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TÍTULO VII DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA COMENTÁRIOS
1 GENERALIDADES. O Código Penal brasileiro nos arts. 235 a 249 definem os crimes cujo bem jurídico protegido é a família. O Código vigente é a primeira codificação pátria a fazer previsão de um título específico para proteção da família. ARTS. 235 A 249 – CRIMES CONTRA A FAMÍLIA 1º CP A TRAZER PROTEÇÃO LEGISLATIVA DA FAMÍLIA O Estado sempre teve uma preocupação em proteger a família, e.g, o Código Civil que possui um Livro específico para sua proteção, pois entende que ela é fundamental na formação moral, intelectual e física do indivíduo. Mas além da família podemos dizer que o Código Penal de 1942 protegeu neste título secundariamente outros bens jurídicos, como, por exemplo, a fé pública (art. 242 – registro de filho alheio como próprio) ou a integridade física do indivíduo (art. 244 – abandono material). AO PROTEGER A FAMÍLIA O LEGISLADOR PROTEGE A FORMAÇÃO MORAL E INTELECTUAL DOS INDIVÍDUOS O Título VII do Código está dividido em quatro Capítulos: Capítulo I - Dos Crimes contra o Casamento; CAP. I CAP. II CAP. III CAP. IV Lei n.º 10406/2002). CASAMENTO FILIAÇÃO ASSISTÊNCIA FAMILIAR PÁTRIO PODER, TUTELA E CURATELA (atualmente pelo novo Capítulo II - Dos Crimes contra o Estado de Filiação; Capítulo III - Dos Crimes contra a Assistência Familiar; e Capítulo IV - Dos Crimes contra o Pátrio Poder, Tutela e Curatela. Código Civil o pátrio poder recebe a nomenclatura de PODER FAMILIAR – arts. 1630 a 1638,

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CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO
COMENTÁRIOS 1. GENERALIDADES. O Capítulo I do Título VII do CP protege o casamento monogâmico, como elemento formador da família legítima. A proteção da monogamia no matrimônio é uma clara influência do cristianismo na cultura ocidental. Antes da Constituição de 1988 e do novo Código Civil a doutrina também dizia que era protegida a formação regular da família. Entendemos que atualmente não só casamento cria uma família regular, mas também a União Estável. Entretanto, este capítulo não é extensível a este instituto jurídico, restringindo-se somente ao casamento civil ou ao religioso com efeitos civis. PROTEGE O CASAMENTO, POIS ELE É O ELEMENTO FORMADOR DA FAMÍLIA LEGÍTIMA No Capítulo II o legislador protege a família, em relação a segurança do estado de filiação, ou seja, proteção da prole existente. ASSEGURAR O ESTADO DE FILIAÇÃO O Capítulo III define os crimes contra a Assistência Familiar, punindo as condutas que violam os deveres de solidariedade e civis impostos aos membros de um mesmo grupo familiar. PUNE AS CONDUTAS QUE DESRESPEITAM OS DEVERES CIVIS IMPOSTOS AOS MEMBROS DA COMUNIDADE, E QUE SOFREM UMA PROTEÇÃO MUITO TÍMIDA DO DIREITO CIVIL O Capítulo IV do Título VII do CP tipifica condutas penais que se relacionam ao pátrio poder, atualmente denominado poder familiar, a tutela e a curatela, pois estas pessoas têm o dever legal e moral de proteger aqueles que estão sob a sua responsabilidade. Lembrando que a tutela é um instituto relativo à proteção e cuidado do menor incapaz, e a curatela visa proteger o maior incapaz. PROTEGE A TUTELA, PÁTRIO PODER E CURATELA DEVER LEGAL DE CUIDADO SOBRE OS QUE ESTÃO RESPONSABILIDADE TODOS TÊM O SOB A SUA

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Bigamia
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. § 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos. § 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera-se inexistente o crime. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. RESULTADO NORMATIVO. A lei penal pátria tutela a ordem jurídica matrimonial, que tem como princípio a constituição do casamento monogâmico. A LEI PENAL PROTEGE O CASAMENTO MONOGÂMICO / ORDEM JURÍDICA MATRIMONIAL O resultado normativo do delito é a lesão ao bem jurídico protegido casamento, independentemente de ocorrência de resultado naturalístico. 2 MODALIDADES TÍPICAS. O delito no caput prevê a forma básica do tipo penal. O parágrafo primeiro define uma privilegiadora para o co-autor que conhece a condição de casado do outro. O parágrafo segundo estabelece uma causa de exclusão de tipicidade. 3 SUJEITOS DO DELITO. Sujeito ativo é a pessoa casada. A pessoa que, não sendo casada, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo esta circunstância (dolo direto), incorre na pena prevista no § 1º do art. 235 do estatuto repressivo. SA (CAPUT) SA (§ 1º) PESSOA CASADA PESSOA NÃO CASADA QUE CONTRAI CASAMENTO COM

4 AQUELE QUE SABE SER CASADO Damásio entende possível a participação de terceiro por meio de indução. principal interessado na preservação da constituição regular da família. ELEM. não importando que ele seja nulo (art. OBJ. Também existe o posicionamento de que o Estado é apenas o sujeito passivo mediato.§ 1º CASADO O sujeito passivo primário é o Estado. 1556 e 1558 CCB). Cumpre esclarecer a separação judicial não extingue o matrimônio. PARTICIPAÇÃO É POSSÍVEL NA FORMA DE INDUÇÃO E INSTIGAÇÃO: .515 CCB.CASAMENTO RELIGIOSO – NÃO CARACTERIZA O DELITO. 226. de forma que a pessoa separada judicialmente.SEPARADO JUDICIALMENTE QUE SE CASA – COMETE O DELITO . Também são sujeitos passivos o cônjuge do primeiro casamento e o do segundo. SALVO ART. constando como imediato o cônjuge do primeiro casamento e do segundo se desconhecia a condição do autor do fato. nas condutas do caput e § 1º (1999:191). são considerados para a tipicidade da conduta. Só após a efetiva anulação do primeiro casamento. cometerá o crime. 1550. sendo apenas o bem jurídico atingido. 226. não se estendendo a união estável. apenas colocando fim na sociedade conjugal. O casamento religioso. CASAMENTO ANTERIOR . que vier a se casar novamente. pois não tem personalidade jurídica. Constituem elementos objetivos do tipo a existência e vigência de anterior casamento. § 2º CF Art. desde que não tenha sido por bigamia ele será considerado como inexistente. 1. § 2º da CF e regulado no art. SP ESTADO (PRINCIPAL INTERESSADO NO CASAMENTO REGULAR) CÔNJUGE DO 1º CASAMENTO E DO 2º SE DE BOA-FÉ OUTROS SP INDUZ O CASADO A CONTRAIR NOVAS NÚPCIAS INDUZ NÃO-CASADO A CONTRAIR CASAMENTO COM 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. Só casamento religioso previsto no art. O Código exige que o primeiro casamento esteja vigente. 1515 do CCB. 1548 CCB) ou anulável (arts.CAPUT . Definida a inexistência aplicar-se-á o exposto no parágrafo 2º do . se de boa-fé. desde que registrado no registro próprio. que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil. ou do segundo. Parte da doutrina entende que família não pode ser sujeito ativo. pois haveria uma situação de analogia in malam partem. produzindo efeitos a partir da data de sua celebração. Entendemos que a participação é perfeitamente possível através de instigação. equipara-se a este.

sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. SE NÃO HÁ CASAMENTO ANTERIOR. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. CASO O 1º CASAMENTO SEJA NULO OU ANULÁVEL OU O 2º SER INEXISTENTE. 1. a saúde e a honra.556 a 1. V .de quem não completou a idade mínima para casar. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges.548 CCB.por infringência de impedimento. 1. erro essencial quanto à pessoa do outro. . quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida. o consentimento.550 CCB. se houve por parte de um dos nubentes. É anulável o casamento em virtude de coação.pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. quando não autorizado por seu representante legal. II . nos arts. Art. 1.5 artigo. ESTARÁ EXCLUÍDA A TIPICIDADE. elementar do tipo ("sendo casado").558. VI . nos termos dos arts. MAS ESTA EXCLUSÃO SOMENTE OCORRERÁ EFETIVAMENTE QUANDO NO CÍVEL FOR COMPROVADA A NULIDADE DE UM OU DE OUTRO Não há o delito se inexistente o primeiro casamento.realizado pelo mandatário. III . O tipo penal prevê um elemento normativo contido na expressão “casamento”. NÃO HÁ BIGAMIA 5 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. 1511 a 1590.do incapaz de consentir ou manifestar.556 CCB. para a configuração do delito necessita ser válido.558 CCB. Falta o casamento anterior. II . pois exclui do tipo penal o seu elemento mais relevante que a existência de outro casamento anterior ou posterior. Art. É anulável o casamento: I . Art. Art.por vício da vontade. Guilherme Nucci (2003:701) a este respeito diz o seguinte: “O segundo matrimônio. Esse instituto está definido com todos os seus desdobramentos no Código Civil. pois é um efeito civil provocado justamente pelo delito praticado”. sua ou de seus familiares. Sobre a questão de o segundo casamento ser anulado diz assim Mirabete (2004:42): Embora a lei se refira à ‘inexistência do delito. É nulo o casamento contraído: I . ao consentir. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. de modo inequívoco.do menor em idade núbil.por incompetência da autoridade celebrante. 1. a previsão do dispositivo legal é de hipóteses de extinção do delito com efeito ex-tunc’”. Observe-se que a anulação de qualquer dos casamentos por conta da bigamia não faz o crime desaparecer. que prevê uma causa de exclusão de tipicidade. Parágrafo único. IV . 1.

Consideramos inviável a aplicação do erro de tipo neste delito. na celebração solene do ato. em pessoa ou por procurador especial. o presidente do ato. INICIADA OU DE AMBOS Os procedimentos necessários para a publicação dos proclamas e o processamento A CELEBRAÇÃO ESTA NÃO SE COMPLETA POR CIRCUNSTÂNCIAS ALHEIAS A PELO MENOS A VONTADE DE UM DOS AGENTES . vos declaro casados. eu. de vos receberdes por marido e mulher. ERRO QUANTO AO CASAMENTO ANTERIOR EXCLUI O DOLO. ocorram relações sexuais entre os cônjuges. já sendo casado. nestes termos: "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim. Apenas para constar. O erro quanto à vigência do casamento anterior exclui o dolo. O crime não prevê modalidade culposa.6 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. juntamente com as testemunhas e o oficial do registro. No § 1º o elemento subjetivo do tipo é o dolo genérico direto. 1. SÓ HÁ CRIME NO § 1º SE FOR COM DOLO DIRETO – EVENTUAL NÃO PORQUE TEM QUE SABER. o delito subsiste mesmo que o casamento tenha sido realizado por intermédio de procurador com poderes especiais. 1535 do Código Civil. A consumação do crime ocorre no instante em que os nubentes manifestam seu assentimento à vontade de casar. NÃO É NECESSÁRIA A LAVRATURA DO TERMO DE CASAMENTO (SIMPLES PROVA) Art. o erro de proibição ou erro quanto a ilicitude do fato. declarará efetuado o casamento.535 CCB. em nome da lei. CONS. Presentes os contraentes. A lavratura do termo de casamento é apenas prova material do delito. O tipo também não exige que após a celebração do casamento. ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade." ERRO DE TIPO – A tentativa na modalidade imperfeita é admissível. na forma do art. NO INSTANTE EM QUE OS NUBENTES MANIFESTAM A VONTADE DE CASAR. pois se entende o casamento como realizado com o "sim" de ambos os nubentes. pois o agente deve conhecer a condição do outro. Não admite a conduta através de dolo eventual. 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. É o dolo genérico e direto ou eventual de contrair novo casamento. consistindo em erro de tipo essencial. sendo possível entretanto.

9 MODALIDADES DERIVADAS. plurissubjetivo (exige duas pessoas na prática. . EXIGE DUAS PESSOAS DE SEXO DIFERENTE E UMA DELAS CASADA. de mera conduta (não prevê resultado naturalístico). mas dependo das circunstâncias. de dois a seis anos. A pena prevista ao crime é de reclusão. no caso do agente que casa conhecendo a condição de casado do outro nubente. Como dissemos anteriormente o parágrafo primeiro prevê aplicação de uma pena mínima e máxima abstrata menor que a da figura básica. O delito é próprio no caput (o agente tem que ser casado).099/95 (suspensão condicional do processo). instantâneo (consuma-se no ato do casamento) e de efeitos permanentes (efeitos prolongam até a descoberta do fato). 89 da Lei n. INDEPENDENTEMENTE DE UMA DELAS 10 PENA E AÇÃO PENAL. No caso de participação de pessoa não casada (§ 1º) a pena é alternativa: reclusão ou detenção. bilateral ou de encontro (exige concurso de duas pessoas de sexos opostos). 9. No parágrafo 1º é cabível a aplicação do art. PUBLICAÇÃO DOS PROCLAMAS ATOS PREPARATÓRIOS IMPUNÍVEIS – PODEM CONFIGURAR CRIME DE FALSO OU USO. ainda que uma delas desconheça o fato). podem constituir crime de falsificação de documento público ou uso de documento falso. DELITO INSTANTÂNEO DE EFEITOS PERMANENTES – PRÓPRIO – MERA CONDUTA – BILATERAL – COMISSIVO BILATERAL OU DE ENCONTRO NÃO SER CULPÁVEL.º 9. 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA.7 da habilitação são atos preparatórios. de um a três anos.1 Privilegiadora. plurissubsistente (conduta se fraciona em vários atos) e comissivo (só praticado através de uma ação).

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CAPUT § 1º

RECL. 02A A 06A .

ALTERNATIVA, RECL. OU DETENÇÃO 01A A 03ª

A ação penal é pública incondicionada. 11 QUESTÕES RELEVANTES. A bigamia absorve o crime-meio de falsidade ou o uso de documento falso praticado, em virtude do princípio da consunção (conflito aparente de normas). A celebração de mais de um casamento (poligamia), após a vigência do primeiro constitui crime continuado (art. 71 CP), entretanto, há na doutrina o entendimento que configuraria concurso material de crimes (Bitencourt, 2004: 116). Entendemos conforme o Prof. Rogério Greco (2008:626) que o determina se haverá concurso material ou crime continuado é o lapso temporal, quanto mais distante as condutas, a possibilidade da configuração do concurso material é maior. + DE 01 CASAMENTO CELEBRADO, VIGENTE O 1º MATERIAL OU CRIME CONTINUADO A prescrição da pretensão punitiva começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido, conforme o art. 111, IV do CP. O conhecimento do fato exigido pela lei é o da autoridade pública, presumindo-se pelo uso notório da certidão falsa. É exceção à regra geral do inciso I, que estabelece que a prescrição comece a correr da data da consumação do delito. A justificativa para a diferenciação está contida no caráter sigiloso da conduta, que às vezes demora vários anos para ser descoberta, o que fatalmente levaria a prescrição. PRESCRIÇÃO COMEÇA A CORRER DO DIA QUE AUTORIDADE PÚBLICA TOMA CONHECIMENTO DO CASAMENTO ANTERIOR OU POSTERIOR CONCURSO

12 JURISPRUDÊNCIA.
Caracterização – Réu que contrai segundo casamento, alegando estar convencido da anulação do primeiro – Alegação inconsistente – Irrelevância de que um ou ambos os casamentos sejam nulos ou anuláveis – “Havendo casamento vigente, comete bigamia o consorte que contrai outro casamento com pessoa diversa da do outro cônjuge. Pouco importa que um ou ambos os casamentos sejam nulos ou anuláveis; ocorrerá bigamia, porque a lei atende a existência formal do casamento, à sua vigência, e não à sua validade” (TJSP – AC – Rel. Goulart Sobrinho – RJTJSP 73/320).

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“Delito de bigamia sem prova de casamento anterior. A forma religiosa de matrimônio não se constitui em pressuposto material da bigamia, segundo proclama Heleno Cláudio Fragoso” (TJSP – HC – Re. Costa Mendes – RT 460/285). Bigamia – Delito não caracterizado – Acusada que se casou segunda vez supondo já falecido o primeiro marido – Erro de fato reconhecido – “A vigência do primeiro casamento precisa ser demonstrada como circunstância de fato para que haja punição de bigamia. Não basta a prova de que foi contraído, de que existiu. Faz-se indispensável à demonstração de que de fato ele ainda existia quando o cônjuge contraiu o segundo matrimônio. Não havendo prova de estar vivo o primeiro marido, ausente há muitos anos, não corresponde ao interesse social anular-se o segundo casamento, contraído de boa-fé, ainda que celebrado com irregularidade formal (falta de certidão de óbito). O venerando acórdão da lavra do eminente Min. Victor Nunes esposa a verdadeira doutrina, calçada nos ensinamentos de Planiol: a incerteza da morte de um dos esposos não é bastante para que se possa contrair novo casamento, mas também não é suficiente para perturbar casamento já celebrado, pois universalmente é aceito o princípio de que a simples possibilidade da existência do cônjuge ausente não basta para comprometer o casamento contraído depois de seu desaparecimento. Também é invocado o insigne Cunha Gonçalves: “A ausência só por si não dissolve o casamento por mais prolongada que seja; mas dada à hipótese do cônjuge do ausente tornar a casar, a anulação desse segundo casamento e a acusação de bigamia não serão possíveis enquanto não houver prova da existência do ausente”, (TJSP – Rev. – Rel. Acácio Rebouças – RT 362/118). “O elemento material do crime descrito no art. 235 do CP consiste na celebração de novo casamento, por parte da pessoa casada, sendo certo que a preparação dos documentos para a celebração do casamento e inclusive a publicação de proclamas e processamento de habilitação são atos preparatórios, que todavia poderão constituir o crime autônomo de falsidade” (TJSP – AC – Rel. Márcio Bonilha – RJTJSP 57/373). “Não se justifica a desclassificação do crime de bigamia para o art. 237 do CP. É óbvio que o impedimento a que alude este dispositivo há de ser, necessariamente, outro que não o casamento anterior. A não ser assim, o art. 235 constituiria verdadeira superfluidade” (TJSP – AC – Rel. Paulo Otaviano – RT 234/102). Falsidade Ideológica – Delito não caracterizado – Falso registro de nascimento – Meio utilizado pelo réu para contrair novas núpcias – Sua condenação por bigamia – “Se o escopo do réu, ao promover seu novo registro civil, foi o de possibilitar novo casamento que veio a contrair e do qual resultou sua condenação por bigamia, aquela infração deverá ser encarada como delito-meio e dela não poderá resultar, por si só, aplicação de pena ao infrator (TJSP – AC – Rel. Sylvio Barbosa – RT 297/154). Bigamia – Delito não devidamente comprovado – Ausência de informações sobre a primeira esposa – “Para a configuração do crime de bigamia é indispensável a prova inequívoca do primeiro casamento validamente contraído e da sua subsistência ao tempo da realização do segundo consórcio” (TJSP – AC – Rel. Octávio Lacorte – RT 322/144). TJMS - CASAMENTO - Nulidade - Impedimento absoluto - Bigamia comprovada - Dupla identidade de um dos cônjuges -Infringência do art. 183, Vl, do CC - Sentença confirmada.

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Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento
Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento. COMENTÁRIOS 1. BEM JURÍDICO. RESULTADO NORMATIVO. O bem jurídico protegido é ordem matrimonial através da regular formação da família. O tipo coíbe a celebração de casamentos nulos, quando o outro contraente desconhece a causa da nulidade. O resultado normativo do delito é a lesão ao bem jurídico protegido casamento, independentemente de ocorrência de resultado naturalístico. 2 MODALIDADES TÍPICAS. O tipo prevê a sua forma básica no caput. Já o parágrafo único estabelece uma condição de procedibilidade da ação penal, pois a persecução penal fica condicionada à sentença declaratória de nulidade do casamento em face do impedimento ou erro. 3 SUJEITOS DO DELITO. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, uma vez que o tipo não faz referência a qualquer qualidade especial do agente. O tipo admite o concurso eventual de pessoas, quando o agente é auxiliado moral ou materialmente. No caso de fraude recíproca entre os nubentes ocorrerá autoria colateral, não aplicando a regra geral do concurso de pessoas do art. 29 do CP. SA QUALQUER PESSOA Sujeito passivo imediato é o Estado, principal interessado e responsável pela regular formação da família, que a ele cabe proteger. É também sujeito passivo, mas mediato, o

Ocultar quer dizer esconder ou encobrir. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. entendemos que é perfeitamente cabível a interpretação extensiva do verbo. o novo Código Civil exclui das situações de erro essencial. IV .a ignorância. O erro essencial está definido nos arts. ignorado pelo marido (art. Na primeira modalidade típica exige-se que o sujeito tenha induzido mediante fraude em erro essencial o outro contraente. Na segunda modalidade do tipo. 219. . IV do antigo CCB). O tipo penal prevê duas modalidades de conduta: 1) Contrair casamento. incutir. Art. de defeito físico irremediável. idéia esta não preexistente. em face do conteúdo claramente discriminatório e que violava o princípio da igualdade insculpido no caput do art.a ignorância de crime. por sua natureza. por sua natureza. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência.556 CCB. ao consentir. anterior ao casamento. ou de moléstia grave e transmissível. de doença mental grave que. torne insuportável a vida conjugal. que tornam o casamento passível de nulidade ou anulabilidade. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. o defloramento da mulher. erro essencial quanto à pessoa do outro. 1556 e 1557 do Código Civil: Art. levar. 1. induzindo em erro essencial o outro contraente. anterior ao casamento. o CP exige que o agente tenha ocultado do outro contraente impedimento que não seja casamento anterior. que. O agente faz penetrar na mente da vítima a idéia de contrair casamento. pelo contágio ou herança.o que diz respeito à sua identidade. O impedimento é um daqueles definidos no art. Vide comentários no art. sua honra e boa fama. admitindo também a prática por meio de instigação.557 CCB. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I . SP PRINCIPAL É O ESTADO PRINCIPAL INTERESSADO DA FORMAÇÃO DA FAMÍLIA / CONTRAENTE ENGANADO 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO.11 contraente enganado. ocultando ao outro contraente impedimento que não seja casamento anterior. se houve por parte de um dos nubentes. 5º da Constituição Federal. Porém. II . e 2) Contrair casamento. 235. 1. com este convolando núpcias. anterior ao casamento. III .521. O ERRO DEVE SER ESSENCIAL DO OUTRO CONVOLANDO NÚPCIAS – 1ª FIGURA O verbo núcleo do tipo é “induzir” que significa conduzir. 1. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Apenas a título de esclarecimento.a ignorância. do CC.

521 CCB. pois são necessários atos comissivos através de meios fraudulentos para o induzimento e a ocultação. A tentativa é juridicamente inadmissível. anule o casamento. IV .o adotado com o filho do adotante. II . VI . genro e nora) III . 1. CRIME DOLOSO INEXISTINDO A MODALIDADE CULPOSA. o crime será o de bigamia. O crime se consuma no momento da realização do casamento.o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. V . Se o impedimento ocultado for casamento anterior (art. 1535 do CCB. estabelecendo que a ação penal não possa ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que.os irmãos.os ascendentes com os descendentes seja o parentesco natural ou civil. VII . até o terceiro grau inclusive. (sogro e sogra. Não se admite a prática da conduta com dolo eventual. VI do CCB). Inexiste modalidade culposa. 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. Não podem casar: I .as pessoas casadas. e demais colaterais.12 2ª FORMA CASAMENTO ANTERIOR OCULTAR DA VÍTIMA IMPEDIMENTO QUE NÃO SEJA ART.o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. pois a fraude do agente é indispensável na prática do fato. Nas duas modalidades típicas exige-se que seja comissiva a conduta. É o dolo genérico e direto.os afins em linha reta. unilaterais ou bilaterais. pois o parágrafo único prescreve uma condição de procedibilidade da ação penal. 1511 a 1590. 5 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. nos arts. Vide art.521 CCB (TORNAM O CASAMENTO NULO OU IMPEDIMENTO ANULÁVEL) Art. O tipo penal prevê um elemento normativo contido na expressão “casamento”. por motivo de impedimento ou erro. . 6 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. 1521. 1. Esse instituto está definido com todos os seus desdobramentos no Código Civil.

13 NÃO SERÁ ADMITIDA A TENTATIVA. O parágrafo único obriga o trânsito em julgado da sentença que. Se a queixa for ofertada sem esta condição. 9 MODALIDADES DERIVADAS. anule o casamento para a promoção da ação penal. PARA INTERPOSIÇÃO DA AÇÃO PENAL ATRAVÉS DE QUEIXA. 31 do CPP. do art. parágrafo único). comissivo (exige uma ação). Trata-se de um dos casos de ação penal privada personalíssima. unissubjetivo (basta um agente para a prática do delito). uma nova ação penal poderá ser proposta. será rejeitada por falta de condição para o exercício da ação penal. É crime comum (qualquer pessoa pode praticar). A ação penal só poderá ser proposta pelo cônjuge enganado. No caso de falecimento do autor. plurissubsistente (a conduta se fraciona em vários atos). Como não prevê prazo específico a ação deverá ser proposta no prazo de seis meses do conhecimento do fato (art. 31 DO CPP . por motivo de erro ou impedimento. NADA IMPEDE A INTERPOSIÇÃO DA AÇÃO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL E SUPRIDA A FALHA NULIDADE É ABSOLUTA E NÃO SE SUBMETE A PRAZO DECADENCIAL 10 PENA E AÇÃO PENAL. art. material (tem resultado naturalístico que é o engano da vítima) e de conteúdo variado (possui duas modalidades diferentes para ser realizado). 9. DEVERÁ TRANSITAR EM JULGADO A AÇÃO NO CÍVEL QUE IMPEÇA OU ANULE O CASAMENTO. 38 CPP) AÇÃO PENAL PRIVADA PERSONALÍSSIMA – VIDE ART. POIS O DELITO DEPENDE DE QUE A SENTENÇA QUE RETIRE A VALIDADE DO CASAMENTO TRANSITE EM JULGADO 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. não será permitida aplicação da regra prevista no art. 43 do CPP. desde que satisfeita a condição exigida (CPP. instantâneo (consuma no ato do casamento). Entretanto. conforme estabelece o inciso III.1 Condição de Procedibilidade da Ação Penal. 43.

que deve ser construída através de um casamento válido. Protege a regular formação da família. RESULTADO NORMATIVO.099/95) e é aplicável a suspensão condicional do processo do art.detenção. 2 MODALIDADES TÍPICAS. 237. do CP. 89 da Lei n. independentemente de ocorrência de resultado naturalístico.º 9. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. Conhecimento prévio de impedimento Art. de seis meses a dois anos. pois só a partir deste momento exercerá a pretensão punitiva. conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena . nos termos do art. 111.14 A conduta é punida com pena de detenção. Diferentemente do delito de bigamia. .099/95. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. sendo o crime de menor potencial ofensivo (art.º 9. No entendimento de Bitencourt (2004:120) e Rogério Greco (2008:632) a prescrição começa a correr no dia que sai a decisão anulatória. a prescrição da pretensão punitiva começa a correr da data da consumação do delito. Contrair casamento. Lei n. 12 JURISPRUDÊNCIA. FORMAÇÃO REGULAR DA FAMÍLIA – CASAMENTO VÁLIDO O resultado normativo do delito é a lesão ao bem jurídico protegido casamento. 11 QUESTÕES RELEVANTES. 61. O tipo penal contém apenas a sua forma básica. vez que não há previsão especial. I.

SA QUEM CONTRAI CASAMENTO CONHECENDO O IMPEDIMENTO CO-AUTORIA QUE CAUSARÁ A NULIDADE / SE AMBOS SABEM São sujeitos passivos do delito o cônjuge inocente (imediato) que se casa desconhecendo a causa de nulidade do casamento. NÃO É NECESSÁRIO COMETER QUALQUER FRAUDE / IMPEDIMENTO ANTERIOR CRIME SERÁ DE BIGAMIA . O agente pode agir de forma comissiva e omissiva. SP CÔNJUGE INOCENTE (IMEDIATO) / ESTADO (MEDIATO) 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. conhecendo a existência de impedimento. neste artigo o legislador não exige que o agente aja com fraude. É norma subsidiária. Porém. 236 DO CP A conduta típica prevista é bastante parecida com a do tipo penal anterior. No caso de ambos os cônjuges conhecerem a existência de tais impedimentos. Porém. se ambos agem sem que o outro saiba de sua intenção.15 3 SUJEITOS DO DELITO. AGENTE CASA CONHECENDO O IMPEDIMENTO QUE CAUSARÁ A NULIDADE ABSOLUTA O Código Civil no seu art. uma norma penal em branco. haverá autoria colateral.521 DO CCB / NORMA SUBSIDIÁRIA EM RELAÇÃO AO ART. e o Estado principal interessado na formação regular da família (mediato). em relação à do art. BASTA O AGENTE OMITIR A CAUSA. 29 CP). O tipo penal prevê que o agente se case conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta. É autor do delito quem contrai casamento. não incidindo a regra do concurso de pessoas (art. serão sujeitos ativos em co-autoria. 1521 fornece a definição de impedimento. NORMA PENAL EM BRANCO DEVENDO SER COMPLETADA PELO ART. sendo o dispositivo assim como os anteriores. 1. 236 do CP.

É o dolo genérico e direto. impassíveis de punição. É POSSÍVEL A INCIDÊNCIA DO ERRO DE TIPO ou DE PROIBIÇÃO 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. não bastando à configuração do delito o eventual. TENTATIVA AGENTE APÓS DECLARAR QUE QUER SE CASAR – NÃO O CONSEGUE POR CIRCUNSTÂNCIAS ALHEIAS A SUA VONTADE – EX. 1511 a 1590. 1. por não prever um resultado naturalístico. NEGATIVA DO OUTRO CÔNJUGE Até o momento da celebração do casamento. o fato será interrompido no momento da realização da conduta.535 do CCB). DAS PARTES Admite-se a tentativa na forma imperfeita. porque não está expressamente prevista. O tipo penal prevê um elemento normativo contido na expressão “casamento”. PROCLAMAS E OUTROS ATOS EXIGIDOS NÃO É CRIME ATOS PREPARATÓRIOS – REALIZAÇÃO DO CASAMENTO CASAMENTO CELEBRADO É AQUELE QUE TEM O ASSENTIMENTO . CONS. pois o agente não sabia que estava impedido de casar. isto é com a manifestação da vontade no sentido do assentimento (art. haverá apenas atos preparatórios. Não existe modalidade culposa. ou seja. 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO.16 5 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. Mirabete (2004:48-49) entende que o erro que exclui a tipicidade do fato (art. com a publicação de proclamas e outros. 20). Esse instituto está definido com todos os seus desdobramentos no Código Civil. nos arts. SÓ PODE SER DOLO DIRETO – AGENTE TEM QUE CONHECER A EXISTÊNCIA DO IMPEDIMENTO / NÃO HÁ FORMA CULPOSA O desconhecimento do impedimento constitui erro de proibição. O crime consuma-se com a realização do casamento.

10 JURISPRUDÊNCIA. pois neste ambos agentes poderão praticar a conduta em concurso. Neste tipo penal o agente se atribui a falsa qualidade de autoridade para celebrar o matrimônio. A ação penal é pública incondicionada. PUBL. COMENTÁRIOS 1 INTRODUÇÃO. A.detenção. Também é aplicável o art. subsidiário (incidirá se fato mais grave não ocorrer). se o fato não constitui crime mais grave.º 9. plurissubsistente (a conduta se fraciona em vários atos). INCONDICIONADA É dispensável a anterior declaração judicial de nulidade do casamento. 89 da Lei n.17 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. unissubjetivo (basta um agente para a prática do delito). instantâneo (consuma no ato do casamento). de três meses a um ano. 238. P. . Entendemos ser incabível a conduta de forma omissiva.099/95. Simulação de autoridade para celebração de casamento Art. mera conduta (consuma-se com a ocorrência da conduta. diferentemente do dispositivo anterior. 9 PENA E AÇÃO PENAL. É crime comum (qualquer pessoa pode praticar). Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento: Pena . comissivo (praticável através ação). 61 da Lei n. DISPENSA-SE A DECLARAÇÃO JUDICIAL DO CIVIL DO CASAMENTO ANTERIOR A pena cominada ao delito é de detenção. não prevendo resultado naturalístico). Em virtude de ser infração de pequeno potencial ofensivo. de 1 (um) a 3 (três) anos.º 9.099/95. DEFINIÇÃO. aplica-se a regra do art.

328 2 BEM JURÍDICO. que deve ser construída através de um casamento válido. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – ART.18 AGENTE ATRIBUI-SE COMO AUTORIDADE P/ REALIZAR O CASAMENTO FALSAMENTE O tipo penal é norma especial em relação à prevista no art. SP ESTADO E CÔNJUGES DE BOA-FÉ / PARTICIPAÇÃO ALGUÉM QUE CONSEGUE O FALSO JUIZ . independentemente de ocorrência de resultado naturalístico. 328 CP – USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA É subsidiário expresso. aplicando-se a regra do art. FORMAÇÃO REGULAR DA FAMÍLIA – CASAMENTO VÁLIDO O resultado normativo do delito é a lesão ao bem jurídico protegido casamento. o legislador define a subsidiariedade expressa do delito. SA QUALQUER PESSOA Sujeitos passivos imediatos são os cônjuges de boa-fé e o Estado. ou delito de falsificação ou uso de documento. quando o agente aufere vantagem. pois o autor age com se fosse seu representante. 328. após a previsão da pena. 4 SUJEITOS DO DELITO. pois somente incidirá se não constituir crime mais grave. O tipo penal prevê apenas a forma básica. 29 do CP. No preceito secundário. SUBSIDIÁRIO EXPRESSO – PODE CONFIGURAR § Ú ART. Protege a regular formação da família. podendo ser sujeito ativo qualquer pessoa. 3 MODALIDADES TÍPICAS. É crime comum. RESULTADO NORMATIVO. A participação é admissível. Pode ser subsidiário em relação ao parágrafo único do art. 328 do CP uma vez que prevê uma modalidade autônoma de usurpação de função pública.

que significa agir dissimuladamente. este será aplicado. 1. se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges.por incompetência da autoridade celebrante. O tipo penal prevê um elemento normativo contido na expressão “casamento”. com a falsa atribuição da autoridade. Art. nos arts. Existe também outro elemento normativo. manterá seu efeitos. É o dolo genérico e direto. abrangendo o conhecimento da falsidade. o casamento. § 2o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento. os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão. § 1o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. não estará extinta a punibilidade do agente. os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. que está contido na expressão “falsamente”. Não existe um fim especial do agente.550 CCB. 6 ELEMENTOS NORMATIVOS DO TIPO. O tipo penal determina que o agente se atribua falsamente.561 CCB.19 5 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. Esse instituto está definido com todos os seus desdobramentos no Código Civil. Embora anulável ou mesmo nulo. demonstrando que ele realmente é a autoridade que diz ser. autoridade para celebração de casamentos. mas caso não o seja. Mesmo que a nulidade seja sanada. Art. Para a configuração do delito são necessários atos inequívocos do agente. em relação a estes como aos filhos. fraudulenta. Não é exigida a celebração do casamento. 7 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. AGENTE TEM QUE SE ATRIBUIR FALSAMENTE AUTORIDADE P/ REALIZAR CASAMENTOS CONFIGURAÇÃO ATOS INEQUÍVOCOS DO AGENTE CRIANDO UMA SITUAÇÃO DE PERIGO IN CONCRETO O casamento realizado por autoridade incompetente é anulável. Praticando outro delito mais grave. É anulável o casamento: VI . 1511 a 1590. OUTRO CRIME + GRAVE RESPONDE POR ELE . 1.

mediante petição dos contraentes. não exigindo a realização do casamento. de qualquer ato próprio da função pública que se atribui. § 2o Serão quatro as testemunhas na hipótese do parágrafo anterior e se algum dos contraentes não souber ou não puder escrever. A norma é expressamente subsidiária em relação a qualquer outra que descreva uma . Damásio (1999:204) tem entendimento contrário ao nosso afirmando será possível quando o ato inequívoco puder ser fracionado.531. com toda publicidade. 1. 9 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. querendo as partes e consentindo a autoridade celebrante.: agente se apresente aos contraentes como juiz de paz) ou plurissubsistente (se a conduta se fraciona em vários atos). Trata-se de crime comum (qualquer pessoa pode praticar). a portas abertas. comissivo (praticado através de ação). hora e lugar previamente designados pela autoridade que houver de presidir o ato. de vos receberdes por marido e mulher. CONS. em pessoa ou por procurador especial. pelo agente. vos declaro casados. 1. Art. 1. A solenidade realizar-se-á na sede do cartório. Celebrar-se-á o casamento. 1." Não há possibilidade de tentativa. pois os atos preparatórios já são punidos na prática do delito. ficará este de portas abertas durante o ato. em nome da lei. 10 PENA E AÇÃO PENAL. § 1o Quando o casamento for em edifício particular.534 CCB. de um a três anos. no dia. se o fato não constitui crime mais grave. eu. o presidente do ato. Presentes os contraentes. mera conduta (consuma-se com a ocorrência da conduta. unissubsistente (se praticável em um único ato – ex. unissubjetivo (basta um agente para a prática do delito). nestes termos:"De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim. que se mostrem habilitados com a certidão do art. presentes pelo menos duas testemunhas. juntamente com as testemunhas e o oficial do registro. parentes ou não dos contraentes. subsidiário expresso (ocorre desde que crime mais grave não incida).535 CCB. instantâneo (consuma com qualquer ato inequívoco que o agente se atribui a qualidade de autoridade competente para celebração de casamento). não prevendo resultado naturalístico). ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade. noutro edifício público ou particular. QUALQUER ATO DA FUNÇÃO PÚBLICA QUE O AGENTE SE ATRIBUI / DISPENSA-SE A OCORRÊNCIA DO CASAMENTO Art. declarará efetuado o casamento.20 8 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. Art.533 CCB. Consuma-se o delito com a prática. ou. A pena cominada é de detenção.

independentemente de ocorrência de resultado naturalístico. FORMAÇÃO REGULAR DA FAMÍLIA E DA ORDEM .21 conduta punida mais severamente. do casamento válido. 2 MODALIDADES TÍPICAS. foi iludida pelo coréu que se dizia solteiro e que conseguiu ‘juiz de paz’ para casá-los – Gravidez daquela nessa época – Farsa só descoberta quando estava tudo pronto para o consórcio – Coação irresistível caracterizada na espécie – Absolvição da co-ré mantida – Condenação. na denúncia. No preceito secundário. dos demais – Apelação provida (TACRIM-SP – AC – Rel. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. isto é. RESULTADO NORMATIVO. o legislador define a subsidiariedade expressa do delito. entretanto. Aplica-se a suspensão condicional do processo prevista no art. MATRIMONIAL O resultado normativo do delito é a lesão ao bem jurídico protegido casamento. Simulação de casamento – Envolvimento também. JUR. Xavier Homrich – RT 448/382).099/95. 89 da Lei n.º 9. mediante a proteção da ordem jurídica matrimonial. 11 JURISPRUDÊNCIA. após a previsão da pena. Simulação de casamento Art. da ‘noiva’ – Jovem que. Simular casamento mediante engano de outra pessoa: Pena . se o fato não constitui elemento de crime mais grave. O bem jurídico protegido é a organização regular da família.detenção. O tipo penal prevê apenas a forma básica. 239. porém. DETENÇÃO 01A A 03A – SE NÃO CONSTITUI CRIME + GRAVE (SUBSIDIARIEDADE EXPRESSA) A ação penal é pública incondicionada. de 1 (um) a 3 (três) anos. OBJ.

ambos. ou de seus representantes legais. enquanto não atingida a maioridade civil.: casamento realizado em festa junina. SIMULAÇÃO CASAMENTO A realização de matrimônio que não vise enganar qualquer pessoa tornará a conduta atípica. v. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar.631. O autor de delito pode ser qualquer pessoa que efetivamente simule a celebração de um casamento. 1. Pode ser um dos nubentes. g. JUIZ. TESTEMUNHAS) Sujeito passivo é a pessoa iludida. O Estado é o sujeito passivo mediato. que significa fingir. SA PODE SER QUALQUER PESSOA QUE SIMULE O CASAMENTO (NUBENTES. Parágrafo único. SP MATRIMÔNIO) 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO O verbo núcleo do tipo penal é “simular”. aplica-se o disposto no parágrafo único do art.517 CCB.. Art. A ação deve ser praticada mediante engano de outra pessoa que esteja interessada na celebração do casamento. Se houver divergência entre os pais. ENGANO DEVE SER DE ALGUÉM REALMENTE INTERESSADO NO MATRIMÔNIO – EX.22 3 SUJEITOS DO DELITO. ou ainda o Juiz. pois é interessado na formação regular da família. exigindo-se autorização de ambos os pais. os pais dos noivos. PESSOA ILUDIDA COM O FALSO MATRIMÔNIO (NUBENTE(S). ou ambos. CUJO CONSENTIMENTO DEPENDIA A REALIZAÇÃO DO FINGIR DEVE SER PRATICADA PARA ENGANAR ALGUÉM INTERESSADO NO . os pais de um dos nubentes. SE A SIMULAÇÃO NÃO TEM O INTERESSE DE ENGANAR NINGUÉM – ATÍPICA SERÁ A CONDUTA Pode ser enganado o outro contraente ou pessoa da qual era necessário o consentimento. de quem dependia a realização do matrimônio.: CASAMENTO DEPENDE DO CONSENTIMENTO DOS REPRESENTANTES LEGAIS. 1. Pode ser um dos nubentes. o Oficial de Registros Públicos. de cujo consentimento dependia a realização do matrimônio etc. as testemunhas. representar. PAIS DESTES. Ex.

OBRIGATORIAMENTE TERÁ A AUTORIDADE DE SER FALSA. EFETIVA SIMULAÇÃO DA CERIMÔNIA DO CASAMENTO ITER CRIMINIS FRACIONÁVEL A tentativa nas modalidades imperfeita e perfeita é admissível. SE FOR VERDADEIRA. É O DOLO – SE HOUVER OUTRA INTENÇÃO. O tipo penal prevê um elemento normativo contido na expressão “casamento”. O crime pode ser cometido para obtenção de alguma vantagem.23 Entendemos que a cerimônia simulada pode ser realizada perante autoridade competente para a celebração do matrimônio.535 do CCB). por exemplo. nos arts. 1. 5 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. e neste caso a ação pode subsumir-se em um tipo penal apenado mais severamente. É o dolo genérico e direto. que consiste no engano da pessoa interessada na realização da cerimônia). comissivo (delito de ação). 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. O CASAMENTO NÃO SERÁ FALSO. TENTATIVA É POSSÍVEL 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. mas verdadeiro”. estelionato (agente simula o casamento para receber o “dote” do pai da noiva). EL. o casamento não será simulado. Consuma-se o delito com a efetiva simulação da cerimônia do casamento (art. É crime comum (qualquer pessoa pode praticar). CONS. Esse instituto está definido com todos os seus desdobramentos no Código Civil. material (tem previsão de resultado naturalístico. subsidiário expresso (ocorre desde que crime mais grave não incida) e . Para Damásio (1999:208) “se a autoridade era competente para a prática do ato. SUBJ. unissubjetivo (basta um agente para a prática do delito). instantâneo (consuma no ato do casamento). SERÁ APENADO PELO CRIME MAIS GRAVE 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. 1511 a 1590. como. Não há previsão de modalidade culposa.

detenção de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses. II . § 4º. O crime é apenado com pena de detenção de um a três anos. uma vez que o delito em estudo é expressamente subsidiário. 10 JURISPRUDÊNCIA.se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no artigo 317 do Código Civil. § 3º. DOU 29. Incorre na mesma pena o co-réu. ainda que pouco tempo antes da cerimônia. Aplica-se o art. Xavier Homrich – JUTACRIM 34/425). § 1º. § 2º. a pena aplicável será a do delito apenado mais severamente. expressa ou tacitamente.º 9.2005) "Art.pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou.pelo cônjuge desquitado." COMENTÁRIOS . A ação penal não pode ser intentada: I . e dentro de 1 (um) mês após o conhecimento do fato. II . 9 PENA E AÇÃO PENAL. Adultério Art.099/95 (suspensão condicional do processo) A ação penal é pública incondicionada.106.03. 240.03.24 plurissubsistente (a conduta se fraciona em vários atos). A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido. Cometer adultério: Pena . 239 do CP” (TACRIM-SP – AC – Rel. 240. não há que se falar no delito do art. Se o fato constituir crime mais grave. Noiva enganada que pouco antes da cerimônia falsa vem a descobrir a fraude – “Vindo a nubente enganada a tomar conhecimento da falsidade do casamento. O juiz pode deixar de aplicar a pena: I . de 28. (Revogado pela Lei nº 11. 89 da Lei n.se havia cessado a vida em comum dos cônjuges.2005.

deixando tal conceituação a cargo da doutrina. nos termos do art. Sujeito ativo eram o homem casado ou a mulher casada. COMENTÁRIOS .25 1 QUESTÕES RELEVANTES. assim como a pessoa não casada com quem o adultério é cometido (§ 1º).reclusão. O erro do co-réu quanto ao estado civil de casado do outro excluía o dolo. do CP (erro de tipo). 240.106/05. 20. NÃO SE CONSIDERAVA ADULTÉRIO A CONDUTA HOMOSSEXUAL – EXIGIA PESSOAS DE SEXOS DIFERENTES Eram indispensáveis à configuração do delito a existência e vigência do casamento de um dos agentes. 103 DO CP APENAS 01 MÊS. O PRAZO DECADENCIAL ERA DIFERENTE DO ART. caput.º 11. Os co-autores têm que ser de sexos diferentes. CAPÍTULO II DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO Registro de nascimento inexistente Art. Os co-autores necessariamente deveriam ser de sexos diferentes. Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente: Pena . de 2 (dois) a 6 (seis) anos. O art. Gostaríamos de apenas mencionar algumas particularidades interessantes que o tipo penal possuía. A lei não definiu o que entendia por adultério. A ação penal era privada e só podia mover o cônjuge ofendido (art. A PESSOA NÃO CASADA RESPONDE PELA FIGURA DO § 1º . Só HOMEM OU MULHER CASADO pode praticar o delito. 241. 240 que previa o delito de adultério foi revogado pela Lei n. § 2º).

26 1 BEM JURÍDICO. NÃO PRECISA HAVER PARTICULARES LESADOS. o médico fornece a declaração falsa de nascimento da criança. entretanto. A conduta consiste em promover no registro civil a inscrição de registro inexistente. Necessariamente fará parte da conduta uma afirmação falsa perante o oficial incumbido do registro. independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. O crime de falsidade.: direito à herança. Secundariamente protege-se a fé pública e também o status familiae. RESULTADO NORMATIVO. SA QUALQUER PESSOA Sujeitos passivos imediatos são as pessoas prejudicadas pelo registro e o Estado. ficará absorvido pelo princípio da NO REGISTRO CIVIL INSCRIÇÃO DE REGISTRO ESTADO E INTERESSADOS Não é necessário. BASTA O ESTADO SER 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. provocar. Pode ocorrer concurso eventual de pessoas. por exemplo. 3 SUJEITOS DO DELITO. originar. que existam particulares lesados com a conduta . bem como a finalidade que pretende alcançar. 2 MODALIDADES TÍPICAS. O principal bem jurídico tutelado é a segurança do estado de filiação. uma vez que o tipo não exige nenhuma qualidade especial. O resultado normativo é a lesão ao estado de filiação. que consiste nos efeitos legais e sociais surgidos em decorrência da formação da família. além de ter interesse na regular formação da organização familiar. dar causa. fazer. porém. ofendido em virtude da conduta perpetrada em seus registros. SP incriminada. quando. O artigo prevê apenas a modalidade básica da conduta punível. PROMOVER INEXISTENTE Promover significa realizar. Ex. São irrelevantes os meios pelos quais o agente consegue a inscrição do nascimento.

33. e o registro do natimorto ocorre no Livro “C auxiliar” (art. 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. pois a conduta não criará obrigações e nem gerará efeitos diversos dos já produzidos.º 6. Apenas para esclarecimento. NASCIMENTO CRIME DE FALSIDADE FICARÁ ABSORVIDO PELO DE REGISTRO ALGUÉM INTERROMPE NO MOMENTO DA INSCRIÇÃO DO NASCIMENTO FALSO NO REGISTRO CIVIL . 5 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. É o dolo genérico e direto.015/73). 33. Um segundo registro falso do mesmo nascimento não configura novo delito. Não existe modalidade culposa. TENTATIVA POSSÍVEL. V. de nascimento inexistente. O elemento normativo do tipo está contido na expressão “registro civil”.606 do Código Civil brasileiro.015/73. uma vez que o iter criminis pode ser fracionado. INEXISTENTE TENTATIVA EX. A filiação é regulada nos arts. da Lei n.º 6. No projeto do novo Código Penal há previsão de inserção de um elemento subjetivo específico ou especial. ITER CRIMINIS PODE SER FRACIONADO / INSCRIÇÃO NO REGISTRO CIVIL.º 6. vinculado a idéia de beneficiar alguém ou causar prejuízo aos direitos de outrem. I. PROMOVER ORIGINAR AFIRMAÇÃO FALSA IRRELEVANTE A FORMA COM QUE O REGISTRO É REALIZADO PARTE DA CONDUTA (PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO) A conduta estará tipificada tanto na hipótese de se declarar nascida uma criança nunca concebida como se declarar nascido um natimorto.015/73). DOLO – NÃO HÁ FORMA CULPOSA 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. A tentativa é possível. na modalidade imperfeita.27 consunção. no Registro Civil. definida na Lei n. CONS. da Lei n. O crime consuma-se com a inscrição. 1596 a 1. o registro do nascimento ocorre no Livro “A” de registros civis (art.

111. podendo o juiz deixar de aplicar a pena. pois não exige nenhuma conseqüência em virtude do falso registro). Parto suposto. de dois a seis anos. Dar parto alheio como próprio. IV do CP. registrar como seu filho de outrem. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido Art. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena . ainda que na forma agravada de seu parágrafo único. comissivo (realizado através de uma ação). de 1 (um) a 2 (dois) anos. há sem dúvida de prevalecer aquele” (TJSP – AC – Voto Vencido: Villa da Costa – RT 484/317). Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena . nos termos do disposto no art. .detenção. e um genérico. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. instantâneo de efeitos permanentes (consuma-se no momento do registro. mera conduta (não prevê resultado naturalístico. 299. 242. plurissubsistente (conduta fracionada em vários atos). “No conflito entre um preceito específico. A ação penal é pública incondicionada. como o do art. 11 JURISPRUDÊNCIA. A conduta é punida com pena de reclusão. segunda e última parte. A prescrição da pretensão punitiva começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido. Parágrafo único. como o do art. 10 QUESTÕES RELEVANTES. ocultar recém-nascido ou substituí-lo. mas seus efeitos perduram enquanto não descoberta a fraude). 241.reclusão. 9 PENA E AÇÃO PENAL.28 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. O crime é comum (qualquer pessoa pode praticar).

2) registro de filho alheio. independentemente do sexo. ESTADO DE FILIAÇÃO E A FÉ PÚBLICA DO REGISTRO .898. portanto o crime é próprio.29 COMENTÁRIOS 1 INTRODUÇÃO. Na modalidade da conduta "dar parto alheio como próprio" só pode ser sujeito ativo do crime a mulher. O tipo penal do artigo 242 do Código Penal no caput contém quatro modalidades básicas de conduta: 1) parto suposto. RESULTADO NORMATIVO. CIVIL O resultado normativo é a lesão ao estado de filiação. consistente no motivo de reconhecida nobreza. No parágrafo único existe alternativamente a previsão de uma causa de diminuição de pena. 4 SUJEITOS DO DELITO. conhecida como “adoção à brasileira” não constava. de 30/03/1981. portanto. Nas demais modalidades. A segunda modalidade de conduta. 2 BEM JURÍDICO. independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito. O objeto jurídico primário é a segurança e certeza do estado de filiação do recémnascido e secundariamente a fé pública do registro público civil. 3 MODALIDADES TÍPICAS. OBJ. JUR. qualquer pessoa pode ser o sujeito ativo. 3) supressão de direito inerente ao estado civil de recém-nascido. da redação originar do Código. e um caso de perdão judicial.º 6. e 4) alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido. que é o registro de filho alheio como próprio foi introduzida pela Lei n.

filho prejudicado. mas o estado de filiação do menor é adulterado pelo registro falso promovido pelos agentes. por exemplo. sendo necessário apenas que a agente cometa atos inequívocos no sentido de apresentar como seu um filho alheio. Neste caso. Não constitui esta conduta o fato de dar parto próprio como alheio. PARTO SUPOSTO OU PARTO ALHEIO COMO PRÓPRIO MATERNIDADE DE FILHO ALHEIO A SITUAÇÃO TEM FAZER PARECER REALMENTE QUE O FILHO É DA MULHER QUE A APRESENTA – EX. INCLUSIVE O MENOR ALTERAÇÃO DE DIREITO INERENTE AO ESTADO CIVIL DE RECÉMNASCIDO – SP ESTADO E RECÉM-NASCIDOS SUBSTITUÍDOS PESSOAS LESADAS PELO HERDEIROS DA AGENTE 5 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. e terceiros. a ação consiste em atribuir-se a maternidade de filho alheio.30 Os sujeitos passivos imediatos são o Estado. e aqueles que tiveram seus direitos alterados em face das condutas. lesado pela fraude no registro (2ª modalidade). DAR PARTO ALHEIO COMO PRÓPRIO – SP E O RECÉM NASCIDO REGISTRO DE FILHO ALHEIO – SP REGISTRO. Na modalidade "parto suposto". introduzindo-o na família. cônjuge. Exige-se a criação de uma situação na qual a agente simule a gravidez e apresente para a sociedade a criança. como no caso daquele teve o filho substituído. como. ESTAVA GRÁVIDA PERDE A CRIANÇA E APRESENTA OUTRA EM SEU LUGAR O registro da criança é exaurimento do crime. Esta modalidade também recebeu o nome popular de “adoção à brasileira”. os outros filhos. Pode configurar crime de falsidade ou alteração de direitos civis do recém-nascido (3ª modalidade deste tipo) NA 1ª FIGURA TÍPICA NÃO HÁ A NECESSIDADE DO REGISTRO Na modalidade "registro de filho alheio" exige-se que o sujeito tenha promovido a inscrição no Registro Civil do nascimento da criança. existe o nascimento. REGISTRO DE FILHO ALHEIO INSCRIÇÃO NO REGISTRO CIVIL O crime também pode ser cometido por intermédio da conduta de suprimir direito EXIGE-SE A PROMOÇÃO DA ATRIBUIR-SE .

NÃO HAVENDO OBRIGATORIEDADE DO REGISTRO / HÁ A TROCA DO ESTADO CIVIL E DOS DIREITOS INERENTES A CADA UM. é o dolo genérico e direto. e a alteração do estado civil. ALTERAÇÃO DE DIREITOS CIVIS DO RECÉM-NASCIDO / NÃO IMPORTA SE UM DELES É NATIMORTO. Não há modalidade culposa. pois só os seres vivos podem ter direitos relativos ao estado civil que possam ser suprimidos. O elemento subjetivo do tipo.31 inerente ao estado civil de recém-nascido. A ocultação do recém-nascido é apenas o meio de que se serve o agente para conseguir a sua finalidade. SUPRESSÃO DE DIREITO INERENTE AO ESTADO CIVIL DO RECÉMNASCIDO – A SUA EXISTÊNCIA É ESCONDIDA DO REGISTRO CIVIL O recém-nascido precisa nascer com vida. a simples ocultação do recémnascido.015/73. DEVENDO SER DO ESTADO Na modalidade "alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido". 1596 a 1. Não é preciso que o nascimento seja oculto da sociedade. BASTA APENAS QUE SEJAM TROCADOS. sendo necessário que desta ocultação resulte a efetiva supressão de direitos relativos ao estado de filiação. suprime direito inerente ao estado civil. pouco importando que um deles seja natimorto.º 6. definida na Lei n. que tem como sentido a troca física dos recém-nascidos. Basta a não-apresentação do menor para assumir os direitos relativos ao seu status familiae. bastando a troca física. mas sim do Estado. O sujeito. 7 ELEMENTOS SUBJETIVOS DO TIPO. O tipo não exige que os recém-nascidos substituídos sejam efetivamente inscritos no Registro Civil. O elemento normativo do tipo está contido na expressão “registro civil”. 6 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. MENOR TEM QUE NASCER VIVO P/ TER DIREITOS NA ORDEM CIVIL QUE POSSAM SER SUPRIMIDOS / NASCIMENTO NÃO PRECISA SER OCULTO DA SOCIEDADE. o verbo núcleo do tipo é substituir. usufruindo as crianças daquilo que não teriam direito. em todas as figuras do crime. portanto. Na alteração e supressão de estado civil de recém-nascido o tipo exige também que o .606 do Código Civil brasileiro. por meio da ocultação do neonato. Não basta. A filiação é regulada nos arts.

NO MOMENTO DO EFETIVO QDO.32 agente. ERRO DE TIPO EXCLUI O CRIME EM TODAS AS CONDUTAS 8 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA O parto suposto consuma-se no momento em que é criada uma situação que importe alteração do estado civil do recém-nascido. em que as crianças são trocas acidentalmente na maternidade. CRIADA A SITUAÇÃO DE DAR COMO SEU . 50 da Lei n.015/73. também é possível a tentativa no registro de filho alheio como próprio. mister se faz aguardar o transcurso do prazo previsto no art. mediante sua conduta. por isto também é possível a responsabilização pela forma tentada. como. OS DIREITOS DO RECÉMNASCIDO SÃO SUPRIMIDOS OU ALTERADOS O tipo penal admite a forma tentada no parto suposto quando não praticado de forma verbal. CONS. SUPRESSÃO E ALTERAÇÃO CONS.º 6. entendemos ser o tipo omissivo impróprio. PARTO SUPOSTO FILHO ALHEIO O registro de filho alheio consuma-se no momento em que o nascimento é efetivamente inscrito no Registro Civil. REGISTRO DE FILHO ALHEIO REGISTRO A supressão e alteração de direitos inerentes ao estado civil de recém-nascido consumam-se no momento em que tais direitos são efetivamente suprimidos ou alterados. tenha a finalidade especial de suprimir ou alterar os direitos inerentes ao estado civil do sujeito passivo. ALTERAÇÃO E SUPRESSÃO DO ESTADO CIVIL EXIGEM O DOLO ESPECÍFICO DE SUPRIMIR OS DIREITOS INERENTES AO ESTADO CIVIL DO SP O erro de tipo excluirá o crime em todas as condutas. É necessário observar que na supressão de direitos inerentes ao estado civil do recém-nascido. e na alteração de direitos inerentes ao estado civil de recém-nascido. na alteração de estado civil de recém-nascido. QDO. pois somente após expirar o prazo exigido pela lei para o registro é que será possível dizer que o crime se consumou. Especificamente na supressão. por exemplo.

com a troca física das crianças). de dois a . com exceção do parto suposto que pode ser unissubsistente. vez que somente com a presença de todas as circunstâncias favoráveis ao réu é que poderá ser concedido. 10. permanente (na modalidade ocultação. 10 MODALIDADES DERIVADAS. generosidade). O parágrafo único do art.33 9 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINARIA Os crimes previstos no art. pois qualquer um pode praticá-las) instantâneos (consumam-se no momento que mãe age como se o filho fosse próprio. Na modalidade supressão de direitos entendemos ser o crime omissivo impróprio. 242 do CP são próprio (primeira modalidade exige que a mulher seja o sujeito ativo). temos exemplos dos denominados crimes de tendência. pois a consumação se prolongará enquanto a criança não for inscrita no registro civil). plurissubsistente (condutas são fracionadas em vários atos. com o registro do filho alheio. além da privilegiadora prevê alternativamente a possibilidade de concessão do perdão judicial ao dizer "podendo o juiz deixar de aplicar a pena". comuns (demais formas. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA FAZER MOTIVO DE RECONHECIDA NOBREZA. PERDÃO JUDICIAL PREENCHIDOS OS REQUISITOS É DIREITO SUBJETIVO DO RÉU E NÃO ATO DISCRICIONÁRIO DO JUIZ 11 PENA E AÇÃO PENAL. 242 do CP prevê uma causa de diminuição de pena. consistente em o agente realizar a conduta impelida por motivo de reconhecida nobreza (altruísmo.1 Tipo previlegiado e perdão judicial. A pena prevista para os delitos descritos no caput do art. pois somente quem tem o dever legal de realizar o registro da criança é que pode realizá-lo. desde que praticado na forma oral). O privilégio aplica-se a todas as modalidades de conduta descritas no caput. 242 é de reclusão. uma vez que o tipo faz referência a um especial elemento subjetivo. Nas modalidades de supressão e alteração de estado civil de recém-nascido. Entendemos que a concessão é poder discricionário do juiz. O parágrafo único.

é indispensável o dolo específico. “Não se pode assimilar no delito de parto suposto o falso registro de nascimento. 12 QUESTÕES RELEVANTES Para Damásio (1999:219) trata-se de um tipo misto cumulativo. Se o delito for cometido por motivo de reconhecida nobreza. Consiste aquela infração na substituição material de recém-nascido por outro. Porém. Caso o agente realize mais de uma conduta típica dentre as previstas. as demais serão impuníveis. podendo o juiz deixar de aplicar a pena. a pena é sensivelmente diminuída. na modalidade de registro de filho alheio (segunda figura típica). MIRABETE E REGIS PRADO NÃO O ADOTAM. uma vez que são previstas várias figuras típicas num mesmo dispositivo legal. J. 89. Mas. encontra-se razão alguma para que. se deixe de considerar transgredido o dispositivo penal” (TJSP – AC – Rel. Augusto de Lima – RT 238/96). Ary Belfort – RT 652/270). descriminalizar a conduta de ‘registrar como seu o filho de outrem’.099/95). Lei n. em tese.34 seis anos. ao alterar a redação do art. entendendo que se for praticada mais de uma conduta. 242 e parágrafo único do CP. começa a correr da data em que o fato se tornar conhecido. “O registro de filho de outro como próprio caracteriza. Assim. Com isso manteve em equilíbrio o propósito nobilitante (e sempre. O prazo prescricional. desde que se encontre definitivamente provada a prática voluntária e consciente. TIPO MISTO OU CUMULATIVO VÁRIOS TIPOS SÃO PREVISTOS NO MESMO ARTIGO – SE PRATICAR MAIS DE UMA RESPONDE POR TODAS EM CONCURSO MATERIAL. determinando a alteração do seu estado civil. 13 JURISPRUDÊNCIA “O legislador da Lei n. 111.º 6. do CP. IV. A ação penal é pública incondicionada. na prática. que consubstancia no ‘fim . POSICIONAMENTO QUE ELE ADOTA.891/81 não quis. pouco importando até que haja ou não registro civil de nascimento” (TJSP – HC – Rel. responde por todas elas em concurso material. 299 e não o do art. Na forma privilegiada é possível a suspensão condicional do processo. Contentou-se em deferir o perdão judicial.º 9. o delito do art. 242 do CP. aplicando-se o disposto no art. discordamos deste posicionamento. já que a pena mínima cominada não é superior a 1 (um) ano (art. de um a dois anos. passando a ser de detenção. gravoso ao falso declarante) e o rigor na exatidão dos registros naturais. para que se configure aquela infração.

com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena . bastando tão somente a agressão ao bem jurídico protegido. 243. O Estado também é sujeito passivo. e multa. 3 SUJEITOS DO DELITO. Jarbas Mazzoni – RT 660/279). 242 do CP o falso registro de nascimento por motivo nobre. pois tem preocupação com a situação jurídica . independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito.º 8.35 de prejudicar direito. 2º. O tipo não exige que pais ou responsáveis sejam os autores da conduta típica. Admite concurso eventual de pessoas.898/81 incluiu-se no art.reclusão. Lei n. tratando-se de crime comum. É necessário que a vítima seja criança nos primeiros anos de vida. a prática de se adotar uma criança não pela via regular. O resultado normativo é a lesão ao estado de filiação. Sonegação de estado de filiação Art. “Após o advento da Lei 6. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. O sujeito passivo primário é o menor prejudicado. RESULTADO NORMATIVO. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. 2 MODALIDADES TÍPICAS. ou seja. Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante” (TJSP – AC – Rel. por isso não se aplica a regra do Estatuto da Criança e do Adolescente (art. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. O tipo penal prevê apenas a forma básica da conduta. Rodrigues Alckmim – RT 287/448). que antes figurava no art. como falsidade ideológica em assento de Registro Civil” (TJSP – HC – Rel. 299.069/90). ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra. O bem jurídico protegido é o estado de filiação e a organização regular da família. mas pela mais simples de registrá-la como filho.

entendemos que pode haver a prática da conduta do art. sendo necessário que o agente oculte ou declare identidade diversa da verdadeira. desamparar. que o agente conheça a filiação do menor.36 dos menores impúberes. por se tratar de crime . O abandono deve ocorrer num asilo de expostos ou outra instituição similar pública ou privada. Admite-se a tentativa. DOLO GENÉRICO DE ABANDONAR + DOLO DE PREJUDICAR DIREITO INERENTE AO ESTADO CIVIL DO FILHO PRÓPRIO OU ALHEIO 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. Caso ele abandone a criança que cuidava sem conhecer sua filiação. ABANDONO ASILOS OU QUALQUER OUTRA INSTITUIÇÃO SIMILAR 5 ELEMENTOS NORMATIVOS DO TIPO. largar) filho próprio ou alheio. Estes direitos inerentes ao estado civil estão definidos no Título I do Livro I da Parte Geral do Código Civil brasileiro. verificando-se a ocultação ou alteração do estado civil. SA SP QUALQUER PESSOA ESTADO E O MENOR PREJUDICADO 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. e o dolo específico é o de prejudicar o direito inerente ao estado civil do filho próprio ou alheio. O núcleo do tipo é o verbo deixar (abandonar. O elemento normativo do tipo está na expressão “direito inerente ao estado civil”. DEIXAR ABANDONAR + FILHO PRÓPRIO OU DE OUTREM / AGENTE DEVERÁ OCULTAR OU DECLARAR OUTRA IDENTIDADE É fundamental para a tipicidade da conduta. 133 do Código Penal. É o dolo genérico e direto de abandonar. 6 ELEMENTOS SUBJETIVOS DO TIPO. Consuma-se o crime com o efetivo abandono no local previsto.

e multa. 10 QUESTÕES RELEVANTES Se a criança for abandonada em lugar diverso do previsto no tipo. É crime comum (qualquer pessoa pode praticar).º 9.37 plurissubsistente. de tendência (tem elemento subjetivo especial).099/95. 134 do CP. 133 ou do art. EFETIVO ABANDONO COM A OCULTAÇÃO OU ALTERAÇÃO DO ESTADO CIVIL / ADMITE-SE A TENTATIVA IMPERFEITA 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. 9 PENA E AÇÃO PENAL A pena é cumulativa de reclusão. Cabe a suspensão condicional do processo. 133 E 134 DO CP ABANDONO DE INCAPAZ / EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO 11 JURISPRUDÊNCIA . unissubjetivo (em regra pode ser realizado por uma única pessoa). A ação penal é pública incondicionada. DEIXAR CRIANÇA EM OUTRO LUGAR DIVERSO DO TIPO – ART. poderá configurarse o delito do art. comissivo (pratica-se por meio de ação) e plurissubsistente (a conduta é fracionada em vários atos). 89 da Lei n. CONS. mas não exige que ele ocorra para a consumação do crime). conforme o art. formal (prevê o resultado naturalístico que é o fim de prejudicar o direito inerente ao estado civil da criança. de um a cinco anos.

Nas mesmas penas incide quem. inclusive por abandono injustificado de emprego ou função. isto é as várias formas de condutas básicas são independentes entre si. no que concerne ao apoio material devido reciprocamente pelos parentes. frustra ou ilide. com efeitos a partir de 90 dias da publicação) Parágrafo único.detenção. RESULTADO NORMATIVO. independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito. de 01. deixar. explicitado pela ausência de assistência entre os membros de um grupo familiar. e multa.2003.2003.741. 244. No caput encontramos um delito classificado como misto cumulativo. de qualquer modo. DOU 03. de prover a subsistência do cônjuge. ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho. fixada ou majorada.10. (Redação do caput dada pela Lei nº 10. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. O parágrafo único descreve uma modalidade típica equiparada às demais definidas no caput do dispositivo.38 CAPÍTULO III DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR Abandono material Art. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. Deixar. O bem jurídico protegido é a proteção do dever de solidariedade familiar.10. sendo solvente. sem justa causa. 2 MODALIDADES TÍPICAS. ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. de socorrer descendente ou ascendente. não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. . fixada ou majorada. O resultado normativo é a lesão ao bem jurídico família. sem justa causa. gravemente enfermo: Pena .

244 do CP. é o cônjuge que efetivamente não tenha condições de suprir as próprias necessidades. é possível a participação e coSA – DEVEDOR DE PENSÃO . também temos um crime próprio. Alertamos que independentemente da existência de separação de fato ou judicial. os pais ou descendentes da vítima. Também é um tipo classificado como próprio. cujo sujeito ativo é o devedor de pensão alimentícia judicialmente acordada. A redação anterior falava em ascendente valetudinário. SP PERMANENTE ESTADO O sujeito passivo imediato do crime. nas quais os sujeitos do delito podem ser o cônjuge. caso em que cessará.39 3 SUJEITOS DO DELITO. o dever de assistência). para o outro cônjuge. Trata-se de crime próprio nas duas primeiras situações típicas. 3ª FORMA autoria de terceiros. fixada ou majorada. SP TB PODE SER O FILHO COM – DE 18A OU INCAPAZ P/ O TRABALHO / INAPTO É AQUELE QUE NÃO PODE SE SUSTENTAR PELO SEU TRABALHO OU NÃO PODE TRABALHAR Também pode ser sujeito passivo o ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos. 2ª MODALIDADE E § ÚNICO ALIMENTÍCIA JUDICIALMENTE FIXADA Na terceira forma típica descrita no caput podem ser autores do delito os ascendentes ou os descendentes da vítima. SA 1ª E 2ª FIGURA CÔNJUGE. PAIS E DESCENDENTES DA VÍTIMA Na segunda modalidade e na figura típica descrita no parágrafo único do art. 1ª FORMA – SP CÔNJUGE SEPARADO DE FATO OU JUDICIALMENTE (SALVO SE FOR O CULPADO PELA SEPARAÇÃO JUDICIAL)/ A VÍTIMA EFETIVAMENTE P/ CONFIGURAR O CRIME NÃO TEM CONDIÇÕES DE SE AUTO SUPRIR Pode também ser sujeito passivo o filho. desde que menor de dezoito anos ou inapto para o trabalho. que significava pessoa de idade ASCENDENTES E DESCENDENTES DA VÍTIMA Salientamos que em todas as modalidades típicas. Por inapto para o trabalho deve entender-se aquele que não tem a capacidade de manter as suas necessidades básicas. mantém-se a obrigação em relação ao cônjuge. em sua primeira modalidade. ainda que separado de fato ou judicialmente do sujeito ativo (salvo se a separação judicial se der por culpa do sujeito passivo.

sujeito passivo é o descendente ou ascendente. 2ª MODALIDADE CREDOR DA PENSÃO ALIMENTÍCIA (OS AVÓS SÓ SERÃO SA SE FOREM ESTES OS OBRIGADOS JUDICIALMENTE A PAGAR) Na terceira figura típica. uma de suas elementares. pois ele possui um grande interesse na subsistência da comunidade familiar. vestuário e habitação). 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. entendemos que o Estado é o sujeito passivo mediato de todas as modalidades de conduta. desde que gravemente enfermo. tornando-se atípica a conduta em relação a este. O tipo penal não estendeu a modalidade ao cônjuge. SP – DESCENDENTE OU ASCENDENTE GRAVEMENTE . Basta faltar algum deles e o crime estará configurado. se uma das pessoas obrigadas a prestar a assistência exigida o fizer. medicamentos. RECURSOS NECESSÁRIOS COISAS NECESSÁRIAS A VIDA (É UM CONCEITO MENOS AMPLO DO QUE O DE ALIMENTOS DO CIVIL – EX. Nesta figura típica não se exige a comprovação judicial da necessidade do sujeito passivo. à configuração do delito.: educação. 3ª FORMA ENFERMO Por fim. A nova elementar típica “maior de 60 anos” foi inserida através da Lei n. Analogicamente ao que ocorre com o crime de omissão de socorro. que comporta outros itens para o benefício da pessoa (ex. que o agente deixe faltar à vítima todos os recursos dos quais a pessoa necessita para sobreviver.741/03.40 avançada. diversão e outros). vez que a vítima contará com os recursos necessários à sua sobrevivência e faltará. sujeito passivo é o credor da pensão alimentícia acordada. afastará a incidência da lei penal em relação a todos os demais. conhecida como Estatuto do Idoso. É importante esclarecer que a elementar “recursos necessários” tem um sentido mais restrito que o de alimentos. NÃO EXISTE A OBRIGATORIEDADE DE DAR DIVERSÃO OU EDUCAÇÃO) Não é exigido para a tipicidade do delito. não lhes fornecendo os recursos indispensáveis para mantença da vida (alimentação. Na segunda modalidade. fixada ou majorada judicialmente.º 10. bem como ao ascendente inválido ou maior de 60 anos. Na primeira modalidade típica o legislador prevê punição àquele que deixa de da assistência a filho com idade inferior a 18 anos ou que seja inapto para o trabalho.

em todas as suas formas. O abandono material contém um elemento normativo. consumando com a não prestação dos cuidados necessários para a sobrevivência do sujeito passivo (1ª modalidade). com . gravemente enfermo. direto ou eventual). ERRO DE TIPO – DESCONHECIMENTO DA SITUAÇÃO DE ABANDONO DA VÍTIMA – EX: FILHO VIAJA E NÃO SABE QUE O PAI PRECISA DE CUIDADOS MÉDICOS 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. 3ª FIGURA OMITIR SOCORRO A ASCENDENTE OU DESCENDENTE GRAVEMENTE ENFERMO 5 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. 2ª FIGURA FALTA DE PAGAMENTO DA PENSÃO ALIMENTÍCIA RECUSA DEVE SER COMPROVADA. para não ter como honrar o compromisso financeiro judicialmente fixado.41 DEVER DE ASSISTÊNCIA CABE A + DE 01 PARENTE SE UM SUPRIR EXCLUI O DELITO P/ OS OUTROS / AS NECESSIDADES ESTARÃO SUPRIDAS A falta de pagamento de pensão alimentícia judicialmente fixada ou majorada é a exigência típica da segunda modalidade de conduta. 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. ATRAVÉS DO ATRASO NO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PELO DEVEDOR A terceira modalidade consiste em deixar de socorrer ascendente ou descendente. quando este se coloca em estado de “insolvência” abandonando injustificadamente emprego ou função. por isso é perfeitamente possível a ocorrência de erro de tipo essencial quando o sujeito desconhece a situação de abandono da vítima. contido na expressão "sem justa causa". A lei exige que a doença do sujeito passivo seja grave. somente é punível a título de dolo (genérico. Não há modalidade culposa. O parágrafo único descreve uma ação típica também vinculada ao não-pagamento de pensão alimentícia pelo sujeito ativo. O abandono material é um crime omissivo próprio. O abandono material.

OU ELE PRESTA OU NÃO AS .42 o não-pagamento no prazo da pensão alimentícia judicialmente fixada (2ª modalidade e do parágrafo único). com a não prestação do socorro ao ascendente ou descente gravemente enfermo (3ª modalidade) OMISSIVO PURO – CONS. O abandono material é punido com pena de detenção. por entendermos que crimes omissivos próprios são crimes unissubsistentes. Aplica-se ao delito a suspensão condicional do processo (art. O sujeito ativo age ou não). mera conduta (não há previsão no tipo de um resultado naturalístico). omissivo puro (em todas as modalidades há uma omissão). unissubsistente (apesar de perdurar ao longo do tempo. a omissão não pode ser fracionada em vários atos. 10 QUESTÕES RELEVANTES. A ação penal é pública incondicionada. A pena de multa definida para esta infração penal foge à regra do sistema de dias-multa. O DELITO É TIPO MISTO CUMULATIVO AGENTE RESPONDE EM OU O AGENTE TEM A OBRIGAÇÃO OU NÃO. Para Bittencourt (2004:149) o delito é plurissubsistente. 9 PENA E AÇÃO PENAL. NÃO ADMITE A TENTATIVA EM CRIMES OMISSIVOS PUROS DILIGÊNCIAS NECESSÁRIAS 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. COM A RECUSA DE REALIZAR AQUILO QUE O AGENTE ESTAVA OBRIGADO A FAZER EM QUALQUER DAS FIGURAS Por ser omissivo próprio. porém discordamos do seu posicionamento. não admite a tentativa. e multa de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. por fim. o que significa que a realização de mais de uma das condutas típicas leve ao concurso material de delitos. e não misto de conteúdo variado.099/95). e. 89 da Lei n. O tipo penal é classificado por Bitencourt (2004:149) e Damásio (1999:231) como sendo tipo misto e cumulativo. permanente (consumando o delito enquanto não cessar a conduta do agente). adotando outro critério particular. de um a quatro anos. ao tempo do fato. O abandono material é crime próprio (exigindo uma qualidade especial do sujeito ativo).º 9.

O TEMPO SERÁ COMPUTADO NO CASO DE EVENTUAL CONDENAÇÃO NO PENAL 11 JURISPRUDÊNCIA “Ainda que tenha o réu em seu prol motivos jurídicos para separar-se de uma mulher ou que se trate esta de pessoa jovem com possibilidade de prover à própria subsistência. NO CASO DE PRISÃO CIVIL POR INADIMPLÊNCIA DE ALIMENTOS . SE PERSISTIR NO ABANDONO APÓS EVENTUAL CONDENAÇÃO. estando a pensão alimentícia sendo paga. Dínio Garcia – JUTACRIM 38/246). RESPONDERÁ NOVAMENTE COMO CRIME CONTINUADO O sujeito ativo que pratica a segunda conduta. a prover à subsistência da mulher e filhos anteriormente abandonados não basta para elidir a responsabilidade penal” (TACRIM-SP – AC – Rel.022. omitida a conduta exigida pela norma penal. deixando de pagar a pensão alimentícia judicialmente fixada. inadmissível é a instauração de qualquer processo penal” (TACRIM-SP – AC – Rel. Se ele for preso por este motivo. Sílvio Lemmi – JUTACRIM 34/369).43 CONCURSO MATERIAL POR TANTAS FIGURAS QUE REALIZAR Caso o agente seja condenado transitado em julgado e posteriormente venha praticar novamente a conduta. “O crime de abandono material não comporta a figura da tentativa. Dyrceu Cintra – RT 728/566). o tempo de prisão será computado na pena imposta pelo juízo criminal. o crime está consumado e a consumação se protrairá no tempo enquanto perdurar a conduta omissiva” (TARS – AC 296. após sua condenação e sob ameaça de prisão. Excluído: ¶ . Assim. não pode o marido deixar de contribuir para o sustento dos filhos” (TACRIM-SP – AC – Rel. em qualquer de suas modalidades.460 – Danúbio Franco). aplicando-se a regra da detração do art. “O abandono material.022. Assim. que não atende o dever de assistência” (TARS – AC – 296. Danúbio Franco).460 – Rel. 42 do Código Penal. pode ter sua prisão civil decretada. 71 do Código Penal. “O simples fato de voltar o agente. com a conduta verificada do sujeito. ocorrerá a continuidade delitiva estabelecida pela regra do art. “É também crime omissivo puro. é crime permanente. A tipicidade do fato resulta do confronto da conduta devida e constante da norma penal incriminadora.

com o fito de obter lucro. Já o parágrafo segundo prevê um tipo penal com pena equiparada a do parágrafo anterior.44 Entrega de filho menor à pessoa inidônea Art. na pena do parágrafo anterior quem. § 1º A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. a mãe ou ambos. também. nunca como autor . No parágrafo primeiro incide uma qualificadora para o autor que age com intuito de lucro ou facilita o envio do filho para o estrangeiro. de 1 (um) a 2 (dois) anos. O resultado normativo é a lesão ao bem jurídico família. § 2º Incorre. podendo ser punido apenas conforme o entendimento de Mirabete (2004:75) no caso de co-autoria ou participação. punindo o(s) pai(s) que deixa o filho na companhia de pessoa inidônea. No caput o legislador define a conduta básica do delito. O sujeito ativo do delito no caput e parágrafo 1º é o pai. auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior. intelectual e físico) dos pais em relação aos filhos. embora excluído o perigo moral ou material. Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos à pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo: Pena . independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito. O tipo penal não pune o tutor que realiza a mesma conduta. 2 MODALIDADES TÍPICAS.detenção. explicitado pelo descuido assistencial (moral. se o agente pratica delito para obter lucro. punindo a conduta daquele que auxilia com o fito de lucro. O bem jurídico protegido é a assistência familiar e a sadia formação moral e física dos filhos. ou se o menor é enviado para o exterior. RESULTADO NORMATIVO. o envio do menor para o estrangeiro. 245. 3 SUJEITOS DO DELITO.

podendo qualquer pessoa pode ser sujeito ativo. ENTREGAR DEIXAR AOS CUIDADOS DE TERCEIRO INIDÔNEO / PODE A ENTREGA SER POR POUCO TEMPO O PERIGO MORAL É PRESUMIDO OU ABSTRATO. Não é preciso que a entrega seja por longo tempo ou por prazo indeterminado. NÃO PRECISA SER PROVADO Admite-se também a participação de terceiro. “classificado” como pessoa inidônea. PROMOVER OU AUXILIAR O ENVIO DE MENOR AO EXTERIOR – INOBSERVÂNCIA DAS FORMALIDADES LEGAIS OU P/ OBTER . O verbo núcleo do tipo é "entregar". SA PAIS (QUALQUER DELES) / TUTOR SÓ EM CO-AUTORIA OU QUALQUER PESSOA PARTICIPAÇÃO / § 2º SP Sujeito passivo é o filho menor de dezoito anos. 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. expondo o(s) filho(s) a perigo material (ex: ébrio ou doente mental) ou perigo moral (ex. No tipo do § 2º. prevista no art.: prostituta ou jogadores). o crime é comum. ECA – ART. PARTICIPAÇÃO – AUXILIANDO OUTREM A ENVIAR MENOR AO EXTERIOR COM FITO DE LUCRO Entendemos que a conduta do parágrafo 2º foi tacitamente revogada por norma posterior. punida autonomamente no parágrafo 2º. que tem o sentido de deixar aos cuidados ou sob a vigilância de terceiro. 239 LUCRO 5 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. Nesta modalidade típica o agente com a finalidade de lucro auxilia o(s) autor(es) a enviar o menor para o estrangeiro. Assim diz o dispositivo: Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro. Não há elemento normativo no tipo penal.º 8.069/90).45 individualmente. também não se exige a comprovação do perigo sofrido (crime de perigo abstrato ou presumido). FILHO MENOR DE 18 ANOS E O ESTADO. 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.

devendo o juiz dosá-las adequadamente quanto ao elemento subjetivo informador do ilícito. No figura do parágrafo 2º do dispositivo. 18 DO CÓDIGO PENAL) 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. Também é previsto dolo eventual que está contido na expressão “deva saber”. § 2º . ENTREGA DO MENOR AO 3º INIDÔNEO. SE FOSSE DA VONTADE DO LEGISLADOR PUNIR POR CULPA. O delito é de perigo abstrato (não se exigindo a efetiva comprovação do risco para o menor). Para Mirabete (2004:76). o momento consumativo ocorre com o ato de auxílio. TB ADMITE-SE A TENTATIVA 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. CONS. doloso (realizado de forma intencional). A entrega de filho menor a pessoa inidônea é punida a título de dolo genérico e direto definido na elementar “sabe”. ENTENDEMOS QUE MIRABETE EQUIVOCA-SE. bastando a mera exposição a perigo. No seu entendimento a expressão “deve saber” indica tanto a possibilidade de dolo eventual como a de culpa consciente. ART.CONS. o crime pode ser doloso ou culposo. A consumação do delito ocorre com a entrega do menor ao terceiro. unissubjetivo (basta uma pessoa para a prática do delito). não se exigindo que lhe resulte efetivo dano. TENTATIVA ADMISSÍVEL No parágrafo 1º o crime se consuma com a entrega do menor para pessoa inidônea com a finalidade de lucro ou com efetivo envio deste para o exterior. sendo admissível a tentativa. próprio no caput e parágrafo 1º (exige que o crime seja praticado por um dos pais) e comum no parágrafo 2º (podendo ser . instantâneo (consuma-se com a entrega do menor). COM O AUXÍLIO. ELE TERIA CRIADO UM TIPO CULPOSO AUTÔNOMO (PARÁGRAFO ÚNICO.46 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. INDEPENDENTEMENTE DE O MENOR SOFRER EFETIVO PERIGO A tentativa é admissível. uma vez que o crime é plurissubsistente. O autor também afirma que as penas cominadas para o crime doloso ou culposo serão as mesmas. independentemente do efetivo envio do menor ao estrangeiro ou da obtenção de lucro.

9 MODALIDADES DERIVADAS. II. Já o envio do menor ao exterior é uma qualificadora objetiva. a pena é elevada no seu quantum máximo (§ 1º). Aplica-se para o caput o disposto no art. 9. Para o parágrafo 1º é cabível a suspensão condicional do processo (art. Se o agente realiza a conduta com o fim de lucro ou se o menor vem a ser enviado ao exterior. .099/95. do CP. bastando para a configuração do delito o envio do menor. A ação penal é pública incondicionada. EFEITO DA CONDENAÇÃO 12 JURISPRUDÊNCIA PERDA DO PÁTRIO PODER .º 9.1 Forma Qualificada. independentemente de qualquer intencionalidade. levando em consideração o animus do agente. plurissubsistente (fracionável em vários atos) e formal (prevê o resultado naturalístico. em face de existir o resultado naturalístico existente. 61 da Lei n. Como o delito é doloso e praticado no exercício do pátrio poder (poder familiar) é cabível o efeito da condenação do art. entendemos que na conduta do parágrafo 1º.º 9.099/95). e de um a quatro anos de reclusão na figura qualificada e no crime descrito no § 2º do art. 92. 11 QUESTÕES RELEVANTES. Entretanto.FIM DE LUCRO / . entretanto este não é exigido para a configuração do delito. A finalidade de lucro é uma qualificadora subjetiva. No tipo simples. a pena cominada é de detenção. envio de menor ao estrangeiro o tipo é material. bastando apenas a conduta de entrega do menor). 245.MENOR ENVIADO AO ESTRANGEIRO QUALIFICADORA SUBJETIVA: FIM DE LUCRO QUALIFICADORA OBJETIVA: ENVIO DO MENOR AO ESTRANGEIRO 10 PENA E AÇÃO PENAL. 89 da Lei n.47 qualquer pessoa). não exigindo que este o receba. de um a dois anos.

intelectual e físico) dos pais em relação aos filhos. que vai dos sete aos catorze anos de idade. não abrangendo no tipo a omissão do tutor. 229 da Constituição Federal. 3 SUJEITOS DO DELITO. O fundamento constitucional da previsão típica está definido no art. 229 CF. RESULTADO NORMATIVO. sem justa causa. 2 MODALIDADES TÍPICAS. dos sete . e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. VEZ QUE O ARTIGO NÃO FAZ REFERÊNCIA A ESTES O sujeito passivo imediato é o filho em idade escolar. criar e educar os filhos menores. de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês. 246. O bem jurídico protegido é o interesse estatal na instrução primária e formação intelectual das crianças. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO.48 Abandono intelectual Art. de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena . APENAS OS PAIS PODEM SER SA DO CRIME – TUTORES ESTÃO EXCLUÍDOS DO DELITO. ou multa. 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. O resultado normativo é a lesão ao bem jurídico família. independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito. explicitado pelo descuido assistencial (moral. Somente os pais podem ser sujeitos ativos do crime. Deixar. Secundariamente o Estado que tem o interesse na instrução primária das crianças. Os pais têm o dever de assistir.detenção. O tipo penal prevê apenas a forma básica da conduta. INTERESSE DO ESTADO PELA ALFABETIZAÇÃO DAS CRIANÇAS Art. O tipo penal exige a omissão das providências necessárias para que o filho. carência ou enfermidade.

porém. CONS. É irrelevante que a criança resida com os pais. O delito se consuma quando o sujeito ativo. unissubsistente (praticado em conduta única) e de mera conduta (não prevê um resultado naturalístico para a consumação. Não ocorre o delito. sendo destes a obrigação de fornecer a formação intelectual dos filhos. receba a instrução do ensino básico (1ª a 8ª séries). sendo suficiente apenas a omissão dos pais). NÃO PRECISA O FILHO MORAR COM OS PAIS 5 ELEMENTOS NORMATIVOS DO TIPO. deixa de tomar medidas necessárias para que ele receba instrução. O delito é omissivo próprio (a conduta é caracterizada por uma inatividade do agente). por se tratar de crime omissivo próprio. quando houver justa causa para a omissão. após o filho iniciar a idade escolar. Mirabete (2004:79) cita como exemplos: a distância ou inexistência de escola ou a ausência de vaga. . Também não ocorrerá quando a própria família fornecer a instrução educacional aos filhos. FILHO INICIOU A IDADE ESCOLAR E OS PAIS NÃO TOMAM NENHUMA PROVIDÊNCIA POR UM TEMPO RELEVANTE A tentativa é inadmissível.49 aos catorze anos de idade. TENTATIVA IMPOSSÍVEL – CRIME OMISSIVO PRÓPRIO 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. a instrução nula ou rudimentar dos pais etc. permanente (a consumação se prolonga enquanto a criança estiver afastada do âmbito escolar). a penúria em extrema da família. 6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. próprio (somente os pais podem praticar). por tempo juridicamente relevante. O delito prevê a expressão "sem justa causa" que consiste no elemento normativo do tipo. O abandono intelectual só é punido a título de dolo genérico e direto. 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. unissubjetivo (basta a omissão de um dos pais para o delito estar configurado).

ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida. de quinze dias a um mês. Permitir alguém que menor de 18 (dezoito) anos.detenção.50 9 PENA E AÇÃO PENAL. II .º 9.freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor. São aplicáveis ao crime as disposições dos arts. intelectual e físico) dos pais em relação aos filhos. ou multa. A pena cominada ao delito de abandono intelectual é alternativa: detenção. O resultado normativo é a lesão ao bem jurídico família. Sílvio Lemmi – JUTACRIM 22/376). “Não se configura abandono intelectual se deixa o réu pobre de promover a instrução primária do filho menor por falta de vaga no estabelecimento de ensino público local” (TACRIM-SP – AC – Rel. independentemente da existência de qualquer resultado naturalístico no delito. em face da proteção visada pelo legislador. O tipo penal não possui um nomen juris tendo sido a nomenclatura de abandono moral adotada pela doutrina e jurisprudência. . A ação penal é pública incondicionada. 60. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: I . IV . COMENTÁRIOS 1 INTRODUÇÃO. ou multa.099/95. ou participe de representação de igual natureza. explicitado pelo descuido assistencial (moral.freqüente casa de jogo ou mal-afamada. Abandono Moral Art.resida ou trabalhe em casa de prostituição.mendigue ou sirva de mendigo para excitar a comiseração pública: Pena . 61 e 89 da Lei n. 247. III . 10 JURISPRUDÊNCIA. de 1 (um) a 3 (três) meses.

concordar). O artigo dispõe de quatro modalidades típicas básicas no caput. no qual a conduta incriminada é entregar. guarda ou vigilância do sujeito ativo (imediato). vez que basta que a vítima tenha sido confiada a guarda ou a vigilância do sujeito ativo. I a IV do art. 4 SUJEITOS DO DELITO. ATIVO 5 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. I A IV . Permitir indica uma conduta passiva. O bem jurídico protegido é a formação moral do menor. indicando um comportamento ativo do sujeito. mas sem qualquer impedimento). O verbo núcleo do tipo é o verbo "permitir" (consentir. Para a configuração do delito o menor tem que realizar as condutas descritas nos incs. RESULTADO NORMATIVO. SP MENOR DE 18 ANOS QUE ESTÁ NO PODER. O crime pode ser praticado por qualquer pessoa. PERMISSÃO PODE SER EXPRESSA OU TÁCITA / CONDUTAS DO MENOR QUE O SA TOLERA E QUE CONSTITUI CRIME ESTÃO NOS INCS. independentemente de serem os pais ou tutores. 245 do CP. e também o Estado que tem o interesse na formação moral do menor (mediato). SA PAIS – TUTORES – OU QUALQUER PESSOA QUE ESTEJA GUARDANDO OU VIGIANDO O MENOR O sujeito passivo é o menor de dezoito anos submetido ao poder. A CONDUTA NESTE ARTIGO É PASSIVA – (PERMITIR = DEIXAR OCORRER) A permissão do sujeito ativo pode ser expressa (manifestada para o menor) ou tácita (sabida pelo sujeito ativo. 247 do CP. que nos elementos objetivos descreveremos com mais detalhes. 3 MODALIDADES TÍPICAS. e nisso difere do crime previsto no art. GUARDA OU VIGILÂNCIA DO SUJ.51 2 BEM JURÍDICO. tolerar.

1ª PARTE / INC. exige-se que o menor freqüente habitualmente espetáculo capaz de perverter. BARES E ETC) /INC. prostíbulos). I. IV CONDUTAS: *MENDIGAR – PEDIR ESMOLAS / * SERVIR A MENOR AXILIA O MENDIGO P/ EXCITAR A COMISERAÇÃO PÚBLICA PEDINTE (GRATUITA OU ONEROSAMENTE) É relevante dizer que se para a família ou responsável pelo menor. Bitencourt (2004:157) entende que nesta forma também é imprescindível a habitualidade na conduta do menor. Aqui independe se o trabalho é remunerado ou não. Damásio (1999:242) entende que na segunda parte do inciso é necessário que o sujeito passivo participe uma única vez de representação da mesma natureza que na primeira parte. I. 2ª PARTE MENOR FREQÜENTAR COM HABITUALIDADE ESPETÁCULO CAPAZ DE PERVERTER SUA MORAL OU OFENDER-LHE O PUDOR MENOR PARTICIPA PELO MENOS 01 VEZ DO ESPETÁCULO Veda-se no inciso III a moradia e o trabalho do menor em casa de prostituição. não restar outra opção para sobrevivência. II. como.52 DO ART. INC. por exemplo. INC. pessoas viciadas e prostitutas). 2ª PARTE DEVE REUNIR-SE HABITUALMENTE COM PESSOAS VICIADAS OU DE MÁ VIDA O inciso II também se divide em duas partes. Na primeira. 24 do CP) que exclui a antijuridicidade do fato. . sendo atípica se o fato ocorrer uma única vez. aproveitando-se do sentimento de piedade social. 229 do Código Penal. Servir a mendigo para excitar a comiseração pública. 247 O inciso I sanciona a conduta do agente que permite que o menor de dezoito anos freqüente habitualmente casa de jogo ou mal-afamada (bares. O conceito de casa de prostituição é aquele previsto no art. INC. Independe se o auxílio do menor é remunerado. II. MENOR DEVE RESIDIR OU TRABALHAR (SEJA GRATUITA OU ONEROSAMENTE) EM CASA DE PROSTITUIÇÃO O inciso IV pune a conduta do sujeito ativo que permite ou assente que o menor mendigue ou sirva de mendigo para a excitação da comiseração (compaixão) pública. Também pune a convivência habitual com pessoas viciosas (de vida desregrada) ou de má-vida (possuidoras de maus costumes. sua moral ou ofender o seu pudor. estará o sujeito ativo agindo em estado de necessidade (art. Mendigar significa pedir esmola a outrem. 1ª PARTE COMPARECER EM CASA DE JOGO OU MALMENOR AFAMADA (QUE SÃO OS BORDÉIS. que tem o sentido de corromper ou depravar. tem o sentido de auxiliar mendigo.

53 6 ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO. 7 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. OCORRERÁ COM O ASSENTIMENTO DO SA AOS ATOS DO MENOR A tentativa somente é admissível se a permissão for anterior à conduta do menor.É POSSÍVEL NÃO É POSSÍVEL PERMISSÃO ANTERIOR A CONDUTA / PERMISSÃO POSTERIOR A CONDUTA CAPUT E INCISOS I A IV 2ª PARTE DO INCISO IV – PARA EXCITAR A . não se admite tentativa. Excitar a comiseração tem o sentido de compaixão ou piedade pública. realiza qualquer das condutas previstas nos incs. A CONS. Na modalidade do consentimento posterior. I A IV / SE AS CONDUTAS DO MENOR FOREM ANTERIORES À PERMISSÃO. I a IV do art. O tipo penal não possui elemento normativo. vez que por ser crime omissivo próprio não comporta a punição por tentativa. O delito se consuma no instante em que o menor. PERMITIDO PELO SA. MOMENTO QUE O MENOR. o tipo penal contém um dolo específico expresso nas elementares “para excitar a comiseração pública”. DOLO GENÉRICO DOLO ESPECÍFICO COMISERAÇÃO PÚBLICA 8 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. Não existindo o dolo específico na conduta. CONS. com a permissão do sujeito ativo. discordamos que seja possível a tentativa em qualquer uma das condutas (anterior ou posterior). Pode ocorrer da conduta descrita no tipo ser anterior a permissão. No caput e nos incisos de I a IV o delito é praticado com dolo genérico e direto ou eventual. Na parte final do inciso IV. Entretanto. consumando-se com a concordância do sujeito ativo ao tomar conhecimento dos atos praticados pelo menor. PRATICA AS CONDUTAS DO INCS. o fato será atípico. 247 do CP. TENTATIVA: .

o sujeito ativo repetidamente realiza a conduta. . isto é. de um a três meses. 20 do CP). O crime é comum (qualquer pessoa pode praticá-lo. de forma vinculada (depende uma conduta genérica do agente. porém a maior parte da doutrina brasileira considera o delito como omissivo próprio ou puro).º 9. em virtude de consideramos o mesmo como omissivo próprio. Não concordamos com o autor. omissivo impróprio (o sujeito ativo.54 9 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. respondendo este uma única vez. Basta que a vítima esteja sob seu poder. 61 e 89 da Lei n. afasta o dolo da conduta. incidindo a regra do erro de tipo essencial (art. não configura o delito). 11 QUESTÕES RELEVANTES. há previsão de um comportamento geral.099/95. 10 PENA E AÇÃO PENAL. A maior parte da doutrina entende que o crime é instantâneo (consuma-se no momento que o menor realiza o ato). Bitencourt (2004:159) entende que prática de mais de uma conduta do tipo penal configura concurso material. vislumbramos a ocorrência de crime continuado. por entendermos que o delito é misto ou de conteúdo variado. pois a incidência de um único ato. Se. independentemente das condutas realizadas. independentemente de qualquer risco de dano ou comprovação de risco ao bem jurídico protegido). A pena cominada ao crime é alternativa: detenção. vigilância e proteção). que é o garante pratica a conduta por meio de uma omissão. cumulada com o comportamento do menor. Existe também o entendimento que o tipo penal é habitual (exige a reiteração de atos do menor para a consumação) e plurissubsistente (a conduta é fracionada em vários atos). porém concordamos com Cezar Bitencourt (2004:158) que define o crime como permanente. A ação penal é pública incondicionada. Quanto a essas duas classificações entendermos não se aplicar ao delito. entretanto. Aplica-se ao delito o disposto nos artigos 60. que é especificado pelos vários atos que o menor pode realizar). ou multa. não precisando ser os pais da vítima. guarda. de perigo abstrato (é necessária a realização da conduta. o que torna incompatível a sua aplicação concomitante com elas. O erro sobre a natureza do lugar onde o menor se encontra.

sem justa causa. para mendigação. COMENTÁRIOS 1 INTRODUÇÃO. confiar a outrem sem ordem do pai. ou interdito. 2) Entrega arbitrária de incapazes. o agente que dá permissão. proveito próprio” (TACRIM-SP – AC – Rel. de entregá-lo a quem legitimamente o reclame: Pena . a seus filhos. consistente na entrega de bilhetes em que só solicita auxílio financeiro. menores de 18 anos. auferindo. primeira parte. CAPÍTULO IV DOS CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER. 2 BEM JURÍDICO. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. Induzir menor de 18 (dezoito) anos. 248. . entrega arbitrária ou sonegação de incapazes Art. e 3) Sonegação de incapazes. ou deixar. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. do tutor ou do curador algum menor de 18 (dezoito) anos ou interdito. TUTELA OU CURATELA Induzimento à fuga.55 12 JURISPRUDÊNCIA “Incorre nas sanções do art. O delito se divide em três modalidades típicas que são: 1) Induzimento a fuga de incapazes. do Código Penal. assim.detenção. 247. O bem jurídico protegido é o pátrio poder (poder familiar). IV. ou multa. Rubens Elias – RDJ 22/42). em virtude de lei ou de ordem judicial. RESULTADO NORMATIVO. a tutela e a curatela.

através de uma decisão judicial. podendo ser sujeito ativo qualquer pessoa. O tipo penal é comum. A proteção deste tipo penal não se aplica ao pródigo. Curatela é o encargo atribuído a alguém em virtude de lei. A tutela é um instituto que tem como objeto a substituição do poder familiar. independentemente de qualquer resultado naturalístico. O Estado também é sujeito passivo do delito. 3 MODALIDADES TÍPICAS. que exige apenas a gerencia do patrimônio e não da pessoa. quando os pais faleceram ou foram destituídos ou suspensos do seu exercício. SP INSTITUTOS 5 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. mas não está destituído do poder familiar. quando sozinho a pessoa não possa fazê-lo. SA QUALQUER PESSOA (INCLUSIVE OS PAIS PRIVADOS TEMPORARIAMENTE OU DEFINITIVAMENTE PRIVADOS DO PÁTRIO PODER) Sujeitos passivos são os pais. que recebe a partir do Código Civil de 2002 a nomenclatura de poder familiar. inclusive os pais ou um deles. é o conjunto de direitos e deveres atribuídos aos pais em relação aos filhos menores de 18 anos. 4 SUJEITOS DO DELITO. curadores. vez que tem o interesse que estes institutos sejam respeitados e protegidos. O resultado normativo ocorre quando o agente lesiona qualquer um dos bens jurídicos protegidos. não pode ser sujeito ativo do delito. os menores sujeitos ao pátrio poder e à tutela e as pessoas sujeitas à curatela. Conforme dissemos na Introdução. para que o curador dirija a pessoa maior e os seus bens. se temporária ou definitivamente privados do pátrio poder.56 O pátrio poder. Inicialmente explicamos que o consentimento do menor ou interdito em todas as condutas típicas é irrelevante para a não configuração do delito. O pai e a mãe exercem em igualdade de poderes. O pai que não possui a guarda do filho. tutores. PAIS / TUTORES / CURADORES / MENORES SUJEITOS AOS . o artigo prevê cumulativamente três modalidades típicas concentradas no caput .

INDUZIR INCUTIR. sem autorização dos pais. ENTREGA ARBITRÁRIA DE INCAPAZ INDISPENSÁVEL O DISSENSO DO RESPONSÁVEL E A ENTREGA DO MENOR A OUTREM A terceira conduta punível é a ausência de entrega sem justificava do menor ou interdito a quem legitimamente o reclame. que após a exigência da devolução da pessoa se converte em ilícita. O artigo possui vários elementos normativos. 249 do CP). tutor ou curador. 248 exaurimento do crime.: menor está doente incapaz de se mover) à pessoa que exerce sobre ele o poder familiar. a tutela ou a curatela. . Nesta conduta o agente convence o menor ou o interdito a fugir. Além destes elementos. tornando-se a negativa de restituição do art. na primeira modalidade típica existe a expressão “autorização” que quer dizer permissão ou não permissão do menor ou interdito se deslocar do lugar em que se encontre. Inegavelmente exige-se o dissenso dos pais. configurando um post factum impunível. isto é. o sujeito ativo responderá apenas por este delito. afastamento de forma temporária do local em que este se encontra. MOVER / FAZER COM QUE O SA EFETIVAMENTE FUJA DO LOCAL ONDE SE ENCONTRA A segunda modalidade típica sanciona o indivíduo que entrega o menor ou o interdito a outrem. incutir. O agente possui a posse ou detenção lícita inicialmente. a tutela e a curatela que já definimos no item 2 dos comentários. O agente somente praticará a conduta típica se não possuir justificativa para a não entrega do menor ou interdito (ex. vez que o bem jurídico já foi lesionado na conduta precedente. que tem o sentido de incitar. 6 ELEMENTOS NORMATIVOS DO TIPO. em virtude de lei (poder familiar) ou determinação judicial (tutela e curatela). em face de determinação de quem sobre ele exerce autoridade. A terceira figura contém dois elementos normativos que estão descritos nas elementares “sem justa causa” e “legitimamente”. São elementos normativos o pátrio poder. tutor ou curador. SONEGAÇÃO DE INCAPAZ POSSE LÍCITA DO MENOR OU INTERDITO – RECUSA DE ENTREGAR A QUEM LEGITIMAMENTE O RECLAME Se a posse foi oriunda da subtração do incapaz (art.57 IRRELEVANTE O CONSENTIMENTO DO MENOR NAS 3 FIGURAS Na primeira modalidade típica o verbo núcleo do tipo é “induzir”.

o que significa que ele entrega ou não o menor ou interdito. isto é. material (contém um resultado naturalístico que é exigido para a configuração do tipo. No induzimento a fuga o delito é comum (qualquer um pode realizá-lo). ADMITE-SE A TENTATIVA NAS DUAS PRIMEIRAS FIGURAS 9 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. O tipo penal é classificado como misto cumulativo. se o agente pratica mais de uma conduta responderá em concurso material por elas. Na segunda forma “entrega arbitrária de incapazes” a consumação ocorre no ato da entrega do incapaz. 8 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. a consumação se dá no momento da recusa injustificada em entregar o menor ou interdito a quem legitimamente o reclame. A entrega arbitrária de incapaz é crime comum (qualquer um pode realizá-lo). Por fim. instantâneo (a consumação se dá com a fuga do menor ou interdito). INDUZIMENTO A FUGA ENTREGA ARBITRÁRIA SONEGAÇÃO DE MOMENTO QUE O MENOR FOGE DA MOMENTO DA ENTREGA DO INCAPAZ MOMENTO DA RECUSA ESFERA DE VIGILÂNCIA DOS RESPONSÁVEIS INCAPAZES INJUSTIFICADA A QUEM LEGITIMAMENTE RECLAME O MENOR A tentativa é admissível nas figuras de induzimento a fuga e entrega arbitrária de incapaz. 248 do CP são punidas a título de dolo genérico e direto. não havendo possibilidade de fracionamento da conduta típica. unissubjetivo (basta uma única pessoa para a configuração do delito). . pois o crime apenas ocorre com a negativa da restituição.58 7 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. As condutas típicas do art. Na primeira modalidade “induzimento a fuga” o delito se consuma no momento em que o menor ou interdito foge da esfera de vigilância de seus responsáveis. Na conduta sonegação de incapaz é inadmissível a tentativa. O resultado é a fuga) e plurissubsistente (a conduta é fracionável em vários atos). na terceira conduta típica que é a “sonegação de incapazes”.

Sonegação de menor – “Agente que.detenção. tratou de cumprila” (TACRIM-SP – HC – Rel. Subtrair menor de 18 (dezoito) anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial: Pena . comissivo (praticável por meio de uma ação). Não se pode cogitar do cometimento do delito por quem. 10 PENA E AÇÃO PENAL. 248 do CP são punidos alternativamente.º 9. . 11 JURISPRUDÊNCIA. instantâneo (a consumação se dá com a entrega do menor ou interdito). curatela ou guarda. A ação penal é pública incondicionada. omissivo puro (delito realizável através de uma omissão) e permanente (o momento consumativo perdura até que a vítima saia da detenção do sujeito ativo). ou multa. pelo delito do art. § 1º. uma vez conhecida a sentença que revogou a liminar.59 unissubjetivo (basta uma única pessoa para a configuração do delito). 60 61 e 89 da Lei n. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. vez que basta a entrega da vítima a outrem sem a permissão de quem de direito. Adalberto Spagnuolo – JUTACRIM 74/110). para a ação penal. Aplicam-se ao tipo os arts. “Há justa causa. 249. vez que basta a negativa da entrega do sujeito passivo). instaurada contra quem vende recém-nascido cuja guarda lhe fora confiada pela mãe” (TACRIM-SP – HC – Rel.099/95. comparece perante a autoridade policial para prestar declarações. mera conduta (não possui resultado naturalístico. com detenção de um mês a um ano. O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena. Subtração de incapazes Art. unissubjetivo (basta uma única pessoa para a configuração do delito). se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder. tutela. Albano Nogueira – RT 527/357). independentemente de qualquer perigo ou dano). A sonegação de incapaz é delito comum (qualquer um pode realizá-lo). se o fato não constitui elemento de outro crime. 248 do CP. mera conduta (não possui resultado naturalístico. após tomar conhecimento da sentença que revogou a liminar e atribuiu a guarda da menor ao avô. Os delitos previstos no art.

desde que no exercício do pátrio poder (poder familiar). O bem jurídico protegido é a guarda do menor de dezoito anos ou interdito. independentemente de qualquer resultado naturalístico. No caput o tipo penal apresenta a conduta básica do delito. TUTORES OU CURADORES SE PRIVADOS DO EXERCÍCIO TEMPORÁRIO DE SUAS FUNÇÕES Podem ser sujeitos passivos os pais. tutor. 2 MODALIDADES TÍPICAS. curatela. dizendo que independentemente da condição de pai. tutela. curador ou guardador do sujeito passivo. O delito é comum podendo ser sujeito ativo qualquer pessoa. ou de quem possua a guarda legítima.60 § 2º. o juiz pode deixar de aplicar pena. O parágrafo 2º prevê uma causa de extinção da punibilidade que é o perdão judicial. SA QUALQUER PESSOA (ATÉ OS PAIS. o tipo deverá ser interpretado extensivamente compreendendo neste significado a pessoa da mãe também. independentemente da existência de poder familiar (pátrio poder). O parágrafo 1º traz uma norma penal explicativa. 3 SUJEITOS DO DELITO. RESULTADO NORMATIVO. 249. se o agente estiver destituído ou temporariamente privado da condição. tutela ou curatela. tutela. caso pratique a conduta responderá pelo delito. § 1º). O menor de . Apesar de se referir apenas a “pai”. tutores ou curadores. O resultado normativo ocorre quando o agente lesiona qualquer um dos bens jurídicos protegidos. COMENTÁRIOS 1 BEM JURÍDICO. bastando que o sujeito passivo tenha a guarda. No caso de restituição do menor ou do interdito. se este não sofreu maus-tratos ou privações. definindo a ação daquele que subtrai o menor ou o interdito da pessoa que em face de lei ou de ordem judicial detém sua guarda. inclusive o pai ou tutor do menor ou curador do interdito. para aquele que entrega o sujeito passivo sem causar-lhe maus tratos ou privações materiais. curatela ou guarda (art. se destituídos ou temporariamente privados do pátrio poder.

e depois vá à procura da pessoa. CURADORES.61 18 anos também é vítima imediata. que significa tirar. curadores ou pessoas que exerçam a guarda do menor de dezoito anos ou interdito em virtude de lei ou decisão judicial. em virtude de não ter ocorrido a sua subtração. O Estado também é sujeito passivo (mediato). admite-se qualquer maneira de execução (violência. tutela. fraude). SP PAIS. pois tem o interesse que o exercício de tais direitos e deveres ocorram sem usurpações não autorizadas pela lei. 248 do CP. OBJ. estará tipifica a conduta do art. . Para a tipificação da conduta é necessário que o sujeito ativo retire o menor ou interdito da esfera de vigilância de quem exerce sobre ele o pátrio poder. OS QUE TÊM A GUARDA E O MENOR DE 18 ANOS / O ESTADO TAMBÉM É SP 4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO. grave ameaça. São elementos normativos do tipo penal o pátrio poder (poder familiar). Se o menor foi induzido a fugir ou deixar o local onde se encontrava. tutores. ou quando o detentor não tem a guarda legal. O tipo também exige o dissenso dos pais. tutela. É obrigatório o deslocamento espacial da vítima (menor de 18 anos ou interdito). SE EXERCEM A GUARDA DOS MENORES OU INTERDITOS / O CONSENTIMENTO DO INCAPAZ É IRRELEVANTE Caso o menor ou interdito fuja sem a intervenção de ninguém. O verbo núcleo do tipo é “subtrair”. e o submeta à sua própria esfera de vigilância. O DETENTOR NÃO TEM A GUARDA LEGAL = NÃO HÁ CRIME Por ser crime de forma livre. retirar. não há crime. curatela ou guarda. 5 ELEMENTOS NORMATIVOS DO TIPO. TUTORES. INDUZIR MENOR ABANDONADO A ACOMPANHAR OU QDO. O consentimento do incapaz é inócuo. O DISSENSO DAQUELES SP TB É INDISPENSÁVEL. RETIRAR DE QUEM EXERCE AS FUNÇÕES JÁ DESTACADAS E A GUARDA / É NECESSÁRIO O DESLOCAMENTO TERRITORIAL Não há crime na ação de quem induz um menor ou incapaz abandonado a acompanhá-lo. SUBTRAIR = RETIRAR EL.

6 ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. a idéia de posse é tão atraente e expressa com tanta clareza em que consiste a guarda. Apesar de grosseiros os termos. a “posse direta” dos pais sobre os filhos. É. a guarda. através de uma decisão judicial. em termos grosseiros. Atinge-se a consumação do delito com a subtração do menor da esfera de vigilância de seus responsáveis. para que o curador dirija a pessoa maior e os seus bens.62 curatela e guarda. A tutela é um instituto que tem como objeto a substituição do poder familiar. que recebe a partir do Código Civil de 2002 a nomenclatura de poder familiar. quando sozinho a pessoa não possa fazê-lo. em termos genéricos. que exige apenas a gerencia do patrimônio e não da pessoa. quando os pais faleceram ou foram destituídos ou suspensos do seu exercício. como no caso de tutela (esta seria uma conceituação mais restrita e incompleta: a substituição de o pátrio poder dos pais por outra família ou pessoa nos casos determinados pela Justiça). RETIRADA DO MENOR OU INCAPAZ DA ESFERA DE VIGILÂNCIA DE SEUS RESPONSÁVEIS / TENTATIVA É ADMISSÍVEL . A posse só se dá sobre as coisas ou sobre algumas espécies de direitos. 7 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA. A proteção deste tipo penal não se aplica ao pródigo. O pai e a mãe exercem em igualdade de poderes. rigorosamente. não se pode falar em posse de uma pessoa sobre a outra. § 1º. Assim. é a relação direta entre pais e filhos. Na verdade. sendo irrelevante que a posse do agente seja ou não tranqüila. Guarda no conceito de César Fiúza (2007:995) é a relação típica do poder familiar. é o conjunto de direitos e deveres atribuídos aos pais em relação aos filhos menores de 18 anos. A simples subtração de incapazes só é punida a título de dolo genérico e direto. é o lado material do poder familiar. O pátrio poder. da qual decorrem vários direitos e deveres para ambas as partes. Curatela é o encargo atribuído a alguém em virtude de lei. É obvio que a guarda pode ser concedida a terceiros. Admite-se tentativa imperfeita e perfeita. CONS. ao dispor que a “a guarda destina-se a regularizar a posse de fato”. que é o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente a utilizou no art. 33.

se o agente restitui o menor ou interdito espontânea ou voluntariamente a seus pais. estando presentes os requisitos legais o magistrado deverá aplicá-lo. art. dizendo que independentemente da condição de pai.099/95. 9 MODALIDADES DERIVADAS. 159 do CP) e o art. 249.63 8 CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA. comissivo (delito de ação). se o fato não constitui crime mais grave. Por isto. A pena cominada ao delito é de detenção. DEVOLUÇÃO DOS SP SEM MAUS-TRATOS DEVOLUÇÃO PODE SER ESPONTÂNEA OU VOLUNTÁRIA Entendemos que o perdão judicial não constitui uma simples faculdade ou poder discricionário do juiz. Também é classificado como comum (qualquer pessoa pode praticá-lo). § 2º). curador ou guardador do sujeito passivo. Após a consumação do crime. O tipo penal é expressamente subsidiário. se o agente estiver destituído ou temporariamente privado da condição. O parágrafo 1º traz uma norma penal explicativa. pois se consuma com a subtração imediata da vítima. A subtração de incapazes é delito instantâneo. Entendemos que nesta figura típica. de dois meses a dois anos. caso pratique a conduta responderá pelo delito. e se este não sofreu maus-tratos. material (exige o resultado naturalístico subtração do sujeito passivo da esfera de proteção do sujeito ativo) e plurissubsistente (a conduta é fracionável em vários atos). tutor. A ação penal é pública incondicionada. mas direito subjetivo do acusado. PERDÃO JUDICIAL DIREITO SUBJETIVO DO ACUSADO PERDÃO JUDICIAL / A 10 PENA E AÇÃO PENAL. curador ou à pessoa que exerce sobre ele a guarda em virtude de lei ou decisão judicial. 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente. 60 61 e 89 da Lei n. tutor. mas existe uma corrente minoritária que define o delito como permanente.º 9. unissubjetivo (basta uma única pessoa para realizar a conduta típica). poderá o juiz deixar de lhe aplicar a pena. Aplicam-se ao tipo os arts. . Consideram-se delitos mais graves a extorsão mediante seqüestro (art. o legislador transformou uma situação de arrependimento posterior em uma causa de extinção da punibilidade (CP.

Se o agente subtrai a vítima com o fim libidinoso. 148. deixa-se de lhe aplicar a pena se restitui a menor sem infringir-lhe maus tratos” (TJPR – AC – Rel. surripiar ou arrebatar incapaz” (TACRIM-SP – AC – Rel. 249 do CP. V CP ART.64 11 QUESTÕES RELEVANTES. inc. 148. levando-o consigo sob pretexto de lhe proporcionar um futuro melhor. Acácio Rebouças – RT 419/103). 159 do CP). portanto. Odilon Ferreira – RT 707/333) “Inocorre o crime do art. “Comete o delito de subtração de incapaz e não o de seqüestro. “O delito de subtração de incapazes não tipifica se o menor foi entregue ao acusado em razão de ordem judicial” (TJMG – AC – Rel. Lauro Lopes – RT 267/662). Penteado Navarro – RJD 24/379). . retirar. O móvel de crime é indiferente à sua configuração. V do CP). não excluindo. 159 DO CP SUBTRAÇÃO P/ OBTENÇÃO DE RESGATE 12 JURISPRUDÊNCIA. vez que a conduta típica é subtrair. o delito” (TJSP – AC – Rel. 249 do CP se o menor empreende fuga sozinho. que influenciará na tipificação do delito. Em relação ao conflito aparente de normas dever-se-á verificar se a conduta praticada pelo agente não contém outro elemento subjetivo especial ou específico. aquele que retira o menor do poder dos pais. Havendo o fim de obtenção de resgate. o delito praticado por ele será o de seqüestro e cárcere privado qualificado pelo fim libidinoso (art. § 1º. tirar. o delito passa a ser o de extorsão mediante seqüestro (art. Contudo. se estava temporariamente privado de sua guarda. “O fato de ser o autor da subtração pai da menor não descaracteriza a infração prevista no art. § 1º. SUBTRAÇÃO P/ FIM LIBIDINOSO ART.