Jessica 116.

1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter

DUTY, DESIRE AND THE DESERT KING

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preocupada. Ele era irmão de Sharif. Rou desprezava playboys e grandes astros.— Como assim. Não podia ser verdade.Pela primeira vez em 15 anos. s e u a m a d o i r m ã o . o homem que a humilhara e magoara como nenhum outro. ele voou até aqui. após uma turnê de sete semanas em que promovera o seu livro. rico. e não por causa do irmão mais moço do rei Sharif Fehr. Ele expirou com dificuldade..Aquilo era o tipo de coisa que seu pai diria. e ele fora dado como morto. A partir daquelemomento. Parece que é urgente:assunto de vida ou de morte. mas a ovelha negra da família. Zayed sentiu que possuía um coração e quee l e s e p a r t i r a . — Por quê? — Você disse a ele que não teria tempo de vê-lo em Portland o u e m Seattle. s e u i r m ã o c a ç u l a . Canada O SHEIK Z AYED Fehr está aqui e m Vancouver? — repetiu a Dra. elausava lentes de contato. pensou Rou.— Quero dizer aqui. na privacidade de seu quarto de hotel. apertandoas mãos. S h a r i f .tirando os óculos com mão trêmula e esfregando o nariz. As mãos de Zayed tremeram. a assistente de Rou. — Acho que ele não irá embora antes de vê-la. frívolo e egocêntrico. porémmal conseguia respirar.— Sim. Em geral. Capítulo Um Vancouver. Zayed precisaria se casar e voltar para casa. Ele não costumava se emocionar. confusa. famoso. seu irmão mais velho. Rou fez um gesto de aborrecimento.o sheik Zayed. Bastava saber que ela jamais respeitaria ou confiaria num homem como . Portanto. Ela disse a si mesma que tremia por causa do cansaço. A m e n s a g e m e r a c u r t a e s i m p l e s . Jamie não p r e c i s a v a saber dos detalhes embaraçosos do encontro de 3 anos a t r á s . Tudo girava em torno dele.Jessica 116. acima de tudo.. preferiaos óculos. espantada. aqui? — perguntou Rou. Zayed seria o rei. masvárias vezes. — Jamie sorriu nervosamente. e simp o r K h a l i d . sem senso de responsabilidade e sem educação.— Não tenho tempo e não quero vê-lo.— Nós nos conhecemos — disse Rou com fingida indiferença. não uma. Ele está aqui — disse Jamie. Sefosse verdade. no hotel. mas. Khalid deveria estar enganado. K h a l i d f o r a direto. um príncipe do desertosem preocupações. odiava a facilidade comque satisfaziam os próprios desejos.— Você o conhece? — perguntou Jamie. Ela não fora enviada pelo rei. d e s a p a r e c e r a : s e u a v i ã o c a í r a e m algum lugar do deserto do Saara. e Zayed fora feitono mesmo molde: bonito. Rou Tornell. ansiosa. e. Sharif. ele já teria ouvido alguma notícia antes de receber acorrespondência. O filho de Sharif tinhaapenas três anos e não poderia governar. Uma pontada aguda feriu seu coração.— O quê? — Rou recolocou os óculos e fitou Jamie.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Monte Cario O sheik ZAYED Fehr releu a carta escrita no grosso pergaminho usado pelafamília real. detestava Zayed Fehr.

na ante-sala. A a s s i s t e n t e e s t a v a q u a s e c h o r a n d o . — Ele tem um corpo perfeito..— Ele é muito bonito — disse Jamie.l a p o r f i c a r encantada com Zayed.. R o u n ã o p o d e r i a c u l p á . Projeto Revisoras4 . a fria e racional cientista. A assistente de produção só chegará dentro de meia hora e você vai se maquiarno estúdio de TV. Além de bonito e rico. — Ela viu a expressão de Rou e apressou-se a esclarecer. — disse Jamie.— Há meia hora. C l a r o q u e t er i a tempo. irritada.. P e n s e i q u e v o c ê t e r i a t e m p o .— Ele me pareceu muito simpático. Ela mesma. —Ele parece desesperado para vê-la. nervosa. se dei-xara impressionar.— Você o conheceu?— Bem. engolindo em seco. Zayed em sua suíte.— Pensei que você teria cinco minutos — insistiu Jamie. J a m i e t r a b a l h a v a a r d u a m e n t e . e r a a g r a d á v e l e ef i c i e n t e . Rou queria gritar que sim. Sim. O problema é que não desejava desperdiçar nem cinco segundos com Zayed Fehr.e as mulheres caíam a seus pés. com as mãos suando frio e oc o r a ç ã o d i s p a r a d o ..ZayedFehr. — Rou juntou seus papéis para disfarçar opânico.— Não — ela respondeu. corando.. ele era charmoso e carismático. esperando-a do outro lado da porta? — Eu fiz algode errado? — perguntou Jamie. entusiasmada. mas isso não faz dele um homem bom. Ele está aqui.— Na minha suíte?— E l e e s p e r a q u e v o c ê o r e c e b a . umafortuna ultrajante e um poder indescritível..R o u a g a r r o u a b e i r a d a d a m e s a p a r a c o n t e r o t r em o r .— Há quanto tempo ele está esperando? — perguntou.— Tem razão — suspirou Rou.

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.Jessica 116. apenas quatro anos mais velho que ele. a s s i m c o m o o sofrimento infinito e silencioso de Khalid. Rou Tornell. pelo sofrimento e pelo medo. pedante e tensa. O irmão e a cunhada jamais lhe pediram algo. No dia seguinte faria uma semana queo a v i ã o s i m p l e s m e n t e d e s a p a r e c e r a s e m sinal de alerta. empertigada econvencida que eleja conhecera. Zayed esperava ser recebido pela Dra. n o 1 4 ° d i a Z a y e d a s s u m i r i a o t r o n o . Porém. Todos recorriama Sharif. dominado pelo luto. Todos nós precisamos.Ele voara para casa. palestrante internacional e casamenteira profissional. Elepensou que era típico de Rou Tornell estar sempre ocupada e se fazendo deimportante. E s t á c e r t o . mas receio que o tempo seja curto. de repente. A a s s i s t e n t e s a i u discretamente e Projeto Revisoras5 . Ela era a mulher mais fria. Entretanto.— A Dra. ele não estaria ali. mas anos de experiência como terapeuta a haviamensinado a não demonstrar suas emoções. Aop e n s a r n e s t a ú l t i m a q u a l i f i c a ç ã o . era impossível evitar.Na ante-sala. Osarranha-céus e os apartamentos de cobertura agora eram o seu lar. Rou Tornell exalava o calor de um cubo de gelo. d i a n t e d e u m l a p t o p . Se não fosse pelo irmão. As quatrocrianças estavam chocadas. Talvez por isso ele se comovera. encontrou-a sentada do outro lado de uma m e s a. ele gostava de chuva. odeserto não estava mais em seu sangue. e com os sobrinhos. mas quando se tratava deRou Tornell. Agora. Ninguém sabia o que acontecera. Preciso de você. Agora. morreria? Quem poderia prever a queda do avião? Zayed fechou os olhos esentiu uma dor no peito. mas deixe claro que ele só terá cinco minutos — disse em vozfirme e de cabeça erguida. e encontrara Khalid. Q u e m p e n s a r i a q u e a h u m i l d e protegida de Sharif se tornaria uma palestrante internacional.— P o r q u e n ã o m e d i s s e a n t e s . magra. Sua dor parecia maior e mais intensa agora do que aoreceber a notícia cinco dias antes. e e r a d i s t o q u e e l e p r e c i s a v a .. Khalid murmurara ao se despedirem. O m u n d o d e l e s v i r a r a d e c a b e ç a p a r a b a i x o e jamais seria o mesmo. e l e s o r r i u . Não admira que Jesslyn parecesse um fantasma. antes danoite de autógrafos. e muito menos uma casamenteira? Quem diria que a tímida professora entenderia algo sobrea t r a ç ã o s e x u a l e s o b r e r e l a c i o n a m e n t o s a m o r o s o s ? Z a y e d e r a c a v a l h e i r o demais para fazer comparações entre as mulheres. o mais velho. ela tinha a reputação de ser a melhor ems e u r a m o.mas quem poderia imaginar que Sharif. Tornell vai recebê-lo agora — disse ela corando —. um governante. Ao entrar no quarto. que tentaria cuidar detudo até que ele pudesse voltar e assumir seu lugar. O palácioestava pior do que ele imaginara. P o r l e i . a experiência de Zayed lhe mostrara que ela era s e v e r a m e n t e reprimida. Sharif sefora.o r o s t o d e J e s s l y n e s e u s o l h o s e s p a n t a d o s o p e r s e g u i a m . E l a u s a v a ó c u l o s e s e u s l o n g o s c a b e l o s l o u r o s estavam displicentemente presos atrás das orelhas. a rocha. nem que K h a l i d n ã o d o r m i s s e h á d i a s .. p a r e c i a impossível: ele não era um líder. O senhor terá apenas alguns minutos. Zayed também passaraalgum tempo com a esposa de Sharif. seu lugar não era em Sarq. sem pedido des o c o r r o . . porque ela dará várias entrevistas esta tarde. P a r a e l e . e sua personalidade eratão interessante quanto um. e talvez até deprimida. Loura. o centro da família. Embora Sharif alegasse que ela era apenas o b j e t i v a . — R o u endireitou os ombros e prendeu o lindo c a b e l o l o u r o W a t r á s d a o r e l h a . ? N ã o i m p o r t a . Jesslyn.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ficou desanimada.— Não há problema — Zayed respondeu sorrindo e seguindo Jamie. não de sol. — Mande-o entrar. autora de best-sellers.Volte para casa. em Sarq.Jamie abriu a porta. desesperadas e sentiam a falta do pai.

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A percepção que tivera do caráter de Zayed se tornara o título de seu segundo best-seller: "Ele não é um príncipe — Como reconhecer os homens maldosos. mesmo magoando os outros.— Eu não diria ansioso. Elaé um iceberg. um dos maioresastros de cinema de sua época.— Rou sustentou o olhar de Zayed. — Estou meio apressada. queixo não . apesar de seu coração disparar. E s q u e c e r a . observando que ela não mudara e quejamais mudaria.mas. Z a y e d e r a incrivelmente lindo. O pai dela. Esqueça o cubo de gelo. Tornell. — Eu nãopoderia deixar de lhe apresentar minha amiga. E n t r et a n t o . ele era bem mais alto que ela. não é?De repente.— Boa tarde. ele pensou com cinismo. — Ele se levantarade maneira imponente e elegante. zombado dela. parando diante da mesa do sheik. Possuía milhões de dólares. irritada porques e u p u l s o a c e l e r a r a .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter fechou a porta. sheik Fehr — cumprimentou Rou. e m Winchester. Tinha olhos e cabelos negros.— Não imagino como possa ajudá-lo — ela disse friamente. S e S h a r i f e r a b o n i t o . e fazia o que queria. costumava produzir o mesmo efeito. Rou reviveu o fim de semana em que haviam se conhecido d u r a n t e o c a s a m e n t o d e L a d y P i p p a C o l l i n s . Pippa os apresentara durante a recepção. segundo Jamie. Ela não deveria admitir que um homem como ele tivesse tal poder. — Rou sentiu um sobressalto ao vê-lo se aproximar. Ela teve dois filhos nesse ínterim. Sentia-se envergonhada por ele tê-lamagoado. Dra. o p r í n c i p e Zayed Fehr.s e d e c o m o e l e d o m i n a v a o ambiente com sua imponência e sua elegância. Zayednão era artista. aproximando-se. você está ansioso para me ver. Rou Tornell. em seu lugar. E l a n ã o g o s t a v a d e l e . Sharif deveriacomparecer. — Dois anos?— Três.Zayed notou o tom gélido e apertou os lábios. — Tanto tempo assim? — ele retorquiu com um sorriso frio. — Faz algum tempo — ele disse. além da fortuna dafamília.os impostores e os trapaceiros e encontrar o verdadeiro amor". Odiava que ele a tivesse magoado.o p o r c o n s i d e r a ç ã o a Sharif. r e c e b e r a .t i n h a o m b r o s l a r g o s e a c i n t u r a e s t r e i t a . Como Sharif.— Parece que foi ontem que nos conhecemos. que lhe t i v e s s e provado que ela jamais deveria confiar num homem e que jamais encontraria um amor verdadeiro.— Parece? Não para Pippa. Ele era maisa t r a e n t e d o q u e e l a s e l e m b r a v a . mas um sheik que se comportava de maneira mais ocidentalque a maioria dos ocidentais. mas não pudera e mandara s e u i r m ã o m a i s n o v o . Determinado seria a palavra mais certa. Ela oo d i a v a . quando e como desejava. a l g o d e p o s i t i v o r e s u l t a r a d o e p i s ó d i o h u m i l h a n t e e d o l o r o s o .— Lady Pippa teve dois filhos? Ela tem estado bastante ocupada. Rou endureceu o queixo.— Sheik Fehr — Pippa dissera.Jessica 116.

— Graças a Rou. ela sabiaque jamais poderia confiar nele.muito quadrado.— Q u e s o r t e — e l e d i s s e r a n u m t o m d e i r o n i a q u e R o u j a m a i s o u v i r a . como psicóloga. Pippa estava tão feliz quenão percebera. Projeto Revisoras6 .Os olhos do sheik Fehr brilharam. já que a maioria dos homens bonitos é egoístae i m p i e d o s a . q u e r i a g o s t a r d e l e p o r s e r i r m ã o d e S h a r i f . Rou reparara que ele não era um jovemde 20 anos. Em parte. Foi ela quem me apresentou a Henry. Era o protótipo da beleza. apesar de. mas um homem maduro. há um ano. ela já ter ouvido de tudo. P o r o u t r o l a d o .m a s e x t r em a m e n t e m á s c u l o n a r i z r e t o e m a ç ã s d o r o s t o p r o n u n c i a d a s q u e fariam inveja a qualquer modelo. em torno dos 32 ou 33 anos. estamos aqui.

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.— O que posso fazer. r o ç o u . por você. não fosse por um email de Sharif querecebera por engano. Q u e r d i z e r . lera o e-mail: "Passar a noite com elaf o i c o m o p a s s e a r n u m m u s e u — maçante — mas você agüenta porque se c o n v e n c e d e q u e es t á f a z e n d o u m a b o a a ç ã o .Jessica 116. sempre curiosa. O p i o r é q u e p e r c e b i q u e e l a gostou de mim. sentando-se numa poltrona. As horas que passaram juntos foram deliciosas. O primeiro nome é Zayed. falara sobre o próprio trabalho.— As coisas mudaram — disse ele sério. mas. Para sua surpresa. A gentileza dele a cativara . As mãosdela tremeram. Rou. Preciso soletrar?— Não. sheik Fehr?— Você podia pegar sua papelada e começar a preencher os formulários. nem piscou. Ela já formou cem pares. sem mencionar os e-mails. rouca o suficiente para parecer uma carícia. Sharif pretendia responder uma mensagem de Zayed. Zayed a convidara para sentar e os dois passaram o resto da noite juntos. Um manequim de loja.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — R o u . Não admirava que as mulheres Se encantassem. de alguma forma. Preciso de uma esposa. maçante.— O que faz aqui? — perguntou ela. Era exatamentecomo ela se lembrava: profunda e firme. atendendo a um aceno do marido. O cabelo estava mais curto do que quando o conhecera. dançarame saíram juntos da recepção para tomar um último drinque num bar. Ele a escutara rira de suasbrincadeiras.— Estive viajando — respondeu secamente.. Mais tarde.— Talvez você precise atualizar sua tecnologia. D á p a r a acreditar? O nosso é o centésimo casamento que ela faz. Havia tempo que ela não tinha um encontro. de fato. enviara o e-mail para ela.— Tenho 36 anos. Porém. Ficara atraída por ele e percebera queZayed também estava atraído por ela. Maçante. Vou Projeto Revisoras7 . q u e r i a u m a esposa? Ela mal sufocou uma gargalhada. Zayed Fehr. quando ele a colocou num t á x i . — Ela rangeu os dentes ao ouvir a voz irônica. o s o l t e i r o m a i s r i c o e f a m o s o d e M o n t e C a r i o . corando.A alegre Pippa se afastara. e a deixarasozinha com o sheik.. ele n ã o t e l e f o n a r a e R o u jamais saberia o que ele sentia por ela. Sharif prometera não contar. Ela tem o calor eo charme de um manequim de loja. Ele percebera o erro antes d e l a e l i g a r a p a r a s e d e s c u l p a r e p a r a l h e p e d i r q u e a p a g a s s e a r u d e mensagem sem ler. — Não tenho mais opção. mas a atração obviamente não foi recíproca. a D r a . r e n o m a d o p l a y b o y . " — Você ainda promove casamentos? — disse Zayed naquele momento.Rou o examinou por um tempo.O nome é F-eh-r.— Por que uma esposa agora? Você sempre declarou não ser favorável aocasamento. sheik Fehr?— S e t i v e s s e a t e n d i d o m e u s t e l e f o n e m a s . v o c ê s a b e r i a — e l e d i s s e . Comofora estúpida! A vergonha a fez falar secamente. assim como ela. e ele fazia comque ela se sentisse bonita e fascinante. Conversaram durante horas.Rou esperou o fim da piada. ela pensou. sem gravata.l h e o r o s t o c o m o s l á b i o s e e l a t e v e a c e r t e z a de que logo ele aconvidaria para um encontro de verdade. — Deixei várias mensagens para você. Ele deveria estar brincando. Ele usava um bonito terno e uma camisa branca. T o r n e l l t e m u m v er d a d e i r o d o m . mas ele não sorriu. e todos acabaram em casamento. Rou se lembrava muito bem dos detalhes daquela noite e do calor do corpo de Zayedenquanto dançavam.— Sim — disse ela simplesmente. odiando reviver o episódio. . — O que posso fazer por você. A únicavantagem é que ele nada sabia.

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você não encontraria sozinho uma c a n d i d a t a disponível. — E l a n ã o sentia. — Fui eu que lhe dei o seu nome.R o u o b s e r v o u . mas Zayed não as fornecera e ela não pretendia perguntar. Isso não quer dizer que.Jessica 116. Ela percebera que precisava ajudar a pobre moça. Jamais condenaria alguéma passar a vida com ele. é destrutivo. Ela sel e v a n t o u . — Ela não sentia o menor remorso. entrou e acenou para o relógio. T o d o s s a b i a m q u e S h a r i f e r a o r e i d e S a r q . você não seencaixa no perfil dos candidatos com quem trabalho.— Já percebi — retrucou ela com sarcasmo. n e c e s s i t a d e c o n t at o e d e s e r inundado pelos hormônios produzidos em sua presença. p r e c i s o m e p r e p a r a r p a r a o m e u próximo compromisso. Faltavam-lhe informações. 26 anos. Projeto Revisoras8 . mas. — Sei que ela veio consultá-la — acrescentou Zayed sem expressão. e a lei assim o exige. Rou se lembrou de sua mãe. R o u s e r e c u s a r a a a t e n d e r a m o d e l o . deverá estar casado. E. mas que nãoconseguira fazer seu pai feliz. O reiprecisa ter uma esposa. Q u a n d o s e e s t á s o b o ef e i t o d o a m o r . você vai me ajudar?— Não. Não querouma noiva qualquer. mas sua expressão não era amigável. Quanto menos soubesse.— Se você realmente quisesse uma esposa. Quem ele pensava ser? Como podia ser tão insensível eegoísta.. Você é especialista em relacionamentos e pode encontrar a mulher perfeita para mim. De modelo passou a estilista de bolsas. Se fosse o caso. Jamais encontraria uma mulher para Zayed. quando dá errado. — S e m e d á l i c e n ç a . e q u i v a l e a u m a desintoxicação. deleite.o . deixaria que minha mãe a escolhesse. admirada e invejada no mundo inteiro. Lembra-se dela? Magra. vício. Além disso... cabelos ruivos. s h e i k F e h r . foram necessários meses de paciência e habilidade para tirá-la do f u n d o d o p o ç o . Isso a faz recordar?Claro que Rou se lembrava de Angela. P o r c a u s a d e s e u s sentimentos pessoais emr e l a ç ã o à Z a y e d .— Estou com pressa. i n t r i g a d a . — S i n t o m u i t o . O cérebro subitamente privado de alguns neurotransmissoresq u e o a l i m e n t a v a m i m p l o r a p e l o s er a m a d o . É p r e c i s o t em p o e pesquisa para encontrar um companheiro compatível. quando o fizer. Rou se lembrou de que precisava mudar de roupa e se pentear. aparecendo para lhe pedir ajuda depois de tanto tempo?— Então.Zayed sorriu. De repente. u m c o r a ç ã o p a r t i d o e q u i v a l e a u m a f o r m a d e m o r t e .— Ela foi sua cliente há um ano.— Não quero uma candidata disponível. mesmo comsua ajuda. Jamie bateu na porta. nem uma esposaagradável. depois dea l g u n s m e s e s . Ele era desagradável e queriaque ele fosse embora.— N ã o p o s s o — e l a r e s p o n d e u br u s c a m e n t e . Talvez houvesse outro reino ou alguma tribo do deserto que precisasse de umsenhor feudal. Tornell. Dra. R o u c o m p r e e n d e r a q u e o a m o r e r a a m a i s p o d e r o s a d r o g a conhecida pelo homem.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assumir o trono de Sarq.— É por causa de Angela Moss? Rou se espantou. É por isso que estou aqui. a a b a n d o n a r a . c o m u m p o u c o de esforço. Amor é loucura. Nenhum homem pode ocupar otrono antes de completar 25 anos e.. O sheik a conquistara e. — U m c a s a m e n t o n ã o d e v e s er a p r e s s a d o .— Eu não conheço. quero a esposa certa. e e s t a t e n t a r a s e suicidar. e sim uma sensaçãod e p o d e r . Negativo. melhor. Depois de 12 anos dee x p e r i ê n c i a . creio que conseguiriaencontrá-la. uma famosamodelo inglesa. P a r a o u t r a s p e s s o a s . Pensei que poderia ajudá-la.

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com necessidades próprias. M i n h a c l í n i c a é um s u c e s s o e t e n h o m u i t o t r a b a l h o . — Ela se inclinou sobre a mesa. — Não gosto d e v o c ê . não é?Jamie abriu a porta. — Elas não serão magoadas quando você as dispensar. N ã o d e v e r i a t er d i t o a ú l t i m a f r a s e p o r u m a q u e s t ã o d e sigilo. Jamais trabalharia com você.— Você está zangada — ele disse surpreso. a b o r r e c i d a . capachos. não se faça de obtuso. — Você é psicóloga.— Porque eu não amava Angela?— Porque você não ama e é incapaz de amar — explodiu ela e trincou os d e n t e s . bonecas.— Não. Você me deu uma razão pessoal.— Eu mudei — disse ele. encarando-a.— Não é? — Ele sustentou o olhar de Rou. — Interesse de quem?— Seu. Angela lhe dissera que Zayed usara sua incapacidade de amar como motivo para romperem seu relacionamento. com base na minha experiência pessoalcom você.Rou olhou-o com desdém. ela respondeu intimamente.Jessica 116. sheik Fehr.— Então. Agora você vê por que eu não poderia trabalhar com você depois deatender Angela. Mas nada disse.. como se fosse evidente. mas não queria magoá-la.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou sentou novamente. Os narcisistas não conseguem amar mais ninguém e nemver o outro como um ser separado. Fazia parte do sigilo entre p a c i e n t e e terapeuta. portanto.. — Desculpe — ela disse.— Isso não é possível.— Desculpe interromper de novo. porque jamais lhe revelaria que sabia o que e l e pensava dela.— Você disse a Angela que jamais se casaria que nunca se apaixonaria e que éincapaz de amar.R o u p e r c e b e u q u e J a m i e a i n d a e s t a v a p a r a d a à p o r t a e f e z u m g e s t o. N ã o p o d e r i a v e r a s i t u a ç ã o i s e n t a d e preconceitos. posso me dar ao luxo de ser seletiva.— Deixe que eu seja clara.— Não estou zangada.Ele era muito arrogante!— J á s e i d e m a i s s o b r e v o c ê . — Ela firmou a voz. — Ela sorriu. porque ele jamais se apaixonaria eela o amava cada vez mais.— Marionetes. Haveria conflito de interesses. você tem consciência. perplexa.— Talvez você devesse parar de sair com mulheres que têm cérebro e coração. pedindo mais cinco minutos..— O que está sugerindo? — ele perguntou.— Não precisa? — ele repetiu. não acreditava poder ser fiel a uma mulher. Eu quero uma razão profissional.. e que.— Isso tudo com base nos seis encontros que tive com Angela? Não.. robôs.— Por que não?— Eu já lhe disse. Só não preciso de você. Projeto Revisoras9 .— Você a mandou para mim? — Ela balançou a cabeça.— É muito simples.Afinal. Assim que ela se foi. você é uma cientista.— Eu não a amava.. Era o clássico narcisista. — Por quê?— Eu estava preocupado com ela — replicou ele. s h e i k F e h r . mas sua acompanhante chegou Dra. O pai de Rou também sóamava a si mesmo. portanto. — Isso foi inadequado. Ele a olhou com indiferença. Rou se voltou para ele.

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Se ela esperava abatê-lo. e esperou a porta fechar. — Você não me conhece. A simples oferta demonstra o seu desespero. Trabalhar com vocêcontraria minha ética e. — Ela se levantou mais tensa do que nunca. levantando. Atendo cinco por cento das pessoas que me procuram. e talvez fosse mais fácil. e sim de valores.— E v o c ê t a m b é m n ã o f o i ? V o c ê m e j u l g o u e s e n t e n c i o u a n t e s d e n o s encontrarmos hoje. Ela está esperando no saguão do hotel — Rou acenou com a cabeça. tudo..— Este é o problema — ele disse.— Não.— Então. Só trabalho com pessoas que acredito poder ajudar. perdendo a paciência.. Não preciso da sua aprovação. Estou lhe pedindo para me arranjar uma esposa. — Oque faço não é por dinheiro. — Ele caminhou para a porta.— Você pode me ajudar.— Não sei se todos sairiam ganhando. Tornell. O perfil. como se tivesse levado um soco. assim como fiz antes de procurála.m e u m a e s p o s a e t e r á o s e u c e n t r o .. — É o suficiente para você esquecer suasobjeções? — Não! Eu não ligo para o dinheiro — ela disse.. sem despregar os olhos de Zayed.— Pensei que você fosse uma profissional. pelo visto. de ética. — Ele a desafiou com um olhar..Rou perdeu o fôlego. que é o melhor que sabe fazer.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Tornell.— Eu sou.— Nem mesmo cinco milhões de libras? Rou ficou espantada. — Jamais.— Não lhe peço para encontrar a cura do câncer. e que.— O tempo é fundamental.— Pelo que me diz respeito. falhara. mas não é verdade.— Cinco milhões de libras? — repetiu. Meu sucesso sedeve ao fato de ser criteriosa.. E n c o n t r e . calculando que seriam oito milhõesd e d ó l a r e s .E l a s e c a l o u p o r q u e n ã o p o d e r i a c o n t a r a l g o t ã o p e s s o a l a u m h o m em como Zayed.. Ele deu uma gargalhada amarga. — Ela respirou fundo. s a b e r i a q u e n ã o a c e i t o q u a l q u e r um c o m o cliente. que só se importava consigo mesmo. dá no mesmo.— Qual foi o resultado da sua pesquisa. francamente. Ótimo. e todos saem ganhando. Não seriacorreto.— Preciso ir. —Talvez você devesse fazer uma pequena pesquisa antes de tirar conclusões. Faço por que. faça seu trabalho. nenhuma quantia faria com que eu me comprometesse. — Determinação — ele corrigiu. as informações básicas. Ajude-me.— Então. Vamos nos encontrar para jantar. Há um país inteiro a minha espera.— Isto é baixo e ultrajante. — I s s o é r i d í c u l o . mas necessito do seu tempo e da sua habilidade. Dra.Começaremos esta noite. veja esse dinheiro como a verba que precisa para construir ocentro de pesquisas em Oakland.— S e t i v e s s e i n v e s t i g a d o . sheik Fehr? Ele parou e se virou Projeto Revisoras10 . eprometo recompensá-la muito bem.. pelo qual você tem lutado nos últimos sete a n o s . J am a i s c o b r e i u m a q u a n t i a t ã o a l t a e n u n c a aceitaria.Jessica 116.Ela se afastou da mesa. é a única coisa em que é boa.— Não se trata de dinheiro. — Não sei se gostaria de poder. Não posso representá-lo com neutralidade. mas Rou o deteve. A c h o q u e é u m a t r o c a justa: eu consigo o que quero você também. Pensa que me conhece.

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O v e st i d o d a n o i v a c i n t i l a v a c o m o s cristais bordados à mão no tecido delicado. A v i r g e m d e g e l o p r e f e r i r a f u g i r a encontrá-lo. Ela amaldiçoara os homens e o amor. Era perfeito. bonito. dramática e violentamente. os telefonemas gravados ereproduzidos pela imprensa. Irei buscá-la às nove. Os convidados aplaudiram quando o noivol e v a n t o u o v é u d e G e or g i n a e a b e i j o u . Ele podia ser implacável. pressionando-lhe o peito. A música inundou a igreja enquanto o casal saía. silenciosa e discretamente.— Você tem uma noite de autógrafos na Fireside Books às sete.Zayed pegou o celular. Ao terminar um relacionamento. e sim com o divórcio de seus pais. as mulheres se jogavam sobre ele. e. mais máquina que mulher. Georgina encontrous e u p a r .mas terno. Os casamentos sempre a comoviam. sabendo de antemão que Rou Tornell não estaria m a i s h o s p e d a d a n o H o t e l F a i r m o n t . suas brigas exploradas pelos tablóides.Nada tem a ver com dinheiro. O nó na garganta de Rou cresceu e seespalhou. Amiga de infância de Georgina. meiahora antes de terminar a noite de autógrafos. Os dois lutaram pela custódia de Rou. onde compareceria a mais um de seus famososcasamentos. mas doce e carinhoso. Ele também fora convidado parao casamento de Ralf com a princesa Georgina. digerindo a informação. três anos antes. Ele sempre as tratara bem. Rou se recusara a aceitar que sua melhoramiga jamais seria feliz e. Rou Tornell se grudara a ele como velcro. mas este era e x c e p c i o n a l . A noite estava fresca e o vento arrastava as folhas v e r m e l h a s e a m a r e l a d a s p e l a c a l ç a d a . E l e d e s c o n f i a v a q u e e l a j á e s t a r i a a caminho da Áustria.Jessica 116. Naquelanoite. três anos antes. financeira e emocionalmente. Como é que ele sabia? Ela nunca contara a alguém. Zayed deu meia-volta e parou do lado de fora da l i v r a r i a .Rou ficou muda. . sentir-se abençoada. Georgina fora profundamente magoada. dentro de dois dias. Era disso que Georgina precisava: de um homem forte. Amar e ser amada para sempre. alegando u m m a l estar. Os noivos se viraram para encarara congregação e Rou conteve o fôlego ao ver a expressão de Georgina. brilhante. inclusiveAngela. Ela saíra mais cedo. que partiu seucoração. e seus olhos se encheram de lágrimas. Encontrara o barão Ralf van Kliesen. ao ser abandonada Projeto Revisoras11 Jessica 116. sua vida mudara. Eu os declaro marido e mulher. mas não era um completo idiota. R o u s e s e n t i r a s e g u r a e a m a d a .. Ralf era perfeito para Georgina: forte. que a amasse para sempre.Seus pais eram famosos e suas disputas durante o divórcio foram publicadas pela mídia. m a s q u a n d o o casamento dos pais naufragara. Afinal. Ela es-t a v a t ã o f e l i z q u e b r i l h a v a m a i s q u e os candelabros da catedral de SantoEstevão..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter no altar. Em geral.— Eu sei por que você é tão rígida e reprimida. ele se certificava de que elas estavambem.D u r a n t e a i n f â n c i a . um nobre de títuloa u s t r í a c o q u e n a s c e r a e c r e s c e r a n o d e s e r t o a u s t r a l i a n o e m c o m p a n h i a d a mãe.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter para ela. certamente. mas ne -nhum deles a queria de fato.Ele saiu. o contrário da atenção que elalhe dedicara na festa de casamento de Lady Pippa. Jurara nunca se tornar esposa emãe. independente. começara a procurar umhomem ideal para ela. Boa sorte com a sua entrevista. A luz nos olhos da n o i v a b a s t o u p a r a f a z e r o c o r a ç ã o d e R o u s e contrair. Capítulo Dois Rou NÃO estava na Fireside Books quando ele chegou para buscá-la. ele tivera irmãs. bebendo suas palavras. Era algo inusitado.

Em Vancouver você me fez acreditar que p o d e r í a m o s trabalhar juntos. apesar desta contar.Ao sair da catedral. E l a n ã o e n c a n t a v a n i n g u é m . extremamente bonito.— Então.— Eu me comprometi com outros clientes. A belezad e s e u s p a i s e n c a n t a v a t o d o m u n d o .. hoje de manhã você se encontrou com uma cliente em perspectiva. As pessoas se apaixonam por uma imagem. a sua acompanhante e alguns leitores. m a s. Quando você não apareceu. pensou. Porém estava enganada. Rou entrou e tirou seu precioso manto.. entrei na livraria e encontrei o caixa. Rou ficou gelada. abençoando seu anonimato.Tudo o que desejavam era vencer. você diria que foi persistente — ela interrompeu bruscamente. — A única dificuldade é a sua incapacidade de lidar com a rejeição. respeito e cuidado. e acho que . cr e n ç a s e d e s e j o s .— Fui convidado para o casamento.A foto fora queimada havia muito tempo pela mãe.— Não acredito que tenha me seguido até aqui. quando resolvo algo.— Não é verdade.. a noite de outono estava perfumada e soprava uma brisa fria. nervosa. Não seria justo com eles que. Concordou em me encontrar depois do s e u evento. mas vocêjá saíra há muito tempo. R o u desapareceu no meio da multidão e se refugiou no banheiro. Este era o motivo pelo qual Rou juntava casais de acordo c o m s e u s v a l o r e s . m a l d i t o . Dra. Andou de um ladopara outro. E preciso haver um laço de genuína compreensão. A lua iluminava o céu.. O a m o r é g e n e r o s i d a d e e t e r n u r a . sempre consigo o que quero. n e m d e e x p l o r a r . Ele vinha na sua direção. Rou estava mais emocionada do que gostaria. Ela hesitou diante da porta do salão de baile. Zayed já fora embora. Ele era tentador.— Entretanto. Mal deraalguns passos de volta ao salão. não foi por isso que fugiu da cidade? Projeto Revisoras12 Jessica 116.A limusine chegou ao palácio. — Ogerente da livraria me disse que o público foi menor do que o esperado. No amor não s e t r a t a d e v e n c e r . agora. Ela alisou o tradicional vestido preto de Jérsey e entrou no salão iluminado por centenas dev e l a s . quando ele bloqueou-lhe a passagem. Em pânico.— Como foi o seu evento em Vancouver? — ele perguntou como se fossemvelhos e bons amigos. R o u s e e s c o n d e u n o b a n h e i r o durante 20 minutos.— Ou determinado — ele concordou.E l a e n t r o u n a l i m u s i n e e f e c h o u a g o l a d o e x t r a v a g a n t e m a n t o d e v e l u d o forrado de seda preta e com botões de diamantes que sua mãe usara duranteo lançamento de um dos filmes de seu pai. com o manto sobre os ombros. Tornell. Você só está dificultando ascoisas mais do que o necessário. mantinha tranquilamente o controle de sua vida. Não sabia se corara por ele ter descobertoque a noite de autógrafos não fora um sucesso. o gerente. Compareci e esperei. — Sou determinado e. e os olhos dourados brilhavamintensamente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou se odiou por ficar corada. ou por ele ter aparecido na livraria. eu me dedicasse a um cliente novo. até ouvir o som de trombetas anunciando a chegada dosnoivos. Claro que era ele. Rou sentiu a garganta seca e seu coração disparou. quase rindo. — Não. e eu não usaria a palavra seguir. e o p a l e t ó a c e n t u a v a o s o m br o s l a r g o s e s u a cintura. mas é necessário que haja algo mais por detrás dela. O manto se salvara porque ficara esquecido na casa da avó.na Inglaterra. Rou fingiu observar os convidados que chegavam. O que ele fazia ali? Ela sabia a resposta: ele pedira a suaa j u d a e e l a r e c u s a r a . Você ficou desapontada? — Não. Não épossível.Z a y e d u s a v a um f r a q u e . tentando se esconder. Certamente. e m compensação. Ninguém mais tinhaa q u e l a aparência e aquele andar. A pr i m e i r a p e s s o a q u e v i u f o i Z a y e d Fehr. onde Rou o descobrira ao completar 16 anos — dois anos depoisda morte de sua mãe. Rou se lembrou da foto dos dois sobre o tapete vermelho: a mãe sorria radiante. e l e a s e g u i r a . e n ã o p o r m ot i v o s e x t e r n o s o u p e l a aparência. junto com tudo o que usaraenquanto casada. conforme o combinado.

advogados.. Agora estava mais civilizada.Zayed riu. você não me interessa como mulher. obrigada. resolveu ficar até que o jantar acabasse e o bailetivesse início.Zayed observou a figura esguia. Quando a conhecera. pudera cumprir a promessa de trabalhar para evitar que outra c r i a n ç a o u f a m í l i a s o f r e s s e o q u e e l a s o f r e r a. juízes. É i n t e r e s s a n t e c o m o o te mpo e o su ce sso modificam uma pessoa. — Ela se afastou com as pernas bambas. g a r ç o n s .— Você tem talento e os casamentos que promove são duradouros. enfrentando a realidade?— Sim. mas. porque como mulher eu o desprezo. .— Estou falando sério.— Eu lhe garanto que os mereci. Ela mudou. m ot o r i s t a s . mas ele não se deixaria desencorajar pela rigidez deRou : precisava dela. Divórcio. sheik Fehr. Estava confusa.— Já é tarde e eu estou muito cansada com a mudança de fuso horário. mas também as aconselho a confiar em seus instintos.— Tenho certeza de que sim. R o u a t r a v e s s a r a a adolescência e chegara aos 20 anos tentando se recuperar. Por algum motivo. ela nãoconseguia raciocinar quando estava perto de Zayed Fehr. Rou ergueu a cabeça.— Então.— Ótimo. Não ouvi falar em nenhum divórcio até agora. m a s s e t o r n a r a m a i s d u r a e f r i a . Em outra ocasião ela iria embora. A sua amizade comSharif fora o fator fundamental para a sua cura. toda de preto. mas você está tão enganada que chego a Projeto Revisoras13 Jessica 116. O tempo corria e sua mãe já procurava uma noiva para e l e e n t r e a s m o ç a s d e S a r q . A simples palavra divórcio a apavorava. m a s t e n h o s e g u r a n ç a s . G e l a d a .ela saiu pensando que você irá atendê-la.Rou sentiu um arrepio. odiosas. camareiros.— Você está me espionando?— E u n ã o .que lhe proporcionavam calor e segurança.. Ele providenciara para que elavoltasse à escola e tivesse dinheiro para cursar a faculdade.— Já percebi o quadro — disse ela friamente. comporte-se como uma cientista.— Fugindo de novo. A s m o ç a s d e S a r q eram educadas para ser dóceis. e l a p e n s o u n o v e l u d o macio do manto pendurado no saguão e no quarto acolhedor do Hotel Bristol. — Não consigo imaginar porque um homem poderoso como você me escolheu para ajudá-lo a procurar uma rainha. ele pensou. tribunal. em vez de ficar aborrecido. h a v i a m d e s t r u í d o t u d o e t o d o s . Sua lógicadesaparecia numa nuvem de emoções nas quais ela não confiava. e o meu instinto me diz que você é perigoso. porque é isto que desejo. e. a s s i s t e n t e s . Tornell? Você não é especialista em ensinar às mulheres a ser firmes e a encarar seus medos. ou que os seus diplomas de Cambridgesejam verdadeiros. Ele sorriu friamente. Seuspais levaram sete anos para se divorciar. desaparecer na direção dasala de jantar. Sentia-se mal. mentirosas. quando chegaram a um acordo.por consideração a Georgina. tensa e desajeitada. Dra. talvez devido ao sucesso. i n c l u s i v e a pr ó p r i a f i l h a . Comoconseqüência . compassivas. E r a o q u e e l e q u e ri a e v i t a r .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter duvidar que seja uma cientista de fato. Semdúvida. Alegações ofensivas. exposta..Rou corou novamente.. ela era tagarela.

este é um vestido de grife.submissas e condescendentes. feito num bom tecido. O corpo de Zayedera firme. s u a fortuna. A friae rígida Rou Tornell não tinha charme nem personalidade. Por outro lado. Todas caíam ávidas aos seus pés. E l a e s t a v a q u a s e bonita naquele momento.Ele estava tão próximo que Rou notou os pontinhos dourados nas pupilascor de bronze e algumas rugas discretas no canto dos olhos. tentador.— Não posso. Você estámantendo um país inteiro como r e f é m . — Não é verdade.— Você poderia usar uma cor mais favorável — ele disse.Jamais uma delas conseguiria enfrentá-lo e ser sua igual. fascinada. seu título. Ele não poderiac a s a r . a julgar pelo modelo.— Vá embora — disse. seu p o d e r . O s l u g a r e s e r a m m a r c a d o s e e l e n ã o ficaria junto dela. Ávidas demais. aristocratas. — E l e c h e g o u m a i s p e r t o e s u a s cabeças quase se . e a coxa dele roçava a sua. Por quê? Você não gosta?Z a y e d p e n s o u q u e a c e r t a r a e m c h e i o .— É. mas ele é bem maisq u e i s s o . precisava encontrar a mulher certa. a o v ê . ele a deixa muito pálida. e eu o comprei naBarney s. um misto de realeza. asmulheres ocidentais eram um problema. o q u e transformaria a relação num tormento.. o que não o impediu de puxar uma cadeira e sentar. mas acreditavana santidade do casamento. mas era extrema-mente habilidosa quando se tratava de formar casais. Ela sevirou para ele com um olhar frio e furioso. oslábios tremendo de raiva. Elaso l h a v a m para ele e juntavam tudo: seu nome. Tornell.s e d o m e u p a í s .— N ã o p o d e o u n ã o q u e r ? — E l a q u a s e e n g a s g o u q u a n d o e l e s e aproximou. Portanto.s e c o m u m a d e l a s . d o m e u i r m ã o . perfeita. sentindo ocorpo se aquecer perigosamente.Ele deu de ombros. com os olhos mais escuros e a pele ruborizada. T r a t a . Zayed r e c o n h e c e u q u e s e tratava de um grupo seleto. todos vestidos por algum estilista em particular. — Rou virou para o outrol a d o . sorriu e se inclinou para ela. em Nova York.— O preto é sempre elegante. Zayed foi atrás dela.— Vá embora. p o r q u e n ã o s e n t i r i a c o n f i a n ç a e r e s p e i t o . — Este não é o mesmo vestidoque você usou há três anos?Ela se virou para ele e corou. Rou parecia a únicaa ter se arrumado sozinha. Rou arregalou os olhos. Nunca dormira com uma mulher casada e jamaistrairia sua esposa. Você ficaria melhor com tonsrosados. roçando o ombro no dela. contemplando os convidados.— Você está vendo o meu pedido como algo pessoal. pelo contrário. Ele não era feio. celebridades esocialites. furiosa.— Há dez anos. Preciso de sua ajuda.— Eu já lhe disse que não pretendo ajudá-lo — ela respondeu.Zayed já quebrara muitas regras e desafiara algumas leis. Resolvido a fazer comque o ajudasse.l a c o r a r . Ele contemplou o entediante vestido preto e pensouse seria o mesmo do casamento de Lady Pippa. até que ela afastou a perna.R o u a c a b a r a d e s e n t a r à me s a . Rou mordeu olábio.— Não posso Dra.. do meu povo.— As duas coisas.— Para sua informação.

— Rou. e l a retribuiu o abraço da amiga. — Os noivos cumprimentaramZayed calorosamente. arriscava sua sobrevivência — algo que deveria serlevado a sério. Tornell. abraçando Georgina. picante esedutor de Zayed.— Você está linda — ela murmurou.? — perguntou Georgina.— Jesslyn estava. O avião desapareceu há dez dias. mas encontrou um para mim! — Ela recuou e Ralf se inclinou e deuum beijo no rosto de Rou. i n te l i g e n t e .. Dra.tocaram. Não devemos perder a esperança.Tudo daria certo.. Você n ã o f a l o u d e S h a r i f . b e m . Rou olhou em volta do salão.— Por quê?— P o r q u ê ? . A p e n a s n o p a p e l . Ele fazia detudo para conseguir o que queria. Vou lhe dar acesso à minha vida. vi u .— É v e r d a d e q u e n ã o e n c o n t r a r a m o a v i ã o . — Eu lhes trago os v o t o s d e felicidade em nome de minha família.— Serei seu eterno devedor. — A expressão de Zayed endureceu. e e l a s e n ti u o s d e d o s d e l e p e r i g o s a m e n t e p r ó x i m o s d e s u a p e l e . — E um prazer — respondeu Zayed. Dra.— É mesmo? — perguntou Zayed. A televisão deu a notícia hoje cedo. Eu lhe disse.Ralf e Georgina trocaram um olhar. mas sedeixara envolver e fora maravilhoso. Ela sentiu que afundava por culpa dele.Rou respirou fundo para se acalmar e sentiu o perfume suave. agradecendo sua presença.— O que aconteceu com Sharif?— Ele está desaparecido.. ciente de que perdera ar a z ã o e o c o n t r o l e . transformava a racional cientista numagarota assustada.. — Pensei que seria publicada depois demais alguns dias. Zayed confirmou. f o r t e ? N ã o . Tornell.— Graças a você — sussurrou Georgina..O c a s a l s e a f a s t o u . Preencha os formulários. Preciso de você. dando-lhe um tapa no ombro.— Acalme-se.— O b r i g a d o — r e s p o n d e u R a l f .. R o u f i c o u c a l a d a p o r u m m o m e n t o .— Não consigo acreditar — disse Ralf mais para si do que para os outros. Preciso. sufocada. — Era para estarem todos juntos..s e e n v o l v i d a n u m f o r t e abraço. Saiae me deixe em paz. ela sabia a verdade. e ela não conseguia evitar... Tudo estava bem. Georgina. Dra. — D i g a a l g u m a n o t í c i a d e S h a r i f ? Acabamos de saber. n a superfície. sheik Fehr.— Não posso! Você não me deixa em paz. Se houver algo que possamosfazer. mas Zayed asegurou pela mão. — Nunca vinoiva mais feliz. o casamento.— Vá embora — disse. Faça umaavaliação preliminar adequada. — Vocêmencionou o trono.— Não pretendo aborrecê-la.R o u n ã o o u v i u o r e s t o p o r q u e .— Sharif é tão. Sharif.s u c e d i d a .. — S ó quero que você me dê a mesma chance que dá aos outros clientes. Agora. onde estava? Procurei-a em todo canto! — A voza l e g r e d e G e o r g i n a i n t e r r o m p e u o tu m u l t o n a c a b e ç a d e R o u .. c o m e x p r e s s ã o perturbada. g r a ç a s a D e u s . Erae s p e r t a . F o r a p o r i s s o q u e s a í r a d e V a n c o u v e r : Z a y e d F e h r a ameaçava abalava seu autocontrole. menina malvada. A l i v i a d a . — Estamos rezando por ele e p o r todos vocês. investigue osantecedentes..— N ã o . E l a n ã o e s t a v a c o m e l e . o reino. Sarq. Sentira que ele era perigoso desde que o conhecera. D e ve r i a te r m e contado. Tornell. os sentidosde Rou se aguçaram. procurando uma saída. basta dizer uma palavra.. — Por favor. — Você disse que não existempríncipes.— V o c ê n ã o me c o n t o u — r e p l i c o u e l a c o m a voz embargada. Passou o braço em torno do espaldar da cadeira deR o u . — Ela tremia da cabeça aos pés. e ela o desprezava por isso. Não era forte o suficiente. Tão. q u e e l e s i m p l e s m e n t e desapareceu do radar? — insistiu Ralf. m a s . Viena. — Zayed baixou a cabeça e Ralf rapidamente ser e c o m p ô s . levantando.. Ele a abafavaameaçava sua segurança. N e m a s c r i a n ç a s . Fosse pelo perfume ou pelo calor do corpo dele. d e r e p e n t e . Estarei à disposição pelotempo necessário para completar o processo.

E l a a d o r a v a S h a r i f . nem para os quatro filhos e para o país. Ele viu Rou sentada numc a n t o . o bicho-papão. Rou Tornell não era feia. Não existia outra possibilidade. Eu o adoro e faria tudo.Não para a mulher dele. Como se fossecronometrado.E l a a s s e n t i u . Elee r a m u i t o a m a d o .quase riu. deixando àvista apenas as pernas inclinadas de lado na cadeira. T i n h a o s lábios finos e um queixo firme. Rou estudara emC a m b r i d g e g r a ç a s à b o l s a d e e s t u d o s d o a d a p e l o s F e h r . a o c o n t r á r i o d e Z a y e d . p e s a d o s e g r a n d e s d e m a i s p a r a o s e u r o s t o .— O s o l h o s d e l a e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . e S h a r i f f o r a s e u mentor durante seis dos oito anos que passara na faculdade. A únicacoisa que ele não sabia ao sentar diante dela era como podia ter pernas tãotentadoras. mas prometera ajudá-lo apenas por causa do irmão. — E l e é m e u herói. Ele lhe causavaprofunda admiração e era como o irmão mais velho que ela não tivera. Para dizer a verdade. ela virou a cabeça e o encarou. E l a prendera os cabelos num coque e se escondera atrás de um laptop. Capítulo Três E LES CONCORDARAM em se encontrar na manhã seguinte. Haviadesaparecido e Sarq estava em tumulto. Começariam do zero. mastambém não podia ser considerada bonita.— Não tive notícias — respondeu ele —. t i n h a m e d o d e Zayed. Tornell. que raramente se divertia com algo. O mais importante era procurar Sharif e mandarZ a y e d d e v o l t a p a r a S a r q . Jesslyn. o n d e e l e a s s u m i r i a a l i d e r a n ç a a t é o r e t o r n o d o irmão. no saguão do hotelo n d e Z a y e d estava hospedado. e ele.Rou . incluindo o histórico familiar e o médico. sentariam juntos e elapreencheria os formulários. v e s t i d a n u m s ó b r i o c o s t u m e c i n z a . a t r á s d e u m a m e s a b a i x a . Ele diminuiu o passo paraapreciar suas pernas incrivelmente longas e bem torneadas. por ele.— Tudo bem? — ela perguntou. L i mi t a r i a o te m p o p a s s a d o c o m e l e e c o n t r o l a r i a s u a p r o x i m i d a d e .Rou percebeu a estranha expressão no rosto dele.Na manhã seguinte. Naquele momento ela usava óculosd e a r o d e t a r t a r u g a . se é o que deseja saber. dissera Rou. p e g o u a l g u n s p a p é i s e formulários e os empurrou sobre a mesa. Ele suspirou: ela voltara a ser asimples e séria Dra. revirando-se na cama. Z a y e d a b r i u s u a p a s t a . Zayed saiu do elevador rodeado por seguranças quese espalharam pelo saguão enquanto ele a procurava.— Já preenchi o perfil do cliente. Ela parecia uma menininha medrosa. c o n s i d e r a d o a o v e l h a n e g r a d a família e um constante espinho na vida do irmão mais velho. assim como setornara um espinho na vida dela. mas e l a passara a noite em claro. Sharif seria encontrado e voltaria vivo. Poderiam se comunicar a distância. S a t i s f e i t o . Ela se sentia na obrigação de ajudarZ a y e d . No dia seguinte. às voltas com seusp e n s a m e n t o s e u m e n o r m e s o f r i m e n t o . absolutamente tudo. Zayed.

mas recuperaram a caixa preta. V o c ê s e s e n t e a s s i m p o r q u e e l e a d e i x a nervosa e com medo. — Podemos nos concentrar no trabalho?E l e s s e c o n c e n t r a r a m n a p a p e l a d a e n o perfil que ele fizera. atendeu. mas soavam frias na boca de Zayed.Era verdade.— Nada disso.— Não com a sua assistente. Toda vez que ela estava perto dele seu coração acelerava eo estômago se contraía. mas. Eu já havia feito este teste. Zayed empalideceu. Não é a emoção que a faz sentir estas coisas. Zayed ignorara algumas ligações anteriores. .. quando ela ficara encantada com o charme de Zayed. Rou ficou sentada com um bloco no colo.Rou franziu as sobrancelhas. Aqui está o teste depersonalidade Myers-Briggs que você utiliza.— Estes formulários são meus — disse ela. V o c ê o d e s p r e z a .— Você vai desmaiar? — perguntou ele..— Não. observando-o.Você não está atraída por ele. ao ver o númeroque o chamava. De repente. Você irá comigo. tiradasd o s e u m a t e r i a l d e trabalho. sua expressão mudou e os olhos se anuviaram.— Você me deixou pouca coisa para fazer — protestou ela. Minha secretária fez cópias em branco. — Ela puxou o braço. sentiu a mão de Zayed emseu braço. Você não gosta d e l e . e l e a i r r i t a . Eles precisam de mim. Ela s e aborreceu porque seu pulso acelerou de repente. como se ela e s t i v e s s e n u m b a r c o q u e b a l a n ç a s s e .— Eu nasci pálida — ela respondeu.— Se quer saber. — Estou bem. Ele disse algumas palavras e escutou com atenção. desde o casamentode Lady Pippa. repreendeu a si mesma. lendo seus pensamentos como se l e s s e u m livro. — Preciso voltar para Sarq. irritada. Isto me deu um pouco de trabalho. Você nãopode permitir que ele faça isso com você novamente. Étudo uma questão de hormônios e de substâncias químicas. Agora vem o mais importante. — Onde foi que osconseguiu? Projeto Revisoras17 Jessica 116. — O f o g o t o r n o u i m p o s s í v e l u m a identificação.— Não tente acobertar Jamie. ela fez perguntas e e l e r e s p o n d e u a t é q u e s e u c e l u l a r t o c o u novamente. As palavras eram suas. causando-lhe uma sensação de enjôo. Ela ficou feliz em me ajudar. Não é para isso que servem os formulários? Para selecionar o par? Selecionar o par repetiu Rou mentalmente. foi Pippa.— Você está muito pálida.olhou para o conhecido conjunto de formulários confidenciais. Durante àhora seguinte. apesar de poder ter lhe dito o que sou. mas achei que você exigiriauma prova concreta. Logo saberemos mais. espantada. Fazia anos que ela não sentiaaquela vertigem e aquela falta de ar. estava lívido.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Zayed balançou a cabeça.— E n c o n t r a r a m u m a v i ã o — d i s s e . Eu o preenchi. — Rounão conseguia falar. Para dizer a verdade. mandando-me osformulários dela. Quando desligou. com os pais brigando aos gritos. Você vai encontrar alguém para mim. n u m v ô o t u r b u l e n t o o u d e n t r o d e u m carro.

Podemos terminar isto no caminho.Em vez de protestar, Rou concordou. A ideia era limitar o contato com elemantendo distância, mas, depois da última notícia, ela não poderia se recusara ajudá-lo. Noventa minutos mais tarde, estavam a bordo do jato particular deZayed . Enquanto o avião decolava, Rou pensou que voar não era seguro, que e s t a r s o z i n h a com Zayed também não era, e que, mais perigoso ainda e r a acompanhá-lo até seu país. Entretanto, viver é arriscar, e ela se lembrou dealgo que Sharif lhe dissera: "Seus pensamentos determinam seu futuro." Ele e s t a v a c e r t o , c o m o s e m p r e . E l e f o r a o primeiro a fazê-la perceber que nemsempre as emoções e s t ã o c e r t a s , e q u e a s d e s c o b e r t a s m a i s re c e n t e s d a p s i c o l o g i a r e v e l a v a m o e l o e n t r e p e n s a m e n t o s e s e n t i me n t o s . A l g u é m q u e tenha pensamentos alegres se sentirá mais alegre, se pensar que o mundo ébom, o verá como bom. Fora uma revelação para uma jovem que tivera tantosa n o s d e i n f e l i c i d a d e . R o u d e s c o b r i r a q u e s u a f e l i c i d a d e n ã o d e p e n d i a d o s outros. Ela poderia escolher ser feliz, mesmo que o mundo estivesse no maiortormento.E l a v i r o u p a r a Zayed e viu que ele a observava com olhos s o m b r i o s , torturados.— Você realmente nunca se apaixonou? — ela perguntou, surpreendendo-se com a própria pergunta.Ele levou algum tempo para responder.— Não — disse por fim. — Porém não sou insensível. Tenho laços fortescom a minha família, principalmente com Sharif.Rou se lembrou do formulário que continha os dados da família de Zayed.P a i : f al e c i d o . M ã e : a i n d a v i v a . I r m ã o m a i s v e l h o : 4 0 a n o s , casado, 4 filhos.Irmão mais novo: 33 anos, casado, esposa g r á v i d a . I r m ã s m a i s n o v a s : falecidas. A maior parte da família dele era um mistério, mas ela sabia o queacontecera com suas irmãs. Por causa delas, Sharif doara as bolsas de estudoem Cambridge.— Você era muito ligado às suas irmãs? — perguntou Rou.— Muito.Ela esperou que ele dissesse algo mais, porém ele ficou calado.— Elas morreram juntas, não foi? — insistiu ela.— Num acidente de carro, na Grécia. Tinham pouco mais de 20 anos. — Av o z n ã o m o s t r a v a e m o ç ã o , m a s R o u r e p a r o u q u e e l e c o n t r a í r a o r o s t o e crispara as mãos.— A m o r t e d e l a s d e v e t e r s i d o d i f í c i l p a r a a f a m í l i a — d i s s e e l a . E l e balançou a cabeça.— Que relevância tem este assunto?— Faz parte de você, da sua família...— N ã o e s t o u à p r o c u r a d e a m o r , D r a . T o r n e l l . E s t o u p r o c u r a n d o u m a esposa. Ela não precisará compartilhar meus segredos sombrios. Ela jamaisserá minha alma gêmea.Rou notou que o rosto dele estava impassível, mas o punho cerrado dizia ocontrário.— Você não quer encontrar sua alma gêmea?— Não. Quero apenas uma relação prática, que funcione.— N ã o h á m u i t a s m u l h e r e s q u e a c h e m a s u a i d e i a d e c a s a m e n t o aceitável.— Estou certo de que existem muitas mulheres práticas.R o u f r a n z i u a t e s t a e n a d a d i s s e , m a s e s c r e v e u à m a r g e m d e s u a s anotações: "Sim, a morte das irmãs o afetou profundamente." Ele temia o amorporque temia a perda. Ela se perguntou como seria perder três de seus quatroirmãos. Ela era filha única e não conseguia imaginar como seria ter um irmãoou irmã para amar, apesar de sempre ter desejado um.— Você desejava ser rei?— Não. Não era parte do meu plano de vida, nem das minhas ambições. —E l e hesitou. — As coisas mudam, e são como estão agora. N ã o p o s s o abandonar meu irmão. Preciso estar presente quando ele voltar...— Você acha que irão encontrá-lo vivo?— Acho.Rou sentiu uma onda de simpatia por ele. Ele devia saber que, depois de Projeto Revisoras19

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dez dias, Sharif talvez não fosse encontrado e, se fosse, não estaria vivo.— E se não estiver?— Sharif não morreu.E l a c o n c o r d o u c o m a c a b e ç a e r e c o n h e c e u q u e o s d oi s ti n h a m a l g o e m c o m u m : a m b o s s e recusavam a acreditar que Sharif estivesse morto. S ó acreditariam diante de provas irrefutáveis. Ela ficou perturbada e tentou mudarde assunto.— Gostaria de trabalhar um pouco, ou precisa de algum tempo?— Não. Preciso trabalhar.O t r a b a l h o s e m p r e f o r a u m a f o r m a de salvação para ela também, e osajudaria a atravessar aquele p e r í o d o . R o u a b r i u s u a p a s t a . A c o m i s s á r i a d e bordo perguntou se

queriam comer alguma coisa.— Apenas chá —

ela respondeu. —

Acho que não conseguiria comer agora.— Nem eu — disse ele. — Um chá e um café — ele pediu à comissária.R o u e n c o n t r o u o s p a p é i s q u e p r o c u r a v a e u m a c a n e t a , e o o b s e r v o u . Zayed era alto, musculoso e bonito, mas havia dor em seus olhos, tensão em sua boca. Ela suspirou. Ele não lhe era indiferente e jamais fora, o que era umabobagem. Ele era belo, rico e sensual. Ela era inteligente, mas insignificante. Rou conhecia as próprias forças e fraquezas. Apesar de inteligente, não era bonita. Se tivesse um corpo mais curvilíneo se sentiria mais seguras e x u a l m e n t e , m a s h e r d a r a a s i l h u e t a e s b e l t a d a

mãe e tinha os

q u a d r i s delicados e os seios pequenos. Um

homem como Zayed jamais olharia parauma mulher como ela. Homens como ele desejavam sereias voluptuosas, de cabelos brilhantes, lábios cheios e olhos provocantes. Por outro lado, era bomque Zayed a ignorasse como mulher porque ela não saberia lidar com ele deoutra forma. Ele tumultuava suas emoções e o seu autocontrole, deixando-anervosa e agitada, com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Ela tentou disfarçar seu nervosismo.— F a l e - m e s o b r e s e u t i p o i d e a l d e m u l h e r . C i t e q u a t r o a d j e t i v o s q u e a descrevam.Ele pensou um pouco.— I n t e l i g e n t e , c u l t a , b e m - s u c e d i d a . C o n f i a n t e , l e a l e , d e p r e f e r ê n c i a , bonita. — Ele hesitou. — Eu disse seis.— Tudo bem. Seis está ótimo. — Claro que ele exigiria beleza. Era o que todos

os homens queriam, e Zayed Fehr tinha a fama de escoltar as mulheresmais belas do mundo. — Talvez uma modelo?— Não. Definitivamente, não uma modelo. Nem uma atriz. Nada desse tipo.— E mesmo? — ela perguntou, espantada.— O mais importante é a inteligência. Admiro mulheres cultas e bem-sucedidas, mas é preciso

. Uma mulher sensível. Talvez uma professora ou uma enfermeira.que ela seja generosa.Rou escondeu sua surpresa. — Rou fez algumas anotações.— Certo.— A esposa de Khalid também é muito generosa. As duas sempre pensamnos outros.. s e n s o d e a v e n t u r a ? Reservada ou comunicativa? Você gosta de dar festas? Ela deverá ser uma boaanfitriã? Precisa falar bem em público? Espera que ela seja um exemplo em Projeto Revisoras20 . É algo que aprecio e respeito. mas era para isso que existia t o d o a q u e l e p r o c e s s o . Uma professora ou uma enfermeira?— Como a esposa de Sharif? Jesslyn era professora. Ele a estava levando na direçãooposta daquela que ela teria seguido sozinha. — E q u a n t o a s e n s o d e h u m o r .

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— É por isso que é tão devotada a Sharif? Ela corou. e l e p r e c i s a v a d e m i m t a n t o q u a n t o e u precisava dele. Quandofico nervosa ou ansiosa. Ele é o rochedo da família. — Ela sorriu ao fazer a piada. ela pensou.— I s s o n ã o s i g n i f i c a q u e e l e n ã o s e n t i s s e a d o r e a p e r d a . Um pouquinho de comida a s u s t e n t a r i a p o r l o n g o tempo. Ele será encontrado. Interessante m a s intrigante.Rou o observou com curiosidade. apoiando meus projetos. franzindo a testa. Eladeve defender suas idéias diante de mim e minha família. Sharif se tornou um amigo e um mentor durante os meus anos emCambridge .— Desde que nasceu ele foi preparado para governar.— Sharif dizia a mesma coisa. — Infelizmente.A c o m i s s á r i a v o l t o u t r a z e n d o o c h á . o c a f é e u m a b a n d e j a c o m f ru t a s . que costuma ser assustadora. quando podia. a b r i n d o portas. d e c e r t a f o r m a . mas tambémé m u i t o b o n d o s o .— Você não está falando do meu irmão.— E você não quer vê-lo como um homem vulnerável. Imaginara que ele quisesse alguém b o n i t a e t o l a .. Ela me ajudou a pagar meus estudos.— Se é nisso que acredita. Nunca foi.— De que maneira ele a ajudou?— C o m seus conselhos e sabedoria.— Você conhecia bem meu irmão?— A c h o q u e v o c ê s a b e q u e g a n h e i a b o l s a d e e s t u d o s F e h r ... Não quero uma mulher subserviente.— Firme? — Intelectual e emocionalmente. por que se dar ao trabalho de procurar uma Projeto Revisoras21 .O olhar de Zayed ficou sombrio ao ouvir o nome do irmão.Rou segurou a caneta no ar.— Sharif não precisa de ninguém... É bom vê-la comendo. e q u e n ã o tivesse dúvidas ou preocupações. — Podeparecer estranho. R o u p e g o u uma uva e um pequeno cubo de queijo e sel e m b r o u d e q u e não ingerira nada desde a noite anterior.— Não.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter matéria de moda. herdei ometabolismo dela em vez do lindo rosto.— Minha mãe era magra — interrompeu ela. Embora Sarq seja mais moderno que alguns países vizinhos.— Sharif não é vulnerável. o u d e u m a b e l e z a e s t o n t e a n t e q u e p u d e s s e e x i b i r . Ele sempre soube oque se esperava dele e cumpriu sem reclamar. Ah. percebendo que o conhecia m e n o s d o q u e acreditava. minha garganta se fecha e só consigo tomar chá. voltará a Sarq ereassumirá o governo. mas tenho um estômago sensível. e . A inteligência estava no primeiro..— Desconfio que você não come o suficiente. mas Zayed não a imitou. é umreino do Oriente Médio bem diferente de nossos amigos do Ocidente. Seu irmão é um homem poderoso e muito rico. que seja criativa?— Depende da mulher.— Algo de errado?— Não. b i s c o i t o s e q u e i j o . Só depois de acabar o mestrado e o doutorado é que percebi que ele me ajudara por causa de suas irmãs.— Você acha? — perguntou Rou. e m Cambridge. Ele acabara de descrever uma mulher bemdiferente da que ela escolheria para ele. Ela viu que Zayed a observava com interesse. Invencível. ela precisa ser firme. Você é tão magra. a não ser umcafezinho pela manhã. — Ela percebeu que ele a olhava com ceticismo. A b e l e z a estava no sexto lugar da lista.Jessica 116.

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?R o u s a b i a q u e a r e s p o s t a e r a n ã o . Para a maioria das mulheres seria umaperspectiva terrível.— Eu o farei depois da cerimônia. Ainda. ou porque o noivo tem a obrigação decasar. o que aconteceria se uma mulher. devo morar junto do meu povo. e. mas não fez comentários.. Alguém que contribua com o meu povo. sheik Fehr. Seria impossível.— Vou respeitar e honrar minha mulher — ele disse.S e i q u e n ã o é o q u e q u e r o u v i r .— Irá morar comigo. será que elenão percebia? Mulheres maravilhosas.Jessica 116. É preciso tempo para cortejar. Se quer uma mulher que se case com vocêpara que possa assumir o trono é uma coisa.— É p r e c i s o t e m p o p a r a q u e e l a a c r e d i t e n i s s o . Elas não se casam por dever. A s mu l h e r e s t ê m o s mesmo direitos que os homens em Sarq? Existem leis que as protejam?—As mulheres não têm os mesmos direitos que os homens. . Preciso assumir o trono. bem-sucedidas. Isto éalgo que Sharif tem tentado mudar. inteligentes.— . você tem alguém que se sujeite a um curton o i v a d o . acharia a vida de rainha do deserto atraente. — A lei de Sarq exige a presença do rei. a s s i m c o m o a t i t u d e s . uma de suas prioridades. mas se deseja uma mulher que seja sua companheira é diferente. Q u e poderia aceitar a ideia de um casamento arranjado — e l a continuou. o que ela pode esperar. Elas se casam porque são desejadas. — As mulheres ocidentais não aceitarão. mas não posso ser solteiro.— Depois da cerimônia? — Ela o olhou severamente. ignorando-o. Ficarão isolados. Rounotou que ele não dissera "amar". para que o homem mostre à mulhercomo será tratada .. Só uma m u l h e r d e s e s p e r a d a . enterrando-se no deserto.. — Uma últimapergunta delicada..Rou cobriu os olhos com as mãos. e você não tem.— Desculpe. É para isso que existe o namoro. provas.— As duas serão a mesma pessoa. Pretende ficar ali permanentemente. ou pretende morar na sua casa em Monte Cario?— Como rei.— Então.— Por que não?— V o c ê c o n h e c e a r e s p o s t a .. q u e a c e i t e u m c a s a m e n t o d e c o n v e n i ê n c i a e q u e s e b e n e f i c i e d a minha posição e riqueza.. m a s e s t á f a l a n d o d e u m c a s a m e n t o d e conveniência. q u e n ã o t i v e s s e escolha.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter esposa e casar? Por que não esperar que ele volte?— Não posso — ele disse frustrado. Projeto Revisoras22 . se sua esposa. Faça com que ela saiba que terá este tempo.— E sua esposa? Ele a olhou como se ela estivesse louca. claro. Com certeza. amadas e respeitadas. uma vez que viemos de culturas diferentes. Preciso de uma esposa e desejo que ocasamento dê certo. se for assim. não cumprissea lei?— Eu a protegeria. N e n h u m a m u l h e r q u e c o n h e c i a e representava iria querer viajar de repente. franzindo a testa.— Não. exausta. casar às pressas e ficar em Sarq durante os próximos 20 e tantos anos. H á a n o s q u e v o c ê s a i c o m m u l h e r e s ocidentais.— Devo ser franca. . mas Sarq fica no meio do nada. Preciso saber q u a i s s ã o o s d i r e i t o s p ol í t i c o s e s o c i a i s d a s m u l h e r e s . é melhor escolher uma mulher da sua própria cultura. confiantese fortes não correm para o Oriente Médio e se c a s a m c o m u m s h e i k .

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a s s i m c o m o a c e i t a r a s u a s o r t e . o f a t o d e e s t a r d e s t i n a d o à g r a n d e z a e a o sucesso. — Posso Projeto Revisoras23 .— Vamos aterrissar dentro de 50 minutos — ela disse. assustada com a cólera em sua voz. a b a n d o n a r a o d e s e r t o e a família. e l e sempre fora o favorito do pai e nunca se perguntara por que.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você o faria? — Rou se inclinou para ele. Mais15 minutos e ela voltou para retirar a bandeja. apenas aceitara.— Ótimo.— E acha que não quero? — ele interrompeu. Ele não sabia.Jessica 116. sorrindo. quase com violência. Só quero o que seja melhor para sua futuraesposa. Ele conseguiria proteger sua esposa? Tentaria com todas as suas forças. Apesar de não ser o mais v e l h o .. era diferente. Tinham muito a fazer e a tensão não ajudaria.. mas era evidente que o ofendera e queria se desculpar. Ele f o r a a m a l d i ç o a d o e . p o r t a n t o .Rou olhou para ele em silêncio. Só que não havia prazer quando se era amaldiçoado. p rí n c i p e s á r a b e s . e se voltara paraos prazeres do mundo. Ele não era comoo resto da família. e simamaldiçoada. talvez o casamento escapasse da desgraça. mas era o que esperava. Capítulo Quatro Rou OLHOU a porta fechada da cabine. Este assunto está encerrado.. masseria suficiente? Se eles não se amassem. Não sabia o que dissera paraaborrecer Zayed — algo sobre proteger a esposa —. ansiosa. — Conseguiria de fato?— Duvida da minha palavra?— Não duvido da sua palavra.Zayed sentou na beirada da cama e afundou o rosto nas mãos.. Porém estivera enganado. o povo que poderia sofrer por causa de sua maldição. amaldiçoado. ansiosa. crianças felizes. — Ele se levantou e desapareceun o f u n d o d o a v i ã o . Raramenteperdia o controle e se odiou por tê-lo perdido agora. o n d e havia uma cabine que era um quarto confortável. Ninguém jamais compreendera. Ela jamais entenderia. Era óbvio que o destino o favorecera e que ele viveria uma vida aben-çoada. Houve um tempo em que ele e oi r m ã o e r a m i g u a i s : e d u c a d o s d a m e s m a m a n e i r a .A comissária de bordo apareceu depois de 15 minutos e trouxe mais chá.— Não é isso. f i l h o s a m a d o s do deserto. Sua vida não fora abençoada. m a s a s p e r g u n t a s d e Rou.

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Estavam em final de outubro. mas que. rude. em parte.— Faço um monte de perguntas.— Você não fez nada de errado — respondeu ele sem entonação. Quando pisaram no solo. ele apareceu e sentoudiante dela com uma expressão impenetrável. constrangida. que n ã o d e v e r i a e n c o r a j a r q u a l q u e r c l i m a d e i n t i m i d a d e e n t r e o s d o i s . Rou tinha a sensação de estar sentada muito perto de Zayed.— É o seu trabalho. Fora uma péssima ideia vir com ele. R o u o l h o u p e l a j a n e l a e a p r e c i o u a c i d a d e q u e cintilava sob o sol. R o u perdeu o fôlego ao descer do avião no fim da tarde. o coração de Rou se apertou. U m f o r t e e s q u e m a d e p r o t e ç ã o o s a g u a r d a v a n o s o l o . Por que eu gostaria dele? Porém. —A segurança deverá checar todas as bagagens antes de entrar no palácio. Vou recebê-la de volta assim que for possível?— Prometo — disse ele. l o n g a s p e r n a s e p a r e c i a ocuparmuito espaço. ele indicou a valise que ela carregava. Ela disse a si mesma que deveria ficar contente. Rou deu um suspiro pesado. indicando a cidade. Ridículo! Ele é superficial.Jessica 116. ela deu um suspirode medo e ficou tonta..— Está bem.— Alguém levará esta mala para você. entregando a valise para um dos guardas. mas ainda não se sentia apaziguada. O calor subia em ondas dapista de pouso. — A capital de Sarq.— São os meus arquivos e o meu notebook. Preciso deles. Quanto mais consciente ficava da p r e s e n ç a d e l e .— Prefiro a honestidade. A c a r a v a n a d e l i mu s i n e s M e r c e d e s e n t r o u n u m a l o n g a alameda cercada por muros cobertos de buganvílias e refrescada pela sombra . Certo. Seria conveniente e necessário se manter a distância. Por que ela ficava daquele jeito perto dele? Por que não o tratava como um homem qualquer? Por que se sentia desajeitada. m a s preocupava-se com ele mesmo sem querer. Ela pegou-lhe a mão e desceu as escadas com dificuldade. mas não havia comof u g i r . quando Zayed se virou para ela e a fitou com os olhos dourados. Quando ela pensava que Zayed não voltaria mais e o piloto já anunciara que iriam aterrissar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter servir mais alguma coisa?Rou agradeceu e abanou a cabeça. Zayed explicou que a famíliaFehr não costumava utilizar aquele aeroporto porque tinha uma pista de pouso particular.— Costumo ser muito franca. depois do acidente de Sharif. m a i s s e u coração acelerava. sem graça eentorpecida? Porque. Rou olhoupara a mão que ele lhe estendia e depois para o rosto dele.pensou. introspectivo. você gosta dele e quer que ele goste de você.— Desculpe — ela disse. ti n h a o m b r o s l a r g o s . o avião fora escoltadopor naves militares por questão de segurança: o país não poderia perder dois r e i s e m 1 5 d i a s .A ida para o palácio no carro blindado foi feita em pesado silêncio. mordendo o lábio. H a v i a m u i t a s m u l h e r e s v e s t i d a s à m a n e i r a o c i d e n t a l .r e s p o n d e u u m a voz dentro dela.— Está quente — ela murmurou.. As ruas eram cercadasp o r p a l m e i r a s e e n f e i t a d a s p o r f o n te s . egoísta efalso. Ele ainda estavadistante.— Esta é Isi — ele disse. Z a y e d s e vi r o u p a r a a j a n e l a e e l a f e z o m e s m o . mas a temperatura beirava os 33° e sua roupa cinza de lã a sufocava. Rou nãoficou sossegada.— Na verdade está mais fresco do que há algumas semanas. Não sefalaram mais até o avião aterrissar no a e r o p o r t o d a F o r ç a A é r e a d e S a r q . E l e e r a g r a n d e . A maioria dos edifícios parecia nova.G r a t a p e l a d i s t r a ç ã o .

Projeto Revisoras24 .

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Jessica 116. e olhou para a mansão. apenas do meu computador. Rou vislumbrouuma construção cor-de-rosa encimada por domos e torres.— Ele está aqui — disse Manar. Embaraçada e constrangida. p o r é m . No centro da sala havia u m a mesa com um jarro de rosas perfumadas.Parecia algo das Mil e Uma Noites. Enquanto percorriam um caminho cercado.— Preciso trabalhar. e R o u . voltando-se para Zayed.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter das palmeiras. É muito gentil. Projeto Revisoras25 . esperando-a. — Foi aqui que você cresceu?Ele sorriu pela primeira vez desde que recebera o telefonema em Viena. n ã o c o s t u m a s e r usada e tem boa claridade. ela suspeitava.Zayed se virou para um de seus homens. Arranje-me uma mesa enquanto espero pelocomputador. falou num idioma que ela não conhecia e se voltou para ela. sevocê precisar de ar fresco. O sorriso remetia ao menino que elefora e que. — Meu nome éManar. — Ele v i u a e xp r e s s ã o d e R o u e e s c l a r e c e u : — N ã o s e p r e o c u p e . mas quando ele olhou para sua mão. N a d a d i s s o . Corredores cercados por colunas e decorados c o m p r e c i o s a s e s t á t u a s s e e s te n d i a m e m t o d a s a s d i r e ç õ e s . não é?— Ninguém diria pela maneira como me comporto. m a i s u m a v e z e l e s e v o l t o u p a r a e l a . Manar.— Queira me acompanhar. milady — ele disse.— O palácio — disse Zayed em voz rouca. O s o l poente entrava pelas portas de vidro da sala de estarrebaixada e se refletia nas almofadas do sofá. separados por degraus de p e d r a e a r c o s . cumprimentando o recém-chegado. Os dois caminharam em meio ao silêncio e entraram na fresca mansão. surpresa por Zayed não ter entendido. Umsegurança abriu a porta do carro para que ele saísse.— Uma das suítes da família foi preparada para você. Rou esperava que Zayeds e j u n t a s s e a s e u s h o m e n s .O q u a r t o e m q u e R o u f o i i n s t a l a d a n ã o e r a a p e n a s u m a s u í te .— Este é o meu lar — admitiu ele.— Você é um príncipe. jamais vira algum tão lindo e exótico como aquele. muito espaço e acesso para um pequeno jardim. disse ela sem fôlego.— Obrigada. apontando-lhe uma mesa num canto quedava para o jardim. Estou aqui para servi-la durante a sua estada. É isto que você quer dizer? — O sorriso havia desaparecido. q u e conhecera muitos palácios. — E l a p ô s a m ã o n o b r a ç o d e l e i mp u l s i v a m e n t e . inclinando-se. O carro aguardou enquanto um alto portão de ferro e madeira abria lentamente. m a s u m apartamento com cômodos em diferentes níveis. Rou viu que em seu rosto haviaum misto de orgulho e de tristeza. E r a e s p e t a c u l a r . Uma mulher estava parada sob um dos arcos.— Seja bem-vinda — ela disse. mas não preciso de nada.Um dos homens vestido de branco deu um passo à frente. A entrada formadapor lindas colunas e por um domo dourado logo se encheu de homens vestidoscom túnicas brancas que se curvavam. Acho que vou trabalhar.Rou se deu conta de que cometera uma gafe.Rou sentiu uma estranha vontade de protegê-lo.— N ã o . ealgo fez o coração de Rou se confranger.— Ótimo. ela retirou a mão. — É incrível — . Provavelmente não se deveria tocar na família real. As paredes internas eram brancas e o teto formava um mosaico azule dourado. inclinando-se timidamente. raramente se deixava entrever. E l a .

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Intelectualmente esperta eemocionalmente estúpida.Rou olhou para ele num horror silencioso.— Não. hesitante. Pediram as f i c h a s dentárias. — Sinto muito por todos vocês.. Ainda sentia algo por ele. Pensamento. mas seus dedos não obedeciam e ela não conseguia passar os dadosdos formulários para o notebook.— Sinto muito — soluçou. O resultado lhe mostrou 30 combinações.. Estava ali para trabalhar. ela disse a si mesma. — R o u m o r d e u o l á b i o p a r a i m p e d i r q u e a s l á g r i m a s escorressem de seus olhos. — Será preciso fazer testes. Ela a p e n a s precisava se concentrar.. tola Rou.Por que estava tão perturbada e se comportava de maneira tão incomum? Elajamais se deixara guiar pelas emoções porque elas são o principal inimigo daciência.Rou ficou irritada com sua obsessão por Zayed. mas ela não sabia o que poderia ser. Entretanto. — ela sussurrou. Digite logo o resto doperfil. Ela fechou os olhos. Tudo se resumira aos destroços. Tola.Jessica 116.S e e l a não tomasse cuidado. Se pelo menos houvesse tempo.— Não.. Pode recebê-lo agora?— C l a r o — d i s s e R o u .Anoitecia quando Rou terminou sua tarefa.. que ele era um homem com sentimentos maisprofundos do que demonstrava.. e pela primeira vez havia um desespero real em s u a v o z e em seu rosto.— Já selecionei as primeiras candidatas — disse Rou nervosamente. — Posso imprimir os perfis e você poderá lê-los agora ou quando tiver tempo. Ele sentia muito? Ele se desculpava com ela? Rou corou entristecida.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Não deseja tomar banho ou trocar de roupa? — perguntou M a n a r . — Sinto muito — disse ele roucamente. l e v a n t a n d o ..— Sua alteza deseja vê-la. quando Manar apareceu. — Os corpos estão carbonizados.— Preciso fazer o que é . prova. mas não teve tempo porque Zayed logo entrou na sala. ele a contratara por suas habilidades..s e u s d e d o s n ã o o b e d e c i a m . Seu instinto lhe dizia que ele precisava se casarpor amor. Entretanto. Faça o que foi contratada para fazer. mas agora o computador cruzaria os dados e lhe diria que candidatascombinavam com Zayed Fehr.f r u s t r a d a .— Ele parou de repente. E l a p e n s o u e m s e p e n t e a r e l a v a r o rosto. queria que ele gostasse dela..Rou viu que Manar aguardava uma resposta e resolveu dispensá-la.. para poder ir embora. O corpo de Sharif. Rou sentou-se devagar..— Era o avião de Sharif — ele disse em voz baixa e rouca.— F o r a d e s i . clarear a cabeça e ser objetiva: t e o r i a . e v i u o b e l o r o s t o t o r t u r a d o d e Z a y e d . D e r e p e n t e . Porém.. H a v i a a l g o m a i s q u e o preocupava algo que o consumia.não por seus instintos. pesquisa. Ela começou a ler os perfis das candidatas. a c a b e ç a n ã o f u n c i o n a v a . quase irreconhecíveis.— Parece que não há sobreviventes. Parecia-lhe errado ajudar Zayed a encontraruma esposa daquela maneira..a restos mortais. não por conveniência. Ela estremeceu de dor. Seriamelhor trabalhar o mais depressa possível. sentia-se sufocada por sentimentos intensos eperturbadores e a culpa era de Zayed Fehr. Ela demorara mais do que o normal.. ele acabaria com a pequena porção t e r n a e sensível de seu coração. obrigada. — Rou se preparou para digitar as informações que colhera. e l a p e r c e b e u o q u e d e v e r i a f a z e r : encontrar um par para ele e sair dali rapidamente porque Zayed era um perigo. lógica e razão são as bases de toda teoria científica.— A esposa dele.

Farei o que é necessário.certo. — Ele caminhou a t é e l a e . Rou percebeu que ele vestia uma túnica Projeto Revisoras26 . a o e n t r a r na claridade.

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A desilusão é muito grande.. Mas ele lembrara e também mandara uma copiadora. Rou esquecera aimpressora e achava que. Quando tudo ficou pronto. — Querovê-los.. — Encontro-ano jantar e conversaremos. ela imprimiu as fichasd a s p r i m e i r a s d e z c a n d i d a t a s .A o a c a b a r s u a tarefa. D e v o s e r v i r m e u país. Por um momento. A g o r a n ã o p r e t e n d o f a z ê . É necessário que haja uma cerimônia. Eles se sacrificam pelo bem de seu país. com tanta coisa com se preocupar. — Tão rápido?— V o c ê p o d e m e e n c o n t r a r u m a r a i n h a e m 4 8 h o r a s ? P r e c i s o c a s a r . Ela nunca o vira com a veste tradicional de Sarq. sem sentir. assim comoa família de Sharif.— Claro. de transtorno.l o . — Ele se calou.— Talvez esteja — disse Rou. A coroação será dentro de 48 horas.. uma mesa epapel para impressão.. podemos conversar mais tarde.— V o u l h e m a n d a r u m a i mp r e s s o r a .. s u a v o z e s t a v a embargada:— Pensei que ele sobreviveria. encontro com você depois. — Estas rosas foram p l a n t a d a s d e p o i s q u e m i n h a s i r m ã s m o r r e r a m . Rou ficou de lado enquanto uma equipe montava um escritório completo para ela. Zayed.. E l a trabalhava sem pensar. Ele se casara com ela e os doistinham três filhos. É o mínimo que posso fazer. — Ele respirou fundo. Sarq. D e p o i s . — Tenho o dever de honrar meu irmão. m a i s d e z . O país inteiro estaria de luto. Ela Projeto Revisoras27 . engolindo o nó na garganta.— Como se espera que você se case e se torne rei apenas dois dias após saber que seu irmão está morto?— Reis não são homens comuns.— Está bem. com um olhar penetrante.. — Ele olhou para Rou.. Ela ficou sentada por muito tempo. S h a r i f c r i o u u m j a r d i m e m homenagem a elas e. E preciso fazer a transição do modo mais s e r e n o possível. apenas para se ocupar. T e n h o u m a r e u n i ã o d e e m e r g ê n c i a c o m o ministério. A imprensa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter branca . a qualquer momentoZ a y e d f i c o u c a l a d o .— Ele pegou um botão de rosa do vaso no meio da sala. com dificuldade. — Ainda segurando à rosa. Não parecia hora de celebrar.— Não quer examiná-los agora?— P r e c i s o f a l a r c o m K h a l i d . Rou ficou paralisada.? Ele abanou a cabeça.R o u sustentou o olhar de Zayed. ele se virou para sair. S e v o c ê p u d e r i m p r i m i r o s p e r f i s . mas parou.— Até que se tenha prova. ele plantou doze roseiraspessoalmente.. Eu tinha certeza de que ele estava vivo.— Você é tão teimosa quanto eu — disse ele.Jessica 116. Traga os perfis. Era u m momento de tragédia.. — Não temos muito tempo. quando as rosas chegaram.— Sua impressora chegou — disse Manar em voz baixa. Zayed também esqueceria. Eu. Rou nada tinha a fazer até a hora do jantar. o n d e o s m a l a r e s s e salientavam.b a r b e a d o .R o u o l h o u p a r a o r o s t o m o r e n o r e c é m . Q u a n d o f a l o u . até que viu Manar entrar..Zayed saiu. com um olhar atormentado. p o r v i a d a s d ú v i d a s .— A p ri n c í p i o m e a g a r r e i à e s p e r a n ç a . Seus pensamentos eemoções se misturavam: Sharif. Enquanto montavauma pasta com os perfis.. d e o l h o s v a z i o s . lembrou-se de um milionário americano que recusara60 candidatas antes de se encantar com a 61ª.

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Não gostava do que fazia: era absurdo. — Escolha as três melhores deste grupo. — A o t o d o . e mb o r a .Ele olhou para um deles. Ele examinou os formulários em silêncio. Manar saiu e Rou vagou pela sala. Eu estava admirando os painéis.— Isto é algo que você não sabe. — Ela tentou parecer contente e entusiasmada.— Você quer que eu escolha?— Três mulheres que seriam perfeitas para mim. te n t a n d o p a r e c e r p r o f i s s i o n a l .— Também gosto dos painéis. A me s a b a i x a estava cercada por grandes almofadas e as paredes eram cobertas por painéisentalhados. N ã o costumava se pintar e raramente usava jóias.Manar apareceu pontualmente às 9h e pediu que Rou a acompanhasse. Ele a olhou com um ar aborrecido. apreciando os p a i n é i s q u e reproduziam flores e pássaros.— Nada? — perguntou. mas Zayed nãose importaria. Vejo que existem algumas possibilidades. n o f u n d o . — Ela entregou a primeira pasta a Zayed. R o u s e c o u o s c a b e l o s e f e z u m c o q u e .— Não posso fazer isso. d e s e j a s s e q u e p e l o m e n o s u m a v e z alguém a achasse bonita.— Ótimo. Ele não notava o que ela vestia. abrindo o portfólio.— Mostre-me o que conseguiu. m a s t r o u x e v i n te p e r f i s separados em dois grupos de dez. o que era ridículo. — Eu não sou você. Trouxera apenas uma pequena mala e não tinha muita opção.Acima do candelabro. Ela tentou esconder as pernas. u m i n s t r u m e n t o ú t i l . Eram usados como divisórias nos haréns. Ela já vira quase todos quando percebeu que Zayed a observava. te n h o t r i n t a c a n d i d a t a s . mas não estava. Queria que ele gostasse dela. onde zombava Projeto Revisoras28 .Rou sentou numa almofada de seda e corou quando a saia subiu até as coxas.Zayed sentou numa das almofadas diante da mesa e acenou para que elase sentasse ao seu lado. parado na porta. tomou um longo banho e vestiu o costume cinza de novo. Rou era apenas um o b j e t o . São marroquinos e datam do século XVI.Jessica 116. Orgulhava-se de ser uma mulhers e n s a t a e p r á t i c a . mas desejava que ele não gostasse denenhuma daquelas mulheres.— Você esperou muito tempo?— Não.para disfarçar o nervosismo. — Ele entrou na sala com sua discreta elegância.— Por favor.A luz das velas. o teto formava uma abóbada azul-escura incrustadad e dourado. — Seu coração batia acelerado. Não temos os mesmos valores e gosto.— Nada.— N ã o a d m i r a q u e s e j a m t ã o l i n d o s — d i s s e e l a despreocupadamente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dormiu um pouco. preparando-se para lhe dar a segunda pasta. Para ele. Rou pegou as pastas com os formulários e a seguiu através dos corredores atée n t r a r e m n u m a p e q u e n a s a l a d e j a n t a r i l u mi n a d a p o r v e l a s .Você não gosta do que eu gosto.impossível. Apenas alguns minutos. devolvendoa pasta.Rou se lembrou do e-mail que Zayed mandara para Sharif. o cabelo dele brilhava como ônix e sua pele parecia dourada.— E s t a s s ã o a s p r i me i r a s d e z c a n d i d a t a s — d i s s e .— Não ouvi você chegar. — Lindas m u l h e r e s d e v e m e s t a r c e r c a d a s d e coisas bonitas. Quem você escolheria para mim?As mãos de Rou tremiam quando pegou a pasta. dê-me a sua opinião de especialista — pediu ele.

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Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dela, chamava-a de maçante.— A h , m a s e u s e i — r e s p o n d e u e l a . A d o r a r a a c o m p a n h i a d e l e , e e l e simplesmente ficara entediado. Zayed suspirou frustrado.— Não estou à procura de uma relação amorosa, apenas de compatibilidade.— Ótimo. — Ela corou, folheou a pasta e escolheu Jeanette Gardnier, umalinda canadense, professora de Direito; Sarah 0'Leary, uma jornalista ruiva deDublin; Giselle Sanchez, uma loura proprietária de um banco em Buenos Aires.— Eis aqui três mulheres brilhantes, independentes e bem-sucedidas. Elas sãoo máximo. Todas muito bonitas.Zayed não pegou os formulários, apenas a fitou fixamente.— Por que estas mulheres?Rou odiou que seus olhos queimassem e a garganta se fechasse. Odiava aquela viagem que tumultuara suas emoções.— Elas correspondem ao que você pediu.— Você está aborrecida — ele disse, levantando uma sobrancelha.— Não estou aborrecida.— Então, por que não me olha de frente?— Não preciso olhar para você.— Você está quase chorando — ele disse surpreso.— Por favor. — Rou virou a cabeça para o outro lado, mordeu o lábio e ses e n ti u t r a í d a p o r s u a s e m o ç õ e s e p o r s u a f r a q u e z a . E l a e r a u m a c i e n t i s t a . Esperava-se que fosse objetiva e dedicada ao seu ofício. Zayed se inclinou e passou o dedo debaixo do olho dela, colhendo uma lágrima.— Você está chorando.— Não estou. — Rou sentia o coração apertado e a pressão das lágrimas que tentava conter. Ela não deveria ter vindo não deveria ter concordado comaquela proposta absurda. Nenhum homem a atingia, exceto Zayed Fehr. Ele lhe mostrou o dedo úmido.— Então, o que é isto?— É uma lágrima.— Por quê?— Por quê? — ela perguntou em voz aguda. — Porque estou triste. Eu souuma mulher, tenho sentimentos. Você pode achar que sou um museu ou umrobô, mas não sou e nunca fui. — Ela sacudiu a cabeça, descontrolada. Comopoderia trabalhar daquela maneira? Como poderia pensar? Ela só podia seruma cientista racional, fria e lógica se estivesse num ambiente que possuísse e s t a s c a r a c t e r í s t i c a s , m a s n ã o e s t a v a . Desde que Zayed aparecera em seuh o t e l e m V a n c o u v e r , e l a s e s e n t i a e m p u r r a d a e p u x a d a , d e s p e d a ç a d a e estressada. Era loucura, e ela nunca se sentira tão estúpida.— Eu nunca disse nada que sugerisse que você é um robô.— Não. Você só acha que sou como um museu: maçante, maçante! — Aspalavras caíram no silêncio. Zayed fechou os olhos e falou, depois de algum tempo:— Você sabia?Rou corou arrependida por ter explodido.— Sharif não pretendia que eu descobrisse. Eu preferia não saber.— É por isso que você me odeia tanto.— Acho que você pensou que estava sendo engraçado, mas issomagoou...Ele a interrompeu, beijando-a. Rou enrijeceu o corpo, espantada, e tentoue mp u r r á - l o p e l o s o m b r o s , m a s o c o r p o d e l e e s t a v a m o r n o e firme sob suas Projeto Revisoras29

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter mãos . Ela sentiu as batidas do coração de Zayed e o perfume de sua pele. Asmãos que antes o empurravam se agarraram à roupa dele. O beijo de Zayed fora gentil até aquele momento, mas, sentindo que ela cedia, ele a beijou commais ardor, tirando-lhe o fôlego.Rou já fora beijada, mas nunca daquela maneira, não com tamanho ardorou ânsia, desejo ou raiva. Sua cabeça começou a girar e ela perdeu o senso: abriu os lábios e ele explorou sua boca lentamente com a língua, saboreando-ae enviando ondas de entorpecente calor através de seu corpo. Aquilo tinha deparar, ela pensou, atordoada, ela precisava detê-lo, mas seu corpo se recusavaa obedecer. Sentia sensações maravilhosas e estranhas demais, a começarpelas pernas bambas e pelo langor dos músculos. Seu coração parecia bater mais devagar, seguindo o ritmo dos arrepios que lhe percorriam a espinha e oventre, deixando-a enlouquecida e dolorosamente consciente do quantoestivera vazia.A c h e g a d a d o m o r d o m o d o p a l á c i o o s interrompeu. Rou não o ouvirac h e g a r , m a s Z a y e d s i m , e e l e t e r m i n o u o b e i j o e s e a f a s t o u c o m i n c r í v e l rapidez. Enquanto o mordomo falava com Zayed em voz baixa, Rou oscilou emc i m a d a almofada, sem conseguir se controlar. Ela ouviu Zayed fazer u m a pergunta, mas não entendeu a conversa. Quando o mordomo saiu, Zayed se virou para ela.— Preciso ir — disse ele abruptamente. Rou se esforçou para fitá-lo.— Tudo bem.Zayed se inclinou para ela, tocou-lhe o rosto e franziu a testa.— Minha mãe teve um colapso. Foi levada para o hospital. Rou pestanejou,voltando ao normal pouco a pouco, exceto pelo coração que batiarapidamente.— Ela vai ficar bem?— Tenho certeza de que sim. Foi apenas o choque ao receber a notícia sobre o avião de Sharif.— Claro. — Ela esperou que ele saísse, mas Zayed não se

mexeu.

Ficousentado, pensativo, olhando o rosto corado de Rou e

escolhendo as palavras com cuidado.— Aquele e-mail... O que escrevi... Não se dirigia a você.— Eu sei. — Ela sabia, mas não significava que magoasse menos.— Não tive a intenção de magoá-la.Rou sentiu uma dor no peito. Não queria as desculpas de Zayed, queria apenas que as coisas fossem diferentes: queria ser mais bonita, mais animadae a t r a e n t e . Ela tentou falar, mas não conseguiu. Gostara dele, pensara s e r retribuída, tivera fantasias românticas e absurdas, mas já haviam se passadotrês anos. Era muito tempo, não importava mais.— Isso é passado, já esqueci.— Acho que precisamos conversar sobre esse assunto, mas não agora...— Não quero falar sobre isso, você deve ir. Sua mãe precisa de você etenho muito trabalho a fazer. — Rou se levantou da almofada, sentindo-sedesajeitada. — Vou voltar para o meu quarto e entrar em contato com as três candidatas que selecionei. Vou marcar um encontro com cada uma.Ele levantou com agilidade, elegância e imponência.— Irei vê-la assim que voltar do hospital.— Não é necessário. Você tem muitas preocupações e tenho trabalho a fazer. Não estou aqui a passeio.— V o u p e d i r q u e m a n d e m o j a n t a r p a r a s e u q u a r t o . — E l e n ã o p a r e c i a contente. Projeto Revisoras30

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Dez minutos depois. Queria apenas cavar um buraco entre Sharif e sua estranha protegida. a esposa que precisava encontrar — a mãe declarara que poderia lhe arranjar uma esposa para o dia seguinte. Aloura e esbelta Dra. Tornell era uma mulher.Zayed olhou para ela por algum tempo e saiu.Zayed fechou os olhos. N a d a d o q u e e l e i m a g i n a r a . Emgeral. Sharif esuas causas perdidas. Zayed se recostou no banco. A sensação não era novidade. c o m o a c e r i m ô n i a d e coroação..A g o r a e l e p o d e r i a s e d e d i c a r a o u t r o s p r o b l e m a s . e a Rou. Capítulo Cinco E NQUANTO A limusine se afastava do hospital.la. Precisava ver Rou. Ela sabia sobre o e-mail para Sharif depoisdo casamento de Pippa. e ele gostara de beijá-la. explosivo. se necessário —. Suavida era uma série de prazeres cansativos — carros velozes. Sabia que ele a rejeitara e. O beijo osurpreendera. Tentaria reparar seus erros.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Sou a última pessoa com quem você deve se preocupar. nãoteria descoberto que a imagem de cientista fria era apenas uma máscara. envergonhado.Jessica 116. horas rápidas. Sua mãe estava bem e seu colapso fora causado por necessidade de atenção. Não pretendera ofendê. Fora quente. Ele convivia com a desonra: provocara a própria maldição devido a seus atos. Se pelo menos conseguisse quebrar amaldição. m a s e l a também não era como imaginara. se pudesse. Zayed Projeto Revisoras31 . O que o levara a beijar Rou Tornell? Ele não a achavaparticularmente atraente. em seus lábios e o sangueque parecia ferver em suas veias. Ele satisfazia cada capricho..... experimentava cada vício enada o satisfazia. amantes passageiras. a limusineatravessou o portão do palácio.Ele lhe dissera que iria vê-la quando voltasse. Deus não o deixara morrer e não o deixaria viver. Apenas vá. a culpa era insuportável e ele tentara se autodestruir durante os últimos15 anos. Rou o observou ir embora. Ele se encolheu na penumbra do carro. voltara a Sarq e ocuparia o lugar do irmão. Agora. a estranha sensação. apesar de não se lembrardas palavras que usara..tentando esquecer o beijo. Zayed se agitou no assento. não quisera beijá-la. salvar o que restara de sua família. mas aquele beijo. Se não a houvesse beijado. mas falhara. Rou. Ela pegou suas anotações e voltou para o quarto. Zayed sabia que provavelmente fora sarcástico ougrosseiro.

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— Não é uma máscara. Informal e tipicamente ocidental. Zayed tocou-lhe levemente no braço. mas se sentiu culpado. Rou torceu os lábios. O mínimo que poderia f a z e r e r a mandá-la para a cama.— O beijo ou o e-mail?— Os dois.. P o r q u e a beijara? Confuso. V i c o m o e l a t r a t a v a S h a r i f e s u a família.— Por quê?— E l a é c o n t r o l a d o r a . Ao dormir. Ela deu de ombros.— Ainda bem que você me conhece.— Já esqueci. — Ela não se mexeu. com a cabeça sobre os papéis e a mão apoiadan o t e c l a d o d o laptop. Você precisa se deitar. d e m u l h e r a l g u m a .Zayed sentiu uma pontada no peito.— Sinto muito por hoje cedo. a sala estava vazia. acariciou-lhe o rosto. o rosto de Rou se suavizava. Rou se empertigou de repente. recordando. Zayed se aproximou. — Rou.— Já passa da meia-noite. Zayed sentou na ponta da mesa. a l i á s .— Olá. Ele asacudiu com cuidado.— Ainda bem.— Ah. — Ele deu de ombros. mas a m e s a s e a c h a v a c o b e r t a d e p r a t o s e travessas que não haviam sido tocadas.— Mas você foi vê-la esta noite?— Ela é minha mãe — ele disse com um grunhido. Jurei que jamais deixaria que acontecesse comigo. os lábios cheios e as longas p e s t a n a s espessas e escuras. você se esconde atrás da máscara de cientista. Zayed observou o rosto lavado.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter entrou no palácio e foi direto para a suíte de Rou. exausta. As luzes permaneciamacesas.— Se eu não o conhecesse. Está na hora de você ir para a cama.— Esta noite foi a primeira vez que a vi em anos.Jessica 116. m a n i p u l a d o r a . tão diferente do que ele pensava deR o u .— Fácil assim? — ele perguntou. Tornell. Ela nada comera? Ele se virou para sair e a viu dormindo sentada. Sua pele era macia e morna. ele pensou em deixá-la como estava. acorde. — Ela levantou a cabeça com dificuldade e olhoupara ele.— Dra.— Eu não a chamaria de delicada. Olá. mas os cabelos estavam soltos e caíam em ondas douradas eprateadas sobre os ombros. Sem pensar. diria que é um homem bom.— Você não se dá bem com ela? — Rou franziu a testa. E quem eu sou e o que faço.E l a estava ali porque ele lhe pedira ajuda. Ele jamais se a p r o v e i t a r a d e u m a m u l h e r f r a g i l i z a d a .Ele ergueu a sobrancelha. Ela ainda usava o h o r r o r o s o costume cinza.— Como está sua mãe?— Insegura.. — Ela sempre foi assim.— Eu separo as coisas. os lábiosficavam relaxados e cheios e ela parecia tremendamente frágil . Zayed deu um sorriso.— Isso não é algo delicado de se dizer. histérica.Rou bocejou e afastou um cacho de cabelos do rosto ainda marcado de sono.— O beijo nada significou? Projeto Revisoras32 .

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— Estou aqui para ajudá-lo a encontrar uma esposa — ela acrescentou. pensou ele. sim.Zayed deu um sorriso zombeteiro. Ele sabia que Rou Tornell era o o p o s t o d a imagem que projetava. mas não a mulher certa para você. mas isso nãoquer dizer que a atração ou a compatibilidade sejam verdadeiras. suas cores voltariam e aquela boca suave incharia por causa dos beijos. Zayed riu de mansinho. — Concorda? Nossa relação Projeto Revisoras33 . Sem os sapatos de saltos altos as pernas ficavam a i n d a m a i s t o r n e a d a s . e Z a y e d c o m e ç o u a f a n t a s i a r s o b r e o q u e f a r i a c o m pernas como aquelas.Estou muito ciente da crise.— Sim — ela concordou sem se abalar..— Não sou uma das suas três pretendentes. Depois de algumas horasna cama e de alguns orgasmos.— Talvez devesse ser — respondeu ele brandamente. paixão e fogo. m a s l h e c a í a bem. sheik Fehr! — Se ela esperavadetê-lo com sua voz gélida e com o comentário seco.. a n i m a d a . ela era a r d e n t e . É u m i m p u l s o i n c o n s c i e n t e . afetada. Se ele não estivesse preso à necessidade de arranjar uma esposa. mas também sou homem.— Eu não saberia dizer — ela respondeu. corajosa. p o r q u e p e n s a r a e m c o m o e l a p a r e c i a precisar desesperadamente de sexo bem-feito. paciência e desejo. S e m p e n s a r . Rou se afastou. Acabou: é passado.— E e u d e ve r i a l e v á . — A ciência e a química do a m o r . Ele parara de ouvir assim que e l a m e n c i o n a r a o i m p u l s o s e x u a l . sinergia. E l a e r a p r o v o c a n t e e d i v e r t i d a . porém não ouvia mais. a l g o controlado pelo cérebro que libera hormônios e neurotransmissores. — Não?— Quer dizer.— Leis da atração?— E s te é o m e u c a m p o d e p e s q u i s a . Era disso que ela precisava.— Passei as últimas três horas escutando as lamentações de minha mãe.— Os homens são dados a impulsos. Tornell o lado do amor que ela desconhecia: olado físico. apaixonada.Coragem. f e mi n i n a e d e c i d i d a . Irritada. Rou corou vivamente. e l e acariciou cada traço do rosto dela com o dedo.. teriao maior prazer em ensinar à Dra.l a m a i s a s é r i o ? — e l e c o m p l e t o u .— Estamos no meio de uma crise. Não sou seu tipo e jamais serei. sou uma mulher. São apenas as leis da atração. casamento. os cabelos se espalhando sobre osombros e a respiração descompassada.enquanto ele continuava a observá-la. fazia com que se tornasse viva. T a m b é m e r a m o r d a z .. É isto que interessa sheik Fehr: compatibilidade. percorrendo-lhe o corpo com o olhare se detendo nas pernas. Ele a beijaria atrás do lindo joelho e ela estremeceria c o m o a maioria das mulheres. é também habilidade. Cometemos um erro.— Mas foi ótimo.Zayed concordou. e você é uma mulher. — E l a colocou o cabelo atrás daorelha.— Você acha que meu cérebro não a acha atraente?— Acho. Imaginou há quanto tempo elanão dormia com alguém. em particular o sexual.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Absolutamente nada — respondeu ela com firmeza. Rou levantou da cadeira.— Você sabe um bocado sobre meu cérebro. enganava-se. seria outra: seu porte seria diferente.a p e s a r d o d i a c a n s a t i v o . o olharmais suave. — Estamosestressados.Jessica 116. p e n s a n d o q u e gostava mais da Rou Tornell que se escondia sob a máscara. sorrindo. O amor não é apenas uma lição de ciência.— Não.

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convencional e fingida Dra. colorindo o céu de vermelho. sabiaque. perdida. Ele era terrível. Deveria existir alguém mais próximo. Ela a c o r d o u antes das oito.E l e d e u u m ú l t i m o s o r r i s o e s a i u . ficou aliviada. mas talvez suas emoções e desejosfossem controlados pelo medo. ela sabia que seria diferente. não c o n s e g u i u ..Jesslyn parecia atordoada. ainda m a i s q u a n d o e s t á z a n g a d a .Nenhuma mulher sensata entraria no avião e iria até ali para conversar comele durante apenas uma hora e concordar com o casamento. com Zayed. seu corpo ganharavida. D e u s . precisava.— Eu me enganei quanto a você. embora gostasse de se sentir viva. — Não espero que faça seu papel deanfitriã enquanto estou aqui. Rou prendeuos cabelos num rabo de cavalo. apareceu entre as colunas.m a i l s p a r a v e r s e r e c e b e r a a l g u m a r e s p o s t a . A q u i l o n ã o e s t a v a certo: viera fazer um trabalho e falhara. no momento em que partisse. . q u e a f i z e r a d e s e j a r i r a d i a n t e .Você tem muito a fazer. pensou em reenviar os convites. E muito interessante e atraente. demandas e desejos. Meu nome é Jesslyn Fehr. Ainda de pijama. Uma linda morena. com a cabeça doendo. jamais teria aquela sensação outra vez. Tensa.— Infelizmente. Tornell. Rou notou a fadiga. queria. beijos e insinuações. arrogante! Não conseguiria encontrar uma mulher para ele. Desculpe. nem mesmo as crianças. R o u n ã o a p r e c i a v a o s e x o .uma amiga da família. Elasempre fora acusada de ser muito racional. — Ele precisa voltar. Nenhuma das três candidatas respondera e. mas apavorante.— Rainha Fehr! — Rou correu para receber a esposa de Sharif. s e n s a c i o n a l ..Jessica 116. apenas sentia. O problema era o beijo de Zayed. Sentou-sen o s o f á e c o n s u l t o u s e u s e . A revelação fora fantástica. convencional e fingida? C o m o e l e e r a grosseiro. Com elenão se sentia frígida. sem saberse deveria se inclinar ou cumprimentá-la. Tudo com ele era diferente. agitada e insone. mas admitiu que o e s f o r ç o s e r i a inútil.. Jamais experimentara um beijo como aquele ardentee p r o f u n d o . O s h o m e n s g o s t a m d e d e s a f i o s . para seu espanto. Rou se preparava para consultar aficha de Zayed quando bateram na porta. m i n h a tensa. Nada de carícias. S e r i a ó t i m o . porque. t o r c e n d o p a r a q u e f o s s e M a n a r t r a z e n d o c a f é e biscoitos. Quando Zayed a beijara. t a l v e z . Eu deveria ter vindo maiscedo para lhe dar as boas-vindas... Sensual. A questão é que e l a a i n d a e s t a v a e x c i t a d a emocional e fisicamente.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter será estritamente profissional.agarrando uma almofada. Eu não deveria me intrometer numa hora dessas. é um desafio. asolheiras e a palidez no rosto da rainha. a reação de seu próprio corpo e a expectativa de c o m o s e r i a f a z e r a m o r c o m e l e . talvez uma ex-namorada. Ela parou e sorriu docemente. desejava e ansiava.— Não fui uma boa anfitriã com você. Cambaleou até a sala e apreciou o sol que se levantava. Ela tentou esquecer o beijo. usando um vestido simples. Nada me faz esquecer. nada posso fazer. Sentindos e culpada.. uma prima distante. Tentou ler. — De perto. R o u c a m b a l e o u a t é o sofá e deitou. e v o c ê . e l a precisava sair dali!R o u rolou na cama. Está difícil me manter ocupada.— E n t r e — d i s s e e l a . arrogante e.Nenhuma mulher decente o aceitaria. Seria impossível arranjar uma noiva para Zayed nas próximas 36 horas. colocou os óculos e pegou o laptop. manifestara suas necessidades. alguém que já o conhecesse. m a s .Q u a n d o Rou conseguiu dormir já passava das três horas.

— Sentese. — Rou indicou o sofá. — Desculpe se não estou vestida. Projeto Revisoras34 .Não posso viver sem ele — disse tentando sorrir. Eu estava gostando de trabalhar de pijama. sem sucesso.

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Ganhei a Bolsa de Estudos Fehr para estudar em Cambridge. Não é engraçado como o mundo funciona? Sharif sempre me disseque o mal pode gerar o bem. Já fora ruim receber a rainha de Sarq de pijamas. envergonhada. Acho que eu e você somos as únicas que o usaram depois que elas morreram. verdadeira e realista. passava os fins de semana de pijama.Rou também engoliu as lágrimas. minha esperança. muito bom e generoso. Rou se sentiu desleixada. — Ela piscou várias vezes e fitou Rou. Fiquei aqui quando cheguei ao palácio. — Morreram com uma semana de diferença. mas as conteve e mudou de assunto. Ela não sabia. Foiassim que o conheci. — Soube que você conheceSharif.J e s s l y n s e i n c l i n o u e a p e r t o u u m b o t ã o i n v i s í v e l n a p e r n a d a m e s a d e centro. corrigindo provas. na véspera da morte de Aman.— Você é a psicóloga? Agora você e Zayed encontraram um ao outro.Jesslyn era bonita. E um bonito lugar. — Faz tempo quenão venho aqui.— Ela mordeu os lábios. Ele era um mentor maravilhoso.— Você já foi lá fora.Rou percebeu por que Sharif amava Jesslyn e seu coração se confrangeu.O rosto de Jesslyn se iluminou.— T a m b é m n ã o t o m e i c a f é d a m a n h ã . b i s c o i t o s e iogurte. conheceu os jardins?— Não. As duas tomaram café. Jesslyn olhou ao redor. Pretendo fazêlo mais tarde. humilde. alteza?— Mehta. quanto mais Zayed!— Talvez seja melhor você vestir outra roupa. aqui era o quarto delas — disse a rainha com ar distante. Jamila e Aman. meu coração.— É uma suíte muito bonita. poderia trazer café para dois? Se houver alguns doces. Ele étudo para mim. no hospital.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — É a maneira mais cômoda de trabalhar — respondeu a r a i n h a . — Depois que a moça saiu. Estávamos todos de férias na Grécia quando o acidente ocorreu. — Das gêmeas. — Quando eu era professora. P o d e r í a m o s t o m a r c a f é j u n t a s enquanto conversamos se não se importar. Estes aposentos raramente são usados. estava barbeado e exalava sofisticação e elegância. Talvez algo de bom resulte de tudo isso. Talvez ele estivesse certo.— Você era amiga delas? — A melhor amiga. Você já tomou café? Comeu alguma coisa?— Estou bem. Não saberia viver sem ele. s u c o .Jessica 116.Rou ficou espantada.M e n t a e M a n a r e n t r a r a m c o m b a n d e j a s c o m c a f é . Nós nos conhecemos na escola e depois dividimos umapartamento.— Claro que não me importo.Zayed chegou meia hora depois e as cumprimentou.— Você sabe. — Os olhos dela se encheramde lágrimas. traga-ostambém.— Sim.— Ainda não tive chance de vestilo — ela disse.— Nada de costume cinza hoje? — Ele usava uma calça preta e u m a camisa de linho. O dia vai ser muito quente epensei em lhe mostrar os jardins do palácio mais tarde. conversando sobre os filhos de Jesslyn e Sharif. mas deveria. Imediatamente apareceu uma jovem. como jardim e o sol matinal.— Sim. Foi assimque conheci Sharif.— De quem?— Das meninas — revelou Josslyn com uma cara triste. Quemaravilha. —Não posso perdê-lo. Projeto Revisoras35 .

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É exatamente o que quero.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Também acho — ele sorriu. Projeto Revisoras37 . só que ele começará depois do casamento. interessantee nossos filhos serão muito espertos.— N ã o h á r a z ã o p a r a p â n i c o — e l e d i s s e .O coração de Rou deu um salto. Ela sentou num degrau da sala. quase desmaiou. E perfeita: educada.— Nós não vamos nos casar.— S e v o c ê n ã o c o n t a r à r a i n h a . Z a y e d a i n d a e s t a v a sentado no sofá. conheceminha situação. Meu único motivo para estar aqui é ajudá-lo a encontrar uma esposa. — Te r e m o s u m p e rí o d o d e namoro. Sabe que preciso de um casamento de conveniência e não deamor.— Sheik Fehr — ela disse secamente.— Ah. satisfeito.Rou. Ela não podia sequer classificá-lo como l o u c o . esperando.— Excelente. De jeito nenhum.— Receio que Jesslyn e as crianças acreditem que sim. sob nenhuma circunstância. Rou apontou para ocorredor.. o dinheiro ainda será seu. Ele falava sério? Dissera quelhe daria dinheiro para casar com ele? Ela se agarrou no degrau. Ela não era do tipo que se casava. A sala rodavaloucamente. em qualquer situação. tenho alguém em mente. protegida de Sharif. que nunca se abalava.— Não. confiante e calmo. bem-sucedida. culta. Ela sorriu..Jessica 116.— Sheik Fehr. Se ele voltar. Você é uma candidata altamente qualificada: é inteligente. Ela entendera errado. Omelhor é que você é uma antiga amiga da família.— Está na hora de me chamar de Zayed.— Como?— Escolhi você.— Estamos praticamente comprometidos. não estamos.. mas não era expresso.— Então.— Você está falando sério — ela disse num sussurro..— Você andou bebendo?— Tomei um café. vá esclarecer este mal-entendido. você pensou em alguém. e u c o n t o — e l a d i s s e f i r m e m e n t e . Dra.— Você sabe que é a solução perfeita..— Então. m a s estava totalmente fora da realidade.Rou levantou e se afastou. Tornell. Escolhi você. ela jurara ter uma vida celibatária..— Acho que terá uma surpresa. claro que a deixarei livre de todas as obrigações. C o n h e c i a o s s i n a i s d e l ou c u r a .A cabeça de Rou começou a girar. Elesorriu de volta.. — É melhor esclarecer tudo agora do que arruinar nossas vidas. Graçasaos pais. — Ela se fechou noquarto. — Agora chegavam a algum lugar..— Vou financiar seu centro de pesquisas. e e l e n ã o a p r e s e n t a v a n e n h u m . — Santo Deus! Filhos?— Poderíamos esperar um ano para você engravidar. ou devemos começar a fazer uma lista?Ele fez uma cara indiferente.R o u p a r o u n a p o r t a d o q u a r t o e o l h o u p a r a e l e . para ver se Sharif éencontrado. tentando fugir para oquarto.

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muito menos por um homem como ele. q u e a m a v a e p r e c i s a v a d e s e u t r a b a l h o e q u e n ã o desistiria de sua missão.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Capítulo Seis D EPOIS QUE ele se foi. Por outro lado. Assim que ela Projeto Revisoras38 . d e c e r t a f o r m a . o problema e s t a r i a resolvido: teria uma esposa e o trono. n ã o p a r a e l a . Do ponto de vista dele.Jessica 116. pensando no que faria. Asolução de Zayed — casamento — não era solução. dedicada à família e aos f i l h o s . e l e tinha razão. apesar de ela achar que. ela nada ganharia ao casar com Zayed Fehr. Rou perambulou pelo quarto. Ela amava sua vida e não pretendia casar. Casamentoera para aqueles que queriam uma vida doméstica.

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m a s descobrira que o dinheiro não compra o amor nem a felicidade.Rou deixou que Manar lhe preparasse um banho perfumado com baunilhae especiarias na enorme banheira.E l a a c a b o u p o r e s c o l h e r u m c o s t u m e p r e t o . Jesslyn os o b s e r v a v a c o m a r ausente. Ela jamais admitiria. cujas idades iam dos 9 aos 11 anos. — Quero que conheçam alguém especial.fantasiando como seria fazer amor com ele. C l a r o q u e e l a n e m s e q u e r p e n s a r i a n o a s s u n t o . a u t o r r e s p e i t o .. nada ambicionava de material. eela não tinha o direito de perturbá-los. Rou se arrependeu por ter pedido a Mehta que a levasse até o quarto.Jessica 116. O dinheiro torna as pessoas arrogantes. o que lhe restava? Deixar que Zayed a manipulasse atéconcordar? Jamais. Rou. Jesslyn e as crianças não estavam na piscina. Oe n d i a b r a d o p rí n c i p e T a h i r .. ou melhor. Queriaa p e n a s t e r i n d e p e n d ê n c i a . D r a . Agora. n u m a e n o r m e mansão em Beverly Hills. Contanto que conseguisse se sustentar. Porém ela era uma mulher diferente: crescerac o m m u i t o d i n h e i r o .. notando a presença de Rou. Ela se deleitou ao entrar na água. Porém. R o u T u r n e l l . Sentias e extremamente atraída por Zayed. não tinha nenhum. cercada pore m p r e g a d o s .A família tentava manter a normalidade depois que seu mundo desmoronara. melhor.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter contasse a verdade a Jesslyn. a p e n a s p o r q u e t i n h a m a n g a s curtas. Rou não as invejava.— Ah.— Mama — disse Tahir. mesquinhas edesagradáveis.Jesslyn como que despertou e olhou para a porta. c o n f i a n ç a . . e ficou tentadaa aceitar a proposta de Zayed. Entretanto.. ele lhe propuserac a s a m e n t o . — M e n i n a s — d i s s e Jesslyn com fingida animação. egoístas. Al m e j a v a u m m u n d o particular onde pudesse controlar suas emoções e seria impossível alcançá-loficando em Sarq. Rou examinou seu limitado guarda-roupa. moça. não tinha visto você. — Ela deu um sorriso e n q u a n t o T a h i r s u b i a e m s e u c o l o . Desculpe. — Mama. Zayed não poderia coagi-la a se casar.Ao sair do banho. t e n t a v a d e r r u b a r a s p e ç a s dotabuleiro. onde as filhas do primeiro casamento de Sharif jogavam Monopólio. olha. . sentindo-se diferente. mas em parte estava curiosa. Jesslyn as . Calçou sapatos de saltos baixos. ou talveza palavra certa fosse lisonjeada. levantaram e s e inclinaram respeitosamente com um olhar curioso. Esta éa n o i v a d e t i o Z a y e d .Jesslyn estava tão sensível e entristecida que seria uma maldade sobrecarregá-la ainda mais. Ela não tinha uma fila de homens bonitos e s e n s u a i s b a t e n d o à sua porta. Embora trabalhasse para pessoas ricas. Passara a noite rolando na cama. prendeu os cabelos num coque e saiupara procurar a rainha. enquanto as meninas reclamavam. Sua bagagemc o n t i n h a a s r o u p a s q u e u s a r a d u r a n t e a t u r n ê a t r a v é s d e c i d a d e s o n d e predominava a baixa temperatura e que não serviam para o calor do deserto. mas Rouhesitava em procurar a rainha depois da conversa que tiveram durante o café. d e t r ê s a n o s . R o u vi u q u e a s m ã o s d e l a t r e m i a m aoacariciar os cabelos do filho e seu coração se apertou. como se fosse uma princesa das Mil e uma noites. Q u a n t o m a i s rápido conversasse com Jesslyn. mas no quarto. Entre. N ã o é emocionante?A s m e n i n a s . E l e s v ã o s e c a s a r a m a n h ã .

apresentou. p e r g u n t o u s e o c a s a m e n t o s e r i a n o e s t i l o o c i d e n t a l o u segundo a tradição de Sarq. a voz lhe faltava ao perceber a tristeza que flutuava no quarto. Afinal. D i g a a l g o . Diga: não vou me casar com seu tio. jamais. Viera esclarecer o assunto. Takia.rompeu o silêncio. e J i n a n . Rou ficou paralisada. Porém. Projeto Revisoras39 . a m a i s v e l h a . mas não conseguia se mexer nem falar. e x p l i q u e q u e t u d o é u m mal-entendido. de 9 anos.

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A dor de todos fizera com que a morte de Sharif se tornasse real e aa t i n g i s s e e m c h e i o . sentiu o coração dilacerado. Você se torna verdadeira. Takia olhou para Rou com os olhos arregalados e os lábios apertados. Aquelas crianças encaravama realidade muito cedo. A pequena Takia não entendeu por que não esperamos o pai dela para casar!O turbilhão de palavras exaltadas terminou e ela olhou para ele. — S e m e l e .mas suspirou e concordou.— E se tornar rei — disse Jesslyn entre as lágrimasRou não aguentou. mas acabou se perdendo nos corredores e. Daria tudo o que tenho e o que sou para vê-lo asalvo. — Ela voltou ac h o r a r .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Vocês não vão esperar a volta de papai? Vão se casar sem ele? — O silêncio pesou no quarto e abriu caminho para a dor. Nada pode ser decidido sem o rei. Porém. Zayed pensou em argumentar.Rou pensou em Jesslyn e nas crianças e recomeçou a chorar.— Algo errado? O que aconteceu?— Seu irmão está morto. deu de cara com Zayed.. A rainha e as crianças estão arrasadas. Eu quero e preciso de você. Porém nãop o d e r i a a b a n d o n a r u m a f a m í l i a n a q u e l a s i t u a ç ã o . Isto lhe dará algum tempo.. não de mim. abraçou-se à mãe. Deu um sorriso desesperado.— Acabo de sair do seu quarto — ele disse.— Tio Zayed e tia Rou gostariam — disse Jesslyn —. F o r a d e m a i s . O país está um caos. sem seu pai. o casamento não será bonito. Você está sendo corajoso e forte ao se tornar rei.Rou.— Como pude pensar que você era insensível? — ele disse.— Casar com tia Rou? — perguntou Saba. s u a s l á g ri m a s r o l a r a m . e Tahir. perda. Amor. abalada.— Essa esposa é você. q u e n ã o haverá rei? A rainha me apresentou às crianças como tia Rou! Agora sou tiadelas.— G o s t a r i a d e p o d e r e s p e r a r p o r s e u p a i — d i s s e R o u . mas. secando as lágrimas. Jesslyn começou a chorarsilenciosamente.casamento. opaís está em tumulto. muito corajoso e forte. Preciso de você para cumprir meu dever. Crianças não deveriam sofrer nem amadurecer de repente. O palácio estava repleto do que ela mais temia.— Você precisa de uma esposa. Projeto Revisoras40 . t r e m e s s e m .— Nós nos encontraremos no almoço. dedicando-se a ajudar os outros. S h a r i f e s t a v a m o r t o e n ã o v o l t a r i a .— Eu não gosto de ficar assim. Semvocê não será possível.— Talvez dê para esperar — sussurrou Takia. cheio de medo. pegando-a pelo braço. e fugiu. aconselhara. — Não será suficiente.— G o s t o de você desse jeito. e tio Zayed.. — O q u e d e v o f az e r ? D i z e r q u e n ã o v o u c a s a r c o m v o c ê . desfaria tudo isso — ele acrescentou com calma. Não poderia fugir de onde mais a necessitavam.Jessica 116. de repente. está fazendo o que seu pai gostaria que ele fizesse. m u i t o i n t e n s o e dolorido. ensinara. até que chegue este dia. devo fazer o que é necessário. e isto inclui casar e assumir o governo. O h o m e m q u e e l a adorara se fora. clinicara. Saba e Jinan soluçaram. — Daria tudo paraver Sharif entrar pela porta.— Fui ver a rainha — ela replicou.. É disto q u e p r e c i s a m o s . confuso. escutara. — S e e u pudesse. — R o u m o r d e u o s l áb i o s p a r a e v i t a r q u e . D u r a n t e a n o s e s t u d a r a . pedindo socorro.— Preciso de tempo — sussurrou. gritando. As meninas tinham perdido a mãe havia muitos anos. que odiava emoções e lamentos. A s s i m q u e e l a s a i u . Rou tentou retornar ao seu quarto. filhos.

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Ao entrar no quarto.Valentino. Zayed desistiu e lhe forneceu instruções. mesmo por um homem comoele. que viera lembrá-la de que o almoço seria dentro de meia hora e perguntava se ela queria mudar de roupapara almoçar no terraço com sua alteza.R o u c o r r e u a t é a s a l a q u e e s t a v a c h e i a d e s a c o l a s c o l o r i d a s . Talvez fosse temporário. Elaficou tonta e sentou no braço do sofá: não costumava usar rosa. Ela abriu várias embalagens e a sala foi inundada por um mar em tons de rosa. Estamos ficando sem tempo. mas sua alteza deseja que comece a usá-lo. — A moça malcontinha a excitação. Rou se sentou na cama.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Tem de ser. — Ambos se olharam frustrados e zangados. e. desesperada. Sharif também morrera. Zayed tinha razão.. Embora desejasse voltar para São Francisco nop r ó x i m o v ô o . tenho tempo — ela respondeu. trocaria — ela disse...— É seu enxoval. Projeto Revisoras41 . Tornell. agora.— Então. Algumas ela não conhecia. Hesitante. E os ajudaria a agüentaras próximas semanas. Eu. Nada pode ser decidido.— O quê? — Rou deu um pulo na cama. Quanto ao casamento. mas isto é tudo o que tenho. A senhora recebeu dezenas de caixas e sacolasque chegaram de Dubai. R o u p e r d e u o f ô l e g o e a b r i u m a i s u m a c a i x a . comovente e triste. Não admira que a mãe de Zayed tivesse um colapso e precisasse seri n t e r n a d a .. Prada. mas as embalagens eramigualmente elegantes. ela abriu a tampa de uma caixa e descobriu um vaporoso vestido rosa. encontrando um vestido plissado cor de coral com um fino cinto dourado. Sarq. m a l a s e caixas.Jessica 116. afundando no travesseiro. r e c o n h e c e u c o m r e l u t â n c i a q u e e s t a o p ç ã o s e r i a i m p o s s í v e l . venha ver. Chanel.— E complicado. o azul marinho. Outra caixa continha um incrível casaco rosa claroc o m b o t õ e s d e b r i l h a n t e s . Tornell.. Ela reconheceu algumas marcas: Michael Kors.— A senhora não quer trocar de roupa? O terraço é coberto. nem desistiria de seus projetos. sonolenta e esfregando os olhos. o grafite? Onde estavam as roupas sérias que a dei. — Se eu pudesse. Dior.— Venha ver..— Não. — Rou estava cansada e arrasada.Se ela não tomasse cuidado.C a i u n o sono e foi despertada por Manar. Ambas haviam morrido. No meio do caminho.— Já é uma hora?— Sim. Ele precisava dela e ela o ajudaria. Tudo e r a t ã o l i n d o q u e i m a g i n o u a s i r m ã s d e Z a y e d v i v e n d o n a q u e l e s a p o s e n t o s dignos de duas princesas. bocejando —.. Dra.. A senhora tem meia hora para se preparar... — Estou pronta. num silênciocarregado. jamais voltaria a ser. nem mesmo o funeral do meu irmão. jogou-se na cama e examinou o ambiente como se o visse pela primeira vez. Onde estavamo preto. Dra.xavam segura.. apenas me indique a direção. mas é muitoquente.— Tudo em tons de rosa? — ela perguntou a Manar. Ele disse que a senhora precisa de algo mais adequado à vida no palácio. Nada era como deveria. invencível? Aquele guarda-roupa era feminino.— Está certo. O país está semrei há quase 15 dias. — Está tudo na sala.. Rouprecisou pedir ajuda duas vezes aos empregados.— Vou levá-la até seu quarto.— Sou esperta. jovial. Porém jamais deixaria de ser quem era. C o m o u m a m ã e s u p o r t a r i a p e r d e r t a n t o s f i l h o s ? A r e a l i d a d e e r a muito dura.

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úmida e ansiosa. Os dois se movimentaram juntos: ele a segurava pelos quadris. sentindo como ele estava excitado. Ela se sentia cada vez mais e x c i t a d a . — Assim não vou conseguir — ela disse. C o m e ç o u a c h o r a r .— Sou só eu. chocante. Ela não estava habituadaa dividir. Era injustificável. encaixando-se entre suas coxas. — Calma querida — ele murmurou sobre os l á b i o s dela.— Alguém precisa me amar — ele disse.Jessica 116. — Zayed a afastou e se despiu r a p i d a m e n t e . para que apossuísse. P o r i s s o e l a o temia. No fundo. seu corpo se abriu para ele e o acolheu como se formassem uma unidade.O corpo dele estava quente. A ú l t i m a c o i s a q u e q u e r i a e r a magoálo. pertencia. o que era um novo tormento..— Pode sim. Ele a ergueu e encaixou-a em seu corpo. sentindo algo diferente do medo. de certa forma. puxando-a de volta para o colo. Tenho medo de amá-lo. Ele a preenchia invadia o seu corpo e seu coração. afinal. — E rápido. Rou soltou um suspiro ao senti-lo dentro desi. suportando o seu peso até q u e e l a relaxasse de novo e se acostumasse com a sensação.Ele não se mexeu. mas ela não conseguiria lhe pedir que parasse. Ela balançou a cabeça. Rou se contorceu selvagemente. Rous a b i a q u e p a r t e d e l a p e r t e n c i a a Z a y e d e s e m p r e p e r t e n c e r a . seu corpo ansiava para que ele continuasse a tocá-la. chorando.la. gemendo de prazer. ele a livrou da calcinha e continuou a acariciá. despidos. procurando seu ponto mais sensível.a n t e s q u e eu acabe sozinha.. laeela. que seria extre-mamente sensual e enlouquecedoramente excitante. e ela sabia que com ele daria certo.— Você tem medo de mim?Embora estivesse em pânico. coladoscarne com carne. Olhoupara ele: tão belo e com um olhar tão solitário. ela o beijava. Estavam ali. — É disso que tenho medo. seus olhos ardiam. Rou abriu seu c o r a ç ã o e d e i x o u q u e e l e entrasse.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter obedeceu. — Ela o beijoud a m e s m a f o r m a q u e e l e a b e i j a r a . mesmo que quisesse. a ser parte de alguém.— Não de você. Quando ela trincou osdentes. apossando-se desua boca como se lhe pertencesse e.. — Ele a beijou profunda e demoradamente. Roumergulhou os dedos nos cabelos de Zayed e esmagou os seios contra o peito d e l e . abraçou-o pelo pescoço e escondeu o rosto no ombro de Zayed. fazendo com que ela sentisse o poder de sua ereção.— Não posso. . — Não posso ficar nesta posição. A q u e l e homemprecisava dela. Rou percebeu a hesitação e uma sombra det r i s t e z a n a v o z d e Z a y e d . A sensação de prazer era superiora tudo que ela já sentira.. Zayed a acariciou através do tecido. — Deixe que eu tente. Os lábios dela tremeram. Era loucura. Com um únicomovimento. Assim que ela abriu seu coração. Não sei como fazer isso. não sei o que sentir. ela precisava dele. mas desta vez de frente para ele. segurando-a pelos quadris. Temia o poder que ele exercia sobre ela.O coração de Rou se apertou e ela deixou as lágrimas escorrerem. Quero que veja o quevocê faz comigo. e desta forma poderá olhar para mim. Rou entrouem pânico e tentou empurrá-lo pelos ombros. Rou mordeu o lábioao sentir o pesado tecido da túnica de Zayed friccionando a pele sensível entresuas coxas. A minúscula calcinha des e d a d e Rou era um obstáculo inútil. p r o f u n d a e a v i d a m e n te . Estava em suas mãos.— Vou tentar — disse ela. Ela duvidou que ele estivesse respirando. Zayed arrancou a saia de Rou e a puxou de volta sobre o corpo.— E melhor você acabar o que começou — ela disse ofegante. Não posso.

o prazer crescia e só seus corpos Projeto Revisoras57 .enquanto a excitação aumentava.

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m a s cumprira sua tarefa. u m m i s t o d e t e r n u r a e d e s e j o . principalmente lavando a parte sensível entrea s c o x a s .L a v a r a a t e r n u r a e a s e n s i b i l i d a d e . aproximando-se.l a . querida?— Não abandonada. Deveria esperar por Zayed? A ideia de sentar e esperar por ele trouxe de voltaa s e n s a ç ã o d e v u l n e r a b i l i d a d e . E l a n o t o u a s t o a l h a s molhadas. Ela foi até o banheiro que. c o n g e l a r a a p a i x ã o e o d e s e j o . só enjaulada. E l a s e n t i u o c o r a ç ã o d i s p a r a r . a mulher que queria ser. abandonei meus clientes.— Talvez eu não quisesse outra refeição na bandeja. Exausta.— E agora? — perguntou ela. viu um cabide de roupas apoiado no sofá. Nada de fogo e desejo. ocupada. Ótimo. Sua cabeça estava longe de tudo. Ela foi até a sala e viu que estava vazia. Ele cumprira seu dever. Enquanto estive aqui.— Você está zangada — disse ele. E l a s e enrolou numa toalha e se olhou no espelho com os cabelos pingando. Q u a n d o a c a b o u .mas ainda estava chocada consigo mesma. ela se e n c o s t o u e m Z a y e d . E l a esfregou vigorosamente a pele.Ele a abraçou e puxou-a contra o corpo. Ele a acomodou sob as cobertas e deitou ao lado dela. Estava pronto para se tornar rei. Embora soubesse queagia como criança. recendia levemente a loção de barbear. Rou se sentiu magoada.— Sou eu. o d e l a ainda tremia.Z a y e d s e n t o u p e r t o d e l a . — Sua fragilidade a assustava.— Não acredito. tomara banho e saíra.— Está se sentindo abandonada. Ela o desejara e ele correspondera. R o u s e a f a s t o u o m a i s q u e p o d i a e colocou o laptop entre os dois. Rou estava aturdidaporque jamais tivera um orgasmo. pensou com sarcasmo. Eles ficaram quietos por algum tempo. Rou e n t r o u n o banho e deixou que a água fria escorresse por seu corpo. s e u c o r p o b ri l h a r e c a d a n e r v o s e esticar.— Disseram que você recusou o jantar. Era incrível. Embora não gostasse derosa. Alguém o c o l o c a r a a l i .Rou não sabia por quanto tempo dormira no quarto escuro e fresco.— Zangada não. R o u m a l l e v a n t o u o s o l h o s d o computador. desejosa e carente? Ela se olhou longamente e seu coração se encolheu. Ele poderia magoá-la. Projeto Revisoras58 . nada que pudesse ameaçá-la. exceto do intenso prazer que cresciaselvagem. até que só lhe restava explodir numa tempestade desensações.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter e xi s t i a m . Voltara aser ela mesma. ela sentiu o corpo de Zayed se contrair e apressar oritmo dentro de si. serviria para cobri-la ao voltar para o seu quarto.Jessica 116. Aquela era a mulher que ela conhecia.— Eu não estava com fome. Ao voltar paraa s a l a .E l a p e r c e b e u u m m o v i m e n t o n o e s p e l h o e p a r o u p a r a v e r s u a i m a g e m refletida. Gostara do que houvera entre eles. apesar devazio.mas agora se sentia vazia e apavorada. s e u s d e n t e s b a t i a m .— Durma — ele respondeu. Sentiu quando ele atingiu o orgasmo. até que Zayed a carregoupara a cama. viu-se sozinha. sua doçura a ameaçava. E l a a b r i u a c a p a d o c a b i d e e e n c o n t r o u u m vestido de algodão rosa e branco com um largo cinto.quando acordou. Estonteada.E r a t a r d e q u a n d o Z a y e d v e i o p r o c u r á . n o s o f á . O perfume sutil lhe causou umas e n s a ç ã o e s t r a n h a . indescritível. mas. O s c o r p o s d o s d o i s e s t a v a m q u e n t e s e ú mi d o s . Suasroupas estavam dobradas sobre a mesa. Ao fazerem amor ela lhe dera mais queseu corpo: dera-lhe seu coração. Zayed se barbeara. incansável. agora seria fácil. Quem era aquela mulher? Quem era aquela loura suave eapaixonada.

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M a s sentia-se horrivelmente parecida com a mãe durante as brigas com seu pai. — Rou sentiu um nó na garganta e tentou conter as lágrimas." A mãe com quem ele mal falara durante a n o s . O que mais poderia lhe oferecer. Fizemos sexo. p r e c i s a v a a p e n a s encontrar palavras que Zayed compreendesse. Jurei honrá-la e protegê-la.— Desculpe pelo drama. companheirismo e respeito — ela gostaria de responder. O que represento para você.— Você não me conhece. — E l a d e u u m s o r r i s o f o r ç a d o .— Não apenas no papel. Ele a olhou c o m curiosidade.o s o b r e a mesinha. pense! P o r é m e l a e s t a v a c o n f u s a . Rou tentou ignorar os olhos q u e a r d i a m . mas nãotemos um relacionamento.— Apenas no papel — ela disse em voz fraca."Drama.— Você não me parece o tipo de pessoa que joga as coisas.— Você não poderia ter se despedido ou deixado um bilhete?— Eu pretendia voltar. a mãe carente.— Vamos dormir um pouco. Se ele lhe desse algum tempo. — Eu sei. consumação.— Você ficou fora durante sete horas. — V o c ê te m r a z ã o . jurei ser fiel a você pelo resto da vida. s e m c o n s e g u i r . Amanhã será outro dia. Ela tentou se controlar.Jessica 116. — É nossa noite de núpcias. Foi um grande dia para você. além disso? Amor.Zayed contraiu o rosto sutilmente. ela tentaria se acalmar e lhe Projeto Revisoras59 .. Rou cruzou os braços. — Se não se importa. E l a n ã o e r a c o m o a m ã e .— Se não me importo — repetiu ele com um tom quase de ironia. dando de ombros.— Fui à coroação. Como você disse. Jamais estivemos.— Eu sei. Parece minha mãe. patética. foi um longo dia.. Você conseguiu:casamento.— Você estava dormindo. A tarde n a d a significara para ele. f e c h a n d o o l a p t o p e c o l o c a n d o . Zayed?— Minha esposa — ele disse. olhando-a com expressão carregada. ou pretende continuar com este joguinho de a d i v i n h a ç ã o ? — p e r g u n t o u e l e . mas para ela fora um verdadeiro terremoto.— Gostaria de dormir no meu quarto.— Sim.— A c h o q u e c o n h e ç o . Eu fui à coroação. — E então? Não vamos ficar juntos? Já vamos viver separados?— M a s n ã o estamos juntos.— Eu sei! — Rou agarrou uma almofada. E s t a v a cansada.— Você me deixou. Z a y e d l e v a n t o u e estendeu-lhe a mão. fraca.— Venha. Não sei por que você quer que e u d u r m a n o s e u quarto. porque o que dissera até agoraa p e n a s o afastara.— Foi um longo dia. magoada e zangada. — Você vaime dizer por que está zangada.— Sozinha. Rou. dependente. Amãe emocionalmente frágil.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Você acha que o computador vai me manter afastado?— T a l v e z fosse melhor eu jogá-lo na sua cabeça. R o u f e c h o u os olhos e virou o rosto como se tivesse levado u m a bofetada. Pense. — R o u n ã o estava disposta a ter aquele tipo dec o n v e r s a . — Ela engoliu em seco. É preciso fazer todo este drama? Parece até minha mãe. cujas necessidades eram ridicularizadas por seupai. coroação. com fome. Zayed baixou os olhos. s o f r i a e n ã o conseguia pensar.

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Projeto Revisoras60 . Ele não l h e prometera algo que não poderia lhe dar. — Comoestá sendo o seu dia?— Ocupado. se não tomasse cuidado. por uma razão. — T a l v e z possamos conversar amanhã — disse ele calmo e controlado. sem deixar um bilhete. acabariacomo eles.— Não. E l a n ã o sabia lidar com conflitos. l á g r i m a s . planejando o funeral de Sharif. — Ela sorriu. Tudo o que ela queria era se desculpar. E r a o q u e c o s t u m a v a a c o n t e c e r e n t r e o s d oi s : b ri g a s . confiante. Repetia a história de s e u s p a i s .— Estou atrapalhando? — perguntou ele.. mas ele não apareceu nem mandouc h a m á .l o q u a n d o Z a y e d apareceu. Rou. odiava climas tensos. soluçando silenciosamente. reproduzindo opapel que o pai dela costumava interpretar: o vencedor do Oscar. Tive uma reunião de gabinete durante toda a manhã. Abandonara-a sem se despedir. Capítulo Dez Rou ESPEROU a manhã toda por Zayed. jamais se abrira com ninguém e percebia que ele estava irritado. Não consigo. e l a s e p r e p a r a v a p a r a p r o c u r á . mas.l a . E l a o d e i x a r a simplesmente sair. Entretodas as pessoas. tinha dificuldade de expressar seus sentimentos. Max Tornell. voltar not e m p o e a b r i r s e u coração. sabia que se comportara mal.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter dizer que estava com medo. emsua defesa. sem nada. ignorando o próprio nervosismo. Rou não conseguiu falar. Peça-lhe para ficar.Rou concordou. Não suportodramas nem cenas. m a i s d i f í c i l e r a a e s p e r a . Depois deuma noite insone. — Zayed caminhou para a porta. Era istoque não queria a cena que ela sempre temera: o homem que sai e a mulher q u e c h o r a . e que. com os olhos cheios de lágrimas. o h o m e m q u e s o f r e e a m u l h e r q u e s e d e s e s p e r a . mas Zayed balançou a cabeça.. ela deveria ser a mais compreensiva e saber como a vida dele se tornara estressante. Certo. Passei aúltima hora com Jesslyn e Khalid.Jessica 116. saídas teatrais. como se nada houvesse acontecido.— Olá. Parecia tão cansado quanto ela. ele tinha preocupações maiores e novas responsabilidades. Rou. ele a deixara sozinha durante horas. Rou respondia alguns e-mails e levantou-se para recebê-lo. Peça! Implore como sua mãe c o s t u m a v a fazer. — Boa noite.Ele saiu e ela se agarrou na almofada. Rou ficou desesperada. Rou fez um gesto como se quisesse alcançá-lo. Rou chorou e sentiu o coração partido porque compreendeu que ela não era melhor que seus pais. sentia-se impotente. Entretanto. Ele era um homem bom.— Eu queria uma mulher forte.N o i n í c i o d a t a r d e . Já terminei. indicando o computador. Zayed parou e virou-se para ela.desgostoso e distante. honesto. Q u a n t o m a i s o te m p o p a s s a v a .

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e você devese sentir tão pressionado quanto eu.— Você está longe de ser ignorante. H á u m l u g a r d i s c r e t o . não o fiz por altruísmo. — Tudo é novo para nós dois.— O q u e me d e i x o u m a i s a b o r r e c i d a f o i n ã o p o d e r a s s i s t i r à c o r o a ç ã o .— Desconfortável?Rou deu uma olhada pela janela e abanou a cabeça. pontualmente. o que seria bom para nós dois.— Nó entanto.. Ajudada por Manar.— Você está deslumbrante — disse ele.— Tudo bem. D e ve r i a te r m e l e m b r a d o . Não deve ter sido fácil.— E s q u e c i q u e h a v e ri a u m j a n t a r d e p o i s d a c e r i m ô n i a . Gostaria de reparar meu erro. durante anos eu nãosabia quem ele era. m i n h a f a m í l i a e m e u s c o s t u m e s . — Ela respirou com facilidade pela primeira vez desde que acordara sozinha na cama de Zayed.— Não.— Claro ótimo. pensou Rou ao vê-lo entrar na sala.— Estarei pronta. Assim que ocarro começou a andar. — Foi o que você fez ao se casar comigo. — Ele sorriu e lhe ofereceu o braço.— Fica bem em você.— Você o chamava de mentor. O sorrisode Zayed valeu o esforço. — Gostaria de ver algo além destas paredes. escolhera o vestido longo rosa e laranja e brincos de pingentes. O j a n t a r f oi l o n g o . Sairíamos do palácio. Em comparação com algumas Projeto Revisoras61 .R o u c o m p r e e n d e u q u e e l e q u e r i a d i v i d i r a r e s p o n s a b i l i d a d e e f i c o u aliviada. u m a M e r c e d e s p r e t a c o m motorista os aguardava.Rou estava pronta às 06h30min. — Vamos?D o l a d o d e f o r a . Era como um irmão mais velho ou um p a d r i n h o m á g i c o . — Rou sorriu sem perceber.— Ele foi muito bondoso comigo. ou pensarão que se casou com uma mulher ignorante.— T o d a n o i v a d a r e a l e z a t e m u m p r e ç o . Eu estava errada. Gostaria de ter ido. Ele nunca falou sobre o assunto. corando.— Não. Cobrei um preço. Desculpe. Estou aqui há apenas alguns dias e sei muito poucosobre o país.— Sinto muito por ontem à noite. E s q u e c i o pouco que você sabe sobre nossas tradições. — Fui egoísta e irracional.— Acho que gosto de algumas coisas cor-de-rosa — ela replicou. vestido num terno preto. Sei que seria apenas para homens.— S ó q u e e s t e é m e u p a í s . d o q u a l g o s t o m u i t o .. Num curto espaço de tempo tudo mudara entre os dois. e suponho que Sharif lhe contou algosobre nosso país. Deixara os cabelos soltos. É preciso que você me ensine alguma coisa. o c o r a ç ã o d e R o u a c e l e r o u e e l a s e encolheu. só animada.— Você é uma recém-casada que foi deixada sozinha no dia docasamento. Só descobri que era um príncipe ao ler um artigo sobre a coroação numa revista.Quando Zayed sentou ao lado d e l a . — Poderia ter mandado avisá-la. — E l e s u s p i r o u e balançou a cabeça. E u f u i à c o r o a ç ã o d e S h a r i f .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Não era de admirar que ele estivesse tão tenso. mas me importo com você e queria participar de alguma forma. — Ela corou. V a m o s j a n t a r f o r a e s t a n oi t e . ele se virou para ela. A ú n i c a c o i s a q u e e l e m e p e d i u f o i p a r a q u e a j u d a s s e o s outros da maneira que eu pudesse.— Venho buscá-la às 7h. Na verdade.Jessica 116.

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Seis meses depois. O carro Projeto Revisoras62 . um p e q u e n o p a í s à b e i r a d o m a r A r á b i c o . foi uma noiva de 20 milhões de dólares. Eu o achava ridículo. Sharif sempre amou Jesslyn e. mas começo a pensar que foi um erro.— Quero conhecer sua família. A s c o n s t r u ç õ e s e r a m a n t i g a s . Sarq estava se tornando sede de vários hotéis.— Deve ter sido difícil para Sharif dizer não para você. mas o amor deles terácontinuidade. Agora acho que ele tinha razão. Eles deveriam ter tido mais tempo.— E era? — ela perguntou. ocasamento não foi feliz. — Não depois de tantos anos separados.Zayed beijou-lhe a mão. mas minha mãe insistiu que Zulima era a mulhercerta para Sharif. Fiquei honrado com a presença de tantos amigos e vizinhos quevieram oferecer seu apoio e que também prometeram protegê-lo. Meu pai foi o primeiro a abrir as portase S h a r i f herdou sua política liberal.— Para todos nós — disse Zayed. l on g e d o b u r b u ri n h o d o c e n t r o . virando-se para ela.— N ã o t o r n e i a s c o i s a s m a i s f á c e i s .Jessica 116. — Ele citou a l g u n s n o m e s . quero saber de tudo. era um país tolerante.— Não durou o suficiente — ele disse. até que Tahir tenha idade parasubir ao trono. laeela. Meu pai não gostou. Contou que Sarq.Em virtude da proximidade do mar. protegendo as dunas enquanto poderíamos transformar Sarq num paíscompetitivo.— N ã o . Eles conceberam o príncipe Tahir. Eu colaborei com estaexpansão: sou um dos maiores investidores dos cinco hotéis mais luxuosos. Zulima.bonito e esperto. Ele será um grande conforto para Jesslyn.Enquanto conversavam. Estamos comemorando nosso casamento e tudo o quefiz foi falar da minha família. o carro atravessava uma vizinhança sossegada. ti p i c a m e n t e islâmicas.Rou tocou na mão dele.— Pode não ser um consolo para você.Rou ficou comovida. com fachadas pintadas de branco. Sem que Sharif soubesse. E u e K h a l i d t i v e m o s a l g u m a s discussões sobre o que eu estava fazendo ao ambiente. arcos. ele estava noivo de Zulima. — A l e a l d a d e d e l e s é o t e s t e m u n h o d o q u e s e n t e m p o r m e u falecido irmão.— Ele era muito estimado e ficaria agradecido por você substituí-lo. e ele é um menino inteligente. depois de Dubai e dos Emirados Árabes.— A p ó s u m a e x p a n s ã o i m o b i l i á r i a t e m o s o s h o t é i s m a i s l u x u o s o s d o Oriente Médio.— Obrigado. mas minha mãe não a aceitou.— Mas Sharif e Jesslyn se reencontraram. olhando pela janela. S h a r i f estava apaixonado por Jesslyn.— Está falando sério?— A primeira mulher de Sharif. Odeio pensar que meusfilhos crescerão num país que perdeu a diversidade que tinha quando eu era criança.Ele sorriu tristemente e se pôs a falar sobre o país. apesar de tratar Zulimamuito bem. O desaparecimento das dunasrepresenta um prejuízo para a fauna e para a flora. e. a p e s a r d e s e r n o v e n t a p o r c e n t o islâmico.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter noivas da família Fehr. — Na cerimônia deontem. o seu preço foi razoável. ela procurou Jesslyn e a mandou embora. ela jamais o perdoou por amar outra mulher. mas creio que ele deveria ter i mp o s t o limites ao crescimento. torres e colunas. jurei proteger meu sobrinho e meu país. apesar de terem três filhas. aberto e receptivo a todos os povos e culturas.

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A mesa está pronta. e n q u a n t o f i c a s s e l o n g e .— Você vai sentir falta da sua antiga vida.— Como você sabia?— Entrei na internet e pesquisei o perfil da sua empresa e o seu portfóliode investimentos.. Pensei que deveria saber o mais que pudesse sobre meu marido.— Muito exclusivo porque ninguém sabe que existe. muito exclusivo.— É m a i s q u e u m a n u v e m . o sossegoé uma comodidade preciosa e vale cada centavo. deduzi que houve algo em seu passado.— Mulher esperta — ele disse. carregado de enormes responsabilidades. Projeto Revisoras63 .— Eu gostava de morar em Monte Cario e de ter casas em Londres e NovaY o r k . m a s t o d o s f i c a m f e l i z e s p o r p a g a r p e l a privacidade.— O lugar é todo nosso — ela observou ao sentar.— Jesslyn disse algo sobre isso — admitiu ela.— Um luxo pelo qual sou grato esta noite — ele respondeu e Rou notou ocansaço e as olheiras em seu rosto. — Ela o olhou.Zayed a olhou..— É um clube privado. — Pelo pouco quee l a d i s s e .Jessica 116. Para muitos de meus conhecidos.— Não. nem fez com que nos sentíssemos culpados por ele carregar opeso e suportar a pressão.— Onde estamos? — perguntou Rou. Gostaria que me f a l a s s e sobre essa nuvem que paira sobre você.— Vamos jantar você verá.Saíram do carro e Zayed apertou uma campainha. avisou para que eu não desse atenção aos comentários sobre.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter parou diante do que parecia ser uma residência cercada por mansõeselegantes. — Antes do casamento elame trouxe um presente e. ao sair. — S ó p o r q u e n ã o é segura.— Esta é uma tarefa que nunca desejei. preocupada. rindo.— Foi uma mudança muito brusca para você. A maldição.— V o c ê é d o n o d o c l u b e — e l a d i s s e . Eu sou amaldiçoado. Meu pai sempre demonstrou queera um trabalho exaustivo.E n t r a r a m n a e l e g a n t e s a l a i l u m i n a d a p o r v e l a s . — Seja bem-vindo.— Pensei que jantaríamos fora. surpreso. Agora sei que nenhum denós está seguro.— S e r s ó c i o c u s t a u m a f o r t u n a . rei Fehr. A g o r a v e j o q u e n ã o p a s s a v a d e i l u s ã o . não significa que seja amaldiçoada. Minha família também sabe.— A v i d a n u n c a é s e g u r a — d i s s e e l a g e n t i l m e n t e . todas vazias. Um homem vestido dep r e t o a b r i u a p o r t a e e l e s e n t r a r a m n u m s a g u ã o i l u m i n a d o p o r u m e n o r m e candelabro. G o s t a v a d e t r a b a l h a r e v i a j a r . — E d e m a i s v i n t e c o m o e l e p e l o mundo. segurança e sossego. H a v i a d e s e i s a o i t o mesas. C oi s a s r u i n s p o d e m acontecer a qualquer momento. Sei exatamente o momento em queaconteceu. A m a l d i ç ã o s e c u m p r i u d e n o v o e S h a r i f morreu. Rou não viu sinal do restaurante. mas eu tinha a impressão de q u e . Sharif nunca reclamou. mais forte e mais maduro.Rou percebeu que ele parecia mais velho. V o u s e n ti r m a i s f a l t a d e s t a ilusão do que de Monte Cario ou da minha liberdade. m a s o q u e e u m a i s v a l o r i z a v a e r a a segurança da família. e l e s e s t a r i a m s e g u r o s .

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observando-a. . hshuma — ele disse a palavra em árabe ef e c h o u o s o l h o s . Rou fez uma careta. ele não acreditava.— Ele pegou a mão dela. — Nós nunca dormimos juntos. minha estupidez e minha arrogância a mataram. — Rou observava as emoções se sucederem no rosto de Zayed.— É uma história terrível para um encontro romântico. mas aquele era o tipo de culpaque acabava com a vida de um homem. Ela foiapedrejada por causa da minha falta de controle. Eutinha 17 anos. Tornell? — ele perguntou.— Uma piada de mau gosto.— E se a esposa pecou?Zayed deu um sorriso assustador e seus olhos se encheram de ódio e de horror. . c o m a s m ã o s s o b r e o p e i t o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Jesslyn disse que Sharif não acreditava em maldições.— Pode ser que mude sua opinião a meu respeito — ele disse. bondosa e atraente. — E s t e é u m c o n c e i t o q u e n ã o e x i s t e n o o c i d e n te . —A voz dele f o i sumindo.. elegante. . T u d o o que fiz foi declarar meu amor. — Ele encarou Rou fixamente. n ã o d a mesma maneira. q u e s i g n i f i c a q u e o s outros sabem que você foi desonrado. Imagino o terror que ela sentiu. Tratava-me com carinho e sorria para mim simplesmenteporque eu a divertia.R o u f i c o u p a r a d a . Dra. e o meu amor. sorrindo. Ela era linda.Jessica 116. e ela 24. quase sinto sua dor. — Rou sentiu um arrepio na espinha.— Pode ser para melhor. Não seremos interrompidos. o que para nós é o maior pecado entre todos. cortam-se as mãos. Sabia que ela era casada. até que se ouviu a notícia de sua m o r t e . por favor.— Eu gostei. Às vezes ainda penso nela. s e n u n c a d o r m i u c o m e l a . E l a lidara com a culpa e a tragédia em sua clínica. S e v o c ê n u n c a a t o c o u . Um pouco de humor faz bem quando as coisas estão difíceis. —Ele olhou ao redor.— Você manda matá-la. em como foi seu último dia. D u r a n t e d u a s semanas ninguém soube o que acontecera.— Certo. s e m c o n s e g u i r f a l a r . E onde ele está?— Conte-me o que aconteceu. — Então. m a n d a r a m a t á . sempre nos esbarrávamos em eventos sociais. É preciso haver uma reparação. É tudo o que posso agüentar esta noite. se as mãos pecaram. s u s p e i t a n d o d e s u a f i d e l i d a d e . cega-se o olho. ela d e s a p a r e c e u .l a .n u n c a a b e i j e i . mas queria que fosse minha.— Foi uma questão de desonra. Quandoela ria.— M a s . — O maridoe a família acharam que estavam agindo corretamente — acrescentou depois Projeto Revisoras64 . Nur era uma princesa de Dubai e se tornara esposa de um sheik vizinho. Tudo o que desejava era amá-la. —Aos 17 anoseu precisava dizer a ela que a amava.— Nós temos tempo. o rosto ficou tenso. O m a r i d o . a minha impulsividade. Nunca fiquei sozinho com ela. e isso se consegue destruindo o que lhecausou vergonha. E u t e r i a dado a vida por ela. Se o seu olho pecou.— Ela era inocente — ele acrescentou com tristeza. Vocês têm culpa. ? — R o u sussurrava as perguntas.— Vou dar a versão resumida.. pensativo. — Ela me via como umirmão mais novo. — Eu me apaixonei por uma mulher casada. nós temos hshuma. eu achava que era o som mais lindo do mundo.E l e e r a c o n h e c i d o d e me u p a i e n o s e n c o n t r á v a m o s v á r i a s v e z e s p o r a n o . num casamento arranjado. apertou por algum tempo e a soltou.— Isto foi uma piada. . — Você quer mesmo saber?— Quero.

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corando. dormir era dormir. Amanhã discutiremos o que for necessário.— Vou dormir deste lado.— É gostoso. parada ao lado da cama. s o n o l e n t o . Que lado você prefere?— O lado onde você vai deitar. — Eu poderia saboreá-la agora mesmo. durmo no meio da cama. O braço de Zayed a envolvia e a mantinhac o l a d a a o c o r p o d e l e ..1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Em que lado você dorme? — disse ela.Rou ficou dura como uma tábua. nem gritando..— N ã o . deitando-se sobre ela ebeijando-a. E l e e r a tentador como o diabo.— Em geral. e não queria ser abraçada.— Meus problemas de intimidade? Meus?Ele deu uma risada e ela sentiu seu hálito junto ao pescoço. absorvendo o fogo que ele provocava com a Projeto Revisoras68 . esta noite você só terá metade da cama.— Acalme-se antes de ficar irritada. mas isto lhe parecia certo. Rou sentiu o c o r a ç ã o d i s p a r a r e s e u c o r p o s e e n c h e r d e d e s e j o . A p a g o u t o d a s a s l u z e s e d e i x o u a p e n a s u m abajur aceso para que pudesse ler alguns documentos. Zayedolhou-a de cima a baixo.Z a y e d n ã o s e j u n t o u a e l a . Ela o abraçoupelo pescoço e abriu os lábios... — Rou deitou na cama e se cobriu até o pescoço.— Sim.Rou deu uma cotovelada nas costelas de Zayed.— Para você. — Zayed. Esta noite era diferente: nãohavia motivo. — Ele não disfarçou o desejo em seu olhar. ela pensou.Rou sentiu seus mamilos endurecerem e teve vontade de se esconder. mas percebeu que não estava presa pelos lençóis. mas desistiu de ficar acordada à medida que as horas passavam.— Não é nada gostoso. — ela protestou. e n t r e a b r i n d o o s l á b i o s e m p r o t e s t o . — D e novo.— R e s p i r e f u n d o e s o l t e o a r d e v a g a r — d i s s e Z a y e d .— Talvez você precise resolver seus problemas a respeito de intimidade. v o c ê é mi n h a m u l h e r — ele disse. Estou expressando meudesconforto por você estar tão perto.— Boa noite. o que era natural depois de fazer amor.Jessica 116. com um olhar insinuante.Rou pensou que não conseguiria dormir no quarto dele. enquanto ele lhe acariciava os mamilos. Não para mim. R o u p e r c e b e u q u e a s m ã o s d e l e s e aproximavam de seus seios.— Infelizmente. — D e r e p e n t e .— E para você também. R o u f i c o u a l a r m a d a . fazendo os seios se avolumarem de prazer. Ela fez uma careta e empurrou a coberta.— Não sou seu amor — disse ela. Havia muita coisa errada no mundo. Você perde tempo tentando me c o n v e n c e r d o c o n t r á r i o . H a v i a m d o r m i d o j u n t o s n a t a r d e anterior. — Boa noite. amor?R o u fechou os olhos e tentou ignorar a deliciosa s e n s a ç ã o .— Você prometeu. ofegante. Se começar a espernear e a gritar.— Talvez eu relaxe se você se afastar. não conseguirá dormir de novo.Rou o olhou por cima do ombro. Para ela.— I s s o f o i a n t e s d e v o c ê v o l t a r p a r e c e n d o u m s o r v e t e d e c r e m e c o m cobertura de marshmallow. Acordou por causa do calor epor se sentir presa.— Não estou esperneando.

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— Então não resista — ela arquejou. Ele gemeu novamente e perdeu ocontrole quando Rou intensificou os movimentos.— O que foi laeela? — murmurou ele junto aos lábios dela. — Não vou agüentar sua resistênciaagora. n o v a o n d a d e p r a z e r a invadiu. Zayed a beijou com ternura. Ela a m o l e c e u n o s b r a ç o s d e l e .— Eu queria ver se você agüentava.— Tenho uma teleconferência dentro de alguns minutos. insistentemente. lambia. Nãoficou satisfeito com uma vez. tocava.— Você está viva?— Por pouco. e vamos escapar. — Eu estava enganada. através da camisola.— Você. ele olhava para ela e tentava conter o riso. Projeto Revisoras69 .No dia seguinte. obrigado. ele acariciou o vértice de suas c o x a s e encontrou-a úmida e quente. — Você faz com que seja difícil resistir. Era incrível comoele se movimentava dentro dela.até que ela perdesse o controle e se entregasse totalmente. mais poderosa einexorável que a anterior. suas pernas. E l a o b e i j o u p a r a t r a n s m i t i r o q u e n ã o p o d e r i a d i z e r c o m palavras: que o amava e que esperava que um dia ele pudesse retribuir. Ela o amava. com a respiração arquejante. Zayed não tinha pressa. Zayed mandou que levassem o café para ela na cama.— É gostoso — ela disse. trincando os dentes. Ocoração de Rou acelerou. e ela não conseguia pensar quando ele tratava seu corpo como um doce delicioso. Quando R o u p e n s o u q u e a c a b a r a . Zayed gemeu ao senti-la esfregar osquadris nos seus.Rou mordeu o lábio. — Parece que você nãogosta que eu a toque. Ele esperou enquanto Manar arrumava a bandeja no colo de Rou..— Você é tão bonita — disse ele em voz rouca. — Foi você quem provocou.— Você sabe o que quero. Ele levantoulhe a camisola e acariciou-lhe o ventre. Quando abriu os olhos. E l a f i c o u t o d a arrepiada. despertando cada sensação. sim. Gosto que você me toque. atéque ela arqueou o corpo à procura de alívio. Ele acariciava seu ventre. num orgasmo quea surpreendeu e que atravessou seu corpo em sucessivos espasmos.— Duas vezes.— A culpa não é minha — ela protestou.R o u q u a s e g e m e u f r u s t r a d a . Você é gulosa. laeela.Jessica 116. m o l h a d a d e s u o r . Ele continuou a beijá-la de uma forma que a levou a menear o corpo. Incrível. antes de beijá-la de novo. aumentando sua ansiedade.l h e a o r e l h a .— Receio que não. Quando ela a c h o u q u e não agüentaria mais. Você chegou lá?— Cheguei.. — Ele mordiscou-lhe o pescoço. Rou corou e franziu o nariz.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter língua .— Graças a você.Z a y e d s e c o l o c o u e n t r e a s c o x a s d e l a e e n t r o u e m s e u c o r p o c o m u m movimento firme.— O que é o quê?Ele a acariciava. beijando-o no ombro. — Ela e n g a s g o u quando ele cobriu-lhe o seio com a boca. Porém. Rou perdeu o controle e apertou o corpo contra o dele. ela pensou. Amava seu belo marido que amavao u t r a m u l h e r . desesperada e selvagemente.. Volto assim queterminar. despertando todos os seus sentidos. Z a y e d l a m b e u . aumentando sua ereção.— O m e u iceberg derreteu — ele disse..

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c o r a n d o a o recordar como tinham passado a manhã. carros e palácios. Ficaria fora o dia inteiro e voltaria à noite.E l e t i n h a r a z ã o . Quandof o r a a ú l t i m a v e z q u e s e d i v e r t i r a ? R o u v i r o u p a r a Z a y e d . aproveite. Sabia que ele tinha várias responsabilidades e preocupações. inteligente. mas tente voltar esta noite. Será mais divertido. q u e l h e b e i j a v a a mão. Aqui está cheio de sol. Ele tomara um banho e estava lindo.— Certo. entusiasmada: seria divertido. Fique.Duas horas depois. com uma enorme piscina. mas não aborrecida. Não telefonou n e m mandou alguma mensagem sobre quando voltaria. Rou sabia que ele teria uma reunião degabinete em Isi.Não será o mesmo sem você.O h e l i c ó p t e r o s e a p r o x i m o u p a r a p o u s a r . de árvores. Não era um sonho inatingível. Rou ficou impressionadacom o número de pessoas que trabalhavam para Zayed. casas. Não aumentaria a pressão sobre ele.Uma hora depois.— O clima está pesado em Isi. dormindo. Rou ficou magoada.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou quase derrubou o café. nem na seguinte.Jessica 116. Rou se concentrou no trabalho:q u a n t o m a i s trabalhasse. S e u s c l i e n t e s d e v e r i a m e s t a r p r e o c u p a d o s c o m s u a ausência e com a falta d e c o m u n i c a ç ã o . c o m e n d o e b e b e n d o . quando e l e voltasse. Seria difícil se concentrar num lugar cheio de sol.Zayed parou a meio caminho do banheiro. despreocupado.. jatos. ele lhe apontou uma praia.. interessante. Trabalharei enquanto você trabalha. bronzeando-s e .Passaram os próximos quatro dias fazendo amor.— Você não precisa trabalhar? Não vejo você checar seus e-mails desde que chegamos. Talvez algum dia ele a amasse. e e l a p ô d e a p r e c i a r o p a l á c i o construído em pedra. estavam num helicóptero. Ele era divertido. mais tempo livre teria com Zayed. Quando Projeto Revisoras70 . m a s t r a b a l h a r e m C a l a n ã o e r a a mesma coisa que trabalhar em São Francisco. tentaria tornart u d o m a i s f á c i l . Talvez possa colocar seu trabalho em dia. na terçafeira.— E se você não conseguir resolver tudo num só dia?— Passarei a noite lá e voltarei amanhã cedo — ele disse.Ela se ligara a Zayed. com suas torres. fazendo-a rir.que dava apoio à família. cercado de palmeiras e coqueiros.— Escapar para onde?— Para a minha casa em Cala.— Meu palácio. e que se encontraria com Jesslyn para discutir os detalhes do funeral de Sharif. janelas em arco e grades trabalhadas. assim como com os brinquedos que ele possuía: iates.— T a l v e z e u d e v e s s e i r c o m v o c ê . T a l v e z p u d e s s e a j u d a r d e a l g u m a forma. quando Zayed levantou da cama. Divertido. — Podemos ficar fora alguns dias. n a d a n d o . helicópteros. D u r a n t e os primeiros dias.— V o c ê p o d e s e a f a s t a r d a q u i a g o r a ? — p e r g u n t o u R o u .Na terça-feira. Z a y e d e r a t o d o a t e n ç ã o e g e n t i l e z a : contava-lhe histórias. Capítulo Doze Z AYED NÃO voltou naquela noite. — Vou pedir a Manar que arrume sua mala. É um belo retiro à beiramar. — Ele acariciou os cabelos de Rou. Ela viu uma piscina debruçada sobre o mare pegou na mão de Zayed. Rou se sentou. Estamos em lua de mel.

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molhando os pés. talvez mais. uma garrafa delimonada gasosa. se ela quisesse. p e d i u q u e l h e trouxessem o carro. na Inglaterra. afinal. O que a q u i l o significava? Depois de muito pensar. e não estava habituado a lidar com mulheres ocidentais e suase x p e c t a t i v a s .— N ã o e s t o u i n te r f e r i n d o . indignada. lembrou a si mesma. Embora fosse adulta. ela comprou pão. d e s p e r t a n d o . Ela jurou não se entregarao medo e à insegurança. Queria surpreendê-lo. Quando. A l i n a d a e r a si m p l e s . Ele disse apenas "alguns dias". o juiz decidira dar s u a custódia à avó. Zayed estava trabalhando. R o u t e n t o u s e a c a l m a r . Rou caminhou pelabeira da praia.— Não — ela respondeu. ela resolveu falar com Zayed. A senhora nãovai se divertir.O mordomo não entendera. porém mal conseguia aproveitar o passeio. Por fim. Não há muita coisa para comprar. Amava aquele lugar. cercada por seguranças armados. Rou procurou o mordomo e pediu a ele que lhe desse o número do telefone.alimentavam. quando sua mãe entrara emdepressão. O medo e a dúvida se retro. Ela sentou ao lado da p i s c i n a e trabalhou o dia inteiro. foiinformada de que Zayed havia telefonado.. Ele não voltaria antes de alguns dias. mas o que ela esperava? Ele não falava inglêsfluentemente. Gostaria de explorar a cidade.R o u s a i u a c o m p a n h a d a p o r q u a t r o s e g u r a n ç a s .l h e lembranças de infância: fora jogada de um lado para outro.l a . — Ele é meu marido e quero telefonarpara ele. comunicou o mordomo. Aa u s ê n c i a d e Z a y e d l h e d a v a a s e n s a ç ã o d e a b a n d o n o . O mercado estava cheio d e g e n te . Rou engoliua d e c e p ç ã o e f o i p a r a o quarto.— É sábado.O mordomo fechou a cara. — E l e s e inclinou e foi embora. onde ficou à janela fitando as ondas queq u e b r a v a m na areia. q u a n d o s e u p a i bebia. não precisa se preocupar. e fariam um piquenique na praia. desaprovando. alteza. Ele voltaria dentro de alguns dias. a l te z a . mas quando estava longe.. mas ele não funcionava naquela área: teria que ligar para o palácio.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter estava com ela. Ela se empertigou ao ouvir o tom pomposo do empregado. Ele lhe dera tantos presentes e ela n a d a l h e dera em troca. Rou não se sentia segura de que alguém estaria ao seu l a d o . pois pretendia fazer compras na cidade. mas se sentia sozinha.— É isto mesmo que quero.— Eu deveria consultar sua alteza. t u d o r e q u e r i a . A cidade estará cheia de gente e de turistas. bem-sucedida e instruída. Tentou ocelular. esquecia dela.Jessica 116. afastada. Ohomem respondeu que ele faria a ligação. E s t o u t e n t a n d o a j u d á .Alguns dias podiam ser poucos ou uma semana.d o n a d a . digitando um artigo para uma revista epreparando uma palestra que daria em Chicago. R o u p e r a m b u l o u d u r a n t e d u a s h o r a s e p a r o u p a r a t o m a r u m c h á d e hortelã. Quando ela voltou ao palácio. era atencioso.— Ele disse quando voltará? — ela perguntou. s e p r e c i s a s s e . chocolates e frutas. C r e i o q u e v o c ê m a n d a r á a l g u n s seguranças comigo. Quero ter a liberdade de chamá-lo sem a interferência de mordomosou de empregados. Tentou comprarum presente de casamento para Zayed. O mordomo se apavorou. — Não. ao entrar no jardim do palácio. deixara de cuidar dela. aban. À t a r d e . sua mãe se suicidara. Pediria à cozinheira que guardasse tudo até que Zayedvoltasse. V i s i t o u o a n t i g o c a i s e explorou o famoso bazar que faziam parte da história de Cala.— N ã o p r e c i s a c o n s u l t a r s u a a l t e z a . D u v i d a v a q u e a q u e l e s a q u e m a m a v a e s t a r i a m a o s e u dispor quando buscasse seu apoio. queijo.

Projeto Revisoras71 .

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pediu desculpas e lhe pediu que ligasse para o rei Fehr. e l a o u v i u o r u í d o d o h e l i c ó p t e r o s o b r e v o a n d o o palácio. mas será informado que asenhora telefonou. Durante os últimos dias só pensara emZayed . e l a r e s o l v e u s e a c a l m a r . d e b e b e r . As palavras de conforto eram dolorosamente familiares.Trocou de roupa. m a s . Rou invadiu o escritório." Ela leu a mensagem várias vezes. mas de uma ordem. Mais tarde. mas apavorada por não saber o que pensar o u sentir. com a boneca no colo.R o u d e u u m s o r r i s o r a d i a n t e . E n q u a n t o Zayed trabalhava em Isi. Aquele era o homem que lhe fizera tanta falta. m a s e l a n ã o s e i mp o r t o u . esperando que ele se lembrasse dela. Se elesoubesse. A o d e s c e r a e s c a d a .Eram as mesmas que ela dizia a si mesma enquanto esperava as visitas do pai. disse a si mesma. a o s e a f a s t a r . Rou começava a sentirsaudade de sua vida. odiava pedir ajuda. O celularnão funcionava. por isso temia amar.D e s a p o n t a d a . o n d e j a m a i s e n t r a r a . Eles tentaram impedi-la de entrar sem p e r m i s s ã o . mas n ã o esperaria até as nove. Você não pode chorar. Ela esperou por uma hora: Zayed não apareceu. Aguardou sentada. Fezuma leve maquiagem. As horas passavam e nada de Zayed. O rei está numa reunião. escovou bem os cabelos e fez um rabo de cavalo. Rou não se importou. uma e m p r e g a d a l h e t r o u x e u m b i l h e t e n u m a b a n d e j a d e p r a t a . Iria se encontrar com ele. do movimento que a impedia de pensar no que não poderia mudar. Zayed. Não se tratava de um convite. Ela correu atrás do mordomo. f o i i n v a d i d a p e l o desapontamento que derrubou todas as suas boas intenções. Esperara por ele a cada segundo. Ele não sabe como você está animada e o quanto deseja vê-lo. exigente. mas também não queria se sentir insignificante e solitária. como esperara por seus pais. bonito. Ela não queria ser difícil. para ganhar coragem.U m a s e m a n a d e p o i s . Os olhos de Rouse encheram de lágrimas. perdera a individualidade e o bom-senso. nem mandou chamá-la.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter assistência .Jessica 116. d e esperar para ser vista e ouvida. mas só percebera sua solidão ao se sentir isolada. deveria sentir sua falta. Vários minutos se passaram e eledesligou sem lhe passar o fone. egoísta. Rou baixou a c a b e ç a e chorou em silêncio. P e g o u u m l i v r o p a r a s e d i s t r a i r enquanto o aguardava. ela perambulava pelo palácio em C a l a . ignorando os olharesespantados da equipe de Zayed e caminhou direto até a mesa. De surpresa.Estava só e começava a achar que seus temores em relação ao casamento serealizavam: tornara-se dependente. Rou ficou contente. Ela se casara com um homemexatamente igual a seu pai: ausente. Não lhe importava que todo o palácio a . porém oque mais desejava era falar com Zayed. eventualmente recebia algum e-mail. e praticamente marchou até o e s c r i t ó r i o d e Z a y e d . com o coração aos pedaços. Elasentia falta dele. i g n o r o u o s seguranças parados ao lado da porta. alteza. E s t a v a f a r t a d e e s p e r a r s u a ve z .s e n t a d a numa cadeirinha. aexpressão dele passou para desagrado.— Sinto muito. " V o c ê j a n t a r á comigo às nove. enquantoele entrava em contato com o palácio em Isi. do trabalho. P o r i s s o j a m a i s quisera se casar. como e s p e r a r a q u e a m ã e p a r a s s e d e c h o r a r e o p a i .R o u r a s g o u o bilhete e o jogou no lixo. estaria aqui. Ela odiava a falta de independência. Esperar era um desespero. Ele está ocupado. Ele não a via há 10 dias.

A reunião acabou. pensou Projeto Revisoras72 . Reservei um vôo na Sarq Air.— T e n h o a l g u n s e n c o n t r o s e m Z u r i q u e d e n t r o d e d o i s d i a s — d i s s e secamente. — Minha bagagem está pronta. Creio que você o guardou por segurança.não costumava ser tratada como alguém subserviente e de segunda classe.desaprovasse.Rapidamente todos se retiraram em silêncio. Vinha de uma cultura diferente. maspreciso do meu passaporte.

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com um ar vazio. fraca e ridícula. N ã o retornou meus telefonemas.— Não.— Não foi o que eu disse. que os sentimentos são um . ela se apaixonara e se perdera. e que viajaria a negócios. — Você cumpriu seu dever.. q u a n t o a e l a . Tivemos cincon o i t e s n u m t o t a l d e d u a s s e m a n a s .— Talvez. Ela não poderia suportar que Zayed a desprezasse. —Tenho um consultório e uma casa em São Francisco.Jessica 116. Ela fora paciente solidária. rei Fehr? É tão difícil e desagradável passar algum tempo comigo?— Não estou evitando você para puni-la. Além disso. Você me despreza tanto.— Mas não sua esposa. é isso.quando o divórcio fora o f i c i a l i z a d o e s u a m ã e s e v i c i a r a e m re m é d i o s p a r a suportar. ridícula e fraca. há muito para cuidar. — E s t o u dizendo que preciso de mais.— Não pretendo voltar — disse ela com calma. E s t a v a m a i s b o n i t o . Só de olhar para ele. Agora não precisa mais de mim. mas pelo menos sou honesta — ela disse devagar. Ela é apenas uma mulher. fizera por ele o que gostaria que alguémfizesse por ela. e . Não adianta ficar aqui.Ele não se importava com ela. para que discutir?— Tem razão. Não era verdade que suas malas estivessem prontas: tudodependeria de Zayed. Rou percebeu que ele nada queria s e n t i r . — A falta deemoção de Zayed a feria profundamente. O r e s t o d o t e m p o v o c ê f i c o u f o r a . e ele nem ligava. Sou tola. q u e q u e r i a f i c a r m o r t o . Os segundos se passaram eele a olhava impassível.— Compreendo.Ele jamais se importaria com ela.— Tenho muito trabalho a fazer.— Então. O coração de Rou bateu mais forte. O país ficou sem governante durante quase um mês. muita coisa aconteceu. Uma dor lancinante a atingiu. Não sou necessária. pegar minha passagem e partir?— Você não é prisioneira. — Ela e s p e r o u q u e e l e d i s s e s s e a l g o q u e a t r i b u í s s e a l g u m s e n t i d o à s s e m a n a s anteriores. tentando se controlar.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Rou ansiosa. Mais tarde. foi coroado. As mulheres desprezam a simesmas quando se tornam patéticas. S e u p a i a d o r a r a s u a m ã e e acabara por desprezá-la.— Então. — Ela controlou a dor e a cólera. levantando as mãos. Não. casou. c o m o s c a b e l o s u m p o u c o m a i s compridos. Pelo menos admito que preciso de você.Fez o que precisava. Reuniões de gabinete.— T u d o bem. — É tudo que preciso fazer? Preparar as malas. Rou ergueu a cabeça. seucoração doía e sua vontade fraquejava. considerando-a tola..R o u o o b s e r v o u . Está livre para partir quando quiser. Ela desistira de tudo por ele. com embaixadoresde outros países. e não lhe daria esta oportunidade. pensou Rou.— Você está sendo infantil. mas Zayed nunca pensava nela. a o c o n v i v e r c o m Z a y e d percebera que as emoções podem ser boas. tudo o que ela conseguira fora sentar e chorar. Concordamos que você continuaria a trabalhar — ele s e inclinou para trás na cadeira —. concordamos que o casamento seriatemporário. mas desde que nos casamos você mal ficou comigo.— Você está indo embora — ele disse ao ficarem sozinhos. q u e p r e c i s a s s e d e u m h o m e m . um complemento. — A voz dela tremia de raiva. Ele não se importava.— Sinto falta do meu trabalho. Os homens desprezam mulheres patéticas. para quê? — ele disse. Como sua mãe. Estava tomado pelo luto e pela culpa. você está me evitando?Ele respirou fundo para manter a paciência. o queixo mais firme e um olhar mais frio. Preciso voltar a trabalhar. Ela não se tornaria uma mulher d e p e n d e n t e .

Projeto Revisoras73 .

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. tinha uma carreira e ficaria bem. R o u r e l e u a m a n c h e t e d o Chicago Tribune. que deveriam estar em êxtase. . com os cabelos brilhando. agarradaao passaporte. E l a p e n s o u e m J e s s l y n . à f a m í l i a e m s e g u n d o . Diga algo.minimizar o impacto que ela causara em sua vida. Se ele sentia algo. Diga algo que me faça perdoar e esquecer. Ela vai ficar bem. b a n h a d a p e l a claridade. Suas prioridades eram c l a r a s : S a r q v i n h a e m p r i m e i r o l u g a r . queria telefonar a todo instante para ouvir av o z d e l a ..Zayed a deixou ir embora. estendendo a mão. Nada poderia ajudá. .. por outro l a d o . Elesentiu um amargo desgosto. Z a y e d apertou as têmporas que latejavam havia alguns dias. C o m o c o r a ç ã o a c e l e r a d o e u m f r i o nab a r r i g a . E R o u ? E l e abanou a cabeça e trincou os dentes. . A s m ã o s d e l a t r e m i a m e a contração em seu estômago se transformou em enjôo. . e em Zayed. não pertenciaa ele. Sharif vivo ? Ela ficou tonta e começou a suar frio. Não conseguia dormir direito. Ela ficaria bem.lo. Parecera firme. ele disse a si mesmo.. Era melhor deixá-la ir agora. mantendo-se ocupado. como sentira durante osúltimos dez dias.. Se não fosse amaldiçoado. R o u e s t a v a l i n d a q u a n d o i n v a d i u o e s c r i t ó r i o . vestida de verde-esmeralda. Ficou sentado e a viu sair pela porta. e a teria magoado. estaria a salvo. apesar de sua promessa de protegê-la. . Zayed procurou na gaveta elhe entregou o documento sem se levantar da cadeira.. — M e u passaporte? — ela sussurrou. Rou pegou o passaporte. ele repetiu para si mesmo. algo que me f a ç a ficar. — Adeus. D e p o i s d e 8 0 d i a s desaparecido. Rou era inteligente e forte. Deus sabia o quanto ele chegara perto de se apaixonar por ela. — Boa sorte. mas tremia tanto que o jornal não parava eela o abriu sobre a mesa.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter acréscimo à vida desde que sejam retribuídos e c o m p a r t i l h a d o s . Ele preferia sofrer a vê-la sofrer. Zayed — disseela. gelada por dentro. C o m o s e r i a p o s s í v e l ? D e v i a s e r u m m i l a g r e .. . Tentara ficar longe. era uma mulher moderna que gostava de exercer s u a profissão e que o esqueceria rapidamente. o rei Sharif fora e n c o n t r a d o vi v o . Zayed não sabia como ser o rei deque Sarq necessitava e o homem que Rou precisava.. ele ouviu o barulho de um motor e foi até a janelapara ver uma das Mercedes do palácio desaparecer na direção do portão. Ele. Rou prendeu a respiração e tentou continuar a ler. recusava-se a reconhecer. Você é que jamais irá se recuperar.. ela imploroumentalmente. Se ele não fosse Zayed Fehr. resoluta e orgulhosa. Capítulo Treze S HARIF F EHR f oi e n c o n t r a d o v i v o . masseu mundo era complicado e estressante. Pelo menos. E tão magoada! Zayed sentiu o coração apertadode tristeza. Ela não pertencia aquele lugar.Dez minutos depois. Ele continuou calado. n a s crianças. Sentiria falta de Rou.Jessica 116.

No mês anterior.Zayed. Não Projeto Revisoras74 . e r e s o l v e r a i n ve s t i g a r . Sharif esquecera quem era.Depois do terrível acidente. e i m e d i a t a m e n t e reconhecera o irmão. Sharif. A família se reunira em Isi. Rou apertou o estômago. Ela enxugou aslágrimas e tentou ler mais detalhes. irmão caçula do rei. Sarq.. K h a l i d Fehr . rezando para que seu enjôo diminuísse. L e v a r a q u a s e u m m ê s p a r a e n c o n t r a r o s n ô m a d e s n o S a a r a . foraresgatado por uma tribo de nômades que não o reconhecera.. ouvira um boato de que havia uma tribo nômade à p r o c u r a d e r e mé d i o s p a r a t r a t a r u m f e r i d o . muito queimado e ferido. onde o rei estava sendotratado. Por causa dos f e r i m e n t o s na cabeça.

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abrindo a janela para pegar ar fresco. Ela sempre fora magra. anão ser logo após sua partida. ela respondeu a perguntas durante 20 minutos. porque percebeu que a vida é injusta. Ela agüentaria estar sozinha.— Não estou doente — repetiu ela.O rei Zayed Feh assistira à palestra de Rou. Rou nunca o ouvira falar naquele tom e. c a m i n h a n d o n a s u a d i r e ç ã o . antes de desaparecerem.Jessica 116. Falou da importância de se exercitar e de se ocupar.— N ã o e s t o u e m n e g a ç ã o — i n t e r r o m p e u e l a . Ela estava doente! O susto fez com que ele seaproximasse. e l e s e escondeu na sombra e viu que ela vomitava dentro de uma lata de lixo. Com sua vozfria e clara. foi salvo pelo irmão. mas parecia estar esquálida e muito pálida. apesar de nada eliminar completamente osofrimento. resultando em ansiedade. mudança decomportamento. Elafalava bem. Rou estavabem. estava grávida de dois meses e tremendamentesozinha. Demonstrava a terapeutas como as pesquisas de laboratório haviam provado que os efeitos da dopaminano cérebro eram viciantes. partindo seu coraçãoQuatro horas depois. A s a l a e s t a v a l o t a d a e e l e p a g a r a a o z e l a d o r p a r a f i c a r n o s bastidores.Os dois não haviam mais se falado — quando o teriam feito. t e n t a n d o a c a l m a r s e u estômago. deu uma risada fraca.E STAVAM NA limusine de Zayed. não queriaque ele financiasse seu centro de pesquisas. agarrou a primeira coisa no caminho — uma lata de lixo — e vomitou. vestida no habitual conjunto preto.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter queria vomitar naquela hora. v a i p a s s a r . Não queria o dinheiro de Zayed.. — O quehá de engraçado? — Ele estava zangado.c o m o coração destruído.. seu peito doía e um nó se formava na garganta. Eles nada podem fazer por mim. E l a n e m s e q u e r a b r i r a o s extratos que o banco lhe enviava. Sharif está vivo. Ele abrira uma conta para ela num banco em S ã o F r a n c i s c o e t r a n s f e r i r a a q u a n t i a q u e l h e p r o m e t e r a . Se Sharif estava vivo. que semprec a e m d e p é . de fato? —. Ele já fizera muito. T o d o m ê s e l e mandava algum dinheiro no qual e l a n ã o t o c a v a .— Você não sabe — trovejou ele. O fato de você se casar com a única mulher que não o desejava. Rou c a i u de joelhos e sentou ao lado da lata com o corpo tremendo e os o l h o s cheios de lágrimas.Ao sair do palco. nós. o que aconteceria aZayed ? Só de pensar nele. e agora. que não queria casar ou ter filhos. Ela falou sobre as conseqüências de se romper uma relação no estágio inicial. ele agira certo ao deixá-la ir embora.surpresa. Deus do céu.— Você..— Você está em negação e. Depois da palestra.. mas não s u p o r t a r i a e s t a r s o z i n h a e grávida. N ã o p e n s e n i s s o . correndo para o hospital. sobre os efeitos fisiológicos do amor. Ela era como os gatos. transtornos do sono e dificuldade de concentração. quando adopamina inunda o cérebro e causa sofrimento físico e emocional. — Não preciso de hospital. Não queria ter nenhuma ligação com ele. o que faria? Não queria se casar nem ter filhos. s e m p r e p a s s a . transmitia credibilidade. Rou dava uma palestra numa sala de conferênciasem Chicago. ela não demonstrava a angústia que sentia desde que partira de S a r q . tudo isso. tinha domínio sobre o público. Ele não a escutava. Zayed não era mais seu problema. Quando Rou s a i u d o p a l c o . E s c l a r e c e u a o s o u v i n t e s q u e o s e f e i t o s d a a b s t e n ç ã o d e d o p a m i n a poderiam durar meses. Deus sabe o tipo de mãe que ela seria. — Os . Rou estava lívida.

olhos dela brilharam ee l a e n g o l i u e m s e c o . S u a n á u s e a p i o r a v a : e r a q u e s t ã o d e t e m p o a t é e l a vomitar outra vez. — Não estou doente, Zayed. Estou grávida.A c a b a r a m n o h o s p i t a l , f o s s e p o r q u e ele não acreditara, fosse porque Projeto Revisoras75

Jessica 116.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter precisava de provas. Ao ouvir o nome dele, o médico os atendeuimediatamente e fez uma ultrassonografia.— Hum — disse ele, observando a tela. — Então, é isto que nos espera.Zayed se inclinou e tentou olhar o monitor.— O quê? — vociferou com uma cara preocupada.— Duas batidas de coração — disse o médico, virando a tela e apontandoas imagens. — Gêmeos.Rou quase desmaiou e lutou para respirar. Gêmeos?— Não é possível — ela gemeu.— E comum na minha família — respondeu Zayed em voz calma. — Jamilae Aman.— Não é possível — repetiu Rou. Um bebê já era mau, imagine dois!O médico desligou o aparelho.— Parabéns, vocês estão absolutamente grávidos.Vinte minutos depois, eles se dirigiam ao hotel onde Rou se hospedara.Ela estava calada, mas ele a observava atentamente. Ela estava grávida de dois meses e já deveria saber a algum tempo. Nada lhe contara, ep r o v a v e l m e n te n ã o p r e te n d i a l h e c o n t a r . Z a y e d d e u u m s u s p i r o . E l e n ã o a culpava: ele não lhe dera apoio. Agora, seria diferente. Ela teria seus filhos, dois bebês. Ele se lembrou de Jamila e Aman, correndo pelo palácio, brincandode esconder, e sentiu uma pontada de dor. As irmãs eram lindas.R o u s e e n c o l h e u n o b a n c o . Z a y e d l h e e n t r e g o u u m s a c o de papel. Elavomitara no estacionamento e ele achava que ela v o m i t a r i a d e n o v o . R o u olhava pela janela com um olhar vazio.— Você está bem? — ele perguntou com a maior gentileza.— Não. Não posso ter um filho — ela disse, abanando a cabeça. — Quantomais, dois.— Pretendo ajudá-la.— Não. — Laeela, querida.— Não me chame de querida, nem de laeela. Eu não sou nada disso.— É apenas minha mulher.— Não somos casados.— Somos casados e sempre seremos. Jamais vou me divorciar de você. Prometi...—Você e suas promessas estúpidas! — gritou ela, voltandose afinal parae l e . S e u s o l h o s e s t a v a m c h e i o s d e l á g r i m a s . — V o c ê vi v e n u m m u n d o d e promessas e maldições, de superstição e de fantasmas. É um mundo no qual eu não me encaixo, nem quero me encaixar. Acredito na ciência, naobjetividade, em fatos, e não vou entregar a minha vida a um homem que nãome ama. — Ela estava descontrolada e cutucou-lhe o peito. — Eu mereço mais,Z a y e d . M e r e ç o m u i t o m a i s . — R o u c o m e ç o u a c h o r a r c o m o u m a c r i a n ç a , encolhida, com as mãos no rosto e muito pálida. Zayed olhou para ela como sea visse pela primeira vez. Ela o amava. Rou nada dissera, e nem precisara. Elepercebeu pelo modo como ela o fitava, pela angústia em sua voz, pela força deseus soluços. Ela o amava e ele a magoara demais. O coração dele doeu maispor arrependimento que por culpa. Ela parecia uma menina, e ele se perguntoupor que jamais percebera. Zayed tentou tocá-la, mas Rou se afastou. — Não me toque.Ele retirou a mão, mas viu que as lágrimas caíam através dos dedos de Rou e umedeciam seus joelhos. Ela estava sozinha, sem família e sem amigos.Quem a confortaria, se ele não o fizesse? Rou precisava dele, não de qualquer Projeto Revisoras76

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assumindo sua responsabilidade. sua esposa. dormindo. que comentou que ele temia que ela fugisse. Fechou os olhos e se deixou invadir pelocalor. Ele não sabia por que ela o escolhera. tudo seria diferente. mas vivo.Afinal. R o u s e n t o u n a c a m a e s e i n c l i n o u s o b r e e l e . O que faria? Duas pessoas que ela corria o risco d e magoar? Duas pessoas que ela talvez fosse capaz de prejudicar? Agora. olhe para mim! — Ele abriu os olhos com esforço. muito magoada e se sentia mal. Ele disse que ficava porque não queria deixá-la sozinha. dera à luz um menino. Ela tomou um banho. ou talvez estivesse prestes a sequebrar. Sentia-se vivo vibrante. Talvez estivesse na hora de se livrar dela. o que foi?E l e j a m a i s i m a g i n a r i a s e n t i r t a l s o f r i m e n t o . Ela o amava e. Ele iria ser pai. pleno. e n ã o s a b i a o q u a n t o i r i a agüentar. preocupada.— Zayed. Prometo. m a s . a v o l t a d e S h a r i f perdera um pouco de sua importância quando comparada às duas vidas que ela carregava. pretendendo se manter o mais distante p o s s í v e l . durante a p a l e s t r a . n a s ú l t i m a s h o r a s . os dois passaram a noite no hotel de Rou.l a . mas. — Zayed. Por que ela nunca pensara em anticoncepcionais. Voltara para ela. Olivia. Estavag r á v i d a d e gêmeos.Rou não teve forças para mandá-lo embora. vestiu seuspijamas de flanela e deitou na cama. e sua própria culpa o torturara durante anos. ele percebeu que chorava. ela esperara que o pai e a mãe reconhecessem que a amavam e precisavam dela. tão básicos efundamentais? Agora.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter pessoa.Estava com ela porque devia. — Algo de errado? — Elen ã o c o n s e g u i a f a l a r . para ele. lutando por ela. ela jamais tivesse existido. E l e pensava incansavelmente. A paz e a prosperidade haviam voltado ao palácio. Sharif voltara ferido. Não vou deixá-la nunca mais. P o r q u e e l a n ã o s e s e n t i a f e l i z e vitoriosa? Porque ele o fazia por dever. Eles nem sequer tinhamconversado a respeito de S h a r i f . a c a r i c i a n d o s e u s c a b e l o s e beijando-a no rosto. sua mulher. Ele afastou uma mecha de cabelos do rosto dela e seu coração seincendiou e doeu. Sua. d e a m á . Duvidou que agüentasse tantossentimentos e tentou não fazer nenhum ruído que pudesse despertar Rou. Zayedestava ali. Sarq estava emfesta. e l a mesma dissera que o amor é estranho e imprevisível.Z a y e d e sp e r o u q u e R o u a d o r m e c e s s e p a r a s e d e i t a r a o l ad o d e l a . Durante sua infância. porém jamais acontecera. agarrou-a e colocou no colo. Zayed? — ela murmurou. não porque queria. Talvez ele pudesse ser feliz. Jesslyn e as criançasestavam mais que felizes. E l a e s t a v a l ou c a por ele. Rou. a mãe de seus filhos. combatendo a tristezae destruindo-a. Era o que ela queria: uma oportunidade para sevingar.isto era algo extremamente importante. — Estou aqui e amo você. Ele sentiu a mão fresca tocando-lhe o rosto. O calor que sentia era ele voltando à vida. — Z a y e d . e dever a vida e seus desafios de outra maneira. Quando Rou secou seus olhos. se virara para ele e se aconchegaraa seu corpo. Talvez a maldição tivesse enfraquecido.— N ã o c h o r e q u e r i d a — m u r m u r o u e l e .l a l i v r e m e n te c o m o jamais amara depois da morte de Nur. Zayed estava alie d e c l a r a r a q u e j a m a i s a a b a n d o n a r i a . como Rou dissera. olhou para ela e imaginoupor que seu lindo rosto lhe parecia enevoado.Zayed olhou para Rou que. Eles e n ti u u m a i m e n s a n e c e s s i d a d e d e p r o t e g ê . esposa de Khalid. Ele ignorou os protestos dela. O suor escorria por .Jessica 116. Talvez.

laeela. Perdoe-me. Projeto Revisoras77 .— Você está passando mal? — perguntou ela. meu amor.seu rosto. a dor desapareceu e ele se sentiu exausto. mas preciso de você. — De súbito. confusa. — Amo você e preciso de você.— Amo você — disse ele em voz rouca. o calor que oqueimava se apagou.

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no fundo.— Não é uma comida qualquer — ele disse. Vamos ser pais. Pela primeira vez. Eu não seria uma boa mãe. contente.. O amor é mais forte que tudo. Era o que Olivia comia quando estava enjoada. melão e uvas geladas. — Ela estremeceu e franziu a testa.— Eu não queria ser mãe. — Você tem vários diplomas. Não é do seufeitio.. m a s é exatamente o oposto. — Ele arrancou uma uva do cachoe deu a ela. sorrindo pela primeira vez em dias. mas bem melhor. o nascimento do filho de Olivia e Khalid.Jessica 116. Vou ser pai. apoiando-se no braço eolhando para ela. Não há nada de errado comigo.— Eu sei.— Como?— Percebi o quanto a amava.— G o s t a r i a d e l h e d a r r a z ã o .— Não. acaba com o enjôo. E u o d e i x e i p o r q u e s o u t o l a . Talvez você soubesse que não se parece com sua mãe e que jamais abandonaria seu filho. Vamos ver se dará certo com você. u m a garrafa de ginger ale. Z a y e d l i g o u p a r a o s e r v i ç o d e q u a r t o e p e d i u u m b a l d e d e g e l o . E ela me trouxe até você. você soubesse que seria. é preocupante.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Está tudo bem — respondeu ele. — Ela fechou os olhos.— Estou melhor — disse ela.— Porém você nunca falou em controle de natalidade.— Isto tudo aconteceu nas últimas horas? Ele sentiu vontade de rir. E o amor. Ela pegou mais umae depois comeu melão. ou uma intoxicação.— Ah.— Talvez.Rou o olhou. E l a o o u v i u s u s p i r a r e abriu os olhos. Ele sorria. Dra. Não há sinal de maldição. Rou bateu Projeto Revisoras78 . metade de uma torrada. um prato de torradas e bolachas.O m ê s f o r a d i f í c i l . A infelicidade estava dentro de mim. em 20 anos. Sou igual àminha mãe. é mais forte que a superstição e a desgraça. — Não estou curada. não conseguirei comer. Estava fresca e adocicada. desconfiada.— Eu sei. mas fico contentepor mim.. — Não é estranho? Sou tãom a n í a c a c o m tudo. e nunca pensei no assunto..— Você está delirando?— Porque eu lhe disse que a amo?— Talvez esteja com uma virose. apavorada.— Vem acontecendo há algum tempo. Vou vomitar! — Ela correu para o banheiro. — Zayed deu uma gargalhada e deitou na cama.— Talvez você quisesse ficar grávida — disse ele. não..Quando Rou voltou para a cama ele lhe ofereceu a bandeja. até mesmo o meu. Tornell. Não novamente. Acho que não pensei q u e pudesse engravidar. — Rou fez umacareta. feliz por estar contente. — Rou acendeu a luz e o fitou calada. — Inconscientemente.— De jeito nenhum. — Por quê?— Porque amo você. Zayed deu uma gargalhada. A volta de Sharif. — Acho que acabou finalmente. —A maldição — ele disse. e. s o d a . — D o i s b e b ê s — d i s s e d e r e p e n te .— Sinto muito por você — disse ele de maneira fingida.. arrumando a bandeja. Zayed. não há nada de errado comigo. Foi por isso que o d e i x e i . a felicidade de Jesslyn. Rou mordeu a uva. e se deitou. f r a c a e ridícula como ela. Acho que não pensei que sexo resultaria em filhos. amor. em seguida. A felicidade está espalhada ehá vida e amor em todos os lugares.— Ah. — Estacomida é mágica.

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Juro. A culpa foi minha. Fico perdida no s e u mundo. mas Sharif ainda não recuperou totalmente a memória. Prometo. Sharif. verificar se você estava bem. medo e ansiedade.— E estou bem?— Está. — Não foi noticiado. como conseguiu sobreviver sem meu dinheiro e meu apoio emocional? Seé tão ridícula.— E o que é Dr.— Sou. V o l t e p a r a casa comigo..— Como posso ter certeza?— Porque estou aqui. rindo.— Você é louco por mim? — Zayed se inclinou sobre ela e afastou-lhe os cabelos do rosto.. como homem e como rei.— Você está dizendo isso porque perdeu seu emprego?— Não perdi meu emprego — ele disse. sentindo esperança. V o c ê a l e g r o u o p a l á c i o .. por que sou tão louco por você?Rou olhou para ele. Poderia estar comigo.. o homem cheio de dúvidas.Jessica 116. Fico perdida nos seus palácios. — Não quero precisar recorrer a ninguém para falar comvocê quando sentir necessidade. Eu sempre soube onde você estava e o quefazia. perseguido por fantasmas.— Ele reconhece Jesslyn e as crianças?— Ele reconhece Jesslyn.— Você jamais ficou perdida. Ela se sentira miserável sem ele. Ele se lembra de você. Não consegui ficar longe de você. era tentador. mas não acontecerá de novo. e ficar sozinha e grávida só aumentara sua infelicidade. não consigo sem você. — O r i s o d e l e s e apagou. s i n t o s u a f a l t a . Ele era o que ela queria tudo de que precisava. t e n t a n d o esconder as lágrimas. como conseguiu coragem para me deixar? Se é tãotola. Tive q u e v i r procurá-la. nem saudável.— Não sei Zayed.1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter nele com o travesseiro. Fehr?— Amor..— Você terá uma linha exclusiva. Eu me sinto solitário. Projeto Revisoras79 . mas suas lembranças são do tempo em que viviaem Londres. Porém. quisemos esconder a informação da imprensa. nem quero. Podíamos ter o que queremos o que precisamos.Amo você demais para magoá-la outra vez. minha rainha. quejamais vou abandoná-la. Seja minha esposa.— Mas.— Q u e r o u m a l i n h a d i r e t a c o m o s d o i s p a l á c i o s — d i s s e e l a .Rou tentou ver nele o homem que a abandonaria na primeiraoportunidade. você ainda é rei — disse ela gentilmente. O trauma foi violento eos médicos querem que ele tenha tempo para descansar e se recuperar. mas tudoo que via era Zayed. laeela — Os dentes dele brilharam num sorriso.Rou afundou no travesseiro.— Totalmente.De fato. mas poderia estar melhor.— Ele está com amnésia?— Houve uma perda significativa de memória. Eu me escondia de você.?— E s t á b e m o s u f i c i e n t e p a r a r e t o m a r a l i d e r a n ç a . Porém a vida em Sarq não era fácil paraela.— Por que está rindo? Acabo de lhe contar meu segredo mais escondido evocê ri como uma hiena!— Se você é tão fraca..— Então.— Podíamos ficar juntos e nos amarmos. antes de ser coroado. E l e e s t á v a z i o s e m v o c ê .

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— Dará certo — ela disse resoluta. Com o tempo e a confiança. era mais forte do que esperava.— Espero que sim.R o u o abraçou e beijou com tal ternura que o coração de Zayed d o e u antes de se encher de júbilo.J ú b i l o .1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter — Quero viajar com você.— Concordo totalmente. que nos amemos o suficiente para colocálos sempre emprimeiro lugar.Rou fechou os olhos ao sentir os lábios dele sobre os seus e acariciou-lhe orosto.— Algo mais. Preciso de você e do seu amor. Z a y e d enfiou as mãos nos cabelos dela.— Quero que nossos filhos cresçam num ambiente feliz — disse. Eu não s u p o r t a r i a q u e n o s s o s f i l h o s s e v i s s e m e n c u r r a l a d o s e n t r e n ó s d o i s . E l e r e c e b e r a v á r i a s b ê n ç ã o s .— Amo você. para atender às necessidades deles antes das nossas. — Queroque sejamos fortes.— O amor cura — ela disse em voz baixa e doce. — Faremos com que dê certo. E l e s e s e n t i a f e l i z .Jessica 116. — Ele tudo renova. todos os seust e m o r e s s e a p a g a r i a m e s u a f e r i d a e s t a r i a s a r a d a . Nossos filhos também precisam. n ã o agüentaria que fossem magoados da mesma maneira que fui. Rou pensou ump o u c o s e i m p o r i a m a i s a l g u m a c o n d i ç ã o . com todo o meu coração — ele disse. meu amor?O sorriso dele era enorme estava mais bonito que nunca. suanoiva. Projeto Revisoras80 . Quero estar onde você estiver. beijando-a. sua mulher. sua a l e g r i a . e p e r c e b e u q u e t u d o d e q u e precisava era de tempo para confiar.Rou sorriu e o coração de Zayed derreteu. E l a e r a d i f e r e n te d e s u a mãe.— Sei que sim. sua esposa. m a s n e n h u m a maior que aquela mulher. Ele sentiu um nó na garganta.

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1 [Corações em Ira] – Tradição do Deserto – Jane Porter Epilogo ROU QUIS batizar os filhos. que jamais quisera se casar ou ter filhos. **** *** * . Ele também dissera à esposa que. Ao perceber que Rou estava à beira das lágrimas. três campos de estudo que ela pretendia cursarpelo resto da vida. acreditando que todas as crianças deveriam ser abençoadas. Ela. R o u a d o r a v a o c l i m a e a p r a i a d o l i n d o p o r t o histórico.O batizado aconteceu numa das salas do palácio e a cerimônia foi curta. Ela ficou emocionadae s o r r i u p a r a o c u n h a d o e a m i g o q u e s e e sf o r ç a r a t a n t o p a r a r e c u p e r a r a memória e a energia.Com o retorno de Sharif ao trono. S u a m i s s ã o e s t a v a e m c a s a . E l a j á e s t a v a c o m a v i s t a enevoada e mal conseguia acompanhar a c e r i m ô n i a .mandou buscar um padre em Londres. mas sem interferir: Cala era a solução perfeita. n o casamento e na maternidade. ela e Zayed estavam livres para viver o n d e q u i s e s s e m . e o inquieto e teimosoSharif ser colocado nos braços do tio Sharif. encontrara sua missão. e. algo incomum na família Fehr. Adorava ser mãe eadorava seu marido. F o r a u m v e r d a d e i r o milagre ver Sharif de volta. não suportariam um ritual mais demorado. assumindo seu reinado. observava o pequeno e calmo Kamil ser colocado no colo de Khalid. n o a m o r .Jessica 116. m a s e l e s d e c i d i r a m m o r a r e m S a r q e criar os meninos emC a l a . n o p a l á c i o d e v e r ã o . Zayed.O rei Sharif sorriu ao pegar o bebê e olhou para Rou. c o m seis meses. Sua missão não era passar horas noc o n s u l t ó r i o o u d a r p a l e s t r a s . Nada mais natural do quedar seu nome a um dos gêmeos. O s b e b ê s . Zayeda a b r a ç o u p e l a c i n t u r a . apreciava a vida que levava. se ela quisesse. no momento. Jesslyn e Olivia aapoiaram. m a s e r a t a r d e d e m a i s . R o u escolhera os irmãos de Zayed como padrinhos. mas Rou não tinha vontade de retomar seu trabalho. Zayed queria ficar perto da família. poderiamviajar.

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