Jessica 116.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter

DUTY, DESIRE AND THE DESERT KING

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o homem que a humilhara e magoara como nenhum outro.tirando os óculos com mão trêmula e esfregando o nariz. acima de tudo. e. K h a l i d f o r a direto. Rou Tornell.Pela primeira vez em 15 anos. A partir daquelemomento. após uma turnê de sete semanas em que promovera o seu livro.— Nós nos conhecemos — disse Rou com fingida indiferença. odiava a facilidade comque satisfaziam os próprios desejos. a assistente de Rou. porémmal conseguia respirar. As mãos de Zayed tremeram. Ela não fora enviada pelo rei.— Sim. mas a ovelha negra da família. e simp o r K h a l i d .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Monte Cario O sheik ZAYED Fehr releu a carta escrita no grosso pergaminho usado pelafamília real. Zayed sentiu que possuía um coração e quee l e s e p a r t i r a . Parece que é urgente:assunto de vida ou de morte. na privacidade de seu quarto de hotel. mas. no hotel. sem senso de responsabilidade e sem educação. Canada O SHEIK Z AYED Fehr está aqui e m Vancouver? — repetiu a Dra. ele voou até aqui.o sheik Zayed.— Você o conhece? — perguntou Jamie. aqui? — perguntou Rou. — Acho que ele não irá embora antes de vê-la. Zayed precisaria se casar e voltar para casa. Não podia ser verdade. preferiaos óculos. rico. ansiosa. famoso. não uma.Jessica 116. s e u a m a d o i r m ã o . masvárias vezes.Aquilo era o tipo de coisa que seu pai diria. Ele era irmão de Sharif. O filho de Sharif tinhaapenas três anos e não poderia governar.. — Jamie sorriu nervosamente. S h a r i f . Ela disse a si mesma que tremia por causa do cansaço. e ele fora dado como morto.— Quero dizer aqui. Khalid deveria estar enganado. Sharif. Uma pontada aguda feriu seu coração. s e u i r m ã o c a ç u l a . apertandoas mãos. — Por quê? — Você disse a ele que não teria tempo de vê-lo em Portland o u e m Seattle. confusa. Rou desprezava playboys e grandes astros. d e s a p a r e c e r a : s e u a v i ã o c a í r a e m algum lugar do deserto do Saara. Em geral. Jamie não p r e c i s a v a saber dos detalhes embaraçosos do encontro de 3 anos a t r á s .. Sefosse verdade. preocupada. Capítulo Um Vancouver. Zayed seria o rei. frívolo e egocêntrico. Ele está aqui — disse Jamie. pensou Rou. detestava Zayed Fehr. seu irmão mais velho.— Como assim.— O quê? — Rou recolocou os óculos e fitou Jamie. Portanto.— Não tenho tempo e não quero vê-lo. e Zayed fora feitono mesmo molde: bonito. um príncipe do desertosem preocupações. elausava lentes de contato. Ele expirou com dificuldade. A m e n s a g e m e r a c u r t a e s i m p l e s . Tudo girava em torno dele. ele já teria ouvido alguma notícia antes de receber acorrespondência. e não por causa do irmão mais moço do rei Sharif Fehr. Bastava saber que ela jamais respeitaria ou confiaria num homem como . espantada. Ele não costumava se emocionar. Rou fez um gesto de aborrecimento.

— Ele me pareceu muito simpático.— Na minha suíte?— E l e e s p e r a q u e v o c ê o r e c e b a . A a s s i s t e n t e e s t a v a q u a s e c h o r a n d o . — Ele tem um corpo perfeito.— Não — ela respondeu. esperando-a do outro lado da porta? — Eu fiz algode errado? — perguntou Jamie. R o u n ã o p o d e r i a c u l p á . Projeto Revisoras4 .. Zayed em sua suíte.— Há quanto tempo ele está esperando? — perguntou. Rou queria gritar que sim. ele era charmoso e carismático. se dei-xara impressionar. C l a r o q u e t er i a tempo. P e n s e i q u e v o c ê t e r i a t e m p o . umafortuna ultrajante e um poder indescritível. — disse Jamie. com as mãos suando frio e oc o r a ç ã o d i s p a r a d o . na ante-sala.— Tem razão — suspirou Rou.— Você o conheceu?— Bem. —Ele parece desesperado para vê-la.... Além de bonito e rico.— Pensei que você teria cinco minutos — insistiu Jamie.— Há meia hora. J a m i e t r a b a l h a v a a r d u a m e n t e . mas isso não faz dele um homem bom.l a p o r f i c a r encantada com Zayed. O problema é que não desejava desperdiçar nem cinco segundos com Zayed Fehr. corando. — Rou juntou seus papéis para disfarçar opânico. a fria e racional cientista. entusiasmada. Sim.R o u a g a r r o u a b e i r a d a d a m e s a p a r a c o n t e r o t r em o r . e r a a g r a d á v e l e ef i c i e n t e .e as mulheres caíam a seus pés. engolindo em seco.ZayedFehr.. Ele está aqui. nervosa. — Ela viu a expressão de Rou e apressou-se a esclarecer. irritada..— Ele é muito bonito — disse Jamie. Ela mesma. A assistente de produção só chegará dentro de meia hora e você vai se maquiarno estúdio de TV.

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ele não estaria ali. a s s i m c o m o o sofrimento infinito e silencioso de Khalid. apenas quatro anos mais velho que ele. um governante. Ao entrar no quarto.Na ante-sala.o r o s t o d e J e s s l y n e s e u s o l h o s e s p a n t a d o s o p e r s e g u i a m . o centro da família. O senhor terá apenas alguns minutos. o mais velho. Zayed também passaraalgum tempo com a esposa de Sharif. ele gostava de chuva. ? N ã o i m p o r t a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ficou desanimada. que tentaria cuidar detudo até que ele pudesse voltar e assumir seu lugar. Zayed esperava ser recebido pela Dra. pelo sofrimento e pelo medo. e encontrara Khalid. antes danoite de autógrafos. não de sol. O m u n d o d e l e s v i r a r a d e c a b e ç a p a r a b a i x o e jamais seria o mesmo. . Jesslyn. morreria? Quem poderia prever a queda do avião? Zayed fechou os olhos esentiu uma dor no peito. e l e s o r r i u . Khalid murmurara ao se despedirem. de repente. mas receio que o tempo seja curto. a experiência de Zayed lhe mostrara que ela era s e v e r a m e n t e reprimida. Ela era a mulher mais fria. e sua personalidade eratão interessante quanto um. Sua dor parecia maior e mais intensa agora do que aoreceber a notícia cinco dias antes. Não admira que Jesslyn parecesse um fantasma. Entretanto. e e r a d i s t o q u e e l e p r e c i s a v a . odeserto não estava mais em seu sangue. E s t á c e r t o . Sharif sefora. Preciso de você. desesperadas e sentiam a falta do pai. — R o u endireitou os ombros e prendeu o lindo c a b e l o l o u r o W a t r á s d a o r e l h a . A a s s i s t e n t e s a i u discretamente e Projeto Revisoras5 . autora de best-sellers. e com os sobrinhos.Ele voara para casa. era impossível evitar. palestrante internacional e casamenteira profissional.— Não há problema — Zayed respondeu sorrindo e seguindo Jamie.mas quem poderia imaginar que Sharif.. Q u e m p e n s a r i a q u e a h u m i l d e protegida de Sharif se tornaria uma palestrante internacional. Tornell vai recebê-lo agora — disse ela corando —.Jamie abriu a porta. ela tinha a reputação de ser a melhor ems e u r a m o. Elepensou que era típico de Rou Tornell estar sempre ocupada e se fazendo deimportante. a rocha. P a r a e l e . As quatrocrianças estavam chocadas. empertigada econvencida que eleja conhecera. Agora. d i a n t e d e u m l a p t o p . mas quando se tratava deRou Tornell. Todos recorriama Sharif. Ninguém sabia o que acontecera. Todos nós precisamos.Volte para casa. E l a u s a v a ó c u l o s e s e u s l o n g o s c a b e l o s l o u r o s estavam displicentemente presos atrás das orelhas. mas deixe claro que ele só terá cinco minutos — disse em vozfirme e de cabeça erguida. No dia seguinte faria uma semana queo a v i ã o s i m p l e s m e n t e d e s a p a r e c e r a s e m sinal de alerta. nem que K h a l i d n ã o d o r m i s s e h á d i a s . seu lugar não era em Sarq. Porém. Rou Tornell exalava o calor de um cubo de gelo. O irmão e a cunhada jamais lhe pediram algo.Jessica 116. n o 1 4 ° d i a Z a y e d a s s u m i r i a o t r o n o . magra. e talvez até deprimida. Talvez por isso ele se comovera. P o r l e i . Se não fosse pelo irmão. Agora. .— A Dra. porque ela dará várias entrevistas esta tarde. sem pedido des o c o r r o . pedante e tensa. Embora Sharif alegasse que ela era apenas o b j e t i v a . p a r e c i a impossível: ele não era um líder. e muito menos uma casamenteira? Quem diria que a tímida professora entenderia algo sobrea t r a ç ã o s e x u a l e s o b r e r e l a c i o n a m e n t o s a m o r o s o s ? Z a y e d e r a c a v a l h e i r o demais para fazer comparações entre as mulheres.. Loura. dominado pelo luto.— P o r q u e n ã o m e d i s s e a n t e s . Aop e n s a r n e s t a ú l t i m a q u a l i f i c a ç ã o . mas anos de experiência como terapeuta a haviamensinado a não demonstrar suas emoções. em Sarq. Osarranha-céus e os apartamentos de cobertura agora eram o seu lar. encontrou-a sentada do outro lado de uma m e s a. Rou Tornell. O palácioestava pior do que ele imaginara. — Mande-o entrar.

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— Não imagino como possa ajudá-lo — ela disse friamente. — Tanto tempo assim? — ele retorquiu com um sorriso frio. S e S h a r i f e r a b o n i t o .— Parece? Não para Pippa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter fechou a porta. Possuía milhões de dólares. que lhe t i v e s s e provado que ela jamais deveria confiar num homem e que jamais encontraria um amor verdadeiro. apesar de seu coração disparar. Ele era maisa t r a e n t e d o q u e e l a s e l e m b r a v a . Esqueça o cubo de gelo. Ela oo d i a v a . quando e como desejava. além da fortuna dafamília. em seu lugar. aproximando-se.— Boa tarde. Zayednão era artista.— Parece que foi ontem que nos conhecemos. zombado dela. — Faz algum tempo — ele disse. costumava produzir o mesmo efeito. mas não pudera e mandara s e u i r m ã o m a i s n o v o . — Ele se levantarade maneira imponente e elegante. Rou reviveu o fim de semana em que haviam se conhecido d u r a n t e o c a s a m e n t o d e L a d y P i p p a C o l l i n s . Ela não deveria admitir que um homem como ele tivesse tal poder. Dra. A percepção que tivera do caráter de Zayed se tornara o título de seu segundo best-seller: "Ele não é um príncipe — Como reconhecer os homens maldosos. Rou endureceu o queixo.os impostores e os trapaceiros e encontrar o verdadeiro amor".— Rou sustentou o olhar de Zayed. queixo não .mas.t i n h a o m b r o s l a r g o s e a c i n t u r a e s t r e i t a . mesmo magoando os outros. Sentia-se envergonhada por ele tê-lamagoado. a l g o d e p o s i t i v o r e s u l t a r a d o e p i s ó d i o h u m i l h a n t e e d o l o r o s o . E s q u e c e r a . observando que ela não mudara e quejamais mudaria. ele pensou com cinismo. Sharif deveriacomparecer. sheik Fehr — cumprimentou Rou. Elaé um iceberg.Jessica 116. E l a n ã o g o s t a v a d e l e . E n t r et a n t o .— Eu não diria ansioso. irritada porques e u p u l s o a c e l e r a r a . Pippa os apresentara durante a recepção.— Sheik Fehr — Pippa dissera. e fazia o que queria. O pai dela. — Eu nãopoderia deixar de lhe apresentar minha amiga. um dos maioresastros de cinema de sua época. Odiava que ele a tivesse magoado. segundo Jamie. você está ansioso para me ver. Como Sharif. Rou Tornell. mas um sheik que se comportava de maneira mais ocidentalque a maioria dos ocidentais.o p o r c o n s i d e r a ç ã o a Sharif. — Rou sentiu um sobressalto ao vê-lo se aproximar. r e c e b e r a . Z a y e d e r a incrivelmente lindo. Ela teve dois filhos nesse ínterim. — Estou meio apressada. Tinha olhos e cabelos negros. ele era bem mais alto que ela. não é?De repente.Zayed notou o tom gélido e apertou os lábios. e m Winchester.— Lady Pippa teve dois filhos? Ela tem estado bastante ocupada.s e d e c o m o e l e d o m i n a v a o ambiente com sua imponência e sua elegância. Tornell. o p r í n c i p e Zayed Fehr. — Dois anos?— Três. Determinado seria a palavra mais certa. parando diante da mesa do sheik.

ela sabiaque jamais poderia confiar nele. Pippa estava tão feliz quenão percebera. apesar de. Rou reparara que ele não era um jovemde 20 anos. Era o protótipo da beleza. mas um homem maduro.muito quadrado. ela já ter ouvido de tudo. já que a maioria dos homens bonitos é egoístae i m p i e d o s a . — Graças a Rou. estamos aqui. há um ano. Projeto Revisoras6 .— Q u e s o r t e — e l e d i s s e r a n u m t o m d e i r o n i a q u e R o u j a m a i s o u v i r a .Os olhos do sheik Fehr brilharam. Em parte. como psicóloga. q u e r i a g o s t a r d e l e p o r s e r i r m ã o d e S h a r i f .m a s e x t r em a m e n t e m á s c u l o n a r i z r e t o e m a ç ã s d o r o s t o p r o n u n c i a d a s q u e fariam inveja a qualquer modelo. P o r o u t r o l a d o . Foi ela quem me apresentou a Henry. em torno dos 32 ou 33 anos.

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— O que posso fazer por você. q u e r i a u m a esposa? Ela mal sufocou uma gargalhada. . não fosse por um email de Sharif querecebera por engano. sem gravata. v o c ê s a b e r i a — e l e d i s s e . Era exatamentecomo ela se lembrava: profunda e firme. de alguma forma. de fato. — Não tenho mais opção. Ele a escutara rira de suasbrincadeiras. dançarame saíram juntos da recepção para tomar um último drinque num bar. maçante. ela pensou. sempre curiosa. O p i o r é q u e p e r c e b i q u e e l a gostou de mim. T o r n e l l t e m u m v er d a d e i r o d o m . odiando reviver o episódio. Porém. corando. Zayed a convidara para sentar e os dois passaram o resto da noite juntos.— Tenho 36 anos. Preciso de uma esposa. rouca o suficiente para parecer uma carícia. mas. Para sua surpresa.Rou esperou o fim da piada. falara sobre o próprio trabalho. Um manequim de loja. sem mencionar os e-mails. As mãosdela tremeram. o s o l t e i r o m a i s r i c o e f a m o s o d e M o n t e C a r i o .— O que posso fazer. — Deixei várias mensagens para você.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — R o u . — Ela rangeu os dentes ao ouvir a voz irônica. mas a atração obviamente não foi recíproca. sheik Fehr?— Você podia pegar sua papelada e começar a preencher os formulários. Vou Projeto Revisoras7 . Maçante.Jessica 116. ele n ã o t e l e f o n a r a e R o u jamais saberia o que ele sentia por ela. sentando-se numa poltrona. Ela já formou cem pares. e todos acabaram em casamento.O nome é F-eh-r. As horas que passaram juntos foram deliciosas. e a deixarasozinha com o sheik. Preciso soletrar?— Não. sheik Fehr?— S e t i v e s s e a t e n d i d o m e u s t e l e f o n e m a s .— Por que uma esposa agora? Você sempre declarou não ser favorável aocasamento.. nem piscou. Ele usava um bonito terno e uma camisa branca. e ele fazia comque ela se sentisse bonita e fascinante. a D r a . Q u e r d i z e r . mas ele não sorriu. Ficara atraída por ele e percebera queZayed também estava atraído por ela.— Talvez você precise atualizar sua tecnologia.l h e o r o s t o c o m o s l á b i o s e e l a t e v e a c e r t e z a de que logo ele aconvidaria para um encontro de verdade. assim como ela. Mais tarde.. Havia tempo que ela não tinha um encontro. Ela tem o calor eo charme de um manequim de loja. enviara o e-mail para ela.— O que faz aqui? — perguntou ela. r o ç o u . . lera o e-mail: "Passar a noite com elaf o i c o m o p a s s e a r n u m m u s e u — maçante — mas você agüenta porque se c o n v e n c e d e q u e es t á f a z e n d o u m a b o a a ç ã o . Ele deveria estar brincando. O primeiro nome é Zayed. D á p a r a acreditar? O nosso é o centésimo casamento que ela faz. r e n o m a d o p l a y b o y .— Sim — disse ela simplesmente. A únicavantagem é que ele nada sabia. atendendo a um aceno do marido. " — Você ainda promove casamentos? — disse Zayed naquele momento. Sharif prometera não contar. Rou se lembrava muito bem dos detalhes daquela noite e do calor do corpo de Zayedenquanto dançavam. quando ele a colocou num t á x i .— As coisas mudaram — disse ele sério. Zayed Fehr.Rou o examinou por um tempo. Rou.A alegre Pippa se afastara. Ele percebera o erro antes d e l a e l i g a r a p a r a s e d e s c u l p a r e p a r a l h e p e d i r q u e a p a g a s s e a r u d e mensagem sem ler. O cabelo estava mais curto do que quando o conhecera. A gentileza dele a cativara . Comofora estúpida! A vergonha a fez falar secamente. por você. Sharif pretendia responder uma mensagem de Zayed.— Estive viajando — respondeu secamente. Não admirava que as mulheres Se encantassem. Conversaram durante horas.

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você vai me ajudar?— Não. Isso não quer dizer que. mas que nãoconseguira fazer seu pai feliz. Faltavam-lhe informações. De repente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assumir o trono de Sarq. E. Lembra-se dela? Magra. De modelo passou a estilista de bolsas. Jamais condenaria alguéma passar a vida com ele. depois dea l g u n s m e s e s . R o u c o m p r e e n d e r a q u e o a m o r e r a a m a i s p o d e r o s a d r o g a conhecida pelo homem. foram necessários meses de paciência e habilidade para tirá-la do f u n d o d o p o ç o . O reiprecisa ter uma esposa. Ela percebera que precisava ajudar a pobre moça. Depois de 12 anos dee x p e r i ê n c i a .. uma famosamodelo inglesa. deverá estar casado. Q u a n d o s e e s t á s o b o ef e i t o d o a m o r .— É por causa de Angela Moss? Rou se espantou.. mas. Jamie bateu na porta. e sim uma sensaçãod e p o d e r .— Já percebi — retrucou ela com sarcasmo. — Fui eu que lhe dei o seu nome. Quem ele pensava ser? Como podia ser tão insensível eegoísta. você não encontraria sozinho uma c a n d i d a t a disponível.o . admirada e invejada no mundo inteiro. mas Zayed não as fornecera e ela não pretendia perguntar.Jessica 116. 26 anos. n e c e s s i t a d e c o n t at o e d e s e r inundado pelos hormônios produzidos em sua presença. i n t r i g a d a . Jamais encontraria uma mulher para Zayed. — S i n t o m u i t o . Além disso. Nenhum homem pode ocupar otrono antes de completar 25 anos e. e e s t a t e n t a r a s e suicidar..— Não quero uma candidata disponível. quero a esposa certa. vício. Talvez houvesse outro reino ou alguma tribo do deserto que precisasse de umsenhor feudal. você não seencaixa no perfil dos candidatos com quem trabalho. a a b a n d o n a r a . Amor é loucura. T o d o s s a b i a m q u e S h a r i f e r a o r e i d e S a r q .— N ã o p o s s o — e l a r e s p o n d e u br u s c a m e n t e . c o m u m p o u c o de esforço. Rou se lembrou de que precisava mudar de roupa e se pentear. e a lei assim o exige.— Estou com pressa. Isso a faz recordar?Claro que Rou se lembrava de Angela. cabelos ruivos. quando dá errado. Ela sel e v a n t o u . entrou e acenou para o relógio. deixaria que minha mãe a escolhesse.— Ela foi sua cliente há um ano. nem uma esposaagradável. Rou se lembrou de sua mãe. deleite. é destrutivo. O sheik a conquistara e. É p r e c i s o t em p o e pesquisa para encontrar um companheiro compatível.R o u o b s e r v o u . Tornell. Negativo. mas sua expressão não era amigável.— Eu não conheço. — U m c a s a m e n t o n ã o d e v e s er a p r e s s a d o . Projeto Revisoras8 . É por isso que estou aqui. Quanto menos soubesse. quando o fizer. s h e i k F e h r . creio que conseguiriaencontrá-la. — Sei que ela veio consultá-la — acrescentou Zayed sem expressão. P a r a o u t r a s p e s s o a s .Zayed sorriu. R o u s e r e c u s a r a a a t e n d e r a m o d e l o . O cérebro subitamente privado de alguns neurotransmissoresq u e o a l i m e n t a v a m i m p l o r a p e l o s er a m a d o . Ele era desagradável e queriaque ele fosse embora. Se fosse o caso. aparecendo para lhe pedir ajuda depois de tanto tempo?— Então. Pensei que poderia ajudá-la. p r e c i s o m e p r e p a r a r p a r a o m e u próximo compromisso. u m c o r a ç ã o p a r t i d o e q u i v a l e a u m a f o r m a d e m o r t e .— Se você realmente quisesse uma esposa. — S e m e d á l i c e n ç a . Dra. P o r c a u s a d e s e u s sentimentos pessoais emr e l a ç ã o à Z a y e d . melhor. Você é especialista em relacionamentos e pode encontrar a mulher perfeita para mim. — E l a n ã o sentia.. e q u i v a l e a u m a desintoxicação. mesmo comsua ajuda. Não querouma noiva qualquer. — Ela não sentia o menor remorso.

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Só não preciso de você. sheik Fehr. Fazia parte do sigilo entre p a c i e n t e e terapeuta. Ele a olhou com indiferença. perplexa. — Isso foi inadequado. você tem consciência. — Ela se inclinou sobre a mesa. pedindo mais cinco minutos. — Você é psicóloga.Rou olhou-o com desdém. N ã o p o d e r i a v e r a s i t u a ç ã o i s e n t a d e preconceitos.— Porque eu não amava Angela?— Porque você não ama e é incapaz de amar — explodiu ela e trincou os d e n t e s .— Por que não?— Eu já lhe disse.Afinal. — Desculpe — ela disse.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou sentou novamente. — Por quê?— Eu estava preocupado com ela — replicou ele. N ã o d e v e r i a t er d i t o a ú l t i m a f r a s e p o r u m a q u e s t ã o d e sigilo.— O que está sugerindo? — ele perguntou.— Então.Ele era muito arrogante!— J á s e i d e m a i s s o b r e v o c ê . encarando-a. O pai de Rou também sóamava a si mesmo. s h e i k F e h r .— Isso tudo com base nos seis encontros que tive com Angela? Não. bonecas. porque jamais lhe revelaria que sabia o que e l e pensava dela. robôs.— Não é? — Ele sustentou o olhar de Rou. Jamais trabalharia com você. — Ela sorriu. mas não queria magoá-la.. não acreditava poder ser fiel a uma mulher. Haveria conflito de interesses.— Você disse a Angela que jamais se casaria que nunca se apaixonaria e que éincapaz de amar. como se fosse evidente.— Eu não a amava. Rou se voltou para ele. a b o r r e c i d a ...— Não.— Você a mandou para mim? — Ela balançou a cabeça.. Era o clássico narcisista. e que.— Marionetes.— Você está zangada — ele disse surpreso. você é uma cientista.R o u p e r c e b e u q u e J a m i e a i n d a e s t a v a p a r a d a à p o r t a e f e z u m g e s t o. não é?Jamie abriu a porta.— Não precisa? — ele repetiu. mas sua acompanhante chegou Dra. Assim que ela se foi. Mas nada disse.— Desculpe interromper de novo.Jessica 116.— Deixe que eu seja clara. Os narcisistas não conseguem amar mais ninguém e nemver o outro como um ser separado. Angela lhe dissera que Zayed usara sua incapacidade de amar como motivo para romperem seu relacionamento. capachos.. — Interesse de quem?— Seu. Projeto Revisoras9 .— É muito simples.— Isso não é possível.. Eu quero uma razão profissional. — Elas não serão magoadas quando você as dispensar. não se faça de obtuso.— Não estou zangada. portanto. posso me dar ao luxo de ser seletiva. ela respondeu intimamente.— Eu mudei — disse ele. M i n h a c l í n i c a é um s u c e s s o e t e n h o m u i t o t r a b a l h o . — Não gosto d e v o c ê . Agora você vê por que eu não poderia trabalhar com você depois deatender Angela. Você me deu uma razão pessoal.— Talvez você devesse parar de sair com mulheres que têm cérebro e coração. — Ela firmou a voz. com base na minha experiência pessoalcom você. com necessidades próprias. portanto. porque ele jamais se apaixonaria eela o amava cada vez mais.

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que é o melhor que sabe fazer.— Qual foi o resultado da sua pesquisa..Se ela esperava abatê-lo. — Jamais. A c h o q u e é u m a t r o c a justa: eu consigo o que quero você também. que só se importava consigo mesmo. — É o suficiente para você esquecer suasobjeções? — Não! Eu não ligo para o dinheiro — ela disse. e sim de valores. E n c o n t r e . — Ele caminhou para a porta. é a única coisa em que é boa. francamente. de ética.Ela se afastou da mesa. — Ele a desafiou com um olhar. Vamos nos encontrar para jantar. pelo qual você tem lutado nos últimos sete a n o s .Começaremos esta noite.— Isto é baixo e ultrajante. Estou lhe pedindo para me arranjar uma esposa.. tudo. assim como fiz antes de procurála. A simples oferta demonstra o seu desespero. dá no mesmo.— Eu sou. J am a i s c o b r e i u m a q u a n t i a t ã o a l t a e n u n c a aceitaria. eprometo recompensá-la muito bem.— Não lhe peço para encontrar a cura do câncer.— Não se trata de dinheiro.— Pelo que me diz respeito. calculando que seriam oito milhõesd e d ó l a r e s . — Você não me conhece.— Não sei se todos sairiam ganhando.Jessica 116. e esperou a porta fechar.— Então. mas Rou o deteve. Ajude-me. Faço por que. mas não é verdade.. — I s s o é r i d í c u l o . pelo visto.E l a s e c a l o u p o r q u e n ã o p o d e r i a c o n t a r a l g o t ã o p e s s o a l a u m h o m em como Zayed.. — Não sei se gostaria de poder.— Nem mesmo cinco milhões de libras? Rou ficou espantada. nenhuma quantia faria com que eu me comprometesse. Trabalhar com vocêcontraria minha ética e. falhara. Ele deu uma gargalhada amarga. faça seu trabalho..m e u m a e s p o s a e t e r á o s e u c e n t r o . — Determinação — ele corrigiu. s a b e r i a q u e n ã o a c e i t o q u a l q u e r um c o m o cliente. — Oque faço não é por dinheiro. — Ela respirou fundo. Só trabalho com pessoas que acredito poder ajudar.— Este é o problema — ele disse. levantando. Há um país inteiro a minha espera.— Você pode me ajudar. — Ela se levantou mais tensa do que nunca. —Talvez você devesse fazer uma pequena pesquisa antes de tirar conclusões.. veja esse dinheiro como a verba que precisa para construir ocentro de pesquisas em Oakland.. as informações básicas. O perfil.— S e t i v e s s e i n v e s t i g a d o .— Cinco milhões de libras? — repetiu. Não preciso da sua aprovação.— E v o c ê t a m b é m n ã o f o i ? V o c ê m e j u l g o u e s e n t e n c i o u a n t e s d e n o s encontrarmos hoje.Rou perdeu o fôlego.. Ela está esperando no saguão do hotel — Rou acenou com a cabeça. Atendo cinco por cento das pessoas que me procuram. Meu sucesso sedeve ao fato de ser criteriosa. sem despregar os olhos de Zayed. sheik Fehr? Ele parou e se virou Projeto Revisoras10 .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Tornell. e que. perdendo a paciência. Dra.— Então.— Não. e todos saem ganhando. Não seriacorreto. Não posso representá-lo com neutralidade. Ótimo. Pensa que me conhece. mas necessito do seu tempo e da sua habilidade.— Preciso ir. e talvez fosse mais fácil.— O tempo é fundamental. Tornell. como se tivesse levado um soco.— Pensei que você fosse uma profissional.

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três anos antes.Jessica 116. meiahora antes de terminar a noite de autógrafos. Georgina fora profundamente magoada.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter no altar. A v i r g e m d e g e l o p r e f e r i r a f u g i r a encontrá-lo.— Você tem uma noite de autógrafos na Fireside Books às sete. que partiu seucoração.Seus pais eram famosos e suas disputas durante o divórcio foram publicadas pela mídia. Era perfeito. sua vida mudara. digerindo a informação. O nó na garganta de Rou cresceu e seespalhou.Zayed pegou o celular. ao ser abandonada Projeto Revisoras11 Jessica 116.Rou ficou muda. mas não era um completo idiota. mas este era e x c e p c i o n a l . Ralf era perfeito para Georgina: forte. Os convidados aplaudiram quando o noivol e v a n t o u o v é u d e G e or g i n a e a b e i j o u . Em geral. brilhante. dentro de dois dias. Ela saíra mais cedo. Ele sempre as tratara bem. Os casamentos sempre a comoviam. Capítulo Dois Rou NÃO estava na Fireside Books quando ele chegou para buscá-la. O v e st i d o d a n o i v a c i n t i l a v a c o m o s cristais bordados à mão no tecido delicado. Ela es-t a v a t ã o f e l i z q u e b r i l h a v a m a i s q u e os candelabros da catedral de SantoEstevão. onde compareceria a mais um de seus famososcasamentos. bonito. Ele podia ser implacável. A música inundou a igreja enquanto o casal saía. Amar e ser amada para sempre. e sim com o divórcio de seus pais. pressionando-lhe o peito. alegando u m m a l estar. começara a procurar umhomem ideal para ela. um nobre de títuloa u s t r í a c o q u e n a s c e r a e c r e s c e r a n o d e s e r t o a u s t r a l i a n o e m c o m p a n h i a d a mãe. Ele também fora convidado parao casamento de Ralf com a princesa Georgina. financeira e emocionalmente. Era algo inusitado.D u r a n t e a i n f â n c i a . E l e d e s c o n f i a v a q u e e l a j á e s t a r i a a caminho da Áustria. Encontrara o barão Ralf van Kliesen. Rou se recusara a aceitar que sua melhoramiga jamais seria feliz e.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter para ela. Amiga de infância de Georgina. Irei buscá-la às nove.. Afinal. A noite estava fresca e o vento arrastava as folhas v e r m e l h a s e a m a r e l a d a s p e l a c a l ç a d a .— Eu sei por que você é tão rígida e reprimida. Zayed deu meia-volta e parou do lado de fora da l i v r a r i a .Nada tem a ver com dinheiro. bebendo suas palavras. Como é que ele sabia? Ela nunca contara a alguém. sabendo de antemão que Rou Tornell não estaria m a i s h o s p e d a d a n o H o t e l F a i r m o n t . as mulheres se jogavam sobre ele. Georgina encontrous e u p a r .Ele saiu.mas terno. inclusiveAngela. e. suas brigas exploradas pelos tablóides. que a amasse para sempre. mas doce e carinhoso.. os telefonemas gravados ereproduzidos pela imprensa. dramática e violentamente. Ao terminar um relacionamento. silenciosa e discretamente. sentir-se abençoada. mais máquina que mulher. independente. três anos antes. m a s q u a n d o o casamento dos pais naufragara. ele tivera irmãs. mas ne -nhum deles a queria de fato. Os noivos se viraram para encarara congregação e Rou conteve o fôlego ao ver a expressão de Georgina. . e seus olhos se encheram de lágrimas. o contrário da atenção que elalhe dedicara na festa de casamento de Lady Pippa. ele se certificava de que elas estavambem. Naquelanoite. Boa sorte com a sua entrevista. Eu os declaro marido e mulher. Era disso que Georgina precisava: de um homem forte. Os dois lutaram pela custódia de Rou. R o u s e s e n t i r a s e g u r a e a m a d a . A luz nos olhos da n o i v a b a s t o u p a r a f a z e r o c o r a ç ã o d e R o u s e contrair. certamente. Rou Tornell se grudara a ele como velcro. Ela amaldiçoara os homens e o amor. Jurara nunca se tornar esposa emãe.

No amor não s e t r a t a d e v e n c e r . junto com tudo o que usaraenquanto casada. tentando se esconder.— Ou determinado — ele concordou. — Sou determinado e. Você só está dificultando ascoisas mais do que o necessário. — Ogerente da livraria me disse que o público foi menor do que o esperado. mas é necessário que haja algo mais por detrás dela. Rou fingiu observar os convidados que chegavam.Z a y e d u s a v a um f r a q u e . Andou de um ladopara outro. Rou ficou gelada. apesar desta contar. Não seria justo com eles que. A belezad e s e u s p a i s e n c a n t a v a t o d o m u n d o .— Entretanto. pensou. Concordou em me encontrar depois do s e u evento. Compareci e esperei. e n ã o p o r m ot i v o s e x t e r n o s o u p e l a aparência. a noite de outono estava perfumada e soprava uma brisa fria. Tornell. o gerente. Mal deraalguns passos de volta ao salão. e os olhos dourados brilhavamintensamente. e o p a l e t ó a c e n t u a v a o s o m br o s l a r g o s e s u a cintura.. nervosa. eu me dedicasse a um cliente novo. entrei na livraria e encontrei o caixa. Você ficou desapontada? — Não. Ela alisou o tradicional vestido preto de Jérsey e entrou no salão iluminado por centenas dev e l a s . Em Vancouver você me fez acreditar que p o d e r í a m o s trabalhar juntos. Este era o motivo pelo qual Rou juntava casais de acordo c o m s e u s v a l o r e s . Ele era tentador.Tudo o que desejavam era vencer. ou por ele ter aparecido na livraria. R o u s e e s c o n d e u n o b a n h e i r o durante 20 minutos. Quando você não apareceu. conforme o combinado. extremamente bonito.A limusine chegou ao palácio. Dra..— Não acredito que tenha me seguido até aqui. E preciso haver um laço de genuína compreensão.. e acho que . quando ele bloqueou-lhe a passagem. Ela hesitou diante da porta do salão de baile. a sua acompanhante e alguns leitores. com o manto sobre os ombros. O a m o r é g e n e r o s i d a d e e t e r n u r a . Rou estava mais emocionada do que gostaria..Ao sair da catedral.— Como foi o seu evento em Vancouver? — ele perguntou como se fossemvelhos e bons amigos. quando resolvo algo. Em pânico. Certamente.— Então.na Inglaterra. mantinha tranquilamente o controle de sua vida.E l a e n t r o u n a l i m u s i n e e f e c h o u a g o l a d o e x t r a v a g a n t e m a n t o d e v e l u d o forrado de seda preta e com botões de diamantes que sua mãe usara duranteo lançamento de um dos filmes de seu pai. quase rindo. abençoando seu anonimato. n e m d e e x p l o r a r . cr e n ç a s e d e s e j o s . O que ele fazia ali? Ela sabia a resposta: ele pedira a suaa j u d a e e l a r e c u s a r a .— Fui convidado para o casamento. R o u desapareceu no meio da multidão e se refugiou no banheiro. — Não. Rou entrou e tirou seu precioso manto. A lua iluminava o céu. e l e a s e g u i r a . Zayed já fora embora. agora. E l a n ã o e n c a n t a v a n i n g u é m . e m compensação. onde Rou o descobrira ao completar 16 anos — dois anos depoisda morte de sua mãe. Não sabia se corara por ele ter descobertoque a noite de autógrafos não fora um sucesso. hoje de manhã você se encontrou com uma cliente em perspectiva. Ele vinha na sua direção.— Não é verdade. Claro que era ele. Ninguém mais tinhaa q u e l a aparência e aquele andar.— Eu me comprometi com outros clientes. As pessoas se apaixonam por uma imagem. — A única dificuldade é a sua incapacidade de lidar com a rejeição. m a s. Não épossível. Porém estava enganada. A pr i m e i r a p e s s o a q u e v i u f o i Z a y e d Fehr. respeito e cuidado. Rou sentiu a garganta seca e seu coração disparou. mas vocêjá saíra há muito tempo. você diria que foi persistente — ela interrompeu bruscamente. e eu não usaria a palavra seguir.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou se odiou por ficar corada. Rou se lembrou da foto dos dois sobre o tapete vermelho: a mãe sorria radiante. O manto se salvara porque ficara esquecido na casa da avó. sempre consigo o que quero. não foi por isso que fugiu da cidade? Projeto Revisoras12 Jessica 116. até ouvir o som de trombetas anunciando a chegada dosnoivos. m a l d i t o .A foto fora queimada havia muito tempo pela mãe.

toda de preto. Ele sorriu friamente. juízes. e. Semdúvida.que lhe proporcionavam calor e segurança. compassivas. — Ela se afastou com as pernas bambas.. sheik Fehr.. Comoconseqüência . — Não consigo imaginar porque um homem poderoso como você me escolheu para ajudá-lo a procurar uma rainha. ele pensou.Zayed riu. Sua lógicadesaparecia numa nuvem de emoções nas quais ela não confiava. A sua amizade comSharif fora o fator fundamental para a sua cura.Rou corou novamente. resolveu ficar até que o jantar acabasse e o bailetivesse início. A s m o ç a s d e S a r q eram educadas para ser dóceis. a s s i s t e n t e s . Em outra ocasião ela iria embora. g a r ç o n s . É i n t e r e s s a n t e c o m o o te mpo e o su ce sso modificam uma pessoa. E r a o q u e e l e q u e ri a e v i t a r .Zayed observou a figura esguia. comporte-se como uma cientista.— Então.por consideração a Georgina. Seuspais levaram sete anos para se divorciar. mas você está tão enganada que chego a Projeto Revisoras13 Jessica 116. Tornell? Você não é especialista em ensinar às mulheres a ser firmes e a encarar seus medos.— Já percebi o quadro — disse ela friamente. ou que os seus diplomas de Cambridgesejam verdadeiros. tribunal. R o u a t r a v e s s a r a a adolescência e chegara aos 20 anos tentando se recuperar. G e l a d a . m ot o r i s t a s . obrigada. Agora estava mais civilizada. enfrentando a realidade?— Sim. A simples palavra divórcio a apavorava. Não ouvi falar em nenhum divórcio até agora. e o meu instinto me diz que você é perigoso. em vez de ficar aborrecido. Alegações ofensivas. ela era tagarela.ela saiu pensando que você irá atendê-la. e l a p e n s o u n o v e l u d o macio do manto pendurado no saguão e no quarto acolhedor do Hotel Bristol.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter duvidar que seja uma cientista de fato. você não me interessa como mulher.— Eu lhe garanto que os mereci. ela nãoconseguia raciocinar quando estava perto de Zayed Fehr. m a s s e t o r n a r a m a i s d u r a e f r i a . i n c l u s i v e a pr ó p r i a f i l h a . Sentia-se mal.— Já é tarde e eu estou muito cansada com a mudança de fuso horário. desaparecer na direção dasala de jantar. h a v i a m d e s t r u í d o t u d o e t o d o s .. Ele providenciara para que elavoltasse à escola e tivesse dinheiro para cursar a faculdade. Rou ergueu a cabeça.— Você tem talento e os casamentos que promove são duradouros.. mas. Ela mudou. Quando a conhecera.— Você está me espionando?— E u n ã o . . m a s t e n h o s e g u r a n ç a s . tensa e desajeitada. mas ele não se deixaria desencorajar pela rigidez deRou : precisava dela.advogados. Dra. O tempo corria e sua mãe já procurava uma noiva para e l e e n t r e a s m o ç a s d e S a r q . quando chegaram a um acordo.Rou sentiu um arrepio. camareiros. exposta. porque como mulher eu o desprezo. Divórcio. mas também as aconselho a confiar em seus instintos. porque é isto que desejo. odiosas. Estava confusa. pudera cumprir a promessa de trabalhar para evitar que outra c r i a n ç a o u f a m í l i a s o f r e s s e o q u e e l a s o f r e r a.— Ótimo.— Tenho certeza de que sim.— Estou falando sério. talvez devido ao sucesso. mentirosas.— Fugindo de novo. Por algum motivo.

Portanto. Ávidas demais.Ele deu de ombros. mas acreditavana santidade do casamento. — Rou virou para o outrol a d o . Ela sevirou para ele com um olhar frio e furioso. mas era extrema-mente habilidosa quando se tratava de formar casais.— Não posso Dra.. o q u e transformaria a relação num tormento. Zayed r e c o n h e c e u q u e s e tratava de um grupo seleto.— Não posso.— Você está vendo o meu pedido como algo pessoal. Ele não era feio. aristocratas.Jamais uma delas conseguiria enfrentá-lo e ser sua igual. sorriu e se inclinou para ela.— Você poderia usar uma cor mais favorável — ele disse. Resolvido a fazer comque o ajudasse. p o r q u e n ã o s e n t i r i a c o n f i a n ç a e r e s p e i t o . O s l u g a r e s e r a m m a r c a d o s e e l e n ã o ficaria junto dela. fascinada.s e c o m u m a d e l a s . — Não é verdade. Você ficaria melhor com tonsrosados. com os olhos mais escuros e a pele ruborizada.— Para sua informação. em Nova York. T r a t a . Rou mordeu olábio. Por quê? Você não gosta?Z a y e d p e n s o u q u e a c e r t a r a e m c h e i o . sentindo ocorpo se aquecer perigosamente. Por outro lado. A friae rígida Rou Tornell não tinha charme nem personalidade. a julgar pelo modelo.— N ã o p o d e o u n ã o q u e r ? — E l a q u a s e e n g a s g o u q u a n d o e l e s e aproximou. ele a deixa muito pálida.— É.Ele estava tão próximo que Rou notou os pontinhos dourados nas pupilascor de bronze e algumas rugas discretas no canto dos olhos.s e d o m e u p a í s . O corpo de Zayedera firme. contemplando os convidados. seu p o d e r .R o u a c a b a r a d e s e n t a r à me s a . e eu o comprei naBarney s. pelo contrário. Todas caíam ávidas aos seus pés. Zayed foi atrás dela. Rou parecia a únicaa ter se arrumado sozinha. feito num bom tecido. oslábios tremendo de raiva. Elaso l h a v a m para ele e juntavam tudo: seu nome.— Há dez anos. roçando o ombro no dela. do meu povo. este é um vestido de grife.submissas e condescendentes. Ele contemplou o entediante vestido preto e pensouse seria o mesmo do casamento de Lady Pippa. E l a e s t a v a q u a s e bonita naquele momento. celebridades esocialites.— As duas coisas.. Tornell. tentador. — E l e c h e g o u m a i s p e r t o e s u a s cabeças quase se . e a coxa dele roçava a sua. perfeita.— Vá embora — disse. Preciso de sua ajuda. Você estámantendo um país inteiro como r e f é m . precisava encontrar a mulher certa. um misto de realeza. asmulheres ocidentais eram um problema. d o m e u i r m ã o . — Este não é o mesmo vestidoque você usou há três anos?Ela se virou para ele e corou. furiosa.— Vá embora.— Eu já lhe disse que não pretendo ajudá-lo — ela respondeu. Rou arregalou os olhos.l a c o r a r . seu título. o que não o impediu de puxar uma cadeira e sentar. s u a fortuna. Ele não poderiac a s a r . a o v ê .— O preto é sempre elegante.Zayed já quebrara muitas regras e desafiara algumas leis. Nunca dormira com uma mulher casada e jamaistrairia sua esposa. até que ela afastou a perna. mas ele é bem maisq u e i s s o . todos vestidos por algum estilista em particular.

R o u n ã o o u v i u o r e s t o p o r q u e .tocaram.— Jesslyn estava. — Era para estarem todos juntos. Eu lhe disse. ela sabia a verdade.— Acalme-se. levantando. Estarei à disposição pelotempo necessário para completar o processo. Tão.— É v e r d a d e q u e n ã o e n c o n t r a r a m o a v i ã o . Ele fazia detudo para conseguir o que queria.— Não pretendo aborrecê-la. A l i v i a d a .. picante esedutor de Zayed. — Você disse que não existempríncipes. menina malvada. — Nunca vinoiva mais feliz.— N ã o . Dra. — S ó quero que você me dê a mesma chance que dá aos outros clientes. Sentira que ele era perigoso desde que o conhecera. Vou lhe dar acesso à minha vida. Erae s p e r t a .O c a s a l s e a f a s t o u . n a superfície. e l a retribuiu o abraço da amiga. Saiae me deixe em paz.. — E um prazer — respondeu Zayed. Tornell. — Estamos rezando por ele e p o r todos vocês.— O que aconteceu com Sharif?— Ele está desaparecido. Preencha os formulários.. c o m e x p r e s s ã o perturbada. os sentidosde Rou se aguçaram. Rou olhou em volta do salão. — Zayed baixou a cabeça e Ralf rapidamente ser e c o m p ô s . transformava a racional cientista numagarota assustada. agradecendo sua presença. Viena. Tudo estava bem.— Por quê?— P o r q u ê ? . Dra. i n te l i g e n t e . — Por favor. procurando uma saída. m a s . Zayed confirmou. f o r t e ? N ã o . Se houver algo que possamosfazer. investigue osantecedentes.Rou respirou fundo para se acalmar e sentiu o perfume suave...— É mesmo? — perguntou Zayed. Não era forte o suficiente.. F o r a p o r i s s o q u e s a í r a d e V a n c o u v e r : Z a y e d F e h r a ameaçava abalava seu autocontrole.. abraçando Georgina. E l a n ã o e s t a v a c o m e l e . ciente de que perdera ar a z ã o e o c o n t r o l e . Dra. dando-lhe um tapa no ombro. sheik Fehr.. Ela sentiu que afundava por culpa dele. Agora.. vi u . sufocada. — Vocêmencionou o trono. mas sedeixara envolver e fora maravilhoso. Ele a abafavaameaçava sua segurança.— Não consigo acreditar — disse Ralf mais para si do que para os outros.— Você está linda — ela murmurou. b e m . Fosse pelo perfume ou pelo calor do corpo dele. g r a ç a s a D e u s .— O b r i g a d o — r e s p o n d e u R a l f . Sharif.— Sharif é tão. Você n ã o f a l o u d e S h a r i f . — Eu lhes trago os v o t o s d e felicidade em nome de minha família. basta dizer uma palavra. e e l a s e n ti u o s d e d o s d e l e p e r i g o s a m e n t e p r ó x i m o s d e s u a p e l e . N e m a s c r i a n ç a s . o casamento. A televisão deu a notícia hoje cedo. o reino. Preciso de você. e ela não conseguia evitar. Sarq. Tornell. onde estava? Procurei-a em todo canto! — A voza l e g r e d e G e o r g i n a i n t e r r o m p e u o tu m u l t o n a c a b e ç a d e R o u .— V o c ê n ã o me c o n t o u — r e p l i c o u e l a c o m a voz embargada. — Ela tremia da cabeça aos pés. Passou o braço em torno do espaldar da cadeira deR o u . arriscava sua sobrevivência — algo que deveria serlevado a sério.— Não posso! Você não me deixa em paz. e ela o desprezava por isso. — Os noivos cumprimentaramZayed calorosamente..? — perguntou Georgina. Preciso. Não devemos perder a esperança. mas Zayed asegurou pela mão.s u c e d i d a ... A p e n a s n o p a p e l . D e ve r i a te r m e contado. mas encontrou um para mim! — Ela recuou e Ralf se inclinou e deuum beijo no rosto de Rou. Georgina. O avião desapareceu há dez dias. Faça umaavaliação preliminar adequada. — D i g a a l g u m a n o t í c i a d e S h a r i f ? Acabamos de saber..— Vá embora — disse.s e e n v o l v i d a n u m f o r t e abraço. — Pensei que seria publicada depois demais alguns dias.Ralf e Georgina trocaram um olhar. — A expressão de Zayed endureceu.— Graças a você — sussurrou Georgina.— Rou..— Serei seu eterno devedor. R o u f i c o u c a l a d a p o r u m m o m e n t o . d e r e p e n t e . Tornell. q u e e l e s i m p l e s m e n t e desapareceu do radar? — insistiu Ralf.Tudo daria certo.

absolutamente tudo. Como se fossecronometrado. a o c o n t r á r i o d e Z a y e d . — E l e é m e u herói. Não existia outra possibilidade. Ele diminuiu o passo paraapreciar suas pernas incrivelmente longas e bem torneadas. Rou Tornell não era feia.— Tudo bem? — ela perguntou. ela virou a cabeça e o encarou. o n d e e l e a s s u m i r i a a l i d e r a n ç a a t é o r e t o r n o d o irmão. Ele lhe causavaprofunda admiração e era como o irmão mais velho que ela não tivera.— O s o l h o s d e l a e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . e ele. Para dizer a verdade. Ele viu Rou sentada numc a n t o . No dia seguinte. Poderiam se comunicar a distância. v e s t i d a n u m s ó b r i o c o s t u m e c i n z a . o bicho-papão. que raramente se divertia com algo. por ele. Tornell. T i n h a o s lábios finos e um queixo firme.Rou percebeu a estranha expressão no rosto dele. Capítulo Três E LES CONCORDARAM em se encontrar na manhã seguinte. Elee r a m u i t o a m a d o . assim como setornara um espinho na vida dela. p e s a d o s e g r a n d e s d e m a i s p a r a o s e u r o s t o . às voltas com seusp e n s a m e n t o s e u m e n o r m e s o f r i m e n t o . L i mi t a r i a o te m p o p a s s a d o c o m e l e e c o n t r o l a r i a s u a p r o x i m i d a d e . a t r á s d e u m a m e s a b a i x a . p e g o u a l g u n s p a p é i s e formulários e os empurrou sobre a mesa. deixando àvista apenas as pernas inclinadas de lado na cadeira. incluindo o histórico familiar e o médico. E l a prendera os cabelos num coque e se escondera atrás de um laptop. Zayed saiu do elevador rodeado por seguranças quese espalharam pelo saguão enquanto ele a procurava.Na manhã seguinte. Sharif seria encontrado e voltaria vivo.Rou .— Já preenchi o perfil do cliente.— Não tive notícias — respondeu ele —. Rou estudara emC a m b r i d g e g r a ç a s à b o l s a d e e s t u d o s d o a d a p e l o s F e h r .Não para a mulher dele. Começariam do zero. Zayed. Ela parecia uma menininha medrosa. no saguão do hotelo n d e Z a y e d estava hospedado. nem para os quatro filhos e para o país.quase riu. Z a y e d a b r i u s u a p a s t a . sentariam juntos e elapreencheria os formulários. O mais importante era procurar Sharif e mandarZ a y e d d e v o l t a p a r a S a r q . mas prometera ajudá-lo apenas por causa do irmão. Haviadesaparecido e Sarq estava em tumulto. S a t i s f e i t o . Eu o adoro e faria tudo. e S h a r i f f o r a s e u mentor durante seis dos oito anos que passara na faculdade. mastambém não podia ser considerada bonita. Ela se sentia na obrigação de ajudarZ a y e d . mas e l a passara a noite em claro. Naquele momento ela usava óculosd e a r o d e t a r t a r u g a . c o n s i d e r a d o a o v e l h a n e g r a d a família e um constante espinho na vida do irmão mais velho. dissera Rou. Ele suspirou: ela voltara a ser asimples e séria Dra. Jesslyn.E l a a s s e n t i u . E l a a d o r a v a S h a r i f . t i n h a m e d o d e Zayed. revirando-se na cama. se é o que deseja saber. A únicacoisa que ele não sabia ao sentar diante dela era como podia ter pernas tãotentadoras.

Para dizer a verdade. lendo seus pensamentos como se l e s s e u m livro. Zayed empalideceu. — Ela puxou o braço. V o c ê o d e s p r e z a . — O f o g o t o r n o u i m p o s s í v e l u m a identificação. mas achei que você exigiriauma prova concreta. — Preciso voltar para Sarq. Fazia anos que ela não sentiaaquela vertigem e aquela falta de ar.Era verdade. . e l e a i r r i t a . irritada. — Estou bem. observando-o. sentiu a mão de Zayed emseu braço. Aqui está o teste depersonalidade Myers-Briggs que você utiliza. n u m v ô o t u r b u l e n t o o u d e n t r o d e u m carro. — Rounão conseguia falar. Você irá comigo. mas soavam frias na boca de Zayed. Rou ficou sentada com um bloco no colo. Você vai encontrar alguém para mim.— Você me deixou pouca coisa para fazer — protestou ela.. De repente.Rou franziu as sobrancelhas. Minha secretária fez cópias em branco.— Nada disso. Eu já havia feito este teste. Ela s e aborreceu porque seu pulso acelerou de repente. Toda vez que ela estava perto dele seu coração acelerava eo estômago se contraía. quando ela ficara encantada com o charme de Zayed. Étudo uma questão de hormônios e de substâncias químicas.— Não. ao ver o númeroque o chamava.— E n c o n t r a r a m u m a v i ã o — d i s s e . Não é a emoção que a faz sentir estas coisas. repreendeu a si mesma. Eu o preenchi. ela fez perguntas e e l e r e s p o n d e u a t é q u e s e u c e l u l a r t o c o u novamente. Você nãopode permitir que ele faça isso com você novamente. estava lívido. Eles precisam de mim. Ela ficou feliz em me ajudar. como se ela e s t i v e s s e n u m b a r c o q u e b a l a n ç a s s e . — Podemos nos concentrar no trabalho?E l e s s e c o n c e n t r a r a m n a p a p e l a d a e n o perfil que ele fizera. atendeu. mandando-me osformulários dela. — Onde foi que osconseguiu? Projeto Revisoras17 Jessica 116. espantada.— Você está muito pálida. Agora vem o mais importante. Não é para isso que servem os formulários? Para selecionar o par? Selecionar o par repetiu Rou mentalmente.Você não está atraída por ele. sua expressão mudou e os olhos se anuviaram.— Não tente acobertar Jamie.— Não com a sua assistente. Quando desligou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Zayed balançou a cabeça. desde o casamentode Lady Pippa. foi Pippa.— Estes formulários são meus — disse ela.— Se quer saber.— Você vai desmaiar? — perguntou ele. apesar de poder ter lhe dito o que sou.. tiradasd o s e u m a t e r i a l d e trabalho. mas recuperaram a caixa preta. Você não gosta d e l e . As palavras eram suas. V o c ê s e s e n t e a s s i m p o r q u e e l e a d e i x a nervosa e com medo. com os pais brigando aos gritos. mas. Logo saberemos mais. Ele disse algumas palavras e escutou com atenção.— Eu nasci pálida — ela respondeu. Isto me deu um pouco de trabalho. Durante àhora seguinte. causando-lhe uma sensação de enjôo.olhou para o conhecido conjunto de formulários confidenciais. Zayed ignorara algumas ligações anteriores.

Podemos terminar isto no caminho.Em vez de protestar, Rou concordou. A ideia era limitar o contato com elemantendo distância, mas, depois da última notícia, ela não poderia se recusara ajudá-lo. Noventa minutos mais tarde, estavam a bordo do jato particular deZayed . Enquanto o avião decolava, Rou pensou que voar não era seguro, que e s t a r s o z i n h a com Zayed também não era, e que, mais perigoso ainda e r a acompanhá-lo até seu país. Entretanto, viver é arriscar, e ela se lembrou dealgo que Sharif lhe dissera: "Seus pensamentos determinam seu futuro." Ele e s t a v a c e r t o , c o m o s e m p r e . E l e f o r a o primeiro a fazê-la perceber que nemsempre as emoções e s t ã o c e r t a s , e q u e a s d e s c o b e r t a s m a i s re c e n t e s d a p s i c o l o g i a r e v e l a v a m o e l o e n t r e p e n s a m e n t o s e s e n t i me n t o s . A l g u é m q u e tenha pensamentos alegres se sentirá mais alegre, se pensar que o mundo ébom, o verá como bom. Fora uma revelação para uma jovem que tivera tantosa n o s d e i n f e l i c i d a d e . R o u d e s c o b r i r a q u e s u a f e l i c i d a d e n ã o d e p e n d i a d o s outros. Ela poderia escolher ser feliz, mesmo que o mundo estivesse no maiortormento.E l a v i r o u p a r a Zayed e viu que ele a observava com olhos s o m b r i o s , torturados.— Você realmente nunca se apaixonou? — ela perguntou, surpreendendo-se com a própria pergunta.Ele levou algum tempo para responder.— Não — disse por fim. — Porém não sou insensível. Tenho laços fortescom a minha família, principalmente com Sharif.Rou se lembrou do formulário que continha os dados da família de Zayed.P a i : f al e c i d o . M ã e : a i n d a v i v a . I r m ã o m a i s v e l h o : 4 0 a n o s , casado, 4 filhos.Irmão mais novo: 33 anos, casado, esposa g r á v i d a . I r m ã s m a i s n o v a s : falecidas. A maior parte da família dele era um mistério, mas ela sabia o queacontecera com suas irmãs. Por causa delas, Sharif doara as bolsas de estudoem Cambridge.— Você era muito ligado às suas irmãs? — perguntou Rou.— Muito.Ela esperou que ele dissesse algo mais, porém ele ficou calado.— Elas morreram juntas, não foi? — insistiu ela.— Num acidente de carro, na Grécia. Tinham pouco mais de 20 anos. — Av o z n ã o m o s t r a v a e m o ç ã o , m a s R o u r e p a r o u q u e e l e c o n t r a í r a o r o s t o e crispara as mãos.— A m o r t e d e l a s d e v e t e r s i d o d i f í c i l p a r a a f a m í l i a — d i s s e e l a . E l e balançou a cabeça.— Que relevância tem este assunto?— Faz parte de você, da sua família...— N ã o e s t o u à p r o c u r a d e a m o r , D r a . T o r n e l l . E s t o u p r o c u r a n d o u m a esposa. Ela não precisará compartilhar meus segredos sombrios. Ela jamaisserá minha alma gêmea.Rou notou que o rosto dele estava impassível, mas o punho cerrado dizia ocontrário.— Você não quer encontrar sua alma gêmea?— Não. Quero apenas uma relação prática, que funcione.— N ã o h á m u i t a s m u l h e r e s q u e a c h e m a s u a i d e i a d e c a s a m e n t o aceitável.— Estou certo de que existem muitas mulheres práticas.R o u f r a n z i u a t e s t a e n a d a d i s s e , m a s e s c r e v e u à m a r g e m d e s u a s anotações: "Sim, a morte das irmãs o afetou profundamente." Ele temia o amorporque temia a perda. Ela se perguntou como seria perder três de seus quatroirmãos. Ela era filha única e não conseguia imaginar como seria ter um irmãoou irmã para amar, apesar de sempre ter desejado um.— Você desejava ser rei?— Não. Não era parte do meu plano de vida, nem das minhas ambições. —E l e hesitou. — As coisas mudam, e são como estão agora. N ã o p o s s o abandonar meu irmão. Preciso estar presente quando ele voltar...— Você acha que irão encontrá-lo vivo?— Acho.Rou sentiu uma onda de simpatia por ele. Ele devia saber que, depois de Projeto Revisoras19

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dez dias, Sharif talvez não fosse encontrado e, se fosse, não estaria vivo.— E se não estiver?— Sharif não morreu.E l a c o n c o r d o u c o m a c a b e ç a e r e c o n h e c e u q u e o s d oi s ti n h a m a l g o e m c o m u m : a m b o s s e recusavam a acreditar que Sharif estivesse morto. S ó acreditariam diante de provas irrefutáveis. Ela ficou perturbada e tentou mudarde assunto.— Gostaria de trabalhar um pouco, ou precisa de algum tempo?— Não. Preciso trabalhar.O t r a b a l h o s e m p r e f o r a u m a f o r m a de salvação para ela também, e osajudaria a atravessar aquele p e r í o d o . R o u a b r i u s u a p a s t a . A c o m i s s á r i a d e bordo perguntou se

queriam comer alguma coisa.— Apenas chá —

ela respondeu. —

Acho que não conseguiria comer agora.— Nem eu — disse ele. — Um chá e um café — ele pediu à comissária.R o u e n c o n t r o u o s p a p é i s q u e p r o c u r a v a e u m a c a n e t a , e o o b s e r v o u . Zayed era alto, musculoso e bonito, mas havia dor em seus olhos, tensão em sua boca. Ela suspirou. Ele não lhe era indiferente e jamais fora, o que era umabobagem. Ele era belo, rico e sensual. Ela era inteligente, mas insignificante. Rou conhecia as próprias forças e fraquezas. Apesar de inteligente, não era bonita. Se tivesse um corpo mais curvilíneo se sentiria mais seguras e x u a l m e n t e , m a s h e r d a r a a s i l h u e t a e s b e l t a d a

mãe e tinha os

q u a d r i s delicados e os seios pequenos. Um

homem como Zayed jamais olharia parauma mulher como ela. Homens como ele desejavam sereias voluptuosas, de cabelos brilhantes, lábios cheios e olhos provocantes. Por outro lado, era bomque Zayed a ignorasse como mulher porque ela não saberia lidar com ele deoutra forma. Ele tumultuava suas emoções e o seu autocontrole, deixando-anervosa e agitada, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Ela tentou disfarçar seu nervosismo.— F a l e - m e s o b r e s e u t i p o i d e a l d e m u l h e r . C i t e q u a t r o a d j e t i v o s q u e a descrevam.Ele pensou um pouco.— I n t e l i g e n t e , c u l t a , b e m - s u c e d i d a . C o n f i a n t e , l e a l e , d e p r e f e r ê n c i a , bonita. — Ele hesitou. — Eu disse seis.— Tudo bem. Seis está ótimo. — Claro que ele exigiria beleza. Era o que todos

os homens queriam, e Zayed Fehr tinha a fama de escoltar as mulheresmais belas do mundo. — Talvez uma modelo?— Não. Definitivamente, não uma modelo. Nem uma atriz. Nada desse tipo.— E mesmo? — ela perguntou, espantada.— O mais importante é a inteligência. Admiro mulheres cultas e bem-sucedidas, mas é preciso

É algo que aprecio e respeito.— A esposa de Khalid também é muito generosa. As duas sempre pensamnos outros. Ele a estava levando na direçãooposta daquela que ela teria seguido sozinha.. — E q u a n t o a s e n s o d e h u m o r . s e n s o d e a v e n t u r a ? Reservada ou comunicativa? Você gosta de dar festas? Ela deverá ser uma boaanfitriã? Precisa falar bem em público? Espera que ela seja um exemplo em Projeto Revisoras20 . mas era para isso que existia t o d o a q u e l e p r o c e s s o . Uma mulher sensível. Uma professora ou uma enfermeira?— Como a esposa de Sharif? Jesslyn era professora. Talvez uma professora ou uma enfermeira.Rou escondeu sua surpresa..que ela seja generosa. — Rou fez algumas anotações.— Certo.

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é umreino do Oriente Médio bem diferente de nossos amigos do Ocidente. mas tenho um estômago sensível. Quandofico nervosa ou ansiosa. Você é tão magra. Imaginara que ele quisesse alguém b o n i t a e t o l a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter matéria de moda.. A b e l e z a estava no sexto lugar da lista.— Sharif não é vulnerável. ela pensou. Interessante m a s intrigante.O olhar de Zayed ficou sombrio ao ouvir o nome do irmão. — Podeparecer estranho. percebendo que o conhecia m e n o s d o q u e acreditava. por que se dar ao trabalho de procurar uma Projeto Revisoras21 . Ela viu que Zayed a observava com interesse. e q u e n ã o tivesse dúvidas ou preocupações. — Infelizmente. Ele é o rochedo da família. d e c e r t a f o r m a .. e m Cambridge.— Desde que nasceu ele foi preparado para governar.— Algo de errado?— Não.— Sharif não precisa de ninguém.— E você não quer vê-lo como um homem vulnerável. Seu irmão é um homem poderoso e muito rico. e l e p r e c i s a v a d e m i m t a n t o q u a n t o e u precisava dele. Ele sempre soube oque se esperava dele e cumpriu sem reclamar.— Firme? — Intelectual e emocionalmente.— I s s o n ã o s i g n i f i c a q u e e l e n ã o s e n t i s s e a d o r e a p e r d a . a não ser umcafezinho pela manhã.— Você acha? — perguntou Rou. Só depois de acabar o mestrado e o doutorado é que percebi que ele me ajudara por causa de suas irmãs.— De que maneira ele a ajudou?— C o m seus conselhos e sabedoria.— Sharif dizia a mesma coisa. Embora Sarq seja mais moderno que alguns países vizinhos. a b r i n d o portas.— Minha mãe era magra — interrompeu ela. Ele será encontrado. que seja criativa?— Depende da mulher. É bom vê-la comendo. ela precisa ser firme. Um pouquinho de comida a s u s t e n t a r i a p o r l o n g o tempo.A c o m i s s á r i a v o l t o u t r a z e n d o o c h á . Eladeve defender suas idéias diante de mim e minha família. apoiando meus projetos. o c a f é e u m a b a n d e j a c o m f ru t a s .. Sharif se tornou um amigo e um mentor durante os meus anos emCambridge . franzindo a testa.Jessica 116.— Desconfio que você não come o suficiente. Ela me ajudou a pagar meus estudos. R o u p e g o u uma uva e um pequeno cubo de queijo e sel e m b r o u d e q u e não ingerira nada desde a noite anterior. herdei ometabolismo dela em vez do lindo rosto. — Ela sorriu ao fazer a piada. minha garganta se fecha e só consigo tomar chá... Nunca foi. Ele acabara de descrever uma mulher bemdiferente da que ela escolheria para ele. b i s c o i t o s e q u e i j o . mas Zayed não a imitou. mas tambémé m u i t o b o n d o s o . que costuma ser assustadora.— Você não está falando do meu irmão.— Você conhecia bem meu irmão?— A c h o q u e v o c ê s a b e q u e g a n h e i a b o l s a d e e s t u d o s F e h r .— Não. Ah.. Invencível. A inteligência estava no primeiro. e . o u d e u m a b e l e z a e s t o n t e a n t e q u e p u d e s s e e x i b i r .— É por isso que é tão devotada a Sharif? Ela corou.— Se é nisso que acredita.Rou segurou a caneta no ar. Não quero uma mulher subserviente. voltará a Sarq ereassumirá o governo.Rou o observou com curiosidade. quando podia. — Ela percebeu que ele a olhava com ceticismo.

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provas. mas não posso ser solteiro. Alguém que contribua com o meu povo. mas se deseja uma mulher que seja sua companheira é diferente.— Por que não?— V o c ê c o n h e c e a r e s p o s t a . acharia a vida de rainha do deserto atraente. É preciso tempo para cortejar. Pretende ficar ali permanentemente...— As duas serão a mesma pessoa. q u e n ã o t i v e s s e escolha.— Então.— Eu o farei depois da cerimônia. Preciso saber q u a i s s ã o o s d i r e i t o s p ol í t i c o s e s o c i a i s d a s m u l h e r e s . mas não fez comentários.— Devo ser franca. H á a n o s q u e v o c ê s a i c o m m u l h e r e s ocidentais. bem-sucedidas. Rounotou que ele não dissera "amar".— E sua esposa? Ele a olhou como se ela estivesse louca. uma de suas prioridades. Ainda.Rou cobriu os olhos com as mãos. — A lei de Sarq exige a presença do rei.?R o u s a b i a q u e a r e s p o s t a e r a n ã o . Ficarão isolados. q u e a c e i t e u m c a s a m e n t o d e c o n v e n i ê n c i a e q u e s e b e n e f i c i e d a minha posição e riqueza. ou pretende morar na sua casa em Monte Cario?— Como rei. Isto éalgo que Sharif tem tentado mudar. uma vez que viemos de culturas diferentes. a s s i m c o m o a t i t u d e s . e você não tem. É para isso que existe o namoro. o que ela pode esperar. ou porque o noivo tem a obrigação decasar. Preciso assumir o trono. A s mu l h e r e s t ê m o s mesmo direitos que os homens em Sarq? Existem leis que as protejam?—As mulheres não têm os mesmos direitos que os homens. — As mulheres ocidentais não aceitarão. Faça com que ela saiba que terá este tempo. claro. Seria impossível. mas Sarq fica no meio do nada. devo morar junto do meu povo. inteligentes. Para a maioria das mulheres seria umaperspectiva terrível. . casar às pressas e ficar em Sarq durante os próximos 20 e tantos anos. e. Se quer uma mulher que se case com vocêpara que possa assumir o trono é uma coisa. será que elenão percebia? Mulheres maravilhosas. confiantese fortes não correm para o Oriente Médio e se c a s a m c o m u m s h e i k . m a s e s t á f a l a n d o d e u m c a s a m e n t o d e conveniência. Com certeza. é melhor escolher uma mulher da sua própria cultura. se sua esposa.. ignorando-o.. amadas e respeitadas.— Irá morar comigo.— É p r e c i s o t e m p o p a r a q u e e l a a c r e d i t e n i s s o . Elas se casam porque são desejadas. para que o homem mostre à mulhercomo será tratada . não cumprissea lei?— Eu a protegeria. N e n h u m a m u l h e r q u e c o n h e c i a e representava iria querer viajar de repente.— Desculpe.S e i q u e n ã o é o q u e q u e r o u v i r .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter esposa e casar? Por que não esperar que ele volte?— Não posso — ele disse frustrado.. sheik Fehr. Só uma m u l h e r d e s e s p e r a d a .Jessica 116. se for assim.— . o que aconteceria se uma mulher.— Não.— Depois da cerimônia? — Ela o olhou severamente. enterrando-se no deserto. franzindo a testa. Elas não se casam por dever. . — Uma últimapergunta delicada. Q u e poderia aceitar a ideia de um casamento arranjado — e l a continuou. exausta.. Projeto Revisoras22 .— Vou respeitar e honrar minha mulher — ele disse. Preciso de uma esposa e desejo que ocasamento dê certo. você tem alguém que se sujeite a um curton o i v a d o .

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crianças felizes. e simamaldiçoada. masseria suficiente? Se eles não se amassem. — Posso Projeto Revisoras23 .— Ótimo.— E acha que não quero? — ele interrompeu. e se voltara paraos prazeres do mundo. o povo que poderia sofrer por causa de sua maldição. Porém estivera enganado. talvez o casamento escapasse da desgraça.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você o faria? — Rou se inclinou para ele. Ninguém jamais compreendera. Apesar de não ser o mais v e l h o . Só que não havia prazer quando se era amaldiçoado.a s s i m c o m o a c e i t a r a s u a s o r t e . mas era evidente que o ofendera e queria se desculpar. Ele f o r a a m a l d i ç o a d o e . — Conseguiria de fato?— Duvida da minha palavra?— Não duvido da sua palavra. sorrindo. f i l h o s a m a d o s do deserto.— Não é isso. Este assunto está encerrado.. — Ele se levantou e desapareceun o f u n d o d o a v i ã o . a b a n d o n a r a o d e s e r t o e a família. amaldiçoado. p o r t a n t o . Mais15 minutos e ela voltou para retirar a bandeja. Só quero o que seja melhor para sua futuraesposa. Era óbvio que o destino o favorecera e que ele viveria uma vida aben-çoada. era diferente.A comissária de bordo apareceu depois de 15 minutos e trouxe mais chá.. Capítulo Quatro Rou OLHOU a porta fechada da cabine. ansiosa. e l e sempre fora o favorito do pai e nunca se perguntara por que. ansiosa.Zayed sentou na beirada da cama e afundou o rosto nas mãos. p rí n c i p e s á r a b e s . Raramenteperdia o controle e se odiou por tê-lo perdido agora. apenas aceitara. Sua vida não fora abençoada. Ele conseguiria proteger sua esposa? Tentaria com todas as suas forças. mas era o que esperava.— Vamos aterrissar dentro de 50 minutos — ela disse. Ele não sabia. Houve um tempo em que ele e oi r m ã o e r a m i g u a i s : e d u c a d o s d a m e s m a m a n e i r a . Não sabia o que dissera paraaborrecer Zayed — algo sobre proteger a esposa —. quase com violência. assustada com a cólera em sua voz. o n d e havia uma cabine que era um quarto confortável. Tinham muito a fazer e a tensão não ajudaria. Ela jamais entenderia.. m a s a s p e r g u n t a s d e Rou. Ele não era comoo resto da família.. o f a t o d e e s t a r d e s t i n a d o à g r a n d e z a e a o sucesso.Rou olhou para ele em silêncio.Jessica 116.

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— Você não fez nada de errado — respondeu ele sem entonação. mas não havia comof u g i r . o coração de Rou se apertou. R o u o l h o u p e l a j a n e l a e a p r e c i o u a c i d a d e q u e cintilava sob o sol. ele apareceu e sentoudiante dela com uma expressão impenetrável. Fora uma péssima ideia vir com ele. quando Zayed se virou para ela e a fitou com os olhos dourados. você gosta dele e quer que ele goste de você. em parte. A maioria dos edifícios parecia nova. introspectivo.— Faço um monte de perguntas. que n ã o d e v e r i a e n c o r a j a r q u a l q u e r c l i m a d e i n t i m i d a d e e n t r e o s d o i s . Zayed explicou que a famíliaFehr não costumava utilizar aquele aeroporto porque tinha uma pista de pouso particular. E l e e r a g r a n d e . Por que eu gostaria dele? Porém. constrangida.r e s p o n d e u u m a voz dentro dela. R o u perdeu o fôlego ao descer do avião no fim da tarde. l o n g a s p e r n a s e p a r e c i a ocuparmuito espaço.A ida para o palácio no carro blindado foi feita em pesado silêncio. mordendo o lábio. m a s preocupava-se com ele mesmo sem querer. Rou tinha a sensação de estar sentada muito perto de Zayed. Seria conveniente e necessário se manter a distância. Z a y e d s e vi r o u p a r a a j a n e l a e e l a f e z o m e s m o . Rou nãoficou sossegada. ti n h a o m b r o s l a r g o s .— Prefiro a honestidade.— Esta é Isi — ele disse. Rou deu um suspiro pesado.— São os meus arquivos e o meu notebook. O calor subia em ondas dapista de pouso. — A capital de Sarq. Não sefalaram mais até o avião aterrissar no a e r o p o r t o d a F o r ç a A é r e a d e S a r q . ele indicou a valise que ela carregava. Ridículo! Ele é superficial. mas que. egoísta efalso.Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter servir mais alguma coisa?Rou agradeceu e abanou a cabeça. Vou recebê-la de volta assim que for possível?— Prometo — disse ele. m a i s s e u coração acelerava. Estavam em final de outubro. o avião fora escoltadopor naves militares por questão de segurança: o país não poderia perder dois r e i s e m 1 5 d i a s .pensou.— Está bem. Ela disse a si mesma que deveria ficar contente. Quando pisaram no solo. Quando ela pensava que Zayed não voltaria mais e o piloto já anunciara que iriam aterrissar. mas ainda não se sentia apaziguada. indicando a cidade. Preciso deles.— Alguém levará esta mala para você. Rou olhoupara a mão que ele lhe estendia e depois para o rosto dele. ela deu um suspirode medo e ficou tonta. rude.— Na verdade está mais fresco do que há algumas semanas.. As ruas eram cercadasp o r p a l m e i r a s e e n f e i t a d a s p o r f o n te s . A c a r a v a n a d e l i mu s i n e s M e r c e d e s e n t r o u n u m a l o n g a alameda cercada por muros cobertos de buganvílias e refrescada pela sombra . Quanto mais consciente ficava da p r e s e n ç a d e l e ..— Desculpe — ela disse. H a v i a m u i t a s m u l h e r e s v e s t i d a s à m a n e i r a o c i d e n t a l . Por que ela ficava daquele jeito perto dele? Por que não o tratava como um homem qualquer? Por que se sentia desajeitada. Ele ainda estavadistante.— Costumo ser muito franca.— É o seu trabalho. entregando a valise para um dos guardas. U m f o r t e e s q u e m a d e p r o t e ç ã o o s a g u a r d a v a n o s o l o .G r a t a p e l a d i s t r a ç ã o . Certo. —A segurança deverá checar todas as bagagens antes de entrar no palácio. mas a temperatura beirava os 33° e sua roupa cinza de lã a sufocava. Ela pegou-lhe a mão e desceu as escadas com dificuldade.— Está quente — ela murmurou. sem graça eentorpecida? Porque. depois do acidente de Sharif.

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Os dois caminharam em meio ao silêncio e entraram na fresca mansão. O carro aguardou enquanto um alto portão de ferro e madeira abria lentamente. — E l a p ô s a m ã o n o b r a ç o d e l e i mp u l s i v a m e n t e . muito espaço e acesso para um pequeno jardim. Embaraçada e constrangida. separados por degraus de p e d r a e a r c o s . jamais vira algum tão lindo e exótico como aquele. Manar. N a d a d i s s o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter das palmeiras. Rou esperava que Zayeds e j u n t a s s e a s e u s h o m e n s . — Ele v i u a e xp r e s s ã o d e R o u e e s c l a r e c e u : — N ã o s e p r e o c u p e . — É incrível — . apenas do meu computador. Rou viu que em seu rosto haviaum misto de orgulho e de tristeza. cumprimentando o recém-chegado. falou num idioma que ela não conhecia e se voltou para ela. mas não preciso de nada. p o r é m .— Obrigada. Umsegurança abriu a porta do carro para que ele saísse.Rou sentiu uma estranha vontade de protegê-lo. mas quando ele olhou para sua mão. No centro da sala havia u m a mesa com um jarro de rosas perfumadas.— Seja bem-vinda — ela disse. Enquanto percorriam um caminho cercado. m a i s u m a v e z e l e s e v o l t o u p a r a e l a .— Queira me acompanhar.— N ã o . raramente se deixava entrever. surpresa por Zayed não ter entendido. e olhou para a mansão. ela retirou a mão. É muito gentil. As paredes internas eram brancas e o teto formava um mosaico azule dourado. Corredores cercados por colunas e decorados c o m p r e c i o s a s e s t á t u a s s e e s te n d i a m e m t o d a s a s d i r e ç õ e s . Acho que vou trabalhar. m a s u m apartamento com cômodos em diferentes níveis.Rou se deu conta de que cometera uma gafe.— Ele está aqui — disse Manar. n ã o c o s t u m a s e r usada e tem boa claridade. A entrada formadapor lindas colunas e por um domo dourado logo se encheu de homens vestidoscom túnicas brancas que se curvavam.— Este é o meu lar — admitiu ele. não é?— Ninguém diria pela maneira como me comporto. ela suspeitava. E l a . sevocê precisar de ar fresco. Projeto Revisoras25 . inclinando-se.— O palácio — disse Zayed em voz rouca.— Você é um príncipe.O q u a r t o e m q u e R o u f o i i n s t a l a d a n ã o e r a a p e n a s u m a s u í te . inclinando-se timidamente. Uma mulher estava parada sob um dos arcos. — Foi aqui que você cresceu?Ele sorriu pela primeira vez desde que recebera o telefonema em Viena. milady — ele disse. voltando-se para Zayed.— Uma das suítes da família foi preparada para você. Arranje-me uma mesa enquanto espero pelocomputador. q u e conhecera muitos palácios. Estou aqui para servi-la durante a sua estada. O s o l poente entrava pelas portas de vidro da sala de estarrebaixada e se refletia nas almofadas do sofá.Parecia algo das Mil e Uma Noites.— Preciso trabalhar. disse ela sem fôlego. O sorriso remetia ao menino que elefora e que.— Ótimo.Um dos homens vestido de branco deu um passo à frente.Jessica 116. — Meu nome éManar. ealgo fez o coração de Rou se confranger. E r a e s p e t a c u l a r . É isto que você quer dizer? — O sorriso havia desaparecido. e R o u . Provavelmente não se deveria tocar na família real. esperando-a.Zayed se virou para um de seus homens. Rou vislumbrouuma construção cor-de-rosa encimada por domos e torres. apontando-lhe uma mesa num canto quedava para o jardim.

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Rou viu que Manar aguardava uma resposta e resolveu dispensá-la. l e v a n t a n d o .. Entretanto. hesitante..f r u s t r a d a ..não por seus instintos. obrigada. ele a contratara por suas habilidades.— Parece que não há sobreviventes. — Rou se preparou para digitar as informações que colhera. — ela sussurrou. Se pelo menos houvesse tempo. Ainda sentia algo por ele..— Era o avião de Sharif — ele disse em voz baixa e rouca. O resultado lhe mostrou 30 combinações. Tudo se resumira aos destroços.Rou ficou irritada com sua obsessão por Zayed. Porém.— Não..Por que estava tão perturbada e se comportava de maneira tão incomum? Elajamais se deixara guiar pelas emoções porque elas são o principal inimigo daciência. mas seus dedos não obedeciam e ela não conseguia passar os dadosdos formulários para o notebook.— Preciso fazer o que é . mas ela não sabia o que poderia ser. pesquisa. Faça o que foi contratada para fazer. Digite logo o resto doperfil. E l a p e n s o u e m s e p e n t e a r e l a v a r o rosto. — R o u m o r d e u o l á b i o p a r a i m p e d i r q u e a s l á g r i m a s escorressem de seus olhos. H a v i a a l g o m a i s q u e o preocupava algo que o consumia. ele acabaria com a pequena porção t e r n a e sensível de seu coração. não por conveniência. Ela a p e n a s precisava se concentrar.— Ele parou de repente.Rou olhou para ele num horror silencioso. Pensamento. e pela primeira vez havia um desespero real em s u a v o z e em seu rosto.— Sinto muito — soluçou.a restos mortais. sentia-se sufocada por sentimentos intensos eperturbadores e a culpa era de Zayed Fehr..s e u s d e d o s n ã o o b e d e c i a m . a c a b e ç a n ã o f u n c i o n a v a . Ela fechou os olhos.Jessica 116. ela disse a si mesma. Parecia-lhe errado ajudar Zayed a encontraruma esposa daquela maneira.— Não. Intelectualmente esperta eemocionalmente estúpida. Seu instinto lhe dizia que ele precisava se casarpor amor. Pediram as f i c h a s dentárias. e l a p e r c e b e u o q u e d e v e r i a f a z e r : encontrar um par para ele e sair dali rapidamente porque Zayed era um perigo. lógica e razão são as bases de toda teoria científica.. Ele sentia muito? Ele se desculpava com ela? Rou corou entristecida..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Não deseja tomar banho ou trocar de roupa? — perguntou M a n a r .. — Posso imprimir os perfis e você poderá lê-los agora ou quando tiver tempo.S e e l a não tomasse cuidado.. tola Rou. Ela demorara mais do que o normal. D e r e p e n t e . queria que ele gostasse dela.— F o r a d e s i . — Será preciso fazer testes. para poder ir embora.Anoitecia quando Rou terminou sua tarefa. que ele era um homem com sentimentos maisprofundos do que demonstrava. Tola. — Sinto muito — disse ele roucamente. Ela estremeceu de dor. Pode recebê-lo agora?— C l a r o — d i s s e R o u .— A esposa dele. Estava ali para trabalhar.. prova. — Sinto muito por todos vocês. e v i u o b e l o r o s t o t o r t u r a d o d e Z a y e d . mas não teve tempo porque Zayed logo entrou na sala.. Rou sentou-se devagar. Seriamelhor trabalhar o mais depressa possível. quase irreconhecíveis. — Os corpos estão carbonizados. Ela começou a ler os perfis das candidatas.— Sua alteza deseja vê-la. mas agora o computador cruzaria os dados e lhe diria que candidatascombinavam com Zayed Fehr. clarear a cabeça e ser objetiva: t e o r i a .— Já selecionei as primeiras candidatas — disse Rou nervosamente. quando Manar apareceu. O corpo de Sharif.. Entretanto..

certo. Rou percebeu que ele vestia uma túnica Projeto Revisoras26 . — Ele caminhou a t é e l a e . a o e n t r a r na claridade. Farei o que é necessário.

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— Como se espera que você se case e se torne rei apenas dois dias após saber que seu irmão está morto?— Reis não são homens comuns. o n d e o s m a l a r e s s e salientavam. Eles se sacrificam pelo bem de seu país. E l a trabalhava sem pensar.Jessica 116. E preciso fazer a transição do modo mais s e r e n o possível. — Encontro-ano jantar e conversaremos. ele se virou para sair.— Talvez esteja — disse Rou. Mas ele lembrara e também mandara uma copiadora. Rou ficou de lado enquanto uma equipe montava um escritório completo para ela.. Q u a n d o f a l o u .— Sua impressora chegou — disse Manar em voz baixa.. s u a v o z e s t a v a embargada:— Pensei que ele sobreviveria. engolindo o nó na garganta.— Você é tão teimosa quanto eu — disse ele. S e v o c ê p u d e r i m p r i m i r o s p e r f i s . com tanta coisa com se preocupar. — Querovê-los. — Não temos muito tempo. assim comoa família de Sharif. uma mesa epapel para impressão. — Ele se calou. — Ele respirou fundo.. encontro com você depois. T e n h o u m a r e u n i ã o d e e m e r g ê n c i a c o m o ministério. Enquanto montavauma pasta com os perfis.. Rou esquecera aimpressora e achava que. A coroação será dentro de 48 horas..— A p ri n c í p i o m e a g a r r e i à e s p e r a n ç a . D e p o i s . — Ainda segurando à rosa. Era u m momento de tragédia.. com dificuldade. p o r v i a d a s d ú v i d a s . — Ele olhou para Rou. de transtorno. Rou ficou paralisada.— Até que se tenha prova.. Seus pensamentos eemoções se misturavam: Sharif.b a r b e a d o .. até que viu Manar entrar. m a i s d e z . Ela Projeto Revisoras27 . Ela nunca o vira com a veste tradicional de Sarq. sem sentir. Ela ficou sentada por muito tempo. Não parecia hora de celebrar. Zayed também esqueceria. — Tão rápido?— V o c ê p o d e m e e n c o n t r a r u m a r a i n h a e m 4 8 h o r a s ? P r e c i s o c a s a r . com um olhar penetrante.. quando as rosas chegaram. Eu..— Claro. Eu tinha certeza de que ele estava vivo. S h a r i f c r i o u u m j a r d i m e m homenagem a elas e. a qualquer momentoZ a y e d f i c o u c a l a d o . É o mínimo que posso fazer. O país inteiro estaria de luto.R o u sustentou o olhar de Zayed.— Está bem. A desilusão é muito grande.l o . ele plantou doze roseiraspessoalmente.R o u o l h o u p a r a o r o s t o m o r e n o r e c é m .— Ele pegou um botão de rosa do vaso no meio da sala. podemos conversar mais tarde. Ele se casara com ela e os doistinham três filhos. ela imprimiu as fichasd a s p r i m e i r a s d e z c a n d i d a t a s . — Estas rosas foram p l a n t a d a s d e p o i s q u e m i n h a s i r m ã s m o r r e r a m . A imprensa. Sarq.— V o u l h e m a n d a r u m a i mp r e s s o r a . — Tenho o dever de honrar meu irmão. D e v o s e r v i r m e u país. A g o r a n ã o p r e t e n d o f a z ê . Rou nada tinha a fazer até a hora do jantar. d e o l h o s v a z i o s . Por um momento. Quando tudo ficou pronto. Traga os perfis. com um olhar atormentado.— Não quer examiná-los agora?— P r e c i s o f a l a r c o m K h a l i d .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter branca .Zayed saiu. apenas para se ocupar. mas parou. lembrou-se de um milionário americano que recusara60 candidatas antes de se encantar com a 61ª.? Ele abanou a cabeça.. É necessário que haja uma cerimônia.A o a c a b a r s u a tarefa.. Zayed.

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Eu estava admirando os painéis. te n t a n d o p a r e c e r p r o f i s s i o n a l . — Seu coração batia acelerado. Quem você escolheria para mim?As mãos de Rou tremiam quando pegou a pasta. Ele a olhou com um ar aborrecido. Para ele. te n h o t r i n t a c a n d i d a t a s .Acima do candelabro. Ele examinou os formulários em silêncio. — Eu não sou você.— Não posso fazer isso.— E s t a s s ã o a s p r i me i r a s d e z c a n d i d a t a s — d i s s e .para disfarçar o nervosismo. preparando-se para lhe dar a segunda pasta. Vejo que existem algumas possibilidades. devolvendoa pasta. Ela já vira quase todos quando percebeu que Zayed a observava.Você não gosta do que eu gosto. Eram usados como divisórias nos haréns.impossível. tomou um longo banho e vestiu o costume cinza de novo.Rou se lembrou do e-mail que Zayed mandara para Sharif. o que era ridículo. Apenas alguns minutos. d e s e j a s s e q u e p e l o m e n o s u m a v e z alguém a achasse bonita.— Você quer que eu escolha?— Três mulheres que seriam perfeitas para mim. — A o t o d o . mas não estava.— Você esperou muito tempo?— Não. Rou era apenas um o b j e t o .— Ótimo. A me s a b a i x a estava cercada por grandes almofadas e as paredes eram cobertas por painéisentalhados.Rou sentou numa almofada de seda e corou quando a saia subiu até as coxas. — Ele entrou na sala com sua discreta elegância.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dormiu um pouco. u m i n s t r u m e n t o ú t i l . dê-me a sua opinião de especialista — pediu ele.A luz das velas. mas desejava que ele não gostasse denenhuma daquelas mulheres. mas Zayed nãose importaria. N ã o costumava se pintar e raramente usava jóias. onde zombava Projeto Revisoras28 .— Mostre-me o que conseguiu. m a s t r o u x e v i n te p e r f i s separados em dois grupos de dez. apreciando os p a i n é i s q u e reproduziam flores e pássaros.— N ã o a d m i r a q u e s e j a m t ã o l i n d o s — d i s s e e l a despreocupadamente.Não gostava do que fazia: era absurdo. R o u s e c o u o s c a b e l o s e f e z u m c o q u e .Ele olhou para um deles. n o f u n d o . e mb o r a .— Não ouvi você chegar.— Isto é algo que você não sabe. Trouxera apenas uma pequena mala e não tinha muita opção. São marroquinos e datam do século XVI. Não temos os mesmos valores e gosto. Manar saiu e Rou vagou pela sala. Ela tentou esconder as pernas. parado na porta. o teto formava uma abóbada azul-escura incrustadad e dourado. — Escolha as três melhores deste grupo. Rou pegou as pastas com os formulários e a seguiu através dos corredores atée n t r a r e m n u m a p e q u e n a s a l a d e j a n t a r i l u mi n a d a p o r v e l a s . — Lindas m u l h e r e s d e v e m e s t a r c e r c a d a s d e coisas bonitas.Manar apareceu pontualmente às 9h e pediu que Rou a acompanhasse.Zayed sentou numa das almofadas diante da mesa e acenou para que elase sentasse ao seu lado. o cabelo dele brilhava como ônix e sua pele parecia dourada. Queria que ele gostasse dela.— Nada.— Também gosto dos painéis. Orgulhava-se de ser uma mulhers e n s a t a e p r á t i c a . — Ela tentou parecer contente e entusiasmada.— Por favor.Jessica 116. — Ela entregou a primeira pasta a Zayed.— Nada? — perguntou. abrindo o portfólio. Ele não notava o que ela vestia.

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Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dela, chamava-a de maçante.— A h , m a s e u s e i — r e s p o n d e u e l a . A d o r a r a a c o m p a n h i a d e l e , e e l e simplesmente ficara entediado. Zayed suspirou frustrado.— Não estou à procura de uma relação amorosa, apenas de compatibilidade.— Ótimo. — Ela corou, folheou a pasta e escolheu Jeanette Gardnier, umalinda canadense, professora de Direito; Sarah 0'Leary, uma jornalista ruiva deDublin; Giselle Sanchez, uma loura proprietária de um banco em Buenos Aires.— Eis aqui três mulheres brilhantes, independentes e bem-sucedidas. Elas sãoo máximo. Todas muito bonitas.Zayed não pegou os formulários, apenas a fitou fixamente.— Por que estas mulheres?Rou odiou que seus olhos queimassem e a garganta se fechasse. Odiava aquela viagem que tumultuara suas emoções.— Elas correspondem ao que você pediu.— Você está aborrecida — ele disse, levantando uma sobrancelha.— Não estou aborrecida.— Então, por que não me olha de frente?— Não preciso olhar para você.— Você está quase chorando — ele disse surpreso.— Por favor. — Rou virou a cabeça para o outro lado, mordeu o lábio e ses e n ti u t r a í d a p o r s u a s e m o ç õ e s e p o r s u a f r a q u e z a . E l a e r a u m a c i e n t i s t a . Esperava-se que fosse objetiva e dedicada ao seu ofício. Zayed se inclinou e passou o dedo debaixo do olho dela, colhendo uma lágrima.— Você está chorando.— Não estou. — Rou sentia o coração apertado e a pressão das lágrimas que tentava conter. Ela não deveria ter vindo não deveria ter concordado comaquela proposta absurda. Nenhum homem a atingia, exceto Zayed Fehr. Ele lhe mostrou o dedo úmido.— Então, o que é isto?— É uma lágrima.— Por quê?— Por quê? — ela perguntou em voz aguda. — Porque estou triste. Eu souuma mulher, tenho sentimentos. Você pode achar que sou um museu ou umrobô, mas não sou e nunca fui. — Ela sacudiu a cabeça, descontrolada. Comopoderia trabalhar daquela maneira? Como poderia pensar? Ela só podia seruma cientista racional, fria e lógica se estivesse num ambiente que possuísse e s t a s c a r a c t e r í s t i c a s , m a s n ã o e s t a v a . Desde que Zayed aparecera em seuh o t e l e m V a n c o u v e r , e l a s e s e n t i a e m p u r r a d a e p u x a d a , d e s p e d a ç a d a e estressada. Era loucura, e ela nunca se sentira tão estúpida.— Eu nunca disse nada que sugerisse que você é um robô.— Não. Você só acha que sou como um museu: maçante, maçante! — Aspalavras caíram no silêncio. Zayed fechou os olhos e falou, depois de algum tempo:— Você sabia?Rou corou arrependida por ter explodido.— Sharif não pretendia que eu descobrisse. Eu preferia não saber.— É por isso que você me odeia tanto.— Acho que você pensou que estava sendo engraçado, mas issomagoou...Ele a interrompeu, beijando-a. Rou enrijeceu o corpo, espantada, e tentoue mp u r r á - l o p e l o s o m b r o s , m a s o c o r p o d e l e e s t a v a m o r n o e firme sob suas Projeto Revisoras29

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter mãos . Ela sentiu as batidas do coração de Zayed e o perfume de sua pele. Asmãos que antes o empurravam se agarraram à roupa dele. O beijo de Zayed fora gentil até aquele momento, mas, sentindo que ela cedia, ele a beijou commais ardor, tirando-lhe o fôlego.Rou já fora beijada, mas nunca daquela maneira, não com tamanho ardorou ânsia, desejo ou raiva. Sua cabeça começou a girar e ela perdeu o senso: abriu os lábios e ele explorou sua boca lentamente com a língua, saboreando-ae enviando ondas de entorpecente calor através de seu corpo. Aquilo tinha deparar, ela pensou, atordoada, ela precisava detê-lo, mas seu corpo se recusavaa obedecer. Sentia sensações maravilhosas e estranhas demais, a começarpelas pernas bambas e pelo langor dos músculos. Seu coração parecia bater mais devagar, seguindo o ritmo dos arrepios que lhe percorriam a espinha e oventre, deixando-a enlouquecida e dolorosamente consciente do quantoestivera vazia.A c h e g a d a d o m o r d o m o d o p a l á c i o o s interrompeu. Rou não o ouvirac h e g a r , m a s Z a y e d s i m , e e l e t e r m i n o u o b e i j o e s e a f a s t o u c o m i n c r í v e l rapidez. Enquanto o mordomo falava com Zayed em voz baixa, Rou oscilou emc i m a d a almofada, sem conseguir se controlar. Ela ouviu Zayed fazer u m a pergunta, mas não entendeu a conversa. Quando o mordomo saiu, Zayed se virou para ela.— Preciso ir — disse ele abruptamente. Rou se esforçou para fitá-lo.— Tudo bem.Zayed se inclinou para ela, tocou-lhe o rosto e franziu a testa.— Minha mãe teve um colapso. Foi levada para o hospital. Rou pestanejou,voltando ao normal pouco a pouco, exceto pelo coração que batiarapidamente.— Ela vai ficar bem?— Tenho certeza de que sim. Foi apenas o choque ao receber a notícia sobre o avião de Sharif.— Claro. — Ela esperou que ele saísse, mas Zayed não se

mexeu.

Ficousentado, pensativo, olhando o rosto corado de Rou e

escolhendo as palavras com cuidado.— Aquele e-mail... O que escrevi... Não se dirigia a você.— Eu sei. — Ela sabia, mas não significava que magoasse menos.— Não tive a intenção de magoá-la.Rou sentiu uma dor no peito. Não queria as desculpas de Zayed, queria apenas que as coisas fossem diferentes: queria ser mais bonita, mais animadae a t r a e n t e . Ela tentou falar, mas não conseguiu. Gostara dele, pensara s e r retribuída, tivera fantasias românticas e absurdas, mas já haviam se passadotrês anos. Era muito tempo, não importava mais.— Isso é passado, já esqueci.— Acho que precisamos conversar sobre esse assunto, mas não agora...— Não quero falar sobre isso, você deve ir. Sua mãe precisa de você etenho muito trabalho a fazer. — Rou se levantou da almofada, sentindo-sedesajeitada. — Vou voltar para o meu quarto e entrar em contato com as três candidatas que selecionei. Vou marcar um encontro com cada uma.Ele levantou com agilidade, elegância e imponência.— Irei vê-la assim que voltar do hospital.— Não é necessário. Você tem muitas preocupações e tenho trabalho a fazer. Não estou aqui a passeio.— V o u p e d i r q u e m a n d e m o j a n t a r p a r a s e u q u a r t o . — E l e n ã o p a r e c i a contente. Projeto Revisoras30

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.tentando esquecer o beijo. Zayed sabia que provavelmente fora sarcástico ougrosseiro. Zayed Projeto Revisoras31 . Rou o observou ir embora. Sabia que ele a rejeitara e. apesar de não se lembrardas palavras que usara. a esposa que precisava encontrar — a mãe declarara que poderia lhe arranjar uma esposa para o dia seguinte. Se pelo menos conseguisse quebrar amaldição. horas rápidas. Zayed se recostou no banco. Agora. O beijo osurpreendera. nãoteria descoberto que a imagem de cientista fria era apenas uma máscara. m a s e l a também não era como imaginara. e a Rou. mas aquele beijo. a estranha sensação. amantes passageiras. Deus não o deixara morrer e não o deixaria viver. Sua mãe estava bem e seu colapso fora causado por necessidade de atenção. não quisera beijá-la. Zayed se agitou no assento.A g o r a e l e p o d e r i a s e d e d i c a r a o u t r o s p r o b l e m a s .. Tentaria reparar seus erros. Rou.. c o m o a c e r i m ô n i a d e coroação.Ele lhe dissera que iria vê-la quando voltasse. Fora quente. Queria apenas cavar um buraco entre Sharif e sua estranha protegida. salvar o que restara de sua família. A sensação não era novidade. N a d a d o q u e e l e i m a g i n a r a . Apenas vá. explosivo. Suavida era uma série de prazeres cansativos — carros velozes. Ele se encolheu na penumbra do carro..Zayed fechou os olhos. voltara a Sarq e ocuparia o lugar do irmão. Ela sabia sobre o e-mail para Sharif depoisdo casamento de Pippa.Zayed olhou para ela por algum tempo e saiu. a culpa era insuportável e ele tentara se autodestruir durante os últimos15 anos. Dez minutos depois.la. experimentava cada vício enada o satisfazia. Sharif esuas causas perdidas.Jessica 116. Aloura e esbelta Dra. a limusineatravessou o portão do palácio. Se não a houvesse beijado. envergonhado.. e ele gostara de beijá-la. O que o levara a beijar Rou Tornell? Ele não a achavaparticularmente atraente. Capítulo Cinco E NQUANTO A limusine se afastava do hospital. Ela pegou suas anotações e voltou para o quarto. Precisava ver Rou. em seus lábios e o sangueque parecia ferver em suas veias. mas falhara.. Ele convivia com a desonra: provocara a própria maldição devido a seus atos. Emgeral. Tornell era uma mulher. se necessário —. se pudesse. Ele satisfazia cada capricho.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Sou a última pessoa com quem você deve se preocupar. Não pretendera ofendê.

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— Rou. Ele asacudiu com cuidado. Ele jamais se a p r o v e i t a r a d e u m a m u l h e r f r a g i l i z a d a . com a cabeça sobre os papéis e a mão apoiadan o t e c l a d o d o laptop. — Ela sempre foi assim.Ele ergueu a sobrancelha.— Já esqueci.— Esta noite foi a primeira vez que a vi em anos..— Olá.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter entrou no palácio e foi direto para a suíte de Rou. Zayed se aproximou. Ela ainda usava o h o r r o r o s o costume cinza. recordando.— Eu não a chamaria de delicada. P o r q u e a beijara? Confuso.— Por quê?— E l a é c o n t r o l a d o r a .— Dra.Zayed sentiu uma pontada no peito.— Não é uma máscara. m a n i p u l a d o r a .— O beijo nada significou? Projeto Revisoras32 . O mínimo que poderia f a z e r e r a mandá-la para a cama. acorde. E quem eu sou e o que faço.Jessica 116. Zayed observou o rosto lavado. Sua pele era macia e morna. — Ele deu de ombros. diria que é um homem bom. Zayed sentou na ponta da mesa. Está na hora de você ir para a cama. os lábiosficavam relaxados e cheios e ela parecia tremendamente frágil . mas a m e s a s e a c h a v a c o b e r t a d e p r a t o s e travessas que não haviam sido tocadas.. você se esconde atrás da máscara de cientista.E l a estava ali porque ele lhe pedira ajuda.— Ainda bem. d e m u l h e r a l g u m a . Tornell. Informal e tipicamente ocidental. Zayed tocou-lhe levemente no braço. mas se sentiu culpado. os lábios cheios e as longas p e s t a n a s espessas e escuras. — Ela não se mexeu.— Já passa da meia-noite.— Fácil assim? — ele perguntou. Ao dormir. — Ela levantou a cabeça com dificuldade e olhoupara ele.— Ah. Ela nada comera? Ele se virou para sair e a viu dormindo sentada. a l i á s . Ela deu de ombros.— Ainda bem que você me conhece.— Você não se dá bem com ela? — Rou franziu a testa. exausta. Sem pensar. acariciou-lhe o rosto. tão diferente do que ele pensava deR o u . o rosto de Rou se suavizava. Olá. Jurei que jamais deixaria que acontecesse comigo.— Como está sua mãe?— Insegura. ele pensou em deixá-la como estava. Rou torceu os lábios. V i c o m o e l a t r a t a v a S h a r i f e s u a família. a sala estava vazia. As luzes permaneciamacesas.— Eu separo as coisas.— Sinto muito por hoje cedo.— Mas você foi vê-la esta noite?— Ela é minha mãe — ele disse com um grunhido. Rou se empertigou de repente.— Se eu não o conhecesse.Rou bocejou e afastou um cacho de cabelos do rosto ainda marcado de sono. mas os cabelos estavam soltos e caíam em ondas douradas eprateadas sobre os ombros.— O beijo ou o e-mail?— Os dois. Você precisa se deitar.— Isso não é algo delicado de se dizer. Zayed deu um sorriso. histérica.

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a l g o controlado pelo cérebro que libera hormônios e neurotransmissores.— Mas foi ótimo.— Estamos no meio de uma crise. corajosa.. Não sou seu tipo e jamais serei.Jessica 116. — Estou aqui para ajudá-lo a encontrar uma esposa — ela acrescentou. Ele sabia que Rou Tornell era o o p o s t o d a imagem que projetava. suas cores voltariam e aquela boca suave incharia por causa dos beijos. Ele parara de ouvir assim que e l a m e n c i o n a r a o i m p u l s o s e x u a l . m a s l h e c a í a bem. Rou levantou da cadeira. sheik Fehr! — Se ela esperavadetê-lo com sua voz gélida e com o comentário seco. os cabelos se espalhando sobre osombros e a respiração descompassada. é também habilidade. e Z a y e d c o m e ç o u a f a n t a s i a r s o b r e o q u e f a r i a c o m pernas como aquelas. T a m b é m e r a m o r d a z .— Não sou uma das suas três pretendentes.— Leis da atração?— E s te é o m e u c a m p o d e p e s q u i s a .Coragem. mas isso nãoquer dizer que a atração ou a compatibilidade sejam verdadeiras. p o r q u e p e n s a r a e m c o m o e l a p a r e c i a precisar desesperadamente de sexo bem-feito. mas não a mulher certa para você. sim. É isto que interessa sheik Fehr: compatibilidade. — A ciência e a química do a m o r ..— Sim — ela concordou sem se abalar.— Você sabe um bocado sobre meu cérebro.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Absolutamente nada — respondeu ela com firmeza. Tornell o lado do amor que ela desconhecia: olado físico.l a m a i s a s é r i o ? — e l e c o m p l e t o u .— Talvez devesse ser — respondeu ele brandamente. em particular o sexual. Zayed riu de mansinho. sinergia. afetada.Zayed deu um sorriso zombeteiro. Rou corou vivamente. sou uma mulher.. porém não ouvia mais. São apenas as leis da atração.— Passei as últimas três horas escutando as lamentações de minha mãe. percorrendo-lhe o corpo com o olhare se detendo nas pernas.— Os homens são dados a impulsos. paixão e fogo. E l a e r a p r o v o c a n t e e d i v e r t i d a .enquanto ele continuava a observá-la. S e m p e n s a r . Era disso que ela precisava.— Você acha que meu cérebro não a acha atraente?— Acho. — Estamosestressados. casamento. pensou ele. o olharmais suave.Zayed concordou. Acabou: é passado. Rou se afastou. — E l a colocou o cabelo atrás daorelha. Sem os sapatos de saltos altos as pernas ficavam a i n d a m a i s t o r n e a d a s . e você é uma mulher. Imaginou há quanto tempo elanão dormia com alguém. teriao maior prazer em ensinar à Dra.— Não. fazia com que se tornasse viva. f e mi n i n a e d e c i d i d a . É u m i m p u l s o i n c o n s c i e n t e . sorrindo. a n i m a d a .. Se ele não estivesse preso à necessidade de arranjar uma esposa.— E e u d e ve r i a l e v á . mas também sou homem. Cometemos um erro. O amor não é apenas uma lição de ciência. e l e acariciou cada traço do rosto dela com o dedo. Ele a beijaria atrás do lindo joelho e ela estremeceria c o m o a maioria das mulheres. paciência e desejo. enganava-se. Irritada. p e n s a n d o q u e gostava mais da Rou Tornell que se escondia sob a máscara.— Eu não saberia dizer — ela respondeu. — Não?— Quer dizer. seria outra: seu porte seria diferente.Estou muito ciente da crise. Depois de algumas horasna cama e de alguns orgasmos. ela era a r d e n t e . apaixonada. — Concorda? Nossa relação Projeto Revisoras33 .a p e s a r d o d i a c a n s a t i v o .

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A questão é que e l a a i n d a e s t a v a e x c i t a d a emocional e fisicamente. Rou prendeuos cabelos num rabo de cavalo. Sentou-sen o s o f á e c o n s u l t o u s e u s e . Elasempre fora acusada de ser muito racional.. com a cabeça doendo. q u e a f i z e r a d e s e j a r i r a d i a n t e . colorindo o céu de vermelho. — De perto. A revelação fora fantástica. não c o n s e g u i u . Tudo com ele era diferente.— E n t r e — d i s s e e l a . m i n h a tensa. nada posso fazer. convencional e fingida? C o m o e l e e r a grosseiro..E l e d e u u m ú l t i m o s o r r i s o e s a i u .— Infelizmente. é um desafio. Tornell. Nada me faz esquecer.m a i l s p a r a v e r s e r e c e b e r a a l g u m a r e s p o s t a . Ele era terrível. Com elenão se sentia frígida. mas talvez suas emoções e desejosfossem controlados pelo medo.. Nenhuma das três candidatas respondera e. O problema era o beijo de Zayed. Sentindos e culpada. alguém que já o conhecesse. queria. no momento em que partisse. Cambaleou até a sala e apreciou o sol que se levantava.uma amiga da família. demandas e desejos. R o u c a m b a l e o u a t é o sofá e deitou. arrogante e. — Não espero que faça seu papel deanfitriã enquanto estou aqui. colocou os óculos e pegou o laptop. Desculpe. porque. uma prima distante. convencional e fingida Dra. embora gostasse de se sentir viva. mas admitiu que o e s f o r ç o s e r i a inútil. nem mesmo as crianças. t a l v e z . — Ele precisa voltar. s e n s a c i o n a l . usando um vestido simples. seu corpo ganharavida.Você tem muito a fazer. D e u s . beijos e insinuações. R o u n ã o a p r e c i a v a o s e x o . Jamais experimentara um beijo como aquele ardentee p r o f u n d o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter será estritamente profissional. Rou se preparava para consultar aficha de Zayed quando bateram na porta. perdida. ainda m a i s q u a n d o e s t á z a n g a d a . Seria impossível arranjar uma noiva para Zayed nas próximas 36 horas. asolheiras e a palidez no rosto da rainha. para seu espanto. Ela a c o r d o u antes das oito. Deveria existir alguém mais próximo. O s h o m e n s g o s t a m d e d e s a f i o s .. Tensa. precisava. Eu não deveria me intrometer numa hora dessas. Rou notou a fadiga. m a s . Tentou ler. arrogante! Não conseguiria encontrar uma mulher para ele. sabiaque. com Zayed. manifestara suas necessidades. Sensual. . sem saberse deveria se inclinar ou cumprimentá-la. mas apavorante. t o r c e n d o p a r a q u e f o s s e M a n a r t r a z e n d o c a f é e biscoitos.— Eu me enganei quanto a você. ficou aliviada.Q u a n d o Rou conseguiu dormir já passava das três horas.agarrando uma almofada.— Rainha Fehr! — Rou correu para receber a esposa de Sharif.Jesslyn parecia atordoada.Jessica 116.Nenhuma mulher sensata entraria no avião e iria até ali para conversar comele durante apenas uma hora e concordar com o casamento. a reação de seu próprio corpo e a expectativa de c o m o s e r i a f a z e r a m o r c o m e l e .. jamais teria aquela sensação outra vez. Meu nome é Jesslyn Fehr.— Não fui uma boa anfitriã com você. desejava e ansiava. e v o c ê .. Ela tentou esquecer o beijo. Ainda de pijama. Nada de carícias. Quando Zayed a beijara. E muito interessante e atraente. S e r i a ó t i m o . apareceu entre as colunas.Nenhuma mulher decente o aceitaria. A q u i l o n ã o e s t a v a certo: viera fazer um trabalho e falhara. Eu deveria ter vindo maiscedo para lhe dar as boas-vindas. talvez uma ex-namorada. apenas sentia. pensou em reenviar os convites. agitada e insone. Uma linda morena. e l a precisava sair dali!R o u rolou na cama. Ela parou e sorriu docemente. ela sabia que seria diferente. Está difícil me manter ocupada.

— Desculpe se não estou vestida. — Rou indicou o sofá.— Sentese. Eu estava gostando de trabalhar de pijama.Não posso viver sem ele — disse tentando sorrir. Projeto Revisoras34 . sem sucesso.

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Pretendo fazêlo mais tarde. Estes aposentos raramente são usados. Jesslyn olhou ao redor.— Você sabe.— Você já foi lá fora. Imediatamente apareceu uma jovem. quanto mais Zayed!— Talvez seja melhor você vestir outra roupa. estava barbeado e exalava sofisticação e elegância. Jamila e Aman. humilde.— Ainda não tive chance de vestilo — ela disse. corrigindo provas. minha esperança. — Faz tempo quenão venho aqui.M e n t a e M a n a r e n t r a r a m c o m b a n d e j a s c o m c a f é . na véspera da morte de Aman. Nós nos conhecemos na escola e depois dividimos umapartamento.— De quem?— Das meninas — revelou Josslyn com uma cara triste.— T a m b é m n ã o t o m e i c a f é d a m a n h ã . poderia trazer café para dois? Se houver alguns doces.Jesslyn era bonita. As duas tomaram café. aqui era o quarto delas — disse a rainha com ar distante.— Sim. Ele era um mentor maravilhoso. Não saberia viver sem ele. — Depois que a moça saiu. passava os fins de semana de pijama. verdadeira e realista.Rou ficou espantada. Talvez ele estivesse certo. meu coração. — Ela piscou várias vezes e fitou Rou. Talvez algo de bom resulte de tudo isso.— É uma suíte muito bonita. Projeto Revisoras35 . Estávamos todos de férias na Grécia quando o acidente ocorreu. envergonhada. no hospital.— Ela mordeu os lábios.— Claro que não me importo.Zayed chegou meia hora depois e as cumprimentou. traga-ostambém. — Quando eu era professora. Fiquei aqui quando cheguei ao palácio. Rou se sentiu desleixada. Você já tomou café? Comeu alguma coisa?— Estou bem.Rou também engoliu as lágrimas.— Você era amiga delas? — A melhor amiga. muito bom e generoso.J e s s l y n s e i n c l i n o u e a p e r t o u u m b o t ã o i n v i s í v e l n a p e r n a d a m e s a d e centro.Jessica 116. O dia vai ser muito quente epensei em lhe mostrar os jardins do palácio mais tarde. s u c o . Ele étudo para mim.— Você é a psicóloga? Agora você e Zayed encontraram um ao outro.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — É a maneira mais cômoda de trabalhar — respondeu a r a i n h a . Ganhei a Bolsa de Estudos Fehr para estudar em Cambridge. — Os olhos dela se encheramde lágrimas. — Morreram com uma semana de diferença. —Não posso perdê-lo. conheceu os jardins?— Não. P o d e r í a m o s t o m a r c a f é j u n t a s enquanto conversamos se não se importar. Quemaravilha. Já fora ruim receber a rainha de Sarq de pijamas.O rosto de Jesslyn se iluminou. Foiassim que o conheci.— Nada de costume cinza hoje? — Ele usava uma calça preta e u m a camisa de linho. Acho que eu e você somos as únicas que o usaram depois que elas morreram. Foi assimque conheci Sharif.Rou percebeu por que Sharif amava Jesslyn e seu coração se confrangeu. como jardim e o sol matinal. — Soube que você conheceSharif. E um bonito lugar. — Das gêmeas.— Sim. alteza?— Mehta. Ela não sabia. conversando sobre os filhos de Jesslyn e Sharif. mas deveria. b i s c o i t o s e iogurte. mas as conteve e mudou de assunto. Não é engraçado como o mundo funciona? Sharif sempre me disseque o mal pode gerar o bem.

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— Não sei. que estou aquipara lhe prestar um serviço.. especialmente a rainha.— E o que todos pensam?— Não sei.— Creio que será um alívio para sua futura esposa.— Como não sabe? Por que ela pensou que nós. — Certo? — Zayed continuou olhando na direção da porta. uma mulher. Ele olhou para ela e deu de ombros. uma ex-namorada. A tradição de Sarq diz que o país deve ser governado por um homem que tenha mais de 25 anose que seja casado com. sim. levantando. tomar notas. Sob vários aspectos. — Ele se jogou no sofá e olhou para ela. Elabeijou Zayed e sorriu ternamente para Rou.— Foi um engano. e eu.— Deve haver alguém próximo de você. — Rou pegou um bloco. Tahir. no mínimo. Dra. u m a p r i m a distante.— Ainda hoje. Vou deixá-los — disse Jesslyn. Ela não sabia o que estava dizendo. um rei pode ter mais de uma esposa?— Legalmente. Não quero que ela fique constrangida ao ver sua futura esposa chegar. Talvez pense que você é minha noiva.— Uma amiga da família. — R o u c o b r i u o s o l h o s e p e n s o u n o q u e J e s s l y n e s t a r i a imaginando enquanto conversavam. Seria terrível se ela pensasse estar dianted e s u a f u t u r a c u n h a d a . —Ela sabe que sou psicóloga.— No mínimo uma mulher? — Ela balançou a cabeça.— Por que pensaria isso?— Eu disse que. pouca coisa mudou nos últimos 400 anos. alguém conhecido.Estes aposentos só são usados pela família. Meu bisavô teve três.Jesslyn saiu enquanto os dois se olhavam fixamente. apesar do que vocêpensa. n ã o . Certifique-se de que todos saibam que nãosou sua noiva. estamos de acordo. — Ela respirou fundo. Rou ficou apavorada. .— O que foi que ela disse? — perguntou Rou.. quando voltasse. Somos fiéis às nossas mulheres. pronta para. As crianças estão loucas de vontade de conhecer a nova tia. somos um país moderno.— Foi o que também escutei.— E quando será isso.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês têm muito a fazer. Isto explicaria por que a colocaram no quarto de minhas irmãs. Seria o ideal. — O silêncio se prolongou a ponto dos nervos de Rou quase explodirem.— Talvez ela não saiba. J e s s l y n j á e s t a v a p a s s a n d o p o r t a n t a c o i s a .. há cincodias.Jessica 116. — Rou soltou os cabelos.— A h .— Ótimo. Moralmente? Durante os últimos cem anos os Fehr sótiveram uma esposa. Projeto Revisoras36 . Por que um deles não ocupa o trono? Por que ele passará para você?— E uma antiga lei de Sarq. — Vou levar as crianças para nadarmais tarde. .. Diga-me uma coisa: Sharif tem três filhas eum filho de três anos.. — Quantas esposasse espera que tenha um rei?— Meu pai e meu avô eram homens modernos e ambos só tiveram uma esposa. — É preciso que você esclareça tudo.— Concordo com você.Ele concordou pensativo.mas. uma amiga da família que seja adequada. — Talvez seja hora de reavaliar nossa pesquisa. Tornell? Hoje? Amanhã? Não estamos maisperto de encontrar uma esposa do que estávamos em Vancouver. em outros. Fique à vontade para se juntar a nós. especialista em relacionamentos. também serei. traria minha noiva. — Tia? Zayed franziu a testae olhou para o corredor..

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interessantee nossos filhos serão muito espertos. Ela sorriu. Escolhi você..— Excelente. Ela sentou num degrau da sala. C o n h e c i a o s s i n a i s d e l ou c u r a . Meu único motivo para estar aqui é ajudá-lo a encontrar uma esposa. De jeito nenhum.A cabeça de Rou começou a girar. — Ela se fechou noquarto.R o u p a r o u n a p o r t a d o q u a r t o e o l h o u p a r a e l e . bem-sucedida. só que ele começará depois do casamento.. e u c o n t o — e l a d i s s e f i r m e m e n t e . Sabe que preciso de um casamento de conveniência e não deamor. para ver se Sharif éencontrado. A sala rodavaloucamente.— Estamos praticamente comprometidos.— Você está falando sério — ela disse num sussurro..Rou levantou e se afastou. É exatamente o que quero. Projeto Revisoras37 . Ela não era do tipo que se casava.O coração de Rou deu um salto. esperando. sob nenhuma circunstância. tenho alguém em mente.— Vou financiar seu centro de pesquisas. Ela não podia sequer classificá-lo como l o u c o . claro que a deixarei livre de todas as obrigações.. Omelhor é que você é uma antiga amiga da família.Rou.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Também acho — ele sorriu.— Então. — É melhor esclarecer tudo agora do que arruinar nossas vidas. Se ele voltar.— Sheik Fehr — ela disse secamente.— Receio que Jesslyn e as crianças acreditem que sim. em qualquer situação.— Nós não vamos nos casar.— Sheik Fehr. ela jurara ter uma vida celibatária.. satisfeito.— Então. Ela entendera errado. E perfeita: educada.— Você sabe que é a solução perfeita.. Rou apontou para ocorredor. e e l e n ã o a p r e s e n t a v a n e n h u m . Você é uma candidata altamente qualificada: é inteligente.— Ah. Tornell. Z a y e d a i n d a e s t a v a sentado no sofá. confiante e calmo. o dinheiro ainda será seu.— N ã o h á r a z ã o p a r a p â n i c o — e l e d i s s e . Elesorriu de volta. — Te r e m o s u m p e rí o d o d e namoro. ou devemos começar a fazer uma lista?Ele fez uma cara indiferente. conheceminha situação.— Está na hora de me chamar de Zayed. Dra. — Agora chegavam a algum lugar. vá esclarecer este mal-entendido. — Santo Deus! Filhos?— Poderíamos esperar um ano para você engravidar.— Como?— Escolhi você. você pensou em alguém..— Você andou bebendo?— Tomei um café.Jessica 116.— Acho que terá uma surpresa. quase desmaiou. m a s estava totalmente fora da realidade. que nunca se abalava.— Não.— S e v o c ê n ã o c o n t a r à r a i n h a . Ele falava sério? Dissera quelhe daria dinheiro para casar com ele? Ela se agarrou no degrau. tentando fugir para oquarto. protegida de Sharif.. não estamos. mas não era expresso. culta. Graçasaos pais.

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Casamentoera para aqueles que queriam uma vida doméstica. d e c e r t a f o r m a . Por outro lado. q u e a m a v a e p r e c i s a v a d e s e u t r a b a l h o e q u e n ã o desistiria de sua missão. Do ponto de vista dele. n ã o p a r a e l a . ela nada ganharia ao casar com Zayed Fehr.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Capítulo Seis D EPOIS QUE ele se foi. Assim que ela Projeto Revisoras38 . o problema e s t a r i a resolvido: teria uma esposa e o trono. Rou perambulou pelo quarto. Asolução de Zayed — casamento — não era solução. muito menos por um homem como ele. Ela amava sua vida e não pretendia casar. apesar de ela achar que. pensando no que faria. dedicada à família e aos f i l h o s .Jessica 116. e l e tinha razão.

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Embora trabalhasse para pessoas ricas.Jesslyn como que despertou e olhou para a porta. ele lhe propuserac a s a m e n t o . Q u a n t o m a i s rápido conversasse com Jesslyn. cujas idades iam dos 9 aos 11 anos. Agora. Queriaa p e n a s t e r i n d e p e n d ê n c i a . ou talveza palavra certa fosse lisonjeada.Jesslyn estava tão sensível e entristecida que seria uma maldade sobrecarregá-la ainda mais. E l e s v ã o s e c a s a r a m a n h ã . sentindo-se diferente. e ficou tentadaa aceitar a proposta de Zayed. Porém.Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter contasse a verdade a Jesslyn. Ela se deleitou ao entrar na água. — Mama. notando a presença de Rou.. O dinheiro torna as pessoas arrogantes. não tinha visto você. Entre. como se fosse uma princesa das Mil e uma noites. Contanto que conseguisse se sustentar. C l a r o q u e e l a n e m s e q u e r p e n s a r i a n o a s s u n t o . . Rou. a p e n a s p o r q u e t i n h a m a n g a s curtas. Oe n d i a b r a d o p rí n c i p e T a h i r . Passara a noite rolando na cama.— Ah. d e t r ê s a n o s . Desculpe. Rou examinou seu limitado guarda-roupa. Calçou sapatos de saltos baixos. Porém ela era uma mulher diferente: crescerac o m m u i t o d i n h e i r o . não tinha nenhum. c o n f i a n ç a . levantaram e s e inclinaram respeitosamente com um olhar curioso. prendeu os cabelos num coque e saiupara procurar a rainha. n u m a e n o r m e mansão em Beverly Hills.— Mama — disse Tahir. nada ambicionava de material. mesquinhas edesagradáveis. Ela não tinha uma fila de homens bonitos e s e n s u a i s b a t e n d o à sua porta. R o u T u r n e l l . onde as filhas do primeiro casamento de Sharif jogavam Monopólio. Ela jamais admitiria. Entretanto.Ao sair do banho. egoístas. — M e n i n a s — d i s s e Jesslyn com fingida animação. Al m e j a v a u m m u n d o particular onde pudesse controlar suas emoções e seria impossível alcançá-loficando em Sarq. enquanto as meninas reclamavam. o que lhe restava? Deixar que Zayed a manipulasse atéconcordar? Jamais. N ã o é emocionante?A s m e n i n a s .E l a a c a b o u p o r e s c o l h e r u m c o s t u m e p r e t o . mas em parte estava curiosa. m a s descobrira que o dinheiro não compra o amor nem a felicidade. Jesslyn e as crianças não estavam na piscina. — Ela deu um sorriso e n q u a n t o T a h i r s u b i a e m s e u c o l o . Zayed não poderia coagi-la a se casar. t e n t a v a d e r r u b a r a s p e ç a s dotabuleiro. a u t o r r e s p e i t o . Sentias e extremamente atraída por Zayed. . Rou se arrependeu por ter pedido a Mehta que a levasse até o quarto.. moça. cercada pore m p r e g a d o s . D r a . mas Rouhesitava em procurar a rainha depois da conversa que tiveram durante o café. eela não tinha o direito de perturbá-los. mas no quarto. Jesslyn os o b s e r v a v a c o m a r ausente..A família tentava manter a normalidade depois que seu mundo desmoronara..Rou deixou que Manar lhe preparasse um banho perfumado com baunilhae especiarias na enorme banheira.fantasiando como seria fazer amor com ele. — Quero que conheçam alguém especial. Esta éa n o i v a d e t i o Z a y e d . olha. R o u vi u q u e a s m ã o s d e l a t r e m i a m aoacariciar os cabelos do filho e seu coração se apertou. Jesslyn as . Sua bagagemc o n t i n h a a s r o u p a s q u e u s a r a d u r a n t e a t u r n ê a t r a v é s d e c i d a d e s o n d e predominava a baixa temperatura e que não serviam para o calor do deserto. Rou não as invejava. ou melhor. melhor.

D i g a a l g o . Diga: não vou me casar com seu tio.apresentou. a m a i s v e l h a . p e r g u n t o u s e o c a s a m e n t o s e r i a n o e s t i l o o c i d e n t a l o u segundo a tradição de Sarq. Afinal. e x p l i q u e q u e t u d o é u m mal-entendido. Rou ficou paralisada. Projeto Revisoras39 . jamais. Porém. de 9 anos. e J i n a n . Takia. Viera esclarecer o assunto. a voz lhe faltava ao perceber a tristeza que flutuava no quarto.rompeu o silêncio. mas não conseguia se mexer nem falar.

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— S e m e l e . escutara.— Como pude pensar que você era insensível? — ele disse.— Acabo de sair do seu quarto — ele disse. — R o u m o r d e u o s l áb i o s p a r a e v i t a r q u e . Daria tudo o que tenho e o que sou para vê-lo asalvo. opaís está em tumulto. pedindo socorro. mas.Jessica 116.— Preciso de tempo — sussurrou. Não poderia fugir de onde mais a necessitavam. clinicara. e fugiu. deu de cara com Zayed. Takia olhou para Rou com os olhos arregalados e os lábios apertados. Projeto Revisoras40 . Zayed pensou em argumentar.— Fui ver a rainha — ela replicou. Rou tentou retornar ao seu quarto. não de mim. q u e n ã o haverá rei? A rainha me apresentou às crianças como tia Rou! Agora sou tiadelas. Preciso de você para cumprir meu dever. dedicando-se a ajudar os outros. — S e e u pudesse. Nada pode ser decidido sem o rei. Você está sendo corajoso e forte ao se tornar rei.— G o s t o de você desse jeito. O palácio estava repleto do que ela mais temia. t r e m e s s e m . Jesslyn começou a chorarsilenciosamente. devo fazer o que é necessário. desfaria tudo isso — ele acrescentou com calma. filhos. Porém nãop o d e r i a a b a n d o n a r u m a f a m í l i a n a q u e l a s i t u a ç ã o .. e tio Zayed. abalada. Isto lhe dará algum tempo.Rou pensou em Jesslyn e nas crianças e recomeçou a chorar. Você se torna verdadeira.— Casar com tia Rou? — perguntou Saba. Deu um sorriso desesperado. Porém. sentiu o coração dilacerado. — O q u e d e v o f az e r ? D i z e r q u e n ã o v o u c a s a r c o m v o c ê . confuso.— Eu não gosto de ficar assim. É disto q u e p r e c i s a m o s . Amor. O h o m e m q u e e l a adorara se fora. e Tahir.— Tio Zayed e tia Rou gostariam — disse Jesslyn —. muito corajoso e forte. mas acabou se perdendo nos corredores e.— Algo errado? O que aconteceu?— Seu irmão está morto. m u i t o i n t e n s o e dolorido. s u a s l á g ri m a s r o l a r a m . A rainha e as crianças estão arrasadas. ensinara. secando as lágrimas.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês não vão esperar a volta de papai? Vão se casar sem ele? — O silêncio pesou no quarto e abriu caminho para a dor.— E se tornar rei — disse Jesslyn entre as lágrimasRou não aguentou.— G o s t a r i a d e p o d e r e s p e r a r p o r s e u p a i — d i s s e R o u . e isto inclui casar e assumir o governo.casamento. aconselhara.— Talvez dê para esperar — sussurrou Takia.. o casamento não será bonito.— Essa esposa é você. F o r a d e m a i s . A s s i m q u e e l a s a i u . A pequena Takia não entendeu por que não esperamos o pai dela para casar!O turbilhão de palavras exaltadas terminou e ela olhou para ele. pegando-a pelo braço. perda. — Daria tudo paraver Sharif entrar pela porta. Crianças não deveriam sofrer nem amadurecer de repente. S h a r i f e s t a v a m o r t o e n ã o v o l t a r i a . sem seu pai. — Ela voltou ac h o r a r . cheio de medo. até que chegue este dia. Saba e Jinan soluçaram. A dor de todos fizera com que a morte de Sharif se tornasse real e aa t i n g i s s e e m c h e i o . Eu quero e preciso de você.— Você precisa de uma esposa. O país está um caos..Rou. Aquelas crianças encaravama realidade muito cedo. está fazendo o que seu pai gostaria que ele fizesse. Semvocê não será possível. gritando. de repente. abraçou-se à mãe. As meninas tinham perdido a mãe havia muitos anos.mas suspirou e concordou. que odiava emoções e lamentos.. — Não será suficiente. D u r a n t e a n o s e s t u d a r a .— Nós nos encontraremos no almoço.

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Ele disse que a senhora precisa de algo mais adequado à vida no palácio. afundando no travesseiro. agora. Hesitante...C a i u n o sono e foi despertada por Manar. A senhora recebeu dezenas de caixas e sacolasque chegaram de Dubai.— É seu enxoval. jogou-se na cama e examinou o ambiente como se o visse pela primeira vez. Ele precisava dela e ela o ajudaria.— Tudo em tons de rosa? — ela perguntou a Manar.. desesperada.— E complicado. Ao entrar no quarto. m a l a s e caixas.. Prada. venha ver. sonolenta e esfregando os olhos.— Vou levá-la até seu quarto. Dior. Sarq. num silênciocarregado. Nada pode ser decidido. o azul marinho.— Já é uma hora?— Sim.— A senhora não quer trocar de roupa? O terraço é coberto. Tornell. — Está tudo na sala. Zayed desistiu e lhe forneceu instruções.— Não..— O quê? — Rou deu um pulo na cama.Jessica 116. No meio do caminho. comovente e triste. encontrando um vestido plissado cor de coral com um fino cinto dourado. Não admira que a mãe de Zayed tivesse um colapso e precisasse seri n t e r n a d a . mas isto é tudo o que tenho. Rou se sentou na cama. mas sua alteza deseja que comece a usá-lo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Tem de ser. mesmo por um homem comoele. Estamos ficando sem tempo. Dra...— Está certo. E os ajudaria a agüentaras próximas semanas. Outra caixa continha um incrível casaco rosa claroc o m b o t õ e s d e b r i l h a n t e s . mas é muitoquente. — Ambos se olharam frustrados e zangados. Onde estavamo preto. e. bocejando —. Talvez fosse temporário.— Sou esperta. apenas me indique a direção. Ela reconheceu algumas marcas: Michael Kors. Ela abriu várias embalagens e a sala foi inundada por um mar em tons de rosa. Eu. jovial. Nada era como deveria. Chanel. r e c o n h e c e u c o m r e l u t â n c i a q u e e s t a o p ç ã o s e r i a i m p o s s í v e l . Quanto ao casamento. Sharif também morrera.Valentino.Se ela não tomasse cuidado. — Estou pronta. — Rou estava cansada e arrasada.— Então. Embora desejasse voltar para São Francisco nop r ó x i m o v ô o .. que viera lembrá-la de que o almoço seria dentro de meia hora e perguntava se ela queria mudar de roupapara almoçar no terraço com sua alteza. Dra.— Venha ver.R o u c o r r e u a t é a s a l a q u e e s t a v a c h e i a d e s a c o l a s c o l o r i d a s . O país está semrei há quase 15 dias. Elaficou tonta e sentou no braço do sofá: não costumava usar rosa. — Se eu pudesse.. jamais voltaria a ser. mas as embalagens eramigualmente elegantes.. R o u p e r d e u o f ô l e g o e a b r i u m a i s u m a c a i x a . invencível? Aquele guarda-roupa era feminino.. — A moça malcontinha a excitação. Ambas haviam morrido. Projeto Revisoras41 . ela abriu a tampa de uma caixa e descobriu um vaporoso vestido rosa.. nem desistiria de seus projetos. Algumas ela não conhecia. o grafite? Onde estavam as roupas sérias que a dei.xavam segura. A senhora tem meia hora para se preparar. Porém jamais deixaria de ser quem era. tenho tempo — ela respondeu. trocaria — ela disse. Rouprecisou pedir ajuda duas vezes aos empregados. C o m o u m a m ã e s u p o r t a r i a p e r d e r t a n t o s f i l h o s ? A r e a l i d a d e e r a muito dura. Tornell. Tudo e r a t ã o l i n d o q u e i m a g i n o u a s i r m ã s d e Z a y e d v i v e n d o n a q u e l e s a p o s e n t o s dignos de duas princesas. nem mesmo o funeral do meu irmão. Zayed tinha razão.

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Rou entrouem pânico e tentou empurrá-lo pelos ombros. gemendo de prazer. — É disso que tenho medo. Estavam ali. — Ele a beijou profunda e demoradamente. seu corpo ansiava para que ele continuasse a tocá-la. Quero que veja o quevocê faz comigo. mas ela não conseguiria lhe pedir que parasse. Quando ela trincou osdentes. de certa forma.. — Assim não vou conseguir — ela disse. seus olhos ardiam.— Não de você.— E melhor você acabar o que começou — ela disse ofegante. chocante. Rou percebeu a hesitação e uma sombra det r i s t e z a n a v o z d e Z a y e d . fazendo com que ela sentisse o poder de sua ereção. Ele a preenchia invadia o seu corpo e seu coração. Não sei como fazer isso. Rou se contorceu selvagemente. puxando-a de volta para o colo. Tenho medo de amá-lo. laeela. p r o f u n d a e a v i d a m e n te . segurando-a pelos quadris. procurando seu ponto mais sensível. . Olhoupara ele: tão belo e com um olhar tão solitário. P o r i s s o e l a o temia. e ela sabia que com ele daria certo. Ela não estava habituadaa dividir. Zayed a acariciou através do tecido... e desta forma poderá olhar para mim. Era injustificável.Ele não se mexeu. Ela se sentia cada vez mais e x c i t a d a . — Deixe que eu tente.O corpo dele estava quente. ele a livrou da calcinha e continuou a acariciá. A ú l t i m a c o i s a q u e q u e r i a e r a magoálo. a ser parte de alguém. suportando o seu peso até q u e e l a relaxasse de novo e se acostumasse com a sensação. seu corpo se abriu para ele e o acolheu como se formassem uma unidade. sentindo como ele estava excitado. No fundo.. — Calma querida — ele murmurou sobre os l á b i o s dela.— Vou tentar — disse ela. ela o beijava. Ela duvidou que ele estivesse respirando. sentindo algo diferente do medo. Roumergulhou os dedos nos cabelos de Zayed e esmagou os seios contra o peito d e l e . C o m e ç o u a c h o r a r . apossando-se desua boca como se lhe pertencesse e. úmida e ansiosa.la. o que era um novo tormento. — E rápido.— Sou só eu. — Ela o beijoud a m e s m a f o r m a q u e e l e a b e i j a r a . Temia o poder que ele exercia sobre ela. Com um únicomovimento. coladoscarne com carne. A q u e l e homemprecisava dela. não sei o que sentir. encaixando-se entre suas coxas. afinal. chorando. abraçou-o pelo pescoço e escondeu o rosto no ombro de Zayed. mesmo que quisesse. que seria extre-mamente sensual e enlouquecedoramente excitante.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter obedeceu.a n t e s q u e eu acabe sozinha. Assim que ela abriu seu coração. Os dois se movimentaram juntos: ele a segurava pelos quadris.O coração de Rou se apertou e ela deixou as lágrimas escorrerem.Jessica 116. — Não posso ficar nesta posição. Zayed arrancou a saia de Rou e a puxou de volta sobre o corpo. Ele a ergueu e encaixou-a em seu corpo. A sensação de prazer era superiora tudo que ela já sentira. despidos. Os lábios dela tremeram.— Pode sim. ela precisava dele. pertencia. Rou mordeu o lábioao sentir o pesado tecido da túnica de Zayed friccionando a pele sensível entresuas coxas. Era loucura. Rou soltou um suspiro ao senti-lo dentro desi. para que apossuísse. Ela balançou a cabeça. Rou abriu seu c o r a ç ã o e d e i x o u q u e e l e entrasse. A minúscula calcinha des e d a d e Rou era um obstáculo inútil.— Não posso. Estava em suas mãos. — Zayed a afastou e se despiu r a p i d a m e n t e . Rous a b i a q u e p a r t e d e l a p e r t e n c i a a Z a y e d e s e m p r e p e r t e n c e r a .— Alguém precisa me amar — ele disse.— Você tem medo de mim?Embora estivesse em pânico. mas desta vez de frente para ele. Não posso.

enquanto a excitação aumentava. o prazer crescia e só seus corpos Projeto Revisoras57 .

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incansável. — Sua fragilidade a assustava. m a s cumprira sua tarefa. Sua cabeça estava longe de tudo. sua doçura a ameaçava. E l a s e n t i u o c o r a ç ã o d i s p a r a r . Ela foi até a sala e viu que estava vazia. recendia levemente a loção de barbear. R o u s e a f a s t o u o m a i s q u e p o d i a e colocou o laptop entre os dois. Estava pronto para se tornar rei. Projeto Revisoras58 . aproximando-se. E l a a b r i u a c a p a d o c a b i d e e e n c o n t r o u u m vestido de algodão rosa e branco com um largo cinto.mas agora se sentia vazia e apavorada. Ótimo. desejosa e carente? Ela se olhou longamente e seu coração se encolheu.— Talvez eu não quisesse outra refeição na bandeja. até que Zayed a carregoupara a cama. abandonei meus clientes.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter e xi s t i a m . Gostara do que houvera entre eles. E l a esfregou vigorosamente a pele. u m m i s t o d e t e r n u r a e d e s e j o . ela sentiu o corpo de Zayed se contrair e apressar oritmo dentro de si. apesar devazio. Zayed se barbeara. ocupada. querida?— Não abandonada. O perfume sutil lhe causou umas e n s a ç ã o e s t r a n h a . ela se e n c o s t o u e m Z a y e d . R o u m a l l e v a n t o u o s o l h o s d o computador.— Durma — ele respondeu. agora seria fácil. mas. Rou se sentiu magoada. o d e l a ainda tremia. Estonteada. viu um cabide de roupas apoiado no sofá.Jessica 116. Eles ficaram quietos por algum tempo.— Está se sentindo abandonada.Rou não sabia por quanto tempo dormira no quarto escuro e fresco. Enquanto estive aqui. E l a n o t o u a s t o a l h a s molhadas.Z a y e d s e n t o u p e r t o d e l a . a mulher que queria ser. Alguém o c o l o c a r a a l i . Ao fazerem amor ela lhe dera mais queseu corpo: dera-lhe seu coração. Ela o desejara e ele correspondera. Ao voltar paraa s a l a .E r a t a r d e q u a n d o Z a y e d v e i o p r o c u r á . Era incrível. Rou estava aturdidaporque jamais tivera um orgasmo. Ele cumprira seu dever. só enjaulada. c o n g e l a r a a p a i x ã o e o d e s e j o . viu-se sozinha.— Não acredito.— Sou eu.— Disseram que você recusou o jantar.E l a p e r c e b e u u m m o v i m e n t o n o e s p e l h o e p a r o u p a r a v e r s u a i m a g e m refletida. Ela foi até o banheiro que.— E agora? — perguntou ela. até que só lhe restava explodir numa tempestade desensações.l a . tomara banho e saíra. Quem era aquela mulher? Quem era aquela loura suave eapaixonada.— Você está zangada — disse ele. Embora soubesse queagia como criança.L a v a r a a t e r n u r a e a s e n s i b i l i d a d e . Suasroupas estavam dobradas sobre a mesa. n o s o f á . nada que pudesse ameaçá-la. Exausta. principalmente lavando a parte sensível entrea s c o x a s . Nada de fogo e desejo. serviria para cobri-la ao voltar para o seu quarto. E l a s e enrolou numa toalha e se olhou no espelho com os cabelos pingando. Aquela era a mulher que ela conhecia. pensou com sarcasmo. s e u c o r p o b ri l h a r e c a d a n e r v o s e esticar.mas ainda estava chocada consigo mesma. Sentiu quando ele atingiu o orgasmo. Q u a n d o a c a b o u . Embora não gostasse derosa.— Zangada não. Voltara aser ela mesma. exceto do intenso prazer que cresciaselvagem. O s c o r p o s d o s d o i s e s t a v a m q u e n t e s e ú mi d o s . Ele a acomodou sob as cobertas e deitou ao lado dela. s e u s d e n t e s b a t i a m . indescritível.Ele a abraçou e puxou-a contra o corpo. Ele poderia magoá-la. Deveria esperar por Zayed? A ideia de sentar e esperar por ele trouxe de voltaa s e n s a ç ã o d e v u l n e r a b i l i d a d e . Rou e n t r o u n o banho e deixou que a água fria escorresse por seu corpo.quando acordou.— Eu não estava com fome.

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— Rou sentiu um nó na garganta e tentou conter as lágrimas. Rou. companheirismo e respeito — ela gostaria de responder. Z a y e d l e v a n t o u e estendeu-lhe a mão. Fizemos sexo.— Apenas no papel — ela disse em voz fraca. Pense.— Você não poderia ter se despedido ou deixado um bilhete?— Eu pretendia voltar.— Você não me conhece. Ela tentou se controlar. — V o c ê te m r a z ã o .— Você me deixou. R o u f e c h o u os olhos e virou o rosto como se tivesse levado u m a bofetada. O que mais poderia lhe oferecer. — Ela engoliu em seco.. E l a n ã o e r a c o m o a m ã e .— Não apenas no papel. ou pretende continuar com este joguinho de a d i v i n h a ç ã o ? — p e r g u n t o u e l e .— Fui à coroação. além disso? Amor. — Você vaime dizer por que está zangada." A mãe com quem ele mal falara durante a n o s . Se ele lhe desse algum tempo. consumação. Amãe emocionalmente frágil. Amanhã será outro dia. mas nãotemos um relacionamento. — E l a d e u u m s o r r i s o f o r ç a d o . ela tentaria se acalmar e lhe Projeto Revisoras59 .— Sim. patética.— Você não me parece o tipo de pessoa que joga as coisas.— Você estava dormindo.— Você ficou fora durante sete horas. Rou tentou ignorar os olhos q u e a r d i a m . Ele a olhou c o m curiosidade. mas para ela fora um verdadeiro terremoto.— Foi um longo dia. porque o que dissera até agoraa p e n a s o afastara.— Gostaria de dormir no meu quarto.Zayed contraiu o rosto sutilmente.— Desculpe pelo drama. dando de ombros. M a s sentia-se horrivelmente parecida com a mãe durante as brigas com seu pai.— Sozinha. — É nossa noite de núpcias.— Eu sei.— Se não me importo — repetiu ele com um tom quase de ironia. Eu fui à coroação. Rou cruzou os braços. magoada e zangada. Zayed baixou os olhos. fraca. E s t a v a cansada. — Eu sei. pense! P o r é m e l a e s t a v a c o n f u s a . jurei ser fiel a você pelo resto da vida. O que represento para você. Zayed?— Minha esposa — ele disse. f e c h a n d o o l a p t o p e c o l o c a n d o . Como você disse.— Venha. Parece minha mãe. dependente. olhando-a com expressão carregada. a mãe carente.— Vamos dormir um pouco. Jurei honrá-la e protegê-la. — Se não se importa. A tarde n a d a significara para ele. É preciso fazer todo este drama? Parece até minha mãe."Drama. — R o u n ã o estava disposta a ter aquele tipo dec o n v e r s a . s e m c o n s e g u i r .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você acha que o computador vai me manter afastado?— T a l v e z fosse melhor eu jogá-lo na sua cabeça. cujas necessidades eram ridicularizadas por seupai. com fome.— A c h o q u e c o n h e ç o . Você conseguiu:casamento. Não sei por que você quer que e u d u r m a n o s e u quarto.. p r e c i s a v a a p e n a s encontrar palavras que Zayed compreendesse. Jamais estivemos. Foi um grande dia para você. — E então? Não vamos ficar juntos? Já vamos viver separados?— M a s n ã o estamos juntos. s o f r i a e n ã o conseguia pensar.— Eu sei! — Rou agarrou uma almofada.Jessica 116.o s o b r e a mesinha. foi um longo dia. coroação.

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l a . como se nada houvesse acontecido. mas Zayed balançou a cabeça.N o i n í c i o d a t a r d e . acabariacomo eles. Rou ficou desesperada. e que.— Estou atrapalhando? — perguntou ele. indicando o computador. sem nada. Tive uma reunião de gabinete durante toda a manhã. Depois deuma noite insone. Max Tornell. voltar not e m p o e a b r i r s e u coração. Rou. — Comoestá sendo o seu dia?— Ocupado. Rou chorou e sentiu o coração partido porque compreendeu que ela não era melhor que seus pais. por uma razão. E l a n ã o sabia lidar com conflitos. mas ele não apareceu nem mandouc h a m á . Rou respondia alguns e-mails e levantou-se para recebê-lo.desgostoso e distante. com os olhos cheios de lágrimas. Entretanto. saídas teatrais. sabia que se comportara mal. Rou fez um gesto como se quisesse alcançá-lo. Não consigo. jamais se abrira com ninguém e percebia que ele estava irritado. Não suportodramas nem cenas. — T a l v e z possamos conversar amanhã — disse ele calmo e controlado. Q u a n t o m a i s o te m p o p a s s a v a . odiava climas tensos.. confiante. ele a deixara sozinha durante horas. ela deveria ser a mais compreensiva e saber como a vida dele se tornara estressante. sentia-se impotente.Ele saiu e ela se agarrou na almofada. Peça-lhe para ficar. reproduzindo opapel que o pai dela costumava interpretar: o vencedor do Oscar. Era istoque não queria a cena que ela sempre temera: o homem que sai e a mulher q u e c h o r a . — Ela sorriu.l o q u a n d o Z a y e d apareceu. E l a o d e i x a r a simplesmente sair.. Rou. m a i s d i f í c i l e r a a e s p e r a .Rou concordou. mas. Rou não conseguiu falar. se não tomasse cuidado. Passei aúltima hora com Jesslyn e Khalid. Entretodas as pessoas. Projeto Revisoras60 . Parecia tão cansado quanto ela.— Eu queria uma mulher forte. Tudo o que ela queria era se desculpar. Repetia a história de s e u s p a i s . o h o m e m q u e s o f r e e a m u l h e r q u e s e d e s e s p e r a . Abandonara-a sem se despedir. emsua defesa. Zayed parou e virou-se para ela. sem deixar um bilhete. Ele não l h e prometera algo que não poderia lhe dar. l á g r i m a s .— Olá. E r a o q u e c o s t u m a v a a c o n t e c e r e n t r e o s d oi s : b ri g a s . Certo. Capítulo Dez Rou ESPEROU a manhã toda por Zayed. tinha dificuldade de expressar seus sentimentos. Peça! Implore como sua mãe c o s t u m a v a fazer.— Não. planejando o funeral de Sharif. — Zayed caminhou para a porta. e l a s e p r e p a r a v a p a r a p r o c u r á . soluçando silenciosamente. honesto. Já terminei. ele tinha preocupações maiores e novas responsabilidades. ignorando o próprio nervosismo. Ele era um homem bom. — Boa noite.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dizer que estava com medo.Jessica 116.

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pensou Rou ao vê-lo entrar na sala. O j a n t a r f oi l o n g o . E s q u e c i o pouco que você sabe sobre nossas tradições. m i n h a f a m í l i a e m e u s c o s t u m e s . A ú n i c a c o i s a q u e e l e m e p e d i u f o i p a r a q u e a j u d a s s e o s outros da maneira que eu pudesse. durante anos eu nãosabia quem ele era. Era como um irmão mais velho ou um p a d r i n h o m á g i c o .— Você o chamava de mentor.— Estarei pronta. — Tudo é novo para nós dois.— Venho buscá-la às 7h. pontualmente. e você devese sentir tão pressionado quanto eu. Ele nunca falou sobre o assunto.— Você está deslumbrante — disse ele. Deixara os cabelos soltos. Gostaria de reparar meu erro.— Claro ótimo. ele se virou para ela. Só descobri que era um príncipe ao ler um artigo sobre a coroação numa revista.— T o d a n o i v a d a r e a l e z a t e m u m p r e ç o .— E s q u e c i q u e h a v e ri a u m j a n t a r d e p o i s d a c e r i m ô n i a .— Não.— Você está longe de ser ignorante.Jessica 116. V a m o s j a n t a r f o r a e s t a n oi t e .— Desconfortável?Rou deu uma olhada pela janela e abanou a cabeça. escolhera o vestido longo rosa e laranja e brincos de pingentes.— Nó entanto.— O q u e me d e i x o u m a i s a b o r r e c i d a f o i n ã o p o d e r a s s i s t i r à c o r o a ç ã o .Rou estava pronta às 06h30min. — Fui egoísta e irracional. Estou aqui há apenas alguns dias e sei muito poucosobre o país. E u f u i à c o r o a ç ã o d e S h a r i f . o que seria bom para nós dois. e suponho que Sharif lhe contou algosobre nosso país. d o q u a l g o s t o m u i t o . ou pensarão que se casou com uma mulher ignorante.— S ó q u e e s t e é m e u p a í s . — Foi o que você fez ao se casar comigo. mas me importo com você e queria participar de alguma forma.. — E l e s u s p i r o u e balançou a cabeça. só animada. — Gostaria de ver algo além destas paredes. Ajudada por Manar. Cobrei um preço. não o fiz por altruísmo.— Acho que gosto de algumas coisas cor-de-rosa — ela replicou.R o u c o m p r e e n d e u q u e e l e q u e r i a d i v i d i r a r e s p o n s a b i l i d a d e e f i c o u aliviada. — Vamos?D o l a d o d e f o r a .Quando Zayed sentou ao lado d e l a ..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Não era de admirar que ele estivesse tão tenso. É preciso que você me ensine alguma coisa. Eu estava errada. o c o r a ç ã o d e R o u a c e l e r o u e e l a s e encolheu. u m a M e r c e d e s p r e t a c o m motorista os aguardava.— Ele foi muito bondoso comigo. — Poderia ter mandado avisá-la. O sorrisode Zayed valeu o esforço. Gostaria de ter ido. — Ela respirou com facilidade pela primeira vez desde que acordara sozinha na cama de Zayed. Assim que ocarro começou a andar.— Fica bem em você. vestido num terno preto.— Não.— Tudo bem. — Rou sorriu sem perceber. Sairíamos do palácio. — Ele sorriu e lhe ofereceu o braço. Num curto espaço de tempo tudo mudara entre os dois. Sei que seria apenas para homens. Não deve ter sido fácil. Desculpe. Na verdade. Em comparação com algumas Projeto Revisoras61 .— Você é uma recém-casada que foi deixada sozinha no dia docasamento. corando. H á u m l u g a r d i s c r e t o . — Ela corou.— Sinto muito por ontem à noite. D e ve r i a te r m e l e m b r a d o .

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Eles conceberam o príncipe Tahir. — Na cerimônia deontem. arcos. Ele será um grande conforto para Jesslyn. depois de Dubai e dos Emirados Árabes. ele estava noivo de Zulima.Rou tocou na mão dele. A s c o n s t r u ç õ e s e r a m a n t i g a s . Seis meses depois. o seu preço foi razoável.Em virtude da proximidade do mar. virando-se para ela.— A p ó s u m a e x p a n s ã o i m o b i l i á r i a t e m o s o s h o t é i s m a i s l u x u o s o s d o Oriente Médio.— Quero conhecer sua família.Enquanto conversavam. mas começo a pensar que foi um erro. Sem que Sharif soubesse.— Deve ter sido difícil para Sharif dizer não para você. mas minha mãe não a aceitou.— Ele era muito estimado e ficaria agradecido por você substituí-lo. Odeio pensar que meusfilhos crescerão num país que perdeu a diversidade que tinha quando eu era criança. torres e colunas. um p e q u e n o p a í s à b e i r a d o m a r A r á b i c o . mas o amor deles terácontinuidade. Zulima. laeela. Eles deveriam ter tido mais tempo.Jessica 116. olhando pela janela.bonito e esperto. apesar de terem três filhas.Rou ficou comovida. ocasamento não foi feliz. jurei proteger meu sobrinho e meu país. ti p i c a m e n t e islâmicas. Contou que Sarq. E u e K h a l i d t i v e m o s a l g u m a s discussões sobre o que eu estava fazendo ao ambiente. apesar de tratar Zulimamuito bem.— Pode não ser um consolo para você.— E era? — ela perguntou.— N ã o t o r n e i a s c o i s a s m a i s f á c e i s . aberto e receptivo a todos os povos e culturas. Eu colaborei com estaexpansão: sou um dos maiores investidores dos cinco hotéis mais luxuosos. Sharif sempre amou Jesslyn e. o carro atravessava uma vizinhança sossegada.— Está falando sério?— A primeira mulher de Sharif. Sarq estava se tornando sede de vários hotéis.— N ã o . a p e s a r d e s e r n o v e n t a p o r c e n t o islâmico.Ele sorriu tristemente e se pôs a falar sobre o país. O carro Projeto Revisoras62 . era um país tolerante.— Mas Sharif e Jesslyn se reencontraram.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter noivas da família Fehr. mas minha mãe insistiu que Zulima era a mulhercerta para Sharif. ela jamais o perdoou por amar outra mulher. e. — A l e a l d a d e d e l e s é o t e s t e m u n h o d o q u e s e n t e m p o r m e u falecido irmão. ela procurou Jesslyn e a mandou embora. — Não depois de tantos anos separados.Zayed beijou-lhe a mão. Fiquei honrado com a presença de tantos amigos e vizinhos quevieram oferecer seu apoio e que também prometeram protegê-lo. l on g e d o b u r b u ri n h o d o c e n t r o . protegendo as dunas enquanto poderíamos transformar Sarq num paíscompetitivo. Meu pai foi o primeiro a abrir as portase S h a r i f herdou sua política liberal. quero saber de tudo. Meu pai não gostou.— Obrigado. e ele é um menino inteligente. mas creio que ele deveria ter i mp o s t o limites ao crescimento. Agora acho que ele tinha razão. S h a r i f estava apaixonado por Jesslyn.— Para todos nós — disse Zayed. — Ele citou a l g u n s n o m e s .— Não durou o suficiente — ele disse. O desaparecimento das dunasrepresenta um prejuízo para a fauna e para a flora. com fachadas pintadas de branco. foi uma noiva de 20 milhões de dólares. Estamos comemorando nosso casamento e tudo o quefiz foi falar da minha família. Eu o achava ridículo. até que Tahir tenha idade parasubir ao trono.

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Meu pai sempre demonstrou queera um trabalho exaustivo. ao sair.— Um luxo pelo qual sou grato esta noite — ele respondeu e Rou notou ocansaço e as olheiras em seu rosto. avisou para que eu não desse atenção aos comentários sobre.— Mulher esperta — ele disse. A mesa está pronta.— O lugar é todo nosso — ela observou ao sentar.— É m a i s q u e u m a n u v e m .— Não. rei Fehr. Sei exatamente o momento em queaconteceu. C oi s a s r u i n s p o d e m acontecer a qualquer momento. Rou não viu sinal do restaurante.Saíram do carro e Zayed apertou uma campainha.— Onde estamos? — perguntou Rou. — Ela o olhou. A m a l d i ç ã o s e c u m p r i u d e n o v o e S h a r i f morreu.— Eu gostava de morar em Monte Cario e de ter casas em Londres e NovaY o r k . Projeto Revisoras63 .— Foi uma mudança muito brusca para você. carregado de enormes responsabilidades. Sharif nunca reclamou.— Como você sabia?— Entrei na internet e pesquisei o perfil da sua empresa e o seu portfóliode investimentos. surpreso. o sossegoé uma comodidade preciosa e vale cada centavo. Eu sou amaldiçoado.— Você vai sentir falta da sua antiga vida. preocupada. A g o r a v e j o q u e n ã o p a s s a v a d e i l u s ã o . — E d e m a i s v i n t e c o m o e l e p e l o mundo. A maldição. Minha família também sabe. todas vazias. mais forte e mais maduro.Rou percebeu que ele parecia mais velho. — S ó p o r q u e n ã o é segura.— V o c ê é d o n o d o c l u b e — e l a d i s s e . muito exclusivo. nem fez com que nos sentíssemos culpados por ele carregar opeso e suportar a pressão. Um homem vestido dep r e t o a b r i u a p o r t a e e l e s e n t r a r a m n u m s a g u ã o i l u m i n a d o p o r u m e n o r m e candelabro. rindo. e n q u a n t o f i c a s s e l o n g e .Zayed a olhou.— Pensei que jantaríamos fora. — Pelo pouco quee l a d i s s e . Agora sei que nenhum denós está seguro. Para muitos de meus conhecidos.. deduzi que houve algo em seu passado. Pensei que deveria saber o mais que pudesse sobre meu marido.Jessica 116.. — Antes do casamento elame trouxe um presente e.— Muito exclusivo porque ninguém sabe que existe.— Esta é uma tarefa que nunca desejei. mas eu tinha a impressão de q u e . e l e s e s t a r i a m s e g u r o s .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter parou diante do que parecia ser uma residência cercada por mansõeselegantes. H a v i a d e s e i s a o i t o mesas. Gostaria que me f a l a s s e sobre essa nuvem que paira sobre você. não significa que seja amaldiçoada.— Vamos jantar você verá.E n t r a r a m n a e l e g a n t e s a l a i l u m i n a d a p o r v e l a s . — Seja bem-vindo. segurança e sossego. G o s t a v a d e t r a b a l h a r e v i a j a r . V o u s e n ti r m a i s f a l t a d e s t a ilusão do que de Monte Cario ou da minha liberdade.— É um clube privado. m a s t o d o s f i c a m f e l i z e s p o r p a g a r p e l a privacidade.— Jesslyn disse algo sobre isso — admitiu ela.— S e r s ó c i o c u s t a u m a f o r t u n a .— A v i d a n u n c a é s e g u r a — d i s s e e l a g e n t i l m e n t e . m a s o q u e e u m a i s v a l o r i z a v a e r a a segurança da família.

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cortam-se as mãos. sempre nos esbarrávamos em eventos sociais. ? — R o u sussurrava as perguntas. — Eu me apaixonei por uma mulher casada.— Pode ser que mude sua opinião a meu respeito — ele disse. E l a lidara com a culpa e a tragédia em sua clínica. —Aos 17 anoseu precisava dizer a ela que a amava. S e v o c ê n u n c a a t o c o u . Nur era uma princesa de Dubai e se tornara esposa de um sheik vizinho. D u r a n t e d u a s semanas ninguém soube o que acontecera. Tratava-me com carinho e sorria para mim simplesmenteporque eu a divertia. — Rou sentiu um arrepio na espinha. Dra.R o u f i c o u p a r a d a .— E se a esposa pecou?Zayed deu um sorriso assustador e seus olhos se encheram de ódio e de horror. — Você quer mesmo saber?— Quero. Nunca fiquei sozinho com ela. ele não acreditava. Eutinha 17 anos. apertou por algum tempo e a soltou.— É uma história terrível para um encontro romântico. — Ela me via como umirmão mais novo. — Então. É preciso haver uma reparação.— Ela era inocente — ele acrescentou com tristeza. bondosa e atraente.— Ele pegou a mão dela. . . — E s t e é u m c o n c e i t o q u e n ã o e x i s t e n o o c i d e n te . pensativo. m a n d a r a m a t á . minha estupidez e minha arrogância a mataram. e ela 24. n ã o d a mesma maneira.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Jesslyn disse que Sharif não acreditava em maldições. Tudo o que desejava era amá-la. — Rou observava as emoções se sucederem no rosto de Zayed. em como foi seu último dia. — Ele encarou Rou fixamente. o que para nós é o maior pecado entre todos.Jessica 116.observando-a..E l e e r a c o n h e c i d o d e me u p a i e n o s e n c o n t r á v a m o s v á r i a s v e z e s p o r a n o . eu achava que era o som mais lindo do mundo. Não seremos interrompidos. Imagino o terror que ela sentiu.l a . c o m a s m ã o s s o b r e o p e i t o . — Nós nunca dormimos juntos. elegante. s e m c o n s e g u i r f a l a r . q u e s i g n i f i c a q u e o s outros sabem que você foi desonrado.— Uma piada de mau gosto. Quandoela ria. mas queria que fosse minha. cega-se o olho. Às vezes ainda penso nela.— Pode ser para melhor. nós temos hshuma. mas aquele era o tipo de culpaque acabava com a vida de um homem.— Você manda matá-la.— Isto foi uma piada. Tornell? — ele perguntou. . por favor. e o meu amor. s e n u n c a d o r m i u c o m e l a . T u d o o que fiz foi declarar meu amor. Sabia que ela era casada. Rou fez uma careta. Um pouco de humor faz bem quando as coisas estão difíceis.— Nós temos tempo. num casamento arranjado. quase sinto sua dor. É tudo o que posso agüentar esta noite. O m a r i d o . s u s p e i t a n d o d e s u a f i d e l i d a d e .. a minha impulsividade. até que se ouviu a notícia de sua m o r t e .— M a s . Ela foiapedrejada por causa da minha falta de controle. E u t e r i a dado a vida por ela. sorrindo. Ela era linda. ela d e s a p a r e c e u . E onde ele está?— Conte-me o que aconteceu. e isso se consegue destruindo o que lhecausou vergonha.— Eu gostei. . hshuma — ele disse a palavra em árabe ef e c h o u o s o l h o s . Vocês têm culpa. o rosto ficou tenso. Se o seu olho pecou. se as mãos pecaram.— Vou dar a versão resumida. —Ele olhou ao redor. —A voz dele f o i sumindo.— Certo.— Foi uma questão de desonra. — O maridoe a família acharam que estavam agindo corretamente — acrescentou depois Projeto Revisoras64 .n u n c a a b e i j e i .

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Em que lado você dorme? — disse ela.Rou o olhou por cima do ombro. e n t r e a b r i n d o o s l á b i o s e m p r o t e s t o . mas desistiu de ficar acordada à medida que as horas passavam. Rou sentiu o c o r a ç ã o d i s p a r a r e s e u c o r p o s e e n c h e r d e d e s e j o . dormir era dormir. Zayedolhou-a de cima a baixo.— I s s o f o i a n t e s d e v o c ê v o l t a r p a r e c e n d o u m s o r v e t e d e c r e m e c o m cobertura de marshmallow..— É gostoso. E l e e r a tentador como o diabo. ofegante.— Não sou seu amor — disse ela.— Não é nada gostoso. esta noite você só terá metade da cama. Se começar a espernear e a gritar.Rou ficou dura como uma tábua. mas isto lhe parecia certo. Que lado você prefere?— O lado onde você vai deitar.— Infelizmente. R o u f i c o u a l a r m a d a . corando.Z a y e d n ã o s e j u n t o u a e l a . durmo no meio da cama. absorvendo o fogo que ele provocava com a Projeto Revisoras68 .— Em geral.— Talvez eu relaxe se você se afastar. Você perde tempo tentando me c o n v e n c e r d o c o n t r á r i o .— Sim. — ela protestou. Não para mim.— Vou dormir deste lado. Para ela.— Boa noite. o que era natural depois de fazer amor. Estou expressando meudesconforto por você estar tão perto. enquanto ele lhe acariciava os mamilos.— N ã o . Ela o abraçoupelo pescoço e abriu os lábios. nem gritando. A p a g o u t o d a s a s l u z e s e d e i x o u a p e n a s u m abajur aceso para que pudesse ler alguns documentos.— Meus problemas de intimidade? Meus?Ele deu uma risada e ela sentiu seu hálito junto ao pescoço.— Talvez você precise resolver seus problemas a respeito de intimidade.— Para você.— Acalme-se antes de ficar irritada. H a v i a m d o r m i d o j u n t o s n a t a r d e anterior. — D e r e p e n t e .Rou pensou que não conseguiria dormir no quarto dele. Ela fez uma careta e empurrou a coberta.Jessica 116. amor?R o u fechou os olhos e tentou ignorar a deliciosa s e n s a ç ã o . — Boa noite.— E para você também. — Eu poderia saboreá-la agora mesmo. s o n o l e n t o . Acordou por causa do calor epor se sentir presa. Havia muita coisa errada no mundo. fazendo os seios se avolumarem de prazer.Rou deu uma cotovelada nas costelas de Zayed.— Você prometeu. e não queria ser abraçada.— R e s p i r e f u n d o e s o l t e o a r d e v a g a r — d i s s e Z a y e d . com um olhar insinuante.. — Ele não disfarçou o desejo em seu olhar. deitando-se sobre ela ebeijando-a. não conseguirá dormir de novo. parada ao lado da cama. v o c ê é mi n h a m u l h e r — ele disse. — Rou deitou na cama e se cobriu até o pescoço.. Esta noite era diferente: nãohavia motivo.— Não estou esperneando..Rou sentiu seus mamilos endurecerem e teve vontade de se esconder. O braço de Zayed a envolvia e a mantinhac o l a d a a o c o r p o d e l e . mas percebeu que não estava presa pelos lençóis. R o u p e r c e b e u q u e a s m ã o s d e l e s e aproximavam de seus seios. ela pensou. — D e novo. — Zayed. Amanhã discutiremos o que for necessário.

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Amava seu belo marido que amavao u t r a m u l h e r . Ele gemeu novamente e perdeu ocontrole quando Rou intensificou os movimentos. Rou corou e franziu o nariz. Incrível.— É gostoso — ela disse.— Tenho uma teleconferência dentro de alguns minutos. num orgasmo quea surpreendeu e que atravessou seu corpo em sucessivos espasmos.— O que é o quê?Ele a acariciava. Você é gulosa. Quando R o u p e n s o u q u e a c a b a r a . lambia. aumentando sua ansiedade. aumentando sua ereção. — Parece que você nãogosta que eu a toque.— Você sabe o que quero. beijando-o no ombro. trincando os dentes. — Ela e n g a s g o u quando ele cobriu-lhe o seio com a boca. E l a o b e i j o u p a r a t r a n s m i t i r o q u e n ã o p o d e r i a d i z e r c o m palavras: que o amava e que esperava que um dia ele pudesse retribuir. ele olhava para ela e tentava conter o riso.— O que foi laeela? — murmurou ele junto aos lábios dela. Era incrível comoele se movimentava dentro dela. m o l h a d a d e s u o r .No dia seguinte.até que ela perdesse o controle e se entregasse totalmente. despertando cada sensação. atéque ela arqueou o corpo à procura de alívio.— Você é tão bonita — disse ele em voz rouca.. — Foi você quem provocou. desesperada e selvagemente. Zayed não tinha pressa. — Você faz com que seja difícil resistir. Volto assim queterminar.— Graças a você.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter língua . Projeto Revisoras69 . e ela não conseguia pensar quando ele tratava seu corpo como um doce delicioso. insistentemente.— Eu queria ver se você agüentava. sim. Quando abriu os olhos. e vamos escapar. n o v a o n d a d e p r a z e r a invadiu. E l a f i c o u t o d a arrepiada. ela pensou. com a respiração arquejante. — Não vou agüentar sua resistênciaagora.— Duas vezes.— Você. Ela o amava. Ele levantoulhe a camisola e acariciou-lhe o ventre.l h e a o r e l h a .R o u q u a s e g e m e u f r u s t r a d a . laeela.— Então não resista — ela arquejou. ele acariciou o vértice de suas c o x a s e encontrou-a úmida e quente. Ocoração de Rou acelerou. Rou perdeu o controle e apertou o corpo contra o dele..Z a y e d s e c o l o c o u e n t r e a s c o x a s d e l a e e n t r o u e m s e u c o r p o c o m u m movimento firme.— Receio que não.. suas pernas. Ele acariciava seu ventre.— O m e u iceberg derreteu — ele disse. Quando ela a c h o u q u e não agüentaria mais. — Eu estava enganada. Zayed mandou que levassem o café para ela na cama. Z a y e d l a m b e u . Você chegou lá?— Cheguei. mais poderosa einexorável que a anterior.Rou mordeu o lábio..— Você está viva?— Por pouco. Porém.— A culpa não é minha — ela protestou.Jessica 116. Zayed a beijou com ternura. Ele esperou enquanto Manar arrumava a bandeja no colo de Rou. — Ele mordiscou-lhe o pescoço. antes de beijá-la de novo. tocava. Ele continuou a beijá-la de uma forma que a levou a menear o corpo. despertando todos os seus sentidos. Gosto que você me toque. Nãoficou satisfeito com uma vez. através da camisola. Ela a m o l e c e u n o s b r a ç o s d e l e . Zayed gemeu ao senti-la esfregar osquadris nos seus. obrigado.

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nem na seguinte.Uma hora depois. assim como com os brinquedos que ele possuía: iates. e que se encontraria com Jesslyn para discutir os detalhes do funeral de Sharif.— O clima está pesado em Isi. bronzeando-s e .— Escapar para onde?— Para a minha casa em Cala. — Ele acariciou os cabelos de Rou. com uma enorme piscina. de árvores. quando Zayed levantou da cama. inteligente. cercado de palmeiras e coqueiros. ele lhe apontou uma praia. Fique. T a l v e z p u d e s s e a j u d a r d e a l g u m a forma. entusiasmada: seria divertido.Duas horas depois. mas não aborrecida.— E se você não conseguir resolver tudo num só dia?— Passarei a noite lá e voltarei amanhã cedo — ele disse.— Você não precisa trabalhar? Não vejo você checar seus e-mails desde que chegamos.— T a l v e z e u d e v e s s e i r c o m v o c ê . dormindo.Ela se ligara a Zayed. Não telefonou n e m mandou alguma mensagem sobre quando voltaria. — Podemos ficar fora alguns dias. q u e l h e b e i j a v a a mão. fazendo-a rir. É um belo retiro à beiramar. c o r a n d o a o recordar como tinham passado a manhã. Sabia que ele tinha várias responsabilidades e preocupações. janelas em arco e grades trabalhadas. Rou ficou impressionadacom o número de pessoas que trabalhavam para Zayed.Não será o mesmo sem você. tentaria tornart u d o m a i s f á c i l . Não era um sonho inatingível. n a d a n d o . quando e l e voltasse. Talvez algum dia ele a amasse. Seria difícil se concentrar num lugar cheio de sol.que dava apoio à família. Ele era divertido. Ficaria fora o dia inteiro e voltaria à noite. jatos. estavam num helicóptero. Ela viu uma piscina debruçada sobre o mare pegou na mão de Zayed. Será mais divertido. Estamos em lua de mel. Ele tomara um banho e estava lindo. Não aumentaria a pressão sobre ele. Rou sabia que ele teria uma reunião degabinete em Isi. interessante.— V o c ê p o d e s e a f a s t a r d a q u i a g o r a ? — p e r g u n t o u R o u . Divertido. e e l a p ô d e a p r e c i a r o p a l á c i o construído em pedra. Quando Projeto Revisoras70 .— Meu palácio.— Certo.. S e u s c l i e n t e s d e v e r i a m e s t a r p r e o c u p a d o s c o m s u a ausência e com a falta d e c o m u n i c a ç ã o .Passaram os próximos quatro dias fazendo amor.E l e t i n h a r a z ã o . mais tempo livre teria com Zayed. aproveite.O h e l i c ó p t e r o s e a p r o x i m o u p a r a p o u s a r . Rou ficou magoada. c o m e n d o e b e b e n d o . Quandof o r a a ú l t i m a v e z q u e s e d i v e r t i r a ? R o u v i r o u p a r a Z a y e d .Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou quase derrubou o café.Na terça-feira. Talvez possa colocar seu trabalho em dia.Zayed parou a meio caminho do banheiro. Z a y e d e r a t o d o a t e n ç ã o e g e n t i l e z a : contava-lhe histórias. Aqui está cheio de sol. Rou se sentou. casas.. mas tente voltar esta noite. helicópteros. carros e palácios. Capítulo Doze Z AYED NÃO voltou naquela noite. — Vou pedir a Manar que arrume sua mala. na terçafeira. D u r a n t e os primeiros dias. Trabalharei enquanto você trabalha. com suas torres. despreocupado. Rou se concentrou no trabalho:q u a n t o m a i s trabalhasse. m a s t r a b a l h a r e m C a l a n ã o e r a a mesma coisa que trabalhar em São Francisco.

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sua mãe se suicidara. R o u p e r a m b u l o u d u r a n t e d u a s h o r a s e p a r o u p a r a t o m a r u m c h á d e hortelã. O medo e a dúvida se retro. t u d o r e q u e r i a . a l te z a . não precisa se preocupar. o juiz decidira dar s u a custódia à avó. Rou caminhou pelabeira da praia. — E l e s e inclinou e foi embora. Ele não voltaria antes de alguns dias. O mordomo se apavorou. Ela jurou não se entregarao medo e à insegurança. D u v i d a v a q u e a q u e l e s a q u e m a m a v a e s t a r i a m a o s e u dispor quando buscasse seu apoio. Tentou ocelular. Zayed estava trabalhando.— Eu deveria consultar sua alteza. talvez mais. Queria surpreendê-lo. Rou engoliua d e c e p ç ã o e f o i p a r a o quarto. alteza.R o u s a i u a c o m p a n h a d a p o r q u a t r o s e g u r a n ç a s .. mas se sentia sozinha.— Não — ela respondeu. Ele lhe dera tantos presentes e ela n a d a l h e dera em troca. aban. desaprovando. molhando os pés.Alguns dias podiam ser poucos ou uma semana. Não há muita coisa para comprar. À t a r d e . Tentou comprarum presente de casamento para Zayed. Ohomem respondeu que ele faria a ligação. O que a q u i l o significava? Depois de muito pensar. A l i n a d a e r a si m p l e s . s e p r e c i s a s s e .O mordomo não entendera. onde ficou à janela fitando as ondas queq u e b r a v a m na areia. A senhora nãovai se divertir.l a . q u a n d o s e u p a i bebia. V i s i t o u o a n t i g o c a i s e explorou o famoso bazar que faziam parte da história de Cala. Embora fosse adulta. Pediria à cozinheira que guardasse tudo até que Zayedvoltasse. e fariam um piquenique na praia..d o n a d a . Quando ela voltou ao palácio. — Ele é meu marido e quero telefonarpara ele.alimentavam. na Inglaterra.— N ã o p r e c i s a c o n s u l t a r s u a a l t e z a . era atencioso. mas ele não funcionava naquela área: teria que ligar para o palácio. e não estava habituado a lidar com mulheres ocidentais e suase x p e c t a t i v a s . Ele disse apenas "alguns dias". lembrou a si mesma.— Ele disse quando voltará? — ela perguntou. Rou procurou o mordomo e pediu a ele que lhe desse o número do telefone. Por fim. A cidade estará cheia de gente e de turistas. Ela sentou ao lado da p i s c i n a e trabalhou o dia inteiro. digitando um artigo para uma revista epreparando uma palestra que daria em Chicago. indignada. se ela quisesse. Ele voltaria dentro de alguns dias. bem-sucedida e instruída. foiinformada de que Zayed havia telefonado.— É sábado. uma garrafa delimonada gasosa. cercada por seguranças armados.l h e lembranças de infância: fora jogada de um lado para outro. Gostaria de explorar a cidade. quando sua mãe entrara emdepressão. mas o que ela esperava? Ele não falava inglêsfluentemente. ao entrar no jardim do palácio. Quando.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter estava com ela. C r e i o q u e v o c ê m a n d a r á a l g u n s seguranças comigo. d e s p e r t a n d o . Amava aquele lugar. mas quando estava longe. queijo. R o u t e n t o u s e a c a l m a r .— É isto mesmo que quero. ela resolveu falar com Zayed. esquecia dela. chocolates e frutas. Ela se empertigou ao ouvir o tom pomposo do empregado.Jessica 116. Aa u s ê n c i a d e Z a y e d l h e d a v a a s e n s a ç ã o d e a b a n d o n o . Quero ter a liberdade de chamá-lo sem a interferência de mordomosou de empregados. O mercado estava cheio d e g e n te . deixara de cuidar dela. Rou não se sentia segura de que alguém estaria ao seu l a d o . p e d i u q u e l h e trouxessem o carro. comunicou o mordomo. E s t o u t e n t a n d o a j u d á . afinal. ela comprou pão.— N ã o e s t o u i n te r f e r i n d o . pois pretendia fazer compras na cidade. afastada. porém mal conseguia aproveitar o passeio.O mordomo fechou a cara. — Não.

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Ela se casara com um homemexatamente igual a seu pai: ausente.U m a s e m a n a d e p o i s . deveria sentir sua falta. exigente.— Sinto muito. Você não pode chorar. Aguardou sentada.Trocou de roupa. P o r i s s o j a m a i s quisera se casar. Os olhos de Rouse encheram de lágrimas. Rou baixou a c a b e ç a e chorou em silêncio. m a s . ignorando os olharesespantados da equipe de Zayed e caminhou direto até a mesa. com o coração aos pedaços. Fezuma leve maquiagem. disse a si mesma. Não se tratava de um convite.D e s a p o n t a d a . Elasentia falta dele.Estava só e começava a achar que seus temores em relação ao casamento serealizavam: tornara-se dependente.R o u r a s g o u o bilhete e o jogou no lixo. Vários minutos se passaram e eledesligou sem lhe passar o fone. Mais tarde. estaria aqui. Rou não se importou. para ganhar coragem. mas será informado que asenhora telefonou. Zayed. perdera a individualidade e o bom-senso. Rou invadiu o escritório. P e g o u u m l i v r o p a r a s e d i s t r a i r enquanto o aguardava. Ele está ocupado. i g n o r o u o s seguranças parados ao lado da porta. e l a o u v i u o r u í d o d o h e l i c ó p t e r o s o b r e v o a n d o o palácio. E n q u a n t o Zayed trabalhava em Isi. Ela correu atrás do mordomo. mas de uma ordem. do movimento que a impedia de pensar no que não poderia mudar. m a s e l a n ã o s e i mp o r t o u . esperando que ele se lembrasse dela. escovou bem os cabelos e fez um rabo de cavalo. O rei está numa reunião.Jessica 116. porém oque mais desejava era falar com Zayed. odiava pedir ajuda. e l a r e s o l v e u s e a c a l m a r . d e b e b e r . uma e m p r e g a d a l h e t r o u x e u m b i l h e t e n u m a b a n d e j a d e p r a t a . As horas passavam e nada de Zayed. mas apavorada por não saber o que pensar o u sentir. Durante os últimos dias só pensara emZayed . A o d e s c e r a e s c a d a . como e s p e r a r a q u e a m ã e p a r a s s e d e c h o r a r e o p a i . O celularnão funcionava. As palavras de conforto eram dolorosamente familiares. ela perambulava pelo palácio em C a l a . eventualmente recebia algum e-mail. Ele não a via há 10 dias. E s t a v a f a r t a d e e s p e r a r s u a ve z . do trabalho. Rou começava a sentirsaudade de sua vida. enquantoele entrava em contato com o palácio em Isi. por isso temia amar.s e n t a d a numa cadeirinha. Ela não queria ser difícil. o n d e j a m a i s e n t r a r a . Ela esperou por uma hora: Zayed não apareceu. nem mandou chamá-la. mas n ã o esperaria até as nove. f o i i n v a d i d a p e l o desapontamento que derrubou todas as suas boas intenções. mas só percebera sua solidão ao se sentir isolada.Eram as mesmas que ela dizia a si mesma enquanto esperava as visitas do pai. Ele não sabe como você está animada e o quanto deseja vê-lo. De surpresa. Rou ficou contente. " V o c ê j a n t a r á comigo às nove. Se elesoubesse. Aquele era o homem que lhe fizera tanta falta. egoísta." Ela leu a mensagem várias vezes. aexpressão dele passou para desagrado. como esperara por seus pais. Esperar era um desespero. Eles tentaram impedi-la de entrar sem p e r m i s s ã o . mas também não queria se sentir insignificante e solitária. Esperara por ele a cada segundo. Não lhe importava que todo o palácio a . d e esperar para ser vista e ouvida. Ela odiava a falta de independência.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assistência . alteza. e praticamente marchou até o e s c r i t ó r i o d e Z a y e d .R o u d e u u m s o r r i s o r a d i a n t e . Iria se encontrar com ele. bonito. a o s e a f a s t a r . com a boneca no colo. pediu desculpas e lhe pediu que ligasse para o rei Fehr.

— Minha bagagem está pronta.— T e n h o a l g u n s e n c o n t r o s e m Z u r i q u e d e n t r o d e d o i s d i a s — d i s s e secamente.Rapidamente todos se retiraram em silêncio. Reservei um vôo na Sarq Air. Vinha de uma cultura diferente. Creio que você o guardou por segurança. maspreciso do meu passaporte. pensou Projeto Revisoras72 .desaprovasse.não costumava ser tratada como alguém subserviente e de segunda classe. A reunião acabou.

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S e u p a i a d o r a r a s u a m ã e e acabara por desprezá-la. Não. Estava tomado pelo luto e pela culpa. — E s t o u dizendo que preciso de mais. c o m o s c a b e l o s u m p o u c o m a i s compridos. Rou percebeu que ele nada queria s e n t i r . Preciso voltar a trabalhar. Os homens desprezam mulheres patéticas. — Você cumpriu seu dever.Ele não se importava com ela. um complemento. levantando as mãos. Ela é apenas uma mulher. Só de olhar para ele. casou.— Tenho muito trabalho a fazer.Ele jamais se importaria com ela. com um ar vazio. Os segundos se passaram eele a olhava impassível. Agora não precisa mais de mim.— Não pretendo voltar — disse ela com calma. para quê? — ele disse. O coração de Rou bateu mais forte. e não lhe daria esta oportunidade. Pelo menos admito que preciso de você. N ã o retornou meus telefonemas. tudo o que ela conseguira fora sentar e chorar. pensou Rou. Está livre para partir quando quiser. Ela não poderia suportar que Zayed a desprezasse. rei Fehr? É tão difícil e desagradável passar algum tempo comigo?— Não estou evitando você para puni-la.. e que viajaria a negócios. ridícula e fraca. — A falta deemoção de Zayed a feria profundamente. O r e s t o d o t e m p o v o c ê f i c o u f o r a . —Tenho um consultório e uma casa em São Francisco.— T u d o bem. ela se apaixonara e se perdera. q u a n t o a e l a . e ele nem ligava. considerando-a tola.Fez o que precisava. — Ela e s p e r o u q u e e l e d i s s e s s e a l g o q u e a t r i b u í s s e a l g u m s e n t i d o à s s e m a n a s anteriores.. Ele não se importava. Além disso.— Não. q u e q u e r i a f i c a r m o r t o . Não adianta ficar aqui. muita coisa aconteceu. fizera por ele o que gostaria que alguémfizesse por ela. tentando se controlar. Como sua mãe. q u e p r e c i s a s s e d e u m h o m e m . — É tudo que preciso fazer? Preparar as malas. o queixo mais firme e um olhar mais frio. para que discutir?— Tem razão. As mulheres desprezam a simesmas quando se tornam patéticas.— Não foi o que eu disse. que os sentimentos são um . há muito para cuidar. Reuniões de gabinete. Sou tola. Tivemos cincon o i t e s n u m t o t a l d e d u a s s e m a n a s . — Ela controlou a dor e a cólera. é isso. E s t a v a m a i s b o n i t o . você está me evitando?Ele respirou fundo para manter a paciência. Ela fora paciente solidária.— Compreendo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ansiosa. seucoração doía e sua vontade fraquejava. e . Mais tarde. Rou ergueu a cabeça. Concordamos que você continuaria a trabalhar — ele s e inclinou para trás na cadeira —. Não sou necessária.— Mas não sua esposa. O país ficou sem governante durante quase um mês.— Sinto falta do meu trabalho. Você me despreza tanto.— Talvez.— Você está sendo infantil.R o u o o b s e r v o u . concordamos que o casamento seriatemporário. — A voz dela tremia de raiva.— Então. Ela não se tornaria uma mulher d e p e n d e n t e . fraca e ridícula. mas pelo menos sou honesta — ela disse devagar.— Você está indo embora — ele disse ao ficarem sozinhos. mas Zayed nunca pensava nela. foi coroado. a o c o n v i v e r c o m Z a y e d percebera que as emoções podem ser boas. mas desde que nos casamos você mal ficou comigo. Não era verdade que suas malas estivessem prontas: tudodependeria de Zayed. com embaixadoresde outros países. Ela desistira de tudo por ele.— Então.quando o divórcio fora o f i c i a l i z a d o e s u a m ã e s e v i c i a r a e m re m é d i o s p a r a suportar. Uma dor lancinante a atingiu.Jessica 116. pegar minha passagem e partir?— Você não é prisioneira.

Projeto Revisoras73 .

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E tão magoada! Zayed sentiu o coração apertadode tristeza. tinha uma carreira e ficaria bem. como sentira durante osúltimos dez dias. . o rei Sharif fora e n c o n t r a d o vi v o .. à f a m í l i a e m s e g u n d o .Dez minutos depois. Pelo menos. Ficou sentado e a viu sair pela porta. não pertenciaa ele. Era melhor deixá-la ir agora. Parecera firme. Capítulo Treze S HARIF F EHR f oi e n c o n t r a d o v i v o . e a teria magoado. . Ele. Rou prendeu a respiração e tentou continuar a ler. b a n h a d a p e l a claridade. n a s crianças. Se ele não fosse Zayed Fehr. Rou era inteligente e forte. era uma mulher moderna que gostava de exercer s u a profissão e que o esqueceria rapidamente. Nada poderia ajudá. com os cabelos brilhando.. D e p o i s d e 8 0 d i a s desaparecido. que deveriam estar em êxtase. . . — Adeus. Zayed — disseela. Zayed procurou na gaveta elhe entregou o documento sem se levantar da cadeira. gelada por dentro. C o m o s e r i a p o s s í v e l ? D e v i a s e r u m m i l a g r e . Zayed não sabia como ser o rei deque Sarq necessitava e o homem que Rou precisava. .Jessica 116. . Tentara ficar longe. por outro l a d o . Ele preferia sofrer a vê-la sofrer.Zayed a deixou ir embora. Não conseguia dormir direito. estaria a salvo. ele repetiu para si mesmo. Ela ficaria bem. ele ouviu o barulho de um motor e foi até a janelapara ver uma das Mercedes do palácio desaparecer na direção do portão. queria telefonar a todo instante para ouvir av o z d e l a . Elesentiu um amargo desgosto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter acréscimo à vida desde que sejam retribuídos e c o m p a r t i l h a d o s . Diga algo.minimizar o impacto que ela causara em sua vida. A s m ã o s d e l a t r e m i a m e a contração em seu estômago se transformou em enjôo. masseu mundo era complicado e estressante. Ele continuou calado. Você é que jamais irá se recuperar. recusava-se a reconhecer. Se ele sentia algo... resoluta e orgulhosa. — M e u passaporte? — ela sussurrou. e em Zayed. E l a p e n s o u e m J e s s l y n . ela imploroumentalmente. vestida de verde-esmeralda. Rou pegou o passaporte. E R o u ? E l e abanou a cabeça e trincou os dentes. Diga algo que me faça perdoar e esquecer. mas tremia tanto que o jornal não parava eela o abriu sobre a mesa. algo que me f a ç a ficar. Sharif vivo ? Ela ficou tonta e começou a suar frio. apesar de sua promessa de protegê-la.. Z a y e d apertou as têmporas que latejavam havia alguns dias. mantendo-se ocupado. . Se não fosse amaldiçoado. estendendo a mão.. Ela vai ficar bem.. agarradaao passaporte.lo. — Boa sorte. R o u e s t a v a l i n d a q u a n d o i n v a d i u o e s c r i t ó r i o . C o m o c o r a ç ã o a c e l e r a d o e u m f r i o nab a r r i g a .. Suas prioridades eram c l a r a s : S a r q v i n h a e m p r i m e i r o l u g a r . Ela não pertencia aquele lugar. R o u r e l e u a m a n c h e t e d o Chicago Tribune. Sentiria falta de Rou. Deus sabia o quanto ele chegara perto de se apaixonar por ela. ele disse a si mesmo.

onde o rei estava sendotratado. Sharif.Zayed. e r e s o l v e r a i n ve s t i g a r . Ela enxugou aslágrimas e tentou ler mais detalhes. muito queimado e ferido. Por causa dos f e r i m e n t o s na cabeça. e i m e d i a t a m e n t e reconhecera o irmão. foraresgatado por uma tribo de nômades que não o reconhecera. ouvira um boato de que havia uma tribo nômade à p r o c u r a d e r e mé d i o s p a r a t r a t a r u m f e r i d o . L e v a r a q u a s e u m m ê s p a r a e n c o n t r a r o s n ô m a d e s n o S a a r a .. No mês anterior. Não Projeto Revisoras74 ..Depois do terrível acidente. Sharif esquecera quem era. rezando para que seu enjôo diminuísse. K h a l i d Fehr . A família se reunira em Isi. Rou apertou o estômago. Sarq. irmão caçula do rei.

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vestida no habitual conjunto preto. Deus sabe o tipo de mãe que ela seria. Não queria o dinheiro de Zayed. Com sua vozfria e clara. transtornos do sono e dificuldade de concentração. seu peito doía e um nó se formava na garganta. de fato? —. quando adopamina inunda o cérebro e causa sofrimento físico e emocional. Rou dava uma palestra numa sala de conferênciasem Chicago. abrindo a janela para pegar ar fresco. porque percebeu que a vida é injusta. Rou estavabem. ele agira certo ao deixá-la ir embora. e agora. mas não s u p o r t a r i a e s t a r s o z i n h a e grávida. não queriaque ele financiasse seu centro de pesquisas. c a m i n h a n d o n a s u a d i r e ç ã o .O rei Zayed Feh assistira à palestra de Rou. mudança decomportamento. tudo isso.Jessica 116. Ela era como os gatos. e l e s e escondeu na sombra e viu que ela vomitava dentro de uma lata de lixo. Não queria ter nenhuma ligação com ele. Sharif está vivo. E l a n e m s e q u e r a b r i r a o s extratos que o banco lhe enviava.c o m o coração destruído. N ã o p e n s e n i s s o . tinha domínio sobre o público. T o d o m ê s e l e mandava algum dinheiro no qual e l a n ã o t o c a v a . deu uma risada fraca. Rou estava lívida. Ela sempre fora magra. Depois da palestra. o que aconteceria aZayed ? Só de pensar nele. Ela falou sobre as conseqüências de se romper uma relação no estágio inicial. agarrou a primeira coisa no caminho — uma lata de lixo — e vomitou.Ao sair do palco. — Não preciso de hospital. Elafalava bem. ela respondeu a perguntas durante 20 minutos. o que faria? Não queria se casar nem ter filhos. nós. Quando Rou s a i u d o p a l c o . partindo seu coraçãoQuatro horas depois. — O quehá de engraçado? — Ele estava zangado. resultando em ansiedade. que semprec a e m d e p é . antes de desaparecerem.— Você não sabe — trovejou ele. Ele não a escutava.Os dois não haviam mais se falado — quando o teriam feito. transmitia credibilidade.— Você. — Os . apesar de nada eliminar completamente osofrimento. sobre os efeitos fisiológicos do amor. foi salvo pelo irmão.— N ã o e s t o u e m n e g a ç ã o — i n t e r r o m p e u e l a . Zayed não era mais seu problema.— Você está em negação e. Deus do céu. Eles nada podem fazer por mim. anão ser logo após sua partida. Falou da importância de se exercitar e de se ocupar. Ele já fizera muito. A s a l a e s t a v a l o t a d a e e l e p a g a r a a o z e l a d o r p a r a f i c a r n o s bastidores. correndo para o hospital. mas parecia estar esquálida e muito pálida.— Não estou doente — repetiu ela. Ela estava doente! O susto fez com que ele seaproximasse. Ele abrira uma conta para ela num banco em S ã o F r a n c i s c o e t r a n s f e r i r a a q u a n t i a q u e l h e p r o m e t e r a . Ela agüentaria estar sozinha. que não queria casar ou ter filhos... Rou c a i u de joelhos e sentou ao lado da lata com o corpo tremendo e os o l h o s cheios de lágrimas. E s c l a r e c e u a o s o u v i n t e s q u e o s e f e i t o s d a a b s t e n ç ã o d e d o p a m i n a poderiam durar meses. s e m p r e p a s s a . v a i p a s s a r . estava grávida de dois meses e tremendamentesozinha. t e n t a n d o a c a l m a r s e u estômago. Se Sharif estava vivo.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter queria vomitar naquela hora.E STAVAM NA limusine de Zayed. Rou nunca o ouvira falar naquele tom e.. Demonstrava a terapeutas como as pesquisas de laboratório haviam provado que os efeitos da dopaminano cérebro eram viciantes..surpresa. O fato de você se casar com a única mulher que não o desejava. ela não demonstrava a angústia que sentia desde que partira de S a r q .

olhos dela brilharam ee l a e n g o l i u e m s e c o . S u a n á u s e a p i o r a v a : e r a q u e s t ã o d e t e m p o a t é e l a vomitar outra vez. — Não estou doente, Zayed. Estou grávida.A c a b a r a m n o h o s p i t a l , f o s s e p o r q u e ele não acreditara, fosse porque Projeto Revisoras75

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter precisava de provas. Ao ouvir o nome dele, o médico os atendeuimediatamente e fez uma ultrassonografia.— Hum — disse ele, observando a tela. — Então, é isto que nos espera.Zayed se inclinou e tentou olhar o monitor.— O quê? — vociferou com uma cara preocupada.— Duas batidas de coração — disse o médico, virando a tela e apontandoas imagens. — Gêmeos.Rou quase desmaiou e lutou para respirar. Gêmeos?— Não é possível — ela gemeu.— E comum na minha família — respondeu Zayed em voz calma. — Jamilae Aman.— Não é possível — repetiu Rou. Um bebê já era mau, imagine dois!O médico desligou o aparelho.— Parabéns, vocês estão absolutamente grávidos.Vinte minutos depois, eles se dirigiam ao hotel onde Rou se hospedara.Ela estava calada, mas ele a observava atentamente. Ela estava grávida de dois meses e já deveria saber a algum tempo. Nada lhe contara, ep r o v a v e l m e n te n ã o p r e te n d i a l h e c o n t a r . Z a y e d d e u u m s u s p i r o . E l e n ã o a culpava: ele não lhe dera apoio. Agora, seria diferente. Ela teria seus filhos, dois bebês. Ele se lembrou de Jamila e Aman, correndo pelo palácio, brincandode esconder, e sentiu uma pontada de dor. As irmãs eram lindas.R o u s e e n c o l h e u n o b a n c o . Z a y e d l h e e n t r e g o u u m s a c o de papel. Elavomitara no estacionamento e ele achava que ela v o m i t a r i a d e n o v o . R o u olhava pela janela com um olhar vazio.— Você está bem? — ele perguntou com a maior gentileza.— Não. Não posso ter um filho — ela disse, abanando a cabeça. — Quantomais, dois.— Pretendo ajudá-la.— Não. — Laeela, querida.— Não me chame de querida, nem de laeela. Eu não sou nada disso.— É apenas minha mulher.— Não somos casados.— Somos casados e sempre seremos. Jamais vou me divorciar de você. Prometi...—Você e suas promessas estúpidas! — gritou ela, voltandose afinal parae l e . S e u s o l h o s e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . — V o c ê vi v e n u m m u n d o d e promessas e maldições, de superstição e de fantasmas. É um mundo no qual eu não me encaixo, nem quero me encaixar. Acredito na ciência, naobjetividade, em fatos, e não vou entregar a minha vida a um homem que nãome ama. — Ela estava descontrolada e cutucou-lhe o peito. — Eu mereço mais,Z a y e d . M e r e ç o m u i t o m a i s . — R o u c o m e ç o u a c h o r a r c o m o u m a c r i a n ç a , encolhida, com as mãos no rosto e muito pálida. Zayed olhou para ela como sea visse pela primeira vez. Ela o amava. Rou nada dissera, e nem precisara. Elepercebeu pelo modo como ela o fitava, pela angústia em sua voz, pela força deseus soluços. Ela o amava e ele a magoara demais. O coração dele doeu maispor arrependimento que por culpa. Ela parecia uma menina, e ele se perguntoupor que jamais percebera. Zayed tentou tocá-la, mas Rou se afastou. — Não me toque.Ele retirou a mão, mas viu que as lágrimas caíam através dos dedos de Rou e umedeciam seus joelhos. Ela estava sozinha, sem família e sem amigos.Quem a confortaria, se ele não o fizesse? Rou precisava dele, não de qualquer Projeto Revisoras76

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tão básicos efundamentais? Agora. ela jamais tivesse existido. e sua própria culpa o torturara durante anos. E l e pensava incansavelmente. O que faria? Duas pessoas que ela corria o risco d e magoar? Duas pessoas que ela talvez fosse capaz de prejudicar? Agora. ou talvez estivesse prestes a sequebrar. lutando por ela. R o u s e n t o u n a c a m a e s e i n c l i n o u s o b r e e l e . Quando Rou secou seus olhos.l a . pleno. n a s ú l t i m a s h o r a s . mas vivo. A paz e a prosperidade haviam voltado ao palácio. a mãe de seus filhos. Talvez ele pudesse ser feliz.l a l i v r e m e n te c o m o jamais amara depois da morte de Nur. Talvez. ela esperara que o pai e a mãe reconhecessem que a amavam e precisavam dela. a c a r i c i a n d o s e u s c a b e l o s e beijando-a no rosto. olhe para mim! — Ele abriu os olhos com esforço. como Rou dissera.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter pessoa. os dois passaram a noite no hotel de Rou. Ele sentiu a mão fresca tocando-lhe o rosto. agarrou-a e colocou no colo. Ela o amava e. Não vou deixá-la nunca mais. não porque queria. dormindo. — Estou aqui e amo você. porém jamais acontecera. — Z a y e d . Ela tomou um banho. durante a p a l e s t r a . O suor escorria por . muito magoada e se sentia mal.Afinal. Sentia-se vivo vibrante. que comentou que ele temia que ela fugisse. Era o que ela queria: uma oportunidade para sevingar. combatendo a tristezae destruindo-a.Estava com ela porque devia. ele percebeu que chorava.— Zayed. O calor que sentia era ele voltando à vida. assumindo sua responsabilidade. dera à luz um menino. vestiu seuspijamas de flanela e deitou na cama. Estavag r á v i d a d e gêmeos. Fechou os olhos e se deixou invadir pelocalor. Duvidou que agüentasse tantossentimentos e tentou não fazer nenhum ruído que pudesse despertar Rou. Ele iria ser pai.isto era algo extremamente importante. se virara para ele e se aconchegaraa seu corpo. Olivia. Sua. Ele ignorou os protestos dela. Eles e n ti u u m a i m e n s a n e c e s s i d a d e d e p r o t e g ê . o que foi?E l e j a m a i s i m a g i n a r i a s e n t i r t a l s o f r i m e n t o . Ele não sabia por que ela o escolhera. m a s . Talvez a maldição tivesse enfraquecido. olhou para ela e imaginoupor que seu lindo rosto lhe parecia enevoado. Sarq estava emfesta. Ele disse que ficava porque não queria deixá-la sozinha. Zayedestava ali. — Zayed. pretendendo se manter o mais distante p o s s í v e l . P o r q u e e l a n ã o s e s e n t i a f e l i z e vitoriosa? Porque ele o fazia por dever. e l a mesma dissera que o amor é estranho e imprevisível.Z a y e d e sp e r o u q u e R o u a d o r m e c e s s e p a r a s e d e i t a r a o l ad o d e l a . a v o l t a d e S h a r i f perdera um pouco de sua importância quando comparada às duas vidas que ela carregava. para ele. Ele afastou uma mecha de cabelos do rosto dela e seu coração seincendiou e doeu. Talvez estivesse na hora de se livrar dela. e dever a vida e seus desafios de outra maneira. preocupada. Rou. Jesslyn e as criançasestavam mais que felizes. d e a m á . Sharif voltara ferido. sua mulher. e n ã o s a b i a o q u a n t o i r i a agüentar. Zayed? — ela murmurou.— N ã o c h o r e q u e r i d a — m u r m u r o u e l e . sua esposa.Jessica 116. esposa de Khalid. mas. Por que ela nunca pensara em anticoncepcionais. E l a e s t a v a l ou c a por ele.Rou não teve forças para mandá-lo embora. Voltara para ela. Zayed estava alie d e c l a r a r a q u e j a m a i s a a b a n d o n a r i a . Prometo. Eles nem sequer tinhamconversado a respeito de S h a r i f . Durante sua infância. tudo seria diferente.Zayed olhou para Rou que. — Algo de errado? — Elen ã o c o n s e g u i a f a l a r .

mas preciso de você. o calor que oqueimava se apagou. confusa. meu amor.— Amo você — disse ele em voz rouca. Perdoe-me. laeela. Projeto Revisoras77 . a dor desapareceu e ele se sentiu exausto.— Você está passando mal? — perguntou ela.seu rosto. — Amo você e preciso de você. — De súbito.

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acaba com o enjôo. não.. Talvez você soubesse que não se parece com sua mãe e que jamais abandonaria seu filho. u m a garrafa de ginger ale. — Não é estranho? Sou tãom a n í a c a c o m tudo. e.— Porém você nunca falou em controle de natalidade.— De jeito nenhum.— Talvez você quisesse ficar grávida — disse ele. Vou vomitar! — Ela correu para o banheiro. — Rou fez umacareta.— Você está delirando?— Porque eu lhe disse que a amo?— Talvez esteja com uma virose. Não há nada de errado comigo. Rou mordeu a uva. — Você tem vários diplomas. Ele sorria. Não é do seufeitio. o nascimento do filho de Olivia e Khalid. mas bem melhor. E ela me trouxe até você. sorrindo pela primeira vez em dias. é preocupante.Rou o olhou. no fundo. não há nada de errado comigo. Eu não seria uma boa mãe. A volta de Sharif.. — Por quê?— Porque amo você. em seguida. Foi por isso que o d e i x e i . arrumando a bandeja. Z a y e d l i g o u p a r a o s e r v i ç o d e q u a r t o e p e d i u u m b a l d e d e g e l o . mas fico contentepor mim. — Ela fechou os olhos. Zayed. Não novamente. — Rou acendeu a luz e o fitou calada. — Inconscientemente. apoiando-se no braço eolhando para ela. a felicidade de Jesslyn. s o d a . um prato de torradas e bolachas.— Eu sei. Dra. feliz por estar contente. Ela pegou mais umae depois comeu melão.— Isto tudo aconteceu nas últimas horas? Ele sentiu vontade de rir.— Estou melhor — disse ela.Quando Rou voltou para a cama ele lhe ofereceu a bandeja. e nunca pensei no assunto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Está tudo bem — respondeu ele. Sou igual àminha mãe.— Eu sei. O amor é mais forte que tudo.Jessica 116.O m ê s f o r a d i f í c i l . Acho que não pensei q u e pudesse engravidar. não conseguirei comer.— Não é uma comida qualquer — ele disse.— Não. E l a o o u v i u s u s p i r a r e abriu os olhos. Vamos ver se dará certo com você.— Vem acontecendo há algum tempo. Rou bateu Projeto Revisoras78 . — Estacomida é mágica. Não há sinal de maldição. e se deitou. — Zayed deu uma gargalhada e deitou na cama. Estava fresca e adocicada. Era o que Olivia comia quando estava enjoada. é mais forte que a superstição e a desgraça.— Eu não queria ser mãe. f r a c a e ridícula como ela..— Talvez.. m a s é exatamente o oposto. Vamos ser pais. —A maldição — ele disse. A infelicidade estava dentro de mim. você soubesse que seria. metade de uma torrada. em 20 anos. Zayed deu uma gargalhada. Pela primeira vez. contente. amor. melão e uvas geladas.— Como?— Percebi o quanto a amava. — D o i s b e b ê s — d i s s e d e r e p e n te . Acho que não pensei que sexo resultaria em filhos. E o amor. E u o d e i x e i p o r q u e s o u t o l a . desconfiada. até mesmo o meu.. — Ele arrancou uma uva do cachoe deu a ela.— Ah. apavorada. ou uma intoxicação. Vou ser pai. — Ela estremeceu e franziu a testa. — Acho que acabou finalmente. Tornell. A felicidade está espalhada ehá vida e amor em todos os lugares.— G o s t a r i a d e l h e d a r r a z ã o .— Sinto muito por você — disse ele de maneira fingida.— Ah.. — Não estou curada.

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— E estou bem?— Está. antes de ser coroado. mas tudoo que via era Zayed.— Podíamos ficar juntos e nos amarmos.— Ele reconhece Jesslyn e as crianças?— Ele reconhece Jesslyn.— Ele está com amnésia?— Houve uma perda significativa de memória. Porém a vida em Sarq não era fácil paraela. Eu me sinto solitário.. E l e e s t á v a z i o s e m v o c ê . Porém. mas suas lembranças são do tempo em que viviaem Londres.?— E s t á b e m o s u f i c i e n t e p a r a r e t o m a r a l i d e r a n ç a . você ainda é rei — disse ela gentilmente. Sharif. Não consegui ficar longe de você.Amo você demais para magoá-la outra vez.. t e n t a n d o esconder as lágrimas.— Você é louco por mim? — Zayed se inclinou sobre ela e afastou-lhe os cabelos do rosto. Ele se lembra de você. rindo. o homem cheio de dúvidas. Eu sempre soube onde você estava e o quefazia. perseguido por fantasmas. Prometo. quejamais vou abandoná-la. — O r i s o d e l e s e apagou.Jessica 116..De fato.Rou afundou no travesseiro.. Juro. Poderia estar comigo.— Você terá uma linha exclusiva. e ficar sozinha e grávida só aumentara sua infelicidade. Fehr?— Amor. Eu me escondia de você. por que sou tão louco por você?Rou olhou para ele. mas poderia estar melhor.— E o que é Dr. A culpa foi minha. minha rainha. Ele era o que ela queria tudo de que precisava. mas Sharif ainda não recuperou totalmente a memória. Podíamos ter o que queremos o que precisamos.— Você jamais ficou perdida. Seja minha esposa. s i n t o s u a f a l t a . Fico perdida nos seus palácios.— Mas.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter nele com o travesseiro. Projeto Revisoras79 .— Totalmente. O trauma foi violento eos médicos querem que ele tenha tempo para descansar e se recuperar.— Q u e r o u m a l i n h a d i r e t a c o m o s d o i s p a l á c i o s — d i s s e e l a . V o l t e p a r a casa comigo. quisemos esconder a informação da imprensa. Tive q u e v i r procurá-la. Fico perdida no s e u mundo.— Você está dizendo isso porque perdeu seu emprego?— Não perdi meu emprego — ele disse.Rou tentou ver nele o homem que a abandonaria na primeiraoportunidade. laeela — Os dentes dele brilharam num sorriso. verificar se você estava bem. sentindo esperança. — Não quero precisar recorrer a ninguém para falar comvocê quando sentir necessidade. V o c ê a l e g r o u o p a l á c i o .— Sou. — Não foi noticiado. mas não acontecerá de novo.— Então.— Como posso ter certeza?— Porque estou aqui. como homem e como rei.. medo e ansiedade. Ela se sentira miserável sem ele.— Por que está rindo? Acabo de lhe contar meu segredo mais escondido evocê ri como uma hiena!— Se você é tão fraca. nem quero.— Não sei Zayed. como conseguiu sobreviver sem meu dinheiro e meu apoio emocional? Seé tão ridícula. não consigo sem você. nem saudável. era tentador. como conseguiu coragem para me deixar? Se é tãotola..

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m a s n e n h u m a maior que aquela mulher. todos os seust e m o r e s s e a p a g a r i a m e s u a f e r i d a e s t a r i a s a r a d a .Rou fechou os olhos ao sentir os lábios dele sobre os seus e acariciou-lhe orosto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Quero viajar com você. Nossos filhos também precisam. n ã o agüentaria que fossem magoados da mesma maneira que fui. Z a y e d enfiou as mãos nos cabelos dela. sua mulher. E l e r e c e b e r a v á r i a s b ê n ç ã o s . Com o tempo e a confiança. Rou pensou ump o u c o s e i m p o r i a m a i s a l g u m a c o n d i ç ã o .— O amor cura — ela disse em voz baixa e doce. meu amor?O sorriso dele era enorme estava mais bonito que nunca. E l a e r a d i f e r e n te d e s u a mãe.— Algo mais. que nos amemos o suficiente para colocálos sempre emprimeiro lugar. suanoiva. sua esposa.R o u o abraçou e beijou com tal ternura que o coração de Zayed d o e u antes de se encher de júbilo. Projeto Revisoras80 .— Amo você.Rou sorriu e o coração de Zayed derreteu. beijando-a. sua a l e g r i a . E l e s e s e n t i a f e l i z . — Faremos com que dê certo.— Espero que sim.J ú b i l o . Quero estar onde você estiver.— Quero que nossos filhos cresçam num ambiente feliz — disse.Jessica 116. com todo o meu coração — ele disse.— Sei que sim. para atender às necessidades deles antes das nossas. era mais forte do que esperava.— Dará certo — ela disse resoluta.— Concordo totalmente. Eu não s u p o r t a r i a q u e n o s s o s f i l h o s s e v i s s e m e n c u r r a l a d o s e n t r e n ó s d o i s . — Queroque sejamos fortes. Ele sentiu um nó na garganta. — Ele tudo renova. Preciso de você e do seu amor. e p e r c e b e u q u e t u d o d e q u e precisava era de tempo para confiar.

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Ele também dissera à esposa que. poderiamviajar. n o casamento e na maternidade.O rei Sharif sorriu ao pegar o bebê e olhou para Rou. m a s e r a t a r d e d e m a i s . O s b e b ê s . Ao perceber que Rou estava à beira das lágrimas. c o m seis meses. assumindo seu reinado. E l a j á e s t a v a c o m a v i s t a enevoada e mal conseguia acompanhar a c e r i m ô n i a .Jessica 116. Zayed queria ficar perto da família. e. Ela. Sua missão não era passar horas noc o n s u l t ó r i o o u d a r p a l e s t r a s . S u a m i s s ã o e s t a v a e m c a s a . **** *** * . algo incomum na família Fehr.Com o retorno de Sharif ao trono. encontrara sua missão.O batizado aconteceu numa das salas do palácio e a cerimônia foi curta. mas sem interferir: Cala era a solução perfeita. Ela ficou emocionadae s o r r i u p a r a o c u n h a d o e a m i g o q u e s e e sf o r ç a r a t a n t o p a r a r e c u p e r a r a memória e a energia. F o r a u m v e r d a d e i r o milagre ver Sharif de volta. mas Rou não tinha vontade de retomar seu trabalho. e o inquieto e teimosoSharif ser colocado nos braços do tio Sharif. que jamais quisera se casar ou ter filhos. n o p a l á c i o d e v e r ã o . n o a m o r .mandou buscar um padre em Londres. Jesslyn e Olivia aapoiaram. R o u escolhera os irmãos de Zayed como padrinhos. não suportariam um ritual mais demorado. acreditando que todas as crianças deveriam ser abençoadas. apreciava a vida que levava. se ela quisesse. R o u a d o r a v a o c l i m a e a p r a i a d o l i n d o p o r t o histórico. três campos de estudo que ela pretendia cursarpelo resto da vida. Nada mais natural do quedar seu nome a um dos gêmeos. Zayed. observava o pequeno e calmo Kamil ser colocado no colo de Khalid. Zayeda a b r a ç o u p e l a c i n t u r a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Epilogo ROU QUIS batizar os filhos. m a s e l e s d e c i d i r a m m o r a r e m S a r q e criar os meninos emC a l a . Adorava ser mãe eadorava seu marido. no momento. ela e Zayed estavam livres para viver o n d e q u i s e s s e m .

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