P. 1
Resumo Livro Um Discurso Sobre as Ciencias

Resumo Livro Um Discurso Sobre as Ciencias

4.0

|Views: 3.903|Likes:
Publicado porPriscila Monteiro

More info:

Published by: Priscila Monteiro on Jul 04, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/03/2013

pdf

text

original

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS X COLEGIADO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

RESUMO DO LIVRO UM DISCURSO SOBRE AS CIENCIAS

PRISCILA MONTEIRO BARBOSA VIEIRA

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA ABRIL, 2009 1

BAHIA ABRIL. 2009 2 . como pré-requisito para uma das avaliações do I Período do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia – UNEB sob a orientação do professor Pedro Rafael Farias Evangelista. TEIXEIRA DE FREITAS .PRISCILA MONTEIRO BARBOSA VIEIRA RESUMO DO LIVRO UM DISCURSO SOBRE AS CIENCIAS Resumo do livro “Um discurso sobre as ciências” apresentado à disciplina Epistemologia da Ciência.

Para tanto o autor estrutura a obra caracterizando a ordem cientifica hegemônica. Galileu e Newton deixam de lado os cálculos esotéricos e passam a se preocupar com as possíveis mudanças em que a sociedade estava sujeita e seus impactos. PARADIGMA DOMINANTE A partir da revolução Cientifica do século XVI é que se constitui o modelo de racionalidade da ciência moderna. o papel do conhecimento e a superioridade em relação as experiências de vida. aos pensamentos de Einstein e aos questionamentos de Rosseau para explicar essa ambigüidade e complexidade em que o tempo presente vivencia. Inicialmente esta transformação ocorreu no domínio das ciências naturais e somente no século XIX que se expandiu para as 3 . O autor afirma que a ciência do século XX ainda não chegou devido ao fato de a ciência se encontrar centrada em fatos passados e não olhar para o futuro. afirmando que para entender é necessário questionar primeiramente as coisas simples para assim compreender as coisas complexas. porém isso reflete a duas contradições. Sendo a primeira as potencialidades tecnológicas que se encontram em grande expansão e bastantes avançadas para seu tempo e a segunda ressalva que devido a esses grandes avanços científicos o século XXI possa terminar mesmo antes de começar. Atualmente todos somos atores desse novo protótipo e encontramos dificuldades para compreender esse processo de transição que a história da humanidade não consegue desvendar. analisando os sinais da crise dessa hegemonia sob os pontos de vista teóricos e sociológicos e por fim propõe uma nova ordem cientifica emergente.INTRODUÇÃO A obra “Um discurso sobre as ciências” faz uma análise sobre a evolução das ciências. já que muitas descobertas deste ramo podem trazer benefícios como também malefícios para o planeta. Em meados do século XVIII Copérnico. Devido a isso o autor nos remete a buscar respostas para tantas perguntas não solucionadas como a relação ciência/ virtude. partindo do século XVI até os dias atuais. Santos recorre a teoria sinergética de Hermman Haken.

No âmbito social o determinismo privilegiou a burguesia. E para que se chegasse a este conhecimento. este visa um conhecimento prático em que compete a causa e a intenção de conviver sem problemas. A lei da ciência moderna é um tipo de causa formal. O 4 . pelos percussores Bacon. As leis. A ciência moderna modelo de racionalidade hegemônica que outrora interessava apenas nos estudos das leis da natureza. suas ações coletivas e individuais entre outras foram levantadas cerca da sociedade. A partir do ponto de vista matemático. se viu ma busca pelo conhecimento das leis da sociedade puxada. Para compreender este novo paradigma científico é necessário atentar-se as suas características principais. Galileu. A divisão primordial é a que distingue condições iniciais e as leis da natureza. Vico e Montesquieu. Copernico. O conhecimento baseado na formulação de leis previu um mundo mais estável. empregava-se como instrumento de análise a matemática. A partir destes pressupostos é que o novo conhecimento cientifico se difunde sob a forma de idéias presididas na observação e experimentação. determinável e previsível. tal idéia originou o mecanismo onde as leis da física e matemática poderia determinar e constituir a matéria do mundo. Kepler. a eficiente e a final. Essa nova racionalidade cientifica vislumbra uma única forma de se atingir o conhecimento verdadeiro. Newton e Descartes fazem uso deste novo paradigma em suas obras. Agora conseguimos entender o rompimento do conhecimento científico e o senso comum. A ciência moderna opõe as evidencias da experiência imediata e buscas respostas na observação cientifica e procura conhecer a natureza para por fim controlá-la. conhecer significava quantificar. Questões como a liberdade e imprevisibilidade da ação humana. decorrente da aplicação de seus próprios princípios epistemológicos e de suas regras metodológicas. a formal. As condições iniciais são os fatos a serem observados e as leis da natureza são estes fatos já observados e medidos. enquanto categorias de inteligibilidade descansam num conceito de causalidade. a organização da sociedade. A descoberta das leis da natureza assenta no isolamento das condições iniciais relevantes no intento de que o resultado se produzirá independente do lugar e do tempo em que se realizam tais condições iniciais. o que não era quantificável era cientificamente irrelevante e conhecer significa dividir e classificar para assim poder observar as partes para solucionar o todo.ciências sociais. o outro expulsa a intenção para dar lugar a determinação de causa. Segundo Aristóteles existe quatro tipos de causas: a material.

tem de compreender os fenômenos sociais a partir das atitudes mentais e do sentido que os agentes conferem às suas ações. sem dúvida dominante. durante muito tempo marginal. estabelecia uma metodologia própria para as ciências sociais. Apesar das dificuldades. “por maiores que sejam as diferenças entre os fenômenos naturais e sociais é sempre possível estudar os últimos como se fossem os primeiros”(3). foi assumido pelas ciências sociais no século XIX de maneiras diferentes. não pode ser analisado e explicado da mesma maneira que é explicada a natureza. mas hoje cada vez mais seguida. as duas correntes acabam por dar maior relevância às ciências naturais do que às ciências sociais. para o que é necessário utilizar métodos de investigação e mesmo critérios epistemológicos diferentes das correntes nas ciências naturais”.positivismo oitocentista. ao esclarecer essa corrente. são instransponíveis. aplicava dentre as possibilidades existentes. O modo como o modelo distinguiu duas vertentes principais. ao explicar a segunda corrente. derivado do racionalismo cartesiano e do empirismo baconiano. O fundamento detrás desse pensamento é a subjetividade do comportamento humano. essa vertente admite a possibilidade de as ciências sociais se compatibilizarem com os critérios rigorosos das ciências naturais. A segunda vertente irá defender uma metodologia própria. a segunda vertente serviria como um indício da crise do modelo até então hegemônico. naturais e sociais. Como ressalta o autor. De fato. A primeira vertente defendia a aplicação de um modelo de ciências sociais erigido a partir de pressupostos das próprias ciências naturais. tendo portanto um caráter de conhecimento universalmente válido. na qual as dificuldades em compatibilizarem-se os dois campos das ciências. as disciplinas formais da lógica e da matemática e as ciências empíricas segundo o modelo mecanicista e das ciências naturais. o qual. com base na especificidade do ser humano e sua distinção polar em relação à natureza. Como bem assinala Boaventura. 5 . A segunda. Dessa vertente fazem parte Durkheim e Ernest Nagel. Como doutrinadores dessa corrente pode-se citar Max Weber e Peter Winch. “a ciência social será sempre essa ciência subjetiva e não objetiva como as ciências naturais. Apesar de serem aparentemente diversas. os princípios epistemológicos e metodológicos do estado da natureza. revestindo-se de complexa estrutura. A primeira vertente.

pois dois acontecimentos simultâneos num sistema de referência não são simultâneos noutro sistema de referência. a tal ponto que o objeto que sai de um processo de medição não é o mesmo que lá entrou. conhecemos as alterações ocasionadas por nós mesmos. A principal conseqüência dessa teoria é possibilitar a formulação de proposições indecidíveis mesmo à matemática. o tempo e o espaço absoluto de Newton deixam de existir e passa-se. a mecânica quântica. Foram observadas que a física é probabilística. nem demonstradas. Não havendo simultaneidade universal. Com isso surge o segundo fator que agrava esta crise. portanto. Mas o enfoque é no movimento convergente entre as ciências 6 . a conclusão de que as leis da física e da geometria assentam-se em medições locais. e não absoluta como se pensava o determinismo mecanicista e provavelmente uma vez que o total do real não se reduz a soma das partes da divisão feita para a medição do objeto.A CRISE DO PARADIGMA DOMINANTE Atualmente o modelo de racionalidade cientifica atravessa uma profunda crise. Com essa visão deixou-se uma certeza de não conhecermos o real que na verdade. a mecânica quântica demonstra que não é possível observar ou medir um objeto sem interferir nele. a qual acaba por questionar o rigorismo matemático como regra absoluta da constituição da natureza. O autor destaca inicialmente as condições teóricas que contribuíram para essa crise. sendo dessa maneira chegou-se a uma conclusão da complexidade do sujeito e o objeto. proporções que não podem ser matematicamente nem refutadas. A crise do paradigma dominante é resultado de um conjunto de fatores sociais e teóricos. A quarta e última condição para a crise do paradigma que é constituído pelos avanços da microfísica. Aliada ao princípio da incerteza de Heisenberg e à teoria de Bohr. Partindo dessa idéia. A partir de então houve a revolução quanto a concepção de tempo e espaço. A terceira condição teórica está baseada na teoria de Gödel. A teoria da relatividade de Einstein foi o primeiro fator para dar início a esta crise. Einstein distingue a simultaneidade de eventos no mesmo local e simultaneidade de eventos em locais diferentes. as concepções até então concebidas de espaço e tempo seriam revolucionadas. esses avanços ocasionaram várias descobertas que para serem aceitas outras tiveram que ser abandonadas principalmente em que diz respeito a Newton no seu modelo linear do mecanicismo. química e da biologia.

designado por Jantsch como o paradigma da autoorganização. Estamos perante a substituição do paradigma científico por um novo paradigma. uma ciência voltada para as modificações sociais uma vida supostamente descente a partir de então a própria sociedade revoluciona pela ciência. O conhecimento acaba ganhado em rigor o que perde em riqueza e a retumbância dos êxitos da intervenção tecnológica esconde os limites da nossa compreensão do mundo e reprime a pergunta pelo valor humano do afã cientifico assim concebido. as perspectivas de uma catástrofe ecológica ou nuclear.naturais e as ciências sociais caracterizado em grande parte pela transdicisplinaridade. Dois grandes temas de reflexão passam a serem debatidos. 1. A crise do paradigma da ciência moderna não constitui um pântano cinzento de cepticismo ou de irracionalismo.Todo conhecimento cientifico-natural é cientifico-social. A industrialização da ciência manifestou-se tanto ao nível das aplicações da ciência como ao nível da organização da investigação cientifica. assuntos que antes eram tratados apenas por sociólogos passou a ser debatidos por cientistas. A industrialização da ciência determinou. por outro lado. originou uma proletarização dos cientistas face à impossibilidade dos mesmos em terem acesso aos dispendiosos instrumentos da ciência. 7 . PARADIGMA EMERGENTE Este paradigma é uma projeção que o autor faz das perspectivas cientifica do ponto de vista sociológico. O autor segue um conjunto de justificações para o paradigma emergente. apresentando duas facetas sociológicas importantes. O primeiro questiona-se o conceito de lei e de causalidade e o segundo releva-se antes o conteúdo do conhecimento do que a sua forma. por um lado. Este conjunto de condições teóricas apresentadas propiciou uma profunda reflexão epistemológica sobre o conhecimento científico. A primeira ressalva que os cientistas saem de seus laboratórios para mergulhar nas reflexões na tentativa de compreender seus próprios atos em termos agora os cientistas passam por filósofos e a segunda diz respeito a questões abordadas. ou seja.

assim as teorias científicas joga junto com as causas sociais em uma dimensão psíquica na natureza. não podia dialogar com os estudos. Todos os aspectos das teorias foram injetadas na liberdade de autodeterminação. o encurtamento foi através das metodologias que obrigavam a maior intimidade com o objeto. de ordem especifica antes estudavam sobre tudo sem parcelização. Em uma nova organização do conhecimento onde ele é segregado. Essa condição deixou de ser unanimidade e descobriu-se novas formas de se viver. os conceitos de ser humano. assim ao estudar o objeto por naturalidade ele está interligado com o próprio sujeito. homens e mulheres viam se objetos de estudo diminuindo a distancia empírica entre sujeito e objeto isso nas ciências sociais já nas naturais. Essa ciência desenvolve e avança conforme essas observações a partir de então há uma personalização dos trabalhos científicos. O homem busca uma compreensão são para si mesmo. 3. Essa forma de dividir o saber.Todo conhecimento é local e total Na ciência moderna o conhecimento é mais restrito. 2. uma limitação. cultura e sociedade. A subjetividade humana não tinha nenhum valor. 4.A distinção dicotômica entre as ciências naturais deixou de ser relevante. suplir as deficiências de uma localidade.Todo conhecimento é autoconhecimento Ate em então o sujeito de investigação investigava o objeto. Cada um com seu problema e se revela a sustentar as necessidades de uma determinada sociedade ou seja. porém no autoconhecimento o sujeito passa a ser objeto de investigação. agora há uma restrição ou seja. tenta conhecer os mecanismos que o compõe. o rigor deste conhecimento aumenta estuda-se uma parte do todo e dele tem que se dar conta do seu real entendimento.Todo conhecimento cientifico visa constituir-se em senso comum 8 . em tese toda opinião. existindo a relação entre as duas. transformou cientistas em especialistas em ignorantes ao mesmo tempo. porque essa poderia interferir nos resultados da pesquisa. As relações são várias como estudo mecanicista da matéria e da natureza. historicidade do processo. Tanto que nesse momento houve uma preocupação com a mente humana. Em parte o ser humano se reinventava a partir das descobertas das ciências naturais por isso que todo conhecimento gera uma transformação na sociedade em que são adquiridas. valores morais.

então há uma necessidade de construir uma ponte entre esses dois tipos de conhecimento. ao adotar o senso comum não despreza o conhecimento cientifico. Enfim a ciência pós-moderna. indisciplinar. 9 . Apesar do senso comum ser místico e misticador ele pode dialogar com o conhecimento científico. evidente. Entendemos que o conhecimento cientifico não releva as experiências da vida. transparente. mas defende que o desenvolvimento tecnológico deve ser traduzido em sabedoria de vida. Por considerar o senso comum pratico. imetódico. de onde extrairmos nossas experiências para entender o conhecido e desconhecido. entre outros a pós modernidade atribui um novo tipo de racionalidade que ao interagir com o conhecimento cientifico produz um conhecimento claro. metafórico. retórico.O senso comum desprezado pela ciência moderna por achar ilusória e vulga é resgatada na ciência pós-moderna que emprega importância no senso comum no cotidiano. pragmático. superficial. transparente e que faz justiça.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->