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Elementos da Geometria

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS DEPARTAMENTO DE DESENHO

ELEMENTOS DE GEOMETRIA
GEOMETRIA PLANA E ESPACIAL
2a edição

PROFA. DEISE MARIA BERTHOLDI COSTA PROF. JOSÉ LUIZ TEIXEIRA PROF. PAULO HENRIQUE SIQUEIRA A PROF . LUZIA VIDAL DE SOUZA ZAMBONI

UFPR Curitiba - 2000

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Capítulo I - Axiomática.......................................................................................................004 1.1. Introdução..................................................................................................... 004 1.2. Postulados do Desenho Geométrico..................................................................009 1.3. Axiomas de incidência......................................................................................010 1.4. Axiomas de ordem...........................................................................................011 1.5. Axiomas sobre medição de segmentos..............................................................012 1.6. Axiomas sobre medição de ângulos..................................................................014 1.7. Congruência de triângulos................................................................................018 1.8. Teorema do ângulo externo e suas consequências............................................027 1.9. O axioma das paralelas. Estudo do paralelogramo. Relações métricas nos quadriláteros.................................................................034 1.10. Semelhança de triângulos. Estudo do triângulo retângulo. Teorema de Pitágoras.............................................................................044 Capítulo II - Lugares geométricos e Segmentos proporcionais...............................................050 2.1. A circunferência como lugar geométrico........................................................050 2.2. A mediatriz como lugar geométrico...............................................................051 2.3. As paralelas como lugar geométrico..............................................................054 2.4. A bissetriz como lugar geométrico.................................................................056 2.5. Os ângulos e a circunferência...........................................................................061 2.6. Ângulo central.............................................................................................061 2.7. Ângulo inscrito.............................................................................................062 2.8. Ângulo de segmento....................................................................................063 2.9. Arco capaz..................................................................................................064 2.10. Ângulos excêntrico interior e exterior............................................................066 2.11. Ângulo circunscrito........................................................................................067 2.12. Proporcionalidade nos segmentos.................................................................071 2.13. Terceira e quarta proporcionais....................................................................073 2.14. Propriedades no triângulo retângulo. Aplicações da média geométrica....................................................................................074 2.15. Teorema das bissetrizes...............................................................................079 2.16. Circunferência de Apolônio...........................................................................081 2.17. Segmento áureo..........................................................................................083 2.18. Potência de ponto em relação a uma circunferência.......................................086 2.19. Propriedades dos quadriláteros.....................................................................089 Capítulo III - Relações métricas nos triângulos.....................................................................091 3.1. Pontos notáveis: circuncentro, baricentro, incentro e ortocentro. Os ex-incentros......................................................................099 3.2. Pontos da circunferência circunscrita.............................................................091 3.3. Reta de Simson...............................................................................................103

3.4. Reta de Euler..................................................................................................104 Capítulo IV - Relações métricas na circunferência.................................................................108 4.1. Retificação da circunferência............................................................................108 4.2. Desretifição da circunferência...........................................................................109 4.3. Retificação de arcos de circunferência...............................................................111 4.4. Desretificação de arcos de circunferência........................................................114 4.5. Divisão da circunferência em arcos iguais - Processos Exatos.............................115 4.6.Divisão da circunferência em arcos iguais - Processos Aproximados.....................121 4.7. Polígonos estrelados........................................................................................127 Capítulo V - Áreas ..............................................................................................................129 5.1. Axiomas..........................................................................................................129 5.2. Equivalência de áreas......................................................................................132 Capítulo VI - Geometria espacial de posição.........................................................................138 6.1. Conceitos primitivos e postulados.....................................................................138 6.2. Posição relativa de duas retas..........................................................................139 6.3. Determinação de um plano..............................................................................141 6.4. Posições relativas de reta e plano.....................................................................142 6.5. Posições relativas de dois planos......................................................................144 6.6. Posições relativas de três planos......................................................................146 6.7. Ângulo entre reta e plano................................................................................147 6.8. Ângulo entre dois planos..................................................................................150 6.9. ângulo diedro..................................................................................................151 6.10. Ângulos poliédricos........................................................................................156 6.11. Estudo dos poliedros. Soma dos ângulos da face de um poliedro. Poliedros de Platão. Poliedros regulares........................................................157 Capítulo VII - Geometria espacial métrica.............................................................................165 7.1. Estudo do prisma. Pricípio de Cavalieri..............................................................165 7.2. Estudo da pirâmide..........................................................................................172 7.3. Estudo do cilindro............................................................................................177 7.4. Estudo do cone...............................................................................................179 7.5. Estudo da esfera.............................................................................................183

Referências Bibliográficas...................................................................................................186

CAPÍTULO I AXIOMÁTICA

EXPERIÊNCIA X RACIOCÍNIO LÓGICO X INTUIÇÃO
Toda ciência tem origem experimental. O homem tem tendência à adivinhação. A intuição, no entanto, nem sempre é suficiente, podendo levar ao erro. Consideremos os seguintes exemplos: a) número de fios de cabelo dos habitantes de uma cidade; b) cinta envolvendo duas esferas de raios diferentes.

EDIFICAÇÃO RACIONAL DA GEOMETRIA
A Geometria foi organizada de forma dedutiva pelos gregos. Deduzir ou demonstrar uma verdade, é estabelecê-la como consequência de outras verdades anteriormente estabelecidas. No entanto, num caminho de retrocesso, chegaremos a um ponto de partida, a uma verdade impossível de se deduzir de outra mais simples.

AXIOMAS X TEOREMAS
Esta é a estrutura da Geometria, desde "Elementos" de Euclides, escrito no século III A.C., onde ele tentou definir os conceitos fundamentais. Atualmente, a Geometria aceita por normas: - Enunciar, sem definição, os conceitos fundamentais. - Admitir, sem demonstração, certas propriedades que relacionam estes conceitos, enunciando os axiomas correspondentes. - Deduzir logicamente as propriedades restantes. O que são os axiomas? São afirmações tantas vezes provadas na prática, que é muito pouco provável que alguém delas duvide. Deverão ser o menor número possível.

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SISTEMA DE AXIOMAS
Um sistema de axiomas deve satisfazer a três propriedades, que são: plenitude, independência e compatibilidade. O sistema deverá ser pleno ou completo, isto é, não podemos afastar afirmações nas quais forçosamente teremos que nos basear. Consideremos, para exemplificar, um sistema de equações do 1o grau com 3 incógnitas (bastante análogo a condições geométricas).Consideremos cada incógnita como um conceito sujeito a definição e cada equação um axioma. 2x

& y & 2z = 3

x + y + 4z = 6 O sistema não é completo. Não podemos estabelecer os valores das incógnitas, pois o número de equações é menor que o número de incógnitas. Logo, não ocorre a PLENITUDE. Vamos tentar corrigir, acrescentando outra equação: 2x & y & 2z = 3 x + y + 4z = 6 3x + 3y + 12z = 18 Ora, a terceira equação é consequência da segunda. Não há, portanto, INDEPENDÊNCIA. Tentemos novamente: 2x & y & 2z = 3 x + y + 4z = 6 3x + 3y + 12z = 15 Também não serve, pois a terceira equação, dividida por 3 resulta em x + y + 4z = 5 e a segunda diz que x + y + 4z = 6. Portanto, não há COMPATIBILIDADE. Finalmente, 2x & y & 2z = 3 x + y + 4z = 6 2x + y + 5z = 8 fornece os seguintes valores: x = 5, y = 13 e z = &3. O sistema é compatível, independente e completo.

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RELAÇÕES ENTRE AS PROPOSIÇÕES
As proposições (ou teoremas) podem ser escritas na forma p chamados de hipótese e tese respectivamente. Entre as proposições deduzidas (ou teoremas) podem ocorrer as seguintes relações: a) Recíproca: Um teorema se diz recíproco de um outro quando a sua hipótese e tese são, respectivamente, a tese e a hipótese do outro. Exemplos: >Direto: Se dois lados de um triângulo são desiguais, então ao maior lado opõe-se o maior ângulo. >Recíproco: Se dois ângulos de um triângulo são desiguais, então ao maior ângulo opõe-se o maior lado. Observação: Nem todos os teoremas recíprocos são verdadeiros. Assim, por exemplo: >Direto: Todos os ângulos retos são iguais. >Recíproco: Todos os ângulos iguais são retos. b) Teorema Contrário: É a proposição obtida pela negação da hipótese e tese de um teorema. Exemplos: >Teorema: Todo ponto da bissetriz de um ângulo é equidistante dos lados. >Teorema contrário: Todo ponto que não pertence à bissetriz de um ângulo não é equidistante dos lados. Observação: o teorema contrário nem sempre é verdadeiro. >Teorema: Dois ângulos opostos pelo vértice são iguais. >Teorema contrário: Dois ângulos que não são opostos pelo vértice não são iguais. c) Contra-positiva: A contra-positiva de um teorema tem por hipótese a negação da tese do teorema e tem como tese a negação da hipótese do teorema. Exemplo: >Teorema: Se um triângulo é isósceles, então os ângulos da base são iguais. >Contra-positiva: Se os ângulos da base de um triângulo não são iguais, então o triângulo não

Y q, onde p e q são

concluímos a validade da . TÉCNICAS DE DEMONSTRAÇÃO A demonstração de um teorema consiste em efetuar um conjunto de raciocínios dirigidos exclusivamente para provar que é verdadeiro o fato afirmado pela proposição.Todos os homens são mortais. sou mortal. Consequentemente. propriedades. O que é um silogismo? O silogismo é uma reunião de três proposições: a maior. relações. A Terra. em diferentes posições. projeta sobre a lua sombra redonda. por meio dos quais a veracidade da afirmação é deduzida a partir dos axiomas e das verdades anteriormente demonstradas. Exemplos: a) . tem a forma esférica. etc. projetam sombra redonda. b) A Terra é esférica. . a menor e a conclusão. a Terra tem a forma de uma esfera. e através de definições. DEMONSTRAÇÃO O que é uma demonstração? Consiste num sistema de silogismos. pré-estabelecidos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 7 é isósceles com esta base. Observação: A contra-positiva de um teorema sempre é verdadeira. durante os eclipses lunares. Para demonstrarmos proposições condicionais do tipo p Y q podemos usar: a) Forma Direta: Admitimos como verdade (ou válida) a proposição p.Eu sou homem.Logo. (Argumentação x fatos x dedução) Verifica-se que. . todos os corpos que. chamada de hipótese.

deduzir.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 8 proposição q. raciocinar. reescrevemos a proposição p concluirmos a negação da hipótese. Ou seja. Através da experiência. b) Contra-positiva: Neste caso. Isto é. Ora. partimos da negação da tese para Y q) / p v ~q / F. Báskara no livro "Lilaváti" apresenta a demonstração de um teorema apenas com uma figura e uma palavra: VÊ. PARA QUE A DEMONSTRAÇÃO? Princípio da Razão Suficiente: Todas as afirmações deverão ser fundamentadas. c) Redução ao Absurdo (RAA): A redução ao absurdo consiste em provar que a negação do condicional p Y q é uma contradição. é necessário pensar. partimos da negação da tese e procuramos encontrar uma contradição com a hipótese. observação. ~(p Y q na forma equivalente ~q Y ~p e aplicamos a forma direta na contra-positiva. chamada de tese. . Observação: RAA é muito utilizado para provar unicidade. Ou seja. ou de raciocínios lógicos (silogismos). para se compreender o que está "escrito".

Folha de Moebius.Os únicos instrumentos permitidos no Desenho Geométrico. certas noções primitivas e sem demonstrar certas proposições primitivas (ou postulados.É proibido em Desenho Geométrico fazer contas com as medidas dos dados. considerações algébricas são permitidas na dedução (ou justificativa) de um problema. conhecidos 2 lados e um ângulo. O que não é necessário DEMONSTRAR? A AXIOMÁTICA. . no estudo do Desenho é necessário aceitar certos postulados que tornam a matéria objetiva. papel. além do lápis. 3o POSTULADO . A graduação da régua ou "escala" só pode ser usada para colocar no papel os dados de um problema ou eventualmente para medir a resposta. a fim de conferi-la.Congruência de dois triângulos. POSTULADOS DO DESENHO GEOMÉTRICO Assim como no estudo da Geometria se aceitam. borracha e prancheta. são: a régua não graduada e os compassos comum e de pontas secas. isto é.Em Desenho Geométrico é proibido obter respostas "à mão livre". 1o POSTULADO . todavia. bem como "por tentativas". ou axiomas).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 9 Será que existem afirmações suficientemente claras. sem definir. independente da opinião do estudante. desde que a resposta seja depois obtida graficamente obdecendo aos outros postulados. . 2o POSTULADO . que sejam evidentes? Exemplos: .

2 elas coincidiriam. quando pressionada sobre o papel. são os pontos e as retas. O desenho de parte de uma reta é feito com o auxílio de uma régua. Qualquer que seja a reta. diz-se que elas se interceptam. a interseção de m e n é vazia ou contém apenas um ponto. pois. O plano é constituído de pontos e as retas são subconjuntos de pontos do plano. OS AXIOMAS DE INCIDÊNCIA AXIOMA 1. Logo. Dados dois pontos distintos. existem pontos que pertencem à reta e pontos que não pertencem à reta. Observação: Nós imaginamos um plano como a superfície de uma folha de papel que se Duas retas distintas ou não se interceptam ou se interceptam em um único estende infinitamente em todas as direções. Prova: Sejam m e n duas retas distintas. ou que concorrem ou que se cortam naquele ponto. Porém os desenhos devem ser considerados apenas como um instrumento de ajuda à nossa intuição.1. Nela um ponto é representado por uma pequena marca produzida pela ponta de um lápis. AXIOMA 1. PROPOSIÇÃO: ponto. no plano. . Pontos e retas do plano satisfazem a cinco grupos de axiomas que serão a seguir estudados. Ao estudarmos geometria é comum fazermos o uso de desenhos. pelo Axioma 1. existe uma única reta que contém estes pontos. Quando duas retas têm um ponto em comum. A interseção destas duas retas não pode conter dois (ou mais) pontos.GEOMETRIA PLANA As figuras geométricas elementares.2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 10 PARTE I .

O ponto C localiza-se entre A e B. . que satisfaz aos axiomas apresentados a seguir. . ou os pontos A e B estão separados pelo ponto C. Notação: Muitas figuras planas são construídas usando-se segmentos. Dados três pontos de uma reta. de lados do triângulo. A noção de que um ponto localiza-se entre dois outros pontos é uma relação. C. entre pontos de uma mesma reta. c. DEFINIÇÃO: O conjunto constituído por dois pontos A e B e por todos os pontos que se encontram entre A e B é chamado de segmento AB.. para designar pontos.1. A mais simples delas é o triângulo que é formado por três pontos que não pertencem a uma mesma reta e pelos três segmentos determinados por estes três pontos.. b. OS AXIOMAS DE ORDEM A figura dada abaixo apresenta uma reta e três pontos A. B. AXIOMA 2. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 11 Notação: Utilizaremos letras maiúsculas A. Os três pontos são chamados vértices do triângulo e os segmentos. B e C desta reta. um e apenas um deles localiza-se entre os outros dois. para designar retas.. Os pontos A e B são denominados extremos ou extremidades do segmento.. e letras minúsculas a.

(conceito de distância ou comprimento). DEFINIÇÃO: Sejam m uma reta e A um ponto que não pertence a m. O ponto A é então denominado origem da semi-reta AB. cuja interseção é a reta m.2. Dois pontos A e B determinam duas semi-retas. contendo o ponto B.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 12 DEFINIÇÃO: Se A e B são pontos distintos.1. Observação: AXIOMA 2. OS AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS AXIOMA 3. tais que B encontra-se entre A e C. AXIOMA 2. O conjunto constituído pelos pontos de m e por todos os pontos B tais que A e B estão em um mesmo lado da reta m é chamado de semi-plano determinado por m. contendo A.3. DEFINIÇÃO: Um subconjunto do plano é convexo se o segmento ligando quaisquer dois de seus pontos está totalmente contido nele. sempre existem: um ponto C entre A e B e um ponto 6 D. o conjunto constituído pelos pontos do segmento AB e por todos os pontos C. tal que B está entre A e D. . A todo par de pontos corresponde um número maior ou igual a zero. Este número é zero se e só se os pontos são coincidentes. Uma reta m determina exatamente dois semi-planos distintos. Notação: AB. é chamado de semi-reta de origem A. que contém o segmento Dados dois pontos A e B.

já que B e C estão na mesma semi-reta de origem A.3. de modo que a diferença entre estes números meça a distância entre os pontos correspondentes. Mas esta desigualdade é contrária à Portanto. . tem-se (Desigualdade Triangular) DEFINIÇÃO: Seja A um ponto do plano e r um número real positivo. Observação: às propriedades: 1) Para quaisquer dois pontos A e B do plano. Além disso. centro A e raio r é o conjunto constituído por todos os pontos B do plano. o ponto C está entre A e B. Se o ponto B estivesse entre A e C então pelo Axioma 3. Se. tal que = A noção de distância é uma das noções mais básicas da Geometria. 2) Para quaisquer dois pontos A e B tem-se = < + A 3) Para quaisquer três pontos do plano A. considerarmos um segmento AC com 6 então o ponto C estará entre A e B. como consequência.2. então C é externo à circunferência. AXIOMA 3. tais que = r. < r é dito interno à circunfe- > r. em uma semi-reta AB. Certamente o ponto A não pode estar entre B e C. tem-se = 0 se e somente se A / B. teríamos + hipótese DEFINIÇÃO: = e. (conceito de coordenada).3. Ela satisfaz > 0. Chamamos de ponto médio do segmento AB a um ponto C deste segmento. ao invés. B e C. Todo ponto C que satisfaz a desigualdade rência. A circunferência de igualdade ocorre se e somente se o ponto C pertencer ao intervalo AB.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 13 AXIOMA 3. Se o ponto C encontra-se entre A e B. então + = PROPOSIÇÃO: Prova: Se. Os pontos de uma reta podem ser sempre colocados em correspondência biunívoca com os números reais.

. DEFINIÇÃO: reta. Notação: AÔB. Todo ângulo tem uma medida em graus maior ou igual a zero. Chamamos de ângulo a figura formada por duas semi-retas com a mesma ËO. vértice. b. Ô. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 14 OS AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS DEFINIÇÃO: origem. Ângulo raso é o ângulo formado por duas semi-retas distintas de uma mesma AXIOMA 3. a. <AOB. DEFINIÇÃO: Diz-se que uma semi-reta n divide um semi-plano determinado por uma reta m se ela estiver contida no semi-plano e sua origem for um ponto da reta que o determina. . A medida de um ângulo é zero se e somente se ele é constituído por duas semi-retas coincidentes. Todo ângulo raso mede 180o.4.. espaço angular. Elementos: lados.

6. Quando AÔC = CÔB então a semi-reta OC é dita bissetriz de AÔB. Se o segmento AXIOMA 3. Traçar a bissetriz do ângulo AÔB dado abaixo. 6 DEFINIÇÃO: EXERCÍCIO: 6 . os números reais entre zero e 180. OB e OC semi-retas de mesma origem. DEFINIÇÃO: 6 6 6 6 6 interceptar OC. e as semi-retas de mesma origem que dividem um dado semi-plano. Sejam OA. de modo que a diferença entre estes números seja a medida do ângulo formado pelas semi-retas correspondentes.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 15 AXIOMA 3. É possível colocar. então AÔB = AÔC + CÔB.5. Se uma semi-reta OC divide um ângulo AÔB. em correspondência biunívoca. diremos que OC divide o ângulo convexo AÔB.

O suplemento de um ângulo é o ângulo adjacente ao ângulo dado. Quando duas retas distintas se interceptam. Exemplo: AÔC e CÔB. Os ângulos AÔB e DÔC são opostos pelo vértice. Exemplo: AÔB e CÔB. Logo. DEFINIÇÃO: e BÔC. se AÔB e DÔC são ângulos opostos pelo vértice. e) replementares: quando a soma de suas medidas é igual a 360o.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 16 DEFINIÇÕES: Dois ângulos são: a) consecutivos: quando possuem o mesmo vértice e têm um lado comum. formam-se quatro ângulos. obtido pelo prolongamento de um de seus lados. c) complementares: quando a soma de suas medidas é igual a 90o. d) suplementares: quando a soma de suas medidas é igual a 180o. AÔB + AÔD = 180o DÔC + AÔD = 180o Y AÔB = DÔC . então eles têm o mesmo suplemento: AÔD. Do mesmo modo o são os ângulos AÔD PROPOSIÇÃO: Prova: Ângulos opostos pelo vértice têm a mesma medida. b) adjacentes: quando são também consecutivos e não têm pontos internos comuns. De fato.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 17 Portanto. Suponha que existissem duas retas n e n’ passando pelo ponto A e perpendiculares a m. Esta semi-reta forma. Considere um dos semi-planos determinados pela reta m. Quando duas retas se interceptam. que dividem o semi-plano fixado. b) Unicidade. TEOREMA: Prova: a) Existência. . Por outro lado.5. então β = γ = 90o. AÔB = 180o & AÔD = DÔC. formam outros dois ângulos β e γ com as semi-retas determinadas pelo ponto A na reta m. então todos os outros também o serão. α = 0o e as retas n e n’ coincidem. Dada uma reta m e um ponto A sobre ela. entre todas as semi-retas com origem A. devemos ter α + β + γ = 180o. ela é perpendicular a reta m. Logo. Neste caso diremos que as retas são perpendiculares. Por qualquer ponto de uma reta passa uma única perpendicular a esta reta. Portanto. DEFINIÇÃO: Um ângulo cuja medida é 90o é chamado de ângulo reto. De acordo com o Axioma 3. O suplemento de um ângulo reto é também um ângulo reto. Como n e n’ são perpendiculares a m. ângulos de 90o. as duas semi-retas determinadas por A formam um ângulo raso. se um dos quatro ângulos formados por elas for reto. existe uma cuja coordenada será o número 90. As interseções das retas n e n’ com este semi-plano são semi-retas que formam um ângulo α e. Fixe um dos semi-planos determinados por m. com as duas semi-retas determinadas pelo ponto A sobre a reta m.

Com esta definição. Logo. Observação: Quando escrevemos ∆ABC = ∆EFG significa que os triângulos ABC e EFG são congruentes e que a congruência leva A em E.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 18 CONGRUÊNCIA DE TRIÂNGULOS DEFINIÇÃO: Diz-se que dois segmentos e são congruentes quando = e que dois ângulos  e Observação: são congruentes quando têm a mesma medida. B em F e C em G. DEFINIÇÃO: Dois triângulos são congruentes se for possível estabelecer uma correspondên- cia biunívoca entre seus vértices de modo que lados e ângulos correspondentes sejam congruentes. um segmento é sempre congruente a ele mesmo e se dois segmentos são congruentes a um terceiro. então são congruentes entre si. . se = = e  = Ê. então ∆ABC = ∆EFG. AXIOMA 4. as propriedades da igualdade de números passam a valer para a congruência de segmentos e de ângulos. Dados dois triângulos ABC e EFG.

O axioma acima afirma que é suficiente verificar apenas três delas. Este é o segundo caso de congruência de triângulos: Ângulo-Lado-Ângulo (ALA). Observação: Notemos que. Prova: Sejam ABC e EFG dois triângulos tais que ponto da semi-reta AC tal que = Â=Êe = Seja D um = = = Logo Considere o triângulo ABD e compare-o com o triângulo EFG. coincidem os triângulos ABC e ABD. que ∆ABD = ∆EFG. . de acordo com a definição de congruência de triângulos. pelo Axioma 4. as semi-retas BD e BC coincidem.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 19 Este axioma é conhecido como o primeiro caso de congruência de triângulos: Lado-Ângulo-Lado (LAL). tem-se que = Mas. e portanto. por hipótese. portanto. para verificarmos se dois triângulos são congruentes temos que verificar seis relações: congruência dos três pares de lados e congruência dos três pares de ângulos correspondentes. Como consequência. TEOREMA: Dados dois triângulos ABC e EFG. concluímos. Como = = e  = Ê. se = Â=Êe = então ∆ABC = ∆EFG. Mas então o ponto D coincide com o ponto C e. Como já provamos que ∆ABD = ∆EFG então ∆ABC = ∆EFG. ou seja: Se 9 = Â=Ê = Y 9  = Ê.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 20 DEFINIÇÃO: Um triângulo é dito isósceles. segue-se pelo Axioma 4 que esta correspondência define a congruência dos triângulos ABC e ACB. Estes lados chamam-se laterais e o terceiro lado chama-se base. Seja ABC um triângulo tal que = vamos provar que ele é isósceles. logo = PROPOSIÇÃO: Prova: Se num triângulo. ou seja. fazendo corresponder os vértices da seguinte maneira: A ] A. = e Pela hipótese temos que = Como  = Â. Como consequência. logo = Queremos provar que = Vamos comparar o triângulo ABC com ele mesmo. os ângulos da base são iguais. então o triângulo é isósceles. B ] C e C ] B. lados e ângulos correspondentes são congruentes. PROPOSIÇÃO: Prova: Se um triângulo é isósceles. quando tem dois lados congruentes. Seja ABC um triângulo isósceles de base BC. que . então os ângulos da base são iguais.

então os triângulos são . se CÂD = DÂB. é mediana = é bissetriz BÂD = DÂC é altura z PROPOSIÇÃO: altura. Logo. O segmento AD chama-se altura do triângulo relativamente ao lado segmento for perpendicular a reta que contém os vértices B e C. DEFINIÇÃO: Sejam ABC um triângulo e D um ponto da reta que contém os vértices B e C. e o triângulo é isósceles. A Como = e = = ] A. lados e ângulos correspondentes são congruentes. Deve-se provar que é um ângulo reto. isto é. e cia define uma congruência pelo caso ALA. isto é. B ] C e C ] B. Prova: Seja é Seja Em um triângulo isósceles a mediana relativa à base é também bissetriz e ABC um triângulo isósceles cuja base sua mediana relativa à base. ou seja. é a mediana relativa ao lado e = BÂD = DÂC e que = = (pois Para isto. Como (pois o triângulo é isósceles de base (de acordo com a proposição anterior). = segue-se que esta correspondên- por hipótese. Se D for o ponto médio de mente ao lado o segmento chama-se mediana do triângulo relativaO segmento chama-se bissetriz do ângulo  se a semi-reta se a reta que contém o AD separa o ângulo CÂB em dois ângulos iguais.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 21 = Vamos comparar o triângulo ABC com ele mesmo. consideremos os triângulos ABD e ACD. fazendo corresponder os vértices como na prova da proposição anterior.

BÂD = DÂC e que = Como já sabemos que perpendicular a TEOREMA: A primeira igualdade nos diz que é ângulo raso e = + = é bissetriz do ângulo BÂC. = = = e (por construção) e = = (por hipótese). Portanto então concluímos que e. Como já tínhamos provado que ∆ABD = ∆EFG. lados e ângulos correspondentes são congruentes. e ligue D a A. . trace Como = = pela hipótese. ou seja. Vamos agora mostrar que os triângulos ABD e ABC são congruentes. Logo. Portanto. de base Segue-se que então. Deste modo. construa a partir da semi-reta BA e no semi-plano oposto ao que contém o ponto C. Prova: Sejam ABC e EFG dois triângulos tais que provar que ∆ABC = ∆EFG. pelo primeiro caso de congruência de triângulos. = mas e = = construção). concluímos que ∆ABC = ∆EFG. sendo a altura do triângulo ABC em relação à sua base. um ângulo igual ao ângulo marque um ponto D tal que Como = (por = No lado deste ângulo que não contém o ponto A. podemos concluir que ∆ABD = ∆ABC. Para isto então os triângulos ADC e BDC são = logo = Mas isósceles. Logo lados e ângulos correspondentes são congruentes. = = e = Vamos Para isto. então ∆ABD = ∆EFG por LAL. Este é o terceiro caso de congruência de triângulos: Lado-Lado-Lado (LLL). Como é = 90o.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 22 congruentes pelo critério LAL. Se dois triângulos têm três lados correspondentes congruentes então os triângulos são congruentes. então = + = 180o.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 23 EXERCÍCIOS 01. Prove que os triângulos ACB e ADB são 6 05. Os ângulos α e β são iguais. Sabe-se que a) ∆ACD = ∆ABE b) ∆BCD = ∆CBE e Mostre que: 04. e AB bissetriz de CÂD. Mostre que as bissetrizes de um ângulo e do seu suplemento são perpendiculares. Considere congruentes. Na figura dada abaixo. A é o ponto médio dos segmentos ABD e ACE são congruentes. 02. Prove que os triângulos . Mostre que 03.

com base ângulos são iguais. O ângulo é reto e M é o ponto médio de Mostre que 09. Na figura dada abaixo. Prove que os . sabe-se que e BÔD = CÔA. e o segmento corta no ponto médio B de 07. os triângulos ABD e BCD são isósceles. Os ângulos  e Mostre que são retos. Mostre que 08.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 24 06. Na figura dada abaixo.

11. Mostre que. Qualquer medida fora do lago é possível. Descreva um processo pelo qual será possível medir a distância entre os pontos A e B.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 25 10. Na figura dada abixo. se um triângulo tem os lados congruentes. 14. a região X representa um lago. com base a bissetriz do ângulo  é perpendicular à base (ou o que é o mesmo: é a altura) e é também mediana.  = DÊC e Mostre que os triângulos ADB 12. Na figura abaixo tem-se e EDC são congruentes. DEFINIÇÃO: Um triângulo que possui os três lados congruentes é chamado de triângulo equilátero. Mostre que num triângulo isósceles ABC. Na figura ao lado. então tem também os três ângulos congruentes. 13. A recíproca é verdadeira? Prove ou dê um contra-exemplo. ABD e BCD são triângulos isósceles com base Prove que e que AC é bissetriz do ângulo .

A interseção desta reta com o segmento 16. Mostre que. Demonstre ou dê um contra exemplo caso a sentença seja verdadeira ou falsa: Dados dois triângulos ABC e EFG. "Seja de raio um segmento. se  = Ê. Justifique o seguinte procedimento para a determinação do ponto médio de um segmento. Estas duas será o ponto médio de ". Na construção acima é realmente necessário que as circunferências tenham raio pode-se utilizar um raio r qualquer)? Justifique a resposta.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 26 15. na construção descrita no exercício 14. C + + A + B + E + F . Construir FÊG = BÂC. (ou circunferências se interceptam em dois pontos. 19. então os triângulos são congruentes. Trace a reta ligando estes dois pontos. a reta que determina o ponto médio de é perpendicular a DEFINIÇÃO: A mediatriz de um segmento AB é uma reta perpendicular ao segmento e que passa pelo seu ponto médio. 18. É um quarto caso (ALL) de congruência de triângulos? 20. Justifique a construção. Utilize a idéia da construção descrita no exercício 14 e proponha um método de construção de uma perpendicular a uma reta dada passando por um ponto desta reta. 17. Justifique a construção. Com um compasso centrado em A. desenhe uma circunferência Descreva outra circunferência de mesmo raio e centro em B.

Compare os triângulos BMA e DMC. Como vértice). são chamados de ângulos internos ou simplesmente de ângulos do triângulo. marque um ponto (pois M = (por serem opostos pelo então Trace CD. Prova: Seja ABC um triângulo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 27 O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO E SUAS CONSEQUÊNCIAS DEFINIÇÃO: Se ABC é um triângulo. Devemos provar que > Âe > > Â. Considere o ponto médio N do segmento Na semi-reta AN. os seus ângulos e CÂB. formados pelos lados. Â = < entre A e G. TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO: Todo ângulo externo de um triângulo é maior do que qualquer um dos ângulos internos a ele não adjacentes. Â < > Na semi-reta AC marque um ponto G tal que C esteja Vamos provar que Como a semi-reta CD divide o ângulo . Consequentemente. Na semi-reta BC marque um ponto F tal que C esteja entre B e F. ou seja. Vamos inicialmente provar que Para isto. segue-se ∆BMA = ∆DMC (LAL). lados e ângulos correspon-dentes são congruentes. marque um ponto E Portanto. Os suplementos destes ângulos são chamados de ângulos externos do triângulo. considere o ponto médio M do segmento D tal que é médio de (por construção) e Na semi-reta BM.

o que não pode ocorrer de acordo com a proposição anterior.  + COROLÁRIO: Prova: De fato. Portanto. ou seja. (por serem < Como a semi-reta CE divide o então mas opostos pelo vértice). PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABC um triângulo. Consequentemente. Como (por serem opostos pelo vértice). COROLÁRIO: Prova: Se m e n se interceptassem formar-se-ia um triângulo com dois ângulos retos. n não se interceptam. então Todo triângulo possui pelo menos dois ângulos internos agudos. Logo. Como θ e θ + = 180 .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 28 tal que N é médio de ção) e Trace Compare os (pois (por constru- triângulos BNA e CNE. o que é absurdo pelo corolário anterior. Portanto. Se duas retas distintas m e n são perpendiculares a uma terceira. sua soma seria maior ou igual a 180o. o A soma das medidas de quaisquer dois ângulos internos de um triângulo é menor que 180o. são suplementares. . lados e ângulos correspondentes ângulo são congruentes. Vamos mostrar que  + θ < 180o. se um triângulo possuísse dois ângulos não agudos. Pela proposição anterior temos que θ >Â. Considere θ o ângulo externo deste triângulo com vértice em C. segue-se ∆BNA = ∆CNE (LAL). então m e <θ + = 180o.

(Simetria Axial) . Se existissem duas retas distintas passando pelo ponto A e sendo ambas perpendiculares a reta m. Seja m uma reta e A um ponto fora desta reta. De fato. o triângulo Como ângulo ABA’ = é isósceles de base que BC AA’. uma semi-reta com vértice B formando com a semi-reta BC um ângulo congruente a Nesta semi-reta tome um ponto A’ tal que BA’ = BA. pois todo triângulo possui pelo menos dois ângulos internos agudos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 29 PROPOSIÇÃO: Prova: Por um ponto fora de uma reta passa uma e somente uma reta perpendicular à reta dada. Se AB já é perpendicular a m. Tome sobre m dois pontos B e C distintos. é então BC é bissetriz do Segue-se. SIMETRIA EM RELAÇÃO A UMA RETA DEFINIÇÃO: Um ponto P é simétrico de outro ponto Q em relação a uma reta r quando: e PQ é perpendicular a r. Trace AB. terminamos a construção. perpendicular a AA’. Caso contrário. b) Unicidade. no semi-plano que não contém A. sendo que M pertence a reta r. a) Existência. o que é absurdo. considere. O segmento AA’ é perpendicular à reta m. então. como BA = BA’. formar-se-ia um triângulo com dois ângulos retos.

a semi-reta temos . É uma conseqüência da proposição seguinte que e que O número é chamado de distância do ponto P à reta r. > Â. BD divide o ângulo (1). > > Como o triângulo CBD é isósceles de base que = Pelo teorema do ângulo externo temos que De (1). ou seja. Se A é qualquer outro ponto de r. como consequência. … Â. b) Para mostrar que < é o maior ângulo. O segmento AM é chamado de projeção do segmento PA sobre a reta r. = > CÂB. Prova: Consideremos um triângulo ABC sendo … logo podemos supor que < é o maior Devemos mostrar que …  e que ângulo (pois este é oposto ao maior lado). sobre a semi-reta CA. a perpendicular a r passando por P intercepta r em um ponto M chamado pé da perpendicular baixada do ponto P a reta r. tal que então este ponto D pertence ao segmento Portanto tem-se que (2). que Da hipótese temos que … … Â. o segmento PA é dito oblíquo relativamente a r. > CÂB (3). PROPOSIÇÃO: Se dois lados de um triângulo não são congruentes então seus ângulos opostos não são iguais e o maior ângulo é oposto ao maior lado. de maneira equivalente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 30 Observação: Dado um ponto P e uma reta r. um ponto D. (2) e (3) temos que: Analogamente. que o ângulo  é oposto ao lado BC. a) Mostraremos inicialmente que os ângulos opostos não são iguais. Dado um triângulo ABC dizemos que o lado BC opõe-se ao ângulo  ou . portanto. logo o triângulo ABC não é isósceles de base e portanto os ângulos da base não são iguais. ao menor lado opõe-se o menor ângulo. = e. Como Para isto. Ou seja. marque. (por construção. devemos mostrar que > Â.

logo. a soma dos comprimentos de dois lados é maior do que o comprimento do terceiro lado. consideremos um ponto D na semi-reta AB. Do mesmo modo. o triângulo ABC não é isósceles de base portanto os lados não são iguais. se ocorresse Logo. a) Mostraremos inicialmente que os lados e não são iguais. Consideremos um triângulo ABC sendo … Â. existem três possibilidades que podem então. + então o pon> (2).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 31 PROPOSIÇÃO: Prova: Se dois ângulos de um triângulo não são congruentes. o triângulo BCD é isósceles de < = o triângulo seria isósceles e  = > > < é o maior lado. deve ocorrer TEOREMA: Prova: Dado um triângulo ABC mostraremos que + > = (1). vamos supor que > Â. ou seja. Para isto. devemos mostrar que ou = < > Â. pela proposição anterior. Devemos é o maior lado mostrar que … e que (pois este é oposto ao maior ângulo). = Portanto. Em todo triângulo. então seus lados opostos não são iguais e o maior lado é oposto ao maior ângulo. Como o ângulo = portanto. deveríamos ter  > o que contrao que está em desacordo com a hipótese (provado no item a). Podemos observar que. que Da hipótese temos que … e … Â. Desta forma. … b) Para mostrar que Sabemos que ocorrer: Se ria a hipótese. to B está entre A e D e a semi-reta CB divide . de modo que base Logo.

somente as medidas dos ângulos estão corretas. c) Os ângulos opostos aos catetos são agudos. = + e portanto + > > > Mas pela proposição anterior Mas = + = DEFINIÇÃO: catetos. temos que ao maior ângulo opõe-se o maior lado. a) Os triângulos ABC e DCB são congruentes? b) Qual o maior lado do triângulo ABC? c) Qual o menor lado do triângulo DBC? . Justifique a resolução. EXERCÍCIO: Um triângulo que possui um ângulo reto é chamado triângulo retângulo. tal que PA + AQ seja mínimo. Dados reta r. ou seja. b) A hipotenusa é sempre maior que qualquer cateto. no triângulo ACD. Responda as questões. O lado oposto ao ângulo reto é chamado hipotenusa. Na figura. pontos P e Q.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 32 De (1) e (2) temos que. e os outros dois lados são denominados Mostre que num triângulo retângulo: a) A hipotenusa é sempre menor que a soma dos catetos. EXERCÍCIOS 01. dando a justificativa. pede-se: obter sobre r um ponto A. 02.

Justifique a construção da bissetriz de um ângulo dada no exercício da página 15. mostre que = então os Este é o quarto caso de congruência de triângulos. Este é o teorema de congruência de triângulos retângulos . prove que: AÔb = bÔB). a altura relativa ao vértice A é também mediana e bissetriz. no problema anterior. Se um triângulo ABC é equilátero e D é um ponto do segmento > 05. Se.(LAAO) 06. 08.(LLAr) 07. os ângulos fossem os indicados abaixo. Demonstre que: dados dois triângulos ABC e EFG. e Prove que se . se  = Ê. quais seriam as respostas? 04.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 33 03. Prove que num triângulo isósceles ABC. (Ou seja. de base BC. AB = EF e triângulos são congruentes. chamado de Lado-Ângulo-Ângulo Oposto . Sejam ABC e EFG dois triângulos retângulos cujos ângulo retos são AB = EF e BC = FG então os triângulos são congruentes.

PROPOSIÇÃO: e como na figura ao lado. passando por um ponto dado. Mas pelo ponto P estão passando duas retas. então corta também a Se a reta m é paralela a duas outras retas n1 e n2. então n1 e n2 são paralelas ou coincidentes. PROPOSIÇÃO: outra. . n1 e n2.las. n2. m corta n1 mas não corta n2. então elas têm um ponto em comum P. Se = então as retas n1 e n2 são paralelas. n1 e n2. n1 … n2. n2 é paralela a m e a n1. PROPOSIÇÃO: Prova: Vamos supor que m seja paralela a n1 e a n2. Assim. Prova: Vamos supor que n1 seja paralela a n2. Se uma reta m corta uma de duas paralelas.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 34 O AXIOMA DAS PARALELAS AXIOMA 5: Por um ponto fora de uma reta m passa uma única reta paralela a reta m. O que contradiz o Axioma 5. n1. m também corta n2. que são distintas e paralelas a uma mesma reta m. então pela proposição anterior segue que m e n1 são paralelas. n1 … n2 e que n1 não seja paralela a n2. já que a existência de reta paralela a m. o que contradiz a hipótese. (Unicidade) Devemos observar que este axioma prescreve a unicidade. Logo. Como m não corta n2 então m e n2 são paralelas. já era garantida. Sejam m. Como n1 e n2 não coincidem e não são parale.

obtivermos + então as retas são paralelas.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 35 Prova: Vamos supor que = e que n1 e n2 não são paralelas. n1 e n2 não se interceptam. . Assim. formando então um triângulo. Pela proposição anterior temos que as retas são paralelas. DEFINIÇÃO: Quando duas retas (não necessariamente paralelas) são cortadas por uma é ângulo externo e é ou um ângulo interno não adjacente ao ângulo … o que contradiz a nossa transversal formam-se oito ângulos como indicados na figura abaixo. Neste triângulo vice-versa. mas os ângulos e são suplementares. Chamam-se ângulos: correspondentes: opostos pelo vértice: e e e e e e e e e e internos : entre as retas n1 e n2: externos : fora das retas n1 e n2: colaterais : aqueles que estão de um mesmo lado da transversal: colaterais internos: colaterais externos: e e e e alternos : aqueles que estão em semi-planos opostos em relação à transversal: alternos internos: alternos externos: PROPOSIÇÃO: Prova: Pela hipótese temos que então + = 180o. Como as retas são distintas. Portanto. Se. pelo teorema do ângulo externo teríamos hipótese. ao cortarmos duas retas com uma transversal. logo = + = 180o. e e e e = 180o. elas se interceptam em algum ponto P.

ralela a BC A soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a 180o. / n2 . Consideremos uma reta n passando pelo ponto A e formando com a transversal quatro ângulos iguais aos ângulos correspondentes formados pela reta n2 com a mesma transversal.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 36 PROPOSIÇÃO: Prova: Se duas retas paralelas são cortadas por uma transversal. ou seja. COROLÁRIO: Prova: (Exercício) COROLÁRIO: Se n1 // n2 então os ângulos alternos internos (ou externos) são congruentes. COROLÁRIO: a) A soma das medidas dos ângulos agudos de um triângulo retângulo é 90o. = βe = γ. n1 forma com a reta m ângulos iguais aos correspondentes formados por n2 com a reta m. De acordo com a 3a proposição da página 34. Considere os ângulos como indicados na figura ao lado. Mas pela hipótese temos que n1 e n2 são paralelas. portanto. Pelo vértice A traçar n1 pa. c) A medida de um ângulo externo de um triângulo é igual a soma das medidas . b) Cada ângulo de um triângulo equilátero mede 60o. Se os ângulos alternos internos (ou externos) são congruentes. então n1 // n2. Prova: (Exercício) TEOREMA: Prova: Seja ABC um triângulo. Portanto. Portanto n e n1 também são paralelas e concorrem num mesmo ponto A. Sejam n1 e n2 retas paralelas cortadas pela transversal m nos pontos A e B. Como as retas AB e AC são transversais às paralelas n1 e n2 então os ângulos alternos internos são iguais. α + β + γ = Â + + = 180o. respectivamente. então os ângulos correspondentes são iguais. n e n2 são paralelas. Mas + α + = 180o. logo n e n1 são coincidentes.

Consideremos a diagonal BD. Vamos unir A e B’.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 37 dos ângulos internos que não lhe sejam adjacentes.(a recíproca é verdadeira) logo os triângulos AA’B’ e B’BA são congruentes pelo critério ALA. EXERCÍCIO: Refazer o exercício 5 da página 33 utilizando o fato de que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180o. Devemos provar que AA’ = BB’. de Se n1 e n2 são paralelas. PARALELOGRAMO DEFINIÇÃO: Um paralelogramo é um quadrilátero cujos lados opostos são paralelos. d) A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 360o. PROPOSIÇÃO: Prova: Em todo paralelogramo lados e ângulos opostos são congruentes. lados e ângulos correspondentes são congruentes. Seja ABCD um paralelogramo. então . transversal AB’) e (pois são ângulos alternos internos relativos a (pois são ângulos complementares. AA’ = BB’ . Consideremos os triângulos AA’B’ e B’BA. ou seja. Sobre n1 consideremos dois pontos A e B. Como AB’ é comum. TEOREMA: Prova: Sejam n1 e n2 retas paralelas. respectivamente. então todos os pontos de n1 estão à mesma distância de n2. e deles baixemos perpendiculares à reta n2. então (ângulos alternos internos) e como AD e Como BC são paralelas cortadas por BD. Portanto. Sejam A’ e B’ respectivamente os pés destas perpendiculares. Como AB e DC são paralelas cortadas por BD.

Consideremos as diagonais AC e BD. As diagonais de um paralelogramo se interceptam em um ponto que é o ponto médio das duas diagonais. lados e ângulos correspondentes são congruentes. Se os lados opostos de um quadrilátero são congruentes então o quadrilátero Mas como (lados de um paralelogramo) então os triângulos AMB e CMD são congruentes pelo critério ALA.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 38 DB é comum. logo e A lados e ângulos correspondentes são congruentes. Logo. ou seja. PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABCD um quadrilátero em que ou seja. ABCD é um o quadrilátero é um paralelogramo. Devemos provar que Como AB é paralela a DC cortadas pelas transversais AC e BD então determinam ângulo alternos internos iguais. Temos ainda que PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABCD um paralelogramo. então e Devemos provar que ABCD é um paralelogramo. . Logo. BÂM = ângulos correspondentes são congruentes. paralelogramo. que AB // CD e BC // AD. ou seja. ou seja. é um paralelogramo. seja M o ponto de interseção das mesmas. Devemos provar que ABCD Se dois lados opostos de um quadrilátero são congruentes e paralelos. ou seja. PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABCD um quadrilátero em que AD // BC e é um paralelogramo. Nos triângulos ABD e CDB temos que BD é comum. logo lados e Logo. podemos concluir que os triângulos ADB e CBD são congruentes pelo critério ALA. logo os triângulos são congruentes pelo critério LLL. primeira igualdade garante que AB // DC e a segunda garante que BC // AD. Consideremos a diagonal BD do quadrilátero. (hipótese) e (hipótese).

Portanto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 39 De acordo com a proposição anterior. ou seja. Suponha que três retas paralelas a. DE é paralelo a BC e têm o mesmo comprimento. então os triângulos ADE e FDB são congruentes. ABCD então o quadrilátero será um ao terceiro lado e tem metade do seu comprimento. marque na semi-reta ED um ponto F tal que médio de Como e Como e (E é ponto médio de AC). FB e EC são paralelos (pois BFD e DEA são ângulos alternos internos congruentes) e têm o mesmo comprimento. B’ e C’. Logo. Esta corta as retas a e c nos pontos D e E. é um paralelogramo. Se AB = BC então A’B’ = B’C’. Como. Como D é ponto médio de FE então PROPOSIÇÃO: Prova: Consideremos pelo ponto B’ uma reta m’ paralela à reta m. Designe por D o ponto médio de AB e por E o ponto médio de AB. ou seja. se provarmos que paralelogramo. TEOREMA: Prova: Seja ABC um triângulo. lados Pela proposição anterior. temos que Logo. B e C e nos pontos A’. respectivamente. cortam as retas m e n nos pontos e Como (já que D é ponto (por serem opostos pelo tem-se que O segmento ligando os pontos médios de dois lados de um triângulo é paralelo Mas como (hipótese) e BD é comum então os triângulos ADB e CBD são congruentes pelo critério LAL. . consequência A. Como AD // BC cortadas pela transversal BD então os ângulos alternos internos são iguais. b e c. todo quadrilátero que possui dois lados opostos paralelos e congruentes é um paralelogramo. vértice). e ângulos correspondentes são congruentes. Consideremos a diagonal BD e os triângulos ADB e CBD. Devemos provar que DE é paralelo a BC e que Para isto. segue-se então que FBCE é um paralelogramo.

A’B’ = B’C’. Além disso.. Este corolário é uma generalização da proposição anterior. são iguais (opostos pelo vértice) e também são iguais (por serem ângulos alternos internos determinados pela transversal DE e as retas Logo. . os triângulos A’DB’ e C’EB’ são congruentes pelo critério ALA. Ak e nos pontos A’1. = A’k&1A’k. A2.. Os ângulos paralelas a e c).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 40 Como ABB’D e BCEB’ são paralelogramos (pois têm lados opostos paralelos) então DB’ = AB e B’E = BC. ak cortam duas retas m e n nos pontos A1. = A’2A’3 = . = Ak&1Ak. COROLÁRIO: Suponha que k retas paralelas a1. . . Se A1A2. A’2.. E portanto.. como AB = BC por hipótese. então concluímos que DB’ = B’E.... . A’k respectivamente.... a2.. = A2A3 = ... então A’1A’2.

pode-se demonstrar que A1A2/A3B4 = C1C2/C3C4 e generalizando podemos escrever A1A2/A3B4 = B1B2/B3B4 = C1C2/C3C4 = . e portanto. Na figura abaixo. . tais que A1A2 = pu e A3A4 = qu. De modo análogo. em p e q partes de comprimento u’.. então existe um segmento u que é submúltiplo de ambos.. quando duas quantidades são iguais a uma terceira. tais que B1B2 = pu’ e B3B4 = qu’. elas são iguais entre si. res. s3.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 41 TEOREMA DE TALES: Se um feixe impróprio de retas é interceptado por um feixe próprio de retas. O e C são colineares.. Conduzindo retas s1 . então a razão entre dois segmentos quaisquer de uma delas é igual à razão entre os segmentos respectivamente correspondentes noutra reta do mesmo feixe. existem números p e q. Prova: Consideremos que os segmentos A1A2 e A3A4 sejam comensuráveis. EXERCÍCIOS 01. DEFINIÇÃO: Um segmento ligando dois pontos de uma circunferência e passando por seu centro chama-se diâmetro.pectivamente.. . logo. Porém. obtém-se B1B2/B3B4 = p/q. pelos pontos de divisão dos segmentos A1A2 e A3A4. logo. Se B. s2. os segmentos B1B2 e B3B4 são divididos.. A1A2/A3A4 = p/q. A1A2/A3B4 = B1B2/B3B4. o ponto O é o ponto médio de AD e então mostre que os triângulos ABO e DCO são congruentes.

o ponto O é o centro da circunferência. Mostre que todo retângulo é um paralelogramo. Mostre que as diagonais de um losango cortam-se em ângulo reto e são bissetrizes dos seus ângulos. Mostre que se as diagonais de um paralelogramo são congruentes. 05. então o quadrilátero é um paralelogramo. Mostre que um paralelogramo cujas diagonais são perpendiculares é um losango. DEFINIÇÃO: Um losango (ou rombo) é um quadrilátero que tem todos os seus lados congruentes. DEFINIÇÃO: Um retângulo é um quadrilátero que tem todos os seus ângulos retos. então o quadrilátero é um paralelogramo. 07. Mostre que se os ângulos opostos de um quadrilátero são congruentes. Na figura abaixo. Mostre que todo losango é um paralelogramo. 03. Mostre que β = 2α. Mostre que as diagonais de um retângulo são congruentes. Mostre que se as diagonais de um quadrilátero se interceptam em um ponto que é ponto médio de ambas. . 09. 08.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 42 02. AB é um diâmetro e C é outro ponto da circunferência. 06. 10. 04. então o paralelogramo é um retângulo.

12. Considere também o triângulo DAE e o segmento MN. Prove que um quadrado é um retângulo e que é também um losango. Se ele é isósceles. DEFINIÇÃO: Um trapézio é um quadrilátero em que dois lados opostos são paralelos. Um trapézio é dito trapézio isósceles se suas laterais são congruentes. Os lados paralelos de um trapézio são chamados de bases e os outros dois são chamados de laterais. mostre que Â= e 14. Prove que o segmento ligando os pontos médios das laterais de um trapézio escaleno é paralelo às bases e que seu comprimento é a média aritmética dos comprimentos das bases. Se. 13. Mostre que as diagonais de um trapézio isósceles são congruentes. prove que DNC= ENB (ALA).180o. Um trapézio é dito trapézio escaleno se suas laterais não são congruentes. Dica: Considere o ponto E como sendo a interseção das retas AB e DN. Mostre que se as diagonais de um quadrilátero são congruentes e se cortam em um ponto que é ponto médio de ambas. Prove que a soma dos ângulos internos de um polígono de n lados é (n − 2). Um trapézio é dito trapézio retângulo (ou bi-retângulo) se tem dois ângulos retos. além disso. Seja ABCD um trapézio em que AB é uma base. as diagonais são perpendiculares uma a outra. Prove que os pontos médios dos lados de um quadrilátero qualquer são vértices de um paralelogramo. 15.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 43 DEFINIÇÃO: Um quadrado é um quadrilátero que tem os quatro ângulos retos e os quatro lados congruentes. . então o quadrilátero é um quadrado. 11. 16. então o quadrilátero é um retângulo. 17.

EXERCÍCIO: Dois triângulos congruentes são semelhantes. Ou seja. Justifique a afirmação e indique a razão de proporcionalidade. B igualdades: ]FeC]Gé a correspondência que estabelece a semelhança. se ABC e EFG são dois triângulos semelhantes e se A ] E. então valem simultaneamente as seguintes ∆ABC ~∆EFG ] 9 Observação: O quociente comum entre as medidas dos lados correspondentes é chamado de razão de proporcionalidade entre os dois triângulos. PROPRIEDADES DA SEMELHANÇA DE DOIS TRIÂNGULOS: a) Reflexiva: ∆ABC ~ ∆ABC ] ∆EFG ~ ∆ABC c) Transitiva: ∆ABC ~ ∆EFG e ∆EFG ~ ∆HIJ Y ∆ABC ~ ∆HIJ b) Simétrica: ∆ABC ~ ∆EFG .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 44 SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS DEFINIÇÃO: Dois triângulos são semelhantes se for possível estabelecer uma correspondên- cia biunívoca entre seus vértices de modo que ângulos correspondentes sejam iguais e lados correspondentes sejam proporcionais.

Este é o primeiro caso de semelhança de triângulos. se  = Ê e então os triângulos são semelhantes. em dois triângulos ABC e EFG tem-se  = Ê e então os triângulos são semelhantes. Como e então substituindo na igualdade acima temos De maneira análoga demonstra-se que TEOREMA: Se. então a igualdade dos ângulos  e Ê e dos ângulos acarreta na igualdade dos ângulos Resta provar que os lados Pelo ponto sendo e correspondentes são proporcionais. então Porém pela hipótese sabemos que .LAL). Logo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 45 TEOREMA: Dados dois triângulos ABC e EFG. Prova: Como a soma dos ângulos de um triângulo é 180o. Prova: Construir um triângulo HIJ que tenha Logo pelo teorema anterior temos que ∆ABC ~ ∆HIJ. formando um Como HI é paralela a FG cortadas pelas retas EF e EG então determinam segmentos proporcionais. ∆EFG = ∆HIJ ( e . e H tracemos uma reta paralela a FG. que esta última igualdade deve-se ao paralelismo de IH e GF). Esta corta a semi-reta EG num ponto I. Este é o segundo caso de semelhança de triângulos. ou seja. os lados correspondentes são proporcionais mas portanto Portanto. Portanto. Para isto consideremos na semi-reta EF o ponto H de modo que triângulo EHI que é congruente ao triângulo ABC (já que  = Ê.

provado acima e construção). segue-se da hipótese que = Â. lados correspondentes são proporcionais. então Comparando esta última expressão com (1) temos que Logo. Portanto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 46 Como ∆ABC ~ ∆HIJ e ∆EFG = ∆HIJ segue que ∆ABC ~ ∆EFG. em dois triângulos ABC e EFG tem-se então os triângulos são semelhantes. Prova: Consideremos um triângulo HIJ tal que Logo. TEOREMA: Se. Este é o terceiro caso de semelhança de triângulos. DEFINIÇÃO: Dados dois segmentos p e q. ∆EFG = ∆HIJ ( construção. Mas da hipótese temos que mas (por construção). Como ∆ABC ~ ∆HIJ temos que ∆ABC ~ ∆EFG. que ∆ABC ~ ∆HIJ. é um segmento y. a média aritmética entre eles é um segmento x tal que x = (p + q)/2 e a média geométrica (ou média proporcional) entre eles. ou seja. tal que y = . e como e = Â segue pelo teorema anterior (1).

AH = h.n.n = a(m + n) = a. AB = c. Denotaremos os segmentos da seguinte forma: BC = a. Na proposição anterior foi provado que ∆ABC ~ ∆HBA ~ ∆HAC e portanto que b2 = a. AC = b.m + a.m ] H. Trace a altura AH do vértice A ao lado BC.∆ABC ~ ∆HAC A b2 = a. B ] C e A ] A TEOREMA DE PITÁGORAS: Em todo triângulo retângulo o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos. Ou seja. Prova: Consideremos um triângulo ABC retângulo em A. Somando membro a membro as duas expressões temos que b2 + c2 = a. B ] A e C ] C h2 = m.n ] H. Prova: Seja ABC um triângulo retângulo com ângulo reto no vértice A. Devemos mostrar que a2 = b2 + c2.n . . Como AH é perpendicular a BC.∆ABC ~ ∆HBA A Y ]A Y Y Y Y Y c2 = a. então os triângulos HBA e HAC são retângulos. a2 = b2 + c2. Como = 90o e + BÂH = 90o então BÂH = = 90o e + HÂC = 90o então = HÂC. podemos escrever as expressões que traduzem a proporcionalidade dos lados: . CH = m e BH = n.a = a2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 47 PROPOSIÇÃO: Em todo triângulo retângulo a altura relativa ao vértice do ângulo reto é média geométrica (ou proporcional) entre as projeções dos catetos sobre a hipotenusa.m e c2 = a. Logo. B ] BeC . E os catetos são médias geométricas entre a hipotenusa e as suas projeções sobre a hipotenusa.∆HBA ~ ∆HAC H ] H. Como também Isto nos mostra pelo segundo caso de semelhança de triângulos que os triângulos HBA e HAC são semelhantes e também semelhantes ao triângulo ABC.

Prove que a bissetriz de um ângulo de um triângulo divide o lado oposto em segmentos proporcionais aos outros dois lados. ou as bissetrizes) correspondentes em triângulos semelhantes estão na mesma razão que os lados correspondentes. 06. 02.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 48 EXERCÍCIOS 01. Na figura abaixo tem-se que BDA e ABC são semelhantes. então . Prove que se um triângulo retângulo tem ângulos agudos de 30o e 60o então seu menor cateto mede metade do comprimento da hipotenusa. Mostre que são semelhantes dois triângulos isósceles que têm iguais os ângulos opostos à base. D em B e A em C. sendo a semelhança a que leva B em A. Mostre que dois triângulos equiláteros são sempre semelhantes. Isto é. Prove que o triângulo BDA é isósceles. Prove que as alturas (ou as medianas. 07. D é o ponto médio do segmento AB e E é o ponto médio de AC. 05. 03. se ABC é o triângulo e BD é a bissetriz do ângulo B sendo D um ponto do lado AC. 04. Mostre que os triângulos ADE e ABC são semelhantes. Na figura abaixo.

. 08.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 49 Dica: trace pelo ponto A uma reta paralela ao lado BD. Esta intercepta a semi-reta CB num ponto E formando triângulos semelhantes. então eles são semelhantes. Prove que se dois triângulos tem lados correspondentes paralelos.

b) Todo ponto que possui a propriedade P pertence ao lugar geométrico.) em relação a uma determinada propriedade P quando satisfaz às seguintes condições: a) Todo ponto que pertence ao lugar geométrico possui a propriedade P. LUGAR GEOMÉTRICO 1 . . Geralmente.r).G. DEFINIÇÃO: Um conjunto de pontos do plano constitui um lugar geométrico (L. Observação: Na resolução de problemas. mas que satisfaça as condições impostas (ou propriedades). Notação: CIRCUNF(O. O emprego de figuras que constituem lugares geométricos nas resoluções de problemas gráficos é chamado de Método dos Lugares Geométricos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 50 CAPÍTULO II LUGARES GEOMÉTRICOS E SEGMENTOS PROPORCIONAIS Os problemas em desenho geométrico resumem-se em encontrar pontos. procuramos construir graficamente uma determi- nada figura. estas condições impostas são lugares geométricos construtíveis com régua e compasso.CIRCUNFERÊNCIA LG 01: O lugar geométrico dos pontos do plano situados a uma distância constante r de um ponto fixo O é a CIRCUNFERÊNCIA de centro O e raio r. e para determinar um ponto basta obter o cruzamento entre duas linhas.

MEDIATRIZ LG 02: O lugar geométrico dos pontos do plano eqüidistantes de dois pontos A e B dados é a MEDIATRIZ do segmento AB. 2o) todo ponto que tem a propriedade P pertence a F. Para se provar que uma determinada figura F é um lugar geométrico dos pontos do plano que têm uma propriedade P. . LUGAR GEOMÉTRICO 2 . No caso da circunferência. b e c. temos que demonstrar dois teoremas: 1o) todo ponto de F tem a propriedade P. É importante frisar a necessidade de demonstrar os dois teoremas. temos que: 1o) todo ponto da circunferência (de centro O e raio r) equidista do ponto O segundo uma distância r. dados os três lados a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 51 EXERCÍCIO: Construir um triângulo ABC. 2o) todo ponto que equidista de O segundo uma distância r pertence à circunferência(de centro O e raio r). pois um só deles não garante que a figura F seja um lugar geométrico.

ou seja. isto é. Vamos mostrar que a mediatriz é um lugar geométrico: 1a parte: Todo ponto da mediatriz de A e B. então Assim. a reta r é perpendicular a isto é. M é o ponto médio de de Portanto. pela hipótese) e congruentes. que r passa pelo ponto médio de e Então. passa pelo ponto médio do mesmo. Prova: Nos triângulos XAM e XBM temos ponto médio pela hipótese). r é a mediatriz de Logo. lados e ângulos correspondentes são 2a parte: Todo ponto equidistante de A e B pertence à mediatriz de Prova: Seja Y um ponto eqüidistante de A e B. Sejam P e Q dois pontos tais que Como P e Q possuem a mesma propriedade.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 52 Consideremos dois pontos fixos A e B. logo. e por eles passa uma única reta m então veremos que m possuirá a mesma propriedade de P e Q. = (M é (ambos são retos é equidistante de é lado comum. a mediatriz é um lugar geométrico. é e também mediana. Portanto. ∆XAM = = ∆XBM por LAL. Y pertence à mediatriz . isto é. Traçamos por Y a reta r perpendicular a vamos provar que r é a mediatriz de seja M o ponto de interseção de r e Como é a altura relativa à base do triângulo isósceles YAB. Observação: Lembremos que esta construção nos fornece a mediatriz de pois como então o quadrilátero APBQ é um losango e portanto as suas diagonais cortam-se em ângulo reto e no ponto médio das mesmas.

b) P ó r. Construir um ângulo reto. nas seguintes condições: 02.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 53 EXERCÍCIOS 01. Traçar a mediatriz do segmento dado abaixo. . B e C dados. Traçar a circunferência que passe pelos pontos A. Traçar uma reta perpendicular a uma reta dada r. por um ponto P dado. 04. a) P 0 r. 03.

Seja X um ponto de F então X 0 s1 ou X 0 s2.PARALELAS LG 03: O lugar geométrico dos pontos do plano equidistantes de uma reta dada deste plano compõe-se de duas retas PARALELAS a reta dada e construídas a mesma distância d da reta considerada. r) = d. logo d(X. r) = d(s1. logo. r) e portanto. . 2a parte: Todos os pontos que distam d da reta r pertencem à F. Portanto. d(Y. Nas demonstrações das duas partes há a idéia das distâncias entre duas retas Observação: paralelas. Vamos mostrar que é um lugar geométrico: Seja F = s1 Prova: c s2. r) = d. r) = d(s1. r) ou d(X. r) = d. da distância de ponto à reta e as passagens podem ser detalhadas utilizando-se retângulos. s2 // r e d(s2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 54 LUGAR GEOMÉTRICO 3 . r) e assim Y 0 s1 ou Y 0 s2. Prova: Seja Y um ponto que dista d da reta r. ou seja. F = s1 c s2 é um lugar geométrico. 1a parte: Todos os pontos de F distam d da reta r. onde s1 // r e d(s1. d(X. r) = d(s2. r) ou d(Y. d(Y. r) = d. Logo. r) = d(s2. Y 0 F.

Construir um triângulo MNP com a mesma área do triângulo ABC dado. 03. 02. . Traçar paralelas a distância d da reta r. em que a base será a. Traçar pelo ponto P uma reta paralela a reta r dada de duas maneiras distintas.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 55 EXERCÍCIOS 01.

Prova: Seja X um ponto que pertence a F. Ob1 e Ob2 as bissetrizes dos ângulos formados por r e s. e F = Ob1 c Ob2. X 0 b1 ou X 0 b2. XÔA = XÔB (por hipótese X pertence à bissetriz) e de r e s. . 1Ô3=3Ô2). Portanto. compõe-se de duas outras retas. r) e = d(X. 1a parte: Todo ponto de F equidista dos lados desse ângulo (rÔs).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 56 LUGAR GEOMÉTRICO 4 . perpendiculares entre si e BISSETRIZES dos ângulos formados pelas retas dadas. logo. Observação: As retas b1 e b2 assim construídas como mostra a figura acima são bissetrizes dos ângulos formados pelas retas dadas (pois. Logo. ou seja. para b1 temos que os triângulos O13 e O23 são congruentes por LLL.BISSETRIZ LG 04: O lugar geométrico dos pontos do plano equidistantes de duas retas concorrentes dadas. Nos triângulos XOA e XOB temos que OX é lado comum. Vamos mostrar que é um lugar geométrico: Sejam r e s as retas concorrentes. XOA e XOB são triângulos congruentes. = ou seja. lados e ângulos correspondentes são congruentes. s). = OÂX (são ângulos retos). X eqüidista pelo critério LAAo. Como as distâncias de X aos lados do ângulo são medidas segundo segmentos perpendiculares então = d(X. Assim.

os triângulos YOC e YOD são congruentes. (por hipótese) (são ângulos retos). r) = d(Y. ou seja. s). Mostre que toda tangente a uma circunferência é perpendicular ao raio no ponto de tangência. r) = d(Y. temos: e 0 Ob1 ou Y 0 Ob2 . Obter um ponto P equidistante das retas r e s e que pertença à reta a. Seja d(Y. . Assim. Y Então. nos triângulos YOC e YOD. DEFINIÇÃO: A tangente a uma circunferência é a reta que intercepta a circunferência num único ponto. YÔC = YÔD e OY é bissetriz e Y portanto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 57 2a parte: Todo ponto que é eqüidistante dos lados de um ângulo pertence à F. Logo. s) = e assim temos que é lado comum. 03. 0 F. 02. d(Y. e a semi-reta OY. EXERCÍCIOS 01. Como Y é eqüidistante de r e s. pelo caso especial de congruência de triângulos retângulos (LLAr). Vamos provar que OY é a bissetriz do ângulo formado pelas retas. O ponto comum é chamado ponto de tangência. Mostre que toda reta perpendicular a um raio na sua extremidade da circunferência é tangente à circunferência. Prova: Consideremos um ponto Y eqüidistante de r e s.

06. 120o. Traçar circunferências de raio d. conhecendo o lado b e sabendo que o vértice A está na circunferência dada. 11o15'.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 58 04. sem usar o ponto de interseção das mesmas. Construir os ângulos notáveis: 90o. Traçar a bissetriz do ângulo formado pelas retas concorrentes r e s. São dados dois pontos B e C e uma circunf(D. Construir um triângulo ABC. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. 60o. 30o. 15o. 150o. . 05.d). 45o. tangentes as semi-retas Or e Os dadas. 22o30'.

São dadas três retas a. Construir um triângulo ABC isósceles.d). Construir uma circunferência tangente às retas b e c. . 04. sabendo que seu centro pertence a reta a. São dados dois pontos A e B e uma distância r. sabendo-se que o vértice A pertence à circunferência dada. 05. Construir uma circunferência que passe A e B e que tenha raio igual a r. concorrentes duas a duas.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 59 02. São dados dois pontos B e C e uma Circunf(D. b e c. de base BC. Construir um retângulo dados os lados = 5cm e = 3cm. p 03.

tangentes às retas concorrentes a e b dadas. Construir uma circunferência inscrita ao triângulo ABC dado. . Construir circunferências de raio r dado.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 60 06. 07.

A medida angular de um arco de circunfeO arco interceptado por um ângulo rência é a medida do ângulo central correspondente. { b) a representação vale somente para o menor arco. Quando não se especifica qual deles.Dois pontos A e B de uma circunferência dividem-na em duas partes. Assim. . Notação: AMB e ANB. AMB e ANB.CORDA é qualquer segmento que tem as extremidades em dois pontos da circunferência. Define-se: . considera-se o menor. para representar o arco AMB (o { menor dos arcos da figura acima) escreve-se AB. central é correspondente a esse ângulo.DIÂMETRO é qualquer corda que passa pelo centro de uma circunferência. . ÂNGULO CENTRAL DEFINIÇÃO: Ângulo central é todo o ângulo que possui o vértice no centro da circunferência e cada um de seus lados contém um raio da mesma. Quando os arcos são designados com apenas duas letras fica convencionado: a) as duas letras são as que indicam os seus extremos. A corda que une os extremos de um arco subtende o arco. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 61 ÂNGULOS E CIRCUNFERÊNCIA Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. Cada parte denomina-se ARCO CIRCULAR ou simplesmente ARCO e os { { pontos A e B são os extremos. Observação: . ou ele é o arco que corresponde ao ângulo central.

Observação: . logo o triângulo POA é isósceles de base PA e portanto. PÂO = Sabemos que a medida de um ângulo externo de um triângulo é igual a soma dos ângulos internos a ele não adjacente. mais freqüentemente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 62 ÂNGULO INSCRITO DEFINIÇÃO: Ângulo inscrito é todo ângulo que possui seu vértice sobre a circunferência e cada um de seus lados contém uma corda da mesma. TEOREMA: Prova: Consideremos uma circunferência de centro O e três pontos.O arco interceptado por um ângulo inscrito é correspondente a esse ângulo ou. A. ou seja. AÔB = PÂB + = então este é um .Quando os lados de um ângulo inscrito e de um ângulo central cortam-se sobre os mesmos pontos sobre a mesma circunferência então eles são ditos ângulos correspondentes. ele é chamado arco que o ângulo enxerga. sobre a mesma. . Sendo PO e OA raios da circunferência então eles possuem a mesma medida r. { Devemos mostrar que = = 1o Caso: O ponto O pertence ao lado do ângulo inscrito Como O pertence ao segmento diâmetro da circunferência. possuem os ângulos da base congruentes. Todo ângulo inscrito mede a metade do ângulo central correspondente. B e P.

Logo. Logo. & ½BÔD = ÂNGULO DE SEGMENTO DEFINIÇÃO: Ângulo de segmento (ou ângulo semi-inscrito) é o ângulo formado por uma corda e a tangente à circunferência por uma das extremidades da Observação: corda. Assim. = ½AÔC + ½CÔB = 3o Caso: O ponto O é externo ao ângulo inscrito Consideremos a semi-reta PO. esta corta a circunferência num ponto C. = Mas pelo primeiro caso temos que quando um dos lados de um ângulo inscrito contém o centro da circunferência então a sua medida é metade do ângulo central correspondente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 63 2o Caso: O ponto O é interno ao ângulo inscrito Consideremos a semi-reta PO. ½AÔB. = Pelo caso anterior. Logo. . esta corta a circunferência num ponto D. Logo. conduzida O arco interceptado por um ângulo de segmento também é chamado arco correspondente a esse ângulo. ½AÔB. = = ½AÔC e + = ½CÔB. = = ½AÔD e = ½AÔD = ½DÔB. sabemos que quando um dos lados de um ângulo inscrito contém o centro da circunferência então a sua medida é metade do ângulo central correspondente. Assim.

Como a reta t é tangente à circunferência então OÂC = OÂB + BÂC = 90o ou OÂB = 90o & BÂC (4). temos que a medida do ângulo central não se altera. tem suas medidas iguais à metade do ângulo central correspondente. A e B da mesma. de (3) e (4) temos que 90o & AÔB/2 = 90o & BÂC. logo no triângulo AOB temos que OÂB + Como = AOB é isósceles de base + AÔB = 180o (1). Logo.r) e três pontos P.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 64 PROPOSIÇÃO: A medida de um ângulo de segmento é igual à metade da medida do ângulo central correspondente. Evidentemente pode-se dizer que o ângulo de segmento. (2). Devemos provar que BÂC = AÔB/2 = AB/2. por serem raios de uma mesma circunferência.ARCO CAPAZ Consideremos uma Circunf(O. LG 05: O lugar geométrico dos pontos do plano que enxergam um segmento AB segundo um ângulo de medida α constante é o par de ARCOS CAPAZES do ângulo α descrito sobre o segmento . ou OÂB = (180o & AÔB)/2 = 90o & AÔB/2 (3). e portanto BÂC = AÔB/2. temos que o triângulo e portanto OÂB = De (1) e (2) temos que OÂB + OÂB + AÔB = 180o . Sabemos que a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a 180o. LUGAR GEOMÉTRICO 5 . logo a medida do ângulo inscrito correspondente também não se altera. Fazendo o ponto P percorrer o arco AB. assim como o ângulo inscrito. Prova: { Consideremos a figura anterior.

pelo teorema do ângulo externo temos: > ou < = α (para P externo a F) > α ou < α. segundo o ângulo segundo o ângulo α. é ângulo inscrito. temos que … α. temos que Y 0 F então = α (provado na primeira Nos dois casos. ou seja. Seja um ponto P ó F (P pode ser externo ou interno a F). ou seja. 1a parte: Todo ponto do arco capaz do ângulo α enxerga Prova: Se X pertence a F então logo = ou seja. Consideremos Y o ponto de interseção de parte). A demonstração será feita pela contra-positiva. vamos tomar um ponto que não pertence a qualquer um dos arcos capazes e provar que ele não vê segundo o ângulo α. no triângulo YBP (considerando os dois casos). Assim. o par de arcos capazes é o lugar geométrico. = α.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 65 Vamos mostrar que é um lugar geométrico: { { Consideremos o par de arcos ACB e ADB. Seja F = { ACB { c ADB. = α (para P interno a F) (ou com F. 2a parte: Todo ponto que enxerga Prova: α pertence a um dos arcos capazes do ângulo α. Portanto. .

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 66 EXERCÍCIO: dado α. a semi-soma dos arcos compreendidos entre os lados e seus prolongamentos. logo. Construir o par de arco capazes de um segmento AB dado segundo um ângulo ÂNGULO EXCÊNTRICO INTERIOR DEFINIÇÃO: TEOREMA: Ângulo excêntrico interior é o ângulo formado por duas cordas de uma O ângulo excêntrico interior tem por medida circunferência que se cortam no interior da circunferência. Sendo  e { ângulos inscritos. (AB CD) O ângulo é um dos (1). fora do centro. que designa.remos simplesmente por Prolongando AP e BP obtemos os pontos C e D sobre a circunferência. = AÔB/2 = =  + ângulos externos do triângulo PAC. Prova: Seja um ângulo excêntrico interior. Devemos provar que Tracemos o segmento = { + { / 2. porém. temos que:  = CÔD/2 = CD/2 (2) e { AB/2 (3). .

= AÔB/2 { ângulos inscritos. TEOREMA: Prova: Seja O ângulo excêntrico exterior tem por medida a semidiferença dos arcos compreendidos entre os seus lados. Sendo triângulo vem que Sendo  e = Â+ ou = &  (1). ÂNGULO EXCÊNTRICO EXTERIOR DEFINIÇÃO: Ângulo excêntrico exterior é o ângulo que possui o vértice fora da circunfe- rência e cujos lados são secantes à mesma. DC) um dos ângulos externos desse Unindo A e C temos um triângulo ACP. . temos  = DÔC/2 = DC/2 (2) e que ={ AB/2 { = AB/2 (3).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 67 Logo. substituindo (2) e (3) em (1) vem que: { { { = AB/2 +{ CD/2 = (AB + CD)/2. Substituindo (2) e (3) em (1) vem que &{ = { − DC)/2. um ângulo excêntrico interior que será indicado por ={ (AB Devemos mostrar que &{ / 2. DC/2 (AB { ÂNGULO CIRCUNSCRITO DEFINIÇÃO: Ângulo circunscrito é o ângulo cujo vértice é um ponto exterior à circunferência e cujos lados são formados por duas tangentes à circunferência.

Sejam A e B os pontos de tangência dos lados do ângulo na circunferência. Ou seja. Logo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 68 TEOREMA: Consideremos uma circunferência e um ângulo circunscrito de vértice P. AB = 360o mas OÂP = = 90o então AÔB + = 180o Sendo AOBP um quadrilátero temos que a soma dos seus ângulos internos vale 360o. então do ângulo circunscrito B. de (1) e (2) temos que{ AB/2 = AÔB/2 = BÂP = é isósceles de base e assim os lados são congruentes. Construir os arcos capazes do segmento 135o e 120o. e temos que AB/2 (2). Como PA é tangente à circunferência no ponto A e é uma corda da circunferência e a medida é igual a 180o menos a medida do arco menor determinado por A e temos que BÂP é um ângulo de segmento e portanto BÂP = AÔB/2 = AB/2 (1). o triângulo APB é tangente à circunferência no ponto B e é um ângulo de segmento e portanto é uma corda da = AÔB/2 = { { Parte b: Provar que ou seja. & AÔB. . ou seja. circunferência. Analogamente. Poderíamos também provar o item a mostrando que os triângulos PAO e PBO Observação: são congruentes por LLAr. = 4cm segundo os ângulos de 60o. Prova: Parte a: Provar que Consideremos o triângulo APB. EXERCÍCIOS 01. OÂP + AÔB + ou = 180o = 180o + &{ = 180o & AÔB. 45o.

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GEOMETRIA

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02. Considere a figura dada abaixo. Quanto vale α em função de β?

Observação: arco.

Se quisermos o arco capaz de 120o, basta construir o de 60o e tomar o outro

03. Uma semi-circunferência é um arco capaz de ____o, pois o ângulo central correspondente mede _____o. Construir o arco capaz de 90o de um segmento de construção. 04. Dados três pontos A, B e C encontrar um ponto P do qual possamos ver os segmentos e segundo ângulos constantes α e β respectivamente. Descreva o processo

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05. Traçar uma reta p perpendicular a uma reta r dada, e que passe por um ponto P, da reta r, dado.

06. Traçar uma perpendicular ao segmento

por um ponto P, sem prolongar o segmento.

07. Construir um triângulo ABC conhecendo:

= 5,5cm, ha = 4cm e  = 60o.

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DE

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. Prove que o diâmetro é a maior corda da circunferência. 02. Prove que o diâmetro perpendicular a uma corda divide-a ao meio. 03. Prove que o diâmetro que divide ao meio uma corda é perpendicular a essa corda.

RELAÇÕES MÉTRICAS NOS SEGMENTOS
PROPORCIONALIDADE NOS SEGMENTOS Consideremos um feixe de retas paralelas cortadas por um feixe de retas concorrentes.

TEOREMA DE TALES: Um feixe de retas paralelas divide um feixe de retas concorrentes segundo segmentos proporcionais.

EXERCÍCIOS
01. Dividir o segmento = 5cm em n partes iguais.

= 6 cm em partes proporcionais a números dados. Dividir um segmento 3 e c = 1/2. Dividir um segmento = 5cm em partes proporcionais aos segmentos dados abaixo. Dividir um segmento = 7 cm por um ponto P numa razão dada k = &7/2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 72 02. 03. a = 2. . b = 04.

06. b e c. b e c obter a quarta proporcional nesta ordem. Dividir um segmento = 7 cm por um ponto Q numa razão dada k = 7/2. . (terceiro QUARTA PROPORCIONAL A TRÊS SEGMENTOS (OU NÚMEROS) DADOS DEFINIÇÃO: Dados três segmentos (ou números) a. = 7cm na razão dada k = 5/3.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 73 05. a quarta proporcional aos três segmentos é um segmento (ou número) x. na ordem dada. Obter os conjugados harmônicos do segmento e quarto harmônicos). eles a seguinte proporção: EXERCÍCIO: Dados a. tal que.

a terceira proporcional aos dois segmentos é um segmento x. eles formem a seguinte proporção : EXERCÍCIO: Obter a terceira proporcional aos segmentos a e b.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 74 TERCEIRA PROPORCIONAL A DOIS SEGMENTOS (OU NÚMEROS) DADOS DEFINIÇÃO: Dados dois segmentos (ou números) a e b. na ordem dada. EXERCÍCIO: Construir um triângulo retângulo sendo dados a hipotenusa a e a projeção m do cateto b sobre a hipotenusa. PROPRIEDADES NO TRIÂNGULO RETÂNGULO EXERCÍCIO: Construir um triângulo retângulo sendo dados as projeções m e n dos catetos b e c. respectivamente. . tal que. nessa ordem.

tal que: EXERCÍCIOS 01. é um segmento x. a média geométrica (ou média proporcional) entre ou x2 = p. .n PROPOSIÇÃO: Em todo triângulo retângulo a altura do vértice do ângulo reto é média geomé- trica (ou proporcional) entre as projeções dos catetos sobre a hipotenusa.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 75 Recordando: h2 = m. PROPOSIÇÃO: Em todo triângulo retângulo os catetos são médias geométricas entre a hipote- nusa e as suas projeções sobre a hipotenusa.m c2 = a.q ou x = eles. Obter a média geométrica entre os segmentos p e q dados. MÉDIA GEOMÉTRICA OU MÉDIA PROPORCIONAL DEFINIÇÃO: Dados dois segmentos p e q.n b2 = a.

tal que x2 = p2 & q2. Dados p. Dados p. 05. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 76 02. 03. Dados p e q obter x. tal que x2 = p2 + q2. q e r obter x tal que x2 = p2 + q2 & r2. 04. q e r obter um segmento x tal que x2 = p2 + q2 + r2. Dados p e q obter x.

obter: a) x = b) y = c) z = d) t = e) w = .3 cm.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 77 06. Dado o segmento p = 4.

obter y tal que: 08.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 78 07. z tais que . x. Dado o segmento p (do exercício anterior). y. Dado o segmento p. obter t.

Sejam os ângulos α1 = temos então que e α2 = = α. Prova: Parte a: bissetriz interna. a bissetriz de um ângulo divide o lado oposto em dois segmentos. De (1) e (2) temos que α = α1 = α2. E como PM e BB’ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB’ então determinam ângulos correspondentes congruentes. Queremos mos a semi-reta AM e tracemos por B uma reta paralela à bissetriz bi (PM). obtendo um ponto Como PM e BB’ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB então determinam ângulos alternos internos congruentes. Considerando o triângulo MBB’. ou seja. os quais são proporcionais aos outros dois lados. Consideremos a bissetriz interna bi do triângulo relativa ao ângulo mostrar que Como bi é bissetriz interna do ângulo B’ sobre a semi-reta AM. como temos dois ângulos internos congruentes (α1 = α2) então ele é isósceles de base BB’ e portanto (3). ConsidereSeja P o ponto de interseção da reta bi com o lado do triângulo. α = α2 (2). α = α1 (1). mas de (3) temos que e . Seja um triângulo MAB.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 79 TEOREMA DAS BISSETRIZES TEOREMA DAS BISSETRIZES: Em um triângulo. Como temos as retas AB e AB’ concorrentes e cortadas pelas paralelas MP e BB’ então pelo teorema de Tales temos que portanto = ou = = b/a. ou seja.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 80 Parte b: bissetriz externa. β = β2 (2). E como BB’ e MQ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB’ então determinam ângulos correspondentes congruentes. ou seja. = ou = = b/a. são suplementares. (3). Consideremos o prolongamento do lado AM e um ponto C tal que M esteja entre A e C. Seja = b/a. do triângulo MAB relativo ao vértice M. β = β1 (1). Seja um triângulo MAB. Queremos mostrar que Como be é bissetriz externa do ângulo os ângulos β1 = e β2 = temos que = = β. Considerando o triângulo MBB’ como temos dois ângulos congruentes (β1 = β2) então ele é isósceles de base BB’ e portanto pelo teorema de Tales temos que: portanto. ou seja. Sejam Como BB’ e MQ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB então determinam ângulos alternos internos congruentes. mas de (3) temos que e Como temos as retas AQ e AM concorrentes e cortadas pelas paralelas MQ e BB’ então Observações: a) As duas bissetrizes bi e be formam ângulo de 90o pois os ângulos interno e externo. obtendo um ponto B’ sobre AM. b) Como = b/a e = b/a temos que P e Q são os conjugados harmônicos de A e B na razão b/a. . Tracemos por B uma reta paralela à bissetriz be. De (1) e (2) temos que β = β1 = β2. Seja be a bissetriz externa do triângulo relativa ao ângulo Q o ponto de interseção da reta be com a reta AB.

onde P e Q são os conjugados harmônicos de A e B na razão k = b/a. Tracemos as bissetrizes interna e externa relativas ao vértice M do triângulo ABM. cujo diâmetro é o segmento PQ. Vamos provar que: todo ponto M que satisfaz a relação circunferência de diâmetro Seja M um ponto que satisfaz = 3/1. Vamos mostrar que é um lugar geométrico: Prova: Sem perda de generalidade.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 81 LUGAR GEOMÉTRICO 6 . consideremos k = 3/1. = 3/1 pertence à .CIRCUNFERÊNCIA DE APOLÔNIO Consideremos um segmento e uma razão k = b/a. Consideremos o triângulo ABM. obtendo sobre AB os pontos P e Q. LG 06 : O lugar geométrico dos pontos do plano cuja razão das distâncias a dois pontos fixos A e B é constante e igual a k = b/a compõe-se de uma circunferência.

concluímos que M enxerga ângulo constante é o arco capaz deste segmento segundo este ângulo. Mas o lugar geométrico dos pontos M que enxergam um segmento ângulo é de 90o então o arco capaz é uma circunferência de diâmentro de 90 ). são os conjugados harmônicos de A e B na razão 3/1. ou seja. e como neste caso o (dois arcos capazes EXERCÍCIOS 01. Dados os pontos A e B. os quais são proporcionais aos outros dois lados. M pertence à circunferência de diâmetro Também provamos que todo ponto M que pertence à circunferência de diâmetro satisfaz a relação = 3/1. Dados os pontos A e B. construir o lugar geométrico dos pontos M tais que = 7/2. 02. Assim. o Como essas bissetrizes são perpendiculares. construir o lugar geométrico dos pontos M tais que = 3/5. segundo segundo um Q.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 82 Pelo teorema das bissetrizes sabemos que as bissetrizes de um ângulo de um triângulo (interno e externo) dividem o lado oposto em dois segmentos. pois pela hipótese um ângulo reto. e portanto também possuem a mesma propriedade que o ponto M. Isto nos mostra que P e = 3/1. = b/a = 3/1 e = b/a = 3/1. .

dados a = 2. = (a & x). SEGMENTO ÁUREO DE UM SEGMENTO DADO DEFINIÇÃO: Dado um segmento diz-se que se efetua uma divisão áurea de por meio de um ponto P quando esse ponto divide o segmento em duas partes desiguais. = deve ser áureo de então deve satisfazer a seguinte relação: ou x2 = a. Construir um triângulo ABC. Logo.2cm e b/c = 3/5. ha = 2. onde x é uma medida a ser determinada. Logo. tal que a maior (esta é o segmento áureo) é média geométrica entre a menor e o segmento todo.x x2 + a.x & a2 = 0 .(a x2 = a2 & x) & a. como queremos a medida do segmento áureo de = x.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 83 03. o segmento o mesmo que Assim.8cm. dado um segmento queremos obter o seu segmento áureo é áureo do segmento dado quando ou é = Seja o segmento consideremos Como de medida a.

ou seja. a solução desta equação é: Y 9 Para e Basta observar que estas medidas são hipo- Consideremos destas duas raízes apenas x’ (por ter medida menor que a = determinarmos a medida do segmento áureo devemos obter um segmento com a medida x. um ponto P’ tal .unir A e C = a/2. ˆ = = (pelo teorema de Pitágoras).descrever uma circunferência de centro em C e raio a/2.sobre a perpendicular obter o ponto C tal que .obter o ponto médio de . b) A existência de duas raízes indica que existem dois pontos P e P2 que dividem o segmento em duas partes desiguais.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 84 Portanto. tal que a maior seja . obter os segmentos de medidas: tenusa e cateto de um triângulo retângulo de catetos a e EXERCÍCIO: Obter o segmento áureo de um segmento dado Procedimento: .Por uma das extremidades do segmento .transportar o segmento é áureo de Observações: a) Segundo Euclides é dividir um segmento em média e extrema razão. sobre tal que . obtendo sobre que & . traçar uma reta perpendicular.

x2 + a. Consideremos apenas a primeira raiz a’.PB e P2A2 = AB. para obter a medida de construir um triângulo retângulo. a solução desta equação é: Y 9 basta são catetos e será a hipotenusa. AP2 = AB.x & x2 = 0. onde a e Construção: . ou seja. a2 & a. Portanto. EXERCÍCIO: Considerações: Conhecemos agora a medida do segmento áureo então = (x fazendo = xe = a. c) Veremos a seguir que o segmento AB é áureo do segmento AQ. somente o segmento AP é dito segmento áureo de AB.x & a2 = 0. Assim. Ou seja. porém. Sendo então. Dado um segmento obter do qual é áureo. Como seja x2 = a.(a deve ser áureo de então pela definição devemos ter: = ou & x). o segmento P2A áureo de P2B.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 85 média geométrica entre a menor e o segmento todo.P2B. & a).

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 86 POTÊNCIA DE UM PONTO EM RELAÇÃO A UMA CIRCUNFERÊNCIA Consideremos uma circunferência qualquer de centro O e raio r. ou = k. = k. onde. Denomina-se potência de ponto com relação a uma circunferência. Sejam os triângulos APD e CPB. ou seja. = = Observação: Se P é externo e uma das retas é tangente a circunferência num ponto T então . que enxergam uma mesma corda lados correspondentes são proporcionais. Como (por serem ângulos opostos pelo vértice) e (pois B e D pertencem ao arco capaz da corda temos que os triângulos APD e CPB são semelhantes. C e D. Sejam os triângulos PAD e PCB. B. Por P podemos traçar infinitas retas cortando a circunferência nos pontos A e B. etc. 2o Caso: P é interno à circunferência Consideremos duas secantes quaisquer passando por P e cortando a circunferência nos ponto A. Prova: 1o Caso: P é externo à circunferência Consideremos duas secantes quaisquer passando por P e cortando a circunferência nos pontos A.. então os ou = k.PB = PC.r).PD = PE. Como = (pois é comum) e = (são ângulos inscritos numa mesma circunferência temos que os triângulos são semelhantes. E e F. ou seja. então os lados correspondentes são proporcionais.PF = . a relação: PA. C e D. e um ponto P. para cada posição para P existe uma constante k. C e D.. B. chamada potência do ponto P em relação à Circunf(O.

temos dois triângulos PTA e PBT. Dados: AB = 6. onde (ângulo comum). Se k=1 então a’ = 1/a. a e b. PC = b e PD = b'. Assim.b’ = k ou a’ = k/a e b’ = k/b. c) Se P é ponto da circunferência então a potência k é nula. ou Observações: a) Se P é externo à circunferência. EXERCÍCIO: Dados os segmentos AB. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 87 De fato. considerando uma reta tangente à circunferência num ponto T e uma secante à mesma. os segmentos a’ e a. chamando PA = a. d) Para cada posição do ponto P a potência possui um valor k.a’ = b. (ângulos de segmento e inscrito relativos a uma mesma corda portanto os triângulos ão semelhantes. ou seja. podemos escrever: a. Ou seja. conhecidos segmentos. logo. a potência k é positiva. b’ e b são inversamente proporcionais com relação a uma constante k. Observação: Na figura do 2o caso. PB = a'. os lados correspondentes são proporcionais. dividir AB em partes inversamente proporcio- nais aos segmentos a e b. podemos obter os seus inversos. b) Se P é interno à circunferência. a = 3cm e b =2cm. a potência k é negativa.5cm.

.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 88 EXERCÍCIOS 01. sem usar o centro da mesma. Justificar a obtenção do segmento áureo utilizando o conceito de potência de ponto numa circunferência. Traçar tangentes à circunferência dada. 02. que passem pelo ponto P dado.

Temos que. seus vértices pertencem a uma mesma circunferência. Consideremos o ângulo central BÔD = α. = 360o então b) Quadrilátero circunscritível PROPOSIÇÃO: Um quadrilátero ABCD é circunscritível quando a soma dos lados opostos são iguais Prova: Seja ABCD um quadrilátero circunscrito a uma circunferência.  = α/2 (pois  é ângulo inscrito na circunferência relativo ao ângulo central BÔD = α). = 180o ou = (360o & α)/2 (pois = α/2 + (360o + + é ângulo inscrito na circunferência relativo ao ângulo central 360o & α). é inscritível quando  + = 180o. Q. Assim.  + E como  + Um quadrilátero ABCD. convexo. R e S os pontos de tangência de respectivamente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 89 PROPRIEDADES DOS QUADRILÁTEROS a) Quadrilátero inscritível PROPOSIÇÃO: + Prova: Seja um quadrilátero ABCD inscritível. ou seja. + = + + + + = = + + + Y temos: = = Analogamente para os = e = . por (1). Sejam P. Logo. + = 180o. ou seja. Logo. & α)/2 = 180o. seus quatro lados são tangentes à circunferência. Pela potência do ponto A em relação à circunferência. temos: outros vértices (1).

02.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 90 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. Numa circunferência duas cordas se cortam. Justifique a resposta. . os segmentos de uma medem 3cm e 6cm respectivamente. Determine o valor de x e y. um dos segmentos da outra corda mede 2cm. Calcular o outro segmento.

o ponto O é equidistante dos pontos B e C. Observação: Dependendo da posição do circuncentro podemos classificar os triângulos quanto aos ângulos. PROPRIEDADE: As mediatrizes de um triângulo interceptam-se num mesmo ponto O que está à igual distância dos vértices do triângulo. O pertence a mediatriz de BC. {O} 0 mAB 1 mBC 1 mAC e OA = OB = OC. Prova: Sejam mAB. temos OB = OC. B e C então ele é centro de uma circunferência que circunscreve o triângulo ABC. e com isto. pela propriedade transitiva. Como O é equidistante dos ponto A. 0 mAB Y OA = OB (pela propriedade de mediatriz) e O 0 mAC Y OA = OC (pela propriedade de mediatriz) 0 mBC. mBC e mAC mediatrizes dos lados AB. ou seja. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 91 CAPÍTULO III RELAÇÕES MÉTRICAS NOS TRIÂNGULOS I . BC e AC do triângulo ABC. DEFINIÇÃO: O circuncentro de um triângulo é o ponto de encontro de suas mediatrizes. mBC e mAC.PONTOS NOTÁVEIS 1o) CIRCUNCENTRO: O Consideremos um triângulo ABC e as mediatrizes mAB. temos que O 1 mAC. ou O Portanto. Seja O o ponto tal que {O} = mAB Assim. Logo.

YMa e CY=2. temos que os ângulos alternos internos são congruentes. ou seja. MbX/XB = McX/GX = McMb/BC = 1/2. o segmento McMa. e = Portanto. 2o) BARICENTRO: G Consideremos um triângulo ABC e as medianas ma. ou seja.YMc.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 92 DEFINIÇÃO: Ceviana é um segmento que une um vértice dum triângulo a qualquer ponto do lado oposto. que é paralelo ao lado BC e mede a metade de BC (1). a parte que contém o vértice é o dobro da outra. assim. ou seja. tais que. assim. por (3). Consideremos agora. então. Consideremos o segmento McMb. = E portanto os triângulos McXMb e CXB são semelhantes (possuem dois pares de ângulos congruentes). BX = 2.YMc (4). CG = 2. que divide cada mediana em duas partes. PROPRIEDADE: As três medianas de um triângulo interceptam-se num mesmo ponto G. mb e mc. que é paralelo ao lado AC e mede a metade de AC (3). MaY/YA = McY/YC = McMa/AC = 1/2.XMb e CX = 2. temos que os lados correspondentes são proporcionais. temos que os lados correspondentes são proporcionais.GMc e AG = = 2. por (1). Comparando (2) e (4) temos que CX=2. Seja X o ponto tal que BMb intercepta CMc. ou seja. ou CX/McX = 1/2 e CY/McY = = = e . Assim. AY=2. Assim. Prova: Devemos provar que AMa 1 BMb 1 CMc = {G} e que BG = 2. então. Seja Y o ponto tal que AMa intercepta CMc. os triângulos McYMa e CYA são semelhantes (possuem dois pares de ângulos congruentes).XMc (2).GMa .GMb .XMc e CY=2. temos que os ângulos alternos internos são congruentes.

Construir o triângulo ABC. chamando este ponto X 2.GMc e AG=2. EXERCÍCIOS 01. / Y de G temos que AMa 1 BMb 1 CMc = {G} e BG = Assim. dados: a = 6cm. 02. Construir o triângulo ABC.GMb. CG=2. DEFINIÇÃO: O baricentro de um triângulo é o ponto de interseção das suas medianas. logo X / Y. mb = 4cm e mc = 5cm.GMa. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 93 1/2. dados em situação o baricentro G e os vértices B e C.

Logo. e com isto. temos que I e do triângulo ABC. CB) (pela propriedade de bissetriz) 0 sa. o ponto I é equidistante das retas BA e CA. ou seja. b = 7cm e mc = 5cm. AB) = d(I. ou I Portanto. sb e sc. dados: a = 6cm. temos d(I. CA) = d(I. PROPRIEDADE: As três bissetrizes de um triângulo interceptam-se num mesmo ponto que está a igual distância dos lados do triângulo. bissetrizes dos ângulos Â. BC) = d(I. Prova: Sejam sa. BA) = d(I. Construir o triângulo ABC. 0 sb Y d(I. I pertence a bissetriz de BÂC. pela propriedade transitiva. Seja I o ponto tal que {I} = sb Assim.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 94 03. AC). BA) = d(I. 3o) INCENTRO: I Consideremos um triângulo ABC e as bissetrizes sa. . CA). BC) (pela propriedade de bissetriz) e I 0 sc Y d(I. 1 sc. {I} = sa 1 sb 1 sc e d(I. sb e sc.

são chamados de ex-incentros. Ia. Ib e Ic.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 95 DEFINIÇÃO: O incentro de um triângulo é o ponto de encontro de suas bissetrizes. . Observações: a) o incentro de um triângulo é o centro da circunferência inscrita a esse triângulo. c) os ex-incentros são equidistantes de um lado do triângulo e dos prolongamentos dos outros dois. estes pontos de interseção. b) as bissetrizes externas de dois ângulos encontram-se com a bissetriz interna do ângulo oposto. d) os ex-incentros são centros de circunferências que tangenciam um lado do triângulo e os prolongamentos dos outros dois.

obtendo os pontos M. pois o circuncentro é único. Analogamente. que o quadrilátero ABCN é um paralelogramo. logo PA = BC. hb e hc. PROPRIEDADE: As três retas suportes das alturas de um triângulo interceptam-se nummesmo ponto H. . BHb e CHc dos lados do triângulo interceptam-se num mesmo ponto H. Como PN é paralelo a BC e AHa é perpendicular a BC então AHa é perpendicular a PN. Considerando o triângulo MNP. BHb e CHc são mediatrizes de PM e MN. respectivamente. o quadrilátero PACB também é um paralelogramo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 96 4o) ORTOCENTRO: H Consideremos um triângulo ABC e as alturas ha. Temos. Da mesma forma. Sejam Ha. Prova: Devemos mostrar que o ponto H é único. Portanto o ponto H é único. Sendo A ponto médio de PN e PN perpendicular a AHa então AHa é mediatriz de PN. Assim. Traçar pelos vértices do triângulo retas paralelas aos lados. logo AN = BC. N e P. as mediatrizes AHa. Hb e Hc os pés das alturas do triângulo. então. como AN = BC e PA = BC então AN = PA.

Devemos provar que Consideremos as alturas do triângulo ABC. = = γ por serem ângulos inscritos de uma mesma circunferência que enxergam a mesma corda HcHb. Assim. Considerar esta . então existe uma circunferência que passa pelos quatro pontos. de (1) e (2) temos que circunscrita.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 97 DEFINIÇÃO: O ponto de interseção das retas suportes das alturas de um triângulo é o ortocentro do triângulo. então Hc e Hb pertencem à Circunf(Ma. Logo. Assim. Os pontos Hc e Ha vêem HB segundo um ângulo de 90o. MaB). = = γ = α (2) por serem ângulos inscritos de uma mesma circun= ou = ferência que enxergam uma mesma corda HHc. O triângulo formado pelos pés das alturas chama-se triângulo órtico ou pedal. sendo HB o diâmentro da mesma. Considerar esta circunferência. Os pontos Hc e Hb enxergam BC segundo um ângulo de 90o. então HHaCHb é um quadrilátero inscritível (pois a soma de dois ângulos opostos é 180o). Construir esta circunferência. determinando os pontos Ha. TEOREMA: Prova: As alturas do triângulo fundamental ABC são as bissetrizes do triângulo órtico HaHbHc. Assim. = = γ = β (1) por serem ângulos inscritos de uma mesma circunferência que enxergam o mesmo arco HHb. sendo HC o diâmetro da circunferência circunferência. Hb e Hc e = α e = β. Os pontos Ha e Hb enxergam HC segundo um ângulo de 90o.

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GEOMETRIA

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Observação:

É muito importante notar que todo triângulo não retângulo possui um único

triângulo órtico. Porém, um mesmo triângulo HaHbHc é órtico de quatro triângulos diferentes, entre os quais um é acutângulo e os outros três são obtusângulos. Somente o triângulo acutângulo é denominado triângulo fundamental do triângulo órtico.

EXERCÍCIOS
01. Construir o triângulo ABC (acutângulo), dados, em situação Ha, Hb e Hc.

02. Construir o triângulo ABC (obtuso em B), dados, em situação Ha, Hb e Hc.

ELEMENTOS

DE

GEOMETRIA

99

II - PONTOS DA CIRCUNFERÊNCIA CIRCUNSCRITA
1O) TEOREMA: Os simétricos do ortocentro com relação aos lados do triângulo pertencem à

circunferência circunscrita ao triângulo.

Devemos provar que: A’ é simétrico de H em relação a BC. Como A’H é perpendicular a BC então falta provar que HHa = HaA’ (analogamente HHc = HcC’ e HHb = HbB’). Basta provar a congruência dos triângulos HCHa e CHa. Como temos = 90 e HaC comum, falta provarmos que sejam congruentes por (ALA). Temos que β = = BÂA< = γ pois são ângulos inscritos numa mesma circunferência relativos ao mesmo arco BA’. (1) Além disso, os pontos Hc e Ha enxergam AC segundo um ângulo reto, e portanto estão no arco capaz de 90o do segmento AC, logo o quadrilátero AHcHaC é inscritível na circunferência de diâmetro AC. Obter esta circunferência.
o

=

é congruente a

para que os triângulos

ELEMENTOS

DE

GEOMETRIA

100

Assim, HcÂHa = γ e = α. (2) De (1) e (2) temos que α =

= α são ângulos inscritos numa mesma circunferência

relativos ao mesmo arco HcHa. Portanto, são ângulos congruentes, ou seja, γ = HcÂHa = = = β.

Logo, os triângulos HCHa e A’CHa são congruentes, e portanto os lados e os ângulos correspondentes são congruentes, ou seja, HHa = HaA’ e como HHa z BC então A’ é simétrico de H em relação ao lado BC do triângulo. A demonstração é análoga para os outros lados do triângulo.

2o) SEIS PONTOS NOTÁVEIS DA CIRCUNFERÊNCIA CIRCUNSCRITA

Consideremos um triângulo ABC e a circunferência circunscrita ao mesmo. As mediatrizes do triângulo interceptam a circunferência circunscrita nos pontos S’a, S’b, S’c, S’’a, S’’b e S’’c; e também interceptam os lados nos seus pontos médios Ma, Mb e Mc. Considerar as bissetrizes do triângulo.

S’aÂS’’a = 90o. como BÂS’a = S’aÂC = α (pois sa é a bissetriz de BÂC) temos que os ângulos centrais correspondentes são congruentes. e como BO = S’aO = CO = r então os triângulos BOS’a e S’aOC são congruentes (LLL). S’b e S’c sobre a circunferência circunscrita.Portanto. logo estão no arco capaz de 90o de IbIc. logo BÔS’a = S’aÔC e portanto os arcos BS’a e S’aC são congruentes. . BÔS’a = S’aÔC = 2α e portanto os arcos BS’a e S’aC são congruentes. ou seja o quadrilátero IcBCIb é inscritível. então A está no arco capaz de 90o. . de (1) e (2) temos que a bissetriz e a mediatriz encontram-se no mesmo ponto S’a. .Podemos observar que BI z IcIa. . ou seja.Como S’a pertence à mediatriz de BC então BS’a = CS’a. e como AS’a é bissetriz interna do ângulo  então AS’’a é bissetriz externa do ângulo Â. .Logo. c) S’’a. . S’’b e S’’c são pontos médios dos lados do triângulo IaIbIc.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 101 PROPRIEDADES: a) As mediatrizes e bissetrizes encontram-se nos pontos S’a.S’’aS’a é um diâmetro da circunferência circunscrita pois S’a e S’’a são pontos da mediatriz do lado BC. Assim a bissetriz também divide o arco BC em duas partes iguais (2). .O ângulo S’aÂS’’a é inscrito na circunferência relativo ao diâmetro S’aS’’a. Consideremos a reta AS’’a. BS’’b e CS’’c são bissetrizes externas do triângulo ABC. pois para S’a: .O ponto A está no arco capaz da corda BC e. b) AS’’a.A demonstração é análoga para os outros pontos. AS’a z AS’’a. ou seja.B e C enxergam IbIc segundo um ângulo reto. Não é coincidência. . CI z IaIb e AI z IcIb. Consideremos o ponto S’’a: . . traçando também BS’’b e CS’’c teremos as bissetrizes externas do triângulo que encontram-se nos respectivos ex-incentros. Assim a mediatriz divide o arco BC em duas partes iguais (1).Logo.

ou seja. IIb e IIc. . logo estão no arco capaz de 90o de IIa . Bib e Cic. e deve pertencer a mediatriz de BC. d) S’a. . o quadrilátero IBIaC é inscritível. IaIc e IaIb.A demonstração é análoga para S’b e S’c. B e C são os pés das alturas Aia.B e C enxergam IIa segundo um ângulo reto.Logo o centro da circunferência circunscrita pertence ao diâmetro IcIb. e S’’a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 102 . S’b e S’c são pontos médios dos segmentos formados pelos ex-incentros e pelo incentro. onde: A. . Observação: Esta circunferência é denominada CIRCUNFERÊNCIA DOS NOVE PONTOS ou DE EULER ou ainda DE FEUERBACH. S’b e S’c são os pontos médios de Iia. e portanto IaS’a = S’aI. . Consideremos o ponto S’a: . e portanto IcS’’a = S’’aIb ou seja. e deve pertencer à mediatriz de BC. logo S’a é o centro desta circunferência. S’’a é o ponto médio de IcIb.Logo o centro da circunferência circunscrita pertence ao diâmetro IIa.A demonstração é análoga para S’’b e S’’c. logo S’’a é o centro desta circunferência. S’’b e S’’c são os pontos médios de IbIc. S’a.

logo o quadrilátero ARSP é inscritível com diâmetro AP.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 103 III . ou seja. obtendo sobre as retas suportes dos lados os pontos T. traçadas por um ponto P. pertencente à circunferência circunscrita ao triângulo e não coincidente com um dos vértices. = 180o. β’ = α’ (1) pois são ângulos inscritos numa mesma circunferência relativos à mesma corda AR. . denominada reta de Simson. Traçar pelo ponto P perpendiculares aos lados do triângulo ABC. = vale 180o. exceto um dos vértices do triângulo. Prova: Devemos mostrar que T. que o ângulo Como o ponto S pertence ao lado AC então = Como Vamos chamar = + α’ e = β e = β’. Arbitrar um ponto P sobre a circunferência. S e R. determinam uma reta. S e R estão alinhados. TEOREMA: Os pés das perpendiculares aos lados de um triângulo ABC. Logo. Assim. então é suficiente mostrar que α = α’. basta mostrar que + α. Estes ângulos serão iguais somente se TSR for uma reta. Os pontos R e S enxergam PA segundo um ângulo reto.RETA DE SIMSON. Consideremos um triângulo ABC e a circunferência circunscrita ao mesmo.

S e R estão alinhados e com isto TSR é IV . então β = β’. . = Mas. Desta forma. de (1) e (2) temos que α = α’. logo PTBR é inscritível com diâmetro PB. β = α (2) pois são ângulos inscritos numa mesma circunferência relativos à mesma corda TC. então a soma dos ângulos opostos é igual a 180o. ou seja. Logo. O quadrilátero PABC é inscritível na circunferência de centro O. seja. ou seja. denominada reta de Euler. como = + β’ e =β+ De (3) e (4) temos que Portanto. a soma dos ângulos opostos é igual a 180o. logo PSCT é inscritível com diâmetro PC. = 180o ou Os pontos T e R enxergam PB segundo ângulo reto. Logo. o baricentro e o ortocentro de um mesmo triângulo pertencem a uma mesma reta.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 104 Os pontos T e S enxergam PC segundo um ângulo reto. + = 180o ou = 180o & + (3). os pontos T. uma reta. = 180o. = 180o & (4).RETA DE EULER TEOREMA: O circuncentro. ou seja.

pois: .GMa (propriedade do baricentro). A reta OG é a reta de Euler. alternos internos então AHa é paralela a OMa. BHb é altura do triângulo ABC relativa ao De (1) e (2) temos que H é o ponto de interseção das alturas AHa e BHb.O. α = β. . G e H. = Os triângulos GHB e GOMb são semelhantes. = Os triângulos GHA e GOMa são semelhantes. Logo. G e H estão sobre uma mesma reta. . Portanto. pois GH = 2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 105 Prova: Consideremos um triângulo ABC e as mediatrizes e medianas relativas aos lados a e b do triângulo.GO (construção). Portanto. (ângulos opostos pelo vértice) e BG = 2. Obter sobre esta reta o ponto H tal que GH = 2GO. Mas OMa lado a (1). pois GH = 2. é possível obter a posição do outro.GO (construção).GMb (propriedade do baricentro). Mas OMb lado b (2). e como z AC então BHb z AC. Observação: Conhecidas as posições de dois dos pontos O. e como são z BC então AHa z BC. são alternos internos então BHb é paralela a OMb.e OG/GH = 1/2. Vamos provar que AH z BC. logo H só pode ser o ortocentro do triângulo considerado. AHa é altura do triângulo ABC relativa ao z AC. Vamos provar que o ponto H é o ortocentro do triângulo. devemos mostrar que H é o encontro das alturas do triângulo ABC. γ = δ. Traçar a reta AH obtendo Ha. Vamos provar que BH (ângulos opostos pelo vértice) e AG=2. Logo. Obter o circuncentro O e o baricentro G. Logo. Traçar a reta BH obtendo Hb.

Construir um triângulo ABC sendo dados a medida do lado a. Considerando os quatro pontos notáveis de um triângulo. o ângulo B e o raio da circunferência circunscrita ao mesmo. baricentro. Construir um triângulo ABC sendo dados a medida do lado a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 106 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. do . 05. e em função dos ângulos e Â. 02. 09. Definir: circuncentro. Determine o ângulo agudo formado pela mediatriz relativa ao lado BC e pela bissetriz do ângulo 07. Determine as medidas dos três ângulos obtusos formados pelas mediatrizes de um triângulo equilátero. respectivamente. responda: a) Quais os que podem ser externos ao triângulo? b) Qual o que pode ser ponto médio de um lado? c) Qual o que pode ser vértice do triângulo? 06. o ângulo B e o raio da circunferência inscrita ao mesmo. Em um triângulo ABC os ângulos  e medem respectivamente 70o e 60o. Determine as medidas dos ângulos triângulo. Determine a razão entre os dois maiores ângulos formados pelas interseções das três alturas. 08. Provar que cada um destes pontos é único. os ângulos  e medem respectivamente 86o e 34o. a altura e a mediana relativas a este lado. ortocentro e incentro. Construir um triângulo ABC sendo dados a medida do lado a. As três bissetrizes de um triângulo ABC se encontram num ponto I. 04. 03. Num triângulo ABC. Obter cada um destes pontos num triângulo ABC escaleno.

Provar que AR = AQ = p & a. Considere um triângulo ABC de lados AB = c. quanto vale AP? 12. AC e AB tangenciam a circunferência inscrita. Q e R os pontos em que os lados BC. BP = BR = p & b e CQ = CP = p & c. 11. ou seja. AC = b e BC = a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 107 10. onde p é o semi-perímetro do triângulo. e sejam P. Seja P o ponto de tangência da circunferência inscrita no triângulo ABC. As bissetrizes externas de um triângulo ABC formam um triângulo IaIbIc. BC = 6cm e AC = 8cm. 2p = a + b + c. Prove que o ângulo que se opõe ao lado BC do triângulo ABC é o complemento da metade do ângulo  desse triângulo. . Se AB = 7cm. com o lado AB.

Lindemann (1852-1939) demonstrou que a quadratura do círculo é impossível utilizando apenas régua e compasso. C. O erro teórico é dado pela seguinte expressão: Et = valor obtido & valor real . já que a linha desenhada possui espessura. Tais erros. cometemos erros gráficos. RESULTADOS APROXIMADOS EM PROBLEMAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS Ao desenharmos uma figura. por mais precisos que sejam os traços. a construção de um ângulo de 75o é teoricamente exata (75o = 60o + 15o).RETIFICAÇÃO DA CIRCUNFERÊNCIA Retificar uma circunferência consiste em obter o seu perímetro.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 108 CAPÍTULO IV RELAÇÕES MÉTRICAS NA CIRCUNFERÊNCIA I .L. logo. que é impossível obter graficamente o valor πr. porém. utilizando apenas régua e compasso. Por exemplo. Assim. obter o comprimento C tal que C = 2πr. Ou seja. PROBLEMA: Obter o lado l de um quadrado cuja área seja igual à de um círculo de raio r conhecido. l é média geométrica entre πr e r. entretanto a execução dos traçados pode acarretar erros (tanto menores quanto maior for o capricho do desenhista). ou seja. Como as áreas devem ser iguais então devemos ter l2 = πr2. Um determinado processo é considerado conveniente quando o erro teórico é tão pequeno que pode ser considerado desprezível. Em 1882. são insignificantes e desprezíveis na prática. (Este é conhecido como o problema da quadratura do círculo). vários matemáticos desenvolveram processos que dão valores bastante aproximados para a construção do segmento de medida πr.F. Um processo é chamado aproximado (ou aproximativo) quando existe nele um erro teórico.

Ele é exato até a segunda casa decimal. – +0.001. ... isto é. o erro é tão pequeno que não pode ser medido com a régua milimetrada. EXERCÍCIO: Dado a medida AB. Esse valor aproxima-se de π. o valor aproximado para o perímetro de uma circunferência de raio r é: C’ = 2π’r = π’d = = 3d + Como Et = valor obtido & valor real = π’ & π = 22/7 & 3. 22/7 excede π na ordem de um milésimo..141592.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 109 1O) PROCESSO DE ARQUIMEDES. Logo. Só para termos uma idéia. para uma circunferência de 1m de diâmetro. 2o) PROCESSO INVERSO. o valor 22/7 para π acarreta um erro por excesso (sobra) em torno de 1mm. por excesso.. na ordem de 0. Arquimedes adotou para π o valor π’ = 22/7 = 3 1/7 3. Nas dimensões em que trabalhamos.001.1428571. construir a circunferência com este semi-perímetro.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 110 3o) PROCESSO DE KOCHANSKY OU DA TANGENTE DE 30O. a partir de C.o segmento AD tem comprimento aproximadamente igual a πr. CD = 3r. Procedimento: .traçar um diâmetro AB arbitrário e. ..construir por O uma reta s que forme ângulo de 30o com AB.. A reta s intercepta t em um ponto C. . pela extremidade B. O processo de Kochansky fornece o valor exato para π até a quarta casa decimal e somente na quinta casa aparece o erro. isto é. . retângulo em B. AD é a retificação da semicircunferência. como r = 1 então AD = π’. traçar a reta t tangente à circunferência. temos: AD2 = AB2 + BD2 AD2 = (2)2 + (3 AD2 = 4 + (3 & tg30o)2 & AD = 3.1415333.sobre a semi-reta CB marcar. Justificativa: consideremos r = 1 No triângulo ABD. .

& 3... teríamos um erro por falta da ordem de seis décimos de milímetros.RETIFICAÇÃO DE ARCOS DE CIRCUNFERÊNCIA Retificar um arco de circunferência consiste em construir um segmento de reta cujo comprimento seja igual ao comprimento do arco....14159. Se pudéssemos aplicar o processo de Kochansky para retificar uma circunferência de 10m de diâmetro.2) π’ = 3 + C’ = 2π’r = 2r(3+ = 6r + = 3d + 1/5 l4 .14159 – &0. Et = π’ = 2l4 + 2l3 . onde l4 é o lado do quadrado pode ser obtido também através da inscrito na circunferência de diâmetro d. Et = π’ &π=3 + & 3. 4o) OUTROS PROCESSOS. II .. . – +0.1) π’ = C’ = 2π’r = Os segmentos retângulos.00006.14626. Estudaremos a seguir processos aproximados para a retificação de arcos de circunferência.14159.0046. onde l4 é o lado do quadrado = inscrito na circunferência de raio r e l3 é o lado do triângulo inscrito na circunferência de raio r.14159 = 3. – & 0.. & 3. O segmento construção de um triângulo retângulo. = 3.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 111 Et = π’ & π = 3.. o erro cometido é por falta e é da ordem de 0. 4. 4.14142 & 3. ou seja.14153.00017. podem ser obtidos também através da construção de triângulos &π= & 3.14159..00006..

A sua retificação é obtida da seguinte forma: .consideremos o ângulo central AÔB= em radianos. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 112 1o) PROCESSO DE ARQUIMEDES. . Como Et = valor obtido & valor real = l’ & l.o segmento AF é o arco retificado.traçar a reta AO. tal que EC seja igual a 3/4 do raio da circunferência.a reta conduzida por E e B intercepta a reta t no ponto F.traçar a semi-circunferência obtendo o ponto C sobre a semi-reta AO.obter o ponto E sobre OA. . . devemos obter o valor de l’. . externamente à circunferência.o comprimento do arco AB é l = θr. para verificar a diferença teórica entre . . Verificação do erro teórico cometido Para justificar o processo de retificação de arcos devemos calcular o erro teórico cometido e mostrar que ele é desprezível. Seja AB um arco de medida não superior a 90o. . .vamos determinar o comprimento do segmento AF = l’.construir por A a reta t perpendicular a reta OA.

cosθ e GB = r.05847r 1.00062r 0.04719r 1. Logo temos FA/BG = ou . podemos então montar uma tabela de valores de l’ em função de alguns valores de θ. Por exemplo.por B.cosθ = r/4 (7 + 4. à medida que o arco se aproxima de 90o.02mm.senθ EA = 3/4 r + 2r = 11/4 r EG = 3/4 r + r + r. Por fim.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 113 ele e o comprimento do arco. para 30o o erro é da ordem de 2 milésimos por excesso.00600r 0.esta expressão permite calcular o comprimento l’ do segmento AF em função do ângulo θ. mas ainda assim podemos desprezá-lo.substituindo as expressões acima em (1).78539r 1.52359r 0. obtendo G.senθ. .52560r 0. afim de compará-los com o valor real l: l’ & l 0.30899r 1. Entre 45o e 75o o erro teórico aumenta.cosθ) . para 75o o erro é da ordem de 1 centésimo. .57079r 5π/12 (75 ) (90 ) o A tabela mostra que para arcos de até 45o o erro é mínimo.57142r l 0. o Et diminui novamente. Para 90o ele .onde: FA = l’ BG = r.os triângulos EBG e EFA são semelhantes (Ê = Ê e EA/EG (1). .01332r 0.79139r 1.32231r 1.00063r θ π/9 π/6 π/4 π/3 π/2 (20 ) (30o) (45 ) (60 ) o o o o l’ 0.00201r 0.34968r 0.no triângulo OGB temos OG = r. vem: = Â = 90o). . traçar uma perpendicular a OA.34906r 0. Por exemplo.002cm = 0. Se r = 1cm então Et = 0.01128r 0.

em três partes iguais.5cm e α = 120o. b) r = 3cm e α = 120o. Suponha que a circunferência que contém o arco AB role sem escorregar sobre a outra circunferência. 02. de raio r e amplitude α em partes proporcionais a 3. a) r = 3cm e α = 75o. 2o) RETIFICAÇÃO DE ARCOS ENTRE 90O E 180O. 04. Sejam duas circunferências tangentes num ponto A. sendo o raio de uma maior que o da outra.5cm de uma circunferência de raio r = 2cm. 3o) RETIFICAÇÃO DE ARCOS MAIORES QUE 180O. b) r = 3.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 114 é da ordem de 6 décimos de milésimos. com o seu centro seguindo o . Dividir o arco AB. Dividir o arco AB. EXERCÍCIOS 01. a) r = 3. 1 e 2. de raio r e amplitude α.5cm e α = 135o. Consideremos um ponto B sobre uma delas. 03. Desretificar um arco de comprimento l = 2.

III . Numa circunferência de raio r qualquer. 16. 16. Isso porque os pontos que dividem uma circunferência num número n (n >2) qualquer de partes iguais são sempre vértices de um polígono regular inscrito na mesma. define-se um radiano (1rad) como sendo o arco cujo comprimento é igual ao raio r. Estudaremos processo exatos e aproximados para a divisão da circunferência. Determine graficamente a medida aproximada em graus de um arco de 2cm de comprimento em uma circunferência de 2. ..5cm de raio.2m PARTES. Medida de l4: considerando o triângulo . basta traçar um diâmetro. 8. Para obter a divisão em 4. Determine graficamente a medida aproximada. teremos também a divisão da mesma em 2n partes. 06... 8.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 115 sentido horário. 4. Se dividirmos uma circunferência em n partes iguais. 05. Para dividir a circunferência em duas partes iguais. bastando para isso traçar bissetrizes. Sugestão: use r = 4cm. em graus. PROCESSOS EXATOS 1o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 2.. = 2.DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM ARCOS IGUAIS Dividir a circunferência em partes iguais é o mesmo que construir polígonos regulares.. m 0 ù. O lado de um polígono regular de n lados é denotado por ln .. Determine graficamente o ponto em que B toca pela primeira vez a circunferência fixa. de um arco de 1rad. traçamos bissetrizes.

logo. estamos dividindo o ângulo central de 360 em n partes também iguais. logo este medirá 60o. logo sua medida é n 2 4 8 16 ângulo cêntrico 180o 90o 45 o polígono 2 arcos capazes de 90o QUADRADO OCTÓGONO HEXADECÁGONO 22o30’ Dividindo a circunferência em n partes iguais. com raio r igual ao da circunferência.2m PARTES. Consideremos uma circunferência de centro O e raio r.. = 3. o ponto C pertence . 12. m 0 ù.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 116 retângulo isósceles de cateto r. deduzimos que o triângulo OAB é equilátero. isto é. Portanto l6 = r. Logo. centro em B obtendo C e assim por diante. Unindo os pontos A. . pois AÔD = 180o. C e E teremos um triângulo equilátero inscrito na circunferência. O e D estão alinhados. Logo. 6. o 2o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 3. o ângulo cêntrico (vértice no centro e lados passando por vértices consecutivos do polígono) correspondente à divisão da circunferência em n partes iguais medirá 360o/n. Assim. Medida de l6: consideremos AB um arco que seja a sexta parte da circunferência.. descrevemos sucessivamente os arcos: centro em um ponto A qualquer da circunferência obtendo B. temos que a hipotenusa é o l4. Basta notar que o ângulo central correspondente a corda AC vale 120o = 360o/3. o comprimento da corda AB é igual ao raio da circunferência. Medida de l3: Os pontos A.

10. Como = 36o e PÂB = 72o então = 72o. Como os triângulos OBA e BPA são semelhantes (pois tem dois ângulos congruentes) então os seus lados correspondentes são proporcionais. cujo ângulo central seja de 36o. Devemos mostrar que l102 = r (r & l10). a corda AB tem a medida l10. O triângulo AOB é isósceles (seus lados são raios da circunferência). l10 é áureo de r. TEOREMA: O lado do decágono regular inscrito numa circunferência é o segmento áureo do raio. r / l10 = l10 / (r & l10) ou l102 = r(r & l10) ou seja.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 117 ao arco capaz de 90o de AD. . aplicando o teorema de Pitágoras vem que: AD2 = AC2 + CD2 CD2 Y AC2 = AD2 & Y l32 = (2r)2 & r2 Y l32 = 4r2 & r2 Y l32 = 3r2 Y n 3 6 12 ângulo cêntrico 120o 60 30 o o l3 = polígono TRIÂNGULO HEXÁGONO DODECÁGONO 3o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 5. logo. ou seja. Logo. . os ângulos da base são iguais. logo ele é isósceles de base OB e seus lados são congruentes. = 5. Traçar a bissetriz de obtendo P sobre OA. logo o ângulo central correspondente é 36o = 360o/10. o triângulo PBA é isósceles de base PA e com isto BP = BA = l10. Um decágono regular é um polígono com 10 lados. ou seja. Portanto. 20. OP = BP = l10 e portanto PA = r e como Ô = 36o então  + + Ô = 180o ou  = (180o & 36o)/2 & l10. CD = l6 = r e AD = 2r.2m PARTES.. logo os ângulos da base são iguais  = portanto  = 72o. No triângulo OPB. Consideremos um arco AB.. m 0 ù. sendo AC = l3. o triângulo ACD é retângulo em C.

Medida de l10: Como l10 é o segmento áureo do raio.logo. pois CM é hipotenusa de um triângulo retângulo de catetos r e r / 2. obtendo um ponto E & OM = Para dividir uma circunferência em 5 partes iguais. basta dividí-la em 10 partes iguais e unir os vértices de 2 em 2. l6 e l10. AB e CD. .traçar dois diâmetros perpendiculares entre si. convém estudarmos uma propriedade que relaciona l5. a construção seguinte se justifica. sem ter que dividir em 10 partes primeiro.obter o ponto M médio de OA. EO = l10 é áureo de r. para dividir uma circunferência em 10 partes iguais. permitindo dividir diretamente em 5 partes. basta notar que o triângulo retângulo EOC tem os catetos medindo l6 = r e l10. pois EO = EM Observação: então devemos descrever um arco de centro M e raio MC. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 118 EXERCÍCIO: Esta proporção pode ser obtida também pelo teorema das bissetrizes. Procedimento e Justificativa: . o l5 é hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos são o l6 e o l10. . .unindo C com M temos que CM = r / 2. Observação: Por esta propriedade. então l10 = Assim. a construção anterior nos fornece o l5. . Porém.como l10 = sobre AO. TEOREMA: Para uma mesma circunferência.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 119 Prova: Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. então OC = l5 (basta notar que 72o = 360o/5 e que o raio desta última circunferência é r). Medida de l5: Como l52 = l102 + l62 l52 = l52 = (5r2/4 l52 = (5r2 l52 = l52 = l5 = Y + r2 Y + r2/4) + r2 + r2 + 4r2)/4 & Y & (10r2 & r2(5 & Y Y Y . Considerando a circunferência de centro A e raio r. logo CB = r = & l10 (1). Por (1) temos: CD2 = (r & l10)r.CA. onde o cateto OD = l6 = r e a hipotenusa OC = l5. como o ângulo central OÂC tem medida igual a 72o. a tangente CD à circunferência de centro O e raio r. devemos mostrar que o cateto DC é o l10. ou seja. Logo pelo teorema anterior temos que CD = l10. retângulo em D. Seja C um ponto da semi-reta AB tal que AC = r. temos um triângulo ODC. sendo o triângulo AOB isósceles de base AB então OÂB = 72o. logo AÔB = 36o. De acordo com a potência do ponto C em relação à circunferência de centro O e raio r. seja AB uma corda com a medida l10. que DC é áureo de l6 = r. temos CD2 = CB. assim. Conduzindo por C.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 120 n 5 10 20 ângulo cêntrico 72 18 o polígono PENTÁGONO DECÁGONO ICOSÁGONO 36o o 4o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 15. logo AÔC = 60o & 36o = 24o que é o ângu-lo cêntrico de um polígono regular de 15 lados inscrito na circunferência. = 15. Temos então AÔB = 60o e BÔC = 36o. 30. ... n 15 30 ângulo cêntrico 24 o polígono PENTADECÁGONO 12o Observação: Teoricamente o problema é muito simples. . estudaremos mais adiante um processo aproximado para l15 que fornece resultados gráficos melhores. m 0 ù. Obter as cordas AB = r (raio do hexágono regular inscrito) e BC = l10 (lado do decágono regular inscrito). costuma-se obter resultados ruins. Logo AC = l15. Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. mas graficamente. Por esta razão.2m PARTES. devido ao grande número de operações que ele exige.

e a corda AB = ln um dos lados do polígono regular inscrito na circunferência.Marcar sobre a circunferência um ponto M. = 7.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 121 PROCESSOS APROXIMADOS Foram vistos processos para a divisão da circunferência em n partes iguais. m 0 ù.. 5. 12.. Para determinar o erro teórico que se comete nas construções das cordas l7.2m PARTES. completando a primeira sequência. l9. 3. 8. o ângulo AÔB = 360o/n será divido em AÔM = α = 180o/n. 9. Como a mediatriz é perpendicular ao lado do triângulo. partes iguais. ou seja.. vamos inicialmente determinar o lado de um polígono regular de n lados em função do ângulo central correspondente. . logo AM = ln/2. o triângulo AOM é retângulo em M. Seja uma circunferência de centro O e raio r. 13.. Procedimento: . Centro em . 11.. por exemplo. É possível dividir uma circunferência em 7.. Além disso. porém estas divisões são aproximadas. Seja 2α o ângulo central correspondente ao lado ln = AB. para n igual a 2. l13 e l15. Para cada ln. 15. 6. obtemos o ponto M médio de AB (pois o triângulo AOB é isósceles de base AB e a bissetriz relativa a base é também mediatriz). temos um ângulo central correspondente a 360o/n. então AB z OM.. 4. 14. Consideremos uma circunferência dividida em n partes iguais. Construindo a bissetriz do ângulo central AÔB = 2α. l11. 10. No triângulo retângulo AOM temos que = ou 1o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 7..

o erro teórico é dado por Et = l7’ – 0.2m PARTES.86602r.86776r e como l7’ = l3/2 = – & l7 = &0. o erro é por falta e da ordem de dois milésimos.4. m 0 ù..002. = 9.00174r – 0. . Este ponto divide AB ao meio. temos então que AB = l3 = circunferência. pois pertence à mediatriz deste segmento.unir O e M.Traçar dois diâmetros AB e CD perpen- . .7. 18.unir A e B.. Procedimento: .o 25. Seja uma circunferência de centro O e raio r. sendo que A e B pertencem à .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 122 M marcar MA = MB = r. logo OC também é bissetriz e altura do triângulo AOB. pois 0. determinando o ponto C sobre AB. ..l7' = AC = l3 / 2. o polígono HEPTÁGONO TETRADECÁGONO 2o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 9. isósceles de base AB.. Ou seja.0017 n 7 14 ângulo cêntrico 51.. Medida de l7’ e l7: Da fórmula geral temos: l7 = 2r sen(180o/7) 0.. Desta forma.

logo BG = l9’. = 11. basta medir Centro em F marcar G sobre BA BC e marcar F sobre a semi-reta BA pois OF = de modo que DF = GF.Centro em C obter E sobre a circunfe. m 0 ù. Prolongar AB. n 9 18 ângulo cêntrico 40 20 o o & l9 = &0.rência. logo DE = Como DE = DF = FG então DF = FG = O triângulo ODF é retângulo em O então aplicando o teorema de Pitágoras vem que DF2 = DO2 + OF2 Y OF2 = DF2 & OD2 Y OF2 = Como GF = GO + OF ou GO = GF & r2 Y OF2 = 3r2 & r2 Y OF = & OF então GO = & Assim. .00188r.. podemos concluir que o erro é por falta e da ordem de dois polígono ENEÁGONO OCTADECÁGONO Observação: BC = pois é diagonal de um quadrado de lado r. 22.0018 milésimos.68404r. 3o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 11. transportar sobre BA obtendo o ponto G. . onde CD = 2r e CE = r. Procedimento: . Portanto. l9’ = BG = r & GO = r & & – 0.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 123 diculares entre si.68216r Da fórmula geral temos: l9 = 2r sen(180o/9) – 0. centro em F. .. – 0. .l9’ = BG. o erro teórico é dado por Et = l9’ Como 0. tal que CE = CO = r. Desta forma. . Seja uma circunferência de centro O e raio r.com a mesma medida DF.2m PARTES.002.centro em D obter sobre a semi-reta BA o ponto F tal que DF = ED. Medida de l9’ e l9: Cálculo do valor de l9’: O triângulo CED é retângulo em E (pois este está no arco capaz de 90o de CD) então pelo teorema de Pitágoras temos que CD2 = CE2 + DE2 ou DE2 = CD2 & CE2.

.56346r. Da fórmula geral temos: l11’ = 2r sen(180o/11) teórico é dado por Et = l11’ então l11’ = CN = CM/2 = CM – – 0.Dividir um raio. obtendo um segmento OE = r/4.. o polígono UNDECÁGONO 16. Obter o ponto N médio de MC. . .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 124 . por exemplo OC. em quatro partes iguais. .7.Obter o ponto M médio de um dos raios. = 13.unir E e A obtendo um ponto F sobre a circunferência.. Procedimento: . . o erro é por falta e da ordem de quatro milésimos..55901r. . .l13’ = BF.. Temos então que o erro & l11 = &0.o 4o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 13. m 0 ù. por exemplo OA. Medida de l11’ e l11: Cálculo do valor de l11’: O triângulo OMC é retângulo em O logo CM2 = CO2 + OM2 ou = 0.l11’ = CN = NM.00445r Ou seja. n 11 22 ângulo cêntrico 32. .Unir M com C. . logo OM = r/2..3.Traçar dois diâmetros AB e CD perpendiculares entre si. Seja uma circunferência de centro O e raio r.2m PARTES. 26.Traçar dois diâmetros AB e CD perpendiculares entre si.

ELEMENTOS

DE

GEOMETRIA

125

Medida de l13’ e l13: Cálculo do valor de l13’: Consideremos os triângulos retângulos AFB (pois F está no arco capaz de 90o de BA) e AOE, como o ângulo  é comum e semelhantes pelo critério AA. Desta semelhança temos que: ou mas AE2 = (r/4)2 + r2 ou seja, AE = ou substituindo na expressão acima temos que = 0,48507r = AÔE = 90o então eles são

Da fórmula geral temos: l13’ = 2r sen(180o/13) – 0,47863r. Assim, o erro teórico é dado por Et = l13’

& l13 = 0,00644r

Isto é, o erro é por excesso e da ordem de seis milésimos.

n 13 26

ângulo cêntrico 27,69...
o

polígono TRIDECÁGONO

13,84...o

5o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 15, 30, ... = 15.2m PARTES; m 0 ù. Quando foi apresentada a construção do pentadecágono regular por um processo exato, foi feita uma observação de que o processo implica em muitos erros gráficos, e que existe uma construção aproximada deste polígono que nos dá resultados melhores, que será apresentada a seguir. Seja uma circunferência de centro O e raio r. Procedimento: - Traçar dois diâmetros AB e CD perpendiculares entre si;

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DE

GEOMETRIA

126

- Com centro em C e raio CA obter um ponto E sobre CD; - l15’ = OE. Medida de l15’ e l15: Cálculo do valor de l15’:

& CO = CA & CO = & r – 0,41421r. Da fórmula geral temos: l15 = 2r sen(180o/15) – 0,41582r. Assim, o erro teórico é dado
Como AC = então l15’ = CE por Et = l15’

& l15 = &0,00161r

Isto é, o erro é por falta e da ordem de aproximadamente dois milésimos. Observação: Podemos dividir a circunferência em n partes iguais retificando-a, obtendo o

seu perímetro e dividindo-o e n partes iguais (aplicando o teorema de Tales), e depois desretificando uma das n partes sobre a circunferência. Note que este processo é aproximado.

POLÍGONOS ESTRELADOS
DEFINIÇÃO: Polígono estrelado é um polígono cujos ângulos são alternadamente salientes e reentrantes, e cujos lados pertencem a uma linha poligonal fechada que é percorrida sempre no mesmo sentido. TEOREMA: Pode-se obter tantos polígonos estrelados de n vértices quantos números p há, exceto a unidade, menores que a metade de n e primos com n. De fato, basta considerar os números p menores que n/2, porque unir os pontos de p em p equivale a uni-los de (n & p) em (n

& p); devemos

excluir a unidade, porque unindo os pontos consecutivos, obtém-se o polígono convexo; sendo p e n primos entre si, são necessários n lados para voltar ao ponto de partida, e assim devem ser encontrados cada ponto de divisão.

ELEMENTOS

DE

GEOMETRIA

127

DEFINIÇÃO:

Polígono regular estrelado é aquele que se forma de cordas iguais e onde

há lados iguais e ângulos iguais. Logo, o polígono estrelado regular é formado por uma linha poligonal contínua e se obtém quando, partindo de um ponto de divisão qualquer da circunferência, volta-se ao mesmo ponto de partida após as uniões p a p, isto é, pulando p divisões. Processo Geral de Construção: Para obter um polígono regular estrelado de n vértices, devemos dividir a circunferência em n partes iguais, e unir os pontos de divisão de p em p, sendo que: p < n/2, p

… 1 e p e n primos entre si.

EXEMPLOS: a) Para n = 7 3;2;1 < 7/2 = 3,5 p = 3;2 b) Para n = 8 3;2;1 < 8/2 = 4 p = 3 c) Para n = 15 7;6;5;4;3;2;1 < 15/2 = 7,5 p = 7;4;2

EXERCÍCIOS
01. Dada uma circunferência de centro O e raio r = 5cm, construir os seguintes polígonos regulares estrelados: a) Pentágono (n = 5, p = 2); b) Octógono (n = 8, p = 3); c) Decágono (n = 10, p = 3). d) Eneágono (n = 9, p = 2). e) Eneágono (n = 9, p = 4). 02. Construir heptágono regular estrelado inscrito num circunferência de centro O e raio r = 6cm. 03. Quantos polígonos regulares estrelados distintos podem ser traçados quando uma circunferência está dividida em 20, 24, 30 e 36 partes iguais?

construir o decágono regular estrelado. O conjunto de pontos de uma região triangular que não pertencem a sua fronteira é chamado de interior da região triangular.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 128 04. O triângulo é chamado de fronteira da região triangular. 08. Prove que as diagonais de um pentágono regular são congruentes.lo. Construir um pentágono regular dado o lado l5 = 4cm. 07. Dado um segmento AB. Uma região poligonal é a reunião de um número finito de regiões triangulatêm pontos interiores res que duas a duas não . DEFINIÇÃO: em comum. Prove que o lado AB é paralelo à diagonal EC. Considere o pentágono regular ABCDE. 06. CAPÍTULO V ÁREAS AXIOMAS DEFINIÇÃO: Uma região triangular é um conjunto de pontos do plano formado por todos os segmentos cujas extremidades estão sobre os lados de um triângu. Prove que o lado de um pentágono regular é o segmento áureo da diagonal do pentágono. lado de um decágono regular. 05.

3 AXIOMA 6. então sua área é a soma das áreas daquelas regiões. Se ABCD é um retângulo então a sua área é dada pelo produto: AB. Este número é chamado de área da região. Prova: Consideremos AB como base do paralelogramo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 129 AXIOMA 6. PROPOSIÇÃO: A área de um paralelogramo é o produto do comprimento de um dos seus lados pelo comprimento da altura relativa a este lado.4 Regiões triangulares limitadas por triângulos congruentes têm áreas iguais.BC.1 Observação: AXIOMA 6. Se uma região poligonal é a união de duas ou mais regiões poligonais que duas a duas não tenham pontos interiores em comum.2 A toda região poligonal corresponde um número maior do que zero. AXIOMA 6. Prolongar a reta AB e a partir dos .

SABCD = SABC + SCDA = 2. Duas figuras são equivalentes quando possuem áreas iguais. . DE = CF(altura do paralelogramo) e = (ângulos correspondentes em relação às paralelas) e. devemos mostrar que SABC = b. seja BC = b sua base e AH = h a altura relativa ao lado BC. logo suas áreas são iguais e AE = BF. Notação: . obtendo os pontos E e F sobre a reta considerada. o ponto D estará numa circunferência de centro C e raio AB e numa circunferência de centro A e raio BC. têm áreas iguais. Mas EF = EB + BF = EB + AE = AB.h/2. Como os triângulos ABC e CDA são congruentes (LLL).DE é a área do paralelogramo. Portanto SABCD = AB. Temos que SABCD = SADE + SBCDE = SBCF + SBCDE = SCDEF = EF. Logo.h/2.SABC DEFINIÇÃO: Y SABCD = 2.DE. pois AD = BC (lados paralelos de um paralelogramo).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 130 vértices C e D traçar perpendiculares à reta AB. Logo DE e CF representam a altura do paralelogramo relativa ao lado AB. Assim o polígono ABCD é um paralelogramo e SABCD = b. Prova: Consideremos um triângulo ABC.h (1). Os triângulos AED e BFC são congruentes. Obter um ponto D tal que DC = AB e AD = BC.SABC Y SABC = b. PROPOSIÇÃO: A área de um triângulo é a metade do produto do comprimento de qualquer de seus lados pela altura relativa a este lado. Devemos mostrar que AB. ou seja.DE.

= a.. A2. Construir um triângulo ABC equivalente ao triângulo MNP dado. M+ N+ +P 02.. SABC = e nem da altura. pois não foi alterado a medida da base EXERCÍCIOS 01. Construir um triângulo ABC equivalente ao triângulo MNP dado.. = = .ha / 2. Conduzir pelo vértice A uma reta r paralela ao lado BC.A3. Considerar os pontos A1... A2. sabendo-se que BC/NP. pertencentes à reta r. Os triângulos de base BC comum e vértices A1. A3..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 131 PROPRIEDADE FUNDAMENTAL DA EQUIVALÊNCIA: Considerar um triângulo ABC. De fato. M+ . sabendo-se que NP/BC e  = 45o.. são todos equivalentes..

Construir um triângulo ABC equivalente a um polígono dado.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 132 N+ +P 03. Construir um triângulo ABC equivalente a um quadrilátero PQRS dado. sabendo-se que P/A. sabendo-se que o ponto A pertence ao segmento PS. . e AP = 3cm. P+ +S Q+ +R 04. sabendo -se que o ponto A pertence ao segmento PQ. P+ +S Q+ +R 05. Construir um triângulo ABC equivalente a um quadrilátero PQRS dado.

P+ +T Q+ R+ +S 07. sabendo-se que: BC é colinear com NP. B/N e ha = 3cm (ha < hm).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 133 P+ +T Q+ R+ +S 06. M+ . Construir um triângulo ABC equivalente a um polígono dado. sendo A/P. Construir um triângulo ABC equivalente a um triângulo MNP dado.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 134 N+ +P 08. Construir um triângulo ABC equivalente a um triângulo MNP dado. sabendo-se que: BC é colinear com NP. . B/N e ha = 6cm (ha > hm). M+ N+ +P A área de um trapézio é a metade do produto do comprimento de sua altura h(AB + CD) PROPOSIÇÃO: S= pela soma dos comprimentos de suas bases.

ln .p..ln é o a. Prova: Consideremos um polígono regular de n lados e os segmentos de extremidades em O e que passam pelos vértices do polígono. PROPOSIÇÃO: A área de um polígono regular de n lados. Então teremos que CE = AF = h. já que os lados AB e CD são paralelos.. inscrito numa circunferência de raio r é igual à metade do produto do comprimento do apótema pelo comprimento do perímetro. Traçar as alturas: CE. mas n.(AB+CD) Apótema de um polígono regular é o segmento com uma extremidade no centro do polígono e a outra no ponto médio de um lado.ln. o polígono ficou dividido em n triângulos equivalentes. a. então SABCD.. assim: SABCD = SABC + SACD = (AB. = SAOB + SBOC + SCOD + . onde p é o EXERCÍCIOS 01.h)/2 + (CD. a área de cada triângulo será: S = a. e AF. Como a área do polígono será a soma das áreas destes triângulos. logo AB é paralelo a CD. todos com a mesma altura a e a mesma base ln..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 135 Prova: Seja ABCD um trapézio cujas bases são AB e CD. que divide o trapézio em dois triângulos: ABC e ACD. Logo.2p = a.. Portanto. Assim. Mostre que a área de um losango é igual à metade do produto dos comprimentos de suas diagonais.. = n semi-perímetro e a é o apótema do polígono. SABCD. do triângulo ACD relativa a base CD.h)/2 = DEFINIÇÃO: h. . considerar a diagonal AC. = n perímetro (2p) do polígono. do triângulo ABC relativa a base AB.ln = a.

traçar duas retas paralelas aos lados. GAC e GBC são equivalentes. Considere dois triângulos ABC e EFG semelhantes segundo uma razão k.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 136 02. 05. Identifique-os e prove a afirmação. 04. Prove que SABC = k2. Prove que se G é o baricentro de um triângulo ABC. 03. a da área do triângulo . Prove que a área de cada um dos três triângulos é dado. então os triângulos GAB. Prove que a área do quadrado inscrito em uma circunferência é igual à metade da área do quadrado circunscrito à mesma circunferência. decompondo-o em 4 paralelogramos menores. Por um ponto arbitrário da diagonal de um paralelogramo. Dois deles têm áreas iguais.SEFG.

reta e plano. POSTULADOS DE DETERMINAÇÃO I .Num plano e fora dele existem infinitos pontos. POSTULADOS DA INCLUSÃO I .Numa reta e fora dela existem infinitos pontos. II .Um ponto pertence a um plano quando este pertence a uma reta do plano.Uma reta está contida num plano quando tem sobre o plano dois pontos.Três pontos não colineares determinam um único plano.Se dois planos distintos têm um ponto em comum.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 137 PARTE II: GEOMETRIA ESPACIAL CAPÍTULO VI GEOMETRIA ESPACIAL DE POSIÇÃO CONCEITOS PRIMITIVOS E POSTULADOS Adotaremos sem definir os conceitos primitivos de: ponto. POSTULADO DA INTERSEÇÃO I . II . II . POSTULADOS DE EXISTÊNCIA I . então eles têm uma única reta em comum que passa por esse ponto.Dois pontos distintos determinam uma única reta. .

1 α = i. POSIÇÕES RELATIVAS DE DUAS RETAS Recordemos. tais que: 0 I e B 0 II. então a) se A 1 α = {C}. algumas definições.Um plano α divide o espaço em duas regiões. então b) se A 0 I e B 0 I. apresentadas na Geometria Plana: DEFINIÇÃO: comum. Duas retas são concorrentes se e somente se possuem um único ponto . que não contém α.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 138 POSTULADO DA SEPARAÇÃO DO ESPAÇO I . I e II. inicialmente. DEFINIÇÃO: Semi-espaço é a figura geométrica formada pela união de um plano com uma das regiões do espaço por ele dividido.

Lembremos também o seguinte axioma: AXIOMA 5 Por um ponto fora de uma reta existe uma única paralela à reta dada. Vamos então acrescentar mais esta definição às anteriores: DEFINIÇÃO: Exemplos: Duas retas são reversas se e somente se não existe plano que as contenha.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 139 DEFINIÇÃO: Duas retas são paralelas se e somente se elas são coplanares (isto é. B e C não colineares. Tomemos P fora de α e a reta s. Logo. logo existe um plano α determinado por estes pontos. . determinada por P e C. estão contidas no mesmo plano) e não possuem ponto comum. CONSTRUÇÃO DE RETAS REVERSAS Sejam três pontos A. r e s são retas reversas. Consideremos a reta r definida pelos pontos A e B.

Logo. C e P são coplanares. ou seja. contradiz a construção.paralelas . Assim duas retas no espaço podem ser: . r e s não podem ser coplanares. então A. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 140 De fato. 3a) Por duas retas concorrentes.coincidentes . DETERMINAÇÃO DE UM PLANO Um plano pode ser determinado de quatro formas: 1a) Por três pontos não colineares. Esta forma de determinar um plano pode ser reduzida à anterior: para tanto. Também esta forma pode ser reduzida à primeira: basta tomar o ponto de interseção e um ponto de cada reta. há duas possibilidades a considerar: ou r e s são coplanares ou r e s são reversas. 2a) Por uma reta e um ponto fora dela. são reversas. B. P está em α.concorrentes ou secantes -reversas A COPLANARES NÃO COPLANARES Exemplo: consideremos um paralelepípedo retângulo. ou seja. que toma P fora de α. basta tomar dois pontos da reta e um ponto fora dela. isto é. Vamos considerar que r e s são coplanares (hipótese da RAA). Este é o postulado da determinação do plano.

Quantas retas passam por: a) um ponto? b) dois pontos distintos? c) três pontos distintos? 02. O ponto de interseção da reta com o plano chama-se traço da reta com o plano.D} POSIÇÕES RELATIVAS DE RETA E PLANO Consideremos os seguintes casos: . (Definição) . a) {A.O plano e a reta têm dois pontos em comum: a reta está contida ao plano.E.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 141 4a) Por duas retas paralelas e distintas.B.F} e) {B.C. Considerando a figura.E} c) {A.O plano e a reta não têm ponto em comum: a reta é paralela ao plano.D. (2) não-colineares mas coplanares ou (3) não-coplanares. (Definição) .O plano e a reta têm um único ponto em comum: a reta e o plano são secantes ou a reta intercepta o plano.E} d) {A. Esta forma de determinar um plano decorre da própria definição de retas paralelas.C. EXERCÍCIOS 01. classifique os seguintes conjuntos de pontos como: (1) colineares.F.D} b) {C. (Postulado da inclusão) .B.

se r. não contida em α. é paralela a s de a. então r e s são paralelas distintas e determinam o plano β. EXERCÍCIO 01. . r é paralela a α. De fato. ou seja. então r não tem ponto comum com α. Como r e s não têm ponto comum e s é a interseção de α e β. conduzir por s um plano paralelo a r. então ela é paralela a esse plano. Dadas as retas reversas r e s.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 142 PROPRIEDADE: Se uma reta não contida num plano é paralela a uma reta desse plano.

dois planos podem ser: . quanto as suas posições relativas.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 143 POSIÇÕES RELATIVAS DE DOIS PLANOS POSTULADO DA INTERSEÇÃO (recordando) I . ambas paralelas a outro plano distinto.Se dois planos distintos têm um ponto comum. DEFINIÇÃO: Dois planos são paralelos se e somente se eles coincidem ou não possuem ponto comum.paralelos: coincidentes ou distintos. Assim. então esses planos são paralelos. . então eles têm uma única reta comum que passa por esse ponto.secantes (ou concorrentes). . PROPRIEDADE: Se um plano contém duas retas concorrentes.

para a reta b. devemos provar que α é paralelo a β. temos então: para a reta a: . O fato de α e β serem concorrentes e ambas paralelas a i é um absurdo.b // α. usando RAA.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 144 Prova: Sejam a e b retas de β concorrentes num ponto O. logo. e a e b paralelas a um outro plano α. α // β. pois contraria o axioma das paralelas (Postulado de Euclides). b d β. Provaremos que eles são paralelos. . Consideremos que os planos α e β não são paralelos (hipótese da redução). a concorre com i ou a // i. analogamente: . mas a // α. logo. i = α 1 β Y b // i. então não pode ter pontos em comum com α. existe uma reta i tal que i = α 1 β. α e β não têm ponto comum e.a // α. Logo. -a d β e i = α1β ˆ a e i são coplanares (ou seja. Os planos α e β são distintos. portanto. a // i pois se a concorresse com i num ponto P este ponto pertenceria a α.

distintos dois a dois. β1 γ= − α // β Y α1 β = i. . α 1 γ = (αγ) e β 1 γ = (βγ) Y αγ // βγ. logo α 1 β 1 γ = i. α 1 γ = (αγ) e β 1 γ = (βγ) Y (αβ) // (αγ) // (βγ). α 1 γ = (αγ) e β 1 γ = (βγ) Y α 1 β 1 γ = {P}. − α 1 β = (αβ). β e γ. i e α1 γ= i Y α 1 β 1 γ = i.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 145 POSIÇÃO RELATIVA DE TRÊS PLANOS Consideremos três planos α. Caso Limite: α 1 β 1 γ … i − α 1 β = (αβ). logo a posições relativas podem ser: − α // β // γ Y α 1 β = i. logo α 1 β 1 γ = i.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 146 ÂNGULOS ÂNGULOS DETERMINADOS POR DUAS RETAS Um ângulo pode ser determinado por retas concorrentes ou por retas reversas. DEFINIÇÃO: Os ângulos entre duas retas reversas são os ângulos formados por uma dessas retas e pela paralela à outra traçada por um dos pontos da primeira. DEFINIÇÃO: Duas retas reversas são ortogonais quando formam ângulos retos. ÂNGULO ENTRE RETA E PLANO DEFINIÇÃO: Uma reta é perpendicular a um plano se e somente se ela é secante ao plano e perpendicular a todas as retas do plano que passam por seu traço. DEFINIÇÃO: Duas retas concorrentes são perpendiculares quando formam entre si quatro ângulos retos. .

2. AP = AQ (1) Analogamente. Uma reta perpendicular a um plano é ortogonal a todas as retas do plano que não passam por seu traço.Nos triângulos ABP e ABQ. para os triângulos BPO e BQO. Portanto. Hipótese: a e b são retas de α. temos: AP = AQ (de (1)). . . TEOREMA: Se uma reta é perpendicular a duas retas concorrentes de um plano. BP = BQ (de (2)) e AB = AB (lado comum) então ABP = ABQ (LLL).Nos triângulos APX e AQX. AÔP=AÔQ (pois são retos) e OA = OA (lado comum) então APQ= AQO (LAL). PÂB = QÂB (3) . a e b concorrem no ponto O e r é perpendicular às retas a e b.Nos triângulos APO e AQO. temos BP = BQ (2).Tomemos P distinto de O em r e Q na semi-reta oposta a OP tal que OQ = OP. PÂB=QÂB (de (3)) e / s. Portanto. Tomemos também A na reta a e B em b. distinto de A e de B. temos: OP = OQ (por construção). Uma reta perpendicular a um plano forma ângulo reto com todas as retas do plano. Devemos mostrar que r é perpendicular a OX . Prova: . e X no segmento AB. temos: AP = AQ (de (1)). Tese: r é perpendicular a α. ambos distintos de O.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 147 CONSEQUÊNCIAS: 1. então e é perpendicular ao plano.

nos triângulos POX e QOX temos que PX = QX (de (4)). Se uma reta é ortogonal a duas retas concorrentes de um plano. AB = d(A. Portanto. . Generalizando: r é perpendicular ao plano α. e portanto estes ângulos são ambos retos (pois PÔX + QÔX = 180o). PÔX = QÔX. OP = OQ (por construção) e OX = OX (lado comum) então POX = QOX (LLL). Se uma reta forma ângulo reto com duas retas concorrentes de um plano. r) DEFINIÇÃO: A projeção ortogonal.Finalmente. DEFINIÇÃO: O ângulo formado entre um plano e uma reta oblíqua ao mesmo é o ângulo formado entre a reta oblíqua e a sua projeção ortogonal sobre o plano. de uma reta oblíqua a ele é uma reta tal que cada um de seus pontos é projeção ortogonal de um ponto da reta dada sobre um plano. . PX = QX (4). 2. ou seja: r z OX.Assim. . sobre um plano. então ela é perpendicular a esse plano. DEFINIÇÃO: A projeção ortogonal de um ponto sobre um plano é o traço da perpendicular ao plano traçada por esse ponto. então ela é perpendicular a esse plano.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 148 AX = AX (lado comum) então APX = AQX. CONSEQUÊNCIAS: 1.

ÂNGULOS ENTRE DOIS PLANOS DEFINIÇÃO: Dois planos são perpendiculares entre si se e somente se um deles possui uma reta perpendicular ao outro. DEFINIÇÃO: Dadas duas retas reversas r e s. PQ é perpendicular comum às retas reversas r e s.obtemos em α a reta t por B. . . α).traçamos CD perpendicular a α. onde AB z α.dadas duas retas reversas. paralela à reta r. . AB é perpendicular a α e r (temos a direção da perpendicular comum).obtemos pelo ponto A (arbitrário) de r a perpendicular AB ao plano α. pois ABPQ é um retângulo. o plano α paralelo a r. CONSTRUÇÃO DA PERPENDICULAR COMUM A DUAS RETAS REVERSAS . Assim. CD é perpendicular a r. a distância entre elas é a distância que vai de uma dessas retas até o plano paralelo a ela que passa pela outra reta. obtém-se. . AB = d(r.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 149 DEFINIÇÃO: A distância entre uma reta paralela a um plano e esse plano é a distância de um de seus pontos ao plano. O ponto D é a interseção de t com s. por s.

perpendiculares à interseção dos dois planos. ÂNGULO DIEDRO DEFINIÇÃO: Ângulo diedro é o ângulo formado por dois semi-planos com mesma origem (é a reta de interseção dos dois) e que não sejam coplanares.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 150 CONSEQUÊNCIA: Consideremos dois planos quaisquer secantes. uma de cada plano. SEÇÃO RETA DE UM ÂNGULO DIEDRO DEFINIÇÃO: Chama-se seção reta de um ângulo diedro à interseção do ângulo diedro com um plano perpendicular à sua aresta. DEFINIÇÃO: O ângulo entre dois planos é o ângulo formado por duas retas. . Se um plano é perpendicular à interseção de dois planos então este plano é perpendicular a cada um desses planos. Conduzir um outro plano perpendicular à interseção dos primeiros.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 151 Analogamente a Geometria Plana. . 2. temos as seguintes classificações para diedro: 1. Dois diedros são adjacentes quando determinam ângulos adjacentes em sua seção reta. entre 90o e 180o. Observação: Chama-se diedro reto àquele cuja medida é 90o. Um diedro agudo tem medida entre 0o e 90o. Dois diedros são consecutivos quando determinam ângulos consecutivos em sua seção reta. um diedro obtuso.

. Dois diedros são opostos pela aresta quando suas seções retas determinam ângulos opostos pelo vértice. são traçadas duas semi-retas perpendiculares às faces. sabendo-se que uma reta perpendicular a uma de suas faces forma com o bissetor desse diedro um ângulo de 20o.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 152 3. 02. De um ponto P. Calcule o ângulo formado pelos diedros bissetores de dois diedros suplementares. 03. Calcule a medida de um diedro. EXERCÍCIOS 01. calcule a medida do ângulo formado pelas semi-retas. DEFINIÇÃO: Chama-se bissetor de um diedro o semi-plano que tem origem na aresta do diedro e que determina em sua seção reta a bissetriz de seu ângulo. Sendo 100o a medida do diedro. interior a um diedro.

de mesma origem P.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 153 TRIEDROS DEFINIÇÃO: Dadas três semi-retas Pa. Demonstração: Supondo que é a maior face do triedro < + um ânguP(a. E2 e E3. consideremos os semi-espaços E1. Pb e Pc. com origem no plano ac e contendo a semi-reta Pb.b. com origem no plano ab e contendo a semi-reta Pc.c)= E1 1 E2 1 E3. com origem no plano bc e contendo a semi-reta Pa. construímos em Tomando-se um ponto B em b e um ponto B’ . Pb e Pc é a interseção dos semi-espaços E1.b. PROPRIEDADES 1a) Em todo triedro. e são as faces ou os ângulos das faces. Notação: P(a. Para isto. ELEMENTOS: P é o vértice. qualquer face é menor que a soma das outras duas. as semi-retas Pa. não coplanares.c). E2. onde: E1. E2 e E3. Triedro determinado pelas semi-retas Pa. Pb e Pc são as arestas. E3. vamos provar que lo = (1).

b. provemos que: Para isso. o mesmo ocorrendo com a = 180 . vem que B’C = BC. De AB’ < AB decorre. considerando os triângulos B’PA e BPA (PA = PA. . somando as duas expressões. temos AC < AB + BC AB) . pela propriedade anterior. Demonstração: Sendo + + e < 360 . que < (2). o as medidas das faces de um triedro P(a. temos: + por (1) sabemos que + + + < 360o. 2a) A soma das medidas em graus das faces de um triedro qualquer é menor que 360o. Os ângulos Então: o e + são adjacentes e = 180o e + < suplementares. observemos que P(a’. tais que PB = PB’ e considerando uma seção ABC como indica a figura ao lado. PB = PB’. concluímos que qualquer face de um triedro é menor que a soma das outras duas. temos: + < + Y < + Sendo a maior face menor que a soma das outras duas.c). consideremos a semi-reta Pa’ oposta a Pa. AB’ < Somando membro a membro (2) e (1). mas + temos + (1). < e + = 360o.c) é um triedro e. 2o) No triângulo ABC.b.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 154 em b’. Y AB’ + B’C < AB + BC Y AB’ < AB. temos: 1o) Da congruência dos triângulos B’PC e BPC.

... Qual é o número máximo de arestas de um ângulo poliédrico cujas faces são todas de 50o? .. de mesma origem P. . cada um deles com origem no plano de duas semi-retas consecutivas e contendo as restantes. 70o e 90o sejam faces de um triedro? 03. Pa3.. Se além das anteriores possuísse a condição: face x deve ser oposta ao maior diedro. En. Verifique se existem os ângulos poliédricos cujas faces medem: a) 70o. Pa2 e Pa3. Pa2. consideremos n semi-espaços E1... tais que o plano de duas consecutivas (Pa1 e Pa2. é a interseção dos semi-espaços E1..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 155 ÂNGULOS POLIÉDRICOS DEFINIÇÃO: Dado um número finito n (n > 2) de semi-retas Pa1.1 En EXERCÍCIOS 01. Pan... Pa2.. E2.. . 80o. En. E3. . Pan...... 90o e 100o 02.. Ângulo poliédrico convexo determinado por Pa1. a2.. E2. 120o 150o c) 70o. E3. 80o e 130o b) 90o. . Pan e Pa1) deixa as demais num mesmo semi-espaço. Quais são os possíveis valores de x para que xo.. P(a1. qual seria a resposta? 04.. Pa3.an) = E1 1 E2 1 ..

as arestas são os lados dos polígonos. b) cada lado de um polígono é comum a dois e apenas dois polígonos. plana ou não.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 156 POLIEDROS CONVEXOS DEFINIÇÃO: Superfície poliédrica limitada convexa é a reunião de um número finito de polígonos planos e convexos (ou regiões poligonais convexas). EXEMPLOS: 1) 2) 3) 4) . os vértices são os vértices dos polígonos. estes devem formar uma única poligonal fechada. fechadas. chamada contorno. tais que: a) dois polígonos não estão num mesmo plano. As superfícies poliédricas limitadas convexas que tem contorno são chamadas abertas. d) o plano de cada polígono deixa todos os outros polígonos num mesmo semi-espaço (condição de convexidade). c) havendo lados de polígonos que estão em um só polígono. As que não tem. ELEMENTOS: as faces são os polígonos. os ângulos são os ângulos dos polígonos.

Observação: EXEMPLOS: 1) 2) Para os poliedros abertos. RELAÇÃO DE EULER PROPRIEDADE: Para todo poliedro convexo. onde V é o número de vértices. vale a relação V − A + F = 2. vale a relação Va − Aa + Fa = 1. ou para sua superfície. 3) 4) . DEFINIÇÃO: Poliedro convexo é a união da superfície poliédrica convexa fechada (SPCF) com seus pontos internos. A é o número de arestas e F é o número de faces do poliedro.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 157 DEFINIÇÃO: Um ponto é interior a uma superfície poliédrica convexa fechada quando uma semi-reta com origem neste ponto intercepta esta SPCF em apenas um ponto.

. e n1 + n2 + . A o número de arestas e F o número de faces de um poliedro convexo... Todo poliedro convexo é Euleriano. .360o Da relação de Euler: V − 2 = A − F... sendo V o número de vértices... nF o número de lados de cada uma das faces. já que cada aresta é lado de duas faces. . SOMA DOS ÂNGULOS DAS FACES DE UM POLIEDRO CONVEXO PROPRIEDADE: A soma dos ângulos de todas as faces de um poliedro convexo de V vértices é dada por: S = (V − 2).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 158 POLIEDRO EULERIANO DEFINIÇÃO: Os poliedros para os quais é válida a relação de Euler são chamados de poliedros Eulerianos.180o S1 + S2 + .+ nF é a soma de todos os lados das faces e é também o dobro do número de arestas.. Assim.180o S2 = (n2 − 2).360o. mas nem todo poliedro Euleriano é convexo. Portanto.+ nF − 2F). .. + SF é S. SF = (nF − 2). ... S = (V − 2). temos: S1 = (n1 − 2). + SF = (n1 + n2 + . n2.360o. S = (2A − 2F). podemos calcular a soma dos ângulos de cada face.180o .180o ou S = (A − F). De fato. e sendo n1.180o S1 + S2 + . De acordo com o exercício 17 da página 43. soma dos ângulos de todas as faces.

Um poliedro convexo de oito faces tem seis faces quadrangulares e duas hexagonais. Logo. e somente cinco. Qual é o número de vértices de um poliedro convexo que tem 30 arestas e 12 faces? 02. (3) mV = 2A (pois cada vértice V tem m arestas e cada aresta tem dois vértices como extremidades). obdece à relação de Euler: V − A + F = 2. Prova: Seja um poliedro de Platão com: F faces. classes de poliedros de Platão. Calcule a soma dos ângulos das faces de um poliedro convexo que possui 30 arestas e cujas faces são todas pentagonais. se e somente se. PROPRIEDADE: Existem cinco. V vértices.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 159 EXERCÍCIOS 01. POLIEDROS DE PLATÃO OU PLATÔNICOS DEFINIÇÃO: Um poliedro é chamado poliedro de Platão. ou seja. Calcule o número de vértices. (2) nF = 2A (pois cada uma das F faces tem n arestas e cada aresta está em duas faces). sendo que cada um dos ângulos poliédricos tem m arestas (m > 2) e A arestas. satisfaz as seguintes condições: a) todas as suas faces são polígonos com o mesmo número (n) de lados. 03. b) todos os seus vértices são vértices de ângulos poliédri cos com o mesmo número (m) de arestas. cada uma com n lados (n > 2). Substituindo (2) e (3) em (1) temos: . temos: (1) V − A + F = 2 (pois é euleriano). c) é euleriano.

o que contradiz a condição inicial. a) n = 3 Y faces triangulares Y Y m < 6. c) n = 5 Y faces pentagonais Y assim m = 3 Y m< (– 3. cinco classes de poliedros de Platão. devendo verificar as condições de que n >2 Como A é o número de arestas. d) Para n $ 6. ou seja. ou 5 (pois m > 2 e inteiro) b) n = 4 Y faces quadrangulares Y assim m = 3 Y m < 4. obtemos m sempre menor que 3. 4.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 160 Dividindo por 2A temos: e m >2. assim m = 3. devemos ter. são elas: . portanto: Logo para cada n teremos valores para m. Há portanto.333).

. V = 8.F = 2A. temos F = 8 e como m. em grego).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 161 PRIMEIRA CLASSE: n = 3 e m = 3 Como m = 3 temos A = 6. ou seja. temos V = 4. conhecidos como tetraedros ("quatro faces". Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem oito faces triangulares. temos F = 4 e como m.V = 2A. Como n. n. temos V = 6.V = 2A. conhecidos como hexaedros ("seis faces"). SEGUNDA CLASSE: n = 4 e m = 3 Analogamente.F = 2A.F = 2A F = 6 e m. TERCEIRA CLASSE: n = 3 e m = 4 então A = 12. Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem seis faces quadrangulares. e n. Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem quatro faces triangulares.V = 2A. conhecidos como octaedros ("oito faces"). temos o que então substituindo n = 3 e implica em A = 12 .

temos F = 20 e como m. QUINTA CLASSE: n = 3 e m = 5 então A = 30. conhecidos como dodecaedros ("doze faces"). Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem vinte faces triangulares.V = 2A temos V = 20. b) seus ângulos poliédricos são congruentes.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 162 QUARTA CLASSE: n = 5 e m = 3 então A = 30.F = 2A.V = 2A temos V = 12. Resumindo. conhecidos como icosaedros ("vinte faces"). Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem doze faces pentagonais. Classe Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta n 3 4 3 5 3 m 3 3 4 3 5 A 6 12 12 30 30 V 4 8 6 20 12 n 4 6 8 12 20 Nome Tetraedro Hexaedro Octaedro Dodecaedro Icosaedro POLIEDROS REGULARES DEFINIÇÃO: Um poliedro convexo é regular quando: a) suas faces são polígonos regulares e congruentes.F = 2A. . e n. e n. temos F = 12 e como m.

b) seus ângulos poliédricos são congruentes. Prova: Usando as condições para um poliedro ser regular. temos: a) suas faces são polígonos regulares e congruentes. tipos de poliedros regulares. e somente cinco. hexaedro regular. Por estas conclusões temos que os poliedros regulares são poliedros de Platão e portanto. existem cinco e somente cinco tipos de poliedros regulares: tetraedro regular. dodecaedro regular e icosaedro regular. então todas têm o mesmo número de arestas. octaedro regular.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 163 PROPRIEDADE: Existem cinco. Tetraedro Regular Hexaedro Regular Octaedro Regular Dodecaedro Regular Icosaedro Regular . então todos têm o mesmo número de arestas.

..Bn são as bases do prisma. B1.An. Os pontos A1..... Observação: Os polígonos A1A2... AnBn são paralelas.An e B1B2. . B2. Bn são vértices de um poliedro denominado prisma. A2. A1A2 é uma aresta da base do prisma..// AnBn .An em α e o ponto B1 em β. o polígono A1A2. SEÇÕES DEFINIÇÃO: A interseção de um prisma com um plano paralelo às bases determina uma seção transversal. .. ELEMENTOS: Os polígonos A1A2. obtêm-se B2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 164 CAPÍTULO VII GEOMETRIA ESPACIAL MÉTRICA PRISMA DEFINIÇÃO: Dados os planos α e β distintos e paralelos.Bn são congruentes pois α // β e as retas A1B1. ...... A1B1B2A2 é uma face lateral do prisma. B3... A1B1 é uma aresta lateral do prisma. Bn em β tal que A1B1 // A2B2 //. ..An e B1B2...

O polígono determinado pela seção transversal é congruente as bases. DEFINIÇÃO: A interseção de um prisma com um plano perpendicular às arestas laterais determina uma seção reta (ou ortogonal).. . SUPERFÍCIES DEFINIÇÃO: Superfície lateral é a reunião das faces laterais. DEFINIÇÃO: A interseção de um prisma com um plano paralelo às aresta laterais determina uma seção longitudinal... A área desta superfície é chamada área lateral e indicada por SR.Dn .Cn . Exemplo: D1D2. DEFINIÇÃO: Superfície total é a reunião da superfície lateral com as bases. A área desta superfície é chamada área total e indicada por St.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 165 Exemplo: C1C2..

quadrangular. DEFINIÇÃO: Um prisma é regular quando as suas bases são polígonos regulares. as faces laterais são retângulos. um quadrado. hexagonal. . etc. que é o ângulo entre a aresta lateral e o plano da base. Um prisma é oblíquo quando não A altura de um prisma oblíquo relaciona-se com o comprimento l da aresta lateral e o ângulo α de inclinação do prisma. Num prisma reto. ou seja. pentagonal. DEFINIÇÃO: for reto. suas bases são seções retas. conforme sua base seja um triângulo. etc. NATUREZA DE UM PRISMA Um prisma será triangular.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 166 CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO: Um prisma é reto quando as arestas laterais são perpendiculares às bases. A altura h do prisma reto tem a medida do comprimento da aresta lateral.

ESTUDO DO PARALELEPÍPEDO RETÂNGULO Consideremos um paralelepípedo retângulo. A superfície total de um paralelepípedo é a reunião de seis paralelogramos. A superfície total de um paralelepípedo reto é a reunião de quatro retângulos (faces laterais) com dois paralelogramos (bases). b e c (comprimento. ele fica caracterizado por três medidas: a. Assim. 4 de comprimento b e 4 de comprimento c. então e2 = a2 + c2 logo d2 = a2 + b2 + c2 ou d = . DEFINIÇÃO: Um paralelepípedo reto é um prisma reto cujas bases são paralelogramos. DEFINIÇÃO: Um cubo é um paralelepípedo retângulo cujas arestas são congruentes.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 167 PARALELEPÍPEDO DEFINIÇÃO: Um paralelepípedo é um prisma cujas bases são paralelogramos. ou ortoedro é um prisma reto cujas bases são retângulos. largura e altura). sendo 4 de comprimento a. A superfície total de um paralelepípedo retângulo é a reunião de seis retângulos. Como d é diagonal do paralelepípedo retângulo e AF é perpendicular a GF = b então d2 = e2 + b2 sendo e diagonal da face retangular. O mesmo possui 12 arestas. a) DIAGONAL O paralelepípedo retângulo possui quatro diagonais. DEFINIÇÃO: Um paralelepípedo reto-retângulo ou paralelepípedo retângulo.

ou seja. SABCD + SEFGH + SABFE + SDCGH + SADHE + SBCGF = 2(ab+ac+bc) d) VOLUME O volume de um sólido é um número real positivo associado a ele tal que: 1) sólidos congruentes têm o mesmo volume. . ou seja. c) ÁREA TOTAL É dada pela soma das áreas das faces. se todo plano paralelo ao plano dado que intercepta um dos sólidos interceptar também os outros e se as seções assim obtidas tiverem áreas iguais. a área total e o volume do cubo. então os sólidos têm áreas iguais. PRINCÍPIO DE CAVALIERI (OU POSTULADO DE CAVALIERI) Dados alguns sólidos e um plano. calcule em função de l a diagonal. O volume de um paralelepípedo retângulo de arestas a. EXERCÍCIO: Dado um cubo de aresta l.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 168 b) ÁREA DE UMA FACE A área de cada face é dada pelo produto de dois lados não paralelos. SADHE = SBCGF = bc. 2) se um sólido S é a reunião de dois sólidos S1 e S2 que não têm pontos interiores comuns. SABFE = SDCGH = ac. ou seja. SABCD = SEFGH = ab. b e c é V = abc. é dado pelo produto da área da base pela altura. então o volume de S é a soma dos volumes de S1 com S2.

Como as seções transversais de um prisma são congruentes às suas bases e as bases dos dois prismas são equivalentes. Como o volume do paralelepípedo retângulo é dado pelo produto da área da base pela altura e a área da base do paralelepípedo é a mesma que a do prisma. VOLUME DE UM PRISMA QUALQUER Utilizando o princípio de Cavalieri. os sólidos são equivalentes. então o volume do prisma é dado pelo produto da área da base pela altura. os sólidos têm sempre o mesmo volume (sólidos equivalentes). intercepta os dois sólidos em suas seções transversais. paralelo ao plano α. as seções determinadas pelo plano β são equivalentes. Assim. pelo princípio de Cavalieri. podemos calcular o volume de um prisma qualquer. Um plano β qualquer. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 169 Quando as seções têm sempre a mesma área (seções equivalentes). ESTUDO DO PRISMA REGULAR Sabemos que um prisma é dito regular se e somente se ele é reto e sua base é um polígono regular. São dados um paralelepípedo retângulo e um prisma tais que possuam bases equivalentes apoiadas num plano α e alturas iguais.

h V=h 2) PRISMA REGULAR HEXAGONAL a) ÁREA DA BASE É a área do hexágono regular de lado b.a c) VOLUME V = Sb.a = 3ba b) ÁREA TOTAL St = SR + 2St St = 6(bh) + 6b.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 170 1) PRISMA REGULAR TRIANGULAR a) ÁREA DA BASE É a área do triângulo equilátero de lado b. Sb = p.altura)/2 Sb = b) ÁREA TOTAL St = SR + 2Sb St = 3(b.a = (3b).h V = 3bah . b2 = hf2 + (b/2)2 hf2 = b2 − b2/4 hf2 = (3b2)/4 hf = S = (base.h) + 2 c) VOLUME V = Sb.

ELEMENTOS: . VA2... Calcular a área total e o volume do prisma. Calcular o volume de ar contido em um galpão cuja forma e dimensões são dadas pela figura abaixo.A1A2 é uma aresta da base da pirâmide.. . 02. 03. A aresta da base de um prisma regular hexagonal mede 4m..O polígono A1A2.An em um plano α e um ponto V fora de α. poliedro de n faces triangulares e uma base p o l i g o n a l a s s i m . VAn. Demonstre que as diagonais de um paralelepípedo retângulo são congruentes.. Calcular o volume de um prisma regular quadrangular cuja altura é o dobro da aresta da base e cuja área lateral mede 200cm2. a altura desse prisma tem a mesma medida do apótema da sua base.. Chama-se pirâmide de base A1A2..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 171 EXERCÍCIOS 01.An e vértice V o obtido. .. obtemos VA1. PIRÂMIDE DEFINIÇÃO: Consideremos um polígono convexo A1A2.An é a base da pirâmide. 04..

DEFINIÇÃO: Superfície total é a reunião da superfície lateral com a superfície da base da pirâmide... .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 172 .VA1 é uma aresta lateral da pirâmide. e a razão de semelhança é: pois B1B2 // A1A2 Y ∆VB1B2 ~ ∆VA1A2. SUPERFÍCIES DEFINIÇÃO: Superfície lateral é a reunião das faces laterais da pirâmide.a distância h do ponto V ao plano α da base é a altura da pirâmide. Exemplo: B1B2.. A área desta superfície é chamada área total e indicada por St. SEÇÃO TRANSVERSAL DEFINIÇÃO: A interseção de uma pirâmide com um plano paralelo à base determina uma seção transversal. ∆VB2B3 ~ ∆VA2A3. .Bn .Bn são semelhantes. RAZÃO DE SEMELHANÇA Os polígonos A1A2..An e B1B2... A área desta superfície é chamada área lateral e indicada por SR. ..VA1A2 é uma face lateral da pirâmide. ..

conforme sua base seja um triângulo. DEFINIÇÃO: Chama-se apótema de uma pirâmide regular a altura de uma face lateral (relativa ao lado da base). quadrangular. hexagonal. etc. etc. um quadrado. pentagonal. TETRAEDRO DEFINIÇÃO: DEFINIÇÃO: si. Pirâmide regular é uma pirâmide cuja base é um polígono regular e a projeção ortogonal do vértice sobre o plano da base é o centro da base. Chama-se apótema da base o apótema do polígono da base. Tetraedro regular é um tetraedro que possui as seis arestas congruentes entre . Numa pirâmide regular as arestas laterais são congruentes e as faces laterais são triângulos isósceles. Tetraedro é uma pirâmide triangular.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 173 CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO: DEFINIÇÃO: Uma pirâmide é reta quando o vértice V é equidistante dos vértices da base. NATUREZA DE UMA PIRÂMIDE Uma pirâmide será triangular.

O volume de cada pirâmide é um terço do volume do prisma. V = Generalizando para qualquer pirâmide. temos o mesmo volume. A base ABC é congruente a DEF. tem o mesmo volume. 3o) considerar novamente a pirâmide ABCD. 2o) considerar DEFC a segunda pirâmide. sendo C o vértice. Logo. Portanto. . de vértice C. portanto. Logo possuem o mesmo volume. 4o) considerar a outra pirâmide DEBC.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 174 VOLUME DE UMA PIRÂMIDE Consideremos inicialmente um prisma triangular ABCDEF. Logo. de vértice C. Estas duas pirâmides têm bases congruentes (∆ABD = ∆BED por LLL) e mesma altura. e ainda DA = FC = h. As duas pirâmides têm em comum a aresta DC. pela definição de prisma. o prisma ABCDEF ficou dividido em três pirâmides de volumes iguais. Este pode ser decomposto em três pirâmides triangulares: 1o) considerar o triângulo ABC a base e D o vértice otendo a pirâmide ABCD. as duas pirâmides têm a mesma base e mesma altura.

. d) a área da base Sb.Bn paralela à base e à distância h do vértice V. tomemos a seção B1B2. TRONCO DE PIRÂMIDE DEFINIÇÃO: Dada uma pirâmide regular de vértice V. base A1A2.. Obtemos assim uma pirâmide regular de vértice V e base B1B2. A1A2. O sólido obtido pela eliminação da pirâmide de altura h é chamado tronco de pirâmide.An e altura H. f) a área total St.. Calcular a altura. c) a aresta lateral f da pirâmide..An é a base maior B.... b) o apótema m da pirâmide.Bn é a base menor b.. g) o volume V.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 175 EXERCÍCIOS 01.. Calcular: a) o apótema a da base.Bn semelhante a primeira. ELEMENTOS: B1B2. 02. e) a área lateral SR... a área total e o volume de um tetraedro regular de aresta 6m. Uma pirâmide quadrangular regular de altura 4cm possui a aresta da base igual a 6 cm.

An e V2 é o volume da pirâmide VB1B2... Quando as arestas são perpendiculares às bases. tem-se o cilindro circular reto.. então a altura da face do tronco de pirâmide regular é chamada de apótema do tronco da pirâmide regular. ou seja.. são trapézios.Bn . a reta que contém os centros das circunferências é o eixo do cilindro. a altura do cilindro é a distância dos planos das bases. Uma definição análoga para cilindros é a seguinte: DEFINIÇÃO: a zero.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 176 as faces laterais B1A1A2B2.. Cilindro circular é um prisma de base regular com a medida da área de cada face lateral tendendo . a) ÁREA LATERAL É dada pela soma das áreas de cada face. ELEMENTOS: as arestas são denominadas geratrizes do cilindro. + .. ou seja. obtido através de uma seção transversal sobre uma pirâmide regular.. b) VOLUME V = V1 − V2 onde V1 é o volume da pirâmide VA1A2.. CORPOS REDONDOS E SÓLIDOS DE REVOLUÇÃO CILINDRO DEFINIÇÃO: Cilindro circular é um prisma de base regular com o número de vértices das bases tendendo ao infinito. suas bases são circunferências que estão contidas em planos paralelos. SR = + Se o tronco de pirâmide for regular.

Uma definição para este tipo de cilindros é a seguinte: DEFINIÇÃO: Cilindro de rotação ou de revolução é o sólido gerado pela rotação de um retângulo em torno de um eixo que contém um de seus lados. A altura do cilindro circular reto é a geratriz do mesmo. SEÇÕES DO CILINDRO DE REVOLUÇÃO DEFINIÇÃO: Seção transversal de um cilindro de rotação é um círculo paralelo às bases e congruente a elas. DEFINIÇÃO: Seção longitudinal ou meridiana de um cilindro de rotação é um retângulo de lados g e 2R que contém o eixo do cilindro. DEFINIÇÃO: Cilindro equilátero é o que possui como seção meridiana um quadrado. Observação: Um cilindro circular é oblíquo quando a geratriz não é perpendicular ao círculo da base. O cilindro circular reto é um dos sólidos de revolução. No cilindro equilátero. g = 2R. O cilindro circular oblíquo não é um cilindro de rotação. . ÁREA TOTAL É dada pela soma da área lateral com a área das bases.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 177 R é o raio da base do cilindro.

h + 2. Quando a pirâmide for reta.h EXERCÍCIO: Deduzir a área do cilindro utilizando o princípio de Cavalieri. tem-se o cone circular reto. . o volume do cilindro é igual ao produto da área da base pela altura. assim St = SR + 2Sb = 2πr.πr2 = 2πr(h + r) VOLUME DO CILINDRO CIRCULAR Como. o volume do cilindro é calculado da mesma maneira do que o volume do prisma.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 178 SR = 2πr. por definição. um cilindro é um prisma com o número de vértices da base tendendo ao infinito. Desta forma.h e Sb = πr2. V = πr2. CONE DEFINIÇÃO: Cone circular é a pirâmide de base regular cujo número de vértices da base tende ao infinito.

Uma definição análoga para cones é a seguinte: DEFINIÇÃO: Cone circular é a pirâmide de base regular cuja medida da área de cada face lateral tende a zero.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 179 ELEMENTOS: as arestas da pirâmide são as geratrizes do cone. no cone circular reto. sua base é uma circunferência. O cone circulare reto é um sólido de revolução. g2 = h2 + R2. h é a altura do cone. . Uma definição para este cone circular é dada da seguinte forma: DEFINIÇÃO: Cone de rotação ou de revolução é o sólido gerado pela rotação de um triângulo retângulo em torno de um eixo que contém um de seus catetos. Da semelhança de triângulos: DEFINIÇÃO: Seção longitudinal ou meridiana de um cone de revolução é um triângulo isósceles de base 2R e lados g cuja altura é a altura do cone. SEÇÕES DO CONE DE REVOLUÇÃO DEFINIÇÃO: Seção transversal de um cone de rotação é um círculo paralelo à base. R é o raio da base do cone.

um cone circular é uma pirâmide de base regular com o número de vértices da base tendendo ao infinito. g = 2R.R) e Sb = πR2. SR = πR.g (área do setor circular de raio g e comprimento 2π. assim St = SR + Sb = πR. V = 1/3 (πR2). DEFINIÇÃO: Cone equilátero é o que tem por seção meridiana um triângulo equilátero. Por este motivo. O cone circular oblíquo não é um cone de rotação. VOLUME DO CONE CIRCULAR Por definição. o volume de um cone é igual a um terço do produto da área da sua base por sua altura. No cone equilátero. Deste modo. o volume do cone é calculado do mesmo modo que o volume da pirâmide.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 180 Observação: Um cilindro circular é oblíquo quando o eixo não é perpendicular ao círculo da base. ÁREA TOTAL É dada pela soma da área lateral com a área da base. h EXERCÍCIO: Deduzir o volume de um cone utilizando o princípio de Cavalieri. . ou seja.g + πR2 = πR(g + R).

Observação: Na figura temos triângulos semelhantes logo ou a) ÁREA LATERAL A área lateral do tronco de cone é a diferença entre as áreas laterais dos dois cones semelhantes. c) VOLUME O volume do tronco de cone é a diferença entre os volumes dos dois cones semelhantes. considere- mos a seção transversal à distância d da base. O sólido obtido pela eliminação do cone de altura h é chamado tronco de cone. Obtemos assim um cone de revolução de vértice V.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 181 TRONCO DE CONE DEFINIÇÃO: Dado um cone de revolução de vértice V. altura H e raio da base R. . este possui duas bases circulares de raios r e R e altura d. b) ÁREA TOTAL A área total do tronco de cone é a soma da área lateral com a área das bases. altura h = (H − d) e raio da base r.

. ELEMENTOS: o ponto fixo O é denominado centro da esfera. pontos equidistantes de um ponto fixo O a uma distância A esfera é um sólido de revolução. DEFINIÇÃO: A superfície esférica é o lugar geométrico dos R. DEFINIÇÃO: Superfície esférica é a supereixo que fície gerada pela rotação de uma semicircunferência em torno de um contém o seu diâmetro. a distância constante R é o raio da esfera. SEÇÕES A seção de uma esfera de raio R por um plano a uma distância d de seu centro é um círculo de raio r tal que R2 = d2 + r2. Outras definições para esfera e superfície esférica são as seguintes: DEFINIÇÃO: Esfera é o sólido gerado pela rotação de um semi-círculo em torno de um eixo que contém o seu diâmetro.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 182 ESFERA DEFINIÇÃO: Esfera é o lugar geométrico dos pontos com distância menor ou igual do que uma constante R de um ponto fixo O. O círculo máximo da esfera tem raio igual ao da esfera.

CUNHA E FUSO DEFINIÇÃO: Cunha esférica é o sólido obtido de uma rotação incompleta de um semi-círculo em torno de um eixo que contém o seu diâmetro.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 183 A seção de uma superfície esférica de raio R por um plano a uma distância d de seu centro O é um circunferência de raio r tal que R2 = d2 + r2. rotação incompleta de torno de um eixo que A área do fuso esférico é proporcional ao ângulo θ da rotação que o gerou. . VOLUME DA ESFERA O volume da esfera de raio R é dado por ÁREA DA SUPERFÍCIE ESFÉRICA A área de uma superfície esférica de raio R é dada por S = 4πR2. A circunferência máxima da superfície esférica tem raio igual ao da superfície esférica. DEFINIÇÃO: Fuso esférico é a superfície obtida de uma uma semi-circunferência em contém o seu diâmetro. O volume de um cunha esférica é proporcional ao ângulo θ da rotação que a gerou.

03. cada cone contém a metade da areia. 05. formando-se um cone mostrado na figura ao lado. composta por 12 gomos exatamente iguais. Um ponto luminoso está situado a uma distância d de uma esfera cujo raio é o dobro de d. encontrar o valor de h em função dos dados. Calcular o volume do tronco.calcular a área S da porção iluminada da esfera. os perímetros das bases são 16π cm e 8π cm e a geratriz mede 5 cm. . A posição da apulheta é invertida. Considere o tetraedro regular inscrito em uma esfera de raio R. Qual é a altura deste cone? 02. Se numa esfera de raio R. . . Uma amplulheta repousa numa mesa como mostra a figura abaixo. 06. Se S é a área total de um cilindro circular reto de altura h. Num tronco de cone reto.calcular a área lateral A da superfície cônica gerada pelos raios luminosos de comprimeto t que tangenciam a esfera. onde R mede 3 cm. e se m é a razão direta entre a área lateral e a soma das áreas das bases.calcular o volume V da esfera. circunscrevemos um cone circular reto cuja geratriz é igual ao diâmetro da base. Neste instante. 04.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 184 EXERCÍCIOS 01. Sabendo-se que o comprimento t do raio luminoso que tangencia a esfera é igual a cm: . então a expressão do volume deste cone em função do raio da esfera é: 07. (o cone B completamente cheio de areia). Calcular a soma das medidas de todas as arestas do tetraedro. Calcular a superfície total de cada gomo. Uma laranja pode ser considerada uma esfera de raio R.

. ADAM. Atual Editora LTDA. José Carlos. Editros. Geometria Euclidiana Plana. 2 e 3. 2 e 3. Ignace. 10. DOLCE. Alcyr Pinheiro. São Paulo. 05. Elementos de Geometria e Desenho Geométrico. Editora do Brasil S. 09. MARCONDES. GONÇALVES Jr. RANGEL. Geometria Métrica. 08. Vol 6. 06. Manoel Jairo. Célia Contin. Carlos M. Briguiet e Cia. Geometria. Elementos de Geometria. Oscar. Editora Scipione. BEZERRA.Geometria Plana e Espacial. 02. Livreiros Editores. MARMO. Pedro Puig. Rio de Janeiro. José Nicolau. Vol 1. Matemática por Assunto. Curso de Matemática. Curso de Desenho. F. 04. Matemática na Escola Renovada. Poliedros. PIERRO NETTO.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 185 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 01.A. 07. Osvaldo e POMPEO. 03. Oswaldo. Vols 9 e 10. BARBOSA. Fundamentos de Matemática Elementar. Vol 1. Scipione di e GÔES. João Lucas Marques. Editora Scipione. PUTNOKI.B. Companhia Editora Nacional. CHAPUT. Sociedade Brasileira de Matemática. 11. F. São Paulo.

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