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Apostila de Agrometeorologia

Apostila de Agrometeorologia

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1

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
FACULDADE DE METEOROLOGIA
DEPARTAMENTO DE METEOROLOGIA






DISCIPLINA: Agrometeorologia










Professora ministrante: Simone Vieira de Assis











Pelotas, RS.

2

Unidade 1: INTRODUÇÃO

1.1 Objetivo da Agrometeorologia
A definição da Agrometeorologia segue diretamente daquela consideração fundamental
da biologia moderna, na qual o organismo e seu ambiente formam uma dialética.
A Agrometeorologia é a ciência que interage com as características físicas do ambiente
onde estão crescendo plantas e animais; é relacionada com o estudo dos processos físicos que
ocorrem neste ambiente e também com o aproveitamento e influência destes processos físicos na
agricultura. É uma combinação de ciências físicas e biológicas e existe uma valiosa ligação entre
elas. No seu sentido mais amplo, é aquele ramo da meteorologia aplicada que investiga as respostas
dos organismos vivos ao meio atmosférico.
Nas décadas recentes o uso da meteorologia na agricultura foi aumentando. Isto tem
sido devido, largamente, aos estudos de laboratório, casa de vegetação e de campo, nos quais as
respostas biológicas tem sido medidas sob condições controladas.
A Agrometeorologia inclui o estudo da energia solar, composição e intensidade da
radiação solar, métodos de medida da radiação solar recebida pelos cultivos agrícolas . Também
estuda a atmosfera, particularmente a camada em que as partes aéreas das plantas crescem e se
desenvolvem e, é de grande importância a questão do regime térmico, desta camada, e sua relação
com àquela da camada superficial ao solo. De igual importância são os movimentos verticais e
horizontais do ar nesta camada da atmosfera, bem como seu teor de umidade e formação de vários
hidrometeoros .
Não só auxilia ao estudo da camada da atmosfera mais próxima do solo (primeiros 2
metros), como também existe a preocupação em encontrar métodos que alterem alguns processos
físicos a fim de combater condições desfavoráveis do tempo como geadas, secas, ventos fortes e
outras.
O principal objetivo é melhorar a produção agrícola pela previsão mais precisa e pelo
controle do meio atmosférico. A previsão pode variar desde as estimativas dos rendimentos das
culturas e a sua qualidade, por um lado, até a estimativa da produção pecuária e os azares
climáticos, por outro, passando pelo controle das enchentes e a regulação da temperatura dos
estábulos e de outras instalações para animais. No sentido estrito, a Agrometeorologia pode ser
definida como o estudo dos processos físicos na atmosfera, que produzem o tempo bem como suas
relações com a produção agrícola. É uma ciência horizontal, a qual aplica a física do ar atmosférico
e do solo à agricultura. De fato, muitos investigadores neste campo acreditam que as investigações
sobre o microclima das plantas e animais, assim como as estatísticas dos elementos do tempo, são
propriamente assuntos da meteorologia agrícola. Entretanto, nós enfatizamos o estudo das respostas
dos organismos vivos ao meio atmosférico, porque esta é a ligação entre a meteorologia e a
agricultura, e é o aspecto fundamental do assunto.
Os organismos vivos estudados na meteorologia agrícola são restritos as plantas
cultivadas, ao gado e as aves domésticas, aos insetos e ao microorganismo de importância
econômica. Nesse caso, o objeto de estudo da meteorologia agrícola é relacionado, principalmente,
com as relações quantitativas entre o meio atmosférico e as respostas biológicas das espécies
vegetais cultivadas e animais domésticos.
Outra importante tarefa da Agrometeorologia é estudar o solo, considerando a aeração,
regime térmico, balanço de umidade da camada mais superficial em relação a sua composição,

3
clima local e sua influência na formação do solo, e outros fatores. Uma interação com as medidas
agronômicas inclui a retenção de neve, uso de cobertura morta, uso de máquinas agrícolas para
lavrar a solo, irrigação e outras. Outros assuntos relacionados com a Agrometeorologia são:
desenvolvimento de zoneamento agrícola; exploração e uso racional do solo, incluindo solos
desnudos e plantados em regiões montanhosas e planas. A Agrometeorologia não deve ser
confundida com a Meteorologia Geral que estuda a atmosfera como um todo, sendo uma das suas
maiores tarefas, a previsão do tempo.
Existem diversas aplicações das técnicas meteorológicas às operações de campo.
Alguns exemplos importantes:
1. A previsão e proteção contra geadas;
2. Os avisos contra fogo nas florestas;
3. Planejamento da irrigação;
4. Os calendários de plantio e colheitas;
5. A seleção de lugares para as culturas;
6. Controle de insetos;
7. Controle de doenças;
8. Modificações microclimáticas, como a utilização da prática de quebra-ventos.

Grande número de experimentos tem sido feitos no campo aberto, numa tentativa de
melhorar a produção agrícola. Entretanto, esses experimentos são complicados devido a vários
fatores do ambiente físico. Novas teorias metodológicas e instrumentos necessitam ser
desenvolvidos, para sobrepujar as limitações da pesquisa no campo natural.

1.2 Importância do tempo e do clima para produção agrícola
A agricultura é o manejo dos recursos naturais visando a produção das plantas para
satisfazer as necessidades do homem. A produção das plantas pode ser usada diretamente para
alimentação como no caso de frutas e hortaliças, ou pode ser convertida através dos animais em
produtos como ovos, leite, carne, etc. ou usada para propósitos industriais como a juta.
A agricultura é dependente da interação de todos os atributos dos recursos da terra com
os atributos do homem. Os vários campos das ciências aplicadas que tem sido desenvolvidos pelo
homem para estudar as várias limitações impostas pelos recursos figuram na Tabela I.
A maioria dos problemas agrícolas requer os conhecimentos de mais de uma ciência
para obtenção da melhor resposta agrícola, e equipes de trabalho são necessárias para a ciência
agronômica. Como o crescimento das plantas é o centro de objetividade de agricultura, é o
agrônomo que comumente age como integrador dos vários cientistas.

Tabela 1. Recursos da Terra e os atributos do homem
Recursos da Terra Ciências aplicadas ao seu manejo na agricultura
Clima Agrometeorologia, agroclimatologia
Topografia Conservação do solo
Solo Fertilidade do solo, física do solo
Vegetação Agronomia (incluindo silvicultura) fitopatologia
Animais Entomologia, zootecnia
Água Hidrologia – irrigação, drenagem

RECURSOS HUMANOS

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Mão de obra Sociologia
Capital Economia
Tecnologia Engenharia
Os recursos naturais não são ilimitados. Anos atrás, sob condições de população
escassa e exploração industrial mínima, parecia que a Terra poderia ser o provedor inesgotável dos
recursos naturais. Entretanto, a população cresceu e a industrialização se expandiu, e cada vez
mais, nós estamos preocupados com as limitações da Terra. As florestas são destruídas, os solos
erosionados, os depósitos minerais exauridos e o ar e a água se tornam cada vez mais poluídos, e
caso não sejam tomadas providências eles se tornarão um ambiente impróprio à vida.
Se a produção mundial, em crescimento, deve ser alimentada em níveis mínimos
aceitáveis, a produção mundial de alimentos precisa ser aumentada, as perdas agrícolas e pastoris
minimizadas, e a eficiência da produção agrícola melhorada.
Não se pode mais aceitar , hoje em dia, que o homem explore os recursos naturais de
uma área ou região (solo, água, ar) e após mude-se para outra região para novos assaltos ao
ambiente. A empresa agrícola moderna não mais realiza esta prática; entretanto, os métodos
presentes de exploração agrícola estão começando a prejudicar o ambiente, o solo, a água, o ar, de
outras maneiras.
Para melhorar esta tecnologia moderna, que não pode ser abandonada, precisamos
conhecer cada vez melhor o ambiente que usamos (solo, clima, água).
As plantas dependem, para o seu crescimento e desenvolvimento, da sua constituição
genética e das condições ambientais do solo e do clima. Como um fator ecológico na agricultura, o
solo tem sido mais bem estudado e é melhor compreendido do que o clima. Em geral, os
agricultores conhecem mais sobre o manejo do solo do que como explorar corretamente os recursos
climáticos. Uma razão para o lento progresso da meteorologia agrícola é o pensamento
generalizado de que o conhecimento das relações entre o clima e as plantas são de pouco valor
prático. Embora o homem não seja ainda capaz de mudar o tempo e o clima, exceto em escala
muito reduzida, ele é capaz de ajustar as práticas agrícolas ao clima.
A climatologia pode contribuir para solucionar o problema de escolha dos lugares para
uma dada cultura ou de uma dada cultura para um lugar. Embora a localização de muitas regiões
agrícolas, e por exemplo o trigo no Planalto Gaúcho ou a região arrozeira no litoral do Rio Grande
do Sul, tenha sido selecionada pelos agricultores muito antes do desenvolvimento da moderna
ciência da climatologia, a falta de um conhecimento detalhado das relações das plantas com o clima
tem prejudicado o planejamento inteligente do uso da terra em uma escala maior. Até que a
interação do complexo climático com o processo físiológico da cultura seja entendido, a produção
desta cultura, adequada para condições climáticas locais, permanece no empirismo. A prática
comum de definir as chamadas analogias climáticas, primeiramente em termos de médias mensais
de temperatura e precipitação, tem provado ser inadequada como guia para a introdução de plantas
ou o planejamento do uso da terra. A radiação solar, a evapotranspiração, a amplitude diária de
temperatura, o balanço hídrico e outras variáveis meteorológicas precisam ser completamente
analisadas antes de estabelecermos um planejamento para obter o máximo retorno econômico em
função de determinado regime climático.
Desse modo, a agricultura torna-se dependente dos seguintes fatores do meio vegetal,
terrestre e atmosférico.

Climáticos
+ Radiação Comprimento de onda

5
Intensidade
Fotoperíodo e outros ciclos

+ Temperatura do ar
Temperatura do solo

+ Vapor de água Quantidade

+ Evaporação e Transpiração

+ Nuvens

+ Precipitação Quantidade
Freqüência
+ Umidade do solo

+ Vento Freqüência
Velocidade
Direção

Edáficos
+ Solo
+ Propriedades químicas

Geográficos
+ Gravidade
+ Latitude
+ Longitude
+ Altitude

Topográficos e outros

Cada local na superfície da Terra possui sua combinação particular de recursos
naturais. Como as plantas são imóveis, a prática da agricultura, em dada propriedade agrícola,
depende do manejo do conjunto dos recursos naturais da propriedade. Isto envolve a integração de
todos os recursos para obtenção dos máximos rendimentos.
A distribuição atual das plantas cultivadas não é tão ligada com as condições de solo e
clima como poderia ser esperado. Fatores bióticos e o homem em particular tiveram um papel
muito importante nesta distribuição, e para atendê-la temos de conhecer a história econômica e
social de uma determinada cultura.
Finalmente devemos chamar a atenção para a grande importância da Ecologia na
Agricultura. Qualquer sistema agrícola que deva ser desenvolvido além da agricultura de
subsistência deve colocar sua ênfase na Economia para obter-se máximos retornos dos
investimentos em capital e mão-de-obra.

1.3 Crescimento e desenvolvimento de plantas cultivadas

6
É necessário diferenciar “crescimento” de “desenvolvimento”.
Crescimento se refere a um aumento em peso ou volume de um certo órgão de uma
planta como um todo, dentro do intervalo de tempo de uma certa fase ou de toda a vida da planta.
Desenvolvimento é o aparecimento de uma fase ou de uma série de fases durante o
ciclo vital da planta. Por exemplo: o florescimento da planta é desenvolvimento, enquanto o
alongamento de um ramo é crescimento.
No que se refere às mudanças na composição química e física da planta, o crescimento
implica em mudanças quantitativas, mas não em profundas mudanças qualitativas. O
desenvolvimento, por outro lado, indica o progresso de uma série de mudanças qualitativas, através
de todos os estágios, até a morte.
Conclui-se que o crescimento pode ser medido pelo aumento de comprimento de um
ramo ou aumento de peso, etc. Entretanto, o desenvolvimento é usualmente observado pela data de
germinação, brotação, floração, frutificação, etc.
Em outras palavras, o estudo do desenvolvimento de uma planta, é morfológico e
fenológico (fenologia é o estudo dos acontecimentos periódicos da vida), mas o crescimento é
geralmente fisiológico e ecológico.
Os fisiologistas consideram o crescimento um fenômeno complexo, e de difícil
definição, porque o crescimento compreende aspectos como: a reprodução, o aumento em
dimensões, o ganho de peso, a multiplicação das células. Depende do órgão (da espécie do órgão),
que se toma como medida de crescimento.
Na prática agrícola, o descanso invernal das plantas, a quebra de dormência das
sementes e gemas, são problemas de desenvolvimento e não de crescimento. Uma vez que esses
são problemas essenciais em agricultura, a investigação das relações entre o meio e o
desenvolvimento, constituem importante trabalho de pesquisa.
Exemplo de fases visíveis e invisíveis: a maioria das fases e sub-fases de uma planta são
reconhecíveis morfologicamente, mas algumas não são aptas de serem vistas à olho nú. Entre as
visíveis temos a emergência, o empendoamento do milho a floração das ervilhas, etc. Entre as que
não podem ser vistas podemos citar o estágio formativo do milho, o estágio de rápido crescimento
da ervilha e a maturação da ervilha. Destas, algumas podem ser medidas com instrumentos, como
por exemplo, a maturação da ervilha pode ser medida com o tenderômetro, enquanto que o estágio
formativo do milho deve ser medido indiretamente pela contagem do número de folhas e altura das
plantas.
Ao examinar-se a curva de crescimento de um vegetal, observa-se um período inicial de
crescimento lento, seguido de um rápido aumento de tamanho, culminando, finalmente, com uma
parada no processo (Figura 1).
O crescimento inicial lento ocorre porque a planta depende das reservas da semente para
a produção de seus órgãos. Em seguida, após o desenvolvimento do sistema radicular e a
emergência das folhas, os processo anabólicos dependentes da fotossíntese se intensificam e
resultam num crescimento rápido e eficiente. Por último, ao atingir o tamanho definitivo, a planta
inicia a fase de senescência, que se reflete inicialmente na paralisação da produção de matéria
orgânica.
Essa curva de crescimento representa, para plantas anuais, todo o ciclo de vida. Para
plantas perenes, ela representa o crescimento durante uma época do ano (em regiões temperadas, a
primavera e o início do verão).




7
Figura 1. Representação gráfica do crescimento de um vegetal.


1.4 Ecossistemas e cadeia nutritiva
As plantas, animais e outros organismos não vivem só na natureza. Constituem
comunidades bióticas.
A comunidade biótica é uma unidade funcional mantida unida por uma
interdependência entre seus membros. A dinâmica total da comunidade ecológica, formada pelo
habitat (condições físicas) e pelos organismos que ocupam, denomina-se ECOSSISTEMA ou
sistema ecológico. No ecossistema os organismos e o habitat estão interrelacionados.
O ecossistema tem dois componentes:

1. Componente abiótico – como componente abiótico tem-se os processos físico-químicos do
meio, por exemplo, fatores climático (luz, temperatura, pluviosidade, ventos, etc) e fatores
edáficos (solo, pH, nutrientes, capacidade de retenção de água, etc) e quantidade de alimento
disponível.
2. Componente biótico – é aquele em que há a participação de organismos vivos, ou seja, o
predatismo e o parasitismo. O tamanho de uma população pode variar dependendo da
quantidade de predador e parasita encontrados nessa população.

Desse modo, todo ecossistema consta de quatro elementos principais:
a) substâncias abióticas;
b) produtores de alimento;
c) consumidores;
d) desintegradores dos compostos complexos de protoplasmas mortos e que produzem
substâncias simples para os produtores.
Exemplos de ecossistemas: lagos, bosques tropicais chuvosos, uma cultura de milho,
etc.

8
O homem pode interferir no funcionamento dos ecossistemas e conduzi-los à um futuro
magnífico ou a completa destruição. Por exemplo, o superpastoreio de campos de pastagens pode
destruí-los. É uma forma de má exploração dos recursos naturais que destrói o equilíbrio do
ecossistema natural. Prudentemente dirigidos, se pode obter a conservação e perpetuação de uma
grande quantidade de recursos naturais.

Cadeia nutritiva

Da energia luminosa absorvida pelas plantas verdes, somente uma pequena parte é
transformada em energia potencial, a maior parte é dispersada na forma de energia calorífica. Um
animal recebe energia química potencial (alimento e converte grande parte dela em calor), para
restabelecer outra pequena parte como energia química potencial de protoplasma novamente
formado. A transferência, passo à passo, de energia de um organismo para outro, faz com que uma
grande parte dela seja degradada na forma de calor.
Segundo o conceito do princípio da estabilidade, qualquer sistema natural fechado, com
energia flutuante através dele, tende a mudar, até que se estabeleça um estado estável pela ação dos
mecanismos autorreguladores. Neste princípios que se baseia o estudo dos problemas ecológicos
das cadeias nutritivas e do conceito de produtividade.
Cadeia nutritiva é a transferência da energia nutritiva desde sua origem, nas plantas
verdes, através da série de organismos que comem e são comidos repetidamente. Toda cadeia
alimentar começa com o produtor e termina com o decompositor (bactérias, fungos e outros). Entre
eles temos os consumidores que são classificados em primários secundários, etc, dependendo de
quem se alimenta.
Por causa das perdas de energia, o número de etapas das cadeias nutritivas, é
usualmente limitado a quatro ou cinco. Quanto mais curta a cadeia, mais eficiente ela é na
formação de peso vivo ou biomassa.
Reconhece-se a existência de 3 classes de cadeias nutritivas:
a) predadora: dos menores aos maiores animais;
b) parasita: dos maiores aos menores organismos;
c) saprófita: da matéria morta aos microorganismos.
Os organismos que obtém seus alimentos dos plantas mediante o mesmo número de
etapas, pertencem ao mesmo nível trófico; os carnívoros que comem herbívoros ao 3º nível; os
carnívoros secundários ao 4º nível.
As cadeias nutritivas nos são mais ou menos familiares, pois o homem ocupa uma
importante posição no final de várias delas.

Referências Bibliográficas
ARIZA, D. Ecologia objetiva. São Paulo: Nobel, 1985. 225p.

SAMPAIO, E. S. Fisiologia Vegetal: teorias e experimentos. Ponta Grossa: Editora UEPG,
1998.190p.

VITKEVICH, V. I. Agricultural Meteorology. Tradução: Israel Program for Scientific Translations.
Jerusalem: IPST Press, 1963. 312p.

9
Unidade 3: Temperatura do ar e plantas cultivadas
3.1 Temperatura cardeal e Lei de Van’t Hoff

Temperaturas cardeais

Independentemente de quão favorável possam ser as condições de radiação solar, o
crescimento da planta pára quando a temperatura cai abaixo de um certo valor mínimo ou excede
um certo valor máximo.
Entre estes limites, existe um ótimo de temperatura no qual o crescimento se dá
com maior rapidez. Estes três valores são conhecidos como temperaturas cardeais.
Parker (1946) mostrou que a complexidade fisiológica da planta impede a
determinação precisa das temperaturas cardeais, porque diferentes processos exigem
diferentes temperaturas.
Entretanto, os valores aproximados das temperaturas cardeais são conhecidas para
a maioria das espécies vegetais.
Com culturas típicas de estação fria, como aveia, trigo, centeio e cevada, os
pontos são todos comparativamente baixos: mínimo de 0º a 5º C; ótimo 25º a 31º C e máximo
31º a 37º C.
Para plantas de verão, como melão e sorgo, as temperaturas são muito maiores:
mínima 15º a 18º C; ótimo 31º a 37º C e máxima 44º a 50º C.
As temperaturas cardeais também variam com o estágio de desenvolvimento.
Certas plantas exigem um período de baixas temperaturas durante a germinação e nos estágios
iniciais de plântula, para o crescimento ótimo. Muitas plantas bianuais devem receber
tratamento frio no fim do primeiro ano de crescimento para poder induzir-se a formação de
gemas florais e a subsequente floração durante o segundo ano. Aparentemente, algumas
substâncias destruídas por altas temperaturas se acumulam durante o período frio
atrapalhando o ciclo reprodutivo.

Lei de Van’t Hoff

Alguns investigadores acreditam que entre o mínimo e o ótimo de temperatura, a
formação de matéria seca segue a lei de Van’t Hoff. Isto é, para cada 10 º C de aumento da
temperatura, a razão de produção de matéria seca dobra, aproximadamente.

3.2 Temperatura do ar requerida durante o período vegetativo-reprodutivo

Como o desenvolvimento da cultura é muito afetado pela temperatura, a tabela abaixo
mostra algumas informações relacionadas com valores de temperatura.

Espécie vegetal Temperatura ótima Fotoperiodismo T
M
T
m

algodão entre 18 e 30º C sensível (adaptada a dias curtos) 40º C 14º C
amendoim entre 22 e28º C Não sensível 33º C 18º C
arroz Entre 22 e 30º C sensível 30º C 12º C
batata Entre 18 e 22º C Não sensível 30º C 15º C
cana de açúcar Entre 22 e 30º C sensível 30º C 20º C

10
Continuação..... ...... ...... .... ....
feijão Entre 15 e 20º C -- 27º C 10º C
milho Entre 15 e 20º C -- 25º C 14º C
soja Entre 18 e 35º C sensível 35º C 10º C
Fonte: Klaus Reichardt – A água em sistemas agrícolas (1987)


3.3 Fotossíntese em relação à temperatura

As plantas são seres autótrofos. Graças à presença de clorofila em suas folhas, elas são
capazes de captar energia luminosa do sol e utilizá-la na síntese de moléculas orgânicas, que lhes
servirão de alimento. Esse processo é chamado de fotossíntese. Considerada a fonte primária de
energia, a fotossíntese é o processo pelo qual as plantas sintetizam, na presença de luz, compostos
orgânicos a partir de matéria inorgânica. Essencial para a manutenção de todas as formas de vida, a
fotossíntese produz compostos que possuem mais energia do que as matérias primas que utiliza.
Assim, graças à energia solar, os compostos pobres em energia, como o gás carbônico e a água, são
convertidos em compostos energéticos e oxigênio. Nos cloroplastos ocorre a reação da mais
fundamental importância para a vida das plantas e, indiretamente, para a vida dos animais, que é a
fotossíntese. Os cloroplastos são geralmente discoidais, sua cor é verde devido à presença de
clorofila.
A fotossíntese é dividida em duas fases: clara e escura. A fase clara, também chamada
de fotoquímica, consiste na incidência da luz solar sob a clorofila A. A molécula de clorofila
absorve energia luminosa.
A fase escura ocorre no estroma dos cloroplastos e é nesta fase que se forma a glicose,
pela reação inicial entre o gás carbônico atmosférico e um conjunto de cinco carbonos.
Equação geral da fotossíntese:


A estrutura da folha, o teor de clorofila e a quantidade de produtos acumulados podem
influenciar o rendimento fotossintético, são considerados como fatores internos. Como fatores
externos temos, a intensidade e a qualidade da luz, a concentração de CO
2
e a temperatura, todos
esses influenciam a atividade de fotossíntese.
Sob condições de concentração normal de CO
2
e saturação da intensidade luminosa, a
fotossíntese é afetada pela temperatura porque os processos químicos são limitados. Molga (1962)
apresentou informações que mostram na Figura 1 a relação entre a fotossíntese da batata, do tomate
e do pepino para diferentes temperatura das folhas. A taxa fotossintética aumenta com a
temperatura alcançando um máximo entre 30º C e 37º C, e então diminui para temperaturas mais
altas. Para muitas plantas de regiões temperadas e tropicais a temperatura ótima excede 25º C.
6CO
2
+ 12H
2
O C
6
H
12
O
6
+ 6H
2
O + 6O
2

11

Embora a folha esteja completamente exposta à radiação solar, não apresenta eficiência
na utilização dessa energia para a fotossíntese. Intensidade de radiação extremamente baixa, a
eficiência pode alcançar 17 %; cai rapidamente para 8 % para a intensidade de 100 langleys/dia, e 3
% para 300 langleys/dia, como mostra a Figura 2.
A diminuição na eficiência da utilização da radiação solar com o aumento da
intensidade luminosa é causada pela resistência à difusão do dióxido de carbono, através da folhas,
pelo cloroplastos.


O menor índice fotossintético se verifica a 10º C, e a partir de 35º C as reações são
paralisadas pela desnaturação das enzimas envolvidas. A partir do ponto de saturação luminosa, a
intensidade de luz passa a limitar o processo (Figura 3A); na Figura 3B, tem-se a influência da

12
temperatura sobre a taxa de fotossíntese de uma planta exposta a alta intensidade e a baixa
intensidade luminosa.
Figura 3. Influência da intensidade luminosa e da temperatura na taxa fotossintética.




3.4 Estômatos

Os estômatos atuam como válvula regulando a principal passagem de água e CO
2
entre
a planta e a atmosfera. Em algumas plantas eles ocorrem nas superfícies superior e inferior das
folhas, em outras, somente na inferior; encontram-se também nas partes não espessadas do caule,
parte das flores e muitos frutos (banana, abacate, etc). Sua densidade varia de 50 a 500 por mm
2
,
atingindo, às vezes, até 1 300 por mm
2
. A Figura 4 mostra o movimento dos estômatos. A parte das
duas células-guardas voltada ao orifício, chamado ostíolo, tem as paredes mais grossas, portanto,
menos elásticas que as da parte restante. Quando as células estão túrgidas, a diferente elasticidade
das paredes produz deformações diferentes, abrindo o ostíolo. Quando as células perdem água,
tornam-se flácidas e o ostíolo se fecha. Através dos estômatos passam gás carbônico, oxigênio,
vapor d’água e, às vezes, gases poluentes existentes no ar.


13
Figura 4. Estrutura da estômato.

As plantas que vivem em ambiente seco e sob condições de alta intensidade de luz,
tendem a ter estômatos menores e em maior quantidade do que aquelas que vivem em ambientes de
sombra e úmidos.
Alguns fatores afetam a abertura dos estômatos, tais como a intensidade luminosa,
potencial de água na planta, concentração de CO
2
, idade da folha, doenças, etc.
A concentração de gás carbônico no ar é um fator importante a afetar a abertura
estomatal. As plantas expostas ao ar, livre de CO
2
, abrem os estômatos mesmo no escuro. Por outro
lado, o aumento do gás carbônico, além do teor normal existente no ar atmosférico, produz o
fechamento dos estômatos, mesmo na presença da luz.
A abertura dos estômatos aumenta gradualmente com a temperatura até um ponto
determinado (32 a 38º C). O efeito indireto da temperatura interferindo na concentração de vapor
d’água pode afetar substancialmente a transpiração, ocasionando inclusive o fechamento dos
estômatos por déficit hídrico. Schulze et al (1972) mostraram que baixos teores de umidade do ar
podem causar fechamento dos estômatos independentemente do teor de água das folhas.
O efeito da temperatura na abertura dos estômatos também é balanceado pela
concentração de gás carbônico. Altas temperaturas aumentam as taxas de respiração, levando a um
aumento da concentração interna de CO
2
e, talvez, esta seja a causa do fechamento dos estômatos
em torno do meio dia.
Quando as plantas entram em desequilíbrio hídrico, isto é, perdem mais água do que
absorvem (Figura 5), as células-guardas tornam-se menos túrgidas e a abertura estomática decresce

14
até fechar-se completamente. Além disso, a umidade relativa do ar decresce em torno do meio-dia,
podendo afetar significativamente o movimento dos estômatos, fechando-os.

3.5 Constante térmica

O conceito da relação entre temperatura e a taxa de desenvolvimento de uma planta é
bem conhecido, pois certas fases de desenvolvimento são antecipadas com aumentos progressivos
de temperatura, dentro de certos limites. Este fato originou a criação de métodos de cálculos de
Unidades Térmicas de Desenvolvimento (UTD), baseados no somatório de temperatura acumulada
durante o dia. Com elas pode-se determinar as exigências térmicas de uma cultura para atingir uma
determinada fase, tornando possível a previsão da época em que ela será atingida. Além disso,
permite prever, com razoável exatidão a maturação de plantas, adaptação às diversas zonas, como
também determinação de épocas de semeadura, de maneira a fazer coincidir os períodos críticos
com as melhores disponibilidades climáticas.
Reaumur, há uns 200 anos, chegou a seguinte conclusão: se desde o momento em
que se verifica a germinação somarmos a temperatura média de cada dia até o momento da
maturação, a soma total é sempre a mesma, para determinado cultivo, qualquer que tenha sido
a situação determinada do cultivo e o ano considerado. O trabalho de Reaumur ficou
conhecido como a constante de Reaumur de fenologia, pois foi precursor do conhecido
sistema de unidades térmicas ou graus-dia, usado atualmente para a previsão do ciclo
fenológico de vários vegetais. O conceito de graus-dia pressupõe a existência de uma
temperatura base, abaixo da qual a planta não se desenvolve, e se o fizer é a uma taxa muito
reduzida. A cada grau de temperatura, acima da temperatura base, corresponde um grau-dia.
De acordo com esse autor, a cevada requer, desde a germinação até a maturação, uma soma de
1700º C aproximadamente, o trigo 2000º C e o milho 2500º C. A estas somas, fixas para cada
vegetal, deu-se o nome de CONSTANTE TËRMICA.
O cálculo de graus-dia acumulado (GDA) pode ser feito utilizando-se o seguinte
método:

) (
1
B
n
i
i
T T GDA ÷ =
¯
=

(1)
sendo
2
mín máx
i
T T
T
+
=
(2)

em que T
i
- temperatura média diária do ar (º C);
T
máx
- temperatura máxima diária do ar (º C);
T
mín
- temperatura mínima diária do ar (º C);
T
b
- temperatura base da cultura
n - número de dias do período considerado.


Baseado neste princípio ficava explicada a diferente duração do ciclo vegetativo
das culturas. Assim, por exemplo, o milho necessita de 2500º C. Se o cultivo se efetua numa
localidade onde a temperatura média diária é de 31º C, a planta necessitará de 100 dias para

15
alcançar a maturação; em troca, se a temperatura média da localidade for 21º C a planta
necessitará de 167 dias para amadurecer.
A constante térmica se calcula também, para qualquer subperíodo (ou fase) dos
vegetais. Por exemplo, para a amendoeira pode-se calcular a soma de temperatura que esta
requer desde a floração até a brotação.
Se tomarmos como exemplo uma variedade de trigo, veremos que em algumas
localidades, desde a germinação até a maturação, transcorrem 142 dias, em outras 155 dias ,
117 dias, etc.

3.6 Fatores ambientais que fazem variar a constante térmica

a) nível de fertilidade do solo
Altos teores de nitrogênio e, consequentemente um maior crescimento vegetativo
atrasam a maturação, ao passo que altos teores de fósforo tendem a acelerar.

b) população de plantas
Uma baixa população de plantas fará amadurecer mais cedo que uma população mais
densa, desde que ervas daninhas não mascarem a diferença.

c) tipo de solo
Os solos arenosos aquecem-se mais rapidamente do que os solos argilosos. Outras
variáveis tais como nível de fertilidade e características de umidade estão associados com o tipo de
solo.
d) temperaturas do solo
Durante o aquecimento de primavera, a temperatura do solo atrasa-se apreciavelmente
em relação à temperatura do ar. Portanto, unidades de calor acumuladas baseadas na temperatura do
ar podem ser altas demais. A temperatura do solo pode ser usada até a emergência.

e) umidade
Solos pobremente drenados são frios e também causam maior número de problemas de
nutrição. Seca durante o último período de vida da planta normalmente acelera a maturação.
A maturação será retardada se a umidade é escassa na época de semeadura ou durante o
período inicial de crescimento, embora as unidades de calor sejam acumuladas.

3.7 Termoperiodismo

A variação anual, diária e aperiódica da temperatura do ar tem um claro efeito no
desenvolvimento dos vegetais superiores.
Esta variação, num ciclo completo de um ano, um dia ou vários dias constitui um
termoperíodo anual, diário ou aperiódico, respectivamente e se caracteriza por apresentar dois
setores bem definidos: a termofase positiva e a termofase negativa.
A primeira termofase corresponde ao lapso mais quente e a segunda ao lapso mais frio
do termoperíodo.
A reação das plantas ao termoperíodo denomina-se termoperiodismo.
Distinguem-se três tipos de termoperiodismo: o anual, o diário e o aperiódico, segunde
se trate da resposta do vegetal à termoperiodicidade anual, diária ou aperiódica.

16
A importância da periodicidade anual da temperatura se manifesta na distribuição
geográfica das culturas. O êxito ou fracasso das introduções de espécies exóticas depende, em
grande parte, da semelhança ou não entre as condições termoperiódicas anuais das regiões de
origem e das regiões onde se pretenderá cultivá-las.
Burgos (1952) estabeleceu uma classificação das plantas, segundo a qual seu ciclo vital
coincide ou não com a variação anual da temperatura.

- Termocíclicas
Aquelas espécies que apresentam tecidos ativos à temperatura durante um ou mais
períodos anuais de variação da temperatura. Exemplos: plantas perenes (ameixeiras) e plantas
bianuais.

- Paratermocíclicas
As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura em uma parte das termofases
positiva e negativa. Exemplo: cereais de inverno (trigo, cevada, etc).

- Atermocíclicas
As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura somente na termofase positiva do
termoperiodismo anual. Exemplo: tomate, sorgo, milho, etc.


3.7.1 Termoperiodismo diário

Nas espécies termocíclicas a ação do termoperíodo diário deve considerar-se como de
interferência com o termoperíodo anual. Não acontece o mesmo nas espécies paratermocíclicas e
atermocíclicas, nas quais a termoperiodicidade diária tem uma ação importante na expressão do
desenvolvimento.
Em espécies paratermocíclicas como cereais de inverno, interessa destacar a ação
favorável da termofase negativa do termoperíodo diário, durante o estado juvenil para um normal
espigamento.

3.7.2 Termoperíodo aperiódico

A advecção irregular de massas de ar quente ou frio determina uma variação aperiódica
da temperatura do ar de notáveis conseqüências bioclimáticas.
Essa termoperiodicidade pode atuar por si só ou como sucede geralmente, interferindo
no termoperíodo anual e diário.
A influência do termoperíodo aperiódico se encontra exemplificada na adaptação
deficiente às condições climáticas de Buenos Aires da amendoeira e aveleira. Estas espécies exigem
uma termofase anual negativa de pouca intensidade e duração, e apresentam além disso um baixo
nível térmico de brotação. Em conseqüência, essas espécies de fruteiras raramente frutificam e se o
fazem são de baixa produtividade.
A ocorrência de um certo número de dias com temperaturas anormalmente elevadas traz
em consequência que o pessegueiro floresça prematuramente em plena época hibernal. Esta
floração é seguramente prejudicada pelas baixas temperaturas dos dias subsequentes.


17
3.8 Perfil da temperatura do ar acima do dossel
Durante a noite, a temperatura do solo e das superfícies vegetadas cai rapidamente por
causa do resfriamento radiativo, de modo que a superfície fica mais fria do que em outro local
acima da vegetação e do solo. Por conseguinte, desenvolve-se um inversão de temperatura,
mostrando que a camada mais baixa da atmosfera é estável.
Perfil da temperatura medido dentro do dossel vegetativo é diferente daquele medido
acima. Freqüentemente, durante o dia há uma temperatura máxima entre a metade e a porção
superior do dossel. Essa temperatura máxima ocorre próximo do nível de área foliar máxima e é
decorrente da radiação solar absorvida. Acima deste nível o perfil tem apresentação normal,
temperatura diminuindo com a altura. Abaixo deste nível, há uma inversão de temperatura porque o
dossel está mais quente do que o solo abaixo.
À noite, o perfil de temperatura no nível mais baixo do dossel está próximo de um
isotermia, uma vez que o topo do dossel aprisiona a radiação de onda longa emitida pelo solo. O
perfil de temperatura é invertido na parte superior porque a radiação de onda longa é transmitida
para o espaço. Naturalmente que alguns perfis podem ser diferentes devido a vários fatores, como
por exemplo a resistência estomatal que varia, fontes e sumidouros de calor sensível e calor latente
que sofre mudanças consideráveis.

Um exemplo de perfil de temperatura é apresentado a seguir, medido numa
cultivo de cacau. Quanto ao padrão médio da temperatura das folhas que compõem o terço
médio superior e inferior da copa do cacaueiro este é apresentada na Figura (6), para dois dias
com padrões diferenciados de nebulosidade. Através dela, se observa que, independentemente
da nebulosidade, a temperatura do estrato superior foi superior a do estrato inferior do dossel
onde os padrões horários de variação são menos acentuados. No entanto ao se examinar a
temperatura média diária do ar em relação a temperaturas superior e inferior do dossel, se
verifica que a temperaturas da camada superior e inferior do dossel, se mantiveram acima da
temperatura média diária do ar. Sob condições de céu parcialmente nublado, a temperatura
média das folhas do dossel superior mantiveram-se entorno de 30°C, durante grande parte do
dia, em níveis superiores da temperatura média diária do ar que foi de 29°C. Quanto as
temperaturas da camada inferior do dossel, estas se mantiveram em média entre 0° e 2°C
acima da temperatura média diária observada. Com relação ao ocorrido no dia ensolarado,
observou-se um concomitante aumento no perfil de variação das temperatura foliares nos dois
estratos logo no inicio da manhã até que uma brusca queda da temperatura média do estrato
superior foi observada em decorrência de período de nebulosidade.
Quanto as temperaturas médias do dossel inferior estas se mantiveram dentro de
um padrão de variação quase constante entre 11:00 e 17:00 (»33°C) e apresentando um desvio
positivo com relação a temperatura média diária de 32°C.
(Fonte: Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet, 1998)










18

Figura 6. Variação horária da temperatura do ar (T
ar
) e das temperaturas médias das camadas
superior e inferior do dossel exposto à padrões diferenciados de nebulosidade (Fonte:
Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet, 1998)


3.9 Vernalização

Em muitos países distinguem-se dois grandes grupos de trigo: os chamados hibernais e
os primaveris. Os trigos hibernais são semeados no outono, passam o inverno no campo (daí o seu
nome), continuam o seu desenvolvimento na primavera e são colhidos no verão.
Os trigos primaveris, por sua vez, são semeados na primavera e colhidos no verão ou
outono. É um fato bem conhecido que, quando um trigo do tipo hibernal é semeado na primavera,
espiga muito tardiamente e fornece em conseqüência um baixo rendimento. O mau comportamento
dos trigos hibernais quando semeados na primavera se deve, principalmente, a que requerem
durante seu estado jovem, um certo número de dias com baixas temperaturas (-2º a 10º C); esse frio
é conseguido quando os trigos hibernais são semeados no outono e não quando semeados na
primavera. Lysenko (1925), pesquisador russo, demonstrou que o frio requerido por uma variedade
durante a sua fase inicial pode ser fornecido à semente, antes da semeadura. Para tal preconiza o
seguinte método de trabalho:

1. Umedecer a semente com quantidade estritamente necessária de água (uns 55 litros para
cada 100 kg de sementes) para dar início à germinação. Como costuma apresentar certos
inconvenientes ao utilizar uma quantidade média de água, Mckinney e Sando (1933)

19
sugerem empapar as sementes com excesso de água dentro de um recipiente, durante
aproximadamente 18 horas. Transcorrido este período extrai-se todo o excesso de água.

2. Deixam-se as sementes umedecidas em um ambiente relativamente morno (10º a 15º C)
até que se observa que os embriões estão saindo das sementes.

3. Chegado este momento, as sementes devem ser mantidas em um ambiente escuro e frio
(4º a 5º C) durante um certo número de dias que depende, principalmente, da variedade,
porém, em geral oscila entre 20 e 25 dias para os trigos hibernais típicos.

Desde que, por meio deste tratamento, os trigos hibernais podem ser semeados se
dificuldade na época que corresponde aos trigos primaveris, Lysenko deu o nome russo de
“IAROVIZAÇÃO”, que traduzido corresponde à vernalização, palavra derivada de vernal que
significa pertencente à primavera.
O tratamento sugerido por Lysenko para o trigo pode ser aplicado, com certas variantes,
a outros cereais hibernais, tais como a aveia, centeio, etc.
A vernalização constitui definitivamente um processo de acumulação de baixas
temperaturas por parte da planta, desde o estágio de semente germinada até o momento da formação
do talo.
Foi demonstrado que o efeito da vernalização pode ser destruído pela ação de altas
temperaturas (20º C ou mais) durante vários dias posteriormente ao tratamento. Isto significa que o
processo é reversível. Com efeito, em plantas de aveia, demonstrou-se que temperatura de 20 a 25º
C inibem parcialmente, a ação das baixas temperaturas de vernalização do dia anterior e que este
efeito aumenta com a duração do período submetido a temperaturas elevadas.
Outra vantagem agronômica que se consegue, realizando a vernalização, é a utilização
de áreas geográficas inadequadas para uma cultura por falta total ou parcial de frio hibernal.


20
Unidade 4: Temperatura do solo
4.1 Importância da temperatura do solo para as culturas

Ao estudar alguns fenômenos que ocorrem no solo e que estão ligados a
sua fertilidade, tais como composição, atividade da flora microbiana, atividade de íons
que tomam parte numa reação de troca, energia livre de água no solo, decomposição da
matéria orgânica, germinação de sementes, e outros, verificou-se que eles dependem
muito da temperatura. Como exemplo, podemos citar que baixas temperaturas do solo
fazem com que a viscosidade da água diminua, diminuindo a velocidade de absorção
pelas raízes; por outro lado, altas temperaturas condicionam uma maior perda de água
dos poros do solo.
Temperaturas do solo extremamente elevadas tem efeito prejudicial sobre as
raízes e podem causar lesões destrutivas nos caules. Por outro lado, as temperaturas baixas
impedem a absorção de nutrientes minerais.
Devido a estes fatos, o conhecimento do comportamento da temperatura no perfil
do solo é um aspecto importante em uma agricultura bem orientada e artifícios como irrigação
e coberturas mortas tem sido utilizados para seu melhor controle.
Sabemos que ao atingir a superfície da Terra, parte da radiação solar é
refletida e parte interage com a superfície do solo, transformando-se em energia
térmica. A quantidade de energia absorvida pelo solo depende da duração da radiação
solar, da inclinação da superfície receptora e das características físicas do solo, tais
como: difusividade, condutividade térmica e capacidade térmica.
A temperatura do solo responde mais aos efeitos locais, à radiação solar, à
topografia e outros efeitos semelhantes, podendo diferir muito da temperatura do ar.
Muitas localidades nas áreas polares e em algumas montanhas ficariam certamente sem
vegetação se não fosse o fato da temperatura do solo ser muito mais alta do que a do ar,
especialmente durante o período de sol. A temperatura do solo é mais responsável do
que a do ar, pelo contraste entre as diferentes encostas e exposições que ocorrem nas
montanhas.
O significado ecológico da temperatura do solo é obviamente importante
para aqueles que trabalham na agricultura. Temperatura do solo desfavorável durante
a estação de crescimento pode retardar as colheitas. Os horticultores valorizam muito
um solo que se aquece rapidamente na primavera. Muito esforço tem sido feito pelos
agricultores para modificar a temperatura do solo.

4.2 Características térmicas dos diferentes tipos de solo

a) Calor específico (c)
É a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de solo de 1º
C. O calor específico de todos os solos minerais varia, em média, de 0,18 a 2,0 cal/g. ºC. o solo
humoso tem calor específico aproximadamente igual a 0,45 cal/g. ºC.

b) Capacidade térmica ou capacidade volumétrica de calor (Cv)
Capacidade de calor de uma substância ou do solo é a quantidade de calor
necessária para elevar a temperatura de 1 cm
3
de solo de 1 ºC. A capacidade térmica de
um solo varia de acordo com seu conteúdo de umidade. Solos orgânicos secos tem

21
capacidade térmica mais baixa do que os solos minerais, devido a baixa densidade dos
primeiros. No campo, solos orgânicos e de textura fina, devido a sua alta capacidade de
retenção de água, tem maior capacidade térmica do que solos com textura mais grossa.
A capacidade térmica da maioria dos solos varia de 0,3 a 0,6 cal/cm
3
.ºC.

c) Condutividade térmica (k)
Indica a taxa de transferência de calor. Fisicamente representa a taxa em que o calor
flui, através de uma área unitária de determinada substância, quando existe um gradiente de 1º
C/cm. Unidade de medida cal/cm.seg.ºC.
Pode-se dizer também que é a quantidade de calor que flui por unidade de tempo
através de uma seção transversal de 1 cm
2
, responsável por um gradiente de
temperatura de 1 ºC.
A condutividade térmica depende sobretudo da porosidade, conteúdo de umidade
e matéria orgânica do solo. Para um determinado conteúdo de umidade, a condutividade
térmica decresce dos solos pesados para os mais leves, conforme a porosidade aumenta.
Em termos de tensão de umidade do solo, a condutividade é praticamente idêntica para
solos com texturas diferentes (a espessura da película de água que envolve as partículas
de solo é praticamente idêntica). A matéria orgânica não transfere o calor tão
rapidamente quanto um solo mineral. Exemplos: solo arenoso seco k = 0,00046
cal/cm.seg.ºC; solo fino humoso k = 0,00027 cal/cm.seg.ºC.

d) Difusibilidade térmica (K)
Indica a penetração de calor no solo e pode ser definida como sendo o quociente
entre a condutividade térmica (k) e a capacidade térmica (Cv), ou seja, D = k/Cv.
É a mudança, em graus Celsius que ocorre em um segundo, quando o gradiente de
temperatura aumenta 1 ºC/cm
3
. A difusividade térmica do solo aumenta com o aumento da umidade
atingindo um máximo, depois então decresce. Uma pequena quantidade de água no solo, entre as
partículas, reduz o efeito isolante do espaço poroso cheio de ar (aumenta o valor de K), mas um
aumento muito grande no conteúdo de água resulta num aumento acentuado da capacidade térmica,
diminuindo o aumento da temperatura produzido por uma determinada quantidade de calor, uma
vez que a capacidade térmica da água, que é alta, substitui a do ar que é quase negligenciável.
A matéria orgânica diminui a difusividade, devido ao aumento da porosidade, enquanto
que a compactação do solo a aumenta, porque diminui a porosidade. A difusividade térmica dos
solos está entre 10
-2
e 10
-3
cm
-2
.seg
-1
.

4.3 Condução de calor no solo
A transmissão de calor pode ser definida como sendo a transmissão de energia de uma
região para outra, devido a uma diferença de temperatura entre elas. No solo a transmissão de calor
se realiza, na maior parte , por condução e uma pequena parte por convecção, através de moléculas
de vapor d’água e ar que ocupam os espaços porosos do solo. Por outro lado, a perda de energia do
solo para a atmosfera dá-se por radiação.
O conhecimento do transporte de energia no solo é importante dentro do caráter de estímulo
às reações bioquímicas da germinação de sementes, decomposição de matéria orgânica, respiração e
crescimento do sistema radicular de uma planta qualquer, enfim, de toda a estrutura orgânica da
fauna e flora do solo, como também na energia livre da água no solo, troca de íons nos minerais,
etc.

22
A energia alcança a superfície do solo na forma de ondas eletromagnéticas e dependendo das
características da superfície elas podem ser mais ou menos absorvida. Em virtude disso, durante o
dia o fluxo de energia tem sentido descendente, caminhando da superfície em direção às maiores
profundidades, pois a superfície está recebendo energia desde o nascer até o pôr do sol, se
aquecendo e cedendo calor para as camadas inferiores. Durante a noite este sentido se inverte, uma
vez que a superfície em contato com o ar atmosférico é resfriada rapidamente e as camadas
inferiores começam a ceder calor para a superfície. Convencionalmente, a energia que vai em
direção à superfície é positiva e a que deixa a superfície é negativa.

4.4 Fluxo de calor no solo
Uma certa quantidade de calor no solo é requerida por todas as plantas, por exemplo, para
haver germinação de sementes de trigo e cevada, a temperatura mínima varia de 0 a 5º C e a
máxima de 31 a 37º C, e de melão de 15 a 18 e 44 a 50º C, respectivamente. As temperaturas do
solo ótimas para germinação do trigo variam de 25 a 31º C e para o melão de 31 a 37º C.
O desenvolvimento radicular sofre considerável influência da temperatura do solo; para
culturas de inverno, um bom desenvolvimento ocorre de 6 a 10º C. Decréscimos graduais na
temperatura do ar e do solo facilitam a sintetização do açúcar e o desenvolvimento de resistência ao
frio e até a seca. Decréscimos repentinos a menos de 0º C baixam as resistências.
A condução de calor se processa sempre no sentido contrário ao do gradiente de temperatura
e é proporcional ao valor desse gradiente. Considerando-se um volume de controle de um meio
homogêneo, limitado por arestas infinitesimais Ax, Ay, Az orientadas segundo as direções dos eixos
cartesianos. Se todo o meio está sendo aquecido uniformemente na sua face superior, então, a
temperatura, a uma determinada profundidade, é a mesma em qualquer ponto. Logo, as
componentes horizontais do gradiente de temperatura é nula,


0 =
c
c
+
c
c
j
y
T
i
x
T
 
1
Assim, o transporte de calor (Q) se efetua de cima para baixo e depende apenas da
componente vertical do gradiente de temperatura, logo,

k
dz
dT
k
z
T
 
÷
c
c
2

Como o fluxo vertical (F
z
) de calor é proporcional ao gradiente vertical de temperatura e
ocorre no sentido inverso, tem-se, em módulo:

y x
dz
dT
k
dt
dQ
F
z z
A A |
.
|

\
|
÷ = = 3

onde k
z
(cal.cm
-2
.s
-1
.K
-1
) é a constante de proporcionalidade, chamada de coeficiente de difusão de
calor ou condutividade calorífica do meio em questão.

23
A Figura 1 mostra a interferência da temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e sobre
a transpiração. Nota-se a sensibilidade da cultura do milho a temperaturas baixas próximas a 0º C.
O crescimento das plantas, a fotossíntese, a absorção de água, o metabolismo das raízes, o
suprimento de O
2
, a nutrição mineral e a morfologia das raízes são variáveis afetadas pela
temperatura do solo (Nielsen & Hunfries, 1966)
Figura 1. Efeito de temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e transpiração de uma cultura de milho
(Anderson & Macnaughton, 1973)

A temperatura do solo é continuamente alterada e os principais fatores atuantes estão relacionados
ao ciclo de radiação, que produz flutuações diárias significativas nos primeiros 30 cm abaixo da
superfície do solo nú; sob irrigação, a temperatura do solo aumenta mais rapidamente em solos de
textura grosseira que nos de textura fina (Fig. 2), decrescendo a curva de evaporação
proporcionalmente com o acréscimo da temperatura no solo; logo, quantidades significativas de
energia são convertidas em calor latente de vaporização (Klar, 1974).
Figura 2. Variação diária da temperatura de dois tipos de solo, com e sem irrigação numa cultura de cebola,
em condições de campo (Klar, 1974).
4.5 Inclinação e exposição de encostas
A exposição de uma encosta é de pequena importância nas baixas latitudes, mas é
importante fora dos trópicos. Nas médias e altas latitudes, no Hemisfério Sul, as encostas

24
norte recebem mais raios solares por unidade de área do que as que ficam expostas para
o sul. Para avaliar os raios solares pelas encostas devemos primeiramente separar a
radiação direta e a radiação difusa. Raios solares diretos são função da exposição e da
inclinação e a radiação difusa, sendo essencialmente uniforme em todos os azimutes, é
dependente apenas da inclinação.

Uma encosta com 10
0
de inclinação, exposta ao sul recebe igualmente tanta
radiação difusa como uma encosta com 10
0
de inclinação, exposta ao norte. Quanto
maior a proporção da radiação difusa em relação à radiação total, menor é a diferença
de energia pelas várias exposições de uma encosta. Em um dia totalmente nublado,
quando não há radiação solar direta, o efeito da exposição é minimizado.

Em geral, a proporção da radiação difusa com relação a radiação total é elevada
nas regiões polares devido a elevada nebulosidade e a baixa altitude do sol;
semelhantemente esta proporção é mais elevada no inverno do que no verão. Portanto, a
exposição nas médias latitudes é fator mais importante do que nas regiões polares e,
mais ainda no verão do que no inverno.

Na ausência de nuvens a encosta sudoeste é normalmente mais quente do que a
encosta sudeste. Isto porque os raios solares diretos incidem sobre a encosta sudeste depois de
prolongado resfriamento noturno e, além disso, a evaporação do orvalho pela manhã requer
energia.

As maiores diferenças de temperatura entre as encostas norte e sul ocorrem durante a primavera e verão. Na primavera, as
encostas norte esquentam rapidamente enquanto que as encostas sul permanecem frias e úmidas.

A diferença nas temperaturas mínimas entre as exposições sul e norte é menor do que
a diferença entre suas temperaturas máximas. A amplitude da temperatura diurna é
consequentemente maior nas encostas norte. Além do mais, a temperatura máxima na
exposição sul freqüentemente demora mais a ocorrer do que na encosta norte.

No inverno, a diferença de temperatura entre as encostas sul e norte é menor. Com o
avanço da estação, o maior aquecimento da encosta norte é feito gradualmente. As culturas e a
vegetação iniciam mais cedo o seu crescimento nas exposições norte do que nas exposições
sul. Paradoxalmente, para algumas frutíferas a demora na floração e a conseqüente redução do
perigo de geada é uma vantagem na encosta sul, relativamente fria. A declividade da encosta
determina a quantidade de calor recebida por unidade de área.

As diferenças de temperatura entre as exposições é geralmente acentuada pela
declividade. Fora dos trópicos, no Hemisfério Sul, uma encosta suave, com inclinação
norte, é mais quente do que uma área plana.
Uma declividade de 5
0
na exposição norte pode receber a mesma quantidade de
radiação solar que um área plana a 450 km mais ao norte. Por outro lado, áreas com 1
0
de declividade sul podem receber menor radiação do que uma área plana a 100 km ao
sul. A encosta mais quente é a estiver mais perpendicular aos raios solares.

4.6 Efeito do uso de diferentes coberturas na temperatura do solo

25
Já em 1914, Lehenbauer trabalhando com sementes de milho, em condições de
laboratório, verificou que o crescimento aumentou linearmente com a temperatura do
solo entre 10
0
C e 30
0
C; foi ótimo entre 30
0
C e 31,7
0
C; decresceu linearmente entre
32,2
0
C e 43,9
0
C; e foi paralisado abaixo de 10
0
C e acima de 43,9
0
C.
Weaver, 1926, verificou que para a maioria das plantas cultivadas, temperaturas
do solo inferiores a 4,4
0
C são prejudiciais, provocando paralisação em seu crescimento.
A partir daí, cada vez mais foi sendo provado que as condições térmicas que
envolvem um vegetal são essenciais ao seu desenvolvimento e que, um controle total do
microclima, em condições de campo, é praticamente impossível. Muitos esforços tem
sido realizados no sentido de variar a temperatura do solo, com o propósito de criar um
“habitat” favorável as plantas. Por isso, vários tipos de coberturas mortas (mulching)
tem sido utilizadas para aumentar, diminuir ou ainda para estabilizar a temperatura do
solo.
A cobertura morta do solo é uma técnica utilizada pelos agricultores há muitos
anos, com a finalidade de defender os cultivos e o solo da ação do agentes atmosféricos,
os quais, entre outros efeitos, provocam a compactação do terreno, diminuem a
quantidade dos frutos, esfriam a terra e causam a lixiviação dos elementos fertilizantes,
tão necessários para o desenvolvimento das plantas.
Para diminuir estes efeitos, os agricultores colocavam sobre a superfície do
terreno uma camada protetora formada por materiais de origem vegetal, como palha,
serragem, folhas de árvores, etc. Quando havia disponibilidade também era usada areia.
Esta camada de material atuava como barreira, isolando o solo do meio ambiente.
De acordo com as características desses materiais, era possível obter outras vantagens,
como a opacidade à luz que impedia, por falta de fotossíntese, o desenvolvimento das ervas
daninhas, e a absorção e armazenagem de calor para o período noturno, constituindo-se um
meio de defesa das plantas contra baixas temperaturas, influindo consideravelmente no
aumento da produção e maior precocidade na colheita dos frutos.
Há alguns anos foram feitos ensaios com diversos materiais, como papel parafinado,
lâmina de alumínio, etc, porém seu uso não se comprovou, tanto pelo alto custo como pela
dificuldade de aplicação.
A cobertura morta do solo passou a ser utilizada em grande escala com o
surgimento dos filmes plásticos, devido ao seu baixo custo, praticamente de aplicação e
sobretudo pelas evidentes vantagens que trazem aos cultivos. Esta técnica é hoje
consagrada em quase todos os países, na maior parte dos cultivos, nas mais sofisticadas
lavouras e nas terras dos mais modestos agricultores.
A cobertura morta de solo com filmes plásticos tem significantes vantagens sobre
os métodos comuns. As principais influências são:
- Umidade do solo;
- Temperatura do terreno;
- Estrutura do solo;
- Fertilidade da terra;
- Ervas daninhas;
- Proteção dos frutos;
- Época de colheita;
- Produção dos cultivos;
- Qualidade dos frutos.

26

4.7 Temperatura do solo e as diferentes fases do ciclo vegetativo das culturas

4.7.1 Germinação e emergência
Algumas espécies germinam assim que as condições externas como temperatura,
umidade, concentração de oxigênio sejam favoráveis.
Temperaturas frias entre 0
0
C e 10
0
C, durante algumas semanas ou meses tem
também efeito na quebra de dormência (macieira, pereira, pessegueiro).
Sachs determinou três pontos principais de atividade vital, que são:
- Uma temperatura mínima abaixo da qual não há atividade;
- Uma temperatura ótima onde ocorre o máximo de atividade;
- Uma temperatura máxima acima da qual a atividade pode ser nula.
Embora, em geral, os processos metabólicos dupliquem sua velocidade com o
aumento de 10
0
C de temperatura, o desenvolvimento expresso como germinação ou
elongação da haste mostra freqüentemente, dentro de certos limites, uma resposta linear
entre a temperatura mínima e ótima.
Uma unidade de calor (S) expressa em graus dias é suposta ser uma constante
para um estágio particular do desenvolvimento e pode ser calculada multiplicando-se a
temperatura ambiental (T) menos a temperatura mínima (T
mín
), em graus centígrados,
pelo período de emergência (t), em dias. Assim,

S = (T – T
mín
) . t 4

A relação entre T e o valor recíproco de t daria uma relação linear, na qual
valores desconhecidos de S e T
mín
podem ser calculados de acordo com a seguinte
expressão:

T = ( S / T ) + T
mín
5

Estes dois métodos de cálculo podem dar uma unidade de calor diferente quando
a temperatura média diária é menor do que a T
mín
.
A unidade de calor para a germinação depende muito da profundidade na qual
se mede a temperatura do solo, que varia amplamente na camada de 10 cm de
profundidade do solo. Nessa camada, a variação do conteúdo de umidade é grande
devido a evaporação e a precipitação, mas as medidas da umidade do solo, nessa
profundidade, são extremamente difíceis.
Desde que a germinação depende também amplamente das condições disponíveis
de umidade que cercam a semente, isto poderia influir na unidade de calor sob
condições de excesso de umidade (ocorrendo falta de oxigênio) ou condições secas (falta
de umidade).

4.7.2 Fases vegetativa e reprodutiva
Após a germinação, a temperatura do solo pode ainda influir no desenvolvimento
do índice de área foliar das plantas.

27
Gradualmente, a temperatura do ar e outros fatores climáticos, como radiação
solar, por exemplo, tornam-se de maior importância para a fase vegetativa e
reprodutiva.
Para temperaturas quase ótimas a absorção de água aumenta na ordem de 10 % para
cada grau de aumento de temperatura do solo. Por outro lado, a condução de água nos vaso do
xilema e nas folhas aumenta somente da ordem de 1 % para cada grau de incremento da
temperatura do solo. Este último aumento pode ser atribuído principalmente à mudança da
viscosidade.
A faixa acima da qual ocorrem temperaturas do solo quase ótimas, depende da
espécie, por exemplo: baixa para a alface (4
0
C – 10
0
C); moderada para tomate (10
0
C –
16
0
C) e elevada para o pepino (15
0
C – 19
0
C).
O cálculo da unidade de calor, entretanto, depende muito da profundidade do
solo em que foi feita a medida e as condições de umidade do solo.





28
Unidade 5: UMIDADE DO SOLO
5.1 Algumas características do solo

A palavra solo tem sentidos diferentes, dependendo dos objetivos. O engenheiro, por
exemplo, o considera um material que suporta fundações, estradas ou aeroportos; o
pedologista, como parte da crosta terrestre que proveio de desintegração de rochas por
processos físicos e químicos. O interesse deste profissional limita-se aos 2 – 3 metros de
profundidade; então o solo pode ser definido como um sistema poroso constituído por
partículas sólidas e volume de vazios, que podem ser ocupados pelo ar e pela água sendo,
portanto, um armazenador de nutrientes e água para as plantas. Para estes terem um bom
desenvolvimento, o solo deverá ser suficientemente macio e friável para permitir o
desenvolvimento das raízes, sem obstrução mecânica, equilibrado em distribuição e volume
de poros, para reter água facilmente disponível e assegurar condutibilidade adequada não só
da água como também do ar até as raízes das plantas.
O tipo de solo resulta da integração entre clima, topografia, vegetação, tempo e tipo
de rocha que lhe deu origem. Os solos tropicais são mais desenvolvidos por estarem sujeitos a
altas temperaturas e elevadas precipitações pluviométricas; à medida que se caminha para
regiões mais frias, são menos intemperizados. É algo mais que um complexo de partículas
provenientes de rochas minerais. As plantas o utilizam como suporte, fonte de nutrientes e
fornecem matéria orgânica necessária á alimentação dos microorganismos do solo e dos
animais, os quais a decompõem produzindo gás carbônico e água. Se isso não ocorresse,
haveria exaustão do gás carbônico da atmosfera pela fotossíntese em poucas décadas.
Ele é constituído de materiais sólidos, líquidos e gasosos. As partículas sólidas formam um
arranjo poroso tal que os espaços vazios, denominados poros, tem a capacidade de armazenar
líquidos e gases, se constitui de partículas classificadas de acordo com o tamanho médio dos grãos
em areia, limo (silte) e argila, cujas proporções determinam a textura do solo. O arranjo das diversas
partículas, juntamente com os efeitos cimentantes de materiais orgânicos e inorgânicos, determinam
a estrutura do solo. Os materiais orgânicos consistem de resíduos vegetais e animais (incluindo
fungos, bactérias, insetos e outros) parte dos quais são vivos e o restante se apresentando em
diversos estágios de decomposição, denominados húmus.
A parte líquida do solo constitui-se essencialmente de água, contendo minerais
dissolvidos e materiais orgânicos solúveis. Ocupa parte (ou quase todo) do espaço vazio entre
as partículas sólidas dependendo da umidade do solo. Esta água é absorvida pelas raízes das
plantas ou é drenada para camadas de solo mais profundas e, por isso, precisa ser
periodicamente reposta pela chuva ou pela irrigação, para garantir uma produção vegetal
adequada, Daí, a importância agrícola do conhecimento deste reservatório de água para as
plantas e dos princípios que governam seu funcionamento.
A parte gasosa ocupa os espaços vazios não ocupados pela água. Esta é uma fração
importante do sistema solo, pois a maioria das plantas exige certa aeração do sistema
radicular. Na prática da irrigação é importante manter-se certo balanço entre a porção dos
poros, ocupada pela água, e a ocupada pelo ar.

Tabela 1. Composição volumétrica (%) de alguns solos
Fração sólida
Solo
Mineral Orgânica

Água

Ar

29
“ideal” 45 5 30 20
Regossol 61 1 4 34
Latossol Roxo 35 7 32 26
Podzólico 50 2 24 24


5.1.1 Composição do solo
1) Textura
A textura do solo refere-se tão somente à distribuição das partículas em termos de
tamanho. A escala de tamanho varia enormemente, desde cascalhos de diâmetro da ordem de
centímetros, até partículas diminutas, como colóides que não podem ser vistos a olho nú. O
tamanho das partículas é de grande importância, pois ele determina o número de partículas por
unidade de volume ou de peso e a superfície que estas partículas expõem. De acordo com o
tamanho as partículas podem ser classificadas em areia, limo (ou silte) e argila e, suas proporções
determinam a textura do solo.

2) Estrutura do solo
A estrutura do solo refere-se ao arranjo das partículas e à adesão de partículas menores na
formação de maiores denominadas de agregados. Na proximidade da superfície, a estrutura do solo
é afetada pelo preparo do solo e, nos horizontes mais profundos, ela é típica para cada solo. Solo
sem estrutura é massivo, pesado para ser trabalhado, com problemas de penetração de água e de
raízes.
A estrutura do solo, ao contrário da textura, pode ser modificada. Ela pode ser
mantida ou mesmo melhorada com práticas agrícolas adequadas, tais como a rotação de
culturas, cultivo apropriado e incorporação de matéria orgânica (adubo verde ou esterco).
Ciclos de secamento e de molhamento melhoram a estrutura do solo. A umidade do solo no
momento de seu preparo (aração e gradagem) é importante, pois solos preparados quando
muito úmidos ou muito secos, perdem a estrutura.
O solo ocorre em camadas distintas. Um horizonte é qualquer camada que pode ser
distinguida visual ou texturalmente das camadas vizinhas acima e abaixo. Um perfil é um
conjunto de horizontes expostos normalmente para exame na parede vertical de uma
trincheira. O solo do topo é a zona de primeira importância para o horticultor, pois é nele que
as sementes são lançadas, as plantas transplantadas e as culturas estabelecidas . Depois do
estabelecimento, as raízes exploram também o subsolo que tende a ser menos rico em
nutrientes, mas, pelo menos, tão importante quanto o solo do topo pelo fornecimento de água.
Abaixo do subsolo, está a camada de rocha. A espessura dos diferentes horizontes varia
enormemente dentro e entre as diferentes séries de solo.
A propriedade da fase sólida do solo em formar unidades estruturais complexas a
partir de unidades menores chama-se “capacidade de agregação do solo”. A estrutura começa
a se formar através da fragmentação das rochas.
A estrutura dos solos pode agrupar-se em três tipos principais: grãos simples
(partículas completamente desunidas umas das outras), maciça (as partículas são unidas entre
si, formando grandes blocos), são comuns aos subsolos pesados encontrados em regiões
úmidas e a água se move muito lentamente, agregados (é um tipo intermediário entre os dois

30
anteriores) dentro dos blocos, as partículas são unidas de forma mais ou menos estável entre
si.
Solos argilosos ou de textura fina possuem teores elevados de argila coloidal, sendo
plásticos e coesos quando úmidos, tornando-se duros, com formação de torrões, quando secos.
Os solos arenosos são friáveis, desagregáveis, de boa drenagem, aeração adequada e
aração fácil, porém tem baixas capacidades de retenção e condução de água e nutrientes.
A compactação do solo está diretamente ligada à estrutura. Como o solo é um
material poroso, por compressão, a mesma massa de material sólido pode ocupar um volume
menor. Isto afeta a sua estrutura, o arranjo de poros, o volume de poros e as características de
retenção de água.

3) Peso específico do solo
O peso específico das partículas (ou peso específico real) do solo está em torno de
2,60 a 2,75 g.cm
-3
. Isto porque o quartzo, o feldspato e os silicatos coloidais compõem a
maior parte dos solos minerais. Matematicamente, o peso específico real ou das partículas (p
r
)
pode ser representado por:


s
s
r
V
m
= 
(1)

onde m
s
é o peso das partículas sólidas do solo e V
s
é o volume das partículas sólidas do solo.
O conhecimento do peso específico real é importante para os cálculos da velocidade de
sedimentação das partículas para efeito de determinação da densidade das suspensões na análise
mecânica; do teor de umidade do solo, através do método de pesagens.

O peso específico total ou aparente do solo (p
a
) é representado pela relação entre o peso
das partículas sólidas (m
s
) e o volume total do solo seco (V
t
). nesse caso, consideram-se os espaços
porosos (V
p
).

t
s
p s
s
a
V
m
V V
m
=
+
= 
(2)

Logo, quanto mais estruturado e maior o teor de matéria orgânica do solo menor será seu
peso específico aparente, que varia de 0,9 a 1,8 g.cm
-3
. Os solos arenosos, que são menos porosos e
mais pobres em matéria orgânica, são mais densos que os argilosos. O peso específico aparente é
afetado pela estrutura, grau de compactação e pelas características de contração e expansão do solo
que, por sua vez, são controladas pelo teor de umidade.
Em agronomia, o peso específico aparente é importante, entre outros objetivos, para a
determinação da quantidade de água e aplicar no solo projetos de irrigação.

4) Porosidade do solo
O volume total de poros do solo (V
p
) se chama de espaço poroso. O tamanho, a
forma e as combinações dos poros variam consideravelmente, pois são resultados de
partículas enormemente variáveis em tamanho, forma e características superficiais.

31
O volume total (V
t
) é igual ao volume de partículas (V
s
) adicionado do número de
vazios (V
p
), logo:

% V
p
= 100 - % V
s

(3)

logo, % V
p
= 100 -
t
r
a
V




÷ =1
p
V
r
a



(4)

Os valores de V
p
variam de 0,3 a 0,6. Solos de textura grosseira são menos porosos
que os de textura fina, sendo neste, a porosidade bastante variável, devido à estruturação,
contrariamente aos arenosos, que são mais estáveis, embora possuam poros individuais
maiores.
A profundidade do solo é negativamente correlacionada com os espaços porosos. O
cultivo e as culturas afetam o espaço poroso. Quanto maior a porosidade, maior a capacidade
do solo em armazenar água, daí os solos de textura fina terem maior capacidade de retenção e
disponibilidade de água às plantas do que os de textura grosseira.

5) Umidade do solo
A Umidade do solo pode ser expressa de duas maneiras:

a) em relação à massa de sólidos, geralmente chamada de “base em peso seco” (a).
Considera-se o solo seco, quando colocado em estufa a 105/110º C, até peso constante. O
valor do teor de umidade a pode variar de 0 a 60 %, dependendo do peso específico
aparente. Matematicamente pode expressá-lo como:
100 %
s
w
m
m
a =
(5)

ou seja, a% é a relação entre o peso de água (m
w
) e o peso de sólidos do solo (m
s
).

b) a umidade pode ser expressa com base em volume, ou teor volumétrico de água (u) e
baseado no volume total do solo. Pode ser representada por:


p s
w
t
w
V V
V
V
V
+
= = 
(6)
O uso de  torna-se mais adequado que a, no caso de computação9 de quantidades
de água adicionadas ao solo por irrigação ou chuva e retiradas por drenagem ou
evapotranspiração.

32

6) Ar do solo
O ar do solo é fonte de oxigênio para as raízes das plantas e para os microrganismos
aeróbicos. O ar encontra-se me três condições: livre, ocupando os solos livres de água;
adsorvido, concentrado na superfície das partículas e dissolvido na água do solo.
A composição do ar do solo não é constante, dependendo de sua quantidade e
mobilidade, dos processos bioquímicos e outros, diferindo marcadamente do ar atmosférico,
por exemplo, o ar atmosférico tem 0,03 % de CO
2
e o do solo tem 0,2 a 1%, em média na
camada superficial; o ar do solo não é contínuo, variando em composição de um local para
outro; tem teor de umidade mais elevado que o ar atmosférico, aproximando-se, geralmente
dos 100 % de umidade relativa,; o teor de oxigênio do ar atmosférico é cerca de 20 % e do
solo pode atingir 10 a 12 %.
A composição do ar do solo altera-se constantemente com as mudanças da atmosfera
em conexão às flutuações diárias de temperatura, velocidade do vento, infiltração de água, etc.
As relações solo-água afetam a composição do ar do solo, devido à constante
movimentação de água e, em solos de textura fina, poderá haver aeração deficiente; à medida
que o teor de água do solo decresce, há aumento do volume de ar e maior razão de troca entre
o ar do solo e as raízes, pois há diminuição na espessura do filme de água através da qual a
difusão ocorre.
Há plantas adaptadas ao déficit de ar, como o arroz, que possui grandes espaços
porosos internos. Outras adaptações que ocorrem são os sistemas de raízes rasos e a
respiração anaeróbica.

5.2 Movimentação da água no solo
A entrada de água no solo, proveniente de chuva , irrigação ou inundação é
governada pela taxa de infiltração ou taxa de percolação. Se a água chega sobre a superfície
do solo a uma taxa que excede a taxa de infiltração máxima, isso resulta em escoamento,
danos para a estrutura do solo, redução na taxa de infiltração e conseqüente aumento na taxa
de escoamento. Se a precipitação é na forma de grandes gotas com alta energia cinética, isso
também danifica a estrutura do solo e reduz a taxa de infiltração. Um exemplo extremo é
oferecido pelo estado da superfície do solo sob as copas de arbustos de baixo crescimento,
sujeita a repetidas batidas por gotejamento pesado da folhagem.
Durante o processo de infiltração e após ter cessado, a água continua distribuindo-se
dentro do solo.
Quando o fornecimento de água é localizado, como é o caso da irrigação por sulcos,
a infiltração (e redistribuição) dá-se em todas as direções, pois a água sempre procura regiões
de potencial mais negativo (Figura 1).

33
Figura 1. Irrigação por sulcos ou por gotejamento.

Durante o processo de infiltração, se o solo estiver relativamente seco, existe uma
diferença “visível” entre o solo molhado pela lâmina de água que avança e o solo seco. Este
plano é denominado de frente de molhamento (Figura 2).
Figura 2. Frente de molhamento.

O processo de infiltração ocorre porque a água da chuva ou da irrigação tem
potencial aproximadamente nulo e a água do solo tem potencial negativo, isto é, tanto mais
negativo quanto mais seco é o solo.
A água é retida no solo, isto é, em seus poros, devido a fenômenos de capilaridade e
adsorção. A capilaridade está ligada à afinidade entre as partículas sólidas do solo e a água,
havendo a necessidade de interfaces água-ar. Estas interfaces água-ar, chamadas de meniscos,
apresentam uma curvatura que é tanto maior quanto menor for o poro. A curvatura determina
o estado de energia da água e, por isso, diz-se que tanto menor o poro, tanto mais retida se
encontra a água. Assim, para esvaziar um poro grande precisa-se aplicar menos energia do
que para esvaziar um poro pequeno. Como o solo possui uma grande variedade imensa de
poros, em forma e diâmetro, quando se aplica uma dada energia ao solo (através de sucção),
esvaziam-se inicialmente os poros maiores. Aumentando-se a energia aplicada, esvaziam-se
cada vez poros menores.

34
A capilaridade atua na retenção de água dos solos na faixa úmida, quando os poros se
apresentam razoavelmente cheios de água. Quando um solo se seca, os poros vão se
esvaziando e filmes de água recobrem as partículas sólidas. Nestas condições , o fenômeno
de adsorção passa a dominar a retenção de água. A energia de retenção da água nestas
condições é muito maior ainda e, por isso, grandes quantidades de energia são exigidas para
se retirar esta água do solo.
Muitos fatores afetam a retenção da água em um solo. O principal deles é a textura,
pois ela diretamente determina a área de contato entre as partículas sólidas e a água e
determina as proporções de poros de diferentes tamanhos. A textura refere-se apenas ao
tamanho da partícula e, além do tamanho, também é de grande importância na retenção de
água a qualidade do material, principalmente das argilas. Existem argilas que, devido às suas
características cristalográficas, tem ótimas propriedades de retenção de água, como por
exemplo a montmorilonita, a vermiculita e a ilita. Outras argilas como a caulinita e a gibsita,
já não apresentam boas propriedades de retenção de água. A matéria orgânica também
apresenta boas propriedades de retenção de água, por isso, adições repetidas de esterco ou
matéria orgânica ao solo, podem aumentar suas propriedades de retenção de água.

5.3 Acumulação de sais no solo

A carga salina de uma fonte de água pode ser aumentada por irrigação excessiva de
culturas, com aplicações pesadas de fertilizantes rio acima, por evaporação dos reservatórios,
por reciclagem e re-uso de água e por poluição direta de resíduos industriais e depósitos de
materiais, como cinza de combustível pulverizado, escória e resíduos de carvão. Salinidade
em excesso é prejudicial para as culturas por causa da pressão osmótica na água do solo e
também da toxidade dos próprios sais. Além dos íons metálicos comuns, elementos como
boro, arsênico e selênio e os metais pesados podem estar presentes em concentrações tóxicas.
As culturas variam em sua sensibilidade aos elementos tóxicos e os solos variam em
sua habilidade de ocluir ou liberar materiais prejudiciais.
A água, normalmente se move para baixo através do solo, mas sob condições de alta
evaporação existe movimento lento para cima por capilaridade; a evaporação água da superfície do
solo pode então concentrar solutos a tal extensão que a alta pressão osmótica resultante pode
interferir na absorção de água e assim reduzir o crescimento vegetal independentemente de que
quaisquer elementos particulares estejam numa concentração fitotóxica.
Águas moderadamente salinas podem ser usadas para irrigação, contanto que seja
aplicada em excesso, em cada irrigação, de modo que exista drenagem e lixiviação dos sais
prejudiciais fora da zona das raízes. Isso não é uma prática de irrigação válida onde há água
de boa qualidade e disponível.
Em casas de vegetação, a concentração de cloro é mais prejudicial do que a
concentração salina total e onde culturas são regularmente supridas com fertilizante dissolvido
na água de irrigação, fertilizantes livres de cloro são comumente usados. O cloreto prejudica
as plantas enquanto o sódio danifica a estrutura do solo, especialmente de solos com alto teor
de argila, ou limosos e barro-limosos.
A Tabela 2 mostra a tolerância relativa ao íon cloreto, de plantas de diferentes
culturas; por proeminência entre estas estão a beterraba e outras plantas cultivadas, derivadas
de espécies da costa marítima. Concentrações tão baixas quanto 3 mm/l de cloreto (105 ppm
de Cl) na água de irrigação tem prejudicado citrus maduros, frutos com caroço e amêndoas.


35


Tabela 2. Tolerância de culturas típicas a concentração de íon cloreto no solo à capacidade de
campo.
Concentração de Cloreto
(g Cl
-
/ l)
Culturas que sofrem 10 % de redução
na produção
Taxa de sensibilidade
0,35 morango tulipa feijão trevo
maçã narciso ervilha
ameixa azaléa
framboesa gladíolo cebola milho

Muito sensível

0,75 rosa cenoura crista
de galo
alface prado
rabo-de-
raposa


Sensível
1,45 Uva crisântemo couve-flor trigo
cravo repolho aveia
clematite batata alfafa
centeio
beterraba beterraba
vermelha branca




Moderadamente tolerante
2,50 aspargo manga
espinafre couve
cevada

Tolerante

5.4 Armazenamento de água no solo
Os corpos, na natureza, possuem energia em diferentes formas e quantidades.
Considerando-se que a energia cinética da água no solo tem valores baixos, a de retenção
torna-se importante. As propriedades físicas do solo (textura, estrutura, etc) afetam a
capacidade de retenção. Solos de textura mais fina retém água em maior quantidade que os de
textura grosseira. Isto se deve à maior área superficial daqueles. Pode-se demonstrar isto
facilmente: duas provetas com dois solos, diferenciados texturalmente, recebem pequena e
igual quantidade de água; logo se percebe que a velocidade de movimentação é diferente em
ambos e que o argiloso retém aquela mesma quantidade de água num volume de solo menor.
Forças de atração bastante elevadas existem entre as partículas do solo e as
moléculas de água e são responsáveis pelo abaixamento da energia potencial da água do solo.
De acordo com Slatyer (1967) existem dois mecanismos principais pelos quais a água é retida
no solo, que são provenientes das interfaces ar-líquido e sólido-líquido. A tensão superficial é
a principal força atuante na interface ar-água e desenvolve interfaces curvas nas proximidades
das partículas (Figura 3). Se o solo não se trincar a partir da saturação enquanto a água estiver
sendo removida, a tensão, atuando nas interfaces curvas, consegue equilibrar-se com as forças
extrativas, constituindo-se no principal mecanismo de retenção da água.

36
A tensão superficial e a repulsão entre partículas freqüentemente atuam
simultaneamente, desde que a extração de água é geralmente acompanhada por algum
fendilhamento e alguma entrada de ar.
Figura 3. Retenção de água devido às forças desenvolvidas na interface água-
ar.

Solutos osmoticamente ativos abaixam a pressão relativa de vapor d’água do solo,
constituindo-se noutro fator de retenção, porém, não atuam contra uma pressão, a não ser que
a força aplicada o seja através de uma membrana impermeável aos solutos. No caso de raízes,
que são dotadas de camadas de células com diferentes permeabilidades à solução do solo, a
maior ou menor concentração de sais torna-se importante para a disponibilidade de água às
plantas, pois afetam a energia distendida por estas na absorção. Saliente-se que a interface
água-ar funciona como uma membrana semipermeável, portanto, age sobre a evaporação e a
difusão de vapor através do solo.

5.4.1 Limite inferior de água disponível (ponto de murchamento permanente)
As forças que retém a água no solo aumentam coma diminuição de umidade (Figura
4). Assim, existe uma sucção total a que a água não mais passará do solo para as raízes; então,
a perda por evaporação excede a entrada, e as folhas murcham. Para muitos solos isto
acontece em aproximadamente 15 bars e a umidade dos solos a 15 bars tem sido comumente
referida como “o ponto de murchamento permanente” (ou “percentagem”). O conceito é
aberto à discussão, porque ele sugere que todas as espécies se comportem similarmente em
diferentes solos.
Uma das espécies que mostra murchamento a diferentes sucções em dois solos é o
girassol, uma planta freqüentemente usada para a determinação biológica do ponto de
murchamento permanente.

Método do girassol para determinar o ponto de murcha permanente.
Girassol é crescida numa amostra de solo de aproximadamente 200 ml, contida numa
lata que não deixa vazar água. Quando se percebe que as raízes preencheram completamente a
amostra inteira, a superfície do solo é selada com uma capa impermeável ou com cera, e a
água não é mais aplicada. A planta é examinada diariamente e, quando se viu que o seu
primeiro par de folhas verdadeiro murchou, a cultura é colocada numa atmosfera saturada

37
(uma redoma contendo um recipiente com água). Se as folhas não retomam à turgidez, o solo
assume o ponto de murchamento permanente e sua umidade é determinada
gravimetricamente.
Para determinar o ponto de murcha no laboratório, uma amostra de solo é trazida ao
equilíbrio de umidade à 15 bars no aparelho de membrana de pressão e sua umidade
determinada gravimetricamente.
É, portanto, melhor se referir ao limite inferior de água disponível como a umidade a 15 bars, omitindo-se referência ao
comportamento da planta. Entretanto, a determinação física da umidade de equilíbrio de um solo, à pressão de 15 bars, requer aparelhos
muito mais complicados do que o teste biológico. Resultados do teste biológico são aceitáveis, contanto que sejam claramente definidos
como a condição de umidade a que uma planta específica, normalmente girassol, murchou e não recobrou a turgidez, mesmo quando
suas folhas foram colocadas numa atmosfera saturada.




Figura 4. Curva característica de perda de água, para um solo barro-arenoso e um solo
argiloso; metade da água no barro-arenoso é retida a uma sucção matricial abaixo
de 2 bars, mas, no argiloso, metade da água é retida acima de 4 bars ( hachuriado –
água retida a alta sucção; pontuado – água retida à baixa sucção).

5.4.2 Limite superior de água disponível (capacidade de campo)
O solo saturado se encontra em um estado instável; a água é puxada para baixo pela
gravidade aumentada pela sucção exercida pelas zonas não saturadas inferiores. A ação da
gravidade é constante, mas a ação das zonas não saturadas depende de sua condição de
umidade; quanto mais secas elas são, mais fina é a camada de água ao redor de cada partícula
de solo e, consequentemente, maior a tensão superficial ou sucção. A ação de uma zona não
saturada depende também de sua profundidade vertical abaixo, porque existe uma coluna

38
contínua de água ligando as partículas de solo e isso origina uma pressão hidrostática negativa
simples ou sucção. Quando essa coluna termina em um lençol freático onde existe água livre,
de potencial máximo ou sucção mínima, essa limitação de seu comprimento limita
obviamente a sucção total sobre o solo saturado acima; assim a sucção, a que um solo
saturado drenado livremente é sujeito, depende de muitos fatores. Não é certamente a mesma
para todos os solos e todas as condições.
O efeito desta sucção é drenar água para fora da zona saturada e substituí-la com ar
vindo da atmosfera. A taxa de drenagem depende da condutividade do solo a qual depende da
umidade; quanto mais baixa a umidade, mais fina a camada de água ao redor de cada partícula
do solo e mais altas as forças que lá a retém e lhe impedem o movimento.
Se o lençol freático está a dois metro, a sucção máxima possível é 0,2 bar. Em solos
com água disponível especialmente livre, a sucção correspondente à capacidade de campo é
não mais que 0,1 bar.
A determinação gravimétrica da umidade do solo é feita em amostras retiradas,
quando o solo parece, por observação, estar à capacidade de campo, por exemplo no início da
primavera no Reino Unido. Em outras estações, uma armação de madeira de
aproximadamente 1 metro quadrado e 0,1 metro de altura é colocada sobre o solo e cheia com
água, a qual é permitida percolar no solo. Uma cobertura impermeável evita a evaporação e
depois de 48 horas ou mais, quando a drenagem é considerada estar a uma taxa baixa,
amostras de solo são retiradas para determinação gravimétrica de sua umidade.
A capacidade de campo pode também ser medida no laboratório. As amostras são
trazidas ao equilíbrio de umidade a 0,1 bar sobre a mesa de tensão ou mesa de areia (Figura 5)
ou a 0,33 bar, usando-se o aparelho de membrana de pressão, qualquer que seja considerada
como equivalente à capacidade de campo para o solo particular. A umidade de equilíbrio é
então determinada gravimetricamente.

39
Figura 5. Mesa de tensão de areia. Para montagem, o sorvedouro é cheio com água e primeiro
areia grossa e então areia fina adicionada de maneira que se assentem sob a água; o
ar é removido por manipulação de torneiras. O dispositivo de sucção constante
“bebedouro de galinha” (à esquerda) é abaixado para produzir a tensão necessária
que é checada na superfície de areia pelo tensiômetro horizontal (à direita). As
amostras de solo em cilindros de metal sem fundo são colocadas sobre a superfície
de areia para atingirem o equilíbrio de umidade e então sua umidade é determinada
gravimetricamente.

5.4.3 Capacidade de água disponível
A partir das definições de capacidade de campo e ponto de murcha permanente, segue-se que a diferença entre esses dois
parâmetros representa a água que as plantas podem extrair do solo ou seja, a capacidade de água disponível no solo ou capacidade do
reservatório do solo. Quando o reservatório está cheio, o potencial de água do solo é alto e a ela está prontamente disponível para a
absorção das plantas. À medida que a quantidade de água do reservatório diminui, a sucção do solo aumenta e a absorção de água pelas
raízes se torna crescentemente difícil, até que, no ponto de murcha permanente, a sucção do solo excede a sucção que pode ser exercida
pela planta, e a absorção cessa. Tem sido mostrado que mesmo além do ponto de murcha permanente, uma quantidade muito pequena de
água continua a entrar na planta, mas esta é insuficiente para suportar o crescimento.
Na literatura isso é normalmente encontrado expresso na base de volume em
unidades de milímetros de água por cem milímetros de profundidade de solo, ou polegadas de
água por profundidade de um pé. Desse modo,


40

( )
100
o Compriment X DA X PMP CC
CAD
÷
=
(7)

onde, CAD - capacidade de água disponível;
CC - capacidade de campo;
PMP - ponto de murchamento permanente;
DA - densidade aparente.

O comprimento pode ser entendido como a profundidade desejada onde se quer
calcular a capacidade de água disponível.

5.5 Energia da água no sistema solo-planta-atmosfera
Depois da umidade, o estado de energia da água é, provavelmente, a característica
mais importante do solo. Energia, em termos bem simples, é capacidade de produzir trabalho.
A energia pode ser cinética, que é aquela que os corpos possuem em virtude de seu
movimento, quantitativamente dada por ½ mv
2
, sendo m a massa do corpo com velocidade
v. No solo e na planta, a velocidade da água é relativamente pequena e, por isso, sua energia
cinética é geralmente desprezada com segurança. A energia pode também ser potencial, que é
aquela que um corpo possui em virtude de sua posição em campos de força. Um exemplo de
campo de força é o campo gravitacional. Devido à sua existência constante, todos os corpos
da superfície da Terra são atraídos na direção de seu centro. Isto também acontece com a
água no solo. Em decorrência disso, aparece o peso dos corpos, que é uma força igual a mg,
sendo g a aceleração da gravidade. A energia potencial gravitacional é medida pela força
necessária para mover um corpo contra este campo de força gravitacional e é o produto da
força pela distância a que o corpo se moveu (na direção das linhas de força do campo). Se
uma pedra de massa m é elevada de uma altura z
1
para uma altura maior z
2
, é preciso ser feito
trabalho. Este trabalho é mg (z
2
- z
1
) e é energia adquirida pela pedra na nova posição z
2
. A
pedra, ao voltar de z
2
para z
1
, libera esta energia mg (z
2
– z
1
). A energia potencial
gravitacional na posição z
1
é mgz
1
e na posição z
2
é mgz
2
.
A energia gravitacional pode ser tanto positiva como negativa. Esta fato decorre da
escolha da superfície do solo como referência, o que é completamente arbitrário. Se
escolhêssemos como referência o topo do morro, todos os valores seriam negativos e se
escolhêssemos o fundo do poço, todos os valores seriam positivos. Considerando a água no
solo, o campo gravitacional de forças pode ainda afetar o estado de energia da água através
de uma pressão. Assim, por exemplo, a água em um ponto a 2 metros de profundidade em
uma piscina, está submetida a uma pressão hidrostática de uma coluna de água de 2 metros de
altura. Esta pressão é, na verdade, uma energia por volume, que é adicional à energia
gravitacional.
Para definir o estado de energia da água dentro do solo, é necessário considerar
vários campos de força, não só o gravitacional. Trata-se de campos de força que são
responsáveis pelos fenômenos de tensão superficial, capilaridade, adsorção, etc. Estes
fenômenos são o resultado da interação entre as partículas sólidas do solo, organizadas em
dada estrutura (também chamadas de matriz do solo) e a água. Como é difícil separar todos

41
estes fenômenos para fazer uma análise detalhada, eles todos são considerados em conjunto e
de sua atuação resulta a energia potencial, designada matricial.
Além dos fenômenos matriciais, a presença de solutos na água do solo também afeta
seu estado de energia. Como Os solutos se movem junto com a água, esta energia potencial
chamada de osmótica, geralmente não é importante. Ela é importante na presença de
membranas semipermeáveis, que permitem a passagem da água e não dos solutos.
A energia potencial total da água é a soma de todas as energias acima discutidas. Por
simplicidade, ela é chamada de potencial total e o símbolo mais freqüente é v.

5.5.1 Diferença de potencial
Se o potencial da água em dado ponto A no solo é v(A) e em outro ponto b é v(B),
logicamente a diferença de potencial entre A e B é:
Av = v
A
- v
B

(8)

Se v
A
é maior que v
B
, Av é positivo, o que significa que a água ao passar de A para
B o faz espontaneamente, liberando a energia Av. Ela procura espontaneamente o estado B,
mais estável, de menor energia. Se v
A
é menor que v
B
, Av é negativo, o que significa que
precisamos dar energia Av para a água, para que ela passe de A para B. Por exemplo, em
uma cultura agrícola, em pleno desenvolvimento, se o potencial de água no solo é da ordem
de –1 atm, na planta da ordem de - 5 atm e na atmosfera da ordem de –100 atm, a tendência
natural da água é passar do solo para a planta e da planta para a atmosfera. Desse movimento
resulta o fluxo de evapotranspiração.

5.5.2 Gradiente de potencial
O gradiente é uma grandeza física que mede o sentido no qual um campo potencial apresenta maior crescimento. Assim, se
a diferença de potencial Av = vA - vB (onde vA é maior que vB) for dividida pela distância Ax entre os pontos A e B, entre os quais Av
foi medido, obtemos o gradiente de potencial na direção A e B, ou grad v:

x
grad
A
A+
= + (9)

As unidades de gradiente potencial podem ser as mais variadas possíveis, dependendo das unidades de Av e de Ax. Assim,
podemos Ter atm/cm; cm H2O/cm, e se Av for medido em pascal e a distância em m, o resultado será o Newton. Lembrando ainda que
Av é medido em energia por volume, o gradiente de v sempre será força por unidade de volume de água. O gradiente potencial é, então,
igual à força responsável pelo movimento da água, porém, de sentido contrário.

5.5.3 Componentes do potencial da água
a) Componente gravitacional (vg)
Considerando apenas o campo gravitacional, a água tem uma energia potencial gravitacional, que depende da posição na
qual ela se encontra, em relação a um dado plano referencial. Esta é a componente gravitacional, que tem valor zero no plano de
referência, positiva acima dele e negativa abaixo dele. O plano de referência é o estado padrão para a gravidade e o plano mais
comumente escolhido é a superfície do solo. Desse modo,
dgz
V
mgz
g
= = + (10)

onde d – densidade da água (massa por unidade de volume) igual a 1 g.cm
-3



42
b) Componente de pressão (vp)
A pressão a qual a água pode estar submetida é, na verdade, energia por volume. Daí, quanto maior a pressão, maior o
estado de energia da água, e esta energia referente à pressão é denominada de componente de pressão vp. A componente de pressão é
medida em relação a uma condição padrão, tomada como sendo a da água submetida à pressão atmosférica local e, nestas condições,
assume-se vp = 0.
Imagine um solo inundado, com uma lâmina de 20 cm de água sobre sua superfície. No ponto A, teremos a pressão
atmosférica local e, portanto, vp = 0. No ponto B, além da pressão atmosférica, atua carga hidráulica de 20 cm, que é uma pressão
positiva, acima da atmosférica, que aumenta o estado de energia da água em relação ao ponto A. Da hidrostática sabemos que a pressão
em um ponto situado a uma profundidade h, em um líquido de densidade d, é dada por:

vp = dgh (11)

Assim, para o ponto B, teremos:
vp = (1g.cm
-3
) (981 cm.s
-2
) (20 cm) = 19,62 bária, ou 0,019 atm, ou 20 cm H2O ou 1,96 kPa.

c) Componente matricial (vm)
Esta componente se refere aos estados de energia da água devidos à sua interação com as partículas sólidas do solo,
também chamadas de matrizes do solo. Esta interação se refere a fenômenos de capilaridade e adsorção e eles conferem à água estados
de energia menores do que o estado da água “livre” à pressão atmosférica e, como para este último é atribuído o valor zero (estado
padrão), a componente matricial vm será sempre negativa. Por isso, muitos autores a denominam de componente de pressão negativa ou
mesmo tensão da água no solo.
Os fenômenos de capilaridade e de adsorção dependem principalmente do arranjo poroso, distribuição de poros segundo
seu diâmetro médio, tensão superficial da água, afinidade entre a água e as superfícies sólidas, superfície específica do solo, qualidade
das partículas sólidas, etc.
Para um solo saturado, no qual todos os poros estão cheios de água, não existem meniscos (interfaces água/ar) e a adsorção
também é nula. Nestas condições a componente matricial é nula (vm = 0). Com a saída de água, o solo vai se tornando não saturado e o
ar repõe a água inicialmente nos poros maiores. Aparecem meniscos e a capilaridade começa a atuar. Como conseqüência, a componente
matricial torna-se cada vez mais negativa. A água sempre vai ocupar os poros menores, nos quais a energia é mais negativa. Portanto,
quanto menor u, mais negativo vm. Na prática, vm é medido, não calculado.

d) Componente osmótica (vos)
Considerando os íons e outros solutos encontrados na água do solo, a água adquire uma energia potencial osmótica e esta é
a componente vos . Observa-se que quanto mais concentrada a solução, menor o estado de energia da água e, portanto, mais negativo o
valor de vos. Uma forma aproximada de calcular a componente osmótica é através da equação de van’t Hoff:

vos = - RTC (12)

onde R é a constante geral dos gases; T é a temperatura absoluta da solução, dada em
0
K e C a concentração de soluto.

e) Potencial total de água (v)
O potencial total de água é a soma de todas as componentes e é dado pela equação:

v = vg + vp + vm + vos (13)

No solo
- No solo saturado e imerso em água

v = vg + vp
Neste caso, vg é importantíssima, vp depende do valor da carga hidráulica que atua sobre o solo, vm = 0, pois não há
interfaces água/ar e vos não é considerado por não haver membrana semipermeável.


43
- Solo não saturado
v = vg + vm

Neste caso, vg é de grande importância na faixa úmida e vai perdendo importância com o decréscimo de umidade. Com
este decréscimo da umidade, vm vai ganhando importância até que, para o solo bem seco, v = vm. Como não existe água livre no
sistema, vp = 0 e vos não é considerado por não haver membrana semipermeável.

Passagem da água do solo para as raízes
- Solo inundado (por exemplo: arroz irrigado)

v = vg + vp + vos

- Solo não saturado (por exemplo: arroz de sequeiro)

v = vg + vm + vos

Na planta
- Em células de tecido tenro (por exemplo: folha)

v = vp + vos

Neste caso, vp é o turgor celular, uma pressão positiva que aparece em células túrgidas devido à entrada de água em um
volume celular limitado. Em casos extremos, a turgidez pode arrebentar a célula. Em caso de falta de água, vp tende para zero e a planta
entra em murcha. vos aparece devido à presença de solutos na água da planta.

- Tecido vegetal fibroso ou lenhoso

v = vm + vos

Aqui aparece a componente vm, porque as fibras de celulose e aglomerados de amido comportam-se como matriz sólida do
solo. Sementes e outros tecidos lenhosos em caules, raízes e tubérculos podem apresentar valores bem negativos de vm. Como vos também é
negativo, o valor final de v fica bem negativo. Por isso, sementes são ávidas por água e absorvem com rapidez, muitas vezes dobrando seu
volume.

Na atmosfera
v = vp

Na atmosfera a água encontra-se na fase de vapor e seu estado é definido pela pressão parcial de vapor e. vg é desprezado,
vm e vos não entram em consideração pelo fato de se tratar de vapor d’ água “dissolvido” em ar.

5.6 Absorção de água pelas plantas
Ao abordar o solo como um reservatório de água, mostrou-se que apenas parte da água que um solo pode reter fica
disponível para as plantas. Esta parte é comumente aceita como sendo a água retida entre a capacidade de campo e o ponto de murcha
permanente. Mostrou-se também que as forças responsáveis pelo movimento de água no sistema solo-planta-atmosfera são os gradientes
de potenciais gravitacionais, matricial, de pressão e osmótico, sendo o movimento de água um processo espontâneo à procura de um
potencial (ou estado de energia) mais baixo. A absorção de água não consome, portanto, energia metabólica da planta . É claro, porém,
que a atividade metabólica da planta é responsável pela composição da água da planta (sais minerais, açúcares, etc) e que esta determina
o potencial osmótico. O que se quer dizer é que no processo de absorção de água do solo pelas plantas, estas não despendem diretamente
energia.
Em plantas que se encontram transpirando água em taxas médias e altas, o potencial muito negativo da água da atmosfera é
o responsável pela grande perda de água pelas folhas e, em conseqüência, a água líquida nos terminais do xilema na folha assume

44
potenciais bem negativos. Esta grande diferença de potencial de água entre folhas e o solo é que causa o grande fluxo de água na planta,
isto é, da absorção de água. Esta absorção é geralmente denominada absorção passiva.
Já em plantas que se encontram a baixas taxas de transpiração, o que acontece em casos de: (1) atmosfera saturada (ou
perto da saturação); (2) pouca energia disponível para o processo de evaporação; (3) plantas em dormência (sem ou quase sem folhas), a
principal força responsável pelo fluxo de água é o gradiente de potencial osmótico. A água na planta assume pressão positiva,
geralmente denominada pressão de raiz. É o caso da gutação nas bordaduras das folhas, que acontece pela madrugada, quando
praticamente não há transpiração, e o caso da seiva que escorre de plantas dormentes recém-podadas. Esta absorção é denominada
absorção ativa.

5.6.1 Fatores que afetam a absorção d água pelas plantas
São inúmeros os fatores que afetam a absorção de água pelas plantas, sendo que a importância de cada um é relativa,
dependendo de cada caso em particular. Estes fatores, sem obedecer uma ordem preferencial, são:

A. Referentes à planta:
- extensão e profundidade do sistema radicular
- superfície de permeabilidade radicular
- idade da raiz
- atividade metabólica da planta

B. Referentes à atmosfera
- umidade relativa do ar
- disponibilidade de radiação solar
- vento
- temperatura do ar

C. Referentes ao solo
- umidade do solo
- capacidade de água disponível
- condutividade hidráulica do solo
- temperatura do solo
- aeração do solo
- salinidade da água do solo

A absorção de água por plantas em solo úmido, bem aerado, com temperatura ideal (25 a 30
0
C) é principalmente
controlada pela taxa de transpiração. Em condições de campo, a absorção de água é freqüentemente limitada pela extensão (e
profundidade) e eficiência dos sistemas radiculares, pelo decréscimo da umidade do solo, pelo aumento da concentração salina da água
do solo, por temperatura baixa (tanto do solo como do ar) e por aeração deficiente.
Os fatores do solo atuam variando o gradiente de potencial total da água e a condutividade hidráulica, determinando, desta
forma, o fluxo de água no solo (ou do solo para as raízes)
O aumento da concentração salina da água do solo diminui o gradiente de potencial entre o solo e a raiz, reduz o
crescimento radicular, reduz a permeabilidade radicular e sua acumulação no tecido vegetal inibe processos metabólicos.






45
Unidade 6: VENTO
6.1 Introdução
A camada superficial estende-se desde o solo até 50 ou 100 metros de altura e é
dominada por forte mistura ou movimentos turbulentos. A estrutura do vento, nesta camada, é
principalmente determinada pela natureza da superfície subjacente e pelo gradiente vertical de
temperatura do ar. Os efeitos da rotação da Terra, a força de Coriolis, é pequena e pode ser
negligenciada quando os efeitos do atrito da superfície dominam.
Na camada superficial, a camada de maior interesse em Micrometeorologia, o
movimento do ar é altamente irregular e é caracterizado por flutuações, vórtices ou turbilhões.
Pequenas flutuações associadas com altas freqüências são principalmente devido a turbulência
mecânica gerada pelos efeitos do atrito com a superfície. Grandes flutuações associadas com
baixas freqüências são resultantes da turbulência térmica gerada devido aos efeitos da
flutuação.

6.2 Perfil da velocidade do vento próximo ao solo
O conhecimento da forma do perfil do vento (variação da velocidade do vento
com a altura) é necessário, pelo menos, por duas razões. Da descrição do perfil, é possível
estimar a efetividade dos processos de troca vertical. Com o conhecimento da velocidade do
vento, num nível fixo ou de referência, é também possível estimar a velocidade do vento em
outros níveis para várias aplicações.
A forma típica do perfil do vento médio, sob condições de estabilidade
atmosférica neutra, sobre um local relativamente liso e aberto, pode ser descrita como uma
função logarítmica da elevação,
( )
o
z
z
k
u
z U ln
-
=
(1)

onde U(z) é a velocidade média do vento para a altura z; k é a constante de von Karman
(valor em torno de 0,4); u
*
é a velocidade de atrito e z
o
é o comprimento de rugosidade.
A superfície é considerada “rugosa” se ela é coberta com protuberâncias,
normalmente referenciada como elementos de rugosidade. Para perfis da velocidade média do
vento sobre superfícies rugosas, como por exemplo dosséis, o deslocamento do plano zero d é
introduzido e a equação (1) transforma-se em,

46
( )
o
z
d z
k
u
z U
÷
=
-
ln
(2)

A velocidade de atrito u
*
é dada por,


2 / 1
|
|
.
|

\
|
=
-
a
u



(3)

onde t é a tensão de cizalhamento, p
a
é a densidade do ar e u
*
representa a velocidade
característica do fluxo e diz respeito a efetividade da troca turbulenta sobre a superfície.
O comprimento de rugosidade ou parâmetro de rugosidade z
o
é uma medida da
rugosidade aerodinâmica da superfície sobre a qual o perfil da velocidade do vento está sendo
medido. z
o
é determinado pelas medidas extrapolantes de U(z) e ln z para o ponto onde U = 0.
No caso de cultivos e outras superfícies rugosas ln z é substituído por ln (z - d).
O parâmetro de rugosidade para cultivos está em torno de um ordem de
grandeza muito menor do que a altura do cultivo.
O deslocamento do plano zero, d, pode ser considerado como indicativo para
o nível médio no qual o momentum é absorvido pelos elementos individuais da comunidade
de plantas, que é, o nível de ação do arrasto do volume aerodinâmico da comunidade vegetal.
Em geral, d/h está no intervalo entre 0,5 e 0,8.
Por erros e tentativas, pode-se encontrar o valor de d, tal que a plotagem de U
(em escala linear) versus (z – d) (na escala logarítimica) torna-se uma linha reta. A interseção
do eixo (z – d) dá z
o
e o declive da linha reta é u
*
/ k.
As razões d/h e z
o
/h depende do espaçamento dos elementos de rugosidade e da
razão de área acumulada de cada elemento por unidade de área da superfície subjacente. O
problema da estimativa precisa de z
o
e d é aumentado devido ao fato de que os cultivos,
baixos ou altos, ajusta-se à força mecânica do vento. Algumas vezes ocorre o encurvamento,
como em cereais. Alguns cultivos tornam-se “projetados em forma aerodinâmica” devido a
força do vento.
Com o conhecimento de z
o
e d, o perfil completo do vento acima do dossel
pode ser obtido do valor de U num nível fixo ou de referência,

47

( )
( )
o
o
z d z
z d z
U
U
ln ln
ln ln
1
2
1
2
÷ ÷
÷ ÷
=
(4)

onde U
1
e U
2
são as velocidades médias para as elevações z
1
e z
2
, respectivamente (z
1
pode
ser considerado o nível de referência). É importante notar que a validade das equações do
perfil logarítimico do vento, equações (1) e (2), está sujeito a duas considerações importantes:
(1) a existência de estabilidade atmosférica neutra;
(2) d disponibilidade de ‘fetch” adequado.
6.2.1 Camada limite interna e fetch adequado
Cada campo ou característica da superfície ao variar a rugosidade ou altura das
protuberâncias, afeta o fluxo de ar que passa sobre ele. O movimento do vento após sofrer a
mudança da rugosidade da superfície começa a se ajustar às novas condições da superfície
limite (Figura 1). A camada de ar, afetada pela nova superfície subjacente, é chamada de
camada limite interna. A espessura o, da camada limite interna aumenta com o fetch ou
distância da borda, na direção do vento.
Figura 1. Desenvolvimento de uma camada limite interna quando o fluxo de ar passa de uma superfície lisa para uma rugosa, coberta
por vegetação.

Experimentos em túneis de vento e outros estudos micrometeorológicos
sugerem que somente os 10 % mais baixos da camada limite interna é totalmente ajustada,
isto é, fica em completo equilíbrio com as novas condições limites. A espessura desta camada
totalmente ajustada, o, medida acima do deslocamento do plano zero, pode ser obtida de
acordo com Munro e Oke (1975) por,

48
( )
5 / 1 5 / 4
1
1 , 0
o
z x x = 
(5)

onde x é a distância da borda, na direção do vento e z
o
é o comprimento de rugosidade da
nova superfície subjacente.

6.2.2 Velocidade do vento dentro do dossel vegetativo
São muitas as dificuldades envolvidas na descrição precisa do perfil da velocidade
do vento médio. A velocidade do vento dentro do dossel é ainda difícil de ser estabelecida.
Um bom exemplo da complexidade da estrutura do vento no dossel pode ser
visualizada na Figura 2, a qual mostra a forma de um perfil típico do vento. Campbell (1977)
considerou que o regime do fluxo dentro do dossel é dividido em 3 camadas.
1. O topo da camada (d<z<h) é a camada que exerce muito arrasto no vento acima do
cultivo. O vento nesta camada diminui exponencialmente com a distância abaixo do topo
do dossel e tem a mesma direção do vento médio acima do dossel.
2. A segunda camada (em torno de 0,1 h<z<d) está compreendida desde os galhos até a base
do cultivo. Lá, o vento pode não ter relação nem com a velocidade nem com a direção do
vento acima do dossel.
3. O perfil do vento na terceira camada (z>0,1 h) é idêntica àquela acima do dossel. O perfil

49
nesta camada é influenciado pelas rugosidades da superfície do solo ao invés das
rugosidades do cultivo.
Figura 2. Velocidade do vento acima e dentro de uma plantação. Allen,1968)

6.3 Quebra-ventos
O ambiente onde as plantas crescem nem sempre é o ideal ou ótimo para a
produtividade. Os agricultores ou horticultores, nos tempos primitivos, já tentavam encontrar
alguma forma de proteger suas planta da adversidade do ambiente natural.
Os problemas resultantes da velocidade do vento tem sido da maior
importância na determinação das características agrícolas em muitas regiões do mundo
Os quebra-ventos são também usados para outros objetivos mais específicos. O
consumo de calor em casas de vegetação é reduzido com quebra-ventos.
Pode-se observar que animais pastando procuram abrigar-se dos fortes ventos.
Isto é em resposta ao desconforto físico causado pelo resfriamento provocado pelo frio, pelo
ressecamento devido aos ventos quentes, ou simplesmente pela pressão mecânica sobre o
animal.
As plantas, também estão sujeitas ao prejuízo causado pelo resfriamento
excessivo, altas temperaturas, ressecamento e injúria mecânica.
Quebra-ventos (qualquer estrutura que reduz a velocidade do vento) e faixa ou
cinturão protetor (filas de árvores plantadas para proteção do vento) podem, por reduzir estes
estresses, ser profundamente benéficos ao crescimento de plantas.
Torna-se evidente que as árvores da faixa protetora compete com os cultivos
adjacentes nos nutrientes do solo e na água e que, os cinturões verdes podem sombrear os
cultivos próximos, o suficiente para reduzir sua produção.

6.3.1 Relações entre quebra-vento, conservação de umidade, crescimento de planta e
produção
Acredita-se que a maior influência dos quebra-ventos no crescimento das plantas,
particularmente sob condições de secas, é devido a re-distribuição e conservação de água no
solo. Nas altas latitudes o quebra-vento pode, se adequadamente planejado, ajudar a
uniformemente distribuir água e assim melhorando o suprimento de umidade do solo para os

50
cultivos. Por reduzir a velocidade do vento, a evaporação direta da umidade do solo também é
reduzida.
Atmômetros, tanques de evaporação e solo umedecido em recipiente isolado,
algumas vezes são usados para estudar a influência do quebra-vento na evaporação do solo.
Esses métodos e técnicas medem o potencial de evaporação que ocorre com a disponibilidade
irrestrita de água da superfície evaporante. Os resultados previstos são: menos vento, menos
evaporação.
Uma taxa de evaporação muito baixa, de um solo protegido, pode gerar uma
importante vantagem na manutenção de melhores condições para germinação de sementes. O
efeito do quebra-vento na evapotranspiração real é mais difícil de prever. Por exemplo,
sementes que germinam rapidamente, por causa do efeito benéfico do quebra-vento, geram
grandes plantas e ramificação de raízes mais rápida.
O aumento da área foliar diminui a importância relativa do quebra-vento na
evaporação direta do solo. Considerando que a transpiração é uma função somente da área
foliar, a água no solo numa área protegida do vento, poderia ser esgotada mais rapidamente e
a taxa de evaporação diminuiria em poucos dias. Isto pode conduzir a um desenvolvimento
mais rápido do estresse de umidade do solo, na área abrigada do vento. Assim, é possível
comparar o desenvolvimento de plantas protegidas contra o vento, com aquelas não
protegidas.
A proporção relativa da água transpirada com relação a evaporada deve
também aumentar. Tem sido discutido se há aumento da produção de matéria seca ou
produção da safra quando ocorre o aumento entre a razão de água transpirada e água
evaporada..

6.3.2 Velocidade do vento e turbulência nas áreas abrigadas do vento
O objetivo do quebra-vento é reduzir a força do vento na região protegida do
vento. Modelos do fluxo do vento em torno das barreiras são muito complexos e difíceis de
serem definidos com precisão. Plate (1971) distinguiu várias zonas, com diferentes
comportamentos aerodinâmicos na direção e contra o vento, de uma barreira em forma de
cunha.

51
Quebra-ventos variam na efetividade, dependendo de suas alturas, porosidade e
comprimento. Quebra-vento mais alto, maior será a distância da descida do vento, assim
como a subida do vento. O comprimento da zona protegida é normalmente descrita em termos
da variável h, altura da barreira.
Como mostrado na Figura 3, uma densa barreira pode proteger uma área em
torno de 10 - 15 h na direção do vento. Aumentando a porosidade, em cerca de 50 %, a
distância, na direção do vento, pode ser aumentada para 20 – 25 h (Figura 4). Este aumento da
porosidade permite a passagem do vento e previne o retorno turbulento do ar que tenha
ultrapassado a barreira.
Maior o quebra-vento, mais constante é a sua influência. Se a barreira é muito
baixa ou se tem grandes fendas nela, os efeitos dos esguichos do vento podem realmente
aumentar, mais do que reduzir a velocidade do vento e, consequentemente, o dano às plantas
será maior próximo às fendas. A efetividade do quebra-vento é também influenciada pela
estabilidade térmica: ar mais instável, maior a distância protegida na direção do vento.
Para reduzir melhor a velocidade do vento e tornar maior a influência na
direção do vento, o quebra-vento deve ser mais poroso próximo ao solo, onde a velocidade é
mais baixa. A densidade da barreira deve aumentar logaritimicamente com a altura, de acordo
com o perfil da velocidade do vento.
A redução da velocidade do vento e a redução da turbulência, por um quebra-
vento, não são relacionadas. Brown e Rosemberg (1971) descreveram modelos da velocidade
do vento e o grau da mistura turbulenta que ocorre na área abrigada.



52

Figura 3. Influência de um quebra-vento denso na razão da velocidade do vento no quebra-
vento (U
s
) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964).


53
Figura 4. Influência de um quebra-vento permeável na razão da velocidade do vento no
quebra-vento (U
s
) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964).
6.3.3 Microclima próximo ao quebra-vento
As mudanças na velocidade do vento e na turbulência que ocorrem como
resultado do quebra-vento, deve afetar o microclima da região abrigada.

1. Balanço de radiação
A radiação solar global (R
g
) e o saldo de radiação pode ser significantemente
reduzido nas áreas sombreadas por quebra-ventos. Este efeito não tem sido considerado como
importante nos sistemas de quebra-ventos orientados na direção norte-sul, uma vez que
somente pequenas áreas são sombreadas durante o dia, especialmente durante a estação de
crescimento, quando o sol está alto. Em determinadas horas do dia, a diferença no balanço de
radiação entre as áreas próximas e distantes da barreira pode ser totalmente negligenciada. Na
área leste do quebra-vento o sombreamento ocorre pela manhã, durante a tarde, o quebra-
vento refletirá alguma radiação.
Quebra-vento orientado na direção leste-oeste, por outro lado, pode ter um
efeito maior devido ao sombreamento. Áreas voltadas para o sul, principalmente durante as
estações em que o sol está mais baixo, será sombreada por longos períodos. Áreas voltadas
para o norte estarão sujeitas à reflexão do quebra-vento do começo ao fim do dia. O
sombreamento depende, certamente, da altura da barreira, da latitude, da estação e hora do
dia.

2. Temperatura do ar e umidade
É observado nos dias com céu claro que a temperatura do ar, durante o dia, é
maior próximo ao quebra-vento do que no campo aberto. Isto é devido, aparentemente, a
redução da mistura turbulenta e a consequente redução da remoção de calor sensível gerado
pela planta e pela superfície do solo. Se a evaporação é também suprimida, próximo ao
quebra-vento, a energia fica disponível para a geração de calor sensível. Quando a mistura
turbulenta é reduzida, a resistência aérea r
a
aumenta e o gradiente de temperatura é
intensificado.

54
Inversões de temperatura normalmente se desenvolvem à noite tanto no
quebra-vento, quanto na área protegida; então a planta e a superfície do solo tornam-se um
sumidouro, muito mais do que uma fonte de calor sensível. O vento mistura a camada de
inversão noturna. A redução do vento e a efetividade da mistura turbulenta, no quebra-vento,
significa que a inversão de temperatura será mais intensa próximo a ele. A não ser que
prevaleça uma calma total, o ar será mais frio à noite no quebra-vento do que no campo
aberto.
Kaminski (1968) notou que a incidência de geadas na Polônia, foi reduzida
próximo ao quebra-vento, em ambos os lados. Entre 4 e 16 horas, a incidência de geada
aumentava. O pesquisador não deu nenhuma explicação sobre este fato. A redução do
resfriamento próximo ao quebra-vento poder ter sido devido a troca radiativa com as árvores.
Possivelmente, o conteúdo de vapor d’água naquela região pode ter reduzido a taxa de
resfriamento radiativo.
Os gradientes de umidade e de vapor d’água também aumentaram no área
abrigada. O vapor d’água evaporado e transpirado não é totalmente transportado para longe
da fonte, ou seja da superfície evaporante, diferente do que ocorre no campo aberto. A pressão
de vapor permanece mais alta na área abrigada, por toda a noite, exceto durante períodos de
deposição de orvalho. Foi observado que tais gradientes de temperatura e pressão de vapor
são intensificados sob diferentes condições climáticas, com vários tipos de barreiras
vegetativas e não vegetativas, usadas para proteger diferentes tipos de cultivos.
Além do aumento de temperatura, a umidade relativa é geralmente maior
durante o dia, na área abrigada. A diferença na umidade relativa entre a área protegida e não
protegida, é maior à noite por causa da baixa temperatura do ar próximo ao abrigo.
É importante reconhecer que as diferenças microclimáticas que se
desenvolvem próximo ao abrigo, variam com a distância a partir do quebra-vento, com as
condições do tempo e com a hora do dia.

6.4 Efeito do vento no crescimento das plantas
O vento afeta o crescimento das plantas sob três aspectos: transpiração,
absorção de CO
2
e efeito mecânico sobre as folhas e ramos.

55
Experimentos controlados comprovam que a transpiração aumenta com a
velocidade do vento até um certo ponto, além do qual não se verificam modificações
significativas. O exato relacionamento entre o vento e a transpiração, entretanto, varia
grandemente com as espécies.
Em condições naturais, o efeito do vento sobre a transpiração pode variar de
acordo com a rugosidade, que é determinada pela superfície exposta. Geralmente o efeito é
maior em plantas altas e isoladas, diminuindo quando as plantas estão abrigadas umas pelas
outras e a superfície exposta é contínua e lisa.
O efeito do vento sobre a transpiração pode também variar com a temperatura e
a umidade do ar que incide sobre as plantas, podendo atingir cerca de 6 % da perda total de
água de uma cultura anual, porém com valores maiores, sob condições áridas, provocando
rápido secamento das plantas.
A fotossíntese aumenta com o suprimento de CO
2
, que por sua vez é
favorecido pela turbulência.
Altas velocidades são prejudiciais ao crescimento das plantas. A configuração
peculiar das árvores no litoral ou nas áreas montanhosas é conhecida. Folhas danificadas pelo
vento tem reduzida a sua capacidade de translocação e fotossíntese.
Em 1963, Hart, estudando cana-de-açúcar concluiu que:
- Quando somente a nervura central de uma folha foi quebrada, permanecendo o limbo
ileso, a translocação foi inibida em 34 a 38 %; a fotossíntese, medida com analisador
infravermelho, foi diminuída em 30 %.
- Quando porém, foram quebrados a nervura central e o limbo, a translocação foi reduzida
em 99 % a 100 % e a fotossíntese, acima da região quebrada, foi reduzida em 84 %. A
translocação foi medida 6 horas após a quebra da nervura e a fotossíntese no dia seguinte.
Determinações de umidade nas folhas mostraram que a inibição da fotossíntese
não foi devido a perda de água. Uma vez que as plantas não reagem da mesma maneira aos
ventos fortes, Whitehead (1957), classificou-as em três grupos:

a) as que escapam à ação do vento
São plantas comumente pequenas, cuja parte aérea não cresce acima de uma camada de
ar relativamente fina, próxima ao solo e, sendo assim, são menos afetadas pelos ventos fortes.

56

b) as que toleram os ventos
Plantas deste grupo (por exemplo, cevada) apresentaram uma marcada diminuição
da produção de matéria seca com o aumento da velocidade do vento, porém em menor
proporção do que as plantas do grupo a seguir.

c) as sensíveis ao vento
Plantas destas espécies são afetadas pelos ventos fortes de tal maneira que não
podem sobreviver. Tanto a altura da planta como a produção de matéria seca decresceram
rapidamente com o incremento da velocidade do vento.
Plantas que tenham crescido em condições de ventos fortes por um longo
período, podem desenvolver certas características fisiológicas, por exemplo, maior proporção
de raiz em comparação com a parte aérea, maior largura e espessura das folhas, etc.

57
Unidade 7: EVAPOTRANSPIRAÇÃO
7.1 Definições

a) Evaporação
É o fenômeno pelo qual uma substância passa da fase líquida para a fase gasosa
(vapor). A evaporação ocorre tanto numa massa contínua (mar, lago, rio, poça) como numa
superfície úmida (planta, solo). É um fenômeno que exige o suprimento de energia externa
sendo, portanto, um processo que utiliza essa energia externa ao sistema e a transforma em
calor latente.

b) Poder evaporante do ar
A atmosfera está em contínuo movimento, misturando e renovando o ar que
envolve uma superfície, seja esta coberta de água ou vegetação. Esta renovação dificulta que
o ar imediatamente acima da superfície se satura, mantendo o déficit de saturação e, por
conseqüência, a continuidade do processo evaporativo. Portanto, a movimentação atmosférica
mantém um poder evaporante, isto é, a capacidade de secamento da superfície. Esse
fenômeno é notado quando se estende roupa no varal e esta seca mesmo não havendo
incidência direta dos raios solares, apenas pelo efeito do vento.
Matematicamente, o poder evaporante do ar (Ea) é representado pela expressão

Ea = f(u) e A (1)

Em que f(u) representa uma função empírica da velocidade do vento (u). O déficit de
saturação ( e A = e
s
- e
a
) aumenta exponencialmente com a temperatura devido à relação entre
e
s
e T. Em condições meteorológicas normais o poder evaporante do ar aumenta durante o dia.
A função f(u) descreve uma relação positiva, geralmente linear, com a velocidade do vento.

c) Transpiração
Transpiração é a evaporação da água que foi utilizada nos diversos processos
metabólicos necessários ao crescimento e desenvolvimento das plantas. Essa evaporação se dá
através dos estômatos que são estruturas microscópicas (<50 µm) que ocorrem nas folhas (de
5 a 200 estômatos/mm
2
) e que permitem a comunicação entre a parte interna da planta e a
atmosfera. Através dos estômatos fluem gás carbônico, oxigênio e vapor d'água e que, na
maioria das plantas, permanecem abertos durante o dia fechados durante a noite e nas
condições de acentuado estresse hídrico. Estresse hídrico ocorre em duas situações:

1) quando o solo não contém água disponível às plantas;
2) quando o solo contém água disponível mas a planta não é capaz de absorvê-la em
velocidade e quantidade suficiente para atender à demanda atmosférica (poder evaporante
do ar).

A demanda atmosférica é elevada quando e A é grande e quando a velocidade do
vento também é grande. Nesse caso, e
s
é dado pela temperatura da folha, e existe uma
diferença de pressão parcial de vapor d'água entre a folha e o ar circundante. A transpiração
evita que as folhas sofram superaquecimento pela incidência direta da radiação solar, pois
parte da energia absorvida é utilizada na evaporação. No caso de deficiência hídrica, essa

58
energia não é dissipada havendo aumento da temperatura da folha com conseqüente
acréscimo em e A , daí a necessidade da planta controlar a perda d'água fechando os estômatos
para evitar secamento e morte da folha.

7.2 Efeito da advecção
Suponha uma extensa área vegetada, sem restrição de umidade no solo e
circundada por uma outra área seca (Figura 1). Sob as mesmas condições meteorológicas as
duas áreas apresentam balanço de energia distintos. Na área seca, a evapotranspiração é
limitada pelo solo e grande parte da radiação solar disponível é usada para aquecer o solo e o
ar (calor sensível). Na área vegetada a maior parte da energia é utilizada na evapotranspiração
resultando em menor aquecimento do ar. Essa situação induz o aparecimento de um gradiente
térmico entre as duas áreas. Havendo deslocamento do ar (vento)da área seca para a vegetada,
haverá transporte horizontal de calor sensível para a área úmida.

Figura 1. Efeito da advecção sobre a evapotranspiração. (Pereira et al, 1997)


Na condição suposta anteriormente, o balanço de energia vertical da superfície
vegetada é aumentado pela contribuição lateral de calor sensível da área seca adjacente. À
medida que o ar seco se desloca sobre a superfície vegetada ele vai umedecendo e resfriando,
pois há transferência de calor do ar para a superfície. Evidentemente, a contribuição lateral de
energia é maior na interface e decresce com a distância a sotavento. Na transição (área seca e
área úmida) ocorre o efeito varal, onde a evapotranspiração aumenta exageradamente. Dentro
da área úmida, à medida que se caminha na direção dos ventos predominantes, a
evapotranspiração diminui acentuadamente até um valor limite inferior que é resultante
apenas do balanço vertical local de energia. Denomina-se área tampão (área fetch, buffer
ou bordadura) à distância entre a região de transição e o ponto onde a evapotranspiração se
torna mínima (potencial). O tamanho da área tampão depende do clima da região e do porte

59
da vegetação. Vegetação mais alta e mais rugosa (arbustos e árvores) necessita de maior área
tampão.

7.3 Evapo(transpi)ração
Numa superfície vegetada ocorrem simultaneamente os processos de evaporação e
transpiração. Evapotranspiração é o termo que foi utilizado por Thornthwaite, no início da
década de 40, para expressar essa ocorrência simultânea. Anteriormente, utilizava-se o termo
uso consuntivo (Jensen, 1973), mas este considera a água retida na planta.
A evapotranspiração é controlada pela disponibilidade de energia, pela demanda
atmosférica e pelo suprimento de água do solo às plantas. A disponibilidade de energia
depende do local e da época do ano. O local é caracterizado pelas coordenadas geográficas
(latitude e altitude) e pela topografia da região. A latitude determina o total diário de radiação
solar potencialmente passivo de ser utilizado no processo evaporativo.
Quanto mais seco estiver o ar, maior será a demanda atmosférica. No entanto
existe interrelação entre a demanda pelo ar e o suprimento de água pelo solo. Resultados
experimentais de Denmead & Shaw (1962) mostram que o solo é um reservatório ativo que,
dentro de certos limites, controla a taxa de perda de água pelas plantas. Observa-se pela
Figura 2 que:
1) se a demanda atmosférica for baixa (tanque Classe A < 5 mm/d, curva A), a planta
consegue extrair água do solo até níveis bem baixo de água disponível
2) se a demanda for alta (curva C, >7,5 mm/d), mesmo com bastante umidade no solo, a
planta não consegue extraí-la numa taxa compatível com as necessidades, resultando em
fechamento temporário dos estômatos para evitar o secamento das folhas. Portanto, há
interrelação entre disponibilidade de radiação solar, demanda atmosférica e suprimento de
água pelo solo.


Figura 2. Relação entre evapotranspiração relativa (%) e água disponível no solo (%)
Adaptado de DENMEAD & SHAW (1962).

60
7.3.1 Evapotranspiração potencial
O conceito de evapotranspiração potencial (EP) foi introduzido por
Thornthwaite e aperfeiçoado em diversas oportunidades. EP corresponde à água utilizada por
uma extensa superfície vegetada, em crescimento ativo e cobrindo totalmente o terreno,
estando este em bem suprido de umidade, ou seja, em nenhum instante a demanda atmosférica
é restringida por falta de água no solo. Para Penman (1956), a vegetação deve ser baixa e de
altura uniforma. A grama foi prontamente tomada como padrão pois esta é a cobertura
utilizada nos postos meteorológicos. Assim definida a EP é um elemento climatológico
fundamental, que corresponde ao processo oposto da chuva (Thornthwaite, 1946) sendo
expressa na mesma unidade de medida (mm). A comparação entre chuva e a EP resulta no
balanço hídrico climatológico, indicando excessos e deficiências de umidade ao longo do ano
ou da estação de crescimento das culturas.
Condições realmente potenciais ocorrem 1 a 2 dias após uma chuva generalizada,
onde toda a região está umedecida e as contribuições advectivas são minimizadas,
independente do tamanho da área vegetada. Essa condição não ocorre em regiões áridas e
semi-áridas, e também nos meses de estiagem em regiões com chuvas sazonais.

7.3.2 Evapotranspiração real
Evapotranspiração real (ER) é aquela que ocorre numa superfície vegetada,
independente de sua área, de seu porte e das condições de umidade do solo. Portanto, ER é
aquela que ocorre em qualquer circunstância, sem imposição de qualquer condição de
contorno. Logo, ER pode assumir tanto valor potencial como o de oásis, ou outro qualquer. A
ER pode ser limitada tanto pela disponibilidade de radiação solar como pelo suprimento de
umidade pelo solo.

7.3.3 Evapotranspiração de oásis
O oásis é uma região vegetada em meio a um grande deserto, ou seja, é uma
pequena área com umidade disponível circundada por extensa área seca. No caso da
evapotranspiração, define-se a condição de oásis quando:
a) uma pequena área irrigada está rodeada por área seca;
b) a área tampão não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor
sensível.
A evapotranspiração, nessas condições, representa um valor exagerado pela
advecção de calor sensível e Villa Nova & Reichardt (1989) a denominaram de
evapotranspiração máxima (ETm).

7.3.4 Evapotranspiração da cultura e coeficiente de cultura
Desde o plantio até a colheita, uma cultura vai progressivamente crescendo e
ocupando a área disponível. Evidentemente, nessas condições ocorre a evapotranspiração real,
que na prática é denominada evapotranspiração da cultura (ETc). O conhecimento da ETc

61
é fundamental em projetos de irrigação, pois ela representa a quantidade de água que deve ser
reposta ao solo para manter o crescimento e a produção em condições ideais.
Sabe-se que para dar bons resultados, a irrigação deve ser bem quantificada. Caso
contrário, se as regas forem leves, insuficientes e freqüentes, repõem a água apenas nas
camadas superficiais do solo, não umedecendo toda a zona das raízes. Por isso elas se tornam
superficiais e incapazes de explorar o volume de solo disponível. Em conseqüência, diminui
consideravelmente a reserva hídrica útil do solo, prejudicando as plantas, desperdiçando
recursos valiosos e aumentando os custos da água aplicada. Irrigação em quantidades
insuficientes de água agrava os problemas de salinização do solo na zonas áridas e semi-
áridas, intensificados pelo emprego de água com alto teor de sais.
Regas excessivas também são contra indicadas, pois acarretam perdas de água e
de nutrientes, pela percolação abaixo da zona das raízes, além de favorecer a proliferação de
microorganismos patogênicos. Em casos de terrenos mal drenados, com impedimentos à
percolação, o solo ficará saturado prejudicando as raízes que poderão parecer por falta de
arejamento.
Para contornar essas dificuldades, utiliza-se estimativas da evapotranspiração
potencial (ou de referência) para gramado, corrigidas por um coeficiente de cultura (Kc).
Esse coeficiente de ajuste representa o quociente (Jensen, 1968),


ETo
ETc
Kc =

e varia com a cultura e com seu estádio de desenvolvimento, sendo apresentado em tabelas.
A evapotranspiração de referência (ETo ou ETr) é definida como o limite
superior ou a evapotranspiração máxima que ocorre numa cultura de alfafa (Medicago sativa
L.), com altura de 0,3 a 0,5 m, numa dada condição climática e com aproximadamente 100 m
de área tampão.

7.4 Determinação da evapotranspiração
Existem diversos métodos para obtenção da evapotranspiração:
a) métodos empíricos;
+ método do tanque classe A
+ método de Thornthwaite
+ método de Makking
+ método da radiação solar
+ método de Jensen-Haise
+ método de Linacre
+ método de Hargreaves-Samani
+ método de Blaney-Criddle

b) métodos aerodinâmicos;
c) métodos de balanço de energia;

d) métodos combinados que conjugam partes do balanço de energia e do transporte de
massa;
+ método de Penman

62
+ método de Slatyer e McIlroy
+ método de Penman simplificado
+ método de Penman-Monteith

e) método da correlação dos turbilhões;

7.5 Medidas da evapo(transpi)ração

a) Evaporação
+ tanque classe A
+ tanque GGI – 3000
+ tanque 20m
2


b) Evapotranspiração
+ balanço hídrico do solo
+ lisimetria

c) Poder evaporante do ar
+ Evaporímetro (ou atmômetro) de Piche

7.5.1 Lisímetros ou Evapotranspirômetros
São tanques com terra, enterrados no terreno para medir a percolação da água
através do solo e a evapotranspiração. Devem ser suficientemente grandes para ser reduzido o
efeito de borda e proporcionar bom desenvolvimento radicular, sem restrições.

a) Evapotranspirômetros de drenagem
Operam baseados no princípio do balanço de água, ou seja, mede-se a água
precipitada e a percolada; como é um processo demorado, ele é preciso para períodos mais
longos, que variam de acordo com o regime de chuva ou irrigação, a profundidade do
evapotranspirômetro e com o movimento da água. É constituído por um tanque contendo solo
tendo, na parte inferior, um filtro com 10 a 15 cm de espessura, formado de materiais com
diferentes granulações (Figura 3). Para a confecção desse filtro normalmente empregam-se, a
começar do fundo, camadas superpostas de brita, cascalhinho, areia grossa e areia fina. Na
parte inferior do tanque há um dreno, que possibilita medir a água escoada por infiltração.
Quando do início da operação, o solo do interior do evapotranspirômetro é abundantemente
regado, deixando-se escoar livremente o excesso de água pelo dreno. Isso assegura que o solo
ficou em capacidade de campo. Alguns dias depois, dependendo da rotina estabelecida, uma
lâmina de água (Ac) é colocada no tanque medindo-se lâmina correspondente ao excesso

63
percolado (Ap). A diferença (Ac-Ap) representa a lâmina de água necessária à recondução do
solo à capacidade de campo e, portanto, traduz o consumo total de água naquele período. Se
houve chuva, esta deve ser adicionada ao consumo. A evapotranspiração total (E) no período
será pois:

E = Ac – Ap + P

b) Evapotranspirômetros de lençol freático
O evapotranspirômetro de lençol freático regulável (Figura 4) é idêntico ao de
drenagem no que concerne ao tanque contendo o solo e a vegetação. A diferença fundamental
está na forma como é feito o suprimento hídrico, de maneira a manter, no fundo desse tanque,
um lençol freático à profundidade escolhida. Quando ocorre precipitação, o nível do lençol
freático torna-se superior ao previsto e o excesso de água acumulado precisa ser drenado. O
evapotranspirômetro de lençol freático regulável presta-se bem à determinação da
evapotranspiração em culturas, para o caso específico de plantas que tenham um sistema
radicular não muito profundo. O nível do lençol freático é rebaixado à medida que o sistema
radicular das plantas vai se desenvolvendo, de maneira a assegurar à vegetação pleno
abastecimento hídrico, durante todas as fases do ciclo evolutivo.

c) Evapotranspirômetros de flutuação
Nesse equipamento o tanque evapotranspirométrico, geralmente pequeno, é
flutuante e possui, em seu interior, um compartimento hermeticamente fechado que constitui
uma câmara de flutuação (Figura 5). Na porção inferior do tanque flutuante há um pesado
lastro, destinado a mantê-lo verticalmente aprumado. O tanque evapotranspirométrico fica
imerso em um cilindro com água, em cuja superfície põe-se uma fina camada de óleo, para
evitar a evaporação. A drenagem da água, que se acumula no fundo do tanque
evapotranspirométrico, é feita por uma bomba de sucção, através de um tubo, cuja
extremidade repousa na camada mais profunda do solo.

64
São mais baratos e simples que os de pesagem. Porém grandes espaços são
necessários para o líquido que mantém o tanque em flutuação. Esse equipamento consiste de
um volume de solo contido num reservatório que flutua num fluido de alta densidade, por
exemplo, o ZnCl
2
. A variação do nível do fluido num sistema de vasos comunicantes permite
determinar a variação da massa do sistema. Conhecendo-se a drenagem profunda, computa-
se a evapotranspiração




Figura 3. Esquema de um evapotranspirômetro de drenagem



65


Figura 4. Esquema de um evapotranspirômetro de lençol frático regulável.

Figura 5. Esquema de um evapotranspirômetro de flutuação.

66
Unidade 8: FENÔMENOS METEOROLÓGICOS
ADVERSOS
8.1 Geada
8.1.1 Tipos de geada
O Glossário de Meteorologia define geada como uma condição que existe quando
a temperatura da superfície terrestre e de outros objetos fica abaixo do ponto de congelamento
(0º C).
Geada de radiação ocorre nas noites claras (sem nebulosidade) e calmas, quando a
radiação terrestre emitida, perde-se no espaço, devido a ausência de nuvens e grande
concentração de vapor d’água.
Severidade da geada de radiação varia consideravelmente com as condições gerais
atmosféricas bem como diferenças locais da topografia e vegetação.
Geada branca é causada pela sublimação dos cristais de gelo sobre objetos tais
como ramos de árvores e outros, quando estes objetos estão a uma temperatura abaixo do
ponto de congelamento.
Geada negra ocorre quando a vegetação é congelada devido à redução da
temperatura do ar, que não contém umidade suficiente para a formação de gelo sobre a
superfície.
Biel (1961) diferenciou geada de radiação, que é um fenômeno essencialmente local,
da geada de advecção, que resulta do transporte de massa de ar de larga escala. A geada de
advecção é, frequentemente chamada de gelo severo.
O ar seco e frio advectado para uma região, inicia o estágio de desobstrução da fonte
de calor proveniente do solo e da planta. Similarmente, o processo radiativo contribui para a
troca de calor durante a geada de advecção.
Sob condições de geada de radiação, os ventos são normalmente suaves e, inversão
de temperatura se desenvolve quando o ar em contato com superfícies radiantes frias, tornam-
se resfriados e pesados. A geada de advecção frequentemente ocorre com ventos fortes,
inversão de temperatura não se desenvolve sob estas condições.

8.1.2 Climatologia da incidência de geada.
A extensão da estação de crescimento para qualquer tipo de cultivo é fixo (em
regiões sujeitas à geada), essencialmente pela ocorrência de geada na primavera e no outono
com temperaturas suficientemente baixas para matar o cultivo.
A data média da última temperatura mínima (0º C), na primavera e a primeira do
outono, frequentemente são usadas como medida razoável da ocorrência de geada e para
definir o comprimento da estação, livre de geada.
Em regiões montanhosas é muito difícil manter uma rede adequada de estações de
observação. Assim, longos registros de datas de geada não são disponíveis. A topografia
complica a interpretação dos limitados dados disponíveis, por causa das grandes diferenças do
desenvolvimento de temperaturas noturnas causadas por forte inversão.
Durante o mês de junho de 99, em Pelotas, foram registradas ocorrências de geada
fraca, com temperatura mínima em torno de 3,0º C; geada forte com temperatura mínima em
torno de 2,4º C e em torno de 1,2º C.

67

8.1.3 Métodos de proteção de geada
Em média, as geadas de advecção ocorrem mais cedo na primavera e mais tarde
no outono do que as geadas de radiação e a temperatura ambiente é, frequentemente, mais
baixa.
A maioria dos métodos de proteção está baseada no conhecimento das condições
que favorecem a ocorrência de geada de radiação, que são:
a) massa de ar estável e fria;
b) céu sem nuvens;
c) vento fraco ou calmaria que previne a mistura de ar próximo à superfície com o ar mais
quente acima;
d) temperatura do ponto de orvalho relativamente alta;
e) formas topográficas que favoreçam a drenagem do ar frio para as baixadas.

Dessa forma, os métodos de proteção de geada são baseados nos seguintes
princípios:

1. seleção do local;
- evitar plantio em declives, vales, etc
- proximidade de corpos de água é um importante fator por causa da brisa

2. interceptação da radiação;
- geração de nuvens artificiais injetando água no ar acima do campo, que oferecem a
possibilidade de fechar a janela atmosférica à radiação infravermelho
- formação de nuvens artificiais de fumaça

3. isolamento térmico;
- cobrir as plantas com determinado tipo de material; estas coberturas são colocadas sobre as pequenas plantas no fim da tarde e
removidas na manhã seguinte

4. mistura de ar;
- usando-se ventiladores ou helicópteros

5. aquecimento convectivo do ar;
- usando-se aquecedores (a base de óleo ou querosene) que promovem a formação de correntes convectivas, não permitindo a
formação de uma camada de inversão

6. manipulação do solo.
- usando-se cobertura morta como palha, restos vegetais, plástico agrícola e outros.

Todos os métodos citados são dispendiosos e necessitam de alguns cuidados ao serem usados ou aplicados. A seguir,
apresenta-se algumas informações com relação a situações de devem ser observadas quando for usado o sistema de aquecimento.
A utilização de vários aparelhos de aquecimento ou pequenas fogueiras tem grande aplicação por alguns agricultores. A
finalidade do método consiste na adição de calor suficiente às camadas mais baixas que se encontram abaixo da inversão, de maneira a
impedir a ocorrência de uma temperatura crítica. A Figura 1, ilustra a ocorrência de uma temperatura crítica que pode ocorrer desde 0ºC
até a temperaturas mais baixas, dependendo do tipo de cultura e do seu estágio de desenvolvimento. O aquecimento é muito eficiente
quando existem condições de uma forte inversão e de pequeno ou nenhum desvio do ar provocado pelo vento.

68


Figura 1. Área abaixo da inversão que precisa ser aquecida.

Se a combustão for bastante intensa ou de temperatura excessivamente elevada,
pode provocar a formação de um poderoso jato de ar quente que vai atravessar a inversão,
causando o efeito de uma chaminé, furando a inversão como mostra a Figura 2, determinando
a perda de calor e impulsionando ar frio para dentro da área.

69

Figura 2. Jato de ar quente atravessando uma inversão.

Na prática, o número de aquecedores é aumentado de maneira a formar mais calor
onde for necessário, tal como nas áreas mais baixas, onde houve acúmulo de ar frio. A
drenagem de ar frio (Figura 3) resulta do fato de o ar frio ser mais denso do que o ar quente
que vai, geralmente, se acumular nos lugares mais baixos. Daí a designação de “bolsões de
geada” para as áreas que permitem que o ar frio se escoe.


Figura 3. Drenagem do ar frio.

Deve ser lembrado que durante o aquecimento, sua finalidade não é aquecer todo
o ambiente, mas a área que fica abaixo da inversão, onde ocorrem as temperaturas críticas,
como mostra a Figura 4.

70

Figura 4. Temperaturas mais baixas na altura do pomar.

No caso do uso de aparelhos de aquecimento, os mesmos devem ser acesos no
momento em que a temperatura começa a diminuir, e à medida que continua a baixar, o
número de aparelhos deve ser aumentado, ou o aumento da intensidade do calor liberado.
Cada aparelho de aquecimento aquece convectivamente uma área (Figura 5).

71
Figura 5. Área aquecida por convecção.

Para impedir a ocorrência de um “efeito chaminé”, através do qual o calor se
perde para o espaço, como mostra a Figura 6, a velocidade térmica do ar aquecido pelo
aquecedor deve ser de tal ordem que o resfriamento adiabático, provocado pela expansão à
medida que o ar sobe, transfira à parcela de ar uma temperatura que se torne igual à do
ambiente, o que fará com que o ar páre antes de atingir a mais alta temperatura dentro da
inversão.

72
Figura 6. Efeito chaminé.

A emissão de um simples aquecedor deve combinar com as emissões dos outros
aquecedores de modo a produzir o desejado efeito de aquecimento.
8.2 Granizo
Dentro de todas as nuvens os processos de condensação e agregação produzem
partículas de tamanhos grandes. A precipitação ocorre quando parte destas partículas alcança
tal tamanho e se projetam para fora das nuvens e das correntes ascendentes que as sustentam.
Se as partículas são capazes de sobreviver a evaporação, que elas experimentam enquanto
caem através do ar insaturado abaixo das nuvens, a precipitação alcança o solo; caso
contrário, a precipitação restringe-se somente a parte mais próxima da nuvem, sendo
denominada de virga.
Algumas vezes a superfície do solo e outros objetos ficam cobertos por uma fina e
transparente camada de gelo, este fenômeno é chamado de “glaze” (cobertura por gelo).
Glaze forma-se quando gotas de chuva ou leve chuvisco são superresfriados; caindo
sobre os objetos eles imediatamente congelam e formam uma camada crescente de gelo. O
glaze pode ser depositado sobre a vegetação, superfície do solo, ramos de árvores, etc. O peso
do gelo pode quebrar ramos de árvores. Algumas vezes camada de gelo de considerável
espessura forma-se no solo. Na pastagem, a presença do glaze pode causar a morte do rebanho
devido ao fato de que os animais não serem capazes de triturar o gelo e alcançar a forragem.

8.3 Estiagem

73
A seca constitui um grave risco para a agricultura tanto nas regiões temperadas
quanto nas regiões tropicais. Apesar de haver várias definições do termo “seca”, concorda-se
geralmente que esta pode ocorrer sempre que o suprimento de umidade armazenada no solo
seja insuficiente para atender às necessidades hídricas das plantas. Quatro tipos de seca ou
estiagem podem ser identificados, a saber: permanente, sazonal, contigente e invisível.
Nas regiões áridas ocorre a seca permanente, onde nenhuma estação de precipitação
é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas. Em tais áreas a agricultura é
impossível sem a irrigação por toda a estação de plantio e crescimento.
A seca sazonal ocorre em áreas com estações seca e úmida bem definidas, como na
maior parte dos trópicos. Todos os anos a seca pode ser esperada, pois esta se deve às
variações sazonais nos padrões de circulação atmosférica. A agricultura praticada com maior
êxito durante a estação chuvosa ou com o uso de irrigação durante a estação seca.
A seca contingente e a invisível resultam da irregularidade e da variabilidade da
precipitação.
A seca contingente é característica de áreas sub-úmidas e úmidas e ocorre quando a
chuva deixa de cair num dado período de tempo. A seca contingente constitui um sério risco
para a agricultura devido a sua imprevisibilidade.
A seca invisível é diferente dos outros tipos porque é menos facilmente reconhecida.
Este tipo de seca ocorre sempre que o suprimento de água ou armazenamento de água no solo
deixe de ser igual às necessidades hídricas diárias das plantas. Disso resulta uma lenta
secagem do solo, impedindo um crescimento ótimo das plantações. A necessidade de planejar
a irrigação torna-se difícil porque os cultivos não murcham.
Outros tipos de seca são evidenciados pelo murchamento dos cultivos ou pela falta
de maior crescimento vegetativo.
Uma vez que a seca é uma condição na qual a necessidade de água é maior do que a
umidade disponível, os danos da seca aos cultivos em crescimento podem ser prevenidos do
seguinte modo:
- diminuindo-se as necessidades de água dos cultivos, e/ou
- aumentando-se o suprimento de água
Assim sendo, cultivos resistentes à seca, com pequenas necessidades de água para
seu crescimento e desenvolvimento, e os de curta estação devem ser plantados, evitando-se
cultivar culturas que exijam muita umidade ou longa estação de crescimento, para não
acontecer o conseqüente aumento da probabilidade de ocorrência de seca.
Certas práticas de cultivos ajudam a conservar a umidade do solo e devem ser
desenvolvidas em áreas sujeitas à seca. Por exemplo, os legumes e as gramíneas melhoram a
capacidade de retenção de água pelo solo, bem como o uso de matéria orgânica e de
fertilizantes. As ervas daninhas devem ser controladas, uma vez que aceleram a perda de água
pela transpiração, em detrimento das culturas.
Em ambientes sub-úmidos e semi-áridos a técnica de cultivo em áreas secas é
comumente praticada. Isso envolve o uso de dois ou três anos de precipitação para se realizar
o cultivo de um ano. Melhor explicando: durante os dois primeiros anos, deixa-se o campo em

74
pousio. Ele é somente cultivado para matar as ervas daninhas e criar uma estrutura
edafológica que permitirá tanta umidade quanto possível (Critchfield, 1974)
O método mais eficiente de combater a seca é através da adução de água
artificialmente ou pela irrigação. O estímulo artificial da precipitação é, no presente, um
método insignificante de combater a seca. Por outro lado, a irrigação é um método comum e
difundido com a finalidade de atender a todas as necessidades hídricas dos cultivos ou parte
dessas necessidades. Num meio árido a agricultura é possível somente com a irrigação. Em
áreas semi-áridas e sub-úmidas a irrigação aumenta a produtividade da lavoura e a duração da
estação de crescimento, tornando possível o cultivo de maior variedade de plantas. Em uma
região úmida, a irrigação ajuda a combater o efeito da seca e a aumentar a produtividade da
lavoura. Entretanto, a prática da irrigação apresenta problemas, sendo os maiores deles:
- a disponibilidade de água, superficial ou subterrânea;
- o custo da exploração e adução da água nos campos cultivados.
Há também necessidade de aplicação criteriosa da água de irrigação nas lavouras. As
necessidades hídricas das culturas em vários estágios de seu crescimento devem ser
cuidadosamente conhecidas. Enquanto a subutilização também o é, pois pode reduzir a
produtividade do cultivo e criar outros problemas. Dessa forma, a irrigação excessiva pode:
- reduzir a utilização de nutrientes pela planta por causa da diluição;
- causar a dispersão de nutrientes para fora da área de cultivo;
- supersaturar o solo com a umidade, de modo que a falta de oxigênio se torne um
problema.
Além de tudo, a irrigação é muitas vezes limitada a cara, de modo que a super-
utilização não faz sentido econômica e ecologicamente.

(Observação: texto sobre Estiagem (seca) tirado do livro Introdução à Climatologia para os
Trópicos; autor J. O. Ayoade - 5ª edição)



75
Unidade 9: FENOLOGIA
9.1 Generalidades

Os pesquisadores tentam determinar a provável duração das fases de
desenvolvimento das plantas, com o objetivo de classificá-las e distribuí-las em regiões
adequadas, na busca de maiores produções.
Os elementos do clima como radiação solar, vento, precipitação e temperatura tem
influência decisiva sobre o desenvolvimento e o crescimento das plantas. Com relação à
precipitação, sua falta pode ser suprida através da irrigação suplementar. Assim, é possível
ajustar as culturas aos locais e épocas adequadas ao seu desenvolvimento e a sua produção
econômica.
Para cada processo fisiológico e para cada tipo de planta há uma faixa térmica,
dentro da qual o processo atinge sua maior intensidade.
O estudo das inter-relações clima-planta não se baseia somente na determinação das
exigências térmicas; a disponibilidade de água no solo deve ser também considerada para que
as plantas apresentem bom desenvolvimento e tenham produtividade econômica satisfatória.
A deficiência hídrica pode não só afetar a duração do ciclo do vegetal, como também
ocasionar sensíveis danos à produtividade.
Assim, fenologia é a disciplina científica que relaciona o clima com os eventos
periódicos das plantas e animais, ou seja, é o estudo dos fenômenos periódicos da vida e suas
relações com o tempo e clima. A palavra fenologia vem do grego “fenos” (fenômeno) e
“logos” (estudo, tratado). Como consequência, temos o estudo dos fenômenos periódicos da
natureza em relação a variação anual dos elementos meteorológicos.
Estes fenômenos periódicos do ciclo vital podem ser detectáveis ou não. Os
detectáveis podem ser vistos diretamente por observação visual ou medidos por instrumentos.
Tomando como exemplo as plantas, teremos: brotação de ramos e folhas, floração, queda de
folhas e frutos, etc; nos animais teremos, a lactância, a migração, a hibernação, a queda ou
mudança do pelo, etc.
Fenômenos latentes ou fases não detectáveis diretamente por observação visual,
sendo obtidos somente por meio anatômico ou bioquímico, são considerados os seguintes: a
germinação das plântulas, desenvolvimento radicular, formação do promórdio floral,
crescimento vegetativo, etc. Na observação destes eventos se dá ênfase a data de ocorrência
dos seguintes: chegada de pássaros, data de brotação prematura ou floração, atraso na
maturação do cultivo, etc.
Desse modo, há uma fenologia dos animais, que é a zoofenologia; dos insetos é a
entomofenologia; das plantas, fitofenologia ou fenologia, como é comumente referida.

9.2 Crescimento e desenvolvimento

É necessário diferenciar crescimento de desenvolvimento. Durante seu ciclo
evolutivo, a planta sofre contínuas transformações do volume, peso, forma e estrutura, de
acordo com o momento do ciclo em que se encontre. O crescimento é verificado pelo
incremento do peso sólido ou seco do ser vivente. O desenvolvimento é caracterizado pelas
mudanças da forma, bem como pelo grau de diferenciação alcançado pelo organismo. Resulta
assim, que o crescimento é, em termos gerais, um processo quantitativo relacionado com o

76
aumento da massa do organismo, enquanto que o desenvolvimento é um processo qualitativo
e se refere às mudanças experimentadas pela planta.
Durante o crescimento dos vegetais a temperatura e a água adquirem importância
fundamental.
No desenvolvimento influem a temperatura, na acumulação de calor, as baixas
temperaturas e a duração do dia (fotoperíodo), e tudo mais, como uma interação do complexo
ambiental.
Em outras palavras, o estudo do desenvolvimento de uma planta é morfológico e
fenológico, enquanto que crescimento é geralmente fisiológico e ecológico.
Crescimento pode ser medido pelo aumento do comprimento de um ramo ou o
aumento de peso, ao passo que desenvolvimento é normalmente observado pela data de
germinação, brotação, floração, frutificação, etc.
Em geral, o ciclo de vida de uma planta anual, segundo a interpretação de alguns
autores (Azzi, 1956; White, 1966) pode ser dividido em 4 estágios e são similares para todas
as plantas anuais:

semente – vegetativo – florescimento – reprodutivo

É evidente que as exigências meteorológicas de um vegetal variam de forma
notável segundo o momento de sua evolução, por isso, torna-se imprescindível dividir sua
vida em várias etapas ou sub-períodos. As fases servem para dividir o período vegetativo em
sub-períodos.

9.3 Fenodatas

Fundamentalmente, a fenologia registra a data em que se produzem as fases e, do
mesmo modo que são traçadas as isotermas, isóbaras, isoietas, etc, na fenologia se traçam as
isofenas, que são linhas que unem pontos onde um fenômeno da natureza (fase) ocorre na mesma
data. A anotação da data em que se apresenta uma determinada fase denomina-se fenodata.
Comparando os vegetais em distintos lugares mediante as fenodatas, é possível
chegar a uma idéia do microclima do lugar, por exemplo, se em determinado lugar se produz
cacau, sem mencionar o clima, sabe-se, indiretamente que o clima é úmido e que ali não são
registradas temperaturas abaixo de 10º C; se em outro lugar crescem maçãs, deduzimos que o
inverno é muito frio.
Os vegetais reagem às mudanças climáticas do meio circundante mediante a
aparição, transformação ou desaparecimento de órgãos, brotos, flores, frutos, etc, o que se
denomina fase. Como, entre a sucessão de fenômenos meteorológicos e a sucessão das fases
nas espécies vegetais deve existir uma exata coincidência das condições climáticas, se diz que

77
as plantas, na fenologia, desempenham um papel análogo ao dos instrumentos registradores
em Meteorologia. A sensibilidade das plantas às mudanças climáticas é muito grande.
Todo valor que se afaste do valor médio correspondente a essa fase, constitui uma
anomalia fenológica. Na anomalia positiva, a fase se adianta e na negativa, ela se atrasa.
Por outro lado, a energia de fase é a força com que se produz a aparição de novos
órgãos e se mede pelo número de dias que duram desde o primeiro ao último órgão da fase.
Quanto maior a energia de fase, menor o número de dias para o desenvolvimento e vice-versa.
Na energia de floração, por exemplo, influi não somente o solo, mas também o comprimento
do dia e a umidade do solo. A seguir, é mostrado um exemplo de observação fenológica,
sendo cada fase dividida em subperíodos.

Tabela 1. Fenodatas da cultura de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.)
Estádio fenológico Data Dia do ano
Data do plantio 15/10/94 288
Emergência das plantas 22/10/94 295
Folhas primárias completamente expandidas 24/10/94 297
Primeira folha trifoliada completamente aberta 31/10/94 304
Terceira folha trifoliada completamente aberta 08/11/94 312
Aparecimento do primeiro botão floral 15/11/94 319
Aparecimento da primeira flor aberta 17/11/94 321
Aparecimento da primeira vagem 24/11/94 328
Desenvolvimento de sementes (vagem c/ comprimento
máximo)
12/12/94 346
Início da maturação (primeira vagem apresenta mudança de cor 22/12/94 356
Fonte: Souza, 1996

9.4 Observações fenológicas de plantas anuais.

Para os cultivos anuais uma ampla variedade de fatores bioclimáticos deve ser
levada em consideração: se os cultivos são de inverno, verão ou de estação intermediária;
sensibilidade à baixas temperaturas; quantidade de calor exigida; sensibilidade ao
comprimento do dia; quando irrigar e a quantidade de água a ser aplicada. Todas essas
informações são necessárias para tornar as observações mais detalhadas sobre as

78
características fenológicas particulares ou fases e órgãos que não são comuns a todas as
espécies.
Porém, a principal diferença está no fato de que as fases dos cultivos anuais
dependem da data de semeadura. Cada época diferente de semeadura capacita o cultivo a
reagir, aos vários elementos que compõem seu ambiente, de modo diferente e com diferentes
resultados os quais refletem numa sequência particular de fases, que deve ser analisada
diferentemente, de acordo com o cultivo em questão.
Uma vez plantado num determinado lugar, cultivos perenes não estão sujeitos as
variações da época de semeadura, porém reage ao ciclo do tempo de cada ano, que não varia
tão amplamente como os complexos atmosféricos, como os resultantes das diferentes épocas
de semeadura.
Nas observações fenológicas, prioridades devem ser dadas a extensão de critério
usado na interpretação da intensidade das fases. Isto, por causa da energia que cada processo
fenológico exige, quando medido pelo número de dias entre o início e complementação do
processo, indicando quando a planta tem suas exigências bioclimáticas satisfeitas.
Quanto menor o número de dias, mais satisfatoriamente a planta tem se ajustado com
as condições meteorológicas prevalecentes naquele momento. Isto pode ser chamado de
“energia de fase”, que é uma generalização do conceito de “energia de florescimento”,
introduzido por Ledesma em 1951, definida anteriormente.
Durante o ciclo da cultura do arroz (Oryza sativa L.), foram obtidos os seguintes
dados fenológicos:
a) data de plantio;
b) data de florescimento (quando 50 % das plantas se encontravam com as glumelas
das flores abertas e com os filetes e anteras expostos);
c) data da maturação (quando todas as espécies estavam com os grãos do 2/3
superiores na fase de massa dura e o restante na fase de massa semidura, ainda
“verdoengos”).

Rodrigues et al, 1999, avaliaram as características fenológicas do cultivo de arroz-
de-sequeiro, cultivar IAC 201, sob três regimes hídricos, sendo um deles o regime hídrico
natural e os outros dois, irrigação baseada no coeficiente da cultura. As características
fenológicas observadas foram florescimento pleno e ciclo da cultura. Com o aumento da
disponibilidade de água, por estádio de desenvolvimento da cultura, ocorreu uma diminuição
do número de dias para o florescimento e do ciclo da cultivar.
Houve uma diminuição do período de florescimento devido ao acréscimo da
quantidade de água fornecida à cultura do arroz. Isto mostra como as condições ambientais e
as não ambientais oferecidas as plantas alteram o seu comportamento, crescimento e
desenvolvimento.

9.5 Observações fenológicas de plantas perenes


79
Como exemplo de planta perene temos o cacaueiro (Theobroma cacao L.) que é
uma planta que atinge a altura de 4 a 8 metros de altura, apresentando tronco principal que
cresce até, aproximadamente, os 14 meses de idade. A partir dessa idade cessa o crescimento
da gema terminal, emergindo 3 a 5 ramas primárias, que dão origem às ramas secundárias.
A raiz primária pode atingir uma profundidade d 2 metros, se o solo for profundo e
bem arejado.
Em plantas perenes de crescimento intermitente, a queda de folhas geralmente segue
o ritmo de renovação foliar ocorrendo simultaneamente com o crescimento das folhas novas.
O lançamento de folhas novas é associado ao mecanismo termoperiódico. Aumenta a
amplitude térmica, aumenta o lançamento de folhas novas.
O cacaueiro se comporta como planta de floração contínua em regiões que não
apresentam diferenças sazonais de temperatura e de precipitação.
A passagem brusca de período seco para outro úmido provoca um estímulo externo
da floração do cacaueiro. A floração pode ser inibida durante épocas de deficiência hídrica no
solo, tornando-se intensificada após o reinício das chuvas.
Os frutos de cacau, que se desenvolvem nos meses mais quentes levam de 140 a 175
dias, desde a fecundação da flor até seu amadurecimento. Desse modo, os eventos fenológicos
do cacaueiro, planta perene, são os seguintes:
a) lançamento de folhas novas;
b) queda de folhas;
c) floração;
d) produção de frutos maduros;
e) incidência de pecos.

O peco do cacaueiro é caracterizado pelo amarelecimento dos frutos jovens que
murcham e adquirem coloração marrom. Dois tipos de pecos são identificados: o de origem
externa ou biótica, causada por ataque de fungos ou insetos; e o de origem interna ou
fisiológica, resultante de distúrbios metabólicos da própria planta. Provavelmente o peco
fisiológico do cacaueiro tem mecanismo semelhante ao da queda de frutos jovens de algumas
árvores frutíferas como a laranjeira, o abacateiro, a macieira, o coqueiro e outras.
De modo geral, o registro fenológico de plantas perenes consiste dos seguintes
passos:
a) florescimento e maturação dos frutos;
b) brotação e crescimento de ramos;
c) mudança da cor das folhas e dos frutos antes da maturação;
d) queda das folhas e dos frutos.

Em áreas de regime climático estável, onde os processos fenológicos seguem um
modelo ajustado às condições meteorológicas, somente momentos representativos das fases
serão observados, por exemplo: o início da brotação, do florescimento, clímax da maturação

80
do fruto, clímax da queda de folhas, etc, datas que são usadas para a compilação de boletins
fenológicos ou para a caracterização bioclimática das estações do ano por meio de plantas
especialmente selecionadas.
Naquelas com regime climático variável, onde o modelo fenológico e suas fases são
interrompidas por fenômenos do tempo, é essencial conduzir observações simultâneas do
estágio de desenvolvimento de todas as fases visíveis de uma planta individual.

9.6 Estação de crescimento

Várias variáveis meteorológicas são testadas para verificação da influência na
determinação do período de crescimento de um vegetal. Godoy (1960) testou cinco épocas de
plantio (com 10 variedades de arroz) e determinou parâmetros de crescimento e produção de
grãos. Utilizando variedades precoces e tardias, constatou que, para todos os cultivares, o
atraso na época de semeadura acarretava antecipação na época de florescimento, indicando
sensibilidade ao fotoperíodo. Isto porque o arroz é influenciado, de forma muito variada, pela
duração do dia. Algumas vezes pode ser relacionada à temperatura do ar, principalmente
aquelas abaixo de 15ºC durante quatro dias. Também pode ser considerada como
influenciável no crescimento de uma cultura a temperatura da água de irrigação, intensidade
da luz, umidade atmosférica, e outras.
Souza, 1989, determinou a estação de crescimento utilizando o método de Frére e
Popov, o qual estabelece que o início da estação acontece quando a precipitação atinge 50 %
da evapotranspiração potencial e não se registram períodos secos na semana seguinte.
Analogamente, o término da estação de crescimento é determinado como sendo a semana em
que a precipitação se reduz a metade da evapotranspiração potencial.










81


Bibliografia consultada.

RODRIGUES, R.A.F. et al. Características fenológicas, acamamento e produtividade da
cultura do arroz-de-sequeiro (Oryza sativa L.) conduzida sob diferentes regimes hídricos.
In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA, 11, 1999. Florianópolis.
Anais...Florianópolis: SBA, 1999.

SCERNE, R.M.C. Estudo agroclimático do cacaueiro (Theobroma cacao L.), em Belém, PA.
Viçosa, 1988. 64p. Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de
Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Viçosa.

SOUZA, A. Avaliação agroclimática para o manejo da cultura do arroz (Oryza sativa L.),
para as microrregiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Viçosa, 1989. 91p.
Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de Engenharia Agrícola,
Universidade Federal de Viçosa.

SOUZA, J.L. Saldo radiômetro com termopilha de filme fino e aplicação no balanço de
radiação e energia em cultivo de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.) com e sem
cobertura de polietileno. Botucatu, 1996. 172p. Tese (Doutorado/Energia na Agricultura) -
Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista.


82
Unidade 10: TÓPICOS ESPECIAIS
10.1 AMBIENTE PROTEGIDO
Ambiente protegido é aquele que propicia um microclima adequado ao
desenvolvimento vegetal. Ele pode ser coberto com vidro ou plástico e são comumente
chamado chamados de estufas ou casas de vegetação.
No início do século 19, foram feitos estudos sobre a forma ideal de um ambiente
protegido, cujo material de cobertura seria o vidro, e foi observado que uma cobertura
hemisférica proporcionaria transmissão máxima da radiação. A partir daí, vários estudos
relacionados com a estrutura, forma e material de cobertura forma desenvolvidos com o
objetivo de minimizar os custos e proporcionar condições próxima do ideal para as plantas.
As estufas variam no tamanho e no tipo, de modo a satisfazerem um grande número
de necessidades dos agricultores. Podem ser climatizadas ou não. As do primeiro tipo são
usadas em regiões de clima muito frio, onde as baixas temperaturas não permitem o
desenvolvimento das plantas, contando somente com o calor armazenado dentro delas devido
ao efeito estufa. É necessário o uso de equipamentos que controlem a temperatura, umidade
relativa do ar e ventilação. Normalmente, são utilizadas para culturas sensíveis, como flores,
quando requerem faixas mínimas de tolerância relativa ao ambiente.
Essas estufas climatizadas são desenvolvidas de tal forma a permitir um alto
percentual de automatização dos equipamentos, para que se consiga um grande controle
ambiental. Devido a todas as exigências que as cercam, são construções dispendiosas e por
isso só devem ser empregadas em situações especiais.
As estufas não climatizadas são construções simples, baratas e geralmente
construídas pelos próprios agricultores. Não dispõem de equipamentos de calefação. O
controle do ambiente é feito pelo manejo das aberturas e cortinas. O calor quando desejado é
obtido pelo efeito estufa. São utilizadas em clima quente e ameno e restringem-se à culturas
menos sensíveis, como hortaliças e outras, e alguns tipos de flores.
Dificilmente se consegue manter as condições do ambiente, durante todo o tempo,
dentro da faixa ideal exigida pela cultura.
Um efeito que ocorre no interior de um ambiente protegido é o chamado efeito
estufa. A radiação solar de onda curta consegue passar pela cobertura plástica ou pelo vidro, é
absorvida pelo solo contribuindo para elevar a sua temperatura. Qualquer superfície
aquecida, como o solo, emite radiação sob a forma de onda longa, que sob a forma de calor
vai aquecer a atmosfera adjacente ao solo. Esse calor, dentro do ambiente protegido, é
transferido para camadas mais superiores, não sendo totalmente perdido devido ao anteparo
que é a cobertura plástica, ou de vidro. Por esse motivo, tem-se um ambiente sempre quente,
algumas vezes com temperaturas elevadas.

10.2 MODELOS DE ESTUFAS
Sempre que se pretenda se adquirir uma estufa, deve-se ter em mente o espaço
disponível para sua construção e, o tamanho adequado à espécie vegetal que será plantada.
As estufas devem ser completamente revestidas com chapas de vidro e podem ser
construídas em tijolos até determinada altura. Se o cultivo da maioria for realizado em vasos,
é essencial a existência de bancadas, podendo então, a área destinada à colocação das
mesmas ser de qualquer material sólido e relativamente denso.

83
Os fatores de maior importância na escolha do modelo da estufa são a facilidade de
acesso e a transmissão da luz, bem como a estabilidade e a durabilidade.
Os diferentes modelos de estufas, surgiram ao longo do tempo, por diversos fatores,
cada qual aliado a uma série de exigências que podem ser entendidas pelas características da
cada um. Os modelos mais conhecidos são:

a) Capela – tem estrutura semelhante a um galpão ou aviário, com duas abas da cobertura
inclinadas, formando um triângulo.

b) Pampeana – é a evolução da estufa capela. A única diferença da estrutura é o telhado em forma de arco. Tem maior resistência ao
vento.

c) Belle Unión – esta estufa leva o nome da cidade onde se originou, que fica no Uruguai,
próxima à divisa com o Brasil. A parte correspondente ao telhado, lado norte, tem
inclinação quase perpendicular aos raios solares, cuja orientação é mais inclinada no
inverno.

d) Londrina – é construída basicamente de esteios e arames. A água da chuva penetra no interior da estufa, em locais determinados pela
própria origem do projeto.

e) Dente-de-serra – este modelo de estufa é muito adotado na Europa e nos Estados Unidos. O que diferencia esse modelo de estufas das
outras é o telhado, semelhante aos dentes de uma serra. Sua construção deve ser no sentido da direção dos ventos predominantes, com a

84
parte semelhante aos dentes de serra voltada para o lado contrário da incidência maior de vento. Sua utilização fica restrita aos cultivos
não exigentes a luz.

f) Arco – oferece grande resistência ao vento. O teto abaulado obtém um excelente
aproveitamento da luz solar.

g) Espanhola – a estufa espanhola se desenvolveu em grande escala na costa da Almeria, sul da Espanha. Como a precipitação da região é
muito baixa, a parte superior da estufa é plana. Pode ser construída com maior caimento para facilitar o escoamento da água da chuva.


10.3 ORIENTAÇÃO DE UMA ESTUFA
Ao se construir uma estufa, a recomendação é que deve-se observar a orientação
dos ventos predominantes, ou seja, a construção nunca deve ser perpendicular à direção do
vento, e sim, construída no sentido da sua direção (Figura 1). Mas, para se obter a máxima
vantagem da radiação solar, principalmente no inverno, a estufa deve ter seu eixo maior na
direção leste-oeste. Esta posição reduz a um mínimo o sombreamento das vigas da estrutura.
No final da década de 40, as pesquisas foram voltadas para verificar qual a melhor
orientação; e em 1957, foi evidenciado que estufas orientadas na direção leste-oeste eram
mais eficientes na transmissão da radiação solar, e até nos dias atuais, esta orientação tem sido
amplamente adotada (Harnett et al, 1979). É importante que o formato do teto e o material
usado para cobertura obstrua o mínimo possível a radiação solar global, no período de menor
incidência.

85
Os pesquisadores citados no parágrafo anterior, mediram a radiação solar global em
quatro tipos de estufas cobertas com vidro, sendo duas com múltiplos-vãos, orientadas nas
direções leste-oeste e norte-sul; outra no estilo convencional (chamada de Bella Unión, no
Brasil); e uma quarta estufa com teto no estilo água-furtada (com janelas no teto), sendo as
duas últimas orientadas na direção leste-oeste. As transmissões da radiação solar das estufas
foram comparadas e os resultados confirmaram que o alinhamento leste-oeste teve melhor
desempenho do que o norte-sul, tanto para estufas com múltiplos-vãos quanto para vão
simples. Além disso, houve vantagem, em termos de produção, do cultivo de tomate e de
pepino.


86
Figura 1. Orientação de uma estufa de acordo com os ventos predominantes.


10.4 MEDIDA E COMPORTAMENTO DAS VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS

 Transmissividade
Avaliação da transmissão da radiação solar em estufas com orientações diferentes
tem merecido destaque nos estudos sobre as complexidades da transmissão da radiação solar e
seu aproveitamento pelos cultivos.
Edwards, citado por Critten (1993), calculou a transmissividade da radiação solar, no
período de 1957 a 1961, em estufas com vãos simples e orientações diferentes. A transmissão
da radiação solar foi 48 % para a orientação norte-sul, e entre 55 % e 65 %, para a orientação
leste-oeste.
Para estudar a intensificação da transmissividade da radiação solar, Li et al (1995)
alteraram algumas partes de duas estufas. Na primeira, colocaram material transparente em
uma das paredes e no teto, e verificaram que a transmissividade aumentou 6,1%, no início do
inverno e 3,2 % a 12,6 %, na primavera e verão. Na segunda estufa, usaram um refletor
aluminizado, posicionado verticalmente, da cumeeira até o solo, e comprovaram a
contribuição da radiação refletida. Houve um aumento de 37 %, no início do inverno e 23 %,
no final.
A radiação solar incidente, medida a partir de julho de 91 a janeiro de 92 por
Buriol et al (1995) objetivou o cálculo da transmissividade em estufas de polietileno de baixa
densidade, com 100 um de espessura. A transmissividade variou de 56,2 %, no início da
manhã a 81,3 %, em torno do meio-dia.
Assis, 1998, concluiu que a transmissividade da radiação solar global dentro das
estufas variou na faixa de 55 % a 77% na orientação norte-sul e entre 66 % e 78 %, na leste-
oeste, sendo que durante 11 meses a orientação leste-oeste transmitiu acima de 70 % da
radiação global, como mostra a Figura 2.

87
Dez95 JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNov Dez96
50
55
60
65
70
75
80
85
90
95
100
ESTUFA LESTE-OESTE
ESTUFA NORTE-SUL
T
R
A
N
S
M
I
S
S
I
V
I
D
A
D
E

(
%
)

Figura 2. Transmissividade da radiação solar em estufas com orientação leste-oeste e norte-sul

 Radiação solar
De modo geral, as curvas se mantiveram distantes até setembro, após,
distanciaram-se novamente, devido à superioridade dos valores de energia da estufa leste-
oeste sobre a norte-sul, entre 4% e 15%. A média mensal da energia global variou entre 13,20
MJ.m
-2
e 20,48 MJ.m
-2;
; 9,84 MJ.m
-2
e 15,96 MJ.m
-2
; e 8,37 MJ.m
-2
e 14,89 MJ.m
-2
, para a
global externa, estufa leste-oeste e estufa norte-sul, respectivamente.
Na estufa leste-oeste, a energia foi superior a obtida na estufa norte-
sul, entre 3 % e 25 %. As diferenças maiores foram observadas entre os meses de março e
agosto, período em que o sol apresenta baixos ângulos de elevação solar e neste período, a
orientação leste-oeste apresentou-se mais vantajosa do que a norte-sul. A média anual da
estufa leste-oeste representa 74 % da energia externa, e a da norte-sul, 65 %.
Dez5 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez6
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
Gex EST.L.O EST.N.S
E
N
E
R
G
I
A

M
É
D
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R
N
A

E

E
X
T
E
R
N
A

(
M
J
/
m
2
)


88
Figura 3. Variação anual da energia solar global externa e interna

 Radiação difusa
As curvas representativas da variação anual da energia mensal difusa,
medida dentro e fora das estufas, seguem o mesmo comportamento da energia mensal global.
O valor mínimo externo ocorreu em julho e nas estufas, em junho. Na estufa leste-oeste,
durante este período, a energia difusa, em média, representou 96 % da difusa externa,
enquanto que na estufa norte-sul este percentual foi, aproximadamente 94 % da difusa
externa.

Dez/95Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out NovDez/96
2
3
4
5
6
7
8
9
10
DIF.EXT. DIF.LO DIF.NS
E
N
E
R
G
I
A

M
É
D
I
A

M
E
N
S
A
L


(

M
J
/
m
2
)

Figura 4. Variação anual da energia solar difusa externa e interna.



 Albedo
Na Figura 5, estão as curvas correspondentes ao albedo. No início do ciclo, o albedo
médio diário apresentou valores em torno de 0,16, 0,13 e 0,22 nas estufas leste-oeste, norte-
sul e externo, respectivamente. Entre os 5
0
e o 10
0
dias, houve um decréscimo do albedo
devido a ocorrência de precipitação (71,5 mm). Valores mais altos foram atingidos 15 dias
após o transplantio da alface, quando o solo já estava parcialmente coberto pela cultura, e no
decorrer do desenvolvimento houve um aumento gradativo. O albedo da estufa leste-oeste foi
maior do que o da norte-sul durante quase todo o ciclo.

89
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
0,00
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35
0,40
0,45
0,50
ALB.LO ALB.NS ALB.EXT.
A
L
B
E
D
O
DIAS DO CICLO

Figura 5. Variação do albedo durante o ciclo da cultura de alface, variedade Elisa.

 Saldo total de radiação
As curvas da Figura 6 representam o saldo entre as radiações de onda curta e de
onda longa. No período noturno não se observam diferenças entre os valores internos e o
externo; já durante o dia, as curvas representativas do saldo total externo e da estufa leste-
oeste confundem-se, ou seja, os valores são muito próximos.
Figura 6. Saldo total de radiação solar em estufas com orientação norte-sul e leste-oeste.



0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
Saldo total externo
Saldo total norte-sul
Saldo total leste-oeste
S
A
L
D
O

T
O
T
A
L


D
E

R
A
D
I
A
Ç
Ã
O

(
M
J
/
m
2
)
Tempo (h)

90














Unidade 1: INTRODUÇÃO
1.1 Objetivo da Agrometeorologia A definição da Agrometeorologia segue diretamente daquela consideração fundamental da biologia moderna, na qual o organismo e seu ambiente formam uma dialética. A Agrometeorologia é a ciência que interage com as características físicas do ambiente onde estão crescendo plantas e animais; é relacionada com o estudo dos processos físicos que ocorrem neste ambiente e também com o aproveitamento e influência destes processos físicos na agricultura. É uma combinação de ciências físicas e biológicas e existe uma valiosa ligação entre elas. No seu sentido mais amplo, é aquele ramo da meteorologia aplicada que investiga as respostas dos organismos vivos ao meio atmosférico. Nas décadas recentes o uso da meteorologia na agricultura foi aumentando. Isto tem sido devido, largamente, aos estudos de laboratório, casa de vegetação e de campo, nos quais as respostas biológicas tem sido medidas sob condições controladas. A Agrometeorologia inclui o estudo da energia solar, composição e intensidade da radiação solar, métodos de medida da radiação solar recebida pelos cultivos agrícolas . Também estuda a atmosfera, particularmente a camada em que as partes aéreas das plantas crescem e se desenvolvem e, é de grande importância a questão do regime térmico, desta camada, e sua relação com àquela da camada superficial ao solo. De igual importância são os movimentos verticais e horizontais do ar nesta camada da atmosfera, bem como seu teor de umidade e formação de vários hidrometeoros . Não só auxilia ao estudo da camada da atmosfera mais próxima do solo (primeiros 2 metros), como também existe a preocupação em encontrar métodos que alterem alguns processos físicos a fim de combater condições desfavoráveis do tempo como geadas, secas, ventos fortes e outras. O principal objetivo é melhorar a produção agrícola pela previsão mais precisa e pelo controle do meio atmosférico. A previsão pode variar desde as estimativas dos rendimentos das culturas e a sua qualidade, por um lado, até a estimativa da produção pecuária e os azares climáticos, por outro, passando pelo controle das enchentes e a regulação da temperatura dos estábulos e de outras instalações para animais. No sentido estrito, a Agrometeorologia pode ser definida como o estudo dos processos físicos na atmosfera, que produzem o tempo bem como suas relações com a produção agrícola. É uma ciência horizontal, a qual aplica a física do ar atmosférico e do solo à agricultura. De fato, muitos investigadores neste campo acreditam que as investigações sobre o microclima das plantas e animais, assim como as estatísticas dos elementos do tempo, são propriamente assuntos da meteorologia agrícola. Entretanto, nós enfatizamos o estudo das respostas dos organismos vivos ao meio atmosférico, porque esta é a ligação entre a meteorologia e a agricultura, e é o aspecto fundamental do assunto. Os organismos vivos estudados na meteorologia agrícola são restritos as plantas cultivadas, ao gado e as aves domésticas, aos insetos e ao microorganismo de importância econômica. Nesse caso, o objeto de estudo da meteorologia agrícola é relacionado, principalmente, com as relações quantitativas entre o meio atmosférico e as respostas biológicas das espécies vegetais cultivadas e animais domésticos. Outra importante tarefa da Agrometeorologia é estudar o solo, considerando a aeração, regime térmico, balanço de umidade da camada mais superficial em relação a sua composição,

2

clima local e sua influência na formação do solo, e outros fatores. Uma interação com as medidas agronômicas inclui a retenção de neve, uso de cobertura morta, uso de máquinas agrícolas para lavrar a solo, irrigação e outras. Outros assuntos relacionados com a Agrometeorologia são: desenvolvimento de zoneamento agrícola; exploração e uso racional do solo, incluindo solos desnudos e plantados em regiões montanhosas e planas. A Agrometeorologia não deve ser confundida com a Meteorologia Geral que estuda a atmosfera como um todo, sendo uma das suas maiores tarefas, a previsão do tempo. Existem diversas aplicações das técnicas meteorológicas às operações de campo. Alguns exemplos importantes: 1. A previsão e proteção contra geadas; 2. Os avisos contra fogo nas florestas; 3. Planejamento da irrigação; 4. Os calendários de plantio e colheitas; 5. A seleção de lugares para as culturas; 6. Controle de insetos; 7. Controle de doenças; 8. Modificações microclimáticas, como a utilização da prática de quebra-ventos. Grande número de experimentos tem sido feitos no campo aberto, numa tentativa de melhorar a produção agrícola. Entretanto, esses experimentos são complicados devido a vários fatores do ambiente físico. Novas teorias metodológicas e instrumentos necessitam ser desenvolvidos, para sobrepujar as limitações da pesquisa no campo natural. 1.2 Importância do tempo e do clima para produção agrícola A agricultura é o manejo dos recursos naturais visando a produção das plantas para satisfazer as necessidades do homem. A produção das plantas pode ser usada diretamente para alimentação como no caso de frutas e hortaliças, ou pode ser convertida através dos animais em produtos como ovos, leite, carne, etc. ou usada para propósitos industriais como a juta. A agricultura é dependente da interação de todos os atributos dos recursos da terra com os atributos do homem. Os vários campos das ciências aplicadas que tem sido desenvolvidos pelo homem para estudar as várias limitações impostas pelos recursos figuram na Tabela I. A maioria dos problemas agrícolas requer os conhecimentos de mais de uma ciência para obtenção da melhor resposta agrícola, e equipes de trabalho são necessárias para a ciência agronômica. Como o crescimento das plantas é o centro de objetividade de agricultura, é o agrônomo que comumente age como integrador dos vários cientistas. Tabela 1. Recursos da Terra e os atributos do homem Recursos da Terra Ciências aplicadas ao seu manejo na agricultura Clima Agrometeorologia, agroclimatologia Topografia Conservação do solo Solo Fertilidade do solo, física do solo Vegetação Agronomia (incluindo silvicultura) fitopatologia Animais Entomologia, zootecnia Água Hidrologia – irrigação, drenagem RECURSOS HUMANOS

3

Embora o homem não seja ainda capaz de mudar o tempo e o clima. hoje em dia. Desse modo. clima. e caso não sejam tomadas providências eles se tornarão um ambiente impróprio à vida. Como um fator ecológico na agricultura. Se a produção mundial. a água.Mão de obra Sociologia Capital Economia Tecnologia Engenharia Os recursos naturais não são ilimitados. e por exemplo o trigo no Planalto Gaúcho ou a região arrozeira no litoral do Rio Grande do Sul. A radiação solar. o solo tem sido mais bem estudado e é melhor compreendido do que o clima. As plantas dependem. Anos atrás. A climatologia pode contribuir para solucionar o problema de escolha dos lugares para uma dada cultura ou de uma dada cultura para um lugar. primeiramente em termos de médias mensais de temperatura e precipitação. o ar. Em geral. sob condições de população escassa e exploração industrial mínima. tem provado ser inadequada como guia para a introdução de plantas ou o planejamento do uso da terra. Até que a interação do complexo climático com o processo físiológico da cultura seja entendido. que não pode ser abandonada. Para melhorar esta tecnologia moderna. o solo. o balanço hídrico e outras variáveis meteorológicas precisam ser completamente analisadas antes de estabelecermos um planejamento para obter o máximo retorno econômico em função de determinado regime climático. que o homem explore os recursos naturais de uma área ou região (solo. exceto em escala muito reduzida. entretanto. As florestas são destruídas. água). A empresa agrícola moderna não mais realiza esta prática. Climáticos  Radiação Comprimento de onda 4 . para o seu crescimento e desenvolvimento. e cada vez mais. e a eficiência da produção agrícola melhorada. tenha sido selecionada pelos agricultores muito antes do desenvolvimento da moderna ciência da climatologia. parecia que a Terra poderia ser o provedor inesgotável dos recursos naturais. a evapotranspiração. nós estamos preocupados com as limitações da Terra. os métodos presentes de exploração agrícola estão começando a prejudicar o ambiente. precisamos conhecer cada vez melhor o ambiente que usamos (solo. em crescimento. Não se pode mais aceitar . os depósitos minerais exauridos e o ar e a água se tornam cada vez mais poluídos. adequada para condições climáticas locais. Entretanto. a produção mundial de alimentos precisa ser aumentada. a amplitude diária de temperatura. de outras maneiras. a falta de um conhecimento detalhado das relações das plantas com o clima tem prejudicado o planejamento inteligente do uso da terra em uma escala maior. deve ser alimentada em níveis mínimos aceitáveis. Embora a localização de muitas regiões agrícolas. Uma razão para o lento progresso da meteorologia agrícola é o pensamento generalizado de que o conhecimento das relações entre o clima e as plantas são de pouco valor prático. permanece no empirismo. a produção desta cultura. A prática comum de definir as chamadas analogias climáticas. as perdas agrícolas e pastoris minimizadas. os agricultores conhecem mais sobre o manejo do solo do que como explorar corretamente os recursos climáticos. a agricultura torna-se dependente dos seguintes fatores do meio vegetal. ele é capaz de ajustar as práticas agrícolas ao clima. água. ar) e após mude-se para outra região para novos assaltos ao ambiente. da sua constituição genética e das condições ambientais do solo e do clima. os solos erosionados. terrestre e atmosférico. a população cresceu e a industrialização se expandiu.

Finalmente devemos chamar a atenção para a grande importância da Ecologia na Agricultura. Qualquer sistema agrícola que deva ser desenvolvido além da agricultura de subsistência deve colocar sua ênfase na Economia para obter-se máximos retornos dos investimentos em capital e mão-de-obra. e para atendê-la temos de conhecer a história econômica e social de uma determinada cultura. a prática da agricultura. depende do manejo do conjunto dos recursos naturais da propriedade.3 Crescimento e desenvolvimento de plantas cultivadas 5 . A distribuição atual das plantas cultivadas não é tão ligada com as condições de solo e clima como poderia ser esperado. 1. Como as plantas são imóveis. Fatores bióticos e o homem em particular tiveram um papel muito importante nesta distribuição.Intensidade Fotoperíodo e outros ciclos  Temperatura do ar Temperatura do solo  Vapor de água Quantidade  Evaporação e Transpiração  Nuvens  Precipitação  Umidade do solo  Vento Freqüência Velocidade Direção Quantidade Freqüência Edáficos  Solo  Propriedades químicas Geográficos  Gravidade  Latitude  Longitude  Altitude Topográficos e outros Cada local na superfície da Terra possui sua combinação particular de recursos naturais. em dada propriedade agrícola. Isto envolve a integração de todos os recursos para obtenção dos máximos rendimentos.

Crescimento se refere a um aumento em peso ou volume de um certo órgão de uma planta como um todo. mas o crescimento é geralmente fisiológico e ecológico. o crescimento implica em mudanças quantitativas. mas algumas não são aptas de serem vistas à olho nú. enquanto o alongamento de um ramo é crescimento. Para plantas perenes. Essa curva de crescimento representa. o estudo do desenvolvimento de uma planta. etc. são problemas de desenvolvimento e não de crescimento. o desenvolvimento é usualmente observado pela data de germinação. a quebra de dormência das sementes e gemas. culminando. a multiplicação das células. constituem importante trabalho de pesquisa. Em seguida. Desenvolvimento é o aparecimento de uma fase ou de uma série de fases durante o ciclo vital da planta. indica o progresso de uma série de mudanças qualitativas. porque o crescimento compreende aspectos como: a reprodução. com uma parada no processo (Figura 1). O desenvolvimento. após o desenvolvimento do sistema radicular e a emergência das folhas. os processo anabólicos dependentes da fotossíntese se intensificam e resultam num crescimento rápido e eficiente. que se toma como medida de crescimento. através de todos os estágios. até a morte. a investigação das relações entre o meio e o desenvolvimento. frutificação. enquanto que o estágio formativo do milho deve ser medido indiretamente pela contagem do número de folhas e altura das plantas. Por último. a planta inicia a fase de senescência. brotação. o empendoamento do milho a floração das ervilhas. Na prática agrícola. como por exemplo. dentro do intervalo de tempo de uma certa fase ou de toda a vida da planta. 6 . para plantas anuais. a maturação da ervilha pode ser medida com o tenderômetro. Exemplo de fases visíveis e invisíveis: a maioria das fases e sub-fases de uma planta são reconhecíveis morfologicamente. Por exemplo: o florescimento da planta é desenvolvimento. o aumento em dimensões. e de difícil definição. finalmente. Conclui-se que o crescimento pode ser medido pelo aumento de comprimento de um ramo ou aumento de peso. todo o ciclo de vida. No que se refere às mudanças na composição química e física da planta. seguido de um rápido aumento de tamanho. mas não em profundas mudanças qualitativas. Em outras palavras. o estágio de rápido crescimento da ervilha e a maturação da ervilha. é morfológico e fenológico (fenologia é o estudo dos acontecimentos periódicos da vida). Ao examinar-se a curva de crescimento de um vegetal. Os fisiologistas consideram o crescimento um fenômeno complexo. etc. o ganho de peso. floração. por outro lado. Entre as visíveis temos a emergência. Uma vez que esses são problemas essenciais em agricultura. Entre as que não podem ser vistas podemos citar o estágio formativo do milho. a primavera e o início do verão). Destas. O crescimento inicial lento ocorre porque a planta depende das reservas da semente para a produção de seus órgãos.É necessário diferenciar “crescimento” de “desenvolvimento”. etc. Entretanto. ao atingir o tamanho definitivo. Depende do órgão (da espécie do órgão). observa-se um período inicial de crescimento lento. ela representa o crescimento durante uma época do ano (em regiões temperadas. o descanso invernal das plantas. que se reflete inicialmente na paralisação da produção de matéria orgânica. algumas podem ser medidas com instrumentos.

1. fatores climático (luz. 7 .Figura 1. bosques tropicais chuvosos. formada pelo habitat (condições físicas) e pelos organismos que ocupam. No ecossistema os organismos e o habitat estão interrelacionados. Exemplos de ecossistemas: lagos. Componente abiótico – como componente abiótico tem-se os processos físico-químicos do meio. etc) e fatores edáficos (solo. o predatismo e o parasitismo. animais e outros organismos não vivem só na natureza. denomina-se ECOSSISTEMA ou sistema ecológico. d) desintegradores dos compostos complexos de protoplasmas mortos e que produzem substâncias simples para os produtores. temperatura. Desse modo. por exemplo. O tamanho de uma população pode variar dependendo da quantidade de predador e parasita encontrados nessa população. capacidade de retenção de água. b) produtores de alimento. O ecossistema tem dois componentes: 1. todo ecossistema consta de quatro elementos principais: a) substâncias abióticas. Constituem comunidades bióticas. ventos. Componente biótico – é aquele em que há a participação de organismos vivos. A comunidade biótica é uma unidade funcional mantida unida por uma interdependência entre seus membros. etc) e quantidade de alimento disponível. nutrientes. c) consumidores. uma cultura de milho. Representação gráfica do crescimento de um vegetal.4 Ecossistemas e cadeia nutritiva As plantas. pluviosidade. ou seja. etc. 2. A dinâmica total da comunidade ecológica. pH.

faz com que uma grande parte dela seja degradada na forma de calor. até que se estabeleça um estado estável pela ação dos mecanismos autorreguladores. mais eficiente ela é na formação de peso vivo ou biomassa.190p. o superpastoreio de campos de pastagens pode destruí-los. V. Toda cadeia alimentar começa com o produtor e termina com o decompositor (bactérias. Cadeia nutritiva Da energia luminosa absorvida pelas plantas verdes. tende a mudar. É uma forma de má exploração dos recursos naturais que destrói o equilíbrio do ecossistema natural. E. 8 . é usualmente limitado a quatro ou cinco. Quanto mais curta a cadeia. se pode obter a conservação e perpetuação de uma grande quantidade de recursos naturais. Reconhece-se a existência de 3 classes de cadeias nutritivas: a) predadora: dos menores aos maiores animais. Referências Bibliográficas ARIZA. 1998. os carnívoros secundários ao 4º nível. Cadeia nutritiva é a transferência da energia nutritiva desde sua origem. passo à passo. somente uma pequena parte é transformada em energia potencial. nas plantas verdes. 225p. c) saprófita: da matéria morta aos microorganismos. I. etc. Fisiologia Vegetal: teorias e experimentos. a maior parte é dispersada na forma de energia calorífica. Por exemplo. S. 312p. A transferência. São Paulo: Nobel. Tradução: Israel Program for Scientific Translations. Um animal recebe energia química potencial (alimento e converte grande parte dela em calor). pois o homem ocupa uma importante posição no final de várias delas. D. Neste princípios que se baseia o estudo dos problemas ecológicos das cadeias nutritivas e do conceito de produtividade. com energia flutuante através dele. b) parasita: dos maiores aos menores organismos.O homem pode interferir no funcionamento dos ecossistemas e conduzi-los à um futuro magnífico ou a completa destruição. fungos e outros). dependendo de quem se alimenta. Entre eles temos os consumidores que são classificados em primários secundários. Ponta Grossa: Editora UEPG. 1985. SAMPAIO. Jerusalem: IPST Press. Por causa das perdas de energia. VITKEVICH. Ecologia objetiva. através da série de organismos que comem e são comidos repetidamente. Agricultural Meteorology. Segundo o conceito do princípio da estabilidade. de energia de um organismo para outro. pertencem ao mesmo nível trófico. As cadeias nutritivas nos são mais ou menos familiares. Prudentemente dirigidos. os carnívoros que comem herbívoros ao 3º nível. para restabelecer outra pequena parte como energia química potencial de protoplasma novamente formado. Os organismos que obtém seus alimentos dos plantas mediante o mesmo número de etapas. o número de etapas das cadeias nutritivas. qualquer sistema natural fechado. 1963.

3. centeio e cevada. trigo. os valores aproximados das temperaturas cardeais são conhecidas para a maioria das espécies vegetais.1 Temperatura cardeal e Lei de Van’t Hoff Temperaturas cardeais Independentemente de quão favorável possam ser as condições de radiação solar. Muitas plantas bianuais devem receber tratamento frio no fim do primeiro ano de crescimento para poder induzir-se a formação de gemas florais e a subsequente floração durante o segundo ano.2 Temperatura do ar requerida durante o período vegetativo-reprodutivo Como o desenvolvimento da cultura é muito afetado pela temperatura. como melão e sorgo. a tabela abaixo mostra algumas informações relacionadas com valores de temperatura. As temperaturas cardeais também variam com o estágio de desenvolvimento. como aveia. algumas substâncias destruídas por altas temperaturas se acumulam durante o período frio atrapalhando o ciclo reprodutivo. Espécie vegetal algodão amendoim arroz batata cana de açúcar Temperatura ótima entre 18 e 30º C entre 22 e28º C Entre 22 e 30º C Entre 18 e 22º C Entre 22 e 30º C Fotoperiodismo sensível (adaptada a dias curtos) Não sensível sensível Não sensível sensível TM 40º C 33º C 30º C 30º C 30º C Tm 14º C 18º C 12º C 15º C 20º C 9 . os pontos são todos comparativamente baixos: mínimo de 0º a 5º C. a formação de matéria seca segue a lei de Van’t Hoff. as temperaturas são muito maiores: mínima 15º a 18º C. a razão de produção de matéria seca dobra. Parker (1946) mostrou que a complexidade fisiológica da planta impede a determinação precisa das temperaturas cardeais. Para plantas de verão. Estes três valores são conhecidos como temperaturas cardeais. ótimo 31º a 37º C e máxima 44º a 50º C.Unidade 3: Temperatura do ar e plantas cultivadas 3. o crescimento da planta pára quando a temperatura cai abaixo de um certo valor mínimo ou excede um certo valor máximo. Aparentemente. Entre estes limites. Isto é. porque diferentes processos exigem diferentes temperaturas. Com culturas típicas de estação fria. Lei de Van’t Hoff Alguns investigadores acreditam que entre o mínimo e o ótimo de temperatura. aproximadamente. existe um ótimo de temperatura no qual o crescimento se dá com maior rapidez. para o crescimento ótimo. para cada 10 º C de aumento da temperatura. Certas plantas exigem um período de baixas temperaturas durante a germinação e nos estágios iniciais de plântula. Entretanto. ótimo 25º a 31º C e máximo 31º a 37º C.

. sua cor é verde devido à presença de clorofila. . a intensidade e a qualidade da luz. são considerados como fatores internos. os compostos pobres em energia.. que lhes servirão de alimento. Sob condições de concentração normal de CO2 e saturação da intensidade luminosa..Continuação. Assim. Esse processo é chamado de fotossíntese. também chamada de fotoquímica.. a fotossíntese produz compostos que possuem mais energia do que as matérias primas que utiliza.. . compostos orgânicos a partir de matéria inorgânica. A molécula de clorofila absorve energia luminosa.. graças à energia solar.. Como fatores externos temos.. na presença de luz. todos esses influenciam a atividade de fotossíntese.. consiste na incidência da luz solar sob a clorofila A.. a fotossíntese é afetada pela temperatura porque os processos químicos são limitados..... Essencial para a manutenção de todas as formas de vida. Os cloroplastos são geralmente discoidais. pela reação inicial entre o gás carbônico atmosférico e um conjunto de cinco carbonos..3 Fotossíntese em relação à temperatura As plantas são seres autótrofos. indiretamente. 10 . A taxa fotossintética aumenta com a temperatura alcançando um máximo entre 30º C e 37º C. Para muitas plantas de regiões temperadas e tropicais a temperatura ótima excede 25º C. A fase clara. elas são capazes de captar energia luminosa do sol e utilizá-la na síntese de moléculas orgânicas. A fase escura ocorre no estroma dos cloroplastos e é nesta fase que se forma a glicose.. A fotossíntese é dividida em duas fases: clara e escura. feijão Entre 15 e 20º C -milho Entre 15 e 20º C -soja Entre 18 e 35º C sensível Fonte: Klaus Reichardt – A água em sistemas agrícolas (1987) . são convertidos em compostos energéticos e oxigênio. a concentração de CO2 e a temperatura. Equação geral da fotossíntese: 6CO2 + 12H2 O C6H12O6 + 6H2O + 6O2 A estrutura da folha.... como o gás carbônico e a água. Nos cloroplastos ocorre a reação da mais fundamental importância para a vida das plantas e. e então diminui para temperaturas mais altas. do tomate e do pepino para diferentes temperatura das folhas. 10º C 14º C 10º C 3. Considerada a fonte primária de energia.. para a vida dos animais. o teor de clorofila e a quantidade de produtos acumulados podem influenciar o rendimento fotossintético. Molga (1962) apresentou informações que mostram na Figura 1 a relação entre a fotossíntese da batata. Graças à presença de clorofila em suas folhas. a fotossíntese é o processo pelo qual as plantas sintetizam. que é a fotossíntese. 27º C 25º C 35º C .

a eficiência pode alcançar 17 %. a intensidade de luz passa a limitar o processo (Figura 3A). Intensidade de radiação extremamente baixa. A partir do ponto de saturação luminosa. A diminuição na eficiência da utilização da radiação solar com o aumento da intensidade luminosa é causada pela resistência à difusão do dióxido de carbono.Embora a folha esteja completamente exposta à radiação solar. e a partir de 35º C as reações são paralisadas pela desnaturação das enzimas envolvidas. tem-se a influência da 11 . através da folhas. não apresenta eficiência na utilização dessa energia para a fotossíntese. pelo cloroplastos. cai rapidamente para 8 % para a intensidade de 100 langleys/dia. e 3 % para 300 langleys/dia. na Figura 3B. como mostra a Figura 2. O menor índice fotossintético se verifica a 10º C.

etc). A parte das duas células-guardas voltada ao orifício. menos elásticas que as da parte restante. até 1 300 por mm2 . Quando as células estão túrgidas. vapor d’água e. Quando as células perdem água. em outras. abrindo o ostíolo. Figura 3. oxigênio. Influência da intensidade luminosa e da temperatura na taxa fotossintética. Sua densidade varia de 50 a 500 por mm2 . 12 . somente na inferior. Em algumas plantas eles ocorrem nas superfícies superior e inferior das folhas. portanto. gases poluentes existentes no ar. encontram-se também nas partes não espessadas do caule. chamado ostíolo. A Figura 4 mostra o movimento dos estômatos. Através dos estômatos passam gás carbônico. abacate. a diferente elasticidade das paredes produz deformações diferentes. às vezes.temperatura sobre a taxa de fotossíntese de uma planta exposta a alta intensidade e a baixa intensidade luminosa. tem as paredes mais grossas. às vezes. atingindo.4 Estômatos Os estômatos atuam como válvula regulando a principal passagem de água e CO2 entre a planta e a atmosfera. 3. tornam-se flácidas e o ostíolo se fecha. parte das flores e muitos frutos (banana.

Quando as plantas entram em desequilíbrio hídrico. isto é. mesmo na presença da luz. além do teor normal existente no ar atmosférico. produz o fechamento dos estômatos. talvez. ocasionando inclusive o fechamento dos estômatos por déficit hídrico. Alguns fatores afetam a abertura dos estômatos. Schulze et al (1972) mostraram que baixos teores de umidade do ar podem causar fechamento dos estômatos independentemente do teor de água das folhas. A concentração de gás carbônico no ar é um fator importante a afetar a abertura estomatal. concentração de CO2. idade da folha. Por outro lado. as células-guardas tornam-se menos túrgidas e a abertura estomática decresce 13 . O efeito indireto da temperatura interferindo na concentração de vapor d’água pode afetar substancialmente a transpiração. levando a um aumento da concentração interna de CO2 e. A abertura dos estômatos aumenta gradualmente com a temperatura até um ponto determinado (32 a 38º C). As plantas que vivem em ambiente seco e sob condições de alta intensidade de luz. o aumento do gás carbônico. perdem mais água do que absorvem (Figura 5). Estrutura da estômato. abrem os estômatos mesmo no escuro. esta seja a causa do fechamento dos estômatos em torno do meio dia.Figura 4. Altas temperaturas aumentam as taxas de respiração. tais como a intensidade luminosa. O efeito da temperatura na abertura dos estômatos também é balanceado pela concentração de gás carbônico. livre de CO2. As plantas expostas ao ar. etc. potencial de água na planta. tendem a ter estômatos menores e em maior quantidade do que aquelas que vivem em ambientes de sombra e úmidos. doenças.

fixas para cada vegetal. . podendo afetar significativamente o movimento dos estômatos. com razoável exatidão a maturação de plantas. como também determinação de épocas de semeadura. Assim. a soma total é sempre a mesma. tornando possível a previsão da época em que ela será atingida. dentro de certos limites. qualquer que tenha sido a situação determinada do cultivo e o ano considerado. uma soma de 1700º C aproximadamente. e se o fizer é a uma taxa muito reduzida. Além disso. A cada grau de temperatura. O trabalho de Reaumur ficou conhecido como a constante de Reaumur de fenologia. . a umidade relativa do ar decresce em torno do meio-dia. permite prever. Além disso. 3. fechando-os. usado atualmente para a previsão do ciclo fenológico de vários vegetais. adaptação às diversas zonas. Ti  Tmáx  Tmín 2 Baseado neste princípio ficava explicada a diferente duração do ciclo vegetativo das culturas. O cálculo de graus-dia acumulado (GDA) pode ser feito utilizando-se o seguinte método: n GDA   (Ti  TB ) i 1 (1) sendo (2) em que Ti Tmáx Tmín Tb n . a planta necessitará de 100 dias para 14 . pois foi precursor do conhecido sistema de unidades térmicas ou graus-dia. abaixo da qual a planta não se desenvolve. O conceito de graus-dia pressupõe a existência de uma temperatura base. De acordo com esse autor.temperatura média diária do ar (º C). desde a germinação até a maturação.temperatura mínima diária do ar (º C).número de dias do período considerado. Se o cultivo se efetua numa localidade onde a temperatura média diária é de 31º C. A estas somas. deu-se o nome de CONSTANTE TËRMICA.temperatura máxima diária do ar (º C). o milho necessita de 2500º C.até fechar-se completamente. Este fato originou a criação de métodos de cálculos de Unidades Térmicas de Desenvolvimento (UTD). pois certas fases de desenvolvimento são antecipadas com aumentos progressivos de temperatura. Com elas pode-se determinar as exigências térmicas de uma cultura para atingir uma determinada fase. baseados no somatório de temperatura acumulada durante o dia. .5 Constante térmica O conceito da relação entre temperatura e a taxa de desenvolvimento de uma planta é bem conhecido.temperatura base da cultura . de maneira a fazer coincidir os períodos críticos com as melhores disponibilidades climáticas. Reaumur. para determinado cultivo. acima da temperatura base. por exemplo. há uns 200 anos. a cevada requer. o trigo 2000º C e o milho 2500º C. corresponde um grau-dia. chegou a seguinte conclusão: se desde o momento em que se verifica a germinação somarmos a temperatura média de cada dia até o momento da maturação.

unidades de calor acumuladas baseadas na temperatura do ar podem ser altas demais.7 Termoperiodismo A variação anual. Seca durante o último período de vida da planta normalmente acelera a maturação. Se tomarmos como exemplo uma variedade de trigo. Outras variáveis tais como nível de fertilidade e características de umidade estão associados com o tipo de solo. A temperatura do solo pode ser usada até a emergência.6 Fatores ambientais que fazem variar a constante térmica a) nível de fertilidade do solo Altos teores de nitrogênio e. e) umidade Solos pobremente drenados são frios e também causam maior número de problemas de nutrição. c) tipo de solo Os solos arenosos aquecem-se mais rapidamente do que os solos argilosos. transcorrem 142 dias. Por exemplo. b) população de plantas Uma baixa população de plantas fará amadurecer mais cedo que uma população mais densa.alcançar a maturação. desde que ervas daninhas não mascarem a diferença. etc. para qualquer subperíodo (ou fase) dos vegetais. para a amendoeira pode-se calcular a soma de temperatura que esta requer desde a floração até a brotação. ao passo que altos teores de fósforo tendem a acelerar. se a temperatura média da localidade for 21º C a planta necessitará de 167 dias para amadurecer. 117 dias. Portanto. diária ou aperiódica. Esta variação. A primeira termofase corresponde ao lapso mais quente e a segunda ao lapso mais frio do termoperíodo. respectivamente e se caracteriza por apresentar dois setores bem definidos: a termofase positiva e a termofase negativa. A constante térmica se calcula também. a temperatura do solo atrasa-se apreciavelmente em relação à temperatura do ar. em outras 155 dias . veremos que em algumas localidades. desde a germinação até a maturação. o diário e o aperiódico. num ciclo completo de um ano. Distinguem-se três tipos de termoperiodismo: o anual. em troca. embora as unidades de calor sejam acumuladas. 15 . 3. d) temperaturas do solo Durante o aquecimento de primavera. diária e aperiódica da temperatura do ar tem um claro efeito no desenvolvimento dos vegetais superiores. 3. diário ou aperiódico. um dia ou vários dias constitui um termoperíodo anual. A maturação será retardada se a umidade é escassa na época de semeadura ou durante o período inicial de crescimento. segunde se trate da resposta do vegetal à termoperiodicidade anual. consequentemente um maior crescimento vegetativo atrasam a maturação. A reação das plantas ao termoperíodo denomina-se termoperiodismo.

nas quais a termoperiodicidade diária tem uma ação importante na expressão do desenvolvimento. Burgos (1952) estabeleceu uma classificação das plantas. Em espécies paratermocíclicas como cereais de inverno. essas espécies de fruteiras raramente frutificam e se o fazem são de baixa produtividade. O êxito ou fracasso das introduções de espécies exóticas depende.7. milho. 3. A influência do termoperíodo aperiódico se encontra exemplificada na adaptação deficiente às condições climáticas de Buenos Aires da amendoeira e aveleira. etc. 3. Essa termoperiodicidade pode atuar por si só ou como sucede geralmente. etc).7. durante o estado juvenil para um normal espigamento. Estas espécies exigem uma termofase anual negativa de pouca intensidade e duração. da semelhança ou não entre as condições termoperiódicas anuais das regiões de origem e das regiões onde se pretenderá cultivá-las.2 Termoperíodo aperiódico A advecção irregular de massas de ar quente ou frio determina uma variação aperiódica da temperatura do ar de notáveis conseqüências bioclimáticas. Exemplos: plantas perenes (ameixeiras) e plantas bianuais.A importância da periodicidade anual da temperatura se manifesta na distribuição geográfica das culturas. Esta floração é seguramente prejudicada pelas baixas temperaturas dos dias subsequentes. sorgo. em grande parte.  Termocíclicas Aquelas espécies que apresentam tecidos ativos à temperatura durante um ou mais períodos anuais de variação da temperatura. Exemplo: tomate.1 Termoperiodismo diário Nas espécies termocíclicas a ação do termoperíodo diário deve considerar-se como de interferência com o termoperíodo anual. segundo a qual seu ciclo vital coincide ou não com a variação anual da temperatura. interessa destacar a ação favorável da termofase negativa do termoperíodo diário. interferindo no termoperíodo anual e diário. Não acontece o mesmo nas espécies paratermocíclicas e atermocíclicas.  Paratermocíclicas As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura em uma parte das termofases positiva e negativa. 16 . A ocorrência de um certo número de dias com temperaturas anormalmente elevadas traz em consequência que o pessegueiro floresça prematuramente em plena época hibernal. Exemplo: cereais de inverno (trigo. cevada. e apresentam além disso um baixo nível térmico de brotação.  Atermocíclicas As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura somente na termofase positiva do termoperiodismo anual. Em conseqüência.

Um exemplo de perfil de temperatura é apresentado a seguir. a temperatura do solo e das superfícies vegetadas cai rapidamente por causa do resfriamento radiativo. O perfil de temperatura é invertido na parte superior porque a radiação de onda longa é transmitida para o espaço. Essa temperatura máxima ocorre próximo do nível de área foliar máxima e é decorrente da radiação solar absorvida.8 Perfil da temperatura do ar acima do dossel Durante a noite. Com relação ao ocorrido no dia ensolarado. há uma inversão de temperatura porque o dossel está mais quente do que o solo abaixo. se observa que. de modo que a superfície fica mais fria do que em outro local acima da vegetação e do solo. Freqüentemente. a temperatura do estrato superior foi superior a do estrato inferior do dossel onde os padrões horários de variação são menos acentuados. Através dela. Quanto ao padrão médio da temperatura das folhas que compõem o terço médio superior e inferior da copa do cacaueiro este é apresentada na Figura (6). desenvolve-se um inversão de temperatura. para dois dias com padrões diferenciados de nebulosidade. fontes e sumidouros de calor sensível e calor latente que sofre mudanças consideráveis. Naturalmente que alguns perfis podem ser diferentes devido a vários fatores. No entanto ao se examinar a temperatura média diária do ar em relação a temperaturas superior e inferior do dossel. Sob condições de céu parcialmente nublado. durante grande parte do dia. Por conseguinte. se mantiveram acima da temperatura média diária do ar. o perfil de temperatura no nível mais baixo do dossel está próximo de um isotermia. mostrando que a camada mais baixa da atmosfera é estável. durante o dia há uma temperatura máxima entre a metade e a porção superior do dossel. Acima deste nível o perfil tem apresentação normal. Quanto as temperaturas médias do dossel inferior estas se mantiveram dentro de um padrão de variação quase constante entre 11:00 e 17:00 (»33°C) e apresentando um desvio positivo com relação a temperatura média diária de 32°C. Perfil da temperatura medido dentro do dossel vegetativo é diferente daquele medido acima. observou-se um concomitante aumento no perfil de variação das temperatura foliares nos dois estratos logo no inicio da manhã até que uma brusca queda da temperatura média do estrato superior foi observada em decorrência de período de nebulosidade. Quanto as temperaturas da camada inferior do dossel. uma vez que o topo do dossel aprisiona a radiação de onda longa emitida pelo solo. se verifica que a temperaturas da camada superior e inferior do dossel. a temperatura média das folhas do dossel superior mantiveram-se entorno de 30°C. 1998) 17 . (Fonte: Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet. medido numa cultivo de cacau. como por exemplo a resistência estomatal que varia. em níveis superiores da temperatura média diária do ar que foi de 29°C. estas se mantiveram em média entre 0° e 2°C acima da temperatura média diária observada. Abaixo deste nível.3. À noite. independentemente da nebulosidade. temperatura diminuindo com a altura.

a que requerem durante seu estado jovem. Para tal preconiza o seguinte método de trabalho: 1. continuam o seu desenvolvimento na primavera e são colhidos no verão. são semeados na primavera e colhidos no verão ou outono.9 Vernalização Em muitos países distinguem-se dois grandes grupos de trigo: os chamados hibernais e os primaveris. O mau comportamento dos trigos hibernais quando semeados na primavera se deve. Os trigos primaveris. Umedecer a semente com quantidade estritamente necessária de água (uns 55 litros para cada 100 kg de sementes) para dar início à germinação. Como costuma apresentar certos inconvenientes ao utilizar uma quantidade média de água. por sua vez.Figura 6. espiga muito tardiamente e fornece em conseqüência um baixo rendimento. Lysenko (1925). quando um trigo do tipo hibernal é semeado na primavera. antes da semeadura. pesquisador russo. demonstrou que o frio requerido por uma variedade durante a sua fase inicial pode ser fornecido à semente. principalmente. um certo número de dias com baixas temperaturas (-2º a 10º C). esse frio é conseguido quando os trigos hibernais são semeados no outono e não quando semeados na primavera. Mckinney e Sando (1933) 18 . passam o inverno no campo (daí o seu nome). Os trigos hibernais são semeados no outono. É um fato bem conhecido que. 1998) 3. Variação horária da temperatura do ar (Tar) e das temperaturas médias das camadas superior e inferior do dossel exposto à padrões diferenciados de nebulosidade (Fonte: Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet.

realizando a vernalização. Desde que. Isto significa que o processo é reversível. 2. a outros cereais hibernais. desde o estágio de semente germinada até o momento da formação do talo. a ação das baixas temperaturas de vernalização do dia anterior e que este efeito aumenta com a duração do período submetido a temperaturas elevadas. Chegado este momento. 19 . em plantas de aveia. demonstrou-se que temperatura de 20 a 25º C inibem parcialmente. com certas variantes. centeio. da variedade. A vernalização constitui definitivamente um processo de acumulação de baixas temperaturas por parte da planta. porém. Transcorrido este período extrai-se todo o excesso de água. O tratamento sugerido por Lysenko para o trigo pode ser aplicado. Com efeito. é a utilização de áreas geográficas inadequadas para uma cultura por falta total ou parcial de frio hibernal. Lysenko deu o nome russo de “IAROVIZAÇÃO”. os trigos hibernais podem ser semeados se dificuldade na época que corresponde aos trigos primaveris. por meio deste tratamento. Foi demonstrado que o efeito da vernalização pode ser destruído pela ação de altas temperaturas (20º C ou mais) durante vários dias posteriormente ao tratamento. tais como a aveia. principalmente. Outra vantagem agronômica que se consegue. que traduzido corresponde à vernalização. as sementes devem ser mantidas em um ambiente escuro e frio (4º a 5º C) durante um certo número de dias que depende. 3.sugerem empapar as sementes com excesso de água dentro de um recipiente. Deixam-se as sementes umedecidas em um ambiente relativamente morno (10º a 15º C) até que se observa que os embriões estão saindo das sementes. etc. em geral oscila entre 20 e 25 dias para os trigos hibernais típicos. durante aproximadamente 18 horas. palavra derivada de vernal que significa pertencente à primavera.

45 cal/g. à radiação solar. em média. Temperatura do solo desfavorável durante a estação de crescimento pode retardar as colheitas. Muitas localidades nas áreas polares e em algumas montanhas ficariam certamente sem vegetação se não fosse o fato da temperatura do solo ser muito mais alta do que a do ar. A temperatura do solo é mais responsável do que a do ar. decomposição da matéria orgânica. podemos citar que baixas temperaturas do solo fazem com que a viscosidade da água diminua. A capacidade térmica de um solo varia de acordo com seu conteúdo de umidade.1 Importância da temperatura do solo para as culturas Ao estudar alguns fenômenos que ocorrem no solo e que estão ligados a sua fertilidade. verificou-se que eles dependem muito da temperatura. O calor específico de todos os solos minerais varia. condutividade térmica e capacidade térmica. Como exemplo. pelo contraste entre as diferentes encostas e exposições que ocorrem nas montanhas. Temperaturas do solo extremamente elevadas tem efeito prejudicial sobre as raízes e podem causar lesões destrutivas nos caules.2 Características térmicas dos diferentes tipos de solo a) Calor específico (c) É a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de solo de 1º C. parte da radiação solar é refletida e parte interage com a superfície do solo. Muito esforço tem sido feito pelos agricultores para modificar a temperatura do solo. Sabemos que ao atingir a superfície da Terra. de 0. e outros. o conhecimento do comportamento da temperatura no perfil do solo é um aspecto importante em uma agricultura bem orientada e artifícios como irrigação e coberturas mortas tem sido utilizados para seu melhor controle. b) Capacidade térmica ou capacidade volumétrica de calor (Cv) Capacidade de calor de uma substância ou do solo é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 cm3 de solo de 1 ºC.Unidade 4: Temperatura do solo 4. ºC. tais como: difusividade.0 cal/g. à topografia e outros efeitos semelhantes. Solos orgânicos secos tem 20 . podendo diferir muito da temperatura do ar. energia livre de água no solo. Por outro lado. 4. tais como composição. Devido a estes fatos. altas temperaturas condicionam uma maior perda de água dos poros do solo. Os horticultores valorizam muito um solo que se aquece rapidamente na primavera. A quantidade de energia absorvida pelo solo depende da duração da radiação solar. atividade da flora microbiana. germinação de sementes. O significado ecológico da temperatura do solo é obviamente importante para aqueles que trabalham na agricultura. diminuindo a velocidade de absorção pelas raízes. as temperaturas baixas impedem a absorção de nutrientes minerais. atividade de íons que tomam parte numa reação de troca. ºC. transformando-se em energia térmica. por outro lado. o solo humoso tem calor específico aproximadamente igual a 0. especialmente durante o período de sol. da inclinação da superfície receptora e das características físicas do solo.18 a 2. A temperatura do solo responde mais aos efeitos locais.

O conhecimento do transporte de energia no solo é importante dentro do caráter de estímulo às reações bioquímicas da germinação de sementes.6 cal/cm3. solo fino humoso k = 0. como também na energia livre da água no solo. ou seja. reduz o efeito isolante do espaço poroso cheio de ar (aumenta o valor de K).seg. solos orgânicos e de textura fina. enquanto que a compactação do solo a aumenta. No campo. enfim. a condutividade térmica decresce dos solos pesados para os mais leves. a condutividade é praticamente idêntica para solos com texturas diferentes (a espessura da película de água que envolve as partículas de solo é praticamente idêntica).00046 cal/cm. Pode-se dizer também que é a quantidade de calor que flui por unidade de tempo através de uma seção transversal de 1 cm2. quando o gradiente de temperatura aumenta 1 ºC/cm3. A difusividade térmica do solo aumenta com o aumento da umidade atingindo um máximo. diminuindo o aumento da temperatura produzido por uma determinada quantidade de calor.00027 cal/cm. A condutividade térmica depende sobretudo da porosidade. No solo a transmissão de calor se realiza. A matéria orgânica não transfere o calor tão rapidamente quanto um solo mineral. troca de íons nos minerais.ºC. que é alta.seg. d) Difusibilidade térmica (K) Indica a penetração de calor no solo e pode ser definida como sendo o quociente entre a condutividade térmica (k) e a capacidade térmica (Cv). através de moléculas de vapor d’água e ar que ocupam os espaços porosos do solo.ºC. devido a uma diferença de temperatura entre elas. tem maior capacidade térmica do que solos com textura mais grossa. c) Condutividade térmica (k) Indica a taxa de transferência de calor. 4. na maior parte . quando existe um gradiente de 1º C/cm.3 Condução de calor no solo A transmissão de calor pode ser definida como sendo a transmissão de energia de uma região para outra. entre as partículas. Para um determinado conteúdo de umidade. conteúdo de umidade e matéria orgânica do solo. A matéria orgânica diminui a difusividade. D = k/Cv. por condução e uma pequena parte por convecção.ºC. devido ao aumento da porosidade. decomposição de matéria orgânica.seg-1. A difusividade térmica dos solos está entre 10-2 e 10-3 cm-2. devido a baixa densidade dos primeiros. respiração e crescimento do sistema radicular de uma planta qualquer. Uma pequena quantidade de água no solo. conforme a porosidade aumenta. uma vez que a capacidade térmica da água.seg.capacidade térmica mais baixa do que os solos minerais. responsável por um gradiente de temperatura de 1 ºC. Unidade de medida cal/cm. através de uma área unitária de determinada substância. A capacidade térmica da maioria dos solos varia de 0. É a mudança. Em termos de tensão de umidade do solo. substitui a do ar que é quase negligenciável. a perda de energia do solo para a atmosfera dá-se por radiação. devido a sua alta capacidade de retenção de água.ºC. 21 .3 a 0. porque diminui a porosidade. mas um aumento muito grande no conteúdo de água resulta num aumento acentuado da capacidade térmica. Fisicamente representa a taxa em que o calor flui. de toda a estrutura orgânica da fauna e flora do solo. Exemplos: solo arenoso seco k = 0. depois então decresce. em graus Celsius que ocorre em um segundo. etc. Por outro lado.

em módulo: Fz  dQ  dT   k z   xy dt  dz  3 onde kz (cal.A energia alcança a superfície do solo na forma de ondas eletromagnéticas e dependendo das características da superfície elas podem ser mais ou menos absorvida. Convencionalmente. então. a temperatura mínima varia de 0 a 5º C e a máxima de 31 a 37º C. logo. a uma determinada profundidade. z orientadas segundo as direções dos eixos cartesianos. pois a superfície está recebendo energia desde o nascer até o pôr do sol. Logo. y.s-1. A condução de calor se processa sempre no sentido contrário ao do gradiente de temperatura e é proporcional ao valor desse gradiente. para culturas de inverno. Se todo o meio está sendo aquecido uniformemente na sua face superior. Considerando-se um volume de controle de um meio homogêneo. T  dT  k k z dz 2 Como o fluxo vertical (Fz) de calor é proporcional ao gradiente vertical de temperatura e ocorre no sentido inverso. respectivamente. uma vez que a superfície em contato com o ar atmosférico é resfriada rapidamente e as camadas inferiores começam a ceder calor para a superfície. a energia que vai em direção à superfície é positiva e a que deixa a superfície é negativa. por exemplo. Em virtude disso.cm-2.K-1) é a constante de proporcionalidade. O desenvolvimento radicular sofre considerável influência da temperatura do solo. Decréscimos graduais na temperatura do ar e do solo facilitam a sintetização do açúcar e o desenvolvimento de resistência ao frio e até a seca. a temperatura. as componentes horizontais do gradiente de temperatura é nula. limitado por arestas infinitesimais x. se aquecendo e cedendo calor para as camadas inferiores. é a mesma em qualquer ponto. Durante a noite este sentido se inverte. 22 . um bom desenvolvimento ocorre de 6 a 10º C. chamada de coeficiente de difusão de calor ou condutividade calorífica do meio em questão. T  T  i  j 0 x y 1 Assim. durante o dia o fluxo de energia tem sentido descendente. 4. e de melão de 15 a 18 e 44 a 50º C. tem-se. o transporte de calor (Q) se efetua de cima para baixo e depende apenas da componente vertical do gradiente de temperatura. As temperaturas do solo ótimas para germinação do trigo variam de 25 a 31º C e para o melão de 31 a 37º C. para haver germinação de sementes de trigo e cevada. Decréscimos repentinos a menos de 0º C baixam as resistências. caminhando da superfície em direção às maiores profundidades.4 Fluxo de calor no solo Uma certa quantidade de calor no solo é requerida por todas as plantas.

no Hemisfério Sul. a absorção de água. mas é importante fora dos trópicos. Nota-se a sensibilidade da cultura do milho a temperaturas baixas próximas a 0º C.5 Inclinação e exposição de encostas A exposição de uma encosta é de pequena importância nas baixas latitudes. que produz flutuações diárias significativas nos primeiros 30 cm abaixo da superfície do solo nú. decrescendo a curva de evaporação proporcionalmente com o acréscimo da temperatura no solo. com e sem irrigação numa cultura de cebola. Variação diária da temperatura de dois tipos de solo. Nas médias e altas latitudes. 1966) Figura 1. 1974). 2). logo. as encostas 23 . sob irrigação. 4. O crescimento das plantas. em condições de campo (Klar. a temperatura do solo aumenta mais rapidamente em solos de textura grosseira que nos de textura fina (Fig. Efeito de temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e transpiração de uma cultura de milho (Anderson & Macnaughton. Figura 2. 1974). a nutrição mineral e a morfologia das raízes são variáveis afetadas pela temperatura do solo (Nielsen & Hunfries. o suprimento de O2. o metabolismo das raízes. a fotossíntese. 1973) A temperatura do solo é continuamente alterada e os principais fatores atuantes estão relacionados ao ciclo de radiação.A Figura 1 mostra a interferência da temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e sobre a transpiração. quantidades significativas de energia são convertidas em calor latente de vaporização (Klar.

as encostas norte esquentam rapidamente enquanto que as encostas sul permanecem frias e úmidas. uma encosta suave. a evaporação do orvalho pela manhã requer energia. Uma declividade de 50 na exposição norte pode receber a mesma quantidade de radiação solar que um área plana a 450 km mais ao norte. exposta ao sul recebe igualmente tanta radiação difusa como uma encosta com 100 de inclinação. áreas com 1 0 de declividade sul podem receber menor radiação do que uma área plana a 100 km ao sul. 4. Uma encosta com 100 de inclinação. para algumas frutíferas a demora na floração e a conseqüente redução do perigo de geada é uma vantagem na encosta sul. exposta ao norte. relativamente fria. Paradoxalmente. Quanto maior a proporção da radiação difusa em relação à radiação total.norte recebem mais raios solares por unidade de área do que as que ficam expostas para o sul. Isto porque os raios solares diretos incidem sobre a encosta sudeste depois de prolongado resfriamento noturno e. quando não há radiação solar direta. Fora dos trópicos. é mais quente do que uma área plana. sendo essencialmente uniforme em todos os azimutes. Além do mais. mais ainda no verão do que no inverno. Raios solares diretos são função da exposição e da inclinação e a radiação difusa. No inverno. menor é a diferença de energia pelas várias exposições de uma encosta. Em geral. no Hemisfério Sul. Na ausência de nuvens a encosta sudoeste é normalmente mais quente do que a encosta sudeste. semelhantemente esta proporção é mais elevada no inverno do que no verão. Com o avanço da estação. o efeito da exposição é minimizado. Na primavera. As maiores diferenças de temperatura entre as encostas norte e sul ocorrem durante a primavera e verão. A diferença nas temperaturas mínimas entre as exposições sul e norte é menor do que a diferença entre suas temperaturas máximas. A encosta mais quente é a estiver mais perpendicular aos raios solares. Em um dia totalmente nublado. A declividade da encosta determina a quantidade de calor recebida por unidade de área. a proporção da radiação difusa com relação a radiação total é elevada nas regiões polares devido a elevada nebulosidade e a baixa altitude do sol. Por outro lado. A amplitude da temperatura diurna é consequentemente maior nas encostas norte. o maior aquecimento da encosta norte é feito gradualmente. a exposição nas médias latitudes é fator mais importante do que nas regiões polares e.6 Efeito do uso de diferentes coberturas na temperatura do solo 24 . além disso. a temperatura máxima na exposição sul freqüentemente demora mais a ocorrer do que na encosta norte. a diferença de temperatura entre as encostas sul e norte é menor. Para avaliar os raios solares pelas encostas devemos primeiramente separar a radiação direta e a radiação difusa. com inclinação norte. é dependente apenas da inclinação. Portanto. As culturas e a vegetação iniciam mais cedo o seu crescimento nas exposições norte do que nas exposições sul. As diferenças de temperatura entre as exposições é geralmente acentuada pela declividade.

verificou que o crescimento aumentou linearmente com a temperatura do solo entre 100C e 300C. diminuir ou ainda para estabilizar a temperatura do solo. era possível obter outras vantagens. em condições de laboratório. Muitos esforços tem sido realizados no sentido de variar a temperatura do solo. por falta de fotossíntese.40C são prejudiciais. porém seu uso não se comprovou. como palha. verificou que para a maioria das plantas cultivadas. vários tipos de coberturas mortas (mulching) tem sido utilizadas para aumentar. Esta camada de material atuava como barreira. As principais influências são:  Umidade do solo. em condições de campo. diminuem a quantidade dos frutos. folhas de árvores. Lehenbauer trabalhando com sementes de milho. Para diminuir estes efeitos. com o propósito de criar um “habitat” favorável as plantas. influindo consideravelmente no aumento da produção e maior precocidade na colheita dos frutos. os quais. temperaturas do solo inferiores a 4. e foi paralisado abaixo de 100C e acima de 43.70C. 1926. lâmina de alumínio. e a absorção e armazenagem de calor para o período noturno. é praticamente impossível.  Estrutura do solo.90C. devido ao seu baixo custo.  Proteção dos frutos. como papel parafinado. Weaver. constituindo-se um meio de defesa das plantas contra baixas temperaturas. como a opacidade à luz que impedia.Já em 1914. entre outros efeitos.  Época de colheita.  Produção dos cultivos. tanto pelo alto custo como pela dificuldade de aplicação. provocando paralisação em seu crescimento. na maior parte dos cultivos. De acordo com as características desses materiais.  Ervas daninhas. Há alguns anos foram feitos ensaios com diversos materiais. decresceu linearmente entre 32. A cobertura morta do solo passou a ser utilizada em grande escala com o surgimento dos filmes plásticos.20C e 43. provocam a compactação do terreno.  Qualidade dos frutos. A cobertura morta de solo com filmes plásticos tem significantes vantagens sobre os métodos comuns.  Temperatura do terreno. A cobertura morta do solo é uma técnica utilizada pelos agricultores há muitos anos. etc. um controle total do microclima. com a finalidade de defender os cultivos e o solo da ação do agentes atmosféricos. etc. A partir daí. 25 . isolando o solo do meio ambiente. os agricultores colocavam sobre a superfície do terreno uma camada protetora formada por materiais de origem vegetal. tão necessários para o desenvolvimento das plantas. serragem. praticamente de aplicação e sobretudo pelas evidentes vantagens que trazem aos cultivos. foi ótimo entre 300C e 31. o desenvolvimento das ervas daninhas. Quando havia disponibilidade também era usada areia. nas mais sofisticadas lavouras e nas terras dos mais modestos agricultores. Por isso. Esta técnica é hoje consagrada em quase todos os países. esfriam a terra e causam a lixiviação dos elementos fertilizantes. cada vez mais foi sendo provado que as condições térmicas que envolvem um vegetal são essenciais ao seu desenvolvimento e que.90C.  Fertilidade da terra.

7. dentro de certos limites. concentração de oxigênio sejam favoráveis. 26 . A unidade de calor para a germinação depende muito da profundidade na qual se mede a temperatura do solo.7 Temperatura do solo e as diferentes fases do ciclo vegetativo das culturas 4. pereira. que são:  Uma temperatura mínima abaixo da qual não há atividade.  Uma temperatura máxima acima da qual a atividade pode ser nula.2 Fases vegetativa e reprodutiva Após a germinação. que varia amplamente na camada de 10 cm de profundidade do solo. pelo período de emergência (t). Uma unidade de calor (S) expressa em graus dias é suposta ser uma constante para um estágio particular do desenvolvimento e pode ser calculada multiplicando-se a temperatura ambiental (T) menos a temperatura mínima (Tmín).  Uma temperatura ótima onde ocorre o máximo de atividade.4. a temperatura do solo pode ainda influir no desenvolvimento do índice de área foliar das plantas. na qual valores desconhecidos de S e Tmín podem ser calculados de acordo com a seguinte expressão: T = ( S / T ) + Tmín 5 Estes dois métodos de cálculo podem dar uma unidade de calor diferente quando a temperatura média diária é menor do que a Tmín. os processos metabólicos dupliquem sua velocidade com o aumento de 100 C de temperatura. umidade.7. são extremamente difíceis. em graus centígrados. mas as medidas da umidade do solo. Sachs determinou três pontos principais de atividade vital.1 Germinação e emergência Algumas espécies germinam assim que as condições externas como temperatura. em dias. t 4 A relação entre T e o valor recíproco de t daria uma relação linear. Embora. o desenvolvimento expresso como germinação ou elongação da haste mostra freqüentemente. durante algumas semanas ou meses tem também efeito na quebra de dormência (macieira. Assim. isto poderia influir na unidade de calor sob condições de excesso de umidade (ocorrendo falta de oxigênio) ou condições secas (falta de umidade). uma resposta linear entre a temperatura mínima e ótima. Desde que a germinação depende também amplamente das condições disponíveis de umidade que cercam a semente. 4. nessa profundidade. S = (T – Tmín) . Nessa camada. pessegueiro). em geral. Temperaturas frias entre 00 C e 100 C. a variação do conteúdo de umidade é grande devido a evaporação e a precipitação.

por exemplo. Por outro lado. depende muito da profundidade do solo em que foi feita a medida e as condições de umidade do solo. 27 . a temperatura do ar e outros fatores climáticos. Para temperaturas quase ótimas a absorção de água aumenta na ordem de 10 % para cada grau de aumento de temperatura do solo. Este último aumento pode ser atribuído principalmente à mudança da viscosidade.Gradualmente. moderada para tomate (100 C – 160 C) e elevada para o pepino (150 C – 190 C). a condução de água nos vaso do xilema e nas folhas aumenta somente da ordem de 1 % para cada grau de incremento da temperatura do solo. entretanto. A faixa acima da qual ocorrem temperaturas do solo quase ótimas. tornam-se de maior importância para a fase vegetativa e reprodutiva. depende da espécie. por exemplo: baixa para a alface (40 C – 100 C). como radiação solar. O cálculo da unidade de calor.

O engenheiro. à medida que se caminha para regiões mais frias. O arranjo das diversas partículas. tempo e tipo de rocha que lhe deu origem. o pedologista. por isso. juntamente com os efeitos cimentantes de materiais orgânicos e inorgânicos. os quais a decompõem produzindo gás carbônico e água. Os materiais orgânicos consistem de resíduos vegetais e animais (incluindo fungos. haveria exaustão do gás carbônico da atmosfera pela fotossíntese em poucas décadas. sem obstrução mecânica. líquidos e gasosos.1 Algumas características do solo A palavra solo tem sentidos diferentes. Daí. topografia. limo (silte) e argila. vegetação. Os solos tropicais são mais desenvolvidos por estarem sujeitos a altas temperaturas e elevadas precipitações pluviométricas. fonte de nutrientes e fornecem matéria orgânica necessária á alimentação dos microorganismos do solo e dos animais. O interesse deste profissional limita-se aos 2 – 3 metros de profundidade. denominados húmus. O tipo de solo resulta da integração entre clima. Para estes terem um bom desenvolvimento. se constitui de partículas classificadas de acordo com o tamanho médio dos grãos em areia. A parte líquida do solo constitui-se essencialmente de água. precisa ser periodicamente reposta pela chuva ou pela irrigação. Composição volumétrica (%) de alguns solos Fração sólida Solo Água Mineral Orgânica Ar 28 . estradas ou aeroportos. portanto. então o solo pode ser definido como um sistema poroso constituído por partículas sólidas e volume de vazios. pois a maioria das plantas exige certa aeração do sistema radicular. o solo deverá ser suficientemente macio e friável para permitir o desenvolvimento das raízes. denominados poros. a importância agrícola do conhecimento deste reservatório de água para as plantas e dos princípios que governam seu funcionamento. A parte gasosa ocupa os espaços vazios não ocupados pela água. bactérias. que podem ser ocupados pelo ar e pela água sendo. As partículas sólidas formam um arranjo poroso tal que os espaços vazios. Se isso não ocorresse. por exemplo. determinam a estrutura do solo. Esta é uma fração importante do sistema solo. para garantir uma produção vegetal adequada. insetos e outros) parte dos quais são vivos e o restante se apresentando em diversos estágios de decomposição. e a ocupada pelo ar. são menos intemperizados. cujas proporções determinam a textura do solo. Tabela 1. Ocupa parte (ou quase todo) do espaço vazio entre as partículas sólidas dependendo da umidade do solo. ocupada pela água. É algo mais que um complexo de partículas provenientes de rochas minerais. dependendo dos objetivos. equilibrado em distribuição e volume de poros. como parte da crosta terrestre que proveio de desintegração de rochas por processos físicos e químicos. Esta água é absorvida pelas raízes das plantas ou é drenada para camadas de solo mais profundas e. um armazenador de nutrientes e água para as plantas. As plantas o utilizam como suporte. Ele é constituído de materiais sólidos. o considera um material que suporta fundações. para reter água facilmente disponível e assegurar condutibilidade adequada não só da água como também do ar até as raízes das plantas. contendo minerais dissolvidos e materiais orgânicos solúveis. tem a capacidade de armazenar líquidos e gases. Na prática da irrigação é importante manter-se certo balanço entre a porção dos poros.Unidade 5: UMIDADE DO SOLO 5.

A umidade do solo no momento de seu preparo (aração e gradagem) é importante. maciça (as partículas são unidas entre si. A espessura dos diferentes horizontes varia enormemente dentro e entre as diferentes séries de solo. Ela pode ser mantida ou mesmo melhorada com práticas agrícolas adequadas. ela é típica para cada solo. desde cascalhos de diâmetro da ordem de centímetros. suas proporções determinam a textura do solo. pelo menos. pesado para ser trabalhado. De acordo com o tamanho as partículas podem ser classificadas em areia. são comuns aos subsolos pesados encontrados em regiões úmidas e a água se move muito lentamente. as raízes exploram também o subsolo que tende a ser menos rico em nutrientes. A estrutura começa a se formar através da fragmentação das rochas. está a camada de rocha. perdem a estrutura. agregados (é um tipo intermediário entre os dois 29 . pois solos preparados quando muito úmidos ou muito secos. cultivo apropriado e incorporação de matéria orgânica (adubo verde ou esterco). A propriedade da fase sólida do solo em formar unidades estruturais complexas a partir de unidades menores chama-se “capacidade de agregação do solo”. com problemas de penetração de água e de raízes. Depois do estabelecimento. Um perfil é um conjunto de horizontes expostos normalmente para exame na parede vertical de uma trincheira. limo (ou silte) e argila e.1 Composição do solo 1) Textura A textura do solo refere-se tão somente à distribuição das partículas em termos de tamanho. tão importante quanto o solo do topo pelo fornecimento de água. Solo sem estrutura é massivo. 2) Estrutura do solo A estrutura do solo refere-se ao arranjo das partículas e à adesão de partículas menores na formação de maiores denominadas de agregados. pois ele determina o número de partículas por unidade de volume ou de peso e a superfície que estas partículas expõem. pode ser modificada. Um horizonte é qualquer camada que pode ser distinguida visual ou texturalmente das camadas vizinhas acima e abaixo. as plantas transplantadas e as culturas estabelecidas . Ciclos de secamento e de molhamento melhoram a estrutura do solo. Abaixo do subsolo. pois é nele que as sementes são lançadas.1. tais como a rotação de culturas.“ideal” Regossol Latossol Roxo Podzólico 45 61 35 50 5 1 7 2 30 4 32 24 20 34 26 24 5. O solo do topo é a zona de primeira importância para o horticultor. como colóides que não podem ser vistos a olho nú. mas. a estrutura do solo é afetada pelo preparo do solo e. A escala de tamanho varia enormemente. A estrutura dos solos pode agrupar-se em três tipos principais: grãos simples (partículas completamente desunidas umas das outras). O solo ocorre em camadas distintas. nos horizontes mais profundos. O tamanho das partículas é de grande importância. ao contrário da textura. Na proximidade da superfície. A estrutura do solo. até partículas diminutas. formando grandes blocos).

Isto porque o quartzo. sendo plásticos e coesos quando úmidos. quando secos. aeração adequada e aração fácil. grau de compactação e pelas características de contração e expansão do solo que. tornando-se duros. Matematicamente. O peso específico aparente é afetado pela estrutura. para a determinação da quantidade de água e aplicar no solo projetos de irrigação. com formação de torrões. o arranjo de poros.75 g. a forma e as combinações dos poros variam consideravelmente. a mesma massa de material sólido pode ocupar um volume menor. O tamanho. 30 . as partículas são unidas de forma mais ou menos estável entre si. Os solos arenosos. que varia de 0. através do método de pesagens. nesse caso. porém tem baixas capacidades de retenção e condução de água e nutrientes. Solos argilosos ou de textura fina possuem teores elevados de argila coloidal. Os solos arenosos são friáveis. pois são resultados de partículas enormemente variáveis em tamanho. de boa drenagem. o peso específico aparente é importante.cm-3.9 a 1.anteriores) dentro dos blocos. ms m a   s V s  V p Vt (2) Logo. O conhecimento do peso específico real é importante para os cálculos da velocidade de sedimentação das partículas para efeito de determinação da densidade das suspensões na análise mecânica. por sua vez. desagregáveis. o feldspato e os silicatos coloidais compõem a maior parte dos solos minerais. forma e características superficiais. Como o solo é um material poroso. quanto mais estruturado e maior o teor de matéria orgânica do solo menor será seu peso específico aparente. são mais densos que os argilosos. Em agronomia. 3) Peso específico do solo O peso específico das partículas (ou peso específico real) do solo está em torno de 2. O peso específico total ou aparente do solo (a) é representado pela relação entre o peso das partículas sólidas (ms) e o volume total do solo seco (Vt). entre outros objetivos.cm-3. o peso específico real ou das partículas (r) pode ser representado por: r  (1) ms Vs onde ms é o peso das partículas sólidas do solo e Vs é o volume das partículas sólidas do solo. Isto afeta a sua estrutura. são controladas pelo teor de umidade.60 a 2. A compactação do solo está diretamente ligada à estrutura. o volume de poros e as características de retenção de água. 4) Porosidade do solo O volume total de poros do solo (Vp) se chama de espaço poroso. por compressão. que são menos porosos e mais pobres em matéria orgânica. consideram-se os espaços porosos (Vp).8 g. do teor de umidade do solo.

3 a 0.6. Solos de textura grosseira são menos porosos que os de textura fina. b) a umidade pode ser expressa com base em volume. Pode ser representada por:  (6) Vw Vw  Vt V s  V p O uso de  torna-se mais adequado que a. O cultivo e as culturas afetam o espaço poroso. quando colocado em estufa a 105/110º C. % Vp = 100 Vp = 100 % Vs a Vt r Vp  1 a r (4) Os valores de Vp variam de 0. A profundidade do solo é negativamente correlacionada com os espaços porosos. 31 . Quanto maior a porosidade. geralmente chamada de “base em peso seco” (a). devido à estruturação. sendo neste. contrariamente aos arenosos. maior a capacidade do solo em armazenar água. ou teor volumétrico de água () e baseado no volume total do solo. até peso constante. embora possuam poros individuais maiores. daí os solos de textura fina terem maior capacidade de retenção e disponibilidade de água às plantas do que os de textura grosseira. O valor do teor de umidade a pode variar de 0 a 60 %. dependendo do peso específico aparente.O volume total (Vt) é igual ao volume de partículas (Vs) adicionado do número de vazios (Vp). Matematicamente pode expressá-lo como: m a%  w 100 ms (5) ou seja. a porosidade bastante variável. que são mais estáveis. no caso de computação9 de quantidades de água adicionadas ao solo por irrigação ou chuva e retiradas por drenagem ou evapotranspiração. 5) Umidade do solo A Umidade do solo pode ser expressa de duas maneiras: a) em relação à massa de sólidos. logo: % (3) logo. Considera-se o solo seco. a% é a relação entre o peso de água (mw) e o peso de sólidos do solo (ms).

infiltração de água. a água continua distribuindo-se dentro do solo. dependendo de sua quantidade e mobilidade. Quando o fornecimento de água é localizado. Durante o processo de infiltração e após ter cessado. à medida que o teor de água do solo decresce. A composição do ar do solo altera-se constantemente com as mudanças da atmosfera em conexão às flutuações diárias de temperatura. isso resulta em escoamento. As relações solo-água afetam a composição do ar do solo. o ar do solo não é contínuo. tem teor de umidade mais elevado que o ar atmosférico. adsorvido. o ar atmosférico tem 0. A composição do ar do solo não é constante. irrigação ou inundação é governada pela taxa de infiltração ou taxa de percolação.2 Movimentação da água no solo A entrada de água no solo. sujeita a repetidas batidas por gotejamento pesado da folhagem. redução na taxa de infiltração e conseqüente aumento na taxa de escoamento. 5. aproximando-se. isso também danifica a estrutura do solo e reduz a taxa de infiltração. Um exemplo extremo é oferecido pelo estado da superfície do solo sob as copas de arbustos de baixo crescimento. concentrado na superfície das partículas e dissolvido na água do solo. poderá haver aeração deficiente. como é o caso da irrigação por sulcos. velocidade do vento.. por exemplo. Se a água chega sobre a superfície do solo a uma taxa que excede a taxa de infiltração máxima. a infiltração (e redistribuição) dá-se em todas as direções. dos processos bioquímicos e outros. que possui grandes espaços porosos internos. há aumento do volume de ar e maior razão de troca entre o ar do solo e as raízes. variando em composição de um local para outro. em média na camada superficial. diferindo marcadamente do ar atmosférico. Se a precipitação é na forma de grandes gotas com alta energia cinética. pois há diminuição na espessura do filme de água através da qual a difusão ocorre. em solos de textura fina. O ar encontra-se me três condições: livre. devido à constante movimentação de água e.03 % de CO2 e o do solo tem 0. danos para a estrutura do solo. como o arroz. etc. ocupando os solos livres de água. o teor de oxigênio do ar atmosférico é cerca de 20 % e do solo pode atingir 10 a 12 %. pois a água sempre procura regiões de potencial mais negativo (Figura 1).6) Ar do solo O ar do solo é fonte de oxigênio para as raízes das plantas e para os microrganismos aeróbicos.2 a 1%. proveniente de chuva . Outras adaptações que ocorrem são os sistemas de raízes rasos e a respiração anaeróbica. Há plantas adaptadas ao déficit de ar. geralmente dos 100 % de umidade relativa. 32 .

Figura 1. Irrigação por sulcos ou por gotejamento. Durante o processo de infiltração, se o solo estiver relativamente seco, existe uma diferença “visível” entre o solo molhado pela lâmina de água que avança e o solo seco. Este plano é denominado de frente de molhamento (Figura 2).

Figura 2. Frente de molhamento. O processo de infiltração ocorre porque a água da chuva ou da irrigação tem potencial aproximadamente nulo e a água do solo tem potencial negativo, isto é, tanto mais negativo quanto mais seco é o solo. A água é retida no solo, isto é, em seus poros, devido a fenômenos de capilaridade e adsorção. A capilaridade está ligada à afinidade entre as partículas sólidas do solo e a água, havendo a necessidade de interfaces água-ar. Estas interfaces água-ar, chamadas de meniscos, apresentam uma curvatura que é tanto maior quanto menor for o poro. A curvatura determina o estado de energia da água e, por isso, diz-se que tanto menor o poro, tanto mais retida se encontra a água. Assim, para esvaziar um poro grande precisa-se aplicar menos energia do que para esvaziar um poro pequeno. Como o solo possui uma grande variedade imensa de poros, em forma e diâmetro, quando se aplica uma dada energia ao solo (através de sucção), esvaziam-se inicialmente os poros maiores. Aumentando-se a energia aplicada, esvaziam-se cada vez poros menores.

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A capilaridade atua na retenção de água dos solos na faixa úmida, quando os poros se apresentam razoavelmente cheios de água. Quando um solo se seca, os poros vão se esvaziando e filmes de água recobrem as partículas sólidas. Nestas condições , o fenômeno de adsorção passa a dominar a retenção de água. A energia de retenção da água nestas condições é muito maior ainda e, por isso, grandes quantidades de energia são exigidas para se retirar esta água do solo. Muitos fatores afetam a retenção da água em um solo. O principal deles é a textura, pois ela diretamente determina a área de contato entre as partículas sólidas e a água e determina as proporções de poros de diferentes tamanhos. A textura refere-se apenas ao tamanho da partícula e, além do tamanho, também é de grande importância na retenção de água a qualidade do material, principalmente das argilas. Existem argilas que, devido às suas características cristalográficas, tem ótimas propriedades de retenção de água, como por exemplo a montmorilonita, a vermiculita e a ilita. Outras argilas como a caulinita e a gibsita, já não apresentam boas propriedades de retenção de água. A matéria orgânica também apresenta boas propriedades de retenção de água, por isso, adições repetidas de esterco ou matéria orgânica ao solo, podem aumentar suas propriedades de retenção de água. 5.3 Acumulação de sais no solo A carga salina de uma fonte de água pode ser aumentada por irrigação excessiva de culturas, com aplicações pesadas de fertilizantes rio acima, por evaporação dos reservatórios, por reciclagem e re-uso de água e por poluição direta de resíduos industriais e depósitos de materiais, como cinza de combustível pulverizado, escória e resíduos de carvão. Salinidade em excesso é prejudicial para as culturas por causa da pressão osmótica na água do solo e também da toxidade dos próprios sais. Além dos íons metálicos comuns, elementos como boro, arsênico e selênio e os metais pesados podem estar presentes em concentrações tóxicas. As culturas variam em sua sensibilidade aos elementos tóxicos e os solos variam em sua habilidade de ocluir ou liberar materiais prejudiciais. A água, normalmente se move para baixo através do solo, mas sob condições de alta evaporação existe movimento lento para cima por capilaridade; a evaporação água da superfície do solo pode então concentrar solutos a tal extensão que a alta pressão osmótica resultante pode interferir na absorção de água e assim reduzir o crescimento vegetal independentemente de que quaisquer elementos particulares estejam numa concentração fitotóxica. Águas moderadamente salinas podem ser usadas para irrigação, contanto que seja aplicada em excesso, em cada irrigação, de modo que exista drenagem e lixiviação dos sais prejudiciais fora da zona das raízes. Isso não é uma prática de irrigação válida onde há água de boa qualidade e disponível. Em casas de vegetação, a concentração de cloro é mais prejudicial do que a concentração salina total e onde culturas são regularmente supridas com fertilizante dissolvido na água de irrigação, fertilizantes livres de cloro são comumente usados. O cloreto prejudica as plantas enquanto o sódio danifica a estrutura do solo, especialmente de solos com alto teor de argila, ou limosos e barro-limosos. A Tabela 2 mostra a tolerância relativa ao íon cloreto, de plantas de diferentes culturas; por proeminência entre estas estão a beterraba e outras plantas cultivadas, derivadas de espécies da costa marítima. Concentrações tão baixas quanto 3 mm/l de cloreto (105 ppm de Cl) na água de irrigação tem prejudicado citrus maduros, frutos com caroço e amêndoas.

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Tabela 2. Tolerância de culturas típicas a concentração de íon cloreto no solo à capacidade de campo. Concentração de Cloreto (g Cl -/ l) 0,35 Culturas que sofrem 10 % de redução na produção morango tulipa feijão trevo maçã narciso ervilha ameixa azaléa framboesa gladíolo cebola milho rosa cenoura crista de galo alface prado rabo-deraposa Uva crisântemo couve-flor trigo cravo repolho aveia clematite batata alfafa centeio beterraba beterraba vermelha branca aspargo manga espinafre couve cevada Taxa de sensibilidade

Muito sensível

0,75

Sensível

1,45

Moderadamente tolerante

2,50

Tolerante

5.4 Armazenamento de água no solo Os corpos, na natureza, possuem energia em diferentes formas e quantidades. Considerando-se que a energia cinética da água no solo tem valores baixos, a de retenção torna-se importante. As propriedades físicas do solo (textura, estrutura, etc) afetam a capacidade de retenção. Solos de textura mais fina retém água em maior quantidade que os de textura grosseira. Isto se deve à maior área superficial daqueles. Pode-se demonstrar isto facilmente: duas provetas com dois solos, diferenciados texturalmente, recebem pequena e igual quantidade de água; logo se percebe que a velocidade de movimentação é diferente em ambos e que o argiloso retém aquela mesma quantidade de água num volume de solo menor. Forças de atração bastante elevadas existem entre as partículas do solo e as moléculas de água e são responsáveis pelo abaixamento da energia potencial da água do solo. De acordo com Slatyer (1967) existem dois mecanismos principais pelos quais a água é retida no solo, que são provenientes das interfaces ar-líquido e sólido-líquido. A tensão superficial é a principal força atuante na interface ar-água e desenvolve interfaces curvas nas proximidades das partículas (Figura 3). Se o solo não se trincar a partir da saturação enquanto a água estiver sendo removida, a tensão, atuando nas interfaces curvas, consegue equilibrar-se com as forças extrativas, constituindo-se no principal mecanismo de retenção da água.

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A tensão superficial e a repulsão entre partículas freqüentemente atuam simultaneamente, desde que a extração de água é geralmente acompanhada por algum fendilhamento e alguma entrada de ar.

Figura 3. Retenção de água devido às forças desenvolvidas na interface águaar.

Solutos osmoticamente ativos abaixam a pressão relativa de vapor d’água do solo, constituindo-se noutro fator de retenção, porém, não atuam contra uma pressão, a não ser que a força aplicada o seja através de uma membrana impermeável aos solutos. No caso de raízes, que são dotadas de camadas de células com diferentes permeabilidades à solução do solo, a maior ou menor concentração de sais torna-se importante para a disponibilidade de água às plantas, pois afetam a energia distendida por estas na absorção. Saliente-se que a interface água-ar funciona como uma membrana semipermeável, portanto, age sobre a evaporação e a difusão de vapor através do solo. 5.4.1 Limite inferior de água disponível (ponto de murchamento permanente) As forças que retém a água no solo aumentam coma diminuição de umidade (Figura 4). Assim, existe uma sucção total a que a água não mais passará do solo para as raízes; então, a perda por evaporação excede a entrada, e as folhas murcham. Para muitos solos isto acontece em aproximadamente 15 bars e a umidade dos solos a 15 bars tem sido comumente referida como “o ponto de murchamento permanente” (ou “percentagem”). O conceito é aberto à discussão, porque ele sugere que todas as espécies se comportem similarmente em diferentes solos. Uma das espécies que mostra murchamento a diferentes sucções em dois solos é o girassol, uma planta freqüentemente usada para a determinação biológica do ponto de murchamento permanente. Método do girassol para determinar o ponto de murcha permanente. Girassol é crescida numa amostra de solo de aproximadamente 200 ml, contida numa lata que não deixa vazar água. Quando se percebe que as raízes preencheram completamente a amostra inteira, a superfície do solo é selada com uma capa impermeável ou com cera, e a água não é mais aplicada. A planta é examinada diariamente e, quando se viu que o seu primeiro par de folhas verdadeiro murchou, a cultura é colocada numa atmosfera saturada

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(uma redoma contendo um recipiente com água). Se as folhas não retomam à turgidez, o solo assume o ponto de murchamento permanente e sua umidade é determinada gravimetricamente. Para determinar o ponto de murcha no laboratório, uma amostra de solo é trazida ao equilíbrio de umidade à 15 bars no aparelho de membrana de pressão e sua umidade determinada gravimetricamente.
É, portanto, melhor se referir ao limite inferior de água disponível como a umidade a 15 bars, omitindo-se referência ao comportamento da planta. Entretanto, a determinação física da umidade de equilíbrio de um solo, à pressão de 15 bars, requer aparelhos muito mais complicados do que o teste biológico. Resultados do teste biológico são aceitáveis, contanto que sejam claramente definidos como a condição de umidade a que uma planta específica, normalmente girassol, murchou e não recobrou a turgidez, mesmo quando suas folhas foram colocadas numa atmosfera saturada.

Figura 4. Curva característica de perda de água, para um solo barro-arenoso e um solo argiloso; metade da água no barro-arenoso é retida a uma sucção matricial abaixo de 2 bars, mas, no argiloso, metade da água é retida acima de 4 bars ( hachuriado – água retida a alta sucção; pontuado – água retida à baixa sucção). 5.4.2 Limite superior de água disponível (capacidade de campo) O solo saturado se encontra em um estado instável; a água é puxada para baixo pela gravidade aumentada pela sucção exercida pelas zonas não saturadas inferiores. A ação da gravidade é constante, mas a ação das zonas não saturadas depende de sua condição de umidade; quanto mais secas elas são, mais fina é a camada de água ao redor de cada partícula de solo e, consequentemente, maior a tensão superficial ou sucção. A ação de uma zona não saturada depende também de sua profundidade vertical abaixo, porque existe uma coluna

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amostras de solo são retiradas para determinação gravimétrica de sua umidade. uma armação de madeira de aproximadamente 1 metro quadrado e 0. quando a drenagem é considerada estar a uma taxa baixa. a qual é permitida percolar no solo. quando o solo parece. 38 . de potencial máximo ou sucção mínima. a sucção máxima possível é 0.1 metro de altura é colocada sobre o solo e cheia com água. A umidade de equilíbrio é então determinada gravimetricamente. por observação. qualquer que seja considerada como equivalente à capacidade de campo para o solo particular. A determinação gravimétrica da umidade do solo é feita em amostras retiradas. essa limitação de seu comprimento limita obviamente a sucção total sobre o solo saturado acima. a que um solo saturado drenado livremente é sujeito.33 bar. depende de muitos fatores.1 bar sobre a mesa de tensão ou mesa de areia (Figura 5) ou a 0. A capacidade de campo pode também ser medida no laboratório.contínua de água ligando as partículas de solo e isso origina uma pressão hidrostática negativa simples ou sucção. A taxa de drenagem depende da condutividade do solo a qual depende da umidade. Em solos com água disponível especialmente livre. Se o lençol freático está a dois metro. estar à capacidade de campo. Uma cobertura impermeável evita a evaporação e depois de 48 horas ou mais. assim a sucção. As amostras são trazidas ao equilíbrio de umidade a 0. mais fina a camada de água ao redor de cada partícula do solo e mais altas as forças que lá a retém e lhe impedem o movimento.1 bar. Em outras estações. a sucção correspondente à capacidade de campo é não mais que 0. quanto mais baixa a umidade. O efeito desta sucção é drenar água para fora da zona saturada e substituí-la com ar vindo da atmosfera. por exemplo no início da primavera no Reino Unido.2 bar. Não é certamente a mesma para todos os solos e todas as condições. usando-se o aparelho de membrana de pressão. Quando essa coluna termina em um lençol freático onde existe água livre.

4. uma quantidade muito pequena de água continua a entrar na planta. no ponto de murcha permanente. o ar é removido por manipulação de torneiras. O dispositivo de sucção constante “bebedouro de galinha” (à esquerda) é abaixado para produzir a tensão necessária que é checada na superfície de areia pelo tensiômetro horizontal (à direita). a sucção do solo aumenta e a absorção de água pelas raízes se torna crescentemente difícil. Desse modo. a sucção do solo excede a sucção que pode ser exercida pela planta.3 Capacidade de água disponível A partir das definições de capacidade de campo e ponto de murcha permanente. e a absorção cessa. As amostras de solo em cilindros de metal sem fundo são colocadas sobre a superfície de areia para atingirem o equilíbrio de umidade e então sua umidade é determinada gravimetricamente. segue-se que a diferença entre esses dois parâmetros representa a água que as plantas podem extrair do solo ou seja. até que. a capacidade de água disponível no solo ou capacidade do reservatório do solo. 5. o sorvedouro é cheio com água e primeiro areia grossa e então areia fina adicionada de maneira que se assentem sob a água. Para montagem. o potencial de água do solo é alto e a ela está prontamente disponível para a absorção das plantas. Na literatura isso é normalmente encontrado expresso na base de volume em unidades de milímetros de água por cem milímetros de profundidade de solo. 39 . Tem sido mostrado que mesmo além do ponto de murcha permanente. À medida que a quantidade de água do reservatório diminui.Figura 5. Mesa de tensão de areia. Quando o reservatório está cheio. ou polegadas de água por profundidade de um pé. mas esta é insuficiente para suportar o crescimento.

sendo g a aceleração da gravidade. A energia pode ser cinética. Um exemplo de campo de força é o campo gravitacional. capilaridade.capacidade de água disponível. está submetida a uma pressão hidrostática de uma coluna de água de 2 metros de altura. 5. o estado de energia da água é. provavelmente. DA . libera esta energia mg (z2 – z1). Este trabalho é mg (z2 . que é aquela que os corpos possuem em virtude de seu movimento. que é aquela que um corpo possui em virtude de sua posição em campos de força. em termos bem simples. O comprimento pode ser entendido como a profundidade desejada onde se quer calcular a capacidade de água disponível. Se uma pedra de massa m é elevada de uma altura z1 para uma altura maior z2. Estes fenômenos são o resultado da interação entre as partículas sólidas do solo. A energia potencial gravitacional na posição z1 é mgz1 e na posição z2 é mgz2. é capacidade de produzir trabalho. por isso. No solo e na planta. PMP . o que é completamente arbitrário. A energia potencial gravitacional é medida pela força necessária para mover um corpo contra este campo de força gravitacional e é o produto da força pela distância a que o corpo se moveu (na direção das linhas de força do campo). A energia gravitacional pode ser tanto positiva como negativa. quantitativamente dada por ½ mv2 . organizadas em dada estrutura (também chamadas de matriz do solo) e a água. sua energia cinética é geralmente desprezada com segurança. na verdade. Esta pressão é. etc. sendo m a massa do corpo com velocidade v. CC .densidade aparente. Energia. todos os valores seriam positivos. Devido à sua existência constante. adsorção. que é uma força igual a mg. Assim. Isto também acontece com a água no solo. ao voltar de z2 para z1 . que é adicional à energia gravitacional.5 Energia da água no sistema solo-planta-atmosfera Depois da umidade. Esta fato decorre da escolha da superfície do solo como referência. todos os valores seriam negativos e se escolhêssemos o fundo do poço. a velocidade da água é relativamente pequena e. A pedra. a característica mais importante do solo.CAD  CC  PMP  X DA X 100 Comprimento (7) onde. A energia pode também ser potencial. não só o gravitacional.ponto de murchamento permanente. CAD . Se escolhêssemos como referência o topo do morro. Considerando a água no solo. aparece o peso dos corpos.capacidade de campo. uma energia por volume. é necessário considerar vários campos de força. todos os corpos da superfície da Terra são atraídos na direção de seu centro. a água em um ponto a 2 metros de profundidade em uma piscina. por exemplo. o campo gravitacional de forças pode ainda afetar o estado de energia da água através de uma pressão.z1) e é energia adquirida pela pedra na nova posição z2. Trata-se de campos de força que são responsáveis pelos fenômenos de tensão superficial. é preciso ser feito trabalho. Como é difícil separar todos 40 . Em decorrência disso. Para definir o estado de energia da água dentro do solo.

se a diferença de potencial  =  A . dependendo das unidades de  e de x. esta energia potencial chamada de osmótica.1 Diferença de potencial Se o potencial da água em dado ponto A no solo é (A) e em outro ponto b é (B). na planta da ordem de . positiva acima dele e negativa abaixo dele. eles todos são considerados em conjunto e de sua atuação resulta a energia potencial. mais estável.2 Gradiente de potencial O gradiente é uma grandeza física que mede o sentido no qual um campo potencial apresenta maior crescimento. g  mgz  dgz V (10) onde d – densidade da água (massa por unidade de volume) igual a 1 g. que tem valor zero no plano de referência.5. o resultado será o Newton. porém. em uma cultura agrícola. O gradiente potencial é. 5. que permitem a passagem da água e não dos solutos.3 Componentes do potencial da água a) Componente gravitacional ( g) Considerando apenas o campo gravitacional. entre os quais  foi medido. Esta é a componente gravitacional.estes fenômenos para fazer uma análise detalhada. Ela é importante na presença de membranas semipermeáveis. geralmente não é importante. a tendência natural da água é passar do solo para a planta e da planta para a atmosfera. Assim. Além dos fenômenos matriciais. Desse modo. O plano de referência é o estado padrão para a gravidade e o plano mais comumente escolhido é a superfície do solo. a presença de solutos na água do solo também afeta seu estado de energia. o gradiente de  sempre será força por unidade de volume de água. cm H2O/cm.5. se o potencial de água no solo é da ordem de –1 atm. B (onde  A é maior que  B) for dividida pela distância x entre os pontos A e B. em pleno desenvolvimento. igual à força responsável pelo movimento da água. então.5 atm e na atmosfera da ordem de –100 atm. o que significa que precisamos dar energia  para a água. ou grad : grad   x (9) As unidades de gradiente potencial podem ser as mais variadas possíveis. e se  for medido em pascal e a distância em m. podemos Ter atm/cm. Por simplicidade. ela é chamada de potencial total e o símbolo mais freqüente é . obtemos o gradiente de potencial na direção A e B. 5. o que significa que a água ao passar de A para B o faz espontaneamente. em relação a um dado plano referencial.  é negativo. que depende da posição na qual ela se encontra. Ela procura espontaneamente o estado B. A energia potencial total da água é a soma de todas as energias acima discutidas. Assim. de menor energia. para que ela passe de A para B.5. 5. Como Os solutos se movem junto com a água. Desse movimento resulta o fluxo de evapotranspiração. Lembrando ainda que  é medido em energia por volume. logicamente a diferença de potencial entre A e B é:  = A B (8) Se A é maior que B. designada matricial. Se A é menor que B. a água tem uma energia potencial gravitacional.  é positivo. de sentido contrário.cm-3 41 . Por exemplo. liberando a energia .

Como conseqüência. como para este último é atribuído o valor zero (estado padrão). com uma lâmina de 20 cm de água sobre sua superfície. superfície específica do solo. quanto menor . T é a temperatura absoluta da solução. Por isso. em um líquido de densidade d.RTC (12) onde R é a constante geral dos gases. acima da atmosférica. a água adquire uma energia potencial osmótica e esta é a componente  os . Para um solo saturado. maior o estado de energia da água. A água sempre vai ocupar os poros menores. Com a saída de água. que aumenta o estado de energia da água em relação ao ponto A.62 bária. tomada como sendo a da água submetida à pressão atmosférica local e.96 kPa. dada em 0K e C a concentração de soluto. afinidade entre a água e as superfícies sólidas.  p = 0.  m = 0. etc. Na prática. Os fenômenos de capilaridade e de adsorção dependem principalmente do arranjo poroso. d) Componente osmótica ( os) Considerando os íons e outros solutos encontrados na água do solo. e esta energia referente à pressão é denominada de componente de pressão  p. não existem meniscos (interfaces água/ar) e a adsorção também é nula. e) Potencial total de água () O potencial total de água é a soma de todas as componentes e é dado pela equação:  =  g +  p +  m +  os (13) No solo  No solo saturado e imerso em água  = g + p Neste caso. energia por volume. no qual todos os poros estão cheios de água. portanto. nestas condições. c) Componente matricial ( m) Esta componente se refere aos estados de energia da água devidos à sua interação com as partículas sólidas do solo.cm-3) (981 cm. No ponto B. Imagine um solo inundado. pois não há interfaces água/ar e  os não é considerado por não haver membrana semipermeável. Nestas condições a componente matricial é nula ( m = 0). além da pressão atmosférica.019 atm. o solo vai se tornando não saturado e o ar repõe a água inicialmente nos poros maiores. na verdade. atua carga hidráulica de 20 cm. ou 0. 42 . Da hidrostática sabemos que a pressão em um ponto situado a uma profundidade h. teremos a pressão atmosférica local e. mais negativo o valor de  os.  p depende do valor da carga hidráulica que atua sobre o solo. Daí. quanto maior a pressão. tensão superficial da água.  g é importantíssima. para o ponto B. que é uma pressão positiva. assume-se  p = 0. mais negativo  m. distribuição de poros segundo seu diâmetro médio. Portanto.s-2) (20 cm) = 19. Uma forma aproximada de calcular a componente osmótica é através da equação de van’t Hoff:  os = . No ponto A. Observa-se que quanto mais concentrada a solução. é dada por:  p = dgh (11) Assim. a componente matricial  m será sempre negativa. nos quais a energia é mais negativa. portanto. Esta interação se refere a fenômenos de capilaridade e adsorção e eles conferem à água estados de energia menores do que o estado da água “livre” à pressão atmosférica e. a componente matricial torna-se cada vez mais negativa. também chamadas de matrizes do solo.b) Componente de pressão ( p) A pressão a qual a água pode estar submetida é. menor o estado de energia da água e. teremos:  p = (1g. qualidade das partículas sólidas. muitos autores a denominam de componente de pressão negativa ou mesmo tensão da água no solo. Aparecem meniscos e a capilaridade começa a atuar.  m é medido. não calculado. ou 20 cm H 2O ou 1. A componente de pressão é medida em relação a uma condição padrão.

Como não existe água livre no sistema. que a atividade metabólica da planta é responsável pela composição da água da planta (sais minerais.  os aparece devido à presença de solutos na água da planta. porque as fibras de celulose e aglomerados de amido comportam-se como matriz sólida do solo. a turgidez pode arrebentar a célula. 5. Como  os também é negativo. mostrou-se que apenas parte da água que um solo pode reter fica disponível para as plantas. Com este decréscimo da umidade. Em caso de falta de água. porém. A absorção de água não consome. para o solo bem seco. Esta parte é comumente aceita como sendo a água retida entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente. de pressão e osmótico. É claro.  p é o turgor celular. açúcares. uma pressão positiva que aparece em células túrgidas devido à entrada de água em um volume celular limitado. o potencial muito negativo da água da atmosfera é o responsável pela grande perda de água pelas folhas e. em conseqüência. sendo o movimento de água um processo espontâneo à procura de um potencial (ou estado de energia) mais baixo.  p tende para zero e a planta entra em murcha. Mostrou-se também que as forças responsáveis pelo movimento de água no sistema solo-planta-atmosfera são os gradientes de potenciais gravitacionais. Solo não saturado  = g + m Neste caso. sementes são ávidas por água e absorvem com rapidez. raízes e tubérculos podem apresentar valores bem negativos de  m. O que se quer dizer é que no processo de absorção de água do solo pelas plantas. Na atmosfera  = p Na atmosfera a água encontra-se na fase de vapor e seu estado é definido pela pressão parcial de vapor e. Passagem da água do solo para as raízes  Solo inundado (por exemplo: arroz irrigado)  =  g +  p +  os  Solo não saturado (por exemplo: arroz de sequeiro)  =  g +  m +  os Na planta  Em células de tecido tenro (por exemplo: folha)  =  p +  os Neste caso.  =  m.  p = 0 e  os não é considerado por não haver membrana semipermeável. Sementes e outros tecidos lenhosos em caules. a água líquida nos terminais do xilema na folha assume 43 . matricial. Em plantas que se encontram transpirando água em taxas médias e altas. Em casos extremos. Por isso. etc) e que esta determina o potencial osmótico. energia metabólica da planta . portanto.  m e  os não entram em consideração pelo fato de se tratar de vapor d’ água “dissolvido” em ar. o valor final de  fica bem negativo.6 Absorção de água pelas plantas Ao abordar o solo como um reservatório de água. muitas vezes dobrando seu volume.  m vai ganhando importância até que.  g é de grande importância na faixa úmida e vai perdendo importância com o decréscimo de umidade.  Tecido vegetal fibroso ou lenhoso  =  m +  os Aqui aparece a componente  m. estas não despendem diretamente energia.  g é desprezado.

A água na planta assume pressão positiva. É o caso da gutação nas bordaduras das folhas. Esta absorção é denominada absorção ativa. (2) pouca energia disponível para o processo de evaporação. o fluxo de água no solo (ou do solo para as raízes) O aumento da concentração salina da água do solo diminui o gradiente de potencial entre o solo e a raiz. 5. 44 . a principal força responsável pelo fluxo de água é o gradiente de potencial osmótico. Os fatores do solo atuam variando o gradiente de potencial total da água e a condutividade hidráulica. pelo aumento da concentração salina da água do solo. são: A. a absorção de água é freqüentemente limitada pela extensão (e profundidade) e eficiência dos sistemas radiculares. reduz a permeabilidade radicular e sua acumulação no tecido vegetal inibe processos metabólicos. o que acontece em casos de: (1) atmosfera saturada (ou perto da saturação). isto é. bem aerado. Referentes à planta: extensão e profundidade do sistema radicular superfície de permeabilidade radicular idade da raiz atividade metabólica da planta B. que acontece pela madrugada. Esta grande diferença de potencial de água entre folhas e o solo é que causa o grande fluxo de água na planta. dependendo de cada caso em particular. sem obedecer uma ordem preferencial.1 Fatores que afetam a absorção d água pelas plantas São inúmeros os fatores que afetam a absorção de água pelas plantas. reduz o crescimento radicular. Referentes ao solo umidade do solo capacidade de água disponível condutividade hidráulica do solo temperatura do solo aeração do solo salinidade da água do solo A absorção de água por plantas em solo úmido. da absorção de água. quando praticamente não há transpiração. sendo que a importância de cada um é relativa. Já em plantas que se encontram a baixas taxas de transpiração. desta forma. Esta absorção é geralmente denominada absorção passiva. Referentes à atmosfera umidade relativa do ar disponibilidade de radiação solar vento temperatura do ar C. geralmente denominada pressão de raiz. Estes fatores.6. por temperatura baixa (tanto do solo como do ar) e por aeração deficiente.potenciais bem negativos. com temperatura ideal (25 a 300 C) é principalmente controlada pela taxa de transpiração. e o caso da seiva que escorre de plantas dormentes recém-podadas. determinando. pelo decréscimo da umidade do solo. Em condições de campo. (3) plantas em dormência (sem ou quase sem folhas).

U z   (1) u z ln k zo onde U(z) é a velocidade média do vento para a altura z. A superfície é considerada “rugosa” se ela é coberta com protuberâncias. Com o conhecimento da velocidade do vento. A forma típica do perfil do vento médio. vórtices ou turbilhões. sobre um local relativamente liso e aberto. pelo menos. é pequena e pode ser negligenciada quando os efeitos do atrito da superfície dominam. é também possível estimar a velocidade do vento em outros níveis para várias aplicações. normalmente referenciada como elementos de rugosidade. é principalmente determinada pela natureza da superfície subjacente e pelo gradiente vertical de temperatura do ar. num nível fixo ou de referência. Da descrição do perfil. Pequenas flutuações associadas com altas freqüências são principalmente devido a turbulência mecânica gerada pelos efeitos do atrito com a superfície. 6. é possível estimar a efetividade dos processos de troca vertical. 45 . a força de Coriolis. Para perfis da velocidade média do vento sobre superfícies rugosas. como por exemplo dosséis. Grandes flutuações associadas com baixas freqüências são resultantes da turbulência térmica gerada devido aos efeitos da flutuação. por duas razões. a camada de maior interesse em Micrometeorologia. o movimento do ar é altamente irregular e é caracterizado por flutuações. o deslocamento do plano zero d é introduzido e a equação (1) transforma-se em.Unidade 6: VENTO 6. u* é a velocidade de atrito e zo é o comprimento de rugosidade. pode ser descrita como uma função logarítmica da elevação. sob condições de estabilidade atmosférica neutra. nesta camada. A estrutura do vento.2 Perfil da velocidade do vento próximo ao solo O conhecimento da forma do perfil do vento (variação da velocidade do vento com a altura) é necessário. Os efeitos da rotação da Terra.1 Introdução A camada superficial estende-se desde o solo até 50 ou 100 metros de altura e é dominada por forte mistura ou movimentos turbulentos. k é a constante de von Karman (valor em torno de 0.4). Na camada superficial.

baixos ou altos. O problema da estimativa precisa de zo e d é aumentado devido ao fato de que os cultivos. Em geral. Algumas vezes ocorre o encurvamento. No caso de cultivos e outras superfícies rugosas ln z é substituído por ln (z . como em cereais. A interseção do eixo (z – d) dá zo e o declive da linha reta é u* / k. o nível de ação do arrasto do volume aerodinâmico da comunidade vegetal. O deslocamento do plano zero. 46 . Com o conhecimento de zo e d. Alguns cultivos tornam-se “projetados em forma aerodinâmica” devido a força do vento.d). ajusta-se à força mecânica do vento. que é. O parâmetro de rugosidade para cultivos está em torno de um ordem de grandeza muito menor do que a altura do cultivo. d. tal que a plotagem de U (em escala linear) versus (z – d) (na escala logarítimica) torna-se uma linha reta. a é a densidade do ar e u* representa a velocidade característica do fluxo e diz respeito a efetividade da troca turbulenta sobre a superfície. zo é determinado pelas medidas extrapolantes de U(z) e ln z para o ponto onde U = 0.U z   (2) A velocidade de atrito u* é dada por.5 e 0.8. d/h está no intervalo entre 0. u z  d ln k zo   u     a (3)     1/ 2 onde  é a tensão de cizalhamento. Por erros e tentativas. o perfil completo do vento acima do dossel pode ser obtido do valor de U num nível fixo ou de referência. As razões d/h e zo/h depende do espaçamento dos elementos de rugosidade e da razão de área acumulada de cada elemento por unidade de área da superfície subjacente. O comprimento de rugosidade ou parâmetro de rugosidade zo é uma medida da rugosidade aerodinâmica da superfície sobre a qual o perfil da velocidade do vento está sendo medido. pode-se encontrar o valor de d. pode ser considerado como indicativo para o nível médio no qual o momentum é absorvido pelos elementos individuais da comunidade de plantas.

O movimento do vento após sofrer a mudança da rugosidade da superfície começa a se ajustar às novas condições da superfície limite (Figura 1). A espessura . coberta por vegetação. É importante notar que a validade das equações do perfil logarítimico do vento. A camada de ar. A espessura desta camada totalmente ajustada. 47 .2. afetada pela nova superfície subjacente. medida acima do deslocamento do plano zero. fica em completo equilíbrio com as novas condições limites. (2) d disponibilidade de ‘fetch” adequado. Experimentos em túneis de vento e outros estudos micrometeorológicos sugerem que somente os 10 % mais baixos da camada limite interna é totalmente ajustada. . isto é. Figura 1. Desenvolvimento de uma camada limite interna quando o fluxo de ar passa de uma superfície lisa para uma rugosa. está sujeito a duas considerações importantes: (1) a existência de estabilidade atmosférica neutra. pode ser obtida de acordo com Munro e Oke (1975) por.1 Camada limite interna e fetch adequado Cada campo ou característica da superfície ao variar a rugosidade ou altura das protuberâncias. é chamada de camada limite interna. equações (1) e (2). na direção do vento. afeta o fluxo de ar que passa sobre ele. da camada limite interna aumenta com o fetch ou distância da borda.U 2 ln  z 2  d   ln z o  U 1 ln  z1  d   ln z o (4) onde U1 e U2 são as velocidades médias para as elevações z1 e z2 . 6. respectivamente (z1 pode ser considerado o nível de referência).

o vento pode não ter relação nem com a velocidade nem com a direção do vento acima do dossel. O perfil do vento na terceira camada (z>0. O topo da camada (d<z<h) é a camada que exerce muito arrasto no vento acima do cultivo. 1. Campbell (1977) considerou que o regime do fluxo dentro do dossel é dividido em 3 camadas. a qual mostra a forma de um perfil típico do vento.1 h) é idêntica àquela acima do dossel. 2. A velocidade do vento dentro do dossel é ainda difícil de ser estabelecida.1x 4 / 5 z 1 / 5 o (5) onde x é a distância da borda. 1  x   0.2 Velocidade do vento dentro do dossel vegetativo São muitas as dificuldades envolvidas na descrição precisa do perfil da velocidade do vento médio. O vento nesta camada diminui exponencialmente com a distância abaixo do topo do dossel e tem a mesma direção do vento médio acima do dossel. 6.1 h<z<d) está compreendida desde os galhos até a base do cultivo. A segunda camada (em torno de 0. O perfil 48 .2. Um bom exemplo da complexidade da estrutura do vento no dossel pode ser visualizada na Figura 2. Lá. 3. na direção do vento e zo é o comprimento de rugosidade da nova superfície subjacente.

Figura 2. Os agricultores ou horticultores. pelo ressecamento devido aos ventos quentes. já tentavam encontrar alguma forma de proteger suas planta da adversidade do ambiente natural. também estão sujeitas ao prejuízo causado pelo resfriamento excessivo.3.1 Relações entre quebra-vento. ser profundamente benéficos ao crescimento de plantas. O consumo de calor em casas de vegetação é reduzido com quebra-ventos. Pode-se observar que animais pastando procuram abrigar-se dos fortes ventos. Quebra-ventos (qualquer estrutura que reduz a velocidade do vento) e faixa ou cinturão protetor (filas de árvores plantadas para proteção do vento) podem.nesta camada é influenciado pelas rugosidades da superfície do solo ao invés das rugosidades do cultivo. Velocidade do vento acima e dentro de uma plantação. Allen. altas temperaturas.3 Quebra-ventos O ambiente onde as plantas crescem nem sempre é o ideal ou ótimo para a produtividade. conservação de umidade. o suficiente para reduzir sua produção. por reduzir estes estresses. Os problemas resultantes da velocidade do vento tem sido da maior importância na determinação das características agrícolas em muitas regiões do mundo Os quebra-ventos são também usados para outros objetivos mais específicos.1968) 6. Torna-se evidente que as árvores da faixa protetora compete com os cultivos adjacentes nos nutrientes do solo e na água e que. ajudar a uniformemente distribuir água e assim melhorando o suprimento de umidade do solo para os 49 . Nas altas latitudes o quebra-vento pode. crescimento de planta e produção Acredita-se que a maior influência dos quebra-ventos no crescimento das plantas. ou simplesmente pela pressão mecânica sobre o animal. 6. se adequadamente planejado. As plantas. ressecamento e injúria mecânica. é devido a re-distribuição e conservação de água no solo. Isto é em resposta ao desconforto físico causado pelo resfriamento provocado pelo frio. os cinturões verdes podem sombrear os cultivos próximos. nos tempos primitivos. particularmente sob condições de secas.

O aumento da área foliar diminui a importância relativa do quebra-vento na evaporação direta do solo. Por exemplo. Atmômetros. Esses métodos e técnicas medem o potencial de evaporação que ocorre com a disponibilidade irrestrita de água da superfície evaporante. é possível comparar o desenvolvimento de plantas protegidas contra o vento.cultivos. Os resultados previstos são: menos vento. Uma taxa de evaporação muito baixa. pode gerar uma importante vantagem na manutenção de melhores condições para germinação de sementes. poderia ser esgotada mais rapidamente e a taxa de evaporação diminuiria em poucos dias. com aquelas não protegidas. Isto pode conduzir a um desenvolvimento mais rápido do estresse de umidade do solo.. A proporção relativa da água transpirada com relação a evaporada deve também aumentar. O efeito do quebra-vento na evapotranspiração real é mais difícil de prever. 50 . com diferentes comportamentos aerodinâmicos na direção e contra o vento. algumas vezes são usados para estudar a influência do quebra-vento na evaporação do solo. menos evaporação. de um solo protegido. 6. na área abrigada do vento. Considerando que a transpiração é uma função somente da área foliar. Assim. sementes que germinam rapidamente. a evaporação direta da umidade do solo também é reduzida. a água no solo numa área protegida do vento. Por reduzir a velocidade do vento.2 Velocidade do vento e turbulência nas áreas abrigadas do vento O objetivo do quebra-vento é reduzir a força do vento na região protegida do vento. Tem sido discutido se há aumento da produção de matéria seca ou produção da safra quando ocorre o aumento entre a razão de água transpirada e água evaporada. Modelos do fluxo do vento em torno das barreiras são muito complexos e difíceis de serem definidos com precisão. por causa do efeito benéfico do quebra-vento. Plate (1971) distinguiu várias zonas. geram grandes plantas e ramificação de raízes mais rápida. de uma barreira em forma de cunha. tanques de evaporação e solo umedecido em recipiente isolado.3.

em cerca de 50 %. O comprimento da zona protegida é normalmente descrita em termos da variável h. assim como a subida do vento. a distância.Quebra-ventos variam na efetividade. pode ser aumentada para 20 – 25 h (Figura 4). maior será a distância da descida do vento. por um quebravento. não são relacionadas. Se a barreira é muito baixa ou se tem grandes fendas nela. uma densa barreira pode proteger uma área em torno de 10 . A redução da velocidade do vento e a redução da turbulência. altura da barreira. o quebra-vento deve ser mais poroso próximo ao solo. A efetividade do quebra-vento é também influenciada pela estabilidade térmica: ar mais instável. o dano às plantas será maior próximo às fendas. consequentemente. Quebra-vento mais alto. 51 . mais do que reduzir a velocidade do vento e. dependendo de suas alturas. Para reduzir melhor a velocidade do vento e tornar maior a influência na direção do vento. onde a velocidade é mais baixa.15 h na direção do vento. Este aumento da porosidade permite a passagem do vento e previne o retorno turbulento do ar que tenha ultrapassado a barreira. os efeitos dos esguichos do vento podem realmente aumentar. porosidade e comprimento. na direção do vento. Brown e Rosemberg (1971) descreveram modelos da velocidade do vento e o grau da mistura turbulenta que ocorre na área abrigada. A densidade da barreira deve aumentar logaritimicamente com a altura. Como mostrado na Figura 3. Aumentando a porosidade. de acordo com o perfil da velocidade do vento. maior a distância protegida na direção do vento. Maior o quebra-vento. mais constante é a sua influência.

Influência de um quebra-vento denso na razão da velocidade do vento no quebravento (Us) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964).Figura 3. 52 .

certamente. especialmente durante a estação de crescimento. Se a evaporação é também suprimida. Áreas voltadas para o norte estarão sujeitas à reflexão do quebra-vento do começo ao fim do dia. Quando a mistura turbulenta é reduzida. durante o dia. pode ter um efeito maior devido ao sombreamento. uma vez que somente pequenas áreas são sombreadas durante o dia. aparentemente.3 Microclima próximo ao quebra-vento As mudanças na velocidade do vento e na turbulência que ocorrem como resultado do quebra-vento. a redução da mistura turbulenta e a consequente redução da remoção de calor sensível gerado pela planta e pela superfície do solo. Balanço de radiação A radiação solar global (Rg) e o saldo de radiação pode ser significantemente reduzido nas áreas sombreadas por quebra-ventos. deve afetar o microclima da região abrigada.Figura 4. por outro lado. da altura da barreira. O sombreamento depende. será sombreada por longos períodos. da latitude. durante a tarde. 2. quando o sol está alto. 53 . a resistência aérea ra aumenta e o gradiente de temperatura é intensificado.3. a diferença no balanço de radiação entre as áreas próximas e distantes da barreira pode ser totalmente negligenciada. Áreas voltadas para o sul. Influência de um quebra-vento permeável na razão da velocidade do vento no quebra-vento (Us) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964). o quebravento refletirá alguma radiação. Este efeito não tem sido considerado como importante nos sistemas de quebra-ventos orientados na direção norte-sul. da estação e hora do dia. 1. a energia fica disponível para a geração de calor sensível. Temperatura do ar e umidade É observado nos dias com céu claro que a temperatura do ar. 6. Em determinadas horas do dia. Na área leste do quebra-vento o sombreamento ocorre pela manhã. próximo ao quebra-vento. Isto é devido. principalmente durante as estações em que o sol está mais baixo. Quebra-vento orientado na direção leste-oeste. é maior próximo ao quebra-vento do que no campo aberto.

É importante reconhecer que as diferenças microclimáticas que se desenvolvem próximo ao abrigo. usadas para proteger diferentes tipos de cultivos. A pressão de vapor permanece mais alta na área abrigada. O vento mistura a camada de inversão noturna. O pesquisador não deu nenhuma explicação sobre este fato.Inversões de temperatura normalmente se desenvolvem à noite tanto no quebra-vento. com vários tipos de barreiras vegetativas e não vegetativas. no quebra-vento. é maior à noite por causa da baixa temperatura do ar próximo ao abrigo. o ar será mais frio à noite no quebra-vento do que no campo aberto. O vapor d’água evaporado e transpirado não é totalmente transportado para longe da fonte. a umidade relativa é geralmente maior durante o dia. A diferença na umidade relativa entre a área protegida e não protegida. o conteúdo de vapor d’água naquela região pode ter reduzido a taxa de resfriamento radiativo. na área abrigada. ou seja da superfície evaporante. Entre 4 e 16 horas. em ambos os lados. A não ser que prevaleça uma calma total. exceto durante períodos de deposição de orvalho. a incidência de geada aumentava. A redução do vento e a efetividade da mistura turbulenta. Kaminski (1968) notou que a incidência de geadas na Polônia. 54 . foi reduzida próximo ao quebra-vento. Os gradientes de umidade e de vapor d’água também aumentaram no área abrigada. muito mais do que uma fonte de calor sensível.4 Efeito do vento no crescimento das plantas O vento afeta o crescimento das plantas sob três aspectos: transpiração. então a planta e a superfície do solo tornam-se um sumidouro. com as condições do tempo e com a hora do dia. A redução do resfriamento próximo ao quebra-vento poder ter sido devido a troca radiativa com as árvores. por toda a noite. significa que a inversão de temperatura será mais intensa próximo a ele. quanto na área protegida. 6. Além do aumento de temperatura. absorção de CO2 e efeito mecânico sobre as folhas e ramos. diferente do que ocorre no campo aberto. variam com a distância a partir do quebra-vento. Possivelmente. Foi observado que tais gradientes de temperatura e pressão de vapor são intensificados sob diferentes condições climáticas.

o efeito do vento sobre a transpiração pode variar de acordo com a rugosidade.  Quando porém. Em 1963. a translocação foi inibida em 34 a 38 %. cuja parte aérea não cresce acima de uma camada de ar relativamente fina. Folhas danificadas pelo vento tem reduzida a sua capacidade de translocação e fotossíntese. acima da região quebrada. além do qual não se verificam modificações significativas. 55 . A translocação foi medida 6 horas após a quebra da nervura e a fotossíntese no dia seguinte. podendo atingir cerca de 6 % da perda total de água de uma cultura anual. estudando cana-de-açúcar concluiu que:  Quando somente a nervura central de uma folha foi quebrada. provocando rápido secamento das plantas. sob condições áridas. porém com valores maiores. sendo assim. varia grandemente com as espécies. a translocação foi reduzida em 99 % a 100 % e a fotossíntese. Altas velocidades são prejudiciais ao crescimento das plantas. a fotossíntese. permanecendo o limbo ileso. foi reduzida em 84 %. próxima ao solo e. foram quebrados a nervura central e o limbo. Hart. O exato relacionamento entre o vento e a transpiração. Determinações de umidade nas folhas mostraram que a inibição da fotossíntese não foi devido a perda de água. Em condições naturais. que é determinada pela superfície exposta. A fotossíntese aumenta com o suprimento de CO2 . medida com analisador infravermelho. que por sua vez é favorecido pela turbulência. foi diminuída em 30 %.Experimentos controlados comprovam que a transpiração aumenta com a velocidade do vento até um certo ponto. A configuração peculiar das árvores no litoral ou nas áreas montanhosas é conhecida. diminuindo quando as plantas estão abrigadas umas pelas outras e a superfície exposta é contínua e lisa. Uma vez que as plantas não reagem da mesma maneira aos ventos fortes. classificou-as em três grupos: a) as que escapam à ação do vento São plantas comumente pequenas. Whitehead (1957). entretanto. O efeito do vento sobre a transpiração pode também variar com a temperatura e a umidade do ar que incide sobre as plantas. Geralmente o efeito é maior em plantas altas e isoladas. são menos afetadas pelos ventos fortes.

cevada) apresentaram uma marcada diminuição da produção de matéria seca com o aumento da velocidade do vento.b) as que toleram os ventos Plantas deste grupo (por exemplo. Tanto a altura da planta como a produção de matéria seca decresceram rapidamente com o incremento da velocidade do vento. 56 . maior largura e espessura das folhas. Plantas que tenham crescido em condições de ventos fortes por um longo período. maior proporção de raiz em comparação com a parte aérea. etc. por exemplo. porém em menor proporção do que as plantas do grupo a seguir. c) as sensíveis ao vento Plantas destas espécies são afetadas pelos ventos fortes de tal maneira que não podem sobreviver. podem desenvolver certas características fisiológicas.

Estresse hídrico ocorre em duas situações: 1) quando o solo não contém água disponível às plantas. Em condições meteorológicas normais o poder evaporante do ar aumenta durante o dia. Portanto. es é dado pela temperatura da folha. essa 57 . apenas pelo efeito do vento. por conseqüência. com a velocidade do vento. e existe uma diferença de pressão parcial de vapor d'água entre a folha e o ar circundante. na maioria das plantas. um processo que utiliza essa energia externa ao sistema e a transforma em calor latente. a capacidade de secamento da superfície. A evaporação ocorre tanto numa massa contínua (mar. Esta renovação dificulta que o ar imediatamente acima da superfície se satura.1 Definições a) Evaporação É o fenômeno pelo qual uma substância passa da fase líquida para a fase gasosa (vapor). pois parte da energia absorvida é utilizada na evaporação. permanecem abertos durante o dia fechados durante a noite e nas condições de acentuado estresse hídrico. Através dos estômatos fluem gás carbônico. poça) como numa superfície úmida (planta.Unidade 7: EVAPOTRANSPIRAÇÃO 7. mantendo o déficit de saturação e. b) Poder evaporante do ar A atmosfera está em contínuo movimento. a movimentação atmosférica mantém um poder evaporante. rio. Esse fenômeno é notado quando se estende roupa no varal e esta seca mesmo não havendo incidência direta dos raios solares. lago. No caso de deficiência hídrica. solo). seja esta coberta de água ou vegetação. misturando e renovando o ar que envolve uma superfície. Matematicamente. O déficit de saturação ( e = es . A transpiração evita que as folhas sofram superaquecimento pela incidência direta da radiação solar. Essa evaporação se dá através dos estômatos que são estruturas microscópicas (<50 µm) que ocorrem nas folhas (de 5 a 200 estômatos/mm2) e que permitem a comunicação entre a parte interna da planta e a atmosfera. A demanda atmosférica é elevada quando e é grande e quando a velocidade do vento também é grande. É um fenômeno que exige o suprimento de energia externa sendo. Nesse caso. oxigênio e vapor d'água e que. isto é. geralmente linear. A função f(u) descreve uma relação positiva. portanto. o poder evaporante do ar (Ea) é representado pela expressão Ea = f(u) e (1) Em que f(u) representa uma função empírica da velocidade do vento (u).ea) aumenta exponencialmente com a temperatura devido à relação entre es e T. a continuidade do processo evaporativo. c) Transpiração Transpiração é a evaporação da água que foi utilizada nos diversos processos metabólicos necessários ao crescimento e desenvolvimento das plantas. 2) quando o solo contém água disponível mas a planta não é capaz de absorvê-la em velocidade e quantidade suficiente para atender à demanda atmosférica (poder evaporante do ar).

Sob as mesmas condições meteorológicas as duas áreas apresentam balanço de energia distintos. pois há transferência de calor do ar para a superfície. a evapotranspiração diminui acentuadamente até um valor limite inferior que é resultante apenas do balanço vertical local de energia. Na área seca. onde a evapotranspiração aumenta exageradamente. À medida que o ar seco se desloca sobre a superfície vegetada ele vai umedecendo e resfriando. Dentro da área úmida. Na transição (área seca e área úmida) ocorre o efeito varal. buffer ou bordadura) à distância entre a região de transição e o ponto onde a evapotranspiração se torna mínima (potencial). Evidentemente. Essa situação induz o aparecimento de um gradiente térmico entre as duas áreas. Denomina-se área tampão (área fetch. 7. haverá transporte horizontal de calor sensível para a área úmida.2 Efeito da advecção Suponha uma extensa área vegetada. O tamanho da área tampão depende do clima da região e do porte 58 . (Pereira et al.energia não é dissipada havendo aumento da temperatura da folha com conseqüente acréscimo em e . a evapotranspiração é limitada pelo solo e grande parte da radiação solar disponível é usada para aquecer o solo e o ar (calor sensível). 1997) Na condição suposta anteriormente. à medida que se caminha na direção dos ventos predominantes. Figura 1. Na área vegetada a maior parte da energia é utilizada na evapotranspiração resultando em menor aquecimento do ar. o balanço de energia vertical da superfície vegetada é aumentado pela contribuição lateral de calor sensível da área seca adjacente. sem restrição de umidade no solo e circundada por uma outra área seca (Figura 1). Havendo deslocamento do ar (vento)da área seca para a vegetada. daí a necessidade da planta controlar a perda d'água fechando os estômatos para evitar secamento e morte da folha. Efeito da advecção sobre a evapotranspiração. a contribuição lateral de energia é maior na interface e decresce com a distância a sotavento.

a planta consegue extrair água do solo até níveis bem baixo de água disponível 2) se a demanda for alta (curva C. Portanto. Quanto mais seco estiver o ar. mas este considera a água retida na planta. O local é caracterizado pelas coordenadas geográficas (latitude e altitude) e pela topografia da região.da vegetação. A latitude determina o total diário de radiação solar potencialmente passivo de ser utilizado no processo evaporativo. >7. resultando em fechamento temporário dos estômatos para evitar o secamento das folhas. Vegetação mais alta e mais rugosa (arbustos e árvores) necessita de maior área tampão. dentro de certos limites. A evapotranspiração é controlada pela disponibilidade de energia. 7. a planta não consegue extraí-la numa taxa compatível com as necessidades. há interrelação entre disponibilidade de radiação solar.3 Evapo(transpi)ração Numa superfície vegetada ocorrem simultaneamente os processos de evaporação e transpiração. no início da década de 40. Evapotranspiração é o termo que foi utilizado por Thornthwaite. Anteriormente. 59 . 1973). Figura 2. pela demanda atmosférica e pelo suprimento de água do solo às plantas. Observa-se pela Figura 2 que: 1) se a demanda atmosférica for baixa (tanque Classe A < 5 mm/d. utilizava-se o termo uso consuntivo (Jensen. mesmo com bastante umidade no solo. curva A). demanda atmosférica e suprimento de água pelo solo. para expressar essa ocorrência simultânea. controla a taxa de perda de água pelas plantas. Relação entre evapotranspiração relativa (%) e água disponível no solo (%) Adaptado de DENMEAD & SHAW (1962). No entanto existe interrelação entre a demanda pelo ar e o suprimento de água pelo solo. Resultados experimentais de Denmead & Shaw (1962) mostram que o solo é um reservatório ativo que. maior será a demanda atmosférica.5 mm/d). A disponibilidade de energia depende do local e da época do ano.

ER é aquela que ocorre em qualquer circunstância. independente de sua área. b) a área tampão não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível.4 Evapotranspiração da cultura e coeficiente de cultura Desde o plantio até a colheita.2 Evapotranspiração real Evapotranspiração real (ER) é aquela que ocorre numa superfície vegetada. Assim definida a EP é um elemento climatológico fundamental.3 Evapotranspiração de oásis O oásis é uma região vegetada em meio a um grande deserto. Logo. No caso da evapotranspiração. em nenhum instante a demanda atmosférica é restringida por falta de água no solo. independente do tamanho da área vegetada. estando este em bem suprido de umidade. A evapotranspiração. A grama foi prontamente tomada como padrão pois esta é a cobertura utilizada nos postos meteorológicos. ER pode assumir tanto valor potencial como o de oásis. é uma pequena área com umidade disponível circundada por extensa área seca. nessas condições ocorre a evapotranspiração real. Portanto. ou outro qualquer. Evidentemente. ou seja. onde toda a região está umedecida e as contribuições advectivas são minimizadas.3. 1946) sendo expressa na mesma unidade de medida (mm).1 Evapotranspiração potencial O conceito de evapotranspiração potencial (EP) foi introduzido por Thornthwaite e aperfeiçoado em diversas oportunidades. e também nos meses de estiagem em regiões com chuvas sazonais. que corresponde ao processo oposto da chuva (Thornthwaite. sem imposição de qualquer condição de contorno. O conhecimento da ETc 60 . Para Penman (1956). ou seja. 7. a vegetação deve ser baixa e de altura uniforma.7. A ER pode ser limitada tanto pela disponibilidade de radiação solar como pelo suprimento de umidade pelo solo. que na prática é denominada evapotranspiração da cultura (ETc). uma cultura vai progressivamente crescendo e ocupando a área disponível. Condições realmente potenciais ocorrem 1 a 2 dias após uma chuva generalizada. Essa condição não ocorre em regiões áridas e semi-áridas. EP corresponde à água utilizada por uma extensa superfície vegetada. 7. 7. indicando excessos e deficiências de umidade ao longo do ano ou da estação de crescimento das culturas. nessas condições. em crescimento ativo e cobrindo totalmente o terreno. define-se a condição de oásis quando: a) uma pequena área irrigada está rodeada por área seca.3.3.3. A comparação entre chuva e a EP resulta no balanço hídrico climatológico. representa um valor exagerado pela advecção de calor sensível e Villa Nova & Reichardt (1989) a denominaram de evapotranspiração máxima (ETm). de seu porte e das condições de umidade do solo.

). sendo apresentado em tabelas.3 a 0. c) métodos de balanço de energia. utiliza-se estimativas da evapotranspiração potencial (ou de referência) para gramado. Para contornar essas dificuldades. Por isso elas se tornam superficiais e incapazes de explorar o volume de solo disponível. Caso contrário. Kc  ETc ETo e varia com a cultura e com seu estádio de desenvolvimento. a irrigação deve ser bem quantificada.  método de Penman 61 . numa dada condição climática e com aproximadamente 100 m de área tampão. com impedimentos à percolação. 1968). Em casos de terrenos mal drenados.4 Determinação da evapotranspiração Existem diversos métodos para obtenção da evapotranspiração: a) métodos empíricos. com altura de 0. o solo ficará saturado prejudicando as raízes que poderão parecer por falta de arejamento. insuficientes e freqüentes. Irrigação em quantidades insuficientes de água agrava os problemas de salinização do solo na zonas áridas e semiáridas. d) métodos combinados que conjugam partes do balanço de energia e do transporte de massa. pela percolação abaixo da zona das raízes. se as regas forem leves. Regas excessivas também são contra indicadas. prejudicando as plantas. além de favorecer a proliferação de microorganismos patogênicos. 7.é fundamental em projetos de irrigação. intensificados pelo emprego de água com alto teor de sais. diminui consideravelmente a reserva hídrica útil do solo. pois ela representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção em condições ideais. repõem a água apenas nas camadas superficiais do solo.5 m. corrigidas por um coeficiente de cultura (Kc).  método do tanque classe A  método de Thornthwaite  método de Makking  método da radiação solar  método de Jensen-Haise  método de Linacre  método de Hargreaves-Samani  método de Blaney-Criddle b) métodos aerodinâmicos. A evapotranspiração de referência (ETo ou ETr) é definida como o limite superior ou a evapotranspiração máxima que ocorre numa cultura de alfafa (Medicago sativa L. Sabe-se que para dar bons resultados. desperdiçando recursos valiosos e aumentando os custos da água aplicada. Em conseqüência. não umedecendo toda a zona das raízes. pois acarretam perdas de água e de nutrientes. Esse coeficiente de ajuste representa o quociente (Jensen.

camadas superpostas de brita. método de Slatyer e McIlroy  método de Penman simplificado  método de Penman-Monteith e) método da correlação dos turbilhões. Isso assegura que o solo ficou em capacidade de campo. Alguns dias depois. formado de materiais com diferentes granulações (Figura 3). que variam de acordo com o regime de chuva ou irrigação. areia grossa e areia fina.5 Medidas da evapo(transpi)ração a) Evaporação  tanque classe A  tanque GGI – 3000  tanque 20m2 b) Evapotranspiração  balanço hídrico do solo  lisimetria c) Poder evaporante do ar  Evaporímetro (ou atmômetro) de Piche 7. ele é preciso para períodos mais longos. ou seja. a profundidade do evapotranspirômetro e com o movimento da água. Para a confecção desse filtro normalmente empregam-se. É constituído por um tanque contendo solo tendo. que possibilita medir a água escoada por infiltração.5. deixando-se escoar livremente o excesso de água pelo dreno. Quando do início da operação. na parte inferior. mede-se a água precipitada e a percolada.1 Lisímetros ou Evapotranspirômetros São tanques com terra. enterrados no terreno para medir a percolação da água através do solo e a evapotranspiração. a começar do fundo. o solo do interior do evapotranspirômetro é abundantemente regado. Devem ser suficientemente grandes para ser reduzido o efeito de borda e proporcionar bom desenvolvimento radicular. 7. como é um processo demorado. uma lâmina de água (Ac) é colocada no tanque medindo-se lâmina correspondente ao excesso 62 . sem restrições. cascalhinho. a) Evapotranspirômetros de drenagem Operam baseados no princípio do balanço de água. Na parte inferior do tanque há um dreno. um filtro com 10 a 15 cm de espessura. dependendo da rotina estabelecida.

geralmente pequeno. destinado a mantê-lo verticalmente aprumado. Se houve chuva. é feita por uma bomba de sucção. é flutuante e possui. A evapotranspiração total (E) no período será pois: E = Ac – Ap + P b) Evapotranspirômetros de lençol freático O evapotranspirômetro de lençol freático regulável (Figura 4) é idêntico ao de drenagem no que concerne ao tanque contendo o solo e a vegetação. O tanque evapotranspirométrico fica imerso em um cilindro com água. um lençol freático à profundidade escolhida. traduz o consumo total de água naquele período. de maneira a manter. para o caso específico de plantas que tenham um sistema radicular não muito profundo. 63 .percolado (Ap). no fundo desse tanque. em seu interior. de maneira a assegurar à vegetação pleno abastecimento hídrico. O nível do lençol freático é rebaixado à medida que o sistema radicular das plantas vai se desenvolvendo. durante todas as fases do ciclo evolutivo. Na porção inferior do tanque flutuante há um pesado lastro. A diferença fundamental está na forma como é feito o suprimento hídrico. esta deve ser adicionada ao consumo. em cuja superfície põe-se uma fina camada de óleo. cuja extremidade repousa na camada mais profunda do solo. Quando ocorre precipitação. o nível do lençol freático torna-se superior ao previsto e o excesso de água acumulado precisa ser drenado. que se acumula no fundo do tanque evapotranspirométrico. O evapotranspirômetro de lençol freático regulável presta-se bem à determinação da evapotranspiração em culturas. A drenagem da água. um compartimento hermeticamente fechado que constitui uma câmara de flutuação (Figura 5). A diferença (Ac-Ap) representa a lâmina de água necessária à recondução do solo à capacidade de campo e. através de um tubo. para evitar a evaporação. portanto. c) Evapotranspirômetros de flutuação Nesse equipamento o tanque evapotranspirométrico.

Esse equipamento consiste de um volume de solo contido num reservatório que flutua num fluido de alta densidade. por exemplo. Conhecendo-se a drenagem profunda. A variação do nível do fluido num sistema de vasos comunicantes permite determinar a variação da massa do sistema.São mais baratos e simples que os de pesagem. o ZnCl2. computase a evapotranspiração Figura 3. Esquema de um evapotranspirômetro de drenagem 64 . Porém grandes espaços são necessários para o líquido que mantém o tanque em flutuação.

Esquema de um evapotranspirômetro de lençol frático regulável. 65 . Esquema de um evapotranspirômetro de flutuação.Figura 4. Figura 5.

geada forte com temperatura mínima em torno de 2.4º C e em torno de 1. Biel (1961) diferenciou geada de radiação. devido a ausência de nuvens e grande concentração de vapor d’água. Assim.1. quando estes objetos estão a uma temperatura abaixo do ponto de congelamento.Unidade 8: FENÔMENOS METEOROLÓGICOS ADVERSOS 8. perde-se no espaço.2 Climatologia da incidência de geada. essencialmente pela ocorrência de geada na primavera e no outono com temperaturas suficientemente baixas para matar o cultivo. o processo radiativo contribui para a troca de calor durante a geada de advecção. inicia o estágio de desobstrução da fonte de calor proveniente do solo e da planta.1 Tipos de geada O Glossário de Meteorologia define geada como uma condição que existe quando a temperatura da superfície terrestre e de outros objetos fica abaixo do ponto de congelamento (0º C). Severidade da geada de radiação varia consideravelmente com as condições gerais atmosféricas bem como diferenças locais da topografia e vegetação. 8. foram registradas ocorrências de geada fraca.1 Geada 8. 66 . Sob condições de geada de radiação. os ventos são normalmente suaves e. frequentemente são usadas como medida razoável da ocorrência de geada e para definir o comprimento da estação. A geada de advecção frequentemente ocorre com ventos fortes. livre de geada. longos registros de datas de geada não são disponíveis. frequentemente chamada de gelo severo. A geada de advecção é. por causa das grandes diferenças do desenvolvimento de temperaturas noturnas causadas por forte inversão. A extensão da estação de crescimento para qualquer tipo de cultivo é fixo (em regiões sujeitas à geada). Geada branca é causada pela sublimação dos cristais de gelo sobre objetos tais como ramos de árvores e outros. com temperatura mínima em torno de 3. que não contém umidade suficiente para a formação de gelo sobre a superfície. Geada negra ocorre quando a vegetação é congelada devido à redução da temperatura do ar. inversão de temperatura se desenvolve quando o ar em contato com superfícies radiantes frias. Em regiões montanhosas é muito difícil manter uma rede adequada de estações de observação. da geada de advecção. A topografia complica a interpretação dos limitados dados disponíveis. O ar seco e frio advectado para uma região.2º C.1. A data média da última temperatura mínima (0º C). na primavera e a primeira do outono. Durante o mês de junho de 99. inversão de temperatura não se desenvolve sob estas condições. tornamse resfriados e pesados. que resulta do transporte de massa de ar de larga escala. Similarmente. que é um fenômeno essencialmente local. Geada de radiação ocorre nas noites claras (sem nebulosidade) e calmas.0º C. em Pelotas. quando a radiação terrestre emitida.

8. aquecimento convectivo do ar. isolamento térmico. seleção do local. ilustra a ocorrência de uma temperatura crítica que pode ocorrer desde 0ºC até a temperaturas mais baixas. A utilização de vários aparelhos de aquecimento ou pequenas fogueiras tem grande aplicação por alguns agricultores. usando-se cobertura morta como palha. apresenta-se algumas informações com relação a situações de devem ser observadas quando for usado o sistema de aquecimento. as geadas de advecção ocorrem mais cedo na primavera e mais tarde no outono do que as geadas de radiação e a temperatura ambiente é. de maneira a impedir a ocorrência de uma temperatura crítica. usando-se aquecedores (a base de óleo ou querosene) que promovem a formação de correntes convectivas.proximidade de corpos de água é um importante fator por causa da brisa 2. 67 . os métodos de proteção de geada são baseados nos seguintes princípios: 1. A seguir. A finalidade do método consiste na adição de calor suficiente às camadas mais baixas que se encontram abaixo da inversão. manipulação do solo. A maioria dos métodos de proteção está baseada no conhecimento das condições que favorecem a ocorrência de geada de radiação. Todos os métodos citados são dispendiosos e necessitam de alguns cuidados ao serem usados ou aplicados.3 Métodos de proteção de geada Em média. mais baixa. c) vento fraco ou calmaria que previne a mistura de ar próximo à superfície com o ar mais quente acima. cobrir as plantas com determinado tipo de material. frequentemente. vales. estas coberturas são colocadas sobre as pequenas plantas no fim da tarde e removidas na manhã seguinte oferecem a 4. b) céu sem nuvens. etc . e) formas topográficas que favoreçam a drenagem do ar frio para as baixadas. mistura de ar. O aquecimento é muito eficiente quando existem condições de uma forte inversão e de pequeno ou nenhum desvio do ar provocado pelo vento. que possibilidade de fechar a janela atmosférica à radiação infravermelho . que são: a) massa de ar estável e fria. .geração de nuvens artificiais injetando água no ar acima do campo. Dessa forma.formação de nuvens artificiais de fumaça 3. interceptação da radiação. . .usando-se ventiladores ou helicópteros 5.evitar plantio em declives. plástico agrícola e outros. A Figura 1. d) temperatura do ponto de orvalho relativamente alta. restos vegetais. dependendo do tipo de cultura e do seu estágio de desenvolvimento.1. não permitindo a formação de uma camada de inversão 6.

Figura 1. pode provocar a formação de um poderoso jato de ar quente que vai atravessar a inversão. causando o efeito de uma chaminé. Se a combustão for bastante intensa ou de temperatura excessivamente elevada. furando a inversão como mostra a Figura 2. 68 . determinando a perda de calor e impulsionando ar frio para dentro da área. Área abaixo da inversão que precisa ser aquecida.

Daí a designação de “bolsões de geada” para as áreas que permitem que o ar frio se escoe. tal como nas áreas mais baixas. sua finalidade não é aquecer todo o ambiente. mas a área que fica abaixo da inversão. Jato de ar quente atravessando uma inversão. se acumular nos lugares mais baixos. onde ocorrem as temperaturas críticas. Na prática. como mostra a Figura 4. A drenagem de ar frio (Figura 3) resulta do fato de o ar frio ser mais denso do que o ar quente que vai. Deve ser lembrado que durante o aquecimento. onde houve acúmulo de ar frio. 69 . Figura 3. o número de aquecedores é aumentado de maneira a formar mais calor onde for necessário. Drenagem do ar frio. geralmente.Figura 2.

Cada aparelho de aquecimento aquece convectivamente uma área (Figura 5). 70 .Figura 4. ou o aumento da intensidade do calor liberado. Temperaturas mais baixas na altura do pomar. os mesmos devem ser acesos no momento em que a temperatura começa a diminuir. e à medida que continua a baixar. No caso do uso de aparelhos de aquecimento. o número de aparelhos deve ser aumentado.

transfira à parcela de ar uma temperatura que se torne igual à do ambiente. através do qual o calor se perde para o espaço.Figura 5. Para impedir a ocorrência de um “efeito chaminé”. Área aquecida por convecção. como mostra a Figura 6. 71 . o que fará com que o ar páre antes de atingir a mais alta temperatura dentro da inversão. provocado pela expansão à medida que o ar sobe. a velocidade térmica do ar aquecido pelo aquecedor deve ser de tal ordem que o resfriamento adiabático.

O glaze pode ser depositado sobre a vegetação. caindo sobre os objetos eles imediatamente congelam e formam uma camada crescente de gelo. Algumas vezes camada de gelo de considerável espessura forma-se no solo.3 Estiagem 72 . a precipitação alcança o solo. 8. Glaze forma-se quando gotas de chuva ou leve chuvisco são superresfriados. 8. Efeito chaminé. Se as partículas são capazes de sobreviver a evaporação. a precipitação restringe-se somente a parte mais próxima da nuvem. A precipitação ocorre quando parte destas partículas alcança tal tamanho e se projetam para fora das nuvens e das correntes ascendentes que as sustentam.2 Granizo Dentro de todas as nuvens os processos de condensação e agregação produzem partículas de tamanhos grandes. que elas experimentam enquanto caem através do ar insaturado abaixo das nuvens. superfície do solo. A emissão de um simples aquecedor deve combinar com as emissões dos outros aquecedores de modo a produzir o desejado efeito de aquecimento. Na pastagem. O peso do gelo pode quebrar ramos de árvores. Algumas vezes a superfície do solo e outros objetos ficam cobertos por uma fina e transparente camada de gelo. ramos de árvores. sendo denominada de virga.Figura 6. etc. este fenômeno é chamado de “glaze” (cobertura por gelo). a presença do glaze pode causar a morte do rebanho devido ao fato de que os animais não serem capazes de triturar o gelo e alcançar a forragem. caso contrário.

os danos da seca aos cultivos em crescimento podem ser prevenidos do seguinte modo: . Apesar de haver várias definições do termo “seca”. Disso resulta uma lenta secagem do solo. Certas práticas de cultivos ajudam a conservar a umidade do solo e devem ser desenvolvidas em áreas sujeitas à seca. Outros tipos de seca são evidenciados pelo murchamento dos cultivos ou pela falta de maior crescimento vegetativo. a saber: permanente. A necessidade de planejar a irrigação torna-se difícil porque os cultivos não murcham. uma vez que aceleram a perda de água pela transpiração.diminuindo-se as necessidades de água dos cultivos. Em tais áreas a agricultura é impossível sem a irrigação por toda a estação de plantio e crescimento. para não acontecer o conseqüente aumento da probabilidade de ocorrência de seca. pois esta se deve às variações sazonais nos padrões de circulação atmosférica. Quatro tipos de seca ou estiagem podem ser identificados. A agricultura praticada com maior êxito durante a estação chuvosa ou com o uso de irrigação durante a estação seca. Por exemplo. Uma vez que a seca é uma condição na qual a necessidade de água é maior do que a umidade disponível. cultivos resistentes à seca. A seca contingente constitui um sério risco para a agricultura devido a sua imprevisibilidade. Nas regiões áridas ocorre a seca permanente. As ervas daninhas devem ser controladas. com pequenas necessidades de água para seu crescimento e desenvolvimento. onde nenhuma estação de precipitação é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas. Todos os anos a seca pode ser esperada. os legumes e as gramíneas melhoram a capacidade de retenção de água pelo solo. e/ou . A seca sazonal ocorre em áreas com estações seca e úmida bem definidas. contigente e invisível. evitando-se cultivar culturas que exijam muita umidade ou longa estação de crescimento. A seca contingente e a invisível resultam da irregularidade e da variabilidade da precipitação. impedindo um crescimento ótimo das plantações. Isso envolve o uso de dois ou três anos de precipitação para se realizar o cultivo de um ano. Este tipo de seca ocorre sempre que o suprimento de água ou armazenamento de água no solo deixe de ser igual às necessidades hídricas diárias das plantas. como na maior parte dos trópicos. em detrimento das culturas. Em ambientes sub-úmidos e semi-áridos a técnica de cultivo em áreas secas é comumente praticada. A seca invisível é diferente dos outros tipos porque é menos facilmente reconhecida. e os de curta estação devem ser plantados. concorda-se geralmente que esta pode ocorrer sempre que o suprimento de umidade armazenada no solo seja insuficiente para atender às necessidades hídricas das plantas. sazonal. A seca contingente é característica de áreas sub-úmidas e úmidas e ocorre quando a chuva deixa de cair num dado período de tempo. bem como o uso de matéria orgânica e de fertilizantes. Melhor explicando: durante os dois primeiros anos. deixa-se o campo em 73 .aumentando-se o suprimento de água Assim sendo.A seca constitui um grave risco para a agricultura tanto nas regiões temperadas quanto nas regiões tropicais.

Além de tudo. (Observação: texto sobre Estiagem (seca) tirado do livro Introdução à Climatologia para os Trópicos.o custo da exploração e adução da água nos campos cultivados. Ayoade . . Há também necessidade de aplicação criteriosa da água de irrigação nas lavouras. um método insignificante de combater a seca. a irrigação excessiva pode: .causar a dispersão de nutrientes para fora da área de cultivo. autor J. . de modo que a superutilização não faz sentido econômica e ecologicamente. a irrigação ajuda a combater o efeito da seca e a aumentar a produtividade da lavoura. a prática da irrigação apresenta problemas. a irrigação é um método comum e difundido com a finalidade de atender a todas as necessidades hídricas dos cultivos ou parte dessas necessidades. a irrigação é muitas vezes limitada a cara. O.pousio. tornando possível o cultivo de maior variedade de plantas. O estímulo artificial da precipitação é. Por outro lado. Em áreas semi-áridas e sub-úmidas a irrigação aumenta a produtividade da lavoura e a duração da estação de crescimento. Ele é somente cultivado para matar as ervas daninhas e criar uma estrutura edafológica que permitirá tanta umidade quanto possível (Critchfield. de modo que a falta de oxigênio se torne um problema. Entretanto. pois pode reduzir a produtividade do cultivo e criar outros problemas. . 1974) O método mais eficiente de combater a seca é através da adução de água artificialmente ou pela irrigação.supersaturar o solo com a umidade. Enquanto a subutilização também o é. sendo os maiores deles: .reduzir a utilização de nutrientes pela planta por causa da diluição.a disponibilidade de água. Dessa forma. As necessidades hídricas das culturas em vários estágios de seu crescimento devem ser cuidadosamente conhecidas. Num meio árido a agricultura é possível somente com a irrigação. no presente. superficial ou subterrânea. Em uma região úmida.5ª edição) 74 .

Como consequência. a hibernação. que o crescimento é. sua falta pode ser suprida através da irrigação suplementar. dos insetos é a entomofenologia. Tomando como exemplo as plantas. a queda ou mudança do pelo.2 Crescimento e desenvolvimento É necessário diferenciar crescimento de desenvolvimento. Na observação destes eventos se dá ênfase a data de ocorrência dos seguintes: chegada de pássaros. das plantas. como também ocasionar sensíveis danos à produtividade. Os elementos do clima como radiação solar. etc. O estudo das inter-relações clima-planta não se baseia somente na determinação das exigências térmicas. crescimento vegetativo. são considerados os seguintes: a germinação das plântulas.1 Generalidades Os pesquisadores tentam determinar a provável duração das fases de desenvolvimento das plantas. data de brotação prematura ou floração. a planta sofre contínuas transformações do volume. Fenômenos latentes ou fases não detectáveis diretamente por observação visual. a lactância. é o estudo dos fenômenos periódicos da vida e suas relações com o tempo e clima. formação do promórdio floral. etc. Com relação à precipitação. desenvolvimento radicular. sendo obtidos somente por meio anatômico ou bioquímico. vento. forma e estrutura. é possível ajustar as culturas aos locais e épocas adequadas ao seu desenvolvimento e a sua produção econômica. 9. teremos: brotação de ramos e folhas. com o objetivo de classificá-las e distribuí-las em regiões adequadas. ou seja. que é a zoofenologia. atraso na maturação do cultivo. queda de folhas e frutos. O desenvolvimento é caracterizado pelas mudanças da forma. Resulta assim. Estes fenômenos periódicos do ciclo vital podem ser detectáveis ou não. bem como pelo grau de diferenciação alcançado pelo organismo. A deficiência hídrica pode não só afetar a duração do ciclo do vegetal. fitofenologia ou fenologia. nos animais teremos. temos o estudo dos fenômenos periódicos da natureza em relação a variação anual dos elementos meteorológicos. há uma fenologia dos animais. de acordo com o momento do ciclo em que se encontre. na busca de maiores produções. fenologia é a disciplina científica que relaciona o clima com os eventos periódicos das plantas e animais. Os detectáveis podem ser vistos diretamente por observação visual ou medidos por instrumentos. peso. precipitação e temperatura tem influência decisiva sobre o desenvolvimento e o crescimento das plantas. O crescimento é verificado pelo incremento do peso sólido ou seco do ser vivente. Assim. A palavra fenologia vem do grego “fenos” (fenômeno) e “logos” (estudo. como é comumente referida. a disponibilidade de água no solo deve ser também considerada para que as plantas apresentem bom desenvolvimento e tenham produtividade econômica satisfatória. um processo quantitativo relacionado com o 75 . etc.Unidade 9: FENOLOGIA 9. Para cada processo fisiológico e para cada tipo de planta há uma faixa térmica. Durante seu ciclo evolutivo. floração. tratado). dentro da qual o processo atinge sua maior intensidade. Desse modo. em termos gerais. a migração. etc. Assim.

isóbaras. entre a sucessão de fenômenos meteorológicos e a sucessão das fases nas espécies vegetais deve existir uma exata coincidência das condições climáticas. sem mencionar o clima. No desenvolvimento influem a temperatura. Comparando os vegetais em distintos lugares mediante as fenodatas. As fases servem para dividir o período vegetativo em sub-períodos. e tudo mais. Em geral. se em outro lugar crescem maçãs. brotação. etc. Durante o crescimento dos vegetais a temperatura e a água adquirem importância fundamental. enquanto que crescimento é geralmente fisiológico e ecológico. deduzimos que o inverno é muito frio. A anotação da data em que se apresenta uma determinada fase denomina-se fenodata. transformação ou desaparecimento de órgãos. flores. o ciclo de vida de uma planta anual. se em determinado lugar se produz cacau. as baixas temperaturas e a duração do dia (fotoperíodo). isoietas. por isso. sabe-se. 1956. etc. Em outras palavras. por exemplo. brotos. indiretamente que o clima é úmido e que ali não são registradas temperaturas abaixo de 10º C.3 Fenodatas Fundamentalmente. que são linhas que unem pontos onde um fenômeno da natureza (fase) ocorre na mesma data. ao passo que desenvolvimento é normalmente observado pela data de germinação. como uma interação do complexo ambiental. frutificação. a fenologia registra a data em que se produzem as fases e. segundo a interpretação de alguns autores (Azzi. etc. frutos. Os vegetais reagem às mudanças climáticas do meio circundante mediante a aparição. na acumulação de calor. enquanto que o desenvolvimento é um processo qualitativo e se refere às mudanças experimentadas pela planta. Como. torna-se imprescindível dividir sua vida em várias etapas ou sub-períodos. floração. Crescimento pode ser medido pelo aumento do comprimento de um ramo ou o aumento de peso. do mesmo modo que são traçadas as isotermas. na fenologia se traçam as isofenas. White. 1966) pode ser dividido em 4 estágios e são similares para todas as plantas anuais: semente – vegetativo – florescimento – reprodutivo É evidente que as exigências meteorológicas de um vegetal variam de forma notável segundo o momento de sua evolução. se diz que 76 . o estudo do desenvolvimento de uma planta é morfológico e fenológico. é possível chegar a uma idéia do microclima do lugar. 9. o que se denomina fase.aumento da massa do organismo.

quando irrigar e a quantidade de água a ser aplicada. mas também o comprimento do dia e a umidade do solo. 22/12/94 356 Para os cultivos anuais uma ampla variedade de fatores bioclimáticos deve ser levada em consideração: se os cultivos são de inverno. quantidade de calor exigida. ela se atrasa. sensibilidade ao comprimento do dia. Na energia de floração. é mostrado um exemplo de observação fenológica. desempenham um papel análogo ao dos instrumentos registradores em Meteorologia. A seguir. verão ou de estação intermediária. por exemplo. A sensibilidade das plantas às mudanças climáticas é muito grande. menor o número de dias para o desenvolvimento e vice-versa. a fase se adianta e na negativa. influi não somente o solo. sendo cada fase dividida em subperíodos. Quanto maior a energia de fase. Tabela 1.4 Observações fenológicas de plantas anuais. sensibilidade à baixas temperaturas.) Estádio fenológico Data do plantio Emergência das plantas Folhas primárias completamente expandidas Primeira folha trifoliada completamente aberta Terceira folha trifoliada completamente aberta Aparecimento do primeiro botão floral Aparecimento da primeira flor aberta Aparecimento da primeira vagem Data 15/10/94 22/10/94 24/10/94 31/10/94 08/11/94 15/11/94 17/11/94 24/11/94 Dia do ano 288 295 297 304 312 319 321 328 346 Desenvolvimento de sementes (vagem c/ comprimento 12/12/94 máximo) Início da maturação (primeira vagem apresenta mudança de cor Fonte: Souza. na fenologia. Fenodatas da cultura de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L. Todo valor que se afaste do valor médio correspondente a essa fase. constitui uma anomalia fenológica. Por outro lado.as plantas. 1996 9. Todas essas informações são necessárias para tornar as observações mais detalhadas sobre as 77 . a energia de fase é a força com que se produz a aparição de novos órgãos e se mede pelo número de dias que duram desde o primeiro ao último órgão da fase. Na anomalia positiva.

Uma vez plantado num determinado lugar. que é uma generalização do conceito de “energia de florescimento”. Cada época diferente de semeadura capacita o cultivo a reagir. c) data da maturação (quando todas as espécies estavam com os grãos do 2/3 superiores na fase de massa dura e o restante na fase de massa semidura. Porém. que não varia tão amplamente como os complexos atmosféricos. porém reage ao ciclo do tempo de cada ano. sendo um deles o regime hídrico natural e os outros dois. crescimento e desenvolvimento. Isto pode ser chamado de “energia de fase”. ocorreu uma diminuição do número de dias para o florescimento e do ciclo da cultivar. Isto mostra como as condições ambientais e as não ambientais oferecidas as plantas alteram o seu comportamento. introduzido por Ledesma em 1951. aos vários elementos que compõem seu ambiente. foram obtidos os seguintes dados fenológicos: a) data de plantio. Isto. Quanto menor o número de dias. como os resultantes das diferentes épocas de semeadura. indicando quando a planta tem suas exigências bioclimáticas satisfeitas. cultivar IAC 201. Houve uma diminuição do período de florescimento devido ao acréscimo da quantidade de água fornecida à cultura do arroz. Nas observações fenológicas. de modo diferente e com diferentes resultados os quais refletem numa sequência particular de fases. b) data de florescimento (quando 50 % das plantas se encontravam com as glumelas das flores abertas e com os filetes e anteras expostos). sob três regimes hídricos. avaliaram as características fenológicas do cultivo de arrozde-sequeiro. por causa da energia que cada processo fenológico exige.). As características fenológicas observadas foram florescimento pleno e ciclo da cultura. 9.características fenológicas particulares ou fases e órgãos que não são comuns a todas as espécies. definida anteriormente. Rodrigues et al. a principal diferença está no fato de que as fases dos cultivos anuais dependem da data de semeadura. de acordo com o cultivo em questão. Durante o ciclo da cultura do arroz (Oryza sativa L. irrigação baseada no coeficiente da cultura. por estádio de desenvolvimento da cultura. prioridades devem ser dadas a extensão de critério usado na interpretação da intensidade das fases. cultivos perenes não estão sujeitos as variações da época de semeadura. 1999. quando medido pelo número de dias entre o início e complementação do processo. que deve ser analisada diferentemente. ainda “verdoengos”).5 Observações fenológicas de plantas perenes 78 . mais satisfatoriamente a planta tem se ajustado com as condições meteorológicas prevalecentes naquele momento. Com o aumento da disponibilidade de água.

Os frutos de cacau.) que é uma planta que atinge a altura de 4 a 8 metros de altura. a macieira. A passagem brusca de período seco para outro úmido provoca um estímulo externo da floração do cacaueiro. o coqueiro e outras. a queda de folhas geralmente segue o ritmo de renovação foliar ocorrendo simultaneamente com o crescimento das folhas novas. desde a fecundação da flor até seu amadurecimento. De modo geral. tornando-se intensificada após o reinício das chuvas. Em áreas de regime climático estável. queda das folhas e dos frutos. do florescimento. b) queda de folhas. O cacaueiro se comporta como planta de floração contínua em regiões que não apresentam diferenças sazonais de temperatura e de precipitação. são os seguintes: a) lançamento de folhas novas. aumenta o lançamento de folhas novas. os eventos fenológicos do cacaueiro. onde os processos fenológicos seguem um modelo ajustado às condições meteorológicas. d) produção de frutos maduros. por exemplo: o início da brotação. somente momentos representativos das fases serão observados. e) incidência de pecos. Provavelmente o peco fisiológico do cacaueiro tem mecanismo semelhante ao da queda de frutos jovens de algumas árvores frutíferas como a laranjeira. aproximadamente. Dois tipos de pecos são identificados: o de origem externa ou biótica. que se desenvolvem nos meses mais quentes levam de 140 a 175 dias. Desse modo. e o de origem interna ou fisiológica. Aumenta a amplitude térmica. O lançamento de folhas novas é associado ao mecanismo termoperiódico. resultante de distúrbios metabólicos da própria planta. A raiz primária pode atingir uma profundidade d 2 metros. o registro fenológico de plantas perenes consiste dos seguintes passos: a) b) c) d) florescimento e maturação dos frutos. apresentando tronco principal que cresce até.Como exemplo de planta perene temos o cacaueiro (Theobroma cacao L. A partir dessa idade cessa o crescimento da gema terminal. os 14 meses de idade. emergindo 3 a 5 ramas primárias. causada por ataque de fungos ou insetos. O peco do cacaueiro é caracterizado pelo amarelecimento dos frutos jovens que murcham e adquirem coloração marrom. A floração pode ser inibida durante épocas de deficiência hídrica no solo. brotação e crescimento de ramos. planta perene. c) floração. clímax da maturação 79 . se o solo for profundo e bem arejado. mudança da cor das folhas e dos frutos antes da maturação. o abacateiro. que dão origem às ramas secundárias. Em plantas perenes de crescimento intermitente.

onde o modelo fenológico e suas fases são interrompidas por fenômenos do tempo. o término da estação de crescimento é determinado como sendo a semana em que a precipitação se reduz a metade da evapotranspiração potencial. Naquelas com regime climático variável. Godoy (1960) testou cinco épocas de plantio (com 10 variedades de arroz) e determinou parâmetros de crescimento e produção de grãos. intensidade da luz. o qual estabelece que o início da estação acontece quando a precipitação atinge 50 % da evapotranspiração potencial e não se registram períodos secos na semana seguinte. determinou a estação de crescimento utilizando o método de Frére e Popov. 9. Isto porque o arroz é influenciado. pela duração do dia. o atraso na época de semeadura acarretava antecipação na época de florescimento. e outras. etc. Utilizando variedades precoces e tardias. Souza. datas que são usadas para a compilação de boletins fenológicos ou para a caracterização bioclimática das estações do ano por meio de plantas especialmente selecionadas. de forma muito variada. constatou que.6 Estação de crescimento Várias variáveis meteorológicas são testadas para verificação da influência na determinação do período de crescimento de um vegetal. Algumas vezes pode ser relacionada à temperatura do ar. principalmente aquelas abaixo de 15ºC durante quatro dias. Também pode ser considerada como influenciável no crescimento de uma cultura a temperatura da água de irrigação. Analogamente. indicando sensibilidade ao fotoperíodo. umidade atmosférica. clímax da queda de folhas. é essencial conduzir observações simultâneas do estágio de desenvolvimento de todas as fases visíveis de uma planta individual. para todos os cultivares.do fruto. 80 . 1989.

Viçosa.L. Botucatu. Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de Engenharia Agrícola. 1988. Avaliação agroclimática para o manejo da cultura do arroz (Oryza sativa L. 1989. 64p. Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de Engenharia Agrícola. et al.) com e sem cobertura de polietileno. PA. SCERNE. Saldo radiômetro com termopilha de filme fino e aplicação no balanço de radiação e energia em cultivo de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.Florianópolis: SBA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA.Bibliografia consultada.). Características fenológicas. SOUZA. 1999. SOUZA.A. Universidade Federal de Viçosa. 1999. Florianópolis. 172p. em Belém. acamamento e produtividade da cultura do arroz-de-sequeiro (Oryza sativa L.. para as microrregiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Viçosa. 11. J. R. Anais. Estudo agroclimático do cacaueiro (Theobroma cacao L. 81 . 1996. Universidade Federal de Viçosa.).F. Universidade Estadual Paulista.C. RODRIGUES. R. 91p.M. Tese (Doutorado/Energia na Agricultura) Faculdade de Ciências Agronômicas..) conduzida sob diferentes regimes hídricos. A.

Normalmente. São utilizadas em clima quente e ameno e restringem-se à culturas menos sensíveis. Não dispõem de equipamentos de calefação. Dificilmente se consegue manter as condições do ambiente. podendo então. como hortaliças e outras. é transferido para camadas mais superiores. As estufas não climatizadas são construções simples. 82 . As estufas variam no tamanho e no tipo. são construções dispendiosas e por isso só devem ser empregadas em situações especiais. Se o cultivo da maioria for realizado em vasos. Podem ser climatizadas ou não. baratas e geralmente construídas pelos próprios agricultores. onde as baixas temperaturas não permitem o desenvolvimento das plantas. 10. é absorvida pelo solo contribuindo para elevar a sua temperatura. Por esse motivo. foram feitos estudos sobre a forma ideal de um ambiente protegido.1 AMBIENTE PROTEGIDO Ambiente protegido é aquele que propicia um microclima adequado ao desenvolvimento vegetal. deve-se ter em mente o espaço disponível para sua construção e.2 MODELOS DE ESTUFAS Sempre que se pretenda se adquirir uma estufa. o tamanho adequado à espécie vegetal que será plantada.Unidade 10: TÓPICOS ESPECIAIS 10. para que se consiga um grande controle ambiental. É necessário o uso de equipamentos que controlem a temperatura. a área destinada à colocação das mesmas ser de qualquer material sólido e relativamente denso. Devido a todas as exigências que as cercam. Essas estufas climatizadas são desenvolvidas de tal forma a permitir um alto percentual de automatização dos equipamentos. dentro da faixa ideal exigida pela cultura. forma e material de cobertura forma desenvolvidos com o objetivo de minimizar os custos e proporcionar condições próxima do ideal para as plantas. não sendo totalmente perdido devido ao anteparo que é a cobertura plástica. A radiação solar de onda curta consegue passar pela cobertura plástica ou pelo vidro. de modo a satisfazerem um grande número de necessidades dos agricultores. são utilizadas para culturas sensíveis. dentro do ambiente protegido. Um efeito que ocorre no interior de um ambiente protegido é o chamado efeito estufa. Ele pode ser coberto com vidro ou plástico e são comumente chamado chamados de estufas ou casas de vegetação. umidade relativa do ar e ventilação. e foi observado que uma cobertura hemisférica proporcionaria transmissão máxima da radiação. e alguns tipos de flores. O controle do ambiente é feito pelo manejo das aberturas e cortinas. como o solo. As do primeiro tipo são usadas em regiões de clima muito frio. Qualquer superfície aquecida. tem-se um ambiente sempre quente. quando requerem faixas mínimas de tolerância relativa ao ambiente. A partir daí. que sob a forma de calor vai aquecer a atmosfera adjacente ao solo. vários estudos relacionados com a estrutura. contando somente com o calor armazenado dentro delas devido ao efeito estufa. Esse calor. O calor quando desejado é obtido pelo efeito estufa. durante todo o tempo. As estufas devem ser completamente revestidas com chapas de vidro e podem ser construídas em tijolos até determinada altura. cujo material de cobertura seria o vidro. emite radiação sob a forma de onda longa. algumas vezes com temperaturas elevadas. como flores. ou de vidro. No início do século 19. é essencial a existência de bancadas.

A única diferença da estrutura é o telhado em forma de arco. c) Belle Unión – esta estufa leva o nome da cidade onde se originou. em locais determinados pela própria origem do projeto. Os modelos mais conhecidos são: a) Capela – tem estrutura semelhante a um galpão ou aviário. que fica no Uruguai. d) Londrina – é construída basicamente de esteios e arames. formando um triângulo. Sua construção deve ser no sentido da direção dos ventos predominantes. Os diferentes modelos de estufas. surgiram ao longo do tempo. com duas abas da cobertura inclinadas. e) Dente-de-serra – este modelo de estufa é muito adotado na Europa e nos Estados Unidos. cuja orientação é mais inclinada no inverno.Os fatores de maior importância na escolha do modelo da estufa são a facilidade de acesso e a transmissão da luz. b) Pampeana – é a evolução da estufa capela. lado norte. A parte correspondente ao telhado. por diversos fatores. bem como a estabilidade e a durabilidade. O que diferencia esse modelo de estufas das outras é o telhado. tem inclinação quase perpendicular aos raios solares. Tem maior resistência ao vento. A água da chuva penetra no interior da estufa. com a 83 . cada qual aliado a uma série de exigências que podem ser entendidas pelas características da cada um. próxima à divisa com o Brasil. semelhante aos dentes de uma serra.

10. esta orientação tem sido amplamente adotada (Harnett et al. Como a precipitação da região é muito baixa. 84 . a recomendação é que deve-se observar a orientação dos ventos predominantes. O teto abaulado obtém um excelente aproveitamento da luz solar. ou seja. a parte superior da estufa é plana. No final da década de 40. g) Espanhola – a estufa espanhola se desenvolveu em grande escala na costa da Almeria. f) Arco – oferece grande resistência ao vento. É importante que o formato do teto e o material usado para cobertura obstrua o mínimo possível a radiação solar global. as pesquisas foram voltadas para verificar qual a melhor orientação. foi evidenciado que estufas orientadas na direção leste-oeste eram mais eficientes na transmissão da radiação solar.parte semelhante aos dentes de serra voltada para o lado contrário da incidência maior de vento. e sim. para se obter a máxima vantagem da radiação solar. Sua utilização fica restrita aos cultivos não exigentes a luz. e até nos dias atuais. sul da Espanha. Mas. principalmente no inverno. e em 1957. no período de menor incidência. 1979). construída no sentido da sua direção (Figura 1). Esta posição reduz a um mínimo o sombreamento das vigas da estrutura.3 ORIENTAÇÃO DE UMA ESTUFA Ao se construir uma estufa. Pode ser construída com maior caimento para facilitar o escoamento da água da chuva. a construção nunca deve ser perpendicular à direção do vento. a estufa deve ter seu eixo maior na direção leste-oeste.

sendo duas com múltiplos-vãos. e uma quarta estufa com teto no estilo água-furtada (com janelas no teto). Além disso. em termos de produção. 85 . mediram a radiação solar global em quatro tipos de estufas cobertas com vidro. sendo as duas últimas orientadas na direção leste-oeste. orientadas nas direções leste-oeste e norte-sul.Os pesquisadores citados no parágrafo anterior. outra no estilo convencional (chamada de Bella Unión. As transmissões da radiação solar das estufas foram comparadas e os resultados confirmaram que o alinhamento leste-oeste teve melhor desempenho do que o norte-sul. do cultivo de tomate e de pepino. tanto para estufas com múltiplos-vãos quanto para vão simples. no Brasil). houve vantagem.

no início do inverno e 3. no final. A transmissão da radiação solar foi 48 % para a orientação norte-sul. como mostra a Figura 2. para a orientação leste-oeste.6 %. Na primeira. posicionado verticalmente. colocaram material transparente em uma das paredes e no teto.1%.4 MEDIDA E COMPORTAMENTO DAS VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS  Transmissividade Avaliação da transmissão da radiação solar em estufas com orientações diferentes tem merecido destaque nos estudos sobre as complexidades da transmissão da radiação solar e seu aproveitamento pelos cultivos. no início da manhã a 81. Edwards.3 %. no início do inverno e 23 %.2 % a 12. em estufas com vãos simples e orientações diferentes. na lesteoeste. A transmissividade variou de 56. com 100 m de espessura. Para estudar a intensificação da transmissividade da radiação solar. citado por Critten (1993). e entre 55 % e 65 %. em torno do meio-dia. calculou a transmissividade da radiação solar. sendo que durante 11 meses a orientação leste-oeste transmitiu acima de 70 % da radiação global. Orientação de uma estufa de acordo com os ventos predominantes. na primavera e verão. concluiu que a transmissividade da radiação solar global dentro das estufas variou na faixa de 55 % a 77% na orientação norte-sul e entre 66 % e 78 %. Na segunda estufa. Assis. A radiação solar incidente. e comprovaram a contribuição da radiação refletida. Li et al (1995) alteraram algumas partes de duas estufas. medida a partir de julho de 91 a janeiro de 92 por Buriol et al (1995) objetivou o cálculo da transmissividade em estufas de polietileno de baixa densidade.2 %. 10. 86 . no período de 1957 a 1961. 1998.Figura 1. da cumeeira até o solo. usaram um refletor aluminizado. e verificaram que a transmissividade aumentou 6. Houve um aumento de 37 %.

para a global externa. a energia foi superior a obtida na estufa nortesul. A média mensal da energia global variou entre 13. Na estufa leste-oeste.m-2 .O EST. As diferenças maiores foram observadas entre os meses de março e agosto. e a da norte-sul.L.84 MJ. 65 %. e 8. a orientação leste-oeste apresentou-se mais vantajosa do que a norte-sul. A média anual da estufa leste-oeste representa 74 % da energia externa.m-2 e 20. devido à superioridade dos valores de energia da estufa lesteoeste sobre a norte-sul. as curvas se mantiveram distantes até setembro. 9. 22 ENERGIA MÉDIA MENSAL INTERNA E EXTERNA (MJ/m) 2 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Dez5 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez6 Gex EST.89 MJ.96 MJ.N. Transmissividade da radiação solar em estufas com orientação leste-oeste e norte-sul  Radiação solar De modo geral. após. entre 3 % e 25 %. respectivamente.m-2 e 14. distanciaram-se novamente.S 87 . estufa leste-oeste e estufa norte-sul.48 MJ.m-2.m-2 e 15.100 95 TRANSMISSIVIDADE (%) 90 85 80 75 70 65 60 55 50 Dez95 JanFevMarAbrMaiJun JulAgoSetOutNov Dez96 ESTUFA LESTE-OESTE ESTUFA NORTE-SUL Figura 2. .m-2. período em que o sol apresenta baixos ângulos de elevação solar e neste período.37 MJ. entre 4% e 15%.20 MJ.

respectivamente. aproximadamente 94 % da difusa externa. nortesul e externo.  Albedo Na Figura 5.LO DIF.5 mm).EXT. Variação anual da energia solar global externa e interna  Radiação difusa As curvas representativas da variação anual da energia mensal difusa. seguem o mesmo comportamento da energia mensal global. 10 9 ENERGIA MÉDIA MENSAL ( MJ/m2) 8 7 6 5 4 3 2 Dez/95Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out NovDez/96 DIF. 88 . durante este período.22 nas estufas leste-oeste. Na estufa leste-oeste. Entre os 5 0 e o 10 0 dias. a energia difusa. O valor mínimo externo ocorreu em julho e nas estufas. O albedo da estufa leste-oeste foi maior do que o da norte-sul durante quase todo o ciclo.NS Figura 4. quando o solo já estava parcialmente coberto pela cultura. medida dentro e fora das estufas. houve um decréscimo do albedo devido a ocorrência de precipitação (71.Figura 3. em média. e no decorrer do desenvolvimento houve um aumento gradativo. 0. estão as curvas correspondentes ao albedo. No início do ciclo. Valores mais altos foram atingidos 15 dias após o transplantio da alface. DIF. representou 96 % da difusa externa. em junho.13 e 0. Variação anual da energia solar difusa externa e interna. o albedo médio diário apresentou valores em torno de 0. enquanto que na estufa norte-sul este percentual foi.16.

30 ALBEDO 0.NS ALB. Saldo total de radiação solar em estufas com orientação norte-sul e leste-oeste. 89 . SALDO TOTAL DE RADIAÇÃO (MJ/m2) 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 2 4 6 Saldo total externo Saldo total norte-sul Saldo total leste-oeste 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Tempo (h) Figura 6. os valores são muito próximos. variedade Elisa.LO ALB.20 0.05 0. já durante o dia. No período noturno não se observam diferenças entre os valores internos e o externo.  Saldo total de radiação As curvas da Figura 6 representam o saldo entre as radiações de onda curta e de onda longa.45 0. Variação do albedo durante o ciclo da cultura de alface.15 0.EXT.00 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 DIAS DO CICLO ALB.25 0.35 0.10 0. ou seja. Figura 5.50 0.0.40 0. as curvas representativas do saldo total externo e da estufa lesteoeste confundem-se.

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