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A importância da educação em saúde bucal nas escolas

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Artigo de Revisão / Review Articie

A Importância da educação em saúde bucal nas escolas de Ensino Fundamental - Revisão de literatura. The importance of education in oral health in schools of basic education - review
Larissa Oliveira de Sá*, Márcia Maria Vendiciano Barbosa Vasconcelos** * Cirurgiã-dentista graduada pelo Curso de Odontologia da UFPE ** Professora do Departamento e Clínica de Odontologia Preventiva da UFPE

Descritores Saúde bucal; Educação em saúde bucal; Promoção de saúde.

Resumo A educação em saúde bucal é o principal instrumento na Saúde Bucal Coletiva, sendo, cada vez mais, requisitada, visando a uma adequada promoção de saúde. Este meio de abordagem é considerado de baixo custo e com possibilidades de alto impacto odontológico no âmbito público e coletivo. Sabendo-se que os professores podem e devem atuar como educadores na formação de opiniões e na assimilação de informações, faz-se necessária uma maior contribuição por parte destes na educação em saúde bucal. O objetivo deste trabalho foi o de realizar uma revisão de literatura sobre a educação para promoção de saúde bucal, em escolas de ensino fundamental, incluindo seus métodos e os agentes promotores. A metodologia foi obtida por meio do levantamento de periódicos em bases de dados, como SciELO, LILACS, Bireme, BBO dos últimos 10 anos, acerca do assunto. O desconhecimento quanto aos cuidados e à higiene bucal ainda está presente nesta população, podendo ocasionar uma deficiência na saúde bucal. Por isso, é essencial que haja uma maior participação, nessas escolas, de agentes promotores de saúde bucal (como os professores), além de métodos mais participativos e demonstrativos. Essa educação deve ser contínua para obtenção de melhores resultados. Abstract The oral health’s education is the main instrument in the Preventive Dentistry and is increasingly required, aimed at promoting an adequate health. This mode of approach has a low cost and with possibilities of dental impact on the public and collective. Knowing that teachers can act as educators in the formation of opinions and assimilation of information, it is necessary a greater contribution by those in education in oral health. The objective of this work is to carry out a review of literature on education for the promotion of oral health in schools of basic education, including its methods and agents promoters. The methodology was obtained through the lifting of journals in databases as SciELO and LILACS, in last 10 years, about the matter. The ignorance about the care and oral hygiene is still present in this population and can cause a deficiency in oral health. So a greater participation in these school, promoters, agents, oral health is essencial, as well (such as teachers), as well as more participatory methods and demonstrating. This education must be continued to obtain better results.

Key-words Oral health; Health education; Oral health in schools.

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Correspondência para / Correspondence to: Larissa Oliveira de Sá Rua General Salgado, 649/ 501 – Boa viagem - Recife/PE CEP: 51130-320 E-mail: larissa.o.sa@hotmail.com

INTRODUÇÃO
A educação em saúde bucal vem sendo, aos poucos, introduzida na vida dos brasileiros, levando à conscientização de que a boca é tão importante quanto o resto do corpo e, com isso, contribuindo na melhoria da saúde dessa população. Mas se sabe que essa educação ainda não abrange todo o país, muitos não têm acesso a lugares onde ela pode ser transmitida, como os consultórios odontológicos, ou simplesmente não há, em suas comunidades, meios de divulgação desses conhecimentos. Apesar de os índices de cárie terem diminuído, são notáveis as diferenças na distribuição das doenças bucais pelo país. De acordo com o Projeto SB Brasil 2003, o

Brasil atingiu as metas da OMS para o ano 2000 somente na idade de 12 anos, e, em parte, isso somente aconteceu devido às crianças das regiões Sul e Sudeste (BRASIL, 2004)2. Considerando-se a saúde bucal como parte integrante e indissociável da saúde geral, a infância é o período que pode ser considerado o mais importante para o futuro da saúde bucal do indivíduo. Na infância, as noções e os hábitos de cuidados com a saúde devem começar a se formar, permitindo assim que as ações educativas implementadas mais tarde se baseiem no reforço de rotinas já estabelecidas (FRANCHIN et.al., 2006)5. Assim sendo, o grande desafio da odontologia atual é o de atuar educativamente junto à população infantil, provendo-a de informações necessárias ao desenvolvimento de hábitos para manter a saúde e prevenir as doenças bucais,
Odontologia. Clín. -Científic., Recife, 8 (4) 299-303, out./ dez., 2009 www.cro-pe.org.br

A importância da educação em saúde bucal nas escolas de ensino fundamental - Revisão de literatura Sá, L. O.; Vasconcelos, M. M. V. B.

numa mudança de atitude em relação a essas doenças que frequentemente são tidas como inevitáveis pela população (VASCONCELOS et. al., 2001)15. Essa atividade pode ser desenvolvida em espaços diversos, como escolas, por exemplo, permitindo a expansão e o fortalecimento da saúde por meio de um trabalho coletivo e participativo com toda a comunidade escolar, sem esquecer que a escola representa um ambiente educacional e social propício para trabalhar conhecimentos e mudanças de comportamento (FLORES; DREHMER, 2003)4. O objetivo deste trabalho foi o de realizar uma revisão de literatura sobre a importância de se implementar a educação para promoção de saúde bucal em escolas de ensino fundamental, incluindo os métodos que podem ser empregados e os agentes promotores adequados a essa ação.

REVISÃO DA LITERATURA
De acordo com Freire et. al.6 (1999), os resultados observados em sua pesquisa permitem concluir que a situação de cárie dos escolares de 6 a 12 anos da rede pública dos municípios pesquisados é preocupante. Para que se possa produzir impacto no quadro atual verificado através do referido estudo, as ações a serem desenvolvidas devem adequar-se à realidade da população, exigindo mudanças no meio social e não apenas, alterações nos hábitos individuais. Em estudo feito por Narvai, Castellanos e Frazão9 (2000), em São Paulo, concluiu-se que, entre 1986 e 1996, o declínio na cárie dentária aos 12 anos de idade foi da ordem de 68,2% entre escolares. Por outro lado, os resultados analisados indicam a necessidade de se buscar a ampliação da população coberta pelas ações coletivas em saúde bucal, cujas características permitem tornar efetivas as práticas educativas, preventivas e de promoção da saúde. A deficiência de educação em saúde bucal no Brasil é encontrada em resultados de diversas pesquisas. Dados obtidos em estudos realizados com 141 escolares, com idade entre seis e dez anos de idade, mostraram que medidas preventivas, como as ações de educação sem saúde bucal, precisam ser tomadas, pois 19% das crianças compartilham o uso da escova com algum familiar; 83,6% nunca receberam orientação quanto à realização da escovação dentária; 57,4% já apresentavam o primeiro molar acometido por cárie e 3,5% das crianças não possuíam escova dental (PRADO et.al., 2001)11. De acordo com Vasconcelos et.al.15 (2001), são baixos os índices de higiene bucal das crianças em idade escolar, indicando uma deficiência quanto aos cuidados preventivos nessa faixa etária, o que reforça a necessidade de se trabalharem esses conteúdos através de metodologias adequadas ao desenvolvimento físico, mental e emocional das crianças. Segundo Toassi e Petry13 (2002), programas de motivação e educação em relação à higiene bucal com métodos simples e eficientes para remoção do biofilme dental e prevenção das doenças que ocasiona são da maior importância na tentativa de se implantar a escovação dos dentes como rotina de vida da criança. Contudo, estudos comprovam que sessões de reforço parecem ser indispensáveis para reduzir, significativamente, o biofilme dental. Em estudo realizado por Flores e Drehmer4 (2003) com alunos da 7ª série de escolas estaduais, verificou-se que a maioria reconhece a cárie como doença e já vivenciou essa experiência. No entanto, por serem considerados problemas comuns, tanto a cárie como a gengivite são aceitas como normais e decorrentes de situações de desequilíbrio. A negligência pessoal é considerada pelos adolescentes causa dos
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problemas bucais. As razões mais citadas para a limpeza dos dentes são evitar o mau hálito e manter uma boa aparência. O mau hálito traz sentimentos de vergonha, por lhes dificultar a comunicação e, por consequência, a sociabilização. O desconhecimento sobre cuidados necessários de higiene bucal representa um fator a ser considerado, uma vez que a informação, embora disponível nas grandes mídias, não chega a todas as camadas da população da mesma forma e, dificilmente, é apreendida, de modo a produzir conhecimento e autonomia em relação aos cuidados com a saúde. A importância de programas odontológicos educativos, que levantem e interpretem as necessidades das populações de menor acesso aos serviços de saúde odontológicos, precisa ser valorizada (PAULETO; PEREIRA; CYRINO, 2004)10. O planejamento de programas educativos-preventivos em saúde deve considerar as diferentes condições de vida e de conhecimento para que consigam atingir as reais necessidades do público-alvo (CAMPOS; GARCIA, 2004)3. Segundo Bastos, Nomura e Peres1 (2004), hipoteticamente, dentre as causas atribuídas à redução da cárie dentária no Brasil, estão a fluoretação das águas de abastecimento público, a adição de compostos fluoretados aos dentifrícios, a descentralização do sistema de saúde e a criação e implantação de programas preventivos. Educação em saúde bucal implica conhecimento na conscientização das pessoas aliado ao desenvolvimento das habilidades necessárias para se alcançar a saúde bucal sendo, portanto, focada em oportunidades de aprendizagem. A promoção de saúde bucal pode ser desenvolvida em uma grande diversidade de espaços sociais, grupos populacionais e atividades, por diferentes profissionais. Escolas, por exemplo, podem desenvolver uma série de ações para promover saúde bucal, como, por exemplo, uma política de alimentação, oferecendo alimentos saudáveis na cantina; a inclusão de tópicos de saúde bucal no currículo, destacando informações práticas, não só a discussão sobre a importância de limpeza dos dentes mas também como limpar, associadas à disponibilidade de espaços adequados para a higienização dos dentes (MESQUINI; MOLINARI; PRADO, 2006)8. Para Souza et. al.12 (2007), é necessário que os métodos educacionais sejam entendidos como instrumentos que possibilitem às pessoas construírem um maior aporte de conhecimentos sobre a saúde bucal e que se traduzam em mudanças efetivas quanto ao autocuidado, com consequentes resultados sobre os níveis de saúde bucal. Para tanto, a educação em saúde deve ser pensada como um processo capaz de desenvolver, nas pessoas, a consciência crítica das causas reais de seus problemas. Em sua pesquisa, avaliaram se a promoção de saúde bucal, através do acesso aos serviços de saúde, das práticas de higiene bucal e de dieta na infância e na adolescência (uso de escova dental, frequência e período de escovação, uso de dentifrício ou outro método de exposição ao flúor, frequência e período de consumo de dieta cariogênica) era eficiente.

1 - A escola de Ensino Fundamental como local de informação
A escola tem sido considerada um local adequado ao desenvolvimento de programas em saúde e higiene bucal, por reunir crianças em faixas etárias propícias à adoção de medidas educativas e preventivas, inclusive aquelas que não têm acesso aos cuidados profissionais (VASCONCELOS et.al., 2001)15. Toassi e Petry13 (2002) acreditam que a extensão de programas de motivação com contínuas sessões de refor-

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ço em escolares alicerçará o sucesso futuro dos trabalhos educativo-preventivos hoje planejados. Pauleto, Pereira e Cyrino10 (2004) ressaltam que a educação em saúde, realizada no ambiente escolar, pode favorecer o envolvimento da criança para trabalhar e construir novos conhecimentos, facilitando a mudança de atitudes, hábitos e cuidados na faixa etária pré-escolar e escolar. E este é um desafio que não é exclusivo do cirurgião-dentista. Para Franchin et.al.5 (2006), uma ação integradora entre educação e Odontologia, introduzindo-se efetivamente o conteúdo Saúde Bucal no currículo do ensino infantil e fundamental através de programas, tem ampla justificativa: formar crianças com perfil diferenciado em educação odontológica, capazes de realizar sua própria promoção de saúde bucal. Tornar todas as escolas promotoras de saúde é uma meta a ser alcançada, já que disposição é o que não falta para a categoria profissional em questão. Desde que embasado em evidências e bem capacitado, o professor poderá ser bem utilizado como um agente multiplicador de saúde bucal. Segundo Granville-Garcia et.al.7 (2007), a escola apresenta uma importância extrema neste grupo etário e é um ambiente extrafamiliar que permite reforçar respostas sociais aprendidas em casa, representar novas, e, até mesmo, restringir ou excluir algumas incorretas. Apesar disso, o ensino de saúde bucal em escolas continua deficiente e não está de acordo com as necessidades de saúde das crianças. Pesquisa feita por Souza et.al.12 (2007) com adolescentes que receberam procedimentos coletivos no ensino fundamental, desenvolvidos pelo Sistema Único de Saúde, em que se incluíam atividades anuais preventivas e educativas, revelou que esses procedimentos, enquanto ações preestabelecidas e de cunho preventivo, não promoveram a incorporação definitiva de hábitos saudáveis em saúde bucal, meta muito complexa, porém necessária para a obtenção de resultados positivos e duradouros.

2 – Agentes Promotores
Segundo Vasconcelos et.al.15 (2001), é importante que os odontólogos procurem atuar de forma multidisciplinar, junto aos professores e demais profissionais da área médica, objetivando “Educar em Saúde”. Em sua pesquisa, contratou-se que os professores avaliados têm interesse na realização de programas pedagógicos integrados em saúde bucal. Experiências mostram que é interessante a co-participação entre dentistas e professores do ensino fundamental na veiculação de informações sobre saúde e higiene bucal para as crianças. Essa associação beneficia a comunidade infantil em uma faixa etária na qual os hábitos alimentares e de higiene estão sendo formados. De acordo com Prado et.al.11 (2001), a eliminação dos depósitos bacterianos que se acumulam sobre as superfícies dentárias é fundamental para o controle da doença cárie e sabe-se que o método de eliminação mais eficaz é representado pelo emprego diário de dispositivos mecânicos, como escova e fio dental. Todavia, para o emprego correto de tais dispositivos, em geral, faz-se necessária uma supervisão profissional, principalmente quando se trata de crianças em idade escolar e pré-escolar. Nessas faixas etárias, associada ao papel do profissional, também é relevante a participação dos pais, responsáveis e educadores. Sabendo-se que o professor atua como multiplicador de informações e formador de opiniões, a interação professor-aluno faz-se necessária, para que a construção do conhecimento seja alcançada, também, dentro dos programas de educação em saúde bucal. Essa interação forma o centro do

processo educativo, e os programas preventivos-educativos em saúde bucal deveriam se utilizar dessa relação como aliada na transmissão de conceitos para sua melhor assimilação (CAMPOS; GARCIA, 2004)3. Para Pauleto, Pereira e Cyrino10 (2004), é necessário reconhecer, também, o despreparo dos profissionais da odontologia quanto às práticas de comunicação e informação utilizadas para desenvolver hábitos adequados de manutenção da saúde bucal. Em pesquisa feita por Franchin et.al.5 (2006) com professores em formação universitária para o Ensino Infantil e fundamental, a maioria dos voluntários relatou possuir informações a respeito dos fatores responsáveis pela doença cárie, citando, dentre os principais fatores, a falta de higienização bucal associada ou não a outros fatores. A fonte de informação dos fatores de iniciação e desenvolvimento da doença cárie dentária foi o cirurgião-dentista. Os voluntários consideraram importante a atuação do professor como um agente multiplicador de informação e hábitos relacionados à manutenção de saúde bucal. A efetiva atuação do professor como agente de saúde bucal necessita da capacitação por profissionais da área e de apoio de instâncias superiores. De acordo com Mesquini, Molinari e Prado8 (2006), o professor deve ser um agente que possibilita aos alunos ensinamentos básicos, imprescindíveis à realização da educação em saúde bucal. Os conteúdos ministrados para o Ensino Fundamental e Médio apresentam diversos tópicos em que o tema Educação em Saúde Bucal pode ser abordado. Compete ao professor fundamentar-se teoricamente e adequar a linguagem ao nível em que seus alunos se encontram. Souza et.al.12 (2007), em estudo realizado com adolescentes que receberam procedimentos coletivos anuais no ensino fundamental, incluindo educação em saúde bucal, observaram que os jovens que não estudaram em escolas beneficiadas por esses procedimentos, também declararam ter aprendido sobre saúde bucal nas escolas, o que pode indicar que o assunto é abordado pelos professores, livros didáticos ou outros meios, de maneira distinta do componente educativo dos procedimentos coletivos analisado neste estudo, mas que, na prática, resultaram no mesmo grau de conhecimento e cuidado. Isso reforça que os professores também podem ser uma fonte de aprendizado em saúde bucal. O professor é um agente essencial na construção e transmissão de conhecimentos, devido ao contato direto e prolongado com as crianças. Assim sendo, para que o professor obtenha êxito como agente multiplicador nessa área é necessário que o conhecimento e as atitudes desses profissionais sejam revistos, para que possam auxiliar adequadamente o cirurgião-dentista no difícil processo de educação em saúde bucal (GRANVILLE-GARCIA et.al., 2007)7.

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3 – Métodos para educação em saúde bucal
Tomita et.al.14 (2001) realizaram uma pesquisa com escolares de 12 a 16 anos, com os quais foram desenvolvidas atividades educativas com conteúdos teóricos e outras de caráter participativo, como jogos pedagógicos, gincanas e competições. Esse método atingiu o objetivo de ocasionar mudanças de comportamento quanto ao autocuidado em saúde bucal em adolescentes que receberam motivação periódica, refletida na redução estatisticamente significante dos níveis de placa bacteriana. Concluíram que programas educativos em saúde bucal que aplicam metodologia participativa têm fundamental importância na mudança de hábitos de higiene bucal em adolescentes, independente de sua inserção social. Em pesquisa realizada por Vasconcelos et.al.15 (2001)
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com professores de uma escola pública de 1º grau, através de questionário sobre o desenvolvimento do tema saúde e higiene bucal em sala de aula, 64% dos professores responderam que nunca abordam estes conteúdos. Dos outros 36%, 8% abordam apenas ocasionalmente. Justificando esses fatos, os professores relatam como principais causas: não serem estes conteúdos integrantes da grade curricular, a falta de conhecimento sobre o assunto e a falta de tempo disponível. Assim, a inclusão dos conteúdos relacionados à saúde bucal nos currículos da escola fundamental contribuiria para que a abordagem destes temas em sala de aula fosse mais freqüente. Pesquisa feita por Toassi e Petry13 (2002) com escolares do ensino fundamental, obteve bons resultados quanto ao biofilme dental e sangramento gengival, através da motivação com recursos como: palestra educativa, revelação de biofilme dental, orientação direta sobre técnica de escovação e uso do fio dental com auxílio de macromodelos demonstrativos e macro escova. Os professores também receberam informações sobre a importância de conduzirem o programa. Ressaltam que esses programas são muito mais efetivos se acompanhados por sessão de reforço continuado. Em estudo feito por Flores e Drehmer4 (2003) com alunos da 7ª série de escolas estaduais, verificou-se que o tédio da rotina escolar e as características comportamentais próprias da adolescência parecem ser a causa da indiferença dos jovens, observada pelos acadêmicos de Odontologia que atuam nestas escolas, os quais são apontados, pelos alunos, como atenciosos e compreensivos. Sabe-se que para a assimilação de informações e incorporação de hábitos saudáveis, de maneira ideal, deve-se realizar um programa contínuo, adequado à realidade do público a ser atendido, que também seja capaz de atingir e abranger todas as pessoas envolvidas com a população alvo para que essas possam interferir dentro da sua realidade cotidiana. Assim sendo, a incorporação da família e/ou professores dentro destes programas pode representar uma grande estratégia para seu sucesso (CAMPOS; GARCIA, 2004)3. Segundo Pauleto, Pereira e Cyrino10 (2004) é preciso ultrapassar o paradigma comportamentalista, ancorado na abordagem higienista e individualista da prevenção para construir métodos mais dialógicos e construtivistas, que substituam a atitude normativa e modeladora de comportamento pela atitude emancipatória, valorizando a interação entre pares, a reflexão, o protagonismo dos alunos e a busca de parcerias (escola, universidade, serviços de saúde, ONGs) para viabilizar a continuidade dos programas implantados. Além de substituir modelos ancorados em práticas de comunicação unidirecional, dogmática e autoritária com foco na transmissão de informação, pela discussão e reflexão, desencadeadas pela problematização de temas de saúde bucal. Para Mesquini, Molinari e Prado8 (2006) é importante inserir aspectos de natureza cultural e antropológica que determinem os comportamentos com relação à saúde bucal. Recursos como palestras educativas; revelação do biofilme dental; orientação direta sobre a técnica de escovação e do uso do fio dental, com auxílio de macromodelos e macro escova, devem ser utilizados para motivar os escolares à prática diária da escovação. Em pesquisa feita por Souza et.al.12 (2007) com adolescentes que receberam programas educativos no ensino fundamental, ao se questionar sobre a melhor forma de abordagem para as atividades educativas, no intuito de contribuir com futuras intervenções com esse público-alvo, a palestra foi a mais citada pela maioria, seguida pelo bate-papo. Embora a primeira estratégia não envolva, necessariamente, a interação dos jovens, o que desfavorece o aprendizado, pareceu ser a preferida, talvez por se sentirem adultos e acreditarem que esta é a técnica adequada para tal público.

nuindo, há ainda locais onde este índice está elevado e que necessita de uma maior educação em saúde bucal. 2 – A escola de Ensino Fundamental é um espaço adequado à realização de medidas educativas em saúde bucal, pois representa um ambiente social em que a criança se encontra numa faixa etária propícia a receber conhecimentos, adquirir hábitos e fortalecer os cuidados preventivos já aprendidos. 3 – Os professores estão sendo os agentes promotores mais indicados para essas ações educativas dentro das escolas por possuírem métodos para o ensino e a motivação para as crianças. Mas percebe-se, entretanto, que é necessário que eles participem de algum tipo de treinamento visto que seus conhecimentos sobre o assunto são mínimos. 4 – Os métodos para educação em saúde bucal que obtiveram melhores resultados foram os participativos, os que fugiam da rotina de aulas das outras disciplinas escolares e os demonstrativos. 5 – Para que se obtenham resultados efetivos, a educação em saúde bucal não deve ser pontual e, sim, fazer parte de uma programação ao longo de todo o período escolar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da revisão de literatura realizada pode-se afirmar que: 1 – Apesar dos índices de cárie em crianças estarem dimiOdontologia. Clín. -Científic., Recife, 8 (4) 299-303, out./ dez., 2009 www.cro-pe.org.br

Artigo de Revisão / Review Articie

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Recebido para publicação em 13/10/2008 Aceito para publicação em 14/05/2009
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