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Habeas Corpus - Modelo

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO

FULANO DE TAL, QUALIFICAÇÃO, vem à presença de Vossa Excelência, “mui” respeitosamente, com fulcro no artigo 5º, incisos LVIII e LXVI, da Constituição Federal, bem como nos artigos 647 e 648, inciso I, ambos do Código de Processo Penal, impetrar a presente ordem de

HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR

em favor de PACIENTE, qualificação, atualmente recluso no Complexo Penitenciário Carvalho Neto, desde o dia 04 de maio de 2011, localizado no XXX, mas que possui como residência fixa um imóvel na endereço fixo, com base nos argumentos fáticos e jurídicos doravante delineados, em face da decisão de segregação cautelar proferida pelo Digníssimo Juiz Titular da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe, nome do Juiz.

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1 – CONTORNO FÁTICO

A Polícia Federal realizou operação investigatória denominada XXX, na qual foram efetuadas 16 (dezesseis) prisões cautelares, dentre elas a do paciente.

Segundo o procedimento administrativo inquisitório supracitado, o paciente foi inserido em um grupo de pessoas, hoje encarcerados cautelarmente teriam, supostamente, fraudado arrematação judicial, através da inibição de outros concorrentes do certame, utilizando-se, para tanto, de falsificações de autos de arrematação.

Diante de tais atos, o d. juiz Titular da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de XXXX, o Dr. XXX, decretou a prisão preventiva de 11 (onze) indivíduos, e a prisão temporária de 5 (cinco), dentre estas a do paciente, atendendo a requerimento da Polícia Federal.

Ao paciente foram, hipoteticamente, imputadas as condutas tipificadas nos arts. 288 (formação de quadrilha), 299 (falsidade ideológica) e 358 (fraude em arrematação), todos do CP.

A decisão que decretou as prisões, concessa venia, merece reforma, em face das determinações Constitucionais e legais que incidem sobre o caso concreto.

Quanto ao paciente, afirmou o d. Magistrado, que:

a) Decisão

Verifica-se, diante de uma breve análise da decisão, que ao paciente é imputado o fato de ter descrição da conduta.

Realmente, o paciente participou dos XXXXXX, mas não da forma como presumiu a Polícia Federal.

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Como será devidamente analisado, em seu depoimento na Polícia Federal, o paciente esclarece que adquiriu para si mesmo os imóveis, juntamente com o seu sócio (XXXXX) e que jamais participou do leilão ocorrido no Município de XXXXXX.

Entretanto, desde já, destaque-se que o paciente jamais arrematou os bens para terceiros, mas para si e para seu sócio, eis que negociam com imóveis. O paciente, como dito em sua qualificação, é corretor de imóveis.

A decisão ora repudiada, que culminou na segregação cautelar do requerente, não possui, apesar do esmero costumeiro, fundamentação bastante e suficiente a ensejar a medida excepcional supracitada.

Vale ressaltar que, quando da efetivação da prisão temporária do paciente, esse entregou, voluntariamente, aos agentes da polícia federal, de forma espontânea, arma de fogo de uso permitido e da qual possuía o registro e a posse apenas vencidos, sendo preso em flagrante pelo delito tipificado no art. 12 do estatuto do desarmamento.

Os argumentos acima aduzidos serão demonstrados nos tópicos que se seguem de forma minuciosa.

Esse é, resumidamente, o contorno fático.

2 – DECISÃO GENÉRICA – AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS QUE DETERMINAM A SEGREGAÇÃO CAUTELAR – ART. 312 DO CPP – FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO.

A Constituição Federal, diploma maior do ordenamento jurídico brasileiro, determina que a segregação cautelar do indivíduo é medida de exceção, sendo a liberdade a regra.

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em que a nossa Carta Magna não funciona apenas como um diploma dotado de diretrizes. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública. são as situações excepcionais nas quais o legislador entendeu que seria possível restringir o direito fundamental à liberdade do cidadão. Preceitua o artigo 5º. deve apresentar os requisitos determinados pela lei processual penal. mas com verdadeira força normativa.” (grifo nosso) Logo. deve delimitar os fatos. Em verdade. principalmente em um Estado Democrático de Direito. especificar as condutas de cada um dos agentes. 312 do CPP. A fundamentação a que se refere anteriormente está prevista no art. o decreto prisional não pode abster-se de trazer argumentos concretos para que se caracterize a situação de excepcionalidade prevista na lei. tentando transparecer uma suposta situação de legalidade. antes de tudo. por conveniência da instrução criminal. quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. na busca de um bem maior: o bem estar da coletividade e a devida instrução criminal. Prescreve o art. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. 312 do CPP: Art. 4 . 312. ou para assegurar a aplicação da lei penal. da ordem econômica. Ou seja. definidos em lei. não pode ser realizado de forma geral e genérica. segregando-o no cárcere. Deve. inciso LXI que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. não se resumindo a transcrever a lei.Tal entendimento não pode ser subvertido.

associados aos indícios de autoria e à certeza da pratica delituosa. sendo imputados delitos diversos. pois. deveria ser procedida uma análise da situação de cada indiciado. a decisão deve trazer um arcabouço probatório mínimo. afirmando que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. A fim de atender aos requisitos legais. para que tal decisão seja válida. sem os quais se faz impossível a prisão. separadamente. Transcreva-se trecho da decisão para melhor elucidação: 5 . deve-se observar que. devem estar presentes outros elementos. A Constituição Federal. A explicação para tal assertiva é simples. em seu art. legitimam e fundamentam a decisão judicial que efetiva o decreto prisional cautelar. consagrou o princípio da presunção de inocência. praticou uma conduta. não é suficiente uma mera transcrição dos elementos exigidos pela lei. a decisão proferida pelo Excelentíssimo Magistrado da 3ª Vara Federal de Sergipe não reúne as condições necessárias para legitimar o estado prisional do paciente. Mas. jamais de forma conjunta.” Portanto. pois indica: que o simples fato de estar respondendo a um processo criminal não é argumento suficiente para cercear a liberdade do réu. ou seja. Os requisitos do cárcere preventivo. 5º. cada agente.A leitura do dispositivo é esclarecedora. que demonstre a real ocorrência dos requisitos legais. inciso LVII. Eles devem ser comprovados de forma objetiva na decisão judicial. Apesar do esmero costumeiro. supostamente.

pela forma que atuam os membros do bando. através das prisões pretendidas.” Veja-se que. A narrativa fática do modus operandi dos alvos do decreto prisional não preenche o requisito que autoriza a segregação em face da garantia da ordem pública. livrando a Administração Pública da ação delituosa da quadrilha ora investigada.“Urge que a ordem pública seja imediatamente restabelecida. efetivamente. Deve ser demonstrado. efetivamente. a digníssima decisão apenas faz referência ao requisito legal da conveniência da instrução criminal. o que somente será possível com a desarticulação do bando. poderão. caso o paciente permaneça em liberdade.” O decisum em quaestio traz à baila a garantia da ordem pública como forma de fundamentar o decreto prisional. credibilidade dos leilões públicos. Materialidade delitiva é uma coisa. sem meras presunções. manipular provas ou fazê-las desaparecer. A referida decisão também se pauta na conveniência da instrução criminal. senão veja-se: “A conveniência da instrução criminal também fundamenta as prisões em tela. bem assim constranger ou intimidar testemunhas. para tanto. eis que. sem trazer qualquer prova de que os agentes. moralidade. sem apontar qualquer prova nos autos de que esta estaria sendo ferida. Utiliza-se. iriam interferir na produção probatória. como fazem intimidando e constrangendo licitantes e membros de outros grupos interessados em licitar durante os leilões de que participam. da mera materialidade delitiva. sem meras suposições. Garantia da ordem pública é outra. 6 . Mas não é só. mais uma vez. assim que tomarem conhecimento dos fatos apurados. restaurando-se a legalidade.

que.INÍCIO DO CUMPRIMENTO DE PENA . esposa. A decisão em comento tratou todos indistintamente. Valiosa é a jurisprudência da Corte Superior de Justiça.RECEPTAÇÃO LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE FIANÇA (1) PRISÃO DE UM DOS PACIENTES . 3. 7 . decisão não diz e o seu silêncio manteve o paciente em cárcere.MOTIVAÇÃO IMPROPRIEDADE (3) FUNDAMENTO PARA PRISÃO PREVENTIVA . Também. já foram ouvidos. já foram concluídos. conforme já explicitado.REFERÊNCIAS GENÉRICAS . Insista-se à exaustão: não há qualquer prova que demonstre a periculosidade do requerente ou a possibilidade de destruir provas ou coagir testemunhas.WRIT EM PARTE PREJUDICADO (2) QUEBRA . com filhos.. ou de que modo.PRISÃO . marcada pelo signo da imprescindibilidade.A prisão processual é medida odiosa.) 2.A simples menção.IDONEIDADE .PROPORCIONALIDADE VIOLAÇÃO – (. a soltura do paciente jamais influenciaria os trabalhos investigativos. elementos concretos. para tanto.. sem indicação de qualquer probabilidade concreta de prejuízo à instrução criminal. Pergunta-se: como poderia. a Polícia Federal realizou uma investigação de aproximadamente 18 (dezoito) meses. que diz: PROCESSO PENAL . De tal maneira.HABEAS CORPUS .AUSÊNCIA (4) PRIMARIEDADE . inclusive o paciente.Pauta-se em meras conjecturas. o paciente. residência fixa. corretor de imóveis que é. angariando um vasto arcabouço probatório nos autos. primário e sem antecedentes desfavoráveis. sem observar a peculiaridade e necessidade de cada caso.MODIFICAÇÃO DO QUADRO FÁTICO . Vale ressaltar que. conforme manchete de jornal inclusa.CRIME SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA . sendo imperioso alinhar-se. poderia prejudicar a instrução criminal? A d. meras suposições. deve-se atentar para o fato de que todos os supostos envolvidos.

da 2ª Vara Judicial da Comarca de Mairiporã/SP. o decreto prisional se pauta em meras conjecturas. .genérica. dificultando a marcha das investigações ou do provável processo criminal e. não autoriza a providência extrema. posto que os integrantes do bando poderão fugir ou esconder-se. e. concedo a ordem para assegurar a liberdade provisória. toda decisão que segregou a liberdade do paciente de forma preventiva padece.Delito sem violência ou grave ameaça-. afirmou que há necessidade de se assegurar a futura aplicação da lei penal: “A necessidade de se assegurar a aplicação da lei penal é também fundamento para as prisões cautelares em apreço. afirma que deve ser mantida a segregação cautelar em face do delito de posse ilegal de arma de fogo de uso 8 . data vênia. sem qualquer embasamento probatório.Relª Minª Maria Thereza de Assis Moura DJe 21.” Mais uma vez. 1468) – grifo intencional Por fim. 5. com pena mínima de um ano de reclusão. acolhido o parecer ministerial e confirmada a liminar. Impende observar que o próprio Ministério Público. quiçá. presos em flagrante pelo art. afirmou que todos podem fugir.615 (2009/0019977-0) . especificamente em relação aos autos da Ação Penal controle 276/2008. mediante compromisso de comparecimento a todos os atos processuais.2011 .Sendo os pacientes primários.p. 4. 180 do Código Penal . (STJ . ensejando suas impunidades.HC 127. quando se manifesta sobre a manutenção da prisão do paciente. de ausência de fundamentação concreta e individualizada.02. Além de tratar todos indistintamente.6ª T. 312 do Código de Processo Penal . De tal modo. no tocante ao paciente MARCELO DA SILVA XAVIER. revela-se como excessiva a prisão provisória. tendo em conta o caráter instrumental das cautelares penais e o princípio da proporcionalidade.Ordem prejudicada em relação ao paciente FLÁVIO RODRIGUES (cassada a liminar que lhe foi deferida). sem qualquer prova substancial da real possibilidade de frustração da aplicação das reprimendas penais pelo paciente. aos termos do art.

Nada mais disse o Ministério Público sobre o paciente.1. Entretanto.. é de se analisar as características pessoais do paciente.) Da mesma forma. quando da operação. Assevere-se que o delito de posse irregular de arma de fogo é afiançável e jamais poderia ser justificativa para a manutenção do paciente em cárcere. relação ao requerimento de Cláudio. serão analisados um a um os requisitos legais. 9 . como se fará doravante: 2. 2076): “Em relação a Geovane Souza Simões. sendo que tal infração é afiançável. não há qualquer precedente criminal na sua vida pregressa.. O paciente é um cidadão que nunca foi preso ou. sequer. 12 do estatuto do desarmamento). Trata-se de réu primário. merece ser mantida a decisão que decretou a prisão preventiva. Logo.” (grifo nosso) (. senão veja-se (fls.1. pelas razões já aduzidas. com único fundamento. mas em função de sua prisão em flagrante. investigado por qualquer outro delito (primariedade e bons antecedentes). com a finalidade de melhor expor os motivos de revogação da prisão preventiva. tendo em vista que com ele também foi apreendida arma em situação irregular – devendo ser denegado. Características pessoais do paciente Antes de adentrar aos requisitos objetivos da prisão preventiva. Não por causa dos eventuais crimes tributários que as novas conversas revelaram.permitido (art. vale invocar os fundamentos acima expendidos. no lugar da temporária. pelo crime de posse de arma de fogo sem registro.

ainda que apenas em fase investigativa. Neste entendimento.O fato de ser uma pessoa primária e que goza de bons antecedentes é fato importante. mas o demandante deve ser visto de forma diferenciada. O paciente é pai de família e nunca foi investigado por qualquer delito. mesmo a decisão judicial – e a própria investigação policial – reconheceu que sua presença em hastas públicas. pois demonstra o seu caráter inofensivo. Assim. 10 . O requerido sempre exerceu a sua profissão de corretor de imóveis e. 312 do CPP. com um passado sem mácula. com circunstâncias completamente distintas e as características e particularidades do requerente devem ser analisadas em separado. somente participou de 02 (dois) leilões judiciais. reconheceu que o suplicado. Portanto. Os réus são diferentes. arrematando bens de menor valor. onde amparam a revogação da prisão preventiva. não era corriqueira. Logo. ou seja. Possui residência fixa e patrimônio compatível com a sua renda. pois conta com inúmeros réus. seu cárcere deve ser interpretado como fato isolado na sua vida e que gerou e continua a gerar conseqüências desastrosas em sua família e na comunidade em que está inserido. Como dito. pois não se trata de um suposto delinqüente contumaz. não se pretende atribuir responsabilidade a quem quer que seja. ainda que em tese. as características pessoais possuem relevância para o caso concreto. não há preenchimento das condições do art. se deu apenas em duas oportunidades. O processo originário é deveras extenso. pois contra ele não existe prova sólida. mesmo a decisão que determinou a prisão preventiva.

11 . Ainda que o delito esteja tipificado. O paciente é uma pessoa sem qualquer antecedente de violência e não representa qualquer ofensa à ordem pública. não há qualquer sinal de comoção pública pela gravidade do delito. sem antecedentes criminais e com residência fixa? Nenhuma. falsidade ideológica e fraude em arrematação judicial.2. Garantia da ordem pública A situação do demandante é alheia ao requisito de garantia da ordem pública. como formação de quadrilha.2. e apenas tipificado pela autoridade inquisitória. a gravidade da infração está intimamente ligada à violência do fato e ou à pena cominada para o caso concreto.1. A garantia da ordem pública e econômica. mero corretor de imóveis. Geralmente. pai de família. O delito imputado ao requerente não foi praticado com o uso da força ou de qualquer outro meio que demonstre violência. esta deve atender ao binômio: gravidade da infração + repercussão social. que temeridade social representa um homem casado. que representa uma temeridade social. Não há registro de emprego de violência ou grave ameaça na execução dos delitos e não há registro de tentativa de linchamento ou pânico com a reinserção do demandante no seio da sociedade. Ora. o emprego de violência na execução do delito é o principal critério para a avaliação da gravidade do delito. Primeiramente.

Como reitera Guilherme de Souza Nucci. permitindo a divulgação do acontecimento em toda a mídia. uma vez que a prisão. Julgado em 31/08/2006. a “cessação dos motivos que ensejaram a decretação da prisão cautelar impõe-se a revogação. não revelou em momento algum. 1 2 Código de Processo Penal Comentado. Ora. Tribunal de Justiça de Sergipe. repita-se. de forma que não está atendido o requisito da concessão da prisão preventiva em relação ao demandante. prestado na Polícia Federal. é sempre exceção. notadamente quando não mais evidenciado os pressupostos do artigo 312 do CPP. não implica dizer que ele venha a cometer delitos. 612. Pior: a concessão da revogação da prisão do demandante. Recurso em Sentido Estrito Nº 0018/2005. que inclusive concedeu uma entrevista coletiva. Não evidenciado esse conflito. apresentada no corpo do inquérito. é “imprescindível a demonstração quantum satis da colisão do princípio da preservação da paz social sobre o da liberdade individual e. mesmo que provisório. por exemplo. Mais claro: a opinião pública somente teve conhecimento do fato pela própria Polícia Federal. como. Mais: o seu depoimento. esclarece as supostas situações que fundamentaram seu cárcere. 2006. 5ª ed. vindo a prejudicar a ordem pública. pg. Ademais. a participação ativa do requerente na execução dos delitos investigados. o eventual comprometimento daquela por esta. ensejando a revogação prisional do acusado”2. Mas nenhuma animosidade pública foi demonstrada. São Paulo: editora Revista dos Tribunais. bem asseverou o Desembargador do Estado de Sergipe Gilson Góis Soares que para haver o confinamento. 12 . a paz social não foi alterada com a prisão do acusado e não será modificada com a sua soltura. enquanto a liberdade é a regra”1. impõe-se a liberação do paciente. A prova. Relator: Gilson Góis Soares. a sua sociedade com o também indiciado XXXXX – interpretada como algo ilícito.

Veja-se que as gravações das escutas telefônicas não comprometem o demandante em nenhuma ocasião. com a investigação. salvo o seu sócio XXXX e o cunhado dele. O suplicado é corretor de imóveis e adquiriu os dois imóveis para usá-los na sua atividade. contribuiu.O suplicado. por seu turno. observe que a soltura do demandante em nada ameaça a ordem pública. XXXXX. a fim de usá-lo na sua atividade – venda de imóveis. a todo momento. Mais: o indiciado sequer possui qualquer tipo de amizade com os demais presos. o que se vê é que ele não participa delas. 13 . através das suas declarações. Entretanto. esclarecendo os sobre os quais foi inquirido. pela Polícia Federal. pode-se observar que o paciente diz: Declaração Como se vê. pagando parceladamente o seu débito. em um grupo ao qual não pertence. o suplicado adquiriu para si o imóvel. Em verdade. pelo contrário. Os bens adquiridos não foram vendidos a qualquer grupo participante da suposta organização criminosa. o paciente foi inserido. daí a necessidade da revogação da sua prisão. nada mais. Portanto.

Conveniência da instrução criminal e garantia da aplicação da Lei O cárcere do suplicado não está amparado na conveniência da instrução criminal. Mais: o preso é um homem casado. interesse maior não somente da acusação.2. é motivo para ensejar a prisão preventiva. dessume-se que a prisão do demandante tem se mostrado inócua e desnecessária. não representa qualquer perigo para a ordem pública ou à instrução. contribuindo assim com as investigações. que compreende a colheita de provas de um modo geral. 14 . A conveniência de todo processo é que a instrução criminal seja realizada de maneira lisa. não apontou qualquer dado concreto de possibilidade de fuga. visando à perturbação do desenvolvimento da instrução criminal. abalos provocados pela atuação do acusado.”3 O demandante já prestou seu depoimento pessoal. também. e dessa forma não servirá a manutenção do seu cárcere. mas sobretudo do réu. o seu aspecto procedimental.1. todos os acusados já prestaram seus depoimentos pessoais. que o suplicado possui residência fixa e não pretende dela evadir-se. na busca da verdade real. 611.3. p. equilibrada e imparcial. Diante disso. pai de família. 3 Idem. A decisão combatida. Descreve o requisito Guilherme de Souza Nucci: “Trata-se de motivo resultante da garantia de existência do devido processo legal. por isso. porquanto seu comportamento não se amolda a quaisquer das situações que autorize sua segregação. aliás. e que tem o seu trabalho como meio de sustento e. Daí. para a conveniência da instrução criminal. pois acredita na sua inocência. com dois filhos impúberes. Reitere-se ainda.

a soltura do paciente será indiferente para o andamento da instrução criminal. Conforme a lição. eis que as provas que deveriam ser produzidas pela Polícia Federal já estão inseridas no inquérito policial. o que preocupa o legislador é a fruição do bom andamento da instrução criminal. diante do acervo probatório já colhido através das escutas telefônicas e dos depoimentos e testemunhos colhidos na Polícia Federal. o paciente deseja. os requisitos arrolados no art. que é dona de casa. os filhos do paciente e sua esposa estão passando privações e dependendo da ajuda de familiares para sobreviver. aproximadamente. que não existe razão para que não seja concedida a liberdade provisória. assim como da sua esposa. Desta forma. 02 (dois) anos de investigações e. Inclusive.Calha frisar. Mais: a instrução processual já se encontra robusta. Ora. b) conveniência da instrução criminal. sem a interferência dos acusados na produção probatória. consigne-se: a) garantia da ordem pública. a operação “xxxxx” é fruto de. por oportuno. já concluído neste momento. eis que seus filhos dependem do seu trabalho para o sustento. do CPP. neste momento. em absoluto. ou econômica. retomar as suas atividades normais e ter de volta a sua vida normal. não seria a soltura do paciente que ocasionaria um entrave às investigações. c) para assegurar a aplicação da lei penal. 312. o mais rápido possível. pela sua atitude e pelas suas características pessoais ele possa alterar o bom andamento de uma instrução e isso não é possível concluir com o que se tem nos autos. Enquanto preso. 15 . vez que o acusado não preenche. Admitir que a liberdade do requerente representa óbice à instrução é admitir que.

previstas no art. . bem como de novo decretá-la. não mais persistindo os motivos autorizadores da custódia cautelar. 312 do CPP. coteje-se o ementário do Superior Tribunal de Justiça acerca da excepcionalidade da prisão preventiva e dos seus requisitos.REVOGAÇÃO . Ordem concedida. 316 . outorgando ao paciente o benefício da liberdade provisória. pois o processo principal conta com inúmeros requeridos.p. in verbis: HABEAS CORPUS .Rel.06. No caso presente a manutenção da prisão está a garantir a aplicação da lei. . onde não persistem as condições de segregação. mormente quando não há. na espécie. no correr do processo. Reitere-se que a situação do paciente deve ser analisada individualmente. Por fim. em situações distintas. ou a ordem pública.01. 3.HC 2001.018033-7 . se sobrevierem razões que a justifiquem" (art. Logo. "O juiz poderá revogar a prisão preventiva se.RS .2001 .2ª T. a incidência de dispositivos vedando concessão do aludido benefício legal. 2. é fazê-la passar por privações. Não é isso que se vê. é obrigá-la a viver em miséria – pior: sem os requisitos legais autorizadores da sua prisão. 1385) É o caso dos autos.QUADRILHA E CORRUPÇÃO ATIVA PRISÃO PREVENTIVA . verificar a falta de motivo para que subsista. 16 . (TRF-4ª R. Juiz Élcio Pinheiro de Castro DJU 06. Está a adiantar a aplicação de uma pena por um suposto crime.1. revoga-se a prisão ante tempus.CPP).04.FUNDAMENTOS . que sequer se sabe cometido pelo paciente.Manter o paciente em cárcere é condenar sua família à desgraça.

que a situação das investigações foi alterada. ora guerreada: 17 . de forma que a sua segregação é dispensável e somente servirá para favorecer o seu suplício . o paciente ainda possa atrapalhar a investigação policial. em sua decisão. se analisado individualmente.dispensável até então. tornaria a delinqüir. pois contra ele não há prova robusta. A continuidade da produção probatória independe da prisão do requerente e não há indício de que ele venha a abalroar-lhe. pois revela sua intenção de cooperar e sua vontade de esclarecer os fatos pormenorizadamente. transcrevam-se os motivos explicitados pela autoridade coatora. Neste momento. em sede de inquérito policial. ainda que fosse verdadeira a imputação (mas não é). favorece o requerido. foi esclarecedor e. pois.O conjunto probatório. mesmo porque foram iniciadas 02 (dois) anos antes. passados quase 02 (dois) anos de investigações policiais e interceptações telefônicas. Novamente. por tal razão. 3 – DO DEPOIMENTO PRESTADO PELO PACIENTE NO INQUÉRITO – ESCLARECIMENTO SOBRE OS FATOS – MANUTENÇÃO A PRISÃO QUE SEQUER ANALISOU A DESNECESSIDADE DA PRISÃO O presente tópico visa demonstrar que o depoimento do paciente. Importante destacar. É questionável que. aproximadamente. todos os investigados já foram ouvidos e o inquérito policial já se encontra em vias de encerramento. todavia. nem presunção de que. enseja a sua soltura. hoje. Não existem razões para a manutenção do suplicante em cárcere. nesse momento. todos os investigados já foram ouvidos e todas as diligências policiais já foram encerradas.

Também. a participação do paciente. o que esclarece a situação dita na decisão.b) Decisão Conforme a decisão. não cobrou qualquer valor do paciente e do seu sócio para representá-los no Leilão. o primeiro entregando dinheiro a Paixão e o segundo o auxiliou. 18 . de que o último seria um “laranja” do primeiro. respondeu o paciente em seu interrogatório: XXX A transcrição acima é reveladora e demonstra. em tese. ora paciente. em falar tudo o que sabe sobre os fatos. juntamente com Paulo Afonso. c) indicativos de que participou da caixinha do Leilão do Município de Lagarto. é de: a) funcionava como um “laranja” para o Sr. pois seguia as suas ordens e arrematava bens para ele. XXX. como dito antes. ii – que XXX é cunhado de XXX e. as declarações revelam: i – que XXX é sócio do paciente. iii – que não participou do Leilão da XXXX. No que diz respeito aos fatos. por isso mesmo. b) participou fraudulentamente de 02 (dois) leilões. a vontade do interrogado.

DESDE QUE SATISFEITOS OS REQUISITOS MENCIONADOS NO ART. faz sentido. antes de ser ouvido e apenas contou com o auxílio profissional no curso do seu depoimento. com provas reais. De qualquer modo. DA IMPRESCINDIBILIDADE DA ADOÇÃO DESSA MEDIDA EXTRAORDINÁRIA SITUAÇÃO EXCEPCIONAL NÃO VERIFICADA NA ESPÉCIE .DENEGAÇÃO DE MEDIDA LIMINAR . quando se observa que o paciente é sócio de fato do Sr. efetivamente.SÚMULA 691/STF . em seu depoimento. o paciente sequer participou. em sua jurisprudência.PRISÃO CAUTELAR DO PACIENTE ORDENADA SEM QUALQUER MOTIVAÇÃO JUSTIFICADORA DE SUA REAL NECESSIDADE POSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO DA PRISÃO CAUTELAR (OU DE SUA MANUTENÇÃO). EM CADA CASO. A defesa sabe que os fatos se revelam questão de mérito.NECESSIDADE DA VERIFICAÇÃO CONCRETA. o decreto prisional cautelar: "HABEAS CORPUS" . é importante destacar que. 312 DO CPP . mas a sua elucidação precoce serve para demonstrar que a versão apresentada pelo paciente. Na investigação.CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO "HABEAS CORPUS" CONCEDIDO DE OFÍCIO . existe uma tentativa de imputar uma manobra ilícita entre XXXXXX e o paciente – fls. consolidou a necessidade de se demonstrar. A DECRETAÇÃO DA PRISÃO 19 . Mas a situação fática é esclarecida. Destaque-se que o paciente não teve o direito de se consultar com o seu advogado. é verídica. XXXX.A MERA EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS PENAIS EM CURSO NÃO AUTORIZA. SÓ POR SI.SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS QUE AFASTAM A RESTRIÇÃO SUMULAR . ou simulação na compra dos imóveis do paciente. Vale ressaltar que o Supremo Tribunal Federal.Os fatos acima esclarecidos são importantes. quanto ao Leilão da XXXXX. 747 do inquérito. pois esclarecem a situação perfeitamente: inexiste qualquer fraude.

de inquéritos policiais em curso ou de processos penais em andamento não basta. exceto quando já tornada irrecorrível eventual sentença condenatória.632 . prevalece o princípio da liberdade.A existência. razões justificadoras da imprescindibilidade dessa extraordinária medida cautelar de privação da liberdade do indiciado ou do réu. NO CASO.A PRISÃO PREVENTIVA NÃO PODE .Ser utilizada. sob pena de grave ofensa ao postulado constitucional que garante.E NÃO DEVE .NÃO PODE SER UTILIZADA COMO INSTRUMENTO DE PUNIÇÃO ANTECIPADA DO INDICIADO OU DO RÉU . pois. contra o indiciado ou o réu. contra aquele que sofre a persecução penal promovida pelo Estado.CAUTELAR DE QUALQUER PESSOA. no sistema jurídico brasileiro.ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E. para legitimarse em face de nosso sistema jurídico.A privação cautelar da liberdade individual reveste-se de caráter excepcional.FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO REAL DA ORDEM DE PRISÃO EXCESSO DE PRAZO . fundado em bases democráticas.DJe 26. incompatível com punições sem processo e inconciliável com condenações sem defesa prévia. Ausentes razões de necessidade.Rel. de condenação penal transitada em julgado não permite nem legitima. somente devendo ser decretada em situações de absoluta necessidade. DA NECESSIDADE CONCRETA DE DECRETAR-SE A PRISÃO CAUTELAR DO PACIENTE . de presunções desabonadoras ou. a qualquer pessoa.02. Celso de Mello . revela-se incabível. (STF . a decretação ou.Não cabe ao Supremo Tribunal Federal examinar a tese do excesso de prazo na custódia cautelar do paciente. P recedentes.p.INCREPAÇÕES DE FORMAÇÃO DE QUADRILHA E ESTELIONATO DECRETO DE PRISÃO QUE FAZ MERA REFERÊNCIA ÀS EXPRESSÕES DO ART. 312 do CPP (prova da existência do crime e presença de indícios suficientes de autoria) . a formulação. A PRISÃO CAUTELAR CONSTITUI MEDIDA DE NATUREZA EXCEPCIONAL . eis que a ausência. como instrumento de punição antecipada daquele a quem se imputou a prática do delito.1. NESSA EXTENSÃO.2010 . de inferências negativas.ENQUANTO MEDIDA DE NATUREZA CAUTELAR . para efeito de decretação da prisão meramente processual. 312 DO CPP . Pior: 20 .TESE NÃO ENFRENTADA PELAS INSTÂNCIAS PRECEDENTES .Que se evidenciem. não se legitima a privação cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu.Além da satisfação dos pressupostos a que se refere o art.PRISÃO PREVENTIVA . até mesmo. impõe . AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. em tais situações. A PRISÃO PREVENTIVA . Min. de juízo de desvalor. Isso porque se trata de u'a matéria que não foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça. CONCEDIDA . SOB PENA DE DESRESPEITO À PRESUNÇÃO CONSTITUCIONAL DE INOCÊNCIA . a subsistência da prisão meramente processual. pelo Poder Público. A prisão preventiva. ante a sua excepcionalidade. o direito de não ser tratada como se culpada fosse. só por si.Sem que se caracterize situação de real necessidade.HC 95. quando for o caso. 90) HABEAS CORPUS . para justificar a privação cautelar de sua liberdade. com fundamento em base empírica idônea.

Pelo que não se enxerga no decreto de prisão o conteúdo mínimo da garantia da fundamentação real das decisões judiciais. da relatoria da ministra Ellen Gracie. É que a ordem constritiva está assentada. tão somente. segundo a qual a presunção de não culpabilidade prevalece até o momento do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.2010) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL .213.Pedido parcialmente conhecido e.02.GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL SEGREGAÇÃO . instância judicante que se limitou a examinar os fundamentos da prisão processual do paciente. incompatível com punições e condenações sem o exercício da ampla defesa. Rel. 3No caso. Noutro falar: garantia processual que junge o magistrado a coordenadas objetivas de imparcialidade e propicia às partes conhecer os motivos que levaram o julgador a decidir neste ou naquele sentido. E 83. ao devido processo legal e à proporcionalidade.799.990. O que impede o julgamento do tema diretamente por esta nossa Corte. 312 do Código de Processo Penal . 93 da Constituição e sem a qual não se viabiliza a ampla defesa nem se afere o dever do juiz de se manter equidistante das partes processuais em litígio. pena de indevida supressão de instância. Precedentes: HCs 86.HC 98006 . COM RESIDÊNCIA FIXA E SEM ANTECEDENTES .PACIENTE PRIMÁRIO. pois num sistema democrático prevalece o princípio da liberdade. da relatoria do ministro Celso de Mello. O clamor público. a garantia da fundamentação das decisões judiciais implica a assunção do dever da demonstração de que o aprisionamento satisfaz pelo menos um dos requisitos do art. quais sejam. 2. 84.HABEAS CORPUS . na reprodução de algumas das expressões do art. da relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. devendo ser interpretados de acordo com as fi nalidades constitucionalmente legítimas da prisão processual. nessa extensão. Carlos Britto . Sem o que se dá a inversão da lógica elementar da Constituição. tenho por desatendido o dever jurisdicional de fundamentação real das decisões. ainda que se trate de 21 . frente aos requisitos legais do art. 312.842. concedido para cassar a ordem de prisão.PRISÃO PREVENTIVA REVOGAÇÃO QUE SE IMPÕE FACE A IRRAZOABILIDADE DE SUA FUNDAMENTAÇÃO . que não se confunde com o cumprimento de pena antecipada. 312 do Código de Processo Penal .DJ 05. 4. É necessária. Garantia constitucional que se lê na segunda parte do inciso LXI do art.1ª T. a demonstração de situações supervenientes e efetivas que justifi quem o sacrifício da liberdade individual em prol da viabilidade do processo. do Código de Processo Penal . (STF . Min. 82. 5º e na parte inicial do inciso IX do art. A prisão preventiva enquanto medida cautelar de natureza instrumental e excepcional não pode e não deve ser utilizada pelo Poder Público como instrumento de punição antecipada daquele a quem se imputou a prática do delito. portanto.nem sequer passou pelo crivo do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. da relatoria do ministro Sepúlveda Pertence.DESNECESSIDADE DA MANUTENÇÃO DA PRISÃO .PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: A vedação legislativa da liberdade provisória é inconstitucional porque ofende os direitos fundamentais à presunção de inocência. ou expressões equivalentes.Em matéria de prisão provisória.

eis que falou tudo o que sabia sobre os fatos e não seria sua soltura que desencadearia problemas para as investigações. (TJAM . sem surgimento de fato superveniente que assegure sua manutenção.DJe 02.crime hediondo. 4 – DA PENA PREVISTA. 22 .p.06. não justifi ca. O paciente precisa voltar ao trabalho e tal situação apenas lhe causa temor no espírito. em dissonância com o parecer do Ministério Público. em tese imputado ao suplicado.2ª C. EM TESE. a presunção de inocência e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. por unanimidade CONCEDER À ORDEM. a manutenção do paciente em cárcere revela-se medida completamente desnecessária. por violar o devido processo legal. Des. Transposta a necessidade da prisão provisória por um de seus requisitos. de tal modo. Rafael de Araújo Romano . 10) Ora. art. por si só. face a regular tramitação do feito. possui como pena prevista a detenção de 02 (dois) meses a um ano.HC 2010. são de menor relevância. pois sua família está desamparada. 358. a decretação ou a manutenção da prisão cautelar. Ora. ORDEM CONCEDIDA. nos termos e fundamentos do voto do relator.2010 . . PARA OS TIPOS PENAIS – PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO – DEMANDADO QUE NÃO PARTICIPA DE QUALQUER QUADRILHA – DESPROPORCIONALIDADE DA MEDIDA CAUTELAR Os delitos. sob pena de completa aniquilação do postulado fundamental da liberdade e de ganhar a medida contornos de pena ainda não imposta.001939-2 . o delito de fraude a arrematação judicial.Rel.Crim. em dissonância com parecer ministerial. assumindo nítido caráter de pena antecipada sujeita a juízos incompatíveis com a segurança jurídica. Acordam os Desembargadores que compõem a Egrégia Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas.

A própria decisão judicial. que determinou o cárcere e a investigação policial não demonstra qualquer contato do suplicante com as pessoas que. eis que se trata de um delito meio. portanto. Paulo Afonso.No que tange ao delito de falsidade ideológica. analisando friamente o caso concreto. os delitos imputados ao suplicado não seriam suficientes para uma pena de reclusão e. pelo delito do art. XXX. que o conhecem são o seu sócio. é questionável a imputação ao suplicante do delito de formação de quadrilha ou bando. e o cunhado do seu sócio. tratando-se a falsidade como meio de alcançar a fraude. Neste entendimento. insuficientes para a sua manutenção no cárcere. De tal modo. A fraude é pressuposto para a realização da suposta fraude à arrematação judicial. Assim. a prisão preventiva seria medida mais grave que a sua condenação. Logo. seria ela absorvida pelo delito central. O demandado sequer conhece os demais presos. integram a operação ilícita. ainda que embrionariamente. não mantendo qualquer relação negocial ou de amizade com eles. supostamente. utilizado para incrementar a tipicidade da suposta conduta. ele é absorvido. Há desproporcionalidade. Mas não basta. Os únicos envolvidos na Operação Arremate. se condenado fosse. 23 . pelo princípio da consunção. 358 do CP.

são imputadas as condutas tipificadas nos artigos 288.137/90) e. 299 do CP. se analisados separadamente. Lei 8. muitos dos delitos acima delineados são de menor potencial ofensivo (Art. nos termos do art. Ao paciente. 89 da lei 9. Por outro lado. sendo medida desproporcional a manutenção do paciente no cárcere. uma pena de 01 (hum) a 03 (três) anos de reclusão. 358 do CP (fraude em arrematação judicial). todos do CP. caberia a aplicação da suspensão condicional do processo. como já dito.099/99. verifica-se que os delitos atribuídos são de menor lesividade social. 299. I. privando-o do seu sustento e da manutenção do seu lar. 358. seriam passiveis de transação penal. como dito anteriormente. Veja-se que. 24 . De plano. a manutenção da prisão do suplicado apenas lhe afastará do seu trabalho e da sua família. em seu preceito secundário. os delitos imputados ao suplicado não são de grande relevância. comina uma reprimenda de 01 (hum) a 05 (cinco) anos de reclusão. O delito de formação de quadrilha traz. Nenhum deles foi. Já a falsidade ideológica prevista no art. praticado mediante o uso de violência ou grave ameaça. considerando a pena abstratamente cominada. a lei penal atribui uma pena de 02 (dois) meses a 01 (hum) ano de detenção.O raciocínio é imprescindível para comprovar que. No que concerne ao art. 358 do CP e 2º. supostamente. ainda que em tese. Aos remanescentes.

Os delitos a ele imputados possuem uma pena cominada de baixa relevância e.WRIT EM PARTE PREJUDICADO (2) QUEBRA . que a própria decisão diz que apenas existem indicativos de participação. poderá lhe reduzir à condição de miserabilidade.CRIME SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA . posteriormente. então.REFERÊNCIAS GENÉRICAS . o que.MODIFICAÇÃO DO QUADRO FÁTICO . participou de leilões para arrematar bens e usá-los em sua atividade comercial...INÍCIO DO CUMPRIMENTO DE PENA . O paciente. que o demandado esteja preso preventivamente. como se nota da própria decisão que concedeu a prisão preventiva: a) indicativos de que fez parte da divisão da caixinha do Leilão do Município de Lagarto/SE (03/12/2010). pois se trata de um corretor de imóveis.RECEPTAÇÃO LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE FIANÇA (1) PRISÃO DE UM DOS PACIENTES .O suplicado é profissional liberal e cada dia que passa no cárcere é uma nódoa à sua imagem perante a sociedade. falta proporcionaldiade à medida cautelar.) 2. venha-se a verificar que ele está preso sem possuir qualquer relevância para a “operação arremate”.MOTIVAÇÃO IMPROPRIEDADE (3) FUNDAMENTO PARA PRISÃO PREVENTIVA . Imagine-se.PRISÃO . O prejuízo para a sua imagem e para o seu trabalho já é incomensurável. 25 .A prisão processual é medida odiosa.PROPORCIONALIDADE VIOLAÇÃO – (. Muito pior: não há certeza do envolvimento do paciente no esquema criminoso. e não se pode tentar adiantar uma pena. aliado à interrupção do seu trabalho. Valioso é o ensinamento do STJ: PROCESSO PENAL . A fragilidade da prova é tal. em tese.AUSÊNCIA (4) PRIMARIEDADE . através da prisão cautelar. Preclaro Julgador. como dito. por exatos 14 (catorze dias) e.HABEAS CORPUS .IDONEIDADE . portanto.

312 do Código de Processo Penal . ainda que haja descumprimento de medida protetiva de urgência.A simples menção. 180 do Código Penal . SEM A NECESSIDADE DE BUSCA E APREENSÃO 26 . revela-se como excessiva a prisão provisória. e. 2578) Portanto. para tanto.615 (2009/0019977-0) .Sendo os pacientes primários.Relª Minª Maria Thereza de Assis Moura DJe 21. notadamente em se tratando de delitos punidos com pena de detenção. 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL . 5 – DA PRISÃO EM FLAGRANTE POR POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO – DELITO AFIANÇÁVEL – DESPROPORCINALIDADE – ARMA DE FOGO QUE FOI ENTREGUE ESPONTANEAMENTE E DE BOA FÉ. presos em flagrante pelo art.É imprescindível que se demonstre. a necessidade da imposição da custódia para garantia da ordem pública.06.Delito sem violência ou grave ameaça-.ORDEM CONCEDIDA – (. da ordem econômica. tendo em conta o caráter instrumental das cautelares penais e o princípio da proporcionalidade. não autoriza a providência extrema.(2008/0036514-3) . concedo a ordem para assegurar a liberdade provisória. acolhido o parecer ministerial e confirmada a liminar.ART. 3.340/2006 (LEI MARIA DA PENHA) .512 .6ª T. por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da Lei penal.2011 .2008 . . sendo imperioso alinhar-se.p.Rel.marcada pelo signo da imprescindibilidade. mediante compromisso de comparecimento a todos os atos processuais.. sem o que não se mostra razoável a privação da liberdade. genérica. especificamente em relação aos autos da Ação Penal controle 276/2008.. Min. o cárcere do suplicado revela-se medida extrema. elementos concretos.p. da 2ª Vara Judicial da Comarca de Mairiporã/SP. com pena mínima de um ano de reclusão. 5. com explícita e concreta fundamentação.HC 127. 1468) – grifo intencional HABEAS CORPUS . aos termos do art.) 2. no tocante ao paciente MARCELO DA SILVA XAVIER. cujos fundamentos não mais persistem.Ordem concedida. Paulo Gallotti . (STJ .HC 100.PRISÃO PREVENTIVA DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA FUNDAMENTO INSUFICIENTE NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS QUE AUTORIZAM A CUSTÓDIA CAUTELAR .LESÃO CORPORAL E AMEAÇA CRIMES ABRANGIDOS PELA LEI Nº 11. 3.Ordem prejudicada em relação ao paciente FLÁVIO RODRIGUES (cassada a liminar que lhe foi deferida). (STJ .DJe 23. 4.02.

é analisada a desnecessidade da prisão em flagrante. Todavia. A arma. decorrente da posse e porte irregular de arma de fogo. A despeito da sua prisão em flagrante. deixou de renovar o seu registro e porte. a trabalho. De fato. eis que apenas é punido com detenção: 27 . eis que não mais a utiliza. Seus projéteis. por ocasião da busca e apreensão de documentos na residência do paciente. constantemente. permitida. conforme o documentário. estavam acondicionados dentro do estojo próprio. o paciente revelou que possuía a arma e que seu porte estava irregular. desde o ano de 2009. De qualquer modo. estava guardada em local apropriado e desmuniciada. o demandado não tentou justificar sua conduta. O que motivou o suplicado a adquirir a arma de fogo e tirar o seu porte foi a necessidade que tinha de viajar. Conforme os termos do auto de prisão em flagrante e conforme os depoimentos dos condutores.No presente remédio heróico. em decorrência de contínuas postergações. Hoje. indicando onde estava a arma e a sua munição. o delito pelo qual o suplicado está preso não é motivo para a sua manutenção no cárcere. ou mesmo criar versões para evadir-se. o suplicado não mais viaja e o uso da arma não é mais necessário. o requerido tinha a posse de arma de fogo. por descuido. lhe foi questionado se ele possuía arma de fogo. por sua vez. A falta de renovação do registro e do porte decorre do desuso da arma. Prontamente. também. cujo porte e registro estão vencidos.

de 24. inexistem razões para a negativa da fiança.5. (Redação dada pela Lei nº 6. sem qualquer motivo.nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a 2 (dois) anos. Também. por tal razão.nos crimes punidos com reclusão. 323. (Redação dada pela Lei nº 6. de 24.1977) II . se houver no processo prova de ser o réu vadio. Não será concedida fiança: I . a manutenção do suplicado em cárcere é medida deveras desproporcional.416.1977) IV . acessório ou munição. No caso presente. Ademais.1977) 28 . em desacordo com determinação legal ou regulamentar.nos crimes dolosos punidos com pena privativa da liberdade. O Código de Processo Penal estabelece: Art. que provoquem clamor público ou que tenham sido cometidos com violência contra a pessoa ou grave ameaça.5.416.416. se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. em sentença transitada em julgado.5.Art. 12. desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena – detenção. (Incluído pela Lei nº 6. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo. (Redação dada pela Lei nº 6. mas ela simplesmente não foi concedida pela autoridade policial. observa-se que o delito pelo qual o suplicado está preso admite a concessão de fiança. e multa. ou. ainda no seu local de trabalho. V . de 24. de 1 (um) a 3 (três) anos. no interior de sua residência ou dependência desta. de 24.nas contravenções tipificadas nos arts.416.em qualquer caso.5. 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais.1977) III . de uso permitido.

Des.aos que. III .quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art. 312).1977) No caso presente.Art. (Incluído pela Lei nº 6. 3. sobretudo.HC 20100020152531 . Ordem denegada. Roberval Casemiro Belinati . salvo se processado por crime culposo ou contravenção que admita fiança. 350. pela prática dos crimes previstos no artigo 180. o que demonstra que o paciente revela destemor e não se intimida com a aplicação da lei penal.POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO . 2. inclusive.O paciente ostenta uma condenação. é afastá-lo do seu trabalho e da sua família.PRISÃO EM FLAGRANTE Pedido de liberdade provisória indeferido ao fundamento de garantia da ordem pública. Manter o suplicado no cárcere.Não obstante o crime de posse irregular de arma de fogo de uso restrito tenha sido praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa.416. IV . confessou o delito. mas não transitada em julgado. 1. Reiteração criminosa. 324. tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido.(468155) . no mesmo processo. igualmente.5. podendo levá-lo à condição de miserabilidade.ao que estiver no gozo de suspensão condicional da pena ou de livramento condicional. Não será. mantida em sede de apelação. e artigo 16. do código penal . de prisão disciplinar. sem motivo justo. concedida fiança: I . inciso IV. que. (TJDFT .826/03 . 105) 29 . a folha penal do paciente justifica a manutenção de sua prisão. administrativa ou militar.em caso de prisão por mandado do juiz do cível.Habeas corpus admitido e ordem denegada para manter a decisão que indeferiu pedido de liberdade provisória em favor do paciente. em atendimento ao requisito de garantia da ordem pública. Eis o que diz a jurisprudência: HABEAS CORPUS .2010 . caput. além de que responde a uma ação penal pelo crime de tentativa de homicídio. inexistem razões para que a fiança seja negada ao suplicante. de 24.DJe 10. qualquer das obrigações a que se refere o art. diante da probabilidade de que volte a delinquir.12. voltando a delinquir.Rel. da lei 10.p. II . parágrafo único.

em que o paciente entregou espontaneamente a sua arma de fogo.I. deve estar devidamente comprovada a necessidade de tal restrição da liberdade. .DJU 12. IX.826/03 .2005 . em tese.HC 1. que digno. essa conduta. 64) HABEAS CORPUS . . no interior dos muros de seu terreno apontava a arma para terceiros.Rel. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Alexandre Victor de Carvalho . apenas lhe garante o sustento dos seus.HBC 20040020087978 . a ausência de grave ameaça e violência permite que o paciente seja posto em liberdade. também que ele diga.ORDEM CONCEDIDA .HABEAS CORPUS . 32 da Lei 10. (TJDFT . Por todo o exposto é que a prisão do paciente deve ser revogada. o que significa dizer.A doutrina e jurisprudência entendem que toda e qualquer espécie de prisão.OCORRÊNCIA . 30 . a ordem impetrada.Crim.0000.PRISÃO EM FLAGRANTE POR INFRAÇÃO AOS ARTS. cujo o registro e porte estavam apenas vencidos. É. amoldase ao tipo previsto no art. 12 E 14 DA LEI 10.p. não merece ser acolhido o pleito de trancamento da ação penal. Concessão parcial da ordem para que a paciente responda a ação penal em liberdade.J. para que se veja restabelecida a liberdade do paciente.2ª T. Des. 22. justamente. Por isso mesmo. in fine. Romão C. permitindo. e não à conduta tipificada como posse irregular de arma de fogo de uso permitido. 32 do mesmo diploma legal. caput. não há que se falar em atipicidade da conduta em face do que dispõe o art.LIBERDADE PROVISÓRIA .Se a decisão que contém o indeferimento de pedido de liberdade provisória não está fundamentada em dados concretos dos autos. Conduta descrita que se ajusta ao tipo de porte ilegal de arma e não de posse irregular.05. concedendo-se. o caso dos autos.06.CONSTRANGIMENTO ILEGAL .Rel. tem natureza cautelar. permitindo ao autor rever a sua família e seguir com seu trabalho. sob o compromisso de comparecimento a todos os seus atos ( art.2009 ) Conforme se verifica da transcrição acima.DECISÃO PRIMEVA CARENTE DE FUNDAMENTAÇÃO . (TJMG .495853-5/000 . Oliveira . II. para que a paciente responda ao processo em liberdade. do CPP ).Alegação de atipicidade da conduta em face do disposto no art.Crim. 93.5ª C. no entanto.POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO .826/03. DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA . 14 do estatuto do desarmamento. Trancamento da ação penal .09. deve ser cassada. Conseqüentemente. Se os fatos narrados no auto de prisão em flagrante estão a revelar que a paciente.INTELIGÊNCIA DO ART.Impossibilidade.INDEFERIMENTO . IIIOrdem concedida. 310.

Requer também o arbitramento de fiança quanto ao delito tipificado no art. pede deferimento.5 – REQUERIMENTOS Diante de todo o exposto. mui respeitosamente. Nestes termos. 12 de maio de 2011. para que o paciente possa ser imediatamente reintegrado ao convívio social. a concessão da ordem no presente habeas corpus. vez que não estão presentes os requisitos determinados pelo art. XXXXXXX 31 . requer. mediante o compromisso de comparecer a todos os atos do processo e da investigação policial. uma vez que se trata de infração afiançável. Aracaju. 312 do CPP. 12 do estatuto do desarmamento.

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