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Gestao Financeira e Custos

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  • 1 FUNDAMENTOS DA GESTÃO FINANCEIRA
  • 1.1 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO FINANCEIRA
  • 1.1.1 Conceito de Finanças
  • 1.1.2 Objetivo do Administrador Financeiro
  • 1.1.3 Diferença Entre Gestão Financeira e Gestão Contábil
  • 1.1.4 Regime de Caixa x Regime de Competência
  • 1.2 QUADROS FINANCEIROS
  • 1.2.1 Investimentos
  • 1.2.2 Amortizações e Depreciações
  • 1.2.3 Métodos de Depreciação
  • 1.2.4 Receitas
  • 1.2.5 Receita Bruta
  • 1.2.6 Impostos
  • 1.2.7 Custos
  • 1.2.8 Estoques
  • 1.2.9 Despesas
  • 1.3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
  • 1.3.1 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
  • 1.3.2 Balanço Patrimonial
  • 1.3.4 Fluxo de Caixa
  • 1.4 CAPITAL DE GIRO
  • 1.4.1 Necessidade de Capital de Giro
  • 1.4.2 Saldo de Tesouraria
  • 1.4.3 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro
  • 2 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS E ANÁLISE DE INVESTIMENTOS
  • 2.1 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS
  • 2.1.1 Custo de Capital
  • 2.1.2 Efeitos dos Impostos sobre a Renda
  • 2.1.3 Custo de Capital Próprio
  • 2.1.4 Custo do Capital de Terceiros
  • 2.2 ALAVANCAGEM
  • 2.2.1 Alavancagem Operacional
  • 2.2.2 Alavancagem Financeira
  • 2.2.3 Alavancagem Combinada
  • 2.3 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS
  • Pay Back Simples,
  • 2.3.1 Pay Back Simples
  • 2.3.2 Pay Back Descontado
  • 2.3.3 Valor Presente Líquido (VPL)
  • 2.3.4 Taxa Interna de Retorno
  • 3 CUSTOS
  • 3.1 FUNDAMENTOS DE CUSTOS
  • 3.1.1 Separação de Custos, Despesas, Investimentos e Perdas
  • 3.1.2 Avaliação de Estoques
  • 3.1.3 Custo das Compras
  • 3.2 MÉTODOS DE CUSTEIO
  • 3.2.1 Custeio Direto e Indireto
  • 3.2.2 Custeio por Absorção
  • 3.2.3 Custeio Variável
  • 3.2.4 Custeio ABC
  • 3.3 ANÁLISES DE CUSTOS
  • 3.3.1 Análise das Relações Custo, Volume e Lucro
  • 3.3.2 Ponto de Equilíbrio
  • 3.4 FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
  • 3.4.1 Impostos
  • 3.4.2 Markup

GESTÃO FINANCEIRA E CUSTOS

Prof. Adrian Dambrowski Prof. Carlo Enrico Bressiani

Universidade Regional de Blumenau
Reitor Prof. Dr. Eduardo Deschamps Vice-Reitor Prof. Dr. Romero Fenili Pró-Reitora de Ensino de Graduação Profa. Ms. Sônia Regina de Andrade Pró-Reitor de Administração Prof. Dr. Edesio Luiz Simionatto Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Prof. Dr. Clodoaldo Machado Divisão de Modalidades de Ensino Coordenação Geral Prof. Ms. Alexander Roberto Valdameri Equipe Multidisciplinar Técnica Airton Zancanaro Alexandre Adaime da Silva Gerson Luís de Souza Léo Fath Equipe Multidisciplinar Pedagógica Profa. Ms. Daniela Karine Ramos Diego Fernando Negherbon Profa. Ms. Henriette Damm Profa. Ms. Iris Weiduschat Administrativo Viviane Alexandra Machado Saragoça Odair José Albino

Centro de Formação Profissional SAPIENCE Ltda
Dirigente Prof. Ms. Kiliano Gesser Equipe Administrativa Prof. Carlos Alberto Alves de Oliveira Prof. Dr. Carlo Enrico Bressiani Prof. Ms. Kiliano Gesser Coordenação Pedagógica Profª Olga Sansão Gesser Diagramação Alvin Noriler

2008

FURB – Universidade Regional de Blumenau Divisão de Modalidades de Ensino Rua Antônio da Veiga, 140 Bairro: Victor Konder Blumenau – SC - 89012-900 Fone: (47) 3321-0577 E-mail: dme@furb.br Site: www.furb.br/ead

SAPIENCE Educacional

Rua Belarmino João da Silva, 52 Bairro: Santa Terezinha Gaspar – SC – 89110-000 Fone: (47) 3330-5100 E-mail: secretaria@centrosapience.com.br Site: www.centrosapience.com.br

Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme decreto nº 1825, de 20 de dezembro de 1907. “Impresso no Brasil / Printed in Brazil”

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da FURB

D156g

Dambrowski, Adrian Gestão financeira e custos / Adrian Dambrowski, Carlo Enrico Bressiani. - Blumenau : Edifurb ; Gaspar : SAPIENCE Educacional, 2008. 102 p. : il. - (Pós-Graduação.Modalidade a distância) Bibliografia: p. 101-102. ISBN: 978-85-7114-212-1 1. Ensino a distância. 2. Administração financeira. 3. Custos. I. Bressiani, Carlo Enrico. II. Título. CDD 378.03

Professor Adrian Dambrowski Graduado em Administração (Gestão Empresarial) pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), mestre em Administração (Gestão de Organizações) pela mesma instituição e especialista em Gestão Financeira e Custos pelo Instituto Catarinense de Pós Graduação (ICPG). Atualmente é funcionário do Banco do Brasil, docente na Sociedade Blumenauense de Ensino Superior (IBES) e atua no programa de pós-graduação a distância do convênio FURB/ Sapience. Professor Carlo Enrico Bressiani Engenheiro Civil pela Universidade Regional de Blumenau, MBA em Gestão de Empresas Industriais pelo Institut Quimic de Sarrià e Dr. em Administração e Direção de Empresas pela Universitat Ramon Llull de Barcelona. Professor de graduação e pós-graduação em disciplinas da área financeira e gestão de projetos, gerente financeiro da Unidade Design de Eventos, Diretor Administrativo-Financeiro da Sapience e consultor na área financeira. Também atua como parecerista em projetos de pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie e referee em revistas da área de administração de empresas.

..........................................................................3 Alavancagem Combinada .........2 Balanço Patrimonial ........1...2.54 2...2 Alavancagem Financeira ...................................2 Amortizações e Depreciações ......................................1 Investimentos ....3........................1...3 Métodos de Depreciação .........................................................3 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro .......................................2.. 49 2............38 1.......... 57 2............................................ 48 2......49 2.................................................................................. 15 1............................................................. 47 2......................................................................................................................................................................... 16 1..................................................................... 33 1..............4 Taxa Interna de Retorno ........................5 Receita Bruta .................53 2................................................................ 42 1.......2 Efeitos dos Impostos sobre a Renda .............................2..........2.....2.........24 1.............................................................................................................1......................4 Regime de Caixa x Regime de Competência .............................................1 Alavancagem Operacional ........................................ 25 1........ 14 1...........................................................41 1........................................................1....................................................7 Custos ..................................................................................1 Conceito de Finanças .......................................................................................2 Objetivo do Administrador Financeiro ...................2..............................................4...........1...............................................................22 1................. 60 2.........31 1..............................................3 Diferença Entre Gestão Financeira e Gestão Contábil ........8 Estoques .......................................................................................32 1.................................................4 Custo do Capital de Terceiros ...................1......3 Custo de Capital Próprio ..........................................2...........4 CAPITAL DE GIRO .......................2........3..........................................................................2 Pay Back Descontado...40 1......4............ 55 2.......2....................... 48 2...............3.............................25 1....3.............4 Receitas .............2............................................................................................................... 50 2......................2.....1................................................................................1 Custo de Capital .............................. 62 ........ 13 1..............................3 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS .................... 13 1.......12 1................1 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS ..........................3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ..............................4............... 49 2..................... 11 1.....................................2 Saldo de Tesouraria ....................15 1......... 43 2 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS E ANÁLISE DE INVESTIMENTOS ................2 QUADROS FINANCEIROS ...... 23 1.......................................................23 1...3....2 ALAVANCAGEM............... 59 2................................1 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) .................SUMÁRIO 1 FUNDAMENTOS DA GESTÃO FINANCEIRA .................................................................................1 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO FINANCEIRA ........................1 Pay Back Simples ......... 12 1.................2...........................1 Necessidade de Capital de Giro ..........6 Impostos ................................................3 Valor Presente Líquido (VPL) .........................................................4 Fluxo de Caixa ................47 2................3..............9 Despesas .....3.............................. 31 1..................1..........

.. 97 3.....................................................................................................4.................................1 Separação de Custos.......................................................................2.....................................77 3........................................................95 3....................................... Investimentos e Perdas ..................................................................................................3 Custo das Compras .......................................... 71 3........................................2................................................................. Despesas................................................67 3............2...........1 Custeio Direto e Indireto ......1..................................................................3...........98 3......1 Impostos ............... 68 3.........2 Avaliação de Estoques ....................................103 ..............3............1 Análise das Relações Custo......3 ANÁLISES DE CUSTOS ......................................................4 Custeio ABC ..................95 3............................................3 Custeio Variável ......................81 3.......2............................1 FUNDAMENTOS DE CUSTOS ................................74 3............................................................................2 MÉTODOS DE CUSTEIO .....1...................2 Ponto de Equilíbrio ............................................................4 FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA .......................74 3............2 Markup ....1.70 3.....................3 CUSTOS .68 3........................2 Custeio por Absorção ............4..................................99 REFERÊNCIAS ..........................................................................98 3................................ Volume e Lucro ..............................86 3...................

Você deverá realizar as avaliações presenciais nas datas previstas no cronograma do curso. Lembre-se. de que há um prazo limite para a conclusão dos estudos. Os capítulos foram organizados de forma didática e complementar. material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização de seus estudos e para a ampliação de seus conhecimentos sobre o assunto. A carga horária desta disciplina é de 45 horas e cabe a você administrar sua aprendizagem e determinar o tempo para seus estudos e o aprofundamento dos temas tratados. Eles apresentam os textos básicos. Bem vindo(a) à disciplina Gestão Financeira e Custos. Este é o nosso Caderno de Estudos. com questões para reflexão e indicam outras referências a serem consultadas.APRESENTAÇÃO Caro(a) aluno(a). Desejamos a você um bom trabalho e que aproveite ao máximo o estudo dos temas abordados nesta disciplina! . porém.

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se concentra no estudo do planejamento financeiro. desta forma. do ciclo operacional e financeiro . estamos tratando do estudo e da gerência dos ativos empresariais. para o caso de uma organização empresarial. analisando projetos de investimentos. além de formas de custeio e a administração dos estoques. a determinação do saldo de tesouraria. bem como sistemas de amortizações existentes e os mais usados no Brasil. apurar o custo da mercadoria armazenada por meios matemáticos. o papel do administrador financeiro e as diferenças entre gestão financeira e gestão contábil. a contabilidade e a economia. INTRODUÇÃO Podemos conceituar finanças como a arte de gerir recursos que. 2. Ou seja. podendo ser vista como uma forma de economia aplicada. a gestão de despesas e custos. Levantar o conceito de Capital de Giro bem como apurar a sua necessidade. as formas de se determinar a depreciação de bens. fundamentada em conceitos econômicos e fazendo uso de informações contábeis. Nesse primeiro capítulo de nossa jornada será abordada a relação triangular entre a administração financeira. Demonstrar o que são investimentos.1 FUNDAMENTOS DA GESTÃO FINANCEIRA CAP ÍT Objetivos de Aprendizagem 1. administrando os ativos e captando fundos para a mesma. Relacionar o significado do termo "finanças". A relevância do fator econômico para o desenvolvimento do meio financeiro vai nos levar à necessidade de se situar no ambiente operacional no qual estão 11 U LO 1 . a relação de investimentos com a incidência de impostos e a discriminação dos impostos existentes no Brasil. 4.e como estes se relacionam. interpretar o conceito de Balanço Patrimonial e a disposição dos elementos que constituem essa demonstração contábil e demonstrar o conceito e aplicação do fluxo de caixa. Explicar a demonstração contábil denominada DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) bem como a sua estrutura. amortizações e depreciações. 3. gerindo a ordem de saída destes para. Você vai perceber que gestão financeira está intimamente relacionada com a contabilidade e com a economia.

ao passo que a segunda trabalha com o regime de competência. o que nos permitirá a compreensão dos ciclos: operacional e financeiro. a análise e o controle das atividades financeiras da organização.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE inseridas as organizações. Praticamente todas as pessoas. sejam físicas ou jurídicas. Antes de adentrarmos no assunto em questão. A gestão financeira detém a tarefa de gerir o relacionamento de instituições. Para melhor entendimento da importância da gestão financeira. que serão definidos e explicados no decorrer do estudo. Teremos ainda a oportunidade de lhe demonstrar os quadros financeiros. mercados e instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas. o balanço patrimonial e o fluxo de caixa. levando-nos a situações nas quais vamos explicar do que se trata. A importância de se distinguir esse conceito é justificada pela necessidade de se analisar essas questões para prover o conhecimento da real situação econômica dos fundos da empresa. 2000). custos. 2002). 2000). Trata-se de tarefa administrativa que permita visualizar a atual situação da empresa. levando em consideração diversos fatores tais como: amortizações. 1. Isso fica claro no controle de recursos para compras e aquisições. onde a primeira fará uso do regime de caixa. explicaremos também algo sobre as demonstrações financeiras comumente usadas no dia-a-dia dos setores financeiros das organizações. principalmente. Estamos falando de dois conceitos econômicos tratados por macroeconomia (ambiente global em que a organização opera) e da microeconomia (ambiente interno onde se contemplam as estratégias operacionais). na administração do capital de giro. que podem ser usados em transações e negócios com transferência e circulação de dinheiro. conhecendo ferramentas como a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). por usar dados e informações financeiras para orientar a tomada de decisão na gestão da empresa (FREZATTI. vai perceber que as finanças fazem parte do dia-a-dia dela. gastam ou investem. contabilidade e. é importante que você compreenda o significado de finanças. além de lhe explicarmos o conceito de finanças e o objetivo do administrador financeiro. Assim. vamos dar início ao nosso estudo conhecendo a importância da gestão financeira onde. empresas e governos (GITMAN. 1. na administração geral de nível tático. a qual está sendo administrada. obtêm receitas ou levantam fundos. produção. também trataremos da distinção entre gestão financeira e gestão contábil. que corresponde a um conjunto de recursos disponíveis circulantes em espécie. depreciações. Ainda nesse primeiro capítulo. que nos levarão a interpretar o que ocorre quando tratamos de investimentos. despesas e estoques. primeiramente vamos entender do que tratam as finanças. Se você observar o cotidiano de uma organização. tal como no gerenciamento e na própria existência da empresa em suas respectivas áreas: marketing.1 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO FINANCEIRA A gestão financeira representa o conjunto de ações e procedimentos administrativos que tem por tarefa o planejamento. considerando ainda a incidência do fator tributário (impostos).1 Conceito de Finanças Finanças podem ser definidas como uma técnica ou ciência de administrar fundos. com relação aos seus bens e direitos garantidos (FREZATTI.1. 12 . gerencial e estratégico.

utilizando muitas vezes as mesmas ferramentas ou informações. 2002). você vai perceber que. Portanto. a análise e o controle das atividades financeiras de uma organização. elaborando suas demonstrações. análise de investimentos. vamos situar o gestor financeiro e seus objetivos nesse contexto empresarial. administração do crédito. o que diferencia as atividades financeiras das contábeis é que a administração financeira enfatiza o fluxo de caixa. buscando meios viáveis para a obtenção de recursos que são destinados a financiar as operações e atividades da empresa. Esses profissionais desempenham uma série de tarefas.3 Diferença Entre Gestão Financeira e Gestão Contábil A gestão financeira é um conjunto de ações e procedimentos administrativos que englobam o planejamento. reconhecendo as receitas no momento em que são incorridos os gastos (denominado regime de competência). objetivando maximizar os resultados econômicos e financeiros oriundos de suas atividades operacionais (GITMAN. o tratamento que é dado para essas informações diverge nas suas atividades. já que as mesmas se relacionam estreitamente e geralmente se sobrepõem. administração do caixa. Porém. Porém. 2000). tais como orçamentos. previsões financeiras.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira A gestão financeira é uma ferramenta ou técnica utilizada para controlar da forma mais eficaz e eficiente possível uma série de tarefas do dia-a-dia de uma organização. Agora que vimos o que são finanças e o conceito mais apurado da gestão financeira. é importante diferenciarmos a gestão financeira da gestão contábil. que demonstrará realmente a situação e capacidade financeira 13 . 2002). É preciso esclarecer que a principal função do contador é desenvolver e fornecer dados para mensurar a performance da empresa. pois o bom ou mau desempenho deste pode ocasionar êxito ou insucesso para a empresa. objetivando sempre o desenvolvimento da mesma. contabilizando todo seu patrimônio. é que muitas vezes se confunde a compreensão e a distinção dessas duas áreas. e procurando sempre os melhores meios para uma segura condução financeira da empresa (GITMAN. evitando desperdícios e gastos desnecessários.2 Objetivo do Administrador Financeiro Os administradores financeiros administram ativamente as finanças de todos os tipos de empresas. No decorrer desse estudo. caso não consiga cumprir a sua tarefa principal: minimizar riscos e maximizar lucros (FREZATTI. que nada mais é do que a entrada e saída de dinheiro na linha do tempo. avaliando sua posição financeira em presença dos impostos.1. Gestores financeiros e contabilistas trabalham lado a lado. grandes ou pequenas. sejam elas financeiras ou não. 1.1. Necessita ser um membro alocado na alta administração. tais como a liberação de crédito e a determinação de prazos para clientes e a análise de investimentos. privadas ou públicas. 1. em função dos benefícios e informações que a contabilidade proporciona para a gestão financeira e pelo relacionamento próximo que se tem de interdependência.

compra de materiais secundários. O gestor do fluxo de caixa precisa de uma visão holística de todas as funções da empresa.a fim de atingir as metas da empresa (SANTOS. compra de matéria-prima. Apenas dão tratamento diferenciado para essas informações. em janeiro é computada a despesa. 2007). já que uma depende da outra. Na Contabilidade. Trabalham com as mesmas informações. tal como o administrador financeiro se utiliza do regime de competência. deduz-se o valor pago de contas a pagar. ao diferenciar o regime de caixa do regime de competência. refere-se ao montante de caixa recebido e gasto por uma empresa no decorrer de um período de tempo determinado. Todavia. a despesa deverá constar nos registros de janeiro. Para a contabilidade.1. no que diz respeito à circulação de dados e informações necessárias para o exercício de cada uma.Cf). 1. e em fevereiro. 14 . Exemplo: Aquisição de mercadorias para pagamento a prazo. como: pagamentos.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE para satisfazer suas obrigações e adquirir novos ativos (bens ou direitos de curto ou longo prazo) . recebimentos. embora o pagamento seja feito em fevereiro.3. sem desapreciar a importância de cada atividade. uma projeção de fluxo de caixa (que será discutido com mais profundidade no item 1. os contadores admitem a importância do fluxo de caixa. reduzindo o valor do caixa.3) apresenta todos os pagamentos e recebimentos esperados em um determinado período de tempo. criando-se uma obrigação em contas a pagar. Diante do que vimos. julgo importante a diferenciação detalhada e exemplificada que encontraremos a seguir.4 Regime de Caixa x Regime de Competência Em finanças. algumas vezes ligado a um projeto específico. Atenção A gestão financeira não substitui a gestão contábil. em função do pagamento. independentemente da ocorrência ou não dos recebimentos das receitas ou dos pagamentos das despesas (SANTOS. porque é necessário prever o que se poderá gastar no futuro dependendo do que se consome no presente. 2007). o fluxo de caixa (designado em inglês por cash flow . salários e outros. assim como a gestão contábil não substitui a gestão financeira. Regime de competência é o que apropria receitas e despesas ao período de sua realização. Elas caminham juntas. mas cada um com suas especificidades e maneiras de transpassar ou descrever a situação da empresa. Se a compra ocorreu no mês de janeiro com pagamento em fevereiro.

levantando assim a necessidade de averiguar se o lucro obtido nas operações empresariais contempla a cobertura da depreciação do maquinário e/ou demais bens (SANTOS. venda do bem ou artigo. Trata-se de um item importante para a gestão financeira de uma organização. prestação de serviço. liquidado ou recebido. pois no futuro a empresa precisará repor o bem que esta depreciando.2. compensando até mesmo a perda de uso desse recurso durante o período de aplicação. 2007).2. ao passo que no regime de caixa o registro do valor ocorre efetivamente na data do pagamento.). o termo aplica-se tanto à aquisição de máquinas. mas sim quando ocorreu o fato. no regime de competência o registro do documento se dá na data do fato gerador. foi abordado o significado do termo finanças.2. 1. Fizemos isto para que você possa situar-se no cenário do gestor financeiro das organizações. equipamentos e imóveis para a instalação de unidades produtivas como à compra de títulos financeiros (letras de câmbio. na data onde ocorreu o fato gerador (data de compra do material. regime este em que são contabilizados como receita ou despesa os valores dentro do mês de competência. Até o momento.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Tal fato ocorre porque a contabilidade utiliza o regime de competência.1 Investimentos Investimento é o que você faz quando aplica seus recursos em algum negócio (empresarial ou bancário) com a esperança de receber algum retorno no futuro e que este seja superior ao aplicado. não importando quando será pago ou recebido. algo que no regime de caixa não é contemplado. Para a mensuração dos resultados de uma empresa é recomendada a utilização do regime de competência. não importando quando será pago ou recebido. 15 . pois considera também a depreciação. permitindo a análise dos quadros financeiros com os olhos desses profissionais.2 QUADROS FINANCEIROS 1. somente considera o registro de um documento quando o mesmo for pago. Dica A diferença entre o regime de caixa e o regime de competência está exatamente na disposição da ocorrência na linha do tempo. Num sentido mais abrangente. assim como você pode observar no extrato de sua conta bancária. etc. pois este. A depreciação de um bem será discutida com mais profundidade no 1. Ou seja. ações). Como observamos. o papel do administrador financeiro e as diferenças entre gestão financeira e gestão contábil. investimento é toda aplicação de dinheiro com expectativa de lucro. pelo seu conceito.

2002). os mesmos são passíveis de amortizações.2. máquinas. São exemplos de Investimentos: Investimento Poupança Ações Imóveis Veículos Máquinas e Equipamentos Liquidez Alta Alta Baixa Alta Baixa Rentabilidade Baixa Alta Alta Baixa Alta Segurança Média Baixa Alta Baixa Alta QUADRO 1 . Todos os investimentos passam por um processo natural de depreciação. Estamos tratando da liquidez. da rentabilidade e da segurança: um investimento líquido é aquele que é de venda rápida (fácil solvência). estes foram classificados quanto a três importantes indicadores utilizados na tomada de decisão ao se optar por uma linha de investimento para seu dinheiro. Em alguns casos. em bens de capital. que deve ser computado financeiramente.2 Amortizações e Depreciações Amortização é um procedimento de eliminação de uma dívida por meio de pagamentos periódicos. realizados através de um planejamento. equipamentos e instalações desgastadas pelo uso. Como está diretamente ligado à compra de bens de capital e. podendo ser dividido em dois tipos: Investimento bruto e Investimento líquido (GITMAN. A rentabilidade é o que mede o retorno sobre o capital investido e a segurança é o item que avalia o potencial de perda o capital investido. 16 . como veremos a seguir. ao exemplificar os tipos de investimentos mais comuns apresentados acima. 1. podendo ser o reembolso de ambos. O investimento bruto corresponde a todos os gastos realizados com bens de capital (máquinas e equipamentos) e formação de estoques. investimento significa exatamente a aplicação de capital em meios que levam ao crescimento da capacidade produtiva (instalações. 2002).Exemplos de investimentos e fatores de decisão. com os juros sempre calculados sobre o saldo devedor (NOGUEIRA. FONTE: Os autores Como você deve ter observado. que possa ser trocado por moeda rapidamente. de modo que cada prestação corresponde à soma do pagamento do capital ou com o pagamento dos juros do saldo devedor. portanto.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Em economia. isto é. como no de investimentos financeiros. o investimento líquido mede com mais exatidão o crescimento da economia. meios de transporte). ou seja. ao passo que investimento líquido não leva em consideração as despesas com manutenção e reposição de peças. à ampliação da capacidade produtiva.

000. Confira o artigo de Daiani Furtado acessando o site abaixo: http://www.microepequenasempresas. e à exaustão contábil. 1990). com juros de 1% ao mês. além da diminuição de dívidas. Para Figueiredo (2004). encontramos a amortização contábil. Porém. O processo de cálculo da tabela price é iterativo. 2002). Assim. existe uma série de tipos de sistemas de amortização.com. a seguir: Sistema Francês de Amortização (Tabela price) Sistema de Amortização Constante (SAC) Sistema de Amortização Misto (SAM) Sistema Americano de Amortização Sistema Americano com Sinking Fund Sistema de Amortização Variável Sistema Alemão de Amortização Arrendamento Mercantil (Leasing) Saiba Mais No Brasil.br/sistema-deamortizacao/ O sistema francês de amortização faz uso da Tabela Price. os sistemas comumente utilizados são: o sistema francês de amortização. somente depois da 2ª revolução industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveitada para cálculos de amortização de empréstimo (NOGUEIRA. Tomando como exemplo um empréstimo de R$10. e em outras situações o sistema de amortização constante. 17 . provenientes da teoria de dimensão econômica dos fundos contábeis. caracterizado por prestações iguais. O método de amortização baseado nas tabelas de Richard Price. na realidade foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias. contempla também direitos intangíveis classificados no ativo.00 para ser pago em 10 parcelas mensais. que trata da redução de bens tangíveis. seguido pelo arrendamento mercantil. tratando de recursos naturais (SÁ.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira No Brasil. associamos a expressão amortização contábil à depreciação contábil. Trata-se de um método usado em amortização de empréstimo. que em seu conceito. construído por juros compostos.

Atenção: Juros . acrescentado ao saldo devedor na transição do mês anterior para o atual.Valor devido pelo prazo de pagamento. levando-se em consideração os juros.O quanto da dívida foi paga.n Onde: PV = Valor Presente (valor a ser financiado) i = Taxa (sempre em %) n = Período (número de parcelas) PMT= Parcela (o valor de cada parcela a ser paga) Assim. multiplicado pela taxa (Nesse caso: 1% ou 0.055. O saldo devedor em cada momento será o resultado do saldo devedor anterior.82 O valor do juro será sempre o valor do saldo devedor do período anterior. PMT = R$ 1.O quanto da dívida está pendente para ser paga. Ou seja.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 1 – Sistema Francês de Amortização. Saldo Devedor . FONTE: Os autores Primeiramente você precisa determinar o valor de cada parcela pela seguinte fórmula: PMT = (PV x i) / 1 – (1 + i ) . em cada mês.01). O valor da amortização será resultado da diferença entre o valor da parcela e o valor do juro. 18 . apura-se o juro para identificar quanto da parcela paga corresponde à quitação do valor que se está devendo. subtraindo a amortização que ocorreu no período. Amortização .

Ed.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Abaixo. Prazo de utilização Intervalo de tempo em que o empréstimo é transferido do credor ao devedor. também. Já o Leasing Back ocorre quando uma empresa necessita de capital de giro. Na operação de leasing operacional. é maior. também denominado saldo devedor. dividido pelo prazo do financiamento. assim como determina o Banco Central. alguns termos usados no meio econômico/financeiro em relação à amortização. e a arrendatária pode desfazer o contrato bastando apenas esperar o período mínimo de noventa dias a contar do início do contrato.1989. Parcelas de amortização Parcelas de devolução do principal. São Paulo. em seguida. pelo valor de mercado ou por um valor residual previamente definido no contrato. No sistema de amortização constante (SAC) a parcela de amortização da dívida é calculada tendo por base o total da dívida. 1998). Atlas. ser. Matemática Financeira. e aviso prévio para a empresa ou pessoa física contratante. podendo. por um prazo definido. Custo do dinheiro. 19 . QUADRO 2 . 1998). FONTE: MATHIAS. uma empresa. por devolver o bem arrendado à arrendadora ou dela adquirir o bem. Ao fim do contrato o arrendatário pode optar por renová-lo por mais um período. GOMES. José Maria. Prestações menos juros. O leasing ou arrendamento mercantil é um contrato por meio do qual a arrendadora ou locadora (entidade que se dedica à exploração de leasing) compra um bem escolhido por seu cliente para. locar ao mesmo. No SAC a prestação inicial é um pouco maior que na Tabela Price. que julgamos interessante lhe explicar: Devedor ou mutuário Taxa de juros Pessoa que recebe algo pelo empréstimo. Ela vende seus bens a uma empresa que a aluga novamente à primeira (BLATT. Taxa acordada entre as partes. considerando um sistema linear. Operacional e Leasing back.Termos usados no meio econômico/financeiro. pois o valor que é pago da dívida. Washington Franco. Calculada sobre o saldo devedor. O cliente deste tipo de crédito é. a arrendadora arca com os custos de manutenção dos equipamentos. com a diferença que se pode comprar o bem no final do prazo pré-determinado por um valor já determinado anteriormente. Prestação Soma da amortização acrescida de juros e encargos. no entanto. ou amortização. Prazo de carência Período entre o prazo de utilização e o pagamento da primeira amortização. como um percentual fixo da dívida. tipicamente. contratado por pessoa física (BLATT. Existem três formas de Leasing: Financeiro. O Leasing Financeiro se assemelha a um aluguel. Prazo de amortização Intervalo de tempo em que são pagas as amortizações.

nesse caso. Vejamos então o mesmo exemplo do caso anterior (price). descontando a amortização que ocorreu no período. GOMES.Sistema de Amortização Constante.000. O valor da amortização será determinado ao dividir o valor financiado pelo número de parcelas em que será dividido. no SAC. o saldo devedor e a sua prestação tendem a decrescer de forma constante desde o início do financiamento e não permite a ocorrência de valor residual ao término das prestações. multiplicado pela taxa. Com isso. FONTE: Os autores Assim como no sistema francês de amortização. TJLP ou INCC) durante o financiamento (MATHIAS. TABELA 2 .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE assim. desta forma. porém dessa vez pelo SAC.00 para ser pago em 10 parcelas mensais. 1989). você estará menos exposto em caso de aumento do indexador do contrato (a TR. pois a formação do saldo devedor. pois o próprio saldo devedor está sendo reduzido. não soma juros retidos de períodos passados. por conseguinte a prestação. O saldo devedor em cada momento será o resultado do saldo devedor anterior. tendem a decrescer. a parcela dos juros e. 1989). 20 . o valor do juro será sempre o valor do saldo devedor do período anterior. com juros de 1% ao mês. que neste caso será um valor fixo. você estará liquidando mais da dívida desde o inicio do financiamento e pagando menos juros ao longo de contrato (MATHIAS. Conforme a dívida é amortizada. porém diferente em cada momento. GOMES. como ele se comporta pelo sistema de amortização constante: Tratamos novamente de um empréstimo de R$10.

as bicicletas e motocicletas utilizadas pelos cobradores. pois passado este período estará completamente obsoleto. utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda. ao determinar a depreciação. atribuindo a ele um novo valor. aplicados a produção.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Dica Nesse sistema de amortização. Conforme o art. nas atividades de cobrança. Assim. continua-se com a depreciação até a completa exaustão do bem. os bens depreciáveis são: Edifícios e construções. deverá ser depreciado em 5 anos no máximo. Contudo. 25 da IN SRF nº 11/96. referente ao saldo devedor. Veículos utilizados no transporte coletivo de empregados. 2005). mesmo tendo uma vida útil de 5 anos ou mais. até que esse bem tenha valor reduzido a zero (SILVA. 21 . móveis. Essa perda de valor deve ser apropriada pela contabilidade periodicamente. Por depreciação devemos interpretar como sendo o custo ou a despesa decorrente da deterioração ou da obsolescência dos ativos imobilizados (máquinas. um veículo. instalados em estabelecimento da empresa. compradores e vendedores. deverá ser feita uma reavaliação do bem. baseado em dados técnicos. bem como os utilizados nas entregas de mercadorias. Bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração. produtos intermediários e de embalagem. compra e venda. Na possibilidade desse veículo ainda ter condições de ser utilizado. Compare a Tabela 1 com a Tabela 2. Projetos florestais destinados à exploração dos respectivos frutos. imóveis e instalações) da empresa. o administrador pode estabelecer fórmulas mais adequadas a sua realidade empresarial. os ativos vão perdendo valor. Veículos do tipo caminhão. Bens móveis e imóveis utilizados no desempenho de atividades de contabilidade. sendo calculada sempre pela soma da amortização ao valor dos juros. veículos. caminhonete de cabine simples ou utilitários. Veículos do tipo caminhão. com a obsolescência natural ou desgaste com uso na produção. A partir de então. caminhonete de cabine simples ou utilitário. a parcela não será fixa. Ao longo do tempo. de matéria-prima. Bens móveis utilizados nas atividades operacionais.

Calculamos a depreciação. pela pessoa jurídica que tenha objeto essa espécie de atividade (art.2. Veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel. objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei 6099/74. 307 do RIR/99). Este método é próprio das empresas industriais. 305 do RIR/99. 22 . Para tanto. Bens móveis e imóveis. em cada período de apuração. Exemplo: Um bem tem vida útil de 10 anos. dentre outros motivos. para deduzi-la das receitas e.3 Métodos de Depreciação Conforme determina o art.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos. ação da natureza e obsolescência normal. Bens móveis e imóveis próprios. com taxa de depreciação de 10%. locados pela pessoa jurídica. Métodos das Unidades Produzidas Também utilizado por empresas industriais. pela pessoa jurídica arrendadora. assim. a serem produzidas ao longo de sua vida útil. o valor correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo. Método das Horas de Trabalho Este método consiste em determinar o número de horas de trabalho durante o tempo de vida útil previsto para o bem. Taxa de Depreciação = 100% / tempo de vida útil TD = 100% / 10 anos = 10% a.a. A parcela de depreciação de cada período será obtida dividindose o número de unidades produzidas no período pelo número de unidades estimadas. 1. podemos computar como custo ou encargo. A parcela de depreciação será obtida dividindo-se o número de horas trabalhadas no período pelo número de horas de trabalho estimadas durante a vida útil do bem. Esse artigo determina ainda os seguintes métodos de depreciação: Método Linear O método linear é o mais freqüentemente utilizado e se caracteriza pela aplicação de taxas constantes durante o tempo de vida útil estimado para o bem. termos uma apuração mais real dos lucros obtidos nas operações empresariais. Consiste em determinar a quantidade total de unidades que devem ser produzidas pelo bem no decorrer de sua vida útil. resultante do desgaste pelo uso. vamos ver a seguir o que são essas receitas de onde as depreciações e/ou amortizações serão descontadas. e que tenham a locação como objeto de sua atividade.

Receita acessória ou complementar . para a contabilidade. é o produto da venda de bens e serviços. rendimentos). Porém. o que motivou muitas empresas a questionarem este conceito na justiça. para fins tributários: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS).ingressos de valores no caixa derivados de transações não inclusas nas atividades principais ou acessórias da empresa. a Receita Bruta tem diferentes composições.decorrente da receita da atividade principal e representa rendimentos complementares. não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. é a receita total decorrente das atividades-fim da empresa (atividades para as quais a empresa foi constituída. Receitas não-operacionais . o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria. Considera-se receita bruta. Nas empresas privadas a receita normalmente corresponde ao produto de venda de bens ou serviços – aqui denominado faturamento – classificando-se em operacionais e não-operacionais (SÁ. Normalmente esse aporte vem em forma de dinheiro ou créditos representativos de direitos. tais como comissões recebidas. Para fins de legislação do PIS e COFINS. para fins tributários. Viceconti (2001). podendo ser classificadas da seguinte forma: Receita da atividade técnica ou principal . as receitas operacionais são oriundas do objeto de exploração da empresa. Ou seja.2. no Brasil. Segundo Neves. 23 . visando redução de contribuições a pagar. também visto como o faturamento da organização (SÁ. segundo seus estatutos ou contrato social).relacionada à atividade principal da empresa como venda de produtos. 1. a receita bruta é o total de receitas contabilizadas.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira 1.5 Receita Bruta A receita bruta. independentemente de originária do faturamento.4 Receitas Receita é o aporte de valores que ocorre em uma entidade (Contabilidade) ou patrimônio (Economia). aluguéis. 1990). quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. No Brasil denominase contabilmente esse grupo de receitas de Outras Receitas Operacionais. o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. mercadorias ou serviços. São excluídos do conceito da receita bruta. para fins de aplicação do Simples Nacional.2. dentre outros. 1990). que devem ser compostos basicamente de Receitas Financeiras (juros.

Renda diz respeito ao valor recebido pelo trabalho de indivíduos ou de organizações e patrimônio são os bens de posse que têm valor como imóveis e veículos (SMITH. custear o Estado (SÁ.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Para a contabilidade. Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários.00 R$ 1. Impostos podem ser pagos em moeda (dinheiro) ou em mercadorias. No Brasil.00 Da Receita Líquida. os tributos somente são aceitos em forma de dinheiro. embora o pagamento em mercadorias nem sempre seja permitido ou classificado como imposto em todos os sistemas tributários.000. 1990).000.Imposto sobre a exportação de produtos nacionais ou nacionalizados.000. podem ser feitas ainda as seguintes deduções: (=) Receita Líquida (-) Custos (=) Lucro bruto (-) Despesas (=) Lucro líquido R$ 35. a partir de uma base de cálculo e de um fato gerador.6 Impostos Imposto é uma contribuição percentual paga obrigatoriamente por pessoas ou organizações para um governo.500. IOF . como no exemplo a seguir: Receita bruta de Vendas (-) Devoluções de Vendas (-) Descontos Comerciais (-) Impostos (=) Receita Líquida R$ 50. São exemplos de impostos: Impostos federais II . a receita líquida é representada pela receita bruta com deduções.00 1.00 R$ 10.000.Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. ITR .Imposto sobre Operações de Crédito. IPI .Imposto Territorial Rural.00 R$ 21.000. É uma forma de tributo que tem como principal finalidade.000.2. 1983). 24 .00 R$ 35.Imposto sobre a importação de produtos estrangeiros. Esses tributos podem incidir sobre renda ou patrimônio.00 R$ 8.Imposto sobre Produtos Industrializados. IE . IR .00 R$ 4.00 R$ 5.000.500.000.00 R$ 31.

ITCMD . com a o objetivo de criar uma 25 .Imposto sobre Transmissão inter vivos de Bens e Imóveis e de direitos reais a eles relativos.Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). 1. durante o processo de fabricação.8 Estoques Estoques são recursos disponíveis em um determinado momento. A armazenagem de matéria prima. no orçamento empresarial. de produtos acabados ou em processos de fabricação gera outro custo para as organizações. Outro importante item acerca dos custos das mercadorias é a relação que a empresa tem com sua gerência de estoques. Tanto os impostos pagos quanto os substituídos. Sob a visão contábil. que uma empresa pode aproveitar para dar origem a um bem. vamos discorrer acerca do tema custos. a seguir.2. os custos são medidas monetárias derivadas da aplicação de bens e serviços na produção de outros bens e serviços. Impostos municipais IPTU .2. São quantidades armazenadas ou em processo de produção. 1.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Impostos estaduais ICMS . IPVA . que será tratado a seguir. que será mais amplamente abordado no terceiro capítulo de nosso estudo. são computados como custos e agregados assim ao valor do produto ou serviço produzido. Não adentraremos mais no tema custos porque este será tema do capítulo 3. ISSQN .Imposto sobre a Propriedade predial e Territorial Urbana. Assim. A Contabilidade gerencial incorpora esses e outros conceitos econômicos para fins de elaborar relatórios de custos de uso da administração da empresa (LEONI.Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). 1996). precisa arcar para atingir seus objetivos. uma pessoa ou um governo.7 Custos Os custos são medidas monetárias dos dispêndios financeiros com os quais uma organização. ITBI .Imposto sobre Transmissões Causa Mortis e Doações de Qualquer Bem ou Direito.Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. sendo considerados como objetivos a utilização de um produto ou serviço qualquer. utilizados na obtenção de outros bens ou serviços.

(Compra-Venda. Uma visão comum é considerar o custo de manutenção de estoque de um produto como uma pequena parte do seu valor unitário (LEONI. o propósito é usá-las de uma forma eficiente (LUBBEN. Para Leoni (1996). A tarefa de encontrar o ponto ideal de estoques (também determinado ponto de equilíbrio) é bastante árdua (LUBBEN. Custos de manutenção de estoques são custos proporcionais à quantidade armazenada e ao tempo que ela fica em estoque. 1989). mesmo sendo essa procura mais ou menos constante. seguros. 1989). A gestão de estoques é um conceito que está presente em todo tipo de empresa. e evitam o desconforto devido a entregas e aquisições com elevada freqüência. O armazenamento de materiais compreende dois tipos de custos: fixos e variáveis. No meio empresarial. Produção-Distribuição) (LUBBEN. assim como na vida quotidiana das pessoas. Desde o início da sua história que a humanidade tem usado estoques de variados recursos. 1989). materiais operacionais e instalações. Já nos custos fixos. em relação aos custos associados à gestão de estoques. 1989). benefícios a funcionários e folha de pagamentos e utilização do imóvel e mobiliário (LEONI. manutenção dos estoques. Nos custos variáveis podemos considerar os custos de operação e manutenção dos equipamentos. obsolescência e deterioração e custos de perdas. Um dos custos mais importante é o custo de oportunidade do capital.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE independência entre os vários estágios da cadeia produtiva. tais como ferramentas e alimentos (LUBBEN. Custos de pedido e Custos de falta. 1996). 1996). porém níveis baixos de estoque podem originar perdas de economias e custos elevados devido à falta de produtos. o excesso de estoques representa custos operacionais e de oportunidade do capital empatado. devido ao fato das operações entre entregas e utilizações se efetuarem em tempos diferentes. pode-se dizer que os estoques servem de reguladores. Quando existe a compreensão que os estoques geram desperdícios e quando se identificam as razões que indicam a necessidade de estoques. 26 . estes podem ser separados em três áreas principais: Custos de manutenção de estoques. possibilitando também adquirir a baixos preços para se revender quando os preços são elevados. ocorre um desaproveitamento de estoque. Uma das vantagens dos estoques é o fato de poderem ser usados para enfrentar uma situação de privação do que é necessário podendo enfrentar variações ou balanços da procura. Compra-Produção. Quando a empresa detém estoques desnecessários. equipamentos de armazenagem e manutenção. 1989). Ou seja. entre esses dois processos (LUBBEN. pois representa a perda de receitas por ter o capital investido em estoques e não tê-lo investido em outra atividade econômica. de modo a suportar o seu desenvolvimento e sobrevivência. o que vai significar uma perda de espaço físico e perdas de investimento.

podendo esses custos ser tanto variáveis como fixos. É constituído por lubrificantes ou quaisquer materiais destinados à manutenção. Esses custos ocorrem com o pagamento de multas contratuais. 1996). existem diversas classificações dos estoques. etc. que é composto pelo produto que teve seu processo de fabricação finalizado. O estoque de produtos em processo baseia-se essencialmente em todos os artigos solicitados. Custos de falta são custos derivados de quando não existe estoque suficiente para atender a procura dos clientes em um dado período de tempo. tais como. alimentando as máquinas subseqüentes durante o reparo. 27 . São ainda utilizados para prevenir uma empresa de incertezas nas suas operações logísticas (LUBBEN. No estoque de matéria-prima e materiais auxiliares encontramos materiais secundários. os estoques recebem diferentes denominações. 1989). podemos ter: estoque de produtos em processo. deterioração de imagem da empresa. podemos também ter um estoque de segurança. E como suporte à operação da empresa. papel. que são as quantidades guardadas para assegurar o andamento do processo produtivo caso ocorram aumento na demanda do item por parte do processo ou atraso no abastecimento futuro (LUBBEN. São formados por materiais ou produtos em condições de serem vendidos (LUBBEN. 1996). que é formado de materiais destinados ao desenvolvimento das atividades da empresa e utilizados nas áreas administrativas da mesma. 1989). de matéria-prima e materiais auxiliares. Para Lubben (1989). perda de market share. que se encontram nas várias fases de produção. O exemplo principal de custo variável é o preço por unidade de compra dos artigos encomendados (LEONI. Do ponto de vista do processo produtivo em uma empresa industrial. operacional e de produtos acabados. O estoque operacional é um tipo de estoque criado para evitar possíveis interrupções na produção por defeito ou danos de algum equipamento. substituição ou reparos tais como componentes ou peças sobressalentes. Os custos fixos associados a um pedido são o envio da encomenda. E por fim. São usualmente compostos por materiais brutos destinados à transformação. impressos. receber essa mesma encomenda e a inspeção. De acordo com a natureza dos produtos fabricados e da atividade da empresa. formulários. Fora do ciclo produtivo de uma empresa. 1989). o estoque de produtos acabados. temos também estoque de materiais administrativos. A existência de estoques de segurança em uma fábrica evita que o processo produtivo pare em caso de uma avaria. Os estoques de segurança evitam que ocorram problemas inesperados em alguma fase produtiva interrompendo as atividades sucessivas de atendimento da demanda. necessários à fabricação ou á montagem do produto final. Em empresas comerciais é chamado de estoque de mercadorias. Usualmente são materiais que se encontram em depósitos próprios para expedição. como componentes que iram integrar o produto final.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Custo de pedido são custos referentes a uma nova encomenda. e ativação de planos de contingência (LEONI. perdas de venda.

usamos o custo do lote mais antigo quando ocorre venda da mercadoria até que se esgotem as quantidades desse estoque. primeiro a sair). partimos para o segundo lote mais antigo e assim sucessivamente (GARCIA. inclusive no Brasil é obrigatório também o custeio por absorção real onde todos os custos contábeis são agregados e rateados na produção do mês (GARCIA. fazendo com que a empresa pague mais impostos e mais dividendos (GARCIA. Para a contabilidade de custos não existe outra saída. podemos considerar três critérios usualmente utilizados.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Quanto aos critérios de avaliação de estoques. pois mesmo que não se acabe de usar todo um lote. 2006). sendo eles: PEPS (primeiro a entrar. Preço médio ponderado. apenas que utilizamos o preço do último lote comprado para custearmos as vendas (GARCIA. Com isso precisamos controlar diversos lotes com saldos no qual usamos parcialmente os custos (GARCIA. Em seguida. Existem várias desvantagens nessa metodologia. 2006). 2006). formando assim um lucro maior. mas não é recomendada para se usar na formação dos preços de vendas (GARCIA. Nesse caso o PEPS provocará um estoque com valor mais alto e um custo mais baixo. abandona-se este e começa-se a usar o último mais recente. O UEPS possui também suas desvantagens em relação ao PEPS. A Média é a técnica indicada para a elaboração dos cálculos de custos pela contabilidade. 2006). pois custo médio será sempre a divisão do saldo financeiro pelo saldo físico. 2006). um lucro mediano e um estoque mediano. UEPS Já o UEPS funciona de forma muito parecida com o PEPS. 2006). Uma delas é que precisamos controlar vários lotes para identificarmos sempre o custo do mais antigo. primeiro a sair). pois a Média nos dá um custo mediano. Preço médio ponderado Essa técnica é muito fácil de ser usada. PEPS No método PEPS. 28 . UEPS (último a entrar.

em uma mesma situação.UEPS FONTE: Os autores 29 . TABELA 3 .Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Observe a aplicação dos três métodos citados.Situação hipotética FONTE: Os autores TABELA 4 .PEPS FONTE: Os autores TABELA 5 .

estoques são custos. 1989). 1989). extensão e complexidade. desfrutando assim destas vantagens (LUBBEN. 1989). utilização e armazenagem de modo a responder com regularidade aos clientes em relação a preços. dentro de uma produção e programação de vendas antecipadamente estabelecidas. sendo considerada como uma questão não estratégica e limitada à tomada de decisões em níveis organizacionais mais baixos.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 6 . Apesar da sua importância. quantidades. até ao controle das quantidades adquiridas. reduções no montante estocado se traduz na liberação de grande volume do capital necessário ao andamento do negócio como um todo (LUBBEN. Algumas empresas já perceberam como a gestão de estoques pode ser utilizada ao longo de toda a cadeia de suprimentos da qual fazem parte. Abrange uma série de atividades. porém custos e despesas não são sinônimos. 2006). O controle é a etapa executiva responsável pela atualização e coleta dos dados de movimentação que voltam a alimentar o processo de administração de estoques. uma vez que grande parte do capital das empresas está nos materiais envolvidos na produção. aplicáveis às previsões de necessidades e à gestão de estoques da empresa. e de todas as vantagens competitivas que isso pode vir a trazer. para medir a sua localização. 30 . movimentação. A programação e planejamento são as atividades relativas à definição dos modelos necessários para a utilização de técnicas estatísticas. Assim. A boa administração dos estoques é de vital importância para a saúde financeira das empresas. Como vimos. Veja a seguir. freqüentemente a gestão de estoques é negligenciada em muitas empresas. sendo comum representarem 50% de todo o seu capital. e que faz com que algumas decisões sejam tomadas em função de uma série de parâmetros anteriormente estabelecidos (GARCIA. que vão desde a programação e planejamento das necessidades de materiais em estoque.MÉDIA FONTE: Os autores A gestão de estoques é o principal critério de avaliação de eficiência do sistema de administração de materiais. e prazos (LUBBEN.

Os seus objetivos se concentram em propiciar informações que orientem as tomadas de decisão. Elas ainda são classificadas em fixas e variáveis. as quais constituem os grupos de despesas com vendas. Estão sempre relacionadas aos valores gastos com a estrutura administrativa e comercial da empresa tais como aluguel. enquanto que as variáveis são aquelas cujo valor a ser pago está diretamente relacionado ao valor vendido (SÁ. Na indústria. As despesas são gastos que não se identificam com o processo de transformação ou produção de bens e produtos. telefone. sendo as fixas aquelas cujo valor a ser pago não depende do volume. e também no grupo despesas não-operacionais. 1.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira 1. como você identificará no item 1. aquisição de matériasprimas.2. enquanto que despesa diz respeito aos gastos com a manutenção das atividades da entidade. Atenção: Custos diferente Despesas Custo é o gasto aplicado à produção de um bem. despesa não é igual a custo. certamente você está habilitado a partir para o próximo passo de nosso estudo: As demonstrações financeiras. Despesas são os gastos usados para a obtenção de receitas não relacionadas diretamente no produto: aluguel. etc. logo abaixo do lucro líquido operacional. impostos. As empresas sem fins lucrativos lançam as despesas na demonstração do déficit/ superávit do exercício. contabilmente. ou do valor das vendas. No comércio. telefone.3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Vamos perceber nesse item que demonstrações financeiras são representações estruturadas da posição financeira e do desempenho financeiro de uma determinada organização. mostrando os resultados obtidos em determinados períodos. conforme as normas brasileiras de contabilidade. material de escritório. é relacionado com o processo produtivo de bens ou serviços. 31 . despesa é o dispêndio necessário para a obtenção de receita. comissões de vendedores. salários e encargos.2. insumos e mão-de-obra. aquisição de mercadorias. No Brasil. daquela demonstração. Com base do que já vimos até o momento. comissões. dentre outros. administrativas e financeiras. propaganda. propaganda. uma vez que este último.9 Despesas Para a contabilidade. É importante salientar que. as despesas de entidades privadas e com fins lucrativos aparecem na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).5. 1990).

32 . Ganhos em participações societárias. Lei n. de 15 de dezembro de 1976.htm>. reversões de provisões (=) Resultado Operacional Líquido + Receitas Não Operacionais Vendas de permanentes.br/ccivil_03/LEIS/ L6404consol. A DRE é estruturada da seguinte forma: Faturamento Bruto (-) IPI Faturado = Receita Operacional Bruta (Venda Bruta) Vendas de Mercadorias. apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência (SÁ. Disponível em: <http://www. custos e despesas.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 1.gov.planalto. lucro apurado em coligadas e controladas pela equivalência patrimonial (-) Despesas não operacionais Custo dos Permanentes Vendidos. Acesso em: 28 ago 2008. 1990). Disponível em: <http://www.br/ccivil_03/ _Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.Estrutura da DRE FONTE: BRASIL.404. prejuízo apurado em coligadas e controladas.htm>.638/07 de 28 de dezembro de 2007. Produtos ou Prestação de Serviços (-) Deduções e abatimentos Devoluções de vendas Descontos e abatimentos comerciais Vendas anuladas e canceladas Impostos sobre vendas = Receita Operacional Líquida (-) Custos das Mercadorias. Dividendos recebidos. Dispõe sobre as sociedades por ações. por meio do confronto das receitas. Alterada pela Lei 11.gov. Produtos ou Serviços Vendidos = Lucro Operacional Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas com vendas / comerciais Despesas administrativas Encargos financeiros Outras despesas operacionais + Outras Receitas Operacionais Receitas de aluguéis.planalto. 6.1 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstração contábil dinâmica que tem por objetivo evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício. provisão para perdas prováveis em investimentos = Resultado do Exercício antes da Contribuição Social (-) Provisão para Contribuição Social = Resultado do Exercício antes do Imposto de Renda (não é necessariamente a base para o IR) (-) Provisão para o Imposto de Renda = Resultado do Exercício após o Imposto de Renda (-) Participações Debêntures Empregados Administradores Partes beneficiárias Contribuições para instituições ou Fundo de Assistência ou Previdência dos Empregados = Resultado Líquido do Exercício Lucro ou Prejuízo por Ação do Capital FIGURA 1 .3. Acesso em: 28 ago 2008.

denomina-se 33 . Observe abaixo o que ocorre com as informações nessa ferramenta de demonstração financeira. onde sempre encontramos a igualdade. TABELA 7 .2 Balanço Patrimonial Partimos da idéia de uma balança de dois pratos. 1.Exemplo de DRE FONTE: Os autores A DRE está intimamente ligada ao Balanço Patrimonial. Observe um exemplo com números. Mas em vez de se denominar balança.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira A demonstração do resultado do exercício oferece um resumo financeiro dos resultados operacionais e não operacionais de uma empresa em certo período. Embora sejam elaboradas anualmente para fins legais de divulgação.3. porém dá posicionamentos diferentes de um mesmo período. normalmente são feitas mensalmente para fins administrativos e trimestralmente para fins fiscais (HELFERT. 2000).

Confira mais no site do SEBRAE acessando o link abaixo: http://www. o patrimônio da empresa. financeira e economica de uma empresa em determinada data. contas a receber. conforme a 34 . 2004). direitos e obrigações. numerário em caixa. O balanço é uma demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a posição contábil. amortizações. que evidencia a situação patrimonial da empresa em determinada data (PADOVEZE. 2004). O Capital de giro ou Capital Circulante Líquido é a diferença do Ativo Circulante do Passivo Circulante.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE balanço. que é resultante da diferença entre o total de ativos e passivos. É a demonstração contábil que evidencia. O ativo circulante é aquele que irá se cumprir até o exercício social seguinte e é equivalente ao capital de giro. despesas antecipadas. As contas do Ativo sujeitas à depreciação.sebrae. matérias-primas e títulos (PADOVEZE. 2004). à amortização. resumidamente. Saiba Mais A palavra balanço vem do equilíbrio ou da igualdade expresso nas seguintes fórmulas contábeis: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido Aplicações = Origens. Juntando os dois conceitos temos o balanço patrimonial.br/momento/quero-abrir-um-negocio/ planeje-sua-empresa/administracao/1114/BIA_1114/integra_bia O Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos) e Passivos (obrigações) e o Patrimônio Líquido. 2004). no Balanço Patrimonial. ou seja. ou igualdade patrimonial. Atenção Na contabilidade. estoques. depósito bancário. Já o termo patrimonial tem origem no patrimônio da empresa. São ativos que podem ser considerados como circulantes: dinheiro em caixa. o conjunto de bens. equilíbrio do patrimônio. conta movimento em banco. mercadorias.com. quantitativa e qualitativamente (PADOVEZE. representando uma posição estática (situação do patrimônio em determinada data) (SÁ. 1990). exaustões ou provisões para créditos de liquidação duvidosa e outras provisões (PADOVEZE. deduzidas das respectivas depreciações. o ativo circulante é uma referência aos bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo. à exaustão e à provisão para créditos de liquidação duvidosa e outras provisões aparecerão. aplicações financeiras.

a DOAR foi substituida pelo DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa) de 2007. contribuições a recolher e outras. tais como financiamentos e títulos a pagar. fornecedores. que é o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas. A seguir temos um modelo mais completo de Balanço Patrimonial: 35 . que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia (PADOVEZE. acionistas ou participantes no lucro da companhia. provisões para despesas incorridas. Tal fato ocorre por que a empresa não vai acionar seu diretor se este não pagar na data combinada. 13° salário. 1990). como duplicatas a pagar. dentre outros. baseado no princípio da entidade (SÁ. férias. a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos e resultado de exercícios futuros representa o Patrimônio Líquido (PL). 2004). títulos a pagar. ainda não pagas. E a partir de janeiro de 2008. que terão seu vencimento 360 dias após a data da publicação do balanço de que fazem parte (SÁ.00 (atualizado pela Lei no 9.000. Trata-se das obrigações com terceiros. 1990). Ativo realizável a longo prazo é representado por um conjunto de bens e direitos que irão realizar-se após 360 dias da data da publicação do balanço a que faz parte. Exemplos: impostos a recuperar. São considerados exemplos de passivo circulante: Fornecedores (duplicatas a pagar) Empréstimos bancários Títulos a pagar Encargos sociais a pagar Salários a pagar Impostos a pagar Passivo exigível a longo prazo são as dívidas de uma empresa que serão liquidadas com prazo superior a um ano. Esta era obrigatória para as companhias de capital aberto e para as de capital fechado que apresentassem na data do balanço patrimonial. dívidas com fornecedores de mercadorias ou matérias-prima.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira terminologia do DOAR ( Demonstração de origens e aplicações de recursos) dada pela Lei Federal Brasileira 6. contas a pagar. 2004). impostos a recolher. adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas.000. empréstimos bancários com vencimento nos próximos 360 dias. porém reconhecidas pela empresa tais como imposto de renda.404/76. notas promissórias a pagar. assim como os derivados de vendas. mesmo pressuponto recebimento a curto prazo.457/97). Passivo circulante são as obrigações que normalmente são pagas dentro de um ano tais como contas a pagar. geradas. devem ser classificados no realizável a longo prazo). Entram também no ativo realizável a longo prazo os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte. contratos de mútuo valor. Patrimônio líquido representa os valores que os sócios ou acionistas têm na empresa em um determinado momento. um patrimônio líquido superior a R$ 1. dentre outros (PADOVEZE. diretores. impostos a recolher. No balanço patrimonial. A DOAR indica as modificações na posição financeira da companhia. empréstimos a sócios ou diretores (direitos a receber que.

Estrutura do Balanço Patrimonial FONTE: Os autores 36 .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE QUADRO 3 .

Exemplo de Balanço Patrimonial FONTE: Os autores 37 .Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Observe como se comportam os números aplicados ao modelo exposto: TABELA 8 .

Além disso. A principal será indicar as necessidades de dinheiro para atendimento dos compromissos que a empresa costuma ter com prazos certos para serem saldados. Trata-se de uma ótima ferramenta para auxiliar o administrador de determinada empresa nas tomadas de decisões. expresso em termos de unidades monetárias. 1. mostrando que deverão ser tomadas medidas corretivas e/ou saneadoras. Ele não indica apenas o total de dinheiro em caixa necessário para a manutenção das operações da empresa. 1997). Para Pensar O fluxo de caixa pode ser utilizado também por pessoas físicas que tenham interesse em uma organização financeira pessoal mais eficiente? O fluxo de caixa poderá ser elaborado com relativa precisão e ter em vista várias finalidades.4 Fluxo de Caixa O fluxo de caixa é uma ferramenta desenvolvida para a execução do planejamento e do controle financeiro a curto. 1997). mas também. o período em que serão obtidos e/ou desembolsados. Estas defasagens podem informar que os programas da empresa tornaram-se irreais em vista da ocorrência de acontecimentos imprevistos e incontroláveis (DAMODARAN. É através deste demonstrativo que os custos fixos e variáveis são evidenciados.3. Observe o modelo de fluxo de caixa que é apresentado a seguir. o fluxo de caixa serve como um ponto de referência em relação a qual os valores realizados podem ser comparados (CAVALHEIRO. 38 .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Visto a Demonstração do Resultado do Exercício e a Balanço Patrimonial. Veja a seguir. Defasagens significativas podem indicar que os programas da empresa não estão correndo segundo o planejado. 1989). permitindose desta forma um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais (DAMODARAN. que trata-se de outra ferramenta de demonstração financeira. nos resta o fluxo de caixa. médio e longo prazo da Empresa. O fluxo não é nada mais que um plano escrito.

Modelo de Fluxo de Caixa FONTE: Os autores Vantagens do Fluxo de Caixa O fluxo de caixa também pode ser uma ferramenta de uso pessoal. sem comprometer a liquidez da empresa. as principais vantagens do uso de um fluxo de caixa são: demonstrar ao gestor financeiro o momento exato para as retiradas de caixa.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira TABELA 9 . Inclusive. existem hoje no mercado diferentes tipos de ferramentas que têm por objetivo facilitar a confecção do fluxo de caixa pessoal. sem acarretar problemas financeiros para a empresa. Segundo Damodaran (1997). 39 . Pessoas físicas que tenham interesse em uma organização financeira pessoal mais eficiente podem fazer uso dessas técnicas. propiciar ao gestor financeiro meios de pôr em funcionamento suas disponibilidades de caixa de maneira racional e lucrativa.

40 . por sua vez. auxiliar na verificação dos períodos em que a empresa terá excedentes de caixa. estimar os valores dos saldos de caixa e os períodos em que eles irão ocorrer. antecipando ao gestor financeiro a atitude.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE projetar as necessidades financeiras futuras. 1. das medidas cabíveis para cada situação projetada para a empresa. visando o melhor planejamento de ingressos e de desembolsos de caixas futuros. observa-se que. permitindo que se busquem alternativas de suprimento de caixa mais rápidas e em tempo hábil quando se fizer necessário. as principais desvantagens do uso de um fluxo de caixa são: quanto ao planejamento . as instabilidades do mercado poderão prejudicar o desempenho do fluxo de caixa da empresa. com certa freqüência. através da utilização do fluxo de caixa. que deve ser suprido pelo capital de giro. em função das variações nas atividades econômicofinanceiras para o período projetado. Nesse contexto. apresentará restrições por parte de alguns grupos da empresa quanto a mudanças de planejamento e de controles orçamentários. destacar os pontos negativos e os pontos positivos. poderá haver um imediatismo por parte do gestor financeiro ou de algumas pessoas na obtenção dos resultados. A projeção do fluxo de caixa consiste em uma importante e fiel ferramenta para se apurar o lucro real obtido no período e a falta deste. que tem como preocupação principal a análise das decisões que afetam os ativos e passivos circulantes. dependem da exatidão das projeções de vendas que lhe servirão de base para todo o sistema orçamentário global. a expressão capital de giro é associada à tomada de decisões financeiras a curto prazo. visto que o fluxo estabelece os objetivos e as metas a atingir pela empresa. Ainda segundo o mesmo autor. haverá sempre a necessidade de comparar os resultados apurados com os projetados pela empresa. permitir a escolha de alternativas mais eficazes para suprir eventuais faltas de saldo de caixa. assim como descrito no próximo item. em termos.os erros cometidos pelo gestor financeiro vinculam-se às estimativas do fluxo de caixa que.4 CAPITAL DE GIRO Agora vamos começar a tratar das finanças a curto prazo.

Aumento das despesas financeiras.planalto. representa o montante investido pela empresa nestes itens. Atenção O capital de giro precisa ser monitorado constantemente. Aumento dos custos. Confira acessando o site abaixo: http://www010. Confira as mudanças no site abaixo: http://www. 1990). Vamos determinar. o curto prazo é delimitado por um período igual ao de um exercício social. como se apura a necessidade de levantar ou aprovisionar recursos para o capital de giro nas finanças das empresas. Além de sua participação sobre o total dos ativos da empresa. produção em andamento e produtos acabados). em qualquer momento. investimentos temporários.gov. o capital de giro exige um esforço para ser administrado pelo gestor financeiro maior do que aquele requerido pelo capital fixo (SÁ.404/76.4. Em geral.gov. contas a receber e estoques (matérias primas. Em geral.htm Obs: Em 28 de dezembro de 2007.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/ L11638.1 Necessidade de Capital de Giro Capital de giro é o conjunto de valores necessários para a empresa fazer seus negócios acontecerem. mercadorias para venda. 1. que normalmente é de um ano. ativos circulantes ou ativos correntes.638/07 que altera a Lei 6. boa parte do total dos ativos de uma empresa são destinados a este capital.dataprev. foi publicada a Lei 11. a seguir. 41 . A soma destes saldos. Crescimento da inadimplência. tais como encomendas de matéria prima. As dificuldades relativas ao capital de giro numa empresa são originadas pela ocorrência dos seguintes fatores: Redução das vendas.htm Uma boa parte dos fundos de uma empresa destina-se ao que chamamos de capital de giro. pois sofre o impacto das diversas mudanças econômicas enfrentadas pela empresa. em seus artigos 179 e 180). as decisões financeiras tipicamente de curto prazo envolvem entradas e saídas de caixa que ocorrem no prazo de um ano ou menos. pagamentos à vista ou descontos na venda de produtos acabados.br/sislex/paginas/42/1976/6404.404 de 15/12/1976. estes ativos compreendem os saldos mantidos pela empresa nas contas disponibilidades. Na prática.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Saiba Mais De acordo com a Lei das S/A's (Lei 6.

Porém. Quando o ciclo financeiro é longo. Dessa forma. Através do saldo das contas no Balanço Patrimonial. pode-se determinar a necessidade de capital de giro da seguinte forma: NCG = Contas a Receber + Estoque .4. observa-se a evidência de que não há dinheiro suficiente para o cumprimento das obrigações. Assim. Se não obtivermos o valor necessário para o capital de giro. visto anteriormente. nos resta crer que esta organização. que comumente se dá em buscar dinheiro no mercado financeiro. através de empréstimos ou venda de capital. que pode ser investido na produção. a redução do ciclo de caixa . operação e vendas. a redução do ciclo de caixa requer a adoção de medidas de natureza operacional. Quando positivo é sinal que existe dinheiro sobrando no caixa.deve ser uma meta da administração financeira. para determinarmos também os períodos em que será necessário cada montante do capital de giro apurado como necessário.em resumo.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE A necessidade de capital de giro surge em função do ciclo financeiro da empresa (que será explicado no item 1.4. produção.2 Saldo de Tesouraria Tesouraria é o setor de uma organização encarregado da contabilidade e do armazenamento do dinheiro . podemos determinar o valor necessário para que as operações financeiras da empresa mantenham-se com um status de saudável. Trata-se de uma situação bastante saudável e confortável. O saldo de tesouraria é obtido pela diferença entre o ativo financeiro e o passivo financeiro: T = Ativo Financeiro – Passivo Financeiro.3) possibilita mais facilmente prever a necessidade de capital de giro em função de uma alteração nas políticas de prazos médios ou no volume de vendas. dá-se o nome de saldo de tesouraria. da seguinte forma: T = CDG – NCG Ou seja. é muito importante a conciliação do fluxo de caixa.4. A esta situação.3). está com recursos extras. levando as organizações a buscar soluções para esse fechamento. O cálculo através do ciclo financeiro (desenvolvido no item 1. 1990). ao invés de necessitar de recursos para fechar seu período. 1. Quando negativo. envolvendo o encurtamento dos prazos de estocagem. significa receber mais cedo e pagar mais tarde . trata-se da diferença entre o valor que se tem em caixa e o valor que é necessário para saldar as obrigações no período. ou até mesmo financiar um prazo maior aos clientes. Entretanto.Contas a Pagar. a necessidade de capital de giro é maior e vice-versa. algum ativo financeiro. Você também pode determinar pelo valor residual decorrente da diferença entre o Capital de Giro e a necessidade de capital de giro.caixa (SÁ. Um saldo positivo de tesouraria representa uma reserva financeira da empresa para fazer frente a eventuais expansões da necessidade de 42 . além do necessário.

e se resume ao tempo exigido para que uma aplicação de dinheiro em insumos variáveis gire inteiramente. dependem da natureza das operações às quais a empresa se dedica e das peculiaridades do setor em que ela atua. podem ser visualizadas nos ciclos empresariais: operacional e financeiro. 2007). principalmente aquelas de natureza sazonal. A condição fundamental para que a empresa esteja em equilíbrio financeiro é que seu saldo de tesouraria seja positivo. 1. Vendas à vista Caixa >>>>> Compra de Matéria Prima Estoque de Matéria Prima >>>>> Estoque de Produtos Acabados >>>>> Vendas à prazo Duplicatas a Receber Produção FIGURA 2 . 43 .Ciclo Operacional FONTE: Os autores Observe que existe certa dificuldade em visualizar uma empresa real em funcionamento e examinar o processo pelo qual as etapas são vencidas nesse ciclo. Tanto situações de necessidade de capital de giro quanto em que ocorrem saldo de tesouraria. Veja a seguir do que se trata. A figura abaixo representa graficamente o ciclo operacional de uma empresa.3 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro Podemos dizer que os ativos correntes constituem o capital de empresa que circula até transformar-se novamente em dinheiro. Atenção As empresas mantêm capital de giro para sustentar um dado volume de operações. dentro de um ciclo de operações. como duração desse ciclo de operações.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira investimento operacional em giro. até o recebimento correspondente à venda do produto ou serviço (MATIAS.4. na verdade varia conforme a natureza das operações da empresa. Os investimentos que ela faz. principalmente quando se considera que uma empresa certamente terá vários ciclos em andamento. Nota-se assim que o curto prazo. desde a compra de matéria prima e o pagamento de funcionários. em cada item. simultaneamente e em etapas distintas a cada momento.

desde o momento da compra até o recebimento de caixa levou 105 dias. no entanto.00 (R$ 100.00) Caixa FONTE: Os autores A primeira observação pertinente é que o ciclo completo. Outra observação pertinente sobre o exemplo é que os fluxos de caixa e os outros eventos não estão sincronizados. estes eventos podem ser resumidos conforme quadro a seguir: TABELA 10 . Cronologicamente. representado por 60 dias no exemplo acima. período de Estocagem representa o período entre a compra e a venda da mercadoria. o ciclo operacional é o período que vai desde a compra da mercadoria até seu recebimento.000.00 por 75 dias (105 – 30).000. A este período denominamos Ciclo Financeiro. O seja. e Prazo de Recebimento de Vendas é determinado pelo intervalo entre a venda da mercadoria e o recebimento da venda. representando o número de dias transcorridos desde o pagamento do estoque até o recebimento da venda.000. denominado de Período de Contas a Receber. Desta forma. não houve qualquer recebimento até o dia 105. Assim: Ciclo Operacional = 60 dias + 45 dias = 105 dias. denominado de Prazo de estocagem.Cronologia de Eventos Dia 0 30 60 105 Evento Compra de Mercadorias Pagamento da Compra Venda da Mercadoria a prazo Recebimento da venda R$ 140. 44 . você vende estas mercadorias por R$ 120. representado por 45 dias no caso do exemplo. A primeira parte é o tempo que leva para comprar e vender a mercadoria. Suponha o seguinte exemplo: num certo dia (data zero) você adquire mercadorias no valor de R$ 100. Houve então um desembolso de R$100. temos: Ciclo Operacional = Prazo de Estocagem + Prazo de Recebimento de Vendas Onde.00 para pagamento num prazo de 45 dias. Observe ainda que este ciclo possui dois componentes distintos. Denominamos este período de Ciclo Operacional. Após 60 dias desta compra.000. A este prazo denominamos Prazo de Contas a Pagar: período entre o recebimento do estoque e seu pagamento. A segunda parte é o tempo necessário para receber a venda. o que evidencia a necessidade de financiamento dos R$100.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Vamos distinguir o Ciclo Operacional do Ciclo Financeiro (ou de caixa).000.00 no dia 30 e.00 a serem pagos em 30 dias. Note que nada se pagou pelo estoque até 30 dias após a compra.000.

Ciclo Operacional FONTE: Os autores A necessidade de uma administração financeira a curto prazo fica evidente nesta figura. Manutenção de Reserva de Liquidez (caixa ou títulos). representado pelas seqüências de pagamentos ou recebimentos.Capítulo 1 Fundamentos da Gestão Financeira Com base nestas definições. temos então que o Ciclo Financeiro que pode ser calculado como a diferença entre o Ciclo Operacional e o Prazo de Contas a Pagar Ciclo de Caixa = Ciclo operacional – Prazo de contas a pagar A figura a seguir representa as atividades operacionais a curto prazo e os fluxos de caixa de uma empresa comercial típica. Alteração no Prazo de Contas a Receber. cuja diferença gera o Ciclo Financeiro. Neste capítulo. Alteração no Prazo de Estocagem. Nesse contexto. A gestão dessa defasagem entre entradas e saídas de caixa a curto prazo passa por opções gerenciais. Esta defasagem está relacionada à extensão do Ciclo Operacional e do Prazo de Contas a Pagar. entendemos que a primeira tem como visão o fluxo de caixa. esse contato íntimo com a contabilidade. independentemente da ocorrência ou não dos recebimentos das receitas ou dos pagamentos das despesas. como vimos. amortizando (eliminação de uma dívida por meio de pagamentos 45 . FIGURA 3 . aprendemos que: Finanças podem ter seu conceito representado pela técnica ou ciência de administrar fundos. mostrando a linha de tempo do fluxo de caixa. ao passo que a contabilidade tem suas atenções voltadas ao regime de competência. quando se observa a defasagem entre as entradas e as saídas de caixa. Toda essa atenção à movimentação de fundos em uma organização tem um objetivo: monitorar e gerir operações de investimentos (aplicação de algum tipo de recurso com a esperança de receber no futuro um retorno superior ao investimento). os administradores financeiros administram as finanças de todos os tipos de empresas. Alteração no Prazo de Contas a Pagar. tais como: Empréstimos de curto prazo. desempenhando uma série de tarefas relacionadas à movimentação de valores. Apesar de a administração financeira ter. apropriando receitas e despesas ao período de sua realização.

representando a situação do patrimônio. Tratando-se das finanças de curto prazo. financeira e econômica de uma empresa em determinada data. que objetiva apresentar a posição contábil. A receita. Com essas informações podemos ainda construir o chamado Balanço Patrimonial. ou ainda alimentar uma terceira ferramenta que vimos.operacional e financeiro – onde o primeiro vai tratar do tempo de estocagem de produtos. São fatores importantes na apuração do lucro e. podemos acreditar que você está pronto para realizar a atividade abaixo recomendada. custos. conseguimos dispôlas em formas de demonstrações financeiras tais como o DRE (Demonstração do Resultado do Exercício). 5) Qual a diferença entre despesas e custos? 6) O que é um DRE? Para que serve? 7) Qual o princípio fundamental do Balanço Patrimonial? 8) O que é um fluxo de caixa e como este pode ajudar na determinação da necessidade de capital de giro? 46 . Trata-se de um conjunto de valores necessários para a empresa realizar suas operações. se apresenta como receita líquida. que tem por objetivo evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício confrontando receitas. associada à tomada de decisões financeiras. Surge aí a atenção aos ciclos empresariais . que tratam do aporte de valores que ocorre em uma empresa. o resultado do ciclo operacional. custos e despesas apuradas. Com todas essas informações financeiras que vimos. Essas despesas são normalmente descontadas das receitas. quando apurada. citando a importância dessa tarefa. vai se chamar de receita bruta e somente após as devidas deduções (despesas. incisivos na apuração dos resultados para a base de cálculo do imposto de renda. por conseqüência.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE periódicos) e depreciando-os quando possível ou necessário. e o segundo. pois boa parte do total dos ativos de uma empresa é destinada a este capital. médio e longo prazos da empresa.). Atividade Complementar 1) Do que trata a gestão financeira? 2) Qual a função do gestor financeiro? 3) Qual a diferença entre a gestão financeira e a contabilidade? 4) Defina amortização e depreciação. etc. onde ocorre todo o planejamento e o controle financeiro a curto. impostos. descontando-se o prazo para o pagamentos decorrentes das atividades empresariais. somado ao prazo para o recebumento das vendas dos mesmos. chamada fluxo de caixa. Assim. vimos com freqüência a expressão capital de giro. Por depreciação entendemos os custos ou as despesas decorrentes do desgaste ou da obsolescência dos bens adquiridos. estoques.

Esta tarefa objetiva quantificar as vantagens e as desvantagens do projeto que a empresa pretende realizar. onde se faz necessário demonstrar o conceito de custo de capital (próprio ou de terceiros). financeira ou combinada (operacional e financeira). tais como bancos. 3. 2. para assim podermos projetar alavancagens (operacionais e/ou financeiras) e analisarmos a viabilidade dos investimentos por técnicas que serão abordadas.1 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS O financiamento das atividades executadas pelas empresas é realizado por meio da aplicação de diferentes tipos de fundos obtidos externamente ou 47 CAP ÍT U LO 2 . que consiste em trazer todos os fluxos previstos em um projeto ao valor presente). o financiamento diferencia-se do empréstimo pelo vínculo direto que ocorre com algum bem ou serviço. Para a escolha e decisão das formas de financiamentos a se adotar.e a determinação da TIR (Taxa Interna de Retorno. INTRODUÇÃO Podemos tratar do termo financiamento como uma ação organizacional/ empresarial realizada para pagar um produto/serviço por meio de um empréstimo. Valor Presente Líquido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR). seja ele próprio ou de terceiros e os efeitos dos impostos sobre a renda. Distinguir a formação do custo de capital. esse capítulo almeja orientá-lo nas decisões de financiamentos. tais como: o Pay Back (que contempla o tempo de retorno de um investimento). Tecnicamente. o VPL (Valor Presente Líquido. Propor as formas de alavancagem empresarial: operacional. Pay Back Descontado. faz-se necessária a prática de análise dos investimentos pelo gestor financeiro da empresa.2 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS E ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Objetivos de Aprendizagem 1. Financiamentos normalmente são oferecidos por instituições financeiras. 2. Analisar a viabilidade de um investimento por meio de técnicas matemáticas: Pay Back Simples. cobrando juros sobre os valores. Assim. que nada mais é do que apurar a taxa de rendimento que os fluxos projetados nos retornará).

CMPC é obtido pelo custo de cada fonte de capital ponderado por sua respectiva participação na estrutura de financiamento da empresa. o custo do capital pode ser representado pela taxa de juros que as empresas usam para calcular.1 Custo de Capital Quando você detém um capital. 48 . descontando o valor do dinheiro no tempo (ATKINSON et al. 2000). observou-se que esta apresenta um Patrimônio Líquido de R$ 70. consequentemente vem afetar a sua lucratividade. ao investir ou aplicar esse recurso em uma determinada entidade. Ou seja. dentre outros tópicos adjacentes. levado em conta o princípio contábil da entidade. 2.2 Efeitos dos Impostos sobre a Renda O imposto de renda é um imposto devido onde cada indivíduo ou empresa é obrigado a deduzir certa porcentagem de sua renda média anual para o governo. Sabe-se que: a remuneração requerida pelos acionistas é de 20% ao ano. exige-se um retorno mínimo a título de remuneração do seu patrimônio. Observe a seguir a influência dos impostos sobre a renda nas atividades empresariais pertinentes aos nossos estudos neste caderno.000 e dívidas de R$ 30. Uma classificação bem simples divide esses fundos em duas categorias: capital próprio e capital de terceiros. 2000).Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE gerados no decorrer das operações. há 70% de capital próprio e 30% de capital de terceiros. 2. Então: CMPC = (20% x 70%) + (10% x 30%) = 17% ao ano.1. No Brasil. o imposto de renda é cobrado mensalmente e no ano seguinte o contribuinte prepara uma declaração de ajuste anual de quanto deve do imposto ou se tem restituição de valores pagos a mais. O Custo Médio Ponderado de Capital . sendo que esses valores deverão ser homologados pelas autoridades tributárias. Exemplo: Analisando as contas de uma empresa. A taxa de captação dos recursos entregues à administração da empresa. Portanto. o custo da dívida é de 10% ao ano. ou pode ser fixa em uma dada percentagem. O custo do capital tem efeito sobre as operações da empresa que. de acordo com a participação percentual do capital próprio e de terceiros (ATKINSON et al. significa o custo de capital que representa a taxa de financiamento da entidade. Este pode ser obtido considerando todas as fontes dos recursos postos à disposição da empresa.1. agrega-se outro fator: o tributário. Ao custo do capital. a serem estudados a seguir.000. Esta percentagem pode variar de acordo com a renda média anual.

O efeito do crescimento do montante do capital de terceiros. que ora vai promover melhorias operacionais.3 Custo de Capital Próprio O custo do capital próprio é calculado a partir da expectativa de retorno sobre o patrimômio líquido durante um determinado período (normalmente um ano) baseado em níveis de taxa de juros e retorno de mercado do mesmo no tempo. basta você identificar a taxa de captação de capital externo para fazer parte da estrutura de capital da sua empresa. Para Pensar O que podemos sugerir aos gestores financeiros das organizações diante de uma economia de mercado que se apresenta muitas vezes conturbada? 49 . O valor de mercado total de qualquer companhia é independente da sua estrutura de capital. podemos afirmar que o custo do patrimônio líquido é representado pela taxa de retorno que os investidores exigem para realizar um investimento patrimonial em uma empresa (ATKINSON et al. considerado o risco do negócio (ATKINSON et al. 2000).1. ora financeiras e ora ambas simultaneamente. Então. que a questão tributária afeta tanto o uso do capital próprio quanto quando usamos capital de terceiros. as grandes organizações estão sempre buscando alternativas para incrementar o seu potencial produtivo. ao analisar as contas empresariais. no custo de capital da empresa.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Vamos observar. acima de tudo. 2.1.2 ALAVANCAGEM Para Martins (2006). O lema hoje é a diminuição de custo. o risco de patrimônio líquido se aproxima do risco de mercado comum. 2. 2000). os impostos estarão sempre presentes. na rentabilidade e lucratividade da empresa. Para a obtenção do retorno. podemos entrar no campo da alavancagem empresarial. Não importa como conduzimos estas questões. Com os conhecimentos somados até o momento. mas se possível sem que isso tenha reflexo no volume de vendas e.4 Custo do Capital de Terceiros Para calcular o custo do capital de terceiros. se dá na forma que a taxa de capitalização do patrimônio líquido cresce na medida da redução do custo do capital de terceiros. 2. e pode ser encontrado pela capitalização das expectativas de retorno futuras descontadas a uma taxa apropriada. ter lugar de destaque no mercado e diante da concorrência.

onde podemos combinar os efeitos da alavancagem operacional que parte da relação entre variação no lucro sobre variação no volume. podemos perceber certo receio dos gestores financeiros das organizações. em seguida. Nesse contexto. volume e lucro é algo de grande importância para a contabilidade gerencial e de custo. Conforme a posição do ponto de apoio em relação ao objeto a ser movido. Para nós. Saiba Mais Na física. Diante de uma economia de mercado tão conturbada quanto a que estamos vivendo. pois ele reflete o nível de operacionalização da empresa do controle interno a contabilidade. 2001). Daí o termo alavancar. no intuito de se alcançar o melhor desempenho.2.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Vamos tentar identificar o comprometimento que existe na relação custo. vamos dar início trabalhando a alavancagem operacional. O estudo da relação custo. O estudo da alavancagem pressupõe uma análise operacional e financeira da empresa. identificar as causas e as potencialidades estratégicas dos resultados. essa diferença provoca alteração na taxa de retorno sobre o patrimônio líquido (MARTINS 2006). 2. pequenas mudanças nas vendas produzirão grandes flutuações nos lucros. do operacional. Nesse cenário. emprega-se mais ou menos força na ponta da alavanca. alavancagem é representada pelo emprego de uma alavanca para erguer um objeto. despesas financeiras e ativo total médio. Grande importância deve ser dada ao Grau de Alavancagem. e a importância significativa da participação dos gestores. essa expressão terá o significado de promover e estimular um negócio ou obter fundos para custear um projeto com recursos externos à empresa. é necessário ter cautela na hora de optar pela melhor decisão. a alavancagem operacional representa o efeito desproporcional entre a força efetuada no nível de produção e a força obtida 50 . VICECONTI. diante de uma tomada de decisão. se uma organização tiver uma boa alavancagem financeira e operacional. volume e lucro para a tomada de decisão e de controle. que representa a diferença entre a obtenção de recursos de terceiros a um determinado custo e a aplicação desses recursos no ativo da empresa a uma determinada taxa. ao financeiro. patrimônio líquido médio. pois favorecem uma visão clara que envolvem várias vertentes dentro do sistema contábil. Assim. e da alavancagem financeira. que leva em consideração o lucro líquido. onde o que importa é a análise dos seus próprios produtos e ver o comprometimento econômico de cada um deles e.1 Alavancagem Operacional Para Neves. Viceconti (2001). no que se refere a importante responsabilidade da administração. apresentada e discriminada com mais detalhes no próximo item. estando inseridos todos os quocientes analíticos das demonstrações contábeis (NEVES. empregando menos força.

a quantidade mínima a se produzir para que não tenha prejuízo. Faz-se necessária à junção dos fatores: custos variáveis e custos fixos. Já para os produtos que têm uma baixa alavancagem operacional. pode ser definido como sendo a variação percentual nos lucros operacionais. no que se refere a sua lucratividade. Atenção O nível de alavancagem operacional necessita ser bem analisado. pois reflete o comprometimento da empresa em relação ao seu nível de produção e com isso o grau de risco. pois a variação no volume de produção provocará menor impacto no percentual de lucro. basta verificar que. para termos a alternância entre lucro e prejuízo. 2001). caracterizada por baixos custos fixos e altos custos variáveis. caracterizada por altos custos fixos e baixos custos variáveis. 51 . relacionada com determinada variação percentual no volume de vendas. quanto maior for o volume de produção e quanto mais distante a empresa estiver de seu ponto de equilíbrio. também será menor o risco de a empresa entrar em prejuízo caso sofra uma redução na atividade produtiva (NEVES. Pode-se dizer que para os produtos que tem uma alta alavancagem operacional. esteja abaixo do ponto de equilíbrio. quando não há custo fixo. pequenas alterações no volume de vendas irão resultar em grandes mudanças nos lucros. leva-se em consideração que. as mudanças no volume de vendas não resultarão em grandes mudanças nos lucros (MARTINS 2006). nunca haverá prejuízo (NEVES. menor será o seu grau de alavancagem operacional. isso representa que a empresa está trabalhando próxima ao ponto de equilíbrio e o risco de melhorar ou piorar seu resultado é bastante elevado. ou seja. Ou seja.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos na obtenção dos lucros. 2001). Um fator que influencia na rápida passagem de lucro para prejuízo (ou de prejuízo para lucro) é o alto valor dos custos fixos. No caso da Alavancagem Operacional. VICECONTI. Embora o Grau de Alavancagem Operacional (GAO) tenda a diminuir de valor quando se encontra acima do ponto de equilíbrio. VICECONTI. A Alavancagem Operacional é aferida pela proporção dos custos fixos em relação aos custos variáveis. não importa quão alta seja à margem de contribuição. Caso o GAO for alto. Por si só a Margem de contribuição não estabelece que a baixa de vendas implique diretamente em lucro ou prejuízo. ou seja.

Veja mais no site abaixo: http://www.400/un PE = 100. o seu ponto de equilíbrio. fazendo com que o custo unitário da mercadoria seja reduzido. obtendo com isso um lucro de: 20 un x $ 1. pois o resultado pode não ser satisfatório e pode se tornar irreversível para a empresa. para que não se opere dentro dessa margem. sendo que o fator n é o que representa o grau de alavancagem operacional.400 – 1.67%. Em termos percentuais está com uma margem de segurança de 16. como o preço de venda é constante.000 = $ 20.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Saiba Mais Todo empreendimento necessita identificar a sua margem de risco.000/ mês Sua margem de segurança é de 20 unidades. refletindo diretamente na lucratividade da empresa.400) = 100 unidades por mês Suponhamos que esteja produzindo e vendendo 120 unidades / mês. pois pode ter esta redução sem entrar na faixa de prejuízo.000/mês R$ 2.000 / (2.com. Então.administradores. tanto operacionais quanto financeiras. faz-se necessária a junção desses dois fatores: Margem de Contribuição e Custos Fixos . Pode ser definida como a capacidade que a empresa possui de usar custos operacionais fixos para aumentar os retornos de seus investidores (MARTINS. conseguimos com isto ter uma visão mais facilmente do nível de alavancagem e sua relação com o nível de produção (para mais e para menos).ou.400/un R$ 100. ou seja. no nosso caso.br/artigos/ponto_de_equilibrio_uma_ ferramenta_de_gestao_eficiente/22411/ Assim sendo.67%) 52 . EXEMPLO: Se uma empresa que produz um tipo de computador. O efeito de alavancagem ocorre pelo fato de que os custos fixos são distribuídos por um volume maior de produção. a alavancagem operacional ocorre quando um crescimento de x% nas vendas provoca um crescimento de n vezes x% no lucro bruto. com as seguintes características: Custos Variáveis Custos + Despesas Fixas Preço de Venda R$ 1. É necessário buscar condições. (MS = (20 / 120) x 100 = 16. assim como os custos fixos. 2006).

2. Observe no item 2. 2.000. Um acréscimo de 20% no volume de atividades. Isso quer dizer que a alavancagem financeira acontece. os capitais de terceiros de longo prazo.000. 20%. quando os capitais de terceiros de longo prazo produzem efeitos positivos sobre o patrimônio líquido sendo vantajoso para uma empresa. ou seja. seu lucro será de: 44 un x R$1. aumento no lucro: $ 24.2. que fica representada efetivamente pelo quociente entre o retorno sobre Patrimônio Líquido (RsPL) e o retorno sobre o ativo (RsA) da empresa.00 = R$ 44.400)) x 100 = 16. somente quando o retorno sobre o ativo for superior ao retorno sobre o patrimônio líquido.67% Se passar a produzir 144 unidades por mês.000.2. Dica Se GAF = 1. ou seja. 2001). Então: GAO = 120% / 20% = 6 vezes Além da alavancagem operacional.2 Alavancagem Financeira Alavancagem Financeira é a capacidade da empresa em usar encargos financeiros fixos para maximizar os efeitos de variações no lucro antes de descontar os juros e imposto de renda sobre o lucro por ação. ao qual denominamos de Grau de Alavancagem Financeira (GAF). VICECONTI. Então podemos definir a alavancagem financeira como a alavanca que esta captação produz ou não no retorno aos acionistas (NEVES. 120% (44000/20000).00 Comparando com a situação anterior temos: aumento do volume: 24 un. positiva.00.400))/(120 x 2.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Em volume de receitas segue-se o mesmo raciocínio: MS = (((120 x 2. com uma alavancagem de: GAO = variação nos lucros / variação nas vendas.400) – (100 x 2. O resultado da alavancagem financeira pode ser melhor interpretado pela fórmula e seu coeficiente. podemos também promovê-la com vistas financeiras.0 => a alavancagem financeira favorável Se GAF < 1. que correspondeu a um aumento de 120% no resultado.0 => a alavancagem financeira desfavorável 53 .0 => a alavancagem financeira nula Se GAF > 1.

000 20.000 unidades.000 x 100 = 20.000 15000 3000 12000 2008 90. em 2008 – a alavancagem financeira é favorável em 112.2.00 e dividendos referenciais de R$6.000 / 20.Prazo Lucro Líquido P. como será observado no próximo passo nesse estudo. Sabendo-se que possui 1.000 4.000.00.00. para aumentar os efeitos de variações nas vendas sobre o lucro liquido. Os resultados de 1.250 GAF EM 2001 RsPL = 4. determinar o efeito da alavancagem combinada para uma venda estimada de 15.125.000 x 100 = 22.00% GAF = RsPL / RsA = 22. em 2007. 2. os custos fixos R$5.00%. No ano de 2001. diminuiu para 1.50% sobre o patrimônio líquido. os capitais de terceiros contribuem para gerar um retorno adicional de 12. a empresa fez crescer seu ativo incorporando mais recursos e o grau de alavancagem.50% RsA = 18.50%. os capitais de terceiros contribuem para gerar um retorno adicional de 25.000 Ativo Exig.00/unidade.00% / 16.000 x 100 = 16.000 unidades de certo produto a R$5. 54 . podemos combinar então essas duas formas de alavancagem.L. Tendo visto que podemos alavancar uma empresa tanto operacionalmente quanto financeiramente.125 têm o seguinte significado: em 2007 – a alavancagem financeira é favorável em 125. Seus custos variáveis são de R$ 2.00% = 1. ou seja.00% sobre o patrimônio líquido. embora positivo.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Tomando-se por exemplo uma indústria com os seguintes dados: 2007 75.3 Alavancagem Combinada É a capacidade da empresa usar custos fixos. Exemplo: Uma empresa vende 10. tanto operacionais como financeiros.250 ações ordinárias e que a alíquota do IR é de 40%.000 / 75.000.250. o grau de alavancagem.000.Líquido GAF em 2000 RsPL = 3. tinha um resultado de 1. embora positivo.250 e 1.00/unidade.50% / 20.000 18.000 / 15.000 x 100 = 20.00% = 1. Paga juros de R$10.00% GAF = RsPL / RsA = 20. ou seja.000 / 90.00% RsA = 12.125 A conclusão que você pode extrair é a de que.

2. tanto operacionais como financeiros. Assim. Por isto. Saindo do contexto da alavancagem empresarial.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos TABELA 11 . e isto é assim exatamente. GAC = % do lucro por ação / % das vendas Então: GAC = 300% / 50% = 6 vezes Sempre que o quociente for superior a 1. verifica-se a existência de alavancagem combinada.3 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Tanto os indivíduos como as organizações querem ganhar dinheiro para gastá-lo no futuro. é melhor ter um real hoje do que um real de hoje 55 .Alavancagem FONTE: Os autores O Grau de Alavancagem Combinada (GAC) é dado pela razão entre duas variações percentuais do lucro por ação "LPA" e a variação percentual nas vendas. em outro momento. porque o futuro é muito incerto. que será tanto maior quanto maior for o total dos custos fixos operacionais e financeiros. muitas vezes o consumo presente é mais desejável que o consumo futuro. o Grau de Alavancagem Combinada está relacionado com o risco total da empresa e com a capacidade da empresa de cobrir seus custos fixos. Porém. Trata-se de elementos que nos permitem decidir em que opção de investimentos aplicarmos os nossos recursos. vamos passar agora a discutir itens importantes nas análises de investimentos.

pro. qual a que trará maior lucro em dinheiro (DAMODARAN. aplicando dinheiro em títulos e ações.br/Adminfin/Manual_VDT. mas espera-se que tenham renda suficiente no futuro para reembolsar o principal e os juros. pois é ele que determina a análise das alternativas de investimentos.htm Os investimentos estão classificados em dois grupos principais: a) Investimentos Empresariais . uma nova fábrica) têm um prazo longo e predefinido de duração. deve ser dado algo extra para conseguir que nós adiemos esta satisfação (SILVA. 2005). Para Pensar Qual a principal dificuldade na análise de investimentos? Quando as estimativas sobre os dados do investimento são imprecisas.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE daqui a um ano. é recomendável que a análise de investimentos utilize três hipóteses: provável. b) Investimentos Financeiros . otimista e pessimista. no qual todos os dados previstos de entradas e saídas de caixa precisam ser confirmados ano a ano e. Existem consumidores e negociantes que realmente precisam do valor o presente e estão dispostos a reembolsar mais do que este no futuro.bertolo. 2005).realizados no mercado financeiro. normalmente com liquidez imediata ou pequena.ativos de um investimento empresarial (por exemplo. Os consumidores e governos pedem emprestado por várias razões. O desenvolvimento de critérios econômicos de decisão Consiste em analisar uma. a análise de investimentos produzirá um PayBack (tempo de retorno do investimento) e um Valor Presente Líquido máximo. Para que optemos por querer esse valor no futuro. 56 . Isto é o que chamamos de valor do dinheiro no tempo (CAVALHEIRO. Acesse o site abaixo e conheça mais sobre o valor do dinheiro no tempo: http://www. Desse modo. Negociantes podem investir os fundos de empréstimos de capital para criar lucros que são suficientes para reembolsar os fundos de empréstimo mais os juros. 1997). ou seja. duas ou mais propostas de investimento para concluir se é financeiramente vantagem efetivá-la ou qual delas é a mais rentável financeiramente. Dica Aplicar o conceito de valor do dinheiro no tempo é sem dúvida fundamental. médio e mínimo esperados (SILVA. 1989).

nos aparecerá como fator de comparação na tomada de decisão. Essa taxa é específica para cada empresa e representa a taxa de retorno que a empresa está disposta a aceitar em um investimento de risco. Para analisar os investimentos você deve utilizar os seguintes indicadores: Pay Back Simples. Antes de iniciarmos a discussão acerca desses indicadores. vai-se perceber que a principal dificuldade será a obtenção de dados confiáveis. principalmente as projeções de entradas de caixa.1 Pay Back Simples Pay Back Simples significa o tempo necessário para obtermos o retorno do investimento feito. Trata-se da Taxa Mínima de Atratividade (TMA). 1997).3. que aparece logo a seguir no próximo tópico. Uma empresa está analisando um investimento para colocar gás no seu veículo de entregas. que se originam de estimativas de vendas e não de certezas de vendas e/ou recebimento das mesmas. 57 .00 mensais. isto é sem considerar uma taxa de rendimento para este capital investido (DAMODARAN. Os dados são: Instalação do gás: R$ 3.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Ao realizar suas projeções para analisar um investimento. sem considerarmos o valor do tempo no dinheiro. Taxa Interna de Retorno.00. 2. para abrir mão de um retorno certo num investimento sem risco no mercado financeiro. Valor Presente Líquido. com exceção do Pay Back Simples.000. Economia em combustível: R$ 150. e a mínima taxa que podemos aceitar para a aplicação do capital da empresa num investimento. é importante demonstrar um outro elemento que. Pay Back Descontado.

58 . o Pay Back Simples não é o melhor indicador para uma tomada de decisão em investimento financeiro. como a seguir.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 12 . FONTE: Os autores Com estas informações você pode determinar que o Pay Back Simples deste investimento será de 20 meses.Fluxo com pay back simples. Vale lembrar que não estamos considerando o valor do dinheiro no tempo. pois quando obtivermos o retorno de R$150. Nessa linha de raciocínio (tempo para recuperar o investimento).00 no décimo mês. já não terá mais o mesmo poder de compra como no dia de hoje. Por esse motivo. sugere-se a utilização do Pay Back Descontado.

2 Pay Back Descontado Tente realizar o mesmo exemplo. Economia em combustível: R$ 150.3. TABELA 13 .00.000.m.Fluxo com Pay Back Descontado FONTE: Os autores 59 .Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos 2.00 % a. porém desta vez com uma taxa mínima de atratividade. Taxa Mínima de Atratividade: 1.00 mensais. Instalação do gás: R$ 3.

Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Pay Back Descontado significa o tempo necessário para obtermos o retorno do investimento feito. A tarefa é trazer os retornos do investimento ao valor presente e analisar se o investimento deve ser feito ou não. Outra forma de se analisar uma proposta de investimento é pelo método do valor presente líquido.3 Valor Presente Líquido (VPL) O valor presente líquido (VPL) de um projeto de investimento é igual ao valor presente de suas entradas de caixa. Percebeu? Ao considerar o valor do capital no tempo. O tempo de retorno indica em quanto tempo ocorre à recuperação do capital investido (DAMODARAN. considerando uma taxa de rendimento para este capital investido. 2. considerando o valor do tempo no dinheiro. menos o valor presente de suas saídas de caixa. podemos concluir que o retorno do investimento somente se dará entre o 22º e o 23º mês. pois o valor presente das entradas de caixa é maior do que o valor presente das saídas de caixa. Podemos ter as seguintes possibilidades para o Valor Presente Líquido de um projeto de investimento: Maior do que zero: significa que o investimento é economicamente atrativo. isto é. onde trazemos todos os fluxos de uma projeção ao valor presente. trazendo cada um dos fluxos positivos de R$ 150. Dica Entre vários projetos de investimento. Payback é a relação entre o valor do investimento e o fluxo de caixa do investimento. Menor do que zero: indica que o investimento não é economicamente atrativo porque o valor presente das entradas de caixa é menor do que o valor presente das saídas de caixa. quando o capital começa a ser recolocado positivamente. Veja a seguir. considerando uma taxa de desconto.3.00 ao momento presente (Mês 0). o mais atrativo é aquele que tem maior Valor Presente Líquido. Vamos usar o mesmo exemplo e determinar o VPL da decisão do proprietário do veículo ao instalar o Kit Gás no véu veículo. 60 . pela regra dos juros compostos onde PV = FV / (1 + TMA)n. pois o valor presente das entradas de caixa é igual ao valor presente das saídas de caixa. Igual a zero: o investimento é indiferente. 1997).

Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Sendo: PV = Valor Presente FV = Valor Futuro n = Período TABELA 14 .Valor Presente Líquido FONTE: Os autores 61 .

em inglês IRR (Internal Rate of Return). outro indicador importante no processo decisório no que diz respeito à aplicação de capital é a Taxa Interna de Retorno. pois seu retorno é superado pelo retorno de um investimento com o mínimo de retorno. Atenção Um projeto será atrativo se o mesmo tiver uma TIR maior do que TMA. Menor do que a Taxa Mínima de Atratividade: o investimento não é economicamente atrativo. temos: PV = 3000 PMT = 150 n =23 62 . 2005). Um projeto é atrativo quando sua TIR for maior do que o custo de capital do projeto (DAMODARAN. Além do VPL. ou diretamente com o uso de calculadoras financeiras ou planilhas de cálculo. 2. A TIR é a taxa de desconto que faz com que o Valor Presente Líquido (VPL) do projeto seja zero. Observe abaixo do que se trata e veja ao final da explicação as situações em que apenas o VLP não nos ajuda na escolha de onde investir. Igual à Taxa Mínima de Atratividade: o investimento está economicamente numa situação de indiferença. Matematicamente. é a taxa necessária para igualar o valor de um investimento (valor presente) com os seus respectivos retornos futuros ou saldos de caixa. A Taxa Interna de Retorno de um investimento pode ser: Maior do que a Taxa Mínima de Atratividade: significa que o investimento é economicamente atrativo. o melhor será aquele que tiver a maior Taxa Interna de Retorno.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Então. O cálculo dessa equação pode ser obtido pelo processo iterativo (tentativa e erro). a Taxa Interna de Retorno é a taxa de juros que torna o valor presente das entradas de caixa igual ao valor presente das saídas de caixa do projeto de investimento. No caso supra citado.4 Taxa Interna de Retorno A Taxa Interna de Retorno (TIR). Dica Entre vários investimentos. Sendo usada em análise de investimentos significa a taxa de retorno de um projeto (SILVA.3. o valor presente líquido que você obteria nesse investimento seria de R$ 68.37. 1997).

00) 10.000. certamente a TIR seria maior do que a TMA.00) 10. pois apesar da proposta 2 apresentar maior VPL.000.000.20% a.00 R$ 893.000. projetando os retornos prováveis para os 5 anos propostos na operação.m.500.a.688. temos duas propostas de investimentos com valores diferentes.20% a.00 3.00 3.000.00 10.00 R$ 885. Ano 0 1 2 3 4 5 VPL = TIR = PROPOSTA 1 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (20.00) 3.a.27 12.00 5.500. 150 PMT 23 n i Como o VPL foi representado por um valor positivo.00 10.73 33.00 5.500. optamos pela maior TIR.00 10.000.000. FONTE: O autor TABELA 16 .00 R$ 12. O indicador que será usado na escolha é indiferente.00% a. a proposta 1 apresenta maior retorno sobre o investimento.00 3.00 3.000.000.000.m. Para Pensar Quando analisar um investimento pelo VPL e quando analisar pela TIR? Observe os exemplos: TABELA 15 .000.500.Comparação de investimentos iguais TMA = 9.00 R$ 15.000.68% PROPOSTA 2 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (30.Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos 3000 CHS PV i = 1.000.00.00% a.Comparação de investimentos diferentes TMA = 9.00 10. Como o valor do investimento foi o mesmo. Como os valores do investimento não são os mesmos.000.000.00 2.00 2. onde tiver maior VPL teremos também a maior TIR.000.000.000.000. temos duas propostas de investimentos para R$ 10.90 12.104.30 25.00 15.00 15. Ano 0 1 2 3 4 5 VPL = TIR = PROPOSTA 1 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (10.86% Já no segundo caso.34% PROPOSTA 2 R$ R$ R$ R$ R$ R$ (10.000.000.00) 2.40% No caso ao lado.00 3.00 2. FONTE: Os autores 63 . então TIR = 1.

você certamente se encontra preparado para. podemos criar um modo combinado entre ambas. podemos definir se um possível investimento é viável ou não. Mais uma vez. Assim. na rentabilidade e lucratividade da empresa. tanto operacionais como financeiros. 64 . pela união de dois fatores que nos permitem a alternância entre lucro e prejuizo: custos variáveis e custos fixos. A taxa de captação dos recursos entregues à administração da empresa significa o custo de capital (taxa de financiamento da entidade). esperamos um retorno mínimo a título de remuneração do patrimônio. Assim. Vimos que a principal dificuldade na tarefa de análise de investimentos é a obtenção de dados confiáveis. precisamos antes interpretar o custo de capital. com esses conceitos. médio e mínimo esperados. Desse modo. usando custos fixos. entre a força efetuada no nível de produção e a força obtida na obtenção dos lucros. Este fator tem relevante efeito sobre as operações da empresa. principalmente as projeções de entradas de caixa. Já a alavancagem financeira visa usar encargos financeiros fixos para maximizar os efeitos de variações no lucro. o custo do patrimônio líquido é representado pela taxa de retorno que os investidores exigem para realizar um investimento patrimonial em uma empresa. Assim. Todas as organizações estão sempre buscando alternativas para melhorar o seu potencial. responder às questões propostas na atividade abaixo relacionada. para aumentar os efeitos de variações nas vendas sobre o lucro liquido. o custo do capital próprio é calculado a partir da expectativa de retorno sobre o patrimômio líquido durante um determinado período. aprendemos que: Quando das decisões de financiamentos. Assim. costumam buscar a redução de custos e que isso tenha reflexo no volume de vendas e. antes de descontar os juros e o imposto de renda. descontando o valor do dinheiro no tempo. Com estes. a alavancagem financeira é positiva quando os capitais de terceiros de longo prazo produzem efeitos positivos sobre o patrimônio líquido. que se originam de estimativas de vendas e não de certezas de vendas e/ ou recebimento das mesmas. pois conseqüentemente vem afetar a sua lucratividade. ao passo que o custo do capital de terceiro é determinado pela taxa de captação de capital externo para fazer parte da estrutura de capital da empresa. gerando vantagem para a empresa. Para isso. o custo do capital pode ser representado pela taxa de juros que as empresas usam para calcular. Ao investir ou aplicar recursos em uma determinada entidade. por conseqüência. brigando por um lugar de destaque no mercado diante da concorrência. baseado em níveis de taxa de juros e retorno de mercado do mesmo no tempo. a análise de investimentos produzirá um PayBack (tempo de retorno do investimento) e um Valor Presente Líquido máximo. Ou seja. a alavancagem operacional representa o efeito desproporcional. Conhecendo essas duas formas de alavancagem.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Neste capítulo.

quem pode estar financiando este a uma organização? 3) Qual a diferença entre alavancagem operacional e financeira? 4) Como podemos combinar formas de alavancagem? 5) No que consiste analisar um investimento? 6) O que quer dizer “trazer valores a valor presente”? 7) Qual a influência da TMA em uma decisão de investimento? 8) Quando um investimento é economicamente viável? 65 .Capítulo 2 Decisões de Financiamentos e Análise de Investimentos Atividade Complementar 1) Por que o gestor financeiro de uma organização deve estar atento ao seu custo de capital? 2) No caso de capital de terceiros.

66 .

o objetivo é aguçar a curiosidade e dar alguns dos possíveis caminhos para um aprofundamento futuro. 3. no mínimo. Já no Tópico 3 faz-se uma exposição de algumas questões referentes à análise dos custos. Comparar o método de custeio por absorção. 4. com as decisões de materiais e mão-de-obra e com a avaliação dos estoques. pelo contrário. com a apuração dos resultados. Este é um assunto de extrema importância para qualquer gestor e. Nele observaremos as diferenças. há uma mostra básica de como podemos utilizar os custos para a precificação ou. para compararmos com os preços que utilizamos atualmente na nossa empresa. e não menos importante. No derradeiro tópico deste capítulo. Daremos os primeiros passos no aprendizado da identificação e classificação dos gastos de uma organização. dentre outros temas.3 CUSTOS Objetivos de Aprendizagem 1. já o controle dos custos está ligado à contabilidade gerencial (você deve imaginar que esta área da contabilidade é importantíssima para os administradores de todos os tipos de organização). vantagens e desvantagens de cada método apresentado. Analisar os resultados do custeio INTRODUÇÃO Neste Capítulo trataremos de alguns temas relacionados aos custos. Distinguir as diferenças entre os tipos de gastos. O custo real das compras também é um assunto que será tratado. A tarefa dos registros está ligada à contabilidade geral ou financeira. A gestão e a análise dos custos trabalham com a precificação dos produtos ou serviços. direto e indireto e Baseado em Atividades. Os diferentes métodos de custeio serão o cerne do Tópico 2 do presente capítulo. o conteúdo é extremamente extenso. assim sendo. 2. Separar os custos diretos dos indiretos. 67 CAP ÍT U LO 3 . Não há intenção de esgotarmos as possibilidades de estudo.

68 . produzir. investimento em veículos para transportar os seus produtos. organizá-la e tomar decisões mais precisas. aluguel. compra de matérias-primas. pagar os salários. gerenciamento de um projeto ou uma área. independentemente de seu ramo de atividade. Para a imputação dos custos utiliza-se o princípio da competência. compra de embalagens. podemos chamar todos os desembolsos (saídas de caixa) como gastos. Despesas. custos. possuem vários tipos de gastos. notas fiscais.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Dando continuidade aos estudos de Gestão Financeira e Custos. A contabilidade nasceu como uma forma de organizar a informação. vender. Investimentos e Perdas Todas as empresas efetuam gastos no seu dia-a-dia para o seu funcionamento. O gasto pode advir da entrega (desembolso presente) ou da promessa de entrega (desembolso futuro) de dinheiro.)! Com esta variedade de dados se faz necessária uma classificação para que os administradores possam entender a informação. Imaginem uma empresa que tenha no seu portfólio 40 produtos.1. já observou a quantidade de informação disponível? Esta informação está organizada? Você é capaz de entender esta organização? Simplificando a linguagem contábil. recibos. Dá para imaginar a informação que cada um deles gera (faturas. Os desembolsos consistem no pagamento do bem ou serviço. Esses gastos podem ser efetuados para administrar. manutenção dos equipamentos. 80 fornecedores e 280 clientes. em sua empresa. despesas e perdas. iniciaremos nosso estudo com a classificação dos gastos. energia elétrica. Desejamos um ótimo estudo a todos! 3. Para Pensar E você. treinamento. etc. Os gastos podem ser classificados basicamente como investimentos. impostos.1 FUNDAMENTOS DE CUSTOS 3.1 Separação de Custos. independentemente de quando o produto ou serviço foi ou será consumido. Podemos observar que as empresas. que servirá de base para os demais itens que vem a seguir.

Portanto. Dica Chamamos de exercício o período que está sendo analisado pela contabilidade. materiais diversos. estará contabilizada no estoque de mercadorias. semestral.. As DESPESAS de uma organização. transporte. material de embalagem. mensal. enfim. um ano. no decorrer do(s) próximo(s) exercícios. O exercício será o mês de setembro. segundo Tessari (2006). não se pode confundir custo e despesa com desembolso. alimentação. Também podemos conceituar os investimentos como gastos em itens que darão retorno para a empresa. Outro exemplo mais comum são as máquinas e equipamentos adquiridos para a empresa poder produzir os seus produtos. matérias-primas. Por exemplo. dependendo da necessidade e disponibilidade de informação da empresa. plano de saúde. manutenção. O caso de uma compra de matéria-prima que não será utilizada também é um investimento. Correto? Então ele é um investimento. trimestral. energia elétrica. semanal. representam gastos que são ativados.Capítulo 3 Custos Para continuar os estudos é importante entender o significado do regime de competência. o registro das receitas e despesas deve ser feito de acordo com a real ocorrência. todos os gastos que possam ser gerados ou consumidos para fabricar um produto e/ou serviço. Um prédio. o lançamento contábil do gasto deve ser feito em maio. ordenados e encargos. Por exemplo: queremos apurar os custos do mês de setembro de 2008. Neste regime. em forma de produtos e serviços.). uma máquina ou um terreno normalmente é comprado para dar retorno (ser utilizado pela empresa) durante um período maior do que um exercício (um mês. prêmios de produção. Os CUSTOS de uma organização são os gastos que foram consumidos na fabricação de um produto ou serviço. Esses gastos podem ser com o consumo de salários. sendo um ativo para a empresa e este irá gerar um benefício futuro. se foram empregadas 40 toneladas de matéria-prima no mês de maio que somente serão quitadas em julho. O exercício pode ser anual. constam no balanço patrimonial da empresa e esses gastos ficam ali até o momento em que são utilizados ou consumidos. recebendo uma classificação como custos ou despesas. depreciação dos equipamentos (perda de valor). Os INVESTIMENTOS. p. segundo Sens (2008. mas quando ela for gasta já é outra história. etc. etc. Por exemplo: a matéria prima. independentemente de sua realização ou quitação. treinamento. no momento de sua aquisição por um determinado valor. Já o registro financeiro do desembolso será registrado no mês de julho. 15): 69 .

. Afinal. O valor dos produtos que estão sendo fabricados é um valor considerável do Balanço Patrimonial desta empresa. O departamento de contabilidade. do início ao fim do processo produtivo. impostos prediais. treinamento dos funcionários e diversos outros. do presente caderno. 70 .. Saber esta resposta é extremamente importante para a empresa. UEPS e PMP. não participando da fabricação do produto e ou serviço.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE [. A questão do Produto em processo é um pouco complexa. A princípio parece ser que não há nenhuma dificuldade neste processo. Quando começamos a observar as diferentes compras que fazemos de uma mesma matéria-prima percebemos que nem sempre ela tem o mesmo valor unitário de aquisição. depreciação dos computadores utilizados no ambiente da administração. efetua gastos para o desenvolvimento da sua atividade no dia a dia. pode ultrapassar facilmente um ano. Produtos Finais. Produtos em Processo. Um estoque elevado significa que recursos financeiros que poderiam ser direcionados a algo mais rentável estão parados! No item estoques. materiais de escritório. Podemos citar um gasto não intencional. Como exemplos de despesas podemos ter os salários. Também temos que ter em mente o estoque de produtos em processo e produtos finais. O prazo de fabricação. consumo de água. vendas.2 Avaliação de Estoques Um dos objetivos da gestão de custos é avaliar corretamente os estoques. consumo de energia. As PERDAS representam bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária. qual é o valor do estoque? Dica Um ponto muito importante a ser frisado é a existência de três tipos de estoque na empresa: Matérias-Primas e Outros Materiais. 3. Agora que você já conhece como separar os tipos de gastos.] são os gastos que foram gerados ou consumidos fora do ambiente de fabricação de um produto ou serviço. financeiro. nós já estudamos os três tipos de avaliação de Estoque: PEPS. Imaginemos uma empresa que fabrica petroleiros ou aviões. decorrente de fatores externos extraordinários ou atividade produtiva normal da empresa.1. Um exemplo seria a queda de um meteorito na empresa (trágico) ou em caso de enchente em que se perde parte da matéria-prima. vamos aprender como avaliar os estoques da empresa para estimar corretamente os custos.

etc.00.00 Custo total da MPa = R$ 3.000.00 = R$ 4. Se não forem recuperáveis.000.00 Divisão do departamento de Compras: R$ 2. calcule o custo de compra unitário das duas matérias-primas.000.00 Divisão do departamento de Compras: R$ 2.00 Custos de Frete = R$ 1.000. 3.000 = R$ 8. Devem ser computados custos de importação (impostos.000 unidades da Matéria-prima B a R$ 8. matéria-prima ou serviço.000.00 / 2 = R$ 1. até que ele esteja dentro da empresa (ou do cliente).000. que os custos de importação da MP A foram de R$ 200.950.00 Custos de Importação = R$ 200.00 / 1.00 + R$ 1. seguros. Resolução: Custo Final da Matéria-prima A: Custo de Aquisição – 1.000.000.67 a unidade Quando a empresa adquire um material para a fabricação de produtos. por exemplo).000.00 = R$ 26. deverão ser deduzidos do valor total da nota fiscal de compra. Este cálculo se faz necessário para que possamos comparar diferentes fornecedores do mesmo produto ou serviço. dependendo do regime tributário que ela trabalha.00 + R$ 1.000. passarão a fazer parte do custo do material.00 / 2 = R$ 1.00 e que frete da MP B foi de R$ 1.00 cada uma.500 unidades da Matéria-prima A a R$ 2. Vamos fazer um exemplo para fixar este conteúdo: A empresa Vênus Ltda.Capítulo 3 Custos Agora que podemos avaliar corretamente os estoques.750.00 Custo Unitário final = R$ 26. fretes.750.00 Custo total da MPb = R$ 24. realizou as seguintes compras: 1.3 Custo das Compras Quando falamos do custo de um material.950.000. Sabendo-se que o departamento de Compras da presente empresa tem custo de R$ 2.50 cada uma. ser recuperáveis.00 Custo Unitário final = R$ 4. Caso eles sejam recuperáveis.00 = R$ 24. temos que lembrar que este custo deve ser calculado tendo-se em conta todos os gastos que ocorrerão.1.000.000 x R$ 8.00 / 3. ou não. os impostos sobre valor agregado (IPI e ICMS) podem.500 = R$ 3.00 + R$ 1.50 = R$ 3. 3.00. é importante sabermos como poderemos incorporar os custos das compras aos materiais utilizados no produto ou serviço.000.500 x R$ 2.30 a unidade Custo Final Matéria-prima B: Custo de Aquisição – 3.00 + R$ 200.000. armazenamento. 71 .

00 R$ 72. será o seguinte: Total da Nota Fiscal ( .00 R$ 528. no caso dos impostos serem recuperáveis.) IPI ( .000.00 O custo real da mercadoria.00 R$ 468.000.00 R$ 60.) ICMS CUSTO DO MATERIAL = R$ 600.00 Valor do IPI (10%) R$ 60.000. quais são os custos que podem ser incorporados às compras? 72 .000.00 ICMS (12%) R$ 72.00 O custo da mercadoria no caso do IPI não ser recuperável será o seguinte: Total da Nota Fiscal ( .000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Faremos um exemplo para fixar o conteúdo: Realizaremos uma compra de 10.000.000.000.) ICMS CUSTO DO MATERIAL = R$ 600.000.00 R$ 72. vencimento 60 dias) R$ 600.000 kg de matéria-prima e os dados da nota fiscal são os seguintes: Total da Nota Fiscal (compra a prazo.00 Para Pensar Na empresa onde você trabalha.000.

800.Capítulo 3 Custos Atividade Complementar 1) Classificar os gastos da tabela abaixo. D para despesas.000.000.500.350. TABELA 17 .000.000.00 13. C para os custos e P para perdas.Tipos de Gastos Gastos Embalagens Salário dos funcionários do departamento financeiro Salário dos funcionários do departamento de comercial Matéria-prima em não utilizada neste exercício Materiais Indiretos Depreciação dos equipamentos da fábrica Depreciação dos equipamentos administrativos Uma enchente estragou matéria-prima Energia elétrica consumida na fabricação dos produtos Energia elétrica consumida no depto.00 31.200.00 FONTE: Os autores Colocar abaixo o total de cada conceito: 73 .00 45.00 55.500.00 12.500. Administrativo Matéria-prima consumida no processo produtivo Aluguel da fábrica Aluguel de uma sala comercial Salário do funcionário que trabalha na fábrica Compra de um veículo Compra de uma Máquina Valor R$ 31.200.000.00 1. colocando I para investimentos.00 15.00 1.00 32.000.000.00 10.000.00 21.00 1.00 23.00 2.00 1.800.

pois vão diretamente aos produtos.000 unidades da Matéria-prima B a R$ 7. 2. A madeira. Iniciaremos o nosso estudo pelo mais simples dos métodos: o custeio direto e indireto e iremos trabalhando o aumento de complexidade no decorrer desta seção. mãos à obra! 3. realizou as seguintes compras: 1. Sabendo-se que o departamento de Compras da empresa tem custo de R$ 1. os métodos de avaliação de estoques e os custos de compras e sua incorporação aos materiais. a mão-de-obra de corte da madeira.2. Um exemplo é o caso da fabricação de uma mesa. O método do custeio variável também é trabalhado na maioria das empresas.00 cada uma. que os custos de importação da MP B foram de R$ 1. Acabamos de conhecer alguns conceitos.000 unidades da Matéria-prima A a R$ 3. como a separação dos gastos. principalmente pela necessidade de calcular o ponto de equilíbrio de cada produto.2 MÉTODOS DE CUSTEIO Os métodos de custeio são. que é incrivelmente mais justo. sem fretes e custos de importação. o aço.50 cada uma.00 e que o frete da MP A foi de R$ 500.00. diferentes formas de ratear os custos indiretos. que são a base para o entendimento dos métodos de custeio que veremos a continuação. sabendo-se que o IPI (10%) e o ICMS (17%) são reembolsáveis. calcule o custo de compra unitário das duas matérias-primas.200.000. Obs: O cálculo é apenas sobre o custo de aquisição. 3) Com os mesmos dados da atividade anterior.1 Custeio Direto e Indireto Quando queremos determinar os custos de um determinado produto ou serviço encontramos duas classes de custos e despesas: as diretas e as indiretas. O método mais simples (e mais utilizado nas empresas) é o custeio por absorção. porém muito mais complexo de se implantar. Agora. montagem da mesa e de pintura é a mão-de-obra direta (MOD). basicamente. Os custos e despesas diretos são os mais fáceis de controlar. calcular o valor líquido da compra. já os materiais como o óleo das máquinas e o material de manutenção são 74 .Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 2) A empresa Marte Ltda. 3.00. os parafusos e a tinta seriam os materiais diretos. Na vanguarda dos custos está o método ABC.

transformam-se em custos de produção. É o material que. são considerados materiais indiretos. Podemos identificar com precisão os custos diretos pelo seu real consumo por produto. Exemplo: parafusos na mesa. e a mão-de-obra do controle da qualidade e da supervisão é considerada mão-de-obra indireta (MOI). materiais secundários e embalagem. Voltando ao nosso exemplo. Neste controle temos a quantidade precisa dos componentes integrantes do produto. Matéria-prima é o principal material que entra na composição do produto final. 2 kg de barras de aço 8x4. Nesta mesma mesa utilizamos 0. devido à dificuldade de cálculo quanto à quantidade utilizada em cada produto fabricado. Exemplo: a madeira na fabricação de mesas e o aço. De maneira similar podemos calcular os custos da mão-de-obra direta. São materiais diretos devido à fácil mensuração com o produto. de caráter secundário. 16 parafusos 25x17 e 200 ml de tinta preta para aço. mas. Exemplo: caixa onde é embalada a mesa. Geralmente para esta identificação temos um controle de medida. teríamos 0. um controle interno. 1 hora para a montagem e mais 0. Material Secundário é o material direto.50 m2 de madeira (18 mm de espessura). Com base nesta “receita” e os valores unitários de cada material podemos saber o custo dos materiais diretos desta mesa. não é o componente básico na composição do produto. No valor total do custo de mão-de-obra é importantíssimo estarem incorporados todos os 75 .4 hora para a pintura e acabamento. São facilmente mensuráveis (quantidade por unidade) e compõem o produto final. Embalagens são materiais utilizados para embalagem do produto ou seu acondicionamento para remessa. Sabendose o custo por hora de trabalho de cada um destes profissionais. uma ficha técnica de produto. mas é perfeitamente identificável ao produto. ao serem transferidas do estoque para o processo produtivo.Capítulo 3 Custos considerados materiais indiretos. do ponto de vista da quantidade. Ela sofre a transformação no processo de fabricação. podemos calcular facilmente o custo de MOD. é o mais empregado na produção. Materiais Indiretos: são os materiais empregados na fabricação do produto. As matérias-primas em estoque serão aplicadas diretamente no produto e. Para calcularmos a mão-de-obra direta é extremamente importante medir o tempo de cada processo na produção de um produto ou serviço.5 hora de mão-de-obra para cortar a madeira. Materiais Diretos: compreendem a matéria-prima (componente físico que compõe o produto).

5 = R$ 5.00 o m2 Valor Unitário do aço: R$ 10.00 Valor do salário-hora do montador: R$ 4. salário bruto.00 + 67%) x 0.00 = R$ 25. Já nos casos em que o funcionário trabalha com vários produtos ou serviços. Valor Unitário da Madeira: R$ 50. em que um funcionário trabalhe em uma máquina que faz apenas um produto ou serviço.00 = R$ 20. Voltando ao nosso exemplo.4 hora para a pintura e acabamento. 2 kg de barras de aço 8x4.00 o litro Obs: Nestes valores já estão incorporados os fretes.50 x R$ 50.00 + 67%) x 1.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE gastos com aqueles funcionários.0 = R$ 6. Nesta mesma mesa utilizamos 0.00 + 67%) x 0. 13º salário.5 hora de mão-de-obra para cortar a madeira. 1 hora para a montagem e mais 0. armazenamentos e demais despesas referentes às compras.50 Total mão-de-obra direta: R$ 17. FGTS. seguros.05 o parafuso Valor Unitário da Tinta: R$ 10.00 p kg Valor Unitário do Parafuso: R$ 0.01 Montador: (R$ 4. é extremamente fácil medir quantas horas ele trabalha e calcular o custo para o produto ou serviço em questão.80 Mão-de-obra Direta Cortador: (R$ 6.68 Pintor: (R$ 8.19 = R$ 62. Um funcionário que opera uma máquina. Valor do salário-hora do cortador: R$ 6.99 Os custos indiretos são aqueles em que temos alguma dificuldade para medir exatamente a quantidade que é utilizada na produção de uma unidade de um bem. Vamos a um exemplo para melhor entendermos os Custos Diretos.00 Encargos e Benefícios: 67% dos salários Resolução Materiais Diretos Madeira: 0.00 Aço: 2 x R$ 10.19 Valor total dos custos diretos: R$ 45. vale alimentação e demais benefícios que houver.00 Parafusos: 16 x R$ 0.50 m2 de madeira (18 mm de espessura). na qual são fabricados vários 76 .05 = R$ 0.4 = R$ 5. ou ainda.80 Total materiais diretos: R$ 45.00 Valor do salário-hora do pintor: R$ 8.80 + R$ 17. só é considerada mão-de-obra direta caso você possa medir a quantidade de tempo que ele se dedica a cada um dos produtos. Para empresas onde só há um tipo de produto. ou seja. teríamos 0. 16 parafusos 25x17 e 200 ml de tinta preta para aço. vale-transporte. férias.

Neste incorporados mão-de-obra manutenção. por conseqüência. método de custeio todos os custos de produção devem ser aos produtos no período. proporcionalmente. calcula-se. Com base neste critério. Os critérios mais comuns são as horas de mãode-obra direta e a quantidade produzida. aluguel de fábrica. dentro dos departamentos. aluguéis. primeiro alocaremos todos os custos aos departamentos e depois ratearemos. custos diretos e indiretos. não estão incorporadas na conta de custo do produto vendido. etc. constando apenas na Demonstração de Resultados do Exercício. os valores de cada um dos custos indiretos que devem ser absorvidos por cada produto. Visto o método de custeio direto e indireto. Os custos diretos (materiais diretos e direta) e os custos indiretos (depreciação.” O exemplo clássico é a energia elétrica. agora vamos trabalhar conceitos um pouco mais avançados.2. p.2 Custeio por Absorção No custeio por absorção devemos escolher um critério para fazermos o rateio dos custos indiretos aos produtos. onde o custo é direto. Já no método por departamentalização. Outros exemplos de custos indiretos são a energia. o recolhimento do imposto de renda. necessitam da utilização de algum critério de rateio. 3. e não é possível medir o tempo de produção de cada produto. No método mais simples. 18) “os custos indiretos são os que. obedecendo aos princípios fundamentais de contabilidade para a apuração dos lucros e. Muito importante observar que ao custo de produção somente serão incorporados os gastos de produção. simplesmente criaremos um critério de rateio e aplicaremos diretamente. para serem incorporados aos produtos. com o custeio por absorção. O método de custeio por absorção é um dos métodos válidos para a elaboração das demonstrações financeiras. utilizamos atividades como base de rateio para os custos e despesas indiretas. 77 . As despesas não serão incorporadas ao cálculo do custo de produção de um produto ou serviço. Dica Há várias formas de se ratear os custos indiretos. Na prática. Já no custeio ABC. Segundo Crepaldi (2002. a separação dos custos em diretos e indiretos leva em conta a relevância e o grau de dificuldade de medição. O fato de termos trabalhado primeiro o estudo dos materiais diretos é explicado pela sua utilização em todos os demais métodos de custeio. Você vai perceber que esta é a única parte em que atuam os diferentes métodos de custeio. devemos classificar esta mão-de-obra como indireta. depreciação de máquinas. porém a dificuldade de medição é tão grande que a maioria das empresas considera como indireto. etc).Capítulo 3 Custos produtos. aos produtos. que é o custeio por absorção.

000.00 .00 . 4) Aproprie os Custos Indiretos em função da MOD.000 unidades a R$ 34. 3) Aproprie os Custos Diretos.000.00 Demais: R$ 50.000.00 .00 Demais: R$ 10.00 cada Pm = 10.Materiais Diversos de Fábrica: R$ 50.Armazenagem de produtos acabados: R$ 12.Mão-de-obra: Pede-se: 1) Calcule as Vendas de cada produto e o total da empresa.00 .000.Aço: .00 . sendo suas principais linhas a Standart (Ps).000. É especializada em produzir cadeiras.00 cada R$ 200.Depreciação Fábrica: R$ 80.000.Matéria-prima: .000 unidades a R$ 60.000.000.00 aço .000.Madeira: 35% Standart 35% Médium 30% Premium 25% Standart 30% Médium 45% Premium 15% Standart 25% Médium 40% Premium . 2) Separe os Custos das Despesas.Aluguel: Fábrica: R$ 12.Energia Elétrica Fábrica: R$ 60.Despesas Gerais: Fábrica: R$ 25.000. Médium (Pm) e Premium (Pp).00 Custos Diretos: .Comissões sobre vendas: R$ 45.000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE No exemplo abaixo utilizaremos como critério de rateio as horas de mãode-obra: A empresa Sillas SA.00 Demais: R$ 25.00 .000.00 .Vendas: Ps = 10. Os dados obtidos junto ao controller da empresa no fim do exercício a ser analisado foram: . 5) Elabore a DRE.000. 78 .000 unidades a R$ 26.00 madeira R$ 150.000.00 Escritório: R$ 5.00 cada Pp = 10.Salários: Fábrica: R$ 200.

00 O percentual dos Custos Indiretos que vão a cada tipo de Produto será calculado como a divisão entre o valor de MOD de cada um pelo total de MOD da empresa.000. 18.00 (esta é a parte dos salários que são custos.500. 3.1 Madeira Custo Total da Madeira: R$ 200.00 x 15% = R$ 30.00 x 30% = R$ 60.00% para o Pp.000.2 Aço Custo Total do Aço: R$ 150.25% para o Pm e 50.00 + R$ 50.00 30% Pm = R$ 150.500.000.00 + R$ 80.00 ÷ R$ 160. MOD: R$ 30. 79 .000.00 40% Pp = R$ 200. Custos Diretos 2.00 Divisão: 35% Ps = R$ 200.000.00 = R$ 160.000. Receita Ps = 10.Capítulo 3 Custos Resolução: 1.000.000 X R$ 60.000 X R$ 34.000.000.00 Pm = 10.00 30% Pp = R$ 200.000.00 x 45% = R$ 67.1.000.000.000.00 Obs: O restante (20%) é considerado Mão-de-obra Indireta.00 = R$ 340.000. Ps = R$ 30. dentro deste valor estão a Mão-de-obra Direta e a Mão-de-obra Indireta).00 2.000.00 2.00 x 30% = R$ 45. Critério de Rateio Utilizaremos como critério de rateio a MOD.00 35% Pm = R$ 200.75% dos custos indiretos vão para o Ps.000.000.2 Mão-de-obra Direta Salários de Fábrica: R$ 200.00% Assim sendo.00 x 40% = R$ 80.00 x 25% = R$ 50.00 = 18.000.00 = R$ 600. 31.25% Pp = R$ 80.000.00 ÷ R$ 160.75% Pm = R$ 50.000 X R$ 26.000.00 x 25% = R$ 37.00 Divisão: 25% Ps = R$ 150.00 25% Pm = R$ 200.00 = 31.00 = R$ 260.000.000. Divisão: 15% Ps = R$ 200.1.00 x 35% = R$ 70.000. pois estão ligados à produção dos produtos.000.00 = 50.000.000.000.1 Materiais Diretos 2.00 2.000 ÷ R$ 160.00 x 35% = R$ 70.000.000.000.000.00 45% Pp = R$ 150.00 Pp = 10.

00 x 31.00 Pp = R$ 60.00 = R$ 207.00 Valor total dos Custos Indiretos: R$ 427.000.500.437. 80 .00 + R$ 50.00 + R$ 133.50 = R$ 217.000.00 R$ 12. alguns não foram contabilizados como custos.00 + R$ 30.00 = R$ 439.00 + R$ 37. Cálculo dos Custos Totais e Unitários por Produto Para calcular os custos totais.000.000.000 = R$ 29.50 Pp = R$ 427.00 = R$ 137.50 ÷ 10.00 R$ 80. As opções são: Investimentos (não havia).00 + R$ 231.062.000.000.437.000.00 R$ 200.75% = R$ 80.00 + R$ 80.Depreciação Fábrica: .90 a unidade 7.500.000.50 Pm = R$ 165.500.000.500.76 a unidade Pm = R$ 298.000 = R$ 43. Rateio dos Custos Indiretos Seguindo o que havíamos determinado nos critérios de rateio: Ps = R$ 427.00% = R$ 213.000.00 R$ 25.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 4.00 + R$ 80.Energia Elétrica Fábrica: .00 + R$ 45.00 x 50.000 = R$ 21.000. Custo Direto: Ps = R$ 70.00 x 18.Despesas Gerais: Fábrica: .50 ÷ 10. Perdas (não havia) e Despesas.50 Pp = R$ 207.562.84 a unidade Pp = R$ 439.500.062.00 6.25% = R$ 133.00 Custo Direto + Indireto Ps = R$ 137.50 = R$ 298. Despesas Dos gastos que tínhamos inicialmente.500.00 ÷ 10.000.000.000.Materiais Diversos de Fábrica: .00 R$ 60.00 5.000.562.Salários: Fábrica: . dividiremos os custos totais pelas unidades produzidas. somaremos os custos diretos (materiais e mão-de-obra) e os custos indiretos. Para calcular os custos unitários.000.000.000.00 Pm = R$ 70. Custos Indiretos São considerados custos indiretos os gastos ligados à produção de bens ou serviços.000.500. No nosso exemplo estes gastos são: .Aluguel: Fábrica: R$ 50.000.000.500.437.00 = R$ 165.50 Pm = R$ 427.00 + R$ 67.00 Custos Unitários Ps = R$ 217.437.

00 R$ 5.Aluguel: Demais: Demais: Demais: Escritório: R$ 25.00 Despesas Administrativas: .000.000. 3. Sobraram as despesas comerciais e financeiras. fixos e semi-fixos.000.000. as restantes são consideradas administrativas. DRE TABELA 18 – Demonstração do Resultado do Exercício FONTE: Os autores Após o estudo do sistema de rateio de custos indiretos mais simples. o que também não há.000.3 Custeio Variável Neste método de custeio. aprendemos que existe a necessidade de um critério para a divisão deste tipo de custo. Despesas Comerciais: .000. podem ser classificadas em Administrativas.00 R$ 50.Comissões sobre vendas: R$ 12.00 R$ 10. No custeio variável estudaremos uma outra opção. além de separar os custos de uma forma distinta.Capítulo 3 Custos As despesas.Salários: . armazenagem e distribuição dos produtos finais.00 R$ 45. podem ser classificados em: variáveis. Comerciais e Financeiras. leva-se em consideração o comportamento do custo. Quanto ao comportamento os custos. 81 .000. por sua vez.2. As despesas financeiras são basicamente gastos com juros.Depreciação: .00 O total de despesas administrativas é de R$ 90.Armazenagem de produtos acabados: .00 O total de despesas comerciais é de: R$ 67.00 8.Despesas Gerais: .000. As comerciais são aquelas ligadas à comercialização.

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FURB / SAPIENCE

Já havíamos visto, na seção anterior, os custos diretos. Aqui eles se chamam custos variáveis. Ao longo desta seção trabalharemos com as questões relacionadas a este tipo de comportamento dos custos. Custos Variáveis Quando medimos o nível de atividade em unidades produzidas, há custos que são sempre iguais por unidade. A quantidade de madeira utilizada na fabricação de um tipo de mesa sempre será a mesma. Quando falamos do comportamento dos custos como variáveis significa que eles variam em função da quantidade produzida. Se produzimos uma mesa, consumimos 0,2 metros cúbicos de madeira, por exemplo. Já se produzimos 10 mesas, utilizaremos 0,2 x 10 mesas = 2 metros cúbicos, isto é; varia proporcionalmente à quantidade produzida. Graficamente ficaria da seguinte forma:

CUSTO TOTAL

CUSTO VARIÁVEL TOTAL

CUSTO UNITÁRIO

CUSTO VARIÁVEL UNITÁRIO

UNIDADES

UNIDADES

FIGURA 4: Comportamento dos Custos Variáveis AUTOR: Os autores Você pôde observar que o custo variável unitário se mantém fixo (a quantidade de madeira que gasta em uma mesa, por exemplo) e o valor total do custo variável cresce proporcionalmente à quantidade produzida. A seguir estudaremos a sua antítese, os custos fixos. Custos Fixos São componentes do custo final do produto que não apresentam variação com a mudança no nível de atividade (número de unidades produzidas) pela empresa. Utilizando ainda a fábrica de mesas, o valor do seguro da fábrica ou o salário do supervisor não variam em função das unidades que são produzidas.

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Capítulo 3

Custos

Graficamente ficaria da seguinte forma:

CUSTO UNITÁRIO

CUSTO TOTAL

CUSTO FIXO UNITÁRIO

CUSTO FIXO TOTAL

UNIDADES

UNIDADES

FIGURA 5: Comportamento dos Custos Fixos FONTE: Os autores Afirmam Bruni e Fama (2004) que os custos fixos existem mesmo que não haja produção. Uma forma de agrupá-los é: Custo Fixo de Capacidade (CFC): custos relativos às instalações da empresa, como depreciação, amortização, etc. Custo Fixo Operacional (CFO): relativos à operação das instalações da empresa, como seguro, imposto predial, etc.

Você deve estar atento aos custos fixos, que não variam em função da produção e sim de outros fatores. Por exemplo, se uma conta de telefone apresenta valores diferentes todos os meses, porém não correlacionados com a produção, esses gastos devem ser classificados como fixos - mesmo que possuam variações mensais.

Ao estudarmos os custos variáveis e fixos, ficaram claras as diferenças entre eles. O fato dos custos variáveis unitários manterem-se sempre no mesmo nível, enquanto os custos fixos unitários são decrescentes, é um ponto a se seguir de perto. Outra questão extremamente importante é o custo variável total, que cresce proporcionalmente à quantidade, enquanto os custos fixos não se alteram. Como na vida nada é simplesmente preto e branco, há também os custos semi-fixos, que estudaremos a seguir. Custos Semi-fixos São custos que não se alteram até determinado patamar, tornando-se variáveis a partir de então. Ocorre normalmente quando fechamos “pacotes” com empresas, onde se contrata uma quantidade fixa de algum insumo e, após este patamar, o excedente passa a ser variável. Contas de água, telefone e casos de fornecimento específico de energia se enquadram nesta denominação.

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Como você pode perceber, a classificação dos custos em fixos e variáveis é, em teoria, extremamente simples, já a sua aplicação na prática é um pouco mais complicada. A outra opção que temos, e devemos tomar cuidado para não confundir, são os custos semi-variáveis. Custos Semi-variáveis São aqueles custos que trabalham como degraus de uma escada. Mantêmse constante até atingirem um certo patamar e depois crescem verticalmente. Um exemplo é o custo do encarregado (supervisor) de cada turno. Até X pessoas operando naquele turno (por exemplo, 20), ele pode trabalhar sozinho; ao chegar a 21 pessoas se faz necessária a contratação de mais um supervisor. O mesmo ocorre com o aluguel: até que um galpão não esteja totalmente ocupado, o aluguel será de apenas um galpão, caso a empresa necessite de mais espaço ela dificilmente consegue alugar apenas alguns metros quadrados, ela tem que alugar outro galpão. Assim os custos semi-variáveis trabalham em saltos. Agora que conhecemos as quatro maneiras de classificar os custos, em função de seu comportamento unitário (fixos, variáveis, semi-fixos e semi-variáveis), vamos montar uma demonstração de resultados utilizando os custos fixos e variáveis. DRE pelo Método do Custeio Variável Para os gestores de empresas é de extrema importância o conceito de margem de contribuição. Também chamada de contribuição marginal, ela se define como a “sobra” de recursos, já deduzidos os custos e despesas variáveis. Este método de apresentação de resultados não é permitido para fins de apresentações públicas e/ou fiscais, porém tem um importante olhar sobre o gerenciamento do dia-a-dia das empresas, sendo base para a tomada de decisão. Neste método consideramos apenas os custos e despesas variáveis para calcular o custo final do produto, tanto vendido como em estoque. Também é de extrema importância, pois é a base para o cálculo do ponto de equilíbrio, tema que veremos no próximo tópico. Segue abaixo a estrutura de uma DRE pelo método do Custeio Variável: Receita Operacional Bruta (-) Impostos sobre Vendas (=) Receita Operacional Líquida ( - ) Custo do Produto Vendido Variável ( - ) Despesas Variáveis ( = ) Margem de Contribuição ( - ) Custos Fixos ( - ) Despesas Fixas ( = ) Resultado

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00 85 .00 Preço Unitário do Produto: R$ 20. deduzimos a receita já líquida (após impostos) dos custos e despesas variáveis. Para Pensar Você já tentou fazer uma DRE da sua empresa? Mesmo que os valores não sejam totalmente reais vamos completar o esquema abaixo: Receita Operacional Bruta (-) Impostos sobre Vendas (=) Receita Operacional Líquida ( .) Despesas Variáveis ( = ) Margem de Contribuição ( . A margem de contribuição da DRE (a soma das margens dos diversos produtos) deve ser superior aos custos e despesas fixas do período para que o resultado seja positivo.) Custo do Produto Vendido Variável ( . teve a seguinte estrutura de custos no ano de 2007: Materiais diretos Mão-de-obra direta Custo Indireto Variável de Fabricação Custo Indireto de Fixo de Fabricação R$ 100.000. 2) Qual é a margem de contribuição? Resolução: 1.000.00 a unidade = R$ 800. para o cálculo da margem de contribuição.00 = R$ 450.00 + R$ 50. Receita = 40.Capítulo 3 Custos Na demonstração acima você pode observar que.000.) Despesas Fixas ( = ) Resultado Vamos resolver o exemplo a seguir para melhor entender o funcionamento deste método: A empresa do Zé S.000.000 unidades x R$ 20.00 R$ 300.00 + R$ 300.000.000.00 R$ 250.000 unidades 1) Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício pelo Método de Custeio direto e ou variável.A. Custos e Despesas Variáveis = R$ 100.000.00 a unidade Quantidade Produzida: 40.00 2.000.) Custos Fixos ( .000.00 R$ 50.

Martins (2003.. O nível de detalhamento pode variar de empresa a empresa.4 Custeio ABC Custeio baseado em atividades. o Custeio Baseado em Atividades “é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos”. “o Custeio Baseado em Atividades parte da premissa de que as diversas atividades desenvolvidas geram custos e que os produtos consomem essas atividades”.00 R$ 450. métodos e seu ambiente.96) diz que: “há que se distinguir dois tipos de direcionador: [. por exigir controles mais rígidos.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE 4. Custos e Despesas Fixas = R$ 250.] direcionadores de custos de atividades”.2. e os [. p. agora seguiremos nosso estudo com o método de custeio ABC. dependendo da sua necessidade. DRE Receita (-) Custos e Despesas Variáveis (=) Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Resultado R$ 800.00 R$ 350.00 R$ 100. em Harvard. Elas devem ser importantes para a produção do bem ou serviço.. p. explica atividade “como um processo que combina.000. 86 . 87).] direcionador de custos de recursos. onde necessitamos dos conceitos de custos diretos e indiretos e aprenderemos o que é e como se comporta uma atividade.000. O início de qualquer trabalho pelo método ABC é a definição de quais atividades serão medidas.96) para atribuir custos às atividades e posteriormente aos produtos utilizam-se de direcionadores. p. O sistema de custeio baseado em atividades procura amenizar as distorções provocadas pelo rateio. Conforme Eller (2000.000.00 3. Segundo Martins (2003. 3.000. Um dos diferenciais do método de custeio ABC é que a sua utilização. p. Esta metodologia foi desenvolvida pelos professores americanos Robert Kaplan e Robin Cooper em meados da década de 80. Segundo Martins (2003.42). de forma adequada. pessoas.000.. tendo como objetivo a produção de produtos”. A idéia básica é atribuir primeiramente os custos às atividades e posteriormente atribuir custos das atividades aos produtos.82).00 R$ 250. duas das ferramentas mais importantes para um gestor. Já Nakagawa (2001. ou custeio ABC (Activity Based Costing). materiais. tecnologias.000. necessário aos métodos tratados anteriormente. Existe a necessidade de mensurar vários aspectos relacionados às atividades. possibilita a implantação e o aperfeiçoamento dos controles internos da empresa. onde também trabalhamos a DRE e a margem de contribuição. é um método de custeio onde o rateio dos custos indiretos se faz em função das atividades ligadas ao processo produtivo da empresa.00 Vistos os métodos de custeio por absorção e o custeio variável.. p.

00 o fashion duplo (FD).00 o básico duplo (BD). A quantidade de quartos de cada tipo: Básico Simples (Bs) – 10 quartos Básico Duplo (Bd) – 20 Fashion Simples (Fs) – 5 quartos Fashion Duplo (Fd) – 15 quartos Os custos diretos e os preços são os seguintes: TABELA 19 – Custos Diretos e Preços Unitários Standard Simples Custos Diretos R$ / apto.00 o fashion simples (FS) e R$ 200.00 o básico simples (BS). R$ 110. Exemplo: O Hotel Alfa possui apartamentos das categorias Básico simples e duplo. e de categoria Fashion simples e duplo. Os preços das diárias são de R$ 70. 2º Determinação dos Custos e Despesas Indiretas. A taxa de ocupação média dos quartos básicos é de 70% e dos quartos fashion é de 65%. durante o ano. 4º Cálculo do número de vezes que cada Atividade é realizada para cada Produto. FONTE: Os autores 15 75 Duplo 30 100 Luxo Simples 20 150 Duplo 35 200 87 . R$ 130. 5º Incorporação das Atividades aos Produtos. Preço da diária R$ / apto. 3º Incorporação dos Custos Indiretos às Atividades.Capítulo 3 Custos O esquema de custos ABC segue o seguinte esquema: 1º Diagnóstico das Atividades que serão o critério de rateio.

em porcentagem.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Por meio de entrevistas.000 R$ ano 149. A administração fez um levantamento dos direcionadores de custos dessas atividades.600 147.000 Duplo 1.00 por ano. verificouse que os principais custos indiretos referiam-se às seguintes atividades relevantes: TABELA 20 . São eles: TABELA 21 – Direcionadores de Custos Standard Simples Tempo gasto por inspeção Nº de hóspedes 300 h 1 por diária 700 5.467.Atividades Atividades Inspecionar apartamentos Recepcionar hóspedes Requisitar materiais Lavar roupa (enxoval) Total FONTE: Os autores Os custos e despesas fixos estruturais totalizam R$ 387.553 134.900 147.100 h 2 por diária 1.000 Luxo Simples 500 h 1 por diária 670 4. análise de dados na contabilidade.500 h 2 por diária 4.500 13. b) O custo de cada categoria.500 579. 88 . etc.000 Duplo 1.553 Nº de requisições Quilogramas de lavagem FONTE: Os autores Pede-se calcular: a) A Margem Bruta. pelo ABC. c) O lucro operacional do Hotel.230 37. e não devem ser rateados. por categoria de apartamento.

00 = R$ 562.600.00 Total Hóspedes: (2. requisitar materiais e lavar roupa) pela quantidade total dos direcionadores destes custos (tempo de inspeção.079 hóspedes 89 .00 Bd = 1.555 + 2x5.200.00 Bd = 5.110 diárias Fs = 5 x 65% x 365 = 1.559) = 21.500 + 500 + 1. recepcionar hóspedes.186 diárias Fd = 15 x 65% x 365 = 3.00 Receita Total: R$ 1.400 horas Custo/h de Inspeção: R$ 149.00 Recepcionar Hóspedes: R$ 147.325.606.00 = R$ 178.00 Fs = 1.186 x R$ 20.559 diárias Receita: Número de Diárias x Preço por Categoria Bs = 2.600.555 diárias Bd = 20 x 70% x 365 = 5.00 Total de horas de Inspeção: (300 + 1.186 x R$ 130.110 + 1.00 = R$ 154.00 Fs = 1.00 = R$ 38.00 = R$ 711.300.555 x R$ 15. número de requisições e quilogramas de lavagem): Inspecionar Apartamentos: R$ 149.Capítulo 3 Custos Resolução: RECEITA Número de Diárias: Número de Quartos x Taxa de Ocupação x Dias do Ano (365) Bs = 10 x 70% x 365 = 2.720.110 x R$ 30.100) = 3.00 Custos Indiretos: devemos dividir os custos indiretos (inspecionar apartamentos.00/hora = R$ 13.000. número de hóspedes.000.00 CUSTOS Custos Diretos: Número de Diárias x Custo Direto Unitário Bs = 2.100.180.110 x R$ 110.800.00 Fs = 500 horas x R$ 44.500 horas x R$ 44.00 Fd = 3.559 x R$ 35.00 Fd = 3.00 = R$ 153.565.930.00/hora = R$ 66.00/hora = R$ 22.553.186 + 2x3.555 x R$ 70.00/hora = R$ 48.00 Fd = 1.850.00 = R$ 124.100 horas x R$ 44.00 Bd = 5.00 = R$ 23.00 por hora de inspeção Bs = 300 horas x R$ 44.00 ÷ 3.559 x R$ 200.400 = R$ 44.400.

00 R$ 71.00 Bd = 10.500.00 R$ 66.00 Fd = 1.000 quilogramas lavados Custo do kg lavado = R$ 147.230 + 670 + 1.50/kg = R$ 10.00) = 59.826.00 R$ 10.220 hóspedes x R$ 7.553.118 hóspedes x R$ 7.900.500.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Custo de recepção por hóspede = R$ 147.885.900.00 Bd = 4.00/hóspede = R$ 8.000 + 37.186 hóspedes x R$ 7.00/requisição = R$ 28.540.00 Número de Quilogramas: (5.100 requisições Custo unitário da requisição = R$ 134.00 R$ 8.540.50/kg = R$ 92.410.00 Fd = 7.500.00 Fs = 670 requisições x R$ 19.00 R$ 12.300.302.500.00 R$ 12.730.032.00/hóspede = R$ 17.000.00 Fs = 1.200.500 requisições x R$ 19.000 + 4.00 R$ 92.000 + 13.000 kg x R$ 2.00/requisição = R$ 12.00 ÷ 59.00/hóspede = R$ 49.00 ÷ 7.00 Número de Requisições: (700 + 4.000.00 Total Custos Indiretos: Inspeção + Recepção + Requisição + Lavar Roupa Bs = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar R$ 13.00/requisição = R$ 80.00 Fd = 13.500.000 kg x R$ 2.50/kg = R$ 32.302.00/requisição = R$ 13.555 hóspedes x R$ 7.500) = 7.370.500.00 Total: Bd = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar - Total: Fs = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar - Total: 90 .00 por hóspede Bs = 2.50 por kg Bs = 5.00 Lavar Roupa: R$ 147.00 R$ 56.000.00 R$ 22.00 R$ 310.230 requisições x R$ 19.079 = R$ 7.000 kg x R$ 2.000.000 = R$ 2.100 = R$ 19.500.500.300.00 por requisição Bs = 700 requisições x R$ 19.885.370.885.730.00 R$ 17.00/hóspede = R$ 71.00 R$ 13.00 ÷ 21.50/kg = R$ 12.000 kg x R$ 2.00 Requisitar Materiais: R$ 134.00 R$ 53.00 R$ 80.00 Fs = 4.00 Bd = 37.

00 = R$ 300. No exemplo acima as atividades e os direcionadores de custos já estavam delimitados.555 = R$ 37.000.00 = R$ 283. e muito.826.00 ÷ 2.00 = R$ 76.26 / unidade Bd = R$ 153.Capítulo 3 Custos Fd = Inspecionar Recepcionar Requisitar Lavar - Total: a) Margem Bruta R$ 48. encontrar as principais atividades e os direcionadores de custos e montar um sistema de custeio ABC. TABELA 22.885.00 + R$ 159.00 ÷ 5.00 Como nós pudemos observar.00 = R$ 95. Você pode se surpreender!!! 91 .400.00 + R$ 310.00 Para calcularmos a Margem Bruta (MB) devemos deduzir os Custos Diretos (CD) e os Custos Indiretos (CI) das Receitas. Tente você.72 / unidade Fd = R$ 124.Demonstração de Resultados do exercício por produtos e total FONTE: Os autores b) Custo Total por Categoria: CD + CI Bs = R$ 38.75 / unidade Fs = R$ 23.467.752. na sua empresa.500.791.410.186 = R$ 64. porém é necessário muito mais informação para que possamos calculá-lo de forma correta.467.710.032.300.00 ÷ 1.720.500.00 R$ 49.00 ÷ 3.00 R$ 32.00 R$ 159. o custeio ABC (por atividades) é mais justo no rateio dos custos indiretos.325.74 / unidade c) Lucro Operacional Nós o calcularemos deduzindo os custos e despesas fixas estruturais da Margem Bruta já calculada: Lucro Operacional: R$ 687.565. o nosso trabalho.110 = R$ 90.00 – R$ 387.00 + R$ 53.559 = R$ 79. facilitando.210.00 R$ 28.226.00 + R$ 56.00 = R$ 463.226.

Médium (Jm) e Premium (Jp).00 . 5) Elabore a DRE.Energia Elétrica Fábrica: R$ 6. 4) Aproprie os Custos Indiretos em função da MOD.000.Materiais Diversos de Fábrica: R$ 5.Comissões sobre vendas: R$ 2.000.200.00 cada R$ 40.00 .000.Salários: Fábrica: R$ 20.00 Demais: R$ 2.00 Demais: R$ 5.000 unidades a R$ 50.Despesas Gerais: Fábrica: R$ 2.00 Custos Diretos: .000.Depreciação Fábrica: R$ 8.00 .00 .00 madeira R$ 50.000 unidades a R$ 36.00 .00 Demais: R$ 1.00 .Aço: .000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Atividade Complementar 1) A empresa Ventanas Ltda.Aluguel: Fábrica: R$ 1.00 . 92 . sendo suas principais linhas a Standart (Js).00 aço .500. 3) Aproprie os Custos Diretos.Mão-de-obra: Pede-se: 1) Calcule as Vendas de cada produto e o total da empresa.00 cada Vm = 1.Vendas: Vs = 1.200.000. É especializada em produzir janelas. Os dados obtidos junto ao controller da empresa no fim do exercício a ser analisado foram: .000.Madeira: 25% Standart 25% Médium 50% Premium 25% Standart 40% Médium 35% Premium 35% Standart 35% Médium 30% Premium .00 cada Vp = 1.500.500. 2) Separe os Custos das Despesas.000.00 Escritório: R$ 500.Matéria-prima: .Armazenagem de produtos acabados: R$ 1.000 unidades a R$ 44.

Os preços dos produtos são de R$ 10.A.00 A Premium (Ap).Ap 8.500 unidades .000 unidades . custos (e despesas) variáveis (CV).Al 4.000 unidades Os custos diretos e os preços são os seguintes: 93 . TABELA 23 – Tipos de Gastos Elemento a) Comissões sobre venda b) Consumo de madeira para a fabricação de uma mesa c) Energia elétrica consumida na área administrativa d) Energia elétrica consumida na área de produção e) Distribuição de mercadorias vendidas f) Compra de caminhões g) Fretes e Seguros sobre as matérias-primas compradas h) Depreciação máquina da fábrica i) Depreciação dos equipamentos de informática para a administração j) Manutenção das máquinas k) Compra de maquinário l) Seguros da fábrica m) Seguros das lojas comerciais n) Supervisão da linha de produção o) Limpeza e conservação do prédio administrativo p) Consumo de materiais indiretos q) Custos de um Incêndio r) Matéria-prima s) Material de escritório t) Embalagem para os produtos u) Salários do pessoal administrativos v) Despesas dos carros dos vendedores CV CF P I FONTE: Os autores 3) A Empresa Você S. R$ 11.00 o B Luxo (Bl) e R$ 20.00 o A Luxo (Al).Capítulo 3 Custos 2) Os elementos seguintes podem ser classificados em custos (e despesas) fixos (CF).Bl 2. A quantidade de vendas de cada tipo: .Bp 7.000 unidades . R$ 13.00 o B Premium (Bp). possui duas classes de produto e duas variações de cada classe. O Produto A Luxo e Premium e o Produto B Luxo e Premium. investimentos (I) ou perda (P).

etc. São eles: TABELA 26 .000 h 800 670 4.Atividades Atividades Cortar Produtos Transportar Produtos Montar Produtos Acabar Produtos Total FONTE: Os autores Os custos e despesas fixos estruturais totalizam R$ 30.000.75 R$ 13.000 14.00 Premium R$ 4.250 1.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE TABELA 24 . A administração fez um levantamento dos direcionadores de custos dessas atividades.00 R$ 1.200 700 5.100 h 1.00 por ano e não devem ser rateados.000 14.000 3.500 13.500 Luxo Simples 5.Direcionadores de Custo Standard Simples Tempo gasto em corte Metros de transporte No de montagens Tempo gasto em acabamento B Premium R$ 3.000 Duplo 15.75 R$ 20.230 37.00 R$ ano 15.500 60. análise de dados na contabilidade.00 Luxo R$ 2. verificou-se que os principais custos indiretos referiam-se às seguintes atividades relevantes: TABELA 25 .Custos Diretos e Preços Unitários A Luxo Custos Diretos Preço FONTE: Os autores Por meio de entrevistas.000 h 3.000 17.00 R$ 11.50 R$ 10.000 Duplo 11.000 FONTE: Os autores 94 .000 h 1.600 4.

Ela recebe uma proposta de exclusividade onde a empresa TLMKT Ltda compraria a produção de um ano de atividades. O seguimento do nosso estudo depende da compreensão do que vimos até aqui.00 reais. que é assunto de livros inteiros na bibliografia financeira. Quanto maior a quantidade produzida. Os custos e despesas variáveis de cada computador são de R$ 800. Não é nossa pretensão esgotar o tema. Volume e Lucro Conforme já vimos no tópico anterior.00 e os custos e despesas totais fixas são de R$ 2. Pudemos também comprovar que a única diferença entre os métodos está no rateio dos custos indiretos (nos custos diretos todos os métodos realizam os mesmos cálculos). há custos e despesas que são fixas.3.200.A.00. Aqui chegamos ao final do estudo dos métodos de custeio deste caderno. fabrica computadores de última geração. Imaginemos o seguinte exemplo: A empresa Ordenadores S. c) O lucro operacional da Empresa. volume e lucro e o ponto de equilíbrio são. comumente. por produto. b) O custo de cada produto. A análise das relações custo. Esta é uma questão que requer análise. já que é real.000.1 Análise das Relações Custo. direto e indireto e ABC (baseado em atividades).000. já deduzidos os impostos sobre venda.000 unidades a um preço unitário de R$ 1. 3. pelo ABC.Capítulo 3 Custos Pede-se calcular: a) A Margem Bruta. A proposta da TLMKT Ltda é a compra de 10. faremos uma breve exposição de alguns tipos de análise que podem ser feitas com os dados obtidos pelos métodos de custeio.3 ANÁLISES DE CUSTOS Após entendermos os métodos de custeio. as ferramentas mais utilizadas no dia-a-dia. em porcentagem. volume e lucro. A seguir trabalharemos com a relação entre custo. semi-fixos e semi-variáveis – além dos métodos de custeio – por absorção. Vamos calcular o resultado da operação? 95 . menor o peso dos custos e despesas fixas no custo total do produto ou serviço. semi-fixo e semi-variável) dos custos. Muitas vezes nos deparamos com gestores repetindo o mantra: “devemos produzir e vender mais para diluir os custos e despesas fixas”. já que a análise dos custos só pode ser realizada se entendemos a natureza deles. variáveis. que é influenciada pelo comportamento (fixo. 3. Estudamos o comportamento dos custos em duas vertentes – os custos diretos e indiretos e os custos fixos. variável.

000.000. etc.400.00 R$ 4.000. Interpretando o resultado.000.000. A estrutura da Ordenadores S.000.00 R$ 2.000.000.000.00 R$ 2.000. ou seja. O que aconteceria com o Resultado do período? E com a Margem de Contribuição? Receita 12.400.33% da Receita (R$ 4.000.00 Custos e Despesas Variáveis 12.000 unidades x R$ 800.00 a unidade = R$ 8.00) da Receita e a Margem de Contribuição corresponde a 33.00).00 Como nós podemos observar.000.33% da Receita (R$ 4.000.600.000.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Receita 10.800.000.000.000.400.00 Como nós podemos observar.00 ao ano DRE Receita (-) Custos e Despesas Variáveis (=) Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Resultado R$ 14.800.000 unidades.800. 96 .67% (R$ 2.00 R$ 4.000.000 unidades x R$ 1. Esta é uma análise custovolume-lucro.00 ÷ R$ 14.00 ÷ R$ 14.000.00) da Receita e a Margem de Contribuição corresponde a 33.000.00 Custos e Despesas Fixas R$ 2. os gestores podem tomar decisões sobre incrementos da produção.000.000.000. o Resultado corresponde a 16.000. um incremento de 20% na Receita resultou um incremento de 40% no Resultado da empresa.000.00). descontos.000.200.000.00 R$ 2.600. suporta este incremento sem nenhum tipo de modificação (não variam os custos fixos).00 R$ 9.200.00 R$ 2.00 a unidade = R$ 9.00 ÷ R$ 12.000.000.00 ÷ R$ 12. Vamos propor uma modificação? Imagine que a TLMKT Ltda resolva comprar 20% a mais de computadores neste ano.000.00 a unidade = R$ 14.000.800.400. 12.00 Custos e Despesas Fixas R$ 2.000.000 unidades x R$ 1.000 unidades x R$ 800.000.00 R$ 8.000.000.00 ao ano DRE Receita (-) Custos e Despesas Variáveis (=) Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Resultado R$ 12.000.000.000.44% (R$ 2.A. o Resultado corresponde a 19.00 Custos e Despesas Variáveis 10. Com base nestes dados.00 a unidade = R$ 12.

00 R$ zero taxa de M.000 = 0. pv = Preço unitário de venda. 97 .00 R$ 25.R$ 2. Na literatura acadêmica você também pode encontrar a expressão em inglês break even point.00.000.00 e que o custo operacional variável por unidade (cv) seja de R$ 50. portanto. volume e lucro é de extrema importância para qualquer gestor. teremos: R$ 25.00.500/5.2 Ponto de Equilíbrio O ponto de equilíbrio é o número mínimo de unidades de um determinado produto.00.000. Nesse nível de vendas.000. que utiliza conceitos de custos fixos e variáveis.= 500 unidades R$ 100. Vamos a ele! 3.000. correspondendo a um volume de vendas de R$ 50.50.000.00 .50 Conclusão: Caso a empresa venda 500 unidades do produto. No ponto de equilíbrio o resultado operacional de um dado produto é igual a 0.500. Q = Quantidade de unidades do ponto de equilíbrio. o lucro operacional da empresa deve se igualar a zero. que já vimos no custeio variável. A fórmula de cálculo segue abaixo: Ponto de equilíbrio = Q = CF ÷ (pv-cv) Onde. É importante frisar que o ponto de equilíbrio só poderá ser calculado quando utilizamos a metodologia do custeio variável.000. cv = Custo variável unitário.00 -----------------------. Juntamente com o estudo da margem de contribuição. são duas importantes ferramentas para os gestores.00 .C: 2. os custos fixos e variáveis estão cobertos. Façamos um exemplo para fixar o conteúdo: Supondo que uma empresa tenha custos operacionais fixos (CF) equivalentes a R$ 25.Capítulo 3 Custos A análise custo. CF = Custos e Despesas Fixas Totais.3.R$ 25.00 . e o total dos custos fixos. Para calculá-lo devemos utilizar os valores unitários do preço e dos custos e despesas variáveis. que o preço (pv) de venda por unidade de produto seja igual a R$ 100. O item que ainda nos falta para ter o tripé básico para gerenciar as informações decorrentes dos custos é o ponto de equilíbrio. que deve ser produzido e vendido para que sejam cobertos os custos e despesas relativas ao ele.00 Q= Resultado projetado: Receita de Vendas (-) Custos Variáveis operacionais (=) Margem de Contribuição (-) Custos Fixos operacionais (=) LAJIR R$ 50. para se obter o volume de vendas no ponto de equilíbrio. aplicando a equação acima.

é de suma importância conhecer o seu regime tributário. perca mais dinheiro. Também não podemos esquecer dos impostos estaduais e municipais. A gestão de preços é algo muito particular de cada organização.00 Margem de contribuição: R$ 40. Para as empresas que trabalham no Lucro Real os impostos são os já conhecidos (ver Capítulo 1 do presente material). 3. ou ao menos para o controle. Caso ela deseje vender abaixo do custo ao menos será consciente disso. É importante que o gestor tenha a informação sobre cada produto e.00 Custos variáveis unitários: R$ 20.00 Agora que já conhecemos as principais formas de se analisar as informações geradas pelos custos. coletando e calculando os dados para utilizálos para a tomada de decisão. Estes dados são úteis para que a empresa não atue no mercado com o preço abaixo dos custos e. ou ao menos um valor orientativo. a cada vez que vende mais. costuma ser igual a 8% da receita operacional bruta e a alíquota a ser aplicada sobre essa base presumida será de 15% a 25% mais a CSLL. Para outros serviços as margens podem ser de 16% ou 32% 98 . 3. envolvendo questões estratégicas. de uma empresa a partir dos seguintes dados e fazer a demonstração de resultado: Preço unitário de venda: R$ 60. sobre cada cliente. do preço de venda.1 Impostos Para calcularmos um preço.4.000. No regime do Lucro Presumido. seja Lucro Real. se possível.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Atividade Complementar 1) Determinar o ponto de equilíbrio operacional. em quantidade de vendas.4 FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA Os conceitos de custos são de extrema importância para a formação. vamos aproveitar o conhecimento que já acumulamos para aprender a formar o preço mínimo de venda e compará-lo com o que o mercado trabalha.00 Custos operacionais fixos: R$ 400. o fisco presume margem de lucro na maioria das atividades industriais. quando for o caso. Lucro Presumido ou Super-Simples na esfera federal.

2 Markup O método de custeio utilizado pela empresa é de fundamental importância na sua precificação. dependendo do caso) mínima que a empresa exige.65% de PIS/COFINS. ou todos os gastos proporcionais ao preço de venda.4. 12% de ICMS e quer obter 20% de lucro. desta forma. a empresa necessita adicionar o montante das despesas operacionais aos custos para chegar ao conceito de gasto total para formar os seus preços. p. 3.Capítulo 3 Custos Imposto de Renda Mensal TABELA 27 – Impostos sobre diferentes atividades FONTE: ASSEF (1999. tais como: comissões. ou o preço. utilizaremos alguns exemplos mas não entraremos nos pormenores da questão. Para constituir um markup devemos somar os percentuais incidentes sobre o preço de venda. Na constituição do markup precisamos conhecer todos os gastos relacionados diretamente com as vendas.0 % 3. ICMS. O markup nada mais é que um marcador. em que deveria estar o produto para gerar a margem de contribuição (ou lucro. distribuição e um lucro desejado. Não é o objetivo deste material ser um guia de tributos. As questões tributárias devem estar muito claras na hora de analisar os preços praticados por uma empresa. 3.65% 99 . É o ponto.Gastos Variáveis sobre o Preço Final Gasto Comissões Pis/Cofins ICMS Lucro Somatória FONTE: Os autores Percentual 8. Pis/Cofins. que no nosso exemplo seria: TABELA 28 . departamentalização ou ABC.27).65% 12% 20% 43. Vamos a um exemplo: a nossa empresa de mesas e cadeiras (para que mudar se ela vai tão bem)? Imagine que a empresa paga 7% de comissões. Além do conceito de custeio por absorção.

10 R$ 5.35% = 1.7746.65% = 56.00 R$ 30.35% 20% FONTE: Os autores Saiba Mais Para você que quer se aprofundar no assunto. há mais informações (e extremamente atualizadas) sobre custos em: http://www.00 x 1.00.7746 para obtermos o preço final.br/ http://www.7746 = R$ 150.Gestão Financeira e Custos FURB / SAPIENCE Para calcular o preço dos produtos devemos fazer o seguinte cálculo: 100% . será de R$ 85. os impostos e as despesas com comissões. ou ao menos o preço orientativo. então o valor orientativo de venda. Imaginemos que o somatório dos custos e despesas da nossa mesa tenha sido de R$ 85.16 100% 8% 12% 3.65% 56.portaldecontabilidade.org.84.07 R$ 18.84 R$ 12.Demonstração de Resultados Preço de Venda (-) COMISSÕES (-) ICMS (-) PIS/COFINS (-) Custos e Despesas (=) Resultado da mercadoria R$ 150.br/ 100 .com. Com este valor fazemos a seguinte divisão: 1 ÷ 56.35%.abcustos. O que significa isso? Significa que devemos multiplicar o valor que é o somatório dos custos e despesas por 1. COMPROVAÇÃO TABELA 29 .51 R$ 85. dado o lucro que a empresa deseja.43.

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