P. 1
GESTAO ESCOLAR

GESTAO ESCOLAR

|Views: 2.172|Likes:
Publicado porcassouza2002

More info:

Published by: cassouza2002 on Jul 03, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/22/2013

pdf

text

original

Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato

Sensu Prof. LUCINÉIA MACEDO DOS SANTOS

Curso: GESTÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS Disciplina: GESTÃO ADMINISTRATIVA E PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO Prof. LUCINÉIA MACEDO DOS SANTOS

Av. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.

Índice
Gestão Escolar................................................................................................................... 3 Introdução.......................................................................................................................... 3 O que é Gestão Escolar?.................................................................................................... 4 Como surgiu essa preocupação com a Gestão Escolar?................................................ 4 Mas por onde passa essa mudança?............................................................................... 4 Onde estão definidos os princípios dessas mudanças na educação?............................ 5 O QUE É A DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA?........................................................ 5 O Processo de descentralização..................................................................................... 6 O processo de autonomia da escola............................................................................... 6 A democratização da gestão escolar.............................................................................. 7 Objetivos da gestão escolar............................................................................................... 8 Instrumentos de controle de resultados, monitoramento e avaliação. ......................... 9 Gestão pedagógica..................................................................................................... 9 Gestão financeira....................................................................................................... 9 GESTÃO ADMINISTRATIVA...................................................................................... 10 O QUE É GESTÃO ADMINISTRATIVA?.............................................................. 10 Estrutura Organizacional das escolas.......................................................................... 10 Funções do sistema de organização e de gestão da escola.............................................. 12 ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO NA ESCOLA......................................... 12 As condições físicas, materiais, financeiras;............................................................... 12 A GESTÃO EDUCACIONAL E A LDB....................................................................... 14 Por que incentivar o desenvolvimento dos professores e funcionários....................... 15 Desafios do Gestor Escolar para a Mudança Organizacional da Escola......................... 17 Introdução.................................................................................................................... 18 Transformação da Atitude das Pessoas....................................................................... 18 Implantação do processo de mudança ........................................................................ 19 Gestão inovadora da escola ........................................................................................ 21 Conclusão ................................................................................................................... 22 Referências.................................................................................................................. 23 A CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA........... 24 Qual o significado e a importância do projeto político-pedagógico para a escola?.... 24 Que processos envolvem a elaboração de um projeto político-pedagógico?.................. 26 O processo de participação.......................................................................................... 26 O processo de mobilização.......................................................................................... 27 O processo de negociação............................................................................................28 Que cidadão se quer formar?........................................................................................... 28 Como construir a identidade da escola no seu projeto político-pedagógico?.................. 29 Como se constitui um currículo escolar?..................................................................... 30 Referências.................................................................................................................. 33

2

Gestão Escolar Introdução
O conceito de Gestão Escolar – relativamente recente - é de extrema importância, na medida em que desejamos uma escola que atendas às atuais exigências da vida social: formar cidadãos, oferecendo, ainda, a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. Para fim de melhor entendimento, costuma-se classificar a Gestão Escolar em três áreas, funcionando interligadas, de modo integrado ou sistêmico:

1-

Gestão Pedagógica: é o lado mais importante e significativo da Gestão

Escolar. Cuida de gerir a área educativa, propriamente dita, da escola e da educação escolar. Estabelece objetivos para o ensino, gerais e específicos. Define as linhas de atuação, em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. Propõe metas a serem atingidas. Elabora os conteúdos curriculares. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas, dos objetivos e o cumprimento de metas. Avalia o desempenho dos alunos, do corpo docente e da equipe escolar como um todo. Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. Parte do plano escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos, metas, plano de curso, plano de aula, avaliação e treinamento da equipe escolar. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe).

2.

Gestão de Recursos Humanos – não menos importante que a gestão

pedagógica, a gestão de pessoal – alunos, equipe escolar, comunidade, constitui a parte mais sensível de toda a gestão. Sem dúvida, lidar com pessoas, mantê-las trabalhando satisfeitas, rendendo o máximo em suas atividades, contornar problemas e questões de relacionamento humano faz da gestão de recursos humanos o fiel da balança – em termos de fracasso ou sucesso – de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. Direitos, deveres, atribuições – de professores, corpo técnico, pessoal administrativo, alunos, pais e comunidades – estão previstos no regimento escolar. Quando o regimento escolar é elaborado de modo equilibrado, não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar, nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas, a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa.

3.

Gestão Administrativa – cuida da parte física (o prédio e os equipamentos

materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar, direitos e deveres, atividades de secretaria). Suas especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar, ou Projeto Pedagógico) e no regimento escolar.

3

uma coisa. administrativa e de recursos humanos – correspondem a uma formulação teórica. gestores e técnicos) assumam uma nova postura diante do processo ensino-aprendizagem e da educação de uma maneira geral. modificação significam que uma pessoa. o momento histórico pelo qual passamos e todas as transformações ocorridas ao longo do tempo e em diferentes aspectos das nossas vidas. de forma a garantir os melhores resultados. a rapidez e a quantidade de informação que tem sido gerada. que no caso é a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem dos alunos. fechada. comportamentos e formas de perceber os outros. Somente para citar algumas delas temos: A globalização. Mudança. deve atuar integradamente. mantendo sua estrutura estática. mas. governar. Nesse sentido. Significa também a manutenção de controle sobre um grupo. A escola. O que é Gestão Escolar? A palavra Gestão significa administrar. a formação e o aperfeiçoamento do pessoal. pais) que precisam ser administrados para se obter os melhores resultados. Mas por onde passa essa mudança? Mudar a escola significa mudar as pessoas que formam a escola. 40 ou 50 anos atrás. Portanto. Como surgiu essa preocupação com a Gestão Escolar? A necessidade de se praticar a gestão escolar surgiu através das fortes mudanças que a sociedade vem passando nos últimos anos. isto sim. A escola precisa acompanhar as mudanças da sociedade e assumir outras funções. A escola precisa encarar a mudança como uma necessidade para poder continuar existindo. burocrática e mecânica. o envolvimento. inovação.A organização acima – gestões pedagógica. uma instituição. A mudança é a única certeza que temos para o futuro. etc deixa de ser o que era e assume outro caráter. conversão. explicativa. é preciso que todos re-avaliem suas atitudes. Se nós já não vivemos mais como viviam os nossos avôs também não é de se esperar que nossas escolas funcionem como funcionavam a 30. financeiros e humanos (alunos. professores. a escola e a educação como um todo precisa mudar. pois. Para isso. é necessário ainda considerar aspectos como a motivação. vamos ver alguns princípios básicos para entender melhor o que é a Gestão Escolar e por que ela deve ser aplicada. valores. Nesse sentido. tem resistido às mudanças. outra forma ou outro conteúdo. os grandes avanços tecnológicos. tradicionalmente. exigese que os educadores (professores. transformação. de forma a garantir a organicidade do processo educativo. as três não podem ser separadas. a competência técnica e o compromisso para formar cidadãos conscientes e participativos. uma situação ou uma organização. alteração. na realidade escolar. Significa dizer que as coisas vão continuar mudando. um fato. Tudo isso tem provocado mudanças em toda a sociedade. outra identidade. 4 . Antes de falarmos sobre Gestão Administrativa. entendemos que a escola é um tipo de organização constituída de recursos materiais. Ou seja. dirigir.

• E a garantia da elaboração de planejamento anual da escola de forma participativa. também conhecida como Lei Darcy Ribeiro. Nesse modelo. temos duas leis que tratam da reorganização dos sistemas de ensino e que direcionam as principais mudanças que nossa educação vem passando. Algumas das principais diretrizes tratadas na LDB e que visam à reorganização do sistema de ensino e a simplificação de sua estrutura burocrática tratam dos seguintes pontos: • A descentralização dos processos decisórios e de execução.Onde estão definidos os princípios dessas mudanças na educação? As mudanças na educação para surtirem efeitos práticos. como o estabelecimento da gestão democrática no sistema educacional e a garantia de qualidade em todos os níveis. • A avaliação do desempenho institucional. diretrizes como a constituição de conselhos escolares. • A segunda lei que veio dar impulso às mudanças na educação foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. confirmando os seus principais pontos. precisam estar estabelecidas dentro de formulações legais. vamos ver: • A primeira lei é a própria Constituição Federal que foi promulgada em 1988. estabelecidas em lei e que garantam o fiel cumprimento das políticas educacionais. transferindo parte dessas decisões para próximo de onde elas realmente têm que acontecer que é a escola. Nela encontram-se as principais determinações gerais sobre educação (capítulo III. Essa Lei de número 9. valorizando a experiência da comunidade. Na prática o que se pretende é dar flexibilidade às decisões. O QUE É A DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA? Como podemos observar. bem como a divulgação dessas e de todos os seus processos e resultados. Um dos principais avanços estabelecidos pela constituição foi a garantia de gestão democrática no ensino público (artigo 206. seção I. ocorre a transferência de 5 . tanto a Constituição Federal como a LDB são bastante enfáticas em afirmar a democratização da escola. • A obrigatoriedade de prestação de contas. que viabilizou a adoção de critérios para a participação da população no processo educacional dentro das escolas. a famosa LDB. Assim sendo. rediscutissem o significado do seu trabalho pedagógico e reformulassem a forma de gestão que vinha sendo desenvolvida. artigos 205 a 214). Cabe então aos gestores desenvolver modelos de gestão que promovam a democratização da escola e que estimulem a inclusão e a participação de todos no processo de gestão.394 aprovada em 1996 complementa a Constituição. Como se pode observar essas diretrizes estabelecidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação foram “o pontapé inicial” para que as instituições de ensino reavaliassem as suas práticas. ou seja. • O fortalecimento das escolas que deverão observar em sua organização. VI).

• A 2ª é a autonomia da escola. portanto. Também é outro engano. Pois o diretor não pode fazer o que quer com o recurso financeiro que recebe. necessidades próprias que podem não ser as mesmas de outras escolas. que é a secretaria estadual de educação e outro local que é a própria comunidade. Neste caso. 6 . a escola não precisaria do governo. com problemas e situações enfrentadas diferentes. permitindo a elas tomar decisões que sejam adequadas a sua realidade e dentro do contexto da localidade. do poder de decisão e de recursos dos órgãos maiores da educação para serem conduzidos diretamente nas escolas. a reorganização do sistema de ensino apresenta três propostas essenciais: • A 1ª é a descentralização da gestão e de recursos. as próprias escolas são responsáveis pela maior parte das soluções de seus próprios problemas e do atendimento de suas necessidades. A escola faz parte de um sistema maior. Logo. apresentando cada uma. no momento certo. • E a 3ª proposta é a democratização da gestão escolar propriamente dita. Isso não é verdade. que melhor do que ninguém conhecem sua realidade e. das pessoas e das condições do lugar onde ela está instalada. • Alguns diretores acham que autonomia é a capacidade de agir independentemente do sistema. O processo de autonomia da escola Quando falamos de autonomia escolar. hoje com a descentralização. em regiões diferentes.competências e responsabilidades para as instituições de ensino. vamos ver: • É comum alguns diretores de escola acharem que a autonomia é apenas financeira. fazendo com que elas assumam maior controle sobre suas atividades. Partindo então desse princípio de democratização. o processo de descentralização proporciona maior racionalidade na gestão e na utilização dos recursos. Se fosse. Alguns erros comuns são observados em algumas escolas quando a matéria é a autonomia escolar. A escola é dependente de um órgão central. Da mesma forma. nem da comunidade para realizar o seu trabalho. Desta forma. Não é. Ele tem a obrigação de prestar contas aos órgãos superiores e a comunidade em geral. a autonomia não está limitada apenas a questão financeira dos recursos que a escola recebe. Se antes todas as decisões eram feitas de cima para baixo. respondendo às necessidades locais. visto que estes serão gerenciados diretamente pelas instituições de ensino. O Processo de descentralização A descentralização é um processo de transferência de competências. a hierarquia e a autoridade dos órgãos superiores. podemos ser levados ao erro de acreditar que a escola pode resolver seus próprios problemas sem precisar de ninguém. é entre estes dois elementos que a escola deverá construir sua autonomia. a sua autonomia deverá ser construída através da capacidade de tomar decisões compartilhadas e comprometidas para a resolução dos problemas de maneira rápida. portanto. Cada escola está localizada em uma comunidade diferente. portanto saberão melhor utilizálos. deve-se respeitar as determinações.

A eleição de diretores 2. alguns elementos combinados são necessários: 1. mas com princípios e estratégias. Vamos ver algumas características que ajudam na construção da autonomia na escola: A autonomia é um processo de construção. mas de todos os grupos que fazem a escola dentro ou fora dela. E a ação em torno de um projeto político pedagógico. amplamente discutidos com todos que fazem a escola. • A autonomia se constrói no dia-a-dia.Para que a prática da autonomia escolar seja exercida plenamente. isso é. As tomadas de decisões devem ser compartilhadas e o comprometimento deve envolver todos. A autonomia expande o processo decisório • A decisão não está concentrada apenas nas mãos de uma única pessoa. a iniciativa na resolução dos problemas. com a participação de todos e com a superação das barreiras naturais que aparecem. onde cada segmento possa 7 . 3. que garante a gestão compartilhada. decidindo sobre o encaminhamento dessas situações e agindo sobre elas. diz respeito diretamente a gestão democrática. Cabe. aplicados às circunstâncias do momento em que os fatos acontecem e sempre valorizando a criatividade. do trabalho conjunto de pessoas analisando situações. prestar contas dos atos. A autonomia é responsabilidade e transparência • Deve-se assumir responsabilidades. Vale ressaltar que a autonomia da escola não se constrói com normas e regulamentos. A autonomia é um processo de interdependência • Deve existir um entendimento amplo entre todos que fazem a escola bem como a colaboração mútua. • Deve-se também equilibrar os diferentes interesses envolvidos. deve buscar meios de participação. A democratização da gestão escolar Tudo o que foi falado até aqui sobre descentralização e sobre autonomia. responder pelas ações. A autonomia implica gestão democrática • A autonomia é um processo coletivo e participativo. Para isso. A escola deve ser sensível às demandas e anseios da comunidade. temos a idéia de participação. Quando falamos em gestão democrática. portanto as instituições de ensino estabelecer um novo estilo de relacionamento com a sociedade em geral. A existência de estrutura de gestão colegiada.

4. a formação de lideranças através dos grêmios de alunos. Essa orientação visa promover a aprendizagem pelos alunos. Garantam espaço de discussão e integração de cada grupo social pra encaminhamento de soluções. discutindo e redefinindo suas funções. 3.expressar suas idéias e necessidades. 8 . Garantam eleição direta de diretores por todos os segmentos da comunidade escolar. Busca-se através da gestão democrática da escola. 6. Também cabe à escola preparar a comunidade escolar para um modelo de gestão democrática competente e compromissada. A participação efetiva de todos os grupos sociais que formam a escola tanto internamente como externamente. As responsabilidades sejam assumidas em conjunto 9. associadas e articuladas. Promovam a delegação de poder 8. 2. Esse ambiente participativo permite que as pessoas controlem o próprio trabalho e faz com que se sintam partes do processo e que se envolvam com mais afinco e determinação. Busquem o engajamento familiar e da comunidade 2. Proporcionem um ambiente favorável ao desenvolvimento da autonomia do cidadão. Articulem a escola com diferentes parceiros para viabilizar suas propostas. A criação de um ambiente participativo é uma condição básica que a escola tem que assumir. papéis e relações com as diferentes instâncias do poder e a participação do conselho escolar. buscando o respeito e a cidadania e não o medo. como por exemplo. Valorizem o trabalho em equipe 10. sendo um espaço público de construção da escola. Compete à gestão escolar através de ações conjuntas. valorizando aqueles que fazem parte da comunidade na qual está inserida. 3. Para dar sustentação à gestão democrática na escola seus gestores devem promover ações que: 1. O fortalecimento da escola como um todo. podemos afirmar que a gestão escolar objetiva organizar. substituindo por medidas educativas. funcionários. Desenvolvam o compartimento da autoridade 7. pais e professores visando o exercício da representatividade. 5. sustentar e dinamizar a cultura das escolas. eliminando medidas punitivas e autoritárias. E que troquem a hierarquia tradicional por redes de comunicação aberta a todos Objetivos da gestão escolar Com base no que vimos até agora. alcançar três objetivos principais: 1. qualificando e assegurando este processo. O compromisso de todos esses grupos com o desenvolvimento e o aprimoramento da qualidade do ensino. tornando-os capazes de enfrentar os desafios da sociedade. mobilizar e articular todos os recursos materiais e humanos necessários para o avanço dos processos sociais e educacionais dos estabelecimentos de ensino. de modo que sejam orientadas para resultados.

estabelecendo os objetivos para o ensino através do regimento escolar e do projeto pedagógico. a gestão democrática busca a autonomia da escola em três grandes áreas: • A financeira. monitoramento e avaliação. Gestão financeira A gestão dos recursos financeiros de uma escola pressupõe a observância das regras e critérios relativos à captação de recursos. • E a pedagógica.Portanto. Logo o enfoque sobre a melhoria do ensino. Gestão pedagógica A gestão pedagógica em uma escola tem um propósito claro: educar o aluno. o monitoramento e a avaliação da escola deverá ser baseada sobre estas três áreas. a gestão democrática deve promover nas escolas a gestão compartilhada com a comunidade escolar. Instrumentos de controle de resultados. De forma geral. no sentido de consolidar progressivamente a autonomia financeira. Portanto. Compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. cabe aos gestores escolares o desenvolvimento da escola e a realização desse trabalho de gestão em três categorias: • A gestão administrativa. Como vimos anteriormente. • E a gestão pedagógica. administrativa e pedagógica da escola. • A administrativa. a qualidade. recurso financeiro quer dizer o dinheiro disponível para o financiamento das atividades de uma escola. • A gestão Financeira. A gestão pedagógica cuida do gerenciamento da área educativa da escola. 9 . o controle dos resultados. a utilização dos mesmos e a sua devida prestação de contas.

No caso da escola. o gerenciamento das atividades de apoio. como garantir o funcionamento das atividades de administração de pessoal. a gestão administrativa tem a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho educacional. serviços gerais. e que normalmente representa a situação da maioria das escolas: 10 . atividades de limpeza e conservação e também o provimento e conservação dos recursos materiais e patrimoniais da escola entre outras atividades. também chamado de organograma.GESTÃO ADMINISTRATIVA O QUE É GESTÃO ADMINISTRATIVA? Gestão administrativa significa dirigir e manter controle sobre os recursos de uma organização com o objetivo de produzir os melhores resultados. Estrutura Organizacional das escolas Vamos ver agora um modelo de estrutura de organização básico de uma escola. tais como: secretaria.

É papel do diretor atender às leis. O coordenador pedagógico coordena. Atende também as solicitações dos professores. dos funcionários. da guarda das dependências. organiza e gerencia todas as atividades da escola. quando necessário. Cuida também do atendimento a comunidade. O grêmio estudantil 11 . das instalações e dos equipamentos. de assistência e de encaminhamento de alunos a direção. aos regulamentos e as determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e as decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. da execução de pequenos consertos e de outros serviços rotineiros da escola. auxiliado pelos demais elementos do corpo técnico-administrativo e do corpo de especialistas. A associação de pais e comunidade A associação de pais e comunidade reúne os pais de alunos. O serviço de multimeios compreende a biblioteca. exceto na sala de aula. da cozinha e da organização da merenda escolar. os laboratórios. Sua atribuição é prestar assistência aos professores e o relacionamento com os pais e a comunidade. acompanha. orientando-os sobre normas disciplinares e atendendoos em caso de acidente ou enfermidade. de material escolar. da conservação e da limpeza do prédio. sobre promoções e reprovações e outras medidas relacionadas a melhoria da qualidade dos serviços educacionais e o melhor desempenho dos alunos. videoteca. Direção O diretor coordena. vigilância e atendimento ao público e pelo setor de multimeios: biblioteca. dos alunos e dos pais de alunos. etc. da escrituração e da correspondência da escola. dos docentes e demais funcionários e dos alunos.Conselho de escola O conselho de escola tem atribuições consultivas. É responsável pelos serviços auxiliares de zeladoria. O conselho de classe é o órgão de natureza deliberativa acerca da avaliação discente resolvendo questões sobre o rendimento dos alunos. dos especialistas em educação. assessora. laboratórios. O setor pedagógico O setor pedagógico envolve as atividades de coordenação pedagógica e de orientação educacional. sobre o comportamento deles. A vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual e no regimento escolas. O orientador educacional cuida do atendimento e do acompanhamento individual dos alunos em suas dificuldades pessoais e escolares e do relacionamento da escola com os pais. os equipamentos audiovisuais. administrativos e financeiros. apóia e avalia as atividades pedagógicas-curriculares. a videoteca e outros recursos didáticos. envolvem aspectos pedagógicos. Setor Técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelos meios de trabalho que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. A secretaria escolar cuida da documentação. A zeladoria cuida da manutenção. Essas questões. Na composição do conselho deve ter certa proporcionalidade de participação dos docentes. geralmente.

com finalidades educacionais. ajuda a identificar quais são os seus setores. criando e viabilizando as condições para realizar o que foi planejado. das reuniões com pais e das demais atividades cívicas. Através da organização desses recursos é que os gestores escolares garantem as condições de funcionamento da escola o que interfere diretamente na qualidade do processo de ensino e aprendizagem. de classe ou de série. financeiros e informacionais da escola. da realização das atividades escolares. das decisões do conselho de escola. conhecer o organograma da escola nos ajuda a entender melhor o funcionamento da mesma. na busca da coordenação do esforço humano coletivo do pessoal da escola. materiais. cuja função básica consiste em contribuir com o processo de ensino e aprendizagem. realização das atividades escolares. Para alcançar esse objetivo é necessária a aplicação de quatro funções do processo organizacional. cívicas e sociais. . prevendo o que se deve fazer para atingir esses objetivos. Os gestores escolares devem pensar em tudo que precisa ser organizado durante o ano letivo como. Os professores têm a responsabilidade de participar da elaboração do plano escolar ou do projeto pedagógico. culturais e recreativas da comunidade. como ela está dividida e saber qual é a responsabilidade de cada um. a escola precisa estar fundamentada em atividades racionais. vamos ver: Planejamento escolar No planejamento devem estar explícitos os objetivos a serem atingidos e definidas as decisões que irão orientar a escola. culturais. Corpo docente O corpo docente é o conjunto dos professores em exercício na escola. materiais e financeiros. físicos. estruturadas e coordenadas. físicos. das decisões do conselho de escola. Os professores de todas as disciplinas formam. materiais. Avaliação da organização da escola Que vem a ser a comprovação e avaliação do funcionamento da escola.O sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. bem como. Organização geral do trabalho Visa à racionalização de recursos humanos. Direção/coordenação Visa à gestão das pessoas que atuam na escola. de classe ou de série. 12 . Funções do sistema de organização e de gestão da escola Para poder funcionar e atingir os resultados educacionais pretendidos.O grêmio estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada por lei que lhes confere autonomia para se organizarem em torno de seus interesses. financeiras. por exemplo: As condições físicas. junto com a direção e os especialistas. Como podemos observar. ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO NA ESCOLA A organização diz respeito ao uso racional dos recursos humanos. a equipe escolar.

.Os contatos com os pais e outras atividades da escola.As normas disciplinares.Os serviços administrativos. de limpeza e conservação. IMBERNONI (org..O horário escolar. a matrícula e a distribuição de alunos por classe. 13 . .) A educação no século XXI: Os desafios do futuro imediato. Porto Alegre: Artred 2000. .

a quem servem estas práticas? Que projeto de sociedade e de Estado está embutido no diálogo dos educadores e educandos? Que significado possui a interlocução entre saberes acadêmicos e saberes de experiência feitos? Conforme ensinara Paulo Freire? 14 . b) externo . mas também na construção do projeto político pedagógico. A valorização da escola privada como solução para democratização da educação estão comprometendo algumas conquistas gestadas por ocasião da Constituição Cidadã de 1988. divulga e socializa o conhecimento. Os educadores e pesquisadores entendem que não é suficiente permanecer na denúncia. É fundamental lutar para manter as conquistas democráticas constitucionais. este movimento sofre retrocessos. Isto a mídia o faz muito bem. As práticas do cotidiano escolar constituem um horizonte para o surgimento. disciplina e homogeneidade dificultando qualquer gesto de criatividade ou incorpora práticas de programas empresariais de qualidade total. o projeto político conservador que está embutido nas práticas administrativas. Afinal. Hoje. a falta de formação ética e política dos gestores eleitos privilegiam interesses privados em detrimento dos coletivos e públicos. A administração ou é excessivamente burocrática e controladora privilegiando a uniformidade.394 de 20 de dezembro de 1996 tenha confirmado a participação não só na gestão da escola. Não há dúvida que o movimento de gestão democrática da educação avançou nas décadas de 80 até meados da década de 90. Isto permite pensar gestão no sentido de uma articulação consciente entre ações que se realizam no cotidiano da instituição escolar e o seu significado político e social. por exemplo. de Sousa A gestão educacional passa pela democratização da escola sob dois aspectos: a) interno . de tal forma que nem dirigentes em seus cargos administrativos nem dirigidos conseguem distinguir mais o que é público e o que é privado. Como construir neste contexto uma participação democrática na gestão e na construção da proposta pedagógica da escola? Os governos neoliberais entendem que propostas de participação da comunidade na administração das escolas devam ser através de programas como: Amigos da Escola? Dia da Família na Escola? Escolas de Paz? Associações de Apoio à Escola? e Organizações não governamentais?. transformação e cidadania. O fato de que a idéia gestão educacional desenvolve-se associada a um contexto de outras idéias como. a participação da comunidade escolar nos projetos pedagógicos. embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.A GESTÃO EDUCACIONAL E A LDB *Valdivino A. crescimento e consolidação de um projeto democrático alternativo. No entanto esta participação não se consolidou na gestão da educação e muito menos nas propostas pedagógicas das escolas. A investigação das práticas docentes. Terceiro. a confusão estabelecida pelo pragmatismo das políticas neoliberais de privatização no setor administrativo público. na forma como produz. administrativas e culturais é este horizonte que aponta uma direção. A partir da análise de alguns trabalhos recentes (pesquisas realizadas na área de gestão educacional) o estudo pretende trazer suporte teórico para uma reflexão sobre o tema de forma que seja possível ultrapassar o nível de entendimento sobre gestão como palavra recente que se incorpora ao ideário das novas políticas públicas em substituição ao termo administração escolar.que contempla os processos administrativos. Primeiro. de acordo com a regulamentação em leis municipais. Segundo.ligado à função social da escola. É preciso ir além e se comprometer com uma construção democrática cotidiana em diferentes setores da sociedade e do Estado. Três motivos explicam esta situação precária da gestão da escola.

registrando e divulgando o que alunos e comunidade pensam. falam. Em certa medida. É tecendo redes de falas e de registros. Os programas e seu material de apoio são desenvolvidos por grupo de treinamento central. apenas aponta o lógico. tais como ouvindo. que integra os perfis (aspirações e valores) de suas equipes internas. alunos. participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I. inclue um programa de capacitação em liderança de escolas estaduais inovador baseado na escola. como cobra isso da equipe escolar. O objetivo dos estados participantes é reforçar o conteúdo de capacitação e desenvolver escolas para demonstração. Uma escola de qualidade tem uma personalidade especial. Ele delega poderes (autonomia administrativa e orçamentária) para a Diretoria da Escola resolver o desafio da qualidade da educação no âmbito de sua instituição. participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. apresentam as seguintes determinações: Art. pais e comunidade externa. escrevem sobre o autoritarismo liberdade da escola pública e as desigualdades da sociedade brasileira. Sua melhoria depende da busca de sintonia da escola com ela mesma e com seus usuários. 14 . a idéia e a recomendação de gestão colegiada. O novo modelo não só abre espaço para iniciativa e participação. As duas razões principais para que se tenha uma forte ênfase ao desenvolvimento dos funcionários e professores são: crescimento profissional e desenvolvimento pessoal. II. cuja solução não é técnica. O novo paradigma da administração escolar traz. mas de engajamento e sintonia com o grupo que está envolvido e que tem muito a ganhar com a superação do desafio. O enfoque da capacitação prático e não teórico.Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. ações e intervenções que surgirão novos movimentos de participação ativa e cidadã. nesta regulamentação o princípio da autonomia delegada. com responsabilidades compartilhadas pelas comunidades interna e externa da escola. quanto dos alunos e de suas famílias (além do Estado. É preciso que educadores e gestores se reeduquem na perspectiva de uma ética e de uma política no sentido de criar novas formas de participação na escola pública. observadas as normas de direito financeiro público. a participação de todos os envolvidos. no sentido de que não estabelece diretrizes bem definidas para delinear a gestão democrática. pois esta lei decreta a gestão democrática com seus princípios vagos. o caráter deliberativo da autonomia assume uma posição ainda articulada com o Estado. O fator crítico para o alcance do objetivo do estado é de descentralizar o processo divisório das escolas. das autoridades educacionais e da nação como um todo). Nesse ínterim. Estados planejaram investir em programas de capacitação de professores e dirigentes escolares. 15 . junto com a autonomia. Desenvolvimento profissional de professores e funcionários. em seus artigos 14 e 15. Cabe aqui. Por que incentivar o desenvolvimento dos professores e funcionários.A LDB. Os funcionários devem se sentir motivados para treinar e aprender mais na área em que atua. esta nova situação sugere o papel do último perfil de líder mencionado: o que enfrenta problemas "intratáveis". Art. No caso da escola. a qualidade da educação é interesse tanto da equipe escolar. isto 15 .Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. alunos e pais.

Planejar a aplicação dos conceitos acima. b). Notas e referências bibliográficas Silva.Utilizar os quatro princípios de programas de capacitação eficazes. Tanto os professores como os gestores devem ser envolvidos na concepção de programas de desenvolvimento de pessoal. Os diretores poderão crescer mais em seus projetos e desenvolver cada vez melhor seu "perfil". apôs a realização da mesma. 4 . estratégias e técnicas. e o Projeto Político Pedagógico da Escola: uma construção coletiva. Permitir que os participantes aplicassem seus novos conhecimentos.Consultar o pessoal sobre o que consideram necessário para promover o seu próprio crescimento e aprimorar o seu desempenho. Gestão e Magistério.vai ser lucro para ambas as partes escola e funcionário.Acompanhar a utilidade de cada atividade de desenvolvimento profissional. 1 .Retribuir eu reconhecer o tempo dedicado à participação em atividades de desenvolvimento de pessoal 3 .Dar aos participantes feedback sobre o uso de novos conceitos. pedagogo com licenciatura plena em Administração escolar. Envolver os participantes na apresentação de concertos. d). Há cinco elementos chave de urna abordagem participativa de desenvolvimento pessoal. Porque sem este desenvolvimento os diretores tomavam decisões baseadas apenas em experiências e muitas vezes sem dinâmicas e sem percepção. sendo capaz de solucionar problemas com decisões certas. Mestrado em Ciências da Religião.A autonomia da Escola Pública. 5 . Jair Militão . e pós graduando em docência do ensino superior. idéias. 2 . 16 . Estratégias participativas do desenvolvimento de pessoal.Certificar-se de que o diretor da escola está presente e participar de todos os programas realizados em serviços. Contador CRC-SP 223. c). *Acadêmico de Direito. Esses princípios são: a).709.

Nesse sentido. organização escolar. para que a mudança organizacional da escola ocorra é preciso investir na transformação das atitudes dos profissionais de educação da instituição. com o objetivo de que os mesmos passem a encarar a inovação como um desafio e sintam-se estimulados pela motivação pessoal e. como forma de garantir uma educação formal contínua e de qualidade aos alunos. A escola e seus profissionais devem cada vez mais investir em conhecimento e socializá-lo para que a organização escolar aumente sua capacidade de criar e de inovar. formar pessoas que o acompanhem em suas tarefas e prepará-las para serem abertas às transformações. periódicos e sites da internet. Assim. o gestor escolar deve atuar como líder. Palavras-chave: gestão escolar.Faculdade Frassinetti do Recife Resumo Este texto apresenta os desafios impostos ao gestor escolar na implantação de um processo de mudança nas organizações escolares que buscam se adequar aos novos padrões da sociedade atual. se tornem capazes de ir além dos seus próprios limites. O presente trabalho aborda também a importância da inserção das novas tecnologias no ambiente escolar.Desafios do Gestor Escolar Organizacional da Escola para a Mudança Janialy Alves Araújo Tres Graduada em Licenciatura em Geografia . ou seja.UFPE Aluna do Curso de Especialização em Gestão Escolar FAFIRE . mudança organizacional. propiciando o aumento da competitividade. assim. Este estudo teve como objetivo discutir a atuação da gestão escolar na busca pela mudança organizacional da escola para que a mesma proporcione um ensino de alto nível aos alunos. 17 . por meio da inovação e de práticas de gestão participativa. através de soluções inovadoras na gestão e no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica em livros. as práticas pedagógicas e administrativas dos profissionais da escola precisam ser orientadas para estratégias participativas. No entanto.

por meio da inovação e da prática de gestão participativa. Portanto. 2002) a escola sofre mudanças relacionando-se com os momentos históricos. Nesse contexto. não impondo o novo modelo. usar o pensamento sistêmico e desenvolver o aprendizado colaborativo entre pessoas de capacidade equivalente”. através de levantamento bibliográfico sobre o tema em livros. p. Para que o gestor escolar consiga enfrentar mudanças significativas que elevem o padrão da escola. é preciso investir na transformação da atitude dos profissionais da escola. cabe ao gestor da organização escolar fazer com que essa resistência seja vencida de maneira construtiva. além da escola. o papel da escola deve está de acordo com os interesses da sociedade atual. adquirem-se conhecimentos em diversos espaços. Desse modo. 2001. no social e no virtual. o referencial teórico foi organizado a partir de análises de conteúdos relevantes para o estudo. (SENGE. 1998 citado por MOTTA. 1) “um dos grandes marcos do mundo contemporâneo é o fenômeno da mudança”. Deste modo.Introdução As constantes mudanças sociais. Assim. O tratamento dos dados da pesquisa bibliográfica foi avaliado à luz dos teóricos que trabalham os conceitos utilizados. (p. na atualidade as organizações escolares estão passando por vários desafios e mudanças. Sabendo disso. para gerar um processo de mudança nas organizações escolares que buscam se adequar aos novos padrões da sociedade atual. no familiar. A metodologia utilizada para a realização deste artigo foi a pesquisa exploratória. periódicos e sites da Internet. Assim. Assim. é preciso que ocorra uma mudança radical na atitude das pessoas. novas atribuições são exigidas à escola”. a escola precisa assumir as características de uma instituição que atenda às exigências geradas por esses fatores. com o objetivo de que as mesmas passem a encarar a inovação como um desafio e 18 . “Sempre que a sociedade defronta-se com mudanças significativas em suas bases sociais e tecnológicas. este artigo surgiu do interesse em refletir sobre os desafios do gestor escolar. este trabalho teve como objetivo discutir a atuação da gestão escolar na busca pela mudança organizacional da escola para que a mesma proporcione um ensino de alto nível aos seus alunos. pois a aprendizagem agora ocupa toda a vida das pessoas. já que “mudar é confrontar a organização com novas perspectivas. tornando relevantes aspectos como inovação. no sentido de orientar suas práticas pedagógicas e administrativas para a garantia de uma educação formal contínua e de qualidade aos alunos. competitividade e produtividade. econômicas e políticas ocorridas no mundo requerem que a escola atenda às exigências impostas pelo novo modelo de sociedade: a Sociedade do Conhecimento. ou seja. De acordo com Penin & Vieira (2002. mas gerando comprometimento para que seja adotado e cultivado. a escola e seus profissionais devem cada vez mais investir em conhecimento e socializá-lo para que a organização escolar aumente sua capacidade de criar e de inovar. a gestão da escola precisa se empenhar para reestruturar a escola. Porém. p. qualquer mudança gera resistência. iniciativas e modelos mentais (paradigmas). Sendo assim. In: VIEIRA. já que a nova sociedade incita essas transformações. Transformação da Atitude das Pessoas Na análise de Kisil (1998. 13). 137).

ou seja. segundo Santos 19 . 2) Implementação: operacionalizar as idéias. se tornem capazes de ir além dos seus próprios limites. Deste modo. Implantação do processo de mudança Um modelo de gestão não pode ser analisado de forma estagnada. o gestor para liderar as mudanças e implantá-las deve ter a consciência da existência de riscos para que assim possa evitar possíveis erros. pois “as escolas atuais necessitam de líderes capazes de trabalhar e facilitar a resolução de problemas em grupo. “os gestores devem conscientizar-se de que seu papel na escola de hoje é muito mais de um líder que de um burocrata. os valores e a integridade que inspira os outros a trabalharem conjuntamente para atingir metas coletivas”. avaliar e enfrentar os novos desafios. responsabilidade. resultante de experiências anteriores. 199). fato ou situação”. p. na determinação de sua reação comportamental em relação a um produto. É um grande desafio para o gestor escolar atuar como líder e desenvolver formas de organização inovadoras. 2002. empreendedoras e participativas. Segundo Lück et al. 1999. De acordo com Glatter (1992. Isso requer um constante aprendizado. uma vez que a mesma tem que acompanhar a evolução da sociedade global. pois perde o seu sentido se considerado fora da realidade em que surgiu. é importante que a liderança do gestor seja participativa. (SANTOS. Portanto. capazes de trabalhar junto com professores e colegas. ajudando-os a identificar suas necessidades de capacitação e a adquirir as habilidades necessárias” (LÜCK et al. para que todos compartilhem a gestão da escola. (MATTAR. 35) liderança é “a dedicação. O gestor escolar deve atuar como líder. para atualizar-se e conhecer as mais recentes contribuições dos educadores sobre os processos de capacitação de lideranças educacionais. Algumas das importantes e atuais funções do gestor escolar são prever e se antecipar às mudanças. aprender a pesquisar. pessoa. De acordo com a autora “a liderança eficaz é identificada como a capacidade de influenciar positivamente os grupos e de inspirá-los a se unirem em ações comuns coordenadas”. necessita ter motivação. assim. em relação às práticas pedagógicas e administrativas da organização educacional. 146) o processo de mudança é dividido em três fases: 1) Iniciação: introduzir novas idéias e práticas e procurar o apoio institucional. mas isto é indispensável. Sendo assim. p. o gestor deve saber ir além e intuir as mudanças. a visão. Nesse sentido. desvinculado de seu contexto. (2002. Espera-se dele que assuma a direção como um membro ativo da comunidade escolar”. torna-se imprescindível que o gestor analise a atitude das pessoas que trabalham na escola. Sendo assim. p.sintam-se estimuladas pela motivação pessoal e. “Atitude é uma predisposição subliminar da pessoa. Nesse sentido. criatividade e capacidade de atender às necessidades mais urgentes. p. É dessa forma que a escola deve ser administrada. da cognição e da afetividade. 2002. dinamismo. os erros e acertos do passado podem ser fundamentais para direcionar as decisões futuras. p. a fim de diagnosticar o grau de interesse profissional com a instituição a qual fazem parte. por meio de um planejamento bem elaborado e participativo. 3) Institucionalização (ou estabilização): constituí-las em normas e rotinas. 34). No entanto. formar pessoas que o acompanhem em suas tarefas e prepará-las para serem abertas às transformações. xvi).. para que se tornem parte integrante do cotidiano escolar. organização. assim.

Para Glatter (1992) a gestão de mudanças na escola é uma atividade necessária e complexa que requer conhecimentos. Esses aspectos são de extrema importância para o sucesso da organização. desenvolver uma cultura organizacional de desafio constante. professores. ainda que haja competência e comprometimento. planos de curso e no plano de gestão escolar. técnico-administrativos. 15) “o conceito de gestão participativa envolve. é necessário que a organização escolar possua uma gestão participativa. o gestor deve se preparar para possuir a capacidade técnica de planejar. p. visão e objetivos devem ser definidos e elaborados pela equipe escolar. informações e na valorização de uma cultura aberta às mudanças. 326). os resultados do trabalho educacional são quase sempre insignificantes”. (BORGES. Para o sucesso da organização. Pois. p. evitando ser facilmente suprimido por eles. que permite ao indivíduo sentir-se mais gratificado. tecnologias. As diretrizes organizacionais como missão. A partir dessa reflexão surgirão os caminhos a serem seguidos na ação educacional. de acompanhamento e principalmente de aperfeiçoamento do aprendizado na organização. p. para estar preparada para reagir imediatamente às novas mudanças. atuando como um instrumento de comunicação. In: ANDRADE. além dos professores e outros funcionários. pois a principal alternativa para que a escola se transforme em um ambiente de crescimento contínuo e integrado é a participação e o comprometimento de todos. compreender que a comunidade escolar é o foco dessas mudanças. mostrando que o planejamento. Assim. se bem aplicado.” Ou seja. considera-se relevante que a gestão da escola busque a participação de todos e em diferentes cargos (coordenadores. Nesse sentido. os alunos e qualquer representante da comunidade que esteja interessado na escola e na melhoria do processo pedagógico. (2002. serviços gerais) para uma melhor implantação dos objetivos almejados e um comprometimento maior. visando detectar os fatos que podem ser considerados geradores de mudanças estratégicas na organização e apresentar os benefícios que poderão tirar disso.(2002). 2001. “isoladamente. 20 . 2004. motivar os profissionais a encararem a mudança como um desafio pessoal. os pais. No entanto. realizar reuniões com os seus participantes. concretizados na forma de proposta pedagógica. 42). para implantar um processo de mudança na instituição o gestor precisa elaborar um planejamento para que a escola consiga atender a aspectos como: responder às transformações impostas pela sociedade. uma maneira para se obter melhores resultados é gerar um círculo de motivação a partir do estímulo da capacidade de criação e superação. habilidades e competências. “não basta a tomada de decisões. mas é preciso que elas sejam postas em prática para prover as melhores condições de viabilização do processo de ensino/aprendizagem”. Para Lück ET al. pois a gestão eficaz é uma característica das melhores escolas. como diferenciar a sua instituição de seus concorrentes. As atividades escolares devem ser produtos da reflexão do coletivo da escola. torna a escola forte e dificilmente a leva a dificuldades. (LIBÂNEO. Assim. com uma visão clara. como as mudanças são constantes e aceleradas. pode tornar a gestão da escola mais competitiva. a partir da análise estratégica. uma vez que o grande diferencial competitivo das organizações contemporâneas são seus recursos humanos. 2004. trata-se do envolvimento de pessoas interessadas nas questões da escola. pois o planejamento dessas atividades é indispensável para que a escola consiga desempenhar bem o seu papel. uma vez que o investimento em recursos humanos. no seu processo de tomada de decisões.

(SANTOS. “as novas tecnologias colocam desafios organizacionais na escola [. É importante que esses desafios sejam periodicamente revistos. Porém. financeiras e administrativas e precisa coordenar e controlar todos os setores do ambiente escolar. motivador e agente de transformação. junto à comunidade escolar. As responsabilidades do gestor escolar são várias. colocando o conhecimento. p. 29). visando à eficácia da educação na sociedade atual. no que se refere à melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. (DOWBOR. No entanto. que é a chave da gestão escolar”. precisam inovar. a socialização e a produção do conhecimento entre os profissionais e os alunos da escola. 2001. o gestor após adquirir 21 . aprendem e ensinam o tempo todo. 2. para reelaborar as ações quando necessário.Segundo Santos (2002. na sua figura de líder. Efetivando a gestão participativa. utilizando as tecnologias possíveis. compreendendo sua atribuição como gestor. implicam numa nova organização da escola. p. garantindo o acesso à informação a toda a comunidade escolar. 2002. Segundo Moran (2003) as escolas para se tornarem inovadoras precisam incluir as novas tecnologias e utilizá-las nas atividades pedagógicas e administrativas. No entanto. políticos e éticos. atribuições estas que nem sempre são realizadas com satisfação. pela utilização de tecnologia ou pelas transformações impostas pela sociedade”. fazendo uma autocorreção e buscando novas propostas. pode-se reverter este quadro com as seguintes ações: 1. Gestão inovadora da escola As mudanças necessárias. Deste modo. uma vez que “as organizações são sempre focos de mudanças. deve despertar o potencial de cada componente da instituição. assim. transformando a escola num ambiente de trabalho contínuo. 41) os gestores escolares possuem várias e importantes funções dentro da escola. Na análise de Andrade (2004). para que todos possam sugerir novas idéias de como melhorar o acesso. onde todos cooperam. (p. 13). o gestor. as escolas. avaliando-se em qual questão a atuação da gestão da escola tem sido mais ou menos expressiva. 3. pedagógicos. O gestor escolar tem o dever de organizar reuniões com os demais profissionais.. a escola deve oferecer uma estrutura com espaços diversificados para facilitar a aprendizagem. Entretanto. Assim sendo. qualificando-os para a tomada de decisões e para a geração de conhecimento mais elaborado. p. mesmo as que tenham carência de recursos financeiros. para organizar melhor o seu trabalho e a escola o gestor e a sua equipe poderão começar classificando as questões mais desafiadoras da eficácia do processo de mudança rumo ao crescimento organizacional. 53). como bibliotecas com acervos atualizados. É importante que os desafios classificados estejam definidos “no projeto pedagógico. envolvendo todos os profissionais da escola no planejamento das atividades nos aspectos administrativos. pois ele é responsável pelas questões pedagógicas. das estruturas físicas e dos equipamentos. como o centro da atividade pedagógica. Conscientizando todos de que somente a prática participativa e democrática pode provocar mudanças significativas e benéficas para a escola. Solucionando a insatisfação dos profissionais devido à sensação de impotência e inutilidade diante do fracasso da escola em educar as novas gerações. Pretende-se.] Essas mudanças não são fáceis”. desenvolver ao máximo o potencial dos profissionais da escola e promover diálogos abertos com os interessados.. entre outros. dando ciência de todas as propostas de ações. laboratórios de informática com acesso à Internet.

já que os instrumentos tecnológicos motivam o aprendizado e. Para tanto. Assim. com o objetivo de promover a inclusão digital. Para isso. A inserção das novas tecnologias na gestão escolar é fundamental. Entretanto. que diga o que está fazendo. O que se pretende é que alunos e professores se familiarizem e aprendam a trabalhar com as novas tecnologias. A utilização desses recursos constitui uma maneira de contrapor o insucesso escolar.computadores. se o computador não estiver disponível na escola. a importância da inserção das novas tecnologias na gestão da escola para informatizar a instituição e divulgar a escola para o mundo. horários estritos de uso. 50). através do ambiente virtual. os projetos que desenvolve. para articular as tecnologias com o processo de ensinoaprendizagem. 46). (MORAN. Conclusão Neste estudo foi possível compreender que a comunidade escolar precisa se empenhar para elevar o nível intelectual da escola. além disso. inserir as tecnologias na escola não é suficiente para que aconteçam transformações nas práticas pedagógicas. ou seja. uma vez que “hoje é necessário que cada escola mostre sua cara para a sociedade. avaliam o que se aprende e ajudam a fazer descobertas. o conhecimento em informática é uma das novas competências que devem ser adquiridas e desenvolvidas na escola. ainda. e uma “disciplina” de informática. a filosofia pedagógica que segue. bem como a troca de informações e experiências com a comunidade e a discussão e tomada de decisões compartilhadas. em técnicas motivacionais e reestruturação da instituição torna-se um caminho eficaz para a concretização da educação na sociedade contemporânea. incentivar os professores a adquirirem domínio pedagógico. 3). p. muitas escolas estão desenvolvendo homepages e webmails para o acesso do público interno e externo às informações das instituições por meio de ambientes virtuais. capacitá-los para a utilização consciente e de forma prática dos computadores conectados à Internet e. (p. softwares e Internet deve informatizar a instituição. o gestor precisa investir em seu domínio técnico e dos demais profissionais da escola. Para isso. p. Dessa forma. a participação dos pais e alunos é facilitada. extraindo delas informações pertinentes e transformando-as em conhecimento. também. por meio da gestão participativa e pela inovação do ambiente escolar em todos os aspectos. através do acesso direto a informação. possibilitando registrar e atualizar instantaneamente a sua documentação para facilitar as tarefas administrativas da organização. tornando-a mais competitiva. as atribuições e responsabilidades de cada um dentro da escola”. 2003. 2001. É necessário que a escola ofereça aos seus 22 . o gestor que exerce importantes atribuições deve gerar um clima de transformação de atitudes e estimular os integrantes da organização escolar para o seguirem em direção a uma escola reflexiva. investir em práticas de gestão participativa. com o dono da chave do laboratório. como se fosse uma área de estudo”. para Dowbor (2001). Portanto. “devemos abrir a escola para o mundo que a cerca”. (DOWBOR. é necessário o esforço conjunto da equipe escolar para consegui-lo. Assim. Deste modo. as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) são ferramentas valiosas para a educação. abrir a escola para as novas tecnologias não é apenas organizar “um laboratório de informática. Mas. integrando todas as informações da escola em bancos de dados. Compreendeu-se. Neste sentido.

Marina Rodrigues B. de. 2004 (Coleção Escola em ação. sobre sua função no cotidiano e sobre a importância do seu uso consciente. v. ACÚRCIO. A gestão da escola. visando desenvolver em seu alunado habilidades e competências. Porto Alegre/Belo Horizonte: Artmed/Rede Pitágoras. Tecnologias do Conhecimento: Os desafios da educação. visando facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Páginas 151-164. extraindo delas informações pertinentes. Ladislau. 23 . São Paulo: Ed. aprofundando a visão que se tem sobre as tecnologias. Marina Rodrigues B. In: ANDRADE.usp. Disponível em <http://www. Avercamp. 1992. BORGES. Rio de Janeiro: DP&A. Rosamaria Calaes de (org. p. R. O gestor educacional de uma escola em mudanças. 2002. SANTOS. A gestão da escola. 2001. 94 p. 1999. Clóvis Roberto dos. Sônia T. São Paulo. Dom Quixote.ed. Gestão educacional e tecnologia. Fauze N. MATTAR.htm>.). 139-161. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. Acesso em: 12 de agosto de 2007. José M. 2004 (Coleção Escola em ação. A Gestão como Meio de Inovação e Mudanças nas Escolas. Sofia Lerche (Org. In: As Organizações Escolares em Análise. LIBÂNEO. Heloísa et al. Rio de Janeiro. PENIN.br/prof/moran/gestao. Refletindo sobre a função social da escola. 4). Paulo R. 4ª edição 2000. Introdução: Gestão da Escola. Porto Alegre/Belo Horizonte: Artmed/Rede Pitágoras. 2003. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. S. MOTTA. os professores também devem repensar a sua prática. 2002. 4. Ron. DOWBOR. Marcos. Referências ANDRADE. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente.). RJ: Vozes. v. GLATTER. 1991. A escola participativa: o trabalho de gestor escolar. Sofia. Alexandre (org. In: VIEIRA.professores capacitações para a utilização consciente das TIC.). Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias. 4). MORAN. 5. 13 a 43. (Série Saúde & Cidadania). Pesquisa de marketing: metodologia e planejamento. C.1. para que os mesmos saibam trabalhar com as ferramentas tecnológicas. José Carlos.). Gestão Escolar: guia do diretor em dez lições. Gestão da Mudança Organizacional. acrescentando em seu planejamento o uso das novas tecnologias. 1998.).eca. ACÚRCIO. Rio de Janeiro: Record. p. São Paulo: Pioneira. Goiânia: Editora Alternativa.). (coord. L. In: VIEIRA. Atlas. Lisboa. Gestão da escola – desafios a enfrentar. Porém. (coord. In: ANDRADE. DP&A. Pedro F. VIEIRA. LÜCK. Rosamaria Calaes de (org. KISIL. Petrópolis. 2001. através do conhecimento.

O que isso significa? Ter autonomia significa construir um espaço de liberdade e de responsabilidade para elaborar seu próprio plano de trabalho. projeto pedagógico. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro. Entre suas obras destacam-se: Pedra do sono (1942). atual. toma vários nomes: planejamento pedagógico. se vá tecendo. leva ao extremo a intenção de despojar o poema de elementos supérfluos e deslizes sentimentais. É esse documento que deve orientar a escola na importante tarefa de formação plena do indivíduo. atendendo ao que a sociedade espera dela. Qual o significado e a importância do projeto político-pedagógico para a escola? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9. auto de natal pernambucano. 24 . opções para construção de uma realidade. A autonomia permite à escola a construção de sua identidade e à equipe escolar uma atuação que a torna sujeito histórico de sua própria prática. Agrestes (1985). para que a manhã. um de seus trabalhos mais conhecidos. A influência da poesia ibérica medieval aparece nos versos breves como os de Morte e Vida Severina. poeta brasileiro. definindo seus rumos e planejando suas atividades de modo a responder às demandas da sociedade. nasceu em Recife. A escola das facas (1980). administrativa e de gestão financeira. desde uma teia tênue. João Cabral de Melo Neto1 O planejamento é um processo permanente que implica escolhas. e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo. de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro. para dar uma idéia clara dos objetos que circundam o ser humano moderno. Quaderna (1960). como meio de apreender e transformar a realidade. projeto pedagógico-curricular ou plano da escola. entre todos os galos. Sua poesia expressa o interesse pelas coisas do Brasil. num futuro próximo.394/96). 1 João Cabral de Melo Neto (1920). ou seja. proposta pedagógica. Auto do Frade (1986) e Crime na rua Relator (1987). concedeu à escola progressivos graus de autonomia pedagógica. é importante que as opções assumidas coletivamente estejam materializadas em um documento que. Embora o processo de planejamento ocorra a todo o momento na escola.A CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. Em obras posteriores. no artigo 15. na prática. Poesias Completas (1968). Suas imagens se despojam do sentimental e do pitoresco. projeto político-pedagógico.

que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. de um processo de Planejamento Participativo. uma ação política. bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica.    É bom lembrar que. Um projeto político-pedagógico voltado para construir e assegurar a gestão democrática se caracteriza por sua elaboração coletiva e não se constitui em um agrupamento de projetos individuais. impregnada de crenças. o projeto político-pedagógico é a expressão da cultura da escola com sua (re) criação e desenvolvimento. (Ferreira. de garantir um momento privilegiado a ser cumprida. intento. há uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que detalha aspectos pedagógicos da organização escolar. no futuro: plano. valores. diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola. pois expressa a cultura da escola. 2 Segundo o dicionário Aurélio. Dessa forma. No artigo 13. o que mostra bem o valor atribuído a essa questão pela atual legislação educacional. o primeiro deles é a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. é o documento que detalha objetivos. entre outras. a expressão projeto vem do latim projectu. essa é uma exigência legal que precisa ser transformada em realidade por todas as escolas do país. Na verdade. Entretanto. sobretudo. É um instrumento teórico-metodológico para a intervenção e mudança da realidade. não no sentido de uma doutrina ou partido. mas no sentido da busca do bem comum e coletivo. chamado o “artigo dos professores”. também.Pensar no processo de construção de um projeto político-pedagógico2 requer uma reflexão inicial sobre seu significado e importância. É um importante caminho para a construção da identidade da instituição. Segundo Vasconcellos (2002:169). No artigo 14. Idéia que se forma de executar ou realizar algo. significados.” 25 . expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. que vem sendo chamado o “artigo da escola” a Lei dá aos estabelecimentos de ensino a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. inciso VII define como incumbência da escola informar os pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento dos alunos. é porque entendemos que toda ação pedagógica é. projeto políticopedagógico é “a sistematização. nunca definitiva. em que são definidos os princípios da gestão democrática. O artigo 12. aparecem como incumbências desse segmento. É um elemento de organização e integração da atividade prática da instituição neste processo de transformação. pela primeira vez no Brasil. Quando nos referimos ao termo político. “Lançado para diante. 2003). segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino (Inciso II). que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada. mas. inciso I. modos de pensar e agir das pessoas que participaram da sua elaboração. não se trata apenas de assegurar o cumprimento da legislação vigente. Vamos verificar como a LDBEN ressalta a importância desse instrumento em vários de seus artigos:  No artigo 12. desígnio. Mas o que é mesmo projeto político-pedagógico? Segundo Libâneo (2004). as de participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino (Inciso I) e elaborar e cumprir plano de trabalho. Empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema”. ou em um plano apenas construído dentro de normas técnicas para ser apresentado às autoridades superiores.

características próprias e necessidades locais. esses processos se entrecruzam e são dependentes uns dos outros. Em suma: construir o projeto político-pedagógico significa enfrentar o desafio da transformação global da escola. Para isso. tanto na dimensão pedagógica. No entanto. suas finalidades são:       Estabelecer diretrizes básicas de organização e funcionamento da escola. Em seguida reflete-se sobre ela. Possibilitar ao coletivo escolar a tomada de consciência dos principais problemas da escola e das possibilidades de solução. O processo de participação A importância da participação vem sendo ressaltada por todos que defendem uma gestão democrática. Dar unidade ao processo de ensino. os Parâmetros Curriculares Nacionais. os princípios orientadores da Secretaria de Educação. como se verá a seguir. Definir. o projeto orienta a prática de produzir uma realidade. seja em suas relações com a comunidade. Antes. Em síntese. Estimular o sentido de responsabilidade e de comprometimento da escola na direção do seu próprio crescimento.Assim. Que processos envolvem a elaboração de um projeto político-pedagógico? Para que as finalidades do projeto político-pedagógico sejam alcançadas. alguns processos precisam ser desenvolvidos. Reconhecer e expressar a identidade da escola de acordo com sua realidade. os recursos necessários ao desenvolvimento da proposta. as 26 . com clareza. é necessário que fique claro que não há uma única forma de se construir um projeto. estejam contempladas as metodologias mais adequadas para atender às necessidades sociais e individuais dos educandos. Definir o conteúdo do trabalho escolar. Em vários momentos. integrando as ações desenvolvidas seja na sala de aula ou na escola como um todo. a realidade da escola e as características do cidadão que se quer formar. Criar parâmetros de acompanhamento e de avaliação do trabalho escolar. englobando também a gestão financeira e administrativa. embora nenhum segmento tenha uma importância menor que a do outro nesse trabalho coletivo. devido às singularidades de cada unidade escolar. definindo as responsabilidades coletivas e pessoais. é preciso primeiro conhecer essa realidade. Estabelecer princípios orientadores do trabalho do coletivo da escola. tendo em vista as Diretrizes Curriculares Nacionais para ensino. integradas às normas comuns do sistema nacional e do sistema ou rede ao qual ela pertence. Definir coletivamente objetivos e metas comuns à escola como um todo. administrativa. ou seja. nessas ações.     A partir dessas finalidades. como na sua dimensão política. os recursos necessários à sua implementação e as formas de gerenciamento. é preciso destacar que o projeto político-pedagógico extrapola a dimensão pedagógica. É imprescindível que. para só depois planejar as ações para a construção da realidade desejada. de forma racional. é importante definir.

Uma das mais importantes tarefas da equipe gestora é encontrar pontos de partida para atingir um nível esperado de mobilização. acompanhamento. com responsabilidade e compromisso. professores e profissionais de suporte pedagógico são os responsáveis diretos pela mobilização da escola e da comunidade para a construção da proposta. se a escola se reúne. por se realizar em uma escola. tem uma dimensão pedagógica que é muito pouco reconhecida. de fato. execução. sobre o uso do espaço e do tempo escolar e sobre as formas de organização do ensino que a escola deve adotar. é preciso acreditar que elas podem influir significativamente nas escolas. todos devem ter o seu espaço de participação. métodos de ensino e carga horária das disciplinas do currículo. Além disso. para o interior da escola. essa participação traz. os pais3 devem participar das discussões sobre as características do cidadão que se quer formar. um instrumento de melhoria de qualidade da escola.responsabilidades que cada um deve assumir. pois. O trabalho dos funcionários. cabe-lhes a tomada de decisões sobre conteúdos. isso pode transformar-se tanto no diagnóstico da situação escolar quanto em um processo de mobilização e comprometimento de todos na 27 . considerando a existência de funções e níveis hierárquicos diferenciados dentro da escola. esses processos se entrecruzam o tempo todo. o formalmente estabelecido. Além disso. Ou seja.    O processo de mobilização Para que o projeto político-pedagógico seja. é preciso construir parcerias com o maior número possível de pais e de lideranças da comunidade. já que ele congrega os representantes dos 3 Essa participação pode propiciar aos pais uma melhor compreensão do trabalho escolar e fornecer subsídios para que eles acompanhem e estimulem seus filhos na consecução das tarefas escolares. de forma que certas atividades realizadas com uma determinada finalidade podem produzir resultados estimuladores de outras atividades. Por outro lado. Por exemplo. 4 Considerando que o concreto da escola é dinâmico. O desafio é aprender a viver em democracia. São eles. até por eles próprios. provocando novas adesões. O Conselho Escolar é o canal institucional da participação dos pais. juntamente com a comunidade. o alvo de todo esse esforço. avaliação e reelaboração. durante o processo. Entretanto. muitas lideranças vão emergir. mas não se deve confundir o espaço das atribuições. as questões partidárias e grupais que existem na comunidade. As relações que eles estabelecem com os alunos e com os pais poderiam ser exploradas na direção da formação da cidadania. de forma mais explícita. Aqui a negociação é fundamental. O papel do Conselho Escolar nesse trabalho de mobilização4 é fundamental. ultrapassando os limites de competência de cada um:  Direção. que se vão constituir no núcleo das preocupações da escola. de fato. complexo e multi-determinado. a partir de um processo contínuo de mobilização que envolve elaboração. Os pais e a comunidade devem participar efetivamente das decisões sobre o orçamento e a utilização dos recursos financeiros que a escola recebe. para identificar seus problemas e levantar possíveis soluções. assim. Os alunos são fontes de informação das suas necessidades de aprendizagem. ultrapassando. ele precisa ser construído coletivamente. Ainda que as famílias usuárias da escola pública tenham pouca formação escolar.

hoje. O projeto político-pedagógico. Saber negociar significa dar lugar ao debate. produzindo um ambiente do qual resulte a assunção coletiva dos conflitos e dos problemas. É necessário. que espaço tem a escola nessa definição? A despeito de se considerar que competências. É impossível evitar tais situações. além daquelas que já fazem parte do Conselho. 5 Cidadania é a qualidade do indivíduo no gozo dos direitos civis. 28 . a autonomia dos gestores ou a dos professores ou a dos alunos ou a dos pais. isoladamente. está a definição do cidadão que se quer formar. a necessidade da preservação e do desenvolvimento de aspectos que constituem a especificidade das diversas culturas. habilidades e valores são básicos para a vida do cidadão em qualquer lugar do mundo. étnicas e religiosas reproduzem desigualdades sociais. O próprio exercício da participação abre espaço para a emergência desses conflitos. supõe a presença de conflitos. conhecimentos. Essa é uma configuração legal. é sempre desejável que a participação da comunidade seja ampliada com a presença de outras pessoas. Assim. apesar do que determinam as leis. o próprio processo de diagnóstico pode ser um processo de mobilização. Dentre esses conteúdos. No entanto. portanto. Que cidadão se quer formar? Tanto a mobilização como a participação e a negociação não ocorrem no vazio. O processo de negociação É preciso compreender que. políticos e sociais previstos em lei. Assim. pois diferenças de gênero. é também reconhecida. nenhum processo se faz de forma linear e harmônica e. a cooperação voluntária no trabalho em equipe. pois. a negociação se torna um elemento central na realização de qualquer trabalho que envolva a coletividade. reconhecer a existência de tensões ou conflitos entre as necessidades individuais e os objetivos da instituição e compreender a sua natureza. sob pena de não se conseguir construir a proposta de uma forma democrática. o que mostra que as atividades não são estanques. vai significar uma síntese desses diversos interesses e tem como propósito dar um sentido coletivo às autonomias individuais. integrar e negociar. Que características devem ter o cidadão5 para viver no mundo contemporâneo? A escola tem espaço para definir essas características? Afinal. mas estão interligadas e são interdependentes.diversos segmentos da escola. à expressão das várias necessidades e das diferenças. de modo a capitalizar as divergências em favor de um objetivo maior. A participação democrática. legitimada por aqueles que fazem da escola um espaço vivo e atuante. porque elas existem de fato e revelam a variedade de concepções que norteiam as ações pessoais. portanto. a repartição mais igualitária do poder e dos recursos. É aqui que entra o papel da negociação. nas sociedades humanas. Ela é resultante da confluência de várias formas de pensamento e de interesses diversos que é preciso saber gerir. o que o faz devedor do cumprimento de deveres determinados legalmente. Essa mobilização é indispensável. A proposta pedagógica tem um conteúdo que vai sendo construído por meio desses processos. a autonomia da escola não é. Isso significa dizer que o espaço da escola é o da formação de cidadãos capazes de enfrentar os novos desafios do mundo elaboração da proposta. condição essencial de formação do cidadão.

Que sejam realizados levantamentos e estudos das manifestações culturais locais (religiosas. assentamento. Para que isso se torne possível. Quanto a esse aspecto.. suas limitações e possibilidades. agro-indústria) ou na zona urbana (periferia. com maior clareza. Falando dos alunos. conhecimento da produção cultural de seu povo. incorporadas ao currículo..    Como construir a identidade da escola no seu projeto político-pedagógico? Toda escola deve ter uma alma. as expectativas da família e da comunidade. a imagem que se quer construir quanto a seu papel na comunidade em que está inserida. Que. sem negar as tradições e. tanto a concepção de cidadão posta nos documentos oficiais que definem e orientam a educação brasileira. necessárias ao exercício da cidadania. mas que tenham consciência de suas raízes históricas. agrovila. condomínio)? Quais os principais problemas dessa comunidade? Que formas a escola tem de inserção na comunidade? Como o seu espaço é utilizado pela comunidade? Que limitações ou possibilidades a escola percebe nas suas relações com a comunidade? 29 . artísticas) que. centro. Que a escola desenvolva mecanismos de conhecimento de quem são seus alunos. de forma a afirmar a sua identidade. estabeleçam elos significativos com o conhecimento escolar formal. esportivas. o qual deve contribuir para criar ou fortalecer a identidade da escola. quanto à dimensão do papel que a escola tem na sua formação. a partir das questões anteriores. povoado. É o espaço do ensino competente que. até mesmo.contemporâneo. Esse vínculo cognitivo e afetivo deve ser construído a partir das vivências propiciadas a toda a comunidade escolar. as suas aspirações. dos conteúdos que devem ser trabalhados. passando a entender. engenho. Esse levantamento dos traços identificadores da escola constitui um diagnóstico que servirá de base para a definição dos objetivos a perseguir. além das propriamente escolares. prepare seus alunos para a plena participação na vida econômica. fazendo emergir a identidade de cada grupo ou comunidade que participa da escola. sociopolítica e cultural do país. uma identidade. quais as suas condições de vida. E essa preocupação deve estar presente na elaboração do projeto político pedagógico. tomando-as como base. quais são os deveres dos alunos e os direitos. folclóricas. Algumas questões podem conduzir à realização desse diagnóstico:      Onde está localizada a escola: na zona rural (fazenda. a comunidade escolar deve levantar as características atuais da escola. das formas de organização do seu ensino. uma qualidade que a faz ser única para todos que nela passam uma parte de suas vidas. recomenda-se:  Que o coletivo da escola tome essas questões como foco de discussão. sejam levantadas aquelas características e competências. os seus elementos identificadores. na área de atuação da escola.

se os quadros de resultados finais por classe não forem preenchidos de forma clara e confiável. haverá grande dificuldade no cálculo dos indicadores básicos já citados e. no acompanhamento do seu próprio desempenho. que não leva em conta nem a experiência trazida pelo próprio professor. Assim. metas a serem alcançadas a partir de indicadores corretos. na maioria das vezes. Duas questões podem ser inicialmente levantadas em relação a esse aspecto:  Quem define o que e como a escola deve ensinar? Tradicionalmente. de forma que eles possam de fato indicar como está o seu funcionamento não só para o Censo. Além disso. a escola não poderá estabelecer. em uma prática curricular muito pobre. e que possam servir de apoio a um planejamento exeqüível. 30 . sobretudo da educação básica. a depender do momento e do contexto. as escolas públicas têm a sua prática pedagógica determinada ou por orientações oriundas das secretarias de educação ou pelos próprios livros didáticos. é muito importante considerar que os dados do Censo Escolar são utilizados na determinação dos coeficientes para distribuição dos recursos do FUNDEF bem como para implementação de programas de apoio ao ensino fundamental público como Dinheiro na Escola.                  Quem é o aluno que freqüenta a escola? Há alunos em idade escolar fora da escola na comunidade? Existem alunos com jornada formal de trabalho? Como se vêm dando o desempenho escolar dos alunos nos últimos dois anos? Quais são os índices de aprovação. Aqui. ou mesmo às 6 Por exemplo.6 Como se constitui um currículo escolar? Sabe-se que o currículo escolar é um dos pontos mais difíceis a serem enfrentados pela escola. como para seu próprio uso. é necessário que as escolas sejam cuidadosas no levantamento de seus dados. poderão ser utilizadas tanto para identificar quanto para avaliar os avanços alcançados pela escola na construção de sua identidade e contemplar essa questão no seu projeto políticopedagógico. Isso resulta. na sua proposta. vale ressaltar um dos grandes problemas que se vive. reprovação e evasão apresentados pela escola? Qual a relação entre a idade dos alunos e a série que freqüentam? Quem são os profissionais que atuam na escola? O número de professores é suficiente para atender os alunos? Qual a qualificação dos professores? A escola tem funcionários em número suficiente? Há agentes de apoio pedagógico? Quais são as condições físicas e materiais da escola? Quais as condições de uso das dependências escolares? Como vem sendo utilizado o tempo pedagógico? Quantas turmas ela atende? Como são organizadas as classes? Como está organizado o espaço da escola? Ele vem se constituindo em espaço de formação da cidadania? Essas e outras questões. também. hoje. Livro Didático e Merenda Escolar. no Brasil: a dificuldade de dispor de dados confiáveis que retratem o mais fielmente possível a realidade da educação. São esses indicadores que darão as referências sobre o ponto em que a escola está e para onde ela quer e pode ir. nem a trazida pelo aluno.

na própria escola ou fora dela. A legislação educacional brasileira. uma dimensão obrigatória dos currículos nacionais e é definida pela União. que se compõe de conteúdos complementares. Com base nessas formas de composição curricular.características da comunidade em que a escola está inserida. História. próxima do conceito de programa ou. A composição curricular deve buscar a articulação entre os vários aspectos da vida cidadã (a saúde. ultrapassando a concepção de disciplina e enfatizando o desenvolvimento de todas as nuances e aspectos do comportamento humano. interação e comunicação entre campos do saber. portanto. é que os Parâmetros Curriculares Nacionais introduzem os temas transversais que. multidisciplinar e pluridisciplinar. a ciência e a tecnologia. Interdisciplinaridade significa a interdependência. vão tratar de questões que ultrapassam as áreas convencionais. E pior: não permite que a escola construa sua identidade. A Base Nacional Comum é. Educação Artística. Transdisciplinaridade é a coordenação do conhecimento em um sistema lógico. identificados na realidade regional e local. que devem ser escolhidos em cada sistema ou rede de ensino e em cada escola. ou disciplinas. que permite o livre trânsito de um campo de saber para outro. para que todos os alunos possam ter acesso aos conhecimentos mínimos necessários ao exercício da vida cidadã. é indispensável que a escola se reúna para discutir a concepção atual de currículo expressa tanto na LDBEN quanto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os diferentes níveis de ensino e também nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s). Daí porque muitos professores se orientam apenas pelos sumários ou índices dos livros didáticos. o meio ambiente. tomando a cidadania como eixo básico. O que isso significa? Poderíamos perguntar se a escola costuma trabalha com “projetos”. Há várias formas de composição curricular. pior ainda. Matemática. a sexualidade. o trabalho. na medida do possível. Geografia. Ciências. Por outro lado. mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. de uma simples grade curricular. as linguagens) com as áreas de conhecimento (Língua Portuguesa.  É através da construção da proposta pedagógica da escola que a Base Nacional Comum e a Parte Diversificada se integram. existe uma concepção restrita de currículo. o que possibilita a integração do conhecimento em áreas significativas. quanto à composição curricular.  Relacionada a isso. Assim. abrange tudo o que ocorre na escola. as atividades programadas e desenvolvidas sob a sua responsabilidade e que envolvem a aprendizagem dos conteúdos escolares pelos alunos. Língua Estrangeira. Uma Parte Diversificada do currículo. mas permeiam a 31 . também obrigatória. a escola tem autonomia para incluir temas de seu interesse. com a qual se garante uma unidade nacional. Educação Física e Educação Religiosa). Assim sendo. isso restringe a autonomia intelectual do professor e o exercício da sua criatividade. entretanto. marcados por uma forte fragmentação. e isso precisa ser muito bem pensado na hora de elaborar um projeto político-pedagógico. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. O currículo. a vida familiar e social. a cultura. ou de mera listagem dos conteúdos que devem ser tratados. devem ser substituídos. contempla dois eixos:  Uma Base Nacional Comum.

os conteúdos e as orientações didáticas dessas áreas. no espaço dinâmico que é o da escola. de relação entre professor e alunos e entre os alunos. nas propostas pedagógicas e nos regimentos escolares. Assim. na maneira como os funcionários tratam os alunos e seus pais. a partir dos elementos do currículo formal e das experiências pessoais de cada um. se conforma com o fracasso? 32 . os quais podem ser particularizados ou especificados a partir do contexto da escola. Essas expressões do currículo vão constituir o conjunto das aprendizagens realizadas pelos alunos. ampliando. é a interpretação que professores e alunos constroem.concepção. e o currículo oculto10. Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. certos alunos como bons e outros como maus. no próprio espaço físico da escola. o que vai permitir tratar uma única questão a partir de uma perspectiva plural. são os comportamentos de discriminação dissimulada das diferenças e. as atividades escolares. que é aquilo que de fato acontece na escola. a equipe gestora e a comunidade escolar deve estudar a legislação educacional. vai produzir. no processo de elaboração da proposta pedagógica – ao definir o que ensinar. Como essas determinações formais do currículo vão se manifestar na escola? A sua concretização. no exercício cotidiano de enfrentamento das dificuldades. fornecer as condições para que seus alunos participem da formulação e reformulação de conceitos e valores. 10 O currículo oculto é aquele que escapa das prescrições. que é aquilo que não está formalmente explicitado. diferentes formas de expressão do currículo. Saúde. simultaneamente. o tempo todo. produzidas tanto no âmbito nacional quanto nas secretarias e na própria escola e indicado nos documentos oficiais. 11 Diante disso. mas que perpassa. Isso exige o comprometimento de toda a comunidade escolar com o trabalho em torno dos grandes temas7 definidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. a existência de uma profecia auto-realizadora dos professores que classifica. os objetivos. determinado legalmente e colocado nas diretrizes curriculares. até como decorrência da própria lei. materiais. para que ensinar. nas propostas pedagógicas e nos planos de trabalho. Essa transversalidade supõe uma transdisciplinaridade. nas condições de higiene e conservação dos sanitários. Para atingir aquilo a que se propõe. Ao lado do currículo formal8. considerado o currículo real9. assim. em prejuízo de outros. conjuntamente. que têm um caráter universal. O currículo oculto também vai se manifestar. São as sínteses construídas por professores e alunos. de antemão. produzida com o objetivo de 7 Esses temas. há algumas questões básicas que toda a escola deveria analisar: Que mensagens não explícitas a escola vem passando para seus alunos? Que conteúdos vêm privilegiando? Que currículo está sendo construído – o que enfatiza o sucesso escolar. Diz respeito àquelas aprendizagens que fogem ao controle da própria escola e do professor e passam quase despercebidas. acima de tudo. há um currículo em ação.entre outras formas. em torno dos quais todos trabalharão. como Ética. sejam conceituais. a escola precisa ensinar a criança a estabelecer relações entre a sua experiência cotidiana e os conteúdos escolares. ou o que. 8 O currículo formal é entendido como o conjunto de prescrições oriundas das diretrizes curriculares. no modo de organização das salas de aula. tendo em vista que o ato de conhecer implica incorporação. São as relações de poder entre grupos diferenciados dentro da escola que produzem aceitação ou rejeição de certos comportamentos. bem como a documentação oficial da Secretaria de Educação e do Conselho Estadual e ou Municipal de Educação. 9 O currículo real é a transposição pragmática do currículo formal. até mesmo. A escola deve. vai dar à equipe da escola melhores condições para identificar as áreas problemáticas 11 da sua prática pedagógica. como ensinar –. sejam elas originárias do currículo formal ou do real. implicitamente. presente na vida escolar. para o exercício de uma cidadania responsável. Meio Ambiente. produção e transformação do conhecimento. devem ser trazidos para o contexto local de forma que o aluno aprenda da realidade e na realidade. o seu universo de referência. mas que têm uma força formadora muito intensa. no tipo de cartaz pendurado nas paredes. e o reconhecimento dessa trama.

A universidade pública sob nova perspectiva.orientar a implantação desses dispositivos legais no que se refere ao currículo. H. com competência. A partir daí. Conferência de abertura da ANPED. 2003. ou a equipe gestora como um todo. e uma delas é a formação contínua de seus professores para que eles possam desenvolver. nesse contexto. o currículo expresso na proposta pedagógica. torna-se necessário identificar que ações precisam ser planejadas e realizadas pela escola para colocar em prática um currículo que contemple os objetivos da educação básica. Poços de Caldas. A direção da escola. M. tem. 33 . Além de liderar a construção permanente da proposta pedagógica. deve estar todo o tempo viabilizando as condições para sua execução. um papel fundamental. Referências CHAUI.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->