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A Tecnica Do Nado Costas o Ensino Para Alem Das Competicoes (1)

A Tecnica Do Nado Costas o Ensino Para Alem Das Competicoes (1)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE EDUCAÇÃO LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA DISCIPLINA EDC 226 - NATACAO II

A técnica do nado costas:o ensino para além das competições.

Salvador 2009

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Universidade Federal da Bahia Faculdade de Educação Licenciatura em Educação Física Natacao II – EDC266

Marcos Antônio Santana de Oliveira

A técnica do nado costas:o ensino para além das competições.

Trabalho apresentado como requisito para aprovacão na disciplina Natacao II do curso de Educacão fisica da UFBA,sob orientacão da Professora Assistente DrºNair Casagrande.

Salvador 2009

3 A TÉCNICA DO NADO COSTAS: o ensino para além das competições Marcos Antônio Santana de Oliveira1

Resumo

Este artigo versa sobre o ensino do nado esportivo formal (costas) no projeto de extensão aqualudicidade desenvolvido pelos estudantes da disciplina Natação II sob orientação docente. Aborda o desenvolvimento do nado através de um recorte histórico, bem como, a descrição da técnica formal de braços, pernas e respiração. A partir daí, apresento o debate sobre a seqüência metodológica para o ensino da técnica do nado costas a partir da concepção de aulas abertas às experiências no ensino da Educação Física.

Palavras chaves: Natação, nado costas, projeto aqualudicidade.

Abstract

This article is about the teaching of formal swimming sports (back) aqualudicidade extension of the project developed by students of the discipline Swimming II under the guidance teacher. Discusses the development of swimming through a cutting history, as well as the technical description of the formal arms, legs and breathing. There after, the present debate on the methodological sequence for teaching the technique of swimming back from the design of classes open to the experience in teaching Physical Education.

Key words: Swimming, swimming back, aqualudicidade project.

1

Graduando em Educação física da Universidade marcos.maranto@hotmail.com; marcos.liveira@bol.com.br

Federal

da

Bahia.

E-mail:

4 1. Introdução

Este instrumento foi elaborado com a intenção de descrever a evolução da técnica formal do nado costas a partir de um recorte histórico. Dessa forma a partir do conhecimento da técnica formal, ter a capacidade de discernir qual é a melhor seqüência pedagógica para o ensino do nado costas. Desde a Antiguidade, as atividades aquáticas têm tido um alto grau de importância tanto na educação dos corpos quanto na formação moral do cidadão, já que estavam vinculados diretamente a sobrevivência do ser humano no meio ambiente. Assim, a natação surge originalmente com meio de sobrevivência do homem, que em tempos primitivos precisava fugir de animais maiores ou caçar sua alimentação por entre rios e lagos. A evolução do nado costas ocorreu nas olimpíadas de Estocolmo, em 1912. Até então era utilizado um movimento de pernas em forma de tesoura derivado do nado de peito invertido, e completa extensão de braços na fase da tração submersa. Em 1960 os especialistas em biomecânica perceberam um novo padrão de braçada do tipo ‘S’alongado cujo seus braços eram flexionados no inicio da braçada e estendiam-se no final. Considero importante descrever toda técnica formal do nado costas já que o professor de educação física deve acessar esse conhecimento ao longo da sua formação acadêmica. A prática pedagógica, em si mesma, não nega os aspectos competitivos já que a competição é um fenômeno mundial que faz parte da história da raça humana. Competir sugere a busca de um objetivo final e significa lutar, tentar e superar desafios impostos para alcançar determinada proeza. O projeto aqualudicidade tem como objetivo primordial tratar do conhecimento natação como conhecimento humano não sendo baseado apenas no gesto motor (técnica). Entendendo assim que o conhecimento aquático é mais importante do que o produto técnico final.

5 2. Breve histórico

A Natação é uma atividade física do homem que consiste em deslocar-se em meio líquido de forma equilibrada e respirando (Catteau & Garoff, 1990). Foi originalmente um meio de sobrevivência do homem, que em tempos primitivos precisava fugir de animais maiores ou caçar sua alimentação por entre rios e lagos . O ato de nadar pode ser considerado uma das capacidades físicas que podem ter ajudado na manutenção do condicionamento físico do homem primitivo e conseqüente melhor desempenho nas suas habilidades manuais. Na antiguidade, saber nadar era mais uma arma de que o homem dispunha para sobreviver. Os povos antigos (assírios, egípcios, fenícios, ameríndios, etc.) eram exímios nadadores.Na Grécia antiga, o culto da forma física fez da natação um dos exercícios mais importantes para o desenvolvimento do corpo. Em Esparta a natação era amplamente utilizada no treinamento de soldados. O esporte também era incluído no treino dos guerreiros. Em Roma, a natação também configurava num método e preparação física do povo incluída entre as matérias do sistema educacional romano. Era praticada em magníficas termas, construções suntuosas onde ficava a piscina. Com a queda do Império Romano, ela praticamente desapareceu até a Idade média. Nesta época até temiam que o contato com a água disseminava epidemias. No renascimento, algumas dessas falsas noções começaram a cair em descrédito. Surgiram os primeiros trabalhos escritos na Alemanha, na Inglaterra e na Suécia. Na Franca várias piscinas públicas foram construídas, sendo a primeira construída em Paris, no reinado de Luís XIV. A natação começou a ser difundida como desporto somente após a primeira metade do século XIX, realizando-se as primeiras provas em Londres, em 1837. O nado de peito aparece como primeiro nado ensinado de forma sistematizado tendo em vista a utilização para fins militares. Muitos dos estilos do nado desenvolvidos a partir das primeiras competições esportivas realizadas no século XIX basearam-se no estilo de natação dos indígenas da América e da Austrália.

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Segundo LOTUFO (1980), no século XIX, surgiu o estilo “cachorrinho, parecido com o crawl de nossos dias. Mais tarde, no inicio do século XX, aparece o crawl australiano, com as pernas estendidas e movimentos alternados de braçada (...). Já nos Estados Unidos, apareciam as piscinas de água doce, onde a flutuação é mais difícil, e se faz necessária uma movimentação de pernas muito maior, o que aumenta sensivelmente a velocidade do nado crawl (.) o nado costas surgiu de uma derivação do nado crawl; era chamado de “crawl de costas”. (PICOLO apud LOTUFO, 1999 p 37)

A Evolução do nado costas só foi possível através de modificações na técnica da braçada e da pernada a partir da ampliação de possibilidades em movimentar-se para alcançar melhores resultados competitivos. Até então, o estilo empregado era uma braçada submersa de peito, executada de lado. Para diminuir a resistência da água, passou-se a levar um dos braços à frente pela superfície, num estilo que recebeu o nome de single overarm stroke (único golpe ao longo do braço). Nova modificação deu lugar ao Double overarm stroke (duplo golpe ao longo do braço), em que os braços eram levados para frente alternadamente. Dessa forma o nado de peito evoluiu para o nado crawl. O nado costas surgiu de uma derivação do nado crawl, era chamado de “crawl de costas’’(PICCOLO, 1999). Outro autor afirma que o ‘‘nado crawl de costas evoluiu do nado de peito invertido’’(Maglischo, 1999, p 413). Se utilizando do argumento que o nado de peito invertido era realizado em posição supina pernada do nado de peito com os conjuntos de membros permanecendo submersos todo o tempo. Com o passar do tempo os competidores verificaram que poderiam nadar com mais velocidade, dentro das regras, ao recuperar seus braços sobre a água, de forma alternada. Não se sabe ao certo quando o homem começou a nadar de costas. Em 1794, o italiano Oronzio de Bernardi descreveu um estilo com braçadas de costas. Mas somente a partir de 1900, nos jogos olímpicos de Paris, surgiu este estilo como forma de competição. O movimento de pernas do nado costas continuava a ser um golpe de tesoura, que evoluiu quando outro inglês, Cavill, emigrando para a Austrália, observou que os indígenas nadavam com as pernas agitadas em plano vertical à superfície da água.

7 A evolução do nado costas ocorreu nos jogos de Estocolmo, na Suécia, em 1912 graças ao norte-americano Harry Hebner, que venceu os cem metros, utilizando-se de uma nova maneira de bater pernas. Em 1960 os especialistas em biomecânica perceberam um novo padrão de braçada. Um padrão de puxada do tipo ‘S’alongado cujo seus braços eram flexionados no inicio da braçada e estendiam-se no final. No caso, um “S” horizontal que a mão realiza enquanto se movimenta durante a braçada em um trajeto cima-baixo-cima. Assim, os nadadores que se utilizaram deste novo padrão de braçada tiveram resultados significativos em competições. Dessa forma ocorreu a evolução do nado de peito invertido para o atual nado costas a partir da observação empírica das possibilidades de se movimentar na água mais rapidamente.

3. Técnica formal No seguinte tópico descrevo a técnica formal do nado costas, em todos seus detalhes, fazendo uma síntese da descrição do Palmer e Catteau & Garoff.

3.1 Posições do corpo

No nado de costas, o nadador se conserva em todo o percurso na posição decúbito dorsal e a ação dos membros inferiores e superiores é idêntica à do crawl; só que em sentido inverso, em virtude da posição do corpo. A cabeça deve estar deitada sobre a superfície da água de maneira que os ouvidos estejam totalmente submersos na água. Os ombros não devem ser deslocados lateralmente como resultado da mecânica do nado. O abdômen e o glúteo devem estar contraídos para auxiliar no equilíbrio do corpo na água. “A posição do tronco difere apenas pela situação dorsal, dificultando a manutenção da cabeça em posição correta. Se for muito inclinada à frente, provocara uma flexão ao nível e poderá levar ao afundamento e, se for inclinada para trás, levara a uma elevação dos membros inferiores, prejudicando a velocidade já que aumenta o atrito do corpo a água.” (Fraccaroli, 1981p 35).

8 3.2Ações das pernas

As pernas se movem alternadamente num plano vertical sendo que o movimento é gerado a partir da articulação do quadril e o batimento para cima inicia-se na rotação da coxa. A ação das pernas no nado costas é basicamente, semelhante à do crawl, sendo que a principal diferença é naturalmente a inversão do movimento, de cabeça para baixo. Os pés precisam estar estendidos na posição de flexão plantar. Parte da sua função da pernada é estabilizar e equilibrar o nado. Segundo Catteau & Garoff (1990 p.156)

“O movimento compreende duas fases para cada perna: uma ascendente, outra descendente (...). Na parte descendente os segmentos: pé, perna e coxa, que estão em extensão, penetram na água e o pé fica no prolongamento da perna. Na parte ascendente, o pé dirige-se para dentro apresentando então maior superfície propulsora. Assim que o movimento se inicia, o levantamento da coxa precede o da perna, cujos músculos extensores não podem vencer bruscamente o peso da massa d’água.”

3.3 Ações dos braços Como no crawl, a ação dos braços é alternada; Os braços são propulsores do nado. A braçada divide-se em duas fases: Subaquática ou propulsiva e Fase área ou recuperação. (Palmer, 1990). Já Catteau & Garoff (1990) descreve que na ação simétrica dos braços, divida em recuperação e ação motora dos braços. Estes autores descrevem praticamente da mesma forma a ação dos braços.

3.3.1 Propulsiva Esta fase esta subdivida em três fases. Estas fases são o agarre, a tração e o empurre conforme descrito na página seguinte.

9 a) Agarre É a base da fase propulsiva. O movimento começa com o braço dentro da água mão alinhado à frente do ombro; braço estendido e punho ligeiramente flexionado trajetória da mão é para baixo saindo da linha do ombro; neste estágio começa o rolamento do ombro; b) Tração Segunda fase propulsiva deve ser executada com o cotovelo flexionado, o antebraço e a mão do nadador devem estar voltados para os pés durante a ação propulsiva. O cotovelo começa a se flexionar e se direcionar para baixo um pouco abaixo da linha do ombro, e a mão continua a se mover num padrão de “S”alongado. A tração continua até que a mão e o braço atinjam a lateral do tronco. c) Empurre A mão é que conduz o movimento palma da mão ainda voltada para os pés; no fim do estágio propulsiva, braços estendidos com a palma da mão voltada para baixo. Ao nível da cintura, o antebraço se movimenta num plano vertical, e a palma da mão voltada para o fundo da piscina, passa próxima ao quadril, criando a ação final de impulsão.

3.3.2 Fase não propulsiva ou de Recuperação Esta fase também esta subdividida em três fases denominada de desmanchamento, recuperação fora da água e entrada. a) Desmanchamento O braço assume a posição estendida e se movimenta num plano vertical para cima. A mão com a palma voltada para baixo se volta para dentro assegurando que o polegar deixe primeiro a água.

10 b) Recuperação fora da água Durante esta fase há uma rotação medial do braço de maneira que facilite a entrada da mão na água com o dedo mínimo. A mão durante a rotação medial do braço gira até entrar na água. Sendo que o cotovelo e o punho estejam totalmente estendidos na linha do ombro. c) Entrada O braço do aluno deve realizar uma rotação medial de maneira que, ao entrar na água, o braço esteja estendido. O punho deve estar flexionado antes da entrada na linha do ombro que deve estar posicionados horizontalmente em relação à linha da superfície da água.

3.4 Respiração e Coordenação

No desenvolvimento do nado a respiração não apresenta grandes dificuldades para os alunos iniciantes porque seus rostos são mantidos fora da água a maior parte do tempo. Catteau & Garoff (1990) enfatiza que a respiração esta intimamente ligada ao movimento de braços. Já Palmer (1990 p.117) discute “que a maioria dos nadadores respira regularmente e inspira durante a recuperação de um dos braços. O ar é expirado naturalmente através da boca, ou da boca de maneira meio explosiva durante a recuperação do braço oposto”. A inspiração começa no inicio da recuperação área (Desmanchamento) e a expiração pode ser em qualquer fase propulsiva desde que seja realizada de forma lenta e controlada. O ritmo do nado costas segue um padrão natural de seis batimentos para cada ciclo completo de braçada (Palmer, 1990)

11 4. Prática de ensino (Projeto Aqualudicidade)

O projeto Aqualudicidade é desenvolvido pelos estudantes matriculados na disciplina Natação II do curso de Educação física. O mesmo iniciou em 2008, reconhecido como projeto de extensão intregando o conhecimento universitário às experiências da comunidade, desenvolvendo aulas de natação com a comunidade do Nordeste de Amaralina. O grupo de alunos tem faixa etária média entre 50 a 60 anos tendo como objetivos: a aprendizagem e o condicionamento físico. O projeto visa abordar o ensino da natação para além dos aspectos técnicos competitivos a partir de uma metodologia referenciada no processo, e não somente no produto. As aulas são direcionadas nos conhecimentos trazidos pelas experiências aquáticas dos alunos, o professor abandona seu monopólio e passa a conduzir a aula seguindo às reais necessidades da turma. Assim, todo processo pedagógico do ensino da técnica formal dos nados passa pela problematização dos conhecimentos tratados em aula.

Definimos como aulas abertas aquela em que o professor admite que os educandos são pessoas que sabem atuar juntas,que devem entender-se conjuntamente quanto ao sentido das suas ações.Isto significa que os alunos podem apresentar opiniões e realizar suas experiências,que resultam das suas historias individuais da vida cotidiana.(Grupo de trabalho pedagógico UFPE-UFSM,1991 p 40)

Em contraposição a esta, observamos que na metodologia tradicional, o professor é o centro da aula, dono total do conhecimento, com um monopólio absoluto do planejamento, condução, avaliação da aula. Nesse sentido, as aulas abertas às experiências contrapõem a maneira de ensino utilizada na maioria das academias de natação. Um ensino voltado apenas para formação e lapidação de atletas. Com isso, temos nos colocado o desafio de ensinar os nados esportivos formais não tendo como simples referências a técnica dos nados. Contudo, esse conhecimento não é negado, mas, ao contrário, abordamos o ensino da técnica para além do gesto motor. Ou seja, buscamos levar o aluno a compreender que a técnica é um conhecimento humano desenvolvido historicamente a partir de suas necessidades cotidianas. E assim,

12 este necessita ser apropriado por todos como mais uma forma de solucionar os problemas colocados ao desafio do nadar, isto é, a superação dos problemas da respiração, do equilíbrio e da propulsão no meio aquático. No ensino do nado costas apenas com um trabalho bem sucedido de adaptação ao meio aquático, superando os três problemas da natação: equilíbrio, respiração, propulsão como elementos introdutórios ao ensino do nado. Isto é, serão considerados como elementos indispensáveis para desenvolver boa horizontalidade do corpo na água. Dessa forma a dificuldade em se equilibrar em decúbito dorsal implica no mau desenvolvimento do nado por parte do aluno. O professor pode interferir no processo se utilizando de educativos que levem o aluno a ter compreensão do próprio corpo (consciência corporal) e os diversos movimentos técnicos requeridos para nadar de costas com tranqüilidade e segurança. Dentre as atividades desenvolvidas com a comunidade, considerando o tempo de cada aula com a duração de 50 minutos, utilizamos diversas atividades lúdicas para introduzir a aula, intregar os alunos com o conteúdo formal da técnica. Na piscina são desenvolvidas atividades que proporcionem o aprendizado do nado de forma organizado respeitando os objetivos dos alunos. Na área externa da piscina realizamos um breve alongamento a fim de proteger nossos alunos de eventuais contraturas musculares, com ênfase nos grupos musculares, mais utilizados na natação: peito, dorsais, quadríceps, ísquios tibiais, adutores, abdutores, tríceps surral, bíceps, tríceps entre outros. A sequência das atividades propostas aos alunos segue a orientação do plano de aula básico do autor Palmer (1990) que destaca:

“A aula pode ser dividida em diferentes partes, cada parte dedicada a um objetivo (...). Atividade introdutória: Esta atividade breve e controlada é introduzida principalmente como aquecimento para a aula. Recapitulação da aula anterior: Uma ligeira recapitulação do tema principal ou do objetivo da aula anterior vai ser útil para ligar as doas. Atividade principal: Este é o aspecto principal de todo o programa e deve compreender o máximo de tempo possível. Tempo de livre supervisionado: A aula pode terminar com um pequeno período livre no qual o aluno podem ‘fazer o que quiserem”. (Palmer, 1990.p 21).

13 5. Sequência metodológica

Palmer (1990) sugere uma das sequência metodológicas mais interessantes com o intuito de ensinar a técnica do nado costas. Nessa sequência, o autor propõe que antes de se iniciar o ensino do nado costas, existem algumas habilidades aquáticas que os alunos devem realizar com certa segurança.

1. Exercício de confiança: molhar o rosto O aluno deve compreender mesmo que esteja numa posição supina em relação à água a respiração é realizada de maneira controlada seguindo a lógica de expirar para evitar incômodos com a água.

2. Recuperar o pé a partir da posição supina Ter a capacidade de recuperar o pé a partir da posição supina. Para que o aluno tenha segurança em passar da posição de costas para a posição de pé.

3. Remada de costas Este exercício é uma introdução ideal para o nado costas de maneira indireta já foi trabalhado nos educativos do nado cachorrinho de costas.

4. Exercícios gerais de mobilidade na água No nado costas os alunos estão nadando ‘às cegas’ e as colisões na borda da piscina são comuns. Parar, rolar e reiniciar o movimento para os lados da piscina são, portanto, habilidades necessárias.

14 A sequência metodológica utilizada no projeto aqualudicidade segue os seguintes parâmetros.

1. Ambientação ao meio aquático (AMA)

Trabalho anterior ao ensino do nado tendo como objetivo superar os três problemas: respiração/flutuação, equilíbrio e propulsão. Para se alcançar uma boa técnica o aluno, ao longo da aprendizagem, deve ser submetido a exercícios de passagem da posição decúbito ventral para dorsal (base, garça, pato e jacaré) a fim de ter boa flutuabilidade em decúbito dorsal.

1.1 Flutuabilidade/Respiração

Flutuabilidade é a capacidade de flutuar: se um nadador possui uma boa característica de flutuabilidade, ou positiva, vai flutuar bem na água. (Palmer, 1900 p39). O controle da Flutuabilidade é uma das técnicas mais importantes para manter o corpo alinhado na água. Sem um bom controle da flutuabilidade, o aluno faz mais esforço no desenvolvimento do nado, consume mais energia aproveita menos o nado e muitas vezes tentem ao desequilíbrio pela mudança do centro de flutuação. Ensinar um aluno a se manter flutuando na água passa pela problematização do conhecimento da respiração. Para se manter flutuando na água, o aluno deverá compreender a dificuldade de utilizar o mecanismo respiratório habitual no meio aquático, especialmente quando se encontra em decúbito dorsal, implica a necessidade de aquisição de novos automatismos. Ou seja, ao mecanismo respiratório inato utilizado no meio terrestre, há que promover as alterações adequadas. Assim sendo, o ato respiratório não pode ser meramente reflexo e passivo, tendo de se tornar voluntário e ativo. Enfatizando a importância da expansão da caixa torácica durante a inspiração forçada proporcionando aumento da caixa torácica que funcionará como um balão inflado. Ou seja, respirando e expandido o tórax, mais água é deslocada e conseqüentemente as forcas de sustenção para cima são aumentadas.

15 1.1.2 Posições: base, garça, pato e jacaré

Estas posições têm como finalidade a passagem do equilíbrio vertical para o equilíbrio horizontal na água estando intimamente ligado a flutuação do corpo na água.

Base: Em pé, flexionar o tronco levando as mãos encostadas na perna, a partir da coxa deslocando-as até a altura dos joelhos mantendo o ar nos pulmões; Garça: Em pé, flexionar o tronco levando as mãos em direção aos joelhos e, ao mesmo tempo, flexionando uma das pernas que será envolvida pelos braços; Pato: após abraçar uma das pernas, trazer a outra também para ser abraçada formando uma posição de “bolinha” que ficará flutuando; Jacaré: a partir da posição de pato, estender os braços para frente e as pernas para trás. Jacaré em decúbito dorsal: mesma posição do anterior, mas na posição supina.

1.2 Equilíbrio O equilíbrio no ambiente aquático passa da posição vertical para horizontal. A sua relação é expressa pela capacidade de flutuar utilizando-se do mecanismo respiratório. O ambiente aquático modifica os pontos de equilíbrio em relação ao meio terrestre. Na água esses pontos se localizam principalmente no tórax. Então o corpo estar em completo equilíbrio quando o centro de gravidade e o centro de flutuação se alinham um com o outro.

1.3 Propulsão A propulsão é o ato de impulsionar ou empurar para frente. Para que ocorra o movimento a força deve ser empregada no sentido oposto do deslocamento. Isto significa que, se o nadador traciona a água com seus braços ou pernas, ele se moverá na

16 direção oposta da tração respeitando a 3ºlei do movimento (ação e reação) de Isac Newton.

2. Pernada Desenvolver educativos que mostrem a importância da pernada para o equilíbrio e estabilização do corpo em posição supina. Sendo que estes enfatizem a necessidade do batimento de pernas partirem da articulação do quadril evitando excessiva flexão do joelho, e conseqüente dificuldade na propulsão de pernas.

3. Braçada Os membros superiores são trabalhados posteriormente, pelo fato de ser um movimento mais difícil do nado por toda especificidade da braçada com detalhes técnicos que o aluno precisa compreender corporalmente. O movimento de braçada só será realizado corretamente se o aluno tiver boa flutuabilidade e boa pernada. Sendo esta a última etapa na aprendizagem do nado, já que a extensão dos braços acima da cabeça provoca mudança do centro de gravidade consequentemente ocorre um desequilíbrio do corpo na água.

5.1 Etapas de Aprendizagem

É interessante enumerar a seqüência dos exercícios para desenvolver o nado costas, partindo sempre do mais simples ao mais complexo. Segue abaixo alguns educativos utilizados nas aulas do nado costas. 1)Sentar na borda da piscina e bater as pernas. 2)Segurar uma prancha (na altura do peito; na altura do quadril, na altura do joelho) e fazer a pernada.

17 3)Realizar batimento de pernas, segurando a pranchinha com os braços estendidos na direção da perna. Reforçar a importância do movimento a partir do quadril e manter a cabeça olhando para o céu (cima), deixando o corpo o mais horizontalizado possível. 4) Realizar o batimento de pernas, com um braço estendido acima da cabeça e o outro ao lado do corpo, contar até 4 e trocar de braço realizando a braçada do nado costas. 5) Realizar o batimento de pernas, com um braço estendido acima da cabeça e o outro ao lado do corpo, contar até 2 e trocar de braço realizando a braçada do nado costas até a metade da piscina. 6) Com o braço esquerdo estendido ao lado do corpo realizar batimento de pernas e a movimentação da braçada do nado costas pelo membro superior direito. Demonstrar como é a braçada, explicando o S lateral da fase submersa, com a flexão do cotovelo na direção do ombro até 90° e a finalização da mão direcionada para os pés, realizando uma pequena rotação para a saída do dedo polegar, e a rotação do ombro na fase de recuperação, ressaltando a saída da mão com o dedo polegar e a entrada com o dedo mindinho. 7) Realizar o batimento de pernas em decúbito dorsal, mantendo os braços ao lado do corpo, e, ao mesmo tempo, realizar um balanço acentuado dos ombros no sentido para cima e para baixo. Isto é, girar os ombros de um lado para o outro, a cada golpe de perna. 8) Utilizando pulbóia , efetuar a braçada do nado costas observando bem o movimento dos braços e a rotação dos ombros nesta movimentação. 9) Desenvolver o nado costas completo, com batimento de pernas e braços, procurando observar a propulsão e o deslizamento do corpo na água.

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7. Considerações finais

Ao chegamos ao final desse artigo, concluímos que o conhecimento técnico é fundamental para desenvolver habilidades aquáticas com intuito de resolver os três problemas da natação: flutuação/respiração, equilíbrio e propulsão. Assim, todo processo de ensino da técnica formal dos nados passa pela problematização dos conhecimentos técnicos tratados em aula. O ensino para além das competições aborda o conhecimento técnico como conhecimento humano desenvolvido a partir da ampliação de possibilidades de movimentar-se na água. Dessa forma a técnica formal dos nados deve ser tratada como conhecimento, e não apenas conjuntos de movimentos fragmentados repetidos de forma exaustiva tendo simples cobrança pelo gesto técnico perfeito. Contudo, esse conhecimento não é negado, mas, ao contrário, abordamos o ensino da técnica para além do gesto motor. No ensino do nado costas apenas com um trabalho bem sucedido de adaptação ao meio aquático, superando os três problemas da natação: equilíbrio, respiração, propulsão como elementos introdutórios ao ensino do nado. Após esse período de adaptação ao meio aquático pode evoluir para a técnica da pernada tanto ênfase no equilíbrio e estabilização do corpo em posição supina. Os membros superiores são trabalhados posteriormente, pelo fato de ser um movimento mais difícil do nado por toda especificidade técnica da braçada que o aluno precisa compreender corporalmente.

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Referências Bibliográficas

CATTEU, R.; CAROFF, G. O Ensino da Natação. São Paulo: Editora Manole, 3ª edição, 1987.

FRACCAROLI, Jose Luiz. Biomecânica: análise dos movimentos. Rio de janeiro. Cultura médica: 1981.

GRUPO DE TRABALHO PEDAGÓGICO UFPE-UFSM. Visão Didática da Educação Física: análises críticas e exemplos práticos de aulas. Rio de Janeiro, Ao Livor Técnico, 1991. LOTUFO, João N.(1990). Ensinando a nadar. 8ºed. São Paulo: Brasipal. MAGLISCHO, E.W. Nadando ainda mais rápido. São Paulo, Manole, 1999. PALMER, Mervyn L. A Ciência do Ensino da Natação. São Paulo: Editora Manole, 1989. PICCOLO, Vilma Leni Nista. Pedagogia dos esportes. Campinas, 1999. Editora Papirus. PALMER, Mervyn L.A Ciência do ensino da Natação. [on line] Disponível na internet via WWW: http://cdof.com.br/natacao1.html#5. Arquivo capturado em 25 de maio de 2009.

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Anexos

Grupos musculares trabalhados no nado costas:

Costas Ação Muscular Movimentos Flexão de quadris Extensão de joelhos (no Batimento de final) Pernas Para Cima Extensão de Tornozelos (propulsão) (auxiliadas pela força da água) Rotação Medial (leve) Extensão de Quadris Extensão de joelhos Batimento de (auxiliada pela força da Pernas Para baixo água) Extensão de Tornozelos Psoas, Ilíaco, Reto Femoral, Grácil, Pectíneo e Sartório Quadríceps femoral Tríceps Sural Glúteo Médio e Mínimo (fibras anteriores) Glúteo Máximo Quadríceps femoral

Tríceps Sural Grande Dorsal, Redondo Braço estendido acima da Braçada (agarre e Maior e Menor, Bíceps, cabeça, movimentando tração) Peitoral Maior e Menor, para os lados. Deltóide. Deltóide Posterior, Braços movendo em Tríceps Braquial, Palmar Braçada (empurre) direção aos pés. Longo e Pronador Redondo. Deltóide Anterior, Braçada Braço e mão saindo da posterior e acromial e (desmanchamento) água Pronador Redondo.

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