Jessica 116.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter

DUTY, DESIRE AND THE DESERT KING

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. Canada O SHEIK Z AYED Fehr está aqui e m Vancouver? — repetiu a Dra. Khalid deveria estar enganado. o homem que a humilhara e magoara como nenhum outro. preocupada. e não por causa do irmão mais moço do rei Sharif Fehr. rico. Bastava saber que ela jamais respeitaria ou confiaria num homem como . Rou Tornell. aqui? — perguntou Rou. Ele era irmão de Sharif. O filho de Sharif tinhaapenas três anos e não poderia governar. a assistente de Rou..— Quero dizer aqui. porémmal conseguia respirar. Capítulo Um Vancouver.Jessica 116. detestava Zayed Fehr. Sharif.— Nós nos conhecemos — disse Rou com fingida indiferença. S h a r i f . K h a l i d f o r a direto. confusa. apertandoas mãos. e. elausava lentes de contato. Jamie não p r e c i s a v a saber dos detalhes embaraçosos do encontro de 3 anos a t r á s .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Monte Cario O sheik ZAYED Fehr releu a carta escrita no grosso pergaminho usado pelafamília real. A m e n s a g e m e r a c u r t a e s i m p l e s . Ele expirou com dificuldade. pensou Rou. sem senso de responsabilidade e sem educação. acima de tudo. s e u a m a d o i r m ã o .— O quê? — Rou recolocou os óculos e fitou Jamie.— Sim. Uma pontada aguda feriu seu coração. Ela disse a si mesma que tremia por causa do cansaço. espantada. Ela não fora enviada pelo rei. famoso. Ele não costumava se emocionar. e Zayed fora feitono mesmo molde: bonito. s e u i r m ã o c a ç u l a . odiava a facilidade comque satisfaziam os próprios desejos.— Você o conhece? — perguntou Jamie. frívolo e egocêntrico. Rou fez um gesto de aborrecimento. ansiosa.Aquilo era o tipo de coisa que seu pai diria. preferiaos óculos. após uma turnê de sete semanas em que promovera o seu livro. mas. Zayed seria o rei. Parece que é urgente:assunto de vida ou de morte. seu irmão mais velho. um príncipe do desertosem preocupações. Ele está aqui — disse Jamie.o sheik Zayed.— Como assim. não uma. Portanto. Em geral. Zayed sentiu que possuía um coração e quee l e s e p a r t i r a . A partir daquelemomento. — Por quê? — Você disse a ele que não teria tempo de vê-lo em Portland o u e m Seattle. e simp o r K h a l i d . mas a ovelha negra da família. — Jamie sorriu nervosamente. ele voou até aqui. Zayed precisaria se casar e voltar para casa. Sefosse verdade.Pela primeira vez em 15 anos. na privacidade de seu quarto de hotel. ele já teria ouvido alguma notícia antes de receber acorrespondência.— Não tenho tempo e não quero vê-lo. e ele fora dado como morto. Não podia ser verdade. masvárias vezes. — Acho que ele não irá embora antes de vê-la. no hotel. Tudo girava em torno dele. Rou desprezava playboys e grandes astros.tirando os óculos com mão trêmula e esfregando o nariz. As mãos de Zayed tremeram. d e s a p a r e c e r a : s e u a v i ã o c a í r a e m algum lugar do deserto do Saara.

.— Pensei que você teria cinco minutos — insistiu Jamie. a fria e racional cientista. Sim. mas isso não faz dele um homem bom. — Ela viu a expressão de Rou e apressou-se a esclarecer.e as mulheres caíam a seus pés.— Há quanto tempo ele está esperando? — perguntou. J a m i e t r a b a l h a v a a r d u a m e n t e . Zayed em sua suíte.— Tem razão — suspirou Rou. e r a a g r a d á v e l e ef i c i e n t e . —Ele parece desesperado para vê-la.— Ele me pareceu muito simpático. irritada.. umafortuna ultrajante e um poder indescritível. — Ele tem um corpo perfeito.— Você o conheceu?— Bem.ZayedFehr.— Na minha suíte?— E l e e s p e r a q u e v o c ê o r e c e b a . na ante-sala. esperando-a do outro lado da porta? — Eu fiz algode errado? — perguntou Jamie. corando. C l a r o q u e t er i a tempo. engolindo em seco. Além de bonito e rico. Projeto Revisoras4 . A assistente de produção só chegará dentro de meia hora e você vai se maquiarno estúdio de TV. — disse Jamie. Ela mesma.— Há meia hora... Ele está aqui. P e n s e i q u e v o c ê t e r i a t e m p o .— Ele é muito bonito — disse Jamie. A a s s i s t e n t e e s t a v a q u a s e c h o r a n d o . com as mãos suando frio e oc o r a ç ã o d i s p a r a d o .R o u a g a r r o u a b e i r a d a d a m e s a p a r a c o n t e r o t r em o r ..l a p o r f i c a r encantada com Zayed. Rou queria gritar que sim. ele era charmoso e carismático. O problema é que não desejava desperdiçar nem cinco segundos com Zayed Fehr.— Não — ela respondeu.. — Rou juntou seus papéis para disfarçar opânico. nervosa. R o u n ã o p o d e r i a c u l p á . se dei-xara impressionar. entusiasmada.

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O m u n d o d e l e s v i r a r a d e c a b e ç a p a r a b a i x o e jamais seria o mesmo. pelo sofrimento e pelo medo. Entretanto.Jamie abriu a porta. Agora. Aop e n s a r n e s t a ú l t i m a q u a l i f i c a ç ã o . de repente... empertigada econvencida que eleja conhecera. em Sarq. seu lugar não era em Sarq. No dia seguinte faria uma semana queo a v i ã o s i m p l e s m e n t e d e s a p a r e c e r a s e m sinal de alerta. Ao entrar no quarto.— Não há problema — Zayed respondeu sorrindo e seguindo Jamie. . magra. d i a n t e d e u m l a p t o p . Não admira que Jesslyn parecesse um fantasma. a s s i m c o m o o sofrimento infinito e silencioso de Khalid. n o 1 4 ° d i a Z a y e d a s s u m i r i a o t r o n o . Porém. — Mande-o entrar. Preciso de você. Se não fosse pelo irmão.o r o s t o d e J e s s l y n e s e u s o l h o s e s p a n t a d o s o p e r s e g u i a m . Agora. que tentaria cuidar detudo até que ele pudesse voltar e assumir seu lugar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ficou desanimada. apenas quatro anos mais velho que ele. mas receio que o tempo seja curto. Zayed também passaraalgum tempo com a esposa de Sharif. Khalid murmurara ao se despedirem. não de sol. era impossível evitar. Zayed esperava ser recebido pela Dra. Rou Tornell. mas quando se tratava deRou Tornell. e talvez até deprimida. . As quatrocrianças estavam chocadas.Ele voara para casa. Todos nós precisamos. e muito menos uma casamenteira? Quem diria que a tímida professora entenderia algo sobrea t r a ç ã o s e x u a l e s o b r e r e l a c i o n a m e n t o s a m o r o s o s ? Z a y e d e r a c a v a l h e i r o demais para fazer comparações entre as mulheres. P o r l e i . sem pedido des o c o r r o . antes danoite de autógrafos. porque ela dará várias entrevistas esta tarde. Tornell vai recebê-lo agora — disse ela corando —. E l a u s a v a ó c u l o s e s e u s l o n g o s c a b e l o s l o u r o s estavam displicentemente presos atrás das orelhas. P a r a e l e . autora de best-sellers. mas anos de experiência como terapeuta a haviamensinado a não demonstrar suas emoções. Talvez por isso ele se comovera. Sua dor parecia maior e mais intensa agora do que aoreceber a notícia cinco dias antes. A a s s i s t e n t e s a i u discretamente e Projeto Revisoras5 . Rou Tornell exalava o calor de um cubo de gelo. Ninguém sabia o que acontecera.mas quem poderia imaginar que Sharif. Embora Sharif alegasse que ela era apenas o b j e t i v a . um governante. ele não estaria ali. O senhor terá apenas alguns minutos. Jesslyn. Elepensou que era típico de Rou Tornell estar sempre ocupada e se fazendo deimportante.— P o r q u e n ã o m e d i s s e a n t e s . e sua personalidade eratão interessante quanto um. morreria? Quem poderia prever a queda do avião? Zayed fechou os olhos esentiu uma dor no peito. a experiência de Zayed lhe mostrara que ela era s e v e r a m e n t e reprimida. ele gostava de chuva.Jessica 116. desesperadas e sentiam a falta do pai. ela tinha a reputação de ser a melhor ems e u r a m o. O palácioestava pior do que ele imaginara.Volte para casa.— A Dra. — R o u endireitou os ombros e prendeu o lindo c a b e l o l o u r o W a t r á s d a o r e l h a . e encontrara Khalid. Q u e m p e n s a r i a q u e a h u m i l d e protegida de Sharif se tornaria uma palestrante internacional. dominado pelo luto. Sharif sefora. Todos recorriama Sharif. odeserto não estava mais em seu sangue. e l e s o r r i u . o mais velho. E s t á c e r t o . palestrante internacional e casamenteira profissional. Osarranha-céus e os apartamentos de cobertura agora eram o seu lar. nem que K h a l i d n ã o d o r m i s s e h á d i a s . e e r a d i s t o q u e e l e p r e c i s a v a . encontrou-a sentada do outro lado de uma m e s a. pedante e tensa. ? N ã o i m p o r t a . Ela era a mulher mais fria. O irmão e a cunhada jamais lhe pediram algo. e com os sobrinhos. o centro da família. p a r e c i a impossível: ele não era um líder. a rocha. mas deixe claro que ele só terá cinco minutos — disse em vozfirme e de cabeça erguida.Na ante-sala. Loura.

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apesar de seu coração disparar. Zayednão era artista. r e c e b e r a . Pippa os apresentara durante a recepção. Z a y e d e r a incrivelmente lindo.— Sheik Fehr — Pippa dissera. mas não pudera e mandara s e u i r m ã o m a i s n o v o . Ele era maisa t r a e n t e d o q u e e l a s e l e m b r a v a . O pai dela. — Estou meio apressada. — Rou sentiu um sobressalto ao vê-lo se aproximar.— Parece? Não para Pippa. Rou Tornell. Odiava que ele a tivesse magoado. você está ansioso para me ver. Determinado seria a palavra mais certa. Rou endureceu o queixo. Ela oo d i a v a . E s q u e c e r a . observando que ela não mudara e quejamais mudaria. mesmo magoando os outros.— Rou sustentou o olhar de Zayed. — Dois anos?— Três. aproximando-se.— Não imagino como possa ajudá-lo — ela disse friamente. Ela não deveria admitir que um homem como ele tivesse tal poder. Dra. um dos maioresastros de cinema de sua época. sheik Fehr — cumprimentou Rou. o p r í n c i p e Zayed Fehr. Esqueça o cubo de gelo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter fechou a porta. não é?De repente. S e S h a r i f e r a b o n i t o . costumava produzir o mesmo efeito.s e d e c o m o e l e d o m i n a v a o ambiente com sua imponência e sua elegância. e m Winchester. — Ele se levantarade maneira imponente e elegante. — Tanto tempo assim? — ele retorquiu com um sorriso frio. segundo Jamie. a l g o d e p o s i t i v o r e s u l t a r a d o e p i s ó d i o h u m i l h a n t e e d o l o r o s o . — Faz algum tempo — ele disse. irritada porques e u p u l s o a c e l e r a r a .mas. ele pensou com cinismo. e fazia o que queria. Sentia-se envergonhada por ele tê-lamagoado. Ela teve dois filhos nesse ínterim.Zayed notou o tom gélido e apertou os lábios.— Parece que foi ontem que nos conhecemos.Jessica 116. E l a n ã o g o s t a v a d e l e . quando e como desejava. Como Sharif.t i n h a o m b r o s l a r g o s e a c i n t u r a e s t r e i t a . E n t r et a n t o . Elaé um iceberg. mas um sheik que se comportava de maneira mais ocidentalque a maioria dos ocidentais. parando diante da mesa do sheik. — Eu nãopoderia deixar de lhe apresentar minha amiga. Rou reviveu o fim de semana em que haviam se conhecido d u r a n t e o c a s a m e n t o d e L a d y P i p p a C o l l i n s .o p o r c o n s i d e r a ç ã o a Sharif. em seu lugar. Tornell. A percepção que tivera do caráter de Zayed se tornara o título de seu segundo best-seller: "Ele não é um príncipe — Como reconhecer os homens maldosos.— Lady Pippa teve dois filhos? Ela tem estado bastante ocupada. Possuía milhões de dólares. Tinha olhos e cabelos negros. ele era bem mais alto que ela. zombado dela.— Eu não diria ansioso. queixo não . além da fortuna dafamília. Sharif deveriacomparecer.— Boa tarde. que lhe t i v e s s e provado que ela jamais deveria confiar num homem e que jamais encontraria um amor verdadeiro.os impostores e os trapaceiros e encontrar o verdadeiro amor".

Projeto Revisoras6 .Os olhos do sheik Fehr brilharam. mas um homem maduro.— Q u e s o r t e — e l e d i s s e r a n u m t o m d e i r o n i a q u e R o u j a m a i s o u v i r a . Rou reparara que ele não era um jovemde 20 anos. P o r o u t r o l a d o . — Graças a Rou.m a s e x t r em a m e n t e m á s c u l o n a r i z r e t o e m a ç ã s d o r o s t o p r o n u n c i a d a s q u e fariam inveja a qualquer modelo. q u e r i a g o s t a r d e l e p o r s e r i r m ã o d e S h a r i f . Foi ela quem me apresentou a Henry. Em parte. Era o protótipo da beleza. estamos aqui. ela sabiaque jamais poderia confiar nele. há um ano. já que a maioria dos homens bonitos é egoístae i m p i e d o s a . ela já ter ouvido de tudo. apesar de.muito quadrado. como psicóloga. em torno dos 32 ou 33 anos. Pippa estava tão feliz quenão percebera.

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— O que posso fazer.O nome é F-eh-r. Rou se lembrava muito bem dos detalhes daquela noite e do calor do corpo de Zayedenquanto dançavam. sheik Fehr?— S e t i v e s s e a t e n d i d o m e u s t e l e f o n e m a s . não fosse por um email de Sharif querecebera por engano.— As coisas mudaram — disse ele sério. .Jessica 116. Era exatamentecomo ela se lembrava: profunda e firme. — O que posso fazer por você. mas a atração obviamente não foi recíproca. Vou Projeto Revisoras7 . Não admirava que as mulheres Se encantassem. Ele a escutara rira de suasbrincadeiras.Rou o examinou por um tempo.— Tenho 36 anos. atendendo a um aceno do marido. Maçante. q u e r i a u m a esposa? Ela mal sufocou uma gargalhada. As horas que passaram juntos foram deliciosas. corando.Rou esperou o fim da piada. Preciso soletrar?— Não. sentando-se numa poltrona. o s o l t e i r o m a i s r i c o e f a m o s o d e M o n t e C a r i o . — Ela rangeu os dentes ao ouvir a voz irônica. D á p a r a acreditar? O nosso é o centésimo casamento que ela faz. a D r a . Rou. .. Um manequim de loja. mas ele não sorriu. Porém. Comofora estúpida! A vergonha a fez falar secamente. Sharif prometera não contar. Ele deveria estar brincando. Ficara atraída por ele e percebera queZayed também estava atraído por ela. " — Você ainda promove casamentos? — disse Zayed naquele momento. mas. de alguma forma. Preciso de uma esposa. Q u e r d i z e r .l h e o r o s t o c o m o s l á b i o s e e l a t e v e a c e r t e z a de que logo ele aconvidaria para um encontro de verdade. de fato. sem mencionar os e-mails. Ele usava um bonito terno e uma camisa branca. sem gravata. Mais tarde. maçante. Havia tempo que ela não tinha um encontro.— Sim — disse ela simplesmente. falara sobre o próprio trabalho.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — R o u . sheik Fehr?— Você podia pegar sua papelada e começar a preencher os formulários. r e n o m a d o p l a y b o y . rouca o suficiente para parecer uma carícia.— O que faz aqui? — perguntou ela. A gentileza dele a cativara .A alegre Pippa se afastara. — Não tenho mais opção. Ela tem o calor eo charme de um manequim de loja. Conversaram durante horas.. O p i o r é q u e p e r c e b i q u e e l a gostou de mim. As mãosdela tremeram. e a deixarasozinha com o sheik. v o c ê s a b e r i a — e l e d i s s e . nem piscou. O cabelo estava mais curto do que quando o conhecera. Sharif pretendia responder uma mensagem de Zayed. T o r n e l l t e m u m v er d a d e i r o d o m .— Talvez você precise atualizar sua tecnologia. enviara o e-mail para ela. quando ele a colocou num t á x i . dançarame saíram juntos da recepção para tomar um último drinque num bar.— Estive viajando — respondeu secamente. e ele fazia comque ela se sentisse bonita e fascinante. Zayed a convidara para sentar e os dois passaram o resto da noite juntos.— Por que uma esposa agora? Você sempre declarou não ser favorável aocasamento. — Deixei várias mensagens para você. sempre curiosa. Para sua surpresa. Ela já formou cem pares. A únicavantagem é que ele nada sabia. ele n ã o t e l e f o n a r a e R o u jamais saberia o que ele sentia por ela. O primeiro nome é Zayed. por você. odiando reviver o episódio. r o ç o u . Ele percebera o erro antes d e l a e l i g a r a p a r a s e d e s c u l p a r e p a r a l h e p e d i r q u e a p a g a s s e a r u d e mensagem sem ler. e todos acabaram em casamento. Zayed Fehr. lera o e-mail: "Passar a noite com elaf o i c o m o p a s s e a r n u m m u s e u — maçante — mas você agüenta porque se c o n v e n c e d e q u e es t á f a z e n d o u m a b o a a ç ã o . assim como ela. ela pensou.

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P a r a o u t r a s p e s s o a s .. 26 anos. O sheik a conquistara e. Dra. — S i n t o m u i t o . quero a esposa certa. Nenhum homem pode ocupar otrono antes de completar 25 anos e. Rou se lembrou de sua mãe. cabelos ruivos. Depois de 12 anos dee x p e r i ê n c i a . c o m u m p o u c o de esforço. deixaria que minha mãe a escolhesse. aparecendo para lhe pedir ajuda depois de tanto tempo?— Então. E. mas que nãoconseguira fazer seu pai feliz..— Estou com pressa. quando dá errado. você não seencaixa no perfil dos candidatos com quem trabalho. deverá estar casado. creio que conseguiriaencontrá-la. R o u c o m p r e e n d e r a q u e o a m o r e r a a m a i s p o d e r o s a d r o g a conhecida pelo homem. — S e m e d á l i c e n ç a .— Não quero uma candidata disponível. deleite. Além disso. Você é especialista em relacionamentos e pode encontrar a mulher perfeita para mim. vício. Quem ele pensava ser? Como podia ser tão insensível eegoísta. Jamais condenaria alguéma passar a vida com ele. Lembra-se dela? Magra. Jamie bateu na porta.— Ela foi sua cliente há um ano. P o r c a u s a d e s e u s sentimentos pessoais emr e l a ç ã o à Z a y e d . Se fosse o caso. e a lei assim o exige.— Já percebi — retrucou ela com sarcasmo. Não querouma noiva qualquer. uma famosamodelo inglesa. entrou e acenou para o relógio.R o u o b s e r v o u . nem uma esposaagradável. quando o fizer. Negativo. Faltavam-lhe informações. É por isso que estou aqui. Amor é loucura. n e c e s s i t a d e c o n t at o e d e s e r inundado pelos hormônios produzidos em sua presença. — Ela não sentia o menor remorso. e q u i v a l e a u m a desintoxicação.— N ã o p o s s o — e l a r e s p o n d e u br u s c a m e n t e . você vai me ajudar?— Não.— Eu não conheço. depois dea l g u n s m e s e s . Rou se lembrou de que precisava mudar de roupa e se pentear. mesmo comsua ajuda. foram necessários meses de paciência e habilidade para tirá-la do f u n d o d o p o ç o .. — U m c a s a m e n t o n ã o d e v e s er a p r e s s a d o . Quanto menos soubesse.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assumir o trono de Sarq. É p r e c i s o t em p o e pesquisa para encontrar um companheiro compatível. R o u s e r e c u s a r a a a t e n d e r a m o d e l o . e e s t a t e n t a r a s e suicidar. p r e c i s o m e p r e p a r a r p a r a o m e u próximo compromisso. mas Zayed não as fornecera e ela não pretendia perguntar. mas sua expressão não era amigável. i n t r i g a d a . Isso a faz recordar?Claro que Rou se lembrava de Angela. mas. Projeto Revisoras8 . e sim uma sensaçãod e p o d e r . — Sei que ela veio consultá-la — acrescentou Zayed sem expressão. você não encontraria sozinho uma c a n d i d a t a disponível. Tornell. T o d o s s a b i a m q u e S h a r i f e r a o r e i d e S a r q . u m c o r a ç ã o p a r t i d o e q u i v a l e a u m a f o r m a d e m o r t e . Jamais encontraria uma mulher para Zayed. Ela sel e v a n t o u .Jessica 116. Talvez houvesse outro reino ou alguma tribo do deserto que precisasse de umsenhor feudal. s h e i k F e h r . é destrutivo. Isso não quer dizer que. O cérebro subitamente privado de alguns neurotransmissoresq u e o a l i m e n t a v a m i m p l o r a p e l o s er a m a d o .— É por causa de Angela Moss? Rou se espantou.. Q u a n d o s e e s t á s o b o ef e i t o d o a m o r . — Fui eu que lhe dei o seu nome. De repente. O reiprecisa ter uma esposa. De modelo passou a estilista de bolsas. admirada e invejada no mundo inteiro. a a b a n d o n a r a . melhor. — E l a n ã o sentia.o . Ele era desagradável e queriaque ele fosse embora.— Se você realmente quisesse uma esposa.Zayed sorriu. Ela percebera que precisava ajudar a pobre moça. Pensei que poderia ajudá-la.

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Jessica 116.— Você a mandou para mim? — Ela balançou a cabeça.— Eu mudei — disse ele. posso me dar ao luxo de ser seletiva. com base na minha experiência pessoalcom você. Você me deu uma razão pessoal. — Interesse de quem?— Seu..— Você disse a Angela que jamais se casaria que nunca se apaixonaria e que éincapaz de amar. Rou se voltou para ele. — Isso foi inadequado.— Não é? — Ele sustentou o olhar de Rou.— Marionetes. N ã o d e v e r i a t er d i t o a ú l t i m a f r a s e p o r u m a q u e s t ã o d e sigilo.R o u p e r c e b e u q u e J a m i e a i n d a e s t a v a p a r a d a à p o r t a e f e z u m g e s t o.— Então. Haveria conflito de interesses. portanto. Ele a olhou com indiferença. — Elas não serão magoadas quando você as dispensar.— Isso não é possível. — Desculpe — ela disse.— Não estou zangada. Os narcisistas não conseguem amar mais ninguém e nemver o outro como um ser separado. N ã o p o d e r i a v e r a s i t u a ç ã o i s e n t a d e preconceitos. O pai de Rou também sóamava a si mesmo. Agora você vê por que eu não poderia trabalhar com você depois deatender Angela. — Ela sorriu. ela respondeu intimamente.Afinal. Angela lhe dissera que Zayed usara sua incapacidade de amar como motivo para romperem seu relacionamento.— Deixe que eu seja clara. portanto.— Não precisa? — ele repetiu. Eu quero uma razão profissional. não se faça de obtuso.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou sentou novamente. mas sua acompanhante chegou Dra. bonecas. Mas nada disse. como se fosse evidente. mas não queria magoá-la. você tem consciência. sheik Fehr. Era o clássico narcisista.— Não. porque ele jamais se apaixonaria eela o amava cada vez mais.— O que está sugerindo? — ele perguntou.— É muito simples. a b o r r e c i d a ..Ele era muito arrogante!— J á s e i d e m a i s s o b r e v o c ê .. você é uma cientista. não é?Jamie abriu a porta.. robôs. Assim que ela se foi.— Você está zangada — ele disse surpreso.. Jamais trabalharia com você. — Ela se inclinou sobre a mesa. Projeto Revisoras9 .— Por que não?— Eu já lhe disse. Só não preciso de você. encarando-a. M i n h a c l í n i c a é um s u c e s s o e t e n h o m u i t o t r a b a l h o . porque jamais lhe revelaria que sabia o que e l e pensava dela.Rou olhou-o com desdém.— Porque eu não amava Angela?— Porque você não ama e é incapaz de amar — explodiu ela e trincou os d e n t e s . Fazia parte do sigilo entre p a c i e n t e e terapeuta. perplexa. capachos.— Talvez você devesse parar de sair com mulheres que têm cérebro e coração. não acreditava poder ser fiel a uma mulher.. e que.— Isso tudo com base nos seis encontros que tive com Angela? Não. pedindo mais cinco minutos.— Desculpe interromper de novo. com necessidades próprias. s h e i k F e h r . — Por quê?— Eu estava preocupado com ela — replicou ele.— Eu não a amava. — Ela firmou a voz. — Não gosto d e v o c ê . — Você é psicóloga.

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Jessica 116. calculando que seriam oito milhõesd e d ó l a r e s .. — É o suficiente para você esquecer suasobjeções? — Não! Eu não ligo para o dinheiro — ela disse. Ajude-me.— Então. Não seriacorreto.— E v o c ê t a m b é m n ã o f o i ? V o c ê m e j u l g o u e s e n t e n c i o u a n t e s d e n o s encontrarmos hoje. J am a i s c o b r e i u m a q u a n t i a t ã o a l t a e n u n c a aceitaria. O perfil.— Não sei se todos sairiam ganhando. e todos saem ganhando.— Este é o problema — ele disse. — Você não me conhece.. assim como fiz antes de procurála.. Há um país inteiro a minha espera. s a b e r i a q u e n ã o a c e i t o q u a l q u e r um c o m o cliente. e talvez fosse mais fácil. —Talvez você devesse fazer uma pequena pesquisa antes de tirar conclusões. Atendo cinco por cento das pessoas que me procuram. Trabalhar com vocêcontraria minha ética e. — Ele a desafiou com um olhar. levantando.— Nem mesmo cinco milhões de libras? Rou ficou espantada.— Eu sou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Tornell. pelo qual você tem lutado nos últimos sete a n o s .. de ética. tudo.m e u m a e s p o s a e t e r á o s e u c e n t r o . e sim de valores. A c h o q u e é u m a t r o c a justa: eu consigo o que quero você também.— S e t i v e s s e i n v e s t i g a d o . Dra.— Isto é baixo e ultrajante. mas Rou o deteve. Não posso representá-lo com neutralidade. pelo visto.— Pelo que me diz respeito. sheik Fehr? Ele parou e se virou Projeto Revisoras10 . dá no mesmo. Pensa que me conhece. e que. Vamos nos encontrar para jantar.— Não se trata de dinheiro. sem despregar os olhos de Zayed. veja esse dinheiro como a verba que precisa para construir ocentro de pesquisas em Oakland. Estou lhe pedindo para me arranjar uma esposa. — Ela respirou fundo. como se tivesse levado um soco. Ele deu uma gargalhada amarga.Ela se afastou da mesa. Ótimo.— Preciso ir. — Não sei se gostaria de poder. falhara. Ela está esperando no saguão do hotel — Rou acenou com a cabeça. — Ele caminhou para a porta..— Não lhe peço para encontrar a cura do câncer.Começaremos esta noite. que é o melhor que sabe fazer.— Qual foi o resultado da sua pesquisa.— Você pode me ajudar. Meu sucesso sedeve ao fato de ser criteriosa. francamente.— Cinco milhões de libras? — repetiu.. mas não é verdade. perdendo a paciência. E n c o n t r e . — Oque faço não é por dinheiro. Faço por que. A simples oferta demonstra o seu desespero. faça seu trabalho.— Então.— Não.Rou perdeu o fôlego.— Pensei que você fosse uma profissional. — I s s o é r i d í c u l o .E l a s e c a l o u p o r q u e n ã o p o d e r i a c o n t a r a l g o t ã o p e s s o a l a u m h o m em como Zayed. — Determinação — ele corrigiu. Tornell. mas necessito do seu tempo e da sua habilidade..Se ela esperava abatê-lo. — Jamais. — Ela se levantou mais tensa do que nunca.— O tempo é fundamental. eprometo recompensá-la muito bem. é a única coisa em que é boa. que só se importava consigo mesmo. Não preciso da sua aprovação. e esperou a porta fechar. as informações básicas.. Só trabalho com pessoas que acredito poder ajudar. nenhuma quantia faria com que eu me comprometesse.

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Os dois lutaram pela custódia de Rou. silenciosa e discretamente. dramática e violentamente.D u r a n t e a i n f â n c i a .Seus pais eram famosos e suas disputas durante o divórcio foram publicadas pela mídia. brilhante. ao ser abandonada Projeto Revisoras11 Jessica 116. pressionando-lhe o peito. Ele também fora convidado parao casamento de Ralf com a princesa Georgina. Era disso que Georgina precisava: de um homem forte. independente. Era algo inusitado. Os convidados aplaudiram quando o noivol e v a n t o u o v é u d e G e or g i n a e a b e i j o u . A luz nos olhos da n o i v a b a s t o u p a r a f a z e r o c o r a ç ã o d e R o u s e contrair. Ralf era perfeito para Georgina: forte. mas ne -nhum deles a queria de fato. sua vida mudara. Amiga de infância de Georgina. mais máquina que mulher. Ela es-t a v a t ã o f e l i z q u e b r i l h a v a m a i s q u e os candelabros da catedral de SantoEstevão. e seus olhos se encheram de lágrimas. que partiu seucoração. A v i r g e m d e g e l o p r e f e r i r a f u g i r a encontrá-lo. Em geral. Ele sempre as tratara bem. as mulheres se jogavam sobre ele.— Você tem uma noite de autógrafos na Fireside Books às sete.Ele saiu. dentro de dois dias. alegando u m m a l estar.Rou ficou muda. que a amasse para sempre. suas brigas exploradas pelos tablóides. e sim com o divórcio de seus pais. Ao terminar um relacionamento. mas doce e carinhoso. Os casamentos sempre a comoviam. Ela amaldiçoara os homens e o amor. mas este era e x c e p c i o n a l .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter no altar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter para ela. Capítulo Dois Rou NÃO estava na Fireside Books quando ele chegou para buscá-la. Jurara nunca se tornar esposa emãe. O v e st i d o d a n o i v a c i n t i l a v a c o m o s cristais bordados à mão no tecido delicado. Zayed deu meia-volta e parou do lado de fora da l i v r a r i a . Georgina fora profundamente magoada. Georgina encontrous e u p a r .Zayed pegou o celular. A noite estava fresca e o vento arrastava as folhas v e r m e l h a s e a m a r e l a d a s p e l a c a l ç a d a . Rou Tornell se grudara a ele como velcro.. três anos antes.mas terno. Era perfeito.— Eu sei por que você é tão rígida e reprimida. inclusiveAngela. Os noivos se viraram para encarara congregação e Rou conteve o fôlego ao ver a expressão de Georgina. Rou se recusara a aceitar que sua melhoramiga jamais seria feliz e. Irei buscá-la às nove.. meiahora antes de terminar a noite de autógrafos. Eu os declaro marido e mulher. m a s q u a n d o o casamento dos pais naufragara. três anos antes. R o u s e s e n t i r a s e g u r a e a m a d a . o contrário da atenção que elalhe dedicara na festa de casamento de Lady Pippa. ele tivera irmãs. A música inundou a igreja enquanto o casal saía. Encontrara o barão Ralf van Kliesen. Boa sorte com a sua entrevista. bonito. Ele podia ser implacável. O nó na garganta de Rou cresceu e seespalhou. e. os telefonemas gravados ereproduzidos pela imprensa. sentir-se abençoada. financeira e emocionalmente. um nobre de títuloa u s t r í a c o q u e n a s c e r a e c r e s c e r a n o d e s e r t o a u s t r a l i a n o e m c o m p a n h i a d a mãe. Afinal. Amar e ser amada para sempre.Nada tem a ver com dinheiro. onde compareceria a mais um de seus famososcasamentos. ele se certificava de que elas estavambem. mas não era um completo idiota. Naquelanoite. começara a procurar umhomem ideal para ela. certamente. sabendo de antemão que Rou Tornell não estaria m a i s h o s p e d a d a n o H o t e l F a i r m o n t . Ela saíra mais cedo. bebendo suas palavras.Jessica 116. . E l e d e s c o n f i a v a q u e e l a j á e s t a r i a a caminho da Áustria. digerindo a informação. Como é que ele sabia? Ela nunca contara a alguém.

o gerente.— Eu me comprometi com outros clientes. Rou entrou e tirou seu precioso manto. conforme o combinado. Ele vinha na sua direção. R o u s e e s c o n d e u n o b a n h e i r o durante 20 minutos. As pessoas se apaixonam por uma imagem.— Então. sempre consigo o que quero. Ela alisou o tradicional vestido preto de Jérsey e entrou no salão iluminado por centenas dev e l a s . até ouvir o som de trombetas anunciando a chegada dosnoivos. O a m o r é g e n e r o s i d a d e e t e r n u r a . apesar desta contar. Claro que era ele.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou se odiou por ficar corada.Tudo o que desejavam era vencer. — Não. O que ele fazia ali? Ela sabia a resposta: ele pedira a suaa j u d a e e l a r e c u s a r a . A pr i m e i r a p e s s o a q u e v i u f o i Z a y e d Fehr. e eu não usaria a palavra seguir. E preciso haver um laço de genuína compreensão. No amor não s e t r a t a d e v e n c e r . junto com tudo o que usaraenquanto casada. Mal deraalguns passos de volta ao salão. Não seria justo com eles que. abençoando seu anonimato. quase rindo. A lua iluminava o céu. a sua acompanhante e alguns leitores. e os olhos dourados brilhavamintensamente. quando resolvo algo.— Não é verdade. hoje de manhã você se encontrou com uma cliente em perspectiva. Em Vancouver você me fez acreditar que p o d e r í a m o s trabalhar juntos. A belezad e s e u s p a i s e n c a n t a v a t o d o m u n d o . e l e a s e g u i r a . respeito e cuidado. ou por ele ter aparecido na livraria. você diria que foi persistente — ela interrompeu bruscamente.— Como foi o seu evento em Vancouver? — ele perguntou como se fossemvelhos e bons amigos. Quando você não apareceu.— Fui convidado para o casamento. Você ficou desapontada? — Não.— Entretanto. m a s.na Inglaterra. mas é necessário que haja algo mais por detrás dela. Rou se lembrou da foto dos dois sobre o tapete vermelho: a mãe sorria radiante. Concordou em me encontrar depois do s e u evento. e n ã o p o r m ot i v o s e x t e r n o s o u p e l a aparência. Rou fingiu observar os convidados que chegavam. e acho que . Ele era tentador. Dra. Este era o motivo pelo qual Rou juntava casais de acordo c o m s e u s v a l o r e s . O manto se salvara porque ficara esquecido na casa da avó.. Em pânico. Zayed já fora embora. Não épossível.A limusine chegou ao palácio. — A única dificuldade é a sua incapacidade de lidar com a rejeição. cr e n ç a s e d e s e j o s .A foto fora queimada havia muito tempo pela mãe. Tornell.Ao sair da catedral. Você só está dificultando ascoisas mais do que o necessário. nervosa.. agora. Andou de um ladopara outro. e m compensação. R o u desapareceu no meio da multidão e se refugiou no banheiro. e o p a l e t ó a c e n t u a v a o s o m br o s l a r g o s e s u a cintura. a noite de outono estava perfumada e soprava uma brisa fria.— Ou determinado — ele concordou. n e m d e e x p l o r a r .— Não acredito que tenha me seguido até aqui. Ela hesitou diante da porta do salão de baile.Z a y e d u s a v a um f r a q u e . Rou estava mais emocionada do que gostaria. — Ogerente da livraria me disse que o público foi menor do que o esperado. mantinha tranquilamente o controle de sua vida. quando ele bloqueou-lhe a passagem. Rou sentiu a garganta seca e seu coração disparou. não foi por isso que fugiu da cidade? Projeto Revisoras12 Jessica 116. mas vocêjá saíra há muito tempo. com o manto sobre os ombros. extremamente bonito. tentando se esconder. m a l d i t o . entrei na livraria e encontrei o caixa. Compareci e esperei. — Sou determinado e. Porém estava enganada. Rou ficou gelada.E l a e n t r o u n a l i m u s i n e e f e c h o u a g o l a d o e x t r a v a g a n t e m a n t o d e v e l u d o forrado de seda preta e com botões de diamantes que sua mãe usara duranteo lançamento de um dos filmes de seu pai. Ninguém mais tinhaa q u e l a aparência e aquele andar.. eu me dedicasse a um cliente novo. E l a n ã o e n c a n t a v a n i n g u é m . pensou. Não sabia se corara por ele ter descobertoque a noite de autógrafos não fora um sucesso. onde Rou o descobrira ao completar 16 anos — dois anos depoisda morte de sua mãe. Certamente..

Rou corou novamente. ela nãoconseguia raciocinar quando estava perto de Zayed Fehr. você não me interessa como mulher. Quando a conhecera.Zayed riu. ou que os seus diplomas de Cambridgesejam verdadeiros. enfrentando a realidade?— Sim. Sentia-se mal. Alegações ofensivas. . m ot o r i s t a s . mas. R o u a t r a v e s s a r a a adolescência e chegara aos 20 anos tentando se recuperar. Não ouvi falar em nenhum divórcio até agora..— Você está me espionando?— E u n ã o . mas você está tão enganada que chego a Projeto Revisoras13 Jessica 116. A s m o ç a s d e S a r q eram educadas para ser dóceis. Seuspais levaram sete anos para se divorciar.— Tenho certeza de que sim..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter duvidar que seja uma cientista de fato.— Você tem talento e os casamentos que promove são duradouros. Tornell? Você não é especialista em ensinar às mulheres a ser firmes e a encarar seus medos. Ele providenciara para que elavoltasse à escola e tivesse dinheiro para cursar a faculdade. juízes.que lhe proporcionavam calor e segurança. camareiros. Por algum motivo. ela era tagarela. e. A sua amizade comSharif fora o fator fundamental para a sua cura. Ela mudou. resolveu ficar até que o jantar acabasse e o bailetivesse início.— Então.— Eu lhe garanto que os mereci. a s s i s t e n t e s . e l a p e n s o u n o v e l u d o macio do manto pendurado no saguão e no quarto acolhedor do Hotel Bristol. Estava confusa. mentirosas. odiosas. O tempo corria e sua mãe já procurava uma noiva para e l e e n t r e a s m o ç a s d e S a r q . porque como mulher eu o desprezo.— Já percebi o quadro — disse ela friamente. sheik Fehr. A simples palavra divórcio a apavorava. exposta..por consideração a Georgina. Dra.— Ótimo. E r a o q u e e l e q u e ri a e v i t a r . Em outra ocasião ela iria embora. Ele sorriu friamente. — Ela se afastou com as pernas bambas.— Estou falando sério. Rou ergueu a cabeça. e o meu instinto me diz que você é perigoso. mas ele não se deixaria desencorajar pela rigidez deRou : precisava dela.Zayed observou a figura esguia.advogados.Rou sentiu um arrepio. É i n t e r e s s a n t e c o m o o te mpo e o su ce sso modificam uma pessoa. ele pensou.ela saiu pensando que você irá atendê-la. porque é isto que desejo. Comoconseqüência .— Fugindo de novo. quando chegaram a um acordo. m a s t e n h o s e g u r a n ç a s . desaparecer na direção dasala de jantar. — Não consigo imaginar porque um homem poderoso como você me escolheu para ajudá-lo a procurar uma rainha.— Já é tarde e eu estou muito cansada com a mudança de fuso horário. obrigada. pudera cumprir a promessa de trabalhar para evitar que outra c r i a n ç a o u f a m í l i a s o f r e s s e o q u e e l a s o f r e r a. Agora estava mais civilizada. g a r ç o n s .. Divórcio. i n c l u s i v e a pr ó p r i a f i l h a . compassivas. tensa e desajeitada. tribunal. talvez devido ao sucesso. m a s s e t o r n a r a m a i s d u r a e f r i a . G e l a d a . toda de preto. Semdúvida. mas também as aconselho a confiar em seus instintos. em vez de ficar aborrecido. comporte-se como uma cientista. Sua lógicadesaparecia numa nuvem de emoções nas quais ela não confiava. h a v i a m d e s t r u í d o t u d o e t o d o s .

O s l u g a r e s e r a m m a r c a d o s e e l e n ã o ficaria junto dela.Jamais uma delas conseguiria enfrentá-lo e ser sua igual.s e c o m u m a d e l a s . sentindo ocorpo se aquecer perigosamente. Você ficaria melhor com tonsrosados.— Vá embora. o que não o impediu de puxar uma cadeira e sentar. Por quê? Você não gosta?Z a y e d p e n s o u q u e a c e r t a r a e m c h e i o .. do meu povo. Ela sevirou para ele com um olhar frio e furioso. um misto de realeza. O corpo de Zayedera firme.submissas e condescendentes. a julgar pelo modelo. Ávidas demais.— Há dez anos. Elaso l h a v a m para ele e juntavam tudo: seu nome.— Vá embora — disse. s u a fortuna. — E l e c h e g o u m a i s p e r t o e s u a s cabeças quase se .— Eu já lhe disse que não pretendo ajudá-lo — ela respondeu. celebridades esocialites.— Você poderia usar uma cor mais favorável — ele disse. E l a e s t a v a q u a s e bonita naquele momento. e a coxa dele roçava a sua. e eu o comprei naBarney s. d o m e u i r m ã o .— O preto é sempre elegante. Zayed foi atrás dela. Rou parecia a únicaa ter se arrumado sozinha. mas era extrema-mente habilidosa quando se tratava de formar casais. roçando o ombro no dela. — Este não é o mesmo vestidoque você usou há três anos?Ela se virou para ele e corou. com os olhos mais escuros e a pele ruborizada.Ele estava tão próximo que Rou notou os pontinhos dourados nas pupilascor de bronze e algumas rugas discretas no canto dos olhos. — Rou virou para o outrol a d o . todos vestidos por algum estilista em particular. perfeita. mas ele é bem maisq u e i s s o . Rou arregalou os olhos. Ele contemplou o entediante vestido preto e pensouse seria o mesmo do casamento de Lady Pippa. o q u e transformaria a relação num tormento. Nunca dormira com uma mulher casada e jamaistrairia sua esposa. a o v ê . fascinada. em Nova York. Preciso de sua ajuda. precisava encontrar a mulher certa. pelo contrário. feito num bom tecido.R o u a c a b a r a d e s e n t a r à me s a . seu título. seu p o d e r .— N ã o p o d e o u n ã o q u e r ? — E l a q u a s e e n g a s g o u q u a n d o e l e s e aproximou. p o r q u e n ã o s e n t i r i a c o n f i a n ç a e r e s p e i t o . ele a deixa muito pálida. Ele não poderiac a s a r . tentador.— É. Todas caíam ávidas aos seus pés.l a c o r a r . A friae rígida Rou Tornell não tinha charme nem personalidade.— Não posso Dra. furiosa. T r a t a . Tornell. asmulheres ocidentais eram um problema. Zayed r e c o n h e c e u q u e s e tratava de um grupo seleto.— Você está vendo o meu pedido como algo pessoal. Por outro lado.Zayed já quebrara muitas regras e desafiara algumas leis. Resolvido a fazer comque o ajudasse. oslábios tremendo de raiva.— As duas coisas. Portanto.. este é um vestido de grife. Ele não era feio. contemplando os convidados.— Para sua informação. Rou mordeu olábio. até que ela afastou a perna.Ele deu de ombros. aristocratas. sorriu e se inclinou para ela. — Não é verdade. mas acreditavana santidade do casamento.— Não posso.s e d o m e u p a í s . Você estámantendo um país inteiro como r e f é m .

R o u f i c o u c a l a d a p o r u m m o m e n t o . e ela o desprezava por isso.— Graças a você — sussurrou Georgina. Dra. Ele a abafavaameaçava sua segurança..— Rou. g r a ç a s a D e u s . o casamento.? — perguntou Georgina. e l a retribuiu o abraço da amiga.Tudo daria certo... ciente de que perdera ar a z ã o e o c o n t r o l e . — Zayed baixou a cabeça e Ralf rapidamente ser e c o m p ô s . A l i v i a d a . onde estava? Procurei-a em todo canto! — A voza l e g r e d e G e o r g i n a i n t e r r o m p e u o tu m u l t o n a c a b e ç a d e R o u .— Jesslyn estava. Não devemos perder a esperança.— Serei seu eterno devedor. Se houver algo que possamosfazer. procurando uma saída. — Por favor. os sentidosde Rou se aguçaram. picante esedutor de Zayed. sufocada.. A televisão deu a notícia hoje cedo. Zayed confirmou. — D i g a a l g u m a n o t í c i a d e S h a r i f ? Acabamos de saber.— V o c ê n ã o me c o n t o u — r e p l i c o u e l a c o m a voz embargada..— É mesmo? — perguntou Zayed. F o r a p o r i s s o q u e s a í r a d e V a n c o u v e r : Z a y e d F e h r a ameaçava abalava seu autocontrole. Agora. b e m . Eu lhe disse. q u e e l e s i m p l e s m e n t e desapareceu do radar? — insistiu Ralf. O avião desapareceu há dez dias. Tornell. A p e n a s n o p a p e l . agradecendo sua presença. Passou o braço em torno do espaldar da cadeira deR o u . — Vocêmencionou o trono. f o r t e ? N ã o . mas encontrou um para mim! — Ela recuou e Ralf se inclinou e deuum beijo no rosto de Rou. — Eu lhes trago os v o t o s d e felicidade em nome de minha família. — Os noivos cumprimentaramZayed calorosamente. basta dizer uma palavra. Viena. menina malvada.O c a s a l s e a f a s t o u .— O que aconteceu com Sharif?— Ele está desaparecido.— Não consigo acreditar — disse Ralf mais para si do que para os outros. E l a n ã o e s t a v a c o m e l e . — Era para estarem todos juntos.— Vá embora — disse.. d e r e p e n t e . levantando. Faça umaavaliação preliminar adequada. Sharif.. m a s . — S ó quero que você me dê a mesma chance que dá aos outros clientes.. mas sedeixara envolver e fora maravilhoso. — Nunca vinoiva mais feliz. dando-lhe um tapa no ombro.. — A expressão de Zayed endureceu.R o u n ã o o u v i u o r e s t o p o r q u e . Dra..Ralf e Georgina trocaram um olhar. Tornell. Vou lhe dar acesso à minha vida.Rou respirou fundo para se acalmar e sentiu o perfume suave.. — Estamos rezando por ele e p o r todos vocês. Sentira que ele era perigoso desde que o conhecera. e ela não conseguia evitar. ela sabia a verdade. i n te l i g e n t e . Rou olhou em volta do salão. mas Zayed asegurou pela mão.. Tornell.— Você está linda — ela murmurou. Ele fazia detudo para conseguir o que queria.— N ã o . investigue osantecedentes.. — Ela tremia da cabeça aos pés. Preciso de você. Sarq. Fosse pelo perfume ou pelo calor do corpo dele. sheik Fehr. — Você disse que não existempríncipes. Você n ã o f a l o u d e S h a r i f .s e e n v o l v i d a n u m f o r t e abraço. vi u .— Acalme-se. — E um prazer — respondeu Zayed.— Por quê?— P o r q u ê ? . Preciso.— É v e r d a d e q u e n ã o e n c o n t r a r a m o a v i ã o . transformava a racional cientista numagarota assustada. Ela sentiu que afundava por culpa dele. o reino. Dra..— O b r i g a d o — r e s p o n d e u R a l f . Estarei à disposição pelotempo necessário para completar o processo. D e ve r i a te r m e contado. Preencha os formulários.— Sharif é tão.— Não pretendo aborrecê-la. — Pensei que seria publicada depois demais alguns dias.s u c e d i d a . Saiae me deixe em paz. abraçando Georgina. n a superfície.— Não posso! Você não me deixa em paz. Georgina. N e m a s c r i a n ç a s . Erae s p e r t a .tocaram. e e l a s e n ti u o s d e d o s d e l e p e r i g o s a m e n t e p r ó x i m o s d e s u a p e l e . arriscava sua sobrevivência — algo que deveria serlevado a sério. Tão. Tudo estava bem. Não era forte o suficiente. c o m e x p r e s s ã o perturbada.

mas e l a passara a noite em claro.Não para a mulher dele.Rou . a t r á s d e u m a m e s a b a i x a . a o c o n t r á r i o d e Z a y e d . Ela se sentia na obrigação de ajudarZ a y e d . S a t i s f e i t o . Elee r a m u i t o a m a d o . absolutamente tudo. Como se fossecronometrado. Poderiam se comunicar a distância. incluindo o histórico familiar e o médico. que raramente se divertia com algo. se é o que deseja saber. mastambém não podia ser considerada bonita. p e s a d o s e g r a n d e s d e m a i s p a r a o s e u r o s t o .— Já preenchi o perfil do cliente. c o n s i d e r a d o a o v e l h a n e g r a d a família e um constante espinho na vida do irmão mais velho. assim como setornara um espinho na vida dela. Ele diminuiu o passo paraapreciar suas pernas incrivelmente longas e bem torneadas. por ele. deixando àvista apenas as pernas inclinadas de lado na cadeira. Rou estudara emC a m b r i d g e g r a ç a s à b o l s a d e e s t u d o s d o a d a p e l o s F e h r .E l a a s s e n t i u .quase riu. no saguão do hotelo n d e Z a y e d estava hospedado. sentariam juntos e elapreencheria os formulários. O mais importante era procurar Sharif e mandarZ a y e d d e v o l t a p a r a S a r q . Jesslyn.— Tudo bem? — ela perguntou. ela virou a cabeça e o encarou.Na manhã seguinte. Ele viu Rou sentada numc a n t o . v e s t i d a n u m s ó b r i o c o s t u m e c i n z a . Zayed. Z a y e d a b r i u s u a p a s t a . Ele suspirou: ela voltara a ser asimples e séria Dra. Ele lhe causavaprofunda admiração e era como o irmão mais velho que ela não tivera. Não existia outra possibilidade. T i n h a o s lábios finos e um queixo firme.— O s o l h o s d e l a e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . Zayed saiu do elevador rodeado por seguranças quese espalharam pelo saguão enquanto ele a procurava. o bicho-papão. revirando-se na cama. Sharif seria encontrado e voltaria vivo. Começariam do zero. às voltas com seusp e n s a m e n t o s e u m e n o r m e s o f r i m e n t o . nem para os quatro filhos e para o país.Rou percebeu a estranha expressão no rosto dele.— Não tive notícias — respondeu ele —. Capítulo Três E LES CONCORDARAM em se encontrar na manhã seguinte. Naquele momento ela usava óculosd e a r o d e t a r t a r u g a . o n d e e l e a s s u m i r i a a l i d e r a n ç a a t é o r e t o r n o d o irmão. E l a prendera os cabelos num coque e se escondera atrás de um laptop. No dia seguinte. mas prometera ajudá-lo apenas por causa do irmão. Haviadesaparecido e Sarq estava em tumulto. Eu o adoro e faria tudo. Para dizer a verdade. Ela parecia uma menininha medrosa. — E l e é m e u herói. e S h a r i f f o r a s e u mentor durante seis dos oito anos que passara na faculdade. t i n h a m e d o d e Zayed. Tornell. p e g o u a l g u n s p a p é i s e formulários e os empurrou sobre a mesa. L i mi t a r i a o te m p o p a s s a d o c o m e l e e c o n t r o l a r i a s u a p r o x i m i d a d e . Rou Tornell não era feia. e ele. E l a a d o r a v a S h a r i f . dissera Rou. A únicacoisa que ele não sabia ao sentar diante dela era como podia ter pernas tãotentadoras.

mas recuperaram a caixa preta. ela fez perguntas e e l e r e s p o n d e u a t é q u e s e u c e l u l a r t o c o u novamente.Era verdade. Eu o preenchi. mas soavam frias na boca de Zayed. V o c ê s e s e n t e a s s i m p o r q u e e l e a d e i x a nervosa e com medo. mas. Eles precisam de mim. — Estou bem. observando-o. irritada. Agora vem o mais importante. — Preciso voltar para Sarq.— E n c o n t r a r a m u m a v i ã o — d i s s e . mas achei que você exigiriauma prova concreta.. sentiu a mão de Zayed emseu braço. Étudo uma questão de hormônios e de substâncias químicas. — Rounão conseguia falar. Para dizer a verdade.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Zayed balançou a cabeça. tiradasd o s e u m a t e r i a l d e trabalho. V o c ê o d e s p r e z a .— Não. Você irá comigo.— Não tente acobertar Jamie. como se ela e s t i v e s s e n u m b a r c o q u e b a l a n ç a s s e .. quando ela ficara encantada com o charme de Zayed.— Você me deixou pouca coisa para fazer — protestou ela.— Eu nasci pálida — ela respondeu.Rou franziu as sobrancelhas. apesar de poder ter lhe dito o que sou. Zayed empalideceu. Eu já havia feito este teste. Zayed ignorara algumas ligações anteriores. Isto me deu um pouco de trabalho. mandando-me osformulários dela. Não é a emoção que a faz sentir estas coisas. — Podemos nos concentrar no trabalho?E l e s s e c o n c e n t r a r a m n a p a p e l a d a e n o perfil que ele fizera. causando-lhe uma sensação de enjôo. Quando desligou. — Ela puxou o braço. As palavras eram suas.— Nada disso.— Se quer saber. Fazia anos que ela não sentiaaquela vertigem e aquela falta de ar. desde o casamentode Lady Pippa. — O f o g o t o r n o u i m p o s s í v e l u m a identificação. com os pais brigando aos gritos. De repente. lendo seus pensamentos como se l e s s e u m livro. atendeu. e l e a i r r i t a .— Estes formulários são meus — disse ela. Logo saberemos mais. Você não gosta d e l e . Ela ficou feliz em me ajudar.— Você vai desmaiar? — perguntou ele. ao ver o númeroque o chamava. Rou ficou sentada com um bloco no colo. Você vai encontrar alguém para mim. Não é para isso que servem os formulários? Para selecionar o par? Selecionar o par repetiu Rou mentalmente.— Não com a sua assistente. . repreendeu a si mesma. Minha secretária fez cópias em branco.olhou para o conhecido conjunto de formulários confidenciais. estava lívido.— Você está muito pálida. espantada. Aqui está o teste depersonalidade Myers-Briggs que você utiliza. Ele disse algumas palavras e escutou com atenção. Você nãopode permitir que ele faça isso com você novamente. Durante àhora seguinte. foi Pippa. Ela s e aborreceu porque seu pulso acelerou de repente.Você não está atraída por ele. — Onde foi que osconseguiu? Projeto Revisoras17 Jessica 116. Toda vez que ela estava perto dele seu coração acelerava eo estômago se contraía. sua expressão mudou e os olhos se anuviaram. n u m v ô o t u r b u l e n t o o u d e n t r o d e u m carro.

Podemos terminar isto no caminho.Em vez de protestar, Rou concordou. A ideia era limitar o contato com elemantendo distância, mas, depois da última notícia, ela não poderia se recusara ajudá-lo. Noventa minutos mais tarde, estavam a bordo do jato particular deZayed . Enquanto o avião decolava, Rou pensou que voar não era seguro, que e s t a r s o z i n h a com Zayed também não era, e que, mais perigoso ainda e r a acompanhá-lo até seu país. Entretanto, viver é arriscar, e ela se lembrou dealgo que Sharif lhe dissera: "Seus pensamentos determinam seu futuro." Ele e s t a v a c e r t o , c o m o s e m p r e . E l e f o r a o primeiro a fazê-la perceber que nemsempre as emoções e s t ã o c e r t a s , e q u e a s d e s c o b e r t a s m a i s re c e n t e s d a p s i c o l o g i a r e v e l a v a m o e l o e n t r e p e n s a m e n t o s e s e n t i me n t o s . A l g u é m q u e tenha pensamentos alegres se sentirá mais alegre, se pensar que o mundo ébom, o verá como bom. Fora uma revelação para uma jovem que tivera tantosa n o s d e i n f e l i c i d a d e . R o u d e s c o b r i r a q u e s u a f e l i c i d a d e n ã o d e p e n d i a d o s outros. Ela poderia escolher ser feliz, mesmo que o mundo estivesse no maiortormento.E l a v i r o u p a r a Zayed e viu que ele a observava com olhos s o m b r i o s , torturados.— Você realmente nunca se apaixonou? — ela perguntou, surpreendendo-se com a própria pergunta.Ele levou algum tempo para responder.— Não — disse por fim. — Porém não sou insensível. Tenho laços fortescom a minha família, principalmente com Sharif.Rou se lembrou do formulário que continha os dados da família de Zayed.P a i : f al e c i d o . M ã e : a i n d a v i v a . I r m ã o m a i s v e l h o : 4 0 a n o s , casado, 4 filhos.Irmão mais novo: 33 anos, casado, esposa g r á v i d a . I r m ã s m a i s n o v a s : falecidas. A maior parte da família dele era um mistério, mas ela sabia o queacontecera com suas irmãs. Por causa delas, Sharif doara as bolsas de estudoem Cambridge.— Você era muito ligado às suas irmãs? — perguntou Rou.— Muito.Ela esperou que ele dissesse algo mais, porém ele ficou calado.— Elas morreram juntas, não foi? — insistiu ela.— Num acidente de carro, na Grécia. Tinham pouco mais de 20 anos. — Av o z n ã o m o s t r a v a e m o ç ã o , m a s R o u r e p a r o u q u e e l e c o n t r a í r a o r o s t o e crispara as mãos.— A m o r t e d e l a s d e v e t e r s i d o d i f í c i l p a r a a f a m í l i a — d i s s e e l a . E l e balançou a cabeça.— Que relevância tem este assunto?— Faz parte de você, da sua família...— N ã o e s t o u à p r o c u r a d e a m o r , D r a . T o r n e l l . E s t o u p r o c u r a n d o u m a esposa. Ela não precisará compartilhar meus segredos sombrios. Ela jamaisserá minha alma gêmea.Rou notou que o rosto dele estava impassível, mas o punho cerrado dizia ocontrário.— Você não quer encontrar sua alma gêmea?— Não. Quero apenas uma relação prática, que funcione.— N ã o h á m u i t a s m u l h e r e s q u e a c h e m a s u a i d e i a d e c a s a m e n t o aceitável.— Estou certo de que existem muitas mulheres práticas.R o u f r a n z i u a t e s t a e n a d a d i s s e , m a s e s c r e v e u à m a r g e m d e s u a s anotações: "Sim, a morte das irmãs o afetou profundamente." Ele temia o amorporque temia a perda. Ela se perguntou como seria perder três de seus quatroirmãos. Ela era filha única e não conseguia imaginar como seria ter um irmãoou irmã para amar, apesar de sempre ter desejado um.— Você desejava ser rei?— Não. Não era parte do meu plano de vida, nem das minhas ambições. —E l e hesitou. — As coisas mudam, e são como estão agora. N ã o p o s s o abandonar meu irmão. Preciso estar presente quando ele voltar...— Você acha que irão encontrá-lo vivo?— Acho.Rou sentiu uma onda de simpatia por ele. Ele devia saber que, depois de Projeto Revisoras19

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dez dias, Sharif talvez não fosse encontrado e, se fosse, não estaria vivo.— E se não estiver?— Sharif não morreu.E l a c o n c o r d o u c o m a c a b e ç a e r e c o n h e c e u q u e o s d oi s ti n h a m a l g o e m c o m u m : a m b o s s e recusavam a acreditar que Sharif estivesse morto. S ó acreditariam diante de provas irrefutáveis. Ela ficou perturbada e tentou mudarde assunto.— Gostaria de trabalhar um pouco, ou precisa de algum tempo?— Não. Preciso trabalhar.O t r a b a l h o s e m p r e f o r a u m a f o r m a de salvação para ela também, e osajudaria a atravessar aquele p e r í o d o . R o u a b r i u s u a p a s t a . A c o m i s s á r i a d e bordo perguntou se

queriam comer alguma coisa.— Apenas chá —

ela respondeu. —

Acho que não conseguiria comer agora.— Nem eu — disse ele. — Um chá e um café — ele pediu à comissária.R o u e n c o n t r o u o s p a p é i s q u e p r o c u r a v a e u m a c a n e t a , e o o b s e r v o u . Zayed era alto, musculoso e bonito, mas havia dor em seus olhos, tensão em sua boca. Ela suspirou. Ele não lhe era indiferente e jamais fora, o que era umabobagem. Ele era belo, rico e sensual. Ela era inteligente, mas insignificante. Rou conhecia as próprias forças e fraquezas. Apesar de inteligente, não era bonita. Se tivesse um corpo mais curvilíneo se sentiria mais seguras e x u a l m e n t e , m a s h e r d a r a a s i l h u e t a e s b e l t a d a

mãe e tinha os

q u a d r i s delicados e os seios pequenos. Um

homem como Zayed jamais olharia parauma mulher como ela. Homens como ele desejavam sereias voluptuosas, de cabelos brilhantes, lábios cheios e olhos provocantes. Por outro lado, era bomque Zayed a ignorasse como mulher porque ela não saberia lidar com ele deoutra forma. Ele tumultuava suas emoções e o seu autocontrole, deixando-anervosa e agitada, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Ela tentou disfarçar seu nervosismo.— F a l e - m e s o b r e s e u t i p o i d e a l d e m u l h e r . C i t e q u a t r o a d j e t i v o s q u e a descrevam.Ele pensou um pouco.— I n t e l i g e n t e , c u l t a , b e m - s u c e d i d a . C o n f i a n t e , l e a l e , d e p r e f e r ê n c i a , bonita. — Ele hesitou. — Eu disse seis.— Tudo bem. Seis está ótimo. — Claro que ele exigiria beleza. Era o que todos

os homens queriam, e Zayed Fehr tinha a fama de escoltar as mulheresmais belas do mundo. — Talvez uma modelo?— Não. Definitivamente, não uma modelo. Nem uma atriz. Nada desse tipo.— E mesmo? — ela perguntou, espantada.— O mais importante é a inteligência. Admiro mulheres cultas e bem-sucedidas, mas é preciso

— A esposa de Khalid também é muito generosa. — E q u a n t o a s e n s o d e h u m o r . s e n s o d e a v e n t u r a ? Reservada ou comunicativa? Você gosta de dar festas? Ela deverá ser uma boaanfitriã? Precisa falar bem em público? Espera que ela seja um exemplo em Projeto Revisoras20 . Uma professora ou uma enfermeira?— Como a esposa de Sharif? Jesslyn era professora.Rou escondeu sua surpresa. As duas sempre pensamnos outros. — Rou fez algumas anotações.que ela seja generosa. Uma mulher sensível.— Certo. mas era para isso que existia t o d o a q u e l e p r o c e s s o .. Ele a estava levando na direçãooposta daquela que ela teria seguido sozinha. É algo que aprecio e respeito.. Talvez uma professora ou uma enfermeira.

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— Você conhecia bem meu irmão?— A c h o q u e v o c ê s a b e q u e g a n h e i a b o l s a d e e s t u d o s F e h r . Você é tão magra.— Desde que nasceu ele foi preparado para governar.— I s s o n ã o s i g n i f i c a q u e e l e n ã o s e n t i s s e a d o r e a p e r d a .O olhar de Zayed ficou sombrio ao ouvir o nome do irmão. e m Cambridge. mas tambémé m u i t o b o n d o s o . Quandofico nervosa ou ansiosa. Seu irmão é um homem poderoso e muito rico.— É por isso que é tão devotada a Sharif? Ela corou. ela pensou. Eladeve defender suas idéias diante de mim e minha família. Ele é o rochedo da família.. b i s c o i t o s e q u e i j o . É bom vê-la comendo. percebendo que o conhecia m e n o s d o q u e acreditava. e q u e n ã o tivesse dúvidas ou preocupações. que seja criativa?— Depende da mulher. — Infelizmente. a b r i n d o portas.. minha garganta se fecha e só consigo tomar chá. mas tenho um estômago sensível.— Algo de errado?— Não. Embora Sarq seja mais moderno que alguns países vizinhos. Sharif se tornou um amigo e um mentor durante os meus anos emCambridge ..— Firme? — Intelectual e emocionalmente.— Minha mãe era magra — interrompeu ela. que costuma ser assustadora. A inteligência estava no primeiro. Imaginara que ele quisesse alguém b o n i t a e t o l a . Ah.A c o m i s s á r i a v o l t o u t r a z e n d o o c h á . o u d e u m a b e l e z a e s t o n t e a n t e q u e p u d e s s e e x i b i r .— Você não está falando do meu irmão. Não quero uma mulher subserviente. Ele acabara de descrever uma mulher bemdiferente da que ela escolheria para ele. Ele será encontrado. a não ser umcafezinho pela manhã.— Desconfio que você não come o suficiente. e l e p r e c i s a v a d e m i m t a n t o q u a n t o e u precisava dele. Só depois de acabar o mestrado e o doutorado é que percebi que ele me ajudara por causa de suas irmãs.— Sharif não é vulnerável. Ela me ajudou a pagar meus estudos. é umreino do Oriente Médio bem diferente de nossos amigos do Ocidente.. Nunca foi.Rou segurou a caneta no ar.. o c a f é e u m a b a n d e j a c o m f ru t a s . por que se dar ao trabalho de procurar uma Projeto Revisoras21 . d e c e r t a f o r m a . Invencível. mas Zayed não a imitou.— De que maneira ele a ajudou?— C o m seus conselhos e sabedoria. quando podia.— Se é nisso que acredita. — Podeparecer estranho.Rou o observou com curiosidade. — Ela percebeu que ele a olhava com ceticismo. e . Ele sempre soube oque se esperava dele e cumpriu sem reclamar.— Sharif não precisa de ninguém.— Não. R o u p e g o u uma uva e um pequeno cubo de queijo e sel e m b r o u d e q u e não ingerira nada desde a noite anterior. apoiando meus projetos. A b e l e z a estava no sexto lugar da lista. ela precisa ser firme. — Ela sorriu ao fazer a piada.— Você acha? — perguntou Rou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter matéria de moda. Interessante m a s intrigante.— E você não quer vê-lo como um homem vulnerável. voltará a Sarq ereassumirá o governo. Um pouquinho de comida a s u s t e n t a r i a p o r l o n g o tempo. herdei ometabolismo dela em vez do lindo rosto.— Sharif dizia a mesma coisa. Ela viu que Zayed a observava com interesse.Jessica 116. franzindo a testa..

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— Por que não?— V o c ê c o n h e c e a r e s p o s t a . será que elenão percebia? Mulheres maravilhosas. Projeto Revisoras22 .?R o u s a b i a q u e a r e s p o s t a e r a n ã o . q u e n ã o t i v e s s e escolha. ou porque o noivo tem a obrigação decasar. Elas não se casam por dever.S e i q u e n ã o é o q u e q u e r o u v i r . — As mulheres ocidentais não aceitarão.— Depois da cerimônia? — Ela o olhou severamente. Ficarão isolados. Q u e poderia aceitar a ideia de um casamento arranjado — e l a continuou. sheik Fehr. Isto éalgo que Sharif tem tentado mudar. a s s i m c o m o a t i t u d e s . é melhor escolher uma mulher da sua própria cultura. devo morar junto do meu povo. Para a maioria das mulheres seria umaperspectiva terrível. e você não tem. H á a n o s q u e v o c ê s a i c o m m u l h e r e s ocidentais.— É p r e c i s o t e m p o p a r a q u e e l a a c r e d i t e n i s s o .— Eu o farei depois da cerimônia.— Desculpe. Preciso de uma esposa e desejo que ocasamento dê certo.. q u e a c e i t e u m c a s a m e n t o d e c o n v e n i ê n c i a e q u e s e b e n e f i c i e d a minha posição e riqueza. Com certeza. inteligentes. claro.. Faça com que ela saiba que terá este tempo. — Uma últimapergunta delicada. e.Rou cobriu os olhos com as mãos. bem-sucedidas. Rounotou que ele não dissera "amar". mas não posso ser solteiro. Elas se casam porque são desejadas. É para isso que existe o namoro. ou pretende morar na sua casa em Monte Cario?— Como rei. provas.— Não. É preciso tempo para cortejar. Alguém que contribua com o meu povo. o que ela pode esperar.. uma vez que viemos de culturas diferentes. Ainda. .— .— Devo ser franca. Preciso assumir o trono. A s mu l h e r e s t ê m o s mesmo direitos que os homens em Sarq? Existem leis que as protejam?—As mulheres não têm os mesmos direitos que os homens. m a s e s t á f a l a n d o d e u m c a s a m e n t o d e conveniência. não cumprissea lei?— Eu a protegeria. enterrando-se no deserto.— As duas serão a mesma pessoa. mas não fez comentários. se for assim. amadas e respeitadas. N e n h u m a m u l h e r q u e c o n h e c i a e representava iria querer viajar de repente. Seria impossível. — A lei de Sarq exige a presença do rei. se sua esposa. exausta.. Preciso saber q u a i s s ã o o s d i r e i t o s p ol í t i c o s e s o c i a i s d a s m u l h e r e s . mas Sarq fica no meio do nada. para que o homem mostre à mulhercomo será tratada . Pretende ficar ali permanentemente. ignorando-o.— Vou respeitar e honrar minha mulher — ele disse.. o que aconteceria se uma mulher. mas se deseja uma mulher que seja sua companheira é diferente. . casar às pressas e ficar em Sarq durante os próximos 20 e tantos anos. Se quer uma mulher que se case com vocêpara que possa assumir o trono é uma coisa.Jessica 116.— Então. franzindo a testa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter esposa e casar? Por que não esperar que ele volte?— Não posso — ele disse frustrado.— Irá morar comigo. uma de suas prioridades.— E sua esposa? Ele a olhou como se ela estivesse louca. acharia a vida de rainha do deserto atraente.. você tem alguém que se sujeite a um curton o i v a d o . confiantese fortes não correm para o Oriente Médio e se c a s a m c o m u m s h e i k . Só uma m u l h e r d e s e s p e r a d a .

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Jessica 116. Ele conseguiria proteger sua esposa? Tentaria com todas as suas forças. ansiosa. Porém estivera enganado. Tinham muito a fazer e a tensão não ajudaria. ansiosa.— E acha que não quero? — ele interrompeu.— Não é isso. o n d e havia uma cabine que era um quarto confortável. Raramenteperdia o controle e se odiou por tê-lo perdido agora. Só quero o que seja melhor para sua futuraesposa. quase com violência.— Vamos aterrissar dentro de 50 minutos — ela disse. p o r t a n t o . — Conseguiria de fato?— Duvida da minha palavra?— Não duvido da sua palavra.. Ninguém jamais compreendera. era diferente. Era óbvio que o destino o favorecera e que ele viveria uma vida aben-çoada. mas era evidente que o ofendera e queria se desculpar. masseria suficiente? Se eles não se amassem. Mais15 minutos e ela voltou para retirar a bandeja.— Ótimo. Não sabia o que dissera paraaborrecer Zayed — algo sobre proteger a esposa —. Ele não sabia.a s s i m c o m o a c e i t a r a s u a s o r t e .. o f a t o d e e s t a r d e s t i n a d o à g r a n d e z a e a o sucesso. Só que não havia prazer quando se era amaldiçoado.. Ela jamais entenderia. mas era o que esperava. p rí n c i p e s á r a b e s . Houve um tempo em que ele e oi r m ã o e r a m i g u a i s : e d u c a d o s d a m e s m a m a n e i r a . assustada com a cólera em sua voz. Ele f o r a a m a l d i ç o a d o e .Zayed sentou na beirada da cama e afundou o rosto nas mãos. Sua vida não fora abençoada. Ele não era comoo resto da família. amaldiçoado. m a s a s p e r g u n t a s d e Rou. e l e sempre fora o favorito do pai e nunca se perguntara por que.Rou olhou para ele em silêncio. Este assunto está encerrado. e se voltara paraos prazeres do mundo. f i l h o s a m a d o s do deserto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você o faria? — Rou se inclinou para ele.. talvez o casamento escapasse da desgraça.A comissária de bordo apareceu depois de 15 minutos e trouxe mais chá. — Ele se levantou e desapareceun o f u n d o d o a v i ã o . crianças felizes. o povo que poderia sofrer por causa de sua maldição. a b a n d o n a r a o d e s e r t o e a família. — Posso Projeto Revisoras23 . Capítulo Quatro Rou OLHOU a porta fechada da cabine. apenas aceitara. e simamaldiçoada. sorrindo. Apesar de não ser o mais v e l h o .

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Fora uma péssima ideia vir com ele. que n ã o d e v e r i a e n c o r a j a r q u a l q u e r c l i m a d e i n t i m i d a d e e n t r e o s d o i s . Ele ainda estavadistante. Rou tinha a sensação de estar sentada muito perto de Zayed.r e s p o n d e u u m a voz dentro dela.— Desculpe — ela disse.— É o seu trabalho. Estavam em final de outubro. mordendo o lábio. A maioria dos edifícios parecia nova. mas que. Certo. entregando a valise para um dos guardas. rude. Ela pegou-lhe a mão e desceu as escadas com dificuldade. em parte.A ida para o palácio no carro blindado foi feita em pesado silêncio. Por que ela ficava daquele jeito perto dele? Por que não o tratava como um homem qualquer? Por que se sentia desajeitada. Não sefalaram mais até o avião aterrissar no a e r o p o r t o d a F o r ç a A é r e a d e S a r q . indicando a cidade.— Alguém levará esta mala para você.Jessica 116.— Na verdade está mais fresco do que há algumas semanas. H a v i a m u i t a s m u l h e r e s v e s t i d a s à m a n e i r a o c i d e n t a l .— Está quente — ela murmurou.pensou. mas ainda não se sentia apaziguada. ele indicou a valise que ela carregava. E l e e r a g r a n d e . A c a r a v a n a d e l i mu s i n e s M e r c e d e s e n t r o u n u m a l o n g a alameda cercada por muros cobertos de buganvílias e refrescada pela sombra .. Zayed explicou que a famíliaFehr não costumava utilizar aquele aeroporto porque tinha uma pista de pouso particular. Rou deu um suspiro pesado.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter servir mais alguma coisa?Rou agradeceu e abanou a cabeça. Ela disse a si mesma que deveria ficar contente. Rou olhoupara a mão que ele lhe estendia e depois para o rosto dele.. l o n g a s p e r n a s e p a r e c i a ocuparmuito espaço. o coração de Rou se apertou. constrangida. ela deu um suspirode medo e ficou tonta. Z a y e d s e vi r o u p a r a a j a n e l a e e l a f e z o m e s m o . R o u o l h o u p e l a j a n e l a e a p r e c i o u a c i d a d e q u e cintilava sob o sol. sem graça eentorpecida? Porque. R o u perdeu o fôlego ao descer do avião no fim da tarde.— Você não fez nada de errado — respondeu ele sem entonação. — A capital de Sarq. depois do acidente de Sharif. Por que eu gostaria dele? Porém.— São os meus arquivos e o meu notebook. Rou nãoficou sossegada. você gosta dele e quer que ele goste de você.— Esta é Isi — ele disse. egoísta efalso. mas a temperatura beirava os 33° e sua roupa cinza de lã a sufocava. ti n h a o m b r o s l a r g o s . O calor subia em ondas dapista de pouso. Preciso deles. Quanto mais consciente ficava da p r e s e n ç a d e l e . Ridículo! Ele é superficial. introspectivo. Seria conveniente e necessário se manter a distância.— Faço um monte de perguntas. quando Zayed se virou para ela e a fitou com os olhos dourados. mas não havia comof u g i r . ele apareceu e sentoudiante dela com uma expressão impenetrável. Quando ela pensava que Zayed não voltaria mais e o piloto já anunciara que iriam aterrissar. —A segurança deverá checar todas as bagagens antes de entrar no palácio.— Costumo ser muito franca. Vou recebê-la de volta assim que for possível?— Prometo — disse ele. As ruas eram cercadasp o r p a l m e i r a s e e n f e i t a d a s p o r f o n te s . o avião fora escoltadopor naves militares por questão de segurança: o país não poderia perder dois r e i s e m 1 5 d i a s . m a s preocupava-se com ele mesmo sem querer.— Está bem. m a i s s e u coração acelerava. U m f o r t e e s q u e m a d e p r o t e ç ã o o s a g u a r d a v a n o s o l o . Quando pisaram no solo.G r a t a p e l a d i s t r a ç ã o .— Prefiro a honestidade.

Projeto Revisoras24 .

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E l a .— Ele está aqui — disse Manar.Rou se deu conta de que cometera uma gafe. — Meu nome éManar. — Ele v i u a e xp r e s s ã o d e R o u e e s c l a r e c e u : — N ã o s e p r e o c u p e . p o r é m . inclinando-se timidamente. e olhou para a mansão. disse ela sem fôlego. e R o u . m a i s u m a v e z e l e s e v o l t o u p a r a e l a .— Você é um príncipe. A entrada formadapor lindas colunas e por um domo dourado logo se encheu de homens vestidoscom túnicas brancas que se curvavam.— Preciso trabalhar. As paredes internas eram brancas e o teto formava um mosaico azule dourado. cumprimentando o recém-chegado. apenas do meu computador. milady — ele disse. — E l a p ô s a m ã o n o b r a ç o d e l e i mp u l s i v a m e n t e . Rou esperava que Zayeds e j u n t a s s e a s e u s h o m e n s . n ã o c o s t u m a s e r usada e tem boa claridade.— Queira me acompanhar. q u e conhecera muitos palácios. — Foi aqui que você cresceu?Ele sorriu pela primeira vez desde que recebera o telefonema em Viena. Uma mulher estava parada sob um dos arcos. Arranje-me uma mesa enquanto espero pelocomputador. ela retirou a mão. mas não preciso de nada. esperando-a. ela suspeitava.O q u a r t o e m q u e R o u f o i i n s t a l a d a n ã o e r a a p e n a s u m a s u í te .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter das palmeiras. Corredores cercados por colunas e decorados c o m p r e c i o s a s e s t á t u a s s e e s te n d i a m e m t o d a s a s d i r e ç õ e s . muito espaço e acesso para um pequeno jardim.— Ótimo.— O palácio — disse Zayed em voz rouca. jamais vira algum tão lindo e exótico como aquele. — É incrível — . Rou vislumbrouuma construção cor-de-rosa encimada por domos e torres.— Uma das suítes da família foi preparada para você. O s o l poente entrava pelas portas de vidro da sala de estarrebaixada e se refletia nas almofadas do sofá.— Seja bem-vinda — ela disse. É muito gentil.— Obrigada.— Este é o meu lar — admitiu ele.Zayed se virou para um de seus homens. surpresa por Zayed não ter entendido. falou num idioma que ela não conhecia e se voltou para ela. Rou viu que em seu rosto haviaum misto de orgulho e de tristeza. Embaraçada e constrangida. m a s u m apartamento com cômodos em diferentes níveis. Projeto Revisoras25 . O sorriso remetia ao menino que elefora e que. É isto que você quer dizer? — O sorriso havia desaparecido. Umsegurança abriu a porta do carro para que ele saísse. inclinando-se. Acho que vou trabalhar.Um dos homens vestido de branco deu um passo à frente. No centro da sala havia u m a mesa com um jarro de rosas perfumadas.Parecia algo das Mil e Uma Noites. O carro aguardou enquanto um alto portão de ferro e madeira abria lentamente. Os dois caminharam em meio ao silêncio e entraram na fresca mansão. apontando-lhe uma mesa num canto quedava para o jardim.Jessica 116. ealgo fez o coração de Rou se confranger. N a d a d i s s o . sevocê precisar de ar fresco. Enquanto percorriam um caminho cercado. separados por degraus de p e d r a e a r c o s . E r a e s p e t a c u l a r . voltando-se para Zayed. mas quando ele olhou para sua mão.Rou sentiu uma estranha vontade de protegê-lo. não é?— Ninguém diria pela maneira como me comporto. Provavelmente não se deveria tocar na família real. Manar. raramente se deixava entrever.— N ã o . Estou aqui para servi-la durante a sua estada.

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Pode recebê-lo agora?— C l a r o — d i s s e R o u .f r u s t r a d a ... — Será preciso fazer testes..s e u s d e d o s n ã o o b e d e c i a m . sentia-se sufocada por sentimentos intensos eperturbadores e a culpa era de Zayed Fehr..a restos mortais. e l a p e r c e b e u o q u e d e v e r i a f a z e r : encontrar um par para ele e sair dali rapidamente porque Zayed era um perigo. mas ela não sabia o que poderia ser.Rou olhou para ele num horror silencioso.— Sinto muito — soluçou. que ele era um homem com sentimentos maisprofundos do que demonstrava.Anoitecia quando Rou terminou sua tarefa. Faça o que foi contratada para fazer. pesquisa. — ela sussurrou. tola Rou. — Os corpos estão carbonizados. mas não teve tempo porque Zayed logo entrou na sala. ele a contratara por suas habilidades. obrigada. quase irreconhecíveis. Seriamelhor trabalhar o mais depressa possível.— A esposa dele.. Porém. mas seus dedos não obedeciam e ela não conseguia passar os dadosdos formulários para o notebook.— Não. prova.— Parece que não há sobreviventes.. lógica e razão são as bases de toda teoria científica.— F o r a d e s i .Rou ficou irritada com sua obsessão por Zayed.não por seus instintos..— Era o avião de Sharif — ele disse em voz baixa e rouca. Ela estremeceu de dor. ela disse a si mesma.— Não. D e r e p e n t e . quando Manar apareceu. Tudo se resumira aos destroços.— Ele parou de repente. Rou sentou-se devagar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Não deseja tomar banho ou trocar de roupa? — perguntou M a n a r .. Seu instinto lhe dizia que ele precisava se casarpor amor. Entretanto. — Sinto muito por todos vocês.Jessica 116.. Ela começou a ler os perfis das candidatas. O resultado lhe mostrou 30 combinações. — Rou se preparou para digitar as informações que colhera. Ele sentia muito? Ele se desculpava com ela? Rou corou entristecida. Pediram as f i c h a s dentárias. mas agora o computador cruzaria os dados e lhe diria que candidatascombinavam com Zayed Fehr.Por que estava tão perturbada e se comportava de maneira tão incomum? Elajamais se deixara guiar pelas emoções porque elas são o principal inimigo daciência. — R o u m o r d e u o l á b i o p a r a i m p e d i r q u e a s l á g r i m a s escorressem de seus olhos.— Já selecionei as primeiras candidatas — disse Rou nervosamente.Rou viu que Manar aguardava uma resposta e resolveu dispensá-la. Ainda sentia algo por ele. a c a b e ç a n ã o f u n c i o n a v a . Digite logo o resto doperfil. H a v i a a l g o m a i s q u e o preocupava algo que o consumia.S e e l a não tomasse cuidado.. O corpo de Sharif. l e v a n t a n d o . Estava ali para trabalhar. ele acabaria com a pequena porção t e r n a e sensível de seu coração. Se pelo menos houvesse tempo. clarear a cabeça e ser objetiva: t e o r i a .— Preciso fazer o que é . Ela demorara mais do que o normal. E l a p e n s o u e m s e p e n t e a r e l a v a r o rosto. e v i u o b e l o r o s t o t o r t u r a d o d e Z a y e d .. Parecia-lhe errado ajudar Zayed a encontraruma esposa daquela maneira. — Sinto muito — disse ele roucamente.. Ela a p e n a s precisava se concentrar. queria que ele gostasse dela. Ela fechou os olhos.. Intelectualmente esperta eemocionalmente estúpida. Tola. hesitante.— Sua alteza deseja vê-la. Pensamento. para poder ir embora. não por conveniência. e pela primeira vez havia um desespero real em s u a v o z e em seu rosto. — Posso imprimir os perfis e você poderá lê-los agora ou quando tiver tempo. Entretanto..

— Ele caminhou a t é e l a e . a o e n t r a r na claridade. Farei o que é necessário. Rou percebeu que ele vestia uma túnica Projeto Revisoras26 .certo.

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— V o u l h e m a n d a r u m a i mp r e s s o r a .— A p ri n c í p i o m e a g a r r e i à e s p e r a n ç a .Jessica 116. — Não temos muito tempo. Zayed também esqueceria. mas parou. A g o r a n ã o p r e t e n d o f a z ê .— Sua impressora chegou — disse Manar em voz baixa. D e p o i s .— Ele pegou um botão de rosa do vaso no meio da sala. Rou nada tinha a fazer até a hora do jantar. S e v o c ê p u d e r i m p r i m i r o s p e r f i s . p o r v i a d a s d ú v i d a s . encontro com você depois.Zayed saiu. Por um momento. com um olhar atormentado. D e v o s e r v i r m e u país. podemos conversar mais tarde. ela imprimiu as fichasd a s p r i m e i r a s d e z c a n d i d a t a s .. Eu tinha certeza de que ele estava vivo. sem sentir.. — Ainda segurando à rosa.— Claro. É necessário que haja uma cerimônia. — Tão rápido?— V o c ê p o d e m e e n c o n t r a r u m a r a i n h a e m 4 8 h o r a s ? P r e c i s o c a s a r . — Querovê-los.. engolindo o nó na garganta. Rou ficou paralisada. quando as rosas chegaram. s u a v o z e s t a v a embargada:— Pensei que ele sobreviveria. ele plantou doze roseiraspessoalmente. assim comoa família de Sharif. Era u m momento de tragédia.b a r b e a d o . — Ele se calou. A coroação será dentro de 48 horas.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter branca . S h a r i f c r i o u u m j a r d i m e m homenagem a elas e.. — Encontro-ano jantar e conversaremos. Rou esquecera aimpressora e achava que. Não parecia hora de celebrar.. de transtorno. lembrou-se de um milionário americano que recusara60 candidatas antes de se encantar com a 61ª. — Ele respirou fundo. d e o l h o s v a z i o s . T e n h o u m a r e u n i ã o d e e m e r g ê n c i a c o m o ministério. Eles se sacrificam pelo bem de seu país. com tanta coisa com se preocupar.R o u sustentou o olhar de Zayed. ele se virou para sair. o n d e o s m a l a r e s s e salientavam.— Talvez esteja — disse Rou.? Ele abanou a cabeça..— Como se espera que você se case e se torne rei apenas dois dias após saber que seu irmão está morto?— Reis não são homens comuns. A imprensa. Enquanto montavauma pasta com os perfis. — Ele olhou para Rou.A o a c a b a r s u a tarefa. Sarq. até que viu Manar entrar. Quando tudo ficou pronto.— Você é tão teimosa quanto eu — disse ele. É o mínimo que posso fazer. Traga os perfis..l o . com dificuldade. Zayed. — Tenho o dever de honrar meu irmão.. O país inteiro estaria de luto. Ele se casara com ela e os doistinham três filhos.R o u o l h o u p a r a o r o s t o m o r e n o r e c é m . Mas ele lembrara e também mandara uma copiadora. A desilusão é muito grande. E l a trabalhava sem pensar. uma mesa epapel para impressão. m a i s d e z . apenas para se ocupar.. a qualquer momentoZ a y e d f i c o u c a l a d o . Ela Projeto Revisoras27 . Rou ficou de lado enquanto uma equipe montava um escritório completo para ela. com um olhar penetrante.— Não quer examiná-los agora?— P r e c i s o f a l a r c o m K h a l i d ... Ela nunca o vira com a veste tradicional de Sarq.. Seus pensamentos eemoções se misturavam: Sharif. Eu.— Está bem. — Estas rosas foram p l a n t a d a s d e p o i s q u e m i n h a s i r m ã s m o r r e r a m . Q u a n d o f a l o u .— Até que se tenha prova. E preciso fazer a transição do modo mais s e r e n o possível. Ela ficou sentada por muito tempo.

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A luz das velas. Rou pegou as pastas com os formulários e a seguiu através dos corredores atée n t r a r e m n u m a p e q u e n a s a l a d e j a n t a r i l u mi n a d a p o r v e l a s .— Mostre-me o que conseguiu.para disfarçar o nervosismo.— Não ouvi você chegar.— Também gosto dos painéis. Rou era apenas um o b j e t o . Eram usados como divisórias nos haréns. — Ela entregou a primeira pasta a Zayed. — Eu não sou você. — Lindas m u l h e r e s d e v e m e s t a r c e r c a d a s d e coisas bonitas.— Nada? — perguntou.Ele olhou para um deles. devolvendoa pasta.— E s t a s s ã o a s p r i me i r a s d e z c a n d i d a t a s — d i s s e . Vejo que existem algumas possibilidades. apreciando os p a i n é i s q u e reproduziam flores e pássaros. o cabelo dele brilhava como ônix e sua pele parecia dourada.Você não gosta do que eu gosto. São marroquinos e datam do século XVI.— Nada. Queria que ele gostasse dela. Para ele.— Isto é algo que você não sabe.Jessica 116. mas desejava que ele não gostasse denenhuma daquelas mulheres. Trouxera apenas uma pequena mala e não tinha muita opção. — Ele entrou na sala com sua discreta elegância. A me s a b a i x a estava cercada por grandes almofadas e as paredes eram cobertas por painéisentalhados.Não gostava do que fazia: era absurdo. Ela tentou esconder as pernas. — Seu coração batia acelerado.Acima do candelabro. e mb o r a . R o u s e c o u o s c a b e l o s e f e z u m c o q u e . abrindo o portfólio.Zayed sentou numa das almofadas diante da mesa e acenou para que elase sentasse ao seu lado. Apenas alguns minutos.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dormiu um pouco. m a s t r o u x e v i n te p e r f i s separados em dois grupos de dez. dê-me a sua opinião de especialista — pediu ele. Manar saiu e Rou vagou pela sala. — A o t o d o .— Por favor. te n h o t r i n t a c a n d i d a t a s . Ela já vira quase todos quando percebeu que Zayed a observava. Não temos os mesmos valores e gosto. Ele não notava o que ela vestia.— Você quer que eu escolha?— Três mulheres que seriam perfeitas para mim. d e s e j a s s e q u e p e l o m e n o s u m a v e z alguém a achasse bonita. tomou um longo banho e vestiu o costume cinza de novo.Manar apareceu pontualmente às 9h e pediu que Rou a acompanhasse. Quem você escolheria para mim?As mãos de Rou tremiam quando pegou a pasta.— Ótimo. n o f u n d o .impossível. Eu estava admirando os painéis. Ele examinou os formulários em silêncio.Rou sentou numa almofada de seda e corou quando a saia subiu até as coxas. te n t a n d o p a r e c e r p r o f i s s i o n a l . mas Zayed nãose importaria. — Ela tentou parecer contente e entusiasmada. onde zombava Projeto Revisoras28 .— N ã o a d m i r a q u e s e j a m t ã o l i n d o s — d i s s e e l a despreocupadamente. parado na porta. N ã o costumava se pintar e raramente usava jóias.— Você esperou muito tempo?— Não. o teto formava uma abóbada azul-escura incrustadad e dourado. preparando-se para lhe dar a segunda pasta. o que era ridículo. Orgulhava-se de ser uma mulhers e n s a t a e p r á t i c a . mas não estava.Rou se lembrou do e-mail que Zayed mandara para Sharif. — Escolha as três melhores deste grupo. u m i n s t r u m e n t o ú t i l .— Não posso fazer isso. Ele a olhou com um ar aborrecido.

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Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dela, chamava-a de maçante.— A h , m a s e u s e i — r e s p o n d e u e l a . A d o r a r a a c o m p a n h i a d e l e , e e l e simplesmente ficara entediado. Zayed suspirou frustrado.— Não estou à procura de uma relação amorosa, apenas de compatibilidade.— Ótimo. — Ela corou, folheou a pasta e escolheu Jeanette Gardnier, umalinda canadense, professora de Direito; Sarah 0'Leary, uma jornalista ruiva deDublin; Giselle Sanchez, uma loura proprietária de um banco em Buenos Aires.— Eis aqui três mulheres brilhantes, independentes e bem-sucedidas. Elas sãoo máximo. Todas muito bonitas.Zayed não pegou os formulários, apenas a fitou fixamente.— Por que estas mulheres?Rou odiou que seus olhos queimassem e a garganta se fechasse. Odiava aquela viagem que tumultuara suas emoções.— Elas correspondem ao que você pediu.— Você está aborrecida — ele disse, levantando uma sobrancelha.— Não estou aborrecida.— Então, por que não me olha de frente?— Não preciso olhar para você.— Você está quase chorando — ele disse surpreso.— Por favor. — Rou virou a cabeça para o outro lado, mordeu o lábio e ses e n ti u t r a í d a p o r s u a s e m o ç õ e s e p o r s u a f r a q u e z a . E l a e r a u m a c i e n t i s t a . Esperava-se que fosse objetiva e dedicada ao seu ofício. Zayed se inclinou e passou o dedo debaixo do olho dela, colhendo uma lágrima.— Você está chorando.— Não estou. — Rou sentia o coração apertado e a pressão das lágrimas que tentava conter. Ela não deveria ter vindo não deveria ter concordado comaquela proposta absurda. Nenhum homem a atingia, exceto Zayed Fehr. Ele lhe mostrou o dedo úmido.— Então, o que é isto?— É uma lágrima.— Por quê?— Por quê? — ela perguntou em voz aguda. — Porque estou triste. Eu souuma mulher, tenho sentimentos. Você pode achar que sou um museu ou umrobô, mas não sou e nunca fui. — Ela sacudiu a cabeça, descontrolada. Comopoderia trabalhar daquela maneira? Como poderia pensar? Ela só podia seruma cientista racional, fria e lógica se estivesse num ambiente que possuísse e s t a s c a r a c t e r í s t i c a s , m a s n ã o e s t a v a . Desde que Zayed aparecera em seuh o t e l e m V a n c o u v e r , e l a s e s e n t i a e m p u r r a d a e p u x a d a , d e s p e d a ç a d a e estressada. Era loucura, e ela nunca se sentira tão estúpida.— Eu nunca disse nada que sugerisse que você é um robô.— Não. Você só acha que sou como um museu: maçante, maçante! — Aspalavras caíram no silêncio. Zayed fechou os olhos e falou, depois de algum tempo:— Você sabia?Rou corou arrependida por ter explodido.— Sharif não pretendia que eu descobrisse. Eu preferia não saber.— É por isso que você me odeia tanto.— Acho que você pensou que estava sendo engraçado, mas issomagoou...Ele a interrompeu, beijando-a. Rou enrijeceu o corpo, espantada, e tentoue mp u r r á - l o p e l o s o m b r o s , m a s o c o r p o d e l e e s t a v a m o r n o e firme sob suas Projeto Revisoras29

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter mãos . Ela sentiu as batidas do coração de Zayed e o perfume de sua pele. Asmãos que antes o empurravam se agarraram à roupa dele. O beijo de Zayed fora gentil até aquele momento, mas, sentindo que ela cedia, ele a beijou commais ardor, tirando-lhe o fôlego.Rou já fora beijada, mas nunca daquela maneira, não com tamanho ardorou ânsia, desejo ou raiva. Sua cabeça começou a girar e ela perdeu o senso: abriu os lábios e ele explorou sua boca lentamente com a língua, saboreando-ae enviando ondas de entorpecente calor através de seu corpo. Aquilo tinha deparar, ela pensou, atordoada, ela precisava detê-lo, mas seu corpo se recusavaa obedecer. Sentia sensações maravilhosas e estranhas demais, a começarpelas pernas bambas e pelo langor dos músculos. Seu coração parecia bater mais devagar, seguindo o ritmo dos arrepios que lhe percorriam a espinha e oventre, deixando-a enlouquecida e dolorosamente consciente do quantoestivera vazia.A c h e g a d a d o m o r d o m o d o p a l á c i o o s interrompeu. Rou não o ouvirac h e g a r , m a s Z a y e d s i m , e e l e t e r m i n o u o b e i j o e s e a f a s t o u c o m i n c r í v e l rapidez. Enquanto o mordomo falava com Zayed em voz baixa, Rou oscilou emc i m a d a almofada, sem conseguir se controlar. Ela ouviu Zayed fazer u m a pergunta, mas não entendeu a conversa. Quando o mordomo saiu, Zayed se virou para ela.— Preciso ir — disse ele abruptamente. Rou se esforçou para fitá-lo.— Tudo bem.Zayed se inclinou para ela, tocou-lhe o rosto e franziu a testa.— Minha mãe teve um colapso. Foi levada para o hospital. Rou pestanejou,voltando ao normal pouco a pouco, exceto pelo coração que batiarapidamente.— Ela vai ficar bem?— Tenho certeza de que sim. Foi apenas o choque ao receber a notícia sobre o avião de Sharif.— Claro. — Ela esperou que ele saísse, mas Zayed não se

mexeu.

Ficousentado, pensativo, olhando o rosto corado de Rou e

escolhendo as palavras com cuidado.— Aquele e-mail... O que escrevi... Não se dirigia a você.— Eu sei. — Ela sabia, mas não significava que magoasse menos.— Não tive a intenção de magoá-la.Rou sentiu uma dor no peito. Não queria as desculpas de Zayed, queria apenas que as coisas fossem diferentes: queria ser mais bonita, mais animadae a t r a e n t e . Ela tentou falar, mas não conseguiu. Gostara dele, pensara s e r retribuída, tivera fantasias românticas e absurdas, mas já haviam se passadotrês anos. Era muito tempo, não importava mais.— Isso é passado, já esqueci.— Acho que precisamos conversar sobre esse assunto, mas não agora...— Não quero falar sobre isso, você deve ir. Sua mãe precisa de você etenho muito trabalho a fazer. — Rou se levantou da almofada, sentindo-sedesajeitada. — Vou voltar para o meu quarto e entrar em contato com as três candidatas que selecionei. Vou marcar um encontro com cada uma.Ele levantou com agilidade, elegância e imponência.— Irei vê-la assim que voltar do hospital.— Não é necessário. Você tem muitas preocupações e tenho trabalho a fazer. Não estou aqui a passeio.— V o u p e d i r q u e m a n d e m o j a n t a r p a r a s e u q u a r t o . — E l e n ã o p a r e c i a contente. Projeto Revisoras30

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Agora. Ele se encolheu na penumbra do carro. a estranha sensação. a culpa era insuportável e ele tentara se autodestruir durante os últimos15 anos.tentando esquecer o beijo. se pudesse. O beijo osurpreendera. Ele satisfazia cada capricho.A g o r a e l e p o d e r i a s e d e d i c a r a o u t r o s p r o b l e m a s . m a s e l a também não era como imaginara. horas rápidas. explosivo. a esposa que precisava encontrar — a mãe declarara que poderia lhe arranjar uma esposa para o dia seguinte. mas aquele beijo. N a d a d o q u e e l e i m a g i n a r a .. Tentaria reparar seus erros. Apenas vá. Se pelo menos conseguisse quebrar amaldição. c o m o a c e r i m ô n i a d e coroação. Precisava ver Rou. se necessário —. Se não a houvesse beijado. Sabia que ele a rejeitara e. não quisera beijá-la. apesar de não se lembrardas palavras que usara. Ele convivia com a desonra: provocara a própria maldição devido a seus atos. Não pretendera ofendê. Sua mãe estava bem e seu colapso fora causado por necessidade de atenção.Zayed fechou os olhos. envergonhado. O que o levara a beijar Rou Tornell? Ele não a achavaparticularmente atraente. Fora quente. Zayed se recostou no banco. e ele gostara de beijá-la.Ele lhe dissera que iria vê-la quando voltasse.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Sou a última pessoa com quem você deve se preocupar.Jessica 116. mas falhara.. a limusineatravessou o portão do palácio. Capítulo Cinco E NQUANTO A limusine se afastava do hospital. Ela pegou suas anotações e voltou para o quarto. voltara a Sarq e ocuparia o lugar do irmão.Zayed olhou para ela por algum tempo e saiu.. e a Rou.. Zayed se agitou no assento. Rou. Tornell era uma mulher.la. Suavida era uma série de prazeres cansativos — carros velozes. Sharif esuas causas perdidas. salvar o que restara de sua família. Deus não o deixara morrer e não o deixaria viver. Zayed sabia que provavelmente fora sarcástico ougrosseiro. amantes passageiras. Emgeral.. experimentava cada vício enada o satisfazia. Aloura e esbelta Dra. Ela sabia sobre o e-mail para Sharif depoisdo casamento de Pippa. Rou o observou ir embora. Dez minutos depois. Zayed Projeto Revisoras31 . A sensação não era novidade. em seus lábios e o sangueque parecia ferver em suas veias. Queria apenas cavar um buraco entre Sharif e sua estranha protegida.. nãoteria descoberto que a imagem de cientista fria era apenas uma máscara.

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Zayed sentiu uma pontada no peito. O mínimo que poderia f a z e r e r a mandá-la para a cama. Ela ainda usava o h o r r o r o s o costume cinza.. — Ele deu de ombros.— Esta noite foi a primeira vez que a vi em anos. recordando. exausta. os lábiosficavam relaxados e cheios e ela parecia tremendamente frágil . Sem pensar. Zayed se aproximou. mas os cabelos estavam soltos e caíam em ondas douradas eprateadas sobre os ombros. histérica. você se esconde atrás da máscara de cientista. E quem eu sou e o que faço.— Como está sua mãe?— Insegura. Rou torceu os lábios.— Eu não a chamaria de delicada. Zayed tocou-lhe levemente no braço. Rou se empertigou de repente. Zayed sentou na ponta da mesa. o rosto de Rou se suavizava.— Eu separo as coisas. P o r q u e a beijara? Confuso.Rou bocejou e afastou um cacho de cabelos do rosto ainda marcado de sono. — Ela levantou a cabeça com dificuldade e olhoupara ele. Zayed observou o rosto lavado.— Mas você foi vê-la esta noite?— Ela é minha mãe — ele disse com um grunhido. — Ela sempre foi assim. acariciou-lhe o rosto..Ele ergueu a sobrancelha. Ele asacudiu com cuidado.— Ah. com a cabeça sobre os papéis e a mão apoiadan o t e c l a d o d o laptop. d e m u l h e r a l g u m a . Informal e tipicamente ocidental.— Isso não é algo delicado de se dizer. tão diferente do que ele pensava deR o u . mas se sentiu culpado. — Rou.— Por quê?— E l a é c o n t r o l a d o r a .— Já passa da meia-noite.— Se eu não o conhecesse.— Ainda bem que você me conhece. Olá. Sua pele era macia e morna.Jessica 116.— Você não se dá bem com ela? — Rou franziu a testa. m a n i p u l a d o r a . Tornell. Ao dormir. Ela deu de ombros. — Ela não se mexeu. mas a m e s a s e a c h a v a c o b e r t a d e p r a t o s e travessas que não haviam sido tocadas. a l i á s .— Já esqueci.— Ainda bem. a sala estava vazia. os lábios cheios e as longas p e s t a n a s espessas e escuras.— O beijo ou o e-mail?— Os dois. ele pensou em deixá-la como estava.— O beijo nada significou? Projeto Revisoras32 . As luzes permaneciamacesas. Ele jamais se a p r o v e i t a r a d e u m a m u l h e r f r a g i l i z a d a .— Sinto muito por hoje cedo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter entrou no palácio e foi direto para a suíte de Rou. acorde. Você precisa se deitar. Zayed deu um sorriso. Está na hora de você ir para a cama.— Não é uma máscara. V i c o m o e l a t r a t a v a S h a r i f e s u a família.— Dra.E l a estava ali porque ele lhe pedira ajuda. Ela nada comera? Ele se virou para sair e a viu dormindo sentada. Jurei que jamais deixaria que acontecesse comigo.— Fácil assim? — ele perguntou.— Olá. diria que é um homem bom.

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sou uma mulher.. paciência e desejo. Rou levantou da cadeira. Rou se afastou.l a m a i s a s é r i o ? — e l e c o m p l e t o u . Sem os sapatos de saltos altos as pernas ficavam a i n d a m a i s t o r n e a d a s . e você é uma mulher. m a s l h e c a í a bem.enquanto ele continuava a observá-la. mas não a mulher certa para você. sinergia.Coragem.— Não. em particular o sexual.Zayed deu um sorriso zombeteiro. ela era a r d e n t e . Se ele não estivesse preso à necessidade de arranjar uma esposa.— Sim — ela concordou sem se abalar.Estou muito ciente da crise. apaixonada.— Não sou uma das suas três pretendentes. É u m i m p u l s o i n c o n s c i e n t e .— Você acha que meu cérebro não a acha atraente?— Acho. Rou corou vivamente. — E l a colocou o cabelo atrás daorelha. Ele a beijaria atrás do lindo joelho e ela estremeceria c o m o a maioria das mulheres. S e m p e n s a r . Ele parara de ouvir assim que e l a m e n c i o n a r a o i m p u l s o s e x u a l . mas também sou homem. — Estamosestressados. corajosa. sim. casamento. teriao maior prazer em ensinar à Dra. porém não ouvia mais. — Não?— Quer dizer. o olharmais suave. Não sou seu tipo e jamais serei. suas cores voltariam e aquela boca suave incharia por causa dos beijos. e Z a y e d c o m e ç o u a f a n t a s i a r s o b r e o q u e f a r i a c o m pernas como aquelas. Ele sabia que Rou Tornell era o o p o s t o d a imagem que projetava. é também habilidade. p e n s a n d o q u e gostava mais da Rou Tornell que se escondia sob a máscara. Era disso que ela precisava. a n i m a d a . O amor não é apenas uma lição de ciência. os cabelos se espalhando sobre osombros e a respiração descompassada. Zayed riu de mansinho.— Estamos no meio de uma crise. sorrindo. — Concorda? Nossa relação Projeto Revisoras33 . pensou ele. paixão e fogo. e l e acariciou cada traço do rosto dela com o dedo. a l g o controlado pelo cérebro que libera hormônios e neurotransmissores. São apenas as leis da atração. Depois de algumas horasna cama e de alguns orgasmos. mas isso nãoquer dizer que a atração ou a compatibilidade sejam verdadeiras.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Absolutamente nada — respondeu ela com firmeza. É isto que interessa sheik Fehr: compatibilidade. E l a e r a p r o v o c a n t e e d i v e r t i d a ... Irritada. sheik Fehr! — Se ela esperavadetê-lo com sua voz gélida e com o comentário seco.— Passei as últimas três horas escutando as lamentações de minha mãe. Tornell o lado do amor que ela desconhecia: olado físico.— Os homens são dados a impulsos.— Mas foi ótimo. p o r q u e p e n s a r a e m c o m o e l a p a r e c i a precisar desesperadamente de sexo bem-feito.Jessica 116. — A ciência e a química do a m o r . seria outra: seu porte seria diferente. f e mi n i n a e d e c i d i d a .— Talvez devesse ser — respondeu ele brandamente.— E e u d e ve r i a l e v á . enganava-se.Zayed concordou. T a m b é m e r a m o r d a z .— Você sabe um bocado sobre meu cérebro.a p e s a r d o d i a c a n s a t i v o .— Eu não saberia dizer — ela respondeu.. Cometemos um erro. fazia com que se tornasse viva.— Leis da atração?— E s te é o m e u c a m p o d e p e s q u i s a . Imaginou há quanto tempo elanão dormia com alguém. percorrendo-lhe o corpo com o olhare se detendo nas pernas. — Estou aqui para ajudá-lo a encontrar uma esposa — ela acrescentou. afetada. Acabou: é passado.

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Está difícil me manter ocupada. jamais teria aquela sensação outra vez. Rou prendeuos cabelos num rabo de cavalo. precisava. com a cabeça doendo. sabiaque. Deveria existir alguém mais próximo. A q u i l o n ã o e s t a v a certo: viera fazer um trabalho e falhara. Rou se preparava para consultar aficha de Zayed quando bateram na porta. mas apavorante. . apenas sentia. Sensual. Ela a c o r d o u antes das oito. Nada de carícias. uma prima distante. e l a precisava sair dali!R o u rolou na cama. Meu nome é Jesslyn Fehr.— E n t r e — d i s s e e l a .E l e d e u u m ú l t i m o s o r r i s o e s a i u .. manifestara suas necessidades. Nada me faz esquecer.uma amiga da família. é um desafio. colocou os óculos e pegou o laptop. Ela tentou esquecer o beijo. no momento em que partisse.— Rainha Fehr! — Rou correu para receber a esposa de Sharif. t o r c e n d o p a r a q u e f o s s e M a n a r t r a z e n d o c a f é e biscoitos.. colorindo o céu de vermelho. desejava e ansiava. nem mesmo as crianças. Tensa. Cambaleou até a sala e apreciou o sol que se levantava. E muito interessante e atraente. com Zayed. m a s . Eu não deveria me intrometer numa hora dessas. Tornell.— Eu me enganei quanto a você.Q u a n d o Rou conseguiu dormir já passava das três horas. mas admitiu que o e s f o r ç o s e r i a inútil. arrogante e. talvez uma ex-namorada. A questão é que e l a a i n d a e s t a v a e x c i t a d a emocional e fisicamente. s e n s a c i o n a l . pensou em reenviar os convites. e v o c ê . perdida. Tudo com ele era diferente. Ela parou e sorriu docemente.. queria. ainda m a i s q u a n d o e s t á z a n g a d a . seu corpo ganharavida. Elasempre fora acusada de ser muito racional. Ainda de pijama.. t a l v e z . ficou aliviada. O problema era o beijo de Zayed. convencional e fingida Dra.Você tem muito a fazer.Jessica 116. Uma linda morena. nada posso fazer. embora gostasse de se sentir viva. — Não espero que faça seu papel deanfitriã enquanto estou aqui.Nenhuma mulher sensata entraria no avião e iria até ali para conversar comele durante apenas uma hora e concordar com o casamento. mas talvez suas emoções e desejosfossem controlados pelo medo.. não c o n s e g u i u . a reação de seu próprio corpo e a expectativa de c o m o s e r i a f a z e r a m o r c o m e l e . Eu deveria ter vindo maiscedo para lhe dar as boas-vindas. sem saberse deveria se inclinar ou cumprimentá-la. — De perto.. Nenhuma das três candidatas respondera e. alguém que já o conhecesse. para seu espanto. ela sabia que seria diferente. S e r i a ó t i m o . Desculpe. m i n h a tensa. apareceu entre as colunas. agitada e insone. R o u c a m b a l e o u a t é o sofá e deitou.— Infelizmente. Ele era terrível. beijos e insinuações. Seria impossível arranjar uma noiva para Zayed nas próximas 36 horas. D e u s . Sentou-sen o s o f á e c o n s u l t o u s e u s e . — Ele precisa voltar.agarrando uma almofada.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter será estritamente profissional. asolheiras e a palidez no rosto da rainha.Nenhuma mulher decente o aceitaria. A revelação fora fantástica.— Não fui uma boa anfitriã com você. Sentindos e culpada. O s h o m e n s g o s t a m d e d e s a f i o s . q u e a f i z e r a d e s e j a r i r a d i a n t e . Jamais experimentara um beijo como aquele ardentee p r o f u n d o .Jesslyn parecia atordoada. Tentou ler. Rou notou a fadiga. Quando Zayed a beijara. arrogante! Não conseguiria encontrar uma mulher para ele. R o u n ã o a p r e c i a v a o s e x o .m a i l s p a r a v e r s e r e c e b e r a a l g u m a r e s p o s t a . usando um vestido simples. Com elenão se sentia frígida. convencional e fingida? C o m o e l e e r a grosseiro. porque. demandas e desejos.

Eu estava gostando de trabalhar de pijama.— Sentese. sem sucesso.Não posso viver sem ele — disse tentando sorrir. — Desculpe se não estou vestida. Projeto Revisoras34 . — Rou indicou o sofá.

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conversando sobre os filhos de Jesslyn e Sharif. Ela não sabia. verdadeira e realista. mas as conteve e mudou de assunto.Rou percebeu por que Sharif amava Jesslyn e seu coração se confrangeu.Rou também engoliu as lágrimas. As duas tomaram café. s u c o . Fiquei aqui quando cheguei ao palácio.Zayed chegou meia hora depois e as cumprimentou.Jesslyn era bonita. poderia trazer café para dois? Se houver alguns doces.— Você é a psicóloga? Agora você e Zayed encontraram um ao outro. Projeto Revisoras35 . meu coração.— Ainda não tive chance de vestilo — ela disse. — Morreram com uma semana de diferença.— Você já foi lá fora. — Quando eu era professora. conheceu os jardins?— Não.— É uma suíte muito bonita. Rou se sentiu desleixada. — Os olhos dela se encheramde lágrimas. — Ela piscou várias vezes e fitou Rou. aqui era o quarto delas — disse a rainha com ar distante. muito bom e generoso. quanto mais Zayed!— Talvez seja melhor você vestir outra roupa. minha esperança. estava barbeado e exalava sofisticação e elegância. Ele étudo para mim. Acho que eu e você somos as únicas que o usaram depois que elas morreram. Ele era um mentor maravilhoso. Talvez ele estivesse certo. O dia vai ser muito quente epensei em lhe mostrar os jardins do palácio mais tarde. mas deveria. Foi assimque conheci Sharif. Jamila e Aman. Imediatamente apareceu uma jovem.O rosto de Jesslyn se iluminou. b i s c o i t o s e iogurte.— Sim. — Das gêmeas. traga-ostambém. alteza?— Mehta.— Claro que não me importo. Estávamos todos de férias na Grécia quando o acidente ocorreu. P o d e r í a m o s t o m a r c a f é j u n t a s enquanto conversamos se não se importar. Nós nos conhecemos na escola e depois dividimos umapartamento.— De quem?— Das meninas — revelou Josslyn com uma cara triste. Talvez algo de bom resulte de tudo isso. — Depois que a moça saiu.— Nada de costume cinza hoje? — Ele usava uma calça preta e u m a camisa de linho. Jesslyn olhou ao redor.Rou ficou espantada.— Você sabe. — Soube que você conheceSharif. Não saberia viver sem ele. Ganhei a Bolsa de Estudos Fehr para estudar em Cambridge. passava os fins de semana de pijama.Jessica 116. Foiassim que o conheci.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — É a maneira mais cômoda de trabalhar — respondeu a r a i n h a . Quemaravilha. Já fora ruim receber a rainha de Sarq de pijamas. no hospital.— Ela mordeu os lábios. como jardim e o sol matinal. Estes aposentos raramente são usados. humilde. Não é engraçado como o mundo funciona? Sharif sempre me disseque o mal pode gerar o bem. —Não posso perdê-lo. corrigindo provas.— T a m b é m n ã o t o m e i c a f é d a m a n h ã .J e s s l y n s e i n c l i n o u e a p e r t o u u m b o t ã o i n v i s í v e l n a p e r n a d a m e s a d e centro. E um bonito lugar.— Você era amiga delas? — A melhor amiga. Pretendo fazêlo mais tarde. — Faz tempo quenão venho aqui. na véspera da morte de Aman. Você já tomou café? Comeu alguma coisa?— Estou bem.M e n t a e M a n a r e n t r a r a m c o m b a n d e j a s c o m c a f é .— Sim. envergonhada.

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especialista em relacionamentos. estamos de acordo.— Uma amiga da família. também serei. Moralmente? Durante os últimos cem anos os Fehr sótiveram uma esposa. Meu bisavô teve três. quando voltasse. Rou ficou apavorada.— Não sei.— E o que todos pensam?— Não sei.— Talvez ela não saiba.— Deve haver alguém próximo de você.— Foi o que também escutei. .— No mínimo uma mulher? — Ela balançou a cabeça. A tradição de Sarq diz que o país deve ser governado por um homem que tenha mais de 25 anose que seja casado com.Ele concordou pensativo. Por que um deles não ocupa o trono? Por que ele passará para você?— E uma antiga lei de Sarq. Elabeijou Zayed e sorriu ternamente para Rou. alguém conhecido. — Rou pegou um bloco. — Quantas esposasse espera que tenha um rei?— Meu pai e meu avô eram homens modernos e ambos só tiveram uma esposa..— Creio que será um alívio para sua futura esposa. somos um país moderno. u m a p r i m a distante.— Ainda hoje.mas. Tahir.Jessica 116.. que estou aquipara lhe prestar um serviço.— Foi um engano. traria minha noiva. Fique à vontade para se juntar a nós. sim.Estes aposentos só são usados pela família. Ele olhou para ela e deu de ombros. J e s s l y n j á e s t a v a p a s s a n d o p o r t a n t a c o i s a . — R o u c o b r i u o s o l h o s e p e n s o u n o q u e J e s s l y n e s t a r i a imaginando enquanto conversavam. As crianças estão loucas de vontade de conhecer a nova tia. . —Ela sabe que sou psicóloga. Somos fiéis às nossas mulheres. Ela não sabia o que estava dizendo. Certifique-se de que todos saibam que nãosou sua noiva. um rei pode ter mais de uma esposa?— Legalmente. n ã o . Talvez pense que você é minha noiva. — É preciso que você esclareça tudo. Dra.— E quando será isso. Não quero que ela fique constrangida ao ver sua futura esposa chegar... uma mulher. Seria o ideal. — Ela respirou fundo. no mínimo. Diga-me uma coisa: Sharif tem três filhas eum filho de três anos. uma amiga da família que seja adequada. — Talvez seja hora de reavaliar nossa pesquisa. Projeto Revisoras36 . uma ex-namorada. pronta para..— Como não sabe? Por que ela pensou que nós. especialmente a rainha. Tornell? Hoje? Amanhã? Não estamos maisperto de encontrar uma esposa do que estávamos em Vancouver.— A h .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês têm muito a fazer. Sob vários aspectos. pouca coisa mudou nos últimos 400 anos. — O silêncio se prolongou a ponto dos nervos de Rou quase explodirem.— Por que pensaria isso?— Eu disse que. — Ele se jogou no sofá e olhou para ela. Seria terrível se ela pensasse estar dianted e s u a f u t u r a c u n h a d a . há cincodias. em outros.— Ótimo.— Concordo com você. e eu. levantando. — Certo? — Zayed continuou olhando na direção da porta.— O que foi que ela disse? — perguntou Rou. — Vou levar as crianças para nadarmais tarde.Jesslyn saiu enquanto os dois se olhavam fixamente.. Isto explicaria por que a colocaram no quarto de minhas irmãs. tomar notas. — Tia? Zayed franziu a testae olhou para o corredor. apesar do que vocêpensa. — Rou soltou os cabelos. Vou deixá-los — disse Jesslyn.

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que nunca se abalava. só que ele começará depois do casamento. É exatamente o que quero. Ela não podia sequer classificá-lo como l o u c o .A cabeça de Rou começou a girar.— Receio que Jesslyn e as crianças acreditem que sim. — Ela se fechou noquarto.— Excelente. tenho alguém em mente. Ela entendera errado. ela jurara ter uma vida celibatária.— Nós não vamos nos casar. não estamos. E perfeita: educada. Graçasaos pais. em qualquer situação.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Também acho — ele sorriu. Tornell.. para ver se Sharif éencontrado.— Estamos praticamente comprometidos. — É melhor esclarecer tudo agora do que arruinar nossas vidas. — Santo Deus! Filhos?— Poderíamos esperar um ano para você engravidar. Projeto Revisoras37 . Ela sorriu.. Elesorriu de volta. ou devemos começar a fazer uma lista?Ele fez uma cara indiferente.Jessica 116. e u c o n t o — e l a d i s s e f i r m e m e n t e .— N ã o h á r a z ã o p a r a p â n i c o — e l e d i s s e . Se ele voltar. vá esclarecer este mal-entendido. interessantee nossos filhos serão muito espertos. Rou apontou para ocorredor. protegida de Sharif. Ela sentou num degrau da sala.— Ah. você pensou em alguém.R o u p a r o u n a p o r t a d o q u a r t o e o l h o u p a r a e l e . sob nenhuma circunstância.O coração de Rou deu um salto. satisfeito.— Não.— Vou financiar seu centro de pesquisas.— Você andou bebendo?— Tomei um café. Omelhor é que você é uma antiga amiga da família.. conheceminha situação.— S e v o c ê n ã o c o n t a r à r a i n h a .— Sheik Fehr. claro que a deixarei livre de todas as obrigações. m a s estava totalmente fora da realidade.Rou. culta. confiante e calmo.— Você está falando sério — ela disse num sussurro.— Acho que terá uma surpresa. o dinheiro ainda será seu.. quase desmaiou. mas não era expresso. esperando. Ela não era do tipo que se casava..— Está na hora de me chamar de Zayed.. — Te r e m o s u m p e rí o d o d e namoro. tentando fugir para oquarto.— Você sabe que é a solução perfeita. Escolhi você.— Então. e e l e n ã o a p r e s e n t a v a n e n h u m . Você é uma candidata altamente qualificada: é inteligente.. De jeito nenhum. Ele falava sério? Dissera quelhe daria dinheiro para casar com ele? Ela se agarrou no degrau.— Então. bem-sucedida.Rou levantou e se afastou.. A sala rodavaloucamente. Z a y e d a i n d a e s t a v a sentado no sofá. C o n h e c i a o s s i n a i s d e l ou c u r a . — Agora chegavam a algum lugar. Dra.— Como?— Escolhi você. Meu único motivo para estar aqui é ajudá-lo a encontrar uma esposa. Sabe que preciso de um casamento de conveniência e não deamor.— Sheik Fehr — ela disse secamente.

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Casamentoera para aqueles que queriam uma vida doméstica. dedicada à família e aos f i l h o s . Do ponto de vista dele. n ã o p a r a e l a . pensando no que faria. Ela amava sua vida e não pretendia casar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Capítulo Seis D EPOIS QUE ele se foi. Asolução de Zayed — casamento — não era solução.Jessica 116. e l e tinha razão. q u e a m a v a e p r e c i s a v a d e s e u t r a b a l h o e q u e n ã o desistiria de sua missão. ela nada ganharia ao casar com Zayed Fehr. o problema e s t a r i a resolvido: teria uma esposa e o trono. d e c e r t a f o r m a . Assim que ela Projeto Revisoras38 . Rou perambulou pelo quarto. muito menos por um homem como ele. Por outro lado. apesar de ela achar que.

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. Passara a noite rolando na cama.. Ela não tinha uma fila de homens bonitos e s e n s u a i s b a t e n d o à sua porta. Rou não as invejava. não tinha nenhum. — Ela deu um sorriso e n q u a n t o T a h i r s u b i a e m s e u c o l o .E l a a c a b o u p o r e s c o l h e r u m c o s t u m e p r e t o . o que lhe restava? Deixar que Zayed a manipulasse atéconcordar? Jamais. egoístas. Jesslyn os o b s e r v a v a c o m a r ausente. Al m e j a v a u m m u n d o particular onde pudesse controlar suas emoções e seria impossível alcançá-loficando em Sarq. e ficou tentadaa aceitar a proposta de Zayed. Calçou sapatos de saltos baixos. O dinheiro torna as pessoas arrogantes. eela não tinha o direito de perturbá-los. Oe n d i a b r a d o p rí n c i p e T a h i r .. a p e n a s p o r q u e t i n h a m a n g a s curtas.. ou melhor. Entretanto. moça. onde as filhas do primeiro casamento de Sharif jogavam Monopólio. Q u a n t o m a i s rápido conversasse com Jesslyn. E l e s v ã o s e c a s a r a m a n h ã . Queriaa p e n a s t e r i n d e p e n d ê n c i a . levantaram e s e inclinaram respeitosamente com um olhar curioso. ele lhe propuserac a s a m e n t o .Rou deixou que Manar lhe preparasse um banho perfumado com baunilhae especiarias na enorme banheira. mas Rouhesitava em procurar a rainha depois da conversa que tiveram durante o café. mas no quarto.Jessica 116. Agora. n u m a e n o r m e mansão em Beverly Hills. Zayed não poderia coagi-la a se casar.. cujas idades iam dos 9 aos 11 anos. Jesslyn e as crianças não estavam na piscina.fantasiando como seria fazer amor com ele. mas em parte estava curiosa. Contanto que conseguisse se sustentar. — Mama. notando a presença de Rou. sentindo-se diferente. Embora trabalhasse para pessoas ricas. nada ambicionava de material. prendeu os cabelos num coque e saiupara procurar a rainha. — Quero que conheçam alguém especial. C l a r o q u e e l a n e m s e q u e r p e n s a r i a n o a s s u n t o .— Ah. Rou examinou seu limitado guarda-roupa. enquanto as meninas reclamavam. Ela jamais admitiria. Ela se deleitou ao entrar na água. t e n t a v a d e r r u b a r a s p e ç a s dotabuleiro.Jesslyn estava tão sensível e entristecida que seria uma maldade sobrecarregá-la ainda mais. a u t o r r e s p e i t o . cercada pore m p r e g a d o s . N ã o é emocionante?A s m e n i n a s . mesquinhas edesagradáveis. d e t r ê s a n o s . Rou. Desculpe. olha. Entre.— Mama — disse Tahir. melhor.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter contasse a verdade a Jesslyn. Sua bagagemc o n t i n h a a s r o u p a s q u e u s a r a d u r a n t e a t u r n ê a t r a v é s d e c i d a d e s o n d e predominava a baixa temperatura e que não serviam para o calor do deserto. Jesslyn as . Esta éa n o i v a d e t i o Z a y e d . não tinha visto você. m a s descobrira que o dinheiro não compra o amor nem a felicidade. D r a . R o u T u r n e l l . c o n f i a n ç a . Porém ela era uma mulher diferente: crescerac o m m u i t o d i n h e i r o . Sentias e extremamente atraída por Zayed. ou talveza palavra certa fosse lisonjeada. R o u vi u q u e a s m ã o s d e l a t r e m i a m aoacariciar os cabelos do filho e seu coração se apertou.A família tentava manter a normalidade depois que seu mundo desmoronara. Rou se arrependeu por ter pedido a Mehta que a levasse até o quarto.Ao sair do banho.Jesslyn como que despertou e olhou para a porta. Porém. — M e n i n a s — d i s s e Jesslyn com fingida animação. . como se fosse uma princesa das Mil e uma noites.

Takia.apresentou. a m a i s v e l h a . Diga: não vou me casar com seu tio. e x p l i q u e q u e t u d o é u m mal-entendido. de 9 anos. D i g a a l g o . Afinal. jamais.rompeu o silêncio. p e r g u n t o u s e o c a s a m e n t o s e r i a n o e s t i l o o c i d e n t a l o u segundo a tradição de Sarq. Porém. e J i n a n . Viera esclarecer o assunto. a voz lhe faltava ao perceber a tristeza que flutuava no quarto. Rou ficou paralisada. Projeto Revisoras39 . mas não conseguia se mexer nem falar.

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e isto inclui casar e assumir o governo. q u e n ã o haverá rei? A rainha me apresentou às crianças como tia Rou! Agora sou tiadelas. Porém nãop o d e r i a a b a n d o n a r u m a f a m í l i a n a q u e l a s i t u a ç ã o . Daria tudo o que tenho e o que sou para vê-lo asalvo.— G o s t a r i a d e p o d e r e s p e r a r p o r s e u p a i — d i s s e R o u . F o r a d e m a i s . Porém. O país está um caos.. m u i t o i n t e n s o e dolorido. Semvocê não será possível. É disto q u e p r e c i s a m o s . — Ela voltou ac h o r a r .— Eu não gosto de ficar assim.— Algo errado? O que aconteceu?— Seu irmão está morto. Crianças não deveriam sofrer nem amadurecer de repente. mas acabou se perdendo nos corredores e.— Como pude pensar que você era insensível? — ele disse. Você se torna verdadeira. gritando. Você está sendo corajoso e forte ao se tornar rei. — S e e u pudesse. s u a s l á g ri m a s r o l a r a m .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês não vão esperar a volta de papai? Vão se casar sem ele? — O silêncio pesou no quarto e abriu caminho para a dor. t r e m e s s e m . Amor. Jesslyn começou a chorarsilenciosamente.Jessica 116. Deu um sorriso desesperado. — R o u m o r d e u o s l áb i o s p a r a e v i t a r q u e .— Preciso de tempo — sussurrou. perda. — O q u e d e v o f az e r ? D i z e r q u e n ã o v o u c a s a r c o m v o c ê .— E se tornar rei — disse Jesslyn entre as lágrimasRou não aguentou.— G o s t o de você desse jeito. abraçou-se à mãe. o casamento não será bonito. escutara. A pequena Takia não entendeu por que não esperamos o pai dela para casar!O turbilhão de palavras exaltadas terminou e ela olhou para ele. cheio de medo. Zayed pensou em argumentar. D u r a n t e a n o s e s t u d a r a .— Você precisa de uma esposa. mas. pedindo socorro. A dor de todos fizera com que a morte de Sharif se tornasse real e aa t i n g i s s e e m c h e i o . está fazendo o que seu pai gostaria que ele fizesse. deu de cara com Zayed. Saba e Jinan soluçaram. sem seu pai. Aquelas crianças encaravama realidade muito cedo. aconselhara.Rou pensou em Jesslyn e nas crianças e recomeçou a chorar. não de mim.— Tio Zayed e tia Rou gostariam — disse Jesslyn —. Rou tentou retornar ao seu quarto. Isto lhe dará algum tempo.— Fui ver a rainha — ela replicou.casamento. Projeto Revisoras40 . desfaria tudo isso — ele acrescentou com calma. e Tahir. de repente. pegando-a pelo braço. filhos. Não poderia fugir de onde mais a necessitavam. clinicara. sentiu o coração dilacerado. que odiava emoções e lamentos. secando as lágrimas. Takia olhou para Rou com os olhos arregalados e os lábios apertados. até que chegue este dia.. Nada pode ser decidido sem o rei. O h o m e m q u e e l a adorara se fora. — Não será suficiente. e tio Zayed.— Talvez dê para esperar — sussurrou Takia. O palácio estava repleto do que ela mais temia.. confuso. e fugiu. A s s i m q u e e l a s a i u .— Casar com tia Rou? — perguntou Saba. — S e m e l e . ensinara. opaís está em tumulto. S h a r i f e s t a v a m o r t o e n ã o v o l t a r i a .— Essa esposa é você. As meninas tinham perdido a mãe havia muitos anos. A rainha e as crianças estão arrasadas. — Daria tudo paraver Sharif entrar pela porta. muito corajoso e forte.— Acabo de sair do seu quarto — ele disse.— Nós nos encontraremos no almoço.mas suspirou e concordou. Eu quero e preciso de você. Preciso de você para cumprir meu dever. abalada. devo fazer o que é necessário..Rou. dedicando-se a ajudar os outros.

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mas as embalagens eramigualmente elegantes. jamais voltaria a ser. nem mesmo o funeral do meu irmão.Valentino.— É seu enxoval. nem desistiria de seus projetos. O país está semrei há quase 15 dias. r e c o n h e c e u c o m r e l u t â n c i a q u e e s t a o p ç ã o s e r i a i m p o s s í v e l . sonolenta e esfregando os olhos. mesmo por um homem comoele. desesperada.. Ele precisava dela e ela o ajudaria. Sarq. o azul marinho. Ao entrar no quarto. Prada.— Não. trocaria — ela disse.— E complicado. Sharif também morrera. Onde estavamo preto.— Está certo. Projeto Revisoras41 . invencível? Aquele guarda-roupa era feminino. A senhora recebeu dezenas de caixas e sacolasque chegaram de Dubai. apenas me indique a direção. Zayed desistiu e lhe forneceu instruções. Dra. jogou-se na cama e examinou o ambiente como se o visse pela primeira vez. — A moça malcontinha a excitação... — Rou estava cansada e arrasada. venha ver.— Tudo em tons de rosa? — ela perguntou a Manar.— Então. Hesitante. Rouprecisou pedir ajuda duas vezes aos empregados.. Ele disse que a senhora precisa de algo mais adequado à vida no palácio. tenho tempo — ela respondeu. agora. Ambas haviam morrido. Tudo e r a t ã o l i n d o q u e i m a g i n o u a s i r m ã s d e Z a y e d v i v e n d o n a q u e l e s a p o s e n t o s dignos de duas princesas. m a l a s e caixas.R o u c o r r e u a t é a s a l a q u e e s t a v a c h e i a d e s a c o l a s c o l o r i d a s . Dior.— Já é uma hora?— Sim. comovente e triste..— Vou levá-la até seu quarto.. jovial. E os ajudaria a agüentaras próximas semanas. — Se eu pudesse. Outra caixa continha um incrível casaco rosa claroc o m b o t õ e s d e b r i l h a n t e s . Embora desejasse voltar para São Francisco nop r ó x i m o v ô o . Não admira que a mãe de Zayed tivesse um colapso e precisasse seri n t e r n a d a .— Sou esperta.. Talvez fosse temporário. Algumas ela não conhecia.— Venha ver..xavam segura.. Zayed tinha razão. e.Se ela não tomasse cuidado. ela abriu a tampa de uma caixa e descobriu um vaporoso vestido rosa. Eu. R o u p e r d e u o f ô l e g o e a b r i u m a i s u m a c a i x a . mas é muitoquente. Porém jamais deixaria de ser quem era. C o m o u m a m ã e s u p o r t a r i a p e r d e r t a n t o s f i l h o s ? A r e a l i d a d e e r a muito dura...C a i u n o sono e foi despertada por Manar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Tem de ser. mas isto é tudo o que tenho. Nada pode ser decidido. encontrando um vestido plissado cor de coral com um fino cinto dourado. Estamos ficando sem tempo.— O quê? — Rou deu um pulo na cama. Rou se sentou na cama. A senhora tem meia hora para se preparar. Dra.Jessica 116. Nada era como deveria.. num silênciocarregado. bocejando —. Ela abriu várias embalagens e a sala foi inundada por um mar em tons de rosa. Elaficou tonta e sentou no braço do sofá: não costumava usar rosa. o grafite? Onde estavam as roupas sérias que a dei. Ela reconheceu algumas marcas: Michael Kors. Quanto ao casamento.— A senhora não quer trocar de roupa? O terraço é coberto. Chanel. — Estou pronta. mas sua alteza deseja que comece a usá-lo. — Ambos se olharam frustrados e zangados. Tornell. No meio do caminho. Tornell. afundando no travesseiro. que viera lembrá-la de que o almoço seria dentro de meia hora e perguntava se ela queria mudar de roupapara almoçar no terraço com sua alteza. — Está tudo na sala.

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— Não de você. — E rápido. Era loucura.— Você tem medo de mim?Embora estivesse em pânico. afinal.O coração de Rou se apertou e ela deixou as lágrimas escorrerem. Zayed arrancou a saia de Rou e a puxou de volta sobre o corpo.. e ela sabia que com ele daria certo. Rou percebeu a hesitação e uma sombra det r i s t e z a n a v o z d e Z a y e d . Ela duvidou que ele estivesse respirando. úmida e ansiosa.O corpo dele estava quente. — Ela o beijoud a m e s m a f o r m a q u e e l e a b e i j a r a .— Não posso. seus olhos ardiam.. Com um únicomovimento. Temia o poder que ele exercia sobre ela. ela precisava dele. suportando o seu peso até q u e e l a relaxasse de novo e se acostumasse com a sensação. Ele a ergueu e encaixou-a em seu corpo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter obedeceu. ele a livrou da calcinha e continuou a acariciá. chocante. — Não posso ficar nesta posição. Rou abriu seu c o r a ç ã o e d e i x o u q u e e l e entrasse. Rou se contorceu selvagemente. — Ele a beijou profunda e demoradamente. — Zayed a afastou e se despiu r a p i d a m e n t e . Quando ela trincou osdentes. sentindo algo diferente do medo.— E melhor você acabar o que começou — ela disse ofegante. ela o beijava. sentindo como ele estava excitado. Ela não estava habituadaa dividir. — É disso que tenho medo. Rou soltou um suspiro ao senti-lo dentro desi. Olhoupara ele: tão belo e com um olhar tão solitário. C o m e ç o u a c h o r a r . laeela. a ser parte de alguém.. Assim que ela abriu seu coração. .a n t e s q u e eu acabe sozinha. No fundo. Não sei como fazer isso. apossando-se desua boca como se lhe pertencesse e.— Alguém precisa me amar — ele disse. de certa forma. A sensação de prazer era superiora tudo que ela já sentira. despidos. Zayed a acariciou através do tecido. Ela se sentia cada vez mais e x c i t a d a . A ú l t i m a c o i s a q u e q u e r i a e r a magoálo. chorando. seu corpo se abriu para ele e o acolheu como se formassem uma unidade.— Vou tentar — disse ela. seu corpo ansiava para que ele continuasse a tocá-la. pertencia. mesmo que quisesse. Estava em suas mãos. Os lábios dela tremeram. fazendo com que ela sentisse o poder de sua ereção. — Deixe que eu tente.— Sou só eu.Jessica 116. Rou mordeu o lábioao sentir o pesado tecido da túnica de Zayed friccionando a pele sensível entresuas coxas.Ele não se mexeu. P o r i s s o e l a o temia. coladoscarne com carne. Roumergulhou os dedos nos cabelos de Zayed e esmagou os seios contra o peito d e l e . Não posso. Os dois se movimentaram juntos: ele a segurava pelos quadris. puxando-a de volta para o colo. Estavam ali. Rou entrouem pânico e tentou empurrá-lo pelos ombros. Tenho medo de amá-lo. encaixando-se entre suas coxas. Quero que veja o quevocê faz comigo. — Calma querida — ele murmurou sobre os l á b i o s dela. A q u e l e homemprecisava dela.la. Ele a preenchia invadia o seu corpo e seu coração. e desta forma poderá olhar para mim. Rous a b i a q u e p a r t e d e l a p e r t e n c i a a Z a y e d e s e m p r e p e r t e n c e r a . segurando-a pelos quadris. A minúscula calcinha des e d a d e Rou era um obstáculo inútil. — Assim não vou conseguir — ela disse. Ela balançou a cabeça. p r o f u n d a e a v i d a m e n te . mas ela não conseguiria lhe pedir que parasse. Era injustificável. que seria extre-mamente sensual e enlouquecedoramente excitante. abraçou-o pelo pescoço e escondeu o rosto no ombro de Zayed. procurando seu ponto mais sensível. gemendo de prazer. o que era um novo tormento.— Pode sim. para que apossuísse. não sei o que sentir. mas desta vez de frente para ele..

o prazer crescia e só seus corpos Projeto Revisoras57 .enquanto a excitação aumentava.

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— Está se sentindo abandonada. Voltara aser ela mesma. Sentiu quando ele atingiu o orgasmo.Z a y e d s e n t o u p e r t o d e l a . n o s o f á . Aquela era a mulher que ela conhecia. nada que pudesse ameaçá-la. Sua cabeça estava longe de tudo. o d e l a ainda tremia. E l a esfregou vigorosamente a pele. viu-se sozinha.— Eu não estava com fome. mas. E l a a b r i u a c a p a d o c a b i d e e e n c o n t r o u u m vestido de algodão rosa e branco com um largo cinto. ocupada. Quem era aquela mulher? Quem era aquela loura suave eapaixonada. m a s cumprira sua tarefa. R o u s e a f a s t o u o m a i s q u e p o d i a e colocou o laptop entre os dois. Ele a acomodou sob as cobertas e deitou ao lado dela.— Você está zangada — disse ele. Alguém o c o l o c a r a a l i . pensou com sarcasmo. serviria para cobri-la ao voltar para o seu quarto.l a . até que só lhe restava explodir numa tempestade desensações. E l a s e n t i u o c o r a ç ã o d i s p a r a r . desejosa e carente? Ela se olhou longamente e seu coração se encolheu.E l a p e r c e b e u u m m o v i m e n t o n o e s p e l h o e p a r o u p a r a v e r s u a i m a g e m refletida. abandonei meus clientes. Era incrível. até que Zayed a carregoupara a cama.— Disseram que você recusou o jantar. R o u m a l l e v a n t o u o s o l h o s d o computador. aproximando-se. viu um cabide de roupas apoiado no sofá. u m m i s t o d e t e r n u r a e d e s e j o .— Zangada não. Estonteada. ela se e n c o s t o u e m Z a y e d .— Durma — ele respondeu. tomara banho e saíra. Deveria esperar por Zayed? A ideia de sentar e esperar por ele trouxe de voltaa s e n s a ç ã o d e v u l n e r a b i l i d a d e . recendia levemente a loção de barbear. Zayed se barbeara.mas ainda estava chocada consigo mesma.— Sou eu.Ele a abraçou e puxou-a contra o corpo. s e u s d e n t e s b a t i a m . sua doçura a ameaçava. — Sua fragilidade a assustava. O perfume sutil lhe causou umas e n s a ç ã o e s t r a n h a . Rou se sentiu magoada. s e u c o r p o b ri l h a r e c a d a n e r v o s e esticar. principalmente lavando a parte sensível entrea s c o x a s .E r a t a r d e q u a n d o Z a y e d v e i o p r o c u r á . Gostara do que houvera entre eles.— E agora? — perguntou ela. apesar devazio. E l a n o t o u a s t o a l h a s molhadas. Ele cumprira seu dever. Q u a n d o a c a b o u . Estava pronto para se tornar rei.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter e xi s t i a m . Rou e n t r o u n o banho e deixou que a água fria escorresse por seu corpo. Nada de fogo e desejo. Ao fazerem amor ela lhe dera mais queseu corpo: dera-lhe seu coração. a mulher que queria ser.Jessica 116.— Talvez eu não quisesse outra refeição na bandeja. ela sentiu o corpo de Zayed se contrair e apressar oritmo dentro de si. c o n g e l a r a a p a i x ã o e o d e s e j o . exceto do intenso prazer que cresciaselvagem. Rou estava aturdidaporque jamais tivera um orgasmo. Projeto Revisoras58 . querida?— Não abandonada. Ela o desejara e ele correspondera. indescritível. incansável. Embora soubesse queagia como criança. agora seria fácil. Ela foi até a sala e viu que estava vazia. Enquanto estive aqui. Ao voltar paraa s a l a . Eles ficaram quietos por algum tempo. Ela foi até o banheiro que. Embora não gostasse derosa. E l a s e enrolou numa toalha e se olhou no espelho com os cabelos pingando. Ótimo.L a v a r a a t e r n u r a e a s e n s i b i l i d a d e .mas agora se sentia vazia e apavorada.Rou não sabia por quanto tempo dormira no quarto escuro e fresco. só enjaulada. Suasroupas estavam dobradas sobre a mesa. Exausta. O s c o r p o s d o s d o i s e s t a v a m q u e n t e s e ú mi d o s .quando acordou. Ele poderia magoá-la.— Não acredito.

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fraca. Como você disse.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você acha que o computador vai me manter afastado?— T a l v e z fosse melhor eu jogá-lo na sua cabeça. Pense.— Sim. magoada e zangada.— Gostaria de dormir no meu quarto. E l a n ã o e r a c o m o a m ã e . — Ela engoliu em seco.— Você não poderia ter se despedido ou deixado um bilhete?— Eu pretendia voltar. ela tentaria se acalmar e lhe Projeto Revisoras59 . dependente. ou pretende continuar com este joguinho de a d i v i n h a ç ã o ? — p e r g u n t o u e l e .— Desculpe pelo drama.— Não apenas no papel. olhando-a com expressão carregada.— Você não me conhece. Amãe emocionalmente frágil. com fome. Z a y e d l e v a n t o u e estendeu-lhe a mão.— Eu sei! — Rou agarrou uma almofada. foi um longo dia.o s o b r e a mesinha. cujas necessidades eram ridicularizadas por seupai. — Se não se importa. porque o que dissera até agoraa p e n a s o afastara. Zayed baixou os olhos. É preciso fazer todo este drama? Parece até minha mãe.— Você me deixou. patética. dando de ombros. — R o u n ã o estava disposta a ter aquele tipo dec o n v e r s a .— A c h o q u e c o n h e ç o . — Rou sentiu um nó na garganta e tentou conter as lágrimas.— Você não me parece o tipo de pessoa que joga as coisas.Zayed contraiu o rosto sutilmente." A mãe com quem ele mal falara durante a n o s . companheirismo e respeito — ela gostaria de responder."Drama. pense! P o r é m e l a e s t a v a c o n f u s a . — Eu sei. Jamais estivemos. O que mais poderia lhe oferecer. O que represento para você. Ele a olhou c o m curiosidade. — É nossa noite de núpcias. Zayed?— Minha esposa — ele disse. mas para ela fora um verdadeiro terremoto. Jurei honrá-la e protegê-la.— Se não me importo — repetiu ele com um tom quase de ironia. s e m c o n s e g u i r . Rou cruzou os braços. coroação.— Sozinha. consumação.— Venha. Eu fui à coroação.— Fui à coroação. — V o c ê te m r a z ã o .— Eu sei. Rou.Jessica 116. — Você vaime dizer por que está zangada. a mãe carente. Se ele lhe desse algum tempo. f e c h a n d o o l a p t o p e c o l o c a n d o .— Foi um longo dia.. A tarde n a d a significara para ele. — E l a d e u u m s o r r i s o f o r ç a d o . Foi um grande dia para você.— Vamos dormir um pouco. Você conseguiu:casamento.— Apenas no papel — ela disse em voz fraca. M a s sentia-se horrivelmente parecida com a mãe durante as brigas com seu pai. mas nãotemos um relacionamento. — E então? Não vamos ficar juntos? Já vamos viver separados?— M a s n ã o estamos juntos. Fizemos sexo. E s t a v a cansada.— Você ficou fora durante sete horas. jurei ser fiel a você pelo resto da vida. Rou tentou ignorar os olhos q u e a r d i a m . R o u f e c h o u os olhos e virou o rosto como se tivesse levado u m a bofetada. p r e c i s a v a a p e n a s encontrar palavras que Zayed compreendesse.. Não sei por que você quer que e u d u r m a n o s e u quarto. Parece minha mãe. Ela tentou se controlar. além disso? Amor. Amanhã será outro dia. s o f r i a e n ã o conseguia pensar.— Você estava dormindo.

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dizer que estava com medo. Rou respondia alguns e-mails e levantou-se para recebê-lo. — Comoestá sendo o seu dia?— Ocupado..Ele saiu e ela se agarrou na almofada. Ele não l h e prometera algo que não poderia lhe dar. Já terminei. — Zayed caminhou para a porta. Rou chorou e sentiu o coração partido porque compreendeu que ela não era melhor que seus pais.Rou concordou.— Olá. Rou não conseguiu falar. soluçando silenciosamente.— Eu queria uma mulher forte. Depois deuma noite insone. Tive uma reunião de gabinete durante toda a manhã.desgostoso e distante. Repetia a história de s e u s p a i s . o h o m e m q u e s o f r e e a m u l h e r q u e s e d e s e s p e r a . mas. voltar not e m p o e a b r i r s e u coração. E r a o q u e c o s t u m a v a a c o n t e c e r e n t r e o s d oi s : b ri g a s . — T a l v e z possamos conversar amanhã — disse ele calmo e controlado. ele a deixara sozinha durante horas. sem nada. acabariacomo eles.. Parecia tão cansado quanto ela. sabia que se comportara mal. saídas teatrais. confiante. honesto.Jessica 116. — Boa noite. Projeto Revisoras60 . ignorando o próprio nervosismo. — Ela sorriu.l o q u a n d o Z a y e d apareceu. ele tinha preocupações maiores e novas responsabilidades. Rou fez um gesto como se quisesse alcançá-lo. Peça-lhe para ficar. E l a n ã o sabia lidar com conflitos. Rou. Não consigo. Certo. planejando o funeral de Sharif.— Estou atrapalhando? — perguntou ele.— Não. Entretodas as pessoas. Era istoque não queria a cena que ela sempre temera: o homem que sai e a mulher q u e c h o r a . Ele era um homem bom. com os olhos cheios de lágrimas. tinha dificuldade de expressar seus sentimentos. mas ele não apareceu nem mandouc h a m á . m a i s d i f í c i l e r a a e s p e r a . sem deixar um bilhete. Max Tornell. Tudo o que ela queria era se desculpar. Peça! Implore como sua mãe c o s t u m a v a fazer. Zayed parou e virou-se para ela. E l a o d e i x a r a simplesmente sair. l á g r i m a s . mas Zayed balançou a cabeça. Não suportodramas nem cenas. e l a s e p r e p a r a v a p a r a p r o c u r á . se não tomasse cuidado.l a . e que. odiava climas tensos.N o i n í c i o d a t a r d e . Passei aúltima hora com Jesslyn e Khalid. como se nada houvesse acontecido. Entretanto. Capítulo Dez Rou ESPEROU a manhã toda por Zayed. Rou ficou desesperada. emsua defesa. Q u a n t o m a i s o te m p o p a s s a v a . Abandonara-a sem se despedir. Rou. por uma razão. reproduzindo opapel que o pai dela costumava interpretar: o vencedor do Oscar. sentia-se impotente. jamais se abrira com ninguém e percebia que ele estava irritado. ela deveria ser a mais compreensiva e saber como a vida dele se tornara estressante. indicando o computador.

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Sairíamos do palácio. pontualmente. Assim que ocarro começou a andar.— Você está deslumbrante — disse ele. u m a M e r c e d e s p r e t a c o m motorista os aguardava. Desculpe. Era como um irmão mais velho ou um p a d r i n h o m á g i c o .— S ó q u e e s t e é m e u p a í s .— T o d a n o i v a d a r e a l e z a t e m u m p r e ç o .— Desconfortável?Rou deu uma olhada pela janela e abanou a cabeça..— Tudo bem. H á u m l u g a r d i s c r e t o . o que seria bom para nós dois. o c o r a ç ã o d e R o u a c e l e r o u e e l a s e encolheu. escolhera o vestido longo rosa e laranja e brincos de pingentes. só animada. pensou Rou ao vê-lo entrar na sala.— Nó entanto.— Claro ótimo. — Poderia ter mandado avisá-la. — Fui egoísta e irracional. não o fiz por altruísmo. — Rou sorriu sem perceber.— Você está longe de ser ignorante. Gostaria de ter ido. corando.— Não. Em comparação com algumas Projeto Revisoras61 . E u f u i à c o r o a ç ã o d e S h a r i f .— Venho buscá-la às 7h. O j a n t a r f oi l o n g o .— Não. É preciso que você me ensine alguma coisa. ou pensarão que se casou com uma mulher ignorante.R o u c o m p r e e n d e u q u e e l e q u e r i a d i v i d i r a r e s p o n s a b i l i d a d e e f i c o u aliviada. Ele nunca falou sobre o assunto.Rou estava pronta às 06h30min. d o q u a l g o s t o m u i t o . Não deve ter sido fácil. Sei que seria apenas para homens.— Você é uma recém-casada que foi deixada sozinha no dia docasamento. e você devese sentir tão pressionado quanto eu. E s q u e c i o pouco que você sabe sobre nossas tradições. Só descobri que era um príncipe ao ler um artigo sobre a coroação numa revista.— Você o chamava de mentor.. Deixara os cabelos soltos. durante anos eu nãosabia quem ele era. O sorrisode Zayed valeu o esforço. m i n h a f a m í l i a e m e u s c o s t u m e s . e suponho que Sharif lhe contou algosobre nosso país. Cobrei um preço. vestido num terno preto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Não era de admirar que ele estivesse tão tenso. V a m o s j a n t a r f o r a e s t a n oi t e . Estou aqui há apenas alguns dias e sei muito poucosobre o país.— Estarei pronta. ele se virou para ela. — E l e s u s p i r o u e balançou a cabeça. — Ela respirou com facilidade pela primeira vez desde que acordara sozinha na cama de Zayed.— Fica bem em você. D e ve r i a te r m e l e m b r a d o .Jessica 116. — Foi o que você fez ao se casar comigo.— Sinto muito por ontem à noite.Quando Zayed sentou ao lado d e l a . mas me importo com você e queria participar de alguma forma. — Ele sorriu e lhe ofereceu o braço. Eu estava errada. Gostaria de reparar meu erro.— O q u e me d e i x o u m a i s a b o r r e c i d a f o i n ã o p o d e r a s s i s t i r à c o r o a ç ã o . — Gostaria de ver algo além destas paredes. A ú n i c a c o i s a q u e e l e m e p e d i u f o i p a r a q u e a j u d a s s e o s outros da maneira que eu pudesse.— Acho que gosto de algumas coisas cor-de-rosa — ela replicou. Na verdade.— Ele foi muito bondoso comigo. Num curto espaço de tempo tudo mudara entre os dois. — Tudo é novo para nós dois. — Vamos?D o l a d o d e f o r a . — Ela corou. Ajudada por Manar.— E s q u e c i q u e h a v e ri a u m j a n t a r d e p o i s d a c e r i m ô n i a .

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— Para todos nós — disse Zayed. o carro atravessava uma vizinhança sossegada.Jessica 116.— Está falando sério?— A primeira mulher de Sharif. Fiquei honrado com a presença de tantos amigos e vizinhos quevieram oferecer seu apoio e que também prometeram protegê-lo. Zulima. O carro Projeto Revisoras62 .— Mas Sharif e Jesslyn se reencontraram.— Pode não ser um consolo para você. foi uma noiva de 20 milhões de dólares. A s c o n s t r u ç õ e s e r a m a n t i g a s . l on g e d o b u r b u ri n h o d o c e n t r o .Rou tocou na mão dele. e. Estamos comemorando nosso casamento e tudo o quefiz foi falar da minha família. mas minha mãe não a aceitou. O desaparecimento das dunasrepresenta um prejuízo para a fauna e para a flora.— N ã o . ela procurou Jesslyn e a mandou embora.Rou ficou comovida.— Ele era muito estimado e ficaria agradecido por você substituí-lo. arcos. com fachadas pintadas de branco. Eles conceberam o príncipe Tahir.— E era? — ela perguntou. ti p i c a m e n t e islâmicas.— Obrigado. depois de Dubai e dos Emirados Árabes. mas começo a pensar que foi um erro.— A p ó s u m a e x p a n s ã o i m o b i l i á r i a t e m o s o s h o t é i s m a i s l u x u o s o s d o Oriente Médio. Sharif sempre amou Jesslyn e. ele estava noivo de Zulima.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter noivas da família Fehr. Eles deveriam ter tido mais tempo. — Ele citou a l g u n s n o m e s .— Deve ter sido difícil para Sharif dizer não para você. — A l e a l d a d e d e l e s é o t e s t e m u n h o d o q u e s e n t e m p o r m e u falecido irmão. protegendo as dunas enquanto poderíamos transformar Sarq num paíscompetitivo. até que Tahir tenha idade parasubir ao trono. um p e q u e n o p a í s à b e i r a d o m a r A r á b i c o . Eu colaborei com estaexpansão: sou um dos maiores investidores dos cinco hotéis mais luxuosos. Meu pai foi o primeiro a abrir as portase S h a r i f herdou sua política liberal. a p e s a r d e s e r n o v e n t a p o r c e n t o islâmico. era um país tolerante. ocasamento não foi feliz.Em virtude da proximidade do mar.Ele sorriu tristemente e se pôs a falar sobre o país. Sem que Sharif soubesse. ela jamais o perdoou por amar outra mulher. — Não depois de tantos anos separados. virando-se para ela. mas creio que ele deveria ter i mp o s t o limites ao crescimento. quero saber de tudo.bonito e esperto. e ele é um menino inteligente. apesar de tratar Zulimamuito bem. apesar de terem três filhas. mas minha mãe insistiu que Zulima era a mulhercerta para Sharif. S h a r i f estava apaixonado por Jesslyn.Enquanto conversavam.— N ã o t o r n e i a s c o i s a s m a i s f á c e i s . olhando pela janela. E u e K h a l i d t i v e m o s a l g u m a s discussões sobre o que eu estava fazendo ao ambiente.— Não durou o suficiente — ele disse. laeela. Seis meses depois. o seu preço foi razoável. Ele será um grande conforto para Jesslyn. Eu o achava ridículo. mas o amor deles terácontinuidade. aberto e receptivo a todos os povos e culturas.Zayed beijou-lhe a mão. torres e colunas. Odeio pensar que meusfilhos crescerão num país que perdeu a diversidade que tinha quando eu era criança. Agora acho que ele tinha razão. jurei proteger meu sobrinho e meu país. Contou que Sarq. — Na cerimônia deontem. Meu pai não gostou.— Quero conhecer sua família. Sarq estava se tornando sede de vários hotéis.

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Gostaria que me f a l a s s e sobre essa nuvem que paira sobre você. e n q u a n t o f i c a s s e l o n g e . m a s o q u e e u m a i s v a l o r i z a v a e r a a segurança da família. carregado de enormes responsabilidades. não significa que seja amaldiçoada. — Ela o olhou. o sossegoé uma comodidade preciosa e vale cada centavo.— É m a i s q u e u m a n u v e m . — Antes do casamento elame trouxe um presente e. Agora sei que nenhum denós está seguro.— Pensei que jantaríamos fora.E n t r a r a m n a e l e g a n t e s a l a i l u m i n a d a p o r v e l a s .— A v i d a n u n c a é s e g u r a — d i s s e e l a g e n t i l m e n t e . Eu sou amaldiçoado. Pensei que deveria saber o mais que pudesse sobre meu marido. Projeto Revisoras63 .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter parou diante do que parecia ser uma residência cercada por mansõeselegantes. V o u s e n ti r m a i s f a l t a d e s t a ilusão do que de Monte Cario ou da minha liberdade. A maldição.— Mulher esperta — ele disse. ao sair. — Pelo pouco quee l a d i s s e .— V o c ê é d o n o d o c l u b e — e l a d i s s e . H a v i a d e s e i s a o i t o mesas. Rou não viu sinal do restaurante. mas eu tinha a impressão de q u e . C oi s a s r u i n s p o d e m acontecer a qualquer momento.. rei Fehr. Sei exatamente o momento em queaconteceu.— Onde estamos? — perguntou Rou. muito exclusivo. m a s t o d o s f i c a m f e l i z e s p o r p a g a r p e l a privacidade. A mesa está pronta.Zayed a olhou. — E d e m a i s v i n t e c o m o e l e p e l o mundo. Sharif nunca reclamou. todas vazias.— Um luxo pelo qual sou grato esta noite — ele respondeu e Rou notou ocansaço e as olheiras em seu rosto. Um homem vestido dep r e t o a b r i u a p o r t a e e l e s e n t r a r a m n u m s a g u ã o i l u m i n a d o p o r u m e n o r m e candelabro.Rou percebeu que ele parecia mais velho.— O lugar é todo nosso — ela observou ao sentar.— Esta é uma tarefa que nunca desejei. Para muitos de meus conhecidos.— Eu gostava de morar em Monte Cario e de ter casas em Londres e NovaY o r k .— Jesslyn disse algo sobre isso — admitiu ela. G o s t a v a d e t r a b a l h a r e v i a j a r .— É um clube privado.— Como você sabia?— Entrei na internet e pesquisei o perfil da sua empresa e o seu portfóliode investimentos.Jessica 116. avisou para que eu não desse atenção aos comentários sobre. surpreso.— Muito exclusivo porque ninguém sabe que existe. preocupada. e l e s e s t a r i a m s e g u r o s . Meu pai sempre demonstrou queera um trabalho exaustivo. deduzi que houve algo em seu passado.— Você vai sentir falta da sua antiga vida. mais forte e mais maduro.— Não. A m a l d i ç ã o s e c u m p r i u d e n o v o e S h a r i f morreu. segurança e sossego.. Minha família também sabe.— S e r s ó c i o c u s t a u m a f o r t u n a .— Foi uma mudança muito brusca para você. rindo. — Seja bem-vindo.Saíram do carro e Zayed apertou uma campainha. — S ó p o r q u e n ã o é segura. nem fez com que nos sentíssemos culpados por ele carregar opeso e suportar a pressão.— Vamos jantar você verá. A g o r a v e j o q u e n ã o p a s s a v a d e i l u s ã o .

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. e o meu amor. quase sinto sua dor.— Eu gostei. o que para nós é o maior pecado entre todos. minha estupidez e minha arrogância a mataram. s e n u n c a d o r m i u c o m e l a .— Pode ser para melhor. cega-se o olho. ela d e s a p a r e c e u . em como foi seu último dia. ? — R o u sussurrava as perguntas. o rosto ficou tenso. — O maridoe a família acharam que estavam agindo corretamente — acrescentou depois Projeto Revisoras64 . sorrindo.— Ele pegou a mão dela. a minha impulsividade. Tudo o que desejava era amá-la. Dra. Se o seu olho pecou. Ela foiapedrejada por causa da minha falta de controle. bondosa e atraente. mas queria que fosse minha. e isso se consegue destruindo o que lhecausou vergonha. sempre nos esbarrávamos em eventos sociais.— M a s . Imagino o terror que ela sentiu. m a n d a r a m a t á . — Então.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Jesslyn disse que Sharif não acreditava em maldições. cortam-se as mãos. mas aquele era o tipo de culpaque acabava com a vida de um homem. —A voz dele f o i sumindo. por favor. c o m a s m ã o s s o b r e o p e i t o .l a . q u e s i g n i f i c a q u e o s outros sabem que você foi desonrado. eu achava que era o som mais lindo do mundo. — Ela me via como umirmão mais novo.. Nur era uma princesa de Dubai e se tornara esposa de um sheik vizinho.Jessica 116. O m a r i d o . Um pouco de humor faz bem quando as coisas estão difíceis. Nunca fiquei sozinho com ela.E l e e r a c o n h e c i d o d e me u p a i e n o s e n c o n t r á v a m o s v á r i a s v e z e s p o r a n o .— Nós temos tempo. — Ele encarou Rou fixamente. Eutinha 17 anos. — Nós nunca dormimos juntos.— Você manda matá-la. ele não acreditava. S e v o c ê n u n c a a t o c o u . . T u d o o que fiz foi declarar meu amor.— Certo. apertou por algum tempo e a soltou.observando-a. Sabia que ela era casada. —Ele olhou ao redor.n u n c a a b e i j e i . Não seremos interrompidos. —Aos 17 anoseu precisava dizer a ela que a amava. s u s p e i t a n d o d e s u a f i d e l i d a d e .— Vou dar a versão resumida. E onde ele está?— Conte-me o que aconteceu.— Foi uma questão de desonra. É tudo o que posso agüentar esta noite.— Ela era inocente — ele acrescentou com tristeza. Às vezes ainda penso nela.— É uma história terrível para um encontro romântico.. s e m c o n s e g u i r f a l a r . Quandoela ria. até que se ouviu a notícia de sua m o r t e . D u r a n t e d u a s semanas ninguém soube o que acontecera. E u t e r i a dado a vida por ela. — E s t e é u m c o n c e i t o q u e n ã o e x i s t e n o o c i d e n te . — Você quer mesmo saber?— Quero. . É preciso haver uma reparação. .— Uma piada de mau gosto.R o u f i c o u p a r a d a .— Pode ser que mude sua opinião a meu respeito — ele disse. Rou fez uma careta. hshuma — ele disse a palavra em árabe ef e c h o u o s o l h o s .— E se a esposa pecou?Zayed deu um sorriso assustador e seus olhos se encheram de ódio e de horror. E l a lidara com a culpa e a tragédia em sua clínica. — Rou sentiu um arrepio na espinha. — Rou observava as emoções se sucederem no rosto de Zayed. n ã o d a mesma maneira. e ela 24. Ela era linda. — Eu me apaixonei por uma mulher casada.— Isto foi uma piada. Tornell? — ele perguntou. Vocês têm culpa. elegante. nós temos hshuma. pensativo. Tratava-me com carinho e sorria para mim simplesmenteporque eu a divertia. se as mãos pecaram. num casamento arranjado.

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deitando-se sobre ela ebeijando-a.— Sim. — Eu poderia saboreá-la agora mesmo.— Não é nada gostoso.— N ã o .— Acalme-se antes de ficar irritada. durmo no meio da cama.. o que era natural depois de fazer amor. — D e r e p e n t e .— E para você também. corando. com um olhar insinuante. Zayedolhou-a de cima a baixo. Amanhã discutiremos o que for necessário. absorvendo o fogo que ele provocava com a Projeto Revisoras68 .— Talvez eu relaxe se você se afastar. Que lado você prefere?— O lado onde você vai deitar. amor?R o u fechou os olhos e tentou ignorar a deliciosa s e n s a ç ã o . E l e e r a tentador como o diabo.— Para você.— Não sou seu amor — disse ela. Se começar a espernear e a gritar. ofegante. não conseguirá dormir de novo. A p a g o u t o d a s a s l u z e s e d e i x o u a p e n a s u m abajur aceso para que pudesse ler alguns documentos. Você perde tempo tentando me c o n v e n c e r d o c o n t r á r i o . Havia muita coisa errada no mundo. Não para mim.— Você prometeu.Rou pensou que não conseguiria dormir no quarto dele.. Esta noite era diferente: nãohavia motivo. enquanto ele lhe acariciava os mamilos. Ela fez uma careta e empurrou a coberta. Estou expressando meudesconforto por você estar tão perto..— É gostoso.— Infelizmente. mas desistiu de ficar acordada à medida que as horas passavam.Rou o olhou por cima do ombro. s o n o l e n t o .Rou sentiu seus mamilos endurecerem e teve vontade de se esconder. — ela protestou. mas isto lhe parecia certo. nem gritando.— I s s o f o i a n t e s d e v o c ê v o l t a r p a r e c e n d o u m s o r v e t e d e c r e m e c o m cobertura de marshmallow. e não queria ser abraçada. parada ao lado da cama. v o c ê é mi n h a m u l h e r — ele disse.— Talvez você precise resolver seus problemas a respeito de intimidade. dormir era dormir.— Em geral.— Boa noite. ela pensou. R o u p e r c e b e u q u e a s m ã o s d e l e s e aproximavam de seus seios.Jessica 116.. Para ela.Rou ficou dura como uma tábua. mas percebeu que não estava presa pelos lençóis.— Vou dormir deste lado. esta noite você só terá metade da cama. — D e novo.— Não estou esperneando.— R e s p i r e f u n d o e s o l t e o a r d e v a g a r — d i s s e Z a y e d . — Rou deitou na cama e se cobriu até o pescoço. fazendo os seios se avolumarem de prazer. Rou sentiu o c o r a ç ã o d i s p a r a r e s e u c o r p o s e e n c h e r d e d e s e j o .Rou deu uma cotovelada nas costelas de Zayed. Ela o abraçoupelo pescoço e abriu os lábios.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Em que lado você dorme? — disse ela. e n t r e a b r i n d o o s l á b i o s e m p r o t e s t o . O braço de Zayed a envolvia e a mantinhac o l a d a a o c o r p o d e l e .— Meus problemas de intimidade? Meus?Ele deu uma risada e ela sentiu seu hálito junto ao pescoço. — Boa noite. — Ele não disfarçou o desejo em seu olhar. — Zayed. H a v i a m d o r m i d o j u n t o s n a t a r d e anterior.Z a y e d n ã o s e j u n t o u a e l a . R o u f i c o u a l a r m a d a . Acordou por causa do calor epor se sentir presa.

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Zayed não tinha pressa. beijando-o no ombro. Porém.. laeela. Quando R o u p e n s o u q u e a c a b a r a .— O m e u iceberg derreteu — ele disse.— Duas vezes.— Você.— Você sabe o que quero. antes de beijá-la de novo.R o u q u a s e g e m e u f r u s t r a d a . Quando abriu os olhos. — Eu estava enganada. ele acariciou o vértice de suas c o x a s e encontrou-a úmida e quente.— Você é tão bonita — disse ele em voz rouca.Z a y e d s e c o l o c o u e n t r e a s c o x a s d e l a e e n t r o u e m s e u c o r p o c o m u m movimento firme. sim.No dia seguinte.— O que foi laeela? — murmurou ele junto aos lábios dela. Você chegou lá?— Cheguei.— Você está viva?— Por pouco.— Receio que não. m o l h a d a d e s u o r . Rou perdeu o controle e apertou o corpo contra o dele. lambia. Volto assim queterminar.. Gosto que você me toque. Ele gemeu novamente e perdeu ocontrole quando Rou intensificou os movimentos. — Parece que você nãogosta que eu a toque. atéque ela arqueou o corpo à procura de alívio. e vamos escapar. despertando cada sensação. Ele acariciava seu ventre. com a respiração arquejante. trincando os dentes. insistentemente. obrigado. Rou corou e franziu o nariz.— Graças a você.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter língua . E l a o b e i j o u p a r a t r a n s m i t i r o q u e n ã o p o d e r i a d i z e r c o m palavras: que o amava e que esperava que um dia ele pudesse retribuir. — Ela e n g a s g o u quando ele cobriu-lhe o seio com a boca.Jessica 116. Z a y e d l a m b e u . Zayed gemeu ao senti-la esfregar osquadris nos seus.. através da camisola.até que ela perdesse o controle e se entregasse totalmente. — Você faz com que seja difícil resistir. suas pernas. n o v a o n d a d e p r a z e r a invadiu. Amava seu belo marido que amavao u t r a m u l h e r .— O que é o quê?Ele a acariciava. — Ele mordiscou-lhe o pescoço. Incrível.. Zayed a beijou com ternura. aumentando sua ansiedade. desesperada e selvagemente.— É gostoso — ela disse. Ela o amava.Rou mordeu o lábio.— A culpa não é minha — ela protestou. tocava. — Não vou agüentar sua resistênciaagora. E l a f i c o u t o d a arrepiada.— Eu queria ver se você agüentava. Projeto Revisoras69 . Era incrível comoele se movimentava dentro dela. Zayed mandou que levassem o café para ela na cama. Ele esperou enquanto Manar arrumava a bandeja no colo de Rou. ela pensou. Quando ela a c h o u q u e não agüentaria mais. num orgasmo quea surpreendeu e que atravessou seu corpo em sucessivos espasmos. Nãoficou satisfeito com uma vez. Você é gulosa. e ela não conseguia pensar quando ele tratava seu corpo como um doce delicioso.— Então não resista — ela arquejou. Ele continuou a beijá-la de uma forma que a levou a menear o corpo. ele olhava para ela e tentava conter o riso. — Foi você quem provocou. Ocoração de Rou acelerou. Ela a m o l e c e u n o s b r a ç o s d e l e . Ele levantoulhe a camisola e acariciou-lhe o ventre.— Tenho uma teleconferência dentro de alguns minutos. mais poderosa einexorável que a anterior. aumentando sua ereção. despertando todos os seus sentidos.l h e a o r e l h a .

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Uma hora depois. bronzeando-s e . S e u s c l i e n t e s d e v e r i a m e s t a r p r e o c u p a d o s c o m s u a ausência e com a falta d e c o m u n i c a ç ã o .— E se você não conseguir resolver tudo num só dia?— Passarei a noite lá e voltarei amanhã cedo — ele disse. estavam num helicóptero. cercado de palmeiras e coqueiros.que dava apoio à família.— V o c ê p o d e s e a f a s t a r d a q u i a g o r a ? — p e r g u n t o u R o u . carros e palácios. quando e l e voltasse. Quandof o r a a ú l t i m a v e z q u e s e d i v e r t i r a ? R o u v i r o u p a r a Z a y e d . Rou ficou impressionadacom o número de pessoas que trabalhavam para Zayed. Z a y e d e r a t o d o a t e n ç ã o e g e n t i l e z a : contava-lhe histórias. Quando Projeto Revisoras70 . janelas em arco e grades trabalhadas. Divertido..Jessica 116. Ficaria fora o dia inteiro e voltaria à noite. Rou ficou magoada. Estamos em lua de mel. m a s t r a b a l h a r e m C a l a n ã o e r a a mesma coisa que trabalhar em São Francisco. com suas torres. Talvez algum dia ele a amasse. entusiasmada: seria divertido. Sabia que ele tinha várias responsabilidades e preocupações. ele lhe apontou uma praia. helicópteros.Duas horas depois. casas. q u e l h e b e i j a v a a mão.O h e l i c ó p t e r o s e a p r o x i m o u p a r a p o u s a r . Seria difícil se concentrar num lugar cheio de sol.— Escapar para onde?— Para a minha casa em Cala.Ela se ligara a Zayed.Não será o mesmo sem você. de árvores. n a d a n d o . na terçafeira. fazendo-a rir.Na terça-feira. c o m e n d o e b e b e n d o . Não era um sonho inatingível. Ele tomara um banho e estava lindo. D u r a n t e os primeiros dias. tentaria tornart u d o m a i s f á c i l .E l e t i n h a r a z ã o . Talvez possa colocar seu trabalho em dia.— O clima está pesado em Isi. T a l v e z p u d e s s e a j u d a r d e a l g u m a forma. — Ele acariciou os cabelos de Rou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou quase derrubou o café.Zayed parou a meio caminho do banheiro. Fique. mas tente voltar esta noite. Não telefonou n e m mandou alguma mensagem sobre quando voltaria. quando Zayed levantou da cama. com uma enorme piscina.Passaram os próximos quatro dias fazendo amor. mas não aborrecida. assim como com os brinquedos que ele possuía: iates.— T a l v e z e u d e v e s s e i r c o m v o c ê . Não aumentaria a pressão sobre ele. mais tempo livre teria com Zayed. Aqui está cheio de sol.— Você não precisa trabalhar? Não vejo você checar seus e-mails desde que chegamos. Rou se sentou. interessante. nem na seguinte. Ela viu uma piscina debruçada sobre o mare pegou na mão de Zayed. e que se encontraria com Jesslyn para discutir os detalhes do funeral de Sharif. inteligente. Capítulo Doze Z AYED NÃO voltou naquela noite. — Podemos ficar fora alguns dias.— Certo. — Vou pedir a Manar que arrume sua mala. É um belo retiro à beiramar. Rou se concentrou no trabalho:q u a n t o m a i s trabalhasse. despreocupado. e e l a p ô d e a p r e c i a r o p a l á c i o construído em pedra. aproveite.. Rou sabia que ele teria uma reunião degabinete em Isi. jatos. Ele era divertido. dormindo. Trabalharei enquanto você trabalha. Será mais divertido. c o r a n d o a o recordar como tinham passado a manhã.— Meu palácio.

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— E l e s e inclinou e foi embora. s e p r e c i s a s s e . R o u t e n t o u s e a c a l m a r . deixara de cuidar dela. p e d i u q u e l h e trouxessem o carro. foiinformada de que Zayed havia telefonado. ela comprou pão.— Ele disse quando voltará? — ela perguntou. se ela quisesse. — Ele é meu marido e quero telefonarpara ele. O que a q u i l o significava? Depois de muito pensar.. lembrou a si mesma.. Ele disse apenas "alguns dias". mas o que ela esperava? Ele não falava inglêsfluentemente. molhando os pés. Rou engoliua d e c e p ç ã o e f o i p a r a o quarto. afastada. Ele lhe dera tantos presentes e ela n a d a l h e dera em troca. chocolates e frutas. Embora fosse adulta. Ele voltaria dentro de alguns dias. Tentou comprarum presente de casamento para Zayed. Quando ela voltou ao palácio. e fariam um piquenique na praia. uma garrafa delimonada gasosa. À t a r d e . Pediria à cozinheira que guardasse tudo até que Zayedvoltasse. O mordomo se apavorou. Rou procurou o mordomo e pediu a ele que lhe desse o número do telefone.O mordomo fechou a cara. na Inglaterra. e não estava habituado a lidar com mulheres ocidentais e suase x p e c t a t i v a s .— N ã o p r e c i s a c o n s u l t a r s u a a l t e z a . queijo. A l i n a d a e r a si m p l e s . bem-sucedida e instruída. ao entrar no jardim do palácio. esquecia dela. Ela se empertigou ao ouvir o tom pomposo do empregado.Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter estava com ela. onde ficou à janela fitando as ondas queq u e b r a v a m na areia. Aa u s ê n c i a d e Z a y e d l h e d a v a a s e n s a ç ã o d e a b a n d o n o . cercada por seguranças armados.alimentavam. Gostaria de explorar a cidade. d e s p e r t a n d o . o juiz decidira dar s u a custódia à avó. D u v i d a v a q u e a q u e l e s a q u e m a m a v a e s t a r i a m a o s e u dispor quando buscasse seu apoio. alteza. E s t o u t e n t a n d o a j u d á . A cidade estará cheia de gente e de turistas.— Não — ela respondeu.l a . ela resolveu falar com Zayed.O mordomo não entendera. Não há muita coisa para comprar. digitando um artigo para uma revista epreparando uma palestra que daria em Chicago. O mercado estava cheio d e g e n te . era atencioso. Ohomem respondeu que ele faria a ligação. Tentou ocelular.— N ã o e s t o u i n te r f e r i n d o . — Não.R o u s a i u a c o m p a n h a d a p o r q u a t r o s e g u r a n ç a s . a l te z a . t u d o r e q u e r i a . Rou não se sentia segura de que alguém estaria ao seu l a d o .— Eu deveria consultar sua alteza. V i s i t o u o a n t i g o c a i s e explorou o famoso bazar que faziam parte da história de Cala. C r e i o q u e v o c ê m a n d a r á a l g u n s seguranças comigo. afinal. desaprovando. R o u p e r a m b u l o u d u r a n t e d u a s h o r a s e p a r o u p a r a t o m a r u m c h á d e hortelã. q u a n d o s e u p a i bebia.— É sábado. pois pretendia fazer compras na cidade. Ela jurou não se entregarao medo e à insegurança. Rou caminhou pelabeira da praia. quando sua mãe entrara emdepressão. comunicou o mordomo. mas quando estava longe. aban. talvez mais. Amava aquele lugar.d o n a d a . Zayed estava trabalhando. Quero ter a liberdade de chamá-lo sem a interferência de mordomosou de empregados. porém mal conseguia aproveitar o passeio. Por fim. mas ele não funcionava naquela área: teria que ligar para o palácio. A senhora nãovai se divertir. Quando. não precisa se preocupar. O medo e a dúvida se retro. Ela sentou ao lado da p i s c i n a e trabalhou o dia inteiro. mas se sentia sozinha. Ele não voltaria antes de alguns dias. indignada.— É isto mesmo que quero. sua mãe se suicidara.Alguns dias podiam ser poucos ou uma semana. Queria surpreendê-lo.l h e lembranças de infância: fora jogada de um lado para outro.

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nem mandou chamá-la. esperando que ele se lembrasse dela. odiava pedir ajuda. do trabalho. Vários minutos se passaram e eledesligou sem lhe passar o fone. f o i i n v a d i d a p e l o desapontamento que derrubou todas as suas boas intenções. eventualmente recebia algum e-mail. mas n ã o esperaria até as nove. exigente. ignorando os olharesespantados da equipe de Zayed e caminhou direto até a mesa. e l a r e s o l v e u s e a c a l m a r . Esperar era um desespero. e l a o u v i u o r u í d o d o h e l i c ó p t e r o s o b r e v o a n d o o palácio. estaria aqui. Aquele era o homem que lhe fizera tanta falta. Ele está ocupado. P e g o u u m l i v r o p a r a s e d i s t r a i r enquanto o aguardava. Ela esperou por uma hora: Zayed não apareceu.— Sinto muito. o n d e j a m a i s e n t r a r a .Jessica 116. para ganhar coragem. O celularnão funcionava.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assistência . i g n o r o u o s seguranças parados ao lado da porta. e praticamente marchou até o e s c r i t ó r i o d e Z a y e d . Não se tratava de um convite. As horas passavam e nada de Zayed. Durante os últimos dias só pensara emZayed . Rou ficou contente. por isso temia amar. mas só percebera sua solidão ao se sentir isolada. Aguardou sentada. Não lhe importava que todo o palácio a . Ele não sabe como você está animada e o quanto deseja vê-lo. como e s p e r a r a q u e a m ã e p a r a s s e d e c h o r a r e o p a i . mas também não queria se sentir insignificante e solitária.Estava só e começava a achar que seus temores em relação ao casamento serealizavam: tornara-se dependente. Se elesoubesse. Rou invadiu o escritório. As palavras de conforto eram dolorosamente familiares. E s t a v a f a r t a d e e s p e r a r s u a ve z . Os olhos de Rouse encheram de lágrimas. Eles tentaram impedi-la de entrar sem p e r m i s s ã o . E n q u a n t o Zayed trabalhava em Isi. alteza. mas de uma ordem. deveria sentir sua falta.Trocou de roupa. Ela odiava a falta de independência. ela perambulava pelo palácio em C a l a . bonito.R o u d e u u m s o r r i s o r a d i a n t e . Ela se casara com um homemexatamente igual a seu pai: ausente. Ele não a via há 10 dias. m a s . a o s e a f a s t a r . A o d e s c e r a e s c a d a . Zayed. como esperara por seus pais. Rou não se importou." Ela leu a mensagem várias vezes. Iria se encontrar com ele. aexpressão dele passou para desagrado. Fezuma leve maquiagem. O rei está numa reunião. disse a si mesma. m a s e l a n ã o s e i mp o r t o u . egoísta. Ela não queria ser difícil. d e b e b e r .D e s a p o n t a d a . Rou começava a sentirsaudade de sua vida. porém oque mais desejava era falar com Zayed. enquantoele entrava em contato com o palácio em Isi. perdera a individualidade e o bom-senso.Eram as mesmas que ela dizia a si mesma enquanto esperava as visitas do pai.R o u r a s g o u o bilhete e o jogou no lixo.U m a s e m a n a d e p o i s . com a boneca no colo. " V o c ê j a n t a r á comigo às nove. mas apavorada por não saber o que pensar o u sentir. Esperara por ele a cada segundo.s e n t a d a numa cadeirinha. De surpresa. Rou baixou a c a b e ç a e chorou em silêncio. Mais tarde. Ela correu atrás do mordomo. Elasentia falta dele. d e esperar para ser vista e ouvida. uma e m p r e g a d a l h e t r o u x e u m b i l h e t e n u m a b a n d e j a d e p r a t a . com o coração aos pedaços. pediu desculpas e lhe pediu que ligasse para o rei Fehr. Você não pode chorar. mas será informado que asenhora telefonou. P o r i s s o j a m a i s quisera se casar. do movimento que a impedia de pensar no que não poderia mudar. escovou bem os cabelos e fez um rabo de cavalo.

Vinha de uma cultura diferente.não costumava ser tratada como alguém subserviente e de segunda classe. Creio que você o guardou por segurança.— T e n h o a l g u n s e n c o n t r o s e m Z u r i q u e d e n t r o d e d o i s d i a s — d i s s e secamente.Rapidamente todos se retiraram em silêncio.desaprovasse. — Minha bagagem está pronta. Reservei um vôo na Sarq Air. pensou Projeto Revisoras72 . A reunião acabou. maspreciso do meu passaporte.

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concordamos que o casamento seriatemporário. você está me evitando?Ele respirou fundo para manter a paciência. — A voz dela tremia de raiva.— Não foi o que eu disse. muita coisa aconteceu. levantando as mãos. o queixo mais firme e um olhar mais frio. que os sentimentos são um . mas desde que nos casamos você mal ficou comigo. Concordamos que você continuaria a trabalhar — ele s e inclinou para trás na cadeira —. Não adianta ficar aqui. Só de olhar para ele. rei Fehr? É tão difícil e desagradável passar algum tempo comigo?— Não estou evitando você para puni-la.Ele jamais se importaria com ela. Além disso.— Compreendo. e ele nem ligava.— Você está indo embora — ele disse ao ficarem sozinhos.— Então.— Mas não sua esposa. E s t a v a m a i s b o n i t o . — Ela controlou a dor e a cólera. Tivemos cincon o i t e s n u m t o t a l d e d u a s s e m a n a s . Não sou necessária. considerando-a tola. fraca e ridícula. ridícula e fraca.— Não. — E s t o u dizendo que preciso de mais. — Você cumpriu seu dever. Ela não poderia suportar que Zayed a desprezasse. — A falta deemoção de Zayed a feria profundamente. Preciso voltar a trabalhar. Você me despreza tanto.. seucoração doía e sua vontade fraquejava. e que viajaria a negócios. fizera por ele o que gostaria que alguémfizesse por ela.— Então.quando o divórcio fora o f i c i a l i z a d o e s u a m ã e s e v i c i a r a e m re m é d i o s p a r a suportar. Uma dor lancinante a atingiu. Não era verdade que suas malas estivessem prontas: tudodependeria de Zayed. tudo o que ela conseguira fora sentar e chorar. a o c o n v i v e r c o m Z a y e d percebera que as emoções podem ser boas. casou. ela se apaixonara e se perdera. Ele não se importava. com embaixadoresde outros países.— Tenho muito trabalho a fazer. Está livre para partir quando quiser. Ela é apenas uma mulher. é isso. mas Zayed nunca pensava nela. — Ela e s p e r o u q u e e l e d i s s e s s e a l g o q u e a t r i b u í s s e a l g u m s e n t i d o à s s e m a n a s anteriores. Os homens desprezam mulheres patéticas.. Ela não se tornaria uma mulher d e p e n d e n t e . e . para quê? — ele disse. O coração de Rou bateu mais forte. pegar minha passagem e partir?— Você não é prisioneira.— T u d o bem. c o m o s c a b e l o s u m p o u c o m a i s compridos. Pelo menos admito que preciso de você. Agora não precisa mais de mim. Não.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ansiosa. Mais tarde. Rou ergueu a cabeça. O r e s t o d o t e m p o v o c ê f i c o u f o r a .Fez o que precisava.— Não pretendo voltar — disse ela com calma. Estava tomado pelo luto e pela culpa. — É tudo que preciso fazer? Preparar as malas. S e u p a i a d o r a r a s u a m ã e e acabara por desprezá-la. foi coroado. Ela desistira de tudo por ele. um complemento. Como sua mãe. mas pelo menos sou honesta — ela disse devagar.— Sinto falta do meu trabalho. q u e q u e r i a f i c a r m o r t o . para que discutir?— Tem razão.R o u o o b s e r v o u . —Tenho um consultório e uma casa em São Francisco. O país ficou sem governante durante quase um mês. com um ar vazio. tentando se controlar. N ã o retornou meus telefonemas. q u a n t o a e l a . há muito para cuidar. As mulheres desprezam a simesmas quando se tornam patéticas. pensou Rou. Sou tola. q u e p r e c i s a s s e d e u m h o m e m . e não lhe daria esta oportunidade.— Talvez. Reuniões de gabinete. Os segundos se passaram eele a olhava impassível.Jessica 116. Ela fora paciente solidária. Rou percebeu que ele nada queria s e n t i r .Ele não se importava com ela.— Você está sendo infantil.

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Ele preferia sofrer a vê-la sofrer. agarradaao passaporte. . com os cabelos brilhando. queria telefonar a todo instante para ouvir av o z d e l a . o rei Sharif fora e n c o n t r a d o vi v o . R o u r e l e u a m a n c h e t e d o Chicago Tribune. Sentiria falta de Rou.Zayed a deixou ir embora. não pertenciaa ele. . e em Zayed. Não conseguia dormir direito. . Você é que jamais irá se recuperar. algo que me f a ç a ficar. Rou era inteligente e forte. — Adeus. Z a y e d apertou as têmporas que latejavam havia alguns dias. Suas prioridades eram c l a r a s : S a r q v i n h a e m p r i m e i r o l u g a r . Se ele sentia algo. Zayed não sabia como ser o rei deque Sarq necessitava e o homem que Rou precisava. Se não fosse amaldiçoado. Capítulo Treze S HARIF F EHR f oi e n c o n t r a d o v i v o . ela imploroumentalmente. estendendo a mão. E l a p e n s o u e m J e s s l y n . que deveriam estar em êxtase.. ele disse a si mesmo. ele ouviu o barulho de um motor e foi até a janelapara ver uma das Mercedes do palácio desaparecer na direção do portão.. apesar de sua promessa de protegê-la. Parecera firme. E tão magoada! Zayed sentiu o coração apertadode tristeza. Sharif vivo ? Ela ficou tonta e começou a suar frio. Ele. Nada poderia ajudá. e a teria magoado. Tentara ficar longe. resoluta e orgulhosa. Ele continuou calado. Ficou sentado e a viu sair pela porta. ele repetiu para si mesmo. Pelo menos. Diga algo que me faça perdoar e esquecer. mas tremia tanto que o jornal não parava eela o abriu sobre a mesa. Rou pegou o passaporte. C o m o c o r a ç ã o a c e l e r a d o e u m f r i o nab a r r i g a . masseu mundo era complicado e estressante. era uma mulher moderna que gostava de exercer s u a profissão e que o esqueceria rapidamente.. b a n h a d a p e l a claridade.Jessica 116.. recusava-se a reconhecer. .Dez minutos depois. à f a m í l i a e m s e g u n d o . tinha uma carreira e ficaria bem.. Zayed — disseela.. A s m ã o s d e l a t r e m i a m e a contração em seu estômago se transformou em enjôo. — M e u passaporte? — ela sussurrou. Zayed procurou na gaveta elhe entregou o documento sem se levantar da cadeira. vestida de verde-esmeralda.lo. Diga algo. por outro l a d o ... C o m o s e r i a p o s s í v e l ? D e v i a s e r u m m i l a g r e . Deus sabia o quanto ele chegara perto de se apaixonar por ela. Era melhor deixá-la ir agora.minimizar o impacto que ela causara em sua vida. Ela não pertencia aquele lugar. . R o u e s t a v a l i n d a q u a n d o i n v a d i u o e s c r i t ó r i o . como sentira durante osúltimos dez dias. n a s crianças. Se ele não fosse Zayed Fehr. — Boa sorte. estaria a salvo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter acréscimo à vida desde que sejam retribuídos e c o m p a r t i l h a d o s . D e p o i s d e 8 0 d i a s desaparecido. mantendo-se ocupado. Rou prendeu a respiração e tentou continuar a ler. . Ela vai ficar bem. Ela ficaria bem. gelada por dentro. . Elesentiu um amargo desgosto. E R o u ? E l e abanou a cabeça e trincou os dentes.

Depois do terrível acidente. Sarq. Sharif esquecera quem era. L e v a r a q u a s e u m m ê s p a r a e n c o n t r a r o s n ô m a d e s n o S a a r a . ouvira um boato de que havia uma tribo nômade à p r o c u r a d e r e mé d i o s p a r a t r a t a r u m f e r i d o . Não Projeto Revisoras74 .. Rou apertou o estômago. No mês anterior.. K h a l i d Fehr . Sharif. irmão caçula do rei. rezando para que seu enjôo diminuísse. A família se reunira em Isi. onde o rei estava sendotratado. foraresgatado por uma tribo de nômades que não o reconhecera. e r e s o l v e r a i n ve s t i g a r . Ela enxugou aslágrimas e tentou ler mais detalhes.Zayed. Por causa dos f e r i m e n t o s na cabeça. muito queimado e ferido. e i m e d i a t a m e n t e reconhecera o irmão.

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transtornos do sono e dificuldade de concentração. mas parecia estar esquálida e muito pálida.— Não estou doente — repetiu ela. Rou estava lívida. Deus sabe o tipo de mãe que ela seria.. Não queria ter nenhuma ligação com ele. tudo isso.— Você. Demonstrava a terapeutas como as pesquisas de laboratório haviam provado que os efeitos da dopaminano cérebro eram viciantes.. e l e s e escondeu na sombra e viu que ela vomitava dentro de uma lata de lixo. Ela agüentaria estar sozinha. ela respondeu a perguntas durante 20 minutos. v a i p a s s a r . Ele já fizera muito. s e m p r e p a s s a . o que aconteceria aZayed ? Só de pensar nele. Falou da importância de se exercitar e de se ocupar. Zayed não era mais seu problema. T o d o m ê s e l e mandava algum dinheiro no qual e l a n ã o t o c a v a .— N ã o e s t o u e m n e g a ç ã o — i n t e r r o m p e u e l a . Ela estava doente! O susto fez com que ele seaproximasse. Rou c a i u de joelhos e sentou ao lado da lata com o corpo tremendo e os o l h o s cheios de lágrimas. Rou nunca o ouvira falar naquele tom e. o que faria? Não queria se casar nem ter filhos. abrindo a janela para pegar ar fresco. Ele não a escutava.E STAVAM NA limusine de Zayed.Ao sair do palco. que não queria casar ou ter filhos. E s c l a r e c e u a o s o u v i n t e s q u e o s e f e i t o s d a a b s t e n ç ã o d e d o p a m i n a poderiam durar meses. Depois da palestra. que semprec a e m d e p é . foi salvo pelo irmão.. partindo seu coraçãoQuatro horas depois. antes de desaparecerem. quando adopamina inunda o cérebro e causa sofrimento físico e emocional. mudança decomportamento. porque percebeu que a vida é injusta. ele agira certo ao deixá-la ir embora. vestida no habitual conjunto preto. O fato de você se casar com a única mulher que não o desejava. Ela era como os gatos. — Não preciso de hospital. apesar de nada eliminar completamente osofrimento. t e n t a n d o a c a l m a r s e u estômago. A s a l a e s t a v a l o t a d a e e l e p a g a r a a o z e l a d o r p a r a f i c a r n o s bastidores. Rou estavabem. Sharif está vivo. Deus do céu. de fato? —. E l a n e m s e q u e r a b r i r a o s extratos que o banco lhe enviava. c a m i n h a n d o n a s u a d i r e ç ã o . mas não s u p o r t a r i a e s t a r s o z i n h a e grávida. não queriaque ele financiasse seu centro de pesquisas. Com sua vozfria e clara.Os dois não haviam mais se falado — quando o teriam feito.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter queria vomitar naquela hora. ela não demonstrava a angústia que sentia desde que partira de S a r q . resultando em ansiedade. estava grávida de dois meses e tremendamentesozinha. N ã o p e n s e n i s s o . sobre os efeitos fisiológicos do amor. nós. agarrou a primeira coisa no caminho — uma lata de lixo — e vomitou. tinha domínio sobre o público. transmitia credibilidade. anão ser logo após sua partida. Ele abrira uma conta para ela num banco em S ã o F r a n c i s c o e t r a n s f e r i r a a q u a n t i a q u e l h e p r o m e t e r a . Eles nada podem fazer por mim.c o m o coração destruído. Ela sempre fora magra. Elafalava bem. Ela falou sobre as conseqüências de se romper uma relação no estágio inicial.— Você não sabe — trovejou ele. Quando Rou s a i u d o p a l c o .O rei Zayed Feh assistira à palestra de Rou. Se Sharif estava vivo. Não queria o dinheiro de Zayed. correndo para o hospital.— Você está em negação e. — O quehá de engraçado? — Ele estava zangado. — Os . deu uma risada fraca. e agora. Rou dava uma palestra numa sala de conferênciasem Chicago. seu peito doía e um nó se formava na garganta.Jessica 116..surpresa.

olhos dela brilharam ee l a e n g o l i u e m s e c o . S u a n á u s e a p i o r a v a : e r a q u e s t ã o d e t e m p o a t é e l a vomitar outra vez. — Não estou doente, Zayed. Estou grávida.A c a b a r a m n o h o s p i t a l , f o s s e p o r q u e ele não acreditara, fosse porque Projeto Revisoras75

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter precisava de provas. Ao ouvir o nome dele, o médico os atendeuimediatamente e fez uma ultrassonografia.— Hum — disse ele, observando a tela. — Então, é isto que nos espera.Zayed se inclinou e tentou olhar o monitor.— O quê? — vociferou com uma cara preocupada.— Duas batidas de coração — disse o médico, virando a tela e apontandoas imagens. — Gêmeos.Rou quase desmaiou e lutou para respirar. Gêmeos?— Não é possível — ela gemeu.— E comum na minha família — respondeu Zayed em voz calma. — Jamilae Aman.— Não é possível — repetiu Rou. Um bebê já era mau, imagine dois!O médico desligou o aparelho.— Parabéns, vocês estão absolutamente grávidos.Vinte minutos depois, eles se dirigiam ao hotel onde Rou se hospedara.Ela estava calada, mas ele a observava atentamente. Ela estava grávida de dois meses e já deveria saber a algum tempo. Nada lhe contara, ep r o v a v e l m e n te n ã o p r e te n d i a l h e c o n t a r . Z a y e d d e u u m s u s p i r o . E l e n ã o a culpava: ele não lhe dera apoio. Agora, seria diferente. Ela teria seus filhos, dois bebês. Ele se lembrou de Jamila e Aman, correndo pelo palácio, brincandode esconder, e sentiu uma pontada de dor. As irmãs eram lindas.R o u s e e n c o l h e u n o b a n c o . Z a y e d l h e e n t r e g o u u m s a c o de papel. Elavomitara no estacionamento e ele achava que ela v o m i t a r i a d e n o v o . R o u olhava pela janela com um olhar vazio.— Você está bem? — ele perguntou com a maior gentileza.— Não. Não posso ter um filho — ela disse, abanando a cabeça. — Quantomais, dois.— Pretendo ajudá-la.— Não. — Laeela, querida.— Não me chame de querida, nem de laeela. Eu não sou nada disso.— É apenas minha mulher.— Não somos casados.— Somos casados e sempre seremos. Jamais vou me divorciar de você. Prometi...—Você e suas promessas estúpidas! — gritou ela, voltandose afinal parae l e . S e u s o l h o s e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . — V o c ê vi v e n u m m u n d o d e promessas e maldições, de superstição e de fantasmas. É um mundo no qual eu não me encaixo, nem quero me encaixar. Acredito na ciência, naobjetividade, em fatos, e não vou entregar a minha vida a um homem que nãome ama. — Ela estava descontrolada e cutucou-lhe o peito. — Eu mereço mais,Z a y e d . M e r e ç o m u i t o m a i s . — R o u c o m e ç o u a c h o r a r c o m o u m a c r i a n ç a , encolhida, com as mãos no rosto e muito pálida. Zayed olhou para ela como sea visse pela primeira vez. Ela o amava. Rou nada dissera, e nem precisara. Elepercebeu pelo modo como ela o fitava, pela angústia em sua voz, pela força deseus soluços. Ela o amava e ele a magoara demais. O coração dele doeu maispor arrependimento que por culpa. Ela parecia uma menina, e ele se perguntoupor que jamais percebera. Zayed tentou tocá-la, mas Rou se afastou. — Não me toque.Ele retirou a mão, mas viu que as lágrimas caíam através dos dedos de Rou e umedeciam seus joelhos. Ela estava sozinha, sem família e sem amigos.Quem a confortaria, se ele não o fizesse? Rou precisava dele, não de qualquer Projeto Revisoras76

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vestiu seuspijamas de flanela e deitou na cama. sua esposa. Eles nem sequer tinhamconversado a respeito de S h a r i f . ou talvez estivesse prestes a sequebrar. P o r q u e e l a n ã o s e s e n t i a f e l i z e vitoriosa? Porque ele o fazia por dever. Talvez estivesse na hora de se livrar dela. o que foi?E l e j a m a i s i m a g i n a r i a s e n t i r t a l s o f r i m e n t o . tudo seria diferente. Jesslyn e as criançasestavam mais que felizes. que comentou que ele temia que ela fugisse. Voltara para ela. assumindo sua responsabilidade. para ele.— Zayed. — Estou aqui e amo você. e l a mesma dissera que o amor é estranho e imprevisível. preocupada. Talvez ele pudesse ser feliz. Quando Rou secou seus olhos. O calor que sentia era ele voltando à vida. O que faria? Duas pessoas que ela corria o risco d e magoar? Duas pessoas que ela talvez fosse capaz de prejudicar? Agora. A paz e a prosperidade haviam voltado ao palácio. Ele disse que ficava porque não queria deixá-la sozinha. combatendo a tristezae destruindo-a. Eles e n ti u u m a i m e n s a n e c e s s i d a d e d e p r o t e g ê . Talvez. Ele ignorou os protestos dela. Por que ela nunca pensara em anticoncepcionais.Estava com ela porque devia. Olivia. esposa de Khalid. e dever a vida e seus desafios de outra maneira. Ela o amava e. pretendendo se manter o mais distante p o s s í v e l . — Zayed. ela jamais tivesse existido. Zayedestava ali. Estavag r á v i d a d e gêmeos. Durante sua infância. d e a m á . a c a r i c i a n d o s e u s c a b e l o s e beijando-a no rosto. olhe para mim! — Ele abriu os olhos com esforço. Zayed estava alie d e c l a r a r a q u e j a m a i s a a b a n d o n a r i a . Ela tomou um banho.Zayed olhou para Rou que. porém jamais acontecera. lutando por ela. agarrou-a e colocou no colo. Zayed? — ela murmurou.Rou não teve forças para mandá-lo embora. Sharif voltara ferido. e sua própria culpa o torturara durante anos. a mãe de seus filhos. ele percebeu que chorava. Não vou deixá-la nunca mais. pleno. ela esperara que o pai e a mãe reconhecessem que a amavam e precisavam dela. como Rou dissera. sua mulher. m a s .— N ã o c h o r e q u e r i d a — m u r m u r o u e l e . E l a e s t a v a l ou c a por ele. Duvidou que agüentasse tantossentimentos e tentou não fazer nenhum ruído que pudesse despertar Rou. Ele não sabia por que ela o escolhera. Era o que ela queria: uma oportunidade para sevingar.isto era algo extremamente importante. a v o l t a d e S h a r i f perdera um pouco de sua importância quando comparada às duas vidas que ela carregava.Z a y e d e sp e r o u q u e R o u a d o r m e c e s s e p a r a s e d e i t a r a o l ad o d e l a .l a l i v r e m e n te c o m o jamais amara depois da morte de Nur. mas. Fechou os olhos e se deixou invadir pelocalor. se virara para ele e se aconchegaraa seu corpo. não porque queria. Sentia-se vivo vibrante. E l e pensava incansavelmente. Ele afastou uma mecha de cabelos do rosto dela e seu coração seincendiou e doeu. muito magoada e se sentia mal. olhou para ela e imaginoupor que seu lindo rosto lhe parecia enevoado. R o u s e n t o u n a c a m a e s e i n c l i n o u s o b r e e l e . mas vivo. dormindo. Sua. dera à luz um menino.l a . Ele sentiu a mão fresca tocando-lhe o rosto. — Algo de errado? — Elen ã o c o n s e g u i a f a l a r .Afinal. durante a p a l e s t r a . Prometo. tão básicos efundamentais? Agora.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter pessoa. O suor escorria por . e n ã o s a b i a o q u a n t o i r i a agüentar. Sarq estava emfesta.Jessica 116. n a s ú l t i m a s h o r a s . Rou. os dois passaram a noite no hotel de Rou. — Z a y e d . Ele iria ser pai. Talvez a maldição tivesse enfraquecido.

— Você está passando mal? — perguntou ela. — De súbito. Perdoe-me. a dor desapareceu e ele se sentiu exausto. Projeto Revisoras77 . o calor que oqueimava se apagou. meu amor. laeela.seu rosto. mas preciso de você. — Amo você e preciso de você.— Amo você — disse ele em voz rouca. confusa.

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Z a y e d l i g o u p a r a o s e r v i ç o d e q u a r t o e p e d i u u m b a l d e d e g e l o .— Talvez. — Não é estranho? Sou tãom a n í a c a c o m tudo. — Ele arrancou uma uva do cachoe deu a ela. — D o i s b e b ê s — d i s s e d e r e p e n te . e. a felicidade de Jesslyn. O amor é mais forte que tudo. e nunca pensei no assunto. em 20 anos. Eu não seria uma boa mãe. metade de uma torrada. Vou ser pai.— Não. — Inconscientemente. um prato de torradas e bolachas. Pela primeira vez. não há nada de errado comigo. ou uma intoxicação. A volta de Sharif.— Vem acontecendo há algum tempo. — Você tem vários diplomas. s o d a . apoiando-se no braço eolhando para ela. é preocupante. desconfiada. A infelicidade estava dentro de mim.Rou o olhou. não conseguirei comer.. — Ela fechou os olhos. acaba com o enjôo. Ele sorria.— De jeito nenhum. Não novamente. —A maldição — ele disse. Vamos ser pais. apavorada. E l a o o u v i u s u s p i r a r e abriu os olhos. E o amor.— Porém você nunca falou em controle de natalidade. Vou vomitar! — Ela correu para o banheiro. Talvez você soubesse que não se parece com sua mãe e que jamais abandonaria seu filho. m a s é exatamente o oposto. sorrindo pela primeira vez em dias. — Por quê?— Porque amo você. Vamos ver se dará certo com você. Estava fresca e adocicada. mas bem melhor. até mesmo o meu.Quando Rou voltou para a cama ele lhe ofereceu a bandeja. Foi por isso que o d e i x e i .— Como?— Percebi o quanto a amava. o nascimento do filho de Olivia e Khalid.— Eu não queria ser mãe. contente. u m a garrafa de ginger ale. — Não estou curada. Acho que não pensei que sexo resultaria em filhos... f r a c a e ridícula como ela. — Estacomida é mágica. no fundo.— Não é uma comida qualquer — ele disse.— Ah. Acho que não pensei q u e pudesse engravidar. amor. Não há nada de errado comigo. feliz por estar contente. Rou mordeu a uva. Dra. Tornell. Zayed. você soubesse que seria. Ela pegou mais umae depois comeu melão.— Estou melhor — disse ela. Zayed deu uma gargalhada. melão e uvas geladas.— Talvez você quisesse ficar grávida — disse ele.Jessica 116. E ela me trouxe até você. Era o que Olivia comia quando estava enjoada. mas fico contentepor mim. Não há sinal de maldição. — Acho que acabou finalmente. Sou igual àminha mãe. — Rou fez umacareta. E u o d e i x e i p o r q u e s o u t o l a .— Eu sei. e se deitou.— Eu sei.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Está tudo bem — respondeu ele.— Isto tudo aconteceu nas últimas horas? Ele sentiu vontade de rir. — Zayed deu uma gargalhada e deitou na cama.O m ê s f o r a d i f í c i l .. Rou bateu Projeto Revisoras78 .— Sinto muito por você — disse ele de maneira fingida.. arrumando a bandeja.— G o s t a r i a d e l h e d a r r a z ã o . em seguida. é mais forte que a superstição e a desgraça.. — Rou acendeu a luz e o fitou calada.— Ah. — Ela estremeceu e franziu a testa.— Você está delirando?— Porque eu lhe disse que a amo?— Talvez esteja com uma virose. Não é do seufeitio. não. A felicidade está espalhada ehá vida e amor em todos os lugares.

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De fato.. Ele se lembra de você. Podíamos ter o que queremos o que precisamos. Ele era o que ela queria tudo de que precisava. laeela — Os dentes dele brilharam num sorriso. minha rainha.— Você está dizendo isso porque perdeu seu emprego?— Não perdi meu emprego — ele disse.— Não sei Zayed.— Você jamais ficou perdida. Sharif.— E o que é Dr. era tentador.— Por que está rindo? Acabo de lhe contar meu segredo mais escondido evocê ri como uma hiena!— Se você é tão fraca. Fehr?— Amor. E l e e s t á v a z i o s e m v o c ê . Poderia estar comigo.Rou tentou ver nele o homem que a abandonaria na primeiraoportunidade. mas tudoo que via era Zayed. — Não foi noticiado. V o l t e p a r a casa comigo. mas suas lembranças são do tempo em que viviaem Londres. mas Sharif ainda não recuperou totalmente a memória.— E estou bem?— Está.— Você é louco por mim? — Zayed se inclinou sobre ela e afastou-lhe os cabelos do rosto. medo e ansiedade. Tive q u e v i r procurá-la. quisemos esconder a informação da imprensa.Rou afundou no travesseiro.— Ele reconhece Jesslyn e as crianças?— Ele reconhece Jesslyn. Fico perdida no s e u mundo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter nele com o travesseiro.— Sou. sentindo esperança.— Q u e r o u m a l i n h a d i r e t a c o m o s d o i s p a l á c i o s — d i s s e e l a . verificar se você estava bem. Fico perdida nos seus palácios. como conseguiu coragem para me deixar? Se é tãotola. nem saudável. como conseguiu sobreviver sem meu dinheiro e meu apoio emocional? Seé tão ridícula. o homem cheio de dúvidas. quejamais vou abandoná-la. — O r i s o d e l e s e apagou.. Eu sempre soube onde você estava e o quefazia. como homem e como rei. Não consegui ficar longe de você.— Ele está com amnésia?— Houve uma perda significativa de memória. perseguido por fantasmas.. V o c ê a l e g r o u o p a l á c i o .— Mas. Prometo. — Não quero precisar recorrer a ninguém para falar comvocê quando sentir necessidade. Ela se sentira miserável sem ele. Juro. O trauma foi violento eos médicos querem que ele tenha tempo para descansar e se recuperar. Eu me sinto solitário.— Como posso ter certeza?— Porque estou aqui. mas não acontecerá de novo. não consigo sem você.. você ainda é rei — disse ela gentilmente. Projeto Revisoras79 . s i n t o s u a f a l t a . Porém. por que sou tão louco por você?Rou olhou para ele. Porém a vida em Sarq não era fácil paraela. e ficar sozinha e grávida só aumentara sua infelicidade.. antes de ser coroado.Amo você demais para magoá-la outra vez.Jessica 116. nem quero.?— E s t á b e m o s u f i c i e n t e p a r a r e t o m a r a l i d e r a n ç a . rindo.— Totalmente. Seja minha esposa.. mas poderia estar melhor. Eu me escondia de você. t e n t a n d o esconder as lágrimas.— Então.— Você terá uma linha exclusiva. A culpa foi minha.— Podíamos ficar juntos e nos amarmos.

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Rou fechou os olhos ao sentir os lábios dele sobre os seus e acariciou-lhe orosto. suanoiva. que nos amemos o suficiente para colocálos sempre emprimeiro lugar. meu amor?O sorriso dele era enorme estava mais bonito que nunca.— Dará certo — ela disse resoluta. Eu não s u p o r t a r i a q u e n o s s o s f i l h o s s e v i s s e m e n c u r r a l a d o s e n t r e n ó s d o i s . com todo o meu coração — ele disse. todos os seust e m o r e s s e a p a g a r i a m e s u a f e r i d a e s t a r i a s a r a d a . era mais forte do que esperava. — Queroque sejamos fortes.J ú b i l o . beijando-a. E l e r e c e b e r a v á r i a s b ê n ç ã o s .— Sei que sim. Rou pensou ump o u c o s e i m p o r i a m a i s a l g u m a c o n d i ç ã o . sua esposa.— Algo mais.— Quero que nossos filhos cresçam num ambiente feliz — disse.Rou sorriu e o coração de Zayed derreteu. n ã o agüentaria que fossem magoados da mesma maneira que fui.— O amor cura — ela disse em voz baixa e doce. Ele sentiu um nó na garganta. — Faremos com que dê certo.Jessica 116. E l a e r a d i f e r e n te d e s u a mãe. Projeto Revisoras80 .— Concordo totalmente. m a s n e n h u m a maior que aquela mulher. sua mulher. Z a y e d enfiou as mãos nos cabelos dela. Nossos filhos também precisam. Com o tempo e a confiança. e p e r c e b e u q u e t u d o d e q u e precisava era de tempo para confiar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Quero viajar com você. E l e s e s e n t i a f e l i z . sua a l e g r i a . para atender às necessidades deles antes das nossas.R o u o abraçou e beijou com tal ternura que o coração de Zayed d o e u antes de se encher de júbilo.— Amo você. Preciso de você e do seu amor.— Espero que sim. Quero estar onde você estiver. — Ele tudo renova.

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Ao perceber que Rou estava à beira das lágrimas. R o u a d o r a v a o c l i m a e a p r a i a d o l i n d o p o r t o histórico. encontrara sua missão. três campos de estudo que ela pretendia cursarpelo resto da vida. poderiamviajar. n o a m o r . Jesslyn e Olivia aapoiaram. Ela ficou emocionadae s o r r i u p a r a o c u n h a d o e a m i g o q u e s e e sf o r ç a r a t a n t o p a r a r e c u p e r a r a memória e a energia. se ela quisesse. F o r a u m v e r d a d e i r o milagre ver Sharif de volta. algo incomum na família Fehr. E l a j á e s t a v a c o m a v i s t a enevoada e mal conseguia acompanhar a c e r i m ô n i a . observava o pequeno e calmo Kamil ser colocado no colo de Khalid. Ela.mandou buscar um padre em Londres. Adorava ser mãe eadorava seu marido. O s b e b ê s . não suportariam um ritual mais demorado.Jessica 116. Ele também dissera à esposa que. no momento. n o p a l á c i o d e v e r ã o . **** *** * . que jamais quisera se casar ou ter filhos. assumindo seu reinado.O rei Sharif sorriu ao pegar o bebê e olhou para Rou. apreciava a vida que levava. e. m a s e r a t a r d e d e m a i s . acreditando que todas as crianças deveriam ser abençoadas. m a s e l e s d e c i d i r a m m o r a r e m S a r q e criar os meninos emC a l a . ela e Zayed estavam livres para viver o n d e q u i s e s s e m . Zayed. Nada mais natural do quedar seu nome a um dos gêmeos. Sua missão não era passar horas noc o n s u l t ó r i o o u d a r p a l e s t r a s . S u a m i s s ã o e s t a v a e m c a s a . Zayeda a b r a ç o u p e l a c i n t u r a . Zayed queria ficar perto da família. c o m seis meses. mas Rou não tinha vontade de retomar seu trabalho. mas sem interferir: Cala era a solução perfeita. n o casamento e na maternidade.O batizado aconteceu numa das salas do palácio e a cerimônia foi curta. R o u escolhera os irmãos de Zayed como padrinhos.Com o retorno de Sharif ao trono.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Epilogo ROU QUIS batizar os filhos. e o inquieto e teimosoSharif ser colocado nos braços do tio Sharif.

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