Jessica 116.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter

DUTY, DESIRE AND THE DESERT KING

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elausava lentes de contato. no hotel. Ela não fora enviada pelo rei.— Você o conhece? — perguntou Jamie.— O quê? — Rou recolocou os óculos e fitou Jamie. masvárias vezes. e Zayed fora feitono mesmo molde: bonito. aqui? — perguntou Rou. a assistente de Rou. Uma pontada aguda feriu seu coração. O filho de Sharif tinhaapenas três anos e não poderia governar.— Como assim. Khalid deveria estar enganado. Ele não costumava se emocionar.Aquilo era o tipo de coisa que seu pai diria.tirando os óculos com mão trêmula e esfregando o nariz. Zayed precisaria se casar e voltar para casa. d e s a p a r e c e r a : s e u a v i ã o c a í r a e m algum lugar do deserto do Saara. e. Canada O SHEIK Z AYED Fehr está aqui e m Vancouver? — repetiu a Dra. mas. Ele era irmão de Sharif. Ele está aqui — disse Jamie. mas a ovelha negra da família. e não por causa do irmão mais moço do rei Sharif Fehr. Não podia ser verdade. e ele fora dado como morto. ele voou até aqui. A m e n s a g e m e r a c u r t a e s i m p l e s . o homem que a humilhara e magoara como nenhum outro. e simp o r K h a l i d . famoso. sem senso de responsabilidade e sem educação.— Sim. Zayed sentiu que possuía um coração e quee l e s e p a r t i r a . Jamie não p r e c i s a v a saber dos detalhes embaraçosos do encontro de 3 anos a t r á s ..o sheik Zayed. acima de tudo. A partir daquelemomento. Ele expirou com dificuldade. Ela disse a si mesma que tremia por causa do cansaço. seu irmão mais velho. Portanto. frívolo e egocêntrico. s e u a m a d o i r m ã o . Sefosse verdade.— Nós nos conhecemos — disse Rou com fingida indiferença. s e u i r m ã o c a ç u l a . — Por quê? — Você disse a ele que não teria tempo de vê-lo em Portland o u e m Seattle. Bastava saber que ela jamais respeitaria ou confiaria num homem como . S h a r i f . apertandoas mãos. Parece que é urgente:assunto de vida ou de morte. Rou Tornell. ansiosa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Monte Cario O sheik ZAYED Fehr releu a carta escrita no grosso pergaminho usado pelafamília real. detestava Zayed Fehr. Rou fez um gesto de aborrecimento. Em geral. — Acho que ele não irá embora antes de vê-la. Tudo girava em torno dele. Capítulo Um Vancouver.. rico. K h a l i d f o r a direto. espantada. um príncipe do desertosem preocupações. preocupada. ele já teria ouvido alguma notícia antes de receber acorrespondência. após uma turnê de sete semanas em que promovera o seu livro. As mãos de Zayed tremeram. pensou Rou. — Jamie sorriu nervosamente.— Quero dizer aqui. odiava a facilidade comque satisfaziam os próprios desejos. preferiaos óculos. Sharif.Pela primeira vez em 15 anos. na privacidade de seu quarto de hotel. Rou desprezava playboys e grandes astros.Jessica 116. Zayed seria o rei. não uma. confusa.— Não tenho tempo e não quero vê-lo. porémmal conseguia respirar.

J a m i e t r a b a l h a v a a r d u a m e n t e .— Não — ela respondeu.. A assistente de produção só chegará dentro de meia hora e você vai se maquiarno estúdio de TV. Além de bonito e rico. ele era charmoso e carismático. esperando-a do outro lado da porta? — Eu fiz algode errado? — perguntou Jamie.ZayedFehr. entusiasmada. — Rou juntou seus papéis para disfarçar opânico. Rou queria gritar que sim. — Ela viu a expressão de Rou e apressou-se a esclarecer. umafortuna ultrajante e um poder indescritível. Projeto Revisoras4 . mas isso não faz dele um homem bom. C l a r o q u e t er i a tempo.— Você o conheceu?— Bem. e r a a g r a d á v e l e ef i c i e n t e .e as mulheres caíam a seus pés. O problema é que não desejava desperdiçar nem cinco segundos com Zayed Fehr.. engolindo em seco. P e n s e i q u e v o c ê t e r i a t e m p o . Zayed em sua suíte.. — Ele tem um corpo perfeito..— Ele é muito bonito — disse Jamie.— Pensei que você teria cinco minutos — insistiu Jamie..— Ele me pareceu muito simpático.R o u a g a r r o u a b e i r a d a d a m e s a p a r a c o n t e r o t r em o r . nervosa.— Na minha suíte?— E l e e s p e r a q u e v o c ê o r e c e b a . Ela mesma. Sim.. A a s s i s t e n t e e s t a v a q u a s e c h o r a n d o . na ante-sala.— Há meia hora. Ele está aqui. a fria e racional cientista. R o u n ã o p o d e r i a c u l p á . com as mãos suando frio e oc o r a ç ã o d i s p a r a d o . irritada. — disse Jamie.— Tem razão — suspirou Rou.— Há quanto tempo ele está esperando? — perguntou. se dei-xara impressionar. —Ele parece desesperado para vê-la.l a p o r f i c a r encantada com Zayed. corando.

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e l e s o r r i u .Na ante-sala.. porque ela dará várias entrevistas esta tarde. mas anos de experiência como terapeuta a haviamensinado a não demonstrar suas emoções. . sem pedido des o c o r r o . ele gostava de chuva. em Sarq. No dia seguinte faria uma semana queo a v i ã o s i m p l e s m e n t e d e s a p a r e c e r a s e m sinal de alerta. pelo sofrimento e pelo medo. e sua personalidade eratão interessante quanto um. — Mande-o entrar. ela tinha a reputação de ser a melhor ems e u r a m o. — R o u endireitou os ombros e prendeu o lindo c a b e l o l o u r o W a t r á s d a o r e l h a . p a r e c i a impossível: ele não era um líder. e talvez até deprimida.Ele voara para casa. n o 1 4 ° d i a Z a y e d a s s u m i r i a o t r o n o . Rou Tornell exalava o calor de um cubo de gelo. P a r a e l e . e com os sobrinhos. mas quando se tratava deRou Tornell. de repente. Q u e m p e n s a r i a q u e a h u m i l d e protegida de Sharif se tornaria uma palestrante internacional. era impossível evitar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ficou desanimada. Se não fosse pelo irmão. a rocha. a experiência de Zayed lhe mostrara que ela era s e v e r a m e n t e reprimida. Não admira que Jesslyn parecesse um fantasma. A a s s i s t e n t e s a i u discretamente e Projeto Revisoras5 . a s s i m c o m o o sofrimento infinito e silencioso de Khalid. Tornell vai recebê-lo agora — disse ela corando —. As quatrocrianças estavam chocadas. Elepensou que era típico de Rou Tornell estar sempre ocupada e se fazendo deimportante.Volte para casa. ? N ã o i m p o r t a . Preciso de você.Jessica 116. não de sol. Aop e n s a r n e s t a ú l t i m a q u a l i f i c a ç ã o .Jamie abriu a porta. Entretanto. P o r l e i . o mais velho.— P o r q u e n ã o m e d i s s e a n t e s . O m u n d o d e l e s v i r a r a d e c a b e ç a p a r a b a i x o e jamais seria o mesmo. O senhor terá apenas alguns minutos. O palácioestava pior do que ele imaginara. odeserto não estava mais em seu sangue. magra. Ao entrar no quarto. Todos nós precisamos. Porém. pedante e tensa. Zayed esperava ser recebido pela Dra. nem que K h a l i d n ã o d o r m i s s e h á d i a s . Rou Tornell. d i a n t e d e u m l a p t o p . Zayed também passaraalgum tempo com a esposa de Sharif.mas quem poderia imaginar que Sharif. e encontrara Khalid. e muito menos uma casamenteira? Quem diria que a tímida professora entenderia algo sobrea t r a ç ã o s e x u a l e s o b r e r e l a c i o n a m e n t o s a m o r o s o s ? Z a y e d e r a c a v a l h e i r o demais para fazer comparações entre as mulheres. Jesslyn. Todos recorriama Sharif. autora de best-sellers. mas receio que o tempo seja curto.— Não há problema — Zayed respondeu sorrindo e seguindo Jamie.o r o s t o d e J e s s l y n e s e u s o l h o s e s p a n t a d o s o p e r s e g u i a m . Sharif sefora. E s t á c e r t o . mas deixe claro que ele só terá cinco minutos — disse em vozfirme e de cabeça erguida. morreria? Quem poderia prever a queda do avião? Zayed fechou os olhos esentiu uma dor no peito. dominado pelo luto. encontrou-a sentada do outro lado de uma m e s a. seu lugar não era em Sarq. e e r a d i s t o q u e e l e p r e c i s a v a .— A Dra. Sua dor parecia maior e mais intensa agora do que aoreceber a notícia cinco dias antes. Osarranha-céus e os apartamentos de cobertura agora eram o seu lar. Agora. ele não estaria ali. . empertigada econvencida que eleja conhecera. o centro da família. Khalid murmurara ao se despedirem. palestrante internacional e casamenteira profissional. Talvez por isso ele se comovera. um governante. Embora Sharif alegasse que ela era apenas o b j e t i v a . desesperadas e sentiam a falta do pai.. E l a u s a v a ó c u l o s e s e u s l o n g o s c a b e l o s l o u r o s estavam displicentemente presos atrás das orelhas. Ela era a mulher mais fria. Ninguém sabia o que acontecera. Loura. O irmão e a cunhada jamais lhe pediram algo. antes danoite de autógrafos. Agora. que tentaria cuidar detudo até que ele pudesse voltar e assumir seu lugar. apenas quatro anos mais velho que ele.

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a l g o d e p o s i t i v o r e s u l t a r a d o e p i s ó d i o h u m i l h a n t e e d o l o r o s o . Pippa os apresentara durante a recepção.— Rou sustentou o olhar de Zayed. — Faz algum tempo — ele disse.Jessica 116. Elaé um iceberg. O pai dela.— Parece que foi ontem que nos conhecemos. Ela não deveria admitir que um homem como ele tivesse tal poder. que lhe t i v e s s e provado que ela jamais deveria confiar num homem e que jamais encontraria um amor verdadeiro. quando e como desejava. Como Sharif.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter fechou a porta. Tinha olhos e cabelos negros. e fazia o que queria.— Eu não diria ansioso.— Sheik Fehr — Pippa dissera. o p r í n c i p e Zayed Fehr.— Lady Pippa teve dois filhos? Ela tem estado bastante ocupada. e m Winchester. mas não pudera e mandara s e u i r m ã o m a i s n o v o . Sharif deveriacomparecer. não é?De repente. Rou endureceu o queixo. — Ele se levantarade maneira imponente e elegante. costumava produzir o mesmo efeito. Dra. Zayednão era artista.o p o r c o n s i d e r a ç ã o a Sharif. Possuía milhões de dólares. Ela oo d i a v a . queixo não . Ele era maisa t r a e n t e d o q u e e l a s e l e m b r a v a . ele era bem mais alto que ela. Determinado seria a palavra mais certa. Rou Tornell. Ela teve dois filhos nesse ínterim. zombado dela. A percepção que tivera do caráter de Zayed se tornara o título de seu segundo best-seller: "Ele não é um príncipe — Como reconhecer os homens maldosos.Zayed notou o tom gélido e apertou os lábios.mas.— Boa tarde. parando diante da mesa do sheik.— Não imagino como possa ajudá-lo — ela disse friamente. aproximando-se.os impostores e os trapaceiros e encontrar o verdadeiro amor". irritada porques e u p u l s o a c e l e r a r a . apesar de seu coração disparar. Esqueça o cubo de gelo.s e d e c o m o e l e d o m i n a v a o ambiente com sua imponência e sua elegância.— Parece? Não para Pippa. Sentia-se envergonhada por ele tê-lamagoado. sheik Fehr — cumprimentou Rou. Rou reviveu o fim de semana em que haviam se conhecido d u r a n t e o c a s a m e n t o d e L a d y P i p p a C o l l i n s . S e S h a r i f e r a b o n i t o . — Tanto tempo assim? — ele retorquiu com um sorriso frio. mesmo magoando os outros. Tornell. ele pensou com cinismo. — Estou meio apressada. — Eu nãopoderia deixar de lhe apresentar minha amiga. você está ansioso para me ver. mas um sheik que se comportava de maneira mais ocidentalque a maioria dos ocidentais. um dos maioresastros de cinema de sua época. E l a n ã o g o s t a v a d e l e . — Rou sentiu um sobressalto ao vê-lo se aproximar. E n t r et a n t o . E s q u e c e r a .t i n h a o m b r o s l a r g o s e a c i n t u r a e s t r e i t a . Z a y e d e r a incrivelmente lindo. em seu lugar. r e c e b e r a . Odiava que ele a tivesse magoado. observando que ela não mudara e quejamais mudaria. além da fortuna dafamília. segundo Jamie. — Dois anos?— Três.

— Graças a Rou. Pippa estava tão feliz quenão percebera. ela já ter ouvido de tudo.muito quadrado.m a s e x t r em a m e n t e m á s c u l o n a r i z r e t o e m a ç ã s d o r o s t o p r o n u n c i a d a s q u e fariam inveja a qualquer modelo. q u e r i a g o s t a r d e l e p o r s e r i r m ã o d e S h a r i f . como psicóloga. Foi ela quem me apresentou a Henry. Era o protótipo da beleza. Em parte. Projeto Revisoras6 . P o r o u t r o l a d o .Os olhos do sheik Fehr brilharam. ela sabiaque jamais poderia confiar nele.— Q u e s o r t e — e l e d i s s e r a n u m t o m d e i r o n i a q u e R o u j a m a i s o u v i r a . em torno dos 32 ou 33 anos. apesar de. mas um homem maduro. há um ano. estamos aqui. Rou reparara que ele não era um jovemde 20 anos. já que a maioria dos homens bonitos é egoístae i m p i e d o s a .

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Zayed a convidara para sentar e os dois passaram o resto da noite juntos. . Ficara atraída por ele e percebera queZayed também estava atraído por ela. Ele percebera o erro antes d e l a e l i g a r a p a r a s e d e s c u l p a r e p a r a l h e p e d i r q u e a p a g a s s e a r u d e mensagem sem ler.— As coisas mudaram — disse ele sério. T o r n e l l t e m u m v er d a d e i r o d o m . Ela tem o calor eo charme de um manequim de loja. O cabelo estava mais curto do que quando o conhecera. O p i o r é q u e p e r c e b i q u e e l a gostou de mim. Sharif pretendia responder uma mensagem de Zayed.— Estive viajando — respondeu secamente. o s o l t e i r o m a i s r i c o e f a m o s o d e M o n t e C a r i o . r o ç o u . ela pensou. As mãosdela tremeram. Comofora estúpida! A vergonha a fez falar secamente. Ele a escutara rira de suasbrincadeiras. — O que posso fazer por você. mas. mas a atração obviamente não foi recíproca. Não admirava que as mulheres Se encantassem. Preciso soletrar?— Não. As horas que passaram juntos foram deliciosas. rouca o suficiente para parecer uma carícia. de fato. sempre curiosa. Ela já formou cem pares. nem piscou.— O que faz aqui? — perguntou ela.— O que posso fazer. sheik Fehr?— Você podia pegar sua papelada e começar a preencher os formulários.. q u e r i a u m a esposa? Ela mal sufocou uma gargalhada.A alegre Pippa se afastara. lera o e-mail: "Passar a noite com elaf o i c o m o p a s s e a r n u m m u s e u — maçante — mas você agüenta porque se c o n v e n c e d e q u e es t á f a z e n d o u m a b o a a ç ã o . Conversaram durante horas. " — Você ainda promove casamentos? — disse Zayed naquele momento. e todos acabaram em casamento. assim como ela. por você. não fosse por um email de Sharif querecebera por engano. Havia tempo que ela não tinha um encontro. A gentileza dele a cativara . — Deixei várias mensagens para você. v o c ê s a b e r i a — e l e d i s s e .Rou o examinou por um tempo. enviara o e-mail para ela. Mais tarde. de alguma forma. Ele deveria estar brincando. quando ele a colocou num t á x i . a D r a . O primeiro nome é Zayed. Preciso de uma esposa.— Sim — disse ela simplesmente. falara sobre o próprio trabalho. .— Por que uma esposa agora? Você sempre declarou não ser favorável aocasamento. Vou Projeto Revisoras7 . Maçante. corando.. — Ela rangeu os dentes ao ouvir a voz irônica. sentando-se numa poltrona. maçante. A únicavantagem é que ele nada sabia.O nome é F-eh-r.l h e o r o s t o c o m o s l á b i o s e e l a t e v e a c e r t e z a de que logo ele aconvidaria para um encontro de verdade. Rou. — Não tenho mais opção. dançarame saíram juntos da recepção para tomar um último drinque num bar. Porém. odiando reviver o episódio. Sharif prometera não contar.Rou esperou o fim da piada. Era exatamentecomo ela se lembrava: profunda e firme. sheik Fehr?— S e t i v e s s e a t e n d i d o m e u s t e l e f o n e m a s . e ele fazia comque ela se sentisse bonita e fascinante. D á p a r a acreditar? O nosso é o centésimo casamento que ela faz. Rou se lembrava muito bem dos detalhes daquela noite e do calor do corpo de Zayedenquanto dançavam.— Talvez você precise atualizar sua tecnologia. Q u e r d i z e r . Ele usava um bonito terno e uma camisa branca. sem gravata. e a deixarasozinha com o sheik.Jessica 116. mas ele não sorriu. ele n ã o t e l e f o n a r a e R o u jamais saberia o que ele sentia por ela. Para sua surpresa. sem mencionar os e-mails. Zayed Fehr. Um manequim de loja. atendendo a um aceno do marido.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — R o u . r e n o m a d o p l a y b o y .— Tenho 36 anos.

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admirada e invejada no mundo inteiro. Você é especialista em relacionamentos e pode encontrar a mulher perfeita para mim. Ele era desagradável e queriaque ele fosse embora. De modelo passou a estilista de bolsas.R o u o b s e r v o u . — U m c a s a m e n t o n ã o d e v e s er a p r e s s a d o . Q u a n d o s e e s t á s o b o ef e i t o d o a m o r . creio que conseguiriaencontrá-la.. R o u s e r e c u s a r a a a t e n d e r a m o d e l o . É p r e c i s o t em p o e pesquisa para encontrar um companheiro compatível. mesmo comsua ajuda. Quanto menos soubesse. Faltavam-lhe informações. nem uma esposaagradável. — Ela não sentia o menor remorso. De repente. — Fui eu que lhe dei o seu nome. uma famosamodelo inglesa. Isso a faz recordar?Claro que Rou se lembrava de Angela. T o d o s s a b i a m q u e S h a r i f e r a o r e i d e S a r q . P a r a o u t r a s p e s s o a s . Dra.— Eu não conheço. Tornell. n e c e s s i t a d e c o n t at o e d e s e r inundado pelos hormônios produzidos em sua presença. foram necessários meses de paciência e habilidade para tirá-la do f u n d o d o p o ç o . Depois de 12 anos dee x p e r i ê n c i a . O sheik a conquistara e.— Ela foi sua cliente há um ano. — S i n t o m u i t o . e q u i v a l e a u m a desintoxicação. Ela percebera que precisava ajudar a pobre moça. Rou se lembrou de que precisava mudar de roupa e se pentear. quero a esposa certa. O reiprecisa ter uma esposa. Além disso. cabelos ruivos. u m c o r a ç ã o p a r t i d o e q u i v a l e a u m a f o r m a d e m o r t e . deleite.o . c o m u m p o u c o de esforço. 26 anos. É por isso que estou aqui. Rou se lembrou de sua mãe.. quando dá errado. Lembra-se dela? Magra. Ela sel e v a n t o u . Se fosse o caso.Jessica 116.— Já percebi — retrucou ela com sarcasmo. mas sua expressão não era amigável. — Sei que ela veio consultá-la — acrescentou Zayed sem expressão. — E l a n ã o sentia. i n t r i g a d a . Nenhum homem pode ocupar otrono antes de completar 25 anos e. quando o fizer. melhor. aparecendo para lhe pedir ajuda depois de tanto tempo?— Então. é destrutivo. Quem ele pensava ser? Como podia ser tão insensível eegoísta.— É por causa de Angela Moss? Rou se espantou. e e s t a t e n t a r a s e suicidar. deverá estar casado.. mas Zayed não as fornecera e ela não pretendia perguntar. Talvez houvesse outro reino ou alguma tribo do deserto que precisasse de umsenhor feudal. você não seencaixa no perfil dos candidatos com quem trabalho. Não querouma noiva qualquer. você não encontraria sozinho uma c a n d i d a t a disponível.— Não quero uma candidata disponível. vício.— N ã o p o s s o — e l a r e s p o n d e u br u s c a m e n t e . Jamie bateu na porta.— Se você realmente quisesse uma esposa. Negativo. Jamais encontraria uma mulher para Zayed.Zayed sorriu. Isso não quer dizer que. você vai me ajudar?— Não.. O cérebro subitamente privado de alguns neurotransmissoresq u e o a l i m e n t a v a m i m p l o r a p e l o s er a m a d o . Amor é loucura. p r e c i s o m e p r e p a r a r p a r a o m e u próximo compromisso. e sim uma sensaçãod e p o d e r . R o u c o m p r e e n d e r a q u e o a m o r e r a a m a i s p o d e r o s a d r o g a conhecida pelo homem. Projeto Revisoras8 . a a b a n d o n a r a . Pensei que poderia ajudá-la.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assumir o trono de Sarq. entrou e acenou para o relógio. deixaria que minha mãe a escolhesse. E. mas que nãoconseguira fazer seu pai feliz. — S e m e d á l i c e n ç a . mas. s h e i k F e h r . P o r c a u s a d e s e u s sentimentos pessoais emr e l a ç ã o à Z a y e d . depois dea l g u n s m e s e s . e a lei assim o exige. Jamais condenaria alguéma passar a vida com ele.— Estou com pressa.

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com base na minha experiência pessoalcom você. encarando-a. Era o clássico narcisista. Você me deu uma razão pessoal. e que. Jamais trabalharia com você. N ã o p o d e r i a v e r a s i t u a ç ã o i s e n t a d e preconceitos. Angela lhe dissera que Zayed usara sua incapacidade de amar como motivo para romperem seu relacionamento.Jessica 116.Afinal. pedindo mais cinco minutos.Rou olhou-o com desdém. capachos.— Marionetes.— Isso não é possível.— Porque eu não amava Angela?— Porque você não ama e é incapaz de amar — explodiu ela e trincou os d e n t e s . M i n h a c l í n i c a é um s u c e s s o e t e n h o m u i t o t r a b a l h o . Agora você vê por que eu não poderia trabalhar com você depois deatender Angela. sheik Fehr. Projeto Revisoras9 .— Você a mandou para mim? — Ela balançou a cabeça.— Desculpe interromper de novo. Assim que ela se foi.— Eu não a amava.— Isso tudo com base nos seis encontros que tive com Angela? Não.— Deixe que eu seja clara.— É muito simples.— Você disse a Angela que jamais se casaria que nunca se apaixonaria e que éincapaz de amar.— Não. portanto. com necessidades próprias. — Ela firmou a voz. Só não preciso de você. mas não queria magoá-la.— Não precisa? — ele repetiu. Mas nada disse. você é uma cientista.Ele era muito arrogante!— J á s e i d e m a i s s o b r e v o c ê .— O que está sugerindo? — ele perguntou. robôs. mas sua acompanhante chegou Dra.R o u p e r c e b e u q u e J a m i e a i n d a e s t a v a p a r a d a à p o r t a e f e z u m g e s t o.— Eu mudei — disse ele. não acreditava poder ser fiel a uma mulher. N ã o d e v e r i a t er d i t o a ú l t i m a f r a s e p o r u m a q u e s t ã o d e sigilo. Ele a olhou com indiferença. porque jamais lhe revelaria que sabia o que e l e pensava dela.— Você está zangada — ele disse surpreso. — Ela sorriu. perplexa. s h e i k F e h r . Os narcisistas não conseguem amar mais ninguém e nemver o outro como um ser separado. — Não gosto d e v o c ê . — Você é psicóloga.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou sentou novamente.— Então. portanto.. a b o r r e c i d a .— Por que não?— Eu já lhe disse. — Ela se inclinou sobre a mesa. — Elas não serão magoadas quando você as dispensar. ela respondeu intimamente. Fazia parte do sigilo entre p a c i e n t e e terapeuta. não é?Jamie abriu a porta.. Haveria conflito de interesses. — Desculpe — ela disse. Rou se voltou para ele.— Talvez você devesse parar de sair com mulheres que têm cérebro e coração. você tem consciência.— Não estou zangada.... porque ele jamais se apaixonaria eela o amava cada vez mais. não se faça de obtuso. bonecas. como se fosse evidente. — Por quê?— Eu estava preocupado com ela — replicou ele.— Não é? — Ele sustentou o olhar de Rou. Eu quero uma razão profissional. posso me dar ao luxo de ser seletiva. O pai de Rou também sóamava a si mesmo. — Isso foi inadequado.. — Interesse de quem?— Seu.

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— Então..Ela se afastou da mesa. as informações básicas. falhara...— Não se trata de dinheiro.— Qual foi o resultado da sua pesquisa. — Ele a desafiou com um olhar. O perfil. mas Rou o deteve. Ajude-me. — Ele caminhou para a porta. — Jamais.— Não sei se todos sairiam ganhando. —Talvez você devesse fazer uma pequena pesquisa antes de tirar conclusões.Se ela esperava abatê-lo. Não preciso da sua aprovação. e talvez fosse mais fácil. e todos saem ganhando. Não posso representá-lo com neutralidade. Não seriacorreto. sem despregar os olhos de Zayed.Começaremos esta noite. Pensa que me conhece. — Ela respirou fundo.— Você pode me ajudar. mas não é verdade...E l a s e c a l o u p o r q u e n ã o p o d e r i a c o n t a r a l g o t ã o p e s s o a l a u m h o m em como Zayed.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Tornell.— Então. Ele deu uma gargalhada amarga. — Oque faço não é por dinheiro. e sim de valores. e esperou a porta fechar.Rou perdeu o fôlego. dá no mesmo. A simples oferta demonstra o seu desespero. Faço por que.. Ela está esperando no saguão do hotel — Rou acenou com a cabeça. Dra. tudo.— Este é o problema — ele disse. — Não sei se gostaria de poder.— Isto é baixo e ultrajante. Vamos nos encontrar para jantar. mas necessito do seu tempo e da sua habilidade.Jessica 116.— Pelo que me diz respeito. — Ela se levantou mais tensa do que nunca. francamente. que é o melhor que sabe fazer.— S e t i v e s s e i n v e s t i g a d o . Tornell.— E v o c ê t a m b é m n ã o f o i ? V o c ê m e j u l g o u e s e n t e n c i o u a n t e s d e n o s encontrarmos hoje. s a b e r i a q u e n ã o a c e i t o q u a l q u e r um c o m o cliente. Há um país inteiro a minha espera.— Nem mesmo cinco milhões de libras? Rou ficou espantada.— Cinco milhões de libras? — repetiu. perdendo a paciência.— Pensei que você fosse uma profissional. pelo visto. — I s s o é r i d í c u l o .— Não lhe peço para encontrar a cura do câncer. nenhuma quantia faria com que eu me comprometesse. assim como fiz antes de procurála. que só se importava consigo mesmo. — Você não me conhece. J am a i s c o b r e i u m a q u a n t i a t ã o a l t a e n u n c a aceitaria. como se tivesse levado um soco. é a única coisa em que é boa. faça seu trabalho.— Não. Ótimo. calculando que seriam oito milhõesd e d ó l a r e s . Atendo cinco por cento das pessoas que me procuram. de ética. E n c o n t r e . — É o suficiente para você esquecer suasobjeções? — Não! Eu não ligo para o dinheiro — ela disse.— Eu sou. eprometo recompensá-la muito bem.— Preciso ir.m e u m a e s p o s a e t e r á o s e u c e n t r o . Meu sucesso sedeve ao fato de ser criteriosa. veja esse dinheiro como a verba que precisa para construir ocentro de pesquisas em Oakland. Só trabalho com pessoas que acredito poder ajudar. A c h o q u e é u m a t r o c a justa: eu consigo o que quero você também. pelo qual você tem lutado nos últimos sete a n o s . levantando. — Determinação — ele corrigiu. e que.— O tempo é fundamental. Estou lhe pedindo para me arranjar uma esposa. Trabalhar com vocêcontraria minha ética e.. sheik Fehr? Ele parou e se virou Projeto Revisoras10 ..

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Como é que ele sabia? Ela nunca contara a alguém. dramática e violentamente. bonito. os telefonemas gravados ereproduzidos pela imprensa. Ao terminar um relacionamento. Os casamentos sempre a comoviam.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter no altar. meiahora antes de terminar a noite de autógrafos. ele se certificava de que elas estavambem. Eu os declaro marido e mulher. Os noivos se viraram para encarara congregação e Rou conteve o fôlego ao ver a expressão de Georgina. inclusiveAngela. Em geral. mas não era um completo idiota. Amiga de infância de Georgina. Afinal. Amar e ser amada para sempre.Rou ficou muda. certamente. Ela saíra mais cedo. mas ne -nhum deles a queria de fato. bebendo suas palavras. Naquelanoite. um nobre de títuloa u s t r í a c o q u e n a s c e r a e c r e s c e r a n o d e s e r t o a u s t r a l i a n o e m c o m p a n h i a d a mãe. Georgina encontrous e u p a r . Rou se recusara a aceitar que sua melhoramiga jamais seria feliz e.. brilhante. . Ele podia ser implacável.. Georgina fora profundamente magoada. que partiu seucoração. R o u s e s e n t i r a s e g u r a e a m a d a . Os dois lutaram pela custódia de Rou. A noite estava fresca e o vento arrastava as folhas v e r m e l h a s e a m a r e l a d a s p e l a c a l ç a d a .Seus pais eram famosos e suas disputas durante o divórcio foram publicadas pela mídia. suas brigas exploradas pelos tablóides. A luz nos olhos da n o i v a b a s t o u p a r a f a z e r o c o r a ç ã o d e R o u s e contrair. Ralf era perfeito para Georgina: forte.Jessica 116. Boa sorte com a sua entrevista. ele tivera irmãs. Ela amaldiçoara os homens e o amor. Encontrara o barão Ralf van Kliesen.— Você tem uma noite de autógrafos na Fireside Books às sete. e. Ele também fora convidado parao casamento de Ralf com a princesa Georgina. independente. sentir-se abençoada. A v i r g e m d e g e l o p r e f e r i r a f u g i r a encontrá-lo. o contrário da atenção que elalhe dedicara na festa de casamento de Lady Pippa. dentro de dois dias. pressionando-lhe o peito. Era disso que Georgina precisava: de um homem forte. alegando u m m a l estar. Rou Tornell se grudara a ele como velcro. O v e st i d o d a n o i v a c i n t i l a v a c o m o s cristais bordados à mão no tecido delicado. m a s q u a n d o o casamento dos pais naufragara. A música inundou a igreja enquanto o casal saía. onde compareceria a mais um de seus famososcasamentos. mais máquina que mulher. Os convidados aplaudiram quando o noivol e v a n t o u o v é u d e G e or g i n a e a b e i j o u .Ele saiu. e sim com o divórcio de seus pais. Ela es-t a v a t ã o f e l i z q u e b r i l h a v a m a i s q u e os candelabros da catedral de SantoEstevão. O nó na garganta de Rou cresceu e seespalhou. ao ser abandonada Projeto Revisoras11 Jessica 116. começara a procurar umhomem ideal para ela. Irei buscá-la às nove. Era algo inusitado.Zayed pegou o celular. financeira e emocionalmente.Nada tem a ver com dinheiro. Zayed deu meia-volta e parou do lado de fora da l i v r a r i a . mas doce e carinhoso. Capítulo Dois Rou NÃO estava na Fireside Books quando ele chegou para buscá-la. e seus olhos se encheram de lágrimas.— Eu sei por que você é tão rígida e reprimida. três anos antes.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter para ela. E l e d e s c o n f i a v a q u e e l a j á e s t a r i a a caminho da Áustria. as mulheres se jogavam sobre ele. sabendo de antemão que Rou Tornell não estaria m a i s h o s p e d a d a n o H o t e l F a i r m o n t . que a amasse para sempre. Jurara nunca se tornar esposa emãe. digerindo a informação.D u r a n t e a i n f â n c i a . mas este era e x c e p c i o n a l . três anos antes. silenciosa e discretamente. Era perfeito.mas terno. sua vida mudara. Ele sempre as tratara bem.

agora. Certamente. R o u desapareceu no meio da multidão e se refugiou no banheiro. A lua iluminava o céu. Em pânico. não foi por isso que fugiu da cidade? Projeto Revisoras12 Jessica 116. Tornell. Rou se lembrou da foto dos dois sobre o tapete vermelho: a mãe sorria radiante.na Inglaterra.Tudo o que desejavam era vencer. respeito e cuidado. Claro que era ele. E l a n ã o e n c a n t a v a n i n g u é m . Você ficou desapontada? — Não. n e m d e e x p l o r a r . No amor não s e t r a t a d e v e n c e r . o gerente. — Não. abençoando seu anonimato. a noite de outono estava perfumada e soprava uma brisa fria.— Como foi o seu evento em Vancouver? — ele perguntou como se fossemvelhos e bons amigos.Z a y e d u s a v a um f r a q u e . e acho que . Ela alisou o tradicional vestido preto de Jérsey e entrou no salão iluminado por centenas dev e l a s . e eu não usaria a palavra seguir. Mal deraalguns passos de volta ao salão. e m compensação. ou por ele ter aparecido na livraria. Ela hesitou diante da porta do salão de baile. — Sou determinado e. e o p a l e t ó a c e n t u a v a o s o m br o s l a r g o s e s u a cintura. entrei na livraria e encontrei o caixa.A limusine chegou ao palácio. apesar desta contar.E l a e n t r o u n a l i m u s i n e e f e c h o u a g o l a d o e x t r a v a g a n t e m a n t o d e v e l u d o forrado de seda preta e com botões de diamantes que sua mãe usara duranteo lançamento de um dos filmes de seu pai. mantinha tranquilamente o controle de sua vida.. você diria que foi persistente — ela interrompeu bruscamente. Dra. Você só está dificultando ascoisas mais do que o necessário. O a m o r é g e n e r o s i d a d e e t e r n u r a . As pessoas se apaixonam por uma imagem. Ninguém mais tinhaa q u e l a aparência e aquele andar.— Ou determinado — ele concordou.— Não é verdade. quando ele bloqueou-lhe a passagem. Não sabia se corara por ele ter descobertoque a noite de autógrafos não fora um sucesso. sempre consigo o que quero. e l e a s e g u i r a . a sua acompanhante e alguns leitores. m a l d i t o . Porém estava enganada. — Ogerente da livraria me disse que o público foi menor do que o esperado. Não épossível. nervosa. Compareci e esperei.Ao sair da catedral. Ele vinha na sua direção.— Não acredito que tenha me seguido até aqui. Zayed já fora embora. mas é necessário que haja algo mais por detrás dela. Quando você não apareceu. Andou de um ladopara outro.. hoje de manhã você se encontrou com uma cliente em perspectiva. tentando se esconder. onde Rou o descobrira ao completar 16 anos — dois anos depoisda morte de sua mãe.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou se odiou por ficar corada. O que ele fazia ali? Ela sabia a resposta: ele pedira a suaa j u d a e e l a r e c u s a r a . quando resolvo algo. O manto se salvara porque ficara esquecido na casa da avó. até ouvir o som de trombetas anunciando a chegada dosnoivos. A pr i m e i r a p e s s o a q u e v i u f o i Z a y e d Fehr. Não seria justo com eles que.. com o manto sobre os ombros. E preciso haver um laço de genuína compreensão. Rou sentiu a garganta seca e seu coração disparou. e os olhos dourados brilhavamintensamente. Concordou em me encontrar depois do s e u evento.A foto fora queimada havia muito tempo pela mãe. Em Vancouver você me fez acreditar que p o d e r í a m o s trabalhar juntos. Rou estava mais emocionada do que gostaria.— Entretanto. extremamente bonito. e n ã o p o r m ot i v o s e x t e r n o s o u p e l a aparência. m a s. — A única dificuldade é a sua incapacidade de lidar com a rejeição. A belezad e s e u s p a i s e n c a n t a v a t o d o m u n d o . quase rindo.. Este era o motivo pelo qual Rou juntava casais de acordo c o m s e u s v a l o r e s . conforme o combinado. Rou entrou e tirou seu precioso manto. eu me dedicasse a um cliente novo. Rou fingiu observar os convidados que chegavam. mas vocêjá saíra há muito tempo. Ele era tentador.— Eu me comprometi com outros clientes.— Então. Rou ficou gelada.— Fui convidado para o casamento. cr e n ç a s e d e s e j o s . pensou. junto com tudo o que usaraenquanto casada. R o u s e e s c o n d e u n o b a n h e i r o durante 20 minutos.

Alegações ofensivas.— Você está me espionando?— E u n ã o . resolveu ficar até que o jantar acabasse e o bailetivesse início. g a r ç o n s .— Tenho certeza de que sim. Seuspais levaram sete anos para se divorciar. mas ele não se deixaria desencorajar pela rigidez deRou : precisava dela..— Ótimo. É i n t e r e s s a n t e c o m o o te mpo e o su ce sso modificam uma pessoa. porque é isto que desejo. ou que os seus diplomas de Cambridgesejam verdadeiros. camareiros.— Estou falando sério. m a s t e n h o s e g u r a n ç a s . enfrentando a realidade?— Sim. Ele providenciara para que elavoltasse à escola e tivesse dinheiro para cursar a faculdade. h a v i a m d e s t r u í d o t u d o e t o d o s . toda de preto.. A s m o ç a s d e S a r q eram educadas para ser dóceis. ela nãoconseguia raciocinar quando estava perto de Zayed Fehr. A simples palavra divórcio a apavorava. mentirosas.. Agora estava mais civilizada. mas. odiosas. . e o meu instinto me diz que você é perigoso. G e l a d a .advogados. Quando a conhecera. m ot o r i s t a s . tribunal. juízes.Zayed riu. tensa e desajeitada. e.por consideração a Georgina. Em outra ocasião ela iria embora. sheik Fehr. talvez devido ao sucesso. Por algum motivo. obrigada. R o u a t r a v e s s a r a a adolescência e chegara aos 20 anos tentando se recuperar. quando chegaram a um acordo. Sua lógicadesaparecia numa nuvem de emoções nas quais ela não confiava.— Já percebi o quadro — disse ela friamente. Divórcio. — Não consigo imaginar porque um homem poderoso como você me escolheu para ajudá-lo a procurar uma rainha. Rou ergueu a cabeça. mas você está tão enganada que chego a Projeto Revisoras13 Jessica 116. Não ouvi falar em nenhum divórcio até agora.ela saiu pensando que você irá atendê-la. E r a o q u e e l e q u e ri a e v i t a r . compassivas. em vez de ficar aborrecido. Tornell? Você não é especialista em ensinar às mulheres a ser firmes e a encarar seus medos. — Ela se afastou com as pernas bambas. A sua amizade comSharif fora o fator fundamental para a sua cura. O tempo corria e sua mãe já procurava uma noiva para e l e e n t r e a s m o ç a s d e S a r q . Dra. m a s s e t o r n a r a m a i s d u r a e f r i a . ele pensou. desaparecer na direção dasala de jantar.— Eu lhe garanto que os mereci. Comoconseqüência . comporte-se como uma cientista.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter duvidar que seja uma cientista de fato. e l a p e n s o u n o v e l u d o macio do manto pendurado no saguão e no quarto acolhedor do Hotel Bristol. mas também as aconselho a confiar em seus instintos. i n c l u s i v e a pr ó p r i a f i l h a . Semdúvida.Rou corou novamente. porque como mulher eu o desprezo. Sentia-se mal..Zayed observou a figura esguia. você não me interessa como mulher.— Você tem talento e os casamentos que promove são duradouros. exposta. ela era tagarela. Estava confusa. a s s i s t e n t e s .— Já é tarde e eu estou muito cansada com a mudança de fuso horário. Ele sorriu friamente.Rou sentiu um arrepio. Ela mudou.— Então.que lhe proporcionavam calor e segurança. pudera cumprir a promessa de trabalhar para evitar que outra c r i a n ç a o u f a m í l i a s o f r e s s e o q u e e l a s o f r e r a.— Fugindo de novo.

. Tornell. Preciso de sua ajuda.l a c o r a r . Ávidas demais. Você ficaria melhor com tonsrosados. oslábios tremendo de raiva. Ele não era feio. até que ela afastou a perna. Rou parecia a únicaa ter se arrumado sozinha. — E l e c h e g o u m a i s p e r t o e s u a s cabeças quase se . mas era extrema-mente habilidosa quando se tratava de formar casais. roçando o ombro no dela. este é um vestido de grife. O s l u g a r e s e r a m m a r c a d o s e e l e n ã o ficaria junto dela. celebridades esocialites. a julgar pelo modelo. furiosa. em Nova York. feito num bom tecido. — Este não é o mesmo vestidoque você usou há três anos?Ela se virou para ele e corou. Resolvido a fazer comque o ajudasse. ele a deixa muito pálida. asmulheres ocidentais eram um problema. Nunca dormira com uma mulher casada e jamaistrairia sua esposa. todos vestidos por algum estilista em particular. — Rou virou para o outrol a d o . e eu o comprei naBarney s.— Você está vendo o meu pedido como algo pessoal.submissas e condescendentes. a o v ê . s u a fortuna.— Para sua informação..s e d o m e u p a í s .— Não posso Dra. Portanto.— N ã o p o d e o u n ã o q u e r ? — E l a q u a s e e n g a s g o u q u a n d o e l e s e aproximou. Ele contemplou o entediante vestido preto e pensouse seria o mesmo do casamento de Lady Pippa. Ela sevirou para ele com um olhar frio e furioso.Ele deu de ombros. Zayed r e c o n h e c e u q u e s e tratava de um grupo seleto. p o r q u e n ã o s e n t i r i a c o n f i a n ç a e r e s p e i t o . d o m e u i r m ã o . Por outro lado. — Não é verdade. precisava encontrar a mulher certa.— Eu já lhe disse que não pretendo ajudá-lo — ela respondeu. Todas caíam ávidas aos seus pés. sorriu e se inclinou para ela. T r a t a . o que não o impediu de puxar uma cadeira e sentar. Por quê? Você não gosta?Z a y e d p e n s o u q u e a c e r t a r a e m c h e i o .— As duas coisas. sentindo ocorpo se aquecer perigosamente.Zayed já quebrara muitas regras e desafiara algumas leis. tentador.— O preto é sempre elegante. Rou arregalou os olhos. A friae rígida Rou Tornell não tinha charme nem personalidade. e a coxa dele roçava a sua.— É.— Você poderia usar uma cor mais favorável — ele disse.— Vá embora — disse. seu p o d e r . Zayed foi atrás dela. do meu povo. O corpo de Zayedera firme. com os olhos mais escuros e a pele ruborizada.Jamais uma delas conseguiria enfrentá-lo e ser sua igual. E l a e s t a v a q u a s e bonita naquele momento.— Não posso. mas ele é bem maisq u e i s s o . o q u e transformaria a relação num tormento.— Há dez anos. pelo contrário. seu título. perfeita. um misto de realeza. Elaso l h a v a m para ele e juntavam tudo: seu nome.Ele estava tão próximo que Rou notou os pontinhos dourados nas pupilascor de bronze e algumas rugas discretas no canto dos olhos.s e c o m u m a d e l a s . Ele não poderiac a s a r .— Vá embora. aristocratas. Rou mordeu olábio. Você estámantendo um país inteiro como r e f é m . mas acreditavana santidade do casamento. fascinada. contemplando os convidados.R o u a c a b a r a d e s e n t a r à me s a .

Não devemos perder a esperança..— V o c ê n ã o me c o n t o u — r e p l i c o u e l a c o m a voz embargada.. onde estava? Procurei-a em todo canto! — A voza l e g r e d e G e o r g i n a i n t e r r o m p e u o tu m u l t o n a c a b e ç a d e R o u . Preencha os formulários. A l i v i a d a . — Os noivos cumprimentaramZayed calorosamente.— N ã o . sufocada. — Pensei que seria publicada depois demais alguns dias.— Graças a você — sussurrou Georgina. N e m a s c r i a n ç a s . c o m e x p r e s s ã o perturbada. — E um prazer — respondeu Zayed. Dra. — Nunca vinoiva mais feliz.— O b r i g a d o — r e s p o n d e u R a l f . d e r e p e n t e . menina malvada. Passou o braço em torno do espaldar da cadeira deR o u . Sharif. — Por favor.— Não consigo acreditar — disse Ralf mais para si do que para os outros.— Rou. investigue osantecedentes. Tornell... A televisão deu a notícia hoje cedo. O avião desapareceu há dez dias. transformava a racional cientista numagarota assustada. mas sedeixara envolver e fora maravilhoso.. dando-lhe um tapa no ombro. levantando.. Estarei à disposição pelotempo necessário para completar o processo. Fosse pelo perfume ou pelo calor do corpo dele. — Zayed baixou a cabeça e Ralf rapidamente ser e c o m p ô s .. Faça umaavaliação preliminar adequada. E l a n ã o e s t a v a c o m e l e . — Ela tremia da cabeça aos pés.— Você está linda — ela murmurou. — S ó quero que você me dê a mesma chance que dá aos outros clientes. e e l a s e n ti u o s d e d o s d e l e p e r i g o s a m e n t e p r ó x i m o s d e s u a p e l e . q u e e l e s i m p l e s m e n t e desapareceu do radar? — insistiu Ralf. Tornell.— Acalme-se. sheik Fehr...Rou respirou fundo para se acalmar e sentiu o perfume suave.R o u n ã o o u v i u o r e s t o p o r q u e .s u c e d i d a . m a s . Tornell.— Jesslyn estava.— Por quê?— P o r q u ê ? . b e m . D e ve r i a te r m e contado. e ela não conseguia evitar. Viena. o reino.. Vou lhe dar acesso à minha vida. i n te l i g e n t e .— Serei seu eterno devedor. A p e n a s n o p a p e l . Sentira que ele era perigoso desde que o conhecera.? — perguntou Georgina. Sarq. o casamento.— Sharif é tão. Zayed confirmou.— O que aconteceu com Sharif?— Ele está desaparecido. n a superfície. — Vocêmencionou o trono. e ela o desprezava por isso. e l a retribuiu o abraço da amiga. picante esedutor de Zayed.s e e n v o l v i d a n u m f o r t e abraço. Você n ã o f a l o u d e S h a r i f .— Vá embora — disse. os sentidosde Rou se aguçaram. Preciso. ela sabia a verdade. Agora.. f o r t e ? N ã o . — Estamos rezando por ele e p o r todos vocês. g r a ç a s a D e u s . — Eu lhes trago os v o t o s d e felicidade em nome de minha família.. Ela sentiu que afundava por culpa dele. — A expressão de Zayed endureceu... ciente de que perdera ar a z ã o e o c o n t r o l e . — Era para estarem todos juntos. procurando uma saída. Ele a abafavaameaçava sua segurança. Eu lhe disse. basta dizer uma palavra.Ralf e Georgina trocaram um olhar.Tudo daria certo. Rou olhou em volta do salão. Erae s p e r t a . vi u . mas Zayed asegurou pela mão.O c a s a l s e a f a s t o u . abraçando Georgina. Dra. agradecendo sua presença. — D i g a a l g u m a n o t í c i a d e S h a r i f ? Acabamos de saber. — Você disse que não existempríncipes.— Não pretendo aborrecê-la. Ele fazia detudo para conseguir o que queria. Não era forte o suficiente. F o r a p o r i s s o q u e s a í r a d e V a n c o u v e r : Z a y e d F e h r a ameaçava abalava seu autocontrole. Tão.— É mesmo? — perguntou Zayed. Saiae me deixe em paz.— É v e r d a d e q u e n ã o e n c o n t r a r a m o a v i ã o . Se houver algo que possamosfazer. Dra. R o u f i c o u c a l a d a p o r u m m o m e n t o . Preciso de você. mas encontrou um para mim! — Ela recuou e Ralf se inclinou e deuum beijo no rosto de Rou. Georgina. Tudo estava bem. arriscava sua sobrevivência — algo que deveria serlevado a sério.tocaram.— Não posso! Você não me deixa em paz.

Ele viu Rou sentada numc a n t o .Não para a mulher dele. Capítulo Três E LES CONCORDARAM em se encontrar na manhã seguinte. sentariam juntos e elapreencheria os formulários.— Tudo bem? — ela perguntou. o bicho-papão. p e s a d o s e g r a n d e s d e m a i s p a r a o s e u r o s t o . assim como setornara um espinho na vida dela. nem para os quatro filhos e para o país. No dia seguinte. incluindo o histórico familiar e o médico. — E l e é m e u herói. Ele lhe causavaprofunda admiração e era como o irmão mais velho que ela não tivera. A únicacoisa que ele não sabia ao sentar diante dela era como podia ter pernas tãotentadoras.— Já preenchi o perfil do cliente. o n d e e l e a s s u m i r i a a l i d e r a n ç a a t é o r e t o r n o d o irmão. mas e l a passara a noite em claro. que raramente se divertia com algo. Haviadesaparecido e Sarq estava em tumulto. Poderiam se comunicar a distância. Tornell. por ele. Elee r a m u i t o a m a d o . ela virou a cabeça e o encarou. Ele suspirou: ela voltara a ser asimples e séria Dra. E l a prendera os cabelos num coque e se escondera atrás de um laptop. O mais importante era procurar Sharif e mandarZ a y e d d e v o l t a p a r a S a r q . S a t i s f e i t o . e ele. às voltas com seusp e n s a m e n t o s e u m e n o r m e s o f r i m e n t o . c o n s i d e r a d o a o v e l h a n e g r a d a família e um constante espinho na vida do irmão mais velho. Não existia outra possibilidade. Rou Tornell não era feia. Para dizer a verdade.Rou percebeu a estranha expressão no rosto dele. Naquele momento ela usava óculosd e a r o d e t a r t a r u g a . no saguão do hotelo n d e Z a y e d estava hospedado. Zayed saiu do elevador rodeado por seguranças quese espalharam pelo saguão enquanto ele a procurava. p e g o u a l g u n s p a p é i s e formulários e os empurrou sobre a mesa. Ele diminuiu o passo paraapreciar suas pernas incrivelmente longas e bem torneadas. Ela parecia uma menininha medrosa. Rou estudara emC a m b r i d g e g r a ç a s à b o l s a d e e s t u d o s d o a d a p e l o s F e h r .Na manhã seguinte. L i mi t a r i a o te m p o p a s s a d o c o m e l e e c o n t r o l a r i a s u a p r o x i m i d a d e . T i n h a o s lábios finos e um queixo firme.— Não tive notícias — respondeu ele —. E l a a d o r a v a S h a r i f . e S h a r i f f o r a s e u mentor durante seis dos oito anos que passara na faculdade. revirando-se na cama. se é o que deseja saber. mas prometera ajudá-lo apenas por causa do irmão. mastambém não podia ser considerada bonita. Zayed. dissera Rou. deixando àvista apenas as pernas inclinadas de lado na cadeira.Rou . Ela se sentia na obrigação de ajudarZ a y e d . v e s t i d a n u m s ó b r i o c o s t u m e c i n z a . Começariam do zero.quase riu. Jesslyn. a t r á s d e u m a m e s a b a i x a . t i n h a m e d o d e Zayed. Eu o adoro e faria tudo. absolutamente tudo.E l a a s s e n t i u .— O s o l h o s d e l a e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . Z a y e d a b r i u s u a p a s t a . Como se fossecronometrado. a o c o n t r á r i o d e Z a y e d . Sharif seria encontrado e voltaria vivo.

— O f o g o t o r n o u i m p o s s í v e l u m a identificação. apesar de poder ter lhe dito o que sou.— Você vai desmaiar? — perguntou ele. ela fez perguntas e e l e r e s p o n d e u a t é q u e s e u c e l u l a r t o c o u novamente. tiradasd o s e u m a t e r i a l d e trabalho.— Estes formulários são meus — disse ela. Toda vez que ela estava perto dele seu coração acelerava eo estômago se contraía. atendeu. Zayed ignorara algumas ligações anteriores. mas achei que você exigiriauma prova concreta. Étudo uma questão de hormônios e de substâncias químicas. V o c ê s e s e n t e a s s i m p o r q u e e l e a d e i x a nervosa e com medo.. repreendeu a si mesma. e l e a i r r i t a . Ele disse algumas palavras e escutou com atenção. lendo seus pensamentos como se l e s s e u m livro.— E n c o n t r a r a m u m a v i ã o — d i s s e .— Você está muito pálida.— Você me deixou pouca coisa para fazer — protestou ela. Eles precisam de mim. As palavras eram suas. sentiu a mão de Zayed emseu braço. Zayed empalideceu.— Não. — Estou bem.Era verdade. Eu já havia feito este teste. irritada. De repente. Você vai encontrar alguém para mim. observando-o.Rou franziu as sobrancelhas. com os pais brigando aos gritos. mas. sua expressão mudou e os olhos se anuviaram. desde o casamentode Lady Pippa. Minha secretária fez cópias em branco. espantada. Aqui está o teste depersonalidade Myers-Briggs que você utiliza. ao ver o númeroque o chamava. Você nãopode permitir que ele faça isso com você novamente. quando ela ficara encantada com o charme de Zayed. Eu o preenchi. Durante àhora seguinte. mas soavam frias na boca de Zayed. V o c ê o d e s p r e z a . — Preciso voltar para Sarq. como se ela e s t i v e s s e n u m b a r c o q u e b a l a n ç a s s e . — Ela puxou o braço. n u m v ô o t u r b u l e n t o o u d e n t r o d e u m carro. Logo saberemos mais.— Nada disso. Não é a emoção que a faz sentir estas coisas. Isto me deu um pouco de trabalho. causando-lhe uma sensação de enjôo. — Rounão conseguia falar. foi Pippa.Você não está atraída por ele. Você irá comigo. Para dizer a verdade. mandando-me osformulários dela. mas recuperaram a caixa preta. Rou ficou sentada com um bloco no colo. estava lívido. Fazia anos que ela não sentiaaquela vertigem e aquela falta de ar.— Não com a sua assistente. Não é para isso que servem os formulários? Para selecionar o par? Selecionar o par repetiu Rou mentalmente. Ela ficou feliz em me ajudar.— Eu nasci pálida — ela respondeu. Ela s e aborreceu porque seu pulso acelerou de repente. — Podemos nos concentrar no trabalho?E l e s s e c o n c e n t r a r a m n a p a p e l a d a e n o perfil que ele fizera.— Não tente acobertar Jamie..— Se quer saber. Agora vem o mais importante. Você não gosta d e l e . Quando desligou. — Onde foi que osconseguiu? Projeto Revisoras17 Jessica 116. .olhou para o conhecido conjunto de formulários confidenciais.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Zayed balançou a cabeça.

Podemos terminar isto no caminho.Em vez de protestar, Rou concordou. A ideia era limitar o contato com elemantendo distância, mas, depois da última notícia, ela não poderia se recusara ajudá-lo. Noventa minutos mais tarde, estavam a bordo do jato particular deZayed . Enquanto o avião decolava, Rou pensou que voar não era seguro, que e s t a r s o z i n h a com Zayed também não era, e que, mais perigoso ainda e r a acompanhá-lo até seu país. Entretanto, viver é arriscar, e ela se lembrou dealgo que Sharif lhe dissera: "Seus pensamentos determinam seu futuro." Ele e s t a v a c e r t o , c o m o s e m p r e . E l e f o r a o primeiro a fazê-la perceber que nemsempre as emoções e s t ã o c e r t a s , e q u e a s d e s c o b e r t a s m a i s re c e n t e s d a p s i c o l o g i a r e v e l a v a m o e l o e n t r e p e n s a m e n t o s e s e n t i me n t o s . A l g u é m q u e tenha pensamentos alegres se sentirá mais alegre, se pensar que o mundo ébom, o verá como bom. Fora uma revelação para uma jovem que tivera tantosa n o s d e i n f e l i c i d a d e . R o u d e s c o b r i r a q u e s u a f e l i c i d a d e n ã o d e p e n d i a d o s outros. Ela poderia escolher ser feliz, mesmo que o mundo estivesse no maiortormento.E l a v i r o u p a r a Zayed e viu que ele a observava com olhos s o m b r i o s , torturados.— Você realmente nunca se apaixonou? — ela perguntou, surpreendendo-se com a própria pergunta.Ele levou algum tempo para responder.— Não — disse por fim. — Porém não sou insensível. Tenho laços fortescom a minha família, principalmente com Sharif.Rou se lembrou do formulário que continha os dados da família de Zayed.P a i : f al e c i d o . M ã e : a i n d a v i v a . I r m ã o m a i s v e l h o : 4 0 a n o s , casado, 4 filhos.Irmão mais novo: 33 anos, casado, esposa g r á v i d a . I r m ã s m a i s n o v a s : falecidas. A maior parte da família dele era um mistério, mas ela sabia o queacontecera com suas irmãs. Por causa delas, Sharif doara as bolsas de estudoem Cambridge.— Você era muito ligado às suas irmãs? — perguntou Rou.— Muito.Ela esperou que ele dissesse algo mais, porém ele ficou calado.— Elas morreram juntas, não foi? — insistiu ela.— Num acidente de carro, na Grécia. Tinham pouco mais de 20 anos. — Av o z n ã o m o s t r a v a e m o ç ã o , m a s R o u r e p a r o u q u e e l e c o n t r a í r a o r o s t o e crispara as mãos.— A m o r t e d e l a s d e v e t e r s i d o d i f í c i l p a r a a f a m í l i a — d i s s e e l a . E l e balançou a cabeça.— Que relevância tem este assunto?— Faz parte de você, da sua família...— N ã o e s t o u à p r o c u r a d e a m o r , D r a . T o r n e l l . E s t o u p r o c u r a n d o u m a esposa. Ela não precisará compartilhar meus segredos sombrios. Ela jamaisserá minha alma gêmea.Rou notou que o rosto dele estava impassível, mas o punho cerrado dizia ocontrário.— Você não quer encontrar sua alma gêmea?— Não. Quero apenas uma relação prática, que funcione.— N ã o h á m u i t a s m u l h e r e s q u e a c h e m a s u a i d e i a d e c a s a m e n t o aceitável.— Estou certo de que existem muitas mulheres práticas.R o u f r a n z i u a t e s t a e n a d a d i s s e , m a s e s c r e v e u à m a r g e m d e s u a s anotações: "Sim, a morte das irmãs o afetou profundamente." Ele temia o amorporque temia a perda. Ela se perguntou como seria perder três de seus quatroirmãos. Ela era filha única e não conseguia imaginar como seria ter um irmãoou irmã para amar, apesar de sempre ter desejado um.— Você desejava ser rei?— Não. Não era parte do meu plano de vida, nem das minhas ambições. —E l e hesitou. — As coisas mudam, e são como estão agora. N ã o p o s s o abandonar meu irmão. Preciso estar presente quando ele voltar...— Você acha que irão encontrá-lo vivo?— Acho.Rou sentiu uma onda de simpatia por ele. Ele devia saber que, depois de Projeto Revisoras19

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dez dias, Sharif talvez não fosse encontrado e, se fosse, não estaria vivo.— E se não estiver?— Sharif não morreu.E l a c o n c o r d o u c o m a c a b e ç a e r e c o n h e c e u q u e o s d oi s ti n h a m a l g o e m c o m u m : a m b o s s e recusavam a acreditar que Sharif estivesse morto. S ó acreditariam diante de provas irrefutáveis. Ela ficou perturbada e tentou mudarde assunto.— Gostaria de trabalhar um pouco, ou precisa de algum tempo?— Não. Preciso trabalhar.O t r a b a l h o s e m p r e f o r a u m a f o r m a de salvação para ela também, e osajudaria a atravessar aquele p e r í o d o . R o u a b r i u s u a p a s t a . A c o m i s s á r i a d e bordo perguntou se

queriam comer alguma coisa.— Apenas chá —

ela respondeu. —

Acho que não conseguiria comer agora.— Nem eu — disse ele. — Um chá e um café — ele pediu à comissária.R o u e n c o n t r o u o s p a p é i s q u e p r o c u r a v a e u m a c a n e t a , e o o b s e r v o u . Zayed era alto, musculoso e bonito, mas havia dor em seus olhos, tensão em sua boca. Ela suspirou. Ele não lhe era indiferente e jamais fora, o que era umabobagem. Ele era belo, rico e sensual. Ela era inteligente, mas insignificante. Rou conhecia as próprias forças e fraquezas. Apesar de inteligente, não era bonita. Se tivesse um corpo mais curvilíneo se sentiria mais seguras e x u a l m e n t e , m a s h e r d a r a a s i l h u e t a e s b e l t a d a

mãe e tinha os

q u a d r i s delicados e os seios pequenos. Um

homem como Zayed jamais olharia parauma mulher como ela. Homens como ele desejavam sereias voluptuosas, de cabelos brilhantes, lábios cheios e olhos provocantes. Por outro lado, era bomque Zayed a ignorasse como mulher porque ela não saberia lidar com ele deoutra forma. Ele tumultuava suas emoções e o seu autocontrole, deixando-anervosa e agitada, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Ela tentou disfarçar seu nervosismo.— F a l e - m e s o b r e s e u t i p o i d e a l d e m u l h e r . C i t e q u a t r o a d j e t i v o s q u e a descrevam.Ele pensou um pouco.— I n t e l i g e n t e , c u l t a , b e m - s u c e d i d a . C o n f i a n t e , l e a l e , d e p r e f e r ê n c i a , bonita. — Ele hesitou. — Eu disse seis.— Tudo bem. Seis está ótimo. — Claro que ele exigiria beleza. Era o que todos

os homens queriam, e Zayed Fehr tinha a fama de escoltar as mulheresmais belas do mundo. — Talvez uma modelo?— Não. Definitivamente, não uma modelo. Nem uma atriz. Nada desse tipo.— E mesmo? — ela perguntou, espantada.— O mais importante é a inteligência. Admiro mulheres cultas e bem-sucedidas, mas é preciso

Uma mulher sensível. É algo que aprecio e respeito.. mas era para isso que existia t o d o a q u e l e p r o c e s s o .. — E q u a n t o a s e n s o d e h u m o r .— Certo. As duas sempre pensamnos outros. Uma professora ou uma enfermeira?— Como a esposa de Sharif? Jesslyn era professora.— A esposa de Khalid também é muito generosa. Ele a estava levando na direçãooposta daquela que ela teria seguido sozinha.Rou escondeu sua surpresa.que ela seja generosa. s e n s o d e a v e n t u r a ? Reservada ou comunicativa? Você gosta de dar festas? Ela deverá ser uma boaanfitriã? Precisa falar bem em público? Espera que ela seja um exemplo em Projeto Revisoras20 . — Rou fez algumas anotações. Talvez uma professora ou uma enfermeira.

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— Podeparecer estranho.— Firme? — Intelectual e emocionalmente.— Desconfio que você não come o suficiente. e .O olhar de Zayed ficou sombrio ao ouvir o nome do irmão. voltará a Sarq ereassumirá o governo. e m Cambridge.— Não. Ela viu que Zayed a observava com interesse. Ela me ajudou a pagar meus estudos.— Minha mãe era magra — interrompeu ela. percebendo que o conhecia m e n o s d o q u e acreditava. herdei ometabolismo dela em vez do lindo rosto. quando podia. franzindo a testa. Você é tão magra. apoiando meus projetos. e l e p r e c i s a v a d e m i m t a n t o q u a n t o e u precisava dele. Ele será encontrado.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter matéria de moda. Nunca foi.— Se é nisso que acredita.. ela precisa ser firme.— I s s o n ã o s i g n i f i c a q u e e l e n ã o s e n t i s s e a d o r e a p e r d a ..— Você não está falando do meu irmão. Ah. Ele sempre soube oque se esperava dele e cumpriu sem reclamar. Só depois de acabar o mestrado e o doutorado é que percebi que ele me ajudara por causa de suas irmãs. Interessante m a s intrigante.— Algo de errado?— Não.. a b r i n d o portas. — Ela percebeu que ele a olhava com ceticismo. o c a f é e u m a b a n d e j a c o m f ru t a s . Ele é o rochedo da família. Seu irmão é um homem poderoso e muito rico.— Sharif dizia a mesma coisa. e q u e n ã o tivesse dúvidas ou preocupações. mas Zayed não a imitou. A b e l e z a estava no sexto lugar da lista.. — Infelizmente.Jessica 116. b i s c o i t o s e q u e i j o . mas tambémé m u i t o b o n d o s o . R o u p e g o u uma uva e um pequeno cubo de queijo e sel e m b r o u d e q u e não ingerira nada desde a noite anterior. Eladeve defender suas idéias diante de mim e minha família.— Sharif não é vulnerável. Invencível. Ele acabara de descrever uma mulher bemdiferente da que ela escolheria para ele. Embora Sarq seja mais moderno que alguns países vizinhos. A inteligência estava no primeiro. É bom vê-la comendo. por que se dar ao trabalho de procurar uma Projeto Revisoras21 .— Desde que nasceu ele foi preparado para governar. — Ela sorriu ao fazer a piada.— Sharif não precisa de ninguém.Rou segurou a caneta no ar. d e c e r t a f o r m a .— É por isso que é tão devotada a Sharif? Ela corou.. ela pensou.— Você acha? — perguntou Rou. Um pouquinho de comida a s u s t e n t a r i a p o r l o n g o tempo. Sharif se tornou um amigo e um mentor durante os meus anos emCambridge . minha garganta se fecha e só consigo tomar chá.— De que maneira ele a ajudou?— C o m seus conselhos e sabedoria.— E você não quer vê-lo como um homem vulnerável.. a não ser umcafezinho pela manhã. o u d e u m a b e l e z a e s t o n t e a n t e q u e p u d e s s e e x i b i r . é umreino do Oriente Médio bem diferente de nossos amigos do Ocidente.Rou o observou com curiosidade.— Você conhecia bem meu irmão?— A c h o q u e v o c ê s a b e q u e g a n h e i a b o l s a d e e s t u d o s F e h r . Quandofico nervosa ou ansiosa. que seja criativa?— Depende da mulher. que costuma ser assustadora. Imaginara que ele quisesse alguém b o n i t a e t o l a .A c o m i s s á r i a v o l t o u t r a z e n d o o c h á . mas tenho um estômago sensível. Não quero uma mulher subserviente.

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— Depois da cerimônia? — Ela o olhou severamente. — Uma últimapergunta delicada. .Jessica 116. exausta.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter esposa e casar? Por que não esperar que ele volte?— Não posso — ele disse frustrado. amadas e respeitadas. o que aconteceria se uma mulher. Isto éalgo que Sharif tem tentado mudar. você tem alguém que se sujeite a um curton o i v a d o . será que elenão percebia? Mulheres maravilhosas. Só uma m u l h e r d e s e s p e r a d a . acharia a vida de rainha do deserto atraente. . casar às pressas e ficar em Sarq durante os próximos 20 e tantos anos. N e n h u m a m u l h e r q u e c o n h e c i a e representava iria querer viajar de repente. Projeto Revisoras22 . Preciso de uma esposa e desejo que ocasamento dê certo. Pretende ficar ali permanentemente. m a s e s t á f a l a n d o d e u m c a s a m e n t o d e conveniência. inteligentes.— Vou respeitar e honrar minha mulher — ele disse. Preciso assumir o trono. Se quer uma mulher que se case com vocêpara que possa assumir o trono é uma coisa. provas. mas não posso ser solteiro. Elas não se casam por dever. Alguém que contribua com o meu povo. — As mulheres ocidentais não aceitarão. uma vez que viemos de culturas diferentes. É preciso tempo para cortejar.. Q u e poderia aceitar a ideia de um casamento arranjado — e l a continuou. É para isso que existe o namoro. Ficarão isolados.— Por que não?— V o c ê c o n h e c e a r e s p o s t a .— É p r e c i s o t e m p o p a r a q u e e l a a c r e d i t e n i s s o . se sua esposa. mas Sarq fica no meio do nada. Ainda. claro. — A lei de Sarq exige a presença do rei.— Eu o farei depois da cerimônia. Elas se casam porque são desejadas. H á a n o s q u e v o c ê s a i c o m m u l h e r e s ocidentais. Para a maioria das mulheres seria umaperspectiva terrível.. devo morar junto do meu povo. a s s i m c o m o a t i t u d e s . se for assim. ignorando-o. é melhor escolher uma mulher da sua própria cultura. Seria impossível. Preciso saber q u a i s s ã o o s d i r e i t o s p ol í t i c o s e s o c i a i s d a s m u l h e r e s . e. bem-sucedidas. mas não fez comentários. ou porque o noivo tem a obrigação decasar.— As duas serão a mesma pessoa.. e você não tem. Faça com que ela saiba que terá este tempo.— Não.?R o u s a b i a q u e a r e s p o s t a e r a n ã o .— Então.— ..S e i q u e n ã o é o q u e q u e r o u v i r . franzindo a testa. mas se deseja uma mulher que seja sua companheira é diferente. q u e a c e i t e u m c a s a m e n t o d e c o n v e n i ê n c i a e q u e s e b e n e f i c i e d a minha posição e riqueza. enterrando-se no deserto..— Desculpe.Rou cobriu os olhos com as mãos. Rounotou que ele não dissera "amar". ou pretende morar na sua casa em Monte Cario?— Como rei.— Irá morar comigo. confiantese fortes não correm para o Oriente Médio e se c a s a m c o m u m s h e i k . Com certeza. não cumprissea lei?— Eu a protegeria.— E sua esposa? Ele a olhou como se ela estivesse louca. uma de suas prioridades. sheik Fehr. q u e n ã o t i v e s s e escolha.— Devo ser franca. A s mu l h e r e s t ê m o s mesmo direitos que os homens em Sarq? Existem leis que as protejam?—As mulheres não têm os mesmos direitos que os homens. o que ela pode esperar. para que o homem mostre à mulhercomo será tratada ..

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sorrindo. e simamaldiçoada. mas era evidente que o ofendera e queria se desculpar. m a s a s p e r g u n t a s d e Rou. o f a t o d e e s t a r d e s t i n a d o à g r a n d e z a e a o sucesso. Ele não era comoo resto da família. Só que não havia prazer quando se era amaldiçoado. masseria suficiente? Se eles não se amassem. ansiosa. quase com violência. crianças felizes..— Vamos aterrissar dentro de 50 minutos — ela disse.— Não é isso. assustada com a cólera em sua voz. o n d e havia uma cabine que era um quarto confortável.. Este assunto está encerrado. e se voltara paraos prazeres do mundo. Ela jamais entenderia. e l e sempre fora o favorito do pai e nunca se perguntara por que. ansiosa.Rou olhou para ele em silêncio. — Posso Projeto Revisoras23 . p rí n c i p e s á r a b e s . talvez o casamento escapasse da desgraça. Ninguém jamais compreendera. Porém estivera enganado. f i l h o s a m a d o s do deserto. Raramenteperdia o controle e se odiou por tê-lo perdido agora. a b a n d o n a r a o d e s e r t o e a família. apenas aceitara.— E acha que não quero? — ele interrompeu. Ele não sabia. Era óbvio que o destino o favorecera e que ele viveria uma vida aben-çoada. Só quero o que seja melhor para sua futuraesposa. — Ele se levantou e desapareceun o f u n d o d o a v i ã o .. Apesar de não ser o mais v e l h o . — Conseguiria de fato?— Duvida da minha palavra?— Não duvido da sua palavra. o povo que poderia sofrer por causa de sua maldição. Tinham muito a fazer e a tensão não ajudaria. Não sabia o que dissera paraaborrecer Zayed — algo sobre proteger a esposa —. Ele conseguiria proteger sua esposa? Tentaria com todas as suas forças.A comissária de bordo apareceu depois de 15 minutos e trouxe mais chá.Zayed sentou na beirada da cama e afundou o rosto nas mãos. mas era o que esperava.a s s i m c o m o a c e i t a r a s u a s o r t e . era diferente. p o r t a n t o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você o faria? — Rou se inclinou para ele. amaldiçoado. Houve um tempo em que ele e oi r m ã o e r a m i g u a i s : e d u c a d o s d a m e s m a m a n e i r a .Jessica 116. Ele f o r a a m a l d i ç o a d o e . Capítulo Quatro Rou OLHOU a porta fechada da cabine.— Ótimo. Mais15 minutos e ela voltou para retirar a bandeja. Sua vida não fora abençoada..

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Z a y e d s e vi r o u p a r a a j a n e l a e e l a f e z o m e s m o .— Desculpe — ela disse. Certo. —A segurança deverá checar todas as bagagens antes de entrar no palácio. rude.r e s p o n d e u u m a voz dentro dela.— Esta é Isi — ele disse. constrangida.— Na verdade está mais fresco do que há algumas semanas. ele apareceu e sentoudiante dela com uma expressão impenetrável. Ela disse a si mesma que deveria ficar contente. A maioria dos edifícios parecia nova. — A capital de Sarq.— Está bem. ele indicou a valise que ela carregava. mas não havia comof u g i r . Rou tinha a sensação de estar sentada muito perto de Zayed.— Alguém levará esta mala para você. entregando a valise para um dos guardas. E l e e r a g r a n d e . mas a temperatura beirava os 33° e sua roupa cinza de lã a sufocava.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter servir mais alguma coisa?Rou agradeceu e abanou a cabeça. Estavam em final de outubro. l o n g a s p e r n a s e p a r e c i a ocuparmuito espaço. As ruas eram cercadasp o r p a l m e i r a s e e n f e i t a d a s p o r f o n te s . Quando ela pensava que Zayed não voltaria mais e o piloto já anunciara que iriam aterrissar. ela deu um suspirode medo e ficou tonta.— Costumo ser muito franca.pensou. o coração de Rou se apertou.A ida para o palácio no carro blindado foi feita em pesado silêncio. ti n h a o m b r o s l a r g o s . mordendo o lábio. m a i s s e u coração acelerava. em parte. Preciso deles. Rou nãoficou sossegada.G r a t a p e l a d i s t r a ç ã o .— Está quente — ela murmurou. Ridículo! Ele é superficial.— Prefiro a honestidade. Não sefalaram mais até o avião aterrissar no a e r o p o r t o d a F o r ç a A é r e a d e S a r q . O calor subia em ondas dapista de pouso.Jessica 116. depois do acidente de Sharif.— Faço um monte de perguntas. H a v i a m u i t a s m u l h e r e s v e s t i d a s à m a n e i r a o c i d e n t a l . R o u perdeu o fôlego ao descer do avião no fim da tarde. Fora uma péssima ideia vir com ele. Rou deu um suspiro pesado. Ele ainda estavadistante. R o u o l h o u p e l a j a n e l a e a p r e c i o u a c i d a d e q u e cintilava sob o sol. Ela pegou-lhe a mão e desceu as escadas com dificuldade. U m f o r t e e s q u e m a d e p r o t e ç ã o o s a g u a r d a v a n o s o l o . o avião fora escoltadopor naves militares por questão de segurança: o país não poderia perder dois r e i s e m 1 5 d i a s . Por que eu gostaria dele? Porém. Rou olhoupara a mão que ele lhe estendia e depois para o rosto dele. Quando pisaram no solo. mas ainda não se sentia apaziguada. quando Zayed se virou para ela e a fitou com os olhos dourados.. Seria conveniente e necessário se manter a distância. que n ã o d e v e r i a e n c o r a j a r q u a l q u e r c l i m a d e i n t i m i d a d e e n t r e o s d o i s . mas que..— São os meus arquivos e o meu notebook. sem graça eentorpecida? Porque. introspectivo. A c a r a v a n a d e l i mu s i n e s M e r c e d e s e n t r o u n u m a l o n g a alameda cercada por muros cobertos de buganvílias e refrescada pela sombra . m a s preocupava-se com ele mesmo sem querer.— Você não fez nada de errado — respondeu ele sem entonação. indicando a cidade. você gosta dele e quer que ele goste de você. Por que ela ficava daquele jeito perto dele? Por que não o tratava como um homem qualquer? Por que se sentia desajeitada. Quanto mais consciente ficava da p r e s e n ç a d e l e .— É o seu trabalho. egoísta efalso. Zayed explicou que a famíliaFehr não costumava utilizar aquele aeroporto porque tinha uma pista de pouso particular. Vou recebê-la de volta assim que for possível?— Prometo — disse ele.

Projeto Revisoras24 .

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Acho que vou trabalhar. — É incrível — . O sorriso remetia ao menino que elefora e que.Parecia algo das Mil e Uma Noites. ela retirou a mão. — Ele v i u a e xp r e s s ã o d e R o u e e s c l a r e c e u : — N ã o s e p r e o c u p e .— Este é o meu lar — admitiu ele. No centro da sala havia u m a mesa com um jarro de rosas perfumadas. cumprimentando o recém-chegado. e R o u . E r a e s p e t a c u l a r . Projeto Revisoras25 .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter das palmeiras. mas quando ele olhou para sua mão.— Uma das suítes da família foi preparada para você. É muito gentil. N a d a d i s s o . Arranje-me uma mesa enquanto espero pelocomputador. esperando-a. — Foi aqui que você cresceu?Ele sorriu pela primeira vez desde que recebera o telefonema em Viena. voltando-se para Zayed. ela suspeitava. Rou vislumbrouuma construção cor-de-rosa encimada por domos e torres. Corredores cercados por colunas e decorados c o m p r e c i o s a s e s t á t u a s s e e s te n d i a m e m t o d a s a s d i r e ç õ e s . Provavelmente não se deveria tocar na família real.— N ã o .O q u a r t o e m q u e R o u f o i i n s t a l a d a n ã o e r a a p e n a s u m a s u í te . O s o l poente entrava pelas portas de vidro da sala de estarrebaixada e se refletia nas almofadas do sofá. apenas do meu computador. q u e conhecera muitos palácios.Rou sentiu uma estranha vontade de protegê-lo. muito espaço e acesso para um pequeno jardim. — Meu nome éManar.Um dos homens vestido de branco deu um passo à frente. Rou esperava que Zayeds e j u n t a s s e a s e u s h o m e n s . Estou aqui para servi-la durante a sua estada. ealgo fez o coração de Rou se confranger. É isto que você quer dizer? — O sorriso havia desaparecido. Rou viu que em seu rosto haviaum misto de orgulho e de tristeza. Embaraçada e constrangida.— Seja bem-vinda — ela disse.— Ótimo. n ã o c o s t u m a s e r usada e tem boa claridade. inclinando-se timidamente. apontando-lhe uma mesa num canto quedava para o jardim. O carro aguardou enquanto um alto portão de ferro e madeira abria lentamente.— Preciso trabalhar. As paredes internas eram brancas e o teto formava um mosaico azule dourado. E l a .Rou se deu conta de que cometera uma gafe. sevocê precisar de ar fresco.— Você é um príncipe. m a s u m apartamento com cômodos em diferentes níveis. Enquanto percorriam um caminho cercado.— Ele está aqui — disse Manar. Os dois caminharam em meio ao silêncio e entraram na fresca mansão. A entrada formadapor lindas colunas e por um domo dourado logo se encheu de homens vestidoscom túnicas brancas que se curvavam. raramente se deixava entrever. Uma mulher estava parada sob um dos arcos. p o r é m . Umsegurança abriu a porta do carro para que ele saísse.Zayed se virou para um de seus homens. milady — ele disse. — E l a p ô s a m ã o n o b r a ç o d e l e i mp u l s i v a m e n t e . Manar. disse ela sem fôlego. falou num idioma que ela não conhecia e se voltou para ela. não é?— Ninguém diria pela maneira como me comporto. m a i s u m a v e z e l e s e v o l t o u p a r a e l a . e olhou para a mansão. surpresa por Zayed não ter entendido. mas não preciso de nada. inclinando-se.Jessica 116.— O palácio — disse Zayed em voz rouca.— Queira me acompanhar. jamais vira algum tão lindo e exótico como aquele.— Obrigada. separados por degraus de p e d r a e a r c o s .

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lógica e razão são as bases de toda teoria científica. Parecia-lhe errado ajudar Zayed a encontraruma esposa daquela maneira. Ainda sentia algo por ele. Ela estremeceu de dor. — ela sussurrou. Digite logo o resto doperfil. pesquisa.s e u s d e d o s n ã o o b e d e c i a m . Ela demorara mais do que o normal. tola Rou.Rou ficou irritada com sua obsessão por Zayed. — Rou se preparou para digitar as informações que colhera. prova.. mas agora o computador cruzaria os dados e lhe diria que candidatascombinavam com Zayed Fehr.Rou olhou para ele num horror silencioso.. — Sinto muito — disse ele roucamente. Seriamelhor trabalhar o mais depressa possível. sentia-se sufocada por sentimentos intensos eperturbadores e a culpa era de Zayed Fehr.— Era o avião de Sharif — ele disse em voz baixa e rouca. l e v a n t a n d o . O resultado lhe mostrou 30 combinações. Ela começou a ler os perfis das candidatas..a restos mortais. Faça o que foi contratada para fazer.. Ele sentia muito? Ele se desculpava com ela? Rou corou entristecida.não por seus instintos. Porém. mas seus dedos não obedeciam e ela não conseguia passar os dadosdos formulários para o notebook.Rou viu que Manar aguardava uma resposta e resolveu dispensá-la. Seu instinto lhe dizia que ele precisava se casarpor amor. Estava ali para trabalhar. Ela fechou os olhos. — Os corpos estão carbonizados. Tola. quando Manar apareceu. Pode recebê-lo agora?— C l a r o — d i s s e R o u . hesitante..Jessica 116.. quase irreconhecíveis.. Tudo se resumira aos destroços. D e r e p e n t e .. — Será preciso fazer testes. Entretanto. que ele era um homem com sentimentos maisprofundos do que demonstrava. mas não teve tempo porque Zayed logo entrou na sala. E l a p e n s o u e m s e p e n t e a r e l a v a r o rosto. Entretanto. ele a contratara por suas habilidades.. Intelectualmente esperta eemocionalmente estúpida. para poder ir embora. clarear a cabeça e ser objetiva: t e o r i a . ele acabaria com a pequena porção t e r n a e sensível de seu coração. Ela a p e n a s precisava se concentrar.— Sinto muito — soluçou.. mas ela não sabia o que poderia ser. e v i u o b e l o r o s t o t o r t u r a d o d e Z a y e d . — Posso imprimir os perfis e você poderá lê-los agora ou quando tiver tempo. queria que ele gostasse dela.— Preciso fazer o que é .S e e l a não tomasse cuidado. não por conveniência.— Ele parou de repente. — Sinto muito por todos vocês. H a v i a a l g o m a i s q u e o preocupava algo que o consumia.— Já selecionei as primeiras candidatas — disse Rou nervosamente. — R o u m o r d e u o l á b i o p a r a i m p e d i r q u e a s l á g r i m a s escorressem de seus olhos.— Não.. O corpo de Sharif.Por que estava tão perturbada e se comportava de maneira tão incomum? Elajamais se deixara guiar pelas emoções porque elas são o principal inimigo daciência. Pediram as f i c h a s dentárias.— Sua alteza deseja vê-la.— F o r a d e s i .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Não deseja tomar banho ou trocar de roupa? — perguntou M a n a r ..— Parece que não há sobreviventes. obrigada. a c a b e ç a n ã o f u n c i o n a v a . e pela primeira vez havia um desespero real em s u a v o z e em seu rosto.. Rou sentou-se devagar.— A esposa dele.f r u s t r a d a . Pensamento. Se pelo menos houvesse tempo..— Não.Anoitecia quando Rou terminou sua tarefa. ela disse a si mesma. e l a p e r c e b e u o q u e d e v e r i a f a z e r : encontrar um par para ele e sair dali rapidamente porque Zayed era um perigo.

a o e n t r a r na claridade. Rou percebeu que ele vestia uma túnica Projeto Revisoras26 . — Ele caminhou a t é e l a e . Farei o que é necessário.certo.

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter branca . de transtorno. com um olhar penetrante. lembrou-se de um milionário americano que recusara60 candidatas antes de se encantar com a 61ª. — Querovê-los. assim comoa família de Sharif. Ele se casara com ela e os doistinham três filhos. S h a r i f c r i o u u m j a r d i m e m homenagem a elas e.— Sua impressora chegou — disse Manar em voz baixa.R o u sustentou o olhar de Zayed. Eles se sacrificam pelo bem de seu país. d e o l h o s v a z i o s . E preciso fazer a transição do modo mais s e r e n o possível. O país inteiro estaria de luto. s u a v o z e s t a v a embargada:— Pensei que ele sobreviveria. p o r v i a d a s d ú v i d a s . Por um momento. ele plantou doze roseiraspessoalmente. — Encontro-ano jantar e conversaremos. Q u a n d o f a l o u .l o . A coroação será dentro de 48 horas.— Não quer examiná-los agora?— P r e c i s o f a l a r c o m K h a l i d .. o n d e o s m a l a r e s s e salientavam. podemos conversar mais tarde.— Como se espera que você se case e se torne rei apenas dois dias após saber que seu irmão está morto?— Reis não são homens comuns.. — Ainda segurando à rosa. Sarq. mas parou. T e n h o u m a r e u n i ã o d e e m e r g ê n c i a c o m o ministério. até que viu Manar entrar. Era u m momento de tragédia.. Ela ficou sentada por muito tempo. D e p o i s . — Ele respirou fundo.b a r b e a d o . m a i s d e z . D e v o s e r v i r m e u país..— A p ri n c í p i o m e a g a r r e i à e s p e r a n ç a . — Tenho o dever de honrar meu irmão.— Claro. apenas para se ocupar..— Está bem.. com tanta coisa com se preocupar. Ela nunca o vira com a veste tradicional de Sarq. É necessário que haja uma cerimônia. Rou nada tinha a fazer até a hora do jantar. Zayed. Seus pensamentos eemoções se misturavam: Sharif.. com um olhar atormentado.Zayed saiu. Eu. É o mínimo que posso fazer. — Ele se calou. S e v o c ê p u d e r i m p r i m i r o s p e r f i s .Jessica 116..— Ele pegou um botão de rosa do vaso no meio da sala. — Ele olhou para Rou. Rou ficou de lado enquanto uma equipe montava um escritório completo para ela. Enquanto montavauma pasta com os perfis.. Traga os perfis. Zayed também esqueceria. Rou esquecera aimpressora e achava que. Ela Projeto Revisoras27 . — Tão rápido?— V o c ê p o d e m e e n c o n t r a r u m a r a i n h a e m 4 8 h o r a s ? P r e c i s o c a s a r .? Ele abanou a cabeça.— V o u l h e m a n d a r u m a i mp r e s s o r a . Rou ficou paralisada. com dificuldade. sem sentir.. quando as rosas chegaram. ela imprimiu as fichasd a s p r i m e i r a s d e z c a n d i d a t a s . E l a trabalhava sem pensar. A g o r a n ã o p r e t e n d o f a z ê . uma mesa epapel para impressão. ele se virou para sair. — Estas rosas foram p l a n t a d a s d e p o i s q u e m i n h a s i r m ã s m o r r e r a m .. A imprensa.— Você é tão teimosa quanto eu — disse ele. Não parecia hora de celebrar. Mas ele lembrara e também mandara uma copiadora. — Não temos muito tempo.R o u o l h o u p a r a o r o s t o m o r e n o r e c é m .A o a c a b a r s u a tarefa. Eu tinha certeza de que ele estava vivo. A desilusão é muito grande. encontro com você depois. Quando tudo ficou pronto.— Talvez esteja — disse Rou. engolindo o nó na garganta.— Até que se tenha prova. a qualquer momentoZ a y e d f i c o u c a l a d o ..

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— Ótimo.Ele olhou para um deles.— N ã o a d m i r a q u e s e j a m t ã o l i n d o s — d i s s e e l a despreocupadamente. — Escolha as três melhores deste grupo.— Não posso fazer isso. u m i n s t r u m e n t o ú t i l . Ele não notava o que ela vestia. Eu estava admirando os painéis. Ele examinou os formulários em silêncio. — Ela entregou a primeira pasta a Zayed. te n h o t r i n t a c a n d i d a t a s .— Por favor. Ele a olhou com um ar aborrecido. Apenas alguns minutos.Você não gosta do que eu gosto. mas não estava. São marroquinos e datam do século XVI. mas Zayed nãose importaria. Queria que ele gostasse dela. n o f u n d o .— Isto é algo que você não sabe. Manar saiu e Rou vagou pela sala. Ela já vira quase todos quando percebeu que Zayed a observava.— Nada.— Mostre-me o que conseguiu.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dormiu um pouco. Trouxera apenas uma pequena mala e não tinha muita opção.para disfarçar o nervosismo.Jessica 116.Não gostava do que fazia: era absurdo. preparando-se para lhe dar a segunda pasta. e mb o r a .— Você quer que eu escolha?— Três mulheres que seriam perfeitas para mim. o cabelo dele brilhava como ônix e sua pele parecia dourada. A me s a b a i x a estava cercada por grandes almofadas e as paredes eram cobertas por painéisentalhados. onde zombava Projeto Revisoras28 . Não temos os mesmos valores e gosto. o teto formava uma abóbada azul-escura incrustadad e dourado.A luz das velas.Rou se lembrou do e-mail que Zayed mandara para Sharif. o que era ridículo. Orgulhava-se de ser uma mulhers e n s a t a e p r á t i c a .Manar apareceu pontualmente às 9h e pediu que Rou a acompanhasse. apreciando os p a i n é i s q u e reproduziam flores e pássaros. tomou um longo banho e vestiu o costume cinza de novo. Vejo que existem algumas possibilidades. — Eu não sou você. Quem você escolheria para mim?As mãos de Rou tremiam quando pegou a pasta. m a s t r o u x e v i n te p e r f i s separados em dois grupos de dez. — Lindas m u l h e r e s d e v e m e s t a r c e r c a d a s d e coisas bonitas.— Nada? — perguntou. — A o t o d o . dê-me a sua opinião de especialista — pediu ele. d e s e j a s s e q u e p e l o m e n o s u m a v e z alguém a achasse bonita.impossível.— Você esperou muito tempo?— Não. abrindo o portfólio. Para ele. mas desejava que ele não gostasse denenhuma daquelas mulheres.Rou sentou numa almofada de seda e corou quando a saia subiu até as coxas.— Não ouvi você chegar. N ã o costumava se pintar e raramente usava jóias. — Seu coração batia acelerado. parado na porta.— Também gosto dos painéis. Rou pegou as pastas com os formulários e a seguiu através dos corredores atée n t r a r e m n u m a p e q u e n a s a l a d e j a n t a r i l u mi n a d a p o r v e l a s . devolvendoa pasta. te n t a n d o p a r e c e r p r o f i s s i o n a l .Acima do candelabro. Ela tentou esconder as pernas. Eram usados como divisórias nos haréns.Zayed sentou numa das almofadas diante da mesa e acenou para que elase sentasse ao seu lado.— E s t a s s ã o a s p r i me i r a s d e z c a n d i d a t a s — d i s s e . — Ele entrou na sala com sua discreta elegância. — Ela tentou parecer contente e entusiasmada. R o u s e c o u o s c a b e l o s e f e z u m c o q u e . Rou era apenas um o b j e t o .

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Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dela, chamava-a de maçante.— A h , m a s e u s e i — r e s p o n d e u e l a . A d o r a r a a c o m p a n h i a d e l e , e e l e simplesmente ficara entediado. Zayed suspirou frustrado.— Não estou à procura de uma relação amorosa, apenas de compatibilidade.— Ótimo. — Ela corou, folheou a pasta e escolheu Jeanette Gardnier, umalinda canadense, professora de Direito; Sarah 0'Leary, uma jornalista ruiva deDublin; Giselle Sanchez, uma loura proprietária de um banco em Buenos Aires.— Eis aqui três mulheres brilhantes, independentes e bem-sucedidas. Elas sãoo máximo. Todas muito bonitas.Zayed não pegou os formulários, apenas a fitou fixamente.— Por que estas mulheres?Rou odiou que seus olhos queimassem e a garganta se fechasse. Odiava aquela viagem que tumultuara suas emoções.— Elas correspondem ao que você pediu.— Você está aborrecida — ele disse, levantando uma sobrancelha.— Não estou aborrecida.— Então, por que não me olha de frente?— Não preciso olhar para você.— Você está quase chorando — ele disse surpreso.— Por favor. — Rou virou a cabeça para o outro lado, mordeu o lábio e ses e n ti u t r a í d a p o r s u a s e m o ç õ e s e p o r s u a f r a q u e z a . E l a e r a u m a c i e n t i s t a . Esperava-se que fosse objetiva e dedicada ao seu ofício. Zayed se inclinou e passou o dedo debaixo do olho dela, colhendo uma lágrima.— Você está chorando.— Não estou. — Rou sentia o coração apertado e a pressão das lágrimas que tentava conter. Ela não deveria ter vindo não deveria ter concordado comaquela proposta absurda. Nenhum homem a atingia, exceto Zayed Fehr. Ele lhe mostrou o dedo úmido.— Então, o que é isto?— É uma lágrima.— Por quê?— Por quê? — ela perguntou em voz aguda. — Porque estou triste. Eu souuma mulher, tenho sentimentos. Você pode achar que sou um museu ou umrobô, mas não sou e nunca fui. — Ela sacudiu a cabeça, descontrolada. Comopoderia trabalhar daquela maneira? Como poderia pensar? Ela só podia seruma cientista racional, fria e lógica se estivesse num ambiente que possuísse e s t a s c a r a c t e r í s t i c a s , m a s n ã o e s t a v a . Desde que Zayed aparecera em seuh o t e l e m V a n c o u v e r , e l a s e s e n t i a e m p u r r a d a e p u x a d a , d e s p e d a ç a d a e estressada. Era loucura, e ela nunca se sentira tão estúpida.— Eu nunca disse nada que sugerisse que você é um robô.— Não. Você só acha que sou como um museu: maçante, maçante! — Aspalavras caíram no silêncio. Zayed fechou os olhos e falou, depois de algum tempo:— Você sabia?Rou corou arrependida por ter explodido.— Sharif não pretendia que eu descobrisse. Eu preferia não saber.— É por isso que você me odeia tanto.— Acho que você pensou que estava sendo engraçado, mas issomagoou...Ele a interrompeu, beijando-a. Rou enrijeceu o corpo, espantada, e tentoue mp u r r á - l o p e l o s o m b r o s , m a s o c o r p o d e l e e s t a v a m o r n o e firme sob suas Projeto Revisoras29

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter mãos . Ela sentiu as batidas do coração de Zayed e o perfume de sua pele. Asmãos que antes o empurravam se agarraram à roupa dele. O beijo de Zayed fora gentil até aquele momento, mas, sentindo que ela cedia, ele a beijou commais ardor, tirando-lhe o fôlego.Rou já fora beijada, mas nunca daquela maneira, não com tamanho ardorou ânsia, desejo ou raiva. Sua cabeça começou a girar e ela perdeu o senso: abriu os lábios e ele explorou sua boca lentamente com a língua, saboreando-ae enviando ondas de entorpecente calor através de seu corpo. Aquilo tinha deparar, ela pensou, atordoada, ela precisava detê-lo, mas seu corpo se recusavaa obedecer. Sentia sensações maravilhosas e estranhas demais, a começarpelas pernas bambas e pelo langor dos músculos. Seu coração parecia bater mais devagar, seguindo o ritmo dos arrepios que lhe percorriam a espinha e oventre, deixando-a enlouquecida e dolorosamente consciente do quantoestivera vazia.A c h e g a d a d o m o r d o m o d o p a l á c i o o s interrompeu. Rou não o ouvirac h e g a r , m a s Z a y e d s i m , e e l e t e r m i n o u o b e i j o e s e a f a s t o u c o m i n c r í v e l rapidez. Enquanto o mordomo falava com Zayed em voz baixa, Rou oscilou emc i m a d a almofada, sem conseguir se controlar. Ela ouviu Zayed fazer u m a pergunta, mas não entendeu a conversa. Quando o mordomo saiu, Zayed se virou para ela.— Preciso ir — disse ele abruptamente. Rou se esforçou para fitá-lo.— Tudo bem.Zayed se inclinou para ela, tocou-lhe o rosto e franziu a testa.— Minha mãe teve um colapso. Foi levada para o hospital. Rou pestanejou,voltando ao normal pouco a pouco, exceto pelo coração que batiarapidamente.— Ela vai ficar bem?— Tenho certeza de que sim. Foi apenas o choque ao receber a notícia sobre o avião de Sharif.— Claro. — Ela esperou que ele saísse, mas Zayed não se

mexeu.

Ficousentado, pensativo, olhando o rosto corado de Rou e

escolhendo as palavras com cuidado.— Aquele e-mail... O que escrevi... Não se dirigia a você.— Eu sei. — Ela sabia, mas não significava que magoasse menos.— Não tive a intenção de magoá-la.Rou sentiu uma dor no peito. Não queria as desculpas de Zayed, queria apenas que as coisas fossem diferentes: queria ser mais bonita, mais animadae a t r a e n t e . Ela tentou falar, mas não conseguiu. Gostara dele, pensara s e r retribuída, tivera fantasias românticas e absurdas, mas já haviam se passadotrês anos. Era muito tempo, não importava mais.— Isso é passado, já esqueci.— Acho que precisamos conversar sobre esse assunto, mas não agora...— Não quero falar sobre isso, você deve ir. Sua mãe precisa de você etenho muito trabalho a fazer. — Rou se levantou da almofada, sentindo-sedesajeitada. — Vou voltar para o meu quarto e entrar em contato com as três candidatas que selecionei. Vou marcar um encontro com cada uma.Ele levantou com agilidade, elegância e imponência.— Irei vê-la assim que voltar do hospital.— Não é necessário. Você tem muitas preocupações e tenho trabalho a fazer. Não estou aqui a passeio.— V o u p e d i r q u e m a n d e m o j a n t a r p a r a s e u q u a r t o . — E l e n ã o p a r e c i a contente. Projeto Revisoras30

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experimentava cada vício enada o satisfazia. Se pelo menos conseguisse quebrar amaldição. a estranha sensação. voltara a Sarq e ocuparia o lugar do irmão.Zayed fechou os olhos. A sensação não era novidade. Zayed se recostou no banco. Apenas vá. c o m o a c e r i m ô n i a d e coroação. horas rápidas.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Sou a última pessoa com quem você deve se preocupar. Emgeral. salvar o que restara de sua família. Ele convivia com a desonra: provocara a própria maldição devido a seus atos. nãoteria descoberto que a imagem de cientista fria era apenas uma máscara. Não pretendera ofendê. Rou o observou ir embora. Sua mãe estava bem e seu colapso fora causado por necessidade de atenção. Zayed Projeto Revisoras31 . Aloura e esbelta Dra. Tentaria reparar seus erros. explosivo. O beijo osurpreendera. Sharif esuas causas perdidas. Rou. e ele gostara de beijá-la. amantes passageiras. envergonhado.. Ela pegou suas anotações e voltou para o quarto. Capítulo Cinco E NQUANTO A limusine se afastava do hospital. mas falhara.Jessica 116. em seus lábios e o sangueque parecia ferver em suas veias... Deus não o deixara morrer e não o deixaria viver. Precisava ver Rou.. não quisera beijá-la. Zayed sabia que provavelmente fora sarcástico ougrosseiro. O que o levara a beijar Rou Tornell? Ele não a achavaparticularmente atraente. mas aquele beijo. a limusineatravessou o portão do palácio.A g o r a e l e p o d e r i a s e d e d i c a r a o u t r o s p r o b l e m a s .la. N a d a d o q u e e l e i m a g i n a r a .Ele lhe dissera que iria vê-la quando voltasse. Se não a houvesse beijado.tentando esquecer o beijo. Suavida era uma série de prazeres cansativos — carros velozes. Ela sabia sobre o e-mail para Sharif depoisdo casamento de Pippa. Ele se encolheu na penumbra do carro. a esposa que precisava encontrar — a mãe declarara que poderia lhe arranjar uma esposa para o dia seguinte.Zayed olhou para ela por algum tempo e saiu.. Tornell era uma mulher. se necessário —. apesar de não se lembrardas palavras que usara. Fora quente. e a Rou. Dez minutos depois. m a s e l a também não era como imaginara. Queria apenas cavar um buraco entre Sharif e sua estranha protegida. Agora. Ele satisfazia cada capricho. se pudesse. a culpa era insuportável e ele tentara se autodestruir durante os últimos15 anos.. Zayed se agitou no assento. Sabia que ele a rejeitara e.

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— Não é uma máscara. tão diferente do que ele pensava deR o u . os lábios cheios e as longas p e s t a n a s espessas e escuras. a sala estava vazia. — Ela não se mexeu.— Dra. Sem pensar. Ao dormir.Jessica 116. mas se sentiu culpado. exausta.— Se eu não o conhecesse.— Já esqueci.. ele pensou em deixá-la como estava.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter entrou no palácio e foi direto para a suíte de Rou.Rou bocejou e afastou um cacho de cabelos do rosto ainda marcado de sono. Ela ainda usava o h o r r o r o s o costume cinza.Zayed sentiu uma pontada no peito.. — Rou. histérica. Zayed se aproximou.— Já passa da meia-noite. Ele asacudiu com cuidado.E l a estava ali porque ele lhe pedira ajuda.— Mas você foi vê-la esta noite?— Ela é minha mãe — ele disse com um grunhido. Está na hora de você ir para a cama. Zayed deu um sorriso. Rou torceu os lábios. Zayed sentou na ponta da mesa. Ela nada comera? Ele se virou para sair e a viu dormindo sentada. Olá. com a cabeça sobre os papéis e a mão apoiadan o t e c l a d o d o laptop. Ela deu de ombros. As luzes permaneciamacesas. O mínimo que poderia f a z e r e r a mandá-la para a cama.— Ah.— O beijo nada significou? Projeto Revisoras32 .— Sinto muito por hoje cedo. o rosto de Rou se suavizava.— Como está sua mãe?— Insegura. os lábiosficavam relaxados e cheios e ela parecia tremendamente frágil .— Você não se dá bem com ela? — Rou franziu a testa. Informal e tipicamente ocidental. recordando. Rou se empertigou de repente. acariciou-lhe o rosto. diria que é um homem bom. acorde. Zayed tocou-lhe levemente no braço. a l i á s . d e m u l h e r a l g u m a . m a n i p u l a d o r a .— Fácil assim? — ele perguntou.— Isso não é algo delicado de se dizer. Jurei que jamais deixaria que acontecesse comigo. P o r q u e a beijara? Confuso. mas os cabelos estavam soltos e caíam em ondas douradas eprateadas sobre os ombros.— O beijo ou o e-mail?— Os dois.— Esta noite foi a primeira vez que a vi em anos. Sua pele era macia e morna. — Ela levantou a cabeça com dificuldade e olhoupara ele.— Ainda bem que você me conhece. Ele jamais se a p r o v e i t a r a d e u m a m u l h e r f r a g i l i z a d a .— Ainda bem. Você precisa se deitar. E quem eu sou e o que faço. mas a m e s a s e a c h a v a c o b e r t a d e p r a t o s e travessas que não haviam sido tocadas.— Olá.— Eu não a chamaria de delicada. Tornell. V i c o m o e l a t r a t a v a S h a r i f e s u a família. — Ela sempre foi assim.— Por quê?— E l a é c o n t r o l a d o r a .Ele ergueu a sobrancelha. você se esconde atrás da máscara de cientista. — Ele deu de ombros. Zayed observou o rosto lavado.— Eu separo as coisas.

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— Os homens são dados a impulsos.enquanto ele continuava a observá-la. sou uma mulher. em particular o sexual. mas não a mulher certa para você. e Z a y e d c o m e ç o u a f a n t a s i a r s o b r e o q u e f a r i a c o m pernas como aquelas. m a s l h e c a í a bem.— Você sabe um bocado sobre meu cérebro.Jessica 116.Estou muito ciente da crise.— Mas foi ótimo. enganava-se. Rou levantou da cadeira.. p e n s a n d o q u e gostava mais da Rou Tornell que se escondia sob a máscara.— Eu não saberia dizer — ela respondeu. — E l a colocou o cabelo atrás daorelha.Zayed deu um sorriso zombeteiro.. Se ele não estivesse preso à necessidade de arranjar uma esposa. afetada. os cabelos se espalhando sobre osombros e a respiração descompassada. O amor não é apenas uma lição de ciência. teriao maior prazer em ensinar à Dra. paixão e fogo. mas também sou homem. São apenas as leis da atração. sheik Fehr! — Se ela esperavadetê-lo com sua voz gélida e com o comentário seco.— Sim — ela concordou sem se abalar. — A ciência e a química do a m o r . Sem os sapatos de saltos altos as pernas ficavam a i n d a m a i s t o r n e a d a s . — Estou aqui para ajudá-lo a encontrar uma esposa — ela acrescentou. Irritada.— E e u d e ve r i a l e v á . Rou corou vivamente. mas isso nãoquer dizer que a atração ou a compatibilidade sejam verdadeiras. É isto que interessa sheik Fehr: compatibilidade. — Concorda? Nossa relação Projeto Revisoras33 . a n i m a d a .l a m a i s a s é r i o ? — e l e c o m p l e t o u . Não sou seu tipo e jamais serei.a p e s a r d o d i a c a n s a t i v o .— Você acha que meu cérebro não a acha atraente?— Acho. apaixonada. ela era a r d e n t e . T a m b é m e r a m o r d a z .. e você é uma mulher.Coragem. sinergia. seria outra: seu porte seria diferente. Tornell o lado do amor que ela desconhecia: olado físico. Cometemos um erro.— Não. Zayed riu de mansinho.Zayed concordou. Imaginou há quanto tempo elanão dormia com alguém. Ele a beijaria atrás do lindo joelho e ela estremeceria c o m o a maioria das mulheres.. — Não?— Quer dizer. porém não ouvia mais. sim.— Leis da atração?— E s te é o m e u c a m p o d e p e s q u i s a . paciência e desejo. sorrindo.— Estamos no meio de uma crise. Depois de algumas horasna cama e de alguns orgasmos. Acabou: é passado.— Passei as últimas três horas escutando as lamentações de minha mãe. f e mi n i n a e d e c i d i d a . S e m p e n s a r . É u m i m p u l s o i n c o n s c i e n t e . e l e acariciou cada traço do rosto dela com o dedo. Ele parara de ouvir assim que e l a m e n c i o n a r a o i m p u l s o s e x u a l . p o r q u e p e n s a r a e m c o m o e l a p a r e c i a precisar desesperadamente de sexo bem-feito. Rou se afastou. pensou ele. o olharmais suave. é também habilidade. E l a e r a p r o v o c a n t e e d i v e r t i d a . — Estamosestressados. a l g o controlado pelo cérebro que libera hormônios e neurotransmissores.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Absolutamente nada — respondeu ela com firmeza. Ele sabia que Rou Tornell era o o p o s t o d a imagem que projetava. percorrendo-lhe o corpo com o olhare se detendo nas pernas. suas cores voltariam e aquela boca suave incharia por causa dos beijos.— Talvez devesse ser — respondeu ele brandamente. casamento.— Não sou uma das suas três pretendentes. fazia com que se tornasse viva. corajosa. Era disso que ela precisava.

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— Eu me enganei quanto a você. mas admitiu que o e s f o r ç o s e r i a inútil. asolheiras e a palidez no rosto da rainha. queria.— Não fui uma boa anfitriã com você. alguém que já o conhecesse.Q u a n d o Rou conseguiu dormir já passava das três horas. . m i n h a tensa. s e n s a c i o n a l . Rou se preparava para consultar aficha de Zayed quando bateram na porta. nem mesmo as crianças. D e u s . apenas sentia. ela sabia que seria diferente. é um desafio. Ele era terrível. nada posso fazer. Tornell. Tudo com ele era diferente.E l e d e u u m ú l t i m o s o r r i s o e s a i u . ficou aliviada.. Com elenão se sentia frígida. Nada me faz esquecer. Meu nome é Jesslyn Fehr. uma prima distante. A revelação fora fantástica. arrogante e. Sensual..Você tem muito a fazer. jamais teria aquela sensação outra vez. Nenhuma das três candidatas respondera e. para seu espanto.— Rainha Fehr! — Rou correu para receber a esposa de Sharif. mas apavorante. Uma linda morena. Sentindos e culpada. Rou prendeuos cabelos num rabo de cavalo.. R o u n ã o a p r e c i a v a o s e x o . O s h o m e n s g o s t a m d e d e s a f i o s . O problema era o beijo de Zayed. colocou os óculos e pegou o laptop. e l a precisava sair dali!R o u rolou na cama. porque. Tensa. ainda m a i s q u a n d o e s t á z a n g a d a . Está difícil me manter ocupada. Tentou ler. Cambaleou até a sala e apreciou o sol que se levantava. A q u i l o n ã o e s t a v a certo: viera fazer um trabalho e falhara. E muito interessante e atraente. apareceu entre as colunas. Ainda de pijama. usando um vestido simples. e v o c ê . a reação de seu próprio corpo e a expectativa de c o m o s e r i a f a z e r a m o r c o m e l e . não c o n s e g u i u .Jessica 116. Nada de carícias. Quando Zayed a beijara. q u e a f i z e r a d e s e j a r i r a d i a n t e .uma amiga da família..Jesslyn parecia atordoada. Sentou-sen o s o f á e c o n s u l t o u s e u s e . Eu não deveria me intrometer numa hora dessas.— E n t r e — d i s s e e l a . com a cabeça doendo. colorindo o céu de vermelho. no momento em que partisse. precisava. Ela a c o r d o u antes das oito. — De perto.— Infelizmente. Ela tentou esquecer o beijo. manifestara suas necessidades. arrogante! Não conseguiria encontrar uma mulher para ele.Nenhuma mulher decente o aceitaria.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter será estritamente profissional. Desculpe. Ela parou e sorriu docemente. convencional e fingida Dra.agarrando uma almofada. t o r c e n d o p a r a q u e f o s s e M a n a r t r a z e n d o c a f é e biscoitos. Rou notou a fadiga. pensou em reenviar os convites. demandas e desejos.. Deveria existir alguém mais próximo. com Zayed. convencional e fingida? C o m o e l e e r a grosseiro. Seria impossível arranjar uma noiva para Zayed nas próximas 36 horas. seu corpo ganharavida. t a l v e z . sabiaque. — Ele precisa voltar. Jamais experimentara um beijo como aquele ardentee p r o f u n d o . Elasempre fora acusada de ser muito racional. R o u c a m b a l e o u a t é o sofá e deitou. m a s .. Eu deveria ter vindo maiscedo para lhe dar as boas-vindas. perdida.Nenhuma mulher sensata entraria no avião e iria até ali para conversar comele durante apenas uma hora e concordar com o casamento. desejava e ansiava. embora gostasse de se sentir viva. mas talvez suas emoções e desejosfossem controlados pelo medo. sem saberse deveria se inclinar ou cumprimentá-la.m a i l s p a r a v e r s e r e c e b e r a a l g u m a r e s p o s t a . agitada e insone. talvez uma ex-namorada. — Não espero que faça seu papel deanfitriã enquanto estou aqui. A questão é que e l a a i n d a e s t a v a e x c i t a d a emocional e fisicamente. beijos e insinuações. S e r i a ó t i m o .

— Desculpe se não estou vestida.— Sentese.Não posso viver sem ele — disse tentando sorrir. Projeto Revisoras34 . Eu estava gostando de trabalhar de pijama. — Rou indicou o sofá. sem sucesso.

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na véspera da morte de Aman. E um bonito lugar. — Depois que a moça saiu. Ela não sabia. no hospital. minha esperança. Jamila e Aman. aqui era o quarto delas — disse a rainha com ar distante.Jessica 116. quanto mais Zayed!— Talvez seja melhor você vestir outra roupa. como jardim e o sol matinal. Projeto Revisoras35 . verdadeira e realista. Foi assimque conheci Sharif. Não saberia viver sem ele.— Você é a psicóloga? Agora você e Zayed encontraram um ao outro. O dia vai ser muito quente epensei em lhe mostrar os jardins do palácio mais tarde. Acho que eu e você somos as únicas que o usaram depois que elas morreram.Rou também engoliu as lágrimas. estava barbeado e exalava sofisticação e elegância. Imediatamente apareceu uma jovem. Pretendo fazêlo mais tarde.— Você já foi lá fora. passava os fins de semana de pijama. Estes aposentos raramente são usados. poderia trazer café para dois? Se houver alguns doces. s u c o .M e n t a e M a n a r e n t r a r a m c o m b a n d e j a s c o m c a f é . mas deveria. — Ela piscou várias vezes e fitou Rou.Rou percebeu por que Sharif amava Jesslyn e seu coração se confrangeu. — Os olhos dela se encheramde lágrimas.O rosto de Jesslyn se iluminou. meu coração. Ganhei a Bolsa de Estudos Fehr para estudar em Cambridge. alteza?— Mehta. — Soube que você conheceSharif. corrigindo provas. — Quando eu era professora. Quemaravilha. —Não posso perdê-lo. envergonhada. Ele era um mentor maravilhoso.— Você sabe. Foiassim que o conheci. Jesslyn olhou ao redor. Estávamos todos de férias na Grécia quando o acidente ocorreu.— T a m b é m n ã o t o m e i c a f é d a m a n h ã .— De quem?— Das meninas — revelou Josslyn com uma cara triste.Zayed chegou meia hora depois e as cumprimentou. muito bom e generoso. P o d e r í a m o s t o m a r c a f é j u n t a s enquanto conversamos se não se importar. traga-ostambém.— É uma suíte muito bonita. Já fora ruim receber a rainha de Sarq de pijamas.Rou ficou espantada.Jesslyn era bonita. Rou se sentiu desleixada. conheceu os jardins?— Não.— Sim.— Nada de costume cinza hoje? — Ele usava uma calça preta e u m a camisa de linho. Não é engraçado como o mundo funciona? Sharif sempre me disseque o mal pode gerar o bem. Você já tomou café? Comeu alguma coisa?— Estou bem. — Faz tempo quenão venho aqui. Ele étudo para mim. As duas tomaram café. b i s c o i t o s e iogurte. humilde. Nós nos conhecemos na escola e depois dividimos umapartamento.— Sim.— Ela mordeu os lábios. mas as conteve e mudou de assunto. Talvez algo de bom resulte de tudo isso. — Morreram com uma semana de diferença.— Você era amiga delas? — A melhor amiga.— Ainda não tive chance de vestilo — ela disse.— Claro que não me importo. Fiquei aqui quando cheguei ao palácio. conversando sobre os filhos de Jesslyn e Sharif. — Das gêmeas.J e s s l y n s e i n c l i n o u e a p e r t o u u m b o t ã o i n v i s í v e l n a p e r n a d a m e s a d e centro. Talvez ele estivesse certo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — É a maneira mais cômoda de trabalhar — respondeu a r a i n h a .

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Moralmente? Durante os últimos cem anos os Fehr sótiveram uma esposa.— O que foi que ela disse? — perguntou Rou. A tradição de Sarq diz que o país deve ser governado por um homem que tenha mais de 25 anose que seja casado com.. Meu bisavô teve três.— Como não sabe? Por que ela pensou que nós. no mínimo. Tornell? Hoje? Amanhã? Não estamos maisperto de encontrar uma esposa do que estávamos em Vancouver. Rou ficou apavorada..— Não sei. As crianças estão loucas de vontade de conhecer a nova tia. — Tia? Zayed franziu a testae olhou para o corredor. Elabeijou Zayed e sorriu ternamente para Rou. Dra.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês têm muito a fazer. Fique à vontade para se juntar a nós.Jessica 116. também serei. Sob vários aspectos.— A h .— E quando será isso. Projeto Revisoras36 . estamos de acordo. Por que um deles não ocupa o trono? Por que ele passará para você?— E uma antiga lei de Sarq. um rei pode ter mais de uma esposa?— Legalmente. Certifique-se de que todos saibam que nãosou sua noiva. somos um país moderno. —Ela sabe que sou psicóloga.— Concordo com você.— Ainda hoje.mas. — Rou soltou os cabelos. apesar do que vocêpensa.— Talvez ela não saiba. . especialista em relacionamentos. J e s s l y n j á e s t a v a p a s s a n d o p o r t a n t a c o i s a .— Uma amiga da família.— Foi um engano. n ã o .Estes aposentos só são usados pela família. Isto explicaria por que a colocaram no quarto de minhas irmãs.Jesslyn saiu enquanto os dois se olhavam fixamente.— Creio que será um alívio para sua futura esposa. alguém conhecido.— No mínimo uma mulher? — Ela balançou a cabeça. há cincodias. Tahir. que estou aquipara lhe prestar um serviço... — Certo? — Zayed continuou olhando na direção da porta. em outros. — É preciso que você esclareça tudo. . traria minha noiva. levantando.— Foi o que também escutei. — Quantas esposasse espera que tenha um rei?— Meu pai e meu avô eram homens modernos e ambos só tiveram uma esposa. pouca coisa mudou nos últimos 400 anos.Ele concordou pensativo. quando voltasse. especialmente a rainha. Talvez pense que você é minha noiva. — Vou levar as crianças para nadarmais tarde. — O silêncio se prolongou a ponto dos nervos de Rou quase explodirem..— Ótimo.— Deve haver alguém próximo de você.. Somos fiéis às nossas mulheres. e eu.— E o que todos pensam?— Não sei. Ela não sabia o que estava dizendo. Seria terrível se ela pensasse estar dianted e s u a f u t u r a c u n h a d a . — Rou pegou um bloco. — Ele se jogou no sofá e olhou para ela. — R o u c o b r i u o s o l h o s e p e n s o u n o q u e J e s s l y n e s t a r i a imaginando enquanto conversavam. uma ex-namorada. — Talvez seja hora de reavaliar nossa pesquisa. — Ela respirou fundo. Vou deixá-los — disse Jesslyn. uma mulher. Não quero que ela fique constrangida ao ver sua futura esposa chegar. sim. u m a p r i m a distante.— Por que pensaria isso?— Eu disse que. Ele olhou para ela e deu de ombros. uma amiga da família que seja adequada. pronta para. tomar notas. Seria o ideal. Diga-me uma coisa: Sharif tem três filhas eum filho de três anos.

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. — É melhor esclarecer tudo agora do que arruinar nossas vidas. Ela sentou num degrau da sala.— Vou financiar seu centro de pesquisas. culta. — Santo Deus! Filhos?— Poderíamos esperar um ano para você engravidar. tentando fugir para oquarto.— Sheik Fehr — ela disse secamente. confiante e calmo.Jessica 116. esperando. Omelhor é que você é uma antiga amiga da família.A cabeça de Rou começou a girar.— Nós não vamos nos casar. satisfeito. que nunca se abalava.— N ã o h á r a z ã o p a r a p â n i c o — e l e d i s s e . Sabe que preciso de um casamento de conveniência e não deamor. vá esclarecer este mal-entendido. Graçasaos pais.— Como?— Escolhi você. É exatamente o que quero. Ela entendera errado. em qualquer situação.Rou levantou e se afastou.O coração de Rou deu um salto... ou devemos começar a fazer uma lista?Ele fez uma cara indiferente.. só que ele começará depois do casamento. C o n h e c i a o s s i n a i s d e l ou c u r a .— Não. não estamos. Ela não era do tipo que se casava.— Então.— Ah. protegida de Sharif. Ela não podia sequer classificá-lo como l o u c o .— Acho que terá uma surpresa. Escolhi você.. e u c o n t o — e l a d i s s e f i r m e m e n t e . E perfeita: educada. quase desmaiou. conheceminha situação. Z a y e d a i n d a e s t a v a sentado no sofá. Meu único motivo para estar aqui é ajudá-lo a encontrar uma esposa. você pensou em alguém. mas não era expresso. bem-sucedida.R o u p a r o u n a p o r t a d o q u a r t o e o l h o u p a r a e l e . interessantee nossos filhos serão muito espertos. e e l e n ã o a p r e s e n t a v a n e n h u m . De jeito nenhum. — Ela se fechou noquarto. A sala rodavaloucamente. o dinheiro ainda será seu. Você é uma candidata altamente qualificada: é inteligente. Ela sorriu.. Elesorriu de volta.— Está na hora de me chamar de Zayed. Ele falava sério? Dissera quelhe daria dinheiro para casar com ele? Ela se agarrou no degrau..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Também acho — ele sorriu.— Então.— Você sabe que é a solução perfeita. m a s estava totalmente fora da realidade.Rou. Rou apontou para ocorredor. sob nenhuma circunstância. para ver se Sharif éencontrado.— Você está falando sério — ela disse num sussurro. — Agora chegavam a algum lugar. Se ele voltar. claro que a deixarei livre de todas as obrigações. ela jurara ter uma vida celibatária.— Receio que Jesslyn e as crianças acreditem que sim. tenho alguém em mente.— Estamos praticamente comprometidos. Tornell..— Sheik Fehr.— Excelente. Projeto Revisoras37 .— S e v o c ê n ã o c o n t a r à r a i n h a . — Te r e m o s u m p e rí o d o d e namoro. Dra.— Você andou bebendo?— Tomei um café.

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e l e tinha razão. muito menos por um homem como ele. n ã o p a r a e l a . q u e a m a v a e p r e c i s a v a d e s e u t r a b a l h o e q u e n ã o desistiria de sua missão.Jessica 116. Assim que ela Projeto Revisoras38 . d e c e r t a f o r m a . Ela amava sua vida e não pretendia casar. pensando no que faria. dedicada à família e aos f i l h o s . Asolução de Zayed — casamento — não era solução. apesar de ela achar que. o problema e s t a r i a resolvido: teria uma esposa e o trono. Casamentoera para aqueles que queriam uma vida doméstica. Rou perambulou pelo quarto. ela nada ganharia ao casar com Zayed Fehr.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Capítulo Seis D EPOIS QUE ele se foi. Do ponto de vista dele. Por outro lado.

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Porém ela era uma mulher diferente: crescerac o m m u i t o d i n h e i r o . não tinha visto você. Esta éa n o i v a d e t i o Z a y e d . levantaram e s e inclinaram respeitosamente com um olhar curioso. não tinha nenhum.Ao sair do banho. mas no quarto. cujas idades iam dos 9 aos 11 anos. Oe n d i a b r a d o p rí n c i p e T a h i r . Al m e j a v a u m m u n d o particular onde pudesse controlar suas emoções e seria impossível alcançá-loficando em Sarq. ou melhor. olha. R o u vi u q u e a s m ã o s d e l a t r e m i a m aoacariciar os cabelos do filho e seu coração se apertou. cercada pore m p r e g a d o s . a p e n a s p o r q u e t i n h a m a n g a s curtas. Jesslyn as . enquanto as meninas reclamavam. Rou não as invejava.Rou deixou que Manar lhe preparasse um banho perfumado com baunilhae especiarias na enorme banheira. Jesslyn e as crianças não estavam na piscina. Passara a noite rolando na cama.A família tentava manter a normalidade depois que seu mundo desmoronara. egoístas. melhor.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter contasse a verdade a Jesslyn.— Ah. N ã o é emocionante?A s m e n i n a s . prendeu os cabelos num coque e saiupara procurar a rainha. Entretanto. Jesslyn os o b s e r v a v a c o m a r ausente. — Ela deu um sorriso e n q u a n t o T a h i r s u b i a e m s e u c o l o . Sentias e extremamente atraída por Zayed. Calçou sapatos de saltos baixos.Jesslyn estava tão sensível e entristecida que seria uma maldade sobrecarregá-la ainda mais. sentindo-se diferente. R o u T u r n e l l . n u m a e n o r m e mansão em Beverly Hills.Jessica 116. c o n f i a n ç a . Contanto que conseguisse se sustentar. mas Rouhesitava em procurar a rainha depois da conversa que tiveram durante o café.. Sua bagagemc o n t i n h a a s r o u p a s q u e u s a r a d u r a n t e a t u r n ê a t r a v é s d e c i d a d e s o n d e predominava a baixa temperatura e que não serviam para o calor do deserto. t e n t a v a d e r r u b a r a s p e ç a s dotabuleiro.. Porém.fantasiando como seria fazer amor com ele. Desculpe. moça. E l e s v ã o s e c a s a r a m a n h ã . Zayed não poderia coagi-la a se casar..E l a a c a b o u p o r e s c o l h e r u m c o s t u m e p r e t o . Queriaa p e n a s t e r i n d e p e n d ê n c i a . C l a r o q u e e l a n e m s e q u e r p e n s a r i a n o a s s u n t o . nada ambicionava de material. Ela jamais admitiria. a u t o r r e s p e i t o . — M e n i n a s — d i s s e Jesslyn com fingida animação. mas em parte estava curiosa. ele lhe propuserac a s a m e n t o . Rou. Embora trabalhasse para pessoas ricas. . Ela se deleitou ao entrar na água. Q u a n t o m a i s rápido conversasse com Jesslyn. Entre. d e t r ê s a n o s . onde as filhas do primeiro casamento de Sharif jogavam Monopólio.— Mama — disse Tahir. o que lhe restava? Deixar que Zayed a manipulasse atéconcordar? Jamais. . Rou examinou seu limitado guarda-roupa.. notando a presença de Rou. m a s descobrira que o dinheiro não compra o amor nem a felicidade. D r a . Ela não tinha uma fila de homens bonitos e s e n s u a i s b a t e n d o à sua porta.Jesslyn como que despertou e olhou para a porta. — Mama. e ficou tentadaa aceitar a proposta de Zayed. Rou se arrependeu por ter pedido a Mehta que a levasse até o quarto. Agora. ou talveza palavra certa fosse lisonjeada. como se fosse uma princesa das Mil e uma noites. eela não tinha o direito de perturbá-los. — Quero que conheçam alguém especial. O dinheiro torna as pessoas arrogantes. mesquinhas edesagradáveis.

mas não conseguia se mexer nem falar. e J i n a n . a voz lhe faltava ao perceber a tristeza que flutuava no quarto. de 9 anos. Viera esclarecer o assunto. Rou ficou paralisada. a m a i s v e l h a . Porém. Takia.apresentou. jamais. Diga: não vou me casar com seu tio. e x p l i q u e q u e t u d o é u m mal-entendido. p e r g u n t o u s e o c a s a m e n t o s e r i a n o e s t i l o o c i d e n t a l o u segundo a tradição de Sarq. D i g a a l g o .rompeu o silêncio. Afinal. Projeto Revisoras39 .

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gritando.. O palácio estava repleto do que ela mais temia. Amor.— Algo errado? O que aconteceu?— Seu irmão está morto.— Como pude pensar que você era insensível? — ele disse.— Tio Zayed e tia Rou gostariam — disse Jesslyn —. D u r a n t e a n o s e s t u d a r a .— Eu não gosto de ficar assim.Jessica 116. escutara. ensinara. A rainha e as crianças estão arrasadas. A dor de todos fizera com que a morte de Sharif se tornasse real e aa t i n g i s s e e m c h e i o . que odiava emoções e lamentos. sem seu pai.. É disto q u e p r e c i s a m o s . — Ela voltou ac h o r a r .Rou pensou em Jesslyn e nas crianças e recomeçou a chorar. Rou tentou retornar ao seu quarto. q u e n ã o haverá rei? A rainha me apresentou às crianças como tia Rou! Agora sou tiadelas.— Acabo de sair do seu quarto — ele disse. dedicando-se a ajudar os outros. As meninas tinham perdido a mãe havia muitos anos. Takia olhou para Rou com os olhos arregalados e os lábios apertados. até que chegue este dia. está fazendo o que seu pai gostaria que ele fizesse.. Porém nãop o d e r i a a b a n d o n a r u m a f a m í l i a n a q u e l a s i t u a ç ã o . S h a r i f e s t a v a m o r t o e n ã o v o l t a r i a . confuso. — S e e u pudesse.— Casar com tia Rou? — perguntou Saba. e isto inclui casar e assumir o governo.— Fui ver a rainha — ela replicou.— Preciso de tempo — sussurrou. e Tahir. Você está sendo corajoso e forte ao se tornar rei.— Você precisa de uma esposa. — S e m e l e . pegando-a pelo braço. O país está um caos. Semvocê não será possível. clinicara. filhos. mas. sentiu o coração dilacerado. s u a s l á g ri m a s r o l a r a m . O h o m e m q u e e l a adorara se fora..Rou. Saba e Jinan soluçaram. Não poderia fugir de onde mais a necessitavam. não de mim.— Talvez dê para esperar — sussurrou Takia. A pequena Takia não entendeu por que não esperamos o pai dela para casar!O turbilhão de palavras exaltadas terminou e ela olhou para ele. cheio de medo. Aquelas crianças encaravama realidade muito cedo. — O q u e d e v o f az e r ? D i z e r q u e n ã o v o u c a s a r c o m v o c ê . — Não será suficiente. mas acabou se perdendo nos corredores e. desfaria tudo isso — ele acrescentou com calma. Jesslyn começou a chorarsilenciosamente. Eu quero e preciso de você. secando as lágrimas.mas suspirou e concordou. Deu um sorriso desesperado. Zayed pensou em argumentar. Nada pode ser decidido sem o rei. Crianças não deveriam sofrer nem amadurecer de repente. e fugiu. pedindo socorro.— E se tornar rei — disse Jesslyn entre as lágrimasRou não aguentou. m u i t o i n t e n s o e dolorido. Isto lhe dará algum tempo. — Daria tudo paraver Sharif entrar pela porta. — R o u m o r d e u o s l áb i o s p a r a e v i t a r q u e . opaís está em tumulto. devo fazer o que é necessário.— Essa esposa é você. t r e m e s s e m .— G o s t a r i a d e p o d e r e s p e r a r p o r s e u p a i — d i s s e R o u . aconselhara.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês não vão esperar a volta de papai? Vão se casar sem ele? — O silêncio pesou no quarto e abriu caminho para a dor. Você se torna verdadeira. Preciso de você para cumprir meu dever.casamento. abalada. e tio Zayed. A s s i m q u e e l a s a i u . de repente. Daria tudo o que tenho e o que sou para vê-lo asalvo. deu de cara com Zayed. Porém.— Nós nos encontraremos no almoço. F o r a d e m a i s . perda.— G o s t o de você desse jeito. o casamento não será bonito. abraçou-se à mãe. Projeto Revisoras40 . muito corajoso e forte.

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Dra. afundando no travesseiro.. desesperada. Projeto Revisoras41 .R o u c o r r e u a t é a s a l a q u e e s t a v a c h e i a d e s a c o l a s c o l o r i d a s . ela abriu a tampa de uma caixa e descobriu um vaporoso vestido rosa. — Estou pronta.Jessica 116. No meio do caminho. — Rou estava cansada e arrasada.— Está certo.— A senhora não quer trocar de roupa? O terraço é coberto. jamais voltaria a ser. venha ver. Nada pode ser decidido. comovente e triste. Rouprecisou pedir ajuda duas vezes aos empregados. Sharif também morrera.. Sarq.— O quê? — Rou deu um pulo na cama. Zayed desistiu e lhe forneceu instruções. Hesitante..— Não. — A moça malcontinha a excitação. R o u p e r d e u o f ô l e g o e a b r i u m a i s u m a c a i x a .. — Ambos se olharam frustrados e zangados. invencível? Aquele guarda-roupa era feminino. Ele disse que a senhora precisa de algo mais adequado à vida no palácio.Valentino. Nada era como deveria.— E complicado. bocejando —. tenho tempo — ela respondeu..— Já é uma hora?— Sim. Elaficou tonta e sentou no braço do sofá: não costumava usar rosa.. Algumas ela não conhecia. Tornell. Eu.. e. Não admira que a mãe de Zayed tivesse um colapso e precisasse seri n t e r n a d a .— Sou esperta. mas é muitoquente. Tudo e r a t ã o l i n d o q u e i m a g i n o u a s i r m ã s d e Z a y e d v i v e n d o n a q u e l e s a p o s e n t o s dignos de duas princesas.— É seu enxoval.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Tem de ser. Dra. Ela abriu várias embalagens e a sala foi inundada por um mar em tons de rosa. Ambas haviam morrido. Rou se sentou na cama. C o m o u m a m ã e s u p o r t a r i a p e r d e r t a n t o s f i l h o s ? A r e a l i d a d e e r a muito dura. — Está tudo na sala.Se ela não tomasse cuidado. o azul marinho. Tornell. O país está semrei há quase 15 dias. Estamos ficando sem tempo. Talvez fosse temporário.C a i u n o sono e foi despertada por Manar. Ele precisava dela e ela o ajudaria. mesmo por um homem comoele.xavam segura... Chanel. num silênciocarregado.— Vou levá-la até seu quarto. Ao entrar no quarto. Prada. jogou-se na cama e examinou o ambiente como se o visse pela primeira vez. m a l a s e caixas. nem desistiria de seus projetos. Porém jamais deixaria de ser quem era. mas isto é tudo o que tenho. mas as embalagens eramigualmente elegantes. encontrando um vestido plissado cor de coral com um fino cinto dourado. r e c o n h e c e u c o m r e l u t â n c i a q u e e s t a o p ç ã o s e r i a i m p o s s í v e l . apenas me indique a direção.. sonolenta e esfregando os olhos.. jovial. Embora desejasse voltar para São Francisco nop r ó x i m o v ô o . A senhora recebeu dezenas de caixas e sacolasque chegaram de Dubai.. Dior. Zayed tinha razão. o grafite? Onde estavam as roupas sérias que a dei. agora. trocaria — ela disse. E os ajudaria a agüentaras próximas semanas. Quanto ao casamento. Ela reconheceu algumas marcas: Michael Kors. nem mesmo o funeral do meu irmão.— Venha ver. Onde estavamo preto. mas sua alteza deseja que comece a usá-lo.— Tudo em tons de rosa? — ela perguntou a Manar. que viera lembrá-la de que o almoço seria dentro de meia hora e perguntava se ela queria mudar de roupapara almoçar no terraço com sua alteza. — Se eu pudesse. Outra caixa continha um incrível casaco rosa claroc o m b o t õ e s d e b r i l h a n t e s . A senhora tem meia hora para se preparar.— Então.

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a ser parte de alguém. Ela se sentia cada vez mais e x c i t a d a . Rous a b i a q u e p a r t e d e l a p e r t e n c i a a Z a y e d e s e m p r e p e r t e n c e r a .— Vou tentar — disse ela. ele a livrou da calcinha e continuou a acariciá. sentindo algo diferente do medo. Rou entrouem pânico e tentou empurrá-lo pelos ombros. Os lábios dela tremeram. coladoscarne com carne. mas desta vez de frente para ele. Ela não estava habituadaa dividir.. e ela sabia que com ele daria certo. Zayed a acariciou através do tecido. segurando-a pelos quadris. A q u e l e homemprecisava dela. apossando-se desua boca como se lhe pertencesse e. encaixando-se entre suas coxas. — Zayed a afastou e se despiu r a p i d a m e n t e . Assim que ela abriu seu coração. laeela. o que era um novo tormento.. mesmo que quisesse. ela o beijava. Zayed arrancou a saia de Rou e a puxou de volta sobre o corpo. . Ela balançou a cabeça. de certa forma. — Calma querida — ele murmurou sobre os l á b i o s dela. Era injustificável. Rou soltou um suspiro ao senti-lo dentro desi. fazendo com que ela sentisse o poder de sua ereção. suportando o seu peso até q u e e l a relaxasse de novo e se acostumasse com a sensação.— Não de você.— E melhor você acabar o que começou — ela disse ofegante.Ele não se mexeu. C o m e ç o u a c h o r a r . Tenho medo de amá-lo. procurando seu ponto mais sensível.. — Ele a beijou profunda e demoradamente.O corpo dele estava quente. P o r i s s o e l a o temia. A sensação de prazer era superiora tudo que ela já sentira. gemendo de prazer.— Pode sim. que seria extre-mamente sensual e enlouquecedoramente excitante. A minúscula calcinha des e d a d e Rou era um obstáculo inútil. — Deixe que eu tente. Os dois se movimentaram juntos: ele a segurava pelos quadris. Quando ela trincou osdentes. Ela duvidou que ele estivesse respirando.la.Jessica 116. Rou abriu seu c o r a ç ã o e d e i x o u q u e e l e entrasse. — Ela o beijoud a m e s m a f o r m a q u e e l e a b e i j a r a . abraçou-o pelo pescoço e escondeu o rosto no ombro de Zayed. Rou percebeu a hesitação e uma sombra det r i s t e z a n a v o z d e Z a y e d . afinal. Com um únicomovimento. Rou se contorceu selvagemente.O coração de Rou se apertou e ela deixou as lágrimas escorrerem. chocante.a n t e s q u e eu acabe sozinha. Ele a preenchia invadia o seu corpo e seu coração.— Você tem medo de mim?Embora estivesse em pânico.— Alguém precisa me amar — ele disse. despidos. sentindo como ele estava excitado. não sei o que sentir. Não sei como fazer isso. Olhoupara ele: tão belo e com um olhar tão solitário. — É disso que tenho medo. Temia o poder que ele exercia sobre ela.— Não posso.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter obedeceu.— Sou só eu. ela precisava dele. Era loucura. chorando. úmida e ansiosa.. — Assim não vou conseguir — ela disse. mas ela não conseguiria lhe pedir que parasse. para que apossuísse. Estava em suas mãos. e desta forma poderá olhar para mim. pertencia. Quero que veja o quevocê faz comigo. No fundo. Roumergulhou os dedos nos cabelos de Zayed e esmagou os seios contra o peito d e l e . seus olhos ardiam. seu corpo ansiava para que ele continuasse a tocá-la. Ele a ergueu e encaixou-a em seu corpo. A ú l t i m a c o i s a q u e q u e r i a e r a magoálo. — E rápido. puxando-a de volta para o colo. seu corpo se abriu para ele e o acolheu como se formassem uma unidade. Rou mordeu o lábioao sentir o pesado tecido da túnica de Zayed friccionando a pele sensível entresuas coxas. — Não posso ficar nesta posição. p r o f u n d a e a v i d a m e n te . Não posso. Estavam ali.

enquanto a excitação aumentava. o prazer crescia e só seus corpos Projeto Revisoras57 .

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s e u c o r p o b ri l h a r e c a d a n e r v o s e esticar. Aquela era a mulher que ela conhecia. Era incrível.Ele a abraçou e puxou-a contra o corpo. viu-se sozinha. principalmente lavando a parte sensível entrea s c o x a s .— Não acredito.Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter e xi s t i a m . u m m i s t o d e t e r n u r a e d e s e j o . Rou estava aturdidaporque jamais tivera um orgasmo. Nada de fogo e desejo. m a s cumprira sua tarefa. Suasroupas estavam dobradas sobre a mesa. querida?— Não abandonada. Estava pronto para se tornar rei. Deveria esperar por Zayed? A ideia de sentar e esperar por ele trouxe de voltaa s e n s a ç ã o d e v u l n e r a b i l i d a d e . Ele cumprira seu dever. mas.mas agora se sentia vazia e apavorada. apesar devazio. E l a s e enrolou numa toalha e se olhou no espelho com os cabelos pingando. Ao voltar paraa s a l a . Enquanto estive aqui. E l a esfregou vigorosamente a pele. Rou se sentiu magoada. Projeto Revisoras58 .mas ainda estava chocada consigo mesma. Ela foi até a sala e viu que estava vazia. abandonei meus clientes.— Disseram que você recusou o jantar. incansável. Ela foi até o banheiro que. Quem era aquela mulher? Quem era aquela loura suave eapaixonada. Sua cabeça estava longe de tudo. Gostara do que houvera entre eles. Ele a acomodou sob as cobertas e deitou ao lado dela. só enjaulada.quando acordou. Ótimo. Ela o desejara e ele correspondera. até que Zayed a carregoupara a cama. ocupada. serviria para cobri-la ao voltar para o seu quarto. Sentiu quando ele atingiu o orgasmo. Estonteada.— Eu não estava com fome. sua doçura a ameaçava. E l a n o t o u a s t o a l h a s molhadas.L a v a r a a t e r n u r a e a s e n s i b i l i d a d e . aproximando-se. R o u s e a f a s t o u o m a i s q u e p o d i a e colocou o laptop entre os dois.l a . Rou e n t r o u n o banho e deixou que a água fria escorresse por seu corpo.— Você está zangada — disse ele. Ao fazerem amor ela lhe dera mais queseu corpo: dera-lhe seu coração. Ele poderia magoá-la. c o n g e l a r a a p a i x ã o e o d e s e j o .E l a p e r c e b e u u m m o v i m e n t o n o e s p e l h o e p a r o u p a r a v e r s u a i m a g e m refletida.— Durma — ele respondeu.Z a y e d s e n t o u p e r t o d e l a .— Está se sentindo abandonada.— Talvez eu não quisesse outra refeição na bandeja. s e u s d e n t e s b a t i a m . nada que pudesse ameaçá-la. Embora soubesse queagia como criança. o d e l a ainda tremia. ela sentiu o corpo de Zayed se contrair e apressar oritmo dentro de si. — Sua fragilidade a assustava. E l a a b r i u a c a p a d o c a b i d e e e n c o n t r o u u m vestido de algodão rosa e branco com um largo cinto. tomara banho e saíra. Voltara aser ela mesma. Q u a n d o a c a b o u . O s c o r p o s d o s d o i s e s t a v a m q u e n t e s e ú mi d o s . n o s o f á . recendia levemente a loção de barbear. exceto do intenso prazer que cresciaselvagem. até que só lhe restava explodir numa tempestade desensações. desejosa e carente? Ela se olhou longamente e seu coração se encolheu. Embora não gostasse derosa. R o u m a l l e v a n t o u o s o l h o s d o computador. Alguém o c o l o c a r a a l i . ela se e n c o s t o u e m Z a y e d . a mulher que queria ser. viu um cabide de roupas apoiado no sofá. Eles ficaram quietos por algum tempo.Rou não sabia por quanto tempo dormira no quarto escuro e fresco. indescritível. Exausta.— Zangada não.— E agora? — perguntou ela. pensou com sarcasmo. E l a s e n t i u o c o r a ç ã o d i s p a r a r . O perfume sutil lhe causou umas e n s a ç ã o e s t r a n h a .— Sou eu. Zayed se barbeara.E r a t a r d e q u a n d o Z a y e d v e i o p r o c u r á . agora seria fácil.

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— Eu sei! — Rou agarrou uma almofada. Ela tentou se controlar. Jamais estivemos. Rou. Rou cruzou os braços.— Vamos dormir um pouco. Ele a olhou c o m curiosidade. Como você disse. dando de ombros.— Você ficou fora durante sete horas. companheirismo e respeito — ela gostaria de responder. A tarde n a d a significara para ele.o s o b r e a mesinha. Você conseguiu:casamento. — Ela engoliu em seco.— Você não poderia ter se despedido ou deixado um bilhete?— Eu pretendia voltar. magoada e zangada. s e m c o n s e g u i r . ou pretende continuar com este joguinho de a d i v i n h a ç ã o ? — p e r g u n t o u e l e . — E l a d e u u m s o r r i s o f o r ç a d o . Jurei honrá-la e protegê-la. jurei ser fiel a você pelo resto da vida. porque o que dissera até agoraa p e n a s o afastara.— Fui à coroação.— Venha. — Se não se importa. — V o c ê te m r a z ã o ..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você acha que o computador vai me manter afastado?— T a l v e z fosse melhor eu jogá-lo na sua cabeça.— Você não me parece o tipo de pessoa que joga as coisas. — É nossa noite de núpcias. O que represento para você. — R o u n ã o estava disposta a ter aquele tipo dec o n v e r s a . É preciso fazer todo este drama? Parece até minha mãe. E l a n ã o e r a c o m o a m ã e . M a s sentia-se horrivelmente parecida com a mãe durante as brigas com seu pai. fraca. pense! P o r é m e l a e s t a v a c o n f u s a .— Apenas no papel — ela disse em voz fraca.— Não apenas no papel. — E então? Não vamos ficar juntos? Já vamos viver separados?— M a s n ã o estamos juntos."Drama. Zayed baixou os olhos. Eu fui à coroação. p r e c i s a v a a p e n a s encontrar palavras que Zayed compreendesse. f e c h a n d o o l a p t o p e c o l o c a n d o . consumação.Zayed contraiu o rosto sutilmente. Fizemos sexo.— Você não me conhece. Não sei por que você quer que e u d u r m a n o s e u quarto. Amanhã será outro dia.— Desculpe pelo drama. a mãe carente. com fome. — Eu sei. foi um longo dia. Z a y e d l e v a n t o u e estendeu-lhe a mão. O que mais poderia lhe oferecer. Parece minha mãe.— Gostaria de dormir no meu quarto. Rou tentou ignorar os olhos q u e a r d i a m . além disso? Amor. E s t a v a cansada. olhando-a com expressão carregada. Pense. mas nãotemos um relacionamento. — Rou sentiu um nó na garganta e tentou conter as lágrimas.— Sozinha.— A c h o q u e c o n h e ç o .— Você me deixou.— Sim.— Foi um longo dia.— Você estava dormindo." A mãe com quem ele mal falara durante a n o s .— Se não me importo — repetiu ele com um tom quase de ironia. Foi um grande dia para você.Jessica 116. coroação.. mas para ela fora um verdadeiro terremoto. ela tentaria se acalmar e lhe Projeto Revisoras59 . patética. dependente. Zayed?— Minha esposa — ele disse. — Você vaime dizer por que está zangada. Amãe emocionalmente frágil. R o u f e c h o u os olhos e virou o rosto como se tivesse levado u m a bofetada.— Eu sei. Se ele lhe desse algum tempo. cujas necessidades eram ridicularizadas por seupai. s o f r i a e n ã o conseguia pensar.

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— Estou atrapalhando? — perguntou ele.Rou concordou. Passei aúltima hora com Jesslyn e Khalid. — Comoestá sendo o seu dia?— Ocupado. sem deixar um bilhete. Zayed parou e virou-se para ela. — T a l v e z possamos conversar amanhã — disse ele calmo e controlado. honesto. ele a deixara sozinha durante horas. Entretodas as pessoas. Rou ficou desesperada.Ele saiu e ela se agarrou na almofada. ele tinha preocupações maiores e novas responsabilidades. Ele não l h e prometera algo que não poderia lhe dar. planejando o funeral de Sharif.desgostoso e distante. Certo. mas ele não apareceu nem mandouc h a m á .— Não. e l a s e p r e p a r a v a p a r a p r o c u r á . e que. Tive uma reunião de gabinete durante toda a manhã. Rou. emsua defesa. Peça! Implore como sua mãe c o s t u m a v a fazer. Repetia a história de s e u s p a i s .Jessica 116. Não suportodramas nem cenas.— Eu queria uma mulher forte. Entretanto. Ele era um homem bom. se não tomasse cuidado.l a . o h o m e m q u e s o f r e e a m u l h e r q u e s e d e s e s p e r a . mas Zayed balançou a cabeça. Já terminei. l á g r i m a s . Abandonara-a sem se despedir. Rou chorou e sentiu o coração partido porque compreendeu que ela não era melhor que seus pais. Capítulo Dez Rou ESPEROU a manhã toda por Zayed. soluçando silenciosamente. E r a o q u e c o s t u m a v a a c o n t e c e r e n t r e o s d oi s : b ri g a s . E l a n ã o sabia lidar com conflitos. Rou não conseguiu falar. Tudo o que ela queria era se desculpar. — Boa noite. sentia-se impotente. jamais se abrira com ninguém e percebia que ele estava irritado. Parecia tão cansado quanto ela.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dizer que estava com medo. sem nada. Não consigo. Era istoque não queria a cena que ela sempre temera: o homem que sai e a mulher q u e c h o r a . reproduzindo opapel que o pai dela costumava interpretar: o vencedor do Oscar. ignorando o próprio nervosismo. saídas teatrais. confiante. sabia que se comportara mal. Q u a n t o m a i s o te m p o p a s s a v a . odiava climas tensos. Rou fez um gesto como se quisesse alcançá-lo. voltar not e m p o e a b r i r s e u coração. com os olhos cheios de lágrimas. como se nada houvesse acontecido. ela deveria ser a mais compreensiva e saber como a vida dele se tornara estressante. indicando o computador. Rou respondia alguns e-mails e levantou-se para recebê-lo.l o q u a n d o Z a y e d apareceu. Max Tornell. Rou. — Ela sorriu. m a i s d i f í c i l e r a a e s p e r a .— Olá. acabariacomo eles. Peça-lhe para ficar. tinha dificuldade de expressar seus sentimentos. — Zayed caminhou para a porta. Depois deuma noite insone..N o i n í c i o d a t a r d e . por uma razão.. Projeto Revisoras60 . mas. E l a o d e i x a r a simplesmente sair.

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mas me importo com você e queria participar de alguma forma.— Estarei pronta.Quando Zayed sentou ao lado d e l a .R o u c o m p r e e n d e u q u e e l e q u e r i a d i v i d i r a r e s p o n s a b i l i d a d e e f i c o u aliviada.Rou estava pronta às 06h30min. e suponho que Sharif lhe contou algosobre nosso país. O j a n t a r f oi l o n g o . — E l e s u s p i r o u e balançou a cabeça. — Tudo é novo para nós dois. É preciso que você me ensine alguma coisa. Gostaria de reparar meu erro. pontualmente. D e ve r i a te r m e l e m b r a d o .Jessica 116. escolhera o vestido longo rosa e laranja e brincos de pingentes. — Fui egoísta e irracional.— Ele foi muito bondoso comigo. Gostaria de ter ido. Só descobri que era um príncipe ao ler um artigo sobre a coroação numa revista..— O q u e me d e i x o u m a i s a b o r r e c i d a f o i n ã o p o d e r a s s i s t i r à c o r o a ç ã o . Na verdade. Em comparação com algumas Projeto Revisoras61 . e você devese sentir tão pressionado quanto eu.. — Foi o que você fez ao se casar comigo. vestido num terno preto. — Poderia ter mandado avisá-la.— Tudo bem. Era como um irmão mais velho ou um p a d r i n h o m á g i c o . durante anos eu nãosabia quem ele era.— Sinto muito por ontem à noite.— Você o chamava de mentor. Ele nunca falou sobre o assunto. Ajudada por Manar.— Você é uma recém-casada que foi deixada sozinha no dia docasamento. — Ela corou. — Ele sorriu e lhe ofereceu o braço. u m a M e r c e d e s p r e t a c o m motorista os aguardava. — Ela respirou com facilidade pela primeira vez desde que acordara sozinha na cama de Zayed. E u f u i à c o r o a ç ã o d e S h a r i f . — Rou sorriu sem perceber. Eu estava errada. o que seria bom para nós dois. Num curto espaço de tempo tudo mudara entre os dois. Desculpe.— Nó entanto. A ú n i c a c o i s a q u e e l e m e p e d i u f o i p a r a q u e a j u d a s s e o s outros da maneira que eu pudesse. Estou aqui há apenas alguns dias e sei muito poucosobre o país. Cobrei um preço.— Venho buscá-la às 7h. corando. ou pensarão que se casou com uma mulher ignorante. o c o r a ç ã o d e R o u a c e l e r o u e e l a s e encolheu.— S ó q u e e s t e é m e u p a í s .— T o d a n o i v a d a r e a l e z a t e m u m p r e ç o .— E s q u e c i q u e h a v e ri a u m j a n t a r d e p o i s d a c e r i m ô n i a . Sei que seria apenas para homens.— Não. V a m o s j a n t a r f o r a e s t a n oi t e .— Desconfortável?Rou deu uma olhada pela janela e abanou a cabeça. m i n h a f a m í l i a e m e u s c o s t u m e s .— Fica bem em você. Sairíamos do palácio. Não deve ter sido fácil. — Vamos?D o l a d o d e f o r a . O sorrisode Zayed valeu o esforço. ele se virou para ela.— Você está deslumbrante — disse ele. não o fiz por altruísmo. H á u m l u g a r d i s c r e t o . d o q u a l g o s t o m u i t o .— Não. só animada. Deixara os cabelos soltos. Assim que ocarro começou a andar. E s q u e c i o pouco que você sabe sobre nossas tradições.— Acho que gosto de algumas coisas cor-de-rosa — ela replicou.— Claro ótimo. pensou Rou ao vê-lo entrar na sala.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Não era de admirar que ele estivesse tão tenso.— Você está longe de ser ignorante. — Gostaria de ver algo além destas paredes.

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter noivas da família Fehr. ele estava noivo de Zulima.Ele sorriu tristemente e se pôs a falar sobre o país. — Não depois de tantos anos separados. um p e q u e n o p a í s à b e i r a d o m a r A r á b i c o . Eles deveriam ter tido mais tempo.— Quero conhecer sua família. — Na cerimônia deontem. O desaparecimento das dunasrepresenta um prejuízo para a fauna e para a flora. torres e colunas. ocasamento não foi feliz. ti p i c a m e n t e islâmicas. Seis meses depois.— A p ó s u m a e x p a n s ã o i m o b i l i á r i a t e m o s o s h o t é i s m a i s l u x u o s o s d o Oriente Médio. O carro Projeto Revisoras62 . Odeio pensar que meusfilhos crescerão num país que perdeu a diversidade que tinha quando eu era criança.Rou ficou comovida.— Está falando sério?— A primeira mulher de Sharif. ela jamais o perdoou por amar outra mulher. Meu pai foi o primeiro a abrir as portase S h a r i f herdou sua política liberal. aberto e receptivo a todos os povos e culturas. Sarq estava se tornando sede de vários hotéis. protegendo as dunas enquanto poderíamos transformar Sarq num paíscompetitivo. mas creio que ele deveria ter i mp o s t o limites ao crescimento. arcos. e.bonito e esperto. Sharif sempre amou Jesslyn e. Ele será um grande conforto para Jesslyn.— Mas Sharif e Jesslyn se reencontraram. o carro atravessava uma vizinhança sossegada. e ele é um menino inteligente. Sem que Sharif soubesse.Enquanto conversavam. Fiquei honrado com a presença de tantos amigos e vizinhos quevieram oferecer seu apoio e que também prometeram protegê-lo.Em virtude da proximidade do mar. laeela. virando-se para ela. apesar de tratar Zulimamuito bem.— E era? — ela perguntou. Contou que Sarq. com fachadas pintadas de branco.— Não durou o suficiente — ele disse.— Para todos nós — disse Zayed. — Ele citou a l g u n s n o m e s . Eu colaborei com estaexpansão: sou um dos maiores investidores dos cinco hotéis mais luxuosos.Jessica 116. o seu preço foi razoável. Meu pai não gostou.— Pode não ser um consolo para você. a p e s a r d e s e r n o v e n t a p o r c e n t o islâmico.— N ã o t o r n e i a s c o i s a s m a i s f á c e i s . l on g e d o b u r b u ri n h o d o c e n t r o . apesar de terem três filhas.— Ele era muito estimado e ficaria agradecido por você substituí-lo. olhando pela janela. mas o amor deles terácontinuidade. Estamos comemorando nosso casamento e tudo o quefiz foi falar da minha família. foi uma noiva de 20 milhões de dólares. Eles conceberam o príncipe Tahir. ela procurou Jesslyn e a mandou embora.— N ã o . até que Tahir tenha idade parasubir ao trono. — A l e a l d a d e d e l e s é o t e s t e m u n h o d o q u e s e n t e m p o r m e u falecido irmão. era um país tolerante.Rou tocou na mão dele. jurei proteger meu sobrinho e meu país.— Obrigado. quero saber de tudo. S h a r i f estava apaixonado por Jesslyn. mas começo a pensar que foi um erro. depois de Dubai e dos Emirados Árabes. E u e K h a l i d t i v e m o s a l g u m a s discussões sobre o que eu estava fazendo ao ambiente.— Deve ter sido difícil para Sharif dizer não para você.Zayed beijou-lhe a mão. A s c o n s t r u ç õ e s e r a m a n t i g a s . Agora acho que ele tinha razão. Eu o achava ridículo. mas minha mãe não a aceitou. mas minha mãe insistiu que Zulima era a mulhercerta para Sharif. Zulima.

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e l e s e s t a r i a m s e g u r o s .— Onde estamos? — perguntou Rou.E n t r a r a m n a e l e g a n t e s a l a i l u m i n a d a p o r v e l a s . e n q u a n t o f i c a s s e l o n g e .— Você vai sentir falta da sua antiga vida.— Pensei que jantaríamos fora.— Muito exclusivo porque ninguém sabe que existe. — Antes do casamento elame trouxe um presente e. — Ela o olhou.— V o c ê é d o n o d o c l u b e — e l a d i s s e . — Seja bem-vindo.— Jesslyn disse algo sobre isso — admitiu ela.— Esta é uma tarefa que nunca desejei.Zayed a olhou. deduzi que houve algo em seu passado.Saíram do carro e Zayed apertou uma campainha. — Pelo pouco quee l a d i s s e ..Rou percebeu que ele parecia mais velho.— É m a i s q u e u m a n u v e m .Jessica 116.— O lugar é todo nosso — ela observou ao sentar. Pensei que deveria saber o mais que pudesse sobre meu marido. nem fez com que nos sentíssemos culpados por ele carregar opeso e suportar a pressão. Agora sei que nenhum denós está seguro. — E d e m a i s v i n t e c o m o e l e p e l o mundo. muito exclusivo. o sossegoé uma comodidade preciosa e vale cada centavo. Projeto Revisoras63 . Gostaria que me f a l a s s e sobre essa nuvem que paira sobre você. rei Fehr. Para muitos de meus conhecidos. G o s t a v a d e t r a b a l h a r e v i a j a r . avisou para que eu não desse atenção aos comentários sobre. Rou não viu sinal do restaurante.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter parou diante do que parecia ser uma residência cercada por mansõeselegantes. carregado de enormes responsabilidades. surpreso.— Foi uma mudança muito brusca para você. A maldição. preocupada. segurança e sossego.— Vamos jantar você verá. V o u s e n ti r m a i s f a l t a d e s t a ilusão do que de Monte Cario ou da minha liberdade. mas eu tinha a impressão de q u e .— Como você sabia?— Entrei na internet e pesquisei o perfil da sua empresa e o seu portfóliode investimentos. Meu pai sempre demonstrou queera um trabalho exaustivo. não significa que seja amaldiçoada.. Eu sou amaldiçoado. Um homem vestido dep r e t o a b r i u a p o r t a e e l e s e n t r a r a m n u m s a g u ã o i l u m i n a d o p o r u m e n o r m e candelabro.— Um luxo pelo qual sou grato esta noite — ele respondeu e Rou notou ocansaço e as olheiras em seu rosto. rindo. todas vazias. Sei exatamente o momento em queaconteceu. mais forte e mais maduro. ao sair. — S ó p o r q u e n ã o é segura. m a s o q u e e u m a i s v a l o r i z a v a e r a a segurança da família.— É um clube privado. A g o r a v e j o q u e n ã o p a s s a v a d e i l u s ã o .— S e r s ó c i o c u s t a u m a f o r t u n a . A mesa está pronta. Sharif nunca reclamou.— Não.— A v i d a n u n c a é s e g u r a — d i s s e e l a g e n t i l m e n t e . Minha família também sabe. H a v i a d e s e i s a o i t o mesas. C oi s a s r u i n s p o d e m acontecer a qualquer momento.— Eu gostava de morar em Monte Cario e de ter casas em Londres e NovaY o r k .— Mulher esperta — ele disse. A m a l d i ç ã o s e c u m p r i u d e n o v o e S h a r i f morreu. m a s t o d o s f i c a m f e l i z e s p o r p a g a r p e l a privacidade.

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Ela foiapedrejada por causa da minha falta de controle. —Aos 17 anoseu precisava dizer a ela que a amava. nós temos hshuma.— E se a esposa pecou?Zayed deu um sorriso assustador e seus olhos se encheram de ódio e de horror. s u s p e i t a n d o d e s u a f i d e l i d a d e .. por favor.— Nós temos tempo.— Isto foi uma piada. até que se ouviu a notícia de sua m o r t e . Não seremos interrompidos.E l e e r a c o n h e c i d o d e me u p a i e n o s e n c o n t r á v a m o s v á r i a s v e z e s p o r a n o . Imagino o terror que ela sentiu. — Então. — Eu me apaixonei por uma mulher casada. Vocês têm culpa.— Ele pegou a mão dela. sorrindo. — O maridoe a família acharam que estavam agindo corretamente — acrescentou depois Projeto Revisoras64 . — Rou observava as emoções se sucederem no rosto de Zayed. Tornell? — ele perguntou. q u e s i g n i f i c a q u e o s outros sabem que você foi desonrado. Às vezes ainda penso nela. eu achava que era o som mais lindo do mundo. apertou por algum tempo e a soltou. ela d e s a p a r e c e u . — Ele encarou Rou fixamente. . Tratava-me com carinho e sorria para mim simplesmenteporque eu a divertia.— Vou dar a versão resumida.n u n c a a b e i j e i . — Você quer mesmo saber?— Quero. O m a r i d o . cortam-se as mãos. Tudo o que desejava era amá-la.— M a s .R o u f i c o u p a r a d a . Eutinha 17 anos. a minha impulsividade. em como foi seu último dia.— Uma piada de mau gosto. É tudo o que posso agüentar esta noite. E l a lidara com a culpa e a tragédia em sua clínica. Rou fez uma careta. m a n d a r a m a t á . Se o seu olho pecou.— Certo. n ã o d a mesma maneira. pensativo.— Você manda matá-la. Nur era uma princesa de Dubai e se tornara esposa de um sheik vizinho. .— Pode ser para melhor. o rosto ficou tenso. S e v o c ê n u n c a a t o c o u .— Foi uma questão de desonra. Quandoela ria.— Ela era inocente — ele acrescentou com tristeza. E onde ele está?— Conte-me o que aconteceu.l a .— É uma história terrível para um encontro romântico. e o meu amor. e ela 24. mas aquele era o tipo de culpaque acabava com a vida de um homem. Sabia que ela era casada.— Eu gostei.Jessica 116. . —Ele olhou ao redor. — Rou sentiu um arrepio na espinha. mas queria que fosse minha. — E s t e é u m c o n c e i t o q u e n ã o e x i s t e n o o c i d e n te . Dra. o que para nós é o maior pecado entre todos.. elegante.— Pode ser que mude sua opinião a meu respeito — ele disse. —A voz dele f o i sumindo. s e n u n c a d o r m i u c o m e l a . se as mãos pecaram. . bondosa e atraente. minha estupidez e minha arrogância a mataram. quase sinto sua dor. num casamento arranjado. e isso se consegue destruindo o que lhecausou vergonha. T u d o o que fiz foi declarar meu amor. Um pouco de humor faz bem quando as coisas estão difíceis.observando-a. cega-se o olho. — Ela me via como umirmão mais novo. É preciso haver uma reparação. D u r a n t e d u a s semanas ninguém soube o que acontecera. s e m c o n s e g u i r f a l a r . ? — R o u sussurrava as perguntas. c o m a s m ã o s s o b r e o p e i t o . ele não acreditava. Nunca fiquei sozinho com ela. — Nós nunca dormimos juntos. Ela era linda. hshuma — ele disse a palavra em árabe ef e c h o u o s o l h o s . E u t e r i a dado a vida por ela.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Jesslyn disse que Sharif não acreditava em maldições. sempre nos esbarrávamos em eventos sociais.

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— Você prometeu.— Boa noite. Zayedolhou-a de cima a baixo. — Boa noite. — Eu poderia saboreá-la agora mesmo. Ela fez uma careta e empurrou a coberta. A p a g o u t o d a s a s l u z e s e d e i x o u a p e n a s u m abajur aceso para que pudesse ler alguns documentos. E l e e r a tentador como o diabo. não conseguirá dormir de novo.. Acordou por causa do calor epor se sentir presa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Em que lado você dorme? — disse ela. Você perde tempo tentando me c o n v e n c e r d o c o n t r á r i o .Rou ficou dura como uma tábua. fazendo os seios se avolumarem de prazer. o que era natural depois de fazer amor.Rou pensou que não conseguiria dormir no quarto dele. com um olhar insinuante. — Ele não disfarçou o desejo em seu olhar. enquanto ele lhe acariciava os mamilos. Ela o abraçoupelo pescoço e abriu os lábios. Se começar a espernear e a gritar. dormir era dormir. e não queria ser abraçada. Amanhã discutiremos o que for necessário. Havia muita coisa errada no mundo. nem gritando.— R e s p i r e f u n d o e s o l t e o a r d e v a g a r — d i s s e Z a y e d . esta noite você só terá metade da cama. — Rou deitou na cama e se cobriu até o pescoço. mas percebeu que não estava presa pelos lençóis. s o n o l e n t o . e n t r e a b r i n d o o s l á b i o s e m p r o t e s t o .— Vou dormir deste lado. — D e r e p e n t e . ofegante. corando. — D e novo.Jessica 116..— Acalme-se antes de ficar irritada.— É gostoso.Rou deu uma cotovelada nas costelas de Zayed.— E para você também.— Talvez você precise resolver seus problemas a respeito de intimidade.Rou sentiu seus mamilos endurecerem e teve vontade de se esconder. parada ao lado da cama.— Em geral..Z a y e d n ã o s e j u n t o u a e l a . Esta noite era diferente: nãohavia motivo. ela pensou. — Zayed. — ela protestou.— Talvez eu relaxe se você se afastar.— Não estou esperneando. absorvendo o fogo que ele provocava com a Projeto Revisoras68 . Estou expressando meudesconforto por você estar tão perto.— Infelizmente.— N ã o . Que lado você prefere?— O lado onde você vai deitar.— I s s o f o i a n t e s d e v o c ê v o l t a r p a r e c e n d o u m s o r v e t e d e c r e m e c o m cobertura de marshmallow.— Para você. mas desistiu de ficar acordada à medida que as horas passavam. deitando-se sobre ela ebeijando-a. R o u p e r c e b e u q u e a s m ã o s d e l e s e aproximavam de seus seios. O braço de Zayed a envolvia e a mantinhac o l a d a a o c o r p o d e l e .— Não sou seu amor — disse ela. H a v i a m d o r m i d o j u n t o s n a t a r d e anterior.Rou o olhou por cima do ombro. Não para mim. durmo no meio da cama..— Sim. Para ela. v o c ê é mi n h a m u l h e r — ele disse. mas isto lhe parecia certo. R o u f i c o u a l a r m a d a . Rou sentiu o c o r a ç ã o d i s p a r a r e s e u c o r p o s e e n c h e r d e d e s e j o .— Não é nada gostoso.— Meus problemas de intimidade? Meus?Ele deu uma risada e ela sentiu seu hálito junto ao pescoço. amor?R o u fechou os olhos e tentou ignorar a deliciosa s e n s a ç ã o .

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. — Não vou agüentar sua resistênciaagora. Quando abriu os olhos. ele olhava para ela e tentava conter o riso.— É gostoso — ela disse.— Tenho uma teleconferência dentro de alguns minutos.— Duas vezes. Amava seu belo marido que amavao u t r a m u l h e r . Porém. despertando todos os seus sentidos. — Parece que você nãogosta que eu a toque. Rou corou e franziu o nariz. aumentando sua ansiedade. Ele acariciava seu ventre. Quando ela a c h o u q u e não agüentaria mais. através da camisola.— Eu queria ver se você agüentava. ele acariciou o vértice de suas c o x a s e encontrou-a úmida e quente.— O m e u iceberg derreteu — ele disse. Zayed mandou que levassem o café para ela na cama. obrigado. desesperada e selvagemente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter língua .— O que é o quê?Ele a acariciava. Ela o amava. ela pensou.R o u q u a s e g e m e u f r u s t r a d a .— Você sabe o que quero. e ela não conseguia pensar quando ele tratava seu corpo como um doce delicioso. e vamos escapar. — Foi você quem provocou. Volto assim queterminar. beijando-o no ombro. Gosto que você me toque. antes de beijá-la de novo. Z a y e d l a m b e u . num orgasmo quea surpreendeu e que atravessou seu corpo em sucessivos espasmos. Ocoração de Rou acelerou. — Eu estava enganada. — Ele mordiscou-lhe o pescoço.Z a y e d s e c o l o c o u e n t r e a s c o x a s d e l a e e n t r o u e m s e u c o r p o c o m u m movimento firme. insistentemente.— Você é tão bonita — disse ele em voz rouca.. Ele continuou a beijá-la de uma forma que a levou a menear o corpo. Quando R o u p e n s o u q u e a c a b a r a . Você chegou lá?— Cheguei. Era incrível comoele se movimentava dentro dela.— O que foi laeela? — murmurou ele junto aos lábios dela.Jessica 116.— Graças a você.. Ele levantoulhe a camisola e acariciou-lhe o ventre. — Você faz com que seja difícil resistir. sim. Incrível. — Ela e n g a s g o u quando ele cobriu-lhe o seio com a boca. aumentando sua ereção. suas pernas.— Você. trincando os dentes. Zayed a beijou com ternura. Nãoficou satisfeito com uma vez. E l a f i c o u t o d a arrepiada.— A culpa não é minha — ela protestou. m o l h a d a d e s u o r . Você é gulosa.— Receio que não. Projeto Revisoras69 .até que ela perdesse o controle e se entregasse totalmente. com a respiração arquejante.l h e a o r e l h a . Ela a m o l e c e u n o s b r a ç o s d e l e .— Você está viva?— Por pouco. despertando cada sensação. Ele esperou enquanto Manar arrumava a bandeja no colo de Rou.Rou mordeu o lábio. lambia. n o v a o n d a d e p r a z e r a invadiu. mais poderosa einexorável que a anterior.. E l a o b e i j o u p a r a t r a n s m i t i r o q u e n ã o p o d e r i a d i z e r c o m palavras: que o amava e que esperava que um dia ele pudesse retribuir.— Então não resista — ela arquejou. laeela. Ele gemeu novamente e perdeu ocontrole quando Rou intensificou os movimentos. atéque ela arqueou o corpo à procura de alívio. Zayed gemeu ao senti-la esfregar osquadris nos seus. tocava. Rou perdeu o controle e apertou o corpo contra o dele. Zayed não tinha pressa.No dia seguinte.

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E l e t i n h a r a z ã o .Zayed parou a meio caminho do banheiro.. Não aumentaria a pressão sobre ele. casas. Rou se concentrou no trabalho:q u a n t o m a i s trabalhasse.— Escapar para onde?— Para a minha casa em Cala. D u r a n t e os primeiros dias. mais tempo livre teria com Zayed. m a s t r a b a l h a r e m C a l a n ã o e r a a mesma coisa que trabalhar em São Francisco. quando e l e voltasse. S e u s c l i e n t e s d e v e r i a m e s t a r p r e o c u p a d o s c o m s u a ausência e com a falta d e c o m u n i c a ç ã o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou quase derrubou o café.— Certo.Jessica 116. Não telefonou n e m mandou alguma mensagem sobre quando voltaria. Fique. c o m e n d o e b e b e n d o . Rou se sentou. Rou sabia que ele teria uma reunião degabinete em Isi. Ela viu uma piscina debruçada sobre o mare pegou na mão de Zayed. Talvez algum dia ele a amasse. — Podemos ficar fora alguns dias.Duas horas depois. carros e palácios. de árvores. T a l v e z p u d e s s e a j u d a r d e a l g u m a forma. Ele tomara um banho e estava lindo. tentaria tornart u d o m a i s f á c i l . Quando Projeto Revisoras70 . Divertido.— E se você não conseguir resolver tudo num só dia?— Passarei a noite lá e voltarei amanhã cedo — ele disse. com suas torres.— O clima está pesado em Isi. janelas em arco e grades trabalhadas. Sabia que ele tinha várias responsabilidades e preocupações. aproveite. Capítulo Doze Z AYED NÃO voltou naquela noite. Talvez possa colocar seu trabalho em dia. bronzeando-s e . e e l a p ô d e a p r e c i a r o p a l á c i o construído em pedra. Estamos em lua de mel. helicópteros.Não será o mesmo sem você.que dava apoio à família. n a d a n d o . entusiasmada: seria divertido. ele lhe apontou uma praia. Rou ficou magoada.Uma hora depois.— V o c ê p o d e s e a f a s t a r d a q u i a g o r a ? — p e r g u n t o u R o u . quando Zayed levantou da cama. na terçafeira. Quandof o r a a ú l t i m a v e z q u e s e d i v e r t i r a ? R o u v i r o u p a r a Z a y e d . dormindo. estavam num helicóptero.Na terça-feira. — Vou pedir a Manar que arrume sua mala. Z a y e d e r a t o d o a t e n ç ã o e g e n t i l e z a : contava-lhe histórias. Seria difícil se concentrar num lugar cheio de sol. com uma enorme piscina. e que se encontraria com Jesslyn para discutir os detalhes do funeral de Sharif. Rou ficou impressionadacom o número de pessoas que trabalhavam para Zayed. mas não aborrecida.Passaram os próximos quatro dias fazendo amor. assim como com os brinquedos que ele possuía: iates. despreocupado. É um belo retiro à beiramar. cercado de palmeiras e coqueiros. Trabalharei enquanto você trabalha. — Ele acariciou os cabelos de Rou. interessante. nem na seguinte. Ele era divertido. mas tente voltar esta noite. Aqui está cheio de sol.O h e l i c ó p t e r o s e a p r o x i m o u p a r a p o u s a r . inteligente. c o r a n d o a o recordar como tinham passado a manhã. Ficaria fora o dia inteiro e voltaria à noite.— Você não precisa trabalhar? Não vejo você checar seus e-mails desde que chegamos. Não era um sonho inatingível. Será mais divertido.. fazendo-a rir.— T a l v e z e u d e v e s s e i r c o m v o c ê . q u e l h e b e i j a v a a mão.— Meu palácio.Ela se ligara a Zayed. jatos.

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e fariam um piquenique na praia. mas se sentia sozinha. digitando um artigo para uma revista epreparando uma palestra que daria em Chicago.R o u s a i u a c o m p a n h a d a p o r q u a t r o s e g u r a n ç a s . V i s i t o u o a n t i g o c a i s e explorou o famoso bazar que faziam parte da história de Cala. mas quando estava longe. Queria surpreendê-lo. Por fim. O medo e a dúvida se retro. afinal. R o u t e n t o u s e a c a l m a r .— Não — ela respondeu. Ela jurou não se entregarao medo e à insegurança. Não há muita coisa para comprar. p e d i u q u e l h e trouxessem o carro. era atencioso.O mordomo fechou a cara.— Ele disse quando voltará? — ela perguntou. na Inglaterra. pois pretendia fazer compras na cidade.Jessica 116. — Não. Ela sentou ao lado da p i s c i n a e trabalhou o dia inteiro. mas ele não funcionava naquela área: teria que ligar para o palácio. porém mal conseguia aproveitar o passeio. Zayed estava trabalhando.— É isto mesmo que quero. onde ficou à janela fitando as ondas queq u e b r a v a m na areia. R o u p e r a m b u l o u d u r a n t e d u a s h o r a s e p a r o u p a r a t o m a r u m c h á d e hortelã.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter estava com ela. alteza.— Eu deveria consultar sua alteza. indignada. ela resolveu falar com Zayed. mas o que ela esperava? Ele não falava inglêsfluentemente. q u a n d o s e u p a i bebia.. Aa u s ê n c i a d e Z a y e d l h e d a v a a s e n s a ç ã o d e a b a n d o n o . uma garrafa delimonada gasosa. Gostaria de explorar a cidade. afastada.— N ã o p r e c i s a c o n s u l t a r s u a a l t e z a . À t a r d e . Quando ela voltou ao palácio.d o n a d a . deixara de cuidar dela. e não estava habituado a lidar com mulheres ocidentais e suase x p e c t a t i v a s .— N ã o e s t o u i n te r f e r i n d o . Ele voltaria dentro de alguns dias. Tentou comprarum presente de casamento para Zayed. Ele não voltaria antes de alguns dias. o juiz decidira dar s u a custódia à avó. a l te z a . C r e i o q u e v o c ê m a n d a r á a l g u n s seguranças comigo. Ela se empertigou ao ouvir o tom pomposo do empregado.Alguns dias podiam ser poucos ou uma semana. não precisa se preocupar. sua mãe se suicidara. Embora fosse adulta. talvez mais. O mordomo se apavorou. — E l e s e inclinou e foi embora. Pediria à cozinheira que guardasse tudo até que Zayedvoltasse. chocolates e frutas. t u d o r e q u e r i a . foiinformada de que Zayed havia telefonado.O mordomo não entendera. Tentou ocelular. Ele lhe dera tantos presentes e ela n a d a l h e dera em troca. molhando os pés. queijo. Quando. desaprovando. Ohomem respondeu que ele faria a ligação. — Ele é meu marido e quero telefonarpara ele.alimentavam. D u v i d a v a q u e a q u e l e s a q u e m a m a v a e s t a r i a m a o s e u dispor quando buscasse seu apoio. se ela quisesse. s e p r e c i s a s s e . E s t o u t e n t a n d o a j u d á . A senhora nãovai se divertir. ao entrar no jardim do palácio. Ele disse apenas "alguns dias".. A l i n a d a e r a si m p l e s . Quero ter a liberdade de chamá-lo sem a interferência de mordomosou de empregados.— É sábado. Rou procurou o mordomo e pediu a ele que lhe desse o número do telefone. comunicou o mordomo. O mercado estava cheio d e g e n te . Rou não se sentia segura de que alguém estaria ao seu l a d o . O que a q u i l o significava? Depois de muito pensar.l h e lembranças de infância: fora jogada de um lado para outro. bem-sucedida e instruída. esquecia dela. A cidade estará cheia de gente e de turistas. d e s p e r t a n d o . ela comprou pão. quando sua mãe entrara emdepressão. Rou caminhou pelabeira da praia. cercada por seguranças armados. aban. Amava aquele lugar.l a . lembrou a si mesma. Rou engoliua d e c e p ç ã o e f o i p a r a o quarto.

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ignorando os olharesespantados da equipe de Zayed e caminhou direto até a mesa. Aguardou sentada. Não se tratava de um convite. Ela esperou por uma hora: Zayed não apareceu.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assistência . e l a r e s o l v e u s e a c a l m a r . d e esperar para ser vista e ouvida. aexpressão dele passou para desagrado. Vários minutos se passaram e eledesligou sem lhe passar o fone. do trabalho. bonito. esperando que ele se lembrasse dela.R o u d e u u m s o r r i s o r a d i a n t e . Não lhe importava que todo o palácio a . A o d e s c e r a e s c a d a . com a boneca no colo. Mais tarde. eventualmente recebia algum e-mail. pediu desculpas e lhe pediu que ligasse para o rei Fehr. estaria aqui. As palavras de conforto eram dolorosamente familiares. nem mandou chamá-la.Estava só e começava a achar que seus temores em relação ao casamento serealizavam: tornara-se dependente. De surpresa. e l a o u v i u o r u í d o d o h e l i c ó p t e r o s o b r e v o a n d o o palácio. perdera a individualidade e o bom-senso. e praticamente marchou até o e s c r i t ó r i o d e Z a y e d . deveria sentir sua falta. Zayed.U m a s e m a n a d e p o i s . Esperara por ele a cada segundo. P o r i s s o j a m a i s quisera se casar. para ganhar coragem. enquantoele entrava em contato com o palácio em Isi. Iria se encontrar com ele. E n q u a n t o Zayed trabalhava em Isi. Ele não a via há 10 dias. O celularnão funcionava. Ela não queria ser difícil. odiava pedir ajuda. mas apavorada por não saber o que pensar o u sentir. porém oque mais desejava era falar com Zayed. por isso temia amar. Rou baixou a c a b e ç a e chorou em silêncio.Trocou de roupa. Esperar era um desespero. Elasentia falta dele. uma e m p r e g a d a l h e t r o u x e u m b i l h e t e n u m a b a n d e j a d e p r a t a . Ele está ocupado. Durante os últimos dias só pensara emZayed . Ela correu atrás do mordomo.Jessica 116.s e n t a d a numa cadeirinha. mas será informado que asenhora telefonou. mas só percebera sua solidão ao se sentir isolada." Ela leu a mensagem várias vezes.D e s a p o n t a d a . As horas passavam e nada de Zayed. Ele não sabe como você está animada e o quanto deseja vê-lo. Você não pode chorar. disse a si mesma. E s t a v a f a r t a d e e s p e r a r s u a ve z . a o s e a f a s t a r .Eram as mesmas que ela dizia a si mesma enquanto esperava as visitas do pai. Ela odiava a falta de independência. mas n ã o esperaria até as nove. alteza.— Sinto muito. ela perambulava pelo palácio em C a l a . mas também não queria se sentir insignificante e solitária. i g n o r o u o s seguranças parados ao lado da porta. m a s . Os olhos de Rouse encheram de lágrimas. escovou bem os cabelos e fez um rabo de cavalo. " V o c ê j a n t a r á comigo às nove. Rou ficou contente. como esperara por seus pais. Aquele era o homem que lhe fizera tanta falta. O rei está numa reunião. o n d e j a m a i s e n t r a r a . do movimento que a impedia de pensar no que não poderia mudar. d e b e b e r . Fezuma leve maquiagem. egoísta. m a s e l a n ã o s e i mp o r t o u . mas de uma ordem. como e s p e r a r a q u e a m ã e p a r a s s e d e c h o r a r e o p a i . Rou não se importou. P e g o u u m l i v r o p a r a s e d i s t r a i r enquanto o aguardava. exigente. Se elesoubesse. com o coração aos pedaços. f o i i n v a d i d a p e l o desapontamento que derrubou todas as suas boas intenções. Ela se casara com um homemexatamente igual a seu pai: ausente.R o u r a s g o u o bilhete e o jogou no lixo. Eles tentaram impedi-la de entrar sem p e r m i s s ã o . Rou invadiu o escritório. Rou começava a sentirsaudade de sua vida.

Reservei um vôo na Sarq Air. maspreciso do meu passaporte. pensou Projeto Revisoras72 . Vinha de uma cultura diferente.— T e n h o a l g u n s e n c o n t r o s e m Z u r i q u e d e n t r o d e d o i s d i a s — d i s s e secamente. A reunião acabou.desaprovasse. — Minha bagagem está pronta.não costumava ser tratada como alguém subserviente e de segunda classe. Creio que você o guardou por segurança.Rapidamente todos se retiraram em silêncio.

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Os homens desprezam mulheres patéticas. Rou percebeu que ele nada queria s e n t i r .— Não pretendo voltar — disse ela com calma. um complemento. para que discutir?— Tem razão. muita coisa aconteceu. pensou Rou.. — Ela e s p e r o u q u e e l e d i s s e s s e a l g o q u e a t r i b u í s s e a l g u m s e n t i d o à s s e m a n a s anteriores. Como sua mãe. Ela é apenas uma mulher. q u a n t o a e l a . Os segundos se passaram eele a olhava impassível. foi coroado. Preciso voltar a trabalhar. com um ar vazio. E s t a v a m a i s b o n i t o . tudo o que ela conseguira fora sentar e chorar. e não lhe daria esta oportunidade. fizera por ele o que gostaria que alguémfizesse por ela.Jessica 116. Agora não precisa mais de mim. Ela não poderia suportar que Zayed a desprezasse. — Ela controlou a dor e a cólera. fraca e ridícula. é isso.— Tenho muito trabalho a fazer. q u e q u e r i a f i c a r m o r t o .— T u d o bem. c o m o s c a b e l o s u m p o u c o m a i s compridos. e ele nem ligava. e . Não. — A voz dela tremia de raiva. a o c o n v i v e r c o m Z a y e d percebera que as emoções podem ser boas. levantando as mãos.— Compreendo. ridícula e fraca. O r e s t o d o t e m p o v o c ê f i c o u f o r a .Ele jamais se importaria com ela. — E s t o u dizendo que preciso de mais. — A falta deemoção de Zayed a feria profundamente. q u e p r e c i s a s s e d e u m h o m e m . Sou tola. o queixo mais firme e um olhar mais frio. Só de olhar para ele. Estava tomado pelo luto e pela culpa..— Mas não sua esposa. mas Zayed nunca pensava nela.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ansiosa. Ela não se tornaria uma mulher d e p e n d e n t e . mas pelo menos sou honesta — ela disse devagar. N ã o retornou meus telefonemas. —Tenho um consultório e uma casa em São Francisco. Está livre para partir quando quiser.Ele não se importava com ela.— Não foi o que eu disse. Não adianta ficar aqui. Ela desistira de tudo por ele. tentando se controlar. O coração de Rou bateu mais forte.— Não. Mais tarde. você está me evitando?Ele respirou fundo para manter a paciência. — É tudo que preciso fazer? Preparar as malas. com embaixadoresde outros países.— Sinto falta do meu trabalho. concordamos que o casamento seriatemporário. mas desde que nos casamos você mal ficou comigo. considerando-a tola.quando o divórcio fora o f i c i a l i z a d o e s u a m ã e s e v i c i a r a e m re m é d i o s p a r a suportar. para quê? — ele disse. Pelo menos admito que preciso de você. O país ficou sem governante durante quase um mês. e que viajaria a negócios. As mulheres desprezam a simesmas quando se tornam patéticas. Rou ergueu a cabeça. Não era verdade que suas malas estivessem prontas: tudodependeria de Zayed. que os sentimentos são um .Fez o que precisava. Ela fora paciente solidária. Você me despreza tanto. Uma dor lancinante a atingiu. Além disso.— Então. seucoração doía e sua vontade fraquejava. Concordamos que você continuaria a trabalhar — ele s e inclinou para trás na cadeira —. casou. — Você cumpriu seu dever. há muito para cuidar. Reuniões de gabinete.— Você está sendo infantil.— Então. rei Fehr? É tão difícil e desagradável passar algum tempo comigo?— Não estou evitando você para puni-la. Não sou necessária. S e u p a i a d o r a r a s u a m ã e e acabara por desprezá-la. Ele não se importava. Tivemos cincon o i t e s n u m t o t a l d e d u a s s e m a n a s .— Talvez. pegar minha passagem e partir?— Você não é prisioneira.R o u o o b s e r v o u . ela se apaixonara e se perdera.— Você está indo embora — ele disse ao ficarem sozinhos.

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gelada por dentro. . Capítulo Treze S HARIF F EHR f oi e n c o n t r a d o v i v o . E l a p e n s o u e m J e s s l y n . recusava-se a reconhecer. Rou prendeu a respiração e tentou continuar a ler. Rou pegou o passaporte. Deus sabia o quanto ele chegara perto de se apaixonar por ela. mas tremia tanto que o jornal não parava eela o abriu sobre a mesa. algo que me f a ç a ficar.Jessica 116. Não conseguia dormir direito. R o u e s t a v a l i n d a q u a n d o i n v a d i u o e s c r i t ó r i o . C o m o s e r i a p o s s í v e l ? D e v i a s e r u m m i l a g r e . Zayed — disseela. masseu mundo era complicado e estressante. e em Zayed.Zayed a deixou ir embora. Ficou sentado e a viu sair pela porta. . Diga algo. D e p o i s d e 8 0 d i a s desaparecido. Era melhor deixá-la ir agora. ela imploroumentalmente.Dez minutos depois. Pelo menos. o rei Sharif fora e n c o n t r a d o vi v o .. à f a m í l i a e m s e g u n d o . Se ele não fosse Zayed Fehr. Você é que jamais irá se recuperar. Rou era inteligente e forte. vestida de verde-esmeralda. Diga algo que me faça perdoar e esquecer. n a s crianças. tinha uma carreira e ficaria bem. resoluta e orgulhosa. Zayed não sabia como ser o rei deque Sarq necessitava e o homem que Rou precisava. Ele preferia sofrer a vê-la sofrer. — M e u passaporte? — ela sussurrou. b a n h a d a p e l a claridade.minimizar o impacto que ela causara em sua vida. queria telefonar a todo instante para ouvir av o z d e l a . Ele. e a teria magoado. Sharif vivo ? Ela ficou tonta e começou a suar frio.. . E R o u ? E l e abanou a cabeça e trincou os dentes. Se não fosse amaldiçoado.. Se ele sentia algo. C o m o c o r a ç ã o a c e l e r a d o e u m f r i o nab a r r i g a . — Adeus. ele repetiu para si mesmo. apesar de sua promessa de protegê-la. Nada poderia ajudá. Suas prioridades eram c l a r a s : S a r q v i n h a e m p r i m e i r o l u g a r . ele ouviu o barulho de um motor e foi até a janelapara ver uma das Mercedes do palácio desaparecer na direção do portão. Zayed procurou na gaveta elhe entregou o documento sem se levantar da cadeira. era uma mulher moderna que gostava de exercer s u a profissão e que o esqueceria rapidamente. Sentiria falta de Rou. que deveriam estar em êxtase.. Ela vai ficar bem. Parecera firme. Ele continuou calado. . Ela ficaria bem. não pertenciaa ele. estendendo a mão. como sentira durante osúltimos dez dias. mantendo-se ocupado. A s m ã o s d e l a t r e m i a m e a contração em seu estômago se transformou em enjôo.. . por outro l a d o . R o u r e l e u a m a n c h e t e d o Chicago Tribune.. Elesentiu um amargo desgosto. Ela não pertencia aquele lugar. — Boa sorte. com os cabelos brilhando. agarradaao passaporte.. . Tentara ficar longe. ele disse a si mesmo..lo. estaria a salvo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter acréscimo à vida desde que sejam retribuídos e c o m p a r t i l h a d o s . Z a y e d apertou as têmporas que latejavam havia alguns dias. E tão magoada! Zayed sentiu o coração apertadode tristeza. .

Sharif esquecera quem era. Ela enxugou aslágrimas e tentou ler mais detalhes. e r e s o l v e r a i n ve s t i g a r . Sharif. ouvira um boato de que havia uma tribo nômade à p r o c u r a d e r e mé d i o s p a r a t r a t a r u m f e r i d o . muito queimado e ferido. irmão caçula do rei..Zayed. rezando para que seu enjôo diminuísse. onde o rei estava sendotratado. No mês anterior. L e v a r a q u a s e u m m ê s p a r a e n c o n t r a r o s n ô m a d e s n o S a a r a . K h a l i d Fehr . Por causa dos f e r i m e n t o s na cabeça. A família se reunira em Isi. Sarq.Depois do terrível acidente. Rou apertou o estômago.. e i m e d i a t a m e n t e reconhecera o irmão. Não Projeto Revisoras74 . foraresgatado por uma tribo de nômades que não o reconhecera.

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Rou dava uma palestra numa sala de conferênciasem Chicago. Ela era como os gatos. Zayed não era mais seu problema. Rou c a i u de joelhos e sentou ao lado da lata com o corpo tremendo e os o l h o s cheios de lágrimas.. não queriaque ele financiasse seu centro de pesquisas. Sharif está vivo. Quando Rou s a i u d o p a l c o . mas não s u p o r t a r i a e s t a r s o z i n h a e grávida. E s c l a r e c e u a o s o u v i n t e s q u e o s e f e i t o s d a a b s t e n ç ã o d e d o p a m i n a poderiam durar meses. agarrou a primeira coisa no caminho — uma lata de lixo — e vomitou. partindo seu coraçãoQuatro horas depois. de fato? —. Ele abrira uma conta para ela num banco em S ã o F r a n c i s c o e t r a n s f e r i r a a q u a n t i a q u e l h e p r o m e t e r a . Não queria o dinheiro de Zayed. estava grávida de dois meses e tremendamentesozinha. Ela estava doente! O susto fez com que ele seaproximasse. foi salvo pelo irmão. ela não demonstrava a angústia que sentia desde que partira de S a r q . Rou nunca o ouvira falar naquele tom e. tudo isso. anão ser logo após sua partida. Deus do céu. e agora. v a i p a s s a r .. o que faria? Não queria se casar nem ter filhos. transtornos do sono e dificuldade de concentração. O fato de você se casar com a única mulher que não o desejava. quando adopamina inunda o cérebro e causa sofrimento físico e emocional. e l e s e escondeu na sombra e viu que ela vomitava dentro de uma lata de lixo. seu peito doía e um nó se formava na garganta. apesar de nada eliminar completamente osofrimento. Falou da importância de se exercitar e de se ocupar. Rou estavabem. correndo para o hospital. Não queria ter nenhuma ligação com ele.Ao sair do palco. Rou estava lívida.Jessica 116.— Você está em negação e. sobre os efeitos fisiológicos do amor. resultando em ansiedade.. transmitia credibilidade. s e m p r e p a s s a . nós.Os dois não haviam mais se falado — quando o teriam feito. E l a n e m s e q u e r a b r i r a o s extratos que o banco lhe enviava. c a m i n h a n d o n a s u a d i r e ç ã o . Ela falou sobre as conseqüências de se romper uma relação no estágio inicial. o que aconteceria aZayed ? Só de pensar nele. Demonstrava a terapeutas como as pesquisas de laboratório haviam provado que os efeitos da dopaminano cérebro eram viciantes. abrindo a janela para pegar ar fresco. Depois da palestra. — Os . ele agira certo ao deixá-la ir embora. Com sua vozfria e clara.— Você não sabe — trovejou ele.— Não estou doente — repetiu ela.E STAVAM NA limusine de Zayed. ela respondeu a perguntas durante 20 minutos. N ã o p e n s e n i s s o . Ele não a escutava. antes de desaparecerem. Deus sabe o tipo de mãe que ela seria. mudança decomportamento. que semprec a e m d e p é . mas parecia estar esquálida e muito pálida. t e n t a n d o a c a l m a r s e u estômago. que não queria casar ou ter filhos. deu uma risada fraca. Ela agüentaria estar sozinha. Elafalava bem.surpresa. Se Sharif estava vivo.— Você. A s a l a e s t a v a l o t a d a e e l e p a g a r a a o z e l a d o r p a r a f i c a r n o s bastidores. T o d o m ê s e l e mandava algum dinheiro no qual e l a n ã o t o c a v a . Eles nada podem fazer por mim. tinha domínio sobre o público. — Não preciso de hospital. porque percebeu que a vida é injusta. Ele já fizera muito. vestida no habitual conjunto preto.O rei Zayed Feh assistira à palestra de Rou.c o m o coração destruído. Ela sempre fora magra. — O quehá de engraçado? — Ele estava zangado..— N ã o e s t o u e m n e g a ç ã o — i n t e r r o m p e u e l a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter queria vomitar naquela hora.

olhos dela brilharam ee l a e n g o l i u e m s e c o . S u a n á u s e a p i o r a v a : e r a q u e s t ã o d e t e m p o a t é e l a vomitar outra vez. — Não estou doente, Zayed. Estou grávida.A c a b a r a m n o h o s p i t a l , f o s s e p o r q u e ele não acreditara, fosse porque Projeto Revisoras75

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter precisava de provas. Ao ouvir o nome dele, o médico os atendeuimediatamente e fez uma ultrassonografia.— Hum — disse ele, observando a tela. — Então, é isto que nos espera.Zayed se inclinou e tentou olhar o monitor.— O quê? — vociferou com uma cara preocupada.— Duas batidas de coração — disse o médico, virando a tela e apontandoas imagens. — Gêmeos.Rou quase desmaiou e lutou para respirar. Gêmeos?— Não é possível — ela gemeu.— E comum na minha família — respondeu Zayed em voz calma. — Jamilae Aman.— Não é possível — repetiu Rou. Um bebê já era mau, imagine dois!O médico desligou o aparelho.— Parabéns, vocês estão absolutamente grávidos.Vinte minutos depois, eles se dirigiam ao hotel onde Rou se hospedara.Ela estava calada, mas ele a observava atentamente. Ela estava grávida de dois meses e já deveria saber a algum tempo. Nada lhe contara, ep r o v a v e l m e n te n ã o p r e te n d i a l h e c o n t a r . Z a y e d d e u u m s u s p i r o . E l e n ã o a culpava: ele não lhe dera apoio. Agora, seria diferente. Ela teria seus filhos, dois bebês. Ele se lembrou de Jamila e Aman, correndo pelo palácio, brincandode esconder, e sentiu uma pontada de dor. As irmãs eram lindas.R o u s e e n c o l h e u n o b a n c o . Z a y e d l h e e n t r e g o u u m s a c o de papel. Elavomitara no estacionamento e ele achava que ela v o m i t a r i a d e n o v o . R o u olhava pela janela com um olhar vazio.— Você está bem? — ele perguntou com a maior gentileza.— Não. Não posso ter um filho — ela disse, abanando a cabeça. — Quantomais, dois.— Pretendo ajudá-la.— Não. — Laeela, querida.— Não me chame de querida, nem de laeela. Eu não sou nada disso.— É apenas minha mulher.— Não somos casados.— Somos casados e sempre seremos. Jamais vou me divorciar de você. Prometi...—Você e suas promessas estúpidas! — gritou ela, voltandose afinal parae l e . S e u s o l h o s e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . — V o c ê vi v e n u m m u n d o d e promessas e maldições, de superstição e de fantasmas. É um mundo no qual eu não me encaixo, nem quero me encaixar. Acredito na ciência, naobjetividade, em fatos, e não vou entregar a minha vida a um homem que nãome ama. — Ela estava descontrolada e cutucou-lhe o peito. — Eu mereço mais,Z a y e d . M e r e ç o m u i t o m a i s . — R o u c o m e ç o u a c h o r a r c o m o u m a c r i a n ç a , encolhida, com as mãos no rosto e muito pálida. Zayed olhou para ela como sea visse pela primeira vez. Ela o amava. Rou nada dissera, e nem precisara. Elepercebeu pelo modo como ela o fitava, pela angústia em sua voz, pela força deseus soluços. Ela o amava e ele a magoara demais. O coração dele doeu maispor arrependimento que por culpa. Ela parecia uma menina, e ele se perguntoupor que jamais percebera. Zayed tentou tocá-la, mas Rou se afastou. — Não me toque.Ele retirou a mão, mas viu que as lágrimas caíam através dos dedos de Rou e umedeciam seus joelhos. Ela estava sozinha, sem família e sem amigos.Quem a confortaria, se ele não o fizesse? Rou precisava dele, não de qualquer Projeto Revisoras76

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Talvez a maldição tivesse enfraquecido. e dever a vida e seus desafios de outra maneira. preocupada. Por que ela nunca pensara em anticoncepcionais. Ela tomou um banho. Ele iria ser pai. a v o l t a d e S h a r i f perdera um pouco de sua importância quando comparada às duas vidas que ela carregava.— N ã o c h o r e q u e r i d a — m u r m u r o u e l e . Zayedestava ali.Jessica 116.Z a y e d e sp e r o u q u e R o u a d o r m e c e s s e p a r a s e d e i t a r a o l ad o d e l a . Quando Rou secou seus olhos. como Rou dissera. Olivia. O calor que sentia era ele voltando à vida. Prometo. e n ã o s a b i a o q u a n t o i r i a agüentar. Ele não sabia por que ela o escolhera. que comentou que ele temia que ela fugisse. Zayed? — ela murmurou. não porque queria. — Z a y e d . Sentia-se vivo vibrante. O que faria? Duas pessoas que ela corria o risco d e magoar? Duas pessoas que ela talvez fosse capaz de prejudicar? Agora. Ele afastou uma mecha de cabelos do rosto dela e seu coração seincendiou e doeu. se virara para ele e se aconchegaraa seu corpo. Durante sua infância. sua esposa. Talvez estivesse na hora de se livrar dela. porém jamais acontecera. Eles e n ti u u m a i m e n s a n e c e s s i d a d e d e p r o t e g ê . Era o que ela queria: uma oportunidade para sevingar. o que foi?E l e j a m a i s i m a g i n a r i a s e n t i r t a l s o f r i m e n t o .Rou não teve forças para mandá-lo embora. Fechou os olhos e se deixou invadir pelocalor. Ele disse que ficava porque não queria deixá-la sozinha. R o u s e n t o u n a c a m a e s e i n c l i n o u s o b r e e l e .l a l i v r e m e n te c o m o jamais amara depois da morte de Nur. agarrou-a e colocou no colo. lutando por ela. ela esperara que o pai e a mãe reconhecessem que a amavam e precisavam dela. Sharif voltara ferido. Rou. a mãe de seus filhos. pleno.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter pessoa. — Zayed. O suor escorria por .Zayed olhou para Rou que. E l a e s t a v a l ou c a por ele. os dois passaram a noite no hotel de Rou. assumindo sua responsabilidade. mas. A paz e a prosperidade haviam voltado ao palácio. Ele ignorou os protestos dela. esposa de Khalid. olhe para mim! — Ele abriu os olhos com esforço. para ele. Não vou deixá-la nunca mais. Duvidou que agüentasse tantossentimentos e tentou não fazer nenhum ruído que pudesse despertar Rou. e l a mesma dissera que o amor é estranho e imprevisível. dormindo. Ela o amava e. m a s . — Algo de errado? — Elen ã o c o n s e g u i a f a l a r . Talvez ele pudesse ser feliz. ou talvez estivesse prestes a sequebrar. Jesslyn e as criançasestavam mais que felizes. Zayed estava alie d e c l a r a r a q u e j a m a i s a a b a n d o n a r i a . Sua. e sua própria culpa o torturara durante anos. n a s ú l t i m a s h o r a s . pretendendo se manter o mais distante p o s s í v e l . Talvez. tão básicos efundamentais? Agora. Ele sentiu a mão fresca tocando-lhe o rosto.Afinal. Estavag r á v i d a d e gêmeos. Voltara para ela. Eles nem sequer tinhamconversado a respeito de S h a r i f .isto era algo extremamente importante. d e a m á . dera à luz um menino. olhou para ela e imaginoupor que seu lindo rosto lhe parecia enevoado. a c a r i c i a n d o s e u s c a b e l o s e beijando-a no rosto. ela jamais tivesse existido. combatendo a tristezae destruindo-a.l a . — Estou aqui e amo você. vestiu seuspijamas de flanela e deitou na cama. P o r q u e e l a n ã o s e s e n t i a f e l i z e vitoriosa? Porque ele o fazia por dever. ele percebeu que chorava.Estava com ela porque devia. E l e pensava incansavelmente. sua mulher. durante a p a l e s t r a . muito magoada e se sentia mal.— Zayed. Sarq estava emfesta. tudo seria diferente. mas vivo.

seu rosto.— Amo você — disse ele em voz rouca. a dor desapareceu e ele se sentiu exausto. meu amor. laeela. Perdoe-me.— Você está passando mal? — perguntou ela. — Amo você e preciso de você. Projeto Revisoras77 . mas preciso de você. confusa. — De súbito. o calor que oqueimava se apagou.

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. em 20 anos. acaba com o enjôo. Foi por isso que o d e i x e i .— Isto tudo aconteceu nas últimas horas? Ele sentiu vontade de rir. f r a c a e ridícula como ela. e se deitou. Estava fresca e adocicada. Dra. Era o que Olivia comia quando estava enjoada.Quando Rou voltou para a cama ele lhe ofereceu a bandeja. Zayed deu uma gargalhada. e. E l a o o u v i u s u s p i r a r e abriu os olhos. — Ela estremeceu e franziu a testa.Rou o olhou.— Eu não queria ser mãe. —A maldição — ele disse. Não há sinal de maldição. O amor é mais forte que tudo.. Rou bateu Projeto Revisoras78 .— Ah. mas fico contentepor mim. contente. apavorada. ou uma intoxicação. melão e uvas geladas. você soubesse que seria. apoiando-se no braço eolhando para ela. — Rou fez umacareta. Rou mordeu a uva. Tornell. é mais forte que a superstição e a desgraça. em seguida. Vamos ser pais. E ela me trouxe até você. Talvez você soubesse que não se parece com sua mãe e que jamais abandonaria seu filho....— Não é uma comida qualquer — ele disse.O m ê s f o r a d i f í c i l .— Não. — Ele arrancou uma uva do cachoe deu a ela. amor. E o amor.— Eu sei.— Talvez.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Está tudo bem — respondeu ele.. não há nada de errado comigo. Ele sorria. o nascimento do filho de Olivia e Khalid. A felicidade está espalhada ehá vida e amor em todos os lugares. Z a y e d l i g o u p a r a o s e r v i ç o d e q u a r t o e p e d i u u m b a l d e d e g e l o . no fundo. Zayed.— De jeito nenhum.— Estou melhor — disse ela. Eu não seria uma boa mãe. não. Vou ser pai. — Por quê?— Porque amo você. Vamos ver se dará certo com você. é preocupante. m a s é exatamente o oposto. Ela pegou mais umae depois comeu melão. — Rou acendeu a luz e o fitou calada. s o d a . — Ela fechou os olhos. Acho que não pensei que sexo resultaria em filhos. arrumando a bandeja. Não é do seufeitio. Vou vomitar! — Ela correu para o banheiro. — Não é estranho? Sou tãom a n í a c a c o m tudo. E u o d e i x e i p o r q u e s o u t o l a . A volta de Sharif. Sou igual àminha mãe.— Talvez você quisesse ficar grávida — disse ele. mas bem melhor. Pela primeira vez.— Porém você nunca falou em controle de natalidade. desconfiada. e nunca pensei no assunto. feliz por estar contente.— Ah. um prato de torradas e bolachas. não conseguirei comer.— Sinto muito por você — disse ele de maneira fingida.— Eu sei. — Acho que acabou finalmente. Não há nada de errado comigo. Não novamente. — Não estou curada. a felicidade de Jesslyn. sorrindo pela primeira vez em dias. Acho que não pensei q u e pudesse engravidar. u m a garrafa de ginger ale. — Zayed deu uma gargalhada e deitou na cama.— Como?— Percebi o quanto a amava.— Vem acontecendo há algum tempo. até mesmo o meu. — Estacomida é mágica.— Você está delirando?— Porque eu lhe disse que a amo?— Talvez esteja com uma virose.— G o s t a r i a d e l h e d a r r a z ã o . — D o i s b e b ê s — d i s s e d e r e p e n te . — Inconscientemente. metade de uma torrada. A infelicidade estava dentro de mim.Jessica 116. — Você tem vários diplomas.

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Eu sempre soube onde você estava e o quefazia. Tive q u e v i r procurá-la. como homem e como rei. nem quero.?— E s t á b e m o s u f i c i e n t e p a r a r e t o m a r a l i d e r a n ç a . Ela se sentira miserável sem ele.— Você jamais ficou perdida. Ele se lembra de você. mas não acontecerá de novo. você ainda é rei — disse ela gentilmente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter nele com o travesseiro. Poderia estar comigo. — O r i s o d e l e s e apagou. E l e e s t á v a z i o s e m v o c ê .. era tentador. e ficar sozinha e grávida só aumentara sua infelicidade.— E estou bem?— Está. quisemos esconder a informação da imprensa. V o c ê a l e g r o u o p a l á c i o .— Por que está rindo? Acabo de lhe contar meu segredo mais escondido evocê ri como uma hiena!— Se você é tão fraca. Eu me sinto solitário. mas Sharif ainda não recuperou totalmente a memória.— Ele reconhece Jesslyn e as crianças?— Ele reconhece Jesslyn.. Fico perdida nos seus palácios.— Totalmente. O trauma foi violento eos médicos querem que ele tenha tempo para descansar e se recuperar.— Mas.— Não sei Zayed. mas suas lembranças são do tempo em que viviaem Londres. Prometo. nem saudável. — Não foi noticiado.— Podíamos ficar juntos e nos amarmos.— Q u e r o u m a l i n h a d i r e t a c o m o s d o i s p a l á c i o s — d i s s e e l a . como conseguiu sobreviver sem meu dinheiro e meu apoio emocional? Seé tão ridícula.Rou afundou no travesseiro.— Você é louco por mim? — Zayed se inclinou sobre ela e afastou-lhe os cabelos do rosto. verificar se você estava bem.— Como posso ter certeza?— Porque estou aqui. laeela — Os dentes dele brilharam num sorriso. Porém a vida em Sarq não era fácil paraela. V o l t e p a r a casa comigo.. não consigo sem você. Ele era o que ela queria tudo de que precisava... Porém. Seja minha esposa. quejamais vou abandoná-la.— Você terá uma linha exclusiva.— Ele está com amnésia?— Houve uma perda significativa de memória.De fato. minha rainha.— Você está dizendo isso porque perdeu seu emprego?— Não perdi meu emprego — ele disse. o homem cheio de dúvidas. sentindo esperança. A culpa foi minha. t e n t a n d o esconder as lágrimas. s i n t o s u a f a l t a . Fehr?— Amor.Amo você demais para magoá-la outra vez. Sharif.— E o que é Dr. Não consegui ficar longe de você. rindo.— Sou.Rou tentou ver nele o homem que a abandonaria na primeiraoportunidade.. Projeto Revisoras79 . Juro. antes de ser coroado.— Então. perseguido por fantasmas. Fico perdida no s e u mundo. mas poderia estar melhor. — Não quero precisar recorrer a ninguém para falar comvocê quando sentir necessidade.Jessica 116. Podíamos ter o que queremos o que precisamos. como conseguiu coragem para me deixar? Se é tãotola. mas tudoo que via era Zayed. por que sou tão louco por você?Rou olhou para ele. medo e ansiedade. Eu me escondia de você.

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Eu não s u p o r t a r i a q u e n o s s o s f i l h o s s e v i s s e m e n c u r r a l a d o s e n t r e n ó s d o i s . n ã o agüentaria que fossem magoados da mesma maneira que fui.— Amo você. todos os seust e m o r e s s e a p a g a r i a m e s u a f e r i d a e s t a r i a s a r a d a .— O amor cura — ela disse em voz baixa e doce. e p e r c e b e u q u e t u d o d e q u e precisava era de tempo para confiar. Preciso de você e do seu amor. sua a l e g r i a . Com o tempo e a confiança.— Algo mais.— Quero que nossos filhos cresçam num ambiente feliz — disse.— Espero que sim. — Ele tudo renova. — Faremos com que dê certo.— Concordo totalmente. sua esposa. suanoiva. beijando-a. que nos amemos o suficiente para colocálos sempre emprimeiro lugar.Jessica 116. para atender às necessidades deles antes das nossas. meu amor?O sorriso dele era enorme estava mais bonito que nunca. Projeto Revisoras80 . Nossos filhos também precisam.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Quero viajar com você.J ú b i l o .Rou fechou os olhos ao sentir os lábios dele sobre os seus e acariciou-lhe orosto.— Dará certo — ela disse resoluta. m a s n e n h u m a maior que aquela mulher. com todo o meu coração — ele disse. Quero estar onde você estiver. Z a y e d enfiou as mãos nos cabelos dela. E l a e r a d i f e r e n te d e s u a mãe. sua mulher. era mais forte do que esperava. — Queroque sejamos fortes. Rou pensou ump o u c o s e i m p o r i a m a i s a l g u m a c o n d i ç ã o .— Sei que sim. E l e r e c e b e r a v á r i a s b ê n ç ã o s . E l e s e s e n t i a f e l i z .Rou sorriu e o coração de Zayed derreteu. Ele sentiu um nó na garganta.R o u o abraçou e beijou com tal ternura que o coração de Zayed d o e u antes de se encher de júbilo.

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poderiamviajar.mandou buscar um padre em Londres. no momento. F o r a u m v e r d a d e i r o milagre ver Sharif de volta. mas Rou não tinha vontade de retomar seu trabalho. Adorava ser mãe eadorava seu marido. mas sem interferir: Cala era a solução perfeita. que jamais quisera se casar ou ter filhos.O rei Sharif sorriu ao pegar o bebê e olhou para Rou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Epilogo ROU QUIS batizar os filhos.Jessica 116. Jesslyn e Olivia aapoiaram. se ela quisesse. O s b e b ê s . e o inquieto e teimosoSharif ser colocado nos braços do tio Sharif. Zayeda a b r a ç o u p e l a c i n t u r a . m a s e l e s d e c i d i r a m m o r a r e m S a r q e criar os meninos emC a l a . e. Zayed queria ficar perto da família. apreciava a vida que levava. **** *** * . E l a j á e s t a v a c o m a v i s t a enevoada e mal conseguia acompanhar a c e r i m ô n i a . três campos de estudo que ela pretendia cursarpelo resto da vida. Ela. não suportariam um ritual mais demorado. Zayed. c o m seis meses. R o u a d o r a v a o c l i m a e a p r a i a d o l i n d o p o r t o histórico. n o a m o r . n o casamento e na maternidade. Sua missão não era passar horas noc o n s u l t ó r i o o u d a r p a l e s t r a s . assumindo seu reinado. n o p a l á c i o d e v e r ã o .Com o retorno de Sharif ao trono. observava o pequeno e calmo Kamil ser colocado no colo de Khalid. encontrara sua missão. ela e Zayed estavam livres para viver o n d e q u i s e s s e m . S u a m i s s ã o e s t a v a e m c a s a .O batizado aconteceu numa das salas do palácio e a cerimônia foi curta. Nada mais natural do quedar seu nome a um dos gêmeos. acreditando que todas as crianças deveriam ser abençoadas. Ela ficou emocionadae s o r r i u p a r a o c u n h a d o e a m i g o q u e s e e sf o r ç a r a t a n t o p a r a r e c u p e r a r a memória e a energia. Ao perceber que Rou estava à beira das lágrimas. R o u escolhera os irmãos de Zayed como padrinhos. m a s e r a t a r d e d e m a i s . algo incomum na família Fehr. Ele também dissera à esposa que.

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