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Da Novação

21
DA NOVAÇÃO
Sumário: 21.1 – Conceito e generalidades. 21.2 – Espécies de novação. 21.2.1 – Novação objetiva. 21.2.2 – Novação subjetiva. 21.3 – Requisitos da novação. 21.4 – Efeitos da novação.

21.1 CONCEITO E GENERALIDADES
“A novação caracteriza-se pela constituição de uma nova obrigação, diferente da primeira, que se opera entre credor e devedor, para a substituição e extinção da dívida anterior” (in RT 792/349). É comum a seguinte situação: Locador e locatário, durante o transcorrer do contrato de locação, sem o conhecimento e a concordância do fiador, realizam a majoração substancial do aluguel, em percentual superior ao dos parâmetros legais e contratuais, e até superior ao dos patamares do mercado. Em face desta alteração obrigacional, ajustada apenas entre locador e locatário, pode o fiador considerar-se alforriado da responsabilidade da fiança?
291

A novação sem o consentimento do fiador o exonera da obrigação assumida” (in RT 746/194). apresenta um cheque e duas notas promissórias como pagamento da dívida. Desaparece a primeira e. IV. substituindo a antiga.Direito das Obrigações – Parte Geral Com o surgimento de uma nova dívida. p. art. também. nos termos do artigo 360.187 “É a substituição de uma dívida por outra. cits. eis que alteram o conteúdo do contrato de locação. 126. 364). o contrato acessório de fiança. sempre que não houver estipulação em contrário” (CC. vol. 189 Ob. cit. Não se pode falar em obrigação perpétua do fiador. “Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal” (CC. o fiador. das obrigações acessórias. 192. Outra situação foi decidida pelo Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul (TARS): O locatário. “Novação é a convenção de uma dívida em outra para extinguir a primeira”.. contra a sua vontade. tem-se que os acessórios e garantias que acompanham o principal. perecem. surge a nova”. “A novação extingue os acessórios e garantias da dívida. p. art. ao entregar as chaves. Dá-se a novação. a novação importa na extinção da obrigação primitiva e. e vol. É o caso da fiança. Confira-se pelo seguinte aresto: “A majoração do locativo não prevista em cláusula específica e a mudança da periodicidade dos reajustes configuram novação.. Como define Clóvis Beviláqua. diretamente. ainda que o contrato tenha sido firmado por prazo indeterminado. “quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior”. exonerando.. conseqüentemente. Vale dizer. uma nova obrigação. em substituição de outra que fica extinta”. cits. 366). 292 . 187 188 Ob. nº I.188 Caio Mário da Silva Pereira leciona que a novação pode ser conceituada “como a constituição de uma obrigação nova. e vol. afetando. fica este exonerado da fiança até então assumida” (in RT 575/196). em seu lugar. ob. por conseguinte. do Código Civil. eliminando-se a precedente.189 “Tendo o credor levado a efeito novação da dívida com o devedor principal sem a necessária anuência do fiador. p. Washington de Barros Monteiro. 294.

vol. do Código Civil. não traduzem novação.190 O TJSP já decidiu que “não há novação quando é feita simples redução do montante da dívida ou quando o credor tolera pagamento em prestação” (in RT 485/51). Sem a substituição da obrigação nova. Questão que tem provocado largo debate é a de saber se a prorrogação de prazo para o pagamento da dívida constitui novação. O Tribunal já decidiu que o “fiador fica exonerado da garantia que prestou se a dívida é prorrogada sem o seu consentimento” (in RT 673/162). “Não implica novação. ficará desobrigado: I . Evidentemente. se o credor desejasse a vinculação do fiador na nova obrigação contraída pelo afiançado. a propósito: “simples alterações externas. inexiste novação objetiva”. E a moratória concedida pelo senhorio ao locatário sem ouvir o fiador? O artigo 838. p. tal situação importou na exoneração do fiador devido à uma novação feita sem o consenso deste (in RT 455/240). Revista Forense. Rio. parece-nos que a simples prorrogação não significa novação da obrigação. V. 293 . vol. Freitas Bastos. dispõe: “O fiador. fez extinguir a dívida. Carvalho de Mendonça ensina “que a espera de pagamento não constitui novação”. nº 918.se. I.Da Novação Como o credor aceitou os títulos de crédito subscritos pelo devedor principal. deveria exigir o respectivo aval. ainda que solidário. que não incidem em elementos essenciais ou íntimos da obrigação. Orosimbo Nonato escreve. 410. o credor conceder moratória 190 191 Tratado de Direito Comercial. Portanto. 111. por ser esta uma forma de garantia peculiar ao Direito Cambial.191 Como a novação implica na constituição de nova dívida para extinguir ou substituir a anterior. nem gera a idéia de acordo envolvendo toda a dívida. sem consentimento seu. o fato de ter o devedor pago alguns títulos à mesma credora com atraso significativo quanto aos vencimentos” (in RT 587/115). porque esta continua a mesma.

. p. Moratória. restando caracterizada a moratória prevista no inciso I do art.503 (novo. art. 294 . o pacto de non petendo em tempos. à revelia do fiador. entra no mundo jurídico. 838) do CC” (in RT 722/199). permanece no mundo fático. O TASP decidiu certa vez que “se na ação de despejo por falta de pagamento. Digno de menção.503. assim o fez: “Na ausência de qualquer pacto moratório. é negócio jurídico bilateral e pode haver declaração unilateral de vontade do credor. o locador concede moratória ao locatário. há tolerância e não moratória. cit. significando novo acordo determinante de iliquidez do saldo. para Clóvis Beviláqua. é a espera. a não pedir dentro do prazo. 1.. O acordo de espera. vol. após o vencimento da dívida192. Se o credor. o fiador fica exonerado quanto a danos emergentes do descumprimento do ajuste celebrado sem seu consentimento. IV. “Entabulado negócio entre locador e locatária para limitação da dívida até a entrega das chaves. Mas. a concessão de prazo ao devedor. não obterá 192 193 Ob. fica este exonerado da fiança” (in RT 463/137). pedir falência do devedor sem ressalvar o recebimento anterior.Direito das Obrigações – Parte Geral ao devedor”.193 O TJRS. p. Ob. a tolerância que se poderia admitir configurada na espécie não corresponde à moratória nos termos do artigo 1. decidindo questão entre fiador e senhorio. 219. A relação jurídica entre o credor e o devedor quanto a esse acordo ou quanto ao ato unilateral da tolerância é de ordem moral ou de ordem econômica ou política. do Código Civil. vol. a maioria dos doutrinadores distingue a moratória da simples tolerância. por exemplo. Veja Pontes de Miranda: “Se o credor espera sem se vincular. cit. 206. é o pagamento parcial de duplicata após o vencimento e respectivo protesto. O ato de tolerância não entra no mundo jurídico. E se não satisfaz ao suposto legal. de acordo com o comando do mesmo artigo” (in RT 472/199). e não de ordem jurídica”. XLIV. não desonera o fiador. que lhe cria a vinculação de não pedir dentro de determinado prazo ou até algum acontecimento. nº I.

o da novação. examinando o artigo supra. quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior . 14.trata-se da novação objetiva. o TJSP decidiu certa vez que o “acordo entre credor e devedor para sustar andamento de pedido de falência suspende o cumprimento da obrigação e constitui razão para a falência não ser decretada (in RT 433/135). através do seu artigo 360. 446/110. na realidade.. no capítulo dos efeitos das obrigações e o fez em capítulos distintos e sucessivos. bem como pela jurisprudência (in RT 467/97. mostra a existência. quando o novo devedor sucede ao antigo. ou exclua o devedor do processo da falência”. o da compensação. o da confusão e o da remissão das dívidas. 295 . ocasião em que o credor é substituído pelo antigo. Carvalho de Mendonça. ou. esclarece que não tendo a Lei de Falência capítulo especial sobre as causas que podem extinguir as obrigações. ou “não se declara a falência se houve novação da obrigação e dilação do vencimento” (in RT 449/113).. o do pagamento por sub-rogação. qualquer motivo que extingue ou suspenda o cumprimento da obrigação. ficando este quite com o credor. por força do artigo 4. 255.194 Essa opinião é esposada por outros renomados comercialistas como Miranda Valverde. em virtude da obrigação nova. Waldemar Ferreira. São eles: o do pagamento por consignação. 360 do CC proclama essas duas espécies. O art. de duas espécies de novação: a) pela mudança do objeto da prestação. o da dação em pagamento. vol. A propósito. o do compromisso. ficando o devedor quite com este – é a novação subjetiva. b) pela mudança do credor ou do devedor. in 194 Tratado de Direito Comercial. cuidou destas o Código Civil Brasileiro. o da transação. 21. p. 433/135). nº VIII.2 ESPÉCIES DE NOVAÇÃO O Código Civil.Da Novação êxito. da Lei de Quebra que dispõe: “A falência não será declarada se a pessoa contra quem for requerida provar:.

362 do CC . 296 . 21. ela denomina-se objetiva ou real. II – quando novo devedor sucede ao antigo.Direito das Obrigações – Parte Geral verbis: “Dá-se a novação: I – quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior.se o credor.2 Novação subjetiva A novação subjetiva é passiva ou ativa. se a dívida era em dinheiro e o devedor entrega um determinado bem no seu lugar.2. outro credor é substituído ao antigo. “Ocorre a extinção da fiança – decidiu o tribunal . Altera-se apenas o objeto da obrigação.1 Novação objetiva A novação pode-se referir ao objeto da prestação. há a mudança do objeto da prestação. configurando novação objetiva” (in RT 554/147). recebe nota promissória do afiançado. “A novação por substituição do devedor . e o credor aceita. Quando. sem a participação do fiador.pode ser efetuada independentemente de consentimento deste”. em virtude de obrigação nova. ficando este quite com o credor. pela novação. Por exemplo. A) PELA MUDANÇA DO DEVEDOR: A novação subjetiva passiva pode ocorrer sem o consentimento do devedor. ou se refere à pessoa do devedor. ficando o mesmo credor e o mesmo devedor. III – quando. ou é relativa à pessoa do credor. isto é.2.diz o art. a obrigação ficará extinta. 21. ficando o devedor quite com este”.

“A prorrogação do contrato de locação ajustada com novo locatário configura a novação prevista no art. Oportuno o seguinte exemplo fornecido pelo saudoso Prof. pelo qual um terceiro se apresenta espontaneamente ao credor. Se..196 No caso do credor não exteriorizar o seu consentimento. não haverá expromissão. outro o substitui. ficando o devedor quite com o antigo. Cits. ou seja.000. e vol. a liberá-lo da obrigação. se obteve a substituição de má-fé. Portanto. “É uma forma que se pode dizer de “expulsão” do devedor originário”. o credor concordar. e vol. caso ele concorde em contrair com B débito de igual quantia. o consentimento do credor.dispõe o art. para liberar o antigo devedor. 999 (novo. a dívida de A para comigo desaparece. 197 Ob. salvo. “Se o novo devedor for insolvente.não tem o credor. proponho-me. p.Da Novação Se isso acontecer.197 21. art. a novação pela substituição do devedor pode ocorrer independentemente da aquiescência do devedor. acréscimo de responsabilidade. ad-promissão. teremos o caso de expromissão195. de A para com B”. 360).. porém. como é natural. que o aceitou. sem o seu consentimento. sendo aceito por aquele.00. cits. Sílvio de Salvo Venosa. II. . Washington de Barros Monteiro: “A deve-me R$ 100. A proposta é aceita. liberando o fiador do primitivo contrato de eventuais responsabilidades decorrentes de contrato ao qual é estranho e que foi feito à sua revelia” (in RT 553/180). p. B) PELA MUDANÇA DO CREDOR: Se a mudança for do credor. mas há de ter. 297 . uma nova fiança. mesmo que o novo devedor seja insolvente. 256. ação regressiva contra o primeiro. do CC. ob. e em seu lugar nova dívida surge. salvo se este obteve por má-fé a substituição”. mas sim. 295.3 REQUISITOS DA NOVAÇÃO 195 196 Expromissão é a substituição do devedor. 363 do CC . no entanto. não terá mais ação contra o primeiro devedor. necessariamente.

367 do CC). pois a novação equivale a um pagamento. não houve novação e. Vale dizer. 838. assim sendo. responde o fiador” (in RT 452/113). fazendo surgir nova obrigação. Tal situação importa em novação por ter surgido uma nova dívida. portanto. a novação extingue uma obrigação anterior válida. 2) CONSTITUIÇÃO DE NOVA OBRIGAÇÃO PARA EXTINGUIR E SUBSTITUIR A ANTERIOR: Devemos ter sempre em mente que a novação consiste na pactuação entre os sujeitos da relação obrigacional. 367 do CC). Não se admite a novação de obrigação nula ou extinta (segunda parte do art. sem participar ao fiador. Se. o fiador não faz parte desta. requisito indispensável para a caracterização da novação. O TJRS já se pronunciou dizendo que “a eficácia novativa abrange. portanto. forma não prevista no contrato. essa invalidade temporária não impede a novação (primeira parte do art. É preciso que haja diversidade substancial entre a obrigação anterior e a nova e. A criação de uma nova obrigação é. a novação funcionará como ciência dos motivos da anulabilidade e. se existir uma dívida anterior é evidente que não podem ser objeto de novação obrigações nulas. “Se existirem apenas correções no curso da locação autorizada por lei (aumento compulsório ou reajustamento legal do aluguel). Examinemos o exemplo do locador e locatário convencionarem nova locação. ficando o fiador desobrigado (CC.Direito das Obrigações – Parte Geral Para a novação se consumar. ainda que inexistam fundos em poder do sacado” (in RT 455/240). a obrigação anterior for anulável. que substitui a dívida anterior. Ora. “A novação extingue os acessórios e garantias da 298 . I). a parte da dívida cujo pagamento se realizou através de cheque. É a criação de uma nova obrigação destinada a substituir e extinguir a anterior. é indispensável a conjunção dos seguintes elementos: 1) EXISTÊNCIA DE UMA DÍVIDA ANTERIOR: Pela novação há o surgimento de uma nova obrigação. pois. no entanto. inclusive. art. isto porque não houve a criação de uma nova obrigação.

000 (novo. 1... art. Assim. inexiste a novação e. no dia do vencimento da referida sexta prestação. 361) do CC” (in RT 793/287). Portanto. 299 . à véspera do vencimento da sexta. Veja como o Tribunal decidiu: “O animus novandi é imprescindível para que se tenha a novação.-lei 2. instituída pelo Dec. nega o animus novandi. no montante de R$ 25. 364 do CC).00198 que deveria ser pago nas condições ali estipuladas. consignando-se como preço apenas o saldo devedor.03.00. relativas às partes e objeto da venda. ou seja.Da Novação dívida.000. em que se repetiram as cláusulas principais do contrato anterior.000. “não havendo o ânimo de novar. nos termos do art. art. “Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal” (CC. Era cruzado. já então designados em reais199. 1. assinaram o contrato de compra e venda com reserva de domínio. ou seja. situado na Av. só haverá novação quando há o ânimo de novar.00 e. o compromisso foi realizado em cruzeiros. como sendo R$ 250. O comprador pagou as cinco primeiras parcelas do preço.86. as partes se procuraram e. em Santos. 3) INTENÇÃO DE NOVAR: A Revista dos Tribunais publicou a seguinte situação: Por instrumento particular. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira”. 361 do CC dispõe que. quando a segunda obrigação tiver por finalidade extinguir a 198 199 Em verdade. pelo preço de R$ 500.000. haja vista que o art.283. datado de 1.. de 28.86. sim. 366).00 que seriam pagos em idêntico número de parcelas e nas mesmas datas previstas no contrato original. as partes celebram um contrato em virtude do qual o vendedor declara vender ao comprador o estabelecimento comercial denominado “Lanche Dendê”. Confira pelo seguinte aresto: “Se o credor. sempre que não houver estipulação em contrário” (primeira parte do art. sobreveio a reforma do sistema monetário brasileiro. a confirmação da dívida originária.10.000.02. inclusive respectivo estoque e telefone. expresso ou tácito mas inequívoco.. expressamente.85. no valor total de R$ 250.

todavia. Saraiva. há lugar a admitir-se a novação objetiva expressa e tácita”..º vol. A novação não se presume. Entretanto. A intenção de novar está na prática de atos inequívocos das partes. p.ª ed.200 Na hipótese acima.. visto terem as partes substituído o título que deriva da obrigação. uma situação de novação. Paulo. pode-se afirmar que o animus novandi. 595. consoante ensinamento de Carvalho de Mendonça. 4. Convém lembrar aqui a lição sempre clara de Washington de Barros Monteiro. Ob. Trata-se. como vimos. O crédito do credor que era constituído pelo contrato de locação. S. 360. tendo-se em vista suas peculiaridades. p. Deve este ser investigado em cada caso. configurar-se-á. de 200 201 Doutrina e Prática das Obrigações. portanto. não a extinguindo. às vezes.201 Veja também a lição de Caio Mário da Silva Pereira: “Na prática há dificuldade. 433/135). que era devedor por contrato de locação. 10. Conseqüentemente. passou a ser devedor por força do contrato cambiário.Direito das Obrigações – Parte Geral obrigação primitiva criando outra. 300 . De modo geral. passou a ser consubstanciado nas notas promissórias. cit. existirá sempre que venha a ocorrer incompatibilidade entre a antiga e a nova obrigação. I).. conforme jurisprudência de nossos tribunais (in RT 759/327. “o animus novandi não depende de palavras expressas e pode ser deduzido dos termos do contrato. segundo a qual “a doutrina não ministra critério seguro e certo para identificação do animus novandi. sem consultar o fiador. Houve. renunciando o credor ao crédito anterior com os seus acessórios. tal como a emissão de notas promissórias para garantia. intenção de novar. l956. Mas verificamos que isto não aconteceu. importando. no surgimento de nova dívida para extinguir e substituir a anterior (CC. art. Se o locador receber do locatário. em substituição à garantia anterior. a segunda obrigação criada simplesmente foi uma confirmação da primeira. que era a assinatura do locador no contrato. da ocorrência de novação objetiva. pois. 331/403. tornando-se impossível a coexistência de ambas”. nº 346. 297. 487/214. por conseguinte. notas promissórias pelo pagamento dos aluguéis. quando não consignado em termos expressos. o locatário. por exemplo.

Reconhecendo-o. Há novação. contanto que a certeza final não possa ser abalada mas seja antes. mas pelo surgimento de uma nova obrigação. É o da incompatibilidade. 301 .202 É preciso acentuar que o terceiro requisito (exigir do credor a intenção de novar) é essencial. e pelas partes com capacidade de contratar. porque não se deve facilmente presumir em alguém a abdicação de direitos que lhe pertencem” (in RT 445/177). reforça o vínculo ou pactua uma garantia real. sem liberação do antigo devedor”. Deve ser manifestada efetiva e concretamente. como. como diz o artigo 361 do CC. no esclarecimento das dúvidas. inequívoca. cabe reconhecer. o TJPR decidiu: “Não se podendo presumir a intenção de novar. princípio este que atualmente não mais se discute. quando a vontade das partes milita no sentido de que a criação da segunda resultou na extinção da primeira. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira”. II. os doutores apontam um critério altamente prestimoso. não há. vol. sem o propósito de novar. Com base neste sistema. ainda que não seja expressa em termos sacramentais. Não havendo ânimo de novar. nem pode ser baseada em vagas presunções. quando a segunda obrigação é incompatível com a primeira. p. a segunda obrigação confirma 202 Ob. in verbis: “Não havendo ânimo de novar. pois sem o animus a nova obrigação tem efeito confirmatório. Ao contrário.Da Novação verificar se ocorre efetivamente novação. nem afirmada como interpretação ou por deduções de quaisquer textos legais” (in RT 456/192). que o animus novandi pode ser provado por qualquer meio de direito. a novação se caracteriza. cit. que intervém e assume o débito. isto é.. não nova o terceiro. “A vontade de novar não se presume . igualmente. 2202. que extingue a anterior. expresso ou tácito mas inequívoco. no entanto. Segundo Cunha Gonçalves a intenção de novar não se supõe. ou se se verifica a criação de outra obrigação. não pela transformação da obrigação anterior. Em suma. se elas podem coexistir.decidiu o tribunal. de modo não duvidoso. Por essa razão. “a novação não se presume.

o fiador só responde pelo que estiver expresso no instrumento da fiança (CC. 302 . o fiador que se obriga até à entrega das chaves. se esta for nula. art.4 EFEITOS DA NOVAÇÃO O contrato de fiança desenrola-se apenas entre o fiador e locador e é unilateral. evidentemente. a fiança também o será (CC. será ineficaz perante a fiança. sendo a fiança um contrato diverso do de locação e realizado entre partes diferentes (fiador e locatário). não devem os juízes admitir a novação. se contar com o seu beneplácito. sua eficácia depende da validade da obrigação principal. 819). nº 544. 838. a nenhum outro aumento. relacionadas com a responsabilidade do fiador. vol. Não se obriga. a obrigação antiga coexistir com a nova”. a alteração de qualquer das cláusulas da locação. Por essa razão e por ser um contrato de natureza gratuita. para quem. Só valerá para o fiador. É oportuno lembrar a lição de Planiol. ou seja. não se submete à novação do principal. segue o destino do principal. na simples alteração no modo do pagamento de uma dívida. deixando. gratuito e acessório. conceder moratória ao devedor (CC. ao invés. 21. mas também pelas correções que no curso da locação forem autorizadas por lei (in RT 487/226). art. Tal situação encontra-se também. 824). Por exemplo. que não modifica a continuidade da dívida anterior. há de responder não só pelo aluguel avençado. Portanto. sem consentimento do fiador. não há novação. ou seja. “em caso de dúvida. Como contrato gratuito. a tal ponto que a fiança se extinguirá se o credor. 2. de tal modo que.Direito das Obrigações – Parte Geral simplesmente a primeira” (in RT 649/117). por faltar o ânimo de novar. Sendo acessório.203 Por exemplo. art. que vale a pena ser novamente citado: “Importa exoneração do fiador a novação feita sem 203 Traité Elémentaire. expressa no artigo 366 do Código Civil. a fiança deve ser interpretada estritamente. I).

Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados” (CC. assim. Mas a principal conseqüência da novação é a extinção da obrigação anterior. mas cria obrigação nova para extinguir a antiga” – RT 568/183. com nova locatária (sendo irrelevante que alguns de seus sócios sejam os mesmos da empresa que anteriormente ocupava o prédio). 303 . a liberar o fiador da garantia prestada ao antigo locatário (art. sem a participação do fiador. 364. art. “A renegociação que não põe fim a dívida não constitui novação” – RT 750/426. “A novação é a substituição convencional de uma dívida por outra nova. art. 365). ao credor ressalvar o penhor. “Contrato de locação superveniente. 837 . somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. 2. contudo.502 – novo. todos os acessórios que acompanham a dívida extinta. 3. 1. segunda parte). criando uma dívida nova e. JURISPRUDÊNCIA 1. é um dos efeitos da novação.Da Novação seu consenso com o devedor principal”. configurando novação objetiva” – RT 554/147.do CC)” – RT 558/155. “não aproveitará. A novação não extingue a obrigação preexistente para iniciar outra nova. art. também desaparecem. ou a anticrese. a hipoteca. se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte da novação” (CC. O mesmo princípio se aplica aos devedores solidários: “Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários. 4. A exoneração do fiador. recebe nota promissória do afiançado. Da mesma forma. importa inequívoca novação. “Ocorre a extinção da fiança se o credor. in casu.

restando tal conversão devida em razão da ausência do ânimo de novar e de vício de consentimento da parte. A tolerância quanto à observância de prazo. 10. isto porque. portanto. “É indispensável para que ocorra novação que assim seja da vontade expressa das partes ou por incompatibilidade flagrante entre o novo pacto e o anterior. 1000 do CC dispõe que “não havendo o ânimo de novar. tãosomente o reconhecimento de alteração ou modificação da obrigação originária. seja pela prorrogação. “O animus novandi é imprescindível para que se tenha a novação. “A confissão de dívida não caracteriza novação. e pelas partes com capacidade de contratar. que até então desconhecia as regras do novo sistema monetário” – RT 621/134. liberando o fiador do primitivo contrato de eventuais responsabilidades decorrentes de contrato ao qual é estranho e que foi feito à sua revelia” – RT 553/180. autoriza. 7. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira”. impondo a dilação de prazo contratado para entrega de mercadorias não caracteriza a novação.Direito das Obrigações – Parte Geral 5. nessas hipóteses. o valor. o objeto. a novação. 9. II. quando. “A vontade de novar não se presume. mantém as partes contratantes. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira” – RT 591/149. via fax. a conversão prevista pelo Dec. 11. “A intenção de novar não se presume. Não havendo ânimo de novar. mas sim transação. posto que não se caracteriza. cujos elementos fundamentais não são afetados” – RT 590/80. No mesmo sentido: RT 636/106. Deve ser manifestada efetiva e concretamente. o prazo de 304 . de modo não duvidoso. pois inexiste a intenção ou vontade de novar do outro” – RT 748/220. 8. 6. do CC. não havendo ânimo de novar. “A simples remessa. à falta de outras indicações em sentido contrário. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira” – RT 649/117. por um dos contratantes. 999.284/86 em contrato de trato sucessivo firmado novamente pelas partes logo após o surgimento do “Plano Cruzado” com inobservância de suas regras.-lei 2. não desnaturando o contrato de locação. as condições. haja vista que o art. ainda que não seja expressa em termos sacramentais. “A prorrogação do contrato de locação ajustada com novo locatário configura a novação prevista no art. ou eliminação daquele ajustado. Aplicável.

“Se o autor da revisional de aluguel não cientifica da ação o fiador do contrato de locação. 1. 13. 14. No mesmo sentido: RT 537/195. e.“O ajuste para prorrogação do contrato de locação. podendo a legalidade daqueles títulos substituídos ser discutida a todo tempo” – RT 762/363. sabido que o acessório não pode prejudicar a essência e a natureza do negócio principal” – RT 578/205. sem contar com a concordância do fiador. porque tal fato induz autêntica novação a afastar a garantia prestada pelo fiador” – RT 679/133. 16. amortizados os valores pagos. e. 1. para a novação existir. 17. que já ajuizara 305 . o mesmo ocorrendo com as alterações das garantias já dadas. por essa razão. este não responde pelo acréscimo oriundo da revisão. “Entabulado negócio entre locador e locatária para limitação da dívida até a entrega das chaves. “Depreende-se do art. 12. o fiador fica exonerado quanto a danos emergentes do descumprimento do ajuste celebrado sem seu consentimento. “Constitui causa de exoneração da fiança a transferência indevida do imóvel pelo locatário a seu genitor. o que prevalece é a negativa de sua ocorrência.Da Novação existência. Novação e moratória concedida ao inquilino . “A novação não se presume. “O fiador fica exonerado da garantia que prestou se a dívida é prorrogada sem o seu consentimento. 15. na dúvida. é necessário que as partes tenham o ânimo de novar. através de petição homologada judicialmente. os direitos e obrigações que especifica” – RT 740/349. “Prorrogações do prazo para pagamento de empréstimo com a confecção de novos títulos. não interessa se a dívida é prorrogada ou se lhe é concedida a moratória” – RT 673/162. a dação de garantia real ou pessoal a uma dívida já existente não configura novação. posto que nele não consentiu” – RT 636/137. esta não se presume” – RT 759/327. restando caracterizada a moratória prevista no inciso I do art.000 do CC que. De resto.503 do CC” – RT 722/199. 19. os fiadores. 18. não implica novação. Nos efeitos práticos.

deve ser extinta” – RT 774/352.Direito das Obrigações – Parte Geral ação objetivando exonerar-se da fiança. ainda que o contrato tenha sido firmado por prazo indeterminado. diretamente. se não foi dada a sua anuência expressa” – RT 808/419. estabelecendo preço superior para o arrendamento e diversa forma de atualização do aluguel. “O fiador não pode ser responsabilizado por prorrogação do contrato por prazo determinado de que foi garantidor. que só pode ser desconstituído mediante ação própria (art. 27. “A majoração do locativo não prevista em cláusula específica e a mudança da periodicidade dos reajustes configuram novação. 20. ainda que pactuada e homologada em processo judicial do qual fora cientificado” – RT 752/165. constitui razão suficiente para sua procedência” – RT 580/190. 26. “A alteração no quadro societário da empresa afiançada não exonera o fiador. à revelia dos fiadores. as partes transacionam o crédito em execução. importa extinção do crédito. o contrato acessório de fiança. “Não tendo o fiador participado de acordo que fixou multa diária para desocupação do imóvel. celebram novação. por ela não pode ser responsabilizado. com aptidão para exonerar o fiador” – RT 774/304. 486). Não se pode falar em obrigação perpétua do fiador. cuja execução. O pagamento do valor transacionado. “A superveniente alteração do contrato de locação. A novação sem o consentimento do fiador o exonera da obrigação assumida” – RT 746/194. mormente quando este não tomou qualquer providência nesse sentido” – RT 809/279. por ser contrato benéfico e gratuito. “A fiança. libera estes da garantia prestada anteriormente” – RT 577/184. No mesmo sentido: RT 601/161. 575/196. deve ser 306 . “No momento em que. atualizado na forma do acordo homologado. que importa extinção da obrigação originária. A homologação do acordo substitui o título executivo extrajudicial por título judicial. 22. 25. pois. 23. contra a sua vontade. afetando. 21. 24. “Simples majoração dos locativos no decorrer do longo período de locação não constitui fator que enseja novação do contrato. sem nenhuma ressalva. eis que alteram o conteúdo do contrato de locação.

a alteração contratual relativa à composição dos sócios autoriza a extinção da fiança que. deferida a locadora. em virtude da obrigação firmada no contrato locatício. 361) do CC” – RT 793/287. por temo indeterminado. da Lei de Locações. 30. quando já de conhecimento da locadora do seu 307 . 31. em detrimento dos fiadores. 33. II. sem a anuência do fiador. mas sim de infração contratual” – RT 804/265. a confirmação da dívida originária. sim. não podia ser ratificada ou prescrito o direito de sua anulabilidade” – RT 803/266. “Se o credor. 28. independentemente do trânsito em julgado da sentença proferida na ação revisional. 219 do CPC. 32. são devidos desde a citação e podem ser executados autonomamente contra os fiadores. “Nas sociedades de pessoas. com base no contrato de fiança. expressamente. 29. por meliantes que. nos termos do art. 1. “É possível a extinção do contrato de fiança em locação se ficar evidenciado o abuso decorrente de protecionismo da credora em favor da devedora. razão pela qual a prorrogação do contrato de locação.Da Novação interpretada restritivamente. “A falta de outorga uxória acarreta mera anulabilidade de fiança prestada em contrato de locação. pondo termo final nas obrigações dos fiadores. não ultrapassa os limites do contrato celebrado pelo fiador” – RT 791/402. diante da inaplicabilidade da regra do art. “Subsiste até a entrega das chaves ou até a imissão na posse do prédio locado. com base no art. pois se a fiança fosse nula. 1. diante do indigitado insucesso no resultado buscado.500 do CC.245/90” – RT 802/270. 68. não podendo ser confundidos com as diferenças previstas no art.em razão do abandono. tendo em vista não se tratar de mera exoneração. inexiste a novação e. No mesmo sentido: RT 789/196. 69 da Lei 8. depredam-no. A invasão do imóvel locado. não pode obrigá-lo. a responsabilidade do fiador pelos danos ocasionados no imóvel. art. “Os aluguéis fixados provisoriamente na ação revisional.000 (novo. sendo irrelevante a existência de cláusula prevendo a obrigação até a efetiva entrega das chaves” – RT 807/217. nos termos do art. nega o animus novandi. com a citação. por seu caráter intuitu personae.

resulta de declaração das partes ou de modo inequívoco das obrigações inconciliáveis entre si” – RT 817/295. 34. faz dividir a responsabilidade pelos danos causados. que não se presume. aumentando. “A novação exige a presença de requisitos objetivos.Direito das Obrigações – Parte Geral estado de abandono. os prejuízos decorrentes do mau uso da propriedade. merece destaque o animus novandi. ainda mais. entre o fiador e a locadora. 308 . sob pena de infligir-se a um só valor expressivo. quando se exige do possuidor indireto seja resguardada a propriedade contra terceiros” – RT 790/320. Entre eles.

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