1

Eduardo José Fagundes Barreto
João Tavares Pinho
Geraldo Lúcio Tiago
Gonçalo Rendeiro
Manoel Nogueira
Wilma de Araújo Gonzalez
Tecnologias de Energias Renováveis
Soluções Energéticas para a Amazônia
Sistemas Híbridos
Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
1ª Edição
Brasília
Ministério de Minas e Energia
2008
miolo síntese.indd 1 19/12/2008 16:51:23
2
Ministro de Minas e Energia
Edison Lobão
Secretário Executivo
Márcio Zimmermann
Secretário de Energia
Josias Matos de Araújo
Diretor do Programa Luz para Todos
Hélio Morito Shinoda
Diretor Nacional do Projeto pnud bra 99/011
Programa de Erradicação da Exclusão da Energia Elétrica
Jeová Silva Andrade
Coordenador da Região Norte
Aurélio Pavão de Farias
Coordenador de Universalização
Manoel Soares Dutra Neto
Coordenação Técnica
Eduardo José Fagundes Barreto
Assessoria de Comunicação do Programa Luz para Todos
Lucia Mitico Seo
Jose Renato Penna Esteves
Unidade e Gestão de Projetos – Projeto pnud bra 99/011
Antonio João da Silva – Coordenador Técnico
Eder Júlio Ferreira
Manoel Antonio do Prado
Novembro, 2008
miolo síntese.indd 2 19/12/2008 16:51:23
3
Tecnologias de Energias Renováveis
Soluções Energéticas para a Amazônia
Coordenador Geral:
Eduardo José Fagundes Barreto
Autores:
Eduardo José Fagundes Barreto
João Tavares Pinho
Geraldo Lúcio Tiago
Gonçalo Rendeiro
Manoel Nogueira
Wilma de Araújo Gonzalez
miolo síntese.indd 3 19/12/2008 16:51:24
4
Ideorama Design e Comunicação Ltda.
www.ideorama.com.br
Projeto Gráfco e Diagramação
Sílvio Spannenberg
Aline Weirich de Paula
Carolina Farion
Gustavo Aguiar
Capa
Sílvio Spannenberg
Revisão de Textos
Alexandre Gonçalves
Bárbara Fernandes
Produção Gráfca
Rafael Milani Medeiros
Dados internacionais de catalogação na publicação
Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira
Tecnologias de energias renováveis : sistemas híbridos, pequenos aproveitamentos
hidroelétricos, combustão e gasifcação de biomassa sólida, biodiesel e óleo vegetal in
natura / Eduardo José Fagundes Barreto … [et al.].
Brasília : Ministério de Minas e Energia, 2008.
156 p. : il. ; 21 × 30cm. – ( Soluções energéticas para a Amazônia )
isbn 978-85-98341-06-4
Inclui bibliografa.
1. Energia – Fontes alternativas – Brasil. 2. Recursos energéticos – Brasil.
I. Barreto, Eduardo José Fagundes. II. Brasil. Ministério das Minas e Energia. III. Série.
cdd ( 22ª ed.) 333.79
miolo síntese.indd 4 19/12/2008 16:51:24
5
Sumário
Apresentação .................................................................................................. 9
Prefácio .......................................................................................................... 11
1 Sistemas Híbridos ........................................................................................ 16
Conceitos Básicos ................................................................................................17
Energia Solar Fotovoltaica ...................................................................................18
Energia Eólica .....................................................................................................23
Grupos Geradores ...............................................................................................25
Sistema de Armazenamento ................................................................................26
Sistema de Condicionamento de Potência ............................................................28
Sistemas Híbridos ...............................................................................................29
Projeto de Sistemas Híbridos ...............................................................................31
Instalação de Sistemas Híbridos ..........................................................................32
Operação e Manutenção de Sistemas Híbridos .....................................................33
Segurança em Sistemas Híbridos .........................................................................33
Análise Econômica Aplicada a Sistemas Híbridos ..................................................34
Sistemas Instalados e Experiências Adquiridas na Amazônia .................................35
Modelos de Gestão e Regulação...........................................................................37
2 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos ................................................... 40
Introdução ..........................................................................................................41
Distribuição da população na Amazônia Legal ......................................................41
O atendimento de eletricidade às comunidades isoladas .......................................42
O atendimento às comunidades isoladas ..............................................................43
As µCH e mCH ....................................................................................................49
O estado da arte das µCH e mCH .........................................................................50
Turbinas Hidráulicas ................................................................................................. 50
Turbinas Convencionais.................................................................................................52
Turbinas não convencionais ..........................................................................................53
Geradores ................................................................................................................. 57
Reguladores de Velocidade e Sistemas de Controle e Automação ......................... 58
Barragens .................................................................................................................. 59
Barragens móveis ...........................................................................................................60
Alguns projetos de μCH desenvolvidos na região amazônica .................................62
Projeto µCH Canaã ................................................................................................... 62
miolo síntese.indd 5 19/12/2008 16:51:24
6
Projeto Cachoeira do Aruã ....................................................................................... 64
Projeto µCH Novo Plano ........................................................................................... 65
Projeto µCH Jatoarana .............................................................................................. 66
Modelos de gestão para unidades de geração em comunidades isoladas ................67
Comentários fnais ..............................................................................................68
Agradecimentos ............................................................................................................69
3 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida ................................................. 70
Caracterização da Geração na Amazônia ..............................................................71
Princípios para Uso de Biomassa como Combustível .............................................72
Conversão Energética da Biomassa .......................................................................... 72
Reagentes com misturas ricas e pobres – Razão de Equivalência ........................... 74
Calor de Reação e Poder Calorífco .......................................................................... 74
Combustão dos Líquidos e Sólidos .......................................................................... 75
Caracterização da Biomassa para Fins Energéticos................................................76
Determinação do Poder Calorífco Superior (pcs) e Poder Calorífco Inferior
(pci) e Análise Elementar ........................................................................................ 76
Análise Imediata, Teor de Voláteis, Umidade, Carbono Fixo, Cinza; Descrição
dos Métodos ............................................................................................................. 77
Caracterização Energética de Algumas Espécies Amazônicas ................................ 77
Pré-tratamento da biomassa ................................................................................78
Secagem .................................................................................................................... 78
Torrefação de Biomassa ............................................................................................ 78
Briquetes ................................................................................................................... 78
Péletes ....................................................................................................................... 79
Trituração .................................................................................................................. 79
Processos de Conversão Energética da Biomassa ..................................................79
Ciclos a Vapor ........................................................................................................... 79
Consumo de Biomassa de uma Planta a Vapor..........................................................80
Central com Gasifcação ........................................................................................... 81
Características da Biomassa para Uso num Gasifcador de Extração por Baixo
(Downdraft) ....................................................................................................................81
Sistema de Limpeza .......................................................................................................82
Especifcação de uma Planta de Potência ..............................................................82
Localização e Quantifcação da Biomassa ................................................................ 82
Dimensionamento da Carga a Ser Atendida pela Planta ......................................... 83
Curva de Carga ...............................................................................................................84
Procedimento de Cálculo de Carga .............................................................................84
Pré-dimensionamento de uma central a vapor ....................................................... 84
Impactos Ambientais e Formas de Mitigação ........................................................85
Métodos e Modelos para Avaliação dos Impactos Ambientais ............................... 85
Avaliação dos Impactos de uma Usina Termoelétrica a Biomassa .......................... 86
Impacto no Ciclo de Carbono – Emissões Evitadas .................................................. 86
Viabilidade Econômica ........................................................................................86
Os Métodos ............................................................................................................... 87
miolo síntese.indd 6 19/12/2008 16:51:25
7
Conclusão sobre a viabilidade Econômica do Projeto ...............................................89
Métodos Determinísticos ............................................................................................87
Métodos não Determinísticos .....................................................................................88
Resultados Concretos ..........................................................................................89
Centrais Térmicas a Vapor ........................................................................................ 89
Concepção do Projeto ...................................................................................................90
Gestão .............................................................................................................................91
Localização do Projeto Marajó .....................................................................................89
Centrais Térmicas a Gasifcação ............................................................................... 91
Localização do Projeto Genipaúba ..............................................................................91
Resultados .......................................................................................................................92
Sustentabilidade.............................................................................................................91
Computacional ....................................................................................................94
Software CicloRank v1.0 .......................................................................................... 94
Software ComGás v1.0 ............................................................................................. 94
4 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura ............................................................... 96
Alternativas Renováveis de Energia a Partir da Biomassa: Soluções Energéticas
para a Amazônia ............................................................................................... 97
Biodiesel no Brasil ..............................................................................................100
ime: Pesquisas de Ponta na Área de Produção de Biocombustíveis ........................104
Prospecção de Processos ......................................................................................... 105
Análise do óleo vegetal ............................................................................................ 106
Pré-tratamento do óleo ........................................................................................... 107
Degomagem e neutralização do óleo vegetal bruto com fuxo de ar ...................... 108
Acidez do óleo de dendê ........................................................................................... 108
Produção de biodiesel .............................................................................................. 110
Reação de transesterifcação – rota etílica – Catálise Homogênea ........................ 110
Escala Bancada ..............................................................................................................110
Lavagem ..........................................................................................................................112
Secagem do biodiesel ....................................................................................................112
Reação de transesterifcação – rota etílica – Catálise Heterogênea ....................... 112
Escala Bancada ..............................................................................................................112
Reação de transesterifcação – Aumento de escala .................................................113
Usina piloto de biodiesel ..............................................................................................114
Óleo Vegetal in Natura em Motores de Combustão Interna .................................. 116
Introdução ..........................................................................................................116
Uso de Óleo Vegetal in Natura em Motores ............................................................ 117
Propriedades Físico-Químicas dos Óleos Vegetais que Infuenciam o
Funcionamento dos Motores Diesel ......................................................................... 118
Propriedades que Infuenciam a Quantidade de Energia Gerada ........................... 119
Kit de Conversão ............................................................................................................120
Motor Elsbett .................................................................................................................120
Motores com pré-câmara de combustão ....................................................................120
miolo síntese.indd 7 19/12/2008 16:51:25
8
Desempenho do Grupo Gerador MWM D225-4 e Multi Fuel 4RTA-G da MAS com
óleo de dendê in natura .......................................................................................121
Motor Veicular – Cristalização do óleo de dendê in natura .................................... 122
Uso do óleo de dendê refnado – oleína .................................................................. 123
Desempenho do Grupo Gerador MWM D229-6 com óleo de dendê in natura ....... 123
Experiências de Eletrifcação Rural Utilizando Óleo Vegetal como Combustível –
Projetos implantados na Amazônia .......................................................................... 123
Conclusão ...........................................................................................................124
Referências Bibliográfcas ................................................................................. 126
Sistemas Híbridos ..................................................................................................... 126
Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos ............................................................. 135
Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida ......................................................... 139
Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura .......................................................................... 141
miolo síntese.indd 8 19/12/2008 16:51:25
9
Apresentação
O Programa Luz para Todos, maior programa de eletrifcação rural já feito no Brasil, já realizou,
desde a sua criação em novembro de 2003, até outubro de 2008, mais de um milhão e oitocentas
mil ligações domiciliares em todo o País, correspondendo a mais de nove milhões de benefciados
na zona rural brasileira. Essas ligações foram realizadas essencialmente por extensão de rede
convencional.
Na Região Amazônica, as longas distâncias, os obstáculos naturais, as difculdades de acesso
e a baixa densidade populacional difcultam o atendimento de grande parte da população pelo
sistema convencional de distribuição. Por outro lado, o atendimento alternativo, com sistemas
térmicos a diesel, muito utilizados na Região, apresenta custos elevados associados à operação
e manutenção e à logística de distribuição do combustível.
Para vencer as difculdades de eletrifcar as comunidades rurais isoladas da Amazônia, o
Ministério de Minas e Energia – mme promoveu, no âmbito do Programa Luz para Todos, com
o apoio de recursos fnanceiros não reembolsáveis do Fundo Multilateral de Investimentos do
Banco Interamericano de Desenvolvimento – fumin/bid, uma série de atividades destinadas ao
desenvolvimento e implantação de projetos de geração de energia elétrica de pequeno porte e a
capacitação de profssionais, principalmente das concessionárias da Região, para a implantação
de soluções energéticas alternativas a partir de fontes renováveis de energia.
Entre essas atividades se destaca a produção da presente coleção, denominada Soluções
Energéticas para a Amazônia, constituída de 5 volumes, que abordam as seguintes tecnologias de
geração de energia renovável: i) Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos; ii) Sistemas Híbridos; iii)
Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura; iv) Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida; v) uma versão
resumida de todas as tecnologias descritas anteriormente, intitulada Tecnologias de Energias
Renováveis.
O uso dessas tecnologias a partir de recursos locais disponíveis na Amazônia, principalmente
a biomassa e os pequenos aproveitamentos hidroelétricos, tem sido pouco considerado por um
conjunto de questões relacionadas à cultura das concessionárias, sedimentada na extensão de
rede elétrica, ou à falta de informação quanto à viabilidade técnica e econômica das tecnologias
relacionadas a esses potenciais. As iniciativas para viabilizar o uso dessas alternativas, no hori-
zonte de médio e longo prazos, requerem ações imediatas.
Entretanto, soluções energéticas alternativas para a Amazônia devem ser buscadas, não para
substituir o atendimento convencional, mas principalmente como complemento, pelo menos até
o tempo em que a maturidade tecnológica se revele para as concessionárias da Região. Além da
energia, essa geração apresenta grandes perspectivas para a renda local, com o aproveitamento
de recursos da região, a fm de diversifcar a matriz energética e também reduzir os custos de
transporte de combustíveis.
Soluções energéticas estruturadas a partir da disponibilidade local de energia primária podem
miolo síntese.indd 9 19/12/2008 16:51:25
10
ser uma alternativa viável e sustentável para eletrifcar essas áreas. Para isso, este Ministério
tem trabalhado em diversas frentes, desde a realização de projetos-piloto com tecnologias reno-
váveis para o atendimento de comunidades da Região Amazônica, até a realização de cursos de
capacitação em tecnologias renováveis, apropriadas para a Região, para as concessionárias e
outros interessados.
Assim, essa iniciativa do mme, de difundir o conhecimento sobre tecnologias de geração de
energia alternativas para atendimento de comunidades isoladas, busca construir o alargamento
de opções para o futuro, prestigiando o conhecimento das opções locais. É outro enfoque, com-
plementar às soluções concretas posta em marcha pelo Programa luz para todos – LpT.
Ministério de Minas e Energia
miolo síntese.indd 10 19/12/2008 16:51:25
11
Prefácio
A Amazônia é um desafo desde que foi descoberta pela civilização européia. Primeiramente
sob o domínio da coroa espanhola, assenhoreada de quase toda Hylea pelo Tratado de Tordesi-
lhas, foi conquistada, ao longo dos séculos xvi a xviii, em mais uma das memoráveis epopéias
portuguesas. Fato registrado, sob protesto, pelo padre jesuíta Samuel Fritz, alemão, missionário
da Igreja espanhola na América, que em sua saga pelo Amazonas, desde a província de Quito a
Belém do Pará, buscou proteger as missões espanholas que se estendiam até as barras do Rio
Negro. Reclamou os direitos da igreja e coroa espanhola junto ao governador do Maranhão e
Grão-Pará, contra os excessos dos portugueses, “que como verdaderos piratas de los rios que
pertencian ao domínio de Castilha, llevabán cautivos y hacian esclavos á cuantos índios encon-
traban...”
1
. Em sua viagem cartografou o grande rio e seus tributários, mapa de grande valor,
primeiramente reproduzido pelos ingleses
2
.
Paul Marcoy
3
, viajante francês, em famoso périplo pelo Amazonas em meados do século XIX,
ao dar com a aparência triste e desolada das cidades ribeirinhas abandonadas, e com o impacto
do colonizador sobre o nativo e a natureza, opina que as conquistas portuguesas e espanholas
lançaram nos países subjugados e nos seus povoados os germes da destruição e não as semen-
tes da vida. Mais, nas suas palavras: que “a regeneração desse belo país é tarefa acima das suas
forças e que um futuro virá na forma de uma migração européia, abundante de gênio e vigor
natural”.
Esqueceu-se Marcoy que Espanha e Portugal são parte do gênio e vigor natural do Velho
Continente?
Euclides da Cunha viajou pelo Purus e outros rios importantes da planície Amazônia; legou-nos
brilhantes relatos
4
do que viu e do que sentiu. Contradizendo Marcoy, desfa vigorosa e poética
narrativa sobre a migração nordestina para os confns do Acre, designando-a como uma seleção
natural invertida, na qual todos os fracos, todos os inúteis, todos os doentes e todos os sacrif-
cados, eram expedidos a esmo, como o rebotalho das gentes, impelidos pelas grandes secas de
1879–1880, 1889–1890, 1900–1901, para ocupar a vastíssima, despovoada, quase ignota Amazônia,
o que equivalia a expatriá-los dentro da própria pátria. A intervenção governamental se resumia
à tarefa expurgatória para livrar os grandes centros urbanos. Segundo ele, “os banidos levavam a
missão dolorosíssima e única de desaparecerem. E não desapareceram. Ao contrário, em menos
1 O diário do Padre Samuel Fritz, organizado por Renan Freitas Pinto. Editora da Universidade do Amazonas. Manaus, 2006
2 A frota espanhola que, entre outras coisas, levava o mapa para a Espanha, foi atacada e aprisionada por navios ingleses
em 1708. Rodolfo Garcia. Introdução. O diário do Padre Samuel Fritz, organizado por Renan Freitas Pinto. Editora da
Universidade do Amazonas. Manaus, 2006
3 Viagem pelo Rio Amazonas. Editora da Universidade Federal do Amazonas. Manaus, 2006.
4 Um Clima Caluniado, in Amazônia – Um Paraíso Perdido. Editora Valer Universidade Federal do Amazonas. Manaus, 2003.
miolo síntese.indd 11 19/12/2008 16:51:25
12
de trinta anos, o Estado que era uma vaga expressão geográfca, um deserto empantanado, a
estirar-se, sem lindes, para sudoeste, defniu-se de chofre, avantajando-se aos primeiros pontos
do nosso desenvolvimento econômico.”
Fazendo coro a Euclides da Cunha podemos então dizer que conquistamos a Amazônia, e da
forma mais surpreendentemente possível, talvez sem precedentes na história da humanidade.
Demos seguimento à saga portuguesa.
Desses tempos para cá muitas coisas aconteceram e muitos conhecimentos foram aos poucos
revelados: a importância da foresta para o equilíbrio climático do planeta hoje é incontestável;
a riqueza dos produtos da foresta abre um sem-número de oportunidades; inegável o valor
ecológico e econômico da Hylea, que desperta cobiças globais.
A planície amazônica – toda a bacia do Solimões com seus mais importantes afuentes Purus,
Javari, Juruá, e parte do Amazonas com seus tributários – permanece ainda pouco tocada, com
exceção das grandes cidades, principalmente Manaus. A expansão do capitalismo para a fronteira
amazônica transfgurou a região, hoje conhecida como o Arco do Desmatamento. Revelam-se,
portanto, duas Amazônias: de um lado, a urbana, igual a qualquer grande centro do Sul-Sudeste,
e a rural do capital, produtora de excedentes; de outro lado, a rural, tradicional, de subsistência,
oriunda daquela ocupação relatada por Euclides da Cunha, ainda detentora de conhecimentos
herdados dos nativos, isolada da civilização e ainda teimosamente sobrevivente. É sobre esses
últimos que devemos voltar nossos esforços. A Amazônia que nos espera, portanto, é talvez
mais complexa. Nossa missão é preservá-la, explorando-a com toda a inteligência legada pela
civilização. A primeira tarefa é oferecer dignidade àqueles que a dominaram: minimizar seus
sofrimentos e assegurar uma vida com o melhor da civilização: educação e saúde públicas de
boa qualidade. A eletrifcação dessas comunidades rurais isoladas é fundamental para trazer
suas populações para a contemporaneidade do mundo, e esse é o papel desempenhado pelo
Programa Luz para Todos.
Nesse ponto devemos admitir que toda nossa rica cultura de prestação de serviços de energia,
baseada na extensão da rede convencional do sistema interligado e todas as regras impostas pela
legislação para garantir a qualidade do serviço e o equilíbrio econômico fnanceiro da concessão,
podem não servir para a Amazônia isolada.
De igual modo, o atendimento convencional realizado com sistemas térmicos a diesel não
é conveniente, seja pela sinalização dada de contradizer, em plena Amazônia, a consciência
universal de restrição ao uso de combustíveis fósseis, seja pela cristalização de interesses, cada
vez mais difíceis de serem demovidos. Sem mencionar os custos econômicos e os problemas
logísticos dessa alternativa.
A imensidão do território e a sua descontinuidade imposta pelos rios, igapós, igarapés, forestas
e outros acidentes geográfcos e o tempo, que se conta em dias, não em horas, exigirá a quebra
de paradigmas no setor elétrico: a descentralização do serviço. A grandeza do território deverá
ser enfrentada de forma fragmentada, aproveitando as disponibilidades locais e diversifcada de
energéticos. A resposta mais adequada poderá ser o uso de tecnologias renováveis adaptáveis às
condições locais: pequenos aproveitamentos hidroelétricos, energia solar, resíduos de biomassa
sólida para caldeiras e turbinas a vapor, produção de óleo vegetal in natura, biodiesel e etanol
para uso motores de combustão interna.
Todavia, a resposta tecnológica atende apenas a um lado do problema. O outro, bem mais
complexo, se refere ao uso da energia e à gestão de cada unidade de geração descentralizada.
miolo síntese.indd 12 19/12/2008 16:51:25
13
Novamente nos deparamos com a necessidade de um modelo que aparentemente contradita
com o regime de concessão dos serviços públicos. Esta necessita de escala, simplicidade e
uniformidade das suas operações, que são fundamentais para manter suas tarifas em um nível
suportável pelos seus usuários.
Talvez a resposta para esse desafo possa ser encontrada num programa complementar de
estímulo à cooperação nessas comunidades. Difícil, mas não impossível. O uso produtivo da energia
poderá estar associado à formas de gestão que possa vir a facilitar o serviço da concessionária
nessas áreas remotas. Apoiar vigorosamente o benefciamento de espécies da Região que pode
assentar frmemente o homem, principalmente os mais jovens, nas áreas rurais, ajudando a conter
a migração para os grandes centros, talvez até mesmo inverter o processo migratório.
Contudo, todas essas conjecturas podem de nada valer se legítimos representantes dos
amazônidas não participarem ativamente das soluções. Por certo, pesquisadores com muitos
anos de serviço em campo, labutando com comunidades isoladas e com larga experiência em
tecnologias alternativas, serão fundamentais para apontar as melhores soluções.
Por isso que o Ministério de Minas e Energia buscou a cooperação desses profssionais, com
suas expertises, desde o Edital do CT-Energ, 2003, que objetivava identifcar respostas tecno-
lógicas aos desafos colocados. Posteriormente, parte dos projetos aprovados nesse Edital foi
apoiada pelo Fundo Multilateral de Investimentos – fumin, da Cooperação Técnica atn/mt
6697-br, realizada entre o mme e o bid, para identifcar modelos de gestão adequados e sus-
tentáveis para os projetos.
Posteriormente, nasceu também no mme, em 2006, o Projeto Soluções Energéticas para a
Amazônia, concebido no transcorrer da implantação dos projetos-pilotos aprovados no Edital
do CT-Energ, 2003. A idéia consistia basicamente em usar recursos do Japan Special Fund – jsf
da Cooperação Técnica atn/jf-6630-br, realizada entre o mme e o Banco Interamericano de
Desenvolvimento – bid, para capacitar profssionais do setor elétrico, de universidades e de
outras instituições relacionadas, para a elaboração e execução de projetos descentralizados com
energias renováveis para atendimento de comunidades isoladas da Amazônia.
As tecnologias escolhidas foram aquelas que ofereciam condições para o atendimento desse
objetivo, preferencialmente que devessem apresentar os seguintes atributos: simplicidade,
confabilidade, robustez e baixo custo de manutenção e produção em escala. As tecnologias foram:
i) sistemas híbridos, com a combinação de energia eólica, solar fotovoltaica e grupo-gerador
diesel; ii) pequenos aproveitamentos hidroelétricos com turbinas de baixa queda; iii) queima de
resíduos de biomassa em caldeira/turbina a vapor e iv) produção e de biodiesel e de óleo vegetal
in natura para uso em motores de combustão interna. Posteriormente, achamos por bem incluir
gasifcação de biomassa sólida, que se ainda não madura para geração de eletricidade, apresenta
potencial para outros aproveitamentos, inclusive para produção de frio.
O Projeto Soluções Energéticas para a Amazônia foi executado, por meio de Cartas de Acordo
com o mme, por professores/pesquisadores da Universidade Federal da Pará – ufpa; da Uni-
versidade Federal de Itajubá-Unifei; da Universidade Federal do Amazonas – ufam, esta última
tendo contado com a fundamental colaboração do Instituto Militar de Engenharia – ime. A escolha
dessas instituições se deveu à experiência dos seus pesquisadores na implantação de projetos com
energias renováveis no interior da Amazônia, inclusive no âmbito do Edital CT-Energ, 2003.
Os resultados desse projeto são conhecidos: realização de dois cursos de capacitação para
cerca de 400 profssionais, um básico (40h), realizado simultaneamente nas noves capitais da
miolo síntese.indd 13 19/12/2008 16:51:26
14
Amazônia Legal, e um avançado (160h), realizado nas universidades acima citadas. Esses treina-
mentos foram realizados entre novembro de 2007 e maio de 2008, ambos apoiados por manuais
de elaboração de projetos nas tecnologias acima citadas, também preparados no âmbito dessa
cooperação técnica.
O último produto dessa bem sucedida cooperação técnica é a presente coleção de livros
“Soluções Energéticas para a Amazônia”, sendo que quatro deles representando um conjunto
de tecnologias e um volume com a síntese das tecnologias apresentadas: i) Sistemas Híbridos;
ii) Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos; iii) Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida;
iv) Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura; e v) Tecnologias de Energias Renováveis. Espera-se que
esses livros se constituam como referência para o setor elétrico, principalmente quando se for
dada a necessária atenção ao atendimento de comunidades isoladas.
Para fnalizar, gostaria de agradecer a todos aqueles que colaboraram ativamente com a exe-
cução desse projeto, primeiramente, os professores/pesquisadores que meteram a mão na massa,
verdadeiros artífces: João Tavares Pinho, que coordenou o tema sistemas híbridos e Gonçalo
Rendeiro e Manoel Nogueira que coordenaram combustão e gasifcação de biomassa, e suas
respectivas equipes, todos da ufpa; Geraldo Lúcio Tiago, da Unifei, que embora não sendo da
Amazônia, juntamente com sua equipe desenvolveu alguns projetos bem sucedidos de pequenos
aproveitamentos hidroelétricos na região e Antonio Cesar Pinho Brasil Jr. e Rudi Van Els, da UnB,
que também contribuíram nessa área com seus conhecimentos em turbinas hidrocinéticas; José
de Castro Correia, da ufam, que com o providencial apoio da profª Wilma de Araújo Gonzalez
e equipe, do ime, coordenaram o tema produção de biodiesel e de óleo vegetal in natura para
uso em motores de combustão interna.
Ao professor Roberto Zilles, da usp, responsável por um dos mais bem sucedidos projetos
do CT-Energ,2003, que aceitou fazer a revisão técnica do livro Sistemas Híbridos, trabalho que
executou com entusiasmo desinteressado. E ao professor Gutemberg Pereira Dias, pela dispo-
sição em discutir todos os assuntos referentes às tecnologias em pauta, em especial o uso de
biocombustíveis em motores de combustão interna; ele também procedeu a uma revisão técnica
das publicações que trataram desse tema.
No mme esse projeto contou com o frme apoio de Antonio João da Silva, que, arrisco dizer,
sem ele não teria sido possível. Esteve presente desde a concepção e acompanhou todo o processo
de execução, sempre buscando apresentar as soluções quando o projeto encontrava difculdades
no seu cumprimento. Mobilizou toda a sua equipe para viabilizar o projeto: Eder Julio Ferreira
e Manoel Antonio do Prado, sempre trabalhando com muita diligência, e a Manuela Ordine
Lopes Homem Del Rey, Alessandro Ferreira Caldeira e Samuel da Silva Lemos, pela presteza e
competência no apoio.
Devemos agradecimentos ainda a Armando Cardoso, Assiz Ramos e Roberto Flaviano Amaral,
sempre muito solícitos para o atendimento de demandas do projeto, e a Marcelo Zonta, que na
execução de uma das suas partes mais difíceis, a capacitação simultânea de 370 profssionais nas
nove capitais da Amazônia, gentilmente cedeu parte da sua equipe, que acabou por contribuir
de forma decisiva para o sucesso do evento: Carla Segui Scheer, que ajudou com muita efciência
a coordenação dos trabalhos, Aron Costa Falek, Elane da Cunha Muiz Caruso e Luis Henrique
dos Santos Bello.
Ainda um agradecimento muito especial a Lucia Mitico Seo e José Renato Esteves Júnior,
sempre dispostos a discutir assuntos do projeto, principalmente quando se tratava das propostas
miolo síntese.indd 14 19/12/2008 16:51:26
15
de arte das publicações.
Por fm, sinceros agradecimentos a Dr. Helio Morito Shinoda, Diretor do Programa Luz para
Todos, e demais integrantes da equipe.
No bid, os agradecimentos vão para Dr. Ismael Gílio, especialista setorial, que acreditou
no projeto, apesar de todas as difculdades por que passamos, e também à sua fel escudeira,
Marília Santos.
As opiniões constantes neste prefácio, bem como aquelas expressas nos livros desta coleção,
são de exclusiva responsabilidade dos seus autores.
Eduardo José Fagundes Barreto
Coordenador
miolo síntese.indd 15 19/12/2008 16:51:26
16 Tecnologias de Energias Renováveis 16 Tecnologias de Energias Renováveis
1 Sistemas Híbridos
Soluções Energéticas para a Amazônia
João Tavares Pinho (Coordenador)
Claudomiro Fábio Oliveira Barbosa
Edinaldo José da Silva Pereira
Hallan Max Silva Souza
João Tavares Pinho
Luis Carlos Macedo Blasques
Marcos André Barros Galhardo
Wilson Negrão Macêdo
miolo síntese.indd 16 19/12/2008 16:51:26
17 Sistemas Híbridos
Conceitos Básicos
Sabe-se que a energia é um insumo fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Atual-
mente, o homem está cada vez mais dependente de energia, pois com sua inteligência desenvolveu
maneiras para acomodar suas necessidades e desejos, utilizando-se das mais variadas formas de
energia para tal. O que nos primórdios da humanidade dependia quase que exclusivamente da
força bruta do homem – caçar, plantar, colher, pescar, transportar construir – com o passar do
tempo foi adequado ao uso de máquinas e serviços baseados na transformação da energia. Hoje,
o homem caça usando armas diversas, planta e colhe com tratores, pesca com barcos velozes e
multifuncionais, transporta e constrói com veículos e engrenagens movidas a energia. A depen-
dência, portanto, da energia cresce em diversifcação e em intensidade em todo o mundo.
O uso da energia deve, entretanto, ser atrelado ao tipo de recurso energético disponível, sua
viabilidade técnica e econômica, além dos impactos ambientais associados ao seu aproveitamento.
Qualquer que seja a tecnologia aplicada, em maior ou menor grau, produzirá algum tipo de rejeito
ou impacto ambiental. Os efeitos nocivos ao meio ambiente e ao homem quase sempre não
são contabilizados nas análises econômicas dos projetos de geração de energia. Durante muito
tempo, a lógica foi produzir bens e atender necessidades sem dar importância à vida.
São diversos os tipos de recursos energéticos, todos eles direta ou indiretamente dependentes
da fonte primária de energia da Terra – o Sol. Fontes de energia ditas renováveis, solar e eólica,
por exemplo, ou não-renováveis como os combustíveis fósseis, podem e devem ser utilizadas
de forma única ou combinada (sistemas híbridos) para melhorar a qualidade de vida do homem.
A opção por qualquer alternativa, ainda que viável técnica e economicamente, passa pelo res-
peito ao meio ambiente, aos costumes e à cultura dos envolvidos. No Brasil, a maior parte da
energia consumida é proveniente do petróleo e seus derivados, o que contribui para o aumento
da poluição atmosférica e de doenças respiratórias, incremento do efeito estufa e dispêndio de
divisas para aquisição do mesmo. A matriz energética brasileira também agrega um percentual
importante associado à energia produzida em sua maior parte pelas grandes hidrelétricas e
diversas termelétricas espalhadas pelo País. Este benefício, contudo, não atinge grande parte da
população brasileira, especialmente no norte do País, onde as linhas de transmissão passam por
sobre vilarejos sem expressão econômica, deixando seus moradores às escuras, desassistidos,
sem perspectivas de crescimento como cidadãos.
Outras formas de energia abundantes no Brasil podem ser utilizadas para, pelo menos, miti-
gar o isolamento social e econômico de municípios e pequenos consumidores distantes da rede
integrada nacional e não atendidos pelas concessionárias de energia elétrica. A energia de fontes
solar, eólica, hídrica, térmica, biomassa e outras estão disponíveis no Brasil e precisam ter seu
uso incentivado através de políticas públicas que fortaleçam seu desenvolvimento. Esperar que
miolo síntese.indd 17 19/12/2008 16:51:26
18 Tecnologias de Energias Renováveis
apenas uma das fontes citadas resolva o problema de energia no País é irreal, porém o apro-
veitamento da disponibilidade local de cada uma delas pode trazer contribuição signifcativa à
matriz energética brasileira. Esta já é uma realidade em países desenvolvidos, como Alemanha,
Espanha, Estados Unidos, onde as fontes renováveis respondem por parcela considerável na
produção de energia.
A produção e o uso de energia não podem deixar de lado, entretanto, os cuidados com as
questões ambientais. Diversos fóruns internacionais têm discutido questões como o efeito
estufa, destino de rejeitos radiativos, poluição de cursos d’água, degradação do solo pelo uso
de agrotóxicos, aparecimento de novas doenças, destruição de forestas, etc. Estes problemas
ainda hoje são de difícil quantifcação, porém suas conseqüências danosas e, às vezes irreversí-
veis, precisam ser mais bem consideradas.
Energia Solar Fotovoltaica
O aproveitamento da energia solar para produção direta de eletricidade teve início há pouco
mais de 160 anos quando, em 1839, o cientista francês Edmond Becquerel descobriu o efeito
fotovoltaico, ao observar, em um experimento com uma célula eletrolítica (dois eletrodos metálicos
dispostos em uma solução condutora), que a geração de eletricidade aumentava quando a célula era
exposta à luz. A partir daí, foram estudados os comportamentos de diversos materiais expostos
à luz até o ano de 1954, quando Daryl Chapin, Calvin Fuller e Gerald Pearson desenvolveram a
primeira célula fotovoltaica (FV) de silício, com efciência de 6%, capaz de converter energia solar
em eletricidade sufciente para alimentar equipamentos elétricos. No ano de 1958, iniciou-se a
utilização de células FV em aplicações espaciais e até hoje essa fonte é reconhecida como a mais
adequada para essas aplicações.
Desde então, a evolução do mercado FV vem sendo bastante intensa, tornando comuns apli-
cações em sistemas domésticos, sinalização marítima, eletrifcação de cercas e outros. Em 2004,
foi fnalizado o projeto do maior sistema FV do mundo, o parque solar da Bavária, Alemanha, de
10 MWp de potência instalada. Dentre os principais países produtores de células fotovoltaicas
no mundo, destacam-se: Japão, Alemanha e Estados Unidos (eua).
O Japão foi o líder na produção de células e módulos fotovoltaicos durante o ano de 2006,
com cifras de 920 MW e 645 MW, respectivamente (fgura 1.1). A produtora japonesa Sharp se
mantém líder, com a produtora alemã Q-cells em segunda posição, seguida da Kyocera, Sanyo
Electric e Mitsubishi Electric. Essas cinco companhias somaram 60% do total de produção de
células em 2006. Apesar de o Japão ainda liderar a produção de células, é a Alemanha que lidera
a demanda fotovoltaica, seguida do Japão e eua. Essa demanda se deve basicamente à utilização
de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica, que corresponde à principal aplicação de
geração de energia elétrica com sistemas fotovoltaicos nos países desenvolvidos.
O aproveitamento solar fotovoltaico passa inicialmente pelo conhecimento dos fatores
que infuenciam na disponibilidade do recurso e na caracterização desse recurso. No dia-a-dia
observa-se o movimento aparente do Sol numa direção que vai de leste a oeste, ou simplesmente
o nascer e o pôr-do-sol. Notam-se também as variações que ocorrem na duração dos dias e das
noites em diferentes épocas do ano em algumas regiões. Os movimentos que a Terra realiza
são muitos; sendo os mais conhecidos o de rotação, que tem duração de aproximadamente
um dia, e o de translação, que dura aproximadamente 365 dias (fguras 1.2 e 1.3). Dentre as
miolo síntese.indd 18 19/12/2008 16:51:26
19 Sistemas Híbridos
conseqüências diretas desses movimentos podem ser citadas as diferentes durações do dia
e da noite em diferentes regiões do globo e as estações do ano: primavera, verão, outono e
inverno. Outros fatores como as variações irregulares são determinantes na quantidade do
recurso solar disponível de uma dada localidade.
Figura 1.1 – Produção de células fotovoltaicas, em MW por país. [photon international, 2007].
Figura 1.3 – A Terra e o Sol nas posições dos solstícios e dos equinócios
Figura 1.2 – Órbita da Terra em torno do Sol: posição da terra com relação ao sol nos solstícios e equinócios
miolo síntese.indd 19 19/12/2008 16:51:29
20 Tecnologias de Energias Renováveis
O efeito fotovoltaico é defnido como a conversão direta de luz em eletricidade. Os seus funda-
mentos baseiam-se na teoria do diodo de junção pn, e os elementos que constituem o dispositivo
conversor são chamados de fotoelementos.
Se uma junção pn for exposta a fótons com energia maior que a da banda proibida, ocorrerá
a geração de pares elétron-lacuna. Se isto acontecer na região onde o campo elétrico é diferente
de zero, as cargas serão aceleradas, gerando assim uma corrente através da junção; esse desloca-
mento de cargas dá origem a uma diferença de potencial à qual chama-se de efeito fotovoltaico.
Se as duas extremidades do “bloco” de silício forem conectadas a um circuito externo, haverá
uma circulação de elétrons (fgura 1.4).
Figura 1.4 – Processo de conversão fotovoltaica
Devido à baixa tensão e corrente de saída em uma célula fotovoltaica, agrupam-se várias células
formando um módulo, para que se obtenham tensões úteis na prática. O arranjo das células nos
módulos pode ser feito conectando-as em série e/ou em paralelo. Para garantir maiores níveis de
potência, corrente e/ou tensão, os módulos podem ser associados em série e/ou paralelo, dependendo
dos valores desejados. Uma associação de módulos dá origem a um gerador ou arranjo FV.
Dentre os fatores que infuenciam as características da célula, a irradiância e a temperatura
são os mais importantes. Baixos níveis de irradiância reduzem a corrente gerada sem causar
redução considerável à tensão, enquanto que altos valores de temperatura da célula reduzem a
tensão em maiores proporções que aumentam a corrente, deslocando assim o ponto de máxima
potência para a esquerda.
O dispositivo responsável pela conversão da luz incidente em eletricidade é denominado de
célula fotovoltaica. Os materiais empregados na sua construção são elementos semicondutores,
sendo, em escala comercial, a maioria fabricada de silício, devido a três fatores principais: o silí-
cio não é tóxico, é o segundo elemento mais abundante na natureza (o primeiro é o oxigênio), e
possui uma tecnologia consolidada devido à sua utilização predominante no ramo da microele-
trônica. A fgura 1.5 mostra a participação das principais tecnologias utilizadas comercialmente
na confecção de células e módulos fotovoltaicos.
miolo síntese.indd 20 19/12/2008 16:51:30
21 Sistemas Híbridos
A maioria dos materiais utilizados na conversão fotovoltaica são cristalinos, caracterizando-se
por terem uma estrutura de átomos que se repete. Atualmente, o silício ainda é o material mais
utilizado na produção de células FV, podendo ser encontrado nas formas monocristalina, mul-
ticristalina ou policristalina, e amorfa.
Todas as tecnologias acima citadas são mais bem descritas a seguir:
Células de Silício Monocristalino: são atualmente as mais utilizadas comercialmente. O 1.
silício é o segundo material mais abundante na crosta terrestre e células fabricadas com
esse material não apresentam problemas ambientais causados pela combinação dos
seus elementos constituintes. Apresentam elevada vida útil.
As células de silício monocristalino são desenvolvidas a partir de um único cristal.
Comercialmente, a efciência dessas células já atinge valores próximos a 16%. As
desvantagens estão relacionadas com o alto custo de produção, devido ao processo
construtivo, e ao alto consumo de energia nos processos de fabricação. Acredita-se que
novas tecnologias empregadas na fabricação do silício possam alterar esse quadro.
Células de Silício Poli ou Multicristalino: são constituídas de diversos cristais em contato 2.
entre si, dispostos de maneira não alinhada. Esse procedimento visa reduzir custos de
fabricação, embora haja uma pequena perda de efciência. Os avanços tecnológicos
vêm reduzindo bastante as diferenças de custo e efciência entre as células mono e
policristalinas, sendo essas diferenças atualmente pouco perceptíveis.
Células de Silício Amorfo: não apresentam qualquer ordenamento na estrutura dos 3.
átomos. Seus custos de material são reduzidos se comparados às células anteriores,
porém apresentam efciência também reduzida, com o máximo valor comercial
atingindo 10%.
Células de Arseneto de Gálio (GaAs): têm estrutura similar à do silício, apresentando 4.
Figura 1.5 – Participação das principais tecnologias utilizadas comercialmente na confecção de células e módulos
fotovoltaicos [photon international, 2007]
miolo síntese.indd 21 19/12/2008 16:51:30
22 Tecnologias de Energias Renováveis
efciência ligeiramente superior. Ideais para utilização em sistemas com concentração,
são pouco utilizadas em escala terrestre, principalmente devido ao complexo processo
de produção envolvido, resultando em custos muito elevados.
Células de Disseleneto de Cobre-Índio ( 5. cis): são compostas por um material
policristalino, podendo captar uma larga faixa do espectro solar. No entanto, o gasto de
material é maior do que no silício amorfo, devido à presença do Índio. Essa tecnologia
pode ocasionar contaminação ambiental devido à combinação de seus elementos.
Apresentam efciências máximas laboratoriais de 19,2% e comercias da ordem de 14%.
Células de Telureto de Cádmio (CdTe): também são compostas por arranjos 6.
policristalinos. Os riscos ambientais apresentados são mínimos, porém apresentam
difculdade no processo de dopagem. Atingem efciências máximas laboratoriais da
ordem de 16,5% e comercias da ordem de 11%.
A respeito da tecnologia de produção de eletricidade utilizando-se o efeito fotovoltaico, pode-se
separar o mercado em dois principais setores: o silício cristalino ( monocristalino e o policristalino)
e o silício amorfo. A fgura abaixo ilustra três painéis correspondentes às tecnologias cristalina
e amorfa:
Figura 1.6 – Módulos FV fabricados comercialmente a partir de células de silício (a) monocristalino, (b) policristalino e (c) amorfo
a b c
Em localidades sem o atendimento elétrico convencional, os módulos fotovoltaicos constituem uma
alternativa viável quando comparada com a extensão da rede elétrica, diesel e outras fontes.
Os sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica são mais efcientes, econômicos, em
média 40% mais baratos, e de maior durabilidade que os sistemas fotovoltaicos autônomos,
pois não neces sitam de sistemas de armazenamento. Atualmente, os sistemas de fornecimento
de eletricidade isolados vêm se tornando cada vez mais padronizados e fexíveis. Isso se deve,
basicamente, à semelhança cada vez maior entre as características elétricas de atendimento
dos sistemas convencionais (rede elétrica) e as características de atendimento dos sistemas
destinados a localidades isoladas. Um exemplo prático desse desenvolvimento está justamente
na utilização de sistemas fotovoltaicos interligados a minirredes isoladas para o atendimento
de pequenas comunidades, fornecendo energia diretamente no barramento CA, semelhante ao
que acontece nos grandes centros urbanos.
miolo síntese.indd 22 19/12/2008 16:51:38
23 Sistemas Híbridos
Energia Eólica
Em sistemas híbridos do tipo fotovoltaico-eólico-diesel a energia eólica, assim como a energia
solar, desempenha papel fundamental para o bom desempenho do sistema. O conhecimento de
suas características, desde as mais fundamentais até as mais particulares, é de extrema impor-
tância para garantir um projeto bem dimensionado, a escolha de equipamentos adequados para
cada situação, bem como para uma correta instalação.
As características do vento, seus conceitos básicos e suas formas de circulação na atmosfera
terrestre são temas fundamentais e de grande importância para o estudo da energia eólica como
fonte de geração de eletricidade. Os ventos são resultantes do movimento do ar na atmosfera, e
são originados, basicamente, pelo aquecimento heterogêneo da superfície terrestre pela radiação
solar e pelo movimento de rotação da Terra. São classifcados como gerais e locais; os primeiros
sopram sobre a atmosfera e os últimos sopram próximo à superfície.
A velocidade de vento, parâmetro mais importante no estudo da conversão eólio-elétrica,
varia com a altura, sendo essa variação nula na superfície do solo, mais acentuada em alturas
próximas à superfície, pouco signifcativa a alturas próximas a 150 m, e nula a aproximadamente 2
km sobre o solo. O fenômeno de variação da velocidade de vento com a altura é denominado de
perfl vertical de vento. Esta variação pode ser extrapolada, conhecendo-se a velocidade de vento
a uma altura qualquer, a fm de se obter o novo valor de velocidade a uma altura diferente, através
de dois modelos, conhecidos como perfs da lei de potência e logarítmico do vento (fgura 1.7).
Figura 1.7 – Perfl vertical de vento
A primeira etapa no estudo da energia eólica para conversão em eletricidade é a avaliação do
potencial eólico. A avaliação é iniciada com a medição dos parâmetros de interesse. Instrumentos
de medição como anemômetros, sensores de direção de vento, termômetros e barômetros são
utilizados para medição, respectivamente, de velocidade e direção de vento, temperatura e pressão
miolo síntese.indd 23 19/12/2008 16:51:38
24 Tecnologias de Energias Renováveis
atmosférica. A umidade relativa do ar, medida por higrômetros, apesar de não infuenciar dire-
tamente no aproveitamento eólico, é avaliada para a determinação de infuências indiretas.
De posse dos dados medidos, a avaliação é normalmente realizada através de modelos pro-
babilísticos. Valores médios, desvio padrão e funções de distribuição são utilizados para avaliar
o comportamento do potencial eólico. A distribuição de Weibull é o modelo probabilístico mais
utilizado para representar as curvas de freqüência de velocidade do vento.
A potência disponível no vento é proporcional ao cubo da velocidade de vento. Outros parâ-
metros de importância são a densidade do ar e a área varrida pelas pás do rotor eólico. O coe-
fciente de potência é um fator limitante da potência efetivamente aproveitada por um sistema
eólico, e representa a parcela de potência do vento que pode efetivamente ser aproveitada por
uma turbina eólica. Seu máximo teórico é defnido pelo limite de Betz (16/27, ou 0,593), porém
alcança valores menores na prática. Se consideradas as demais perdas envolvidas no processo
de conversão, como as perdas aerodinâmicas, mecânicas e elétricas, o coefciente de potência
pode ser igualado à efciência global de conversão.
Os aerogeradores são os equipamentos responsáveis pela conversão eólio-elétrica. O rotor
eólico é o componente mais característico de um aerogerador. Uma das classifcações típicas de
aerogeradores é aquela dada em função da direção de seu eixo de rotação em relação ao vento.
Atualmente, os aerogeradores mais comuns são aqueles de eixo horizontal. Os componentes
principais de aerogeradores de eixo horizontal, além do rotor eólico e suas pás, são os eixos de
baixa e alta velocidade, sistema de multiplicação, sistema de orientação, mecanismos de controle,
e gerador elétrico. A nacele, também conhecida por gôndola, é o compartimento responsável pelo
abrigo, proteção e sustentação de todos os componentes do aerogerador, com exceção do rotor.
A torre tem como função básica o suporte do rotor e demais componentes do aerogerador, bem
como sua localização em uma altura adequada para o melhor aproveitamento da potencialidade
eólica disponível (fgura 1.8).
1- Grua de manutenção
2- Gerador
3- Sistema de refrigeração
4- Unidade de controle
5- Sistema de multiplicação
6- Eixo principal
7- Sistema de bloqueio do rotor
8- Pá
9- Cubo do rotor
10- Cone
11- Suporte das pás
12- Nacele
13- Sistema hidráulico
14- Amortecedor
15- Anel de orientação
16- Freio
17- Torre
18- Sistema de orientação
19- Eixo de alta velocidade
Figura 1.8 – Algumas partes constituintes de um aerogerador. Fonte: gamesa, 2007
O desempenho dos aerogeradores é normalmente determinado em função de sua curva de potên-
cia, que determina os valores de potência disponíveis na saída do aerogerador, para cada faixa de
velocidade de vento. Os principais valores de velocidade de vento de uma curva de potência são
miolo síntese.indd 24 19/12/2008 16:51:39
25 Sistemas Híbridos
a velocidade de partida, a mínima para que o rotor saia de seu estado de repouso inicial e inicie
a geração de energia; a velocidade nominal, aquela na qual a potência nominal do aerogerador é
extraída; e a velocidade de corte, na qual o movimento do rotor eólico é interrompido, protegendo-o
contra danos estruturais. Outra forma de se determinar o desempenho de aerogeradores é através
do fator de capacidade, que indica o real rendimento de um aerogerador, considerando todas as
perdas no processo de conversão. O fator de capacidade é a razão entre a energia efetivamente
gerada por um aerogerador e sua potência nominal, considerando-se um período de tempo qual-
quer. Quanto maior o fator de capacidade, melhor o desempenho do aerogerador.
Figura 1.9 – Conceitos relacionados a um rotor eólico
Sistemas eólicos podem ser instalados em terra (onshore) e no mar (offshore), e podem ser a única
fonte de geração em um sistema isolado, estar conectados ao sistema interligado, confgurando
o que se conhece como geração distribuída, ou ainda compor, com outras fontes de geração,
um sistema híbrido isolado.
Os impactos ambientais de sistemas eólicos podem ser considerados de pequena escala.
O visual é basicamente comum a todas as fontes de geração, o sonoro é bastante reduzido se
comparado a outras fontes de ruídos, e a ocupação de áreas está sendo minimizada com a ins-
talação de sistemas no mar. Outros impactos, típicos de sistemas eólicos, mas que vêm sendo
bastante minimizados com o passar do tempo, são os desvios de rotas migratórias e mortes de
aves, morcegos e insetos, e a interferência eletromagnética, causada pela refexão ou distorção
de ondas eletromagnéticas emitidas por sistemas de transmissão de sinais.
Grupos Geradores
Os grupos geradores são máquinas muito utilizadas para o fornecimento de energia elétrica.
Dentro da região amazônica, eles são bastante aplicados para atender a localidades situadas em
zonas rurais e em lugares isolados do sistema interligado nacional.
miolo síntese.indd 25 19/12/2008 16:51:39
26 Tecnologias de Energias Renováveis
Na maioria das vezes, a operação de um grupo gerador é feita através da inserção de combus-
tível no motor de combustão interna, que pode ser do tipo otto ou diesel, e ao iniciar a partida
esse motor aciona o eixo de um gerador elétrico fornecendo tensão nos seus terminais.
Figura 1.10 – Esquema de combustão para o motor de quatro tempos [http://mea.pucminas.br/ricardo/pos/Aula_01.pdf, 2007]
A fácil aquisição desse maquinário, principalmente por apresentar uma ampla faixa de potência
comercialmente disponível, o preço de aquisição menor quando comparado com outras fontes
de energia (eólica, solar), além de sua robustez o torna atrativo para atendimento de localidades
isoladas.
Dependendo do porte dos grupos geradores, existirá a necessidade ou não da utilização
de unidades de supervisionamento e controle em corrente alternada (usca), onde o operador
poderá realizar a partida e parada da máquina além de monitorar as grandezas elétricas tais
como tensão, corrente, freqüência.
A desvantagem em utilizar grupos geradores está no fato de que o custo de operação e
manutenção é elevado, além de a logística para a obtenção do combustível ser onerosa. Outro
fator está relacionado com a poluição do meio ambiente, tanto no transporte e armazenamento
do combustível com possibilidade de vazamentos do material como no funcionamento do grupo
gerador através da emissão de gases poluentes para a atmosfera.
Os grupos geradores podem ser utilizados em conjunto com outras fontes de energia, carac-
terizando assim os denominados sistemas híbridos.
Atualmente, além de essas máquinas operarem em sua maioria com o diesel, existe grande inte-
resse por parte do governo em realizar adaptações nos motores para que eles passem a funcionar
com a utilização de biodiesel, contribuindo assim para a diminuição dos impactos ambientais.
Sistema de Armazenamento
A natureza das fontes renováveis solar e eólica é intrinsecamente variável no tempo, dependendo
dos ciclos diários, das estações do ano e das variações aleatórias da atmosfera. Como conseqüência
disso, são muitos os momentos nos quais a potência elétrica que pode ser entregue pela parte
renovável difere, por excesso ou por défcit, da qual é demandada por uma determinada aplicação.
No caso particular dos sistemas híbridos de produção de eletricidade, o correto fornecimento
miolo síntese.indd 26 19/12/2008 16:51:40
27 Sistemas Híbridos
elétrico da aplicação exige, portanto, poder armazenar energia nos momentos em que a produção
excede a demanda, para utilizá-la em situação inversa. Denomina-se de sistema de armazenamento
ao componente do sistema que se encarrega de realizar tal função. Historicamente, o sistema
de armazenamento mais utilizado em sistemas híbridos é aquele constituído de acumuladores
eletroquímicos (ou baterias) de chumbo-ácido.
Uma bateria é constituída de duas ou mais células conectadas em série. Uma célula básica
é formada de dois eletrodos. Comumente um é chamado de eletrodo positivo e o outro de ele-
trodo negativo.
Normalmente, a tensão nominal de uma célula situa-se entre 1,2 e 3,6 V. Dessa forma, é comum
a utilização de várias células conectadas em série para formar uma combinação com tensão
nominal mais elevada. A tensão nominal de uma bateria é assim defnida pelo número de células
conectadas em série, vezes a tensão nominal de uma única célula. As células são integradas e
conectadas em série com somente um conjunto de terminais. Um exemplo bem conhecido é a
bateria usada para partida, iluminação e ignição de automóveis, em que 6 células são conectadas
em série, porém vendidas como um bloco de 12 V.
As baterias podem ser classifcadas, quanto à disponibilidade de carga, como primárias (ou não
recarregáveis) e secundárias (ou recarregáveis). Dentre os tipos de baterias primárias podem ser
citadas as pilhas, não recarregáveis, e a maioria das baterias usadas em relógios e brinquedos ele-
trônicos. Com relação às baterias secundárias, as baterias automotivas são as mais conhecidas.
Existem diversos tipos de baterias recarregáveis disponíveis comercialmente, e suas caracterís-
ticas variam em função da sua forma construtiva e dos elementos que as compõem. Com relação
ao eletrólito que as compõem, podem ser classifcadas basicamente por abertas e seladas.
As baterias abertas são aquelas onde o nível de eletrólito deve ser periodicamente verifcado,
devendo trabalhar na horizontal. Nas seladas, o eletrólito é confnado no separador ou sob a
forma de gel. São usualmente conhecidas como “livres de manutenção”. Baterias de Pb-Ácido
utilizam em suas grades ligas de Pb-Ácido, de modo a reduzir a perda de água decorrente da
eletrólise da água, durante o processo de carga.
Em relação ao tipo de utilização, as mais comuns são as automotivas, estacionárias, tração e
fotovoltaicas. A seguir são apresentadas as principais características de cada uma delas:
Automotivas: Projetadas para regimes de carga e descarga rápidos com elevadas taxas Š
de corrente (> 3I
20
) e reduzidas profundidades de descarga, da ordem de 30% (partida).
Como característica principal desse tipo de bateria destaca-se a baixa resistência aos
ciclos de carga e descarga;
Estacionárias: Projetadas para permanecer em futuação e ser solicitadas Š
ocasionalmente (backup). Além disso, podem operar com regimes de carga elevados.
Dentre as principais características destacam-se a moderada resistência ao processo de
ciclagem e o baixo consumo de água;
Tração: Projetadas para operar com ciclos profundos e freqüentes e regime de descarga Š
moderados. Suas principais características são: alta resistência a ciclagem, alto consumo
de água e manutenção freqüente;
Fotovoltaicas: Projetadas para ciclos diários rasos com taxas de descarga reduzidas Š
(descargas profundas esporádicas, da ordem de até 80%). Como características
principais destacam-se a resistência ao processo de ciclagem e a pouca manutenção.
Diferentes tipos de baterias recarregáveis, passíveis de serem usadas nas aplicações autônomas
miolo síntese.indd 27 19/12/2008 16:51:40
28 Tecnologias de Energias Renováveis
de fornecimento de energia elétrica, são constantemente disponibilizados pelo mercado (Ni-Fe,
Ni-Zn, Zn-Cl). Entretanto, a disponibilidade do mercado reduz a possibilidade de escolha dos
tipos que podem ser empregados em sistemas isolados, tais como os sistemas híbridos. Dessa
maneira, as baterias de chumbo-ácido (Pb-Ácido) e níquel-cádmio (Ni-Cd) tornaram-se algumas
das poucas opções para os projetistas e, portanto, as mais usuais. O preço das últimas é, para a
mesma quantidade de energia, da ordem de quatro ou cinco vezes superior ao das primeiras.
Assim, a questão econômica associada à disponibilidade do mercado fez com que a maioria
dos acumuladores utilizados nos sistemas fotovoltaicos, eólicos, ou híbridos, sejam constituídos
de baterias recarregáveis de chumbo-ácido.
As condições de operação variam consideravelmente de acordo com a localização, tipo de
aplicação, padrão da carga, geradores instalados e a estratégia de operação empregada. Os
parâmetros mais importantes para classifcação das condições de operação são as correntes de
carga e descarga, temperatura, e o perfl do estado de carga ao longo do ano.
Para se obter bancos de baterias mais robustos deve-se associar várias baterias de menor
capacidade em série e/ou paralelo de modo a se obter o tamanho do banco desejado. Para a
composição do banco de baterias, vários aspectos devem ser considerados, dentre os quais se
destacam: a escolha adequada da tensão do banco de baterias e o correto dimensionamento dos
cabos usados na transferência de energia da e para a bateria.
Figura 1.11 – Infuência do dimensionamento do gerador e da bateria nos parâmetros PDe, e D: (a) diminuindo o tamanho do
gerador e aumentando o acumulador, e (b) aumentando o tamanho do gerador e diminuindo o tamanho do acumulador
Sistema de Condicionamento de Potência
O sistema de condicionamento de potência é composto por equipamentos cuja função principal
é otimizar o controle geração/consumo visando ao aproveitamento ótimo dos recursos, aliado à
qualidade e continuidade na entrega da energia ao usuário. Assim como as baterias, alguns com-
ponentes do sistema de condicionamento de potência são essenciais para o bom desempenho
de sistemas híbridos. Os principais equipamentos são os controladores de carga, inversores de
tensão, retifcadores, conversores, transformadores e diodos.
O controlador de carga é um equipamento normalmente associado ao arranjo fotovoltaico,
responsável por gerenciar os processos de carga (sentido arranjo FV – bateria) e descarga (sentido
bateria – carga) das baterias, contribuindo, assim, para a preservação da vida útil das mesmas.
miolo síntese.indd 28 19/12/2008 16:51:41
29 Sistemas Híbridos
Os controladores devem ser utilizados com os tipos de baterias para os quais foram projetados,
ou ser ajustados para cada tipo, no caso daqueles que permitem o ajuste de seus parâmetros
(setpoints) por parte do usuário. O controle é normalmente desenvolvido através de dois métodos,
o liga/desliga, mais simples, e o de tensão constante, no qual a regulação dos níveis de carga
da bateria é realizada de forma otimizada. Com relação à forma como desconectam o arranjo
FV das baterias, os controladores são classifcados pelos métodos paralelo (shunt) e série. As
características mais importantes de controladores de carga a serem consideradas na etapa de
dimensionamento são a sua capacidade (A) e a sua tensão de operação (V
CC
).
O retifcador de tensão é responsável pela conversão da potência dos aerogeradores e grupos
geradores a diesel que estão conectados no barramento CA para uma potência CC, seja para
carregar baterias, seja para suprir eventualmente alguma carga CC. Aerogeradores de pequeno
porte são normalmente acompanhados por retifcadores de tensão que, por sua vez, são usual-
mente combinados com um sistema de controle de carga.
O inversor de tensão converte a corrente contínua, proveniente dos equipamentos de geração
e armazenada pelas baterias, em corrente alternada, sendo também conhecido como conversor
CC
-
CA. Sua utilização é fundamental devido à maior facilidade de se encontrar no mercado
equipamentos eletro-eletrônicos de uso fnal que operam em corrente alternada. Dentre as
características principais dos inversores estão as suas tensões de operação de entrada (CC) e
saída (CA), freqüência, potência nominal, capacidade de surto, efciência e forma de onda de
saída, que pode ser de três tipos: quadrada, quadrada modifcada e senoidal.
O conversor CC
-
CC é um equipamento que ajusta um valor de tensão CC diferente do fornecido
pelo sistema de geração/armazenamento, ou quando se deseja obter vários valores de tensão a
partir de uma única entrada. Os conversores CC
-
CC podem elevar a tensão (boost) ou baixá-la
(buck). Este equipamento pode conter um sistema seguidor de ponto de máxima potência, muito
utilizado com o objetivo de se obter a máxima potência disponível do arranjo FV.
O diodo de bloqueio é um dispositivo eletrônico utilizado em sistemas FV, cuja função é evitar
que os módulos FV atuem como carga para as baterias em períodos de indisponibilidade de gera-
ção, e que módulos operando em condições normais injetem correntes elevadas em um grupo de
módulos em condições anormais de funcionamento. Já o diodo de passagem evita que, em uma
associação em série, um módulo operando em condições anormais (devido a um defeito de fabri-
cação ou condições de sombreamento, por exemplo) infuencie negativamente no desempenho do
arranjo como um todo. Os diodos de bloqueio devem ser dimensionados e instalados de acordo
com a capacidade do arranjo FV, o diodo de passagem, por sua vez, é normalmente fornecido por
alguns fabricantes de módulos, já vindo instalado na caixa de conexões do módulo.
Transformadores também podem estar presentes em sistemas híbridos, estando normalmente
instalados entre o aerogerador e o retifcador de tensão, e sua função é adequar os níveis de
tensão CA do sistema.
Demais acessórios presentes em sistemas híbridos são equipamentos elétricos gerais, como
cabos, disjuntores, chaves e conectores, entre outros.
Sistemas Híbridos
As fontes de energia renováveis solar (fotovoltaica), eólica, hídrica (mch e pch) e biomassa
constituem alternativas reais para geração de eletricidade em áreas isoladas. Há áreas onde mais
miolo síntese.indd 29 19/12/2008 16:51:41
30 Tecnologias de Energias Renováveis
de uma fonte renovável se destaca, podendo ser combinadas em um único sistema, defnindo o
conceito de sistema híbrido de energia, ou simplesmente, sistema híbrido – aquele que utiliza
mais de uma fonte que, dependendo da disponibilidade dos recursos, deve gerar e distribuir
eletricidade, de forma otimizada e com custos mínimos, a uma determinada carga ou a uma rede
elétrica, isolada ou conectada a outras redes.
A utilização dos sistemas híbridos teve seu início na década de 1970, frente à crise do petróleo
(1973). Atualmente, a utilização desses sistemas volta-se também com a questão ambiental.
Diversos são os tipos de sistemas híbridos em utilização no mundo. Dentre esses, destacam-
se como principais: eólico-diesel; fotovoltaico-diesel; fotovoltaico-eólico-diesel; fotovoltaico-
eólico. Salienta-se que a combinação das fontes renováveis busca explorar satisfatoriamente a
complementaridade entre ambas ao longo do tempo.
Os sistemas híbridos podem ser classifcados: quanto à Interligação com a rede elétrica con-
vencional – isolado ou interligado; quanto à prioridade de uso das fontes de energia – baseado
no recurso não renovável ou no renovável; quanto à confguração – série, chaveado ou paralelo;
e quanto ao porte – micro, pequeno, médio ou grande.
Figura 1.12 – Sistema híbrido isolado
As principais vantagens desses sistemas incluem: utilização dos recursos locais; modularidade;
pouca necessidade de manutenção; geração descentralizada; reduzido nível de emissão de gee,
entre outros. Por outro lado, como principais desvantagens, destacam-se: recursos precisam ser
favoráveis para geração de eletricidade; investimento inicial bastante elevado; necessidade de
um sistema de armazenamento de energia, geralmente baterias.
As estratégias de operação utilizadas pelos sistemas híbridos são semelhantes e visam, prin-
cipalmente, a um atendimento contínuo e de qualidade, como também à redução do consumo
de óleo combustível.
A maioria dos sistemas híbridos está instalada em locais remotos, de difícil acesso e, espe-
cialmente, com falta de mão-de-obra qualifcada para operá-los. Isso justifca a automatização e
monitoração remota ou local desses sistemas, o que assegura a redução nos custos operacionais
e a maior confabilidade.
Outro instrumento que também visa reduzir custos operacionais, bem como permitir maior
controle do consumo por parte do usuário, é a implementação do sistema pré-pago de energia,
miolo síntese.indd 30 19/12/2008 16:51:41
31 Sistemas Híbridos
ou seja, o pré-pagamento (compra antecipada, semelhante à da telefonia celular) pelo serviço
de eletricidade.
Com relação aos impactos proporcionados pelos sistemas híbridos, os mesmos apresentam
características mais benéfcas do que prejudiciais, especialmente por se tratarem de sistemas
de pequeno a médio porte, baseados nos recursos renováveis.
Nos sistemas híbridos, como em qualquer outro sistema elétrico, o uso racional da energia é um
fator muito importante, dada especialmente a limitação de geração e a intermitência das fontes pri-
márias. Portanto, a adoção de equipamentos elétrico-eletrônicos efcientes e o esclarecimento dos
usuários sobre como utilizar a energia elétrica são ações fundamentais para um uso mais racional.
Ultimamente, a procura de maior efciência global dos sistemas híbridos motiva estudos da
inserção de outras formas de geração nos mesmos. A biomassa (especialmente na Amazônia) e
a célula a combustível destacam-se nesse aspecto.
Projeto de Sistemas Híbridos
A primeira etapa para o projeto de um sistema híbrido é a análise do recurso disponível para
aproveitamento das energias solar e eólica no local da futura implantação do sistema, como
também a identifcação e a avaliação preliminares das áreas potenciais para a instalação dos
sistemas de geração e distribuição de energia elétrica. Os passos para a avaliação dos recursos
energéticos naturais (solar e eólico) de uma determinada localidade seguem a partir de uma
avaliação preliminar, identifcando áreas onde os aproveitamentos solar e eólico são poten-
cialmente viáveis. Dentre as formas de avaliação preliminar destacam-se: a consulta em atlas
eólicos e solarimétricos; a consulta em programas computacionais destinados a estimativas de
potenciais baseados em medições de estações meteorológicas próximas; a obtenção dos dados
de estações meteorológicas de localidades próximas.
O segundo passo do levantamento é realizado com a visita ao local para a observação de
indicadores naturais, medições pontuais no período da visita, a obtenção de informações com os
moradores sobre as características meteorológicas locais e a avaliação da acessibilidade ao local.
Por último, tendo o indicativo preliminar de bom potencial para aproveitamento das energias
solar e/ou eólica, o passo seguinte se dá com a instalação de sensores de medição (anemôme-
tros, anemoscópios, piranômetros, barômetros, termohigrômetros), normalmente realizados em
torres, sob a forma de estação meteorológica.
Após o levantamento dos recursos solar e eólico disponíveis na localidade, a análise do potencial
para aproveitamento dos mesmos para geração de energia elétrica é uma etapa imprescindível
para um criterioso estudo de viabilidade técnica de empreendimentos que utilizem as fontes
solar e eólica. Caso constatada a viabilidade preliminar, a disponibilidade de dados confáveis
em um período satisfatório e bem analisados passa a ser fundamental para garantir a elabora-
ção de projetos dimensionados de forma tal que apresentem relação ótima entre a participação
de cada uma das fontes no sistema híbrido. No dimensionamento do sistema leva-se em conta
uma série de fatores como o custo da energia gerada, confabilidade, efciência e facilidade de
manutenção, entre outros.
Torna-se também importante avaliar a logística de abastecimento de combustível para a
localidade, pois em muitas estratégias de operação de sistemas híbridos faz-se o uso de grupos
geradores (como os acionados por motores a diesel) atuando como complementação ao sistema
miolo síntese.indd 31 19/12/2008 16:51:41
32 Tecnologias de Energias Renováveis
renovável, visando ao aumento da confabilidade do suprimento de energia elétrica.
Avaliado o recurso energético disponível, e se preliminarmente constatada a viabilidade da
instalação de sistemas de geração no local, a etapa seguinte é a elaboração do projeto. O primeiro
passo no desenvolvimento do projeto do sistema de geração é a análise da demanda, ou seja, a
verifcação dos tipos de cargas que serão atendidas pelo sistema, assim como seus regimes de
utilização e considerando ainda as perdas envolvidas no sistema e a demanda reprimida, para,
a partir daí, iniciarem as etapas: de escolha da estratégia de operação do sistema híbrido; de
dimensionamento das fontes de geração consideradas, ou seja, o dimensionamento do sistema
solar-eólico-diesel e de seus sistemas complementares (armazenamento, condicionamento de
potência); bem como dos sistemas de controle e proteção e da minirrede de distribuição de
energia elétrica. Feita a escolha dos equipamentos/dispositivos do sistema híbrido, realiza-se
a análise de desempenho dos mesmos inseridos no sistema e o balanço energético resultante
entre produção e demanda de energia elétrica.
Uma boa estratégia de operação do sistema híbrido visa garantir aos usuários do sistema
de geração um atendimento confável e de qualidade, minimizando simultaneamente os seus
custos de implantação e de operação e manutenção. Para essa otimização, é necessário realizar
diferentes combinações de confgurações, estratégias de despacho e períodos de atendimento
da minirrede, para buscar a estratégia de operação, dependendo da aplicação, mais adequada
ao sistema híbrido a ser implantado em determinada localidade.
Instalação de Sistemas Híbridos
Com relação à instalação de sistemas híbridos, verifca-se uma relativa independência entre seus
sistemas e subsistemas (geração, armazenamento, condicionamento de potência e distribuição
de energia) durante o processo até as conexões fnais. O compromisso básico a ser estabelecido
é a busca pela instalação dos subsistemas o mais próximo possível entre si (redução de custos e
de perdas), seguindo para isso técnicas de instalação apropriadas.
Os módulos fotovoltaicos, sob a forma de arranjos (ligações série/paralelo), devem ser insta-
lados em locais onde não sejam expostos a nenhuma situação de sombreamento durante o ano e
de insegurança. Os locais ainda devem permitir o acesso fácil a uma eventual manutenção. Para
maximizar a captação da radiação solar média ao longo do ano, a orientação (norte – hemisfério
sul e sul – hemisfério norte) e a inclinação (latitude local) dos arranjos precisam ser seguidas
conforme técnicas de instalação.
Os aerogeradores e suas torres (treliçada, autoportante ou tubular) devem ser instalados em
áreas com dimensões apropriadas e que não possuam obstáculos, naturais ou não, em seus arre-
dores que possam causar interferência prejudicial ao fuxo de vento que atinge o rotor eólico.
Quando se pensa em mais de um aerogerador (parque eólico), além da preocupação com os
obstáculos do entorno há também a preocupação com o efeito esteira causado pelos próprios
rotores dos aerogeradores. Para mitigar esses efeitos prejudiciais, distâncias mínimas entre os aero-
geradores e os obstáculos, ou entre os próprios aerogeradores, o posicionamento do rotor eólico
a uma determinada altura, entre outras técnicas de instalação, necessitam ser adotados.
Os grupos geradores a diesel e demais acessórios devem ser instalados em uma edifcação
própria (casa de força), a qual abriga também outros equipamentos pertencentes aos subsistemas
de armazenamento e condicionamento de potência.
miolo síntese.indd 32 19/12/2008 16:51:41
33 Sistemas Híbridos
A casa de força deve contemplar um projeto estrutural que suporte os esforços mecânicos
solicitados pelos equipamentos, ter boa ventilação e isolação acústica, entre outros itens.
Referindo-se ao subsistema de armazenamento, as baterias não devem ser instaladas diretamente
sobre o solo, ou em locais úmidos. Geralmente utiliza-se um armário em ferro com prateleiras de
madeira para o condicionamento das baterias (banco de baterias – ligação série/paralelo).
Os controladores de carga, inversores de tensão e retifcadores são normalmente instalados
nas paredes ou em local específco da casa de força, sempre o mais próximo possível das baterias
e dos equipamentos de geração. Pontos de operação, quando disponíveis nesses equipamentos,
devem ser ajustados conforme o projeto.
Para preservar todos os equipamentos do sistema híbrido, fornecer segurança às pessoas junto
ao sistema elétrico, bem como realizar eventuais manobras como estratégias de operação, fazem-
se necessários a instalação e uso de disjuntores e/ou chaves seccionadoras. Salienta-se que, para
uma boa qualidade de instalação, o cabeamento do sistema híbrido precisa ser bem projetado.
A minirrede de distribuição de energia deve ser instalada seguindo as técnicas de instalação
dos seus componentes principais: transformadores, cabos condutores, chaves seccionadoras,
postes, luminárias, pára-raios de distribuição, aterramento, cruzetas, isoladores e conectores.
Operação e Manutenção de Sistemas Híbridos
Para o funcionamento de qualquer sistema híbrido de energia deve-se levar em consideração a
operação e manutenção correta dos equipamentos envolvidos desde a geração, passando pelo
sistema de distribuição até as unidades consumidoras.
Através da realização de um plano de manutenção e operação, além das recomendações
feitas pelos fabricantes dos equipamentos e a capacitação dos operadores, é possível fazer o
sistema operar de forma confável e com segurança para os equipamentos bem como para os
consumidores.
Muitas das tarefas relacionadas com a operação podem ser automatizadas, tais como a
partida e parada do grupo gerador, chaveamento de disjuntores, carga e descarga das baterias,
dentre outros.
Na parte da manutenção, as tarefas podem ser simples, desde a limpeza dos módulos foto-
voltaicos com um pano macio, a podagem de árvores para que não toquem nos cabos elétricos
da rede, até tarefas como inspeção das partes girantes dos grupos geradores, troca de óleo
lubrifcante do transformador, inspeção dos cabos e da torre do aerogerador.
Segurança em Sistemas Híbridos
A segurança é um aspecto ao qual se deve ter especial atenção para os sistemas híbridos de gera-
ção de energia suprindo minirredes, porque várias são as fontes e os equipamentos envolvidos e,
portanto, deve-se redobrar os cuidados. Um sistema híbrido, por exemplo, eólico-fotovoltaico-
diesel, necessita, além de parâmetros para segurança da vida de pessoas e animais, de procedi-
mentos de segurança para os sistemas de geração, condicionamento e distribuição de energia
elétrica, a fm de garantir o funcionamento adequado das instalações, redução das perdas de
energia e preservação contra danos aos bens e ao ambiente.
miolo síntese.indd 33 19/12/2008 16:51:41
34 Tecnologias de Energias Renováveis
Quando se faz uso ou se manuseiam sistemas com energia elétrica é extremamente impor-
tante obedecer às normas básicas de segurança. Ainda que os níveis de tensão e corrente sejam
considerados baixos, não se devem subestimar os danos que a eletricidade pode trazer ao ser
humano, sendo o mais grave os causados pelo choque e o arco elétrico. Logo, deve-se estar em
alerta sobre os perigos associados à eletricidade, de forma que sejam controlados ou elimina-
dos desde a fase de projeto e na execução das tarefas ao instalar, operar ou manter um sistema
elétrico.
Também é muito importante que sejam adotadas medidas de segurança nas instalações elé-
tricas dos usuários do sistema, assim como a educação destes para o uso adequado e seguro da
eletricidade, uma vez que ainda não possuem costume com a mesma.
Em todos os tipos de sistemas híbridos de geração de energia, os procedimentos de implantação,
operação e manutenção devem ser executados apenas por pessoas devidamente treinadas para
tal, utilizando-se dos equipamentos de proteção individual (epi) apropriados para cada função ou
coletivos (epc), dependendo da situação. Também se recomenda que esses procedimentos sejam
feitos sempre por pelo menos duas pessoas, facilitando o socorro, caso necessário. Nas atividades
realizadas, devem-se evitar os improvisos, tais como: bypass de equipamentos de segurança e
controle; ligações com materiais fora dos padrões de segurança (exposição de emendas de cabos,
ou sua inadequada isolação, cabos com bitolas inadequadas); uso de ferramentas inadequadas.
Cartazes com orientações e placas de sinalização nas usinas ou casas de força, ou mesmo
afxados nos equipamentos, descrevendo os riscos potenciais e os procedimentos a serem
seguidos, devem ser dispostos em locais de fácil visibilidade. Manuais básicos de segurança,
operação e manutenção também devem estar disponíveis nas usinas, para uso dos responsáveis
pelo sistema. Estojos de primeiros socorros e de combate a incêndios devem ser disponibilizados
aos usuários.
É importante também que sejam observadas as normas técnicas vigentes; que seja realizado
um correto dimensionamento dos sistemas de aterramento e proteção elétrica; e, ainda, que
seja realizada uma vistoria constante em todas as instalações que compõem o sistema híbrido,
seguindo um plano de operação e manutenção, a fm de manter a segurança nas mesmas.
Análise Econômica Aplicada a Sistemas Híbridos
A análise econômica aplicada a sistemas híbridos é utilizada para se avaliar a viabilidade eco-
nômica do empreendimento, garantindo um possível retorno do investimento realizado, ou
simplesmente para se determinar a opção mais viável dentre as fontes de geração disponíveis.
O correto estudo de viabilidade econômica, além das características particulares do sistema de
geração, passa pela utilização mais adequada das fguras de mérito econômico.
O diagrama de fuxo de caixa apresenta, sob a forma gráfca, as receitas e despesas de cada
alternativa, ordenadas por períodos. Tais receitas e despesas podem ser apresentadas através de
seus reais valores no momento de cada desembolso, como também podem ser trazidas ao presente,
levadas ao futuro, ou ainda atualizadas. Estes conceitos defnem o valor temporal do dinheiro e
são de fundamental importância para a elaboração de estudos de viabilidade econômica.
O horizonte de planejamento e a taxa mínima de atratividade do projeto são indicadores
importantes para se analisar o tempo e a taxa de retorno esperadas pelo empreendimento.
miolo síntese.indd 34 19/12/2008 16:51:42
35 Sistemas Híbridos
Dentre os indicadores fnanceiros mais difundidos na engenharia econômica estão o valor
presente líquido (vpl), o índice benefício/custo (ibc), o retorno adicional sobre o investimento
(roia), a taxa interna de retorno (tir) e o tempo de retorno de investimento (payback). Eles
podem ser utilizados, isoladamente ou em conjunto, no estudo de viabilidade econômica, cada
um com suas características particulares. O método do vpl, um dos mais utilizados, é um método
simples, porém criterioso, por considerar o valor temporal do dinheiro. O ibc auxilia no cálculo
do retorno adicional sobre o investimento; porém, isoladamente não fornece uma estimativa real
de rentabilidade. O roia fornece a estimativa real de rentabilidade de um investimento; porém,
não indica com precisão os riscos envolvidos na análise. A tir indica conjuntamente o retorno
esperado e o risco de um projeto, mas suas soluções são trabalhosas e não são aplicáveis a todos
os casos. Por fm, o payback é um indicador de fácil interpretação, mas não considera fuxos de
caixa após o instante do retorno de investimento.
Os custos associados a sistemas híbridos podem ser divididos em custos de despesa e custos
de receita. Os custos de receita estão normalmente associados ao lucro obtido com a venda da
energia gerada, ou a uma eventual economia resultante da redução no consumo de combustível
ou de outras taxas. Já os custos de despesa podem ser relacionados aos custos de investimento
inicial, custos de operação e manutenção (o&m) e custos de reposição de equipamentos.
Os custos de despesa estão divididos em custos de investimento inicial, que correspondem a
custos de projeto, de aquisição e transporte de materiais e equipamentos, e de instalação; custos
de o&m, que compreendem custos fxos anuais, relacionados ao pagamento de operadores,
aos gastos com combustível, com as leituras e envio de faturas, aos procedimentos periódicos
de manutenção preventiva e corretiva, dentre outros; e custos de reposição de equipamentos,
que referem-se às substituições dos componentes principais do sistema, devido ao fm de suas
vidas úteis.
Sistemas fotovoltaicos e eólicos são caracterizados por apresentarem custos de investimento
mais elevados, e custos de operação e manutenção baixos. Sistemas diesel-elétricos apresentam
comportamento inverso, apresentando baixos custos de investimento inicial e elevados custos de
operação e manutenção. Com relação aos custos de reposição, as baterias são os equipamentos
de sistemas híbridos que requerem substituições mais constantes, devido à vida útil mais curta
que a dos demais componentes do sistema.
Determinados todos os custos envolvidos, o valor presente líquido anualizado do projeto,
que na engenharia também é conhecido como custo do ciclo de vida anualizado, é dividido pela
energia consumida pela carga para se determinar o custo da energia do sistema. Este custo
pode indicar o valor mínimo de tarifa a ser cobrado para que o sistema gere lucros, ou pode ser
comparado ao custo da energia de outras tecnologias de geração para se determinar aquela que
é a mais viável.
Sistemas Instalados e Experiências Adquiridas na
Amazônia
Desde 1994, estudos, simulações e instalações de sistemas híbridos em pequenos aglomerados
populacionais dispersos e semi ou totalmente isolados têm sido realizados na região amazônica
por instituições nacionais e internacionais.
miolo síntese.indd 35 19/12/2008 16:51:42
36 Tecnologias de Energias Renováveis
Nos últimos 14 anos foram seis sistemas híbridos instalados e um atualmente em processo de
implantação, a saber: (1996) fotovoltaico-diesel de Campinas/AM; (1997) fotovoltaico-eólico de
Joanes/PA; (1998) eólico-diesel de Praia Grande/PA; (1999/2007) eólico-diesel de Praia Grande/
PA; (2001) fotovoltaico-diesel de Araras/RO; (2003) fotovoltaico-eólico-diesel de São Tomé/PA;
e (2008) fotovoltaico-eólico-diesel de Sucuriju/AP.
Tecnicamente, a seleção dessas vilas para a implantação dos sistemas híbridos baseou-se na
avaliação objetiva e equilibrada do potencial das fontes solar e eólica, da acessibilidade do local,
da disponibilidade de área apropriada para instalação e da disponibilidade de óleo diesel.
A carga do tipo residencial (televisores, refrigeradores, ferro de passar, lâmpadas incandes-
centes e fuorescentes etc.) predomina na demanda total de eletricidade das vilas. Dentre estas
cargas, os eletrodomésticos correspondem a mais de 70%. Quanto aos tipos de cargas de ilu-
minação, destacam-se as lâmpadas fuorescentes, fuorescentes compactas e as incandescentes
de várias potências.
O perfl de carga das localidades é bem semelhante, com a demanda máxima sempre ocor-
rendo nas primeiras horas do anoitecer (18h00 às 21h00), decorrentes das entradas de cargas
comumente usadas neste período (lâmpadas e televisores, por exemplo), enquanto que as
menores demandas ocorrem no período da manhã, através da utilização de cargas eventuais
(ferro de passar, máquina de lavar etc.).
Os custos operacionais dos sistemas híbridos são inferiores comparados aos de um sistema
unicamente a diesel. A redução decorre da penetração da geração renovável e do hibridismo das
fontes de energia, o que agrupa os benefícios de cada subsistema de geração.
Todavia, constata-se ainda o elevado custo do kWh gerado, em comparação com a tarifa média
cobrada na região para o atendimento convencional. Isso se deve ao elevado custo de aquisição
dos “geradores renováveis” (importados). O desenvolvimento de equipamentos com tecnologia
nacional de baixo custo poderá amenizar esse quadro.
Dentre os problemas de qualidade de energia enfrentados pelos sistemas híbridos, destacam-
se como os principais: distorções harmônicas (utilização de cargas não lineares, por exemplo,
lâmpadas PLs, refrigeradores, televisores); desbalanceamento de potência nas fases; afundamen-
tos de tensão (elevada corrente de surto devida ao acionamento de motores elétricos); quedas
de tensão (principalmente, nos fnais de rede); variação de freqüência (sistema diesel-elétrico
operando – falta de controle tensão/freqüência apropriado); descontinuidade no fornecimento
(intermitência das fontes renováveis, aliada à falta de recursos fnanceiros sufcientes para a
compra de óleo diesel).
Com relação aos impactos ambientais, os mesmos são insignifcantes. Isso pode ser eviden-
ciado por nenhuma manifestação de descontentamento com o ruído por parte dos moradores
próximos dos sistemas; atração visual que se tornaram os sistemas híbridos com os aerogeradores
e suas grandes torres; pequeno espaço físico utilizado pelos sistemas, que não ocasiona perda
de espaço para outras fnalidades. Na fauna, até o presente momento, não há nenhum impacto
signifcativo, com exceção de duas ocorrências de colisão de urubus contra os aerogeradores
dos sistemas híbridos de São Tomé e Tamaruteua.
Dentre os impactos socioeconômicos, destacam-se: substituição total ou parcial das mais
diversas fontes de energia elétrica; crescimento populacional das vilas; aumento de atividades
comerciais de comércios/bares, padarias, armazéns, entre outros; aumento na renda familiar.
Visitas de pessoas, grupos nacionais e estrangeiros de pesquisa interessados nas experiências
miolo síntese.indd 36 19/12/2008 16:51:42
37 Sistemas Híbridos
adquiridas com os sistemas híbridos e o crescimento acentuado da carga instalada e de UCs
confguram-se como outros impactos.
Referindo-se à gestão desses sistemas, dois modelos são utilizados. Em um, os moldes admi-
nistrativos são delineados pela própria concessionária local, a qual é a única responsável pelo
gerenciamento do sistema, determinando as estratégias de operação, manutenção e aplicando
as tarifas pelo serviço de energia elétrica prestado (Campinas e Joanes). O outro modelo tem
seus arcabouços sustentados por uma administração realizada pelas próprias comunidades
(associação comunitária), em parceria com as prefeituras municipais e, temporariamente, com
o agente executor do projeto (Praia Grande, Tamaruteua e São Tomé). Com relação à captação
dos recursos (tarifação pelo serviço de energia), em Praia Grande aplicam-se taxas mensais,
cujos valores variam de acordo com o número de equipamentos eletro-eletrônicos instalados
nas UCs. Em São Tomé e, recentemente, em Tamaruteua (revitalização), destaca-se o sistema
de pré-pagamento de energia. Araras é a exceção dos modelos expostos, gestão feita por um
produtor independente de energia (pie-guascor).
Problemas operacionais devidos principalmente à falta de manutenção e ao crescimento
demasiado da demanda comprometeram o funcionamento dos sistemas híbridos de Campinas
e Joanes.
Por fm, a má gestão também se faz presente em alguns sistemas, caso de Praia Grande e
Tamaruteua (antes da revitalização), onde tais sistemas, após períodos satisfatórios de operação (3
e 4 anos, respectivamente), entraram em processo de falência operacional devido basicamente à:
escassez de recursos fnanceiros captados para manutenção; aplicação de manutenção inadequada
por pessoas não especializadas; quase nenhuma participação das prefeituras municipais.
Modelos de Gestão e Regulação
Os problemas de gestão de sistemas com fontes intermitentes suprindo minirredes estão intima-
mente associados com a sustentabilidade dos mesmos e a questões de ausência de regulamenta-
ção. No atual contexto, onde o próprio caráter intermitente das fontes, associado a uma cultura
de utilização pouco racional da carga, favorece situações de descontinuidade no atendimento,
a administração destes sistemas por parte da concessionária é um risco grande, uma vez que
falhas no atendimento podem resultar em onerosas penalidades à concessionária.
Partindo do cenário atual, onde a maioria dos sistemas híbridos instalados no Brasil é de
caráter experimental, o primeiro problema de gestão a ser solucionado insere-se na realidade
das comunidades onde os sistemas pilotos foram instalados: sistema inicialmente sem a fgura
de um responsável legal, que deve manter-se através de esforços da própria comunidade, com
participação de órgãos governamentais, não-governamentais, universidades e outros, bem como
da própria entidade executora do projeto, quando for o caso.
Neste caso, modifcações na forma de gerir o sistema devem ser providenciadas. A primeira
ação proposta é a formação de uma comissão gestora na comunidade, atuando de forma con-
junta para gerir e administrar o sistema, buscando sua sustentabilidade. Tal comissão deve
incluir, entre outros participantes, os operadores do sistema, outros membros da comunidade,
necessariamente de grupos distintos, representantes da administração municipal e técnicos
especialistas dos agentes executor, fnanciador e colaborador do projeto, mesmo que façam
parte da comissão temporariamente.
miolo síntese.indd 37 19/12/2008 16:51:42
38 Tecnologias de Energias Renováveis
Dentre os atributos da comissão gestora, destacam-se: a defnição de planos estratégicos; o
esclarecimento das limitações de geração do sistema híbrido; a educação da comunidade quanto
ao uso racional da energia elétrica; o estabelecimento de parcerias com instituições diversas; a
avaliação do valor da tarifa pelo serviço; a avaliação dos tipos de setores que terão prioridade no
serviço; a capacitação, por parte dos agentes externos, dos membros da comunidade que com-
põem a comissão gestora; o envolvimento da comunidade no processo de instalação/expansão
do sistema; o atendimento das unidades consumidoras desassistidas; e o acompanhamento e
fscalização do sistema de eletrifcação.
Estas ações constituem-se em importante passo para garantir a sustentabilidade do sistema.
Porém, em casos onde os critérios de atendimento devam ser compatíveis com os atualmente
verifcados na legislação do setor elétrico, os modelos de gestão que sigam as diretrizes aqui
apontadas por si só não garantem a sustentabilidade de um sistema híbrido. Surge a necessidade
da proposta por modelos regulatórios que tornem a legislação adequada à realidade de sistemas
com as características de sistemas híbridos suprindo minirredes.
Os modelos regulatórios propostos são centrados em três pontos: a inserção de subsídios ao
sistema; a fexibilização do período de atendimento; e a defnição de um sistema de tarifação
adequado.
A inserção de subsídios faz-se necessária devido à discrepância atualmente verifcada entre
o custo da energia gerada por sistemas híbridos e o custo de tarifas praticadas pelas concessio-
nárias nacionais, principalmente no atendimento a consumidores de baixa renda, casos típicos
de comunidades isoladas. A proposta é pela criação de um benefício, em moldes similares aos
da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (ccc), que privilegiem os sistemas isolados,
independentemente da fonte de geração. O benefício substituiria, então, a ccc, sendo criada
uma Conta de Geração de Energia (cge).
A fexibilização do horário de atendimento, já um anseio de concessionárias que operam
sistemas termelétricos isolados, seria aplicada a casos específcos, onde o perfl dos morado-
res seja condizente com a fexibilização, e onde a localidade disponha de recursos renováveis
moderados, com o atendimento ininterrupto resultando em custos muito elevados, associados
ao superdimensionamento dos sistemas de geração e armazenamento. Algumas características
desta fexibilização, já encontradas em forma de minuta de resolução, são: potência nominal
inferior a 300 kW para o sistema de geração; fornecimento de energia elétrica observando um
total mínimo de seis horas diárias, divididas no máximo em dois períodos diários; e fornecimento
de energia em período reduzido, não aplicável para localidades que já possuam serviço público
essencial ou de interesse da coletividade. A proposta é pela simples adequação desta minuta
para a realidade de sistemas híbridos, onde, por exemplo, os períodos de atendimento podem
ser distintos entre várias unidades consumidoras, uma vez que tecnologias de medidores eletrô-
nicos permitem tal facilidade, além do fato de, em sistemas renováveis, o custo para manter o
sistema operando para atender apenas uma unidade não ser proibitivo como no caso de unidades
geradoras termelétricas.
Sistemas de tarifação adequados a sistemas híbridos suprindo minirredes possuem dois pontos
principais: a utilização de tecnologia de medição adequada e a limitação do uso da energia por
parte do consumidor. Com relação ao primeiro ponto, a proposta é pela adoção de sistemas
pré-pagos de medição, visando à redução dos custos operacionais. Estes sistemas agregam as
principais vantagens do sistema de medição convencional à maior simplicidade operacional do
sistema de cobrança de taxas fxas. Quanto à limitação do uso da energia, a proposta é pelo
miolo síntese.indd 38 19/12/2008 16:51:42
39 Sistemas Híbridos
estabelecimento de faixas de consumo para cada comunidade, com base no recurso renovável
disponível e na energia demandada pela carga. Períodos de recursos renováveis escassos seriam
associados à maior limitação no uso da energia, com a geração diesel-elétrica impedindo que
essa redução seja muito drástica. Em contrapartida, em períodos de recursos fartos a limitação
seria pouco signifcativa. Propõe-se ainda a divisão dos consumidores por classes, com aqueles de
maior consumo, como os estabelecimentos comerciais, compondo uma classe com maior limite
de consumo, enquanto que aqueles de menor consumo compõem outra classe, com menores
limites. Todas as características descritas podem ser associadas a medidores eletrônicos, que
seriam responsáveis pelos cortes por tempo ou por excedente de demanda, alertas ao usuário,
entre outras funções.
miolo síntese.indd 39 19/12/2008 16:51:42
40 Tecnologias de Energias Renováveis 40 Tecnologias de Energias Renováveis
2 Pequenos Aproveitamentos
Hidroelétricos
Soluções Energéticas para a Amazônia
Geraldo Lúcio Tiago Filho (coordenador)
Ângelo Stano Júnior
Antônio Brasil Júnior
Jason Tibiriçá Ferrari
Helmo Lemos
Caroline Fernandes Nunes
Camila Fernandes Nunes
Juliana Sales Moura
Luis Henrique de Faria Alves
Rodrigo Ramos
Rudi Van Els
Frederico Leite
miolo síntese.indd 40 19/12/2008 16:51:42
41 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Introdução
O uso da energia elétrica para o meio rural é um dos processos mais importantes a serem incen-
tivados no Brasil, pois a eletrifcação é fundamental para a implementação de programas de
desenvolvimento, além de ser um fator-chave para aumentar a produtividade no campo e para
melhorar as condições de trabalho e de vida.
A eletrifcação de comunidades isoladas deve ser um processo humano, social, econômico e
ambiental em cujo contexto devem estar inseridos a sociedade e o meio ambiente, que são formadas
por indivíduos, famílias, vizinhos e diversos grupos sociais e espécies que, por sua vez, têm seus
interesses e suas necessidades quanto à educação, saúde e disposição ao trabalho, às atividades
produtivas, geração de renda e melhoria da sua qualidade de vida e desenvolvimento social.
Entretanto, em se tratando da região da Amazônia Legal, os desafos para o atendimento de
uma população extremamente dispersa ao longo das calhas dos rios, apresentam-se extrema-
mente grandes, principalmente no que se refere à operação e manutenção da sustentabilidade
da unidade geradora.
Diante do grande potencial existente na região, as microcentrais (µCH) e as minicentrais (mCH)
hidrelétricas podem vir a ser uma boa opção para o atendimento dessas comunidades.
Esse capítulo procura mostrar a tecnologia existente que envolve esse tipo de empreendi-
mento e apresenta alguns casos concretos desenvolvidos na região.
Distribuição da população na Amazônia Legal
De acordo com estimativas do ibge, em 2004 a população da Amazônia Legal, com uma área
correspondente a 59% do território brasileiro, compunha-se de aproximadamente 12,34% da
população do País, ou seja, em torno de 22 milhões de pessoas, cuja distribuição ocorre de forma
heterogênea, com grande concentração populacional nas capitais e bastante pulverizada no
interior, em localidades distribuídas em áreas de difícil acesso. De acordo com o grau de pressão
exercida pela atividade humana sobre o ambiente, as áreas ocupadas podem ser:
Áreas com baixa pressão ambiental, geralmente ocupadas por terras indígenas e Š
povoamentos dispersos, localizados principalmente em Roraima, no norte do Pará,
noroeste do Amapá, no sudeste do Amazonas e no Acre;
Áreas com elevada pressão ambiental, ocupadas por povoamentos infuenciados pela Š
fronteira agrícola e de exploração mineral e de madeira, como a Amazônia central, o
oeste de Rondônia e o centro-sul do Pará.
miolo síntese.indd 41 19/12/2008 16:51:42
42 Tecnologias de Energias Renováveis
Além do Maranhão, também fazem parte da Amazônia Legal os Estados do Tocantins e do Mato
Grosso, sendo que nesses dois últimos há uma forte pressão sobre o ambiente, principalmente
devido às atividades agrícolas, com a plantação da soja e a criação de gado.
O atendimento de eletricidade às comunidades
isoladas
A energia é fator primordial para a humanidade, constituindo-se num dos pilares para que se
possa obter desenvolvimento social e econômico e para alcançar a qualidade de vida desejável
a qualquer ser humano.
É de fundamental importância conceber o fornecimento da energia elétrica na totalidade
de seu uso, considerando sua inserção num contexto social, econômico e ambiental, de forma
racional, prudente e equilibrada, e ao mesmo tempo, que permita alavancar o desenvolvimento
sustentável da comunidade e, conseqüentemente, da Amazônia Legal e do País.
O plano de gestão energética deverá ser participativo e sustentável, sendo necessário criar
estratégias que suportem esse crescimento proporcionado pela energia elétrica e o benefício
advindo do uso produtivo da energia.
No Brasil, convencionalmente, o sistema de transmissão e distribuição é caracterizado por
dois sistemas distintos:
Interligado Š – o mais importante, é caracterizado pela geração concentrada em grandes
centrais, principalmente hidrelétricas, interconectadas a um sistema de transmissão
construído de forma a atender os grandes centros consumidores do País. Esse sistema
corresponde a 96,7 % da capacidade instalada e atende 98% do mercado de energia do
Brasil.
Isolado Š – com apenas 3,13% da capacidade instalada, é de predominância térmica e
está distribuído na região amazônica, onde uma parte da população está concentrada
em alguns centros urbanos e os demais moradores em pequenos núcleos habitacionais
dispersos ao longo das margens das calhas dos rios.
Vê-se que o mercado do sistema interligado é mais atraente do que o do isolado. Além disso, os
altos custos para construção das extensões das linhas; as difculdades para a transposição dos
acidentes geográfcos (grandes áreas de foresta, áreas alagadas, grandes rios) o alto nível de
dispersão dessas áreas; e a baixa demanda por energia levam, muitas vezes, ao desinteresse por
parte das concessionárias ao atendimento adequado a essas comunidades.
De acordo com Di Lascio (2006), o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografa e
Estatística, em 2000, indicou que o número de habitações sem o atendimento de energia elé-
trica na Amazônia era de 770 mil, o que resultaria numa população em torno de 3,8 milhões de
pessoas. Dessas, calcula-se que aproximadamente 615 mil residências estariam em condições de
serem atendidas via “extensão de redes”, o que deixa um saldo de 155 mil residências. Segundo o
autor, desse total, 55 mil encontram-se extremamente isoladas, ou reunidas em duas ou três casas
que poderão ser supridas preferencialmente por sistemas fotovoltaicos. As 100 mil habitações
restantes estariam distribuídas em vilarejos, de 4 a 100 residências, onde o mais adequado será
o atendimento por uma unidade geradora, cuja energia deverá ser distribuída por minirredes.
miolo síntese.indd 42 19/12/2008 16:51:42
43 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
O gráfco apresentado na fgura 2.2 mostra, por Estado, o número de habitações sem atendimento
de energia elétrica da Amazônia Legal. Embora o menor número encontre-se no Amazonas e em
Roraima, o desafo de atendê-los é ainda maior.
O atendimento às comunidades isoladas
A despeito da grande disponibilidade hídrica, a topografa pouco acidentada, a baixa declivi-
dade e as grandes dimensões dos rios e a baixa demanda per capita têm inibido ou inviabilizado
a implantação de unidades de µCH e mCH na região amazônica. Entretanto, sítios localizados
nas bordas da Amazônia Legal mostram-se propícios à implantação dessas pequenas unidades
de geração, tais como os mostrado nos mapas mostrados na fgura 2.3.
Figura 2.1 – Sistema brasileiro de distribuição de energia elétrica: sistema isolado e sistema interligado
Figura 2.2 – Domicílios não atendidos por energia elétrica nos estados da Região Norte. Fonte: abradee (apud Rodrigues 2006)
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
MA PA RO AC TO AM RR
400
255
116
45
40
25
8
m
i
l
miolo síntese.indd 43 19/12/2008 16:51:43
44 Tecnologias de Energias Renováveis
a
b
miolo síntese.indd 44 19/12/2008 16:51:45
45 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
c
d
miolo síntese.indd 45 19/12/2008 16:51:48
46 Tecnologias de Energias Renováveis
e
f
miolo síntese.indd 46 19/12/2008 16:51:50
47 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
g
h
miolo síntese.indd 47 19/12/2008 16:51:52
48 Tecnologias de Energias Renováveis
i
Figura 2.3 – Campos propícios à implantação de µCH e mCH na Amazônia Legal: (a) Acre; (b)Amapá, (c) Amazonas, (d)
Maranhão; (e) Mato Grosso, (f) Pará; (g) Rondônia (h) Roraima; (i) Tocantins
Embora a biomassa e os recursos hídricos sejam predominantes na região amazônica, a maioria
das comunidades isoladas, quando supridas por energia elétrica, o são por geradores diesel, mais
fáceis de serem instalados. Nestes casos é comum que o grupo gerador seja de propriedade pri-
vada, individual ou comunitária, cujos proprietários o adquirem e o administram juntamente com
a minirrede, se existente. Na maioria das vezes a capacidade de geração destas unidades está
entre 5 e 50 kW, com o combustível comprado por atravessadores que o transportam e oferecem
em barcaças, praticando custos abusivos. Aqueles que dispõem de recursos de transporte podem
comprar o combustível na sede do município, porém, muitas vezes, o custo do transporte anula
a economia feita.
Outro agravante é o fato de que, por falta de informação e de mão-de-obra qualifcada nas
comunidades, a maioria desses geradores encontra-se em estado de conservação precário, resul-
tando em baixas efciências e alto consumo de combustível. De acordo com Di Lascio (2006),
alguns desses geradores , quando bem conservados, apresentam um consumo de óleo diesel
de 350 g/kWh, mas, quando mal conservados, podem chegar a um consumo de combustível
próximo de 500 g/kWh. Ao se considerar o custo do combustível praticado na região, chega-se
a valores da ordem de R$0,77 a R$2,00 o kWh gerado.
miolo síntese.indd 48 19/12/2008 16:51:53
49 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
As µCH e mCH
Conforme mostra a fgura 2.4, uma central hidrelétrica é composta por um sistema de captação e de
adução da água até o grupo gerador que transforma a energia hidráulica disponibilizada em eletrici-
dade. Essa é transmitida até o ponto de consumo e/ou de interligação, através de cabos elétricos.
equação 2.1
Figura 2.4 – Componentes principais de centrais hidrelétricas de pequeno porte. Fonte: Manual olade (1992)
No Brasil, de acordo com a Resolução aneel Nº 394, de 4 de dezembro de 1998, são classifcadas
como pequenas centrais hidrelétricas os aproveitamentos hidroenergéticos que tenham potência
superior a 1 MW e igual ou inferior a 30 MW e área total do reservatório igual ou inferior a 3,0
Km
2
, determinado pelo nível da água referente à cheia com o tempo de recorrência de 100 anos.
Entretanto, a Resolução aneel Nº 652 de 2003 ampliou o limite da área do reservatório para até
13 km
2
, desde que verifcada a seguinte relação:
S
reservatório
≤ —– ≤ km
P
H
P [kW] e H [m].
Contudo, se for levada em conta a Portaria Nº 136, de 6 de outubro de 1987, do Departamento
Nacional de Água e Energia Elétrica (dnaee), e a Resolução Nº 394 da aneel, sugere-se que as
PCHs sejam classifcadas de acordo com a potência, conforme mostra a tabela 2.1, onde está
acrescida a classe da picocentral hidrelétrica (πCH), já em uso em alguns países.
Classifcação Sigla
Faixa de potência KW
dnaee aneel Proposta cerpch
Picocentral Hidrelétrica* πCH Até 5 - Até 5
Microcentral Hidrelétrica μCH De 5 até 100 - De 5 a 100
Minicentral Hidrelétrica mCH De 100 até 1000 - De 100 a 1000
Pequena Central Hidrelétrica PCH De 1000 até 10000 1 a 30 000 1 a 30.000
(*) classifcação não ofcial, proposta pelo cerpch
Tabela 2.1 – Classifcação das PCHs, segundo a Resolução Nº 394 da aneel e Portaria Nº 136 do dnaee
miolo síntese.indd 49 19/12/2008 16:51:54
50 Tecnologias de Energias Renováveis
Porém, levando-se em conta que, a princípio, as PCHs devem ser empreendimentos com baixos
impactos ambientais e, para efeito de crédito de carbono no mecanismo de desenvolvimento
limpo previsto pelo Protocolo de Quioto, elas devem apresentar a relação de 4 km
2
/kW, sugere-se
que a área do reservatório para as µCH e mCH não deva ultrapassar essa relação, ou seja:
Onde S
RES
[km
2
], Q [m
3
/s]
O estado da arte das µCH e mCH
A indústria nacional está qualifcada e bem aparelhada para fornecer todos os equipamentos
elétricos e hidromecânicos para as centrais hidrelétricas, principalmente para as µCH e mCH,
como comportas, condutos, válvulas, turbinas hidráulicas, geradores, reguladores de velocidade,
sistemas de controle, comando, de automação e de supervisão das centrais.
A fgura 2.5 mostra a vista geral de dois grupos geradores: o primeiro, da pch do Alto Jaurú,
de 15 mW de potência; e o segundo, de 800 kW, da pch Luiz Dias.
S
RES
≤ , . Q
,
≤ km
equação 2.2
equação 2.3
Figura 2.5 – Grupo Gerador: (a) PCH Alto Jaurú: a excitatriz, o gerador, a caixa espiral da turbina e a válvula borboleta; (b)
PCH Luiz Dias, a excitatriz, o gerador, o volante de inércia, o regulador de velocidade óleo hidráulico e a caixa espiral da
turbina hidráulica.
Turbinas Hidráulicas
Basicamente, as turbinas hidráulicas são classifcadas como de ação e de reação, conforme a
tabela 2.3, a seguir, onde estão resumidas as principias características das turbinas, que são
classifcadas em função da rotação específca, n
qa
, determinada pela relação:
n
qa
= 3.n.—
Q
0,5
H
0,75
Onde: n [rpm]; Q [m
3
/s] e H [m].
As tabelas 2.2 e 2.3 apresentam os diferentes tipos de turbinas convencionais e não conven-
cionais para as µCHs e mCHs fabricadas no Brasil, cujos campos de aplicação são apresentados
nas fguras 2.13 e 2.14.
miolo síntese.indd 50 19/12/2008 16:51:55
51 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Também é possível distribuir os diferentes tipos de turbinas em diagramas que mostrem os tipos
de máquinas que melhor se adaptam às condições de queda e de rotação específca, conforme
apresentado no diagrama da fgura 2.6.
TIPO Nome
Rotação Específca
n
qa
Vazão Q
[m
3
/s]
Queda
H[m]
Potência
kW
η
máx
AÇÃO
Pelton
Nº jatos N
qa
0,05 a 0,8 30 a 500 0,1 a 1.000 70 a 91 1 4 a 30
2 6 a 42
Francis
Tipo N
qa
0,01 a 10 2 a 150 1 a 1.000 80 a 93
Lenta 60–180
Normal 150–260
Rápida 260–350
REAÇÃO
Hélice 260–800
0,8 a 25
2 a 40 5 a 1.000 88 a 93
Kaplan
300 a 800 Tubular
1 a 30
Bulbo
Tabela 2.2 – Campo de aplicação das turbinas hidráulicas convencionais para µCH e mCH.
TIPO Nome
Rotação
Específca
n
qa
Vazão Q
[m
3
/s]
Queda
H[m]
Potência
kW
η
máx
Ação Turgo* 60 a 260 0,01 a 4 5 a 250 5 a 1.000 85 a 90
REAÇÃO
Michell-Banki 45 a 180 0,01 a 1,2 1 a 50 1 a 150 65 a 82
Bomba
Funcionando
Como Turbina
– BFT**
60 a 180 0,015 a 0,2 5 a 100 1 a 80 65 a 80
Gerador
periférico **
300 a 800 1 a 30 2 a 30 25 a 200 90 a 93
* não fabricada no Brasil; ** em fase experimental.
Tabela 2.3 – Principais características – turbinas hidráulicas não convencionais para µCH e mCH.
Figura 2.6 – Diagrama de Cordier: campo
de aplicação das turbinas hidráulicas em
função da sua rotação específca e queda
disponível. Fonte:Souza (1999).
miolo síntese.indd 51 19/12/2008 16:51:56
52 Tecnologias de Energias Renováveis
Turbinas Convencionais
Conforme mostrado nas tabelas 2.2 e 2.3, as turbinas hidráulicas convencionais normalmente
aplicadas em centrais hidrelétricas de uma maneia geral são: a Pelton, a Francis, a Hélice e a
Kaplan, e que estão apresentadas nas fguras 2.7 a 2.10. Conforme mostram os gráfcos das fguras
2.13 e 2.14, estas atendem praticamente a todo o campo de aplicação das µCH e mCH.
Figura 2.7 – Rotor Francis: a) lento; b) normal; c) rápido.
a
a
a
b
b
b
c
Figura 2.8 – Rotor de turbina Kaplan: (a) vista frontal; (b) vista lateral.
Figura 2.9 – Turbina Kaplan “S” com acoplamento do gerador: (a) e (b) Turbina “S” fabricação Haker – SC, Brasil.
miolo síntese.indd 52 19/12/2008 16:51:59
53 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Turbinas não convencionais
Como tipos de turbinas não convencionais têm-se: a Turgo – ainda não fabricada no Brasil –, a
Michell-Banki, a Bomba Funcionando como Turbina (bft) e a axial com gerador periférico, ainda
experimental, mostradas nas fguras 2.11 e 2.12. Estas turbinas atendem a pequenos potenciais,
cujos campos de aplicação também estão plotados nos gráfcos das fguras 2.13 e 2.14.
a
a
a
b
b
b
Figura 2.10 – Turbina Bulbo: (a) com rotor de pás móveis, gerador interno, a montante, sendo inspecionada na fábrica; (b)
tipo tubular com acoplamento do gerador a jusante, em operação.
Figura 2.11 – Turbinas Hidráulicas desenvolvidas pela Unifei: (a) Michell-Banki e (b) Bomba Funcionando como Turbina – BFT
Figura 2.12 – Roda Pelton: (a) Grupo gerador com roda Pelton, fabricação Alterima (no primeiro plano vê-se um grupo
gerador com turbina Michell-Banki – Unifei); (b) roda Pelton.
miolo síntese.indd 53 19/12/2008 16:52:00
54 Tecnologias de Energias Renováveis
Figura 2.13 – Campo de aplicação das principais turbinas de ação para µCH e mCH com potência até 1000 kW, de fabricação
brasileira
Figura 2.14 – Campo de aplicação das principais turbinas de ação para µCH e mCH com potência até 1000 kW, de fabricação
brasileira
Turbinas para quedas muito baixas e Hidrocinéticas
Recentemente, têm-se apresentado propostas para aproveitamentos de baixíssimas quedas, tais
como a turbina axial com gerador periférico, desenvolvida por uma pequena indústria nacional,
e que atende de 10 a 200 kW, com desníveis de até 3 metros, mostrada na fgura 2.15 (a). Há
também as turbinas hidrocinéticas, que utilizam a energia cinética das correntezas dos cursos
d’água e são adequadas para atender a pequenas cargas, de algumas centenas de Watts até 10
kW, como a de fuxo cruzado com pás helicoidais, com a turbina Gourlov, apresentada na fgura
2.15(b), e a desenvolvida pela Universidade de Brasília, apresentada na fgura 2.16.
miolo síntese.indd 54 19/12/2008 16:52:01
55 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
a
c
a
b
d
b
Turbinas hidráulicas com técnicas alternativas
Além dos tipos clássicos apresentados, em áreas mais remotas do País há diversos pequenos
fabricantes que fornecem grupos geradores constituídos por turbinas hidráulicas e sistemas
Figura 2.15 – (a)Turbina Hidráulica para baixíssimas quedas, tipo axial, com gerador periférico, Turbo-Silva; (b) turbina
hidrocinética tipo fuxo-cruzado, tipo Gourlov.
Figura 2.16 – Turbina Hidrocinética, desenvolvida pela Universidade de Brasília: (a) vista frontal; (b) vista lateral; (c)
instalada num curso d’água em Correntinas; (d) montada sobre estrutura futuante. Fonte: UnB
miolo síntese.indd 55 19/12/2008 16:52:02
56 Tecnologias de Energias Renováveis
de controle desenvolvidos e fabricados por processos alternativos, com tecnologias bastante
rudimentares, porém robustas e de baixo custo, como a turbina Indalma apresentada na fgura
2.17, que tem sido comercializada na região Norte do País e tem alcançado sucesso relativo junto
aos seus usuários.
a
a
b
b
Figura 2.17 – Turbina tipo Indalma: (a) vista lateral; (b) vista frontal.
Há ocasiões em que os fabricantes destes tipos de turbinas costumam desenvolver tecnologias
singulares e interessantes, tal como o uso da técnica da “argila perdida”, que é utilizada para a
construção da caixa espiral da turbina. Essa técnica constitui-se no seguinte: tendo o rotor da
turbina e o seu tubo de sucção em uma plataforma de concreto, faz-se o desenho da caixa espi-
ral no seu entorno. Sobre o desenho da espiral, utilizando-se de argila, molda-se a caixa espiral
em torno do rotor. Ao longo do barro moldado, constrói-se uma armadura, feita com ferros de
construção de pequenos diâmetros e em forma de malha. Sobre essa malha lança-se o concreto
até que toda a espiral no entorno do rotor esteja completada. Tendo aguardado o tempo de cura,
uma vez o concreto seco, abre-se a válvula na entrada da caixa espiral, fazendo com que a água
entre na caixa espiral, forçando a saída da argila. Assim que toda a argila tenha saído, a turbina
fca pronta para operar. A fgura 2.18 apresenta um esquema desse tipo de tecnologia.
Figura 2.18 – Construção da caixa espiral pelo método “argila-perdida”: (a) molde em barro com armadura de ferro; (b)
turbina com a caixa espiral já concretada.
miolo síntese.indd 56 19/12/2008 16:52:03
57 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Geradores
Os geradores disponíveis no mercado brasileiro podem ser classifcados basicamente em dois
tipos: síncronos ou assíncronos.
Os geradores síncronos podem ser:
De baixa velocidade, que normalmente são acionados por um motor ou por uma turbina Š
hidráulica e se caracterizam fsicamente por ter pólos salientes, um grande diâmetro e
pequeno comprimento axial (fgura 2.20a).
De alta velocidade, também chamados de turbogerador, que normalmente são Š
utilizados em centrais termoelétricas.
Geradores com velocidade muito baixa exigem grande número de pares de pólos, resultando
em máquinas com dimensões maiores, o que aumenta os custos, sendo pouco aplicados em
µCH e mCH.
No caso de haver impedimento para adequar a rotação da turbina com a rotação síncrona do
gerador, costuma-se, em µCH e mCH, especifcar geradores com no mínimo 600 rpm. Em apro-
veitamentos com quedas muito baixas torna-se muito difícil assumir uma rotação síncrona para a
turbina acima deste valor. Neste caso recomenda-se utilizar os multiplicadores de velocidade do
tipo correia e polia ou caixa de transmissão mecânica. Entretanto, o uso desses dispositivos costuma
resultar em perdas mecânicas e no aumento no trabalho de manutenção do grupo gerador.
O gráfco da fgura 2.19 mostra os geradores elétricos síncronos disponíveis no mercado em
função da potência e do número par de pólos (rotação síncrona).
Figura 2.19 – Potências disponíveis para µCH e mCH de geradores síncronos em função do número de pares de pólos. Fonte:
Tiago Filho (2003)
Os geradores síncronos necessitam produzir suas próprias excitações (fgura 2.20b) ou recebê-las
de um sistema dedicado (excitação estática). Atualmente, tem-se adotado a excitatriz estática
do tipo “brushless”, cuja manutenção é quase nula.
Já em centrais de porte muito pequeno, como as picocentrais hidrelétricas (πCH), costuma-se
utilizar geradores de corrente contínua ou os alternadores de ímãs permanentes, que podem ser
com armadura rotativa ou com o campo rotativo, como os apresentados na fgura 2.21.
miolo síntese.indd 57 19/12/2008 16:52:03
58 Tecnologias de Energias Renováveis
Reguladores de Velocidade e Sistemas de Controle e Automação
Os reguladores de velocidade, tradicionalmente, são fabricados do tipo óleo-hidráulico e forne-
cidos pelos próprios fabricantes da turbina (fguras 2.22a e 2.22b). Mais recentemente também
foram desenvolvidos reguladores eletrônicos de carga, muito utilizados em πCHs, que através
de uma carga de lastro mantém a freqüência da rede constante. A fgura 2.22 (c) apresenta um
destes reguladores.
a b
Figura 2.20 – Gerador: (a) vista do rotor e extrator de um gerador de uma PCH; (b) excitatriz.
a
b c
Figura 2.21 – Geradores elétricos para πCH e µCH: (a) gerador de corrente contínua; (b) alternador com armadura rotativa;
(c) alternador com campo rotativo
c
a
d
b
e
Figura 2.22 – Regulador
de Velocidade: (a) óleo
hidráulico, para uma
turbina Pelton; (b)
esquema do circuito
de um regulador óleo
hidráulico para uma
turbina Pelton;(c) painel
de controle de uma
πCH; (d) regulador
eletrônico trifásico; (e)
carga de lastro. Fonte:
Manual olade (1992)
miolo síntese.indd 58 19/12/2008 16:52:05
59 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Em projetos mais recentes de centrais hidrelétricas, prevê-se a automatização parcial ou total
da central.
A automatização em µCH e mCH, basicamente, é composta por um clp (Controlador Lógico
Programável) cuja função lógica monitora a freqüência com a qual a energia está sendo gerada
e comanda a ação do servomecanismo do regulador de velocidade de rotação do grupo gerador,
além de comandar a sua partida e a parada que, por sua vez, também pode ser feita manual-
mente, por iniciativa do operador.
O clp também pode ter outras funções, tais como atuar nos demais processos e sistemas da
central, como na subestação, na tomada d’água, nos serviços auxiliares.
Além disso, esse tipo de sistema permite a implantação de um sistema de supervisão do
grupo gerador, de forma a monitorar todos os parâmetros importantes da sua operação, como
a vazão turbinada, a pressão na entrada da turbina, a potência gerada, a intensidade e tensão
da corrente, temperatura dos mancais, posição de manobra das válvulas, dentre outros, sendo
também um meio para o monitoramento remoto da central.
Barragens
As barragens têm como função reter a água de forma a conduzi-la ao sistema de adução da central
hidrelétrica, além de implicar uma obra estratégica para prover recursos para o uso múltiplo da
água. Para a sua construção podem-se utilizar diferentes materiais, tais como madeira, terra,
pedra e concreto em diversas concepções, tal como mostrado nas fguras 2.23 a 2.25.
a
a
b
b
Figura 2.23 – Barragem de terra homogênea: (a) pch Palmeiras; (b) pch Piau
Figura 2.24 – Barragem de enrocamento – pch Machado Mineiro: (a) vista de jusante; (b) vista de montante
miolo síntese.indd 59 19/12/2008 16:52:07
60 Tecnologias de Energias Renováveis
O mais comum é utilizar barragens de terral e rocha, quando a obra é do tipo não galgável, e
concreto, quando a obra é do tipo galgável. Entretanto, devido ao alto custo dos materiais, houve
um aumento de popularidade das barragens feitas com concreto compactado a rolo (ccr). Esse
tipo de técnica alia a resistência do concreto à praticidade de construção das barragens de terra
e de rocha.
Barragens móveis
Em se tratando de rios com baixas declividades, onde por diferentes motivos há a necessidade
de se manter a água dentro da calha do rio, ou se deseja aumentar a altura da barragem e con-
trolar o nível da água no reservatório, pode-se utilizar as “barragens móveis”. Essas podem ser
construídas na forma infável feitas com borracha, conforme mostram as fguras 2.26 (a) e 2.26
(b), ou na forma basculante, como apresentado nas fguras 2.27 (a) e 2.27 (b).
a b
Figura 2.25 – (a) Barragem de concreto; (b) barragem de pedra argamassada
a b
Figura 2.26 – Barragem de borracha infável – fabricante Bridgestone: (a) instalada sobre um vertedor; (b) instalada sobre o
leito de um curso d’água
miolo síntese.indd 60 19/12/2008 16:52:08
61 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Com o objetivo também de aumentar o nível do reservatório e garantir segurança à estrutura em
condições de vazões extremas, há fabricantes que sugerem o uso de “barragens” ou “comportas
fusíveis”.
Como o próprio nome diz, esse tipo de obra funciona como um “fusível” contra as enchen-
tes. Sua operação só ocorre em condições extremas, quando a vazão de cheia ultrapassa o seu
valor nominal. Neste caso a comporta (ou barragem) móvel tomba, abrindo uma passagem extra
sobre a soleira do vertedor, onde a comporta está instalada, aumentando a sua capacidade de
vertimento. Desta forma garante-se a segurança da barragem e das populações que porventura
estejam localizadas a jusante da obra (fguras 2.28a, 2.28b e 2.28c).
a b
Figura 2.27 – Barragens móveis: (a) operada por meio de colchões infáveis; (b) operada por pistão óleo-hidráulico
a
b c
Figura 2.28 – Comporta-fusível, fabricação hydroplus
®
: (a) esquema em perspectiva; (b) Instaladas na barragem st-herbot,
na França; (c) sobre o vertedor de uma barragem
Esse tipo de solução permite diminuir custos na construção da barragem, além de aumentar o
comprimento do vertedor, diminuir a altura da lâmina d’água sobre o vertedor, aumentar o nível
do reservatório já implantado e, conseqüentemente, quando desejável, aumentar a capacidade
de um reservatório e a potência da central.
Em centrais de baixas quedas, as barragens móveis podem ser utilizadas para controlar o nível
d’água do reservatório, por exemplo, ou fazer com que a água permaneça confnada no interior
da calha do rio, mesmo por ocasião das cheias.
miolo síntese.indd 61 19/12/2008 16:52:09
62 Tecnologias de Energias Renováveis
Alguns projetos de μCH desenvolvidos na região
amazônica
A seguir são apresentados algumas experiências sobre implantação de µCHs na região Norte
do País.
Projeto µCH Canaã
Esse projeto tinha como meta implantar uma µCH no rio Roosevelt, na comunidade denominada
Assentamento Canaã, no município de Pimenta Bueno, ao sudeste do Estado de Rondônia.
A comunidade é formada por 55 famílias, assentadas pelo incra, em uma área vizinha à
reserva indígena dos “Cintas-Largas”.
Previa-se construir a µCH na margem esquerda do rio Roosevelt. Não haveria barragem,
apenas um espigão para conduzir a água ao sistema adutor. A queda disponível era de 12 metros
e previa-se, numa primeira fase, gerar 60 kW.
Infelizmente, o projeto não logrou êxito devido à intransigência e a falta de espírito público
do proprietário da terra, que não autorizou a sua construção. Ficou a experiência do contato
com a comunidade, o conhecimento das difculdades pelas quais elas estão sujeitas e a neces-
sidade de prover meios para que uma população desassistida como essa possa alcançar melhor
qualidade de vida. A fgura 2.29 mostra alguma situação encontrada na comunidade e o arranjo
proposto para a µCH.
a
c
b
miolo síntese.indd 62 19/12/2008 16:52:11
63 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
A A
EL. 271,40 m
1
,
5
0

x

1
,
8
0
1
,
0
0
2
,
0
0
2
,
1
0
0
,
8
0

x

0
,
4
0
1
,
7
0
1
,
5
0

X

1
,
8
0
1
,
0
0
1
,
5
0

X

1
,
8
0
1
,
0
0
3,00x1,20
1,00
Almoxarifado
Subestação Elevadora
0
,
8
0
2
,
1
0
Banho
0
,
8
0
2
,
1
0
Painel 1
Bloco de Ancoragem
BA02
Figura 2.29 – Projeto µCH Canaã: (a) Rio Roosevelt seção da tomada d’água; (b) e (c) grupo gerador diesel para atendimento
individual; (d) arranjo da µCH Canaã; (e) arranjo da casa de máquinas – vista em planta
d
e
miolo síntese.indd 63 19/12/2008 16:52:13
64 Tecnologias de Energias Renováveis
Projeto Cachoeira do Aruã
Trata-se de um projeto que, também com recurso do CT-Energ e do Ministério de Minas e Energia,
teve como objetivo implantar um projeto-piloto de geração descentralizada em comunidades
isoladas na região amazônica de forma a implantar uma gestão comunitária que permitisse a
auto-sufciência do empreendimento.
A µCH, de 50 kW, foi implantada no rio Aruã, numa comunidade distante 14 horas de barco de
Santarém, no centro-sul do Estado do Pará. A função foi atender as famílias residentes, uma escola,
uma bomba hidráulica para recalcar água ao reservatório de distribuição à comunidade e duas uni-
dades produtivas que foram implantadas pelo projeto. As referidas unidades produtivas eram uma
ofcina moveleira e uma central de congelamento de polpa de frutas, que tinham como objetivo
permitir o uso produtivo da energia geada pela µCH e gerar renda à comunidade. As fguras 2.30,
2.31 e 2.32 apresentam características da comunidade de Aruã, bem como aspectos da µCH.
Figura 2.30 – Atendimento à comunidade de Aruã: (a) linha de transmissão e distribuição; (b) escola atendida pelo projeto;
(c) habitação atendida pelo projeto
Figura 2.31 – Aspectos da µCH Cachoeira do Aruã: (a) barragem e tomada d’água; (b) casa de máquinas; (c) grupo gerador e
quadro elétrico
Figura 2.32 – Usos produtivos da energia: (a) unidade moveleira; (b) congelador de polpa de frutas;(c) bombeamento para o
sistema de distribuição de água potável
a
a
a
b
b
b
c
c
c
miolo síntese.indd 64 19/12/2008 16:52:16
65 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Figura 2.33 – Antigas condições da µCH Novo Plano: (a) tubulação forçada e casa de máquinas; (b) grupo gerador; (c) “quadro
elétrico” da central
a b c
Dos dois projetos em que se previam a mobilização e organização da população para a implan-
tação de um sistema de gestão comunitário que desse auto-sufciência à unidade geradora, esse
foi aquele em que se conseguiu o maior índice de sucesso. Para tanto, o projeto contou com
a colaboração da Fundação Winrock e com a ong Alegria, cujo apoio foi fundamental para o
sucesso do projeto.
Projeto µCH Novo Plano
Esse projeto foi desenvolvido junto à comunidade Novo Plano, localizada no município de Chu-
pinguaia, no Estado de Rondônia. Com uma potência instalada de 55 kW, prevê-se o atendimento
de 40 famílias da comunidade.
Trata-se de um projeto de repotenciação de uma µCH já existente, construída pelos próprios
moradores, que atendia apenas três moradias e encontrava-se em péssima condição de manu-
tenção, conforme pode ser visto na fgura 2.33.
a
miolo síntese.indd 65 19/12/2008 16:52:19
66 Tecnologias de Energias Renováveis
b c
Figura 2.34 – Projeto µCH Novo Plano: (a) arranjo físico; (b) novo conduto forçado; (c) turbina hidráulica tipo Francis
Figura 2.35 – Projeto µCH Jatoarana: (a) barragem de terra com vertedor lateral; (b) casa de máquinas; (c) canal de adução,
escavado em terra sem revestimento; (d) turbina hidráulica tipo Indalma; (e) linha de transmissão; (f) habitação sendo atendida
O projeto de repotenciação previu a construção de uma nova tomada d’água, a troca dos con-
dutos forçados e do grupo gerador e um aumento substancial na potência gerada. A fgura 2.34
mostra alguns aspectos da central repotenciada.
Esse projeto contou com grande cooperação da comunidade e, durante sua construção, a
maior difculdade encontrada foi a grande freqüência de chuva na região.
Projeto µCH Jatoarana
O projeto µCH Jatoarana foi desenvolvido para atender duas comunidades: a de Nova Olinda e a de
Santa Luzia, no município de Belterra, a 140 km de Santarém, na região central do Estado do Pará.
Com a potência de 55 kW, ele é responsável pelo atendimento de 40 famílias, cujas habitações
estão espalhadas em pequenas aglomerações ao longo de 8 km.
A fgura 2.35 apresenta diversos aspectos técnicos da µCH.
a
d
b
e
c
f
miolo síntese.indd 66 19/12/2008 16:52:28
67 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
Figura 2.36 – Modelo Prisma – gestão comunitária de unidades geradoras em comunidades isoladas, estruturadas em
produtor independente de energia – pie. Fonte: Oliver (2005)
Modelos de gestão para unidades de geração em
comunidades isoladas
Os projetos apresentado no item anterior fzeram parte de um programa do Ministério de Minas e
Energia de disseminação da tecnologia na região amazônica para desenvolver modelos de gestão
comunitária participativa que dêem auto-sustentabilidade às unidades de geração implantadas
em comunidades isoladas.
A princípio os modelos de gestão consistem em: organizar a comunidade em uma associa-
ção, o governo ou outro agente responsável pelo desenvolvimento social, implantar a unidade
geradora a ser registrada na aneel e repassada em comodato à associação.
Modelo Prisma Š : a associação se torna produtor independente e assina um PPA e
outro contrato de o&m com a concessionária local. Os recursos obtidos com a venda
da energia e com o serviço de o&m são utilizados para a operação e manutenção
da unidade geradora. Parte da energia entregue à concessionária é consumida em
instalações produtivas, como ofcina moveleira, congelamento de polpas de frutas,
ou outras atividades às quais a comunidade seja vocacionada. A renda obtida com
essas atividades gera mais receita que, por sua vez, permite pagar à concessionária
pela energia consumida e, com o restante, obter meios para alcançar a melhora na sua
qualidade de vida. Esse modelo está, em parte, sendo testado na comunidade de Aruã, e
pode ser visualizado na fgura 2.36.
Modelo autoprodução Š : No princípio segue o mesmo procedimento do modelo anterior,
com a diferença que a associação seria registrada na aneel como um autoprodutor
que venderia apenas parte da energia à concessionária, o sufciente para atender às
habitações. A outra parte da energia seria consumida pelas instalações produtivas que
gerariam empregos e renda à comunidade, aumentando o valor agregado aos produtos
da comunidade. Esse modelo, observado na fgura 2.37, infelizmente não pôde de ser
implantado devido ao fato do impedimento à construção da µCH Canaã.

Serviços O&M e
Assist. Comercial
(Contrato Serviços)
Prestação de Contas
(Termo de Parceria)
Investimento Inicial
Concessionária
OSCIP/PIE
Consumidores
Energia
(PPA)
$
$
Energia
(Contrato de Adesão)
Poder Público
$
miolo síntese.indd 67 19/12/2008 16:52:29
68 Tecnologias de Energias Renováveis
Comentários fnais
Com os trabalhos desenvolvidos na Amazônia Legal, na implantação de quatro projetos-pilotos,
onde três lograram sucesso, observou-se que o fornecimento de energia elétrica por si só, sem
uma fase preliminar de planejamento de estudos que possibilite identifcar, reunir e integrar os
recursos diversos que podem ser aproveitados, preservados e potencializados, não é sufciente
para se alcançar tal desenvolvimento.
O fornecimento de um sistema de geração de energia elétrica em comunidades isoladas
deve conter um plano de gestão participativo e sustentável, e devem-se criar estratégias que
dêem suporte ao crescimento proporcionado pela chegada da energia elétrica que benefciem
os indivíduos, gerando renda através do uso produtivo da energia.
Em se tratando de µCH e mCH, a região amazônica mostra-se bastante propícia. A tecnologia
envolvida nesse processo é totalmente dominada pela indústria nacional e, o mais importante,
pela indústria local. Porém, as condições locais, de rios caudalosos e com pequenas declividades
em sua maioria, impõem soluções que ainda não se encontram em estágio adequado no Brasil, o
que pode difcultar a implantação dessas µCH e mCH, ou destiná-las apenas à regiões do entorno
Figura 2.37 – Modelo de gestão comunitária participativo, para auto-sustentabilidade de unidades geradoras em
comunidades isoladas, estruturada em autoprodutor de energia – ape
Poder Público
$ Investimento Inicial
$ O & M
$ Receita
$ Tarifa
$ Renda
$

O

&

M

R
e
d
e
$

P
P
A
$ Receita
$

I
n
v
e
s
t
i
m
e
n
t
o
s
Energia consumo próprio Energia excedente
Planta μCH
OSCIPE
APE
O&M
Rede
Atividade
Produtiva
Trabalho
Venda
PPA
Concessionária
Distribuição
Consumidor
Melhoria da
qualidade
de vida
miolo síntese.indd 68 19/12/2008 16:52:30
69 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
da bacia amazônica, onde a topografa mostra-se mais adequada.
Além disso, é de fundamental importância conceber o fornecimento da energia elétrica na
totalidade de seu uso, considerando sua inserção num contexto social, econômico e ambiental,
de forma racional, prudente e equilibrada, e ao mesmo tempo, que permita alavancar o desen-
volvimento sustentável da comunidade e, conseqüentemente, à região e ao País.
É nosso dever apontar as possíveis soluções e os meios de alcançá-las; à população das comu-
nidades isoladas compete defnir o seu desejo de mudança e se organizar e trabalhar para isso.
Meios existem, é necessário desejar as mudanças e colocá-las em prática.
Agradecimentos
Agradecemos à Secretaria de Energia do Ministério de Minas e Energia, ao Programa Luz Para
Todos e ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – pnud por terem acreditado
no trabalho do cerpch, proporcionando os meios para o desenvolvimento dos projetos pilotos
apresentados e dessa bibliografa. A experiência adquirida foi e será muito importante para o
desenvolvimento das atividades do centro, bem como para as comunidades envolvidas.
Agradecemos aos parceiros envolvidos nos projetos, como a Fundação Winrock Comunidade
Alegria, cuja participação foi fundamental para o sucesso dos mesmos.
Agradeço à equipe do cerpch, que foi solidária no desenvolvimento dos projetos e na ela-
boração do guia, do livro e deste capítulo, dos quais são co-autores.
miolo síntese.indd 69 19/12/2008 16:52:30
70 Tecnologias de Energias Renováveis 70 Tecnologias de Energias Renováveis
3 Combustão e Gasifcação
de Biomassa Sólida
Soluções Energéticas para a Amazônia
Gonçalo Rendeiro (Coordenador)
Manoel Fernandes Martins Nogueira (Editor)
Augusto César de Mendonça Brasil
Daniel Onofre de Almeida Cruz
Danielle Regina da Silva Guerra
Emanuel Negrão Macêdo
Jorge de Araújo Ichihara
Co-autores:
André Augusto Azevedo Montenegro Duarte
Antonio Geraldo de Paula Oliveira
Hendrick Maxil Zárate Rocha
Robson Evilácio de Jesus Santos
Sergio Aruana Elarrat Canto
Wilson Negrão Macêdo
miolo síntese.indd 70 19/12/2008 16:52:30
71 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Caracterização da Geração na Amazônia
Havia, no início de 2006, 294 sistemas isolados em operação autorizados pela Agência Nacional
de Energia Elétrica (aneel). A sua distribuição espacial era a seguinte:
Na região Norte: 288; Š
No Estado de Mato Grosso: 32; Š
Nos Estados de Pernambuco, Bahia, Maranhão e Mato Grosso do Sul: 4. Š
Tomados em conjunto, estes sistemas cobrem quase 50% do território nacional, consomem
aproximadamente 2% da energia elétrica utilizada no País e representam a mesma proporção
do pib. Cabe ressaltar que, além dos 294 sistemas isolados autorizados, existem centenas de
sistemas isolados em operação sem autorização, mesmo quando pertencentes a concessionárias,
e outras tantas centenas de localidades sem atendimento.
Os sistemas isolados mais importantes, do ponto de vista da dimensão do consumo, são
os que atendem as capitais da região Norte (Manaus, Porto Velho, Macapá, Rio Branco e Boa
Vista), com exceção de Belém, que está integrada ao sistema interligado nacional. Estes sistemas
representam cerca de 80% da carga total dos sistemas isolados.
Nos sistemas de Manaus, Porto Velho e Macapá, a geração de eletricidade provém de sis-
temas hidrotérmicos. Em Rio Branco, o atendimento era puramente térmico, situação que foi
alterada ao fnal de 2002, com a interligação ao sistema de Porto Velho em 230 kV. O sistema
que atende Boa Vista e parte do interior do Estado de Roraima passou a ser suprido, a partir de
julho de 2001, com importação de energia da Venezuela, por meio da interligação ao sistema da
hidrelétrica de Guri em 230 kV naquele país vizinho.
A grande maioria dos sistemas do interior dos Estados da região Norte é suprida por unidades
dieselelétricas de pequeno porte. Contudo, existe, também, um parque hidrelétrico composto
por pequenas centrais hidrelétricas (pchs), totalizando cerca de 42 MW de potência instalada
em 22 usinas nos Estados de Rondônia, Roraima e Mato Grosso. Este parque será expandido
com a instalação, até o fnal de 2006, de 14 novas pchs, adicionando mais 110 MW à potência
desses sistemas.
Até recentemente, a geração nos sistemas isolados possuía um certo arcabouço legal, ainda
que insatisfatório. A mudança processada nessa legislação, durante o processo de privatização,
revogou itens, o que conduziu à situação atual de completo vácuo legal, contribuindo para a
desestabilização e insolvência dos agentes, a aceleração do desequilíbrio e, com o fm das con-
cessões, a obsolescência do parque gerador.
Os principais agentes que operam nos sistemas elétricos isolados do País são a Eletrobrás e
Eletronorte com suas respectivas subsidiárias, os governos dos Estados do Amapá e Roraima, as
miolo síntese.indd 71 19/12/2008 16:52:30
72 Tecnologias de Energias Renováveis
concessionárias privadas celpa e cemat do Grupo Rede, e alguns produtores independentes.
A Eletronorte é controladora das subsidiárias Manaus Energia (Mesa), responsável por 89,5%
da energia distribuída no Estado do Amazonas (a grande maioria na capital, Manaus) e proprietária
da usina hidrelétrica (uhe) Balbina e usinas termelétricas (utes) Mauá, Aparecida e Electron; e a
Boa Vista Energia (Bovesa), que responde por 84% da energia distribuída no Estado de Roraima
(essencialmente na capital, Boa Vista).
A Eletronorte é supridora dos sistemas isolados das capitais do Amapá, através da uhe Coa-
racy Nunes e ute Santana; de Roraima, através de importação da empresa venezuelana Edelca
e ute Floresta; do Acre, através das utes Rio Branco e Rio Acre; e de Rondônia, através da uhe
Samuel e ute Rio Madeira.
A Eletrobrás é controladora da Eletronorte e das empresas concessionárias distribuidoras
federalizadas que operam em sistemas isolados, Companhia Energética do Amazonas (Ceam),
Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) e Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre). A
Ceam é suprida parcialmente pela Mesa e possui pequenas centrais termelétricas (pcts). A
Ceron possui pchs e pcts.
Os governos dos Estados do Amapá e Roraima são controladores da Companhia de Eletrici-
dade do Amapá (cea) e Companhia de Eletricidade de Roraima (cer), respectivamente. A cer é
suprida parcialmente pela Bovesa.
Os principais produtores independentes de energia (pies) que suprem os sistemas isolados
possuem as seguintes usinas:
ute Š s El Paso Amazonas, El Paso Rio Negro e BK, no Estado do Amazonas;
ute Š s Termonorte I e II consórcio CS Participações/El Paso, no Estado de Rondônia;
ute Š Barro Vermelho SoEnergy, no Estado do Acre;
celpa Š : 38 sistemas com 75 MW efetivos, e cemat: 34 sistemas com 87 MW efetivos,
SoEnergy: 55 sistemas com 77 MW.
Há diversas PCHs de produtores independentes no Estado de Rondônia. O produtor independente
Guascor supre diversas localidades no interior dos Estados de Rondônia, Acre e Pará, enquanto
que o produtor independente Rovema, atende a localidades no interior de Rondônia.
Princípios para Uso de Biomassa como Combustível
Dois são os processos de conversão da energia contida na biomassa que são abordadas neste
livro: combustão e gasifcação. Ambos os processos consistem da reação dos componentes da
biomassa com ar. A combustão ocorre com excesso de oxigênio enquanto que a gasifcação
ocorre com falta de oxigênio. Excesso ou falta é com relação a uma quantidade de referência
denominada quantidade de ar estequiométrica. Este capítulo apresentará os conceitos básicos
das reações de combustão e gasifcação e ensinará a quantifcar as massas de combustível e ar
requeridos para esses processos, bem como o poder calorífco dos combustíveis e a temperatura
adiabática da reação.
Conversão Energética da Biomassa
É uma reação química de oxidação de materiais combustíveis. Os reagentes, geralmente o oxigênio
do ar e um hidrocarboneto, colidem entre si causando a sua destruição. Os elementos químicos
miolo síntese.indd 72 19/12/2008 16:52:30
73 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
resultantes dessa destruição se recombinam formando novas espécies químicas denominadas
de produtos. Essa destruição seguida de recombinação numa região espacial específca libera
calor e eventualmente emite luz. Resumindo, a combustão é uma reação química exotérmica
entre um combustível e um comburente, usualmente o oxigênio, para liberar calor, formando
como produto um grupo de espécies diferente dos reagentes.
Todo processo de combustão somente ocorre na fase gasosa. Um processo de combustão de
gases pode ser exemplifcado pela reação abaixo. Nela o gás metano reage com o oxigênio puro
(o oxigênio contido no ar vem acompanhado com nitrogênio. Para cada átomo de O
2
recolhido
no ar, vem acompanhando 3,76 átomos de N
2
).
CH

kmol
volume
+ O

+ kmol
+ volumes
+ H

O
+ kmol
+ volumes

CO


kmol

volume
equação 3.1
equação 3.2
Nessa reação, os reagentes são o metano e o oxigênio, que reagem entre si formando os produtos
CO
2
e H
2
O liberando o calor de reação. Note que para essa reação acontecer, são necessárias
quantidades exatas de átomos envolvidos. Para cada átomo de carbono, é preciso que tenhamos
dois átomos de oxigênio para formar CO
2
e para cada dois átomos de hidrogênio é preciso for-
necer um átomo de oxigênio para formar uma molécula de água. Essa reação com quantidades
de combustível e oxidante nas quantidades exatas é denominada de reação estequiométrica.
A quantidade de oxidante numa reação estequiométrica depende do combustível e é obtida a
partir do balanço de átomos dos reagentes e dos produtos.
Processos de combustão e gasifcação na presença de oxigênio puro só se justifcam para
plantas de grandes potências devido ao custo de separar o oxigênio do ar do nitrogênio. Nos
outros casos utiliza-se o oxigênio do ar, que possui o inconveniente de para cada molécula de
oxigênio trazer consigo 3,76 moléculas de nitrogênio, que é um inerte.
A presença de nitrogênio reduz a temperatura da chama e conseqüentemente a tempera-
tura dos gases resultantes da combustão, pois absorve o calor liberado pela reação para elevar
sua temperatura. Sem a presença de nitrogênio, a temperatura da chama pode ultrapassar os
2.000°C, capaz de derreter as paredes da câmara de combustão. A desvantagem da presença
do nitrogênio é que a altas temperaturas ele se dissocia e se associa com o radical oxigênio livre
formando NO. NO reage com oxigênio do ar formando ozônio, que é um poluente. Processos
de combustão normalmente usam ar.
Para o caso de combustão com ar, é preciso defnir a razão ar-combustível.
massa de ar
massa de combustível
λ = ———————————
Essa é a razão ar-combustível estequiométrica. Este texto adotará que se mais ar for adicionado
do que o ar estequiométrico, a mistura será pobre (por enquanto se paga somente pelo combus-
tível) e ocorrerá λ > λ
est
. Se menos ar for adicionado à combustão que o requerido pela reação
estequiométrica, a mistura reagente será denominada rica e terá λ < λ
est
. Reagentes pobres e ricos
terão diferentes produtos como será visto na próxima seção. Diferentes combustíveis possuem
diferentes razões ar-combustível.
miolo síntese.indd 73 19/12/2008 16:52:31
74 Tecnologias de Energias Renováveis
Reagentes com misturas ricas e pobres – Razão de Equivalência
Quando os reagentes possuem misturas ricas ou pobres, a composição dos produtos é diferente
dos produtos de uma reação estequiométrica (CO
2
, H
2
O e N
2
).
Numa mistura pobre, existe excesso de oxigênio. Supondo não existir dissociação, o excesso
de oxigênio não tem com quem reagir e passa pela chama como se fosse um inerte e aparece
nos produtos. Então os produtos de uma mistura pobre serão CO
2
, H
2
O, N
2
e O
2
.
Numa mistura rica, existe falta de oxigênio. Supondo não existir dissociação, falta oxigênio
para reagir com todo o carbono e hidrogênio disponíveis, propiciando a formação de CO e H
2
.
Então os produtos de uma mistura rica serão CO
2
, H
2
O, N
2
, CO e H
2
.
No processo de gasifcação, busca-se converter o combustível em CO e H
2
, e é indesejável
produzir CO
2
e H
2
O. Assim sendo, esse projeto é feito em falta de oxigênio, excesso de combus-
tível, caracterizando que os reagentes são uma mistura rica. Esses processos geralmente operam
com 30% da quantidade de ar estequiométrico.
Razão de equivalência é defnida como a razão combustível-ar dos reagentes pela razão
combustível-ar em condição estequiométrica. Essa defnição é válida tanto na base molar quanto
na base mássica. Alguns autores preferem utilizar a razão de equivalência defnida como razão
ar-combustível utilizada nos reagentes pela razão ar-combustível na condição estequiométrica.
Este texto adotará a primeira defnição. Então razão de equivalência é:
equação 3.3
equação 3.4
N
comb
N
ar
Φ = —–——–– = —————
—–—–
N
comb
N
ar est
—–—–
m
comb
m
ar
—–—–
m
comb
m
ar est
—–—–
Onde N
comb
e N
ar
são os números de moles do combustível e do ar na mistura que estão sendo
empregados e (N
comb
/N
ar
)
est
é a razão combustível-ar estequiométrico. Nesta defnição de Φ > 1,
a mistura é rica e se Φ < 1, a mistura é pobre.
Processos de combustão utilizam Φ de aproximadamente 0,95 enquanto processos de gasi-
fcação utilizam Φ em torno de 3.
Calor de Reação e Poder Calorífco
Calor de reação é defnido como a quantidade de calor liberado durante a reação estequiométrica
de combustão até que o produto alcance a mesma temperatura do reagente. Exemplifcando,
considere um recipiente a pressão constante cheio de metano e oxigênio com razão ar-metano
igual à estequiométrica e temperatura 298 K. Iniciando a combustão (talvez com uma centelha),
a temperatura sobe até alcançar o máximo possível (por exemplo, 1700 K). Como o exterior do
recipiente está a 298 K, calor é removido e a temperatura no seu interior baixa, e depois de certo
tempo, o produto da combustão no interior do recipiente entra em equilíbrio com o meio externo
a 298 K. A quantidade de calor removido é denominada calor de reação.
Para quantifcar o calor de reação utiliza-se a primeira Lei da Termodinâmica, que estabelece,
no caso de processo a pressão constante, que a energia liberada é igual à variação de entalpia
entre produto e reagentes.
Q
R
= H
produto
- H
reagente
miolo síntese.indd 74 19/12/2008 16:52:31
75 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Onde N
i
é o número de moles da espécie “i” contida na mistura e H = ∑ N
i
. h
i
n


é a entalpia molar dessa
espécie na temperatura da mistura (kJ/mol). O número de moles de cada espécie é obtido da
reação estequiométrica e a entalpia molar é a soma da entalpia de formação a temperatura de
298 K e da entalpia sensível que a mistura possui a certa temperatura.
Poder calorífco é defnido como o calor de reação, com o sinal invertido e na base mássica.
pcs é calculado utilizando a quantidade de calor extraído da reação química, de maneira que a
água no produto condensa e fca na fase líquida. Se a temperatura do reagente e do produto for
298 K a 1 atm, necessariamente a água nos produtos estará na fase líquida. Então nesse caso,
esse será o pcs.
equação 3.5
equação 3.6
equação 3.7
H = ∑ N
i
. h
i
n


Onde Q
R
é o calor de reação, H
produto
e H
reagente
são respectivamente as entalpias do produto e do
reagente. Essas entalpias podem ser quantifcadas pela expressão
PCS = ———– [kJ ∕ kg de combustível]
- Q
R
PM
comb
pci é calculado com uma quantidade menor de calor extraído do que a extraída para quantifcar o
pcs, de maneira que a água nos produtos permaneça na fase vapor. O pci é calculado subtraindo
da energia liberada na reação pela quantidade de energia liberada durante a condensação, con-
forme descrito na equação 3.7:
PCI = PCS - ——— .h
lv
m
H

O
m
comb
Combustão dos Líquidos e Sólidos
A combustão de um combustível líquido em uma região acontece realmente na forma gasosa. Isto
quer dizer que quem reage liberando calor é o gás, não o líquido. Portanto, um líquido infamável
normalmente só entrará em combustão acima de uma temperatura, do seu ponto de fulgor e na
presença de uma fonte quente para iniciar a reação. Iniciada a reação ela se auto-mantém.
Ponto de fulgor é a menor temperatura na qual um líquido libera vapor ou gás em quantidade
sufciente para formar com o ar atmosférico uma mistura infamável. Abaixo dessa temperatura,
o líquido não evaporará com rapidez sufciente para sustentar o fogo caso a fonte de ignição
seja removida.
A combustão de sólidos consiste em três fases relativamente distintas: Secagem – Quando é
retirada a umidade do combustível através da evaporação da água incorporada ao combustível
sólido. Depois, os gases infamáveis do sólido começam a ser liberados através de um processo
chamado Pirólise, onde a mistura desses voláteis com oxigênio provoca a ignição, sendo a energia
produzida na forma de calor e luz. O fogo normalmente é visível nesta fase. Gasifcação – Após,
ocorre todo o processo de volatilização do sólido, o material carbonizado gaseifca formando
CO, CH
4
, H
2
, que reage com o oxigênio numa reação exotérmica, tendo como produtos CO
2
+
H
2
O + Calor.
miolo síntese.indd 75 19/12/2008 16:52:32
76 Tecnologias de Energias Renováveis
equação 3.8
equação 3.9
Caracterização da Biomassa para Fins Energéticos
Para poder avaliar a capacidade energética de uma biomassa é preciso fazer a caracterização
energética da mesma. Essa caracterização é feita com três grupos de procedimentos: determi-
nação do poder calorífco, a análise elementar e a análise imediata.
A determinação do poder calorífco quantifca a energia contida na biomassa, com a determina-
ção do seu poder calorífco superior e inferior. A análise elementar quantifca os percentuais, em
massa, dos elementos C, H, O, N, S e cinzas contidas na biomassa. A análise imediata determina
os teores de umidade, voláteis, carbono fxo e cinzas contidas na biomassa.
Determinação do Poder Calorífco Superior (pcs) e Poder Calorífco
Inferior (pci) e Análise Elementar
Os ensaios de determinação do poder calorífco superior são realizados obedecendo à norma
nbr 8633 (Determinação do Poder Calorífco), na qual é medido o poder calorífco superior em
base seca da biomassa. Para este ensaio, pode ser utilizada uma bomba calorimétrica digital.
O poder calorífco superior de uma biomassa também pode ser determinado com a ajuda
dos resultados da análise elementar. É possível fazer o relacionamento do pcs de uma biomassa
com a quantidade de ligações químicas envolvendo seus elementos. Assim sendo, conhecendo
a fração mássica dos componentes da biomassa, é possível calcular o pcs. A equação (3.8) é um
exemplo desse tipo de correlação. Em 2007, não havia correlações específcas para espécies
amazônicas.
PCS ¬ 43/,!m
c
- !669,4
Onde m
c
é a fração mássica de carbono na biomassa combustível seca, e o pcs é obtido em kJ/
kg de biomassa seca.
O poder calorífco inferior (pci) pode ser obtido através da equação (3.9):
PCI
u
= ( - a) . PCS - . ( - a) . h . h
lv(°C)
- a . h
lv(°C)
Onde pcs: poder calorífco inferior (kJ/kg de biomassa úmida); pcs: poder calorífco superior (kJ/
kg de biomassa seca); a: teor de umidade da biomassa (massa base úmida); h: teor de hidrogênio
na biomassa (massa base seca); h
lv
(25°C): entalpia de vaporização da água a 25°C (kJ/kg), igual
a 2442 kJ/kg.
Para o pci ser calculado através da equação (3.9), é preciso conhecer os teores de umidade
e de hidrogênio da biomassa que será utilizada como combustível. Quanto maior o teor de umi-
dade, menor será o pci, implicando que menor energia poderá ser extraída da biomassa. Se o
teor de umidade da biomassa for acima de 0,7 não ocorrerá combustão. Biomassas estocadas
em pátios abertos possuem o seu teor de umidade entre 0,4 e 0,55. Biomassas que tenham sido
secas têm o seu teor de umidade entre 0,08 e 0,12.
O teor de hidrogênio da biomassa seca é obtido em laboratório através de um ensaio deno-
minado análise elementar. Esse ensaio fornece os percentuais mássicos dos elementos “C”, “H”,
“O”, “N”, “S” e “cinzas” da biomassa. Um resultado típico da análise elementar pode ser visto
na tabela 3.1.
miolo síntese.indd 76 19/12/2008 16:52:32
77 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Análise Imediata, Teor de Voláteis, Umidade, Carbono Fixo, Cinza;
Descrição dos Métodos
Determinação do Teor de Umidade de Biomassas
Para a determinação do teor de umidade, utiliza-se a norma nbr 8112 (Análise Imediata), sendo
que as amostras devem ser preparadas conforme a nbr 6923 (Amostragem e Preparação da
Amostra). 500g de amostra de biomassa com granulometria inferior a 19 mm são colocados numa
estufa previamente aquecida a 105°C até que a massa da amostra permaneça constante.
Determinação do Teor de Voláteis de Biomassas
Expressa a quantidade mássica dos componentes da biomassa que primeiramente entram em
combustão. Esses componentes, os voláteis, são hidrocarbonetos que são vaporizados da bio-
massa e facilmente entram em combustão. O teor de voláteis é defnido como a fração em massa
da biomassa que volatiliza durante o aquecimento de uma amostra padronizada e previamente
seca, em atmosfera inerte, até temperaturas de aproximadamente 850°C num forno mufa, por
7 (sete) minutos (nbr 8112 – Análise Imediata).
Determinação do Teor de Cinzas de Biomassas
Os procedimentos para determinação do teor de cinzas de amostras de biomassa são baseados
na nbr 8112 (Análise Imediata). As cinzas são resultantes da combustão dos componentes orgâ-
nicos e oxidação dos inorgânicos em um forno mufa, sob rígido controle de massa, temperatura,
tempo e atmosfera. Um grama de biomassa já sem umidade e voláteis é colocado num cadinho
e levado ao interior do forno. Sua temperatura é então elevada para 710°C e, nessa condição,
fca por uma hora.
Determinação do Teor de Carbono Fixo de Biomassas
Os procedimentos para cálculo do teor de carbono fxo em base seca, de amostras de biomassa,
são baseados na nbr 8112 (Análise Imediata).
Caracterização Energética de Algumas Espécies Amazônicas
A tabela 3.2 abaixo mostra alguns resultados de caracterização de espécies de biomassa exis-
tentes na Amazônia.
Espécie
C H N S O Cinzas
38,24
59
46
4,40
7,2
6
0,80
-
0,8
0,06
-
-
35,50
32,7
46
21
1,1
1,2
Casca de arroz
Pinheiro
Caroço de açaí
Tabela 3.1 – Resultado da análise elementar de algumas espécies vegetais em percentual mássico
População H/C aproximadamente 1,5 e de O/C de aproximadamente 0,6
miolo síntese.indd 77 19/12/2008 16:52:32
78 Tecnologias de Energias Renováveis
PCS
[MJ/kg]
Carbono
Fixo [%]
Teor de
Voláteis [%]
Teor de
Cinzas [%]
Massa
Especifica
a Granel
[kg/m³]
Densidade
Energética
[MJ/m³]
ID Nome Comercial
20,70
19,76
17,51
19,84
20,44
18,98
19,91
17,34
19,35
19,16
22,22
16,18
20,28
21,10
20,21
19,91
20,14
22,01
18,67
16,55
18,69
19,41
19,72
20,11
19,70
19,84
19,97
19,85
16,65
19,31
22,22
19,88
20,49
18,92
20,55
19,99
20,79
19,85
20,20
19,53
19,59
19,14
19,87
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
78,7
89,9
70,0
81,6
79,6
81,3
85,6
72,9
80,6
79,4
77,7
76,1
71,0
75,9
84,6
90,9
86,7
78,4
70,6
76,2
78,5
79,6
82,0
82,4
83,2
84,9
93,9
78,4
76,2
84,1
79,4
82,6
80,9
82,0
79,7
76,9
70,1
80,1
82,8
74,8
78,0
81,8
82,6
0,4
0,0
14,9
1,3
0,0
0,9
0,2
9,9
2,9
1,1
1,6
5,9
1,9
1,7
0,1
0,1
0,1
0,2
4,7
4,2
3,2
0,4
0,2
0,2
0,7
0,3
0,8
1,8
6,1
0,7
0,6
1,8
0,9
1,0
1,0
4,1
8,4
0,3
1,7
2,9
2,3
0,6
0,7
250
290
280
265
250
267
259
298
200
240
220
240
240
260
249
250
270
220
282
200
200
200
230
373
200
230
220
250
230
237
210
280
280
250
300
313
222
230
250
230
200
240
200
5175
5732
4904
5258
5109
5068
5158
5168
3871
4598
4889
3883
4867
5485
5032
4977
5438
4842
5264
3310
3737
3883
4536
7503
3940
4563
4394
4962
3830
4576
4667
5568
5737
4729
6165
6257
4615
4564
5049
4491
3918
4592
3974
20,9
10,1
15,1
17,2
20,3
17,8
14,2
15,2
16,6
19,5
20,7
18,0
27,1
22,5
15,3
9,1
13,3
21,4
24,7
19,6
18,3
20,0
17,8
17,4
16,0
14,8
5,4
19,7
17,6
15,3
20,0
15,6
18,2
17,1
19,3
19,1
21,5
19,6
16,7
22,3
19,8
17,6
16,8
Acapú
Andiroba
Angelim
Angelim Pedra
Angelim vermelho
Bambu
Breu
Buchas trituradas de dendê
Cacho seco de amêndoa
Caroço de açaí
Casca de amêndoa
Casca de palmito
Cascas de castanha do Pará
Cascas de nozes
Cedro
Copaíba
Cumaru
Falso Pau-Brasil
Fibra de coco
Fibra de dendê
Garapa
Jatobá
Louro-Faia
Maçaranduba
Mandioqueira
Marupá
Melancieiro
Mogno
Palmito
Pau-marfim
Pau-preto
Pequiá
Pracuuba
Quaruba
Quenga de côco
Resíduo de favadanta
Resíduo de uncária
Roxinho
Sucupira
Talo de uncária
Tanimbuca
Tatajuba
Tauari
Tabela 3.2 – Caracterização energética de algumas espécies amazônicas, ebma, ufpa, 2004
Pré-tratamento da biomassa
A biomassa a ser utilizada como combustível tanto na combustão direta como na gasifcação, na
maioria das vezes não pode ser usada na forma em que se encontra disponível, necessitando de
algum tratamento mecânico para sua efcaz utilização. Dentre os tratamentos mecânicos usuais,
dependendo do custo fnal do combustível e da energia gerada por ele, pode-se utilizar:
Secagem
O processo de secagem é realizado por evaporação e é uma operação na qual a água contida em
uma biomassa é diminuída pela remoção dessa água. Durante a secagem é necessário o forneci-
mento de calor para evaporar a umidade da biomassa. Este processo, de fornecimento de calor de
uma fonte quente para a biomassa úmida, é que promoverá a evaporação da água do combustível.
Uma vez que a biomassa é colocada em contato com ar quente, ocorre uma transferência do calor
do ar à biomassa sob o efeito da diferença de temperatura existente entre eles. Simultaneamente,
a diferença de pressão parcial de vapor d’água existente entre o ar e a superfície da biomassa
determina uma transferência de matéria para o ar. Esta última se faz na forma de vapor de água.
Uma parte do calor que chega à biomassa é utilizada para vaporizar a água.
Torrefação de Biomassa
A torrefação pode ser defnida como um processo de pré-carbonização, o qual se desenvolve jus-
tamente na fase endotérmica da pirólise, entre 250 e 300°C. Nestas condições a hemi-celulose é
degradada, sendo removida a umidade, o ácido acético, frações de fenol e outros compostos de baixo
poder calorífco. Deste processo, resulta um material intermediário entre a biomassa e o carvão,
com altos rendimentos energéticos. O objetivo fundamental da torrefação é concentrar a energia
da biomassa em um produto formado em curto tempo, baixas taxas de aquecimento e temperaturas
moderadas, permitindo reter os voláteis de maior poder calorífco no próprio produto.
Briquetes
Quando pequenas partículas de materiais sólidos são prensadas para formar blocos de forma
defnidas e de maior tamanho, o processo é denominado de briquetagem. Através deste processo,
os fnos de materiais diversos, subprodutos do benefciamento industrial, são convertidos em
produtos de maior valor comercial. Neste trabalho será dada maior ênfase aos briquetes de carvão
vegetal, denominado “carvão ecológico”. No nível de comparação, observa-se que o briquete
tem poder calorífco superior ao da lenha, que está em torno de 3.000 kcal/kg e densidade três
miolo síntese.indd 78 19/12/2008 16:52:33
79 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
vezes maior que o carvão in natura, mantendo o mesmo poder calorífco.
Péletes
Os péletes são fontes de energia renováveis e pertencentes à classe da biomassa. O pélete é
um composto 100% natural, com elevado poder calórico devido à reduzida umidade. Os péletes
podem ser produzidos de várias formas, a partir das limpezas das forestas e dos desperdícios
das indústrias de madeiras, serrações, carpintarias. Esses resíduos devem ser recolhidos, secos,
triturados e moídos. Esse pó de madeira ou serragem é depois comprimido nas chamadas pele-
tizadoras (máquinas para fazer péletes) obtendo assim a forma fnal. Tal como a lenha, os péletes
são considerados uma energia renovável.
Trituração
A trituração é um pré-requisito para vários processos de reaproveitamento de produtos, dentre
os quais se destaca a utilização da biomassa para fns energéticos. Este processo torna-se neces-
sário quando se visa à redução de tamanho a dimensões abaixo de 5–20 mm, proporcionando
melhor alimentação na fornalha com aumento signifcativo da área do combustível. O processo
de trituração pode ser feito de diversas maneiras: compressão, impacto por compressão, des-
gastes nas arestas (“nibbling”), impacto, abrasão, raspagem (“shredding”), sendo que a forma e
distribuição do produto variam com o tipo de biomassa e o tipo de equipamento utilizado. A
energia necessária para o processamento de uma trituração é proporcional à nova superfície
específca obtida, portanto, quando se desejam dimensões reduzidas, há aumento considerável
de tempo e da potência gastos, o que infui nos custos.
Processos de Conversão Energética da Biomassa
Ciclos a Vapor
Os ciclos térmicos de potência são utilizados para converter energia térmica em trabalho, podendo
usar água ou gases como fuidos de trabalho. Quando utilizando água, estes são denominados
de ciclos a vapor ou ciclo Rankine. O rendimento destes ciclos depende diretamente da condição
do vapor que é gerado na caldeira. Quanto
maior for a pressão e a temperatura do vapor,
mais efciente é o ciclo devido à elevação da
diferença entálpica do vapor entre a entrada
e a saída da turbina ou máquina a vapor.
Aumentando a pressão e a temperatura
do vapor, mais robusto é o equipamento e,
por conseguinte mais elevado seu preço.
Os principais equipamentos que compõem
um ciclo a vapor são: gerador de vapor (cal-
deira), superaquecedor, turbina ou máquina
a vapor, condensador, pré-aquecedores de
água e/ou ar e bombas de alimentação de
água da caldeira. A fgura 3.1 apresenta de
forma esquemática o ciclo a vapor.
Figura 3.1 – Esquema de um ciclo a vapor
miolo síntese.indd 79 19/12/2008 16:52:34
80 Tecnologias de Energias Renováveis
Observando a fgura 3.1, o funcionamento do ciclo é descrito a seguir. A biomassa é queimada
na câmara de combustão da caldeira. O calor liberado na combustão é transferido para a água,
na fase líquida, que está revestindo as paredes da câmara de combustão. Recebendo o calor da
combustão, a água passa da fase líquida para a gasosa, tornando-se vapor. O vapor de água é
coletado na saída superior da caldeira, escoa por uma serpentina imersa nos gases residuais, e
a alta temperatura, da câmara de combustão. Esse equipamento denomina-se superaquecedor.
Na saída do superaquecedor, os gases residuais são enviados para a chaminé e o vapor para a
turbina. O vapor, ao entrar na turbina, está na sua temperatura e pressão mais altas. Esse vapor
é injetado contra as pás de uma turbina de maneira similar à que o ar incide nas pás de um cata-
vento, fazendo girar o eixo da turbina, que por sua vez está acoplada a um gerador elétrico. A
transformação de energia térmica em mecânica na turbina reduz a energia do vapor, reduzindo
sua temperatura e pressão.
O ciclo é fechado colocando um condensador após a turbina. Esse condensador recebe o
vapor de água que sai da turbina, retira seu calor condensando-o e tornando-o líquido, mas
à alta temperatura (aproximadamente 60°C). O condensador transfere o calor do vapor para
água do sistema de resfriamento, que eleva sua temperatura em uma dezena de graus mas sem
mudar de fase. O calor da água de resfriamento é lançado na atmosfera seja por uma torre de
resfriamento ou lançando a água quente em reservatórios de água como rios e lagos. Após sair
do condensador, a água do ciclo de vapor, fgura 3.1, passa por uma bomba centrífuga onde sua
pressão é elevada para a pressão de trabalho da caldeira, fechando o ciclo.
A fgura 3.1 apresenta um ciclo a vapor com turbina, mas esse ciclo, seja aberto ou fechado,
pode ser utilizado com motores alternativos, denominados de máquinas a vapor. Diferentemente
das turbinas a vapor, na máquina a vapor o vapor é injetado dentro de um cilindro com o êmbolo
no seu ponto morto superior, deslocando o êmbolo para o ponto morto inferior num processo
de expansão que faz girar o eixo ligado ao gerador. O restante do ciclo é o mesmo.
A defnição da efciência energética de uma central térmica a vapor é a razão entre a energia
elétrica produzida no gerador pela energia da biomassa que alimenta a caldeira, na mesma uni-
dade de tempo. Essa defnição está expressa na equação (3.10).
equação 3.10
W
elet
m
bio
. PCI
bio
η
ctv
= —————
η
ctv
: Efciência da central térmica a vapor
O rendimento total esperado de uma planta a vapor com um motor a vapor situa-se numa
faixa de 13% a 28%. Centrais a vapor com turbinas possuem seu rendimento entre 20% e 30%.
Consumo de Biomassa de uma Planta a Vapor
O consumo específco de vapor de máquinas a vapor na sua condição nominal (máquina tra-
balha na sua condição de maior efciência) varia entre 15 a 20 kg/h de vapor para cada 1 kW de
eletricidade produzido no gerador. Por razões construtivas, estes equipamentos não admitem
pressões de entrada superiores a 18 atm e estão disponíveis no mercado brasileiro para potências
não superiores a 250 kW.
O consumo específco de vapor de turbinas a vapor está na faixa de 8 a 20 kg/h de vapor para
cada 1 kW de potência fornecida pelo gerador. Elas são fabricadas no Brasil desde 5 kW até 60
MW. Estas turbinas são projetadas para admitir pressões do vapor de entrada na faixa desde 8
miolo síntese.indd 80 19/12/2008 16:52:35
81 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
até 60 atm e pressões do vapor na saída desde 0,1 atm. O consumo específco de vapor de uma
turbina pode ser calculado usando a equação (3.11).
equação 3.11

H
i
. η
turb
. η
ger
m
vapor
W
elet
CE
vapor
= —–––– = —–––––––—––
CE
vapor
: Consumo específco de vapor, em kg/kWh; m
vapor
: Consumo de vapor (kg/s); W
elet
: Potência
elétrica disponível nos bornes do gerador (kW); H
i
: Salto entálpico do vapor na turbina (kJ/kg), o
qual é a variação da entalpia do vapor entre a entrada e a saída da turbina; η
turb
: Efciência mecânica
da turbina; η
ger
: Efciência do gerador (leva em consideração as perdas elétricas e mecânicas).
As caldeiras disponíveis no mercado brasileiro operam com rendimento na faixa de 85%.
Uma caldeira operando a 21 atm e sendo alimentada com biomassa com 50% de umidade, para
um consumo médio de 1 kg/h de biomassa, irá produzir 4 kg/h de vapor gerado. Finalmente,
uma central a vapor, operando a 21 atm e consumindo biomassa com 50% de umidade, terá um
consumo específco de 2 a 5 kg/h de biomassa para 1 kW produzido.
Central com Gasifcação
Aqui será tratado de gasifcadores de leito fxo tipo extração por baixo (ou Downdraft; ver fgura
3.2). Escolhido por sua capacidade de produzir gás com menos alcatrão que outros modelos de
gasifcadores de leito fxo, como o de extração por cima (ou updraft), o que o torna preferencial
para o uso com motores de combustão interna. É preciso lembrar que a tecnologia de gasifcadores
ainda está em desenvolvimento e possui muitas limitações, embora experiências demonstrem
que ela pode ser útil e econômica em várias aplicações.
Características da Biomassa para Uso num Gasifcador de Extração por Baixo (Downdraft)
Gasifcadores exigem que a sua biomassa de alimentação tenha uma especifcação própria, que
depende do projeto do gasifcador. Como estes combustíveis diferem muito em suas propriedades
químicas, físicas e morfológicas, terão diferentes exigências do método de gasifcação. Por isso
é necessário conhecer as propriedades da biomassa disponível e em muitos casos processá-la e
adaptá-la às exigências do gasifcador.
Figura 3.2 – Gasifcador Downdraft
miolo síntese.indd 81 19/12/2008 16:52:35
82 Tecnologias de Energias Renováveis
Sistema de Limpeza
Partículas sólidas podem ser abrasivas e, misturadas ao alcatrão, podem ser responsáveis pelo
entupimento de válvulas, tubulações e travamento de partes móveis. Devido a isto, estes con-
taminantes são altamente indesejáveis ao fnal do processo de gasifcação, exigindo assim um
sistema de limpeza após a saída dos gases do gasifcador. Um sistema de gasifcação para ser
utilizado com motores de combustão interna deve emitir um gás com no máximo 10 mg/Nm³
de alcatrão e particulado.
Os primeiros passos para a produção de um gás limpo é a escolha do tipo de gasifcador que
minimize a quantidade de alcatrão e particulados a serem removidos. O segundo passo é deter-
minar a seqüência de remoção dos contaminantes para a instalação seqüencial dos separadores
de acordo com as necessidades de utilização dos gases. É necessário remover o alcatrão, a água
e os particulados na ordem correta e na temperatura ideal a tornar o processo efciente. Se os
gases são imediatamente resfriados, o carvão residual junto à água e ao alcatrão serão removidos,
mas é necessário tomar precauções com a remoção desses resíduos, pois os mesmos formarão
um único tipo de material que poderá entupir válvulas e tubulações.
Se os particulados são removidos primeiramente a uma temperatura superior ao ponto de
condensação do alcatrão (~300°C), os outros contaminantes poderão ser extraídos separadamente
de maneira mais efciente. O alcatrão seria retirado em segundo lugar (sendo condensável a apro-
ximadamente 150°C) e, por último, seria retirada a água a uma temperatura média de 30–60°C.
Uma relação entre temperatura e cada operação de limpeza pode ser observada na fgura 3.3.
Figura 3.3 – Relação esquemática de temperatura do gás para remoção de contaminante
Especifcação de uma Planta de Potência
Localização e Quantifcação da Biomassa
No Estado do Pará o setor madeireiro gera uma quantidade signifcativa de resíduos em função
do baixo rendimento dos processos de desdobro, benefciamento e laminação da madeira
processada. São produzidos mais de seis milhões de metros cúbicos de resíduo por ano. Deste
volume, em torno de 3,61 milhões de metros cúbicos têm potencial de aproveitamento para
geração de energia.
Considerando a implantação de usinas a vapor, os resíduos produzidos no Estado do Pará com
possibilidade de aproveitamento representam um potencial em torno de 160 MW médio. Este
potencial encontra-se distribuído nos municípios do Estado nas diversas empresas madeireiras,
que geralmente estão localizadas próximas aos núcleos urbanos. Considerando a demanda máxima
dos municípios e a disposição geográfca dos potenciais geradores, esta geração poderá ter uma
penetração considerável em algumas regiões do Estado, principalmente nas regiões isoladas do
setor elétrico, contribuindo para um signifcativo deslocamento do diesel que hoje predomina
na geração elétrica destas localidades isoladas.
miolo síntese.indd 82 19/12/2008 16:52:35
83 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
A quantifcação da disponibilidade de resíduos na biomassa só pode ser possível se estiverem
disponíveis os seus parâmetros energéticos. Essa caracterização é feita com a medição do poder
calorífco superior, dos teores de voláteis, cinzas e carbono fxo, dos teores de carbono, hidrogê-
nio, oxigênio, nitrogênio e densidade a granel. A boa qualidade de uma biomassa será auferida
pela comparação do resultado do produto do pci vezes sua massa específca aparente. Este
valor é conhecido como “densidade energética”. A umidade e a forma geométrica são também
parâmetros infuentes na qualidade. Quanto menores esses parâmetros, mais interessantes sua
utilização no processo de combustão direta.
Dimensionamento da Carga a Ser Atendida pela Planta
Dentre as informações mais relevantes para se avaliar a magnitude do sistema que atenderá
cada localidade em particular, pode-se mencionar:
O número de edifcações; Š
População residente; Š
População futuante (em caso de regiões com turismo sazonal, por exemplo); Š
Quais as atividades socioeconômicas existentes na região (extrativismo, pesca, Š
agricultura);
Quais os tipos de consumidores existentes (comercial, industrial ou residencial); Š
Localização e tipo de clima existente. Š
Figura 3.4 – Localização das madeireiras e suas respectivas disponibilidades dos potenciais anuais de geração de energia
miolo síntese.indd 83 19/12/2008 16:52:36
84 Tecnologias de Energias Renováveis
Procedimento de Cálculo de Carga
Para calcular a carga de um equipamento ou de um conjunto de equipamentos numa residência,
devemos, antes de tudo, conhecer a potência de cada equipamento. Inicialmente deve-se procurar
nos manuais dos fabricantes dos equipamentos tais informações. Em seguida, devemos fazer os
cálculos da seguinte forma:
Para um equipamento: potência do equipamento (W) × número de horas utilizadas durante
o dia, dividido por 1000;
P×t

C
unitária
= —–––– [kWh]
equação 3.12
P: Potência do equipamento em Watts; t: Período de tempo que o equipamento é utilizado durante
o dia (hora); C: Carga diária de energia que o equipamento consome em kWh.
Curva de Carga
A curva de carga representa a demanda em quilowatt a cada hora. A curva de carga para a
comunidade isolada em questão é apresentada na fgura 3.5.
Figura 3.5 – Curva de carga da comunidade tomada como exemplo, obtida para o período de 24 horas, segundo o cenário de
consumo de energia elétrica
Pré-dimensionamento de uma central a vapor
A concepção de projeto desta natureza recai inicialmente no conhecimento prévio do tipo,
natureza, sazonalidade e custo do combustível a ser utilizado, no critério de escolha da máquina
térmica (turbina ou máquina alternativa) e caldeira e no suprimento e nível de potência a ser
disponibilizada pela planta.
Com relação à escolha da máquina térmica, esta recai no conhecimento prévio da curva de
consumo específco do vapor por cada kWh gerado, pressões e qualidade do vapor de entrada
e saída, temperatura do vapor na entrada. A não utilização do ciclo fechado implica em perdas
signifcativas de água, por conseguinte, aumenta os custos com os produtos químicos utilizados
no tratamento da água de alimentação.
miolo síntese.indd 84 19/12/2008 16:52:37
85 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Impactos Ambientais e Formas de Mitigação
Este capítulo faz uma abordagem sobre como avaliar os impactos ambientais, e as respectivas ações
mitigadoras, de usinas termelétricas a biomassa em substituição às termelétricas a diesel.
Inicialmente, o capítulo enquadra as exigências legais para avaliação dos impactos ambientais
de usinas termelétricas. A seguir ao enquadramento legal são abordadas algumas defnições
gerais e conceituais. Após as defnições e conceitos, são apresentadas algumas metodologias
de avaliação dos impactos ambientais. Na seqüência, é feita uma breve explicação das emissões
evitadas de gases de efeito estufa da utilização de biomassa como fonte renovável de energia.
Ao fnal do capítulo propõe-se um roteiro de avaliação de impactos ambientais de uma usina
termelétrica a biomassa, através de listas de impactos e possíveis ações mitigadoras.
Métodos e Modelos para Avaliação dos Impactos Ambientais
Há vários métodos para avaliação de impactos ambientais. Os métodos podem ser quantitativos
ou qualitativos. Nos métodos quantitativos, os impactos ambientais são avaliados numerica-
mente com valores e unidades, enquanto os métodos qualitativos avaliam por hierarquizações,
tais como “nulo”, “pouco”, “signifcativo”, “muito”.
Método Espontâneo (ad-hoc) consiste na reunião de especialistas de áreas de conhecimento
diferentes. Os impactos ambientais e as medidas mitigadoras são identifcados pelo especialista
de cada área através de opinião emitida para todos os outros especialistas. Em seguida, há uma
rodada para cada área de conhecimento em que cada especialista emite sua opinião sobre a
área em questão.
Listas de controle (Check Lists) são listas e tabelas que correlacionam os ambientes e os
respectivos impactos. Há alguns tipos de listas de acordo com a complexidade desejada para
avaliação dos impactos ambientais:
Listas simples relacionam os impactos diretos. Essas listas não são muito elaboradas e não
identifcam impactos secundários.
Listas descritivas são mais elaboradas que as listas simples, pois identifcam as fontes gera-
doras dos impactos, mas não especifcam a importância do impacto. Podem conter indicações
numéricas com valores ou hierarquias.
Listas comparativas estimam as magnitudes dos impactos adotando valores comparativos
entre as alternativas ao empreendimento. A comparação pode indicar a melhor alternativa, ou
pode fornecer uma boa base para a tomada de decisão.
Listas de controle escalar é uma evolução das listas comparativas adotando valores compa-
rativos entre os impactos ambientais, permitindo a comparação entre os impactos. Os valores,
atribuídos por especialistas, podem ir de um mínimo de 0 a um máximo de 3, por exemplo,
indicando os níveis de impacto ambiental.
Listas de controle ponderáveis são aquelas em que são atribuídos pesos aos impactos
ambientais, permitindo a maior ou menor importância de um fator em relação a outros. Os
valores e pesos são atribuídos por especialistas, mas pode-se aplicar questionário à população
afetada para refnamento dos pesos.
Matrizes são métodos simples, mas de grande potencial para avaliação da interação entre
os impactos. As matrizes podem ser qualitativas ou quantitativas, a exemplo das listas citadas
acima. Nas matrizes, as ações estão associadas aos efeitos ambientais, contendo as respectivas
magnitudes e importâncias (notas e pesos). As ações são apresentadas na horizontal (linhas da
miolo síntese.indd 85 19/12/2008 16:52:37
86 Tecnologias de Energias Renováveis
matriz) e os efeitos na vertical (colunas da matriz). O modelo de matriz mais conhecido e utilizado
em avaliação de impactos ambientais se chama Matriz de Leopold.
Os modelos são utilizados para prever os impactos ambientais, e assim simular vários cenários
com as opções e alternativas dos empreendimentos. Dentre os modelos de simulação mais uti-
lizados, podemos citar: Modelo de qualidade do ar (dispersão atmosférica), Modelo de propagação
de ruídos e Modelos de qualidade da água.
Avaliação dos Impactos de uma Usina Termoelétrica a Biomassa
Para análise das medidas mitigadoras dos impactos ambientais de uma usina termelétrica a
biomassa (com ciclo a vapor ou gasifcação) é necessário identifcar os impactos em duas fases
distintas:
Impactos ambientais da construção da usina. Š
Impactos ambientais da operação da usina. Š
Como descrito nos itens anteriores, a avaliação dos impactos ambientais e as propostas de ações
mitigadoras devem ser apresentadas de acordo com uma metodologia ou roteiro. Sugerimos neste
texto, portanto, listas simples dos impactos ambientais e suas possíveis medidas mitigadoras,
tanto durante a construção quanto na operação de uma usina termelétrica a biomassa.
Impacto no Ciclo de Carbono – Emissões Evitadas
Sem dúvida, o maior impacto global de uma usina termelétrica a biomassa é a substituição de
um combustível fóssil (diesel) por um combustível renovável (biomassa). Tal substituição afeta,
sobretudo, as emissões dos gases de efeito estufa. Dentre os principais gases de efeito estufa,
os mais conhecidos são o CO
2
, CH
4
e NO
x
. Segundo o Protocolo de Quioto, as emissões de gases
provenientes de biomassa não são contabilizadas como contribuição aos gases de efeito estufa,
já que o carbono emitido foi fxado em uma planta durante o processo de fotossíntese e, sendo
assim, poderá voltar a ser fxado novamente.
Portanto, a substituição de combustíveis fósseis por biomassa em usinas termelétricas resulta
em um impacto ambiental global positivo, conhecido como emissões evitadas de carbono. Ou
seja, ao utilizar biomassa em termelétricas, as emissões dos gases de efeito estufa são mínimas
(levando em conta todo o ciclo de vida da biomassa). Comparativamente às emissões de uma
termelétrica a diesel, um kWh gerado por uma usina termelétrica a biomassa deixa de contabi-
lizar cerca de 1,02 kg de CO
2
, para efeito do Protocolo de Quioto. Isso signifca que 3.000 kg de
biomassa úmida utilizada para geração de energia elétrica correspondem a 1.000 kg de emissões
evitadas de CO
2
.
Viabilidade Econômica
A conclusão quanto à viabilidade ou não de um empreendimento, em especial aos do tipo em
estudo, que integram e interagem aspectos específcos e técnicos de engenharia com implicações
e repercussões econômicas, fnanceiras, geopolíticas, sociais e ambientais intensas, não pode ser
limitada apenas no seu contexto de exeqüibilidade técnica na implantação (dimensionamento
da planta, execução e montagem das obras civis e dos equipamentos). Os estudos de viabilidade
miolo síntese.indd 86 19/12/2008 16:52:37
87 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
devem aprofundar na análise de sustentabilidade do empreendimento.
A sustentabilidade é a condição de que algo possa ser sustentável (ou auto-sustentável). Exis-
tem inúmeros enfoques, visões, princípios e maneiras de se conceituar e defnir esta condição,
como por exemplo, nos aspectos ambiental, social, fnanceiro, econômico, técnico, energético,
ecológico, ou mesmo em uma visão holística, a qual contemplaria, pelo menos em tese, todos
estes aspectos, mas de maneira conjunta e integrada. As distintas visões apresentam posturas
e, conseqüentemente, resultados muitas vezes antagônicos ou confitantes entre si.
Os Métodos
A Engenharia Econômica possui, em seu escopo conceitual, vários métodos para se proceder à
análise e defnir valores e/ou indicadores. Embora não seja consensual, a seguir será apresen-
tada uma divisão em três grandes grupos que englobam os principais métodos existentes na
literatura, os quais podem ser adotados de maneira isolada (não recomendável por ser muito
restritiva) ou de forma conjunta ou integrada, obtendo-se resultados advindos de dois ou mais
métodos simultaneamente.
Métodos Determinísticos
Utilizam modelos (os fuxos de caixa) e baseiam-se na aplicação do princípio da causalidade de
maneira rígida e até extremada, supondo que das mesmas causas, em circunstâncias iguais, sejam
produzidos sempre os mesmos efeitos. Enfm, são métodos que fornecem uma única resposta
para cada modelo.
Payback Š : objetiva calcular quanto tempo o empreendedor ou investidor necessitará
para recuperar o capital fnanceiro ou recursos ($) que investiu no empreendimento.
Existem dois tipos: simples e descontado.
Š Valor presente líquido (vpl): objetiva calcular a soma algébrica de todos os valores
existentes no Fluxo de Caixa, sejam os com sinais positivos (entradas, receitas ou
benefícios) quantos negativos (saídas, despesas ou custos), incluindo o investimento
inicial, todos já descontados, ou seja, aplicando-se uma taxa de desconto.
Š Taxa interna de retorno (tir): objetiva defnir a taxa de desconto com a qual o Valor
Presente Líquido (vpl) é nulo, ou seja, que taxa de desconto faz como que a soma
algébrica de todos os valores descontados seja igual a zero. Existem alguns aplicativos
computacionais, como o excel da Microsoft, que possuem mecanismos ou macros que
efetuam o cálculo da tir, mas o método matemático que o norteia ou no qual se baseia
é a de interação, que, de maneira geral, pode ser entendido como a convergência para
um valor pré-determinado.
Š Valor anual uniforme (vau): Caracteriza-se pela transformação de todos o valores
monetários do fuxo de caixa (modelo) de tal forma que se obtenha uma série uniforme
(constante) de valores, valores estes que se constituem, em verdade, no saldo líquido
(receitas ou entradas menos custos ou saídas) de cada período. Como nos estudos
de viabilidade geralmente se utiliza a periodicidade anual, embora se possa ou deva
eventualmente adotar outra (como a mensal, para projetos de curto prazo), o método
recebe o nome de valor anual.
miolo síntese.indd 87 19/12/2008 16:52:37
88 Tecnologias de Energias Renováveis
Métodos não Determinísticos
São desdobramentos, aprofundamentos, aperfeiçoamentos, refnamentos ou derivações dos
modelos utilizados pelos métodos determinísticos, porém admitindo de maneira mais oscila-
tória, dúbia ou imprecisa alguns componentes como as incertezas e a utilização de princípios
estocásticos ou probabilísticos, o que minimiza a rigidez da relação causa e efeito, produzindo a
existência ou a possibilidade de existência de mais de uma resposta, ou seja, mesmo utilizando um
único método num mesmo modelo podem ser defnidos vários indicadores de mesma natureza
e calculados distintos valores para o mesmo empreendimento. Podem existir várias respostas.
Enfoque sob Análise de Sensibilidade
Na análise de sensibilidade é estudado o efeito que a variação de uma determinada variável
(ou dado ou componente) de entrada pode ocasionar no resultado. Sua operação consiste em
manterem-se as grandezas de todas as variáveis constantes, excetuando-se uma, a que está sendo
analisada, calculando-se com distintas entradas uma série de resultados. Refaz-se o procedimento,
desta vez alterando-se a grandeza de outra variável, e a que havia sido testada anteriormente
passa a ser tratada como as demais, ou seja, mantendo-se constante, obtendo-se outra série de
dados. Pauta-se no princípio econômico ceteris paribus, termo latino que pode ser traduzido como
“todos os demais constantes” ou ainda “todos os demais se mantêm constantes”.
Teoria dos Jogos
Esta teoria se iniciou na primeira metade do século xx, através dos estudos pioneiros do mate-
mático húngaro John Von Neumann, professor de Princeton (usa), e, com a colaboração decisiva
do economista Oskar Morgenstern, se consolidou como uma disciplina de grande relevância da
matemática. Ela se pauta nas decisões dos indivíduos (os jogadores) e apropria o conceito de que
o resultado do jogo depende do conjunto de decisões tomadas, sustentando- se no Teorema de
MinMáx (mínimo e máximo).
Simulação de Monte-Carlo
O Método de Monte-Carlo é, basicamente, uma técnica ou um algoritmo para estabelecer
uma amostragem de números aleatórios ou pseudo-aleatórios e, desta amostragem, efetuar
tratamentos estatísticos utilizando-se de princípios bayesianos ou estocásticos que simularão
as respostas e os graus de probabilidades de suas ocorrências.
Árvores de Decisão
Utiliza-se de modelos (fuxos de caixa) cuja representação gráfca é diferente da tradicional,
pois no mesmo modelo representa não só a seqüência dos eventos de um determinado empre-
endimento, mas também as alternativas de realização de outros projetos excludentes entre si,
mediante a avaliação de cada um destes simultaneamente através do cálculo dos distintos vpl’s
em momentos ou tempos também diferentes. Pode ser entendido, de maneira bem simples,
como um modelo cuja representação gráfca possibilita um estudo sistemático e racional de
várias alternativas excludentes simultaneamente.
miolo síntese.indd 88 19/12/2008 16:52:38
89 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Conclusão sobre a viabilidade Econômica do Projeto
Quanto aos métodos adotados, as premissas fundamentais quanto à viabilidade são:
Payback: tempo de retorno do investimento calculado seja menor ou igual a uma expectativa
do investidor ou a um tempo considerado compatível pelo segmento;
Em condições reais, para o tipo de investimento em tela, ou seja, as plantas para produção
de energia com biomassa, pode-se, no estágio do estudo, defnir um tempo razoável de Payback
entre 5 e 8 anos, que corresponde a uma faixa de aproximadamente 20% a 30% do horizonte
do projeto.
vpl: o Valor Presente Líquido, em unidade monetária ($), tem de ser positivo, e não somente
isto, deve estar acima de uma grandeza razoável para que remunere o risco e o trabalho do inves-
tidor, ou seja, tem um piso ou patamar mínimo, que pode ser estabelecido como um percentual
do investimento inicial.
tir: a Taxa Interna de Retorno tem de ter uma grandeza maior do que a tma (Taxa Mínima
de Atratividade), que seria uma expectativa mínima, expressa não em ($), como na vpl, mas
sim em percentual. A grandeza da tma é bastante elástica e depende de muitos fatores. No
contexto econômico atual ela está, na maioria dos setores e empreendimentos, futuando
próximo a 18% ao ano.
A análise pode e deve prosseguir, trabalhando-se com valores pesquisados ou estimados,
calculado o vpl, e procedendo-se aos seguintes cálculos:
vpl ÷ kW = R$/kW – defnirá o resultado por capacidade instalada, que deverá ser comparado
a uma grandeza para referência sobre a viabilidade, caso a caso.
vpl ÷ kWh = R$/kWh – defnirá o resultado em preço da energia gerada, que deverá ser com-
parado à tarifa praticada pela concessionária ou a preços de mercado de venda de energia para
referência sobre a viabilidade, caso a caso. Pode-se ainda, dependendo do resultado, arbitrar ou
defnir a que nível ou grau pode futuar ou modifcar este preço, chegando a um preço mínimo
que pode ser vendida a energia excedente, para se tornar mais competitiva no mercado, mas
mantendo ainda a viabilidade do empreendimento, ou seja, conseguindo um vpl positivo.
Resultados Concretos
Centrais Térmicas a Vapor
Localização do Projeto Marajó
A Comunidade de Santo Antônio, localizada na Ilha de Siriri, no município de Breves, na Ilha do
Marajó (ver fgura 3.6), possuía em 2001 11 famílias ribeirinhas que tinham sua fonte de renda
voltada ao desdobro da madeira, agricultura e pesca. A única fonte de energia elétrica até então
utilizada era um pequeno grupo gerador a diesel de 3,2 kVA, que fornecia energia elétrica para
a serraria e para as residências de forma precária e em períodos não muito longo devido ao alto
custo do óleo diesel e sua difculdade de obtenção.
miolo síntese.indd 89 19/12/2008 16:52:38
90 Tecnologias de Energias Renováveis
Concepção do Projeto
O projeto consiste numa usina de geração de energia elétrica utilizando como combustível resí-
duo de biomassa com potência de 200 kW. Agregada à usina, uma fábrica de extração de óleo
vegetal e uma fábrica de gelo com câmara frigorífca. Ver fgura 3.7. Esse arranjo foi concebido
para tirar proveito da demanda reprimida de produtos como gelo, serviços de conservação a frio,
óleo vegetal e energia frme e de qualidade.
A usina de geração de energia consiste de uma caldeira famo-tubular que queima resíduo de
biomassa para gerar vapor. O vapor aciona uma turbina que move o gerador elétrico. A fábrica
de extração de óleo vegetal com capacidade de esmagar 100 kg/h de polpa é composta de estufa
de secagem, cozinhador a vapor, prensa, decantador, fltro prensa e tanque de armazenamento.
A fábrica de gelo tem capacidade para produzir 10 ton/dia de gelo em escamas e a câmara fri-
gorífca é de 60 m
3
.
Figura 3.7 – Estágio atual do projeto
Figura 3.6 – Mesoregiões do Estado do Pará. Localização do Projeto Marajó: S 01° 47,658’ W 50° 19,343’
miolo síntese.indd 90 19/12/2008 16:52:39
91 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Gestão
Modelo de Gestão: está em fase de constituição uma pessoa jurídica na forma de cooperativa,
denominada Cooperativa Multiprodutos de Santo Antônio (cmsa), com objetivo social de indús-
tria, comércio e serviços de energia elétrica, gelo, conservação a frio, óleos vegetais e produtos
forestais.
Centrais Térmicas a Gasifcação
Localização do Projeto Genipaúba
A usina é parte de um arranjo produtivo local (apl) localizado em Genipaúba, uma comunidade
remanescente de quilombo, ofcialmente reconhecida em 2002. Genipaúna faz parte do município
de Abaetetuba que, por sua vez, integra a mesorregião do nordeste do Pará. Segundo levan-
tamento feito pelo Programa Raízes, em 2003, na fase de implantação do projeto, Genipaúba
tem em torno de 280 habitantes, divididos em quarenta e sete famílias. A comunidade está
organizada e é representada no projeto pela Associação dos Remanescentes de Quilombos das
Ilhas de Abaetetuba (arquia).
Figura 3.8 – Localização da comunidade de Genipaúba
Sustentabilidade
Deve-se levar em consideração que o apl é composto por um complexo com duas unidades com
funções distintas, mas interdependentes, de tal forma que uma unidade garanta a sustentabilidade da
outra. O sistema ainda não entrou em operação, difcultando análises aprofundadas, mas é possível
traçar uma análise de sustentabilidade da usina de gasifcação com base em fatores conhecidos.
Como a alimentação dos motores do ciclo diesel é feita com gás de síntese, pode-se considerar
como um sistema bi-combustível, uma vez que usa gás e uma complementação de 20% de óleo
diesel. Esta confguração oferece a possibilidade de poder manter o sistema operando somente
com diesel, caso a biomassa esteja inacessível, ou o gasifcador esteja em manutenção. O aspecto
negativo é manter a dependência de combustível fóssil, mesmo que em menor quantidade do que
miolo síntese.indd 91 19/12/2008 16:52:43
92 Tecnologias de Energias Renováveis
um sistema convencional. Por outro lado, por ser diesel, o sistema é conhecido, tem facilidade
de encontrar mão-de-obra e contar com uma grande rede de serviços e suprimentos. Caso a
unidade de benefciamento funcione 8 horas por dia, pode-se prever um consumo de 19,2 litros/
dia de diesel. A obtenção é simples, pode ser feita na rede de distribuição comercial da sede do
município, em Abaetetuba, que está a 15 minutos por barcos da comunidade. Um aspecto negativo
será o desembolso e a dependência.
O suprimento majoritário de biomassa serão os caroços de açaí resultantes do despolpamento
na usina de benefciamento. Considerando que a unidade de despolpamento está a poucos
metros da usina de gasifcação e não haverá dispêndio com transporte, o custo total torna-se
praticamente zero.
É grandemente favorável o uso de uma biomassa nativa, abundante, que faz parte da cultura
local, e que serão usados os frutos rejeitados (o que por si só garante um suprimento pratica-
mente inesgotável), mas deve-se atentar para a dependência do suprimento de biomassa com a
safra do açaí, que ocorre na região entre os meses de agosto a dezembro, tornando prudente a
silagem da biomassa para enfrentar os períodos de entressafra, para gerar energia para manter
a câmara frigorífca em funcionamento. Caso ocorra a carência de biomassa, existe a alternativa
de usar outra biomassa abundante no período, como os rejeitos do manejo dos açaizais, feitos
nesta época do ano.
O consumo teórico de biomassa pelo gasifcador é de 20 kg/h. Embora não seja recomendá-
vel o funcionamento intermitente do gasifcador. Para efeito de cálculo considere-se um regime
de operação de 8 horas contínuas; então o consumo diário deverá ser de 160 kg por jornada de
trabalho.
Resultados
A infra-estrutura idealizada para a usina de gasifcação foi implantada, carecendo de obras
complementares na unidade de benefciamento de açaí para viabilizar o pleno funcionamento
do complexo (fgura 3.9 A e B).
Figura 3.9 – Vista do Complexo. Na fgura A vê-se o prédio da usina de gasifcação ao fundo; à direita a usina de benefciamento
de açaí; e em primeiro plano um dos postes de madeira implantados. Em B tem-se uma visão geral da implantação do complexo.
A B
O prédio está edifcado como mostra a fgura 3.10, abrigando o gasifcador e grupo gerador;
nota-se um engenhoso sistema de estocagem e secagem de biomassa construído na cobertura
do prédio.
miolo síntese.indd 92 19/12/2008 16:52:44
93 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
A
A
B
B
Figura 3.10 – Planta da usina de gasifcação
Figura 3.11 – Planta baixa e perspectiva da usina de gasifcação- Vistas da fachada do prédio onde se vê a escada de acesso
ao silo de secagem (A e B)
Figura 3.12 – A: Deposito de secagem de biomassa, com cobertura móvel para proteger da chuva; B: Duto de ligação do silo
com o gasifcador
miolo síntese.indd 93 19/12/2008 16:52:50
94 Tecnologias de Energias Renováveis
A usina aloja o gasifcador e o grupo gerador projetado especifcamente para este fm e conta
com ambientes internos arejados para permitir a rápida dispersão dos gases, além de espaço
sufciente para a realização dos trabalhos de operação e manutenção; a cisterna está no exte-
rior do prédio (fgura 3.11). O sistema de gasifcação foi testado com sucesso durante três horas
aproximadamente, no momento da entrega técnica. Os equipamentos instalados estão com a
seguinte especifcação técnica.
Especifcações Técnicas
1.Equipamento: Sistema de Gasifcação de Biomassa
Projeto de referência: cgpl, Combustion Gasifcation and Propulsion Laboratory, Department of
Aerospace Engineering, Indian Institute of Science, Bangalore – India
Modelo: Topo aberto, co-corrente.
Dimensões do sistema – (l × a × p)(m): 2,5 × 2,5 × 3,4 Peso 3000 kg
2. Dados de Operação
Gases produzidos: CO: 20 + 1%; ch
4
: 2,0 + 0,5%; h
2
: 20 + 1%; co
2
: 12 + 1% e N
2
Nível de alcatrão e particulado no gás após resfriamento e limpeza: <100 ppm
Poder Calorífco do gás 4,6 MJ/kg
Capacidade de Geração
Elétrica: 20 kWe
Produção de gás: 50m
3
/h
Carga Parasítica: 3,5 kWe
Biomassa
Consumo:
20kg/h
Umidade máxima:
15%.
Tamanho Máximo:
60 × 25 × 25 mm
Taxa de
rejeito:
4:1
Tipo: Qualquer bio-resíduo sólido de massa específca aparente maior que 250 kg/
m
3
, conteúdo de cinzas menor do que 5%
Efciência a Conversão Biomassa Para Gás 80 %
Percentual de Substituição de Diesel > 80 %
Consumo de água 5.0 m
3
/h
3.Grupo-
gerador
Motor
Ciclo-
Diesel
Potência 45cv
(1800 rpm)
Marca- mwm
Modelo-
229/3
Alternador síncrono Potência 40kVA Marca-Negrini
Tipo-
Ate
Computacional
Software CicloRank v1.0
Este modelo de simulação foi desenvolvido para uma dada confguração de fuxograma corres-
pondente ao sistema de potência de um ciclo a vapor. A formulação da análise energética de
cada um dos componentes do ciclo foi baseada nas leis da termodinâmica (ver fgura 3.13).
Software ComGás v1.0
Esta ferramenta foi criada para realizar simulações em equilíbrio químico de processos de com-
bustão e gasifcação de maneira fácil e rápida. O programa é composto por uma janela principal
dividida em quatro partes, onde o usuário tem total autonomia para introduzir os dados e sele-
cionar as opções de sua preferência para obter os resultados desejados (fgura 3.14).
miolo síntese.indd 94 19/12/2008 16:52:50
95 Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Figura 3.13 – Janela principal do Ciclo Rank
Figura 3.14 – Janela principal do programa ComGás v1.0
miolo síntese.indd 95 19/12/2008 16:52:52
96 Tecnologias de Energias Renováveis 96 Tecnologias de Energias Renováveis
4 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Soluções Energéticas para a Amazônia
Wilma Araújo Gonzalez (Coordenadora)
Eduardo José Fagundes Barreto
José de Castro Correia
Marcos Danilo de Almeida
Rodrigo Otávio Lopes de Souza
Cláudia Maria Campinha dos Santos
Claudia Rosemback Machado
Nilson Belo Mendonça
Ernani Pinheiro de Carvalho
Juliana da Rocha Rodrigues
Raquel Medeiros da Silva
Evandro Luiz Dall’Oglio
Paulo Teixeira de Sousa Jr
Vaniomar Rodrigues
Pedro Paulo Nunes
Nídia Maria Ribeiro Pastura
Luiz Eduardo Pizarro Borges
miolo síntese.indd 96 19/12/2008 16:52:52
97 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Alternativas Renováveis de Energia a Partir da Biomassa:
Soluções Energéticas para a Amazônia
O uso de óleos vegetais como combustíveis substituindo o diesel, seguindo a mesma lógica do Pro-
Álcool, começou a ser discutida pelo governo federal em 1975, sob a coordenação do Ministério da
Agricultura, dando origem ao Pro-Óleo – Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energé-
ticos. Desde então, diversos estudos foram realizados para aplicação de óleos vegetais “in natura”
ou de misturas ao petrodiesel em motores de ignição por compressão (gonzalez, 2003).
O grande aumento no consumo de energia proveniente de combustíveis fósseis observado,
sobretudo no último século, junto com o aumento nos preços, forçou muitos países nos últimos
trinta anos a procurar fontes alternativas de energia e melhorar o consumo energético.
A busca por alternativas às fontes tradicionais de produção de energia abre caminho para um
novo mercado no País. Ainda em seus primeiros passos, mas com imenso potencial, a geração
por aproveitamento da irradiação solar (fotovoltaica), a força dos ventos (eólica) e a biomassa
têm no Brasil o cenário ideal para desenvolver-se. Além disso, a necessidade de um marco regu-
latório para sistemas isolados corrobora esta procura, especifcamente em Energia Renovável a
partir de óleos vegetais.
O desenvolvimento e o aprimoramento de tecnologias para a eletrifcação com biomassa,
bem como para o fornecimento de energia limpa em todos os setores, incluindo o transporte,
possui importância fundamental para melhorar o padrão de vida das populações excluídas.
Essas tecnologias permitem ao mesmo tempo a substituição de usos tradicionais da biomassa
(lenha para cozinhar e executar outras atividades no meio rural) por formas mais efcientes de
sua conversão.
Segundo o Ministério das Minas e Energia (mme, 2005), o mapa da exclusão elétrica no País
revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor
Índice de Desenvolvimento Humano (idh) e nas famílias de baixa renda (cerca de 90% têm
renda inferior a três salários mínimos). Na Amazônia, o índice de eletrifcação rural ainda é muito
baixo, com percentuais de não-atendimento superiores a 80% das propriedades rurais (rocha
& silva, 2005).
O grande desafo consiste em suprir as necessidades energéticas de sistemas isolados; defnir
qual o modelo adequado para as comunidades, que leve em consideração a logística, as ques-
tões ambientais, as questões sócio-econômicas, a gestão, o consumo e o preço atual do diesel
na região Amazônica.
Sabe-se que para os motores tipo Diesel várias soluções foram aventadas, ressaltando-se
como principais a utilização do próprio etanol em mistura com explosivo conveniente e o apro-
veitamento dos óleos vegetais. Devido aos riscos decorrentes do uso de substâncias explosivas,
que com o tempo poderiam se separar do etanol e concentrar-se nos tanques de combustível
dos veículos, foi escolhida a alternativa da utilização do óleo vegetal, que por sinal já havia sido
sugerida pelo próprio Diesel em 1912.
miolo síntese.indd 97 19/12/2008 16:52:52
98 Tecnologias de Energias Renováveis
No aproveitamento do óleo vegetal para substituição do diesel, três linhas distintas são
possíveis.
Utilização direta do óleo vegetal puro ou em mistura com o diesel do petróleo. Esta 1ª)
linha, embora sendo a de menor custo de obtenção do combustível, trazia problemas de
ajuste de características físicas para empregos nos motores existentes, além do que, os
produtos da combustão seriam diferentes, podendo comprometer as partes metálicas
do motor, bem como pelo fato de lançar novos poluentes na atmosfera, possivelmente
bastante tóxicos.
Transesterifcação, transformando os triglecerídeos naturais do óleo vegetal em 2ª)
monoésteres do etanol ou do metanol. Nesta linha melhoravam-se as propriedades
físicas do combustível aproximando-as às do diesel, com o custo não muito elevado;
trazia, entretanto as seguintes desvantagens:
consumo elevado de álcool etílico ou metílico, numa proporção de 3 moléculas para •
cada molécula de triglecerídeo;
geração de uma quantidade muito elevada de glicerina, que teria, assim, que •
encontrar uma aplicação em grande escala;
persistia o problema de ser um combustível novo, exigindo talvez alguma adaptação •
do motor e trazendo ainda os inconvenientes já citados, de corrosão de partes
metálicas do motor e liberação na atmosfera de novos poluentes com grau de toxidez
alto como ácidos e aldeídos;
T 3ª) ransformação de óleo em uma mistura de hidrocarbonetos o mais semelhante possível
ao diesel, através de uma degradação térmica ou catalítica dos triglecerídeos que
constituem o óleo vegetal. Sob o ponto de vista da qualidade do combustível, esta
é a linha que melhor atenderia ao problema. Não haveria necessidade de nenhuma
modifcação ou adaptação dos motores, bem como não teríamos nenhum problema
novo de corrosão ou poluição, uma vez que o combustível seria idêntico, em sua
natureza, ao já utilizado. Trazia, entretanto, como grande inconveniente o elevado custo
do processo.
Uma das possibilidades de atendimento a estas necessidades como fonte de energia renovável é
através do uso óleos vegetais como biocombustível, quer pelo uso “in natura” ou transformado
quimicamente pelo processo de transesterifcação e/ou esterifcação ou por craqueamento.
Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido
por diferentes processos, tais como a transesterifcação ou a esterifcação.
O biodiesel é também um combustível renovável, ambientalmente correto, constituído de
uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos, obtidos da reação de esterifcação
de ácidos carboxílicos ou transesterifcação de qualquer triglicerídeo com um álcool de cadeia
curta, metanol ou etanol. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais,
existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona,
dendê (palma), girassol, colza, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras.
O biodiesel é uma evolução na tentativa de substituição do óleo diesel mineral por um óleo
oriundo de biomassa. Os biocombustíveis são combustíveis naturais, não tóxicos, biodegradáveis
e renováveis que apresentam uma queima limpa, sendo, portanto, ótimos substitutos do diesel
do petróleo. A tabela 4.1 mostra as características físico-químicas do biodiesel de várias espécies
vegetais e do óleo diesel convencional.
miolo síntese.indd 98 19/12/2008 16:52:52
99 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Portanto, o biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores
ciclo diesel, automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis, etc.) ou estacionários
(geradores de eletricidade, calor, etc.). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas
proporções. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim suces-
sivamente, até o biodiesel puro, denominado B100.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (anp) defne o biodiesel como
um combustível para motores a combustão interna com ignição por compressão, renovável e
biodegradável, derivado de óleos vegetais ou de gorduras animais, que possa substituir parcial
ou totalmente o óleo diesel de origem fóssil.
Tabela 4.1 – Características físico-químicas do biodiesel. Fonte: neto et al (2002)
Características
Poder calorífico (Kcal/Kg)
Ponto de névoa (°C)
Índice de cetano
Densidade a 20°C (g/cm
3
)
Viscosidade a 37,8 (cSt)
Inflamabilidade (ºC)
Ponto de fluidez (°C)
Destilação a 50%
Destilação a 90%
Corrosividade ao cobre
Teor de cinzas (%)
Teor de enxofre (%)
Cor (ASTM)
Resíduo de carbono
Origem do biodiesel
Mamona
9046
-6
nd
0,919
21,6
208
-30
301
318
0
0,01
0
1,0
0,09
Babaçu
9440
-6
65
0,886
3,9
nd
nd
291
333
0
0,03
nd
0
0,03
Dendê
9530
6
nd
0,8597
6,4
nd
nd
333
338
0
0,01
nd
0,5
0,02
Algodão
9520
nd
57,5
0,875
6,0
184
-3
340
342
0
0,01
0
1,0
nd
Piqui
9590
8
60
0,865
5,2
186
5
334
346
0
0,01
0
1,0
0,01
Óleo Diesel
10824
1
45,8
0,849
3,04
55
Nd
278
373
£2
0,014
0,24
2,0
0,35
As características físicas e químicas do biodiesel são semelhantes entre si, independentemente
de sua origem, isto é, tais características são quase idênticas, e independem da natureza da
matéria-prima e do agente de transesterifcação, se etanol ou metanol. A tabela 4.2 apresenta
as propriedades complementares ao biodiesel em comparação ao óleo diesel comercial.
Características
Características químicas apropriadas
Ambientalmente benéfico
Menos poluente
Economicamente competitivo
Reduz aquecimento global
Economicamente atraente
Regionalização
Propriedades Complementares
Livre de enxofre e compostos aromáticos, alto número de cetanos, ponto de
combustão apropriado, excelente lubricidade, não tóxico e biodegradável.
Nível de toxicidade compatível ao sal ordinário, com diluição tão rápida quanto a
do açúcar (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Reduz sensivelmente as emissões de (a) partículas de carbono (fumaça), (b)
monóxido de carbono, (c) óxidos sulfúricos e (d) hidrocarbonetos policíclicos
aromáticos.
Complementa todas as novas tecnologias do diesel com desempenho similar e
sem a exigência da instalação de uma infra-estrutura ou política de treinamento.
O gás carbônico liberado é absorvido pelas oleaginosas durante o crescimento, o
que equilibra o balanço negativo gerado pela emissão na atmosfera.
Permite a valorização de subprodutos de atividades agro-industriais, aumento na
arrecadação regional de ICMS, aumento da fixação do homem no campo e de
investimentos complementares em atividades rurais.
Pequenas e médias plantas para produção de biodiesel podem ser implantadas em
diferentes regiões do País, aproveitando a matéria-prima disponível em cada local.
miolo síntese.indd 99 19/12/2008 16:52:53
100 Tecnologias de Energias Renováveis
A obtenção industrial de biodiesel tem sido realizada em fase homogênea e em presença de
catalisadores básicos fortes como hidróxidos, metóxidos e etóxidos tanto de sódio quanto de
potássio, visto que estes catalisam a reação obtendo-se conversões a biodiesel em torno de 100%.
Estes catalisadores a base de sódio e potássio possuem a vantagem de ter um valor comercial
baixo. O maior número de pesquisas na área de biodiesel tem por objetivo otimizar as condições
reacionais do processo feito em fase homogênea e/ou heterogênea utilizando diferentes álcoois
e catalisadores. Nesse contexto, alguns trabalhos de relevância são considerados.
De um modo geral, biodiesel foi defnido pela “National Biodiesel Board” dos Estados Unidos
como o derivado mono-alquil éster de ácidos graxos de cadeia longa, proveniente de fontes
renováveis como óleos vegetais ou gordura animal, cuja utilização está associada à substituição
de combustíveis fósseis em motores de ignição por compressão (motores do ciclo Diesel).
Biodiesel no Brasil
Embora o desenvolvimento de combustíveis alternativos no Brasil date do início do século
passado, um apoio efetivo para pesquisas em biodiesel somente ocorreu na década de 1960. A
motivação para estas pesquisas estava associada com considerações estratégicas e de segurança
nacional do governo militar, sobretudo em comunidades isoladas em regiões de fronteira, onde
o fornecimento de diesel era difícil por razões logísticas, justifcando então uma produção local
do combustível. Também era necessário estabelecer alternativas ao petróleo.
Nas décadas de 70 e 80, em resposta ao desabastecimento de petróleo, o governo criou,
além do amplamente conhecido proálcool, o Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins
Carburantes (pro-óleo), elaborado pela Comissão Nacional de Energia, através da Resolução
nº 007, de 22 de outubro de 1980. Previa a regulamentação de uma mistura de 30% de óleo
vegetal ou derivado no óleo diesel e uma substituição integral em longo prazo. No escopo deste
programa de governo, foi proposta, como alternativa tecnológica, a transesterifcação ou alco-
ólise de diversos óleos ou gorduras oriundos da atividade agrícola e do setor extrativista. Neste
contexto, destacam-se os estudos da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (cetec),
em parceria com o Ministério da Indústria e Comércio, da ufc, e da Unicamp realizados pelas
equipes dos professores Expedito Parente e Ulf Schuchard, respectivamente. Muita pesquisa foi
realizada durante esse período, resultando na solicitação da primeira patente internacional de
biodiesel por cientistas brasileiros. No entanto, com a queda do preço do petróleo, o biodiesel
foi abandonado em 1986, mas, mesmo após o fm do pro-óleo como programa de governo, as
pesquisas em biodiesel continuaram sendo realizadas por pesquisadores brasileiros.
Características
Características químicas apropriadas
Ambientalmente benéfico
Menos poluente
Economicamente competitivo
Reduz aquecimento global
Economicamente atraente
Regionalização
Propriedades Complementares
Livre de enxofre e compostos aromáticos, alto número de cetanos, ponto de
combustão apropriado, excelente lubricidade, não tóxico e biodegradável.
Nível de toxicidade compatível ao sal ordinário, com diluição tão rápida quanto a
do açúcar (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Reduz sensivelmente as emissões de (a) partículas de carbono (fumaça), (b)
monóxido de carbono, (c) óxidos sulfúricos e (d) hidrocarbonetos policíclicos
aromáticos.
Complementa todas as novas tecnologias do diesel com desempenho similar e
sem a exigência da instalação de uma infra-estrutura ou política de treinamento.
O gás carbônico liberado é absorvido pelas oleaginosas durante o crescimento, o
que equilibra o balanço negativo gerado pela emissão na atmosfera.
Permite a valorização de subprodutos de atividades agro-industriais, aumento na
arrecadação regional de ICMS, aumento da fixação do homem no campo e de
investimentos complementares em atividades rurais.
Pequenas e médias plantas para produção de biodiesel podem ser implantadas em
diferentes regiões do País, aproveitando a matéria-prima disponível em cada local.
Tabela 4.2 – Propriedades Complementares Atribuídas ao Biodiesel em Comparação ao Óleo Diesel Comercial
Fonte: neto et al (2002)
miolo síntese.indd 100 19/12/2008 16:52:53
101 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Esta situação permaneceu inalterada até a década de 1990, quando os países europeus, segui-
dos por muitos outros, motivados por questões ambientais e de incertezas no fornecimento de
petróleo, começaram a utilizar o biodiesel. Em 2002 o Ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil
criou uma rede de instituições para estudar a produção e o uso do biodiesel produzido através
da reação de transesterifcação do óleo de soja com etanol. Em janeiro de 2003, após sua posse,
o governo Lula estabeleceu um Comitê Interministerial (CI) para o biodiesel, com a incumbência
de analisar a possibilidade de produção e uso do biodiesel no Brasil. O CI realizou uma série
de audiências públicas com instituições públicas e privadas de todo o País, relacionadas com a
cadeia produtiva do biodiesel (pesquisas, realização de testes, produção industrial, agricultura,
dentre outras) e também com o parlamento federal e estadual de muitos Estados. As principais
conclusões destas audiências foram as seguintes:
O biodiesel pode contribuir favoravelmente para minimizar muitos problemas 1.
fundamentais no Brasil, como a geração de empregos e renda (inclusão social); a
redução na poluição ambiental, reduzindo custos para o sistema público de saúde;
mitigação das desigualdades regionais e redução da importação de petróleo.
O biodiesel é utilizado em muitos países industrializados. A motivação comum reside na 2.
redução da poluição ambiental e na dependência do petróleo.
O Brasil realizou avanços na tecnologia para biodiesel desde a década de 1970. Entretanto, 3.
estes avanços foram discretos e não harmonizados. O Brasil pode produzir biodiesel
por muitas rotas tecnológicas e matérias primas, que podem ser ajustadas à diversidade
regional do País, de tal forma que todas as regiões podem ser envolvidas na produção de
biodiesel, contribuindo para a redução das desigualdades regionais brasileiras.
Com base nestas conclusões o CI elaborou as seguintes recomendações:
A imediata inclusão do biodiesel na agenda ofcial do governo, enviando um sinal 1.
positivo para a indústria do biodiesel;
A redução das desigualdades regionais e a inclusão social devem ser o princípio 2.
orientador do Programa Nacional para Produção e Uso do Biodiesel;
Autorizar ofcialmente o uso de biodiesel no Brasil. O CI considerou este fato uma 3.
etapa importante para tornar o País um possível benefciário do mercado de créditos de
carbono (como um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto);
Realizar testes reconhecidos e certifcados (em motores veiculares e estacionários) e 4.
atividades de pesquisas e desenvolvimento em parceria com a indústria automobilística,
os Estados da Federação e outros países;
Executar estudos técnicos para produção agrícola de matérias-primas viáveis 5.
economicamente em nível nacional;
Elaborar normas, regulamentos e padrões de qualidade para o biodiesel de acordo com 6.
seus diferentes usos;
Implementar políticas públicas (para fnanciamentos, assistência técnica e extensão rural 7.
e para permitir pesquisas) dirigidas para aumentar a efciência na produção de biodiesel;
Evitar subsídios para o biodiesel e sua cadeia produtiva para prevenir distorções ao 8.
longo do tempo. Permitir incentivos fscais para alcançar sustentabilidade econômica,
social e ambiental na cadeia produtiva do biodiesel.
miolo síntese.indd 101 19/12/2008 16:52:53
102 Tecnologias de Energias Renováveis
Figura 4.1 – Tributação Estadual sobre Biodiesel e Diesel. Fonte: GT Biodiesel mme, 2006.
Para a implementação de todas estas recomendações foi criada uma Comissão Executiva Intermi-
nisterial (cei) subordinada diretamente à Presidência da República. Também foi criado um Grupo
Diretor (GD) subordinado ao Ministro de Minas e Energia. Em 2004, o GD apresentou e obteve a
aprovação de um plano de trabalho para implementar o biodiesel no Brasil. Desde então muitas
leis e regulamentações foram propostas e adotadas para colocar o plano em prática.
Existem alguns aspectos da legislação brasileira para o biodiesel que devem ser destacadas
para mostrar que este programa difere daqueles implantados em outros países e também do
proálcool anteriormente implementado no Brasil. A Lei 11116 (de maio de 2005) e o Decreto
5297 (de 06 de dezembro de 2004) isentam produtores de biodiesel do pagamento do ipi e regu-
lamentam a redução das alíquotas de pis/pasep e cofns, estabelecida em 0,6763. Incrementos
na redução foram estabelecidos com valores dependentes do tipo de matéria-prima utilizada, se
a matéria-prima for obtida da agricultura familiar e da região na qual foi produzida. Os maiores
incentivos acumulam-se para biodiesel produzido de óleos de palmáceas e de mamona, obtidos
nas regiões Norte, Nordeste ou semi-árido do País e adquiridos da Agricultura Familiar. Sob tais
condições não é necessário o pagamento de pis/pasep e cofns – um incentivo equivalente a
R$218,00/m
3
do biocombustível. Os valores para a tributação Federal e Estadual nas diferentes
regiões no Brasil podem ser observados na fgura 4.1.
Alíquota Padrão
(Biodiesel)
17%
18%
17%
15%
13%
12%
Alíquota do diesel
Após um ano de amadurecimento, foi lançado o Programa Nacional de Produção e Uso de Bio-
diesel (pnpb) em sessão solene no Palácio do Planalto, no dia 4 de dezembro de 2004, sendo
o seu principal objetivo garantir a produção economicamente viável do biocombustível, tendo
como tônica a inclusão social e o desenvolvimento regional.
A principal ação legal do pnpb foi a introdução de biocombustíveis derivados de óleos e gor-
duras na matriz energética brasileira pela Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005. Esta lei prevê
o uso opcional de B2 até o início de 2008, quando passará a ser obrigatório. Entre 2008 e 2013,
poderão ser usadas blendas com até 5% de biodiesel, quando o B5 será obrigatório. Finalmente, a
Resolução Nº 3, de 23 de setembro de 2005, do Conselho Nacional de Política Energética, obriga
os produtores e importadores de óleo a adquirir todo o biodiesel produzido por companhias
ou associações agraciadas com o Selo de Combustível Social a partir de 1º de janeiro de 2006.
Este biodiesel deve ser adquirido em leilões públicos controlados pela anp (Agência Nacional
de Petróleo e Biocombustíveis), mostrando que com este Programa de Biodiesel a intenção do
governo é evitar as falhas observadas no proálcool, notadamente a concentração da produção
nas mãos de poucos e somente em algumas regiões do País.
miolo síntese.indd 102 19/12/2008 16:52:53
103 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Tabela 4. 3 – Produção de biodiesel – B100 por Estados – 2005 a 2007 (m
3
). Fonte: anp/srp. Nota: (m
3
) = metro cúbico.
No Brasil a produção de biodiesel em escala industrial começou após a introdução de biocom-
bustível de óleos e gorduras na matriz energética brasileira, tema inserido na Lei nº 11.097, de 13
de janeiro de 2005. E já no primeiro ano, em 2005, teve uma produção de 736 m
3
, aumentando
para 399.243 m
3
em 2007 (tabela 4.3).
Tabela 4.4 – Capacidade Autorizada de Plantas de Produção de Biodiesel no Brasil até 08/05/2008. Nota: Capacidade anual
limitada de acordo com licença ambiental de operação vigente. Data da última atualização: 08/05/2008. 300 dias de operação
Estado
Bahia
Ceará
Goiás
Maranhão
Mato Grosso
Minas Gerais
Pará
Paraná
Piauí
Rio Grande do Sul
Rondônia
São Paulo
Tocantins
Total
Produção 2005 (m
3
)
-
-
-
-
-
44
510
26
156
-
-
-
-
736
Produção 2006 (m
3
)
4.238
1.956
10.108
-
13
311
2.421
100
28.604
-
-
21.251
-
69.002
Produção 2007 (m
3
)
69.297
47.348
110.638
23.509
12.857
138
3.717
12
30.474
42.696
99
35.684
22.773
399.243
A capacidade autorizada de plantas de biodiesel no Brasil em maio de 2008 chegou a 2.833.610 m
3
e
o número de plantas com autorização para produção de biodiesel pela anp foi de 53 (tabela 4.4).
Estado
Mato Grosso
São Paulo
Rio Grande do Sul
Goiás
Bahia
Tocantins
Ceará
Maranhão
Piauí
Paraná
Pará
Minas Gerais
Rondônia
Rio de Janeiro
Total
Número de Plantas de
Produção de Biodiesel
19
8
4
3
2
2
2
1
1
3
2
3
2
1
53
Capacidade de
Produção Anual (m3)
713.598
555.872
532.200
259.800
208.500
116.100
108.720
108.000
81.000
57.000
34.500
21.720
18.600
18.000
2.833.610
miolo síntese.indd 103 19/12/2008 16:52:54
104 Tecnologias de Energias Renováveis
A partir do dia 1º de julho de 2008 o percentual de mistura obrigatória de biodiesel ao óleo
diesel comercializado aumentou de 2% para 3%. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional
de Política Energética (cnpe). A resolução foi publicada no Diário Ofcial da União (Resolução
nº 2 de 13 de março de 2008).
Considerando a extensão e a localização geográfca do Brasil, tem-se três vantagens com-
parativas importantes. A primeira é a diversidade de clima, o que permite administrar de forma
mais fexível o risco climático. O segundo aspecto é a exuberância de sua biodiversidade, o que
signifca que o Brasil necessita exercitar opções de novas alternativas associadas à agricultura
de energia – selecionando aquelas que lhe forem mais convenientes – ao invés de depender,
incondicionalmente, de uma única espécie, como é o caso da Europa ou dos Estados Unidos.
Finalmente, o Brasil detém um quarto das reservas superfciais e sub-superfciais de água doce, o
que permite o desenvolvimento de culturas irrigadas, na superveniência de condições climáticas
desfavoráveis (Plano Nacional de Agroenergia, 2005).
Ime: Pesquisas de Ponta na Área de Produção de
Biocombustíveis
O uso de Energias Renováveis para Atendimento de Comunidades Isoladas Não-atendíveis por
Rede Elétrica Convencional poderia ser uma solução para a região Amazônica. No entanto,
implantar um projeto nesta região é um desafo.
Partindo dessa premissa, em 2004 foi iniciado o projeto “Geração de energia a partir de ole-
aginosa da Amazônia para atendimento à comunidade isolada”, fnanciado pelo mme/ct-energ/
cnpq/pnud/bid, tendo como estratégia:
Utilizar os conhecimentos existentes em fontes renováveis de energia no ime/dct/eb/md
como base para o desenvolvimento e defesa da Amazônia.
0%
20%
40%
60%
80%
100%
2001
hidrogena
craqueamento
transesterica
reforma
0%
20%
40%
60%
80%
100%
1971–1980 1981–1990 1991–2000
hidrogenação
craqueamento
transestericação
reforma
Figura 4.2 – Fontes Renováveis de Energia – ime
Usar a logística do Exército Brasileiro na região Amazônica para implementação do projeto.
O acesso à comunidade foi sempre realizado através do Comando Militar da Amazônia – cma.
A equipe contou com apoio do cigs/cma, através da disponibilização de embarcações do tipo
“voadeira”, além de pessoal para auxiliar nas missões e de equipamento de segurança.
Promover a capacitação de recursos humanos e fomentar a pesquisa de alto nível em áreas
de interesse estratégico para a Defesa Nacional, em áreas importantes, principalmente em
regiões de fronteira.
miolo síntese.indd 104 19/12/2008 16:52:54
105 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Executar este projeto-piloto multidisciplinar através de parcerias entre os cursos de pós-
graduação de Química, Mecânica, Elétrica e Cartografa do Instituto, com as instituições da
Amazônia cigs/cma, embrapa, fucapi, fapeam, sect-am e ufpa.
Este projeto possibilitou o desenvolvimento de inúmeras pesquisas, em escala de bancada,
scale-up e instalação de uma usina piloto de biodiesel. A metodologia proposta neste projeto-
piloto utilizando energia renovável para atendimento a comunidades isoladas considerou:
estudo locacional para defnir a matéria-prima e o local onde seria instalada a usina de i)
biodiesel;
instalação da unidade de produção de biodiesel; ii)
escolha da comunidade isolada considerando a logística; iii)
necessidade de localização georreferenciada dos benefciários; iv)
conhecimento mais apurado da carga dos benefciários; v)
conhecimento da capacidade de pagamento dos benefciários; vi)
mapeamento do potencial da comunidade para geração de emprego e renda; vii)
escolha do local a ser instalado o sistema de geração e a rede elétrica. viii)
Prospecção de Processos
A geração de energia a partir de biomassa pode ser feita por vários processos empregando óleo
vegetal, resíduos de biomassa, efuentes, subprodutos e/ou co-produtos de processos, sempre
com a intenção de agregar valor à cadeia produtiva (fgura 4.3).
A apresentação das pesquisas e produtos desenvolvidos e/ou em desenvolvimento serão
apresentados por:
tecnologias de produção do biodiesel; a.
tecnologias de aproveitamento da glicerina; b.
tecnologias de aproveitamento do sabão; c.
tecnologias de aproveitamento da biomassa para produção de biocatalisador; d.
tecnologias de aproveitamento da biomassa para produção de carvão ativo; e.
Figura 4.3 – Cadeia Produtiva de aproveitamento de Biomassa
miolo síntese.indd 105 19/12/2008 16:52:55
106 Tecnologias de Energias Renováveis
Análise do óleo vegetal
A análise da matéria-prima é fundamental para se defnir o procedimento e o processo para pro-
dução de um biocombustível. De acordo com a anp, para que se consiga produzir um biodiesel
que atenda às especifcações, deve-se utilizar como insumo um óleo vegetal com, no máximo,
1% de acidez. Portanto, a primeira etapa para a produção de biodiesel, independentemente do
tipo de óleo vegetal, é analisar a matéria-prima através da determinação da acidez.
Através desta determinação será possível defnir o tipo de pré-tratamento desta matéria
prima e/ou o processo de produção do biocombustível que poderá ser a transesterifcação por
catálise básica e/ou ácida (homogênea ou heterogênea) e/ou a esterifcação dos ácidos graxos
livres, conforme mostra a fgura 4.4.
Óleo Bruto
Acidez
A < 1%
Transestericação
direta
Catalisador
básico
1% < A < 5%
Neutralização
da acidez e
transestericação
Catalisador
básico
6% < A < 20%
Estericação e
transestericação
Catalisador
ácido e básico
A > 20%
Estericação e
transestericação
simultâneas
Catalisador
ácido
Figura 4.4 – Esquema para defnição do processo, A= acidez
Além do tipo de catalisador, se ácido ou básico, ele pode ainda ser homogêneo e heterogêneo.
Na catálise homogênea, o catalisador e o substrato estão na mesma fase. Como exemplos de
catalisadores ácidos temos HCl, H
2
SO
4
; e de catalisadores básicos os hidróxidos, carbonatos e
alcóxidos de Na ou K. Já na catálise heterogênea, o catalisador e o substrato não estão na mesma
fase, o que permite facilmente a separação do catalisador após a reação. Como exemplos de
catalisadores heterogêneos podem ser citados os ácidos zircônia-alumina dopada com tungs-
tênio e os básicos CaO, Ca(OMe)
2
, Ba(OH)
2
, Mg(OH)
2
, CaCO
3
. Portanto, a comparação entre
os catalisadores homogêneos (líquidos) e heterogêneos (sólidos) serve para ajudar na escolha
do catalisador mais adequado para o processo a ser estudado. As vantagens e desvantagens de
cada tipo de catalisador estão apresentadas na tabela 4.5.
miolo síntese.indd 106 19/12/2008 16:52:55
107 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Pré-tratamento do óleo
A partir da análise do óleo vegetal descrita acima, o pré-tratamento do óleo bruto pode ser
defnido. Este pode envolver as etapas de degomagem, neutralização, lavagem, com medidas
de acidez antes e depois do processo (fgura 4.5).
Figura 4.5 – Pré-tratamento do óleo bruto
Tabela 4.5 – Vantagens e desvantagens do uso de catalisadores homogêneos e heterogêneos
Adaptado de Palestra Prof. Dr. Ulf Schuchardt, unicamp
Catalisadores Homogêneos
Básicos ou alcalinos facilmente manipuláveis;
Menos corrosivos que os catalisadores ácidos homogêneos;
Número maior de etapas na produção de biodiesel;
Maior produção de resíduos provenientes da neutralização
do catalisador, da purificação do produto e recuperação da
glicerina.
Catalisadores Heterogêneos
Podem ser utilizados na transesterificação de óleos vegetais
que possuem altos teores de ácidos graxos;
Redução significativa do número de etapas de purificação;
Possibilita a reutilização do catalisador;
Evita a corrosão da planta;
Facilita a purificação da glicerina;
Requer maior tempo de reação e temperaturas elevadas;
Plantas industriais mais sofisticadas.
Óleo
Neutralização
Degomagem
Lavagem
Óleo
Acidez < 1
Goma
A etapa de degomagem visa remover do óleo bruto os fosfatídeos, proteínas e substâncias
coloidais, que reduzem a quantidade de álcali durante a subseqüente neutralização e as perdas
nas outras fases do processo.
Alguns processos foram avaliados variando-se as quantidades de óleo e as concentrações das
soluções, para otimizar, defnir a melhor metodologia e verifcar sua viabilidade para implantação
industrial. Os processos avaliados foram:
Degomagem e neutralização com ácido fosfórico a 85% e solução de hidróxido de sódio 1.
20% a frio.
Degomagem e neutralização com ácido fosfórico a 85% e solução de hidróxido de sódio 2.
20% a quente.
miolo síntese.indd 107 19/12/2008 16:52:56
108 Tecnologias de Energias Renováveis
Neutralização com álcool etílico P.A. 3.
Degomagem total. 4.
Degomagem e neutralização com fuxo de ar. 5.
Entre estes métodos, o mais promissor foi o de degomagem e neutralização com fuxo de ar,
adaptado do processo reportado por Franz Kaltner. Este processo, descrito a seguir, está sendo
usado, em rotina, na unidade-piloto de biodiesel, instalada no Campo Experimental da Embrapa
de Rio Urubu, ceru (Rio Preto da Eva, AM).
Degomagem e neutralização do óleo vegetal bruto com fuxo de ar
Inicialmente, é determinado o índice de acidez do óleo, usando o método descrito no Manual
de Biodiesel (mme). Em seguida, aquecer o óleo até 60°C e adicionar uma solução de NaOH
10% correspondente a quantidade sufciente para neutralizar os ácidos graxos livres presentes
no óleo. Aquecer novamente até a temperatura de 75°C e injetar lentamente ar para facilitar
a granulação da borra. Desligar então o aquecimento e adicionar lentamente uma solução de
NaCl a 10%, em quantidade corresponde a 15% do peso do óleo, sob agitação. Parar a agitação
e adicionar em intervalos de 10 minutos uma quantidade de água correspondente a 15% do peso
do óleo, a temperatura ambiente. Repetir este procedimento duas vezes. Separar a água / borra
por decantação, lavar pelo menos mais três vezes com água aquecida a temperatura de 60°C,
separando a água após cada adição. Em seguida secar o óleo por evaporação.
Acidez do óleo de dendê
Os óleos vegetais, especialmente os produzidos a partir de oleaginosas típicas do Norte e
Nordeste do País, possuem elevada acidez. No caso específco do dendê, destaca-se como
variável importante a acidez do óleo. Esta cultura exige que se disponha de uma indústria de
processamento da produção (unidade de extração de óleo) o mais próximo possível da planta-
ção. Tal exigência faz-se devido à necessidade de ordem técnica, uma vez que os frutos devem
ser processados até 24 horas, no máximo 48 horas, após a colheita, com riscos acentuados de
perda da qualidade do óleo causado por processos enzimáticos de deterioração e aumento da
acidez do óleo. Ocorre um processo de hidrólise dos triacilglicerídios (óleo vegetal) que leva ao
aumento do teor de ácidos graxos livres (fgura 4.6), que são facilmente saponifcáveis, devido à
reação com uma solução quente de hidróxido de sódio produzindo o correspondente sal sódico
do ácido carboxílico, isto é, o sabão.
O
O
O
R
O
R
R
O
O
OH
OH
OH
R
O
OH
água + + 3 3
Figura 4.6 – Processo de Hidrólise
Para defnição de um local para instalação de uma usina de biocombustível, especifcamente na
Amazônia, deve-se mapear a região (estudo locacional) e considerar as questões de logística.
miolo síntese.indd 108 19/12/2008 16:52:56
109 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Por exemplo, o Campo Experimental da Embrapa em Rio Urubu, município de Rio Preto da Eva,
Embrapa Amazônia Ocidental, cpaa, foi a região apontada como aquela que respondia às questões
supracitadas para instalação de uma usina-piloto de biodiesel. Esta região possuía uma plantação
de 412 ha de palma e uma usina de extração de óleo de palma e palmiste, de modo que o tempo
de colheita e de processamento para extração do óleo poderia ser o menor possível. A fgura 4.7
mostra a localização da usina de extração de óleo de dendê (Imagem ccd-cibers2; cena/ponto
172/103; de composição R3, G4, B2), localizada no Campo Experimental da Embrapa, ceru.
Figura 4.7 – Localização da usina de extração de óleo de dendê em ceru.
Figura 4.8 – Índice de Acidez do Óleo de Palma Bruto
Um estudo realizado no ime acompanhou a evolução da acidez do óleo bruto in natura em inter-
valos tempo pré-fxados, como mostra a fgura 4.8. Observa-se que após 60 dias há um aumento
progressivo do índice de acidez do óleo de palma, provavelmente devido à sua oxidação e/ou a
presença/formação de ácido livre pela presença de umidade. O uso de óleo bruto nestas condi-
ções de acidez, se produzido por catalise básica, poderia formar sabão e danifcar os motores.
4,9 4,9
5,2
5,4
6,2
7,5
0
1
2
3
4
5
6
7
8
30 60 90 120 150 180
dias
I
.
A

(
m
g

K
O
H
/
g

ó
l
e
o
)
miolo síntese.indd 109 19/12/2008 16:52:57
110 Tecnologias de Energias Renováveis
Produção de biodiesel
A transesterifcação alcalina é, de longe, o processo mais usado para a produção de biodiesel.
Trata-se de um processo simples e de domínio público. O problema, no entanto, é o custo e a ef-
ciência da etapa de separação das fases após a reação e a purifcação dos produtos e co-produtos
(principalmente para o caso do etanol) para que se atenda às especifcações previstas pela anp.
É importante, portanto, concentrar esforços no desenvolvimento, na melhoria dos processos e
dos equipamentos utilizados na separação de fases e purifcação.
Além das questões relativas ao pré-tratamento, em que a acidez do óleo bruto é um fator
importante para a escolha do processo, o tipo de catalisador e as vantagens e desvantagens
relativas à escolha do álcool devem ser consideradas.
Na tabela 4.6 são destacadas algumas questões relativas ao álcool.
Etanol
Vantagens
Origem renovável
Produção nacional
Não tóxico
Desvantagens
Deve ser álcool desidratado
Processo de separação da glicerina mais
complexo, o que implica maior investimento
para purificação do biodiesel
Metanol
Vantagens
Menor custo
Separação imediata da glicerina
Pode ser produzido a partir do gás de síntese
Desvantagens
Tóxico
O Brasil é importador deste álcool
Por questões de segurança, não deve ser usado em
processos de produção de biodiesel em comunidade isolada
Tabela 4.6 – Vantagens e desvantagens relativas ao tipo do álcool. Adaptado de Palestra Prof. Dr. Ulf Schuchardt, unicamp
Reação de transesterifcação – rota etílica – Catálise Homogênea
Escala Bancada
O procedimento de produção de biodiesel via transesterifcação alcalina, rota etílica, é apresen-
tado no fuxograma da fgura 4.9.
miolo síntese.indd 110 19/12/2008 16:52:57
111 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Matéria Prima Catalisador
NaOH ou KOH
Metanol
ou Etanol
Excesso
de álcool
recuperado
Fase
Pesada
Fase
Leve
Resíduo
Glicérico
Glicerina
Puricada
Biodiesel
Preparação da
matéria-prima
Reação de
transestericação
Separação
de fases
Desidratação
do álcool
Recuperação do
Álcool da glicerina
Destilação
da glicerina
Recuperação do
Álcool dos Ésteres
Puricação
dos Ésteres
Figura 4.9 – Processo de produção de biodiesel
O teste catalítico para produção de um biocombustível de referência foi realizado em um balão de
fundo chato de três bocas com juntas esmerilhadas. Um condensador foi acoplado para manter
refuxo constante. O reator foi imerso em um banho de óleo de silicone para uma melhor troca
térmica, neste com um termômetro no banho de silicone para acompanhamento da temperatura,
como mostrado na fgura 4.10.
Figura 4.10 – Aparelhagem de refuxo usada nas reações homogêneas
miolo síntese.indd 111 19/12/2008 16:52:57
112 Tecnologias de Energias Renováveis
Após a degomagem e neutralização do óleo vegetal, prepara-se separadamente a solução de
catalisador (etóxido de sódio) a quente e só então adiciona-se ao óleo, também quente, contido
no balão. A quantidade de catalisador (NaOH) utilizada fca em torno de 1% em relação ao peso
do óleo, o teor álcool pode variar com razões molares álcool/óleo entre 9:1 e 5:1; normalmente
uma razão molar de 6:1 (equivalente a 100% de excesso de álcool) é usada na reação. O sistema
é deixado sob refuxo, em torno de 75°C, durante uma hora. Após esse tempo, transfere-se o
efuente reacional para um funil de separação onde se inicia o processo de lavagem, que será
detalhado no próximo passo.
Lavagem
A literatura apresenta vários métodos de lavagem. O objetivo é sempre evitar perda de biodiesel
para a fase aquosa, o que pode ocorrer devido à formação de emulsões, agravada pela formação
de sabões durante a reação ou ainda por excesso de água de lavagem ou de agitação. Um primeiro
método que pode ser usado consiste na adição de glicerina seguida de duas lavagens com água
a 60°C. Este processo evita a formação de emulsão.
Um segundo método consiste em lavar o produto reacio-
nal com água quente a 60°C por duas vezes. Este processo
forma emulsão se a mistura for agitada.
Um terceiro método consiste em lavar o produto a tempe-
ratura ambiente com uma solução diluída de ácido acético e
água na primeira lavagem e duas outras lavagens com água.
A separação da primeira lavagem ocorre com formação de
três fases distintas, sendo a inferior composta por água
contendo acetato de sódio, a intermediária composta majo-
ritariamente por glicerina e a superior por biodiesel. Neste
processo não ocorre a formação de emulsão, mas ocorre o
arraste de cerca de 10 a 30% de biodiesel na fase rica em
glicerina (fgura 4.11).
Secagem do biodiesel
Após a separação da glicerina por decantação, em escala de bancada, o biodiesel pode ser seco
com a adição de sulfato de sódio anidro e seco, que por sua vez é separado por centrifugação.
Alternativamente, o biodiesel pode ser seco por aquecimento a 130°C (ou a 100°C sob vácuo)
por 30 minutos.
Reação de transesterifcação – rota etílica – Catálise Heterogênea
Escala Bancada
Para os testes via catálise heterogênea devem ser usados reatores de aço inox tipo autoclave
(Parr) com agitação mecânica ou magnética. Reatores tipo Parr de capacidade de 100 mL e 300
mL (fgura 4.12) são adequados para este fm.
As reações com catálise heterogênea normalmente são conduzidos a temperatura, pressão e
razão álcool:óleo mais elevadas. Valores comuns na literatura são 200°C de temperatura, pressão
entre 5 e 10 bar e razão molar álcool:óleo entre 6:1 e 15:1. A quantidade de catalisador varia entre
3 e 20% em relação ao peso de óleo.
Figura 4.11 – Lavagem do biodiesel.
miolo síntese.indd 112 19/12/2008 16:52:58
113 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Em muitos procedimentos a pressão do sistema corresponde à pressão de vapor do álcool. Alguns
resultados obtidos a 200°C e pressão endógena são mostrados na tabela 4.7
Figura 4.12 – Reatores do tipo Parr utilizados nos testes catalíticos.
Catalisador
zircônia sulfatada dopada (Fe, Mn)
zircônia sulfatada
zircônia sulfatada
36%H3PW12O40/SiO2
Razão álcool/óleo
15:1
15:1
15:1
15:1
% Conversão (RMN)
75
00
00
86
T (h)
5
5
12
5
Tabela 4.7 – Testes catalíticos realizados a proporções álcool:óleo (15:1)
A infuência da pressão pode ser observada ao se comparar o resultado obtido com o catalisador
de zircônia sulfatada na reação com óleo de palma que foi realizada a 200° C, sob pressão de 50
bar, com rendimento de 90,3%.
Reação de transesterifcação – Aumento de escala
Os sistemas em escala de bancada apresentam várias limitações, principalmente na agitação e
no controle de temperatura. O aumento de escala serve a dois propósitos: confrmar os resulta-
dos obtidos em escala de banca em condições mais próximas das condições industriais e gerar
amostras em maior quantidade para testes e análises mais completos.
O aumento de escala dos processos de produção de biodiesel foi realizado em reatores-piloto
multipropósito com capacidades de 20L e 50L do Instituto Nacional de Tecnologia, int. Estes
reatores apresentavam uma série de limitações e inadequações ao processo e foram substituídos
por um sistema batelada projetado para permitir a execução de todas as etapas de produção
do biodiesel num único equipamento. A tecnologia usada neste reator foi gerada no Instituto
Militar de Engenharia, ime, assim como o desenvolvimento do projeto de uma primeira unidade,
em aço inox, móvel, de 50L de capacidade (fgura 4.13).
O procedimento defnido para esta unidade é basicamente o mesmo defnido em escala de
bancada, sofrendo apenas algumas modifcações. A abordagem de projeto privilegiou a simpli-
cidade e o baixo custo, evitando-se o uso de componentes mais caros, como itens de controle
miolo síntese.indd 113 19/12/2008 16:52:58
114 Tecnologias de Energias Renováveis
e automação normalmente encontrados em unidades
industriais. Em contrapartida, a unidade necessita de
um pouco mais de assistência humana para funcionar.
Cabe destacar que a unidade pode inclusive ser usada
para recuperar e secar o etanol utilizado em excesso.
As maiores vantagens desta unidade são a sua sim-
plicidade, baixo custo e robustez. Estas características
fazem com que este tipo de unidade seja ideal para
utilização em comunidades isoladas (fgura 4.13).
Usina-piloto de biodiesel
A usina de biodiesel foi instalada em ceru, onde existe
uma plantação de 412ha de dendê, uma usina de extra-
ção de óleo e uma comunidade de funcionários da
Embrapa/cpaa, além de uma escola.
O vapor e a bacia de decantação de rejeitos utiliza-
dos pela usina-piloto de biodiesel são da unidade de
extração de óleo de dendê (fgura 4.14). Cabe destacar
que a caldeira da unidade é alimentada com os rejeitos
da própria unidade.
Figura 4.13 – Unidade móvel de produção de
biodiesel
Figura 4.14 – Unidade de extração de óleo de dendê (ceru/Embrapa-cpaa)
miolo síntese.indd 114 19/12/2008 16:52:59
115 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Figura 4.15 – Unidade de 1.000 litros por batelada (ceru/Embrapa)
A unidade é completa, sendo projetada para executar todas as etapas do processo de produ-
ção, do pré-tratamento do óleo bruto até o acabamento do biodiesel, incluindo a recuperação
e secagem do álcool.
Apesar de executar todas as etapas descritas acima, a unidade é bem simples e robusta. Em
termos de controle, existem apenas indicações básicas de temperatura e pressão, sem nenhuma
automação. O controle é todo manual, com o operador tendo que atuar no acionamento de todos
os equipamentos (bombas, agitadores, válvulas, trocadores de calor).
Cabe destacar como diferencial o fato de a unidade possuir um sistema completo de recu-
peração e secagem do etanol utilizado em excesso. A secagem é feita com auxílio de um leito
de peneira molecular, material adsorvente com grande capacidade para retenção de água. Este
material é regenerado no local e pode ser utilizado por inúmeros ciclos.
Em condições ideais, esta usina pode produzir até três bateladas por dia, ou seja, até 3.000 litros
de biodiesel por dia. Esta produção poderia gerar energia elétrica para suprir as necessidades do
ceru, da comunidade local e ainda algumas comunidades de Rio Preto da Eva.
miolo síntese.indd 115 19/12/2008 16:53:00
116 Tecnologias de Energias Renováveis
Óleo Vegetal in Natura em Motores de Combustão Interna
Introdução
A possibilidade de utilização de óleos vegetais puros como combustível de motores de ciclo
diesel é conhecida desde a fase de desenvolvimento do motor, havendo registros de utilização
de óleo de amendoim em experimentos realizados pelo Dr. Rudolf Diesel no ano de 1911. A partir
desta época têm sido realizados estudos para viabilizar técnica e economicamente o uso de óleos
vegetais como fonte de energia renovável.
Desde a década de 70 experimentos vêm sendo realizados principalmente na Alemanha,
demonstrando que é possível obter-se uma operação confável com óleo vegetal não transfor-
mado, mesmo em motores diesel convencionais. Para isto, é necessário que o óleo vegetal seja
aquecido para diminuir sua viscosidade e que cada ciclo de funcionamento do motor deve começar
com diesel, passar para óleo vegetal após alguns minutos (quando o motor já estiver quente), e
operar os minutos fnais também com diesel para “lavar” o sistema injetor e impedir que resíduos
de óleo vegetal esfriem dentro da bomba injetora e, principalmente, nos bicos injetores.
Motores com injeção indireta (pré-câmara) também são recomendáveis para esta aplicação
por serem mais tolerantes ao óleo vegetal.
Em princípio considera-se que a utilização de óleos vegetais em motores estacionários, como
nos grupos geradores, é menos problemática do que em motores automotivos, por operarem
com rotação constante e baixa e por serem sujeitos a menores variações de carga ao longo da
operação. Além disto, nos motores estacionários os inconvenientes relacionados à utilização de
dois combustíveis, como mencionado anteriormente, são muito menos signifcativos do que nos
motores automotivos. Portanto, ao contrário dos motores automotivos, a utilização de motores
estacionários para suprimento de energia elétrica a comunidades isoladas estaria prevista para
locais de difícil acesso ao diesel, e conseqüentemente com maior justifcativa econômica para o
uso do óleo vegetal como combustível.
Segundo Di Lascio (2004), para adequar o refno do petróleo à realidade nacional, a coluna
de destilação das refnarias foi redistribuída para produzir maior quantidade de diesel, com
características (mais leve e menos viscoso) para facilitar a combustão nos motores veiculares.
Portanto, estes motores diesel passaram a ser produzidos sem pré-câmara, com injeção direta,
tornando-se inadequados para uso direto de óleo vegetal in natura. Em conseqüência, o uso
de óleos vegetais in natura diretamente em motores diesel de injeção direta passou a ter os
seguintes problemas: i) aparecimento de resíduos de carbono no interior dos cilindros, câmara
de combustão, especialmente nas proximidades das válvulas de descarga, comprometendo a
normalidade de funcionamento das mesmas e do próprio motor; ii) entupimento dos bicos inje-
tores, sobretudo quando o óleo vegetal tem alto índice de insaturação, o que o predispõe para
as reações de polimerizações; iii) diminuição do rendimento do motor e aumento conseqüente
miolo síntese.indd 116 19/12/2008 16:53:00
117 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
do consumo, resultantes do insufciente índice de cetano, inerente às características dos óleos
vegetais; iv) necessidade de regulagem especial no sistema de injeção do motor para cada tipo de
óleo vegetal; v) diminuição do tempo de troca do óleo do carter, especialmente quando este for
de alta taxa de aditivação; vi) diminuição da vida útil do motor, especialmente quando alimentado
com óleo de elevado índice de ácidos graxos livres; e vii) emissões de produtos tóxicos, onde se
incluem a acroleína e certas substâncias orgânicas, resultantes de uma combustão incompleta.
Atualmente, o uso de óleo vegetal in natura em motor de combustão interna volta a ser
frmemente considerado, principalmente devido às emissões de gases de efeito-estufa e à ele-
vação consistente dos preços do petróleo. Alguns fatores relevantes deverão trazer profundas
modifcações no mercado de energia. Esses fatores são relacionados por Kaltner:
A evolução das tecnologias de produção agrícola que permitem a utilização de seus Š
produtos com vantagens econômicas e ambientais como matéria-prima em processos
industriais, em substituição a insumos não renováveis.
A necessidade de implantação de programas de produção auto-sustentáveis (emissão Š
zero), que satisfaçam as necessidades atuais sem diminuir a oportunidade das gerações
futuras, em atendimento ao Protocolo de Kyoto.
A previsão de que a produção mundial de petróleo atingirá o pico entre os anos de Š
2004 e 2008. A partir daí, as reservas mundiais começarão a declinar, conforme estudo
publicado no livro Hubbert’s Peack – The Impending World Oil Shortage, de Kenneth S.
Deffeys, editado pela Princeton University Press/2001. Como o mercado de petróleo
tem crescimento de 2% ao ano, a confrmação desta premissa infuenciará fortemente o
mercado de produtos agrícolas que tenham aplicação como substituto de petróleo.
A necessidade de utilização de óleos diesel com baixíssimos teores de enxofre, por Š
questões ambientais, exigem a adição de aditivos para melhorar a qualidade de
lubrifcação do combustível. Dentre os aditivos pesquisados, os derivados de óleos
vegetais são os de mais baixo custo, e já fazem parte da formulação de diversos óleos
diesel premium vendidos no mercado.
A necessidade de eletrifcação de comunidades isoladas, cujo atendimento não tem Š
viabilidade econômica, seja pela distância da rede ou pelo custo de transporte de óleo
diesel.
Uso de Óleo Vegetal in Natura em Motores
Os principais problemas identifcados com o uso de óleo vegetal in natura são:
difculdade de partida a frio devido à viscosidade dos óleos vegetais, que é até 10 (dez) i)
vezes maior que a viscosidade do óleo diesel na temperatura de referência;
ponto de fusão elevado; ii)
formação de gomas nos bicos injetores; iii)
decomposição de componentes da bomba injetora, devido à acidez do óleo; iv)
formação de depósitos de carvão na câmara de combustão, nos cilindros e nas válvulas. v)
A formação de goma e carbonização é decorrente da existência de ácidos graxos insaturados
nos óleos vegetais. Quando esses óleos são submetidos às altas temperaturas da câmara de
combustão, há formação de polímeros. Por exemplo, óleos brutos do tipo soja, algodão, canola
e girassol não são adequados para uso como combustível em motores diesel, pois possuem na
miolo síntese.indd 117 19/12/2008 16:53:00
118 Tecnologias de Energias Renováveis
sua composição alto teor (percentagem) de ácidos graxos insaturados, como oléico, linoléico e
linolênico, que possuem, respectivamente, uma ligação dupla, duas duplas e três duplas, con-
forme apresentado na tabela 4.8.
Existe também a difculdade de partida a frio devido à viscosidade dos óleos vegetais, que é
até 10 vezes maior que a viscosidade do óleo diesel na temperatura de referência. O ponto de
fusão do óleo vegetal in natura é mais elevado, sendo necessário, portanto, reduzir a formação de
gomas nos bicos injetores. Ocorre também a formação de polímeros quando este óleo in natura
é submetido às altas temperaturas na câmara de combustão. Portanto, óleos brutos com grau de
insaturação (soja, algodão, colza, girassol) não são adequados para operação como combustíveis
in natura em motores diesel.
Ácidos (%)
Láurico
Mirístico
Palmítico
Esteárico
Araquídico
Behênico
Lignocérico
Oléico
Linoléico
Linolênico
Erúcico
Tipos de Óleos
Algodão
<0,1
0,4–2,0
17,0–31,0
1,0–4,0
<0,7
<0,5
<0,5
13,0–44,0

0,1–2,1
<0,5
Amendoim
<0,4
<0,6
6,0–16,0
1,3–6,5
1,0–3,0
1,0–5,0
0,5–3,0
35,0–72,0
13,0–45,0
<0,3
<0,3
Canola

<0,2
2,5–6,5
0,8–3,0
0,1–1,2
<0,6
<0,2
53,0–70,0
15,0–30,0
5,0–13,0
<5,0
Girassol
<0,4
<0,5
3,0–10,0
1,0–10,0
<1,5
<1,0
<0,5
14,0–35,0
55,0–75,0
<0,3
<0,5
Soja
<0,1
<0,5
7,0–14,0
1,4–5,5
<1,0
<0,5

19,0–30,0
44,0–62,0
4,0–11,0

Tabela 4.8 – Composição química de alguns óleos vegetais
Uma das soluções encontradas para melhorar a utilização de óleo vegetal in natura como
combustível é fazer um pré-tratamento e/ou refno dos óleos brutos, de modo que alguns pro-
blemas possam ser minimizados. A neutralização, a degomagem e o pré-aquecimento do óleo
vegetal bruto podem ser alguns dos procedimentos usados como pré-tratamento para eliminar
os problemas na bomba injetora e para reduzir os depósitos de carvão. Outra possibilidade é
a injeção do óleo vegetal aquecido, o que eliminaria o problema da viscosidade e do ponto de
fusão (franz kaltner).
Propriedades Físico-Químicas dos Óleos Vegetais que Infuenciam o
Funcionamento dos Motores Diesel
As propriedades do óleo vegetal, descritas a seguir, infuenciam no funcionamento e na dura-
bilidade do motor.
i) viscosidade, medida da resistência interna ao escoamento de um líquido, é fundamental
para a qualidade de atomizacão do óleo no bico injetor;
ii) índice de cetano, que defne o poder de auto-infamação e de combustão do óleo;
signifca que um número de cetano baixo gera defciência na lubrifcação do motor;
miolo síntese.indd 118 19/12/2008 16:53:00
119 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
iii) ponto de infamação, temperatura em que um óleo queima durante um período mínimo
de 5 segundos;
ponto de ebulição iv) , temperatura em que o óleo passa do estado líquido para o gasoso;
ponto de névoa v) , temperatura inicial de cristalização do óleo;
índice de iodo vi) , expressa o grau de insaturação do óleo;
índice de acidez vii) , expressa a acidez livre no óleo;
índice de peróxido viii) , expressa o grau de oxidação do óleo;
ix) nº Conradson – ccr, que expressa os resíduos de carbono, depositados durante a
queima do combustível;
x) fltrabilidade, que expressa a difculdade com que o óleo é fltrado antes da injeção no
motor;
xi) teor de gomas, que expressa a quantidade de gomas formadas pela polimerização dos
componentes insaturados do óleo durante a combustão.
Propriedades que Infuenciam a Quantidade de Energia Gerada
Massa especifca: A massa especifca do óleo diesel é ~ 10% menor que os óleos i.
vegetais, e o poder calorífco do óleo diesel é ~ 12% maior. Isso faz com que, na prática,
o número de calorias por unidade de volume seja praticamente igual.
Poder calorífco: O volume de combustível consumido pelo motor operando com óleo ii.
vegetal é aproximadamente 2% maior ao consumido na operação com óleo diesel.
Para operar motores diesel com óleos vegetais in natura existe a necessidade da adoção dos
seguintes procedimentos: i) reduzir a viscosidade; ii) utilizar óleos com baixo índice de iodo e alto
índice de cetano; iii) reduzir o depósito de carbono nos bicos injetores (menor ccr); iv) melhorar
a fltrabilidade na bomba padrão de combustível do motor.
Portanto, o óleo vegetal ideal para funcionamento como substituto de óleo diesel deveria ter
índice de cetano maior que 40 e índice de iodo menor que 25.
Outra questão importante está relacionada à obtenção do óleo vegetal, isto é ao processo de
extração, que pode ser por solvente ou por prensagem. O tipo de prensagem depende da quan-
tidade de matéria-prima a ser processada. Pode ser utilizada prensa do tipo manual, geralmente
hidráulica, como a prensa mecânica do tipo “expeller”, de parafuso contínuo.
Recentemente, Almeida verifcou o potencial de algumas oleaginosas nativas da Amazônia,
incluindo a questão da sazonalidade, quer para uso de óleo in natura quer para produção de
biodiesel por rota etílica (Almeida, M.D., 2007), de forma a ajudar na escolha da matéria-prima,
na defnição do processo de geração de biocombustíveis, juntamente com a logística, de modo
que possa ser assegurado o suprimento contínuo.
Desta forma, o uso do óleo vegetal in natura em motor de combustão interna, ciclo diesel,
obedece aos mesmos princípios do uso do diesel para a geração de energia elétrica. Existem
diversas tecnologias que adaptam tais motores para a queima de combustíveis renováveis.
Atualmente, as tecnologias que utilizam óleo vegetal in natura em motor de combustão interna
com algum sucesso são: i) motores com pré-câmara de combustão, do Centre de Coopération
Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement – cirad; ii) motores com kit
de conversão; iii) motor Elsbett, equipamento alemão especialmente desenvolvido para queimar
óleo vegetal.
miolo síntese.indd 119 19/12/2008 16:53:01
120 Tecnologias de Energias Renováveis
Motores com pré-câmara de combustão
Na Europa são fabricados vários modelos de motores diesel com pré-câmara. O cirad desenvolveu
um kit para tornar esses motores capazes de funcionar com óleo vegetal in natura. A cabeça do
pistão é recortada e recebe uma placa refratária para aumentar a temperatura da combustão. São
introduzidos mais sensores de temperatura na pré-câmara, melhorando a efciência da queima.
Também são acrescentados no circuito do combustível uma segunda bomba e um segundo fltro
para incrementar a pureza do combustível. A existência desta pré-câmara torna mais suportável
o uso de óleos vegetais de qualidade inferior, que devem sempre manter um elevado padrão de
limpeza com a retirada prévia de sabões e impurezas.
Kit de Conversão
A utilização de óleos vegetais in natura como combustível em motor diesel requer uma série
de ajustes e modifcações no motor. Existem diversos fornecedores no mercado europeu que
fornecem kits para adaptação de motores. O kit básico é composto de: i) tanque de óleo vegetal
com serpentina p/ aquecimento e sensor /indicador de temperatura; ii) bomba auxiliar de água
p/ sistema de refrigeração e tubulação de interligação do radiador com serpentina do tanque;
iii) válvula termostática multivia para reversão da operação óleo diesel/óleo vegetal; iv) sensor
de temperatura do motor; v) tubulação de óleo vegetal; vi) eliminador de ar; vii) comando
computadorizado de controle do funcionamento com óleo diesel/óleo vegetal, que monitora: a
temperatura de injeção do óleo vegetal; a temperatura do motor; a viscosidade do óleo vegetal;
a reversão do funcionamento para óleo vegetal após motor e combustível atingirem a tempe-
ratura especifcada; reversão do funcionamento para óleo diesel com programação temporizada
no fnal da operação, para limpeza das tubulações e bomba injetora.
O sistema funciona da seguinte maneira: a energia térmica da água de circulação do motor
deve ser reutilizada para pré-aquecer o tanque do óleo vegetal; este será aquecido na admissão do
motor, quando sua viscosidade se aproxima ao valor da viscosidade do óleo diesel a temperatura
ambiente; a injeção do combustível é ajustada; o óleo vegetal é fltrado para evitar entupimentos;
o motor parte e opera com o óleo diesel inicialmente; em seguida há um período de transição em
que o óleo vegetal se mistura ao diesel e, posteriormente, somente o óleo vegetal é utilizado como
combustível. No Brasil, Cenbio também vem procurando desenvolver este tipo de equipamento.
O uso de óleo in natura vem sendo avaliado em diversos motores no Brasil, em diferentes
condições de acordo com a matéria-prima utilizada.
Motor Elsbett
Para viabilizar o uso de óleo vegetal em motores diesel de injeção direta, em 1982, o alemão
Ludwig Elsbett introduziu algumas modifcações no sistema de injeção e, principalmente, na
cabeça do cilindro, com a implementação de um recipiente onde a explosão passou a ocorrer.
Esses motores de tecnologia Elsbett ainda existem no mercado, com capacidade de até 140 HP.
Eles são adequados para tarefas onde a demanda requerida não tenha grande variação e esteja
sempre próxima da potência nominal do equipamento. Segundo Kaltner, esses motores têm
excelente desempenho operando com óleos vegetais neutralizados.
No início da década de 90, algumas modifcações foram implementadas no motor Elsbett,
que o tornaram mais robusto, com maior efciência e maior potência. A dms manteve a cavidade
miolo síntese.indd 120 19/12/2008 16:53:01
121 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
no cilindro, acrescentou um segundo bico injetor em cada cilindro, uma segunda bomba de com-
bustível com mais um fltro acoplado e, principalmente, passou a refrigerar o motor com óleo
lubrifcante, permitindo aumentar a temperatura do refrigerante de 100°C para 120°C, facilitando
a combustão e aumentando a efciência do sistema, que passou a produzir 1 kWh com apenas
0,28 gramas de óleo vegetal.
Mesmo no caso dos motores Elsbett e dms (hoje ams), o óleo vegetal deve ser de boa qua-
lidade para não danifcar o sistema de injeção e permitir uma queima mais efciente. Assim, na
utilização de óleos vegetais com acidez elevada, o impacto do aumento do custo do combustível
vegetal devido ao processo de refno deve ser cuidadosamente avaliado, pois pode inviabilizar
economicamente o sistema.
No Brasil, o Programa Trópico Úmido fnanciou um equipamento Elsbett para o projeto de
extração de óleo vegetal na comunidade do Roque, no Alto Juruá; esse motor apresentou problema
devido à qualidade do óleo vegetal; ultimamente tem funcionado continuamente com diesel.
Desempenho do Grupo Gerador MWM D225-4 e
Multi Fuel 4RTA-G da MAS com óleo de dendê in
natura
A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolveu pesquisas no sentido de viabilizar motores ciclo
diesel utilizando óleo de dendê (conhecido também como óleo de palma) como combustível,
com apoio fnanceiro do cnpq e Sudam. O enfoque foi o desenvolvimento de pesquisas para
viabilizar o uso do óleo vegetal nos motores do ciclo diesel. Foram usados três diferentes motores
para os testes, sendo o primeiro um motor veicular de uma Kombi, o segundo um grupo gerador
mwm D225-4 instalado na comunidade de Boa União (Presidente Figueiredo – AM) e por fm um
grupo gerador Multi Fuel 4RTA-G da mas, que serve à usina de extração de óleo da Embrapa. Os
grupos geradores mwm não necessitaram de ajuste para a operação com este óleo vegetal. De
acordo com o estudo realizado, o óleo de dendê é um excelente substituto para o óleo diesel,
basta que se aumente a pressão nos bicos injetores para diminuir o acúmulo de resíduos de car-
bono na descarga do motor. A comparação de algumas propriedades do óleo diesel e do dendê
é apresentada na tabela 4.9.
Poder Calorífico
Superior (Kcal/ kg)
10.700
9.450
Ponto de Fulgor (°C)
42
(mínimo para diesel
marítimo=60°C)
344
Óleo
Diesel
Dendê
Viscosidade a
37,8°C (cSt)
3,6
(faixa especifi-
cada: 1,6 a 6,0 cSt)
38
Densidade 20/4°C
0,83
0,91
Índice de Cetano
60
(mínimo
especificado = 45)
42
Tabela 4.9 – Comparação de alguns índices do óleo diesel e do dendê.
Com o funcionamento do motor mwm foi observada a diminuição da carbonização; quando foi
aumentada a pressão nos bicos injetores, ocasionando limpeza e troca de fltros conforme manual
de manutenção próprio para motor a diesel, o que é observado na fgura 4.16.
miolo síntese.indd 121 19/12/2008 16:53:01
122 Tecnologias de Energias Renováveis
Com o aumento da pressão nos bicos, foi verifcada também a ausência de ésteres no óleo
lubrifcante. Portanto, o aumento da pressão resultou em melhor combustão do óleo de dendê
(fgura 4.17).
R
e
s
í
d
u
o
s
(
g
r
a
m
a
/
h
o
r
a
/
c
a
b
e
ç
o
t
e
)
Pressão nos bicos (bar)
0
180 200
0,05
0,1
0,15
0,2
0,25
Figura 4.16 – Infuência da pressão nos bicos injetores na formação de resíduos
Figura 4.17 – Infuência da pressão nos bicos injetores na formação de éster
Í
n
d
i
c
e

d
e

É
s
t
e
r
Pressão nos bicos (bar)
0
180 220
0,05
0,1
0,15
0,2
0,25
Dos dois motores utilizados, o de melhor desempenho foi o grupo-gerador mwm. Durante o
período de desenvolvimento do projeto, este motor operou 4.000 horas gerando energia elétrica.
Foi o mais longo período de funcionamento dentre os motores testados, sendo que este foi o
que apresentou melhores resultados. O grupo gerador ams não apresentou um desempenho
adequado com a utilização do óleo bruto de dendê.
Motor Veicular – Cristalização do óleo de dendê in natura
O óleo de dendê possui alto teor de estearina, portanto, ocorre normalmente a cristalização do
óleo com a variação da temperatura ambiente. Para resolver este problema a Embrapa criou, junto
com a Netzsch do Brasil, um protótipo de separador de fases do óleo de dendê, que tem como
base de funcionamento a fltragem e prensagem a frio. Este processo se baseia na diferença dos
pontos de fusão ácidos graxos palmítico, esteárico, oléico e linoléico, que constituem 98% do
óleo de dendê. Os ácidos palmítico e esteárico são saturados, tendo pontos de fusão acima de
62°C. O resfriamento lento do óleo bruto causa a cristalização destes ácidos, que são separados
através do fltro-prensa na temperatura de 17°C. A fração de oleína obtida que corresponde aos
miolo síntese.indd 122 19/12/2008 16:53:02
123 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
ácidos insaturados é então separada por fracionamento natural do óleo de palma, que consiste
em operações de resfriamento e fltração sem uso de aditivos químicos. Os ácidos insaturados,
oléico e linoléico apresentam pontos de fusão abaixo de 16,3°C. A tabela 4.10 mostra os resultados
para o processo de separação da oleína e da estearina (prensagem e fltragem a frio).
Tabela 4.10 – Processos de separação da oleína e da estearina - Prensagem e fltragem a frio
Adaptado Embrapa CPAA, Embrapa ctaa, Agropalma e (Moretto & fett, 1989)
Ácido Graxo
Palmítico
Esteárico
Oléico
Linoléico
T. fusão (°C)
62,90
70,10
16,30
5,00
Estearina(%)
59,53
5,00
26,30
6,50
Oleína (%)
95,5
4,40
41,9
11,8
Uso do óleo de dendê refnado – oleína
Para evitar o problema de cristalização em motores veiculares, especifcamente um motor diesel
de uma Kombi, foi usada somente a oleína como combustível. Nas condições em que foi utilizado,
este óleo apresentou custo menor quando comparado ao diesel.
Desempenho do Grupo Gerador MWM D229-6 com óleo de dendê in
natura
O funcionamento de um grupo gerador diesel convencional foi avaliado utilizando-se óleo de
palma bruto (óleo de dendê) como combustível. O grupo gerador tinha potência de 76kVA/60kW,
com motor mwm D229-6 de injeção direta. Os testes tiveram a duração total de 400 horas. Os
problemas encontrados na operação com óleo vegetal foram:
Necessidade de troca mais freqüente do óleo lubrifcante; 1.
Acumulação de partículas na bomba injetora e carbonização das câmaras de combustão 2.
e bicos injetores, causando perda gradual de potência ao longo dos ensaios, todavia
reversível com limpeza.
Projeções indicaram que, devido aos maiores custos de manutenção, o óleo vegetal seria van-
tajoso em relação ao diesel apenas em localidades onde este custasse no mínimo 25% a mais
que o óleo vegetal. O diferencial requerido pode ser maior do que isto e depende das condições
específcas. Uma análise global destes ensaios e de outros similares reportados indica que é
possível se operar com óleo vegetal a níveis de manutenção semelhantes ao diesel. Para isto é
necessário que alguns parâmetros de qualidade do óleo vegetal sejam mais controlados do que
se exige na comercialização normal do óleo bruto. Também, o emprego de motores de injeção
indireta seria desejável, na medida de sua disponibilidade.
Experiências de Eletrifcação Rural Utilizando Óleo Vegetal como
Combustível – Projetos implantados na Amazônia
Alguns projetos-pilotos foram implantados conforme apresentado na tabela 4.11.
miolo síntese.indd 123 19/12/2008 16:53:02
124 Tecnologias de Energias Renováveis
A produção de 100 kWh de energia representa um consumo médio de 25 kg de óleos vegetais
(por hora de funcionamento do sistema). Isto signifca que um sistema de 100 kWh operando 6
horas por dia, 365 dias /ano, consumirá aproximadamente 55.000 kg ou 62.000 litros.
Como a maior parte das oleaginosas nativas tem safra defnida, em torno de 4 meses, todo este
óleo tem de ser produzido neste período, o que aumenta o tamanho da instalação de extração
e cria custos adicionais de armazenagem. Este é possivelmente o maior problema da utilização
de espécies nativas.
Portanto conclui-se que o óleo de dendê pode ser uma das matérias-primas com potencial
para ser substituto do óleo diesel. No entanto, vários fatores contribuem para a sua escolha como
fonte de matéria-prima renovável, dentre elas o tipo de motor e a logística. Destaca-se ainda
que o acúmulo de resíduos de carbono na descarga do motor mwm utilizando óleo de dendê
como combustível foi sensivelmente diminuído com o aumento da pressão dos bicos injetores.
No entanto, este óleo bruto no motor dms, tecnologia elsbet, apresentou performance inade-
quada. Já em motores veiculares pode ser usada somente a oleína ou se adicionar aditivos para
minimizar a cristalização.
Conclusão
O custo para universalizar a Amazônia em conformidade com o modelo atual - sistemas isolados
térmicos a combustível fóssil, sustentado por um forte subsídio – pode ser muito oneroso para
o País. O custo de geração de energia dos sistemas de geração existentes é viabilizado pela
Conta de Consumo de combustível – ccc, que para 2006 chegou a 4,5 bilhões de reais. Esse
valor é aproximadamente 25% superior ao montante de R$ 3,6 bilhões aprovado para 2005.
Atualmente, os sistemas isolados de Manaus (AM) representam em torno de 44% da ccc; os
de Porto Velho (RO) e de Rio Branco (AC), 23%. O restante da conta é distribuído nos sistemas
isolados de outros Estados
1
.
Esse modelo não é sustentável e não deve servir de exemplo para que os serviços de energia
elétrica cheguem a toda a Amazônia. Os custos serão cada vez maiores, cristalizando interesses,
cada vez mais difíceis de serem demovidos. Ademais, os sistemas de controle e a efciência de todo
o sistema serão ainda mais afetados, dadas a pequena dimensão e a grande quantidade de equi-
pamentos de geração que deverão estar sob a responsabilidade das concessionárias da região.
Dessa forma, faz-se necessário construir um modelo diferente, de menor custo para a socie-
dade brasileira e mais efciente. Esse modelo deverá abordar os seguintes aspectos: i) tecnologia;
ii) gestão; iii) regulamentação diferenciada; iv) uso produtivo da energia.
1 Aneel. Boletim Semanal nº 207, 2 a 8 de fevereiro de 2006
Local de Implantação
Vila Boa Esperança – Moju – PA
Vila Soledade – Moju – PA
Alto Solimões – AM
Com. Boa União, Pres. Fig.– AM
Tipo de motor
Elsbett
Convencional com kit
Elsbett
Convencional sem kit
Produção do óleo
Comunidade
Agropalma
Comunidade
Embrapa
Óleo vegetal
Dendê
Dendê
Andiroba
Dendê
Tabela 4.11 – Projetos-pilotos implantados na Amazônia
miolo síntese.indd 124 19/12/2008 16:53:02
125 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
Esse trabalho se propôs a abordar apenas o aspecto tecnológico, especifcamente relativo a
motores de combustão interna para utilização de biocombustíveis. No caso da planície amazô-
nica, rica em oleaginosas, tanto a opção de uso de biodiesel quanto a de óleo vegetal in natura
devem ser consideradas.
Contudo, os empecilhos com relação a essa tecnologia devem ser relatados. Primeiro, existem
poucos projetos signifcativos no Brasil para geração de energia elétrica, que dispõem de dados
sobre os comportamentos dos motores. Essa insufciência se deve, sobretudo, à inexistência de
um mercado de óleo para essa fnalidade. Um dos poucos projetos, o da Embrapa Amazônia,
testou três motores diferentes com óleo de dendê, com mais de 4 mil horas. É necessário lembrar
que essa instituição possui milhares de hectares plantados com essa oleaginosa.
Apesar da insufciência de dados sobre o uso de biocombustíveis no Brasil em motores esta-
cionários, sabe-se, a partir de experiências internacionais, quais os aspectos mais relevantes
que devem ser considerados para equacionar o problema. A questão se resume, por um lado, a
tecnologias confáveis e que possam ser produzidas com facilidade, e por outro, à garantia da
matéria-prima – o combustível primário.
Do ponto de vista da tecnologia, são três as opções a serem consideradas: primeiro, a queima
de óleo vegetal in natura; segundo, a produção e queima do biodiesel; e terceiro, a queima do
etanol.
Com relação à queima do óleo vegetal in natura, basicamente são três as tecnologias a serem
consideradas: kits de conversão, motores com pré-câmara de combustão e motores ams. Os
kits de conversão já são fabricados no Brasil, normalmente por encomenda, por manufaturas
não especializadas.
Motores com pré-câmara são fabricados pelo cirad, e utilizados em escala nas ilhas francesas
do Pacífco. Não existem projetos no Brasil com essa tecnologia.
Motores ams são fabricados na Alemanha, em uma versão melhorada do motor Eslbett.
Um motor ams foi utilizado numa experiência pela Embrapa Amazônia. Contudo, os resultados
obtidos com um motor mwm com kit de conversão foram melhores, utilizando o mesmo tipo
de óleo vegetal.
Para a produção de biodiesel, são duas as rotas tecnológicas: a transesterifcação, com a variante
esterifcação, ou o craqueamento. As duas rotas têm relativa complexidade para serem utilizadas
em pequena escala em comunidade rural da Amazônia. No Brasil, a Ecirtec e a Tecbio produzem
pequenos reatores, que também podem ser manufaturados sob encomenda em fabricantes não
especializados. Quanto às torres de craqueamento, não se conhecem fabricantes especializados
no Brasil; também essas unidades são fabricadas sob encomenda.
Projetos de queima de biodiesel, além da difculdade para a produção desse combustível,
também esbarram nas mesmas difculdades apontadas acima para queima de óleo vegetal
in natura: inexistência de fornecimento regular da matéria-prima – o óleo vegetal. No Brasil,
existe um montador de grupos-geradores a diesel que adapta motores Scania para a utilização
de biodiesel – a Maquigeral.
O Brasil tem uma indústria consolidada de fabricantes de usina de etanol. Porém, todos fabri-
cam equipamentos de grandes dimensões, para atender ao mercado de fabricantes de açúcar
e álcool. Fabricação de micro-destilaria normalmente é realizada sob encomenda por pequenas
indústrias.
miolo síntese.indd 125 19/12/2008 16:53:02
126 Tecnologias de Energias Renováveis
Referências Bibliográfcas
Sistemas Híbridos
ABNT (2004). Norma NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, Associação
Brasileira de Normas Técnicas.
ABNT (2006). Norma NBR 15389 – Bateria Chumbo-ácida Estacionária Regulada por
Válvula – Instalação e Montagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas.
AFFORDABLE SOLAR (2008), home page, disponível em http://affordable-solar.com, acessada
em 03/04/2008.
AGBOSSOU, K., CHAHINE, R., HAMELIN, J., LAURENCELLE, F., ANOUAR, A., ST-ARNAUD,
J.-M. e BOSE, T. K. (2001), “Renewable Energy Systems Based on Hydrogen for Remote
Applications”, Journal of Power Sources, pp. 168–172.
ALMAR (2008), home page, disponível em http://www.almar.com.br, acessada em
22/04/2008.
ALSEMA, E. A. e NIEUWLAAR, E. (2000), “Energy Viability of Photovoltaic Systems”. Energy
Policy, 28:999–1010.
AMARANTE, O. A. C., BROWER, M., ZACH, J. e SÁ, A. L. (2001), Atlas do Potencial Eólico
Brasileiro – CD-ROM, publicação realizada pela CAMARGO SCHUBERT e TRUEWIND
SOLUTIONS com suporte técnico e fnanceiro do MME – ELETROBRÁS – CEPEL – CRESESB.
AMMONIT (2000). “Wind Measurement for Accurate Energy Predictions”, Ammonit
Gesellschaft für Messtechnik mbH, Issue 17.5.200, Berlin.
ANEEL (2003), Resolução Nº 676, de 16 de dezembro de 2003, disponível em http://www.
aneel.gov.br/.
ARAÚJO, M. R. O. P. (1989). Estudo Comparativo de Sistemas Eólicos Utilizando Modelos
Probabilísticos de Velocidade de Vento. Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro:
COPPE/UFRJ.
ARNOLD, R. e STERN, W. (1976). Máquinas Elétricas. Vol. 2. São Paulo: Editora Pedagógica
Universitária.
AUTOPEDIA (2008). Câmara de Combustão. Disponível em http://www.xl.pt/autopedia/
motores/cam_combustao.shtml, acessada em 22/04/2008.
miolo síntese.indd 126 19/12/2008 16:53:03
127 Referências Bibliográfcas
AWEA (2008). AWEA Wind Energy Fact Sheets – Comparative Air Emissions of Wind and
Other Fuels. Disponível em http://www.awea.org/pubs/factsheets.html, acessada em
17/03/2008.
AWEA (2008a). Is Noise a Problem for Wind Turbines?. American Wind Energy Association
homepage, disponível em http://www.awea.org/faq/noisefaq.html, acessada em
18/04/2008.
AWEA (2008b). AWEA Wind Energy Fact Sheets – The Economics of Wind Energy.
Disponível em http://www.awea.org/pubs/factsheets.html, acessada em 17/03/2008.
BARBOSA, C. F. O. (2004). Montagem, Comissionamento e Telesupervisão de um Sistema
Híbrido Solar-Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. Trabalho de Conclusão de
Curso , Belém: UFPA.
BARBOSA, C. F. O. (2006). Avaliação Tecnológica, Operacional e de Gestão de Sistemas
Híbridos para Geração de Eletricidade na Região Amazônica. Dissertação de Mestrado,
Belém: UFPA.
BARBOSA, C. F. O., PINHO, J. T., GALHARDO, M. A. B., CRUZ, D. P. e ARAÚJO, R. G. (2004).
Implantation and Operation of the First Electricity Pre-Payment System in Brazil,
Installed in an Isolated Community in the Amazon Region. São Paulo: IEEE/PES T&D
2004 LATIN AMERICA.
BARBOSA, C. F. O., PINHO, J. T., PEREIRA, E. J. S., GALHARDO, M. A. B., VALE, S. B. e
MARANHÃO, W. M. A. (2004a). Situação da Geração Elétrica Através de Sistemas
Híbridos no Estado do Pará e Perspectivas frente à Universalização da Energia Elétrica.
Campinas: AGRENER GD, 2004.
BARLEY, C. D. e WINN, C. B. (1996). “Optimal Dispatch Strategy in Remote Hybrid Power
Systems”, Solar Energy, Vol. 58, Nº. 4–6, p. 165–179.
BEYER, H. G., RÜTHER, R. e OLIVEIRA, S. H. F. (2003), “Adding PV-Generators without
Storage to Medium Size Stand Alone Diesel Generators Sets to Support Rural
Electrifcation in Brazil”, ISES Solar World Congress, Göteborg.
BILLINTON, R. e KARKI, R. (2001), “Capacity Expansion of Small Isolated Power Systems
Using PV and Wind Energy”, IEEE Trans. Power Systems, vol. 16, Nº 4, pp. 892–897.
BITTENCOURT, R. M., AMARANTE, O. A. C., SCHULTZ, D. J. e ROCHA, N. A. (2000),
“Sistemas Complementares de Energia Eólica e Hidráulica no Brasil”, Congresso CIER
2000, Buenos Aires.
BLASQUES, L. C. M. (2003). Análise de Características Técnicas e Viabilidade Econômica de
Sistemas Solares Fotovoltaicos. Trabalho de Conclusão de Curso. Belém: UFPA.
BLASQUES, L. C. M. (2005). Estudo da Viabilidade Técnico-Econômica de Sistemas
Híbridos para Geração de Eletricidade. Dissertação de Mestrado. Belém: UFPA.
miolo síntese.indd 127 19/12/2008 16:53:03
128 Tecnologias de Energias Renováveis
BLASQUES, L. C. M. (2007). Confgurações Ótimas de Sistemas Híbridos para Geração
de Eletricidade Utilizando Fontes Renováveis: Contribuições ao Processo de
Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica. Proposta de Qualifcação ao
Doutorado. Belém: UFPA.
BLASQUES, L. C. M., TUPIASSÚ, A. F. e PINHO, J. T. (2005). “Análise Econômica de
Tecnologias para Eletrifcação de uma Pequena Comunidade Isolada da Amazônia”, XVIII
SNPTEE, Curitiba.
BLEIJS, J. A. M., NIGHTINGALE, C. J. E. e INFIELD, D. G. (1993), “Wear Implications of
Intermittent Diesel Operation in Wind/Diesel Systems”, Wind Engineering, vol. 17, Nº 4,
pp. 206–219.
BOROWY, B. S. e SALAMEH, Z. M. (1994), “Optimum Photovoltaic Array Size for a Hybrid
Wind/PV System”, IEEE Trans. Energy Conversion, vol. 9, Nº 3, pp. 482–488.
BOROWY, B. S. e SALAMEH, Z. M. (1996), “Methodology for Optimally Sizing the
Combination of a Battery Bank and PV Array in a Wind/PV Hybrid System”, IEEE Trans.
Energy Conversion, vol. 11, Nº 2, pp. 367–375.
BRASIL HOBBY (2008), home page http://brasilhobby.com.br, acessada em 03/04/2008.
BURTON, T., SHARPE, D., JENKINS, N. e BOSSANYI, E. (2001). Wind Energy Handbook. John
Wiley & Sons.
CALVERT, N. G. (1981). Wind Power Principles: Their Application on the Small Scale. Charles
Griffng.
CARLIN, P. W., LAXSON, A. S. e MULJADI, E. B. (2001). The History and State of the Art
of Variable-Speed Wind Turbine Technology. Technical Report prepared under Task
No. WER13010, Contract No. DE-AC36-99-GO10337, U.S. National Renewable Energy
Laboratory.
CARTAXO, E. F. (2000). Fornecimento de Serviço de Energia Elétrica para Comunidades
Isoladas da Amazônia: Refexões a partir de um Estudo de Caso. Tese de Doutorado.
Campinas: UNICAMP.
CARTAXO, E. F. (2001), “Fornecimento de Serviço de Energia Elétrica para Comunidades
Isoladas da Amazônia: Um Estudo de Caso”, XVI SNPTEE, Campinas.
CHANDLER, H. (2003). Wind Energy – The Facts: An Analysis of Wind Energy in the EU-25.
European Wind Energy Association (EWEA).
CHEREMISINOFF, N. P. (1979). Fundamentals of Wind Energy. Ann Arbor Science.
CONAE (2008), “Comisión Nacional para El Ahorro de Energía”, disponível em http://www.
conae.gob.mx/wb/CONAE/CONA_2369_teoria_basica_del_mo, acessada em 22/04/2008.
CONAMA (1999). Resolução CONAMA Nº 257, de 30 de junho de 1999. Conselho Nacional
do Meio Ambiente, Ministério do Meio Ambiente.
miolo síntese.indd 128 19/12/2008 16:53:03
129 Referências Bibliográfcas
CRESESB (1999). Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos, diversos autores,
Grupo de Trabalho de Energia Solar Fotovoltaica – GTEF – CRESESB/CEPEL, 2ª Edição.
DALBON, W., LEVA, S., ROSCIA, M. e ZANINELLI, D. (2002), “Hybrid Photovoltaic System
Control for Enhancing Sustainable Energy”, IEEE Power Engineering Society Summer
Meeting, pp. 134–139.
DIAZ, P. e EGIDO, M. (2003), “Experimental Analysis of Baterry Charge Regulation in
Photovoltaics Systems”, Progress in Photovoltaics: Research and Applications, vol.11,
p. 481–493.
DUFFIE , J. A. e BECKMAN, W. A. (1991). Solar Engineering of Thermal Processes. 2ª Ed. John
Wiley & Sons.
ELETRICIDADE MODERNA (2007), “Painel NR-10 – Riscos de Choques Elétricos”, Revista
Eletricidade Moderna, Nº 405, pp. 200–203, Editora Aranda.
ELETRICIDADE MODERNA (2008), “Painel NR-10 – Riscos de Choques Elétricos (II)”, Revista
Eletricidade Moderna, Nº 406, pp. 178–179, Editora Aranda.
ELETROBRÁS (2006). Manual de Recebimento, Armazenagem, Manuseio e Qualidade de
Produtos Derivados de Petróleo em Usinas Térmicas. Eletrobrás/GTON/Petrobras.
ELETROBRÁS (2008). “Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica”,
disponível em http://www.eletrobras.com/procel, acessada em 10/04/2008.
ELHADIDY, M. A. e SHAAHID, S. M. (2000). “Parametric Study of Hybrid (Wind + Solar +
Diesel) Power Generating Systems”, Renewable Energy, vol. 21, pp. 129–139.
ERICKSON, W. P., JOHNSON, G. D. e Young, D. P. (2002). “Summary of Anthropogenic Causes
of Bird Mortality”, Proceedings of the 2002 International Partner’s in Flight Conference,
Monterrey.
EUROPEAN COMISSION (2006), RENEWS – Renewable Energy Newsletter, May 2006,
Issue 5, ISSN 1725-8057.
FEITOSA, E., PEREIRA, A. e ROSAS, P. (2002). “Increasing Wind Penetration on Fernando de
Noronha Wind/Diesel System”, World Wind Energy Conference, Berlin.
FRAIDENRAICH, N. e LYRA, F. (1995). Energia Solar: Fundamentos e Tecnologias de
Conversão Heliotermoelétrica e Fotovoltaica. Ed. Universitária da UFPE.
FRÖHLICH, K. e LONDON, J. (1986). “Revised Instruction Manuals on Radiation Instruments
and Measurements”, WMO/TD – Nº 149.
FROTA, B. A. (2004). Geometria da Insolação. Geros.
FTHENAKIS, V. M. (2000). “End-of-life Management and Recycling of PV Modules”, Energy
Policy, 28: 1051–1058.
GAMESA (2007), “Gamesa G58-850 kW, Características Generales”, disponível em http://
www.gamesa.es/, acessada em 26/09/2007.
miolo síntese.indd 129 19/12/2008 16:53:03
130 Tecnologias de Energias Renováveis
GASCH, R. e TWELE, J. (2002). Wind Power Plants. Solarpraxis AG and James & James Ltd.
GASQUET, H. L. (2007), “Conversión de la Luz Solar en Energia Eléctrica – Manual Teórico e
Prático Sobre Los Sistemas Fotovoltaicos”, El Paso Solar Energy Association, disponível em
http://www.epsea.org/esp/energiaelectrica.html, acessada em 26/11/2007.
GEDAE (2008), Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas,
informações fornecidas, UFPA.
GIPE, P. (1995), “Wind Energy Comes of Age”, John Wiley & Sons.
GIPE, P. (2004), “Wind Power”, James & James.
GREEN, M. A., LORENZO, E., POST, H. N., SCHOCK, H. W., ZWEIBEL, K. e LYNN, P. A. (1997).
Progress in Photovoltaics: Research and Aplications. J. Wiley.
GRENT, E. L. I., GELEAREN, W. e WORTH, R. S. (1990). Principles of Engineering Economy.
John Wiley & Sons, Inc. New York.
HANSEN, L. H., HELLE, L., BLAABJERG, F., RITCHIE, E., MUNK-NIELSEN, S., BINDNER, H.,
SØRENSEN, P. e BAK-JENSEN, B. (2001). Conceptual Survey of Generators and Power
Electronics for Wind Turbines. Risø National Laboratory.
HAUSCHILD, L. (2006). Avaliação de Estratégias de Operação de Sistemas Híbridos
Fotovoltaico-Eólico-Diesel. Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP.
HICKOK, F. (1975). Handbook of Solar and Wind Energy. Cahners Publishing Company,
Fourth Printing.
IEC (2005). IEC 60479-1 – Effects of Current on Human Beings and Livestock – Part 1:
General Aspects.
ILHA DE NORONHA (2008), home page http://ilhadenoronha.com.br, acessada em
01/02/2008.
INDUCOTEC (2008), “Equipamentos de Energia”, disponível em http://www.inducotec.com.
br/USCA.htm, acessada em 22/08/2008.
JARASS, L., HOFFMANN, L., JARASS, A. e OBERMAIR, G. (1981). Wind Energy: An
Assessment of the Technical and Economic Potential. Springer-Verlag.
KELLOGG, W. D., NEHRIR, M. H., VENKATARAMANAN, G. e GEREZ, V. (1998). “Generation
Unit Sizing and Cost Analysis for Stand-alone Wind, Photovoltaic, and Hybrid Wind/PV
Systems”, IEEE Trans. Energy Conversion, vol. 13, Nº 1, pp. 70–75.
KHAN, M. J. e IQBAL, M. T. (2005), “Pre-Feasibility Study of Stand-Alone Hybrid Energy
Systems for Applications in Newfoundland”, Renewable Energy, Nº. 30, pp. 835–854.
KINDERMANN, G. (2005). Choque Elétrico. 3ª edição. Florianópolis:Edição do Autor.
KOSOW, I. L. (1986) Máquinas Elétricas e Transformadores. 6ª edição. Rio de Janeiro: Editora
Globo.
miolo síntese.indd 130 19/12/2008 16:53:03
131 Referências Bibliográfcas
KRUANGPRADIT, P. e TAYATI, W. (1996). “Hybrid Renewable Energy System Development in
Thailand”, WREC IV, Denver.
KUROKAWA, K. (2003). Energy From the Desert – Feasibility of Very Large Scale
Photovoltaic Power Generation (VLS-PV) Systems. James & James.
LABORATÓRIO DE ENERGIA SOLAR, Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Brasil.
LORENZO, E., ARAUJO, G. L., CUEVAS, A., EGIDO, M. A., MINÃNO, J. C. e ZILLES, R. (1994).
Electricidad Solar: Ingenieria de los Sistemas Fotovoltaicos. PROGENSA (Promotora
General de Estudios, S.A.).
LUQUE, A. e HEGEDUS, S. (2003). Handbook of Photovoltaic Science and Engineering. John
Wiley & Sons.
MACÊDO, W. N. (1999). Montagem, Comissionamento e Monitoração de um Sistema
Híbrido Solar-Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. Trabalho de Conclusão de
Curso. Belém: UFPA.
MACÊDO, W. N. (2002). Estudo de Sistemas de Geração de Eletricidade Utilizando as
Energias Solar Fotovoltaica e Eólica. Dissertação de Mestrado. Belém: UFPA.
MACÊDO, W. N. e PINHO, J. T. (2003). “Complementariedades entre as Energias Eólica e Solar
em Sistemas Híbridos Isolados – Um Estudo de Caso Usando o Programa ASES”,
V CLAGTEE – Congresso Latino-Americano de Geração e Transmissão de Energia Elétrica,
São Pedro.
MANWELL, J. F., McGOWAN, J. G. e ROGERS, A. L. (2002). Wind Energy Explained: Theory,
Design and Application. John Wiley & Sons.
MARKVART, T., (1994). Solar Electricity. John Wiley & Sons.
MARTIGNONI, A. (1987). Máquinas de Corrente Alternada. 5ª edição. Rio de Janeiro: Editora
Globo.
MENSSENGER, R. e VENTRE, J. (2000). Photovoltaic Systems Engineering. CRC Press.
METEONORM (1999). “Global Meteorological Database for Solar Energy and Applied
Climatology”, V. 4.0, Suiss Federal Offce of Energy.
MONTENEGRO, J. L. A. (1983). Engenharia Econômica. 2ª ed. Petrópolis: Editora Vozes.
MTE (2008), “Norma Regulamentadora NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em
Eletricidade”. Ministério do Trabalho e Emprego, disponível em http://www.mte.gov.br/
legislacao/normas_regulamentadoras/nr_10.pdf, acessada em 31/03/2008.
MTE (2008a). “Norma Regulamentadora NR 26 – Sinalização de Segurança”, Ministério
do Trabalho e Emprego, disponível em: http://www.mte.gov.br/ legislacao/normas_
regulamentadoras/nr_26.pdf. Acessado em 15/04/2008.
miolo síntese.indd 131 19/12/2008 16:53:03
132 Tecnologias de Energias Renováveis
MUHIDA, R., MOSTAVAN, A., SUJATMIKO, W., PARK, M. e MATSUURA, K. (2001). “The 10
Years Operation of a PV-Micro-Hydro Hybrid System in Taratak, Indonesia”, Solar Energy
Materials & Solar Cells, Nº. 67, pp. 621–627.
NELSON, V. (1996), “Wind Energy and Wind Turbines”, Alternative Energy Institute, West
Texas A&M University.
NELSON, V. C., FOSTER, R. E., CLARK, R. N. e RAUBENHEIMER, D. (2002). Wind Hybrid
Systems Technology Characterization. Technical Report, Southwest Technology
Development Institute, New Mexico State University.
NORDISK FOLKECENTER (2008), home page http://www.folkecenter.net, acessada em
01/02/2008.
NREL (2005). HOMER – Hybrid Optimization Model for Electric Renewables. Version 2.19,
National Renewable Energy Laboratory.
OBERT, E. F. (1971). Motores de Combustão Interna. Porto Alegre: Editora Globo.
OLIVEIRA, L. G. M. (2005). Estratégias de Controle de Carga e Descarga em Sistemas
Fotovoltaicos Domiciliares. Dissertação de Mestrado. São Paulo USP.
OMARI, O., ORTJOHANN, E., SAIJU, R., HAMSICH, N. e MORTON, D. (2003). “A Simulation
Model for Expandable Hybrid Power Systems”, 2
nd
European PV-Hybrid and Mini-Grid
Conference, Kassel.
OTECHWIND (2008), home page http://www.otechwind.com, acessada em 22/04/2008.
PEREIRA, E. J. S., PINHO, J. T. e VALE, S. B. (2007). “Revitalização do Sistema Híbrido Eólico-
Fotovoltaico-Diesel de Tamaruteua, Município de Marapanim, Pará”, I CBENS –
I Congresso Brasileiro de Energia Solar, Fortaleza.
PEREIRA, E. J. S., VALE, S. B., GALHARDO, M. A. B. e PINHO, J. T. (2007), “Monitoração e
Análise de um Sistema Híbrido Eólico-Diesel”, Revista Eletricidade Moderna.
PERFECTUM (2008). “Motores e geradores”, disponível em http://www.perfectum.eng.br/,
acessada em 22/04/2008.
PHOTON INTERNATIONAL (2007). US Reaches For Sun, Vol. 11, pp. 58–69.
PINHO, J. T., BLASQUES, L. C. M., GALHARDO, M. A. B. e VALE, S. B. (2004). “Operation
Strategies of Wind-Diesel Systems for Electricity Generation Using Intelligent Systems”,
Global WindPower 2004 Conference and Exhibition, Chicago.
QUINLAN, P. J. A. (1996). Times Series of Modeling Hybrid Wind Photovoltaic Diesel Power
Systems. Master’s Degree Thesis. Madison: University of Wisconsin.
RÊGO, J. L. C. (1999). Defnição, Montagem, Comissionamento e Monitoração de um
Sistema Híbrido Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. Trabalho de Conclusão de
Curso. Belém: UFPA.
RENEWABLE ENERGY WORLD (2006), PV in the US Photovoltaic, N. 5, vol. 9.
miolo síntese.indd 132 19/12/2008 16:53:03
133 Referências Bibliográfcas
REVISTA VIRTUAL TUDO SOBRE (2008), “Máquinas a Vapor e Motores a Explosão”,
disponível em http://www.adorofsica.com.br, acessada em 22/04/2008.
RIBEIRO, C. M., ARAÚJO, M. R. P., CUNHA, A. Z. e RIBEIRO, A. H. C. (2003). “Implantação
de Sistema Híbrido para Eletrifcação da Vila de Joanes (Pará)”, Coletânea de Artigos –
Energias Solar e Eólica, Volume 1, CRESESB/CEPEL.
ROHATGI, J. S. e NELSON, V. (1994). Wind Characteristics – An Analysis for the Generation
of Wind Power. Alternative Energy Institute, West Texas A&M University.
ROHATGI, J. S., MEDEIROS, A. L. R., SOARES, A. M. C. e NOÉ, A. O. F. (1987). “Describing
Wind Speed Variations by Weibull Distribution for Energy Estimation”, Anais do IV
Congresso Brasileiro de Energia, p.p. 237–247, Rio de Janeiro.
ROSAS, P. A. C. e ESTANQUEIRO, A. I. (2003), “Guia de Projeto Elétrico de Centrais Eólicas
– Projeto Elétrico e Impacto de Centrais Eólicas na Rede Elétrica”, Centro Brasileiro de
Energia Eólica, Vol. I. Recife.
RÜTHER, R. (2004). Edifícios Solares Fotovoltaicos: O Potencial da Geração Solar
Fotovoltaica Integrada a Edifcações Urbanas e Interligada à Rede Elétrica Pública no
Brasil. Editora UFSC/LABSOLAR.
RÜTHER, R. (2005). Sistemas Híbridos Fotovoltaico/Diesel sem Acumulação em Mini-
Redes na Região Norte do Brasil. LABSOLAR/UFSC. Apresentação feita em um encontro
de especialistas patrocinado pelo MME.
RÜTHER, R., SCHMID, A. L., BEYER, H., MONTENEGRO, A. A. e OLIVEIRA, S. H. F. (2003).
“Cutting on Diesel, Boosting: The Potential of Hybrid Diesel/PV Systems in Existing
Mini-Grids in the Brazilian Amazon”, 3
rd
World Conference on Photovoltaic Energy
Conversion, Osaka.
SENTELHAS, R. (2004). Instrumento de Software para Apoio à Pesquisa de Posse de
Equipamentos e Hábitos de Uso de Energia Elétrica. Dissertação de Mestrado.
São Paulo USP.
SERRASOLLES, J., DE CASTELLET, L., ANCOECHEA, M. e ROMEU, J. (2004). Tejados
Fotovoltaicos: Energía Solar Conectada a la Red Eléctrica. PROGENSA (Promotora
General de Estudios, S.A.).
SILVA, A. N. e VIEIRA, M. J. M. (2004). Autogeração com Grupo Motor Gerador Diesel.
Projeto Final de Curso. Goiânia: UFG.
SKARSTEIN, O. e UHLEN, K. (1989). “Design Considerations with Respect to Long-term Diesel
Saving in Wind/Diesel Plants”, Wind Engineering, vol. 13, Nº 2, pp. 72–87.
SODA-IS (2008), “SoDa: Services for Professionals in Solar Energy and Radiation”,
informações/contato: http://www.soda-is.com.
SODRÉ, J. R. (2008), “Notas de Aula da Disciplina Motores de Combustão Interna”, disponível
em http://mea.pucminas.br/ricardo/pos/Aula_01.pdf, acessada em 22/04/2008.
miolo síntese.indd 133 19/12/2008 16:53:03
134 Tecnologias de Energias Renováveis
SOLARBUZZ (2008), “Solar Electricity Prices”, disponível em http://www.solarbuzz.com/,
acessada em 10/03/2008.
SPERA, D. A. (1994), “Wind Turbine Technology – Fundamental Concepts of Wind Turbine
Engineering”, ASME Press.
TAYLOR, C. F. (1988). Análise dos Motores de Combustão Interna. Vol. 2, São Paulo: Editora
Edgar Blücher.
TAYLOR, R. W., LEBOEUF, C., MOSZKOWICZ, M. e VALENTE, L. G. (1994), “Joint U.S./
Brazilian Renewable Energy Rural Electrifcation Project”, WCPEC, Hawaii.
TIBA, C., FRAIDENRAICH, N., GALLEGOS, H. G. e LYRA, F. J. M. (2002), “Solar Energy
Resource Assessment – Brazil”, Renewable Energy, Vol. 27, p.p. 383–400.
TOMIYOSHI, L. K. (2004), “Proteção Contra Queimaduras Por Arcos Elétricos – Nova
Metodologia Para Cálculo De Energia”, disponível em http://www.centralmat.com.br/
ArcFlash/ArtigoArcoEletricoLuizTomioshi.pdf, acessada em 08/04/2008.
USHER, E. P. e ROSS, M. M. D. (1998). Recommended Practice for Charge Controllers.
International Energy Agency, Report IEA PVPS T3-05.
VALE, S. B. (2000). Monitoração e Análise de um Sistema Híbrido Eólico-Diesel para
Geração de Eletricidade. Dissertação de Mestrado. Belém: UFPA.
VALE, S. B., BEZERRA, U. H., PINHO, J. T. e PEREIRA, E. J. S. (2004), “Estudo da Inserção de
Célula a Combustível Integrada a Sistema Híbrido de Geração de Eletricidade Isolado”, 2º
Workshop Internacional sobre Célula a Combustível, Campinas.
WALKER, J. F. e JENKINS, N. (1997). Wind Energy Technology. John Wiley & Sons.
WARNER, C. L., TAYLOR, R. W., RIBEIRO, C. M., MOSZKOWICZ, M. e BORBA, A. J. V. (1996),
“PV-Hybrid Village Power Systems in Amazonia”, 25
th
PVSC, Washington D.C.
WINDPOWER (2007), Danish Wind Industry Association homepage, disponível em http://
www.windpower.org, acessada em 25/09/2007.
XPS (2008), home page http://www.xps.com.br, acessada em 03/04/2008.
ZENTGRAF, R. (1997). Matemática Financeira Objetiva. P. Artes Gráfcas.
ZILLES, R., MACÊDO, W. N. e OLIVEIRA, S. H. F. (2008), “Geração Distribuída de Eletricidade
com Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica (SFCRs): Aspectos Econômicos,
Barreiras para sua Inserção na Matriz Elétrica e Ponto de Conexão”, Artigo aceito para
publicação, XII Congresso Brasileiro de Energia – CBE.
miolo síntese.indd 134 19/12/2008 16:53:03
135 Referências Bibliográfcas
Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos
ANEEL – Atlas de Energia Elétrica do Brasil
BARROSO, S. S.; MARTINS, P. M.; TORRES, M. E. L et al. “Avaliação Econômica Comparativa
entre Sistemas Solar Fotovoltaico, Conjunto Moto-Gerador e Rede de Distribuição Rural
para Suprimento a Pequenas Propriedades e Escolas Rurais”. In: VII Congresso Brasileiro
de Energia (1996: Rio de Janeiro). Anais… Rio de Janeiro: ufrj, Coordenação dos Programas
de Pós-Graduação de Engenharia, 1996. p. 509–518.
BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL – Resultados Preliminares 2007.
BUSTAMANTE ALSINA, Jorge. La calidad de vida y el desarrollo sustentable em la reciente
reforma Constitucional. LA Ley, 17 de janeiro de 1995.
COLACCHI, F. Suprimento Energético: Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Rural
Sustentado. Tese de Mestrado do Programa de Planejamento Energético ppe/coppe/ufrj.
Rio de Janeiro, 1996.
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução. 23 de Janeiro de 1986.
Estabelece as defnições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais
para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos
da Política Nacional do Meio Ambiente.
CORREIA, J. de C. Atendimento Energético a Pequenas Comunidades Isoladas: Barreiras e
Possibilidades. T&C Amazônia, Ano III, Número 6, Janeiro de 2005.
COSTA CAMPOS, José Evaristo da, (2005). Scam Engenharia, 20 de junho de 2005. Entrevista
com o autor.
DAKER, A. Captação, Elevação e Melhoramento da Água. A Água na Agricultura, Volume 2,
Rio de Janeiro: Livraria Freitas Barros, 1987.
DARZÉ, A.S.S.P. A questão ambiental como um fator de desestímulo ao investimento
no setor privado de geração de energia hidrelétrica no Brasil. 2002. 117f. Dissertação
(Mestrado em Administração). Salvador: Escola de Administração da Universidade Federal
da Bahia, 2002.
DECRETO Nº. 4.873, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2003. Institui o Programa Nacional de
Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica – “LUZ PARA TODOS” e dá outras
providências.
DI LASCIO, M.A. Panorama e alternativas para o atendimento energético de pequenos
vilarejos isolados da Amazônia rural brasileira, 2006.
DNAEE – Eletrobrás – Manual de Microcentral Hidrelétrica – Ed. Eletrobrás, 1985
DUBASH, Navroz K; BRADLEY, Rob. “Pathways to rural electrifcation in India: are national
goals also an international opportunity?” In: BRADLEY, Rob; BAUMERT, Kevin A.
(Eds.). Growing the greenhouse: protecting the climate by putting development frst.
Washington, D.C.: World Resources Institute, 2005. p. 68–93.
miolo síntese.indd 135 19/12/2008 16:53:04
136 Tecnologias de Energias Renováveis
ELS, R. H.; CAMPOS, C.O.; DIAS HENRIQUES, A.M.; BALDUINO, L.F. Hydrokinetic turbine
for isolated villages. Itajubá-MG Brasil: Pch Notícias Shp News, v. 19, p.24–25. 2003
ELS, R. H.; CAMPOS, C; SALOMON, L. R. B. “Turbinas hidrocinéticas no Brasil”. In: Primeiro
seminário sobre atendimento energético de comunidades extrativistas – saecx
2004, Brasília: Ministério de Minas e Energia e Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento, 2004. mimeografado.
Emissions from Braziliam Hydroeletric Reservoirs. Project bra/95/g31, undp/eletrobrás,
mct. Reference Report, 2002.
ESTUDO de Impacto Ambiental – eia pch Penedo. sete – Soluções e Tecnologia Ambiental.
Volume I. Belo Horizonte, MG. 2005.
FEARNSIDE, P. M. A Hidrelétrica de Samuel: Lições para as Políticas de Desenvolvimento
Energético e Ambiental na Amazônia. Manaus-Amazonas: Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (inpa), maio/2004.
FEARNSIDE, P. M. “Gases de Efeito Estufa em Hidrelétricas da Amazônia”. Revista Ciência
Hoje, vol. 36, nº 211, dezembro/2004.
FEARNSIDE, P. M. Impactos Ambientais da Barragem de Tucuruí: Lições Ainda não
Aprendidas para o Desenvolvimento Hidrelétrico na Amazônia. Manaus-Amazonas:
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (inpa), agosto/2002.
FEARNSIDE, P. M.; BARBOSA, R. I. A Hidrelétrica de Cotingo como um Teste do Sistema
Brasileiro para Avaliação de Propostas de Desenvolvimento na Amazônia. Manaus-
Amazonas: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (inpa), agosto/2002.
FELIZOLA, E.R.; MAROCCOLO, J. F.; FONSECA, M. R. “Identifcação de áreas potenciais
para implantação de turbina hidrocinética através da utilização de técnicas de
geoprocessamento”. In: xiii Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Florianópolis,
Brasil: Anais inpe, 21–26 abril 2007, p. 2549–2556.
FERRARI, J. T. Análise do panorama regulatório nacional visando à inserção das mini e
microcentrais hidrelétricas no mercado de energia. Itajubá (MG): 2006.
FIGUEIREDO, C. A.; CARTAXO, E. F. Indicadores do mercado de energia elétrica no estado
do Amazonas. Universidade Federal do Amazonas.
GORBAN, A. N, Gorlov, A. M., Silantyev, V. M., “Limits of the Turbine Effciency for Free Fluid
Flow”. ASME J. of Energy Resources Technology, Vol. 123, p. 311–317. 2001
HARWOOD, J. H. “Protótipo de um cata-água que gera 1KW de eletricidade” Acta
Amazônica, vol. 15, nº. 3–4, pp. 403–412, 1985
HARWOOD, J. H.; MORAES-DUZAT, R. Testes de um Gerador Hidrocinético Flutuante
(Cata-água) em Rios da Amazônia Central: A Evolução Técnica do Protótipo e as
Perspectivas para Instalações Futuras. 2004
JUCÁ, Augusto, (2005). pnud reportagem.
miolo síntese.indd 136 19/12/2008 16:53:04
137 Referências Bibliográfcas
JUNK, W. J.; de MELO, J. A. S. N. Impactos ecológicos das represas hidrelétricas na bacia
amazônica brasileira.
JORNAL DO COMÉRCIO – Amazonas 13/12/2004.
KINPARA IOSHITERU, Daniel, (2003). Energia e Desenvolvimento Rural. Brasil Energia.
On Line.
KHAN, M.J., et al. “River current energy conversion systems: Progress, prospects and
challenges”. Renew Sustain Energy Rev (2007), oi:10.1016/j.rser.2007.04.016
LEI Nº. 10.438, DE 26 DE ABRIL DE 2002. Dispõe sobre a expansão da oferta de energia
elétrica emergencial, recomposição tarifária extraordinária, cria o Programa de Incentivo
às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), a Conta de Desenvolvimento
Energético (cde), dispõe sobre a universalização do serviço público de energia elétrica,
dá nova redação às Leis nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, nº 9.648, de 27 de maio de
1998, nº 3.890-A, de 25 de abril de 1961, nº 5.655, de 20 de maio de 1971, nº 5.899, de 5 de
julho de 1973, nº 9.991, de 24 de julho de 2000, e dá outras providências.
MANUAL de diretrizes para projeto de pch’s, Rio de Janeiro: Eletrobras, dnaee, 1999.
MIGUEZ, J. D. G. Sustentabilidade na Geração e Uso de Energia no Brasil: os Próximos
Vinte Anos. unicamp, 2002.
MUYLAERT, M. S. Análise dos Acordos Internacionais sobre Mudanças Climáticas sob
o Ponto de Vista do Uso do Conceito de Ética. Tese – Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro: coppe, 2000.
NAE – Núcleo de Assuntos Estratégicos. Disponível em https://www.planalto.gov.br/secom/
nae/clima2.htm.
NETO, C. J. M. Turbina hidrocinética para comunidades isoladas na Amazônia:
Aperfeiçoamento e adequação do uso de produto.
NUNES, C. F. A Aplicação dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – mdl em Projetos
de Implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas – pchs em Sistemas Isolados no
Brasil. Trabalho de Diploma. Itajubá/MG: Universidade Federal de Itajubá, 2006.
OLIVEIRA, L. Perspectivas para a Eletrifcação Rural no Novo Cenário Econômico
Institucional do setor Elétrico Brasileiro. Tese de Mestrado do Programa de
Planejamento Energético Ppe/coppe/ufrj. Rio de Janeiro: fevereiro, 2001.
OLIVER, André, (2005). Projeto: prisma Cachoeira do Aruã – Um Modelo Energético
Sustentável. Winrock International Brasil. Mar 2005.
ORTIZ, L. S. Energias Renováveis Sustentáveis: Uso e Gestão Participativa no Meio Rural.
Núcleo Amigos da Terra. Porto Alegre, 2005
REIS, T.V.M. (2002). Emissões de Gases de Efeito Estufa no Sistema Interligado Nacional:
Metodologia para Defnição de Linha de Base e Avaliação do Potencial de Redução das
Emissões do proinfa. Tese – Salvador: Universidade Salvador, 2002.
miolo síntese.indd 137 19/12/2008 16:53:04
138 Tecnologias de Energias Renováveis
RELATÓRIO de apoio à iniciativa brasileira de energia, cúpula mundial sobre desenvolvimento
sustentável, Joanesburgo, África do Sul: 26 de agosto a 4 de setembro de 2002.
RELATÓRIO de Impacto Ambiental – rima pch Malagone. Uberlândia, MG: limiar –
Engenharia Ambiental, outubro/2005.
Renewables in Power Generation: Towards a Better Environment – Small-Scale Hydro.
RODRIGUES, A. de F. Análise da viabilidade de alternativas de suprimento descentralizado
de energia elétrica a comunidades rurais de baixa renda com base em seu perfl de
demanda. Dissertação de mestrado- Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de
Janeiro: coppe, 2006 X, 146 p.
ROSA, L. P.; Mativienko, B.; SANTOS, M.; A., SISAR, E. Carbon Dioxide and Methane.
ROSA, V. H. da S. Energia elétrica renovável em pequenas comunidades no Brasil: em
busca de um modelo sustentável. Tese de doutorado, Universidade de Brasília, Centro de
Desenvolvimento Sustentável 440 p.
SANTOS, E. O. Contabilização das Emissões Líquidas de Gases de Efeito Estufa de
Hidrelétricas: Uma Análise Comparativa entre Ambientes Naturais e Reservatórios
Hidrelétricos. Tese. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006.
SANTOS, M. A. Inventário das Emissões de Gases de Efeito Estufa Derivadas de
Hidrelétricas. Tese. Rio de Janeiro: 2000.
SOUZA, R. C. R. Energias alternativas: Desafos e possibilidades para a Amazônia. 2003.
SOUZA, Z. de. SANTOS, A. H. M. BORTONI, E. C. – Centrais Hidrelétricas – Estudos para
Implantação. Rio de Janeiro: eletrobrás,1999.
STEMAC Geradores. Catálogo de Grupos Geradores Diesel. Porto Alegre: fevereiro de 2002.
TIAGO FILHO, G. L. The of free-fow hydro turbines in Brazil. Itajubá – MG Brasil: Pch
Notícias Shp News, ano 7, v. 26, p.9–10. 2005
TIAGO FILHO, G. L. NOGUEIRA, F. J. H. MARCUCCI, F. R. “A Micro-turbina hidráulica
Indalma: análise de suas características operacionais”. Artigo do V Simpósio Brasileiro
sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas. Florianópolis – SC, abril de 2006.
TUNDISI, J.G, Rosa, L.P.; Santos, M.A. Greenhouse Gás Emissions from Hidropower
Reservoirs and Water Quality. Rio de Janeiro: coppe/ufrj 200 –.
World Energy Council, WEC. The challenge for rural energy poverty in developing
countries, wec/fao, October 1999.
miolo síntese.indd 138 19/12/2008 16:53:04
139 Referências Bibliográfcas
Combustão e Gasifcação de Biomassa Sólida
Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA. www.ada.gov.br
Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. www.aneel.gov.br
Bridgwater, A. V. et al. (eds), (1999) Fast Pyrolysis of Biomass: A Handbook, CPL Press,
London.
Bridgwater, A.V., Toft, A.J., Brammer, J.G., 2002. A Techno-Economic Comparison of Power
Production by Biomass Fast Pyrolysis with Gasifcation and Combustion. Renewable and
Sustainable Energy Reviews, Vol. 6, pp. 181–248.
Campbell, G. S. & Hartley, J. Drying and dried wood. In: HILLIS, W. E. & BROWN. AG. –
Eucalypts for wood production. Academic Press, 1984. p. 322–7.
Centrais Elétricas Brasileiras S/A – ELETROBRÁS. www.eletrobras.gov.br
Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A – ELETRONORTE. www.eln.gov.br
Companhia de Eletricidade do Acre – Eletroacre. www.eletroacre.com.br
Durand, P. Y. Contribuition a l’etude de la determination des tables des séchage à partir
dês caraetéres physiques du bois. Bois et Forets des Tropiques, Nogent-sur-Marne, (207):
63–81. 1985.
Electrical Power Plant Design. Department of the Army, U.S.A, Technical Manual TM 5-811-6,
Washington, 1984.
Higman, C. e Van der Burgt, M. Gasifcation. Elsevier, 2003.
http://www.biomachine.com.br. Acesso em 05/05/2008.
http://www.biomax.com.br. Acesso em 04/05/2008.
http://www.lippel.com.br. Acesso em 05/05/2008.
Knoef, H.A.M. Handbook: Biomass Gasifcation. Biomass Technology Group, The
Netherlands, 2005.
Kwant, K.W. Status of Gasifcation in Countries Participating in the IEA Bioenergy
Gasifcation Activity. Report 2EWAB01.26, EWAB/Novem, The Netherlands, 2001.
Lora, E. E. S. Prevenção e Controle da Poluição nos Setores Energéticos, Industrial e de
Transporte. Interciência, Rio de Janeiro, 2002.
Macedo, W. N. et al. Metodologia de Avaliação do Problema de Suprimento de Energia
Elétrica em Comunidades Isoladas não Atendidas: O caso da comunidade de Maruja.
CBE, Rio de Janeiro, 2004.
Marques, M., Haddad, J. e Silva, A. R. Conservação de Energia: Efciência Energética de
Instalações e Equipamentos. Editora da EFEI, Itajubá-MG, 2001.
Ministério de Minas e Energia – MME. www.mme.gov.br
miolo síntese.indd 139 19/12/2008 16:53:04
140 Tecnologias de Energias Renováveis
Moran, M. J. e H. N. Shapiro. Fundamentals of engineering thermodynamics. Hoboken, N.J.:
Wiley. 2008. xv, 928 p. p.
Peterson, D.R. e Tudan, J. Modular Biomass Power Plant Feasibility Study. Lumberjack
Resource Conservation and development Council, Inc., 2005.
Phillips, P. J. Coal preparation for combustion and conversion: Gibbs and Hill, Inc., New York
(USA). 2003 (epri-AF-791).
Reed, T.B. Encyclopedia of Biomass Thermal Conversion. The Biomass Energy Foundation
Press.
Reed, T. B. e S. Gauer. A survey of biomass gasifcation. The National Renewable Laboratory
and The Biomass Energy Foundation. 2001.
Rezaiyan, J. e Cheremisinoff, N. Gasifcation Technologies: A Primer for Engineers and
Scientists. Taylor & Francis Group, 2005.
Rosillo-Calle, F., Bajay, Rothman, H. Uso da Biomassa para Produção de Energia na Indústria
Brasileira. Editora da Unicamp, Campinas – SP, 2005.
Rossillo-Calle, F., Bajay, S.V., Hothman, H. (eds) (2000) Industrial Uses of Biomass Energy,
The Example of Brazil. Taylor & Francis, London.
Santos, M. L. D. S. Solid fuels combustion and gasifcation : modeling, simulation, and
equipment operation. New York: Marcel Dekker. 2004. xxv, 439 p. p.
Serpa, P. Eletrifcação Fotovoltaica em Comunidades Caiçaras e seus Impactos
Socioculturais. Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da Universidade de
São Paulo, 2001. Tese de Doutorado.
Severns, W.H., Degler, H.E., Miles, J.C. Energía Mediante Vapor, Aire o Gas. Editora. Reverté
S.A., Espanha, 1975.
Stahl, K. Värnamo Demonstration Plant. Sydkraft Energy Group, Sweden, 2001.
Tillman, D. A. The combustion of solid fuels and wastes. San Diego: Academic Press. 1991. xi,
378 p. p.
Turns, S. R. An introduction to combustion : concepts and applications. Boston: McGraw-
Hill. 2000. xxiii, 676 p. p. (McGraw-Hill series in mechanical engineering).
Ushima, A. H. Geração de Energia Elétrica Distribuída a Partir de Gasifcação de Biomassa,
3º Simpósio Internacional da VDI sobre Energia, VDI, Associação Técnica Brasil–Alemanha,
São Paulo, 2003.
Van Wylen, G. J., R. E. Sonntag, et al. Fundamentals of classical thermodynamics. New York:
Wiley. 1994. xii, 852 p. p.
miolo síntese.indd 140 19/12/2008 16:53:04
141 Referências Bibliográfcas
Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura
ABRAMOWICZ, D.A.; KEESE, C.R. Enzymatic Transesterifcation of Carbonates in Water
Restrictes Environments. Biotechnology and Bioengineering, v.33, p. 149–156, 1989.
AGARWAL, G.P. Glycerol. In: Advances in Biochemistry. Eng. Biotechnol v.41, pp. 95–128, 1990.
AKIN, H.; HASIRCI, N. Preparation and characterization of crosslinked gelatin microspheres.
Journal of Applied Polymer Science. New York, v.58, n.1, p. 95–100, 1995.
ALCANTARA, R., Amores, J., Canoira, L., Fidalgo, E., Franco, M.J., Navarro, A.; ‘Catalytic
production of biodiesel from soy-bean oil, used frying oil and tallow’; (2000); Biomass &
Bioenergy; 18; 515–527 .
ALLINGER, N. L.; CAVA, M. P.; JONGH, D. C. de; JOHNSON, C. R.; LEBEL, N. A.; STEVENS, C.
L.; Química orgânica. 2ª edição; Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1978; 23–174 p.
ALMEIDA, A.P., CORRÊA, B., MALLOZI, M.A.B., SAWACAKI, E., SOARES, L.M. Mycofora and
afatoxin/Fumonisin production by fungal isolates from freshly harvested corn hybrids.
Brazilian Journal of Microbiology, v. 31, n. 4, p. 321–326, Oct., 2000.
ANADA-PALMU, P. S.; FAKHOURI, F. M.; GROSSO, C. R. F. Filmes biodegradáveis.
Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. Brasília, n.26, p.12–17, 2002.
ANCILLOTTI, F., FATTORE, V.; ‘Oxygenate fuels: Market expansion and catalytic aspect of
synthesis’; (1998); Fuel Processing Technology, 57, 163–194.
ANP; Anuário Estatístico da Agência Nacional do Petróleo: 1990–1998; Rio de Janeiro;
1999.
AYRANCI, E.; TUNC, S. The effect of fatty acid content on water vapour and carbon dioxide
transmissions of cellulose-based edible flms. Food Chemistry. Oxford, v.72, n.2,
p. 231–236, 2001.
BANDEL, W.; HEINRICH, W. Les carburants dérivés des huiles végétales et les diffcultés
relatives à leur utilisation dans les moteurs diesel. Oléagineux; Vol. 38; Num. 07; Applied
Science Publishers Ltd.; England; Juillet; 1983.
BARCELOS, E. Dendeicultura no Brasil: diagnóstico. Trabalho apresentado na X
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PALMA ECEITEIRA, 24–29 maio, Santa Marta,
Colômbia, 18 p., 1993.
BARCELOS, E., CHAILLARD, H., NUNES, C. D. M., MACÊDO, J. L. V., RODRIGUES, M. do R. L.,
CUNHA, R. N. V. da, TAVARES, A. M., DANTAS, J. C. R., BORGES, R. de S., SANTOS, W. C.
dos, A cultura do dendê. Coleção Plantar, 32, Brasília, DF: Embrapa – CPAA;
Embrapa – SPI, 68 p., 1995.
BARCELOS, E. Dendeicultura no Brasil – Diagnóstico In: X Conferência Internacional de
Palma Eceiteira, 24–29 maio; Santa Marta; Colômbia; 1993.
BARCELOS, E.; AMBLARD, P. Oil palm breeding program at Embrapa / Brasil. Manaus:
Embrapa – CPAA, 1992.
miolo síntese.indd 141 19/12/2008 16:53:04
142 Tecnologias de Energias Renováveis
BARRE, P.; BLONDIN, B.; DEQUIN, S.;FEUILLAT, M.; SABLAYROLLES, J.M.; SALMON, J. M. La
levadura de fermnetación alcohólica. In: FLANZY, C. Enología: fundamentos científcos e
tecnológicos. Madrid: Mundi-Prensa e AMV, p. 274–315, 2000.
BARZANA, E.; KAREL, M. E KLIBANOV, A.M. Enzymatic Oxidation of Ethanol in the Gaseous
Phase. Biotechnology Bioengineering, v. 34, p. 1178–1185, 1989
BASIRON, Y.; DARUS, A. The oil palm industry – from pollution to zero waste. In: 1
st
Global
500 Forum International Conference, 17–20 October, Kuala Lumpur; Malaysia; 1995;
Kuala Lumpur; 1996; 141–165 p.
BASRI, M.; YUNUS, W.Z.W.; YOONG, W.S.; AMPON, K., RAZAK, C.N.A. E SALLEH, A.B.
Immobilization of Lipase from Candida rugosa on Synthetic Polymer Beads for use in the
Synthesis of Fatty Esters. Journal of Chemical Technology and Biotechnology, v.66,
p. 169–173, 1996.
BATT, C.A. and SINSKEY, A. J. Use of biotechnology in the production of single cell protein.
Food Technology, 38 (2): 108–111, 1984.
BERGER, M. and SCHNEIDER, M.P. Enzymatic Esterifcation of Glycerol II. Lipase.Catalyzed
Synthesis of Regioisomerically Pure l(3). rac.Monoacylglycerols. JAOCS, Vol. 69, n. 10,
October 1992.
BIEBL, H. Fermentation of Glycerol by Clostridium pasteurianum – Batch and Continuous
Culture Studies. In: Journal of Industrial Microbiology & Biotechnology, v. 27, pp. 18–26,
2001.
BODMEIER, R.; PAERATAKUL, O. Plasticizer uptake by aqueous colloidal polymer dispersions
used for the coating of solid dosage forms. International Journal of Pharmaceutics.
Amsterdam, v. 152, p. 17–26, 1997.
BORGES, S.M.S; SANTANA, A.P.; ALMEIDA, P.M.M.; LIMA, A.M.V.; QUINTELLA,
C.M.A.L.T.M.H. Recuperação Secundária de Óleo Pesado e Completação de Reservatórios
de Campos Maduros Utilizando o Subproduto (Glicerina bruta) da Produção do Biodiesel.
Tecnologia de Recuperação de Petróleo, 3º Lugar Prêmio PETROBRAS de Tecnologia, 2005.
BORMAN, A. M., SZEKELY, A., CAMPBELL, C. K.; JOHNSON, E. M. Evaluation of the viability
of pathogenic flamentous fungi after prolonged storage in sterile water and review of
recent published studies on storage methods. Mycopathologia, 161: 361–368, 2006.
BRASIL. Lei 11.097, de 13 de janeiro de 2005. Dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz
energética brasileira. Diário Ofcial [da Republica Federativa do Brasil]. Brasília, v.142,
n. 10, p. 52, 14 jan 2005. Seção 1.
BRISSON, D; VOHL, MC; ST-PIERRE, J; HUDSON, TJ; GAUDET, D. Glycerol: a neglected
variable in metabolic process? In: BioEssays, v. 23, pp. 534–542, 2001.
Cadernos NAE / Núcleo de Assunto Estratégicas da Presidência da República nº 2, Brasília,
Biocombustíveis, 2005.
miolo síntese.indd 142 19/12/2008 16:53:04
143 Referências Bibliográfcas
Cadernos NAE / Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nº 3, Brasília,
Mudança do Clima, vol.I., 2005.
Cadernos NAE / Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nº 4, Brasília:
Mudança do Clima, vol. II. , 2005
CADWALLADER, K. R.; BRADDOCK, R. J.; PARISH, M. E.; HIGGINS, D. P. Bioconversion of
(+)-Limonene by Pseudomonas gladioli. Journal of Food Science, 54(5), 1241–1245, 1989.
CALDEIRA, ALEXANDRE.; MOTA, CLÁUDIO. Reações de Conversão de Glicerina a
Intermediários Petroquímicos. 2006. Workshop MCT. Disponível: http://www.biodiesel.
gov.br/docs/11_alexandrecaldeira_glicerina.ppt
CALLEGARIN, F.; GALLO, J. Q.; DEBEAUFORT, F.; VOILLEY, A. Lipids and biopackaging.
Journal of the American Oil Chemists Society. Chicago, v. 74, n. 10, p. 1183–1192, 1997.
CÂNDIDO, E.J; CARVALHO, G.B.M; FELIPE, M.G.A; ALMEIDA e SILVA, J.B. Aproveitamento
da palha de cevada para obtenção biotecnológica de xilitol. In: ICTR 2004 – Congresso
Brasileiro de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável,
Florianópolis, 2004.
CANHOS, V. P. Estratégia Nacional de Diversidade Biológica – Microrganismos e
Biodiversidade de Solos. http://www.bdt.fat.org.br/publicações/politica/gtt/gtt10,
acessado em 26/01/2006
CARTA, G., GAINER, J.L. E ZAIDI, A. Fatty Acid Esterifcation using Nylon Immobilized Lipase.
Biotechnology and Bioengineering, v. 48, p. 601–605, 1995.
CARVALHO, Ernani P, GONZALEZ, Wilma A. Reaproveitamento do Rejeito de
Transesterifcação de óleo Vegetal: Glicerina. Iniciação à Pesquisa., Instituto Militar de
Engenharia, IME, Rio de Janeiro, 2006
CARVALHO, Ernani P., Rodrigues, Juliana, GONZALEZ, Wilma A. Reaproveitamento do Rejeito
de Transesterifcação de óleo Vegetal: Glicerina, Projeto de Final de Curso de Engenharia
Química, PFC, Instituto Militar de Engenharia, IME, Rio de Janeiro, 2007
CARVALHO, R. A. de. Elaboração e caracterização de flmes à base de gelatina modifcada
enzimática e quimicamente. Tese de Doutorado. Campinas, Faculdade de Engenharia de
Alimentos, Universidade Estadual de Campinas. 2002.
CARVALHO, C.E.G.; FARIAS, A.M.D; PASTURA, N.M.R.; BORGES, L.E.P; GONZALEZ, W.A.
Avaliação do Sistema Na/Nb
2
O
5
na Transesterifcação do Óleo de Soja para Produção de
Biodiesel In Anais do 13º Congresso Brasileiro de Catálise – 3º Congresso de Catálise do
Mercosul, Foz do Iguaçu, 2005.
CARVALHO, P. de O.; OLIVEIRA, J. G. de and PASTORE, G. M. Enhancement of gamma-
linolenic acid production by the fungus Mucor sp LB-54 by growth temperature . Rev.
Microbiol., vol. 30, nº 2, p. 170–176, Apr./Jun. 1999.
miolo síntese.indd 143 19/12/2008 16:53:05
144 Tecnologias de Energias Renováveis
CHA, D. S.; CHOI, J. H.; CHINNAN, M. S.; PARK, H. J. Antimicrobial flms based on Naalginate
and -carrageenan. Lebensmittel-Wissenschaft & Technologie, London, v. 35, n. 8,
p. 715–719, 2002.
CHARNEY, J. & HERZOG, H.L. Microbial transformations of steroids-A. HANDBOOK. New
York, 171: 501–505, 1967.
CHEETHAM, P. S. J. Combining the Technical push and the business pull for natural products.
In: BERGER, R. G. Biotechnology of Aroma Compounds. Berlim: Springer-Verlag, 1: 1–49 ,
1997.
CHERIAN, G.; GENNADIOS, A.; WELLER, C.; CHINACHOTI, P. Thermomechanical behavior of
wheat gluten flms: Effect of sucrose, glycerin and sorbitol. Cereal Chemistry, v. 72, p. 1–6,
1995
CHICK, J.; HERNANDEZ, R. J. Physical, therma and barrier characterization of caseinwax-
based edible flms. Journal of Food Science. Chicago: v. 67, n. 3, 1073–1079, 2002.
COUTO, L. C.; COUTO, L.; WATZLAWICK, L. F.; CÂMARA, D. Vias de valorização energética
da biomassa. Biomassa & Energia, v. 1, n. 1, p. 71–92, 2004.
CRABBE, E.; HIPOLITO,C.N.; KOBAYASHI,G.; SONOMOTO,K. e ISHIZAKI,A. Biodiesel
Production From Crude Palm Oil and Evalution of Butanol Extraction and Fuel Properties.
Process. Biochemistry, 2001; 37: 65–71
CUQ, B.; GONTARD, N.; CUQ, JL.; GUILBERT, S. Selected functional properties of fsh
myofbrillar protein-based flms as affected by hydrophilic plasticizers. Journal of
Agricultural and Food Chemistry, Washington, v.45, p. 622–26, 1997.
DABBAH, R. Protein from microorganisms. Food Technology, 24: 659–666, 1970.
DEHORITY, B.A. Rumen Microbiology. The Ohio State University, 125 p., 1987.
DHAVALIKAR, R. S.; BHATTACHARYYA, P. K.; Indian J. Biochem. 3(3): 144–157, 1966.
DHAVALIKAR, R. S.; RANGACHARI, P. N.; BHATTACHARYYA, P. K.; Microbiological
transformations of terpenes. IX. Pathways of degradation of limonene in a soil
pseudomonad. Indian J. Biochem. 3 (3): 158–164, 1966.
DIAS, A.L.M. Infuência de diferentes cepas de levedura e mostos na formação de compostos
voláteis majoritários em vinho de caju (Anacardium ocidentalle, Dissertação de Mestrado
em Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, p. 94, 1996.
DIAS, B.F.S. Biodiversidade: Perspectivas e Oportunidades Tecnológicas – A Disponível em:
http://www.planeta.coppe.ufrj.br/noticias/noticia000074.html.
DI LASCIO, MARCO A. Tecnologias para a Geração de Energia Elétrica a partir da Utilização
de Biomassa Líquida ou Sólida: Vantagens e Desvantagens. Primeiro Seminário
Atendimento Energético de Comunidades Extrativistas – SAECX’2004. Brasília:
Ministério de Minas e Energia, Junho, 2004
miolo síntese.indd 144 19/12/2008 16:53:05
145 Referências Bibliográfcas
DINIZ,G. Glicerina bruta obtida na produção de biodiesel pode ter muitas aplicações.
Entrevista a Luiz Pereira Ramos (CEPESQ-UFPR). Ciência Hoje Online, 19 out. 2005.
Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/ materia/view/3973. Acesso em:
19 fev. 2007.
DIPROD/CENPES/PETROBRÁS. Estudo sobre o uso de óleos vegetais como combustível
para motores diesel – Relatórios nºs: 1 (jullho/80), 2 (fev./81) e 3 (julho/83).
DOELLE, H. W. Preparation of extracts of culture liquids for gas-chromatographic
determination of non-acidic fermentation products. Antonie van Leeuwenhoek. Volume
32(1), 373–380, 1966.
DOMSCHKE, A. G.; GARCIA, O. Motores de combustão interna; Vol. 1. São Paulo: Editora da
Escola Politécnica da USP 1968. 42–231 p.
DORDICK, J.S. Enzymatic Catalysis in Monophasic Organic Solvents. Enzyme Microbiology
Technology, v. 11, p. 194–211, 1989.
DREW, S.W.; DEMAIN, A.L. Effect of primary metabolites on secondary metabolism. Annual
Review Microbiology, v. 31, p. 343–356, 1977.
DUBOIS, P. Les aromes dês vins et leur défauts. Revue Française du OEnologie, v. 145,
p. 27–40, 1994.
EGGERT T.; VAN POUDEROYEN, G.; DIJKSTRA, B.W.; JAEGER, K.E. Lipolytic enzymes
LipA and LipB from Bacillus subtilis differ in regulation of gene expression, biochemical
properties and three-dimensional structure. FEBS Lett., v. 502, p. 89–92, 2001.
EGLOFF, M. P.; RANSAC, S.; MARGUET, F.; ROGALSKA, E.; VAN TILBEURGH, H.; BUONO, G.;
CAMBILLAU, C.; VERGER, R. Les lipases: cinétiques, spécifcités et aspects structuraux.
In: Malcata, F.X. (Ed.). Engineering of/with lipases. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers,
1995.
ELETROBRÁS. Informe de Mercado–Sistemas isolados Norte, 2005, http://www.eletrobras.
com.br/EM_Atuacao_SistIsolados/default.asp
ELIBOL, M.; ÓZER, D. “Lipase production by immobilised Rhizopus arrhizus”. Process
Biochemistry 36, 219–223, 2000.
EMBRAPA – Seminário “A cultura do Dendê: aspectos gerais e importância para o Programa
Nacional de Produção e Uso do Biodiesel”. Embrapa Amazônia Ocidental – CPAA,
Escritório de Negócios da Amazônia – ENA/ETT e Ministério da Integração Social, 2005.
ENCINAR, J. M.; GONZÁLEZ-MARTÍN M. L.; GONZÁLEZ-GARCÍA, C. M.; GONZÁLEZ, J. F.;
RAMIRO, A.; SABIO, E.; BRUQUE, J. M. Thermodynamic characterization of a regenerated
activated carbon surface. Applied Surface Science, 2002; 191: 166–170.
ESPECTRAL DATABASE FOR ORGNICS COMPONDS SDBS. NationalInstitute of Advanced
Industrial Science and Technology (AIST). Japão. Disponível: http://www.aist.go.jp/RIODB/
SDBS/cgi-bin/cre_index.cgi
miolo síntese.indd 145 19/12/2008 16:53:05
146 Tecnologias de Energias Renováveis
FABER, K. Biotransformation in Organic Chemistry: a Textbook, 4ª ed., Berlin, Germany:
Springer-Verlag, p.19, 2000.
FARINAS, E.T.; BULTER, T.; ARNOLD, F.H. Directed enzyme evolution. Current Opinion in
Biotechnology. v. 12, n. 6, p. 545–551, 2001.
FELIZARDO, P.; CORREIA, M.J.N; RAPOSO, I; MENDES, J.F; BERKEMEIER, R; BORDADO, J.M.
Production of Biodiesel from Waste Frying Oils. Waste Management (2006), v. 26.
p. 487–494.
FERNANDES, M. A. G., PASTURA, N. M. R., TIMM, P. e NUNES, P. P., Infuência da
temperatura nas transformações dos produtos do craqueamento térmico do óleo de soja
Hidrogenado em Hidrocarbonetos – apresentado no 1º

Encontro Regional de catálise.
Salvador (1986).
FERREIRA, W.A; BOTELHO, S.M.; VILAR, R.R.L. Resíduos da agroindústria do dendê:
caracterização e equivalência em fertilizantes. Belém: CPATU. 1998. 22 p (Embrapa-CPATU.
Boletim de Pesquisa, 198).
FLORES, CL; RODRÍGUEZ, C; PETIT, T; GANCEDO, C. Carbohydrate and energy-yielding
metabolism in non-conventional yeasts. In: FEMS Microbiology Reviews, v. 24,
pp. 507–529, 2000.
FRAZIER, W. C.; WESTHOFF, D.C. Microbiologia de los Alimentos. Editora Acribia S.A, 1978.
FREIRE, D.M.G., CASTILHO, L.R. 2000. Lipases produzidas por fermentação submersa e em
meio sólido. Rev. Bras. Farm. 81(1/2), 48–56, 2000.
GARCIA-SILVA M. Penicillium corylophilum Dierckx: atividades antimicrobiana e antichagásica
de extratos brutos e metabólitos secundários isolados. Dissertação de Mestrado. Fac.
Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, USP, Ribeirão Preto, 132pp. , 2002.
GLYCERINE. Disponível em: www.the-innovation-group.com/ChemProfles/ Glycerine.htm.
Acessado em: 18 de agosto de 2006.
GOLDEMBERG, J. VILLANUEVA D. Luz Energia, Meio Ambiente & Desenvolvimento. 2ª
edição revista. São Paulo, EDUSP, 2003
GOMES, J.G.C., BUENO NETTO, C.L., Produção de plásticos biodegradáveis por bactérias,
Revista Brasileira de Engenharia Química, v. 17, 0.24–29,1997
GONÇALVES, V. L. C. ; PINTO, B.P. ; MUSGUEIRA, L.C. ; SILVA, J.C.; MOTA, C.J. A.
Biogasolina: Produção de Éteres e Ésteres da Glicerina Artigo apresentado no II
Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel, Brasília – Distrito Federal, Brasil,
2007
GONTARD, N.; GUILBERT, S. Bio-packaging: technology and properties ofedible and/or
biodegradable material of agricultural origin. Ciência e Tecnologia de Alimentos SBCTA,
Campinas, v. 30, n. 1, p. 3–15, 1996.
miolo síntese.indd 146 19/12/2008 16:53:05
147 Referências Bibliográfcas
GONZALEZ, W. A., et al. Biodiesel de dendê: Desenvolvimento sustentável em defesa
da Amazônia. Artigo apresentado no I Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia do
Biodiesel, 31 de agosto e 1 de setembro, Brasília – Distrito Federal, Brasil, 2006.
GONZALEZ, W.A.; BORGES, L.E.P.; PASTURA, N.M.R. Biodiesel de Dendê. Manaus, 2005.
Ministério da Defesa.
GUIMARÃES, D. H.; BRIOUDE, M. M.; FIÚZA, R. P.; PRADO, L. A. S. A.; BOAVENTURA,
J. S.; JOSÉ, N. M. Preparação e caracterização de poliésteres aromáticos a partir do
glicerol, co-produto da produção de biodiesel e ácido ftálico. 17º CBECIMat – Congresso
Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 15 a 19 de
Novembro de 2006.
GUIMARÃES, J. L.; SATYANARAYANA, K.G.; WYPYCH, F.;RAMOS, L.P. Preparo de
Compósitos Biodegradáveis a Partir de Fibras de Bananeira Plastifcadas com Amido e
Glicerina Bruta Derivada da Alcoólise de Óleos Vegetais. Disponível em: www.biodiesel.
gov.br/docs/congresso 2006/Co-Produtos/PreparoCompositos6.pdf
GUTBERLET, J. “Zoneamento da Amazônia: uma visão crítica”. Estudos Avançados. v. 16,
nº 46, São Paulo, dez 2002.
HAHN-HÄGERDAL, B; JEPPSSON, H; SKOOG, K; PRIOR, BA. Biochemistry and physiology of
xylose fermentation by yeasts. In: Enzyme and Microbial Technology, v. 16, pp. 933–943,
1994.
HAK-JOO KIM, BO-SEUNG KANG, MIN-JU KIM, YOUNG MOO PARK, DEOG-KEUN KIM,
JIN-SUK LEE, KWAN-YOUNG LEE, “Transesterifcation of vegetable oil to biodiesel using
heterogeneous base catalyst” Catalysis Today 93–95 (2004) 315–320
HARTMAN, L; ESTEVES, W. Tecnologia de óleos e gorduras vegetais. Série Tecnologia
Industrial. v. 13. São Paulo: Comercio, Ciência e Tecnologia, 1982. 169 p. (Secretaria de
Estado da Indústria).
HARTLEY, C. W. S.; The oil palm (Elaeis guineensis Jacq.); 2
nd
edition; Tropical Agriculture
Series. New York: Longman Group UK, 1988; 692–780 p.
HAUMANN, B.F., BARRERA-ARELLANO, D. E WAGNER, W. Brazil; a giant in the Soybean
industry. Inform, Champaign. 1995; 6: 900-909.
HEIKKILÁ, H., HYÖVY, G., RAHKILA, L., SARKKI, M.L., VILJAVA, T.A. Process for the
Simultaneous Production of Xylitol and Ethanol. WO patent 91/10740, publ.25/07/1991.
HERNANI DE SÁ FILHO ET ALLII. Diagnóstico da Viabilidade Técnica de Utilização dos Óleos
Vegetais Brasileiros como Combustível / Lubrifcante. Informativo do INT, 12(22), maio/
agosto de 1979, pgs. 29–39
HESTER, A. Microbial glycerol. In: Industrial Bioprocess v.22 (4), pp. 3–5, 2000.
HOBSON, P.N.; STEWART, C.S. The Rumen Microbial Ecosystem. 2.ed. London: Blackie
Academic & Professional, 719 p., 1997.
HOLLAND, H. L. Organic Synthesis With Oxidative Enzymes. Weinheim: VCH, 1992.
miolo síntese.indd 147 19/12/2008 16:53:05
148 Tecnologias de Energias Renováveis
HORTA Jr, C. L., “Transformação de Ácidos Graxos em Hidrocarbonetos” Tese de Mestrado,
Instituto Militar de Engenharia – defendida em 1994.
IBP; Curso de informação sobre combustíveis e combustão. Rio de Janeiro: IBP, 1982; 442 p.
IEA, Biofuels for transport: an international perspective, IEA/EET, Paris, maio 2004;
comunicação ao CGEE.
Industrial Oil Products Program: IOP 3.1 – New Uses of Gycerol. Disponível em: www.aocs.
org/archives/am2006/techprog.asp. Acesso em 12 de setembro de 2006.
INOUE, O.O. Estudo da infuência da concentração e dos componentes do óleo de
soja sobre a produção de salinomicina. Dissertação de Mestrado, Departamento de
Engenharia Química, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo – Brasil,
152 p., 2001.
INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2004. Monitoramento da Floresta
Amazônica Brasileira por Satélite. Projeto Prodes. Disponível em: <http://www.obt.inpe.
br/prodes/index.html>.
IRISSIN-MANGATA, J.; BAUDUIN, G.; BOUTEVIN, B.; GONTARD, N. New plasticizers for
wheat gluten flms. European Polymer Journal. v. 37, p. 1533–1541, 2001.
ITOH, N.; ASAKO, H.; BANNO, K.; MAKINO, Y.; SHINOHARA, M.; DAIRI, T.; WAKITA, R.;
SHIMIZU, M. Purifcation and characterization of NADPH-dependent aldo–keto reductase
specifc for β-keto esters from Penicillium citrinum, and production of methyl (S)-4-bromo-
3-hydroxybutyrate. Appl Microbiol Biotechnol, 66: 53–62, 2004.
JACKOBSON, G.; KATHAGEN, FW; KLATT, M. Glycerol. In: Ullmann´s Encyclopedia of
Industrial Chemistry. Weinheim: VCH, pp. 477–489, 1989.
JAEGER, K. E.; RANSAK, S.; KOCH, H. B.; FERRATO, F.; DIJKSTRA, B. W. Bacterial lipases.
FEMS Microbiol. Rev., v.15, p. 29–63, 1994.
JAEGER, K. E., REETZ, M. T. Microbial lipases form versatile tools for biotechnology. Trends
Biotechnol., v. 16, p. 396–403, 1998.
JEON, Y.; KAMIL, J. Y. V. A.; SHAHIDI, F. Chitosan as an edible invisible flm for quality
preservation of herring and atlantic cod. Journal of Agricultural and Food Chemistry.
Whashington, v. 50, n. 18, p. 5167–5178, 2002.
JIN, H; FANG, H; ZHUGE, J. By-product formation by a novel glycerol-producing yeast,
Candida glycerinogenes, with different O2 supplies. In: Biotechnology Letters v. 25,
pp. 311–314, 2003.
JITPUTTI, J.; KITIYANAN, B; RANGSUNVIGIT, P; BUNYAKIAT, K; ATTANATHO, L;
JENVANITPANJAKUL, P. Transesterifcation of Crude Palm Kernel Oil and Crude Coconut
Oil by Different Solid Catalysts, Chemical Engineering Journal (2006), v. 116. p. 61–66.
JOHNSTON-BANKS, F. A. Gelatin. In: Food Gels. London, Peter Harris. Elsevier Applied
Science. Ch. 7, p. 233–289, 1990.
miolo síntese.indd 148 19/12/2008 16:53:05
149 Referências Bibliográfcas
JONES, J. B.; WONG, C-H. Biocatalysis and Biotransformation. Exploiting Nature’s Magic,
Curr. Op. Chem. Biol., v. 2, p.67–89, 1998.
JOSHUA & KAIA TICKELL. From the Fryer to the Fuel Tank. 2
nd
. Edition. Sarasota, Fla., USA:
GreenTeach Publishing, 1999.
KALTNER, FRANZ JOSEF. Geração de Energia Elétrica em pequenas comunidades da
Amazônia, utilizando Óleo Vegetal “in natura” de espécies nativas como combustível
em motores diesel. Primeiro Seminário Atendimento Energético de Comunidades
Extrativistas – SAECX’2004. Brasília: Ministério de Minas e Energia, Junho, 2004.
KARINEN R. S., Krause, A. O. I.; ‘New biocomponents from glycerol’, (2006), Applied Catalysis
A: General, 306; 128–133
KARMEE, S. K. e CHADHA, A. Preparation of biodiesel from crude oil of Pongamia pinnata.
Bioresource Technology, 2005; 96: 1425–1429.
KIESLICH, K.. Terpenoids In: Biotechnology: A Comprehensive Treatise in 8 volumes.
Introduction. Verlag Chemie. K. Kieslich Ed., Capítulo 4, p.97–125, 1984b.
KLEPACOVA, K., MRAVEC, D., BAJUS, M.; ‘Etherifcation of Glycerol with tert-butyl alcohol
Catalysed by ion-exchange Resins’; (2006); Versita – Chemical Papers; 60 (3); 224–230.
KLEPACOVA, K., MRAVEC, D., BAJUS, M.; ‘Tert-butylation of Glycerol Catalysed by ion-
exchange Resins’; (2005); Applied Catalysis A; 294; 141–147.
KLIBANOV, A.M. Improving enzymes by using them in organic chemistry. Nature. v. 409, n.
6817, p. 241–246, 2001.
LEITE, L. C. B., “Estudo da Descarboxilação Catalítica de Ácidos Carboxílicos” Tese de Mestrado,
Instituto Militar de Engenharia – defendida em 1996
LIMA, P. C. R. “Biodiesel e a inclusão Social”. In: Consultoria Legislativa. Câmara dos
Deputados, Brasília: 2004. 33 p.
LIU, Z. L.; SLININGER, P. J.; DIEN, B. S.; BERHOW, M. A.; KURTZMAN, C. P.; GORSICH, S.
W. Adaptive response of yeasts to furfural and 5-hydroxymethylfurfural and new chemical
evidence for HMF conversion to 2,5-bis-hydroxymethylfuran . J Ind Microbiol Biotechnol,
31: 345–352, 2004.
LOMBORG, B. Global crises, global solutions. Cambridge: Cambridge Univ. Pressed, 2004.
LÓPES, FD; REVILLA, JLG; MUNILLA, MH. Glicerol. In: Manual dos Derivados da Cana-
de-Açúcar: diversifcação, matérias-primas, derivados do bagaço do melaço, outros
derivados, resíduos, energia. Brasília: ABIPTI, cap. 5.4, pp. 393–397,1999.
LUYTEN, K.; ALBERTYN, J.; SKIBBE, W.F.; PRIOR, B.A.; RAMOS, J.; THEVELEIN, J.M. and
HOHMANN, S. Fps1, a yeast member of the MIP family of channel proteins, is a facilitator
for glycerol uptake and effux and is inactive under osmotic stress. The EMBO Journal, 14,
pp. 1360–1371, 1995.
miolo síntese.indd 149 19/12/2008 16:53:05
150 Tecnologias de Energias Renováveis
MALI, S.; OLIVATO , J. B.; GROSSMANN , M. V. E. Efeito de embalagem biodegradável de
amido no armazenamento de queijo processado. Seminário Ciências Agrárias, Londrina, v.
27, n. 1, p. 81–88, jan. /mar, 2006.
MALI, S.; SAKANAKA, L. S.; YAMASHITA, F.; GROSSMANN, M. V. E. Water sorption and
mechanical properties of cassava starch flms and their relation to plasticizing effect.
Carbohydrate Polymers, Barking, v. 60, p. 283–289, 2005.
MARTINEZ, M.; TORRANO, E.; ARACIL, J. n Analogue of Jojoba Oil. A Statistical approach.
Industrial Engineering Chemistry Research, v. 27, p. 2179–2182, 1988.
McCABE, E.R. Disorders of glycerol metabolism. In: The metabolic bases of inherited
discase, 7ªed. New York: McGraw-Hill Book Co. pp. 1631–1652, 1995.
MENEZES, J. A. de S.; Terceiro ciclo industrial no Amazonas: contribuições do óleo de
dendê como insumo energético (biodiesel e oleoquímico). Manaus: Governo do Estado
do Amazonas, 1995. 226 p.
MINATO, Max Yukio. Aproveitamento da Glicerina, 2004. PIBIC/CNPq/IME
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Resolução ANP nº 42, de 24 de novembro de 2004.
Estabelece a especifcação de biodiesel. Agência Nacional de Petróleo, Brasília. Disponível
em: http://www.biodiesel.gov.br/docs/Resolucao_42.pdf. Acesso em: 01 dez 2006.
MIZRAHI, M. A. “Reação de Descarboxilação de ácidos Graxos sobre zeólitas modifcadas ou não
por Lantânio”. Tese de Mestrado, Instituto Militar de Engenharia – defendida em 2000
MORETTO, E.; FETT, R.; Óleos e gorduras vegetais – processamento e análises. 2ª edição.
Florianópolis: Editora da UFSC, 1989. 179p
MORETTO, E.; FETT, R. Tecnologia de óleos e gorduras vegetais na industria de alimentos.
São Paulo Varela 153 p., 1998.
MORIMOTO S, HIRASHIMA T, OHASHI M. Studies on fermentation products from aldehyde
by microorganisms: the fermentative production of furfural alcohol from furfural by yeasts
(part II). J Ferment Technol, 46: 276–287, 1968.
MORIMOTO S, MURAKAMI M.Studies on fermentation products from aldehyde by
microorganisms: the fermentative production of furfural alcohol from furfural by yeasts
(part I). J. Ferment Technol, 45: 442–446,1967.
MORRISON, LR. Glycerol. In: Encyclopedia of Chemical Technology. New York: Wiley,
pp. 921–932, 1994.
MULTON, J. L. L’EMBALLAGE des denrées alimentaires de grande consommation.
Technique et documentation. France, Lavoisier, Apria, p. 320, 1989.
NAM, J., KIM, H.,KWON, J., HAN, M.Y., SON, K., LEE, U.C., CHOI, J. and KNOW, B.
8-O-Methylsclerotiorinamine, antagonist of the Grb2-Sh2 domain, isolated from
Penicillium multicolor. J. Nat. Prod., v. 63, p. 1303–1305, 2000.
miolo síntese.indd 150 19/12/2008 16:53:05
151 Referências Bibliográfcas
NASCIMENTO, Ademar Nogueira do & NOGUEIRA, Jurandyr Santos. Avaliação técnica
e econômica do óleo de dendê para a geração de eletricidade no interior da Bahia.
Relatório de Projeto CEPEL/ELETROBRÁS / UFBA. Universidade Federal da Bahia (UFBA),
maio/2000.
NASCIMENTO, M. da G.; ZANOTTO, S. P.; MELEGARI, S. P.; MORAN, P. J. S. Estudos de
proteção da célula de Saccharomyces cerevisiae para utilização em reações de redução em
meio orgânico. Quim. Nova, Vol. 25, No. 4, 567–571, 2002.
NETO, P.R.C., ROSSI, L.F.S., ZAGONEL, G.F., e RAMOS, L.P.. Produção de Biocombustíveis
Alternativo ao Óleo Diesel Através da Transesterifcação de Óleo de Soja Usado em
Frituras. Química Nova. 2002; 23: 1–15.
NEVOIGT, E; STAHL, U. Osmoregulation and glycerol metabolism in the yeast Saccharomyces
cerevisiae. FEMS Microbiology Reviews, v. 21, p. 231–241, 1997.
NOMA, Y.; YAMASAKI, S.; ASAKAWA, Y.; Biotransformation of limonene and related
compounds by Aspergillus cellulosae . Phytochemistry, 31(8), 2725–2727. 1992.
NOIRET, M.; WUIDART, W. Possibilities for improving the fatty acid composition of palm oil
– results and prospects. In: International Developments in Palm Oil, 14–17 June. Kuala
Lumpur; Malaysia: 1976; Kuala Lumpur: 1977; 39–57 p.
OLIVEIRA, D.; ALVES, T.L.M. A Kinetic Study of Lipase Catalyzed Alcoholysis of Palm Kernel
Oil. Applied Biochemistry and Biotechnology, v. 84–86, p. 59–68, 2000.
OLIVEIRA, L. B.; COSTA, A. O. Biodiesel: uma experiência de desenvolvimento sustentável.
Rio de Janeiro: IVIG/COPPE/UFRJ. [2004]. Disponivel em: http://www.ivig.coppe.ufrj. br/
doc/biodiesel.pdf. Acesso em: 26 fev 2005.
ONISHI, H. Osmophilic yeast. In: Advances in Food and Nutrition Research v.12, pp. 53–94,
1963.
OUGH, C.S. Tratado básico de enologia. Zaragoza: Acribia, p. 294, 1996.
PAVIA, D.L.; LAMPMAN, G. M.; KRIZ, G.S. Introduction to spectroscopy a guide for
students of organic chemistry. 2
nd
Ed. , 1996.
PELCZAR, M., REID, R e CHAN, E. C. S. Microbiologia. Ed. McGraw-Hill, São Paulo, vol 1,
1980.
PEREIRA, R. S. Projeto e Construção de um Bioreator para Síntese Orgânica Assimétrica
Catalisada por Saccharomyces cerevisiae (Fermento Biológico de Padaria). Química Nova,
v. 20, n. 5, p. 551–554, 1997.
PÉROVAL, C.; DEBEAUFORT, F.; DESPRÉ, D.; VOILLEY, A. Edible Arabinoxylanbased flms.
1. Effects of lipid type on water vapor permeability, flm structure and other physical
characteristics. Journal of Agricultural and Food Chemistry. Washington, v. 50, n. 14,
p. 3977–3983, 2002.
POPPE, J. Gelatin. In: Thickening and gelling agents for food. New York: Ed. Alan Imenson,
Blackie Academic & Professional, Ch. 7, p. 144–168, 1997.
miolo síntese.indd 151 19/12/2008 16:53:05
152 Tecnologias de Energias Renováveis
PRADELLA, José Geraldo da Cruz. Biopolímeros e Intermediários Químicos. São Paulo,
2006. CGEE.
Programas Nacionais de Produção e Uso de Biodiesel, 2005. Disponível em: <http://www.
biodiesel.gov.br/programa.html#seccaoobjetivos>. Capturado em 26 de setembro de 2005.
RAMADHAS, A .S.; JAYARAJ,S. e MURALEEDHARAN,C. Biodiesel Production Form High FFA
Rubber Seed Oil. Fuel; 1–6, 2004.
REETZ, M.T. (2002), Lipases as practical biocatalysts, Curr Opin Chem Biol, v. 6, n. 2, p. 145–150.
REHM, H. Microbial production of glycerol and other polyols. In: Biotechnology vol. 6B.
Special microbial process. Weinheim: VCH, pp. 52–64, 1988.
REGUERA, F. M., MARTINS, E. P., FERREIRA, M. S., NUNES, P. P., GONZALEZ, W. A,
”Avaliação de catalisadores a Base de Nb
2
O
5
na Descarboxilação de Ácido Esteárico”, Anais
do XVII Simpósio Ibero-Americano de Catálise, Porto – Portugal, (2000).
REINHOLD METZLER. Small Lister Type Diesel Engines of Indian Origin – Their long term
performance on plant oil as fuel and ways to improve their reliability. Report for Project
Purghère, October 1995. (Ver http://www.jatropha.com, item “Literature”).
REP, M; ALBERTYN, J; THEVELEIN, JM; PRIOR, BA; HOHMANN, S. Different signaling
pathways contribute to the control of GPD1 gene expression by osmotic in Saccharomyces
cerevisiae. In: Microbiology, v. 145, pp. 715–727, 1999.
Resolução nº 386 de 5 de Agosto de 1999. Disponível em: www.anvisa.gov.br/alimentos/
aditivos_alimentares.htm. Acessado em 20 de julho de 2006.
RHIM, J. W.; WU, Y.; WELLER, C. L.; SCHNEPE, M. Physical characteristics of emulsifed soy
protein-fatty acid composite flms. Sciences des aliments. Paris, v. 19, nº 1, p. 57–71, 1999.
RIBEIRO, F. H. L. A, VALENÇA, G. P., SILVA, J. G., SILVA, M. E. F. Fontes Alternativas de Energia
– Óleos Vegetais – Hidrogenação. Projeto de fm de Curso de Engenharia Química –
Instituto Militar de Engenharia (1982)
ROBRA, S.; SANTOS, J.V.S.; OLIVEIRA,A.M.; da CRUZ, R.S. Usos alternativos para a glicerina
proveniente da produção de biodiesel: Parte 2 – Geração de biogás. Disponível em: www.
biodiesel.gov.br/docs/congressso2006/Co-Produtos/ UsosAlternativos12.pdf . Acessado
em 10/12/2007.
ROCHA, B.R.P.; SILVA, I. M. O. Energia para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
Belém: 2000. Disponível em: www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/sti/publicacoes/
futAmaDilOportunidades/futAmazonia_05.pdf
RODRIGUES, J.A.R. ; MORAN, P.J. S. Reduções enantiosseletivas de cetonas utilizando-se
fermento de pão. Quím. Nova, vol. 24, nº 6, p. 893–897, Nov./Dez. 2001.
RODRIGUES, R.C.L.B; FELIPE, M.G.A; ROBERTO, I.C; VITOLO, M. Batch xylitol production by
Candida guilliermondii FTI 20037 from sugarcane bagasse hemicellulosic hydrolysate at
controlled pH values. Bioprocess and Biosystems Engineering, v. 26, pp. 103–107, 2003.
miolo síntese.indd 152 19/12/2008 16:53:06
153 Referências Bibliográfcas
SAMAD, M.Y.A., SALLEH, A.B., RAZAK, C.N.A., AMPOU, K., YUNUS, W.M.Z., BASRI, M. A
lipase from a newly isolated thermophylic Rhizopus rhizopodiformis. Word J Microbiol
Biotechnol, 6, 390–394, 1990
SAN JOSÉ, C; MONGE, RA; PEREZ-DIAS, R; PLA, J; NOMBELA, C. The mitogen-activated
protein kinase homolog HOG1 gene controls glycerol accumulation in the Candida
albicans. In: Journal Bacteriology, v.178, pp. 2850–2852, 1996.
SANTOS, C. M. C., et al. Processo para a Produção de um Derivado de Ácido Linoléico
por Biotransformação de Co-Produtos de Biodiesel. Depósito de patente INPI sob nº
PI0604222-8, em setembro de 2006.
SANTOS, C.M. C. Metabólitos Secundários de Penicillium corylophilum Dierckx: Isolamento,
Elucidação Estrutural e Verifcação da atividade Biológica. Dissertação de Mestrado.
Instituto Militar de Engenharia, Rio de Janeiro, 101 pp., 2004.
SARMENTO, A L.S.C. Elaboração e caracterização de bioflmes a partir de gelatina reticulada.
Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia de alimentos, Universidade Estadual
de Campinas, Campinas, 149p., 1999.
SCHMID, A.; DORDICK, J.S.; HAUER, B.; KIENER, A.; WUBBOLTS, M.; WITHOLT, B. Industrial
biocatalysis today and tomorrow. Nature. v. 409, n. 6817, p. 258–268, 2001.
SCHOEMAKER, H.E.; MINK, D.; WUBBOLTS, M.G. Dispelling the Myths Biocatalysis in
Industrial Synthesis. Science. v. 299, n. 5613, p. 1694–1697. 2003.
SCHRAG, J.D.; CYGLER, M. Lipases and alpha/beta hydrolase fold. Methods Enzymol., v. 284,
p. 85–107, 1997.
SCHRAMM, Fermin R. Paradigma biotecnocientífco e paradigma bioético. In: ODA, Leila
M. (ed.) Biosafety of transgenic organisms in human health products. Rio de Janeiro:
FIOCRUZ, 1996.
SCHWARTZ, M. The life and works of Louis Pasteur. Journal of Applied Microbiology, 91,
597–601, 2001.
SHIH, F. F. Edible flms from rice protein concentrate and pullulan. Cereal Chemistry.St. Paul,
v. 73, nº 3, p. 406–409. 1996.
SHARMA, R., CHISTI, Y., BANERJEE, U.C. roduction, purifcation, characterization, and
applications of lipases. Biotechnol Adv, 19, 627–662, 2001
SHIRAI, K. Physical properties of shark gelatin compared with pig gelatin. Journal of
Agricultural and Food Chemistry. Washington, v. 48, n. 6, p. 2023–2027, 2000.
SILVA, D.D.V. Efeito da relação glicose: xilose na bioconversão de xilose em xilitol por
Candida guilliermondii em hidrolisado de bagaço de cana-de-açúcar. Tese de Doutorado.
Faculdade de Engenharia Química de Lorena. Dept. de Biotecnologia. Pós-Graduação em
Biotecnologia Industrial. Lorena. São Paulo, 2004.
miolo síntese.indd 153 19/12/2008 16:53:06
154 Tecnologias de Energias Renováveis
SILVA, DDV; FELIPE, MGA. Effect of glucose:xylose ratio on xylose reductase and xylitol
dehydrogenase activities from Candida guilliermondii in sugarcane bagasse hydrolysate. In:
Journal of Chemical Technology and Biotecnology, v. 81, pp. 1294–1300, 2006.
SILVEIRA, J.M.F.J. Biotecnologia na agricultura e inovação tecnológica: novas questões,
novos desafos. Programa de Seminários Acadêmicos, IE-UNICAMP, São Paulo, nº 19, 2005.
SILVERSTEIN, R.M.; BASSLER, G.C.; MORNILL, T.C. Spectrometric Identifcation of Organic
Compounds, 5
th
, John Wiley & Sons, 1994.
SIMOPOULOS, A. P. Fatty Acids. In: Functional Foods, Goldberg, I. (Ed.), cap. 16, pp. 355–392,
1994.
STANBURY; WHITAKER & HALL. Principles of Fermentation Technology, 1995.
SUFRAMA – Potencialidades Regionais Estudos de Viabilidade Econômica Sumários
Executivos, vol. 5, Dendê. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
2003.
SUNAO, S. Produção de esteróides. In: LIMA, U. A.; AQUARONE, E.; BORZANI, W.;
SCHMIDELL, W. Biotecnologia Industrial Processos Fermentativos Enzimáticos. v.3, São
Paulo, Edgard Blücher Ed., p. 179–196, 2001.
TAHERZADEH, J.M; ADLER, L; LIDÉN, G. Strategies for enhancing fermentative production of
glycerol – a review. In: Enzyme and Microbial Technology v. 31, pp. 53–66, 2002.
TAMANINI, C; OLIVEIRA, AS; FELIPE, MGA; CANETTIERI, EV; CÂNDIDO, EJ; HAULY, MCO.
Avaliação da casca de aveia para produção biotecnológica de xilitol. In: Acta Scientiarum,
v. 26, nº 1, pp. 117–125, 2004.
TAN Q.; DAY D.F. Bioconversion of limonene to α-terpineol by immobilized Penicillium
digitatum. Appl Microbiol Biotechnol, 49: 96–101, 1998.
TANAKA, M.; IWATA, K.; SANGUANDEEKUL, R.; HANDA, A.; ISHIZAKI, S. Infuence of
plasticizers on the properties of edible flms prepared from fsh water-soluble proteins.
Fisheries Science, Tóquio, v. 67, p. 346–51, 2001.
TAPIA-BLACIDO, D., SOBRAL, P. J. and MENEGALLI, F. C. Effects of drying temperature and
relative humidity on the mechanical properties of amaranth four flms plasticized with
glycerol. Braz. J. Chem. Eng. , vol. 22, n. 2, p. 249–256 ,2005
THARANATHAN, R. N. Biodegradable flms and composite coatings: past, present and future.
Trends in Food Science & Technology. Boca Raton, v. 14, p. 71–78, 2003.
THOMAZINE, M.T.; SOBRAL, P.J.A. Desenvolvimento e Caracterização de Filmes a Base de
Gelatina de Pele de Peixe, Pirassununga, p. 7, 2005. PIBIC/CNPq
TOMASEVIC, A. V. e SILER-MARINKOVIC, S. S. Methanolysis of used frying oil. Fuel
Processing Technology. 2003; 81: 1–6.
miolo síntese.indd 154 19/12/2008 16:53:06
155 Referências Bibliográfcas
TOMICH, T.R., GONCALVES, L.C., MAURICIO, R.M. et al. Bromatological composition and
rumen fermentation kinetics of hybrids from crosses of sorghum and sudangrass. Arquivo
Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. v.55, n.6, p.747–755, 2003.
TOSETTO, MG; ANDRIETTA S.R. Cinética de produção de glicerol em processo de
fermentação alcoólica utilizando diferentes matérias primas industriais. In: Simpósio
Nacional de Fermentações, Florianópolis. Anais do 14º SINAFERM, Florianópolis, 2003.
VANDESKA, E; AMARTEY, S; KUZMANOVA, S; JEFFRIES, T. Effects of environmental
conditions on production of xylitol by Candida boidinii. In: World Journal of Microbiology
and Biotechnology, v. 11, pp. 213–218, 1995.
VANIN, F.M.; SOBRAL, P.J.A.; MENEGALLI, F.C.; CARVALHO, R.A.; HABITANTE, A.M.Q.B.
Effects of plasticizers and their concentrations on thermal and functional properties of
gelatin-based flms. Food Hydrocolloids, Volume 19, Issue 5, Pages 899–907, September
2005.
VASIC-RACKI, D. History of industrial Biotransformations – Dreams and Realities, In:
Industrial Biotransformations, Ed. LIESE, A.; SEELBACH, K. & WANDREY, C.; WILEY-
VCH, cap. 2, pp. 3–29, 2000.
VELAZQUEZ-CEDEÑO, M.A.; MATA, G.; SAVOIE, J.M. Waste reducing cultivation of Pleurotus
ostreatus and Pleurotus pulmonarius on coffe pulpe changes in the production of some
lignocellulolytics enzymes. Word Journal of Microbiology and Biotechnology 18 (3):
201–207, 2002.
VICENTE, G.; MARTÍNEZ M.; ARACI J. Integrated biodiesel production: a comparison of
different homogeneous catalysts systems. Bioresource Technology, 2004; 92: 297–305.
VIÉGAS, I. DE J; MÜLLER, M. A. A. A Cultura do dendezeiro na Amazônia brasileira. 1ª ed.
Belém: EMBRAPA, 374 p, 2000.
VILLAREAL, M.L.M. Avaliação do tratamento do hidrolisado hemicelulósico de resíduos de
eucalipto, com carvão ativo e resinas de troca iônica, para produção de xilitol. Tese de
Doutorado. Faculdade de Engenharia Química de Lorena. Dept. de Biotecnologia. Pós-
Graduação em Biotecnologia Industrial. Lorena/São Paulo, 2005.
VINING, L.C. Secondary metabolism. In: REHN, H. J.; REED, G.; eds. Biotechnology.
Weinheim, VCH, v. 4, p. 19–38, 1986.
VISENTAINER, J. V; FRANCO, M. R. B. Ácidos graxos em óleos e gorduras: identifcação e
quantifcação – São Paulo: Varela, 2006. 120 p.
WALSH, C. Enabling the chemistry of life. Nature. v. 409, n. 6839, p. 226–231. 2001.
WANG, Y.; OU, S; LIU, P.; XUE, F; TANG, S. Comparison of Two Different Processes to
Synthesize Biodiesel by Waste Cooking Oil, Journal of Molecular Catalysis A: Chemical
(2006), v. 252. p. 107–112.
WANG, Z.X; ZHUGE, J; FANG, H; PRIOR, BA. Glycerol production by microbial fermentation:
A review. In: Biotechnology Advances v. 19, pp. 201–223, 2001.
miolo síntese.indd 155 19/12/2008 16:53:06
156 Tecnologias de Energias Renováveis
WILKIE, A., SMITH, P.H., BORDEAUX, F.M. An economical bioreactor for evaluating biogas
potential of particulate biomass. Bioresource Technology, 92, 103–109, 2004 .
WITHOLT, B. Industrial biocatalysis today and tomorrow, Nature, v.109, p. 258–268, 2001.
XIE, W.; PENG, H; LIGONG, C. Calcined Mg-Al Hydrotalcites as Solid Base Catalysts for
Methanolysis of Soybean Oil, Journal of Molecular Catalysis A: Chemical (2006), v. 246.
p. 24–32.
YANG, L.; PAULSON, A. T. Mechanical and water vapour barrier properties of edible gellan
flms. Food Research International. Inglaterra, v. 33, n. 7, p. 563–570, 2000b.
YAHASHI, Y; HORITSU, H; KAWAI, K; SUZUKI, T; TAKAMIZAWA, K. Production of xylitol
from D-xylose by Candida tropicalis: the effect of D-glucose feeding. In: Journal of
Fermentation and Bioengineering, v. 81, n. 2, pp. 148–152, 1996.
ZAITZ,C. – Fungos oportunistas. In: ZAITZ, C., CAMPBELL, I., MARQUES, S. A., RUIZ, L. R. B.,
SOUZA, V. M. Compêndio de Micologia Médica, 1.ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1998.
ZAUSA, E; ‘Synthese de Mercaptans sur catalyseurs acides’ ; (2002) ; These de Doctorat,
L’Universite Claude Bernard – Lyon I ; 86
ZHANG, J.; DEMAIN, A.L.Regulation of ACV synthetase activity in the beta-lactam
biosynthetic pathway by carbon source and their metabolites, Archives of Microbiology,
v. 158, p. 364, 1992.
ZYLBERSTAJN, D.; COELHO, S. T.; IENO, G. O. Potencial de geração de eletricidade na
Amazônia a partir de resíduos agrícolas. São Paulo: Instituto de Eletrotécnica e Energia;
Universidade de São Paulo.
miolo síntese.indd 156 19/12/2008 16:53:06

Eduardo José Fagundes Barreto João Tavares Pinho Geraldo Lúcio Tiago Gonçalo Rendeiro Manoel Nogueira Wilma de Araújo Gonzalez

Tecnologias de Energias Renováveis
Soluções Energéticas para a Amazônia Sistemas Híbridos Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura

1ª Edição Brasília Ministério de Minas e Energia 2008

1

Ministro de Minas e Energia Edison Lobão Secretário Executivo Márcio Zimmermann Secretário de Energia Josias Matos de Araújo Diretor do Programa Luz para Todos Hélio Morito Shinoda Diretor Nacional do Projeto pnud bra 99/011 Programa de Erradicação da Exclusão da Energia Elétrica Jeová Silva Andrade Coordenador da Região Norte Aurélio Pavão de Farias Coordenador de Universalização Manoel Soares Dutra Neto Coordenação Técnica Eduardo José Fagundes Barreto Assessoria de Comunicação do Programa Luz para Todos Lucia Mitico Seo Jose Renato Penna Esteves Unidade e Gestão de Projetos – Projeto pnud bra 99/011 Antonio João da Silva – Coordenador Técnico Eder Júlio Ferreira Manoel Antonio do Prado Novembro, 2008

2

Tecnologias de Energias Renováveis Soluções Energéticas para a Amazônia Coordenador Geral: Eduardo José Fagundes Barreto Autores: Eduardo José Fagundes Barreto João Tavares Pinho Geraldo Lúcio Tiago Gonçalo Rendeiro Manoel Nogueira Wilma de Araújo Gonzalez 3 .

cdd ( 22ª ed. II. III. I. 156 p. Recursos energéticos – Brasil. Brasil. pequenos aproveitamentos hidroelétricos.com. Série.ideorama. combustão e gasificação de biomassa sólida. – ( Soluções energéticas para a Amazônia ) isbn 978-85-98341-06-4 Inclui bibliografia. www. 2008. Ministério das Minas e Energia. 21 × 30cm. : il.Ideorama Design e Comunicação Ltda.]. 1. 2.79 4 . Energia – Fontes alternativas – Brasil.br Projeto Gráfico e Diagramação Sílvio Spannenberg Aline Weirich de Paula Carolina Farion Gustavo Aguiar Capa Sílvio Spannenberg Revisão de Textos Alexandre Gonçalves Bárbara Fernandes Produção Gráfica Rafael Milani Medeiros Dados internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira Tecnologias de energias renováveis : sistemas híbridos. Barreto. biodiesel e óleo vegetal in natura / Eduardo José Fagundes Barreto … [et al. Brasília : Ministério de Minas e Energia. Eduardo José Fagundes. .) 333.

..........................................................................................................49 O estado da arte das µCH e mCH ....26 Sistema de Condicionamento de Potência ................................................................................................................................................................41 O atendimento de eletricidade às comunidades isoladas.........................................................................................................................................................................................Sumário Apresentação ......................................................................23 Grupos Geradores ....... 57 Reguladores de Velocidade e Sistemas de Controle e Automação ...................................................................................................................................................................42 O atendimento às comunidades isoladas ..........................................................62 Projeto µCH Canaã .................................................................................................................43 As µCH e mCH ................................................................... 58 Barragens ................... 40 Introdução ...................25 Sistema de Armazenamento .................35 Modelos de Gestão e Regulação............ 59 Barragens móveis ........................................................................................................................18 Energia Eólica .....41 Distribuição da população na Amazônia Legal ........ 9 Prefácio ......................37 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos ........................... 50 Turbinas Convencionais.......................................................28 Sistemas Híbridos ....................60 Alguns projetos de μCH desenvolvidos na região amazônica .............29 Projeto de Sistemas Híbridos .................33 Análise Econômica Aplicada a Sistemas Híbridos ............................................31 Instalação de Sistemas Híbridos ..........................................................................................................................................................50 Turbinas Hidráulicas .......................................................................................................................................33 Segurança em Sistemas Híbridos .....17 Energia Solar Fotovoltaica ................................................................................................................................................................................................................................................................................... 62 5 ..............................................................32 Operação e Manutenção de Sistemas Híbridos ..........................................................................................................................................................................................................................52 Turbinas não convencionais ...................... 16 Conceitos Básicos .................... 11 1 2 Sistemas Híbridos ...................53 Geradores ...............................................34 Sistemas Instalados e Experiências Adquiridas na Amazônia ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

.............................................................................. Descrição dos Métodos ... 85 Avaliação dos Impactos de uma Usina Termoelétrica a Biomassa .....................................84 Pré-dimensionamento de uma central a vapor ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 74 Calor de Reação e Poder Calorífico .........................................................86 Os Métodos.................................................. 77 Pré-tratamento da biomassa ..................................................................................................80 Central com Gasificação ...............71 Princípios para Uso de Biomassa como Combustível ............. 86 Viabilidade Econômica ....................................76 Determinação do Poder Calorífico Superior (pcs) e Poder Calorífico Inferior (pci) e Análise Elementar ......................................................................................................................................................................................... Umidade............................................................................ 78 Péletes .............67 Comentários finais ......................84 Procedimento de Cálculo de Carga ................................ Teor de Voláteis............................................................................................................................................. Cinza.............. 64 Projeto µCH Novo Plano....81 Sistema de Limpeza ........................................................................ 70 Caracterização da Geração na Amazônia ...............................................................................................85 Métodos e Modelos para Avaliação dos Impactos Ambientais ...... 74 Combustão dos Líquidos e Sólidos ............................................................................72 Conversão Energética da Biomassa .............................................3 Projeto Cachoeira do Aruã .....................69 Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida ..................................................................................................................... 79 Consumo de Biomassa de uma Planta a Vapor..........................78 Secagem .............................79 Ciclos a Vapor ..................................................................... 86 Impacto no Ciclo de Carbono – Emissões Evitadas........................ 66 Modelos de gestão para unidades de geração em comunidades isoladas ................................................................................................ 82 Dimensionamento da Carga a Ser Atendida pela Planta ...........................................................................................................................................................................................................................82 Especificação de uma Planta de Potência.............................................................. 81 Características da Biomassa para Uso num Gasificador de Extração por Baixo (Downdraft) ..................................................... 77 Caracterização Energética de Algumas Espécies Amazônicas ..................................................................................................... 65 Projeto µCH Jatoarana .............................................................. 87 6 ....................................................................................... 76 Análise Imediata........................................................................................................... 72 Reagentes com misturas ricas e pobres – Razão de Equivalência ................... 83 Curva de Carga .... 79 Processos de Conversão Energética da Biomassa .............................................................................................................................. 78 Torrefação de Biomassa ......................................................................82 Localização e Quantificação da Biomassa ..... 84 Impactos Ambientais e Formas de Mitigação ................................................... 79 Trituração ............. 78 Briquetes .................................................................................................................68 Agradecimentos .............. Carbono Fixo.................................................... 75 Caracterização da Biomassa para Fins Energéticos..

.................................................................................................................... 89 Concepção do Projeto ................................................................................................................................. 110 Escala Bancada ................................................................0 ............. 94 Software ComGás v1.....................................................................................................................90 Gestão .........91 Localização do Projeto Marajó ............................................................................................................. 107 Degomagem e neutralização do óleo vegetal bruto com fluxo de ar ........................................................................................................................................................................................................................................ 117 Propriedades Físico-Químicas dos Óleos Vegetais que Influenciam o Funcionamento dos Motores Diesel...................................................................................................87 Métodos não Determinísticos ................................................................ 108 Acidez do óleo de dendê.........................................................................113 Usina piloto de biodiesel .......................91 Computacional .................................................................................................................112 Secagem do biodiesel ......................................................................................... 91 Localização do Projeto Genipaúba ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 108 Produção de biodiesel ........................................... 94 7 ............................................................................................ 119 Kit de Conversão ...........................120 4 Conclusão sobre a viabilidade Econômica do Projeto.......................................................................................... 97 Biodiesel no Brasil . 106 Pré-tratamento do óleo ................................................................................................................................................................................Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura ................................120 Motor Elsbett ....................................116 Uso de Óleo Vegetal in Natura em Motores ................ 105 Análise do óleo vegetal ................................................................................. 112 Escala Bancada .....................................................................0 ................94 Software CicloRank v1............................................................................................................................104 Prospecção de Processos ..............89 Centrais Térmicas a Vapor ..........................................................110 Lavagem ......... 96 Alternativas Renováveis de Energia a Partir da Biomassa: Soluções Energéticas para a Amazônia..................................................................................................................................... 116 Introdução .................................................................................112 Reação de transesterificação – rota etílica – Catálise Heterogênea....88 Resultados Concretos .......................................................................89 Centrais Térmicas a Gasificação ............................................92 Sustentabilidade.....114 Óleo Vegetal in Natura em Motores de Combustão Interna ..................................112 Reação de transesterificação – Aumento de escala .........................91 Resultados......... 118 Propriedades que Influenciam a Quantidade de Energia Gerada .............................................................................................................................................................................................................................................100 ime: Pesquisas de Ponta na Área de Produção de Biocombustíveis ..............................................89 Métodos Determinísticos .................................................................................................120 Motores com pré-câmara de combustão..... 110 Reação de transesterificação – rota etílica – Catálise Homogênea ............................................................................................................................................

.........121 Motor Veicular – Cristalização do óleo de dendê in natura ........................................................................................................................................................................................................ 141 8 ...................................... 123 Desempenho do Grupo Gerador MWM D229-6 com óleo de dendê in natura .......................................................................................................................... 123 Conclusão ........ 126 Sistemas Híbridos ................. 126 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos ......... 122 Uso do óleo de dendê refinado – oleína .................................................................................................................................... 135 Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida .........................................................................................124 Referências Bibliográficas .............Desempenho do Grupo Gerador MWM D225-4 e Multi Fuel 4RTA-G da MAS com óleo de dendê in natura ....................... 139 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura ............................................................................ 123 Experiências de Eletrificação Rural Utilizando Óleo Vegetal como Combustível – Projetos implantados na Amazônia ................

não para substituir o atendimento convencional. denominada Soluções Energéticas para a Amazônia.Apresentação O Programa Luz para Todos. constituída de 5 volumes. pelo menos até o tempo em que a maturidade tecnológica se revele para as concessionárias da Região. As iniciativas para viabilizar o uso dessas alternativas. ou à falta de informação quanto à viabilidade técnica e econômica das tecnologias relacionadas a esses potenciais. desde a sua criação em novembro de 2003. para a implantação de soluções energéticas alternativas a partir de fontes renováveis de energia. ii) Sistemas Híbridos. Na Região Amazônica. essa geração apresenta grandes perspectivas para a renda local. com o aproveitamento de recursos da região. até outubro de 2008. Por outro lado. Essas ligações foram realizadas essencialmente por extensão de rede convencional. os obstáculos naturais. com sistemas térmicos a diesel. Além da energia. v) uma versão resumida de todas as tecnologias descritas anteriormente. iii) Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura. uma série de atividades destinadas ao desenvolvimento e implantação de projetos de geração de energia elétrica de pequeno porte e a capacitação de profissionais. Soluções energéticas estruturadas a partir da disponibilidade local de energia primária podem 9 . já realizou. Entretanto. O uso dessas tecnologias a partir de recursos locais disponíveis na Amazônia. a fim de diversificar a matriz energética e também reduzir os custos de transporte de combustíveis. muito utilizados na Região. sedimentada na extensão de rede elétrica. o Ministério de Minas e Energia – mme promoveu. mas principalmente como complemento. no âmbito do Programa Luz para Todos. iv) Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida. principalmente das concessionárias da Região. no horizonte de médio e longo prazos. principalmente a biomassa e os pequenos aproveitamentos hidroelétricos. Para vencer as dificuldades de eletrificar as comunidades rurais isoladas da Amazônia. com o apoio de recursos financeiros não reembolsáveis do Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento – fumin/bid. intitulada Tecnologias de Energias Renováveis. maior programa de eletrificação rural já feito no Brasil. Entre essas atividades se destaca a produção da presente coleção. que abordam as seguintes tecnologias de geração de energia renovável: i) Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos. as dificuldades de acesso e a baixa densidade populacional dificultam o atendimento de grande parte da população pelo sistema convencional de distribuição. soluções energéticas alternativas para a Amazônia devem ser buscadas. apresenta custos elevados associados à operação e manutenção e à logística de distribuição do combustível. as longas distâncias. requerem ações imediatas. correspondendo a mais de nove milhões de beneficiados na zona rural brasileira. o atendimento alternativo. tem sido pouco considerado por um conjunto de questões relacionadas à cultura das concessionárias. mais de um milhão e oitocentas mil ligações domiciliares em todo o País.

para as concessionárias e outros interessados. desde a realização de projetos-piloto com tecnologias renováveis para o atendimento de comunidades da Região Amazônica. Ministério de Minas e Energia 10 . de difundir o conhecimento sobre tecnologias de geração de energia alternativas para atendimento de comunidades isoladas. prestigiando o conhecimento das opções locais. Assim. busca construir o alargamento de opções para o futuro. essa iniciativa do mme. complementar às soluções concretas posta em marcha pelo Programa luz para todos – LpT. apropriadas para a Região. este Ministério tem trabalhado em diversas frentes. até a realização de cursos de capacitação em tecnologias renováveis. Para isso. É outro enfoque.ser uma alternativa viável e sustentável para eletrificar essas áreas.

2006. todos os inúteis. quase ignota Amazônia. Editora da Universidade do Amazonas. impelidos pelas grandes secas de 1879–1880. E não desapareceram. Fato registrado. “que como verdaderos piratas de los rios que pertencian ao domínio de Castilha. Manaus. Manaus. 1900–1901. viajante francês. despovoada. Introdução. nas suas palavras: que “a regeneração desse belo país é tarefa acima das suas forças e que um futuro virá na forma de uma migração européia. in Amazônia – Um Paraíso Perdido. A intervenção governamental se resumia à tarefa expurgatória para livrar os grandes centros urbanos. sob protesto. abundante de gênio e vigor natural”. 2006 3 Viagem pelo Rio Amazonas. o que equivalia a expatriá-los dentro da própria pátria. organizado por Renan Freitas Pinto. buscou proteger as missões espanholas que se estendiam até as barras do Rio Negro. Editora da Universidade Federal do Amazonas. Manaus.” 1. Mais. Reclamou os direitos da igreja e coroa espanhola junto ao governador do Maranhão e Grão-Pará. foi conquistada. Em sua viagem cartografou o grande rio e seus tributários. mapa de grande valor. 1889–1890. Contradizendo Marcoy. Segundo ele. designando-a como uma seleção natural invertida. na qual todos os fracos. todos os doentes e todos os sacrificados.. eram expedidos a esmo. foi atacada e aprisionada por navios ingleses em 1708. contra os excessos dos portugueses. desfia vigorosa e poética narrativa sobre a migração nordestina para os confins do Acre. legou-nos brilhantes relatos 4 do que viu e do que sentiu. ao dar com a aparência triste e desolada das cidades ribeirinhas abandonadas. opina que as conquistas portuguesas e espanholas lançaram nos países subjugados e nos seus povoados os germes da destruição e não as sementes da vida. Editora da Universidade do Amazonas. “os banidos levavam a missão dolorosíssima e única de desaparecerem. Manaus. em menos 1 O diário do Padre Samuel Fritz. llevabán cautivos y hacian esclavos á cuantos índios encontraban. 4 Um Clima Caluniado. 2003. primeiramente reproduzido pelos ingleses 2. 2006 2 A frota espanhola que. Esqueceu-se Marcoy que Espanha e Portugal são parte do gênio e vigor natural do Velho Continente? Euclides da Cunha viajou pelo Purus e outros rios importantes da planície Amazônia. Editora Valer Universidade Federal do Amazonas. missionário da Igreja espanhola na América. que em sua saga pelo Amazonas. alemão.. assenhoreada de quase toda Hylea pelo Tratado de Tordesilhas. em mais uma das memoráveis epopéias portuguesas. e com o impacto do colonizador sobre o nativo e a natureza. 11 . pelo padre jesuíta Samuel Fritz. como o rebotalho das gentes. Paul Marcoy 3 . em famoso périplo pelo Amazonas em meados do século XIX. levava o mapa para a Espanha. Rodolfo Garcia. organizado por Renan Freitas Pinto. desde a província de Quito a Belém do Pará. Ao contrário. para ocupar a vastíssima. entre outras coisas. Primeiramente sob o domínio da coroa espanhola.Prefácio A Amazônia é um desafio desde que foi descoberta pela civilização européia. ao longo dos séculos xvi a xviii. O diário do Padre Samuel Fritz.

” Fazendo coro a Euclides da Cunha podemos então dizer que conquistamos a Amazônia. A resposta mais adequada poderá ser o uso de tecnologias renováveis adaptáveis às condições locais: pequenos aproveitamentos hidroelétricos. não em horas. florestas e outros acidentes geográficos e o tempo. o atendimento convencional realizado com sistemas térmicos a diesel não é conveniente. se refere ao uso da energia e à gestão de cada unidade de geração descentralizada. Desses tempos para cá muitas coisas aconteceram e muitos conhecimentos foram aos poucos revelados: a importância da floresta para o equilíbrio climático do planeta hoje é incontestável. e da forma mais surpreendentemente possível. e a rural do capital. seja pela sinalização dada de contradizer. Sem mencionar os custos econômicos e os problemas logísticos dessa alternativa. principalmente Manaus. cada vez mais difíceis de serem demovidos. a estirar-se. oriunda daquela ocupação relatada por Euclides da Cunha. para sudoeste. Revelam-se. isolada da civilização e ainda teimosamente sobrevivente. Nossa missão é preservá-la. energia solar. Nesse ponto devemos admitir que toda nossa rica cultura de prestação de serviços de energia. de subsistência. A planície amazônica – toda a bacia do Solimões com seus mais importantes afluentes Purus. O outro. a riqueza dos produtos da floresta abre um sem-número de oportunidades. Todavia. igarapés. exigirá a quebra de paradigmas no setor elétrico: a descentralização do serviço. baseada na extensão da rede convencional do sistema interligado e todas as regras impostas pela legislação para garantir a qualidade do serviço e o equilíbrio econômico financeiro da concessão. portanto. É sobre esses últimos que devemos voltar nossos esforços. de outro lado. 12 . é talvez mais complexa. inegável o valor ecológico e econômico da Hylea. que se conta em dias. A imensidão do território e a sua descontinuidade imposta pelos rios. um deserto empantanado. podem não servir para a Amazônia isolada. a resposta tecnológica atende apenas a um lado do problema. A eletrificação dessas comunidades rurais isoladas é fundamental para trazer suas populações para a contemporaneidade do mundo. que desperta cobiças globais. e esse é o papel desempenhado pelo Programa Luz para Todos. A grandeza do território deverá ser enfrentada de forma fragmentada. avantajando-se aos primeiros pontos do nosso desenvolvimento econômico. Juruá. A Amazônia que nos espera. Demos seguimento à saga portuguesa. tradicional. biodiesel e etanol para uso motores de combustão interna. seja pela cristalização de interesses. aproveitando as disponibilidades locais e diversificada de energéticos. ainda detentora de conhecimentos herdados dos nativos. produtora de excedentes.de trinta anos. e parte do Amazonas com seus tributários – permanece ainda pouco tocada. a rural. explorando-a com toda a inteligência legada pela civilização. duas Amazônias: de um lado. com exceção das grandes cidades. igapós. o Estado que era uma vaga expressão geográfica. definiu-se de chofre. hoje conhecida como o Arco do Desmatamento. A primeira tarefa é oferecer dignidade àqueles que a dominaram: minimizar seus sofrimentos e assegurar uma vida com o melhor da civilização: educação e saúde públicas de boa qualidade. igual a qualquer grande centro do Sul-Sudeste. De igual modo. a consciência universal de restrição ao uso de combustíveis fósseis. talvez sem precedentes na história da humanidade. sem lindes. em plena Amazônia. portanto. A expansão do capitalismo para a fronteira amazônica transfigurou a região. produção de óleo vegetal in natura. bem mais complexo. a urbana. Javari. resíduos de biomassa sólida para caldeiras e turbinas a vapor.

por professores/pesquisadores da Universidade Federal da Pará – ufpa. da Cooperação Técnica atn/mt 6697-br. de universidades e de outras instituições relacionadas. Posteriormente. achamos por bem incluir gasificação de biomassa sólida. um básico (40h). que se ainda não madura para geração de eletricidade. Por certo. para capacitar profissionais do setor elétrico. Apoiar vigorosamente o beneficiamento de espécies da Região que pode assentar firmemente o homem. O Projeto Soluções Energéticas para a Amazônia foi executado. labutando com comunidades isoladas e com larga experiência em tecnologias alternativas. solar fotovoltaica e grupo-gerador diesel. realizada entre o mme e o Banco Interamericano de Desenvolvimento – bid. todas essas conjecturas podem de nada valer se legítimos representantes dos amazônidas não participarem ativamente das soluções. principalmente os mais jovens. inclusive no âmbito do Edital CT-Energ. serão fundamentais para apontar as melhores soluções. ii) pequenos aproveitamentos hidroelétricos com turbinas de baixa queda. preferencialmente que devessem apresentar os seguintes atributos: simplicidade. Difícil. da Universidade Federal de Itajubá-Unifei.Novamente nos deparamos com a necessidade de um modelo que aparentemente contradita com o regime de concessão dos serviços públicos. O uso produtivo da energia poderá estar associado à formas de gestão que possa vir a facilitar o serviço da concessionária nessas áreas remotas. desde o Edital do CT-Energ. realizada entre o mme e o bid. Posteriormente. simplicidade e uniformidade das suas operações. As tecnologias foram: i) sistemas híbridos. As tecnologias escolhidas foram aquelas que ofereciam condições para o atendimento desse objetivo. pesquisadores com muitos anos de serviço em campo. por meio de Cartas de Acordo com o mme. esta última tendo contado com a fundamental colaboração do Instituto Militar de Engenharia – ime. 2003. parte dos projetos aprovados nesse Edital foi apoiada pelo Fundo Multilateral de Investimentos – fumin. da Universidade Federal do Amazonas – ufam. A escolha dessas instituições se deveu à experiência dos seus pesquisadores na implantação de projetos com energias renováveis no interior da Amazônia. para identificar modelos de gestão adequados e sustentáveis para os projetos. realizado simultaneamente nas noves capitais da 13 . apresenta potencial para outros aproveitamentos. que objetivava identificar respostas tecnológicas aos desafios colocados. iii) queima de resíduos de biomassa em caldeira/turbina a vapor e iv) produção e de biodiesel e de óleo vegetal in natura para uso em motores de combustão interna. Talvez a resposta para esse desafio possa ser encontrada num programa complementar de estímulo à cooperação nessas comunidades. A idéia consistia basicamente em usar recursos do Japan Special Fund – jsf da Cooperação Técnica atn/jf-6630-br. com a combinação de energia eólica. 2003. Posteriormente. robustez e baixo custo de manutenção e produção em escala. confiabilidade. Por isso que o Ministério de Minas e Energia buscou a cooperação desses profissionais. com suas expertises. para a elaboração e execução de projetos descentralizados com energias renováveis para atendimento de comunidades isoladas da Amazônia. nasceu também no mme. Os resultados desse projeto são conhecidos: realização de dois cursos de capacitação para cerca de 400 profissionais. nas áreas rurais. talvez até mesmo inverter o processo migratório. ajudando a conter a migração para os grandes centros. Contudo. o Projeto Soluções Energéticas para a Amazônia. 2003. inclusive para produção de frio. que são fundamentais para manter suas tarifas em um nível suportável pelos seus usuários. em 2006. mas não impossível. concebido no transcorrer da implantação dos projetos-pilotos aprovados no Edital do CT-Energ. Esta necessita de escala.

verdadeiros artífices: João Tavares Pinho. que. e a Marcelo Zonta. iii) Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida. e a Manuela Ordine Lopes Homem Del Rey. Aron Costa Falek. iv) Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura. e v) Tecnologias de Energias Renováveis. que acabou por contribuir de forma decisiva para o sucesso do evento: Carla Segui Scheer. Esteve presente desde a concepção e acompanhou todo o processo de execução. que na execução de uma das suas partes mais difíceis. coordenaram o tema produção de biodiesel e de óleo vegetal in natura para uso em motores de combustão interna. Ao professor Roberto Zilles. José de Castro Correia. que também contribuíram nessa área com seus conhecimentos em turbinas hidrocinéticas. Alessandro Ferreira Caldeira e Samuel da Silva Lemos. O último produto dessa bem sucedida cooperação técnica é a presente coleção de livros “Soluções Energéticas para a Amazônia”. que ajudou com muita eficiência a coordenação dos trabalhos. Para finalizar. Geraldo Lúcio Tiago. responsável por um dos mais bem sucedidos projetos do CT-Energ. que embora não sendo da Amazônia. pela disposição em discutir todos os assuntos referentes às tecnologias em pauta. os professores/pesquisadores que meteram a mão na massa. No mme esse projeto contou com o firme apoio de Antonio João da Silva. que aceitou fazer a revisão técnica do livro Sistemas Híbridos. primeiramente. Assiz Ramos e Roberto Flaviano Amaral. arrisco dizer. Espera-se que esses livros se constituam como referência para o setor elétrico. ambos apoiados por manuais de elaboração de projetos nas tecnologias acima citadas. também preparados no âmbito dessa cooperação técnica. Ainda um agradecimento muito especial a Lucia Mitico Seo e José Renato Esteves Júnior. principalmente quando se for dada a necessária atenção ao atendimento de comunidades isoladas. sempre dispostos a discutir assuntos do projeto. do ime. Mobilizou toda a sua equipe para viabilizar o projeto: Eder Julio Ferreira e Manoel Antonio do Prado. principalmente quando se tratava das propostas 14 . gentilmente cedeu parte da sua equipe. ii) Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos. realizado nas universidades acima citadas. e Rudi Van Els. ele também procedeu a uma revisão técnica das publicações que trataram desse tema.Amazônia Legal. e um avançado (160h). a capacitação simultânea de 370 profissionais nas nove capitais da Amazônia. que coordenou o tema sistemas híbridos e Gonçalo Rendeiro e Manoel Nogueira que coordenaram combustão e gasificação de biomassa. da usp. sem ele não teria sido possível. Elane da Cunha Muiz Caruso e Luis Henrique dos Santos Bello. gostaria de agradecer a todos aqueles que colaboraram ativamente com a execução desse projeto.2003. que com o providencial apoio da profª Wilma de Araújo Gonzalez e equipe. trabalho que executou com entusiasmo desinteressado. da UnB. e suas respectivas equipes. Devemos agradecimentos ainda a Armando Cardoso. em especial o uso de biocombustíveis em motores de combustão interna. da ufam. juntamente com sua equipe desenvolveu alguns projetos bem sucedidos de pequenos aproveitamentos hidroelétricos na região e Antonio Cesar Pinho Brasil Jr. sempre trabalhando com muita diligência. E ao professor Gutemberg Pereira Dias. pela presteza e competência no apoio. sendo que quatro deles representando um conjunto de tecnologias e um volume com a síntese das tecnologias apresentadas: i) Sistemas Híbridos. sempre buscando apresentar as soluções quando o projeto encontrava dificuldades no seu cumprimento. Esses treinamentos foram realizados entre novembro de 2007 e maio de 2008. sempre muito solícitos para o atendimento de demandas do projeto. da Unifei. todos da ufpa.

que acreditou no projeto. No bid. Ismael Gílio. e também à sua fiel escudeira.de arte das publicações. Diretor do Programa Luz para Todos. Helio Morito Shinoda. sinceros agradecimentos a Dr. Marília Santos. apesar de todas as dificuldades por que passamos. e demais integrantes da equipe. especialista setorial. Eduardo José Fagundes Barreto Coordenador 15 . bem como aquelas expressas nos livros desta coleção. As opiniões constantes neste prefácio. são de exclusiva responsabilidade dos seus autores. Por fim. os agradecimentos vão para Dr.

1 Sistemas Híbridos Soluções Energéticas para a Amazônia João Tavares Pinho (Coordenador) Claudomiro Fábio Oliveira Barbosa Edinaldo José da Silva Pereira Hallan Max Silva Souza João Tavares Pinho Luis Carlos Macedo Blasques Marcos André Barros Galhardo Wilson Negrão Macêdo 16 Tecnologias de Energias Renováveis .

Conceitos Básicos
Sabe-se que a energia é um insumo fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Atualmente, o homem está cada vez mais dependente de energia, pois com sua inteligência desenvolveu maneiras para acomodar suas necessidades e desejos, utilizando-se das mais variadas formas de energia para tal. O que nos primórdios da humanidade dependia quase que exclusivamente da força bruta do homem – caçar, plantar, colher, pescar, transportar construir – com o passar do tempo foi adequado ao uso de máquinas e serviços baseados na transformação da energia. Hoje, o homem caça usando armas diversas, planta e colhe com tratores, pesca com barcos velozes e multifuncionais, transporta e constrói com veículos e engrenagens movidas a energia. A dependência, portanto, da energia cresce em diversificação e em intensidade em todo o mundo. O uso da energia deve, entretanto, ser atrelado ao tipo de recurso energético disponível, sua viabilidade técnica e econômica, além dos impactos ambientais associados ao seu aproveitamento. Qualquer que seja a tecnologia aplicada, em maior ou menor grau, produzirá algum tipo de rejeito ou impacto ambiental. Os efeitos nocivos ao meio ambiente e ao homem quase sempre não são contabilizados nas análises econômicas dos projetos de geração de energia. Durante muito tempo, a lógica foi produzir bens e atender necessidades sem dar importância à vida. São diversos os tipos de recursos energéticos, todos eles direta ou indiretamente dependentes da fonte primária de energia da Terra – o Sol. Fontes de energia ditas renováveis, solar e eólica, por exemplo, ou não-renováveis como os combustíveis fósseis, podem e devem ser utilizadas de forma única ou combinada (sistemas híbridos) para melhorar a qualidade de vida do homem. A opção por qualquer alternativa, ainda que viável técnica e economicamente, passa pelo respeito ao meio ambiente, aos costumes e à cultura dos envolvidos. No Brasil, a maior parte da energia consumida é proveniente do petróleo e seus derivados, o que contribui para o aumento da poluição atmosférica e de doenças respiratórias, incremento do efeito estufa e dispêndio de divisas para aquisição do mesmo. A matriz energética brasileira também agrega um percentual importante associado à energia produzida em sua maior parte pelas grandes hidrelétricas e diversas termelétricas espalhadas pelo País. Este benefício, contudo, não atinge grande parte da população brasileira, especialmente no norte do País, onde as linhas de transmissão passam por sobre vilarejos sem expressão econômica, deixando seus moradores às escuras, desassistidos, sem perspectivas de crescimento como cidadãos. Outras formas de energia abundantes no Brasil podem ser utilizadas para, pelo menos, mitigar o isolamento social e econômico de municípios e pequenos consumidores distantes da rede integrada nacional e não atendidos pelas concessionárias de energia elétrica. A energia de fontes solar, eólica, hídrica, térmica, biomassa e outras estão disponíveis no Brasil e precisam ter seu uso incentivado através de políticas públicas que fortaleçam seu desenvolvimento. Esperar que

Sistemas Híbridos

17

apenas uma das fontes citadas resolva o problema de energia no País é irreal, porém o aproveitamento da disponibilidade local de cada uma delas pode trazer contribuição significativa à matriz energética brasileira. Esta já é uma realidade em países desenvolvidos, como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, onde as fontes renováveis respondem por parcela considerável na produção de energia. A produção e o uso de energia não podem deixar de lado, entretanto, os cuidados com as questões ambientais. Diversos fóruns internacionais têm discutido questões como o efeito estufa, destino de rejeitos radiativos, poluição de cursos d’água, degradação do solo pelo uso de agrotóxicos, aparecimento de novas doenças, destruição de florestas, etc. Estes problemas ainda hoje são de difícil quantificação, porém suas conseqüências danosas e, às vezes irreversíveis, precisam ser mais bem consideradas.

Energia Solar Fotovoltaica
O aproveitamento da energia solar para produção direta de eletricidade teve início há pouco mais de 160 anos quando, em 1839, o cientista francês Edmond Becquerel descobriu o efeito fotovoltaico, ao observar, em um experimento com uma célula eletrolítica (dois eletrodos metálicos dispostos em uma solução condutora), que a geração de eletricidade aumentava quando a célula era exposta à luz. A partir daí, foram estudados os comportamentos de diversos materiais expostos à luz até o ano de 1954, quando Daryl Chapin, Calvin Fuller e Gerald Pearson desenvolveram a primeira célula fotovoltaica (FV) de silício, com eficiência de 6%, capaz de converter energia solar em eletricidade suficiente para alimentar equipamentos elétricos. No ano de 1958, iniciou-se a utilização de células FV em aplicações espaciais e até hoje essa fonte é reconhecida como a mais adequada para essas aplicações. Desde então, a evolução do mercado FV vem sendo bastante intensa, tornando comuns aplicações em sistemas domésticos, sinalização marítima, eletrificação de cercas e outros. Em 2004, foi finalizado o projeto do maior sistema FV do mundo, o parque solar da Bavária, Alemanha, de 10 MWp de potência instalada. Dentre os principais países produtores de células fotovoltaicas no mundo, destacam-se: Japão, Alemanha e Estados Unidos (eua). O Japão foi o líder na produção de células e módulos fotovoltaicos durante o ano de 2006, com cifras de 920 MW e 645 MW, respectivamente (figura 1.1). A produtora japonesa Sharp se mantém líder, com a produtora alemã Q-cells em segunda posição, seguida da Kyocera, Sanyo Electric e Mitsubishi Electric. Essas cinco companhias somaram 60% do total de produção de células em 2006. Apesar de o Japão ainda liderar a produção de células, é a Alemanha que lidera a demanda fotovoltaica, seguida do Japão e eua. Essa demanda se deve basicamente à utilização de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica, que corresponde à principal aplicação de geração de energia elétrica com sistemas fotovoltaicos nos países desenvolvidos. O aproveitamento solar fotovoltaico passa inicialmente pelo conhecimento dos fatores que influenciam na disponibilidade do recurso e na caracterização desse recurso. No dia-a-dia observa-se o movimento aparente do Sol numa direção que vai de leste a oeste, ou simplesmente o nascer e o pôr-do-sol. Notam-se também as variações que ocorrem na duração dos dias e das noites em diferentes épocas do ano em algumas regiões. Os movimentos que a Terra realiza são muitos; sendo os mais conhecidos o de rotação, que tem duração de aproximadamente um dia, e o de translação, que dura aproximadamente 365 dias (figuras 1.2 e 1.3). Dentre as

18

Tecnologias de Energias Renováveis

Figura 1.1 – Produção de células fotovoltaicas, em MW por país. [photon international, 2007].

conseqüências diretas desses movimentos podem ser citadas as diferentes durações do dia e da noite em diferentes regiões do globo e as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Outros fatores como as variações irregulares são determinantes na quantidade do recurso solar disponível de uma dada localidade.

Figura 1.2 – Órbita da Terra em torno do Sol: posição da terra com relação ao sol nos solstícios e equinócios

Figura 1.3 – A Terra e o Sol nas posições dos solstícios e dos equinócios

Sistemas Híbridos

19

Uma associação de módulos dá origem a um gerador ou arranjo FV.4 – Processo de conversão fotovoltaica Devido à baixa tensão e corrente de saída em uma célula fotovoltaica. e possui uma tecnologia consolidada devido à sua utilização predominante no ramo da microeletrônica.O efeito fotovoltaico é definido como a conversão direta de luz em eletricidade. a irradiância e a temperatura são os mais importantes. enquanto que altos valores de temperatura da célula reduzem a tensão em maiores proporções que aumentam a corrente. Dentre os fatores que influenciam as características da célula. os módulos podem ser associados em série e/ou paralelo. O dispositivo responsável pela conversão da luz incidente em eletricidade é denominado de célula fotovoltaica. haverá uma circulação de elétrons (figura 1. agrupam-se várias células formando um módulo. para que se obtenham tensões úteis na prática. sendo. corrente e/ou tensão. 20 Tecnologias de Energias Renováveis . Os seus fundamentos baseiam-se na teoria do diodo de junção pn. devido a três fatores principais: o silício não é tóxico. e os elementos que constituem o dispositivo conversor são chamados de fotoelementos. A figura 1. as cargas serão aceleradas. Se isto acontecer na região onde o campo elétrico é diferente de zero. em escala comercial. Se uma junção pn for exposta a fótons com energia maior que a da banda proibida. esse deslocamento de cargas dá origem a uma diferença de potencial à qual chama-se de efeito fotovoltaico.5 mostra a participação das principais tecnologias utilizadas comercialmente na confecção de células e módulos fotovoltaicos. Baixos níveis de irradiância reduzem a corrente gerada sem causar redução considerável à tensão. dependendo dos valores desejados. Figura 1. Os materiais empregados na sua construção são elementos semicondutores. Para garantir maiores níveis de potência.4). gerando assim uma corrente através da junção. a maioria fabricada de silício. é o segundo elemento mais abundante na natureza (o primeiro é o oxigênio). deslocando assim o ponto de máxima potência para a esquerda. ocorrerá a geração de pares elétron-lacuna. Se as duas extremidades do “bloco” de silício forem conectadas a um circuito externo. O arranjo das células nos módulos pode ser feito conectando-as em série e/ou em paralelo.

podendo ser encontrado nas formas monocristalina. apresentando Sistemas Híbridos 21 . multicristalina ou policristalina.Figura 1. Comercialmente. caracterizando-se por terem uma estrutura de átomos que se repete. Acredita-se que novas tecnologias empregadas na fabricação do silício possam alterar esse quadro. Todas as tecnologias acima citadas são mais bem descritas a seguir: 1.5 – Participação das principais tecnologias utilizadas comercialmente na confecção de células e módulos fotovoltaicos [photon international. porém apresentam eficiência também reduzida. As células de silício monocristalino são desenvolvidas a partir de um único cristal. Células de Arseneto de Gálio (GaAs): têm estrutura similar à do silício. devido ao processo construtivo. dispostos de maneira não alinhada. 4. Apresentam elevada vida útil. 2. Células de Silício Amorfo: não apresentam qualquer ordenamento na estrutura dos átomos. 3. Atualmente. embora haja uma pequena perda de eficiência. O silício é o segundo material mais abundante na crosta terrestre e células fabricadas com esse material não apresentam problemas ambientais causados pela combinação dos seus elementos constituintes. e amorfa. com o máximo valor comercial atingindo 10%. 2007] A maioria dos materiais utilizados na conversão fotovoltaica são cristalinos. Esse procedimento visa reduzir custos de fabricação. a eficiência dessas células já atinge valores próximos a 16%. Seus custos de material são reduzidos se comparados às células anteriores. sendo essas diferenças atualmente pouco perceptíveis. Os avanços tecnológicos vêm reduzindo bastante as diferenças de custo e eficiência entre as células mono e policristalinas. e ao alto consumo de energia nos processos de fabricação. Células de Silício Monocristalino: são atualmente as mais utilizadas comercialmente. Células de Silício Poli ou Multicristalino: são constituídas de diversos cristais em contato entre si. o silício ainda é o material mais utilizado na produção de células FV. As desvantagens estão relacionadas com o alto custo de produção.

Células de Telureto de Cádmio (CdTe): também são compostas por arranjos policristalinos. pois não necessitam de sistemas de armazenamento.6 – Módulos FV fabricados comercialmente a partir de células de silício (a) monocristalino. 22 Tecnologias de Energias Renováveis . basicamente. os sistemas de fornecimento de eletricidade isolados vêm se tornando cada vez mais padronizados e flexíveis. porém apresentam dificuldade no processo de dopagem. podendo captar uma larga faixa do espectro solar.2% e comercias da ordem de 14%. principalmente devido ao complexo processo de produção envolvido. devido à presença do Índio. Atualmente. resultando em custos muito elevados. Um exemplo prático desse desenvolvimento está justamente na utilização de sistemas fotovoltaicos interligados a minirredes isoladas para o atendimento de pequenas comunidades. Ideais para utilização em sistemas com concentração. pode-se separar o mercado em dois principais setores: o silício cristalino ( monocristalino e o policristalino) e o silício amorfo. Os sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica são mais eficientes. No entanto.5% e comercias da ordem de 11%. o gasto de material é maior do que no silício amorfo. (b) policristalino e (c) amorfo Em localidades sem o atendimento elétrico convencional. os módulos fotovoltaicos constituem uma alternativa viável quando comparada com a extensão da rede elétrica. 6. Essa tecnologia pode ocasionar contaminação ambiental devido à combinação de seus elementos. Apresentam eficiências máximas laboratoriais de 19. Os riscos ambientais apresentados são mínimos. A figura abaixo ilustra três painéis correspondentes às tecnologias cristalina e amorfa: a b c Figura 1.eficiência ligeiramente superior. são pouco utilizadas em escala terrestre. econômicos. semelhante ao que acontece nos grandes centros urbanos. 5. em média 40% mais baratos. à semelhança cada vez maior entre as características elétricas de atendimento dos sistemas convencionais (rede elétrica) e as características de atendimento dos sistemas destinados a localidades isoladas. Células de Disseleneto de Cobre-Índio (cis): são compostas por um material policristalino. A respeito da tecnologia de produção de eletricidade utilizando-se o efeito fotovoltaico. e de maior durabilidade que os sistemas fotovoltaicos autônomos. fornecendo energia diretamente no barramento CA. Atingem eficiências máximas laboratoriais da ordem de 16. diesel e outras fontes. Isso se deve.

os primeiros sopram sobre a atmosfera e os últimos sopram próximo à superfície. desempenha papel fundamental para o bom desempenho do sistema.7 – Perfil vertical de vento A primeira etapa no estudo da energia eólica para conversão em eletricidade é a avaliação do potencial eólico. Esta variação pode ser extrapolada. pouco significativa a alturas próximas a 150 m. a fim de se obter o novo valor de velocidade a uma altura diferente. O fenômeno de variação da velocidade de vento com a altura é denominado de perfil vertical de vento. São classificados como gerais e locais. mais acentuada em alturas próximas à superfície. conhecendo-se a velocidade de vento a uma altura qualquer. desde as mais fundamentais até as mais particulares. termômetros e barômetros são utilizados para medição. A avaliação é iniciada com a medição dos parâmetros de interesse. Os ventos são resultantes do movimento do ar na atmosfera. temperatura e pressão Sistemas Híbridos 23 . Figura 1. sensores de direção de vento. parâmetro mais importante no estudo da conversão eólio-elétrica. e são originados.Energia Eólica Em sistemas híbridos do tipo fotovoltaico-eólico-diesel a energia eólica. pelo aquecimento heterogêneo da superfície terrestre pela radiação solar e pelo movimento de rotação da Terra. seus conceitos básicos e suas formas de circulação na atmosfera terrestre são temas fundamentais e de grande importância para o estudo da energia eólica como fonte de geração de eletricidade. A velocidade de vento. basicamente. de velocidade e direção de vento. e nula a aproximadamente 2 km sobre o solo. Instrumentos de medição como anemômetros. varia com a altura.7). assim como a energia solar. conhecidos como perfis da lei de potência e logarítmico do vento (figura 1. respectivamente. sendo essa variação nula na superfície do solo. através de dois modelos. é de extrema importância para garantir um projeto bem dimensionado. bem como para uma correta instalação. a escolha de equipamentos adequados para cada situação. O conhecimento de suas características. As características do vento.

Sistema de refrigeração 4. Seu máximo teórico é definido pelo limite de Betz (16/27. e gerador elétrico. bem como sua localização em uma altura adequada para o melhor aproveitamento da potencialidade eólica disponível (figura 1. O coeficiente de potência é um fator limitante da potência efetivamente aproveitada por um sistema eólico.Torre 18. Se consideradas as demais perdas envolvidas no processo de conversão. apesar de não influenciar diretamente no aproveitamento eólico. O rotor eólico é o componente mais característico de um aerogerador.Cubo do rotor 10. porém alcança valores menores na prática.Nacele 13.Anel de orientação 16. Outros parâmetros de importância são a densidade do ar e a área varrida pelas pás do rotor eólico.atmosférica. é o compartimento responsável pelo abrigo.Unidade de controle 5.Suporte das pás 12. A nacele.Eixo principal 7. Os aerogeradores são os equipamentos responsáveis pela conversão eólio-elétrica. mecânicas e elétricas. medida por higrômetros. sistema de multiplicação. são os eixos de baixa e alta velocidade. com exceção do rotor. e representa a parcela de potência do vento que pode efetivamente ser aproveitada por uma turbina eólica.Freio 17. o coeficiente de potência pode ser igualado à eficiência global de conversão.Cone 11.Sistema de multiplicação 6. ou 0. A torre tem como função básica o suporte do rotor e demais componentes do aerogerador. além do rotor eólico e suas pás.Grua de manutenção 2.Pá 9. Os principais valores de velocidade de vento de uma curva de potência são 24 Tecnologias de Energias Renováveis .593).8). é avaliada para a determinação de influências indiretas. também conhecida por gôndola. a avaliação é normalmente realizada através de modelos probabilísticos. A distribuição de Weibull é o modelo probabilístico mais utilizado para representar as curvas de freqüência de velocidade do vento. como as perdas aerodinâmicas. sistema de orientação. para cada faixa de velocidade de vento.Sistema hidráulico 14. De posse dos dados medidos. Uma das classificações típicas de aerogeradores é aquela dada em função da direção de seu eixo de rotação em relação ao vento. que determina os valores de potência disponíveis na saída do aerogerador.Eixo de alta velocidade Figura 1.Sistema de bloqueio do rotor 8. Fonte: gamesa. proteção e sustentação de todos os componentes do aerogerador.Amortecedor 15. A potência disponível no vento é proporcional ao cubo da velocidade de vento. mecanismos de controle. 1.Sistema de orientação 19. Os componentes principais de aerogeradores de eixo horizontal. Valores médios. 2007 O desempenho dos aerogeradores é normalmente determinado em função de sua curva de potência. Atualmente.Gerador 3.8 – Algumas partes constituintes de um aerogerador. A umidade relativa do ar. desvio padrão e funções de distribuição são utilizados para avaliar o comportamento do potencial eólico. os aerogeradores mais comuns são aqueles de eixo horizontal.

típicos de sistemas eólicos. estar conectados ao sistema interligado. Figura 1. Grupos Geradores Os grupos geradores são máquinas muito utilizadas para o fornecimento de energia elétrica. a velocidade nominal. considerando-se um período de tempo qualquer. O fator de capacidade é a razão entre a energia efetivamente gerada por um aerogerador e sua potência nominal. configurando o que se conhece como geração distribuída. morcegos e insetos. e a interferência eletromagnética. e podem ser a única fonte de geração em um sistema isolado. protegendo-o contra danos estruturais. na qual o movimento do rotor eólico é interrompido. o sonoro é bastante reduzido se comparado a outras fontes de ruídos. e a ocupação de áreas está sendo minimizada com a instalação de sistemas no mar. causada pela reflexão ou distorção de ondas eletromagnéticas emitidas por sistemas de transmissão de sinais.a velocidade de partida. Sistemas Híbridos 25 . Outra forma de se determinar o desempenho de aerogeradores é através do fator de capacidade. Quanto maior o fator de capacidade.9 – Conceitos relacionados a um rotor eólico Sistemas eólicos podem ser instalados em terra (onshore) e no mar (offshore). que indica o real rendimento de um aerogerador. ou ainda compor. com outras fontes de geração. e a velocidade de corte. são os desvios de rotas migratórias e mortes de aves. Dentro da região amazônica. mas que vêm sendo bastante minimizados com o passar do tempo. aquela na qual a potência nominal do aerogerador é extraída. um sistema híbrido isolado. eles são bastante aplicados para atender a localidades situadas em zonas rurais e em lugares isolados do sistema interligado nacional. O visual é basicamente comum a todas as fontes de geração. Outros impactos. a mínima para que o rotor saia de seu estado de repouso inicial e inicie a geração de energia. considerando todas as perdas no processo de conversão. Os impactos ambientais de sistemas eólicos podem ser considerados de pequena escala. melhor o desempenho do aerogerador.

que pode ser do tipo otto ou diesel. existe grande interesse por parte do governo em realizar adaptações nos motores para que eles passem a funcionar com a utilização de biodiesel. Os grupos geradores podem ser utilizados em conjunto com outras fontes de energia.10 – Esquema de combustão para o motor de quatro tempos [http://mea. e ao iniciar a partida esse motor aciona o eixo de um gerador elétrico fornecendo tensão nos seus terminais. Outro fator está relacionado com a poluição do meio ambiente. além de a logística para a obtenção do combustível ser onerosa. caracterizando assim os denominados sistemas híbridos. onde o operador poderá realizar a partida e parada da máquina além de monitorar as grandezas elétricas tais como tensão. dependendo dos ciclos diários. Sistema de Armazenamento A natureza das fontes renováveis solar e eólica é intrinsecamente variável no tempo.Na maioria das vezes. o correto fornecimento 26 Tecnologias de Energias Renováveis . são muitos os momentos nos quais a potência elétrica que pode ser entregue pela parte renovável difere. existirá a necessidade ou não da utilização de unidades de supervisionamento e controle em corrente alternada (usca). a operação de um grupo gerador é feita através da inserção de combustível no motor de combustão interna. freqüência. Como conseqüência disso. principalmente por apresentar uma ampla faixa de potência comercialmente disponível. contribuindo assim para a diminuição dos impactos ambientais. solar). No caso particular dos sistemas híbridos de produção de eletricidade. Figura 1. tanto no transporte e armazenamento do combustível com possibilidade de vazamentos do material como no funcionamento do grupo gerador através da emissão de gases poluentes para a atmosfera. corrente. das estações do ano e das variações aleatórias da atmosfera.br/ricardo/pos/Aula_01. da qual é demandada por uma determinada aplicação. por excesso ou por déficit.pdf. o preço de aquisição menor quando comparado com outras fontes de energia (eólica. 2007] A fácil aquisição desse maquinário. A desvantagem em utilizar grupos geradores está no fato de que o custo de operação e manutenção é elevado. além de sua robustez o torna atrativo para atendimento de localidades isoladas. além de essas máquinas operarem em sua maioria com o diesel.pucminas. Atualmente. Dependendo do porte dos grupos geradores.

Normalmente. Um exemplo bem conhecido é a bateria usada para partida. durante o processo de carga. Š Fotovoltaicas: Projetadas para ciclos diários rasos com taxas de descarga reduzidas (descargas profundas esporádicas. devendo trabalhar na horizontal. de modo a reduzir a perda de água decorrente da eletrólise da água. As células são integradas e conectadas em série com somente um conjunto de terminais. da ordem de 30% (partida). como primárias (ou não recarregáveis) e secundárias (ou recarregáveis). o eletrólito é confinado no separador ou sob a forma de gel. Além disso. Dentre os tipos de baterias primárias podem ser citadas as pilhas. as baterias automotivas são as mais conhecidas. em que 6 células são conectadas em série. As baterias abertas são aquelas onde o nível de eletrólito deve ser periodicamente verificado. não recarregáveis. para utilizá-la em situação inversa. Com relação às baterias secundárias. e suas características variam em função da sua forma construtiva e dos elementos que as compõem. porém vendidas como um bloco de 12 V. a tensão nominal de uma célula situa-se entre 1. A tensão nominal de uma bateria é assim definida pelo número de células conectadas em série. Em relação ao tipo de utilização. Como características principais destacam-se a resistência ao processo de ciclagem e a pouca manutenção. passíveis de serem usadas nas aplicações autônomas Sistemas Híbridos 27 . A seguir são apresentadas as principais características de cada uma delas: Š Automotivas: Projetadas para regimes de carga e descarga rápidos com elevadas taxas de corrente (> 3I20) e reduzidas profundidades de descarga. podem operar com regimes de carga elevados. Suas principais características são: alta resistência a ciclagem. Dessa forma. alto consumo de água e manutenção freqüente. Diferentes tipos de baterias recarregáveis. Existem diversos tipos de baterias recarregáveis disponíveis comercialmente. é comum a utilização de várias células conectadas em série para formar uma combinação com tensão nominal mais elevada. quanto à disponibilidade de carga. Nas seladas. podem ser classificadas basicamente por abertas e seladas. Como característica principal desse tipo de bateria destaca-se a baixa resistência aos ciclos de carga e descarga. vezes a tensão nominal de uma única célula.2 e 3.6 V. Historicamente. Š Estacionárias: Projetadas para permanecer em flutuação e ser solicitadas ocasionalmente (backup). Denomina-se de sistema de armazenamento ao componente do sistema que se encarrega de realizar tal função. As baterias podem ser classificadas. e a maioria das baterias usadas em relógios e brinquedos eletrônicos. poder armazenar energia nos momentos em que a produção excede a demanda. Dentre as principais características destacam-se a moderada resistência ao processo de ciclagem e o baixo consumo de água. o sistema de armazenamento mais utilizado em sistemas híbridos é aquele constituído de acumuladores eletroquímicos (ou baterias) de chumbo-ácido. Š Tração: Projetadas para operar com ciclos profundos e freqüentes e regime de descarga moderados.elétrico da aplicação exige. Baterias de Pb-Ácido utilizam em suas grades ligas de Pb-Ácido. tração e fotovoltaicas. estacionárias. Uma célula básica é formada de dois eletrodos. portanto. Uma bateria é constituída de duas ou mais células conectadas em série. as mais comuns são as automotivas. da ordem de até 80%). Comumente um é chamado de eletrodo positivo e o outro de eletrodo negativo. São usualmente conhecidas como “livres de manutenção”. iluminação e ignição de automóveis. Com relação ao eletrólito que as compõem.

são constantemente disponibilizados pelo mercado (Ni-Fe. Para se obter bancos de baterias mais robustos deve-se associar várias baterias de menor capacidade em série e/ou paralelo de modo a se obter o tamanho do banco desejado. e (b) aumentando o tamanho do gerador e diminuindo o tamanho do acumulador Sistema de Condicionamento de Potência O sistema de condicionamento de potência é composto por equipamentos cuja função principal é otimizar o controle geração/consumo visando ao aproveitamento ótimo dos recursos. Figura 1. assim. contribuindo. a disponibilidade do mercado reduz a possibilidade de escolha dos tipos que podem ser empregados em sistemas isolados. para a preservação da vida útil das mesmas. da ordem de quatro ou cinco vezes superior ao das primeiras.11 – Influência do dimensionamento do gerador e da bateria nos parâmetros PDe. conversores. temperatura. alguns componentes do sistema de condicionamento de potência são essenciais para o bom desempenho de sistemas híbridos. As condições de operação variam consideravelmente de acordo com a localização. sejam constituídos de baterias recarregáveis de chumbo-ácido. Os principais equipamentos são os controladores de carga. aliado à qualidade e continuidade na entrega da energia ao usuário. geradores instalados e a estratégia de operação empregada. tipo de aplicação. Para a composição do banco de baterias. e D: (a) diminuindo o tamanho do gerador e aumentando o acumulador. O controlador de carga é um equipamento normalmente associado ao arranjo fotovoltaico. 28 Tecnologias de Energias Renováveis . Ni-Zn. padrão da carga. Assim como as baterias. Os parâmetros mais importantes para classificação das condições de operação são as correntes de carga e descarga. Dessa maneira. e o perfil do estado de carga ao longo do ano. inversores de tensão. vários aspectos devem ser considerados. retificadores. tais como os sistemas híbridos. as baterias de chumbo-ácido (Pb-Ácido) e níquel-cádmio (Ni-Cd) tornaram-se algumas das poucas opções para os projetistas e. responsável por gerenciar os processos de carga (sentido arranjo FV – bateria) e descarga (sentido bateria – carga) das baterias. O preço das últimas é. eólicos. Assim. a questão econômica associada à disponibilidade do mercado fez com que a maioria dos acumuladores utilizados nos sistemas fotovoltaicos. ou híbridos. dentre os quais se destacam: a escolha adequada da tensão do banco de baterias e o correto dimensionamento dos cabos usados na transferência de energia da e para a bateria. Entretanto. Zn-Cl). para a mesma quantidade de energia.de fornecimento de energia elétrica. as mais usuais. transformadores e diodos. portanto.

Demais acessórios presentes em sistemas híbridos são equipamentos elétricos gerais. O conversor CC-CC é um equipamento que ajusta um valor de tensão CC diferente do fornecido pelo sistema de geração/armazenamento. Com relação à forma como desconectam o arranjo FV das baterias. por exemplo) influencie negativamente no desempenho do arranjo como um todo. que pode ser de três tipos: quadrada. seja para suprir eventualmente alguma carga CC. chaves e conectores. por sua vez. estando normalmente instalados entre o aerogerador e o retificador de tensão. entre outros. Transformadores também podem estar presentes em sistemas híbridos. Este equipamento pode conter um sistema seguidor de ponto de máxima potência. é normalmente fornecido por alguns fabricantes de módulos. proveniente dos equipamentos de geração e armazenada pelas baterias. seja para carregar baterias. mais simples. capacidade de surto. O inversor de tensão converte a corrente contínua. o diodo de passagem. disjuntores. ou ser ajustados para cada tipo. por sua vez. eficiência e forma de onda de saída. em uma associação em série. O retificador de tensão é responsável pela conversão da potência dos aerogeradores e grupos geradores a diesel que estão conectados no barramento CA para uma potência CC. eólica. os controladores são classificados pelos métodos paralelo (shunt) e série. Há áreas onde mais Sistemas Híbridos 29 . em corrente alternada. no caso daqueles que permitem o ajuste de seus parâmetros (setpoints) por parte do usuário. As características mais importantes de controladores de carga a serem consideradas na etapa de dimensionamento são a sua capacidade (A) e a sua tensão de operação (VCC). no qual a regulação dos níveis de carga da bateria é realizada de forma otimizada. Dentre as características principais dos inversores estão as suas tensões de operação de entrada (CC) e saída (CA). Os conversores CC-CC podem elevar a tensão (boost) ou baixá-la (buck). Já o diodo de passagem evita que. O controle é normalmente desenvolvido através de dois métodos. um módulo operando em condições anormais (devido a um defeito de fabricação ou condições de sombreamento. potência nominal. quadrada modificada e senoidal. e o de tensão constante. Os diodos de bloqueio devem ser dimensionados e instalados de acordo com a capacidade do arranjo FV. muito utilizado com o objetivo de se obter a máxima potência disponível do arranjo FV. já vindo instalado na caixa de conexões do módulo. Sistemas Híbridos As fontes de energia renováveis solar (fotovoltaica). hídrica (mch e pch) e biomassa constituem alternativas reais para geração de eletricidade em áreas isoladas. cuja função é evitar que os módulos FV atuem como carga para as baterias em períodos de indisponibilidade de geração. o liga/desliga. e que módulos operando em condições normais injetem correntes elevadas em um grupo de módulos em condições anormais de funcionamento. freqüência. são usualmente combinados com um sistema de controle de carga. Sua utilização é fundamental devido à maior facilidade de se encontrar no mercado equipamentos eletro-eletrônicos de uso final que operam em corrente alternada. Aerogeradores de pequeno porte são normalmente acompanhados por retificadores de tensão que. O diodo de bloqueio é um dispositivo eletrônico utilizado em sistemas FV. e sua função é adequar os níveis de tensão CA do sistema. como cabos. ou quando se deseja obter vários valores de tensão a partir de uma única entrada. sendo também conhecido como conversor CC-CA.Os controladores devem ser utilizados com os tipos de baterias para os quais foram projetados.

é a implementação do sistema pré-pago de energia. fotovoltaico-diesel. a um atendimento contínuo e de qualidade. pequeno. de forma otimizada e com custos mínimos. geração descentralizada. deve gerar e distribuir eletricidade. 30 Tecnologias de Energias Renováveis .de uma fonte renovável se destaca. pouca necessidade de manutenção. As estratégias de operação utilizadas pelos sistemas híbridos são semelhantes e visam. de difícil acesso e. Por outro lado. dependendo da disponibilidade dos recursos. Salienta-se que a combinação das fontes renováveis busca explorar satisfatoriamente a complementaridade entre ambas ao longo do tempo. Outro instrumento que também visa reduzir custos operacionais. o que assegura a redução nos custos operacionais e a maior confiabilidade. como principais desvantagens.12 – Sistema híbrido isolado As principais vantagens desses sistemas incluem: utilização dos recursos locais. como também à redução do consumo de óleo combustível. bem como permitir maior controle do consumo por parte do usuário. geralmente baterias. ou simplesmente. fotovoltaico-eólico-diesel. reduzido nível de emissão de gee. a utilização desses sistemas volta-se também com a questão ambiental. entre outros. Diversos são os tipos de sistemas híbridos em utilização no mundo. com falta de mão-de-obra qualificada para operá-los. fotovoltaicoeólico. isolada ou conectada a outras redes. médio ou grande. Figura 1. destacamse como principais: eólico-diesel. a uma determinada carga ou a uma rede elétrica. A utilização dos sistemas híbridos teve seu início na década de 1970. Os sistemas híbridos podem ser classificados: quanto à Interligação com a rede elétrica convencional – isolado ou interligado. destacam-se: recursos precisam ser favoráveis para geração de eletricidade. definindo o conceito de sistema híbrido de energia. chaveado ou paralelo. sistema híbrido – aquele que utiliza mais de uma fonte que. quanto à configuração – série. especialmente. A maioria dos sistemas híbridos está instalada em locais remotos. investimento inicial bastante elevado. e quanto ao porte – micro. modularidade. necessidade de um sistema de armazenamento de energia. Dentre esses. frente à crise do petróleo (1973). quanto à prioridade de uso das fontes de energia – baseado no recurso não renovável ou no renovável. podendo ser combinadas em um único sistema. principalmente. Isso justifica a automatização e monitoração remota ou local desses sistemas. Atualmente.

a adoção de equipamentos elétrico-eletrônicos eficientes e o esclarecimento dos usuários sobre como utilizar a energia elétrica são ações fundamentais para um uso mais racional. Ultimamente. Após o levantamento dos recursos solar e eólico disponíveis na localidade. a análise do potencial para aproveitamento dos mesmos para geração de energia elétrica é uma etapa imprescindível para um criterioso estudo de viabilidade técnica de empreendimentos que utilizem as fontes solar e eólica. o pré-pagamento (compra antecipada. Projeto de Sistemas Híbridos A primeira etapa para o projeto de um sistema híbrido é a análise do recurso disponível para aproveitamento das energias solar e eólica no local da futura implantação do sistema. Dentre as formas de avaliação preliminar destacam-se: a consulta em atlas eólicos e solarimétricos. barômetros. a procura de maior eficiência global dos sistemas híbridos motiva estudos da inserção de outras formas de geração nos mesmos. a consulta em programas computacionais destinados a estimativas de potenciais baseados em medições de estações meteorológicas próximas. Caso constatada a viabilidade preliminar. O segundo passo do levantamento é realizado com a visita ao local para a observação de indicadores naturais. Por último. piranômetros. os mesmos apresentam características mais benéficas do que prejudiciais. o uso racional da energia é um fator muito importante. baseados nos recursos renováveis. semelhante à da telefonia celular) pelo serviço de eletricidade.ou seja. Os passos para a avaliação dos recursos energéticos naturais (solar e eólico) de uma determinada localidade seguem a partir de uma avaliação preliminar. No dimensionamento do sistema leva-se em conta uma série de fatores como o custo da energia gerada. termohigrômetros). eficiência e facilidade de manutenção. sob a forma de estação meteorológica. anemoscópios. A biomassa (especialmente na Amazônia) e a célula a combustível destacam-se nesse aspecto. Com relação aos impactos proporcionados pelos sistemas híbridos. tendo o indicativo preliminar de bom potencial para aproveitamento das energias solar e/ou eólica. especialmente por se tratarem de sistemas de pequeno a médio porte. o passo seguinte se dá com a instalação de sensores de medição (anemômetros. como também a identificação e a avaliação preliminares das áreas potenciais para a instalação dos sistemas de geração e distribuição de energia elétrica. normalmente realizados em torres. entre outros. como em qualquer outro sistema elétrico. Torna-se também importante avaliar a logística de abastecimento de combustível para a localidade. a disponibilidade de dados confiáveis em um período satisfatório e bem analisados passa a ser fundamental para garantir a elaboração de projetos dimensionados de forma tal que apresentem relação ótima entre a participação de cada uma das fontes no sistema híbrido. a obtenção dos dados de estações meteorológicas de localidades próximas. identificando áreas onde os aproveitamentos solar e eólico são potencialmente viáveis. Portanto. confiabilidade. medições pontuais no período da visita. Nos sistemas híbridos. a obtenção de informações com os moradores sobre as características meteorológicas locais e a avaliação da acessibilidade ao local. dada especialmente a limitação de geração e a intermitência das fontes primárias. pois em muitas estratégias de operação de sistemas híbridos faz-se o uso de grupos geradores (como os acionados por motores a diesel) atuando como complementação ao sistema Sistemas Híbridos 31 .

para. Os aerogeradores e suas torres (treliçada. distâncias mínimas entre os aerogeradores e os obstáculos. Quando se pensa em mais de um aerogerador (parque eólico). entre outras técnicas de instalação. o dimensionamento do sistema solar-eólico-diesel e de seus sistemas complementares (armazenamento. Uma boa estratégia de operação do sistema híbrido visa garantir aos usuários do sistema de geração um atendimento confiável e de qualidade. condicionamento de potência e distribuição de energia) durante o processo até as conexões finais. seguindo para isso técnicas de instalação apropriadas. ou entre os próprios aerogeradores. Instalação de Sistemas Híbridos Com relação à instalação de sistemas híbridos. a orientação (norte – hemisfério sul e sul – hemisfério norte) e a inclinação (latitude local) dos arranjos precisam ser seguidas conforme técnicas de instalação. Para mitigar esses efeitos prejudiciais. Feita a escolha dos equipamentos/dispositivos do sistema híbrido. Para maximizar a captação da radiação solar média ao longo do ano. naturais ou não. ou seja. o posicionamento do rotor eólico a uma determinada altura. mais adequada ao sistema híbrido a ser implantado em determinada localidade. Para essa otimização. além da preocupação com os obstáculos do entorno há também a preocupação com o efeito esteira causado pelos próprios rotores dos aerogeradores. sob a forma de arranjos (ligações série/paralelo). a etapa seguinte é a elaboração do projeto. minimizando simultaneamente os seus custos de implantação e de operação e manutenção. em seus arredores que possam causar interferência prejudicial ao fluxo de vento que atinge o rotor eólico. armazenamento. assim como seus regimes de utilização e considerando ainda as perdas envolvidas no sistema e a demanda reprimida. verifica-se uma relativa independência entre seus sistemas e subsistemas (geração. devem ser instalados em locais onde não sejam expostos a nenhuma situação de sombreamento durante o ano e de insegurança. a partir daí. Os locais ainda devem permitir o acesso fácil a uma eventual manutenção. necessitam ser adotados. de dimensionamento das fontes de geração consideradas.renovável. bem como dos sistemas de controle e proteção e da minirrede de distribuição de energia elétrica. estratégias de despacho e períodos de atendimento da minirrede. dependendo da aplicação. visando ao aumento da confiabilidade do suprimento de energia elétrica. O compromisso básico a ser estabelecido é a busca pela instalação dos subsistemas o mais próximo possível entre si (redução de custos e de perdas). para buscar a estratégia de operação. Avaliado o recurso energético disponível. a qual abriga também outros equipamentos pertencentes aos subsistemas de armazenamento e condicionamento de potência. e se preliminarmente constatada a viabilidade da instalação de sistemas de geração no local. 32 Tecnologias de Energias Renováveis . Os módulos fotovoltaicos. ou seja. é necessário realizar diferentes combinações de configurações. O primeiro passo no desenvolvimento do projeto do sistema de geração é a análise da demanda. realiza-se a análise de desempenho dos mesmos inseridos no sistema e o balanço energético resultante entre produção e demanda de energia elétrica. Os grupos geradores a diesel e demais acessórios devem ser instalados em uma edificação própria (casa de força). a verificação dos tipos de cargas que serão atendidas pelo sistema. condicionamento de potência). autoportante ou tubular) devem ser instalados em áreas com dimensões apropriadas e que não possuam obstáculos. iniciarem as etapas: de escolha da estratégia de operação do sistema híbrido.

fazemse necessários a instalação e uso de disjuntores e/ou chaves seccionadoras. isoladores e conectores. além de parâmetros para segurança da vida de pessoas e animais. fornecer segurança às pessoas junto ao sistema elétrico. luminárias. de procedimentos de segurança para os sistemas de geração. desde a limpeza dos módulos fotovoltaicos com um pano macio. aterramento. Geralmente utiliza-se um armário em ferro com prateleiras de madeira para o condicionamento das baterias (banco de baterias – ligação série/paralelo). postes. cabos condutores. carga e descarga das baterias. Segurança em Sistemas Híbridos A segurança é um aspecto ao qual se deve ter especial atenção para os sistemas híbridos de geração de energia suprindo minirredes. é possível fazer o sistema operar de forma confiável e com segurança para os equipamentos bem como para os consumidores. sempre o mais próximo possível das baterias e dos equipamentos de geração. as tarefas podem ser simples. pára-raios de distribuição. condicionamento e distribuição de energia elétrica. Operação e Manutenção de Sistemas Híbridos Para o funcionamento de qualquer sistema híbrido de energia deve-se levar em consideração a operação e manutenção correta dos equipamentos envolvidos desde a geração. até tarefas como inspeção das partes girantes dos grupos geradores. Na parte da manutenção. por exemplo. necessita. troca de óleo lubrificante do transformador. chaves seccionadoras. além das recomendações feitas pelos fabricantes dos equipamentos e a capacitação dos operadores. deve-se redobrar os cuidados. entre outros itens. inspeção dos cabos e da torre do aerogerador. Salienta-se que. devem ser ajustados conforme o projeto. para uma boa qualidade de instalação. Os controladores de carga. Pontos de operação. cruzetas. Referindo-se ao subsistema de armazenamento. o cabeamento do sistema híbrido precisa ser bem projetado. tais como a partida e parada do grupo gerador. as baterias não devem ser instaladas diretamente sobre o solo. a fim de garantir o funcionamento adequado das instalações. a podagem de árvores para que não toquem nos cabos elétricos da rede. quando disponíveis nesses equipamentos. ou em locais úmidos. Sistemas Híbridos 33 . A minirrede de distribuição de energia deve ser instalada seguindo as técnicas de instalação dos seus componentes principais: transformadores. Para preservar todos os equipamentos do sistema híbrido.A casa de força deve contemplar um projeto estrutural que suporte os esforços mecânicos solicitados pelos equipamentos. eólico-fotovoltaicodiesel. bem como realizar eventuais manobras como estratégias de operação. inversores de tensão e retificadores são normalmente instalados nas paredes ou em local específico da casa de força. portanto. chaveamento de disjuntores. porque várias são as fontes e os equipamentos envolvidos e. ter boa ventilação e isolação acústica. redução das perdas de energia e preservação contra danos aos bens e ao ambiente. Um sistema híbrido. passando pelo sistema de distribuição até as unidades consumidoras. Através da realização de um plano de manutenção e operação. Muitas das tarefas relacionadas com a operação podem ser automatizadas. dentre outros.

Em todos os tipos de sistemas híbridos de geração de energia. Logo. dependendo da situação. sob a forma gráfica. caso necessário. Estojos de primeiros socorros e de combate a incêndios devem ser disponibilizados aos usuários. Estes conceitos definem o valor temporal do dinheiro e são de fundamental importância para a elaboração de estudos de viabilidade econômica. É importante também que sejam observadas as normas técnicas vigentes. O correto estudo de viabilidade econômica. tais como: bypass de equipamentos de segurança e controle. devem-se evitar os improvisos. e. que seja realizada uma vistoria constante em todas as instalações que compõem o sistema híbrido. ou sua inadequada isolação. ordenadas por períodos. operação e manutenção devem ser executados apenas por pessoas devidamente treinadas para tal. para uso dos responsáveis pelo sistema. facilitando o socorro. Cartazes com orientações e placas de sinalização nas usinas ou casas de força. O diagrama de fluxo de caixa apresenta. cabos com bitolas inadequadas). O horizonte de planejamento e a taxa mínima de atratividade do projeto são indicadores importantes para se analisar o tempo e a taxa de retorno esperadas pelo empreendimento. além das características particulares do sistema de geração. utilizando-se dos equipamentos de proteção individual (epi) apropriados para cada função ou coletivos (epc).Quando se faz uso ou se manuseiam sistemas com energia elétrica é extremamente importante obedecer às normas básicas de segurança. deve-se estar em alerta sobre os perigos associados à eletricidade. como também podem ser trazidas ao presente. passa pela utilização mais adequada das figuras de mérito econômico. uma vez que ainda não possuem costume com a mesma. Manuais básicos de segurança. operar ou manter um sistema elétrico. Análise Econômica Aplicada a Sistemas Híbridos A análise econômica aplicada a sistemas híbridos é utilizada para se avaliar a viabilidade econômica do empreendimento. ou simplesmente para se determinar a opção mais viável dentre as fontes de geração disponíveis. operação e manutenção também devem estar disponíveis nas usinas. 34 Tecnologias de Energias Renováveis . de forma que sejam controlados ou eliminados desde a fase de projeto e na execução das tarefas ao instalar. devem ser dispostos em locais de fácil visibilidade. garantindo um possível retorno do investimento realizado. Também é muito importante que sejam adotadas medidas de segurança nas instalações elétricas dos usuários do sistema. uso de ferramentas inadequadas. Ainda que os níveis de tensão e corrente sejam considerados baixos. não se devem subestimar os danos que a eletricidade pode trazer ao ser humano. ainda. levadas ao futuro. seguindo um plano de operação e manutenção. os procedimentos de implantação. assim como a educação destes para o uso adequado e seguro da eletricidade. que seja realizado um correto dimensionamento dos sistemas de aterramento e proteção elétrica. Nas atividades realizadas. as receitas e despesas de cada alternativa. ou ainda atualizadas. descrevendo os riscos potenciais e os procedimentos a serem seguidos. ligações com materiais fora dos padrões de segurança (exposição de emendas de cabos. Tais receitas e despesas podem ser apresentadas através de seus reais valores no momento de cada desembolso. Também se recomenda que esses procedimentos sejam feitos sempre por pelo menos duas pessoas. ou mesmo afixados nos equipamentos. sendo o mais grave os causados pelo choque e o arco elétrico. a fim de manter a segurança nas mesmas.

porém. Sistemas Instalados e Experiências Adquiridas na Amazônia Desde 1994. que compreendem custos fixos anuais. com as leituras e envio de faturas. O roia fornece a estimativa real de rentabilidade de um investimento. é dividido pela energia consumida pela carga para se determinar o custo da energia do sistema. e custos de reposição de equipamentos. aos gastos com combustível. Sistemas Híbridos 35 . isoladamente não fornece uma estimativa real de rentabilidade. porém criterioso. porém. de aquisição e transporte de materiais e equipamentos. por considerar o valor temporal do dinheiro. estudos.Dentre os indicadores financeiros mais difundidos na engenharia econômica estão o valor presente líquido (vpl). o valor presente líquido anualizado do projeto. cada um com suas características particulares. é um método simples. Os custos de despesa estão divididos em custos de investimento inicial. não indica com precisão os riscos envolvidos na análise. ou a uma eventual economia resultante da redução no consumo de combustível ou de outras taxas. o índice benefício/custo (ibc). Por fim. Com relação aos custos de reposição. Eles podem ser utilizados. apresentando baixos custos de investimento inicial e elevados custos de operação e manutenção. Determinados todos os custos envolvidos. e de instalação. a taxa interna de retorno (tir) e o tempo de retorno de investimento (payback). mas não considera fluxos de caixa após o instante do retorno de investimento. um dos mais utilizados. Já os custos de despesa podem ser relacionados aos custos de investimento inicial. aos procedimentos periódicos de manutenção preventiva e corretiva. A tir indica conjuntamente o retorno esperado e o risco de um projeto. Este custo pode indicar o valor mínimo de tarifa a ser cobrado para que o sistema gere lucros. custos de operação e manutenção (o&m) e custos de reposição de equipamentos. simulações e instalações de sistemas híbridos em pequenos aglomerados populacionais dispersos e semi ou totalmente isolados têm sido realizados na região amazônica por instituições nacionais e internacionais. devido ao fim de suas vidas úteis. Sistemas fotovoltaicos e eólicos são caracterizados por apresentarem custos de investimento mais elevados. devido à vida útil mais curta que a dos demais componentes do sistema. O método do vpl. o retorno adicional sobre o investimento (roia). e custos de operação e manutenção baixos. O ibc auxilia no cálculo do retorno adicional sobre o investimento. Os custos associados a sistemas híbridos podem ser divididos em custos de despesa e custos de receita. que referem-se às substituições dos componentes principais do sistema. relacionados ao pagamento de operadores. no estudo de viabilidade econômica. o payback é um indicador de fácil interpretação. dentre outros. custos de o&m. que correspondem a custos de projeto. mas suas soluções são trabalhosas e não são aplicáveis a todos os casos. que na engenharia também é conhecido como custo do ciclo de vida anualizado. ou pode ser comparado ao custo da energia de outras tecnologias de geração para se determinar aquela que é a mais viável. Os custos de receita estão normalmente associados ao lucro obtido com a venda da energia gerada. isoladamente ou em conjunto. Sistemas diesel-elétricos apresentam comportamento inverso. as baterias são os equipamentos de sistemas híbridos que requerem substituições mais constantes.

Com relação aos impactos ambientais. Os custos operacionais dos sistemas híbridos são inferiores comparados aos de um sistema unicamente a diesel. Isso se deve ao elevado custo de aquisição dos “geradores renováveis” (importados). (1997) fotovoltaico-eólico de Joanes/PA. destacamse como os principais: distorções harmônicas (utilização de cargas não lineares. constata-se ainda o elevado custo do kWh gerado. a saber: (1996) fotovoltaico-diesel de Campinas/AM. refrigeradores. Todavia. Quanto aos tipos de cargas de iluminação. os eletrodomésticos correspondem a mais de 70%. Tecnicamente. através da utilização de cargas eventuais (ferro de passar. desbalanceamento de potência nas fases. e (2008) fotovoltaico-eólico-diesel de Sucuriju/AP. afundamentos de tensão (elevada corrente de surto devida ao acionamento de motores elétricos). ferro de passar. da disponibilidade de área apropriada para instalação e da disponibilidade de óleo diesel. lâmpadas PLs. por exemplo). a seleção dessas vilas para a implantação dos sistemas híbridos baseou-se na avaliação objetiva e equilibrada do potencial das fontes solar e eólica. decorrentes das entradas de cargas comumente usadas neste período (lâmpadas e televisores. Visitas de pessoas. lâmpadas incandescentes e fluorescentes etc. armazéns. destacam-se: substituição total ou parcial das mais diversas fontes de energia elétrica.). aliada à falta de recursos financeiros suficientes para a compra de óleo diesel). enquanto que as menores demandas ocorrem no período da manhã. Dentre estas cargas. aumento de atividades comerciais de comércios/bares. grupos nacionais e estrangeiros de pesquisa interessados nas experiências 36 Tecnologias de Energias Renováveis . da acessibilidade do local. atração visual que se tornaram os sistemas híbridos com os aerogeradores e suas grandes torres. Na fauna. não há nenhum impacto significativo. por exemplo. refrigeradores. os mesmos são insignificantes. padarias. O perfil de carga das localidades é bem semelhante. máquina de lavar etc. com exceção de duas ocorrências de colisão de urubus contra os aerogeradores dos sistemas híbridos de São Tomé e Tamaruteua. Dentre os impactos socioeconômicos.) predomina na demanda total de eletricidade das vilas. até o presente momento. destacam-se as lâmpadas fluorescentes. televisores). Isso pode ser evidenciado por nenhuma manifestação de descontentamento com o ruído por parte dos moradores próximos dos sistemas. variação de freqüência (sistema diesel-elétrico operando – falta de controle tensão/freqüência apropriado). nos finais de rede). aumento na renda familiar. crescimento populacional das vilas. O desenvolvimento de equipamentos com tecnologia nacional de baixo custo poderá amenizar esse quadro. A carga do tipo residencial (televisores. (1998) eólico-diesel de Praia Grande/PA. o que agrupa os benefícios de cada subsistema de geração. (1999/2007) eólico-diesel de Praia Grande/ PA. descontinuidade no fornecimento (intermitência das fontes renováveis. (2001) fotovoltaico-diesel de Araras/RO. fluorescentes compactas e as incandescentes de várias potências. que não ocasiona perda de espaço para outras finalidades. entre outros. com a demanda máxima sempre ocorrendo nas primeiras horas do anoitecer (18h00 às 21h00). pequeno espaço físico utilizado pelos sistemas. A redução decorre da penetração da geração renovável e do hibridismo das fontes de energia. em comparação com a tarifa média cobrada na região para o atendimento convencional.Nos últimos 14 anos foram seis sistemas híbridos instalados e um atualmente em processo de implantação. (2003) fotovoltaico-eólico-diesel de São Tomé/PA. quedas de tensão (principalmente. Dentre os problemas de qualidade de energia enfrentados pelos sistemas híbridos.

onde a maioria dos sistemas híbridos instalados no Brasil é de caráter experimental. a má gestão também se faz presente em alguns sistemas. Por fim. após períodos satisfatórios de operação (3 e 4 anos. em Praia Grande aplicam-se taxas mensais. que deve manter-se através de esforços da própria comunidade.adquiridas com os sistemas híbridos e o crescimento acentuado da carga instalada e de UCs configuram-se como outros impactos. Partindo do cenário atual. representantes da administração municipal e técnicos especialistas dos agentes executor. Em São Tomé e. associado a uma cultura de utilização pouco racional da carga. destaca-se o sistema de pré-pagamento de energia. onde tais sistemas. bem como da própria entidade executora do projeto. aplicação de manutenção inadequada por pessoas não especializadas. com o agente executor do projeto (Praia Grande. dois modelos são utilizados. Araras é a exceção dos modelos expostos. Sistemas Híbridos 37 . gestão feita por um produtor independente de energia (pie-guascor). modificações na forma de gerir o sistema devem ser providenciadas. Tamaruteua e São Tomé). O outro modelo tem seus arcabouços sustentados por uma administração realizada pelas próprias comunidades (associação comunitária). buscando sua sustentabilidade. determinando as estratégias de operação. entraram em processo de falência operacional devido basicamente à: escassez de recursos financeiros captados para manutenção. Modelos de Gestão e Regulação Os problemas de gestão de sistemas com fontes intermitentes suprindo minirredes estão intimamente associados com a sustentabilidade dos mesmos e a questões de ausência de regulamentação. a administração destes sistemas por parte da concessionária é um risco grande. necessariamente de grupos distintos. outros membros da comunidade. Neste caso. favorece situações de descontinuidade no atendimento. não-governamentais. Referindo-se à gestão desses sistemas. o primeiro problema de gestão a ser solucionado insere-se na realidade das comunidades onde os sistemas pilotos foram instalados: sistema inicialmente sem a figura de um responsável legal. em Tamaruteua (revitalização). em parceria com as prefeituras municipais e. atuando de forma conjunta para gerir e administrar o sistema. quase nenhuma participação das prefeituras municipais. a qual é a única responsável pelo gerenciamento do sistema. Com relação à captação dos recursos (tarifação pelo serviço de energia). Problemas operacionais devidos principalmente à falta de manutenção e ao crescimento demasiado da demanda comprometeram o funcionamento dos sistemas híbridos de Campinas e Joanes. mesmo que façam parte da comissão temporariamente. recentemente. manutenção e aplicando as tarifas pelo serviço de energia elétrica prestado (Campinas e Joanes). temporariamente. os moldes administrativos são delineados pela própria concessionária local. os operadores do sistema. respectivamente). uma vez que falhas no atendimento podem resultar em onerosas penalidades à concessionária. Tal comissão deve incluir. cujos valores variam de acordo com o número de equipamentos eletro-eletrônicos instalados nas UCs. entre outros participantes. financiador e colaborador do projeto. quando for o caso. Em um. onde o próprio caráter intermitente das fontes. A primeira ação proposta é a formação de uma comissão gestora na comunidade. caso de Praia Grande e Tamaruteua (antes da revitalização). com participação de órgãos governamentais. universidades e outros. No atual contexto.

já um anseio de concessionárias que operam sistemas termelétricos isolados. a avaliação do valor da tarifa pelo serviço. O benefício substituiria. Porém. onde o perfil dos moradores seja condizente com a flexibilização. principalmente no atendimento a consumidores de baixa renda. o custo para manter o sistema operando para atender apenas uma unidade não ser proibitivo como no caso de unidades geradoras termelétricas. associados ao superdimensionamento dos sistemas de geração e armazenamento. Algumas características desta flexibilização. visando à redução dos custos operacionais. Surge a necessidade da proposta por modelos regulatórios que tornem a legislação adequada à realidade de sistemas com as características de sistemas híbridos suprindo minirredes. o atendimento das unidades consumidoras desassistidas. então. A proposta é pela criação de um benefício. a proposta é pela adoção de sistemas pré-pagos de medição. a ccc. A proposta é pela simples adequação desta minuta para a realidade de sistemas híbridos. os períodos de atendimento podem ser distintos entre várias unidades consumidoras. já encontradas em forma de minuta de resolução. Estas ações constituem-se em importante passo para garantir a sustentabilidade do sistema. Os modelos regulatórios propostos são centrados em três pontos: a inserção de subsídios ao sistema. Sistemas de tarifação adequados a sistemas híbridos suprindo minirredes possuem dois pontos principais: a utilização de tecnologia de medição adequada e a limitação do uso da energia por parte do consumidor. a avaliação dos tipos de setores que terão prioridade no serviço. Com relação ao primeiro ponto. dos membros da comunidade que compõem a comissão gestora. sendo criada uma Conta de Geração de Energia (cge). Estes sistemas agregam as principais vantagens do sistema de medição convencional à maior simplicidade operacional do sistema de cobrança de taxas fixas. e o acompanhamento e fiscalização do sistema de eletrificação. o envolvimento da comunidade no processo de instalação/expansão do sistema. a proposta é pelo 38 Tecnologias de Energias Renováveis . onde. divididas no máximo em dois períodos diários. são: potência nominal inferior a 300 kW para o sistema de geração. em sistemas renováveis.Dentre os atributos da comissão gestora. o esclarecimento das limitações de geração do sistema híbrido. o estabelecimento de parcerias com instituições diversas. a capacitação. seria aplicada a casos específicos. a educação da comunidade quanto ao uso racional da energia elétrica. os modelos de gestão que sigam as diretrizes aqui apontadas por si só não garantem a sustentabilidade de um sistema híbrido. Quanto à limitação do uso da energia. que privilegiem os sistemas isolados. além do fato de. em moldes similares aos da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (ccc). em casos onde os critérios de atendimento devam ser compatíveis com os atualmente verificados na legislação do setor elétrico. a flexibilização do período de atendimento. independentemente da fonte de geração. não aplicável para localidades que já possuam serviço público essencial ou de interesse da coletividade. por parte dos agentes externos. casos típicos de comunidades isoladas. A flexibilização do horário de atendimento. A inserção de subsídios faz-se necessária devido à discrepância atualmente verificada entre o custo da energia gerada por sistemas híbridos e o custo de tarifas praticadas pelas concessionárias nacionais. com o atendimento ininterrupto resultando em custos muito elevados. uma vez que tecnologias de medidores eletrônicos permitem tal facilidade. e fornecimento de energia em período reduzido. por exemplo. fornecimento de energia elétrica observando um total mínimo de seis horas diárias. destacam-se: a definição de planos estratégicos. e onde a localidade disponha de recursos renováveis moderados. e a definição de um sistema de tarifação adequado.

Propõe-se ainda a divisão dos consumidores por classes. Períodos de recursos renováveis escassos seriam associados à maior limitação no uso da energia. com aqueles de maior consumo. em períodos de recursos fartos a limitação seria pouco significativa. Em contrapartida. com menores limites. como os estabelecimentos comerciais. com base no recurso renovável disponível e na energia demandada pela carga. Todas as características descritas podem ser associadas a medidores eletrônicos. enquanto que aqueles de menor consumo compõem outra classe. que seriam responsáveis pelos cortes por tempo ou por excedente de demanda. compondo uma classe com maior limite de consumo. alertas ao usuário. entre outras funções. Sistemas Híbridos 39 .estabelecimento de faixas de consumo para cada comunidade. com a geração diesel-elétrica impedindo que essa redução seja muito drástica.

2 Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos Soluções Energéticas para a Amazônia Geraldo Lúcio Tiago Filho (coordenador) Ângelo Stano Júnior Antônio Brasil Júnior Jason Tibiriçá Ferrari Helmo Lemos Caroline Fernandes Nunes Camila Fernandes Nunes Juliana Sales Moura Luis Henrique de Faria Alves Rodrigo Ramos Rudi Van Els Frederico Leite 40 Tecnologias de Energias Renováveis .

Introdução O uso da energia elétrica para o meio rural é um dos processos mais importantes a serem incentivados no Brasil. cuja distribuição ocorre de forma heterogênea. econômico e ambiental em cujo contexto devem estar inseridos a sociedade e o meio ambiente. famílias. em localidades distribuídas em áreas de difícil acesso. por sua vez. no sudeste do Amazonas e no Acre. em se tratando da região da Amazônia Legal. têm seus interesses e suas necessidades quanto à educação. compunha-se de aproximadamente 12. principalmente no que se refere à operação e manutenção da sustentabilidade da unidade geradora. no norte do Pará. geralmente ocupadas por terras indígenas e povoamentos dispersos. com uma área correspondente a 59% do território brasileiro. com grande concentração populacional nas capitais e bastante pulverizada no interior. como a Amazônia central. ou seja. em torno de 22 milhões de pessoas. Esse capítulo procura mostrar a tecnologia existente que envolve esse tipo de empreendimento e apresenta alguns casos concretos desenvolvidos na região. os desafios para o atendimento de uma população extremamente dispersa ao longo das calhas dos rios. Š Áreas com elevada pressão ambiental. vizinhos e diversos grupos sociais e espécies que. apresentam-se extremamente grandes. que são formadas por indivíduos. Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 41 . localizados principalmente em Roraima. Distribuição da população na Amazônia Legal De acordo com estimativas do ibge. A eletrificação de comunidades isoladas deve ser um processo humano. ocupadas por povoamentos influenciados pela fronteira agrícola e de exploração mineral e de madeira. saúde e disposição ao trabalho. as microcentrais (µCH) e as minicentrais (mCH) hidrelétricas podem vir a ser uma boa opção para o atendimento dessas comunidades. social. pois a eletrificação é fundamental para a implementação de programas de desenvolvimento. as áreas ocupadas podem ser: Š Áreas com baixa pressão ambiental. às atividades produtivas. noroeste do Amapá.34% da população do País. o oeste de Rondônia e o centro-sul do Pará. em 2004 a população da Amazônia Legal. Entretanto. De acordo com o grau de pressão exercida pela atividade humana sobre o ambiente. geração de renda e melhoria da sua qualidade de vida e desenvolvimento social. Diante do grande potencial existente na região. além de ser um fator-chave para aumentar a produtividade no campo e para melhorar as condições de trabalho e de vida.

de forma racional. É de fundamental importância conceber o fornecimento da energia elétrica na totalidade de seu uso. interconectadas a um sistema de transmissão construído de forma a atender os grandes centros consumidores do País. o sistema de transmissão e distribuição é caracterizado por dois sistemas distintos: Š Interligado – o mais importante. Segundo o autor. o que deixa um saldo de 155 mil residências. convencionalmente. 42 Tecnologias de Energias Renováveis . No Brasil. Vê-se que o mercado do sistema interligado é mais atraente do que o do isolado.8 milhões de pessoas. Š Isolado – com apenas 3. Dessas. sendo que nesses dois últimos há uma forte pressão sobre o ambiente. ou reunidas em duas ou três casas que poderão ser supridas preferencialmente por sistemas fotovoltaicos. os altos custos para construção das extensões das linhas. econômico e ambiental. desse total. onde o mais adequado será o atendimento por uma unidade geradora. conseqüentemente. e a baixa demanda por energia levam. áreas alagadas. as dificuldades para a transposição dos acidentes geográficos (grandes áreas de floresta. 55 mil encontram-se extremamente isoladas. principalmente hidrelétricas. considerando sua inserção num contexto social. grandes rios) o alto nível de dispersão dessas áreas. também fazem parte da Amazônia Legal os Estados do Tocantins e do Mato Grosso. cuja energia deverá ser distribuída por minirredes.Além do Maranhão.13% da capacidade instalada. onde uma parte da população está concentrada em alguns centros urbanos e os demais moradores em pequenos núcleos habitacionais dispersos ao longo das margens das calhas dos rios. principalmente devido às atividades agrícolas. ao desinteresse por parte das concessionárias ao atendimento adequado a essas comunidades. que permita alavancar o desenvolvimento sustentável da comunidade e. constituindo-se num dos pilares para que se possa obter desenvolvimento social e econômico e para alcançar a qualidade de vida desejável a qualquer ser humano. O plano de gestão energética deverá ser participativo e sustentável. muitas vezes. Esse sistema corresponde a 96. As 100 mil habitações restantes estariam distribuídas em vilarejos. da Amazônia Legal e do País. de 4 a 100 residências.7 % da capacidade instalada e atende 98% do mercado de energia do Brasil. prudente e equilibrada. De acordo com Di Lascio (2006). o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. calcula-se que aproximadamente 615 mil residências estariam em condições de serem atendidas via “extensão de redes”. em 2000. é de predominância térmica e está distribuído na região amazônica. sendo necessário criar estratégias que suportem esse crescimento proporcionado pela energia elétrica e o benefício advindo do uso produtivo da energia. é caracterizado pela geração concentrada em grandes centrais. Além disso. indicou que o número de habitações sem o atendimento de energia elétrica na Amazônia era de 770 mil. o que resultaria numa população em torno de 3. O atendimento de eletricidade às comunidades isoladas A energia é fator primordial para a humanidade. e ao mesmo tempo. com a plantação da soja e a criação de gado.

2 mostra. Embora o menor número encontre-se no Amazonas e em Roraima. Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 43 .1 – Sistema brasileiro de distribuição de energia elétrica: sistema isolado e sistema interligado 450 400 350 300 mil 250 200 150 100 50 0 400 255 116 45 MA PA RO AC 40 TO 25 AM 8 RR Figura 2. o desafio de atendê-los é ainda maior.3. O atendimento às comunidades isoladas A despeito da grande disponibilidade hídrica. por Estado. a baixa declividade e as grandes dimensões dos rios e a baixa demanda per capita têm inibido ou inviabilizado a implantação de unidades de µCH e mCH na região amazônica. Entretanto. Fonte: abradee (apud Rodrigues 2006) O gráfico apresentado na figura 2. tais como os mostrado nos mapas mostrados na figura 2.Figura 2. sítios localizados nas bordas da Amazônia Legal mostram-se propícios à implantação dessas pequenas unidades de geração. a topografia pouco acidentada.2 – Domicílios não atendidos por energia elétrica nos estados da Região Norte. o número de habitações sem atendimento de energia elétrica da Amazônia Legal.

a

b

44

Tecnologias de Energias Renováveis

c

d

Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos

45

e

f

46

Tecnologias de Energias Renováveis

g h Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 47 .

individual ou comunitária. Outro agravante é o fato de que. muitas vezes. quando supridas por energia elétrica. (c) Amazonas. (e) Mato Grosso. a maioria desses geradores encontra-se em estado de conservação precário.i Figura 2. (d) Maranhão. resultando em baixas eficiências e alto consumo de combustível. Aqueles que dispõem de recursos de transporte podem comprar o combustível na sede do município.00 o kWh gerado. quando bem conservados. 48 Tecnologias de Energias Renováveis . De acordo com Di Lascio (2006). Na maioria das vezes a capacidade de geração destas unidades está entre 5 e 50 kW. apresentam um consumo de óleo diesel de 350 g/kWh. mas. podem chegar a um consumo de combustível próximo de 500 g/kWh. cujos proprietários o adquirem e o administram juntamente com a minirrede. (f) Pará. quando mal conservados. porém. alguns desses geradores .77 a R$2. (i) Tocantins Embora a biomassa e os recursos hídricos sejam predominantes na região amazônica. Nestes casos é comum que o grupo gerador seja de propriedade privada. se existente. (g) Rondônia (h) Roraima. a maioria das comunidades isoladas. praticando custos abusivos. por falta de informação e de mão-de-obra qualificada nas comunidades. o são por geradores diesel.3 – Campos propícios à implantação de µCH e mCH na Amazônia Legal: (a) Acre. mais fáceis de serem instalados. com o combustível comprado por atravessadores que o transportam e oferecem em barcaças. chega-se a valores da ordem de R$0. o custo do transporte anula a economia feita. (b)Amapá. Ao se considerar o custo do combustível praticado na região.

1 – Classificação das PCHs. através de cabos elétricos. de acordo com a Resolução aneel Nº 394.0 Km2. desde que verificada a seguinte relação: P Sreservatório ≤ —– ≤ H P [kW] e H [m]. Entretanto. Contudo. Fonte: Manual olade (1992) No Brasil. Classificação Picocentral Hidrelétrica* Microcentral Hidrelétrica Minicentral Hidrelétrica Pequena Central Hidrelétrica Sigla πCH μCH mCH PCH Faixa de potência KW dnaee Até 5 De 5 até 100 De 100 até 1000 De 1000 até 10000 aneel 1 a 30 000 Proposta cerpch Até 5 De 5 a 100 De 100 a 1000 1 a 30. conforme mostra a tabela 2. e a Resolução Nº 394 da aneel. a Resolução aneel Nº 652 de 2003 ampliou o limite da área do reservatório para até 13 km2. Figura 2. são classificadas como pequenas centrais hidrelétricas os aproveitamentos hidroenergéticos que tenham potência superior a 1 MW e igual ou inferior a 30 MW e área total do reservatório igual ou inferior a 3.000 km equação 2. já em uso em alguns países.4 – Componentes principais de centrais hidrelétricas de pequeno porte. se for levada em conta a Portaria Nº 136. de 4 de dezembro de 1998. Essa é transmitida até o ponto de consumo e/ou de interligação. determinado pelo nível da água referente à cheia com o tempo de recorrência de 100 anos.4.1 (*) classificação não oficial.1. uma central hidrelétrica é composta por um sistema de captação e de adução da água até o grupo gerador que transforma a energia hidráulica disponibilizada em eletricidade. proposta pelo cerpch Tabela 2. segundo a Resolução Nº 394 da aneel e Portaria Nº 136 do dnaee Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 49 . sugere-se que as PCHs sejam classificadas de acordo com a potência. de 6 de outubro de 1987. do Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica (dnaee). onde está acrescida a classe da picocentral hidrelétrica (πCH).As µCH e mCH Conforme mostra a figura 2.

turbinas hidráulicas. comando. de 15 mW de potência. as PCHs devem ser empreendimentos com baixos impactos ambientais e. principalmente para as µCH e mCH. levando-se em conta que. . Turbinas Hidráulicas Basicamente. as turbinas hidráulicas são classificadas como de ação e de reação. a seguir.3. de automação e de supervisão das centrais. Q [m3/s] equação 2.Porém. As tabelas 2. A figura 2. o volante de inércia.3 apresentam os diferentes tipos de turbinas convencionais e não convencionais para as µCHs e mCHs fabricadas no Brasil. a princípio. como comportas. determinada pela relação: Q0. 50 Tecnologias de Energias Renováveis .5 mostra a vista geral de dois grupos geradores: o primeiro. e o segundo. onde estão resumidas as principias características das turbinas. Q [m3/s] e H [m]. para efeito de crédito de carbono no mecanismo de desenvolvimento limpo previsto pelo Protocolo de Quioto. a caixa espiral da turbina e a válvula borboleta. cujos campos de aplicação são apresentados nas figuras 2.n.75 H equação 2. ou seja: SRES ≤ . elas devem apresentar a relação de 4 km2/kW.2 O estado da arte das µCH e mCH A indústria nacional está qualificada e bem aparelhada para fornecer todos os equipamentos elétricos e hidromecânicos para as centrais hidrelétricas. que são classificadas em função da rotação específica.5 nqa = 3. o gerador. condutos. o gerador. o regulador de velocidade óleo hidráulico e a caixa espiral da turbina hidráulica. reguladores de velocidade. sugere-se que a área do reservatório para as µCH e mCH não deva ultrapassar essa relação. conforme a tabela 2. da pch Luiz Dias. sistemas de controle. Figura 2. válvulas.2 e 2. a excitatriz. da pch do Alto Jaurú. nqa. (b) PCH Luiz Dias. de 800 kW. Q .14. geradores.3 Onde: n [rpm]. ≤ km Onde S RES [km2].13 e 2.5 – Grupo Gerador: (a) PCH Alto Jaurú: a excitatriz.—0.

** em fase experimental.01 a 1.015 a 0.01 a 10 2 a 150 1 a 1. Também é possível distribuir os diferentes tipos de turbinas em diagramas que mostrem os tipos de máquinas que melhor se adaptam às condições de queda e de rotação específica.2 – Campo de aplicação das turbinas hidráulicas convencionais para µCH e mCH.2 0. Fonte:Souza (1999).000 1 a 150 1 a 80 25 a 200 ηmáx 85 a 90 65 a 82 65 a 80 90 a 93 REAÇÃO * não fabricada no Brasil.6. Tabela 2. conforme apresentado no diagrama da figura 2.3 – Principais características – turbinas hidráulicas não convencionais para µCH e mCH.000 88 a 93 Tabela 2.000 ηmáx 70 a 91 AÇÃO Francis Lenta Normal Rápida 0.8 Queda H[m] 30 a 500 Potência kW 0.8 a 25 2 a 40 1 a 30 5 a 1. Figura 2.000 80 a 93 Hélice REAÇÃO Kaplan Tubular Bulbo 260–800 300 a 800 0.01 a 4 0.TIPO Nome Pelton Rotação Específica nqa Nº jatos 1 2 Tipo Nqa 4 a 30 6 a 42 Nqa 60–180 150–260 260–350 Vazão Q [m3/s] 0.6 – Diagrama de Cordier: campo de aplicação das turbinas hidráulicas em função da sua rotação específica e queda disponível. TIPO Ação Nome Turgo* Michell-Banki Bomba Funcionando Como Turbina – BFT** Gerador periférico ** Rotação Específica nqa 60 a 260 45 a 180 60 a 180 300 a 800 Vazão Q [m3/s] 0.2 1 a 30 Queda H[m] 5 a 250 1 a 50 5 a 100 2 a 30 Potência kW 5 a 1.05 a 0. Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 51 .1 a 1.

b) normal.2 e 2.9 – Turbina Kaplan “S” com acoplamento do gerador: (a) e (b) Turbina “S” fabricação Haker – SC.14. a Figura 2. b a b Figura 2. (b) vista lateral. e que estão apresentadas nas figuras 2.10.7 – Rotor Francis: a) lento.3. a Francis. c) rápido. as turbinas hidráulicas convencionais normalmente aplicadas em centrais hidrelétricas de uma maneia geral são: a Pelton. Brasil. Conforme mostram os gráficos das figuras 2.7 a 2. 52 Tecnologias de Energias Renováveis . estas atendem praticamente a todo o campo de aplicação das µCH e mCH.8 – Rotor de turbina Kaplan: (a) vista frontal. b c a Figura 2.Turbinas Convencionais Conforme mostrado nas tabelas 2.13 e 2. a Hélice e a Kaplan.

ainda experimental.12. Estas turbinas atendem a pequenos potenciais.13 e 2. a Michell-Banki. Turbinas não convencionais Como tipos de turbinas não convencionais têm-se: a Turgo – ainda não fabricada no Brasil –. a Bomba Funcionando como Turbina (bft) e a axial com gerador periférico. a montante.14.11 – Turbinas Hidráulicas desenvolvidas pela Unifei: (a) Michell-Banki e (b) Bomba Funcionando como Turbina – BFT a b Figura 2. mostradas nas figuras 2. sendo inspecionada na fábrica. cujos campos de aplicação também estão plotados nos gráficos das figuras 2. fabricação Alterima (no primeiro plano vê-se um grupo gerador com turbina Michell-Banki – Unifei).12 – Roda Pelton: (a) Grupo gerador com roda Pelton. a b Figura 2. gerador interno.11 e 2. Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 53 .a b Figura 2. (b) tipo tubular com acoplamento do gerador a jusante.10 – Turbina Bulbo: (a) com rotor de pás móveis. (b) roda Pelton. em operação.

com a turbina Gourlov.16. de algumas centenas de Watts até 10 kW. têm-se apresentado propostas para aproveitamentos de baixíssimas quedas. com desníveis de até 3 metros. de fabricação brasileira Figura 2.Figura 2. desenvolvida por uma pequena indústria nacional.13 – Campo de aplicação das principais turbinas de ação para µCH e mCH com potência até 1000 kW.15 (a). Há também as turbinas hidrocinéticas. de fabricação brasileira Turbinas para quedas muito baixas e Hidrocinéticas Recentemente.14 – Campo de aplicação das principais turbinas de ação para µCH e mCH com potência até 1000 kW. e a desenvolvida pela Universidade de Brasília. e que atende de 10 a 200 kW. apresentada na figura 2. 54 Tecnologias de Energias Renováveis . mostrada na figura 2. tais como a turbina axial com gerador periférico. que utilizam a energia cinética das correntezas dos cursos d’água e são adequadas para atender a pequenas cargas. apresentada na figura 2. como a de fluxo cruzado com pás helicoidais.15(b).

15 – (a)Turbina Hidráulica para baixíssimas quedas. Fonte: UnB Turbinas hidráulicas com técnicas alternativas Além dos tipos clássicos apresentados. (c) instalada num curso d’água em Correntinas. tipo Gourlov.16 – Turbina Hidrocinética. tipo axial. a b c d Figura 2. (d) montada sobre estrutura flutuante. em áreas mais remotas do País há diversos pequenos fabricantes que fornecem grupos geradores constituídos por turbinas hidráulicas e sistemas Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 55 . (b) vista lateral. com gerador periférico.a b Figura 2. (b) turbina hidrocinética tipo fluxo-cruzado. Turbo-Silva. desenvolvida pela Universidade de Brasília: (a) vista frontal.

que é utilizada para a construção da caixa espiral da turbina. Sobre essa malha lança-se o concreto até que toda a espiral no entorno do rotor esteja completada. utilizando-se de argila. a b Figura 2. 56 Tecnologias de Energias Renováveis . tal como o uso da técnica da “argila perdida”. a Figura 2. Essa técnica constitui-se no seguinte: tendo o rotor da turbina e o seu tubo de sucção em uma plataforma de concreto. feita com ferros de construção de pequenos diâmetros e em forma de malha.de controle desenvolvidos e fabricados por processos alternativos. que tem sido comercializada na região Norte do País e tem alcançado sucesso relativo junto aos seus usuários. como a turbina Indalma apresentada na figura 2. abre-se a válvula na entrada da caixa espiral. porém robustas e de baixo custo. constrói-se uma armadura. A figura 2. Assim que toda a argila tenha saído. faz-se o desenho da caixa espiral no seu entorno.17 – Turbina tipo Indalma: (a) vista lateral. Tendo aguardado o tempo de cura. com tecnologias bastante rudimentares.17. uma vez o concreto seco. forçando a saída da argila. a turbina fica pronta para operar. (b) turbina com a caixa espiral já concretada.18 – Construção da caixa espiral pelo método “argila-perdida”: (a) molde em barro com armadura de ferro.18 apresenta um esquema desse tipo de tecnologia. molda-se a caixa espiral em torno do rotor. fazendo com que a água entre na caixa espiral. (b) vista frontal. Ao longo do barro moldado. b Há ocasiões em que os fabricantes destes tipos de turbinas costumam desenvolver tecnologias singulares e interessantes. Sobre o desenho da espiral.

Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 57 . um grande diâmetro e pequeno comprimento axial (figura 2. Š De alta velocidade. costuma-se utilizar geradores de corrente contínua ou os alternadores de ímãs permanentes. Fonte: Tiago Filho (2003) Os geradores síncronos necessitam produzir suas próprias excitações (figura 2. o que aumenta os custos. O gráfico da figura 2. especificar geradores com no mínimo 600 rpm.20a). No caso de haver impedimento para adequar a rotação da turbina com a rotação síncrona do gerador. que podem ser com armadura rotativa ou com o campo rotativo. Entretanto.19 – Potências disponíveis para µCH e mCH de geradores síncronos em função do número de pares de pólos. Já em centrais de porte muito pequeno. costuma-se. sendo pouco aplicados em µCH e mCH. Atualmente. cuja manutenção é quase nula.19 mostra os geradores elétricos síncronos disponíveis no mercado em função da potência e do número par de pólos (rotação síncrona). tem-se adotado a excitatriz estática do tipo “brushless”. que normalmente são utilizados em centrais termoelétricas. resultando em máquinas com dimensões maiores. Neste caso recomenda-se utilizar os multiplicadores de velocidade do tipo correia e polia ou caixa de transmissão mecânica. Em aproveitamentos com quedas muito baixas torna-se muito difícil assumir uma rotação síncrona para a turbina acima deste valor. o uso desses dispositivos costuma resultar em perdas mecânicas e no aumento no trabalho de manutenção do grupo gerador. em µCH e mCH.Geradores Os geradores disponíveis no mercado brasileiro podem ser classificados basicamente em dois tipos: síncronos ou assíncronos. Figura 2. como as picocentrais hidrelétricas (πCH). Os geradores síncronos podem ser: Š De baixa velocidade.20b) ou recebê-las de um sistema dedicado (excitação estática). como os apresentados na figura 2. que normalmente são acionados por um motor ou por uma turbina hidráulica e se caracterizam fisicamente por ter pólos salientes. Geradores com velocidade muito baixa exigem grande número de pares de pólos. também chamados de turbogerador.21.

para uma turbina Pelton.20 – Gerador: (a) vista do rotor e extrator de um gerador de uma PCH.22b). a b Figura 2. (b) excitatriz. Mais recentemente também foram desenvolvidos reguladores eletrônicos de carga. muito utilizados em πCHs.21 – Geradores elétricos para πCH e µCH: (a) gerador de corrente contínua. (b) esquema do circuito de um regulador óleo hidráulico para uma turbina Pelton. (c) alternador com campo rotativo Reguladores de Velocidade e Sistemas de Controle e Automação Os reguladores de velocidade.22a e 2. são fabricados do tipo óleo-hidráulico e fornecidos pelos próprios fabricantes da turbina (figuras 2.22 – Regulador de Velocidade: (a) óleo hidráulico. (d) regulador eletrônico trifásico. b a b c Figura 2. que através de uma carga de lastro mantém a freqüência da rede constante.(c) painel de controle de uma πCH. tradicionalmente. (b) alternador com armadura rotativa. A figura 2. (e) carga de lastro.22 (c) apresenta um destes reguladores. Fonte: Manual olade (1992) c d e 58 Tecnologias de Energias Renováveis .a Figura 2.

além de implicar uma obra estratégica para prover recursos para o uso múltiplo da água. por sua vez. tais como atuar nos demais processos e sistemas da central. pedra e concreto em diversas concepções. esse tipo de sistema permite a implantação de um sistema de supervisão do grupo gerador. basicamente. a intensidade e tensão da corrente. Além disso.Em projetos mais recentes de centrais hidrelétricas. posição de manobra das válvulas. O clp também pode ter outras funções. prevê-se a automatização parcial ou total da central. a pressão na entrada da turbina. por iniciativa do operador. Para a sua construção podem-se utilizar diferentes materiais. a potência gerada.23 a 2. a Figura 2. também pode ser feita manualmente. tais como madeira.23 – Barragem de terra homogênea: (a) pch Palmeiras. nos serviços auxiliares.24 – Barragem de enrocamento – pch Machado Mineiro: (a) vista de jusante. além de comandar a sua partida e a parada que. dentre outros. é composta por um clp (Controlador Lógico Programável) cuja função lógica monitora a freqüência com a qual a energia está sendo gerada e comanda a ação do servomecanismo do regulador de velocidade de rotação do grupo gerador. como a vazão turbinada. temperatura dos mancais. terra. como na subestação. de forma a monitorar todos os parâmetros importantes da sua operação.25. sendo também um meio para o monitoramento remoto da central. tal como mostrado nas figuras 2. (b) vista de montante Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 59 . na tomada d’água. (b) pch Piau b a b Figura 2. A automatização em µCH e mCH. Barragens As barragens têm como função reter a água de forma a conduzi-la ao sistema de adução da central hidrelétrica.

a Figura 2. quando a obra é do tipo galgável.26 (a) e 2. (b) barragem de pedra argamassada b O mais comum é utilizar barragens de terral e rocha.27 (a) e 2. como apresentado nas figuras 2. devido ao alto custo dos materiais. Entretanto. (b) instalada sobre o leito de um curso d’água 60 Tecnologias de Energias Renováveis . conforme mostram as figuras 2.25 – (a) Barragem de concreto.26 (b). pode-se utilizar as “barragens móveis”. onde por diferentes motivos há a necessidade de se manter a água dentro da calha do rio. Essas podem ser construídas na forma inflável feitas com borracha. ou na forma basculante. a b Figura 2. e concreto.26 – Barragem de borracha inflável – fabricante Bridgestone: (a) instalada sobre um vertedor.27 (b). Barragens móveis Em se tratando de rios com baixas declividades. ou se deseja aumentar a altura da barragem e controlar o nível da água no reservatório. houve um aumento de popularidade das barragens feitas com concreto compactado a rolo (ccr). quando a obra é do tipo não galgável. Esse tipo de técnica alia a resistência do concreto à praticidade de construção das barragens de terra e de rocha.

27 – Barragens móveis: (a) operada por meio de colchões infláveis. onde a comporta está instalada. as barragens móveis podem ser utilizadas para controlar o nível d’água do reservatório. Sua operação só ocorre em condições extremas. Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 61 . Em centrais de baixas quedas. (b) Instaladas na barragem st-herbot. (b) operada por pistão óleo-hidráulico Com o objetivo também de aumentar o nível do reservatório e garantir segurança à estrutura em condições de vazões extremas. aumentar o nível do reservatório já implantado e. diminuir a altura da lâmina d’água sobre o vertedor. Neste caso a comporta (ou barragem) móvel tomba.28a.28b e 2. (c) sobre o vertedor de uma barragem Esse tipo de solução permite diminuir custos na construção da barragem. conseqüentemente. fabricação hydroplus : (a) esquema em perspectiva. a ® b c Figura 2.28c). esse tipo de obra funciona como um “fusível” contra as enchentes.28 – Comporta-fusível. na França.a b Figura 2. mesmo por ocasião das cheias. abrindo uma passagem extra sobre a soleira do vertedor. além de aumentar o comprimento do vertedor. Desta forma garante-se a segurança da barragem e das populações que porventura estejam localizadas a jusante da obra (figuras 2. há fabricantes que sugerem o uso de “barragens” ou “comportas fusíveis”. aumentar a capacidade de um reservatório e a potência da central. aumentando a sua capacidade de vertimento. 2. por exemplo. quando a vazão de cheia ultrapassa o seu valor nominal. Como o próprio nome diz. ou fazer com que a água permaneça confinada no interior da calha do rio. quando desejável.

Previa-se construir a µCH na margem esquerda do rio Roosevelt. A queda disponível era de 12 metros e previa-se. gerar 60 kW. assentadas pelo incra. em uma área vizinha à reserva indígena dos “Cintas-Largas”. o conhecimento das dificuldades pelas quais elas estão sujeitas e a necessidade de prover meios para que uma população desassistida como essa possa alcançar melhor qualidade de vida. Infelizmente.29 mostra alguma situação encontrada na comunidade e o arranjo proposto para a µCH. numa primeira fase. na comunidade denominada Assentamento Canaã. Não haveria barragem. o projeto não logrou êxito devido à intransigência e a falta de espírito público do proprietário da terra. que não autorizou a sua construção. a b c 62 Tecnologias de Energias Renováveis . apenas um espigão para conduzir a água ao sistema adutor. no município de Pimenta Bueno. Ficou a experiência do contato com a comunidade. Projeto µCH Canaã Esse projeto tinha como meta implantar uma µCH no rio Roosevelt. A figura 2. A comunidade é formada por 55 famílias.Alguns projetos de μCH desenvolvidos na região amazônica A seguir são apresentados algumas experiências sobre implantação de µCHs na região Norte do País. ao sudeste do Estado de Rondônia.

00 Bloco de Ancoragem BA02 EL.80 2.50 X 1.00 1.d 1.80 x 0.80 2.10 0.00 2.40 m Painel 1 0.20 1.10 Subestação Elevadora Almoxarifado Banho 1. (e) arranjo da casa de máquinas – vista em planta Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 63 .80 1.00x1.29 – Projeto µCH Canaã: (a) Rio Roosevelt seção da tomada d’água. (b) e (c) grupo gerador diesel para atendimento individual.80 1.80 1.50 x 1. (d) arranjo da µCH Canaã.50 X 1.40 1.00 2.10 A A 3.00 0. 271.70 e Figura 2.

também com recurso do CT-Energ e do Ministério de Minas e Energia. bem como aspectos da µCH.30. a b c Figura 2.(c) bombeamento para o sistema de distribuição de água potável 64 Tecnologias de Energias Renováveis . uma escola. teve como objetivo implantar um projeto-piloto de geração descentralizada em comunidades isoladas na região amazônica de forma a implantar uma gestão comunitária que permitisse a auto-suficiência do empreendimento. de 50 kW.Projeto Cachoeira do Aruã Trata-se de um projeto que. 2.32 – Usos produtivos da energia: (a) unidade moveleira. (c) grupo gerador e quadro elétrico a b c Figura 2. (c) habitação atendida pelo projeto a b c Figura 2.31 e 2. (b) congelador de polpa de frutas.31 – Aspectos da µCH Cachoeira do Aruã: (a) barragem e tomada d’água. foi implantada no rio Aruã.32 apresentam características da comunidade de Aruã.30 – Atendimento à comunidade de Aruã: (a) linha de transmissão e distribuição. (b) casa de máquinas. que tinham como objetivo permitir o uso produtivo da energia geada pela µCH e gerar renda à comunidade. A µCH. numa comunidade distante 14 horas de barco de Santarém. uma bomba hidráulica para recalcar água ao reservatório de distribuição à comunidade e duas unidades produtivas que foram implantadas pelo projeto. As figuras 2. no centro-sul do Estado do Pará. As referidas unidades produtivas eram uma oficina moveleira e uma central de congelamento de polpa de frutas. (b) escola atendida pelo projeto. A função foi atender as famílias residentes.

Com uma potência instalada de 55 kW. prevê-se o atendimento de 40 famílias da comunidade. cujo apoio foi fundamental para o sucesso do projeto.Dos dois projetos em que se previam a mobilização e organização da população para a implantação de um sistema de gestão comunitário que desse auto-suficiência à unidade geradora.33 – Antigas condições da µCH Novo Plano: (a) tubulação forçada e casa de máquinas. (c) “quadro elétrico” da central a Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 65 . conforme pode ser visto na figura 2.33. que atendia apenas três moradias e encontrava-se em péssima condição de manutenção. Projeto µCH Novo Plano Esse projeto foi desenvolvido junto à comunidade Novo Plano. localizada no município de Chupinguaia. no Estado de Rondônia. o projeto contou com a colaboração da Fundação Winrock e com a ong Alegria. (b) grupo gerador. Trata-se de um projeto de repotenciação de uma µCH já existente. esse foi aquele em que se conseguiu o maior índice de sucesso. a b c Figura 2. Para tanto. construída pelos próprios moradores.

35 apresenta diversos aspectos técnicos da µCH. a b c d e f Figura 2. durante sua construção. Com a potência de 55 kW. a 140 km de Santarém.b c Figura 2. (d) turbina hidráulica tipo Indalma. cujas habitações estão espalhadas em pequenas aglomerações ao longo de 8 km. A figura 2. (b) novo conduto forçado.34 mostra alguns aspectos da central repotenciada. Esse projeto contou com grande cooperação da comunidade e. (f) habitação sendo atendida 66 Tecnologias de Energias Renováveis . a troca dos condutos forçados e do grupo gerador e um aumento substancial na potência gerada. (c) turbina hidráulica tipo Francis O projeto de repotenciação previu a construção de uma nova tomada d’água. escavado em terra sem revestimento. a maior dificuldade encontrada foi a grande freqüência de chuva na região. (e) linha de transmissão. ele é responsável pelo atendimento de 40 famílias. A figura 2. na região central do Estado do Pará. no município de Belterra.34 – Projeto µCH Novo Plano: (a) arranjo físico.35 – Projeto µCH Jatoarana: (a) barragem de terra com vertedor lateral. (c) canal de adução. Projeto µCH Jatoarana O projeto µCH Jatoarana foi desenvolvido para atender duas comunidades: a de Nova Olinda e a de Santa Luzia. (b) casa de máquinas.

Fonte: Oliver (2005) Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 67 . Esse modelo.36 – Modelo Prisma – gestão comunitária de unidades geradoras em comunidades isoladas.37. A outra parte da energia seria consumida pelas instalações produtivas que gerariam empregos e renda à comunidade. implantar a unidade geradora a ser registrada na aneel e repassada em comodato à associação. Parte da energia entregue à concessionária é consumida em instalações produtivas. o suficiente para atender às habitações. infelizmente não pôde de ser implantado devido ao fato do impedimento à construção da µCH Canaã. Esse modelo está.36. Š Modelo autoprodução: No princípio segue o mesmo procedimento do modelo anterior. Š Modelo Prisma: a associação se torna produtor independente e assina um PPA e outro contrato de o&m com a concessionária local. observado na figura 2. e pode ser visualizado na figura 2. obter meios para alcançar a melhora na sua qualidade de vida. por sua vez. estruturadas em produtor independente de energia – pie. Investimento Inicial OSCIP/PIE Prestação de Contas (Termo de Parceria) Poder Público $ Energia (PPA) $ Serviços O&M e Assist.Modelos de gestão para unidades de geração em comunidades isoladas Os projetos apresentado no item anterior fizeram parte de um programa do Ministério de Minas e Energia de disseminação da tecnologia na região amazônica para desenvolver modelos de gestão comunitária participativa que dêem auto-sustentabilidade às unidades de geração implantadas em comunidades isoladas. como oficina moveleira. com o restante. sendo testado na comunidade de Aruã. em parte. Comercial (Contrato Serviços) Energia (Contrato de Adesão) Concessionária Consumidores $ Figura 2. Os recursos obtidos com a venda da energia e com o serviço de o&m são utilizados para a operação e manutenção da unidade geradora. permite pagar à concessionária pela energia consumida e. ou outras atividades às quais a comunidade seja vocacionada. A renda obtida com essas atividades gera mais receita que. aumentando o valor agregado aos produtos da comunidade. congelamento de polpas de frutas. com a diferença que a associação seria registrada na aneel como um autoprodutor que venderia apenas parte da energia à concessionária. o governo ou outro agente responsável pelo desenvolvimento social. A princípio os modelos de gestão consistem em: organizar a comunidade em uma associação.

pela indústria local. o mais importante. sem uma fase preliminar de planejamento de estudos que possibilite identificar. O fornecimento de um sistema de geração de energia elétrica em comunidades isoladas deve conter um plano de gestão participativo e sustentável. Em se tratando de µCH e mCH. estruturada em autoprodutor de energia – ape Comentários finais Com os trabalhos desenvolvidos na Amazônia Legal. o que pode dificultar a implantação dessas µCH e mCH. as condições locais. a região amazônica mostra-se bastante propícia. observou-se que o fornecimento de energia elétrica por si só. não é suficiente para se alcançar tal desenvolvimento. gerando renda através do uso produtivo da energia. na implantação de quatro projetos-pilotos. impõem soluções que ainda não se encontram em estágio adequado no Brasil. Porém. para auto-sustentabilidade de unidades geradoras em comunidades isoladas. de rios caudalosos e com pequenas declividades em sua maioria. e devem-se criar estratégias que dêem suporte ao crescimento proporcionado pela chegada da energia elétrica que beneficiem os indivíduos.Poder Público $ Investimento Inicial Energia excedente Planta CH $O&M Energia consumo próprio OSCIPE APE $I e im es t nv $ Receita PPA PP A de $ M Re s nto Concessionária O&M Rede $ O & $ Receita Atividade Produtiva Venda Distribuição $ Tarifa Consumidor $ Renda Trabalho Melhoria da qualidade de vida Figura 2. onde três lograram sucesso. reunir e integrar os recursos diversos que podem ser aproveitados. A tecnologia envolvida nesse processo é totalmente dominada pela indústria nacional e. preservados e potencializados.37 – Modelo de gestão comunitária participativo. ou destiná-las apenas à regiões do entorno 68 Tecnologias de Energias Renováveis .

prudente e equilibrada. Agradecemos aos parceiros envolvidos nos projetos. considerando sua inserção num contexto social. É nosso dever apontar as possíveis soluções e os meios de alcançá-las. dos quais são co-autores. e ao mesmo tempo. Além disso. é de fundamental importância conceber o fornecimento da energia elétrica na totalidade de seu uso. Agradecimentos Agradecemos à Secretaria de Energia do Ministério de Minas e Energia. proporcionando os meios para o desenvolvimento dos projetos pilotos apresentados e dessa bibliografia. A experiência adquirida foi e será muito importante para o desenvolvimento das atividades do centro.da bacia amazônica. à população das comunidades isoladas compete definir o seu desejo de mudança e se organizar e trabalhar para isso. do livro e deste capítulo. cuja participação foi fundamental para o sucesso dos mesmos. econômico e ambiental. bem como para as comunidades envolvidas. que foi solidária no desenvolvimento dos projetos e na elaboração do guia. à região e ao País. Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos 69 . Agradeço à equipe do cerpch. de forma racional. é necessário desejar as mudanças e colocá-las em prática. onde a topografia mostra-se mais adequada. Meios existem. que permita alavancar o desenvolvimento sustentável da comunidade e. como a Fundação Winrock Comunidade Alegria. conseqüentemente. ao Programa Luz Para Todos e ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – pnud por terem acreditado no trabalho do cerpch.

3 Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida Soluções Energéticas para a Amazônia Gonçalo Rendeiro (Coordenador) Manoel Fernandes Martins Nogueira (Editor) Augusto César de Mendonça Brasil Daniel Onofre de Almeida Cruz Danielle Regina da Silva Guerra Emanuel Negrão Macêdo Jorge de Araújo Ichihara Co-autores: André Augusto Azevedo Montenegro Duarte Antonio Geraldo de Paula Oliveira Hendrick Maxil Zárate Rocha Robson Evilácio de Jesus Santos Sergio Aruana Elarrat Canto Wilson Negrão Macêdo 70 Tecnologias de Energias Renováveis .

Bahia. Roraima e Mato Grosso. Rio Branco e Boa Vista). situação que foi alterada ao final de 2002. são os que atendem as capitais da região Norte (Manaus. Š No Estado de Mato Grosso: 32. de 14 novas pchs. o que conduziu à situação atual de completo vácuo legal. 294 sistemas isolados em operação autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (aneel). por meio da interligação ao sistema da hidrelétrica de Guri em 230 kV naquele país vizinho. Em Rio Branco. Estes sistemas representam cerca de 80% da carga total dos sistemas isolados. existem centenas de sistemas isolados em operação sem autorização. existe. durante o processo de privatização. Porto Velho. Os principais agentes que operam nos sistemas elétricos isolados do País são a Eletrobrás e Eletronorte com suas respectivas subsidiárias. A grande maioria dos sistemas do interior dos Estados da região Norte é suprida por unidades dieselelétricas de pequeno porte. a aceleração do desequilíbrio e. consomem aproximadamente 2% da energia elétrica utilizada no País e representam a mesma proporção do pib. Maranhão e Mato Grosso do Sul: 4. a geração nos sistemas isolados possuía um certo arcabouço legal. A mudança processada nessa legislação. o atendimento era puramente térmico. com importação de energia da Venezuela. além dos 294 sistemas isolados autorizados. Contudo. totalizando cerca de 42 MW de potência instalada em 22 usinas nos Estados de Rondônia. contribuindo para a desestabilização e insolvência dos agentes. Tomados em conjunto. ainda que insatisfatório. Š Nos Estados de Pernambuco. Nos sistemas de Manaus. com a interligação ao sistema de Porto Velho em 230 kV. a partir de julho de 2001. com exceção de Belém. Porto Velho e Macapá. Macapá. com o fim das concessões. O sistema que atende Boa Vista e parte do interior do Estado de Roraima passou a ser suprido. no início de 2006. um parque hidrelétrico composto por pequenas centrais hidrelétricas (pchs). as Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 71 . adicionando mais 110 MW à potência desses sistemas. a geração de eletricidade provém de sistemas hidrotérmicos. mesmo quando pertencentes a concessionárias. Cabe ressaltar que. os governos dos Estados do Amapá e Roraima. Até recentemente. estes sistemas cobrem quase 50% do território nacional. até o final de 2006. também. que está integrada ao sistema interligado nacional. Os sistemas isolados mais importantes.Caracterização da Geração na Amazônia Havia. revogou itens. a obsolescência do parque gerador. Este parque será expandido com a instalação. A sua distribuição espacial era a seguinte: Š Na região Norte: 288. e outras tantas centenas de localidades sem atendimento. do ponto de vista da dimensão do consumo.

Os principais produtores independentes de energia (pies) que suprem os sistemas isolados possuem as seguintes usinas: Š Š Š Š utes El Paso Amazonas. utes Termonorte I e II consórcio CS Participações/El Paso. colidem entre si causando a sua destruição. bem como o poder calorífico dos combustíveis e a temperatura adiabática da reação. através da uhe Coaracy Nunes e ute Santana. ute Barro Vermelho SoEnergy. Princípios para Uso de Biomassa como Combustível Dois são os processos de conversão da energia contida na biomassa que são abordadas neste livro: combustão e gasificação. Manaus) e proprietária da usina hidrelétrica (uhe) Balbina e usinas termelétricas (utes) Mauá. El Paso Rio Negro e BK. SoEnergy: 55 sistemas com 77 MW. A cer é suprida parcialmente pela Bovesa. Excesso ou falta é com relação a uma quantidade de referência denominada quantidade de ar estequiométrica. atende a localidades no interior de Rondônia. do Acre.concessionárias privadas celpa e cemat do Grupo Rede. através da uhe Samuel e ute Rio Madeira. A Eletronorte é supridora dos sistemas isolados das capitais do Amapá. de Roraima. Os governos dos Estados do Amapá e Roraima são controladores da Companhia de Eletricidade do Amapá (cea) e Companhia de Eletricidade de Roraima (cer). e de Rondônia. Aparecida e Electron. geralmente o oxigênio do ar e um hidrocarboneto. enquanto que o produtor independente Rovema. Os elementos químicos 72 Tecnologias de Energias Renováveis . e a Boa Vista Energia (Bovesa). e cemat: 34 sistemas com 87 MW efetivos. Conversão Energética da Biomassa É uma reação química de oxidação de materiais combustíveis.5% da energia distribuída no Estado do Amazonas (a grande maioria na capital. Os reagentes. no Estado do Amazonas. A Eletronorte é controladora das subsidiárias Manaus Energia (Mesa). A Eletrobrás é controladora da Eletronorte e das empresas concessionárias distribuidoras federalizadas que operam em sistemas isolados. A combustão ocorre com excesso de oxigênio enquanto que a gasificação ocorre com falta de oxigênio. A Ceam é suprida parcialmente pela Mesa e possui pequenas centrais termelétricas (pcts). e alguns produtores independentes. no Estado de Rondônia. O produtor independente Guascor supre diversas localidades no interior dos Estados de Rondônia. através das utes Rio Branco e Rio Acre. Há diversas PCHs de produtores independentes no Estado de Rondônia. Companhia Energética do Amazonas (Ceam). Acre e Pará. no Estado do Acre. responsável por 89. Boa Vista). celpa: 38 sistemas com 75 MW efetivos. Este capítulo apresentará os conceitos básicos das reações de combustão e gasificação e ensinará a quantificar as massas de combustível e ar requeridos para esses processos. que responde por 84% da energia distribuída no Estado de Roraima (essencialmente na capital. Ambos os processos consistem da reação dos componentes da biomassa com ar. respectivamente. através de importação da empresa venezuelana Edelca e ute Floresta. A Ceron possui pchs e pcts. Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) e Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre).

a temperatura da chama pode ultrapassar os 2. Diferentes combustíveis possuem diferentes razões ar-combustível. é preciso que tenhamos dois átomos de oxigênio para formar CO2 e para cada dois átomos de hidrogênio é preciso fornecer um átomo de oxigênio para formar uma molécula de água. Resumindo. Essa reação com quantidades de combustível e oxidante nas quantidades exatas é denominada de reação estequiométrica.000°C. Sem a presença de nitrogênio. Essa destruição seguida de recombinação numa região espacial específica libera calor e eventualmente emite luz. A presença de nitrogênio reduz a temperatura da chama e conseqüentemente a temperatura dos gases resultantes da combustão. NO reage com oxigênio do ar formando ozônio. Processos de combustão e gasificação na presença de oxigênio puro só se justificam para plantas de grandes potências devido ao custo de separar o oxigênio do ar do nitrogênio. Nela o gás metano reage com o oxigênio puro (o oxigênio contido no ar vem acompanhado com nitrogênio. a mistura reagente será denominada rica e terá λ < λest. CH + HO + O  CO kmol + kmol kmol + kmol  volume + volumes  volume + volumes equação 3. Processos de combustão normalmente usam ar. que possui o inconveniente de para cada molécula de oxigênio trazer consigo 3. Se menos ar for adicionado à combustão que o requerido pela reação estequiométrica. Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 73 . para liberar calor. Para o caso de combustão com ar. Para cada átomo de O2 recolhido no ar. que é um inerte. capaz de derreter as paredes da câmara de combustão.resultantes dessa destruição se recombinam formando novas espécies químicas denominadas de produtos. a mistura será pobre (por enquanto se paga somente pelo combustível) e ocorrerá λ > λest. Este texto adotará que se mais ar for adicionado do que o ar estequiométrico. é preciso definir a razão ar-combustível. são necessárias quantidades exatas de átomos envolvidos. A desvantagem da presença do nitrogênio é que a altas temperaturas ele se dissocia e se associa com o radical oxigênio livre formando NO.76 átomos de N2).1 Nessa reação. massa de ar λ = ——————————— massa de combustível equação 3. formando como produto um grupo de espécies diferente dos reagentes. pois absorve o calor liberado pela reação para elevar sua temperatura. A quantidade de oxidante numa reação estequiométrica depende do combustível e é obtida a partir do balanço de átomos dos reagentes e dos produtos. a combustão é uma reação química exotérmica entre um combustível e um comburente. Todo processo de combustão somente ocorre na fase gasosa. Um processo de combustão de gases pode ser exemplificado pela reação abaixo. vem acompanhando 3. Reagentes pobres e ricos terão diferentes produtos como será visto na próxima seção. os reagentes são o metano e o oxigênio. Nos outros casos utiliza-se o oxigênio do ar.76 moléculas de nitrogênio. Note que para essa reação acontecer. que reagem entre si formando os produtos CO2 e H2O liberando o calor de reação. que é um poluente.2 Essa é a razão ar-combustível estequiométrica. Para cada átomo de carbono. usualmente o oxigênio.

Numa mistura rica. existe falta de oxigênio. o excesso de oxigênio não tem com quem reagir e passa pela chama como se fosse um inerte e aparece nos produtos. 1700 K). excesso de combustível.3 Onde Ncomb e Nar são os números de moles do combustível e do ar na mistura que estão sendo empregados e (Ncomb/Nar)est é a razão combustível-ar estequiométrico. H2O.Reagentes com misturas ricas e pobres – Razão de Equivalência Quando os reagentes possuem misturas ricas ou pobres. a mistura é pobre. no caso de processo a pressão constante. Razão de equivalência é definida como a razão combustível-ar dos reagentes pela razão combustível-ar em condição estequiométrica. a mistura é rica e se Φ < 1. Como o exterior do recipiente está a 298 K. busca-se converter o combustível em CO e H2 . Para quantificar o calor de reação utiliza-se a primeira Lei da Termodinâmica. propiciando a formação de CO e H2 . Numa mistura pobre. Alguns autores preferem utilizar a razão de equivalência definida como razão ar-combustível utilizada nos reagentes pela razão ar-combustível na condição estequiométrica. Supondo não existir dissociação. QR = Hproduto . Esses processos geralmente operam com 30% da quantidade de ar estequiométrico. e é indesejável produzir CO2 e H2O. Processos de combustão utilizam Φ de aproximadamente 0. Exemplificando. a composição dos produtos é diferente dos produtos de uma reação estequiométrica (CO2 . Essa definição é válida tanto na base molar quanto na base mássica. calor é removido e a temperatura no seu interior baixa. H2O e N2). CO e H2 . esse projeto é feito em falta de oxigênio. existe excesso de oxigênio. Nesta definição de Φ > 1. que a energia liberada é igual à variação de entalpia entre produto e reagentes. a temperatura sobe até alcançar o máximo possível (por exemplo. Calor de Reação e Poder Calorífico Calor de reação é definido como a quantidade de calor liberado durante a reação estequiométrica de combustão até que o produto alcance a mesma temperatura do reagente. caracterizando que os reagentes são uma mistura rica. Então os produtos de uma mistura pobre serão CO2 . No processo de gasificação.Hreagente equação 3. N2 e O2 . Assim sendo. H2O. Iniciando a combustão (talvez com uma centelha). N2 .4 74 Tecnologias de Energias Renováveis . A quantidade de calor removido é denominada calor de reação. Este texto adotará a primeira definição. o produto da combustão no interior do recipiente entra em equilíbrio com o meio externo a 298 K. que estabelece. Então os produtos de uma mistura rica serão CO2 . Então razão de equivalência é: Ncomb mcomb —–—– —–—– Nar mar Φ = —–——–– = ————— Ncomb mcomb —–—– —–—– Nar est mar est equação 3. Supondo não existir dissociação. e depois de certo tempo. considere um recipiente a pressão constante cheio de metano e oxigênio com razão ar-metano igual à estequiométrica e temperatura 298 K. falta oxigênio para reagir com todo o carbono e hidrogênio disponíveis.95 enquanto processos de gasificação utilizam Φ em torno de 3.

hi é a entalpia molar dessa H = ∑ Ni espécie na temperatura da mistura (kJ/mol). conforme descrito na equação 3.7 Combustão dos Líquidos e Sólidos A combustão de um combustível líquido em uma região acontece realmente na forma gasosa.Onde QR é o calor de reação. ocorre todo o processo de volatilização do sólido. Abaixo dessa temperatura. Isto quer dizer que quem reage liberando calor é o gás. Poder calorífico é definido como o calor de reação. de maneira que a água nos produtos permaneça na fase vapor. necessariamente a água nos produtos estará na fase líquida. Essas entalpias podem ser quantificadas pela expressão n — H = ∑ Ni .——— . esse será o pcs.6 pci é calculado com uma quantidade menor de calor extraído do que a extraída para quantificar o pcs.7: mH O PCI = PCS . um líquido inflamável normalmente só entrará em combustão acima de uma temperatura.QR PCS = ———– [kJ kg de combustível] PMcomb equação 3. Se a temperatura do reagente e do produto for 298 K a 1 atm. Gasificação – Após. hi equação 3. A combustão de sólidos consiste em três fases relativamente distintas: Secagem – Quando é retirada a umidade do combustível através da evaporação da água incorporada ao combustível sólido. não o líquido. H2 . sendo a energia produzida na forma de calor e luz. que reage com o oxigênio numa reação exotérmica. o material carbonizado gaseifica formando CO. os gases inflamáveis do sólido começam a ser liberados através de um processo chamado Pirólise. O pci é calculado subtraindo da energia liberada na reação pela quantidade de energia liberada durante a condensação. o líquido não evaporará com rapidez suficiente para sustentar o fogo caso a fonte de ignição seja removida. Hproduto e Hreagente são respectivamente as entalpias do produto e do reagente. O número de moles de cada espécie é obtido da reação estequiométrica e a entalpia molar é a soma da entalpia de formação a temperatura de 298 K e da entalpia sensível que a mistura possui a certa temperatura. . Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 75 . do seu ponto de fulgor e na presença de uma fonte quente para iniciar a reação. CH4 . Iniciada a reação ela se auto-mantém.5 n — Onde Ni é o número de moles da espécie “i” contida na mistura e. Ponto de fulgor é a menor temperatura na qual um líquido libera vapor ou gás em quantidade suficiente para formar com o ar atmosférico uma mistura inflamável. Depois. de maneira que a água no produto condensa e fica na fase líquida.hlv mcomb equação 3. com o sinal invertido e na base mássica. onde a mistura desses voláteis com oxigênio provoca a ignição. Portanto. tendo como produtos CO2 + H2O + Calor. O fogo normalmente é visível nesta fase. pcs é calculado utilizando a quantidade de calor extraído da reação química. Então nesse caso.

a análise elementar e a análise imediata.4 e 0. PCS .Caracterização da Biomassa para Fins Energéticos Para poder avaliar a capacidade energética de uma biomassa é preciso fazer a caracterização energética da mesma. Para o pci ser calculado através da equação (3. voláteis.12. Para este ensaio. Se o teor de umidade da biomassa for acima de 0. Assim sendo.7 não ocorrerá combustão. hlv( °C) equação 3.a . 76 Tecnologias de Energias Renováveis . com a determinação do seu poder calorífico superior e inferior. é possível calcular o pcs. Quanto maior o teor de umidade.55. implicando que menor energia poderá ser extraída da biomassa. equação 3. PCS = . O teor de hidrogênio da biomassa seca é obtido em laboratório através de um ensaio denominado análise elementar.9 Onde pcs: poder calorífico inferior (kJ/kg de biomassa úmida).a) . ( . “S” e “cinzas” da biomassa. A análise elementar quantifica os percentuais. H. Em 2007. É possível fazer o relacionamento do pcs de uma biomassa com a quantidade de ligações químicas envolvendo seus elementos. menor será o pci. Essa caracterização é feita com três grupos de procedimentos: determinação do poder calorífico..8 Onde mc é a fração mássica de carbono na biomassa combustível seca. dos elementos C. Um resultado típico da análise elementar pode ser visto na tabela 3. carbono fixo e cinzas contidas na biomassa.8) é um exemplo desse tipo de correlação.1. O poder calorífico inferior (pci) pode ser obtido através da equação (3. h . A análise imediata determina os teores de umidade. e o pcs é obtido em kJ/ kg de biomassa seca. A determinação do poder calorífico quantifica a energia contida na biomassa. Esse ensaio fornece os percentuais mássicos dos elementos “C”. na qual é medido o poder calorífico superior em base seca da biomassa. “H”. “N”. S e cinzas contidas na biomassa.a) .9): PCIu = ( . Biomassas estocadas em pátios abertos possuem o seu teor de umidade entre 0. “O”. não havia correlações específicas para espécies amazônicas. hlv( °C) . N. O. em massa. O poder calorífico superior de uma biomassa também pode ser determinado com a ajuda dos resultados da análise elementar. é preciso conhecer os teores de umidade e de hidrogênio da biomassa que será utilizada como combustível. pode ser utilizada uma bomba calorimétrica digital. conhecendo a fração mássica dos componentes da biomassa. Determinação do Poder Calorífico Superior (pcs) e Poder Calorífico Inferior (pci) e Análise Elementar Os ensaios de determinação do poder calorífico superior são realizados obedecendo à norma nbr 8633 (Determinação do Poder Calorífico). hlv(25°C): entalpia de vaporização da água a 25°C (kJ/kg). h: teor de hidrogênio na biomassa (massa base seca). igual a 2442 kJ/kg.9).08 e 0. mc . A equação (3. pcs: poder calorífico superior (kJ/ kg de biomassa seca). a: teor de umidade da biomassa (massa base úmida). Biomassas que tenham sido secas têm o seu teor de umidade entre 0.

Umidade. Determinação do Teor de Carbono Fixo de Biomassas Os procedimentos para cálculo do teor de carbono fixo em base seca. Descrição dos Métodos Determinação do Teor de Umidade de Biomassas Para a determinação do teor de umidade. sendo que as amostras devem ser preparadas conforme a nbr 6923 (Amostragem e Preparação da Amostra).2 6 N 0.7 46 Cinzas 21 1. Determinação do Teor de Voláteis de Biomassas Expressa a quantidade mássica dos componentes da biomassa que primeiramente entram em combustão.50 32. 500g de amostra de biomassa com granulometria inferior a 19 mm são colocados numa estufa previamente aquecida a 105°C até que a massa da amostra permaneça constante. são baseados na nbr 8112 (Análise Imediata). os voláteis. sob rígido controle de massa. Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 77 . são hidrocarbonetos que são vaporizados da biomassa e facilmente entram em combustão. temperatura. Um grama de biomassa já sem umidade e voláteis é colocado num cadinho e levado ao interior do forno. em atmosfera inerte. Cinza. Carbono Fixo. Caracterização Energética de Algumas Espécies Amazônicas A tabela 3.5 e de O/C de aproximadamente 0. As cinzas são resultantes da combustão dos componentes orgânicos e oxidação dos inorgânicos em um forno mufla. fica por uma hora. por 7 (sete) minutos (nbr 8112 – Análise Imediata). até temperaturas de aproximadamente 850°C num forno mufla.40 7. Determinação do Teor de Cinzas de Biomassas Os procedimentos para determinação do teor de cinzas de amostras de biomassa são baseados na nbr 8112 (Análise Imediata). Esses componentes.80 0. nessa condição.24 59 46 H 4.2 População H/C aproximadamente 1.6 Tabela 3.Espécie Casca de arroz Pinheiro Caroço de açaí C 38.1 – Resultado da análise elementar de algumas espécies vegetais em percentual mássico Análise Imediata.1 1.2 abaixo mostra alguns resultados de caracterização de espécies de biomassa existentes na Amazônia.8 S 0. Sua temperatura é então elevada para 710°C e. Teor de Voláteis. de amostras de biomassa. tempo e atmosfera. O teor de voláteis é definido como a fração em massa da biomassa que volatiliza durante o aquecimento de uma amostra padronizada e previamente seca.06 - O 35. utiliza-se a norma nbr 8112 (Análise Imediata).

o qual se desenvolve jus18. Esta78. os finos de materiais diversos. são convertidos em produtos de maior valor comercial.2 80.4 93.ID Nome Comercial PCS [MJ/kg] 20.14 22. No nível de comparação.4 222 37 20. o processo é denominado de briquetagem.4 82.7 1.0 200 240 Quando pequenasTauari partículas de materiais sólidos são82. resulta um material intermediário entre a biomassa e o carvão.59 19. é que promoverá a evaporação da água do combustível.7 250 5049 39 20.6 4.6 2.3 acético.6 prensadas 0.20 Sucupira moderadas.3 17.70 Mandioqueira do ar à biomassa sob o efeito da diferença de temperatura existente0.6 0.51 19.1 82.4 70.9 0.6 80.3água.6 0.5 79.41 Jatobá mento 17.8 1.92 Quaruba degradada.4 0.6 Teor de Cinzas [%] 0.3 17.2 373 7503 24 20.9 0.87 definidas e de maior tamanho.2 operação na qual a água contida em por uma 20 Fibra de dendê 18.7 11 22. 40 41 Talo de uncária Tanimbuca Tatajuba 19.79 Resíduo de energéticos.6 0.8 14.16 19.9 0. ufpa.3 20.5 3.99 Resíduo de favadanta 21.0 15.2 Teor de Voláteis [%] 78.0 83.3 energia gerada por ele.0 1.6 81. Nestas condições a hemi-celulose é 17.9 encontra disponível.3 0. baixas taxas de aquecimento e temperaturas Roxinho da biomassa em um produto formado em 16. 9. Deste processo.1 90.8 200 3974 43 19.84 Marupá a diferença de pressão parcial de vapor d’água existente entre o ar e a superfície da biomassa 5. pode-se utilizar: da 86.1 17.1 76. entre 250 e 300°C.0 0.7 78. Simultaneamente. permitindo reter os voláteis de maior poder calorífico no próprio produto. frações de fenol e outros300 compostos de baixo 79.2 4. Durante a secagem é necessário o forneci78.3 entre eles.8 81.9 280 5737 33 20.0 81.49 Pracuuba tamente na fase endotérmica da pirólise.2 6.28 A biomassa a ser utilizadado Pará combustível 27.21 algum tratamento Cedro mecânico para sua eficaz utilização.9 9.85 curto tempo.1 1.8 220 4394 27 19.85 Mogno 17.9 2.1 250 4977 16 19.7 82.67 84.2 200 3310 O processo de secagem é realizado16.9 230 4563 26 19.6 80.10 Cascas de nozes maioria das vezes não pode ser usada na forma em que75.7 formar blocos de forma para 16.3 10 Caroço de açaí 19.9 71.9 240 4867 13 Cascas de castanha como 20.1 1.9 0.55 Quenga de côco 19.1 8.97 Melancieiro 19.4 77.76 17.6 76.4 24.7 0.34 Buchas trituradas de dendê Tabela 3.1 79.65 Palmito Uma parte do calor que chega à biomassa é utilizada para vaporizar a água.72 Louro-Faia uma fonte quente para a biomassa úmida.8 250 4962 determina uma transferência de matéria para o ar.1 15.1 3830 29 16.4 última se faz na forma de vapor de água. 28 19. Neste trabalho será dada maior ênfase aos briquetes de carvão vegetal.22 19. 17.0 250 4729 34 18.11 Maçaranduba Uma vez que a biomassa é colocada em contato com ar quente.7 76.9 9 19. subprodutos do beneficiamento industrial. Este processo.2 72.1 313 6257 poder calorífico.1 270 5438 17 Cumaru 20.9 70. que está em torno de 3.3 0. na tanto 22.4 200 3883 22 de calor para evaporar a umidade da biomassa.6 1.8 82.91 Copaíba dependendo do custo final do combustível e13.7 260 5485 14 21.0 15.22 Casca de amêndoa 12 Casca de palmito 16. ebma. observa-se que o briquete tem poder calorífico superior ao da lenha.88 15.6 0.7 200 25 19.2 200 3737 21 18.7 0.7 89.44 18.4 82.6 230 4491 3918 4592 Briquetes 42 19.31 22.9 8 17. ocorre uma transferência 3940 do calor 16. O objetivo fundamental da torrefação é concentrar a 4615 com altos rendimentosuncária energia 19.91 Carbono Fixo [%] 20.18 18.53 22.9 1.7 1.5 1.0 1.6 74.9 10.2 230 4536 23 19.0 6165 35 20.8 237 210 280 4576 4667 5568 Torrefação de Biomassa A torrefação pode ser definida como um processo de pré-carbonização. de fornecimento de calor de 19.70 19. sendo removida a umidade. 230 30 31 32 Pau-marfim Pau-preto Pequiá 19.1 0. o ácido19. 36 19.14 19.2 0.3 230 4564 38 19.9 4. Dentre os tratamentos mecânicos usuais.55 evaporação e é 76.1 249 5032 Secagem 19 18 Falso Pau-Brasil Fibra de coco 21.69 Garapa uma biomassa é diminuída pela remoção dessa 20.7 220 282 4842 5264 19. Através deste processo.0 79.2 – Caracterização energética de algumas espécies amazônicas.5 70.6 5.0 14. 14.8 78. denominado “carvão ecológico”.98 19. necessitando de se 15 20.2 20.000 kcal/kg e densidade três 78 Tecnologias de Energias Renováveis .3 85.0 0.2 Massa Especifica a Granel [kg/m³] 250 290 280 265 250 267 259 298 200 240 220 240 Densidade Energética [MJ/m³] 5175 5732 4904 5258 5109 5068 5158 5168 3871 4598 4889 3883 1 2 3 4 5 6 7 Acapú Andiroba Angelim Angelim Pedra Angelim vermelho Bambu Breu 15.01 18.6 79.1 na combustão direta como na gasificação.6 84.8 2.4 0.8 84.84 20.35 Cacho seco de amêndoa Pré-tratamento da biomassa 20. 2004 16.

raspagem (“shredding”). quando se desejam dimensões reduzidas. os péletes são considerados uma energia renovável. O pélete é um composto 100% natural. sendo que a forma e distribuição do produto variam com o tipo de biomassa e o tipo de equipamento utilizado. o que influi nos custos. Os péletes podem ser produzidos de várias formas. estes são denominados de ciclos a vapor ou ciclo Rankine. impacto. turbina ou máquina a vapor. abrasão. Esse pó de madeira ou serragem é depois comprimido nas chamadas peletizadoras (máquinas para fazer péletes) obtendo assim a forma final. A energia necessária para o processamento de uma trituração é proporcional à nova superfície específica obtida. Quanto maior for a pressão e a temperatura do vapor. O processo de trituração pode ser feito de diversas maneiras: compressão. há aumento considerável de tempo e da potência gastos. Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 79 . serrações. pré-aquecedores de água e/ou ar e bombas de alimentação de água da caldeira. Os principais equipamentos que compõem um ciclo a vapor são: gerador de vapor (caldeira). mais eficiente é o ciclo devido à elevação da diferença entálpica do vapor entre a entrada e a saída da turbina ou máquina a vapor. desgastes nas arestas (“nibbling”). proporcionando melhor alimentação na fornalha com aumento significativo da área do combustível. Quando utilizando água. O rendimento destes ciclos depende diretamente da condição do vapor que é gerado na caldeira. dentre os quais se destaca a utilização da biomassa para fins energéticos. carpintarias. Aumentando a pressão e a temperatura do vapor. A figura 3.1 apresenta de Figura 3. por conseguinte mais elevado seu preço. com elevado poder calórico devido à reduzida umidade. superaquecedor. impacto por compressão. Tal como a lenha.1 – Esquema de um ciclo a vapor forma esquemática o ciclo a vapor. a partir das limpezas das florestas e dos desperdícios das indústrias de madeiras. podendo usar água ou gases como fluidos de trabalho. condensador. Esses resíduos devem ser recolhidos. Processos de Conversão Energética da Biomassa Ciclos a Vapor Os ciclos térmicos de potência são utilizados para converter energia térmica em trabalho. mantendo o mesmo poder calorífico. triturados e moídos. secos. portanto. Trituração A trituração é um pré-requisito para vários processos de reaproveitamento de produtos. Péletes Os péletes são fontes de energia renováveis e pertencentes à classe da biomassa.vezes maior que o carvão in natura. Este processo torna-se necessário quando se visa à redução de tamanho a dimensões abaixo de 5–20 mm. mais robusto é o equipamento e.

Welet ηctv = ————— mbio . a água passa da fase líquida para a gasosa. o funcionamento do ciclo é descrito a seguir. ao entrar na turbina. Elas são fabricadas no Brasil desde 5 kW até 60 MW. O restante do ciclo é o mesmo. da câmara de combustão. Esse equipamento denomina-se superaquecedor. tornando-se vapor. A transformação de energia térmica em mecânica na turbina reduz a energia do vapor. A figura 3. Por razões construtivas.10). fazendo girar o eixo da turbina.1. na fase líquida.10 ηctv: Eficiência da central térmica a vapor O rendimento total esperado de uma planta a vapor com um motor a vapor situa-se numa faixa de 13% a 28%. Esse vapor é injetado contra as pás de uma turbina de maneira similar à que o ar incide nas pás de um catavento. na máquina a vapor o vapor é injetado dentro de um cilindro com o êmbolo no seu ponto morto superior. pode ser utilizado com motores alternativos. e a alta temperatura.1 apresenta um ciclo a vapor com turbina. Consumo de Biomassa de uma Planta a Vapor O consumo específico de vapor de máquinas a vapor na sua condição nominal (máquina trabalha na sua condição de maior eficiência) varia entre 15 a 20 kg/h de vapor para cada 1 kW de eletricidade produzido no gerador. que eleva sua temperatura em uma dezena de graus mas sem mudar de fase. retira seu calor condensando-o e tornando-o líquido. os gases residuais são enviados para a chaminé e o vapor para a turbina. Após sair do condensador. Centrais a vapor com turbinas possuem seu rendimento entre 20% e 30%. PCIbio equação 3. O consumo específico de vapor de turbinas a vapor está na faixa de 8 a 20 kg/h de vapor para cada 1 kW de potência fornecida pelo gerador. deslocando o êmbolo para o ponto morto inferior num processo de expansão que faz girar o eixo ligado ao gerador. denominados de máquinas a vapor. Estas turbinas são projetadas para admitir pressões do vapor de entrada na faixa desde 8 80 Tecnologias de Energias Renováveis . O vapor. A definição da eficiência energética de uma central térmica a vapor é a razão entre a energia elétrica produzida no gerador pela energia da biomassa que alimenta a caldeira. O vapor de água é coletado na saída superior da caldeira. O calor da água de resfriamento é lançado na atmosfera seja por uma torre de resfriamento ou lançando a água quente em reservatórios de água como rios e lagos. O condensador transfere o calor do vapor para água do sistema de resfriamento. mas esse ciclo. escoa por uma serpentina imersa nos gases residuais. passa por uma bomba centrífuga onde sua pressão é elevada para a pressão de trabalho da caldeira. O ciclo é fechado colocando um condensador após a turbina. seja aberto ou fechado. Essa definição está expressa na equação (3. a água do ciclo de vapor. que está revestindo as paredes da câmara de combustão. está na sua temperatura e pressão mais altas.1. Diferentemente das turbinas a vapor. mas à alta temperatura (aproximadamente 60°C). reduzindo sua temperatura e pressão. Esse condensador recebe o vapor de água que sai da turbina. Na saída do superaquecedor. figura 3. que por sua vez está acoplada a um gerador elétrico.Observando a figura 3. O calor liberado na combustão é transferido para a água. Recebendo o calor da combustão. na mesma unidade de tempo. estes equipamentos não admitem pressões de entrada superiores a 18 atm e estão disponíveis no mercado brasileiro para potências não superiores a 250 kW. fechando o ciclo. A biomassa é queimada na câmara de combustão da caldeira.

Características da Biomassa para Uso num Gasificador de Extração por Baixo (Downdraft) Gasificadores exigem que a sua biomassa de alimentação tenha uma especificação própria. Uma caldeira operando a 21 atm e sendo alimentada com biomassa com 50% de umidade. ηturb . Por isso é necessário conhecer as propriedades da biomassa disponível e em muitos casos processá-la e adaptá-la às exigências do gasificador. embora experiências demonstrem que ela pode ser útil e econômica em várias aplicações.11). operando a 21 atm e consumindo biomassa com 50% de umidade. ηger equação 3. ver figura 3. físicas e morfológicas. uma central a vapor. ηturb: Eficiência mecânica da turbina. Central com Gasificação Aqui será tratado de gasificadores de leito fixo tipo extração por baixo (ou Downdraft. Hi: Salto entálpico do vapor na turbina (kJ/kg). para um consumo médio de 1 kg/h de biomassa. As caldeiras disponíveis no mercado brasileiro operam com rendimento na faixa de 85%.2 – Gasificador Downdraft Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 81 .11 CEvapor: Consumo específico de vapor. ηger: Eficiência do gerador (leva em consideração as perdas elétricas e mecânicas). como o de extração por cima (ou updraft). O consumo específico de vapor de uma turbina pode ser calculado usando a equação (3. É preciso lembrar que a tecnologia de gasificadores ainda está em desenvolvimento e possui muitas limitações. irá produzir 4 kg/h de vapor gerado.1 atm. em kg/kWh. mvapor CEvapor = —–––– = —–––––––—–– Welet Hi . o que o torna preferencial para o uso com motores de combustão interna. o qual é a variação da entalpia do vapor entre a entrada e a saída da turbina. terá um consumo específico de 2 a 5 kg/h de biomassa para 1 kW produzido. Como estes combustíveis diferem muito em suas propriedades químicas. Welet: Potência elétrica disponível nos bornes do gerador (kW). Finalmente. mvapor : Consumo de vapor (kg/s). Escolhido por sua capacidade de produzir gás com menos alcatrão que outros modelos de gasificadores de leito fixo.2). terão diferentes exigências do método de gasificação.até 60 atm e pressões do vapor na saída desde 0. que depende do projeto do gasificador. Figura 3.

3. principalmente nas regiões isoladas do setor elétrico. Devido a isto. por último. misturadas ao alcatrão. exigindo assim um sistema de limpeza após a saída dos gases do gasificador. os outros contaminantes poderão ser extraídos separadamente de maneira mais eficiente. Se os particulados são removidos primeiramente a uma temperatura superior ao ponto de condensação do alcatrão (~300°C). São produzidos mais de seis milhões de metros cúbicos de resíduo por ano. o carvão residual junto à água e ao alcatrão serão removidos.Sistema de Limpeza Partículas sólidas podem ser abrasivas e.3 – Relação esquemática de temperatura do gás para remoção de contaminante Especificação de uma Planta de Potência Localização e Quantificação da Biomassa No Estado do Pará o setor madeireiro gera uma quantidade significativa de resíduos em função do baixo rendimento dos processos de desdobro. beneficiamento e laminação da madeira processada. mas é necessário tomar precauções com a remoção desses resíduos. Os primeiros passos para a produção de um gás limpo é a escolha do tipo de gasificador que minimize a quantidade de alcatrão e particulados a serem removidos. podem ser responsáveis pelo entupimento de válvulas. Figura 3. estes contaminantes são altamente indesejáveis ao final do processo de gasificação.61 milhões de metros cúbicos têm potencial de aproveitamento para geração de energia. em torno de 3. esta geração poderá ter uma penetração considerável em algumas regiões do Estado. Se os gases são imediatamente resfriados. Este potencial encontra-se distribuído nos municípios do Estado nas diversas empresas madeireiras. os resíduos produzidos no Estado do Pará com possibilidade de aproveitamento representam um potencial em torno de 160 MW médio. a água e os particulados na ordem correta e na temperatura ideal a tornar o processo eficiente. Considerando a implantação de usinas a vapor. pois os mesmos formarão um único tipo de material que poderá entupir válvulas e tubulações. tubulações e travamento de partes móveis. que geralmente estão localizadas próximas aos núcleos urbanos. Uma relação entre temperatura e cada operação de limpeza pode ser observada na figura 3. O segundo passo é determinar a seqüência de remoção dos contaminantes para a instalação seqüencial dos separadores de acordo com as necessidades de utilização dos gases. Considerando a demanda máxima dos municípios e a disposição geográfica dos potenciais geradores. É necessário remover o alcatrão. Deste volume. 82 Tecnologias de Energias Renováveis . Um sistema de gasificação para ser utilizado com motores de combustão interna deve emitir um gás com no máximo 10 mg/Nm³ de alcatrão e particulado. contribuindo para um significativo deslocamento do diesel que hoje predomina na geração elétrica destas localidades isoladas. seria retirada a água a uma temperatura média de 30–60°C. O alcatrão seria retirado em segundo lugar (sendo condensável a aproximadamente 150°C) e.

4 – Localização das madeireiras e suas respectivas disponibilidades dos potenciais anuais de geração de energia A quantificação da disponibilidade de resíduos na biomassa só pode ser possível se estiverem disponíveis os seus parâmetros energéticos. pesca. cinzas e carbono fixo. por exemplo). Este valor é conhecido como “densidade energética”. Š Localização e tipo de clima existente. pode-se mencionar: Š Š Š Š O número de edificações. agricultura). industrial ou residencial). dos teores de voláteis. A umidade e a forma geométrica são também parâmetros influentes na qualidade. hidrogênio. Quanto menores esses parâmetros. População flutuante (em caso de regiões com turismo sazonal. População residente. Dimensionamento da Carga a Ser Atendida pela Planta Dentre as informações mais relevantes para se avaliar a magnitude do sistema que atenderá cada localidade em particular. nitrogênio e densidade a granel. A boa qualidade de uma biomassa será auferida pela comparação do resultado do produto do pci vezes sua massa específica aparente.Figura 3. Š Quais os tipos de consumidores existentes (comercial. mais interessantes sua utilização no processo de combustão direta. oxigênio. Quais as atividades socioeconômicas existentes na região (extrativismo. dos teores de carbono. Essa caracterização é feita com a medição do poder calorífico superior. Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 83 .

obtida para o período de 24 horas. dividido por 1000. Curva de Carga A curva de carga representa a demanda em quilowatt a cada hora. Inicialmente deve-se procurar nos manuais dos fabricantes dos equipamentos tais informações. antes de tudo. no critério de escolha da máquina térmica (turbina ou máquina alternativa) e caldeira e no suprimento e nível de potência a ser disponibilizada pela planta. A não utilização do ciclo fechado implica em perdas significativas de água. pressões e qualidade do vapor de entrada e saída. conhecer a potência de cada equipamento. sazonalidade e custo do combustível a ser utilizado.5 – Curva de carga da comunidade tomada como exemplo. Em seguida. A curva de carga para a comunidade isolada em questão é apresentada na figura 3.12 P: Potência do equipamento em Watts. devemos fazer os cálculos da seguinte forma: Para um equipamento: potência do equipamento (W) × número de horas utilizadas durante o dia. temperatura do vapor na entrada. t: Período de tempo que o equipamento é utilizado durante o dia (hora). natureza. aumenta os custos com os produtos químicos utilizados no tratamento da água de alimentação. devemos. esta recai no conhecimento prévio da curva de consumo específico do vapor por cada kWh gerado.Procedimento de Cálculo de Carga Para calcular a carga de um equipamento ou de um conjunto de equipamentos numa residência. 84 Tecnologias de Energias Renováveis . Figura 3. segundo o cenário de consumo de energia elétrica Pré-dimensionamento de uma central a vapor A concepção de projeto desta natureza recai inicialmente no conhecimento prévio do tipo. por conseguinte. C: Carga diária de energia que o equipamento consome em kWh. P×t Cunitária = —–––– [kWh] equação 3. Com relação à escolha da máquina térmica.5.

Os valores e pesos são atribuídos por especialistas. e as respectivas ações mitigadoras. são apresentadas algumas metodologias de avaliação dos impactos ambientais. é feita uma breve explicação das emissões evitadas de gases de efeito estufa da utilização de biomassa como fonte renovável de energia. podem ir de um mínimo de 0 a um máximo de 3. “muito”. as ações estão associadas aos efeitos ambientais. As ações são apresentadas na horizontal (linhas da Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 85 . Listas comparativas estimam as magnitudes dos impactos adotando valores comparativos entre as alternativas ao empreendimento. tais como “nulo”. mas de grande potencial para avaliação da interação entre os impactos. A comparação pode indicar a melhor alternativa. através de listas de impactos e possíveis ações mitigadoras. permitindo a maior ou menor importância de um fator em relação a outros. a exemplo das listas citadas acima. “pouco”. o capítulo enquadra as exigências legais para avaliação dos impactos ambientais de usinas termelétricas. indicando os níveis de impacto ambiental. Os métodos podem ser quantitativos ou qualitativos. Método Espontâneo (ad-hoc) consiste na reunião de especialistas de áreas de conhecimento diferentes. Os impactos ambientais e as medidas mitigadoras são identificados pelo especialista de cada área através de opinião emitida para todos os outros especialistas. “significativo”. Nos métodos quantitativos. A seguir ao enquadramento legal são abordadas algumas definições gerais e conceituais. Inicialmente. Ao final do capítulo propõe-se um roteiro de avaliação de impactos ambientais de uma usina termelétrica a biomassa. Listas de controle (Check Lists) são listas e tabelas que correlacionam os ambientes e os respectivos impactos. por exemplo. Listas de controle escalar é uma evolução das listas comparativas adotando valores comparativos entre os impactos ambientais. há uma rodada para cada área de conhecimento em que cada especialista emite sua opinião sobre a área em questão. Após as definições e conceitos. permitindo a comparação entre os impactos. Métodos e Modelos para Avaliação dos Impactos Ambientais Há vários métodos para avaliação de impactos ambientais. Listas descritivas são mais elaboradas que as listas simples. mas não especificam a importância do impacto. mas pode-se aplicar questionário à população afetada para refinamento dos pesos. Matrizes são métodos simples. os impactos ambientais são avaliados numericamente com valores e unidades. Listas de controle ponderáveis são aquelas em que são atribuídos pesos aos impactos ambientais. As matrizes podem ser qualitativas ou quantitativas. enquanto os métodos qualitativos avaliam por hierarquizações. Essas listas não são muito elaboradas e não identificam impactos secundários. de usinas termelétricas a biomassa em substituição às termelétricas a diesel. contendo as respectivas magnitudes e importâncias (notas e pesos). Em seguida. ou pode fornecer uma boa base para a tomada de decisão. Na seqüência. Nas matrizes.Impactos Ambientais e Formas de Mitigação Este capítulo faz uma abordagem sobre como avaliar os impactos ambientais. Há alguns tipos de listas de acordo com a complexidade desejada para avaliação dos impactos ambientais: Listas simples relacionam os impactos diretos. atribuídos por especialistas. Os valores. Podem conter indicações numéricas com valores ou hierarquias. pois identificam as fontes geradoras dos impactos.

Como descrito nos itens anteriores.000 kg de emissões evitadas de CO2 . em especial aos do tipo em estudo. já que o carbono emitido foi fixado em uma planta durante o processo de fotossíntese e. para efeito do Protocolo de Quioto. Os estudos de viabilidade 86 Tecnologias de Energias Renováveis . Portanto.matriz) e os efeitos na vertical (colunas da matriz). ao utilizar biomassa em termelétricas. Isso significa que 3. Comparativamente às emissões de uma termelétrica a diesel.000 kg de biomassa úmida utilizada para geração de energia elétrica correspondem a 1.02 kg de CO2 . portanto. conhecido como emissões evitadas de carbono. Modelo de propagação de ruídos e Modelos de qualidade da água. Segundo o Protocolo de Quioto. a substituição de combustíveis fósseis por biomassa em usinas termelétricas resulta em um impacto ambiental global positivo. Dentre os modelos de simulação mais utilizados. listas simples dos impactos ambientais e suas possíveis medidas mitigadoras. as emissões dos gases de efeito estufa. sendo assim. Dentre os principais gases de efeito estufa. e assim simular vários cenários com as opções e alternativas dos empreendimentos. O modelo de matriz mais conhecido e utilizado em avaliação de impactos ambientais se chama Matriz de Leopold. tanto durante a construção quanto na operação de uma usina termelétrica a biomassa. Os modelos são utilizados para prever os impactos ambientais. as emissões dos gases de efeito estufa são mínimas (levando em conta todo o ciclo de vida da biomassa). os mais conhecidos são o CO2 . Tal substituição afeta. Š Impactos ambientais da operação da usina. poderá voltar a ser fixado novamente. sobretudo. Avaliação dos Impactos de uma Usina Termoelétrica a Biomassa Para análise das medidas mitigadoras dos impactos ambientais de uma usina termelétrica a biomassa (com ciclo a vapor ou gasificação) é necessário identificar os impactos em duas fases distintas: Š Impactos ambientais da construção da usina. a avaliação dos impactos ambientais e as propostas de ações mitigadoras devem ser apresentadas de acordo com uma metodologia ou roteiro. Ou seja. financeiras. Impacto no Ciclo de Carbono – Emissões Evitadas Sem dúvida. Viabilidade Econômica A conclusão quanto à viabilidade ou não de um empreendimento. o maior impacto global de uma usina termelétrica a biomassa é a substituição de um combustível fóssil (diesel) por um combustível renovável (biomassa). não pode ser limitada apenas no seu contexto de exeqüibilidade técnica na implantação (dimensionamento da planta. sociais e ambientais intensas. execução e montagem das obras civis e dos equipamentos). que integram e interagem aspectos específicos e técnicos de engenharia com implicações e repercussões econômicas. geopolíticas. um kWh gerado por uma usina termelétrica a biomassa deixa de contabilizar cerca de 1. as emissões de gases provenientes de biomassa não são contabilizadas como contribuição aos gases de efeito estufa. Sugerimos neste texto. CH4 e NOx. podemos citar: Modelo de qualidade do ar (dispersão atmosférica).

supondo que das mesmas causas. As distintas visões apresentam posturas e. valores estes que se constituem. ecológico. no saldo líquido (receitas ou entradas menos custos ou saídas) de cada período. Os Métodos A Engenharia Econômica possui. de maneira geral. despesas ou custos).devem aprofundar na análise de sustentabilidade do empreendimento. que taxa de desconto faz como que a soma algébrica de todos os valores descontados seja igual a zero. A sustentabilidade é a condição de que algo possa ser sustentável (ou auto-sustentável). econômico. ou mesmo em uma visão holística. como por exemplo. pelo menos em tese. Š Taxa interna de retorno (tir): objetiva definir a taxa de desconto com a qual o Valor Presente Líquido (vpl) é nulo. obtendo-se resultados advindos de dois ou mais métodos simultaneamente. Existem inúmeros enfoques. em verdade. Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 87 . Š Valor anual uniforme (vau): Caracteriza-se pela transformação de todos o valores monetários do fluxo de caixa (modelo) de tal forma que se obtenha uma série uniforme (constante) de valores. ou seja. técnico. Enfim. Existem alguns aplicativos computacionais. a seguir será apresentada uma divisão em três grandes grupos que englobam os principais métodos existentes na literatura. a qual contemplaria. Como nos estudos de viabilidade geralmente se utiliza a periodicidade anual. são métodos que fornecem uma única resposta para cada modelo. sejam produzidos sempre os mesmos efeitos. como o excel da Microsoft. o método recebe o nome de valor anual. princípios e maneiras de se conceituar e definir esta condição. embora se possa ou deva eventualmente adotar outra (como a mensal. para projetos de curto prazo). energético. aplicando-se uma taxa de desconto. incluindo o investimento inicial. financeiro. todos já descontados. nos aspectos ambiental. em circunstâncias iguais. mas o método matemático que o norteia ou no qual se baseia é a de interação. vários métodos para se proceder à análise e definir valores e/ou indicadores. Existem dois tipos: simples e descontado. Embora não seja consensual. visões. em seu escopo conceitual. os quais podem ser adotados de maneira isolada (não recomendável por ser muito restritiva) ou de forma conjunta ou integrada. Š Valor presente líquido (vpl): objetiva calcular a soma algébrica de todos os valores existentes no Fluxo de Caixa. resultados muitas vezes antagônicos ou conflitantes entre si. mas de maneira conjunta e integrada. social. pode ser entendido como a convergência para um valor pré-determinado. Métodos Determinísticos Utilizam modelos (os fluxos de caixa) e baseiam-se na aplicação do princípio da causalidade de maneira rígida e até extremada. sejam os com sinais positivos (entradas. que. Š Payback: objetiva calcular quanto tempo o empreendedor ou investidor necessitará para recuperar o capital financeiro ou recursos ($) que investiu no empreendimento. ou seja. receitas ou benefícios) quantos negativos (saídas. todos estes aspectos. que possuem mecanismos ou macros que efetuam o cálculo da tir. conseqüentemente.

Simulação de Monte-Carlo O Método de Monte-Carlo é. desta amostragem. se consolidou como uma disciplina de grande relevância da matemática. Árvores de Decisão Utiliza-se de modelos (fluxos de caixa) cuja representação gráfica é diferente da tradicional. Pode ser entendido. Podem existir várias respostas. desta vez alterando-se a grandeza de outra variável. professor de Princeton (usa). dúbia ou imprecisa alguns componentes como as incertezas e a utilização de princípios estocásticos ou probabilísticos. excetuando-se uma. uma técnica ou um algoritmo para estabelecer uma amostragem de números aleatórios ou pseudo-aleatórios e. de maneira bem simples. basicamente. aperfeiçoamentos. ou seja. mas também as alternativas de realização de outros projetos excludentes entre si. mantendo-se constante. efetuar tratamentos estatísticos utilizando-se de princípios bayesianos ou estocásticos que simularão as respostas e os graus de probabilidades de suas ocorrências. através dos estudos pioneiros do matemático húngaro John Von Neumann.Métodos não Determinísticos São desdobramentos. 88 Tecnologias de Energias Renováveis . a que está sendo analisada. refinamentos ou derivações dos modelos utilizados pelos métodos determinísticos. ou seja. o que minimiza a rigidez da relação causa e efeito. sustentando. produzindo a existência ou a possibilidade de existência de mais de uma resposta. aprofundamentos. e a que havia sido testada anteriormente passa a ser tratada como as demais. mesmo utilizando um único método num mesmo modelo podem ser definidos vários indicadores de mesma natureza e calculados distintos valores para o mesmo empreendimento. obtendo-se outra série de dados. Ela se pauta nas decisões dos indivíduos (os jogadores) e apropria o conceito de que o resultado do jogo depende do conjunto de decisões tomadas. como um modelo cuja representação gráfica possibilita um estudo sistemático e racional de várias alternativas excludentes simultaneamente. termo latino que pode ser traduzido como “todos os demais constantes” ou ainda “todos os demais se mantêm constantes”. pois no mesmo modelo representa não só a seqüência dos eventos de um determinado empreendimento. calculando-se com distintas entradas uma série de resultados. porém admitindo de maneira mais oscilatória. com a colaboração decisiva do economista Oskar Morgenstern. Pauta-se no princípio econômico ceteris paribus. Teoria dos Jogos Esta teoria se iniciou na primeira metade do século xx. e.se no Teorema de MinMáx (mínimo e máximo). Refaz-se o procedimento. Enfoque sob Análise de Sensibilidade Na análise de sensibilidade é estudado o efeito que a variação de uma determinada variável (ou dado ou componente) de entrada pode ocasionar no resultado. mediante a avaliação de cada um destes simultaneamente através do cálculo dos distintos vpl’s em momentos ou tempos também diferentes. Sua operação consiste em manterem-se as grandezas de todas as variáveis constantes.

calculado o vpl. A grandeza da tma é bastante elástica e depende de muitos fatores. tir: a Taxa Interna de Retorno tem de ter uma grandeza maior do que a tma (Taxa Mínima de Atratividade). que seria uma expectativa mínima. na maioria dos setores e empreendimentos. que pode ser estabelecido como um percentual do investimento inicial. as plantas para produção de energia com biomassa. Resultados Concretos Centrais Térmicas a Vapor Localização do Projeto Marajó A Comunidade de Santo Antônio.2 kVA.6). arbitrar ou definir a que nível ou grau pode flutuar ou modificar este preço. as premissas fundamentais quanto à viabilidade são: Payback: tempo de retorno do investimento calculado seja menor ou igual a uma expectativa do investidor ou a um tempo considerado compatível pelo segmento. A única fonte de energia elétrica até então utilizada era um pequeno grupo gerador a diesel de 3. tem de ser positivo.Conclusão sobre a viabilidade Econômica do Projeto Quanto aos métodos adotados. vpl ÷ kWh = R$/kWh – definirá o resultado em preço da energia gerada. deve estar acima de uma grandeza razoável para que remunere o risco e o trabalho do investidor. tem um piso ou patamar mínimo. pode-se. chegando a um preço mínimo que pode ser vendida a energia excedente. como na vpl. em unidade monetária ($). e procedendo-se aos seguintes cálculos: vpl ÷ kW = R$/kW – definirá o resultado por capacidade instalada. ou seja. no município de Breves. mas sim em percentual. flutuando próximo a 18% ao ano. que deverá ser comparado à tarifa praticada pela concessionária ou a preços de mercado de venda de energia para referência sobre a viabilidade. na Ilha do Marajó (ver figura 3. que deverá ser comparado a uma grandeza para referência sobre a viabilidade. caso a caso. para se tornar mais competitiva no mercado. trabalhando-se com valores pesquisados ou estimados. Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 89 . que fornecia energia elétrica para a serraria e para as residências de forma precária e em períodos não muito longo devido ao alto custo do óleo diesel e sua dificuldade de obtenção. caso a caso. ou seja. vpl: o Valor Presente Líquido. dependendo do resultado. e não somente isto. A análise pode e deve prosseguir. ou seja. mas mantendo ainda a viabilidade do empreendimento. expressa não em ($). Em condições reais. para o tipo de investimento em tela. conseguindo um vpl positivo. possuía em 2001 11 famílias ribeirinhas que tinham sua fonte de renda voltada ao desdobro da madeira. no estágio do estudo. agricultura e pesca. definir um tempo razoável de Payback entre 5 e 8 anos. que corresponde a uma faixa de aproximadamente 20% a 30% do horizonte do projeto. localizada na Ilha de Siriri. No contexto econômico atual ela está. Pode-se ainda.

6 – Mesoregiões do Estado do Pará. óleo vegetal e energia firme e de qualidade. prensa. Localização do Projeto Marajó: S 01° 47. uma fábrica de extração de óleo vegetal e uma fábrica de gelo com câmara frigorífica.7. Agregada à usina.7 – Estágio atual do projeto 90 Tecnologias de Energias Renováveis .658’ W 50° 19. filtro prensa e tanque de armazenamento. decantador. A fábrica de gelo tem capacidade para produzir 10 ton/dia de gelo em escamas e a câmara frigorífica é de 60 m3 . Esse arranjo foi concebido para tirar proveito da demanda reprimida de produtos como gelo. A fábrica de extração de óleo vegetal com capacidade de esmagar 100 kg/h de polpa é composta de estufa de secagem.Figura 3. Ver figura 3. Figura 3. cozinhador a vapor.343’ Concepção do Projeto O projeto consiste numa usina de geração de energia elétrica utilizando como combustível resíduo de biomassa com potência de 200 kW. A usina de geração de energia consiste de uma caldeira flamo-tubular que queima resíduo de biomassa para gerar vapor. serviços de conservação a frio. O vapor aciona uma turbina que move o gerador elétrico.

Figura 3. integra a mesorregião do nordeste do Pará. oficialmente reconhecida em 2002. Como a alimentação dos motores do ciclo diesel é feita com gás de síntese. Genipaúna faz parte do município de Abaetetuba que. gelo. dificultando análises aprofundadas. óleos vegetais e produtos florestais. conservação a frio. comércio e serviços de energia elétrica. mesmo que em menor quantidade do que Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 91 . em 2003. Segundo levantamento feito pelo Programa Raízes. com objetivo social de indústria. Centrais Térmicas a Gasificação Localização do Projeto Genipaúba A usina é parte de um arranjo produtivo local (apl) localizado em Genipaúba. caso a biomassa esteja inacessível. mas interdependentes. uma comunidade remanescente de quilombo. de tal forma que uma unidade garanta a sustentabilidade da outra.Gestão Modelo de Gestão: está em fase de constituição uma pessoa jurídica na forma de cooperativa. A comunidade está organizada e é representada no projeto pela Associação dos Remanescentes de Quilombos das Ilhas de Abaetetuba (arquia). Genipaúba tem em torno de 280 habitantes.8 – Localização da comunidade de Genipaúba Sustentabilidade Deve-se levar em consideração que o apl é composto por um complexo com duas unidades com funções distintas. mas é possível traçar uma análise de sustentabilidade da usina de gasificação com base em fatores conhecidos. por sua vez. ou o gasificador esteja em manutenção. divididos em quarenta e sete famílias. pode-se considerar como um sistema bi-combustível. O aspecto negativo é manter a dependência de combustível fóssil. Esta configuração oferece a possibilidade de poder manter o sistema operando somente com diesel. na fase de implantação do projeto. O sistema ainda não entrou em operação. denominada Cooperativa Multiprodutos de Santo Antônio (cmsa). uma vez que usa gás e uma complementação de 20% de óleo diesel.

Embora não seja recomendável o funcionamento intermitente do gasificador. O suprimento majoritário de biomassa serão os caroços de açaí resultantes do despolpamento na usina de beneficiamento. Por outro lado. Resultados A infra-estrutura idealizada para a usina de gasificação foi implantada. Em B tem-se uma visão geral da implantação do complexo. Caso a unidade de beneficiamento funcione 8 horas por dia. Caso ocorra a carência de biomassa. 92 Tecnologias de Energias Renováveis . tem facilidade de encontrar mão-de-obra e contar com uma grande rede de serviços e suprimentos. à direita a usina de beneficiamento de açaí. Para efeito de cálculo considere-se um regime de operação de 8 horas contínuas. como os rejeitos do manejo dos açaizais. pode-se prever um consumo de 19. mas deve-se atentar para a dependência do suprimento de biomassa com a safra do açaí. Um aspecto negativo será o desembolso e a dependência. para gerar energia para manter a câmara frigorífica em funcionamento. A obtenção é simples. A B Figura 3. o custo total torna-se praticamente zero. O consumo teórico de biomassa pelo gasificador é de 20 kg/h. em Abaetetuba. nota-se um engenhoso sistema de estocagem e secagem de biomassa construído na cobertura do prédio.10. pode ser feita na rede de distribuição comercial da sede do município. feitos nesta época do ano. e que serão usados os frutos rejeitados (o que por si só garante um suprimento praticamente inesgotável). e em primeiro plano um dos postes de madeira implantados. abundante. então o consumo diário deverá ser de 160 kg por jornada de trabalho.2 litros/ dia de diesel. O prédio está edificado como mostra a figura 3. o sistema é conhecido. por ser diesel. que faz parte da cultura local. que ocorre na região entre os meses de agosto a dezembro.um sistema convencional. É grandemente favorável o uso de uma biomassa nativa.9 – Vista do Complexo.9 A e B). carecendo de obras complementares na unidade de beneficiamento de açaí para viabilizar o pleno funcionamento do complexo (figura 3. existe a alternativa de usar outra biomassa abundante no período. Considerando que a unidade de despolpamento está a poucos metros da usina de gasificação e não haverá dispêndio com transporte. Na figura A vê-se o prédio da usina de gasificação ao fundo. que está a 15 minutos por barcos da comunidade. abrigando o gasificador e grupo gerador. tornando prudente a silagem da biomassa para enfrentar os períodos de entressafra.

com cobertura móvel para proteger da chuva. B: Duto de ligação do silo com o gasificador Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 93 .10 – Planta da usina de gasificação A B Figura 3.12 – A: Deposito de secagem de biomassa.Figura 3.Vistas da fachada do prédio onde se vê a escada de acesso ao silo de secagem (A e B) A B Figura 3.11 – Planta baixa e perspectiva da usina de gasificação.

no momento da entrega técnica.11).5 × 3. Software ComGás v1. Especificações Técnicas 1. Dados de Operação Peso 3000 kg Gases produzidos: CO: 20 + 1%.0 + 0.0 m /h 3. co-corrente.Grupogerador Motor Alternador CicloDiesel síncrono Potência 45cv (1800 rpm) Potência 40kVA Marca. Department of Aerospace Engineering. Tamanho Máximo: 60 × 25 × 25 mm Taxa de rejeito: 4:1 Biomassa Tipo: Qualquer bio-resíduo sólido de massa específica aparente maior que 250 kg/ 3 m .4 2.5 kWe Consumo: 20kg/h Umidade máxima: 15%.6 MJ/kg Elétrica: 20 kWe Capacidade de Geração Produção de gás: 50m3 /h Carga Parasítica: 3.14). O sistema de gasificação foi testado com sucesso durante três horas aproximadamente. a cisterna está no exterior do prédio (figura 3. Os equipamentos instalados estão com a seguinte especificação técnica.5%.Equipamento: Sistema de Gasificação de Biomassa Projeto de referência: cgpl. 94 Tecnologias de Energias Renováveis .0 Este modelo de simulação foi desenvolvido para uma dada configuração de fluxograma correspondente ao sistema de potência de um ciclo a vapor. onde o usuário tem total autonomia para introduzir os dados e selecionar as opções de sua preferência para obter os resultados desejados (figura 3.mwm Marca-Negrini Modelo229/3 TipoAte Computacional Software CicloRank v1. conteúdo de cinzas menor do que 5% Eficiência a Conversão Biomassa Para Gás 80 % Percentual de Substituição de Diesel > 80 % 3 Consumo de água 5.0 Esta ferramenta foi criada para realizar simulações em equilíbrio químico de processos de combustão e gasificação de maneira fácil e rápida. h2 : 20 + 1%. Indian Institute of Science.13). além de espaço suficiente para a realização dos trabalhos de operação e manutenção. O programa é composto por uma janela principal dividida em quatro partes. co2: 12 + 1% e N2 Nível de alcatrão e particulado no gás após resfriamento e limpeza: <100 ppm Poder Calorífico do gás 4. Combustion Gasification and Propulsion Laboratory.A usina aloja o gasificador e o grupo gerador projetado especificamente para este fim e conta com ambientes internos arejados para permitir a rápida dispersão dos gases. Bangalore – India Modelo: Topo aberto. ch4 : 2.5 × 2. A formulação da análise energética de cada um dos componentes do ciclo foi baseada nas leis da termodinâmica (ver figura 3. Dimensões do sistema – (l × a × p)(m): 2.

13 – Janela principal do Ciclo Rank Figura 3.14 – Janela principal do programa ComGás v1.Figura 3.0 Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida 95 .

4 Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura Soluções Energéticas para a Amazônia Wilma Araújo Gonzalez (Coordenadora) Eduardo José Fagundes Barreto José de Castro Correia Marcos Danilo de Almeida Rodrigo Otávio Lopes de Souza Cláudia Maria Campinha dos Santos Claudia Rosemback Machado Nilson Belo Mendonça Ernani Pinheiro de Carvalho Juliana da Rocha Rodrigues Raquel Medeiros da Silva Evandro Luiz Dall’Oglio Paulo Teixeira de Sousa Jr Vaniomar Rodrigues Pedro Paulo Nunes Nídia Maria Ribeiro Pastura Luiz Eduardo Pizarro Borges 96 Tecnologias de Energias Renováveis .

ressaltando-se como principais a utilização do próprio etanol em mistura com explosivo conveniente e o aproveitamento dos óleos vegetais. seguindo a mesma lógica do ProÁlcool. as questões sócio-econômicas. 2005). com percentuais de não-atendimento superiores a 80% das propriedades rurais (rocha & silva. Ainda em seus primeiros passos. Essas tecnologias permitem ao mesmo tempo a substituição de usos tradicionais da biomassa (lenha para cozinhar e executar outras atividades no meio rural) por formas mais eficientes de sua conversão. a necessidade de um marco regulatório para sistemas isolados corrobora esta procura. O grande aumento no consumo de energia proveniente de combustíveis fósseis observado. a gestão. o mapa da exclusão elétrica no País revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor Índice de Desenvolvimento Humano (idh) e nas famílias de baixa renda (cerca de 90% têm renda inferior a três salários mínimos). as questões ambientais. O grande desafio consiste em suprir as necessidades energéticas de sistemas isolados. dando origem ao Pro-Óleo – Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos. Desde então. incluindo o transporte. que leve em consideração a logística. Além disso. que por sinal já havia sido sugerida pelo próprio Diesel em 1912. Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 97 . sobretudo no último século. o índice de eletrificação rural ainda é muito baixo. definir qual o modelo adequado para as comunidades. bem como para o fornecimento de energia limpa em todos os setores. sob a coordenação do Ministério da Agricultura. Devido aos riscos decorrentes do uso de substâncias explosivas. 2003). a geração por aproveitamento da irradiação solar (fotovoltaica). possui importância fundamental para melhorar o padrão de vida das populações excluídas. O desenvolvimento e o aprimoramento de tecnologias para a eletrificação com biomassa. 2005). Na Amazônia. especificamente em Energia Renovável a partir de óleos vegetais. Segundo o Ministério das Minas e Energia (mme. que com o tempo poderiam se separar do etanol e concentrar-se nos tanques de combustível dos veículos. Sabe-se que para os motores tipo Diesel várias soluções foram aventadas. diversos estudos foram realizados para aplicação de óleos vegetais “in natura” ou de misturas ao petrodiesel em motores de ignição por compressão (gonzalez. junto com o aumento nos preços. mas com imenso potencial. foi escolhida a alternativa da utilização do óleo vegetal. o consumo e o preço atual do diesel na região Amazônica. a força dos ventos (eólica) e a biomassa têm no Brasil o cenário ideal para desenvolver-se. A busca por alternativas às fontes tradicionais de produção de energia abre caminho para um novo mercado no País. forçou muitos países nos últimos trinta anos a procurar fontes alternativas de energia e melhorar o consumo energético. começou a ser discutida pelo governo federal em 1975.Alternativas Renováveis de Energia a Partir da Biomassa: Soluções Energéticas para a Amazônia O uso de óleos vegetais como combustíveis substituindo o diesel.

3ª) Transformação de óleo em uma mistura de hidrocarbonetos o mais semelhante possível ao diesel. tais como a transesterificação ou a esterificação. 1ª) Utilização direta do óleo vegetal puro ou em mistura com o diesel do petróleo. Esta linha. colza. Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis. bem como pelo fato de lançar novos poluentes na atmosfera. esta é a linha que melhor atenderia ao problema. Nesta linha melhoravam-se as propriedades físicas do combustível aproximando-as às do diesel. em sua natureza. embora sendo a de menor custo de obtenção do combustível. podendo comprometer as partes metálicas do motor. não tóxicos.1 mostra as características físico-químicas do biodiesel de várias espécies vegetais e do óleo diesel convencional. ambientalmente correto. dendê (palma). 98 Tecnologias de Energias Renováveis . quer pelo uso “in natura” ou transformado quimicamente pelo processo de transesterificação e/ou esterificação ou por craqueamento. transformando os triglecerídeos naturais do óleo vegetal em monoésteres do etanol ou do metanol. de corrosão de partes metálicas do motor e liberação na atmosfera de novos poluentes com grau de toxidez alto como ácidos e aldeídos. entretanto. Trazia. biodegradáveis e renováveis que apresentam uma queima limpa. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais. que pode ser obtido por diferentes processos. entretanto as seguintes desvantagens: • consumo elevado de álcool etílico ou metílico. ao já utilizado. três linhas distintas são possíveis. ótimos substitutos do diesel do petróleo. metanol ou etanol. pinhão manso e soja. • persistia o problema de ser um combustível novo. com o custo não muito elevado. tais como mamona. exigindo talvez alguma adaptação do motor e trazendo ainda os inconvenientes já citados. portanto. Sob o ponto de vista da qualidade do combustível. Os biocombustíveis são combustíveis naturais. sendo. como grande inconveniente o elevado custo do processo. os produtos da combustão seriam diferentes. Uma das possibilidades de atendimento a estas necessidades como fonte de energia renovável é através do uso óleos vegetais como biocombustível. uma vez que o combustível seria idêntico. assim. girassol. babaçu. que encontrar uma aplicação em grande escala. trazia. Não haveria necessidade de nenhuma modificação ou adaptação dos motores. que teria. existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas. possivelmente bastante tóxicos. trazia problemas de ajuste de características físicas para empregos nos motores existentes. O biodiesel é também um combustível renovável. amendoim. obtidos da reação de esterificação de ácidos carboxílicos ou transesterificação de qualquer triglicerídeo com um álcool de cadeia curta. através de uma degradação térmica ou catalítica dos triglecerídeos que constituem o óleo vegetal. numa proporção de 3 moléculas para cada molécula de triglecerídeo.No aproveitamento do óleo vegetal para substituição do diesel. O biodiesel é uma evolução na tentativa de substituição do óleo diesel mineral por um óleo oriundo de biomassa. constituído de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos. 2ª) Transesterificação. bem como não teríamos nenhum problema novo de corrosão ou poluição. • geração de uma quantidade muito elevada de glicerina. além do que. A tabela 4. dentre outras.

derivado de óleos vegetais ou de gorduras animais.04 55 Nd 278 373 £2 0. que possa substituir parcial ou totalmente o óleo diesel de origem fóssil. ponto de combustão apropriado. Fonte: neto et al (2002) As características físicas e químicas do biodiesel são semelhantes entre si.0 nd Piqui 9590 8 60 0.5 0.014 0. independentemente de sua origem. o que equilibra o balanço negativo gerado pela emissão na atmosfera. com diluição tão rápida quanto a do açúcar (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).02 Algodão 9520 nd 57. (b) monóxido de carbono. aumento na arrecadação regional de ICMS.01 0 1. Características Mamona Poder calorífico (Kcal/Kg) Ponto de névoa (°C) Índice de cetano Densidade a 20°C (g/cm ) 3 Origem do biodiesel Babaçu 9440 -6 65 0. aproveitando a matéria-prima disponível em cada local.09 Viscosidade a 37.6 208 -30 301 318 0 0. O gás carbônico liberado é absorvido pelas oleaginosas durante o crescimento. não tóxico e biodegradável. A tabela 4. Permite a valorização de subprodutos de atividades agro-industriais. denominado B100. Características Características químicas apropriadas Propriedades Complementares Livre de enxofre e compostos aromáticos.03 nd 0 0.03 Dendê 9530 6 nd 0.9 nd nd 291 333 0 0. camionetas.24 2.01 0 1. Gás Natural e Biocombustíveis (anp) define o biodiesel como um combustível para motores a combustão interna com ignição por compressão.35 9046 -6 nd 0. etc.2 apresenta as propriedades complementares ao biodiesel em comparação ao óleo diesel comercial.8 0. tais características são quase idênticas. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente.0 184 -3 340 342 0 0. calor.849 3. Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções.8597 6.0 0. o biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclo diesel. automotivos (de caminhões. etc.Portanto. até o biodiesel puro. excelente lubricidade. tratores. se etanol ou metanol.0 0. isto é. Ambientalmente benéfico Menos poluente Economicamente competitivo Reduz aquecimento global Economicamente atraente Regionalização Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 99 . Complementa todas as novas tecnologias do diesel com desempenho similar e sem a exigência da instalação de uma infra-estrutura ou política de treinamento.01 nd 0. (c) óxidos sulfúricos e (d) hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. A Agência Nacional de Petróleo. alto número de cetanos. Pequenas e médias plantas para produção de biodiesel podem ser implantadas em diferentes regiões do País.919 21.5 0.0 0.4 nd nd 333 338 0 0.01 0 1.875 6.2 186 5 334 346 0 0. renovável e biodegradável. Reduz sensivelmente as emissões de (a) partículas de carbono (fumaça). aumento da fixação do homem no campo e de investimentos complementares em atividades rurais.01 Óleo Diesel 10824 1 45. Nível de toxicidade compatível ao sal ordinário. automóveis.) ou estacionários (geradores de eletricidade.1 – Características físico-químicas do biodiesel. e independem da natureza da matéria-prima e do agente de transesterificação.886 3.865 5.8 (cSt) Inflamabilidade (ºC) Ponto de fluidez (°C) Destilação a 50% Destilação a 90% Corrosividade ao cobre Teor de cinzas (%) Teor de enxofre (%) Cor (ASTM) Resíduo de carbono Tabela 4.).

No entanto. Também era necessário estabelecer alternativas ao petróleo. através da Resolução nº 007. aproveitando a matéria-prima disponível em cada local. mas. respectivamente. proveniente de fontes renováveis como óleos vegetais ou gordura animal. destacam-se os estudos da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (cetec). Neste contexto. o Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Carburantes (pro-óleo). O maior número de pesquisas na área de biodiesel tem por objetivo otimizar as condições reacionais do processo feito em fase homogênea e/ou heterogênea utilizando diferentes álcoois e catalisadores. Economicamente competitivo Reduz aquecimento global Economicamente atraente Complementa todas as novas tecnologias do diesel com desempenho similar e sem a exigência da instalação de uma infra-estrutura ou política de treinamento. Estes catalisadores a base de sódio e potássio possuem a vantagem de ter um valor comercial baixo. foi proposta. o que equilibra o balanço negativo gerado pela emissão na atmosfera. em parceria com o Ministério da Indústria e Comércio. biodiesel foi definido pela “National Biodiesel Board” dos Estados Unidos como o derivado mono-alquil éster de ácidos graxos de cadeia longa. de 22 de outubro de 1980. Pequenas e médias plantas para produção de biodiesel podem ser implantadas em diferentes regiões do País. onde o fornecimento de diesel era difícil por razões logísticas. De um modo geral. justificando então uma produção local do combustível. metóxidos e etóxidos tanto de sódio quanto de potássio. em resposta ao desabastecimento de petróleo. como alternativa tecnológica. visto que estes catalisam a reação obtendo-se conversões a biodiesel em torno de 100%. Regionalização Tabela 4. Biodiesel no Brasil Embora o desenvolvimento de combustíveis alternativos no Brasil date do início do século passado. elaborado pela Comissão Nacional de Energia. O gás carbônico liberado é absorvido pelas oleaginosas durante o crescimento. Previa a regulamentação de uma mistura de 30% de óleo vegetal ou derivado no óleo diesel e uma substituição integral em longo prazo. Permite a valorização de subprodutos de atividades agro-industriais.aromáticos. No escopo deste programa de governo. resultando na solicitação da primeira patente internacional de biodiesel por cientistas brasileiros. aumento da fixação do homem no campo e de investimentos complementares em atividades rurais.2 – Propriedades Complementares Atribuídas ao Biodiesel em Comparação ao Óleo Diesel Comercial Fonte: neto et al (2002) A obtenção industrial de biodiesel tem sido realizada em fase homogênea e em presença de catalisadores básicos fortes como hidróxidos. o governo criou. da ufc. Nesse contexto. o biodiesel foi abandonado em 1986. 100 Tecnologias de Energias Renováveis . além do amplamente conhecido proálcool. aumento na arrecadação regional de ICMS. um apoio efetivo para pesquisas em biodiesel somente ocorreu na década de 1960. cuja utilização está associada à substituição de combustíveis fósseis em motores de ignição por compressão (motores do ciclo Diesel). as pesquisas em biodiesel continuaram sendo realizadas por pesquisadores brasileiros. Nas décadas de 70 e 80. mesmo após o fim do pro-óleo como programa de governo. com a queda do preço do petróleo. A motivação para estas pesquisas estava associada com considerações estratégicas e de segurança nacional do governo militar. a transesterificação ou alcoólise de diversos óleos ou gorduras oriundos da atividade agrícola e do setor extrativista. sobretudo em comunidades isoladas em regiões de fronteira. e da Unicamp realizados pelas equipes dos professores Expedito Parente e Ulf Schuchard. alguns trabalhos de relevância são considerados. Muita pesquisa foi realizada durante esse período.

reduzindo custos para o sistema público de saúde. produção industrial.Esta situação permaneceu inalterada até a década de 1990. Implementar políticas públicas (para financiamentos. após sua posse. Evitar subsídios para o biodiesel e sua cadeia produtiva para prevenir distorções ao longo do tempo. 3. 4. 2. começaram a utilizar o biodiesel. mitigação das desigualdades regionais e redução da importação de petróleo. Autorizar oficialmente o uso de biodiesel no Brasil. quando os países europeus. Com base nestas conclusões o CI elaborou as seguintes recomendações: 1. Realizar testes reconhecidos e certificados (em motores veiculares e estacionários) e atividades de pesquisas e desenvolvimento em parceria com a indústria automobilística. relacionadas com a cadeia produtiva do biodiesel (pesquisas. Em 2002 o Ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil criou uma rede de instituições para estudar a produção e o uso do biodiesel produzido através da reação de transesterificação do óleo de soja com etanol. Em janeiro de 2003. 8. que podem ser ajustadas à diversidade regional do País. Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 101 . A motivação comum reside na redução da poluição ambiental e na dependência do petróleo. dentre outras) e também com o parlamento federal e estadual de muitos Estados. A imediata inclusão do biodiesel na agenda oficial do governo. enviando um sinal positivo para a indústria do biodiesel. 2. seguidos por muitos outros. O CI considerou este fato uma etapa importante para tornar o País um possível beneficiário do mercado de créditos de carbono (como um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto). agricultura. de tal forma que todas as regiões podem ser envolvidas na produção de biodiesel. Elaborar normas. regulamentos e padrões de qualidade para o biodiesel de acordo com seus diferentes usos. 5. 7. O biodiesel pode contribuir favoravelmente para minimizar muitos problemas fundamentais no Brasil. O Brasil pode produzir biodiesel por muitas rotas tecnológicas e matérias primas. Executar estudos técnicos para produção agrícola de matérias-primas viáveis economicamente em nível nacional. assistência técnica e extensão rural e para permitir pesquisas) dirigidas para aumentar a eficiência na produção de biodiesel. motivados por questões ambientais e de incertezas no fornecimento de petróleo. 6. os Estados da Federação e outros países. 3. como a geração de empregos e renda (inclusão social). contribuindo para a redução das desigualdades regionais brasileiras. a redução na poluição ambiental. O Brasil realizou avanços na tecnologia para biodiesel desde a década de 1970. estes avanços foram discretos e não harmonizados. Permitir incentivos fiscais para alcançar sustentabilidade econômica. As principais conclusões destas audiências foram as seguintes: 1. Entretanto. realização de testes. social e ambiental na cadeia produtiva do biodiesel. o governo Lula estabeleceu um Comitê Interministerial (CI) para o biodiesel. O CI realizou uma série de audiências públicas com instituições públicas e privadas de todo o País. A redução das desigualdades regionais e a inclusão social devem ser o princípio orientador do Programa Nacional para Produção e Uso do Biodiesel. O biodiesel é utilizado em muitos países industrializados. com a incumbência de analisar a possibilidade de produção e uso do biodiesel no Brasil.

sendo o seu principal objetivo garantir a produção economicamente viável do biocombustível.00/m3 do biocombustível. se a matéria-prima for obtida da agricultura familiar e da região na qual foi produzida. de 23 de setembro de 2005. obriga os produtores e importadores de óleo a adquirir todo o biodiesel produzido por companhias ou associações agraciadas com o Selo de Combustível Social a partir de 1º de janeiro de 2006. 102 Tecnologias de Energias Renováveis .097.Para a implementação de todas estas recomendações foi criada uma Comissão Executiva Interministerial (cei) subordinada diretamente à Presidência da República. poderão ser usadas blendas com até 5% de biodiesel. 2006. mostrando que com este Programa de Biodiesel a intenção do governo é evitar as falhas observadas no proálcool. Entre 2008 e 2013. Finalmente. Sob tais condições não é necessário o pagamento de pis/pasep e cofins – um incentivo equivalente a R$218. Existem alguns aspectos da legislação brasileira para o biodiesel que devem ser destacadas para mostrar que este programa difere daqueles implantados em outros países e também do proálcool anteriormente implementado no Brasil.1. Esta lei prevê o uso opcional de B2 até o início de 2008. Nordeste ou semi-árido do País e adquiridos da Agricultura Familiar. Alíquota Padrão (Biodiesel) Alíquota do diesel 17% 15% 17% 18% 13% 12% Figura 4. notadamente a concentração da produção nas mãos de poucos e somente em algumas regiões do País. estabelecida em 0. do Conselho Nacional de Política Energética. Este biodiesel deve ser adquirido em leilões públicos controlados pela anp (Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis). A principal ação legal do pnpb foi a introdução de biocombustíveis derivados de óleos e gorduras na matriz energética brasileira pela Lei nº 11. Fonte: GT Biodiesel mme. A Lei 11116 (de maio de 2005) e o Decreto 5297 (de 06 de dezembro de 2004) isentam produtores de biodiesel do pagamento do ipi e regulamentam a redução das alíquotas de pis/pasep e cofins. o GD apresentou e obteve a aprovação de um plano de trabalho para implementar o biodiesel no Brasil. Em 2004. de 13 de janeiro de 2005. Também foi criado um Grupo Diretor (GD) subordinado ao Ministro de Minas e Energia.1 – Tributação Estadual sobre Biodiesel e Diesel. quando o B5 será obrigatório. Desde então muitas leis e regulamentações foram propostas e adotadas para colocar o plano em prática. Incrementos na redução foram estabelecidos com valores dependentes do tipo de matéria-prima utilizada. tendo como tônica a inclusão social e o desenvolvimento regional. no dia 4 de dezembro de 2004. foi lançado o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (pnpb) em sessão solene no Palácio do Planalto. quando passará a ser obrigatório. obtidos nas regiões Norte. Os maiores incentivos acumulam-se para biodiesel produzido de óleos de palmáceas e de mamona.6763. Após um ano de amadurecimento. Os valores para a tributação Federal e Estadual nas diferentes regiões no Brasil podem ser observados na figura 4. a Resolução Nº 3.

243 Tabela 4.638 23. de 13 de janeiro de 2005. A capacidade autorizada de plantas de biodiesel no Brasil em maio de 2008 chegou a 2.243 m3 em 2007 (tabela 4.610 Tabela 4.773 399. Estado Bahia Ceará Goiás Maranhão Mato Grosso Minas Gerais Pará Paraná Piauí Rio Grande do Sul Rondônia São Paulo Tocantins Total Produção 2005 (m3) 44 510 26 156 736 Produção 2006 (m3) 4.720 108.4 – Capacidade Autorizada de Plantas de Produção de Biodiesel no Brasil até 08/05/2008. Nota: (m3) = metro cúbico.000 34.000 57.500 116.No Brasil a produção de biodiesel em escala industrial começou após a introdução de biocombustível de óleos e gorduras na matriz energética brasileira.604 21.684 22.956 10.833.720 18.348 110.696 99 35. Estado Mato Grosso São Paulo Rio Grande do Sul Goiás Bahia Tocantins Ceará Maranhão Piauí Paraná Pará Minas Gerais Rondônia Rio de Janeiro Total Número de Plantas de Produção de Biodiesel 19 8 4 3 2 2 2 1 1 3 2 3 2 1 53 Capacidade de Produção Anual (m3) 713. E já no primeiro ano.509 12. em 2005.097. Fonte: anp/srp. tema inserido na Lei nº 11. 3 – Produção de biodiesel – B100 por Estados – 2005 a 2007 (m3).833.108 13 311 2.100 108.000 81.800 208.474 42.598 555.4).600 18. Data da última atualização: 08/05/2008.002 Produção 2007 (m3) 69. aumentando para 399.500 21.251 69.238 1.3).200 259.872 532.717 12 30. teve uma produção de 736 m3 .421 100 28.000 2. Nota: Capacidade anual limitada de acordo com licença ambiental de operação vigente.297 47.610 m3 e o número de plantas com autorização para produção de biodiesel pela anp foi de 53 (tabela 4.857 138 3. 300 dias de operação Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 103 .

implantar um projeto nesta região é um desafio.2 – Fontes Renováveis de Energia – ime hidrogenação hidrogena transesteri ca cação craqueamento reforma 2001 Usar a logística do Exército Brasileiro na região Amazônica para implementação do projeto. Finalmente. como é o caso da Europa ou dos Estados Unidos. O acesso à comunidade foi sempre realizado através do Comando Militar da Amazônia – cma. na superveniência de condições climáticas desfavoráveis (Plano Nacional de Agroenergia. em áreas importantes. o que permite o desenvolvimento de culturas irrigadas. tem-se três vantagens comparativas importantes. tendo como estratégia: Utilizar os conhecimentos existentes em fontes renováveis de energia no ime/dct/eb/md como base para o desenvolvimento e defesa da Amazônia. o Brasil detém um quarto das reservas superficiais e sub-superficiais de água doce. Promover a capacitação de recursos humanos e fomentar a pesquisa de alto nível em áreas de interesse estratégico para a Defesa Nacional. o que significa que o Brasil necessita exercitar opções de novas alternativas associadas à agricultura de energia – selecionando aquelas que lhe forem mais convenientes – ao invés de depender. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (cnpe). em 2004 foi iniciado o projeto “Geração de energia a partir de oleaginosa da Amazônia para atendimento à comunidade isolada”. além de pessoal para auxiliar nas missões e de equipamento de segurança. A primeira é a diversidade de clima. Partindo dessa premissa. incondicionalmente. principalmente em regiões de fronteira. Ime: Pesquisas de Ponta na Área de Produção de Biocombustíveis O uso de Energias Renováveis para Atendimento de Comunidades Isoladas Não-atendíveis por Rede Elétrica Convencional poderia ser uma solução para a região Amazônica. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (Resolução nº 2 de 13 de março de 2008). de uma única espécie. 100% 80% 60% 40% 20% 0% 1971–1980 1981–1990 1991–2000 Figura 4. 104 Tecnologias de Energias Renováveis . Considerando a extensão e a localização geográfica do Brasil. o que permite administrar de forma mais flexível o risco climático. financiado pelo mme/ct-energ/ cnpq/pnud/bid.A partir do dia 1º de julho de 2008 o percentual de mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel comercializado aumentou de 2% para 3%. 2005). No entanto. através da disponibilização de embarcações do tipo “voadeira”. A equipe contou com apoio do cigs/cma. O segundo aspecto é a exuberância de sua biodiversidade.

c. d. com as instituições da Amazônia cigs/cma. tecnologias de aproveitamento do sabão. Prospecção de Processos A geração de energia a partir de biomassa pode ser feita por vários processos empregando óleo vegetal. tecnologias de aproveitamento da biomassa para produção de biocatalisador. sempre com a intenção de agregar valor à cadeia produtiva (figura 4. A metodologia proposta neste projetopiloto utilizando energia renovável para atendimento a comunidades isoladas considerou: i) estudo locacional para definir a matéria-prima e o local onde seria instalada a usina de biodiesel. vi) conhecimento da capacidade de pagamento dos beneficiários. embrapa. Elétrica e Cartografia do Instituto. iii) escolha da comunidade isolada considerando a logística. iv) necessidade de localização georreferenciada dos beneficiários.Executar este projeto-piloto multidisciplinar através de parcerias entre os cursos de pósgraduação de Química. sect-am e ufpa. vii) mapeamento do potencial da comunidade para geração de emprego e renda. e.3 – Cadeia Produtiva de aproveitamento de Biomassa Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 105 . b. tecnologias de produção do biodiesel. resíduos de biomassa. tecnologias de aproveitamento da glicerina. Este projeto possibilitou o desenvolvimento de inúmeras pesquisas. viii) escolha do local a ser instalado o sistema de geração e a rede elétrica. tecnologias de aproveitamento da biomassa para produção de carvão ativo. scale-up e instalação de uma usina piloto de biodiesel.3). subprodutos e/ou co-produtos de processos. Mecânica. em escala de bancada. fucapi. ii) instalação da unidade de produção de biodiesel. A apresentação das pesquisas e produtos desenvolvidos e/ou em desenvolvimento serão apresentados por: a. Figura 4. v) conhecimento mais apurado da carga dos beneficiários. fapeam. efluentes.

carbonatos e alcóxidos de Na ou K.Análise do óleo vegetal A análise da matéria-prima é fundamental para se definir o procedimento e o processo para produção de um biocombustível. o catalisador e o substrato não estão na mesma fase. Como exemplos de catalisadores ácidos temos HCl. Portanto. a primeira etapa para a produção de biodiesel. e de catalisadores básicos os hidróxidos. deve-se utilizar como insumo um óleo vegetal com. se ácido ou básico.4 – Esquema para definição do processo. Portanto. Através desta determinação será possível definir o tipo de pré-tratamento desta matéria prima e/ou o processo de produção do biocombustível que poderá ser a transesterificação por catálise básica e/ou ácida (homogênea ou heterogênea) e/ou a esterificação dos ácidos graxos livres. 106 Tecnologias de Energias Renováveis . é analisar a matéria-prima através da determinação da acidez. ele pode ainda ser homogêneo e heterogêneo. para que se consiga produzir um biodiesel que atenda às especificações. CaCO3 . independentemente do tipo de óleo vegetal.5. H2SO4. a comparação entre os catalisadores homogêneos (líquidos) e heterogêneos (sólidos) serve para ajudar na escolha do catalisador mais adequado para o processo a ser estudado. o catalisador e o substrato estão na mesma fase. no máximo. As vantagens e desvantagens de cada tipo de catalisador estão apresentadas na tabela 4. 1% de acidez. A= acidez Além do tipo de catalisador. Ba(OH)2 . Óleo Bruto Acidez A < 1% 1% < A < 5% 6% < A < 20% A > 20% Transesteri cação direta Neutralização da acidez e transesteri cação Esteri cação e transesteri cação Esteri cação e transesteri cação simultâneas Catalisador básico Catalisador básico Catalisador ácido e básico Catalisador ácido Figura 4. Mg(OH)2 . De acordo com a anp. Na catálise homogênea. conforme mostra a figura 4. o que permite facilmente a separação do catalisador após a reação. Ca(OMe)2 . Como exemplos de catalisadores heterogêneos podem ser citados os ácidos zircônia-alumina dopada com tungstênio e os básicos CaO.4. Já na catálise heterogênea.

Ulf Schuchardt. Número maior de etapas na produção de biodiesel. Este pode envolver as etapas de degomagem. Alguns processos foram avaliados variando-se as quantidades de óleo e as concentrações das soluções. para otimizar. Degomagem e neutralização com ácido fosfórico a 85% e solução de hidróxido de sódio 20% a quente. proteínas e substâncias coloidais. o pré-tratamento do óleo bruto pode ser definido. Menos corrosivos que os catalisadores ácidos homogêneos.5 – Vantagens e desvantagens do uso de catalisadores homogêneos e heterogêneos Adaptado de Palestra Prof. Dr. Catalisadores Heterogêneos Podem ser utilizados na transesterificação de óleos vegetais que possuem altos teores de ácidos graxos. Maior produção de resíduos provenientes da neutralização do catalisador. Requer maior tempo de reação e temperaturas elevadas. 2. Plantas industriais mais sofisticadas. neutralização. unicamp Pré-tratamento do óleo A partir da análise do óleo vegetal descrita acima. Tabela 4. Evita a corrosão da planta. que reduzem a quantidade de álcali durante a subseqüente neutralização e as perdas nas outras fases do processo. lavagem. Os processos avaliados foram: 1. Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 107 .Catalisadores Homogêneos Básicos ou alcalinos facilmente manipuláveis. da purificação do produto e recuperação da glicerina. Facilita a purificação da glicerina. com medidas de acidez antes e depois do processo (figura 4. Redução significativa do número de etapas de purificação.5). Possibilita a reutilização do catalisador. Degomagem e neutralização com ácido fosfórico a 85% e solução de hidróxido de sódio 20% a frio. Óleo Degomagem Neutralização Goma Lavagem Óleo Acidez < 1 Figura 4.5 – Pré-tratamento do óleo bruto A etapa de degomagem visa remover do óleo bruto os fosfatídeos. definir a melhor metodologia e verificar sua viabilidade para implantação industrial.

especialmente os produzidos a partir de oleaginosas típicas do Norte e Nordeste do País. devido à reação com uma solução quente de hidróxido de sódio produzindo o correspondente sal sódico do ácido carboxílico. está sendo usado. 108 Tecnologias de Energias Renováveis . usando o método descrito no Manual de Biodiesel (mme). na unidade-piloto de biodiesel. Esta cultura exige que se disponha de uma indústria de processamento da produção (unidade de extração de óleo) o mais próximo possível da plantação. Tal exigência faz-se devido à necessidade de ordem técnica. no máximo 48 horas. o sabão. 4. especificamente na Amazônia. Em seguida.A. o mais promissor foi o de degomagem e neutralização com fluxo de ar. em rotina. possuem elevada acidez. Aquecer novamente até a temperatura de 75°C e injetar lentamente ar para facilitar a granulação da borra. O R O R O O R O O O OH + 3 água 3 R OH + OH OH Figura 4. aquecer o óleo até 60°C e adicionar uma solução de NaOH 10% correspondente a quantidade suficiente para neutralizar os ácidos graxos livres presentes no óleo. Este processo. instalada no Campo Experimental da Embrapa de Rio Urubu. isto é. Desligar então o aquecimento e adicionar lentamente uma solução de NaCl a 10%. Neutralização com álcool etílico P.3. destaca-se como variável importante a acidez do óleo. Ocorre um processo de hidrólise dos triacilglicerídios (óleo vegetal) que leva ao aumento do teor de ácidos graxos livres (figura 4. que são facilmente saponificáveis. em quantidade corresponde a 15% do peso do óleo. uma vez que os frutos devem ser processados até 24 horas. a temperatura ambiente. Em seguida secar o óleo por evaporação. é determinado o índice de acidez do óleo. Repetir este procedimento duas vezes. 5. com riscos acentuados de perda da qualidade do óleo causado por processos enzimáticos de deterioração e aumento da acidez do óleo. Acidez do óleo de dendê Os óleos vegetais. deve-se mapear a região (estudo locacional) e considerar as questões de logística. ceru (Rio Preto da Eva. No caso específico do dendê. adaptado do processo reportado por Franz Kaltner. Entre estes métodos. Degomagem total. após a colheita. Degomagem e neutralização do óleo vegetal bruto com fluxo de ar Inicialmente. Degomagem e neutralização com fluxo de ar.6). lavar pelo menos mais três vezes com água aquecida a temperatura de 60°C.6 – Processo de Hidrólise Para definição de um local para instalação de uma usina de biocombustível. Separar a água / borra por decantação. descrito a seguir. AM). sob agitação. Parar a agitação e adicionar em intervalos de 10 minutos uma quantidade de água correspondente a 15% do peso do óleo. separando a água após cada adição.

de composição R3.4 5 4 3 2 1 0 30 60 90 dias 120 150 180 Figura 4. A figura 4.8. O uso de óleo bruto nestas condições de acidez. cpaa. B2). G4.Por exemplo. localizada no Campo Experimental da Embrapa.A (mg KOH/g óleo) 7.2 5. o Campo Experimental da Embrapa em Rio Urubu.9 4.5 6. foi a região apontada como aquela que respondia às questões supracitadas para instalação de uma usina-piloto de biodiesel. ceru. Esta região possuía uma plantação de 412 ha de palma e uma usina de extração de óleo de palma e palmiste. se produzido por catalise básica. Observa-se que após 60 dias há um aumento progressivo do índice de acidez do óleo de palma. Um estudo realizado no ime acompanhou a evolução da acidez do óleo bruto in natura em intervalos tempo pré-fixados. cena/ponto 172/103. como mostra a figura 4.2 4. poderia formar sabão e danificar os motores. provavelmente devido à sua oxidação e/ou a presença/formação de ácido livre pela presença de umidade. de modo que o tempo de colheita e de processamento para extração do óleo poderia ser o menor possível.8 – Índice de Acidez do Óleo de Palma Bruto Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 109 . município de Rio Preto da Eva. 8 7 6 I.9 5.7 – Localização da usina de extração de óleo de dendê em ceru. Figura 4.7 mostra a localização da usina de extração de óleo de dendê (Imagem ccd-cibers2. Embrapa Amazônia Ocidental.

Produção de biodiesel A transesterificação alcalina é. Na tabela 4. é apresentado no fluxograma da figura 4. Dr. é o custo e a eficiência da etapa de separação das fases após a reação e a purificação dos produtos e co-produtos (principalmente para o caso do etanol) para que se atenda às especificações previstas pela anp.6 – Vantagens e desvantagens relativas ao tipo do álcool. concentrar esforços no desenvolvimento. Além das questões relativas ao pré-tratamento. o tipo de catalisador e as vantagens e desvantagens relativas à escolha do álcool devem ser consideradas.6 são destacadas algumas questões relativas ao álcool. de longe. Etanol Vantagens Origem renovável Produção nacional Não tóxico Desvantagens Deve ser álcool desidratado Processo de separação da glicerina mais complexo. Ulf Schuchardt. o que implica maior investimento para purificação do biodiesel Metanol Vantagens Menor custo Separação imediata da glicerina Pode ser produzido a partir do gás de síntese Desvantagens Tóxico O Brasil é importador deste álcool Por questões de segurança. O problema. Adaptado de Palestra Prof. na melhoria dos processos e dos equipamentos utilizados na separação de fases e purificação. 110 Tecnologias de Energias Renováveis . unicamp Reação de transesterificação – rota etílica – Catálise Homogênea Escala Bancada O procedimento de produção de biodiesel via transesterificação alcalina. o processo mais usado para a produção de biodiesel. Trata-se de um processo simples e de domínio público. no entanto. em que a acidez do óleo bruto é um fator importante para a escolha do processo. não deve ser usado em processos de produção de biodiesel em comunidade isolada Tabela 4. É importante. portanto.9. rota etílica.

O reator foi imerso em um banho de óleo de silicone para uma melhor troca térmica. Um condensador foi acoplado para manter refluxo constante. neste com um termômetro no banho de silicone para acompanhamento da temperatura.10.10 – Aparelhagem de refluxo usada nas reações homogêneas Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 111 . como mostrado na figura 4. Figura 4.9 – Processo de produção de biodiesel O teste catalítico para produção de um biocombustível de referência foi realizado em um balão de fundo chato de três bocas com juntas esmerilhadas.Matéria Prima Preparação da matéria-prima Catalisador NaOH ou KOH Metanol ou Etanol Reação de transesteri cação Fase Pesada Separação de fases Desidratação do álcool Fase Leve Recuperação do Álcool da glicerina Excesso de álcool recuperado Recuperação do Álcool dos Ésteres Destilação da glicerina Puri cação dos Ésteres Resíduo Glicérico Glicerina Puri cada Biodiesel Figura 4.

que será detalhado no próximo passo. Um terceiro método consiste em lavar o produto a temperatura ambiente com uma solução diluída de ácido acético e água na primeira lavagem e duas outras lavagens com água. prepara-se separadamente a solução de catalisador (etóxido de sódio) a quente e só então adiciona-se ao óleo.Após a degomagem e neutralização do óleo vegetal. que por sua vez é separado por centrifugação. Lavagem A literatura apresenta vários métodos de lavagem. Após esse tempo. A quantidade de catalisador (NaOH) utilizada fica em torno de 1% em relação ao peso do óleo. pressão e razão álcool:óleo mais elevadas. o que pode ocorrer devido à formação de emulsões. mas ocorre o arraste de cerca de 10 a 30% de biodiesel na fase rica em glicerina (figura 4.12) são adequados para este fim. Um primeiro método que pode ser usado consiste na adição de glicerina seguida de duas lavagens com água a 60°C. em escala de bancada. A quantidade de catalisador varia entre 3 e 20% em relação ao peso de óleo. sendo a inferior composta por água contendo acetato de sódio. Alternativamente.11 – Lavagem do biodiesel. Um segundo método consiste em lavar o produto reacional com água quente a 60°C por duas vezes. O sistema é deixado sob refluxo.11). Secagem do biodiesel Após a separação da glicerina por decantação. Este processo forma emulsão se a mistura for agitada. a intermediária composta majoritariamente por glicerina e a superior por biodiesel. durante uma hora. Valores comuns na literatura são 200°C de temperatura. Reação de transesterificação – rota etílica – Catálise Heterogênea Escala Bancada Para os testes via catálise heterogênea devem ser usados reatores de aço inox tipo autoclave (Parr) com agitação mecânica ou magnética. Neste processo não ocorre a formação de emulsão. normalmente uma razão molar de 6:1 (equivalente a 100% de excesso de álcool) é usada na reação. Figura 4. o teor álcool pode variar com razões molares álcool/óleo entre 9:1 e 5:1. O objetivo é sempre evitar perda de biodiesel para a fase aquosa. A separação da primeira lavagem ocorre com formação de três fases distintas. Reatores tipo Parr de capacidade de 100 mL e 300 mL (figura 4. agravada pela formação de sabões durante a reação ou ainda por excesso de água de lavagem ou de agitação. 112 Tecnologias de Energias Renováveis . transfere-se o efluente reacional para um funil de separação onde se inicia o processo de lavagem. também quente. o biodiesel pode ser seco com a adição de sulfato de sódio anidro e seco. As reações com catálise heterogênea normalmente são conduzidos a temperatura. contido no balão. em torno de 75°C. Este processo evita a formação de emulsão. o biodiesel pode ser seco por aquecimento a 130°C (ou a 100°C sob vácuo) por 30 minutos. pressão entre 5 e 10 bar e razão molar álcool:óleo entre 6:1 e 15:1.

Mn) zircônia sulfatada zircônia sulfatada 36%H3PW12O40/SiO2 Razão álcool/óleo 15:1 15:1 15:1 15:1 % Conversão (RMN) 75 00 00 86 T (h) 5 5 12 5 Tabela 4. ime. como itens de controle Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 113 .7 – Testes catalíticos realizados a proporções álcool:óleo (15:1) A influência da pressão pode ser observada ao se comparar o resultado obtido com o catalisador de zircônia sulfatada na reação com óleo de palma que foi realizada a 200° C.Figura 4. sofrendo apenas algumas modificações. Reação de transesterificação – Aumento de escala Os sistemas em escala de bancada apresentam várias limitações. Em muitos procedimentos a pressão do sistema corresponde à pressão de vapor do álcool. A tecnologia usada neste reator foi gerada no Instituto Militar de Engenharia. sob pressão de 50 bar. evitando-se o uso de componentes mais caros. Estes reatores apresentavam uma série de limitações e inadequações ao processo e foram substituídos por um sistema batelada projetado para permitir a execução de todas as etapas de produção do biodiesel num único equipamento.3%.12 – Reatores do tipo Parr utilizados nos testes catalíticos. principalmente na agitação e no controle de temperatura. de 50L de capacidade (figura 4.7 Catalisador zircônia sulfatada dopada (Fe. móvel. Alguns resultados obtidos a 200°C e pressão endógena são mostrados na tabela 4. em aço inox. O aumento de escala serve a dois propósitos: confirmar os resultados obtidos em escala de banca em condições mais próximas das condições industriais e gerar amostras em maior quantidade para testes e análises mais completos. O procedimento definido para esta unidade é basicamente o mesmo definido em escala de bancada. com rendimento de 90. assim como o desenvolvimento do projeto de uma primeira unidade.13). A abordagem de projeto privilegiou a simplicidade e o baixo custo. int. O aumento de escala dos processos de produção de biodiesel foi realizado em reatores-piloto multipropósito com capacidades de 20L e 50L do Instituto Nacional de Tecnologia.

além de uma escola. As maiores vantagens desta unidade são a sua simplicidade. Cabe destacar que a unidade pode inclusive ser usada para recuperar e secar o etanol utilizado em excesso. baixo custo e robustez.13 – Unidade móvel de produção de biodiesel Figura 4.14). Cabe destacar que a caldeira da unidade é alimentada com os rejeitos da própria unidade.e automação normalmente encontrados em unidades industriais. O vapor e a bacia de decantação de rejeitos utilizados pela usina-piloto de biodiesel são da unidade de extração de óleo de dendê (figura 4.14 – Unidade de extração de óleo de dendê (ceru/Embrapa-cpaa) 114 Tecnologias de Energias Renováveis . a unidade necessita de um pouco mais de assistência humana para funcionar. onde existe uma plantação de 412ha de dendê. Em contrapartida.13). Estas características fazem com que este tipo de unidade seja ideal para utilização em comunidades isoladas (figura 4. uma usina de extração de óleo e uma comunidade de funcionários da Embrapa/cpaa. Figura 4. Usina-piloto de biodiesel A usina de biodiesel foi instalada em ceru.

material adsorvente com grande capacidade para retenção de água. a unidade é bem simples e robusta. agitadores. do pré-tratamento do óleo bruto até o acabamento do biodiesel. O controle é todo manual. Figura 4. Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 115 . até 3. com o operador tendo que atuar no acionamento de todos os equipamentos (bombas. A secagem é feita com auxílio de um leito de peneira molecular. válvulas. sendo projetada para executar todas as etapas do processo de produção.15 – Unidade de 1. Este material é regenerado no local e pode ser utilizado por inúmeros ciclos.000 litros por batelada (ceru/Embrapa) Em condições ideais. sem nenhuma automação. da comunidade local e ainda algumas comunidades de Rio Preto da Eva. ou seja. Em termos de controle. Cabe destacar como diferencial o fato de a unidade possuir um sistema completo de recuperação e secagem do etanol utilizado em excesso. incluindo a recuperação e secagem do álcool. Apesar de executar todas as etapas descritas acima.A unidade é completa. trocadores de calor). Esta produção poderia gerar energia elétrica para suprir as necessidades do ceru.000 litros de biodiesel por dia. esta usina pode produzir até três bateladas por dia. existem apenas indicações básicas de temperatura e pressão.

para adequar o refino do petróleo à realidade nacional. por operarem com rotação constante e baixa e por serem sujeitos a menores variações de carga ao longo da operação. comprometendo a normalidade de funcionamento das mesmas e do próprio motor.Óleo Vegetal in Natura em Motores de Combustão Interna Introdução A possibilidade de utilização de óleos vegetais puros como combustível de motores de ciclo diesel é conhecida desde a fase de desenvolvimento do motor. Segundo Di Lascio (2004). o que o predispõe para as reações de polimerizações. e operar os minutos finais também com diesel para “lavar” o sistema injetor e impedir que resíduos de óleo vegetal esfriem dentro da bomba injetora e. como nos grupos geradores. demonstrando que é possível obter-se uma operação confiável com óleo vegetal não transformado. tornando-se inadequados para uso direto de óleo vegetal in natura. câmara de combustão. Além disto. é necessário que o óleo vegetal seja aquecido para diminuir sua viscosidade e que cada ciclo de funcionamento do motor deve começar com diesel. Portanto. mesmo em motores diesel convencionais. havendo registros de utilização de óleo de amendoim em experimentos realizados pelo Dr. A partir desta época têm sido realizados estudos para viabilizar técnica e economicamente o uso de óleos vegetais como fonte de energia renovável. Desde a década de 70 experimentos vêm sendo realizados principalmente na Alemanha. ao contrário dos motores automotivos. com características (mais leve e menos viscoso) para facilitar a combustão nos motores veiculares. passar para óleo vegetal após alguns minutos (quando o motor já estiver quente). com injeção direta. sobretudo quando o óleo vegetal tem alto índice de insaturação. iii) diminuição do rendimento do motor e aumento conseqüente 116 Tecnologias de Energias Renováveis . nos bicos injetores. o uso de óleos vegetais in natura diretamente em motores diesel de injeção direta passou a ter os seguintes problemas: i) aparecimento de resíduos de carbono no interior dos cilindros. são muito menos significativos do que nos motores automotivos. como mencionado anteriormente. especialmente nas proximidades das válvulas de descarga. Motores com injeção indireta (pré-câmara) também são recomendáveis para esta aplicação por serem mais tolerantes ao óleo vegetal. Em conseqüência. ii) entupimento dos bicos injetores. Para isto. a coluna de destilação das refinarias foi redistribuída para produzir maior quantidade de diesel. Rudolf Diesel no ano de 1911. Portanto. e conseqüentemente com maior justificativa econômica para o uso do óleo vegetal como combustível. nos motores estacionários os inconvenientes relacionados à utilização de dois combustíveis. é menos problemática do que em motores automotivos. principalmente. a utilização de motores estacionários para suprimento de energia elétrica a comunidades isoladas estaria prevista para locais de difícil acesso ao diesel. Em princípio considera-se que a utilização de óleos vegetais em motores estacionários. estes motores diesel passaram a ser produzidos sem pré-câmara.

iv) necessidade de regulagem especial no sistema de injeção do motor para cada tipo de óleo vegetal. nos cilindros e nas válvulas. v) diminuição do tempo de troca do óleo do carter. que satisfaçam as necessidades atuais sem diminuir a oportunidade das gerações futuras. vi) diminuição da vida útil do motor. em substituição a insumos não renováveis. editado pela Princeton University Press/2001. devido à acidez do óleo. iv) decomposição de componentes da bomba injetora. e vii) emissões de produtos tóxicos. por questões ambientais. Esses fatores são relacionados por Kaltner: Š A evolução das tecnologias de produção agrícola que permitem a utilização de seus produtos com vantagens econômicas e ambientais como matéria-prima em processos industriais. Deffeys. Š A previsão de que a produção mundial de petróleo atingirá o pico entre os anos de 2004 e 2008. em atendimento ao Protocolo de Kyoto. Quando esses óleos são submetidos às altas temperaturas da câmara de combustão. Uso de Óleo Vegetal in Natura em Motores Os principais problemas identificados com o uso de óleo vegetal in natura são: i) dificuldade de partida a frio devido à viscosidade dos óleos vegetais. algodão. iii) formação de gomas nos bicos injetores. óleos brutos do tipo soja. e já fazem parte da formulação de diversos óleos diesel premium vendidos no mercado. Š A necessidade de eletrificação de comunidades isoladas. v) formação de depósitos de carvão na câmara de combustão. os derivados de óleos vegetais são os de mais baixo custo. as reservas mundiais começarão a declinar. há formação de polímeros. seja pela distância da rede ou pelo custo de transporte de óleo diesel. especialmente quando alimentado com óleo de elevado índice de ácidos graxos livres. Como o mercado de petróleo tem crescimento de 2% ao ano. especialmente quando este for de alta taxa de aditivação. cujo atendimento não tem viabilidade econômica. o uso de óleo vegetal in natura em motor de combustão interna volta a ser firmemente considerado. a confirmação desta premissa influenciará fortemente o mercado de produtos agrícolas que tenham aplicação como substituto de petróleo. Alguns fatores relevantes deverão trazer profundas modificações no mercado de energia. exigem a adição de aditivos para melhorar a qualidade de lubrificação do combustível. A partir daí. Dentre os aditivos pesquisados. ii) ponto de fusão elevado.do consumo. de Kenneth S. principalmente devido às emissões de gases de efeito-estufa e à elevação consistente dos preços do petróleo. conforme estudo publicado no livro Hubbert’s Peack – The Impending World Oil Shortage. Atualmente. resultantes do insuficiente índice de cetano. canola e girassol não são adequados para uso como combustível em motores diesel. inerente às características dos óleos vegetais. Š A necessidade de utilização de óleos diesel com baixíssimos teores de enxofre. onde se incluem a acroleína e certas substâncias orgânicas. Por exemplo. pois possuem na Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 117 . resultantes de uma combustão incompleta. que é até 10 (dez) vezes maior que a viscosidade do óleo diesel na temperatura de referência. Š A necessidade de implantação de programas de produção auto-sustentáveis (emissão zero). A formação de goma e carbonização é decorrente da existência de ácidos graxos insaturados nos óleos vegetais.

0 0.7 <0.0–13.0–45. medida da resistência interna ao escoamento de um líquido.5 <0.5–3.0 <0. Outra possibilidade é a injeção do óleo vegetal aquecido.0–4.5 Amendoim <0. ii) índice de cetano.1–1. Ácidos (%) Algodão Láurico Mirístico Palmítico Esteárico Araquídico Behênico Lignocérico Oléico Linoléico Linolênico Erúcico <0. O ponto de fusão do óleo vegetal in natura é mais elevado.5 <1. A neutralização. algodão.4–2.5 14.0 0. a degomagem e o pré-aquecimento do óleo vegetal bruto podem ser alguns dos procedimentos usados como pré-tratamento para eliminar os problemas na bomba injetora e para reduzir os depósitos de carvão. de modo que alguns problemas possam ser minimizados.1 0.2 <0.0 4. influenciam no funcionamento e na durabilidade do motor.0 1.3 <0.0 – Tabela 4.0 1.0 1.0 <0.3–6.0–10. que possuem.5 7.0–10. girassol) não são adequados para operação como combustíveis in natura em motores diesel.0–35. que define o poder de auto-inflamação e de combustão do óleo. colza.0 55.sua composição alto teor (percentagem) de ácidos graxos insaturados.6 6.0–31. que é até 10 vezes maior que a viscosidade do óleo diesel na temperatura de referência.5 <1.0–72. uma ligação dupla. i) 118 Tecnologias de Energias Renováveis .0 Girassol <0.1 <0.0–44. Propriedades Físico-Químicas dos Óleos Vegetais que Influenciam o Funcionamento dos Motores Diesel As propriedades do óleo vegetal.0 <0.0–11. sendo necessário.2 53.3 <0.4 <0. duas duplas e três duplas.0–16. óleos brutos com grau de insaturação (soja.0–14.4 <0.0–30. conforme apresentado na tabela 4.0 1.6 <0.5 1. significa que um número de cetano baixo gera deficiência na lubrificação do motor.5 Soja <0.2 2.8.0 1.1–2. linoléico e linolênico.8 – Composição química de alguns óleos vegetais Uma das soluções encontradas para melhorar a utilização de óleo vegetal in natura como combustível é fazer um pré-tratamento e/ou refino dos óleos brutos. reduzir a formação de gomas nos bicos injetores.0–75.0 <5.0 <0. como oléico. descritas a seguir.0–62. o que eliminaria o problema da viscosidade e do ponto de fusão (franz kaltner).5 13.0 – 0. portanto. Existe também a dificuldade de partida a frio devido à viscosidade dos óleos vegetais.0 <0.4–5.0 5.0 17.0–3.0 13.5–6.5 3. Portanto.0–70.5 0. é fundamental para a qualidade de atomizacão do óleo no bico injetor.0 44.8–3.0 <1.0–30. respectivamente.0 15. Ocorre também a formação de polímeros quando este óleo in natura é submetido às altas temperaturas na câmara de combustão. viscosidade.0 35.5 – 19.0–5.3 Tipos de Óleos Canola – <0.1 <0.

iii) reduzir o depósito de carbono nos bicos injetores (menor ccr). geralmente hidráulica. o uso do óleo vegetal in natura em motor de combustão interna. depositados durante a queima do combustível. iv) melhorar a filtrabilidade na bomba padrão de combustível do motor. o óleo vegetal ideal para funcionamento como substituto de óleo diesel deveria ter índice de cetano maior que 40 e índice de iodo menor que 25. que pode ser por solvente ou por prensagem. de forma a ajudar na escolha da matéria-prima. x) filtrabilidade. Poder calorífico: O volume de combustível consumido pelo motor operando com óleo vegetal é aproximadamente 2% maior ao consumido na operação com óleo diesel. equipamento alemão especialmente desenvolvido para queimar óleo vegetal. vii) índice de acidez.. ix) nº Conradson – ccr. 2007). Existem diversas tecnologias que adaptam tais motores para a queima de combustíveis renováveis. Para operar motores diesel com óleos vegetais in natura existe a necessidade da adoção dos seguintes procedimentos: i) reduzir a viscosidade. ii) motores com kit de conversão. na definição do processo de geração de biocombustíveis. de modo que possa ser assegurado o suprimento contínuo. isto é ao processo de extração. as tecnologias que utilizam óleo vegetal in natura em motor de combustão interna com algum sucesso são: i) motores com pré-câmara de combustão. que expressa os resíduos de carbono. temperatura em que o óleo passa do estado líquido para o gasoso. Recentemente. O tipo de prensagem depende da quantidade de matéria-prima a ser processada. Portanto. juntamente com a logística. de parafuso contínuo. ii. temperatura inicial de cristalização do óleo. e o poder calorífico do óleo diesel é ~ 12% maior. temperatura em que um óleo queima durante um período mínimo de 5 segundos. Isso faz com que. na prática.iii) ponto de inflamação. Outra questão importante está relacionada à obtenção do óleo vegetal. obedece aos mesmos princípios do uso do diesel para a geração de energia elétrica. Almeida verificou o potencial de algumas oleaginosas nativas da Amazônia. do Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement – cirad. iii) motor Elsbett. expressa o grau de insaturação do óleo. Massa especifica: A massa especifica do óleo diesel é ~ 10% menor que os óleos vegetais. Atualmente. Desta forma. M. Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 119 . ii) utilizar óleos com baixo índice de iodo e alto índice de cetano. v) ponto de névoa. que expressa a dificuldade com que o óleo é filtrado antes da injeção no motor.D. que expressa a quantidade de gomas formadas pela polimerização dos componentes insaturados do óleo durante a combustão. Propriedades que Influenciam a Quantidade de Energia Gerada i. Pode ser utilizada prensa do tipo manual. xi) teor de gomas. vi) índice de iodo. o número de calorias por unidade de volume seja praticamente igual. viii) índice de peróxido. como a prensa mecânica do tipo “expeller”. iv) ponto de ebulição. expressa a acidez livre no óleo. quer para uso de óleo in natura quer para produção de biodiesel por rota etílica (Almeida. ciclo diesel. expressa o grau de oxidação do óleo. incluindo a questão da sazonalidade.

Motor Elsbett Para viabilizar o uso de óleo vegetal em motores diesel de injeção direta. quando sua viscosidade se aproxima ao valor da viscosidade do óleo diesel a temperatura ambiente. em 1982. somente o óleo vegetal é utilizado como combustível. a injeção do combustível é ajustada. melhorando a eficiência da queima. esses motores têm excelente desempenho operando com óleos vegetais neutralizados. Kit de Conversão A utilização de óleos vegetais in natura como combustível em motor diesel requer uma série de ajustes e modificações no motor. em seguida há um período de transição em que o óleo vegetal se mistura ao diesel e. O kit básico é composto de: i) tanque de óleo vegetal com serpentina p/ aquecimento e sensor /indicador de temperatura. reversão do funcionamento para óleo diesel com programação temporizada no final da operação. Eles são adequados para tarefas onde a demanda requerida não tenha grande variação e esteja sempre próxima da potência nominal do equipamento. em diferentes condições de acordo com a matéria-prima utilizada. algumas modificações foram implementadas no motor Elsbett. com a implementação de um recipiente onde a explosão passou a ocorrer. Também são acrescentados no circuito do combustível uma segunda bomba e um segundo filtro para incrementar a pureza do combustível. A existência desta pré-câmara torna mais suportável o uso de óleos vegetais de qualidade inferior. posteriormente. A cabeça do pistão é recortada e recebe uma placa refratária para aumentar a temperatura da combustão. Esses motores de tecnologia Elsbett ainda existem no mercado. ii) bomba auxiliar de água p/ sistema de refrigeração e tubulação de interligação do radiador com serpentina do tanque. iv) sensor de temperatura do motor. São introduzidos mais sensores de temperatura na pré-câmara. vi) eliminador de ar. que devem sempre manter um elevado padrão de limpeza com a retirada prévia de sabões e impurezas. O cirad desenvolveu um kit para tornar esses motores capazes de funcionar com óleo vegetal in natura. O sistema funciona da seguinte maneira: a energia térmica da água de circulação do motor deve ser reutilizada para pré-aquecer o tanque do óleo vegetal. vii) comando computadorizado de controle do funcionamento com óleo diesel/óleo vegetal. No Brasil. Segundo Kaltner. O uso de óleo in natura vem sendo avaliado em diversos motores no Brasil. o óleo vegetal é filtrado para evitar entupimentos. para limpeza das tubulações e bomba injetora. Cenbio também vem procurando desenvolver este tipo de equipamento. este será aquecido na admissão do motor. a reversão do funcionamento para óleo vegetal após motor e combustível atingirem a temperatura especificada. com capacidade de até 140 HP. a viscosidade do óleo vegetal. principalmente.Motores com pré-câmara de combustão Na Europa são fabricados vários modelos de motores diesel com pré-câmara. o alemão Ludwig Elsbett introduziu algumas modificações no sistema de injeção e. que o tornaram mais robusto. a temperatura do motor. A dms manteve a cavidade 120 Tecnologias de Energias Renováveis . na cabeça do cilindro. iii) válvula termostática multivia para reversão da operação óleo diesel/óleo vegetal. o motor parte e opera com o óleo diesel inicialmente. v) tubulação de óleo vegetal. com maior eficiência e maior potência. que monitora: a temperatura de injeção do óleo vegetal. Existem diversos fornecedores no mercado europeu que fornecem kits para adaptação de motores. No início da década de 90.

ocasionando limpeza e troca de filtros conforme manual de manutenção próprio para motor a diesel. De acordo com o estudo realizado. o impacto do aumento do custo do combustível vegetal devido ao processo de refino deve ser cuidadosamente avaliado. o que é observado na figura 4. A comparação de algumas propriedades do óleo diesel e do dendê é apresentada na tabela 4.no cilindro. No Brasil. Foram usados três diferentes motores para os testes. ultimamente tem funcionado continuamente com diesel. que passou a produzir 1 kWh com apenas 0. Mesmo no caso dos motores Elsbett e dms (hoje ams). no Alto Juruá.9. Óleo Poder Calorífico Superior (Kcal/ kg) Diesel 10. o Programa Trópico Úmido financiou um equipamento Elsbett para o projeto de extração de óleo vegetal na comunidade do Roque. com apoio financeiro do cnpq e Sudam.28 gramas de óleo vegetal. Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura 121 .0 cSt) 38 Dendê 9. o óleo de dendê é um excelente substituto para o óleo diesel. o óleo vegetal deve ser de boa qualidade para não danificar o sistema de injeção e permitir uma queima mais eficiente. acrescentou um segundo bico injetor em cada cilindro. sendo o primeiro um motor veicular de uma Kombi. facilitando a combustão e aumentando a eficiência do sistema. passou a refrigerar o motor com óleo lubrificante. Com o funcionamento do motor mwm foi observada a diminuição da carbonização.16.700 42 (mínimo para diesel marítimo=60°C) 344 60 (mínimo especificado = 45) 42 0. que serve à usina de extração de óleo da Embrapa. esse motor apresentou problema devido à qualidade do óleo vegetal. o segundo um grupo gerador mwm D225-4 instalado na comunidade de Boa União (Presidente Figueiredo – AM) e por fim um grupo gerador Multi Fuel 4RTA-G da mas.83 Ponto de Fulgor (°C) Índice de Cetano Densidade 20/4°C Viscosidade a 37. principalmente.9 – Comparação de alguns índices do óleo diesel e do dendê. pois pode inviabilizar economicamente o sistema. Desempenho do Grupo Gerador MWM D225-4 e Multi Fuel 4RTA-G da MAS com óleo de dendê in natura A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolveu pesquisas no sentido de viabilizar motores ciclo diesel utilizando óleo de dendê (conhecido também como óleo de palma) como combustível. O enfoque foi o desenvolvimento de pesquisas para viabilizar o uso do óleo vegetal nos motores do ciclo diesel.91 Tabela 4. Assim. basta que se aumente a pressão nos bicos injetores para diminuir o acúmulo de resíduos de carbono na descarga do motor.8°C (cSt) 3. permitindo aumentar a temperatura do refrigerante de 100°C para 120°C.6 (faixa especificada: 1. Os grupos geradores mwm não necessitaram de ajuste para a operação com este óleo vegetal. uma segunda bomba de combustível com mais um filtro acoplado e.450 0. quando foi aumentada a pressão nos bicos injetores.6 a 6. na utilização de óleos vegetais com acidez elevada.

1 0. o de melhor desempenho foi o grupo-gerador mwm. sendo que este foi o que apresentou melhores resultados.15 0.000 horas gerando energia elétrica. foi verificada também a ausência de ésteres no óleo lubrificante.1 0.05 0 180 220 Pressão nos bicos (bar) Figura 4.15 0. ocorre normalmente a cristalização do óleo com a variação da temperatura ambiente. que são separados através do filtro-prensa na temperatura de 17°C.25 Índice de Éster 0. Portanto. A fração de oleína obtida que corresponde aos 122 Tecnologias de Energias Renováveis . que constituem 98% do óleo de dendê. tendo pontos de fusão acima de 62°C. Durante o período de desenvolvimento do projeto.25 Resíduos (grama/hora/cabeçote) 0. portanto.2 0. esteárico. O resfriamento lento do óleo bruto causa a cristalização destes ácidos. um protótipo de separador de fases do óleo de dendê.17).2 0.17 – Influência da pressão nos bicos injetores na formação de éster Dos dois motores utilizados.16 – Influência da pressão nos bicos injetores na formação de resíduos Com o aumento da pressão nos bicos. 0.05 0 180 200 Pressão nos bicos (bar) Figura 4. Motor Veicular – Cristalização do óleo de dendê in natura O óleo de dendê possui alto teor de estearina. este motor operou 4.0. junto com a Netzsch do Brasil. Os ácidos palmítico e esteárico são saturados. Este processo se baseia na diferença dos pontos de fusão ácidos graxos palmítico. O grupo gerador ams não apresentou um desempenho adequado com a utilização do óleo bruto de dendê. o aumento da pressão resultou em melhor combustão do óleo de dendê (figura 4. oléico e linoléico. Foi o mais longo período de funcionamento dentre os motores testados. Para resolver este problema a Embrapa criou. que tem como base de funcionamento a filtragem e prensagem a frio.

ácidos insaturados é então separada por fracionamento natural do óleo de palma, que consiste em operações de resfriamento e filtração sem uso de aditivos químicos. Os ácidos insaturados, oléico e linoléico apresentam pontos de fusão abaixo de 16,3°C. A tabela 4.10 mostra os resultados para o processo de separação da oleína e da estearina (prensagem e filtragem a frio).
Ácido Graxo Palmítico Esteárico Oléico Linoléico Oleína (%) 95,5 4,40 41,9 11,8 Estearina(%) 59,53 5,00 26,30 6,50 T. fusão (°C) 62,90 70,10 16,30 5,00

Tabela 4.10 – Processos de separação da oleína e da estearina - Prensagem e filtragem a frio Adaptado Embrapa CPAA, Embrapa ctaa, Agropalma e (Moretto & fett, 1989)

Uso do óleo de dendê refinado – oleína
Para evitar o problema de cristalização em motores veiculares, especificamente um motor diesel de uma Kombi, foi usada somente a oleína como combustível. Nas condições em que foi utilizado, este óleo apresentou custo menor quando comparado ao diesel.

Desempenho do Grupo Gerador MWM D229-6 com óleo de dendê in natura
O funcionamento de um grupo gerador diesel convencional foi avaliado utilizando-se óleo de palma bruto (óleo de dendê) como combustível. O grupo gerador tinha potência de 76kVA/60kW, com motor mwm D229-6 de injeção direta. Os testes tiveram a duração total de 400 horas. Os problemas encontrados na operação com óleo vegetal foram: 1. Necessidade de troca mais freqüente do óleo lubrificante; 2. Acumulação de partículas na bomba injetora e carbonização das câmaras de combustão e bicos injetores, causando perda gradual de potência ao longo dos ensaios, todavia reversível com limpeza. Projeções indicaram que, devido aos maiores custos de manutenção, o óleo vegetal seria vantajoso em relação ao diesel apenas em localidades onde este custasse no mínimo 25% a mais que o óleo vegetal. O diferencial requerido pode ser maior do que isto e depende das condições específicas. Uma análise global destes ensaios e de outros similares reportados indica que é possível se operar com óleo vegetal a níveis de manutenção semelhantes ao diesel. Para isto é necessário que alguns parâmetros de qualidade do óleo vegetal sejam mais controlados do que se exige na comercialização normal do óleo bruto. Também, o emprego de motores de injeção indireta seria desejável, na medida de sua disponibilidade.

Experiências de Eletrificação Rural Utilizando Óleo Vegetal como Combustível – Projetos implantados na Amazônia
Alguns projetos-pilotos foram implantados conforme apresentado na tabela 4.11.

Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura

123

Local de Implantação Vila Boa Esperança – Moju – PA Vila Soledade – Moju – PA Alto Solimões – AM Com. Boa União, Pres. Fig.– AM

Óleo vegetal Dendê Dendê Andiroba Dendê

Produção do óleo Comunidade Agropalma Comunidade Embrapa

Tipo de motor Elsbett Convencional com kit Elsbett Convencional sem kit

Tabela 4.11 – Projetos-pilotos implantados na Amazônia

A produção de 100 kWh de energia representa um consumo médio de 25 kg de óleos vegetais (por hora de funcionamento do sistema). Isto significa que um sistema de 100 kWh operando 6 horas por dia, 365 dias /ano, consumirá aproximadamente 55.000 kg ou 62.000 litros. Como a maior parte das oleaginosas nativas tem safra definida, em torno de 4 meses, todo este óleo tem de ser produzido neste período, o que aumenta o tamanho da instalação de extração e cria custos adicionais de armazenagem. Este é possivelmente o maior problema da utilização de espécies nativas. Portanto conclui-se que o óleo de dendê pode ser uma das matérias-primas com potencial para ser substituto do óleo diesel. No entanto, vários fatores contribuem para a sua escolha como fonte de matéria-prima renovável, dentre elas o tipo de motor e a logística. Destaca-se ainda que o acúmulo de resíduos de carbono na descarga do motor mwm utilizando óleo de dendê como combustível foi sensivelmente diminuído com o aumento da pressão dos bicos injetores. No entanto, este óleo bruto no motor dms, tecnologia elsbet, apresentou performance inadequada. Já em motores veiculares pode ser usada somente a oleína ou se adicionar aditivos para minimizar a cristalização.

Conclusão
O custo para universalizar a Amazônia em conformidade com o modelo atual - sistemas isolados térmicos a combustível fóssil, sustentado por um forte subsídio – pode ser muito oneroso para o País. O custo de geração de energia dos sistemas de geração existentes é viabilizado pela Conta de Consumo de combustível – ccc, que para 2006 chegou a 4,5 bilhões de reais. Esse valor é aproximadamente 25% superior ao montante de R$ 3,6 bilhões aprovado para 2005. Atualmente, os sistemas isolados de Manaus (AM) representam em torno de 44% da ccc; os de Porto Velho (RO) e de Rio Branco (AC), 23%. O restante da conta é distribuído nos sistemas isolados de outros Estados1. Esse modelo não é sustentável e não deve servir de exemplo para que os serviços de energia elétrica cheguem a toda a Amazônia. Os custos serão cada vez maiores, cristalizando interesses, cada vez mais difíceis de serem demovidos. Ademais, os sistemas de controle e a eficiência de todo o sistema serão ainda mais afetados, dadas a pequena dimensão e a grande quantidade de equipamentos de geração que deverão estar sob a responsabilidade das concessionárias da região. Dessa forma, faz-se necessário construir um modelo diferente, de menor custo para a sociedade brasileira e mais eficiente. Esse modelo deverá abordar os seguintes aspectos: i) tecnologia; ii) gestão; iii) regulamentação diferenciada; iv) uso produtivo da energia.
1 Aneel. Boletim Semanal nº 207, 2 a 8 de fevereiro de 2006

124

Tecnologias de Energias Renováveis

Esse trabalho se propôs a abordar apenas o aspecto tecnológico, especificamente relativo a motores de combustão interna para utilização de biocombustíveis. No caso da planície amazônica, rica em oleaginosas, tanto a opção de uso de biodiesel quanto a de óleo vegetal in natura devem ser consideradas. Contudo, os empecilhos com relação a essa tecnologia devem ser relatados. Primeiro, existem poucos projetos significativos no Brasil para geração de energia elétrica, que dispõem de dados sobre os comportamentos dos motores. Essa insuficiência se deve, sobretudo, à inexistência de um mercado de óleo para essa finalidade. Um dos poucos projetos, o da Embrapa Amazônia, testou três motores diferentes com óleo de dendê, com mais de 4 mil horas. É necessário lembrar que essa instituição possui milhares de hectares plantados com essa oleaginosa. Apesar da insuficiência de dados sobre o uso de biocombustíveis no Brasil em motores estacionários, sabe-se, a partir de experiências internacionais, quais os aspectos mais relevantes que devem ser considerados para equacionar o problema. A questão se resume, por um lado, a tecnologias confiáveis e que possam ser produzidas com facilidade, e por outro, à garantia da matéria-prima – o combustível primário. Do ponto de vista da tecnologia, são três as opções a serem consideradas: primeiro, a queima de óleo vegetal in natura; segundo, a produção e queima do biodiesel; e terceiro, a queima do etanol. Com relação à queima do óleo vegetal in natura, basicamente são três as tecnologias a serem consideradas: kits de conversão, motores com pré-câmara de combustão e motores ams. Os kits de conversão já são fabricados no Brasil, normalmente por encomenda, por manufaturas não especializadas. Motores com pré-câmara são fabricados pelo cirad, e utilizados em escala nas ilhas francesas do Pacífico. Não existem projetos no Brasil com essa tecnologia. Motores ams são fabricados na Alemanha, em uma versão melhorada do motor Eslbett. Um motor ams foi utilizado numa experiência pela Embrapa Amazônia. Contudo, os resultados obtidos com um motor mwm com kit de conversão foram melhores, utilizando o mesmo tipo de óleo vegetal. Para a produção de biodiesel, são duas as rotas tecnológicas: a transesterificação, com a variante esterificação, ou o craqueamento. As duas rotas têm relativa complexidade para serem utilizadas em pequena escala em comunidade rural da Amazônia. No Brasil, a Ecirtec e a Tecbio produzem pequenos reatores, que também podem ser manufaturados sob encomenda em fabricantes não especializados. Quanto às torres de craqueamento, não se conhecem fabricantes especializados no Brasil; também essas unidades são fabricadas sob encomenda. Projetos de queima de biodiesel, além da dificuldade para a produção desse combustível, também esbarram nas mesmas dificuldades apontadas acima para queima de óleo vegetal in natura: inexistência de fornecimento regular da matéria-prima – o óleo vegetal. No Brasil, existe um montador de grupos-geradores a diesel que adapta motores Scania para a utilização de biodiesel – a Maquigeral. O Brasil tem uma indústria consolidada de fabricantes de usina de etanol. Porém, todos fabricam equipamentos de grandes dimensões, para atender ao mercado de fabricantes de açúcar e álcool. Fabricação de micro-destilaria normalmente é realizada sob encomenda por pequenas indústrias.

Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura

125

e STERN. Associação Brasileira de Normas Técnicas. e NIEUWLAAR. publicação realizada pela CAMARGO SCHUBERT e TRUEWIND SOLUTIONS com suporte técnico e financeiro do MME – ELETROBRÁS – CEPEL – CRESESB.com. K. K. acessada em 03/04/2008. “Wind Measurement for Accurate Energy Predictions”. Estudo Comparativo de Sistemas Eólicos Utilizando Modelos Probabilísticos de Velocidade de Vento. F. ARAÚJO. Disponível em http://www. Máquinas Elétricas. R. ZACH. Vol. A.br.. P. home page. L. disponível em http://www. home page. Associação Brasileira de Normas Técnicas. M.. A. (1976). Ammonit Gesellschaft für Messtechnik mbH. ARNOLD. AGBOSSOU. “Energy Viability of Photovoltaic Systems”. E. 28:999–1010. M. J. Dissertação de Mestrado. Journal of Power Sources. Norma NBR 15389 – Bateria Chumbo-ácida Estacionária Regulada por Válvula – Instalação e Montagem.br/. T. pp. (2001). Câmara de Combustão. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. Issue 17.com. AMMONIT (2000).. J. O.xl.. de 16 de dezembro de 2003.200. ALMAR (2008). R. aneel. J. acessada em 22/04/2008. CHAHINE. ST-ARNAUD..Referências Bibliográficas Sistemas Híbridos ABNT (2004). E. Atlas do Potencial Eólico Brasileiro – CD-ROM. disponível em http://affordable-solar. acessada em 22/04/2008. ALSEMA. 126 Tecnologias de Energias Renováveis .shtml. AFFORDABLE SOLAR (2008). ANOUAR. Norma NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Resolução Nº 676. AUTOPEDIA (2008).almar. LAURENCELLE.pt/autopedia/ motores/cam_combustao.. R.-M.. São Paulo: Editora Pedagógica Universitária. A. (2001). ABNT (2006). W. disponível em http://www.5. BROWER. ANEEL (2003). Energy Policy. AMARANTE. (2000). Berlin. “Renewable Energy Systems Based on Hydrogen for Remote Applications”. 2. 168–172. A. O. HAMELIN. C. e BOSE. (1989).gov. e SÁ.

Trabalho de Conclusão de Curso. PINHO. F. Situação da Geração Elétrica Através de Sistemas Híbridos no Estado do Pará e Perspectivas frente à Universalização da Energia Elétrica. M. L. BARLEY. R. J. 2004. (2004). Montagem. B. D. C. M. J. (2003). Dissertação de Mestrado. Power Systems. C. H. H. R. Disponível em http://www. F. A. C. J. Nº 4. “Capacity Expansion of Small Isolated Power Systems Using PV and Wind Energy”. Buenos Aires. AWEA (2008b). A. SCHULTZ. B. (2004a). Comissionamento e Telesupervisão de um Sistema Híbrido Solar-Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. O. RÜTHER. C.awea. C. Avaliação Tecnológica. acessada em 18/04/2008. “Optimal Dispatch Strategy in Remote Hybrid Power Systems”. M.org/pubs/factsheets. “Adding PV-Generators without Storage to Medium Size Stand Alone Diesel Generators Sets to Support Rural Electrification in Brazil”. (2000). 892–897. acessada em 17/03/2008. American Wind Energy Association homepage. N. GALHARDO. A. E. M. e WINN. T.. BEYER. Análise de Características Técnicas e Viabilidade Econômica de Sistemas Solares Fotovoltaicos.html. L. vol. 4–6. S. acessada em 17/03/2008. BLASQUES. O. C. Congresso CIER 2000. B. Trabalho de Conclusão de Curso . D. O. J. Estudo da Viabilidade Técnico-Econômica de Sistemas Híbridos para Geração de Eletricidade.. R. (2004). Implantation and Operation of the First Electricity Pre-Payment System in Brazil.org/pubs/factsheets. e ROCHA. (2003). C. e OLIVEIRA. A.. pp. BILLINTON. BARBOSA. (2006). G. PINHO. G. 16. Campinas: AGRENER GD.awea. PEREIRA. D. Referências Bibliográficas 127 . Dissertação de Mestrado. GALHARDO. Operacional e de Gestão de Sistemas Híbridos para Geração de Eletricidade na Região Amazônica.. Is Noise a Problem for Wind Turbines?. (1996). R. B. Göteborg. A. Installed in an Isolated Community in the Amazon Region. VALE.AWEA (2008). Vol. BARBOSA. C. W. C.. BARBOSA. São Paulo: IEEE/PES T&D 2004 LATIN AMERICA.awea. O. P. CRUZ. BLASQUES. Disponível em http://www. “Sistemas Complementares de Energia Eólica e Hidráulica no Brasil”. e MARANHÃO.. F. AWEA (2008a). BITTENCOURT.. AMARANTE.html. F. Belém: UFPA. F. p. ISES Solar World Congress. e ARAÚJO. S. BARBOSA. Belém: UFPA.html. Solar Energy. e KARKI.org/faq/noisefaq.. Nº. R. 165–179. Belém: UFPA.. (2005).. M. S. disponível em http://www. T. IEEE Trans. M. AWEA Wind Energy Fact Sheets – The Economics of Wind Energy. 58. Belém: UFPA. (2001). AWEA Wind Energy Fact Sheets – Comparative Air Emissions of Wind and Other Fuels. O.

CHEREMISINOFF. (2000). C. M. E. CARTAXO. F. e BOSSANYI. “Comisión Nacional para El Ahorro de Energía”. National Renewable Energy Laboratory. pp. (1993). S.. vol. J. disponível em http://www. E. Wind Power Principles: Their Application on the Small Scale. “Fornecimento de Serviço de Energia Elétrica para Comunidades Isoladas da Amazônia: Um Estudo de Caso”. S. acessada em 03/04/2008. T. e MULJADI. Wind Energy Handbook. Contract No. Ann Arbor Science. (2003). BRASIL HOBBY (2008). B. BOROWY.S. Fundamentals of Wind Energy. M. European Wind Energy Association (EWEA). BLASQUES.gob. J. N. e SALAMEH. 17. CALVERT. D. BLEIJS. acessada em 22/04/2008. (1994). (1979).. P. M. conae. A. N. Nº 3. Tese de Doutorado.BLASQUES. M. John Wiley & Sons. Campinas: UNICAMP. N. “Methodology for Optimally Sizing the Combination of a Battery Bank and PV Array in a Wind/PV Hybrid System”. e SALAMEH. M. L. home page http://brasilhobby. JENKINS. IEEE Trans. C. pp. (2001). Energy Conversion. A. H. DE-AC36-99-GO10337. XVI SNPTEE. Z. pp. vol. e PINHO.. “Wear Implications of Intermittent Diesel Operation in Wind/Diesel Systems”. Belém: UFPA. e INFIELD. S.br. J. Charles Griffing. The History and State of the Art of Variable-Speed Wind Turbine Technology. (2001). “Análise Econômica de Tecnologias para Eletrificação de uma Pequena Comunidade Isolada da Amazônia”. W.com. BOROWY. 206–219. Z. TUPIASSÚ. L. Configurações Ótimas de Sistemas Híbridos para Geração de Eletricidade Utilizando Fontes Renováveis: Contribuições ao Processo de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica. 482–488. CHANDLER. U. CARTAXO. 367–375. “Optimum Photovoltaic Array Size for a Hybrid Wind/PV System”. E. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Campinas. T. (2005). F. CARLIN... 11. (1996). Curitiba. Nº 4. Fornecimento de Serviço de Energia Elétrica para Comunidades Isoladas da Amazônia: Reflexões a partir de um Estudo de Caso. Ministério do Meio Ambiente. CONAE (2008). B. 128 Tecnologias de Energias Renováveis . NIGHTINGALE. E. (2001). Resolução CONAMA Nº 257. SHARPE. G. de 30 de junho de 1999. (1981). LAXSON. A. C. WER13010. (2007). D. Nº 2. Wind Energy – The Facts: An Analysis of Wind Energy in the EU-25. XVIII SNPTEE.mx/wb/CONAE/CONA_2369_teoria_basica_del_mo. vol. B. Technical Report prepared under Task No. F. Energy Conversion. Proposta de Qualificação ao Doutorado. 9. E. IEEE Trans. BURTON. G. P. Wind Engineering. CONAMA (1999).

W. FRÖHLICH. e ROSAS. Energia Solar: Fundamentos e Tecnologias de Conversão Heliotermoelétrica e Fotovoltaica. “End-of-life Management and Recycling of PV Modules”. PEREIRA. A. 481–493. pp. EUROPEAN COMISSION (2006).. J. M. Armazenagem. P.. vol. Proceedings of the 2002 International Partner’s in Flight Conference. ERICKSON. 178–179. ELETROBRÁS (2008). 2ª Ed. e LONDON. pp. 200–203. ISSN 1725-8057. disponível em http:// www. M. M. “Painel NR-10 – Riscos de Choques Elétricos (II)”. e BECKMAN. S.es/. P. S. (1995). K. B. vol. Progress in Photovoltaics: Research and Applications. e ZANINELLI. ELHADIDY. “Experimental Analysis of Baterry Charge Regulation in Photovoltaics Systems”. e EGIDO.CRESESB (1999). 2ª Edição. World Wind Energy Conference. “Parametric Study of Hybrid (Wind + Solar + Diesel) Power Generating Systems”. acessada em 10/04/2008. e SHAAHID. LEVA. FRAIDENRAICH. ELETRICIDADE MODERNA (2007). Geros. “Summary of Anthropogenic Causes of Bird Mortality”. “Hybrid Photovoltaic System Control for Enhancing Sustainable Energy”.eletrobras. ELETROBRÁS (2006). John Wiley & Sons. Editora Aranda. M. V. DALBON. Eletrobrás/GTON/Petrobras. E. F.. D. A. (2002). 21.11. May 2006. DIAZ. A.. pp. (2004). W. Manuseio e Qualidade de Produtos Derivados de Petróleo em Usinas Térmicas. Solar Engineering of Thermal Processes. acessada em 26/09/2007. ROSCIA.com/procel. FEITOSA. (2000). M. Berlin. 134–139. WMO/TD – Nº 149. JOHNSON. Revista Eletricidade Moderna. Referências Bibliográficas 129 . RENEWS – Renewable Energy Newsletter. “Gamesa G58-850 kW. 129–139. 28: 1051–1058. pp. Características Generales”. GAMESA (2007). (1986). (2002). Energy Policy. N. Grupo de Trabalho de Energia Solar Fotovoltaica – GTEF – CRESESB/CEPEL. D. Monterrey. P. (2000). D. diversos autores. e Young. Manual de Recebimento. Nº 405. e LYRA. Issue 5. Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos. “Revised Instruction Manuals on Radiation Instruments and Measurements”. P. “Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica”. ELETRICIDADE MODERNA (2008). Renewable Energy. Nº 406. (2003). W. FTHENAKIS. “Increasing Wind Penetration on Fernando de Noronha Wind/Diesel System”. (1991). Universitária da UFPE. Editora Aranda. (2002). A. p. G. Ed. DUFFIE . “Painel NR-10 – Riscos de Choques Elétricos”. J. IEEE Power Engineering Society Summer Meeting. Geometria da Insolação. A. FROTA. Revista Eletricidade Moderna.gamesa. disponível em http://www.

V. e TWELE. “Equipamentos de Energia”.. UFPA. HICKOK.epsea. (1995). E. (1981). Cahners Publishing Company.. Dissertação de Mestrado. 13.. A. GREEN. New York. L.br. JARASS.. I.. Risø National Laboratory. L. Inc. 130 Tecnologias de Energias Renováveis . ILHA DE NORONHA (2008). T.. e IQBAL.com. John Wiley & Sons.. (2005). BINDNER. disponível em http://www. E. El Paso Solar Energy Association. Rio de Janeiro: Editora Globo. IEC 60479-1 – Effects of Current on Human Beings and Livestock – Part 1: General Aspects. (2004). SØRENSEN. “Pre-Feasibility Study of Stand-Alone Hybrid Energy Systems for Applications in Newfoundland”. NEHRIR. Conceptual Survey of Generators and Power Electronics for Wind Turbines. GELEAREN. I. Progress in Photovoltaics: Research and Aplications. M. (2005)..com. acessada em 26/11/2007. Nº 1.. Energy Conversion.org/esp/energiaelectrica. RITCHIE. BLAABJERG. Wind Energy: An Assessment of the Technical and Economic Potential. (2006). HAUSCHILD. (2002). W. P. e WORTH.. pp. L.inducotec. acessada em 01/02/2008. KOSOW. e OBERMAIR. P. H. A. J. GASQUET. R.. IEC (2005). G. S. S. M. Renewable Energy. “Wind Energy Comes of Age”. 70–75. GIPE. (2001). E. e GEREZ. KHAN. HELLE. Fourth Printing. POST. H. acessada em 22/08/2008. “Generation Unit Sizing and Cost Analysis for Stand-alone Wind. JARASS. (1997). disponível em http://www. (1990). P. (2007). A. e BAK-JENSEN. F. M. W. informações fornecidas. M. VENKATARAMANAN. N. H. Florianópolis:Edição do Autor. Handbook of Solar and Wind Energy. pp. H. L. P.. 30. GEDAE (2008). (1975). K. SCHOCK. H. KELLOGG. B.. James & James. br/USCA. and Hybrid Wind/PV Systems”. W. 3ª edição. GRENT. vol. J. “Wind Power”. F. Springer-Verlag. J. Wiley. (1986) Máquinas Elétricas e Transformadores. Avaliação de Estratégias de Operação de Sistemas Híbridos Fotovoltaico-Eólico-Diesel. Solarpraxis AG and James & James Ltd. Choque Elétrico. R. GIPE. L. Photovoltaic. Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas. HANSEN..html. John Wiley & Sons. LORENZO.. ZWEIBEL.GASCH. Wind Power Plants. São Paulo: USP. home page http://ilhadenoronha. e LYNN. G. MUNK-NIELSEN. 835–854. G. KINDERMANN. “Conversión de la Luz Solar en Energia Eléctrica – Manual Teórico e Prático Sobre Los Sistemas Fotovoltaicos”. L. Nº. L. 6ª edição.htm. L. INDUCOTEC (2008). IEEE Trans. D. HOFFMANN. (1998). Principles of Engineering Economy. H.

N. N. e TAYATI. W. L. E.. “Global Meteorological Database for Solar Energy and Applied Climatology”. EGIDO. MARTIGNONI. (2000).).br/ legislacao/normas_regulamentadoras/nr_10. Electricidad Solar: Ingenieria de los Sistemas Fotovoltaicos.pdf. W. M. W.gov. Trabalho de Conclusão de Curso. W. R. KUROKAWA. L. (1996). MARKVART. MINÃNO. Referências Bibliográficas 131 .. WREC IV. C. METEONORM (1999). MTE (2008a). Denver. John Wiley & Sons. 4. F. A. LORENZO. MACÊDO. G. Handbook of Photovoltaic Science and Engineering. (2002). disponível em: http://www. Engenharia Econômica. CRC Press. John Wiley & Sons.mte. “Norma Regulamentadora NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade”. e VENTRE. (1987). (1994).pdf. J. Wind Energy Explained: Theory. (2003). T. L. e HEGEDUS. Máquinas de Corrente Alternada. MACÊDO. “Complementariedades entre as Energias Eólica e Solar em Sistemas Híbridos Isolados – Um Estudo de Caso Usando o Programa ASES”.mte. LUQUE. K.. Brasil. CUEVAS. Energy From the Desert – Feasibility of Very Large Scale Photovoltaic Power Generation (VLS-PV) Systems. J. (2002). Comissionamento e Monitoração de um Sistema Híbrido Solar-Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. Solar Electricity. N. “Norma Regulamentadora NR 26 – Sinalização de Segurança”. T. John Wiley & Sons. e ROGERS. Rio de Janeiro: Editora Globo.A. Dissertação de Mestrado. Belém: UFPA. MENSSENGER. (2003).. MTE (2008). Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A. Design and Application. S. Suiss Federal Office of Energy. Ministério do Trabalho e Emprego. disponível em http://www. (1999). MONTENEGRO. São Pedro.br/ legislacao/normas_ regulamentadoras/nr_26. Estudo de Sistemas de Geração de Eletricidade Utilizando as Energias Solar Fotovoltaica e Eólica. G. MANWELL. Ministério do Trabalho e Emprego. V CLAGTEE – Congresso Latino-Americano de Geração e Transmissão de Energia Elétrica. “Hybrid Renewable Energy System Development in Thailand”. Photovoltaic Systems Engineering. J. J. (2003). A. 2ª ed. 5ª edição. (1994). ARAUJO. e ZILLES. S.KRUANGPRADIT. e PINHO. McGOWAN. P. MACÊDO. acessada em 31/03/2008. James & James.gov. Acessado em 15/04/2008. R. (1983). A. J. PROGENSA (Promotora General de Estudios. Montagem. LABORATÓRIO DE ENERGIA SOLAR. Belém: UFPA. Petrópolis: Editora Vozes..0.. J. A. A. V.

OBERT. A. Belém: UFPA. Trabalho de Conclusão de Curso. C. SAIJU.. I CBENS – I Congresso Brasileiro de Energia Solar. S. B.otechwind. P. National Renewable Energy Laboratory. J.. K. “A Simulation Model for Expandable Hybrid Power Systems”. “Monitoração e Análise de um Sistema Híbrido Eólico-Diesel”. Madison: University of Wisconsin. MOSTAVAN. Version 2. Definição. PERFECTUM (2008). NORDISK FOLKECENTER (2008). N. C.. W. pp. NREL (2005). 9. Revista Eletricidade Moderna. (1996). A. OMARI. J.. 67. O. New Mexico State University. Dissertação de Mestrado. M. E.. CLARK. Kassel. T. FOSTER. Município de Marapanim. 11. PV in the US Photovoltaic. B. HOMER – Hybrid Optimization Model for Electric Renewables.com. QUINLAN. Estratégias de Controle de Carga e Descarga em Sistemas Fotovoltaicos Domiciliares. R. R. C. GALHARDO. PEREIRA. NELSON. S.folkecenter. home page http://www.. V. M. e MORTON. “Operation Strategies of Wind-Diesel Systems for Electricity Generation Using Intelligent Systems”. R. L. Indonesia”. E. M. GALHARDO. J. 58–69.perfectum. B. S. PARK. e RAUBENHEIMER. Porto Alegre: Editora Globo. Technical Report. West Texas A&M University. R. ORTJOHANN. Fortaleza. e PINHO. BLASQUES. Pará”. (1996).. J. S. Montagem. N. 132 Tecnologias de Energias Renováveis . acessada em 22/04/2008. A. V.. (2007). OTECHWIND (2008). T. M. E.eng. (2004). A. (2005). PEREIRA. B. vol. (2003).net. Wind Hybrid Systems Technology Characterization. acessada em 22/04/2008. OLIVEIRA.. e MATSUURA. G.br/. (2002). “Revitalização do Sistema Híbrido EólicoFotovoltaico-Diesel de Tamaruteua.. home page http://www. PINHO. J. (2007).. SUJATMIKO.. PHOTON INTERNATIONAL (2007). “Motores e geradores”. (1999). F. HAMSICH. pp. Alternative Energy Institute. 2nd European PV-Hybrid and Mini-Grid Conference. disponível em http://www. S. E.. D.MUHIDA. US Reaches For Sun. N. Times Series of Modeling Hybrid Wind Photovoltaic Diesel Power Systems. T. NELSON. RÊGO. Vol. 5. VALE. B. J. Southwest Technology Development Institute. Global WindPower 2004 Conference and Exhibition. (1971). E. Chicago. PINHO. D. e VALE. Motores de Combustão Interna. RENEWABLE ENERGY WORLD (2006). “The 10 Years Operation of a PV-Micro-Hydro Hybrid System in Taratak. L. São Paulo USP. M. Solar Energy Materials & Solar Cells. Nº. Master’s Degree Thesis. 621–627. L. (2001). J. e VALE. “Wind Energy and Wind Turbines”. Comissionamento e Monitoração de um Sistema Híbrido Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. acessada em 01/02/2008.19.

H. S. ANCOECHEA. Apresentação feita em um encontro de especialistas patrocinado pelo MME. O. CRESESB/CEPEL. Vol. Coletânea de Artigos – Energias Solar e Eólica. e UHLEN. A. MEDEIROS. 13. J. Osaka. L. Boosting: The Potential of Hybrid Diesel/PV Systems in Existing Mini-Grids in the Brazilian Amazon”. A. A. P. R. 237–247. SILVA. Nº 2.. p. N.A. acessada em 22/04/2008. “Implantação de Sistema Híbrido para Eletrificação da Vila de Joanes (Pará)”. Projeto Final de Curso.REVISTA VIRTUAL TUDO SOBRE (2008). e VIEIRA. Anais do IV Congresso Brasileiro de Energia. SKARSTEIN. Volume 1. (2008). (1987).. SENTELHAS. P. M. vol. e ESTANQUEIRO. Sistemas Híbridos Fotovoltaico/Diesel sem Acumulação em MiniRedes na Região Norte do Brasil.. (2004). Wind Engineering. I. R... M. A. C. CUNHA. PROGENSA (Promotora General de Estudios. DE CASTELLET. L. LABSOLAR/UFSC. “Máquinas a Vapor e Motores a Explosão”. e NELSON. ARAÚJO. e NOÉ. 72–87.br. J. MONTENEGRO.adorofisica. 3rd World Conference on Photovoltaic Energy Conversion.. Editora UFSC/LABSOLAR. Rio de Janeiro.. M. RÜTHER. SODA-IS (2008). ROHATGI. S..pdf. J. A. M. R.com. L.com. F.br/ricardo/pos/Aula_01. West Texas A&M University. SCHMID. K. SODRÉ. e OLIVEIRA. A. SERRASOLLES. M. Referências Bibliográficas 133 . R. A. C. Recife. F. Instrumento de Software para Apoio à Pesquisa de Posse de Equipamentos e Hábitos de Uso de Energia Elétrica. Tejados Fotovoltaicos: Energía Solar Conectada a la Red Eléctrica. Edifícios Solares Fotovoltaicos: O Potencial da Geração Solar Fotovoltaica Integrada a Edificações Urbanas e Interligada à Rede Elétrica Pública no Brasil. A. “Design Considerations with Respect to Long-term Diesel Saving in Wind/Diesel Plants”. A. A. disponível em http://mea. (1994). RIBEIRO. São Paulo USP. (2003). “Notas de Aula da Disciplina Motores de Combustão Interna”. C. “SoDa: Services for Professionals in Solar Energy and Radiation”. acessada em 22/04/2008. Alternative Energy Institute. Centro Brasileiro de Energia Eólica.). “Guia de Projeto Elétrico de Centrais Eólicas – Projeto Elétrico e Impacto de Centrais Eólicas na Rede Elétrica”. M. S. J. pp. Dissertação de Mestrado. e RIBEIRO. J. S. R. Goiânia: UFG. R. disponível em http://www. J. (2003). (2004).p. Z. Wind Characteristics – An Analysis for the Generation of Wind Power. C. ROHATGI. (2004). (1989). e ROMEU.. V. H. (2005).soda-is. A. RÜTHER. informações/contato: http://www. (2004). SOARES. RÜTHER. “Describing Wind Speed Variations by Weibull Distribution for Energy Estimation”. Autogeração com Grupo Motor Gerador Diesel. R. “Cutting on Diesel. I. O. (2003). BEYER.pucminas. H. ROSAS.

Wind Energy Technology. ZILLES. WCPEC. Recommended Practice for Charge Controllers. 134 Tecnologias de Energias Renováveis . C. (1994).p. (1997). (1996). S. B.. MOSZKOWICZ. “Solar Energy Resource Assessment – Brazil”. Hawaii. WARNER.SOLARBUZZ (2008). S. e LYRA. Renewable Energy. acessada em 03/04/2008. Washington D. Belém: UFPA.. VALE. J. “PV-Hybrid Village Power Systems in Amazonia”. 27. (1997). USHER. C.. e JENKINS. Monitoração e Análise de um Sistema Híbrido Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade. S. Artigo aceito para publicação. M. N. H... e OLIVEIRA. L.. C. TAYLOR.. Campinas. John Wiley & Sons.br/ ArcFlash/ArtigoArcoEletricoLuizTomioshi.pdf.S. p. (2002). LEBOEUF.com/. B. G. (2008). São Paulo: Editora Edgar Blücher. “Wind Turbine Technology – Fundamental Concepts of Wind Turbine Engineering”. (2000). S. TAYLOR. M.com. “Estudo da Inserção de Célula a Combustível Integrada a Sistema Híbrido de Geração de Eletricidade Isolado”. A. acessada em 25/09/2007. GALLEGOS. R. 2º Workshop Internacional sobre Célula a Combustível. FRAIDENRAICH. disponível em http:// www. WALKER. XPS (2008). V.com. P. VALE./ Brazilian Renewable Energy Rural Electrification Project”. “Joint U. (1994). U. D.br.org. T. (2004). (1988). J. ASME Press. RIBEIRO. 25th PVSC. TOMIYOSHI.solarbuzz. International Energy Agency. acessada em 10/03/2008. P. MACÊDO. Dissertação de Mestrado.windpower. (2004). L. J. W. W. R. L. F. MOSZKOWICZ. XII Congresso Brasileiro de Energia – CBE. WINDPOWER (2007). C. E. F. J. “Geração Distribuída de Eletricidade com Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica (SFCRs): Aspectos Econômicos. Matemática Financeira Objetiva. PINHO.. F. TIBA. 383–400. disponível em http://www. N. 2. e PEREIRA. H. e VALENTE. Barreiras para sua Inserção na Matriz Elétrica e Ponto de Conexão”.xps. (1998). acessada em 08/04/2008. G. home page http://www. e BORBA. R. TAYLOR. N. e ROSS. J. Vol. W. H. “Solar Electricity Prices”. SPERA. K. Artes Gráficas. M. E. C. M.. ZENTGRAF. Report IEA PVPS T3-05.centralmat. M. Danish Wind Industry Association homepage. A. F. Vol.. R. disponível em http://www. D. Análise dos Motores de Combustão Interna. “Proteção Contra Queimaduras Por Arcos Elétricos – Nova Metodologia Para Cálculo De Energia”. BEZERRA.C. M.

S. DNAEE – Eletrobrás – Manual de Microcentral Hidrelétrica – Ed. T&C Amazônia. DI LASCIO. de C.). La calidad de vida y el desarrollo sustentable em la reciente reforma Constitucional.C. DARZÉ. Resolução. (Eds. Ano III. Navroz K. BRADLEY.S. “Pathways to rural electrification in India: are national goals also an international opportunity?” In: BRADLEY. Referências Bibliográficas 135 . Salvador: Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia. 20 de junho de 2005. Rob.S. BUSTAMANTE ALSINA. p.. DAKER. as responsabilidades. p. Rio de Janeiro. Growing the greenhouse: protecting the climate by putting development first. Eletrobrás. MARTINS. Scam Engenharia. 1996. LA Ley. TORRES. Janeiro de 2005. Washington. (2005). DECRETO Nº. Conjunto Moto-Gerador e Rede de Distribuição Rural para Suprimento a Pequenas Propriedades e Escolas Rurais”.A. M. Estabelece as definições. COSTA CAMPOS. Institui o Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica – “LUZ PARA TODOS” e dá outras providências. Entrevista com o autor. CORREIA. Dissertação (Mestrado em Administração). Número 6. Jorge. In: VII Congresso Brasileiro de Energia (1996: Rio de Janeiro). Rob. 1987.P. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Barros. 4. COLACCHI. Anais… Rio de Janeiro: ufrj. Elevação e Melhoramento da Água.873. DE 11 DE NOVEMBRO DE 2003. M. Suprimento Energético: Instrumento de Apoio ao Desenvolvimento Rural Sustentado. A. 17 de janeiro de 1995.: World Resources Institute.Pequenos Aproveitamentos Hidroelétricos ANEEL – Atlas de Energia Elétrica do Brasil BARROSO. A questão ambiental como um fator de desestímulo ao investimento no setor privado de geração de energia hidrelétrica no Brasil. Atendimento Energético a Pequenas Comunidades Isoladas: Barreiras e Possibilidades. A Água na Agricultura. José Evaristo da. D. J. 68–93. P. 2002. 1985 DUBASH. F. Captação. Panorama e alternativas para o atendimento energético de pequenos vilarejos isolados da Amazônia rural brasileira. BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL – Resultados Preliminares 2007. 1996. “Avaliação Econômica Comparativa entre Sistemas Solar Fotovoltaico. os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia. S. 117f. BAUMERT. Volume 2. 2005. CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. 23 de Janeiro de 1986. 509–518. L et al. E.. 2006. M. A. Kevin A. 2002. Tese de Mestrado do Programa de Planejamento Energético ppe/coppe/ufrj.

. P. E. CAMPOS. “Limits of the Turbine Efficiency for Free Fluid Flow”. Impactos Ambientais da Barragem de Tucuruí: Lições Ainda não Aprendidas para o Desenvolvimento Hidrelétrico na Amazônia. Florianópolis. L. Emissions from Braziliam Hydroeletric Reservoirs. Project bra/95/g31. T. N. agosto/2002. of Energy Resources Technology. ESTUDO de Impacto Ambiental – eia pch Penedo. 2004 JUCÁ. M. F. 3–4. 15. M. Indicadores do mercado de energia elétrica no estado do Amazonas. J. I. FONSECA. J. M. FELIZOLA. B. H. 136 Tecnologias de Energias Renováveis . C. v. MG. 2001 HARWOOD. Itajubá (MG): 2006. mct. P. MORAES-DUZAT. M. C. 36. R. E. Manaus-Amazonas: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (inpa).M. (2005). p. undp/eletrobrás... CARTAXO. A Hidrelétrica de Cotingo como um Teste do Sistema Brasileiro para Avaliação de Propostas de Desenvolvimento na Amazônia. 403–412. 2002. Manaus-Amazonas: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (inpa). A. nº 211. P.. 123. In: xiii Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. A Hidrelétrica de Samuel: Lições para as Políticas de Desenvolvimento Energético e Ambiental na Amazônia. A.O. Brasil: Anais inpe.. Análise do panorama regulatório nacional visando à inserção das mini e microcentrais hidrelétricas no mercado de energia... Gorlov. Itajubá-MG Brasil: Pch Notícias Shp News. Hydrokinetic turbine for isolated villages. R. C. vol. Vol.. R. dezembro/2004.F. “Gases de Efeito Estufa em Hidrelétricas da Amazônia”. L. DIAS HENRIQUES.ELS. J. agosto/2002. CAMPOS. BALDUINO. FIGUEIREDO. vol. A. MAROCCOLO. Augusto. R. Testes de um Gerador Hidrocinético Flutuante (Cata-água) em Rios da Amazônia Central: A Evolução Técnica do Protótipo e as Perspectivas para Instalações Futuras. Volume I. M. 2005. Silantyev. Universidade Federal do Amazonas. p. A. GORBAN. “Identificação de áreas potenciais para implantação de turbina hidrocinética através da utilização de técnicas de geoprocessamento”. 2549–2556. pp. sete – Soluções e Tecnologia Ambiental. R. FEARNSIDE.. 2004. p. SALOMON. FEARNSIDE. M. H. maio/2004. In: Primeiro seminário sobre atendimento energético de comunidades extrativistas – saecx 2004. R. FEARNSIDE. 19. FEARNSIDE. ASME J.. 2003 ELS. F. V. 21–26 abril 2007. Revista Ciência Hoje. “Protótipo de um cata-água que gera 1KW de eletricidade” Acta Amazônica. P. H. ManausAmazonas: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (inpa). Belo Horizonte. J. FERRARI. pnud reportagem. 311–317. Brasília: Ministério de Minas e Energia e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. nº. H. “Turbinas hidrocinéticas no Brasil”.24–25. Reference Report.R.. BARBOSA. M. 1985 HARWOOD. mimeografado.

DE 26 DE ABRIL DE 2002. Energias Renováveis Sustentáveis: Uso e Gestão Participativa no Meio Rural. OLIVER. de 20 de maio de 1971.J. S. On Line.br/secom/ nae/clima2. Rio de Janeiro: fevereiro. G. 2001. Núcleo Amigos da Terra. dispõe sobre a universalização do serviço público de energia elétrica. Perspectivas para a Eletrificação Rural no Novo Cenário Econômico Institucional do setor Elétrico Brasileiro. Tese de Mestrado do Programa de Planejamento Energético Ppe/coppe/ufrj. 2002. D. Sustentabilidade na Geração e Uso de Energia no Brasil: os Próximos Vinte Anos. Tese – Universidade Federal do Rio de Janeiro. MANUAL de diretrizes para projeto de pch’s. (2005). 2005 REIS. dnaee. Tese – Salvador: Universidade Salvador. Referências Bibliográficas 137 . Impactos ecológicos das represas hidrelétricas na bacia amazônica brasileira. Daniel.JUNK. Emissões de Gases de Efeito Estufa no Sistema Interligado Nacional: Metodologia para Definição de Linha de Base e Avaliação do Potencial de Redução das Emissões do proinfa. S. NETO.890-A. Mar 2005. Trabalho de Diploma.. et al. MIGUEZ. L. 2006. 2000. Disponível em https://www.2007. Itajubá/MG: Universidade Federal de Itajubá. F. M. “River current energy conversion systems: Progress. Renew Sustain Energy Rev (2007). W. J. C. e dá outras providências. NAE – Núcleo de Assuntos Estratégicos. de 25 de abril de 1961. de 5 de julho de 1973. KHAN. N. Turbina hidrocinética para comunidades isoladas na Amazônia: Aperfeiçoamento e adequação do uso de produto.planalto. J.016 LEI Nº.438. prospects and challenges”.04. KINPARA IOSHITERU. (2002). de 26 de dezembro de 1996. S. Rio de Janeiro: Eletrobras.V. 2002. M.1016/j. J. A. C. Brasil Energia. OLIVEIRA.427.991. A Aplicação dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – mdl em Projetos de Implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas – pchs em Sistemas Isolados no Brasil. a Conta de Desenvolvimento Energético (cde). Energia e Desenvolvimento Rural. unicamp. oi:10. cria o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). ORTIZ.gov. 10.899.htm. nº 3. Rio de Janeiro: coppe. M. Análise dos Acordos Internacionais sobre Mudanças Climáticas sob o Ponto de Vista do Uso do Conceito de Ética. dá nova redação às Leis nº 9.648. MUYLAERT. nº 9. recomposição tarifária extraordinária. Winrock International Brasil. nº 5. Dispõe sobre a expansão da oferta de energia elétrica emergencial. (2003). Porto Alegre. nº 5. JORNAL DO COMÉRCIO – Amazonas 13/12/2004.M. de 27 de maio de 1998. de MELO. J. Projeto: prisma Cachoeira do Aruã – Um Modelo Energético Sustentável. NUNES. nº 9. L. André.rser.655. de 24 de julho de 2000. 1999.. T.

Carbon Dioxide and Methane. M. Uberlândia. Porto Alegre: fevereiro de 2002. SANTOS. 138 Tecnologias de Energias Renováveis . SOUZA. H. Santos. SOUZA. V. SISAR. África do Sul: 26 de agosto a 4 de setembro de 2002. de. p. October 1999. G. Catálogo de Grupos Geradores Diesel. BORTONI. Rio de Janeiro: eletrobrás. M. L. “A Micro-turbina hidráulica Indalma: análise de suas características operacionais”. Itajubá – MG Brasil: Pch Notícias Shp News.. MARCUCCI. World Energy Council. NOGUEIRA. Dissertação de mestrado. outubro/2005. R. Energias alternativas: Desafios e possibilidades para a Amazônia. TIAGO FILHO. B. A. R. wec/fao. Artigo do V Simpósio Brasileiro sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas. G. Rio de Janeiro: 2000. RODRIGUES. Mativienko. 26. ROSA. Rio de Janeiro: coppe/ufrj 200 –. SANTOS. H. 2005 TIAGO FILHO. R. SANTOS.. C.P. J. M. 2006. da S. C. E. Energia elétrica renovável em pequenas comunidades no Brasil: em busca de um modelo sustentável. The of free-flow hydro turbines in Brazil. H. STEMAC Geradores. abril de 2006. Rosa.RELATÓRIO de apoio à iniciativa brasileira de energia. Greenhouse Gás Emissions from Hidropower Reservoirs and Water Quality.. de F. M. v.. Tese. MG: limiar – Engenharia Ambiental. P.G. 2006 X. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro.1999. 2003. F. Tese de doutorado. RELATÓRIO de Impacto Ambiental – rima pch Malagone. L. J. A. A. Centro de Desenvolvimento Sustentável 440 p. E. L. Análise da viabilidade de alternativas de suprimento descentralizado de energia elétrica a comunidades rurais de baixa renda com base em seu perfil de demanda. ano 7. F. TUNDISI. Tese. The challenge for rural energy poverty in developing countries. ROSA. Inventário das Emissões de Gases de Efeito Estufa Derivadas de Hidrelétricas. Joanesburgo. Rio de Janeiro: coppe. Renewables in Power Generation: Towards a Better Environment – Small-Scale Hydro.. 146 p. Z. O. L. A. Florianópolis – SC. SANTOS.9–10. E.Universidade Federal do Rio de Janeiro. – Centrais Hidrelétricas – Estudos para Implantação. Universidade de Brasília. Contabilização das Emissões Líquidas de Gases de Efeito Estufa de Hidrelétricas: Uma Análise Comparativa entre Ambientes Naturais e Reservatórios Hidrelétricos. cúpula mundial sobre desenvolvimento sustentável. WEC.A.

V.gov. Acesso em 04/05/2008. H.gov.br. K. http://www.biomax. Washington. Bridgwater. S. Editora da EFEI. W. Report 2EWAB01. J. http://www.G. Rio de Janeiro. Centrais Elétricas Brasileiras S/A – ELETROBRÁS.br Referências Bibliográficas 139 . The Netherlands..lippel.br Durand. Marques. Renewable and Sustainable Energy Reviews.com..br Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A – ELETRONORTE.S. Brammer. Acesso em 05/05/2008. A. 2001.gov. Bois et Forets des Tropiques.V. AG. CPL Press. www. London. P. M. Status of Gasification in Countries Participating in the IEA Bioenergy Gasification Activity.. www. www. 1984. Conservação de Energia: Eficiência Energética de Instalações e Equipamentos. www. M. Technical Manual TM 5-811-6. 1985. Higman. Drying and dried wood. & Hartley. Vol.br.mme. Interciência.Combustão e Gasificação de Biomassa Sólida Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA. http://www. Haddad.br Companhia de Eletricidade do Acre – Eletroacre.M. Department of the Army. 2002. Y. A. EWAB/Novem. p. E. U. Elsevier. & BROWN. Toft. N. Industrial e de Transporte. A. Biomass Technology Group.eln.br. pp. R. (eds). 1984. (207): 63–81.A. 2001. Lora.com.eletrobras.com.gov. J. 2004. – Eucalypts for wood production..eletroacre. Rio de Janeiro. Ministério de Minas e Energia – MME. Metodologia de Avaliação do Problema de Suprimento de Energia Elétrica em Comunidades Isoladas não Atendidas: O caso da comunidade de Maruja.J.26. S. Handbook: Biomass Gasification. Gasification. et al. E. www. Kwant. A.gov.br Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. 181–248. W. The Netherlands. Contribuition a l’etude de la determination des tables des séchage à partir dês caraetéres physiques du bois. Academic Press.W. e Silva. J. Knoef. Campbell. CBE. Electrical Power Plant Design.br Bridgwater. 322–7. 2003.aneel. Prevenção e Controle da Poluição nos Setores Energéticos. Itajubá-MG. Acesso em 05/05/2008. C. 2005. In: HILLIS. (1999) Fast Pyrolysis of Biomass: A Handbook. G. 2002. e Van der Burgt. et al.A.ada. A Techno-Economic Comparison of Power Production by Biomass Fast Pyrolysis with Gasification and Combustion. E. 6.biomachine. Macedo.com. www. Nogent-sur-Marne.

2001. R. P. M. Sonntag. Bajay. T. Lumberjack Resource Conservation and development Council. e Tudan. xxiii. An introduction to combustion : concepts and applications. p. simulation.B. Peterson. Reverté S. 2004. Taylor & Francis. J. E. Stahl. D. Gasification Technologies: A Primer for Engineers and Scientists. 140 Tecnologias de Energias Renováveis . R. Coal preparation for combustion and conversion: Gibbs and Hill. 852 p. Rossillo-Calle. e Cheremisinoff. Modular Biomass Power Plant Feasibility Study. Ushima. Värnamo Demonstration Plant. Boston: McGrawHill. N. Sydkraft Energy Group. 2001. 439 p.H. New York (USA). Espanha. New York: Wiley. Editora da Unicamp. D. The Biomass Energy Foundation Press. p. L. 3º Simpósio Internacional da VDI sobre Energia. M. The National Renewable Laboratory and The Biomass Energy Foundation. S. Gauer. xv.. J.R. p. Van Wylen. T. K. Editora. The Example of Brazil. et al. J. San Diego: Academic Press. Encyclopedia of Biomass Thermal Conversion. Eletrificação Fotovoltaica em Comunidades Caiçaras e seus Impactos Socioculturais. Rezaiyan. London. Reed. Geração de Energia Elétrica Distribuída a Partir de Gasificação de Biomassa. Solid fuels combustion and gasification : modeling. 2005. VDI. 2000. 2005.J. Inc. p.V. 2003 (epri-AF-791). 676 p. Bajay. Sweden. A.C. J. The combustion of solid fuels and wastes. Aire o Gas. H.A. 1975. 1991. Tese de Doutorado. xii. e S. Santos. Rothman. D.. 2001. W. G. B. 2008. Associação Técnica Brasil–Alemanha. Energía Mediante Vapor. Shapiro. Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo. J. New York: Marcel Dekker. Hothman.. Miles. 928 p. Turns. Serpa. Inc. Uso da Biomassa para Produção de Energia na Indústria Brasileira. and equipment operation. N. p. A. xi. S. São Paulo.. J. H. H. Rosillo-Calle.. 2005.. Reed. Degler. (McGraw-Hill series in mechanical engineering).: Wiley. F. 2003. Fundamentals of engineering thermodynamics. (eds) (2000) Industrial Uses of Biomass Energy. Phillips.. N.. P. S. 1994. H. Fundamentals of classical thermodynamics.E. Campinas – SP. Hoboken.. Severns. Taylor & Francis Group. xxv. 378 p. Tillman.Moran. e H. A survey of biomass gasification. F.

D. AMBLARD.. Dendeicultura no Brasil: diagnóstico. MACÊDO. R. Dendeicultura no Brasil – Diagnóstico In: X Conferência Internacional de Palma Eceiteira. J.. 231–236. Journal of Applied Polymer Science. RODRIGUES. Oil palm breeding program at Embrapa / Brasil. F. GROSSO. Mycoflora and aflatoxin/Fumonisin production by fungal isolates from freshly harvested corn hybrids. 2002. E. (1998). HASIRCI. Santa Marta. 24–29 maio.. 68 p. 95–128. A. 321–326. 24–29 maio. pp. Química orgânica.. Colômbia.A. 4. ALLINGER. R.. Fuel Processing Technology..P.. 18. Biomass & Bioenergy. R. 18 p. 95–100. E. L. C. S.1. Applied Science Publishers Ltd. 2000.. C. R. BARCELOS. n. HEINRICH. The effect of fatty acid content on water vapour and carbon dioxide transmissions of cellulose-based edible films. L. Santa Marta. used frying oil and tallow’.B. Trabalho apresentado na X CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PALMA ECEITEIRA. V.. Biotechnology and Bioengineering. 2001. E. Navarro.. Enzymatic Transesterification of Carbonates in Water Restrictes Environments. 1983. Food Chemistry. CORRÊA. Oct. Amores. N.M. ‘Catalytic production of biodiesel from soy-bean oil. v. AGARWAL. Juillet. JOHNSON. H. 32. Anuário Estatístico da Agência Nacional do Petróleo: 1990–1998. 1989. BARCELOS. 1995. DANTAS... 1995. v. M. p. V.. England.. Biotechnol v. G. Coleção Plantar. A cultura do dendê. SAWACAKI. 163–194.R. C. n. C. 1999. Franco. J. dos. A. Brasília..J. M. 1993.. TAVARES. de S. p. R... B. N. In: Advances in Biochemistry. C. LEBEL. do R.72..2. V. Brazilian Journal of Microbiology. Rio de Janeiro. F. E. BARCELOS. BARCELOS. MALLOZI.. Oléagineux. D. 515–527 . ALCANTARA. STEVENS. AYRANCI. v. 57. JONGH. Rio de Janeiro: Editora Guanabara. CHAILLARD. N.. ANP. 1992. Canoira. W. 1990.12–17. P. NUNES. Manaus: Embrapa – CPAA. SOARES. M. p.. KEESE. ANADA-PALMU. P. ALMEIDA. FATTORE. p. Glycerol.. 1993. H. C. Fidalgo. E. CUNHA. de.. M.58. Eng.. ANCILLOTTI. A. 1978. L. 149–156. SANTOS. (2000).. L. da. Colômbia. Num. AKIN. Brasília. v. E. Les carburants dérivés des huiles végétales et les difficultés relatives à leur utilisation dans les moteurs diesel. 23–174 p. W. C. Preparation and characterization of crosslinked gelatin microspheres. Embrapa – SPI. C. FAKHOURI.A. Referências Bibliográficas 141 .. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. BANDEL. E. S. 38.. Oxford. BORGES. N.. R. DF: Embrapa – CPAA. p. A. Filmes biodegradáveis. 2ª edição. CAVA. TUNC.Biodiesel e Óleo Vegetal in Natura ABRAMOWICZ.. 31.. n. 07. F. New York.P. M.. W.. D. L. M. M. n.. J.33..26. L.41. P. ‘Oxygenate fuels: Market expansion and catalytic aspect of synthesis’.. Vol.

p. E. QUINTELLA. YOONG. P. 1997. p. DARUS. Fermentation of Glycerol by Clostridium pasteurianum – Batch and Continuous Culture Studies. 23. 10.Z. M. JAOCS. SANTANA. Use of biotechnology in the production of single cell protein.. Lei 11.. 141–165 p.. v. Glycerol: a neglected variable in metabolic process? In: BioEssays. 52. pp. Amsterdam. and SCHNEIDER.A. 2005. 2006. Cadernos NAE / Núcleo de Assunto Estratégicas da Presidência da República nº 2.M. Immobilization of Lipase from Candida rugosa on Synthetic Polymer Beads for use in the Synthesis of Fatty Esters. BORMAN.S. Mycopathologia. W. K. Recuperação Secundária de Óleo Pesado e Completação de Reservatórios de Campos Maduros Utilizando o Subproduto (Glicerina bruta) da Produção do Biodiesel. 17–26. n. BORGES. 3º Lugar Prêmio PETROBRAS de Tecnologia.Monoacylglycerols. In: Journal of Industrial Microbiology & Biotechnology. Tecnologia de Recuperação de Petróleo. C. rac. p.. Malaysia. CAMPBELL. 34.N. BARZANA. Brasília.BARRE.M. A.M. ST-PIERRE. Plasticizer uptake by aqueous colloidal polymer dispersions used for the coating of solid dosage forms. O. A. 2000. AMPON. H. BASRI. M.M. Vol. 1178–1185.. S. BRASIL. A. Madrid: Mundi-Prensa e AMV. J.. 38 (2): 108–111.P. Enología: fundamentos científicos e tecnológicos. J. 14 jan 2005. v. E. Y. Dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira.P.66. 2005. PAERATAKUL. BODMEIER. Enzymatic Esterification of Glycerol II. S. 169–173. M. BERGER.. HUDSON. B.142. Biotechnology Bioengineering. SZEKELY. C. KAREL.L. W. Evaluation of the viability of pathogenic filamentous fungi after prolonged storage in sterile water and review of recent published studies on storage methods. October 1992. C. 2001. p.Catalyzed Synthesis of Regioisomerically Pure l(3). 152. pp. A. VOHL. P. 1996. Journal of Chemical Technology and Biotechnology.. 1989 BASIRON. MC. Brasília. SALMON. and SINSKEY. M. v. Lipase. RAZAK. A.097. JOHNSON. J. 1984.. Kuala Lumpur. M. BATT..T. ALMEIDA. K. Diário Oficial [da Republica Federativa do Brasil].A. DEQUIN.B.. D. E SALLEH. 17–20 October.. 274–315.M.W. BRISSON. Kuala Lumpur. 69.M.FEUILLAT. 534–542. Seção 1. BIEBL. 2001. D. p. BLONDIN. International Journal of Pharmaceutics. 1996. C. SABLAYROLLES.. M. 10.A.. M.V. 1995. R. v.S.. 27. LIMA.. 161: 361–368. YUNUS. A. M. de 13 de janeiro de 2005. TJ.M. In: FLANZY.. A.. La levadura de fermnetación alcohólica. Food Technology. GAUDET. The oil palm industry – from pollution to zero waste. v. 18–26.M. v. Enzymatic Oxidation of Ethanol in the Gaseous Phase. Biocombustíveis. In: 1st Global 500 Forum International Conference. 142 Tecnologias de Energias Renováveis . J. C. n.H. E KLIBANOV. A.

FELIPE. V. HIGGINS. L. GONZALEZ. Fatty Acid Esterification using Nylon Immobilized Lipase. Workshop MCT. J. Rodrigues. W. GONZALEZ. Ernani P. M. CLÁUDIO. R. Mudança do Clima. Wilma A. P. de O.fat. 1999. M. Juliana. Reaproveitamento do Rejeito de Transesterificação de óleo Vegetal: Glicerina. Microbiol. Lipids and biopackaging.. BRADDOCK. CARVALHO. ALMEIDA e SILVA. . 2007 CARVALHO.E. Q. n. Bioconversion of (+)-Limonene by Pseudomonas gladioli..E. CARVALHO. Instituto Militar de Engenharia.org. G.br/docs/11_alexandrecaldeira_glicerina. 10. Faculdade de Engenharia de Alimentos.D. P. Instituto Militar de Engenharia. Apr. 2006 CARVALHO. Foz do Iguaçu../Jun.. Referências Bibliográficas 143 . A. Rio de Janeiro. PASTURA. vol. 601–605.J. Disponível: http://www. P. E ZAIDI.. F. v. de and PASTORE.A. N. CARVALHO. 54(5). Reaproveitamento do Rejeito de Transesterificação de óleo Vegetal: Glicerina. J. IME. 2004. Ernani P. Rev.ppt CALLEGARIN.. 170–176. In: ICTR 2004 – Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável. Tese de Doutorado.M.. D. A. Aproveitamento da palha de cevada para obtenção biotecnológica de xilitol. J.A. 1995. Florianópolis. 48. CÂNDIDO. p.. J. Journal of Food Science.. VOILLEY. 1183–1192. M. F. J. E. ALEXANDRE. Journal of the American Oil Chemists Society.bdt. R.biodiesel. PARISH. II. C. 1241–1245.Cadernos NAE / Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. http://www.I. 2005. MOTA. p. nº 4. A. Elaboração e caracterização de filmes à base de gelatina modificada enzimática e quimicamente. K. 2006. v. Biotechnology and Bioengineering. G. IME. 30. Rio de Janeiro. Wilma A. 1997. nº 3. BORGES. 2005. FARIAS.. CANHOS.B. Brasília: Mudança do Clima. nº 2.B. Universidade Estadual de Campinas. OLIVEIRA. R. Chicago.P. Cadernos NAE / Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. G.. Campinas. GONZALEZ. E.M.br/publicações/politica/gtt/gtt10. 1989. Avaliação do Sistema Na/Nb2O5 na Transesterificação do Óleo de Soja para Produção de Biodiesel In Anais do 13º Congresso Brasileiro de Catálise – 3º Congresso de Catálise do Mercosul. 74. de. Iniciação à Pesquisa. G.. 2002.M. 2005 CADWALLADER. Estratégia Nacional de Diversidade Biológica – Microrganismos e Biodiversidade de Solos. GALLO. Brasília. Enhancement of gammalinolenic acid production by the fungus Mucor sp LB-54 by growth temperature .G. gov. DEBEAUFORT. PFC. p. vol. vol.G. A..R.L. GAINER. CALDEIRA. acessado em 26/01/2006 CARTA... Projeto de Final de Curso de Engenharia Química. Reações de Conversão de Glicerina a Intermediários Petroquímicos. CARVALHO.

coppe. 35. DHAVALIKAR. 72. Microbial transformations of steroids-A. Indian J. R. New York. 715–719. Biochem. H. 1967.. 24: 659–666. 3(3): 144–157. 71–92. 2002.. B.. Biomassa & Energia. glycerin and sorbitol. Biodiesel Production From Crude Palm Oil and Evalution of Butanol Extraction and Fuel Properties. A. S. P. R.. 1997. 8.CHA. DABBAH.. 1995 CHICK. S.. Combining the Technical push and the business pull for natural products.L. p. e ISHIZAKI.. P. G. E. BHATTACHARYYA. DIAS. IX. p. R. R.. COUTO. HERNANDEZ. BHATTACHARYYA. Biodiversidade: Perspectivas e Oportunidades Tecnológicas – A Disponível em: http://www.. K. S. Chicago: v.. Process. K. Physical. Berlim: Springer-Verlag. H. Indian J. 2004 144 Tecnologias de Energias Renováveis . & HERZOG.A. DIAS. CHOI. 1966. 1987.K. DHAVALIKAR. p.. 3. 3 (3): 158–164. J. M. Pathways of degradation of limonene in a soil pseudomonad. L. N. 94.S. Vias de valorização energética da biomassa. 1996. v. J. CHINNAN. p. DI LASCIO. RANGACHARI. Brasília: Ministério de Minas e Energia. 1–6.M..ufrj. DEHORITY. Antimicrobial films based on Naalginate and -carrageenan. Microbiological transformations of terpenes.A. Rumen Microbiology.. KOBAYASHI. MARCO A. 2001. J. COUTO. HANDBOOK. Biochemistry.. CHARNEY. N. p. 67. HIPOLITO. JL.. SONOMOTO.. 622–26. B. 37: 65–71 CUQ. therma and barrier characterization of caseinwaxbased edible films. Selected functional properties of fish myofibrillar protein-based films as affected by hydrophilic plasticizers. P. Universidade Federal do Ceará. P. CHERIAN. J. GONTARD. Cereal Chemistry. The Ohio State University. Washington. WELLER. WATZLAWICK. H.br/noticias/noticia000074.. GENNADIOS. D.planeta. Protein from microorganisms.N.. In: BERGER. Tecnologias para a Geração de Energia Elétrica a partir da Utilização de Biomassa Líquida ou Sólida: Vantagens e Desvantagens. Thermomechanical behavior of wheat gluten films: Effect of sucrose. Lebensmittel-Wissenschaft & Technologie. 1966. 1. Biochem. S.. D. n.G. Journal of Food Science. A. 171: 501–505. B. Influência de diferentes cepas de levedura e mostos na formação de compostos voláteis majoritários em vinho de caju (Anacardium ocidentalle. 2002. 1970. Junho.F.html. J. L. 1997. G. CUQ. L. 1: 1–49 . 1073–1079. Primeiro Seminário Atendimento Energético de Comunidades Extrativistas – SAECX’2004. v. n. 1.. S. Food Technology. R. S. Journal of Agricultural and Food Chemistry. 125 p. GUILBERT. London.. Dissertação de Mestrado em Tecnologia de Alimentos.. F. 2004. P. n. PARK. CRABBE.C. C. CHINACHOTI. C. J.L. v.45. v. CHEETHAM. Fortaleza. Biotechnology of Aroma Compounds. CÂMARA.

L... RANSAC. v. O.DINIZ. RAMIRO. Motores de combustão interna. Glicerina bruta obtida na produção de biodiesel pode ter muitas aplicações. Entrevista a Luiz Pereira Ramos (CEPESQ-UFPR). A. B. 1977. 502. GONZÁLEZ-MARTÍN M. 27–40. BUONO.. W. Japão. 2007.S. EGLOFF. Thermodynamic characterization of a regenerated activated carbon surface. F. GONZÁLEZ-GARCÍA. J. “Lipase production by immobilised Rhizopus arrhizus”.X. FEBS Lett.asp ELIBOL. G. Acesso em: 19 fev. spécificités et aspects structuraux. Vol. Engineering of/with lipases. Escritório de Negócios da Amazônia – ENA/ETT e Ministério da Integração Social. F.go. 343–356.. Informe de Mercado–Sistemas isolados Norte. 2000. p. (Ed. Disponível em: http://cienciahoje. 2002. v. biochemical properties and three-dimensional structure. In: Malcata. G. 2005.eletrobras. VERGER. Preparation of extracts of culture liquids for gas-chromatographic determination of non-acidic fermentation products. 19 out. DUBOIS. J. 31.E. 1. DOELLE.aist.). Volume 32(1).G. Enzyme Microbiology Technology.cgi Referências Bibliográficas 145 . http://www..W. C. Estudo sobre o uso de óleos vegetais como combustível para motores diesel – Relatórios nºs: 1 (jullho/80). São Paulo: Editora da Escola Politécnica da USP 1968. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers. DORDICK. CAMBILLAU.. Embrapa Amazônia Ocidental – CPAA. EMBRAPA – Seminário “A cultura do Dendê: aspectos gerais e importância para o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel”. F.L. GARCIA. MARGUET.. VAN TILBEURGH. 89–92. JAEGER. DIPROD/CENPES/PETROBRÁS. 1995. Antonie van Leeuwenhoek.. DIJKSTRA.com. Process Biochemistry 36. 2 (fev. Applied Surface Science. Ciência Hoje Online.. G.. H. M. Revue Française du OEnologie.. 194–211. DOMSCHKE. EGGERT T.. 2005.. C. P. K. p. J. M. Disponível: http://www. p. M. Effect of primary metabolites on secondary metabolism. 1994. 11..br/EM_Atuacao_SistIsolados/default. 42–231 p. Les aromes dês vins et leur défauts. 373–380...uol. GONZÁLEZ. VAN POUDEROYEN. ROGALSKA. Enzymatic Catalysis in Monophasic Organic Solvents. 1966. NationalInstitute of Advanced Industrial Science and Technology (AIST). D..jp/RIODB/ SDBS/cgi-bin/cre_index. E.. M. J. com.W. S. BRUQUE.. 2005. A. R. H. 2001. ÓZER. v. P. 191: 166–170. M. p./81) e 3 (julho/83). v.. Les lipases: cinétiques. ELETROBRÁS. SABIO. A. Annual Review Microbiology. Lipolytic enzymes LipA and LipB from Bacillus subtilis differ in regulation of gene expression. E. ENCINAR. S. 145. DREW. DEMAIN.br/controlPanel/ materia/view/3973. 219–223. 1989. ESPECTRAL DATABASE FOR ORGNICS COMPONDS SDBS.

n.. A. GOLDEMBERG. p. A. Brasília – Distrito Federal. FREIRE.P. Brasil. PASTURA. 2007 GONTARD. RODRÍGUEZ. Biotransformation in Organic Chemistry: a Textbook. 2002. L. J. E. VILLANUEVA D.. Waste Management (2006)..L.A. . GANCEDO. V. J. Berlin. Disponível em: www. C. L..R. GARCIA-SILVA M. ARNOLD. 24.1997 GONÇALVES.M.T. VILAR.M. 6. p.19. R. P. Influência da temperatura nas transformações dos produtos do craqueamento térmico do óleo de soja Hidrogenado em Hidrocarbonetos – apresentado no 1º Encontro Regional de catálise. I.L. B. K. 30. Bras.C. . 487–494. Editora Acribia S. N. R.G. 132pp. Produção de plásticos biodegradáveis por bactérias. 2000. Boletim de Pesquisa.. P. 507–529. W.com/ChemProfiles/ Glycerine. pp. BUENO NETTO. Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto. FERNANDES. FRAZIER. C. Rev. S. 12. BORDADO. C.N. Revista Brasileira de Engenharia Química.FABER. Belém: CPATU. Dissertação de Mestrado. GUILBERT. PINTO. 48–56. D. BULTER. P. 198).htm. São Paulo. 1996. Biogasolina: Produção de Éteres e Ésteres da Glicerina Artigo apresentado no II Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel. Fac. FLORES.R. MOTA.C. Luz Energia. R. C. 146 Tecnologias de Energias Renováveis . L. 2000. 17. P. Current Opinion in Biotechnology. Meio Ambiente & Desenvolvimento. 81(1/2). p. Ciência e Tecnologia de Alimentos SBCTA..C. EDUSP. M. 1. 1978. T.. FARINAS. D. Germany: Springer-Verlag. S. p. Directed enzyme evolution. GLYCERINE. BERKEMEIER. v. M.A. C. . T. BOTELHO. J. 22 p (Embrapa-CPATU. 545–551. v. MENDES. M. PETIT. Campinas.. CASTILHO. v.. MUSGUEIRA. e NUNES. v.F. Ribeirão Preto. TIMM. Production of Biodiesel from Waste Frying Oils. 2001. FELIZARDO. Penicillium corylophilum Dierckx: atividades antimicrobiana e antichagásica de extratos brutos e metabólitos secundários isolados. W. Lipases produzidas por fermentação submersa e em meio sólido. In: FEMS Microbiology Reviews. Resíduos da agroindústria do dendê: caracterização e equivalência em fertilizantes..J. 1998. 0. F. G. 26.24–29.J. Farm. RAPOSO. WESTHOFF. 2ª edição revista. 2000.. N.H. Microbiologia de los Alimentos. . SILVA. USP.. FERREIRA. C. v. J. 2000...G. Carbohydrate and energy-yielding metabolism in non-conventional yeasts. J.the-innovation-group. CL. Salvador (1986). 2003 GOMES.M.C. Acessado em: 18 de agosto de 2006. Bio-packaging: technology and properties ofedible and/or biodegradable material of agricultural origin. CORREIA. n. 3–15. 4ª ed.

W. The Rumen Microbial Ecosystem. R. P. Preparação e caracterização de poliésteres aromáticos a partir do glicerol.. GUIMARÃES. Brasília – Distrito Federal.N. JOSÉ. 31 de agosto e 1 de setembro. HARTLEY. São Paulo.. Foz do Iguaçu. HAK-JOO KIM. FIÚZA. F. “Zoneamento da Amazônia: uma visão crítica”. W. Brasil. STEWART. pp. DEOG-KEUN KIM.. 16. v. 13. 1988. (Secretaria de Estado da Indústria). Inform. Manaus. In: Industrial Bioprocess v.. H.. J..GONZALEZ. Ciência e Tecnologia.M. BOAVENTURA. BA.biodiesel. HOBSON. pp. S. L.G. G. 2005. Brazil. S. A.22 (4). gov. 15 a 19 de Novembro de 2006. Biochemistry and physiology of xylose fermentation by yeasts. H.. Biodiesel de dendê: Desenvolvimento sustentável em defesa da Amazônia. C. W. J. In: Enzyme and Microbial Technology. Referências Bibliográficas 147 . JEPPSSON. E WAGNER.A. PRADO. 1994. 1982. SKOOG. Artigo apresentado no I Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel.. K.. “Transesterification of vegetable oil to biodiesel using heterogeneous base catalyst” Catalysis Today 93–95 (2004) 315–320 HARTMAN. PASTURA. São Paulo: Comercio. a giant in the Soybean industry.. publ. nº 46.. HAUMANN.25/07/1991. 17º CBECIMat – Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais. 3–5.. pgs.). 719 p. P.. WYPYCH. 2. N. N. BO-SEUNG KANG. SATYANARAYANA. co-produto da produção de biodiesel e ácido ftálico. 1995. B. MIN-JU KIM. M. v. L. M. Estudos Avançados.pdf GUTBERLET. 6: 900-909. L. Tropical Agriculture Series. M. New York: Longman Group UK. RAHKILA. GONZALEZ.RAMOS. YOUNG MOO PARK. 2nd edition. M. 16. BRIOUDE. Tecnologia de óleos e gorduras vegetais. HEIKKILÁ. 2006. v. Preparo de Compósitos Biodegradáveis a Partir de Fibras de Bananeira Plastificadas com Amido e Glicerina Bruta Derivada da Alcoólise de Óleos Vegetais. W. Process for the Simultaneous Production of Xylitol and Ethanol. Microbial glycerol.E. Ministério da Defesa.F. HOLLAND.R.ed. K... VILJAVA. London: Blackie Academic & Professional. 1992. Brasil. HAHN-HÄGERDAL. Organic Synthesis With Oxidative Enzymes. JIN-SUK LEE. ESTEVES. Diagnóstico da Viabilidade Técnica de Utilização dos Óleos Vegetais Brasileiros como Combustível / Lubrificante. 933–943. W.P. H. L. 692–780 p. A. 29–39 HESTER.. H. 2000. A. Informativo do INT.S. C. HERNANI DE SÁ FILHO ET ALLII. L. HYÖVY. D. BORGES. Weinheim: VCH.. 12(22).. PR. 1997.L. The oil palm (Elaeis guineensis Jacq.A. Disponível em: www. dez 2002.P. L. D. BARRERA-ARELLANO. J.br/docs/congresso 2006/Co-Produtos/PreparoCompositos6. et al. KWAN-YOUNG LEE. Série Tecnologia Industrial. Biodiesel de Dendê. Champaign. PRIOR. GUIMARÃES. T. SARKKI. maio/ agosto de 1979. L.. B. S. WO patent 91/10740. 169 p. A.

. F.. WAKITA. 2002. JENVANITPANJAKUL.1 – New Uses of Gycerol. IBP. ATTANATHO. Candida glycerinogenes. E. 148 Tecnologias de Energias Renováveis . “Transformação de Ácidos Graxos em Hidrocarbonetos” Tese de Mestrado. 16. FANG. Y. KOCH. 477–489. Weinheim: VCH. S. IEA/EET. E. REETZ. In: Biotechnology Letters v. Elsevier Applied Science. 1982. 116. G. H. In: Food Gels. P. 5167–5178. org/archives/am2006/techprog. p... 2001. New plasticizers for wheat gluten films. IRISSIN-MANGATA. v. KITIYANAN. p.15.HORTA Jr. B. F.. O. JIN. B. v. 37. In: Ullmann´s Encyclopedia of Industrial Chemistry.. Peter Harris. J.. FERRATO. KATHAGEN. Biofuels for transport: an international perspective. 18. São Paulo – Brasil. SHIMIZU. M.aocs. RANSAK. J. R. A. ASAKO. 2001. M.O.. 61–66. 311–314.asp. 442 p. Curso de informação sobre combustíveis e combustão. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. JITPUTTI.. T. W. DIJKSTRA. BAUDUIN. Rio de Janeiro: IBP. Disponível em: <http://www. Departamento de Engenharia Química. Chemical Engineering Journal (2006). L. Projeto Prodes. K.. BANNO.. JAEGER. K. RANGSUNVIGIT. and production of methyl (S)-4-bromo3-hydroxybutyrate. pp.. A. Ch.. J. 66: 53–62. ITOH. 396–403. T. 1533–1541. 1989. p. br/prodes/index. SHAHIDI. INPE. Trends Biotechnol. p.. M. N. v. Microbial lipases form versatile tools for biotechnology. London. F. 1994. Paris. p.inpe. 2003. pp.obt. G. comunicação ao CGEE. Acesso em 12 de setembro de 2006.. 1998. Rev. P. with different O2 supplies. H. 7.. C. Purification and characterization of NADPH-dependent aldo–keto reductase specific for β-keto esters from Penicillium citrinum. 152 p. 50. J. KAMIL. M. BUNYAKIAT. Appl Microbiol Biotechnol. INOUE. ZHUGE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.. 2004. By-product formation by a novel glycerol-producing yeast. MAKINO. V.. 25. v. GONTARD. Dissertação de Mestrado. maio 2004. Bacterial lipases. L. H.. Instituto Militar de Engenharia – defendida em 1994. Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite.. European Polymer Journal. B. Glycerol. JACKOBSON. SHINOHARA. Estudo da influência da concentração e dos componentes do óleo de soja sobre a produção de salinomicina. N. 2004. IEA. KLATT. p. 233–289. Journal of Agricultural and Food Chemistry. K. JEON. K. DAIRI.html>. Disponível em: www. FW. 1990. JAEGER. Industrial Oil Products Program: IOP 3. Transesterification of Crude Palm Kernel Oil and Crude Coconut Oil by Different Solid Catalysts. 29–63... Chitosan as an edible invisible film for quality preservation of herring and atlantic cod. Gelatin. Whashington. H.. Y. BOUTEVIN. FEMS Microbiol. v. Y. JOHNSTON-BANKS. B. n.

JONES, J. B.; WONG, C-H. Biocatalysis and Biotransformation. Exploiting Nature’s Magic, Curr. Op. Chem. Biol., v. 2, p.67–89, 1998. JOSHUA & KAIA TICKELL. From the Fryer to the Fuel Tank. 2nd. Edition. Sarasota, Fla., USA: GreenTeach Publishing, 1999. KALTNER, FRANZ JOSEF. Geração de Energia Elétrica em pequenas comunidades da Amazônia, utilizando Óleo Vegetal “in natura” de espécies nativas como combustível em motores diesel. Primeiro Seminário Atendimento Energético de Comunidades Extrativistas – SAECX’2004. Brasília: Ministério de Minas e Energia, Junho, 2004. KARINEN R. S., Krause, A. O. I.; ‘New biocomponents from glycerol’, (2006), Applied Catalysis A: General, 306; 128–133 KARMEE, S. K. e CHADHA, A. Preparation of biodiesel from crude oil of Pongamia pinnata. Bioresource Technology, 2005; 96: 1425–1429. KIESLICH, K.. Terpenoids In: Biotechnology: A Comprehensive Treatise in 8 volumes. Introduction. Verlag Chemie. K. Kieslich Ed., Capítulo 4, p.97–125, 1984b. KLEPACOVA, K., MRAVEC, D., BAJUS, M.; ‘Etherification of Glycerol with tert-butyl alcohol Catalysed by ion-exchange Resins’; (2006); Versita – Chemical Papers; 60 (3); 224–230. KLEPACOVA, K., MRAVEC, D., BAJUS, M.; ‘Tert-butylation of Glycerol Catalysed by ionexchange Resins’; (2005); Applied Catalysis A; 294; 141–147. KLIBANOV, A.M. Improving enzymes by using them in organic chemistry. Nature. v. 409, n. 6817, p. 241–246, 2001. LEITE, L. C. B., “Estudo da Descarboxilação Catalítica de Ácidos Carboxílicos” Tese de Mestrado, Instituto Militar de Engenharia – defendida em 1996 LIMA, P. C. R. “Biodiesel e a inclusão Social”. In: Consultoria Legislativa. Câmara dos Deputados, Brasília: 2004. 33 p. LIU, Z. L.; SLININGER, P. J.; DIEN, B. S.; BERHOW, M. A.; KURTZMAN, C. P.; GORSICH, S. W. Adaptive response of yeasts to furfural and 5-hydroxymethylfurfural and new chemical evidence for HMF conversion to 2,5-bis-hydroxymethylfuran . J Ind Microbiol Biotechnol, 31: 345–352, 2004. LOMBORG, B. Global crises, global solutions. Cambridge: Cambridge Univ. Pressed, 2004. LÓPES, FD; REVILLA, JLG; MUNILLA, MH. Glicerol. In: Manual dos Derivados da Canade-Açúcar: diversificação, matérias-primas, derivados do bagaço do melaço, outros derivados, resíduos, energia. Brasília: ABIPTI, cap. 5.4, pp. 393–397,1999. LUYTEN, K.; ALBERTYN, J.; SKIBBE, W.F.; PRIOR, B.A.; RAMOS, J.; THEVELEIN, J.M. and HOHMANN, S. Fps1, a yeast member of the MIP family of channel proteins, is a facilitator for glycerol uptake and efflux and is inactive under osmotic stress. The EMBO Journal, 14, pp. 1360–1371, 1995.

Referências Bibliográficas

149

MALI, S.; OLIVATO , J. B.; GROSSMANN , M. V. E. Efeito de embalagem biodegradável de amido no armazenamento de queijo processado. Seminário Ciências Agrárias, Londrina, v. 27, n. 1, p. 81–88, jan. /mar, 2006. MALI, S.; SAKANAKA, L. S.; YAMASHITA, F.; GROSSMANN, M. V. E. Water sorption and mechanical properties of cassava starch films and their relation to plasticizing effect. Carbohydrate Polymers, Barking, v. 60, p. 283–289, 2005. MARTINEZ, M.; TORRANO, E.; ARACIL, J. n Analogue of Jojoba Oil. A Statistical approach. Industrial Engineering Chemistry Research, v. 27, p. 2179–2182, 1988. McCABE, E.R. Disorders of glycerol metabolism. In: The metabolic bases of inherited discase, 7ªed. New York: McGraw-Hill Book Co. pp. 1631–1652, 1995. MENEZES, J. A. de S.; Terceiro ciclo industrial no Amazonas: contribuições do óleo de dendê como insumo energético (biodiesel e oleoquímico). Manaus: Governo do Estado do Amazonas, 1995. 226 p. MINATO, Max Yukio. Aproveitamento da Glicerina, 2004. PIBIC/CNPq/IME MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Resolução ANP nº 42, de 24 de novembro de 2004. Estabelece a especificação de biodiesel. Agência Nacional de Petróleo, Brasília. Disponível em: http://www.biodiesel.gov.br/docs/Resolucao_42.pdf. Acesso em: 01 dez 2006. MIZRAHI, M. A. “Reação de Descarboxilação de ácidos Graxos sobre zeólitas modificadas ou não por Lantânio”. Tese de Mestrado, Instituto Militar de Engenharia – defendida em 2000 MORETTO, E.; FETT, R.; Óleos e gorduras vegetais – processamento e análises. 2ª edição. Florianópolis: Editora da UFSC, 1989. 179p MORETTO, E.; FETT, R. Tecnologia de óleos e gorduras vegetais na industria de alimentos. São Paulo Varela 153 p., 1998. MORIMOTO S, HIRASHIMA T, OHASHI M. Studies on fermentation products from aldehyde by microorganisms: the fermentative production of furfural alcohol from furfural by yeasts (part II). J Ferment Technol, 46: 276–287, 1968. MORIMOTO S, MURAKAMI M.Studies on fermentation products from aldehyde by microorganisms: the fermentative production of furfural alcohol from furfural by yeasts (part I). J. Ferment Technol, 45: 442–446,1967. MORRISON, LR. Glycerol. In: Encyclopedia of Chemical Technology. New York: Wiley, pp. 921–932, 1994. MULTON, J. L. L’EMBALLAGE des denrées alimentaires de grande consommation. Technique et documentation. France, Lavoisier, Apria, p. 320, 1989. NAM, J., KIM, H.,KWON, J., HAN, M.Y., SON, K., LEE, U.C., CHOI, J. and KNOW, B. 8-O-Methylsclerotiorinamine, antagonist of the Grb2-Sh2 domain, isolated from Penicillium multicolor. J. Nat. Prod., v. 63, p. 1303–1305, 2000.

150

Tecnologias de Energias Renováveis

NASCIMENTO, Ademar Nogueira do & NOGUEIRA, Jurandyr Santos. Avaliação técnica e econômica do óleo de dendê para a geração de eletricidade no interior da Bahia. Relatório de Projeto CEPEL/ELETROBRÁS / UFBA. Universidade Federal da Bahia (UFBA), maio/2000. NASCIMENTO, M. da G.; ZANOTTO, S. P.; MELEGARI, S. P.; MORAN, P. J. S. Estudos de proteção da célula de Saccharomyces cerevisiae para utilização em reações de redução em meio orgânico. Quim. Nova, Vol. 25, No. 4, 567–571, 2002. NETO, P.R.C., ROSSI, L.F.S., ZAGONEL, G.F., e RAMOS, L.P.. Produção de Biocombustíveis Alternativo ao Óleo Diesel Através da Transesterificação de Óleo de Soja Usado em Frituras. Química Nova. 2002; 23: 1–15. NEVOIGT, E; STAHL, U. Osmoregulation and glycerol metabolism in the yeast Saccharomyces cerevisiae. FEMS Microbiology Reviews, v. 21, p. 231–241, 1997. NOMA, Y.; YAMASAKI, S.; ASAKAWA, Y.; Biotransformation of limonene and related compounds by Aspergillus cellulosae . Phytochemistry, 31(8), 2725–2727. 1992. NOIRET, M.; WUIDART, W. Possibilities for improving the fatty acid composition of palm oil – results and prospects. In: International Developments in Palm Oil, 14–17 June. Kuala Lumpur; Malaysia: 1976; Kuala Lumpur: 1977; 39–57 p. OLIVEIRA, D.; ALVES, T.L.M. A Kinetic Study of Lipase Catalyzed Alcoholysis of Palm Kernel Oil. Applied Biochemistry and Biotechnology, v. 84–86, p. 59–68, 2000. OLIVEIRA, L. B.; COSTA, A. O. Biodiesel: uma experiência de desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: IVIG/COPPE/UFRJ. [2004]. Disponivel em: http://www.ivig.coppe.ufrj. br/ doc/biodiesel.pdf. Acesso em: 26 fev 2005. ONISHI, H. Osmophilic yeast. In: Advances in Food and Nutrition Research v.12, pp. 53–94, 1963. OUGH, C.S. Tratado básico de enologia. Zaragoza: Acribia, p. 294, 1996. PAVIA, D.L.; LAMPMAN, G. M.; KRIZ, G.S. Introduction to spectroscopy a guide for students of organic chemistry. 2nd Ed. , 1996. PELCZAR, M., REID, R e CHAN, E. C. S. Microbiologia. Ed. McGraw-Hill, São Paulo, vol 1, 1980. PEREIRA, R. S. Projeto e Construção de um Bioreator para Síntese Orgânica Assimétrica Catalisada por Saccharomyces cerevisiae (Fermento Biológico de Padaria). Química Nova, v. 20, n. 5, p. 551–554, 1997. PÉROVAL, C.; DEBEAUFORT, F.; DESPRÉ, D.; VOILLEY, A. Edible Arabinoxylanbased films. 1. Effects of lipid type on water vapor permeability, film structure and other physical characteristics. Journal of Agricultural and Food Chemistry. Washington, v. 50, n. 14, p. 3977–3983, 2002. POPPE, J. Gelatin. In: Thickening and gelling agents for food. New York: Ed. Alan Imenson, Blackie Academic & Professional, Ch. 7, p. 144–168, 1997.

Referências Bibliográficas

151

Anais do XVII Simpósio Ibero-Americano de Catálise. SCHNEPE.S. REHM. Projeto de fim de Curso de Engenharia Química – Instituto Militar de Engenharia (1982) ROBRA. VALENÇA. P. RAMADHAS. OLIVEIRA. n. E. 1999. Physical characteristics of emulsified soy protein-fatty acid composite films.. C.A. 152 Tecnologias de Energias Renováveis . item “Literature”). p.. . v.br/programa. Disponível em: www. São Paulo. 2001. v. ROBERTO. R.S. F.T. FERREIRA. M. G.. M. Porto – Portugal. P. JAYARAJ. RIBEIRO. VITOLO. J. B.anvisa. Microbial production of glycerol and other polyols. M. Acessado em 10/12/2007. Fuel.gov. E. CGEE. Disponível em: <http://www. S. 26. REP.pdf RODRIGUES. Resolução nº 386 de 5 de Agosto de 1999. REINHOLD METZLER.S. v. MARTINS. Disponível em: www. Y. In: Biotechnology vol. (2000). pp. Programas Nacionais de Produção e Uso de Biodiesel.PRADELLA. P.R. vol. GONZALEZ. F. Paris. 2.. Batch xylitol production by Candida guilliermondii FTI 20037 from sugarcane bagasse hemicellulosic hydrolysate at controlled pH values. Nov.. J. O. 52–64. Disponível em: www.. M. 2004. pp. G. FELIPE. Energia para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.. Usos alternativos para a glicerina proveniente da produção de biodiesel: Parte 2 – Geração de biogás.C. P.gov.br/docs/congressso2006/Co-Produtos/ UsosAlternativos12. A . 145–150. F.V. Reduções enantiosseletivas de cetonas utilizando-se fermento de pão. biodiesel. I.A. 2006. biodiesel. M.. 1999. Sciences des aliments. A.. R. p. M. Acessado em 20 de julho de 2006. M.P. 2003./Dez. Biodiesel Production Form High FFA Rubber Seed Oil. nº 1.. S.S.J. Fontes Alternativas de Energia – Óleos Vegetais – Hidrogenação. SILVA. H. L.G. S. 1988. 1–6.L.htm. Lipases as practical biocatalysts. W. 6B. 57–71. HOHMANN. SILVA. nº 6. W. THEVELEIN. M. Report for Project Purghère.html#seccaoobjetivos>. Nova. ALBERTYN. Biopolímeros e Intermediários Químicos.com. A.br/arquivo/sti/publicacoes/ futAmaDilOportunidades/futAmazonia_05. ”Avaliação de catalisadores a Base de Nb2O5 na Descarboxilação de Ácido Esteárico”. SILVA..C.M. L. José Geraldo da Cruz.gov. 715–727. (Ver http://www.pdf .C.desenvolvimento. RODRIGUES. Small Lister Type Diesel Engines of Indian Origin – Their long term performance on plant oil as fuel and ways to improve their reliability. Different signaling pathways contribute to the control of GPD1 gene expression by osmotic in Saccharomyces cerevisiae. REGUERA. WU. J. In: Microbiology. REETZ. WELLER. BA. October 1995. Belém: 2000. 24. 19. 893–897. M. Curr Opin Chem Biol. SANTOS. e MURALEEDHARAN. Quím.R. J. v. 145. MORAN. pp. RHIM. PRIOR.B. H. p... JM. 6. P. NUNES. Special microbial process.jatropha. (2002). Capturado em 26 de setembro de 2005. Weinheim: VCH.gov.br/alimentos/ aditivos_alimentares.A. 2005. J. I. ROCHA. 103–107. S. Bioprocess and Biosystems Engineering. da CRUZ..

In: ODA. p.St. Journal of Agricultural and Food Chemistry..) Biosafety of transgenic organisms in human health products. 48. Leila M. J. F. 6. 149p. Paul. Paradigma biotecnocientífico e paradigma bioético. BANERJEE. 2000. Industrial biocatalysis today and tomorrow. R. São Paulo. H. 2001 SHIRAI. C.. 2004. Metabólitos Secundários de Penicillium corylophilum Dierckx: Isolamento.. Efeito da relação glicose: xilose na bioconversão de xilose em xilitol por Candida guilliermondii em hidrolisado de bagaço de cana-de-açúcar. D.. M.N. K. v. 299. PEREZ-DIAS. 2850–2852.. MONGE. SHIH. 1997. 5613. SANTOS. SILVA. Elaboração e caracterização de biofilmes a partir de gelatina reticulada. K. 2023–2027.. Tese de Doutorado. Depósito de patente INPI sob nº PI0604222-8. 19.Y. Elucidação Estrutural e Verificação da atividade Biológica. RA. Science. nº 3.178. characterization. 284. B. D. F.. M. v. 85–107.S. J. C. 1996. Fermin R. v. Dept. v. n. C. Biotechnol Adv. Referências Bibliográficas 153 . HAUER. Lipases and alpha/beta hydrolase fold. WUBBOLTS. SALLEH.D. SCHWARTZ.. Methods Enzymol. et al. 1996. 91. n. SCHOEMAKER. 390–394. PLA.M. SANTOS.G.B. Rio de Janeiro. Physical properties of shark gelatin compared with pig gelatin. M. em setembro de 2006. Journal of Applied Microbiology. DORDICK. 101 pp. Y. A. p. A. Edible films from rice protein concentrate and pullulan..E. 597–601. Nature.A.. SHARMA. M.. 258–268. CYGLER. and applications of lipases. 6. WUBBOLTS. NOMBELA.. n.. 2001. M. (ed. SCHMID. p. p. The mitogen-activated protein kinase homolog HOG1 gene controls glycerol accumulation in the Candida albicans. MINK. CHISTI.. C. Dispelling the Myths Biocatalysis in Industrial Synthesis. p. v. Cereal Chemistry. Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial.S. U. 406–409.C.. BASRI.. A lipase from a newly isolated thermophylic Rhizopus rhizopodiformis.C. M. SCHRAG. 1996. Processo para a Produção de um Derivado de Ácido Linoléico por Biotransformação de Co-Produtos de Biodiesel. v. 73. Word J Microbiol Biotechnol.D.. A. Washington. W. pp. 2004. 6817. B. Dissertação de Mestrado. SCHRAMM.M. 2001.Z. 409. R. KIENER. Instituto Militar de Engenharia. In: Journal Bacteriology.A. SARMENTO. C. M. Faculdade de Engenharia Química de Lorena. roduction. A L. C. The life and works of Louis Pasteur. C. AMPOU. Rio de Janeiro: FIOCRUZ. 1990 SAN JOSÉ.V. 1999. Dissertação de Mestrado. J.. de Biotecnologia. RAZAK. YUNUS. Universidade Estadual de Campinas.SAMAD. Lorena. 627–662. purification. Campinas.. Faculdade de Engenharia de alimentos. WITHOLT. 2003. 1694–1697.

). v. MGA. R. W. Effect of glucose:xylose ratio on xylose reductase and xylitol dehydrogenase activities from Candida guilliermondii in sugarcane bagasse hydrolysate. AQUARONE. v.. K. P. FELIPE.M.. DDV.F. LIDÉN.2005 THARANATHAN.. BORZANI. R. Braz.C. P. 71–78. TAN Q. G. Trends in Food Science & Technology. 154 Tecnologias de Energias Renováveis . 1995.. Boca Raton. 2003. v. Effects of drying temperature and relative humidity on the mechanical properties of amaranth flour films plasticized with glycerol. 2005. 1994. SIMOPOULOS. SANGUANDEEKUL. ADLER. nº 19. 2003. MORNILL.F. 81. Tóquio. vol. SILVEIRA. 5th. S. P. AS. 1998. e SILER-MARINKOVIC. 2. 53–66. FELIPE. M. 16. present and future. 117–125. . Edgard Blücher Ed. 355–392. D.J. 49: 96–101. Fatty Acids. 179–196. SOBRAL. In: Functional Foods. W. OLIVEIRA. Desenvolvimento e Caracterização de Filmes a Base de Gelatina de Pele de Peixe. L. Bioconversion of limonene to α-terpineol by immobilized Penicillium digitatum. pp. Produção de esteróides. John Wiley & Sons. 249–256 . SUFRAMA – Potencialidades Regionais Estudos de Viabilidade Econômica Sumários Executivos. TAHERZADEH.3. 346–51. 22. n. Pirassununga. In: Journal of Chemical Technology and Biotecnology.. 31. S. 2001. EJ. In: Acta Scientiarum. 2006. TANAKA. Dendê. DAY D. Methanolysis of used frying oil. SILVERSTEIN. J. nº 1. MCO. U. v. V. F. Programa de Seminários Acadêmicos. Ministério do Desenvolvimento. 67. p. E.. p. Fisheries Science. IWATA. pp. 1994. 1294–1300. 26. novos desafios. C. A. IE-UNICAMP. M. G. J. TAMANINI.J. WHITAKER & HALL. Biodegradable films and composite coatings: past.. 2001. A. Strategies for enhancing fermentative production of glycerol – a review. 14. TAPIA-BLACIDO.A. T. (Ed.. PIBIC/CNPq TOMASEVIC. Indústria e Comércio Exterior. Fuel Processing Technology. A. Influence of plasticizers on the properties of edible films prepared from fish water-soluble proteins. 7. CANETTIERI. EV. 2002. São Paulo. pp. 81: 1–6. I. 2003. In: LIMA.T. vol. Spectrometric Identification of Organic Compounds. cap. Biotecnologia na agricultura e inovação tecnológica: novas questões. MGA. S. p. p. Biotecnologia Industrial Processos Fermentativos Enzimáticos. Eng. and MENEGALLI. pp. STANBURY. Chem. SCHMIDELL. J.SILVA.C. THOMAZINE. 2004. In: Enzyme and Microbial Technology v. Goldberg. 2005. p. HANDA. SUNAO. Appl Microbiol Biotechnol.. HAULY. v. São Paulo. ISHIZAKI. Principles of Fermentation Technology. SOBRAL. CÂNDIDO. J.. A. C. N.M. R. S.M. BASSLER. Avaliação da casca de aveia para produção biotecnológica de xilitol.. 5...

Glycerol production by microbial fermentation: A review. eds. MARTÍNEZ M.. v.. & WANDREY. F. v. L. Journal of Molecular Catalysis A: Chemical (2006).A. Word Journal of Microbiology and Biotechnology 18 (3): 201–207. JEFFRIES. 2003.M. D. com carvão ativo e resinas de troca iônica. M. cap. Food Hydrocolloids. 2001. pp. 19–38.J. S. VIÉGAS.. Weinheim. J. pp. p.A.C. 2005. WANG. 374 p. p.X. VANIN. VICENTE. AMARTEY. CARVALHO. MATA. J. S.. KUZMANOVA. Tese de Doutorado. Cinética de produção de glicerol em processo de fermentação alcoólica utilizando diferentes matérias primas industriais. GONCALVES.M.B. 19. OU.. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. H. Comparison of Two Different Processes to Synthesize Biodiesel by Waste Cooking Oil.R. REED. LIU. September 2005. 2004. 2002. 1ª ed.A. P. Belém: EMBRAPA.. WALSH. Effects of plasticizers and their concentrations on thermal and functional properties of gelatin-based films.. pp. Florianópolis. WILEYVCH. VINING.55. In: World Journal of Microbiology and Biotechnology.L. Florianópolis. R. F. VCH. MG.M. DE J. Issue 5. R. de Biotecnologia. Avaliação do tratamento do hidrolisado hemicelulósico de resíduos de eucalipto. In: REHN. TANG.M. K. VILLAREAL.6. PósGraduação em Biotecnologia Industrial. ARACI J.M. L. VANDESKA. 3–29. Ácidos graxos em óleos e gorduras: identificação e quantificação – São Paulo: Varela. Z. In: Industrial Biotransformations. Bioresource Technology. 213–218. PRIOR. Pages 899–907. p. FANG.C. 2000. Enabling the chemistry of life. A. History of industrial Biotransformations – Dreams and Realities. v. 2.Q. 201–223. M. A. TOSETTO. Volume 19. HABITANTE. J. para produção de xilitol. T. FRANCO. P. Faculdade de Engenharia Química de Lorena. V. Effects of environmental conditions on production of xylitol by Candida boidinii.C. 2003. 252. p. ZHUGE. v. 2001. 6839. Dept. VELAZQUEZ-CEDEÑO. Y... XUE. MENEGALLI. 226–231. S. MÜLLER.. MAURICIO. In: Biotechnology Advances v. T. E. In: Simpósio Nacional de Fermentações. 120 p. BA. M. Secondary metabolism. 11. C. A. M. H. 2000. Referências Bibliográficas 155 . et al.. 92: 297–305. WANG. SAVOIE. Biotechnology. J. SOBRAL. LIESE. G. A Cultura do dendezeiro na Amazônia brasileira.R. n. VISENTAINER. I. Lorena/São Paulo... 409. n. Waste reducing cultivation of Pleurotus ostreatus and Pleurotus pulmonarius on coffe pulpe changes in the production of some lignocellulolytics enzymes. 107–112. 1986. ANDRIETTA S. B. Ed. Bromatological composition and rumen fermentation kinetics of hybrids from crosses of sorghum and sudangrass. R. 1995. 2006. F.747–755. Integrated biodiesel production: a comparison of different homogeneous catalysts systems.. G. SEELBACH. v. 4.. C. VASIC-RACKI. A. Nature.. Anais do 14º SINAFERM. S.TOMICH. G.

H. HORITSU. RUIZ.. 1. 1996. São Paulo: Instituto de Eletrotécnica e Energia. LIGONG. Nature. 2001. In: ZAITZ. 33. I. (2002) . O. 2. H. An economical bioreactor for evaluating biogas potential of particulate biomass. p. v. BORDEAUX. 86 ZHANG. L’Universite Claude Bernard – Lyon I . S. 258–268. Journal of Molecular Catalysis A: Chemical (2006). 81. 103–109. Y. In: Journal of Fermentation and Bioengineering. W. ‘Synthese de Mercaptans sur catalyseurs acides’ . Food Research International. P. XIE. 364. ZAITZ. p. K. p. Universidade de São Paulo. A. n. DEMAIN. n. YANG. Bioresource Technology. v.. CAMPBELL. S. B. 2004 . V. PAULSON. 158. Production of xylitol from D-xylose by Candida tropicalis: the effect of D-glucose feeding. 246.. KAWAI. 156 Tecnologias de Energias Renováveis .. COELHO. v. A. L. PENG. 92. These de Doctorat. J. – Fungos oportunistas. E. R. pp. K. 148–152. Rio de Janeiro: Medsi. Potencial de geração de eletricidade na Amazônia a partir de resíduos agrícolas.. Archives of Microbiology. A.. A. 1992. L.ed.M. D. F. T.. C. v. TAKAMIZAWA. ZYLBERSTAJN. v. YAHASHI. C. 24–32.. SMITH. 7.Regulation of ACV synthetase activity in the beta-lactam biosynthetic pathway by carbon source and their metabolites. Industrial biocatalysis today and tomorrow. p. IENO. G. T..WILKIE. 1998. MARQUES.L. WITHOLT.. ZAUSA. Calcined Mg-Al Hydrotalcites as Solid Base Catalysts for Methanolysis of Soybean Oil.H. 563–570. Compêndio de Micologia Médica. SOUZA.C. M. Mechanical and water vapour barrier properties of edible gellan films.. T. 2000b. B. Inglaterra.109. SUZUKI.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful