + (3,35 +/- 0,08) = 4,85 +/- 0,09 (SD)

2.3.2 Multiplicação e divisão, z=xy e z=x/y
z = <z> + ∆z = (<x> <y>)+ x ∆y + y ∆x + ∆x ∆y = (<x> <y>)+ x ∆y + y ∆x

Há um termo de segunda ordem que pode ser desprezado. Se o erro for dado em termos
percentuais,
∆ ∆∆ ∆z = (∆ ∆∆ ∆x / x) + (∆ ∆∆ ∆y / y)
ou ainda,
∆ ∆∆ ∆z = [(∆ ∆∆ ∆x / x)
2
+ (∆ ∆∆ ∆y / y)
2
]
1/2
se o erro for dado como o SD.

Exemplo: (2,50 +/- 0,03) * (6,75 +/- 0,08) = 9,25 +/- 0,02 (SD)

A mesma regra se aplica à divisão e à combinação de multiplicação e divisão em uma expressão
matemática mais complexa.

2.3.3 Potência, z=x
n

∆ ∆∆ ∆z = n ∆ ∆∆ ∆x se o erro é absoluto,
∆ ∆∆ ∆z = n (∆ ∆∆ ∆x / x) se o erro é relativo, e
∆ ∆∆ ∆z = [(n ∆ ∆∆ ∆x / x)
2
]
1/2
se o erro for dado como o SD.

Exemplo: (2,50 +/- 0,03)
2
= 6,25 +/- 0,06 (valor absoluto)

2.3.4 Produto de potências, z = x
m
x
n

∆ ∆∆ ∆z = m ∆ ∆∆ ∆x + n ∆ ∆∆ ∆y se o erro é absoluto,
∆ ∆∆ ∆z = [m (∆ ∆∆ ∆x / x) + n (∆ ∆∆ ∆y / y)] se o erro é relativo, e
∆ ∆∆ ∆z = [(m ∆ ∆∆ ∆x / x)
2
+ (n ∆ ∆∆ ∆y / y)
2
]
1/2
se o erro for dado como o SD.

Exemplo: (2,50 +/- 0,03)
2
+ (4,0 +/- 0,2)
3
= 70,25 +/- 0,15 (SD)


89
2.3.5 2.3.5 Funções simples, como z = sen(x)
A abordagem mais simples deve ser adotada, encontrando o valor máximo ou mínimo que a
função pode ter e fazendo a diferença do valor médio:

∆ ∆∆ ∆z = ∆ ∆∆ ∆sen(x) = | sen (x + ∆ ∆∆ ∆x) - sen(x) | se o erro é absoluto,
∆ ∆∆ ∆z = | sen (x + ∆ ∆∆ ∆x) - sen(x)] / sen(x) | se o erro é relativo.

Exemplo: sen(30 +/- 3) = 0,5 +/- = | sen(27)-sen(30) | / sen(30) = 0,5 +/- 9,2%
cos(60 +/- 3) = 0,5 +/- | cos(63)-cos(60) | / cos(60) = 0,5 +/- 9,2%

2.3.6 Funções complexas, como z = f(x, y, w, ...)
O método geral é usar a derivada total da função. Assim, se z é uma função x, y, w, ..., as
quais são variáveis independentes, a derivada total de z é


e os erros

se o erro é absoluto,

se o erro for dado como o SD.

Exemplo: z = x cos(t), para x = 2,0 +/- 0,2 cm e t = 530 +/- 20 = 0,925 +/- 0,0035 rad.

O valor médio de z é z = 2 cm cos(530) = 1,204. A incerteza em termos do desvio padrão: ∆s =
{[cos(t) ∆x]2+[- x sen(t) ∆t]
2
}
1/2
= 0,120 cm. Assim, z = 1,204 +/- 0,120 cm.

2.4 Arredondamento Numérico

Na realização de cálculos numéricos com dados experimentais deparamo-nos
frequentemente com questões acerca de quantos algarismos significativos usar e do arredondamento
do valor de várias grandezas. Estes procedimentos serão agora revistos.
Um algarismo significativo é qualquer um dos dígitos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9. O número zero é
também um algarismo significativo exceto quando for usado para precisar número de casas decimais
ou para ocupar o lugar de dígitos desconhecidos ou desprezados. Assim, no número 0,000532 os

90
algarismos significativos são 5, 3 e 2, enquanto que no número 2076 todos os algarismos são
significativos, incluindo o zero. Em um número como 2300 os zeros podem ser significativos ou não. A
fim de evitar dúvidas, este número é reescrito como 2,3x103 se houver apenas dois algarismos
significativos, 2,30x103 se houver três e 2,300x103 se houver quatro.
Ao realizar cálculos as quantidades podem ter diferentes números de algarismos
significativos. Por exemplo, na multiplicação 4,62 x 0,317856 o primeiro número possui três
algarismos significativos enquanto que o segundo possui seis. Pode-se mostrar que o produto de
ambos terá apenas três algarismos significativos. Portanto, o número de seis algarismos deve ser
arredondado antes da multiplicação para se evitar um trabalho desnecessário. Uma regra de
arredondamento largamente usada é a seguinte:
A fim de se arredondar um número para n algarismos significativos, despreze todos os
algarismos à direita da n-ésima casa. Se a porção desprezada for menor do que a metade da
unidade na n-ésima casa, mantenha o n-ésimo dígito inalterado. Se a porção desprezada for
maior do que a metade da unidade na n-ésima casa, acrescente 1 ao n-ésimo dígito. Se a
porção desprezada for exatamente a metade da unidade na n-ésima casa, mantenha o n-ésimo
dígito inalterado caso seja um número par ou acrescente 1 caso seja um número ímpar.
A seguir são dadas as regras de arredondamento para as várias operações matemáticas.

Adição: Nos números mais exatos, mantenha uma casa decimal a mais do que o
correspondente ao número menos exato. (Os números mais exatos são aqueles com o maior número
de algarismos significativos). Arredonde então o resultado da soma para o mesmo número de casas
decimais que o número menos exato. Por exemplo,

+ 2,635 + 2,64
0,9 0,9
1,52 1,52
0,7345 0,73
5,79 5,8

Subtração: Arredonde o número mais exato para o mesmo número de casas decimais que o
número menos exato. Dê o resultado com o mesmo número de casas decimais que o número menos
exato. Por exemplo,

- 7,6345 - 7,634
0,031 0,031
7,603 7,603

Multiplicação e Divisão: Arredonde os números mais exatos para um algarismo significativo
a mais do que o número menos exato. Arredonde então o resultado para o mesmo número de
algarismos significativos que o número menos exato. Por exemplo,
(1,2 x 6,335 x 0,0072) / 3,14159 --» (1,2 x 6,34 x 0,0072) / 3,14 = 0,0174 --» 0,017

91
Raiz n-ésima: Mantenha o mesmo número de algarismos significativos que no radicando.

a
b
Log : Mantenha o mesmo número de significativos que na base

2.5 Exemplos
2.5.1 Escolha de um Método de Medida
Um resistor tem um valor nominal de 10W ± 1%. Ele é submetido a uma diferença de
voltagem e a potência dissipada pode ser calculada de duas maneiras diferentes: (1) de P = E
2
/R; (2)
de P=EI, sendo E a diferença de potencial, R a resistência e I a corrente. Deseja-se saber qual é o
método mais preciso para a determinação da potência sabendo-se que
E = 100 V ± 1% (em ambos os casos)
I = 10 A ± 1%
Solução : Pelo primeiro método, somente a medida da voltagem é necessária, enquanto que
o segundo método requer a medida da voltagem e da corrente. O método mais preciso é aquele cuja
incerteza em P for menor. Assim, seja o cálculo da incerteza no primeiro método. A equação para P
pode ser rescrita
P = E
2
/R = E
2
R
-1

e a incerteza é
2
2 2

|
¹
|

\
| ∆
+ |
¹
|

\
| ∆
=

R
R
b
E
E
a
P
P

∆P/P = [ (2 x 0,01)
2
+ (-1 x 0,01)
2
]
1/2
= 0,02236 ou 2,236 %
A potência no segundo método é
P = EI
e a incerteza,
2
2 2

|
¹
|

\
| ∆
+ |
¹
|

\
| ∆
=

I
I
c
E
E
a
P
P

∆P/P = [ (1 x 0,01)
2
+ (1 x 0,01)
2
]
1/2
= 0,01414 ou 1,414 %
Observamos então que o segundo método, mesmo envolvendo a realização de duas medidas
experimentais, permite chegar-se a uma incerteza bastante menor no resultado para a potência.
Todavia, se a incerteza no valor do resistor fosse mais baixa, este quadro poderia se inverter.


92
2.5.2 Seleção de Instrumentos
A medida de potência do exemplo anterior deverá ser realizada agora medindo-se a voltagem
e a corrente com um voltímetro. O voltímetro tem uma resistência interna R
m
e o valor do resistor, R,
é conhecido apenas de maneira aproximada. Calcule o valor da potência dissipada em R e a
incerteza a ele associada nas seguintes condições:
R = 100 W (conhecido apenas aproximadamente)
R
m
= 1000 W ± 5 %
I = 5A ± 1 %
E = 500V ± 1 %
Solução: Um balanço de corrente no circuito fornece
I
1
+ I
2
= I, ou (E/R) + (E/R
m
) =I
Assim,
I
1
= I - I
2
= I - (E/R
m
)
A potência no resistor
P = E I
1
= E I - (E
2
/R
m
)
Portanto, o valor nominal da potência dissipada é
P = 500 x 5 - 500
2
/1000 = 2250W
A fim de calcularmos a incerteza em P, sabemos que P=f (E, I, R
m
) e temos as seguintes derivadas:

e a incerteza na potência é então
2 1
2
2 2
/

|
|
¹
|

\
|



+ |
¹
|

\
|



+ |
¹
|

\
|



= ∆
m
m
R
R
P
I
I
P
E
E
P
P

2 1
2
2
2
2 2 2
2
2
1
/

|
|
¹
|

\
|
+ ∆ + ∆
|
|
¹
|

\
|
− = ∆
m
m R
E
I E E
R
E
P
( ) ( ) ( )
2 1
2
2
2
2
2 2 2
2
05 0 1000
1000
500
01 0 5 500 01 0 500
1000
500 2
5
/
, , ,

×
|
|
¹
|

\
|
+ × + × |
¹
|

\
| ×
− = ∆P

∆P = [400 + 625 + 156,25]
1/2
= 34,4 Watts ou
∆P/P = 34,4/2250 = 0,0153 Watts ou 1,53%
Observe que:
1. A incerteza no resultado para a potência é causada, em ordem decrescente de importância,
pelos seguintes fatores: incerteza na medida da corrente, incerteza na medida da voltagem e
incerteza no valor da resistência interna do voltímetro.

93
2. Se o multímetro tivesse uma impedância baixa comparada à resistência R, a incerteza em R
m
seria o fator dominante na incerteza em P. Por outro lado, para um multímetro com uma
impedância muita alta, a contribuição desta para a incerteza em P seria muito pequena mesmo
que a incerteza em R
m
fosse alta. Concluímos então que, ao selecionarmos um multímetro para
uma dada medida, devemos fazê-lo de modo que a razão R
m
/R seja a mais alta possível.

2.5.3 Medida da potência em um eixo rotativo
Em um experimento a medida da potência média transmitida por um eixo rotativo é realizada
por um dinamômetro de balança. A fórmula para o cálculo da potência é
P = 2(πR/t) F L [Watts]
onde R ≡ rotações do eixo durante o intervalo de tempo t
F ≡ força na extremidade da alavanca de torque [N]
L ≡ comprimento da alavanca de torque [m]
t ≡ tempo de amostragem [s]

O contador de rotação é ligado ou desligado por meio de um interruptor e estes instantes são
registrados por um cronômetro. Admitindo-se que o contador não deixe de marcar nenhuma
revolução, o máximo erro em R é ±1, dada a natureza digital deste dispositivo. Há, entretanto, um erro
associado à determinação do tempo t, já que um sincronismo perfeito entre o disparo e a parada do
cronômetro e o contador de revoluções não é possível. Seja então a incerteza na medida de t de ±
0,50s. A escala usada para a medida do comprimento L pode ser estatisticamente calibrada ou
calibrada apenas segundo um procedimento relativamente grosseiro. Suponhamos que encontremo-
nos nesta última situação e que decidimos então que a incerteza em L seja ± 0,13cm.
Com relação à medida da força F, suponhamos que o dinamômetro tenha sido calibrado com
pesos mortos de modo que a incerteza na medida seja ± 0,178N. Mais uma vez, porém, a situação
não é tão simples quanto parece. Ao ser realmente usado, o dinamômetro estará sujeito à vibração, o
que pode reduzir o efeito do atrito e aumentar a precisão. Por outro lado, o ponteiro na escala não
permanecerá completamente imóvel e o observador deverá decidir acerca de uma leitura média, o
que introduzirá um certo erro. Estes efeitos são claramente de difícil quantificação e devemos então
tomar uma decisão baseada parcialmente em experiência e julgamento. Admitindo-se um tanto
arbitrariamente que estes efeitos se cancelem mutuamente, tomamos ± 0,178N como a incerteza na
medida da força.
Para um dado teste, temos:
R = 1202 ± 1,0 revolução L = 39,7 ± 0,13 cm
F = 45,0 ± 0,18 N
t = 60,0 ± 0,50 seg

94
onde todas as incertezas foram expressas com dois algarismos significativos. Seja agora o cálculo
das derivadas parciais:


expressas com três algarismos significativos. Utilizando a Eq. (2.4), calculamos w
R
e o expressamos
com dois algarismos significativos.

DR =[ (50,0x0,18)
2
+ (1,87x1,0)
2
+ (5,66x103x0,0013)
2
+ (-37,5x0,50)
2
]
1/2

DR = [ 81,0 + 3,5 + 54,1 + 351,6 ]1/2 = 22 W
Calculemos agora o valor nominal da potência:
W
t
RFL
P 7 2248
0 60
7 39 0 45 2 1202
100
2
2 ,
,
) , )( , )( , (
= = =
π
π
que arrendondamos para P = 2249 W. O resultado do experimento é então expresso como
P = 2249 ± 22W ou 2249 ± 1,0 %
Deve-se notar que o erro na medida do tempo é responsável pela maior parcela do erro
total, seguido pelo erro na medida da força, do comprimento e das revoluções. A parcela
correspondente a esta última é, percebe-se, desprezível. Finalmente, suponhamos que seja
necessário medir-se a potência com 0,5 % de precisão. Desejamos então determinar a precisão
necessária nas medidas primárias. Temos
DR = 0,005 x 2249 = 11,2 W ou DR = 11 W e

95

Se, por exemplo, o melhor instrumento disponível para a medida da força tiver uma precisão
de apenas 0,2 N ao invés de 0,11 N, isto não significa que necessariamente a medida da potência
não poderá ser feita com 0,5 % de precisão. Significa sim que uma ou mais das outras grandezas __
R, L e t__ deve ser medida com mais precisão do que o estipulado acima de maneira a compensar a
imprecisão excessiva na medida de F.


96

3 Medição de temperatura


Medir a temperatura corretamente é muito importante em todos os ramos da ciência, seja a
física, a química, a biologia, etc. Muitas propriedades físicas dos materiais dependem da sua
temperatura. Por exemplo, a fase do material, se ele é sólido, líquido ou gasoso, tem relação com sua
temperatura. Outras propriedades como a densidade, a solubilidade, a pressão de vapor, a
condutividade elétrica, entre várias, dependem da temperatura. A temperatura do corpo humano,
mantido constante em torno de 37ºC, regula inúmeros processos biológicos e químicos.
A temperatura revela a noção comum do que é quente ou frio. O material ou substância que
está à temperatura superior é dito o “material quente”, o mais quente, etc. No nível macroscópico, a
temperatura está associada ao movimento aleatório dos átomos da substância que compõem o
sistema. Quanto mais quente o sistema, maior é a freqüência de vibração dos átomos. A temperatura
é uma propriedade intensiva de um sistema, assim dita por não depender da massa do sistema (a
propriedade extensiva do sistema é aquela que depende da massa). Assim, temperatura, pressão,
densidade, viscosidade são propriedades intensivas. A própria massa, o volume, a energia cinética, a
quantidade de movimento de um sistema são propriedades extensivas.
A temperatura é a propriedade que governa o processo de transferência de calor (energia
térmica) para e de um sistema. Dois sistemas estão em equilíbrio térmico quando suas temperaturas
são iguais, isto é, calor não flui entre eles. Havendo uma diferença de temperatura, o calor fluirá do
sistema mais quente para o mais frio, até que se restabeleça o equilíbrio térmico, por meio de
processos de condução e/ou convecção e/ou radiação. Assim, a temperatura está relacionada com a
quantidade de energia térmica de um sistema. Quando mais se adiciona calor a um sistema, mais
sobe sua temperatura; de forma similar, uma diminuição da temperatura de um sistema implica em
que ele está perdendo energia térmica. Por exemplo, a temperatura controla o tipo e quantidade de
energia térmica que é emitida por radiação de uma superfície. Uma superfície metálica negra a baixa
temperatura, à temperatura do corpo humano, por exemplo, emite uma quantidade pequena de
radiação infravermelha. À medida que a temperatura do material aumenta, sua superfície emite
quantidades maiores de energia térmica em uma “banda de freqüência” superior (radiação visível, por
exemplo, o metal fica alaranjado, depois amarelo, etc): maior a freqüência, menor o comprimento de
onda. Este mesmo fenômeno pode ser observado na chama do fogão. Regiões amarelas, de mais
baixa temperatura, regiões quentes, azuladas, de temperatura superior.



97
3.1 Unidades de Temperatura

Há dois sistemas de unidades em que escalas de temperatura são especificadas. No Sistema
Internacional de Unidades, SI, a unidade básica de temperatura é o grau Kelvin (K). O grau Kelvin é
formalmente definido como sendo (1/273,16) da temperatura do ponto triplo da água, isto é, a
temperatura na qual a água pode estar, em equilíbrio, nos estados sólido, líquido e gasoso. A
temperatura de 0 K é chamada de zero absoluto, correspondendo ao ponto no qual moléculas e
átomos têm o mínimo de energia térmica. Nas aplicações correntes do dia-a-dia usa-se a escala
Celsius, na qual o 0 oC é a temperatura de congelamento da água e o 100 oC é a temperatura de
ebulição da água à pressão atmosférica ao nível do mar. Em ambas as escalas a diferença de
temperatura é a mesma, isto é, a diferença de temperatura de 1 K é igual à diferença de temperatura
de 1 oC, a referência é que muda. A escala Kelvin foi formalizada em 1954.
A escala Celsius foi chamada, originalmente, de escala centígrada ou centesimal, dada a
graduação centesimal, 1/100. Em 1948 o nome oficial foi estabelecido pela 9a Conferência Geral de
Pesos e Medidas (CR64). Esta conferência é uma das três organizações responsáveis pela
regulamentação do Sistema Internacional de Unidades, SI, sob os termos da Convenção Métrica de
1875. A última reunião da Conferência aconteceu em 2002.
A escala Celsius foi nomeada após Anders Celsius, famoso cientista sueco. Astrônomo, ele
estudou também meteorologia e geografia, ciências que não são inseridas na astronomia de hoje. A
partir de suas observações metereológicas ele construiu o termômetro de Celsius e estabeleceu as
bases da escala Celsius de temperatura. É interessante observar que a escala do famoso termômetro
Celsius era invertida com relação ao de hoje: 0 oC era o ponto de ebulição da água e 100 oC era o
ponto de congelamento da água. Somente depois de sua morte, em 1744, a escala foi invertida para
sua presente forma.
Algumas datas históricas da termometria são:
170 DC – Galeno propôs um padrão de medição de temperatura, a temperatura que resulta
da mistura de quantidades iguais de água em ebulição e gelo.
1592 - Galileu Galilei inventou o primeiro instrumento de medição de temperatura, um
dispositivo de vidro contendo líquido e ar, o chamado barotermoscópio. A medida era influenciada
pela pressão.
1624 - A palavra “termômetro” apareceu pela primeira vez em um livro intitulado “La
Récréation Mathématique” de J. Leurechon, mas a termometria ainda estava longe de chegar a um
consenso a respeito da medida desta nova grandeza.
1665 - Christian Huygens, cientista holandês, declarava em 1665: “Seria conveniente dispor-
se de um padrão universal e preciso de frio e calor ...”. Neste mesmo ano, Robert Boyle (cientista
irlandês) declarava: “Necessitamos urgentemente de um padrão ... não simplesmente as várias
diferenças desta quantidade (temperatura) não possuem nomes ... e os termômetros são tão variáveis

98
que parece impossível medir-se a intensidade do calor ou frio como fazemos com tempo, distância,
peso ... ”.
1694 - Carlo Renaldini, sucessor de Galileo em Pádua, sugeriu utilizar-se o ponto de fusão do
gelo e o ponto de ebulição da água como dois pontos fixos em uma escala termométrica, dividindo-se
o espaço entre eles em 12 partes iguais. A sugestão de Renaldini foi desprezada e esquecida.
1701 - Isaac Newton definiu uma escala de temperatura baseada em duas referências, que
foram determinadas pelo banho de gelo fundente (zero graus) e a axila de um homem saudável (12
graus). Nesta escala a água ferve a 34 graus.
1706 - Gabriel Fahrenheit trabalhou com o mercúrio como líquido manométrico. Ele notou que
sua expansão era grande e uniforme, ele não aderia ao vidro, permanecia líquido em uma faixa
grande de temperaturas e sua cor prata facilitava a leitura. Para calibrar o termômetro de mercúrio
Fahrenheit definiu 3 pontos: um banho de gelo e sal (32 oF) - o mais frio reprodutível, a axila de um
homem saudável (96 oF) e água ebulindo - o mais quente reprodutível (212 oF). Redefiniu a escala de
Newton como múltiplos de 12 --> 12, 24, 48 e 96.
1742 - Anders Celsius propôs uma escala entre zero e 100, correspondendo ao ponto de
ebulição da água e fusão do gelo, respectivamente.



Figura 3.1 – (a) Anders Celsius. (b) Termômetro Celsius

Então, no período em que Celsius viveu já haviam vários termômetros sendo usados, e já era
corrente que uma escala de temperatura deveria ser baseada em temperaturas padrão, chamadas de
pontos fixos. Em um trabalho científico denominado de "Observations of two persistent degrees on a
thermometer" ele relatou sobre experimentos que verificaram que a temperatura de congelamento da
água independia da latitude e, conseqüentemente, da pressão barométrica. Ele verificou também a
dependência da temperatura da ebulição da água com a pressão atmosférica, propondo então estes
dois pontos fixos para a construção de uma escala de temperatura.


99
1780 - o físico francês Charles mostrou que todos os gases apresentam aumentos de volume
iguais correspondentes ao mesmo incremento de temperatura, o que possibilitou o desenvolvimento
dos termômetros de gases.
Séc. XIX - na primeira metade do século XIX foi desenvolvido um termômetro baseado nos
trabalhos de Boyle, Mariotte, Charles, Gay-Lussac, Clapeyron e Regnault. O princípio de medida era a
expansão do ar. O assim chamado termômetro a ar foi logo reconhecido como o instrumento menos
vulnerável a variações não controladas ou desconhecidas e foi aceito largamente como padrão de
comparação para todos os tipos de termômetros.
1887 - Chappuis estudou termômetros de hidrogênio, nitrogênio e gás carbônico, o que
resultou na adoção de uma escala entre os pontos fixos de fusão (0 °C) e ebulição (100 °C) da água,
chamada de Escala Prática Internacional de Temperatura pelo Comité International de Poids e
Mesures.
A Escala Internacional de Temperatura de 1990 é a mais recente, adotada após a convenção
do 1989 da Conferência Geral de Pesos e Medidas. Esta escala de 1990 supera a Escala Prática
Internacional de Temperatura de 1968 (IPTS 1968). Como as escalas de temperaturas mais antigas
geralmente tinham o ponto de congelamento da água (273,15 K) como referência, a relação entre as
temperaturas nas escalas Kelvin e Celsius é:

t
90
/ ºC = T
90
/ K – 273,15

sendo t
90
/
o
C e t
90
/ K as temperaturas em graus Celsius e Kelvin, respectivamente, de acordo com a
ITS 90.
As escalas modernas de temperatura são baseadas em vários pontos fixos, que estabelecem
faixas de temperatura. As temperaturas intermediárias entre os pontos fixos são obtidas com
instrumentos (termômetros) específicos. Os pontos fixos definidos pela ITS 90 são apresentados na
Tab. 3.1. Para definição completa dos termos veja "Supplementary Information for the ITS-90". V:
ponto de pressão de vapor; T: ponto triplo; G: ponto de termômetro de gás; M, F: ponto de fusão,
ponto de solidificação (temperatura, à pressão de 101 325 Pa, na qual as fases sólido e líquido estão
em equilíbrio)
Nos países de língua inglesa, e predominantemente nos USA, as escalas Rankine e
Fahrenheit são ainda muito usadas. Na escala Rankine, da mesma forma que na escala Kelvin, o zero
é o zero absoluto. Ainda, da mesma forma que a escala Celsius em relação à Kelvin, a escala
Fahrenheit é a comumente usada no dia-a-dia, ao invés da Rankine. E também a diferença de
temperatura de 1oR é igual à diferença de temperatura de 1oF.
A conversão entre graus Celsius e Fahrenheit é obtida:
°C = 5/9 x (°F - 32).



100
Temperatura
Número T
90
/ K t
90
/ ºC Substância
a
Estado
b

1 3 to 5
-270.15
to -268.15
He V
2 13.8033 -259.3467 e-H
2
T
3 ~17 ~-256.15
e-H
2

(or He)
V
(or G)
4 ~20.3 ~-252.85
e-H
2

(or He)
V
(or G)
5 24.5561 -248.5939 Ne T
6 54.3584 -218.7916 O
2
T
7 83.8058 -189.3442 Ar T
8 234.3156 -38.8344 Hg T
9 273.16 0.01 H
2
O T
10 302.9146 29.7646 Ga M
11 429.7485 156.5985 In F
12 505.078 231.928 Sn F
13 692.677 419.527 Zn F
14 933.473 660.323 Al F
15 1234.93 961.78 Ag F
16 1337.33 1064.18 Au F
17 1357.77 1084.62 Cu F
Tabela 3.1 - Pontos Fixos da ITS 90 (Michalski et al, 1991)

A Lei Zero da Termodinâmica e a Definição de Temperatura
O conceito de temperatura é bastante intuitivo, na medida em que está associado a um
sentido humano. Entretanto, sua definição formal não é simples e está assentada na Termodinâmica.
Uma definição de temperatura advém da Lei Zero da Termodinâmica, que trata do equilíbrio térmico
entre sistemas (na Termodinâmica também chamados de sistemas fechados, isto é, uma quantidade
definida de matéria): “Se dois sistemas A e B estão em equilíbrio térmico, e se um terceiro sistema C
está em equilíbrio térmico com B, então A e C estão em equilíbrio térmico”. É o que se denomina de
relação transitiva na matemática: A está relacionado com B; B está relacionado com C; então A está
relacionado com C. Note que esta é uma observação empírica: se A, B e C estão em equilíbrio
térmico, então há uma relação transitiva entre eles, há propriedade comum entre eles. E esta
propriedade é chamada de temperatura. Assim, esta é a definição termodinâmica de temperatura: a
propriedade comum a sistemas térmicos em equilíbrio.
Visto que nem sempre é conveniente ou possível estabelecer o equilíbrio térmico entre
sistemas para inferir a temperatura, é necessário estabelecer escalas de temperatura baseadas nas

101
propriedades de alguns sistemas de referência (ou substâncias), como vimos anteriormente. Assim,
um instrumento de medida pode ser calibrado a partir dos pontos fixos. Por exemplo, um sistema de
referência pode ser uma quantidade fixa de um gás ideal (perfeito). Sabe-se que a Lei do Gás Perfeito
estabelece uma relação entre pressão, volume e temperatura do gás:
p v = m R T
sendo T a temperatura, m o número de moles do gás, R a constante do gás, p a pressão e v o
volume. A Equação do Gás Perfeito determina que, para um volume fixo de gás, a pressão aumenta
com a temperatura. A pressão nada mais é que uma medida da força exercida pelo gás sobre as
paredes do recipiente que o contém, e está associada à energia térmica deste sistema. Assim, um
aumento de temperatura implica em um aumento da pressão e,conseqüentemente, da energia
térmica do sistema. Como conseqüência, pode-se definir uma escala de temperatura baseada na
relação existente entre a pressão e o volume de um certo gás. O instrumento que realiza esta medida
não é muito prático, mas é preciso o suficiente para que outros instrumentos possam ser aferidos e
calibrados tendo-o como referência.
As várias fórmulas de conversão de temperatura entre as escalas Kelvin, Celsius, Rankine e
Fahrenheit estão na Tab. 3.2.




















Tabela 3.2 - Escalas Kelvin e Celsius (SI) para Escalas Farenheit e Rankine (Inglês).

Conversion from To Formula
Celsius Fahrenheit °F = °C × 1.8 + 32
Celsius Kelvin K = C°+ 273.15
Celsius Rankine °Ra = °C × 1.8 + 32 + 459.67
Kelvin Celsius °C = K - 273.15
Kelvin Fahrenheit °F = K × 1.8 - 459.67
Kelvin Rankine °Ra = K × 1.8
Fahrenheit Celsius °C = (°F - 32) / 1.8
Fahrenheit Kelvin K = (°F + 459.67) / 1.8
Fahrenheit Rankine °Ra = °F + 459.67
Rankine Celsius °C = (°Ra - 32 - 459.67) / 1.8
Rankine Fahrenheit °F = °Ra - 459.67
Rankine Kelvin K = °Ra / 1.8

102
3.1.1 A Segunda Lei da Termodinâmica e a Definição de Temperatura
A Segunda Lei da Termodinâmica também pode ser usada para definir a temperatura. Ela
estabelece o conceito de entropia. A entropia, em poucas palavras, mede a desordem de um sistema.
Diz-se que, à medida que dissipa-se energia de forma irreversível, aumenta-se a entropia do
Universo, e então sua desordem. A Termodinâmica, especialmente sua Segunda Lei, vai mostrar isso:
“qualquer processo implicará ou em nenhuma mudança da entropia do universo ou no aumento da
entropia do universo”. Como todos os processos naturais são irreversíveis, o que sempre resulta é o
aumento da desordem do universo. Processos idealizados, reversíveis, mantêm a entropia do
universo constante.
O Demônio de Maxwell (James C. Maxwell) é uma besta imaginária que o cientista criou para
contradizer a Segunda Lei da Termodinâmica. A besta é a criatura que operacionaliza o processo de
separação de moléculas em um recipiente. Considere um recipiente cheio de gás. Este recipiente tem
uma divisória interna que está, inicialmente, aberta há um longo tempo. Assim, é muito grande a
probabilidade de que ambas as partições do recipiente tenham a mesma quantidade de moléculas. O
gás está a uma certa temperatura e, conseqüentemente, há uma certa velocidade média das
moléculas que está correlacionada com ela. Há moléculas com velocidade acima da média, e
moléculas com velocidade abaixo da média. Em certo momento a besta de Maxwell se posiciona junto
à divisória, que tem uma porta bem leve, de acionamento muito fácil. Ela é esperta o suficiente para
fechar a divisória e só abrí-la quando uma molécula mais rápida, vinda do lado esquerdo, possa
passar para o direito. E também quando uma molécula mais lenta, no lado direito, possa passar para
o esquerdo. Assim, depois de um longo tempo a besta separou as moléculas que têm velocidade
superior à média para o lado direito do recipiente, e as moléculas que têm velocidade abaixo da
média, para o lado esquerdo do recipiente. Bingo! O lado direito está mais quente que o esquerdo. E
a besta, que não é tão besta assim, pode usar os recipientes como fonte e sorvedouro de calor de
uma máquina térmica e gerar trabalho. Depois repete a operação e gera mais trabalho, a mesma
quantidade de trabalho. E depois e depois e depois. Está criado o moto perpétuo de segunda espécie
(isto é, uma máquina na qual a energia nunca se dissipa em calor não aproveitável), que viola a
Segunda Lei da Termodinâmica.
Seja a Besta de Maxwell on-line em
http://cougar.slvhs.slv.k12.ca.us/~pboomer/physicslectures/maxwell.html.

Neste ponto em que já se estabeleceu que a temperatura controla o fluxo de calor entre dois
sistemas e que sabe-se que o universo tende sempre a aumentar sua desordem (a menos que uma
Besta manipule processos inteligentemente), é hora de apresentar o arcabouço teórico da Segunda
Lei da Termodinâmica, isto é, estabelecer a relação entre entropia e temperatura. Isto é feito partindo-
se da relação existente entre calor, trabalho e temperatura, que resulta da aplicação da 1ª Lei da
Termodinâmica a um processo cíclico (não é necessário que o ciclo se repita muitas vezes, basta que
o processo possa retornar uma vez ao seu estado inicial) e da definição da eficiência de Carnot.

103
Uma máquina térmica é um mecanismo que converte calor em energia mecânica. Se uma máquina
térmica opera em um ciclo reversível, o trabalho realizado é a diferença entre o calor transferido para
o sistema e o calor rejeitado pelo sistema, (Q
q
-Q
f
), o sub-índice q indicando a quantidade de calor
transferida de um reservatório quente, e f indicando a quantidade de calor transferida para um
reservatório frio (se o processo é reversível, seu estado final é igual ao inicial e a variação da energia
interna é nula). A eficiência de uma máquina térmica reversível que opera segundo o ciclo de Carnot é
a diferença (Q
q
-Q
f
) dividida pelo calor transferido:

Q
Q
Q
Q Q
Q
W
q
f
q
f q
q
− =

= = 1 η

onde W é o trabalho realizado. Assim, a eficiência de Carnot, η, depende somente da razão Qf/Qq.
Por outro lado, esta razão é uma função das temperaturas do reservatório quente e do reservatório
frio,

) , (
T T
f
Q
Q
f q
q
f
= .

O teorema de Carnot estabelece que todas as máquinas térmicas reversíveis operando entre
os mesmos reservatórios térmicos são igualmente eficientes. Assim, uma máquina Carnot que opera
entre dois reservatórios térmicos T1 e T3, terá a mesma eficiência que uma outra máquina térmica
que opera com ciclos conjugados, isto é, um deles entre T1 e T2 e o outro entre T2 e T3. A eficiência
desta máquina operando entre os reservatórios T1 e T3 será

( )
( ) Q
Q
q
f
1
13
13
13
− = η


e das máquinas que operam entre T1 e T2, e T2 e T3,
( )
( ) Q
Q
q
f
1
12
12
12
− = η

( )
( ) Q
Q
q
f
23
23
23
1− = η
Assim,
( )
( )
( )
( )
) , ( ) , (
T T
f
Q
Q
T T
f
Q
Q
q
f
q
f
3 2
23
23
2 1
12
12
e = =

Multiplicando as duas equações acima,

104

( ) ( )
( ) ( )
) , ( f ) , ( f
q q
f f

T T T T
Q Q
Q Q
3 2 2 1
23 12
23 12
=


Será sempre possível escolher uma máquina tal que (Q
f
)
23
= (Q
q
)
12
. Assim,

( ) ( )
( ) ( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( ) Q
Q
T
T
T
T
T
T
T T T T
Q
Q
Q Q
Q Q
q
f
q
f
q q
f f
13
13
3
1
3
2
2
1
3 2 2 1
23
12
23 12
23 12
g
g
g
g

g
g
) , ( f ) , ( f = = = = =

Logo, as eficiências serão iguais somente se

( )
( )
( ) ( )
( ) ( ) Q Q
Q Q
Q
Q
q q
f f
q
f

23 12
23 12
13
13
=

T
T
Q
Q
q
f
q
f
=


Na equação da eficiência, se a razão dos calores trocados é substituída pela razão das
temperaturas,
T
T
Q
Q
q
f
q
f
1 1 − = − = η


Observe então que se a temperatura T
f
for igual a 0ºK, a eficiência da máquina térmica que
opera em um ciclo reversível será 100%. Se a temperatura for menor que 0ºK, a eficiência será maior
que 100%, o que viola a Primeira Lei da Termodinâmica. Conseqüentemente, a temperatura de 0ºK é
a menor temperatura possível. Isto é, esta conclusão confirma que o arcabouço teórico até então
utilizado (a 2ª Lei da Termodinâmica) é robusto para ser a definição de temperatura.
Continuando, a equação acima pode ser escrita também como
0
T
Q
T
Q
f
f
q
q
= −


Esta relação entre calor e temperatura indica a existência de uma função de estado, S, que é definida
como
T
dS
dQ
rev
=

onde rev representa uma troca de calor em um processo reversível. A variação desta função S em um
ciclo é nula, requisito válido para qualquer função de estado. Ela então é chamada de entropia do
sistema. Para qualquer parte do ciclo da máquina térmica ela pode ser generalizada como

= −
B
A
rev
A B
T
dQ
S S



105
No ciclo reversível, ela se torna o teorema de Clausius,
0
T
dQ
rev
=


Para qualquer processo real, a eficiência é menor que a do ciclo de Carnot. Isto pode
representar menos calor fornecido ao sistema, ou mais calor rejeitado pelo sistema. Em ambos os
casos, verifica-se a desigualdade de Clausius:
0
T
dQ
rev




A equação pode ser re-arranjada para se obter a temperatura em função da entropia e do
calor trocado, isto é, uma nova definição de entropia de acordo com a Segunda Lei da
Termodinâmica:
dS
T
dQ
rev
=


Para um sistema no qual a entropia pode ser uma função da energia, a recíproca da
temperatura é igual à taxa de incremento da entropia com a energia:
dE
dS
T
=
1


Representações do ciclo de Carnot e de sua eficiência estão mostradas na Fig. 3.2.



Figura 3.2 - Representações do ciclo de Carnot e de sua eficiência.


106
3.2 Capacidade Térmica
Já se sabe que a temperatura está relacionada com a quantidade de energia térmica de um
sistema. Assim, quando calor é adicionado a um sistema, a temperatura aumenta proporcionalmente
à quantidade de calor adicionado. A constante de proporcionalidade é chamada de capacidade
térmica, a habilidade do material de estocar calor. O calor é armazenado pelo sistema em diferentes
modos, correspondendo aos vários estados quânticos possíveis. À medida que a temperatura
aumenta, mais estados quânticos são acessíveis pelo sistema, o que resulta no aumento da sua
capacidade térmica.
Por exemplo, para um gás monoatômico em baixa temperatura o único modo é o movimento
translacional dos átomos, isto é, toda energia está associada ao movimento dos átomos. (na
realidade, a Energia do Ponto Zero é uma pequena quantidade de energia residual presente no gás
confinado em um volume finito, mesmo a 0 K). Se energia cinética está relacionada ao movimento dos
átomos, 0 K é a temperatura na qual todos os átomos estão imóveis. Desde que não é possível que
átomos se desloquem com velocidade inferior (porque já estão parados), 0 K é a menor temperatura
possível.
Transições eletrônicas ocorrem em temperaturas mais elevadas, e então elevam a
capacidade térmica do sistema. Na maioria das substâncias estas transições não são importantes em
temperaturas inferiores a 104 K, enquanto que para umas poucas moléculas comuns estas transições
são importantes mesmo à temperatura ambiente. Em temperaturas bem mais elevadas, > 108 K, as
transições nucleares acontecem, aumentando ainda mais a capacidade térmica de um sistema. Além
dos modos translacional, eletrônico e nuclear, há ainda, em moléculas poliatômicas, modos
associados à rotação e à vibração das ligações moleculares, acessíveis mesmo em baixas
temperaturas. Nos sólidos a maior parcela do calor armazenado corresponde a vibrações atômicas.

3.2.1 Temperatura Negativa
Vimos que, à medida que a temperatura diminui, as partículas tendem a se estabelecer em
um estado mais baixo de energia (menos estados quânticos são acessíveis); se a temperatura
aumenta, mais partículas se estabelecem em estados mais elevados de energia. Quando a
temperatura se torna infinita, o número de partículas no estado mais baixo de energia se iguala ao
número de partículas que estão no estado mais elevado. Em certas situações (quando somente os
estados quânticos nuclear e eletrônico são considerados, por exemplo, o spin nuclear sob a ação de
um campo magnético intenso) é até possível criar um sistema em que a maioria das partículas se
encontra no estado de energia mais elevado. Esta condição é então denominada de temperatura
negativa. Assim, a temperatura negativa não é mais fria que o zero absoluto. Ao contrário, é mais
quente que a temperatura infinita.


107
3.2.2 Temperatura dos Gases
Como mencionado previamente, a temperatura de um gás ideal monoatômico está associada
ao movimento translacional dos átomos, isto é, à sua velocidade média. A Teoria Cinética dos Gases
usa a Mecânica Estatística para associar este movimento à energia cinética dos átomos que
constituem o sistema. Neste caso, 11300ºK corresponde energia cinética média de 1 eletron-volt. Um
elétron-volt é uma quantidade muito pequena de energia, da ordem de 1,602 10-19 joules. O ar à
temperatura ambiente, mais ou menos 300ºK, tem uma energia média em torno de (300/11.300) =
0,0273 eV. Esta energia média é independente da massa da partícula, o que não é, absolutamente,
intuitivo para a maioria das pessoas. Apesar da energia ser a média de todas as partículas do gás,
cada partícula tem a sua própria, que pode ser maior ou menor que a média. A distribuição da energia
das partículas de um gás e, conseqüentemente, da velocidade das partículas do gás, é estabelecida
pela distribuição de Boltzmann.

3.2.3 A Medição da Temperatura
Existem muitos métodos de se medir a temperatura. A maioria deles baseia-se na medição de
uma propriedade física de um material, propriedade esta que varia com a temperatura. Por exemplo,
um dos dispositivos (termômetro) mais antigos é o termômetro de vidro, que se baseia na expansão
do mercúrio ou outro líquido com a temperatura. Outro dispositivo é o termômetro de gás, muito pouco
usado na prática mas importante do ponto de vista teórico, que opera com a variação do volume de
um gás com a temperatura. Outro muito comum é o bimetálico, que opera com a expansão diferencial
de dois metais mecanicamente acoplados. Um sensor de temperatura muito utilizado em
equipamentos eletrônicos é o de resistência, que opera com a variação da resistividade elétrica de um
metal com a temperatura. Dispositivos importantes para medir a temperatura são os termômetros, os
termopares, os termistores, os RTDs (Resistance Temperature Detector), os pirômetros óticos e os
pirômetros eletrônicos com CCDs (Charged Coupled Device).
Assim, os instrumentos de medição operam com diferentes princípios físicos, respondendo à
variação da temperatura:
1. expansão da substância, provocando alteração de comprimento, volume ou pressão.
2. alteração da resistência elétrica;
3. lteração do potencial elétrico de metais diferentes;
4. alteração da potência radiante, e
5. alteração da intensidade de carga elétrica em um fotodiodo.
De acordo com a faixa de temperatura a ser medida suas aplicações são de acordo com a
Fig. 3.3, reproduzida do livro de Michalski et al (Michalski, L., Eckersdorf, K. and McGhee, J., 1991,
Temperature Measurement, John Wiley & Sons).

108
Figura 3.3 - Aplicação dos instrumentos de medição de temperatura, de acordo com a temperatura
(Michalski, L., Eckersdorf, K. and McGhee, J., 1991, Temperature Measurement, John Wiley & Sons).

3.3 Termômetros de Expansão

3.3.1 Termômetro de gás ideal
O termômetro de gás ideal opera de acordo com uma série de leis cujo desenvolvimento
histórico é apresentado a seguir. Robert Boyle em 1662 e Edmé Mariotte em 1676, de forma
independente, observaram que, em uma faixa limitada de pressões, o produto da pressão e volume
de uma massa fixa de gás, à temperatura constante, é essencialmente invariável. A assim chamada
lei de Boyle-Mariotte pode ser escrita
(pv)
t
=K
t

onde p é a pressão absoluta, v é o volume, o índice “t” indica que mudanças de estado devem se dar
somente em condições de temperatura constante, e o valor da constante de proporcionalidade Kt
depende da temperatura escolhida.
Charles, em 1787, e Gay-Lussac, em 1802, descobriram que volumes idênticos de gases
reais (tais como oxigênio, nitrogênio, hidrogênio, dióxido de carbono e ar) expandiam-se da mesma

109
quantidade para um determinado aumento de temperatura sob condições de pressão constante. A
assim chamada lei de Charles-Gay-Lussac é escrita
op
p
o
o
o
t t
v v
v
1
α =
|
|
¹
|

\
|



onde o índice “p” significa que mudanças de estado devem ocorrer à pressão constante e o índice “o”
indica um estado de referência (normalmente o ponto de fusão do gelo). O coeficiente cúbico de
expansão isobárica,
op
α , é função da pressão e do estado de referência.
Clapeyron foi o primeiro a combinar, em 1834, as leis de Boyle-Mariotte e Charles-Gay-
Lussac para obter a equação de estado de um gás
|
|
¹
|

\
|
+ − =
op
o p
t t R pv
α
1

onde a constante de proporcionalidade Rp pode ser avaliada no estado de referência como
op o o p
v p R α =

Regnault descobriu, em 1845, que o valor médio de
op
α para um gás real qualquer,
aquecido à pressão atmosférica do ponto de fusão do gelo ao ponto de ebulição da água, era
aproximadamente 1/273 por grau Celsius. Regnault propôs então, por simplicidade, que se
raciocinasse em termos de uma substância idealizada que satisfizesse exatamente as leis de Boyle-
Mariotte e de Charles-Gay-Lussac e, conseqüentemente, a lei de Clapeyron. A equação de estado do
gás perfeito, concebida por Regnault, é escrita como
|
|
¹
|

\
|
α
+ − =
o
o
1
t t R pv

onde T = t - to +
o
α
1
seria a temperatura desta substância imaginária, ou seja, a temperatura
absoluta do gás perfeito.
Regnault verificou que as diferenças entre as leituras de termômetros utilizando diferentes
gases reais eram desprezíveis, isto é, obteve uma série de temperaturas de referência que
constituíram um padrão prático de termometria. Entretanto, sendo as leituras obtidas por Regnault
dependentes da utilização de uma substância termométrica submetida a uma pressão definida (para o
termômetro a gás de expansão) e de um procedimento experimental rigoroso, a sua escala de
temperatura não era verdadeiramente universal.
Assim, o comportamento de um gás ideal, sua expansão volumétrica com a temperatura, é
um princípio físico adequado (apesar de pouco prático, contrariamente à especificação do padrão)
para a medição da temperatura:
mRT pv =

110
VOLUME
V
sensor de pressão
onde
M
R

= e p é a pressão, V é o volume, m é o número de moles, R é a constante do gás (R=
ℜ/M, sendo a constante universal dos gases, ℜ= 8314,5 J / kmol K), M é o peso molecular do gás e
T é a temperatura. Um termômetro de gás tem uma configuração simples, como mostra a Fig. 3.4.







Figura 3.4 - Configuração de um termômetro a gás ideal.
(Holman, 1984, Experimental Methods for Engineers, McGraw Hill)

A uma dada temperatura T é feita uma medida da pressão do aparato. Na seqüência, o
volume é exposto a uma temperatura de referência, T
ref
, e a pressão (pref) é novamente medida. A lei
dos gases ideais estabelece que a temperatura T é obtida de
volconst
ref
ref
p
p
T T
|
|
¹
|

\
|
=


Figura 3.5 - Termômetro de expansão a gás da IWZ
(http://www.iwz.at)



111
3.3.2 Termômetro bimetálico
O termômetro bimetálico opera de acordo com o princípio de expansão linear de metais. Um
par de hastes metálicas de materiais distintos (o chamado bimetálico), soldadas, dilatam-se
diferencialmente causando a flexão do conjunto. Esta flexão aciona um dispositivo indicador da
temperatura. A temperatura T está relacionada à expansão linear L pela relação
( ) ( )
o o
T T L L − + =
1 1
1 γ

onde γ é o coeficiente de expansão linear do metal (a equação pode ainda conter termos de segunda
ordem, ( )
2
1 o
T T − , ou superiores). O par de hastes metálicas pode ter a configuração helicoidal,
circular ou linear, como mostra a Fig. 3.6.


(a)


(b)
Figura 3.6 – (a) Hastes metálicas de termômetro bimetálico (b) Flexão de termômetro bimetálico de hastes
lineares. (http://home.howstuffworks.com/therm2.htm)

O termômetro bimetálico é aplicável de -50oC a +500oC, com uma incerteza típica (menor
divisão) de 1% do fundo de escala. Têm tempo de resposta elevado, entre 15 e 40 segundos. Os
materiais mais empregados na construção dos bimetálicos são o invar, o monel, o inconel e o inox
316. São instrumentos baratos e de baixa manutenção. Os indicadores de temperatura de cafeteiras
de bares são, quase sempre, termômetros bimetálicos.

112



Figura 3.7 - Termômetro bimetálico de haste com sensor helicoidal.

Vantagens:
• Disponíveis com muitas faixas de medição e incertezas variadas;
• É simples de usar;
• Tem baixo custo;
• Não necessita de energia auxiliar (baterias, etc);
• A leitura é fácil, minimizando erros;
• É mecanicamente robusto, adequado p/ instalações industriais;
• Tem ajuste de zero por parafuso no visor;
• As hastes podem ter grande tamanho e alcançam pontos de difícil acesso.

Desvantagens:
• Não é adaptável para leituras remotas;
• Não é recomendável para leituras transientes, dado o elevado tempo de resposta;
• O tamanho do bulbo e haste podem ser limitantes em determinadas aplicações.

3.3.3 Termômetro de bulbo
O termômetro de bulbo é um dos dispositivos mais comuns neste grupo de termômetros de
expansão para a medição de temperatura de líquidos e gases. Operam a partir da variação
volumétrica de um líquido (álcool, fluidos orgânicos variados e mercúrio) com a temperatura, de
acordo com
( ) ( )
o o
T T V V − + =
1 1
1 α

onde V1 é o volume final, V0 é o volume inicial,
α
é o coeficiente de expansão volumétrica e (T1-T0)
é a variação de temperatura (a equação completa pode ainda conter termos de segunda ordem, (T1-
T0)2, e superiores).

113

São constituídos pelas seguintes partes:
- Bulbo sensor de temperatura - reservatório na extremidade inferior do termômetro que
acomoda a maior parte do líquido termométrico.
- Haste - tubo de vidro capilar no interior do qual o líquido termométrico avança ou se retrai
em função de variações na temperatura.
- Linha de imersão - indica a profundidade a que um termômetro de imersão parcial deve ser
imergido para a realização correta das leituras (observar que o termômetro de imersão total não
possui uma linha de imersão).
- Escala - valores de temperatura marcados no tubo capilar.
- Câmara de expansão - reservatório no topo do tubo capilar usado para prevenir pressões
excessivas em termômetros preenchidos com gases ou para acomodar o líquido termométrico caso a
faixa de temperatura do termômetro seja acidentalmente excedida.
Álcool e mercúrio são os líquidos termométricos mais comumente utilizados. O álcool
apresenta a vantagem de ter um coeficiente de expansão volumétrica mais elevado do que o
mercúrio, isto é, expande mais, volumetricamente, por unidade de variação de temperatura, isto é,
tem maior (δυ/δt). Sua aplicação está limitada, porém, a uma faixa de medidas inferior, devido ao seu
baixo ponto de ebulição. O mercúrio, por outro lado, não pode ser utilizado abaixo do seu ponto de
fusão (-37,8 °C).



Figura 3.8 – (a) Termômetros de bulbo de mercúrio; (b) Termômetros de bulbo de álcool.
(a) http://www.omega.com/ (b) http://www.rejuvenation.com/fixbshow2966/templates/

Em um termômetro de bulbo, o comprimento do tubo capilar depende do tamanho do bulbo
sensor de temperatura, do líquido termométrico utilizado e da faixa de temperaturas desejada para o
termômetro.

114
É importante frisar que a expansão registrada pelo termômetro é a diferença entre a expansão
do líquido e a expansão do vidro. Esta diferença, por sua vez, é função não somente do calor trocado
entre o banho e o bulbo, mas também do calor trocado por condução entre o bulbo e a haste. Quanto
maior esta troca por condução, maior o erro na medida. Por esta razão, os termômetros são
normalmente calibrados para uma profundidade de imersão determinada, havendo dois tipos de
termômetros:
1. Imersão Parcial - O termômetro deve ser imergido até a linha de imersão para a realização
correta das leituras. A porção emergente fica exposta ao ar, o que pode afetar a
movimentação do líquido termométrico;
2. Imersão Total - Para a realização correta das medidas somente cerca de 12 mm da coluna
de líquido termométrico devem ficar emersos para a leitura.

Caso não seja possível imergir adequadamente um termômetro de imersão total, as leituras
devem ser corrigidas pelas seguintes fórmulas:
Correção = 0,00016 ° °° °C n (T - t),
para termômetros de mercúrio, e
Correção = 0,001 ° °° °C n (T - t),
para termômetros a álcool, onde T ≡ temperatura do banho (temperatura indicada pelo termômetro), t
≡ temperatura média da porção emersa do termômetro indicada por um termômetro auxiliar, e n ≡
número de graus da porção emersa do termômetro até a temperatura T;
Os termômetros de imersão parcial são inerentemente menos exatos do que os termômetros
de imersão total. Se a porção emersa do termômetro estiver a uma temperatura diferente daquela a
que estava submetida quando da calibração do mesmo, deve-se aplicar uma correção à leitura. As
equações acima também podem ser usadas para este fim. Neste caso, T representará a temperatura
média da porção emersa durante a calibração e t esta mesma temperatura quando da utilização do
termômetro.
A precisão de um termômetro de bulbo típico é de aproximadamente ±1 divisão da escala.
Entretanto, é possível obterem-se incertezas da ordem de ±0,05 °C, sendo estes termômetros então
utilizados para a calibração de outros medidores de temperatura.
Quando se adquire um termômetro de bulbo, para aplicação em medição de precisão, pode-
se adquiri-lo calibrado. O National Institute of Standards and Technology dos USA (NIST), por
exemplo, é uma das agências do governo americano que estabelece padrões de medida e oferece
serviços de calibração. Os termômetros de bulbo para trabalhos de precisão importados daquele país
podem ser especificados para que tenham uma das seguintes denominações:
NIST Calibrated - termômetros calibrados pelo próprio NIST;
NIST Traceable with Data - termômetros calibrados pelo fabricante de acordo com padrões
estabelecidos pelo NIST e que vêm acompanhados dos dados de calibração.

115
NIST Traceable - termômetros calibrados pelo fabricante de acordo com padrões
estabelecidos pelo NIST, porém não acompanhados dos dados de calibração.
Evidentemente, o mesmo pode ser obtido aqui no país, adquirindo-se um termômetro ou
conjunto de termômetros e levando-os para certificação no INMETRO ou em um dos laboratórios
associados da rede de certificação nacional, como o IPT de São Paulo.

3.4 Termômetros de Resistência

São chamados de termômetros de resistência aqueles em que os sensores de temperatura
são resistências elétricas. Estas resistências elétricas variam com a temperatura do meio onde estão
inseridas e um circuito elétrico (eletrônico) registra esta variação. Os diversos tipos de sensores
utilizados são apresentados a seguir.

3.4.1 Termômetros de resistência elétrica, RTD
Também chamados de RTDs (Resistance Temperature Detector) estes sensores de
termômetros de resistência são elementos que apresentam variação direta da resistência com a
temperatura. Atualmente o termômetro mais preciso utilizado para medidas referenciais não é mais
um termômetro de mercúrio, e sim um RTD. A resposta de um RTD é indicada pelo coeficiente de
temperatura linear da resistência, α, dado em ºC-1 por
( )
0 0
0
T T R
R R


= α

onde Ro e To são a resistência e a temperatura de referência, e R e T são a resistência e a
temperatura atual do sensor. A resistência R é obtida por medição em tempo real, por um circuito
eletrônico (atualmente), o que permite determinar a temperatura T. Os valores de referência, Ro e To,
especificam os sensores, por exemplo PT100 é um sensor de platina (pt) que tem resistência Ro =100
Ω à temperatura To = 0 ºC.
Os coeficientes de temperatura linear da resistência dos principais materiais utilizados nos
RTDs estão na tabela que segue:
material α (ºC
-1
)
Níquel 0,0067
tugstênio 0,0048
Cobre 0,0043
Platina 0,00392
mercúrio 0,00099
Tabela 3.3 - Coeficientes de temperatura α αα α para RTDs (Parr, 1985)

116

Figura 3.9 - Sensores RTDs fabricados pela OMEGA
(http://www.omega.com)


É chamado de intervalo fundamental de referência aquele compreendido entre 0 ºC e 100 ºC,
que serve de comparação para os diversos tipos de sensores. Observe que a expressão para o
coeficiente de temperatura dado acima somente pode ser empregado quando a resistência do
material varia linearmente com a temperatura. Em casos mais gerais, relações polinomiais devem ser
utilizadas, do tipo
( ) ... 1
2
+ + + = bT aT R R
o

sendo a e b constantes.
A sensibilidade de um RTD é
( ) ( ) ( )
0
1
R
dT
T T R d
dT
dR
S
o o
α
α
=
− +
= = .
Embora o sensor de platina não seja o de maior sensibilidade, é o mais empregado em
função de seu comportamento R x T linear.
A Fig. 3.10 ilustra o comportamento da resistência dos materiais freqüentemente usados na
construção dos sensores de RTDs. A tolerância típica dos RTDs PT100 está listada na Tab. 3.4
extraída de material técnico da Rototherm (UK).
Vários métodos são usados na fabricação de sensores de RTDs, dependendo da aplicação.
Para a medida de temperatura em fluidos não-corrosivos, o elemento resistivo é exposto diretamente
ao fluido a fim de se obter uma resposta mais rápida (open wire element). Para medidas em fluidos
corrosivos, o sensor é encapsulado em um bulbo de aço inoxidável (well-type element). Para a
medida de temperaturas superficiais de sólidos, são usados elementos resistivos protegidos por
encapsulamentos planos que podem ser presos por presilhas, soldados ou colados à superfície.

117




















Figura 3.10 - Variação da resistência com a temperatura para vários materiais de RTDs
(do livro do Parr, 1985)


Tabela 3.4 - Tolerância de RTDs de platina Pt 100, de acordo com as normas IEC751 e BS1904, de
catálogo da Rototherm (UK).
http://www.rototherm.uk.com/.

118

Qualquer que seja o método de fabricação do RTD, deve-se garantir que a resistência esteja
livre de tensões mecânicas e do contato com a umidade. Uma técnica de construção usada é enrolar-
se o fio de platina em uma bobina de material cerâmico, sendo o conjunto posteriormente selado com
vidro fundido. Esta técnica assegura a proteção do sensor de platina, mas o torna sujeito a tensões
mecânicas durante operação em faixas amplas de temperatura. Técnicas de eliminação da tensão
diminuem o problema, sendo então possíveis medidas com precisão de ±0,1°C.


Figura 3.11 - Sensores de RTDs da Precom-USA.
http://www.precomusa.com




(a) (b) (c)
Figura 3.12 - Sensores de RTDs: (a) sensores variados e alguns conectores; (b) sensor e cabeçote para
aplicação industrial; (c) Sensores RTDs de conexão rápida.
(http://www.omega.com)

119
G
R 1
R2 Rv
RTD
G
R 1
R2 Rv
RTD

Uma outra técnica de construção de sensores consiste em depositar-se uma camada metálica
sobre um substrato de material cerâmico. O filme metálico é então erodido e selado de modo a formar
o elemento sensor resistivo. Esta técnica é menos onerosa do que aquela descrita acima, porém o
sensor obtido não possui a mesma precisão. Deve-se ressaltar, contudo, que estes sensores
oferecem as vantagens de resposta térmica mais rápida devido à menor massa e erros por condução
menores.
A medição da resistência de um RTD é realizada com diferentes circuitos elétricos (pontes),
de acordo com a precisão desejada. O emprego de pontes ilustra os tipos usuais de ligações de
RTDs, muito embora elas nem sempre sejam usadas em instrumentos modernos, com circuitos
eletrônicos. Um primeiro tipo de montagem é o da Fig. 3.13, denominada de “montagem a dois fios".













Figura 3.13 - Montagem a dois fios.
Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br

Essa opção tem como desvantagem a influência da resistência do fio empregado na extensão
do RTD, que faz aumentar a resistência do sensor.
A montagem mais empregada no meio industrial é a de "três fios" (Fig. 3.14), onde a inclusão
de um terceiro fio, de resistência igual aos outros dois, e que soma a mesma resistência à tríade
(resistência variável) Rv, elimina a influência da resistência adicional.













Figura 3.14 - Montagem a três fios.
Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br

120
G
R 1
R2 Rv
RTD
G
R 1
R2 Rv
RTD

A montagem a 3 fios implica na conexão ou soldagem de outro fio ao sensor RTD, o que
usualmente altera a resistência do RTD. Quando isso não é desejável, pode-se contornar a situação
usando uma ligação a “quatro fios” Callendar (Fig. 3.15), aumentando-se o comprimento do fio de
ligação do sensor do RTD à resistência variável Rv.












Figura 3.15 - Montagem a 4 fios tipo Callendar.
Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br

Finalmente, a montagem mais sofisticada é aquela a "quatro fios", aplicada quando é
desejável manter a resposta original R x T do material do sensor, para efeito de medição de precisão
e respectiva aferição.












Figura 3.16 - Montagem a quatro fios.
Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br

A técnica de medida de resistência a “quatro fios” é muito utilizada em módulos digitais e em
sistemas de aquisição de dados. Neste caso, uma fonte de corrente de precisão é utilizada
(normalmente, alguns mA) conjuntamente com um voltímetro de alta impedância (200 MΩ
tipicamente). Deste modo, a corrente nos cabos de conexão do multímetro será desprezível e,
consequentemente, o erro devido à resistência destes cabos. Assim, a corrente pelo elemento
resistivo será basicamente aquela fornecida pela fonte e a queda de voltagem no sensor e a sua
resistência podem ser medidos com precisão.

121

3.4.2 Termômetros de termistores
Os sensores dos RTDs têm uma variação linear e crescente da resistência em relação à
temperatura. Os termistores (thermistor, thermal sensitive resistor, semicondutores passivos), por
outro lado, têm um comportamento bastante não-linear e oposto, diminuem a resistência com o
aumento da temperatura, mas fornecem um sinal mais intenso que os RTDs, que pode ser
processado com mais simplicidade (menor custo) pelos circuitos elétricos e eletrônicos de medição.
Assim, um termistor é um dispositivo eletrônico que apresenta grande variação de resistência com a
temperatura de seu corpo. O material dos termistores é um semicondutor que, no intervalo
fundamental (0ºC a 100ºC), pode apresentar variação da resistividade de 10 k-ohm a 0 ºC até 200
ohm a 100 ºC, como mostra a figura seguinte. Curvas como esta, além da resistência a 25ºC, definem
um termistor. Por isso, um termistor é um NTC (negative temperature coefficient device). Valores
típicos desta resistência estão na faixa de 300 ohms a 40 Mohms.

























Figura 3.17 - Comportamento R x T de um termistor

A resposta não-linear do termistor é exponencial, dada aproximadamente por
|
¹
|

\
|
=
T
B
Ae R
onde A e B são constantes. Também é possível utilizar semicondutores com coeficiente de
temperatura positivo (os PTCs, em oposição ao NTCs, de Negative Temperature Coefficient) mas eles

122
não apresentam a mesma variação contínua da resistência com a temperatura. Não obstante, são
empregados na construção de dispositivos de alarmes de temperatura, como por exemplo em
proteções de motores elétricos.


Figura 3.18 - Termômetro de termistor
(http://www.omega.com)


(a) (b)
Figura 3.19 - Sensores termistores (a) padrão e (b) de filme.
(http://www.aicl.com.tw)

A constante térmica de um termistor, assim como de qualquer outro termômetro, é o tempo
requerido para que atinja 63,2% da temperatura de imersão. A constante térmica é diretamente
afetada pela massa do termômetro, assim como por seu acoplamento térmico com o ambiente. Por
exemplo, um sensor termistor revestido com epóxi, e que tenha um diâmetro externo aproximado de
2,5 mm, terá uma constante térmica de 0,75 segundos em água parada, e 10 segundos em ar parado.
Características importantes quando sensores elétricos são considerados para uso são sua
potência de dissipação e voltagem e/ou corrente requeridas. Por definição, a potência de dissipação é
a potência térmica, expressa em Watts, necessária para aumentar a temperatura do sensor em 1 0C
acima da temperatura do ambiente. Por exemplo, a potência de dissipação de um termistor de 2,5 mm
de diâmetro externo, revestido com epóxi, é em torno de 13 miliWatt/0C em um banho de óleo óleo
estacionário, e 2 miliWatt/0C em ar parado. Corrente bem baixa deve ser aplicada em um termistor

123
utilizado em medição de temperatura, para que ele não afete o ambiente sendo medido. Isto é, para
que ele dissipe potências próximas de 0 Watt, a corrente deve ser inferior a 100 miliAmpère. Como
apresentado anteriormente, se a potência de dissipação típica em ar é 2 miliWatt/0C, para que o erro
térmico (auto-erro) seja inferior a 0,1 0C a potência de dissipação deve ser menor que 0,2 miliWatt.
Um termistor de referência, revestido com epóxi ou fenol, com 2,5 mm de diâmetro externo, trabalha
com potências máximas entre 30 miliWatts a 25 0C, e 1 miliWatt a 100 0C.
A equação polinomial de Steinhart-Hart, obtida empiricamente, é a que melhor representa a
resposta de NTCs. A temperatura T, em graus Kelvin (0K), é dada, em termos da resistência R, em
ohms, por
( ) ( ) [ ] [ ] ohm R p/ , K T , c LnR b a
T
1
LnR
3
≡ ≡ + + = o


Para resolver para a resistência em função da temperatura, a forma da equação é:
,
/ /
/ /
e
R

|
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
+ − − +
|
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
+ + −
=
27
3
4
2
2 1
2 27
3
4
2
2 1
2
3 1 3 1
χ χ χ χ χ χ


sendo χ = (a-1/T)/c e ψ= b/c. As constantes a, b e c podem ser obtidas, por exemplo, em sítios dos
fabricantes, para termistores específicos. Por exemplo veja em:
http://www.atpsensor.com/ntc/steinhart/steinhart.html?=steinhart_main.html.

Ou então, de forma genérica, com a solução simultânea das três equações:
1/T
1
=a+bLnR
1
)+cLnR
1
)
3

1/T
2
=a+b(LnR
2
)+c(LnR
2
)
3

1/T
3
=a+b(LnR
3
)+c(LnR
3
)
3

Os valores calculados com esta equação têm incerteza menor que +/- 0,01 0C quando –
40ºC<T1<150ºC, (T
1
-T
2
) for menor ou igual a 50ºC e (T
2
-T
3
) for menor ou igual a 50ºC e ainda T
1
, T
2
e
T
3
forem igualmente espaçados.

3.5 Termopares

Um termopar é formado por dois condutores elétricos diferente. Os condutores são
conectados nas duas extremidades formando um circuito elétrico. Quando as duas extremidades
conectadas são submetidas a temperaturas diferentes, uma força eletromotriz é gerada. Este é o
conhecido efeito Seebeck, que o descobriu em 1821.


124

Figura 3.20 - Fios metálicos distintos conectados para formar um termopar
(de sites da Omega, www.omega.com, e ISE, www.instserv.com)

O efeito Seebeck resulta da superposição de dois outros efeitos, descobertos posteriormente
por Peltier e por Lord Kelvin, respectivamente em 1834 e 1851. Se o mesmo circuito formado pelos
dois metais distintos for alimentado por uma fem, observar-se-á o estabelecimento de uma corrente e
uma extremidade conectada absorverá calor, enquanto que a outra dissipará calor; é o denominado
efeito Peltier. Lord Kelvin observou que se um mesmo condutor for submetido a um gradiente de
temperatura, quando uma corrente o atravessar haverá rejeição ou absorção de calor.
Assim, de acordo com Peltier, a potência térmica de cada extremidade é
I *
B A
I * fem ) (
Q
T P
π

π
= =
&

sendo ( π
A
- π
B
)T a diferença entre os coeficientes (fem) de Peltier (Volt) dos dois metais A e B à
temperatura T e I é a corrente resultante. Segundo Lord Kelvin,
I * dT I * fem
2 T
1 T
T
Q ∫
σ ± = =
&

onde σ é o coeficiente de Thomson (Volt/K), que é função do material do condutor.
Assim, a fem de Seebeck ( a fem gerada por um termopar) é a soma das fem parciais para
cada extremidade conectada (Peltier) e cada condutor (Thomson):
[ ] ( )
∫ σ σ π

π π

π
− + − =
2 T
1 T
B A
2 T 1 T
Seebeck
dT
B A B A
) ( ) (
fem


= Peltier +


125
Observe que o efeito de Peltier pode ser usado com o propósito de refrigeração. De fato, a
máxima temperatura obtida com um circuito de refrigeração que usa o efeito de Peltier é ( ε é a
condutividade elétrica dos condutores e κ sua condutividade térmica, consideradas iguais para os
dois condutores, para simplicidade):
κ
ε
=
π

π ∆
) (
T
B A
8
1
2
máx

Note que quanto maior a condutividade elétrica do material e menor a condutividade térmica,
maior é a potência térmica do dispositivo Peltier. Assim, materiais semi-condutores são utilizados na
construção do dispositivo, como o telureto de bismuto, Bi2Te3. Para reduzir a corrente necessária,
mistura-se blocos de semi-condutores de diferentes dopagem, tipo P com excesso de lacunas e tipo N
com excesso de elétrons, em grandes matrizes em associação em série. Dependendo da aplicação, o
arranjo é selado e preenchido com resina, para evitar condensação interna. Um pequeno dispositivo
TEC Peltier de 4,0 cm x 4,0 cm x 3,5 mm pode ser usado, em conjunto com um cooler padrão,
dissipador aletado e ventilador axial, por exemplo, para refrigerar uma CPU Athlon de 2,2 MHz, que
dissipa em torno de 60 W de pico. O conjunto TEC+cooler vai dissipar, no total, alguma coisa em
torno de 94 W, para uma corrente de 7 ampères e 13,5 V de ddp, e manter a CPU a 54 0C, mais ou
menos ( ∆T de 16 0C no dispositivo Peltier e +/- 32 0C entre o dissipador e o ambiente dentro do
gabinete do computador: as temperaturas seriam então 54 0C na CPU, 70 0C no lado quente do TEC
e 38 0C no ar ambiente do gabinete). Estes valores se aplicam a um Tellurex Zmáx da Thermaltake,
tradicional fabricante de coolers para CPUs.


Figura 3.21 - Cooler de CPU com módulo de refrigeração Peltier

No termopar, a extremidade conectada, colocada na temperatura que se deseja medir, é a
denominada “junção quente”, enquanto que a extremidade colocada em uma temperatura de
referência (usualmente 0 ºC), é a junção fria. Assim, a força eletromotriz fem do termopar pode ser
obtida a partir do conhecimento da propriedade termoelétrica dos dois metais conectados e da

126
temperatura da junção quente. A Fig. 3.22 mostra tal esquema. A fem gerada, da ordem de milivolts, é
função da propriedade termoelétrica dos dois metais e da diferença de temperatura entre as junções
quente e fria (referência). Para se medir a fem gerada utiliza-se um milivoltímetro no arranjo mostrado
na figura abaixo.

Figura 3.22 - Ligação de termopar com junção fria em banho de gelo
(Do site da Omega Engineering, http://www.omega.com/techref/thermoref.html)

Para medir com exatidão a temperatura, a junção fria deve ser mantida à temperatura
constante, por exemplo, um banho de gelo picado fundente colocado em uma garrafa térmica, ou uma
junção fria eletrônica. Esta é a forma mais exata de se medir uma temperatura com termopar,
utilizada, por exemplo, em laboratórios científicos.


Figura 3.23 - Ligação de termopar com junção fria em TRC (Thermolectric Refrigeration Junction) e
compensação por circuito elétrico.
(Do site da Omega Engineering, http://www.omega.com/techref/thermoref.html)

Em aplicações de campo, por praticidade, pode-se prescindir da junção fria, conectando o
termopar, ou fios de compensação ou extensão, diretamente ao condicionador de sinal que amplia a

127
milivoltagem e a mostra em um painel digital. Nestes casos, o condicionador/indicador de temperatura
incorpora um circuito eletrônico que gera a compensação de junta fria. O circuito eletrônico pode gerar
entradas modificadoras indesejadas e ruídos, que eventualmente podem ser negligenciadas em
medições menos exatas de campo. A especificação da fem gerada, para os pares termoelétricos
codificados por letras (K, J, T, N, R, S e B), e sua respectiva tolerância aparecem na tabela seguinte,
referente à norma britânica (BS), de acordo com catálogo da Rototherm.

Tabela 3.5 - Especificação de norma da força eletromotriz de termopares variados, e sua tolerância, de
acordo com a norma inglesa BS4937.
(Catálogo da Rototherm (UK), www.rototherm.co.uk)


Figura 3.24 - Magnitude de força eletromotriz (milivoltagem) de termopares variados, tipos E, J, K e R.

Nas Figs. 3.25 e na Tab. 3.6 estão os pares termo-elétricos definidos pela norma americana ASTM,
com a polaridade de cada metal, a faixa de aplicação, e os códigos de cor.

128

Tabela 3.6 - Termopares da norma americana ASTM, polaridade dos metais e faixa de aplicação
recomendada.
(Catálogo da ISE, Inc, www.instserv.com)


Figura 3.25 - Códigos de cor de termopares da norma americana ASTM.
(Catálogo da ISE, Inc, www.instserv.com)

Quando usamos um circuito termoelétrico para a medida de temperatura, estamos na verdade
interessados na temperatura dos corpos em contato com as junções. Entretanto, ao utilizarmos um
milivoltímetro para a medida (como é normalmente feito), haverá circulação de corrente e, pelo efeito
Peltier, calor será absorvido na junção quente (que se tornará assim mais fria que o meio circundante)

129
e liberado na junção fria (que se tornará mais quente que o meio circundante). Assim, resultará um
erro que será proporcional à magnitude da corrente. Eles serão desprezíveis quando a leitura for
realizada com milivoltímetro com circuito amplificador de alta impedância (1 a 1000 MΩ).
Embora haja equações (Doebelin, 1985) para se calcular a voltagem total E gerada pelo
termopar, deduzidas a partir de abordagens termodinâmicas dos efeitos Peltier e Thomson, as
hipóteses feitas na dedução destas equações não são inteiramente satisfeitas na prática. Assim,
quando se usa um condicionador/indicador de temperatura eletrônico para termopar, o circuito
incorpora estas equações para o par termoelétrico utilizado. Se desejamos fazer leituras muito
precisas, é necessário aferir o conjunto termopar + condicionador/amplificador em toda faixa de
temperaturas em que serão usados. Isto significa que a medida de temperatura por sensores
termoelétricos é baseada inteiramente em calibrações empíricas e na aplicação das assim chamadas
“leis termoelétricas”.
Tabelas de força eletromotriz de termopares são publicadas por diversas instituições
normativas, como o NIST americano (National Institute of Standards and Technology). Entretanto,
para um dado termopar estas características dependerão da pureza dos materiais à mão e da
maneira específica como a milivoltagem foi medida em função da temperatura. Portanto, ao se utilizar
fios de termopar comerciais ou faz-se uma calibração própria ou confia-se no controle de qualidade do
fabricante para limitar desvios entre as características do seu termopar e aqueles das tabelas. Um
termopar cujos materiais possuem grau de pureza comercial seguirá as curvas de calibração do NBS
dentro de não menos que ± 1 ° C. Por outro lado, fios de termopar para trabalhos de precisão
seguirão estas mesmas curvas dentro de ± 0,5 °C.
As tabelas da NIST são encontradas para visualização e download em:
http://srdata.nist.gov/its90/main/its90_main_page.html .
A força eletromotriz de um termopar é normalmente dada por uma equação polinomial,
∑ =
=
n
i
i
i
T
C
fem
0


onde T é a temperatura em graus Celsius, fem é a força eletromotriz relativa à junção de referência a
0 °C e as constantes Ci dependem do material do termopar. O grau do polinômio é sugerido nas
tabelas do NIST.
Deve-se notar ainda que as junções de um termopar devem ser formadas por fusão das duas
extremidades dos fios, por soldagem com descarga elétrica em atmosfera inerte. Emergencialmente
pode-se simplesmente enrolar as duas extremidades. A força eletromotriz gerada será a mesma em
todos os casos; porém, se houver circulação de corrente, esta poderá variar de um caso a outro já
que a resistência de contado elétrico das junções variará segundo o método de fabricação.
Para maiores informações sobre aplicações de termopares, em especial as dicas práticas de
montagens, não deixe de consultar o excelente manual da Omega sobre o tema, em
http://www.omega.com/temperature/Z/pdf/z021-032.pdf .

130

As “leis termoelétricas” podem ser formuladas como segue abaixo:
1. A força eletromotriz gerada por um termopar com as junções às temperaturas T1 e T2 não é
de maneira alguma afetada por quaisquer outras temperaturas ao longo dos fios condutores
desde que estes sejam homogêneos.
2. Se um terceiro metal homogêneo C for inserido, a força eletromotriz do termopar continuará a
mesma desde que a temperatura das duas novas junções seja a mesma.
3. Se o metal C for inserido entre A e B, a temperatura de C em qualquer ponto distante das
novas junções AC e BC é irrelevante desde que estas estejam à mesma temperatura (Fig.
3.26). Neste caso, para AC e BC ambas a T1 a força eletromotriz gerada é a mesma em
ambos os circuitos. Esta lei é conhecida como lei dos metais intermediários.

Figura 3.26 – “Se o metal C for inserido entre A e B, a temperatura de C em qualquer ponto distante das
novas junções AC e BC é irrelevante desde que estas estejam à mesma temperatura”.
(Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br)

4. Se a força eletromotriz gerada por um termopar AC for EAC e aquela do termopar CB for
ECB, então a força eletromotriz gerada pelo termopar AB será EAB=EAC+ECB.

T1
T2
T3
C
T1
T2
T3 C
T1
T1 T2
A
fem=EAC
C
T1 T2
C
fem=ECB
B
T1 T2
A
fem=EAB=EAC+ECB
B
=

131
Figura 3.27 – “Se a força eletromotriz gerada por um termopar AC for EAC e aquela do termopar CB for
ECB, então a força eletromotriz gerada pelo termopar AB será EAB=EAC+ECB”.
(Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br)


5. Se um termopar produz a força eletromotriz E
1
quando as suas junções estiverem a T
1
e T
2
, e
E
2
quando as junções estiverem a T
2
e T
3
, então ele produzirá a força eletromotriz E
3
= E
1
+
E
2
quando as junções estiverem a T
1
e T
3
. Esta lei é conhecida como lei das temperaturas
intermediárias.

Figura 3.28 - Lei das temperaturas intermediárias ou sucessivas.
(Figura da apostila de termometria, do Prof. Paulo Schneider, UFRGS, www.geste.ufrgs.br)

Estas leis empíricas são de grande importância na utilização prática de termopares. Delas
podemos tirar as seguintes conclusões:
• da primeira lei concluímos que não é necessário conhecer ou controlar a temperatura entre as
duas junções de um termopar para se obter uma medida correta.
• das segunda e terceira leis concluímos que é possível inserir um multímetro em um circuito
termoelétrico a fim de se medir a força eletromotriz E sem alterar o seu valor.
• da terceira lei também concluímos que as junções de um termopar podem ser soldadas, o
que introduzirá um terceiro metal, sem se afetar as leituras.
• da quarta lei concluímos que não é necessário calibrar todas as possíveis combinações de
termopares. Cada metal pode ser combinado individualmente com um padrão (normalmente
platina) e calibrado. Qualquer outra combinação pode então ser calculada a partir das
calibrações básicas.
Com relação à quinta lei, devemos primeiramente observar que a utilização de um termopar
para se medir uma temperatura desconhecida requer que a temperatura de uma das junções
(chamada junção de referência) seja conhecida por uma medição independente. Uma medida da
T1 T2
A
fem=E1
B
T3
A
fem=E2
B
=
T1
T3
A
fem=E3 = E1 + E2
B

132
força eletromotriz do termopar permitirá então se conhecer a temperatura da outra junção (junção de
medida) de tabelas de calibração. Todavia, estas tabelas foram obtidas mantendo-se a junção de
referência a 0 °C, o que nem sempre é possível ao se utilizar um termopar. A quinta lei permite então
se obter a temperatura desconhecida da seguinte maneira:
1. Faça
T1 = 0°C
T2 = temperatura da junção de referência, diferente de 0 °C
T3 = temperatura a ser medida
2. Obtenha fem
1
diretamente das tabelas de calibração
3. Meça fem
2
com um instrumento adequado e faça a soma fem
3
= fem
1
+ fem
2

4. Da tabela de calibração, obtenha agora a temperatura desconhecida T
3
correspondente a
fem
3
.
Para aumentar a sensibilidade de um circuito termoelétrico, termopares idênticos são algumas
vezes ligados em série. Todas as junções de medida estarão a uma mesma temperatura T
1
,
enquanto que todas as junções de referência estarão a uma mesma temperatura T
2
. Este tipo de
circuito é chamado termopilha, sendo que para n termopares obtém-se uma voltagem de saída n
vezes maior do que aquela de um único termopar. A título de ilustração, uma termopilha cromel-
constantan com 25 termopares produz cerca de 2mV/°C. Como uma ponte de Wheatstone pode ter
uma resolução de 1 µV, esta termopilha será sensível a 0,0005 °C, isto é, medidas com resolução
bem grande podem ser obtidas! A termopilha é também útil para se medir pequenas diferenças de
temperatura entre as duas junções tendo-se apenas um voltímetro para a medida da voltagem. Neste
caso, o aumento da sensibilidade evita a utilização de um instrumento mais caro.
Figura 3.29 - Montagem de termopares como termopilha.

TEMP. Uniforme
TEMP. Uniforme
Multímetro
TERMOPILHA

133
Cabe lembrar que em qualquer utilização da termopilha é necessário assegurar que as
junções estejam eletricamente isoladas uma das outras. A combinação em paralelo da Fig. 3.30
permite a medida de uma voltagem média. Notar que ambas as junções de referência são mantidas à
mesma temperatura. Se os termopares exibirem um comportamento linear na faixa de temperaturas
em questão, a temperatura correspondente a esta voltagem média é a média das temperaturas.
Figura 3.30 - Montagem de termopares em paralelo para medir temperatura média.


A resposta transiente de um termopar depende do tamanho da junção: quanto menor a
junção, menor o tempo de resposta. A resposta em regime transiente de termopares pode ser
encontrada na literatura especializada, por exemplo, Doebelin, 1985. Apesar da simplicidade, baixo
custo e pronta disponibilidade dos termopares, o experimentalista deve estar atento a possíveis
problemas que podem ocorrer na sua utilização:

1. Quando as junções não forem adequadamente feitas, o termopar não seguirá as tabelas
padronizadas de calibração voltagem/temperatura.
2. Se o termopar for utilizado fora da sua faixa de aplicação, ele se tornará descalibrado
gradualmente.
3. Se a compensação da junção de referência não for feita corretamente, a leitura do termopar
será incorreta.
4. Erros de instalação podem ocorrer. Neste caso, a temperatura indicada pelo termopar será
aquela do ponto onde houver o curto-circuito.
5. Se for instalado um tipo de termopar incompatível com o instrumento de medida, haverá um
erro grosseiro de leitura.

TEMP. variável
Multímetro
TERMOPARES EM PARALELO = TEMP. MÉDIA
Temp. Média

134
Tipos de junções disponíveis comercialmente são apresentados na Fig. 3.31, e tipos e usos
de termopares são apresentados na Tab. 3.7.
.
Figura 3.31 - Tipos de junções.
(Catálogo da Rototherm : http://www.rototherm.com.uk)

Tipo Material + Material - ∆V/ºC a
100ºC
(µV)
Faixa
(ºC)
observações
E Chromel Constantan 68 0 a 800 maior sensibilidade
T Cobre Constantan 46 -185 a
300
criogenia
K Chromel Alumel 42 0 a 1100 uso geral
J Aço Constantan 46 20 a 700 atmosferas redutoras
R Platina 13%
/Ródio
Platina 8 0 a 1600 altas temperaturas
S Platina 10%
/Ródio
Platina 8 0 a 1600 idem
V Cobre Cobre/Níque
l
- - cabo de compensação
para K e T
U Cobre Cobre/Níque
l
- - cabo de compensação
para R e S
Tabela 3.7 – Tipos e usos de Termopares.

Tipos e utilização de revestimentos de termopares são apresentados na Fig. 3.32 e incertezas
típicas de medição com termopares comerciais são apresentados na Tab. 3.8.

135

Figura 3.32 - Tipos e utilização de revestimentos de termopares

tipo faixa (ºC) incerteza
K 0 a 277
277 a 1260
2,2 ºC
0,75 %
R e S -18 a 540
540 a 1540
1,4 ºC
0,25%
J -101 a -59
-59 a 93
2 %
0,8 ºC
T -101 a -59
-59 a 93
93 a 371
2%
0,8 ºC
0,75%
Tabela 3.8 - Incerteza típica de medição com termopares comerciais.

3.6 Termômetros de Radiação

Todos os métodos de medida de temperatura discutidos até então requeriam que o
termômetro estivesse em contato físico com o corpo cuja temperatura se quer medir. Além disso, a
temperatura era medida quando o elemento sensor atinjia a condição “idealizada” de equilíbrio
térmico com o corpo ou sistema que se mede. Isto significa duas coisas: 1- o termômetro interfere
com o meio que se mede, afetando sua temperatura, isto é, a temperatura medida nunca é a real
(veja discussão e exemplos no final do capítulo, sobre a interferência da transferência de calor na
medição da temperatura); 2- que o termômetro deve ser capaz de suportar a temperatura envolvida
em uma dada medição, o que efetivemente representa outro problema prático muito grande no caso
da medição de temperatura de corpos muito quentes.
Um terceiro tipo de problema acontece quando deseja-se medir a temperatura de um corpo,
ou superfície móvel, e o termômetro não está “embarcado”. Isto é, como medir a temperatura de
corpos sólidos em movimento, usando sensores de contato externos ao sistema em movimento?

136
Neste caso, dispor-se de um método de medida que não requer contato físico (medição sem
interferência) é fundamental. Isto é, esse termômetro poderia ser usado para se fazer uma varredura
da distribuição de temperatura do corpo sem contato ou interferência (o corpo, aquí, não
necessariamente no sentido literal. Bom, em termos, vejas as fotos do gato e do Space Shuttle logo
após a entrada na atmosfera. O dito Shuttle, por sinal, tem um belo corpo, não?).




Figura 3.33 - Medição sem interferência
Imagens de site da NASA (USA), www.nasa.gov

Os instrumentos desenvolvidos para se resolver problemas desse tipo, medir sem interferir,
medir temperaturas MUITO elevadas e medir objetos em movimento, à distância, tipo empregam
sensores de radiação de uma forma ou de outra. Porém, antes de discuti-los é conveniente revisar os
conceitos básicos de radiação. Radiação é emissão de energia pela matéria e seu transporte não
exige a presença de qualquer meio material. Com relação à natureza deste transporte, já vimos que a
Mecânica Quântica prevê que a radiação dual, isto é, pode ser tratada como onda, propagação de
ondas eletromagnéticas e, ao mesmo tempo, propagação de matéria, as partículas denominadas de
fótons. De qualquer modo, radiação térmica é a energia emitida por um corpo pelo fato de sua
temperatura estar acima do zero absoluto e a ela podem ser atribuídas as propriedades típicas de
uma onda, ou seja, a freqüência ν e o comprimento de onda λ. A radiação térmica se distingue de
outros tipos de radiação, como ondas de rádio e raios-x, pelo fato destas não se propagarem como
conseqüência da temperatura do corpo. O espectro, isto é, a banda de comprimento de ondas, ou

137
frequências, da radiação térmica vai de 0,1 µm a 100 µm (3 x 1015 Hz e 3 x 1012 Hz,
respectivamente). A banda entre 0,4 microns (4,28 x 1014 Hz) e 0,7 microns (7,5 x 1014 Hz) é o
espectro visível. Entre os limites de comprimento de onda de 0,7 microns a 0,4 microns estão as
cores extremas vermelha e violeta (Fig. 3.34).


(a)

(b)
Figura 3.34 – (a) O espectro de radiação emitida pelo Sol; (b) O espectro visível e suas cores (a versão
sem o indigo, se tivesse o indigo seria ROY G. BIV)


O produto da freqüência com o comprimento de onda é a velocidade da onda. Desta forma
relaciona-se a freqüência com o comprimento de onda no espectro, desde que a velocidade da luz é
uma constante (Fig. 3.35).

138

Figura 3.35 – Relação entre freqüência e comprimento da onda.
Veja detalhes da figura em hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/hbase/ems1.html#c1

O radiador térmico ideal é chamado de corpo negro. Este corpo absorveria toda a radiação
nele incidente e, para uma dada temperatura, emitiria o máximo possível de radiação térmica.
Novamente, a idealização que físicos e engenheiros gostam de fazer, para ter uma referência de
comparação. O ideal nunca atingido! Mas a gente chega perto, e bem barato: sabe o negro de fumo,
desses que se pode fazer em casa? Está próximo de um corpo negro. A emitância espectral de um
corpo negro é dada pela lei de Planck, segundo a qual
( )
( ) [ ] 1
2
5
1

=
T C
C
T E
b
λ λ
λ
λ
/ exp
,
,


onde E
λ,b
≡ emitância espectral (intensidade da radiação hemisférica) [W/m
2
.µm]
C
1
≡ 3,742.10
8
[W.µm
4
/m
2
]
C
2
≡ 1,4387.10
4
[µm.K]
λ ≡ comprimento de onda da radiação [µm]
T ≡ temperatura absoluta do corpo [K]

A quantidade E
λ,b
é a radiação emitida por uma superfície plana para o hemisfério (isto é, 180º
sobre ela) por unidade de comprimento de onda, no comprimento de onda λ. Ou seja, um corpo negro
a uma certa temperatura emite alguma radiação por unidade de comprimento de onda em todos os
comprimentos de onda de zero ao infinito, mas não a mesma quantidade de radiação em cada

139
comprimento de onda. A Fig. 3.36 mostra a emitância espectral do corpo negro, em gráfico log-log,
para algumas temperaturas inferiores a 6000 ºC.


Figura 3.36 - Emitância espectral de corpo negro para cinco temperaturas, log x log.
(http://www.ir-impac.com/englisch/Pyrometerhandbook.pdf)


Figura 3.37 - Emitância espectral de corpo negro para quatro temperaturas, linear.

Podem ser observadas algumas características importantes:

1. A radiação emitida varia continuamente com o comprimento de onda.
2. Em qualquer comprimento de onda, a intensidade da radiação emitida aumenta com o
aumento da temperatura.

140
3. As curvas exibem picos (intensidades máximas de radiação) em certos comprimentos de
onda, sendo que estes picos se deslocam para a esquerda (comprimentos de onda menores)
à medida que a temperatura aumenta.
4. A área sob cada curva é a emitância total do corpo negro, que aumenta rapidamente com o
aumento da temperatura.
Experimente um aplicativo JAVA para exemplificar a Lei de Planck em:
http://csep10.phys.utk.edu/astr162/lect/light/planck.html .

A lei de Wien do deslocamento (isto é, o deslocamento do pico da deistibuição da emitância
espectral) permite calcular o comprimento de onda correspondente à intensidade de radiação
máxima, λmax , para uma dada temperatura.
λ λλ λ
max
T= 2897,8 µ µµ µm.K
O deslocamento destes pontos de máximo explica a mudança na cor de um corpo ao ser
aquecido. Primeiramente o corpo se torna vermelho escuro, depois laranja e então branco.
A radiação térmica total emitida pelo corpo negro é dada por (Lei de Stefan-Boltzmann)
E
b
=σ σσ σT4
onde E
b
≡ emitância total [W/m
2
]
σ = 5,669 x 10
-8
[W/m
2
.K
4
] ≡ constante de Stefan-Boltzmann
T ≡ temperatura absoluta [K]
As Leis de Wien e Stefan-Boltzmann podem ser visualizadas aqui:
http://csep10.phys.utk.edu/astr162/lect/light/wien.html .

Embora o corpo negro seja uma idealização física e matemática, é possível construir
radiadores reais cujo comportamento se aproxima muito do comportamento do corpo negro. Estas
fontes de radiação são necessárias para a calibração de medidores de temperatura por radiação. Por
outro lado, os corpos cuja temperatura deseja-se medir no dia-a-dia podem desviar-se
substancialmente do comportamento do corpo negro. A razão entre as emitâncias real e de corpo
negro é o que se denomina de emissividade do corpo real. Vários tipos de emissividade foram
definidos, em função de interesses específicos. A emissividade pode ser espectral hemisférica, total,
hemisférica seletiva, etc. A definição mais básica é a da emissividade espectral hemisférica, E
λ,T
, de
um corpo real à temperatura T. Admitamos que ela possa ser medida utilizando filtros, de modo a que
somente a emitância em um comprimento de onda se propague. São os chamados filtros ópticos
seletivos. A emissividade espectral hemisférica é dada por
b
T
E
E
,
,
λ
λ
λ
ε =
onde E
λ,b
é a emitância espectral do corpo negro à mesma temperatura, isto é, mesmos comprimento
de onda e temperatura. Portanto, a emissividade é uma quantidade adimensional, sempre menor do

141
que 1,0 para corpos reais. Note também que, no caso mais geral, é função de λ e T (eventualmente,
numa pequena faixa limitada de λ e T, pode ter valor semelhante e constante, mas não é o caso
geral).


Figura 3.38 - Emissividade espectral de superfície: dependência com λ e T.

Analogamente, pode-se definir a emissividade total hemisférica:
b
T
E
E
= ε
onde E é a emitância total (isto é, na totalidade do espectro, ∞ < < λ 0 ou ∞ < <ν 0 ) hemisférica
da superfície real à temperatura T e E
b
é a emitância total do corpo negro à mesma temperatura.
Se um corpo tiver
T , λ
ε igual a uma constante para qualquer λ a uma dada temperatura,
então
T T
ε ε
λ
=
,
e a superfície é dita cinzenta (físicos não param de idealizar! Já vimos que não é
esse o caso geral, isto é, também não existe o corpo cinzento! No rítmo que os físicos estruturam o
mundo real, daquí a pouco a gente vai perceber que, em volta de nós, nada existe: o átomo não
passa de uma PDF, a energia é matéria, mas também é onda, e por aí vão. Enfim, em volta de nós,
daquí a pouco, tudo não passará de vã filosofia! E por falar em vã filosofia, dêm uma olhada em
Cem_a_Filosofia). Mas voltemos lá, à vida real: as superfícies reais freqüentemente exibem
emissividades variáveis ao longo do espectro de comprimentos de onda. Porém, para fins de análise
admite-se que a superfície real seja uma superfície cinzenta com uma emissividade igual à
emissividade total da superfície.
Como muitos sensores de radiação operam em faixas restritas de comprimentos de onda,
define-se a emissividade hemisférica seletiva (hemispherical band emissivity).

142
ε
λ λ
λ λ
λ λ
1 2
1 2
1 2



=
,T
,T
, ,T
E
E
b


Material Emissividade Material Emissividade
Anodize Black 0.88 Stainless Steel
Magnesium Oxide White
Paint
0.90

Polished 0.11
Anodized Aluminum Machined 0.14
Black 0.82 Sandblasted 0.38
Gold 0.82 Silver - Pure, Polished 0.0.020-0.032
Aluminum Brick
Aluminum Highly Polished 0.039-0.057
Red, Rough, no Gross
irregularities
0.93
Aluminum Commercial
Sheet
0.09

Fireclay 0.75
Aluminum Heavily Oxidized 0.20-0.31 Concrete Tiles 0.63
Aluminum Surface Roofing 0.216 Glass
Aluminum Polished 0.023 Smooth 0.94
Iron, Polished 0.14-0.38 Pyrex, Lead, and Soda 0.95
Cast Iron 0.60-0.70 Porcelain, Glazed 0.92
Gold - Pure, Highly
Polished
0.018-0.035

Roofing Paper 0.91
Steel, Polished 0.066 Water 0.95
Quartz, Rough, Fused 0.93
850-3M Mylar-Aluminum
Backing
0.59
Tabela 3.9 - Emissividade de superfícies

Se um sensor de radiação tiver sido calibrado contra um corpo negro, o conhecimento do
valor correto da emissividade do corpo não-negro cuja temperatura se quer medir permite o cálculo da
sua emitância total e, portanto, da sua temperatura:

143
4
1
|
¹
|

\
|
=
εσ
E
T

Infelizmente, a emissividade de um material não é uma propriedade simples de ser obtida já
que depende do tamanho do corpo, formato, rugosidade, ângulo de observação, etc. Estes fatores
levam a incertezas nos valores numéricos da emissividade que são um dos maiores problemas nas
medidas de temperatura com sensores de radiação. Veja tabela de emissividade de superfícies, nas
páginas anteriores.
Quando a radiação térmica incide sobre uma superfície, ela pode ser absorvida, refletida ou
transmitida. As propriedades correspondentes a estes fenômenos são a absortividade, α, a
refletividade, ρ, e a transmissividade, τ, relacionadas por
α αα α + ρ ρρ ρ + τ ττ τ = 1


Figura 3.39 - Relação absortividade, refletividade e transmissividade.
(http://www.ir-impac.com/englisch/Pyrometerhandbook.pdf)

Para a maioria dos corpos sólidos τ = 0, de modo que
α αα α + ρ ρρ ρ = 1
Para uma superfície cinzenta, pode-se mostrar que
α αα α = ε εε ε
Quando ρ e/ou τ for diferente de zero, erros de medida podem ocorrer. Os sensores de
radiação comerciais normalmente incluem um ajuste para a emissividade com uma faixa de variação
de 0,2 a 1,0. Portanto, se a emissividade do material for conhecida, pode-se corrigir a medida
facilmente. A técnica mais confiável para a determinação da emissividade para este fim requer a
calibração do sensor de radiação através de medidas independentes da temperatura do corpo, por
exemplo por meio de um termopar. Uma vez que a emissividade pode variar com a temperatura, esta
calibração deve ser feita em toda faixa de temperaturas de aplicação do instrumento.

144


Figura 3.40 - Emissividade espectral de corpos negros, corpos cinzentos e corpos reais (qualitativo).
(http://www.ir-impac.com/englisch/Pyrometerhandbook.pdf)


Uma outra fonte de erro nas medidas são as perdas de energia ao se transmitir a radiação do
objeto ao detector. Geralmente, o caminho óptico consiste de algum gás (normalmente ar) e vários
tipos de lentes. No ar atmosférico, a atenuação da radiação é devida principalmente à absorção pelo
vapor d’água, dióxido de carbono e ozônio bem como pelo espalhamento causado por partículas de
poeira e gotículas d’água. Como estes efeitos dependem do comprimento de onda, um sensor de
radiação pode ser projetado para operar dentro de faixas de comprimento de onda não afetadas, o
que o tornará insensível a estas entradas modificadoras. Entretanto, uma vez que as perdas radiantes
dependem diretamente do caminho óptico atravessado, não é possível calibrar o sensor para uso em
aplicações diversas.


Figura 3.41 - Janelas atmosféricas e transmissão do ar.
(http://www.ir-impac.com/englisch/Pyrometerhandbook.pdf)

145

Note que bem no meio do espectro infravermelho, correspondendo a 4,5 microns (6,6 x 10 13
Hz), há uma acentuada redução da transmitância atmosférica. Sensores projetados para operar nesse
comprimento de onda têm que levar isso em conta. O mesmo ocorre com comprimentos de onda de 6
microns e 6,5 microns (calcule a frequência correspondente, entrando no aplicativo Java que ilustra o
espectro eletromagnético). Observe também, na representação das leis de Plank e Wyen, que as
temperaturas correspondentes estão entre +/- 400 ºC e 500 ºC (use os aplicativos para determinar as
temperaturas).
Tendo estudado os fundamentos da radiação, podemos agora estudar técnicas específicas de
medida da temperatura de um corpo pela medida da radiação por ele emitida. Estas técnicas podem
ser divididas em dois grupos: (1) pirometria óptica; (2) determinação da emitância.
Seja primeiramente a medida da temperatura por meio da pirometria óptica. A figura a seguir
mostra esquematicamente o pirômetro óptico de filamento, que é a forma clássica deste tipo de
instrumento. Trata-se do “termômetro de radiação” mais preciso, sendo usado na elaboração da
Escala Prática Internacional de Temperaturas para medidas acima de 1063 °C. O pirômetro óptico ou
termômetro de brilho de radiação monocromática, como é também chamado, baseia-se no princípio
de que, para um dado comprimento de onda λ, a intensidade da radiação (“brilho”) varia com a
temperatura conforme vimos. Assim, a imagem do objeto alvo é superposta sobre aquela do filamento
de tungstênio aquecido. Esta lâmpada de tungstênio, que é muito estável, é calibrada previamente de
modo que, conhecendo-se a corrente através dela, a temperatura do filamento pode ser determinada
facilmente. Esta calibração é feita comparando-se visualmente o brilho da radiação de um corpo
negro de temperatura conhecida com o bulbo do filamento. Um filtro vermelho, que deixa passar
somente comprimentos de onda em uma faixa muito estreita em torno de 0,65 µm, é colocado entre o
olho do observador e as imagens do filamento e do objeto alvo. A função deste filtro de absorção é
reduzir a intensidade da radiação incidente de modo que a lâmpada possa ser operada a baixas
potências. O filtro monocromático auxilia ainda o operador a comparar os brilhos do filamento e do
objeto já que elimina os efeitos de cor. O observador ajusta então a corrente na lâmpada até que
imagem do filamento desapareça sobre a imagem do objeto alvo, condição em que a temperatura do
filamento é comparada à do objeto.
Neste ponto, deve-se ressaltar que se o objeto alvo for um corpo negro (ε = 1), não há erro na
medida já que o filamento foi calibrado contra um corpo negro de temperatura conhecida. Entretanto,
para corpos não-negros deve-se conhecer ε a fim de se corrigir a leitura. Os erros causados pela
imprecisão em ε não são muito grandes para um pirômetro óptico relativamente a outros “termômetros
de radiação” pelo fato deste instrumento ser sensível a apenas uma faixa estreita de comprimentos de
onda. Isto é, é necessário conhecer a emissividade do corpo apenas nesta faixa de comprimentos de
onda, o que reduz a incerteza. A título de ilustração, para um objeto a 1000 K um erro de 10% em ε
resultará em um erro de somente 0,45% na sua temperatura. Finalmente, uma vez que o pirômetro

146
óptico utiliza o método do cancelamento para a medida da temperatura, ele não é adequado para
trabalhos envolvendo monitoramento contínuo ou controle do meio medido.



Figura 3.42 - Pirômetro ótico de fio.


Figura 3.43 - Pirômetro de fio, da Spectrodyne.
http://www.spectrodyne.com/DFP2000/

147
O segundo grupo de técnicas de medida envolve a determinação da radiação total emitida
pelo corpo (e então chama-se de método de determinação da emitância) e o cálculo da sua
temperatura. Portanto, é necessário mais uma vez conhecer a emissividade do objeto. A temperatura
aparente de corpo negro do objeto medido é calculada fazendo-se ε = 1, isto é
4 / 1
b
b
E
T |
¹
|

\
|
σ
=

Se esta temperatura aparente for tomada como valor medido, o erro na temperatura devido ao
fato do objeto real ser não-negro é
4 / 1 b b
1
T
T
1
T
T T
Erro ε − = − =

=

e a incerteza na temperatura como conseqüência somente da incerteza na emissividade é
ε
δ δ
ε
4
1
=
T
T

Observamos então que o efeito da incerteza na emissividade é mais pronunciado para baixos
valores de ε. Por exemplo,
Para ε = 0,2 ± 0,05 ,
T
T
δ
=
2 , 0
05 , 0
4
1
= 0,0625

Para ε = 0,9 ± 0,05 ,
T
T
δ
=
9 , 0
05 , 0
4
1
= 0,0139

Há vários métodos para se medir a radiação térmica emitida por um corpo. Em todos eles, a
radiação emitida é focada sobre algum tipo de detector de radiação que produz um sinal elétrico.
Estes detectores podem ser classificados como detectores de fótons (um CCD, Charged Coupled
Device, por exemplo, tão usado hoje em dia em câmeras digitais) ou térmicos.
O CCD é um dispositivo foto-eletrônico feito de silício, constituído de inúmeros elementos
sensíveis à luz, o pixel. Um CCD de uma câmera fotográfica atual, como a Sony P-92, tem 5 Mpixels.
Assim, o CCD desta câmera é uma matriz de elementos óticos individuais, ~ 2.200 x 2.200, em um
arranjo quadrado, que somam 5 Megapixels. Cada pixel pode ter em torno de 0,02 mm, por exemplo.
Ele armazena uma carga eletrônica através da absorção de radiação. Portanto, o CCD é um
dispositivo eletrônico de memória, ativado pela luz. George Smith e Willard Boyle, inventaram o CCD
no Bell Labs em 1969.


148

Figura 3.44 - Anatomia de um CCD.
http://inventors.about.com/

O nome CCD deriva do método de extrair a carga armazenada em cada pixel: esta é
transferida (coupling) de um pixel para outro pelo colapso controlado e respectivo crescimento de
poços de potencial. O poço é formado dentro do cristal de slicone pelo campo elétrico gerado por
voltagem aplicada a eletrodos metálicos semi-transparentes, bem finos, na superfície do CCD. Em
suma, a radiação incidente (fótons) libera elétrons na estrutura do detector e produz um efeito elétrico
mensurável. Este fenômeno ocorre em uma escala de tempo atômica ou molecular, contrariamente à
escala de tempo macroscópica envolvida nos fenômenos de aquecimento e resfriamento de
detectores térmicos. Como conseqüência, é possível obter tempos de resposta muito mais curtos.
Por outro lado, os detectores de fótons têm uma sensibilidade variável com o comprimento de onda.
Isto é, devem ser fabricados e aplicados para aplicações específicas.


Figura 3.45 - Pirômetro digital.


149

Figura 3.46 - Pirômetro de fibra ótica.

A determinação da emitância pode ocorrer também através do efeito direto de aquecimento
de uma superfície. Aí temos os detectores térmicos, como os pireliômetros (radiação solar direta), os
piranômetros (radiação total, direta mais difusa), os pirgeômetros (radiação infravermelha), os
bolômetros, entre outros.



(a) (b)

Figura 3.47 – (a) Pireliômetro; (b) Piranômetro
http://www.eppleylab.com/

Os detectores térmicos são fitas metálicas muito finas, enegrecidas a fim de absorver o
máximo da radiação incidente. Pelo fato de serem muito finas, a capacidade térmica é mínima,
permitindo desempenho satisfatório em regime transiente, isto é, tempo de resposta rápido. Imagine
um pireliômetro, por exemplo, medindo a intensidade da radiação solar incidente. A fina fita metálica é
colocada em uma cúpula de vidro, hemisférica, selada na parte inferior. Sob a fita metálica colocam-
se vários termopares ligados em série, uma termopilha. A radiação solar incidente atravessa o vidro (é
transmitida) e é absorvida pela fita preta enegrecida. Esta esquenta até atingir o equilíbrio térmico

150
(energia absorvida – (energia dissipada por convecção, condução e radiação) = 0). Evidentemente, a
radiação emitida pelo sol está sempre variando. Assim também como a energia dissipada (por
exemplo, o pireliômetro está sob a ação de vento, que varia instante a instante; ou uma nuvem se
aproxima da posição do sol, e afeta a caraterística radiativa do céu para a fita metálica, que está
emitindo para ele, e assim seguem as entradas interferentes). A temperatura atingida pelo sensor não
é função somente da radiação absorvida, mas também das perdas por convecção para o ambiente e
por condução para o suporte do sensor, e por radiação para a cúpula hemisférica de vidro, que por
sua vez emite para o céu, que um certo momento tem certas nuvens influênciando a radiação emitida
na direção do pireliômetro, e também a absorção da radiação emitida pelo pireliômetro (a cúpula de
vidro), em outro momento as influências são diferentes, etc, etc, etc. A temperatura de equilíbrio do
sensor é medida, além de termopilhas, também termoresistor ou RTD.
A radiação térmica também pode ser medida por detectores térmicos chamados bolômetros
(bolometers). Estes consistem de uma tira metálica fina, platina por exemplo, também enegrecida
para absorver o máximo da radiação incidente. A temperatura da tira é indicada pela variação de sua
resistência, que é medida por um circuito (em ponte, por exemplo, como a de Wheatstone)
apropriado.

3.6.1 Aplicação dos Termômetros
Os vários termômetros são utilizados em diferentes aplicações. Por exemplo, os termômetros
de mercúrio ainda hoje são usados em estações de medição de clima. Termômetros bimetálicos são
usados em radiosondas. Termopares são muito usados na medição local da temperatura quando
sistemas de aquisição de dados são empregados. Radiômetros são utilizados quando se deseja fazer
uma medição à distância. Estas, entretanto, não são regras gerais, pois o desenvolvimento
tecnológico via de regra as supera. A Tab. 3.10 mostra algumas vantagens e desvantagens de
termômetros.

Vantagens Desvantagens
Temômetro de Mercúrio
barato leitura difícil
durável
não trabalha a temperaturas inferiors a -39ºC (ponto de congelamento do
Hg)
preciso não pode ser usado em registro automático de dados
facilmente calibrável resposta lenta, isto é, grande constante de tempo
maior temperatura de ebulição que o
álcool
frágil

151
o mercúrio é substância venenosa
Manômetro de álcool (em comparação com termômetro de Hg)
Ponto de congelamento inferior (-114 ºC) menos durável (o alcool evapora)
maior coeficiente de expansão O álcool pode polimerizar
menos perigoso Menor ponto de ebulição (60 ºC)
Termômetro bimetálico
barato Requer calibração frequente para manter precisão
durável constante de tempo elevada
Pode ser usado para registro automático
calibra-se facilmente
RTD
o display é de fácil leitura apresenta drift com o passar dos anos
constante de tempo reduzida caro
Preciso em uma faixa ampla de
temperaturas

Termopar
o display é de fácil leitura ancillary equipment is expensive
durável
difícil de calibrar (especificação menos rigorosa do material do par, ligas,
etc)
pode ler temperaturas locais de pontos tão
próximos quanto 5 mm.

resposta rápida caso seja construído co
fios de pequeno diâmetro

Radiômetro
permite leituras remotas muito caro
características da superfície emissora tem que ser conhecido

medição afetada pela absorção/emissão do material entre objeto e
radiômetro
Tabela 3.10 - vantagens e desvantagens de termômetros.


152
3.7 Efeito da Transferência de Calor nas Medidas de
Temperatura

Todas as medidas de temperatura envolvem um processo de transferência de calor. Quando
um termômetro é exposto a um ambiente qualquer, a sua temperatura de equilíbrio (valor obtido)
depende da troca térmica total entre o ambiente e o sensor. Nesse sentido, podemos até perguntar:
Quando um termômetro de mercúrio é imerso em um líquido quente, inicialmente o
nível abaixa para depois subir. Porquê?
A resposta é simples: duas propriedades físicas afetam a leitura do termômetro à medida que
ele entra em equilíbrio térmico com o sistema que está sendo medido, a expansão térmica e a
condutividade térmica dos materiais que o compõe. O vidro tem condutividade térmica baixa,
aproximadamente 1 W / (m ºC), assim como pequeno coeficiente de expansão. O coeficiente de
expansão do mercúrio é 10 vezes superior ao do vidro. Quando o calor flui para o vidro, ele se aquece
inicialmente e se expande. Por causa do baixo coeficiente de condutividade do vidro, o mercúrio não
se expande inicialmente, o que faz com que o aumento do volume do vidro reflita no abaixamento da
coluna de mercúrio.
Em alguns casos, a temperatura do sensor pode ser substancialmente diferente da
temperatura que se quer medir (temperatura do meio medido), se o sensor retirar ou adicionar
quantidade substancial de calor do/para o meio. Assim, afeta a medida que se deseja realizar. Nesta
seção são discutidos métodos para se corrigir o efeito da transferência de calor sobre a leitura dos
termômetros, nestes casos onde o sensor impõe alteração na temperatura do meio. Deve-se observar
que estes erros são classificados como erros sistemáticos.
Um processo de transferência de calor ocorre sempre como o resultado de um ou mais dos
três modos de transferência: condução, convecção e radiação. Em geral, os três modos devem ser
levados em consideração ao se analisar um problema de medida de temperatura. A condução ou
difusão de calor está relacionada à (1) atividade atômica e (2) molecular em um meio
estacionário (sólido ou fluido). Ela pode ser vista como a transferência de energia de partículas mais
energéticas para partículas menos energéticas de uma substância através da interação entre estas
partículas. Esta interação pode se dar pela (1) migração de elétrons livres e/ou pela (2)
propagação de ondas vibratórias pela rede estrutural do material. Em um extremo estão os metais
puros, excelentes condutores de calor: o transporte de energia se dá primordialmente pela migração
de elétrons livres. No outro extremo estão os materiais isolantes: a difusão de calor se dá
basicamente pela propagação de ondas vibratórias.
A condução de calor é descrita pela lei de Fourier, que em sua forma unidimensional pode ser
escrita


153
dx
dT
A k q
x
− = ou
dx
dT
k
A
q
q
x
x
− = =
"


onde
k ≡ condutividade térmica do material [W/m.K]
A ≡ área normal ao gradiente de temperatura através da qual ocorre a condução [m
2
]
qx ≡ taxa de transferência de calor na direção do gradiente de temperatura decrescente [W]
q
x
"
≡ fluxo de calor na direção do gradiente de temperatura decrescente [W/m
2
]
dx
dT
≡ gradiente de temperatura [K/m]

Se existir um gradiente de temperatura ao longo de um termômetro, calor será conduzido do
ou para o elemento sensor, admitindo-se uma situação mais simples de condução unidimensional.
A transferência de calor por convecção se dá sempre em um meio fluido e envolve na
verdade dois mecanismos distintos: a própria condução de calor associada à atividade atômica ou
molecular, à qual se superpõe o transporte de energia associado ao movimento macroscópico do
fluido (advecção). A convecção é o efeito cumulativo destes dois mecanismos e é descrita pela lei de
Newton:
q = h A (Ts − −− − T∞ ∞∞ ∞)

onde
h ≡ coeficiente de transferência de calor por convecção, ou coeficiente de película [W/m
2
K ]
A ≡ área da superfície trocando calor com o fluido [m
2
]
Ts ≡ temperatura da superfície [K]
T∞ ≡ temperatura do fluido longe da superfície [K]

A determinação do coeficiente de película, h, requer uma análise cuidadosa e detalhada das
condições do escoamento. Na maior parte das vezes, é necessário usar correlações empíricas para o
cálculo deste parâmetro. Embora incertezas de ± 25% no valor de h sejam bastante comuns, mesmo
um valor aproximado é bastante útil no cálculo de correções a serem feitas nas medidas de
temperatura.
Havendo troca de calor por radiação entre duas superfícies (por exemplo, a sensor de
temperatura e paredes sólidas que confinam o meio envolvente), o fluxo líquido de calor é obtido de
( )
4
2
4
1 2 1
T T F F q
G
− =
− ε
σ

onde FG é um fator geométrico denominado fator de forma e Fε é um fator que descreve as
propriedades de radiação das superfícies.
Um caso particular desta equação se dá para a troca radiante entre uma pequena superfície e
uma grande cavidade que a envolve completamente (quase sempre o caso de um sensor de

154
temperatura e o meio envolvente). Por exemplo, um pequeno termopar registrando a temperatura
média do ar de uma sala: supõe-se que o ar da sala não influencie a troca radiante. Embora simples,
este modelo permite resolver vários problemas práticos. A troca radiante líquida entre a pequena
superfície e as paredes da cavidade é dada por:
( )
4
2
4
1 2 1
T T A q − =

σ ε

onde F
G
= A, Fε = ε e A é a área da pequena superfície.

Seja a Fig. 3.47, onde a junção de medida de um termopar é instalada na placa plana cuja
temperatura se quer medir. Há troca de calor por convecção de ambos os lados da placa, sendo que
o termopar está exposto a um destes ambientes convectivos. Os fios do termopar estão recobertos
por um material isolante, conforme mostrado. Se a temperatura da placa for maior do que a
temperatura Tf do fluido do lado do termopar, calor será conduzido para fora ao longo do termopar e a
temperatura da junção de medida será menor do que a temperatura da placa. Desprezando-se a troca
radiante entre o termopar e a vizinhança, o balanço de energia é mostrado simplificadamente na
figura seguinte.


Figura 3.48 - Termopar medindo temperatura em uma placa aquecida colocada em escoamento:
desprezada a troca de calor radiativa

Seja:
h
1
, h
2
≡ coeficientes de transferência de calor por convecção de cada lado da placa, note que
a presença do termopar em um dos lados afeta o processo [W/m
2
.K]
h
t
≡ coeficiente de transferência de calor por convecção de cada um dos fios do termopar
[W/m
2
.K]
k ≡ condutividade térmica do material da placa [W/m.K]
δ ≡ espessura da placa [m]
T
f
≡ temperatura do fluido envolvendo o termopar [K ou °C]
T
i
≡ temperatura indicada pelo termopar [K ou °C]
Corrente de Ar,
Velocidade V,
Temperatura Tf
qh
qc
qh
qc
Tp
Ti

155
T
p
≡ temperatura da placa (temperatura em uma posição distante da junção do termopar) [K
ou °C]
r
s
=
t
r 2 , onde
t
r é o raio de cada um dos fios do termopar [m]
m = [ ]
1 -
2
1
2 1
m |
¹
|

\
| +
δ k
h h

k = ( )

|
|
¹
|

\
|
+ +
K
W

1
2
2 3 2 1 2 1
i
i
t
s B
A
k h
r k k
δ
π
/ / /


k
A
, k
B
≡ condutividades térmicas dos dois materiais do termopar
δ
i
≡ espessura do isolamento do termopar
k
i
≡ condutividade térmica do isolamento.

No caso da placa ser relativamente pouco espessa, ela pode ser tratada como um meio semi-
infinito, isto é, um meio que se estende para o infinito em todas as direções exceto uma, a que define
a espessura da placa, sendo assim caracterizado por um plano. A correção a ser feita à leitura do
termopar é então
) (Bi F X
Bi X
T T
T T
f p
i p
+

=



onde
|
|
¹
|

\
|
=
R kA
L
k r
R kA
X tanh
/
π
[adimensional]
condução a a resistenci
convecção a a resistenci
k
r h
Bi
s


`
`
≡ =
, [adimensional]
2
5 0 08 1 27 1 Bi Bi Bi F , , ., ) ( − + =
, para Bi < 1
k ≡ condutividade térmica da placa [W/m.K] r ≡ raio do fio ou
2
vezes o raio para o caso de
haver dois fios [m]
L ≡ comprimento do fio [m]
hs ≡ coeficiente de película entre o sólido e o fluido
kA ≡ produto equivalente entre a área da seção transversal do fio e a condutividade térmica
i
w i
i
k
r r
h r
R
π π 2 2
1 ) / ln(
+ =
≡ resistência térmica
rw ≡ raio do fio ri ≡ raio externo do isolamento

156
ki ≡ condutividade térmica do isolamento
h ≡ coeficiente de película entre o isolamento e o fluido

Deve-se observar que L muitas vezes é grande o suficiente para se fazer
tanh
( / L kAR) 1 ≈
. Além disso, para Bi > 1 os efeitos da convecção são bastante pronunciados
e os erros na medida da temperatura são maiores. Neste caso, o próprio processo de medida deve
ser revisto. Finalmente, o erro causado pelo efeito aleta do termopar pode ser reduzido fazendo-se
este correr em contato com o sólido, reduzindo-se assim o gradiente de temperatura. Obviamente o
termopar deve estar eletricamente isolado do sólido, caso este seja um metal.

Exemplo 1: Erro do termopar em um sólido de baixa condutividade térmica
Um fio de termopar tendo um diâmetro efetivo de 1,5 mm é fixado a um sólido cerâmico com
as seguintes propriedades: ρ = 2500 kg/m
3
, c = 0,7 kJ/kg.K e k = 0,9 W/m.K. O termopar tem uma
condutividade térmica efetiva de 80 W/m.K, é muito longo e a espessura do isolamento pode ser
desprezada no que diz respeito à transferência de calor. O coeficiente de película entre o termopar e
o fluido circundante é 250 W/m
2
.K enquanto que o coeficiente de película entre o sólido cerâmico e o
fluido é 20 W/m
2
.K. Calcule a temperatura do sólido se a leitura do termopar for 200 °C e a
temperatura do fluido for 90 °C.
Solução: A resistência térmica radial entre o termopar e o fluido é

Na expressão acima, a porção referente à resistência de condução do isolamento foi
desprezada. Tem-se ainda
kA
W m
K
= ⋅ = ⋅ ⋅

− −
(80) ( , ) .
π
4
15 10 1414 10
3 2 4

Como o fio do termopar é muito longo (L → ∞), tanh( 0 1 ) , / ( → R kA L de modo que
X
kA R
rk
s
= =

⋅ ⋅ ⋅
=


/ , / ,
( , ) ,
,
π π
1414 10 0 849
0 75 10 0 9
6 085
4
3

Bi
h r
k
s
s
= =
⋅ ⋅
=

( ) ( , )
,
,
20 0 75 10
0 9
0 0167
3

F Bi ( ) , , , , ( , ) = + ⋅ − 1 27 1 08 0 0167 0 5 0 0167
2
= 1,288

Calculamos então


157
Portanto, a temperatura do sólido é


Observa-se uma enorme discrepância entre a leitura do termopar e o valor real da
temperatura do sólido. Isto se deve principalmente ao fato do sólido ser um mal condutor de calor, de
modo que mesmo para uma pequena taxa de calor conduzida pelos fios do termopar haverá uma
grande diferença de temperatura entre a temperatura local do sólido e a temperatura da junção.
Seja agora o problema da medida da temperatura de um gás que escoa em um duto. A
temperatura do termômetro é denominada Tt, a temperatura do gás Tg e a temperatura da superfície
do duto Ts. Pode-se escrever o seguinte balanço de energia para um volume de controle envolvendo
o termômetro:

E
af
+

E
g


E
ef
=

E
ac

onde

E af ≡ energia térmica transferida ao volume de controle [W]

E g ≡ energia “gerada” no volume de controle (taxa de conversão de uma outra forma
qualquer de energia em calor) [W]

E ef ≡ energia térmica transferida do volume de controle [W]

E ac ≡ acumulação de energia no volume de controle [W]
Reconhecemos que para processos em regime permanente, como é o caso de medidas
estáticas, 0 =
ac
E . Admitimos ainda que a conversão de energia elétrica em calor nos vários tipos de
sensores elétricos é desprezível face às fugas térmicas, isto é, 0 =
g
E . Como já foi visto, esta
hipótese é perfeitamente válida no caso do efeito Peltier de termopares, da dissipação Joule em
termistores e, na maior parte das vezes, em termoresistores. O balanço de energia no termômetro se
torna então

E af =

E ef

158
No caso do termopar da Fig. 2.1, calor é trocado por radiação entre a junção de medida e as
paredes do duto enquanto calor é trocado por convecção entre o fluido e a junção de medida.
Obviamente, há ainda a condução de calor ao longo do termopar. Para o caso em que Ts < Tg, vem:

E af = qconv

E ef = qrad + qcond
de onde
q
conv
= q
rad
+ q
cond



Consideremos primeiramente o caso em que as perdas por condução ao longo do elemento
sensor são desprezíveis face às perdas por radiação. Logo,
q
conv
= q
rad

e
h A (Tg - Tt) = σ Fg Fε ( Tg 4 - Tt4 )
Admitindo-se que o elemento sensor seja muito menor do que o duto,
h A (Tg - Tt) = σ A ε ( Tt 4 - Ts4 )
h
T T
T T
s t
t g
) (
4 4

+ =
εσ

que é idêntica à obtida anteriormente com relação à interação sensor-meio.
Quando a temperatura Tg calculada pela equação acima for significativamente diferente da
temperatura Tt indicada pelo termômetro, o procedimento adotado na prática é proteger o elemento
sensor por uma blindagem de radiação. Esta blindagem atua refletindo de volta para o sensor a maior
parte da radiação térmica por ele emitida. Para esta nova geometria, o elemento sensor não pode
mais ser considerado muito menor do que a vizinhança que o circunda (a blindagem) e a análise das
trocas radiantes se torna bastante mais elaborada. O circuito térmico equivalente a partir do qual
obtemos as seguintes expressões para os balanços de energia conduz a:
Termômetro ) ( ) (
t bt
t
t
t g t
J E T T h −

= −
ε
ε
1


Blindagem
se s
bc bs
s t
s
ts
t bt
s g s
F
E E
A
A
F
J E
T T h
1
1
1
1
1 1
2
+ −

+
− +
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|

= −
ε
ε
) (

onde Jt é a radiosidade dada por


159

− +
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
+


+
|
|
¹
|

\
|

− +
|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
+
)
`
¹
¹
´
¦
+


=
1
1 1
1
1
1
1 1
1
s t
s
ts
t
t
te
s
t
s t
s
ts
bs
s
t
be te
t
t
bt
t
A
A
F
F
A
A
A
A
F
E
A
A
E F E
J
ε
ε
ε
ε
ε
ε
)

Nestas equações, os parâmetros usados são

ht ≡ coeficiente de película entre o gás e o termômetro
εt ≡ emissividade do termômetro
Ebt = σ Tt4 ≡ emitância de um corpo negro à mesma temperatura que o termômetro
hs ≡ coeficiente de película entre o gás e a blindagem
εs ≡ emissividade da blindagem
Ebe = σTe4 ≡ emitância de um corpo negro à mesma temperatura que a vizinhança
Ebs = σTs4 ≡ emitância de um corpo negro à mesma temperatura que a blindagem
At ≡ área de troca térmica do termômetro (convecção e radiação)
As ≡ área de troca térmica de cada lado da blindagem

Os fatores de forma de radiação, F, são definidos da seguinte maneira:
Fts ≡ fração da radiação que deixa o termômetro e chega à blindagem
Fse ≡ fração da radiação que deixa a superfície externa da blindagem e chega à vizinhança
(para a vizinhança admitida muito maior que a blindagem, este fator de forma é 1,0)
Fte ≡ fração da energia que deixa o termômetro e chega à vizinhança

A determinação de ht e hs requer a utilização de uma correlação apropriada conforme
explicado anteriormente. A solução das equações normalmente requer um processo iterativo. Pode-
se, no entanto, antecipar que o erro causado pelas trocas radiantes será tanto menor quanto mais
refletora for a blindagem (ε muito pequena).
Para o caso em que as trocas convectivas entre o gás e a blindagem puderem ser
desprezadas (gases a baixas velocidades) e a blindagem envolver praticamente todo o elemento
sensor do termômetro (eliminando as trocas radiantes entre o sensor e a vizinhança), a análise acima
é bastante simplificada. O balanço de energia para o termômetro se torna apenas
h A (T
g
- T
t
) = σ A ε F
s
(T
t

4
- T
s
4

)

onde


160
|
|
¹
|

\
|

|
|
¹
|

\
|
+
=
1
2
1
1
s s
s
A
A
F
ε
ε


e A ≡ área de troca térmica do termômetro
As ≡ área interna da blindagem
ε ≡ emissividade do sensor
εs ≡ emissividade da blindagem

Deve-se observar mais uma vez que a instalação de qualquer blindagem reduzirá as trocas
radiantes, melhorando assim a medida da temperatura.

Exemplo 2: Cálculo do erro de radiação
Um termômetro de bulbo é colocado no interior de uma câmara frigorífica a fim de se medir a
temperatura do ar quando a porta for deixada aberta por longos períodos. Observou-se que o
termômetro lia 1°C enquanto o sistema de controle indicava -10°C para as paredes da câmara. Se o
coeficiente de película entre o ar e o termômetro for 10 W/m².K e ε = 0,9 para o vidro, estimar a
temperatura real do ar.
Solução: De um balanço de energia para o termômetro, reconhecemos que
q
conv
= q
rad

h A (T
g
- T
t
) = σ A ε (T
t
4
- T
s
4
)

h (T
g
- T
t
) = σ ε (T
t
4
- T
s
4

)

Substituindo-se os valores numéricos,
10 x (Tg-274) = 0,9 x (5,669x10
-8
) x (2744 - 2634)
Tg = 278,3 K = 5,3 °C

Observa-se uma diferença substancial entre o valor indicado e o valor real da temperatura do
ar, o que indicaria a necessidade de utilização de uma blindagem de radiação.

3.8 Medidas Térmicas: a Condutividade Térmica


161
3.8.1 Condutividade Térmica de Sólidos
A condutividade térmica é expressa pela lei de Fourier, rescrita levando-se em consideração a
possibilidade da condução de calor ser bi- ou tridimensional:

x
T
A
q
k
x



= [W/m.K]

Ou seja, a condutividade térmica de um material representa a taxa de energia conduzida por
aquele material por unidade de área normal à direção do gradiente de temperatura e por unidade do
gradiente de temperatura. Os valores da condutividade térmica encontram-se tabelados em livros-
textos e manuais técnicos para uma vasta gama de materiais e substâncias. Entretanto, é importante
para o engenheiro conhecer alguns dos principais métodos de medida desta propriedade já que novos
materiais aparecem regularmente e, muitas vezes, um material para o qual se tem a condutividade
térmica tabelada não corresponde exatamente àquele que se tem em mãos.
Os métodos para a determinação experimental da condutividade térmica estão baseadas na
equação de Fourier, de uma forma ou de outra. Seja uma amostra plana de um material. Se
medirmos a taxa de calor conduzido, a espessura da amostra, a sua área e as temperaturas em
ambas as faces, então a condutividade térmica pode ser calculada, para este caso de condução
unidimensional, por:

k
q x
A T T
=


( )
1 2


Na montagem experimental, calor pode ser fornecido a uma das faces da amostra por um
aquecedor elétrico e removido da outra face por um trocador de calor. A temperatura das faces pode
ser medida, por exemplo, por termopares. O maior problema com este método de medida ocorre
devido às perdas de calor pelas bordas da amostra que tornam a distribuição de temperatura bi- ou,
até mesmo, tridimensional. A utilização da equação unidimensional, neste caso, implicaria em um
erro conceitual na medida da condutividade térmica.
Este problema pode ser amenizado pela utilização de aquecedores auxiliares. Nesta
montagem, o aquecedor é colocado no centro e uma amostra do material é colocada de cada um dos
seus lados. Faz-se a circulação de refrigerante igualmente de ambos os lados e termopares são
instalados em posições apropriadas para a medida da temperatura. Os aquecedores auxiliares são
colocados ao longo de toda a periferia do aquecedor principal e são todos mantidos à mesma
temperatura que este último. Este procedimento minimiza as perdas de calor pelas bordas das
amostras e garante a condição de unidimensionalidade do fluxo de calor nas regiões alinhadas com o
aquecedor principal.

162

Esta montagem, chamada placa aquecida compensada (guarded hot plate), é largamente
utilizada para se determinar a condutividade térmica de sólidos não-metálicos, isto é, sólidos de
condutividade térmica baixa ou moderada. Para sólidos de alta condutividade térmica, a diferença de
temperatura entra as duas faces das amostras seria muito pequena e necessitar-se-ia de métodos de
medida da temperatura muito mais precisos.
Uma barra metálica A com condutividade térmica conhecida é conectada a uma barra
metálica B cuja condutividade térmica se deseja medir. Uma fonte e um sumidouro de calor são
ligados às extremidades da barra composta e o conjunto é então envolto por material isolante de
modo a minimizar as perdas térmicas para o ambiente e garantir a unidimensionalidade do fluxo de
calor através das barras. Termopares são fixados em ambas as barras, conforme mostrado. Se for
medido o gradiente de temperatura ao longo da barra A, a taxa de transferência de calor pode ser
determinada facilmente. Este valor é então usado para se calcular a condutividade térmica do
material B. Matematicamente,

q k A
dT
dx
k A
dT
dx
A
A
B
B
= −
|
\

|
¹
| = −
|
\

|
¹
|

( )
( )
k k
dT dx
dT dx
B A
A
B
=

As temperaturas podem ser medidas em várias posições da barra B de modo a se determinar
a variação da condutividade térmica com a temperatura. Este método tem sido usado para se medir a
condutividade térmica de metais em temperaturas de até 600°C.

3.8.2 Medida da Condutividade Térmica de Líquidos e Gases
Uma adaptação da placa aquecida compensada é usada para se medir a condutividade
térmica de líquidos. O diâmetro das placas é 5 cm e a espessura do filme líquidos é aproximadamente
0,05 cm. O filme deve ser o mais delgado possível a fim de se minimizar as correntes de convecção.
Uma montagem radial pode também ser usada para a determinação da condutividade térmica de
líquidos. Mais uma vez, a espessura da camada líquida deve ser pequena o suficiente para se
minimizar as correntes de convecção. Um arranjo semelhante é usado para a medida da
condutividade térmica de gases. Os cilindros interno e externo são construídos de prata com um
comprimento de 127 mm e o diâmetro externo do conjunto é 38,1 mm. O espaço anular para o gás
tem 0,635 mm de espessura.


163
Uma adaptação desta configuração é usada para a medida da condutividade térmica de
gases a altas temperaturas. O emissor atua como fonte de calor e os “postos de calor” nas
extremidades são aquecedores compensadores auxiliares. O emissor tem um diâmetro externo de 6
mm e um comprimento de 50 mm enquanto o receptor tem um diâmetro interno de 10 mm,
comprimento de 125 mm e espessura da parede de 1 mm. Durante os teste, é possível manter uma
diferença de temperatura de 5 a 10°C entre o emissor e o receptor. A taxa de calor conduzido é
medida pela determinação da potência elétrica consumida pelo emissor enquanto termopares
instalados nas superfícies do emissor e do receptor são usados para a determinação da diferença de
temperatura.
Para uma camada fluida anular em sistemas radiais, a condutividade térmica é calculada de
k
q r r
L T T
=

ln( )
( )
2 1
1 2


onde
q ≡ taxa de calor conduzido
r
2
, r
1
≡ raios externo e interno, respectivamente, do espaço anular contendo o fluido
T
2
, T
1
≡ temperaturas das superfícies em r
2
e r
1
, respectivamente.

3.9 Medida do Fluxo Térmico

Há muitas aplicações onde se deseja uma medida direta do fluxo de calor. Um exemplo é a
estimativa das perdas por condução em montagens laboratoriais onde cálculos baseados em modelos
analíticos são complexos e requerem parâmetros cujos valores são também incertos.
O fluxímetro Gordon é mostrado esquematicamente na Fig. 4.35a. Instala-se na parede onde
se deseja medir o fluxo térmico um sumidouro de calor de cobre. Um disco fino de constantan é
então montado sobre este sumidouro de modo a se obter um bom contato térmico entre ambos ao
longo de toda a periferia do disco. Um fio de cobre muito fino é fixado ao centro do disco enquanto
um outro fio de cobre é fixado ao bloco de cobre. Tem-se assim um termopar cobre-constantan onde
as junções estão, uma, no centro do disco e, outra, em toda a sua periferia. Ao se impor um fluxo de
calor sobre o disco, calor será absorvido e conduzido radialmente para fora, criando-se assim uma
diferença de temperatura entre o centro e a periferia. Esta diferença de temperatura é proporcional ao
fluxo térmico incidente sobre o disco e é facilmente medida pelo termopar. Podem ser medidos fluxos
térmicos na faixa de 0,15 a 3 MW/m².
A perda de calor por radiação pela face posterior do disco para o sumidouro de cobre pode
ser levada em consideração facilmente através de uma calibração cuidadosa do dispositivo. Quando
se desejar utilizar o fluxímetro para a medida de um fluxo radiante, a face frontal do disco de
constantan é recoberta com uma placa de safira isolada termicamente que deixa passar a radiação

164
incidente mas impede as perdas por convecção. Finalmente, a medida de fluxos térmicos menores
do que aqueles indicados requer uma maior sensibilidade do circuito termoelétrico, o que pode ser
conseguido utilizando-se um disco de cobre e uma conexão central de bismuto-telúrio dopado
positivamente.
Um outro tipo de fluxímetro muito versátil é mostrado a seguir. Uma termopilha com os
metais A e B é fixada sobre uma placa de material isolante muito fina, sendo o conjunto fixado à
superfície cujo fluxo de calor deseja-se medir. Sendo a placa muito fina, a condução através dela
será unidimensional e, sendo ela isolante, a diferença de temperatura entre as junções T1-T2 será
maximizada. A fim de se aumentar a sensibilidade do sensor, o número de pares da termopilha pode
ser aumentado. O fluxo de calor máximo que pode ser medido com este tipo de sensor é de
aproximadamente 0,63 MW/m² a uma temperatura máxima de 260°C, limitada pelo material isolante.




165

4 Medição de Vazão


O medidor de vazão é um instrumento capaz de medir a massa (medidor de vazão mássica)
ou o volume de um fluido (medidor de vazão volumétrica) que escoa em uma tubulação ou um canal
em um determinado intervalo de tempo. O consumo mundial, base anual, de líquidos e gases, é
aproximadamente de 3 bilhões m3 e 600 bilhões Nm3, respectivamente. Assim, uma incerteza de +/-
3% (uma figura de cálculo!) nas medições realizadas por medidores podem conduzir créditos ou
déficits contábeis de até 90 milhões m3 de líquido e 18 bilhões Nm3 de gás. Há um esforço,
atualmente, de vários laboratórios internacionais (rede internacional de laboratórios de medidas e
certificação) para aprimorar os medidores de vazão e reduzir as incertezas de medidas.


Figura 4.1 - Medidor-separador multifásico (gás+líquido) da Agar

4.1 Conversão de Unidades

Conversões de várias unidades de vazão (e seus múltiplos e sub-múltiplos), entre diferentes
sistemas de unidades, são apresentadas na Tab. 4.1. A vazão é volumétrica (volume na unidade de
tempo, usualmente representada por Q) ou mássica (massa na unidade de tempo, muitas vezes
representadas por m ou M).


166

Tabela 4.1 – Conversão de unidades de vazão.

4.2 Condição Padrão e Intervalo

Em medição de gases ou vapores (isto é, fluidos altamente compressíveis), é comum que a
vazão volumétrica seja referenciada a uma certa condição específica de pressão e temperatura. Esta
condição é denominada de condição normal, condição standard ou condição padrão, dependendo dos
valores especificados de pressão e temperatura. Os valores de pressão mais utilizados como
referência são: 1,01325 Bar, isto é, 1 atm, ou 760 mmHg ou ainda 29,92 inHg. Os valores de
temperaturas mais utilizados como referência são: 0ºC, 15ºC ou 60ºF (15,55ºC).
A condição de referência que é usualmente designada de CNTP (isto é, Condição Normal de
Temperatura e Pressão) tem os valores respectivos de pressão e temperatura dados por: ( 1 Bar ; 0
ºC ). A condição de referência que é usualmente designada de Condição Padrão (ou ainda Condição
Standard) tem os valores ( 1 Bar ; 60 ºF ). Denomina-se de vazão ‘in situ’ aquela correspondente à
pressão e temperatura do fluido no local da medição. A vazão ‘in situ’, Q, e a padrão, Q*, estão
relacionadas por:


Exemplo - Um medidor registra a vazão volumétrica de 1200 cfm ("cubic feet per minute", ou pé
cúbico por minuto) de metano a 5 atmg (atmosfera "gauge", isto é, a medida de pressão relativa à
atmosfera) e à temperatura local de 150 ºC. Determine a vazão "Standard", isto é, a vazão
equivalente na “Condição Standard”, em Scfm (Standard cfm, Standard cubic feet per minute ou
Standard pcm, pé cúbico por minuto) e em Std m3/h (metro cúbico Standard por hora), referência
1 Bar, 60 ºF.

167



4.3 Medidores por Obstrução de Área



Figura 4.2 – Esquema de medidores de vazão por obstrução de área

Relação funcional dos medidores por obstrução de área (vazão em função da variação
pressão):

onde Q (a vazão volumétrica, ou m, a vazão mássica) é a vazão e P ∆ é a diferença de pressão
provocado pelo escoamento do fluido de trabalho através do medidor (variação da energia específica
do escoamento entre a entrada e a "garganta", isto é, a seção de área restringida do medidor).


Figura 4.3 - Conjunto de medidores de vazão por obstrução de área.


168

Figura 4.4 - Conjunto de placas de orifício da EuroMisure.
(www.power-technology.com/contractors/pressure/euromisure/euromisure2.html)

4.4 Vazão Teórica

4.4.1 Fluido Incompressível (escoamento idealizado)
Aplicação da Equação da Energia (ou Eq. de Bernouille, aplicação peculiar)
Premissas simplificadoras:
• Escoamento Unidimensional
• Regime Permanente
• Fluido Incompressível
• Fluido não-viscoso (esc. Reversível)


Figura 4.5 - Variação da energia entre entrada e saída de medidor de vazão por obstrução de área
colocado na horizontal (sem variação de energia potencial)


169

Figura 4.6 - Representação da energia específicas em pontos distintos de um venturi
(http://www.ce.utexas.edu/prof/KINNAS/319LAB/Applets/Venturi/venturi.html)

Equação da Continuidade entre as seções (1) e (2), sendo m a vazão mássica, r a densidade
do fluido, V a velocidade média do escoamento e A a área de seção transversal do medidor, em
diferentes posições axiais:

Equação Energia entre as seções (1) e (2), sendo p a pressão estática. Notar que o medidor
está colocado na horizontal; se o escoamento for vertical ou inclinado, a energia associada à ação do
campo gravitacional deve ser considerada):



4.4.2 Fluido Compressível (escoamento ainda idealizado)
Premissas simplificadoras:
• O escoamento é unidimensional
• O regime é permanente
• O fluido compressível é um gás perfeito

170
• O escoamento é isoentrópico (sem atrito e troca de calor)

Relações Termodinâmicas:
(Cp é o calor específico a pressão constante, Cv é o calor específico a volume constante, T é
a temperatura absoluta e R é a constante dos gases)



Equação da continuidade entre as seções (1) e (2):

Equação da energia entre as seções (1) e (2):

Combinando as equações e as relações termodinâmicas, resulta:

sendo r = (P2 / P1).

O Fator de Expansão, Y

Para bocais e venturis vale a relação isoentrópica :

A Fig. 4.7 mostra o fator de expansão Y com relação ao parâmetro β.
Para placas de orifício, devido à contração abrupta, uma aproximação uni-dimensional não é
adequada. Devem ser consideradas as contrações nas direções axial (a predominante nos bocais e
venturis) e também radial. Para compreender a diferença da complexidade do escoamento em

171
venturis e placas de orifício, veja as Figs.4.8 e 4.9, que são visualizações de escoamentos de fluidos
através de um venturi e de uma placa.


Figura 4.7 - Fator de expansão Y com relação ao parâmetro β ββ β.


Figura 4.8 - Escoamento em venturi: à esquerda, V= 0,4 m/s; à direita, V = 2,0 m/s


Figura 4.9 - Escoamento em placa de orifício, Rey = 4300


172
A correlação abaixo é sugerida para o cálculo de Y, nestes casos (placa de orifício):



Qual é a relação que existe entre a vazão real que escoa através do medidor e a vazão
calculada pelo modelo teórico (no caso de um escoamento incompressível)?

O modelo teórico não representa os efeitos de compressibilidade e multi-dimensionais (por
ser unidimensional) do escoamento. Ademais, não expressa os efeitos viscosos e/ou turbulentos do
escoamento!!
A análise dimensional do fenômeno indica que há seis (6) variáveis significativas para a
análise do processo. Assim, se :

estas 6 variáveis têm 3 dimensões e, consequentemente, teremos três números adimensionais
(lembram-se do Teorema dos II de Buckingham, lá da Análise Dimensional?):


Na relação funcional acima, Cd é o chamado coeficiente de descarga do medidor, b é a
conhecida razão de diâmetros tubulação/placa e Re é o número de Reynolds do escoamento na placa
(referido ao diâmetro da garganta da placa) ( ν / Vd ) ou ( µ ρ / Vd ) , onde ν é a viscosidade
cinemática e µ é a viscosidade dinâmica. Lembrar que a viscosidade é a razão entre a viscosidade
dinâmica e a densidade do fluido:
ρ µ ν / = .

4.5 Vazão Real

Como então calcular a vazão real? Como sempre fazemos na engenharia, quando um cálculo
exato de um processo não é possível de ser feito: multiplica-se o valor que resulta da análise de um
processo idealizado por um coeficiente. Neste caso, o Coeficiente de Descarga, C
d
. Assim, a vazão
real é, então, no caso de um escoamento incompressível, o resultado do produto da vazão teórica
(para um escoamento incompressível) pelo coeficiente de descarga:


173

Para o caso mais geral de um escoamento compressível, a vazão real é o produto da vazão
teórica com o coeficientes de descarga e o fator de compressibilidade. Assim, são incorporados os
efeitos da viscosidade do fluido de trabalho e da compressibilidade do escoamento:


O coeficiente de descarga é determinado experimentalmente como uma função de b (a razão
dos diâmetros expressa a geometria do medidor) e do número de Reynolds, Re (isto é, uma escala
relativa entre a os efeitos inerciais e viscosos do escoamento):


O coeficiente de expansão, que também pode ser determinado experimentalmente, depende
também das características geometricas do medidor ( b ) , de características do fluido de trabalho ( k )
e de condições operacionais do medidor ( r = P2 / P1):


4.6 Placa de Orifício: Detalhes Geométricos


Figura 4.10 - Orifício Concêntrico. Tomada de Pressão: Flange ou (1D e 1/2D, montante e jusante)


174
Em tubulações transportando particulado sólido em suspensão (concentração baixa!!), utiliza-
se orifícios excêntricos ou segmentados para evitar deposição de material:


Figura 4.11 - Orifícios excêntricos ou segmentados para evitar deposição de material.

4.6.1 Coeficiente de Descarga: Placas de Orifício
Os valores típicos do coeficiente de descarga para placas de orifício, nas condições
aconselhadas de aplicação ( Re= ( µ ρ / Vd ) > 10000 ), estão entre 0,6 e 0,7 .
O comportamento do C
d
em função do número de Reynolds está ilustrado na Fig. 4.12.


Figura 4.12 – Comportamento de Cd em função do número de Reynolds.


Como saber o Cd de uma placa de orifício (ou qualquer outro medidor por obstrução)?
São duas possibilidades:

1. construindo o seu medidor de obstrução de acordo com normas (ASME, ASHRAE, HEI, ISO,
etc), as quais publicam os valores de Cd, curvas de Cd com Re, etc. Neste caso, devem ser
observados rigorosamente a tolerância de fabricação ( exêntricidade, circularidade,

175
planicidade, rugosidade), o posicionamento das tomadas de pressão, a especificação do
material selecionado, etc.

2. determinando-o experimentalmente (veja a seguir um esquema de circuito de aferição
gravimétrico para ensaio de medidores de vazão de líquido, FEM-Unicamp, em
http://www.fem.unicamp.br/~em712/vazao.doc).



Figura 4.13 – Diagrama do circuito de teste de aferição de medidores de vazão.

O Eng. José Pinheiro, da Petrobras, em sua apostila sobre medição de vazão em gás natural,
menciona as normas a serem seguidas no Brasil (adaptações de normas ASME e outras):
• NBR ISO 5167-1 Medição de Vazão de Fluidos por Meio de Instrumentos de Pressão -- Parte
1: Placas de Orifício, Bocais e Tubos de Venturi Instalados em Seção Transversal Circular de
Condutos Forçados.
• SO/TR 5168 Measurement of Fluid Flow -- Evaluation of Uncertainties
• ISO/TR 9464 Guidelines for The Use of ISO 5167-1:1991
• API – MPMS – Manual of Petroleum Measurement Standards
Chapter 14.2, Compressibility Factors of Natural Gas and Other Related Hydrocarbon
Gases (A.G.A. Report nº 8)

176
Chapter 14.3, Part 1, Concentric, Square-Edged Orifice Meters (A.G.A. Report n.º 3)
(GPA 8185-90)
Chapter 14.3, Part 2, Specification and Installation Requirements, Reaffirmed May 1996
(ANSI/API 2530)
Chapter 14.3, Part 3, Natural Gas Applications.
Afirma o Eng. Pinheiro:
“É sabido que as normas AGA e ISO diferem em alguns pontos, principalmente nos
comprimentos dos trechos retos a montante e a jusante do elemento primário (a ISO requer trechos
mais longos). A norma A.G.A. Report n.º 3 foi criada em 1924 e vem sendo constantemente revisada,
sendo que, na revisão de 1990-92, foi desmembrada em 4 partes:
Part 1 – General Equations and Uncertainty Guidelines
Part 2 – Specification and Installation Requirements
Part 3 – Natural Gas Applications
Part 4 – Background, Development, and Implementation Procedure and Subroutine
Documentation for Empirical Flange-Tapped Discharge Coefficient Equation”

4.6.2 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício de Borda Quadrada (ASME, American
Society of Mechanical Engineers)



Observe que K é uma função de Re, D e d. As variáveis que aparecem na correlação são:

****Atenção: nas expressões acima o diâmetro está em polegadas. Se a operação interna aos
parênteses for negativa, tornar nulo o operando.****


177
E note que os fatores geométricos A e Ko são constantes para uma dada geometria.


Figura 4.14 - Variações típicas de Cd de placa de orifício de borda quadrada, padrão ASME

4.6.3 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício (norma ISO, 1980)
As correlações para o cálculo de Cd para as placas de orifício variam conforme a localização
dos pontos de medida de pressão. Estão definidas por norma isso. Estas correlações também são
algebricamente complexas. Para minimizar este incômodo, Stolz propôs uma relação mais simples,
válida para qualquer tipo de tomada de pressão:


Nesta correlação L1 e L2 são as distâncias das tomadas de pressão, à montante e à jusante
da placa, respectivamente, até a face à montante da placa de orifício. Também, D é o diâmetro da
tubulação e ReD é o número de Reynolds baseado no diâmetro da tubulação (cuidado, Re
referenciado ao escoamento na tubulação à jusante da placa!):


A relação de Stoltz é adotada pela norma ISO 5167 para a determinação de Cd em dutos de
seção circular. Ela aplica-se para:

178

Tabela 4.2 – Aplicações da relação de Stoltz.

4.7 O Bocal ASME

Os bocais são elementos tubulares de condução de escoamento, constituídos por uma seção
convergente (com a curvatura de uma elipse) e outra cilíndrica. A Fig. 4.16 mostra a localização das
tomadas de pressão para bocais utilizados em tubulações.

Figura 4.15 – Bocal da ASME


Figura 4.16 - Localização das tomadas de pressão para bocais utilizados em tubulações.


179
4.7.1 Coeficiente de Descarga: Bocal ASME
Coeficientes de descarga para bocais de raio longo ASME com tomadas 1D e 1/2D.


Figura 4.17 - Curvas de Cd para bocais ASME, Cd versus Re tubulação.

A correlação seguinte pode ser usada,


180
desde que sejam atendidas as seguintes condições:


4.8 O venturi Herschel

Os venturis são elementos tubulares de condução de escoamento, constituídos por uma
seção convergente e outra divergente.

Figura 4.18 - Dimensões de venturi Hershel


Figura 4.19 - Coeficiente de descarga, Cd, de venturi Hershel


181
4.9 Dimensionamento de Medidores de Vazão por
Obstrução de Área

O projeto e dimensionamento de um medidor de vazão por obstrução de área deve seguir,
preferencialmente, uma norma técnica. As normas técnicas garantem uma repetibilidade e
confiabilidade na fabricação, além de serem utilizadas como referência nos contratos de compra e
venda de fluidos; Elas podem ser ASME (Americam Society of Mechanical Engineers); AGA
(Americam Gas Association), isso, entre outras , bitânicas, japonesas, francesas, alemãs, etc.
São dados assegurados pelas normas:
• As características geométricas, a localização das tomadas de pressão e a tolerância de
fabricação.
• Fornecem os coeficientes de descarga (+/- 3%) para orifícios, bocais e venturis por meio de
expressões analíticas; alternativamente pode-se determinar experimentalmente o Cd
utilizando processos gravimétricos, ou usando aferição secundária com medidores
certificados e rastreados, se necessário for.
• As normas ainda estabelecem os valores da perda de carga nos elementos e definem os
critérios de instalação, como comprimentos livres a montante e à jusante dos elementos, a
necessidade de inserção de retificadores de escoamento, etc.

As “Fórmulas Práticas” ou “de Trabalho”

Como deduzimos, a vazão mássica real dos medidores de obstrução de área, para um
escoamento genérico compressível é obtida de:

Apesar de correta, esta equação tem inconvenientes na sua aplicação. As variável devem ser
dimensionalmente homogêneas, evidentemente.
Este processo de conversão de unidades é, na maioria das vezes, fonte de erro nos cálculos.
Para contornar esta “dificuldade” é usual encontrar-se "fórmulas práticas de cálculo” ou “formas de
trabalho" desta equação, com dimensões próprias para cada uma das variáveis. Uma tal "fórmula de
trabalho"é:

e a dimensão de cada variável:

182


O número de Reynolds da garganta da obstrução (atenção!!), Red, é convenientemente
expresso em função da vazão mássica:


As unidades são: m = (kg/s); d = (cm) e m = (g/cm.s). E a viscosidade, 1cP = 0.01 g/cm.s

Exemplo de dimensionamento – P.O. de borda quadrada

Ar comprimido saturado escoa numa tubulação de 10,02 polegadas de diâmetro interno, a
uma pressão manométrica (isto é, relativa) de 8,78 kgf/cm
2
, à temperatura de 32,2 ºC (observe a
confusão das unidades, bem típico de nossa situação, onde os sistemas Inglês e SI ainda convivem
com frequência no nosso dia-a-dia profissional.
Na tubulação está instalada uma placa de orifício, concênctrica, de bordas quadradas, com
tomadas de pressão na flange segundo as normas ASME. A placa é de aço inox 316.
Considerando que o orifício da placa tem 6,250 polegadas de diâmetro e que a placa provoca
uma queda de pressão pressão de 76,2 cmH2O e que a pressão barométrica local é de 1,03 kgf/cm
2
,
calcule a vazão em massa que escoa através da placa.

Conversões:


183


Constantes no procedimento de cálculo:
Razão diâmetros:


Const. E:


Pressão absoluta à montante:


Razão pressões:


Razão calor específico, k = Cp/Cv:


Coeficiente de expansão:




184
Densidade da mistura ar+vapor




Variáveis determinadas interativamente:
Vazão mássica:


Número de Reynolds do orifício:

Coeficiente de Descarga



Constantes geométricas:

185


Após substituições das variáveis chega-se a uma expressão para a vazão mássica em função
de Cd e do Cd em função da vazão mássica:

As duas equações podem ser resolvidas por substituição (processo às vezes trabalhoso) ou
iterativamente, chutando-se um valor incial para Cd (= 0.65, por exemplo, meio da faixa de variação
indicada pelas curvas).
O processo iterativo é mostrado na tabela; uma iteração foi suficiente para chegar ao valor
correto!


Resposta: a vazão mássica é 5.26 kg/seg de ar úmido.

A vazão volumétrica, Q*, na condição de referência de p = 1 atm e T = 21 oC é:


186


4.10 Acerto de cálculo para condições não-
normalizadas

Suponha que a curva de calibração do medidor de vazão de gás por obstrução de área aplica-
se para as condição de referência, identificada por (*). No caso, 1 atm e 25 ºC. Como determinar a
vazão real que escoa pelo medidor (isto é, a vazão atual) se ele for instalado em uma linha que esteja
a 5 Atm e 100ºC?


Figura 4.20 - Condição de aferição e condição alterada

A razão entre as vazões atual e de referência é dada por:

ou ainda,


187


e, finalmente,


Note que a aproximação requer a igualdade do produto (Cd · Y) para as duas condições, de
referência e atual. O escoamento do fluido através do medidor de obstrução de área gera uma
dissipação viscosa de energia, a denominada perda de carga ( o Dp medido quando o escoamento
retorna à tubulação de mesmo diâmetro à montante). A seleção do medidor deve levar em conta esta
perda. Placas de orifício, venturis e bocais têm comportamento muito diverso quanto à esta grandeza.



Figura 4.21 - A perda de pressão (ou perda de carga) nos medidores por obstrução

Figura 4.22 - Perda de carga (relativa, referente ao Dp lido) em medidores por obstrução de área


188
4.10.1 As singularidades do sistema de tubulações e a instalação dos medidores por
obstrução

Acessórios de linha tais como curvas, cotovelos, bifurcações, válvulas e etc, perturbam o
escoamento, distorcem a trajetória do fluido (i.é., distorcem as linhas de corrente) e geram vórtices.
Estas perturbações fluidodinâmicas também influem nas condições de medição dos medidores de
vazão, impossibilitando o uso adequado das curvas de aferição.



Figura 4.23 - Desenvolvimento de escoamento após entrada em tubulação.


Figura 4.24 – Formação de vórtices em singularidades (curvas e tês).

Os medidores de vazão devem ser instalados em posições tais que efetivamente reproduzam
as suas condições de calibração. Conseqüentemente, devem estar distantes das singularidades do
circuito de escoamento que perturbam o escoamento.

4.10.2 Comprimento de tubo livre e retificadores de escoamento

Pertubações no escoamento são suprimidas (ou minimizadas) instalando-se o medidor de
vazão em um "trecho livre" da tubulação, isto é, com um certo comprimento de tubo reto à montante e
à jusante do medidor. O trecho reto de tubo permite o desenvolvimento do perfil de velocidades do

189
fluido no escoamento, reproduzindo a condição de aferição do medidor. As normas definem os
trechos retos.
Não havendo espaço para instalar o medidor em um trecho livre recomendado por norma,
recomenda-se a inserção de retificador de fluxo. A inserção de um conjunto de tubos de menor
diâmetro (retificador de escoamento) em uma tubulação suprime vórtices e faz com que o perfil de
velocidades se estabeleça em um comprimento livre de trecho reto menor.



Figura 4.25 - Indicação de comprimento de trechos retos à montante de medidores de vazão.


Figura 4.26 - Sugestão de retificadores de fluxo para aplicação de medidores de vazão


190

Figura 4.27 - Retificador de escoamento da Daniel


Figura 4.28 - Instalações típicas de sistemas de medição por placa de orifício.
Apostila de Medição de Vazão do Eng. Pinheiro, da Petrobras

4.10.3 Exemplo de dimensionamento: perda de carga e posição de instalação
Considere as condições operacionais da placa de orifício do exemplo anterior. Calcule a
perda de carga e o comprimento livre na instalação após um cotovelo raio longo.
Perda de Carga
Para β = 0,623 tem-se que λ = 0,6.
Então, a perda de carga é λ .
w
h , isto é, cmH2O 45,7 = ∆
µ
p .

Comprimento Livre
Para β = 0.623 são necessários:
• 9 diâmetros livres à montante da placa (A=9), e
• 4 diâmetros livres à jusante (B=4).

191

Figura 4.29 - Retificador de escoamento da Daniel

4.10.4 Exemplo de dimensionamento: alteração de condição operacional
Considere as condições operacionais do orifício do exemplo anterior. Após um certo tempo,
uma nova pressão de pressão na tubulação foi estabelecida, reduzindo-a de 8,78 kg/cm
2
para 4
kg/cm
2
. Calcule, nestas novas condições, qual será a vazão mássica de ar se o diferencial de pressão
medido pela placa for de 76,2 cmH2O.
O método é aproximado, assumindo-se que o Cd e o Y não variaram entre uma condição e
outra:



Se adotássemos um procedimento não-simplificado, o resultado seria m = 3,756 kg/s.
Verifique:
r = 0,9849; Y=0,9961; w=0,0056; R=289,59 m
2
/s
2
/ºK e r =5,6142kg/m
3
.
A diferença entre as vazões mássicas calculadas pelos método aproximado e rigoroso é
menor que 0,2%.

192

5 Medição de Pressão


A pressão em um ponto de um fluido estático é independente da orientação. Tem dimensão
de força por unidade de área. Assim, a pressão é um escalar, e representa o primeiro invariante das
tensões mecânicas no fluido:


A pressão termodinâmica (uma propriedade de estado) coincide com a pressão mecânica. É
definida como sendo a média das tensões normais num elemento fluido :



Em um fluído que está em movimento permanente (isto é, dV/dt = 0), a pressão P é
determinada pela equação

onde V é o campo de velocidades, τ são as tensões exercidas no fluido, g e a são as acelerações da
gravidade e do referencial não-inercial, respectivamente.
Se o escoamento é irrotacional, ocorre em um referêncial inercial e não há forças viscosas,


193
a equação geral simplifica-se para uma relação mais simples entre a pressão e a velocidade, a
conhecida equação de Bernoulli:


A pressão (ou qualquer outra tensão) não exerce força no fluido, mas a sua variação sim. A
componente na direção (x) da força líquida exercida no fluido pela pressão pode ser calculada como:


O vetor força devido à variação da pressão é

isto é, f é a força por unidade de volume e grad é o operador gradiente.


5.1 Pressão: princípio físico

Premissas simplificadoras: fluido incompressível, estacionário em relação a referencial inercial
(V=0)





194
Em um fluido incompressível, a pressão é constante na mesma elevação (ou altura). As
superfícies isobáricas, isto é, de pressão constante, são planos cujas normais são paralelas ao eixo z.
Premissas simplificadoras: fluído compressível, estacionário, referencial inercial (a=0)




Em um fluido compressível isotérmico, a pressão decai exponencialmente com a altura.
Fluído incompressível, estacionário, aceleração a
0
na direção x de um referencial não-inercial:




O referêncial não-inercial gera uma componente extra de aceleração que pode ou não estar
alinhada com o campo gravitacional g. Quando a e g são ortogonais (caso acima), as isobáricas são
retas inclinadas no plano xz.

5.1.1 Definições
Antes de tratarmos dos tipos existentes de medidores de pressão, é importante notar que os
valores de pressão devem ser informados com relação a um nível de referência. Se o nível de
pressão de referência for o zero absoluto (vácuo absoluto ou ausência de pressão), a pressão é
denominada de "pressão absoluta". A pressão absoluta é utilizada nos cálculos termodinâmicos.
Outras denominações para a pressão comumente utilizadas são:

195
• Pressão atmosférica > é a pressão exercida pelo ar atmosférico;
• Pressão relativa ou manométrica (gauge pressure, g) > é a diferença entre a pressão do fluído
e a pressão atmosférica local;
• Vácuo > é o termo utilizado quando a pressão relativa é negativa, isto é, a pressão do fluído é
menor que a atmosférica. Também utilizam-se os termos depressão e sucção.



Quando um fluído está em movimento, por exemplo dentro de um tubo, outros tipos de
pressão podem ser medidos: a pressão estática, a pressão dinâmica e a pressão de estagnação ou
total, que é a soma das duas anteriores. Quando há um fluido em movimento, a pressão estática é
medida em um orifício construído na superfície que o limita (fronteira do escoamento),
perpendicularmente à direção do escoamento principal. Pelo princípio da aderência, na fronteira o
fluido tem a velocidade da fronteira ou, em outras palavras, juntoà uma parede sólida, o fluido tem
velocidade relativa nula em relação a ela.
A pressão dinâmica é gerada pela inércia do escoamento.

Figura 5.1 - Fluido parado.


196
A pressão de estagnação é a soma das pressões estática e dinâmica, e também é conhecida
como pressão total.


Figura 5.2 - Fluido em movimento


5.1.2 Unidades de medida de pressão
Existem várias unidades para expressar valores de pressão. A unidade escolhida dependerá
da abordagem, da análise, da facilidade de leitura, etc. Os valores que equivalem à pressão de 1 Atm
padrão (em princípio, a manifestação – peso - da massa de ar atmosférico em um ponto da superfície
da Terra que está no nível do mar, com a temperatura ambiente de 20 0C) são:
1 Atm padrão
14.7 psi
2116 lb/ft
2
(lbf/ft
2
)
760 mm Hg (milímetros de mercúrio)
760 Torr
101325 Pa
1,01325 bar
10336 mmca (milímetros de coluna d’água)
10,336 mca (metros de coluna de água)

5.2 Manômetros
5.2.1 Manômetro de Tubo em U
Os manômetros de tubo U operam de acordo com o princípio da hidrostática, isto é, medem a
pressão através de um balanço (ou equilíbrio) de forças em colunas de líquido confinadas em um
recipiente tipo tubo U. As pressões que medem são relativamente baixa.

197
O manômetro de tubo em U é aplicado na medição da diferença de pressão entre
dois fluidos. O equacionamento do manômetro é:




Onde:
(P
a
– P
b
) é a diferença de pressão,
ρ
m
é a densidade do fluído manométrico,
ρ
f
é a densidade do fluido,
g é a aceleração da gravidade, e
H é a diferença de altura entre as colunas do fluido manométrico.

5.2.2 Manômetro de Tubo U inclinado
O manômetro de tubo em U inclinado opera de acordo com o mesmo princípio que se aplica
ao manômetro em U normal. Porém, com maior sensibilidade, pela inclinação de um dos ramos do
tubo, que produz um deslocamento maior para um dado valor da coluna vertical de fluido.
Um dos ramos do tubo (a "perna" do manômetro) é inclinado em relação ao outro. A
sensibilidade do monômetro aumenta conforme diminui a inclinação da perna em relação à horizontal.
A distância vertical H entre o nível de líquido nos dois ramos do manômetro é obtida do
seguinte equacionamento:




sendo L a variação de altura d (vertical) rebatida na direção do ramo inclinado do manômetro.


198
5.2.3 Manômetro de Poço
Outra possibilidade construtiva do manômetro de tubo em U é o manômetro de poço. O ramo
vertical do manômetro tem um poço de diâmetro bem maior que o diâmetro do tubo, e contém
praticamente todo o líquido manométrico deste ramo. A outra perna é inclinada. O diâmetro do
reservatório pode ser tão superior ao diâmetro do tubo na perna inclinada que somente a variação de
altura na perna precise ser lida.
Outra possibilidade é que, na construção da escala de comprimento na perna inclinada, a
diferença total de altura seja levada em consideração, através da igualdade dos volumes deslocados.




sendo
X = altura deslocada no reservatório
L = leitura da coluna de líquido
A = área transversal do reservatório
a = área transversal do tubo

No primeiro caso citado, a diferença total L+X não é lida , mas somente L. No segundo caso,
a diferença de altura X é obtida através da igualdade imposta aos volumes deslocados, AX=aL, desde
que a, A e L sejam conhecidos. É importante assegurar a uniformidade das áreas do tubo e do poço,
a e A, respectivamente, para que não ocorram erros de leitura.

5.2.4 Barômetro
O barômetro é um instrumento de medida da pressão absoluta. O funcionamento de um
barômetro de coluna de fluido é bem simples. Torricelli, no século XVII, inverteu um frasco de vidro
cheio de líquido em um recipiente e verificou que a altura da coluna que se mantinha era proporcional
à pressão atmosférica local. A força resultante da ação da pressão atmosférica agindo na superfície
do líquido no recipiente é balanceada pelo peso da coluna.


199


Nestes barômetros normalmente utiliza-se o mercúrio como fluído manométrico e assim uma
unidade usual de medida de pressão atmosférica é o comprimento da coluna de Hg (760 mmHg
corresponde à pressão atmosférica padrão).
Este tipo de barômetro pode ter resolução de até 0.01mmHg . Algumas precauções devem
ser tomadas ao se utilizar este medidor, pois a indicação varia com a aceleração da gravidade e com
a temperatura. A indicação da pressão atmosférica com um barômetro de coluna invertida deve ser
corrigida de acordo com


onde:
) (T
HG
ρ é a densidade do mercúrio na temperatura de medição,
g
padrão
é a aceleração da gravidade padrão
H é a altura da coluna de Hg
C
g
é o fator de correção da gravidade
C
i
é a correção na escala de temperatura

.

5.2.5 Manômetro de poço multi-tubos
Quando deseja-se realizar, simultaneamente, diversas medidas de diferenças de pressão (em
um mesmo experimento, por exemplo, na determinação da distribuição de pressão estática de um
modelo colocado em um túnel de vento) utiliza-se o manômetro de poço com multi-tubos.
Este manômetro possui um reservatório que está conectado a vários tubos verticais ou
inclinados (depende da sensibilidade desejada! ). Cada um destes tubos faz medições independentes
de pressões relativa à uma pressão de referência (a do ramo vertical, que atua no poço). O

200
deslocamento do fluído no reservatório, X, é medido. Para se calcular a pressão em cada tubo utiliza-
se a seguinte equação:




Alternativamente, a variação de altura do reservatório pode ser calculada através da seguinte
fórmula, que fornece a variação total de volume no reservatório:

5.2.6 O micro-manômetro
O micro- manômetro é utilizado quando deseja-se medir pequenas diferenças de pressão.
Existem vários tipos de micro-manômetros, como o micro-manômetro de Chattock, micro-
manômetro de faixa longa, de faixa longa do NPL, micromanômetro de Betz, Prandtl, micro-
manômetro de ar, entre outros.


O procedimento de medida com um micro-manômetro pode ocorrer de acordo com:
1. iguala-se as pressões P1 e P2, deixando que o menisco de líquido se estabilize;
2. estabelece-se uma marca de referência, isto é, "zera-se" o micrômetro;
3. conecta-se o micro-manômetro às fontes de pressão, P1 e P2, aguardando-se que a
diferença de altura das colunas se estabilize;
4. a altura do poço é então deslocada por um micrômetro até que o menisco da coluna de
medida volte à marca de referência;
5. o deslocamento do micrômetro é a diferença a ser registrada.


201
Com um micro-manômetro como o descrito, consegue-se obter uma resolução de até 0,02
mm (!!!) de coluna de fluido.

5.2.7 Balança anular
A balança anular é um manômetro construído com um anel circular oco pivotado com divisão
estanque, formando duas seções. As duas seções são preenchidas parcialemente com o fluido
manométrico. Cada seção é conectada a um tubo flexível, através dos quais as pressões são
aplicadas. Todo o conjunto é pivotado no centro do anel circular e é mantido estável por um peso W.
Havendo uma diferença de pressão (P
2
-P
1
), o anel gira e fica em equilíbrio quando o
momento desenvolvido pelo peso W se iguala ao momento desenvolvido pela coluna de fluído H.

Assim a diferença de pressão será calculada pela equação

sendo A a área da tubulação da balança anular


(a) (b)
Figura 5.3 - Balança anular (a) mantido estável por um peso W; (b) o anel gira devido a diferença de
pressão.

É aplicável para medir pressões diferenciais entre 10 e 700 mmca.

A balança anular também é conhecida como manômetro de anel basculante. Antes do
advento dos sensores eletrônicos de pressão, era muito utilizada na medição de gases combustíveis
e ar. O anel circular pode ser de aço, resistindo a altas pressões absolutas P1 e P2, mas medindo
pequenas diferenças de pressão (P2 - P1).


202
5.2.8 Exercício: seleção de manômetros
Selecione manômetros para aplicar em processos de medição de vazão utilizando medidores
de resistência linear (laminar flow element). O medidor de vazão de resistência linear é construído em
um tubo cilíndrico com as dimensões indicadas no desenho. Com este instrumento formado pelo
medidor de vazão e o(s) manômetro(s), quer-se medir a vazão volumétrica de um óleo cujas
propriedades, densidade e viscosidade, estão indicadas no desenho. A faixa operacional do medidor
de resistência linear é de 1 litro/hora a 2000 litros/hora (uma faixa grande, a relação é de 1/2000 !!).

Selecione o fluido manométrico apropriado de tal forma que o medidor indique a vazão com
+/-1% de incerteza (o que corresponde a uma leitura mínima de 1mm na escala do manômetro). O
fundo de escala do manômetro não deve ser superior a 700 mm (comprimento) e admita que a sua
resolução é de 1mm. Equação de um medidor de resistência linear é:




onde P ∆ é a diferença de pressão do escoamento. Se esta diferença de pressão for expressa em
termos de altura de coluna de fluido de trabalho (o óleo), tem-se g P H
0
ρ / ∆ = .

Assim, vamos considerar a utilização um manômetro de tubo em U, para aplicação nas
vazões mais elevadas (maior H). Da hidroestática temos que:

onde l é a diferença de altura entre os meniscos (as colunas de fluido manométrico no manômetro U).
Se for utilizado um manômetro de poço para as medições das vazões mais baixas (menores
H), teremos:


203
Se fixarmos a inclinação da perna inclinada do manômetro em 10 graus com a horizontal,
teremos a seguinte relação ente l e H:

Combinando-se a aplicação dos dois manômetros, tubo em U e inclinado (10 graus), com dois
fluidos manometricos distintos, água e mercúrico, pode-se atender toda faixa especificada de vazão, 1
a 2000 L/h, com uma resolução aproximada de 1%. A Tab. 5.1 mostra os manômetro e os fluidos
manométricos empregados, por faixa de vazão.


Tabela 5.1 – Manômetros e fluidos manométricos empregados, por faixa de vazão.

Por exemplo: de 500 a 2000 L/h o instrumento será constituído do medidor linear e de um
manômetro tubo U com Hg como fluido manométrico. Uma vazão de 2000 L/h provocará uma
diferença de pressão equivalente a 511 mmHg (<700 mm fundo de escala); a vazão de 500 L/h, 128
mmHg. Neste caso a resolução de 1% da medida representará ~1.3 mm de comprimento (maior que
a resolução especificada para a escala, de 1 mm - isto é, a menor divisão da escala do medidor).
Portanto estes serão os limites superior e inferior de vazão para um medidor de vazão de resistência
linear que utiliza um manômetro de poço para a indicação da medida. As outras combinações de
medidor de resistência e manômetros foram determinadas de modo similar. A Tab. 5.1 mostra os
valores.

5.3 Características dos fluídos manométricos


204
Na Tab. 5.2 estão listados alguns fluidos manométricos, isto é, fluidos utilizados nos
manômetros tipo tubo U em geral (verticais, inclinados, inclinados de poço,, micro-manômetros e anel
circular). Na segunda coluna tem-se sua densidade relativa, isto é, a densidade do fluido manométrico
em relatção à densidade do fluido padrão, a água destilada a 4ºC , que tem densidade (ou massa
específica) ρ= 1000 kg/m
3
.


Tabela 5.2 – Fluidos manométricos

A precisão da leitura do manômetro depende, entre outras variáveis, das seguintes
propriedades do líquido manométrico:

Densidade – sem dúvida o fator mais importante. Características construtivas dos
manômetros são importantes, como a inclinação da perna de um manômetro inclinado, ou a relação
de área (a/A) de um manômetro de poço. Mas a precisão de um manômetro depende principalmente
da densidade do fluído manométrico.

Temperatura – afeta a precisão do manômetro, pois altera a densidade do fluído
manométrico. Quando se deseja medir pressão com alta precisão, a temperatura do fluído
manométrico deve ser registrada e uma correção apropriada deve ser aplicada.


205
Compatibilidade dos fluidos– o fluido manométrico e o fluido de trabalho (fonte de pressão)
devem ser imiscíveis, evidentemente. Outras características ïmportantes do fluido manométrico são:
ter uma composição química estável e não causar contaminação do fluído de trabalho que é a fonte
de pressão.

Viscosidade – a medida da pressão pode ser dificultada se o fluido manométrico tiver
elevada viscosidade. O tempo de resposta pode ser suficientemente longo para dificultar a leitura.

Pressão de vapor – A pressão de vapor do fluido manométrico deve ser considerada quando
se deseja medir pressões negativas (vácuo), especialmente alto vácuo, isto é. pressões negativas
muito baixas.

Tensão superficial – a tensão superficial do fluido manométrico afeta a indicação da pressão
principalmente quando o diâmetro do tubo é relativamente pequeno (veja os balanços de força na Fig.
5.4).





Tabela 5.3 - Propriedades do mercúrio e da água.


Tabela 5.4 - Exemplo de valores da coluna deslocada h , em relação ao diâmetro do tubo d.


206
5.3.1 Fontes de erro na medição com manômetros U
• erro de paralaxe na leitura da escala (operador);
• erro de verticalidade;
• falta de estanqueidade;
• variação de temperatura entre os diferentes momentos de medida, ou entre condições de
calibração e medida;
• erro de leitura por má visualização da escala;
• efeito de variação de elevação (diferença entre a pressão atmosférica local e a pressão
atmosférica do local de calibração);
• efeitos de capilaridade (tensão superficial).

5.3.2 Sensibilidade
A sensibilidade (S) de um instrumento, como já vimos, é a razão entre as magnitudes do sinal
de saída e do sinal de entrada. No caso de um manômetro de tubo U, é a razão entre a variação de
altura h e a diferença de pressão (Pa- Pb):

A sensibilidade S do manômetro estabelece quantas unidades de medida da escala de leitura
o menisco se desloca para cada unidade de pressão aplicada entre as pernas. É um conceito
importante pois define a precisão da medida. Observe que S depende do fluido manométrico e do
fluido de trabalho:
1. se ρ
m
>> ρ
f
, a sensibilidade S é pequena;
2. se ρ
m
<< ρ
f
, a sensibilidade S é grande.

5.4 Medidor Bourdon

O manômetro Bourdon (ou de tubo Bourdon) é um instrumento de medida de pressão muito
comun. É utilizado em processos industriais, em equipamentos do comércio, em hospitais e mesmo
em alguns equipamentos residenciais. O manômetro Bourdon é construído com um tubo de secção
trnasversal elíptica, curvado de tal forma que uma das extremidades está conectada à fonte de
pressão e a outra ao ponteiro indicador de pressão. O fluído que exerce a pressão enche o tubo e
exerce forças. A força aplicada no anel externo é maior que no anel interno (a área é superior à do
anel interno), fazendo com que o tubo se expanda para fora. Este movimento é transmitido ao
ponteiro indicador de pressão.

207
Calibrando-se a deflexão do indicador com pressões conhecidas, pode-se estabelecer uma
escala graduada. A pressão é então "lida" em uma escala circular graduada, na unidade da calibracão
do medidor.


Sua precisão depende do processo de fabricação, chegando a 0,1% ou 0,5% da escala.
Comumente este medidor indica pressão manométrica, isto é, a diferença entre a pressão do fluido-
fonte e a pressão atmosférica local. Se a câmara na qual o tubo Bourdon é inserido for evacuada, o
manômetro Bourdon pode também indicar a pressão absoluta.

5.4.1 Recomendações de instalação
Uma manômetro jamais deve ser instalado sem a válvula de isolamento, pois:



• ela dá segurança em caso de vazamento do tubo Bourdon;
• ela permite a substituição do medidor sem interromper o processo;
• em alguns casos, onde houver líquidos ou gases que põem em risco a saúde, deve haver
uma válvula extra para dreno.


208


Os sistemas mecânicos (jogos de engrenagem, pivots, agulhas, etc) são sensíveis a
vibrações. Por isso em equipamentos ou tubulações que vibrem, instale o manômetro afastado e faça
a ligação por meio de um tubo flexível. Os manômetros montados com diafragmas protegem a
instrumentação de pressão dos fluídos corrosivos dos fluidos ultra-viscosos e de problemas de
entupimento ou de congelamento do fluido de trabalho na linha.



O enchimento do diafragma (volume do diafragma até o tubo Bourdon) é usualmente feito
com glicerina. Quando se usa este acessório, o movimento do diafragma transmite a pressão do
processo para o medidor. É muito utilizado quando se mede a pressão de ácidos (corrosivos), pastas
(ultra-viscosos), massa de papel, esgoto, caldo de cana (com sólidos em suspensão), leite (isola da
linha estéril) e muitos outros. A pressão em um processo nem sempre é constante. Variações bruscas
ou repetidas de pressão podem causar danos na instrumentação e dificultar a leitura.
Se a pressão é pulsante pode-se adotar a seguintes ações:


209
• inserção de um amortecedor de pulsações (uma restrição no tubo de conexão com o
manômetro Bourdon, por exemplo, uma válvula).
A alta temperatura do fluido que é fonte de pressão pode afetar a precisão de um Bourdon,
comprometer pontos de solda, ‘destemperar’os elementos elásticos, etc. Se o fluído que é a fonte de
pressão está em alta temperatura, pode-se usar um tubo sifão para isolar termicamente a fonte de
pressão e o instrumento.



5.5 Transdutores elétro-mecânicos

Os trandutores de pressão eletro-mecânicos são dispositivos que transformam um sinal de
pressão (ou diferença de pressão), obtido mecanicamente, em um sinal elétrico.
O sinal de pressão pode ser obtido mecanicamente através , por exemplo, de um diafragma,
de um fole, etc, e depois transformado em um sinal elétrico. Esta transformação pode se dar,
exemplificando novamente, através de uma ação sobre resistores capacitivos em um circuito elétrico.



210

Figura 5.4 - Diagrama de blocos de um transdutor elétro-mecânico de pressão

5.6 Transdutores Elétricos

São utilizados nas medições dinâmicas de pressão e quando se requer um registro contínuo
de pressão (em um indicador digital, por exemplo, ou através da aquisição de dados em computador).

Figura 5.5 - Diagrama de blocos de um transdutor elétro-eletrônico de pressão


211
Exemplos de alguns transdutores elétricos de pressão: potenciômetro, "straingages",
capacitivo piezoelétrico, magnético (alteração da relutância magnética), entre outros.



(a) (b)
Figura 5.6 – (a) Sensor resistivo da Omega, série 600 (b) Ilustração: Produto Omega, diafragma.


Os transdutores elétrico-eletrônicos requerem uma alimentação externa e têm arranjos típicos
de montagem como o esquematizado abaixo:



As deformações dos elementos elásticos são, em última instância, detectadas por uma ponte
de Wheatstone. As pontes detectam variações de resistência, capacitância ou indutância.

5.6.1 Princípio físico
O elemento elástico mais empregado para a transdução de pressão é o diafragma. O
diafragma se deforma devido a diferença de pressão que os dois lados do diafragma estão
submetidos. A deformação do diafragma pode ser detectada por sensores resistivos (strain gages ou
extensômetros), capacitivos ou indutivos. O circuito utilizado para detecção destas grandezas é a
ponte de Wheatstone. A Fig. 5.7 mostra a deformação radial e tangencial de um diafragma submetido
a uma diferença de pressão.

212
O strain gage deve ser capaz de medir tanto a deformação tangencial quanto a radial do
diafragma.



Figura 5.7 – Deformação radial e tangencial de um diafragma submetido a uma diferença de pressão.

Deformação tangencial - é nula nas extremidades atingindo uma máximo positivo no centro.

Deformação radial – nas bordas atinge um máx negativo e no centro uma max positivo

Onde:
- P é a diferença de pressão
- R é o raio do diafragma
- N é o coeficiente de Poisson
- t é aespessura do diafragma
- E módulo de elasticidade.

213
5.6.2 Ponte de Wheatstone

Figura 5.8 - Balanceamento da ponte
4 2 3 1
R R R R . . = implicando em e=0

Existem 3 tipos de arranjos de ponte. Quanto maior for a quantidade de resistores aplicados,
maior será a sensibilidade do circuito.
Arranjos:
¼ de ponte >> 1 resistor
½ ponte >> 2 resistores
ponte completa >> 4 resistores

Quanto os diafragma sofre uma deformação, o extensômetro também se deforma e o sinal de
saída ou sinal de desbalanceamento na ponte será dado por:



onde ∆R é a variação de resistência (ou capacitância ou indutância) em função da deformação.
A ponte de Wheatstone é constituída de extensômetros, os quais se deformam, variando a
resistência. Usualmente são empregados extensômetros cuja razão entre a deformação relativa (ε) e
a variação relativa da resistência ( ∆R/R) é dada pelo fator G.

A montagem realizada em arranjo de ponte completa (maior sensibilidade) tem um sinal de
saída (e) dado pela seguinte fórmula:



214

5.6.3 Sensor capacitivo
O sensor de pressão capacitivo utiliza um diafragma dielétrico e duas placas metálicas.
Quando há uma diferença de pressão através do conjunto, o diafragma se deforma alterando a
distância entre as placas e, consequentemente, modificando a capacitância do circuito.


onde
- C é a capacitância
- A é a área das placas
- D é a distância entre as placas, e
- ε é a constante dielétrica

5.6.4 Sensor piezo-elétrico

Os sensores piezo- elétricos medem a pressão através da deformação de cristais
piezoelétricos, os quais geram uma diferença de potencial ou carga eletrostática quando
tencionados/pressionados ao longo de planos específicos de tensões.
Os materias mais utilizados nos cristais são o quartzo, o sal de rochelle, o ADP (Amônia
Dihidrogenada de fosfato) e o titanto de bário.


215


A carga induzida sobre o cristal é proporcional à força aplicada, e é dada por
Q = D · P
onde
- D é a sensibilidade de carga
- P é a pressão aplicada

A voltagem E que resulta da aplicação da pressão é calculada pela equação abaixo, e é a
grandeza de saída do sensor:
E=G · t · P
onde
- t é a espessura do cristal
- G é a sensibilidade de tensão
- P é a pressão aplicada
Vantagens
A principal vantagem dos sensores piezo elétricos é a boa resposta em frequências até 200
Hz. Por isso são recomendados para a medição de pressão transiente. São utilizados em túnel de
vento, tubos de choque e equipamentos sismográficos, onde eventos podem durar até
microsegundos.

Desvantagens
São sensíveis à variação de temperatura, a vibração mecânica e ao ruído externo. São
inadequados para a medição de pressão estática.

5.6.5 Sensor Magnético de Pressão
Os sensores de pressão magnéticos são divididos em dois tipos conforme o seu princípio de
funcionamento: indutância variável ou relutância variável. Podem ser utilizados diafragmas, foles,
manômetros do tipo U, Bourbons para obtenção do sinal de pressão. Em ambos os casos utiliza-se a
formula abaixo:

216


onde
- e é a voltagem de saída
- N é o número de espiras induzidas
- dt d / Φ é a variação do fluxo Magnético



5.6.6 Sensor de indutância variável
O transdutor de indutância variável utiliza uma bobina primária, uma secundária e um núcleo
magnético que localiza-se entre as duas bobinas. O núcleo é conectado um sensor de pressão (p.e.
diafragma) e quando ocorre uma variação da pressão, este núcleo se movimenta e altera o número
de espiras induzidas, variando consequentemente a voltagem de saída do circuito.

Figura 5.9 - Transdutor de Indutância Variável

O tipo mais comum de transdutor de indutância variável é o LVDT (transformador diferencial
linear variável).
Vantagens
- não possui partes móveis (não há atrito entre as partes móveis);

217
- possibilita o monitoramento contínuo da pressão;
- consegue indicar uma alteração da pressão com uma pequena deflexão do diafragma/fole, e
tem resposta linear para pequenos deslocamentos;
– pode medir diferenças de pressão de 0,001 polegadas de água se um diafragma bem fino e
grande é utilizado.

Figura 5.10 - Transdutor Indutivo de Fole.

5.6.7 Sensor de relutância variável
Os trandutores de relutância variável empregam um diafragma que ao movimentar-se altera a
relutância (intensidade do fluxo do campo magnético) do circuito magnético e, conseqüentemente, a
indutância das bobinas, produzindo uma diferença de potencial.

Figura 5.11 – Sensor de relutância variável.

Vantagens
- tem grande capacidade para suportar choques e condições severas de vibração mecânica;
- pode operar com grande faixa de sobrecarga, e
- tem alto sinal de saída.

218

6 Medição de Nível, Interface e
Viscosidade de Líquidos


Em miscelânea vamos incluir a medição de duas grandezas que são importantes na análise
dos processos que ocorrem no transporte de fluidos: o nível de líquidos em um tanque (ou a interface
entre líquidos ou líquido e gás) e a viscosidade.

6.1 Nível de líquido

O nível de líquido é, em geral, expresso como uma medida de comprimento em relação a uma
referência (base de um tanque, por exemplo). São várias as técnicas usadas na medição do nível de
líquido: vão desde a visualização direta do nível de líquido em um tanque com o uso de tubo de vidro
externo (visualizadores), passando pela determinação da altura do líquido através da medição da
pressão na base de um tanque, até o uso de ultra-som para determinar a interface do líquido (ou
mesmo entre líquidos). A Fig. 6.1 mostra a medida com visualização direta em um tanque.


Figura 6.1 - Medição de nível em tanque com visualização direta.

Se o tanque tem posicionamento de difícil acesso e o fluido tem características apropriadas,
pode-se pensar no uso da vareta molhada, Fig. 6.2 (de Elgar, 1988).

219

Figura 6.2 - Medição de nível em tanque com vareta molhada.

Outra possibilidade é medir o nível do líquido com flutuadores. A Fig. 6.3 mostra um arranjo
mecânico e um arranjo elétrico para tal (de Elgar, 1988).

Figura 6.3 - Arranjo mecânico e arranjo elétrico para medição de nível.

Outros flutuadores podem ser chaves magnéticas ou a chave de mercúrio, mostrados na
Fig.6.4.

220

Figura 6.4 - Outras chaves de nível, de catálogo da Omega.

Se as dimensões do tanque são conhecidas, e é possível a pesagem do mesmo, esta é uma
alternativa para se obter o nível, veja a Fig. 6.5.

Figura 6.5 - Medição de nível com pesagem do tanque.

Um dos princípios básicos da medição de nível industrial é a de que diferentes materiais ou
diferentes fases do mesmo material têm diferentes densidades. Esta lei natural básica permite que se
meça o nível através da medição de pressão. Dois arranjos são feitos, quando o tanque é aberto para
a atmosfera ou quando está fechado e pressurizado com gás, veja Figs. 6.6(a) e 6.6(b). Em ambos os
casos o manômetro registra uma pressão (ou diferença de pressão no caso do tanque fechado)
gh p ρ = . O nível então pode então ser referenciado a h.

221

(a)

(b)
Figura 6.6 - Medição de nível através de medição de pressão: (a) tanque aberto; (b) tanque pressurizado
com gás.

É possível também utilizar técnicas elétricas para medir nível. O sensor de capacitância pode
ser aplicado a fluidos não-condutores e também a fluidos condutores. No caso de fluidos condutores o
eletrodo deve se inteiramente isolado para se evitar curto-circuito no sistema de medição (de
Doebelin, 1990).
O método utiliza a variação da propriedade elétrica que é a capacitância. A capacitância é a
propriedade elétrica de um sistema que permite que ele armazene carga. Capacitores são condutores
separados por um dielétrico. Os dielétricos são substâncias como a mica, vidro, querosene ou óleo
combustível. Na figura acima (de Elgar, P; Sensors for measurement and control, Ed. Logman) estão
duas placas condutoras com um dielétrico entre elas. A capacitância é dada em Farads e é calculada
de

onde A (m
2
) é a área de superposição entre as placas,
0
ε (F/m) é a permissividade do espaço livre,
r
ε é a permissividade relativa do dielétrico entre as placas e d (m) é a distância entre as placas.

222
Permissividade é a propriedade de um material que descreve a densidade de fluxo elétrico produzido
quando o material é exitado por uma força eletromotriz.


Figura 6.7 - Medição de nível com método capacitivo.

Assim, a capacitância entre duas placas planas paralelas deslocadas de uma distância x,
como as mostra o arranjo na figura abaixo, é calculada de


223
Note então que a variação da área de superposição pode ser a base de uma técnica de
medição ou também a variação da altura do meio dielétrico entre as placas. O exercício seguinte
exemplifica o dimensionamento de um sensor capacitivo de placas paralelas.


Figura 6.8 - Medição de capacitância entre placas paralelas


Exercício - Um sensor capacitivo é formado por duas placas planas paralelas. Cada placa
tem uma altura w = 0,1 metros e comprimento l = 0,5 metros. A distância d entre as placas é de 0,1 m.
A permeabilidade relativa do meio dielétrico
r
ε é 1. Dado que a permeabilidade elétrica do espaço
livre é
0
ε é 8,854 x 10
-12
, determine a capacitância do dispositivo. Se a superposição das placas é
reduzida pelo deslocamento de uma das placas de 50 mm, determine o novo valor da capacitância.
Solução - Sabemos que w = 0,1 m, l = 0,5 m, d = 0,1 m. A área das placas é A = 0,05 m
2
. A
capacitância é então
C = (0,05 x 8,854 x 10
-12
x 1) / 0,1 = 4,427 x 10
-12
F = 4,427 pF
Se o comprimento da superposição entre as placas é reduzido pelo movimento de uma das
placas de uma distância de x = 50 mm, a nova área de superposição é
A = (A - wx) = (0,05 - 0,1 x 0,05) = 0,045 m
2
.
O novo valor da capacitância será
C = (0,045 x 8,854 x 10
-12
x 1) / 0,1 = 3,984 x 10
-12
F = 3,984 pF.

Um ultrasom operando no princípio pulso-eco também é uma técnica adequada para a
medição de nível de líquidos. Um sensor de ultrasom emite um pulso sonoro e recebe o retorno da
interface. O intervalo de tempo entre emissão e retorno é determinado e é associado à posição da
interface, veja as duas figuras na sequência. Evidentemente, a velocidade de propagação do som no
meio deve ser conhecida. Quando o ultrasom deve se propagar no gás (ou ar), um sensor que opera
em baixa frequência é utilizado; o oposto ocorre quando o ultrasom deve operar imerso em líquido.

224



Figura 6.9 - Medição de nível com ultrasom.


O nível de tanques com líquidos pode ser medido através da pressão de um borbulhador, de
acordo com o esquema da Fig. 6.10 (de Elgar, Sensors for measurement and control). Desprezando-
se a perda de carga na tubulação e a densidade do gás, tem-se que a pressão p é igual a
gh ρ
,
sendo
ρ
a densidade do líquido, g a aceleração da gravidade local e h a altura do líquido no tanque.

225
Uma tabela de aplicação de medidores de nível, como a sugerida pela Omega, está
mostrada na sequência.


Figura 6.10 - Medição através da pressão de um borbulhador


6.2 Viscosidade

Já vimos no capítulo de medição de deformação, força e torque, que quando deformamos um
sólido, isto é, quando aplicamos a ele uma tensão, o sólido exerce uma força que se opõem à tensão.
Para tensões pequenas, a força restauradora é proporcional à tensão e temos a lei de Hooke, como
vimos. Os fluidos reais também reagem à tensão. Entretanto, no fluidos não é mais a magnitude da
tensão que é importante, mas sim a taxa à qual a tensão é produzida. Certamente já observou que, se
está tomando uma sopa em uma vasilha, é mais fácil deslocar a colher através da vasilha se a
velocidade é baixa; mais difícil se a velocidade é rápida. Um escoamento simples está mostrado na
figura abaixo para ilustrar a definição de viscosidade.


226

Tabela 6.1 – Aplicação de sensores de nível.


Figura 6.11 - Arrasto entre duas placas paralelas. A inferior está estacionária.

Se a força por unidade de área na placa superior fosse medida, encontraríamos
V/d F/A µ = , isto é, a tensão cisalhante F/A é igual à viscosidade vezes a taxa de deformação, V/d,
sendo d a distância entre as placas. Esta relação essencialmente define a viscosidade. Note que não

227
derivamos a lei, ela é uma conseqüência da observação experimental. Um fluido que responde à
tensão cisalhante (F/A) desta maneira é chamado de fluido Newtoniano: ele tem a propriedade que a
viscosidade é independente da velocidade. Muitos dos fluidos nos quais se deseja medir a velocidade
são Newtonianos, mas outros são não-Newtonianos, como as tintas, os fluidos poliméricos, etc.
Observe também que a unidade de viscosidade no sistema SI é Kg/(ms), ou Ns/m
2
ou
Poiseuille. Infelizmente, ninguém o utiliza, sendo corrente a adoção da unidade do antigo sistema cgs
g/(cms), Poise, ou ainda o centiPoise igual a 10
-2
Poise. Se Kg/m s é igual a 10 g/cm s, para converter
de cP para Kg/m s multiplique por 1000. Esta é a chamada viscosidade dinâmica, que não está
relacionada com a densidade.
A viscosidade cinemática é a viscosidade dinâmica dividida pela densidade do
fluido, ρ µ ν / = . No sistema SI tem unidade de m
2
/s, mas usualmente é medida em centiStokes, cS.
O Stokes é cm
2
/s; assim, para obter a viscosidade em m
2
/s, multiplique a viscosidade em cS por 10
-4
.
Outra dimensão de viscosidade é a chamada Seconds Saybolt, podendo ser Furol ou
Universal. Esta viscosidade é uma medida indireta, sendo o tempo requerido para escoar 60 ml de
líquido através de orifício calibrado sob condições controladas (ASTM D 88). O orifício pode ter um
padrão Universal ou Furol, fazendo as viscosidades Seconds Saybolt Universal ou Furol.

Figura 6.12 - Esquema de viscosímetros primários
(da Apostila de Medição de Viscosidade, EM 746, FEM).

228

A viscosidade é medida em viscosímetros, os quais podem ser classificados em dois grupos:
primário e secundário. No grupo primário estão os instrumentos que realizam medidas diretas da
tensão e da taxa de deformação do fluido. Instrumentos com diversos arranjos podem ser concebidos
para este fim: entre eles há o de disco, o de cone-disco e o de cilindro rotativo, todos eles visando a
reprodução do escoamento entre placas planas paralelas visto acima. Os respectivos esquemas
estão mostrados na Fig. 6.9. Os símbolos µ e Ω referem-se viscosidade e à velocidade angular
aplicada e T ao torque medido, que resulta da tensão oriunda da deformação do fluido.
Um viscosímetro do tipo é o Brookfield, muito popular pela facilidade de manuseio. A Figura
6.13 mostra um viscosímetro Brookfield e seus vários "spindles" (junto à base, à direita na figura),
cada um apropriado para medir a viscosidade de fluidos em uma faixa específica: os de menor
diâmetro, as maiores viscosidades; os de maior diâmetro, as menores viscosidades.


Figura 6.13 - Viscosímetro Brookfield


Os viscosímetros do grupo secundário inferem a razão entre a tensão aplicada e a taxa de
deformação por meios indiretos, isto é, sem medir a tensão e deformação diretamente. Nesta
categoria estão o viscosímetro capilar, no qual a viscosidade é obtida por meio da medida do
gradiente de pressão de um escoamento laminar em um tubo e o viscosímetro de Stokes, onde ela é
determinada através de medições do tempo de queda livre de uma esfera através de um fluido
estacionário, veja representações esquemáticas na Fig. 6.10.

229
No viscosímetro capilar, Q, L, P ∆ e D são, respectivamente, a vazão volumétrica, a distância
entre as tomadas de pressão, a diferenç de pressão e o diâmetro do tubo capilar, respectivamente.
Esta relação aplica-se para um escoamento de Poiseuille, isto é, um escoamento em regime laminar e
hidrodinâmicamente desenvolvido.
No viscosímetro de Stokes as variáveis: g, D,
s
ρ ,
f
ρ e V são, respectivamente, a
aceleração da gravidade, o diâmetro da esfera, a densidade da esfera, a densidade do fluido e a
velocidade terminal de queda livre, isto é, a razão entre a distância L e o intervalo de tempo
t ∆
. Esta
relação aplica-se somente para esferas em queda livre em meio infinito, com Reynolds menores do
que 1.


Figura 6.14 - Esquema de viscosímetros secundários
(da Apostila de Medição de Viscosidade, EM 746, FEM).

Um viscosímetro de fácil manuseio é o de copo Ford, no qual a viscosidade está relacionada
com o tempo de esvaziamento de um copo de volume conhecido que tem um orifício calibrado na sua
base. O copo Ford é fornecido com um conjunto de orifícios-padrão (giglê) feitos de bronze polido. O
orifícios de número 2, 3 e 4 são utilizados para medir líquidos de baixa viscosidade, na faixa de 20 a
310 centistokes; os de número 5, 6, 7 e 8 para líquidos de viscosidade superior a 310 cst.
Como os viscosímetros primários realizam medidas diretas da taxa de deformação e da
tensão, eles podem ser aplicados para ensaios tanto de fluidos Newtonianos como de fluidos com
comportamento tensão versus deformação não-linear e/ou visco-elástico. Os viscosímetros
secundários, por outro lado, aplicam-se somente a fluidos Newtonianos, por medirem a viscosidade
indiretamente. Esta é a principal diferença entre eles. Outros aspectos que os diferenciam podem ser
citados:

230
1. O volume requerido de amostra nos viscosímetros de disco e cone-disco são os menores;
2. A faixa operacional nos viscosímetros de disco e cone-disco é a maior;
3. O custo do viscosímetro de Stokes é o menor. Entretanto, é o que necessita de maior volume
de fluido e só trabalha com líquidos translúcidos.
4. Pelo fato de requererem o menor volume de fluido, os viscosímetros de disco e cone-disco
são os que mais facilmente se adaptam para ensaios em temperaturas diferentes da
temperatura ambiente.


Figura 6.15 - Viscosímetro Copo Ford

Alguns exemplos de viscosidade de fluidos e gases:

Hydrogênio @20°C 0.008 6 cP Benzyl ether @ 20°C 5.33 cP Blackstrap Molasses 5,000 -
10,000cP
Ammonia @ 20°C 0.009 82 cP Glycol @ 20°C 19.9 cP Chocolate syrup @ 20°C 25,000 cP
Water vapor @100°C 0.125 5 Linseedoil (Raw) 28cP Heresy's Chocolate Syrup 10,000-
25000cP
Air @ 18°C 0.018 2 cP Linseedoil (Boiled) 64cP Ketchup @ 20°C 50,000 cP
Argon @ 20°C 0.022 17 cP Soya bean oil @ 20°C 69.3 cP Ketchup Heinz 50,000 - 70,000cP
Air @ 229°C 0.026 38 cP Corn oil 72cP Peanut butter 150,000-250,000cP
250,000cP
Neon @ 20°C 0.031 11 cP Olive oil @ 20°C 84.0 cP Corn Syrup 110,000cP ??
Liquid air @ -192.3°C 0.173 cP Light machine oil @ 20°C 102 cP
Ether @ 20°C 0.233 cP Motor oil SAE 10 50-100cP 65cP
Water @ 99°C 0.2848 cP Motor oil SAE 20 125cP Peanut butter @ 20°C 250,000 cP
Motor oil SAE 30 150-200cP 200cP

231
Acetone 0.3cP Motor oil SAE 40 250-500cP 319cP Crisoco Shortening 1x106-2x106cP
1.2x106cP
Benzine 0.50cP Motor oil SAE 50 540cP Window putty 1x108cP
Heavy machine oil @ 20°C 233 cP
Caster oil @ 20°C 986 cP
Motor oil SAE 60 1,000 - 2000cP 1,000cP
Chloroform@ 20°C 0.58 cP Glycerin @ 20°C 1,490 cP
Methyl alcohol@ 20°C 0.597 cP Motor oil SAE 70 1,600cP
Benzene @ 20°C 0.652 cP Pancake syrup @ 20°C 2,500 cP
Water @ 20°C 1.002 cP Honey 3,000cP
Ethyl alcohol @ 20°C 1.2 cP Honey @ 20°C 10,000 cP Tar or pitch @ 20°C 3x1010cPcP
Mercury @ 20°C 1.554 cP Honey 2,000-3,000cP Soda Glass @ 575°C 1x1015 cP



232

7 Medição de deformação, tensão,
força e movimento



A medição da deformação, da tensão, da força e do torque estão intimamente relacionadas.
Primeiro porque a medição de tensão se faz atravéz da medição da deformação: mede-se a
deformação e então determina-se a tensão aplicando-se a lei de Hooke. E segundo, porque a
medição de força se realiza, da forma mais freqüente na atualidade, através de uma medição da
tensão com o uso de células de carga eletrônicas. O torque é uma medida derivada: conhecendo-se a
força aplicada e a distância entre seu ponto de aplicação e um centro de giro, calcula-se o torque.

7.1 Medição de deformação e tensão

Antes de discutirmos como medir estas grandezas, vamos definir a deformação. Para tanto,
considere a barra mostrada na Fig. 7.1. Preso à barra, mas separado dela por limitadores colocados
nas extremidades, está um fio de dimensão fina. O fio está esticado e preso pelos limitadores, e seu
comprimento é l.


Figura 7.1 - Definição de deformação

A barra, que inicialmente estava sem carga, recebe então uma carga em sua posição central
e se deforma, como mostra a figura. O fio, consequentemente, também se deforma axialmente, e
passa a ter um comprimento ) ( 1 1 δ + . A deformação e, por definição, é
l
l δ
= ε
.


233
Considere agora um cilindro maciço de área de seção transversal circular A
c
submetido à
tração uni-axial (unidimensional) exercida pela força F
N
, mostrado na figura abaixo. Na figura a seguir
está também o diagrama de corpo livre ilustrando as forças internas aplicadas ao cilindro sob tensão
unidimensional. Nele está a definição de tensão, sa, que é a razão entre a força aplicada F
N
sobre a
área A
c
, s
a
= F
N
/ A
c
.


Figura 7.2 - Carregamento axial de eixo

Para obter a tensão s
A
agindo sobre a área A
C
, normalmente utiliza-se um método indireto,
através da medição da deformação e. A deformação, e mesmo deformações muito pequenas, é
medida com o uso de extensômetros (strain gages). E a tensão é então calculada com a lei de Hooke,
ε σ E =

Na lei de Hooke a constante de proporcionalidade entre a tensão e a deformação é o módulo
de elasticidade, também conhecido como módulo de Young, E. Assim, a lei de Hooke estabelece uma
relação linear entre a tensão e a deformação, linearidade que não se mantém à medida em que a
deformação atinge altos valores. Em um diagrama tensão-deformação típico, a lei de Hooke só é
válida na região elástica de tensão, na qual o carregamento é reversível. Acima do limite elástico, o
material começa a se comportar irreversivelmente na região denominada de deformação plástica,
onde a lei de Hooke não mais se aplica.

234

Figura 7.3 - Deformação vs tensão, lei de Hooke.

A medição de deformação é usualmente realizada com extensômetros: uma pequena
superfície metálica que é colada no corpo do material que se deformará. A deformação do
extensômetro é medida por variação da sua resistência elétrica na medida em que ele compõe parte
de um circuito eletrônico. Considere então um condutor metálico com propriedades uniformes e que
tenha resistência R. A resistência elétrica do condutor é calculada de (após Lord Kelvin, em 1856)
A
L
R
ρ
=

onde ρ é a resistividade do condutor (também chamada de resistência específica, isto é, uma
propriedade do material do condutor), L é o comprimento do condutor e A é a área de seção
transversal do condutor. Se diferenciamos a equação anterior e dividirmos todos os termos por R,
obteremos
A
dA
L
dL d
R
dR
− + =
ρ
ρ

Note que esta equação relaciona variações de resistência elétrica do condutor com variações
de resistividade (o chamado termo piezoresistivo), com a deformação axial do condutor
) / ( L dL
a
= ε e com a variação da área de seção transversal A. Veremos a seguir que dA/A e dL/L
estão relacionados. Assim, se a variação de resistividade do condutor é pequena, estando ele sob
carga ou não, pode-se pensar em medir a deformação de um condutor metálico medindo-se a
variação de sua resistência elétrica, estando ele sem carregamento ou com carregamento.

235
Vejamos então como a deformação axial e a variação da área transversal se relacionam. O
termo dA/A pode ser escrito:
ε
t
D
dD
A
dA
2
2
= =
onde
t
ε é a deformação transversal (ou lateral) do condutor. É importante mencionar aqui que
quando o material está sob carregamento unidimensional, a sua seção transversal pode variar. Isto é,
o material está sob carregamento axial e lateral, o qual é definido por (dD/D). A razão entre as
deformações transversal e axial é o chamado módulo de Poisson, ν . E o que é ainda mais
importante, o módulo de Poisson, da mesma forma que a resistividade e que o módulo de
elasticidade, é uma propriedade do material do condutor:
ε
ε
ν
a
t
− = − =
axial tensão
al transvers tensão

Desta forma, então, relacionamos a variação de resistência elétrica do condutor com a
deformação axial:
( ) ν
ρ
ρ
ρ
ρ
ε
ε ε
2 1
2
+ + =
− + =
a
t a
d
R
dR
d
R
dR

Há ainda a considerar a variação relativa da resistividade e do módulo de Poisson, mas estas
são influências secundárias se o material não estiver sendo submetido a carregamentos extremos
(por exemplo, oscilando em alta freqüência, o que pode resultar em aquecimento do elemento), isto é,
estes termos devem ser constantes na faixa de carregamento do material.
Mas como medir com extensômetros? Inicialmente deve-se selecionar o extensômetro dentre
os ofertados por fabricantes. A variável básica é o denominado fator do extensômetro, K, fornecido
nos catálogos dos fabricantes. O fator do extensômetro é a razão entre a variação relativa da
resistência e a deformação axial, ) / / (
a
R dR ε . O extensômetro é então instalado (colado) no
material que sofrerá carregamento e ligado ao circuito eletrônico (ponte de Wheatstone) que o
alimentará e medirá. O material é submetido ao carregamento, a variação relativa da resistência,
dR/R, será medida, e a deformação axial poderá ser calculada. Usando então a lei de Hooke, a
tensão poderá ser calculada.
É importante desenvolver a equação final da operação do extensômetro em termos do fator
de carregamento K, para mostrar a influência do termo piezoresistivo (o que contém a variação
relativa da resistividade do material) no cálculo:
ρ
ρ
ν
ε
d
S
a
1
2 1 + + =

236
O último termo à direita do sinal de igualdade é o termo piezoresistivo, o qual se espera
manter constante durante o carregamento do material. A figura abaixo, extraída do catálogo da Kiowa,
mostra a aplicação de extensômetros em operações de carregamento de material: torção, flexão,
compressão, etc.


Figura 7.4 - Algumas aplicações de extensômetros
(de catálogo da Kiowa)

Nas Figs. 7.5 (a), 7.5(b) e 7.5(c) estão alguns exemplos de extensômetros.




(a) (b) (c)
Figura 7.5 – Extensômetros (a) "dual" da MFL (b) "rosette" (roseta) da MFL (c) simples da Vishay


237
A roseta (Fig. 7.5(b)) é usada quando se deseja medir as três componentes planas da
deforrmação, pois o extensômetro só pode medir efetivamente a deformação em uma direção. Assim,
para determinar as três componentes independentes de uma deformação plana, três medidas
linearmente independentes devem ser realizadas por três extensômetros, com a forma de roseta. E
na Fig. 7.5(c) está um extensômetro simples da Vishay para medição de deformações
unidimensionais ao longo do eixo principal do extensômetro.

E a ponte eletrônica da qual o extensômetro é uma parte, como opera?

O importante então é pensar que, antes de tudo, o extensômetro é um resistor. Opera como
um resistor independentemente do material do qual é feito, se metálico ou semi-condutor; da sua
forma construtiva, se fio metálico ou chapa; se feito de fio, este pode ser redondo ou oval, etc, etc. E
as formas dos extensômetros podem ser muitas, dependendo da aplicação a que se destinam. Mas o
importante é ter em mente que o extensômetro é, independentemente das múltiplas escolhas que se
possa ter, feito de filamentos metálicos. Para sua operação ele é colado ao material que será
carregado estática ou dinamicamente, mas passa também a ser um elemento resistor de uma ponte
de Wheatstone.
A Fig. 7.6 ilustra uma ponte de Wheatstone, com o extensômetro sendo um dos resistores. A
voltagem de alimentação é E
i
, E
o
é a voltagem lida nos bornes indicados e dE
o
é a variação de
voltagem devido à variação dR da resistência do extensômetro (resultante de carga aplicada ao
material). Este tipo de circuito é denominado de 1/4 de ponte, pois um extensômetro substitue
somente uma das resistências.


Figura 7.6 - Circuito elétrico da ponte de Wheatstone.


238
O equacionamento da ponte produz:
( )
( )( )
R R R
R
R
R R R
R
R
E E E
i
4 3 2 1
2 3 4 1
0 0
+ + +
− +
= +
δ
δ
δ

Se todos os resistores fixos e o extensômetro têm resistências iguais antes do carregamento
do material e então é aplicada uma carga,
( )
4
R
R
R
R
2 4
R
R
E
E
i
0
δ

δ
+
δ
=
δ

Isto é, a variação da resistência, dR/R, da qual se necessita para calcular a deformação está
agora associada à variação relativa da voltagem em uma ponte de Wheatstone. Os exemplos a seguir
ilustram a seleção e a aplicação de extensômetros.


Exemplos
1. Um extensômetro de fator K = 2 está montado em uma barra de aço retangular, que tem
módulo de elasticidade E = 200 x 106 kN/m
2
. A barra tem 3 cm de largura e 1 cm de altura e
está sob a ação de uma força de tração de 30 kN. Determine a variação de resistência do
extensômetro se sua resistência sem carga é 120 ohms.
Solução - Primeiro o cálculo da tensão,
s = F/A, s = 1,0 x 10
-5
kN/m
2
;
Após o cálculo da deformação com a equação de Hooke,
e = s / E = 5,0 x 10
-4
m/m.
A variação relativa da resistência, dR/R, é o produto da deformação com o fator do
extensômetro, K:
dR/R = e K = 1,0 x 10
-3
ohm/ohm

2. Um extensômetro tem resistência nominal de 120 ohms e um fator K = 2,06. Está instalado
em uma ponte de Wheatstone como a que está descrita acima, que tem resistores de 120
ohms. Qual será a saída de voltagem da ponte com uma deformação de 1000 mstrain se a
alimentação da mesma é de 3 Volts?
Solução - Inicialmente, se temos todos os resistores iguais na ponte e então o material e o
extensômetro são sujeitos à deformação,
dEo/Ei = (dR/R) / 4.
Lembrar também que S R dR
a
/ ) / ( = ε .
Assim, 4
0
/ / S E dE
a i
ε = .
E então, 4
0
/
i a
SE dE ε = = (1000 x 10
-6
x 2,04 x 3 )/ 4 = 1,545 mVolts.

239
7.2 Medição de força e torque

Inicialmente cabe diferenciar massa e força: massa é uma propriedade inercial, a medida de
quantidade de matéria de um corpo. Força é uma quantidade vetorial associada à massa, necessária
para mudar a quantidade de movimento do corpo. Como todos sabemos, massa e força se
relacionam através da Segunda Lei de Newton.
É interessante notar que, na prática, a medição de força ou é realizada com instrumentos
relativamente simples, como a balança de braço ou o dinanômetros de mola, ou com as células de
carga de extensômetros. A célula de carga é um dispositivo mecânico/eletrônico que usa o
extensômetro para medir deformação e então tensão e força. Atualmente, as células de carga de
extensômetro tornaram-se de uso disseminado com sua adoção em balanças comerciais (as balança
eletrônicas das padarias, dos supermercados, etc) têm custo quase imbatível na montagem de um
sistema de medição de força.
Entretanto, o método mais simples de se medir uma força é compará-la com uma força
conhecida, gerada por uma massa conhecida. Isto pode ser realizado em uma balança de pivot
central ou na balança de massa deslizante. Os esquemas estão na Fig. 7.7.

(a)

(b)
Figura 7.7 - Balança de pivot central (a) e balança de massa deslizante (b).


240
Outro método simples usa a balança de mola mostrada na Fig. 7.8.

Figura 7.8 - Balança de mola

Siga o dimensionamento de uma balança de mola helicoidal.
Vamos projetar uma balança de mola para capacidade máxima de 50 N com a deflexão total
de 10 cm. Baseado na especificações, a constante da mola, k, é igual a k = (50/10) = 5 N/cm. A
equação de deflexão comumente usada para molas helicoidais é k = (Ed
4
/8nD
3
), sendo E o módulo
elástico torcional da mola, d o diâmetro do material da mola, D o diâmetro do helicóide e n o número
de espiras. Se a mola é feita de aço (E=80 x 10
9
Pa), d = 2 mm e D = 2 cm, o número de espiras
necessárias é n=40.
Outro dispositivo para medir força é o transformador diferencial variável linear (TDVL, ou
LVDT na nomenclatura inglesa, Linear Variable Differential Transducer). O TDVL é constituído por
uma série de indutores construídos em um cilindro ôco, dentro no qual se desloca um cilindro sólido.
Os indutores são formados por enrolamentos elétricos. O deslocamento do cilindro sólido interno
produz um sinal elétrico proporcional à sua posição. O TDVL pode ser usado em vários tipos de
dispositivos mecânicos que necessitem de converter uma posição física em um sinal elétrico. A
ausência de atrito entre o cilindro externo e o cilindro central garante uma vida longa ao dispositivo e
assegura uma excelente resolução.
As células de carga são atualmente os dispositivos de medição de força mais utilizados. E
dentre elas, a célula de carga de extensômetros domina o mercado. Entretanto deve-se mencionar
que há células de carga que operam com outros princípios que não sejam a medição da deformação
com extensômetros: as células de carga de carbono e as células de carga de fluidos estão entre elas,
veja na Fig. 7.10. Na célula de carbono, a compressão do carbono altera sua condutividade elétrica e
então altera a tensão Eo medida no circuito elétrico. No caso da célula de fluido, a compressão
exercida sobre o fluido é medida no manômetro e utilizada para calcular a força F.

241

Figura 7.9 - Esquema do TDVL.


(a)


(b)
Figura 7.10 - Células de carga de carbono e de fluido.


242

Na Fig. 7.11 mostramos algumas aplicações de extensômetros. As duas que reproduzimos a
seguir são muito utilizadas para construir células de carga para medição de torque e força de
compressão.


Figura 7.11 Montagem de extensômetro para construção de torquímetro (à esquerda) e célula de carga de
compressão (à direita)


A Fig. 7.12 mostra um modelo de célula de carga com extensômetro, da Vishay, usado tanto
para compressão quanto para tensão e, na sequência, detalhes de uma célula de carga cilíndrica (do
livro de Elgar, Sensors for measurement and control, Ed. Longman).



243

Figura 7.12 - Células de carga da Vishay e esquema construtivo de célula de carga cilíndrica

A Fig. 7.13 mostra um sensor de torque da Omega (um torque sensor meter, em outras
palavras, uma célula de carga usada para medir torsão e então torque).



Figura 7.13 - Um sensor de torque da Omega

Para medir o torque em um sistema não-rotativo, o método mais simples é medir a força no
ponto de aplicação e multiplicá-la pela distância entre ele e o centro de rotação. No caso de máquinas
ou sistemas rotativos, vários métodos são utilizados para medir o torque: colocar a máquina rotativa
em balanço e medir seu torque reativo; usar um freio de Prony (atrito seco), veja Fig. 7.14, do livro de
Turner e Hill, 1999.


244

Figura 7.14 - Freio de Prony

7.3 Medição de movimento

O instrumento de medição de movimento de uso mais disseminado é o micrômetro tipo
relógio comparador. São adequados para medidas locais, e não podem medir deslocamentos com
mudança de direção. Os deslocamentos que medirão devem ser acessíveis pelo fuso.

Figura 7.15 - Relógio comparador.


245
Um instrumento elétrico que mede movimento é o potenciômetro linear. O potenciômetro é um
dispositivo na forma de uma resistência elétrica variável. A Fig. 7.16 mostra um esquema de um
potenciômetro linear e o circuito elétrico equivalente. Ele consiste de um fuso deslizante que corre ao
longo do comprimento de uma resistência elétrica. Este fuso deslizante pode ser conectado à peça
que se move e ter o deslocamento medido. Evidentemente restrições se aplicam, como o
comprimento de deslizamento estar limitado ao comprimento da resistência. Com relação ao circuito
mostrado na figura, uma voltagem Vi é aplicada através de todo o comprimento da resistência, pontos
A e C. A voltagem de saída é medida através de um dos polos A ou C e a haste deslizante, ponto B.


Figura 7.16 - Potenciômetro linear.


Exercício - Considere o potenciômetro linear mostrado na figura acima, no qual o fuso se encontra na
posição mediana. A voltagem de entrada é 5 volts e a voltagem de saída é 2,5 volts. O comprimento
da resistência é 100 mm. O deslocamento de um objeto provoca o deslocamento do fuso, de tal forma
que a voltagem de saída muda para 2,65 volts. Determine o deslocamento do objeto e a direção para
a qual de move.
Solução - Vi = 5 volts, AC = 100 mm. Logo a variação da voltagem em relação ao deslocamento é:
Voltagem relativa = 5 / 100 = 0,05 V/mm
Se a voltagem de saída varia de 2,5 Volts para 2,65 Volts, isto é, 0,15 volts, o deslocamento do objeto
é
Deslocamento = 0,15/0,05 = 3mm
O deslocamento de 3 mm ocorre na direção de A desde que a voltagem cresceu.


246
A versão circular do potenciômetro linear está mostrada na Fig. 6.17.

Figura 7.17 - Potenciômetro circular.

O transformador linear diferencial é constituído por três resistências elétricas cilíndricas
(bobinas) dispostas ao longo de um eixo. A resistencial central é chamada de resistência primária, as
outras duas nos extremos são as resistências secundárias. Um cilindro de aço é colocado no centro,
podendo se deslocar livremente na direção de ambas as resistências secundárias. Assuma,
inicialmente, que o núcleo de ferro está posicionado simetricamente em relação ao conjunto. A
resistência primária é energizada com uma corrente AC de freqüência elevada (usualmente acima de
5 kHz). A corrente que então flui produz um fluxo magnético no núcleo ferroso central. Este fluxo se
acopla com as resistências secundárias, produzindo uma f.e.m. Como estas resistências estão
ligadas, as f.e.ms têm a mesma magnitude e se cancelam. Caso o núcleo ferroso se desloque, f.e.ms
serão diferentes e há o registro de uma voltagem de saída V
0
.



Figura 7.18 - Transformador linear diferencial.

Um encoder ótico é um transdutor no qual um deslocamento linear ou angular varia a
transmissão da luz de uma fonte para um detector. Os encoders são incrementais ou absolutos. A
figura seguinte mostra um típico encoder incremental. É constituído por um disco que gira solidário

247
com um eixo, sendo que o disco tem inúmeras janelas, igualmente espaçadas, na sua periferia. Uma
fonte de luz (LEDs, por exemplo) e um detector são posicionados em ambos os lados do disco de
forma que o raio luminoso passe pelas janelas. Quando o raio luminoso passa pela janela quando o
disco gira, um sinal é gerado pelo detector.


Figura 7.19 - Encoder ótico.

Um tacômetro é um dispositivo usado para medir a rotação de um eixo (da palavra grega
takhos, que significa velocidade). Há diversos tipos de tacômetros, mecânicos ou elétricos. Os
tacômetros mecânicos eram, por exemplo, no velocímetro dos automóveis e motocicletas. Os
automóveis mais recente já utilizam tacômetros elétricos e alguns os tacômetros digitais. A Fig. 7.20
mostra tacômetro elétrico, com um magneto permanente girando no interior de uma bobina. A
voltagem de saída Vo é um sinal elétrico alternado cuja freqüência e amplitude são ambas
proporcionais à magnitude da velocidade de rotação. Usando processamento adequado do sinal,
ambas frequência e amplitude podem dar uma indicação da velocidade.


Figura 7.20 - Tacômetro elétrico.


248
Para medir rotação pode-se utilizar também o sensor de proximidade de relutância variável,
também conhecidos por pick-up magnético. Operam associados a um disco dentado de material
ferroso, que gira solidário a um eixo. Alimentado eletricamente, a extremidade do pick-up, que é uma
enrolamento elétrico (bobina) através do qual passa uma corrente, gera um campo magnético. O fluxo
do campo magnético é alterado pela presença dos dentes da engrenagem. Esta alteração é medida e
registrada por um circuito elétrico adequado.


Figura 7.21 - "Pick-up" magnético




249

BIBLIOGRAFIA


1. Holman, Experimental Methods for Engineers, McGraw Hill;

2. Doeblin, Measurement Systems - Application and Design, McGraw Hill

3. Benedict, Fundamental of Temperature, Pressure and Flow measurements, John Willey

4. Dally, Instrumentation for Engineering Measurements, John Willey

5. Northrop, Introduction to Instrumentation and Measurements, CRC Press;

6. Elgar, Sensors for Measurement and Control, Longman;

7. Jones, Techniques and Topics in Flow Measurement, CRC Press;

8. Lipták, Flow Measurement, Chilton;

9. Site da disciplina “Instrumentação e Medidas” do Prof. Dr. Fernando A. França:
http://www.fem.unicamp.br/~instmed/Inst_Med.html

INDICE
LISTA DE FIGURAS .............................................................................................................................. 6 LISTA DE TABELAS ........................................................................................................................... 13 APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................... 14 1 Conceitos básicos e características gerais de instrumentos ............................................ 16 1.1 O método experimental na engenharia .....................................................................................16 1.2 Elementos funcionais e características operacionais de instrumentos.....................................18 1.3 Sensores....................................................................................................................................21 1.3.1 Sensor Lambda ...............................................................................................................22 1.4 Características operacionais de instrumentos ..........................................................................23 1.4.1 Sensores/Transdutores ativos e passivos ......................................................................23 1.4.2 Modos de operação analógico e digital...........................................................................25 1.4.3 Instrumentos de deflexão e cancelamento .....................................................................25 1.5 O modo de operação analógico ................................................................................................27 1.6 O modo de operação digital ......................................................................................................29 1.7 Características de sinais de entrada e saída ............................................................................29 1.8 Desempenho estático e dinâmico dos instrumentos.................................................................37 1.9 Natureza dos sinais de entrada e saída....................................................................................44 1.10 Análise de Fourier .....................................................................................................................48 2 Incerteza e Erro ....................................................................................................................... 61 2.1 O erro nos dados experimentais ...............................................................................................61 2.2 O Tratamento dos erros aleatórios............................................................................................75 2.2.1 A incerteza estimada de um conjunto de dados .............................................................75 2.2.2 Média, desvio padrão, distribuição Normal .....................................................................76 2.2.3 Outras distribuições estatísticas .....................................................................................78 2.2.4 A decisão final sobre a incerteza a adotar ......................................................................84 2.2.5 Erros relativo e absoluto .................................................................................................84 2.3 Propagação de Erro em Operações de Cálculo.......................................................................84 2.3.1 Adição e subtração, z=x+y e z=x-y .................................................................................87

2

2.3.2 Multiplicação e divisão, z=xy e z=x/y ..............................................................................88 2.3.3 Potência, z=x ................................................................................................................88 2.3.4 Produto de potências, z = x x ......................................................................................88 2.3.5 2.3.5 Funções simples, como z = sen(x) ........................................................................89 2.3.6 Funções complexas, como z = f(x, y, w, ...)....................................................................89 2.4 Arredondamento Numérico .......................................................................................................89 2.5 Exemplos ...................................................................................................................................91 2.5.1 Escolha de um Método de Medida..................................................................................91 2.5.2 Seleção de Instrumentos ................................................................................................92 2.5.3 Medida da potência em um eixo rotativo ........................................................................93 3 Medição de temperatura ......................................................................................................... 96 3.1 Unidades de Temperatura.........................................................................................................97 3.1.1 A Lei Zero da Termodinâmica e a Definição de Temperatura ......................................100 3.1.2 A Segunda Lei da Termodinâmica e a Definição de Temperatura...............................102 3.2 Capacidade Térmica ...............................................................................................................106 3.2.1 Temperatura Negativa...................................................................................................106 3.2.2 Temperatura dos Gases ...............................................................................................107 3.2.3 A Medição da Temperatura...........................................................................................107 3.3 Termômetros de Expansão .....................................................................................................108 3.3.1 Termômetro de gás ideal ..............................................................................................108 3.3.2 Termômetro bimetálico..................................................................................................111 3.3.3 Termômetro de bulbo ....................................................................................................112 3.4 Termômetros de Resistência...................................................................................................115 3.4.1 Termômetros de resistência elétrica, RTD....................................................................115 3.4.2 Termômetros de termistores .........................................................................................121 3.5 Termopares .............................................................................................................................123 3.6 Termômetros de Radiação ......................................................................................................135 3.6.1 Aplicação dos Termômetros .........................................................................................150 3.7 Efeito da Transferência de Calor nas Medidas de Temperatura ............................................152 3.8 Medidas Térmicas: a Condutividade Térmica .........................................................................160 3.8.1 Condutividade Térmica de Sólidos ...............................................................................161 3.8.2 Medida da Condutividade Térmica de Líquidos e Gases .............................................162 3.9 Medida do Fluxo Térmico ........................................................................................................163 4 Medição de Vazão ................................................................................................................. 165 4.1 Conversão de Unidades ..........................................................................................................165 4.2 Condição Padrão e Intervalo ...................................................................................................166 4.3 Medidores por Obstrução de Área ..........................................................................................167 4.4 Vazão Teórica..........................................................................................................................168
m n n

3

4.4.1 Fluido Incompressível (escoamento idealizado) ...........................................................168 Aplicação da Equação da Energia (ou Eq. de Bernouille, aplicação peculiar) .......................168 4.4.2 Fluido Compressível (escoamento ainda idealizado) ...................................................169 4.5 Vazão Real ..............................................................................................................................172 4.6 Placa de Orifício: Detalhes Geométricos ................................................................................173 4.6.1 Coeficiente de Descarga: Placas de Orifício ................................................................174 4.6.2 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício de Borda Quadrada .................................176 4.6.3 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício (norma ISO, 1980) ...................................177 4.7 O Bocal ASME.........................................................................................................................178 4.7.1 Coeficiente de Descarga: Bocal ASME.........................................................................179 4.8 O venturi Herschel...................................................................................................................180 4.9 Dimensionamento de Medidores de Vazão por Obstrução de Área.......................................181 4.10 Acerto de cálculo para condições não-normalizadas..............................................................186 4.10.1 As singularidades do sistema de tubulações e a instalação dos medidores por obstrução.......................................................................................................................188 4.10.2 Comprimento de tubo livre e retificadores de escoamento ..........................................188 4.10.3 Exemplo de dimensionamento: perda de carga e posição de instalação.....................190 4.10.4 Exemplo de dimensionamento: alteração de condição operacional.............................191 5 Medição de Pressão.............................................................................................................. 192 5.1 Pressão: princípio físico ..........................................................................................................193 5.1.1 Definições......................................................................................................................194 5.1.2 Unidades de medida de pressão ..................................................................................196 5.2 Manômetros.............................................................................................................................196 5.2.1 Manômetro de Tubo em U ............................................................................................196 5.2.2 Manômetro de Tubo U inclinado ...................................................................................197 5.2.3 Manômetro de Poço ......................................................................................................198 5.2.4 Barômetro......................................................................................................................198 5.2.5 Manômetro de poço multi-tubos....................................................................................199 5.2.6 O micro-manômetro ......................................................................................................200 5.2.7 Balança anular ..............................................................................................................201 5.2.8 Exercício: seleção de manômetros ...............................................................................202 5.3 Características dos fluídos manométricos ..............................................................................203 5.3.1 Fontes de erro na medição com manômetros U...........................................................206 5.3.2 Sensibilidade .................................................................................................................206 5.4 Medidor Bourdon .....................................................................................................................206 5.4.1 Recomendações de instalação .....................................................................................207 5.5 Transdutores elétro-mecânicos ...............................................................................................209 5.6 Transdutores Elétricos.............................................................................................................210

4

....211 5........................................... 249 5 .....................................................................................................1 Medição de deformação e tensão .216 5.............................................1 Princípio físico ......213 5...............................232 7..................................................................5...6....................4 Sensor piezo-elétrico.......218 6.....................................5 Sensor Magnético de Pressão ...................7 Sensor de relutância variável......................................................................... 232 7.....................217 6 Medição de Nível.................6.......................................6..........................................................................................................6.......................................................................... força e movimento ................3 Medição de movimento .............1 Nível de líquido ...........3 Sensor capacitivo ..............................................6..........................................2 Viscosidade .............................. Interface e Viscosidade de Líquidos.............214 5..........215 5....................................6............................................244 BIBLIOGRAFIA ............................. tensão..................................................................................................................225 7 Medição de deformação..............6.......239 7...............................................................2 Medição de força e torque.............214 5.............................................6 Sensor de indutância variável .............................................................................................2 Ponte de Wheatstone............................... 218 6.....................................................................................................

..............4 – Manômetro Bourdon em uma configuração mais simplificada....................6 – Sensores automotivos........................... 32 Figura 1................20 Figura 1................21 Figura 1.3 – Configuração clássica do Manômetro Bourdon...... filtragem..8 – Transdutores passivos.................................................. ....................................... a aceleração do veículo representa uma entrada interferente que causará um erro de leitura..............................30 Figura 1. 28 Figura 1.................................................. 24 Figura 1.... ........................................14 .............................. não há a ação de entradas interferentes ou modificadoras............................11 . (b) O manômetro sobre um veículo em aceleração..................................10 – Instrumento de deflexão: o calibrador de pneu.....13 ...................................18 Figura 1.........21 Figura 1.....................1 – Configuração de um instrumento ....... (b) Instrumento operando como um sistema em circuito fechado (ou sistema com realimentação)...................... (a) As pressões p1 e p2 são as entradas desejadas.............. ..19 ....................................................22 Figura 1......... ............25 Figura 1..LISTA DE FIGURAS Figura 1................19 Figura 1....................................24 Figura 1...............................A ponte de Wheatstone ....... conversão.................(a) Esquema de galvanômetro de d´Arsonval (não aparecem os ímãs que geram o campo magnético permanente) e (b) galvanômetro de d´Arsonval em tacômetro................34 Figura 1...........................9 – Anemômetro de fio quente: (a) sensor e eletrônica de alimentação............................10 – Transdutores ativos.....................................2 – Manômetro Bourdon: (a) elemento sensor tipo "C"...............Filtragem propiciada pela isolação térmica da junção de referência de termopar.....................Entradas atuantes em instrumentos e saídas resultantes...................................................18 .20 .................................. ............Filtragem em instalação de manômetro propiciada por estrangulamento de linha de entrada .........Instrumento de cancelamento: balança de braço ..........16 – (a) Instrumento operando como um sistema em circuito aberto....................... (c) O ângulo de inclinação do manômetro com relação à gravidade também representa uma entrada interferente e modificadora............. 35 Figura 1......12 .28 Figura 1. ................ 33 Figura 1.. (b) Circuito de instrumento com filtragem na saída...........7 – Sensores lambda Bosch.................35 6 .....................................................23 Figura 1.... (b) elemento sensor tipo espiral ........... interferente e modificadora na operação de um manômetro de mercúrio..........17 – (a) Instrumento com filtragem na entrada.........................Tipos de filtros . .............26 Figura 1.....5 – Esquema de um medidor eletrônico de deformação (strain).................................................................................. ...................... apresentação e armazenamento dos dados.................... (b) detalhe do sensor............................... .15 – Ação das três entradas desejada..........26 Figura 1............... 31 Figura 1.......

......................................7 ..............47 Figura 1.56 Figura 1.....................................42 – PSD............ ........ 59 Figura 2.Diagrama de instrumento com cancelamento de entradas indesejáveis............29 .............48 Figura 1............ .................45 Figura 1.......................Ilustrando definições com o manômetro Bourdon.41 – Ruído........................................................... ......................Onda quadrada de período T = 4 segundos e média 15 volts......................Efeitos de histerese ....................................28 ..................55 Figura 1......Onda quadrada de período T.................................Curva de aferição de um instrumento sensibilidade constante e variável...................................... ..........54 Figura 1.................................................................................................56 Figura 1...........34................. 1.......... ...54 Figura 1....Harmônicas da série de Fourier formando a onda quadrada da Fig......... .......................................................... .....................3 ................ .................... .37 Figura 1...............................40 – Exemplo 2: autocorrelação................ Definições de linearidade ..36 Figura 1.....6 .........com....69 7 ............................zurichpt..49 Figura 1...58 Figura 1......46 – PSD do sinal temporal da Fig............38 – Exemplo 1: Autocorrelação....................................................................66 Figura 2.....br/apre_prod_18.............67 Figura 2.........................................45 – Sinal temporal................43 – PSD em gráfico log-log.................................. .... 1......1 .....................................................57 Figura 1............................................5...........36 – Exemplo 1: sinal representando o nascimento de bezerras.............21 .....................31 ............... ............46 Figura 1................................htm) .................. ............................ ................................ .....................30 .....Sinal analógico e sinal digital..Deslocamento de zero (zero drift) e deslocamento de sensibilidade (sensitivity drift)......... ...........37 – Exemplo 1: sinal discreto...............51 Figura 1....................... ..........33 .......48 – Densidade espectral de potência de escoamento intermitente “plug flow” e escoamento anular..............50 Figura 1.......... ............................................ .55 Figura 1.......44 – Alexander Graham Bell................................................................................................................................................. .............Sinal periódico complexo.............. ......................... ..................................58 Figura 1.......................................... ..............59 Figura 1...35 ....................47 – O espectro após a filtragem...........Senóide genérica... ambos horizontais....65 Figura 2....................46 Figura 1...........Sinais periódicos simples: senóide e cos-senóide...63 Figura 2..........................32 ......Manômetro de Bourdon (http://www....... ....... de acordo com faixa de operação..........54 Figura 1..................64 Figura 2................. ................................................34 .................................................Figura 1..................... ..........45...................Relógio Atômico Brasileiro ......Curva de aferição de um manômetro Bourdon ......................................22 – (a) O tubo de Prandtl (b) Diagrama funcional do tubo de Prandtl....68 Figura 2...4 ...................................................56 Figura 1.2 ..39 – Exemplo 2: intensidade da luz........................

..........................121 Figura 3..Variação da resistência com a temperatura para vários materiais de RTDs ...............PDF's de funções normais .Termômetro bimetálico de haste com sensor helicoidal.......8 ......................................13 ....................7 ..............12 ...............Montagem a quatro fios... (b) Termômetro Celsius .................................105 Figura 3............111 Figura 3..80 Figura 2.......126 8 ....................110 Figura 3.............................. ...............1 – (a) Anders Celsius................howstuffworks........83 Figura 2.............................Representações do ciclo de Carnot e de sua eficiência............................. (b) sensor e cabeçote para aplicação industrial.120 Figura 3......................htm) ..........................19 ......112 Figura 3.................................Sensores RTDs fabricados pela OMEGA ...................5 .........116 Figura 3....Termômetro de expansão a gás da IWZ ..........com/therm2...83 Figura 3..Fios metálicos distintos conectados para formar um termopar .81 Figura 2......82 Figura 2...........Montagem a 4 fios tipo Callendar...... ..................18 ................79 Figura 2...... ...............................120 Figura 3.....124 Figura 3..............119 Figura 3.........................10 ............. (b) Termômetros de bulbo de álcool........A CDF de uma distribuição Gaussiana .......Figura 2...................11 ......................Montagem a três fios..................9 ....15 – Distribuições com diferentes kurtosis: (a) tem kurtosis menor que (b)....................................10 .........................14 – Distribuições: (a) com skewness positiva............113 Figura 3...................Sensores de RTDs da Precom-USA.Sensores termistores (a) padrão e (b) de filme............................118 Figura 3.....................15 ..............................Comportamento R x T de um termistor.125 Figura 3..... (b) com skewness negativa........................98 Figura 3.Termômetro de termistor ......117 Figura 3...........................................119 Figura 3.......................................................................................Funções Log-Normais ..........................................122 Figura 3...............Sensores de RTDs: (a) sensores variados e alguns conectores.............17 .....................Montagem a dois fios... de acordo com a temperatura108 Figura 3..... (http://home.......................................... ......A PDF de uma distribuição Gaussiana .......... (c) Sensores RTDs de conexão rápida.....16 .....A PPF de uma distribuição Gaussiana ................110 Figura 3.............................. .......................Ligação de termopar com junção fria em banho de gelo ......................9 ....80 Figura 2.................................11 ........................................................................................................ ..................Aplicação dos instrumentos de medição de temperatura.........................3 ............... .............................12 .....4 . ...8 – (a) Termômetros de bulbo de mercúrio.....................2 ..............Configuração de um termômetro a gás ideal....................... ......6 – (a) Hastes metálicas de termômetro bimetálico (b) Flexão de termômetro bimetálico de hastes lineares..........................21 .......... ..Cooler de CPU com módulo de refrigeração Peltier .............................122 Figura 3..22 ...14 .77 Figura 2......20 ...........13 – Distribuição t-Student..................................118 Figura 3...........................

.......................................Montagem de termopares como termopilha........... ................ BIV) ........ .............144 Figura 3.............Emitância espectral de corpo negro para cinco temperaturas......................Ligação de termopar com junção fria em TRC (Thermolectric Refrigeration Junction) e compensação por circuito elétrico.. log x log.Relação absortividade.... .................Janelas atmosféricas e transmissão do ar........................Emitância espectral de corpo negro para quatro temperaturas...... .......................... Piranômetro 149 9 ............. .....139 Figura 3.......Emissividade espectral de superfície: dependência com λ e T....... ..........................................................132 Figura 3..Lei das temperaturas intermediárias ou sucessivas..148 Figura 3.... ..........24 ....... ...................136 Figura 3...........Pirômetro digital.......................... .......................131 Figura 3.............26 – “Se o metal C for inserido entre A e B........................... .......................146 Figura 3.........................137 Figura 3................ .................. se tivesse o indigo seria ROY G......................... .......Emissividade espectral de corpos negros......................................146 Figura 3..............143 Figura 3..........39 .......40 ...37 ...........30 ....................................................................................................................................32 .........139 Figura 3...........................135 Figura 3........ ....................................42 .................................................................................... (b) O espectro visível e suas cores (a versão sem o indigo.............Montagem de termopares em paralelo para medir temperatura média..... a temperatura de C em qualquer ponto distante das novas junções AC e BC é irrelevante desde que estas estejam à mesma temperatura”....... 127 Figura 3........... então a força eletromotriz gerada pelo termopar AB será EAB=EAC+ECB”....41 ..................133 Figura 3....Códigos de cor de termopares da norma americana ASTM................ ..28 ........Pirômetro de fio..................Tipos e utilização de revestimentos de termopares....141 Figura 3...................... corpos cinzentos e corpos reais (qualitativo)..............149 Figura 3.... ......33 ................... tipos E.........43 ..................36 .....Anatomia de um CCD...........27 – “Se a força eletromotriz gerada por um termopar AC for EAC e aquela do termopar CB for ECB........ (b) ...........................126 Figura 3.131 Figura 3..130 Figura 3.......... ...................................Figura 3.......35 – Relação entre freqüência e comprimento da onda........... ...... ......34 – (a) O espectro de radiação emitida pelo Sol..Pirômetro de fibra ótica...............38 ..............Medição sem interferência ..... linear............23 ....47 – (a) Pireliômetro..................................................... J.............25 .....44 .Tipos de junções..Pirômetro ótico de fio....... ................ K e R.............46 .....45 . refletividade e transmissividade.148 Figura 3.29 ..........144 Figura 3..................128 Figura 3...... ...........31 .....Magnitude de força eletromotriz (milivoltagem) de termopares variados... da Spectrodyne.....................................134 Figura 3................138 Figura 3....................

. ................................. ..................174 Figura 4...........................................186 Figura 4......... de venturi Hershel ....... ....................26 .167 Figura 4...............25 .....5 .21 ....190 Figura 4........................19 ..Escoamento em venturi: à esquerda.......Figura 3.. ........................189 Figura 4................Curvas de Cd para bocais ASME....15 – Bocal da ASME ............Conjunto de medidores de vazão por obstrução de área. V = 2....Medidor-separador multifásico (gás+líquido) da Agar .............7 ......... ...8 .........Perda de carga (relativa.11 .....12 – Comportamento de Cd em função do número de Reynolds............168 Figura 4.................Condição de aferição e condição alterada ...........6 ..Desenvolvimento de escoamento após entrada em tubulação............18 ...................188 Figura 4. .. Cd.......Orifício Concêntrico.......188 Figura 4......174 Figura 4....165 Figura 4......23 .........167 Figura 4.........177 Figura 4..........................Representação da energia específicas em pontos distintos de um venturi .......Escoamento em placa de orifício...............................Instalações típicas de sistemas de medição por placa de orifício..................1 .........................29 .Dimensões de venturi Hershel .Variação da energia entre entrada e saída de medidor de vazão por obstrução de área colocado na horizontal (sem variação de energia potencial) ....4 m/s.Termopar medindo temperatura em uma placa aquecida colocada em escoamento: desprezada a troca de calor radiativa ..........171 Figura 4.. ...........17 .............................48 ........................180 Figura 4... à direita............ referente ao Dp lido) em medidores por obstrução de área .....Sugestão de retificadores de fluxo para aplicação de medidores de vazão ........2 – Esquema de medidores de vazão por obstrução de área .....191 10 .187 Figura 4....... V= 0............Localização das tomadas de pressão para bocais utilizados em tubulações.....16 ......................................Fator de expansão Y com relação ao parâmetro β............22 .......................................... ...................................................................................Indicação de comprimento de trechos retos à montante de medidores de vazão...................................175 Figura 4..Retificador de escoamento da Daniel ...............4 .10 ....Coeficiente de descarga.......178 Figura 4.............179 Figura 4......... Tomada de Pressão: Flange ou (1D e 1/2D. padrão ASME .....28 ...........A perda de pressão (ou perda de carga) nos medidores por obstrução ........ .............Orifícios excêntricos ou segmentados para evitar deposição de material..................178 Figura 4..........13 – Diagrama do circuito de teste de aferição de medidores de vazão......187 Figura 4....20 .........154 Figura 4..................3 ...180 Figura 4..........................Variações típicas de Cd de placa de orifício de borda quadrada....14 .. Rey = 4300 ...............169 Figura 4.......168 Figura 4................27 .......189 Figura 4.190 Figura 4...171 Figura 4.Conjunto de placas de orifício da EuroMisure.........9 .............................................................. Cd versus Re tubulação.........................24 – Formação de vórtices em singularidades (curvas e tês)..........Retificador de escoamento da Daniel ....171 Figura 4.. montante e jusante)173 Figura 4...0 m/s ................ .

..................................................................................2 .. ....6 .Medição de nível através de medição de pressão: (a) tanque aberto....................... .....................Medição de nível em tanque com visualização direta....3 .................Figura 5...... ................................220 Figura 6........Diagrama de blocos de um transdutor elétro-mecânico de pressão ..Transdutor de Indutância Variável ..........196 Figura 5................223 Figura 6.....219 Figura 6........................Esquema de viscosímetros primários ....... .................10 ..........................................................................2 ..............................Diagrama de blocos de um transdutor elétro-eletrônico de pressão ........3 ........201 Figura 5..Balança anular (a) mantido estável por um peso W............... (b) o anel gira devido a diferença de pressão.....................................................................220 Figura 6.230 Figura 7......226 Figura 6............Outras chaves de nível.......................210 Figura 5.......219 Figura 6..............................................232 Figura 7........ ...............233 Figura 7..............1 ...................................4 .........8 ................................... A inferior está estacionária................................................... ..........................11 ...... R3 = R2 ..............Medição de capacitância entre placas paralelas ............................15 ...........227 Figura 6...............Arranjo mecânico e arranjo elétrico para medição de nível....................................................................................... ...9 ..1 ............8 ...........................................................Fluido em movimento ...................11 – Sensor de relutância variável...............217 Figura 5... (b) tanque pressurizado com gás.................216 Figura 5....... .....................................Medição de nível com ultrasom......Medição através da pressão de um borbulhador ..............Arrasto entre duas placas paralelas.........9 .....................................228 Figura 6...Medição de nível em tanque com vareta molhada..Transdutor Indutivo de Fole......... .............5 ......2 ..................................... .................................................. ...........................4 ........ .............12 ....................................... ...........................................Carregamento axial de eixo ....................Viscosímetro Copo Ford .............................................210 Figura 5.1 ...Deformação vs tensão....... ...................... de catálogo da Omega.........225 Figura 6........................................................... lei de Hooke...5 ....224 Figura 6..........212 Figura 5.........................217 Figura 6..................7 .................222 Figura 6............14 .. diafragma.6 – (a) Sensor resistivo da Omega........................... ..Esquema de viscosímetros secundários................................. .. R4 implicando em e=0 ..7 – Deformação radial e tangencial de um diafragma submetido a uma diferença de pressão..................229 Figura 6...................221 Figura 6....Balanceamento da ponte R1 ......Fluido parado........Viscosímetro Brookfield.......Definição de deformação .......218 Figura 6...............................................................Medição de nível com pesagem do tanque...........Medição de nível com método capacitivo.3 .....................195 Figura 5..................... série 600 (b) Ilustração: Produto Omega...............10 .211 Figura 5.....234 11 ....213 Figura 5................................13 .

...........8 ................................15 ...........10 ..............Algumas aplicações de extensômetros ...........................................Balança de mola .......6 ....11 Montagem de extensômetro para construção de torquímetro (à esquerda) e célula de carga de compressão (à direita) ...... ......19 ...Transformador linear diferencial.............................239 Figura 7.................. ............248 12 ...................................246 Figura 7.................................................................................................................245 Figura 7...............Balança de pivot central (a) e balança de massa deslizante (b).........20 ......4 ..............7 ...................... .....9 .................13 ..............Potenciômetro circular.. ...........................................................244 Figura 7.................Um sensor de torque da Omega ..........236 Figura 7................Freio de Prony ....5 – Extensômetros (a) "dual" da MFL (b) "rosette" (roseta) da MFL (c) simples da Vishay .........................Células de carga de carbono e de fluido................................................... .................Potenciômetro linear......Circuito elétrico da ponte de Wheatstone.246 Figura 7...Relógio comparador..........................................247 Figura 7...............................................244 Figura 7.......................... ...Esquema do TDVL.....................Tacômetro elétrico..................................................................................................18 ...........237 Figura 7..............12 .........................................247 Figura 7.......236 Figura 7..............21 .......Figura 7..................................Encoder ótico........"Pick-up" magnético ... .........................243 Figura 7...................241 Figura 7.............14 ......Células de carga da Vishay e esquema construtivo de célula de carga cilíndrica .................................................17 ...........................243 Figura 7...............16 ................ ....241 Figura 7...................................................240 Figura 7.... ..................... .......................................................242 Figura 7..............

...................4 ...Escalas Kelvin e Celsius (SI) para Escalas Farenheit e Rankine (Inglês).5 ................166 Tabela 4.........................100 Tabela 3...........101 Tabela 3............... .........................203 Tabela 5...........................................82 Tabela 3....................................Coeficientes de temperatura α para RTDs (Parr......................Extrato de um t-Table ........Valor médio e desvio padrão de n medições de tempo........3 ...Conceitos recém-discutidos.... polaridade dos metais e faixa de aplicação recomendada......................4 ..Tolerância de RTDs de platina Pt 100................................1 – Manômetros e fluidos manométricos empregados..... ................100 A Lei Zero da Termodinâmica e a Definição de Temperatura ................ .......... que se aplicam a instrumentos e ao procedimento de medição..........3 .........................205 Tabela 6........Exemplo de valores da coluna deslocada h . ...................... 1991) .......................................205 Tabela 5.......... .................................Especificação de norma da força eletromotriz de termopares variados...134 Tabela 3........................Pontos Fixos da ITS 90 (Michalski et al..................6 . 71 Tabela 2......................................................... 1985) .....................Incerteza típica de medição com termopares comerciais.....................LISTA DE TABELAS Tabela 2........... .................................128 Tabela 3..............................................226 13 .......Termopares da norma americana ASTM....... e sua tolerância...................1 – Aplicação de sensores de nível..142 Tabela 3......1 . .................................................................................... ....................................................................4 ..............................2 ........................Calibração de um manômetro de Bourdon na faixa de pressão de 0 a 10 kPa........9 ...204 Tabela 5.............. ... .........1 ............................ de acordo com a norma inglesa BS4937.............................................................. por faixa de vazão..................vantagens e desvantagens de termômetros.......115 Tabela 3......... ........10 ...............................................178 Tabela 5.................1 – Conversão de unidades de vazão.... de catálogo da Rototherm (UK)......3 .....127 Tabela 3........ .........117 Tabela 3.......Emissividade de superfícies.....2 – Fluidos manométricos . ...151 Tabela 4............ de acordo com as normas IEC751 e BS1904..7 – Tipos e usos de Termopares........................135 Tabela 3...........................Propriedades do mercúrio e da água...................................................... em relação ao diâmetro do tubo d..2 ........... .......8 .63 Tabela 2.......2 – Aplicações da relação de Stoltz.75 Tabela 2.............

respectivamente. Nível. A estrutura de apresentação das aulas da disciplina é apresentada na tabela abaixo.APRESENTAÇÃO Na resolução de problemas de engenharia. Os sensores serão o tema principal desse curso. Medição de Temperatura. no capítulo sete. 14 . a forma adequada de aplicá-los em seus aparatos experimentais e técnicas de processamento dos dados obtidos. critério de avaliação. ementa analítica. Assim. torque. referindo-se ao conteúdo básico da apostila didática e material bibliográfico nela referenciado. que apresentará uma visão geral dos sensores. O método experimental requer uso intensivo de instrumentos. força. teoria e experimentação se complementam. Conceitos básicos e características gerais de instrumentos. são apresentados os conceitos de incerteza e erro e introdução à análise estatística em medições. é necessário que o engenheiro conheça as técnicas de medição. Detalhes sobre temperatura e sua medição são abordados no capítulo três. No segundo. são apresentadas técnicas de medição de deslocamento. AULA ASSUNTO Introdução: apresentação do instrutor. Os capítulos quatro e cinco apresentam técnicas para a medição de vazão e pressão. Medição de Vazão. interface e viscosidade de líquidos são abordados no capítulo seis e finalmente. os instrumentos. No primeiro capítulo são apresentados conceitos básicos de instrumentação e as principais características que os instrumentos apresentam. descreverá como eles são aplicados e apresentará alguns circuitos básicos necessários para apoiá-los em sua operação. DATA 1 2 3 4 5 apresentação dos alunos. explicará como eles operam. e aspectos na utilização de de strain-gages. A disciplina “Medidas de grandezas térmicas e fluidas” tem por objetivo preparar o profissional para realizar estes procedimentos em aplicações cujas grandezas a serem medidas são térmicas e fluidas. Medição de Temperatura. para construir o aparato experimental e realizar um experimento de forma eficiente o engenheiro deve conhecer os princípios básicos de funcionamento de uma larga gama de instrumentos. Além disso.

força e movimento. Medição de Nível.6 7 8 9 10 11 12 Avaliação P1 Medição de Pressão. tensão. Interface e Viscosidade de Líquidos. tensão. Avaliação P2 15 . Interface e Viscosidade de Líquidos. Medição de Nível. força e movimento. Medição de deformação. Medição de deformação.

5. Não requer o uso de equipamentos de laboratório. Testes de validade de previsões teóricas para se "refinar" uma teoria. verificações experimentais de modelos de turbulência. papel. Os principais aspectos do método experimental são: 1. 4. etc. Exemplos: teste da resposta em freqüência de acoplamentos mecânicos para a determinação das freqüências de ressonância. É muito comum o uso de hipóteses simplificadoras (simplificações no modelo matemático ). já que não é necessário construir modelos em escala ou dispositivos experimentais e realizar medidas. Os aspectos principais do método teórico são : 1. geralmente. Em alguns casos o método teórico resulta em problemas matemáticos complexos. 2. A partir desta constatação.1 Conceitos básicos e características gerais de instrumentos 1. 3. apenas lápis. Os resultados são normalmente de uso geral. Medidas bastante exatas são necessárias para se obter um retrato fiel do fenômeno em questão. 4. Requer a construção do sistema real ou de um modelo de teste. Quase sempre os resultados aplicam-se somente ao sistema sendo testado. Os problemas que requerem o método experimental para a sua solução podem ser divididos em cinco tipos: 1. computadores. dois métodos distintos: o método teórico e o método experimental. calculadoras. 16 . Hipóteses simplificadoras não são necessárias caso se teste o sistema real. 2. 3. O tempo requerido para a solução do problema é normalmente longo por envolver o projeto. 5. pode-se ir além e afirmar que teoria e experimentação se complementam. O engenheiro consciente deste fato será mais eficiente na resolução de problemas do que aquele que não dá a devida atenção a uma ou outra abordagem.1 O método experimental na engenharia A resolução de problemas de engenharia envolve. construção e depuração do dispositivo experimental e realização das medidas propriamente ditas. Muitas vezes o tempo requerido para a solução do problema é menor.

Não há experimento fácil e nem há substituto para a experimentação cuidadosa em muitas áreas da pesquisa básica ou do desenvolvimento de produtos. Determinação de parâmetros do sistema e/ou do seu desempenho. Obtenção de uma correlação empírica em situações onde uma teoria satisfatória não existe. Quanto mais abrangentes estes interesses. 2. O engenheiro deve então estar familiarizado com os métodos e técnicas de medida e com a análise de dados experimentais. 4. pode-se afirmar que o engenheiro deve estar capacitado a executar três tarefas distintas: 1. a fim de projetar o experimento coerente. O engenheiro deve ter uma compreensão profunda dos princípios físicos envolvidos nos fenômenos estudados. O engenheiro deve especificar as variáveis físicas a serem investigadas e conhecer o papel destas no trabalho analítico posterior. 3. bem como das limitações dos dados experimentais. Uma só pessoa se desenvolverá necessariamente nas áreas de experimentação diretamente ligadas aos seus interesses profissionais e conhecimentos analíticos e teóricos. Estudo de fenômenos para se desenvolver uma teoria. De maneira geral. obtenção da curva do coeficiente de descarga versus o número de Reynolds de um medidor de vazão por obstrução de área. determinação da eficiência térmica de uma turbina a vapor. Exemplos: determinação do fator de atrito em escoamentos turbulentos. 3. não se deve esperar que uma única pessoa domine todas as áreas do trabalho experimental. Obviamente. Exemplos: microscopia eletrônica de fissuras por fadiga em metais. Exemplos: experimentos com modelos em naftalina para se determinar o coeficiente de película de convecção (analogia entre transferência de massa e transferência de calor). para que possa analisar os dados coletados. 17 . determinação do coeficiente de transferência de calor por convecção no escoamento em um tubo (coeficiente de película).2. mais amplas serão as áreas do trabalho experimental dominadas por esta pessoa. Solução de equações matemáticas por meio de analogias. Exemplos: determinação do ponto de deformação plástica de ligas metálicas. 5. O engenheiro deve conhecer os princípios básicos de funcionamento de uma larga gama de instrumentos para construir o aparato experimental. experimentos sobre o comportamento das bolhas durante a ebulição sobre uma superfície.

18 . ou mesmo projetar um instrumento.2 Elementos funcionais e características operacionais de instrumentos O método experimental requer uso intensivo de instrumentos. Elemento transmissor de dados . A Fig. os instrumentos. Ele inclui todos os elementos que executam as funções básicas consideradas necessárias para a constituição de qualquer instrumento.aquele que converte o sinal de saída do elemento sensor primário em um outro sinal mais apropriado para a medição. sem entretanto alterar a informação contida no sinal original.1. Para entender o funcionamento de instrumentos de medição. entretanto. A configuração geral a partir de elementos funcionais deve ser aplicável aos sistemas de medição como um todo. Elemento apresentador de dados .aquele que opera uma mudança no valor numérico associado ao sinal de saída do elemento conversor de variável segundo uma regra precisamente definida. controle ou análise.aquele que coloca os dados em uma forma reconhecida por um dos sentidos humanos (pelo observador) para efeito de monitoramento. não há uma única configuração possível para um certo instrumento. a forma adequada de aplicá-los em seus aparatos experimentais e técnicas de processamento dos dados obtidos. Assim.1 mostra apenas um dos vários arranjos possíveis.aquele que transmite dados entre os elementos funcionais do sistema de medição quando estes se encontram fisicamente separados. 1. Elemento manipulador de variável .1 – Configuração de um instrumento Esses elementos são: Elemento sensor primário . não atendo-se a um equipamento específico. mantendo entretanto a natureza física do sinal. Muitas vezes. é necessário saber como eles são configurados a partir de elementos funcionais. Elemento conversor de variável . Figura 1.aquele que primeiro recebe a informação do meio físico medido e gera um sinal de saída que depende de algum modo da quantidade medida. é necessário que o engenheiro conheça as técnicas de medição.

Deve-se salientar mais uma vez que a Fig.realiza a apresentação final dos dados.realiza uma modificação do sinal oriundo do estágio anterior através de amplificação. o computador que fará o controle do processo. o controle da variável medida.1. Nele se realiza. e não seus elementos físicos.2 – Manômetro Bourdon: (a) elemento sensor tipo "C". onde todas estas funções são facilmente identificáveis.realiza a detecção da variável física e a converte em um sinal mais apropriado para medição.2. o estágio intermediário deve realizar a transdução da informação para torná-la aceitável. em seqüências distintas daquela da Fig. 1. a filtragem do sinal para remover ruídos. por exemplo. e a amplificação do sinal. Estágio final .Elemento armazenador/reprodutor de dados . normalmente mecânico ou elétrico. Estágio intermediário .1 apresenta os elementos funcionais de um sistema de medição. e o deslocamento (drift). o banco de memória onde dados são armazenados.aquele que armazena os dados de maneira não necessariamente reconhecida pelos sentidos humanos e que os apresenta (reproduz) a partir de um comando qualquer. se necessário. pode-se considerar o manômetro de Bourdon mostrado na Fig. O sensor deveria ser. 1. Uma outra configuração menos detalhada considera os sistemas de medição como contendo três partes: Estágio sensor/transdutor . etc. Como exemplo de um sistema de medição mecânico. (b) elemento sensor tipo espiral 19 . filtragem. etc. o seu armazenamento e. sendo que um mesmo componente físico pode desempenhar várias destas funções. no estágio final está o mostrador (ou display). tais como: ruído. idealmente. Um instrumento específico pode apresentar várias combinações das funções básicas. (a) (b) Figura 1. por definição um sinal não-desejável que varia (flutua) muito rapidamente. um sinal não-desejável que varia lentamente. insensível a cada uma das outras possíveis entradas interferentes não desejadas. do instrumento. Isto é. 1. isto é. isto é o aumento de sua potência. Ou seja.

o tubo de Bourdon é o elemento sensor primário e o elemento conversor de variável. Fig.O meio medido é o fluido na tubulação ou reservatório no qual se instala o manômetro de bourdon. engrenagem central e mola corresponde ao estágio intermediário. onde o deslocamento do tubo de Bourdon é amplificado e transformado em um movimento giratório. já que ele converte o sinal de pressão em um deslocamento mecânico.3 apresenta o detalhamento funcional do manômetro de Bourdon segundo esta configuração. A Fig. A articulação e o arco dentado equivalem ao elemento transmissor de dados onde o deslocamento do tubo de Bourdon é transmitido à engrenagem central através de um movimento giratório do arco dentado. O ponteiro e a escala são o elemento apresentador de dados onde o movimento giratório da engrenagem central é apresentado como um valor correspondente de pressão compreensível para o observador. à esquerda (Fig. o tubo de Bourdon corresponde ao estágio detector/transdutor. Figura 1. 1. arco dentado. A Fig.3 – Configuração clássica do Manômetro Bourdon.2 (b). 1. 1. O conjunto formado pela articulação.4 apresenta o manômetro de Bourdon sob esta configuração.2 (a)). sendo a pressão deste fluido a quantidade medida. que utiliza apenas três estágios funcionais. A Fig. A engrenagem central e a mola representam o elemento manipulador de variável já que “amplificam” o movimento giratório do arco dentado transformando-o em um movimento giratório mais amplo da engrenagem. De acordo com a primeira configuração geral de medição. no segundo. está um outro manômetro Bourdon no qual o elemento que recebe a pressão é espiral (indicado pela letra I) e está diretamente conectado ao ponteiro. 1. O ponteiro e a escala correspondem ao estágio final já que fornecem uma indicação (um valor) da pressão agindo sobre o tubo de Bourdon. Deve-se notar que neste exemplo simples não temos o elemento armazenador/reprodutor de dados. 20 . Em termos da segunda configuração funcional apresentada. já que é nele que a pressão do fluido é sentida e convertida em um deslocamento.2 apresenta dois tipos de manômetros de Bourdon: no primeiro. que apresenta seis elementos funcionais. o elemento sensor primário também faz o papel de elemento de manipulação e transmissão do sinal. 1.

Figura 1.4 – Manômetro Bourdon em uma configuração mais simplificada.

A Fig. 1.5 apresenta um esquema exemplo de um medidor eletrônico de deformação (strain).

Figura 1.5 – Esquema de um medidor eletrônico de deformação (strain).

1.3 Sensores
Os sensores (também chamados de transdutores) são elementos muito importantes nos instrumentos modernos. Mais e mais os sensores mecânicos vêm sendo substituídos por sensores elétricos ou eletrônicos por permitirem o interfaceamento com computadores e o controle de processos à distância em tempo real. Hoje é comum que instrumentos estejam conectados a um barramento ("bus") de instrumentação, o qual por sua vez conecta-se a sistema de aquisição de dados e controle de processos em um microcomputador. Desta forma controla-se centrais de arcondicionado à distância, mesmo através da Internet; ou o gasoduto Brasil-Bolívia, altamente descentralizado pois os instrumentos se distribuem por milhares de quilômetros, através de satélite. Pode-se dizer que os sensores são os olhos e os ouvidos dos instrumentos de medida e dos sistemas de medição e controle. Eles serão o tema principal de nosso curso, que apresentará uma visão geral dos sensores, explicará como eles operam, descreverá como eles são aplicados e apresentará alguns circuitos básicos necessários para apoiá-los em sua operação. O sensor detecta um sinal ou estímulo e produz uma saída mensurável. Por exemplo: (1) a balança de uma mola produz uma mudança em deslocamento; (2) a dilatação de um tubo Bourdon também produz um

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deslocamento linear que é convertido em deslocamento angular; (3) um termistor (um sensor de temperatura) e o "strain-gage" produzem uma saída que é uma variação de resistência; (4) um tubo venturi mede uma diferença de pressão para determinar a vazão de um fluido. A Fig. 1.6 mostra os vários sensores que vêm instalados em um automóvel moderno. A cada dia que passa mais sensores vêm sendo agregados aos automóveis e se tornado indispensáveis à sua operação.

Figura 1.6 – Sensores automotivos

1.3.1

Sensor Lambda

O sensor Lambda é talvez o menos conhecido de todos os utilizados em automóveis. Ele é o sensor de oxigênio dos gases de escape dos motores a combustão. Monitora a concentração de oxigênio no gás de exaustão para manter a relação ar-combustível tão ideal quanto possível, isto é, tão estequiométrica quanto possível. O sensor lambda utiliza um eletrólito de estado sólido denominado de ítrium-zircônio. Caracteriza-se pela alta condutividade de íons de oxigênio em temperaturas elevadas (em torno de 700 K). É construído, normalmente, como um cilindro oco,

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revestido por paredes interna e externa, microporosas, de platina, que são os eletrodos. A parede externa é imersa no gás de escape, e a parede interna é exposta ao ar ambiente, cujo conteúdo de oxigênio igual a 21% serve como referência. A Fig. 1.7 apresenta um modelo de sensor lambda.

Figura 1.7 – Sensores lambda Bosch

A equação de Nermst estabelece que a voltagem da sonda é como segue:

VL =
parcial.

RT  pO 2 ref.   ln 4F  p O 2 ex.   

onde R é a constante do gás, T é a temperatura absoluta, F é a constante de Faraday e p é a pressão

1.4 Características operacionais de instrumentos
Uma vez identificadas as características funcionais comuns a todos os instrumentos de medição, é possível proceder-se a algumas generalizações a respeito da maneira como estas funções são desempenhadas, isto é, como atua um instrumento. A seguir são discutidas algumas classificações normalmente usadas. 1.4.1 Sensores/Transdutores ativos e passivos A fim de desempenhar qualquer uma das funções típicas, um componente de um sistema de medição, isto é, de um instrumento, deve operar seja como um transdutor ativo, seja como um transdutor passivo. (Neste contexto, o termo transdutor não significa necessariamente um dispositivo capaz de converter uma forma de energia em outra, mas simplesmente um dispositivo capaz de transformar um sinal em outro). Um componente cuja energia de saída é fornecida integralmente ou quase integralmente pelo sinal de entrada é denominado um transdutor passivo. Os sinais de entrada e saída podem constituir-se da mesma forma de energia ou pode haver uma conversão de energia de uma forma em outra. Exemplos simples de transdutores passivos são: o manômetro de bourdon, o termômetro de

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bulbo, o termômetro bimetálico, etc. De uma maneira bem geral, podemos dizer que são transdutores passivos: os fotovoltaicos, que respondem com variação de resistência ou voltagem à mudança de iluminação; os piezoelétricos, que respondem com variação de carga elétrica à aplicação de uma força; os termoelétricos, onde a variação de temperatura está associada à variação de resistência elétrica; os eletromagnéticos, cuja voltagem está associada à variação de campo elétrico ou magnético; nos sensores restantes, miscelâneos, a pressão de um fluido está associada à deflexão mecânica, como nos manômetros, a temperatura está associada à dilatação diferencial e então à deflexão, como nos termômetros bimetálicos, etc.

Figura 1.8 – Transdutores passivos.

Um transdutor ativo de um instrumento, por outro lado, dispõe de uma fonte auxiliar de energia que fornece a maior parte da energia contida no sinal de saída. Mais uma vez, pode ou não haver uma conversão de energia de uma forma à outra. Exemplos de transdutores ativos são o anemômetro de fio quente, os leitores de termopares, etc.

(a)

(b)

Figura 1.9 – Anemômetro de fio quente: (a) sensor e eletrônica de alimentação, filtragem, conversão, apresentação e armazenamento dos dados; (b) detalhe do sensor.

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De uma maneira bem geral, podemos dizer que são transdutores ativos: os sensores de resistência variável, potenciômetros, strain gages e os termistores; os sensores que operam com o efeito Hall (a voltagem é proporcional ao produto da corrente de excitação com o campo magnético); os opto-eletrônicos, como os emissores de luz e os fotosensores; os sensores de reatância variável, dos tipos indutância variável (transformador diferencial) e capacitância variável.

Figura 1.10 – Transdutores ativos.

1.4.2

Modos de operação analógico e digital Esta classificação diz respeito à natureza do sinal que contém a informação desejada. O

sinal analógico é uma função contínua associada ao processo que se mede. Em sinais analógicos, o valor preciso da quantidade contendo a informação (voltagem, rotação, deslocamento, etc.) é relevante. Os sinais digitais, por outro lado, são de natureza binária, isto é, são o resultado do estado lógico (falso/verdadeiro) de um circuito eletrônico que tem um conversor analógico digital, conversor A/D. A grande vantagem de um sinal digital é ser imune, quando transmitido, a “ruídos” que poderiam adulterar a informação original. Os instrumentos atuais são normalmente sistemas combinados analógico/digital, onde a porção digital não representa o fator limitante para a precisão do sistema. Estas limitações provêm geralmente da porção analógica e/ou dos dispositivos de conversão analógico/digital. Vale dizer que a maioria dos elementos sensores primários é analógica.

1.4.3

Instrumentos de deflexão e cancelamento Esta classificação diz respeito ao princípio de operação do um sistema que constitui um

instrumento. Em instrumentos de deflexão a quantidade medida produz um efeito físico que leva a um efeito similar mas contrário em alguma parte do instrumento. Este efeito contrário, por sua vez, está intimamente ligado a alguma variável diretamente perceptível por algum dos sentidos humanos, por exemplo, um deslocamento mecânico. O efeito contrário aumentará até se atingir um ponto de

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equilíbrio, quando então se mede a deflexão para se inferir o valor da quantidade medida. Exemplos: o "calibrador de pneus" portátil (um instrumento muito simples, veja Fig. 1.10), o manômetro de bourdon, o termômetro bimetálico, etc. Quando o calibrador de pneu é pressionado contra o bico do pneu, a pressão do pneu exerce uma força sobre o pistão, que desloca a haste calibrada e comprime a mola. O efeito contrário à força associada à pressão é feito pela mola. Na condição de equilíbrio a haste calibrada indicará o valor da pressão do pneu.

Figura 1.10 – Instrumento de deflexão: o calibrador de pneu.

Em instrumentos de cancelamento, a deflexão é idealmente mantida nula pela aplicação de um efeito contrário àquele gerado pela quantidade medida. Tornam-se então necessários um detector de desequilíbrio e uma maneira de restaurar o equilíbrio. A determinação de valor numérico da variável a ser medida requer um conhecimento preciso da magnitude do efeito contrário. Exemplos: medidores de pressão de peso morto, a balança de braço articulado (a "balança de feira", o instrumento de cancelamento mais simples e talvez o mais antigo que existe – Fig. 1.11), o manômetro de tubo U, etc. Note que na balança de pratos (até há pouco tempo chamada também de balança de feira) o material a ser pesado é colocado em um dos pratos e pesos aferidos são colocados no outro. O cancelamento do peso do material é indicado pelo ponteiro que se desloca sobre a escala central.

Figura 1.11 - Instrumento de cancelamento: balança de braço

26

De maneira geral, a precisão obtida pelo instrumento que opera com o método do cancelamento em uma certa medida é maior do que aquela obtida pelo instrumento que opera com o método da deflexão. Uma primeira razão para tal é que o instrumento que opera com o método de cancelamento faz uma comparação direta entre uma quantidade desconhecida e uma quantidade padrão, enquanto que o instrumento que opera com o método da deflexão requer a prévia calibração do elemento sensor, isto é, a comparação é indireta. Uma outra vantagem do método do cancelamento é que, sendo a medida feita somente ao se restaurar o equilíbrio, conseguem-se uma maior sensibilidade e precisão já que o detector de desequilíbrio operará sempre em uma estreita faixa ao redor de zero. Além disso, não há necessidade de calibração do detector já que este deve simplesmente detectar a ocorrência e o sentido do desequilíbrio sem porém quantificá-lo. Um instrumento de deflexão, entretanto, é maior e mais robusto, e portanto menos sensível, a fim de medir magnitudes elevadas de qualquer grandeza. As desvantagens do método do cancelamento dizem respeito principalmente a medidas dinâmicas. Todavia, a utilização de sistemas de balanceamento automático permitem estender o método do cancelamento a inúmeras aplicações de grande importância. Exemplo: anemômetro de fio quente.

1.5 O modo de operação analógico
Os instrumentos analógicos muitas vezes utilizam circuitos elétricos como forma de indicação dos valores medidos, pois estes tornam viável ou facilitam a transmissão à distância, além de permitir o controle do processo sob observação. Assim, a variável primária medida é transformada em corrente elétrica, voltagem ou resistência. Os instrumentos analógicos são, geralmente, baseados no movimento do medidor de d'Arsonval. Ele consiste de uma série de espirais colocadas no campo magnético de um ímã permanente. Quando uma corrente elétrica percorre as espirais, ela cria um torque nas espirais, fazendo com que se desloquem, movendo um ponteiro sobre uma escala calibrada. Por projeto, a deflexão do ponteiro é diretamente proporcional à corrente nas espirais. O medidor de d´Arsonval opera com corrente contínua ou alternada. Neste último caso precauções devem ser tomadas para minimizar a oscilação do ponteiro. A Fig. 1.12 é uma ilustração de um galvanômetro de d´Arsonval, onde aparecem a câmara de amortecimento e a pá conectada ao eixo do ponteiro, as quais irão realizar esta função de amortecimento da oscilação do ponteiro. Não aparecem os ímãs que devem ser montados lateralmente à espiral.

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(a)

(b)

Figura 1.12 - (a) Esquema de galvanômetro de d´Arsonval (não aparecem os ímãs que geram o campo magnético permanente) e (b) galvanômetro de d´Arsonval em tacômetro.

Se o sinal elétrico é a voltagem, para fazer sua leitura pode-se usar o galvanômetro de d´Arsonval com uma resistência conhecida em série, pode-se usar um osciloscópio ou então um circuito divisor de voltagem. Se a resistência é a grandeza elétrica do sinal a ser medido, pode-se usar o circuito de d´Arsonval com voltagem e resistência conhecidos, ou então uma ponte de Wheatstone.

Figura 1.13 - A ponte de Wheatstone

A ponte de Wheatstone é um circuito elétrico usado para medir resistência. Ele consiste de uma fonte de tensão e um galvanômetro que conecta dois ramos de um circuito elétrico em paralelo.

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Os sinais do mundo físico são analógicos. se o conversor tem 4 bits. fN. M 1.1). (1/2047). Também são analógicos os sinais de controle enviados para interação com o mundo físico. 1.7 Características de sinais de entrada e saída Referindo-se à Fig. e vice-versa a variável que controlará o sistema experimental. 2. que é definida como a metade da frequência de amostragem. iI ==> quantidade à qual o instrumento é acidentalmente sensível. alias. isto é. de forma a usar o poder do modo digital. três das quais são conhecidas (Fig. uma falsa frequência ocasionada pela baixa taxa de amostragem). Por exemplo. Quando um sinal tem frequências superiores à frequência de Nyquist. iD ==> quantidade que se deseja medir com um dado instrumento. não necessita de interpolação. o número de intervalos de amostragem é 2047 e a resolução. há que se converter de analógica para digital a variável que se deseja medir. Assim. 29 . a resolução de um conversor analógico-digital é igual a 1 / (2 . se o conversor tem 12 bits.14. pode-se observar que as quantidades (ou sinais) de entrada que um instrumento pode medir são divididas em três tipos: Entrada Desejada. No processo de conversão analógico/digital alguns aspectos devem ser considerados: 1. a frequência de Nyquist. A unidade básica do modo digital é o bit: 1 bit pode assumir valores 0 ou 1 (ligado ou desligado). instrumentos digitais podem ser facilmente acoplados entre si e também a computadores. Entrada Interferente. a ponte deve ser balanceada até que o galvanômetro indique o valor zero. e a palavra digital é feita de bits (por exemplo. são quantidades que variam continuamente. 1 byte = 8 bits. sua amostragem gerará frequências distorcidas inferiores às frequências aparentes (isto é. o número de intervalos de amostragem é 15 e a resolução é (1/15). Entre elas podese dizer: a leitura digital é direta e precisa. Para determinar a resistência desconhecida. operam em baixas voltagens (de 5 a 10 volts). 1. a frequência de Nyquist é a frequência mais alta do sinal que pode ser adquirido sem indesejáveis distorções de frequência.Estes dois ramos em paralelo têm quatro resistências. onde M é o número de bits. Assim.13). fN = fA / 2. 1. instrumentos digitais são "resistentes a ruídos" (pois não são "dependentes da amplitude" como os sinais analógicos). uma palavra de 4 bits).6 O modo de operação digital O modo de operação digital tem várias vantagens sobre o modo analógico.

15 (b)). Ao se montar o manômetro sobre um veículo em aceleração. Para se relacionar a entrada e a saída em medidas dinâmicas.15 mostra a ação das três entradas recém discutidas. a aceleração do veículo representa uma entrada interferente que causará um erro de leitura (Fig.D representam a maneira particular como iM afeta FI e FD.Entrada Modificadora. Uma relação não-linear entre a entrada e a saída. Por exemplo.15 (c)). em medidas estáticas uma relação linear entre a entrada e a saída implica FD = constante. respectivamente. na operação de um manômetro de mercúrio. entretanto. Figura 1.15 (a)). 1. Isto é.Entradas atuantes em instrumentos e saídas resultantes. FD será uma equação diferencial. As pressões p1 e p2 são as entradas desejadas cuja diferença causa o deslocamento de saída x. A Fig. 1. 1. Os símbolos FM. O símbolo FI representa operações semelhantes para a entrada interferente. 30 . implicará que FD seja uma função matemática. o ângulo de inclinação do manômetro com relação à gravidade também representa uma entrada interferente e modificadora que produzirá um deslocamento de saída x mesmo na ausência de uma diferença de pressão (Fig. 1. Neste caso não há a ação de entradas interferentes ou modificadoras (Fig.14 . haverá um deslocamento de saída x mesmo quando não houver uma diferença de pressão. iM ==> quantidade que causa uma modificação na relação saída/entrada para as entradas desejadas e interferentes.I e FM. Analogamente. O símbolo FD representa todas as operações matemáticas necessárias à obtenção da quantidade (ou sinal) de saída a partir do sinal de entrada ID.

causando o deslocamento xo.D devem ser o mais próximas possível de zero. Na Fig. O deslocamento xo é medido por um dispositivo de realimentação que produz uma voltagem eo proporcional a xo. isto é.16 (b). interferente e modificadora na operação de um manômetro de mercúrio. a qual é realizada através de sua alimentação a um motor elétrico. 31 . Esta voltagem eo é subtraída da voltagem de entrada ei e a diferença é aplicada ao amplificador que aciona o conjunto motor-mola.16 (a)). Mas soa como uma filosofia de projeto de que os elementos de um instrumento devam ser inerentemente sensíveis somente às entradas desejadas.15 – Ação das três entradas desejada. As entradas modificadoras IM1 e IM2 causam mudanças em KMO e KSP. Neste caso. as quais acarretam erros na relação entre ei e xo. Estes erros são então diretamente proporcionais às variações em KMO e KSP. a uma mola. via de regra. através de um braço.(a) (b) (c) Figura 1. onde KMO e KSP são constantes. não é alcançada na prática. (a) As pressões p1 e p2 são as entradas desejadas. não há a ação de entradas interferentes ou modificadoras. FI e/ou FM. que é medido em uma escala calibrada (Fig. e tem-se o que é denominado de sistema aberto. um sistema alternativo é proposto. Este método é uma idealização que. (c) O ângulo de inclinação do manômetro com relação à gravidade também representa uma entrada interferente e modificadora. (b) O manômetro sobre um veículo em aceleração. 1. 1. 1. Método da Realimentação de Alto Ganho Seja a medida de uma certa voltagem ei. Método da Insensibilidade Inerente Os elementos do sistema de medição devem ser inerentemente sensíveis somente às entradas desejadas. 2. Um instrumento projetado deste modo. O motor está em balanço e o torque resultante no estator é aplicado. a aceleração do veículo representa uma entrada interferente que causará um erro de leitura. A seguir são discutidos alguns dos métodos mais comumente usados para se eliminar ou atenuar os efeitos de entradas espúrias.

requer-se agora apenas que KFB permaneça constante (não influenciada por iM4) para se manter constante a relação entre a entrada e a saída. os sistemas de 32 .(ei − e 0 )K AM K MO K SP = (ei − K FB x 0 )K AM K MO K SP = x 0 e chega-se facilmente a x0 = K AM K M0 K SP ei . (b) Instrumento operando como um sistema em circuito fechado (ou sistema com realimentação). 1+ K AM K M0 K FB K SP Se o sistema for projetado de modo que KAM seja muito grande (sistema de alto ganho). temse x0 ≈ 1 K FB ei . (a) (b) Figura 1. Na prática.16 – (a) Instrumento operando como um sistema em circuito aberto. Portanto.

de saída ou a algum sinal intermediário (Fig. Método da Filtragem de Sinais Certos elementos (“filtros”) são introduzidos no instrumento com a finalidade de se bloquear sinais espúrios e assim remover ou diminuir seus efeitos sobre o sinal de saída. 33 . (a) (b) Figura 1. 1. 3. isto é. oscilações causadas por amplificações excessivamente altas.17). (b) Circuito de instrumento com filtragem na saída. Entretanto.17 – (a) Instrumento com filtragem na entrada. pode haver casos em que se tem uma instabilidade dinâmica.realimentação permitem obter maior precisão nas medidas. Os filtros podem ser aplicados diretamente aos sinais de entrada.

e programas como o MatLab. analógicos ou digitalizados. o MathCad. ou via "software". por exemplo. A variação da razão entre a amplitude do sinal de saída e a amplitude do sinal de entrada |po/pi| em função da freqüência também é mostrada. 1. pneumáticos. isto é. Assim. estas entradas interferentes foram eliminadas (“filtradas”) do sistema pelo isolante térmico que envolve a junção que referência. 34 . e armazenados em um banco de memória ou gravados em meio magnético ("harddisk" por exemplo. pode-se afirmar que filtros mecânicos. Assim.18 . A Fig.Filtragem propiciada pela isolação térmica da junção de referência de termopar Na Fig. a junção de referência do termopar está isolada termicamente do ambiente. 1. Em resumo. o Mathematica. fita magnética. Figura 1. na Fig. em laboratórios virtuais.20 mostra os tipos de filtro mais comuns. 1. pressões de entrada constantes ou sujeitas a lentas variações podem ser medidas com precisão enquanto que flutuações de alta freqüência são eficazmente atenuadas. flutuações na temperatura ambiente não interferem na medida do termopar. entre vários outros. um estrangulamento é introduzido entre a fonte de pressão e o manômetro (com uma válvula. etc.Por exemplo.19. como o LabView. sinais analógicos que foram convertidos em um conversor analógicodigital. etc). da National Instruments.18. podem ser construídos a fim de se realizar uma separação do sinal em função do seu conteúdo em freqüência. térmicos. elétricos. por uma válvula de agulha que permite ainda ajustar-se o efeito de filtragem. a filtragem é um recurso simples que pode ser implementado via "hardware" no analisadores de sinais. ou seja. No caso específico de filtragem de sinais elétricos. O estrangulamento pode ser conseguido. por exemplo).

Filtragem em instalação de manômetro propiciada por estrangulamento de linha de entrada Figura 1.19 .Tipos de filtros 35 .20 .Figura 1.

Como ilustração. Método da Saída Corrigida Conhecendo-se a magnitude das entradas interferente e modificadora e sua ação sobre a saída.22 mostra o projeto de uma sonda de pressão estática desenvolvida por L. Prandtl raciocinou que o suporte da sonda também terá uma linha de estagnação ao longo de sua parte frontal e que a conseqüente sobrepressão se propagará à montante.4. Este aumento da velocidade causa uma queda na pressão estática de modo que a tomada de pressão mostrada fornece uma leitura incorreta. entretanto. Este erro devido à subpressão varia com a distância d1 da tomada à extremidade da sonda. Prandtl. À medida que o fluido escoa sobre a superfície da sonda. a sua velocidade deve aumentar já que as linhas de corrente são mais longas do que aquelas no escoamento não perturbado. Este efeito.21 . 1.Diagrama de instrumento com cancelamento de entradas indesejáveis. 5.21). podem-se calcular correções de modo a se ter somente o componente da saída associado à entrada desejada. Método das Entradas Contrárias Consiste em intencionalmente introduzir no instrumento entradas interferentes e/ou modificadoras que tenderão a cancelar o efeito indesejável de entradas espúrias inevitáveis (Fig. será tão menor quanto maior for a distância d2. Este método é bastante adequado no caso de medidas automatizadas por microcomputadores. Testes experimentais permitem a escolha adequada das distâncias d1 e d2 de maneira que os dois efeitos se cancelem mutuamente. obtendo-se 36 . a Fig 1. Figura 1.

8 Desempenho estático e dinâmico dos instrumentos O estudo das características de desempenho de um instrumento de medida e de sistemas de medição em geral é normalmente feito em termos da análise de suas características estáticas e características dinâmicas.22 o diagrama funcional do tubo de Prandtl. Aparece também na Fig. As razões que explicam são: 37 . (a) (b) Figura 1.assim o valor correto da pressão estática. 1. 1.22 – (a) O tubo de Prandtl (b) Diagrama funcional do tubo de Prandtl.

como por exemplo a pressão e a temperatura ambientes). que embora a separação do comportamento de um instrumento em • • características estáticas e dinâmicas seja muitas vezes acadêmica. exceto uma. Normalmente. estas devem ser medidas com uma precisão maior do que aquela do instrumento sendo calibrado. O termo “método de medida” descreve esta situação ideal enquanto o termo “processo de medida” descreve a realização prática (imperfeita) do método de medida. não é necessária uma grande precisão nas medidas. mas o tratamento simultâneo de ambas é inviável matematicamente. Percebe-se. sendo portanto necessário examinar-se as relações dinâmicas entre a entrada e a saída do instrumento de medida (por exemplo. As entradas mantidas constantes requerem a sua medida independentemente do instrumento sendo calibrado. Ou seja. cada qual causando apenas um efeito muito pequeno sobre a entrada desejada. outras aplicações requerem a medida de quantidades que variam rapidamente. o procedimento de calibração estática pode ser realizado seguindo-se as etapas abaixo: 1. Todas as características de desempenho estático de um instrumento são obtidas através de um procedimento denominado calibração estática. Em geral. as características estáticas de um instrumento influenciam a qualidade das medidas realizadas em condições dinâmicas. a entrada sendo investigada é variada dentro de uma faixa de valores constantes. Identifique e relacione todas as possíveis entradas para um dado instrumento. Dada a inviabilidade prática de controlá-las todas. Entretanto. interferentes e modificadoras) são mantidas constantes durante um certo intervalo de tempo. Este termo refere-se a uma situação onde todas as entradas (desejadas. o padrão de calibração (entrada desejada) deve ser no mínimo dez vezes mais preciso do que o instrumento sendo calibrado.• algumas aplicações envolvem a medida de quantidades que permanecem constantes ou que variam apenas muito lentamente (grandezas estáticas ou semi-estáticas. A relação entrada-saída obtida representa uma calibração estática do instrumento válida para as condições de valores constantes de todas as outras entradas. a afirmação “todas as entradas exceto uma são mantidas constantes” refere-se a uma situação ideal que pode ser aproximada mas nunca atingida na prática. portanto. a flutuação de velocidade típica da turbulência de um escoamento de fluido). Para entradas interferentes ou modificadoras (cujos efeitos sobre a saída devem ser relativamente pequenos em um instrumento de boa qualidade). há muitas entradas interferentes e/ou modificadoras para um dado instrumento. trata-se de uma abordagem aproximada necessária para a solução de problemas práticos. Como regra geral. 38 . ao se calibrar a resposta do instrumento às entradas desejadas. o que faz com que a saída varie dentro de uma outra faixa de valores constantes.

Obtenha os equipamentos que possibilitarão a variação das entradas relevantes em todas as faixas consideradas necessárias. Decida. de normalização técnica e de conformidade de produtos e processos industriais de acordo com diretrizes estabelecidas por lei. atividades de sua competência desde que satisfaçam às condições exigidas pelo mesmo. isto é. um método suficientemente preciso em vista da utilização final dos dados. Obtenha as relações entrada-saída variando alternadamente cada entrada considerada relevante e mantendo todas as outras constantes.. Todavia. Portanto. o termo valor “verdadeiro” refere-se ao valor que seria obtido se a quantidade física em questão fosse medida por um método exemplar de medição. o INMETRO busca aproveitar todo o potencial público e privado nacional que exerça atividades ligadas à metrologia. Ao medirmos uma quantidade física qualquer com um dado instrumento. No Brasil. Obviamente. científica e industrial. e não diferencial. isto é. Instrumentos são então de ordem zero. 4. Há também um aspecto legal na questão.. + a1 + a 0 y = F (t ) n dt dt dt O instrumento é de ordem zero se não há derivada temporal de y. no Brasil. Assim. Se o sinal de saída é representado por y(t). an dy dny + d n −1 y a n −1 n −1 + . ou o National Bureau of Standards. 5. a relação entre saída e entrada torna-se somente algébrica. Normalização e Qualidade Industrial. e a ordem mais elevada da derivada da EDO fixa a ordem do instrumento. de primeira ou segunda ordem. formando a Rede Nacional de Calibração (RNC). Refere-se à possibilidade de verificação da exatidão de um padrão de calibração qualquer relativa aos padrões básicos junto ao INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia. o sinal de entrada é representado por F(t). Os laboratórios capacitados podem ser credenciados pelo INMETRO para executar Mas o que nos interessa aquí são os modelos matemáticos que representam a relação entre os sinais de saída e entrada em um instrumento. que é a rastreabilidade do padrão de calibração. isto é. quais entradas são relevantes. 39 . Instrumentos de mesma ordem (ou EDOs de mesma ordem) têm comportamento dinâmico similar. Uma equação diferencial ordinária estabelece esta relação. 3. com base na aplicação em questão. o INMETRO é o órgão central e executivo que tem por competência executar a política de metrologia legal.2. o modelo matemático geral é a EDO de ordem n-ésima. nos EUA). perguntamo-nos o quão próximo o valor numérico obtido está do valor “verdadeiro”. e os coeficientes são parâmetros físicos do instrumento. Realize uma superposição adequada das várias relações entrada-saída de forma a descrever o comportamento global estático do instrumento. o assim chamado valor verdadeiro geralmente não é conhecido já que medidas perfeitas ou mesmo definições exatas das quantidades físicas são impossíveis.

veja a discussão sobre o tempo. 1.23 – Balança de mola. a balança de peixe ou dinamômetro de mola (Fig. e não de entradas passadas. mais adiante!) ao sinal de entrada. Um instrumento é de segunda ordem se somente a derivada de ordem unitária existe na relação funcional entre saída e entrada. alternativamente. fisicamente. ou x = F/k Figura 1. na qual o deslocamento medido é diretamente proporcional à força aplicada: F = kx .23)). A saída responde instantaneamente (em termos. é y(t ) = kF (t ) onde k = 1/a0 é a chamada sensibilidade estática (ou ganho permanente) do instrumento. ou de nosso instrumento de ordem zero. O que isto implica. Assim. atual. é que há um atraso entre entrada e saída. Uma forma alternativa de escrever a equação da mola. Exemplos típicos de instrumentos de primeira ordem são os termômetros e os termopares. decorre um certo tempo para que se tenha efeito total do sinal de entrada no sinal de saída. a1 ou. Um exemplo razoável é a balança de mola (a balança de açougue. dy + a 0 y = F (t ) dt dy 1 k + y = F (t ) dt τ τ 40 .a 0 y(t ) = F (t ) Neste instrumento estático o sinal de saída depende somente da entrada corrente. em outras palavras.

( ) y(t) kA 0. kA > y0. y0 = 0. como vimos nos instrumentos de ordem zero.24 . kA é a resposta permanente. A constante de tempo é definida como o tempo necessário para que o instrumento responda à função rampa com 63. sendo y0 a condição inicial (a magnitude do sinal antes da entrada tipo pulso).632 (kA . fizemos a condição inicial nula. k = 1/a0.onde t = a1/a0 é a constante de tempo e. 1. e a solução se reduz a t y (t ) = kA1 − e − τ      41 .Curva de resposta de um instrumento de ordem 1. e todo o segundo termo à direita do sinal de igualdade é a chamada resposta transiente. o range (kA-y0).24 exemplifica a resposta de um instrumento de primeira ordem à função pulso de amplitude A para uma resposta permanente kA maior que a condição inicial.2% da faixa de variação do sinal. A Fig.y0) y0 1 2 3 4 5 τ t/τ Figura 1. novamente. No caso. isto é. A influência da constante de tempo t na resposta do instrumento de primeira ordem à entrada em pulso aparece na figura abaixo. A resposta de um instrumento de primeira ordem para um sinal de entrada tipo pulso (sinal rampa ou step function) de amplitude A é t y (t ) = kA + y o − kA e − τ Novamente.

e qual é a temperatura neste tempo.5 s. isto é.302. é possível calcular y(t). Logo. Determine o seu tempo de subida (rise time). Assim. ln(0. 42 .Influência da constante de tempo na resposta de instrumento de ordem 1 Para exemplificar a utilidade da formulação matemática de um instrumento de primeira ordem.26.4 s. definindo a fração de erro Γ (t ) =  y (t ) − y 0  y (t ) − y 0 t t = e . veja na Fig. Seja então um exemplo de aplicação: Um termopar que tem constante de tempo τ igual a 15 s está a uma temperatura inicial de 20ºC mas é subitamente exposto a uma temperatura de 100ºC.9 = 0. Se a temperatura desejada é 90% da temperatura de regime permanente. ln[Γ(t )] = ln  =− τ y0 − y∞ = y0 − y∞     Note então que o logaritmo da fração erro varia linearmente com a temperatura.0. o tempo que o termopar leva para chegar a 90% da temperatura de regime permanente. vamos definir a fração erro: y (t ) = kA + ( y o − kA)e − τ = y ∞ + ( y o − y ∞ )e − τ t t ou. t = -(15)(-2. Conhecido t = 34.1.y(t) kA pequeno τ y(t) F(t) grande τ 0 t Figura 1. e a inclinação da reta é (-1/t).302) = 34. Conseqüentemente.1)=-2.τ . G(t) = 1 . y(t) = 92ºC. pois t = 15 s. 1.25 . Uma expressão do tipo torna prática a determinação experimental da constante de tempo de um instrumento de primeira ordem à uma entrada tipo pulso. y00 = 100ºC e y0 = 20ºC.

os transdutores de força e os transdutores de pressão. da mesma forma que em instrumentos de ordem 1. A equação de um instrumento de segunda ordem é d 2 y + dy + y = F (t ) a 2 2 a1 a0 dt dt ou.26 . x = a1 / [2 (a0a2) ]. implica em que há um atraso entre entrada e saída. mas de natureza diferente. e termina por oscilar em torno deste. 1/2 1/2 43 . k = 1/a0 wn é a freqüência natural e x é a razão de amortecimento. isto é. Se 0 < x < 1. na forma alternativa. a resposta supera o pulso de entrada. inicialmente.27. A relação entre entrada e saída envolve uma derivada de ordem 2.ln[Γ(t)] Γ 0 Aumenta τ τ Inclinação -1/τ Diminui τ t Figura 1. dy d 2 y + 2ξ ω n dt + ω 2 y = k ω 2 F (t ) n n dt 2 onde wn = (a0/a2) . x = 1. o instrumento é criticamente amortecido. cada vez com mais atraso. tendendo assintoticamente.Comportamento da fração erro. o instrumento é superamortecido. Se a razão de amortecimento é unitária. Exemplos de instrumentos de ordem 2 são os acelerômetros. como função da razão de amortecimento x. Se x > 1. à condição de regime permanente. é subamortecido (note na figura que instrumentos sub-amortecidos apresentam overshoot. Fisicamente. A resposta de um instrumento de segunda ordem a uma entrada tipo pulso (step function) de amplitude A está mostrada na Figura 1.

para diferentes razões de amortecimento 1. Neste último caso são subdivididos em: dinâmicos periódicos. como a corrente alternada a 60 Hz. isto é. mesmo com um medidor impreciso. Quando afirmamos que um sinal é estático. já que o próprio processo de medição consumirá parte de energia da pilha. isto é.9 Natureza dos sinais de entrada e saída Na medida em que sensores e instrumentos lidam com sinais. ou dinâmicos. como já alertava Einstein: se o tempo é curto ou longo. desconfie desta afirmação. por exemplo. constante no tempo. é necessário que os classifiquemos. também. como a DDP de uma pilha. os sinais podem ser: estáticos. tudo é relativo.25 kA ξ=1 ξ=2 y(0) 2 4 6 ωnt Figura 1. verificará que a DDP da pilha varia. isto é. ou dinâmicos a-periódicos. Quanto à sua dependência do tempo. constantes no tempo. variáveis no tempo. sua tolerância pessoal é que 44 . Os sinais dinâmicos podem ser. estacionários. Enfim.Resposta de instrumento de segunda ordem a entrada tipo pulso. Entretanto. isto é. como um pulso simples. o sinal é estacionário no sentido estrito se as suas propriedades estatísticas são invariáveis por qualquer translação da origem do tempo) ou não-estacionários. não verificará qualquer mudança na DDP da pilha em um intervalo curto de tempo medição. como a DDP de uma pilha.27 .y(t) ξ=0 ξ = 0. vai depender do seu método de medição. isto é. se seu instrumento for muito preciso. Se você está medindo a DDP da pilha com um galvanômetro de D'Arsonval. Se seu tempo de medição for suficientemente longo. verificará decaimento da voltagem da pilha. mesmo o tempo é relativo. Afinal. seu valor médio temporal não varia com o tempo (em suma. os nãorepetitivos ou transientes. repetem-se periodicamente em regime permanente. ou um sinal aleatório.

um segundo — a grandeza física mais bem medida — equivale a 9. ω é a freqüência e φ é o ângulo de fase.htm) Pois é. Dentre os sinais dinâmicos periódicos.if. 45 . A partir de 1967. é interessante consultar o site do Instituto de Física da USP . Sua representação matemática é y (t ) = A sen (ω t + φ ) onde A é a amplitude. contra um segundo por dia em um relógio de pulso comum.br/OLD/e-fisica/mecanica/pesquisa/cap3/defaultframebaixo.28 .cepa. insatisfeitos com a medição do tempo a partir das oscilações de cristais de quartzo.28). a definição internacional do tempo passou a basear-se no relógio atômico de césio: hoje.770 oscilações da freqüência de ressonância do átomo de césio. O sinal senoidal repete-se a intervalos de tempo regulares e então é periódico.Relógio Atômico Brasileiro (http://www.vai decidir! A esse respeito. os físicos desenvolveram medidas de tempo e freqüência a partir da ressonância de átomos excitados por campos magnéticos. A margem de erro passará a ser de 1 segundo em três bilhões de anos.usp.192. Um exemplo de uma senóide é y(t)=10sen(100t+π /4). 1.29. o brasileiro entre eles. Mas um relógio atômico já vem sendo construído. dois são de nosso interesse particular: o sinal senoidal e a onda quadrada.São Carlos sobre o relógio atômico brasileiro (Fig. 1.631. A margem de erro de um relógio atômico desses é de apenas alguns segundos em milhões de anos. A representação gráfica genérica de uma senóide que tem valor médio nulo aparece na Fig. Figura 1.

30. assim como a senóide: 1 t2 y= ∫ y (t )dt = 0 ∆t t1 O valor médio simples do sinal. como definido acima.30 . Uma representação gráfica de uma onda quadrada de período T está mostrada Fig. mede a porção estática do sinal ao longo do tempo. É freqüentemente chamada de componente DC do sinal ou ainda DC off-set do sinal. Observe que esta onda quadrada também tem valor médio nulo.y(0) Figura 1. 46 .Onda quadrada de período T. y(t) y(0) T/2 T 3T/2 t .29 .y(t) ωt+φ = π/2 +φ Asen(φ) φ ωt+φ = π +φ t Figura 1.Senóide genérica. 1.

a média RMS é igual ao desvio padrão. De fato. se a média do sinal é nula. cada um deles correspondendo a um valor do sinal analógico em um certo instante de tempo. ciclos por segundo ou Hertz. Outra grandeza de interesse quando se analisa sinais é a sua média quadrática. Uma outra forma de caracterizar um sinal quanto à sua natureza é dividi-lo entre analógico e digital (Fig. A conversão de freqüência cíclica em freqüência angular é realizada por ω = 2π f = 2π / T. 47 . 1. O sinal digital é formado por uma série de números discretos. O sinal analógico é contínuo no tempo e usualmente varia no tempo de forma relativamente suave. a média RMS é y rms = 1T 1T 2 1 2 2 ∫ [ y (t )] dt = T ∫ y 0 dt = T y 0 T = y 0 T 0 0 A média RMS do sinal é uma medida do desvio do sinal em relação à sua média. está relacionada com o desvio padrão. Neste sentido.31 . radianos por segundo (também chamada de freqüência circular).A senóide da Fig. 1. enquanto que a onda quadrada tem uma freqüência cíclica f = 1/T.1.30 é nula. RMS (root mean square): y rms = 1 t2 2 ∫ [ y (t )] dt t 2 − t1 t1 Enquanto a média simples da onda quadrada da Fig. y(t) Componente AC y(t) DC offset DC offset analógico t digital t Figura 1.29 tem uma freqüência angular ω.31).Sinal analógico e sinal digital.

Evidentemente. conseqüentemente. Assim.32 . com freqüência apropriada. etc. visualização gráfica. Asen θ A Acos θ A 0 -A 2π π θ −π/2 -A 0 2π π θ Figura 1. os sinais digitais podem ser apresentados diretamente em displays numéricos. O sinal digital tem informação sobre o sinal somente no tempo de amostragem. ou uma onda quadrada. e a transmissão de dados é mais simples. filtragem. O processo de calcular a composição de freqüências de um sinal periódico é chamado de análise harmônica ou análise de Fourier.32). os computadores são digitais e podem então processar os sinais digitais em pré e pósprocessamento.10 Análise de Fourier Os sinais periódicos estão presentes no mundo físico e. Ela se baseia no princípio de que qualquer sinal periódico complexo é a superposição de vários sinais periódicos simples. melhor. 48 . A digitalização de um sinal analógico para um sinal digital é realizada por conversores analógico-para-digital.Sinais periódicos simples: senóide e cos-senóide. como a senóide e a cos-senóide (Fig. As vantagens relativas do sinal digital frente ao analógico: facilidade de condicionamento de sinal. se quero manter a integridade do sinal digitalizado. conversor A/D (o conversor D/A faz o contrário). isto é. operações matemáticas. problemas com ruídos são minorados.Quais são as particularidades dos sinais digitais frente aos analógicos? O sinal analógico carrega a informação (a magnitude do sinal) em todo o intervalo de tempo de observação. 1. influenciam sensores e instrumentos em geral. quanto maior a freqüência de amostragem. Hoje são muito comuns as placas de conversão A/D que operam instaladas em barramentos de microcomputadores tipo PC-AT. basta adquirir uma série limitada de pontos. 1. para reproduzi-lo integralmente. procedimentos matemáticos podem ser aplicados se o sinal é absolutamente periódico: se sei que o sinal é uma senóide pura.

no processo conhecido como a série de Fourier: y (t ) = A0 + + A1 cos(ωt ) + B1sen(ωt ) + + A 2 cos(2ωt ) + B 2 sen (2ωt ) + + A 3 cos(3ωt ) + B 3 sen (3ωt ) + .. ω = 2π /T. Quando n = 1.33 pode ser descrito como uma soma de uma componente estática e de componentes harmônicas simples (senóides e cos-senóides). Uma forma compacta de escrever a série de Fourier é y (t ) = A0 + ∑ [An cos(nωt ) + B n sen(nωt )] n =1 ∞ onde A0. .A Fig. tem-se a primeira harmônica. 3. Na série de Fourier A0 é a constante. y(t) T 2T Figura 1. t Um sinal complexo como o da Fig.33 mostra um sinal periódico complexo. Os coeficientes de Fourier são obtidos de: 49 . 4. 1. tem-se as harmônicas de ordem crescente.. onde T é o período. [A2cos(2ωt)+B2sen(2ωt)] é a segunda harmônica e assim por diante. e se n = 2.. An e Bn são os coeficientes de Fourier. [A1cos(ωt) + B1 sen(ωt)] é a fundamental ou primeira harmônica. 1..Sinal periódico complexo.33 .

vamos determinar os coeficientes de Fourier da onda quadrada mostrada na Fig. T −T / 2 An = Bn = Vamos mostrar a série de Fourier que representa um sinal simples.34. T −T / 2 2 +T / 2 ∫ y(t ) sen(nωt )dt .A0 = 1 +T / 2 ∫ y (t )dt . 1. isto é. A0 = 1 +T / 2 ∫ y(t )dt = T −T / 2 2  1 0  10dt + 20dt  = 15 ∫ ∫  4 −2 0   An = 2 +T / 2 ∫ f (t ) cos(nωt )dt = T −T / 2 2  2 0  nπ   nπ  t dt + ∫ 20 cos t dt +  = 0  ∫ 10 cos 4 − 2  2   2   0   2 2 0  nπ   nπ   t dt + ∫ 20 sen t dt  ∫ 10 sen  4 − 2  2   2   0 Bn = 2 +T / 2 ∫ f (t )sen(nωt )dt = T −T / 2 50 . definida por f(t) = 10 volts para -2< t <0 s e f(t) = 20 volts para 0< t <2 s.Onda quadrada de período T = 4 segundos e média 15 volts.34 . T −T / 2 2 +T / 2 ∫ y (t ) cos(nωt )dt . y(t) (volt) 20 10 -2 0 2 4 t (s) Figura 1.

   ∑ ∞ Graficamente. B2 = B4 = B6 = . 1. Em muitas aplicações de engenharia menos que 10 harmônicas são necessárias.35. B1 = (20/π).. a representação da onda quadrada aparece como mostram a Fig. Geralmente algumas poucas harmônicas são necessárias para representar uma função periódica (em teoria.34 é então y(t ) = 15 + 20 1  nπ   n sen 2 t  π n =1.34. são necessárias infinitas harmônicas). A série de Fourier que representa a onda quadrada da Fig..35 .3. que tenha número finito de descontinuidades e que 51 .. y(t) (volt) 20 Fundamental y(t) (volt) 20 3a Harmônica 10 10 0 y(t) (volt) 20 2 4 t (s) y(t) (volt) 20 0 2 4 t (s) 5a Harmônica 7a Harmônica 10 10 0 2 4 0 2 4 t (s) t (s) Figura 1. etc)..Harmônicas da série de Fourier formando a onda quadrada da Fig. = 0) e será igual a (20/nπ) para todo n ímpar (isto é..Bn = 10 [1 − cos(nπ )] nπ Observe então que Bn será nulo para todo n par (isto é. B3 = (20/3π). 1.5. Para que uma função periódica possa ser representada por uma série de Fourier é necessário que atenda a condição de Dirichlet: que seja uma função de valor único (um único valor de y(t) para cada t). 1.

talvez o "hardware" mais utilizado hoje em dia. pois torna-se fácil obter várias propriedades do mesmo. que variam continuamente. Um sinal analógico pode então ser adquirido. e a correlação dos sinais discretos y e z é: Deve-se ser cuidadoso no processamento de sinais discretos. terão menos termos das séries y e z para somar. na medida em que os termos finais da função correlação não serão completos. Não podem ser descritos por séries de Fourier sinais nãoperiódicos. digitalizado e armazenado por um sistema de aquisição de dados (uma placa digitalizadora A/D. isto é. que nossos sinais digitalizados são séries discretas. que correlaciona o sinal y em um tempo t com o sinal z em um tempo (t+t): Notar. entretanto. Similar à ela é a função correlação. como exemplo: A correlação de y e z será: E a correlação de z com y será: Observe que nem mesmo comutativa é a operação correlação destas duas pequenas séries discretas. mas não de forma previsível. na medida em que correlaciona o sinal y ( a função temporal y) em um tempo t com o sinal z em um tempo (t-t). isto é. 52 . Este problema será contornado quando os sinais forem discretizados com muitos termos. Considere duas séries bem pequenas. A convolução de duas funções y e z contínuas é definida como A convolução é muitas vezes denominada de função de correlação cruzada. instalada no barramento de um micro-computador.tenha valor máximo e mínimo em um ciclo. Representar um sinal como uma série de Fourier é de grande utilidade. do tipo transiente (existe em um intervalo de tempo finito) ou aleatório. sua convolução pode ser obtida. por seu baixo custo e facilidade de operação). Assim. tendendo ao infinito.

a menos de uma oscilação muito leve com freqüência de 4 vezes/ano (mais ou menos). Power Spectra Density. isto é. 1. |Y(w)|2) é : Se y é um sinal discreto (série). O sinal discreto resultante agora está pronto para nossa análise (Fig. que estabelece que a Densidade Espectral de Potência (PSD. I used to have an honest name. Quando o sinal é digitalizado em pontos separados pelo intervalo de tempo Dt. etc). em A Horse's Tale). fc = (1 / 2Dt).38) responde a pergunta dos fazendeiros: infelizmente não há correlação imediatamente identificável entre o nascimento de bezerras e a fase da lua (a autocorrelação deveria ser. Em outras palavras. o critério de Nyqist estabelece que a maior freqüência que a transformada de Fourier processa sem alias é 5 kHz (alias. levemente cíclica com freqüência de 12 vezes/ano. chega-se ao Teorema de Wierner-Khinchin. O significado físico de tudo isso? Vamos lá! Considere o sinal mostrado na Fig. a freqüência de corte (a máxima freqüência processada). A autocorrelação desta série discreta (Fig. a Densidade Espectral de Potência (PSD) é: Deve-se ser cuidadoso ao processar séries discretas. 53 . sendo ω a freqüência: A autocorrelação é a correlação de uma função consigo mesma: Assim. Since then I've had thirteen ALIASES. aparentemente. por exemplo. "What is your name?" "Which one?" "Have you got more than one?" "I get a new one every time I'm stolen." Mark twain. denominada de freqüência de Nyqist. se o sinal for digitalizado com a frequência.36 representando o nascimento de bezerras numa certa região do Estado de São Paulo.37). 1. ao longo dos 360 dias do ano de 2002. não há correlação alguma para os 360 dias do ano. é a metade da frequência de amostragem. 1. de 10 kHz. produtores de leite. Os fazendeiros. se perguntam: "Há um período mais propício para a inseminação artificial que resulte em bezerras"? Vamos então calcular o valor médio desta série e subtrair de seu valor instantâneo. com freqüência de amostragem fa = 1/Dt. I've forgotten it. Observe que. but that was early." "Aliases? What is alias?" "A false name. de forma que resulte somente a variação em torno da média.Neste momento deve-se dizer que a convolução de y e z é a transformada inversa de Fourier do produto das transformadas de Fourier Y[ω] e Z[ω]. pelo menos.

38 – Exemplo 1: Autocorrelação.36 – Exemplo 1: sinal representando o nascimento de bezerras. 54 . Figura 1.37 – Exemplo 1: sinal discreto. Figura 1.Figura 1.

A autocorrelação veio confirmar a suspeita inicial. O valor DC foi subtraído do sinal instantâneo e sobrou o ruído. 1.40 o que a autocorrelação do sinal revela: "sim o fenômeno é cíclico. Qual é a característica do fenômeno? Veja na Fig. o sinal temporal já indicava a característica de certa forma cíclica presente. A PSD revela a composição de freqüência do sinal.41 um ruído branco. Bom. E se um sinal aleatório é composto pela superposição de senóides e cos-senóides de freqüências e amplitudes diferentes. qual é a intensidade do sinal por banda de freqüência? A PSD revela! Veja na Fig. 1. não tem muita novidade nisso.42.Um outro exemplo? Seja a intensidade de luz gerada por uma certa estrela da constelação de Andrômeda.39 – Exemplo 2: intensidade da luz.40 – Exemplo 2: autocorrelação. Figura 1. 55 . mostrada na Fig. que estava superposto a um valor DC de um sinal elétrico. medida ao longo de dois anos. 1. veja na Fig. 1.39. a estrela brilha mais intensamente de tempos em tempos". Figura 1.

Figura 1. O motivo é simples: a potência é o sinal ao quadrado. mas é coisa que se resolve: vamos apresentar a PSD em gráfico log-log. 56 .42 – PSD. veja que a PSD (isto é.Figura 1. a transformada de Fourier da função de autocorrelação) se revela um pouco difícil de interpretar. O gráfico log-log resolve essa questão: Figura 1.41 – Ruído. nem tanto. Há variações muito grandes entre os limites de valores da potência.43 – PSD em gráfico log-log. Humm.

1.44 mostra um espectro azul (blue spectra). Não há potência significativa em outras freqüências. Assim. 1 decibel é o limite mínimo de potência audível para um ser humano (normal. Para a potência sonora. Fazer o logarítmo da potência é equivalente a medir a potência em escala de decibel: sendo P0 uma potência de referência. 57 . É como se diz: o ruído branco tem espectro plano. e então a 1760 Hz. o inventor do telephone. em volt. evidentemente). por sinal. o azul (violeta) é a banda de freqüência mais elevada do espectro visível. 3520 Hz.Então.45 e a Fig.46 mostram um sinal temporal (amplitude. 1. E o ruído branco (white noise) é isso aí: tem potência significativa em todo o espectro da freqüência analisado. Veja que o sinal é basicamente periódico. O nome da unidade de medição de potência sonora. 1. Figura 1. Se uma nota vibra a 440 Hz. O Bell. é uma homenagem a Alexander Graham Bell. a PSD fornece a composição do sinal no domínio da freqüência. em uma oitava mais alta ela vibra a 880 Hz. com frequência dominante de 200 Hz. somente um ruído de base de menor importância no espectro de 0 Hz a 500 Hz. por exemplo. etc. decibel. 310 Hz e 370 Hz e 420 Hz. A Fig.44 – Alexander Graham Bell. a potência do sinal por banda de freqüência. versus tempo. A Fig. com alguma coisa mais em 240 Hz. a potência cresce para comprimentos de ondas mais elevados. qualquer fenômeno de natureza cíclica. medida em W/m2. A potência está relacionada à luz e também ao ruído. tem um sino no nome. um ruído branco tem a mesma potência em cada oitava. em segundo) e sua PSD. como vimos! Isto é.

cuidado! A água suja vai embora.Figura 1. O que daria o sinal 150 Hz < ω < 400 Hz y(t ) = 1 +∞ ∫ C (ω )Y (ω ) e− jωt dt 2π −∞ 58 . Mas o filtro seria alguma coisa do tipo: C(ω) = 1 . preservando as propriedades básicas do mesmo. mas quase sempre alguma coisa do bebê também vai junto. Figura 1. Poderíamos pensar então em aplicar um filtro passa-banda nesse sinal.46 – PSD do sinal temporal da Fig.45. 1. Êpa.45 – Sinal temporal.

quase imperceptíveis.E o espectro.47 – O espectro após a filtragem. digamos a pressão estática do mesmo. Pois é. uma seção transversal da tubulação.48 dois tipos de escoamentos gás-líquido horizontais estão representados. ambos horizontais. Então. relacionadas à interpretação da natureza física do fenômeno que gerou o sinal. escoamento bifásico também tem natureza oscilatória: gás e líquido ocupam. porquê não usar a análise de um sinal de um escoamento bifásico. alternadamente. em proporção diversa. em termos da PSD de sinais de pressão estática. Entretanto. para caracterizá-lo? (a) (b) Figura 1. na Fig. 59 . 1. 1. na medida em que a potência do sinal nas bandas filtradas era pouco representativa). há outras aplicações possíveis para a PSD. Figura 1.48 – Densidade espectral de potência de escoamento intermitente “plug flow” e escoamento anular. após filtragem é apresentado na Fig. Por exemplo.47 (note que há pequenas alterações.

Conclusões a que se pode chegar.os bolsões não têm o mesmo tamanho. Observe que a potência do sinal é representativa até valores freqüência da ordem de 30 Hz. 2. São estas ondas formadas na parte de baixo da tubulação que. Mas o sinal também tem potências razoáveis em freqüências entre 5 Hz até 20 Hz. As ondas têm maior amplitude na parte inferior da tubulação. de comprimento bem superior ao diâmetro da tubulação. Pouca coisa resta entre 30 Hz e 50 Hz. Após isto. onde o filme é mais espesso. predominantemente. O gás escoa na região central da tubulação e forma ondas no filme de líquido. analisando o PSD de um sinal de pressão estática neste tipo de escoamento: 1.48 (b). 1. devido à ação da forca gravitacional. Interprete então o sinal da Fig. 1. em torno de 1 Hz ou 2 Hz. Observe que a PSD do sinal de pressão tem um pico de potência elevada em freqüência baixa. escoando ao longo do sistema.O sinal mostrado na Fig. e apresente algumas conclusões sobre a topologia do escoamento.parece existir um limite mínimo para os bolsões de gás e líquido que provocam oscilações de pressão de monta no sistema. da forma como fizemos com o escoamento intermitente. O escoamento anular horizontal caracteriza-se pela existência de um filme de líquido escoando junto às paredes da tubulação. pois há potência significativa em amplitudes superiores a 32 Hz. molhando-a. instabilidade de Kelvin-Helmholtz) e atingem a parede superior da tubulação. Bolsões menores ocorrem e causam oscilações de menor intensidade. Na parte de baixo da tubulação o filme é mais espesso. 4. de menor amplitude. Assim. 60 . e muito menos a partir desta freqüência. levadas pela corrente de gás em alta velocidade. com freqüência de 1 Hz a 2 Hz (estamos admitindo que os bolsões de líquido e gás são responsáveis pela flutuação de pressão do escoamento). se sucedem.48 (a) é resultado de medição da pressão estática do chamado escoamento intermitente ou pistonado. 1. tipo "plug flow". Bolsões de gás e líquido. com freqüência maior (pois são menores!) 3. a potência do sinal é sempre decrescente e praticamente não tem representatividade com valores de frequência superiores a 32 Hz. crescem (aumentam a amplitude. Mas o filme mais fino também apresenta ondas.48 (b) está representado o escoamento anular horizontal. por ter menos massa de líquido.outras conclusões? Na Fig. o filme de líquido é formado em toda periferia interna da tubulação.os bolsões de líquido e gás ocorrem.

pelos princípios físicos básicos tanto do instrumento de medida. não implica em que ele seja mais exato que aquele que mede 19ºC.01ºC. Em experimentos temos que nos contentar muitas vezes com um número limitado. Entretanto.1 mm é grande demais. O fio então estabiliza a uma certa temperatura.2mm. que faça leituras de temperatura como 20. a temperatura do fio. este mesmo anemômetro não seria capaz de medir as flutuações de velocidade inerentes à turbulência da mesma corrente de ar. A acurácia (ou exatidão) e a precisão (número de algarismos significativos do valor medido) de um certo dado medido estarão sempre limitadas tanto pela sofisticação do equipamento utilizado. Assim. conseqüentemente. Neste contexto. medir a velocidade do ar em um duto de ar condicionado. a velocidade média da corrente de ar em dutos de ar condicionado. e as flutuações de velocidade que se quer medir não afetam a dissipação de calor e.1 O erro nos dados experimentais Para deixar claros estes termos. é necessário que o instrumento seja coerente com o experimento que se realiza. Mesmo sem números decimais. o qual é dissipado para a corrente de ar que se deseja medir. Neste texto usa-se os termos incerteza. este pode ser mais preciso que aquele. Neste caso não há coerência entre fenômeno que se deseja medir e instrumentação: talvez porque a inércia térmica do fio de 0. pela habilidade do sujeito que realiza a medida. o instrumento está coerente com o experimento e com os princípios básicos do fenômeno. no caso do erro).1mm ou 0. quanto do fenômeno que gerou o experimento e o conhecimento que se tem sobre o valor "verdadeiro" da grandeza física. 2. Em palavras. um instrumento utilizado para medir a velocidade de uma corrente de ar. Uma corrente elétrica flui através do fio. erro ou desvio ("bias") para expressar a variação do dado medido em relação a um valor de referência (o valor "verdadeiro" da grandeza física. cujo fio tem diâmetro de 0. gera um fluxo de calor por efeito Joule. Um anemômetro deste tipo. em uma estreita faixa de valores reais possíveis.2 Incerteza e Erro Vimos que nenhuma medida de qualquer grandeza física é exata. O sensor do anemômetro é inserido. algumas vezes até restrito de medidas. Anemômetros de fio são disponíveis para aplicações comerciais. considere um anemômetro de fio quente. devemos considerar também a faixa dos valores 61 . através de um furo no duto. proporcional à velocidade do ar. necessitar-se-ia de anemômetro muito mais sofisticado em termos da eletrônica do circuito alimentador. pode medir com acurácia e precisão. por exemplo. e mede em várias posições transversais a velocidade do ar. Note que ter um instrumento preciso. e sensores com fios de 20µm ou mesmo 10µm de diâmetro. Para tanto.

deve-se notar que o conceito de exatidão de um instrumento envolve na verdade o instrumento. além de oscilações da fonte de alimentação do instrumento. temperatura e umidade. em outras palavras. O procedimento normalmente empregado é simplesmente variar o valor verdadeiro em incrementos crescentes e decrescentes. são responsáveis pelas maiores parcelas do erro global do instrumento. o seu ambiente e o método de utilização. estas leituras podem ser usadas para a estimativa numérica do erro associado ao processo de medida.1) na faixa de pressão de 0 a 10 kPa. podemos voltar ao problema de calibração estática do instrumento. os dados acima devem compor uma seqüência aleatória ou. Se conhecermos as características do processo. Os efeitos das condições ambientais. Neste caso. Se este for realmente o caso. estaremos em condições de afirmar algo a respeito da exatidão (ausência de erro) das leituras. Este agregado constitui o processo de medida ao qual se aplica o conceito de exatidão. a Tabela 2. podemos estabelecer limites para o erro em uma única leitura. esperando-se que o efeito individual de cada uma seja muito pequeno e que. Mesmo com limitações. mesmo que marginalmente. Isto significa que nunca é possível garantir condições perfeitamente idênticas para cada tentativa. afirmamos que determinadas entradas devem permanecer “constantes” dentro de certos limites. Estas entradas. são infinitos. no conjunto. Os fatores que podem afetar a saída de um instrumento. via de regra. 2. Todavia. espera-se. Admitindo-se que um processo de medida qualquer esteja em condições de controle estatístico satisfatórias. 62 .1 apresenta os resultados da calibração de um manômetro de Bourdon (Fig. A este respeito. apenas uma amostra de uma população estatística que pode ser gerada pelo processo de medida com o instrumento. cobrindo-se assim uma determinada faixa de interesse da grandeza em ambos os sentidos. Ao definirmos um procedimento de calibração para um instrumento específico. um dado experimental é. são apenas os mais óbvios. Para tal. o seu efeito sobre a saída do instrumento seja aleatório. Isto significa que um dado valor verdadeiro é repetido no máximo duas vezes se forem utilizados os mesmos valores nas leituras crescentes e decrescentes. Se o processo de medida for repetido inúmeras vezes em condições supostamente idênticas. embora não possamos determinar o valor do erro (já que isto implicaria no conhecimento do valor verdadeiro).efetivos (ou reais) possíveis e recorrer à estatística para auxiliar o processamento e entendimento do conjunto de dados medidos. o processo de medida está em condições de controle estatístico. Isto é. o processo de medida deve estar em condições de controle estatístico. As infinitas entradas restantes permanecem fora de controle. Como exemplo. em alguns casos. pressão atmosférica. não há repetição múltipla de um dado valor verdadeiro. o instrumento e as suas várias entradas. ou seja. serão obtidas inúmeras leituras do instrumento que normalmente não serão todas iguais.

duas corridas experimentais foram realizadas.00 4.65 2.42 1. O desvio é também chamado de erro 63 .2.1 .50 5.18 2. No momento estamos interessados na decomposição do erro global do processo de medida em duas partes: o desvio (“bias”) e a incerteza.09 3.66 kPa) conforme mostrado na Fig. a situação é tal que Po (pressão indicada) é conhecida e gostaríamos de poder afirmar algo a respeito de Pi (pressão verdadeira). para uma leitura do manômetro de 4.htm) Tabela 2.32 kPa sabemos da curva de calibração que o valor verdadeiro é 4.72 ± 0. 2.10 10.00 8.21 1.0. Na equação mostrada na Fig. isto é.2.12 0. o valor de saída (variável dependente).22 kPa.Manômetro de Bourdon (http://www.71 5. vermelho).92 9.80 Diminuindo -0.1 . Para obtermos a curva de calibração.com. a relação entradasaída é idealmente uma linha reta.00 7. azul) e outra para a pressão decrescente.66 kPa (comentaremos adiante o cálculo do desvio-padrão.Pressão real kPa 0. ou seja. 0. A incerteza para Pi será considerada como 3 vezes seu desvio-padrão.00 1. uma para a pressão crescente de zero até 10 kPa (símbolo +. Ao utilizarmos os resultados da calibração.00 6. por enquanto considere que o desvio padrão para Po é 0.89 7.qi = .73 8.59 7. Neste instrumento (como na maioria dos instrumentos.br/apre_prod_18.33 4.68 9. Observamos então que a calibração do instrumento permite a correção do desvio e que o único erro restante é aquele devido à incerteza.26 6. Logo o desvio na leitura é qo.69 0.Calibração de um manômetro de Bourdon na faixa de pressão de 0 a 10 kPa.66 kPa. isto é.20 Figura 2.00 5. 2.00 9. de 10 kPa até zero (símbolo o. a equação a que nos referimos.87 6. Assim.00 2.00 3.48 3.zurichpt. mas não em todos).00 10.40 kPa e a incerteza é ± 0.00 Pressão indicada Aumentando -1. Pi representa o valor verdadeiro da pressão aplicada na entrada do manômetro de Bourdon (variável independente) e Po representa o valor lido na escala do instrumento.62 4.

32 kPa ele será sempre .sistemático já que para qualquer leitura de 4. Figura 2. próprios do projeto de um instrumento ou que surgem no processo de calibração de um instrumento. Se a curva não for uma linha reta.0. Calibração é.3 temos um instrumento cuja curva de calibração é uma reta em uma certa faixa inicial de operação. Note então que podemos definir a faixa operacional do instrumento como aquela na qual a linearidade estática é constante. a sensibilidade variará em função da entrada conforme mostrado na Fig. Na Fig. 2. são: Sensibilidade estática .Quando se obtém uma curva de calibração entrada-saída como aquela da Fig. O erro devido à incerteza é chamado de erro aleatório ou não-repetibilidade já que ele é diferente para cada leitura e podemos apenas estimar a sua faixa de variação.Curva de aferição de um manômetro Bourdon Outros conceitos. 2. o processo através do qual o desvio em uma leitura é corrigido e a incerteza é definida numericamente (quantificada). 2. a inclinação desta curva é chamada de sensibilidade estática do instrumento.2.3. com desvio crescente da linearidade à medida em que a faixa de operação aumenta. portanto. 64 .2 .40 kPa.

a sua sensibilidade às entradas interferentes e/ou modificadoras também deve ser conhecida. o que afetará a sua sensibilidade à pressão (deslocamento da sensibilidade). Por outro lado. ao qual a Figura 2. a temperatura pode alterar o módulo de elasticidade da mola do manômetro. Além disso. haverá uma variação da leitura da pressão mesma quando esta se mantiver constante (deslocamento do zero).4 pode se aplicar. a 65 . de acordo com faixa de operação. o deslocamento da sensibilidade (“sensitivity drift” ou “scale-factor drift”) refere-se ao efeito de uma entrada modificadora cuja magnitude é função da variável de entrada. a temperatura ambiente representa ao mesmo tempo uma entrada interferente e modificadora.Figura 2. A fim de se ter uma definição adequada da sensibilidade de um instrumento. Neste sentido. A calibração entrada-saída mencionada acima refere-se à entrada desejada do instrumento. a temperatura é uma entrada interferente. Como mostrado na Fig. Entretanto. a quantidade de saída deve ser tomada como a quantidade física real e não como aquela representada pelos números da escala (por exemplo. temperatura representa uma entrada modificadora.3 . No caso de um manômetro. 2. Deste ponto de vista.Curva de aferição de um instrumento sensibilidade constante e variável. Ao causar uma expansão ou contração dos componentes do manômetro. por exemplo. usar a rotação angular do ponteiro do manômetro e não a variação de pressão a ela associada). o deslocamento do zero (“zero drift”) refere-se ao efeito de uma entrada interferente cuja magnitude é independente do valor da entrada desejada.4.

sinal de saída/sinal de entrada. A fim de se quantificar o deslocamento do zero. Repetindo-se este procedimento para várias temperaturas. S = 50 mV/ºC. ele pode ser especificado como. É geralmente expressa como uma combinação da porcentagem da leitura real e uma porcentagem do fundo de escala do instrumento. Finalmente. -3 mA/Pa. Linearidade . uma pressão relativa nula) enquanto se faz variar a temperatura ambiente. Com relação ao deslocamento da sensibilidade. Observe então que a sensibilidade de um instrumento é a razão entre o incremento de saída e o incremento de entrada. 0. termopar. os testes são feitos mantendo-se a temperatura constante e procedendo-se a uma calibração da pressão de modo a se determinar a sensibilidade do manômetro. 0. a necessidade de testes de calibração apropriados para se quantificar estes efeitos.4 .É o desvio máximo entre os pontos experimentais e a curva de calibração representada por uma linha reta.Figura 2. Há. por exemplo. digamos. o que for maior. podendo ser especificada como. a variação da leitura da pressão em função da temperatura é aproximadamente linear. S = 2.Deslocamento de zero (zero drift) e deslocamento de sensibilidade (sensitivity drift).01 rad/°C. Tem-se então uma especificação do tipo : não-linearidade = ± A % da leitura ou ± B % do fundo de escala. o desejável é que um 66 . a pressão é mantida constante (por exemplo. multímetro. por conseguinte. Se este efeito for aproximadamente linear. obtém-se o efeito da temperatura sobre a sensibilidade do manômetro à pressão. Para faixas de temperatura não muito amplas. isto é.00 Ohms/VDC. Alguns exemplos: transdutor de pressão eletrônico. S = 50.0 x 10 instrumento tenha alta sensibilidade.0005 (rad/kPa)/°C.

nem toda energia introduzida nas partes sob tensão durante o carregamento pode ser recuperada durante o descarregamento conforme previsto pela segunda lei da termodinâmica. 2. que corresponderiam a um valor constante da porcentagem da leitura.Consideremos a situação em que a pressão de entrada do manômetro da Fig.6(b). não podem ser detectadas.5. principalmente a mola).A primeira definição está ligada à condição idealizada de uma não-linearidade porcentual constante. deve-se lembrar que os instrumentos de calibração devem ser cerca de dez vezes mais exatos do que o instrumento sendo calibrado. 2.5 mostra as faixas de tolerância associadas à especificação da nãolinearidade feita acima. próximos ao zero da escala do instrumento. 2. Caso não houvesse atrito devido ao deslizamento de partes móveis. Definições de linearidade Histerese . 2. A Fig. Isto significa que. Para instrumentos cuja faixa de operação se estende de ambos os lados do zero. A segunda definição leva em consideração a impossibilidade prática de se testar desvios muito pequenos.7 seja lenta e gradualmente aumentada de zero até o fundo de escala e então trazida de volta a zero. Isto é.6 (a). próximo ao zero deste instrumento. 67 . Figura 2. A este respeito. o gráfico da relação entradasaída seria como mostrado na Fig. variações absolutas muito pequenas da entrada desejada. A não coincidência das curvas ascendente e descendente é devida ao atrito interno ou amortecimento histerético das partes sob tensão (no caso do manômetro. o comportamento é como mostrado na Fig.

Figura 2.Efeitos de histerese 68 .6 .

Caso fosse possível eliminar completamente o atrito interno. Figura 2. 2.7. Se a menor divisão da escala do instrumento for suficientemente grande. a combinação dos vários fatores acima resulta em um efeito de histerese global como mostrado na Fig.6(d).Todo instrumento tem um valor mínimo de entrada. Assim. mas não o atrito externo devido ao deslizamento de partes móveis. você pode achar que o limite de erro pode ser estabelecido em 1/5 da menor 69 .7.6(e).7 do manômetro Bourdon. porém.7 .Ilustrando definições com o manômetro Bourdon. a leitura obtida imediatamente após a variação da entrada pode mudar após o decorrer de alguns instantes. veja na Fig. 2. o comportamento seria como mostrado nas Figs. 2. que quando o componente devido ao atrito interno for grande pode haver efeitos temporais associados ao relaxamento e recuperação das várias partes. Deve-se salientar. Limiar (“threshold”) . coluna de líquido. sendo denominado limiar do instrumento. Este valor mínimo corresponde ao menor valor mensurável da entrada. veja Fig.) em relação a uma escala.6(c) e 2. Menor Divisão da Escala . Um comportamento semelhante é obtido no caso de haver folga no mecanismo de um instrumento. as leituras em geral são obtidas a partir da posição de um elemento indicador (ponteiro.Faixa entre os valores mínimo e máximo da variável de entrada para a qual se projetou o instrumento de medida. Algumas vezes o limite de erro de um instrumento analógico é fixado como sendo a menor divisão da escala. ver na Fig. etc. O parâmetro menor divisão da escala corresponde ao valor nominal da variação da leitura entre dois traços adjacentes da escala. abaixo do qual ele não tem qualquer sinal de saída. 2. Mas pode também ser um critério subjetivo. 2. admitindo-se constante a força de atrito. definido pelo experimentalista.Nos instrumentos de indicação analógica. Em um dado instrumento. Faixa de Operação .

Via de regra. Repetibilidade .Se a entrada do instrumento for aumentada gradualmente a partir de um valor arbitrário qualquer diferente de zero. 2. pode-se estabelecer que bons instrumentos analógicos têm a escala de tal forma que o limite de erro é igual a 1/2 da menor leitura. Calibração e aferição . e a dinâmica.0. Um instrumento com largura de banda de 100 Hz mede a variável de interesse com freqüência de até 100 Hz. para uma dada entrada constante. Há que ser cuidadoso com os instrumentos digitais: alguns mostram um número de algarismos significativos que não é coerente com o fenômeno físico medido ou com a instrumentação adotada.7. A função de uma calibração é estabelecer uma escala de saída correta para o sistema de medidas. A esta característica do processo de medida. em relação ao valor de referência. 70 .É a banda (ou faixa) de freqüência na qual pode operar o instrumento.2%". Faixa dinâmica (dynamic range) . veja Fig. Assim sendo. da posição de um ponteiro em uma escala. dá-se o nome de legibilidade da escala. Largura de banda (bandwidth) . talvez seja conveniente estabelecer o limite de erro à menor divisão. Resolução . que depende tanto do instrumento quanto do observador. Há dois tipos de calibração: estática.É o desvio máximo do valor da grandeza indicada pelo instrumento. na qual o sinal de entrada é constante.divisão da escala. Se a menor divisão da escala for muito pequena.Nos instrumentos de indicação digital. subjetiva até certo ponto. o conceito de divisão da escala não é mais pertinente e passa-se a falar em incremento digital. em um conjunto de medições.É determinada pelos limites superior e inferior de entrada ou saída que mantêm a medição no nível adequado de precisão. Define-se então resolução como a menor variação da entrada que pode ser medida pelo instrumento. por exemplo.Em um instrumento analógico. "melhor que +/.0.15%. na qual a entrada é um sinal que varia com o tempo. antes de efetuar quaisquer leituras o observador deve decidir até que ponto ele ou ela consegue quantificar diferentes posições do ponteiro entre duas graduações da escala. Incremento Digital . " < +/. Por exemplo. Este termo refere-se à variação da entrada capaz de causar a variarão do último dígito da leitura (observar que esta variação nem sempre é unitária). mais uma vez a saída do instrumento não variará até que um certo valor do incremento seja excedido.Teste no qual valores conhecidos da variável medida são aplicados e os correspondentes valores de saída são gravados. a quantificação da saída depende da leitura por um observador humano. Legibilidade da Escala .

Por isso a precisão é também chamada de limite de erro do instrumento. Exatidão: Qualidade daquilo que é exato. que se aplicam a instrumentos e ao procedimento de medição: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Exatidão Precisão Coerência (do instrumento) Erro / incerteza / desvio Sensibilidade estática Linearidade Histerese Faixa de operação Limiar (ou threshold) Menor divisão Incremento digital (do display) Resolução Largura de banda (bandwidth) Faixa dinâmica (dynamic range) Legibilidade (da escala ou display) Repetibilidade Aferição/Calibração Tabela 2. erro e limite de erro. mais especificamente no que se refere à sua conceituação idiomática e à prática corrente (Fig. convém agora retornarmos aos conceitos de Precisão e Exatidão. 2. que se aplicam a instrumentos e ao procedimento de medição. um instrumento onde exatidão e precisão são maximizados. os instrumentos e os processo de medição podem ser qualificados nestes termos: erro sistemático e erro aleatório. 2.2 .Conceitos recém-discutidos. ligada ao conceito de repetibilidade e estabilidade de um instrumento. em última instância. Na prática. o termo precisão é o mais difundido. O erro sistemático é resultado do uso de um equipamento 71 . Ou seja.8). portanto. a precisão está conectada aos erros aleatórios.Apresentados os conceitos próprios dos instrumentos e de seu processo de calibração. definido claramente. A precisão está. é o melhor qualificador de um instrumento. na medida em que exatidão (acurácia) e precisão são. Entretanto a combinação de exatidão e precisão. A tabela seguinte apresenta os conceitos recém-discutidos. em conformidade com um padrão. Assim sendo. Medidas exatas implicam na inexistência de erros. isto é. 1. isto é. Precisão: Qualidade do que é preciso. medidas precisas significam medidas com pouca dispersão.

flutuações na fonte de tensão (aleatório) e oscilações causadas pelas variações de temperatura no instrumento. isto é. de temperaturas da sala (o valor não. somente os erros do sistema de medida são levados em consideração. para tal o fato de que medir uma grandeza implica. Quando for inevitável o seu uso. em interferir no processo que a gera. Os erros fixos serão evidenciados por um desvio do valor médio da saída com relação ao valor constante da entrada enquanto que os erros variáveis serão evidenciados por variações dos valores individuais da saída. valores medidos com desvios positivos ou negativos em relação ao valor "verdadeiro". Dentre estas opções. mais uma vez. o próprio processo de medição altera o valor "verdadeiro" da grandeza. um erro sistemático de natureza determinística. Há um erro sistemático constante. a medição da temperatura do ar em uma sala condicionada. mas há. o termo precisão deve estar associado ao erro global do instrumento. também.não-aferido ou da utilização de técnica de medida não-coerente. que o instrumentista lê a temperatura do ar condicionado em torno do bulbo do termômetro (o valor a temperatura que o ar teria caso o termômetro não tivesse perturbado a distribuição a temperatura que o ar teria na exata posição do bulbo do termômetro caso a na escala do termômetro). instrumentação não tivesse perturbado a distribuição de temperaturas e velocidades do ar insuflado na sala (o valor conceitual). Não custa chamar a atenção. que pode ser eliminado com a aferição do instrumento.perturbado). não somente ao erro aleatório. Um intervalo de tempo suficientemente longo foi dado para que entrasse em regime com o ar insuflado pelo sistema de condicionamento. 72 . Erros do Sistema de Medida Se T(1) for tomada como o valor verdadeiro. estabelece como "valor verdadeiro". Estes erros podem ser estimados experimentalmente através de uma calibração do sistema de medida. qual é o valor verdadeiro da temperatura? A lista das possíveis fontes de erro depende do que se define. Para medir a temperatura de ar na sala. na maioria das vezes. O instrumento a ser usado será um termômetro. pendurado no teto. disponível). Aqui estão incluídos todos os erros fixos e variáveis introduzidos por cada componente do sistema de medida tais como erro no ganho (fixo). Considere como exemplo. sempre. Há pelo menos quatro opções para a definição da temperatura “verdadeira”: T(1): T(2): T(3): T(4): a temperatura indicada pelo termômetro (o valor obtido. Alguns outros autores trabalham com o conceito de erro variável: a superposição do erro aleatório convencional mais a parcela determinística do erro sistemático. o termômetro foi colocado no centro da sala. isto é. Portanto. apesar da confusão semântica. O resultado é que a precisão de um instrumento está relacionada com estes dois tipos de erros sistemáticos. Os resultados serão. E erro global é a combinação do erro sistemático com o erro aleatório. que todos conhecem. Os erros do procedimento de medida são então classificados em: 1.

for tomada como o valor verdadeiro. Erros da Interação Sensor-Meio Se a temperatura do ar.o valor obtido T(1). Este é um efeito típico de perturbação do meio: a presença do termômetro resfriará ou aquecerá (depende do gradiente de temperatura) o ar em torno 73 . T(3). for tomado como valor verdadeiro. ε. A interação sensor-meio é normalmente dada por uma equação analítica relacionando o valor obtido ao valor disponível. por radiação com as paredes da sala e por convecção com o ar. a interação sensor-meio seria dada pelo seguinte balanço de energia (calor ganho na troca radiativa entre a parede da sala e o termômetro igual ao calor perdido pelo termômetro por convecção para o ar ambiente): Tar = Tt + onde εσ (Tt )4 − (T par )4 h [ ] σ é a constante de Stephan-Boltzmann. Tt é a temperatura do termômetro . Tar é a temperatura do ar na posição do bulbo do termômetro de mercúrio [o valor disponível T(2)] e h é o coeficiente de película ar-bulbo do termômetro. mas que envolve parâmetros cujos valores estão sujeitos a erros. os componentes variáveis mas determinísticos do erro global não serão sentidos. Caso contrário. No caso do termômetro que mede a temperatura do ar na sala. esta deve ser determinada a partir do valor obtido para a temperatura da junção do termopar. a perturbação introduzida depende de vários fatores. também afetarão o valor calculado (que se espera "verdadeiro") para Tar. as medidas devem ser realizadas durante um intervalo de tempo e em condições ambientes representativas do teste real. 3. Há quatro variáveis nesta equação sujeitas a erros: h. A haste do termômetro comporta-se como uma aleta se há um certo gradiente de temperatura do ar condicionado. ε e Tpar que não são erros relacionados ao instrumento que mede Tt. Como regra geral. Tpar é a temperatura da parede. Esta equação pode então ser vista como um pequeno “programa de tratamento de dados” para se calcular Tar a partir de Tt e a sua incerteza deve ser calculada separadamente. Por exemplo. o bulbo do termômetro troca calor por condução com sua haste. Ou então a medição deve ser realizada com instrumento não-intrusivo. T(1).Cabe notar que em uma calibração. T(2). Portanto. ao se utilizar esta equação os erros em h. 2. os sensores usados devem ser tão pequenos quanto possível a fim de se minimizar a perturbação e a estimativa desta deve ser feita por meio de uma equação simples. Erros de Perturbação do Meio Se o valor não perturbado. todas as perturbações no meio introduzidas pelo sistema de medição devem ser levadas em consideração e a incerteza no seu cálculo será uma incerteza residual na medida realizada. Desprezando-se a troca por condução. ε é a emissividade do sensor. Tpar e Tt.

a indicação do termômetro (valor obtido) pode ser admitida igual à temperatura do ar na posição do bulbo (valor disponível).do bulbo. aparentemente. kar. deve. Erros Conceituais Se a temperatura de mistura. os efeitos das distribuições de temperatura e velocidade na seção transversal devem ser levados em conta por meio da aplicação de correções pertinentes. permanecerão ainda os erros aleatórios. que resultam das entradas interferente e modificadora no sistema que é o instrumento. que não haja outras fontes de erro. seja a parcela constante. T(4). Em muitos casos os experimentalistas não consideram a influência do erro variável (mas determinístico) na determinação da incerteza de uma certa medida. as incertezas nestas correções devem ser estimadas quando do cálculo do valor verdadeiro. etc. kt. ou até mesmo a parcela variável determinística. mesmo que todo erro sistemático seja eliminado. No confronto com as diferentes opções para a definição do valor verdadeiro. isto é. Admitindo-se. de que os erros da interação sistema-meio. Cabe enfatizar que em muitas situações os erros conceituais são muito maiores que os demais (por exemplo. Tar e T2) e a incerteza envolvida no uso desta equação deve ser estimada ao se calcular T3. D. o processo de determinação do valor "verdadeiro" da temperatura do ar torna-se cada vez mais complexo. Concluindo. Como é evidente.se perguntar: “Qual será a utilização final desta medida? Qual é o seu significado físico nas equações que descrevem o fenômeno em estudo?” O bom experimentalista deve estar ciente. 4. os erros de perturbação do meio e os erros conceituais são geralmente maiores do que os erros do sistema de medição. por simplicidade. qual o valor exato de h? E do kt? Etc. um segundo tipo de desvio dos valores medidos em relação ao valor de referência. Mais uma vez. Esta afirmação é válida principalmente para experimentos envolvendo transferência de calor e medidas de temperatura. T(4). pode-se concluir que. A abordagem é análoga àquela usada no caso dos erros na interação sensor-meio. for tomada como a temperatura verdadeira no exemplo acima. não há limites para as interpretações errôneas que uma pessoa pode dar ao resultado da medição de uma certa grandeza. Assim. há seis variáveis sujeitas a erro (h. no entanto. para se eliminar o erro sistemático as soluções são: (1) a escolha de instrumento coerente com a medição a ser realizada e (2) sua aferição (e eventual calibração) 74 . por aferição.   Na equação acima. O motivo é simples: ele é o mais difícil de ser analisado e processado. O tratamento dos erros aleatórios é tema do ítem seguinte. Assim. A temperatura não perturbada do meio nesta mesma posição pode então ser calculada de T2 − T3 1 + φ = T1 − T3 φ onde φ = 1 +    hDk ar 2k t      hDk ar   2k t   .

11 σ =Σ ( | µ | )2 / 3 = 0.01 0.3 . Isto é. ou 10. Para encontrar o valor médio de uma grandeza experimental e sua incerteza deve-se realizar a medição diversas vezes.15 SD = (0.25 0. que será mais que duas vezes maior que o limite de erro. 2. ela é o ponto central em torno do qual a incerteza é estabelecida. 75 .01 0.1 µ = 0. s 10. 22.Valor médio e desvio padrão de n medições de tempo.1 m/s).5 0.3 mostra o procedimento de cálculo do valor médio e das grandezas que podem caracterizar a incerteza de "n" medições do tempo X (no caso.3 <∆X> = Σ | µ | / n = 0.3 < µ >= 0. Há uma natural flutuação da velocidade provocada pelas singularidades do sistema (as curvas.5 m/s).09 0. O valor da velocidade do ar pode então oscilar no painel do instrumento em amplitude superior ao limite de erro do mesmo (+/.9 < X > = 10. dependendo da aplicação. ocorre em experimentos que a incerteza seja maior que o limite de erro do instrumento. exemplo.25 0.0 | µ |. igual a +/.s 0. tês. com seus limites inferior e superior. A Tab. Isto se dá. dampers. n = 4): Tempo.3 10. O análise de grandeza de erros aleatórios requer procedimento estatístico.9 9.0. 2.s 0.09 2 2 2 (|µ |) . quando a variável que se deseja medir tem um comportamento intrinsecamente variável.0.5 µ = -0. a metade da maior amplitude de oscilação do dado experimental.<X>).1 0.1 A incerteza estimada de um conjunto de dados Freqüentemente.3 (|µ |) .38 < X > representa o valor médio de X. Em outras palavras. s 0. por exemplo.5 m/s. 2. Tabela 2.0.38 s). etc) e pelo ventilador (digamos +/. A grandeza passa então a ser referida pelo seu valor médio +/.0. podem ser usadas para tratar os erros aleatórios provenientes de uma medição. Considere novamente a medição da velocidade de ar com um anemômetro de fio quente.2 Volts. A solução é então estabelecer uma incerteza estimada.6 +/.09 2 2 Σ(|µ |) /4= 0.09 0. que será discutido na sequência.2 +/. Para se determinar a incerteza de um conjunto de dados experimentais pode-se usar também alguns conceitos estatísticos.2 µ = (X . a média é um indicador pontual.apropriada.0.7 9. a média está cercada pela incerteza.2 O Tratamento dos erros aleatórios Várias abordagens.a incerteza ( p.15) 1/2 2 = +/. s µ = 0.2.0.3 0.3 µ = -0. Σ é o somatório do conjunto de n dados medidos. calcular a média (o valor médio dos dados) e também o desvio médio e o desvio padrão.

Na coluna 4 estão os valores dos quadrados dos desvios médios. some os valores e divida por 3.09) / 3 = 0. O valor médio < µ > é nulo. A faixa dos valores medidos (a diferença entre o maior e o menor valor medido) é importante. para os valores no topo e na base do conjunto de dados. µ σ. Pode-se ter dados com valores muito grandes e pequenos no mesmo conjunto. 2.1 = 3). ( | µ| )2.2. O desvio padrão é definido como: SD = (σ 2) 1/2 76 . da variância. O desvio do dado medido em relação ao valor médio.25 + 0. seu valor médio é o que se denomina de desvio médio. A média não é eficiente em informar sobre o conjunto dos dados medidos. Mas. pode-se questionar se são representativos frente ao conjunto de dados e ao experimento em questão: FVM = Xmáx . obtendo-se 10. Ela é a média do quadrado dos desvios: na tab. e também muitos dados com valores próximos da média. que a média é uma medida de localização dos dados experimentais. além da localização dos dados. Por exemplo. O desvio padrão é a base adequada de interpretação de dados experimentais quando estes apresentam uma distribuição chamada de "Normal" ou Gaussiana.01 + 0. µ. SD. A maior parte é de valores menores que a média? Ou de valores maiores que a média? Informar sobre o espalhamento dos dados medidos será é o papel da faixa de valores medidos. A terceira coluna é o valor absoluto do desvio. 2.3. 0. e seu valor médio. do desvio padrão.2. σ 2 = Σ ( X . das distribuições estatísticas e suas características. Observe que o desvio padrão é maior que o desvio médio. é a soma dos quatro termos dividida por 4.2 Média. quadrada da variância é o desvio padrão. o número de dados da amostra menos 1: σ 2 = ( 0. então.3.09 + 0. está na coluna 2.15s A fórmula é então. <X>. |) ) é A raiz 2 A coluna 5 reproduz a coluna quatro: se a soma dos quadrados dos desvios médios (Σ | agora dividida pelo número de amostras menos um (n . Observa-se. obtém-se a variância. distribuição Normal Surgiram então os primeiros conceitos estatísticos: a média aritmética e o desvio padrão. e não traz qualquer informação adicional. é necessário conhecer como estes dados estão espalhados. desvio padrão.3. SD = 0.0. mas cada um deles pode ser adotado para caracterizar a variação dos dados experimentais.< X >)2 / (N-1) Uma informação mais detalhada que a variância sobre quão espalhados estão os dados experimentais será obtida.38 e < ∆X > = 0. entretanto. <∆X> = 0. evidentemente. com o uso do conceito de desvio padrão.A média simples.Xmín A variância indica a dispersão do conjunto de dados em relação à média.

Entretanto. a média e o desvio padrão do conjunto de dados. 2. A ordenada y da Gaussiana. no eixo y. E esta é a razão do desvio-padrão ser importante se a distribuição dos dados medidos for Normal. Quão "achatada ou esticada" ou "magra ou gorda" é a Gaussiana. +/. < X > = 82. Os valores medidos estão no eixo x. estão as probabilidades de ocorrência dos valores dos dados experimentais ou o número de ocorrência do valores conjunto de dados. de dentro para fora. esta é uma distribuição muito comum na área de engenharia e deve ser considerada.8 que as linhas tracejadas representam o número de desvios-padrão (SD) que a curva abriga: estão marcados. O gráfico foi elaborado inicialmente como um gráfico de colunas.8 . Deve-se observar que o simples fato da curva ter a forma de sino não é indicador de distribuição Normal. o eixo y indica o número de ocorrências dos valores medidos. O "eixo de simetria" da curva indica a média.A distribuição Normal é representada por uma família de curvas definidas unicamente por dois parâmetros. +/-1 SD. os valores do desvio padrão vão estabelecer. A figura abaixo mostra uma distribuição Gaussiana. Figura 2. para um certo valor X é: Observe na Fig.2 SD e +/. Uma curva de distribuição dos dados experimentais é obtida em um gráfico cartesiano tipo (x versus y): no eixo x estão os valores dos dados medidos.3 SD. 77 .A PDF de uma distribuição Gaussiana Note que a Gaussiana é uma curva simétrica com a forma de sino.

Consequentemente. a curva abriga 99.2.8 mostra uma PDF Gaussiana contínua (a linha tracejada) obtida a partir de uma distribuição discreta (isto é. pode-se obter a faixa de valores que inclui. pode-se obter informações úteis com cálculos aritméticos simples. • Para +/-2 SD. ela não é a única e outras distribuições devem ser consideradas. há outras funções de probabilidade que podem ser usadas e convém conhecer algumas. ou função densidade de probabilidade. as quais são. é a probabilidade que a variável assuma valor menor ou igual a X. via de regra. convém definir com mais rigor as distribuições estatísticas em geral. a curva abriga 68% dos dados experimentais. Desde que para funções contínuas a probabilidade em um certo ponto é zero. Este valor é o que se denomina de percentil de uma distribuição. se a média e o desvio padrão de um conjunto de dados experimentais são conhecidos. Observe também que a integral de uma PDF de menos infinito até um valor X = b indica a probabilidade de que a variável tenha valor igual ou inferior a b. <X>. também conhecida por função de distribuição cumulativa (CDF). ela é usualmente expressa em termos de uma integral entre dois pontos: Em uma distribuição discreta.3 Outras distribuições estatísticas A distribuição normal tem destaque na engenharia mecânica pois muitas variáveis típicas dos processos da área apresentam distribuição normal. a PDF é a probabilidade que a variável assuma o valor X: Observe que a Fig.7% dos dados experimentais. é a probabilidade que a variável tenha o valor X. 68%. 2. Uma função distribuição de probabilidade. a função densidade de probabilidade.• Para +/-1 SD.7% dos dados experimentais. definidas em termos da PDF. 95% e 99. Colocando 1. Antes de apresentá-las. 2. 78 . PDF. Entretanto. Se a distribuição é discreta. respectivamente. não-contínua) dos dados. Para uma função contínua. isto é. a curva abriga 95% . Entretanto. • Para +/-3 SD. Se a distribuição é contínua. 2 ou 3 SD acima e abaixo da média.

E o eixo vertical. a probabilidade obrigatoriamente aumenta até que 100% dos valores estejam contemplados (no caso.9 .10. O eixo vertical indica a probabilidade que cada valor de X tem de ocorrer. 2. observe que 50% dos valores de X são menores que zero. é a inversa da CDF. Observe também que à medida em que o eixo horizontal vai "varrendo" os valores possíveis de X. A Fig. No caso ela varia de 0 a 1 (poderia ser de 0 a 100%). Já que essa é uma distribuição normal. 79 . A função de pontos percentuais.9 exemplifica uma CDF Gaussiana. 2. Note que o eixo horizontal representa agora a probabilidade de ocorrência de valores maiores que X. PPF. dada uma certa função de distribuição. calcula-se a probabilidade que variável seja igual ou maior que um dado valor X. Por esta razão a função de pontos percentuais é muito conhecida como a função de distribuição inversa. Isto é. vamos conhecer a influência do valor do desvio padrão na forma da distribuição Normal e algumas outras distribuições estatísticas de uso comum na engenharia: Log-normal e tStudent. O eixo horizontal é o domínio dos valores que a variável X pode assumir.10 é a PPF da função mostrada na Fig. Isto posto.A CDF de uma distribuição Gaussiana A Fig. a faixa de valores que X pode assumir. 2.Figura 2. quando X varia de -3 até 3).

Figura 2. na sequência está uma distribuição Normal com média 10 e desvio padrão 1.12 trazem duas funções estatísticas com distribuição Log-Normal: 80 .Figura 2.11 .11 mostra a PDF de uma função Normal cuja média é 10 e o desvio padrão é 2. 2.10 . 2.PDF's de funções normais As duas figuras apresentadas em Fig.A PPF de uma distribuição Gaussiana A Fig.

O nome deve-se a William Gosset. Quando se amostra um experimento as seguintes observações são válidas: . Esta idéia de uma população de experimentos gerou o que se denomina atualmente de distribuiçao de médias amostradas. 100. que escreveu com o pseudônimo Student. 104.12 . 95. São n = 18 valores. 114. 124. 114. A distribuição t-Student é útil quando se deseja especificar a incerteza do valor médio da amostra de um experimento para um dado intervalo de confiança.à medida em que se aumenta o tamanho da amostra sobre a qual a média é calculada. 121. 114. 99. Neste caso não se conhece o desvio padrão da população de dados experimentais.13 mostra a distribição t-Student. 117.µ ]/s] }/( 2 Pi s X ) 2 2 2 1/2 A Fig. 120. 119. em 1908.424. seja a seguinte amostra de uma população de dados experimentais: 107. . 88. cuja média (média da amostra) é 112. 116. Isto se deve ao teorema do limite central. A unidade da medida é o segundo. Neste trabalho Gosset especulou sobre a importância de se ver o valor médio de uma amostra de um experimento como o exemplo do valor médio de uma "população de experimentos realizados sob as mesmas condições". 152. sendo o intervalo de confiança a probabilidade de que a incerteza a ser obtida inclua a média. 101. 125. 2.a distribuição da médias é centrada em torno da média da população. 81 .778 s e o desvio padrão é 14. o trabalho intitulado "The Probable Error of a Mean".Funções Log-Normais A função Log_Normal é definida por f (X) = exp{-1/2 [[ln(X).Figura 2. Por exemplo. A razão disto é que o valor esperado da amostra é o valor médio da população. que postula que a distribuição da média tende à normalidade (distribuição normal) à medida em que o número de amostras cresce. a distribuição obtida tende progressivamente a uma distribuição na forma de sino.

81 1.424 / 181/2 = 3. para um intervalo de confiança de 97.78 +/.12 2.60 2.36 2.α/2) percentil de uma distribuição t-Student (Fig.35 1.90 1.16 2.36 1.78 +/.13 – Distribuição t-Student.94 1.7.33 1.13) com (n-1) graus de liberdade (valor obtido em tabela de percentil de distribuição t-Student).83 1.36 3.1-0. sendo α = (1-intervalo de confiança).75 1.75 1.37 1.13 2.90 2.11)(3. Tabela 2.95 2.38 1.(2.78 +/.45 2.17 onde tn-1.Extrato de um t-Table 82 .05/2) 3.4 .1-α/2 é o (1.44 1.68 2.34 1.18 2.02 1. mais ela se aproxima de uma distribuição normal (isto é.10 t0.4) = 112.11 2. Quanto maior o grau de liberdade de uma t-Student.99 3.80 1.65 2.48 1.72 2.76 2.14 3.23 2.26 2.58 2.975 2. Uma t-Student com grau de liberdade baixo tem caudas "gordas".14 2.77 1.55 Figura 2. Um extrato de uma t-Table está na tab.Calcula-se então o que se denomina de erro padrão da amostra (ou sem = standard error of the mean): sem = SD / n1/2 = 14.4 = 112. é obtida de <X> = 112.(tn-1.89 1.4 e a média da amostra e sua incerteza.73 t0.33 t0.82 2.34 1.36 1.76 1.41 1. 2.4: n-1 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 t0.40 1.00 2.20 2.57 2.86 1. quanto mais o número de pontos amostrados aproxima-se da população de dados.57 2.35 1.78 1. mais a distribuição t-Student aproxima-se de uma distribuição normal).62 2.5%. 2.31 2.74 1.

A kurtosis é uma medida do tamanho da "cauda" da distribuição. a da direita. a primeira com skewness positiva.15 – Distribuições com diferentes kurtosis: (a) tem kurtosis menor que (b).Dentre as distribuições mostradas acima observe que a distribuição Log-Normal não é simétrica. a variância (segundo momento). Veja que a skewness quantifica a distorção da distribuição em relação à média (evidentemente.<X>)3 / N A Fig. a segunda com skewness negativa.14 – Distribuições: (a) com skewness positiva. A skewness é definida por: µ 3 = Σ ( X . a da esquerda.15 mostra distribuições com diferentes kurtosis. (a) (b) Figura 2. (a) (b) Figura 2. com pico mais acentuado e cauda mais ampla e "gorda". 83 . a skewness será nula). se a distribuição for simétrica. e desvio µ4 = 3.<X>)4 / N A distribuição normal padrão isto é. maior que que há "excesso de kurtosis". <X> = 0. A não-simetria das PDFs pode ser usada para caracterizá-las e são medidas pelos terceiro e quarto momentos da população de dados experimentais em relação à médias. A Fig. tem kurtosis = Σ ( X . 2. Os momentos de uma população são própria média (primeiro momento). sendo calculada por µ4 padrão igual a SD =1. a "skewness" (terceiro momento) e pela "kurtosis" (quarto momento). Quando uma distribuição tem kurtosis superior a 3 diz-se µ4 direita > µ4 esquerda . (b) com skewness negativa. tem kurtosis. aquela que tem média igual a zero. 2.14 mostra a duas distribuições.

2. A quantidade de movimento é QM = M ( L/ t ). por exemplo. 2. isto é. L e t na equação acima até chegar a QM? É o tema deste ítem. um desvio padrão diferente de zero. Considere que você necessita calcular a quantidade de movimento de um carrinho de controle remoto. Em suma. observando que todas as equações apresentadas assumem que os erros aleatórios dos dados primários são de natureza Gaussiana. A questão apresentada aquí trata de discutir como estes erros se propagam através de cálculos. a propagação de erro é uma forma de combinar dois ou mais erros aleatórios para obter um terceiro erro. mesmo quando livre de erros sistemáticos. 84 . Cada um deles pode ser utilizado. Como se propagam a incertezas de M. já que é um conceito estatístico. É o que se denomina de determinação da incerteza padronizada combinada. O erro relativo. o erro absoluto é DX. Escolha a unidade apropriada (m. o desvio médio. cm.2. Na mecânica. 3) Arredonde a resposta de forma que tenha o mesmo número de algarismos que a incerteza. 2) Arredonde a incerteza para 1 ou dois algarítimos significativos.5 Erros relativo e absoluto Se o dado medido é X.2. por outro lado. escreva seus o resultado final do processamento de seus dados como o valor médio mais ou menos o erro absoluto ou relativo. 2. ou incerteza fracionária. não tem sentido em escrevê-lo com mais que dois algarismos significativos. Em eletrônica. Se quantidade de movimento é o produto da velocidade com a massa. terá erros aleatórios. uma forma é medir vária vezes comprimento. a incerteza estimada e o desvio padrão. é comum dar o erro percentual.3 Propagação de Erro em Operações de Cálculo Viu-se anteriormente que qualquer dado experimental. é (DX/X).4 A decisão final sobre a incerteza a adotar Até agora temos quatro conceitos para especificar a incerteza do conjunto dos dados medidos: a menor leitura do instrumento. além de pesá-lo). ou mm. as dimensões de peças são apresentadas com erros absolutos. se usar o desvio padrão como o erro escolhido. E lembre-se de que. Uma boa possibilidade é adotar a notação científica. O que acontece é que certas áreas de trabalho tradicionalmente optaram por expressar o erro de uma forma particular. e cada um dos dados tem uma incerteza associada. qual seja) de forma a deixar claro a acurácia da medida. Qual deles adotar no seu experimento? 1) escolha o maior entre os três. tempo e massa (comprimento e o tempo que o carrinho leva para percorrêlo. Assim. o que resultará em uma incerteza para QM. O erro percentual ó o erro relativo multiplicado por 100.

<y> + dy) que.y). isto é. <u> + du = f (<x> + dx. para determinar g é necessário medir L e T. ele pode ser eliminado de ambos os lados da equação. Seja então ui = <u> + dui. 85 . Levando isto em consideração e rearranjando a equação. onde o delta. xi = <x> + dxi. de forma que toma-se sempre o pior caso. isto é. Vamos voltar agora ao exemplo do pêndulo: δg = 4π 2 ∂g ∂g δL + δT ∂L ∂T 2  2  δ g = 2 δL +  − 3  4π 2 LδT   T  T  Observe que o sinal de um resíduo individual não é conhecido. d. onde a variável dependente u é uma função qualquer das duas variáveis independentes x e y. cada uma destas medidas é suscetível a erros. Então. resulta em Desde que f (<x>. o que produz Esta equação pode ser estendida para incluir quantas variáveis se desejar.Vamos então para um novo exemplo. yi = <y> + dyi. o conhecido cálculo da aceleração da gravidade através da medida do comprimento e do período de um pêndulo.<y>) = <u>. e como se combinam estes erros no cálculo de g? Vamos olhar um caso mais geral. se expandido em uma série de Taylor. Por sua vez. é usado para indicar um resíduo. Sabe-se que o período de oscilação de um pêndulo relaciona-se com seu comprimento por Assim. u = f(x. os resíduos se superpõem com o mesmo sinal. isto é.

x2. isto é. Isto é. . soma os erros individuais na composição do erro total. Os resíduos de x e y. isto é. δg g = ∂L 2∂T + L T Esta. pode ser estendido para contemplar qualquer número de variáveis. as variações de uma das grandezas de entrada não implicarão em variações da outra. pois o valor da potência o multiplica. Esta regra. Note que o termo que na expressão aparece elevado ao quadrado.. haverá tanto produtos de resíduos com valores positivos quanto negativos. dxdy. entretanto. são positivos. pode ser uma regra para combinar erros individuais na composição de um erro total de uma expressão. o erro resultante de uma expressão contendo j variáveis. entretanto. como o anterior.4 2 L δL 4π 2 L 2δT δg = π + T2 L T2 T Dividindo ambos os termos por g. então. se x e y forem independentes. x1. E a intuição nos diz que dificilmente todos os erros se comporão aditivamente.. e o somatório se anulará. também será positivo o produto dos resíduos. Conseqüentemente. Mas como chegar a uma combinação de erros individuais mais realística? É o que veremos na sequência. pois considera sempre o pior caso. Quando n é muito grande. o período T. é 86 . fazendo com que o termo na expressão acima se anule. tem uma restrição fundamental. no caso. na composição do erro total é o de maior peso. xj. x3. em outras palavras. Se n medidas de x e y forem feitas para o cálculo de u. a variância da amostra é dada por Substituindo o valor de du. Pode-se então escrever: ou Este resultado..

Caso a incerteza seja dada como o desvio padrão. Ficamos então com as duas opções para o cálculo da incerteza na propagação de erro em operações matemáticas.1 Adição e subtração. é menos conservadora que a anterior. z=x+y e z=x-y z=<z>+∆z=(<x>+<y>)+(∆x+∆y) Veja que a perspectiva mais otimista foi considerada. Deseja-se obter o valor médio e a incerteza absoluta de z. some em quadratura (isto é. Assim. 2. O mesmo vale para a subtração.s2 j  ∂u = ∑  i =1 ∂xi j  2  si   2 A equação anterior é chamada de Teorema de Superposição dos Erros. os valores positivos das incertezas se somando para dar o mais alto valor de Dz. a raiz quadrada do quadrado do valor) as incertezas de x e y. 87 . <z> e Dz. as quais serão aplicadas a várias operações matemáticas na sequência do texto. Sejam então x e y duas variáveis cujos valores médios são <x> e <y> e seja z o resultado da operação matemática de de x e y. 2 2  s2 L 2  4π 2 L  4sT  + 2  2 2   L  T  T 2 2  sg   g  2  2s  sL  =  + T     L  T  2    2 Compare a expressão que deduzimos anteriormente para o erro relativo em g e fica claro que esta acima produz um erro menor. sabendo-se que Dx e Dy são as incertezas absolutas de x e y.3. isto é. Podemos voltar e aplicar agora o Teorema da Superposição dos Erros ao problema do pêndulo: 2 2 2 =  ∂g  2 +  ∂g  2  sT sg   sL  ∂L ∂T     4π s2 =  2 g  T   2 2    8π L s2 + − 3  L    T   2  2 2 sT 4π L s2 =  2  g    T Dividindo tudo por g e rearranjando. SD. a regra geral para a soma e a subtração é de que as incertezas absolutas sejam somadas.

0. ∆z = [(∆x / x)2 + (∆y / y)2]1/2 se o erro for dado como o SD.3.50 +/.03) * (6. Se o erro for dado em termos percentuais. ∆z = [m (∆x / x) + n (∆y / y)] se o erro é relativo.02 (SD) A mesma regra se aplica à divisão e à combinação de multiplicação e divisão em uma expressão matemática mais complexa.0.03) + (4.85 +/.0 +/. z=xy e z=x/y z = <z> + ∆z = (<x> <y>)+ x ∆y + y ∆x + ∆x ∆y = (<x> <y>)+ x ∆y + y ∆x Há um termo de segunda ordem que pode ser desprezado.2 Multiplicação e divisão.2) = 70.25 +/.0. z=xn ∆z = n ∆x se o erro é absoluto. Exemplo: (2. z = xm xn ∆z = m ∆x + n ∆y se o erro é absoluto.50 +/.25 +/.3 Potência. Exemplo: (2.08) = 9.0.50 +/.75 +/.3.06 (valor absoluto) 2 2. e ∆z = [(m ∆x / x)2 + (n ∆y / y)2 ]1/2 se o erro for dado como o SD. e ∆z = [(∆x)2 + (∆y)2]1/2 se o erro for dado como o SD Exemplo: (1.35 +/. Exemplo: (2.03) + (3. ∆z = (∆x / x) + (∆y / y) ou ainda.0. e ∆z = [(n ∆x / x)2 ]1/2 se o erro for dado como o SD.03) = 6.∆z = (∆x + ∆y) para erros absolutos. 2.0.4 Produto de potências.0.09 (SD) 2.0.15 (SD) 2 3 88 .0.3.08) = 4.0. ∆z = n (∆x / x) se o erro é relativo.50 +/.0.25 +/.

000532 os 89 .2% cos(60 +/. w. 8. Assim.2. Um algarismo significativo é qualquer um dos dígitos 1.) O método geral é usar a derivada total da função..2% 2. Estes procedimentos serão agora revistos.. Exemplo: z = x cos(t)..6 Funções complexas.925 +/. encontrando o valor máximo ou mínimo que a função pode ter e fazendo a diferença do valor médio: ∆z = ∆sen(x) = | sen (x + ∆x) . 4.5 Funções simples. ∆z = | sen (x + ∆x) . O número zero é também um algarismo significativo exceto quando for usado para precisar número de casas decimais ou para ocupar o lugar de dígitos desconhecidos ou desprezados.20 = 0.9. Assim. para x = 2. as quais são variáveis independentes.204 +/. A incerteza em termos do desvio padrão: ∆s = {[cos(t) ∆x]2+[. como z = f(x. O valor médio de z é z = 2 cm cos(530) = 1.120 cm. se o erro for dado como o SD. 3.9. y.sen(x) | se o erro é absoluto. .| cos(63)-cos(60) | / cos(60) = 0.3. .5 +/. 7.5 +/.5 +/.3) = 0.0.2 cm e t = 530 +/. 9. se z é uma função x.3. no número 0.120 cm. y.5 2.0 +/. 2.204.0. 2. 5.= | sen(27)-sen(30) | / sen(30) = 0. como z = sen(x) A abordagem mais simples deve ser adotada. w. a derivada total de z é e os erros se o erro é absoluto.sen(x)] / sen(x) | se o erro é relativo.x sen(t) ∆t] } 2 1/2 = 0.4 Arredondamento Numérico Na realização de cálculos numéricos com dados experimentais deparamo-nos frequentemente com questões acerca de quantos algarismos significativos usar e do arredondamento do valor de várias grandezas.0035 rad. 6. z = 1..3.3) = 0.. Exemplo: sen(30 +/.5 +/.0. Assim.

603 7. Ao realizar cálculos as quantidades podem ter diferentes números de algarismos significativos. despreze todos os algarismos à direita da n-ésima casa. mantenha o n-ésimo dígito inalterado caso seja um número par ou acrescente 1 caso seja um número ímpar.603 Multiplicação e Divisão: Arredonde os números mais exatos para um algarismo significativo a mais do que o número menos exato. Em um número como 2300 os zeros podem ser significativos ou não. mantenha uma casa decimal a mais do que o correspondente ao número menos exato. arredondamento largamente usada é a seguinte: A fim de se arredondar um número para n algarismos significativos. A fim de evitar dúvidas.52 0.64 0. Arredonde então o resultado da soma para o mesmo número de casas decimais que o número menos exato. acrescente 1 ao n-ésimo dígito. mantenha o n-ésimo dígito inalterado.3x103 se houver apenas dois algarismos significativos.031 .017 90 . Por exemplo. Por exemplo. Adição: Nos números mais exatos. Arredonde então o resultado para o mesmo número de algarismos significativos que o número menos exato. + 2. .634 0.635 0.7.6345 0. este número é reescrito como 2. 2. A seguir são dadas as regras de arredondamento para as várias operações matemáticas.52 0.0072) / 3.34 x 0.335 x 0.9 1. enquanto que no número 2076 todos os algarismos são significativos.9 1.2 x 6.2 x 6.7345 + 2. (Os números mais exatos são aqueles com o maior número de algarismos significativos). o número de seis algarismos deve ser arredondado antes da multiplicação para se evitar um trabalho desnecessário.031 7. Portanto.62 x 0. Dê o resultado com o mesmo número de casas decimais que o número menos exato.0174 --» 0.14159 --» (1.300x103 se houver quatro. Por exemplo. Por exemplo.algarismos significativos são 5.79 Uma regra de 5. Pode-se mostrar que o produto de ambos terá apenas três algarismos significativos.73 5.14 = 0.30x103 se houver três e 2.0072) / 3. na multiplicação 4. 3 e 2. incluindo o zero.7.317856 o primeiro número possui três algarismos significativos enquanto que o segundo possui seis. Se a porção desprezada for exatamente a metade da unidade na n-ésima casa. Se a porção desprezada for maior do que a metade da unidade na n-ésima casa. (1. Se a porção desprezada for menor do que a metade da unidade na n-ésima casa.8 Subtração: Arredonde o número mais exato para o mesmo número de casas decimais que o número menos exato.

5. (2) de P=EI.01) 2 + (1 x 0. seja o cálculo da incerteza no primeiro método. O método mais preciso é aquele cuja incerteza em P for menor.01) 2 ] 1/2 = 0.01414 ou 1. mesmo envolvendo a realização de duas medidas experimentais. enquanto que o segundo método requer a medida da voltagem e da corrente.02236 ou 2. 2 2 ∆P  ∆E   ∆I   =  a  + c   P  E   I     2 ∆P/P = [ (1 x 0.5 Exemplos 2. sendo E a diferença de potencial.1 Escolha de um Método de Medida Um resistor tem um valor nominal de 10W ± 1%. Ele é submetido a uma diferença de 2 voltagem e a potência dissipada pode ser calculada de duas maneiras diferentes: (1) de P = E /R.Raiz n-ésima: Mantenha o mesmo número de algarismos significativos que no radicando. R a resistência e I a corrente. Assim. A equação para P pode ser rescrita P = E /R = E R e a incerteza é 2 2 ∆P  ∆E   ∆R   =  a  + b   P  E   R     2 2 2 -1 (em ambos os casos) ∆P/P = [ (2 x 0. somente a medida da voltagem é necessária. Deseja-se saber qual é o método mais preciso para a determinação da potência sabendo-se que E = 100 V ± 1% I = 10 A ± 1% Solução : Pelo primeiro método. Todavia.236 % A potência no segundo método é P = EI e a incerteza. permite chegar-se a uma incerteza bastante menor no resultado para a potência.01) 2 ] 1/2 = 0. 91 .01) 2 + (-1 x 0. se a incerteza no valor do resistor fosse mais baixa. Log a : Mantenha o mesmo número de significativos que na base b 2. este quadro poderia se inverter.414 % Observamos então que o segundo método.

em ordem decrescente de importância.53% 1. o valor nominal da potência dissipada é P = 500 x 5 .01) + 500 (5 × 0.2 Seleção de Instrumentos A medida de potência do exemplo anterior deverá ser realizada agora medindo-se a voltagem e a corrente com um voltímetro. sabemos que P=f (E. ou (E/R) + (E/Rm) =I Assim.500 /1000 = 2250W A fim de calcularmos a incerteza em P.4/2250 = 0. 92 . I1 = I . A incerteza no resultado para a potência é causada.5.I2 = I .4 Watts ∆P/P = Observe que: ou 34. R = 100 W I = 5A ± 1 % E = 500V ± 1 % Solução: Um balanço de corrente no circuito fornece I1 + I2 = I.25]1/2 = 34.0153 Watts ou 1.(E /Rm) Portanto.(E/Rm) A potência no resistor P = E I1 = E I . R. Rm) e temos as seguintes derivadas: 2 2 Calcule o valor da potência dissipada em R e a incerteza a ele associada nas seguintes condições: (conhecido apenas aproximadamente) Rm = 1000 W ± 5 % e a incerteza na potência é então 2 2 2  ∂P  ∂P      ∂P  ∆P =  ∆E  +  ∆I  +  ∆Rm    ∂R    ∂E   ∂I   m    2  2  2  1 − 2 E  ∆E 2 + E 2 ∆I 2 +  E     ∆P =    R2   Rm    m     1/ 2 1/ 2  2  500 2 2 × 500   2 2 2 ∆P =  5 −  (500 × 0. é conhecido apenas de maneira aproximada.2. O voltímetro tem uma resistência interna Rm e o valor do resistor. incerteza na medida da voltagem e incerteza no valor da resistência interna do voltímetro. I. pelos seguintes fatores: incerteza na medida da corrente.01) +    1000 2 1000     2    (1000 × 0.05)2       1/ 2 ∆P = [400 + 625 + 156.

um erro associado à determinação do tempo t. dada a natureza digital deste dispositivo. temos: R = 1202 ± 1. o ponteiro na escala não permanecerá completamente imóvel e o observador deverá decidir acerca de uma leitura média.50s. Há. A escala usada para a medida do comprimento L pode ser estatisticamente calibrada ou calibrada apenas segundo um procedimento relativamente grosseiro. Ao ser realmente usado. Admitindo-se que o contador não deixe de marcar nenhuma revolução. a contribuição desta para a incerteza em P seria muito pequena mesmo que a incerteza em Rm fosse alta. Por outro lado. o que introduzirá um certo erro. o máximo erro em R é ±1.0 ± 0. medida da força.178N como a incerteza na t = 60. Para um dado teste. já que um sincronismo perfeito entre o disparo e a parada do cronômetro e o contador de revoluções não é possível.3 Medida da potência em um eixo rotativo Em um experimento a medida da potência média transmitida por um eixo rotativo é realizada por um dinamômetro de balança. Por outro lado. suponhamos que o dinamômetro tenha sido calibrado com pesos mortos de modo que a incerteza na medida seja ± 0. porém.2. Com relação à medida da força F. tomamos ± 0. Concluímos então que. Suponhamos que encontremonos nesta última situação e que decidimos então que a incerteza em L seja ± 0. ao selecionarmos um multímetro para uma dada medida. a situação não é tão simples quanto parece.0 ± 0.13 cm Admitindo-se um tanto arbitrariamente que estes efeitos se cancelem mutuamente. 2. o dinamômetro estará sujeito à vibração. a incerteza em Rm seria o fator dominante na incerteza em P.13cm. o que pode reduzir o efeito do atrito e aumentar a precisão.0 revolução F = 45.5. devemos fazê-lo de modo que a razão Rm/R seja a mais alta possível. para um multímetro com uma impedância muita alta.178N.7 ± 0. Mais uma vez.18 N L = 39. A fórmula para o cálculo da potência é P = 2(πR/t) F L onde [Watts] R ≡ rotações do eixo durante o intervalo de tempo t F ≡ força na extremidade da alavanca de torque [N] L ≡ comprimento da alavanca de torque [m] t ≡ tempo de amostragem [s] O contador de rotação é ligado ou desligado por meio de um interruptor e estes instantes são registrados por um cronômetro. Seja então a incerteza na medida de t de ± 0. Se o multímetro tivesse uma impedância baixa comparada à resistência R.50 seg 93 . entretanto. Estes efeitos são claramente de difícil quantificação e devemos então tomar uma decisão baseada parcialmente em experiência e julgamento.

Finalmente. desprezível. (2.6 ]1/2 = 22 W Calculemos agora o valor nominal da potência: 2 2 2 2 1/2 P = 2π RFL 2π (1202.onde todas as incertezas foram expressas com dois algarismos significativos.66x103x0. do comprimento e das revoluções.0 % Deve-se notar que o erro na medida do tempo é responsável pela maior parcela do erro total.2 W ou DR = 11 W e 94 .5x0.0x0.005 x 2249 = 11.87x1.0013) + (-37. O resultado do experimento é então expresso como P = 2249 ± 22W ou 2249 ± 1. suponhamos que seja necessário medir-se a potência com 0.5 % de precisão.4).18) + (1. DR =[ (50.0 + 3. seguido pelo erro na medida da força.50) ] DR = [ 81. A parcela correspondente a esta última é.2)( 45. Temos DR = 0.7 ) = = 2248. Seja agora o cálculo das derivadas parciais: expressas com três algarismos significativos. calculamos wR e o expressamos com dois algarismos significativos.0)(39. Utilizando a Eq. percebe-se.7W t 100 60. Desejamos então determinar a precisão necessária nas medidas primárias.5 + 54.0) + (5.0 que arrendondamos para P = 2249 W.1 + 351.

o melhor instrumento disponível para a medida da força tiver uma precisão de apenas 0. L e t__ deve ser medida com mais precisão do que o estipulado acima de maneira a compensar a imprecisão excessiva na medida de F. 95 .Se.5 % de precisão.2 N ao invés de 0. isto não significa que necessariamente a medida da potência não poderá ser feita com 0.11 N. Significa sim que uma ou mais das outras grandezas __ R. por exemplo.

Quanto mais quente o sistema. a fase do material. Dois sistemas estão em equilíbrio térmico quando suas temperaturas são iguais. azuladas. pressão. 96 . Regiões amarelas. à temperatura do corpo humano. Muitas propriedades físicas dos materiais dependem da sua temperatura. A temperatura é a propriedade que governa o processo de transferência de calor (energia térmica) para e de um sistema. Assim. menor o comprimento de onda. a condutividade elétrica. por exemplo. dependem da temperatura. tem relação com sua temperatura. Assim. Outras propriedades como a densidade. assim dita por não depender da massa do sistema (a propriedade extensiva do sistema é aquela que depende da massa). a biologia.3 Medição de temperatura Medir a temperatura corretamente é muito importante em todos os ramos da ciência. a temperatura controla o tipo e quantidade de energia térmica que é emitida por radiação de uma superfície. uma diminuição da temperatura de um sistema implica em que ele está perdendo energia térmica. Havendo uma diferença de temperatura. a quantidade de movimento de um sistema são propriedades extensivas. Este mesmo fenômeno pode ser observado na chama do fogão. etc): maior a freqüência. viscosidade são propriedades intensivas. de mais baixa temperatura. regiões quentes. À medida que a temperatura do material aumenta. maior é a freqüência de vibração dos átomos. mantido constante em torno de 37ºC. A própria massa. a temperatura está associada ao movimento aleatório dos átomos da substância que compõem o sistema. o calor fluirá do sistema mais quente para o mais frio. entre várias. densidade. A temperatura do corpo humano. temperatura. o metal fica alaranjado. No nível macroscópico. a temperatura está relacionada com a quantidade de energia térmica de um sistema. seja a física. até que se restabeleça o equilíbrio térmico. emite uma quantidade pequena de radiação infravermelha. A temperatura é uma propriedade intensiva de um sistema. de temperatura superior. a solubilidade. por meio de processos de condução e/ou convecção e/ou radiação. se ele é sólido. isto é. regula inúmeros processos biológicos e químicos. etc. de forma similar. Por exemplo. Quando mais se adiciona calor a um sistema. O material ou substância que está à temperatura superior é dito o “material quente”. A temperatura revela a noção comum do que é quente ou frio. a pressão de vapor. calor não flui entre eles. mais sobe sua temperatura. o volume. Uma superfície metálica negra a baixa temperatura. Por exemplo. sua superfície emite quantidades maiores de energia térmica em uma “banda de freqüência” superior (radiação visível. a química. o mais quente. a energia cinética. etc. líquido ou gasoso. por exemplo. depois amarelo.

É interessante observar que a escala do famoso termômetro Celsius era invertida com relação ao de hoje: 0 oC era o ponto de ebulição da água e 100 oC era o ponto de congelamento da água. a escala foi invertida para sua presente forma. nos estados sólido.1 Unidades de Temperatura Há dois sistemas de unidades em que escalas de temperatura são especificadas. a temperatura na qual a água pode estar. isto é. em 1744. Leurechon.. um dispositivo de vidro contendo líquido e ar. mas a termometria ainda estava longe de chegar a um consenso a respeito da medida desta nova grandeza. 1/100. Astrônomo. de escala centígrada ou centesimal. 1624 .A palavra “termômetro” apareceu pela primeira vez em um livro intitulado “La Récréation Mathématique” de J.. sob os termos da Convenção Métrica de 1875. A escala Celsius foi nomeada após Anders Celsius. Robert Boyle (cientista irlandês) declarava: “Necessitamos urgentemente de um padrão . SI.Galileu Galilei inventou o primeiro instrumento de medição de temperatura. Neste mesmo ano. Em ambas as escalas a diferença de temperatura é a mesma. Em 1948 o nome oficial foi estabelecido pela 9a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CR64).. A escala Celsius foi chamada. a referência é que muda. A última reunião da Conferência aconteceu em 2002. O grau Kelvin é formalmente definido como sendo (1/273.16) da temperatura do ponto triplo da água. Algumas datas históricas da termometria são: 170 DC – Galeno propôs um padrão de medição de temperatura.3. A partir de suas observações metereológicas ele construiu o termômetro de Celsius e estabeleceu as bases da escala Celsius de temperatura. ciências que não são inseridas na astronomia de hoje. Esta conferência é uma das três organizações responsáveis pela regulamentação do Sistema Internacional de Unidades. correspondendo ao ponto no qual moléculas e átomos têm o mínimo de energia térmica. Somente depois de sua morte. na qual o 0 oC é a temperatura de congelamento da água e o 100 oC é a temperatura de ebulição da água à pressão atmosférica ao nível do mar. ele estudou também meteorologia e geografia. não simplesmente as várias diferenças desta quantidade (temperatura) não possuem nomes . dada a graduação centesimal. SI. a diferença de temperatura de 1 K é igual à diferença de temperatura de 1 oC.Christian Huygens. cientista holandês.. declarava em 1665: “Seria conveniente disporse de um padrão universal e preciso de frio e calor . líquido e gasoso. e os termômetros são tão variáveis 97 . isto é. A temperatura de 0 K é chamada de zero absoluto. A medida era influenciada pela pressão. 1665 . No Sistema Internacional de Unidades. Nas aplicações correntes do dia-a-dia usa-se a escala Celsius.. famoso cientista sueco.. a temperatura que resulta da mistura de quantidades iguais de água em ebulição e gelo. originalmente. o chamado barotermoscópio. 1592 . a unidade básica de temperatura é o grau Kelvin (K). A escala Kelvin foi formalizada em 1954. em equilíbrio.”.

da pressão barométrica. (b) Termômetro Celsius Então. permanecia líquido em uma faixa grande de temperaturas e sua cor prata facilitava a leitura. Ele verificou também a dependência da temperatura da ebulição da água com a pressão atmosférica. dividindo-se o espaço entre eles em 12 partes iguais. 1694 . sucessor de Galileo em Pádua.1 – (a) Anders Celsius.Carlo Renaldini. Figura 3. Em um trabalho científico denominado de "Observations of two persistent degrees on a thermometer" ele relatou sobre experimentos que verificaram que a temperatura de congelamento da água independia da latitude e. peso .. correspondendo ao ponto de ebulição da água e fusão do gelo. no período em que Celsius viveu já haviam vários termômetros sendo usados. Redefiniu a escala de Newton como múltiplos de 12 --> 12. A sugestão de Renaldini foi desprezada e esquecida. propondo então estes dois pontos fixos para a construção de uma escala de temperatura. respectivamente. a axila de um homem saudável (96 oF) e água ebulindo . Ele notou que sua expansão era grande e uniforme. sugeriu utilizar-se o ponto de fusão do gelo e o ponto de ebulição da água como dois pontos fixos em uma escala termométrica. distância. 1706 .o mais frio reprodutível. Para calibrar o termômetro de mercúrio Fahrenheit definiu 3 pontos: um banho de gelo e sal (32 oF) .. Nesta escala a água ferve a 34 graus.o mais quente reprodutível (212 oF). chamadas de pontos fixos. que foram determinadas pelo banho de gelo fundente (zero graus) e a axila de um homem saudável (12 graus). 98 .Isaac Newton definiu uma escala de temperatura baseada em duas referências. 1742 .Gabriel Fahrenheit trabalhou com o mercúrio como líquido manométrico. e já era corrente que uma escala de temperatura deveria ser baseada em temperaturas padrão. conseqüentemente. ele não aderia ao vidro.Anders Celsius propôs uma escala entre zero e 100. 48 e 96. 1701 . 24. ”.que parece impossível medir-se a intensidade do calor ou frio como fazemos com tempo.

e predominantemente nos USA.1.Chappuis estudou termômetros de hidrogênio. Mariotte. que estabelecem faixas de temperatura. adotada após a convenção do 1989 da Conferência Geral de Pesos e Medidas. da mesma forma que a escala Celsius em relação à Kelvin.15 K) como referência. M. Ainda. Como as escalas de temperaturas mais antigas geralmente tinham o ponto de congelamento da água (273. 1887 . C) chamada de Escala Prática Internacional de Temperatura pelo Comité International de Poids e Mesures. F: ponto de fusão. de acordo com a ITS 90. o que possibilitou o desenvolvimento dos termômetros de gases. XIX . As escalas modernas de temperatura são baseadas em vários pontos fixos.15 sendo t90 / C e t90 / K as temperaturas em graus Celsius e Kelvin.na primeira metade do século XIX foi desenvolvido um termômetro baseado nos trabalhos de Boyle. à pressão de 101 325 Pa.32). Charles. ao invés da Rankine. Para definição completa dos termos veja "Supplementary Information for the ITS-90". o que resultou na adoção de uma escala entre os pontos fixos de fusão (0 °C) e ebulição (100 ° da água.o físico francês Charles mostrou que todos os gases apresentam aumentos de volume iguais correspondentes ao mesmo incremento de temperatura. A conversão entre graus Celsius e Fahrenheit é obtida: o ° = 5/9 x (° . O assim chamado termômetro a ar foi logo reconhecido como o instrumento menos vulnerável a variações não controladas ou desconhecidas e foi aceito largamente como padrão de comparação para todos os tipos de termômetros. Na escala Rankine. a relação entre as temperaturas nas escalas Kelvin e Celsius é: t90 / ºC = T90 / K – 273.1780 . nitrogênio e gás carbônico. o zero é o zero absoluto. T: ponto triplo. O princípio de medida era a expansão do ar. A Escala Internacional de Temperatura de 1990 é a mais recente. na qual as fases sólido e líquido estão em equilíbrio) Nos países de língua inglesa. C F 99 . a escala Fahrenheit é a comumente usada no dia-a-dia. As temperaturas intermediárias entre os pontos fixos são obtidas com instrumentos (termômetros) específicos. Os pontos fixos definidos pela ITS 90 são apresentados na Tab. respectivamente. 3. Esta escala de 1990 supera a Escala Prática Internacional de Temperatura de 1968 (IPTS 1968). as escalas Rankine e Fahrenheit são ainda muito usadas. ponto de solidificação (temperatura. V: ponto de pressão de vapor. G: ponto de termômetro de gás. Clapeyron e Regnault. Gay-Lussac. E também a diferença de temperatura de 1oR é igual à diferença de temperatura de 1oF. Séc. da mesma forma que na escala Kelvin.

8058 t90/ ºC Substânciaa Estadob V T V (or G) V (or G) T T T T T M F F F F F F F -270. uma quantidade definida de matéria): “Se dois sistemas A e B estão em equilíbrio térmico. Uma definição de temperatura advém da Lei Zero da Termodinâmica.77 231.15 He to -268. E esta propriedade é chamada de temperatura. 1991) A Lei Zero da Termodinâmica e a Definição de Temperatura O conceito de temperatura é bastante intuitivo. há propriedade comum entre eles.677 933.Pontos Fixos da ITS 90 (Michalski et al. que trata do equilíbrio térmico entre sistemas (na Termodinâmica também chamados de sistemas fechados. esta é a definição termodinâmica de temperatura: a propriedade comum a sistemas térmicos em equilíbrio.01 302. na medida em que está associado a um sentido humano.3584 83.7916 O2 -189. Assim.3 24. É o que se denomina de relação transitiva na matemática: A está relacionado com B.Temperatura Número T90/ K 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 3 to 5 13.7646 429.3156 -38. isto é. e se um terceiro sistema C está em equilíbrio térmico com B.7485 156. então A está relacionado com C.18 1084.3467 e-H 2 ~-256.1 .527 660. Visto que nem sempre é conveniente ou possível estabelecer o equilíbrio térmico entre sistemas para inferir a temperatura. B e C estão em equilíbrio térmico. então A e C estão em equilíbrio térmico”. B está relacionado com C.5939 Ne -218.323 961.85 e-H 2 (or He) e-H 2 (or He) -248. sua definição formal não é simples e está assentada na Termodinâmica.078 692. então há uma relação transitiva entre eles.3442 Ar Hg H2O Ga In Sn Zn Al Ag Au Cu 234.9146 29.5561 54.928 419.473 1234.5985 505.62 Tabela 3.8033 ~17 ~20.15 -259.78 1064.93 1337.16 0. Entretanto. Note que esta é uma observação empírica: se A.8344 273. é necessário estabelecer escalas de temperatura baseadas nas 100 .15 ~-252.33 1357.

67 F Ra K = ° / 1.propriedades de alguns sistemas de referência (ou substâncias).459.conseqüentemente. um sistema de referência pode ser uma quantidade fixa de um gás ideal (perfeito). Por exemplo. Celsius. como vimos anteriormente. A pressão nada mais é que uma medida da força exercida pelo gás sobre as paredes do recipiente que o contém.Escalas Kelvin e Celsius (SI) para Escalas Farenheit e Rankine (Inglês). para um volume fixo de gás.67 Ra F ° = (° . O instrumento que realiza esta medida não é muito prático.8 F ° = ° + 459. A Equação do Gás Perfeito determina que. Assim.15 ° = ° × 1. a pressão aumenta com a temperatura. da energia térmica do sistema. 3. As várias fórmulas de conversão de temperatura entre as escalas Kelvin. um aumento de temperatura implica em um aumento da pressão e.8 + 32 F C K = C° + 273. m o número de moles do gás. p a pressão e v o volume. Rankine e Fahrenheit estão na Tab.2.15 C ° = K × 1.8 + 32 + 459. mas é preciso o suficiente para que outros instrumentos possam ser aferidos e calibrados tendo-o como referência. um instrumento de medida pode ser calibrado a partir dos pontos fixos. Sabe-se que a Lei do Gás Perfeito estabelece uma relação entre pressão.67) / 1. volume e temperatura do gás: pv=mRT sendo T a temperatura. e está associada à energia térmica deste sistema. pode-se definir uma escala de temperatura baseada na relação existente entre a pressão e o volume de um certo gás. Como conseqüência.2 . R a constante do gás. Conversion from Celsius Celsius Celsius Kelvin Kelvin Kelvin Fahrenheit Fahrenheit Fahrenheit Rankine Rankine Rankine To Fahrenheit Kelvin Rankine Celsius Fahrenheit Rankine Celsius Kelvin Rankine Celsius Fahrenheit Kelvin Formula ° = ° × 1.67 F ° = K × 1.32 . Assim.8 Ra ° = (° .459.8 C F K = (° + 459.273.67) / 1.459.8 .8 Ra Tabela 3. 101 .8 C Ra ° = ° .32) / 1.67 Ra C ° = K .

Bingo! O lado direito está mais quente que o esquerdo. Assim. e as moléculas que têm velocidade abaixo da média. vinda do lado esquerdo. que viola a Segunda Lei da Termodinâmica.ca. E depois e depois e depois. reversíveis. à medida que dissipa-se energia de forma irreversível. O Demônio de Maxwell (James C. O gás está a uma certa temperatura e.1 A Segunda Lei da Termodinâmica e a Definição de Temperatura A Segunda Lei da Termodinâmica também pode ser usada para definir a temperatura. estabelecer a relação entre entropia e temperatura. A besta é a criatura que operacionaliza o processo de separação de moléculas em um recipiente. Diz-se que. depois de um longo tempo a besta separou as moléculas que têm velocidade superior à média para o lado direito do recipiente. 102 . Em certo momento a besta de Maxwell se posiciona junto à divisória. Neste ponto em que já se estabeleceu que a temperatura controla o fluxo de calor entre dois sistemas e que sabe-se que o universo tende sempre a aumentar sua desordem (a menos que uma Besta manipule processos inteligentemente). que tem uma porta bem leve. Está criado o moto perpétuo de segunda espécie (isto é. Ela estabelece o conceito de entropia. vai mostrar isso: “qualquer processo implicará ou em nenhuma mudança da entropia do universo ou no aumento da entropia do universo”.slv. e moléculas com velocidade abaixo da média. isto é. de acionamento muito fácil. E a besta.1. uma máquina na qual a energia nunca se dissipa em calor não aproveitável). a mesma quantidade de trabalho. Como todos os processos naturais são irreversíveis. é hora de apresentar o arcabouço teórico da Segunda Lei da Termodinâmica. Considere um recipiente cheio de gás. que resulta da aplicação da 1ª Lei da Termodinâmica a um processo cíclico (não é necessário que o ciclo se repita muitas vezes. Depois repete a operação e gera mais trabalho. é muito grande a probabilidade de que ambas as partições do recipiente tenham a mesma quantidade de moléculas. inicialmente. para o lado esquerdo do recipiente. em poucas palavras. trabalho e temperatura. A entropia. Este recipiente tem uma divisória interna que está. que não é tão besta assim. A Termodinâmica.k12. Processos idealizados. possa passar para o direito. Maxwell) é uma besta imaginária que o cientista criou para contradizer a Segunda Lei da Termodinâmica. Há moléculas com velocidade acima da média. especialmente sua Segunda Lei. Ela é esperta o suficiente para fechar a divisória e só abrí-la quando uma molécula mais rápida. e então sua desordem. Isto é feito partindose da relação existente entre calor. Seja a Besta de Maxwell on-line em http://cougar. pode usar os recipientes como fonte e sorvedouro de calor de uma máquina térmica e gerar trabalho. aumenta-se a entropia do Universo. mede a desordem de um sistema.3. Assim.html. possa passar para o esquerdo.slvhs.us/~pboomer/physicslectures/maxwell. o que sempre resulta é o aumento da desordem do universo. mantêm a entropia do universo constante. E também quando uma molécula mais lenta. aberta há um longo tempo. conseqüentemente. no lado direito. basta que o processo possa retornar uma vez ao seu estado inicial) e da definição da eficiência de Carnot. há uma certa velocidade média das moléculas que está correlacionada com ela.

e T2 e T3. (Qf )12 (Qq)12 η 23 = 1 − (Q f )23 (Q q )23 (Q f )23 (Q f )12 = f (T 1 . Qf Qq = f (T q . A eficiência desta máquina operando entre os reservatórios T1 e T3 será η13 = 1 − (Qf )13 (Qq)13 e das máquinas que operam entre T1 e T2.Uma máquina térmica é um mecanismo que converte calor em energia mecânica. 103 . depende somente da razão Qf/Qq. e f indicando a quantidade de calor transferida para um reservatório frio (se o processo é reversível. (Qq-Qf). isto é. terá a mesma eficiência que uma outra máquina térmica que opera com ciclos conjugados. η12 = 1 − Assim. Assim. seu estado final é igual ao inicial e a variação da energia interna é nula). a eficiência de Carnot. A eficiência de uma máquina térmica reversível que opera segundo o ciclo de Carnot é a diferença (Qq-Qf) dividida pelo calor transferido: η= Qq − Q f Qf W = = 1− Qq Qq Qq onde W é o trabalho realizado. η. o sub-índice q indicando a quantidade de calor transferida de um reservatório quente. T 2) e (Q q )12 (Q q )23 = f (T 2 . Se uma máquina térmica opera em um ciclo reversível. Assim. T f ) . T 3) Multiplicando as duas equações acima. uma máquina Carnot que opera entre dois reservatórios térmicos T1 e T3. um deles entre T1 e T2 e o outro entre T2 e T3. O teorema de Carnot estabelece que todas as máquinas térmicas reversíveis operando entre os mesmos reservatórios térmicos são igualmente eficientes. Por outro lado. esta razão é uma função das temperaturas do reservatório quente e do reservatório frio. o trabalho realizado é a diferença entre o calor transferido para o sistema e o calor rejeitado pelo sistema.

esta conclusão confirma que o arcabouço teórico até então utilizado (a 2ª Lei da Termodinâmica) é robusto para ser a definição de temperatura. o que viola a Primeira Lei da Termodinâmica. η = 1− Qf T = 1− f Qq Tq Observe então que se a temperatura Tf for igual a 0ºK. T 2)f (T 2 . Conseqüentemente. A variação desta função S em um ciclo é nula. que é definida como dS = dQ rev T onde rev representa uma troca de calor em um processo reversível. T 3) = Será sempre possível escolher uma máquina tal que (Qf )12 (Qf )23 (Qf )12 (Qq ) (Qq ) (Qq ) = 12 23 ( ) 23 ( ) 13 Logo. Assim. a eficiência será maior que 100%. requisito válido para qualquer função de estado. a temperatura de 0ºK é a menor temperatura possível. Para qualquer parte do ciclo da máquina térmica ela pode ser generalizada como SB − SA = ∫ B dQ rev A T 104 .(Q f )12 (Q f )23 (Q q)12 (Q q)23 = f (T1. S. a eficiência da máquina térmica que opera em um ciclo reversível será 100%. Continuando. Ela então é chamada de entropia do sistema. a equação acima pode ser escrita também como Qq Qf − =0 Tq Tf Esta relação entre calor e temperatura indica a existência de uma função de estado. as eficiências serão iguais somente se (Q f )13 (Q f )12 (Q f )23 (Qq)13 (Qq )12 (Qq )23 = Qf T f = Qq T q Na equação da eficiência. g (T1) g (T 2 ) g (T1) Q f 13 = = g (T 2 ) g (T 3) g (T 3) Q q = f (T1. T 2)f (T 2 . T 3) (Qf)23 = (Qq)12. Isto é. Se a temperatura for menor que 0ºK. se a razão dos calores trocados é substituída pela razão das temperaturas.

uma nova definição de entropia de acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica: T= dQ rev dS Para um sistema no qual a entropia pode ser uma função da energia. a recíproca da temperatura é igual à taxa de incremento da entropia com a energia: 1 dS = T dE Representações do ciclo de Carnot e de sua eficiência estão mostradas na Fig.No ciclo reversível. verifica-se a desigualdade de Clausius: dQ rev ∫ T ≤0 A equação pode ser re-arranjada para se obter a temperatura em função da entropia e do calor trocado. ∫ dQ rev T =0 Para qualquer processo real.Representações do ciclo de Carnot e de sua eficiência. ou mais calor rejeitado pelo sistema. a eficiência é menor que a do ciclo de Carnot. Isto pode representar menos calor fornecido ao sistema. isto é. Figura 3. Em ambos os casos.2. 105 .2 . 3. ela se torna o teorema de Clausius.

Esta condição é então denominada de temperatura negativa. Em temperaturas bem mais elevadas. a temperatura negativa não é mais fria que o zero absoluto. por exemplo. Por exemplo. se a temperatura aumenta.2. O calor é armazenado pelo sistema em diferentes modos. é mais quente que a temperatura infinita. Quando a temperatura se torna infinita.3. Desde que não é possível que átomos se desloquem com velocidade inferior (porque já estão parados). A constante de proporcionalidade é chamada de capacidade térmica. e então elevam a capacidade térmica do sistema. o número de partículas no estado mais baixo de energia se iguala ao número de partículas que estão no estado mais elevado. à medida que a temperatura diminui. 0 K é a menor temperatura possível. isto é. eletrônico e nuclear. mais estados quânticos são acessíveis pelo sistema. para um gás monoatômico em baixa temperatura o único modo é o movimento translacional dos átomos. À medida que a temperatura aumenta. mesmo a 0 K). enquanto que para umas poucas moléculas comuns estas transições são importantes mesmo à temperatura ambiente. > 108 K. Na maioria das substâncias estas transições não são importantes em temperaturas inferiores a 104 K. as transições nucleares acontecem. quando calor é adicionado a um sistema. Assim. Transições eletrônicas ocorrem em temperaturas mais elevadas. 3. acessíveis mesmo em baixas temperaturas. há ainda. aumentando ainda mais a capacidade térmica de um sistema.1 Temperatura Negativa Vimos que. Ao contrário. em moléculas poliatômicas. Em certas situações (quando somente os estados quânticos nuclear e eletrônico são considerados. 106 . Assim. o que resulta no aumento da sua capacidade térmica. Nos sólidos a maior parcela do calor armazenado corresponde a vibrações atômicas.2 Capacidade Térmica Já se sabe que a temperatura está relacionada com a quantidade de energia térmica de um sistema. o spin nuclear sob a ação de um campo magnético intenso) é até possível criar um sistema em que a maioria das partículas se encontra no estado de energia mais elevado. a Energia do Ponto Zero é uma pequena quantidade de energia residual presente no gás confinado em um volume finito. 0 K é a temperatura na qual todos os átomos estão imóveis. as partículas tendem a se estabelecer em um estado mais baixo de energia (menos estados quânticos são acessíveis). a habilidade do material de estocar calor. toda energia está associada ao movimento dos átomos. Além dos modos translacional. Se energia cinética está relacionada ao movimento dos átomos. (na realidade. a temperatura aumenta proporcionalmente à quantidade de calor adicionado. correspondendo aos vários estados quânticos possíveis. mais partículas se estabelecem em estados mais elevados de energia. modos associados à rotação e à vibração das ligações moleculares.

Um sensor de temperatura muito utilizado em equipamentos eletrônicos é o de resistência. intuitivo para a maioria das pessoas. 4. que opera com a variação do volume de um gás com a temperatura. De acordo com a faixa de temperatura a ser medida suas aplicações são de acordo com a Fig. J. a temperatura de um gás ideal monoatômico está associada ao movimento translacional dos átomos. isto é. e 5.2 Temperatura dos Gases Como mencionado previamente. 1991. John Wiley & Sons). tem uma energia média em torno de (300/11. provocando alteração de comprimento. reproduzida do livro de Michalski et al (Michalski. 3. Temperature Measurement. Esta energia média é independente da massa da partícula.602 10-19 joules. absolutamente. os RTDs (Resistance Temperature Detector). alteração da resistência elétrica. respondendo à variação da temperatura: 1. 3. os termopares. Um elétron-volt é uma quantidade muito pequena de energia. Apesar da energia ser a média de todas as partículas do gás. Outro dispositivo é o termômetro de gás. conseqüentemente. volume ou pressão. K. Outro muito comum é o bimetálico. propriedade esta que varia com a temperatura.. que opera com a expansão diferencial de dois metais mecanicamente acoplados. lteração do potencial elétrico de metais diferentes. que pode ser maior ou menor que a média.3 A Medição da Temperatura Existem muitos métodos de se medir a temperatura. da velocidade das partículas do gás. Neste caso. à sua velocidade média. and McGhee. A Teoria Cinética dos Gases usa a Mecânica Estatística para associar este movimento à energia cinética dos átomos que constituem o sistema. cada partícula tem a sua própria.3. A distribuição da energia das partículas de um gás e. um dos dispositivos (termômetro) mais antigos é o termômetro de vidro. A maioria deles baseia-se na medição de uma propriedade física de um material.3.. 11300ºK corresponde energia cinética média de 1 eletron-volt. mais ou menos 300ºK. muito pouco usado na prática mas importante do ponto de vista teórico. é estabelecida pela distribuição de Boltzmann. os instrumentos de medição operam com diferentes princípios físicos. Eckersdorf. da ordem de 1. Por exemplo. 2. 107 . Dispositivos importantes para medir a temperatura são os termômetros. os termistores. alteração da intensidade de carga elétrica em um fotodiodo.2. os pirômetros óticos e os pirômetros eletrônicos com CCDs (Charged Coupled Device). que se baseia na expansão do mercúrio ou outro líquido com a temperatura. L.2. o que não é. Assim.0273 eV. expansão da substância. O ar à temperatura ambiente.300) = 0. alteração da potência radiante. que opera com a variação da resistividade elétrica de um metal com a temperatura. 3.

J. Eckersdorf.. L. e o valor da constante de proporcionalidade Kt depende da temperatura escolhida. Robert Boyle em 1662 e Edmé Mariotte em 1676. de forma independente.3.3 . nitrogênio. de acordo com a temperatura (Michalski. A assim chamada lei de Boyle-Mariotte pode ser escrita (pv)t=Kt onde p é a pressão absoluta. 1991. é essencialmente invariável. John Wiley & Sons). o índice “t” indica que mudanças de estado devem se dar somente em condições de temperatura constante. Charles. hidrogênio. K. observaram que. dióxido de carbono e ar) expandiam-se da mesma 108 . and McGhee.3 Termômetros de Expansão 3.1 Termômetro de gás ideal O termômetro de gás ideal opera de acordo com uma série de leis cujo desenvolvimento histórico é apresentado a seguir. em 1787. v é o volume. em uma faixa limitada de pressões. e Gay-Lussac. à temperatura constante. descobriram que volumes idênticos de gases reais (tais como oxigênio..Aplicação dos instrumentos de medição de temperatura. em 1802.Figura 3. 3. o produto da pressão e volume de uma massa fixa de gás. Temperature Measurement.

o comportamento de um gás ideal. por simplicidade. sua expansão volumétrica com a temperatura. obteve uma série de temperaturas de referência que constituíram um padrão prático de termometria. conseqüentemente. é escrita como  1   pv = R  t − t o +   αo   onde T = t . Regnault verificou que as diferenças entre as leituras de termômetros utilizando diferentes gases reais eram desprezíveis. aquecido à pressão atmosférica do ponto de fusão do gelo ao ponto de ebulição da água. O coeficiente cúbico de expansão isobárica. a sua escala de temperatura não era verdadeiramente universal. era aproximadamente 1/273 por grau Celsius. isto é. Entretanto. em 1834. que o valor médio de α op para um gás real qualquer. A assim chamada lei de Charles-Gay-Lussac é escrita 1  v − vo    = α op vo  t − t o  p   onde o índice “p” significa que mudanças de estado devem ocorrer à pressão constante e o índice “o” indica um estado de referência (normalmente o ponto de fusão do gelo). Clapeyron foi o primeiro a combinar. ou seja. é um princípio físico adequado (apesar de pouco prático. que se raciocinasse em termos de uma substância idealizada que satisfizesse exatamente as leis de BoyleMariotte e de Charles-Gay-Lussac e. a temperatura absoluta do gás perfeito. em 1845. contrariamente à especificação do padrão) para a medição da temperatura: pv = mRT 109 . as leis de Boyle-Mariotte e Charles-GayLussac para obter a equação de estado de um gás  1 pv = R p  t − t o +  α op      onde a constante de proporcionalidade Rp pode ser avaliada no estado de referência como R p = p o v o α op Regnault descobriu. Regnault propôs então. A equação de estado do gás perfeito. a lei de Clapeyron. α op .to + 1 αo seria a temperatura desta substância imaginária. Assim. é função da pressão e do estado de referência.quantidade para um determinado aumento de temperatura sob condições de pressão constante. concebida por Regnault. sendo as leituras obtidas por Regnault dependentes da utilização de uma substância termométrica submetida a uma pressão definida (para o termômetro a gás de expansão) e de um procedimento experimental rigoroso.

onde R= ℜ e p é a pressão.4. 3. e a pressão (pref) é novamente medida.Termômetro de expansão a gás da IWZ (http://www. 1984. McGraw Hill) A uma dada temperatura T é feita uma medida da pressão do aparato. sensor de pressão VOLUME V Figura 3. ℜ = 8314. Tref . Experimental Methods for Engineers.4 .at) 110 .5 J / kmol K). R é a constante do gás (R= M ℜ /M. sendo a constante universal dos gases. V é o volume.iwz. Um termômetro de gás tem uma configuração simples. o volume é exposto a uma temperatura de referência. Na seqüência. m é o número de moles.Configuração de um termômetro a gás ideal. M é o peso molecular do gás e T é a temperatura. (Holman. como mostra a Fig. A lei dos gases ideais estabelece que a temperatura T é obtida de  p   T = Tref   p ref    volconst Figura 3.5 .

Esta flexão aciona um dispositivo indicador da temperatura. Os materiais mais empregados na construção dos bimetálicos são o invar. 111 . entre 15 e 40 segundos. circular ou linear. (http://home. O par de hastes metálicas pode ter a configuração helicoidal. quase sempre.3. soldadas.6. (a) (b) Figura 3. o inconel e o inox 316. Um par de hastes metálicas de materiais distintos (o chamado bimetálico). A temperatura T está relacionada à expansão linear L pela relação L1 = Lo (1 + γ (T1 − To )) onde γ é o coeficiente de expansão linear do metal (a equação pode ainda conter termos de segunda ordem. como mostra a Fig.2 Termômetro bimetálico O termômetro bimetálico opera de acordo com o princípio de expansão linear de metais. com uma incerteza típica (menor divisão) de 1% do fundo de escala. 3.com/therm2. Os indicadores de temperatura de cafeteiras de bares são.howstuffworks.3. o monel. São instrumentos baratos e de baixa manutenção. Têm tempo de resposta elevado.htm) O termômetro bimetálico é aplicável de -50oC a +500oC.6 – (a) Hastes metálicas de termômetro bimetálico (b) Flexão de termômetro bimetálico de hastes lineares. ou superiores). (T1 − To )2 . dilatam-se diferencialmente causando a flexão do conjunto. termômetros bimetálicos.

É mecanicamente robusto. dado o elevado tempo de resposta. etc). de acordo com V1 = Vo (1 + α (T1 − To )) onde V1 é o volume final. Tem baixo custo. (T1- 112 . e superiores). A leitura é fácil. fluidos orgânicos variados e mercúrio) com a temperatura. adequado p/ instalações industriais. Desvantagens: • • • Não é adaptável para leituras remotas. Operam a partir da variação volumétrica de um líquido (álcool.3. 3. T0)2. V0 é o volume inicial. É simples de usar. Vantagens: • • • • • • • • Disponíveis com muitas faixas de medição e incertezas variadas.Termômetro bimetálico de haste com sensor helicoidal. Tem ajuste de zero por parafuso no visor. As hastes podem ter grande tamanho e alcançam pontos de difícil acesso. α é o coeficiente de expansão volumétrica e (T1-T0) é a variação de temperatura (a equação completa pode ainda conter termos de segunda ordem. O tamanho do bulbo e haste podem ser limitantes em determinadas aplicações. Não necessita de energia auxiliar (baterias. Não é recomendável para leituras transientes.Figura 3.3 Termômetro de bulbo O termômetro de bulbo é um dos dispositivos mais comuns neste grupo de termômetros de expansão para a medição de temperatura de líquidos e gases.7 . minimizando erros.

tem maior (δυ/δt). (b) Termômetros de bulbo de álcool. isto é.8 °C). . Álcool e mercúrio são os líquidos termométricos mais comumente utilizados. . do líquido termométrico utilizado e da faixa de temperaturas desejada para o termômetro.Câmara de expansão . por unidade de variação de temperatura.tubo de vidro capilar no interior do qual o líquido termométrico avança ou se retrai em função de variações na temperatura. . volumetricamente. O álcool apresenta a vantagem de ter um coeficiente de expansão volumétrica mais elevado do que o mercúrio. Sua aplicação está limitada.Escala . O mercúrio.com/ (b) http://www. expande mais.São constituídos pelas seguintes partes: .indica a profundidade a que um termômetro de imersão parcial deve ser imergido para a realização correta das leituras (observar que o termômetro de imersão total não possui uma linha de imersão). 113 .Linha de imersão . o comprimento do tubo capilar depende do tamanho do bulbo sensor de temperatura. isto é.rejuvenation. a uma faixa de medidas inferior.reservatório na extremidade inferior do termômetro que acomoda a maior parte do líquido termométrico. não pode ser utilizado abaixo do seu ponto de fusão (-37. por outro lado.reservatório no topo do tubo capilar usado para prevenir pressões excessivas em termômetros preenchidos com gases ou para acomodar o líquido termométrico caso a faixa de temperatura do termômetro seja acidentalmente excedida.omega. porém. devido ao seu baixo ponto de ebulição.Bulbo sensor de temperatura .Haste .8 – (a) Termômetros de bulbo de mercúrio. .com/fixbshow2966/templates/ Em um termômetro de bulbo.valores de temperatura marcados no tubo capilar. (a) http://www. Figura 3.

T representará a temperatura média da porção emersa durante a calibração e t esta mesma temperatura quando da utilização do termômetro. Caso não seja possível imergir adequadamente um termômetro de imersão total. As equações acima também podem ser usadas para este fim. os termômetros são normalmente calibrados para uma profundidade de imersão determinada. para termômetros a álcool.t). maior o erro na medida. as leituras devem ser corrigidas pelas seguintes fórmulas: Por esta razão. Esta diferença. é possível obterem-se incertezas da ordem de ±0.termômetros calibrados pelo fabricante de acordo com padrões estabelecidos pelo NIST e que vêm acompanhados dos dados de calibração. para termômetros de mercúrio. e n ≡ número de graus da porção emersa do termômetro até a temperatura T. NIST Traceable with Data . deve-se aplicar uma correção à leitura. A precisão de um termômetro de bulbo típico é de aproximadamente ±1 divisão da escala. Entretanto. sendo estes termômetros então utilizados para a calibração de outros medidores de temperatura.00016 °C n (T .001 °C n (T . por exemplo. Imersão Parcial . 2. t ≡ temperatura média da porção emersa do termômetro indicada por um termômetro auxiliar. Neste caso. termômetros: 1. Os termômetros de bulbo para trabalhos de precisão importados daquele país podem ser especificados para que tenham uma das seguintes denominações: NIST Calibrated .05 °C.Para a realização correta das medidas somente cerca de 12 mm da coluna de líquido termométrico devem ficar emersos para a leitura.termômetros calibrados pelo próprio NIST. o que pode afetar a movimentação do líquido termométrico. podese adquiri-lo calibrado. 114 .t). para aplicação em medição de precisão. havendo dois tipos de Correção = 0. mas também do calor trocado por condução entre o bulbo e a haste. O National Institute of Standards and Technology dos USA (NIST). A porção emergente fica exposta ao ar. Quanto maior esta troca por condução. Os termômetros de imersão parcial são inerentemente menos exatos do que os termômetros de imersão total. onde T ≡ temperatura do banho (temperatura indicada pelo termômetro). Quando se adquire um termômetro de bulbo.É importante frisar que a expansão registrada pelo termômetro é a diferença entre a expansão do líquido e a expansão do vidro.O termômetro deve ser imergido até a linha de imersão para a realização correta das leituras. Imersão Total . e Correção = 0. Se a porção emersa do termômetro estiver a uma temperatura diferente daquela a que estava submetida quando da calibração do mesmo. por sua vez. é função não somente do calor trocado entre o banho e o bulbo. é uma das agências do governo americano que estabelece padrões de medida e oferece serviços de calibração.

α. e sim um RTD. Atualmente o termômetro mais preciso utilizado para medidas referenciais não é mais um termômetro de mercúrio. 3. Evidentemente.1 Termômetros de resistência elétrica.00099 Tabela 3. o que permite determinar a temperatura T. Os valores de referência. Os coeficientes de temperatura linear da resistência dos principais materiais utilizados nos RTDs estão na tabela que segue: material Níquel tugstênio Cobre Platina mercúrio α (ºC-1) 0. RTD Também chamados de RTDs (Resistance Temperature Detector) estes sensores de termômetros de resistência são elementos que apresentam variação direta da resistência com a temperatura. porém não acompanhados dos dados de calibração. Ro e To. 3.3 .termômetros calibrados pelo fabricante de acordo com padrões estabelecidos pelo NIST.4 Termômetros de Resistência São chamados de termômetros de resistência aqueles em que os sensores de temperatura são resistências elétricas. Estas resistências elétricas variam com a temperatura do meio onde estão inseridas e um circuito elétrico (eletrônico) registra esta variação.0043 0. adquirindo-se um termômetro ou conjunto de termômetros e levando-os para certificação no INMETRO ou em um dos laboratórios associados da rede de certificação nacional.4. por um circuito eletrônico (atualmente). especificam os sensores. e R e T são a resistência e a temperatura atual do sensor. por exemplo PT100 é um sensor de platina (pt) que tem resistência Ro =100 Ω à temperatura To = 0 ºC. A resistência R é obtida por medição em tempo real.0067 0.00392 0. A resposta de um RTD é indicada pelo coeficiente de temperatura linear da resistência. o mesmo pode ser obtido aqui no país. dado em ºC-1 por α= R − R0 R0 (T − T0 ) onde Ro e To são a resistência e a temperatura de referência.0048 0.NIST Traceable . 1985) 115 .Coeficientes de temperatura α para RTDs (Parr. como o IPT de São Paulo. Os diversos tipos de sensores utilizados são apresentados a seguir.

dT dT Embora o sensor de platina não seja o de maior sensibilidade. relações polinomiais devem ser utilizadas. são usados elementos resistivos protegidos por encapsulamentos planos que podem ser presos por presilhas. Para a medida de temperatura em fluidos não-corrosivos. 3. é o mais empregado em função de seu comportamento R x T linear. A sensibilidade de um RTD é S= dR d (Ro (1 + α (T − To ))) = = αR0 .) sendo a e b constantes. o sensor é encapsulado em um bulbo de aço inoxidável (well-type element).9 . Observe que a expressão para o coeficiente de temperatura dado acima somente pode ser empregado quando a resistência do material varia linearmente com a temperatura.com) É chamado de intervalo fundamental de referência aquele compreendido entre 0 ºC e 100 ºC. do tipo R = Ro (1 + aT + bT 2 + . 3. A Fig. o elemento resistivo é exposto diretamente ao fluido a fim de se obter uma resposta mais rápida (open wire element). Para medidas em fluidos corrosivos. dependendo da aplicação.10 ilustra o comportamento da resistência dos materiais freqüentemente usados na construção dos sensores de RTDs.4 extraída de material técnico da Rototherm (UK).Sensores RTDs fabricados pela OMEGA (http://www. Em casos mais gerais. 116 ..omega. soldados ou colados à superfície. que serve de comparação para os diversos tipos de sensores.Figura 3. Para a medida de temperaturas superficiais de sólidos. Vários métodos são usados na fabricação de sensores de RTDs.. A tolerância típica dos RTDs PT100 está listada na Tab.

uk.rototherm.4 .Variação da resistência com a temperatura para vários materiais de RTDs (do livro do Parr.Tolerância de RTDs de platina Pt 100.Figura 3.com/. 1985) Tabela 3. de catálogo da Rototherm (UK). de acordo com as normas IEC751 e BS1904.10 . http://www. 117 .

deve-se garantir que a resistência esteja livre de tensões mecânicas e do contato com a umidade. http://www. Figura 3. Esta técnica assegura a proteção do sensor de platina.11 .omega. sendo então possíveis medidas com precisão de ±0.Qualquer que seja o método de fabricação do RTD.Sensores de RTDs da Precom-USA. Técnicas de eliminação da tensão diminuem o problema.com (a) (b) (c) Figura 3. (c) Sensores RTDs de conexão rápida.12 .com) 118 .precomusa. (http://www.Sensores de RTDs: (a) sensores variados e alguns conectores. sendo o conjunto posteriormente selado com vidro fundido. Uma técnica de construção usada é enrolarse o fio de platina em uma bobina de material cerâmico. mas o torna sujeito a tensões mecânicas durante operação em faixas amplas de temperatura. (b) sensor e cabeçote para aplicação industrial.1°C.

Uma outra técnica de construção de sensores consiste em depositar-se uma camada metálica sobre um substrato de material cerâmico. contudo. A montagem mais empregada no meio industrial é a de "três fios" (Fig. Paulo Schneider.br 119 .geste. que estes sensores oferecem as vantagens de resposta térmica mais rápida devido à menor massa e erros por condução menores. denominada de “montagem a dois fios". UFRGS. 3. de resistência igual aos outros dois. UFRGS.Montagem a três fios. 3. R1 RTD G R2 Rv Figura 3. R1 RTD G R2 Rv Figura 3. O filme metálico é então erodido e selado de modo a formar o elemento sensor resistivo. Figura da apostila de termometria.ufrgs. muito embora elas nem sempre sejam usadas em instrumentos modernos. O emprego de pontes ilustra os tipos usuais de ligações de RTDs.ufrgs. onde a inclusão de um terceiro fio. Um primeiro tipo de montagem é o da Fig. com circuitos eletrônicos. Figura da apostila de termometria. elimina a influência da resistência adicional. www.13.14). Esta técnica é menos onerosa do que aquela descrita acima. porém o sensor obtido não possui a mesma precisão. Paulo Schneider.13 . do Prof. do Prof. de acordo com a precisão desejada.14 .br Essa opção tem como desvantagem a influência da resistência do fio empregado na extensão do RTD.Montagem a dois fios. A medição da resistência de um RTD é realizada com diferentes circuitos elétricos (pontes). Deve-se ressaltar.geste. que faz aumentar a resistência do sensor. www. e que soma a mesma resistência à tríade (resistência variável) Rv.

aplicada quando é desejável manter a resposta original R x T do material do sensor. www.15 . 3. 120 . para efeito de medição de precisão e respectiva aferição. a montagem mais sofisticada é aquela a "quatro fios".geste.Montagem a quatro fios.ufrgs. Figura da apostila de termometria. Neste caso. pode-se contornar a situação usando uma ligação a “quatro fios” Callendar (Fig. do Prof. R1 RTD G R2 Rv Figura 3. o que usualmente altera a resistência do RTD.br Finalmente. a corrente pelo elemento resistivo será basicamente aquela fornecida pela fonte e a queda de voltagem no sensor e a sua resistência podem ser medidos com precisão. do Prof. a corrente nos cabos de conexão do multímetro será desprezível e. o erro devido à resistência destes cabos. Assim. UFRGS.15).br A técnica de medida de resistência a “quatro fios” é muito utilizada em módulos digitais e em sistemas de aquisição de dados.geste. consequentemente. Deste modo. aumentando-se o comprimento do fio de ligação do sensor do RTD à resistência variável Rv. alguns mA) conjuntamente com um voltímetro de alta impedância (200 MΩ tipicamente). Paulo Schneider. Paulo Schneider. Figura da apostila de termometria. UFRGS.ufrgs. www.Montagem a 4 fios tipo Callendar. R1 RTD G R2 Rv Figura 3. uma fonte de corrente de precisão é utilizada (normalmente. Quando isso não é desejável.A montagem a 3 fios implica na conexão ou soldagem de outro fio ao sensor RTD.16 .

semicondutores passivos). diminuem a resistência com o aumento da temperatura. Valores típicos desta resistência estão na faixa de 300 ohms a 40 Mohms. Também é possível utilizar semicondutores com coeficiente de temperatura positivo (os PTCs. Figura 3.3. O material dos termistores é um semicondutor que.Comportamento R x T de um termistor A resposta não-linear do termistor é exponencial. thermal sensitive resistor. no intervalo fundamental (0ºC a 100ºC). que pode ser processado com mais simplicidade (menor custo) pelos circuitos elétricos e eletrônicos de medição. um termistor é um NTC (negative temperature coefficient device).4. definem um termistor. como mostra a figura seguinte.2 Termômetros de termistores Os sensores dos RTDs têm uma variação linear e crescente da resistência em relação à temperatura.17 . em oposição ao NTCs. Assim. além da resistência a 25ºC. pode apresentar variação da resistividade de 10 k-ohm a 0 ºC até 200 ohm a 100 ºC. Por isso. têm um comportamento bastante não-linear e oposto. mas fornecem um sinal mais intenso que os RTDs. dada aproximadamente por  B   R = Ae  T  onde A e B são constantes. um termistor é um dispositivo eletrônico que apresenta grande variação de resistência com a temperatura de seu corpo. por outro lado. de Negative Temperature Coefficient) mas eles 121 . Curvas como esta. Os termistores (thermistor.

um sensor termistor revestido com epóxi. e 10 segundos em ar parado. Corrente bem baixa deve ser aplicada em um termistor 122 .omega. Características importantes quando sensores elétricos são considerados para uso são sua potência de dissipação e voltagem e/ou corrente requeridas. e 2 miliWatt/0C em ar parado.5 mm. revestido com epóxi.não apresentam a mesma variação contínua da resistência com a temperatura. expressa em Watts. e que tenha um diâmetro externo aproximado de 2.5 mm de diâmetro externo. como por exemplo em proteções de motores elétricos. a potência de dissipação é a potência térmica. é o tempo requerido para que atinja 63. Por exemplo.75 segundos em água parada. assim como de qualquer outro termômetro. A constante térmica é diretamente afetada pela massa do termômetro. são empregados na construção de dispositivos de alarmes de temperatura.tw) A constante térmica de um termistor. Por definição.aicl. (http://www.com. Figura 3. Por exemplo. Não obstante. a potência de dissipação de um termistor de 2. assim como por seu acoplamento térmico com o ambiente. é em torno de 13 miliWatt/0C em um banho de óleo óleo estacionário.Sensores termistores (a) padrão e (b) de filme.19 .18 .com) (a) (b) Figura 3.Termômetro de termistor (http://www. terá uma constante térmica de 0.2% da temperatura de imersão. necessária para aumentar a temperatura do sensor em 1 0C acima da temperatura do ambiente.

Como apresentado anteriormente. T ≡ [o K ]. com 2.                R= sendo χ = (a-1/T)/c e ψ= b/c.0. 3. A temperatura T. a forma da equação é: 1/ 3 1/ 3  1/ 2 1/ 2    χ  χ 2 χ 3    χ  χ 2 χ3         e  − 2 +  4 + 27   +  − 2 −  4 + 27    .utilizado em medição de temperatura. para que ele dissipe potências próximas de 0 Watt. b e c podem ser obtidas. em graus Kelvin (0K).5 mm de diâmetro externo. Quando as duas extremidades conectadas são submetidas a temperaturas diferentes. em termos da resistência R.01 0C quando – 40ºC<T1<150ºC.5 Termopares Um termopar é formado por dois condutores elétricos diferente. é a que melhor representa a resposta de NTCs.1 0C a potência de dissipação deve ser menor que 0. em ohms. Isto é. para termistores específicos. a corrente deve ser inferior a 100 miliAmpère.html. se a potência de dissipação típica em ar é 2 miliWatt/0C. Um termistor de referência. trabalha com potências máximas entre 30 miliWatts a 25 0C. em sítios dos fabricantes. e 1 miliWatt a 100 0C. 123 . Ou então. Este é o conhecido efeito Seebeck. é dada. para que ele não afete o ambiente sendo medido. p/ R ≡ [ohm ] T Para resolver para a resistência em função da temperatura. (T1-T2) for menor ou igual a 50ºC e (T2-T3) for menor ou igual a 50ºC e ainda T1.atpsensor. T2 e T3 forem igualmente espaçados. por 1 3 = a + b(LnR ) + c (LnR ) . A equação polinomial de Steinhart-Hart. revestido com epóxi ou fenol.html?=steinhart_main. Por exemplo veja em: http://www. por exemplo. Os condutores são conectados nas duas extremidades formando um circuito elétrico.com/ntc/steinhart/steinhart.2 miliWatt. As constantes a. para que o erro térmico (auto-erro) seja inferior a 0. que o descobriu em 1821. com a solução simultânea das três equações: 1/T1=a+bLnR1)+cLnR1)3 1/T2=a+b(LnR2)+c(LnR2)3 1/T3=a+b(LnR3)+c(LnR3)3 Os valores calculados com esta equação têm incerteza menor que +/. de forma genérica. uma força eletromotriz é gerada. obtida empiricamente.

observar-se-á o estabelecimento de uma corrente e uma extremidade conectada absorverá calor. Segundo Lord Kelvin. quando uma corrente o atravessar haverá rejeição ou absorção de calor.instserv. é o denominado efeito Peltier. www. e ISE. Assim.com. de acordo com Peltier. descobertos posteriormente por Peltier e por Lord Kelvin. Assim. & Q T = fem * I = ± ∫ σdT * I T1 onde T2 σ é o coeficiente de Thomson (Volt/K). enquanto que a outra dissipará calor. a potência térmica de cada extremidade é & Q P = fem * I = (πA − πB)T * I sendo ( π A - π B)T a diferença entre os coeficientes (fem) de Peltier (Volt) dos dois metais A e B à temperatura T e I é a corrente resultante. www.com) O efeito Seebeck resulta da superposição de dois outros efeitos.Fios metálicos distintos conectados para formar um termopar (de sites da Omega. Se o mesmo circuito formado pelos dois metais distintos for alimentado por uma fem.omega. a fem de Seebeck ( a fem gerada por um termopar) é a soma das fem parciais para cada extremidade conectada (Peltier) e cada condutor (Thomson): femSeebeck = (π A − π B) T1 − (π A − πB) T 2 + ∫ (σ A − σ B)dT T1 [ ] T2 = Peltier + 124 .20 . que é função do material do condutor.Figura 3. Lord Kelvin observou que se um mesmo condutor for submetido a um gradiente de temperatura. respectivamente em 1834 e 1851.

70 0C no lado quente do TEC e 38 0C no ar ambiente do gabinete). materiais semi-condutores são utilizados na construção do dispositivo. em conjunto com um cooler padrão. em grandes matrizes em associação em série. que dissipa em torno de 60 W de pico.21 . e manter a CPU a 54 0C. Assim. Para reduzir a corrente necessária.32 0C entre o dissipador e o ambiente dentro do gabinete do computador: as temperaturas seriam então 54 0C na CPU. por exemplo.5 V de ddp.0 cm x 4.2 MHz. Dependendo da aplicação.Observe que o efeito de Peltier pode ser usado com o propósito de refrigeração. a extremidade conectada.Cooler de CPU com módulo de refrigeração Peltier No termopar. De fato. O conjunto TEC+cooler vai dissipar. como o telureto de bismuto. é a junção fria. para evitar condensação interna.0 cm x 3. colocada na temperatura que se deseja medir. Bi2Te3. enquanto que a extremidade colocada em uma temperatura de referência (usualmente 0 ºC). é a denominada “junção quente”. a máxima temperatura obtida com um circuito de refrigeração que usa o efeito de Peltier é ( ε é a condutividade elétrica dos condutores e dois condutores. maior é a potência térmica do dispositivo Peltier. tipo P com excesso de lacunas e tipo N com excesso de elétrons. Estes valores se aplicam a um Tellurex Zmáx da Thermaltake. para uma corrente de 7 ampères e 13. para simplicidade): κ sua condutividade térmica.5 mm pode ser usado. mais ou menos ( ∆ T de 16 0C no dispositivo Peltier e +/. mistura-se blocos de semi-condutores de diferentes dopagem. dissipador aletado e ventilador axial. a força eletromotriz fem do termopar pode ser obtida a partir do conhecimento da propriedade termoelétrica dos dois metais conectados e da 125 . Assim. 1 ε Figura 3. para refrigerar uma CPU Athlon de 2. consideradas iguais para os 2 ∆T máx = 8 (π A − π B) κ Note que quanto maior a condutividade elétrica do material e menor a condutividade térmica. tradicional fabricante de coolers para CPUs. Um pequeno dispositivo TEC Peltier de 4. o arranjo é selado e preenchido com resina. alguma coisa em torno de 94 W. no total.

Para se medir a fem gerada utiliza-se um milivoltímetro no arranjo mostrado na figura abaixo.com/techref/thermoref. Figura 3.23 . ou uma junção fria eletrônica. por exemplo. utilizada. A Fig.omega.22 . da ordem de milivolts. é função da propriedade termoelétrica dos dois metais e da diferença de temperatura entre as junções quente e fria (referência). em laboratórios científicos. A fem gerada. por exemplo. conectando o termopar.temperatura da junção quente.omega.22 mostra tal esquema. a junção fria deve ser mantida à temperatura constante. ou fios de compensação ou extensão. http://www. (Do site da Omega Engineering.html) Para medir com exatidão a temperatura. diretamente ao condicionador de sinal que amplia a 126 . pode-se prescindir da junção fria. por praticidade. um banho de gelo picado fundente colocado em uma garrafa térmica.com/techref/thermoref. Esta é a forma mais exata de se medir uma temperatura com termopar.Ligação de termopar com junção fria em banho de gelo (Do site da Omega Engineering. http://www.Ligação de termopar com junção fria em TRC (Thermolectric Refrigeration Junction) e compensação por circuito elétrico. Figura 3. 3.html) Em aplicações de campo.

www. A especificação da fem gerada. de acordo com catálogo da Rototherm. 3. Nestes casos. Nas Figs. T.co. J. tipos E.Especificação de norma da força eletromotriz de termopares variados. e os códigos de cor. a faixa de aplicação. O circuito eletrônico pode gerar entradas modificadoras indesejadas e ruídos.Magnitude de força eletromotriz (milivoltagem) de termopares variados. e sua tolerância.25 e na Tab. K e R. o condicionador/indicador de temperatura incorpora um circuito eletrônico que gera a compensação de junta fria. de acordo com a norma inglesa BS4937.6 estão os pares termo-elétricos definidos pela norma americana ASTM. J. N. com a polaridade de cada metal. S e B). (Catálogo da Rototherm (UK). que eventualmente podem ser negligenciadas em medições menos exatas de campo.uk) Figura 3. e sua respectiva tolerância aparecem na tabela seguinte. referente à norma britânica (BS). Tabela 3. para os pares termoelétricos codificados por letras (K.24 .rototherm.5 . 3. 127 . R.milivoltagem e a mostra em um painel digital.

25 . www.com) Quando usamos um circuito termoelétrico para a medida de temperatura. Inc. (Catálogo da ISE. www. pelo efeito Peltier. calor será absorvido na junção quente (que se tornará assim mais fria que o meio circundante) 128 .Códigos de cor de termopares da norma americana ASTM. Entretanto. polaridade dos metais e faixa de aplicação recomendada. haverá circulação de corrente e. ao utilizarmos um milivoltímetro para a medida (como é normalmente feito).Termopares da norma americana ASTM. (Catálogo da ISE. estamos na verdade interessados na temperatura dos corpos em contato com as junções.instserv. Inc.com) Figura 3.6 .instserv.Tabela 3.

Assim. deduzidas a partir de abordagens termodinâmicas dos efeitos Peltier e Thomson. em http://www. o circuito incorpora estas equações para o par termoelétrico utilizado. Eles serão desprezíveis quando a leitura for realizada com milivoltímetro com circuito amplificador de alta impedância (1 a 1000 MΩ). fios de termopar para trabalhos de precisão seguirão estas mesmas curvas dentro de ± 0. Embora haja equações (Doebelin. é necessário aferir o conjunto termopar + condicionador/amplificador em toda faixa de temperaturas em que serão usados. Assim. as hipóteses feitas na dedução destas equações não são inteiramente satisfeitas na prática. n 129 . não deixe de consultar o excelente manual da Omega sobre o tema. Por outro lado. A força eletromotriz gerada será a mesma em todos os casos. As tabelas da NIST são encontradas para visualização e download em: http://srdata. “leis termoelétricas”. Isto significa que a medida de temperatura por sensores termoelétricos é baseada inteiramente em calibrações empíricas e na aplicação das assim chamadas fem = ∑ C i T i i=0 onde T é a temperatura em graus Celsius. para um dado termopar estas características dependerão da pureza dos materiais à mão e da maneira específica como a milivoltagem foi medida em função da temperatura. Entretanto. Emergencialmente pode-se simplesmente enrolar as duas extremidades.com/temperature/Z/pdf/z021-032. porém.gov/its90/main/its90_main_page. quando se usa um condicionador/indicador de temperatura eletrônico para termopar. ao se utilizar fios de termopar comerciais ou faz-se uma calibração própria ou confia-se no controle de qualidade do fabricante para limitar desvios entre as características do seu termopar e aqueles das tabelas. 1985) para se calcular a voltagem total E gerada pelo termopar. Deve-se notar ainda que as junções de um termopar devem ser formadas por fusão das duas extremidades dos fios.html . como o NIST americano (National Institute of Standards and Technology). se houver circulação de corrente. em especial as dicas práticas de montagens. resultará um erro que será proporcional à magnitude da corrente.pdf . Tabelas de força eletromotriz de termopares são publicadas por diversas instituições normativas. Se desejamos fazer leituras muito precisas. Um termopar cujos materiais possuem grau de pureza comercial seguirá as curvas de calibração do NBS dentro de não menos que ± 1 ° C. Portanto.e liberado na junção fria (que se tornará mais quente que o meio circundante).nist.omega. por soldagem com descarga elétrica em atmosfera inerte.5 °C. O grau do polinômio é sugerido nas tabelas do NIST. esta poderá variar de um caso a outro já que a resistência de contado elétrico das junções variará segundo o método de fabricação. fem é a força eletromotriz relativa à junção de referência a 0 °C e as constantes Ci dependem do material do termopar. A força eletromotriz de um termopar é normalmente dada por uma equação polinomial. Para maiores informações sobre aplicações de termopares.

ufrgs. A força eletromotriz gerada por um termopar com as junções às temperaturas T1 e T2 não é de maneira alguma afetada por quaisquer outras temperaturas ao longo dos fios condutores desde que estes sejam homogêneos. Se um terceiro metal homogêneo C for inserido. Paulo Schneider. então a força eletromotriz gerada pelo termopar AB será EAB=EAC+ECB. A T1 fem=EAC T2 A C C = T2 T1 fem=EAB=EAC+EC B T2 B T1 fem=EC B B 130 . a temperatura de C em qualquer ponto distante das novas junções AC e BC é irrelevante desde que estas estejam à mesma temperatura”. C T1 T3 T2 T1 T3 C T2 T1 Figura 3. Neste caso. (Figura da apostila de termometria.26).br) 4. a força eletromotriz do termopar continuará a mesma desde que a temperatura das duas novas junções seja a mesma. Se o metal C for inserido entre A e B. a temperatura de C em qualquer ponto distante das novas junções AC e BC é irrelevante desde que estas estejam à mesma temperatura (Fig. Se a força eletromotriz gerada por um termopar AC for EAC e aquela do termopar CB for ECB.26 – “Se o metal C for inserido entre A e B. para AC e BC ambas a T1 a força eletromotriz gerada é a mesma em ambos os circuitos. 3. Esta lei é conhecida como lei dos metais intermediários. 3. www.geste. UFRGS.As “leis termoelétricas” podem ser formuladas como segue abaixo: 1. 2. do Prof.

da quarta lei concluímos que não é necessário calibrar todas as possíveis combinações de termopares. do Prof.Figura 3. Uma medida da 131 .br) Estas leis empíricas são de grande importância na utilização prática de termopares. Qualquer outra combinação pode então ser calculada a partir das calibrações básicas. da terceira lei também concluímos que as junções de um termopar podem ser soldadas. então a força eletromotriz gerada pelo termopar AB será EAB=EAC+ECB”. devemos primeiramente observar que a utilização de um termopar • • • para se medir uma temperatura desconhecida requer que a temperatura de uma das junções (chamada junção de referência) seja conhecida por uma medição independente.geste. do Prof. Esta lei é conhecida como lei das temperaturas intermediárias. das segunda e terceira leis concluímos que é possível inserir um multímetro em um circuito termoelétrico a fim de se medir a força eletromotriz E sem alterar o seu valor. Com relação à quinta lei. Cada metal pode ser combinado individualmente com um padrão (normalmente platina) e calibrado. A A T1 fem=E1 T2 fem=E2 T3 B B A = T3 T1 fem=E3 = E 1 + E2 B Figura 3.br) 5.27 – “Se a força eletromotriz gerada por um termopar AC for EAC e aquela do termopar CB for ECB. UFRGS. Paulo Schneider.28 .ufrgs. (Figura da apostila de termometria. (Figura da apostila de termometria. Se um termopar produz a força eletromotriz E1 quando as suas junções estiverem a T1 e T2. sem se afetar as leituras. e E2 quando as junções estiverem a T2 e T3. Delas podemos tirar as seguintes conclusões: • da primeira lei concluímos que não é necessário conhecer ou controlar a temperatura entre as duas junções de um termopar para se obter uma medida correta. Paulo Schneider. www. www.ufrgs. o que introduzirá um terceiro metal. UFRGS.Lei das temperaturas intermediárias ou sucessivas.geste. então ele produzirá a força eletromotriz E3 = E1 + E2 quando as junções estiverem a T1 e T3.

Montagem de termopares como termopilha. Faça T1 = 0°C T2 = temperatura da junção de referência. o aumento da sensibilidade evita a utilização de um instrumento mais caro. esta termopilha será sensível a 0.força eletromotriz do termopar permitirá então se conhecer a temperatura da outra junção (junção de medida) de tabelas de calibração. sendo que para n termopares obtém-se uma voltagem de saída n vezes maior do que aquela de um único termopar. 132 . medidas com resolução bem grande podem ser obtidas! A termopilha é também útil para se medir pequenas diferenças de temperatura entre as duas junções tendo-se apenas um voltímetro para a medida da voltagem. enquanto que todas as junções de referência estarão a uma mesma temperatura T2. Uniforme Multímetro Figura 3. Meça fem2 com um instrumento adequado e faça a soma fem3 = fem1 + fem2 4. Todavia. Como uma ponte de Wheatstone pode ter uma resolução de 1 µV. uma termopilha cromelconstantan com 25 termopares produz cerca de 2mV/°C. Obtenha fem1 diretamente das tabelas de calibração 3. TERMOPILHA TEMP. diferente de 0 °C T3 = temperatura a ser medida 2. Este tipo de circuito é chamado termopilha. A título de ilustração. isto é. Uniforme TEMP.0005 °C.29 . o que nem sempre é possível ao se utilizar um termopar. Da tabela de calibração. A quinta lei permite então se obter a temperatura desconhecida da seguinte maneira: 1. termopares idênticos são algumas vezes ligados em série. Para aumentar a sensibilidade de um circuito termoelétrico. obtenha agora a temperatura desconhecida T3 correspondente a fem3. Todas as junções de medida estarão a uma mesma temperatura T1. Neste caso. estas tabelas foram obtidas mantendo-se a junção de referência a 0 °C.

Montagem de termopares em paralelo para medir temperatura média. menor o tempo de resposta. Quando as junções não forem adequadamente feitas. Se o termopar for utilizado fora da sua faixa de aplicação. 2. 3. Apesar da simplicidade. Se os termopares exibirem um comportamento linear na faixa de temperaturas em questão. baixo custo e pronta disponibilidade dos termopares. 4. A resposta em regime transiente de termopares pode ser encontrada na literatura especializada. Neste caso. 1985.Cabe lembrar que em qualquer utilização da termopilha é necessário assegurar que as junções estejam eletricamente isoladas uma das outras. variável Temp. Média Multímetro Figura 3. A combinação em paralelo da Fig. Doebelin. 5. a leitura do termopar será incorreta. 133 . haverá um erro grosseiro de leitura. Se for instalado um tipo de termopar incompatível com o instrumento de medida. o experimentalista deve estar atento a possíveis problemas que podem ocorrer na sua utilização: 1. por exemplo. A resposta transiente de um termopar depende do tamanho da junção: quanto menor a junção. Erros de instalação podem ocorrer. o termopar não seguirá as tabelas padronizadas de calibração voltagem/temperatura. ele se tornará descalibrado gradualmente.30 permite a medida de uma voltagem média. a temperatura correspondente a esta voltagem média é a média das temperaturas.30 . Se a compensação da junção de referência não for feita corretamente. 3. Notar que ambas as junções de referência são mantidas à mesma temperatura. TERMOPARES EM PARALELO = TEMP. MÉDIA TEMP. a temperatura indicada pelo termopar será aquela do ponto onde houver o curto-circuito.

Tipos e utilização de revestimentos de termopares são apresentados na Fig.7. 3. 3. 3.31 . Figura 3. (Catálogo da Rototherm : http://www.Tipos de junções.Tipos de junções disponíveis comercialmente são apresentados na Fig. e tipos e usos de termopares são apresentados na Tab. 134 .32 e incertezas típicas de medição com termopares comerciais são apresentados na Tab. 3. .8.rototherm.7 – Tipos e usos de Termopares.uk) Tipo Material + Material - E T K J R S V U Chromel Cobre Chromel Aço Platina 13% /Ródio Platina 10% /Ródio Cobre Cobre Constantan Constantan Alumel Constantan Platina Platina Cobre/Níque l Cobre/Níque l ∆V/ºC a 100ºC (µV) 68 46 Faixa (ºC) 0 a 800 -185 a 300 0 a 1100 20 a 700 0 a 1600 observações maior sensibilidade criogenia uso geral atmosferas redutoras altas temperaturas 42 46 8 8 - 0 a 1600 idem cabo de compensação para K e T cabo de compensação para R e S Tabela 3.31.com.

sobre a interferência da transferência de calor na medição da temperatura). Um terceiro tipo de problema acontece quando deseja-se medir a temperatura de um corpo.25% 2% 0. isto é.8 .8 ºC 0. usando sensores de contato externos ao sistema em movimento? 135 .75 % 1. a temperatura era medida quando o elemento sensor atinjia a condição “idealizada” de equilíbrio térmico com o corpo ou sistema que se mede. a temperatura medida nunca é a real (veja discussão e exemplos no final do capítulo.4 ºC 0.Incerteza típica de medição com termopares comerciais.o termômetro interfere com o meio que se mede.2 ºC 0. 3. afetando sua temperatura. como medir a temperatura de corpos sólidos em movimento.Tipos e utilização de revestimentos de termopares tipo K ReS J T faixa (ºC) 0 a 277 277 a 1260 -18 a 540 540 a 1540 -101 a -59 -59 a 93 -101 a -59 -59 a 93 93 a 371 incerteza 2.32 .6 Termômetros de Radiação Todos os métodos de medida de temperatura discutidos até então requeriam que o termômetro estivesse em contato físico com o corpo cuja temperatura se quer medir.Figura 3. e o termômetro não está “embarcado”. Isto significa duas coisas: 1. ou superfície móvel.que o termômetro deve ser capaz de suportar a temperatura envolvida em uma dada medição. Isto é.75% Tabela 3.8 ºC 2% 0. o que efetivemente representa outro problema prático muito grande no caso da medição de temperatura de corpos muito quentes. Além disso. 2.

a banda de comprimento de ondas. Figura 3.Neste caso. a freqüência ν e o comprimento de onda λ.gov Os instrumentos desenvolvidos para se resolver problemas desse tipo. medir temperaturas MUITO elevadas e medir objetos em movimento. não necessariamente no sentido literal. www. antes de discuti-los é conveniente revisar os conceitos básicos de radiação. não?). Porém.nasa. vejas as fotos do gato e do Space Shuttle logo após a entrada na atmosfera. Com relação à natureza deste transporte. ou 136 . ou seja. ao mesmo tempo. De qualquer modo. por sinal. em termos. radiação térmica é a energia emitida por um corpo pelo fato de sua temperatura estar acima do zero absoluto e a ela podem ser atribuídas as propriedades típicas de uma onda.Medição sem interferência Imagens de site da NASA (USA). dispor-se de um método de medida que não requer contato físico (medição sem interferência) é fundamental. à distância. O dito Shuttle. isto é. O espectro.33 . pelo fato destas não se propagarem como conseqüência da temperatura do corpo. tem um belo corpo. A radiação térmica se distingue de outros tipos de radiação. tipo empregam sensores de radiação de uma forma ou de outra. isto é. propagação de ondas eletromagnéticas e. como ondas de rádio e raios-x. esse termômetro poderia ser usado para se fazer uma varredura da distribuição de temperatura do corpo sem contato ou interferência (o corpo. Bom. pode ser tratada como onda. medir sem interferir. aquí. Isto é. as partículas denominadas de fótons. propagação de matéria. já vimos que a Mecânica Quântica prevê que a radiação dual. Radiação é emissão de energia pela matéria e seu transporte não exige a presença de qualquer meio material.

28 x 1014 Hz) e 0.7 microns a 0. (b) O espectro visível e suas cores (a versão sem o indigo. se tivesse o indigo seria ROY G.frequências.4 microns estão as cores extremas vermelha e violeta (Fig. da radiação térmica vai de 0.4 microns (4. 137 .34 – (a) O espectro de radiação emitida pelo Sol.1 µm a 100 µm (3 x 1015 Hz e 3 x 1012 Hz.5 x 1014 Hz) é o espectro visível. 3. 3. desde que a velocidade da luz é uma constante (Fig. BIV) O produto da freqüência com o comprimento de onda é a velocidade da onda.7 microns (7. (a) (b) Figura 3. respectivamente). Entre os limites de comprimento de onda de 0.34). Desta forma relaciona-se a freqüência com o comprimento de onda no espectro. A banda entre 0.35).

10 [µm. O ideal nunca atingido! Mas a gente chega perto.35 – Relação entre freqüência e comprimento da onda.742.phy-astr. a idealização que físicos e engenheiros gostam de fazer. 180º sobre ela) por unidade de comprimento de onda.K] 4 8 4 2 λ ≡ comprimento de onda da radiação [µm] T ≡ temperatura absoluta do corpo [K] A quantidade Eλ.µm] C1 ≡ 3. para uma dada temperatura. Ou seja. emitiria o máximo possível de radiação térmica. Veja detalhes da figura em hyperphysics. Novamente.µm /m ] C2 ≡ 1. A emitância espectral de um corpo negro é dada pela lei de Planck. Este corpo absorveria toda a radiação nele incidente e. T ) = C1 λ5 [exp(C 2 / λT ) − 1] 2 onde Eλ. no comprimento de onda λ. segundo a qual Eλ . b (λ . desses que se pode fazer em casa? Está próximo de um corpo negro.gsu.edu/hbase/ems1.b ≡ emitância espectral (intensidade da radiação hemisférica) [W/m .Figura 3.10 [W. e bem barato: sabe o negro de fumo.b é a radiação emitida por uma superfície plana para o hemisfério (isto é. um corpo negro a uma certa temperatura emite alguma radiação por unidade de comprimento de onda em todos os comprimentos de onda de zero ao infinito. mas não a mesma quantidade de radiação em cada 138 .html#c1 O radiador térmico ideal é chamado de corpo negro.4387. para ter uma referência de comparação.

A radiação emitida varia continuamente com o comprimento de onda. A Fig.ir-impac. 2.Emitância espectral de corpo negro para cinco temperaturas. (http://www. Podem ser observadas algumas características importantes: 1. log x log.36 .com/englisch/Pyrometerhandbook.pdf) Figura 3. a intensidade da radiação emitida aumenta com o aumento da temperatura. em gráfico log-log. 3.36 mostra a emitância espectral do corpo negro.Emitância espectral de corpo negro para quatro temperaturas.37 . para algumas temperaturas inferiores a 6000 ºC. Em qualquer comprimento de onda. 139 . linear.comprimento de onda. Figura 3.

edu/astr162/lect/light/wien.html . Portanto. As curvas exibem picos (intensidades máximas de radiação) em certos comprimentos de onda. Primeiramente o corpo se torna vermelho escuro. Vários tipos de emissividade foram definidos.3. de um corpo real à temperatura T. Eλ. etc. A radiação térmica total emitida pelo corpo negro é dada por (Lei de Stefan-Boltzmann) Eb=σT4 onde Eb ≡ emitância total [W/m ] σ = 5. Experimente um aplicativo JAVA para exemplificar a Lei de Planck em: http://csep10. sempre menor do 140 . hemisférica seletiva.utk. A razão entre as emitâncias real e de corpo negro é o que se denomina de emissividade do corpo real. A emissividade pode ser espectral hemisférica. A área sob cada curva é a emitância total do corpo negro. para uma dada temperatura. o deslocamento do pico da deistibuição da emitância espectral) permite calcular o comprimento de onda correspondente à intensidade de radiação máxima. sendo que estes picos se deslocam para a esquerda (comprimentos de onda menores) à medida que a temperatura aumenta. λmax .html . de modo a que somente a emitância em um comprimento de onda se propague.K4] ≡ constante de Stefan-Boltzmann 2 T ≡ temperatura absoluta [K] As Leis de Wien e Stefan-Boltzmann podem ser visualizadas aqui: http://csep10.edu/astr162/lect/light/planck.669 x 10-8 [W/m2. é possível construir radiadores reais cujo comportamento se aproxima muito do comportamento do corpo negro. em função de interesses específicos.phys. A lei de Wien do deslocamento (isto é. A emissividade espectral hemisférica é dada por ε λ . que aumenta rapidamente com o aumento da temperatura. Embora o corpo negro seja uma idealização física e matemática. Por outro lado. depois laranja e então branco. A definição mais básica é a da emissividade espectral hemisférica. b onde Eλ.utk.K O deslocamento destes pontos de máximo explica a mudança na cor de um corpo ao ser aquecido. os corpos cuja temperatura deseja-se medir no dia-a-dia podem desviar-se substancialmente do comportamento do corpo negro.8 µm.b é a emitância espectral do corpo negro à mesma temperatura. total. 4. Estas fontes de radiação são necessárias para a calibração de medidores de temperatura por radiação. São os chamados filtros ópticos seletivos.phys.T. Admitamos que ela possa ser medida utilizando filtros. a emissividade é uma quantidade adimensional.T = Eλ Eλ . isto é. mesmos comprimento de onda e temperatura. λmaxT= 2897.

numa pequena faixa limitada de λ e T. pode-se definir a emissividade total hemisférica: εT = E Eb onde E é a emitância total (isto é. também não existe o corpo cinzento! No rítmo que os físicos estruturam o mundo real. a energia é matéria. isto é. dêm uma olhada em Cem_a_Filosofia).que 1. na totalidade do espectro.0 para corpos reais. Mas voltemos lá. daquí a pouco a gente vai perceber que. à vida real: as superfícies reais freqüentemente exibem emissividades variáveis ao longo do espectro de comprimentos de onda. 141 . tudo não passará de vã filosofia! E por falar em vã filosofia. Se um corpo tiver então ε λ .T igual a uma constante para qualquer λ a uma dada temperatura. em volta de nós. Porém. Note também que. no caso mais geral. Enfim. Analogamente. pode ter valor semelhante e constante. Como muitos sensores de radiação operam em faixas restritas de comprimentos de onda. Figura 3. mas também é onda. 0 < λ<∞ ou 0 < ν < ∞ ) hemisférica da superfície real à temperatura T e Eb é a emitância total do corpo negro à mesma temperatura. é função de λ e T (eventualmente. mas não é o caso geral).38 . daquí a pouco.Emissividade espectral de superfície: dependência com λ e T. e por aí vão. ε λ . para fins de análise admite-se que a superfície real seja uma superfície cinzenta com uma emissividade igual à emissividade total da superfície. nada existe: o átomo não passa de uma PDF. em volta de nós. define-se a emissividade hemisférica seletiva (hemispherical band emissivity).T = ε T e a superfície é dita cinzenta (físicos não param de idealizar! Já vimos que não é esse o caso geral.

95 0.63 0.11 0.023 0. portanto. da sua temperatura: 142 .T = E λ1 − λ 2 .38 0.Pure. Highly Polished Steel. Polished Cast Iron Gold . Rough.38 0.93 0.032 Emissividade Material Anodize Black Magnesium Oxide White Paint Anodized Aluminum Black Gold Aluminum Aluminum Highly Polished Aluminum Commercial Sheet Aluminum Heavily Oxidized Aluminum Surface Roofing Aluminum Polished Iron.0.020-0.T E b . Lead.066 0.057 Red.90 0.20-0.59 Tabela 3.75 0.91 0.9 .14 0.T Material Stainless Steel Polished Machined 0.95 0.Pure.88 0.039-0. o conhecimento do valor correto da emissividade do corpo não-negro cuja temperatura se quer medir permite o cálculo da sua emitância total e.035 0.Emissividade de superfícies Se um sensor de radiação tiver sido calibrado contra um corpo negro.ε λ1 − λ 2 .82 0.018-0.31 0.216 0. and Soda Porcelain. Rough.λ1− λ 2 .82 Sandblasted Silver . Fused Emissividade 0. no Gross irregularities Fireclay Concrete Tiles Glass Smooth Pyrex.14-0. Glazed Roofing Paper Water 850-3M Mylar-Aluminum Backing 0. Polished Brick 0.60-0.94 0. Polished Quartz.70 0.93 0.92 0.09 0.

Portanto. esta calibração deve ser feita em toda faixa de temperaturas de aplicação do instrumento. Uma vez que a emissividade pode variar com a temperatura. por exemplo por meio de um termopar. Veja tabela de emissividade de superfícies. Quando a radiação térmica incide sobre uma superfície. (http://www. de modo que α+ρ=1 Para uma superfície cinzenta. Os sensores de radiação comerciais normalmente incluem um ajuste para a emissividade com uma faixa de variação de 0. nas páginas anteriores. pode-se corrigir a medida facilmente. erros de medida podem ocorrer.ir-impac.Relação absortividade. ela pode ser absorvida.0. τ. refletida ou transmitida. formato.pdf) Para a maioria dos corpos sólidos τ = 0. pode-se mostrar que α=ε Quando ρ e/ou τ for diferente de zero. etc. a refletividade. ângulo de observação. α. se a emissividade do material for conhecida.com/englisch/Pyrometerhandbook. ρ.T =   εσ  1  E 4 Infelizmente. As propriedades correspondentes a estes fenômenos são a absortividade. relacionadas por α+ρ+τ=1 Figura 3. 143 . A técnica mais confiável para a determinação da emissividade para este fim requer a calibração do sensor de radiação através de medidas independentes da temperatura do corpo. a emissividade de um material não é uma propriedade simples de ser obtida já que depende do tamanho do corpo. Estes fatores levam a incertezas nos valores numéricos da emissividade que são um dos maiores problemas nas medidas de temperatura com sensores de radiação. rugosidade.39 .2 a 1. refletividade e transmissividade. e a transmissividade.

com/englisch/Pyrometerhandbook.pdf) 144 .41 . a atenuação da radiação é devida principalmente à absorção pelo vapor d’água. não é possível calibrar o sensor para uso em aplicações diversas.Emissividade espectral de corpos negros. uma vez que as perdas radiantes dependem diretamente do caminho óptico atravessado.40 . um sensor de radiação pode ser projetado para operar dentro de faixas de comprimento de onda não afetadas.Janelas atmosféricas e transmissão do ar. (http://www.ir-impac.Figura 3. No ar atmosférico. corpos cinzentos e corpos reais (qualitativo). dióxido de carbono e ozônio bem como pelo espalhamento causado por partículas de poeira e gotículas d’água. Entretanto.pdf) Uma outra fonte de erro nas medidas são as perdas de energia ao se transmitir a radiação do objeto ao detector.com/englisch/Pyrometerhandbook. Figura 3. o que o tornará insensível a estas entradas modificadoras. o caminho óptico consiste de algum gás (normalmente ar) e vários tipos de lentes. Como estes efeitos dependem do comprimento de onda. (http://www.ir-impac. Geralmente.

a intensidade da radiação (“brilho”) varia com a temperatura conforme vimos. Isto é.5 microns (calcule a frequência correspondente. Um filtro vermelho. Estas técnicas podem ser divididas em dois grupos: (1) pirometria óptica. não há erro na medida já que o filamento foi calibrado contra um corpo negro de temperatura conhecida. na representação das leis de Plank e Wyen. o que reduz a incerteza. para corpos não-negros deve-se conhecer ε a fim de se corrigir a leitura. Os erros causados pela imprecisão em ε não são muito grandes para um pirômetro óptico relativamente a outros “termômetros de radiação” pelo fato deste instrumento ser sensível a apenas uma faixa estreita de comprimentos de onda. Esta calibração é feita comparando-se visualmente o brilho da radiação de um corpo negro de temperatura conhecida com o bulbo do filamento. deve-se ressaltar que se o objeto alvo for um corpo negro (ε = 1).65 µm. Seja primeiramente a medida da temperatura por meio da pirometria óptica. para um dado comprimento de onda λ. O filtro monocromático auxilia ainda o operador a comparar os brilhos do filamento e do objeto já que elimina os efeitos de cor. condição em que a temperatura do filamento é comparada à do objeto. baseia-se no princípio de que. uma vez que o pirômetro 145 . O mesmo ocorre com comprimentos de onda de 6 microns e 6. que deixa passar somente comprimentos de onda em uma faixa muito estreita em torno de 0. O observador ajusta então a corrente na lâmpada até que imagem do filamento desapareça sobre a imagem do objeto alvo. conhecendo-se a corrente através dela. podemos agora estudar técnicas específicas de medida da temperatura de um corpo pela medida da radiação por ele emitida.6 x 10 13 Hz). que as temperaturas correspondentes estão entre +/. a temperatura do filamento pode ser determinada facilmente. sendo usado na elaboração da Escala Prática Internacional de Temperaturas para medidas acima de 1063 °C. Tendo estudado os fundamentos da radiação. Entretanto. Trata-se do “termômetro de radiação” mais preciso. A função deste filtro de absorção é reduzir a intensidade da radiação incidente de modo que a lâmpada possa ser operada a baixas potências. que é muito estável. (2) determinação da emitância. Finalmente. Assim. A figura a seguir mostra esquematicamente o pirômetro óptico de filamento. Esta lâmpada de tungstênio.5 microns (6. entrando no aplicativo Java que ilustra o espectro eletromagnético). é necessário conhecer a emissividade do corpo apenas nesta faixa de comprimentos de onda.45% na sua temperatura. correspondendo a 4.400 ºC e 500 ºC (use os aplicativos para determinar as temperaturas). que é a forma clássica deste tipo de instrumento.Note que bem no meio do espectro infravermelho. A título de ilustração. Observe também. é calibrada previamente de modo que. para um objeto a 1000 K um erro de 10% em ε resultará em um erro de somente 0. é colocado entre o olho do observador e as imagens do filamento e do objeto alvo. como é também chamado. a imagem do objeto alvo é superposta sobre aquela do filamento de tungstênio aquecido. Neste ponto. há uma acentuada redução da transmitância atmosférica. Sensores projetados para operar nesse comprimento de onda têm que levar isso em conta. O pirômetro óptico ou termômetro de brilho de radiação monocromática.

Pirômetro ótico de fio.42 . Figura 3. Figura 3. da Spectrodyne.com/DFP2000/ 146 .óptico utiliza o método do cancelamento para a medida da temperatura. http://www.43 .Pirômetro de fio.spectrodyne. ele não é adequado para trabalhos envolvendo monitoramento contínuo ou controle do meio medido.

05 . o pixel. em um arranjo quadrado.9 ± 0. Em todos eles. T = 4 0. que somam 5 Megapixels. George Smith e Willard Boyle. 147 . inventaram o CCD no Bell Labs em 1969. o erro na temperatura devido ao Erro = T − Tb T = 1 − b = 1 − ε1 / 4 T T δT 1 δε = T 4 ε e a incerteza na temperatura como conseqüência somente da incerteza na emissividade é Observamos então que o efeito da incerteza na emissividade é mais pronunciado para baixos valores de ε.02 mm. 1 0. O CCD é um dispositivo foto-eletrônico feito de silício.200. A temperatura aparente de corpo negro do objeto medido é calculada fazendo-se ε = 1. por exemplo. ativado pela luz. Estes detectores podem ser classificados como detectores de fótons (um CCD. por exemplo. tão usado hoje em dia em câmeras digitais) ou térmicos. Portanto.05 δT Para ε = 0.05 δT Para ε = 0. Portanto.05 . tem 5 Mpixels.0625 1 0. Charged Coupled Device.O segundo grupo de técnicas de medida envolve a determinação da radiação total emitida pelo corpo (e então chama-se de método de determinação da emitância) e o cálculo da sua temperatura.200 x 2.2 = 0.9 = 0.0139 Há vários métodos para se medir a radiação térmica emitida por um corpo.2 ± 0. Por exemplo. é necessário mais uma vez conhecer a emissividade do objeto. Um CCD de uma câmera fotográfica atual. como a Sony P-92. isto é   Tb =  E b   σ  fato do objeto real ser não-negro é 1/ 4 Se esta temperatura aparente for tomada como valor medido. Cada pixel pode ter em torno de 0. o CCD desta câmera é uma matriz de elementos óticos individuais. ~ 2. Assim. constituído de inúmeros elementos sensíveis à luz. a radiação emitida é focada sobre algum tipo de detector de radiação que produz um sinal elétrico. T = 4 0. Ele armazena uma carga eletrônica através da absorção de radiação. o CCD é um dispositivo eletrônico de memória.

Por outro lado.44 . Isto é.com/ O nome CCD deriva do método de extrair a carga armazenada em cada pixel: esta é transferida (coupling) de um pixel para outro pelo colapso controlado e respectivo crescimento de poços de potencial.Figura 3. devem ser fabricados e aplicados para aplicações específicas. na superfície do CCD. Este fenômeno ocorre em uma escala de tempo atômica ou molecular. Em suma. bem finos. os detectores de fótons têm uma sensibilidade variável com o comprimento de onda.Anatomia de um CCD.about. Como conseqüência. Figura 3. http://inventors.Pirômetro digital. O poço é formado dentro do cristal de slicone pelo campo elétrico gerado por voltagem aplicada a eletrodos metálicos semi-transparentes. a radiação incidente (fótons) libera elétrons na estrutura do detector e produz um efeito elétrico mensurável. é possível obter tempos de resposta muito mais curtos. 148 . contrariamente à escala de tempo macroscópica envolvida nos fenômenos de aquecimento e resfriamento de detectores térmicos.45 .

os bolômetros. como os pireliômetros (radiação solar direta). entre outros. Esta esquenta até atingir o equilíbrio térmico 149 . medindo a intensidade da radiação solar incidente. uma termopilha. A fina fita metálica é colocada em uma cúpula de vidro. permitindo desempenho satisfatório em regime transiente. a capacidade térmica é mínima. Pelo fato de serem muito finas.47 – (a) Pireliômetro. isto é. enegrecidas a fim de absorver o máximo da radiação incidente. selada na parte inferior. Imagine um pireliômetro. Aí temos os detectores térmicos. (b) Piranômetro http://www. tempo de resposta rápido. A radiação solar incidente atravessa o vidro (é transmitida) e é absorvida pela fita preta enegrecida. por exemplo. direta mais difusa). A determinação da emitância pode ocorrer também através do efeito direto de aquecimento de uma superfície.46 . os pirgeômetros (radiação infravermelha). (a) (b) Figura 3.com/ Os detectores térmicos são fitas metálicas muito finas. Sob a fita metálica colocamse vários termopares ligados em série.eppleylab. hemisférica.Pirômetro de fibra ótica.Figura 3. os piranômetros (radiação total.

Evidentemente. Termopares são muito usados na medição local da temperatura quando sistemas de aquisição de dados são empregados. Por exemplo. e assim seguem as entradas interferentes). não são regras gerais.6. A temperatura atingida pelo sensor não é função somente da radiação absorvida. além de termopilhas. pois o desenvolvimento tecnológico via de regra as supera. também termoresistor ou RTD. Estes consistem de uma tira metálica fina.1 Aplicação dos Termômetros Os vários termômetros são utilizados em diferentes aplicações. e afeta a caraterística radiativa do céu para a fita metálica. que varia instante a instante. e por radiação para a cúpula hemisférica de vidro. Vantagens Temômetro de Mercúrio Desvantagens barato durável preciso facilmente calibrável maior temperatura de ebulição que o álcool leitura difícil não trabalha a temperaturas inferiors a -39ºC (ponto de congelamento do Hg) não pode ser usado em registro automático de dados resposta lenta. A temperatura de equilíbrio do sensor é medida. Estas. o pireliômetro está sob a ação de vento. condução e radiação) = 0). em outro momento as influências são diferentes. A radiação térmica também pode ser medida por detectores térmicos chamados bolômetros (bolometers). por exemplo. Termômetros bimetálicos são usados em radiosondas. a radiação emitida pelo sol está sempre variando. grande constante de tempo frágil 150 . como a de Wheatstone) apropriado. platina por exemplo. Radiômetros são utilizados quando se deseja fazer uma medição à distância. etc. A temperatura da tira é indicada pela variação de sua resistência.(energia absorvida – (energia dissipada por convecção. Assim também como a energia dissipada (por exemplo. que é medida por um circuito (em ponte. que está emitindo para ele. e também a absorção da radiação emitida pelo pireliômetro (a cúpula de vidro). entretanto. mas também das perdas por convecção para o ambiente e por condução para o suporte do sensor. também enegrecida para absorver o máximo da radiação incidente. que um certo momento tem certas nuvens influênciando a radiação emitida na direção do pireliômetro. ou uma nuvem se aproxima da posição do sol. A Tab. isto é. etc. que por sua vez emite para o céu. os termômetros de mercúrio ainda hoje são usados em estações de medição de clima. 3.10 mostra algumas vantagens e desvantagens de termômetros. etc. 3.

etc) permite leituras remotas muito caro características da superfície emissora tem que ser conhecido medição afetada pela absorção/emissão do material entre objeto e radiômetro Tabela 3.vantagens e desvantagens de termômetros.10 . ligas. resposta rápida caso seja construído co fios de pequeno diâmetro Radiômetro ancillary equipment is expensive difícil de calibrar (especificação menos rigorosa do material do par.o mercúrio é substância venenosa Manômetro de álcool (em comparação com termômetro de Hg) Ponto de congelamento inferior (-114 ºC) maior coeficiente de expansão menos perigoso menos durável (o alcool evapora) O álcool pode polimerizar Menor ponto de ebulição (60 ºC) Termômetro bimetálico barato durável Pode ser usado para registro automático calibra-se facilmente Requer calibração frequente para manter precisão constante de tempo elevada RTD o display é de fácil leitura constante de tempo reduzida Preciso em uma faixa ampla de temperaturas apresenta drift com o passar dos anos caro Termopar o display é de fácil leitura durável pode ler temperaturas locais de pontos tão próximos quanto 5 mm. 151 .

que em sua forma unidimensional pode ser escrita 152 . podemos até perguntar: Quando um termômetro de mercúrio é imerso em um líquido quente. aproximadamente 1 W / (m ºC).3. Nesta seção são discutidos métodos para se corrigir o efeito da transferência de calor sobre a leitura dos termômetros. Em alguns casos. inicialmente o nível abaixa para depois subir. a expansão térmica e a condutividade térmica dos materiais que o compõe. os três modos devem ser levados em consideração ao se analisar um problema de medida de temperatura. convecção e radiação.7 Efeito da Transferência de Calor nas Medidas de Temperatura Todas as medidas de temperatura envolvem um processo de transferência de calor. O vidro tem condutividade térmica baixa. Em um extremo estão os metais puros. A condução de calor é descrita pela lei de Fourier. Deve-se observar que estes erros são classificados como erros sistemáticos. nestes casos onde o sensor impõe alteração na temperatura do meio. se o sensor retirar ou adicionar quantidade substancial de calor do/para o meio. No outro extremo estão os materiais isolantes: a difusão de calor se dá basicamente pela propagação de ondas vibratórias. Em geral. o que faz com que o aumento do volume do vidro reflita no abaixamento da coluna de mercúrio. Porquê? A resposta é simples: duas propriedades físicas afetam a leitura do termômetro à medida que ele entra em equilíbrio térmico com o sistema que está sendo medido. Nesse sentido. A condução ou difusão de calor está relacionada à (1) atividade atômica e (2) molecular em um meio estacionário (sólido ou fluido). afeta a medida que se deseja realizar. Um processo de transferência de calor ocorre sempre como o resultado de um ou mais dos três modos de transferência: condução. ele se aquece inicialmente e se expande. excelentes condutores de calor: o transporte de energia se dá primordialmente pela migração de elétrons livres. o mercúrio não se expande inicialmente. Assim. Ela pode ser vista como a transferência de energia de partículas mais energéticas para partículas menos energéticas de uma substância através da interação entre estas partículas. Por causa do baixo coeficiente de condutividade do vidro. Quando um termômetro é exposto a um ambiente qualquer. O coeficiente de expansão do mercúrio é 10 vezes superior ao do vidro. assim como pequeno coeficiente de expansão. a temperatura do sensor pode ser substancialmente diferente da temperatura que se quer medir (temperatura do meio medido). Esta interação pode se dar pela (1) migração de elétrons livres e/ou pela (2) propagação de ondas vibratórias pela rede estrutural do material. a sua temperatura de equilíbrio (valor obtido) depende da troca térmica total entre o ambiente e o sensor. Quando o calor flui para o vidro.

mesmo um valor aproximado é bastante útil no cálculo de correções a serem feitas nas medidas de temperatura. calor será conduzido do ou para o elemento sensor. é necessário usar correlações empíricas para o cálculo deste parâmetro.q x = −k A onde dT dx ou q dT q " = x =−k x A dx k ≡ condutividade térmica do material [W/m. Na maior parte das vezes.K] A ≡ área normal ao gradiente de temperatura através da qual ocorre a condução [m ] qx ≡ taxa de transferência de calor na direção do gradiente de temperatura decrescente [W] 2 q " ≡ fluxo de calor na direção do gradiente de temperatura decrescente [W/m2] x dT ≡ gradiente de temperatura [K/m] dx Se existir um gradiente de temperatura ao longo de um termômetro. o fluxo líquido de calor é obtido de 2 h ≡ coeficiente de transferência de calor por convecção. admitindo-se uma situação mais simples de condução unidimensional. h. Havendo troca de calor por radiação entre duas superfícies (por exemplo. ou coeficiente de película [W/m K ] 2 4 q1− 2 = σ FG Fε T14 − T2 ( ) onde FG é um fator geométrico denominado fator de forma e Fε é um fator que descreve as propriedades de radiação das superfícies. A transferência de calor por convecção se dá sempre em um meio fluido e envolve na verdade dois mecanismos distintos: a própria condução de calor associada à atividade atômica ou molecular. Um caso particular desta equação se dá para a troca radiante entre uma pequena superfície e uma grande cavidade que a envolve completamente (quase sempre o caso de um sensor de 153 . Embora incertezas de ± 25% no valor de h sejam bastante comuns. à qual se superpõe o transporte de energia associado ao movimento macroscópico do fluido (advecção). A convecção é o efeito cumulativo destes dois mecanismos e é descrita pela lei de Newton: q = h A (Ts − T∞) onde A ≡ área da superfície trocando calor com o fluido [m ] Ts ≡ temperatura da superfície [K] T∞ ≡ temperatura do fluido longe da superfície [K] A determinação do coeficiente de película. requer uma análise cuidadosa e detalhada das condições do escoamento. a sensor de temperatura e paredes sólidas que confinam o meio envolvente).

48 . Por exemplo.K] ht ≡ coeficiente de transferência de calor por convecção de cada um dos fios do termopar [W/m . um pequeno termopar registrando a temperatura média do ar de uma sala: supõe-se que o ar da sala não influencie a troca radiante.47.K] k ≡ condutividade térmica do material da placa [W/m. Há troca de calor por convecção de ambos os lados da placa. 3. sendo que o termopar está exposto a um destes ambientes convectivos. Os fios do termopar estão recobertos por um material isolante. o balanço de energia é mostrado simplificadamente na figura seguinte. onde a junção de medida de um termopar é instalada na placa plana cuja temperatura se quer medir. Se a temperatura da placa for maior do que a temperatura Tf do fluido do lado do termopar. ( ) Seja a Fig.Termopar medindo temperatura em uma placa aquecida colocada em escoamento: desprezada a troca de calor radiativa Seja: h1. calor será conduzido para fora ao longo do termopar e a temperatura da junção de medida será menor do que a temperatura da placa. Temperatura Tf qh qh Figura 3. Embora simples.temperatura e o meio envolvente). A troca radiante líquida entre a pequena superfície e as paredes da cavidade é dada por: 4 q1− 2 =ε σ A T14 −T2 onde FG = A. h2 ≡ coeficientes de transferência de calor por convecção de cada lado da placa. este modelo permite resolver vários problemas práticos. Velocidade V. Fε = ε e A é a área da pequena superfície. qc Tp Ti qc Corrente de Ar. conforme mostrado.K] 2 δ ≡ espessura da placa [m] Tf ≡ temperatura do fluido envolvendo o termopar [K ou °C] Ti ≡ temperatura indicada pelo termopar [K ou °C] 154 . note que a presença do termopar em um dos lados afeta o processo [W/m2. Desprezando-se a troca radiante entre o termopar e a vizinhança.

K] r ≡ raio do fio ou haver dois fios [m] L ≡ comprimento do fio [m] hs ≡ coeficiente de película entre o sólido e o fluido 2 vezes o raio para o caso de kA ≡ produto equivalente entre a área da seção transversal do fio e a condutividade térmica R= ln( ri / rw ) 1 + 2πri h 2πk i ≡ resistência térmica rw ≡ raio do fio ri ≡ raio externo do isolamento 155 .Tp ≡ temperatura da placa (temperatura em uma posição distante da junção do termopar) [K ou °C] rs = 2rt . sendo assim caracterizado por um plano.27 +1. A correção a ser feita à leitura do termopar é então T p − Ti Tp − T f onde = X − Bi X + F ( Bi ) X=  L  kA / R  tanh   π rk  kAR  [adimensional] h r resistencia `a convecção Bi = s ≡ k resistencia `a condução .5Bi 2 . isto é. a que define a espessura da placa. [adimensional] F ( Bi )=1. kB ≡ condutividades térmicas dos dois materiais do termopar δi ≡ espessura do isolamento do termopar ki ≡ condutividade térmica do isolamento. para Bi < 1 k ≡ condutividade térmica da placa [W/m. No caso da placa ser relativamente pouco espessa. ela pode ser tratada como um meio semiinfinito. onde rt é o raio de cada um dos fios do termopar [m] -1 1  h + h2  2 m=  1  1/ 2 A [m ]  kδ  )r k = 2π (k +k 1/ 2 B 3/ 2  s  1 δi +  ht k i  W     K    kA.08Bi −0.. um meio que se estende para o infinito em todas as direções exceto uma.

Tem-se ainda kA = (80) π W⋅m (1. o próprio processo de medida deve ser revisto.K.5 mm é fixado a um sólido cerâmico com as seguintes propriedades: ρ = 2500 kg/m .08 ⋅ 0. para Bi > 1 os efeitos da convecção são bastante pronunciados e os erros na medida da temperatura são maiores. reduzindo-se assim o gradiente de temperatura.0167 − 0. tanh( ( L / X= kA / R 1.7 kJ/kg. o erro causado pelo efeito aleta do termopar pode ser reduzido fazendo-se este correr em contato com o sólido.5(0.K enquanto que o coeficiente de película entre o sólido cerâmico e o fluido é 20 W/m .414 ⋅ 10 − 4 / 0.K e k = 0. O termopar tem uma condutividade térmica efetiva de 80 W/m.085 πrk s π ⋅ (0. Obviamente o termopar deve estar eletricamente isolado do sólido. Além disso. Exemplo 1: Erro do termopar em um sólido de baixa condutividade térmica Um fio de termopar tendo um diâmetro efetivo de 1.5 ⋅ 10 − 3 ) 2 = 1414 ⋅ 10 − 4 ⋅ .288 Calculamos então 156 .0167) 2 = 1.0167 ks 0. Neste caso. Calcule a temperatura do sólido se a leitura do termopar for 200 °C e a temperatura do fluido for 90 °C. é muito longo e a espessura do isolamento pode ser desprezada no que diz respeito à transferência de calor.9 W/m. Finalmente.ki ≡ condutividade térmica do isolamento h ≡ coeficiente de película entre o isolamento e o fluido Deve-se tanh observar que L muitas vezes é grande o suficiente para se fazer ( L / kAR ) ≈ 1 . c = 0.0 de modo que Como o fio do termopar é muito longo (L → ∞).9 h s r (20) ⋅ (0.75 ⋅ 10 −3 ) Bi = = = 0.K. a porção referente à resistência de condução do isolamento foi desprezada. O coeficiente de película entre o termopar e o fluido circundante é 250 W/m .27 + 1. Solução: A resistência térmica radial entre o termopar e o fluido é 2 2 3 Na expressão acima. 4 K kAR ) → 1. caso este seja um metal.849 = = 6.75 ⋅ 10 − 3 ) ⋅ 0.9 F( Bi) = 1.K.

E g =0 . Isto se deve principalmente ao fato do sólido ser um mal condutor de calor. a temperatura do sólido é Observa-se uma enorme discrepância entre a leitura do termopar e o valor real da temperatura do sólido. Seja agora o problema da medida da temperatura de um gás que escoa em um duto. A temperatura do termômetro é denominada Tt. O balanço de energia no termômetro se torna então • • E af = E ef 157 . na maior parte das vezes. da dissipação Joule em termistores e. Como já foi visto. esta hipótese é perfeitamente válida no caso do efeito Peltier de termopares. isto é.Portanto. Admitimos ainda que a conversão de energia elétrica em calor nos vários tipos de sensores elétricos é desprezível face às fugas térmicas. como é o caso de medidas estáticas. a temperatura do gás Tg e a temperatura da superfície do duto Ts. E ac =0 . em termoresistores. de modo que mesmo para uma pequena taxa de calor conduzida pelos fios do termopar haverá uma grande diferença de temperatura entre a temperatura local do sólido e a temperatura da junção. Pode-se escrever o seguinte balanço de energia para um volume de controle envolvendo o termômetro: • • • • E af + E g − E ef = E ac • onde E af ≡ energia térmica transferida ao volume de controle [W] • E g ≡ energia “gerada” no volume de controle (taxa de conversão de uma outra forma qualquer de energia em calor) [W] • E ef ≡ energia térmica transferida do volume de controle [W] • E ac ≡ acumulação de energia no volume de controle [W] Reconhecemos que para processos em regime permanente.

Logo. Quando a temperatura Tg calculada pela equação acima for significativamente diferente da temperatura Tt indicada pelo termômetro. há ainda a condução de calor ao longo do termopar. o procedimento adotado na prática é proteger o elemento sensor por uma blindagem de radiação. o elemento sensor não pode mais ser considerado muito menor do que a vizinhança que o circunda (a blindagem) e a análise das trocas radiantes se torna bastante mais elaborada. O circuito térmico equivalente a partir do qual obtemos as seguintes expressões para os balanços de energia conduz a: Termômetro ht (T g − Tt ) = εt ( Ebt − J t ) 1− εt Ebt − J t E − Ebc + bs 1 1  1  As  1 −1+    + −1  F  A  ε εs Fse  ts  t  s Blindagem 2hs (Tg − Ts ) = onde Jt é a radiosidade dada por 158 . Para o caso em que Ts < Tg. Para esta nova geometria.No caso do termopar da Fig.Tt4 ) Admitindo-se que o elemento sensor seja muito menor do que o duto.1. Obviamente. qconv = qrad e h A (Tg .Ts4 ) Tg = Tt + εσ (Tt 4 − Ts 4 ) h que é idêntica à obtida anteriormente com relação à interação sensor-meio. Esta blindagem atua refletindo de volta para o sensor a maior parte da radiação térmica por ele emitida.Tt) = σ Fg Fε ( Tg 4 . h A (Tg . 2. vem: • E af = qconv • E ef = qrad + qcond de onde qconv = qrad + qcond Consideremos primeiramente o caso em que as perdas por condução ao longo do elemento sensor são desprezíveis face às perdas por radiação. calor é trocado por radiação entre a junção de medida e as paredes do duto enquanto calor é trocado por convecção entre o fluido e a junção de medida.Tt) = σ A ε ( Tt 4 .

no entanto. a análise acima é bastante simplificada. são definidos da seguinte maneira: Fts ≡ fração da radiação que deixa o termômetro e chega à blindagem Fse ≡ fração da radiação que deixa a superfície externa da blindagem e chega à vizinhança (para a vizinhança admitida muito maior que a blindagem. O balanço de energia para o termômetro se torna apenas h A (Tg . Para o caso em que as trocas convectivas entre o gás e a blindagem puderem ser desprezadas (gases a baixas velocidades) e a blindagem envolver praticamente todo o elemento sensor do termômetro (eliminando as trocas radiantes entre o sensor e a vizinhança). A solução das equações normalmente requer um processo iterativo. Podese.0) Fte ≡ fração da energia que deixa o termômetro e chega à vizinhança A determinação de ht e hs requer a utilização de uma correlação apropriada conforme explicado anteriormente. F.Tt) = σ A ε Fs (Tt 4 .Ts4 ) onde 159 . os parâmetros usados são ht ≡ coeficiente de película entre o gás e o termômetro εt ≡ emissividade do termômetro Ebt = σ Tt4 ≡ emitância de um corpo negro à mesma temperatura que o termômetro hs ≡ coeficiente de película entre o gás e a blindagem εs ≡ emissividade da blindagem Ebe = σTe4 ≡ emitância de um corpo negro à mesma temperatura que a vizinhança Ebs = σTs4 ≡ emitância de um corpo negro à mesma temperatura que a blindagem At ≡ área de troca térmica do termômetro (convecção e radiação) As ≡ área de troca térmica de cada lado da blindagem Os fatores de forma de radiação. antecipar que o erro causado pelas trocas radiantes será tanto menor quanto mais refletora for a blindagem (ε muito pequena). este fator de forma é 1.  εt   At Ebs  Ebt   + Fte Ebe  +  1−ε t   As  1  As + 1 − 1         Fts  At  ε s  Jt =  At   ε  1    Fte + t  + A  1−ε t   1  As  1   s    + −1     Fts  At  ε s  ) Nestas equações.

reconhecemos que qconv = qrad h A (Tg . Observou-se que o termômetro lia 1°C enquanto o sistema de controle indicava -10°C para as paredes da câmara.3 °C Observa-se uma diferença substancial entre o valor indicado e o valor real da temperatura do ar.2634) Tg = 278. melhorando assim a medida da temperatura.Tt) = σ ε (Tt4 . o que indicaria a necessidade de utilização de uma blindagem de radiação.Ts4) h (Tg .Tt) = σ A ε (Tt4 .8 Medidas Térmicas: a Condutividade Térmica 160 .Fs = 1  Aε  2  1+  A  ε −1    s  s  e A ≡ área de troca térmica do termômetro As ≡ área interna da blindagem ε ≡ emissividade do sensor εs ≡ emissividade da blindagem Deve-se observar mais uma vez que a instalação de qualquer blindagem reduzirá as trocas radiantes.3 K = 5. Se o coeficiente de película entre o ar e o termômetro for 10 W/m².9 para o vidro.669x10 ) x (2744 . -8 3. Exemplo 2: Cálculo do erro de radiação Um termômetro de bulbo é colocado no interior de uma câmara frigorífica a fim de se medir a temperatura do ar quando a porta for deixada aberta por longos períodos.9 x (5. 10 x (Tg-274) = 0. estimar a temperatura real do ar. Solução: De um balanço de energia para o termômetro.K e ε = 0.Ts4 ) Substituindo-se os valores numéricos.

Entretanto. Este procedimento minimiza as perdas de calor pelas bordas das amostras e garante a condição de unidimensionalidade do fluxo de calor nas regiões alinhadas com o 161 . um material para o qual se tem a condutividade térmica tabelada não corresponde exatamente àquele que se tem em mãos.ou tridimensional: k= qx ∂T −A ∂x [W/m. Faz-se a circulação de refrigerante igualmente de ambos os lados e termopares são instalados em posições apropriadas para a medida da temperatura. o aquecedor é colocado no centro e uma amostra do material é colocada de cada um dos seus lados. calor pode ser fornecido a uma das faces da amostra por um aquecedor elétrico e removido da outra face por um trocador de calor. Este problema pode ser amenizado pela utilização de aquecedores auxiliares. de uma forma ou de outra. por exemplo.K] Ou seja. Nesta montagem. por: k= q ∆x A (T1 − T2 ) Na montagem experimental. rescrita levando-se em consideração a possibilidade da condução de calor ser bi. é importante para o engenheiro conhecer alguns dos principais métodos de medida desta propriedade já que novos materiais aparecem regularmente e. então a condutividade térmica pode ser calculada. Se medirmos a taxa de calor conduzido. O maior problema com este método de medida ocorre devido às perdas de calor pelas bordas da amostra que tornam a distribuição de temperatura bi. a condutividade térmica de um material representa a taxa de energia conduzida por aquele material por unidade de área normal à direção do gradiente de temperatura e por unidade do gradiente de temperatura. por termopares. até mesmo.1 Condutividade Térmica de Sólidos A condutividade térmica é expressa pela lei de Fourier.3. A temperatura das faces pode ser medida. A utilização da equação unidimensional. Seja uma amostra plana de um material.ou. Os valores da condutividade térmica encontram-se tabelados em livrostextos e manuais técnicos para uma vasta gama de materiais e substâncias. Os aquecedores auxiliares são colocados ao longo de toda a periferia do aquecedor principal e são todos mantidos à mesma temperatura que este último. implicaria em um erro conceitual na medida da condutividade térmica. para este caso de condução unidimensional. aquecedor principal. a sua área e as temperaturas em ambas as faces. a espessura da amostra. muitas vezes. neste caso.8. Os métodos para a determinação experimental da condutividade térmica estão baseadas na equação de Fourier. tridimensional.

Matematicamente. Um arranjo semelhante é usado para a medida da condutividade térmica de gases. Mais uma vez. O diâmetro das placas é 5 cm e a espessura do filme líquidos é aproximadamente 0. Este método tem sido usado para se medir a condutividade térmica de metais em temperaturas de até 600°C. chamada placa aquecida compensada (guarded hot plate).1 mm. Uma barra metálica A com condutividade térmica conhecida é conectada a uma barra metálica B cuja condutividade térmica se deseja medir. 162 . a taxa de transferência de calor pode ser determinada facilmente.635 mm de espessura.Esta montagem. Se for medido o gradiente de temperatura ao longo da barra A. O espaço anular para o gás tem 0. Para sólidos de alta condutividade térmica. 3. sólidos de condutividade térmica baixa ou moderada.  dT   dT  q = −k A A   = −k B A    dx  A  dx  B kB = kA (dT dx) A (dT dx) B As temperaturas podem ser medidas em várias posições da barra B de modo a se determinar a variação da condutividade térmica com a temperatura.2 Medida da Condutividade Térmica de Líquidos e Gases Uma adaptação da placa aquecida compensada é usada para se medir a condutividade térmica de líquidos. a diferença de temperatura entra as duas faces das amostras seria muito pequena e necessitar-se-ia de métodos de medida da temperatura muito mais precisos. isto é. Uma montagem radial pode também ser usada para a determinação da condutividade térmica de líquidos. O filme deve ser o mais delgado possível a fim de se minimizar as correntes de convecção. Termopares são fixados em ambas as barras. Este valor é então usado para se calcular a condutividade térmica do material B.05 cm. é largamente utilizada para se determinar a condutividade térmica de sólidos não-metálicos. Uma fonte e um sumidouro de calor são ligados às extremidades da barra composta e o conjunto é então envolto por material isolante de modo a minimizar as perdas térmicas para o ambiente e garantir a unidimensionalidade do fluxo de calor através das barras. a espessura da camada líquida deve ser pequena o suficiente para se minimizar as correntes de convecção. conforme mostrado. Os cilindros interno e externo são construídos de prata com um comprimento de 127 mm e o diâmetro externo do conjunto é 38.8.

Ao se impor um fluxo de calor sobre o disco. O emissor tem um diâmetro externo de 6 mm e um comprimento de 50 mm enquanto o receptor tem um diâmetro interno de 10 mm. 3. O emissor atua como fonte de calor e os “postos de calor” nas extremidades são aquecedores compensadores auxiliares.15 a 3 MW/m². respectivamente. Um disco fino de constantan é então montado sobre este sumidouro de modo a se obter um bom contato térmico entre ambos ao longo de toda a periferia do disco.35a. criando-se assim uma diferença de temperatura entre o centro e a periferia. comprimento de 125 mm e espessura da parede de 1 mm. Para uma camada fluida anular em sistemas radiais. a face frontal do disco de constantan é recoberta com uma placa de safira isolada termicamente que deixa passar a radiação 163 . no centro do disco e. é possível manter uma diferença de temperatura de 5 a 10°C entre o emissor e o receptor. Quando se desejar utilizar o fluxímetro para a medida de um fluxo radiante. Um fio de cobre muito fino é fixado ao centro do disco enquanto um outro fio de cobre é fixado ao bloco de cobre.9 Medida do Fluxo Térmico Há muitas aplicações onde se deseja uma medida direta do fluxo de calor. uma. calor será absorvido e conduzido radialmente para fora.Uma adaptação desta configuração é usada para a medida da condutividade térmica de gases a altas temperaturas. A perda de calor por radiação pela face posterior do disco para o sumidouro de cobre pode ser levada em consideração facilmente através de uma calibração cuidadosa do dispositivo. Durante os teste. Instala-se na parede onde se deseja medir o fluxo térmico um sumidouro de calor de cobre. em toda a sua periferia. Tem-se assim um termopar cobre-constantan onde as junções estão. r1 ≡ raios externo e interno. Um exemplo é a estimativa das perdas por condução em montagens laboratoriais onde cálculos baseados em modelos analíticos são complexos e requerem parâmetros cujos valores são também incertos. respectivamente. T1 ≡ temperaturas das superfícies em r2 e r1. do espaço anular contendo o fluido T2. A taxa de calor conduzido é medida pela determinação da potência elétrica consumida pelo emissor enquanto termopares instalados nas superfícies do emissor e do receptor são usados para a determinação da diferença de temperatura. Esta diferença de temperatura é proporcional ao fluxo térmico incidente sobre o disco e é facilmente medida pelo termopar. outra. a condutividade térmica é calculada de k= onde q ≡ taxa de calor conduzido q ln( r2 r1 ) 2πL(T1 − T2 ) r2. 4. Podem ser medidos fluxos térmicos na faixa de 0. O fluxímetro Gordon é mostrado esquematicamente na Fig.

Uma termopilha com os metais A e B é fixada sobre uma placa de material isolante muito fina. Finalmente. a diferença de temperatura entre as junções T1-T2 será maximizada. sendo ela isolante.incidente mas impede as perdas por convecção. a condução através dela será unidimensional e. o que pode ser conseguido utilizando-se um disco de cobre e uma conexão central de bismuto-telúrio dopado positivamente. 164 . a medida de fluxos térmicos menores do que aqueles indicados requer uma maior sensibilidade do circuito termoelétrico.63 MW/m² a uma temperatura máxima de 260°C. A fim de se aumentar a sensibilidade do sensor. O fluxo de calor máximo que pode ser medido com este tipo de sensor é de aproximadamente 0. limitada pelo material isolante. Um outro tipo de fluxímetro muito versátil é mostrado a seguir. sendo o conjunto fixado à superfície cujo fluxo de calor deseja-se medir. o número de pares da termopilha pode ser aumentado. Sendo a placa muito fina.

Medidor-separador multifásico (gás+líquido) da Agar 4. Figura 4.1 Conversão de Unidades Conversões de várias unidades de vazão (e seus múltiplos e sub-múltiplos). A vazão é volumétrica (volume na unidade de tempo. 4. de líquidos e gases.4 Medição de Vazão O medidor de vazão é um instrumento capaz de medir a massa (medidor de vazão mássica) ou o volume de um fluido (medidor de vazão volumétrica) que escoa em uma tubulação ou um canal em um determinado intervalo de tempo. O consumo mundial.1. muitas vezes representadas por m ou M). uma incerteza de +/3% (uma figura de cálculo!) nas medições realizadas por medidores podem conduzir créditos ou déficits contábeis de até 90 milhões m3 de líquido e 18 bilhões Nm3 de gás. Assim. usualmente representada por Q) ou mássica (massa na unidade de tempo. entre diferentes sistemas de unidades. atualmente. de vários laboratórios internacionais (rede internacional de laboratórios de medidas e certificação) para aprimorar os medidores de vazão e reduzir as incertezas de medidas.1 . são apresentadas na Tab. 165 . é aproximadamente de 3 bilhões m3 e 600 bilhões Nm3. respectivamente. base anual. Há um esforço.

Condição Normal de Temperatura e Pressão) tem os valores respectivos de pressão e temperatura dados por: ( 1 Bar . isto é. Os valores de pressão mais utilizados como referência são: 1. Standard cubic feet per minute ou Standard pcm. Q*. 0 ºC ). referência 1 Bar. 166 . a vazão equivalente na “Condição Standard”. A condição de referência que é usualmente designada de CNTP (isto é. em Scfm (Standard cfm. 15ºC ou 60ºF (15. Denomina-se de vazão ‘in situ’ aquela correspondente à pressão e temperatura do fluido no local da medição. 60 ºF ). Q.Um medidor registra a vazão volumétrica de 1200 cfm ("cubic feet per minute". 60 ºF. e a padrão. Os valores de temperaturas mais utilizados como referência são: 0ºC. Determine a vazão "Standard". isto é.92 inHg. 1 atm.1 – Conversão de unidades de vazão. A vazão ‘in situ’. dependendo dos valores especificados de pressão e temperatura. A condição de referência que é usualmente designada de Condição Padrão (ou ainda Condição Standard) tem os valores ( 1 Bar .55ºC). estão relacionadas por: Exemplo . ou pé cúbico por minuto) de metano a 5 atmg (atmosfera "gauge".01325 Bar. condição standard ou condição padrão. pé cúbico por minuto) e em Std m3/h (metro cúbico Standard por hora). é comum que a vazão volumétrica seja referenciada a uma certa condição específica de pressão e temperatura. ou 760 mmHg ou ainda 29. a medida de pressão relativa à atmosfera) e à temperatura local de 150 ºC.2 Condição Padrão e Intervalo Em medição de gases ou vapores (isto é.Tabela 4. fluidos altamente compressíveis). isto é. 4. Esta condição é denominada de condição normal.

Figura 4.2 – Esquema de medidores de vazão por obstrução de área Relação funcional dos medidores por obstrução de área (vazão em função da variação pressão): onde Q (a vazão volumétrica.4. 167 . isto é. a vazão mássica) é a vazão e ∆P é a diferença de pressão provocado pelo escoamento do fluido de trabalho através do medidor (variação da energia específica do escoamento entre a entrada e a "garganta". ou m.3 . a seção de área restringida do medidor).3 Medidores por Obstrução de Área Figura 4.Conjunto de medidores de vazão por obstrução de área.

com/contractors/pressure/euromisure/euromisure2.4 .4.power-technology.Variação da energia entre entrada e saída de medidor de vazão por obstrução de área colocado na horizontal (sem variação de energia potencial) 168 . Reversível) Figura 4.4 Vazão Teórica 4.Figura 4.Conjunto de placas de orifício da EuroMisure. (www.5 .html) 4.1 Fluido Incompressível (escoamento idealizado) Aplicação da Equação da Energia (ou Eq. aplicação peculiar) Premissas simplificadoras: • • • • Escoamento Unidimensional Regime Permanente Fluido Incompressível Fluido não-viscoso (esc. de Bernouille.

2 Fluido Compressível (escoamento ainda idealizado) Premissas simplificadoras: • • • O escoamento é unidimensional O regime é permanente O fluido compressível é um gás perfeito 169 .ce.utexas. em diferentes posições axiais: Equação Energia entre as seções (1) e (2). sendo p a pressão estática.Representação da energia específicas em pontos distintos de um venturi (http://www. se o escoamento for vertical ou inclinado. a energia associada à ação do campo gravitacional deve ser considerada): 4.html) Equação da Continuidade entre as seções (1) e (2). Notar que o medidor está colocado na horizontal.4. sendo m a vazão mássica. r a densidade do fluido.edu/prof/KINNAS/319LAB/Applets/Venturi/venturi.6 . V a velocidade média do escoamento e A a área de seção transversal do medidor.Figura 4.

Para compreender a diferença da complexidade do escoamento em 170 . uma aproximação uni-dimensional não é adequada. 4. Cv é o calor específico a volume constante.7 mostra o fator de expansão Y com relação ao parâmetro β. T é a temperatura absoluta e R é a constante dos gases) Equação da continuidade entre as seções (1) e (2): Equação da energia entre as seções (1) e (2): Combinando as equações e as relações termodinâmicas.• O escoamento é isoentrópico (sem atrito e troca de calor) Relações Termodinâmicas: (Cp é o calor específico a pressão constante. devido à contração abrupta. Devem ser consideradas as contrações nas direções axial (a predominante nos bocais e venturis) e também radial. resulta: sendo r = (P2 / P1). O Fator de Expansão. Y Para bocais e venturis vale a relação isoentrópica : A Fig. Para placas de orifício.

7 .venturis e placas de orifício.9.Escoamento em placa de orifício.8 e 4. que são visualizações de escoamentos de fluidos através de um venturi e de uma placa. Rey = 4300 171 .Fator de expansão Y com relação ao parâmetro β. à direita. veja as Figs.4.0 m/s Figura 4.8 .Escoamento em venturi: à esquerda. Figura 4. V= 0. Figura 4.4 m/s. V = 2.9 .

não expressa os efeitos viscosos e/ou turbulentos do escoamento!! A análise dimensional do fenômeno indica que há seis (6) variáveis significativas para a análise do processo. Lembrar que a viscosidade é a razão entre a viscosidade dinâmica e a densidade do fluido: ν =µ/ρ. o resultado do produto da vazão teórica (para um escoamento incompressível) pelo coeficiente de descarga: 172 . nestes casos (placa de orifício): Qual é a relação que existe entre a vazão real que escoa através do medidor e a vazão calculada pelo modelo teórico (no caso de um escoamento incompressível)? O modelo teórico não representa os efeitos de compressibilidade e multi-dimensionais (por ser unidimensional) do escoamento. b é a conhecida razão de diâmetros tubulação/placa e Re é o número de Reynolds do escoamento na placa (referido ao diâmetro da garganta da placa) ( Vd / ν ) ou ( ρ Vd cinemática e / µ ) . consequentemente. Neste caso. onde ν é a viscosidade µé a viscosidade dinâmica. a vazão real é.A correlação abaixo é sugerida para o cálculo de Y. quando um cálculo exato de um processo não é possível de ser feito: multiplica-se o valor que resulta da análise de um processo idealizado por um coeficiente. no caso de um escoamento incompressível. Ademais. Assim. lá da Análise Dimensional?): Na relação funcional acima. teremos três números adimensionais (lembram-se do Teorema dos II de Buckingham. Assim.5 Vazão Real Como então calcular a vazão real? Como sempre fazemos na engenharia. então. Cd. o Coeficiente de Descarga. se : estas 6 variáveis têm 3 dimensões e. Cd é o chamado coeficiente de descarga do medidor. 4.

a vazão real é o produto da vazão teórica com o coeficientes de descarga e o fator de compressibilidade.6 Placa de Orifício: Detalhes Geométricos Figura 4.Orifício Concêntrico. uma escala relativa entre a os efeitos inerciais e viscosos do escoamento): O coeficiente de expansão.Para o caso mais geral de um escoamento compressível. depende também das características geometricas do medidor ( b ) . de características do fluido de trabalho ( k ) e de condições operacionais do medidor ( r = P2 / P1): 4. Re (isto é. que também pode ser determinado experimentalmente.10 . montante e jusante) 173 . são incorporados os efeitos da viscosidade do fluido de trabalho e da compressibilidade do escoamento: O coeficiente de descarga é determinado experimentalmente como uma função de b (a razão dos diâmetros expressa a geometria do medidor) e do número de Reynolds. Tomada de Pressão: Flange ou (1D e 1/2D. Assim.

HEI.1 Coeficiente de Descarga: Placas de Orifício Os valores típicos do coeficiente de descarga para placas de orifício. Figura 4. estão entre 0. utilizase orifícios excêntricos ou segmentados para evitar deposição de material: Figura 4. circularidade.12 – Comportamento de Cd em função do número de Reynolds.11 . ISO. nas condições aconselhadas de aplicação ( Re= ( ρ Vd / µ ) > 10000 ).6 e 0.6. O comportamento do Cd em função do número de Reynolds está ilustrado na Fig.Orifícios excêntricos ou segmentados para evitar deposição de material. 4. Como saber o Cd de uma placa de orifício (ou qualquer outro medidor por obstrução)? São duas possibilidades: 1.7 . 174 . ASHRAE. Neste caso. as quais publicam os valores de Cd. 4.Em tubulações transportando particulado sólido em suspensão (concentração baixa!!). etc. devem ser observados rigorosamente a tolerância de fabricação ( exêntricidade. curvas de Cd com Re. construindo o seu medidor de obstrução de acordo com normas (ASME.12. etc).

2.planicidade. em sua apostila sobre medição de vazão em gás natural. o posicionamento das tomadas de pressão.G. em http://www. a especificação do material selecionado.A. FEM-Unicamp. da Petrobras. Report nº 8) • • • • 175 . etc.Evaluation of Uncertainties ISO/TR 9464 Guidelines for The Use of ISO 5167-1:1991 API – MPMS – Manual of Petroleum Measurement Standards Chapter 14.unicamp.13 – Diagrama do circuito de teste de aferição de medidores de vazão. Bocais e Tubos de Venturi Instalados em Seção Transversal Circular de Condutos Forçados. 2.fem. determinando-o experimentalmente (veja a seguir um esquema de circuito de aferição gravimétrico para ensaio de medidores de vazão de líquido.br/~em712/vazao.Parte 1: Placas de Orifício. menciona as normas a serem seguidas no Brasil (adaptações de normas ASME e outras): NBR ISO 5167-1 Medição de Vazão de Fluidos por Meio de Instrumentos de Pressão -. Compressibility Factors of Natural Gas and Other Related Hydrocarbon Gases (A. rugosidade). Figura 4. SO/TR 5168 Measurement of Fluid Flow -. O Eng. José Pinheiro.doc).

G. Part 3.6. Part 2. Specification and Installation Requirements.**** 176 .3.2 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício de Borda Quadrada (ASME. Development. principalmente nos comprimentos dos trechos retos a montante e a jusante do elemento primário (a ISO requer trechos mais longos). Report n.Chapter 14. sendo que. Part 1. tornar nulo o operando. and Implementation Procedure and Subroutine Documentation for Empirical Flange-Tapped Discharge Coefficient Equation” 4. Square-Edged Orifice Meters (A. na revisão de 1990-92. Report n. Natural Gas Applications. D e d. As variáveis que aparecem na correlação são: ****Atenção: nas expressões acima o diâmetro está em polegadas.3. Se a operação interna aos parênteses for negativa. foi desmembrada em 4 partes: Part 1 – General Equations and Uncertainty Guidelines Part 2 – Specification and Installation Requirements Part 3 – Natural Gas Applications Part 4 – Background.3.A. Reaffirmed May 1996 (ANSI/API 2530) Chapter 14. Pinheiro: “É sabido que as normas AGA e ISO diferem em alguns pontos.º 3) (GPA 8185-90) Chapter 14.A. Afirma o Eng. American Society of Mechanical Engineers) Observe que K é uma função de Re. A norma A.º 3 foi criada em 1924 e vem sendo constantemente revisada.G. Concentric.

Variações típicas de Cd de placa de orifício de borda quadrada. Para minimizar este incômodo. válida para qualquer tipo de tomada de pressão: Nesta correlação L1 e L2 são as distâncias das tomadas de pressão. 1980) As correlações para o cálculo de Cd para as placas de orifício variam conforme a localização dos pontos de medida de pressão. Figura 4. até a face à montante da placa de orifício. à montante e à jusante da placa. Stolz propôs uma relação mais simples. padrão ASME 4.E note que os fatores geométricos A e Ko são constantes para uma dada geometria. respectivamente. D é o diâmetro da tubulação e ReD é o número de Reynolds baseado no diâmetro da tubulação (cuidado. Re referenciado ao escoamento na tubulação à jusante da placa!): A relação de Stoltz é adotada pela norma ISO 5167 para a determinação de Cd em dutos de seção circular.6. Estas correlações também são algebricamente complexas. Também.14 . Estão definidas por norma isso. Ela aplica-se para: 177 .3 Coeficiente de Descarga: Placa de Orifício (norma ISO.

A Fig.Tabela 4.16 mostra a localização das tomadas de pressão para bocais utilizados em tubulações.7 O Bocal ASME Os bocais são elementos tubulares de condução de escoamento. 4.15 – Bocal da ASME Figura 4.2 – Aplicações da relação de Stoltz.16 . 4.Localização das tomadas de pressão para bocais utilizados em tubulações. Figura 4. 178 . constituídos por uma seção convergente (com a curvatura de uma elipse) e outra cilíndrica.

179 . Figura 4.1 Coeficiente de Descarga: Bocal ASME Coeficientes de descarga para bocais de raio longo ASME com tomadas 1D e 1/2D.7. A correlação seguinte pode ser usada.Curvas de Cd para bocais ASME.17 . Cd versus Re tubulação.4.

8 O venturi Herschel Os venturis são elementos tubulares de condução de escoamento. constituídos por uma seção convergente e outra divergente. Figura 4. Cd.18 .Coeficiente de descarga.desde que sejam atendidas as seguintes condições: 4.19 . de venturi Hershel 180 .Dimensões de venturi Hershel Figura 4.

entre outras . a localização das tomadas de pressão e a tolerância de fabricação. alemãs. isso.3%) para orifícios. esta equação tem inconvenientes na sua aplicação. Fornecem os coeficientes de descarga (+/.9 Dimensionamento de Medidores de Vazão por Obstrução de Área O projeto e dimensionamento de um medidor de vazão por obstrução de área deve seguir. como comprimentos livres a montante e à jusante dos elementos. Elas podem ser ASME (Americam Society of Mechanical Engineers). As variável devem ser dimensionalmente homogêneas. além de serem utilizadas como referência nos contratos de compra e venda de fluidos. etc. fonte de erro nos cálculos. Este processo de conversão de unidades é. ou usando aferição secundária com medidores certificados e rastreados. se necessário for. com dimensões próprias para cada uma das variáveis. bocais e venturis por meio de expressões analíticas. japonesas. As normas ainda estabelecem os valores da perda de carga nos elementos e definem os critérios de instalação. Para contornar esta “dificuldade” é usual encontrar-se "fórmulas práticas de cálculo” ou “formas de trabalho" desta equação. preferencialmente. As “Fórmulas Práticas” ou “de Trabalho” Como deduzimos. a vazão mássica real dos medidores de obstrução de área. etc. na maioria das vezes. para um escoamento genérico compressível é obtida de: • • • Apesar de correta.4. As normas técnicas garantem uma repetibilidade e confiabilidade na fabricação. São dados assegurados pelas normas: As características geométricas. a necessidade de inserção de retificadores de escoamento. AGA (Americam Gas Association). Uma tal "fórmula de trabalho"é: e a dimensão de cada variável: 181 . alternativamente pode-se determinar experimentalmente o Cd utilizando processos gravimétricos. uma norma técnica. evidentemente. francesas. bitânicas.

1cP = 0.2 ºC (observe a confusão das unidades.O número de Reynolds da garganta da obstrução (atenção!!). bem típico de nossa situação. concênctrica. é convenientemente expresso em função da vazão mássica: As unidades são: m = (kg/s).2 cmH2O e que a pressão barométrica local é de 1. Na tubulação está instalada uma placa de orifício. de borda quadrada Ar comprimido saturado escoa numa tubulação de 10. a uma pressão manométrica (isto é.02 polegadas de diâmetro interno.s).01 g/cm.78 kgf/cm . calcule a vazão em massa que escoa através da placa. d = (cm) e m = (g/cm. com tomadas de pressão na flange segundo as normas ASME.250 polegadas de diâmetro e que a placa provoca uma queda de pressão pressão de 76. de bordas quadradas. E a viscosidade. Considerando que o orifício da placa tem 6. Conversões: 2 2 182 .03 kgf/cm . onde os sistemas Inglês e SI ainda convivem com frequência no nosso dia-a-dia profissional. Red. A placa é de aço inox 316. relativa) de 8. à temperatura de 32.O.s Exemplo de dimensionamento – P.

k = Cp/Cv: Coeficiente de expansão: 183 .Constantes no procedimento de cálculo: Razão diâmetros: Const. E: Pressão absoluta à montante: Razão pressões: Razão calor específico.

Densidade da mistura ar+vapor Variáveis determinadas interativamente: Vazão mássica: Número de Reynolds do orifício: Coeficiente de Descarga Constantes geométricas: 184 .

Q*. A vazão volumétrica.26 kg/seg de ar úmido. chutando-se um valor incial para Cd (= 0. por exemplo. meio da faixa de variação indicada pelas curvas).65.Após substituições das variáveis chega-se a uma expressão para a vazão mássica em função de Cd e do Cd em função da vazão mássica: As duas equações podem ser resolvidas por substituição (processo às vezes trabalhoso) ou iterativamente. O processo iterativo é mostrado na tabela. na condição de referência de p = 1 atm e T = 21 oC é: 185 . uma iteração foi suficiente para chegar ao valor correto! Resposta: a vazão mássica é 5.

10 Acerto de cálculo para condições nãonormalizadas Suponha que a curva de calibração do medidor de vazão de gás por obstrução de área aplicase para as condição de referência. a vazão atual) se ele for instalado em uma linha que esteja a 5 Atm e 100ºC? Figura 4. No caso.Condição de aferição e condição alterada A razão entre as vazões atual e de referência é dada por: ou ainda. 1 atm e 25 ºC.4.20 . identificada por (*). 186 . Como determinar a vazão real que escoa pelo medidor (isto é.

A perda de pressão (ou perda de carga) nos medidores por obstrução Figura 4. finalmente. a denominada perda de carga ( o Dp medido quando o escoamento retorna à tubulação de mesmo diâmetro à montante). referente ao Dp lido) em medidores por obstrução de área 187 . de referência e atual. venturis e bocais têm comportamento muito diverso quanto à esta grandeza. A seleção do medidor deve levar em conta esta perda. Figura 4.Perda de carga (relativa. Placas de orifício.21 .22 . O escoamento do fluido através do medidor de obstrução de área gera uma dissipação viscosa de energia. Note que a aproximação requer a igualdade do produto (Cd · Y) para as duas condições.e.

Desenvolvimento de escoamento após entrada em tubulação. devem estar distantes das singularidades do circuito de escoamento que perturbam o escoamento. isto é. com um certo comprimento de tubo reto à montante e à jusante do medidor. Estas perturbações fluidodinâmicas também influem nas condições de medição dos medidores de vazão. válvulas e etc. impossibilitando o uso adequado das curvas de aferição. perturbam o escoamento. Os medidores de vazão devem ser instalados em posições tais que efetivamente reproduzam as suas condições de calibração.4. distorcem a trajetória do fluido (i. bifurcações.é. distorcem as linhas de corrente) e geram vórtices. Figura 4. O trecho reto de tubo permite o desenvolvimento do perfil de velocidades do 188 .. Figura 4.2 Comprimento de tubo livre e retificadores de escoamento Pertubações no escoamento são suprimidas (ou minimizadas) instalando-se o medidor de vazão em um "trecho livre" da tubulação. 4.10. cotovelos. Conseqüentemente.10.23 .24 – Formação de vórtices em singularidades (curvas e tês).1 As singularidades do sistema de tubulações e a instalação dos medidores por obstrução Acessórios de linha tais como curvas.

A inserção de um conjunto de tubos de menor diâmetro (retificador de escoamento) em uma tubulação suprime vórtices e faz com que o perfil de velocidades se estabeleça em um comprimento livre de trecho reto menor. As normas definem os trechos retos. Figura 4. Não havendo espaço para instalar o medidor em um trecho livre recomendado por norma.Sugestão de retificadores de fluxo para aplicação de medidores de vazão 189 .fluido no escoamento. recomenda-se a inserção de retificador de fluxo. reproduzindo a condição de aferição do medidor.25 . Figura 4.26 .Indicação de comprimento de trechos retos à montante de medidores de vazão.

Comprimento Livre Para β = 0.27 . a perda de carga é hw .6. Então. Perda de Carga Para β = 0.28 . e 4 diâmetros livres à jusante (B=4). isto é. Apostila de Medição de Vazão do Eng. 190 . ∆p µ = 45.Figura 4.Retificador de escoamento da Daniel Figura 4.10. da Petrobras 4.7 cmH2O .623 tem-se que λ = 0. Pinheiro.623 são necessários: • • 9 diâmetros livres à montante da placa (A=9).3 Exemplo de dimensionamento: perda de carga e posição de instalação Considere as condições operacionais da placa de orifício do exemplo anterior.Instalações típicas de sistemas de medição por placa de orifício. Calcule a perda de carga e o comprimento livre na instalação após um cotovelo raio longo.λ .

9961. nestas novas condições.Retificador de escoamento da Daniel 4. qual será a vazão mássica de ar se o diferencial de pressão medido pela placa for de 76. A diferença entre as vazões mássicas calculadas pelos método aproximado e rigoroso é menor que 0.0056. w=0. uma nova pressão de pressão na tubulação foi estabelecida. 2 2 3 191 . o resultado seria m = 3. Calcule. Y=0. Verifique: r = 0.9849.6142kg/m .2%.756 kg/s. Após um certo tempo.4 Exemplo de dimensionamento: alteração de condição operacional Considere as condições operacionais do orifício do exemplo anterior. reduzindo-a de 8.Figura 4.78 kg/cm para 4 kg/cm .2 cmH2O. assumindo-se que o Cd e o Y não variaram entre uma condição e outra: 2 2 Se adotássemos um procedimento não-simplificado. O método é aproximado.29 . R=289.10.59 m /s /ºK e r =5.

Assim. 192 . e representa o primeiro invariante das tensões mecânicas no fluido: A pressão termodinâmica (uma propriedade de estado) coincide com a pressão mecânica. g e a são as acelerações da gravidade e do referencial não-inercial.5 Medição de Pressão A pressão em um ponto de um fluido estático é independente da orientação. Tem dimensão de força por unidade de área. τ são as tensões exercidas no fluido. ocorre em um referêncial inercial e não há forças viscosas. respectivamente. É definida como sendo a média das tensões normais num elemento fluido : Em um fluído que está em movimento permanente (isto é. a pressão é um escalar. Se o escoamento é irrotacional. dV/dt = 0). a pressão P é determinada pela equação onde V é o campo de velocidades.

1 Pressão: princípio físico Premissas simplificadoras: fluido incompressível. a conhecida equação de Bernoulli: A pressão (ou qualquer outra tensão) não exerce força no fluido. f é a força por unidade de volume e grad é o operador gradiente.a equação geral simplifica-se para uma relação mais simples entre a pressão e a velocidade. estacionário em relação a referencial inercial (V=0) 193 . 5. mas a sua variação sim. A componente na direção (x) da força líquida exercida no fluido pela pressão pode ser calculada como: O vetor força devido à variação da pressão é isto é.

isto é. referencial inercial (a=0) Em um fluido compressível isotérmico. aceleração a0 na direção x de um referencial não-inercial: O referêncial não-inercial gera uma componente extra de aceleração que pode ou não estar alinhada com o campo gravitacional g. As superfícies isobáricas. são planos cujas normais são paralelas ao eixo z. a pressão é denominada de "pressão absoluta". é importante notar que os valores de pressão devem ser informados com relação a um nível de referência.1 Definições Antes de tratarmos dos tipos existentes de medidores de pressão. Se o nível de pressão de referência for o zero absoluto (vácuo absoluto ou ausência de pressão). a pressão decai exponencialmente com a altura. 5. estacionário.1. Quando a e g são ortogonais (caso acima). Premissas simplificadoras: fluído compressível. as isobáricas são retas inclinadas no plano xz.Em um fluido incompressível. Outras denominações para a pressão comumente utilizadas são: 194 . estacionário. a pressão é constante na mesma elevação (ou altura). Fluído incompressível. A pressão absoluta é utilizada nos cálculos termodinâmicos. de pressão constante.

a pressão dinâmica e a pressão de estagnação ou total. a pressão estática é medida em um orifício construído na superfície que o limita (fronteira do escoamento). Pelo princípio da aderência. perpendicularmente à direção do escoamento principal. Figura 5. A pressão dinâmica é gerada pela inércia do escoamento. que é a soma das duas anteriores. g) > é a diferença entre a pressão do fluído e a pressão atmosférica local. Vácuo > é o termo utilizado quando a pressão relativa é negativa. 195 .• • Pressão atmosférica > é a pressão exercida pelo ar atmosférico. o fluido tem velocidade relativa nula em relação a ela. a pressão do fluído é menor que a atmosférica. outros tipos de pressão podem ser medidos: a pressão estática. Também utilizam-se os termos depressão e sucção. • Quando um fluído está em movimento. Pressão relativa ou manométrica (gauge pressure. Quando há um fluido em movimento. juntoà uma parede sólida.1 . na fronteira o fluido tem a velocidade da fronteira ou. isto é. em outras palavras. por exemplo dentro de um tubo.Fluido parado.

A pressão de estagnação é a soma das pressões estática e dinâmica.2. e também é conhecida como pressão total. etc.1.1 Manômetro de Tubo em U Os manômetros de tubo U operam de acordo com o princípio da hidrostática. Os valores que equivalem à pressão de 1 Atm padrão (em princípio.336 mca (metros de coluna de água) 2 2 5.2 .2 Manômetros 5.7 psi 2116 lb/ft (lbf/ft ) 760 mm Hg (milímetros de mercúrio) 760 Torr 101325 Pa 1. da facilidade de leitura. A unidade escolhida dependerá da abordagem. medem a pressão através de um balanço (ou equilíbrio) de forças em colunas de líquido confinadas em um recipiente tipo tubo U.2 Unidades de medida de pressão Existem várias unidades para expressar valores de pressão. Figura 5. da análise.da massa de ar atmosférico em um ponto da superfície da Terra que está no nível do mar. 196 .Fluido em movimento 5. As pressões que medem são relativamente baixa. isto é. com a temperatura ambiente de 20 0C) são: 1 Atm padrão 14. a manifestação – peso .01325 bar 10336 mmca (milímetros de coluna d’água) 10.

O equacionamento do manômetro é: Onde: (Pa – Pb) é a diferença de pressão. que produz um deslocamento maior para um dado valor da coluna vertical de fluido. g é a aceleração da gravidade. A sensibilidade do monômetro aumenta conforme diminui a inclinação da perna em relação à horizontal. com maior sensibilidade. 197 . e H é a diferença de altura entre as colunas do fluido manométrico. 5.O manômetro de tubo em U é aplicado na medição da diferença de pressão entre dois fluidos. A distância vertical H entre o nível de líquido nos dois ramos do manômetro é obtida do seguinte equacionamento: sendo L a variação de altura d (vertical) rebatida na direção do ramo inclinado do manômetro.2 Manômetro de Tubo U inclinado O manômetro de tubo em U inclinado opera de acordo com o mesmo princípio que se aplica ao manômetro em U normal. Um dos ramos do tubo (a "perna" do manômetro) é inclinado em relação ao outro. ρf é a densidade do fluido. Porém. ρm é a densidade do fluído manométrico. pela inclinação de um dos ramos do tubo.2.

4 Barômetro O barômetro é um instrumento de medida da pressão absoluta. O funcionamento de um barômetro de coluna de fluido é bem simples. a diferença de altura X é obtida através da igualdade imposta aos volumes deslocados.2. Outra possibilidade é que. no século XVII. O ramo vertical do manômetro tem um poço de diâmetro bem maior que o diâmetro do tubo. Torricelli. A força resultante da ação da pressão atmosférica agindo na superfície do líquido no recipiente é balanceada pelo peso da coluna. respectivamente. É importante assegurar a uniformidade das áreas do tubo e do poço. O diâmetro do reservatório pode ser tão superior ao diâmetro do tubo na perna inclinada que somente a variação de altura na perna precise ser lida. para que não ocorram erros de leitura.3 Manômetro de Poço Outra possibilidade construtiva do manômetro de tubo em U é o manômetro de poço. A e L sejam conhecidos. a diferença total L+X não é lida . sendo X = altura deslocada no reservatório L = leitura da coluna de líquido A = área transversal do reservatório a = área transversal do tubo No primeiro caso citado. inverteu um frasco de vidro cheio de líquido em um recipiente e verificou que a altura da coluna que se mantinha era proporcional à pressão atmosférica local. 5. desde que a. na construção da escala de comprimento na perna inclinada. 198 . A outra perna é inclinada.5. No segundo caso. AX=aL. a e A. mas somente L. a diferença total de altura seja levada em consideração. através da igualdade dos volumes deslocados. e contém praticamente todo o líquido manométrico deste ramo.2.

pois a indicação varia com a aceleração da gravidade e com a temperatura. Este manômetro possui um reservatório que está conectado a vários tubos verticais ou inclinados (depende da sensibilidade desejada! ). Cada um destes tubos faz medições independentes de pressões relativa à uma pressão de referência (a do ramo vertical.2.01mmHg . que atua no poço).5 Manômetro de poço multi-tubos Quando deseja-se realizar. na determinação da distribuição de pressão estática de um modelo colocado em um túnel de vento) utiliza-se o manômetro de poço com multi-tubos. diversas medidas de diferenças de pressão (em um mesmo experimento. gpadrão é a aceleração da gravidade padrão H é a altura da coluna de Hg Cg é o fator de correção da gravidade Ci é a correção na escala de temperatura . Este tipo de barômetro pode ter resolução de até 0.Nestes barômetros normalmente utiliza-se o mercúrio como fluído manométrico e assim uma unidade usual de medida de pressão atmosférica é o comprimento da coluna de Hg (760 mmHg corresponde à pressão atmosférica padrão). 5. simultaneamente. O 199 . por exemplo. Algumas precauções devem ser tomadas ao se utilizar este medidor. A indicação da pressão atmosférica com um barômetro de coluna invertida deve ser corrigida de acordo com onde: ρ HG (T ) é a densidade do mercúrio na temperatura de medição.

X. deixando que o menisco de líquido se estabilize.manômetro é utilizado quando deseja-se medir pequenas diferenças de pressão. micromanômetro de ar. que fornece a variação total de volume no reservatório: 5.2. P1 e P2. "zera-se" o micrômetro. aguardando-se que a diferença de altura das colunas se estabilize. Para se calcular a pressão em cada tubo utilizase a seguinte equação: Alternativamente. é medido. 4. iguala-se as pressões P1 e P2. 200 . a variação de altura do reservatório pode ser calculada através da seguinte fórmula. 2. Existem vários tipos de micro-manômetros. de faixa longa do NPL. O procedimento de medida com um micro-manômetro pode ocorrer de acordo com: 1. o deslocamento do micrômetro é a diferença a ser registrada.deslocamento do fluído no reservatório. estabelece-se uma marca de referência. 3. entre outros. conecta-se o micro-manômetro às fontes de pressão. Prandtl. micromanômetro de Betz.6 O micro-manômetro O micro. como o micro-manômetro de Chattock. isto é. a altura do poço é então deslocada por um micrômetro até que o menisco da coluna de medida volte à marca de referência. micro- manômetro de faixa longa. 5.

3 . Cada seção é conectada a um tubo flexível.7 Balança anular A balança anular é um manômetro construído com um anel circular oco pivotado com divisão estanque. Antes do advento dos sensores eletrônicos de pressão. Todo o conjunto é pivotado no centro do anel circular e é mantido estável por um peso W. o anel gira e fica em equilíbrio quando o momento desenvolvido pelo peso W se iguala ao momento desenvolvido pela coluna de fluído H. mas medindo pequenas diferenças de pressão (P2 . Havendo uma diferença de pressão (P2-P1).Com um micro-manômetro como o descrito. O anel circular pode ser de aço. É aplicável para medir pressões diferenciais entre 10 e 700 mmca. através dos quais as pressões são aplicadas. As duas seções são preenchidas parcialemente com o fluido manométrico. 5. (b) o anel gira devido a diferença de pressão. resistindo a altas pressões absolutas P1 e P2. Assim a diferença de pressão será calculada pela equação sendo A a área da tubulação da balança anular (a) (b) Figura 5.2.P1).02 mm (!!!) de coluna de fluido. 201 . consegue-se obter uma resolução de até 0. era muito utilizada na medição de gases combustíveis e ar. formando duas seções.Balança anular (a) mantido estável por um peso W. A balança anular também é conhecida como manômetro de anel basculante.

Equação de um medidor de resistência linear é: onde ∆P é a diferença de pressão do escoamento. Se for utilizado um manômetro de poço para as medições das vazões mais baixas (menores H). O medidor de vazão de resistência linear é construído em um tubo cilíndrico com as dimensões indicadas no desenho. Se esta diferença de pressão for expressa em termos de altura de coluna de fluido de trabalho (o óleo).8 Exercício: seleção de manômetros Selecione manômetros para aplicar em processos de medição de vazão utilizando medidores de resistência linear (laminar flow element). Selecione o fluido manométrico apropriado de tal forma que o medidor indique a vazão com +/-1% de incerteza (o que corresponde a uma leitura mínima de 1mm na escala do manômetro). densidade e viscosidade. para aplicação nas vazões mais elevadas (maior H). a relação é de 1/2000 !!). estão indicadas no desenho. quer-se medir a vazão volumétrica de um óleo cujas propriedades.2. tem-se H = ∆P / ρ 0 g .5. teremos: 202 . Assim. Com este instrumento formado pelo medidor de vazão e o(s) manômetro(s). vamos considerar a utilização um manômetro de tubo em U. O fundo de escala do manômetro não deve ser superior a 700 mm (comprimento) e admita que a sua resolução é de 1mm. Da hidroestática temos que: onde l é a diferença de altura entre os meniscos (as colunas de fluido manométrico no manômetro U). A faixa operacional do medidor de resistência linear é de 1 litro/hora a 2000 litros/hora (uma faixa grande.

com uma resolução aproximada de 1%. 128 mmHg. A Tab. tubo em U e inclinado (10 graus). Neste caso a resolução de 1% da medida representará ~1.3 Características dos fluídos manométricos 203 . Uma vazão de 2000 L/h provocará uma diferença de pressão equivalente a 511 mmHg (<700 mm fundo de escala). A Tab.Se fixarmos a inclinação da perna inclinada do manômetro em 10 graus com a horizontal. de 1 mm . com dois fluidos manometricos distintos. 5. teremos a seguinte relação ente l e H: Combinando-se a aplicação dos dois manômetros.1 mostra os valores. As outras combinações de medidor de resistência e manômetros foram determinadas de modo similar. a menor divisão da escala do medidor). Portanto estes serão os limites superior e inferior de vazão para um medidor de vazão de resistência linear que utiliza um manômetro de poço para a indicação da medida.1 mostra os manômetro e os fluidos manométricos empregados. a vazão de 500 L/h.isto é. 5. Tabela 5. por faixa de vazão.3 mm de comprimento (maior que a resolução especificada para a escala. Por exemplo: de 500 a 2000 L/h o instrumento será constituído do medidor linear e de um manômetro tubo U com Hg como fluido manométrico. 1 a 2000 L/h. 5. por faixa de vazão. pode-se atender toda faixa especificada de vazão.1 – Manômetros e fluidos manométricos empregados. água e mercúrico.

ou a relação de área (a/A) de um manômetro de poço. a densidade do fluido manométrico em relatção à densidade do fluido padrão. fluidos utilizados nos manômetros tipo tubo U em geral (verticais. entre outras variáveis. a temperatura do fluído manométrico deve ser registrada e uma correção apropriada deve ser aplicada. 204 . Temperatura – afeta a precisão do manômetro. das seguintes propriedades do líquido manométrico: Densidade – sem dúvida o fator mais importante. inclinados de poço. Mas a precisão de um manômetro depende principalmente da densidade do fluído manométrico. Quando se deseja medir pressão com alta precisão. isto é. inclinados. como a inclinação da perna de um manômetro inclinado.. isto é.Na Tab. que tem densidade (ou massa específica) ρ= 1000 kg/m . 5. a água destilada a 4ºC . Características construtivas dos manômetros são importantes.2 estão listados alguns fluidos manométricos. pois altera a densidade do fluído manométrico. 3 Tabela 5.2 – Fluidos manométricos A precisão da leitura do manômetro depende. Na segunda coluna tem-se sua densidade relativa. micro-manômetros e anel circular).

Exemplo de valores da coluna deslocada h . Viscosidade – a medida da pressão pode ser dificultada se o fluido manométrico tiver elevada viscosidade. especialmente alto vácuo. Tabela 5. Tensão superficial – a tensão superficial do fluido manométrico afeta a indicação da pressão principalmente quando o diâmetro do tubo é relativamente pequeno (veja os balanços de força na Fig. evidentemente. 5. em relação ao diâmetro do tubo d.3 . Outras características ïmportantes do fluido manométrico são: ter uma composição química estável e não causar contaminação do fluído de trabalho que é a fonte de pressão.Propriedades do mercúrio e da água.Compatibilidade dos fluidos– o fluido manométrico e o fluido de trabalho (fonte de pressão) devem ser imiscíveis. 205 .4 .4). pressões negativas muito baixas. Pressão de vapor – A pressão de vapor do fluido manométrico deve ser considerada quando se deseja medir pressões negativas (vácuo). Tabela 5. O tempo de resposta pode ser suficientemente longo para dificultar a leitura. isto é.

O fluído que exerce a pressão enche o tubo e exerce forças. No caso de um manômetro de tubo U. Observe que S depende do fluido manométrico e do fluido de trabalho: 1. a sensibilidade S é grande. É um conceito importante pois define a precisão da medida. É utilizado em processos industriais. 5.3. efeitos de capilaridade (tensão superficial).2 Sensibilidade A sensibilidade (S) de um instrumento. erro de verticalidade. se ρm << ρf .4 Medidor Bourdon O manômetro Bourdon (ou de tubo Bourdon) é um instrumento de medida de pressão muito comun. variação de temperatura entre os diferentes momentos de medida. O manômetro Bourdon é construído com um tubo de secção trnasversal elíptica. ou entre condições de calibração e medida. A força aplicada no anel externo é maior que no anel interno (a área é superior à do anel interno). • • • • • • • 5. efeito de variação de elevação (diferença entre a pressão atmosférica local e a pressão atmosférica do local de calibração). é a razão entre as magnitudes do sinal de saída e do sinal de entrada.Pb): A sensibilidade S do manômetro estabelece quantas unidades de medida da escala de leitura o menisco se desloca para cada unidade de pressão aplicada entre as pernas. se ρm >> ρf. falta de estanqueidade.5. 2. Este movimento é transmitido ao ponteiro indicador de pressão. fazendo com que o tubo se expanda para fora. em equipamentos do comércio. curvado de tal forma que uma das extremidades está conectada à fonte de pressão e a outra ao ponteiro indicador de pressão.1 Fontes de erro na medição com manômetros U erro de paralaxe na leitura da escala (operador). erro de leitura por má visualização da escala. é a razão entre a variação de altura h e a diferença de pressão (Pa. 206 . como já vimos.3. a sensibilidade S é pequena. em hospitais e mesmo em alguns equipamentos residenciais.

onde houver líquidos ou gases que põem em risco a saúde. A pressão é então "lida" em uma escala circular graduada. chegando a 0. ela permite a substituição do medidor sem interromper o processo.5% da escala. 5. 207 . pode-se estabelecer uma escala graduada. a diferença entre a pressão do fluidofonte e a pressão atmosférica local. Se a câmara na qual o tubo Bourdon é inserido for evacuada.1% ou 0. Sua precisão depende do processo de fabricação. na unidade da calibracão do medidor. pois: • • • ela dá segurança em caso de vazamento do tubo Bourdon. isto é.1 Recomendações de instalação Uma manômetro jamais deve ser instalado sem a válvula de isolamento.4. deve haver uma válvula extra para dreno. Comumente este medidor indica pressão manométrica.Calibrando-se a deflexão do indicador com pressões conhecidas. em alguns casos. o manômetro Bourdon pode também indicar a pressão absoluta.

pivots. Os manômetros montados com diafragmas protegem a instrumentação de pressão dos fluídos corrosivos dos fluidos ultra-viscosos e de problemas de entupimento ou de congelamento do fluido de trabalho na linha. Quando se usa este acessório. instale o manômetro afastado e faça a ligação por meio de um tubo flexível. leite (isola da linha estéril) e muitos outros. A pressão em um processo nem sempre é constante. Por isso em equipamentos ou tubulações que vibrem.Os sistemas mecânicos (jogos de engrenagem. Se a pressão é pulsante pode-se adotar a seguintes ações: 208 . o movimento do diafragma transmite a pressão do processo para o medidor. etc) são sensíveis a vibrações. agulhas. esgoto. Variações bruscas ou repetidas de pressão podem causar danos na instrumentação e dificultar a leitura. caldo de cana (com sólidos em suspensão). É muito utilizado quando se mede a pressão de ácidos (corrosivos). O enchimento do diafragma (volume do diafragma até o tubo Bourdon) é usualmente feito com glicerina. massa de papel. pastas (ultra-viscosos).

209 . obtido mecanicamente. comprometer pontos de solda. exemplificando novamente.5 Transdutores elétro-mecânicos Os trandutores de pressão eletro-mecânicos são dispositivos que transformam um sinal de pressão (ou diferença de pressão). e depois transformado em um sinal elétrico. ‘destemperar’os elementos elásticos. Esta transformação pode se dar. de um fole. por exemplo. de um diafragma.• inserção de um amortecedor de pulsações (uma restrição no tubo de conexão com o manômetro Bourdon. etc. por exemplo. A alta temperatura do fluido que é fonte de pressão pode afetar a precisão de um Bourdon. uma válvula). em um sinal elétrico. através de uma ação sobre resistores capacitivos em um circuito elétrico. 5. Se o fluído que é a fonte de pressão está em alta temperatura. O sinal de pressão pode ser obtido mecanicamente através . etc. pode-se usar um tubo sifão para isolar termicamente a fonte de pressão e o instrumento.

Diagrama de blocos de um transdutor elétro-mecânico de pressão 5.5 .4 . por exemplo.6 Transdutores Elétricos São utilizados nas medições dinâmicas de pressão e quando se requer um registro contínuo de pressão (em um indicador digital.Figura 5.Diagrama de blocos de um transdutor elétro-eletrônico de pressão 210 . ou através da aquisição de dados em computador). Figura 5.

Exemplos de alguns transdutores elétricos de pressão: potenciômetro.7 mostra a deformação radial e tangencial de um diafragma submetido a uma diferença de pressão. entre outros. capacitância ou indutância. A Fig. As pontes detectam variações de resistência. capacitivos ou indutivos. A deformação do diafragma pode ser detectada por sensores resistivos (strain gages ou extensômetros). O circuito utilizado para detecção destas grandezas é a ponte de Wheatstone.6 – (a) Sensor resistivo da Omega. série 600 (b) Ilustração: Produto Omega. (a) (b) Figura 5. magnético (alteração da relutância magnética). capacitivo piezoelétrico.1 Princípio físico O elemento elástico mais empregado para a transdução de pressão é o diafragma. O diafragma se deforma devido a diferença de pressão que os dois lados do diafragma estão submetidos.6. "straingages". Os transdutores elétrico-eletrônicos requerem uma alimentação externa e têm arranjos típicos de montagem como o esquematizado abaixo: As deformações dos elementos elásticos são. detectadas por uma ponte de Wheatstone. em última instância. diafragma. 5. 211 . 5.

Deformação tangencial .7 – Deformação radial e tangencial de um diafragma submetido a uma diferença de pressão. Deformação radial – nas bordas atinge um máx negativo e no centro uma max positivo Onde: .E módulo de elasticidade.t é aespessura do diafragma . Figura 5.é nula nas extremidades atingindo uma máximo positivo no centro.O strain gage deve ser capaz de medir tanto a deformação tangencial quanto a radial do diafragma.P é a diferença de pressão .R é o raio do diafragma . 212 .N é o coeficiente de Poisson .

Quanto maior for a quantidade de resistores aplicados.2 Ponte de Wheatstone Figura 5. Usualmente são empregados extensômetros cuja razão entre a deformação relativa (ε) e a variação relativa da resistência ( ∆R/R) é dada pelo fator G.5.Balanceamento da ponte R1 . Arranjos: ¼ de ponte >> 1 resistor ½ ponte >> 2 resistores ponte completa >> 4 resistores Quanto os diafragma sofre uma deformação. R3 = R2 .6. os quais se deformam. A ponte de Wheatstone é constituída de extensômetros. maior será a sensibilidade do circuito. A montagem realizada em arranjo de ponte completa (maior sensibilidade) tem um sinal de saída (e) dado pela seguinte fórmula: 213 . variando a resistência. R4 implicando em e=0 Existem 3 tipos de arranjos de ponte.8 . o extensômetro também se deforma e o sinal de saída ou sinal de desbalanceamento na ponte será dado por: onde ∆R é a variação de resistência (ou capacitância ou indutância) em função da deformação.

D é a distância entre as placas. o diafragma se deforma alterando a distância entre as placas e.ε é a constante dielétrica 5.4 Sensor piezo-elétrico Os sensores piezo.elétricos medem a pressão através da deformação de cristais piezoelétricos.3 Sensor capacitivo O sensor de pressão capacitivo utiliza um diafragma dielétrico e duas placas metálicas. consequentemente. modificando a capacitância do circuito. onde .6.5. 214 . e . os quais geram uma diferença de potencial ou carga eletrostática quando tencionados/pressionados ao longo de planos específicos de tensões. o sal de rochelle.A é a área das placas . o ADP (Amônia Dihidrogenada de fosfato) e o titanto de bário.6. Quando há uma diferença de pressão através do conjunto. Os materias mais utilizados nos cristais são o quartzo.C é a capacitância .

Podem ser utilizados diafragmas. foles. onde eventos podem durar até microsegundos. e é dada por Q=D·P onde .A carga induzida sobre o cristal é proporcional à força aplicada.P é a pressão aplicada Vantagens A principal vantagem dos sensores piezo elétricos é a boa resposta em frequências até 200 Hz. a vibração mecânica e ao ruído externo.t é a espessura do cristal . manômetros do tipo U. Bourbons para obtenção do sinal de pressão.G é a sensibilidade de tensão . 5. Desvantagens São sensíveis à variação de temperatura. tubos de choque e equipamentos sismográficos. Em ambos os casos utiliza-se a formula abaixo: 215 . São utilizados em túnel de vento. e é a grandeza de saída do sensor: E=G · t · P onde .6.D é a sensibilidade de carga .P é a pressão aplicada A voltagem E que resulta da aplicação da pressão é calculada pela equação abaixo. São inadequados para a medição de pressão estática.5 Sensor Magnético de Pressão Os sensores de pressão magnéticos são divididos em dois tipos conforme o seu princípio de funcionamento: indutância variável ou relutância variável. Por isso são recomendados para a medição de pressão transiente.

dΦ / dt é a variação do fluxo Magnético 5.N é o número de espiras induzidas . Figura 5.9 .e é a voltagem de saída .onde .6 Sensor de indutância variável O transdutor de indutância variável utiliza uma bobina primária. este núcleo se movimenta e altera o número de espiras induzidas. Vantagens . variando consequentemente a voltagem de saída do circuito. 216 . O núcleo é conectado um sensor de pressão (p.não possui partes móveis (não há atrito entre as partes móveis).e. diafragma) e quando ocorre uma variação da pressão.Transdutor de Indutância Variável O tipo mais comum de transdutor de indutância variável é o LVDT (transformador diferencial linear variável).6. uma secundária e um núcleo magnético que localiza-se entre as duas bobinas.

e tem resposta linear para pequenos deslocamentos.pode operar com grande faixa de sobrecarga. a indutância das bobinas.tem alto sinal de saída. – pode medir diferenças de pressão de 0.. Figura 5.001 polegadas de água se um diafragma bem fino e grande é utilizado. Vantagens .possibilita o monitoramento contínuo da pressão.6. Figura 5. .consegue indicar uma alteração da pressão com uma pequena deflexão do diafragma/fole.7 Sensor de relutância variável Os trandutores de relutância variável empregam um diafragma que ao movimentar-se altera a relutância (intensidade do fluxo do campo magnético) do circuito magnético e. . 217 .10 . produzindo uma diferença de potencial.tem grande capacidade para suportar choques e condições severas de vibração mecânica. conseqüentemente. 5. e .Transdutor Indutivo de Fole.11 – Sensor de relutância variável.

até o uso de ultra-som para determinar a interface do líquido (ou mesmo entre líquidos). Fig. A Fig. pode-se pensar no uso da vareta molhada. passando pela determinação da altura do líquido através da medição da pressão na base de um tanque. em geral. por exemplo).Medição de nível em tanque com visualização direta. 1988).2 (de Elgar. Se o tanque tem posicionamento de difícil acesso e o fluido tem características apropriadas. expresso como uma medida de comprimento em relação a uma referência (base de um tanque.1 mostra a medida com visualização direta em um tanque.1 Nível de líquido O nível de líquido é. 6. Interface e Viscosidade de Líquidos Em miscelânea vamos incluir a medição de duas grandezas que são importantes na análise dos processos que ocorrem no transporte de fluidos: o nível de líquidos em um tanque (ou a interface entre líquidos ou líquido e gás) e a viscosidade. Figura 6. 6.6 Medição de Nível. São várias as técnicas usadas na medição do nível de líquido: vão desde a visualização direta do nível de líquido em um tanque com o uso de tubo de vidro externo (visualizadores). 6. 218 .1 .

Medição de nível em tanque com vareta molhada.3 mostra um arranjo mecânico e um arranjo elétrico para tal (de Elgar.4. Outros flutuadores podem ser chaves magnéticas ou a chave de mercúrio.2 . 6. mostrados na Fig.Arranjo mecânico e arranjo elétrico para medição de nível. 1988).3 . Figura 6. Outra possibilidade é medir o nível do líquido com flutuadores.Figura 6. 219 .6. A Fig.

Se as dimensões do tanque são conhecidas. O nível então pode então ser referenciado a h. Dois arranjos são feitos. e é possível a pesagem do mesmo. Figura 6. 220 .Figura 6. veja a Fig. Um dos princípios básicos da medição de nível industrial é a de que diferentes materiais ou diferentes fases do mesmo material têm diferentes densidades. 6. veja Figs.Medição de nível com pesagem do tanque. 6. Esta lei natural básica permite que se meça o nível através da medição de pressão.4 .5. Em ambos os casos o manômetro registra uma pressão (ou diferença de pressão no caso do tanque fechado) p = ρgh . esta é uma alternativa para se obter o nível.5 .Outras chaves de nível.6(b). de catálogo da Omega. quando o tanque é aberto para a atmosfera ou quando está fechado e pressurizado com gás.6(a) e 6.

Na figura acima (de Elgar. No caso de fluidos condutores o eletrodo deve se inteiramente isolado para se evitar curto-circuito no sistema de medição (de Doebelin. 2 ε 0 (F/m) é a permissividade do espaço livre. Logman) estão duas placas condutoras com um dielétrico entre elas.(a) (b) Figura 6.6 . (b) tanque pressurizado com gás. P. A capacitância é a propriedade elétrica de um sistema que permite que ele armazene carga. 1990). Os dielétricos são substâncias como a mica. Capacitores são condutores separados por um dielétrico. querosene ou óleo combustível. vidro. O sensor de capacitância pode ser aplicado a fluidos não-condutores e também a fluidos condutores.Medição de nível através de medição de pressão: (a) tanque aberto. O método utiliza a variação da propriedade elétrica que é a capacitância. Sensors for measurement and control. A capacitância é dada em Farads e é calculada de onde A (m ) é a área de superposição entre as placas. É possível também utilizar técnicas elétricas para medir nível. 221 . εr é a permissividade relativa do dielétrico entre as placas e d (m) é a distância entre as placas. Ed.

Assim. é calculada de 222 . como as mostra o arranjo na figura abaixo. Figura 6.7 .Permissividade é a propriedade de um material que descreve a densidade de fluxo elétrico produzido quando o material é exitado por uma força eletromotriz. a capacitância entre duas placas planas paralelas deslocadas de uma distância x.Medição de nível com método capacitivo.

05 x 8.1 metros e comprimento l = 0.8 . Figura 6.05 . a velocidade de propagação do som no meio deve ser conhecida.Medição de capacitância entre placas paralelas Exercício . um sensor que opera em baixa frequência é utilizado.0.1 m.1 = 4.wx) = (0.854 x 10 . Evidentemente. Um ultrasom operando no princípio pulso-eco também é uma técnica adequada para a medição de nível de líquidos.1 m.427 x 10 -12 F = 4. Quando o ultrasom deve se propagar no gás (ou ar). Um sensor de ultrasom emite um pulso sonoro e recebe o retorno da interface.427 pF Se o comprimento da superposição entre as placas é reduzido pelo movimento de uma das placas de uma distância de x = 50 mm. O intervalo de tempo entre emissão e retorno é determinado e é associado à posição da interface. o oposto ocorre quando o ultrasom deve operar imerso em líquido.1 m. l = 0.05 m2. A área das placas é A = 0.5 metros.984 pF.984 x 10 -12 F = 3.5 m.05) = 0. a nova área de superposição é A = (A .Sabemos que w = 0.045 x 8. Solução . veja as duas figuras na sequência.854 x 10 -12 x 1) / 0. O exercício seguinte exemplifica o dimensionamento de um sensor capacitivo de placas paralelas. 223 . d = 0.045 m2. determine o novo valor da capacitância.Um sensor capacitivo é formado por duas placas planas paralelas. A capacitância é então C = (0. Se a superposição das placas é -12 reduzida pelo deslocamento de uma das placas de 50 mm.1 = 3. Dado que a permeabilidade elétrica do espaço ε0 é 8.1 x 0. Cada placa tem uma altura w = 0. A distância d entre as placas é de 0. O novo valor da capacitância será C = (0. determine a capacitância do dispositivo.854 x 10 -12 x 1) / 0.Note então que a variação da área de superposição pode ser a base de uma técnica de medição ou também a variação da altura do meio dielétrico entre as placas. A permeabilidade relativa do meio dielétrico livre é εr é 1.

Figura 6.9 - Medição de nível com ultrasom.

O nível de tanques com líquidos pode ser medido através da pressão de um borbulhador, de acordo com o esquema da Fig. 6.10 (de Elgar, Sensors for measurement and control). Desprezandose a perda de carga na tubulação e a densidade do gás, tem-se que a pressão p é igual a sendo

ρgh ,

ρ

a densidade do líquido, g a aceleração da gravidade local e h a altura do líquido no tanque.

224

Uma tabela de aplicação de medidores de nível, como a sugerida pela Omega, está mostrada na sequência.

Figura 6.10 - Medição através da pressão de um borbulhador

6.2 Viscosidade
Já vimos no capítulo de medição de deformação, força e torque, que quando deformamos um sólido, isto é, quando aplicamos a ele uma tensão, o sólido exerce uma força que se opõem à tensão. Para tensões pequenas, a força restauradora é proporcional à tensão e temos a lei de Hooke, como vimos. Os fluidos reais também reagem à tensão. Entretanto, no fluidos não é mais a magnitude da tensão que é importante, mas sim a taxa à qual a tensão é produzida. Certamente já observou que, se está tomando uma sopa em uma vasilha, é mais fácil deslocar a colher através da vasilha se a velocidade é baixa; mais difícil se a velocidade é rápida. Um escoamento simples está mostrado na figura abaixo para ilustrar a definição de viscosidade.

225

Tabela 6.1 – Aplicação de sensores de nível.

Figura 6.11 - Arrasto entre duas placas paralelas. A inferior está estacionária.

Se a força por unidade de área na placa superior fosse medida, encontraríamos

F/A = µ V/d , isto é, a tensão cisalhante F/A é igual à viscosidade vezes a taxa de deformação, V/d,
sendo d a distância entre as placas. Esta relação essencialmente define a viscosidade. Note que não

226

derivamos a lei, ela é uma conseqüência da observação experimental. Um fluido que responde à tensão cisalhante (F/A) desta maneira é chamado de fluido Newtoniano: ele tem a propriedade que a viscosidade é independente da velocidade. Muitos dos fluidos nos quais se deseja medir a velocidade são Newtonianos, mas outros são não-Newtonianos, como as tintas, os fluidos poliméricos, etc. Observe também que a unidade de viscosidade no sistema SI é Kg/(ms), ou Ns/m ou Poiseuille. Infelizmente, ninguém o utiliza, sendo corrente a adoção da unidade do antigo sistema cgs g/(cms), Poise, ou ainda o centiPoise igual a 10 Poise. Se Kg/m s é igual a 10 g/cm s, para converter de cP para Kg/m s multiplique por 1000. Esta é a chamada viscosidade dinâmica, que não está relacionada com a densidade. A viscosidade cinemática fluido,ν = é a viscosidade dinâmica dividida pela
2 -2 2

densidade

do

µ / ρ . No sistema SI tem unidade de m /s, mas usualmente é medida em centiStokes, cS.
2 2 -4

O Stokes é cm /s; assim, para obter a viscosidade em m /s, multiplique a viscosidade em cS por 10 . Outra dimensão de viscosidade é a chamada Seconds Saybolt, podendo ser Furol ou Universal. Esta viscosidade é uma medida indireta, sendo o tempo requerido para escoar 60 ml de líquido através de orifício calibrado sob condições controladas (ASTM D 88). O orifício pode ter um padrão Universal ou Furol, fazendo as viscosidades Seconds Saybolt Universal ou Furol.

Figura 6.12 - Esquema de viscosímetros primários (da Apostila de Medição de Viscosidade, EM 746, FEM).

227

A viscosidade é medida em viscosímetros, os quais podem ser classificados em dois grupos: primário e secundário. No grupo primário estão os instrumentos que realizam medidas diretas da tensão e da taxa de deformação do fluido. Instrumentos com diversos arranjos podem ser concebidos para este fim: entre eles há o de disco, o de cone-disco e o de cilindro rotativo, todos eles visando a reprodução do escoamento entre placas planas paralelas visto acima. Os respectivos esquemas estão mostrados na Fig. 6.9. Os símbolos µ e Ω referem-se viscosidade e à velocidade angular aplicada e T ao torque medido, que resulta da tensão oriunda da deformação do fluido. Um viscosímetro do tipo é o Brookfield, muito popular pela facilidade de manuseio. A Figura 6.13 mostra um viscosímetro Brookfield e seus vários "spindles" (junto à base, à direita na figura), cada um apropriado para medir a viscosidade de fluidos em uma faixa específica: os de menor diâmetro, as maiores viscosidades; os de maior diâmetro, as menores viscosidades.

Figura 6.13 - Viscosímetro Brookfield

Os viscosímetros do grupo secundário inferem a razão entre a tensão aplicada e a taxa de deformação por meios indiretos, isto é, sem medir a tensão e deformação diretamente. Nesta categoria estão o viscosímetro capilar, no qual a viscosidade é obtida por meio da medida do gradiente de pressão de um escoamento laminar em um tubo e o viscosímetro de Stokes, onde ela é determinada através de medições do tempo de queda livre de uma esfera através de um fluido estacionário, veja representações esquemáticas na Fig. 6.10.

228

No viscosímetro capilar, Q, L, ∆P e D são, respectivamente, a vazão volumétrica, a distância entre as tomadas de pressão, a diferenç de pressão e o diâmetro do tubo capilar, respectivamente. Esta relação aplica-se para um escoamento de Poiseuille, isto é, um escoamento em regime laminar e hidrodinâmicamente desenvolvido. No viscosímetro de Stokes as variáveis: g, D,

ρs , ρ f

e V são, respectivamente, a

aceleração da gravidade, o diâmetro da esfera, a densidade da esfera, a densidade do fluido e a velocidade terminal de queda livre, isto é, a razão entre a distância L e o intervalo de tempo ∆t . Esta relação aplica-se somente para esferas em queda livre em meio infinito, com Reynolds menores do que 1.

Figura 6.14 - Esquema de viscosímetros secundários

(da Apostila de Medição de Viscosidade, EM 746, FEM). Um viscosímetro de fácil manuseio é o de copo Ford, no qual a viscosidade está relacionada com o tempo de esvaziamento de um copo de volume conhecido que tem um orifício calibrado na sua base. O copo Ford é fornecido com um conjunto de orifícios-padrão (giglê) feitos de bronze polido. O orifícios de número 2, 3 e 4 são utilizados para medir líquidos de baixa viscosidade, na faixa de 20 a 310 centistokes; os de número 5, 6, 7 e 8 para líquidos de viscosidade superior a 310 cst. Como os viscosímetros primários realizam medidas diretas da taxa de deformação e da tensão, eles podem ser aplicados para ensaios tanto de fluidos Newtonianos como de fluidos com comportamento tensão versus deformação não-linear e/ou visco-elástico. Os viscosímetros secundários, por outro lado, aplicam-se somente a fluidos Newtonianos, por medirem a viscosidade indiretamente. Esta é a principal diferença entre eles. Outros aspectos que os diferenciam podem ser citados:

229

1. O volume requerido de amostra nos viscosímetros de disco e cone-disco são os menores; 2. A faixa operacional nos viscosímetros de disco e cone-disco é a maior; 3. O custo do viscosímetro de Stokes é o menor. Entretanto, é o que necessita de maior volume de fluido e só trabalha com líquidos translúcidos. 4. Pelo fato de requererem o menor volume de fluido, os viscosímetros de disco e cone-disco são os que mais facilmente se adaptam para ensaios em temperaturas diferentes da temperatura ambiente.

Figura 6.15 - Viscosímetro Copo Ford

Alguns exemplos de viscosidade de fluidos e gases: Hydrogênio @20° 0.008 6 cP Benzyl ether @ 20°C 5.33 cP Blackstrap Molasses 5,000 C 10,000cP Ammonia @ 20° 0.009 82 cP Glycol @ 20° 19.9 cP Chocolate syrup @ 20° 25,000 cP C C C Water vapor @100° 0.125 5 Linseedoil (Raw) 28cP Heresy's Chocolate Syrup 10,000C 25000cP Air @ 18° 0.018 2 cP Linseedoil (Boiled) 64cP Ketchup @ 20° 50,000 cP C C Argon @ 20°C 0.022 17 cP Soya bean oil @ 20° 69.3 cP Ketchup Heinz 50,000 - 70,000cP C Air 250,000cP Neon @ 20° 0.031 11 cP Olive oil @ 20°C 84.0 cP Corn Syrup 110,000cP ?? C Liquid air @ -192.3°C 0.173 cP Light machine oil @ 20° 102 cP C Ether @ 20° 0.233 cP Motor oil SAE 10 50-100cP 65cP C Water @ 99° 0.2848 cP Motor oil SAE 20 125cP Peanut butter @ 20°C 250,000 cP C Motor oil SAE 30 150-200cP 200cP @ 229°C 0.026 38 cP Corn oil 72cP Peanut butter 150,000-250,000cP

230

Acetone 0.3cP Motor oil SAE 40 250-500cP 319cP Crisoco Shortening 1x106-2x106cP 1.2x106cP Benzine 0.50cP Motor oil SAE 50 540cP Window putty 1x108cP Heavy machine oil @ 20° 233 cP C Caster oil @ 20° 986 cP C Motor oil SAE 60 1,000 - 2000cP 1,000cP Chloroform@ 20° 0.58 cP Glycerin @ 20° 1,490 cP C C Methyl alcohol@ 20°C 0.597 cP Motor oil SAE 70 1,600cP Benzene @ 20° 0.652 cP Pancake syrup @ 20° 2,500 cP C C Water @ 20° 1.002 cP Honey 3,000cP C Ethyl alcohol @ 20°C 1.2 cP Honey @ 20° 10,000 cP Tar or pitch @ 20° 3x1010cPcP C C Mercury @ 20° 1.554 cP Honey 2,000-3,000cP Soda Glass @ 575° 1x1015 cP C C

231

é ε= δl . calcula-se o torque. O fio. Para tanto. mas separado dela por limitadores colocados nas extremidades. está um fio de dimensão fina. l 232 . tensão. da força e do torque estão intimamente relacionadas. Figura 7. recebe então uma carga em sua posição central e se deforma. 7.7 Medição de deformação. como mostra a figura. vamos definir a deformação. consequentemente. por definição. porque a medição de força se realiza. considere a barra mostrada na Fig. e passa a ter um comprimento (1 + δ 1) . também se deforma axialmente.1 . através de uma medição da tensão com o uso de células de carga eletrônicas. força e movimento A medição da deformação.1 Medição de deformação e tensão Antes de discutirmos como medir estas grandezas. A deformação e. da forma mais freqüente na atualidade. Preso à barra. E segundo.Definição de deformação A barra. da tensão. que inicialmente estava sem carga.1. 7. Primeiro porque a medição de tensão se faz atravéz da medição da deformação: mede-se a deformação e então determina-se a tensão aplicando-se a lei de Hooke. e seu comprimento é l. O torque é uma medida derivada: conhecendo-se a força aplicada e a distância entre seu ponto de aplicação e um centro de giro. O fio está esticado e preso pelos limitadores.

é medida com o uso de extensômetros (strain gages). sa. σ = Eε Na lei de Hooke a constante de proporcionalidade entre a tensão e a deformação é o módulo de elasticidade. Em um diagrama tensão-deformação típico. Na figura a seguir está também o diagrama de corpo livre ilustrando as forças internas aplicadas ao cilindro sob tensão unidimensional. também conhecido como módulo de Young. linearidade que não se mantém à medida em que a deformação atinge altos valores. o material começa a se comportar irreversivelmente na região denominada de deformação plástica. E. sa= FN / Ac.Carregamento axial de eixo Para obter a tensão sA agindo sobre a área AC. a lei de Hooke só é válida na região elástica de tensão. E a tensão é então calculada com a lei de Hooke. Acima do limite elástico. normalmente utiliza-se um método indireto.Considere agora um cilindro maciço de área de seção transversal circular Ac submetido à tração uni-axial (unidimensional) exercida pela força FN. 233 . mostrado na figura abaixo. A deformação. através da medição da deformação e.2 . onde a lei de Hooke não mais se aplica. que é a razão entre a força aplicada FN sobre a área Ac. na qual o carregamento é reversível. Assim. Nele está a definição de tensão. a lei de Hooke estabelece uma relação linear entre a tensão e a deformação. e mesmo deformações muito pequenas. Figura 7.

pode-se pensar em medir a deformação de um condutor metálico medindo-se a variação de sua resistência elétrica. uma propriedade do material do condutor). estando ele sob carga ou não.Figura 7.3 . se a variação de resistividade do condutor é pequena. Se diferenciamos a equação anterior e dividirmos todos os termos por R. isto é. A deformação do extensômetro é medida por variação da sua resistência elétrica na medida em que ele compõe parte de um circuito eletrônico. A resistência elétrica do condutor é calculada de (após Lord Kelvin. Assim. em 1856) R= onde ρL A ρ é a resistividade do condutor (também chamada de resistência específica. estando ele sem carregamento ou com carregamento. Veremos a seguir que dA/A e dL/L estão relacionados.Deformação vs tensão. A medição de deformação é usualmente realizada com extensômetros: uma pequena superfície metálica que é colada no corpo do material que se deformará. obteremos dR dρ dL dA = + − R ρ L A Note que esta equação relaciona variações de resistência elétrica do condutor com variações de resistividade (o chamado termo piezoresistivo). lei de Hooke. L é o comprimento do condutor e A é a área de seção transversal do condutor. Considere então um condutor metálico com propriedades uniformes e que tenha resistência R. 234 . com a deformação axial do condutor (ε a = dL / L ) e com a variação da área de seção transversal A.

O termo dA/A pode ser escrito: dA 2dD = = 2ε t A D onde εt é a deformação transversal (ou lateral) do condutor. É importante mencionar aqui que quando o material está sob carregamento unidimensional. para mostrar a influência do termo piezoresistivo (o que contém a variação relativa da resistividade do material) no cálculo: S = 1 + 2ν + 1 dρ εa ρ 235 . O extensômetro é então instalado (colado) no material que sofrerá carregamento e ligado ao circuito eletrônico (ponte de Wheatstone) que o alimentará e medirá. então. será medida. isto é. K. relacionamos a variação de resistência elétrica do condutor com a deformação axial: dR dρ = + ε a − 2ε t R ρ dR dρ = + ε a (1 + 2ν ) R ρ Há ainda a considerar a variação relativa da resistividade e do módulo de Poisson. fornecido nos catálogos dos fabricantes. Mas como medir com extensômetros? Inicialmente deve-se selecionar o extensômetro dentre os ofertados por fabricantes. A variável básica é o denominado fator do extensômetro. Usando então a lei de Hooke. é uma propriedade do material do condutor: ν. estes termos devem ser constantes na faixa de carregamento do material. e a deformação axial poderá ser calculada. a variação relativa da resistência. É importante desenvolver a equação final da operação do extensômetro em termos do fator de carregamento K. oscilando em alta freqüência. ( dR / R / ε a ) . O material é submetido ao carregamento.Vejamos então como a deformação axial e a variação da área transversal se relacionam. da mesma forma que a resistividade e que o módulo de ν =− tensão transversal ε =− t tensão axial εa Desta forma. o qual é definido por (dD/D). Isto é. a sua seção transversal pode variar. o que pode resultar em aquecimento do elemento). dR/R. E o que é ainda mais importante. elasticidade. a tensão poderá ser calculada. o material está sob carregamento axial e lateral. o módulo de Poisson. O fator do extensômetro é a razão entre a variação relativa da resistência e a deformação axial. A razão entre as deformações transversal e axial é o chamado módulo de Poisson. mas estas são influências secundárias se o material não estiver sendo submetido a carregamentos extremos (por exemplo.

7.Algumas aplicações de extensômetros (de catálogo da Kiowa) Nas Figs.5(c) estão alguns exemplos de extensômetros.O último termo à direita do sinal de igualdade é o termo piezoresistivo. (a) (b) (c) Figura 7. mostra a aplicação de extensômetros em operações de carregamento de material: torção.4 . etc. A figura abaixo.5 – Extensômetros (a) "dual" da MFL (b) "rosette" (roseta) da MFL (c) simples da Vishay 236 . compressão. 7. Figura 7. extraída do catálogo da Kiowa.5 (a). o qual se espera manter constante durante o carregamento do material. flexão.5(b) e 7.

5(c) está um extensômetro simples da Vishay para medição de deformações unidimensionais ao longo do eixo principal do extensômetro.A roseta (Fig. Mas o importante é ter em mente que o extensômetro é. feito de filamentos metálicos. E na Fig. se feito de fio. pois um extensômetro substitue somente uma das resistências. Eo é a voltagem lida nos bornes indicados e dEo é a variação de voltagem devido à variação dR da resistência do extensômetro (resultante de carga aplicada ao material).6 ilustra uma ponte de Wheatstone. mas passa também a ser um elemento resistor de uma ponte de Wheatstone. o extensômetro é um resistor. Figura 7. como opera? O importante então é pensar que. 7.6 . para determinar as três componentes independentes de uma deformação plana. etc. se fio metálico ou chapa. A voltagem de alimentação é Ei. etc. E as formas dos extensômetros podem ser muitas. dependendo da aplicação a que se destinam. 237 . A Fig. independentemente das múltiplas escolhas que se possa ter. com a forma de roseta. este pode ser redondo ou oval. da sua forma construtiva. se metálico ou semi-condutor. Para sua operação ele é colado ao material que será carregado estática ou dinamicamente. E a ponte eletrônica da qual o extensômetro é uma parte. antes de tudo. 7. Este tipo de circuito é denominado de 1/4 de ponte. três medidas linearmente independentes devem ser realizadas por três extensômetros. Assim.5(b)) é usada quando se deseja medir as três componentes planas da deforrmação. pois o extensômetro só pode medir efetivamente a deformação em uma direção. 7.Circuito elétrico da ponte de Wheatstone. com o extensômetro sendo um dos resistores. Opera como um resistor independentemente do material do qual é feito.

a variação da resistência. A variação relativa da resistência. dR/R. é o produto da deformação com o fator do extensômetro. A barra tem 3 cm de largura e 1 cm de altura e está sob a ação de uma força de tração de 30 kN.04 x 3 )/ 4 = 1. (R1 + δR ) R 4 − R3 R 2 (R1 + δR + R 2 )(R3 + R 4) δR δR 4 Se todos os resistores fixos e o extensômetro têm resistências iguais antes do carregamento δ E0 R = ≅ Ei 4 + 2 δR R ( ) R Isto é.0 x 10 kN/m . Qual será a saída de voltagem da ponte com uma deformação de 1000 mstrain se a alimentação da mesma é de 3 Volts? Solução .Primeiro o cálculo da tensão. dE0 / Ei = ε a S / 4 .06.O equacionamento da ponte produz: E0 + δ E0 = Ei do material e então é aplicada uma carga. Exemplos 1. s = F/A. 238 . que tem resistores de 120 ohms. E então. dR/R. Um extensômetro de fator K = 2 está montado em uma barra de aço retangular. Os exemplos a seguir ilustram a seleção e a aplicação de extensômetros.0 x 10 m/m. Lembrar também que Assim. que tem módulo de elasticidade E = 200 x 106 kN/m . Está instalado em uma ponte de Wheatstone como a que está descrita acima. Solução . dE0 = ε a SEi / 4 = (1000 x 10-6 x 2.545 mVolts. s = 1. Após o cálculo da deformação com a equação de Hooke. da qual se necessita para calcular a deformação está agora associada à variação relativa da voltagem em uma ponte de Wheatstone. -3 -4 -5 2 2 ε a = ( dR / R ) / S . Determine a variação de resistência do extensômetro se sua resistência sem carga é 120 ohms.0 x 10 ohm/ohm 2. e = s / E = 5. se temos todos os resistores iguais na ponte e então o material e o extensômetro são sujeitos à deformação. K: dR/R = e K = 1. Um extensômetro tem resistência nominal de 120 ohms e um fator K = 2. dEo/Ei = (dR/R) / 4.Inicialmente.

A célula de carga é um dispositivo mecânico/eletrônico que usa o extensômetro para medir deformação e então tensão e força. 7. É interessante notar que. (a) (b) Figura 7.7. Isto pode ser realizado em uma balança de pivot central ou na balança de massa deslizante. ou com as células de carga de extensômetros. 239 .7. Atualmente. gerada por uma massa conhecida. a medida de quantidade de matéria de um corpo. na prática. a medição de força ou é realizada com instrumentos relativamente simples. Como todos sabemos. o método mais simples de se medir uma força é compará-la com uma força conhecida. dos supermercados. Força é uma quantidade vetorial associada à massa.Balança de pivot central (a) e balança de massa deslizante (b). necessária para mudar a quantidade de movimento do corpo.2 Medição de força e torque Inicialmente cabe diferenciar massa e força: massa é uma propriedade inercial. etc) têm custo quase imbatível na montagem de um sistema de medição de força. massa e força se relacionam através da Segunda Lei de Newton. como a balança de braço ou o dinanômetros de mola. Os esquemas estão na Fig.7 . as células de carga de extensômetro tornaram-se de uso disseminado com sua adoção em balanças comerciais (as balança eletrônicas das padarias. Entretanto.

ou LVDT na nomenclatura inglesa. a compressão exercida sobre o fluido é medida no manômetro e utilizada para calcular a força F. 9 4 3 240 . E dentre elas. dentro no qual se desloca um cilindro sólido. o número de espiras necessárias é n=40.Balança de mola Siga o dimensionamento de uma balança de mola helicoidal.10. A ausência de atrito entre o cilindro externo e o cilindro central garante uma vida longa ao dispositivo e assegura uma excelente resolução. Se a mola é feita de aço (E=80 x 10 Pa). No caso da célula de fluido. A equação de deflexão comumente usada para molas helicoidais é k = (Ed /8nD ). Entretanto deve-se mencionar que há células de carga que operam com outros princípios que não sejam a medição da deformação com extensômetros: as células de carga de carbono e as células de carga de fluidos estão entre elas. a constante da mola.Outro método simples usa a balança de mola mostrada na Fig. Baseado na especificações. sendo E o módulo elástico torcional da mola. veja na Fig. d o diâmetro do material da mola. Os indutores são formados por enrolamentos elétricos.8. O TDVL pode ser usado em vários tipos de dispositivos mecânicos que necessitem de converter uma posição física em um sinal elétrico. 7. As células de carga são atualmente os dispositivos de medição de força mais utilizados. Outro dispositivo para medir força é o transformador diferencial variável linear (TDVL. Linear Variable Differential Transducer). O deslocamento do cilindro sólido interno produz um sinal elétrico proporcional à sua posição. d = 2 mm e D = 2 cm. é igual a k = (50/10) = 5 N/cm. Na célula de carbono. D o diâmetro do helicóide e n o número de espiras. Figura 7. a compressão do carbono altera sua condutividade elétrica e então altera a tensão Eo medida no circuito elétrico. 7.8 . a célula de carga de extensômetros domina o mercado. k. Vamos projetar uma balança de mola para capacidade máxima de 50 N com a deflexão total de 10 cm. O TDVL é constituído por uma série de indutores construídos em um cilindro ôco.

Células de carga de carbono e de fluido.Figura 7.10 . 241 .Esquema do TDVL. (a) (b) Figura 7.9 .

Figura 7. usado tanto para compressão quanto para tensão e. detalhes de uma célula de carga cilíndrica (do livro de Elgar. da Vishay. Longman). 7. 242 . na sequência. Sensors for measurement and control. 7.12 mostra um modelo de célula de carga com extensômetro.11 mostramos algumas aplicações de extensômetros.11 Montagem de extensômetro para construção de torquímetro (à esquerda) e célula de carga de compressão (à direita) A Fig. As duas que reproduzimos a seguir são muito utilizadas para construir células de carga para medição de torque e força de compressão.Na Fig. Ed.

o método mais simples é medir a força no ponto de aplicação e multiplicá-la pela distância entre ele e o centro de rotação. 7. uma célula de carga usada para medir torsão e então torque). Figura 7. 7.Um sensor de torque da Omega Para medir o torque em um sistema não-rotativo.12 . em outras palavras. vários métodos são utilizados para medir o torque: colocar a máquina rotativa em balanço e medir seu torque reativo. do livro de Turner e Hill. 243 .13 mostra um sensor de torque da Omega (um torque sensor meter. No caso de máquinas ou sistemas rotativos. usar um freio de Prony (atrito seco). veja Fig.Células de carga da Vishay e esquema construtivo de célula de carga cilíndrica A Fig.14. 1999.13 .Figura 7.

Figura 7. 244 . Figura 7.14 .15 .Relógio comparador. São adequados para medidas locais. e não podem medir deslocamentos com mudança de direção. Os deslocamentos que medirão devem ser acessíveis pelo fuso.3 Medição de movimento O instrumento de medição de movimento de uso mais disseminado é o micrômetro tipo relógio comparador.Freio de Prony 7.

uma voltagem Vi é aplicada através de todo o comprimento da resistência. ponto B. AC = 100 mm.Vi = 5 volts.65 volts. A voltagem de saída é medida através de um dos polos A ou C e a haste deslizante.16 . Figura 7. Logo a variação da voltagem em relação ao deslocamento é: Voltagem relativa = 5 / 100 = 0. 0.Considere o potenciômetro linear mostrado na figura acima. Com relação ao circuito mostrado na figura. pontos A e C. o deslocamento do objeto é Deslocamento = 0.16 mostra um esquema de um potenciômetro linear e o circuito elétrico equivalente. A Fig.15 volts. Evidentemente restrições se aplicam. de tal forma que a voltagem de saída muda para 2. 7.05 = 3mm O deslocamento de 3 mm ocorre na direção de A desde que a voltagem cresceu. Este fuso deslizante pode ser conectado à peça que se move e ter o deslocamento medido.5 volts. 245 . O potenciômetro é um dispositivo na forma de uma resistência elétrica variável. Exercício . O deslocamento de um objeto provoca o deslocamento do fuso. A voltagem de entrada é 5 volts e a voltagem de saída é 2. Determine o deslocamento do objeto e a direção para a qual de move.05 V/mm Se a voltagem de saída varia de 2. isto é.65 Volts. Ele consiste de um fuso deslizante que corre ao longo do comprimento de uma resistência elétrica. Solução .5 Volts para 2.Potenciômetro linear.Um instrumento elétrico que mede movimento é o potenciômetro linear.15/0. no qual o fuso se encontra na posição mediana. como o comprimento de deslizamento estar limitado ao comprimento da resistência. O comprimento da resistência é 100 mm.

Um cilindro de aço é colocado no centro. produzindo uma f. Os encoders são incrementais ou absolutos.17 .17.Potenciômetro circular. Figura 7.18 .ms serão diferentes e há o registro de uma voltagem de saída V0.e. A resistencial central é chamada de resistência primária. f. Um encoder ótico é um transdutor no qual um deslocamento linear ou angular varia a transmissão da luz de uma fonte para um detector. Como estas resistências estão ligadas.e. inicialmente.ms têm a mesma magnitude e se cancelam. É constituído por um disco que gira solidário 246 . Assuma. que o núcleo de ferro está posicionado simetricamente em relação ao conjunto. A corrente que então flui produz um fluxo magnético no núcleo ferroso central.Transformador linear diferencial. as outras duas nos extremos são as resistências secundárias. A figura seguinte mostra um típico encoder incremental. Este fluxo se acopla com as resistências secundárias. O transformador linear diferencial é constituído por três resistências elétricas cilíndricas (bobinas) dispostas ao longo de um eixo. Figura 7.e. Caso o núcleo ferroso se desloque.A versão circular do potenciômetro linear está mostrada na Fig. podendo se deslocar livremente na direção de ambas as resistências secundárias. as f.m. A resistência primária é energizada com uma corrente AC de freqüência elevada (usualmente acima de 5 kHz). 6.

com um eixo. 247 .Tacômetro elétrico. na sua periferia. Há diversos tipos de tacômetros. que significa velocidade). ambas frequência e amplitude podem dar uma indicação da velocidade. por exemplo) e um detector são posicionados em ambos os lados do disco de forma que o raio luminoso passe pelas janelas. Os tacômetros mecânicos eram. Figura 7.19 . por exemplo.20 mostra tacômetro elétrico. Uma fonte de luz (LEDs. mecânicos ou elétricos. Quando o raio luminoso passa pela janela quando o disco gira.Encoder ótico. Os automóveis mais recente já utilizam tacômetros elétricos e alguns os tacômetros digitais. igualmente espaçadas. no velocímetro dos automóveis e motocicletas. Usando processamento adequado do sinal.20 . A Fig. um sinal é gerado pelo detector. Figura 7. com um magneto permanente girando no interior de uma bobina. 7. Um tacômetro é um dispositivo usado para medir a rotação de um eixo (da palavra grega takhos. A voltagem de saída Vo é um sinal elétrico alternado cuja freqüência e amplitude são ambas proporcionais à magnitude da velocidade de rotação. sendo que o disco tem inúmeras janelas.

21 . O fluxo do campo magnético é alterado pela presença dos dentes da engrenagem. também conhecidos por pick-up magnético. gera um campo magnético. Alimentado eletricamente."Pick-up" magnético 248 . Figura 7.Para medir rotação pode-se utilizar também o sensor de proximidade de relutância variável. Operam associados a um disco dentado de material ferroso. a extremidade do pick-up. Esta alteração é medida e registrada por um circuito elétrico adequado. que é uma enrolamento elétrico (bobina) através do qual passa uma corrente. que gira solidário a um eixo.

Fundamental of Temperature. Benedict. Pressure and Flow measurements. CRC Press. 2. Longman.Application and Design. Dr. Doeblin. McGraw Hill.fem. John Willey 5. Northrop. 9. 7.br/~instmed/Inst_Med.html 249 . Chilton.BIBLIOGRAFIA 1. Sensors for Measurement and Control. 6. Instrumentation for Engineering Measurements. França: http://www. McGraw Hill 3.unicamp. Flow Measurement. Dally. CRC Press. Site da disciplina “Instrumentação e Medidas” do Prof. Lipták. Measurement Systems . 8. John Willey 4. Introduction to Instrumentation and Measurements. Techniques and Topics in Flow Measurement. Holman. Experimental Methods for Engineers. Elgar. Jones. Fernando A.

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