Jessica 116.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter

DUTY, DESIRE AND THE DESERT KING

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. S h a r i f . s e u a m a d o i r m ã o . e Zayed fora feitono mesmo molde: bonito. Ele era irmão de Sharif. e simp o r K h a l i d . apertandoas mãos. após uma turnê de sete semanas em que promovera o seu livro. a assistente de Rou. ansiosa. sem senso de responsabilidade e sem educação. Portanto. Khalid deveria estar enganado.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Monte Cario O sheik ZAYED Fehr releu a carta escrita no grosso pergaminho usado pelafamília real.Pela primeira vez em 15 anos.— Nós nos conhecemos — disse Rou com fingida indiferença. acima de tudo. Ele está aqui — disse Jamie. aqui? — perguntou Rou. A m e n s a g e m e r a c u r t a e s i m p l e s . Parece que é urgente:assunto de vida ou de morte.— Sim. e ele fora dado como morto. Rou desprezava playboys e grandes astros.— O quê? — Rou recolocou os óculos e fitou Jamie. confusa. famoso. Zayed seria o rei. — Acho que ele não irá embora antes de vê-la. Ele expirou com dificuldade. não uma. s e u i r m ã o c a ç u l a . masvárias vezes. pensou Rou. d e s a p a r e c e r a : s e u a v i ã o c a í r a e m algum lugar do deserto do Saara. — Por quê? — Você disse a ele que não teria tempo de vê-lo em Portland o u e m Seattle. Jamie não p r e c i s a v a saber dos detalhes embaraçosos do encontro de 3 anos a t r á s .— Quero dizer aqui. porémmal conseguia respirar. Sharif.Aquilo era o tipo de coisa que seu pai diria. preferiaos óculos. um príncipe do desertosem preocupações. odiava a facilidade comque satisfaziam os próprios desejos. Ele não costumava se emocionar. Rou Tornell.— Como assim. Capítulo Um Vancouver. Uma pontada aguda feriu seu coração. e não por causa do irmão mais moço do rei Sharif Fehr. elausava lentes de contato. e. Zayed sentiu que possuía um coração e quee l e s e p a r t i r a . Rou fez um gesto de aborrecimento. Ela não fora enviada pelo rei. ele voou até aqui. Sefosse verdade. no hotel. ele já teria ouvido alguma notícia antes de receber acorrespondência. — Jamie sorriu nervosamente.— Você o conhece? — perguntou Jamie. espantada. seu irmão mais velho. O filho de Sharif tinhaapenas três anos e não poderia governar. na privacidade de seu quarto de hotel. Canada O SHEIK Z AYED Fehr está aqui e m Vancouver? — repetiu a Dra. Zayed precisaria se casar e voltar para casa. A partir daquelemomento. Não podia ser verdade. Ela disse a si mesma que tremia por causa do cansaço. detestava Zayed Fehr. Bastava saber que ela jamais respeitaria ou confiaria num homem como . Em geral. K h a l i d f o r a direto. frívolo e egocêntrico.o sheik Zayed. Tudo girava em torno dele. As mãos de Zayed tremeram..tirando os óculos com mão trêmula e esfregando o nariz. preocupada. rico. mas a ovelha negra da família. o homem que a humilhara e magoara como nenhum outro. mas.Jessica 116.— Não tenho tempo e não quero vê-lo.

— Ele tem um corpo perfeito. Rou queria gritar que sim. A assistente de produção só chegará dentro de meia hora e você vai se maquiarno estúdio de TV. A a s s i s t e n t e e s t a v a q u a s e c h o r a n d o . corando.— Há meia hora.l a p o r f i c a r encantada com Zayed.— Há quanto tempo ele está esperando? — perguntou.. na ante-sala. nervosa. — Rou juntou seus papéis para disfarçar opânico. R o u n ã o p o d e r i a c u l p á . engolindo em seco. — disse Jamie. mas isso não faz dele um homem bom. esperando-a do outro lado da porta? — Eu fiz algode errado? — perguntou Jamie. Ele está aqui. Além de bonito e rico.ZayedFehr. Zayed em sua suíte.e as mulheres caíam a seus pés.R o u a g a r r o u a b e i r a d a d a m e s a p a r a c o n t e r o t r em o r .— Pensei que você teria cinco minutos — insistiu Jamie.— Não — ela respondeu. C l a r o q u e t er i a tempo...— Ele é muito bonito — disse Jamie. P e n s e i q u e v o c ê t e r i a t e m p o . ele era charmoso e carismático. a fria e racional cientista. Ela mesma.— Você o conheceu?— Bem.— Na minha suíte?— E l e e s p e r a q u e v o c ê o r e c e b a .— Ele me pareceu muito simpático. irritada. se dei-xara impressionar... O problema é que não desejava desperdiçar nem cinco segundos com Zayed Fehr. J a m i e t r a b a l h a v a a r d u a m e n t e . e r a a g r a d á v e l e ef i c i e n t e .— Tem razão — suspirou Rou. — Ela viu a expressão de Rou e apressou-se a esclarecer. com as mãos suando frio e oc o r a ç ã o d i s p a r a d o . Projeto Revisoras4 . entusiasmada. umafortuna ultrajante e um poder indescritível.. Sim. —Ele parece desesperado para vê-la.

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Todos nós precisamos. dominado pelo luto. Rou Tornell. Khalid murmurara ao se despedirem. mas anos de experiência como terapeuta a haviamensinado a não demonstrar suas emoções. E l a u s a v a ó c u l o s e s e u s l o n g o s c a b e l o s l o u r o s estavam displicentemente presos atrás das orelhas. ? N ã o i m p o r t a . o centro da família. p a r e c i a impossível: ele não era um líder. O senhor terá apenas alguns minutos. e e r a d i s t o q u e e l e p r e c i s a v a . nem que K h a l i d n ã o d o r m i s s e h á d i a s . autora de best-sellers. mas deixe claro que ele só terá cinco minutos — disse em vozfirme e de cabeça erguida. pedante e tensa. Talvez por isso ele se comovera.— A Dra.— P o r q u e n ã o m e d i s s e a n t e s . Q u e m p e n s a r i a q u e a h u m i l d e protegida de Sharif se tornaria uma palestrante internacional. sem pedido des o c o r r o . apenas quatro anos mais velho que ele.Na ante-sala.o r o s t o d e J e s s l y n e s e u s o l h o s e s p a n t a d o s o p e r s e g u i a m . empertigada econvencida que eleja conhecera. — Mande-o entrar. era impossível evitar.— Não há problema — Zayed respondeu sorrindo e seguindo Jamie. Entretanto. Elepensou que era típico de Rou Tornell estar sempre ocupada e se fazendo deimportante. um governante. Osarranha-céus e os apartamentos de cobertura agora eram o seu lar. As quatrocrianças estavam chocadas. desesperadas e sentiam a falta do pai. em Sarq. Tornell vai recebê-lo agora — disse ela corando —. Agora. que tentaria cuidar detudo até que ele pudesse voltar e assumir seu lugar. P a r a e l e . ele gostava de chuva. . mas quando se tratava deRou Tornell. a s s i m c o m o o sofrimento infinito e silencioso de Khalid. a rocha. não de sol. Aop e n s a r n e s t a ú l t i m a q u a l i f i c a ç ã o . Porém. Jesslyn. morreria? Quem poderia prever a queda do avião? Zayed fechou os olhos esentiu uma dor no peito. Zayed esperava ser recebido pela Dra.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ficou desanimada. ela tinha a reputação de ser a melhor ems e u r a m o. de repente.mas quem poderia imaginar que Sharif. e talvez até deprimida. Sua dor parecia maior e mais intensa agora do que aoreceber a notícia cinco dias antes. Ninguém sabia o que acontecera. E s t á c e r t o . d i a n t e d e u m l a p t o p . P o r l e i . Se não fosse pelo irmão.Ele voara para casa. odeserto não estava mais em seu sangue. Zayed também passaraalgum tempo com a esposa de Sharif. e muito menos uma casamenteira? Quem diria que a tímida professora entenderia algo sobrea t r a ç ã o s e x u a l e s o b r e r e l a c i o n a m e n t o s a m o r o s o s ? Z a y e d e r a c a v a l h e i r o demais para fazer comparações entre as mulheres. a experiência de Zayed lhe mostrara que ela era s e v e r a m e n t e reprimida. palestrante internacional e casamenteira profissional. — R o u endireitou os ombros e prendeu o lindo c a b e l o l o u r o W a t r á s d a o r e l h a . No dia seguinte faria uma semana queo a v i ã o s i m p l e s m e n t e d e s a p a r e c e r a s e m sinal de alerta.Jessica 116. o mais velho.. e encontrara Khalid.Jamie abriu a porta. Loura. O irmão e a cunhada jamais lhe pediram algo. Ao entrar no quarto.Volte para casa. Embora Sharif alegasse que ela era apenas o b j e t i v a . Todos recorriama Sharif. Ela era a mulher mais fria. Agora. e l e s o r r i u . A a s s i s t e n t e s a i u discretamente e Projeto Revisoras5 .. Rou Tornell exalava o calor de um cubo de gelo. Não admira que Jesslyn parecesse um fantasma. n o 1 4 ° d i a Z a y e d a s s u m i r i a o t r o n o . pelo sofrimento e pelo medo. antes danoite de autógrafos. . Sharif sefora. ele não estaria ali. Preciso de você. seu lugar não era em Sarq. magra. e com os sobrinhos. encontrou-a sentada do outro lado de uma m e s a. e sua personalidade eratão interessante quanto um. O palácioestava pior do que ele imaginara. O m u n d o d e l e s v i r a r a d e c a b e ç a p a r a b a i x o e jamais seria o mesmo. porque ela dará várias entrevistas esta tarde. mas receio que o tempo seja curto.

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Ela não deveria admitir que um homem como ele tivesse tal poder.os impostores e os trapaceiros e encontrar o verdadeiro amor". ele era bem mais alto que ela.— Rou sustentou o olhar de Zayed.— Boa tarde. Tornell.s e d e c o m o e l e d o m i n a v a o ambiente com sua imponência e sua elegância. — Tanto tempo assim? — ele retorquiu com um sorriso frio. em seu lugar. o p r í n c i p e Zayed Fehr. — Eu nãopoderia deixar de lhe apresentar minha amiga. além da fortuna dafamília. Tinha olhos e cabelos negros. você está ansioso para me ver. sheik Fehr — cumprimentou Rou. observando que ela não mudara e quejamais mudaria. Zayednão era artista. E n t r et a n t o . a l g o d e p o s i t i v o r e s u l t a r a d o e p i s ó d i o h u m i l h a n t e e d o l o r o s o . mas não pudera e mandara s e u i r m ã o m a i s n o v o .o p o r c o n s i d e r a ç ã o a Sharif. — Ele se levantarade maneira imponente e elegante. O pai dela. Ela oo d i a v a . Esqueça o cubo de gelo.— Não imagino como possa ajudá-lo — ela disse friamente. r e c e b e r a . — Rou sentiu um sobressalto ao vê-lo se aproximar. Sharif deveriacomparecer. zombado dela. Odiava que ele a tivesse magoado. Rou Tornell. queixo não . ele pensou com cinismo.— Sheik Fehr — Pippa dissera.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter fechou a porta. quando e como desejava. parando diante da mesa do sheik. mas um sheik que se comportava de maneira mais ocidentalque a maioria dos ocidentais. e m Winchester. segundo Jamie. costumava produzir o mesmo efeito. apesar de seu coração disparar. Elaé um iceberg. que lhe t i v e s s e provado que ela jamais deveria confiar num homem e que jamais encontraria um amor verdadeiro.— Parece que foi ontem que nos conhecemos. Como Sharif. S e S h a r i f e r a b o n i t o .Jessica 116. um dos maioresastros de cinema de sua época. aproximando-se. E s q u e c e r a . irritada porques e u p u l s o a c e l e r a r a .mas. e fazia o que queria. Determinado seria a palavra mais certa. Possuía milhões de dólares. mesmo magoando os outros. Sentia-se envergonhada por ele tê-lamagoado.— Eu não diria ansioso. Z a y e d e r a incrivelmente lindo. Rou reviveu o fim de semana em que haviam se conhecido d u r a n t e o c a s a m e n t o d e L a d y P i p p a C o l l i n s . Ela teve dois filhos nesse ínterim. E l a n ã o g o s t a v a d e l e . — Faz algum tempo — ele disse. não é?De repente.— Parece? Não para Pippa. — Dois anos?— Três. Dra. Ele era maisa t r a e n t e d o q u e e l a s e l e m b r a v a .— Lady Pippa teve dois filhos? Ela tem estado bastante ocupada.Zayed notou o tom gélido e apertou os lábios. Pippa os apresentara durante a recepção.t i n h a o m b r o s l a r g o s e a c i n t u r a e s t r e i t a . A percepção que tivera do caráter de Zayed se tornara o título de seu segundo best-seller: "Ele não é um príncipe — Como reconhecer os homens maldosos. — Estou meio apressada. Rou endureceu o queixo.

P o r o u t r o l a d o . q u e r i a g o s t a r d e l e p o r s e r i r m ã o d e S h a r i f . Rou reparara que ele não era um jovemde 20 anos. Pippa estava tão feliz quenão percebera. Foi ela quem me apresentou a Henry. já que a maioria dos homens bonitos é egoístae i m p i e d o s a . ela sabiaque jamais poderia confiar nele.Os olhos do sheik Fehr brilharam. estamos aqui. mas um homem maduro. apesar de. Projeto Revisoras6 . Em parte. — Graças a Rou.muito quadrado.m a s e x t r em a m e n t e m á s c u l o n a r i z r e t o e m a ç ã s d o r o s t o p r o n u n c i a d a s q u e fariam inveja a qualquer modelo. Era o protótipo da beleza. ela já ter ouvido de tudo. em torno dos 32 ou 33 anos.— Q u e s o r t e — e l e d i s s e r a n u m t o m d e i r o n i a q u e R o u j a m a i s o u v i r a . há um ano. como psicóloga.

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Ele usava um bonito terno e uma camisa branca. Preciso soletrar?— Não. sempre curiosa. A gentileza dele a cativara . — Deixei várias mensagens para você. Ele deveria estar brincando.— As coisas mudaram — disse ele sério. Zayed a convidara para sentar e os dois passaram o resto da noite juntos. T o r n e l l t e m u m v er d a d e i r o d o m . quando ele a colocou num t á x i . " — Você ainda promove casamentos? — disse Zayed naquele momento. maçante. Sharif pretendia responder uma mensagem de Zayed. Zayed Fehr.— Tenho 36 anos. O primeiro nome é Zayed. por você. e todos acabaram em casamento. Rou se lembrava muito bem dos detalhes daquela noite e do calor do corpo de Zayedenquanto dançavam. sem mencionar os e-mails. Sharif prometera não contar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — R o u . dançarame saíram juntos da recepção para tomar um último drinque num bar. mas a atração obviamente não foi recíproca. de fato. A únicavantagem é que ele nada sabia. de alguma forma. e a deixarasozinha com o sheik. r o ç o u . Ela já formou cem pares. ela pensou. Rou. rouca o suficiente para parecer uma carícia. lera o e-mail: "Passar a noite com elaf o i c o m o p a s s e a r n u m m u s e u — maçante — mas você agüenta porque se c o n v e n c e d e q u e es t á f a z e n d o u m a b o a a ç ã o .— Sim — disse ela simplesmente. Para sua surpresa.A alegre Pippa se afastara. Ela tem o calor eo charme de um manequim de loja.— Por que uma esposa agora? Você sempre declarou não ser favorável aocasamento. . Porém. odiando reviver o episódio. As mãosdela tremeram. a D r a . Comofora estúpida! A vergonha a fez falar secamente.— Estive viajando — respondeu secamente. Maçante. . Ele percebera o erro antes d e l a e l i g a r a p a r a s e d e s c u l p a r e p a r a l h e p e d i r q u e a p a g a s s e a r u d e mensagem sem ler. — Ela rangeu os dentes ao ouvir a voz irônica. o s o l t e i r o m a i s r i c o e f a m o s o d e M o n t e C a r i o . Havia tempo que ela não tinha um encontro. — Não tenho mais opção. Mais tarde. sheik Fehr?— Você podia pegar sua papelada e começar a preencher os formulários.— O que posso fazer. falara sobre o próprio trabalho.. — O que posso fazer por você.Rou esperou o fim da piada. O cabelo estava mais curto do que quando o conhecera. v o c ê s a b e r i a — e l e d i s s e . atendendo a um aceno do marido. O p i o r é q u e p e r c e b i q u e e l a gostou de mim.O nome é F-eh-r. sem gravata. assim como ela. Não admirava que as mulheres Se encantassem. ele n ã o t e l e f o n a r a e R o u jamais saberia o que ele sentia por ela. Era exatamentecomo ela se lembrava: profunda e firme. Ele a escutara rira de suasbrincadeiras. Preciso de uma esposa. Um manequim de loja. não fosse por um email de Sharif querecebera por engano.l h e o r o s t o c o m o s l á b i o s e e l a t e v e a c e r t e z a de que logo ele aconvidaria para um encontro de verdade. sentando-se numa poltrona.Jessica 116.— O que faz aqui? — perguntou ela. q u e r i a u m a esposa? Ela mal sufocou uma gargalhada. Q u e r d i z e r . nem piscou. enviara o e-mail para ela.— Talvez você precise atualizar sua tecnologia. Conversaram durante horas. D á p a r a acreditar? O nosso é o centésimo casamento que ela faz. Vou Projeto Revisoras7 . mas.Rou o examinou por um tempo. mas ele não sorriu. sheik Fehr?— S e t i v e s s e a t e n d i d o m e u s t e l e f o n e m a s . e ele fazia comque ela se sentisse bonita e fascinante. As horas que passaram juntos foram deliciosas. corando. Ficara atraída por ele e percebera queZayed também estava atraído por ela.. r e n o m a d o p l a y b o y .

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— Estou com pressa. Quanto menos soubesse. O cérebro subitamente privado de alguns neurotransmissoresq u e o a l i m e n t a v a m i m p l o r a p e l o s er a m a d o . Nenhum homem pode ocupar otrono antes de completar 25 anos e.Jessica 116. É por isso que estou aqui. E. P a r a o u t r a s p e s s o a s . e e s t a t e n t a r a s e suicidar. você não encontraria sozinho uma c a n d i d a t a disponível.— Eu não conheço. O reiprecisa ter uma esposa. vício. mesmo comsua ajuda. quando o fizer. Não querouma noiva qualquer. i n t r i g a d a . creio que conseguiriaencontrá-la.— Já percebi — retrucou ela com sarcasmo. mas. T o d o s s a b i a m q u e S h a r i f e r a o r e i d e S a r q . Ele era desagradável e queriaque ele fosse embora. Q u a n d o s e e s t á s o b o ef e i t o d o a m o r . Depois de 12 anos dee x p e r i ê n c i a . Ela sel e v a n t o u . é destrutivo.R o u o b s e r v o u . Além disso. você vai me ajudar?— Não. c o m u m p o u c o de esforço.— É por causa de Angela Moss? Rou se espantou. Faltavam-lhe informações. Rou se lembrou de sua mãe.— Não quero uma candidata disponível. você não seencaixa no perfil dos candidatos com quem trabalho. — E l a n ã o sentia. Se fosse o caso.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assumir o trono de Sarq.Zayed sorriu. a a b a n d o n a r a . Ela percebera que precisava ajudar a pobre moça. foram necessários meses de paciência e habilidade para tirá-la do f u n d o d o p o ç o . e q u i v a l e a u m a desintoxicação. — Ela não sentia o menor remorso. uma famosamodelo inglesa. — Sei que ela veio consultá-la — acrescentou Zayed sem expressão.. Você é especialista em relacionamentos e pode encontrar a mulher perfeita para mim.— N ã o p o s s o — e l a r e s p o n d e u br u s c a m e n t e . Jamais encontraria uma mulher para Zayed. O sheik a conquistara e. R o u c o m p r e e n d e r a q u e o a m o r e r a a m a i s p o d e r o s a d r o g a conhecida pelo homem. deverá estar casado. É p r e c i s o t em p o e pesquisa para encontrar um companheiro compatível. R o u s e r e c u s a r a a a t e n d e r a m o d e l o . Isso não quer dizer que. depois dea l g u n s m e s e s . Talvez houvesse outro reino ou alguma tribo do deserto que precisasse de umsenhor feudal. deixaria que minha mãe a escolhesse. Jamais condenaria alguéma passar a vida com ele. Amor é loucura. De repente. De modelo passou a estilista de bolsas. — S e m e d á l i c e n ç a .— Ela foi sua cliente há um ano. quero a esposa certa. Rou se lembrou de que precisava mudar de roupa e se pentear. — U m c a s a m e n t o n ã o d e v e s er a p r e s s a d o . Projeto Revisoras8 . Jamie bateu na porta. Isso a faz recordar?Claro que Rou se lembrava de Angela. entrou e acenou para o relógio. deleite. admirada e invejada no mundo inteiro. e a lei assim o exige. quando dá errado. P o r c a u s a d e s e u s sentimentos pessoais emr e l a ç ã o à Z a y e d . n e c e s s i t a d e c o n t at o e d e s e r inundado pelos hormônios produzidos em sua presença. mas sua expressão não era amigável. Tornell. aparecendo para lhe pedir ajuda depois de tanto tempo?— Então. nem uma esposaagradável. u m c o r a ç ã o p a r t i d o e q u i v a l e a u m a f o r m a d e m o r t e . Quem ele pensava ser? Como podia ser tão insensível eegoísta.— Se você realmente quisesse uma esposa. — S i n t o m u i t o .o . — Fui eu que lhe dei o seu nome. e sim uma sensaçãod e p o d e r . s h e i k F e h r . Dra. mas Zayed não as fornecera e ela não pretendia perguntar. Lembra-se dela? Magra. mas que nãoconseguira fazer seu pai feliz. cabelos ruivos.. melhor. p r e c i s o m e p r e p a r a r p a r a o m e u próximo compromisso... 26 anos. Negativo. Pensei que poderia ajudá-la.

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— Você está zangada — ele disse surpreso.— Marionetes. mas não queria magoá-la. capachos. Só não preciso de você. — Você é psicóloga. Ele a olhou com indiferença. e que.— O que está sugerindo? — ele perguntou..— Por que não?— Eu já lhe disse. pedindo mais cinco minutos. bonecas.Rou olhou-o com desdém.. porque ele jamais se apaixonaria eela o amava cada vez mais. — Ela sorriu.R o u p e r c e b e u q u e J a m i e a i n d a e s t a v a p a r a d a à p o r t a e f e z u m g e s t o.— É muito simples.— Isso tudo com base nos seis encontros que tive com Angela? Não. posso me dar ao luxo de ser seletiva. Assim que ela se foi. — Por quê?— Eu estava preocupado com ela — replicou ele. sheik Fehr. com necessidades próprias. Mas nada disse.Jessica 116.— Não é? — Ele sustentou o olhar de Rou. mas sua acompanhante chegou Dra.— Eu não a amava. Jamais trabalharia com você.— Não.— Desculpe interromper de novo. Agora você vê por que eu não poderia trabalhar com você depois deatender Angela. ela respondeu intimamente.— Não precisa? — ele repetiu.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou sentou novamente.— Não estou zangada. — Ela firmou a voz.— Eu mudei — disse ele. N ã o p o d e r i a v e r a s i t u a ç ã o i s e n t a d e preconceitos. não se faça de obtuso. Fazia parte do sigilo entre p a c i e n t e e terapeuta. com base na minha experiência pessoalcom você. Projeto Revisoras9 . Era o clássico narcisista.— Você a mandou para mim? — Ela balançou a cabeça. Os narcisistas não conseguem amar mais ninguém e nemver o outro como um ser separado..— Talvez você devesse parar de sair com mulheres que têm cérebro e coração. perplexa. N ã o d e v e r i a t er d i t o a ú l t i m a f r a s e p o r u m a q u e s t ã o d e sigilo. — Interesse de quem?— Seu. Haveria conflito de interesses. portanto. Rou se voltou para ele.Afinal.. O pai de Rou também sóamava a si mesmo. não acreditava poder ser fiel a uma mulher. M i n h a c l í n i c a é um s u c e s s o e t e n h o m u i t o t r a b a l h o . s h e i k F e h r . como se fosse evidente. você tem consciência. — Ela se inclinou sobre a mesa. — Desculpe — ela disse. — Isso foi inadequado. portanto. não é?Jamie abriu a porta..— Isso não é possível..— Deixe que eu seja clara.— Você disse a Angela que jamais se casaria que nunca se apaixonaria e que éincapaz de amar.Ele era muito arrogante!— J á s e i d e m a i s s o b r e v o c ê . a b o r r e c i d a . — Elas não serão magoadas quando você as dispensar.— Porque eu não amava Angela?— Porque você não ama e é incapaz de amar — explodiu ela e trincou os d e n t e s . Você me deu uma razão pessoal. robôs. porque jamais lhe revelaria que sabia o que e l e pensava dela. Eu quero uma razão profissional. Angela lhe dissera que Zayed usara sua incapacidade de amar como motivo para romperem seu relacionamento. você é uma cientista.— Então. — Não gosto d e v o c ê . encarando-a.

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perdendo a paciência. como se tivesse levado um soco. mas Rou o deteve. veja esse dinheiro como a verba que precisa para construir ocentro de pesquisas em Oakland.— S e t i v e s s e i n v e s t i g a d o . Ela está esperando no saguão do hotel — Rou acenou com a cabeça..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Tornell.. A c h o q u e é u m a t r o c a justa: eu consigo o que quero você também. Atendo cinco por cento das pessoas que me procuram. — Ela se levantou mais tensa do que nunca.— Cinco milhões de libras? — repetiu. assim como fiz antes de procurála. sheik Fehr? Ele parou e se virou Projeto Revisoras10 .Rou perdeu o fôlego.. E n c o n t r e . faça seu trabalho. falhara..— Eu sou. — Ela respirou fundo.— Nem mesmo cinco milhões de libras? Rou ficou espantada.Se ela esperava abatê-lo. — Não sei se gostaria de poder. Pensa que me conhece.— Então.— Não lhe peço para encontrar a cura do câncer. Faço por que. francamente.E l a s e c a l o u p o r q u e n ã o p o d e r i a c o n t a r a l g o t ã o p e s s o a l a u m h o m em como Zayed. nenhuma quantia faria com que eu me comprometesse.— Este é o problema — ele disse.— Não sei se todos sairiam ganhando. Tornell. Ótimo. levantando. mas necessito do seu tempo e da sua habilidade. que só se importava consigo mesmo.— Preciso ir.— O tempo é fundamental. Ele deu uma gargalhada amarga. Dra. Meu sucesso sedeve ao fato de ser criteriosa.— Qual foi o resultado da sua pesquisa.Jessica 116. e esperou a porta fechar. e todos saem ganhando. Não posso representá-lo com neutralidade.— Você pode me ajudar. de ética. e que. — É o suficiente para você esquecer suasobjeções? — Não! Eu não ligo para o dinheiro — ela disse.. Há um país inteiro a minha espera. Estou lhe pedindo para me arranjar uma esposa.m e u m a e s p o s a e t e r á o s e u c e n t r o . tudo.Ela se afastou da mesa.. as informações básicas. eprometo recompensá-la muito bem. —Talvez você devesse fazer uma pequena pesquisa antes de tirar conclusões. — Ele caminhou para a porta.Começaremos esta noite. Não preciso da sua aprovação. — Determinação — ele corrigiu. O perfil. — Você não me conhece. e talvez fosse mais fácil.— Não. dá no mesmo. J am a i s c o b r e i u m a q u a n t i a t ã o a l t a e n u n c a aceitaria.— Não se trata de dinheiro. A simples oferta demonstra o seu desespero.— Isto é baixo e ultrajante. pelo visto.— Então.— Pensei que você fosse uma profissional.. Ajude-me. é a única coisa em que é boa. Trabalhar com vocêcontraria minha ética e. Só trabalho com pessoas que acredito poder ajudar. — Ele a desafiou com um olhar. mas não é verdade. Não seriacorreto. pelo qual você tem lutado nos últimos sete a n o s .— E v o c ê t a m b é m n ã o f o i ? V o c ê m e j u l g o u e s e n t e n c i o u a n t e s d e n o s encontrarmos hoje. sem despregar os olhos de Zayed. calculando que seriam oito milhõesd e d ó l a r e s . — I s s o é r i d í c u l o . — Jamais.— Pelo que me diz respeito. e sim de valores.. Vamos nos encontrar para jantar. s a b e r i a q u e n ã o a c e i t o q u a l q u e r um c o m o cliente. que é o melhor que sabe fazer. — Oque faço não é por dinheiro.

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dentro de dois dias. que a amasse para sempre. mas doce e carinhoso. mas este era e x c e p c i o n a l . A luz nos olhos da n o i v a b a s t o u p a r a f a z e r o c o r a ç ã o d e R o u s e contrair. financeira e emocionalmente. Zayed deu meia-volta e parou do lado de fora da l i v r a r i a . Rou se recusara a aceitar que sua melhoramiga jamais seria feliz e. Afinal. um nobre de títuloa u s t r í a c o q u e n a s c e r a e c r e s c e r a n o d e s e r t o a u s t r a l i a n o e m c o m p a n h i a d a mãe. Ele também fora convidado parao casamento de Ralf com a princesa Georgina. ele tivera irmãs. começara a procurar umhomem ideal para ela. Eu os declaro marido e mulher.Zayed pegou o celular. A música inundou a igreja enquanto o casal saía. Era disso que Georgina precisava: de um homem forte. certamente. alegando u m m a l estar. Naquelanoite. Os casamentos sempre a comoviam. Ele podia ser implacável. silenciosa e discretamente. Jurara nunca se tornar esposa emãe.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter para ela. e. O nó na garganta de Rou cresceu e seespalhou.mas terno. mas ne -nhum deles a queria de fato. suas brigas exploradas pelos tablóides. Ele sempre as tratara bem. que partiu seucoração. R o u s e s e n t i r a s e g u r a e a m a d a ... Irei buscá-la às nove. onde compareceria a mais um de seus famososcasamentos.D u r a n t e a i n f â n c i a . Ela es-t a v a t ã o f e l i z q u e b r i l h a v a m a i s q u e os candelabros da catedral de SantoEstevão. Amar e ser amada para sempre. Ela amaldiçoara os homens e o amor. sua vida mudara. ao ser abandonada Projeto Revisoras11 Jessica 116. brilhante. mas não era um completo idiota. digerindo a informação. Como é que ele sabia? Ela nunca contara a alguém.— Eu sei por que você é tão rígida e reprimida. A noite estava fresca e o vento arrastava as folhas v e r m e l h a s e a m a r e l a d a s p e l a c a l ç a d a . Era perfeito. mais máquina que mulher. três anos antes. Era algo inusitado. Os convidados aplaudiram quando o noivol e v a n t o u o v é u d e G e or g i n a e a b e i j o u . A v i r g e m d e g e l o p r e f e r i r a f u g i r a encontrá-lo. dramática e violentamente. Georgina encontrous e u p a r . Rou Tornell se grudara a ele como velcro. sabendo de antemão que Rou Tornell não estaria m a i s h o s p e d a d a n o H o t e l F a i r m o n t . o contrário da atenção que elalhe dedicara na festa de casamento de Lady Pippa. Amiga de infância de Georgina. e seus olhos se encheram de lágrimas. Encontrara o barão Ralf van Kliesen. Ralf era perfeito para Georgina: forte. independente. Os dois lutaram pela custódia de Rou. Ela saíra mais cedo. .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter no altar.Nada tem a ver com dinheiro.Ele saiu. sentir-se abençoada.Jessica 116. os telefonemas gravados ereproduzidos pela imprensa. O v e st i d o d a n o i v a c i n t i l a v a c o m o s cristais bordados à mão no tecido delicado. inclusiveAngela. Georgina fora profundamente magoada.Seus pais eram famosos e suas disputas durante o divórcio foram publicadas pela mídia.— Você tem uma noite de autógrafos na Fireside Books às sete. m a s q u a n d o o casamento dos pais naufragara. três anos antes. ele se certificava de que elas estavambem. Os noivos se viraram para encarara congregação e Rou conteve o fôlego ao ver a expressão de Georgina. as mulheres se jogavam sobre ele. E l e d e s c o n f i a v a q u e e l a j á e s t a r i a a caminho da Áustria. Capítulo Dois Rou NÃO estava na Fireside Books quando ele chegou para buscá-la. bebendo suas palavras. e sim com o divórcio de seus pais. pressionando-lhe o peito.Rou ficou muda. Em geral. Ao terminar um relacionamento. Boa sorte com a sua entrevista. bonito. meiahora antes de terminar a noite de autógrafos.

Z a y e d u s a v a um f r a q u e . R o u desapareceu no meio da multidão e se refugiou no banheiro. Quando você não apareceu. As pessoas se apaixonam por uma imagem.Ao sair da catedral. Não seria justo com eles que.. E l a n ã o e n c a n t a v a n i n g u é m . — Ogerente da livraria me disse que o público foi menor do que o esperado. Tornell. quando ele bloqueou-lhe a passagem. junto com tudo o que usaraenquanto casada. até ouvir o som de trombetas anunciando a chegada dosnoivos. entrei na livraria e encontrei o caixa. não foi por isso que fugiu da cidade? Projeto Revisoras12 Jessica 116. — A única dificuldade é a sua incapacidade de lidar com a rejeição. apesar desta contar. Ele vinha na sua direção. agora. O manto se salvara porque ficara esquecido na casa da avó. e acho que . abençoando seu anonimato. pensou.— Não acredito que tenha me seguido até aqui. n e m d e e x p l o r a r . sempre consigo o que quero.A limusine chegou ao palácio. — Sou determinado e. onde Rou o descobrira ao completar 16 anos — dois anos depoisda morte de sua mãe. mas vocêjá saíra há muito tempo.E l a e n t r o u n a l i m u s i n e e f e c h o u a g o l a d o e x t r a v a g a n t e m a n t o d e v e l u d o forrado de seda preta e com botões de diamantes que sua mãe usara duranteo lançamento de um dos filmes de seu pai. Ela alisou o tradicional vestido preto de Jérsey e entrou no salão iluminado por centenas dev e l a s . Não sabia se corara por ele ter descobertoque a noite de autógrafos não fora um sucesso. e o p a l e t ó a c e n t u a v a o s o m br o s l a r g o s e s u a cintura. Andou de um ladopara outro. mas é necessário que haja algo mais por detrás dela. cr e n ç a s e d e s e j o s . o gerente. Não épossível. m a l d i t o . Zayed já fora embora. Rou ficou gelada. Concordou em me encontrar depois do s e u evento. Rou estava mais emocionada do que gostaria. O que ele fazia ali? Ela sabia a resposta: ele pedira a suaa j u d a e e l a r e c u s a r a .na Inglaterra. Este era o motivo pelo qual Rou juntava casais de acordo c o m s e u s v a l o r e s . E preciso haver um laço de genuína compreensão. a sua acompanhante e alguns leitores.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou se odiou por ficar corada. Certamente.. Ela hesitou diante da porta do salão de baile. ou por ele ter aparecido na livraria. Ninguém mais tinhaa q u e l a aparência e aquele andar.. respeito e cuidado. Rou se lembrou da foto dos dois sobre o tapete vermelho: a mãe sorria radiante. A lua iluminava o céu. você diria que foi persistente — ela interrompeu bruscamente. nervosa. e m compensação.— Entretanto.— Ou determinado — ele concordou. No amor não s e t r a t a d e v e n c e r . A pr i m e i r a p e s s o a q u e v i u f o i Z a y e d Fehr. Você só está dificultando ascoisas mais do que o necessário. R o u s e e s c o n d e u n o b a n h e i r o durante 20 minutos. A belezad e s e u s p a i s e n c a n t a v a t o d o m u n d o . O a m o r é g e n e r o s i d a d e e t e r n u r a . eu me dedicasse a um cliente novo. Compareci e esperei.. Em Vancouver você me fez acreditar que p o d e r í a m o s trabalhar juntos. hoje de manhã você se encontrou com uma cliente em perspectiva. Rou fingiu observar os convidados que chegavam. quando resolvo algo.— Como foi o seu evento em Vancouver? — ele perguntou como se fossemvelhos e bons amigos. a noite de outono estava perfumada e soprava uma brisa fria. Rou sentiu a garganta seca e seu coração disparou.— Fui convidado para o casamento. e eu não usaria a palavra seguir.Tudo o que desejavam era vencer. Dra. e n ã o p o r m ot i v o s e x t e r n o s o u p e l a aparência. quase rindo. Rou entrou e tirou seu precioso manto. extremamente bonito. Mal deraalguns passos de volta ao salão. mantinha tranquilamente o controle de sua vida.— Então. tentando se esconder. Claro que era ele. e l e a s e g u i r a .— Não é verdade.A foto fora queimada havia muito tempo pela mãe.— Eu me comprometi com outros clientes. com o manto sobre os ombros. Em pânico. — Não. Porém estava enganada. conforme o combinado. Você ficou desapontada? — Não. e os olhos dourados brilhavamintensamente. m a s. Ele era tentador.

resolveu ficar até que o jantar acabasse e o bailetivesse início. camareiros.— Então. em vez de ficar aborrecido. A simples palavra divórcio a apavorava. tensa e desajeitada. pudera cumprir a promessa de trabalhar para evitar que outra c r i a n ç a o u f a m í l i a s o f r e s s e o q u e e l a s o f r e r a. Sentia-se mal. ele pensou. mas você está tão enganada que chego a Projeto Revisoras13 Jessica 116.. comporte-se como uma cientista. e. Em outra ocasião ela iria embora.que lhe proporcionavam calor e segurança. m a s s e t o r n a r a m a i s d u r a e f r i a .— Estou falando sério.. Rou ergueu a cabeça. tribunal. mas também as aconselho a confiar em seus instintos. g a r ç o n s . i n c l u s i v e a pr ó p r i a f i l h a . m ot o r i s t a s . m a s t e n h o s e g u r a n ç a s . odiosas. mas ele não se deixaria desencorajar pela rigidez deRou : precisava dela.Rou corou novamente. Tornell? Você não é especialista em ensinar às mulheres a ser firmes e a encarar seus medos. R o u a t r a v e s s a r a a adolescência e chegara aos 20 anos tentando se recuperar. .Rou sentiu um arrepio.ela saiu pensando que você irá atendê-la. porque como mulher eu o desprezo. Ele providenciara para que elavoltasse à escola e tivesse dinheiro para cursar a faculdade. Quando a conhecera. talvez devido ao sucesso. Dra.Zayed observou a figura esguia. toda de preto. juízes. Seuspais levaram sete anos para se divorciar. compassivas. G e l a d a .— Você está me espionando?— E u n ã o . obrigada. — Ela se afastou com as pernas bambas.— Tenho certeza de que sim. enfrentando a realidade?— Sim. você não me interessa como mulher.— Já percebi o quadro — disse ela friamente. Ela mudou. Sua lógicadesaparecia numa nuvem de emoções nas quais ela não confiava.por consideração a Georgina. O tempo corria e sua mãe já procurava uma noiva para e l e e n t r e a s m o ç a s d e S a r q . ela nãoconseguia raciocinar quando estava perto de Zayed Fehr. ela era tagarela.— Já é tarde e eu estou muito cansada com a mudança de fuso horário. E r a o q u e e l e q u e ri a e v i t a r .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter duvidar que seja uma cientista de fato.— Fugindo de novo. É i n t e r e s s a n t e c o m o o te mpo e o su ce sso modificam uma pessoa.. a s s i s t e n t e s . Alegações ofensivas.— Você tem talento e os casamentos que promove são duradouros. Divórcio. A sua amizade comSharif fora o fator fundamental para a sua cura. mas. A s m o ç a s d e S a r q eram educadas para ser dóceis. — Não consigo imaginar porque um homem poderoso como você me escolheu para ajudá-lo a procurar uma rainha. ou que os seus diplomas de Cambridgesejam verdadeiros. sheik Fehr. e o meu instinto me diz que você é perigoso. Não ouvi falar em nenhum divórcio até agora. Comoconseqüência . h a v i a m d e s t r u í d o t u d o e t o d o s .. desaparecer na direção dasala de jantar. Por algum motivo. exposta.— Eu lhe garanto que os mereci. Estava confusa. Ele sorriu friamente.Zayed riu. e l a p e n s o u n o v e l u d o macio do manto pendurado no saguão e no quarto acolhedor do Hotel Bristol. quando chegaram a um acordo.advogados. Semdúvida. mentirosas. Agora estava mais civilizada. porque é isto que desejo.— Ótimo.

seu p o d e r . Rou parecia a únicaa ter se arrumado sozinha. em Nova York. O s l u g a r e s e r a m m a r c a d o s e e l e n ã o ficaria junto dela.— As duas coisas. — E l e c h e g o u m a i s p e r t o e s u a s cabeças quase se . Resolvido a fazer comque o ajudasse. sorriu e se inclinou para ela. Preciso de sua ajuda.s e d o m e u p a í s . este é um vestido de grife. mas acreditavana santidade do casamento. Ele não era feio.— Não posso. fascinada.— Vá embora. T r a t a . Ávidas demais. Nunca dormira com uma mulher casada e jamaistrairia sua esposa.— Você poderia usar uma cor mais favorável — ele disse. s u a fortuna. pelo contrário. tentador. Rou arregalou os olhos. o q u e transformaria a relação num tormento. celebridades esocialites. — Rou virou para o outrol a d o . Você estámantendo um país inteiro como r e f é m . Ele contemplou o entediante vestido preto e pensouse seria o mesmo do casamento de Lady Pippa.. com os olhos mais escuros e a pele ruborizada.— Não posso Dra. perfeita. E l a e s t a v a q u a s e bonita naquele momento. Ele não poderiac a s a r . Tornell. Você ficaria melhor com tonsrosados. asmulheres ocidentais eram um problema. do meu povo. p o r q u e n ã o s e n t i r i a c o n f i a n ç a e r e s p e i t o . roçando o ombro no dela. sentindo ocorpo se aquecer perigosamente. furiosa. Rou mordeu olábio. seu título. aristocratas.— É. mas era extrema-mente habilidosa quando se tratava de formar casais.s e c o m u m a d e l a s . A friae rígida Rou Tornell não tinha charme nem personalidade. Elaso l h a v a m para ele e juntavam tudo: seu nome. Zayed foi atrás dela. Todas caíam ávidas aos seus pés. até que ela afastou a perna.— Para sua informação.Ele estava tão próximo que Rou notou os pontinhos dourados nas pupilascor de bronze e algumas rugas discretas no canto dos olhos.Jamais uma delas conseguiria enfrentá-lo e ser sua igual. Por outro lado.l a c o r a r .— Você está vendo o meu pedido como algo pessoal. a o v ê . — Não é verdade. O corpo de Zayedera firme.Zayed já quebrara muitas regras e desafiara algumas leis.— N ã o p o d e o u n ã o q u e r ? — E l a q u a s e e n g a s g o u q u a n d o e l e s e aproximou. a julgar pelo modelo. feito num bom tecido. d o m e u i r m ã o . mas ele é bem maisq u e i s s o . e a coxa dele roçava a sua.— Vá embora — disse.R o u a c a b a r a d e s e n t a r à me s a .Ele deu de ombros.. Ela sevirou para ele com um olhar frio e furioso.submissas e condescendentes. Por quê? Você não gosta?Z a y e d p e n s o u q u e a c e r t a r a e m c h e i o . ele a deixa muito pálida. oslábios tremendo de raiva.— Eu já lhe disse que não pretendo ajudá-lo — ela respondeu.— Há dez anos. contemplando os convidados. precisava encontrar a mulher certa. o que não o impediu de puxar uma cadeira e sentar. Zayed r e c o n h e c e u q u e s e tratava de um grupo seleto. todos vestidos por algum estilista em particular. um misto de realeza. Portanto. — Este não é o mesmo vestidoque você usou há três anos?Ela se virou para ele e corou.— O preto é sempre elegante. e eu o comprei naBarney s.

Rou olhou em volta do salão. procurando uma saída.Tudo daria certo. e e l a s e n ti u o s d e d o s d e l e p e r i g o s a m e n t e p r ó x i m o s d e s u a p e l e . sheik Fehr... Tornell. Estarei à disposição pelotempo necessário para completar o processo. c o m e x p r e s s ã o perturbada.. mas sedeixara envolver e fora maravilhoso. onde estava? Procurei-a em todo canto! — A voza l e g r e d e G e o r g i n a i n t e r r o m p e u o tu m u l t o n a c a b e ç a d e R o u .. arriscava sua sobrevivência — algo que deveria serlevado a sério. Dra. Eu lhe disse.— É v e r d a d e q u e n ã o e n c o n t r a r a m o a v i ã o .— V o c ê n ã o me c o n t o u — r e p l i c o u e l a c o m a voz embargada.R o u n ã o o u v i u o r e s t o p o r q u e . abraçando Georgina..— Não posso! Você não me deixa em paz. vi u .— Sharif é tão. Viena. basta dizer uma palavra. Faça umaavaliação preliminar adequada. dando-lhe um tapa no ombro.. — Era para estarem todos juntos... b e m . O avião desapareceu há dez dias. e ela não conseguia evitar.O c a s a l s e a f a s t o u . Passou o braço em torno do espaldar da cadeira deR o u . transformava a racional cientista numagarota assustada. g r a ç a s a D e u s . E l a n ã o e s t a v a c o m e l e . ela sabia a verdade. Não era forte o suficiente. Você n ã o f a l o u d e S h a r i f . investigue osantecedentes. — Zayed baixou a cabeça e Ralf rapidamente ser e c o m p ô s .Rou respirou fundo para se acalmar e sentiu o perfume suave. Preencha os formulários. Tão. ciente de que perdera ar a z ã o e o c o n t r o l e . d e r e p e n t e .. e ela o desprezava por isso. Fosse pelo perfume ou pelo calor do corpo dele. Dra. Agora. o reino. Tornell.— Vá embora — disse. A p e n a s n o p a p e l . — Você disse que não existempríncipes..— Jesslyn estava. — S ó quero que você me dê a mesma chance que dá aos outros clientes. sufocada. — Vocêmencionou o trono. N e m a s c r i a n ç a s . picante esedutor de Zayed. — E um prazer — respondeu Zayed.? — perguntou Georgina. n a superfície. f o r t e ? N ã o .— O que aconteceu com Sharif?— Ele está desaparecido. Saiae me deixe em paz. Sarq. agradecendo sua presença. q u e e l e s i m p l e s m e n t e desapareceu do radar? — insistiu Ralf..Ralf e Georgina trocaram um olhar. D e ve r i a te r m e contado. Zayed confirmou.— Não pretendo aborrecê-la. Preciso de você. o casamento. Georgina.— Graças a você — sussurrou Georgina. m a s .— Não consigo acreditar — disse Ralf mais para si do que para os outros. mas encontrou um para mim! — Ela recuou e Ralf se inclinou e deuum beijo no rosto de Rou.— O b r i g a d o — r e s p o n d e u R a l f .tocaram.— É mesmo? — perguntou Zayed. Vou lhe dar acesso à minha vida. — A expressão de Zayed endureceu.— Acalme-se. Preciso. Sharif.. levantando. — Ela tremia da cabeça aos pés.— Serei seu eterno devedor. mas Zayed asegurou pela mão. R o u f i c o u c a l a d a p o r u m m o m e n t o . Tudo estava bem. Se houver algo que possamosfazer. — Estamos rezando por ele e p o r todos vocês. Ele fazia detudo para conseguir o que queria. os sentidosde Rou se aguçaram. Ela sentiu que afundava por culpa dele. i n te l i g e n t e . A l i v i a d a .— Você está linda — ela murmurou.. Não devemos perder a esperança. menina malvada.s e e n v o l v i d a n u m f o r t e abraço. — D i g a a l g u m a n o t í c i a d e S h a r i f ? Acabamos de saber. Dra. — Eu lhes trago os v o t o s d e felicidade em nome de minha família. Erae s p e r t a .s u c e d i d a .— Rou. — Os noivos cumprimentaramZayed calorosamente. — Pensei que seria publicada depois demais alguns dias. — Nunca vinoiva mais feliz.— Por quê?— P o r q u ê ? .. Sentira que ele era perigoso desde que o conhecera. — Por favor.— N ã o . e l a retribuiu o abraço da amiga. Tornell. A televisão deu a notícia hoje cedo. Ele a abafavaameaçava sua segurança. F o r a p o r i s s o q u e s a í r a d e V a n c o u v e r : Z a y e d F e h r a ameaçava abalava seu autocontrole.

E l a a d o r a v a S h a r i f . Jesslyn. Para dizer a verdade.— Tudo bem? — ela perguntou. o bicho-papão. a t r á s d e u m a m e s a b a i x a . revirando-se na cama. Ela parecia uma menininha medrosa. Haviadesaparecido e Sarq estava em tumulto. assim como setornara um espinho na vida dela. t i n h a m e d o d e Zayed. Eu o adoro e faria tudo. Rou Tornell não era feia. Começariam do zero. que raramente se divertia com algo.Rou percebeu a estranha expressão no rosto dele. ela virou a cabeça e o encarou. e S h a r i f f o r a s e u mentor durante seis dos oito anos que passara na faculdade.quase riu. — E l e é m e u herói.Não para a mulher dele. Z a y e d a b r i u s u a p a s t a .E l a a s s e n t i u . Elee r a m u i t o a m a d o . incluindo o histórico familiar e o médico. mas prometera ajudá-lo apenas por causa do irmão. T i n h a o s lábios finos e um queixo firme. Naquele momento ela usava óculosd e a r o d e t a r t a r u g a . p e g o u a l g u n s p a p é i s e formulários e os empurrou sobre a mesa. o n d e e l e a s s u m i r i a a l i d e r a n ç a a t é o r e t o r n o d o irmão. mastambém não podia ser considerada bonita. E l a prendera os cabelos num coque e se escondera atrás de um laptop. Ela se sentia na obrigação de ajudarZ a y e d .— Não tive notícias — respondeu ele —. nem para os quatro filhos e para o país. se é o que deseja saber. deixando àvista apenas as pernas inclinadas de lado na cadeira. Ele diminuiu o passo paraapreciar suas pernas incrivelmente longas e bem torneadas. sentariam juntos e elapreencheria os formulários. por ele.— Já preenchi o perfil do cliente.— O s o l h o s d e l a e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . No dia seguinte. Sharif seria encontrado e voltaria vivo. Ele viu Rou sentada numc a n t o . Capítulo Três E LES CONCORDARAM em se encontrar na manhã seguinte. p e s a d o s e g r a n d e s d e m a i s p a r a o s e u r o s t o . absolutamente tudo. Zayed saiu do elevador rodeado por seguranças quese espalharam pelo saguão enquanto ele a procurava. Ele lhe causavaprofunda admiração e era como o irmão mais velho que ela não tivera. L i mi t a r i a o te m p o p a s s a d o c o m e l e e c o n t r o l a r i a s u a p r o x i m i d a d e . às voltas com seusp e n s a m e n t o s e u m e n o r m e s o f r i m e n t o . S a t i s f e i t o . Como se fossecronometrado. no saguão do hotelo n d e Z a y e d estava hospedado. dissera Rou. Ele suspirou: ela voltara a ser asimples e séria Dra. e ele.Rou . A únicacoisa que ele não sabia ao sentar diante dela era como podia ter pernas tãotentadoras. Não existia outra possibilidade. Poderiam se comunicar a distância. O mais importante era procurar Sharif e mandarZ a y e d d e v o l t a p a r a S a r q . mas e l a passara a noite em claro. Tornell. Rou estudara emC a m b r i d g e g r a ç a s à b o l s a d e e s t u d o s d o a d a p e l o s F e h r . v e s t i d a n u m s ó b r i o c o s t u m e c i n z a . c o n s i d e r a d o a o v e l h a n e g r a d a família e um constante espinho na vida do irmão mais velho.Na manhã seguinte. Zayed. a o c o n t r á r i o d e Z a y e d .

Não é para isso que servem os formulários? Para selecionar o par? Selecionar o par repetiu Rou mentalmente. Zayed empalideceu. estava lívido. atendeu. e l e a i r r i t a . apesar de poder ter lhe dito o que sou. desde o casamentode Lady Pippa. como se ela e s t i v e s s e n u m b a r c o q u e b a l a n ç a s s e .olhou para o conhecido conjunto de formulários confidenciais. mas soavam frias na boca de Zayed.Era verdade. observando-o. espantada. Eu já havia feito este teste. Isto me deu um pouco de trabalho. — O f o g o t o r n o u i m p o s s í v e l u m a identificação.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Zayed balançou a cabeça. ao ver o númeroque o chamava.. As palavras eram suas. — Rounão conseguia falar. sentiu a mão de Zayed emseu braço.— Estes formulários são meus — disse ela. De repente.— Se quer saber. Minha secretária fez cópias em branco. repreendeu a si mesma. Toda vez que ela estava perto dele seu coração acelerava eo estômago se contraía. tiradasd o s e u m a t e r i a l d e trabalho. Aqui está o teste depersonalidade Myers-Briggs que você utiliza. Quando desligou. foi Pippa. Você irá comigo.— Você está muito pálida. ela fez perguntas e e l e r e s p o n d e u a t é q u e s e u c e l u l a r t o c o u novamente..— Eu nasci pálida — ela respondeu. irritada.— Não. — Estou bem.— E n c o n t r a r a m u m a v i ã o — d i s s e . com os pais brigando aos gritos.— Você me deixou pouca coisa para fazer — protestou ela. Você vai encontrar alguém para mim. Ela ficou feliz em me ajudar.Rou franziu as sobrancelhas. n u m v ô o t u r b u l e n t o o u d e n t r o d e u m carro. Rou ficou sentada com um bloco no colo. Eu o preenchi. — Onde foi que osconseguiu? Projeto Revisoras17 Jessica 116. Você nãopode permitir que ele faça isso com você novamente. Durante àhora seguinte. mas achei que você exigiriauma prova concreta. Zayed ignorara algumas ligações anteriores. — Podemos nos concentrar no trabalho?E l e s s e c o n c e n t r a r a m n a p a p e l a d a e n o perfil que ele fizera. . mas. Ela s e aborreceu porque seu pulso acelerou de repente. lendo seus pensamentos como se l e s s e u m livro. mas recuperaram a caixa preta. Para dizer a verdade. Agora vem o mais importante.— Você vai desmaiar? — perguntou ele. Você não gosta d e l e . Étudo uma questão de hormônios e de substâncias químicas. V o c ê s e s e n t e a s s i m p o r q u e e l e a d e i x a nervosa e com medo. mandando-me osformulários dela. Não é a emoção que a faz sentir estas coisas. Fazia anos que ela não sentiaaquela vertigem e aquela falta de ar.— Não tente acobertar Jamie.Você não está atraída por ele.— Nada disso. Eles precisam de mim. — Preciso voltar para Sarq. Logo saberemos mais. sua expressão mudou e os olhos se anuviaram. quando ela ficara encantada com o charme de Zayed. Ele disse algumas palavras e escutou com atenção. — Ela puxou o braço. causando-lhe uma sensação de enjôo. V o c ê o d e s p r e z a .— Não com a sua assistente.

Podemos terminar isto no caminho.Em vez de protestar, Rou concordou. A ideia era limitar o contato com elemantendo distância, mas, depois da última notícia, ela não poderia se recusara ajudá-lo. Noventa minutos mais tarde, estavam a bordo do jato particular deZayed . Enquanto o avião decolava, Rou pensou que voar não era seguro, que e s t a r s o z i n h a com Zayed também não era, e que, mais perigoso ainda e r a acompanhá-lo até seu país. Entretanto, viver é arriscar, e ela se lembrou dealgo que Sharif lhe dissera: "Seus pensamentos determinam seu futuro." Ele e s t a v a c e r t o , c o m o s e m p r e . E l e f o r a o primeiro a fazê-la perceber que nemsempre as emoções e s t ã o c e r t a s , e q u e a s d e s c o b e r t a s m a i s re c e n t e s d a p s i c o l o g i a r e v e l a v a m o e l o e n t r e p e n s a m e n t o s e s e n t i me n t o s . A l g u é m q u e tenha pensamentos alegres se sentirá mais alegre, se pensar que o mundo ébom, o verá como bom. Fora uma revelação para uma jovem que tivera tantosa n o s d e i n f e l i c i d a d e . R o u d e s c o b r i r a q u e s u a f e l i c i d a d e n ã o d e p e n d i a d o s outros. Ela poderia escolher ser feliz, mesmo que o mundo estivesse no maiortormento.E l a v i r o u p a r a Zayed e viu que ele a observava com olhos s o m b r i o s , torturados.— Você realmente nunca se apaixonou? — ela perguntou, surpreendendo-se com a própria pergunta.Ele levou algum tempo para responder.— Não — disse por fim. — Porém não sou insensível. Tenho laços fortescom a minha família, principalmente com Sharif.Rou se lembrou do formulário que continha os dados da família de Zayed.P a i : f al e c i d o . M ã e : a i n d a v i v a . I r m ã o m a i s v e l h o : 4 0 a n o s , casado, 4 filhos.Irmão mais novo: 33 anos, casado, esposa g r á v i d a . I r m ã s m a i s n o v a s : falecidas. A maior parte da família dele era um mistério, mas ela sabia o queacontecera com suas irmãs. Por causa delas, Sharif doara as bolsas de estudoem Cambridge.— Você era muito ligado às suas irmãs? — perguntou Rou.— Muito.Ela esperou que ele dissesse algo mais, porém ele ficou calado.— Elas morreram juntas, não foi? — insistiu ela.— Num acidente de carro, na Grécia. Tinham pouco mais de 20 anos. — Av o z n ã o m o s t r a v a e m o ç ã o , m a s R o u r e p a r o u q u e e l e c o n t r a í r a o r o s t o e crispara as mãos.— A m o r t e d e l a s d e v e t e r s i d o d i f í c i l p a r a a f a m í l i a — d i s s e e l a . E l e balançou a cabeça.— Que relevância tem este assunto?— Faz parte de você, da sua família...— N ã o e s t o u à p r o c u r a d e a m o r , D r a . T o r n e l l . E s t o u p r o c u r a n d o u m a esposa. Ela não precisará compartilhar meus segredos sombrios. Ela jamaisserá minha alma gêmea.Rou notou que o rosto dele estava impassível, mas o punho cerrado dizia ocontrário.— Você não quer encontrar sua alma gêmea?— Não. Quero apenas uma relação prática, que funcione.— N ã o h á m u i t a s m u l h e r e s q u e a c h e m a s u a i d e i a d e c a s a m e n t o aceitável.— Estou certo de que existem muitas mulheres práticas.R o u f r a n z i u a t e s t a e n a d a d i s s e , m a s e s c r e v e u à m a r g e m d e s u a s anotações: "Sim, a morte das irmãs o afetou profundamente." Ele temia o amorporque temia a perda. Ela se perguntou como seria perder três de seus quatroirmãos. Ela era filha única e não conseguia imaginar como seria ter um irmãoou irmã para amar, apesar de sempre ter desejado um.— Você desejava ser rei?— Não. Não era parte do meu plano de vida, nem das minhas ambições. —E l e hesitou. — As coisas mudam, e são como estão agora. N ã o p o s s o abandonar meu irmão. Preciso estar presente quando ele voltar...— Você acha que irão encontrá-lo vivo?— Acho.Rou sentiu uma onda de simpatia por ele. Ele devia saber que, depois de Projeto Revisoras19

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dez dias, Sharif talvez não fosse encontrado e, se fosse, não estaria vivo.— E se não estiver?— Sharif não morreu.E l a c o n c o r d o u c o m a c a b e ç a e r e c o n h e c e u q u e o s d oi s ti n h a m a l g o e m c o m u m : a m b o s s e recusavam a acreditar que Sharif estivesse morto. S ó acreditariam diante de provas irrefutáveis. Ela ficou perturbada e tentou mudarde assunto.— Gostaria de trabalhar um pouco, ou precisa de algum tempo?— Não. Preciso trabalhar.O t r a b a l h o s e m p r e f o r a u m a f o r m a de salvação para ela também, e osajudaria a atravessar aquele p e r í o d o . R o u a b r i u s u a p a s t a . A c o m i s s á r i a d e bordo perguntou se

queriam comer alguma coisa.— Apenas chá —

ela respondeu. —

Acho que não conseguiria comer agora.— Nem eu — disse ele. — Um chá e um café — ele pediu à comissária.R o u e n c o n t r o u o s p a p é i s q u e p r o c u r a v a e u m a c a n e t a , e o o b s e r v o u . Zayed era alto, musculoso e bonito, mas havia dor em seus olhos, tensão em sua boca. Ela suspirou. Ele não lhe era indiferente e jamais fora, o que era umabobagem. Ele era belo, rico e sensual. Ela era inteligente, mas insignificante. Rou conhecia as próprias forças e fraquezas. Apesar de inteligente, não era bonita. Se tivesse um corpo mais curvilíneo se sentiria mais seguras e x u a l m e n t e , m a s h e r d a r a a s i l h u e t a e s b e l t a d a

mãe e tinha os

q u a d r i s delicados e os seios pequenos. Um

homem como Zayed jamais olharia parauma mulher como ela. Homens como ele desejavam sereias voluptuosas, de cabelos brilhantes, lábios cheios e olhos provocantes. Por outro lado, era bomque Zayed a ignorasse como mulher porque ela não saberia lidar com ele deoutra forma. Ele tumultuava suas emoções e o seu autocontrole, deixando-anervosa e agitada, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Ela tentou disfarçar seu nervosismo.— F a l e - m e s o b r e s e u t i p o i d e a l d e m u l h e r . C i t e q u a t r o a d j e t i v o s q u e a descrevam.Ele pensou um pouco.— I n t e l i g e n t e , c u l t a , b e m - s u c e d i d a . C o n f i a n t e , l e a l e , d e p r e f e r ê n c i a , bonita. — Ele hesitou. — Eu disse seis.— Tudo bem. Seis está ótimo. — Claro que ele exigiria beleza. Era o que todos

os homens queriam, e Zayed Fehr tinha a fama de escoltar as mulheresmais belas do mundo. — Talvez uma modelo?— Não. Definitivamente, não uma modelo. Nem uma atriz. Nada desse tipo.— E mesmo? — ela perguntou, espantada.— O mais importante é a inteligência. Admiro mulheres cultas e bem-sucedidas, mas é preciso

É algo que aprecio e respeito.. mas era para isso que existia t o d o a q u e l e p r o c e s s o .Rou escondeu sua surpresa.— Certo. As duas sempre pensamnos outros. — E q u a n t o a s e n s o d e h u m o r . Ele a estava levando na direçãooposta daquela que ela teria seguido sozinha. Talvez uma professora ou uma enfermeira. Uma professora ou uma enfermeira?— Como a esposa de Sharif? Jesslyn era professora. — Rou fez algumas anotações.que ela seja generosa. Uma mulher sensível. s e n s o d e a v e n t u r a ? Reservada ou comunicativa? Você gosta de dar festas? Ela deverá ser uma boaanfitriã? Precisa falar bem em público? Espera que ela seja um exemplo em Projeto Revisoras20 .— A esposa de Khalid também é muito generosa..

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— Se é nisso que acredita.— Firme? — Intelectual e emocionalmente. Embora Sarq seja mais moderno que alguns países vizinhos. percebendo que o conhecia m e n o s d o q u e acreditava. o c a f é e u m a b a n d e j a c o m f ru t a s . É bom vê-la comendo. franzindo a testa..— Sharif dizia a mesma coisa.A c o m i s s á r i a v o l t o u t r a z e n d o o c h á . — Ela percebeu que ele a olhava com ceticismo. quando podia.— Sharif não é vulnerável. mas Zayed não a imitou. A inteligência estava no primeiro. Nunca foi... o u d e u m a b e l e z a e s t o n t e a n t e q u e p u d e s s e e x i b i r .O olhar de Zayed ficou sombrio ao ouvir o nome do irmão. mas tambémé m u i t o b o n d o s o . R o u p e g o u uma uva e um pequeno cubo de queijo e sel e m b r o u d e q u e não ingerira nada desde a noite anterior. Ele acabara de descrever uma mulher bemdiferente da que ela escolheria para ele.— Você não está falando do meu irmão. Ah. Ele é o rochedo da família.— Minha mãe era magra — interrompeu ela. ela pensou. Imaginara que ele quisesse alguém b o n i t a e t o l a . d e c e r t a f o r m a . e .. mas tenho um estômago sensível. e q u e n ã o tivesse dúvidas ou preocupações. é umreino do Oriente Médio bem diferente de nossos amigos do Ocidente. A b e l e z a estava no sexto lugar da lista. a b r i n d o portas. Seu irmão é um homem poderoso e muito rico. Sharif se tornou um amigo e um mentor durante os meus anos emCambridge .. por que se dar ao trabalho de procurar uma Projeto Revisoras21 . — Podeparecer estranho. Só depois de acabar o mestrado e o doutorado é que percebi que ele me ajudara por causa de suas irmãs.— I s s o n ã o s i g n i f i c a q u e e l e n ã o s e n t i s s e a d o r e a p e r d a . ela precisa ser firme. Ela viu que Zayed a observava com interesse. Um pouquinho de comida a s u s t e n t a r i a p o r l o n g o tempo.— É por isso que é tão devotada a Sharif? Ela corou.— De que maneira ele a ajudou?— C o m seus conselhos e sabedoria. voltará a Sarq ereassumirá o governo.— Você conhecia bem meu irmão?— A c h o q u e v o c ê s a b e q u e g a n h e i a b o l s a d e e s t u d o s F e h r . Você é tão magra.Rou o observou com curiosidade. Ele será encontrado. a não ser umcafezinho pela manhã.— Você acha? — perguntou Rou. Ela me ajudou a pagar meus estudos. que costuma ser assustadora.— Algo de errado?— Não.Jessica 116.Rou segurou a caneta no ar.. que seja criativa?— Depende da mulher. — Infelizmente. b i s c o i t o s e q u e i j o .— Desde que nasceu ele foi preparado para governar. Invencível. e l e p r e c i s a v a d e m i m t a n t o q u a n t o e u precisava dele.— Não. e m Cambridge. Eladeve defender suas idéias diante de mim e minha família. minha garganta se fecha e só consigo tomar chá. apoiando meus projetos. Quandofico nervosa ou ansiosa. herdei ometabolismo dela em vez do lindo rosto.— Sharif não precisa de ninguém.— Desconfio que você não come o suficiente. — Ela sorriu ao fazer a piada. Ele sempre soube oque se esperava dele e cumpriu sem reclamar.— E você não quer vê-lo como um homem vulnerável. Não quero uma mulher subserviente. Interessante m a s intrigante.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter matéria de moda.

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Preciso saber q u a i s s ã o o s d i r e i t o s p ol í t i c o s e s o c i a i s d a s m u l h e r e s . não cumprissea lei?— Eu a protegeria. casar às pressas e ficar em Sarq durante os próximos 20 e tantos anos. Elas se casam porque são desejadas. q u e a c e i t e u m c a s a m e n t o d e c o n v e n i ê n c i a e q u e s e b e n e f i c i e d a minha posição e riqueza. Projeto Revisoras22 .. provas.S e i q u e n ã o é o q u e q u e r o u v i r . Rounotou que ele não dissera "amar". Q u e poderia aceitar a ideia de um casamento arranjado — e l a continuou. — A lei de Sarq exige a presença do rei. para que o homem mostre à mulhercomo será tratada . e você não tem. devo morar junto do meu povo.— Eu o farei depois da cerimônia. se for assim.— Por que não?— V o c ê c o n h e c e a r e s p o s t a . Preciso de uma esposa e desejo que ocasamento dê certo. franzindo a testa. ou porque o noivo tem a obrigação decasar. — As mulheres ocidentais não aceitarão. . você tem alguém que se sujeite a um curton o i v a d o .— É p r e c i s o t e m p o p a r a q u e e l a a c r e d i t e n i s s o . ou pretende morar na sua casa em Monte Cario?— Como rei. H á a n o s q u e v o c ê s a i c o m m u l h e r e s ocidentais.— .. exausta. o que ela pode esperar. Com certeza. amadas e respeitadas. o que aconteceria se uma mulher. Seria impossível. sheik Fehr. confiantese fortes não correm para o Oriente Médio e se c a s a m c o m u m s h e i k . será que elenão percebia? Mulheres maravilhosas.— Depois da cerimônia? — Ela o olhou severamente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter esposa e casar? Por que não esperar que ele volte?— Não posso — ele disse frustrado.— Então.. q u e n ã o t i v e s s e escolha. ignorando-o. Para a maioria das mulheres seria umaperspectiva terrível. mas não posso ser solteiro. Alguém que contribua com o meu povo.. É preciso tempo para cortejar. Faça com que ela saiba que terá este tempo. Preciso assumir o trono. e. mas se deseja uma mulher que seja sua companheira é diferente.— Desculpe.— Não. Isto éalgo que Sharif tem tentado mudar. É para isso que existe o namoro.Jessica 116.?R o u s a b i a q u e a r e s p o s t a e r a n ã o . Se quer uma mulher que se case com vocêpara que possa assumir o trono é uma coisa.. Ficarão isolados. Elas não se casam por dever.— Irá morar comigo.— As duas serão a mesma pessoa. inteligentes. Ainda. se sua esposa.. claro. N e n h u m a m u l h e r q u e c o n h e c i a e representava iria querer viajar de repente. uma de suas prioridades. Pretende ficar ali permanentemente. mas não fez comentários. bem-sucedidas.Rou cobriu os olhos com as mãos. uma vez que viemos de culturas diferentes. .— Devo ser franca. A s mu l h e r e s t ê m o s mesmo direitos que os homens em Sarq? Existem leis que as protejam?—As mulheres não têm os mesmos direitos que os homens. — Uma últimapergunta delicada. mas Sarq fica no meio do nada. enterrando-se no deserto. é melhor escolher uma mulher da sua própria cultura. m a s e s t á f a l a n d o d e u m c a s a m e n t o d e conveniência. Só uma m u l h e r d e s e s p e r a d a .— Vou respeitar e honrar minha mulher — ele disse. acharia a vida de rainha do deserto atraente.— E sua esposa? Ele a olhou como se ela estivesse louca. a s s i m c o m o a t i t u d e s .

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masseria suficiente? Se eles não se amassem. Tinham muito a fazer e a tensão não ajudaria. f i l h o s a m a d o s do deserto. crianças felizes. apenas aceitara.— E acha que não quero? — ele interrompeu. ansiosa..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você o faria? — Rou se inclinou para ele.. — Ele se levantou e desapareceun o f u n d o d o a v i ã o . Capítulo Quatro Rou OLHOU a porta fechada da cabine. — Posso Projeto Revisoras23 .Rou olhou para ele em silêncio. Houve um tempo em que ele e oi r m ã o e r a m i g u a i s : e d u c a d o s d a m e s m a m a n e i r a . Só que não havia prazer quando se era amaldiçoado.Jessica 116. Apesar de não ser o mais v e l h o . amaldiçoado. a b a n d o n a r a o d e s e r t o e a família.. e simamaldiçoada. Ele não era comoo resto da família. e l e sempre fora o favorito do pai e nunca se perguntara por que. Porém estivera enganado. Ele não sabia. p o r t a n t o . o f a t o d e e s t a r d e s t i n a d o à g r a n d e z a e a o sucesso. mas era evidente que o ofendera e queria se desculpar. Só quero o que seja melhor para sua futuraesposa. quase com violência. o povo que poderia sofrer por causa de sua maldição. o n d e havia uma cabine que era um quarto confortável.a s s i m c o m o a c e i t a r a s u a s o r t e . Sua vida não fora abençoada. ansiosa. Ela jamais entenderia. — Conseguiria de fato?— Duvida da minha palavra?— Não duvido da sua palavra. Este assunto está encerrado.A comissária de bordo apareceu depois de 15 minutos e trouxe mais chá. m a s a s p e r g u n t a s d e Rou. sorrindo.— Não é isso. Raramenteperdia o controle e se odiou por tê-lo perdido agora. Não sabia o que dissera paraaborrecer Zayed — algo sobre proteger a esposa —.— Ótimo. Era óbvio que o destino o favorecera e que ele viveria uma vida aben-çoada. Ele conseguiria proteger sua esposa? Tentaria com todas as suas forças. e se voltara paraos prazeres do mundo. Ele f o r a a m a l d i ç o a d o e . Mais15 minutos e ela voltou para retirar a bandeja. talvez o casamento escapasse da desgraça.— Vamos aterrissar dentro de 50 minutos — ela disse. era diferente. mas era o que esperava. assustada com a cólera em sua voz.Zayed sentou na beirada da cama e afundou o rosto nas mãos. Ninguém jamais compreendera. p rí n c i p e s á r a b e s ..

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— Na verdade está mais fresco do que há algumas semanas. E l e e r a g r a n d e .— Desculpe — ela disse. l o n g a s p e r n a s e p a r e c i a ocuparmuito espaço. indicando a cidade. o avião fora escoltadopor naves militares por questão de segurança: o país não poderia perder dois r e i s e m 1 5 d i a s . Ele ainda estavadistante. mordendo o lábio. Certo. Zayed explicou que a famíliaFehr não costumava utilizar aquele aeroporto porque tinha uma pista de pouso particular. Z a y e d s e vi r o u p a r a a j a n e l a e e l a f e z o m e s m o . Vou recebê-la de volta assim que for possível?— Prometo — disse ele. m a i s s e u coração acelerava. O calor subia em ondas dapista de pouso. Quando pisaram no solo. rude. Por que eu gostaria dele? Porém. mas a temperatura beirava os 33° e sua roupa cinza de lã a sufocava. Rou tinha a sensação de estar sentada muito perto de Zayed. Por que ela ficava daquele jeito perto dele? Por que não o tratava como um homem qualquer? Por que se sentia desajeitada. Ridículo! Ele é superficial. quando Zayed se virou para ela e a fitou com os olhos dourados. m a s preocupava-se com ele mesmo sem querer. Quanto mais consciente ficava da p r e s e n ç a d e l e . introspectivo.r e s p o n d e u u m a voz dentro dela. em parte. Ela disse a si mesma que deveria ficar contente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter servir mais alguma coisa?Rou agradeceu e abanou a cabeça.G r a t a p e l a d i s t r a ç ã o . mas que. ela deu um suspirode medo e ficou tonta. ti n h a o m b r o s l a r g o s .— Está quente — ela murmurou. As ruas eram cercadasp o r p a l m e i r a s e e n f e i t a d a s p o r f o n te s .— Faço um monte de perguntas.— São os meus arquivos e o meu notebook.— Prefiro a honestidade. A maioria dos edifícios parecia nova. U m f o r t e e s q u e m a d e p r o t e ç ã o o s a g u a r d a v a n o s o l o . Rou olhoupara a mão que ele lhe estendia e depois para o rosto dele.A ida para o palácio no carro blindado foi feita em pesado silêncio. Não sefalaram mais até o avião aterrissar no a e r o p o r t o d a F o r ç a A é r e a d e S a r q . sem graça eentorpecida? Porque. Rou deu um suspiro pesado. ele indicou a valise que ela carregava. Seria conveniente e necessário se manter a distância. R o u perdeu o fôlego ao descer do avião no fim da tarde. mas não havia comof u g i r .— Costumo ser muito franca. Quando ela pensava que Zayed não voltaria mais e o piloto já anunciara que iriam aterrissar. — A capital de Sarq.— Esta é Isi — ele disse.Jessica 116. A c a r a v a n a d e l i mu s i n e s M e r c e d e s e n t r o u n u m a l o n g a alameda cercada por muros cobertos de buganvílias e refrescada pela sombra .. Estavam em final de outubro. egoísta efalso.— Está bem.— Alguém levará esta mala para você.— Você não fez nada de errado — respondeu ele sem entonação.. que n ã o d e v e r i a e n c o r a j a r q u a l q u e r c l i m a d e i n t i m i d a d e e n t r e o s d o i s . R o u o l h o u p e l a j a n e l a e a p r e c i o u a c i d a d e q u e cintilava sob o sol. —A segurança deverá checar todas as bagagens antes de entrar no palácio. constrangida. Fora uma péssima ideia vir com ele. ele apareceu e sentoudiante dela com uma expressão impenetrável. você gosta dele e quer que ele goste de você. H a v i a m u i t a s m u l h e r e s v e s t i d a s à m a n e i r a o c i d e n t a l . depois do acidente de Sharif.— É o seu trabalho. Preciso deles. o coração de Rou se apertou.pensou. mas ainda não se sentia apaziguada. Rou nãoficou sossegada. Ela pegou-lhe a mão e desceu as escadas com dificuldade. entregando a valise para um dos guardas.

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Rou sentiu uma estranha vontade de protegê-lo. Corredores cercados por colunas e decorados c o m p r e c i o s a s e s t á t u a s s e e s te n d i a m e m t o d a s a s d i r e ç õ e s . Rou viu que em seu rosto haviaum misto de orgulho e de tristeza. Rou esperava que Zayeds e j u n t a s s e a s e u s h o m e n s . — Meu nome éManar.Parecia algo das Mil e Uma Noites. mas não preciso de nada.— Seja bem-vinda — ela disse. E l a . Os dois caminharam em meio ao silêncio e entraram na fresca mansão. Rou vislumbrouuma construção cor-de-rosa encimada por domos e torres. mas quando ele olhou para sua mão. Projeto Revisoras25 .Um dos homens vestido de branco deu um passo à frente. e R o u . É muito gentil. Estou aqui para servi-la durante a sua estada. m a s u m apartamento com cômodos em diferentes níveis. n ã o c o s t u m a s e r usada e tem boa claridade.— Você é um príncipe. milady — ele disse. — Foi aqui que você cresceu?Ele sorriu pela primeira vez desde que recebera o telefonema em Viena.— Ele está aqui — disse Manar.— Ótimo. sevocê precisar de ar fresco.— O palácio — disse Zayed em voz rouca. As paredes internas eram brancas e o teto formava um mosaico azule dourado.— Obrigada. cumprimentando o recém-chegado. jamais vira algum tão lindo e exótico como aquele. — Ele v i u a e xp r e s s ã o d e R o u e e s c l a r e c e u : — N ã o s e p r e o c u p e .— Este é o meu lar — admitiu ele. raramente se deixava entrever. Manar.Rou se deu conta de que cometera uma gafe. A entrada formadapor lindas colunas e por um domo dourado logo se encheu de homens vestidoscom túnicas brancas que se curvavam. N a d a d i s s o . ela suspeitava. voltando-se para Zayed.— Queira me acompanhar. Uma mulher estava parada sob um dos arcos. falou num idioma que ela não conhecia e se voltou para ela. apenas do meu computador. inclinando-se timidamente. ela retirou a mão.— Uma das suítes da família foi preparada para você. Umsegurança abriu a porta do carro para que ele saísse. No centro da sala havia u m a mesa com um jarro de rosas perfumadas. m a i s u m a v e z e l e s e v o l t o u p a r a e l a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter das palmeiras. p o r é m . Arranje-me uma mesa enquanto espero pelocomputador.— Preciso trabalhar.O q u a r t o e m q u e R o u f o i i n s t a l a d a n ã o e r a a p e n a s u m a s u í te . q u e conhecera muitos palácios.Jessica 116. O s o l poente entrava pelas portas de vidro da sala de estarrebaixada e se refletia nas almofadas do sofá. O sorriso remetia ao menino que elefora e que.— N ã o . apontando-lhe uma mesa num canto quedava para o jardim. surpresa por Zayed não ter entendido. Acho que vou trabalhar. — É incrível — . e olhou para a mansão. O carro aguardou enquanto um alto portão de ferro e madeira abria lentamente. separados por degraus de p e d r a e a r c o s . E r a e s p e t a c u l a r . esperando-a. disse ela sem fôlego. inclinando-se. muito espaço e acesso para um pequeno jardim. ealgo fez o coração de Rou se confranger.Zayed se virou para um de seus homens. não é?— Ninguém diria pela maneira como me comporto. É isto que você quer dizer? — O sorriso havia desaparecido. — E l a p ô s a m ã o n o b r a ç o d e l e i mp u l s i v a m e n t e . Embaraçada e constrangida. Provavelmente não se deveria tocar na família real. Enquanto percorriam um caminho cercado.

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Ele sentia muito? Ele se desculpava com ela? Rou corou entristecida.— Preciso fazer o que é . mas não teve tempo porque Zayed logo entrou na sala. O resultado lhe mostrou 30 combinações.f r u s t r a d a . O corpo de Sharif. Parecia-lhe errado ajudar Zayed a encontraruma esposa daquela maneira. Seriamelhor trabalhar o mais depressa possível..— Parece que não há sobreviventes. quase irreconhecíveis. Estava ali para trabalhar. e v i u o b e l o r o s t o t o r t u r a d o d e Z a y e d .. lógica e razão são as bases de toda teoria científica. Entretanto. Intelectualmente esperta eemocionalmente estúpida. Se pelo menos houvesse tempo..— A esposa dele.— Já selecionei as primeiras candidatas — disse Rou nervosamente...Rou viu que Manar aguardava uma resposta e resolveu dispensá-la. Ela fechou os olhos. Tudo se resumira aos destroços. — Sinto muito por todos vocês.Rou olhou para ele num horror silencioso. a c a b e ç a n ã o f u n c i o n a v a .. E l a p e n s o u e m s e p e n t e a r e l a v a r o rosto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Não deseja tomar banho ou trocar de roupa? — perguntou M a n a r .. Ela demorara mais do que o normal. — R o u m o r d e u o l á b i o p a r a i m p e d i r q u e a s l á g r i m a s escorressem de seus olhos.S e e l a não tomasse cuidado..— Era o avião de Sharif — ele disse em voz baixa e rouca.— Ele parou de repente. — Rou se preparou para digitar as informações que colhera.— F o r a d e s i . que ele era um homem com sentimentos maisprofundos do que demonstrava.Por que estava tão perturbada e se comportava de maneira tão incomum? Elajamais se deixara guiar pelas emoções porque elas são o principal inimigo daciência.Anoitecia quando Rou terminou sua tarefa.. sentia-se sufocada por sentimentos intensos eperturbadores e a culpa era de Zayed Fehr. Ainda sentia algo por ele. — ela sussurrou. Tola. mas ela não sabia o que poderia ser. ele acabaria com a pequena porção t e r n a e sensível de seu coração.a restos mortais. — Será preciso fazer testes. para poder ir embora. quando Manar apareceu. Pode recebê-lo agora?— C l a r o — d i s s e R o u . D e r e p e n t e . mas agora o computador cruzaria os dados e lhe diria que candidatascombinavam com Zayed Fehr. — Os corpos estão carbonizados.. ele a contratara por suas habilidades. — Posso imprimir os perfis e você poderá lê-los agora ou quando tiver tempo. clarear a cabeça e ser objetiva: t e o r i a ... Pensamento. hesitante. Ela estremeceu de dor. obrigada. — Sinto muito — disse ele roucamente. l e v a n t a n d o . e l a p e r c e b e u o q u e d e v e r i a f a z e r : encontrar um par para ele e sair dali rapidamente porque Zayed era um perigo. mas seus dedos não obedeciam e ela não conseguia passar os dadosdos formulários para o notebook. Ela começou a ler os perfis das candidatas.Rou ficou irritada com sua obsessão por Zayed. Digite logo o resto doperfil.não por seus instintos. queria que ele gostasse dela. H a v i a a l g o m a i s q u e o preocupava algo que o consumia. Ela a p e n a s precisava se concentrar. pesquisa.— Não. Seu instinto lhe dizia que ele precisava se casarpor amor. Porém.— Não.s e u s d e d o s n ã o o b e d e c i a m . prova.. Pediram as f i c h a s dentárias. e pela primeira vez havia um desespero real em s u a v o z e em seu rosto.. Entretanto. não por conveniência. ela disse a si mesma. Rou sentou-se devagar.— Sua alteza deseja vê-la. Faça o que foi contratada para fazer.Jessica 116.— Sinto muito — soluçou. tola Rou.

Rou percebeu que ele vestia uma túnica Projeto Revisoras26 .certo. — Ele caminhou a t é e l a e . Farei o que é necessário. a o e n t r a r na claridade.

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— V o u l h e m a n d a r u m a i mp r e s s o r a . — Ele respirou fundo..— Não quer examiná-los agora?— P r e c i s o f a l a r c o m K h a l i d .R o u o l h o u p a r a o r o s t o m o r e n o r e c é m . S h a r i f c r i o u u m j a r d i m e m homenagem a elas e.— Você é tão teimosa quanto eu — disse ele. Enquanto montavauma pasta com os perfis. — Não temos muito tempo..? Ele abanou a cabeça. Traga os perfis. Ela ficou sentada por muito tempo. A imprensa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter branca .. até que viu Manar entrar. Zayed.— Ele pegou um botão de rosa do vaso no meio da sala.. d e o l h o s v a z i o s . sem sentir.. — Estas rosas foram p l a n t a d a s d e p o i s q u e m i n h a s i r m ã s m o r r e r a m . encontro com você depois. com um olhar penetrante. Eu. É necessário que haja uma cerimônia. m a i s d e z . D e p o i s . E preciso fazer a transição do modo mais s e r e n o possível. — Ele olhou para Rou. Ele se casara com ela e os doistinham três filhos. p o r v i a d a s d ú v i d a s .— Talvez esteja — disse Rou. D e v o s e r v i r m e u país. Rou ficou paralisada. apenas para se ocupar. s u a v o z e s t a v a embargada:— Pensei que ele sobreviveria.— Sua impressora chegou — disse Manar em voz baixa.. S e v o c ê p u d e r i m p r i m i r o s p e r f i s .— A p ri n c í p i o m e a g a r r e i à e s p e r a n ç a . — Tenho o dever de honrar meu irmão. de transtorno. Eles se sacrificam pelo bem de seu país. Ela Projeto Revisoras27 . T e n h o u m a r e u n i ã o d e e m e r g ê n c i a c o m o ministério. ela imprimiu as fichasd a s p r i m e i r a s d e z c a n d i d a t a s . Por um momento.— Está bem.. o n d e o s m a l a r e s s e salientavam.Zayed saiu. Quando tudo ficou pronto. E l a trabalhava sem pensar. Sarq. assim comoa família de Sharif. O país inteiro estaria de luto. uma mesa epapel para impressão. Ela nunca o vira com a veste tradicional de Sarq. Mas ele lembrara e também mandara uma copiadora. Era u m momento de tragédia. ele se virou para sair. quando as rosas chegaram. Rou ficou de lado enquanto uma equipe montava um escritório completo para ela.— Até que se tenha prova. Q u a n d o f a l o u . — Ainda segurando à rosa. ele plantou doze roseiraspessoalmente. É o mínimo que posso fazer. A desilusão é muito grande. lembrou-se de um milionário americano que recusara60 candidatas antes de se encantar com a 61ª. — Encontro-ano jantar e conversaremos.. mas parou. engolindo o nó na garganta. Rou esquecera aimpressora e achava que.. — Ele se calou. com dificuldade. com um olhar atormentado. A coroação será dentro de 48 horas. com tanta coisa com se preocupar. Seus pensamentos eemoções se misturavam: Sharif. a qualquer momentoZ a y e d f i c o u c a l a d o .— Como se espera que você se case e se torne rei apenas dois dias após saber que seu irmão está morto?— Reis não são homens comuns.. Rou nada tinha a fazer até a hora do jantar. A g o r a n ã o p r e t e n d o f a z ê ..A o a c a b a r s u a tarefa.— Claro. podemos conversar mais tarde. Não parecia hora de celebrar.Jessica 116.b a r b e a d o . Zayed também esqueceria. — Tão rápido?— V o c ê p o d e m e e n c o n t r a r u m a r a i n h a e m 4 8 h o r a s ? P r e c i s o c a s a r . — Querovê-los.R o u sustentou o olhar de Zayed..l o . Eu tinha certeza de que ele estava vivo.

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Não gostava do que fazia: era absurdo. R o u s e c o u o s c a b e l o s e f e z u m c o q u e . o teto formava uma abóbada azul-escura incrustadad e dourado. Ele a olhou com um ar aborrecido. te n h o t r i n t a c a n d i d a t a s .Você não gosta do que eu gosto. Ele não notava o que ela vestia. Ela já vira quase todos quando percebeu que Zayed a observava. Queria que ele gostasse dela. mas desejava que ele não gostasse denenhuma daquelas mulheres.— Não ouvi você chegar.— Você quer que eu escolha?— Três mulheres que seriam perfeitas para mim. — Escolha as três melhores deste grupo. tomou um longo banho e vestiu o costume cinza de novo. Rou pegou as pastas com os formulários e a seguiu através dos corredores atée n t r a r e m n u m a p e q u e n a s a l a d e j a n t a r i l u mi n a d a p o r v e l a s .— Não posso fazer isso. preparando-se para lhe dar a segunda pasta. Vejo que existem algumas possibilidades.Rou se lembrou do e-mail que Zayed mandara para Sharif.Manar apareceu pontualmente às 9h e pediu que Rou a acompanhasse. Manar saiu e Rou vagou pela sala. mas não estava.Acima do candelabro. d e s e j a s s e q u e p e l o m e n o s u m a v e z alguém a achasse bonita.Jessica 116. dê-me a sua opinião de especialista — pediu ele. Não temos os mesmos valores e gosto. — Ele entrou na sala com sua discreta elegância.para disfarçar o nervosismo. — Seu coração batia acelerado. Eu estava admirando os painéis. — Ela entregou a primeira pasta a Zayed. Para ele.— Nada. Ela tentou esconder as pernas.Ele olhou para um deles. Orgulhava-se de ser uma mulhers e n s a t a e p r á t i c a . o cabelo dele brilhava como ônix e sua pele parecia dourada.— Mostre-me o que conseguiu.— Também gosto dos painéis. o que era ridículo. n o f u n d o . A me s a b a i x a estava cercada por grandes almofadas e as paredes eram cobertas por painéisentalhados. mas Zayed nãose importaria. Rou era apenas um o b j e t o . Trouxera apenas uma pequena mala e não tinha muita opção. devolvendoa pasta.A luz das velas. e mb o r a . Eram usados como divisórias nos haréns. Apenas alguns minutos. m a s t r o u x e v i n te p e r f i s separados em dois grupos de dez.— Nada? — perguntou. São marroquinos e datam do século XVI.— N ã o a d m i r a q u e s e j a m t ã o l i n d o s — d i s s e e l a despreocupadamente. u m i n s t r u m e n t o ú t i l . Ele examinou os formulários em silêncio.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dormiu um pouco. onde zombava Projeto Revisoras28 . — Ela tentou parecer contente e entusiasmada.— Ótimo. N ã o costumava se pintar e raramente usava jóias. te n t a n d o p a r e c e r p r o f i s s i o n a l . parado na porta.Rou sentou numa almofada de seda e corou quando a saia subiu até as coxas. apreciando os p a i n é i s q u e reproduziam flores e pássaros.Zayed sentou numa das almofadas diante da mesa e acenou para que elase sentasse ao seu lado.— Por favor.— E s t a s s ã o a s p r i me i r a s d e z c a n d i d a t a s — d i s s e .impossível.— Isto é algo que você não sabe. Quem você escolheria para mim?As mãos de Rou tremiam quando pegou a pasta. — A o t o d o . — Lindas m u l h e r e s d e v e m e s t a r c e r c a d a s d e coisas bonitas. abrindo o portfólio. — Eu não sou você.— Você esperou muito tempo?— Não.

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Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dela, chamava-a de maçante.— A h , m a s e u s e i — r e s p o n d e u e l a . A d o r a r a a c o m p a n h i a d e l e , e e l e simplesmente ficara entediado. Zayed suspirou frustrado.— Não estou à procura de uma relação amorosa, apenas de compatibilidade.— Ótimo. — Ela corou, folheou a pasta e escolheu Jeanette Gardnier, umalinda canadense, professora de Direito; Sarah 0'Leary, uma jornalista ruiva deDublin; Giselle Sanchez, uma loura proprietária de um banco em Buenos Aires.— Eis aqui três mulheres brilhantes, independentes e bem-sucedidas. Elas sãoo máximo. Todas muito bonitas.Zayed não pegou os formulários, apenas a fitou fixamente.— Por que estas mulheres?Rou odiou que seus olhos queimassem e a garganta se fechasse. Odiava aquela viagem que tumultuara suas emoções.— Elas correspondem ao que você pediu.— Você está aborrecida — ele disse, levantando uma sobrancelha.— Não estou aborrecida.— Então, por que não me olha de frente?— Não preciso olhar para você.— Você está quase chorando — ele disse surpreso.— Por favor. — Rou virou a cabeça para o outro lado, mordeu o lábio e ses e n ti u t r a í d a p o r s u a s e m o ç õ e s e p o r s u a f r a q u e z a . E l a e r a u m a c i e n t i s t a . Esperava-se que fosse objetiva e dedicada ao seu ofício. Zayed se inclinou e passou o dedo debaixo do olho dela, colhendo uma lágrima.— Você está chorando.— Não estou. — Rou sentia o coração apertado e a pressão das lágrimas que tentava conter. Ela não deveria ter vindo não deveria ter concordado comaquela proposta absurda. Nenhum homem a atingia, exceto Zayed Fehr. Ele lhe mostrou o dedo úmido.— Então, o que é isto?— É uma lágrima.— Por quê?— Por quê? — ela perguntou em voz aguda. — Porque estou triste. Eu souuma mulher, tenho sentimentos. Você pode achar que sou um museu ou umrobô, mas não sou e nunca fui. — Ela sacudiu a cabeça, descontrolada. Comopoderia trabalhar daquela maneira? Como poderia pensar? Ela só podia seruma cientista racional, fria e lógica se estivesse num ambiente que possuísse e s t a s c a r a c t e r í s t i c a s , m a s n ã o e s t a v a . Desde que Zayed aparecera em seuh o t e l e m V a n c o u v e r , e l a s e s e n t i a e m p u r r a d a e p u x a d a , d e s p e d a ç a d a e estressada. Era loucura, e ela nunca se sentira tão estúpida.— Eu nunca disse nada que sugerisse que você é um robô.— Não. Você só acha que sou como um museu: maçante, maçante! — Aspalavras caíram no silêncio. Zayed fechou os olhos e falou, depois de algum tempo:— Você sabia?Rou corou arrependida por ter explodido.— Sharif não pretendia que eu descobrisse. Eu preferia não saber.— É por isso que você me odeia tanto.— Acho que você pensou que estava sendo engraçado, mas issomagoou...Ele a interrompeu, beijando-a. Rou enrijeceu o corpo, espantada, e tentoue mp u r r á - l o p e l o s o m b r o s , m a s o c o r p o d e l e e s t a v a m o r n o e firme sob suas Projeto Revisoras29

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter mãos . Ela sentiu as batidas do coração de Zayed e o perfume de sua pele. Asmãos que antes o empurravam se agarraram à roupa dele. O beijo de Zayed fora gentil até aquele momento, mas, sentindo que ela cedia, ele a beijou commais ardor, tirando-lhe o fôlego.Rou já fora beijada, mas nunca daquela maneira, não com tamanho ardorou ânsia, desejo ou raiva. Sua cabeça começou a girar e ela perdeu o senso: abriu os lábios e ele explorou sua boca lentamente com a língua, saboreando-ae enviando ondas de entorpecente calor através de seu corpo. Aquilo tinha deparar, ela pensou, atordoada, ela precisava detê-lo, mas seu corpo se recusavaa obedecer. Sentia sensações maravilhosas e estranhas demais, a começarpelas pernas bambas e pelo langor dos músculos. Seu coração parecia bater mais devagar, seguindo o ritmo dos arrepios que lhe percorriam a espinha e oventre, deixando-a enlouquecida e dolorosamente consciente do quantoestivera vazia.A c h e g a d a d o m o r d o m o d o p a l á c i o o s interrompeu. Rou não o ouvirac h e g a r , m a s Z a y e d s i m , e e l e t e r m i n o u o b e i j o e s e a f a s t o u c o m i n c r í v e l rapidez. Enquanto o mordomo falava com Zayed em voz baixa, Rou oscilou emc i m a d a almofada, sem conseguir se controlar. Ela ouviu Zayed fazer u m a pergunta, mas não entendeu a conversa. Quando o mordomo saiu, Zayed se virou para ela.— Preciso ir — disse ele abruptamente. Rou se esforçou para fitá-lo.— Tudo bem.Zayed se inclinou para ela, tocou-lhe o rosto e franziu a testa.— Minha mãe teve um colapso. Foi levada para o hospital. Rou pestanejou,voltando ao normal pouco a pouco, exceto pelo coração que batiarapidamente.— Ela vai ficar bem?— Tenho certeza de que sim. Foi apenas o choque ao receber a notícia sobre o avião de Sharif.— Claro. — Ela esperou que ele saísse, mas Zayed não se

mexeu.

Ficousentado, pensativo, olhando o rosto corado de Rou e

escolhendo as palavras com cuidado.— Aquele e-mail... O que escrevi... Não se dirigia a você.— Eu sei. — Ela sabia, mas não significava que magoasse menos.— Não tive a intenção de magoá-la.Rou sentiu uma dor no peito. Não queria as desculpas de Zayed, queria apenas que as coisas fossem diferentes: queria ser mais bonita, mais animadae a t r a e n t e . Ela tentou falar, mas não conseguiu. Gostara dele, pensara s e r retribuída, tivera fantasias românticas e absurdas, mas já haviam se passadotrês anos. Era muito tempo, não importava mais.— Isso é passado, já esqueci.— Acho que precisamos conversar sobre esse assunto, mas não agora...— Não quero falar sobre isso, você deve ir. Sua mãe precisa de você etenho muito trabalho a fazer. — Rou se levantou da almofada, sentindo-sedesajeitada. — Vou voltar para o meu quarto e entrar em contato com as três candidatas que selecionei. Vou marcar um encontro com cada uma.Ele levantou com agilidade, elegância e imponência.— Irei vê-la assim que voltar do hospital.— Não é necessário. Você tem muitas preocupações e tenho trabalho a fazer. Não estou aqui a passeio.— V o u p e d i r q u e m a n d e m o j a n t a r p a r a s e u q u a r t o . — E l e n ã o p a r e c i a contente. Projeto Revisoras30

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experimentava cada vício enada o satisfazia. a culpa era insuportável e ele tentara se autodestruir durante os últimos15 anos.Zayed fechou os olhos.. amantes passageiras. salvar o que restara de sua família. Ela pegou suas anotações e voltou para o quarto. Se não a houvesse beijado. explosivo. c o m o a c e r i m ô n i a d e coroação. horas rápidas.. voltara a Sarq e ocuparia o lugar do irmão. Agora. O beijo osurpreendera. e a Rou.Zayed olhou para ela por algum tempo e saiu. Sabia que ele a rejeitara e. em seus lábios e o sangueque parecia ferver em suas veias. a limusineatravessou o portão do palácio.Ele lhe dissera que iria vê-la quando voltasse. Sharif esuas causas perdidas. se necessário —. Ele se encolheu na penumbra do carro. Tentaria reparar seus erros. m a s e l a também não era como imaginara. envergonhado. nãoteria descoberto que a imagem de cientista fria era apenas uma máscara. N a d a d o q u e e l e i m a g i n a r a . Rou. Ele convivia com a desonra: provocara a própria maldição devido a seus atos. a esposa que precisava encontrar — a mãe declarara que poderia lhe arranjar uma esposa para o dia seguinte. Fora quente. A sensação não era novidade. Ela sabia sobre o e-mail para Sharif depoisdo casamento de Pippa.. Zayed se recostou no banco. Se pelo menos conseguisse quebrar amaldição.tentando esquecer o beijo. Não pretendera ofendê. Zayed Projeto Revisoras31 . a estranha sensação. Apenas vá. Zayed sabia que provavelmente fora sarcástico ougrosseiro. Queria apenas cavar um buraco entre Sharif e sua estranha protegida. mas falhara. Tornell era uma mulher. O que o levara a beijar Rou Tornell? Ele não a achavaparticularmente atraente. Capítulo Cinco E NQUANTO A limusine se afastava do hospital.. Zayed se agitou no assento.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Sou a última pessoa com quem você deve se preocupar. Emgeral. Deus não o deixara morrer e não o deixaria viver. não quisera beijá-la...la. Suavida era uma série de prazeres cansativos — carros velozes. Dez minutos depois. Rou o observou ir embora.Jessica 116. apesar de não se lembrardas palavras que usara.A g o r a e l e p o d e r i a s e d e d i c a r a o u t r o s p r o b l e m a s . mas aquele beijo. Aloura e esbelta Dra. Precisava ver Rou. se pudesse. Ele satisfazia cada capricho. e ele gostara de beijá-la. Sua mãe estava bem e seu colapso fora causado por necessidade de atenção.

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— Eu não a chamaria de delicada. As luzes permaneciamacesas.— O beijo nada significou? Projeto Revisoras32 . Ela nada comera? Ele se virou para sair e a viu dormindo sentada. tão diferente do que ele pensava deR o u . E quem eu sou e o que faço. Zayed tocou-lhe levemente no braço. a sala estava vazia.— Esta noite foi a primeira vez que a vi em anos. — Ele deu de ombros..— O beijo ou o e-mail?— Os dois.Jessica 116. — Ela levantou a cabeça com dificuldade e olhoupara ele. Ao dormir. d e m u l h e r a l g u m a . mas se sentiu culpado.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter entrou no palácio e foi direto para a suíte de Rou.. — Ela não se mexeu. Ela ainda usava o h o r r o r o s o costume cinza. mas a m e s a s e a c h a v a c o b e r t a d e p r a t o s e travessas que não haviam sido tocadas. histérica.— Isso não é algo delicado de se dizer.— Você não se dá bem com ela? — Rou franziu a testa. você se esconde atrás da máscara de cientista.— Ainda bem que você me conhece. Sua pele era macia e morna. Informal e tipicamente ocidental.— Fácil assim? — ele perguntou.— Ah. Zayed sentou na ponta da mesa.— Já esqueci.— Sinto muito por hoje cedo.Ele ergueu a sobrancelha. Você precisa se deitar. os lábios cheios e as longas p e s t a n a s espessas e escuras. Ela deu de ombros. a l i á s . Jurei que jamais deixaria que acontecesse comigo. com a cabeça sobre os papéis e a mão apoiadan o t e c l a d o d o laptop.Zayed sentiu uma pontada no peito. Ele jamais se a p r o v e i t a r a d e u m a m u l h e r f r a g i l i z a d a .— Não é uma máscara. acorde. Rou se empertigou de repente. exausta.— Mas você foi vê-la esta noite?— Ela é minha mãe — ele disse com um grunhido. m a n i p u l a d o r a .— Dra. Tornell. Zayed deu um sorriso.— Já passa da meia-noite. P o r q u e a beijara? Confuso. o rosto de Rou se suavizava. Ele asacudiu com cuidado. Zayed se aproximou. Zayed observou o rosto lavado.E l a estava ali porque ele lhe pedira ajuda.— Olá.— Como está sua mãe?— Insegura. recordando. Olá. acariciou-lhe o rosto. ele pensou em deixá-la como estava. diria que é um homem bom.— Se eu não o conhecesse.— Eu separo as coisas.— Ainda bem. mas os cabelos estavam soltos e caíam em ondas douradas eprateadas sobre os ombros.Rou bocejou e afastou um cacho de cabelos do rosto ainda marcado de sono. Está na hora de você ir para a cama. — Rou.— Por quê?— E l a é c o n t r o l a d o r a . V i c o m o e l a t r a t a v a S h a r i f e s u a família. O mínimo que poderia f a z e r e r a mandá-la para a cama. os lábiosficavam relaxados e cheios e ela parecia tremendamente frágil . — Ela sempre foi assim. Rou torceu os lábios. Sem pensar.

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— Concorda? Nossa relação Projeto Revisoras33 . sheik Fehr! — Se ela esperavadetê-lo com sua voz gélida e com o comentário seco. e Z a y e d c o m e ç o u a f a n t a s i a r s o b r e o q u e f a r i a c o m pernas como aquelas. p o r q u e p e n s a r a e m c o m o e l a p a r e c i a precisar desesperadamente de sexo bem-feito. — A ciência e a química do a m o r . é também habilidade. seria outra: seu porte seria diferente.enquanto ele continuava a observá-la. a l g o controlado pelo cérebro que libera hormônios e neurotransmissores.Zayed deu um sorriso zombeteiro. os cabelos se espalhando sobre osombros e a respiração descompassada. Rou se afastou.— Sim — ela concordou sem se abalar. paciência e desejo. Tornell o lado do amor que ela desconhecia: olado físico..— Eu não saberia dizer — ela respondeu. Depois de algumas horasna cama e de alguns orgasmos. Cometemos um erro.— E e u d e ve r i a l e v á . É isto que interessa sheik Fehr: compatibilidade.— Você sabe um bocado sobre meu cérebro. É u m i m p u l s o i n c o n s c i e n t e . sinergia. fazia com que se tornasse viva.Coragem.— Estamos no meio de uma crise. teriao maior prazer em ensinar à Dra. f e mi n i n a e d e c i d i d a .l a m a i s a s é r i o ? — e l e c o m p l e t o u . porém não ouvia mais. p e n s a n d o q u e gostava mais da Rou Tornell que se escondia sob a máscara. e l e acariciou cada traço do rosto dela com o dedo.— Passei as últimas três horas escutando as lamentações de minha mãe.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Absolutamente nada — respondeu ela com firmeza. Rou levantou da cadeira. Era disso que ela precisava. casamento. Rou corou vivamente. corajosa. Não sou seu tipo e jamais serei. sorrindo. sou uma mulher. — Estou aqui para ajudá-lo a encontrar uma esposa — ela acrescentou. São apenas as leis da atração. mas isso nãoquer dizer que a atração ou a compatibilidade sejam verdadeiras. ela era a r d e n t e . mas não a mulher certa para você. paixão e fogo. S e m p e n s a r . percorrendo-lhe o corpo com o olhare se detendo nas pernas.— Mas foi ótimo. e você é uma mulher. Imaginou há quanto tempo elanão dormia com alguém.Jessica 116.— Talvez devesse ser — respondeu ele brandamente. Ele a beijaria atrás do lindo joelho e ela estremeceria c o m o a maioria das mulheres.— Você acha que meu cérebro não a acha atraente?— Acho. Zayed riu de mansinho. sim.Estou muito ciente da crise.Zayed concordou. — E l a colocou o cabelo atrás daorelha. O amor não é apenas uma lição de ciência. em particular o sexual. Se ele não estivesse preso à necessidade de arranjar uma esposa. afetada.— Não.a p e s a r d o d i a c a n s a t i v o . — Estamosestressados. mas também sou homem. Acabou: é passado. Ele sabia que Rou Tornell era o o p o s t o d a imagem que projetava.. Sem os sapatos de saltos altos as pernas ficavam a i n d a m a i s t o r n e a d a s . m a s l h e c a í a bem. Ele parara de ouvir assim que e l a m e n c i o n a r a o i m p u l s o s e x u a l . suas cores voltariam e aquela boca suave incharia por causa dos beijos.— Os homens são dados a impulsos. apaixonada. o olharmais suave. enganava-se.— Leis da atração?— E s te é o m e u c a m p o d e p e s q u i s a . T a m b é m e r a m o r d a z . Irritada.— Não sou uma das suas três pretendentes.. a n i m a d a . — Não?— Quer dizer.. E l a e r a p r o v o c a n t e e d i v e r t i d a . pensou ele.

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alguém que já o conhecesse. Ela a c o r d o u antes das oito. . s e n s a c i o n a l . Tudo com ele era diferente. ainda m a i s q u a n d o e s t á z a n g a d a . embora gostasse de se sentir viva. Ainda de pijama. Elasempre fora acusada de ser muito racional. mas apavorante. Nenhuma das três candidatas respondera e. mas admitiu que o e s f o r ç o s e r i a inútil. Uma linda morena.. Sentou-sen o s o f á e c o n s u l t o u s e u s e .— Eu me enganei quanto a você. — De perto. Rou notou a fadiga. não c o n s e g u i u .uma amiga da família. Ele era terrível. mas talvez suas emoções e desejosfossem controlados pelo medo. colorindo o céu de vermelho. agitada e insone. precisava. beijos e insinuações. q u e a f i z e r a d e s e j a r i r a d i a n t e . talvez uma ex-namorada. pensou em reenviar os convites.— E n t r e — d i s s e e l a . Cambaleou até a sala e apreciou o sol que se levantava. — Não espero que faça seu papel deanfitriã enquanto estou aqui. sabiaque. ela sabia que seria diferente. Eu não deveria me intrometer numa hora dessas. Ela parou e sorriu docemente. é um desafio. R o u c a m b a l e o u a t é o sofá e deitou. Tentou ler. Nada de carícias. Deveria existir alguém mais próximo. t o r c e n d o p a r a q u e f o s s e M a n a r t r a z e n d o c a f é e biscoitos. S e r i a ó t i m o . Desculpe. demandas e desejos. ficou aliviada.m a i l s p a r a v e r s e r e c e b e r a a l g u m a r e s p o s t a .Nenhuma mulher decente o aceitaria. D e u s . Sentindos e culpada. com a cabeça doendo. R o u n ã o a p r e c i a v a o s e x o . Tensa. nada posso fazer. Seria impossível arranjar uma noiva para Zayed nas próximas 36 horas.agarrando uma almofada. para seu espanto.. Eu deveria ter vindo maiscedo para lhe dar as boas-vindas. Tornell. Está difícil me manter ocupada. manifestara suas necessidades. arrogante! Não conseguiria encontrar uma mulher para ele.Q u a n d o Rou conseguiu dormir já passava das três horas. O problema era o beijo de Zayed.Jesslyn parecia atordoada.Você tem muito a fazer. e v o c ê . Com elenão se sentia frígida. A q u i l o n ã o e s t a v a certo: viera fazer um trabalho e falhara. — Ele precisa voltar. convencional e fingida? C o m o e l e e r a grosseiro. O s h o m e n s g o s t a m d e d e s a f i o s . colocou os óculos e pegou o laptop. Quando Zayed a beijara. e l a precisava sair dali!R o u rolou na cama.. Jamais experimentara um beijo como aquele ardentee p r o f u n d o .— Rainha Fehr! — Rou correu para receber a esposa de Sharif.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter será estritamente profissional. A revelação fora fantástica. a reação de seu próprio corpo e a expectativa de c o m o s e r i a f a z e r a m o r c o m e l e .Nenhuma mulher sensata entraria no avião e iria até ali para conversar comele durante apenas uma hora e concordar com o casamento. Rou prendeuos cabelos num rabo de cavalo. Sensual.E l e d e u u m ú l t i m o s o r r i s o e s a i u .— Não fui uma boa anfitriã com você. apenas sentia. jamais teria aquela sensação outra vez.. apareceu entre as colunas.. m i n h a tensa. porque. Ela tentou esquecer o beijo. uma prima distante. E muito interessante e atraente. sem saberse deveria se inclinar ou cumprimentá-la. m a s .— Infelizmente. no momento em que partisse. Nada me faz esquecer. A questão é que e l a a i n d a e s t a v a e x c i t a d a emocional e fisicamente. perdida. usando um vestido simples.Jessica 116. convencional e fingida Dra. seu corpo ganharavida. queria. com Zayed. arrogante e. asolheiras e a palidez no rosto da rainha. desejava e ansiava. Meu nome é Jesslyn Fehr. Rou se preparava para consultar aficha de Zayed quando bateram na porta. t a l v e z . nem mesmo as crianças..

Não posso viver sem ele — disse tentando sorrir. Projeto Revisoras34 . — Rou indicou o sofá.— Sentese. Eu estava gostando de trabalhar de pijama. sem sucesso. — Desculpe se não estou vestida.

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passava os fins de semana de pijama. Estávamos todos de férias na Grécia quando o acidente ocorreu. P o d e r í a m o s t o m a r c a f é j u n t a s enquanto conversamos se não se importar.Rou percebeu por que Sharif amava Jesslyn e seu coração se confrangeu.— Você sabe. corrigindo provas. humilde. —Não posso perdê-lo. Estes aposentos raramente são usados. Foi assimque conheci Sharif. mas deveria.Jesslyn era bonita. Não saberia viver sem ele. — Quando eu era professora. Ela não sabia.Jessica 116. Ganhei a Bolsa de Estudos Fehr para estudar em Cambridge.Rou também engoliu as lágrimas. Acho que eu e você somos as únicas que o usaram depois que elas morreram. como jardim e o sol matinal. Imediatamente apareceu uma jovem. Você já tomou café? Comeu alguma coisa?— Estou bem. — Faz tempo quenão venho aqui.O rosto de Jesslyn se iluminou. E um bonito lugar.— Sim. verdadeira e realista. conheceu os jardins?— Não. minha esperança. no hospital.— É uma suíte muito bonita. s u c o .Zayed chegou meia hora depois e as cumprimentou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — É a maneira mais cômoda de trabalhar — respondeu a r a i n h a . conversando sobre os filhos de Jesslyn e Sharif. — Das gêmeas.— Nada de costume cinza hoje? — Ele usava uma calça preta e u m a camisa de linho. Jamila e Aman.— Sim. mas as conteve e mudou de assunto.— T a m b é m n ã o t o m e i c a f é d a m a n h ã . Ele era um mentor maravilhoso.Rou ficou espantada. Pretendo fazêlo mais tarde.— Você já foi lá fora. Talvez ele estivesse certo. na véspera da morte de Aman. As duas tomaram café. envergonhada. Já fora ruim receber a rainha de Sarq de pijamas. — Ela piscou várias vezes e fitou Rou. b i s c o i t o s e iogurte. quanto mais Zayed!— Talvez seja melhor você vestir outra roupa. traga-ostambém. O dia vai ser muito quente epensei em lhe mostrar os jardins do palácio mais tarde. aqui era o quarto delas — disse a rainha com ar distante. Fiquei aqui quando cheguei ao palácio. poderia trazer café para dois? Se houver alguns doces.— Você é a psicóloga? Agora você e Zayed encontraram um ao outro.— Claro que não me importo. Quemaravilha. Rou se sentiu desleixada.— Você era amiga delas? — A melhor amiga. alteza?— Mehta. estava barbeado e exalava sofisticação e elegância. Nós nos conhecemos na escola e depois dividimos umapartamento. Ele étudo para mim. Projeto Revisoras35 . — Morreram com uma semana de diferença. — Depois que a moça saiu. Talvez algo de bom resulte de tudo isso. meu coração.J e s s l y n s e i n c l i n o u e a p e r t o u u m b o t ã o i n v i s í v e l n a p e r n a d a m e s a d e centro.— Ela mordeu os lábios.M e n t a e M a n a r e n t r a r a m c o m b a n d e j a s c o m c a f é . — Soube que você conheceSharif. Jesslyn olhou ao redor.— De quem?— Das meninas — revelou Josslyn com uma cara triste. Foiassim que o conheci. muito bom e generoso. Não é engraçado como o mundo funciona? Sharif sempre me disseque o mal pode gerar o bem.— Ainda não tive chance de vestilo — ela disse. — Os olhos dela se encheramde lágrimas.

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês têm muito a fazer. — R o u c o b r i u o s o l h o s e p e n s o u n o q u e J e s s l y n e s t a r i a imaginando enquanto conversavam.. em outros. — Ele se jogou no sofá e olhou para ela.— E o que todos pensam?— Não sei. — Rou soltou os cabelos. n ã o .Jesslyn saiu enquanto os dois se olhavam fixamente. Isto explicaria por que a colocaram no quarto de minhas irmãs. uma amiga da família que seja adequada.. Moralmente? Durante os últimos cem anos os Fehr sótiveram uma esposa.— Foi um engano. Fique à vontade para se juntar a nós. — Quantas esposasse espera que tenha um rei?— Meu pai e meu avô eram homens modernos e ambos só tiveram uma esposa. Ele olhou para ela e deu de ombros. apesar do que vocêpensa. que estou aquipara lhe prestar um serviço..— Concordo com você. quando voltasse.Ele concordou pensativo..— Creio que será um alívio para sua futura esposa.Jessica 116. somos um país moderno. sim.— A h . — Vou levar as crianças para nadarmais tarde. alguém conhecido. Somos fiéis às nossas mulheres. Meu bisavô teve três. As crianças estão loucas de vontade de conhecer a nova tia. e eu. Diga-me uma coisa: Sharif tem três filhas eum filho de três anos.— E quando será isso. u m a p r i m a distante. Seria o ideal. no mínimo. também serei. . Seria terrível se ela pensasse estar dianted e s u a f u t u r a c u n h a d a .— Ótimo. A tradição de Sarq diz que o país deve ser governado por um homem que tenha mais de 25 anose que seja casado com.. . Ela não sabia o que estava dizendo. Sob vários aspectos. J e s s l y n j á e s t a v a p a s s a n d o p o r t a n t a c o i s a . estamos de acordo. Certifique-se de que todos saibam que nãosou sua noiva. pronta para.— Deve haver alguém próximo de você. há cincodias. Rou ficou apavorada. Tahir. — Talvez seja hora de reavaliar nossa pesquisa. especialmente a rainha. levantando. Talvez pense que você é minha noiva. traria minha noiva. um rei pode ter mais de uma esposa?— Legalmente. Projeto Revisoras36 . Dra. Não quero que ela fique constrangida ao ver sua futura esposa chegar. — É preciso que você esclareça tudo. — Rou pegou um bloco.— Não sei. —Ela sabe que sou psicóloga.— Como não sabe? Por que ela pensou que nós. Por que um deles não ocupa o trono? Por que ele passará para você?— E uma antiga lei de Sarq. — O silêncio se prolongou a ponto dos nervos de Rou quase explodirem.— Foi o que também escutei.. Elabeijou Zayed e sorriu ternamente para Rou. — Tia? Zayed franziu a testae olhou para o corredor.— Talvez ela não saiba. pouca coisa mudou nos últimos 400 anos.mas.— O que foi que ela disse? — perguntou Rou.— Uma amiga da família. tomar notas. Vou deixá-los — disse Jesslyn. — Ela respirou fundo.— Ainda hoje. — Certo? — Zayed continuou olhando na direção da porta.Estes aposentos só são usados pela família.— No mínimo uma mulher? — Ela balançou a cabeça. uma ex-namorada. Tornell? Hoje? Amanhã? Não estamos maisperto de encontrar uma esposa do que estávamos em Vancouver.— Por que pensaria isso?— Eu disse que. especialista em relacionamentos. uma mulher.

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É exatamente o que quero.— Está na hora de me chamar de Zayed.A cabeça de Rou começou a girar. interessantee nossos filhos serão muito espertos.. Você é uma candidata altamente qualificada: é inteligente..— S e v o c ê n ã o c o n t a r à r a i n h a . Ela não era do tipo que se casava. esperando.— Você está falando sério — ela disse num sussurro.R o u p a r o u n a p o r t a d o q u a r t o e o l h o u p a r a e l e . E perfeita: educada. — Ela se fechou noquarto.— Você andou bebendo?— Tomei um café. você pensou em alguém. sob nenhuma circunstância.— Você sabe que é a solução perfeita. Elesorriu de volta. C o n h e c i a o s s i n a i s d e l ou c u r a . Meu único motivo para estar aqui é ajudá-lo a encontrar uma esposa. conheceminha situação. bem-sucedida.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Também acho — ele sorriu. Tornell. tenho alguém em mente.— Sheik Fehr. claro que a deixarei livre de todas as obrigações. Ela entendera errado.— Ah. — Santo Deus! Filhos?— Poderíamos esperar um ano para você engravidar.Rou.— Então. Rou apontou para ocorredor. em qualquer situação.— N ã o h á r a z ã o p a r a p â n i c o — e l e d i s s e . o dinheiro ainda será seu.O coração de Rou deu um salto..— Receio que Jesslyn e as crianças acreditem que sim. A sala rodavaloucamente. Ela sentou num degrau da sala. Dra.— Então. ou devemos começar a fazer uma lista?Ele fez uma cara indiferente. Sabe que preciso de um casamento de conveniência e não deamor.— Estamos praticamente comprometidos. protegida de Sharif.— Nós não vamos nos casar. ela jurara ter uma vida celibatária.— Não... Se ele voltar. só que ele começará depois do casamento. vá esclarecer este mal-entendido.Rou levantou e se afastou. — É melhor esclarecer tudo agora do que arruinar nossas vidas. não estamos. e u c o n t o — e l a d i s s e f i r m e m e n t e . Ela sorriu. satisfeito.— Vou financiar seu centro de pesquisas. quase desmaiou. — Agora chegavam a algum lugar. Graçasaos pais.— Excelente.. Ela não podia sequer classificá-lo como l o u c o . confiante e calmo. e e l e n ã o a p r e s e n t a v a n e n h u m .. m a s estava totalmente fora da realidade. Escolhi você. Z a y e d a i n d a e s t a v a sentado no sofá. De jeito nenhum.— Como?— Escolhi você. tentando fugir para oquarto. — Te r e m o s u m p e rí o d o d e namoro. culta. Ele falava sério? Dissera quelhe daria dinheiro para casar com ele? Ela se agarrou no degrau.Jessica 116. para ver se Sharif éencontrado.— Sheik Fehr — ela disse secamente. que nunca se abalava. Projeto Revisoras37 .. mas não era expresso. Omelhor é que você é uma antiga amiga da família.— Acho que terá uma surpresa.

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q u e a m a v a e p r e c i s a v a d e s e u t r a b a l h o e q u e n ã o desistiria de sua missão. Do ponto de vista dele. Casamentoera para aqueles que queriam uma vida doméstica. n ã o p a r a e l a . Assim que ela Projeto Revisoras38 . d e c e r t a f o r m a . Rou perambulou pelo quarto. ela nada ganharia ao casar com Zayed Fehr. Por outro lado. Ela amava sua vida e não pretendia casar. e l e tinha razão. pensando no que faria.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Capítulo Seis D EPOIS QUE ele se foi. dedicada à família e aos f i l h o s . o problema e s t a r i a resolvido: teria uma esposa e o trono. apesar de ela achar que. muito menos por um homem como ele. Asolução de Zayed — casamento — não era solução.Jessica 116.

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ou melhor. Rou não as invejava. Jesslyn e as crianças não estavam na piscina.Jesslyn estava tão sensível e entristecida que seria uma maldade sobrecarregá-la ainda mais. t e n t a v a d e r r u b a r a s p e ç a s dotabuleiro. sentindo-se diferente. O dinheiro torna as pessoas arrogantes. Rou se arrependeu por ter pedido a Mehta que a levasse até o quarto. Entretanto. não tinha visto você. a u t o r r e s p e i t o . ou talveza palavra certa fosse lisonjeada. nada ambicionava de material. enquanto as meninas reclamavam.Ao sair do banho. cujas idades iam dos 9 aos 11 anos. Porém. Ela jamais admitiria. Desculpe. cercada pore m p r e g a d o s . Ela não tinha uma fila de homens bonitos e s e n s u a i s b a t e n d o à sua porta. Sua bagagemc o n t i n h a a s r o u p a s q u e u s a r a d u r a n t e a t u r n ê a t r a v é s d e c i d a d e s o n d e predominava a baixa temperatura e que não serviam para o calor do deserto. . egoístas.. como se fosse uma princesa das Mil e uma noites. — Ela deu um sorriso e n q u a n t o T a h i r s u b i a e m s e u c o l o . n u m a e n o r m e mansão em Beverly Hills.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter contasse a verdade a Jesslyn. E l e s v ã o s e c a s a r a m a n h ã . mas Rouhesitava em procurar a rainha depois da conversa que tiveram durante o café. Esta éa n o i v a d e t i o Z a y e d .— Mama — disse Tahir. — Quero que conheçam alguém especial. ele lhe propuserac a s a m e n t o . mesquinhas edesagradáveis. Rou examinou seu limitado guarda-roupa. Entre.Jesslyn como que despertou e olhou para a porta. — M e n i n a s — d i s s e Jesslyn com fingida animação. mas em parte estava curiosa..— Ah.Rou deixou que Manar lhe preparasse um banho perfumado com baunilhae especiarias na enorme banheira.A família tentava manter a normalidade depois que seu mundo desmoronara. olha.fantasiando como seria fazer amor com ele. Zayed não poderia coagi-la a se casar. moça. Jesslyn os o b s e r v a v a c o m a r ausente. m a s descobrira que o dinheiro não compra o amor nem a felicidade. D r a .. Contanto que conseguisse se sustentar.Jessica 116. a p e n a s p o r q u e t i n h a m a n g a s curtas. Rou. eela não tinha o direito de perturbá-los. Q u a n t o m a i s rápido conversasse com Jesslyn. Oe n d i a b r a d o p rí n c i p e T a h i r . c o n f i a n ç a . não tinha nenhum. Queriaa p e n a s t e r i n d e p e n d ê n c i a . onde as filhas do primeiro casamento de Sharif jogavam Monopólio. Sentias e extremamente atraída por Zayed. Agora. Jesslyn as . Porém ela era uma mulher diferente: crescerac o m m u i t o d i n h e i r o . notando a presença de Rou. e ficou tentadaa aceitar a proposta de Zayed. Al m e j a v a u m m u n d o particular onde pudesse controlar suas emoções e seria impossível alcançá-loficando em Sarq. melhor. R o u T u r n e l l . C l a r o q u e e l a n e m s e q u e r p e n s a r i a n o a s s u n t o . levantaram e s e inclinaram respeitosamente com um olhar curioso.. R o u vi u q u e a s m ã o s d e l a t r e m i a m aoacariciar os cabelos do filho e seu coração se apertou. Ela se deleitou ao entrar na água. — Mama. N ã o é emocionante?A s m e n i n a s .E l a a c a b o u p o r e s c o l h e r u m c o s t u m e p r e t o . Passara a noite rolando na cama. . mas no quarto. Calçou sapatos de saltos baixos. d e t r ê s a n o s . o que lhe restava? Deixar que Zayed a manipulasse atéconcordar? Jamais. prendeu os cabelos num coque e saiupara procurar a rainha. Embora trabalhasse para pessoas ricas.

Porém. Diga: não vou me casar com seu tio. jamais. a m a i s v e l h a . a voz lhe faltava ao perceber a tristeza que flutuava no quarto. Projeto Revisoras39 . de 9 anos. mas não conseguia se mexer nem falar. e J i n a n . Rou ficou paralisada. Afinal. Takia. D i g a a l g o . p e r g u n t o u s e o c a s a m e n t o s e r i a n o e s t i l o o c i d e n t a l o u segundo a tradição de Sarq. Viera esclarecer o assunto.apresentou.rompeu o silêncio. e x p l i q u e q u e t u d o é u m mal-entendido.

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mas. e isto inclui casar e assumir o governo. Deu um sorriso desesperado. Zayed pensou em argumentar. confuso. Eu quero e preciso de você.— G o s t o de você desse jeito. secando as lágrimas. e fugiu. s u a s l á g ri m a s r o l a r a m . gritando.— Eu não gosto de ficar assim.casamento. A s s i m q u e e l a s a i u . deu de cara com Zayed. t r e m e s s e m .— Essa esposa é você. opaís está em tumulto. dedicando-se a ajudar os outros. — S e e u pudesse. Jesslyn começou a chorarsilenciosamente. Amor. F o r a d e m a i s .. desfaria tudo isso — ele acrescentou com calma.— Casar com tia Rou? — perguntou Saba.— Talvez dê para esperar — sussurrou Takia. Não poderia fugir de onde mais a necessitavam. filhos.Rou. Você está sendo corajoso e forte ao se tornar rei. A pequena Takia não entendeu por que não esperamos o pai dela para casar!O turbilhão de palavras exaltadas terminou e ela olhou para ele. Aquelas crianças encaravama realidade muito cedo. Projeto Revisoras40 . Takia olhou para Rou com os olhos arregalados e os lábios apertados.— Como pude pensar que você era insensível? — ele disse. que odiava emoções e lamentos. Saba e Jinan soluçaram. A rainha e as crianças estão arrasadas.— E se tornar rei — disse Jesslyn entre as lágrimasRou não aguentou..Jessica 116. até que chegue este dia..mas suspirou e concordou. pedindo socorro. abalada. muito corajoso e forte.— Você precisa de uma esposa. O h o m e m q u e e l a adorara se fora. m u i t o i n t e n s o e dolorido. Rou tentou retornar ao seu quarto. sentiu o coração dilacerado. — Não será suficiente.— Nós nos encontraremos no almoço. clinicara. pegando-a pelo braço.. — S e m e l e . O país está um caos.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês não vão esperar a volta de papai? Vão se casar sem ele? — O silêncio pesou no quarto e abriu caminho para a dor. aconselhara. está fazendo o que seu pai gostaria que ele fizesse. — O q u e d e v o f az e r ? D i z e r q u e n ã o v o u c a s a r c o m v o c ê .— Preciso de tempo — sussurrou. perda. S h a r i f e s t a v a m o r t o e n ã o v o l t a r i a . A dor de todos fizera com que a morte de Sharif se tornasse real e aa t i n g i s s e e m c h e i o . As meninas tinham perdido a mãe havia muitos anos. É disto q u e p r e c i s a m o s . de repente.— G o s t a r i a d e p o d e r e s p e r a r p o r s e u p a i — d i s s e R o u . o casamento não será bonito. Crianças não deveriam sofrer nem amadurecer de repente.Rou pensou em Jesslyn e nas crianças e recomeçou a chorar. Preciso de você para cumprir meu dever.— Algo errado? O que aconteceu?— Seu irmão está morto. mas acabou se perdendo nos corredores e. Porém nãop o d e r i a a b a n d o n a r u m a f a m í l i a n a q u e l a s i t u a ç ã o . — Ela voltou ac h o r a r . Semvocê não será possível. não de mim. O palácio estava repleto do que ela mais temia. Nada pode ser decidido sem o rei. Porém. Daria tudo o que tenho e o que sou para vê-lo asalvo. escutara. e tio Zayed. Você se torna verdadeira. — R o u m o r d e u o s l áb i o s p a r a e v i t a r q u e . — Daria tudo paraver Sharif entrar pela porta. D u r a n t e a n o s e s t u d a r a .— Acabo de sair do seu quarto — ele disse. ensinara. q u e n ã o haverá rei? A rainha me apresentou às crianças como tia Rou! Agora sou tiadelas.— Fui ver a rainha — ela replicou.— Tio Zayed e tia Rou gostariam — disse Jesslyn —. e Tahir. cheio de medo. Isto lhe dará algum tempo. abraçou-se à mãe. sem seu pai. devo fazer o que é necessário.

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mesmo por um homem comoele.Se ela não tomasse cuidado. Onde estavamo preto.— Então.. sonolenta e esfregando os olhos. Ele disse que a senhora precisa de algo mais adequado à vida no palácio. Zayed tinha razão. agora.Valentino. trocaria — ela disse. Rou se sentou na cama. Não admira que a mãe de Zayed tivesse um colapso e precisasse seri n t e r n a d a . apenas me indique a direção. Tornell. R o u p e r d e u o f ô l e g o e a b r i u m a i s u m a c a i x a . Quanto ao casamento.. Prada. o azul marinho. — Está tudo na sala..— A senhora não quer trocar de roupa? O terraço é coberto. C o m o u m a m ã e s u p o r t a r i a p e r d e r t a n t o s f i l h o s ? A r e a l i d a d e e r a muito dura. Chanel.. mas isto é tudo o que tenho.. Tudo e r a t ã o l i n d o q u e i m a g i n o u a s i r m ã s d e Z a y e d v i v e n d o n a q u e l e s a p o s e n t o s dignos de duas princesas. Embora desejasse voltar para São Francisco nop r ó x i m o v ô o . O país está semrei há quase 15 dias. Hesitante. Ao entrar no quarto. Rouprecisou pedir ajuda duas vezes aos empregados.— Sou esperta.— E complicado. r e c o n h e c e u c o m r e l u t â n c i a q u e e s t a o p ç ã o s e r i a i m p o s s í v e l . Porém jamais deixaria de ser quem era. Tornell. Dra. — A moça malcontinha a excitação. venha ver. comovente e triste.— É seu enxoval. num silênciocarregado. — Estou pronta.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Tem de ser.. Ambas haviam morrido. encontrando um vestido plissado cor de coral com um fino cinto dourado. Outra caixa continha um incrível casaco rosa claroc o m b o t õ e s d e b r i l h a n t e s . — Se eu pudesse.C a i u n o sono e foi despertada por Manar. A senhora recebeu dezenas de caixas e sacolasque chegaram de Dubai. Ele precisava dela e ela o ajudaria. bocejando —. Estamos ficando sem tempo. jogou-se na cama e examinou o ambiente como se o visse pela primeira vez.. e. mas sua alteza deseja que comece a usá-lo. mas é muitoquente. desesperada. No meio do caminho. Zayed desistiu e lhe forneceu instruções. m a l a s e caixas.. ela abriu a tampa de uma caixa e descobriu um vaporoso vestido rosa. Ela reconheceu algumas marcas: Michael Kors. Eu. — Rou estava cansada e arrasada.— Venha ver.— Está certo.Jessica 116..— Vou levá-la até seu quarto.R o u c o r r e u a t é a s a l a q u e e s t a v a c h e i a d e s a c o l a s c o l o r i d a s . nem mesmo o funeral do meu irmão.. que viera lembrá-la de que o almoço seria dentro de meia hora e perguntava se ela queria mudar de roupapara almoçar no terraço com sua alteza.xavam segura. afundando no travesseiro. o grafite? Onde estavam as roupas sérias que a dei. Dior. jamais voltaria a ser.— Já é uma hora?— Sim. Nada era como deveria. Ela abriu várias embalagens e a sala foi inundada por um mar em tons de rosa.— O quê? — Rou deu um pulo na cama. A senhora tem meia hora para se preparar. invencível? Aquele guarda-roupa era feminino. Sarq. — Ambos se olharam frustrados e zangados. Projeto Revisoras41 . tenho tempo — ela respondeu.— Não. Talvez fosse temporário. Algumas ela não conhecia.. Nada pode ser decidido. jovial.. nem desistiria de seus projetos.— Tudo em tons de rosa? — ela perguntou a Manar. Dra. Elaficou tonta e sentou no braço do sofá: não costumava usar rosa. E os ajudaria a agüentaras próximas semanas. Sharif também morrera. mas as embalagens eramigualmente elegantes.

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procurando seu ponto mais sensível. apossando-se desua boca como se lhe pertencesse e. Estavam ali.. suportando o seu peso até q u e e l a relaxasse de novo e se acostumasse com a sensação. Os lábios dela tremeram. abraçou-o pelo pescoço e escondeu o rosto no ombro de Zayed. coladoscarne com carne.O corpo dele estava quente. A minúscula calcinha des e d a d e Rou era um obstáculo inútil. puxando-a de volta para o colo. Rou abriu seu c o r a ç ã o e d e i x o u q u e e l e entrasse. Zayed arrancou a saia de Rou e a puxou de volta sobre o corpo. ela o beijava.Ele não se mexeu. seus olhos ardiam. Rou percebeu a hesitação e uma sombra det r i s t e z a n a v o z d e Z a y e d . laeela. P o r i s s o e l a o temia. Era loucura. pertencia. No fundo.. mesmo que quisesse. Ele a preenchia invadia o seu corpo e seu coração. úmida e ansiosa. — É disso que tenho medo. Ela não estava habituadaa dividir. Ela balançou a cabeça.— E melhor você acabar o que começou — ela disse ofegante.— Não de você. seu corpo ansiava para que ele continuasse a tocá-la. fazendo com que ela sentisse o poder de sua ereção. Temia o poder que ele exercia sobre ela. sentindo algo diferente do medo. Ele a ergueu e encaixou-a em seu corpo.. Rou se contorceu selvagemente. Os dois se movimentaram juntos: ele a segurava pelos quadris. Era injustificável. — Deixe que eu tente. despidos. Olhoupara ele: tão belo e com um olhar tão solitário. seu corpo se abriu para ele e o acolheu como se formassem uma unidade. — Ele a beijou profunda e demoradamente. — E rápido. Estava em suas mãos. — Assim não vou conseguir — ela disse. Assim que ela abriu seu coração.— Pode sim.. sentindo como ele estava excitado.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter obedeceu. afinal. para que apossuísse. Rou entrouem pânico e tentou empurrá-lo pelos ombros. Zayed a acariciou através do tecido. p r o f u n d a e a v i d a m e n te . — Não posso ficar nesta posição. Rous a b i a q u e p a r t e d e l a p e r t e n c i a a Z a y e d e s e m p r e p e r t e n c e r a . Quando ela trincou osdentes. Roumergulhou os dedos nos cabelos de Zayed e esmagou os seios contra o peito d e l e . mas desta vez de frente para ele. ele a livrou da calcinha e continuou a acariciá.— Vou tentar — disse ela.O coração de Rou se apertou e ela deixou as lágrimas escorrerem. Não sei como fazer isso.Jessica 116. segurando-a pelos quadris. — Ela o beijoud a m e s m a f o r m a q u e e l e a b e i j a r a . Quero que veja o quevocê faz comigo. — Zayed a afastou e se despiu r a p i d a m e n t e .— Você tem medo de mim?Embora estivesse em pânico.— Sou só eu. A q u e l e homemprecisava dela. ela precisava dele.a n t e s q u e eu acabe sozinha. Ela duvidou que ele estivesse respirando. — Calma querida — ele murmurou sobre os l á b i o s dela. a ser parte de alguém. Ela se sentia cada vez mais e x c i t a d a . de certa forma. A ú l t i m a c o i s a q u e q u e r i a e r a magoálo. . que seria extre-mamente sensual e enlouquecedoramente excitante. não sei o que sentir. gemendo de prazer.— Alguém precisa me amar — ele disse. o que era um novo tormento. chocante. e ela sabia que com ele daria certo. e desta forma poderá olhar para mim. Com um únicomovimento. C o m e ç o u a c h o r a r . encaixando-se entre suas coxas. Não posso. Tenho medo de amá-lo.— Não posso.la. Rou soltou um suspiro ao senti-lo dentro desi. A sensação de prazer era superiora tudo que ela já sentira. mas ela não conseguiria lhe pedir que parasse. chorando. Rou mordeu o lábioao sentir o pesado tecido da túnica de Zayed friccionando a pele sensível entresuas coxas.

o prazer crescia e só seus corpos Projeto Revisoras57 .enquanto a excitação aumentava.

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u m m i s t o d e t e r n u r a e d e s e j o . Projeto Revisoras58 . E l a a b r i u a c a p a d o c a b i d e e e n c o n t r o u u m vestido de algodão rosa e branco com um largo cinto. o d e l a ainda tremia.quando acordou. só enjaulada.Rou não sabia por quanto tempo dormira no quarto escuro e fresco. Ele cumprira seu dever.— Sou eu. m a s cumprira sua tarefa. Rou se sentiu magoada. E l a s e n t i u o c o r a ç ã o d i s p a r a r . principalmente lavando a parte sensível entrea s c o x a s .— Eu não estava com fome.L a v a r a a t e r n u r a e a s e n s i b i l i d a d e . indescritível. Exausta. s e u s d e n t e s b a t i a m . n o s o f á .— Durma — ele respondeu. desejosa e carente? Ela se olhou longamente e seu coração se encolheu. até que só lhe restava explodir numa tempestade desensações. Ele poderia magoá-la. — Sua fragilidade a assustava. Ao voltar paraa s a l a . viu um cabide de roupas apoiado no sofá. pensou com sarcasmo.— E agora? — perguntou ela. Ela foi até o banheiro que. Alguém o c o l o c a r a a l i . até que Zayed a carregoupara a cama. apesar devazio.E r a t a r d e q u a n d o Z a y e d v e i o p r o c u r á . ocupada. abandonei meus clientes. Nada de fogo e desejo. Q u a n d o a c a b o u . Embora não gostasse derosa. sua doçura a ameaçava. Rou e n t r o u n o banho e deixou que a água fria escorresse por seu corpo. Ela foi até a sala e viu que estava vazia. querida?— Não abandonada. R o u s e a f a s t o u o m a i s q u e p o d i a e colocou o laptop entre os dois. R o u m a l l e v a n t o u o s o l h o s d o computador. c o n g e l a r a a p a i x ã o e o d e s e j o .Jessica 116.— Você está zangada — disse ele. Ótimo. incansável. E l a s e enrolou numa toalha e se olhou no espelho com os cabelos pingando. O s c o r p o s d o s d o i s e s t a v a m q u e n t e s e ú mi d o s . E l a n o t o u a s t o a l h a s molhadas. s e u c o r p o b ri l h a r e c a d a n e r v o s e esticar. ela sentiu o corpo de Zayed se contrair e apressar oritmo dentro de si. viu-se sozinha. Era incrível. Zayed se barbeara. Rou estava aturdidaporque jamais tivera um orgasmo.mas agora se sentia vazia e apavorada. Enquanto estive aqui. Gostara do que houvera entre eles. serviria para cobri-la ao voltar para o seu quarto. Deveria esperar por Zayed? A ideia de sentar e esperar por ele trouxe de voltaa s e n s a ç ã o d e v u l n e r a b i l i d a d e . Eles ficaram quietos por algum tempo.Ele a abraçou e puxou-a contra o corpo. Ao fazerem amor ela lhe dera mais queseu corpo: dera-lhe seu coração. Ela o desejara e ele correspondera. mas. Estava pronto para se tornar rei. agora seria fácil. a mulher que queria ser. nada que pudesse ameaçá-la. Ele a acomodou sob as cobertas e deitou ao lado dela.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter e xi s t i a m . Estonteada. Sentiu quando ele atingiu o orgasmo.E l a p e r c e b e u u m m o v i m e n t o n o e s p e l h o e p a r o u p a r a v e r s u a i m a g e m refletida. Quem era aquela mulher? Quem era aquela loura suave eapaixonada. tomara banho e saíra.— Talvez eu não quisesse outra refeição na bandeja.— Disseram que você recusou o jantar. exceto do intenso prazer que cresciaselvagem. Suasroupas estavam dobradas sobre a mesa. Aquela era a mulher que ela conhecia.— Zangada não.— Está se sentindo abandonada. ela se e n c o s t o u e m Z a y e d . Sua cabeça estava longe de tudo. aproximando-se. recendia levemente a loção de barbear.— Não acredito.mas ainda estava chocada consigo mesma. Voltara aser ela mesma. O perfume sutil lhe causou umas e n s a ç ã o e s t r a n h a . Embora soubesse queagia como criança. E l a esfregou vigorosamente a pele.Z a y e d s e n t o u p e r t o d e l a .l a .

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Foi um grande dia para você.— Você não poderia ter se despedido ou deixado um bilhete?— Eu pretendia voltar. patética. mas para ela fora um verdadeiro terremoto. — V o c ê te m r a z ã o . companheirismo e respeito — ela gostaria de responder. foi um longo dia. Você conseguiu:casamento. Ele a olhou c o m curiosidade. Parece minha mãe. Rou.— Você estava dormindo. — Rou sentiu um nó na garganta e tentou conter as lágrimas. Zayed baixou os olhos. — Você vaime dizer por que está zangada.— Você me deixou. s o f r i a e n ã o conseguia pensar. com fome.— Sim. magoada e zangada. E s t a v a cansada.— Gostaria de dormir no meu quarto. Jurei honrá-la e protegê-la.— A c h o q u e c o n h e ç o . Rou tentou ignorar os olhos q u e a r d i a m . É preciso fazer todo este drama? Parece até minha mãe. ou pretende continuar com este joguinho de a d i v i n h a ç ã o ? — p e r g u n t o u e l e . Amãe emocionalmente frágil.. dependente."Drama. jurei ser fiel a você pelo resto da vida.— Venha. — Ela engoliu em seco.— Você ficou fora durante sete horas. Zayed?— Minha esposa — ele disse. Como você disse. — Se não se importa. A tarde n a d a significara para ele. dando de ombros. Não sei por que você quer que e u d u r m a n o s e u quarto.Zayed contraiu o rosto sutilmente. a mãe carente.— Se não me importo — repetiu ele com um tom quase de ironia.— Desculpe pelo drama. porque o que dissera até agoraa p e n a s o afastara.Jessica 116.. O que represento para você. Ela tentou se controlar. O que mais poderia lhe oferecer. Amanhã será outro dia. mas nãotemos um relacionamento. Rou cruzou os braços. — Eu sei.— Apenas no papel — ela disse em voz fraca. Pense.— Vamos dormir um pouco.— Você não me parece o tipo de pessoa que joga as coisas. Eu fui à coroação. olhando-a com expressão carregada. R o u f e c h o u os olhos e virou o rosto como se tivesse levado u m a bofetada. ela tentaria se acalmar e lhe Projeto Revisoras59 .— Sozinha.— Você não me conhece. — E l a d e u u m s o r r i s o f o r ç a d o . fraca. coroação.— Foi um longo dia. — E então? Não vamos ficar juntos? Já vamos viver separados?— M a s n ã o estamos juntos. pense! P o r é m e l a e s t a v a c o n f u s a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você acha que o computador vai me manter afastado?— T a l v e z fosse melhor eu jogá-lo na sua cabeça. Jamais estivemos. — É nossa noite de núpcias. p r e c i s a v a a p e n a s encontrar palavras que Zayed compreendesse. além disso? Amor.— Eu sei. cujas necessidades eram ridicularizadas por seupai. E l a n ã o e r a c o m o a m ã e .— Fui à coroação.o s o b r e a mesinha. Z a y e d l e v a n t o u e estendeu-lhe a mão. s e m c o n s e g u i r . M a s sentia-se horrivelmente parecida com a mãe durante as brigas com seu pai.— Não apenas no papel. — R o u n ã o estava disposta a ter aquele tipo dec o n v e r s a ." A mãe com quem ele mal falara durante a n o s . Se ele lhe desse algum tempo.— Eu sei! — Rou agarrou uma almofada. f e c h a n d o o l a p t o p e c o l o c a n d o . Fizemos sexo. consumação.

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l a . ignorando o próprio nervosismo. como se nada houvesse acontecido. e l a s e p r e p a r a v a p a r a p r o c u r á . por uma razão. Tudo o que ela queria era se desculpar. se não tomasse cuidado. indicando o computador. mas. ele tinha preocupações maiores e novas responsabilidades. Rou respondia alguns e-mails e levantou-se para recebê-lo.— Olá. mas ele não apareceu nem mandouc h a m á . Depois deuma noite insone. — Zayed caminhou para a porta. Parecia tão cansado quanto ela. — Boa noite. planejando o funeral de Sharif.. l á g r i m a s . com os olhos cheios de lágrimas.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dizer que estava com medo. Certo. emsua defesa.N o i n í c i o d a t a r d e . soluçando silenciosamente. Rou. E l a o d e i x a r a simplesmente sair. Peça! Implore como sua mãe c o s t u m a v a fazer.desgostoso e distante. Já terminei. sem deixar um bilhete. tinha dificuldade de expressar seus sentimentos. voltar not e m p o e a b r i r s e u coração. Projeto Revisoras60 . Rou ficou desesperada. — Comoestá sendo o seu dia?— Ocupado.Ele saiu e ela se agarrou na almofada. Passei aúltima hora com Jesslyn e Khalid. sem nada. Repetia a história de s e u s p a i s . odiava climas tensos. Rou não conseguiu falar. Não suportodramas nem cenas. E l a n ã o sabia lidar com conflitos. sentia-se impotente. Entretanto.l o q u a n d o Z a y e d apareceu. e que. Rou. Era istoque não queria a cena que ela sempre temera: o homem que sai e a mulher q u e c h o r a . jamais se abrira com ninguém e percebia que ele estava irritado. Rou chorou e sentiu o coração partido porque compreendeu que ela não era melhor que seus pais. Zayed parou e virou-se para ela. Ele era um homem bom.— Não.Rou concordou. Não consigo. Tive uma reunião de gabinete durante toda a manhã. Rou fez um gesto como se quisesse alcançá-lo. Entretodas as pessoas. mas Zayed balançou a cabeça. reproduzindo opapel que o pai dela costumava interpretar: o vencedor do Oscar. saídas teatrais. Abandonara-a sem se despedir..— Eu queria uma mulher forte. — Ela sorriu. honesto. Peça-lhe para ficar. Max Tornell. E r a o q u e c o s t u m a v a a c o n t e c e r e n t r e o s d oi s : b ri g a s . ele a deixara sozinha durante horas. o h o m e m q u e s o f r e e a m u l h e r q u e s e d e s e s p e r a . confiante. Q u a n t o m a i s o te m p o p a s s a v a . Ele não l h e prometera algo que não poderia lhe dar. ela deveria ser a mais compreensiva e saber como a vida dele se tornara estressante. sabia que se comportara mal.Jessica 116. m a i s d i f í c i l e r a a e s p e r a . acabariacomo eles. — T a l v e z possamos conversar amanhã — disse ele calmo e controlado.— Estou atrapalhando? — perguntou ele. Capítulo Dez Rou ESPEROU a manhã toda por Zayed.

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m i n h a f a m í l i a e m e u s c o s t u m e s . V a m o s j a n t a r f o r a e s t a n oi t e . d o q u a l g o s t o m u i t o .Quando Zayed sentou ao lado d e l a .— Desconfortável?Rou deu uma olhada pela janela e abanou a cabeça. e suponho que Sharif lhe contou algosobre nosso país.— E s q u e c i q u e h a v e ri a u m j a n t a r d e p o i s d a c e r i m ô n i a . Ajudada por Manar. H á u m l u g a r d i s c r e t o . E u f u i à c o r o a ç ã o d e S h a r i f . É preciso que você me ensine alguma coisa. durante anos eu nãosabia quem ele era. — Fui egoísta e irracional. Gostaria de ter ido.Rou estava pronta às 06h30min.— Tudo bem. Em comparação com algumas Projeto Revisoras61 . Eu estava errada. Desculpe.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Não era de admirar que ele estivesse tão tenso. u m a M e r c e d e s p r e t a c o m motorista os aguardava. Não deve ter sido fácil.— Não. não o fiz por altruísmo. pontualmente. O j a n t a r f oi l o n g o .— Sinto muito por ontem à noite.— T o d a n o i v a d a r e a l e z a t e m u m p r e ç o ..— Estarei pronta.— Você o chamava de mentor.— Acho que gosto de algumas coisas cor-de-rosa — ela replicou. — Tudo é novo para nós dois.— Você está deslumbrante — disse ele.— Venho buscá-la às 7h.— Nó entanto. Assim que ocarro começou a andar. Só descobri que era um príncipe ao ler um artigo sobre a coroação numa revista.— S ó q u e e s t e é m e u p a í s . Na verdade. Deixara os cabelos soltos. pensou Rou ao vê-lo entrar na sala. Num curto espaço de tempo tudo mudara entre os dois. D e ve r i a te r m e l e m b r a d o . só animada.— O q u e me d e i x o u m a i s a b o r r e c i d a f o i n ã o p o d e r a s s i s t i r à c o r o a ç ã o . O sorrisode Zayed valeu o esforço. corando. o c o r a ç ã o d e R o u a c e l e r o u e e l a s e encolheu. E s q u e c i o pouco que você sabe sobre nossas tradições. Sairíamos do palácio. o que seria bom para nós dois. — Ela respirou com facilidade pela primeira vez desde que acordara sozinha na cama de Zayed.Jessica 116. — Vamos?D o l a d o d e f o r a . A ú n i c a c o i s a q u e e l e m e p e d i u f o i p a r a q u e a j u d a s s e o s outros da maneira que eu pudesse. — E l e s u s p i r o u e balançou a cabeça. — Gostaria de ver algo além destas paredes. ou pensarão que se casou com uma mulher ignorante. Gostaria de reparar meu erro. ele se virou para ela.— Ele foi muito bondoso comigo. — Foi o que você fez ao se casar comigo.R o u c o m p r e e n d e u q u e e l e q u e r i a d i v i d i r a r e s p o n s a b i l i d a d e e f i c o u aliviada.— Você está longe de ser ignorante. Estou aqui há apenas alguns dias e sei muito poucosobre o país. escolhera o vestido longo rosa e laranja e brincos de pingentes.— Claro ótimo. Ele nunca falou sobre o assunto. vestido num terno preto. — Ela corou. mas me importo com você e queria participar de alguma forma.. Era como um irmão mais velho ou um p a d r i n h o m á g i c o . — Ele sorriu e lhe ofereceu o braço. — Rou sorriu sem perceber.— Não. e você devese sentir tão pressionado quanto eu. — Poderia ter mandado avisá-la. Cobrei um preço.— Você é uma recém-casada que foi deixada sozinha no dia docasamento. Sei que seria apenas para homens.— Fica bem em você.

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até que Tahir tenha idade parasubir ao trono. — Na cerimônia deontem. olhando pela janela. — Não depois de tantos anos separados. um p e q u e n o p a í s à b e i r a d o m a r A r á b i c o . Agora acho que ele tinha razão. Contou que Sarq.bonito e esperto. O carro Projeto Revisoras62 . A s c o n s t r u ç õ e s e r a m a n t i g a s .— N ã o t o r n e i a s c o i s a s m a i s f á c e i s . foi uma noiva de 20 milhões de dólares. apesar de terem três filhas. e ele é um menino inteligente. mas o amor deles terácontinuidade. apesar de tratar Zulimamuito bem. Ele será um grande conforto para Jesslyn.Ele sorriu tristemente e se pôs a falar sobre o país.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter noivas da família Fehr.— N ã o . protegendo as dunas enquanto poderíamos transformar Sarq num paíscompetitivo. com fachadas pintadas de branco. mas minha mãe insistiu que Zulima era a mulhercerta para Sharif. Eles conceberam o príncipe Tahir. e. O desaparecimento das dunasrepresenta um prejuízo para a fauna e para a flora. Eu o achava ridículo. Sharif sempre amou Jesslyn e.Rou ficou comovida. mas começo a pensar que foi um erro. Meu pai não gostou.— Mas Sharif e Jesslyn se reencontraram. Estamos comemorando nosso casamento e tudo o quefiz foi falar da minha família. era um país tolerante.— Está falando sério?— A primeira mulher de Sharif. Zulima.— Obrigado.Em virtude da proximidade do mar.Enquanto conversavam. — Ele citou a l g u n s n o m e s . laeela.— Não durou o suficiente — ele disse. o seu preço foi razoável. ele estava noivo de Zulima. ocasamento não foi feliz. Seis meses depois. a p e s a r d e s e r n o v e n t a p o r c e n t o islâmico. torres e colunas. ela jamais o perdoou por amar outra mulher. o carro atravessava uma vizinhança sossegada. arcos. S h a r i f estava apaixonado por Jesslyn.— A p ó s u m a e x p a n s ã o i m o b i l i á r i a t e m o s o s h o t é i s m a i s l u x u o s o s d o Oriente Médio. Eu colaborei com estaexpansão: sou um dos maiores investidores dos cinco hotéis mais luxuosos. E u e K h a l i d t i v e m o s a l g u m a s discussões sobre o que eu estava fazendo ao ambiente. quero saber de tudo. depois de Dubai e dos Emirados Árabes. Sem que Sharif soubesse. — A l e a l d a d e d e l e s é o t e s t e m u n h o d o q u e s e n t e m p o r m e u falecido irmão.— E era? — ela perguntou. ela procurou Jesslyn e a mandou embora. Sarq estava se tornando sede de vários hotéis.— Quero conhecer sua família.Jessica 116. Fiquei honrado com a presença de tantos amigos e vizinhos quevieram oferecer seu apoio e que também prometeram protegê-lo.Zayed beijou-lhe a mão. l on g e d o b u r b u ri n h o d o c e n t r o . mas minha mãe não a aceitou.— Para todos nós — disse Zayed.Rou tocou na mão dele.— Deve ter sido difícil para Sharif dizer não para você. ti p i c a m e n t e islâmicas. jurei proteger meu sobrinho e meu país. Meu pai foi o primeiro a abrir as portase S h a r i f herdou sua política liberal.— Ele era muito estimado e ficaria agradecido por você substituí-lo. Eles deveriam ter tido mais tempo. mas creio que ele deveria ter i mp o s t o limites ao crescimento. Odeio pensar que meusfilhos crescerão num país que perdeu a diversidade que tinha quando eu era criança. virando-se para ela.— Pode não ser um consolo para você. aberto e receptivo a todos os povos e culturas.

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— Onde estamos? — perguntou Rou. rei Fehr. H a v i a d e s e i s a o i t o mesas.— O lugar é todo nosso — ela observou ao sentar.— Não. Rou não viu sinal do restaurante. — E d e m a i s v i n t e c o m o e l e p e l o mundo.— A v i d a n u n c a é s e g u r a — d i s s e e l a g e n t i l m e n t e .Zayed a olhou.— Foi uma mudança muito brusca para você. Meu pai sempre demonstrou queera um trabalho exaustivo.— Um luxo pelo qual sou grato esta noite — ele respondeu e Rou notou ocansaço e as olheiras em seu rosto. — Pelo pouco quee l a d i s s e . Sharif nunca reclamou. não significa que seja amaldiçoada. e l e s e s t a r i a m s e g u r o s .E n t r a r a m n a e l e g a n t e s a l a i l u m i n a d a p o r v e l a s . A m a l d i ç ã o s e c u m p r i u d e n o v o e S h a r i f morreu.— V o c ê é d o n o d o c l u b e — e l a d i s s e . Um homem vestido dep r e t o a b r i u a p o r t a e e l e s e n t r a r a m n u m s a g u ã o i l u m i n a d o p o r u m e n o r m e candelabro. — Antes do casamento elame trouxe um presente e. mas eu tinha a impressão de q u e . carregado de enormes responsabilidades. deduzi que houve algo em seu passado.— Jesslyn disse algo sobre isso — admitiu ela.— É um clube privado.. e n q u a n t o f i c a s s e l o n g e . Eu sou amaldiçoado.— S e r s ó c i o c u s t a u m a f o r t u n a . m a s t o d o s f i c a m f e l i z e s p o r p a g a r p e l a privacidade.— Você vai sentir falta da sua antiga vida. — Seja bem-vindo. Agora sei que nenhum denós está seguro. Gostaria que me f a l a s s e sobre essa nuvem que paira sobre você. avisou para que eu não desse atenção aos comentários sobre. A maldição. Sei exatamente o momento em queaconteceu. — Ela o olhou. surpreso.Rou percebeu que ele parecia mais velho.— Esta é uma tarefa que nunca desejei. Projeto Revisoras63 . mais forte e mais maduro. C oi s a s r u i n s p o d e m acontecer a qualquer momento.— Como você sabia?— Entrei na internet e pesquisei o perfil da sua empresa e o seu portfóliode investimentos.Jessica 116. muito exclusivo.Saíram do carro e Zayed apertou uma campainha.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter parou diante do que parecia ser uma residência cercada por mansõeselegantes. A g o r a v e j o q u e n ã o p a s s a v a d e i l u s ã o . ao sair. todas vazias.— Vamos jantar você verá. G o s t a v a d e t r a b a l h a r e v i a j a r . — S ó p o r q u e n ã o é segura. o sossegoé uma comodidade preciosa e vale cada centavo.— Eu gostava de morar em Monte Cario e de ter casas em Londres e NovaY o r k .— Pensei que jantaríamos fora. m a s o q u e e u m a i s v a l o r i z a v a e r a a segurança da família.— Mulher esperta — ele disse. preocupada. Para muitos de meus conhecidos. segurança e sossego.— Muito exclusivo porque ninguém sabe que existe. rindo. A mesa está pronta. Pensei que deveria saber o mais que pudesse sobre meu marido. nem fez com que nos sentíssemos culpados por ele carregar opeso e suportar a pressão. Minha família também sabe. V o u s e n ti r m a i s f a l t a d e s t a ilusão do que de Monte Cario ou da minha liberdade..— É m a i s q u e u m a n u v e m .

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— Pode ser que mude sua opinião a meu respeito — ele disse. n ã o d a mesma maneira.— Certo. sorrindo. — Então. E onde ele está?— Conte-me o que aconteceu. — Nós nunca dormimos juntos. s e m c o n s e g u i r f a l a r . E l a lidara com a culpa e a tragédia em sua clínica. em como foi seu último dia. D u r a n t e d u a s semanas ninguém soube o que acontecera. cortam-se as mãos. até que se ouviu a notícia de sua m o r t e .E l e e r a c o n h e c i d o d e me u p a i e n o s e n c o n t r á v a m o s v á r i a s v e z e s p o r a n o . Um pouco de humor faz bem quando as coisas estão difíceis. ? — R o u sussurrava as perguntas. —Aos 17 anoseu precisava dizer a ela que a amava. — Você quer mesmo saber?— Quero. —Ele olhou ao redor. E u t e r i a dado a vida por ela. pensativo. ele não acreditava. quase sinto sua dor. Sabia que ela era casada.observando-a. Se o seu olho pecou.R o u f i c o u p a r a d a . .— Ele pegou a mão dela. — Ela me via como umirmão mais novo.. c o m a s m ã o s s o b r e o p e i t o . . Ela foiapedrejada por causa da minha falta de controle.n u n c a a b e i j e i . É tudo o que posso agüentar esta noite. e isso se consegue destruindo o que lhecausou vergonha. se as mãos pecaram. a minha impulsividade. por favor. —A voz dele f o i sumindo. Nur era uma princesa de Dubai e se tornara esposa de um sheik vizinho. eu achava que era o som mais lindo do mundo. — Eu me apaixonei por uma mulher casada.Jessica 116. T u d o o que fiz foi declarar meu amor. É preciso haver uma reparação. ela d e s a p a r e c e u .— É uma história terrível para um encontro romântico.— Ela era inocente — ele acrescentou com tristeza. Quandoela ria. mas queria que fosse minha. minha estupidez e minha arrogância a mataram. O m a r i d o . Vocês têm culpa. q u e s i g n i f i c a q u e o s outros sabem que você foi desonrado.— M a s . — Ele encarou Rou fixamente. Não seremos interrompidos. m a n d a r a m a t á . hshuma — ele disse a palavra em árabe ef e c h o u o s o l h o s . e o meu amor. . o que para nós é o maior pecado entre todos. .. s u s p e i t a n d o d e s u a f i d e l i d a d e . — Rou observava as emoções se sucederem no rosto de Zayed. s e n u n c a d o r m i u c o m e l a . bondosa e atraente.— Foi uma questão de desonra.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Jesslyn disse que Sharif não acreditava em maldições.— E se a esposa pecou?Zayed deu um sorriso assustador e seus olhos se encheram de ódio e de horror. Ela era linda. num casamento arranjado. Tudo o que desejava era amá-la.— Pode ser para melhor. nós temos hshuma. o rosto ficou tenso. apertou por algum tempo e a soltou.l a . Às vezes ainda penso nela.— Uma piada de mau gosto. — O maridoe a família acharam que estavam agindo corretamente — acrescentou depois Projeto Revisoras64 . — Rou sentiu um arrepio na espinha.— Nós temos tempo.— Isto foi uma piada. cega-se o olho. Imagino o terror que ela sentiu. — E s t e é u m c o n c e i t o q u e n ã o e x i s t e n o o c i d e n te . Tratava-me com carinho e sorria para mim simplesmenteporque eu a divertia.— Você manda matá-la. Dra. Tornell? — ele perguntou. e ela 24. Nunca fiquei sozinho com ela. mas aquele era o tipo de culpaque acabava com a vida de um homem. S e v o c ê n u n c a a t o c o u .— Vou dar a versão resumida. sempre nos esbarrávamos em eventos sociais.— Eu gostei. Eutinha 17 anos. Rou fez uma careta. elegante.

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esta noite você só terá metade da cama. mas isto lhe parecia certo.— I s s o f o i a n t e s d e v o c ê v o l t a r p a r e c e n d o u m s o r v e t e d e c r e m e c o m cobertura de marshmallow. Se começar a espernear e a gritar.— Boa noite.— Infelizmente. ofegante. — ela protestou. Amanhã discutiremos o que for necessário. ela pensou. mas desistiu de ficar acordada à medida que as horas passavam. Ela o abraçoupelo pescoço e abriu os lábios. v o c ê é mi n h a m u l h e r — ele disse. — D e r e p e n t e .Rou sentiu seus mamilos endurecerem e teve vontade de se esconder.— Talvez eu relaxe se você se afastar.— R e s p i r e f u n d o e s o l t e o a r d e v a g a r — d i s s e Z a y e d .. fazendo os seios se avolumarem de prazer.Rou o olhou por cima do ombro. Ela fez uma careta e empurrou a coberta. O braço de Zayed a envolvia e a mantinhac o l a d a a o c o r p o d e l e .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Em que lado você dorme? — disse ela. s o n o l e n t o . E l e e r a tentador como o diabo.Rou ficou dura como uma tábua. e não queria ser abraçada. R o u p e r c e b e u q u e a s m ã o s d e l e s e aproximavam de seus seios. Você perde tempo tentando me c o n v e n c e r d o c o n t r á r i o .— Sim.— Talvez você precise resolver seus problemas a respeito de intimidade. Estou expressando meudesconforto por você estar tão perto.. durmo no meio da cama.— N ã o . — D e novo. Acordou por causa do calor epor se sentir presa. A p a g o u t o d a s a s l u z e s e d e i x o u a p e n a s u m abajur aceso para que pudesse ler alguns documentos. Que lado você prefere?— O lado onde você vai deitar. deitando-se sobre ela ebeijando-a. — Rou deitou na cama e se cobriu até o pescoço.— Não estou esperneando. não conseguirá dormir de novo.Jessica 116. parada ao lado da cama. Havia muita coisa errada no mundo. enquanto ele lhe acariciava os mamilos. amor?R o u fechou os olhos e tentou ignorar a deliciosa s e n s a ç ã o .— Não sou seu amor — disse ela.Rou deu uma cotovelada nas costelas de Zayed. o que era natural depois de fazer amor. H a v i a m d o r m i d o j u n t o s n a t a r d e anterior. mas percebeu que não estava presa pelos lençóis. — Eu poderia saboreá-la agora mesmo.— Vou dormir deste lado.— É gostoso.— Meus problemas de intimidade? Meus?Ele deu uma risada e ela sentiu seu hálito junto ao pescoço.— Para você.— Em geral. corando. Não para mim.— Não é nada gostoso.Rou pensou que não conseguiria dormir no quarto dele. com um olhar insinuante. Esta noite era diferente: nãohavia motivo. e n t r e a b r i n d o o s l á b i o s e m p r o t e s t o . — Boa noite.. — Ele não disfarçou o desejo em seu olhar. Para ela. absorvendo o fogo que ele provocava com a Projeto Revisoras68 . Rou sentiu o c o r a ç ã o d i s p a r a r e s e u c o r p o s e e n c h e r d e d e s e j o . — Zayed.— E para você também. R o u f i c o u a l a r m a d a .— Acalme-se antes de ficar irritada.. nem gritando.— Você prometeu. dormir era dormir. Zayedolhou-a de cima a baixo.Z a y e d n ã o s e j u n t o u a e l a .

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter língua . laeela. Zayed não tinha pressa. Nãoficou satisfeito com uma vez. e ela não conseguia pensar quando ele tratava seu corpo como um doce delicioso. Você é gulosa.— O que é o quê?Ele a acariciava.— A culpa não é minha — ela protestou.Rou mordeu o lábio. Zayed gemeu ao senti-la esfregar osquadris nos seus.— Receio que não. lambia.— É gostoso — ela disse. beijando-o no ombro. tocava. m o l h a d a d e s u o r ..— Você é tão bonita — disse ele em voz rouca.— Graças a você. trincando os dentes. — Não vou agüentar sua resistênciaagora.— Você.— Eu queria ver se você agüentava. Era incrível comoele se movimentava dentro dela.— Então não resista — ela arquejou. ele acariciou o vértice de suas c o x a s e encontrou-a úmida e quente. E l a o b e i j o u p a r a t r a n s m i t i r o q u e n ã o p o d e r i a d i z e r c o m palavras: que o amava e que esperava que um dia ele pudesse retribuir. num orgasmo quea surpreendeu e que atravessou seu corpo em sucessivos espasmos. mais poderosa einexorável que a anterior. Volto assim queterminar. Quando ela a c h o u q u e não agüentaria mais.No dia seguinte. — Parece que você nãogosta que eu a toque. E l a f i c o u t o d a arrepiada.— O m e u iceberg derreteu — ele disse. Ela a m o l e c e u n o s b r a ç o s d e l e .— O que foi laeela? — murmurou ele junto aos lábios dela.R o u q u a s e g e m e u f r u s t r a d a . Zayed a beijou com ternura. Rou corou e franziu o nariz. obrigado. Porém. e vamos escapar.até que ela perdesse o controle e se entregasse totalmente. — Eu estava enganada.— Você sabe o que quero. desesperada e selvagemente. Ele esperou enquanto Manar arrumava a bandeja no colo de Rou. Gosto que você me toque.Z a y e d s e c o l o c o u e n t r e a s c o x a s d e l a e e n t r o u e m s e u c o r p o c o m u m movimento firme. Zayed mandou que levassem o café para ela na cama. suas pernas. através da camisola. Incrível. Rou perdeu o controle e apertou o corpo contra o dele. Ele levantoulhe a camisola e acariciou-lhe o ventre. n o v a o n d a d e p r a z e r a invadiu.— Duas vezes. sim. Quando abriu os olhos. — Ela e n g a s g o u quando ele cobriu-lhe o seio com a boca.— Você está viva?— Por pouco.. Projeto Revisoras69 . despertando todos os seus sentidos. Você chegou lá?— Cheguei.— Tenho uma teleconferência dentro de alguns minutos.l h e a o r e l h a . antes de beijá-la de novo.Jessica 116. ele olhava para ela e tentava conter o riso. Ocoração de Rou acelerou. Z a y e d l a m b e u . com a respiração arquejante. ela pensou. Ele gemeu novamente e perdeu ocontrole quando Rou intensificou os movimentos. atéque ela arqueou o corpo à procura de alívio. Amava seu belo marido que amavao u t r a m u l h e r . aumentando sua ereção. — Ele mordiscou-lhe o pescoço. Ele continuou a beijá-la de uma forma que a levou a menear o corpo. despertando cada sensação. — Foi você quem provocou.. Quando R o u p e n s o u q u e a c a b a r a . — Você faz com que seja difícil resistir. aumentando sua ansiedade. Ele acariciava seu ventre. Ela o amava.. insistentemente.

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Passaram os próximos quatro dias fazendo amor. interessante.— Meu palácio. dormindo.— V o c ê p o d e s e a f a s t a r d a q u i a g o r a ? — p e r g u n t o u R o u . mas não aborrecida. com suas torres. ele lhe apontou uma praia. despreocupado. Seria difícil se concentrar num lugar cheio de sol.Duas horas depois. m a s t r a b a l h a r e m C a l a n ã o e r a a mesma coisa que trabalhar em São Francisco. na terçafeira.Não será o mesmo sem você.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou quase derrubou o café. aproveite. Rou sabia que ele teria uma reunião degabinete em Isi. tentaria tornart u d o m a i s f á c i l .Uma hora depois.Jessica 116. quando e l e voltasse. Ele tomara um banho e estava lindo. Talvez algum dia ele a amasse. — Ele acariciou os cabelos de Rou. É um belo retiro à beiramar. c o r a n d o a o recordar como tinham passado a manhã. Z a y e d e r a t o d o a t e n ç ã o e g e n t i l e z a : contava-lhe histórias.Na terça-feira. Ficaria fora o dia inteiro e voltaria à noite. q u e l h e b e i j a v a a mão. Não era um sonho inatingível. Ele era divertido. assim como com os brinquedos que ele possuía: iates. fazendo-a rir. Talvez possa colocar seu trabalho em dia. Rou se concentrou no trabalho:q u a n t o m a i s trabalhasse. casas. entusiasmada: seria divertido. D u r a n t e os primeiros dias.que dava apoio à família. — Vou pedir a Manar que arrume sua mala. carros e palácios. Não telefonou n e m mandou alguma mensagem sobre quando voltaria. quando Zayed levantou da cama. Trabalharei enquanto você trabalha. T a l v e z p u d e s s e a j u d a r d e a l g u m a forma. Rou ficou impressionadacom o número de pessoas que trabalhavam para Zayed. Rou ficou magoada.Zayed parou a meio caminho do banheiro. helicópteros.— Certo. Quandof o r a a ú l t i m a v e z q u e s e d i v e r t i r a ? R o u v i r o u p a r a Z a y e d . jatos. S e u s c l i e n t e s d e v e r i a m e s t a r p r e o c u p a d o s c o m s u a ausência e com a falta d e c o m u n i c a ç ã o .Ela se ligara a Zayed. inteligente. e e l a p ô d e a p r e c i a r o p a l á c i o construído em pedra. — Podemos ficar fora alguns dias. Divertido. mais tempo livre teria com Zayed.E l e t i n h a r a z ã o . e que se encontraria com Jesslyn para discutir os detalhes do funeral de Sharif.O h e l i c ó p t e r o s e a p r o x i m o u p a r a p o u s a r . Será mais divertido.— Você não precisa trabalhar? Não vejo você checar seus e-mails desde que chegamos. estavam num helicóptero.— O clima está pesado em Isi.— T a l v e z e u d e v e s s e i r c o m v o c ê . de árvores. Não aumentaria a pressão sobre ele. n a d a n d o . Ela viu uma piscina debruçada sobre o mare pegou na mão de Zayed. Aqui está cheio de sol. janelas em arco e grades trabalhadas. Fique. bronzeando-s e . mas tente voltar esta noite. Sabia que ele tinha várias responsabilidades e preocupações. Capítulo Doze Z AYED NÃO voltou naquela noite. Estamos em lua de mel.— Escapar para onde?— Para a minha casa em Cala. cercado de palmeiras e coqueiros. com uma enorme piscina.— E se você não conseguir resolver tudo num só dia?— Passarei a noite lá e voltarei amanhã cedo — ele disse. c o m e n d o e b e b e n d o . Rou se sentou... Quando Projeto Revisoras70 . nem na seguinte.

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talvez mais. bem-sucedida e instruída. — Ele é meu marido e quero telefonarpara ele. A l i n a d a e r a si m p l e s . indignada. Ela sentou ao lado da p i s c i n a e trabalhou o dia inteiro. Por fim.. Rou engoliua d e c e p ç ã o e f o i p a r a o quarto. Aa u s ê n c i a d e Z a y e d l h e d a v a a s e n s a ç ã o d e a b a n d o n o . Ele voltaria dentro de alguns dias. era atencioso. O mordomo se apavorou. À t a r d e . cercada por seguranças armados. ela resolveu falar com Zayed. mas quando estava longe. porém mal conseguia aproveitar o passeio. e não estava habituado a lidar com mulheres ocidentais e suase x p e c t a t i v a s . na Inglaterra. s e p r e c i s a s s e . sua mãe se suicidara. p e d i u q u e l h e trouxessem o carro. O que a q u i l o significava? Depois de muito pensar. Gostaria de explorar a cidade. Queria surpreendê-lo.O mordomo não entendera. Ela jurou não se entregarao medo e à insegurança. Embora fosse adulta. D u v i d a v a q u e a q u e l e s a q u e m a m a v a e s t a r i a m a o s e u dispor quando buscasse seu apoio.— Não — ela respondeu. Pediria à cozinheira que guardasse tudo até que Zayedvoltasse.d o n a d a . Não há muita coisa para comprar.alimentavam. Tentou comprarum presente de casamento para Zayed. Amava aquele lugar.— N ã o e s t o u i n te r f e r i n d o . ela comprou pão.— Ele disse quando voltará? — ela perguntou. Ele disse apenas "alguns dias". molhando os pés. Ela se empertigou ao ouvir o tom pomposo do empregado. Quando ela voltou ao palácio. C r e i o q u e v o c ê m a n d a r á a l g u n s seguranças comigo. onde ficou à janela fitando as ondas queq u e b r a v a m na areia. desaprovando.Jessica 116. A cidade estará cheia de gente e de turistas.— N ã o p r e c i s a c o n s u l t a r s u a a l t e z a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter estava com ela. digitando um artigo para uma revista epreparando uma palestra que daria em Chicago.. uma garrafa delimonada gasosa. afastada. — Não. Ele lhe dera tantos presentes e ela n a d a l h e dera em troca. Rou procurou o mordomo e pediu a ele que lhe desse o número do telefone. mas o que ela esperava? Ele não falava inglêsfluentemente. Zayed estava trabalhando. foiinformada de que Zayed havia telefonado.l a . R o u p e r a m b u l o u d u r a n t e d u a s h o r a s e p a r o u p a r a t o m a r u m c h á d e hortelã. mas ele não funcionava naquela área: teria que ligar para o palácio.— Eu deveria consultar sua alteza. deixara de cuidar dela.O mordomo fechou a cara.— É sábado. d e s p e r t a n d o . R o u t e n t o u s e a c a l m a r .R o u s a i u a c o m p a n h a d a p o r q u a t r o s e g u r a n ç a s . esquecia dela.Alguns dias podiam ser poucos ou uma semana. Ele não voltaria antes de alguns dias. quando sua mãe entrara emdepressão. q u a n d o s e u p a i bebia. Ohomem respondeu que ele faria a ligação.l h e lembranças de infância: fora jogada de um lado para outro. e fariam um piquenique na praia. Quero ter a liberdade de chamá-lo sem a interferência de mordomosou de empregados. pois pretendia fazer compras na cidade. — E l e s e inclinou e foi embora. chocolates e frutas. afinal. queijo. a l te z a . comunicou o mordomo. o juiz decidira dar s u a custódia à avó. t u d o r e q u e r i a .— É isto mesmo que quero. alteza. Rou não se sentia segura de que alguém estaria ao seu l a d o . não precisa se preocupar. lembrou a si mesma. Rou caminhou pelabeira da praia. V i s i t o u o a n t i g o c a i s e explorou o famoso bazar que faziam parte da história de Cala. A senhora nãovai se divertir. se ela quisesse. aban. O medo e a dúvida se retro. O mercado estava cheio d e g e n te . Quando. E s t o u t e n t a n d o a j u d á . Tentou ocelular. ao entrar no jardim do palácio. mas se sentia sozinha.

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U m a s e m a n a d e p o i s . eventualmente recebia algum e-mail. mas n ã o esperaria até as nove. d e esperar para ser vista e ouvida. Esperara por ele a cada segundo. As horas passavam e nada de Zayed. Fezuma leve maquiagem. nem mandou chamá-la. Não lhe importava que todo o palácio a .Trocou de roupa.— Sinto muito. E s t a v a f a r t a d e e s p e r a r s u a ve z . pediu desculpas e lhe pediu que ligasse para o rei Fehr.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assistência . E n q u a n t o Zayed trabalhava em Isi. perdera a individualidade e o bom-senso. Ela odiava a falta de independência. Ela esperou por uma hora: Zayed não apareceu. do movimento que a impedia de pensar no que não poderia mudar. aexpressão dele passou para desagrado.D e s a p o n t a d a . por isso temia amar. Zayed.Estava só e começava a achar que seus temores em relação ao casamento serealizavam: tornara-se dependente. deveria sentir sua falta. Rou começava a sentirsaudade de sua vida. alteza. Ele está ocupado. P o r i s s o j a m a i s quisera se casar. bonito. Iria se encontrar com ele.Eram as mesmas que ela dizia a si mesma enquanto esperava as visitas do pai. disse a si mesma. Aquele era o homem que lhe fizera tanta falta. exigente. d e b e b e r . odiava pedir ajuda. A o d e s c e r a e s c a d a . escovou bem os cabelos e fez um rabo de cavalo. e l a o u v i u o r u í d o d o h e l i c ó p t e r o s o b r e v o a n d o o palácio. Mais tarde. para ganhar coragem. O celularnão funcionava." Ela leu a mensagem várias vezes. enquantoele entrava em contato com o palácio em Isi. esperando que ele se lembrasse dela. Os olhos de Rouse encheram de lágrimas. Se elesoubesse. mas de uma ordem. Você não pode chorar. Rou invadiu o escritório. mas apavorada por não saber o que pensar o u sentir. " V o c ê j a n t a r á comigo às nove. Ela se casara com um homemexatamente igual a seu pai: ausente. Durante os últimos dias só pensara emZayed . Vários minutos se passaram e eledesligou sem lhe passar o fone. o n d e j a m a i s e n t r a r a . P e g o u u m l i v r o p a r a s e d i s t r a i r enquanto o aguardava. De surpresa.Jessica 116. a o s e a f a s t a r . Rou ficou contente. ignorando os olharesespantados da equipe de Zayed e caminhou direto até a mesa. Ele não a via há 10 dias. Ela não queria ser difícil. mas será informado que asenhora telefonou. Ele não sabe como você está animada e o quanto deseja vê-lo. mas só percebera sua solidão ao se sentir isolada. e l a r e s o l v e u s e a c a l m a r . Rou baixou a c a b e ç a e chorou em silêncio. mas também não queria se sentir insignificante e solitária. m a s .R o u r a s g o u o bilhete e o jogou no lixo. com o coração aos pedaços. e praticamente marchou até o e s c r i t ó r i o d e Z a y e d . f o i i n v a d i d a p e l o desapontamento que derrubou todas as suas boas intenções. Eles tentaram impedi-la de entrar sem p e r m i s s ã o . uma e m p r e g a d a l h e t r o u x e u m b i l h e t e n u m a b a n d e j a d e p r a t a . Rou não se importou. O rei está numa reunião. do trabalho. como e s p e r a r a q u e a m ã e p a r a s s e d e c h o r a r e o p a i . Não se tratava de um convite. egoísta. As palavras de conforto eram dolorosamente familiares. m a s e l a n ã o s e i mp o r t o u . estaria aqui. com a boneca no colo. porém oque mais desejava era falar com Zayed. Elasentia falta dele. i g n o r o u o s seguranças parados ao lado da porta. como esperara por seus pais. Ela correu atrás do mordomo. Aguardou sentada. ela perambulava pelo palácio em C a l a . Esperar era um desespero.s e n t a d a numa cadeirinha.R o u d e u u m s o r r i s o r a d i a n t e .

— Minha bagagem está pronta.desaprovasse. pensou Projeto Revisoras72 .não costumava ser tratada como alguém subserviente e de segunda classe.— T e n h o a l g u n s e n c o n t r o s e m Z u r i q u e d e n t r o d e d o i s d i a s — d i s s e secamente. A reunião acabou. Reservei um vôo na Sarq Air. maspreciso do meu passaporte.Rapidamente todos se retiraram em silêncio. Creio que você o guardou por segurança. Vinha de uma cultura diferente.

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você está me evitando?Ele respirou fundo para manter a paciência.— Compreendo.— Então. e ele nem ligava. — Você cumpriu seu dever. — É tudo que preciso fazer? Preparar as malas.— Você está indo embora — ele disse ao ficarem sozinhos. — A voz dela tremia de raiva. Como sua mãe. Ela não se tornaria uma mulher d e p e n d e n t e .Jessica 116. muita coisa aconteceu. q u a n t o a e l a . Está livre para partir quando quiser. Rou ergueu a cabeça. Reuniões de gabinete. ridícula e fraca. q u e q u e r i a f i c a r m o r t o . Ela é apenas uma mulher. há muito para cuidar.Ele não se importava com ela.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ansiosa. Não adianta ficar aqui. e que viajaria a negócios. mas Zayed nunca pensava nela.. concordamos que o casamento seriatemporário. seucoração doía e sua vontade fraquejava. a o c o n v i v e r c o m Z a y e d percebera que as emoções podem ser boas. ela se apaixonara e se perdera. rei Fehr? É tão difícil e desagradável passar algum tempo comigo?— Não estou evitando você para puni-la. Tivemos cincon o i t e s n u m t o t a l d e d u a s s e m a n a s . Ele não se importava. fraca e ridícula.— Mas não sua esposa. O país ficou sem governante durante quase um mês. considerando-a tola.— Não. O coração de Rou bateu mais forte. pensou Rou. q u e p r e c i s a s s e d e u m h o m e m .— Tenho muito trabalho a fazer.— T u d o bem. Além disso.quando o divórcio fora o f i c i a l i z a d o e s u a m ã e s e v i c i a r a e m re m é d i o s p a r a suportar. Os homens desprezam mulheres patéticas. E s t a v a m a i s b o n i t o . com um ar vazio. foi coroado. um complemento.R o u o o b s e r v o u . Os segundos se passaram eele a olhava impassível. mas pelo menos sou honesta — ela disse devagar. casou. tudo o que ela conseguira fora sentar e chorar. mas desde que nos casamos você mal ficou comigo. S e u p a i a d o r a r a s u a m ã e e acabara por desprezá-la. Só de olhar para ele.— Sinto falta do meu trabalho.Ele jamais se importaria com ela. Concordamos que você continuaria a trabalhar — ele s e inclinou para trás na cadeira —. para que discutir?— Tem razão. Agora não precisa mais de mim. c o m o s c a b e l o s u m p o u c o m a i s compridos. e não lhe daria esta oportunidade. Uma dor lancinante a atingiu. — Ela e s p e r o u q u e e l e d i s s e s s e a l g o q u e a t r i b u í s s e a l g u m s e n t i d o à s s e m a n a s anteriores. para quê? — ele disse.— Então. Pelo menos admito que preciso de você. N ã o retornou meus telefonemas. que os sentimentos são um . Ela desistira de tudo por ele. Não sou necessária. Ela não poderia suportar que Zayed a desprezasse. pegar minha passagem e partir?— Você não é prisioneira. com embaixadoresde outros países. Você me despreza tanto.— Você está sendo infantil.. —Tenho um consultório e uma casa em São Francisco. Ela fora paciente solidária.— Não foi o que eu disse. e . o queixo mais firme e um olhar mais frio.— Não pretendo voltar — disse ela com calma. — E s t o u dizendo que preciso de mais. Não era verdade que suas malas estivessem prontas: tudodependeria de Zayed. Rou percebeu que ele nada queria s e n t i r . levantando as mãos.— Talvez.Fez o que precisava. O r e s t o d o t e m p o v o c ê f i c o u f o r a . Sou tola. fizera por ele o que gostaria que alguémfizesse por ela. Preciso voltar a trabalhar. — A falta deemoção de Zayed a feria profundamente. — Ela controlou a dor e a cólera. é isso. Mais tarde. Não. As mulheres desprezam a simesmas quando se tornam patéticas. tentando se controlar. Estava tomado pelo luto e pela culpa.

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apesar de sua promessa de protegê-la. que deveriam estar em êxtase. Rou pegou o passaporte. Zayed procurou na gaveta elhe entregou o documento sem se levantar da cadeira. mantendo-se ocupado.Jessica 116. Z a y e d apertou as têmporas que latejavam havia alguns dias. . Se ele sentia algo. Nada poderia ajudá. Ele continuou calado. Elesentiu um amargo desgosto. vestida de verde-esmeralda. ele repetiu para si mesmo. — M e u passaporte? — ela sussurrou.Dez minutos depois. . algo que me f a ç a ficar. Sentiria falta de Rou. Rou prendeu a respiração e tentou continuar a ler. e em Zayed. n a s crianças. e a teria magoado. Pelo menos. Ela não pertencia aquele lugar. Tentara ficar longe.. . estaria a salvo. A s m ã o s d e l a t r e m i a m e a contração em seu estômago se transformou em enjôo. Ele. b a n h a d a p e l a claridade. Zayed — disseela. C o m o c o r a ç ã o a c e l e r a d o e u m f r i o nab a r r i g a . Diga algo que me faça perdoar e esquecer. Ela ficaria bem. Era melhor deixá-la ir agora. estendendo a mão. tinha uma carreira e ficaria bem. . queria telefonar a todo instante para ouvir av o z d e l a .minimizar o impacto que ela causara em sua vida.. Diga algo. Ele preferia sofrer a vê-la sofrer. Parecera firme. R o u e s t a v a l i n d a q u a n d o i n v a d i u o e s c r i t ó r i o . como sentira durante osúltimos dez dias. recusava-se a reconhecer.. não pertenciaa ele. Não conseguia dormir direito. por outro l a d o .. Você é que jamais irá se recuperar. agarradaao passaporte. . mas tremia tanto que o jornal não parava eela o abriu sobre a mesa. — Adeus. ela imploroumentalmente. . gelada por dentro. D e p o i s d e 8 0 d i a s desaparecido..lo. ele disse a si mesmo. C o m o s e r i a p o s s í v e l ? D e v i a s e r u m m i l a g r e . Suas prioridades eram c l a r a s : S a r q v i n h a e m p r i m e i r o l u g a r . R o u r e l e u a m a n c h e t e d o Chicago Tribune. . Rou era inteligente e forte. à f a m í l i a e m s e g u n d o . ele ouviu o barulho de um motor e foi até a janelapara ver uma das Mercedes do palácio desaparecer na direção do portão.Zayed a deixou ir embora. — Boa sorte.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter acréscimo à vida desde que sejam retribuídos e c o m p a r t i l h a d o s . resoluta e orgulhosa.. Se não fosse amaldiçoado. Zayed não sabia como ser o rei deque Sarq necessitava e o homem que Rou precisava. Capítulo Treze S HARIF F EHR f oi e n c o n t r a d o v i v o . E R o u ? E l e abanou a cabeça e trincou os dentes. com os cabelos brilhando. Sharif vivo ? Ela ficou tonta e começou a suar frio. Ficou sentado e a viu sair pela porta. E l a p e n s o u e m J e s s l y n .. Ela vai ficar bem. o rei Sharif fora e n c o n t r a d o vi v o .. era uma mulher moderna que gostava de exercer s u a profissão e que o esqueceria rapidamente. Se ele não fosse Zayed Fehr. masseu mundo era complicado e estressante. E tão magoada! Zayed sentiu o coração apertadode tristeza. Deus sabia o quanto ele chegara perto de se apaixonar por ela.

Ela enxugou aslágrimas e tentou ler mais detalhes. Rou apertou o estômago. Não Projeto Revisoras74 . No mês anterior. irmão caçula do rei. e i m e d i a t a m e n t e reconhecera o irmão. Por causa dos f e r i m e n t o s na cabeça. Sharif. K h a l i d Fehr .Depois do terrível acidente. L e v a r a q u a s e u m m ê s p a r a e n c o n t r a r o s n ô m a d e s n o S a a r a . foraresgatado por uma tribo de nômades que não o reconhecera..Zayed. onde o rei estava sendotratado. ouvira um boato de que havia uma tribo nômade à p r o c u r a d e r e mé d i o s p a r a t r a t a r u m f e r i d o . Sarq.. muito queimado e ferido. Sharif esquecera quem era. A família se reunira em Isi. rezando para que seu enjôo diminuísse. e r e s o l v e r a i n ve s t i g a r .

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O fato de você se casar com a única mulher que não o desejava. Com sua vozfria e clara.. Rou estavabem. que semprec a e m d e p é . — Não preciso de hospital. Rou dava uma palestra numa sala de conferênciasem Chicago. — Os . transmitia credibilidade. antes de desaparecerem. Deus do céu.c o m o coração destruído. Ele não a escutava.surpresa.Jessica 116. Depois da palestra. Rou c a i u de joelhos e sentou ao lado da lata com o corpo tremendo e os o l h o s cheios de lágrimas. Falou da importância de se exercitar e de se ocupar. Ele já fizera muito. seu peito doía e um nó se formava na garganta.E STAVAM NA limusine de Zayed. A s a l a e s t a v a l o t a d a e e l e p a g a r a a o z e l a d o r p a r a f i c a r n o s bastidores. anão ser logo após sua partida. t e n t a n d o a c a l m a r s e u estômago. Não queria ter nenhuma ligação com ele. de fato? —. deu uma risada fraca. v a i p a s s a r . não queriaque ele financiasse seu centro de pesquisas. apesar de nada eliminar completamente osofrimento. nós. correndo para o hospital. Demonstrava a terapeutas como as pesquisas de laboratório haviam provado que os efeitos da dopaminano cérebro eram viciantes. Rou nunca o ouvira falar naquele tom e. Ela sempre fora magra. abrindo a janela para pegar ar fresco. Ela era como os gatos.. Elafalava bem. mudança decomportamento. mas não s u p o r t a r i a e s t a r s o z i n h a e grávida. Ela agüentaria estar sozinha. que não queria casar ou ter filhos.— Não estou doente — repetiu ela. mas parecia estar esquálida e muito pálida. resultando em ansiedade. N ã o p e n s e n i s s o . Zayed não era mais seu problema. Ela falou sobre as conseqüências de se romper uma relação no estágio inicial..— Você está em negação e. o que faria? Não queria se casar nem ter filhos. Deus sabe o tipo de mãe que ela seria. Rou estava lívida. — O quehá de engraçado? — Ele estava zangado. partindo seu coraçãoQuatro horas depois. tudo isso. transtornos do sono e dificuldade de concentração. E s c l a r e c e u a o s o u v i n t e s q u e o s e f e i t o s d a a b s t e n ç ã o d e d o p a m i n a poderiam durar meses. E l a n e m s e q u e r a b r i r a o s extratos que o banco lhe enviava. Quando Rou s a i u d o p a l c o . Sharif está vivo. T o d o m ê s e l e mandava algum dinheiro no qual e l a n ã o t o c a v a .Ao sair do palco.— Você. foi salvo pelo irmão. ela não demonstrava a angústia que sentia desde que partira de S a r q .Os dois não haviam mais se falado — quando o teriam feito. vestida no habitual conjunto preto. Ele abrira uma conta para ela num banco em S ã o F r a n c i s c o e t r a n s f e r i r a a q u a n t i a q u e l h e p r o m e t e r a .— N ã o e s t o u e m n e g a ç ã o — i n t e r r o m p e u e l a . tinha domínio sobre o público. Ela estava doente! O susto fez com que ele seaproximasse.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter queria vomitar naquela hora. c a m i n h a n d o n a s u a d i r e ç ã o .O rei Zayed Feh assistira à palestra de Rou. e agora. Se Sharif estava vivo. ele agira certo ao deixá-la ir embora. quando adopamina inunda o cérebro e causa sofrimento físico e emocional. e l e s e escondeu na sombra e viu que ela vomitava dentro de uma lata de lixo.— Você não sabe — trovejou ele. agarrou a primeira coisa no caminho — uma lata de lixo — e vomitou. ela respondeu a perguntas durante 20 minutos. Eles nada podem fazer por mim. porque percebeu que a vida é injusta. s e m p r e p a s s a . o que aconteceria aZayed ? Só de pensar nele. Não queria o dinheiro de Zayed. sobre os efeitos fisiológicos do amor. estava grávida de dois meses e tremendamentesozinha..

olhos dela brilharam ee l a e n g o l i u e m s e c o . S u a n á u s e a p i o r a v a : e r a q u e s t ã o d e t e m p o a t é e l a vomitar outra vez. — Não estou doente, Zayed. Estou grávida.A c a b a r a m n o h o s p i t a l , f o s s e p o r q u e ele não acreditara, fosse porque Projeto Revisoras75

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter precisava de provas. Ao ouvir o nome dele, o médico os atendeuimediatamente e fez uma ultrassonografia.— Hum — disse ele, observando a tela. — Então, é isto que nos espera.Zayed se inclinou e tentou olhar o monitor.— O quê? — vociferou com uma cara preocupada.— Duas batidas de coração — disse o médico, virando a tela e apontandoas imagens. — Gêmeos.Rou quase desmaiou e lutou para respirar. Gêmeos?— Não é possível — ela gemeu.— E comum na minha família — respondeu Zayed em voz calma. — Jamilae Aman.— Não é possível — repetiu Rou. Um bebê já era mau, imagine dois!O médico desligou o aparelho.— Parabéns, vocês estão absolutamente grávidos.Vinte minutos depois, eles se dirigiam ao hotel onde Rou se hospedara.Ela estava calada, mas ele a observava atentamente. Ela estava grávida de dois meses e já deveria saber a algum tempo. Nada lhe contara, ep r o v a v e l m e n te n ã o p r e te n d i a l h e c o n t a r . Z a y e d d e u u m s u s p i r o . E l e n ã o a culpava: ele não lhe dera apoio. Agora, seria diferente. Ela teria seus filhos, dois bebês. Ele se lembrou de Jamila e Aman, correndo pelo palácio, brincandode esconder, e sentiu uma pontada de dor. As irmãs eram lindas.R o u s e e n c o l h e u n o b a n c o . Z a y e d l h e e n t r e g o u u m s a c o de papel. Elavomitara no estacionamento e ele achava que ela v o m i t a r i a d e n o v o . R o u olhava pela janela com um olhar vazio.— Você está bem? — ele perguntou com a maior gentileza.— Não. Não posso ter um filho — ela disse, abanando a cabeça. — Quantomais, dois.— Pretendo ajudá-la.— Não. — Laeela, querida.— Não me chame de querida, nem de laeela. Eu não sou nada disso.— É apenas minha mulher.— Não somos casados.— Somos casados e sempre seremos. Jamais vou me divorciar de você. Prometi...—Você e suas promessas estúpidas! — gritou ela, voltandose afinal parae l e . S e u s o l h o s e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . — V o c ê vi v e n u m m u n d o d e promessas e maldições, de superstição e de fantasmas. É um mundo no qual eu não me encaixo, nem quero me encaixar. Acredito na ciência, naobjetividade, em fatos, e não vou entregar a minha vida a um homem que nãome ama. — Ela estava descontrolada e cutucou-lhe o peito. — Eu mereço mais,Z a y e d . M e r e ç o m u i t o m a i s . — R o u c o m e ç o u a c h o r a r c o m o u m a c r i a n ç a , encolhida, com as mãos no rosto e muito pálida. Zayed olhou para ela como sea visse pela primeira vez. Ela o amava. Rou nada dissera, e nem precisara. Elepercebeu pelo modo como ela o fitava, pela angústia em sua voz, pela força deseus soluços. Ela o amava e ele a magoara demais. O coração dele doeu maispor arrependimento que por culpa. Ela parecia uma menina, e ele se perguntoupor que jamais percebera. Zayed tentou tocá-la, mas Rou se afastou. — Não me toque.Ele retirou a mão, mas viu que as lágrimas caíam através dos dedos de Rou e umedeciam seus joelhos. Ela estava sozinha, sem família e sem amigos.Quem a confortaria, se ele não o fizesse? Rou precisava dele, não de qualquer Projeto Revisoras76

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combatendo a tristezae destruindo-a. lutando por ela. d e a m á . Sentia-se vivo vibrante. esposa de Khalid. Talvez. O que faria? Duas pessoas que ela corria o risco d e magoar? Duas pessoas que ela talvez fosse capaz de prejudicar? Agora.Afinal. a c a r i c i a n d o s e u s c a b e l o s e beijando-a no rosto. Estavag r á v i d a d e gêmeos.Zayed olhou para Rou que. ou talvez estivesse prestes a sequebrar. não porque queria. e l a mesma dissera que o amor é estranho e imprevisível. e n ã o s a b i a o q u a n t o i r i a agüentar. Duvidou que agüentasse tantossentimentos e tentou não fazer nenhum ruído que pudesse despertar Rou. n a s ú l t i m a s h o r a s . ela esperara que o pai e a mãe reconhecessem que a amavam e precisavam dela. mas. que comentou que ele temia que ela fugisse. assumindo sua responsabilidade. tudo seria diferente. e sua própria culpa o torturara durante anos. muito magoada e se sentia mal. — Estou aqui e amo você. pretendendo se manter o mais distante p o s s í v e l . P o r q u e e l a n ã o s e s e n t i a f e l i z e vitoriosa? Porque ele o fazia por dever.Z a y e d e sp e r o u q u e R o u a d o r m e c e s s e p a r a s e d e i t a r a o l ad o d e l a . se virara para ele e se aconchegaraa seu corpo. para ele. Ele afastou uma mecha de cabelos do rosto dela e seu coração seincendiou e doeu. tão básicos efundamentais? Agora. Eles nem sequer tinhamconversado a respeito de S h a r i f . A paz e a prosperidade haviam voltado ao palácio. Ele disse que ficava porque não queria deixá-la sozinha. os dois passaram a noite no hotel de Rou. a v o l t a d e S h a r i f perdera um pouco de sua importância quando comparada às duas vidas que ela carregava. Zayed? — ela murmurou. Ele ignorou os protestos dela. O suor escorria por . R o u s e n t o u n a c a m a e s e i n c l i n o u s o b r e e l e . vestiu seuspijamas de flanela e deitou na cama. O calor que sentia era ele voltando à vida. preocupada.l a l i v r e m e n te c o m o jamais amara depois da morte de Nur.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter pessoa. Ele sentiu a mão fresca tocando-lhe o rosto. Zayed estava alie d e c l a r a r a q u e j a m a i s a a b a n d o n a r i a . — Zayed. Ela o amava e. Jesslyn e as criançasestavam mais que felizes.isto era algo extremamente importante. Eles e n ti u u m a i m e n s a n e c e s s i d a d e d e p r o t e g ê . Não vou deixá-la nunca mais. agarrou-a e colocou no colo. mas vivo. E l a e s t a v a l ou c a por ele. pleno. dormindo. Por que ela nunca pensara em anticoncepcionais. olhou para ela e imaginoupor que seu lindo rosto lhe parecia enevoado. — Algo de errado? — Elen ã o c o n s e g u i a f a l a r . Prometo. m a s . Rou. Talvez ele pudesse ser feliz. Talvez a maldição tivesse enfraquecido. Ele iria ser pai. como Rou dissera.Estava com ela porque devia.l a . Ele não sabia por que ela o escolhera. ele percebeu que chorava. — Z a y e d . Talvez estivesse na hora de se livrar dela. porém jamais acontecera. a mãe de seus filhos. Olivia.— N ã o c h o r e q u e r i d a — m u r m u r o u e l e .— Zayed. olhe para mim! — Ele abriu os olhos com esforço. Voltara para ela. Sarq estava emfesta. Zayedestava ali. Era o que ela queria: uma oportunidade para sevingar. e dever a vida e seus desafios de outra maneira. Ela tomou um banho. sua mulher. Sua. Sharif voltara ferido. sua esposa. Durante sua infância. o que foi?E l e j a m a i s i m a g i n a r i a s e n t i r t a l s o f r i m e n t o .Jessica 116. Quando Rou secou seus olhos. ela jamais tivesse existido. dera à luz um menino. Fechou os olhos e se deixou invadir pelocalor. durante a p a l e s t r a .Rou não teve forças para mandá-lo embora. E l e pensava incansavelmente.

confusa. — De súbito.— Você está passando mal? — perguntou ela.— Amo você — disse ele em voz rouca. Projeto Revisoras77 . o calor que oqueimava se apagou. — Amo você e preciso de você. laeela. meu amor.seu rosto. mas preciso de você. Perdoe-me. a dor desapareceu e ele se sentiu exausto.

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Zayed deu uma gargalhada. é mais forte que a superstição e a desgraça. Era o que Olivia comia quando estava enjoada. ou uma intoxicação.— Como?— Percebi o quanto a amava.— Isto tudo aconteceu nas últimas horas? Ele sentiu vontade de rir. Sou igual àminha mãe.— De jeito nenhum. e. Dra.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Está tudo bem — respondeu ele. mas bem melhor. em seguida. — Inconscientemente. — Ele arrancou uma uva do cachoe deu a ela.O m ê s f o r a d i f í c i l . acaba com o enjôo. Rou mordeu a uva. — Por quê?— Porque amo você. Acho que não pensei q u e pudesse engravidar. u m a garrafa de ginger ale.. desconfiada.— Vem acontecendo há algum tempo. não há nada de errado comigo.. Zayed.— G o s t a r i a d e l h e d a r r a z ã o . — Não é estranho? Sou tãom a n í a c a c o m tudo. — Rou fez umacareta. A felicidade está espalhada ehá vida e amor em todos os lugares. Eu não seria uma boa mãe. — Ela fechou os olhos. E l a o o u v i u s u s p i r a r e abriu os olhos. — D o i s b e b ê s — d i s s e d e r e p e n te . arrumando a bandeja. feliz por estar contente. é preocupante. Vou ser pai. contente.— Você está delirando?— Porque eu lhe disse que a amo?— Talvez esteja com uma virose.— Ah.Jessica 116. não. — Estacomida é mágica. metade de uma torrada. Ela pegou mais umae depois comeu melão. e se deitou. você soubesse que seria. Não novamente. O amor é mais forte que tudo.. Z a y e d l i g o u p a r a o s e r v i ç o d e q u a r t o e p e d i u u m b a l d e d e g e l o . Rou bateu Projeto Revisoras78 . — Zayed deu uma gargalhada e deitou na cama. Pela primeira vez. Talvez você soubesse que não se parece com sua mãe e que jamais abandonaria seu filho.— Estou melhor — disse ela. —A maldição — ele disse. Ele sorria. Não há nada de errado comigo. — Rou acendeu a luz e o fitou calada. Não é do seufeitio.— Não. um prato de torradas e bolachas.— Eu sei. Vou vomitar! — Ela correu para o banheiro. o nascimento do filho de Olivia e Khalid.— Talvez. E u o d e i x e i p o r q u e s o u t o l a . E ela me trouxe até você. — Você tem vários diplomas.— Não é uma comida qualquer — ele disse.— Eu sei. Não há sinal de maldição.Rou o olhou. apavorada. m a s é exatamente o oposto. sorrindo pela primeira vez em dias.Quando Rou voltou para a cama ele lhe ofereceu a bandeja. não conseguirei comer. até mesmo o meu..— Talvez você quisesse ficar grávida — disse ele. — Ela estremeceu e franziu a testa. e nunca pensei no assunto.— Eu não queria ser mãe. Acho que não pensei que sexo resultaria em filhos. — Acho que acabou finalmente. s o d a . a felicidade de Jesslyn. A volta de Sharif.— Ah. apoiando-se no braço eolhando para ela. melão e uvas geladas. em 20 anos. Estava fresca e adocicada.— Porém você nunca falou em controle de natalidade. A infelicidade estava dentro de mim. f r a c a e ridícula como ela. Tornell. Foi por isso que o d e i x e i .. mas fico contentepor mim. amor. Vamos ser pais. — Não estou curada.— Sinto muito por você — disse ele de maneira fingida.. Vamos ver se dará certo com você. no fundo. E o amor.

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Sharif. Podíamos ter o que queremos o que precisamos.. como conseguiu sobreviver sem meu dinheiro e meu apoio emocional? Seé tão ridícula. quejamais vou abandoná-la.— Por que está rindo? Acabo de lhe contar meu segredo mais escondido evocê ri como uma hiena!— Se você é tão fraca. Prometo. V o c ê a l e g r o u o p a l á c i o .— Q u e r o u m a l i n h a d i r e t a c o m o s d o i s p a l á c i o s — d i s s e e l a .— Sou. perseguido por fantasmas. Fehr?— Amor. verificar se você estava bem. antes de ser coroado. s i n t o s u a f a l t a . t e n t a n d o esconder as lágrimas.— Você é louco por mim? — Zayed se inclinou sobre ela e afastou-lhe os cabelos do rosto.. quisemos esconder a informação da imprensa. Ele se lembra de você.— Você jamais ficou perdida.— Totalmente. Porém.De fato.. Porém a vida em Sarq não era fácil paraela.— Não sei Zayed.— Você está dizendo isso porque perdeu seu emprego?— Não perdi meu emprego — ele disse. Projeto Revisoras79 .Rou tentou ver nele o homem que a abandonaria na primeiraoportunidade. V o l t e p a r a casa comigo.. Eu sempre soube onde você estava e o quefazia. Poderia estar comigo. — Não quero precisar recorrer a ninguém para falar comvocê quando sentir necessidade. laeela — Os dentes dele brilharam num sorriso. o homem cheio de dúvidas.— Como posso ter certeza?— Porque estou aqui.— Ele está com amnésia?— Houve uma perda significativa de memória.— E estou bem?— Está. — O r i s o d e l e s e apagou. sentindo esperança..— Ele reconhece Jesslyn e as crianças?— Ele reconhece Jesslyn. — Não foi noticiado. Ele era o que ela queria tudo de que precisava.?— E s t á b e m o s u f i c i e n t e p a r a r e t o m a r a l i d e r a n ç a .— E o que é Dr. O trauma foi violento eos médicos querem que ele tenha tempo para descansar e se recuperar. rindo. Seja minha esposa.— Então.— Mas. mas não acontecerá de novo.Jessica 116. como conseguiu coragem para me deixar? Se é tãotola. por que sou tão louco por você?Rou olhou para ele. Fico perdida nos seus palácios. Juro. não consigo sem você. você ainda é rei — disse ela gentilmente. Tive q u e v i r procurá-la.Rou afundou no travesseiro. nem saudável. E l e e s t á v a z i o s e m v o c ê . Ela se sentira miserável sem ele. A culpa foi minha. Eu me escondia de você. Não consegui ficar longe de você. Eu me sinto solitário. Fico perdida no s e u mundo. mas poderia estar melhor. mas suas lembranças são do tempo em que viviaem Londres. mas Sharif ainda não recuperou totalmente a memória.Amo você demais para magoá-la outra vez. minha rainha. era tentador..— Você terá uma linha exclusiva. como homem e como rei.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter nele com o travesseiro. mas tudoo que via era Zayed. medo e ansiedade. nem quero. e ficar sozinha e grávida só aumentara sua infelicidade.— Podíamos ficar juntos e nos amarmos.

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beijando-a. Ele sentiu um nó na garganta.— Quero que nossos filhos cresçam num ambiente feliz — disse. Nossos filhos também precisam. Rou pensou ump o u c o s e i m p o r i a m a i s a l g u m a c o n d i ç ã o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Quero viajar com você.— Espero que sim. m a s n e n h u m a maior que aquela mulher.— Dará certo — ela disse resoluta. era mais forte do que esperava. — Ele tudo renova.R o u o abraçou e beijou com tal ternura que o coração de Zayed d o e u antes de se encher de júbilo.Jessica 116. n ã o agüentaria que fossem magoados da mesma maneira que fui. Quero estar onde você estiver. E l a e r a d i f e r e n te d e s u a mãe.— Sei que sim. que nos amemos o suficiente para colocálos sempre emprimeiro lugar. com todo o meu coração — ele disse. sua mulher.— Amo você.— Concordo totalmente. para atender às necessidades deles antes das nossas.J ú b i l o .— Algo mais.— O amor cura — ela disse em voz baixa e doce. Preciso de você e do seu amor. Eu não s u p o r t a r i a q u e n o s s o s f i l h o s s e v i s s e m e n c u r r a l a d o s e n t r e n ó s d o i s . Com o tempo e a confiança. meu amor?O sorriso dele era enorme estava mais bonito que nunca. sua a l e g r i a . — Faremos com que dê certo.Rou fechou os olhos ao sentir os lábios dele sobre os seus e acariciou-lhe orosto. e p e r c e b e u q u e t u d o d e q u e precisava era de tempo para confiar. sua esposa. Projeto Revisoras80 . — Queroque sejamos fortes. suanoiva.Rou sorriu e o coração de Zayed derreteu. E l e r e c e b e r a v á r i a s b ê n ç ã o s . E l e s e s e n t i a f e l i z . todos os seust e m o r e s s e a p a g a r i a m e s u a f e r i d a e s t a r i a s a r a d a . Z a y e d enfiou as mãos nos cabelos dela.

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acreditando que todas as crianças deveriam ser abençoadas. assumindo seu reinado. Ao perceber que Rou estava à beira das lágrimas. Zayed. m a s e r a t a r d e d e m a i s . se ela quisesse. R o u escolhera os irmãos de Zayed como padrinhos. que jamais quisera se casar ou ter filhos. e. e o inquieto e teimosoSharif ser colocado nos braços do tio Sharif. F o r a u m v e r d a d e i r o milagre ver Sharif de volta. Nada mais natural do quedar seu nome a um dos gêmeos. Jesslyn e Olivia aapoiaram. c o m seis meses. no momento. S u a m i s s ã o e s t a v a e m c a s a . Sua missão não era passar horas noc o n s u l t ó r i o o u d a r p a l e s t r a s . **** *** * .O batizado aconteceu numa das salas do palácio e a cerimônia foi curta. n o p a l á c i o d e v e r ã o . O s b e b ê s . R o u a d o r a v a o c l i m a e a p r a i a d o l i n d o p o r t o histórico. apreciava a vida que levava.O rei Sharif sorriu ao pegar o bebê e olhou para Rou. encontrara sua missão. Zayed queria ficar perto da família. ela e Zayed estavam livres para viver o n d e q u i s e s s e m . três campos de estudo que ela pretendia cursarpelo resto da vida. poderiamviajar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Epilogo ROU QUIS batizar os filhos. m a s e l e s d e c i d i r a m m o r a r e m S a r q e criar os meninos emC a l a . Ele também dissera à esposa que. n o casamento e na maternidade. Adorava ser mãe eadorava seu marido. mas sem interferir: Cala era a solução perfeita.Com o retorno de Sharif ao trono. algo incomum na família Fehr. mas Rou não tinha vontade de retomar seu trabalho.mandou buscar um padre em Londres.Jessica 116. Ela ficou emocionadae s o r r i u p a r a o c u n h a d o e a m i g o q u e s e e sf o r ç a r a t a n t o p a r a r e c u p e r a r a memória e a energia. n o a m o r . não suportariam um ritual mais demorado. Zayeda a b r a ç o u p e l a c i n t u r a . E l a j á e s t a v a c o m a v i s t a enevoada e mal conseguia acompanhar a c e r i m ô n i a . observava o pequeno e calmo Kamil ser colocado no colo de Khalid. Ela.

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