EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO

FULANO DE TAL, QUALIFICAÇÃO, vem à presença de Vossa Excelência, “mui” respeitosamente, com fulcro no artigo 5º, incisos LVIII e LXVI, da Constituição Federal, bem como nos artigos 647 e 648, inciso I, ambos do Código de Processo Penal, impetrar a presente ordem de

HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR

em favor de PACIENTE, qualificação, atualmente recluso no Complexo Penitenciário Carvalho Neto, desde o dia 04 de maio de 2011, localizado no XXX, mas que possui como residência fixa um imóvel na endereço fixo, com base nos argumentos fáticos e jurídicos doravante delineados, em face da decisão de segregação cautelar proferida pelo Digníssimo Juiz Titular da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe, nome do Juiz.

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1 – CONTORNO FÁTICO

A Polícia Federal realizou operação investigatória denominada XXX, na qual foram efetuadas 16 (dezesseis) prisões cautelares, dentre elas a do paciente.

Segundo o procedimento administrativo inquisitório supracitado, o paciente foi inserido em um grupo de pessoas, hoje encarcerados cautelarmente teriam, supostamente, fraudado arrematação judicial, através da inibição de outros concorrentes do certame, utilizando-se, para tanto, de falsificações de autos de arrematação.

Diante de tais atos, o d. juiz Titular da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de XXXX, o Dr. XXX, decretou a prisão preventiva de 11 (onze) indivíduos, e a prisão temporária de 5 (cinco), dentre estas a do paciente, atendendo a requerimento da Polícia Federal.

Ao paciente foram, hipoteticamente, imputadas as condutas tipificadas nos arts. 288 (formação de quadrilha), 299 (falsidade ideológica) e 358 (fraude em arrematação), todos do CP.

A decisão que decretou as prisões, concessa venia, merece reforma, em face das determinações Constitucionais e legais que incidem sobre o caso concreto.

Quanto ao paciente, afirmou o d. Magistrado, que:

a) Decisão

Verifica-se, diante de uma breve análise da decisão, que ao paciente é imputado o fato de ter descrição da conduta.

Realmente, o paciente participou dos XXXXXX, mas não da forma como presumiu a Polícia Federal.

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Como será devidamente analisado, em seu depoimento na Polícia Federal, o paciente esclarece que adquiriu para si mesmo os imóveis, juntamente com o seu sócio (XXXXX) e que jamais participou do leilão ocorrido no Município de XXXXXX.

Entretanto, desde já, destaque-se que o paciente jamais arrematou os bens para terceiros, mas para si e para seu sócio, eis que negociam com imóveis. O paciente, como dito em sua qualificação, é corretor de imóveis.

A decisão ora repudiada, que culminou na segregação cautelar do requerente, não possui, apesar do esmero costumeiro, fundamentação bastante e suficiente a ensejar a medida excepcional supracitada.

Vale ressaltar que, quando da efetivação da prisão temporária do paciente, esse entregou, voluntariamente, aos agentes da polícia federal, de forma espontânea, arma de fogo de uso permitido e da qual possuía o registro e a posse apenas vencidos, sendo preso em flagrante pelo delito tipificado no art. 12 do estatuto do desarmamento.

Os argumentos acima aduzidos serão demonstrados nos tópicos que se seguem de forma minuciosa.

Esse é, resumidamente, o contorno fático.

2 – DECISÃO GENÉRICA – AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS QUE DETERMINAM A SEGREGAÇÃO CAUTELAR – ART. 312 DO CPP – FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO.

A Constituição Federal, diploma maior do ordenamento jurídico brasileiro, determina que a segregação cautelar do indivíduo é medida de exceção, sendo a liberdade a regra.

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Em verdade. são as situações excepcionais nas quais o legislador entendeu que seria possível restringir o direito fundamental à liberdade do cidadão. mas com verdadeira força normativa. não pode ser realizado de forma geral e genérica. Preceitua o artigo 5º. ou para assegurar a aplicação da lei penal.” (grifo nosso) Logo. A fundamentação a que se refere anteriormente está prevista no art. inciso LXI que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. o decreto prisional não pode abster-se de trazer argumentos concretos para que se caracterize a situação de excepcionalidade prevista na lei. não se resumindo a transcrever a lei. por conveniência da instrução criminal. na busca de um bem maior: o bem estar da coletividade e a devida instrução criminal. 312 do CPP: Art. tentando transparecer uma suposta situação de legalidade.Tal entendimento não pode ser subvertido. 312 do CPP. antes de tudo. 312. Prescreve o art. segregando-o no cárcere. deve apresentar os requisitos determinados pela lei processual penal. principalmente em um Estado Democrático de Direito. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. da ordem econômica. 4 . especificar as condutas de cada um dos agentes. Ou seja. deve delimitar os fatos. definidos em lei. Deve. em que a nossa Carta Magna não funciona apenas como um diploma dotado de diretrizes. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública. quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.

afirmando que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. em seu art. legitimam e fundamentam a decisão judicial que efetiva o decreto prisional cautelar. Mas. praticou uma conduta. Apesar do esmero costumeiro. A fim de atender aos requisitos legais. cada agente.” Portanto. associados aos indícios de autoria e à certeza da pratica delituosa. sem os quais se faz impossível a prisão. separadamente. jamais de forma conjunta. a decisão deve trazer um arcabouço probatório mínimo. que demonstre a real ocorrência dos requisitos legais. pois indica: que o simples fato de estar respondendo a um processo criminal não é argumento suficiente para cercear a liberdade do réu. para que tal decisão seja válida. deveria ser procedida uma análise da situação de cada indiciado. inciso LVII. deve-se observar que.A leitura do dispositivo é esclarecedora. devem estar presentes outros elementos. consagrou o princípio da presunção de inocência. 5º. sendo imputados delitos diversos. ou seja. Eles devem ser comprovados de forma objetiva na decisão judicial. supostamente. não é suficiente uma mera transcrição dos elementos exigidos pela lei. A Constituição Federal. Transcreva-se trecho da decisão para melhor elucidação: 5 . Os requisitos do cárcere preventivo. a decisão proferida pelo Excelentíssimo Magistrado da 3ª Vara Federal de Sergipe não reúne as condições necessárias para legitimar o estado prisional do paciente. pois. A explicação para tal assertiva é simples.

livrando a Administração Pública da ação delituosa da quadrilha ora investigada. sem meras suposições. manipular provas ou fazê-las desaparecer. da mera materialidade delitiva. pela forma que atuam os membros do bando. Utiliza-se. mais uma vez.“Urge que a ordem pública seja imediatamente restabelecida. senão veja-se: “A conveniência da instrução criminal também fundamenta as prisões em tela. efetivamente. restaurando-se a legalidade.” O decisum em quaestio traz à baila a garantia da ordem pública como forma de fundamentar o decreto prisional. Materialidade delitiva é uma coisa. Mas não é só. Garantia da ordem pública é outra. o que somente será possível com a desarticulação do bando. efetivamente. caso o paciente permaneça em liberdade. A referida decisão também se pauta na conveniência da instrução criminal. a digníssima decisão apenas faz referência ao requisito legal da conveniência da instrução criminal. para tanto. como fazem intimidando e constrangendo licitantes e membros de outros grupos interessados em licitar durante os leilões de que participam. bem assim constranger ou intimidar testemunhas. credibilidade dos leilões públicos. iriam interferir na produção probatória. sem meras presunções. assim que tomarem conhecimento dos fatos apurados.” Veja-se que. poderão. sem apontar qualquer prova nos autos de que esta estaria sendo ferida. sem trazer qualquer prova de que os agentes. 6 . através das prisões pretendidas. A narrativa fática do modus operandi dos alvos do decreto prisional não preenche o requisito que autoriza a segregação em face da garantia da ordem pública. Deve ser demonstrado. eis que. moralidade.

que diz: PROCESSO PENAL . sem indicação de qualquer probabilidade concreta de prejuízo à instrução criminal. que.. Valiosa é a jurisprudência da Corte Superior de Justiça.IDONEIDADE . meras suposições. esposa. com filhos. a Polícia Federal realizou uma investigação de aproximadamente 18 (dezoito) meses. marcada pelo signo da imprescindibilidade. poderia prejudicar a instrução criminal? A d.MOTIVAÇÃO IMPROPRIEDADE (3) FUNDAMENTO PARA PRISÃO PREVENTIVA . sem observar a peculiaridade e necessidade de cada caso.. o paciente.PROPORCIONALIDADE VIOLAÇÃO – (. decisão não diz e o seu silêncio manteve o paciente em cárcere.WRIT EM PARTE PREJUDICADO (2) QUEBRA . inclusive o paciente. Pergunta-se: como poderia. já foram ouvidos.PRISÃO . 7 . 3. elementos concretos. corretor de imóveis que é. ou de que modo.RECEPTAÇÃO LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE FIANÇA (1) PRISÃO DE UM DOS PACIENTES . A decisão em comento tratou todos indistintamente. Vale ressaltar que. conforme manchete de jornal inclusa.Pauta-se em meras conjecturas. primário e sem antecedentes desfavoráveis.REFERÊNCIAS GENÉRICAS .AUSÊNCIA (4) PRIMARIEDADE .INÍCIO DO CUMPRIMENTO DE PENA .CRIME SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA . De tal maneira.HABEAS CORPUS . sendo imperioso alinhar-se. Também.A prisão processual é medida odiosa. já foram concluídos. angariando um vasto arcabouço probatório nos autos.) 2. para tanto.MODIFICAÇÃO DO QUADRO FÁTICO . Insista-se à exaustão: não há qualquer prova que demonstre a periculosidade do requerente ou a possibilidade de destruir provas ou coagir testemunhas. deve-se atentar para o fato de que todos os supostos envolvidos. a soltura do paciente jamais influenciaria os trabalhos investigativos. conforme já explicitado. residência fixa.A simples menção.

180 do Código Penal . 312 do Código de Processo Penal . sem qualquer embasamento probatório. dificultando a marcha das investigações ou do provável processo criminal e. mediante compromisso de comparecimento a todos os atos processuais.HC 127. 1468) – grifo intencional Por fim.615 (2009/0019977-0) . e. ensejando suas impunidades. de ausência de fundamentação concreta e individualizada.6ª T.2011 . no tocante ao paciente MARCELO DA SILVA XAVIER. sem qualquer prova substancial da real possibilidade de frustração da aplicação das reprimendas penais pelo paciente. revela-se como excessiva a prisão provisória. não autoriza a providência extrema. tendo em conta o caráter instrumental das cautelares penais e o princípio da proporcionalidade. quando se manifesta sobre a manutenção da prisão do paciente. presos em flagrante pelo art.Delito sem violência ou grave ameaça-. acolhido o parecer ministerial e confirmada a liminar. afirma que deve ser mantida a segregação cautelar em face do delito de posse ilegal de arma de fogo de uso 8 . da 2ª Vara Judicial da Comarca de Mairiporã/SP. De tal modo. 4. com pena mínima de um ano de reclusão.Ordem prejudicada em relação ao paciente FLÁVIO RODRIGUES (cassada a liminar que lhe foi deferida).Relª Minª Maria Thereza de Assis Moura DJe 21. (STJ .genérica. afirmou que todos podem fugir. afirmou que há necessidade de se assegurar a futura aplicação da lei penal: “A necessidade de se assegurar a aplicação da lei penal é também fundamento para as prisões cautelares em apreço.p. Impende observar que o próprio Ministério Público. quiçá. especificamente em relação aos autos da Ação Penal controle 276/2008. .Sendo os pacientes primários. Além de tratar todos indistintamente.02. aos termos do art. concedo a ordem para assegurar a liberdade provisória.” Mais uma vez. 5. toda decisão que segregou a liberdade do paciente de forma preventiva padece. data vênia. o decreto prisional se pauta em meras conjecturas. posto que os integrantes do bando poderão fugir ou esconder-se.

1. é de se analisar as características pessoais do paciente.. sequer. 2076): “Em relação a Geovane Souza Simões. como se fará doravante: 2. merece ser mantida a decisão que decretou a prisão preventiva. no lugar da temporária. Assevere-se que o delito de posse irregular de arma de fogo é afiançável e jamais poderia ser justificativa para a manutenção do paciente em cárcere. vale invocar os fundamentos acima expendidos. quando da operação. relação ao requerimento de Cláudio.” (grifo nosso) (. com único fundamento. investigado por qualquer outro delito (primariedade e bons antecedentes). não há qualquer precedente criminal na sua vida pregressa. Logo. Nada mais disse o Ministério Público sobre o paciente. tendo em vista que com ele também foi apreendida arma em situação irregular – devendo ser denegado. pelo crime de posse de arma de fogo sem registro. Não por causa dos eventuais crimes tributários que as novas conversas revelaram.1. O paciente é um cidadão que nunca foi preso ou. sendo que tal infração é afiançável. senão veja-se (fls. Entretanto. 9 . com a finalidade de melhor expor os motivos de revogação da prisão preventiva..permitido (art. Trata-se de réu primário. Características pessoais do paciente Antes de adentrar aos requisitos objetivos da prisão preventiva. 12 do estatuto do desarmamento). serão analisados um a um os requisitos legais. pelas razões já aduzidas.) Da mesma forma. mas em função de sua prisão em flagrante.

com um passado sem mácula. O paciente é pai de família e nunca foi investigado por qualquer delito. arrematando bens de menor valor. ainda que apenas em fase investigativa. mesmo a decisão que determinou a prisão preventiva. com circunstâncias completamente distintas e as características e particularidades do requerente devem ser analisadas em separado. somente participou de 02 (dois) leilões judiciais. mesmo a decisão judicial – e a própria investigação policial – reconheceu que sua presença em hastas públicas. reconheceu que o suplicado. O processo originário é deveras extenso. 312 do CPP. mas o demandante deve ser visto de forma diferenciada. Como dito. não há preenchimento das condições do art. Logo. pois conta com inúmeros réus. ainda que em tese. Possui residência fixa e patrimônio compatível com a sua renda. O requerido sempre exerceu a sua profissão de corretor de imóveis e. não era corriqueira. pois demonstra o seu caráter inofensivo. Portanto. ou seja. pois não se trata de um suposto delinqüente contumaz. seu cárcere deve ser interpretado como fato isolado na sua vida e que gerou e continua a gerar conseqüências desastrosas em sua família e na comunidade em que está inserido. as características pessoais possuem relevância para o caso concreto. não se pretende atribuir responsabilidade a quem quer que seja. se deu apenas em duas oportunidades. Os réus são diferentes. Assim. pois contra ele não existe prova sólida. Neste entendimento. onde amparam a revogação da prisão preventiva.O fato de ser uma pessoa primária e que goza de bons antecedentes é fato importante. 10 .

sem antecedentes criminais e com residência fixa? Nenhuma. A garantia da ordem pública e econômica. pai de família. esta deve atender ao binômio: gravidade da infração + repercussão social. Ainda que o delito esteja tipificado. não há qualquer sinal de comoção pública pela gravidade do delito. como formação de quadrilha. 11 . Garantia da ordem pública A situação do demandante é alheia ao requisito de garantia da ordem pública. o emprego de violência na execução do delito é o principal critério para a avaliação da gravidade do delito. a gravidade da infração está intimamente ligada à violência do fato e ou à pena cominada para o caso concreto. Geralmente.2.1. falsidade ideológica e fraude em arrematação judicial. O delito imputado ao requerente não foi praticado com o uso da força ou de qualquer outro meio que demonstre violência. que temeridade social representa um homem casado. mero corretor de imóveis. Primeiramente. que representa uma temeridade social. Ora.2. Não há registro de emprego de violência ou grave ameaça na execução dos delitos e não há registro de tentativa de linchamento ou pânico com a reinserção do demandante no seio da sociedade. e apenas tipificado pela autoridade inquisitória. O paciente é uma pessoa sem qualquer antecedente de violência e não representa qualquer ofensa à ordem pública.

Tribunal de Justiça de Sergipe. Relator: Gilson Góis Soares. esclarece as supostas situações que fundamentaram seu cárcere. Recurso em Sentido Estrito Nº 0018/2005. mesmo que provisório. a paz social não foi alterada com a prisão do acusado e não será modificada com a sua soltura. apresentada no corpo do inquérito. 612. impõe-se a liberação do paciente. notadamente quando não mais evidenciado os pressupostos do artigo 312 do CPP. Julgado em 31/08/2006. vindo a prejudicar a ordem pública. A prova. é sempre exceção. Ademais. Ora. Não evidenciado esse conflito. Mais: o seu depoimento. Mas nenhuma animosidade pública foi demonstrada. ensejando a revogação prisional do acusado”2. Pior: a concessão da revogação da prisão do demandante. enquanto a liberdade é a regra”1. como. repita-se. prestado na Polícia Federal. 5ª ed. por exemplo. São Paulo: editora Revista dos Tribunais. o eventual comprometimento daquela por esta. 12 . não implica dizer que ele venha a cometer delitos. que inclusive concedeu uma entrevista coletiva. não revelou em momento algum.Como reitera Guilherme de Souza Nucci. Mais claro: a opinião pública somente teve conhecimento do fato pela própria Polícia Federal. é “imprescindível a demonstração quantum satis da colisão do princípio da preservação da paz social sobre o da liberdade individual e. a “cessação dos motivos que ensejaram a decretação da prisão cautelar impõe-se a revogação. bem asseverou o Desembargador do Estado de Sergipe Gilson Góis Soares que para haver o confinamento. permitindo a divulgação do acontecimento em toda a mídia. a participação ativa do requerente na execução dos delitos investigados. 2006. a sua sociedade com o também indiciado XXXXX – interpretada como algo ilícito. de forma que não está atendido o requisito da concessão da prisão preventiva em relação ao demandante. 1 2 Código de Processo Penal Comentado. pg. uma vez que a prisão.

XXXXX. através das suas declarações. o que se vê é que ele não participa delas. nada mais. Veja-se que as gravações das escutas telefônicas não comprometem o demandante em nenhuma ocasião. Os bens adquiridos não foram vendidos a qualquer grupo participante da suposta organização criminosa. a todo momento. o paciente foi inserido. esclarecendo os sobre os quais foi inquirido. em um grupo ao qual não pertence. pagando parceladamente o seu débito. salvo o seu sócio XXXX e o cunhado dele. pelo contrário. Entretanto. a fim de usá-lo na sua atividade – venda de imóveis. Mais: o indiciado sequer possui qualquer tipo de amizade com os demais presos. O suplicado é corretor de imóveis e adquiriu os dois imóveis para usá-los na sua atividade. 13 . o suplicado adquiriu para si o imóvel. observe que a soltura do demandante em nada ameaça a ordem pública. pela Polícia Federal. Em verdade. contribuiu. daí a necessidade da revogação da sua prisão. por seu turno. Portanto. com a investigação. pode-se observar que o paciente diz: Declaração Como se vê.O suplicado.

Descreve o requisito Guilherme de Souza Nucci: “Trata-se de motivo resultante da garantia de existência do devido processo legal. porquanto seu comportamento não se amolda a quaisquer das situações que autorize sua segregação. Conveniência da instrução criminal e garantia da aplicação da Lei O cárcere do suplicado não está amparado na conveniência da instrução criminal. visando à perturbação do desenvolvimento da instrução criminal. por isso. mas sobretudo do réu. e dessa forma não servirá a manutenção do seu cárcere. A decisão combatida. na busca da verdade real. todos os acusados já prestaram seus depoimentos pessoais.1. com dois filhos impúberes. 14 . que compreende a colheita de provas de um modo geral. contribuindo assim com as investigações. pois acredita na sua inocência. abalos provocados pela atuação do acusado. aliás. Mais: o preso é um homem casado. não representa qualquer perigo para a ordem pública ou à instrução. 611. interesse maior não somente da acusação. e que tem o seu trabalho como meio de sustento e. pai de família. Diante disso.3. equilibrada e imparcial. Daí. é motivo para ensejar a prisão preventiva.2. p. A conveniência de todo processo é que a instrução criminal seja realizada de maneira lisa.”3 O demandante já prestou seu depoimento pessoal. não apontou qualquer dado concreto de possibilidade de fuga. o seu aspecto procedimental. 3 Idem. dessume-se que a prisão do demandante tem se mostrado inócua e desnecessária. Reitere-se ainda. para a conveniência da instrução criminal. também. que o suplicado possui residência fixa e não pretende dela evadir-se.

02 (dois) anos de investigações e. pela sua atitude e pelas suas características pessoais ele possa alterar o bom andamento de uma instrução e isso não é possível concluir com o que se tem nos autos. b) conveniência da instrução criminal. neste momento. 312. os filhos do paciente e sua esposa estão passando privações e dependendo da ajuda de familiares para sobreviver. eis que as provas que deveriam ser produzidas pela Polícia Federal já estão inseridas no inquérito policial. em absoluto. já concluído neste momento. diante do acervo probatório já colhido através das escutas telefônicas e dos depoimentos e testemunhos colhidos na Polícia Federal. retomar as suas atividades normais e ter de volta a sua vida normal. consigne-se: a) garantia da ordem pública. Enquanto preso. o mais rápido possível. ou econômica. do CPP. assim como da sua esposa. não seria a soltura do paciente que ocasionaria um entrave às investigações. 15 . Inclusive. Mais: a instrução processual já se encontra robusta. Ora. o que preocupa o legislador é a fruição do bom andamento da instrução criminal. o paciente deseja. Conforme a lição. eis que seus filhos dependem do seu trabalho para o sustento. sem a interferência dos acusados na produção probatória.Calha frisar. por oportuno. que não existe razão para que não seja concedida a liberdade provisória. Desta forma. a soltura do paciente será indiferente para o andamento da instrução criminal. Admitir que a liberdade do requerente representa óbice à instrução é admitir que. vez que o acusado não preenche. os requisitos arrolados no art. c) para assegurar a aplicação da lei penal. que é dona de casa. a operação “xxxxx” é fruto de. aproximadamente.

16 . 1385) É o caso dos autos. Não é isso que se vê. Juiz Élcio Pinheiro de Castro DJU 06. pois o processo principal conta com inúmeros requeridos. no correr do processo. Logo.CPP). Por fim.REVOGAÇÃO . 2. No caso presente a manutenção da prisão está a garantir a aplicação da lei.2001 .01.04.1. Ordem concedida. Reitere-se que a situação do paciente deve ser analisada individualmente. é obrigá-la a viver em miséria – pior: sem os requisitos legais autorizadores da sua prisão. revoga-se a prisão ante tempus. onde não persistem as condições de segregação.FUNDAMENTOS . não mais persistindo os motivos autorizadores da custódia cautelar. na espécie.Manter o paciente em cárcere é condenar sua família à desgraça.Rel.018033-7 . se sobrevierem razões que a justifiquem" (art. in verbis: HABEAS CORPUS .QUADRILHA E CORRUPÇÃO ATIVA PRISÃO PREVENTIVA . é fazê-la passar por privações. 316 . em situações distintas. outorgando ao paciente o benefício da liberdade provisória. a incidência de dispositivos vedando concessão do aludido benefício legal.p. bem como de novo decretá-la. coteje-se o ementário do Superior Tribunal de Justiça acerca da excepcionalidade da prisão preventiva e dos seus requisitos. mormente quando não há. previstas no art.HC 2001.06. 312 do CPP.2ª T. verificar a falta de motivo para que subsista. . que sequer se sabe cometido pelo paciente. Está a adiantar a aplicação de uma pena por um suposto crime. . (TRF-4ª R. 3.RS . ou a ordem pública. "O juiz poderá revogar a prisão preventiva se.

mesmo porque foram iniciadas 02 (dois) anos antes. o paciente ainda possa atrapalhar a investigação policial. transcrevam-se os motivos explicitados pela autoridade coatora. enseja a sua soltura. É questionável que. passados quase 02 (dois) anos de investigações policiais e interceptações telefônicas. foi esclarecedor e. todos os investigados já foram ouvidos e o inquérito policial já se encontra em vias de encerramento. 3 – DO DEPOIMENTO PRESTADO PELO PACIENTE NO INQUÉRITO – ESCLARECIMENTO SOBRE OS FATOS – MANUTENÇÃO A PRISÃO QUE SEQUER ANALISOU A DESNECESSIDADE DA PRISÃO O presente tópico visa demonstrar que o depoimento do paciente. A continuidade da produção probatória independe da prisão do requerente e não há indício de que ele venha a abalroar-lhe. Importante destacar. pois revela sua intenção de cooperar e sua vontade de esclarecer os fatos pormenorizadamente.dispensável até então. Neste momento. em sede de inquérito policial. nem presunção de que.O conjunto probatório. Não existem razões para a manutenção do suplicante em cárcere. favorece o requerido. de forma que a sua segregação é dispensável e somente servirá para favorecer o seu suplício . se analisado individualmente. hoje. por tal razão. em sua decisão. ainda que fosse verdadeira a imputação (mas não é). ora guerreada: 17 . que a situação das investigações foi alterada. Novamente. nesse momento. pois contra ele não há prova robusta. pois. aproximadamente. todavia. todos os investigados já foram ouvidos e todas as diligências policiais já foram encerradas. tornaria a delinqüir.

em falar tudo o que sabe sobre os fatos. juntamente com Paulo Afonso. de que o último seria um “laranja” do primeiro. o que esclarece a situação dita na decisão. b) participou fraudulentamente de 02 (dois) leilões. não cobrou qualquer valor do paciente e do seu sócio para representá-los no Leilão. as declarações revelam: i – que XXX é sócio do paciente. é de: a) funcionava como um “laranja” para o Sr. No que diz respeito aos fatos. a vontade do interrogado. Também. respondeu o paciente em seu interrogatório: XXX A transcrição acima é reveladora e demonstra. ora paciente. a participação do paciente. ii – que XXX é cunhado de XXX e. c) indicativos de que participou da caixinha do Leilão do Município de Lagarto. XXX. o primeiro entregando dinheiro a Paixão e o segundo o auxiliou. como dito antes. pois seguia as suas ordens e arrematava bens para ele.b) Decisão Conforme a decisão. em tese. iii – que não participou do Leilão da XXXX. por isso mesmo. 18 .

quanto ao Leilão da XXXXX. pois esclarecem a situação perfeitamente: inexiste qualquer fraude. DESDE QUE SATISFEITOS OS REQUISITOS MENCIONADOS NO ART. faz sentido.Os fatos acima esclarecidos são importantes. em seu depoimento. antes de ser ouvido e apenas contou com o auxílio profissional no curso do seu depoimento. DA IMPRESCINDIBILIDADE DA ADOÇÃO DESSA MEDIDA EXTRAORDINÁRIA SITUAÇÃO EXCEPCIONAL NÃO VERIFICADA NA ESPÉCIE . com provas reais.SÚMULA 691/STF . Na investigação. 312 DO CPP . XXXX. Vale ressaltar que o Supremo Tribunal Federal. efetivamente. o decreto prisional cautelar: "HABEAS CORPUS" .DENEGAÇÃO DE MEDIDA LIMINAR . ou simulação na compra dos imóveis do paciente. é importante destacar que. A DECRETAÇÃO DA PRISÃO 19 .A MERA EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS PENAIS EM CURSO NÃO AUTORIZA.NECESSIDADE DA VERIFICAÇÃO CONCRETA.SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS QUE AFASTAM A RESTRIÇÃO SUMULAR . mas a sua elucidação precoce serve para demonstrar que a versão apresentada pelo paciente. SÓ POR SI. é verídica. consolidou a necessidade de se demonstrar.PRISÃO CAUTELAR DO PACIENTE ORDENADA SEM QUALQUER MOTIVAÇÃO JUSTIFICADORA DE SUA REAL NECESSIDADE POSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO DA PRISÃO CAUTELAR (OU DE SUA MANUTENÇÃO). Destaque-se que o paciente não teve o direito de se consultar com o seu advogado. o paciente sequer participou.CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO "HABEAS CORPUS" CONCEDIDO DE OFÍCIO . A defesa sabe que os fatos se revelam questão de mérito. quando se observa que o paciente é sócio de fato do Sr. 747 do inquérito. Mas a situação fática é esclarecida. existe uma tentativa de imputar uma manobra ilícita entre XXXXXX e o paciente – fls. em sua jurisprudência. EM CADA CASO. De qualquer modo.

impõe .ENQUANTO MEDIDA DE NATUREZA CAUTELAR . de presunções desabonadoras ou. exceto quando já tornada irrecorrível eventual sentença condenatória.HC 95.02.PRISÃO PREVENTIVA .INCREPAÇÕES DE FORMAÇÃO DE QUADRILHA E ESTELIONATO DECRETO DE PRISÃO QUE FAZ MERA REFERÊNCIA ÀS EXPRESSÕES DO ART. Celso de Mello . de inquéritos policiais em curso ou de processos penais em andamento não basta. para legitimarse em face de nosso sistema jurídico. de condenação penal transitada em julgado não permite nem legitima.DJe 26.A existência.Além da satisfação dos pressupostos a que se refere o art. Min. A prisão preventiva. pelo Poder Público.632 . 312 DO CPP .FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO REAL DA ORDEM DE PRISÃO EXCESSO DE PRAZO . 312 do CPP (prova da existência do crime e presença de indícios suficientes de autoria) .2010 . a decretação ou.Sem que se caracterize situação de real necessidade.CAUTELAR DE QUALQUER PESSOA. somente devendo ser decretada em situações de absoluta necessidade. P recedentes. ante a sua excepcionalidade. o direito de não ser tratada como se culpada fosse. até mesmo.Que se evidenciem. A PRISÃO CAUTELAR CONSTITUI MEDIDA DE NATUREZA EXCEPCIONAL .E NÃO DEVE . DA NECESSIDADE CONCRETA DE DECRETAR-SE A PRISÃO CAUTELAR DO PACIENTE . de inferências negativas. de juízo de desvalor. contra aquele que sofre a persecução penal promovida pelo Estado. Pior: 20 . SOB PENA DE DESRESPEITO À PRESUNÇÃO CONSTITUCIONAL DE INOCÊNCIA . NESSA EXTENSÃO.A PRISÃO PREVENTIVA NÃO PODE .1. contra o indiciado ou o réu.TESE NÃO ENFRENTADA PELAS INSTÂNCIAS PRECEDENTES . não se legitima a privação cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu.ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E. pois. CONCEDIDA . (STF .NÃO PODE SER UTILIZADA COMO INSTRUMENTO DE PUNIÇÃO ANTECIPADA DO INDICIADO OU DO RÉU . incompatível com punições sem processo e inconciliável com condenações sem defesa prévia.Ser utilizada. Ausentes razões de necessidade. eis que a ausência. com fundamento em base empírica idônea. revela-se incabível. sob pena de grave ofensa ao postulado constitucional que garante. fundado em bases democráticas. Isso porque se trata de u'a matéria que não foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça. como instrumento de punição antecipada daquele a quem se imputou a prática do delito. a formulação. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. quando for o caso. para justificar a privação cautelar de sua liberdade. a qualquer pessoa. razões justificadoras da imprescindibilidade dessa extraordinária medida cautelar de privação da liberdade do indiciado ou do réu.Rel. prevalece o princípio da liberdade. a subsistência da prisão meramente processual. no sistema jurídico brasileiro.Não cabe ao Supremo Tribunal Federal examinar a tese do excesso de prazo na custódia cautelar do paciente. A PRISÃO PREVENTIVA . NO CASO. 90) HABEAS CORPUS .A privação cautelar da liberdade individual reveste-se de caráter excepcional. só por si. em tais situações.p. para efeito de decretação da prisão meramente processual.

devendo ser interpretados de acordo com as fi nalidades constitucionalmente legítimas da prisão processual. COM RESIDÊNCIA FIXA E SEM ANTECEDENTES . da relatoria do ministro Ricardo Lewandowski.02. É que a ordem constritiva está assentada.842. nessa extensão. 4. Rel.PACIENTE PRIMÁRIO.DJ 05.Pedido parcialmente conhecido e. pois num sistema democrático prevalece o princípio da liberdade. concedido para cassar a ordem de prisão. instância judicante que se limitou a examinar os fundamentos da prisão processual do paciente. tão somente.213. ou expressões equivalentes. do Código de Processo Penal . Sem o que se dá a inversão da lógica elementar da Constituição. 5º e na parte inicial do inciso IX do art. da relatoria do ministro Sepúlveda Pertence.990. Pelo que não se enxerga no decreto de prisão o conteúdo mínimo da garantia da fundamentação real das decisões judiciais. na reprodução de algumas das expressões do art. incompatível com punições e condenações sem o exercício da ampla defesa.GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL SEGREGAÇÃO .nem sequer passou pelo crivo do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 82. pena de indevida supressão de instância. E 83. (STF .DESNECESSIDADE DA MANUTENÇÃO DA PRISÃO .PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: A vedação legislativa da liberdade provisória é inconstitucional porque ofende os direitos fundamentais à presunção de inocência. que não se confunde com o cumprimento de pena antecipada. quais sejam.Em matéria de prisão provisória. 312.1ª T. 312 do Código de Processo Penal . ao devido processo legal e à proporcionalidade.2010) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL . a demonstração de situações supervenientes e efetivas que justifi quem o sacrifício da liberdade individual em prol da viabilidade do processo. a garantia da fundamentação das decisões judiciais implica a assunção do dever da demonstração de que o aprisionamento satisfaz pelo menos um dos requisitos do art.799. frente aos requisitos legais do art. da relatoria da ministra Ellen Gracie. tenho por desatendido o dever jurisdicional de fundamentação real das decisões.PRISÃO PREVENTIVA REVOGAÇÃO QUE SE IMPÕE FACE A IRRAZOABILIDADE DE SUA FUNDAMENTAÇÃO . 2. ainda que se trate de 21 . O clamor público. 3No caso. Min. A prisão preventiva enquanto medida cautelar de natureza instrumental e excepcional não pode e não deve ser utilizada pelo Poder Público como instrumento de punição antecipada daquele a quem se imputou a prática do delito. Precedentes: HCs 86. É necessária. Garantia constitucional que se lê na segunda parte do inciso LXI do art.HC 98006 . 312 do Código de Processo Penal . segundo a qual a presunção de não culpabilidade prevalece até o momento do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 93 da Constituição e sem a qual não se viabiliza a ampla defesa nem se afere o dever do juiz de se manter equidistante das partes processuais em litígio. 84. da relatoria do ministro Celso de Mello. portanto. Carlos Britto . O que impede o julgamento do tema diretamente por esta nossa Corte.HABEAS CORPUS . Noutro falar: garantia processual que junge o magistrado a coordenadas objetivas de imparcialidade e propicia às partes conhecer os motivos que levaram o julgador a decidir neste ou naquele sentido.

p. 4 – DA PENA PREVISTA. pois sua família está desamparada. EM TESE.crime hediondo. PARA OS TIPOS PENAIS – PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO – DEMANDADO QUE NÃO PARTICIPA DE QUALQUER QUADRILHA – DESPROPORCIONALIDADE DA MEDIDA CAUTELAR Os delitos. 22 . em dissonância com parecer ministerial. nos termos e fundamentos do voto do relator.DJe 02. são de menor relevância.Rel. por si só.Crim. em tese imputado ao suplicado. Rafael de Araújo Romano . assumindo nítido caráter de pena antecipada sujeita a juízos incompatíveis com a segurança jurídica. a manutenção do paciente em cárcere revela-se medida completamente desnecessária. por violar o devido processo legal. art. Des. sem surgimento de fato superveniente que assegure sua manutenção. Acordam os Desembargadores que compõem a Egrégia Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas. . ORDEM CONCEDIDA. Ora. eis que falou tudo o que sabia sobre os fatos e não seria sua soltura que desencadearia problemas para as investigações.2ª C. (TJAM . 10) Ora.2010 . de tal modo.HC 2010.001939-2 . 358. sob pena de completa aniquilação do postulado fundamental da liberdade e de ganhar a medida contornos de pena ainda não imposta. O paciente precisa voltar ao trabalho e tal situação apenas lhe causa temor no espírito. não justifi ca.06. em dissonância com o parecer do Ministério Público. por unanimidade CONCEDER À ORDEM. face a regular tramitação do feito. Transposta a necessidade da prisão provisória por um de seus requisitos. possui como pena prevista a detenção de 02 (dois) meses a um ano. o delito de fraude a arrematação judicial. a presunção de inocência e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. a decretação ou a manutenção da prisão cautelar.

que o conhecem são o seu sócio. não mantendo qualquer relação negocial ou de amizade com eles. Assim.No que tange ao delito de falsidade ideológica. De tal modo. ainda que embrionariamente. 358 do CP. eis que se trata de um delito meio. portanto. os delitos imputados ao suplicado não seriam suficientes para uma pena de reclusão e. analisando friamente o caso concreto. supostamente. utilizado para incrementar a tipicidade da suposta conduta. seria ela absorvida pelo delito central. 23 . Mas não basta. A fraude é pressuposto para a realização da suposta fraude à arrematação judicial. insuficientes para a sua manutenção no cárcere. XXX. tratando-se a falsidade como meio de alcançar a fraude. Logo. A própria decisão judicial. se condenado fosse. pelo delito do art. integram a operação ilícita. que determinou o cárcere e a investigação policial não demonstra qualquer contato do suplicante com as pessoas que. Os únicos envolvidos na Operação Arremate. e o cunhado do seu sócio. Paulo Afonso. a prisão preventiva seria medida mais grave que a sua condenação. pelo princípio da consunção. Neste entendimento. Há desproporcionalidade. ele é absorvido. é questionável a imputação ao suplicante do delito de formação de quadrilha ou bando. O demandado sequer conhece os demais presos.

No que concerne ao art. Nenhum deles foi. considerando a pena abstratamente cominada. como dito anteriormente. 358 do CP e 2º. 24 . 299. nos termos do art. Lei 8.O raciocínio é imprescindível para comprovar que. todos do CP. 358. se analisados separadamente. caberia a aplicação da suspensão condicional do processo. como já dito. seriam passiveis de transação penal.137/90) e. Por outro lado. privando-o do seu sustento e da manutenção do seu lar. verifica-se que os delitos atribuídos são de menor lesividade social. ainda que em tese. O delito de formação de quadrilha traz. os delitos imputados ao suplicado não são de grande relevância.099/99. sendo medida desproporcional a manutenção do paciente no cárcere. Veja-se que. 89 da lei 9. Já a falsidade ideológica prevista no art. I. uma pena de 01 (hum) a 03 (três) anos de reclusão. Aos remanescentes. Ao paciente. De plano. 358 do CP (fraude em arrematação judicial). muitos dos delitos acima delineados são de menor potencial ofensivo (Art. comina uma reprimenda de 01 (hum) a 05 (cinco) anos de reclusão. supostamente. praticado mediante o uso de violência ou grave ameaça. são imputadas as condutas tipificadas nos artigos 288. a manutenção da prisão do suplicado apenas lhe afastará do seu trabalho e da sua família. 299 do CP. em seu preceito secundário. a lei penal atribui uma pena de 02 (dois) meses a 01 (hum) ano de detenção.

INÍCIO DO CUMPRIMENTO DE PENA . venha-se a verificar que ele está preso sem possuir qualquer relevância para a “operação arremate”. 25 . por exatos 14 (catorze dias) e. Muito pior: não há certeza do envolvimento do paciente no esquema criminoso. e não se pode tentar adiantar uma pena. em tese.) 2.REFERÊNCIAS GENÉRICAS .PROPORCIONALIDADE VIOLAÇÃO – (.MOTIVAÇÃO IMPROPRIEDADE (3) FUNDAMENTO PARA PRISÃO PREVENTIVA . poderá lhe reduzir à condição de miserabilidade. aliado à interrupção do seu trabalho. que a própria decisão diz que apenas existem indicativos de participação.HABEAS CORPUS .WRIT EM PARTE PREJUDICADO (2) QUEBRA . O paciente. o que. pois se trata de um corretor de imóveis. como dito.RECEPTAÇÃO LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE FIANÇA (1) PRISÃO DE UM DOS PACIENTES .MODIFICAÇÃO DO QUADRO FÁTICO .AUSÊNCIA (4) PRIMARIEDADE . participou de leilões para arrematar bens e usá-los em sua atividade comercial. O prejuízo para a sua imagem e para o seu trabalho já é incomensurável. falta proporcionaldiade à medida cautelar. A fragilidade da prova é tal.. que o demandado esteja preso preventivamente. Os delitos a ele imputados possuem uma pena cominada de baixa relevância e.IDONEIDADE . como se nota da própria decisão que concedeu a prisão preventiva: a) indicativos de que fez parte da divisão da caixinha do Leilão do Município de Lagarto/SE (03/12/2010).A prisão processual é medida odiosa. Preclaro Julgador. então. Imagine-se. através da prisão cautelar. posteriormente..O suplicado é profissional liberal e cada dia que passa no cárcere é uma nódoa à sua imagem perante a sociedade.PRISÃO . Valioso é o ensinamento do STJ: PROCESSO PENAL .CRIME SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA . portanto.

sendo imperioso alinhar-se.Relª Minª Maria Thereza de Assis Moura DJe 21.) 2.Rel.6ª T. (STJ . no tocante ao paciente MARCELO DA SILVA XAVIER. cujos fundamentos não mais persistem.Sendo os pacientes primários. e. Min.2008 . com pena mínima de um ano de reclusão.615 (2009/0019977-0) .p.ORDEM CONCEDIDA – (.LESÃO CORPORAL E AMEAÇA CRIMES ABRANGIDOS PELA LEI Nº 11. ainda que haja descumprimento de medida protetiva de urgência..ART. revela-se como excessiva a prisão provisória.. a necessidade da imposição da custódia para garantia da ordem pública. 1468) – grifo intencional HABEAS CORPUS . com explícita e concreta fundamentação.p.DJe 23. Paulo Gallotti . especificamente em relação aos autos da Ação Penal controle 276/2008.A simples menção.340/2006 (LEI MARIA DA PENHA) . tendo em conta o caráter instrumental das cautelares penais e o princípio da proporcionalidade. da 2ª Vara Judicial da Comarca de Mairiporã/SP. 312 do Código de Processo Penal . o cárcere do suplicado revela-se medida extrema.(2008/0036514-3) . genérica.É imprescindível que se demonstre. para tanto.HC 100. (STJ . aos termos do art. concedo a ordem para assegurar a liberdade provisória. 180 do Código Penal .Delito sem violência ou grave ameaça-.PRISÃO PREVENTIVA DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA FUNDAMENTO INSUFICIENTE NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS QUE AUTORIZAM A CUSTÓDIA CAUTELAR . 2578) Portanto. SEM A NECESSIDADE DE BUSCA E APREENSÃO 26 .Ordem concedida.512 . não autoriza a providência extrema. .Ordem prejudicada em relação ao paciente FLÁVIO RODRIGUES (cassada a liminar que lhe foi deferida). sem o que não se mostra razoável a privação da liberdade. 3. da ordem econômica.2011 . 4. 3. presos em flagrante pelo art. notadamente em se tratando de delitos punidos com pena de detenção. acolhido o parecer ministerial e confirmada a liminar.02. mediante compromisso de comparecimento a todos os atos processuais.marcada pelo signo da imprescindibilidade.06. elementos concretos. 5 – DA PRISÃO EM FLAGRANTE POR POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO – DELITO AFIANÇÁVEL – DESPROPORCINALIDADE – ARMA DE FOGO QUE FOI ENTREGUE ESPONTANEAMENTE E DE BOA FÉ. por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da Lei penal.HC 127. 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL . 5.

eis que apenas é punido com detenção: 27 . constantemente. ou mesmo criar versões para evadir-se. permitida. também. A arma. De qualquer modo. estavam acondicionados dentro do estojo próprio. a trabalho. o requerido tinha a posse de arma de fogo. Conforme os termos do auto de prisão em flagrante e conforme os depoimentos dos condutores. deixou de renovar o seu registro e porte. o suplicado não mais viaja e o uso da arma não é mais necessário. cujo porte e registro estão vencidos. em decorrência de contínuas postergações. decorrente da posse e porte irregular de arma de fogo. o paciente revelou que possuía a arma e que seu porte estava irregular. por descuido. estava guardada em local apropriado e desmuniciada. De fato. O que motivou o suplicado a adquirir a arma de fogo e tirar o seu porte foi a necessidade que tinha de viajar. o demandado não tentou justificar sua conduta. conforme o documentário. eis que não mais a utiliza. lhe foi questionado se ele possuía arma de fogo. Todavia. o delito pelo qual o suplicado está preso não é motivo para a sua manutenção no cárcere. por ocasião da busca e apreensão de documentos na residência do paciente. Hoje. A despeito da sua prisão em flagrante. A falta de renovação do registro e do porte decorre do desuso da arma. Seus projéteis. desde o ano de 2009. Prontamente. por sua vez. é analisada a desnecessidade da prisão em flagrante.No presente remédio heróico. indicando onde estava a arma e a sua munição.

de uso permitido. em desacordo com determinação legal ou regulamentar. No caso presente. de 24. e multa.416.1977) IV . de 24.nos crimes punidos com reclusão. ainda no seu local de trabalho. mas ela simplesmente não foi concedida pela autoridade policial. Ademais. observa-se que o delito pelo qual o suplicado está preso admite a concessão de fiança.1977) 28 .Art. ou. por tal razão.5. de 24.nos crimes dolosos punidos com pena privativa da liberdade.416. desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena – detenção.em qualquer caso.1977) III . (Redação dada pela Lei nº 6.5. Não será concedida fiança: I . (Incluído pela Lei nº 6. se houver no processo prova de ser o réu vadio.nas contravenções tipificadas nos arts.416. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo. Também. 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais. 12. (Redação dada pela Lei nº 6. 323.1977) II . de 24.nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a 2 (dois) anos.416. O Código de Processo Penal estabelece: Art. se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. a manutenção do suplicado em cárcere é medida deveras desproporcional. de 1 (um) a 3 (três) anos. que provoquem clamor público ou que tenham sido cometidos com violência contra a pessoa ou grave ameaça.5. V . no interior de sua residência ou dependência desta. sem qualquer motivo. inexistem razões para a negativa da fiança.5. (Redação dada pela Lei nº 6. em sentença transitada em julgado. acessório ou munição.

em atendimento ao requisito de garantia da ordem pública. o que demonstra que o paciente revela destemor e não se intimida com a aplicação da lei penal. concedida fiança: I . Ordem denegada. mantida em sede de apelação. II .quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art. que. salvo se processado por crime culposo ou contravenção que admita fiança.826/03 .(468155) . III .aos que. inexistem razões para que a fiança seja negada ao suplicante. Não será. além de que responde a uma ação penal pelo crime de tentativa de homicídio. IV .POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO . Eis o que diz a jurisprudência: HABEAS CORPUS . Reiteração criminosa.PRISÃO EM FLAGRANTE Pedido de liberdade provisória indeferido ao fundamento de garantia da ordem pública. podendo levá-lo à condição de miserabilidade. confessou o delito.Não obstante o crime de posse irregular de arma de fogo de uso restrito tenha sido praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa.2010 . administrativa ou militar. 1. qualquer das obrigações a que se refere o art. tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido. sobretudo. 105) 29 . Des. diante da probabilidade de que volte a delinquir. Roberval Casemiro Belinati . do código penal . 324. 312). e artigo 16. da lei 10.em caso de prisão por mandado do juiz do cível.ao que estiver no gozo de suspensão condicional da pena ou de livramento condicional. mas não transitada em julgado. 3. de 24.1977) No caso presente. voltando a delinquir. 350.p.5. no mesmo processo.DJe 10.O paciente ostenta uma condenação. (TJDFT .Rel. (Incluído pela Lei nº 6.12. de prisão disciplinar.416. é afastá-lo do seu trabalho e da sua família.Art. pela prática dos crimes previstos no artigo 180. sem motivo justo. 2. a folha penal do paciente justifica a manutenção de sua prisão.HC 20100020152531 . parágrafo único. inclusive. Manter o suplicado no cárcere. igualmente. inciso IV.Habeas corpus admitido e ordem denegada para manter a decisão que indeferiu pedido de liberdade provisória em favor do paciente. caput.

concedendo-se.Crim. em tese. Concessão parcial da ordem para que a paciente responda a ação penal em liberdade.OCORRÊNCIA .826/03.Rel. Conseqüentemente. em que o paciente entregou espontaneamente a sua arma de fogo.5ª C. o caso dos autos.2005 . II. (TJMG .Crim. para que se veja restabelecida a liberdade do paciente.826/03 . . no interior dos muros de seu terreno apontava a arma para terceiros.495853-5/000 . o que significa dizer. Por todo o exposto é que a prisão do paciente deve ser revogada.Alegação de atipicidade da conduta em face do disposto no art.Impossibilidade. que digno. Por isso mesmo.PRISÃO EM FLAGRANTE POR INFRAÇÃO AOS ARTS. cujo o registro e porte estavam apenas vencidos. deve ser cassada. no entanto. do CPP ). É.POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO . também que ele diga. (TJDFT . 64) HABEAS CORPUS .2ª T.INTELIGÊNCIA DO ART. Des. amoldase ao tipo previsto no art.0000. não há que se falar em atipicidade da conduta em face do que dispõe o art.HABEAS CORPUS . Trancamento da ação penal .06. 14 do estatuto do desarmamento.I. caput. justamente. a ausência de grave ameaça e violência permite que o paciente seja posto em liberdade. apenas lhe garante o sustento dos seus. in fine. deve estar devidamente comprovada a necessidade de tal restrição da liberdade. e não à conduta tipificada como posse irregular de arma de fogo de uso permitido. DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA .05. tem natureza cautelar.INDEFERIMENTO .HC 1. Romão C.LIBERDADE PROVISÓRIA .DJU 12. a ordem impetrada.Se a decisão que contém o indeferimento de pedido de liberdade provisória não está fundamentada em dados concretos dos autos. para que a paciente responda ao processo em liberdade. essa conduta.p. Conduta descrita que se ajusta ao tipo de porte ilegal de arma e não de posse irregular.DECISÃO PRIMEVA CARENTE DE FUNDAMENTAÇÃO .Rel. IIIOrdem concedida. . 310. 30 .A doutrina e jurisprudência entendem que toda e qualquer espécie de prisão. Se os fatos narrados no auto de prisão em flagrante estão a revelar que a paciente. permitindo.ORDEM CONCEDIDA .J. sob o compromisso de comparecimento a todos os seus atos ( art. Alexandre Victor de Carvalho .HBC 20040020087978 . IX. 32 da Lei 10. Oliveira . 93. 22. 12 E 14 DA LEI 10. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.09.CONSTRANGIMENTO ILEGAL . permitindo ao autor rever a sua família e seguir com seu trabalho. não merece ser acolhido o pleito de trancamento da ação penal. 32 do mesmo diploma legal.2009 ) Conforme se verifica da transcrição acima.

a concessão da ordem no presente habeas corpus. 12 de maio de 2011. pede deferimento. 312 do CPP. Requer também o arbitramento de fiança quanto ao delito tipificado no art. uma vez que se trata de infração afiançável. Aracaju. mui respeitosamente. vez que não estão presentes os requisitos determinados pelo art. XXXXXXX 31 . mediante o compromisso de comparecer a todos os atos do processo e da investigação policial. Nestes termos. 12 do estatuto do desarmamento.5 – REQUERIMENTOS Diante de todo o exposto. para que o paciente possa ser imediatamente reintegrado ao convívio social. requer.

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