Jessica 116.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter

DUTY, DESIRE AND THE DESERT KING

.

.

e não por causa do irmão mais moço do rei Sharif Fehr. Bastava saber que ela jamais respeitaria ou confiaria num homem como .— Quero dizer aqui.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Monte Cario O sheik ZAYED Fehr releu a carta escrita no grosso pergaminho usado pelafamília real. Ela não fora enviada pelo rei. K h a l i d f o r a direto. — Acho que ele não irá embora antes de vê-la. s e u a m a d o i r m ã o . odiava a facilidade comque satisfaziam os próprios desejos. Zayed precisaria se casar e voltar para casa. após uma turnê de sete semanas em que promovera o seu livro.Pela primeira vez em 15 anos. não uma. Tudo girava em torno dele. seu irmão mais velho. e simp o r K h a l i d .— O quê? — Rou recolocou os óculos e fitou Jamie. detestava Zayed Fehr. Ele expirou com dificuldade. confusa. pensou Rou. Rou Tornell. Não podia ser verdade. e ele fora dado como morto. famoso. Ele não costumava se emocionar. Parece que é urgente:assunto de vida ou de morte.. Ela disse a si mesma que tremia por causa do cansaço. A partir daquelemomento.o sheik Zayed.tirando os óculos com mão trêmula e esfregando o nariz. d e s a p a r e c e r a : s e u a v i ã o c a í r a e m algum lugar do deserto do Saara. Capítulo Um Vancouver. Khalid deveria estar enganado.— Sim. Em geral. Rou desprezava playboys e grandes astros.— Nós nos conhecemos — disse Rou com fingida indiferença.— Como assim. O filho de Sharif tinhaapenas três anos e não poderia governar.— Você o conhece? — perguntou Jamie. frívolo e egocêntrico.— Não tenho tempo e não quero vê-lo. Portanto. s e u i r m ã o c a ç u l a . rico. um príncipe do desertosem preocupações. Ele está aqui — disse Jamie. Sharif. acima de tudo. Rou fez um gesto de aborrecimento. masvárias vezes. Sefosse verdade. ele voou até aqui. preocupada. Zayed sentiu que possuía um coração e quee l e s e p a r t i r a . mas a ovelha negra da família. espantada.Jessica 116. mas. e Zayed fora feitono mesmo molde: bonito. no hotel. apertandoas mãos. Ele era irmão de Sharif. ele já teria ouvido alguma notícia antes de receber acorrespondência.. A m e n s a g e m e r a c u r t a e s i m p l e s . Zayed seria o rei. Jamie não p r e c i s a v a saber dos detalhes embaraçosos do encontro de 3 anos a t r á s . As mãos de Zayed tremeram. porémmal conseguia respirar. sem senso de responsabilidade e sem educação. Canada O SHEIK Z AYED Fehr está aqui e m Vancouver? — repetiu a Dra. — Jamie sorriu nervosamente. — Por quê? — Você disse a ele que não teria tempo de vê-lo em Portland o u e m Seattle. e.Aquilo era o tipo de coisa que seu pai diria. na privacidade de seu quarto de hotel. o homem que a humilhara e magoara como nenhum outro. elausava lentes de contato. S h a r i f . ansiosa. a assistente de Rou. Uma pontada aguda feriu seu coração. aqui? — perguntou Rou. preferiaos óculos.

umafortuna ultrajante e um poder indescritível.. Ele está aqui. C l a r o q u e t er i a tempo..l a p o r f i c a r encantada com Zayed. irritada. nervosa. a fria e racional cientista. A assistente de produção só chegará dentro de meia hora e você vai se maquiarno estúdio de TV. R o u n ã o p o d e r i a c u l p á . —Ele parece desesperado para vê-la. corando. ele era charmoso e carismático..— Você o conheceu?— Bem.— Há meia hora. Projeto Revisoras4 .— Ele me pareceu muito simpático. entusiasmada.. na ante-sala.— Não — ela respondeu. e r a a g r a d á v e l e ef i c i e n t e . A a s s i s t e n t e e s t a v a q u a s e c h o r a n d o . — Ele tem um corpo perfeito.e as mulheres caíam a seus pés.R o u a g a r r o u a b e i r a d a d a m e s a p a r a c o n t e r o t r em o r . Zayed em sua suíte.ZayedFehr.— Tem razão — suspirou Rou. — Rou juntou seus papéis para disfarçar opânico.— Pensei que você teria cinco minutos — insistiu Jamie. O problema é que não desejava desperdiçar nem cinco segundos com Zayed Fehr. esperando-a do outro lado da porta? — Eu fiz algode errado? — perguntou Jamie. se dei-xara impressionar. com as mãos suando frio e oc o r a ç ã o d i s p a r a d o .. J a m i e t r a b a l h a v a a r d u a m e n t e . engolindo em seco.— Na minha suíte?— E l e e s p e r a q u e v o c ê o r e c e b a . Rou queria gritar que sim. P e n s e i q u e v o c ê t e r i a t e m p o . Sim. mas isso não faz dele um homem bom..— Ele é muito bonito — disse Jamie.— Há quanto tempo ele está esperando? — perguntou. Além de bonito e rico. — Ela viu a expressão de Rou e apressou-se a esclarecer. — disse Jamie. Ela mesma.

.

a rocha. ela tinha a reputação de ser a melhor ems e u r a m o.. dominado pelo luto. Ninguém sabia o que acontecera. palestrante internacional e casamenteira profissional. Embora Sharif alegasse que ela era apenas o b j e t i v a .— Não há problema — Zayed respondeu sorrindo e seguindo Jamie. seu lugar não era em Sarq. antes danoite de autógrafos. empertigada econvencida que eleja conhecera. apenas quatro anos mais velho que ele. e encontrara Khalid. Osarranha-céus e os apartamentos de cobertura agora eram o seu lar. odeserto não estava mais em seu sangue. Se não fosse pelo irmão. e talvez até deprimida. Sua dor parecia maior e mais intensa agora do que aoreceber a notícia cinco dias antes. a s s i m c o m o o sofrimento infinito e silencioso de Khalid. O irmão e a cunhada jamais lhe pediram algo. Zayed esperava ser recebido pela Dra. Rou Tornell exalava o calor de um cubo de gelo. Não admira que Jesslyn parecesse um fantasma.Jamie abriu a porta. porque ela dará várias entrevistas esta tarde. em Sarq. Sharif sefora. e l e s o r r i u .Volte para casa. magra. o mais velho. mas anos de experiência como terapeuta a haviamensinado a não demonstrar suas emoções. Agora. mas quando se tratava deRou Tornell. n o 1 4 ° d i a Z a y e d a s s u m i r i a o t r o n o . Jesslyn. e e r a d i s t o q u e e l e p r e c i s a v a . Todos nós precisamos. ? N ã o i m p o r t a . Khalid murmurara ao se despedirem. No dia seguinte faria uma semana queo a v i ã o s i m p l e s m e n t e d e s a p a r e c e r a s e m sinal de alerta. Tornell vai recebê-lo agora — disse ela corando —.. e muito menos uma casamenteira? Quem diria que a tímida professora entenderia algo sobrea t r a ç ã o s e x u a l e s o b r e r e l a c i o n a m e n t o s a m o r o s o s ? Z a y e d e r a c a v a l h e i r o demais para fazer comparações entre as mulheres.Na ante-sala. era impossível evitar. mas receio que o tempo seja curto. Elepensou que era típico de Rou Tornell estar sempre ocupada e se fazendo deimportante. Rou Tornell. Talvez por isso ele se comovera. O m u n d o d e l e s v i r a r a d e c a b e ç a p a r a b a i x o e jamais seria o mesmo. P a r a e l e . Porém. Entretanto. sem pedido des o c o r r o .Ele voara para casa. ele gostava de chuva. Loura. morreria? Quem poderia prever a queda do avião? Zayed fechou os olhos esentiu uma dor no peito. E l a u s a v a ó c u l o s e s e u s l o n g o s c a b e l o s l o u r o s estavam displicentemente presos atrás das orelhas.— A Dra. pelo sofrimento e pelo medo. autora de best-sellers. Zayed também passaraalgum tempo com a esposa de Sharif. p a r e c i a impossível: ele não era um líder. O palácioestava pior do que ele imaginara. e sua personalidade eratão interessante quanto um. mas deixe claro que ele só terá cinco minutos — disse em vozfirme e de cabeça erguida. encontrou-a sentada do outro lado de uma m e s a. pedante e tensa.o r o s t o d e J e s s l y n e s e u s o l h o s e s p a n t a d o s o p e r s e g u i a m . o centro da família. O senhor terá apenas alguns minutos. não de sol.mas quem poderia imaginar que Sharif. ele não estaria ali. Ela era a mulher mais fria. — R o u endireitou os ombros e prendeu o lindo c a b e l o l o u r o W a t r á s d a o r e l h a . e com os sobrinhos. a experiência de Zayed lhe mostrara que ela era s e v e r a m e n t e reprimida. P o r l e i .Jessica 116. . que tentaria cuidar detudo até que ele pudesse voltar e assumir seu lugar. d i a n t e d e u m l a p t o p . Todos recorriama Sharif. E s t á c e r t o . Agora. Q u e m p e n s a r i a q u e a h u m i l d e protegida de Sharif se tornaria uma palestrante internacional. Preciso de você. Aop e n s a r n e s t a ú l t i m a q u a l i f i c a ç ã o . nem que K h a l i d n ã o d o r m i s s e h á d i a s . . um governante. A a s s i s t e n t e s a i u discretamente e Projeto Revisoras5 . As quatrocrianças estavam chocadas. desesperadas e sentiam a falta do pai. de repente. — Mande-o entrar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ficou desanimada. Ao entrar no quarto.— P o r q u e n ã o m e d i s s e a n t e s .

.

Z a y e d e r a incrivelmente lindo. que lhe t i v e s s e provado que ela jamais deveria confiar num homem e que jamais encontraria um amor verdadeiro. — Estou meio apressada. quando e como desejava.o p o r c o n s i d e r a ç ã o a Sharif. um dos maioresastros de cinema de sua época. mas um sheik que se comportava de maneira mais ocidentalque a maioria dos ocidentais. segundo Jamie. A percepção que tivera do caráter de Zayed se tornara o título de seu segundo best-seller: "Ele não é um príncipe — Como reconhecer os homens maldosos. Rou endureceu o queixo.— Boa tarde. mesmo magoando os outros. zombado dela. não é?De repente. mas não pudera e mandara s e u i r m ã o m a i s n o v o . Tornell. Sentia-se envergonhada por ele tê-lamagoado. além da fortuna dafamília. parando diante da mesa do sheik. Dra. E l a n ã o g o s t a v a d e l e . Rou reviveu o fim de semana em que haviam se conhecido d u r a n t e o c a s a m e n t o d e L a d y P i p p a C o l l i n s . Ela teve dois filhos nesse ínterim.mas.Jessica 116. ele era bem mais alto que ela.s e d e c o m o e l e d o m i n a v a o ambiente com sua imponência e sua elegância.t i n h a o m b r o s l a r g o s e a c i n t u r a e s t r e i t a . aproximando-se. — Eu nãopoderia deixar de lhe apresentar minha amiga. Zayednão era artista. E s q u e c e r a . apesar de seu coração disparar.Zayed notou o tom gélido e apertou os lábios. — Rou sentiu um sobressalto ao vê-lo se aproximar. sheik Fehr — cumprimentou Rou. a l g o d e p o s i t i v o r e s u l t a r a d o e p i s ó d i o h u m i l h a n t e e d o l o r o s o . e fazia o que queria.— Rou sustentou o olhar de Zayed. Como Sharif. Ele era maisa t r a e n t e d o q u e e l a s e l e m b r a v a . Odiava que ele a tivesse magoado.— Não imagino como possa ajudá-lo — ela disse friamente. Ela não deveria admitir que um homem como ele tivesse tal poder. — Ele se levantarade maneira imponente e elegante. irritada porques e u p u l s o a c e l e r a r a . O pai dela. Elaé um iceberg. ele pensou com cinismo. Possuía milhões de dólares.— Parece? Não para Pippa. queixo não . você está ansioso para me ver. — Faz algum tempo — ele disse. Tinha olhos e cabelos negros. Determinado seria a palavra mais certa. — Tanto tempo assim? — ele retorquiu com um sorriso frio. o p r í n c i p e Zayed Fehr. Pippa os apresentara durante a recepção. r e c e b e r a .os impostores e os trapaceiros e encontrar o verdadeiro amor".— Lady Pippa teve dois filhos? Ela tem estado bastante ocupada.— Sheik Fehr — Pippa dissera.— Eu não diria ansioso. — Dois anos?— Três. observando que ela não mudara e quejamais mudaria.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter fechou a porta. E n t r et a n t o . costumava produzir o mesmo efeito. Esqueça o cubo de gelo. Rou Tornell. e m Winchester. Sharif deveriacomparecer. S e S h a r i f e r a b o n i t o .— Parece que foi ontem que nos conhecemos. Ela oo d i a v a . em seu lugar.

Pippa estava tão feliz quenão percebera. em torno dos 32 ou 33 anos. apesar de.— Q u e s o r t e — e l e d i s s e r a n u m t o m d e i r o n i a q u e R o u j a m a i s o u v i r a .muito quadrado.Os olhos do sheik Fehr brilharam. ela sabiaque jamais poderia confiar nele. q u e r i a g o s t a r d e l e p o r s e r i r m ã o d e S h a r i f . P o r o u t r o l a d o . mas um homem maduro.m a s e x t r em a m e n t e m á s c u l o n a r i z r e t o e m a ç ã s d o r o s t o p r o n u n c i a d a s q u e fariam inveja a qualquer modelo. há um ano. estamos aqui. Foi ela quem me apresentou a Henry. ela já ter ouvido de tudo. Rou reparara que ele não era um jovemde 20 anos. Em parte. Projeto Revisoras6 . — Graças a Rou. como psicóloga. Era o protótipo da beleza. já que a maioria dos homens bonitos é egoístae i m p i e d o s a .

.

Preciso de uma esposa. Maçante.— Estive viajando — respondeu secamente. O p i o r é q u e p e r c e b i q u e e l a gostou de mim.l h e o r o s t o c o m o s l á b i o s e e l a t e v e a c e r t e z a de que logo ele aconvidaria para um encontro de verdade. v o c ê s a b e r i a — e l e d i s s e . — Deixei várias mensagens para você. r o ç o u . Conversaram durante horas. — Não tenho mais opção. não fosse por um email de Sharif querecebera por engano. A únicavantagem é que ele nada sabia. assim como ela. sempre curiosa. maçante. Ele percebera o erro antes d e l a e l i g a r a p a r a s e d e s c u l p a r e p a r a l h e p e d i r q u e a p a g a s s e a r u d e mensagem sem ler. sem mencionar os e-mails.— Tenho 36 anos.— Sim — disse ela simplesmente. D á p a r a acreditar? O nosso é o centésimo casamento que ela faz. Rou se lembrava muito bem dos detalhes daquela noite e do calor do corpo de Zayedenquanto dançavam. lera o e-mail: "Passar a noite com elaf o i c o m o p a s s e a r n u m m u s e u — maçante — mas você agüenta porque se c o n v e n c e d e q u e es t á f a z e n d o u m a b o a a ç ã o . Ele deveria estar brincando. Q u e r d i z e r . Mais tarde. O cabelo estava mais curto do que quando o conhecera. Porém.Rou esperou o fim da piada. — Ela rangeu os dentes ao ouvir a voz irônica. Não admirava que as mulheres Se encantassem.— Por que uma esposa agora? Você sempre declarou não ser favorável aocasamento. As mãosdela tremeram. enviara o e-mail para ela. Sharif prometera não contar. e ele fazia comque ela se sentisse bonita e fascinante. sem gravata. sentando-se numa poltrona. Havia tempo que ela não tinha um encontro. . Ela tem o calor eo charme de um manequim de loja. ele n ã o t e l e f o n a r a e R o u jamais saberia o que ele sentia por ela. Ela já formou cem pares. corando. odiando reviver o episódio.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — R o u . A gentileza dele a cativara . Sharif pretendia responder uma mensagem de Zayed.— Talvez você precise atualizar sua tecnologia..— As coisas mudaram — disse ele sério. . " — Você ainda promove casamentos? — disse Zayed naquele momento. quando ele a colocou num t á x i .— O que faz aqui? — perguntou ela. o s o l t e i r o m a i s r i c o e f a m o s o d e M o n t e C a r i o . Vou Projeto Revisoras7 .. Um manequim de loja. q u e r i a u m a esposa? Ela mal sufocou uma gargalhada. Preciso soletrar?— Não.Rou o examinou por um tempo. Rou. O primeiro nome é Zayed. Zayed Fehr. Ele usava um bonito terno e uma camisa branca. a D r a . sheik Fehr?— Você podia pegar sua papelada e começar a preencher os formulários.O nome é F-eh-r. sheik Fehr?— S e t i v e s s e a t e n d i d o m e u s t e l e f o n e m a s . falara sobre o próprio trabalho. mas a atração obviamente não foi recíproca. de alguma forma. Era exatamentecomo ela se lembrava: profunda e firme. T o r n e l l t e m u m v er d a d e i r o d o m . r e n o m a d o p l a y b o y . As horas que passaram juntos foram deliciosas.A alegre Pippa se afastara. mas ele não sorriu. de fato. Ficara atraída por ele e percebera queZayed também estava atraído por ela. — O que posso fazer por você. por você. atendendo a um aceno do marido. dançarame saíram juntos da recepção para tomar um último drinque num bar. Zayed a convidara para sentar e os dois passaram o resto da noite juntos. nem piscou.— O que posso fazer. Comofora estúpida! A vergonha a fez falar secamente. Para sua surpresa. mas.Jessica 116. rouca o suficiente para parecer uma carícia. ela pensou. e todos acabaram em casamento. Ele a escutara rira de suasbrincadeiras. e a deixarasozinha com o sheik.

.

quando o fizer. R o u c o m p r e e n d e r a q u e o a m o r e r a a m a i s p o d e r o s a d r o g a conhecida pelo homem. Quem ele pensava ser? Como podia ser tão insensível eegoísta. deverá estar casado. vício. Projeto Revisoras8 . mas Zayed não as fornecera e ela não pretendia perguntar. O sheik a conquistara e.— É por causa de Angela Moss? Rou se espantou. creio que conseguiriaencontrá-la. Tornell. R o u s e r e c u s a r a a a t e n d e r a m o d e l o . foram necessários meses de paciência e habilidade para tirá-la do f u n d o d o p o ç o . u m c o r a ç ã o p a r t i d o e q u i v a l e a u m a f o r m a d e m o r t e . Negativo. O reiprecisa ter uma esposa. Amor é loucura. Ele era desagradável e queriaque ele fosse embora. depois dea l g u n s m e s e s . P o r c a u s a d e s e u s sentimentos pessoais emr e l a ç ã o à Z a y e d .— Ela foi sua cliente há um ano. É por isso que estou aqui. nem uma esposaagradável. você não seencaixa no perfil dos candidatos com quem trabalho. Q u a n d o s e e s t á s o b o ef e i t o d o a m o r . Lembra-se dela? Magra. i n t r i g a d a . De repente.— Não quero uma candidata disponível. Quanto menos soubesse. Isso não quer dizer que. O cérebro subitamente privado de alguns neurotransmissoresq u e o a l i m e n t a v a m i m p l o r a p e l o s er a m a d o . — S i n t o m u i t o . você vai me ajudar?— Não. Ela percebera que precisava ajudar a pobre moça. Pensei que poderia ajudá-la. mas. Se fosse o caso.. mas sua expressão não era amigável. quero a esposa certa. e sim uma sensaçãod e p o d e r .. — Fui eu que lhe dei o seu nome. admirada e invejada no mundo inteiro. você não encontraria sozinho uma c a n d i d a t a disponível. Ela sel e v a n t o u . n e c e s s i t a d e c o n t at o e d e s e r inundado pelos hormônios produzidos em sua presença. T o d o s s a b i a m q u e S h a r i f e r a o r e i d e S a r q . e q u i v a l e a u m a desintoxicação. melhor.— N ã o p o s s o — e l a r e s p o n d e u br u s c a m e n t e . 26 anos.— Eu não conheço.Zayed sorriu. Rou se lembrou de sua mãe. Rou se lembrou de que precisava mudar de roupa e se pentear. mas que nãoconseguira fazer seu pai feliz. Jamie bateu na porta.— Já percebi — retrucou ela com sarcasmo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assumir o trono de Sarq. P a r a o u t r a s p e s s o a s . cabelos ruivos. c o m u m p o u c o de esforço. Jamais condenaria alguéma passar a vida com ele. Além disso. é destrutivo. e e s t a t e n t a r a s e suicidar. Jamais encontraria uma mulher para Zayed. e a lei assim o exige.— Se você realmente quisesse uma esposa. Faltavam-lhe informações.. Dra. Nenhum homem pode ocupar otrono antes de completar 25 anos e.. uma famosamodelo inglesa. deleite. p r e c i s o m e p r e p a r a r p a r a o m e u próximo compromisso. É p r e c i s o t em p o e pesquisa para encontrar um companheiro compatível. mesmo comsua ajuda. deixaria que minha mãe a escolhesse. s h e i k F e h r . Depois de 12 anos dee x p e r i ê n c i a . De modelo passou a estilista de bolsas.Jessica 116. Talvez houvesse outro reino ou alguma tribo do deserto que precisasse de umsenhor feudal. — Ela não sentia o menor remorso. Não querouma noiva qualquer. Você é especialista em relacionamentos e pode encontrar a mulher perfeita para mim. — U m c a s a m e n t o n ã o d e v e s er a p r e s s a d o . — Sei que ela veio consultá-la — acrescentou Zayed sem expressão. aparecendo para lhe pedir ajuda depois de tanto tempo?— Então. E. Isso a faz recordar?Claro que Rou se lembrava de Angela.o . a a b a n d o n a r a .R o u o b s e r v o u . — E l a n ã o sentia. entrou e acenou para o relógio.— Estou com pressa. — S e m e d á l i c e n ç a . quando dá errado.

.

— Ela se inclinou sobre a mesa. Projeto Revisoras9 . M i n h a c l í n i c a é um s u c e s s o e t e n h o m u i t o t r a b a l h o . — Desculpe — ela disse. você é uma cientista. mas não queria magoá-la. Ele a olhou com indiferença.— Eu não a amava..— Você está zangada — ele disse surpreso.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou sentou novamente. não acreditava poder ser fiel a uma mulher. bonecas. você tem consciência.— Não precisa? — ele repetiu.— Você a mandou para mim? — Ela balançou a cabeça.— É muito simples. — Isso foi inadequado. Mas nada disse. robôs. Rou se voltou para ele. Você me deu uma razão pessoal. O pai de Rou também sóamava a si mesmo. mas sua acompanhante chegou Dra. não é?Jamie abriu a porta. Só não preciso de você. — Por quê?— Eu estava preocupado com ela — replicou ele.— Você disse a Angela que jamais se casaria que nunca se apaixonaria e que éincapaz de amar. pedindo mais cinco minutos. portanto.— Desculpe interromper de novo. como se fosse evidente.— Porque eu não amava Angela?— Porque você não ama e é incapaz de amar — explodiu ela e trincou os d e n t e s .— Isso tudo com base nos seis encontros que tive com Angela? Não.. Angela lhe dissera que Zayed usara sua incapacidade de amar como motivo para romperem seu relacionamento.R o u p e r c e b e u q u e J a m i e a i n d a e s t a v a p a r a d a à p o r t a e f e z u m g e s t o.Afinal. posso me dar ao luxo de ser seletiva. Agora você vê por que eu não poderia trabalhar com você depois deatender Angela. — Você é psicóloga.— Então.. capachos. não se faça de obtuso.— Eu mudei — disse ele. — Elas não serão magoadas quando você as dispensar. Jamais trabalharia com você. Assim que ela se foi.— Marionetes.— O que está sugerindo? — ele perguntou. N ã o p o d e r i a v e r a s i t u a ç ã o i s e n t a d e preconceitos..— Isso não é possível. portanto. — Ela sorriu. porque ele jamais se apaixonaria eela o amava cada vez mais.— Não é? — Ele sustentou o olhar de Rou. s h e i k F e h r . Era o clássico narcisista. a b o r r e c i d a . — Interesse de quem?— Seu.— Talvez você devesse parar de sair com mulheres que têm cérebro e coração. Eu quero uma razão profissional.. sheik Fehr. porque jamais lhe revelaria que sabia o que e l e pensava dela. com necessidades próprias.Ele era muito arrogante!— J á s e i d e m a i s s o b r e v o c ê . perplexa.Jessica 116. ela respondeu intimamente.— Não. com base na minha experiência pessoalcom você. Fazia parte do sigilo entre p a c i e n t e e terapeuta.— Não estou zangada. Haveria conflito de interesses.— Deixe que eu seja clara.. e que.— Por que não?— Eu já lhe disse. — Não gosto d e v o c ê . Os narcisistas não conseguem amar mais ninguém e nemver o outro como um ser separado. encarando-a. — Ela firmou a voz. N ã o d e v e r i a t er d i t o a ú l t i m a f r a s e p o r u m a q u e s t ã o d e sigilo.Rou olhou-o com desdém.

.

s a b e r i a q u e n ã o a c e i t o q u a l q u e r um c o m o cliente. mas necessito do seu tempo e da sua habilidade.— Qual foi o resultado da sua pesquisa. — Você não me conhece. mas Rou o deteve. calculando que seriam oito milhõesd e d ó l a r e s . veja esse dinheiro como a verba que precisa para construir ocentro de pesquisas em Oakland. pelo visto. J am a i s c o b r e i u m a q u a n t i a t ã o a l t a e n u n c a aceitaria.— Cinco milhões de libras? — repetiu. Não posso representá-lo com neutralidade. Não preciso da sua aprovação. Só trabalho com pessoas que acredito poder ajudar.— S e t i v e s s e i n v e s t i g a d o . Atendo cinco por cento das pessoas que me procuram. Ótimo. perdendo a paciência.— Pelo que me diz respeito. que só se importava consigo mesmo.. Ela está esperando no saguão do hotel — Rou acenou com a cabeça.Ela se afastou da mesa.Começaremos esta noite. Ajude-me.— Este é o problema — ele disse. tudo. O perfil. — Determinação — ele corrigiu. dá no mesmo. A c h o q u e é u m a t r o c a justa: eu consigo o que quero você também. Vamos nos encontrar para jantar. —Talvez você devesse fazer uma pequena pesquisa antes de tirar conclusões. — Ela se levantou mais tensa do que nunca. — Jamais. Faço por que. e esperou a porta fechar. Ele deu uma gargalhada amarga. as informações básicas. Meu sucesso sedeve ao fato de ser criteriosa. A simples oferta demonstra o seu desespero. Dra. — Ela respirou fundo.— Então.— Preciso ir.— Pensei que você fosse uma profissional. sem despregar os olhos de Zayed.— Não. e que.— O tempo é fundamental.E l a s e c a l o u p o r q u e n ã o p o d e r i a c o n t a r a l g o t ã o p e s s o a l a u m h o m em como Zayed. Não seriacorreto. como se tivesse levado um soco. francamente. — Oque faço não é por dinheiro. que é o melhor que sabe fazer.. — É o suficiente para você esquecer suasobjeções? — Não! Eu não ligo para o dinheiro — ela disse. E n c o n t r e .Rou perdeu o fôlego..— Não se trata de dinheiro.— Então. Tornell. — Ele a desafiou com um olhar.— Não sei se todos sairiam ganhando. Há um país inteiro a minha espera. e sim de valores.— Você pode me ajudar. Trabalhar com vocêcontraria minha ética e.— Não lhe peço para encontrar a cura do câncer.. pelo qual você tem lutado nos últimos sete a n o s . — Não sei se gostaria de poder.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Tornell.— E v o c ê t a m b é m n ã o f o i ? V o c ê m e j u l g o u e s e n t e n c i o u a n t e s d e n o s encontrarmos hoje. e todos saem ganhando.— Nem mesmo cinco milhões de libras? Rou ficou espantada.Jessica 116..Se ela esperava abatê-lo. e talvez fosse mais fácil. assim como fiz antes de procurála. levantando.. Estou lhe pedindo para me arranjar uma esposa. eprometo recompensá-la muito bem. mas não é verdade. — I s s o é r i d í c u l o .m e u m a e s p o s a e t e r á o s e u c e n t r o ..— Isto é baixo e ultrajante. é a única coisa em que é boa. — Ele caminhou para a porta.. falhara. sheik Fehr? Ele parou e se virou Projeto Revisoras10 . faça seu trabalho. de ética. Pensa que me conhece.— Eu sou. nenhuma quantia faria com que eu me comprometesse.

.

m a s q u a n d o o casamento dos pais naufragara. Era algo inusitado.— Eu sei por que você é tão rígida e reprimida. Encontrara o barão Ralf van Kliesen.Rou ficou muda. bonito. Em geral. Eu os declaro marido e mulher. Os convidados aplaudiram quando o noivol e v a n t o u o v é u d e G e or g i n a e a b e i j o u .. Jurara nunca se tornar esposa emãe. Amiga de infância de Georgina. Ele podia ser implacável.D u r a n t e a i n f â n c i a . mas este era e x c e p c i o n a l . bebendo suas palavras. Ela amaldiçoara os homens e o amor. independente. O v e st i d o d a n o i v a c i n t i l a v a c o m o s cristais bordados à mão no tecido delicado. Georgina fora profundamente magoada. sentir-se abençoada. Afinal.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter para ela. sua vida mudara. financeira e emocionalmente. o contrário da atenção que elalhe dedicara na festa de casamento de Lady Pippa. que a amasse para sempre. que partiu seucoração. meiahora antes de terminar a noite de autógrafos. A noite estava fresca e o vento arrastava as folhas v e r m e l h a s e a m a r e l a d a s p e l a c a l ç a d a . alegando u m m a l estar. Rou Tornell se grudara a ele como velcro. A música inundou a igreja enquanto o casal saía. três anos antes..Seus pais eram famosos e suas disputas durante o divórcio foram publicadas pela mídia. A v i r g e m d e g e l o p r e f e r i r a f u g i r a encontrá-lo. e seus olhos se encheram de lágrimas. suas brigas exploradas pelos tablóides. começara a procurar umhomem ideal para ela.mas terno. R o u s e s e n t i r a s e g u r a e a m a d a . Rou se recusara a aceitar que sua melhoramiga jamais seria feliz e. sabendo de antemão que Rou Tornell não estaria m a i s h o s p e d a d a n o H o t e l F a i r m o n t . Boa sorte com a sua entrevista. Era disso que Georgina precisava: de um homem forte. as mulheres se jogavam sobre ele. Ela es-t a v a t ã o f e l i z q u e b r i l h a v a m a i s q u e os candelabros da catedral de SantoEstevão. mas doce e carinhoso. Georgina encontrous e u p a r . dramática e violentamente. e sim com o divórcio de seus pais. Zayed deu meia-volta e parou do lado de fora da l i v r a r i a . E l e d e s c o n f i a v a q u e e l a j á e s t a r i a a caminho da Áustria. mais máquina que mulher. pressionando-lhe o peito.Zayed pegou o celular. e. Ela saíra mais cedo.— Você tem uma noite de autógrafos na Fireside Books às sete. digerindo a informação. Capítulo Dois Rou NÃO estava na Fireside Books quando ele chegou para buscá-la. ele se certificava de que elas estavambem. três anos antes.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter no altar. dentro de dois dias. mas não era um completo idiota. brilhante. onde compareceria a mais um de seus famososcasamentos. . A luz nos olhos da n o i v a b a s t o u p a r a f a z e r o c o r a ç ã o d e R o u s e contrair. Os casamentos sempre a comoviam. Ele também fora convidado parao casamento de Ralf com a princesa Georgina. um nobre de títuloa u s t r í a c o q u e n a s c e r a e c r e s c e r a n o d e s e r t o a u s t r a l i a n o e m c o m p a n h i a d a mãe. silenciosa e discretamente. inclusiveAngela. mas ne -nhum deles a queria de fato. Ao terminar um relacionamento. os telefonemas gravados ereproduzidos pela imprensa. Naquelanoite.Jessica 116. ele tivera irmãs. ao ser abandonada Projeto Revisoras11 Jessica 116. Irei buscá-la às nove. Amar e ser amada para sempre. Como é que ele sabia? Ela nunca contara a alguém. certamente.Ele saiu.Nada tem a ver com dinheiro. O nó na garganta de Rou cresceu e seespalhou. Era perfeito. Ele sempre as tratara bem. Os noivos se viraram para encarara congregação e Rou conteve o fôlego ao ver a expressão de Georgina. Os dois lutaram pela custódia de Rou. Ralf era perfeito para Georgina: forte.

— Não é verdade.. Ela alisou o tradicional vestido preto de Jérsey e entrou no salão iluminado por centenas dev e l a s . — Ogerente da livraria me disse que o público foi menor do que o esperado. — A única dificuldade é a sua incapacidade de lidar com a rejeição. — Sou determinado e. entrei na livraria e encontrei o caixa. Ninguém mais tinhaa q u e l a aparência e aquele andar. quando resolvo algo. e acho que . Você ficou desapontada? — Não.A foto fora queimada havia muito tempo pela mãe. e o p a l e t ó a c e n t u a v a o s o m br o s l a r g o s e s u a cintura. Em Vancouver você me fez acreditar que p o d e r í a m o s trabalhar juntos. — Não. sempre consigo o que quero.A limusine chegou ao palácio.na Inglaterra.. n e m d e e x p l o r a r .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou se odiou por ficar corada. até ouvir o som de trombetas anunciando a chegada dosnoivos. respeito e cuidado. Dra. mas vocêjá saíra há muito tempo. Rou estava mais emocionada do que gostaria. Ele vinha na sua direção. eu me dedicasse a um cliente novo. O que ele fazia ali? Ela sabia a resposta: ele pedira a suaa j u d a e e l a r e c u s a r a . O a m o r é g e n e r o s i d a d e e t e r n u r a . Ela hesitou diante da porta do salão de baile. a noite de outono estava perfumada e soprava uma brisa fria. Você só está dificultando ascoisas mais do que o necessário. Certamente. Mal deraalguns passos de volta ao salão. Concordou em me encontrar depois do s e u evento. e n ã o p o r m ot i v o s e x t e r n o s o u p e l a aparência. apesar desta contar. junto com tudo o que usaraenquanto casada.. R o u desapareceu no meio da multidão e se refugiou no banheiro. agora. quando ele bloqueou-lhe a passagem. Não seria justo com eles que. m a s. onde Rou o descobrira ao completar 16 anos — dois anos depoisda morte de sua mãe. Quando você não apareceu.— Ou determinado — ele concordou. hoje de manhã você se encontrou com uma cliente em perspectiva. Este era o motivo pelo qual Rou juntava casais de acordo c o m s e u s v a l o r e s . R o u s e e s c o n d e u n o b a n h e i r o durante 20 minutos. mas é necessário que haja algo mais por detrás dela. A lua iluminava o céu. Rou entrou e tirou seu precioso manto. você diria que foi persistente — ela interrompeu bruscamente. abençoando seu anonimato. A belezad e s e u s p a i s e n c a n t a v a t o d o m u n d o .Ao sair da catedral. e os olhos dourados brilhavamintensamente. Andou de um ladopara outro. conforme o combinado.— Então.— Não acredito que tenha me seguido até aqui. Não épossível. A pr i m e i r a p e s s o a q u e v i u f o i Z a y e d Fehr. e eu não usaria a palavra seguir. nervosa. Claro que era ele.E l a e n t r o u n a l i m u s i n e e f e c h o u a g o l a d o e x t r a v a g a n t e m a n t o d e v e l u d o forrado de seda preta e com botões de diamantes que sua mãe usara duranteo lançamento de um dos filmes de seu pai. Porém estava enganada. mantinha tranquilamente o controle de sua vida. com o manto sobre os ombros. Em pânico. Compareci e esperei.Tudo o que desejavam era vencer. e l e a s e g u i r a .— Entretanto. extremamente bonito. Não sabia se corara por ele ter descobertoque a noite de autógrafos não fora um sucesso. E preciso haver um laço de genuína compreensão. ou por ele ter aparecido na livraria.— Eu me comprometi com outros clientes. a sua acompanhante e alguns leitores. E l a n ã o e n c a n t a v a n i n g u é m . o gerente. O manto se salvara porque ficara esquecido na casa da avó.— Como foi o seu evento em Vancouver? — ele perguntou como se fossemvelhos e bons amigos. não foi por isso que fugiu da cidade? Projeto Revisoras12 Jessica 116. m a l d i t o . cr e n ç a s e d e s e j o s . Rou se lembrou da foto dos dois sobre o tapete vermelho: a mãe sorria radiante. e m compensação. No amor não s e t r a t a d e v e n c e r . quase rindo.Z a y e d u s a v a um f r a q u e . Rou sentiu a garganta seca e seu coração disparou.. Rou ficou gelada. tentando se esconder. pensou. Tornell.— Fui convidado para o casamento. As pessoas se apaixonam por uma imagem. Rou fingiu observar os convidados que chegavam. Ele era tentador. Zayed já fora embora.

Rou ergueu a cabeça.— Ótimo. a s s i s t e n t e s . E r a o q u e e l e q u e ri a e v i t a r .— Eu lhe garanto que os mereci. Alegações ofensivas. O tempo corria e sua mãe já procurava uma noiva para e l e e n t r e a s m o ç a s d e S a r q . resolveu ficar até que o jantar acabasse e o bailetivesse início. Agora estava mais civilizada. mas você está tão enganada que chego a Projeto Revisoras13 Jessica 116. Quando a conhecera.Rou corou novamente. talvez devido ao sucesso. ou que os seus diplomas de Cambridgesejam verdadeiros. Ele providenciara para que elavoltasse à escola e tivesse dinheiro para cursar a faculdade. Semdúvida. É i n t e r e s s a n t e c o m o o te mpo e o su ce sso modificam uma pessoa.— Então. porque como mulher eu o desprezo. A s m o ç a s d e S a r q eram educadas para ser dóceis. em vez de ficar aborrecido. mentirosas. odiosas. e. Sua lógicadesaparecia numa nuvem de emoções nas quais ela não confiava.. tribunal.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter duvidar que seja uma cientista de fato. m ot o r i s t a s . A simples palavra divórcio a apavorava.— Você tem talento e os casamentos que promove são duradouros.— Estou falando sério. Comoconseqüência . e o meu instinto me diz que você é perigoso.por consideração a Georgina.. Não ouvi falar em nenhum divórcio até agora. quando chegaram a um acordo. mas ele não se deixaria desencorajar pela rigidez deRou : precisava dela. enfrentando a realidade?— Sim. Em outra ocasião ela iria embora. comporte-se como uma cientista.Rou sentiu um arrepio. Ela mudou. mas também as aconselho a confiar em seus instintos.— Já é tarde e eu estou muito cansada com a mudança de fuso horário. ela era tagarela. — Não consigo imaginar porque um homem poderoso como você me escolheu para ajudá-lo a procurar uma rainha. compassivas. Divórcio. m a s t e n h o s e g u r a n ç a s . exposta. G e l a d a . obrigada. juízes. pudera cumprir a promessa de trabalhar para evitar que outra c r i a n ç a o u f a m í l i a s o f r e s s e o q u e e l a s o f r e r a.— Fugindo de novo. mas. Sentia-se mal.ela saiu pensando que você irá atendê-la. Estava confusa. i n c l u s i v e a pr ó p r i a f i l h a . camareiros. Tornell? Você não é especialista em ensinar às mulheres a ser firmes e a encarar seus medos.— Tenho certeza de que sim. A sua amizade comSharif fora o fator fundamental para a sua cura. .Zayed riu. R o u a t r a v e s s a r a a adolescência e chegara aos 20 anos tentando se recuperar. você não me interessa como mulher. — Ela se afastou com as pernas bambas.— Você está me espionando?— E u n ã o . Dra.que lhe proporcionavam calor e segurança. Ele sorriu friamente. ela nãoconseguia raciocinar quando estava perto de Zayed Fehr. e l a p e n s o u n o v e l u d o macio do manto pendurado no saguão e no quarto acolhedor do Hotel Bristol. Por algum motivo. ele pensou. h a v i a m d e s t r u í d o t u d o e t o d o s . porque é isto que desejo. tensa e desajeitada. m a s s e t o r n a r a m a i s d u r a e f r i a . g a r ç o n s . toda de preto. desaparecer na direção dasala de jantar.. sheik Fehr. Seuspais levaram sete anos para se divorciar.Zayed observou a figura esguia..— Já percebi o quadro — disse ela friamente.advogados.

— Rou virou para o outrol a d o . o que não o impediu de puxar uma cadeira e sentar. Elaso l h a v a m para ele e juntavam tudo: seu nome. tentador.— Vá embora. Rou mordeu olábio. e eu o comprei naBarney s. ele a deixa muito pálida. até que ela afastou a perna. Ele não era feio. Zayed foi atrás dela. seu título. E l a e s t a v a q u a s e bonita naquele momento. d o m e u i r m ã o .Ele estava tão próximo que Rou notou os pontinhos dourados nas pupilascor de bronze e algumas rugas discretas no canto dos olhos.— O preto é sempre elegante. mas ele é bem maisq u e i s s o . mas era extrema-mente habilidosa quando se tratava de formar casais. Ele contemplou o entediante vestido preto e pensouse seria o mesmo do casamento de Lady Pippa. p o r q u e n ã o s e n t i r i a c o n f i a n ç a e r e s p e i t o .— Vá embora — disse. este é um vestido de grife. Resolvido a fazer comque o ajudasse.— Não posso. precisava encontrar a mulher certa. o q u e transformaria a relação num tormento.. — E l e c h e g o u m a i s p e r t o e s u a s cabeças quase se . Ela sevirou para ele com um olhar frio e furioso.— N ã o p o d e o u n ã o q u e r ? — E l a q u a s e e n g a s g o u q u a n d o e l e s e aproximou. Por quê? Você não gosta?Z a y e d p e n s o u q u e a c e r t a r a e m c h e i o .— Você poderia usar uma cor mais favorável — ele disse. Preciso de sua ajuda. mas acreditavana santidade do casamento. A friae rígida Rou Tornell não tinha charme nem personalidade. O s l u g a r e s e r a m m a r c a d o s e e l e n ã o ficaria junto dela. e a coxa dele roçava a sua. Você ficaria melhor com tonsrosados. contemplando os convidados. furiosa.— Não posso Dra.Ele deu de ombros. Zayed r e c o n h e c e u q u e s e tratava de um grupo seleto. celebridades esocialites.submissas e condescendentes. Portanto.— Você está vendo o meu pedido como algo pessoal. oslábios tremendo de raiva. s u a fortuna. Por outro lado. Você estámantendo um país inteiro como r e f é m ..— As duas coisas. a julgar pelo modelo. um misto de realeza. roçando o ombro no dela. — Este não é o mesmo vestidoque você usou há três anos?Ela se virou para ele e corou. feito num bom tecido. Tornell. com os olhos mais escuros e a pele ruborizada. Todas caíam ávidas aos seus pés. O corpo de Zayedera firme. Rou parecia a únicaa ter se arrumado sozinha. pelo contrário. Rou arregalou os olhos.s e d o m e u p a í s . Ávidas demais. do meu povo. Ele não poderiac a s a r . em Nova York.— É.s e c o m u m a d e l a s . a o v ê .— Há dez anos. seu p o d e r . sorriu e se inclinou para ela. asmulheres ocidentais eram um problema. aristocratas.Zayed já quebrara muitas regras e desafiara algumas leis.l a c o r a r . fascinada. todos vestidos por algum estilista em particular.— Para sua informação. perfeita. Nunca dormira com uma mulher casada e jamaistrairia sua esposa. T r a t a .Jamais uma delas conseguiria enfrentá-lo e ser sua igual.R o u a c a b a r a d e s e n t a r à me s a .— Eu já lhe disse que não pretendo ajudá-lo — ela respondeu. — Não é verdade. sentindo ocorpo se aquecer perigosamente.

. F o r a p o r i s s o q u e s a í r a d e V a n c o u v e r : Z a y e d F e h r a ameaçava abalava seu autocontrole. e e l a s e n ti u o s d e d o s d e l e p e r i g o s a m e n t e p r ó x i m o s d e s u a p e l e .— Por quê?— P o r q u ê ? . — E um prazer — respondeu Zayed. b e m . — Estamos rezando por ele e p o r todos vocês. i n te l i g e n t e ... mas sedeixara envolver e fora maravilhoso. Tornell. o reino.Ralf e Georgina trocaram um olhar.— O que aconteceu com Sharif?— Ele está desaparecido. o casamento. ciente de que perdera ar a z ã o e o c o n t r o l e . Dra. Saiae me deixe em paz. sheik Fehr.s u c e d i d a .. basta dizer uma palavra. Agora.. — Por favor. Preciso de você. Rou olhou em volta do salão.? — perguntou Georgina. — Zayed baixou a cabeça e Ralf rapidamente ser e c o m p ô s . Viena. N e m a s c r i a n ç a s . A televisão deu a notícia hoje cedo. Passou o braço em torno do espaldar da cadeira deR o u .tocaram. g r a ç a s a D e u s . — Era para estarem todos juntos. e l a retribuiu o abraço da amiga. D e ve r i a te r m e contado. Sentira que ele era perigoso desde que o conhecera. q u e e l e s i m p l e s m e n t e desapareceu do radar? — insistiu Ralf. transformava a racional cientista numagarota assustada. Se houver algo que possamosfazer. O avião desapareceu há dez dias. Tão.. E l a n ã o e s t a v a c o m e l e . onde estava? Procurei-a em todo canto! — A voza l e g r e d e G e o r g i n a i n t e r r o m p e u o tu m u l t o n a c a b e ç a d e R o u . mas Zayed asegurou pela mão. arriscava sua sobrevivência — algo que deveria serlevado a sério. Faça umaavaliação preliminar adequada.Rou respirou fundo para se acalmar e sentiu o perfume suave.— Serei seu eterno devedor. agradecendo sua presença.— Rou.— Você está linda — ela murmurou. picante esedutor de Zayed. Preencha os formulários.— O b r i g a d o — r e s p o n d e u R a l f . Dra. Zayed confirmou. vi u . Vou lhe dar acesso à minha vida. — Você disse que não existempríncipes.— Jesslyn estava. c o m e x p r e s s ã o perturbada. m a s . n a superfície.— É mesmo? — perguntou Zayed. investigue osantecedentes.s e e n v o l v i d a n u m f o r t e abraço. levantando. Tornell.— Não consigo acreditar — disse Ralf mais para si do que para os outros. e ela não conseguia evitar.... dando-lhe um tapa no ombro.. ela sabia a verdade. Georgina. Dra.— Vá embora — disse. Eu lhe disse.— V o c ê n ã o me c o n t o u — r e p l i c o u e l a c o m a voz embargada. — Os noivos cumprimentaramZayed calorosamente.. — Pensei que seria publicada depois demais alguns dias. Ele a abafavaameaçava sua segurança..— Sharif é tão. Não era forte o suficiente.Tudo daria certo. sufocada. Tudo estava bem. R o u f i c o u c a l a d a p o r u m m o m e n t o . — Vocêmencionou o trono. A p e n a s n o p a p e l . Erae s p e r t a .. — Nunca vinoiva mais feliz. Não devemos perder a esperança. Ele fazia detudo para conseguir o que queria.R o u n ã o o u v i u o r e s t o p o r q u e . Tornell. — D i g a a l g u m a n o t í c i a d e S h a r i f ? Acabamos de saber. Ela sentiu que afundava por culpa dele. os sentidosde Rou se aguçaram.— É v e r d a d e q u e n ã o e n c o n t r a r a m o a v i ã o .. mas encontrou um para mim! — Ela recuou e Ralf se inclinou e deuum beijo no rosto de Rou. — A expressão de Zayed endureceu. Sarq.— Não pretendo aborrecê-la. Você n ã o f a l o u d e S h a r i f . Estarei à disposição pelotempo necessário para completar o processo.— N ã o .— Graças a você — sussurrou Georgina.— Não posso! Você não me deixa em paz.O c a s a l s e a f a s t o u . menina malvada. — Eu lhes trago os v o t o s d e felicidade em nome de minha família. procurando uma saída. d e r e p e n t e . Sharif. — S ó quero que você me dê a mesma chance que dá aos outros clientes. abraçando Georgina. Preciso. — Ela tremia da cabeça aos pés. f o r t e ? N ã o .— Acalme-se. Fosse pelo perfume ou pelo calor do corpo dele. e ela o desprezava por isso. A l i v i a d a .

Começariam do zero. nem para os quatro filhos e para o país. No dia seguinte. A únicacoisa que ele não sabia ao sentar diante dela era como podia ter pernas tãotentadoras.Rou . o bicho-papão.— Tudo bem? — ela perguntou.Rou percebeu a estranha expressão no rosto dele.E l a a s s e n t i u . Jesslyn. Ele viu Rou sentada numc a n t o . Ele suspirou: ela voltara a ser asimples e séria Dra.— Não tive notícias — respondeu ele —. incluindo o histórico familiar e o médico. Elee r a m u i t o a m a d o . sentariam juntos e elapreencheria os formulários. ela virou a cabeça e o encarou. que raramente se divertia com algo. Zayed saiu do elevador rodeado por seguranças quese espalharam pelo saguão enquanto ele a procurava. a o c o n t r á r i o d e Z a y e d .— Já preenchi o perfil do cliente. Não existia outra possibilidade. Sharif seria encontrado e voltaria vivo. Ela se sentia na obrigação de ajudarZ a y e d . O mais importante era procurar Sharif e mandarZ a y e d d e v o l t a p a r a S a r q . E l a a d o r a v a S h a r i f . — E l e é m e u herói. Para dizer a verdade. Eu o adoro e faria tudo. deixando àvista apenas as pernas inclinadas de lado na cadeira. o n d e e l e a s s u m i r i a a l i d e r a n ç a a t é o r e t o r n o d o irmão. p e g o u a l g u n s p a p é i s e formulários e os empurrou sobre a mesa. T i n h a o s lábios finos e um queixo firme. às voltas com seusp e n s a m e n t o s e u m e n o r m e s o f r i m e n t o . e S h a r i f f o r a s e u mentor durante seis dos oito anos que passara na faculdade. Rou Tornell não era feia. Ele diminuiu o passo paraapreciar suas pernas incrivelmente longas e bem torneadas.Não para a mulher dele. L i mi t a r i a o te m p o p a s s a d o c o m e l e e c o n t r o l a r i a s u a p r o x i m i d a d e . E l a prendera os cabelos num coque e se escondera atrás de um laptop. c o n s i d e r a d o a o v e l h a n e g r a d a família e um constante espinho na vida do irmão mais velho. Capítulo Três E LES CONCORDARAM em se encontrar na manhã seguinte. dissera Rou. Tornell. e ele. Naquele momento ela usava óculosd e a r o d e t a r t a r u g a . S a t i s f e i t o . revirando-se na cama. mas e l a passara a noite em claro. mas prometera ajudá-lo apenas por causa do irmão. Como se fossecronometrado.— O s o l h o s d e l a e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . a t r á s d e u m a m e s a b a i x a . Rou estudara emC a m b r i d g e g r a ç a s à b o l s a d e e s t u d o s d o a d a p e l o s F e h r . Z a y e d a b r i u s u a p a s t a . Ela parecia uma menininha medrosa. Ele lhe causavaprofunda admiração e era como o irmão mais velho que ela não tivera. Zayed. v e s t i d a n u m s ó b r i o c o s t u m e c i n z a . por ele. t i n h a m e d o d e Zayed. no saguão do hotelo n d e Z a y e d estava hospedado. absolutamente tudo. p e s a d o s e g r a n d e s d e m a i s p a r a o s e u r o s t o . mastambém não podia ser considerada bonita. Haviadesaparecido e Sarq estava em tumulto.Na manhã seguinte.quase riu. assim como setornara um espinho na vida dela. Poderiam se comunicar a distância. se é o que deseja saber.

quando ela ficara encantada com o charme de Zayed. tiradasd o s e u m a t e r i a l d e trabalho. Eu o preenchi. Toda vez que ela estava perto dele seu coração acelerava eo estômago se contraía. lendo seus pensamentos como se l e s s e u m livro. repreendeu a si mesma. ao ver o númeroque o chamava. Logo saberemos mais. Eles precisam de mim. — Estou bem. Zayed empalideceu.olhou para o conhecido conjunto de formulários confidenciais. V o c ê s e s e n t e a s s i m p o r q u e e l e a d e i x a nervosa e com medo. Ele disse algumas palavras e escutou com atenção.— Eu nasci pálida — ela respondeu. estava lívido. Aqui está o teste depersonalidade Myers-Briggs que você utiliza. . mas achei que você exigiriauma prova concreta. Não é para isso que servem os formulários? Para selecionar o par? Selecionar o par repetiu Rou mentalmente. espantada.— Você vai desmaiar? — perguntou ele. Você vai encontrar alguém para mim. sua expressão mudou e os olhos se anuviaram. Quando desligou. — Podemos nos concentrar no trabalho?E l e s s e c o n c e n t r a r a m n a p a p e l a d a e n o perfil que ele fizera. Agora vem o mais importante. De repente. Étudo uma questão de hormônios e de substâncias químicas. Rou ficou sentada com um bloco no colo. Ela ficou feliz em me ajudar.— Nada disso. Você nãopode permitir que ele faça isso com você novamente. Fazia anos que ela não sentiaaquela vertigem e aquela falta de ar. Isto me deu um pouco de trabalho. foi Pippa.— Você está muito pálida.— Não com a sua assistente. irritada.— E n c o n t r a r a m u m a v i ã o — d i s s e . causando-lhe uma sensação de enjôo. ela fez perguntas e e l e r e s p o n d e u a t é q u e s e u c e l u l a r t o c o u novamente. Durante àhora seguinte. como se ela e s t i v e s s e n u m b a r c o q u e b a l a n ç a s s e . e l e a i r r i t a . atendeu. desde o casamentode Lady Pippa. — Rounão conseguia falar. Não é a emoção que a faz sentir estas coisas. com os pais brigando aos gritos. As palavras eram suas. — Preciso voltar para Sarq. apesar de poder ter lhe dito o que sou. V o c ê o d e s p r e z a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Zayed balançou a cabeça. sentiu a mão de Zayed emseu braço. — Ela puxou o braço.— Não tente acobertar Jamie. mas recuperaram a caixa preta. Ela s e aborreceu porque seu pulso acelerou de repente.— Você me deixou pouca coisa para fazer — protestou ela. — Onde foi que osconseguiu? Projeto Revisoras17 Jessica 116. n u m v ô o t u r b u l e n t o o u d e n t r o d e u m carro. mas.. Para dizer a verdade.Era verdade. observando-o. Zayed ignorara algumas ligações anteriores. mandando-me osformulários dela.Rou franziu as sobrancelhas. Minha secretária fez cópias em branco..— Se quer saber. — O f o g o t o r n o u i m p o s s í v e l u m a identificação. Você não gosta d e l e .— Não. Você irá comigo.— Estes formulários são meus — disse ela. Eu já havia feito este teste. mas soavam frias na boca de Zayed.Você não está atraída por ele.

Podemos terminar isto no caminho.Em vez de protestar, Rou concordou. A ideia era limitar o contato com elemantendo distância, mas, depois da última notícia, ela não poderia se recusara ajudá-lo. Noventa minutos mais tarde, estavam a bordo do jato particular deZayed . Enquanto o avião decolava, Rou pensou que voar não era seguro, que e s t a r s o z i n h a com Zayed também não era, e que, mais perigoso ainda e r a acompanhá-lo até seu país. Entretanto, viver é arriscar, e ela se lembrou dealgo que Sharif lhe dissera: "Seus pensamentos determinam seu futuro." Ele e s t a v a c e r t o , c o m o s e m p r e . E l e f o r a o primeiro a fazê-la perceber que nemsempre as emoções e s t ã o c e r t a s , e q u e a s d e s c o b e r t a s m a i s re c e n t e s d a p s i c o l o g i a r e v e l a v a m o e l o e n t r e p e n s a m e n t o s e s e n t i me n t o s . A l g u é m q u e tenha pensamentos alegres se sentirá mais alegre, se pensar que o mundo ébom, o verá como bom. Fora uma revelação para uma jovem que tivera tantosa n o s d e i n f e l i c i d a d e . R o u d e s c o b r i r a q u e s u a f e l i c i d a d e n ã o d e p e n d i a d o s outros. Ela poderia escolher ser feliz, mesmo que o mundo estivesse no maiortormento.E l a v i r o u p a r a Zayed e viu que ele a observava com olhos s o m b r i o s , torturados.— Você realmente nunca se apaixonou? — ela perguntou, surpreendendo-se com a própria pergunta.Ele levou algum tempo para responder.— Não — disse por fim. — Porém não sou insensível. Tenho laços fortescom a minha família, principalmente com Sharif.Rou se lembrou do formulário que continha os dados da família de Zayed.P a i : f al e c i d o . M ã e : a i n d a v i v a . I r m ã o m a i s v e l h o : 4 0 a n o s , casado, 4 filhos.Irmão mais novo: 33 anos, casado, esposa g r á v i d a . I r m ã s m a i s n o v a s : falecidas. A maior parte da família dele era um mistério, mas ela sabia o queacontecera com suas irmãs. Por causa delas, Sharif doara as bolsas de estudoem Cambridge.— Você era muito ligado às suas irmãs? — perguntou Rou.— Muito.Ela esperou que ele dissesse algo mais, porém ele ficou calado.— Elas morreram juntas, não foi? — insistiu ela.— Num acidente de carro, na Grécia. Tinham pouco mais de 20 anos. — Av o z n ã o m o s t r a v a e m o ç ã o , m a s R o u r e p a r o u q u e e l e c o n t r a í r a o r o s t o e crispara as mãos.— A m o r t e d e l a s d e v e t e r s i d o d i f í c i l p a r a a f a m í l i a — d i s s e e l a . E l e balançou a cabeça.— Que relevância tem este assunto?— Faz parte de você, da sua família...— N ã o e s t o u à p r o c u r a d e a m o r , D r a . T o r n e l l . E s t o u p r o c u r a n d o u m a esposa. Ela não precisará compartilhar meus segredos sombrios. Ela jamaisserá minha alma gêmea.Rou notou que o rosto dele estava impassível, mas o punho cerrado dizia ocontrário.— Você não quer encontrar sua alma gêmea?— Não. Quero apenas uma relação prática, que funcione.— N ã o h á m u i t a s m u l h e r e s q u e a c h e m a s u a i d e i a d e c a s a m e n t o aceitável.— Estou certo de que existem muitas mulheres práticas.R o u f r a n z i u a t e s t a e n a d a d i s s e , m a s e s c r e v e u à m a r g e m d e s u a s anotações: "Sim, a morte das irmãs o afetou profundamente." Ele temia o amorporque temia a perda. Ela se perguntou como seria perder três de seus quatroirmãos. Ela era filha única e não conseguia imaginar como seria ter um irmãoou irmã para amar, apesar de sempre ter desejado um.— Você desejava ser rei?— Não. Não era parte do meu plano de vida, nem das minhas ambições. —E l e hesitou. — As coisas mudam, e são como estão agora. N ã o p o s s o abandonar meu irmão. Preciso estar presente quando ele voltar...— Você acha que irão encontrá-lo vivo?— Acho.Rou sentiu uma onda de simpatia por ele. Ele devia saber que, depois de Projeto Revisoras19

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dez dias, Sharif talvez não fosse encontrado e, se fosse, não estaria vivo.— E se não estiver?— Sharif não morreu.E l a c o n c o r d o u c o m a c a b e ç a e r e c o n h e c e u q u e o s d oi s ti n h a m a l g o e m c o m u m : a m b o s s e recusavam a acreditar que Sharif estivesse morto. S ó acreditariam diante de provas irrefutáveis. Ela ficou perturbada e tentou mudarde assunto.— Gostaria de trabalhar um pouco, ou precisa de algum tempo?— Não. Preciso trabalhar.O t r a b a l h o s e m p r e f o r a u m a f o r m a de salvação para ela também, e osajudaria a atravessar aquele p e r í o d o . R o u a b r i u s u a p a s t a . A c o m i s s á r i a d e bordo perguntou se

queriam comer alguma coisa.— Apenas chá —

ela respondeu. —

Acho que não conseguiria comer agora.— Nem eu — disse ele. — Um chá e um café — ele pediu à comissária.R o u e n c o n t r o u o s p a p é i s q u e p r o c u r a v a e u m a c a n e t a , e o o b s e r v o u . Zayed era alto, musculoso e bonito, mas havia dor em seus olhos, tensão em sua boca. Ela suspirou. Ele não lhe era indiferente e jamais fora, o que era umabobagem. Ele era belo, rico e sensual. Ela era inteligente, mas insignificante. Rou conhecia as próprias forças e fraquezas. Apesar de inteligente, não era bonita. Se tivesse um corpo mais curvilíneo se sentiria mais seguras e x u a l m e n t e , m a s h e r d a r a a s i l h u e t a e s b e l t a d a

mãe e tinha os

q u a d r i s delicados e os seios pequenos. Um

homem como Zayed jamais olharia parauma mulher como ela. Homens como ele desejavam sereias voluptuosas, de cabelos brilhantes, lábios cheios e olhos provocantes. Por outro lado, era bomque Zayed a ignorasse como mulher porque ela não saberia lidar com ele deoutra forma. Ele tumultuava suas emoções e o seu autocontrole, deixando-anervosa e agitada, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Ela tentou disfarçar seu nervosismo.— F a l e - m e s o b r e s e u t i p o i d e a l d e m u l h e r . C i t e q u a t r o a d j e t i v o s q u e a descrevam.Ele pensou um pouco.— I n t e l i g e n t e , c u l t a , b e m - s u c e d i d a . C o n f i a n t e , l e a l e , d e p r e f e r ê n c i a , bonita. — Ele hesitou. — Eu disse seis.— Tudo bem. Seis está ótimo. — Claro que ele exigiria beleza. Era o que todos

os homens queriam, e Zayed Fehr tinha a fama de escoltar as mulheresmais belas do mundo. — Talvez uma modelo?— Não. Definitivamente, não uma modelo. Nem uma atriz. Nada desse tipo.— E mesmo? — ela perguntou, espantada.— O mais importante é a inteligência. Admiro mulheres cultas e bem-sucedidas, mas é preciso

— Certo.— A esposa de Khalid também é muito generosa.. Uma mulher sensível. — E q u a n t o a s e n s o d e h u m o r . Ele a estava levando na direçãooposta daquela que ela teria seguido sozinha.. É algo que aprecio e respeito.que ela seja generosa. Talvez uma professora ou uma enfermeira. As duas sempre pensamnos outros.Rou escondeu sua surpresa. mas era para isso que existia t o d o a q u e l e p r o c e s s o . Uma professora ou uma enfermeira?— Como a esposa de Sharif? Jesslyn era professora. s e n s o d e a v e n t u r a ? Reservada ou comunicativa? Você gosta de dar festas? Ela deverá ser uma boaanfitriã? Precisa falar bem em público? Espera que ela seja um exemplo em Projeto Revisoras20 . — Rou fez algumas anotações.

.

Ele será encontrado. Ela me ajudou a pagar meus estudos. — Ela sorriu ao fazer a piada.— Não. o u d e u m a b e l e z a e s t o n t e a n t e q u e p u d e s s e e x i b i r . Interessante m a s intrigante. herdei ometabolismo dela em vez do lindo rosto. mas Zayed não a imitou.— Você conhecia bem meu irmão?— A c h o q u e v o c ê s a b e q u e g a n h e i a b o l s a d e e s t u d o s F e h r . apoiando meus projetos. que seja criativa?— Depende da mulher. — Podeparecer estranho..— É por isso que é tão devotada a Sharif? Ela corou.Rou segurou a caneta no ar.— Sharif dizia a mesma coisa. Ela viu que Zayed a observava com interesse..— Sharif não precisa de ninguém. minha garganta se fecha e só consigo tomar chá.— E você não quer vê-lo como um homem vulnerável. percebendo que o conhecia m e n o s d o q u e acreditava. R o u p e g o u uma uva e um pequeno cubo de queijo e sel e m b r o u d e q u e não ingerira nada desde a noite anterior. Ele é o rochedo da família. Nunca foi. — Infelizmente. A inteligência estava no primeiro. Quandofico nervosa ou ansiosa. mas tenho um estômago sensível.— Algo de errado?— Não.— I s s o n ã o s i g n i f i c a q u e e l e n ã o s e n t i s s e a d o r e a p e r d a .— Minha mãe era magra — interrompeu ela. voltará a Sarq ereassumirá o governo. e q u e n ã o tivesse dúvidas ou preocupações. quando podia.. e l e p r e c i s a v a d e m i m t a n t o q u a n t o e u precisava dele. b i s c o i t o s e q u e i j o . — Ela percebeu que ele a olhava com ceticismo. ela precisa ser firme.— Sharif não é vulnerável.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter matéria de moda.— Se é nisso que acredita. Ele acabara de descrever uma mulher bemdiferente da que ela escolheria para ele.O olhar de Zayed ficou sombrio ao ouvir o nome do irmão. e . Imaginara que ele quisesse alguém b o n i t a e t o l a . e m Cambridge. É bom vê-la comendo. ela pensou. Sharif se tornou um amigo e um mentor durante os meus anos emCambridge .Jessica 116. mas tambémé m u i t o b o n d o s o .A c o m i s s á r i a v o l t o u t r a z e n d o o c h á . Embora Sarq seja mais moderno que alguns países vizinhos.Rou o observou com curiosidade.. franzindo a testa. Seu irmão é um homem poderoso e muito rico. Invencível. a b r i n d o portas. é umreino do Oriente Médio bem diferente de nossos amigos do Ocidente..— Desconfio que você não come o suficiente.— De que maneira ele a ajudou?— C o m seus conselhos e sabedoria. Ah. Um pouquinho de comida a s u s t e n t a r i a p o r l o n g o tempo.— Você não está falando do meu irmão.. o c a f é e u m a b a n d e j a c o m f ru t a s . Você é tão magra. Ele sempre soube oque se esperava dele e cumpriu sem reclamar. a não ser umcafezinho pela manhã. que costuma ser assustadora.— Firme? — Intelectual e emocionalmente. Eladeve defender suas idéias diante de mim e minha família.— Desde que nasceu ele foi preparado para governar. Não quero uma mulher subserviente. Só depois de acabar o mestrado e o doutorado é que percebi que ele me ajudara por causa de suas irmãs.— Você acha? — perguntou Rou. A b e l e z a estava no sexto lugar da lista. por que se dar ao trabalho de procurar uma Projeto Revisoras21 . d e c e r t a f o r m a .

.

— Irá morar comigo.. o que ela pode esperar.— Depois da cerimônia? — Ela o olhou severamente. mas não fez comentários. H á a n o s q u e v o c ê s a i c o m m u l h e r e s ocidentais. É para isso que existe o namoro. bem-sucedidas. provas.— Vou respeitar e honrar minha mulher — ele disse. Ficarão isolados.Jessica 116.— E sua esposa? Ele a olhou como se ela estivesse louca. o que aconteceria se uma mulher.— Então.. Preciso assumir o trono. ignorando-o. casar às pressas e ficar em Sarq durante os próximos 20 e tantos anos. Alguém que contribua com o meu povo. sheik Fehr. uma de suas prioridades. Isto éalgo que Sharif tem tentado mudar. Pretende ficar ali permanentemente. q u e n ã o t i v e s s e escolha. uma vez que viemos de culturas diferentes. — Uma últimapergunta delicada. Para a maioria das mulheres seria umaperspectiva terrível. franzindo a testa. acharia a vida de rainha do deserto atraente. É preciso tempo para cortejar. . — A lei de Sarq exige a presença do rei.. ou porque o noivo tem a obrigação decasar. confiantese fortes não correm para o Oriente Médio e se c a s a m c o m u m s h e i k . será que elenão percebia? Mulheres maravilhosas. Elas se casam porque são desejadas. Projeto Revisoras22 . . Preciso saber q u a i s s ã o o s d i r e i t o s p ol í t i c o s e s o c i a i s d a s m u l h e r e s .— As duas serão a mesma pessoa. Com certeza. claro. mas Sarq fica no meio do nada. amadas e respeitadas. Rounotou que ele não dissera "amar". A s mu l h e r e s t ê m o s mesmo direitos que os homens em Sarq? Existem leis que as protejam?—As mulheres não têm os mesmos direitos que os homens..— . enterrando-se no deserto. Seria impossível. devo morar junto do meu povo. q u e a c e i t e u m c a s a m e n t o d e c o n v e n i ê n c i a e q u e s e b e n e f i c i e d a minha posição e riqueza.S e i q u e n ã o é o q u e q u e r o u v i r .— Devo ser franca. ou pretende morar na sua casa em Monte Cario?— Como rei. Elas não se casam por dever. se sua esposa. Q u e poderia aceitar a ideia de um casamento arranjado — e l a continuou.Rou cobriu os olhos com as mãos. você tem alguém que se sujeite a um curton o i v a d o . se for assim. inteligentes. a s s i m c o m o a t i t u d e s . mas se deseja uma mulher que seja sua companheira é diferente.. N e n h u m a m u l h e r q u e c o n h e c i a e representava iria querer viajar de repente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter esposa e casar? Por que não esperar que ele volte?— Não posso — ele disse frustrado.?R o u s a b i a q u e a r e s p o s t a e r a n ã o . e.— Não. Ainda.— Eu o farei depois da cerimônia..— Desculpe. Só uma m u l h e r d e s e s p e r a d a . é melhor escolher uma mulher da sua própria cultura.— Por que não?— V o c ê c o n h e c e a r e s p o s t a . Preciso de uma esposa e desejo que ocasamento dê certo. mas não posso ser solteiro. para que o homem mostre à mulhercomo será tratada . não cumprissea lei?— Eu a protegeria. exausta. m a s e s t á f a l a n d o d e u m c a s a m e n t o d e conveniência. e você não tem. Se quer uma mulher que se case com vocêpara que possa assumir o trono é uma coisa. Faça com que ela saiba que terá este tempo.— É p r e c i s o t e m p o p a r a q u e e l a a c r e d i t e n i s s o . — As mulheres ocidentais não aceitarão.

.

a s s i m c o m o a c e i t a r a s u a s o r t e . Era óbvio que o destino o favorecera e que ele viveria uma vida aben-çoada. f i l h o s a m a d o s do deserto. Não sabia o que dissera paraaborrecer Zayed — algo sobre proteger a esposa —. Este assunto está encerrado. Só que não havia prazer quando se era amaldiçoado. e simamaldiçoada. e se voltara paraos prazeres do mundo. Apesar de não ser o mais v e l h o .— E acha que não quero? — ele interrompeu. mas era evidente que o ofendera e queria se desculpar. Ele não era comoo resto da família.— Vamos aterrissar dentro de 50 minutos — ela disse. quase com violência. ansiosa. talvez o casamento escapasse da desgraça. Houve um tempo em que ele e oi r m ã o e r a m i g u a i s : e d u c a d o s d a m e s m a m a n e i r a . era diferente. — Conseguiria de fato?— Duvida da minha palavra?— Não duvido da sua palavra. a b a n d o n a r a o d e s e r t o e a família. amaldiçoado. Capítulo Quatro Rou OLHOU a porta fechada da cabine. — Posso Projeto Revisoras23 .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você o faria? — Rou se inclinou para ele. Ninguém jamais compreendera. sorrindo. o f a t o d e e s t a r d e s t i n a d o à g r a n d e z a e a o sucesso.. p o r t a n t o .A comissária de bordo apareceu depois de 15 minutos e trouxe mais chá. Tinham muito a fazer e a tensão não ajudaria. o n d e havia uma cabine que era um quarto confortável. Ele f o r a a m a l d i ç o a d o e .Zayed sentou na beirada da cama e afundou o rosto nas mãos.— Não é isso.. crianças felizes.Jessica 116. Raramenteperdia o controle e se odiou por tê-lo perdido agora.. Ele não sabia. Só quero o que seja melhor para sua futuraesposa.Rou olhou para ele em silêncio. Sua vida não fora abençoada. ansiosa. Porém estivera enganado. — Ele se levantou e desapareceun o f u n d o d o a v i ã o . o povo que poderia sofrer por causa de sua maldição. Mais15 minutos e ela voltou para retirar a bandeja. m a s a s p e r g u n t a s d e Rou. apenas aceitara. mas era o que esperava.— Ótimo. Ele conseguiria proteger sua esposa? Tentaria com todas as suas forças. p rí n c i p e s á r a b e s . Ela jamais entenderia. assustada com a cólera em sua voz.. e l e sempre fora o favorito do pai e nunca se perguntara por que. masseria suficiente? Se eles não se amassem.

.

.

mas a temperatura beirava os 33° e sua roupa cinza de lã a sufocava. Z a y e d s e vi r o u p a r a a j a n e l a e e l a f e z o m e s m o . Estavam em final de outubro. Certo.pensou. egoísta efalso. Quando pisaram no solo. A maioria dos edifícios parecia nova.r e s p o n d e u u m a voz dentro dela. Zayed explicou que a famíliaFehr não costumava utilizar aquele aeroporto porque tinha uma pista de pouso particular. Ridículo! Ele é superficial. Por que ela ficava daquele jeito perto dele? Por que não o tratava como um homem qualquer? Por que se sentia desajeitada. entregando a valise para um dos guardas. m a i s s e u coração acelerava. indicando a cidade. o coração de Rou se apertou. Quanto mais consciente ficava da p r e s e n ç a d e l e . Seria conveniente e necessário se manter a distância. R o u o l h o u p e l a j a n e l a e a p r e c i o u a c i d a d e q u e cintilava sob o sol. E l e e r a g r a n d e .— Esta é Isi — ele disse. Preciso deles. Fora uma péssima ideia vir com ele. ele apareceu e sentoudiante dela com uma expressão impenetrável. Não sefalaram mais até o avião aterrissar no a e r o p o r t o d a F o r ç a A é r e a d e S a r q .G r a t a p e l a d i s t r a ç ã o .— Alguém levará esta mala para você. Ele ainda estavadistante. mas que. em parte. m a s preocupava-se com ele mesmo sem querer. quando Zayed se virou para ela e a fitou com os olhos dourados. —A segurança deverá checar todas as bagagens antes de entrar no palácio. introspectivo.— Faço um monte de perguntas. Ela disse a si mesma que deveria ficar contente. Vou recebê-la de volta assim que for possível?— Prometo — disse ele. ele indicou a valise que ela carregava. Rou deu um suspiro pesado.— É o seu trabalho. você gosta dele e quer que ele goste de você. constrangida. As ruas eram cercadasp o r p a l m e i r a s e e n f e i t a d a s p o r f o n te s . Ela pegou-lhe a mão e desceu as escadas com dificuldade.— Você não fez nada de errado — respondeu ele sem entonação. — A capital de Sarq. depois do acidente de Sharif. que n ã o d e v e r i a e n c o r a j a r q u a l q u e r c l i m a d e i n t i m i d a d e e n t r e o s d o i s .— Está bem.Jessica 116. O calor subia em ondas dapista de pouso. ela deu um suspirode medo e ficou tonta.A ida para o palácio no carro blindado foi feita em pesado silêncio. o avião fora escoltadopor naves militares por questão de segurança: o país não poderia perder dois r e i s e m 1 5 d i a s .— Está quente — ela murmurou. A c a r a v a n a d e l i mu s i n e s M e r c e d e s e n t r o u n u m a l o n g a alameda cercada por muros cobertos de buganvílias e refrescada pela sombra . mordendo o lábio. Rou olhoupara a mão que ele lhe estendia e depois para o rosto dele.. sem graça eentorpecida? Porque. Quando ela pensava que Zayed não voltaria mais e o piloto já anunciara que iriam aterrissar.— Prefiro a honestidade. Rou nãoficou sossegada.— Costumo ser muito franca. mas ainda não se sentia apaziguada.— Na verdade está mais fresco do que há algumas semanas.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter servir mais alguma coisa?Rou agradeceu e abanou a cabeça.— São os meus arquivos e o meu notebook. mas não havia comof u g i r . H a v i a m u i t a s m u l h e r e s v e s t i d a s à m a n e i r a o c i d e n t a l . Rou tinha a sensação de estar sentada muito perto de Zayed. ti n h a o m b r o s l a r g o s .. U m f o r t e e s q u e m a d e p r o t e ç ã o o s a g u a r d a v a n o s o l o .— Desculpe — ela disse. rude. Por que eu gostaria dele? Porém. R o u perdeu o fôlego ao descer do avião no fim da tarde. l o n g a s p e r n a s e p a r e c i a ocuparmuito espaço.

Projeto Revisoras24 .

.

— N ã o . não é?— Ninguém diria pela maneira como me comporto. voltando-se para Zayed. mas não preciso de nada. raramente se deixava entrever.Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter das palmeiras. e R o u . Umsegurança abriu a porta do carro para que ele saísse.— Obrigada. E l a . Os dois caminharam em meio ao silêncio e entraram na fresca mansão. — É incrível — . O s o l poente entrava pelas portas de vidro da sala de estarrebaixada e se refletia nas almofadas do sofá. mas quando ele olhou para sua mão. apontando-lhe uma mesa num canto quedava para o jardim. disse ela sem fôlego. n ã o c o s t u m a s e r usada e tem boa claridade. jamais vira algum tão lindo e exótico como aquele. E r a e s p e t a c u l a r .Rou se deu conta de que cometera uma gafe.— Você é um príncipe. Uma mulher estava parada sob um dos arcos. sevocê precisar de ar fresco. Rou vislumbrouuma construção cor-de-rosa encimada por domos e torres. É muito gentil.— Uma das suítes da família foi preparada para você.O q u a r t o e m q u e R o u f o i i n s t a l a d a n ã o e r a a p e n a s u m a s u í te . — E l a p ô s a m ã o n o b r a ç o d e l e i mp u l s i v a m e n t e . ela suspeitava.— Queira me acompanhar.Parecia algo das Mil e Uma Noites. O carro aguardou enquanto um alto portão de ferro e madeira abria lentamente. muito espaço e acesso para um pequeno jardim. esperando-a. e olhou para a mansão. N a d a d i s s o .— Este é o meu lar — admitiu ele. As paredes internas eram brancas e o teto formava um mosaico azule dourado. O sorriso remetia ao menino que elefora e que. Embaraçada e constrangida. Arranje-me uma mesa enquanto espero pelocomputador. Estou aqui para servi-la durante a sua estada. falou num idioma que ela não conhecia e se voltou para ela. cumprimentando o recém-chegado. Enquanto percorriam um caminho cercado. — Foi aqui que você cresceu?Ele sorriu pela primeira vez desde que recebera o telefonema em Viena. q u e conhecera muitos palácios. Rou esperava que Zayeds e j u n t a s s e a s e u s h o m e n s . ealgo fez o coração de Rou se confranger. separados por degraus de p e d r a e a r c o s . p o r é m .— Ótimo. — Ele v i u a e xp r e s s ã o d e R o u e e s c l a r e c e u : — N ã o s e p r e o c u p e . A entrada formadapor lindas colunas e por um domo dourado logo se encheu de homens vestidoscom túnicas brancas que se curvavam. Rou viu que em seu rosto haviaum misto de orgulho e de tristeza. Corredores cercados por colunas e decorados c o m p r e c i o s a s e s t á t u a s s e e s te n d i a m e m t o d a s a s d i r e ç õ e s . Manar. milady — ele disse.Rou sentiu uma estranha vontade de protegê-lo. inclinando-se. É isto que você quer dizer? — O sorriso havia desaparecido. Provavelmente não se deveria tocar na família real.— Preciso trabalhar. surpresa por Zayed não ter entendido.Um dos homens vestido de branco deu um passo à frente.— Seja bem-vinda — ela disse. m a i s u m a v e z e l e s e v o l t o u p a r a e l a . No centro da sala havia u m a mesa com um jarro de rosas perfumadas. m a s u m apartamento com cômodos em diferentes níveis.Zayed se virou para um de seus homens.— O palácio — disse Zayed em voz rouca. Projeto Revisoras25 . — Meu nome éManar. ela retirou a mão. Acho que vou trabalhar. apenas do meu computador. inclinando-se timidamente.— Ele está aqui — disse Manar.

.

mas não teve tempo porque Zayed logo entrou na sala. O resultado lhe mostrou 30 combinações.Rou viu que Manar aguardava uma resposta e resolveu dispensá-la. para poder ir embora. Ele sentia muito? Ele se desculpava com ela? Rou corou entristecida. E l a p e n s o u e m s e p e n t e a r e l a v a r o rosto. Ela a p e n a s precisava se concentrar. — R o u m o r d e u o l á b i o p a r a i m p e d i r q u e a s l á g r i m a s escorressem de seus olhos. Parecia-lhe errado ajudar Zayed a encontraruma esposa daquela maneira. O corpo de Sharif. Tudo se resumira aos destroços. Estava ali para trabalhar.. — Os corpos estão carbonizados.. clarear a cabeça e ser objetiva: t e o r i a ... ela disse a si mesma.. — Sinto muito por todos vocês.— Não. Se pelo menos houvesse tempo.Anoitecia quando Rou terminou sua tarefa.. e v i u o b e l o r o s t o t o r t u r a d o d e Z a y e d . Pode recebê-lo agora?— C l a r o — d i s s e R o u . — Será preciso fazer testes. mas agora o computador cruzaria os dados e lhe diria que candidatascombinavam com Zayed Fehr.não por seus instintos. mas seus dedos não obedeciam e ela não conseguia passar os dadosdos formulários para o notebook..f r u s t r a d a . pesquisa.Jessica 116. quando Manar apareceu.— Já selecionei as primeiras candidatas — disse Rou nervosamente. Ela estremeceu de dor. — ela sussurrou.Rou olhou para ele num horror silencioso. que ele era um homem com sentimentos maisprofundos do que demonstrava. quase irreconhecíveis. ele acabaria com a pequena porção t e r n a e sensível de seu coração. e l a p e r c e b e u o q u e d e v e r i a f a z e r : encontrar um par para ele e sair dali rapidamente porque Zayed era um perigo. — Sinto muito — disse ele roucamente. Seriamelhor trabalhar o mais depressa possível.Rou ficou irritada com sua obsessão por Zayed. — Posso imprimir os perfis e você poderá lê-los agora ou quando tiver tempo. Ainda sentia algo por ele...s e u s d e d o s n ã o o b e d e c i a m . Porém. l e v a n t a n d o .. — Rou se preparou para digitar as informações que colhera. tola Rou. não por conveniência. Tola.— F o r a d e s i . lógica e razão são as bases de toda teoria científica. Entretanto.— Não.. ele a contratara por suas habilidades.S e e l a não tomasse cuidado. Intelectualmente esperta eemocionalmente estúpida.— Sinto muito — soluçou. Pediram as f i c h a s dentárias. Ela fechou os olhos. queria que ele gostasse dela.— Era o avião de Sharif — ele disse em voz baixa e rouca. obrigada. Pensamento.. Seu instinto lhe dizia que ele precisava se casarpor amor. a c a b e ç a n ã o f u n c i o n a v a . Ela demorara mais do que o normal.. mas ela não sabia o que poderia ser. Rou sentou-se devagar.— Ele parou de repente.. hesitante. D e r e p e n t e .Por que estava tão perturbada e se comportava de maneira tão incomum? Elajamais se deixara guiar pelas emoções porque elas são o principal inimigo daciência. sentia-se sufocada por sentimentos intensos eperturbadores e a culpa era de Zayed Fehr.— Preciso fazer o que é . Entretanto. Digite logo o resto doperfil. prova.— Sua alteza deseja vê-la.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Não deseja tomar banho ou trocar de roupa? — perguntou M a n a r .— A esposa dele.— Parece que não há sobreviventes. e pela primeira vez havia um desespero real em s u a v o z e em seu rosto. Ela começou a ler os perfis das candidatas. Faça o que foi contratada para fazer. H a v i a a l g o m a i s q u e o preocupava algo que o consumia.a restos mortais.

a o e n t r a r na claridade. Rou percebeu que ele vestia uma túnica Projeto Revisoras26 . — Ele caminhou a t é e l a e .certo. Farei o que é necessário.

.

— Estas rosas foram p l a n t a d a s d e p o i s q u e m i n h a s i r m ã s m o r r e r a m ..b a r b e a d o . lembrou-se de um milionário americano que recusara60 candidatas antes de se encantar com a 61ª. — Ele olhou para Rou..Jessica 116. Mas ele lembrara e também mandara uma copiadora. Traga os perfis. o n d e o s m a l a r e s s e salientavam. É o mínimo que posso fazer.l o . Zayed. assim comoa família de Sharif. Rou esquecera aimpressora e achava que.— Claro.. até que viu Manar entrar. E l a trabalhava sem pensar. m a i s d e z .— A p ri n c í p i o m e a g a r r e i à e s p e r a n ç a .Zayed saiu.. Rou ficou paralisada. engolindo o nó na garganta. Enquanto montavauma pasta com os perfis.— Você é tão teimosa quanto eu — disse ele. É necessário que haja uma cerimônia. podemos conversar mais tarde. Ele se casara com ela e os doistinham três filhos.? Ele abanou a cabeça. Eles se sacrificam pelo bem de seu país. s u a v o z e s t a v a embargada:— Pensei que ele sobreviveria.— Sua impressora chegou — disse Manar em voz baixa... com um olhar atormentado..R o u sustentou o olhar de Zayed.— Não quer examiná-los agora?— P r e c i s o f a l a r c o m K h a l i d . Ela nunca o vira com a veste tradicional de Sarq. Zayed também esqueceria. — Ele respirou fundo. — Ainda segurando à rosa. Rou nada tinha a fazer até a hora do jantar. — Querovê-los. apenas para se ocupar. A desilusão é muito grande. Seus pensamentos eemoções se misturavam: Sharif. Rou ficou de lado enquanto uma equipe montava um escritório completo para ela.— Ele pegou um botão de rosa do vaso no meio da sala. sem sentir. — Não temos muito tempo. encontro com você depois. D e v o s e r v i r m e u país. ele se virou para sair. Ela Projeto Revisoras27 . Por um momento.— V o u l h e m a n d a r u m a i mp r e s s o r a .A o a c a b a r s u a tarefa. — Encontro-ano jantar e conversaremos. Não parecia hora de celebrar. S h a r i f c r i o u u m j a r d i m e m homenagem a elas e. ele plantou doze roseiraspessoalmente.— Até que se tenha prova. A imprensa. D e p o i s . uma mesa epapel para impressão. O país inteiro estaria de luto. Q u a n d o f a l o u .— Como se espera que você se case e se torne rei apenas dois dias após saber que seu irmão está morto?— Reis não são homens comuns. Ela ficou sentada por muito tempo. Eu.R o u o l h o u p a r a o r o s t o m o r e n o r e c é m . Quando tudo ficou pronto. A coroação será dentro de 48 horas.. — Tenho o dever de honrar meu irmão..— Talvez esteja — disse Rou. mas parou. A g o r a n ã o p r e t e n d o f a z ê . T e n h o u m a r e u n i ã o d e e m e r g ê n c i a c o m o ministério. — Tão rápido?— V o c ê p o d e m e e n c o n t r a r u m a r a i n h a e m 4 8 h o r a s ? P r e c i s o c a s a r . de transtorno. Eu tinha certeza de que ele estava vivo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter branca .. quando as rosas chegaram.— Está bem. d e o l h o s v a z i o s . Era u m momento de tragédia. com tanta coisa com se preocupar. — Ele se calou. com dificuldade. p o r v i a d a s d ú v i d a s . Sarq. a qualquer momentoZ a y e d f i c o u c a l a d o . S e v o c ê p u d e r i m p r i m i r o s p e r f i s .. E preciso fazer a transição do modo mais s e r e n o possível.. ela imprimiu as fichasd a s p r i m e i r a s d e z c a n d i d a t a s . com um olhar penetrante.

.

Zayed sentou numa das almofadas diante da mesa e acenou para que elase sentasse ao seu lado.— Você esperou muito tempo?— Não. — Seu coração batia acelerado. apreciando os p a i n é i s q u e reproduziam flores e pássaros. n o f u n d o . Rou pegou as pastas com os formulários e a seguiu através dos corredores atée n t r a r e m n u m a p e q u e n a s a l a d e j a n t a r i l u mi n a d a p o r v e l a s . d e s e j a s s e q u e p e l o m e n o s u m a v e z alguém a achasse bonita.Acima do candelabro. o que era ridículo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dormiu um pouco. te n h o t r i n t a c a n d i d a t a s . Para ele. Ela já vira quase todos quando percebeu que Zayed a observava. A me s a b a i x a estava cercada por grandes almofadas e as paredes eram cobertas por painéisentalhados. — Escolha as três melhores deste grupo. o cabelo dele brilhava como ônix e sua pele parecia dourada. Ele a olhou com um ar aborrecido.Jessica 116.— Nada. preparando-se para lhe dar a segunda pasta.— Por favor.— Você quer que eu escolha?— Três mulheres que seriam perfeitas para mim.— Não ouvi você chegar. — Eu não sou você. Eu estava admirando os painéis.— N ã o a d m i r a q u e s e j a m t ã o l i n d o s — d i s s e e l a despreocupadamente. Rou era apenas um o b j e t o . Eram usados como divisórias nos haréns. — Ela tentou parecer contente e entusiasmada. R o u s e c o u o s c a b e l o s e f e z u m c o q u e . Trouxera apenas uma pequena mala e não tinha muita opção. Apenas alguns minutos.— E s t a s s ã o a s p r i me i r a s d e z c a n d i d a t a s — d i s s e . — Lindas m u l h e r e s d e v e m e s t a r c e r c a d a s d e coisas bonitas. Vejo que existem algumas possibilidades. N ã o costumava se pintar e raramente usava jóias. Ele examinou os formulários em silêncio. Orgulhava-se de ser uma mulhers e n s a t a e p r á t i c a . mas não estava.Ele olhou para um deles. onde zombava Projeto Revisoras28 .— Não posso fazer isso.— Ótimo.Rou sentou numa almofada de seda e corou quando a saia subiu até as coxas.— Isto é algo que você não sabe. Não temos os mesmos valores e gosto. Ele não notava o que ela vestia. — Ela entregou a primeira pasta a Zayed. mas desejava que ele não gostasse denenhuma daquelas mulheres. Manar saiu e Rou vagou pela sala. m a s t r o u x e v i n te p e r f i s separados em dois grupos de dez.A luz das velas. Queria que ele gostasse dela. parado na porta.para disfarçar o nervosismo. o teto formava uma abóbada azul-escura incrustadad e dourado.— Também gosto dos painéis. dê-me a sua opinião de especialista — pediu ele. São marroquinos e datam do século XVI. abrindo o portfólio.— Nada? — perguntou. — A o t o d o .Rou se lembrou do e-mail que Zayed mandara para Sharif. devolvendoa pasta.Manar apareceu pontualmente às 9h e pediu que Rou a acompanhasse.impossível. tomou um longo banho e vestiu o costume cinza de novo. mas Zayed nãose importaria. Quem você escolheria para mim?As mãos de Rou tremiam quando pegou a pasta.Não gostava do que fazia: era absurdo. te n t a n d o p a r e c e r p r o f i s s i o n a l . u m i n s t r u m e n t o ú t i l .Você não gosta do que eu gosto. Ela tentou esconder as pernas. e mb o r a .— Mostre-me o que conseguiu. — Ele entrou na sala com sua discreta elegância.

.

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dela, chamava-a de maçante.— A h , m a s e u s e i — r e s p o n d e u e l a . A d o r a r a a c o m p a n h i a d e l e , e e l e simplesmente ficara entediado. Zayed suspirou frustrado.— Não estou à procura de uma relação amorosa, apenas de compatibilidade.— Ótimo. — Ela corou, folheou a pasta e escolheu Jeanette Gardnier, umalinda canadense, professora de Direito; Sarah 0'Leary, uma jornalista ruiva deDublin; Giselle Sanchez, uma loura proprietária de um banco em Buenos Aires.— Eis aqui três mulheres brilhantes, independentes e bem-sucedidas. Elas sãoo máximo. Todas muito bonitas.Zayed não pegou os formulários, apenas a fitou fixamente.— Por que estas mulheres?Rou odiou que seus olhos queimassem e a garganta se fechasse. Odiava aquela viagem que tumultuara suas emoções.— Elas correspondem ao que você pediu.— Você está aborrecida — ele disse, levantando uma sobrancelha.— Não estou aborrecida.— Então, por que não me olha de frente?— Não preciso olhar para você.— Você está quase chorando — ele disse surpreso.— Por favor. — Rou virou a cabeça para o outro lado, mordeu o lábio e ses e n ti u t r a í d a p o r s u a s e m o ç õ e s e p o r s u a f r a q u e z a . E l a e r a u m a c i e n t i s t a . Esperava-se que fosse objetiva e dedicada ao seu ofício. Zayed se inclinou e passou o dedo debaixo do olho dela, colhendo uma lágrima.— Você está chorando.— Não estou. — Rou sentia o coração apertado e a pressão das lágrimas que tentava conter. Ela não deveria ter vindo não deveria ter concordado comaquela proposta absurda. Nenhum homem a atingia, exceto Zayed Fehr. Ele lhe mostrou o dedo úmido.— Então, o que é isto?— É uma lágrima.— Por quê?— Por quê? — ela perguntou em voz aguda. — Porque estou triste. Eu souuma mulher, tenho sentimentos. Você pode achar que sou um museu ou umrobô, mas não sou e nunca fui. — Ela sacudiu a cabeça, descontrolada. Comopoderia trabalhar daquela maneira? Como poderia pensar? Ela só podia seruma cientista racional, fria e lógica se estivesse num ambiente que possuísse e s t a s c a r a c t e r í s t i c a s , m a s n ã o e s t a v a . Desde que Zayed aparecera em seuh o t e l e m V a n c o u v e r , e l a s e s e n t i a e m p u r r a d a e p u x a d a , d e s p e d a ç a d a e estressada. Era loucura, e ela nunca se sentira tão estúpida.— Eu nunca disse nada que sugerisse que você é um robô.— Não. Você só acha que sou como um museu: maçante, maçante! — Aspalavras caíram no silêncio. Zayed fechou os olhos e falou, depois de algum tempo:— Você sabia?Rou corou arrependida por ter explodido.— Sharif não pretendia que eu descobrisse. Eu preferia não saber.— É por isso que você me odeia tanto.— Acho que você pensou que estava sendo engraçado, mas issomagoou...Ele a interrompeu, beijando-a. Rou enrijeceu o corpo, espantada, e tentoue mp u r r á - l o p e l o s o m b r o s , m a s o c o r p o d e l e e s t a v a m o r n o e firme sob suas Projeto Revisoras29

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter mãos . Ela sentiu as batidas do coração de Zayed e o perfume de sua pele. Asmãos que antes o empurravam se agarraram à roupa dele. O beijo de Zayed fora gentil até aquele momento, mas, sentindo que ela cedia, ele a beijou commais ardor, tirando-lhe o fôlego.Rou já fora beijada, mas nunca daquela maneira, não com tamanho ardorou ânsia, desejo ou raiva. Sua cabeça começou a girar e ela perdeu o senso: abriu os lábios e ele explorou sua boca lentamente com a língua, saboreando-ae enviando ondas de entorpecente calor através de seu corpo. Aquilo tinha deparar, ela pensou, atordoada, ela precisava detê-lo, mas seu corpo se recusavaa obedecer. Sentia sensações maravilhosas e estranhas demais, a começarpelas pernas bambas e pelo langor dos músculos. Seu coração parecia bater mais devagar, seguindo o ritmo dos arrepios que lhe percorriam a espinha e oventre, deixando-a enlouquecida e dolorosamente consciente do quantoestivera vazia.A c h e g a d a d o m o r d o m o d o p a l á c i o o s interrompeu. Rou não o ouvirac h e g a r , m a s Z a y e d s i m , e e l e t e r m i n o u o b e i j o e s e a f a s t o u c o m i n c r í v e l rapidez. Enquanto o mordomo falava com Zayed em voz baixa, Rou oscilou emc i m a d a almofada, sem conseguir se controlar. Ela ouviu Zayed fazer u m a pergunta, mas não entendeu a conversa. Quando o mordomo saiu, Zayed se virou para ela.— Preciso ir — disse ele abruptamente. Rou se esforçou para fitá-lo.— Tudo bem.Zayed se inclinou para ela, tocou-lhe o rosto e franziu a testa.— Minha mãe teve um colapso. Foi levada para o hospital. Rou pestanejou,voltando ao normal pouco a pouco, exceto pelo coração que batiarapidamente.— Ela vai ficar bem?— Tenho certeza de que sim. Foi apenas o choque ao receber a notícia sobre o avião de Sharif.— Claro. — Ela esperou que ele saísse, mas Zayed não se

mexeu.

Ficousentado, pensativo, olhando o rosto corado de Rou e

escolhendo as palavras com cuidado.— Aquele e-mail... O que escrevi... Não se dirigia a você.— Eu sei. — Ela sabia, mas não significava que magoasse menos.— Não tive a intenção de magoá-la.Rou sentiu uma dor no peito. Não queria as desculpas de Zayed, queria apenas que as coisas fossem diferentes: queria ser mais bonita, mais animadae a t r a e n t e . Ela tentou falar, mas não conseguiu. Gostara dele, pensara s e r retribuída, tivera fantasias românticas e absurdas, mas já haviam se passadotrês anos. Era muito tempo, não importava mais.— Isso é passado, já esqueci.— Acho que precisamos conversar sobre esse assunto, mas não agora...— Não quero falar sobre isso, você deve ir. Sua mãe precisa de você etenho muito trabalho a fazer. — Rou se levantou da almofada, sentindo-sedesajeitada. — Vou voltar para o meu quarto e entrar em contato com as três candidatas que selecionei. Vou marcar um encontro com cada uma.Ele levantou com agilidade, elegância e imponência.— Irei vê-la assim que voltar do hospital.— Não é necessário. Você tem muitas preocupações e tenho trabalho a fazer. Não estou aqui a passeio.— V o u p e d i r q u e m a n d e m o j a n t a r p a r a s e u q u a r t o . — E l e n ã o p a r e c i a contente. Projeto Revisoras30

.

Precisava ver Rou. se pudesse. não quisera beijá-la. Sharif esuas causas perdidas. a estranha sensação. Sua mãe estava bem e seu colapso fora causado por necessidade de atenção. Apenas vá. c o m o a c e r i m ô n i a d e coroação. Capítulo Cinco E NQUANTO A limusine se afastava do hospital. Se pelo menos conseguisse quebrar amaldição. mas falhara.Jessica 116. se necessário —. O beijo osurpreendera. salvar o que restara de sua família. explosivo. Zayed sabia que provavelmente fora sarcástico ougrosseiro. Queria apenas cavar um buraco entre Sharif e sua estranha protegida.la. Ele convivia com a desonra: provocara a própria maldição devido a seus atos. m a s e l a também não era como imaginara. Emgeral. Zayed se agitou no assento. e ele gostara de beijá-la.. Zayed Projeto Revisoras31 . Agora. em seus lábios e o sangueque parecia ferver em suas veias. envergonhado.A g o r a e l e p o d e r i a s e d e d i c a r a o u t r o s p r o b l e m a s . O que o levara a beijar Rou Tornell? Ele não a achavaparticularmente atraente. horas rápidas. Fora quente. voltara a Sarq e ocuparia o lugar do irmão. Rou.Ele lhe dissera que iria vê-la quando voltasse. Deus não o deixara morrer e não o deixaria viver. Ele satisfazia cada capricho.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Sou a última pessoa com quem você deve se preocupar. N a d a d o q u e e l e i m a g i n a r a . a esposa que precisava encontrar — a mãe declarara que poderia lhe arranjar uma esposa para o dia seguinte. apesar de não se lembrardas palavras que usara. Ela sabia sobre o e-mail para Sharif depoisdo casamento de Pippa.Zayed olhou para ela por algum tempo e saiu. amantes passageiras. Aloura e esbelta Dra. Ele se encolheu na penumbra do carro.. nãoteria descoberto que a imagem de cientista fria era apenas uma máscara.. a culpa era insuportável e ele tentara se autodestruir durante os últimos15 anos. experimentava cada vício enada o satisfazia. Sabia que ele a rejeitara e. Não pretendera ofendê. mas aquele beijo.. Suavida era uma série de prazeres cansativos — carros velozes. Rou o observou ir embora. e a Rou. A sensação não era novidade.. Zayed se recostou no banco. a limusineatravessou o portão do palácio.Zayed fechou os olhos.tentando esquecer o beijo. Tornell era uma mulher.. Tentaria reparar seus erros. Ela pegou suas anotações e voltou para o quarto. Dez minutos depois. Se não a houvesse beijado.

.

.

— Fácil assim? — ele perguntou.— Ainda bem.— Eu separo as coisas. acariciou-lhe o rosto. E quem eu sou e o que faço.— Ah. m a n i p u l a d o r a .— Se eu não o conhecesse.— Ainda bem que você me conhece. Ela nada comera? Ele se virou para sair e a viu dormindo sentada.— Esta noite foi a primeira vez que a vi em anos. — Rou.. — Ela não se mexeu. o rosto de Rou se suavizava.— Por quê?— E l a é c o n t r o l a d o r a . Zayed se aproximou. com a cabeça sobre os papéis e a mão apoiadan o t e c l a d o d o laptop. Jurei que jamais deixaria que acontecesse comigo. mas se sentiu culpado.— Eu não a chamaria de delicada. P o r q u e a beijara? Confuso. a l i á s . Ela ainda usava o h o r r o r o s o costume cinza. d e m u l h e r a l g u m a . Você precisa se deitar. Zayed tocou-lhe levemente no braço. você se esconde atrás da máscara de cientista. Zayed sentou na ponta da mesa.. acorde. Está na hora de você ir para a cama.— Mas você foi vê-la esta noite?— Ela é minha mãe — ele disse com um grunhido.Ele ergueu a sobrancelha. Olá. V i c o m o e l a t r a t a v a S h a r i f e s u a família. — Ela sempre foi assim. O mínimo que poderia f a z e r e r a mandá-la para a cama. os lábiosficavam relaxados e cheios e ela parecia tremendamente frágil . exausta. Sua pele era macia e morna.— Como está sua mãe?— Insegura. a sala estava vazia.— Dra.— O beijo nada significou? Projeto Revisoras32 .— Olá.— O beijo ou o e-mail?— Os dois.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter entrou no palácio e foi direto para a suíte de Rou. recordando. diria que é um homem bom.E l a estava ali porque ele lhe pedira ajuda. Rou se empertigou de repente.Rou bocejou e afastou um cacho de cabelos do rosto ainda marcado de sono. Ela deu de ombros. Ele jamais se a p r o v e i t a r a d e u m a m u l h e r f r a g i l i z a d a .— Já esqueci.— Você não se dá bem com ela? — Rou franziu a testa. Rou torceu os lábios.Zayed sentiu uma pontada no peito. ele pensou em deixá-la como estava. histérica. Zayed observou o rosto lavado. Informal e tipicamente ocidental. Tornell. mas a m e s a s e a c h a v a c o b e r t a d e p r a t o s e travessas que não haviam sido tocadas. os lábios cheios e as longas p e s t a n a s espessas e escuras.Jessica 116. As luzes permaneciamacesas.— Já passa da meia-noite. — Ele deu de ombros. — Ela levantou a cabeça com dificuldade e olhoupara ele.— Sinto muito por hoje cedo. Ele asacudiu com cuidado. Sem pensar.— Isso não é algo delicado de se dizer. Zayed deu um sorriso.— Não é uma máscara. tão diferente do que ele pensava deR o u . Ao dormir. mas os cabelos estavam soltos e caíam em ondas douradas eprateadas sobre os ombros.

.

— Estou aqui para ajudá-lo a encontrar uma esposa — ela acrescentou. S e m p e n s a r .— Leis da atração?— E s te é o m e u c a m p o d e p e s q u i s a . Se ele não estivesse preso à necessidade de arranjar uma esposa. sim. — Não?— Quer dizer. o olharmais suave. f e mi n i n a e d e c i d i d a . Acabou: é passado. É u m i m p u l s o i n c o n s c i e n t e . Tornell o lado do amor que ela desconhecia: olado físico. — E l a colocou o cabelo atrás daorelha. mas isso nãoquer dizer que a atração ou a compatibilidade sejam verdadeiras. corajosa.— Você sabe um bocado sobre meu cérebro.. sheik Fehr! — Se ela esperavadetê-lo com sua voz gélida e com o comentário seco. Depois de algumas horasna cama e de alguns orgasmos. afetada. Rou levantou da cadeira. sinergia.Zayed deu um sorriso zombeteiro. São apenas as leis da atração. a n i m a d a . teriao maior prazer em ensinar à Dra.Coragem..— Não sou uma das suas três pretendentes. Ele sabia que Rou Tornell era o o p o s t o d a imagem que projetava. sorrindo. — Estamosestressados.l a m a i s a s é r i o ? — e l e c o m p l e t o u . mas também sou homem. Sem os sapatos de saltos altos as pernas ficavam a i n d a m a i s t o r n e a d a s . Não sou seu tipo e jamais serei. paciência e desejo. apaixonada. porém não ouvia mais. Era disso que ela precisava. m a s l h e c a í a bem. é também habilidade. e você é uma mulher. seria outra: seu porte seria diferente. Rou se afastou.— Eu não saberia dizer — ela respondeu. p o r q u e p e n s a r a e m c o m o e l a p a r e c i a precisar desesperadamente de sexo bem-feito.Jessica 116.— Você acha que meu cérebro não a acha atraente?— Acho. O amor não é apenas uma lição de ciência.— E e u d e ve r i a l e v á .a p e s a r d o d i a c a n s a t i v o . enganava-se. casamento.Estou muito ciente da crise. fazia com que se tornasse viva.— Talvez devesse ser — respondeu ele brandamente. sou uma mulher.— Os homens são dados a impulsos. e l e acariciou cada traço do rosto dela com o dedo. e Z a y e d c o m e ç o u a f a n t a s i a r s o b r e o q u e f a r i a c o m pernas como aquelas.— Estamos no meio de uma crise. os cabelos se espalhando sobre osombros e a respiração descompassada. Imaginou há quanto tempo elanão dormia com alguém.— Sim — ela concordou sem se abalar. Rou corou vivamente. Zayed riu de mansinho. suas cores voltariam e aquela boca suave incharia por causa dos beijos..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Absolutamente nada — respondeu ela com firmeza. E l a e r a p r o v o c a n t e e d i v e r t i d a .— Passei as últimas três horas escutando as lamentações de minha mãe. Cometemos um erro. Ele a beijaria atrás do lindo joelho e ela estremeceria c o m o a maioria das mulheres. Ele parara de ouvir assim que e l a m e n c i o n a r a o i m p u l s o s e x u a l . — A ciência e a química do a m o r . — Concorda? Nossa relação Projeto Revisoras33 . percorrendo-lhe o corpo com o olhare se detendo nas pernas. pensou ele. mas não a mulher certa para você. É isto que interessa sheik Fehr: compatibilidade.Zayed concordou. em particular o sexual. ela era a r d e n t e .— Não. a l g o controlado pelo cérebro que libera hormônios e neurotransmissores. T a m b é m e r a m o r d a z . paixão e fogo. Irritada..enquanto ele continuava a observá-la.— Mas foi ótimo. p e n s a n d o q u e gostava mais da Rou Tornell que se escondia sob a máscara.

.

Rou prendeuos cabelos num rabo de cavalo. Nenhuma das três candidatas respondera e. Tornell. A q u i l o n ã o e s t a v a certo: viera fazer um trabalho e falhara.Nenhuma mulher decente o aceitaria.. com a cabeça doendo. colocou os óculos e pegou o laptop. nem mesmo as crianças. Desculpe.m a i l s p a r a v e r s e r e c e b e r a a l g u m a r e s p o s t a . Uma linda morena. Eu não deveria me intrometer numa hora dessas. mas talvez suas emoções e desejosfossem controlados pelo medo. Tentou ler. e v o c ê . t a l v e z . O s h o m e n s g o s t a m d e d e s a f i o s . Jamais experimentara um beijo como aquele ardentee p r o f u n d o . Nada de carícias. convencional e fingida Dra.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter será estritamente profissional. beijos e insinuações. Ele era terrível. alguém que já o conhecesse. jamais teria aquela sensação outra vez. queria. Sentindos e culpada. — Ele precisa voltar. Cambaleou até a sala e apreciou o sol que se levantava. não c o n s e g u i u .agarrando uma almofada. Com elenão se sentia frígida. Rou notou a fadiga. — De perto. Tensa. colorindo o céu de vermelho. sabiaque. Está difícil me manter ocupada.— Rainha Fehr! — Rou correu para receber a esposa de Sharif.uma amiga da família.— Eu me enganei quanto a você. apareceu entre as colunas. porque. Seria impossível arranjar uma noiva para Zayed nas próximas 36 horas. Ela parou e sorriu docemente. R o u n ã o a p r e c i a v a o s e x o . arrogante e. . m a s ..— Não fui uma boa anfitriã com você. sem saberse deveria se inclinar ou cumprimentá-la.— E n t r e — d i s s e e l a . é um desafio.. seu corpo ganharavida. com Zayed. ficou aliviada.Jessica 116. embora gostasse de se sentir viva.— Infelizmente. e l a precisava sair dali!R o u rolou na cama. R o u c a m b a l e o u a t é o sofá e deitou. pensou em reenviar os convites. mas apavorante.Nenhuma mulher sensata entraria no avião e iria até ali para conversar comele durante apenas uma hora e concordar com o casamento. manifestara suas necessidades. A revelação fora fantástica. arrogante! Não conseguiria encontrar uma mulher para ele. uma prima distante. demandas e desejos. no momento em que partisse.Jesslyn parecia atordoada. Meu nome é Jesslyn Fehr. A questão é que e l a a i n d a e s t a v a e x c i t a d a emocional e fisicamente. S e r i a ó t i m o . Quando Zayed a beijara. usando um vestido simples. nada posso fazer. a reação de seu próprio corpo e a expectativa de c o m o s e r i a f a z e r a m o r c o m e l e . agitada e insone. ela sabia que seria diferente.Você tem muito a fazer.. m i n h a tensa. Ainda de pijama. para seu espanto. mas admitiu que o e s f o r ç o s e r i a inútil.Q u a n d o Rou conseguiu dormir já passava das três horas. convencional e fingida? C o m o e l e e r a grosseiro. t o r c e n d o p a r a q u e f o s s e M a n a r t r a z e n d o c a f é e biscoitos. O problema era o beijo de Zayed.. Nada me faz esquecer. Ela tentou esquecer o beijo. asolheiras e a palidez no rosto da rainha. desejava e ansiava. Ela a c o r d o u antes das oito.. perdida. apenas sentia. Eu deveria ter vindo maiscedo para lhe dar as boas-vindas. Tudo com ele era diferente. s e n s a c i o n a l . Elasempre fora acusada de ser muito racional. Sensual. ainda m a i s q u a n d o e s t á z a n g a d a .E l e d e u u m ú l t i m o s o r r i s o e s a i u . Deveria existir alguém mais próximo. talvez uma ex-namorada. precisava. E muito interessante e atraente. Rou se preparava para consultar aficha de Zayed quando bateram na porta. — Não espero que faça seu papel deanfitriã enquanto estou aqui. q u e a f i z e r a d e s e j a r i r a d i a n t e . Sentou-sen o s o f á e c o n s u l t o u s e u s e . D e u s .

Projeto Revisoras34 . Eu estava gostando de trabalhar de pijama. sem sucesso. — Desculpe se não estou vestida. — Rou indicou o sofá.Não posso viver sem ele — disse tentando sorrir.— Sentese.

.

verdadeira e realista. estava barbeado e exalava sofisticação e elegância. — Soube que você conheceSharif. corrigindo provas.Rou também engoliu as lágrimas. muito bom e generoso. mas as conteve e mudou de assunto.Jessica 116.— É uma suíte muito bonita. como jardim e o sol matinal.— Você era amiga delas? — A melhor amiga.M e n t a e M a n a r e n t r a r a m c o m b a n d e j a s c o m c a f é . alteza?— Mehta. Fiquei aqui quando cheguei ao palácio. Já fora ruim receber a rainha de Sarq de pijamas. Quemaravilha. quanto mais Zayed!— Talvez seja melhor você vestir outra roupa. passava os fins de semana de pijama.— Claro que não me importo. traga-ostambém. aqui era o quarto delas — disse a rainha com ar distante. Projeto Revisoras35 . mas deveria. — Das gêmeas. — Os olhos dela se encheramde lágrimas. Acho que eu e você somos as únicas que o usaram depois que elas morreram.J e s s l y n s e i n c l i n o u e a p e r t o u u m b o t ã o i n v i s í v e l n a p e r n a d a m e s a d e centro. As duas tomaram café. —Não posso perdê-lo. Ela não sabia. Talvez ele estivesse certo. envergonhada. Pretendo fazêlo mais tarde.— Nada de costume cinza hoje? — Ele usava uma calça preta e u m a camisa de linho.— Ela mordeu os lábios. Foi assimque conheci Sharif.— Sim. — Quando eu era professora. Ele era um mentor maravilhoso.— Você sabe. meu coração. no hospital.— Você já foi lá fora. P o d e r í a m o s t o m a r c a f é j u n t a s enquanto conversamos se não se importar. Estávamos todos de férias na Grécia quando o acidente ocorreu. Ganhei a Bolsa de Estudos Fehr para estudar em Cambridge. — Morreram com uma semana de diferença.— T a m b é m n ã o t o m e i c a f é d a m a n h ã .— Você é a psicóloga? Agora você e Zayed encontraram um ao outro. s u c o . Foiassim que o conheci. poderia trazer café para dois? Se houver alguns doces.O rosto de Jesslyn se iluminou. Rou se sentiu desleixada. — Depois que a moça saiu. na véspera da morte de Aman. Não saberia viver sem ele.Rou ficou espantada. Talvez algo de bom resulte de tudo isso. minha esperança.— De quem?— Das meninas — revelou Josslyn com uma cara triste. E um bonito lugar.Zayed chegou meia hora depois e as cumprimentou. Ele étudo para mim. b i s c o i t o s e iogurte. Jamila e Aman.— Sim. conheceu os jardins?— Não.Rou percebeu por que Sharif amava Jesslyn e seu coração se confrangeu.Jesslyn era bonita. Você já tomou café? Comeu alguma coisa?— Estou bem. — Ela piscou várias vezes e fitou Rou. — Faz tempo quenão venho aqui. Estes aposentos raramente são usados.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — É a maneira mais cômoda de trabalhar — respondeu a r a i n h a . O dia vai ser muito quente epensei em lhe mostrar os jardins do palácio mais tarde. Jesslyn olhou ao redor. Nós nos conhecemos na escola e depois dividimos umapartamento. humilde.— Ainda não tive chance de vestilo — ela disse. Não é engraçado como o mundo funciona? Sharif sempre me disseque o mal pode gerar o bem. Imediatamente apareceu uma jovem. conversando sobre os filhos de Jesslyn e Sharif.

.

— O que foi que ela disse? — perguntou Rou. Seria o ideal. Fique à vontade para se juntar a nós. Dra. Elabeijou Zayed e sorriu ternamente para Rou.. pronta para. há cincodias. — Tia? Zayed franziu a testae olhou para o corredor. uma amiga da família que seja adequada. Projeto Revisoras36 . A tradição de Sarq diz que o país deve ser governado por um homem que tenha mais de 25 anose que seja casado com. uma mulher.— Talvez ela não saiba. — Talvez seja hora de reavaliar nossa pesquisa. — É preciso que você esclareça tudo.. somos um país moderno.— Uma amiga da família. pouca coisa mudou nos últimos 400 anos.. Talvez pense que você é minha noiva.— Concordo com você.. Por que um deles não ocupa o trono? Por que ele passará para você?— E uma antiga lei de Sarq. traria minha noiva. Ela não sabia o que estava dizendo. especialmente a rainha.— Por que pensaria isso?— Eu disse que. Diga-me uma coisa: Sharif tem três filhas eum filho de três anos.— Como não sabe? Por que ela pensou que nós.mas. apesar do que vocêpensa. — Rou pegou um bloco.— Ainda hoje. que estou aquipara lhe prestar um serviço. n ã o . Rou ficou apavorada. — R o u c o b r i u o s o l h o s e p e n s o u n o q u e J e s s l y n e s t a r i a imaginando enquanto conversavam. Moralmente? Durante os últimos cem anos os Fehr sótiveram uma esposa. Vou deixá-los — disse Jesslyn. levantando. Tornell? Hoje? Amanhã? Não estamos maisperto de encontrar uma esposa do que estávamos em Vancouver.— Não sei. Ele olhou para ela e deu de ombros.— No mínimo uma mulher? — Ela balançou a cabeça. u m a p r i m a distante. estamos de acordo.— Foi o que também escutei.— E o que todos pensam?— Não sei. — Rou soltou os cabelos. especialista em relacionamentos. — Ele se jogou no sofá e olhou para ela.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês têm muito a fazer. —Ela sabe que sou psicóloga. Seria terrível se ela pensasse estar dianted e s u a f u t u r a c u n h a d a . em outros. tomar notas. uma ex-namorada.. um rei pode ter mais de uma esposa?— Legalmente.— Creio que será um alívio para sua futura esposa.— E quando será isso. — Ela respirou fundo. — Quantas esposasse espera que tenha um rei?— Meu pai e meu avô eram homens modernos e ambos só tiveram uma esposa. e eu. Meu bisavô teve três. Isto explicaria por que a colocaram no quarto de minhas irmãs. — Vou levar as crianças para nadarmais tarde. no mínimo. Certifique-se de que todos saibam que nãosou sua noiva. — Certo? — Zayed continuou olhando na direção da porta.— Deve haver alguém próximo de você. . . Não quero que ela fique constrangida ao ver sua futura esposa chegar. alguém conhecido.Jesslyn saiu enquanto os dois se olhavam fixamente.. sim. Sob vários aspectos. também serei.— Ótimo.Estes aposentos só são usados pela família.— Foi um engano.— A h . As crianças estão loucas de vontade de conhecer a nova tia. — O silêncio se prolongou a ponto dos nervos de Rou quase explodirem. Tahir.Ele concordou pensativo.Jessica 116. J e s s l y n j á e s t a v a p a s s a n d o p o r t a n t a c o i s a . quando voltasse. Somos fiéis às nossas mulheres.

.

esperando. Z a y e d a i n d a e s t a v a sentado no sofá.— Como?— Escolhi você.. Omelhor é que você é uma antiga amiga da família. m a s estava totalmente fora da realidade..— Acho que terá uma surpresa.— Sheik Fehr — ela disse secamente. Você é uma candidata altamente qualificada: é inteligente. — É melhor esclarecer tudo agora do que arruinar nossas vidas. Ela sorriu. É exatamente o que quero. quase desmaiou. C o n h e c i a o s s i n a i s d e l ou c u r a .— Nós não vamos nos casar. sob nenhuma circunstância.. e u c o n t o — e l a d i s s e f i r m e m e n t e . A sala rodavaloucamente.— N ã o h á r a z ã o p a r a p â n i c o — e l e d i s s e . — Ela se fechou noquarto. satisfeito. Ela não podia sequer classificá-lo como l o u c o . Graçasaos pais. Rou apontou para ocorredor.— Receio que Jesslyn e as crianças acreditem que sim.. Sabe que preciso de um casamento de conveniência e não deamor. o dinheiro ainda será seu. você pensou em alguém. Escolhi você.— Está na hora de me chamar de Zayed.— Ah. Ele falava sério? Dissera quelhe daria dinheiro para casar com ele? Ela se agarrou no degrau..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Também acho — ele sorriu. — Agora chegavam a algum lugar.— Não.. e e l e n ã o a p r e s e n t a v a n e n h u m . claro que a deixarei livre de todas as obrigações.Jessica 116.R o u p a r o u n a p o r t a d o q u a r t o e o l h o u p a r a e l e .O coração de Rou deu um salto. Ela não era do tipo que se casava.Rou levantou e se afastou. Dra.— Vou financiar seu centro de pesquisas. Tornell. — Te r e m o s u m p e rí o d o d e namoro. conheceminha situação. Ela sentou num degrau da sala.Rou. Se ele voltar.— Estamos praticamente comprometidos. que nunca se abalava.. só que ele começará depois do casamento. culta.— Então. em qualquer situação. — Santo Deus! Filhos?— Poderíamos esperar um ano para você engravidar.— Então.A cabeça de Rou começou a girar.— Você sabe que é a solução perfeita. De jeito nenhum. confiante e calmo. Ela entendera errado. Elesorriu de volta. vá esclarecer este mal-entendido. Projeto Revisoras37 . bem-sucedida. ou devemos começar a fazer uma lista?Ele fez uma cara indiferente. não estamos. tentando fugir para oquarto. tenho alguém em mente.. mas não era expresso. interessantee nossos filhos serão muito espertos. para ver se Sharif éencontrado.— Sheik Fehr. protegida de Sharif.— Excelente. Meu único motivo para estar aqui é ajudá-lo a encontrar uma esposa.— Você está falando sério — ela disse num sussurro. ela jurara ter uma vida celibatária. E perfeita: educada.— Você andou bebendo?— Tomei um café.— S e v o c ê n ã o c o n t a r à r a i n h a .

.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Capítulo Seis D EPOIS QUE ele se foi. d e c e r t a f o r m a . apesar de ela achar que. Rou perambulou pelo quarto. Assim que ela Projeto Revisoras38 . muito menos por um homem como ele. Casamentoera para aqueles que queriam uma vida doméstica. dedicada à família e aos f i l h o s . Ela amava sua vida e não pretendia casar. q u e a m a v a e p r e c i s a v a d e s e u t r a b a l h o e q u e n ã o desistiria de sua missão. ela nada ganharia ao casar com Zayed Fehr.Jessica 116. Por outro lado. e l e tinha razão. n ã o p a r a e l a . pensando no que faria. Asolução de Zayed — casamento — não era solução. Do ponto de vista dele. o problema e s t a r i a resolvido: teria uma esposa e o trono.

.

.

não tinha visto você. m a s descobrira que o dinheiro não compra o amor nem a felicidade. Entretanto. O dinheiro torna as pessoas arrogantes. prendeu os cabelos num coque e saiupara procurar a rainha. Al m e j a v a u m m u n d o particular onde pudesse controlar suas emoções e seria impossível alcançá-loficando em Sarq. cujas idades iam dos 9 aos 11 anos. Oe n d i a b r a d o p rí n c i p e T a h i r . a p e n a s p o r q u e t i n h a m a n g a s curtas. Q u a n t o m a i s rápido conversasse com Jesslyn.— Ah. N ã o é emocionante?A s m e n i n a s . ou melhor. eela não tinha o direito de perturbá-los. d e t r ê s a n o s .Rou deixou que Manar lhe preparasse um banho perfumado com baunilhae especiarias na enorme banheira. moça. egoístas. cercada pore m p r e g a d o s . o que lhe restava? Deixar que Zayed a manipulasse atéconcordar? Jamais. Passara a noite rolando na cama. R o u vi u q u e a s m ã o s d e l a t r e m i a m aoacariciar os cabelos do filho e seu coração se apertou. Ela se deleitou ao entrar na água. Agora. e ficou tentadaa aceitar a proposta de Zayed. Jesslyn os o b s e r v a v a c o m a r ausente. ele lhe propuserac a s a m e n t o . — Mama.. Rou se arrependeu por ter pedido a Mehta que a levasse até o quarto..fantasiando como seria fazer amor com ele. E l e s v ã o s e c a s a r a m a n h ã . Ela não tinha uma fila de homens bonitos e s e n s u a i s b a t e n d o à sua porta. Queriaa p e n a s t e r i n d e p e n d ê n c i a . Rou não as invejava. melhor.Jesslyn estava tão sensível e entristecida que seria uma maldade sobrecarregá-la ainda mais. mas em parte estava curiosa. n u m a e n o r m e mansão em Beverly Hills. Entre. Desculpe. ou talveza palavra certa fosse lisonjeada. Porém. Sentias e extremamente atraída por Zayed. enquanto as meninas reclamavam. Calçou sapatos de saltos baixos. mesquinhas edesagradáveis. nada ambicionava de material. onde as filhas do primeiro casamento de Sharif jogavam Monopólio.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter contasse a verdade a Jesslyn. — Ela deu um sorriso e n q u a n t o T a h i r s u b i a e m s e u c o l o . olha. Sua bagagemc o n t i n h a a s r o u p a s q u e u s a r a d u r a n t e a t u r n ê a t r a v é s d e c i d a d e s o n d e predominava a baixa temperatura e que não serviam para o calor do deserto. sentindo-se diferente.Jesslyn como que despertou e olhou para a porta.Jessica 116. R o u T u r n e l l . Rou. Ela jamais admitiria.A família tentava manter a normalidade depois que seu mundo desmoronara. D r a . c o n f i a n ç a .Ao sair do banho.E l a a c a b o u p o r e s c o l h e r u m c o s t u m e p r e t o . como se fosse uma princesa das Mil e uma noites. Contanto que conseguisse se sustentar. Porém ela era uma mulher diferente: crescerac o m m u i t o d i n h e i r o . mas no quarto. notando a presença de Rou. . Jesslyn e as crianças não estavam na piscina. — Quero que conheçam alguém especial. . C l a r o q u e e l a n e m s e q u e r p e n s a r i a n o a s s u n t o . Zayed não poderia coagi-la a se casar. Jesslyn as . a u t o r r e s p e i t o .— Mama — disse Tahir. levantaram e s e inclinaram respeitosamente com um olhar curioso.. t e n t a v a d e r r u b a r a s p e ç a s dotabuleiro. Esta éa n o i v a d e t i o Z a y e d . não tinha nenhum. mas Rouhesitava em procurar a rainha depois da conversa que tiveram durante o café.. — M e n i n a s — d i s s e Jesslyn com fingida animação. Rou examinou seu limitado guarda-roupa. Embora trabalhasse para pessoas ricas.

Projeto Revisoras39 . p e r g u n t o u s e o c a s a m e n t o s e r i a n o e s t i l o o c i d e n t a l o u segundo a tradição de Sarq. e J i n a n . a m a i s v e l h a . Diga: não vou me casar com seu tio. e x p l i q u e q u e t u d o é u m mal-entendido. Takia. Porém.apresentou. jamais. D i g a a l g o . Afinal. Viera esclarecer o assunto. Rou ficou paralisada.rompeu o silêncio. a voz lhe faltava ao perceber a tristeza que flutuava no quarto. de 9 anos. mas não conseguia se mexer nem falar.

.

— O q u e d e v o f az e r ? D i z e r q u e n ã o v o u c a s a r c o m v o c ê . Deu um sorriso desesperado. Eu quero e preciso de você. sem seu pai. dedicando-se a ajudar os outros. — R o u m o r d e u o s l áb i o s p a r a e v i t a r q u e .— Preciso de tempo — sussurrou. Você se torna verdadeira. Aquelas crianças encaravama realidade muito cedo. abalada.. t r e m e s s e m . abraçou-se à mãe. que odiava emoções e lamentos.— Acabo de sair do seu quarto — ele disse..— G o s t o de você desse jeito. O h o m e m q u e e l a adorara se fora.— Como pude pensar que você era insensível? — ele disse. gritando. perda.casamento. — Não será suficiente. m u i t o i n t e n s o e dolorido. — Ela voltou ac h o r a r . As meninas tinham perdido a mãe havia muitos anos. É disto q u e p r e c i s a m o s . deu de cara com Zayed. escutara. S h a r i f e s t a v a m o r t o e n ã o v o l t a r i a .— Talvez dê para esperar — sussurrou Takia. mas. Saba e Jinan soluçaram. Você está sendo corajoso e forte ao se tornar rei.— Você precisa de uma esposa. aconselhara. F o r a d e m a i s .— Eu não gosto de ficar assim.— G o s t a r i a d e p o d e r e s p e r a r p o r s e u p a i — d i s s e R o u . e tio Zayed. opaís está em tumulto. Não poderia fugir de onde mais a necessitavam. O palácio estava repleto do que ela mais temia.— E se tornar rei — disse Jesslyn entre as lágrimasRou não aguentou.— Essa esposa é você. D u r a n t e a n o s e s t u d a r a . s u a s l á g ri m a s r o l a r a m . A s s i m q u e e l a s a i u . muito corajoso e forte..Jessica 116. Isto lhe dará algum tempo. filhos. de repente. q u e n ã o haverá rei? A rainha me apresentou às crianças como tia Rou! Agora sou tiadelas. pegando-a pelo braço. e Tahir. Crianças não deveriam sofrer nem amadurecer de repente. Porém nãop o d e r i a a b a n d o n a r u m a f a m í l i a n a q u e l a s i t u a ç ã o . A rainha e as crianças estão arrasadas. A dor de todos fizera com que a morte de Sharif se tornasse real e aa t i n g i s s e e m c h e i o .— Casar com tia Rou? — perguntou Saba. o casamento não será bonito. Rou tentou retornar ao seu quarto. Takia olhou para Rou com os olhos arregalados e os lábios apertados. secando as lágrimas.— Fui ver a rainha — ela replicou. cheio de medo. sentiu o coração dilacerado. pedindo socorro.— Tio Zayed e tia Rou gostariam — disse Jesslyn —. não de mim.. e fugiu. clinicara.Rou. Daria tudo o que tenho e o que sou para vê-lo asalvo. Porém. Amor. O país está um caos. Nada pode ser decidido sem o rei. devo fazer o que é necessário. e isto inclui casar e assumir o governo.Rou pensou em Jesslyn e nas crianças e recomeçou a chorar. A pequena Takia não entendeu por que não esperamos o pai dela para casar!O turbilhão de palavras exaltadas terminou e ela olhou para ele. — S e e u pudesse. Jesslyn começou a chorarsilenciosamente. Zayed pensou em argumentar. está fazendo o que seu pai gostaria que ele fizesse. desfaria tudo isso — ele acrescentou com calma. até que chegue este dia. — S e m e l e .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês não vão esperar a volta de papai? Vão se casar sem ele? — O silêncio pesou no quarto e abriu caminho para a dor. mas acabou se perdendo nos corredores e. Preciso de você para cumprir meu dever. Semvocê não será possível.mas suspirou e concordou. Projeto Revisoras40 . ensinara. confuso.— Algo errado? O que aconteceu?— Seu irmão está morto.— Nós nos encontraremos no almoço. — Daria tudo paraver Sharif entrar pela porta.

.

Se ela não tomasse cuidado.. invencível? Aquele guarda-roupa era feminino.— Tudo em tons de rosa? — ela perguntou a Manar. Tudo e r a t ã o l i n d o q u e i m a g i n o u a s i r m ã s d e Z a y e d v i v e n d o n a q u e l e s a p o s e n t o s dignos de duas princesas. r e c o n h e c e u c o m r e l u t â n c i a q u e e s t a o p ç ã o s e r i a i m p o s s í v e l .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Tem de ser. e. Embora desejasse voltar para São Francisco nop r ó x i m o v ô o . Quanto ao casamento. — Estou pronta. Tornell. Chanel.— O quê? — Rou deu um pulo na cama.— Sou esperta. Eu. No meio do caminho. Zayed tinha razão. m a l a s e caixas.. O país está semrei há quase 15 dias. jovial. A senhora tem meia hora para se preparar.C a i u n o sono e foi despertada por Manar. jamais voltaria a ser.. — Rou estava cansada e arrasada. Nada pode ser decidido. sonolenta e esfregando os olhos. Sarq. Prada. agora. apenas me indique a direção. Sharif também morrera. E os ajudaria a agüentaras próximas semanas. tenho tempo — ela respondeu.— Não..— E complicado.— Vou levá-la até seu quarto. — Se eu pudesse. A senhora recebeu dezenas de caixas e sacolasque chegaram de Dubai. Ambas haviam morrido.. num silênciocarregado. comovente e triste. Elaficou tonta e sentou no braço do sofá: não costumava usar rosa. — A moça malcontinha a excitação.. Ela abriu várias embalagens e a sala foi inundada por um mar em tons de rosa. afundando no travesseiro. jogou-se na cama e examinou o ambiente como se o visse pela primeira vez. nem desistiria de seus projetos. Estamos ficando sem tempo. mas isto é tudo o que tenho. Projeto Revisoras41 .— Já é uma hora?— Sim. mas sua alteza deseja que comece a usá-lo.— Venha ver. Nada era como deveria. Zayed desistiu e lhe forneceu instruções.— Então. Rouprecisou pedir ajuda duas vezes aos empregados. nem mesmo o funeral do meu irmão.xavam segura. Rou se sentou na cama.— A senhora não quer trocar de roupa? O terraço é coberto. C o m o u m a m ã e s u p o r t a r i a p e r d e r t a n t o s f i l h o s ? A r e a l i d a d e e r a muito dura. Dra. Porém jamais deixaria de ser quem era. Hesitante. Ao entrar no quarto... Dior. Outra caixa continha um incrível casaco rosa claroc o m b o t õ e s d e b r i l h a n t e s . Talvez fosse temporário. mas as embalagens eramigualmente elegantes. desesperada. Ele disse que a senhora precisa de algo mais adequado à vida no palácio.. mas é muitoquente. Algumas ela não conhecia. o grafite? Onde estavam as roupas sérias que a dei. — Está tudo na sala. bocejando —.Jessica 116. venha ver.. Ele precisava dela e ela o ajudaria. Tornell. — Ambos se olharam frustrados e zangados. trocaria — ela disse.— Está certo. o azul marinho. Não admira que a mãe de Zayed tivesse um colapso e precisasse seri n t e r n a d a . que viera lembrá-la de que o almoço seria dentro de meia hora e perguntava se ela queria mudar de roupapara almoçar no terraço com sua alteza.R o u c o r r e u a t é a s a l a q u e e s t a v a c h e i a d e s a c o l a s c o l o r i d a s . encontrando um vestido plissado cor de coral com um fino cinto dourado. R o u p e r d e u o f ô l e g o e a b r i u m a i s u m a c a i x a ... Ela reconheceu algumas marcas: Michael Kors. Onde estavamo preto. ela abriu a tampa de uma caixa e descobriu um vaporoso vestido rosa. Dra.— É seu enxoval.Valentino. mesmo por um homem comoele.

.

Ele não se mexeu. seu corpo ansiava para que ele continuasse a tocá-la.. Rou se contorceu selvagemente. Ele a ergueu e encaixou-a em seu corpo. — Deixe que eu tente. ela o beijava. Era loucura. de certa forma. Quando ela trincou osdentes.— Vou tentar — disse ela.O corpo dele estava quente. gemendo de prazer.— E melhor você acabar o que começou — ela disse ofegante. Assim que ela abriu seu coração. Zayed a acariciou através do tecido. fazendo com que ela sentisse o poder de sua ereção.— Não posso. e ela sabia que com ele daria certo. C o m e ç o u a c h o r a r .— Alguém precisa me amar — ele disse. Rous a b i a q u e p a r t e d e l a p e r t e n c i a a Z a y e d e s e m p r e p e r t e n c e r a .. pertencia. seu corpo se abriu para ele e o acolheu como se formassem uma unidade.— Pode sim. Não posso. chorando. mas ela não conseguiria lhe pedir que parasse. — Ele a beijou profunda e demoradamente. P o r i s s o e l a o temia. — E rápido. o que era um novo tormento. Rou entrouem pânico e tentou empurrá-lo pelos ombros. para que apossuísse. sentindo algo diferente do medo. A q u e l e homemprecisava dela. — Zayed a afastou e se despiu r a p i d a m e n t e . Ela duvidou que ele estivesse respirando. Olhoupara ele: tão belo e com um olhar tão solitário.. não sei o que sentir. Estava em suas mãos. coladoscarne com carne. Quero que veja o quevocê faz comigo. mesmo que quisesse.— Não de você.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter obedeceu. . Os lábios dela tremeram. Zayed arrancou a saia de Rou e a puxou de volta sobre o corpo.Jessica 116. chocante. ela precisava dele. Estavam ali. ele a livrou da calcinha e continuou a acariciá. sentindo como ele estava excitado.a n t e s q u e eu acabe sozinha. segurando-a pelos quadris. — É disso que tenho medo. — Assim não vou conseguir — ela disse. encaixando-se entre suas coxas.. suportando o seu peso até q u e e l a relaxasse de novo e se acostumasse com a sensação. Rou soltou um suspiro ao senti-lo dentro desi. laeela. — Ela o beijoud a m e s m a f o r m a q u e e l e a b e i j a r a . Roumergulhou os dedos nos cabelos de Zayed e esmagou os seios contra o peito d e l e . Rou mordeu o lábioao sentir o pesado tecido da túnica de Zayed friccionando a pele sensível entresuas coxas. puxando-a de volta para o colo. seus olhos ardiam. que seria extre-mamente sensual e enlouquecedoramente excitante. Ela se sentia cada vez mais e x c i t a d a . Com um únicomovimento. e desta forma poderá olhar para mim. — Não posso ficar nesta posição. abraçou-o pelo pescoço e escondeu o rosto no ombro de Zayed.— Você tem medo de mim?Embora estivesse em pânico. Rou abriu seu c o r a ç ã o e d e i x o u q u e e l e entrasse. Era injustificável. Rou percebeu a hesitação e uma sombra det r i s t e z a n a v o z d e Z a y e d . despidos. procurando seu ponto mais sensível. A ú l t i m a c o i s a q u e q u e r i a e r a magoálo. Temia o poder que ele exercia sobre ela. Não sei como fazer isso. apossando-se desua boca como se lhe pertencesse e. mas desta vez de frente para ele. a ser parte de alguém. Tenho medo de amá-lo. úmida e ansiosa. No fundo. Ela não estava habituadaa dividir.la. Ela balançou a cabeça.— Sou só eu.O coração de Rou se apertou e ela deixou as lágrimas escorrerem. Os dois se movimentaram juntos: ele a segurava pelos quadris. p r o f u n d a e a v i d a m e n te . afinal. A sensação de prazer era superiora tudo que ela já sentira. Ele a preenchia invadia o seu corpo e seu coração. A minúscula calcinha des e d a d e Rou era um obstáculo inútil. — Calma querida — ele murmurou sobre os l á b i o s dela.

o prazer crescia e só seus corpos Projeto Revisoras57 .enquanto a excitação aumentava.

.

a mulher que queria ser. c o n g e l a r a a p a i x ã o e o d e s e j o . E l a s e enrolou numa toalha e se olhou no espelho com os cabelos pingando.— Eu não estava com fome.l a .Jessica 116. serviria para cobri-la ao voltar para o seu quarto. aproximando-se. O s c o r p o s d o s d o i s e s t a v a m q u e n t e s e ú mi d o s .Z a y e d s e n t o u p e r t o d e l a . Ele cumprira seu dever. Gostara do que houvera entre eles. Suasroupas estavam dobradas sobre a mesa. Estava pronto para se tornar rei. Voltara aser ela mesma.— Durma — ele respondeu. só enjaulada. agora seria fácil. Sua cabeça estava longe de tudo. O perfume sutil lhe causou umas e n s a ç ã o e s t r a n h a . exceto do intenso prazer que cresciaselvagem. nada que pudesse ameaçá-la.Rou não sabia por quanto tempo dormira no quarto escuro e fresco. Ao voltar paraa s a l a .— Disseram que você recusou o jantar.— Talvez eu não quisesse outra refeição na bandeja. Embora soubesse queagia como criança. até que Zayed a carregoupara a cama. indescritível. Rou e n t r o u n o banho e deixou que a água fria escorresse por seu corpo.— Zangada não.quando acordou. R o u m a l l e v a n t o u o s o l h o s d o computador. Quem era aquela mulher? Quem era aquela loura suave eapaixonada.— E agora? — perguntou ela. E l a n o t o u a s t o a l h a s molhadas. pensou com sarcasmo. Nada de fogo e desejo. Sentiu quando ele atingiu o orgasmo. E l a a b r i u a c a p a d o c a b i d e e e n c o n t r o u u m vestido de algodão rosa e branco com um largo cinto. E l a esfregou vigorosamente a pele. ocupada. Ela foi até o banheiro que. Q u a n d o a c a b o u . Rou se sentiu magoada. Aquela era a mulher que ela conhecia. m a s cumprira sua tarefa. u m m i s t o d e t e r n u r a e d e s e j o . s e u c o r p o b ri l h a r e c a d a n e r v o s e esticar. Ótimo. abandonei meus clientes. Alguém o c o l o c a r a a l i .— Sou eu.— Você está zangada — disse ele. Enquanto estive aqui. Eles ficaram quietos por algum tempo.— Está se sentindo abandonada. R o u s e a f a s t o u o m a i s q u e p o d i a e colocou o laptop entre os dois. Ao fazerem amor ela lhe dera mais queseu corpo: dera-lhe seu coração. viu-se sozinha. principalmente lavando a parte sensível entrea s c o x a s . Ela foi até a sala e viu que estava vazia. Deveria esperar por Zayed? A ideia de sentar e esperar por ele trouxe de voltaa s e n s a ç ã o d e v u l n e r a b i l i d a d e . ela se e n c o s t o u e m Z a y e d .L a v a r a a t e r n u r a e a s e n s i b i l i d a d e .Ele a abraçou e puxou-a contra o corpo. Embora não gostasse derosa. viu um cabide de roupas apoiado no sofá. Ele a acomodou sob as cobertas e deitou ao lado dela. E l a s e n t i u o c o r a ç ã o d i s p a r a r .mas ainda estava chocada consigo mesma. Ela o desejara e ele correspondera. s e u s d e n t e s b a t i a m . n o s o f á . mas. recendia levemente a loção de barbear. sua doçura a ameaçava. Ele poderia magoá-la.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter e xi s t i a m .E l a p e r c e b e u u m m o v i m e n t o n o e s p e l h o e p a r o u p a r a v e r s u a i m a g e m refletida. Zayed se barbeara.— Não acredito. Era incrível. tomara banho e saíra. até que só lhe restava explodir numa tempestade desensações. desejosa e carente? Ela se olhou longamente e seu coração se encolheu. o d e l a ainda tremia. querida?— Não abandonada. Estonteada.mas agora se sentia vazia e apavorada. — Sua fragilidade a assustava. Exausta. Rou estava aturdidaporque jamais tivera um orgasmo. apesar devazio. incansável. Projeto Revisoras58 . ela sentiu o corpo de Zayed se contrair e apressar oritmo dentro de si.E r a t a r d e q u a n d o Z a y e d v e i o p r o c u r á .

.

. pense! P o r é m e l a e s t a v a c o n f u s a . f e c h a n d o o l a p t o p e c o l o c a n d o ."Drama.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você acha que o computador vai me manter afastado?— T a l v e z fosse melhor eu jogá-lo na sua cabeça. Fizemos sexo.— Gostaria de dormir no meu quarto.— Sim.— Se não me importo — repetiu ele com um tom quase de ironia.— Vamos dormir um pouco. s e m c o n s e g u i r .Zayed contraiu o rosto sutilmente. E s t a v a cansada. — Eu sei.— Você não poderia ter se despedido ou deixado um bilhete?— Eu pretendia voltar. Ela tentou se controlar. mas nãotemos um relacionamento. — E l a d e u u m s o r r i s o f o r ç a d o . Você conseguiu:casamento.— Você não me conhece. mas para ela fora um verdadeiro terremoto.Jessica 116..— Eu sei. Rou cruzou os braços.— Apenas no papel — ela disse em voz fraca. — É nossa noite de núpcias. cujas necessidades eram ridicularizadas por seupai. dando de ombros. Como você disse. Amãe emocionalmente frágil. — Rou sentiu um nó na garganta e tentou conter as lágrimas. Jamais estivemos. Amanhã será outro dia. Z a y e d l e v a n t o u e estendeu-lhe a mão. olhando-a com expressão carregada. É preciso fazer todo este drama? Parece até minha mãe.— Você não me parece o tipo de pessoa que joga as coisas. — V o c ê te m r a z ã o . s o f r i a e n ã o conseguia pensar. — Se não se importa. — Você vaime dizer por que está zangada. a mãe carente. Rou tentou ignorar os olhos q u e a r d i a m . p r e c i s a v a a p e n a s encontrar palavras que Zayed compreendesse.— Não apenas no papel. Zayed?— Minha esposa — ele disse. Parece minha mãe. Foi um grande dia para você. porque o que dissera até agoraa p e n a s o afastara. patética.— Desculpe pelo drama. fraca.— Sozinha. Rou. foi um longo dia. Não sei por que você quer que e u d u r m a n o s e u quarto.— Fui à coroação. ou pretende continuar com este joguinho de a d i v i n h a ç ã o ? — p e r g u n t o u e l e . A tarde n a d a significara para ele. Eu fui à coroação. M a s sentia-se horrivelmente parecida com a mãe durante as brigas com seu pai.— Você estava dormindo. Jurei honrá-la e protegê-la.— Venha.— Eu sei! — Rou agarrou uma almofada. — E então? Não vamos ficar juntos? Já vamos viver separados?— M a s n ã o estamos juntos.— Foi um longo dia. jurei ser fiel a você pelo resto da vida. O que mais poderia lhe oferecer. consumação. companheirismo e respeito — ela gostaria de responder. além disso? Amor. Pense. E l a n ã o e r a c o m o a m ã e . com fome. Se ele lhe desse algum tempo.— Você ficou fora durante sete horas." A mãe com quem ele mal falara durante a n o s . — Ela engoliu em seco.— Você me deixou. Zayed baixou os olhos. dependente. ela tentaria se acalmar e lhe Projeto Revisoras59 . R o u f e c h o u os olhos e virou o rosto como se tivesse levado u m a bofetada. — R o u n ã o estava disposta a ter aquele tipo dec o n v e r s a . coroação. Ele a olhou c o m curiosidade. magoada e zangada. O que represento para você.— A c h o q u e c o n h e ç o .o s o b r e a mesinha.

.

Rou. honesto. Tive uma reunião de gabinete durante toda a manhã. m a i s d i f í c i l e r a a e s p e r a . E l a n ã o sabia lidar com conflitos. Rou chorou e sentiu o coração partido porque compreendeu que ela não era melhor que seus pais. Não suportodramas nem cenas.Jessica 116. — Comoestá sendo o seu dia?— Ocupado. Tudo o que ela queria era se desculpar.l o q u a n d o Z a y e d apareceu. E l a o d e i x a r a simplesmente sair. Repetia a história de s e u s p a i s . — Boa noite.Rou concordou. — T a l v e z possamos conversar amanhã — disse ele calmo e controlado. saídas teatrais. e que.— Eu queria uma mulher forte. tinha dificuldade de expressar seus sentimentos. jamais se abrira com ninguém e percebia que ele estava irritado. E r a o q u e c o s t u m a v a a c o n t e c e r e n t r e o s d oi s : b ri g a s . Rou não conseguiu falar. Projeto Revisoras60 . soluçando silenciosamente. Peça! Implore como sua mãe c o s t u m a v a fazer.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dizer que estava com medo. Rou fez um gesto como se quisesse alcançá-lo. se não tomasse cuidado. Peça-lhe para ficar.Ele saiu e ela se agarrou na almofada. odiava climas tensos. sem deixar um bilhete.— Não. — Zayed caminhou para a porta. planejando o funeral de Sharif. Q u a n t o m a i s o te m p o p a s s a v a . — Ela sorriu.— Olá. ignorando o próprio nervosismo.. l á g r i m a s . Não consigo. Zayed parou e virou-se para ela.N o i n í c i o d a t a r d e . Ele não l h e prometera algo que não poderia lhe dar. Abandonara-a sem se despedir. Entretanto. com os olhos cheios de lágrimas. Depois deuma noite insone. emsua defesa. Entretodas as pessoas. Rou respondia alguns e-mails e levantou-se para recebê-lo.— Estou atrapalhando? — perguntou ele. ele tinha preocupações maiores e novas responsabilidades. Certo. reproduzindo opapel que o pai dela costumava interpretar: o vencedor do Oscar. mas ele não apareceu nem mandouc h a m á . acabariacomo eles. sentia-se impotente. ela deveria ser a mais compreensiva e saber como a vida dele se tornara estressante. Max Tornell. Ele era um homem bom. sabia que se comportara mal. ele a deixara sozinha durante horas. o h o m e m q u e s o f r e e a m u l h e r q u e s e d e s e s p e r a . Passei aúltima hora com Jesslyn e Khalid.. Rou ficou desesperada. Rou. Capítulo Dez Rou ESPEROU a manhã toda por Zayed. Era istoque não queria a cena que ela sempre temera: o homem que sai e a mulher q u e c h o r a . confiante. Já terminei. mas.l a .desgostoso e distante. indicando o computador. como se nada houvesse acontecido. e l a s e p r e p a r a v a p a r a p r o c u r á . voltar not e m p o e a b r i r s e u coração. Parecia tão cansado quanto ela. por uma razão. sem nada. mas Zayed balançou a cabeça.

.

.

Desculpe. Não deve ter sido fácil. vestido num terno preto. — Foi o que você fez ao se casar comigo.— O q u e me d e i x o u m a i s a b o r r e c i d a f o i n ã o p o d e r a s s i s t i r à c o r o a ç ã o .. — Ela respirou com facilidade pela primeira vez desde que acordara sozinha na cama de Zayed. d o q u a l g o s t o m u i t o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Não era de admirar que ele estivesse tão tenso. o c o r a ç ã o d e R o u a c e l e r o u e e l a s e encolheu. — Gostaria de ver algo além destas paredes. Na verdade. e suponho que Sharif lhe contou algosobre nosso país.Jessica 116. Sairíamos do palácio. só animada.— Nó entanto. É preciso que você me ensine alguma coisa. Era como um irmão mais velho ou um p a d r i n h o m á g i c o . pensou Rou ao vê-lo entrar na sala. Gostaria de ter ido.Rou estava pronta às 06h30min. ou pensarão que se casou com uma mulher ignorante. Só descobri que era um príncipe ao ler um artigo sobre a coroação numa revista.— E s q u e c i q u e h a v e ri a u m j a n t a r d e p o i s d a c e r i m ô n i a .— Você é uma recém-casada que foi deixada sozinha no dia docasamento. — Poderia ter mandado avisá-la. Estou aqui há apenas alguns dias e sei muito poucosobre o país.— Sinto muito por ontem à noite.Quando Zayed sentou ao lado d e l a . Num curto espaço de tempo tudo mudara entre os dois. — Ela corou.— Ele foi muito bondoso comigo. E s q u e c i o pouco que você sabe sobre nossas tradições. Ele nunca falou sobre o assunto.— Estarei pronta.— Não. E u f u i à c o r o a ç ã o d e S h a r i f . o que seria bom para nós dois. escolhera o vestido longo rosa e laranja e brincos de pingentes. durante anos eu nãosabia quem ele era. H á u m l u g a r d i s c r e t o . u m a M e r c e d e s p r e t a c o m motorista os aguardava. — Vamos?D o l a d o d e f o r a . — Ele sorriu e lhe ofereceu o braço. Eu estava errada. D e ve r i a te r m e l e m b r a d o . Sei que seria apenas para homens.— Tudo bem. — Tudo é novo para nós dois. ele se virou para ela.— Acho que gosto de algumas coisas cor-de-rosa — ela replicou. Em comparação com algumas Projeto Revisoras61 . Ajudada por Manar.— Você está longe de ser ignorante.— Fica bem em você.— T o d a n o i v a d a r e a l e z a t e m u m p r e ç o . m i n h a f a m í l i a e m e u s c o s t u m e s . não o fiz por altruísmo.— S ó q u e e s t e é m e u p a í s . Cobrei um preço. Gostaria de reparar meu erro.— Desconfortável?Rou deu uma olhada pela janela e abanou a cabeça.R o u c o m p r e e n d e u q u e e l e q u e r i a d i v i d i r a r e s p o n s a b i l i d a d e e f i c o u aliviada.— Você o chamava de mentor.— Não. — Rou sorriu sem perceber.. A ú n i c a c o i s a q u e e l e m e p e d i u f o i p a r a q u e a j u d a s s e o s outros da maneira que eu pudesse. pontualmente. — E l e s u s p i r o u e balançou a cabeça.— Venho buscá-la às 7h. O sorrisode Zayed valeu o esforço.— Você está deslumbrante — disse ele. corando. V a m o s j a n t a r f o r a e s t a n oi t e . O j a n t a r f oi l o n g o . e você devese sentir tão pressionado quanto eu. Deixara os cabelos soltos. — Fui egoísta e irracional. mas me importo com você e queria participar de alguma forma.— Claro ótimo. Assim que ocarro começou a andar.

.

— Para todos nós — disse Zayed. ti p i c a m e n t e islâmicas. Eu colaborei com estaexpansão: sou um dos maiores investidores dos cinco hotéis mais luxuosos.Em virtude da proximidade do mar.— Ele era muito estimado e ficaria agradecido por você substituí-lo.Enquanto conversavam. até que Tahir tenha idade parasubir ao trono. Ele será um grande conforto para Jesslyn. Sem que Sharif soubesse. Agora acho que ele tinha razão.— N ã o . mas o amor deles terácontinuidade. ele estava noivo de Zulima. A s c o n s t r u ç õ e s e r a m a n t i g a s . laeela. jurei proteger meu sobrinho e meu país. arcos. foi uma noiva de 20 milhões de dólares. ela procurou Jesslyn e a mandou embora. um p e q u e n o p a í s à b e i r a d o m a r A r á b i c o . — Ele citou a l g u n s n o m e s . o seu preço foi razoável. Contou que Sarq. aberto e receptivo a todos os povos e culturas. O carro Projeto Revisoras62 . Zulima. apesar de tratar Zulimamuito bem. ela jamais o perdoou por amar outra mulher. — A l e a l d a d e d e l e s é o t e s t e m u n h o d o q u e s e n t e m p o r m e u falecido irmão.Rou ficou comovida. o carro atravessava uma vizinhança sossegada. protegendo as dunas enquanto poderíamos transformar Sarq num paíscompetitivo. l on g e d o b u r b u ri n h o d o c e n t r o . depois de Dubai e dos Emirados Árabes.— Deve ter sido difícil para Sharif dizer não para você.bonito e esperto. E u e K h a l i d t i v e m o s a l g u m a s discussões sobre o que eu estava fazendo ao ambiente. a p e s a r d e s e r n o v e n t a p o r c e n t o islâmico.Ele sorriu tristemente e se pôs a falar sobre o país. Meu pai não gostou. Seis meses depois. Eles deveriam ter tido mais tempo.— N ã o t o r n e i a s c o i s a s m a i s f á c e i s .Jessica 116. Sarq estava se tornando sede de vários hotéis. — Não depois de tantos anos separados. torres e colunas. e ele é um menino inteligente. Fiquei honrado com a presença de tantos amigos e vizinhos quevieram oferecer seu apoio e que também prometeram protegê-lo. quero saber de tudo.— Está falando sério?— A primeira mulher de Sharif.— Quero conhecer sua família.— Obrigado. com fachadas pintadas de branco. mas minha mãe não a aceitou. ocasamento não foi feliz. Eles conceberam o príncipe Tahir. Estamos comemorando nosso casamento e tudo o quefiz foi falar da minha família.— Mas Sharif e Jesslyn se reencontraram. Meu pai foi o primeiro a abrir as portase S h a r i f herdou sua política liberal. O desaparecimento das dunasrepresenta um prejuízo para a fauna e para a flora. mas começo a pensar que foi um erro. — Na cerimônia deontem. olhando pela janela. era um país tolerante. mas minha mãe insistiu que Zulima era a mulhercerta para Sharif. Eu o achava ridículo. Sharif sempre amou Jesslyn e.— Não durou o suficiente — ele disse. S h a r i f estava apaixonado por Jesslyn. e. virando-se para ela. mas creio que ele deveria ter i mp o s t o limites ao crescimento.— A p ó s u m a e x p a n s ã o i m o b i l i á r i a t e m o s o s h o t é i s m a i s l u x u o s o s d o Oriente Médio.Zayed beijou-lhe a mão.Rou tocou na mão dele.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter noivas da família Fehr. Odeio pensar que meusfilhos crescerão num país que perdeu a diversidade que tinha quando eu era criança.— Pode não ser um consolo para você. apesar de terem três filhas.— E era? — ela perguntou.

.

— Antes do casamento elame trouxe um presente e. G o s t a v a d e t r a b a l h a r e v i a j a r . não significa que seja amaldiçoada. mais forte e mais maduro. Rou não viu sinal do restaurante. mas eu tinha a impressão de q u e . e l e s e s t a r i a m s e g u r o s . e n q u a n t o f i c a s s e l o n g e . rindo. — Ela o olhou. Sei exatamente o momento em queaconteceu. Gostaria que me f a l a s s e sobre essa nuvem que paira sobre você. preocupada. — Pelo pouco quee l a d i s s e .— Muito exclusivo porque ninguém sabe que existe.Zayed a olhou.— V o c ê é d o n o d o c l u b e — e l a d i s s e . — E d e m a i s v i n t e c o m o e l e p e l o mundo. avisou para que eu não desse atenção aos comentários sobre. deduzi que houve algo em seu passado. surpreso.— Como você sabia?— Entrei na internet e pesquisei o perfil da sua empresa e o seu portfóliode investimentos. nem fez com que nos sentíssemos culpados por ele carregar opeso e suportar a pressão. ao sair. Para muitos de meus conhecidos. H a v i a d e s e i s a o i t o mesas.— Mulher esperta — ele disse. A g o r a v e j o q u e n ã o p a s s a v a d e i l u s ã o . Um homem vestido dep r e t o a b r i u a p o r t a e e l e s e n t r a r a m n u m s a g u ã o i l u m i n a d o p o r u m e n o r m e candelabro. todas vazias. A mesa está pronta. C oi s a s r u i n s p o d e m acontecer a qualquer momento.— É m a i s q u e u m a n u v e m . carregado de enormes responsabilidades. V o u s e n ti r m a i s f a l t a d e s t a ilusão do que de Monte Cario ou da minha liberdade.— Pensei que jantaríamos fora. rei Fehr.— Foi uma mudança muito brusca para você. Projeto Revisoras63 .— A v i d a n u n c a é s e g u r a — d i s s e e l a g e n t i l m e n t e .— O lugar é todo nosso — ela observou ao sentar..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter parou diante do que parecia ser uma residência cercada por mansõeselegantes. A maldição. Agora sei que nenhum denós está seguro. segurança e sossego. o sossegoé uma comodidade preciosa e vale cada centavo. muito exclusivo.Rou percebeu que ele parecia mais velho.— Onde estamos? — perguntou Rou.— Você vai sentir falta da sua antiga vida. Pensei que deveria saber o mais que pudesse sobre meu marido.E n t r a r a m n a e l e g a n t e s a l a i l u m i n a d a p o r v e l a s .— Eu gostava de morar em Monte Cario e de ter casas em Londres e NovaY o r k . Sharif nunca reclamou.— É um clube privado.— Jesslyn disse algo sobre isso — admitiu ela. — S ó p o r q u e n ã o é segura.Jessica 116.Saíram do carro e Zayed apertou uma campainha. — Seja bem-vindo. Minha família também sabe. m a s o q u e e u m a i s v a l o r i z a v a e r a a segurança da família.— Um luxo pelo qual sou grato esta noite — ele respondeu e Rou notou ocansaço e as olheiras em seu rosto. A m a l d i ç ã o s e c u m p r i u d e n o v o e S h a r i f morreu..— Esta é uma tarefa que nunca desejei. Eu sou amaldiçoado.— Vamos jantar você verá. m a s t o d o s f i c a m f e l i z e s p o r p a g a r p e l a privacidade. Meu pai sempre demonstrou queera um trabalho exaustivo.— S e r s ó c i o c u s t a u m a f o r t u n a .— Não.

.

— Ele pegou a mão dela. T u d o o que fiz foi declarar meu amor. num casamento arranjado. cortam-se as mãos. q u e s i g n i f i c a q u e o s outros sabem que você foi desonrado. bondosa e atraente. até que se ouviu a notícia de sua m o r t e . — Nós nunca dormimos juntos. — Ela me via como umirmão mais novo. e ela 24. mas queria que fosse minha. elegante. a minha impulsividade. em como foi seu último dia. — Rou sentiu um arrepio na espinha. s u s p e i t a n d o d e s u a f i d e l i d a d e .n u n c a a b e i j e i . hshuma — ele disse a palavra em árabe ef e c h o u o s o l h o s . S e v o c ê n u n c a a t o c o u . o que para nós é o maior pecado entre todos. Rou fez uma careta. pensativo. —Aos 17 anoseu precisava dizer a ela que a amava. Um pouco de humor faz bem quando as coisas estão difíceis.— Ela era inocente — ele acrescentou com tristeza.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Jesslyn disse que Sharif não acreditava em maldições. Tornell? — ele perguntou. . ela d e s a p a r e c e u .— Pode ser para melhor.— E se a esposa pecou?Zayed deu um sorriso assustador e seus olhos se encheram de ódio e de horror. s e n u n c a d o r m i u c o m e l a . Imagino o terror que ela sentiu. sorrindo.— Certo. Nur era uma princesa de Dubai e se tornara esposa de um sheik vizinho. — Então.— Isto foi uma piada. — Eu me apaixonei por uma mulher casada. — Ele encarou Rou fixamente. É preciso haver uma reparação.— É uma história terrível para um encontro romântico. É tudo o que posso agüentar esta noite. Sabia que ela era casada.— Uma piada de mau gosto. —A voz dele f o i sumindo.— Foi uma questão de desonra. quase sinto sua dor. Dra. e o meu amor. eu achava que era o som mais lindo do mundo. se as mãos pecaram. cega-se o olho. Ela era linda. Não seremos interrompidos. m a n d a r a m a t á . nós temos hshuma.— Você manda matá-la.— Eu gostei. D u r a n t e d u a s semanas ninguém soube o que acontecera. mas aquele era o tipo de culpaque acabava com a vida de um homem. Eutinha 17 anos. — Rou observava as emoções se sucederem no rosto de Zayed. s e m c o n s e g u i r f a l a r . Se o seu olho pecou. E u t e r i a dado a vida por ela. ele não acreditava. c o m a s m ã o s s o b r e o p e i t o .. Vocês têm culpa. Às vezes ainda penso nela. apertou por algum tempo e a soltou.Jessica 116.observando-a. Quandoela ria. E l a lidara com a culpa e a tragédia em sua clínica. Ela foiapedrejada por causa da minha falta de controle. . Tratava-me com carinho e sorria para mim simplesmenteporque eu a divertia. .— Pode ser que mude sua opinião a meu respeito — ele disse. sempre nos esbarrávamos em eventos sociais. E onde ele está?— Conte-me o que aconteceu.R o u f i c o u p a r a d a . n ã o d a mesma maneira. — E s t e é u m c o n c e i t o q u e n ã o e x i s t e n o o c i d e n te . O m a r i d o . por favor. o rosto ficou tenso. —Ele olhou ao redor..— Vou dar a versão resumida. Nunca fiquei sozinho com ela. . e isso se consegue destruindo o que lhecausou vergonha. Tudo o que desejava era amá-la. minha estupidez e minha arrogância a mataram.— M a s . — Você quer mesmo saber?— Quero.E l e e r a c o n h e c i d o d e me u p a i e n o s e n c o n t r á v a m o s v á r i a s v e z e s p o r a n o .— Nós temos tempo. ? — R o u sussurrava as perguntas. — O maridoe a família acharam que estavam agindo corretamente — acrescentou depois Projeto Revisoras64 .l a .

.

H a v i a m d o r m i d o j u n t o s n a t a r d e anterior. — Boa noite. Você perde tempo tentando me c o n v e n c e r d o c o n t r á r i o . dormir era dormir.Jessica 116.. amor?R o u fechou os olhos e tentou ignorar a deliciosa s e n s a ç ã o . absorvendo o fogo que ele provocava com a Projeto Revisoras68 . Estou expressando meudesconforto por você estar tão perto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Em que lado você dorme? — disse ela. — Rou deitou na cama e se cobriu até o pescoço.— Boa noite. e n t r e a b r i n d o o s l á b i o s e m p r o t e s t o .— E para você também..Rou deu uma cotovelada nas costelas de Zayed. — Eu poderia saboreá-la agora mesmo. deitando-se sobre ela ebeijando-a.Rou sentiu seus mamilos endurecerem e teve vontade de se esconder. A p a g o u t o d a s a s l u z e s e d e i x o u a p e n a s u m abajur aceso para que pudesse ler alguns documentos.— Sim.— Você prometeu.— Vou dormir deste lado. R o u f i c o u a l a r m a d a . esta noite você só terá metade da cama. o que era natural depois de fazer amor. — ela protestou.Rou pensou que não conseguiria dormir no quarto dele. Esta noite era diferente: nãohavia motivo. R o u p e r c e b e u q u e a s m ã o s d e l e s e aproximavam de seus seios. corando. nem gritando.— Não sou seu amor — disse ela.— Talvez eu relaxe se você se afastar. mas isto lhe parecia certo. Se começar a espernear e a gritar. mas percebeu que não estava presa pelos lençóis. Zayedolhou-a de cima a baixo. Que lado você prefere?— O lado onde você vai deitar.— Não estou esperneando. O braço de Zayed a envolvia e a mantinhac o l a d a a o c o r p o d e l e .— Talvez você precise resolver seus problemas a respeito de intimidade.— Acalme-se antes de ficar irritada.— É gostoso.Z a y e d n ã o s e j u n t o u a e l a .— Em geral. Acordou por causa do calor epor se sentir presa.— N ã o . não conseguirá dormir de novo.. Havia muita coisa errada no mundo.— Não é nada gostoso.— R e s p i r e f u n d o e s o l t e o a r d e v a g a r — d i s s e Z a y e d . v o c ê é mi n h a m u l h e r — ele disse. — D e novo.Rou o olhou por cima do ombro. parada ao lado da cama. ela pensou. E l e e r a tentador como o diabo. Não para mim. com um olhar insinuante. — D e r e p e n t e . e não queria ser abraçada. — Zayed. s o n o l e n t o . Ela o abraçoupelo pescoço e abriu os lábios. Para ela. Amanhã discutiremos o que for necessário. mas desistiu de ficar acordada à medida que as horas passavam. durmo no meio da cama. — Ele não disfarçou o desejo em seu olhar. Ela fez uma careta e empurrou a coberta.— I s s o f o i a n t e s d e v o c ê v o l t a r p a r e c e n d o u m s o r v e t e d e c r e m e c o m cobertura de marshmallow.— Infelizmente. fazendo os seios se avolumarem de prazer. Rou sentiu o c o r a ç ã o d i s p a r a r e s e u c o r p o s e e n c h e r d e d e s e j o . ofegante.— Meus problemas de intimidade? Meus?Ele deu uma risada e ela sentiu seu hálito junto ao pescoço..— Para você.Rou ficou dura como uma tábua. enquanto ele lhe acariciava os mamilos.

.

n o v a o n d a d e p r a z e r a invadiu.R o u q u a s e g e m e u f r u s t r a d a . Ele acariciava seu ventre. insistentemente.l h e a o r e l h a .— O m e u iceberg derreteu — ele disse.. Ela a m o l e c e u n o s b r a ç o s d e l e . Era incrível comoele se movimentava dentro dela.— Tenho uma teleconferência dentro de alguns minutos. e ela não conseguia pensar quando ele tratava seu corpo como um doce delicioso.Rou mordeu o lábio. Quando ela a c h o u q u e não agüentaria mais. Zayed a beijou com ternura.— Você está viva?— Por pouco. E l a o b e i j o u p a r a t r a n s m i t i r o q u e n ã o p o d e r i a d i z e r c o m palavras: que o amava e que esperava que um dia ele pudesse retribuir. laeela..até que ela perdesse o controle e se entregasse totalmente. Ele levantoulhe a camisola e acariciou-lhe o ventre. Ele gemeu novamente e perdeu ocontrole quando Rou intensificou os movimentos. beijando-o no ombro. com a respiração arquejante. Ele esperou enquanto Manar arrumava a bandeja no colo de Rou.No dia seguinte. Zayed não tinha pressa. Zayed mandou que levassem o café para ela na cama. aumentando sua ansiedade. — Ele mordiscou-lhe o pescoço. ele acariciou o vértice de suas c o x a s e encontrou-a úmida e quente.Jessica 116. mais poderosa einexorável que a anterior. — Ela e n g a s g o u quando ele cobriu-lhe o seio com a boca. tocava. — Foi você quem provocou. e vamos escapar.— O que foi laeela? — murmurou ele junto aos lábios dela. Zayed gemeu ao senti-la esfregar osquadris nos seus. Rou perdeu o controle e apertou o corpo contra o dele. Ocoração de Rou acelerou.— O que é o quê?Ele a acariciava.— Eu queria ver se você agüentava. Ele continuou a beijá-la de uma forma que a levou a menear o corpo. Incrível. ele olhava para ela e tentava conter o riso. desesperada e selvagemente. Porém. — Parece que você nãogosta que eu a toque. obrigado. através da camisola.— Graças a você.— É gostoso — ela disse. Rou corou e franziu o nariz. Nãoficou satisfeito com uma vez. sim.— Você. Ela o amava.— A culpa não é minha — ela protestou. — Eu estava enganada.— Duas vezes.. Gosto que você me toque. trincando os dentes.— Então não resista — ela arquejou. E l a f i c o u t o d a arrepiada.— Receio que não. ela pensou. Projeto Revisoras69 . antes de beijá-la de novo. suas pernas. Você chegou lá?— Cheguei.Z a y e d s e c o l o c o u e n t r e a s c o x a s d e l a e e n t r o u e m s e u c o r p o c o m u m movimento firme. — Você faz com que seja difícil resistir. Z a y e d l a m b e u . m o l h a d a d e s u o r . num orgasmo quea surpreendeu e que atravessou seu corpo em sucessivos espasmos.— Você é tão bonita — disse ele em voz rouca. Amava seu belo marido que amavao u t r a m u l h e r . lambia.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter língua . Quando R o u p e n s o u q u e a c a b a r a .— Você sabe o que quero. — Não vou agüentar sua resistênciaagora. Você é gulosa. aumentando sua ereção. despertando todos os seus sentidos. atéque ela arqueou o corpo à procura de alívio. Volto assim queterminar. despertando cada sensação. Quando abriu os olhos..

.

Ela se ligara a Zayed.— O clima está pesado em Isi.. Seria difícil se concentrar num lugar cheio de sol.que dava apoio à família.O h e l i c ó p t e r o s e a p r o x i m o u p a r a p o u s a r . entusiasmada: seria divertido. dormindo. Rou se concentrou no trabalho:q u a n t o m a i s trabalhasse. Quando Projeto Revisoras70 . cercado de palmeiras e coqueiros. nem na seguinte.Duas horas depois. Rou se sentou.. mas não aborrecida. inteligente. c o r a n d o a o recordar como tinham passado a manhã. Aqui está cheio de sol.Zayed parou a meio caminho do banheiro.— Você não precisa trabalhar? Não vejo você checar seus e-mails desde que chegamos. janelas em arco e grades trabalhadas. fazendo-a rir. m a s t r a b a l h a r e m C a l a n ã o e r a a mesma coisa que trabalhar em São Francisco. tentaria tornart u d o m a i s f á c i l . ele lhe apontou uma praia.E l e t i n h a r a z ã o . Talvez algum dia ele a amasse. Trabalharei enquanto você trabalha. Ele tomara um banho e estava lindo. Rou sabia que ele teria uma reunião degabinete em Isi. q u e l h e b e i j a v a a mão. — Vou pedir a Manar que arrume sua mala. c o m e n d o e b e b e n d o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou quase derrubou o café. Ele era divertido. na terçafeira. aproveite. interessante. Rou ficou magoada. de árvores. despreocupado. carros e palácios.Uma hora depois. Não aumentaria a pressão sobre ele. Divertido. É um belo retiro à beiramar. n a d a n d o .— E se você não conseguir resolver tudo num só dia?— Passarei a noite lá e voltarei amanhã cedo — ele disse. helicópteros. Ela viu uma piscina debruçada sobre o mare pegou na mão de Zayed. mas tente voltar esta noite. Ficaria fora o dia inteiro e voltaria à noite. Não telefonou n e m mandou alguma mensagem sobre quando voltaria. jatos. e e l a p ô d e a p r e c i a r o p a l á c i o construído em pedra. Fique.Jessica 116. Será mais divertido. quando Zayed levantou da cama.— Escapar para onde?— Para a minha casa em Cala. com suas torres. S e u s c l i e n t e s d e v e r i a m e s t a r p r e o c u p a d o s c o m s u a ausência e com a falta d e c o m u n i c a ç ã o .— Meu palácio. — Ele acariciou os cabelos de Rou. estavam num helicóptero. Capítulo Doze Z AYED NÃO voltou naquela noite. T a l v e z p u d e s s e a j u d a r d e a l g u m a forma. com uma enorme piscina. Não era um sonho inatingível. bronzeando-s e . mais tempo livre teria com Zayed.— V o c ê p o d e s e a f a s t a r d a q u i a g o r a ? — p e r g u n t o u R o u .Passaram os próximos quatro dias fazendo amor. e que se encontraria com Jesslyn para discutir os detalhes do funeral de Sharif. Estamos em lua de mel. Talvez possa colocar seu trabalho em dia. — Podemos ficar fora alguns dias.— Certo. casas. D u r a n t e os primeiros dias. Z a y e d e r a t o d o a t e n ç ã o e g e n t i l e z a : contava-lhe histórias. quando e l e voltasse.Na terça-feira. Rou ficou impressionadacom o número de pessoas que trabalhavam para Zayed.Não será o mesmo sem você.— T a l v e z e u d e v e s s e i r c o m v o c ê . Sabia que ele tinha várias responsabilidades e preocupações. assim como com os brinquedos que ele possuía: iates. Quandof o r a a ú l t i m a v e z q u e s e d i v e r t i r a ? R o u v i r o u p a r a Z a y e d .

.

.

O que a q u i l o significava? Depois de muito pensar. Ele lhe dera tantos presentes e ela n a d a l h e dera em troca. lembrou a si mesma. A l i n a d a e r a si m p l e s . bem-sucedida e instruída. foiinformada de que Zayed havia telefonado.O mordomo fechou a cara. Tentou comprarum presente de casamento para Zayed. ela resolveu falar com Zayed. q u a n d o s e u p a i bebia. cercada por seguranças armados. esquecia dela. Amava aquele lugar. E s t o u t e n t a n d o a j u d á . A senhora nãovai se divertir.Jessica 116. não precisa se preocupar. Pediria à cozinheira que guardasse tudo até que Zayedvoltasse. Zayed estava trabalhando. R o u p e r a m b u l o u d u r a n t e d u a s h o r a s e p a r o u p a r a t o m a r u m c h á d e hortelã. Tentou ocelular.— N ã o p r e c i s a c o n s u l t a r s u a a l t e z a . porém mal conseguia aproveitar o passeio. se ela quisesse. chocolates e frutas. mas ele não funcionava naquela área: teria que ligar para o palácio. Ela se empertigou ao ouvir o tom pomposo do empregado.l h e lembranças de infância: fora jogada de um lado para outro. Quando. Quando ela voltou ao palácio. Ela jurou não se entregarao medo e à insegurança. Aa u s ê n c i a d e Z a y e d l h e d a v a a s e n s a ç ã o d e a b a n d o n o . mas o que ela esperava? Ele não falava inglêsfluentemente. À t a r d e . Ele disse apenas "alguns dias".O mordomo não entendera.— Não — ela respondeu.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter estava com ela. digitando um artigo para uma revista epreparando uma palestra que daria em Chicago. Rou engoliua d e c e p ç ã o e f o i p a r a o quarto.— N ã o e s t o u i n te r f e r i n d o .l a . s e p r e c i s a s s e . molhando os pés. Ela sentou ao lado da p i s c i n a e trabalhou o dia inteiro. e não estava habituado a lidar com mulheres ocidentais e suase x p e c t a t i v a s . p e d i u q u e l h e trouxessem o carro. Ohomem respondeu que ele faria a ligação.d o n a d a . — Não. V i s i t o u o a n t i g o c a i s e explorou o famoso bazar que faziam parte da história de Cala. sua mãe se suicidara. Por fim. R o u t e n t o u s e a c a l m a r . Não há muita coisa para comprar. — E l e s e inclinou e foi embora. deixara de cuidar dela. uma garrafa delimonada gasosa.Alguns dias podiam ser poucos ou uma semana.— É isto mesmo que quero. quando sua mãe entrara emdepressão.— É sábado. Ele voltaria dentro de alguns dias. era atencioso. t u d o r e q u e r i a . Rou não se sentia segura de que alguém estaria ao seu l a d o . alteza.. pois pretendia fazer compras na cidade. comunicou o mordomo. talvez mais. Ele não voltaria antes de alguns dias.— Eu deveria consultar sua alteza. na Inglaterra. Rou procurou o mordomo e pediu a ele que lhe desse o número do telefone. desaprovando. A cidade estará cheia de gente e de turistas. ela comprou pão. Queria surpreendê-lo. d e s p e r t a n d o . onde ficou à janela fitando as ondas queq u e b r a v a m na areia. Rou caminhou pelabeira da praia. ao entrar no jardim do palácio. afinal. O mordomo se apavorou. — Ele é meu marido e quero telefonarpara ele. aban.. Embora fosse adulta. Gostaria de explorar a cidade.— Ele disse quando voltará? — ela perguntou. C r e i o q u e v o c ê m a n d a r á a l g u n s seguranças comigo. Quero ter a liberdade de chamá-lo sem a interferência de mordomosou de empregados. queijo. e fariam um piquenique na praia. mas se sentia sozinha. a l te z a . mas quando estava longe.alimentavam. O medo e a dúvida se retro.R o u s a i u a c o m p a n h a d a p o r q u a t r o s e g u r a n ç a s . D u v i d a v a q u e a q u e l e s a q u e m a m a v a e s t a r i a m a o s e u dispor quando buscasse seu apoio. afastada. indignada. O mercado estava cheio d e g e n te . o juiz decidira dar s u a custódia à avó.

Projeto Revisoras71 .

.

Mais tarde. As palavras de conforto eram dolorosamente familiares. Eles tentaram impedi-la de entrar sem p e r m i s s ã o .s e n t a d a numa cadeirinha. do movimento que a impedia de pensar no que não poderia mudar. Ela se casara com um homemexatamente igual a seu pai: ausente. As horas passavam e nada de Zayed.— Sinto muito. Ela correu atrás do mordomo. Você não pode chorar. mas de uma ordem. Ela não queria ser difícil. disse a si mesma. mas será informado que asenhora telefonou. mas só percebera sua solidão ao se sentir isolada. Não lhe importava que todo o palácio a . d e esperar para ser vista e ouvida. Ele não a via há 10 dias. Zayed." Ela leu a mensagem várias vezes.R o u d e u u m s o r r i s o r a d i a n t e . Ele não sabe como você está animada e o quanto deseja vê-lo. mas também não queria se sentir insignificante e solitária. Esperar era um desespero. d e b e b e r . De surpresa. Rou invadiu o escritório.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assistência . Fezuma leve maquiagem. E s t a v a f a r t a d e e s p e r a r s u a ve z . Os olhos de Rouse encheram de lágrimas. e l a o u v i u o r u í d o d o h e l i c ó p t e r o s o b r e v o a n d o o palácio. como esperara por seus pais.Trocou de roupa. mas apavorada por não saber o que pensar o u sentir. Se elesoubesse. o n d e j a m a i s e n t r a r a .Jessica 116. Vários minutos se passaram e eledesligou sem lhe passar o fone. Rou começava a sentirsaudade de sua vida.Eram as mesmas que ela dizia a si mesma enquanto esperava as visitas do pai.D e s a p o n t a d a . Esperara por ele a cada segundo. Ele está ocupado. A o d e s c e r a e s c a d a . Durante os últimos dias só pensara emZayed . Ela esperou por uma hora: Zayed não apareceu. para ganhar coragem. por isso temia amar. O rei está numa reunião. Rou ficou contente. Rou baixou a c a b e ç a e chorou em silêncio. uma e m p r e g a d a l h e t r o u x e u m b i l h e t e n u m a b a n d e j a d e p r a t a .Estava só e começava a achar que seus temores em relação ao casamento serealizavam: tornara-se dependente. escovou bem os cabelos e fez um rabo de cavalo. Iria se encontrar com ele. m a s e l a n ã o s e i mp o r t o u . a o s e a f a s t a r . nem mandou chamá-la. Aquele era o homem que lhe fizera tanta falta. com o coração aos pedaços. perdera a individualidade e o bom-senso. alteza. bonito. porém oque mais desejava era falar com Zayed. exigente. e praticamente marchou até o e s c r i t ó r i o d e Z a y e d . " V o c ê j a n t a r á comigo às nove.R o u r a s g o u o bilhete e o jogou no lixo. ignorando os olharesespantados da equipe de Zayed e caminhou direto até a mesa. P o r i s s o j a m a i s quisera se casar. f o i i n v a d i d a p e l o desapontamento que derrubou todas as suas boas intenções. P e g o u u m l i v r o p a r a s e d i s t r a i r enquanto o aguardava. mas n ã o esperaria até as nove. ela perambulava pelo palácio em C a l a . eventualmente recebia algum e-mail. como e s p e r a r a q u e a m ã e p a r a s s e d e c h o r a r e o p a i . aexpressão dele passou para desagrado. i g n o r o u o s seguranças parados ao lado da porta. esperando que ele se lembrasse dela. Ela odiava a falta de independência. com a boneca no colo. estaria aqui. enquantoele entrava em contato com o palácio em Isi.U m a s e m a n a d e p o i s . Rou não se importou. do trabalho. pediu desculpas e lhe pediu que ligasse para o rei Fehr. Aguardou sentada. e l a r e s o l v e u s e a c a l m a r . egoísta. m a s . Elasentia falta dele. Não se tratava de um convite. deveria sentir sua falta. odiava pedir ajuda. E n q u a n t o Zayed trabalhava em Isi. O celularnão funcionava.

Creio que você o guardou por segurança. — Minha bagagem está pronta.— T e n h o a l g u n s e n c o n t r o s e m Z u r i q u e d e n t r o d e d o i s d i a s — d i s s e secamente. Reservei um vôo na Sarq Air. Vinha de uma cultura diferente. maspreciso do meu passaporte.não costumava ser tratada como alguém subserviente e de segunda classe.Rapidamente todos se retiraram em silêncio.desaprovasse. pensou Projeto Revisoras72 . A reunião acabou.

.

— Tenho muito trabalho a fazer.— Então. Concordamos que você continuaria a trabalhar — ele s e inclinou para trás na cadeira —. Além disso. a o c o n v i v e r c o m Z a y e d percebera que as emoções podem ser boas. rei Fehr? É tão difícil e desagradável passar algum tempo comigo?— Não estou evitando você para puni-la. O coração de Rou bateu mais forte.— Não. fraca e ridícula. para que discutir?— Tem razão. Está livre para partir quando quiser. Sou tola. Como sua mãe. q u e p r e c i s a s s e d e u m h o m e m .— Você está indo embora — ele disse ao ficarem sozinhos. um complemento. Mais tarde. mas desde que nos casamos você mal ficou comigo.— Sinto falta do meu trabalho. O r e s t o d o t e m p o v o c ê f i c o u f o r a . q u a n t o a e l a . mas pelo menos sou honesta — ela disse devagar.— Talvez. tentando se controlar. tudo o que ela conseguira fora sentar e chorar. — E s t o u dizendo que preciso de mais. Ele não se importava. Não sou necessária. Preciso voltar a trabalhar. Ela não se tornaria uma mulher d e p e n d e n t e . S e u p a i a d o r a r a s u a m ã e e acabara por desprezá-la.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ansiosa. Estava tomado pelo luto e pela culpa. Uma dor lancinante a atingiu. há muito para cuidar. Ela desistira de tudo por ele. — Você cumpriu seu dever. que os sentimentos são um .— Não pretendo voltar — disse ela com calma. com embaixadoresde outros países. E s t a v a m a i s b o n i t o .— Compreendo.Ele não se importava com ela. As mulheres desprezam a simesmas quando se tornam patéticas.— Então. Não adianta ficar aqui. e que viajaria a negócios.— Mas não sua esposa. levantando as mãos. concordamos que o casamento seriatemporário. e ele nem ligava. c o m o s c a b e l o s u m p o u c o m a i s compridos. considerando-a tola. — A falta deemoção de Zayed a feria profundamente. Os homens desprezam mulheres patéticas. com um ar vazio.Fez o que precisava. é isso. Você me despreza tanto.. — É tudo que preciso fazer? Preparar as malas. foi coroado.. Agora não precisa mais de mim. mas Zayed nunca pensava nela. muita coisa aconteceu. — Ela e s p e r o u q u e e l e d i s s e s s e a l g o q u e a t r i b u í s s e a l g u m s e n t i d o à s s e m a n a s anteriores. ela se apaixonara e se perdera. fizera por ele o que gostaria que alguémfizesse por ela. Tivemos cincon o i t e s n u m t o t a l d e d u a s s e m a n a s . Ela fora paciente solidária. Não.R o u o o b s e r v o u . casou. ridícula e fraca. você está me evitando?Ele respirou fundo para manter a paciência. e . N ã o retornou meus telefonemas. Reuniões de gabinete.— Não foi o que eu disse.Jessica 116. —Tenho um consultório e uma casa em São Francisco. seucoração doía e sua vontade fraquejava. Rou percebeu que ele nada queria s e n t i r . Não era verdade que suas malas estivessem prontas: tudodependeria de Zayed. — A voz dela tremia de raiva.Ele jamais se importaria com ela.— Você está sendo infantil. Só de olhar para ele.— T u d o bem. pegar minha passagem e partir?— Você não é prisioneira. para quê? — ele disse. Os segundos se passaram eele a olhava impassível. Ela é apenas uma mulher. — Ela controlou a dor e a cólera. o queixo mais firme e um olhar mais frio. Rou ergueu a cabeça.quando o divórcio fora o f i c i a l i z a d o e s u a m ã e s e v i c i a r a e m re m é d i o s p a r a suportar. Ela não poderia suportar que Zayed a desprezasse. q u e q u e r i a f i c a r m o r t o . Pelo menos admito que preciso de você. pensou Rou. O país ficou sem governante durante quase um mês. e não lhe daria esta oportunidade.

Projeto Revisoras73 .

.

Ficou sentado e a viu sair pela porta. C o m o c o r a ç ã o a c e l e r a d o e u m f r i o nab a r r i g a . Zayed procurou na gaveta elhe entregou o documento sem se levantar da cadeira. tinha uma carreira e ficaria bem. queria telefonar a todo instante para ouvir av o z d e l a . E R o u ? E l e abanou a cabeça e trincou os dentes. Tentara ficar longe. Ela não pertencia aquele lugar. por outro l a d o . Era melhor deixá-la ir agora. E l a p e n s o u e m J e s s l y n . mas tremia tanto que o jornal não parava eela o abriu sobre a mesa.. Você é que jamais irá se recuperar. ele disse a si mesmo. Z a y e d apertou as têmporas que latejavam havia alguns dias. . o rei Sharif fora e n c o n t r a d o vi v o . com os cabelos brilhando. Ele preferia sofrer a vê-la sofrer. Rou era inteligente e forte.. C o m o s e r i a p o s s í v e l ? D e v i a s e r u m m i l a g r e .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter acréscimo à vida desde que sejam retribuídos e c o m p a r t i l h a d o s . . — Adeus.. E tão magoada! Zayed sentiu o coração apertadode tristeza. — M e u passaporte? — ela sussurrou. b a n h a d a p e l a claridade. Diga algo que me faça perdoar e esquecer. Se ele sentia algo. Diga algo.. . R o u r e l e u a m a n c h e t e d o Chicago Tribune. Suas prioridades eram c l a r a s : S a r q v i n h a e m p r i m e i r o l u g a r . e a teria magoado. algo que me f a ç a ficar.Zayed a deixou ir embora. Capítulo Treze S HARIF F EHR f oi e n c o n t r a d o v i v o . Ela ficaria bem. apesar de sua promessa de protegê-la.. R o u e s t a v a l i n d a q u a n d o i n v a d i u o e s c r i t ó r i o . ele repetiu para si mesmo. recusava-se a reconhecer. ele ouviu o barulho de um motor e foi até a janelapara ver uma das Mercedes do palácio desaparecer na direção do portão.Dez minutos depois. Zayed — disseela. mantendo-se ocupado. masseu mundo era complicado e estressante. resoluta e orgulhosa.Jessica 116. à f a m í l i a e m s e g u n d o . era uma mulher moderna que gostava de exercer s u a profissão e que o esqueceria rapidamente. A s m ã o s d e l a t r e m i a m e a contração em seu estômago se transformou em enjôo. ... — Boa sorte.. Ele. . D e p o i s d e 8 0 d i a s desaparecido. Sharif vivo ? Ela ficou tonta e começou a suar frio. Elesentiu um amargo desgosto. Zayed não sabia como ser o rei deque Sarq necessitava e o homem que Rou precisava. Rou prendeu a respiração e tentou continuar a ler. e em Zayed.minimizar o impacto que ela causara em sua vida. Ele continuou calado. Deus sabia o quanto ele chegara perto de se apaixonar por ela. Se não fosse amaldiçoado. Ela vai ficar bem. Parecera firme. n a s crianças. Se ele não fosse Zayed Fehr. . como sentira durante osúltimos dez dias.lo. estaria a salvo. gelada por dentro. que deveriam estar em êxtase. ela imploroumentalmente. estendendo a mão. Rou pegou o passaporte. Pelo menos. . agarradaao passaporte. Sentiria falta de Rou. Nada poderia ajudá. Não conseguia dormir direito. vestida de verde-esmeralda. não pertenciaa ele.

irmão caçula do rei. onde o rei estava sendotratado. muito queimado e ferido. L e v a r a q u a s e u m m ê s p a r a e n c o n t r a r o s n ô m a d e s n o S a a r a . Por causa dos f e r i m e n t o s na cabeça. A família se reunira em Isi. Sharif esquecera quem era. No mês anterior. Não Projeto Revisoras74 .Zayed. K h a l i d Fehr . Sarq.. rezando para que seu enjôo diminuísse.Depois do terrível acidente.. e r e s o l v e r a i n ve s t i g a r . ouvira um boato de que havia uma tribo nômade à p r o c u r a d e r e mé d i o s p a r a t r a t a r u m f e r i d o . Ela enxugou aslágrimas e tentou ler mais detalhes. Sharif. foraresgatado por uma tribo de nômades que não o reconhecera. e i m e d i a t a m e n t e reconhecera o irmão. Rou apertou o estômago.

.

.

quando adopamina inunda o cérebro e causa sofrimento físico e emocional. s e m p r e p a s s a . e l e s e escondeu na sombra e viu que ela vomitava dentro de uma lata de lixo.E STAVAM NA limusine de Zayed. Demonstrava a terapeutas como as pesquisas de laboratório haviam provado que os efeitos da dopaminano cérebro eram viciantes. Com sua vozfria e clara. de fato? —. o que aconteceria aZayed ? Só de pensar nele. Rou c a i u de joelhos e sentou ao lado da lata com o corpo tremendo e os o l h o s cheios de lágrimas. foi salvo pelo irmão. v a i p a s s a r . Ela era como os gatos.Jessica 116.Ao sair do palco. tudo isso. Deus do céu. tinha domínio sobre o público. abrindo a janela para pegar ar fresco. Não queria o dinheiro de Zayed.. mudança decomportamento. sobre os efeitos fisiológicos do amor. Ela agüentaria estar sozinha. agarrou a primeira coisa no caminho — uma lata de lixo — e vomitou. — Não preciso de hospital.— Não estou doente — repetiu ela.. A s a l a e s t a v a l o t a d a e e l e p a g a r a a o z e l a d o r p a r a f i c a r n o s bastidores. ele agira certo ao deixá-la ir embora.. deu uma risada fraca. estava grávida de dois meses e tremendamentesozinha. ela não demonstrava a angústia que sentia desde que partira de S a r q . — O quehá de engraçado? — Ele estava zangado. que não queria casar ou ter filhos. Zayed não era mais seu problema. porque percebeu que a vida é injusta. seu peito doía e um nó se formava na garganta. Ele não a escutava.— Você está em negação e. resultando em ansiedade. transmitia credibilidade. T o d o m ê s e l e mandava algum dinheiro no qual e l a n ã o t o c a v a . E l a n e m s e q u e r a b r i r a o s extratos que o banco lhe enviava. Rou estava lívida. Se Sharif estava vivo. Não queria ter nenhuma ligação com ele. Rou dava uma palestra numa sala de conferênciasem Chicago.c o m o coração destruído. apesar de nada eliminar completamente osofrimento. Sharif está vivo. Ela falou sobre as conseqüências de se romper uma relação no estágio inicial. Rou estavabem. o que faria? Não queria se casar nem ter filhos. — Os . Depois da palestra. vestida no habitual conjunto preto. correndo para o hospital. t e n t a n d o a c a l m a r s e u estômago. não queriaque ele financiasse seu centro de pesquisas. Eles nada podem fazer por mim. ela respondeu a perguntas durante 20 minutos.— N ã o e s t o u e m n e g a ç ã o — i n t e r r o m p e u e l a .. Ela sempre fora magra.— Você não sabe — trovejou ele. Deus sabe o tipo de mãe que ela seria. Ela estava doente! O susto fez com que ele seaproximasse. Rou nunca o ouvira falar naquele tom e. Quando Rou s a i u d o p a l c o . antes de desaparecerem. N ã o p e n s e n i s s o . Ele abrira uma conta para ela num banco em S ã o F r a n c i s c o e t r a n s f e r i r a a q u a n t i a q u e l h e p r o m e t e r a . c a m i n h a n d o n a s u a d i r e ç ã o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter queria vomitar naquela hora. E s c l a r e c e u a o s o u v i n t e s q u e o s e f e i t o s d a a b s t e n ç ã o d e d o p a m i n a poderiam durar meses. anão ser logo após sua partida. e agora. Ele já fizera muito.— Você.Os dois não haviam mais se falado — quando o teriam feito. mas parecia estar esquálida e muito pálida. que semprec a e m d e p é . Falou da importância de se exercitar e de se ocupar. transtornos do sono e dificuldade de concentração. nós. partindo seu coraçãoQuatro horas depois.surpresa. Elafalava bem. O fato de você se casar com a única mulher que não o desejava.O rei Zayed Feh assistira à palestra de Rou. mas não s u p o r t a r i a e s t a r s o z i n h a e grávida.

olhos dela brilharam ee l a e n g o l i u e m s e c o . S u a n á u s e a p i o r a v a : e r a q u e s t ã o d e t e m p o a t é e l a vomitar outra vez. — Não estou doente, Zayed. Estou grávida.A c a b a r a m n o h o s p i t a l , f o s s e p o r q u e ele não acreditara, fosse porque Projeto Revisoras75

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter precisava de provas. Ao ouvir o nome dele, o médico os atendeuimediatamente e fez uma ultrassonografia.— Hum — disse ele, observando a tela. — Então, é isto que nos espera.Zayed se inclinou e tentou olhar o monitor.— O quê? — vociferou com uma cara preocupada.— Duas batidas de coração — disse o médico, virando a tela e apontandoas imagens. — Gêmeos.Rou quase desmaiou e lutou para respirar. Gêmeos?— Não é possível — ela gemeu.— E comum na minha família — respondeu Zayed em voz calma. — Jamilae Aman.— Não é possível — repetiu Rou. Um bebê já era mau, imagine dois!O médico desligou o aparelho.— Parabéns, vocês estão absolutamente grávidos.Vinte minutos depois, eles se dirigiam ao hotel onde Rou se hospedara.Ela estava calada, mas ele a observava atentamente. Ela estava grávida de dois meses e já deveria saber a algum tempo. Nada lhe contara, ep r o v a v e l m e n te n ã o p r e te n d i a l h e c o n t a r . Z a y e d d e u u m s u s p i r o . E l e n ã o a culpava: ele não lhe dera apoio. Agora, seria diferente. Ela teria seus filhos, dois bebês. Ele se lembrou de Jamila e Aman, correndo pelo palácio, brincandode esconder, e sentiu uma pontada de dor. As irmãs eram lindas.R o u s e e n c o l h e u n o b a n c o . Z a y e d l h e e n t r e g o u u m s a c o de papel. Elavomitara no estacionamento e ele achava que ela v o m i t a r i a d e n o v o . R o u olhava pela janela com um olhar vazio.— Você está bem? — ele perguntou com a maior gentileza.— Não. Não posso ter um filho — ela disse, abanando a cabeça. — Quantomais, dois.— Pretendo ajudá-la.— Não. — Laeela, querida.— Não me chame de querida, nem de laeela. Eu não sou nada disso.— É apenas minha mulher.— Não somos casados.— Somos casados e sempre seremos. Jamais vou me divorciar de você. Prometi...—Você e suas promessas estúpidas! — gritou ela, voltandose afinal parae l e . S e u s o l h o s e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . — V o c ê vi v e n u m m u n d o d e promessas e maldições, de superstição e de fantasmas. É um mundo no qual eu não me encaixo, nem quero me encaixar. Acredito na ciência, naobjetividade, em fatos, e não vou entregar a minha vida a um homem que nãome ama. — Ela estava descontrolada e cutucou-lhe o peito. — Eu mereço mais,Z a y e d . M e r e ç o m u i t o m a i s . — R o u c o m e ç o u a c h o r a r c o m o u m a c r i a n ç a , encolhida, com as mãos no rosto e muito pálida. Zayed olhou para ela como sea visse pela primeira vez. Ela o amava. Rou nada dissera, e nem precisara. Elepercebeu pelo modo como ela o fitava, pela angústia em sua voz, pela força deseus soluços. Ela o amava e ele a magoara demais. O coração dele doeu maispor arrependimento que por culpa. Ela parecia uma menina, e ele se perguntoupor que jamais percebera. Zayed tentou tocá-la, mas Rou se afastou. — Não me toque.Ele retirou a mão, mas viu que as lágrimas caíam através dos dedos de Rou e umedeciam seus joelhos. Ela estava sozinha, sem família e sem amigos.Quem a confortaria, se ele não o fizesse? Rou precisava dele, não de qualquer Projeto Revisoras76

.

Estava com ela porque devia.Z a y e d e sp e r o u q u e R o u a d o r m e c e s s e p a r a s e d e i t a r a o l ad o d e l a . — Zayed. Sua. Era o que ela queria: uma oportunidade para sevingar. Zayedestava ali. muito magoada e se sentia mal. a v o l t a d e S h a r i f perdera um pouco de sua importância quando comparada às duas vidas que ela carregava. esposa de Khalid. sua esposa. Talvez a maldição tivesse enfraquecido. Voltara para ela. que comentou que ele temia que ela fugisse. Rou.l a l i v r e m e n te c o m o jamais amara depois da morte de Nur. d e a m á . para ele. assumindo sua responsabilidade. mas vivo. pleno.l a .isto era algo extremamente importante. n a s ú l t i m a s h o r a s . e n ã o s a b i a o q u a n t o i r i a agüentar. Ele disse que ficava porque não queria deixá-la sozinha. E l e pensava incansavelmente. durante a p a l e s t r a . Ele não sabia por que ela o escolhera. preocupada. lutando por ela. O suor escorria por . ele percebeu que chorava. Estavag r á v i d a d e gêmeos. A paz e a prosperidade haviam voltado ao palácio. olhou para ela e imaginoupor que seu lindo rosto lhe parecia enevoado. Ele afastou uma mecha de cabelos do rosto dela e seu coração seincendiou e doeu.Jessica 116. ou talvez estivesse prestes a sequebrar. m a s . Quando Rou secou seus olhos. — Z a y e d . Ela o amava e. vestiu seuspijamas de flanela e deitou na cama. Durante sua infância. sua mulher. Por que ela nunca pensara em anticoncepcionais. O calor que sentia era ele voltando à vida.— Zayed. Eles e n ti u u m a i m e n s a n e c e s s i d a d e d e p r o t e g ê . Jesslyn e as criançasestavam mais que felizes. tudo seria diferente. Ele ignorou os protestos dela. porém jamais acontecera. Sentia-se vivo vibrante. e sua própria culpa o torturara durante anos. a mãe de seus filhos. Zayed estava alie d e c l a r a r a q u e j a m a i s a a b a n d o n a r i a . mas. Talvez estivesse na hora de se livrar dela. dormindo.— N ã o c h o r e q u e r i d a — m u r m u r o u e l e . Ele iria ser pai. E l a e s t a v a l ou c a por ele. Prometo. Ela tomou um banho. Sarq estava emfesta. Talvez. Eles nem sequer tinhamconversado a respeito de S h a r i f .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter pessoa. e dever a vida e seus desafios de outra maneira. — Estou aqui e amo você. ela esperara que o pai e a mãe reconhecessem que a amavam e precisavam dela.Zayed olhou para Rou que. pretendendo se manter o mais distante p o s s í v e l . não porque queria.Afinal. Ele sentiu a mão fresca tocando-lhe o rosto. Fechou os olhos e se deixou invadir pelocalor. Zayed? — ela murmurou. se virara para ele e se aconchegaraa seu corpo. Sharif voltara ferido. os dois passaram a noite no hotel de Rou. Olivia. O que faria? Duas pessoas que ela corria o risco d e magoar? Duas pessoas que ela talvez fosse capaz de prejudicar? Agora. Não vou deixá-la nunca mais. R o u s e n t o u n a c a m a e s e i n c l i n o u s o b r e e l e . e l a mesma dissera que o amor é estranho e imprevisível. dera à luz um menino. tão básicos efundamentais? Agora. ela jamais tivesse existido. combatendo a tristezae destruindo-a. — Algo de errado? — Elen ã o c o n s e g u i a f a l a r .Rou não teve forças para mandá-lo embora. agarrou-a e colocou no colo. o que foi?E l e j a m a i s i m a g i n a r i a s e n t i r t a l s o f r i m e n t o . a c a r i c i a n d o s e u s c a b e l o s e beijando-a no rosto. olhe para mim! — Ele abriu os olhos com esforço. P o r q u e e l a n ã o s e s e n t i a f e l i z e vitoriosa? Porque ele o fazia por dever. Talvez ele pudesse ser feliz. como Rou dissera. Duvidou que agüentasse tantossentimentos e tentou não fazer nenhum ruído que pudesse despertar Rou.

Projeto Revisoras77 . a dor desapareceu e ele se sentiu exausto. confusa.— Você está passando mal? — perguntou ela. mas preciso de você. Perdoe-me. meu amor. laeela. — De súbito. — Amo você e preciso de você.seu rosto.— Amo você — disse ele em voz rouca. o calor que oqueimava se apagou.

.

A infelicidade estava dentro de mim. Acho que não pensei que sexo resultaria em filhos. Pela primeira vez. A felicidade está espalhada ehá vida e amor em todos os lugares. Dra.— Estou melhor — disse ela.— Sinto muito por você — disse ele de maneira fingida. — Ela estremeceu e franziu a testa...— De jeito nenhum. Zayed deu uma gargalhada. — Não é estranho? Sou tãom a n í a c a c o m tudo. apavorada. s o d a . — Você tem vários diplomas. desconfiada. Talvez você soubesse que não se parece com sua mãe e que jamais abandonaria seu filho.— Porém você nunca falou em controle de natalidade. é preocupante. E u o d e i x e i p o r q u e s o u t o l a . — Não estou curada.— Isto tudo aconteceu nas últimas horas? Ele sentiu vontade de rir.— Vem acontecendo há algum tempo. Sou igual àminha mãe.— Não é uma comida qualquer — ele disse. e nunca pensei no assunto. arrumando a bandeja. contente. e. Foi por isso que o d e i x e i . — Por quê?— Porque amo você. apoiando-se no braço eolhando para ela. Z a y e d l i g o u p a r a o s e r v i ç o d e q u a r t o e p e d i u u m b a l d e d e g e l o . — Rou fez umacareta. Não há nada de errado comigo.— Ah. não conseguirei comer. sorrindo pela primeira vez em dias. Era o que Olivia comia quando estava enjoada. — Zayed deu uma gargalhada e deitou na cama. Rou mordeu a uva. a felicidade de Jesslyn.Jessica 116. e se deitou. Ela pegou mais umae depois comeu melão. Eu não seria uma boa mãe. — Estacomida é mágica.— Talvez você quisesse ficar grávida — disse ele.. — Rou acendeu a luz e o fitou calada. Ele sorria.. mas fico contentepor mim. — Ele arrancou uma uva do cachoe deu a ela. A volta de Sharif.Quando Rou voltou para a cama ele lhe ofereceu a bandeja.. acaba com o enjôo. mas bem melhor. Vamos ver se dará certo com você. em seguida. Tornell. feliz por estar contente.O m ê s f o r a d i f í c i l . Estava fresca e adocicada. E o amor.— Eu não queria ser mãe. O amor é mais forte que tudo.— Não. Não há sinal de maldição.— Eu sei. — D o i s b e b ê s — d i s s e d e r e p e n te .Rou o olhou. até mesmo o meu. é mais forte que a superstição e a desgraça. Vou vomitar! — Ela correu para o banheiro. Não novamente. melão e uvas geladas. o nascimento do filho de Olivia e Khalid. em 20 anos. Vou ser pai. Acho que não pensei q u e pudesse engravidar. um prato de torradas e bolachas. Zayed. f r a c a e ridícula como ela.— G o s t a r i a d e l h e d a r r a z ã o . Não é do seufeitio. m a s é exatamente o oposto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Está tudo bem — respondeu ele. — Ela fechou os olhos. Vamos ser pais. — Inconscientemente. u m a garrafa de ginger ale. no fundo. não. — Acho que acabou finalmente.— Como?— Percebi o quanto a amava.— Você está delirando?— Porque eu lhe disse que a amo?— Talvez esteja com uma virose.— Eu sei. —A maldição — ele disse. amor.. ou uma intoxicação.— Ah. Rou bateu Projeto Revisoras78 .— Talvez. metade de uma torrada. não há nada de errado comigo. E ela me trouxe até você. você soubesse que seria. E l a o o u v i u s u s p i r a r e abriu os olhos.

.

V o c ê a l e g r o u o p a l á c i o . nem quero.— Você é louco por mim? — Zayed se inclinou sobre ela e afastou-lhe os cabelos do rosto. quejamais vou abandoná-la. — O r i s o d e l e s e apagou. Sharif. Não consegui ficar longe de você. minha rainha. mas suas lembranças são do tempo em que viviaem Londres. por que sou tão louco por você?Rou olhou para ele. V o l t e p a r a casa comigo. Fico perdida no s e u mundo.?— E s t á b e m o s u f i c i e n t e p a r a r e t o m a r a l i d e r a n ç a .— Você está dizendo isso porque perdeu seu emprego?— Não perdi meu emprego — ele disse. Fico perdida nos seus palácios.— Ele reconhece Jesslyn e as crianças?— Ele reconhece Jesslyn.— Você terá uma linha exclusiva.Rou tentou ver nele o homem que a abandonaria na primeiraoportunidade. Eu me escondia de você. O trauma foi violento eos médicos querem que ele tenha tempo para descansar e se recuperar.Amo você demais para magoá-la outra vez. Ele se lembra de você. Porém a vida em Sarq não era fácil paraela.— Mas. Juro. Eu me sinto solitário.De fato. rindo. verificar se você estava bem.— Então.— Totalmente. mas tudoo que via era Zayed. Prometo. Eu sempre soube onde você estava e o quefazia. nem saudável.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter nele com o travesseiro. era tentador. Tive q u e v i r procurá-la. medo e ansiedade. Fehr?— Amor.— Sou. E l e e s t á v a z i o s e m v o c ê .— E o que é Dr. mas Sharif ainda não recuperou totalmente a memória. Ela se sentira miserável sem ele.. Poderia estar comigo. sentindo esperança.— Ele está com amnésia?— Houve uma perda significativa de memória. quisemos esconder a informação da imprensa. — Não foi noticiado.— Por que está rindo? Acabo de lhe contar meu segredo mais escondido evocê ri como uma hiena!— Se você é tão fraca. Porém.— Não sei Zayed.— Você jamais ficou perdida. antes de ser coroado. s i n t o s u a f a l t a .. mas poderia estar melhor. laeela — Os dentes dele brilharam num sorriso.. como homem e como rei. como conseguiu coragem para me deixar? Se é tãotola. como conseguiu sobreviver sem meu dinheiro e meu apoio emocional? Seé tão ridícula.— Q u e r o u m a l i n h a d i r e t a c o m o s d o i s p a l á c i o s — d i s s e e l a . não consigo sem você. t e n t a n d o esconder as lágrimas. Projeto Revisoras79 .Jessica 116.— Podíamos ficar juntos e nos amarmos. o homem cheio de dúvidas.. você ainda é rei — disse ela gentilmente. mas não acontecerá de novo.. e ficar sozinha e grávida só aumentara sua infelicidade. Ele era o que ela queria tudo de que precisava. perseguido por fantasmas. Podíamos ter o que queremos o que precisamos.Rou afundou no travesseiro. — Não quero precisar recorrer a ninguém para falar comvocê quando sentir necessidade.— E estou bem?— Está. A culpa foi minha.— Como posso ter certeza?— Porque estou aqui.. Seja minha esposa.

.

Com o tempo e a confiança. Quero estar onde você estiver. E l a e r a d i f e r e n te d e s u a mãe.Rou fechou os olhos ao sentir os lábios dele sobre os seus e acariciou-lhe orosto.— Concordo totalmente. Nossos filhos também precisam. Preciso de você e do seu amor.R o u o abraçou e beijou com tal ternura que o coração de Zayed d o e u antes de se encher de júbilo.J ú b i l o . para atender às necessidades deles antes das nossas. — Faremos com que dê certo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Quero viajar com você.— Amo você. sua a l e g r i a . era mais forte do que esperava. Rou pensou ump o u c o s e i m p o r i a m a i s a l g u m a c o n d i ç ã o . — Ele tudo renova. — Queroque sejamos fortes. com todo o meu coração — ele disse. Z a y e d enfiou as mãos nos cabelos dela. que nos amemos o suficiente para colocálos sempre emprimeiro lugar. Eu não s u p o r t a r i a q u e n o s s o s f i l h o s s e v i s s e m e n c u r r a l a d o s e n t r e n ó s d o i s .— Dará certo — ela disse resoluta.— Espero que sim.— O amor cura — ela disse em voz baixa e doce.— Quero que nossos filhos cresçam num ambiente feliz — disse.Rou sorriu e o coração de Zayed derreteu. E l e r e c e b e r a v á r i a s b ê n ç ã o s . E l e s e s e n t i a f e l i z . todos os seust e m o r e s s e a p a g a r i a m e s u a f e r i d a e s t a r i a s a r a d a .— Sei que sim. suanoiva. beijando-a. sua esposa. e p e r c e b e u q u e t u d o d e q u e precisava era de tempo para confiar.Jessica 116. Ele sentiu um nó na garganta. Projeto Revisoras80 . sua mulher. n ã o agüentaria que fossem magoados da mesma maneira que fui. meu amor?O sorriso dele era enorme estava mais bonito que nunca.— Algo mais. m a s n e n h u m a maior que aquela mulher.

.

n o casamento e na maternidade. Nada mais natural do quedar seu nome a um dos gêmeos. Ela ficou emocionadae s o r r i u p a r a o c u n h a d o e a m i g o q u e s e e sf o r ç a r a t a n t o p a r a r e c u p e r a r a memória e a energia. Jesslyn e Olivia aapoiaram. Sua missão não era passar horas noc o n s u l t ó r i o o u d a r p a l e s t r a s . acreditando que todas as crianças deveriam ser abençoadas. três campos de estudo que ela pretendia cursarpelo resto da vida. **** *** * . e. observava o pequeno e calmo Kamil ser colocado no colo de Khalid. que jamais quisera se casar ou ter filhos. R o u a d o r a v a o c l i m a e a p r a i a d o l i n d o p o r t o histórico. apreciava a vida que levava. S u a m i s s ã o e s t a v a e m c a s a . m a s e l e s d e c i d i r a m m o r a r e m S a r q e criar os meninos emC a l a . algo incomum na família Fehr. O s b e b ê s . Zayed queria ficar perto da família.Com o retorno de Sharif ao trono. F o r a u m v e r d a d e i r o milagre ver Sharif de volta. Zayeda a b r a ç o u p e l a c i n t u r a . mas sem interferir: Cala era a solução perfeita. Adorava ser mãe eadorava seu marido.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Epilogo ROU QUIS batizar os filhos.Jessica 116. e o inquieto e teimosoSharif ser colocado nos braços do tio Sharif. m a s e r a t a r d e d e m a i s . poderiamviajar. E l a j á e s t a v a c o m a v i s t a enevoada e mal conseguia acompanhar a c e r i m ô n i a .mandou buscar um padre em Londres. Zayed. no momento.O rei Sharif sorriu ao pegar o bebê e olhou para Rou. n o p a l á c i o d e v e r ã o . n o a m o r . não suportariam um ritual mais demorado. se ela quisesse. encontrara sua missão. Ao perceber que Rou estava à beira das lágrimas. ela e Zayed estavam livres para viver o n d e q u i s e s s e m . assumindo seu reinado. R o u escolhera os irmãos de Zayed como padrinhos. Ela. c o m seis meses.O batizado aconteceu numa das salas do palácio e a cerimônia foi curta. mas Rou não tinha vontade de retomar seu trabalho. Ele também dissera à esposa que.

p. 1. . 2. p. p.p. p.

p. 3. 128 p. 57 p. Mais coisas deste usuário AnteriorPróximo 1. . p.p.

149 p. 181 p. 97 p. . 2. 54 p. 3. 55 p.

.81 p.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful