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Livro Direito Comercial Carlos Pimentel[1][1]

Livro Direito Comercial Carlos Pimentel[1][1]

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  • 1. Origem do Comércio
  • 2. Surgimento do Direito Comercial
  • 3. Evolução Histórica do Direito Comercial
  • 3.1.Império da Babilônia
  • 3.2.Os Fenícios
  • 3.3.Os Romanos
  • 3.4.Idade Média
  • 3.5.Os Estados Nacionais
  • 4. O Histórico do Direito Comercial no Brasil
  • 5. Autonomia do Direito Comercial
  • 6. Fontes do Direito Comercial
  • 7. Conceitos de Direito Comercial
  • 8. Características do Direito Comercial
  • 9. Empresário
  • 9.1.Conceito
  • 9.2.Requisitos
  • 9.2.1.Profissionalismo
  • 9.2.2.Organização
  • 9.2.3.Atividade Econômica
  • 9.2.4.Capacidade
  • 9.3.Continuação da Empresa por Incapaz
  • 9.4.Os Impedidos
  • 9.5.O Empresário Rural e o de Pequeno Porte
  • 10.Prepostos do Empresário
  • 11.Livros Empresariais
  • 11.1.Conceito
  • 11.2.Classificação
  • 11.3.Formalidades
  • 11.4.Força Probante
  • 11.5.Exibição dos Livros Empresariais
  • 12.Registro Público de Empresas
  • 12.1.Disposições Preliminares
  • 12.2.Modelo Organizacional do Registro
  • 12.3.Atos de Registro
  • 12.4.Eficácia do Registro
  • 12.5.Inatividade do Registro
  • 13.Estabelecimento Empresarial
  • 13.1.Conceito
  • 13.2.Composição
  • 13.2.1.O Ponto Empresarial
  • 13.2.2.O Título do Estabelecimento
  • 13.3.Natureza Jurídica
  • 13.4.Alienação
  • 14.Nome Empresarial
  • 14.1.Conceito
  • 14.2.Formação
  • 14.3.Princípios
  • 14.4.Proteção
  • 14.5.Função
  • 14.6.Alienação
  • 14.7.Utilização por quem de Direito
  • 15.Direitos de Propriedade Industrial
  • 15.1.Disposições Preliminares
  • 15.2.Patentes
  • 15.2.1.Invenção e Modelo de Utilidade
  • 15.2.2. Do Pedido e Concessão da Patente
  • 15.2.4. Da Nulidade da Patente
  • 15.2.5. Das Licenças
  • 15.2.7. Da Extinção da Patente
  • 15.3.Registro
  • 15.3.4. Da Nulidade do Registro
  • 15.3.5. Extinção do Registro
  • 15.4.Registro de Marcas
  • 15.4.1.Disposições Preliminares
  • 15.4.4. Da Nulidade do Registro
  • 15.4.5. Da Extinção do Registro
  • 15.5.Indicações Geográficas
  • 15.6.Concorrência Desleal
  • 16.Meios de Proteção à Ordem Econômica
  • 16.1.1.Disposições Preliminares
  • 16.1.3. Das Infrações e das Penas
  • 16.1.4.Da Intervenção Judicial
  • 17.Direitos do Consumidor
  • 17.1.Disposições Preliminares
  • 17.2.Consumidor
  • 17.3.Fornecedor
  • 17.4.Dos Direitos Básicos do Consumidor
  • 17.5.Das Responsabilidades
  • 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição
  • 17.6.Da Desconsideração da Personalidade Jurídica
  • 17.7.Da Publicidade
  • 17.8.Da Proteção Contratual
  • 1. Disposições Preliminares
  • 1.1.Sociedades Empresárias
  • 1.2.Sociedades Simples
  • 2. Constituição das Sociedades
  • 3. Personificação das Sociedades
  • 4. O Patrimônio das Sociedades
  • 5. Classificação das Sociedades
  • 6. Modificação das Sociedades
  • 7. Tipos de Sociedades
  • 7.1.Sociedades Simples
  • 7.1.1.Constituição
  • 7.1.2.Formação do Capital Social
  • 7.1.3.Cessão de Quota Social
  • 7.1.4.Deliberações Sociais
  • 7.1.5.Administração
  • 7.1.6.Responsabilidade dos Sócios
  • 7.1.7. Dissolução da Sociedade
  • 7.1.7.1. Da Dissolução
  • 7.1.8. Da Liquidação
  • 7.1.8.1. Da Liquidação Extrajudicial
  • 7.1.8.2. Da Liquidação Judicial
  • 7.2.Em Nome Coletivo
  • 7.3.Em Comandita Simples
  • 7.4.Em Comandita por Ações
  • 7.5.Em Conta de Participação
  • 8. Sociedade Limitada
  • 8.1.Disposições Preliminares
  • 8.1.1.Conceito
  • 8.1.2.Regência
  • 8.1.3.Natureza
  • 8.1.4.O Nome
  • 8.2.Constituição
  • 8.3.A Quota Social
  • 8.4.O Sócio Quotista
  • 8.4.1.Conceito
  • 8.4.2.Deveres dos Sócios
  • 8.4.3.Responsabilidade dos Sócios
  • 8.4.4.Direitos dos Sócios
  • 8.5.Administração da Limitada
  • 8.6.Órgãos da Limitada
  • 9. Sociedades Anônimas
  • 9.1.Disposições Preliminares
  • 9.2.Constituição
  • 9.3.Deveres dos Acionistas
  • 9.4.Responsabilidades dos Acionistas
  • 9.5.Direitos dos Acionistas
  • 9.6.Administração da Companhia
  • 9.7.Órgãos da Companhia
  • 9.8.Valores Mobiliários
  • 9.8.1.Conceito
  • 9.8.2.Ações
  • 9.8.3.Partes Beneficiárias
  • 9.8.4.Debêntures
  • 9.8.5.Bônus de Subscrição
  • 9.9.Livros Sociais
  • 9.10.Demonstrações Financeiras
  • 9.11.Lucros, Reservas e Dividendos
  • 9.11.1.Disposições Preliminares
  • 9.11.2.Reservas
  • 9.11.3.Dividendos
  • 9.11.3.1. Dividendos Obrigatórios
  • 9.11.3.2. Dividendos Prioritários
  • 9.12.Dissolução, Liquidação e Extinção
  • 10.Sociedade Cooperativa
  • 10.1.Regência
  • 10.2.Constituição
  • 10.3.Características Principais
  • 10.4. Classificação das Cooperativas
  • 10.5.Órgãos
  • 10.6.Administração
  • 10.7.Responsabilidade dos Sócios
  • 10.8.Dissolução da Cooperativa
  • 11. Ligações entre Sociedades
  • 12.Sociedades Dependentes de Autorização
  • 12.1.Disposições Gerais
  • 12.2.Sociedade Nacional
  • 12.3.Sociedade Estrangeira
  • 13.Sociedade entre Cônjuges
  • 14.Sociedades de Economia Mista
  • Exercícios
  • 2. Conceito de Títulos de Crédito
  • 3. Atributos dos Títulos de Crédito
  • 4. Características dos Títulos de Crédito
  • 5. Modo de Circulação
  • 6. Endosso, Aceite, Aval, Protesto
  • 7. Letra de Câmbio
  • 7.1.Conceito
  • 7.2.Legislação Aplicável
  • 7.3.Figuras Intervenientes
  • 7.4.Requisitos de Validade
  • 7.8.Vencimento
  • 7.9.Pagamento
  • 7.10.Ação de Cobrança
  • 7.11.Protesto
  • 7.12.Ressaque
  • 8. Nota Promissória
  • 8.1.Conceito
  • 8.2.Legislação Aplicável
  • 8.3.Figuras Intervenientes
  • 8.4.Requisitos de Validade
  • 9. Cheque
  • 9.2.Legislação Aplicável
  • 9.3.Figuras Intervenientes
  • 9.4.Requisitos de Validade
  • 9.5.Características Principais
  • 9.9.Vencimento e Pagamento
  • 9.10.Ação de Cobrança
  • 9.11.Protesto
  • 9.12.Sustação
  • 9.13.Espécies
  • 10.Duplicata
  • 10.1.Conceito
  • 10.2.Legislação Aplicável
  • 10.3.Figuras Intervenientes
  • 10.4.Requisitos de Validade
  • 10.5.Características Principais
  • 10.6.Endosso
  • 10.7.Aceite
  • 10.8.Aval
  • 10.9.Vencimento
  • 10.10.Ação de Cobrança
  • 10.11.Protesto
  • 11.Conhecimento de Depósito e Warrant
  • 11.2.Legislação Aplicável
  • 11.3.Requisitos de Validade
  • 11.4.Características Principais
  • 11.5.Endosso
  • 11.6.Aval
  • 11.7.Protesto
  • 12.Títulos de Crédito Rural
  • 12.1.Conceito
  • 12.2.Legislação Aplicável
  • 12.3.Figuras Intervenientes
  • 12.4.Características Principais
  • 12.5.Endosso
  • 12.6.Aval
  • 12.7.Protesto
  • 1.1.Disposições Preliminares
  • 1.2.Caracterização da Falência
  • 1.3.Sujeitos Passivos da Falência
  • 1.4.Sujeitos Ativos da Falência
  • 1.5.A Massa Falida
  • 1.6.Órgãos da Falência
  • 1.7.O Juízo da Falência
  • 1.8.Verificação e Classificação dos Créditos
  • 1.9.Efeitos Jurídicos da Falência
  • 1.9.1.Quanto ao Negócio do Falido
  • 1.9.2.Quanto aos Bens do Falido
  • 1.9.3.Quanto aos Direitos dos Credores
  • 1.9.4.Quanto aos Contratos do Falido
  • 1.10.O Processo Falimentar
  • 2. Recuperação de Empresas
  • 2.1.Recuperação Extrajudicial
  • 2.1.1.Disposições Preliminares
  • 2.2.Recuperação Judicial
  • 2.2.1.Disposições Preliminares
  • 2.2.5.Órgãos da Recuperação Judicial
  • 2.2.6.O Juízo da Recuperação Judicial
  • 2.2.9.O Processo de Recuperação Judicial
  • 3. Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras
  • 3.1.Disposições Preliminares
  • 3.2.Intervenção
  • 3.2.1.Conceito
  • 3.2.2.Causas
  • 3.2.3.Sujeito Ativo
  • 3.2.4.Sujeito Passivo
  • 3.2.5.Efeitos da Intervenção
  • 3.2.6.O Processo de Intervenção
  • 3.3.Liquidação Extrajudicial
  • 3.3.1.Conceito
  • 3.3.2.Causas
  • 3.3.3.Sujeito Ativo
  • 3.3.4.Sujeito Passivo
  • 3.3.5.Efeitos da Liquidação Extrajudicial
  • administradores)
  • 3.4.Administração Especial Temporária
  • 3.4.1.Conceito
  • 3.4.2.Causas
  • 2. Classificação dos Contratos
  • 3. Constituição dos Contratos
  • 4. Efeitos da Celebração dos Contratos
  • 5. Espécies de Contratos
  • 5.1.Compra e Venda Mercantil
  • 5.2.Alienação Fiduciária
  • 5.3.Faturização
  • 5.4.Franquia Mercantil
  • 5.5.Leasing ou Arrendamento Mercantil
  • 5.6.Cartão de Crédito
  • 5.7.Representação Comercial
  • 5.8.Concessão Comercial
  • Gabarito
  • Bibliografia

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© 2006, Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Editoração Eletrônica SBNIGRI Artes e Textos Ltda. Revisão Gráfica Tânia Gonçalves Coordenador da Série Sylvio Motta Projeto Gráfico Elsevier Editora Ltda. A Qualidade da Informação Rua Sete de Setembro, 111 — 16o andar 20050-006 — Rio de Janeiro — RJ — Brasil Telefone: (21) 3970-9300 Fax (21) 2507-1991 E-mail: info@elsevier.com.br Escritório São Paulo Rua Quintana, 753 – 8o andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Telefone: (11) 5105-8555 ISBN 13: 978-85-352-1985-2 ISBN 10: 85-352-1985-4 Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa Central de Atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação. Central de atendimento Tel: 0800-265340 Rua Sete de Setembro, 111, 16o andar – Centro – Rio de Janeiro e-mail: info@elsevier.com.br site: www.campus.com.br

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ _________________________________________________________________________ P698d Pimentel, Carlos Barbosa Direito Comercial: teoria e questões comentadas / Carlos 5. ed. Barbosa Pimentel — 5. ed. — Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 376p. — (Impetus provas e concursos) Inclui bibliografia ISBN: 85-352-1985-4 1. Direito comercial. 2. Direito comercial – Problemas, questões, exercícios. 3. Serviço público – Brasil – Concursos. I. Título. II. Série. CDU — 347.7(81) 05-3692. _________________________________________________________________________

Dedicatórias

Aos meus pais, que me ensinaram a importância do conhecimento; à Patrícia, minha esposa, pelo estímulo e compreensão; aos meus filhos, Carlinhos e Clarinha, que inundaram minha alma de felicidade; ao meu sobrinho, Victor, que sempre esteve presente em minha vida; aos amigos sinceros, pelo apoio e ajuda na realização deste trabalho.

Nota do Autor

A disciplina a que nos propomos estudar tem como característica a variedade de normas regulamentadoras. São muitas leis e decretos, todos tendentes a estabelecer regras a respeito de Empresários, Empresas, Registro Público de Empresas, Livros Empresariais, Títulos de Crédito, Falência, Concordata, Contratos Mercantis, entre outros temas ligados ao Direito Comercial. Quando a finalidade do estudo é a participação e a aprovação em concursos públicos, devemos estar atentos para o melhor aproveitamento possível do tempo disponível, sem desperdiçá-lo na leitura de assuntos que não se referem diretamente aos programas. Geralmente, o aluno iniciante depara-se com certa dificuldade, absolutamente compreensível, devido à diversidade própria da matéria. Ciente da importância de maximizar o aprendizado, face à extensão dos tópicos constantes nos editais, que não são poucos, procurei reunir numa única obra os objetos do Direito Comercial mais requeridos nos competitórios, já aproveitando as novidades introduzidas pelo Código Civil de 2002, sobretudo no que se refere ao Direito de Empresa e Empresários. Este trabalho, portanto, desenvolvido tanto a partir da observação de questões presentes em concursos realizados pelas mais conceituadas instituições do gênero no país, como da leitura de importantes autores, a exemplo de Fábio Ulhoa Coelho, Fran Martins e Rubens Requião, entre outros, tem a finalidade de ajudar o candidato, na medida em que ele terá a oportunidade de apreciar os principais pontos da matéria, ao mesmo tempo em que disporá de cerca de oitenta quesitos comentados (todos extraídos de concursos). Com a pretensão de estar colaborando na busca pelo objetivo dos aspirantes a um cargo público, lembro que todo propósito a ser conseguido, por mais difícil que possa ser, necessita da conjunção de três fatores: a vontade de conquistá-lo, a persistência do agente e a organização de suas ações. Carlos Barbosa Pimentel carlospimentel@tce.pe.gov.br

com a evolução histórica do Direito Comercial até seu surgimento no Brasil. é conhecido por “Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras”. dentre outros). que nasce dentro de cada um de nós. novas matérias. liquidação extrajudicial e administração especial temporária nas instituições financeiras e assemelhadas. ao mesmo tempo. O primeiro. a exemplo do Auditor Fiscal da Previdência Social. questões aplicadas em certames realizados mais recentemente. remonta às origens do comércio. deverá ser constantemente revisto e atualizado. embora válidos. Waldirio Bulgarelli. enfocando-os com clareza e precisão. não trarão proveito prático. procurando enfocar os principais temas ligados ao Direito Comercial sob a ótica de quem pretende enfrentar e vencer o desafio da aprovação em concursos públicos. não pode utilizar seu precioso tempo na leitura de ensinamentos que. um ótimo aproveitamento e que o esforço de meu trabalho seja útil à realização dos objetivos de cada um. Para que um trabalho dessa natureza atinja o fim a que se propõe. a exemplo do item específico tratando das sociedades simples. depois. por fim. Entrementes. Diferente do primeiro. Seu estudo proporcionará ao leitor um substrato importante. aproveitei para inserir novos conceitos. apesar da vontade de enriquecer o livro com cada vez mais temas relacionados à disciplina. sob uma visão finalística da matéria. cuja iniciativa nasceu da observação das grades curriculares de algumas universidades.Nota à 2a edição A segunda edição dessa obra mantém a opção por um estudo objetivo. e. que é o de oferecer. no sentido de debutar no conhecimento da ciência jurídico-comercial. . pois o candidato que se prepara para enfrentar processos seletivos com tamanho grau de dificuldade. Técnico do Banco Central etc. O outro tema acrescentado. como os que venho observando nos últimos anos. portanto. busquei reunir conceitos e avaliações de renomados mestres (cito Rubens Requião. a partir desta edição. não posso esquecer o objetivo inicial a que me propus. Desejo aos leitores. um material didático abrangente dos assuntos requeridos nas provas. e envolve a participação do Banco Central do Brasil na intervenção. é preciso organizar as ações que permearão o caminho. Auditor Fiscal da Receita Federal. Para não me afastar da própria concepção objetiva da obra. muitas vezes longo. Lembrem-se! A conquista de um sonho necessita de três fatores: o primeiro é o desejo de alcançá-lo. Fran Martins. Nota à 3a edição Feliz por ter nova oportunidade de enriquecer este trabalho com cada vez mais matérias de Direito Comercial. até mesmo. Por isso. aproveito para inserir dois importantes temas relacionados à disciplina. quando o desânimo e o pessimismo devem ser afastados. a persistência de quem parece disposto a atingir uma meta. este é contemplado em programas de vários editais de concursos públicos.

sempre perseguidora do progresso e do bem-estar social. procurando sempre tornar a leitura o mais prazerosa possível ao leitor. foi mantida. Pois bem. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 11. mas com alterações. representada pelo Decreto-lei no 7. essa nova ordem. de 1945. pois não trazia instrumentos para propiciar a recuperação de pessoas jurídicas que atravessassem crises momentâneas em seu fluxo de caixa. com graves conseqüências econômicas e sociais à nação. aqui entendidos pessoas físicas ou jurídicas. adaptável ao dinamismo da própria sociedade. da forma como era apresentada no antigo decreto. já não contribuía com a impulsão da atividade econômica.661. capaz de possibilitar o soerguimento de empresas invariavelmente fadadas à extinção. é um exemplo de como o sistema jurídico de um país deve acompanhar as mutações em seu panorama econômico. Isso porque trouxe novas formas de processamento para a recuperação dos empresários. publicada em 09 de fevereiro próximo passado. Se a antiga legislação. imprescindível era uma norma moderna.Nota à 4a edição O Direito é uma disciplina dinâmica. A falência. que também conta com os demais capítulos já apresentados em edições passadas. nas quais devedor e credores têm a chance de resolver seus conflitos através de um plano de recuperação proposto pelo devedor e levado a juízo. A Nova Lei de Falências. mais conhecida como a "Nova Lei de Falências". .101/2005. Trata-se da recuperação judicial e extrajudicial. Essa busca dos grupos sociais por mudanças leva à necessidade de constantes conciliações entre os anseios do povo e as normas jurídicas aplicáveis. que poderia ser intitulada como a "Lei de Recuperação e Falências das Empresas e dos Empresários". com seus detalhes mais importantes reunidos de maneira didática. constituise no grande atrativo a essa 4a edição.

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E isso tem ocorrido. o Direito Comercial. Pois bem. graças a dois fatores primordiais: a excelência dos professores signatários das obras que a compõem e o rígido controle de qualidade da Editora. com essa obra não é diferente. O Professor Carlos Barbosa consegue dispor. permeando sua narrativa de advertências oportunas para aquele que se prepara para enfrentar uma banca examinadora exigente. para facilitar a fixação do conteúdo explanado. Atualizada pelo novo Código Civil. agradecendo a confiança e fazendo de tudo para continuar a merecê-la. esta empreitada ainda dispõe de inúmeras questões de prova. Sylvio Motta . Sempre foi objetivo desta Série propiciar ao candidato instrumentos eficazes para o seu êxito no certame público.Palavras da Coordenação A Série Impetus Provas e Concursos tem se consagrado junto ao seu fiel público leitor. E é atestando a qualidade da obra que a Editora Campus/Elsevier tem o prazer de colocá-la em suas mãos. em razão da excepcional qualidade das obras que apresenta. de forma didática e agradável.

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... 21 11............. 3 3....... Prepostos do Empresário ............ Profissionalismo .................................. 15 9.................. Os Fenícios ... 3 3........................................................ 4 3.............. Conceito ...................................... Império da Babilônia ...... Autonomia do Direito Comercial . 17 9.......................4. Livros Empresariais ....2.2.... 1 2....................2........................................................ 14 9................................. Continuação da Empresa por Incapaz ................ Capacidade ......... Os Estados Nacionais ........................................ Atividade Econômica .................. 13 9....................... 17 9.................. Fontes do Direito Comercial ....... 13 9...... 11 8.................................................................5.................................2.......4...........................1......3.........1............ 2 3.... 6 5..... O Histórico do Direito Comercial no Brasil ......... 20 11......................... 3 3.. Surgimento do Direito Comercial ........1........ Empresário ....... Requisitos ...........2...... 12 9... Classificação ................ 10 7............... Origem do Comércio ...... Organização .....................................................3............5................... 2 3....................... 5 4...... 1 1............ Conceitos de Direito Comercial ....... 18 10..........................................3... Os Romanos .............. Conceito ........4.......... 22 ..2................................ O Empresário Rural e o de Pequeno Porte ....... 7 6............................. Evolução Histórica do Direito Comercial ...................................... Características do Direito Comercial .....................Sumário CAPÍTULO 1 NOÇÕES GERAIS ................................................ 14 9............................... Os Impedidos ........................................ 14 9...................... Idade Média ........................................ 14 9.....................2........2................................................................ 21 11......................1.........

........ 42 15.. Utilização por quem de Direito ....... Eficácia do Registro ......2......................................5. 25 12.........1.......... 29 13............................................ Das Licenças .2..... 31 13......... 33 13............................. Invenção e Modelo de Utilidade ..... Da Nulidade da Patente ..............12......3......................................2............ 13.........3..........4........... Conceito .. Formação ...................... Da Extinção da Patente ............................... Conceito .......... 29 Estabelecimento Empresarial .......3........... 27 12.................4..... Disposições Preliminares .................... 15.......................... 25 12............3...2......... 36 14...... O Título do Estabelecimento ......................... 35 14..................2...........2............ 39 14.... 50 15.......... 51 ................................1......6.............................................. Alienação ........ Composição ....................... 44 15............7.. 48 15....................................2.............. Inatividade do Registro .................................2.................................................... Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço .................1..................... 43 15......2............... Registrabilidade do Desenho Industrial ..................4....... 24 11......................... Modelo Organizacional do Registro . 45 15........................... Força Probante .............. 38 14....... Do Pedido e Concessão da Patente ................................1.......................2. 35 14........3......................2...... 28 12..........2.................3........................................... 42 15......... 24 Registro Público de Empresas ............................ Natureza Jurídica ......... 34 Nome Empresarial .............. 29 13...... 23 11.5...................... Da Patente de Interesse da Defesa Nacional .........................8.......2. 32 13...4...................... Disposições Preliminares ......... Atos de Registro ......5.......................3.. Exibição dos Livros Empresariais .. Função ....1...... 14.................. 27 12..... Patentes .. 47 15........................................................ 30 13................... Formalidades ........................ Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente . Proteção . O Ponto Empresarial ........................... 40 14.... 48 15.............................1...... 51 15.................1....... 50 15............4................. 50 15............................ 38 14........ Alienação . 41 Direitos de Propriedade Industrial ....5................................ Princípios ...........................6.......................... Registro ....7..........2.................... 11..2.........2..

..... 63 17....6........................6..... Indicações Geográficas ..........4.......3...........Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial ... Da Intervenção Judicial .4................... 55 15........5........3....3....................... Disposições Preliminares .............. Do Pedido e da Concessão do Registro .. Das Responsabilidades ........ 57 15................. 73 17..................................4........3.................. 72 17................ 65 17.... Direitos do Consumidor ...................... 61 16...................... Repressão às Infrações Contra a Ordem Econômica ........... Da Extinção do Registro ..............5.1................5.... Meios de Proteção à Ordem Econômica .... 63 17.....2. 53 15................7.................. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro .. 58 15..... Da Proteção Contratual ....................4......5.........................................5........... Fornecedor ............................... 60 16...... 57 15......... Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço .......................... 54 15........................................... Da Nulidade do Registro . Da Desconsideração da Personalidade Jurídica .......... 68 17.4......3.....2..2.3............5..........2.............1......3... 67 17..............4... Extinção do Registro ......... 61 16...........3............ 67 17.... ....1........................ Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ......................... 75 Exercícios ........5............... Da Decadência e da Prescrição ...... Disposições Preliminares ...1....1.................... O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE .......4...........................................1. 52 15......... 53 15................ 60 16..1....... Consumidor ..1....... 56 15........8............ Registro de Marcas .3... 54 15... Disposições Preliminares ........ 53 15.......... 58 16........... Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica ... Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço ................. Das Infrações e das Penas ...... 63 17.............4.............4...... 77 15........................ 60 16.... 62 16...1.... 64 17........ Da Publicidade ...... Dos Direitos Básicos do Consumidor .................... 63 17............ Da Nulidade do Registro ................................ Concorrência Desleal ...2........... 74 17.....2.........4..................

............ 123 8......1...............1.............. 108 7...5.........1................................................ Sociedades Empresárias ....1...... Cessão de Quota Social ...................1.....CAPÍTULO 2 DIREITO DE EMPRESA ...... 121 8.8....... O Patrimônio das Sociedades ..........1...2........... 118 7...... 100 7................... 129 8........4... Deveres dos Sócios ..... 132 ....7...........................3.......1..2.......................4.1.......... Constituição ............ Conceito ......2.. Modificação das Sociedades ....... Responsabilidade dos Sócios .... Administração ..... Da Liquidação Extrajudicial . Dissolução da Sociedade .. Em Comandita por Ações ......... 94 5. Conceito ............. Da Dissolução ...................1........ A Quota Social ........................1....8................................7...... 123 8..................................................1... 87 1............1.4................2...................... O Sócio Quotista ................ 103 7............. 112 7..........1........ 117 7.... 97 6...........1............8.................. 128 8....................................................................1.................. Regência . 114 7.............3............................1............. 111 7........................................ Sociedades Simples .. Deliberações Sociais ........................... 125 8.. Classificação das Sociedades ..... 116 7........................ Da Liquidação .......7.4.....................2................1......... 124 8... 130 8..5............. 87 1............... 88 1.. Direitos dos Sócios .... 105 7..1....................... Em Conta de Participação .........2...............1........1.....3........6....................... Constituição das Sociedades .......... Sociedades Simples ....... Natureza ............4...... 123 8..................1.. Tipos de Sociedades .....2........4........... 91 3................... 106 7........... Disposições Preliminares ....4...................3.2..................................................... O Nome ...3............................ Em Comandita Simples ................ Constituição ..... 113 7............ Responsabilidade dos Sócios ........ Da Resolução em Relação a um Sócio ... 104 7... 103 7............................ Personificação das Sociedades ............1. Formação do Capital Social ...................... Sociedade Limitada . Em Nome Coletivo .......................... 110 7.............................. Disposições Preliminares .... Da Liquidação Judicial ..1........................4................. 123 8...........4... 127 8........................... 105 7....................... 103 7........... 89 2......... 119 7......1.............. 93 4...... 128 8............................ 124 8.......

.... 141 9.....2.............. Lucros........... Conceito ......................... 153 9............6..........6......... 166 10.............5.......... 168 10.. Partes Beneficiárias ..... 162 9.. Direitos dos Acionistas .................... Bônus de Subscrição ............12........4...................... Características Principais .................... 174 13..2....... 169 10... 145 9. 171 12........ Ações ................8................ Dividendos Obrigatórios ....1.. Sociedade Cooperativa ............................ 159 9.................................... Disposições Gerais ..................................................11..............3.... Responsabilidades dos Acionistas ....................8................................................................2..... 146 9.......................... Sociedade Estrangeira .2.......... Dividendos .............. Órgãos ..11......8.......7.................. 157 9....... 188 ..... 174 12...........7.4..... 162 9............. 165 10..................... Demonstrações Financeiras ... 163 9.................. Sociedades Anônimas .......... 169 10..............11.3...1.... Administração da Limitada ............. Deveres dos Acionistas ......................... 153 9............ Órgãos da Companhia .. 144 9........... 136 9..... 176 Exercícios .........................................................10............ Responsabilidade dos Sócios ......................................................... 158 9... 173 12...........3. 165 10......... Debêntures ..........................8.3.......3....... Disposições Preliminares ..................3... 156 9.....11........5................................................... 175 14... Administração da Companhia ......................................... Sociedades Dependentes de Autorização .......... 167 10.8............................................................................ Reservas e Dividendos ..............................9......... 148 9.............. Sociedade Nacional ............... Dissolução........ Disposições Preliminares ..............2................ 134 8.....................................................................8................8........................................ Órgãos da Limitada ................... 173 12......3.............1...............11........... Dissolução da Cooperativa ............. Livros Sociais .. Constituição .................. 156 9........ 159 9..... Sociedade entre Cônjuges ......................... 163 10...........5...........1. 158 9................... Dividendos Prioritários ......11. 165 10............1....... Liquidação e Extinção ....4.. Administração ....... 170 11.............. 141 9.................. Sociedades de Economia Mista ..............................................5........ Reservas ........... Constituição .... Ligações entre Sociedades ................ 143 9.1.......... 153 9........6..........8......... Classificação das Cooperativas .. Valores Mobiliários .......2..... 141 9...... Regência ...... 160 9..............................

...........3............. Disposições Preliminares ............4.................... 216 9... 215 8....................... Vencimento .....4.... Vencimento............................................................ Protesto ....... Requisitos de Validade ............ Protesto ....................................................... Legislação Aplicável .................................... 202 5.......................... Vencimento e Pagamento ....................................................... Aval ...............CAPÍTULO 3 DIREITO CAMBIÁRIO . 202 3...................... 214 8...2..........................................1................................ 219 9........................................... 208 7...........1......9....2................................................................ Aval........................................................... 208 7....... 214 8..................... Conceito .2..... Pagamento ... Ação de Cobrança........ Atributos dos Títulos de Crédito ........ Ação de Cobrança ... 213 7. Legislação Aplicável .....7................ Figuras Intervenientes ....... 218 9.... Pagamento..8..................................... Legislação Aplicável ..................6................................................................................. Aceite ... Endosso..............5..................................... 205 7....11.............. 207 7............................................... 217 9....................... Aceite........ 204 6..... 207 7.. 209 7........... Conceito de Títulos de Crédito ............. 217 9................... Aval .............................................. 216 9......................................... Endosso .................................. 219 9... 210 7............. 202 4. Características Principais ....................... Figuras Intervenientes ...................... Nota Promissória .... 207 7.. 216 9... Aval............ Modo de Circulação ....... 207 7................... 215 8...... 201 1........... 201 2.............11.......4.....6....................... 214 8....... 220 ............. Figuras Intervenientes ...............................10..............................................9....................................... Protesto ................................................. 216 9.......................... Letra de Câmbio .............................. Protesto ........ 213 7.3....................................... Cheque .........5.................8.......... 211 7....10......3......................................................................... Endosso ............... Requisitos de Validade .......... 215 8........................... Requisitos de Validade ....................... Aceite .... Características dos Títulos de Crédito .. Aceite .............................................................. Ressaque .. 212 7..... 214 8.............12............... 218 9............ 219 9....... 216 9.......... Ação de Cobrança ............5.................. Conceito ...6.......7................................................ Endosso........................................................................ Conceito .........................1.

Aval ........................................... 228 11............. Conceito ..........13..................................... Sustação ...... Legislação Aplicável ....12............................................8... 249 ... Legislação Aplicável .....9...............5..... Títulos de Crédito Rural ...... 224 10............................................ 225 10.........................................................2.........2................................................... 229 12................. 223 10........................... A Massa Falida ..2............................................5....................................7..................... 241 1.. Legislação Aplicável ...4......... 245 1...................... Conceito ....................5....... 228 11..........11. 227 11........................... Protesto ..........4.. Características Principais ..... Figuras Intervenientes . 226 11.........1...................................................................... 248 1.......................... Figuras Intervenientes ............... 230 12.................... 225 10.................... Aceite .......................................................2. 226 11......... Características Principais .................................................. Endosso ... 244 1......................... Aval ..... 227 11..10...........................3......................... 227 11.............. Endosso ..9................................... 221 10................................4.................................................. 224 10.......................................... Vencimento ..........................1..... Ação de Cobrança ..7........ 229 12.............................. Sujeitos Passivos da Falência..5.................................... 225 10......3... Conhecimento de Depósito e Warrant ........ Duplicata .................................................................................................... Espécies ........ 235 CAPÍTULO 4 DIREITO FALIMENTAR .............6.................................................................................................... Endosso .... 249 1...... 223 10.......4.........1...... Protesto ............................................... 223 10..................... 229 12..... Disposições Preliminares .......... 222 10..................................................................................................................... 222 10........................... Requisitos de Validade .......................... 221 9.......... 241 Introdução .......... Características Principais .....................7.6....... 226 11........................................ 228 12. 223 10...... 228 12.........................................................3................................. Caracterização da Falência ............................................................................3............................................. Sujeitos Ativos da Falência .............................. 228 12. Conceito ................ 230 Exercícios ...............1... Protesto .......................... 230 12.. Falência ......6.... 244 1. Aval ..... Requisitos de Validade .

..4............. Quanto ao Negócio do Falido ..............................1. Caracterização da Recuperação Judicial ......2......... Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos ... 266 1....3...2...1... 279 2..........2......... 278 2. 263 1.. O Juízo da Recuperação Extrajudicial .. 280 2.....6..... Recuperação Judicial ...................... 287 2...........................3................................2................. 1....4..............9.................. 279 2. 278 2..................8.. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial .1.......... 1....2............... 276 2.......4.... ........... Órgãos da Falência ................................ Órgãos da Recuperação Judicial ...9.............................. 290 1.......................... 275 2.... Quanto aos Contratos do Falido ........................2.. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial .... O Processo Falimentar ................. 255 Efeitos Jurídicos da Falência ..............1.....2..9..... 284 2..........1... Órgãos da Recuperação Extrajudicial .1....1.............9...........7......... 259 1.... 288 2.............8. 262 1................. 282 2...5................ 287 2.....10......... 258 1...1.. 279 2......7.................................1......3...............1......9..... Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial ........ 1........... Quanto aos Direitos dos Credores ...........1............. 275 2............ Disposições Preliminares ...........5... 250 O Juízo da Falência ...........6.........2......... Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial ............................2................... 253 Verificação e Classificação dos Créditos ................. 282 2.5....9...1... Disposições Preliminares ....... 275 2........ Quanto aos Bens do Falido ...2............6... Sujeito Ativo da Recuperação Judicial .... Recuperação Extrajudicial ...... Caracterização da Recuperação Extrajudicial ....2................................ O Processo de Recuperação Extrajudicial ..... 258 1.......... O Juízo da Recuperação Judicial . 268 Recuperação de Empresas ..

..................5..7.. 291 2...... Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras ... O Processo de Liquidação Extrajudicial .......2............ 294 2.............1.................... Sujeito Passivo ..... Intervenção ... Quanto aos Bens do Devedor .. 298 3.............2....4.2...1..........1.............. O Processo de Intervenção . Liquidação Extrajudicial ....... 297 3. Conceito ...............Verificação e Classificação dos Créditos ....3........... 299 3...........4........ 299 3.............2..9.......6.. 293 2.... 309 2............................ 299 3...............3..............2....................... 307 3........3.............2...2.. Quanto aos Direitos dos Credores ..3..... Causas ..........4.... 295 3................................. 306 3.1......... 295 2.............3........ Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial .3... 304 3..........................................2................. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor . 307 Exercícios ...8........ 293 2....2..8............... 300 3... O Processo de Administração Especial Temporária .............2........................... Sujeito Ativo ................... Efeitos da Intervenção ......................................2......4............ 301 3..................................6....... Efeitos da Liquidação Extrajudicial ..2..2....3.... 303 3.......................... 300 3.........2.............8............ Sujeito Ativo ..... Disposições Preliminares .......... Causas ........ Responsabilidade dos Administradores .. O Processo de Recuperação Judicial ... Administração Especial Temporária .........2.................3.....7......................3.....4........3.... Conceito .1. 297 3...........................3....2.... Causas ..... Conceito ..................2....... 305 3.......... 292 2......2............................. ............. 302 3.. 298 3........3.............4..4......8.....5...... 306 3................ Quanto ao Negócio do Devedor .......... Sujeito Passivo .......... 303 3. 301 3.................................................8.......... 303 3........................

.3.........5.. 323 5........................ 317 5...... 351 ......1............................................................................ 320 5.............................................................. 316 5.............................................................................. 331 BIBLIOGRAFIA .........................................................2..................... Espécies de Contratos .. Constituição dos Contratos ................................. Efeitos da Celebração dos Contratos ............ 318 5............................... 324 5... 315 4.................. 321 5..... 326 ........................ Compra e Venda Mercantil .............................................. Concessão Comercial .................... 322 5...............CAPÍTULO 5 CONTRATOS ............. 313 1.............................................. 317 5.............. Disposições Preliminares ........... 324 Exercícios .......................................... Leasing ou Arrendamento Mercantil ............................................................................................................................................................................... Representação Comercial ..............8. Cartão de Crédito ....... Franquia Mercantil ..4... 313 2......6.............................. 314 3................... 329 GABARITO COMENTÁRIO ................................ Alienação Fiduciária .........................7............... Faturização .. Classificação dos Contratos ..........................

da pecuária ou do cultivo agrícola e vegetal. . mercadores. ofertando aquilo que tinham em abundância. logo esse modelo demonstrou-se ineficaz. imperiosa a criação de uma unidade comum de valor – a moeda – cobiçada por todos. Nessa seara. mercantil uma vez que possibilitou a transição de uma economia de subsistência na qual o principal elo econômico entre os grupos sociais eram as trocas do excedente produzido. Tornou-se. pois geralmente adquiriam produtos por um preço inferior. para uma economia de escala voltada para a produção maciça de escala. identificados como aquelas pessoas que promoviam a intermediação dos bens entre o produtor e o consumidor. subsistência. seus componentes buscavam produzir os bens de que necessitavam. Origem do Comércio Nas sociedades primitivas. Desde o início. deu-se o nome de “atividade mercantil ou comercial”. ou seja. com uma parte devendo ser vendida a outros contingentes populacionais. para revendê-los com majoração no valor da compra. A moeda foi o fator determinante para o surgimento do comércio. através da caça. excluídos seus custos. quando elas tentavam suprir a carência na produção de certos artigos. Contudo. A diferença. tiveram por objetivo auferir lucro da profissão. pois nem sempre o grupo social detentor de gêneros desejados por outro estava interessado na aquisição do excesso produtivo daquele.Capítulo Noções Gerais 1 1. era a margem de lucro. ou da atividade mercantil. da pesca. determinados bens. surgiram os comerciantes conhecidos no início como mercadores comerciantes. Com o passar dos tempos e o natural crescimento dos grupos sociais. Outros eram extraídos da natureza. ao ato de comprar bens para posterior revenda. então. À atividade precípua do comerciante. começou a haver uma permuta do excedente de produção entre as sociedades.

serem absorvidas pelo próprio Estado. em contraste com a forma esparsa de regras ou costumes até então praticados. títulos de crédito em geral. diz-se que a atividade comercial. fenícios. mas sim àquele outro ramo do Direito Privado. conforme estudaremos no Capítulo 03. como era hábito. 3. . No entanto. Já num estágio evolutivo posterior.2 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel É claro que nem sempre a equação funciona dessa forma. costumes. ultrapassando. quando um conjunto sistematizado de normas lastreadas nos usos e costumes dos mercadores nasceu no âmbito das corporações. as fronteiras das corporações e sendo recepcionados pelas Cidades. inclusive. No entanto. Por isso. em seguida. é sempre onerosa. pois pode acontecer de o preço de venda ser inferior ao de compra. Evolução Histórica do Direito Comercial A Idade Média marcou o surgimento do Direito Comercial. criadas a partir do século XII justamente para proteger os exercentes da atividade mercantil. destinado ao Direito Comercial. não-comerciantes. Idade Média quando as corporações de mercadores. Tal providência normativa remonta a civilizações muito antigas. no sentido de criarem normas que regulassem a atividade comercial. intensificaram o comércio marítimo entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. por exemplo. que envolve normas. a princípio restrita ao seio das corporações para. senão a partir da Média. 2. antes mesmo do nascimento de Cristo. na Roma Antiga quando não existia regramento específico Antiga. ou mercantil. os governantes perceberam que ali estava uma promissora fonte de renda e que deveriam agir para seu disciplinamento. sabemos que a qualificação como disciplina só é possível face a um conjunto sistematizado. o escopo da atividade sempre será o lucro. o Direito Comercial passou a regular até mesmo atos praticados por pessoas comuns. usos. algumas até mesmo importadas do Direito Civil. além de outras fontes do Direito. Surgimento do Direito Comercial Com o fomento da atividade mercantil. codificado ou não. E isso não havia ocorrido ainda. fizeram dos usos e costumes comerciais da época verdadeiros diplomas do Direito Consuetudinário Consuetudinário. a exemplo da emissão de um cheque ou de uma nota promissória assim como o aval ou o endosso nos promissória. como os fenícios que. E foi desta forma que teve início a disciplina. no apogeu de sua civilização.

CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 3 Série Impetus Provas e Concursos Entretanto. assim como os senadores. em caso de perigo iminente. 3. detentora das maiores propriedades rurais. eram resolvidas através do Direito Civil. os romanos. banqueiros. C. de sociedade e de comissão. estavam proibidos de exercer o comércio. Os Fenícios Esse povo intensificou sobremaneira o comércio dos tempos antigos. conforme veremos a seguir. por exemplo. Isso porque o Direito Romanístico condenava a usura usura. com disposições sobre empréstimo a juro.2. Trata-se do Código de Hamurábi – inscrição em pedra datada do ano 2. Os Romanos Na Era Cristã. muito menos se traduzir em um corpo sistematizado. sempre marginalizados na sociedade. a falência e os Antiga. a majoritária doutrina não considera o Código de Hamurábi um precursor dos códigos comerciais. que se desenvolveu entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. povo de forte tradição guerreira.1. Nesta situação.. Apesar de seu conteúdo. ou aos estrangeiros. C. Império da Babilônia Aos babilônios.083 a. dentre outras. símbolo do poder da época. principalmente o marítimo. especialmente as referentes aos contratos e obrigações. . 3. contratos de depósito. princípio basilar da atividade comercial. praticaram o comércio. na história de vários povos. estava destinada aos escravos. é creditada a elaboração de um dos primeiros dizeres a respeito de matéria comercial. no entanto. eles já haviam consagrado a prática do alijamento alijamento. iremos observar normas especiais a respeito do Direito Comercial. tendo em vista não conter dispositivos a respeito de compra e venda mercantil. tiveram origem na Roma Antiga como. A classe patrícia. que era a faculdade que detinham os comandantes dos navios de se livrar da carga.3. que merecesse ser chamado de Direito Comercial. Algumas questões envolvendo a prática mercantil. povo que ocupou extensão territorial na Ásia e no Oriente Médio. Outras. Também não há indícios de que os fenícios houvessem realizado qualquer obra sistematizada do Direito Comercial. A aristocracia romana considerava a prática do comércio uma atividade indigna de um cidadão romano. 3. o prejuízo seria repartido entre o proprietário do carregamento e o da embarcação. Por volta do século X a. contudo. Essa atividade. –.

centralizadores de diversos pontos de venda. os portos marítimos tornaram-se núcleos comerciais. controle sobre o Mar Mediterrâneo. Muitas passavam a compor o ordenamento jurídico das cidades. o que causou isolamento das comunidades e. com a Tabla Amalfitana (século XII). nascida justamente daquelas pessoas que. Uma apreensão crescente tomava conta da população que. como disciplina autônoma. com atribuições até para punir os culpados. na França.4 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Apesar da origem desses institutos. já no século XVI. devido à pulverização do Estado. Após longo período de dominação árabe no Mediterrâneo. ou o Consulado do Mar em Barcelona. apareceram as primeiras corporações que reuniam os praticantes corporações. por meio do qual a produção dos campos era escoada para outras terras. não podemos afirmar que o Direito Comercial. fornecedores e consumidores. existentes inclusive no Brasil. na ausência do Estado. Sucedeu-se um período de profundas mudanças na sociedade européia. Mar. Para tanto. que perduraram até 1875. a princípio. sob a égide do Código Comercial de 1850. Idade Média O Império Romano ruiu por volta do século V quando os árabes assumiram o . com sua Capitulares Nauticum Capitulares Nauticum. da atividade mercantil. para onde se dirigiam clientes. Alguns autores sustentam que foi a atribuição dos cônsules precursora dos também extintos “Tribunais do Comércio”. o Guidon de la Mer. Possuíam as corporações força legislativa e judicante. a primeira. Veneza. teve origem em Roma. buscaram segurança junto aos seus senhores. dedicado praticamente ao seguro marítimo. escolhiam-se cônsules que deveriam trabalhar na aplicação das normas elaboradas cônsules. Elas tinham jurisdição sobre determinado território e eram criadas pelos próprios mercadores. expressada a partir da elaboração das normas a serem aplicadas aos comerciantes. . naquele início do segundo milênio da era cristã. pois os muçulmanos bloquearam as vias de acesso ao comércio marítimo. por conseqüência. viu-se compelida a buscar segurança junto aos seus senhores nas áreas rurais. Aos poucos. surgiu. Fortaleceu-se a “classe burguesa” nas cidades. enquanto a outra relacionava-se ao poder consular. que muitas cidades aproveitaram suas normas na criação das primeiras codificações do Direito Comercial. a fragmentação do poder central. 3. Já no século XII. Foi o caso de Amálfi. Um pouco mais adiante. fazendo reflorescer um intenso comércio marítimo na região.4. Serviam para dirimir conflitos entre eles. pois ainda faltava a sistematização da matéria. em contraposição aos senhores feudais. na própria corporação. os europeus retomaram as antigas rotas. As corporações exerceram tanta influência sobre a sociedade mercantilizada da época. sob determinadas regras.

Partiram. com seu objetivismo. . O fato que marcou o surgimento do Direito Comercial nascido do próprio Estado foram as Ordenanças Francesas Francesas. quando prevalecia o subjetivismo caracterizador dos comerciantes. que só seriam alçados a tal condição se pertencessem a uma corporação. muitos dos dispositivos das Ordenanças Napoleônico. falências. da Espanha. não podemos olvidar sua maior contribuição que. inclusive. além de alguns títulos de crédito. da Itália e. não haviam sido por ele elaboradas. qualificando o comerciante como qualquer pessoa que praticasse “atos de comércio”. Tais atos estavam relacionados no próprio código e possuíam correlação com atividades de intermediação de mercadorias. Oito anos mais tarde. foram aproveitados. da organização dos mercadores. atividades bancárias. só foi elaborado em 1807. De outra forma. do Brasil. aquele diploma de 1807 tratou de regulamentar as questões relativas ao exercício do comércio de forma objetiva. Entrementes. 3. de forma profissional e habitual. Para tanto. a exemplo do contrato de transporte. de 25 de junho de 1850. a elaboração de outros Códigos Comerciais em diversos países. também na França. baixada no ano de 1673. a exemplo da Bélgica. de Portugal. dentre outras. ficando por isso conhecido como o Código Napoleônico Em sua feitura. que só implantou o seu em 1850. que logo perceberam a importância da atividade mercantil para o fortalecimento de suas economias e conseqüente prosperidade das nações. guiado pelos princípios da igualdade e da liberdade permeadores da Revolução Francesa. que. no século XVIII. se o Código Napoleônico não acrescentou grandes inovações ao Direito Positivo então vigente. de seguro marítimo e de seguro. no entanto. influenciou. sociedades. Percebam que aquelas regras relacionadas ao comércio da época medieval. procurou evitar privilégios corporativos que dominaram o comércio na Idade Média. embora toleradas e incorporadas pelo enfraquecido poder estatal de então. veio a outra. como vimos. podendo até se afirmar que poucas inovações normativas ele trouxe. O primeiro Código Comercial. regulando agentes de bancos. Os Estados Nacionais Os séculos XV e XVI são caracterizados pela retomada do poder central nos Estados. dispunha sobre o comércio terrestre. estava sob o comando de Napoleão.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 5 Série Impetus Provas e Concursos Remonta ainda à Idade Média o aparecimento de alguns dos principais contratos comerciais. A primeira. quando a França encontrava-se sob a regência de Luís XIV. seguros e transporte de mercadorias. que dispôs sobre o comércio marítimo. através da Lei no 556.5. à época.

Ainda assim. Dezesseis anos de discussões legislativas passaram-se. decisivas para o incremento da atividade mercantil no País. reputando comerciante todo aquele que praticasse compra e venda de mercadorias de forma profissional. fincado no objetivismo.. Com forte influência francesa. em 1808. também a criação da Real Junta do Comércio. em seu art. a serem definidas posteriormente. continham dispositivos tratando da matéria.6 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. E foi esta que. na condição de “Sede Provisória da Coroa”. sob a regência de Felipe II. o Código Brasileiro adotou a Teoria dos Atos de Comércio. No entanto. até surgir a Lei Federal no 556. foi contemplado com uma série de medidas de caráter econômico. mais conhecida como o Código Comercial Brasileiro. enquanto ela abrangia outros ramos do Direito. pois. já em 1834. prescreveu a necessidade de inscrição dos comerciantes nos então existentes Tribunais do Comércio (em seguida substituídos pelas Juntas Comerciais). que com elas estavam resplandecendo na boa. de 1769. em 1808. pois já estudamos que o primeiro do gênero nasceu na França. assim conhecida por determinar que. através do qual a concepção do status de comerciante era atribuída aos que praticassem atividades específicas. . o Processual etc. Alguns anos após a declaração da independência. Destacam-se a “abertura dos portos às nações amigas”. apesar do intenso comércio desenvolvido por aqui. em 1603. além de algumas poucas espécies de serviço. depurada e sã jurisprudência”. foi apresentado à Câmara o Projeto do Código Comercial. como o Penal. deveriam ser adotadas leis de outras “nações cristãs. Também não podemos equipará-la às Ordenanças Francesas surgidas setenta anos depois. refugiou-se no Brasil a Corte Lusitana. que ameaçava invadir Portugal. Não se tratava evidentemente de um Código Comercial. Pressionada por Napoleão. Sua vigência estendeu-se até pouco depois da vinda de Dom João VI para o Brasil. Outro importante diploma português daqueles tempos foi a Lei da Boa Razão Razão. as Ordenanças Francesas tratavam da disciplina exclusivamente comercial. 4o. O Histórico do Direito Comercial no Brasil No período colonial brasileiro. iluminadas e polidas. editou as Ordenações Filipinas. na ausência de norma legal a respeito de certo tema. de 25 de junho de 1850. Estava criada a base para o desenvolvimento do Direito Comercial Brasileiro. também naquele ano de 1808. dois séculos mais tarde. Esse ato trouxe profundas transformações para o Brasil-Colônia que. o Direito aplicado era o português. pois a colônia sujeitava-se aos ditames da Coroa. e a criação do Banco do Brasil. pelo menos para poderem usufruir dos benefícios da legislação comercial. Filipinas em alusão ao rei. além de outras já citadas.

empresários. Curiosamente. a partir da forma organizacional apresentada. a exemplo da Lei das Sociedades Anônimas (1976) e da Lei de Falências e Concordatas (1945). claro. como fizera o subjetivismo corporativo da Idade Média. a moderna Lei Civil Brasileira acabou por provocar uma fusão legislativa entre os dois ramos do Direito Privado. conforme dispunha a antiga teoria objetiva dos atos de comércio. pois passou a enquadrar pessoas jurídicas.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 7 Série Impetus Provas e Concursos Percebam que esse dispositivo não tratou de excluir os não-inscritos do conceito de comerciante. Hoje. contudo. . Esse fato trouxe de volta uma discussão antiga.406. Essa nova concepção não se resumiu apenas a uma mudança de nomenclatura. que relacionou todas as operações que se constituíam em “atos de comércio”. que revogou praticamente todos os artigos que ainda vigoravam do Código de 1850. ou até para alugar seu uso. tais como: empresas. contemporâneo ao código. Por outro lado. como sociedades empresárias. a Lei no 10. a ser enfrentada no tópico seguinte. Autonomia do Direito Comercial Com o advento do Código Civil de 2002. implantou um novo sistema jurídico para o Direito Comercial. transporte de mercadorias. unificando normas básicas do Direito Civil e do Comercial. de 1942. a respeito da autonomia do Direito Comercial. dentre outras. subtraindo alguns direitos exclusivos dos regulares regulares. 5. antes consideradas sociedades civis por força do objeto social. contemplado em sua Parte Segunda. disciplina matérias específicas do Direito Comercial. da compra com objetivo de posterior revenda de bem móvel ou semovente. o “golpe de misericórdia” foi dado com a edição do Código Civil de 2002. livros empresariais e nome empresarial. fundamentado no perfil subjetivo do empresário. mais conhecida como Código Civil Brasileiro. mas introduziu grandes inovações nesta seara. No entanto. muitos dos dispositivos do código foram sendo revogados por legislações mais contemporâneas. Sobreviveram apenas os relativos ao comércio marítimo. dentre outras. além. mas apenas reputava comerciantes irregulares aqueles exercentes da atividade mercantil que não tomassem tal providência. Inspirado no modelo do Código Civil Italiano. como fizera o Código Francês. seguros. operações de câmbio. veio à tona novamente a discussão sobre a autonomia do Direito Comercial. não enumerou os chamados “atos de comércio”. Dentre elas. registro público de empresas. Esses só foram detalhados quando da edição do Regulamento no 737. Ao longo dos anos. banco e corretagem. de 10 de janeiro de 2002.

o art. há menção ao exercício da atividade empresarial. convém expor a relação do Direito Comercial com outros ramos do Direito. que continuam tendo campo próprio de atuação. Também no Título VII. onde o Direito Comercial era codificado de forma exclusiva. a unificação foi aprovada. ao posicionar-se contra a unificação dos dois ramos de Direito. que trata da Ordem Econômica e Financeira.8 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa polêmica não é inédita. Existe uma correlação entre as disciplinas jurídicas. devemos ter em mente o ensinamento de Marcelo Bertoldi. Com relação ao Direito Comercial. Nesse ponto. o célebre jurista italiano Cesare Vivante posicionou-se contra a autonomia do Direito Comercial. a fim de subsidiar o processo administrativo. em pronunciamento na Universidade de Bolonha. da CF prevê a competência privativa da União para legislar. em 1919. à exegese do art. o Direito Administrativo utiliza-se de normas do Direito Processual. . Um. com a matéria comercial e civil unificadas em um único código. de modo que uma aproveita regras das outras. e outro. A par de toda essa discussão. como. pois nenhuma é completamente autônoma. principalmente por se tratar do maior comercialista da época. em 1942. apresentou dois projetos. III. Apesar disso. por entender que este não possuía critérios claros e objetivos que o distinguissem do Direito Civil. pois a Constituição Federal pode ser considerada o nascedouro do sistema normativo do País. 22. nomeado para coordenar estudos visando à edição do Novo Código Civil Italiano. por exemplo. Público ou Privado. Antes dessa época. ao regular crimes falimentares. basta reportarmo-nos ao início do século XX. ou o Direito Comercial aproveita dispositivos do Código Penal. senão vejamos: a) com o Direito Constitucional Relaciona-se esse ramo do Direito Público com praticamente todos os demais. a exemplo da responsabilização dos sócios-gerentes de limitadas por obrigações da sociedade de natureza tributária. surgindo. o Novo Código Civil Italiano. ou mesmo da imposição de algumas espécies de livros fiscais aos empresários. quando Inglês de Souza. incumbido de elaborar projeto do novo Código Comercial. que juntou os dois ramos de Direito Privado em um único diploma legislativo. voltou atrás e mudou de opinião. I. Seu discurso surpreendeu a todos. mais precisamente em 1911. 135. Nada disso compromete a autonomia das disciplinas. ao final do século XIX. quando afirma que a autonomia de uma disciplina não deve ser vista como um princípio absoluto. Direito Tributário b) com o Direito Tributário Esse ramo conserva relações estreitas com o Direito Comercial. do Código Tributário Nacional. Mesmo assim.

também temos que admitir a autonomia do Direito Comercial. da falência e da concordata. habilitarem-se no Quadro Geral de Quadro Credor edores Credores admitidos na falência. seja sobre títulos de crédito.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 9 Série Impetus Provas e Concursos Direito Trabalho c) com o Direito do Trabalho Aqui. a exemplo dos empresários. registro de empresas etc. enfim. que reservou dispositivos dedicados à matéria comercial. abrangência. ainda restou sua Segunda Parte. • autonomia didática que é medida de acordo com a grade curricular das universidades. utilizam-se procedimentos afeitos ao Direito Internacional. tratando do Direito Marítimo. sua substancial. dentre outros. Sob esse ponto de vista. e) com o Direito Internacional O Brasil é seguidor de convenções internacionais que tratam de títulos de crédito e propriedade industrial. um ramo do Direito Privado que mantém ligação forte com o Direito Comercial. em seguida. temas que podem ser facilmente isolados dos demais. não podemos hesitar em apontar assuntos específicos da matéria comercial. . assim. pois a disciplina aparece em todos os programas dos cursos de Direito. Por último. legislativa. Já o Direito Civil cuida de sucessão. Também os débitos de natureza trabalhista sendo cobrados dos sócios das sociedades anônimas ou limitadas. a fim de consolidar a tese da autonomia do Direito Comercial. inúmeras são as relações. não havendo razão para contestar-se a autonomia didática do Direito Comercial.. E. ainda que o Código Civil Brasileiro de 2002 tenha praticamente unificado os dois ramos. • autonomia substancial que tem a ver com o conteúdo da disciplina. analisemos a disciplina de acordo com os seguintes aspectos: didática. a matéria que regula. família e obrigações civis. a começar do atual compartilhamento do Código Civil. pois. empresa. • autonomia legislativa considerada a partir da codificação própria da matéria. dentre outros. empresário. das sociedades empresárias. Para inserção das normas em nosso ordenamento jurídico. Basta vermos as causas trabalhistas sendo decididas no âmbito da Justiça do Trabalho para. dos títulos de crédito. d) com o Direito Civil Com este. como bem ressaltou Fran Martins.

404/76. ou seja. Estes são mutantes. e no 5. normalmente a definição restringe-se à própria expressão do direito. antes de invocar-se uma fonte secundária. embora com a revogação da maioria de seus artigos. a forma como ele se manifesta. é considerado fonte primária do Direito Comercial. letra de câmbio e nota promissória.10 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 6. São elas: usos e costumes comerciais. norma primária sobre a matéria. E são estas últimas que compõem o objeto de nosso estudo. internacionais • Tratados internacionais – A matéria comercial também incorporou alguns tratados internacionais. a analogia. tratando do comércio marítimo. 4o. é importante entendermos que antecedem à norma os anseios da sociedade. a começar pelo próprio Código Comercial de 1850. Fontes do Direito Comercial Quando tentamos conceituar fontes do Direito. Importa ressaltar que o Código Civil de 2002. mesmo. Existe uma profusão delas. Muitos autores costumam classificá-las em fontes materiais e formais As primeiras formais. componentes do grupo social. a exemplo da “Lei Uniforme de Genebra”. variando com as gerações. no princípio (Idade Média). traduzindo-se numa obrigatoriedade de esgotá-las. concede à analogia. Também no âmbito do Direito Civil. aos princípios gerais do Direito a qualificação de fontes subsidiárias do Direito. permanece vivo em sua Segunda Parte. estão relacionadas a fatores políticos. mas se revelam determinantes para o surgimento do ordenamento jurídico de uma nação. • Usos e costumes comerciais – Estes se constituem em importante fonte do Direito Comercial. em seu art. que disciplina as sociedades por ações. • Regulamentos – São considerados fontes primárias justamente porque servem à eficacização das leis comerciais. posicionam-se em ordem de preferência em relação às outras. • Leis – A principal fonte primária de nosso Direito Comercial é a lei.474/68. são as Leis no 6. apenas para citar algumas. ele era consuetudinário. de forma subsidiária. Aliás. a Lei de Introdução ao Código Civil. mesmo. fica a autoridade judiciária autorizada a lançar mão de uma norma secundária. que. aos costumes. portanto. enquanto as fontes formais são justamente as normas jurídicas. tratando de cheque. No entanto. religiosos ou. econômicos. que dispõe sobre duplicatas. Inexistindo. Os costumes. na parte que trata sobre Direito de Empresa. para serem aceitos como fonte do Direito . ou. Dividem-se as fontes formais em primárias e secundárias As primeiras secundárias. sociais. em um caso concreto. a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. Outras.

pois são previstos na própria lei. que seja assimilada por todos como se fora lei. que são os norteadores da construção do próprio sistema jurídico positivo vigente. a exemplo do cheque visado. conseqüentemente. já julgado. vejamos como os pesquisadores da matéria comercial têm se esforçado no sentido de melhor conceituar o Direito Comercial. sua importância no desenvolvimento das nações. permite-se a aplicação da analogia. que vai de encontro à própria natureza do documento. os princípios gerais do Direito. também é fonte secundária do Direito Comercial. por entenderem que ela não é fonte geradora do Direito. necessitam revestir-se de alguns requisitos. deverá estar previsto na própria lei. Isso não implica a obrigação de o juiz segui-la. ser contra a lei. que anuncia: “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. o juiz tem direito à livre convicção na análise das provas. considerada como a possibilidade de utilizar-se entendimento a respeito de um caso concreto similar. pois violaria a própria concepção de fonte subsidiária à lei. os costumes. como no art. c) contra legem. que emitem certidão a respeito. citado por Bulgarelli. é preciso que se trate de uma prática reiterada e uniforme. . Normalmente. Alerto que há autores que não consideram esta uma fonte do Direito Comercial. aceitos e aplicados para suprirem as lacunas legislativas. a fim de dirimir a lide. 113 do Código Civil. • Princípios gerais do Direito – Por último. assim como a abrangência da disciplina. já que se trata da observação de fatos pretéritos. que é um título de crédito à vista. Não pode. Primeiro. seu surgimento. que decorrem da prática mercantil. não aceitos como fonte do Direito. a exemplo do cheque pré-datado. assim entendida como a uniformidade das decisões dos tribunais a respeito de determinada matéria. 7. • Analogia – Na ausência de outra fonte formal do Direito. • Jurisprudência – A jurisprudência. mesmo que seja diversa daquela. no Direito Comercial. pois ele pode desenvolver sua própria convicção. estes não são tolerados pelo ordenamento jurídico e. necessitam estar assentados na Junta Comercial. nós temos os costumes: a) praeter legem. desde que não se afaste das premissas básicas quanto à ilegalidade das mesmas. para serem admitidos como prova. Conceitos de Direito Comercial Após estudados alguns temas relacionados ao desenvolvimento histórico do Direito Comercial. Assim. De outra forma. contudo. No entanto. b) secundum legem.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 11 Série Impetus Provas e Concursos Comercial.

concernente aos títulos de crédito. dos direitos e das obrigações das pessoas que os exercem profissionalmente e dos seus auxiliares. Waldemar Ferreira propôs: “Direito Comercial é o conjunto sistemático de normas jurídicas disciplinadoras do comerciante e seus auxiliares e do ato de comércio e das relações dele oriundas.” Esta definição. uma garantia prestada por aval. Exemplo: circulação de títulos de crédito mediante endosso. ao afirmar que: “O Direito Comercial é a disciplina jurídica reguladora dos atos de comércio e. mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas. 2002. mesmo sem se revestirem dessa qualidade. e fazem parte do campo de abrangência do Direito Comercial. 25. p. . feita por quem não se reveste da qualidade de empresário. principalmente. e que se encontram relacionados a seguir. 28. especialmente do Direito Civil. Exemplo destes é a emissão de um cheque.12 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel “O Direito Comercial é a parte do Direito Privado que tem. Características do Direito Comercial O Direito Comercial apresenta traços que o distinguem de outros ramos do Direito. ed. Fran. Curso de Direito Comercial. Rio de Janeiro: Forense. 1 MARTINS. de autoria de Fran Martins. por objeto regular as relações jurídicas que surgem do exercício do comércio. ao mesmo tempo. que melhor sintetiza a disciplina: “Direito Comercial é o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários. da mesma forma que uma letra de câmbio ou uma nota promissória ou. proposta pelo comercialista italiano Cesare Vivante. até.” Carvalho de Mendonça trilhou caminho parecido. praticam atos aos quais a lei atribuiu características tais que se tornaram regidos pelo Direito Comercial. 8.”1 Da assertiva. independentemente de haverem sido praticados por empresário ou representante de sociedade empresária. foi criticada por não contemplar atos praticados por não-comerciantes. tem-se que as normas do Direito Comercial alcançam não apenas os empresários. mas aqueles que. como veremos no Capítulo 3. Todos esses atos possuem regulamentação em legislações próprias. bem como os atos considerados comerciais. formalista e complexo. a) Simplicidade ou informalismo Propõe adoção de fórmulas simples para solução de conflitos. diferentemente do Direito Civil.” Dessas duas últimas definições surgiu uma. mas regulados por leis comerciais (exemplo da emissão de cheque).

O parágrafo único do mesmo dispositivo excluiu daquela categoria “os profissionais que exerçam atividade intelectual. de 10 de janeiro de 2002. elaborada há mais de cento e cinqüenta anos. Se muitos dispositivos da principal Lei Comercial. em regra lastreados na moderna concepção de atividade econômica. trazendo para seu âmbito justamente o segmento de serviços. seja por leis esparsas. literária ou artística. ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. aprovado pela Lei no 10. transporte de mercadorias. agora não mais restrita àquele agente que pratica freqüentemente atos de intermediação de mercadorias ou umas poucas espécies de serviços. só veio confirmar a teoria. caput. assim como o de produção de mercadorias. seguros. O novo Código Civil. estavam expressamente revogados. que dispõe sobre letras de câmbio. Exemplo: contratos de leasing e franchising. sobretudo após a primeira metade do século passado.1. através das quais se atribuía uma nova visão ao profissional do comércio. seja pela Constituição Federal de 1988. 9. adaptando-se à evolução das relações de comércio. Empresário Conceito Durante muito tempo. c) Elasticidade Permanece em constante processo de mudanças. tais como bancos. d) Onerosidade Tem o lucro como o fim perseguido pelos empresários. de natureza científica.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 13 Série Impetus Provas e Concursos b) Internacionalidade ou cosmopolitismo Está regulamentado por normas de alcance internacional. Exemplo: Lei Uniforme de Genebra. cuja atividade é sempre onerosa. Em seu art. notas promissórias e cheque. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. 966. A Teoria da Empresa alargou o campo de incidência do Direito Comercial. convivemos com uma legislação comercial que já não atendia as transformações ocorridas. . excluindo importante segmento da atividade econômica.406. Daí o fortalecimento de teorias. que é justamente a prestação de serviços como um todo. 9. o empresário é considerado como “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços”. como a da empresa ou do empresário. além de outros. introduzindo definitivamente no Direito Brasileiro as definições de empresa e empresário empresário. outros simplesmente vinham sendo ignorados pelas autoridades judiciárias e até pelos tribunais.

em seu art. novos requisitos surgiram para classificar alguém como empresário. desprovido de um conjunto de bens organizados destinados ao exercício da empresa. que poderão ser somados à capacidade civil. não é exclusividade de empresários de médio ou grande porte. 966 do CC/2002 apresenta elementos característicos ao empresário. caput. seja pessoa física ou jurídica. como o complexo de bens organizados para o exercício de empresa. Se tomarmos como exemplo uma pessoa que revende objetos em pequena proporção. 966. Não se concebe um empresário.14 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Como se vê. mesmo. Requisitos 9.2. ainda assim dela serão exigidas instalações compatíveis com sua atividade.2. fizesse dela a sua profissão. algumas eventualmente observadas. 1. juntamente com os móveis. Portanto. 9. ao contrário do que possa parecer. Profissionalismo O titular do negócio deverá fazê-lo não em caráter eventual.142 do Código Civil. permanece consagrado o requisito. Atividade Econômica O teor do art. que prescreveu. mas habitualmente. a forma profissional de atuação do empresário. analisada adiante. 9. independentemente da dimensão tomada. Em absoluto. . para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Organização Significa a necessidade de o exercente da atividade econômica aparelhar-se de forma adequada para o desempenho de sua profissão. Em outras palavras. Seria preciso que o agente tomasse essa atividade como ofício. assumindo o ofício como sua profissão. O estabelecimento empresarial. utensílios e instalações utilizadas diretamente na atividade econômica já são assim considerados. aqui entendido como a pessoa física que exerce em seu próprio nome uma atividade econômica organizada.3. Não bastava a realização de uma única operação comercial ou. a antiga Teoria dos Atos de Comércio já se guiava pela prática habitual da compra e venda de mercadorias. movimentando diminuto volume de recursos. definido no art. todo empresário deverá dispor de estabelecimento empresarial. por empresário ou por sociedade empresária. Essa não é uma disposição inédita. agora no Código Civil de 2002. caso contrário incorreto seria o seu enquadramento como comerciante.2. 9.2. o estoque de mercadorias.1.2.

se esses profissionais exercerem o ofício. .2. ele reúne todas as condições de ser classificado como empresário. o exercício dessa capacidade pode ser restringido por algum fator genérico como o tempo (a maioridade ou menoridade). Maria Helena Diniz chega a afirmar que a capacidade de direito não pode ser recusada ao indivíduo. mesmo. E. Também poderão fazer prova com os livros empresariais. tudo na dependência de estarem cumpridas as formalidades legais. apesar de possuírem caráter econômico. dispôs o legislador: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. a dimensão econômica conquistada com o seu intelecto ultrapassou a sua aptidão primitiva para o ofício. têm natureza científica. secretárias e outros ligados à mesma arte. incluem-se médicos. sob pena de se negar sua qualidade de pessoa. contida no art. Neste contexto. na qualidade de empresário individual ou administrador de sociedade.4. 1o. Entretanto. conforme exposição no item 1 do capítulo seguinte. Com a precisão que lhe é peculiar. O raciocínio não se aplica às sociedades de advogados. clinicando ou. logo no art. previstas nos arts. é o pleno gozo da capacidade civil. podemos enquadrar o empreendimento como uma sociedade empresária. 972 do Código Civil. Entretanto. tanto que. Mas o que vem a ser elemento de empresa? É fácil. Nessa categoria. estando presente “elemento de empresa”. 9. objetivando apenas conduzir o empreendimento. Enfim. Nesta situação. dentre outros. proprietário de um atelier. telefonistas.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 15 Série Impetus Provas e Concursos Excluídas do conceito estão as profissões consideradas intelectuais que. literária ou artística. Imaginemos um famoso pintor de quadros. prevalece o caráter empresarial da atividade hospitalar. escritores e artistas em geral. Capacidade Requisito fundamental à correta atuação empresarial. A regra. 1o a 10 da mesma lei. operando em suas dependências. assim como a possibilidade de ele requerer recuperação judicial ou extrajudicial. poderemos presenciar a sujeição à falência do prestador de serviços em geral. pintando e colocando à venda telas à similitude do fundador do negócio. deve ser conjugada com as disposições sobre personalidade e capacidade na esfera civil. entre atendentes. o mesmo poderá continuar sem maiores conseqüências. proprietário de um grande hospital. arquitetos. Com relação às implicações práticas advindas desse novo conceito. Significa afirmar que qualquer indivíduo. independente de sua idade. É o caso do médico. despindo-o dos atributos da personalidade. onde emprega variados profissionais. saúde mental ou vícios possui capacidade para contrair direitos e assumir obrigações. se ele parar de pintar. dentistas. ou devido a uma insuficiência somática (deficiência mental).

impossível a efetivação da hipótese aos menores daquela idade. somente haveria dúvida em relação à idade mínima para a emancipação nos casos de colação de grau em curso superior. Quanto ao exercício de emprego público efetivo. ou pela existência de relação de emprego. c) pelo exercício de emprego público efetivo. Observem que. É que o art. mediante instrumento público. Antes dessa idade.517 do CC/2002 previu que somente a partir dos dezesseis anos podem os pais autorizar o casamento de menor. ouvido o tutor. apenas nas letras “a” e “e”. o casamento só é possível para evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. Pois bem. independente de homologação judicial. o art. por sua vez. Nessa condição. aquele que não desfrutar do livre exercício de sua capacidade civil não poderá ser empresário. ou e) pelo estabelecimento civil ou comercial. na conformidade do que dispõem os arts. quais sejam: a) pela concessão dos pais. ou de um deles na falta do outro. se o menor tiver dezesseis anos completos. 3o. 1. desde que. a Constituição Federal proíbe o emprego ou a ocupação de cargo público aos que contarem com menos de dezesseis anos de idade. Sob o aspecto temporal. 1. 3o e 4o do Código Civil. de acordo com a previsão do art. será o indivíduo absolutamente incapaz. Perceba o leitor que a capacidade de direito pode subsistir sem a de exercício. e não foi por acaso. Logo. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. pois o incapaz está completamente privado do gozo de sua capacidade jurídica. o parágrafo único do mesmo artigo traz hipóteses de aquisição da capacidade civil antes da maioridade. pressupõe a existência da outra. incapazes também são os maiores de dezoito anos portadores de alguma das patologias especificadas nos arts. o cometimento de qualquer ato jurídico depende de um representante. o legislador condicionou a emancipação a uma idade mínima de dezesseis anos. b) pelo casamento. Sendo a enfermidade enquadrada no art. 5o do Código prevê que a menoridade cessa aos dezoito anos completos. De outra forma. ou por sentença do juiz. no que pese serem os entes federados e a própria União livres para determinar a idade mínima dos que podem ingressar no serviço público. No entanto. suprime-se do sujeito o direito ao exercício pessoal de pleno gozo da capacidade de direito.16 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em ocorrendo uma restrição legal no exercício da capacidade jurídica. . quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. salvo na condição de aprendiz. 3o e 4o do Código. d) pela colação de grau em curso de ensino superior.520. Esta. em função deles. Se observarmos as outras três hipóteses.

CAMPUS

Capítulo 1 — Noções Gerais

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Série Impetus Provas e Concursos

Outros são os relativamente incapazes, a que se refere o art. 4o. Para esses, a autoridade judiciária poderá autorizar a prática de atos da vida civil, desde que devidamente assistidos. Com a representação ou a assistência, estará suprida a incapacidade de exercício, ao menos para os atos da vida civil. No entanto, um e outro instituto dependem de um regular processo de curatela, quando se observará a condição do incapaz, e o seu enquadramento em uma das hipóteses legais, após o que será o indivíduo considerado interdito, tudo conforme a previsão dos arts. 1.767 a 1.783 (os filhos menores são postos em tutela, quando falecidos ou ausentes os pais ou se estes decaírem do poder familiar). Entrementes, mesmo que assistidos ou representados, não esqueçamos que a regra geral do art. 972 torna proibitiva aos incapazes a atividade de empresário.

9.3.

Continuação da Empresa por Incapaz

O art. 972 vedou o exercício da atividade de empresário aos juridicamente incapazes. De outra maneira, o art. 974 permitiu aos interditos, cuja incapacidade foi superveniente ao exercício da atividade empresarial, ou aos menores tutelados, que tiveram seus pais falecidos ou ausentes, dar continuidade à empresa, desde que devidamente assistidos ou representados, conforme a incapacidade seja relativa ou absoluta. Para configuração da hipótese, a lei exige autorização judicial que, como tal, poderá ser revogada a qualquer momento pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. Essa possibilidade de revogação lhe confere a qualidade de ser considerada a título precário. Os bens do incapaz existentes à época da interdição ou da sucessão ficam protegidos em relação ao resultado do negócio, desde que estranhos ao seu objeto. Situação curiosa ocorre quando o representante ou assistente do incapaz estiver legalmente impedido de exercer a atividade empresarial. Nesse caso, essa pessoa deverá indicar um ou mais gerentes, que se submeterão à aprovação judicial. Ainda assim permanece o representante ou assistente responsável pelos atos dos gerentes nomeados. 9.4. Os Impedidos

Os impedidos não são incapazes. Contudo, alguma circunstância tornou-os incompatíveis ao exercício da atividade empresarial. É o caso, por exemplo, dos servidores públicos em geral, que estão, por leis administrativas, proibidos de ser empresários individuais ou administradores de sociedades empresárias.

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Para eles, a condição de acionista ou quotista de sociedade empresária não deve ser considerada englobada pela disposição do art. 972, que proíbe exclusivamente a qualificação como empresário individual ou administrador de sociedade empresária. Outro que pode ser enquadrado na proibição é o falido. Prevê o art. 102 da Lei Federal no 11.101/2005 (Nova Lei de Falências) que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência. O impeditivo somente perde o efeito após declaradas extintas todas as suas obrigações, na conformidade do disposto no art. 158 do mesmo diploma legal, e ainda assim se não tiver sido constatada a ocorrência de crime falimentar, fato que postergaria ainda mais a sua reabilitação, conforme exposto adiante, no capítulo 04 desta obra. Contudo, a proibição legal não tem o condão de exonerar o agente que desrespeitou a lei pelas responsabilidades advindas de seus atos, tanto que o art. 973 do Código previu a assunção pelos impedidos das obrigações por eles contraídas, oriundas do exercício de atividade própria de empresário. 9.5. O Empresário Rural e o de Pequeno Porte

O art. 971 do Código Civil contém redação nos seguintes termos, a respeito dos intitulados empresários rurais: “O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.” Nesse particular, o legislador considerou o produtor rural, geralmente organizado em economia familiar, com um ou outro funcionário, mas sem a dimensão de uma grande organização, cuja base de sustentação provenha da natureza, seja de uma cultura agrícola, da pecuária ou do extrativismo vegetal ou mineral. Pode ser até uma sociedade, conforme prevê o art. 984, mas, se o seu objeto for aquele do empresário rural, sofrerá o mesmo tratamento. Estão à margem do conceito as corporações agrícolas, conhecidas como agronegócio, detentoras de estruturas tipicamente empresariais. Essas estão obrigadas ao registro antes do início de suas atividades, conforme reza o art. 967. Já para aqueles classificados como empresários rurais, ou para os pequenos empresários, o art. 970 previu a edição de lei garantidora de um tratamento favorecido, pelo menos no que concerne à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

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Na inexistência da norma prevista, o que se tem é o teor do art. 971 que, combinado com o art. 970, leva-nos a concluir que o empresário rural não está obrigado ao registro. No entanto, se o mesmo for efetivado, o praticante de uma atividade econômica rural passa a ser equiparado ao empresário, para todos os efeitos. O mesmo acontece em se tratando de sociedade que tenha por objeto atividade própria de empresário rural, com a condição de que tenha adotado um dos tipos da sociedade empresária e, da mesma forma, haja requerido o registro. Dessa intelecção deflui-se a possibilidade de virem a falir, de obterem recuperação judicial ou extrajudicial, dentre outras questões próprias do empresário. Percebam que o fato de o legislador, logo no início do art. 971, haver nomeado o exercente da pequena atividade rural pelo termo “empresário”, não significa que o mesmo deva ser tratado da mesma forma que os outros, enquadrados no conceito do art. 966. Isso porque o próprio código contém dispositivos que lhe conferem tratamento favorecido, como já fora citado. Com relação ao pequeno empresário, Fábio Ulhoa Coelho e Sérgio Campinho defendem que, na ausência de norma regulamentadora do dispositivo, deve o mesmo ser aproveitado em favor dos microempresários e empresários de pequeno porte, como tais previstos na Lei Federal no 9.841/99. Esse diploma jurídico, regulamentado pelo Decreto no 3.474, de 19 de maio de 2000, foi editado em obediência à Lei Maior brasileira que, em seu art. 170, IX, previu tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. E logo no art. 2o, incisos I e II, do decreto, foi estabelecido: I- microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II- empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Conforme foi observado por Láudio Fabretti, para a pessoa física ser enquadrada em um ou noutro conceito, necessário é que seja a atividade praticada de natureza mercantil, que hoje, já na vigência do novo código, deve ser considerada a atividade própria de empresário, conforme definição do art. 966, anteriormente comentado.

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De outra forma, a pessoa jurídica, independentemente de seu objeto ou forma organizacional, poderá ser enquadrada em uma ou em outra classificação, a depender de seu faturamento. Tanto os microempresários como os empresários de pequeno porte gozam de benefícios concedidos pela legislação, relacionados à simplificação do exercício da empresa. 10. Prepostos do Empresário

A matéria encontra-se disciplinada pelos arts. 1.169 a 1.178 do Código Civil de 2002, que faz citação expressa a dois tipos de prepostos do empresário; o gerente e o contabilista Isso não significa a exclusão dos demais colaboradores, tais como contabilista. escriturários, pessoal técnico, vendedores etc., tanto que a Seção III do Capítulo II invoca a presença de outros auxiliares do empresário. Na verdade, a escolha do legislador foi detalhar as responsabilidades e limitações de dois dos mais importantes agentes diretamente ligados ao empresário, sabendo-se, de antemão, que a disciplina é extensiva aos demais. Essas pessoas trabalham, contribuindo com o empresário no exercício de sua profissão. O primeiro, no desempenho de atividades administrativas, relacionando-se com clientes e funcionários ou até representando o empresário em tarefas externas; já o contador responsabiliza-se pela escrituração da empresa. Todos, entretanto, possuem uma característica comum, que é a da continuidade dos serviços prestados, diferentemente da relação criada com um contrato de mandato mercantil, que tem caráter eventual. Também podemos destacar, como característica do vínculo jurídico entre preponente e preposto, a subordinação deste àquele. Esse caráter diferencia-o, por exemplo, do contrato de representação comercial, por não se subordinar o representante ao representado. Prevê o art. 1.178 a responsabilidade do preponente (empresário) pelos atos de quaisquer prepostos, quando praticados dentro do estabelecimento, desde que relativos à atividade da empresa, mesmo que não haja autorização por escrito. Fora do estabelecimento, somente se forem cometidos nos limites dos poderes conferidos. Entretanto, ainda quanto à responsabilidade pelos atos do preposto, importante destacar o comentário ao art. 1.177, presente na obra Novo Código Civil Comentado, cuja autoria pertence a renomados juristas brasileiros, sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza, que esclarece:

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Como regra geral de responsabilidade na relação de preposição, o parágrafo único deste artigo estabelece que haverá responsabilidade objetiva da empresa quando o preposto venha a causar dano a terceiro em virtude de ato culposo, cabendo ao preponente indenizar os prejuízos causados, com ação regressiva contra o responsável. No caso de ato doloso, ocorrerá situação de solidariedade, devendo o preponente ser demandado juntamente com o preposto para o ressarcimento de prejuízos provocados a terceiros. Além dos prepostos, o Direito Comercial regulamenta a profissão de outros agentes que têm laços estreitos na relação com os empresários. Trata-se de corretores, leiloeiros e titulares de armazéns gerais, entre outros. Estes, no desempenho de suas atividades, agem em nome próprio, assumindo responsabilidade por seus atos e devendo, inclusive, obedecer a formalidades necessárias ao exercício da profissão, tais como prévio registro na Junta Comercial, autenticação de livros de escrituração etc. Outrossim, sujeitam-se a requisito próprio do empresário, como a necessidade de estarem desfrutando da plena capacidade civil. 11. Livros Empresariais

11.1. Conceito O empresário e a sociedade empresária têm obrigações de cumprir com formalidades previstas em lei, a fim de que possam usufruir dos benefícios que a legislação comercial oferece, entre os quais concordata, valor probante dos livros comerciais, requerimento de falência de outro empresário etc. Uma delas é a manutenção de um sistema de contabilidade baseado na correta escrituração de seus livros, conforme acentua o art. 1.179 do CC/2002. Esses podem ser utilizados livremente pelos empresários, que terão a faculdade de adotar as espécies que considerarem convenientes para seu negócio, desde que escriturem aqueles livros considerados obrigatórios para sua atividade. Dessa forma, o art. 1.180 do CC/2002 manteve a já conhecida obrigatoriedade de escrituração do Livro Diário (pode ser substituído por fichas, a fim de viabilizar a escrituração eletrônica) para todos os empresários, indistintamente, assim como para as sociedades empresárias. A ele devem ser somados outros livros, tidos como obrigatórios para os variados tipos de sociedades ou ramos específicos de atividade. Atente-se para a abrangência do tópico, que engloba apenas os livros requeridos pela lei comercial. Os demais, sejam os exigidos pelas legislações trabalhista, tributária ou previdenciária, não serão objeto de nosso estudo.

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11.2. Classificação Os livros empresariais classificam-se em obrigatórios (comuns e especiais) e facultativos. facultativos Os obrigatórios comuns são aqueles exigidos de todos os empresários, indistintamente; obrigatórios especiais são impostos a determinadas categorias de empresários; já os livros facultativos como o próprio nome sugere, são aqueles facultativos, cujas ausências não trazem qualquer sanção ao seu titular. Vejamos abaixo todos eles. a) Obrigatórios comuns Atualmente, por força do já citado art. 1.180 do CC/2002, o único livro empresarial que se encaixa nessa categoria é o Diário Diário. Permite-se a substituição do diário por fichas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Ainda assim, não se dispensa o uso de livro apropriado para lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico, que pode ser o Livro Balancetes Diários e Balanços. A escrituração do diário é feita dia a dia, com todas as operações relativas ao exercício da empresa, mas resumida em totais que não excedam trinta dias. b) Obrigatórios especiais O rol dos livros incluídos nessa categoria é extenso e variado. A título de exemplificação, podemos discriminar: • Registro de Duplicatas – exigido dos empresários que emitem duplicatas; • Entrada e Saída de Mercadorias – para proprietários de armazéns gerais; • Diário de Entrada, Diário de Saída, Diário de Leilão, Contas Correntes, Livro-Talão e Protocolo – para os leiloeiros; Livro-T o-Talão Protocolo • Cadernos Manuais e Protocolo – para os corretores de mercadorias; • Registro de Ações Nominativas, Transferência de Ações Nominativas, Registro Transferência Presença dos Acionistas, Atas de Assembléias Gerais etc. – para as sociedades anônimas. c) Facultativos Além dos prescritos em lei, os empresários têm liberdade de criar outros livros, de acordo com suas necessidades. Alguns deles são enumerados a seguir. • Razão. • Caixa. • Contas Correntes. • Borrador ou Costaneira. • Estoque.

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11.3. Formalidades Os livros empresariais, sejam eles obrigatórios ou facultativos, para produzirem os efeitos jurídicos que lhes reserva a lei, necessitam obedecer a certos requisitos, normalmente conhecidos pela doutrina como formalidades intrínsecas e extrínsecas. As primeiras acham-se estipuladas no art. 1.183 do Novo Código e têm a ver com a maneira de preenchimento dos livros, requerendo que seja feita em idioma e moeda nacionais, em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transporte para as margens. De outra forma, as formalidades extrínsecas referem-se a providências a serem tomadas em momento que antecede o início da escrituração, a fim de garantir a segurança jurídica dos livros. Sobre elas, o art. 1.181 determinou a necessidade de autenticação, antes do início de uso, no Registro Público de Empresas Mercantis (só poderá fazê-lo quem já tiver registro no mesmo órgão). Descumprida qualquer das formalidades enunciadas, relativamente aos livros obrigatórios, vejamos quais as conseqüências para o empresário ou para a sociedade empresária: • não fará prova a favor de seu autor (art. 379 do CPC); • não poderá, a partir da análise de seus livros, verificar judicialmente obrigações de seus devedores (ação de verificação de contas), para fins de petição de falência daqueles (art. 1o, § 1o, II, da LF). De outra forma, se o antigo Decreto no 7.661/1945, que regulava a falência e a concordata, reputava como crime falimentar a inexistência dos livros obrigatórios ou sua escrituração atrasada, lacunosa, defeituosa ou confusa (art. 186, VI, do Dec. no 7.661/45), a Nova Lei de Falências, no 11.101/2005, em seu art. 178, classifica como crime nela previsto a omissão de documentos contábeis obrigatórios, materializada quando o empresário deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder recuperação judicial ou homologar e plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios. Na realidade, há uma similitude entre os dispositivos. No entanto, o que podemos observar é a tipificação penal por conta de omissão na escrituração não apenas no processo de falência, mas nos de recuperação judicial ou extrajudicial. Esses, contudo, são temas abordados no Capítulo 4 deste livro, não cabendo maiores esclarecimentos por enquanto.

é de se ressaltar que. assinada por quem recebe a garantia).190 do CC/2002. • a favor de quem os escriturou. 51 da Lei no 11. os livros comerciais farão prova: • contra seus proprietários. atenção! Em qualquer hipótese não se trata de prova plena. do antigo decreto estipulava como requisito a correta escrituração contábil. em ocorrendo uma falência ou um processo de recuperação judicial ou extrajudicial do empresário.101/05. o art. Mas. a apresentação dos livros não é requisito obrigatório à obtenção da recuperação. não possa valer como prova.5. o art. independente de terem efetuado qualquer negócio com o titular dos livros. 1. Força Probante Uma vez satisfeitas as formalidades intrínsecas e extrínsecas. e estando em perfeita harmonia uns com os outros e. mais. 140. uma vez não escriturados. que requer prova por escrito. Em resumo.101/05 exigiu a apresentação de demonstrações contábeis relativas aos últimos três exercícios sociais. . por si só. Entretanto. • contra não-empresários. com os demais documentos de escrituração. nos casos em que exista um documento que. garante aos livros proteção contra a divulgação de informações que digam respeito a seus proprietários. posto permitir sua desconsideração com outro meio admitido em Direito. nos casos em que não se exigir comprovação por documento público ou particular (a exemplo do penhor mercantil. judicial ou extrajudicial. mesmo. A materialização desse poder probatório dos livros nasce em razão de uma perícia contábil ou. Exibição dos Livros Empresariais O princípio do sigilo. devendo permanecer à disposição do juízo. Comparando a exigência com os requisitos necessários ao deferimento do pedido de recuperação judicial (instituto que substituiu a concordata).24 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Ainda assim. I. a omissão é tipificada como crime. para fins de obtenção de concordata preventiva. insculpido no art.4. por força de exibição determinada pelo juiz. observam-se diferenças posto que. 11. conforme o art. para recuperação judicial. desde que presente outro documento sobre a mesma operação. 11. do administrador judicial ou de qualquer interessado que tenha autorização judicial. • contra empresários com os quais os proprietários dos livros tenham feito alguma transação mercantil. 178 da Lei no 11.

1. apenas os pontos que interessem ao bom andamento do feito são extraídos para o conhecimento das partes. comunhão ou sociedade.1. extrai-se apenas a parte que interessar à questão. os livros são disponibilizados aos interessados. em qualquer ação judicial. sem que haja limite para a verificação de seus termos. devendo o exame ser feito na presença do empresário ou de representante seu. Pela primeira. Esse é o entendimento que se depreende da leitura do art.193 do CC/2002. Na parcial. A exibição parcial pode ser decretada de ofício ou a requerimento da parte. a requerimento da parte. 1. pessoas físicas ou jurídicas. e é necessário pelo fato de ser facultado aos sócios de uma sociedade simples contratarem-na sob o modelo que se encontra previsto nos artigos do código que lhe são próprios. ou aproveitarem um dos tipos previstos para as sociedades empresárias. nas seguintes ações: sucessão. há situações (art. vinculam-se ao Registro Público de Empresas. De outra forma. 1. Registro Público de Empresas 12. . No entanto. Contudo. Somente em casos de falências e concordatas o juiz determinará de ofício a exibição integral. mas o Cartório no qual seu ato constitutivo for arquivado deverá obedecer às normas fixadas para o registro na Junta. administração ou gestão à conta de outrem. no caso em que for determinada a exibição parcial. Disposições Preliminares Os empresários. por força do art. tomam-se como verdadeiros os fatos argüidos. A exibição integral poderá ser determinada pelo juiz. a cargo das Juntas Comerciais. menos as que tenham o capital dividido em ações (anônima e comandita por ações).CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 25 Série Impetus Provas e Concursos Excetuam-se dessas restrições as autoridades fazendárias. A recusa na exibição implica a apreensão judicial dos livros e.191) em que se prevê a exibição em juízo.150 do Código Civil. Na hipótese de uma sociedade simples adotar um dos tipos da sociedade empresária. sempre que importante ao litígio. que pode ser integral ou parcial. as sociedades simples devem levar seus atos ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. desde que não se apresente prova documental em contrário. 12. não quer dizer que ela fica obrigada ao registro na Junta Comercial.

1. escriturado ou autenticado documentos contábeis obrigatórios. haja uma descaracterização da figura do empresário. publicidade (qualquer um. haverá conseqüências para o empresário omisso. A primeira é a vedação de requerer recuperação judicial ou extrajudicial para si ou falência de outro empresário (arts. 48. para a autenticação dos documentos. tem por fim dar garantia.154 do CC/2002. disposto na Lei Federal n o 8. de tal maneira que ele se sentirá compelido a providenciar o registro. incorrendo em crime previsto na Lei de Falências. Outrossim. se o fato não constituir crime mais grave. O empresário não-registrado. recuperação judicial ou extrajudicial de empresário que não tenha elaborado. segurança e eficácia aos atos jurídicos dos empresários individuais e das sociedades empresárias. Não sendo obedecida a determinação legal. 178 da Nova Lei de Falências prescreve que. pode ter a sua própria requerida e declarada. em seu art. prevista no art. Isso não quer dizer que. De outra forma. uma vez não cumprida a providência preliminar. o art. Na verdade. ficará o agente sujeito à pena de detenção. autenticidade. pois o que define se alguém é ou não empresário são as características do art. . e multa. a compulsoriedade do registro tem muito mais a função de alertar os pretendentes ao exercício da atividade empresarial para a importância da providência do que desfigurá-los do status de empresário. regulamentada pelo Decreto no 1. Nem poderia. já estudadas no item 9 deste Capítulo. 379 do CPC. deduz-se que o empresário não-registrado não possui livros devidamente autenticados. é a falência decretada por solicitação do próprio devedor. pode requerer à Junta informações sobre outrem). antes do início de suas atividades.26 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O Registro Público de Empresas. livros empresariais não-autenticados na Junta Comercial ficam desprovidos de eficácia probatória. independentemente de comprovar legítimo interesse. proporcionando segurança aos que desenvolvem atividade mercantil. da Nova Lei de Falências).150 a 1. e 97. O Código Civil de 2002 determinou. além de se permitir a autofalência que. embora impedido de pleitear a falência de outro. 967. Como o registro na junta é pré-requisito. a obrigatoriedade da inscrição do empresário no Registro Público de Empresas.800/96 e pelos arts. parágrafo 1o. conforme veremos no Capítulo 4. 966 da mesma lei. 161. se for decretada a falência. de um a dois anos.934/94.

administradores de armazéns gerais e trapicheiros. 986 da mesma Lei Civil. alteração. Modelo Organizacional do Registro Os serviços registrais são exercidos pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis – SIREM. Excetuam-se dessa regra as sociedades por ações em organização. que estudaremos no Capítulo 2.2. também se incluem as sociedades em conta de participação. são de competência da Justiça Estadual. mas de ordem absolutamente técnica. competindo-lhe estabelecer normas gerais que deverão ser seguidas pelas Juntas. • Arquivamento compreende os documentos relativos à constituição. tradutores públicos. como funcionalismo em geral. mesmo que seus atos sejam arquivados na Junta). orientação. Também podem ser arquivados atos referentes a consórcio. intérpretes comerciais. já que. face ao disposto no art. surge a responsabilidade solidária e ilimitada de todos os sócios pelas obrigações sociais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 27 Série Impetus Provas e Concursos empresárias. enquanto as disputas envolvendo aspectos administrativos. como prevê o art.3. assim como de cooperativas (atenção! as cooperativas serão sempre sociedades simples. 12. 32 da Lei Federal no 8. conforme prevê o art. dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades empresárias. O DNRC possui funções de supervisão. seus serviços administrativos são criados e mantidos pelos Estados. Atos de Registro Os atos de registro compreendem a matrícula.934/94. No caso de sociedades empresárias decorre da ausência do arquivamento de seus atos a sua tipificação como sociedade não-personificada. grupos . ainda que o objetivo fosse criar uma sociedade limitada. mais especificamente sociedade em comum. Daí a conclusão de que as questões que envolvam os serviços técnicos a cargo das Juntas são decididas no âmbito da Justiça Federal. Entendam que não se trata de disposições que digam respeito aos serviços administrativos das Juntas. Desse enquadramento. 990 do CC/2002. no que pese a natureza federal dos mesmos. a autenticação e o arquivamento. coordenação e normatização técnica dos serviços. Já as Juntas são órgãos locais (haverá uma em cada unidade da Federação) que executam funções técnicas antes determinadas pelo DNRC. por exemplo. composto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC e pelas Juntas Comerciais nos Estados. De outra sorte. • Matrícula é a inscrição dos leiloeiros oficiais. 12. naquela categoria.

utiliza-se o disposto no art. na hipótese de a fiança ser concedida após a expedição do registro. do CC/2002. que representa o arquivamento de atos modificativos da inscrição do empresário.075. 1. responsabiliza-se a pessoa jurídica. os atos sujeitos a registro devem ser requeridos pelas pessoas habilitadas para tanto: no caso das sociedades empresárias. cisão. O prazo para protocolar na Junta os documentos sujeitos a registro é de trinta dias da lavratura. salvo se aquele já tinha ciência. Assim procedendo.015. os efeitos somente se contam a partir da concessão pela Junta. 1. senão depois de cumpridas tais formalidades. comumente. sem prejuízo de ação contra o administrador. mas que não fora ainda averbado na junta. § 2o. após sua realização. Completam a relação os atos de empresas estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil. Uma fiança prestada por representante de uma limitada. que têm um prazo menor. pois se assim não fosse. que recai sobre o agente praticante do ato. Por outro lado. inciso I. Sim. • Autenticação refere-se aos livros empresariais. conforme disposto no art. Eficácia do Registro Para produzir seus efeitos. aqueles relativos à incorporação. mesmo sendo posterior à assembléia de quotistas que a decidiu. Apresentados além desse prazo. 12. Exceção a essa regra é a ata de reunião ou assembléia de quotistas das sociedades limitadas. de microempresas.28 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel de sociedades e até de empresário rural. Contudo. de apenas vinte dias. O ato sujeito a registro não pode ser invocado contra terceiro. terceiro não pode alegar ignorância. à revelia de alteração contratual que expressamente vedou o ato. Sérgio Campinho alerta que nem sempre é válida a regra da retroatividade. (ato ultra vires) no sentido de eximir a responsabilidade da pessoa jurídica. . passa para qualquer sócio ou interessado. utiliza-se do termo averbação. fusão e transformação de sociedades. pelo menos para fins de contabilizar-se o efeito do ato frente a terceiros.4. Se a garantia se deu em momento anterior à averbação. Basta ver o exemplo seguinte. são os administradores e. do CC/2002. estaria se exigindo daquele que transacionou com a empresa o conhecimento de fato decidido em assembléia de cotistas. Neste caso. Importa frisar que o Código Civil de 2002. seus efeitos retroagem à data neles constantes. na inércia desses. alerta o doutrinador que não é justa a manutenção da retroatividade. desde que devidamente registrado.

pois podem ser elididos face à melhor prova admitida no Direito. que não proceder. somente poderá ser qualificado como tal se possuir estabelecimento. inclusive. sob pena de ser considerado inativo. além de outros estudados a seguir. o estabelecimento empresarial é uma organização de bens pertencente necessariamente a empresário. e este. a exemplo do estoque de mercadorias. além da sede de seu negócio. É claro que. Cada estabelecimento. seja pessoa física ou jurídica. É próprio dos empresários. 13. tais atos não têm o condão de constitui prova absoluta. pessoa física ou jurídica. com livros contábeis e fiscais próprios. perdendo. determinado empresário do ramo de farmácia. sede e filiais serão consideradas estabelecimentos do empresário.142 do CC/2002 assim o caracterizou. Em outras palavras. . no prazo de dez anos consecutivos. que podem ser corpóreos. mas um utilizado por todos.1. A inatividade não significa a dissolução da sociedade. então. 12. pois o art. o título do estabelecimento. como é que ele poderia desenvolver sua atividade empresarial? Imaginemos. que lhe serve como instrumento para a realização de sua atividade econômica. que. algum arquivamento. é titular de duas filiais. dos móveis e utensílios. como o nome empresarial. Conceito Complexo de bens reunidos segundo a vontade do empresário. por sua vez. ou incorpóreos. direito à exclusividade do nome. mas relativa. Significa afirmar que é possível desconsiderar certidão fornecida pelas Juntas Comerciais. deverá comunicar à Junta que permanece ou quer continuar em atividade. desde que se apresente outro documento capaz de se sobrepor ao primeiro. Caso contrário. a exemplo do nome empresarial. não haverá um para cada filial ou estabelecimento. mas seu funcionamento de forma irregular. seja o empresário individual ou a sociedade empresária.5.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 29 Série Impetus Provas e Concursos Ainda a respeito da eficácia do registro. Pois bem. É lá onde estão reunidos os elementos do estabelecimento empresarial. em se tratando de elementos incorpóreos. Estabelecimento Empresarial 13. inclusive. 1. Inatividade do Registro Todo empresário. manterá sua escrituração individualizada.

integrem o estabelecimento. o ponto. na conformidade da importância. Discute-se se bens imóveis. ponto etc. a doutrina dominante (cito Fran Martins. sobretudo. Há até autores que consideram o aviamento como elemento incorpóreo do estabelecimento. Para o ponto. nome empresarial. o título do estabelecimento. mantêm suas autonomias. bens corpóreos ou incorpóreos são todos destinados ao exercício da atividade empresarial. Quanto maior for a disposição para o lucro. Por exemplo. patentes de invenção. empresário é a própria sociedade. enquanto a empresa é a atividade econômica desenvolvida pelo empresário. reservam-se tópicos específicos. se tomarmos a Panificadora Pão de Ouro Ltda. mas não é correta essa afirmação. o aviamento é um atributo da empresa. Como vemos. assim como o registro das marcas. Cada bem individualmente considerado possui um valor econômico. maior valor terá o aviamento. desde que pertencentes ao empresário. sendo a empresa a fabricação e comercialização de pães. especialmente quanto ao empresário.30 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Fazendo uma digressão sobre alguns dos conceitos estudados até aqui. o título do estabelecimento etc. dentre outros). Ao valor agregado dá-se o nome de aviamento. a exemplo de um galpão ou de um armazém. Conforme destaca a doutrina. podemos afirmar ser o empresário o sujeito de direito. enquanto os meios utilizados especificamente no fabrico. não um bem do empresário. integrariam o estabelecimento empresarial. ainda que necessários à atividade econômica do empresário. à empresa e ao estabelecimento empresarial.. mas. são o estabelecimento empresarial. apesar de reunidos pela vontade do empresário. pessoa física ou jurídica. equipamentos. patentes de invenção.2. Contudo. Há uma relação direta entre o preço atribuído ao aviamento e a capacidade de o estabelecimento produzir lucro. da extensão dos temas. a reunião de todos acarreta um valor agregado bem maior. utensílios. São bens indispensáveis ao exercício da empresa. mobiliário. 13. como exemplo. somados ao nome empresarial. a exemplo do estoque de mercadorias. Composição Compreende diversos elementos que. No que pesem divergências doutrinárias. . Sérgio Campinho e Fábio Ulhoa Coelho) é no sentido de aceitar que os bens imóveis utilizados diretamente na atividade empresarial. que se traduz num sobrepreço do estabelecimento em relação à soma dos preços de cada bem. o nome empresarial e os bens da propriedade industrial (registro de marcas. pendendo Requião por não recepcionar a tese. Já o estabelecimento empresarial é o aparelhamento necessário ao exercício da empresa. título.

na realidade.1. mais conhecida como Lei do Inquilinato: a) o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado. e) que o locatário tenha proposto a ação renovatória no interregno de um ano. através da ação renovatória de contrato de locação comercial. o art. A lei o reconhece como resultado do esforço desenvolvido por seu titular. Ainda que obedecidas todas as exigências. estipulados no art. tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação. até seis meses.245/91. em caso de prédio alugado. 51 da Lei Federal no 8. 52 prevê hipóteses de exoneração da obrigação do locador renovar o contrato. ascendente ou descendente. o imóvel não poderá ser destinado ao mesmo ramo do locatário. o que se tem é um direito à inerência sobre o ponto. desde que a maioria do capital social do sujeito de direito titular do estabelecimento pertença ao locador. mas a faculdade a ele conferida em permanecer no local. com seus atos arquivados no órgão de registro competente. seu cônjuge. b) o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos. ou mesmo ser indenizado. se compelido a sair. anteriores à data de finalização do prazo do contrato em vigor. São elas: a) quando. no mínimo. Em outras palavras. d) o locatário esteja regularmente constituído.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 31 Série Impetus Provas e Concursos 13. salvo se a locação também envolvia elementos do estabelecimento empresarial. protegendo-o. pois. c) o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. é preciso ficar atento. desde que presentes os seguintes requisitos. b) para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade.2. c) o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de estabelecimento empresarial existente há mais de um ano. o titular de estabelecimento situado em prédio alugado detém o direito à renovação do contrato. O Ponto Empresarial Com relação ao ponto. no máximo. define-se como o lugar no qual aquele exerce suas atividades profissionais. Quando se afirma que o ponto é espécie de bem incorpóreo do empresário. por determinação do Poder Público. não o domínio do locatário. como . no sentido de ressaltar. que é espécie de bem incorpóreo do empresário. Nesta hipótese.

51. que classificou as sociedades em simples ou empresárias. assim como às indústrias. estas abrangendo também as indústrias. Império do Colchão etc. Por último. havendo recusa do locatário em cobrir o valor. resta evidenciado que os termos da lei são extensivos às atualmente denominadas sociedades simples. no prazo de três meses da entrega do imóvel. 13. Não se confunde com o nome empresarial. Espaço das Vitrines. d) se houver proposta de preço ofertada por terceiro mais vantajosa ao locador e. Saliente-se ainda que.32 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel instalações e outros pertences. seja o empresário ou a sociedade empresária. e) se o locatário não cumprir qualquer dos requisitos estabelecidos no art. as sociedades produtoras de bens e as então classificadas como sociedades civis ficavam à margem do conceito. Este identifica o sujeito de direito proprietário. o locador não poderá recusar a renovação lastrado nas causas dessa alínea.2. Após a edição do novo Código. se o locador. não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. reputavam-se comerciantes os que promovessem a intermediação de mercadorias e umas poucas espécies de serviços. que estende o direito de inerência às locações celebradas por indústrias e por sociedades civis com fins lucrativos. Isso porque. respeitadas as disposições da lei. agora enquadradas como sociedades empresárias. tanto que o parágrafo 3o do art. 51. pois devem prevalecer as condições livremente pactuadas nos contratos. . enquanto o título do estabelecimento é o meio pelo qual a empresa torna-se conhecida do público. 52 garante ao locatário direito à indenização. também integra o elenco dos bens incorpóreos o título do estabelecimento. na vigência da antiga Teoria dos Atos de Comércio. claro. quando se tratar de espaço em shopping centers. sempre que tiver de deixar o ponto em função de proposta mais vantajosa oferecida por outrem ou. singularizando o ponto comercial. Exemplo: Casa das Baterias. É de se ressaltar a proteção dada pela lei ao locatário contra medidas arbitrárias do locador.2. Logo. merece comentário a disposição do parágrafo 4o do art. Permite-se a alienação do título.O Título do Estabelecimento Mais conhecido como “nome fantasia”. mesmo.

diferentemente do nome. a fim de demonstrar que sua utilização antecedeu à da outra parte envolvida na disputa. presente no art.142 do Código definir a sua existência. o falido não possui tal prerrogativa. apesar de serem constituídas a partir da reunião de bens. 90 do CC/2002. é merecedora de reparos. à semelhança do que já está reconhecido para o nome empresarial. na hipótese de o título aparecer destacado no ato constitutivo do empresário registrado. não posso concordar com a tese defendida por Marcelo Bertoldi. tenham destinação unitária.166 do CC/2002 garante o uso exclusivo a quem primeiro promover seu arquivamento ou averbação no órgão de registro. Fran Martins. assim o são por disposição legal. em que o art. uma vez que todos os seus bens serão destinados à composição da massa falida.3. que trata o estabelecimento como uma universalidade de direito pelo fato de o art. 1. Por essa razão. A conclusão é extraída da definição desse instituto. . ou mesmo de posterior averbação. para o título do estabelecimento não há norma legal disciplinadora do assunto. contudo. com exceções e particularidades abordadas no Capítulo 04. sustentou que. em posicionamento seguido pelos melhores doutrinadores da matéria. Isso porque. apesar da omissão legislativa. entendeu que a presença do título no ato de registro deve ser tomada como elemento de prova a favor de quem primeiro providenciou o arquivamento.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 33 Série Impetus Provas e Concursos Sua proteção contra reprodução indevida por parte de outrem advém do registro na Junta Comercial que. Percebam uma diferença fundamental entre um e outro conceito. Natureza Jurídica Sua natureza é de uma universalidade de fato. pertencentes à mesma pessoa. Nesta condição. Já Sérgio Campinho. ao contrário do que ocorre com o nome empresarial. 13. estaria comprovado o direito à exclusividade de seu uso. 1. aparecem como universalidades de direito. ao assimilar a tese esposada por Fran Martins.” Diversa é a natureza jurídica da herança ou da massa falida. que assim preceitua: “Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. pode acontecer em momento posterior ao arquivamento do ato constitutivo da sociedade. Ambas. não pelo desejo de alguém. A assertiva. Enquanto o empresário pode livremente estabelecer quais os bens que comporão seu estabelecimento.

é possível a mudança de titularidade do estabelecimento. Nesta condição. o estabelecimento está excluído do rol de pessoas jurídicas elencadas no art. a exemplo da sua própria alienação. Essa é que terá novos sócios. ou das ações de uma sociedade anônima. Alienação Vimos que o estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos translativos ou constitutivos. sociedades. será a parte legítima para representar em juízo sobre qualquer ação que tenha por objeto bens componentes de algum de seus estabelecimentos. que são as associações. O art. enfatiza corretamente a vontade do titular do estabelecimento em reunir bens diversos. Podemos.4. por ser desprovido de personificação. Já o estabelecimento. não é ele capaz de direitos e obrigações. um empresário do ramo frigorífico. 13. Em termos práticos. o empresário. entretanto. No primeiro. o estabelecimento muda de titular. translativos ou constitutivos.143 do Código. partidos políticos e organizações religiosas. permanece na propriedade da mesma pessoa jurídica. pode ser alvo de transações ou disputa jurídica. Como tal. não há como se falar em capacidade processual do estabelecimento. Os bens que o compõem pertencem a seu titular. mas da própria pessoa que seja seu titular. fundações. condição que isenta de dúvida a sua natureza de universalidade de fato. Assim. conforme dispõe o art. Observem que o trespasse não é o mesmo que a cessão de quotas sociais de uma sociedade limitada. desde que compatíveis com sua natureza. titular da sede e mais cinco filiais. compete ao sujeito de direito empresário a manifestação a respeito. longe de poder ser sujeito de direito. em raciocínio diametralmente oposto. emprestando-lhes uma destinação unitária. Já na cessão de quotas ou de ações. É ele o detentor da legitimidade para tanto. Na hipótese de alguém reivindicar o domínio sobre eles. Logo.34 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Waldo Fazzio Júnior. 44 do CC/2002. 1. afirmar que o estabelecimento pode ser objeto de relações jurídicas próprias. Em outras palavras. passando a integrar o patrimônio de outra pessoa.145 do CC/2002 condiciona a eficácia da alienação a alguns fatores. 1. que recebe o nome de trespasse ou traspasse. pode ser alvo ou objeto de direitos e de negócios jurídicos. não tem personalidade jurídica. Tem o transmitente que ficar com bens livres e desembaraçados para pagamento de . sem que isso signifique ser sujeito de direitos e obrigações. por conseqüência.

salvo disposição em contrário. III. ou do consentimento expresso ou tácito. Com relação aos devedores por créditos cedidos ao adquirente. contudo. A finalidade. a transferência do estabelecimento importa em sub-rogação do adquirente nos contratos destinados à exploração do estabelecimento. conforme previsto no art. 14. 1. para os vencidos. quando é expedida a Certidão de Nascimento. que vai depender do local onde se situe a filial. continua solidário com aquele pelo prazo de um ano. alienante do estabelecimento. c.148. prevê que. ou dos respectivos vencimentos para os vincendos. da Lei Federal no 11. 1. arrendador ou aquele que transfere estabelecimento em usufruto desvie clientela do comprador. . Este. Conceito Uma pessoa natural. Juridicamente falando. Nome Empresarial 14. que está em sintonia com a do art. passa o adquirente a ser responsável pelos débitos anteriores ao ato. se não tiverem caráter pessoal. ao invés do cessionário. que se materializa em trinta dias a partir da notificação. a materialização desse direito ocorre por ocasião do registro do indivíduo no Cartório de Registro Civil. é evitar que o alienante. 94. a previsão do art. Eficaz o trespasse. podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação de transferência a que se refere o art. a menos que haja concordância do adquirente. A desobediência a esse requisito representa ato de falência. desde que contabilizados nos livros do vendedor.1. a eficácia depende do pagamento de todos eles. a responsabilidade do alienante. da conhecida Lei do Inquilinato. arrendatário ou do usufrutário em função do conhecimento que gozem junto ao público em geral. ressalvada.101/2005. se ocorrer justa causa.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 35 Série Impetus Provas e Concursos seus credores existentes à época. Em se tratando de arrendamento ou usufruto do estabelecimento. não pode o alienante fazer concorrência nos cinco anos subseqüentes à transferência. a proibição se estende ao prazo do contrato. 51.144. contudo. ao nascer. Outrossim. Do contrário. tem direito a ser identificada por um nome civil. A proibição aqui tratada deve ser entendida em certo âmbito territorial.149 preserva a boa-fé daqueles que efetuarem o pagamento ao cedente. contado da publicação de transferência na imprensa oficial. Em seguida. reputando-os exonerados da obrigação mesmo que a publicação da transferência já tenha sido realizada. o art. neste caso. parágrafo 1o. 1.

completo ou abreviado. 1. Assim como a firma individual. O Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico a respeito do tema. Costa Farias. Além dessas disposições. 14.168.L. 1.155 ao art. um deles não poderá ser abreviado ou suprimido. em se tratando de pessoa jurídica. Uma é a IN no 53.156 do Código. no que se refere ao nome empresarial. e o faz através de instruções normativas que. Formação O nome empresarial pode ser de três espécies. 1. o Departamento Nacional de Registro do Comércio é entidade habilitada a normatizar esse e outros assuntos relacionados à empresa e ao empresário. designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. mais de um sócio poderá . De outra forma. que uniformizou critérios para o exame dos atos submetidos ao Registro Público de Empresas. não se contrapondo aos ditames da lei. Costa Farias–Mercearia. aditando-lhe. 6o da IN no 53/96. sua formação gira em torno de nomes civis. b) Firma ou Razão Social Constitui-se a partir de um ou mais nomes de pessoas naturais e serve para nominar as sociedades empresárias. conforme reza o art. pois. se quiser. Costa Farias. de 15 de março de 1996. se houver mais de um patronímico. aquele sob o qual a sociedade ou o empresário individual exerce sua atividade econômica e obriga-se nos atos a eles pertinentes. A diferença é que.2. que deverá adotar seu nome civil. são válidas. a titularidade sobre o nome acontece a partir do arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do Estado. do DNRC. O nome empresarial é. a) Firma Individual Constitui-se a partir de um nome de pessoa natural e serve para nominar o empresário individual. que vai do art. Pedro Luiz Costa Farias–Mercearia. P. A alínea a do parágrafo 1o do art. Exemplos: Pedro Luiz Costa Farias.36 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No caso dos empresários individuais ou das sociedades empresárias. admite a supressão de prenomes.

Difere das outras duas formas em alguns aspectos. sempre acrescida do objeto social. 1. dentre outras similares. 1. sem abreviaturas. nem seria razoável admitir um nome empresarial composto por tantos nomes civis.157 do Código previu a possibilidade de se adotar a expressão “e companhia” ou sua abreviatura. 1. devem constar do nome na forma por extenso. do Código. indicam relação de parentesco e servem para diferenciar parentes que tenham o mesmo nome.155. neto. até.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 37 Série Impetus Provas e Concursos emprestar seu nome à formação da firma social. Paulo Melo Lins e João Pedro Silva (em nome coletivo ou em comandita). A respeito do uso da expressão “e companhia”. É que sua constituição se baseia não em nomes civis. parágrafo 1o. não se revestindo da natureza obrigacional que permeia a firma. O art. limitada (para sociedade limitada). júnior. dois nomes de sócios. O usual é a razão social ser composta de um ou no máximo. tem o caráter de mera homenagem. seja na lei ou em norma complementar. do parágrafo 1o do art. de acordo com a exigência do art. c) Denominação Essa espécie de nome serve tanto às sociedades empresárias como às sociedades simples e. não são sobrenome. 1. Melo Lins e cia. ou até de alguém que não seja membro da sociedade. tal como “e filhos” ou “e irmãos”. Aliás. João Fonseca e irmãos (em nome coletivo ou em comandita). do CC/2002 vedou a inserção na razão social de nome de sócio que não seja pessoa física. O direito as reconhece pelo termo agnome. contudo. sempre que omitido nome de algum sócio. Mas não precisa serem todos. Sem disposição expressa sobre elas. parágrafo 1o.160.158. 1. Exemplos: Melo Lins e cia. (para sociedade em nome coletivo ou em comandita). combinado com o parágrafo único do art. Essa previsão. O mesmo dispositivo. às associações e fundações. permite a inclusão de nome de um ou mais sócios. sobretudo na sua formação. mas em expressão de fantasia. conforme prevê o art. 6o da mesma IN no 53/1996.158. dentre outros. . Expressões como: filho. se determinada sociedade abranger em seu quadro social uma outra pessoa jurídica. convém ressaltar a disposição da alínea a. em uma sociedade de muitos sócios. Assim. que possibilitou sua substituição por termos equivalentes. parágrafo 1o. Por isso o art. esta não poderá emprestar seu nome à formação da razão social da primeira. do Código.

. que prevê. 1. sempre que promoverem alteração em seus respectivos nomes civis. em seu parágrafo único.165 do Código. Princípios Para legal constituição do nome. O art. por sua vez. for excluído ou se retirar. individual ou social. 14. será necessária a alteração do nome empresarial. sócio de sociedade que emprestar seu nome à razão social ou o empresário individual. Podemos encontrá-lo no art.38 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exemplos: Fiação José Pereira S. 1.A. (para uma sociedade anônima). impõe o emprego de alguma designação distintiva ao nome do empresário. a exemplo de frigorífico ou farmácia. Frigorífico Carnefresca Comandita por Ações (para uma comandita por ações). dois princípios deverão ser observados. não pode ser conservado na firma social. Esta. permite-se agregar designação distintiva. 1. Essa é a disposição do art.163 do Código que. Proteção A inscrição do empresário individual ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas assim como as respectivas averbações no registro próprio asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. por exemplo. também faz referência ao mesmo princípio. em seu art. na hipótese de casamento. igualmente. ainda não foi elaborada. a extensão da garantia a todo território nacional. parágrafo 2o. b) Princípio da novidade O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. a) Princípio da veracidade Esse princípio permeia a constituição do nome empresarial. A IN no 53/96.3. quando dispõe que sócio que vier a falecer. dispõe o parágrafo único do artigo. observa o princípio da novidade.166.4. de forma a evitar o registro daqueles que não correspondam à realidade. em seu parágrafo único. quando um cônjuge pode incorporar sobrenome do outro. Esta é a regra do art. 14. se registrado na forma de lei especial. É o caso de a denominação de uma sociedade do ramo de papelaria conter objeto social diverso. Com fundamento nele. Em se tratando de firma. 7o da IN no 53/96. ao proibir a presença no nome de palavras ou expressões que denotem atividade nãoprevista no objeto da empresa. quando houver outra já registrada. Indústrias Reunidas Brasil Limitada (para uma sociedade limitada). destacando a impossibilidade de coexistência de nomes idênticos ou semelhantes no âmbito da mesma unidade federativa. em caso de homônimos já inscritos. 6o.

CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 39 Série Impetus Provas e Concursos Continua. é a identificação do sujeito de direito que o emprega. Entrementes. da IN do DNRC no 53/96. instruído com certidão da Junta Comercial da unidade federativa onde se localize a sede da sociedade. do Decreto no 1. com a respectiva assinatura autógrafa. o parágrafo 2o do mesmo art. em caso de abertura de filial em outro Estado. 61 do Decreto prevê que a proteção ao nome poderá ser estendida a outras unidades da Federação.934/94. Outro ponto que merece destaque é a simultaneidade entre o registro e a proteção. A par dessa função. E é justamente a IN no 53/96 que prevê duas hipóteses para a extensão da proteção do nome a outros Estados. já vimos. senão nas hipóteses do art. pessoa física ou jurídica. também serve como assinatura do empresário. Exemplificando. a disposição do código. não há outra maneira de a proteção ao nome empresarial ser eficaz em outros Estados. Função A principal função do nome empresarial. contrair um empréstimo bancário no valor de um milhão de reais a ser pago no prazo de seis meses. esse dispositivo inclusive encontra eco no Código Civil. seja individual ou social. citadas no parágrafo anterior. a requerimento do interessado. A primeira. a firma. assim como com o art.800/96. Portanto. prevê que a inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha. Na opinião de Sérgio Campinho.5. é ela a pessoa obrigada ao pagamento. 1. II. pelo pedido específico. 13. em seu art. que é coincidente com a do art. . como o estatuto ou contrato de sociedade. É da sua utilização que nascem os direitos e obrigações do empresário. Essa é a previsão do art. que regulamentou a Lei no 8. se a sociedade chamada Tecelagem Rio Grande S/A. portanto. significando afirmar que as juntas não abrem um processo específico para a análise do nome constante do ato. 968. Esse trabalho é feito ao mesmo tempo em que se avalia tanto o requerimento do empresário individual.165. parágrafo 1o. dentre outras informações. através da assinatura de seu representante. 61. que criou o registro de firmas ou razões comerciais. outra. observada instrução normativa do Departamento de Registro do Comércio – DNRC. 14. dispondo sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. enquanto não editada a lei especial a que se refere o parágrafo único do art. desde que o agente possua representação legítima. que. 13 da IN no 53/96. a firma. parágrafo 1o. 2o do Decreto 916/1890.

acrescentado do termo “sucessor de”. que concordou com o uso de seu nome pelo adquirente. do nome empresarial. Exemplo: Cia. teremos: Paiva Costa e Cia. sem que isso o descaracterize como tal.6. normalmente farão parte do negócio a totalidade de seus bens. uma vez que não pode haver empresário sem aquele conjunto de bens organizados para o exercício da empresa. precedido de seu próprio. usar o nome empresarial do alienante. então. o adquirente pode. o contrato de alienação deve conter a previsão do objeto contratado. sucessor de Cosméticos Nova Cruz S/A. Alienação O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.. . pois a maioria esmagadora dos empresários ou representantes de sociedade não se utiliza da firma como assinatura. ou aos demais bens incorpóreos ou não. seja alienado o próprio estabelecimento empresarial. Brasil de Cosméticos. sendo a venda parcial. a sociedade Paiva Costa e Cia. materiais ou não. que adquiriu o estabelecimento empresarial de João Armando Silva e Irmãos. mas de seus próprios nomes. compete aos contratantes definir quais os bens farão parte do negócio.. Também é possível haver negociação em cima de bens incorpóreos. do ponto etc. adquirente da Cosméticos Nova Cruz S/A. Para o bom entendimento do assunto. a exemplo do título. Isso porque o empresário que se desfaz de todo o seu estabelecimento invariavelmente perderá esta qualificação. se houver previsão contratual. Já com relação ao título. Brasil de Cosméticos. porém. 14. independentemente da venda do estabelecimento. Caso. os mesmos poderão livremente ser alienados. Essa é a regra do art. De outra forma. O alienante pode até excluir um ou outro bem originário do estabelecimento.40 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. Quando a venda abrange todos os estabelecimentos. 1. que passará a usar o nome Cia. Idêntico raciocínio pode ser formulado quando se tratar de uma denominação. percebam que. na conformidade do parágrafo único do mesmo artigo. é forçoso reconhecer a pouca ou quase nenhuma aplicação prática do dispositivo.164 do CC/2002. com a ressalva já feita para o uso do nome. Imaginemos. sucessor de João Silva e Irmãos Irmãos. Logo. por ocasião da negociação de venda de um ou todos os estabelecimentos do empresário.

S.”. Utilização por quem de Direito TIPO Empresário Individual Sociedade Simples Em Nome Coletivo Em Comandita Simples Em Comandita por Ações Em Conta de Participações Sociedade Limitada Sociedade Anônima X X X Com o termo “Ltda. assim ou por extenso. – X FIRMA FIRMA INDIVIDUAL SOCIAL X Com o termo “S. DENOMINAÇÃO OBSERVAÇÕES X X Com o termo “C.7. assim ou por extenso.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 41 Série Impetus Provas e Concursos 14.A. Com um dos termos: “Cia. assim ou por extenso.”.” ou “S/A”. Não possui nome. assim ou por extenso Com o termo “Cooperativa”. X X – – Sociedade Cooperativa X .”.

o homem estará sempre tentando descobrir novas formas de melhorar seu bem-estar por meio de criações as mais variadas possíveis. Estas. requisito fundamental é a novidade da criação. previu as formas de proteger a atividade inventiva e a própria atuação empresarial de pessoas físicas e jurídicas.42 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15.1. nacionais ou domiciliadas no Brasil. Não importa o grau de desenvolvimento de uma sociedade. podemos destacar quatro bens incorpóreos componentes do estabelecimento empresarial e que são abrangidos pelo direito de propriedade industrial. Direitos de Propriedade Industrial 15. c) registro de desenho industrial. b) patentes de modelo de utilidade. que recebem o título de Direito Autoral. por sua vez. visando ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. enquanto o objeto da propriedade industrial é destinado à produção em escala industrial. já no seu art. através da: a) concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. e d) registro de marca. c) concessão de registro de marca. que recebem o título de Direito da Propriedade Industrial. mais conhecida como o Código de Propriedade Industrial – CPI que. artística e científica. para o direito da propriedade industrial. iremos observar que a necessidade e o poder inventivo são características inerentes ao ser humano. existem normas conhecidas como Direito da Propriedade Intelectual.279. d) repressão às falsas indicações geográficas. b) concessão de registro de desenho industrial. enquanto que. entendo-se como o desconhecimento público sobre objeto. Analisando o dispositivo acima. no sentido de que se trata de algo exclusivo para o próprio autor da obra. Para tutelar o direito dos autores de obras oriundas da capacidade intelectual do homem. O Congresso Brasileiro. ficando o direito autoral a cargo do Direito Civil. De outra forma. de 14 de maio de 1996. e e) repressão à concorrência desleal. 2o. Alvo desse trabalho será o direito da propriedade industrial. artísticas e científicas obedecem ao critério da originalidade. editou a Lei no 9. . São eles: a) patentes de invenção. o mesmo não ocorre nas obras protegidas pelo direito autoral. Disposições Preliminares Se fizermos uma retrospectiva histórica do desenvolvimento da humanidade. dividem-se em: a) normas regulamentadoras da propriedade literária. Uma diferença marcante entre os objetos de um e outro sistema jurídico reside no fato de que as obras literárias. e b) normas regulamentadoras da propriedade industrial.

enquanto o seu descongelamento automático é um modelo de utilidade.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 43 Série Impetus Provas e Concursos Os direitos atribuídos aos titulares da propriedade industrial vão da reserva temporária. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. cabendo às Juntas Comerciais recepcionar as documentações dos empresários para fins de registro e concessão do direito de propriedade sobre eles. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. ao passo que uma invenção pode jamais haver sido alvo de um modelo de utilidade. A título de exemplo. ao uso exclusivo da marca e do nome empresarial. 2o da Lei no 9. vejamos as formas de proteção à propriedade industrial. para exploração e produção dos bens. conforme exposição no item anterior. Competente para regulação e concessão da maioria desses direitos é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. Mas qual a diferença entre invenção e modelo de utilidade? A primeira pode ser conceituada como o produto do intelecto humano que traz à tona coisas até então inexistentes e capazes de serem produzidas em escala industrial. 5o. . à propriedade das marcas. que dispõe sobre direitos e deveres individuais e coletivos. 15. igualmente capaz de ser produzido industrialmente. na hipótese de o modelo tradicional ter sido precursor dos demais. valendo lembrar que questões atinentes ao nome empresarial e ao título do estabelecimento são reguladas pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. Patentes O art. entendida como o instrumento jurídico capaz de assegurar aos inventores e aos criadores de modelo de utilidade a proteção contra reproduções indevidas de suas obras. A própria Constituição Federal. autarquia federal com sede no Estado do Rio de Janeiro. poderíamos dizer que a geladeira doméstica é uma invenção. A materialização desses direitos advém da concessão da patente. pois o seu sentido é incrementar a utilização de algo já existente. ou de parede. inciso XXIX. Também serviria à exemplificação a criação do ventilador de teto. Conclui-se que o modelo de utilidade pressupõe uma prévia invenção. prescreve: A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. em seu art. bem como proteção às criações industriais.279/96 garantiu aos autores de invenção ou de modelo de utilidade direitos que nela são relacionados.2. ao passo que modelo de utilidade seria um aperfeiçoamento de algo já existente. A seguir.

preferiram os legisladores estabelecer requisitos para a caracterização e enumerar o que não se enquadra em um ou em outro aspecto.2. Na verdade. pode ser considerada nova diante dos olhos humanos. por uso ou qualquer outro meio. . Para tanto. Já a aplicação industrial é requisito que decorre da possibilidade de o invento ou o modelo industrial poder ser produzido em escala industrial. ainda assim a invenção ou o modelo de utilidade seriam considerados novos. haverá quebra do requisito da novidade. à luz do art. estão interligados. b) atividade inventiva. portanto. e ficando provado que se trata de algo criado a partir de informações vindas a público a respeito da criação. nem tudo que é novo decorre da atividade inventiva do homem.1. a descoberta de um novo mineral. faz-se necessário que a divulgação tenha sido promovida: a) pelo próprio inventor. por exemplo. b) pelo INPI. pois decorre da capacidade criativa do ser humano em construir algo até então inexistente. a partir de informações deste obtidas. são requisitos à patenteabilidade de uma invenção: a) novidade. 13. se alguém tentar patentear invento que diz ser novo. resultando na negativa de patente. Portanto. ou a partir de atos realizados por ele. Uma criação que dependa de um componente só existente nas estrelas não possui aplicação industrial. o leitor pode perceber. Dessa forma. 8 o do CPI. obedecendo. e c) aplicação industrial. De outra forma. ao requisito da novidade imposto pelo CPI. c) por terceiros. baseados em informações obtidas do inventor. Em outras palavras. através de publicação oficial de pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor. por descrição escrita ou oral. ou em decorrência de atos realizados por ele. No entanto. no Brasil ou no exterior (art. assim entendido como toda informação que é disponibilizada ao público antes da data de depósito do pedido da patente. mas não decorreu de sua atividade inventiva. tampouco para modelo de utilidade. conforme a disposição do art. Nova é a invenção que não está compreendida no estado da técnica. o art. 12 estabeleceu um período de doze meses imediatamente anteriores à data do depósito no qual a divulgação de informações sobre a invenção ou do modelo de utilidade não será enquadrada no estado da técnica. A atividade inventiva.44 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. 11). é a criação que não decorre de forma óbvia ou evidente do estado da técnica.Invenção e Modelo de Utilidade O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceitos para invenção. poderíamos afirmar que todo invento é novo. Esses dois primeiros requisitos. enquadrando-se nesse dispositivo a informação divulgada.

ou não. h) técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. Diversa é a disposição do art. e) programas de computador em si. princípios ou métodos comerciais. e i) o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. para aplicação no corpo humano ou animal. aos bons costumes e à segurança. arquitetônicas. 10 contém relação de algumas ocorrências que não são consideradas invenção. enquanto o art. planos. teorias científicas e métodos matemáticos. o outro obsta a concessão de patentes a invenções ou a modelos de utilidade que se encaixem ao menos em uma daquelas proibições. contábeis. tampouco modelo de utilidade. 10 enumera realizações que não são consideradas invenções ou modelo de utilidade. b) concepções puramente abstratas. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação.2. quando resultantes de transformação do núcleo atômico. o inventor ou o autor do modelo de utilidade. matérias. d) as obras literárias. artísticas e científicas ou qualquer criação estética. ou ainda que dela isolados. exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade (novidade. 18. 6o. misturas. financeiros.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 45 Série Impetus Provas e Concursos O art. .2. São elas: a) descobertas. e c) o todo ou parte dos seres vivos. de sorteio e de fiscalização. f) apresentação de informações. Do Pedido e Concessão da Patente Salvo prova em contrário. Observem a diferença entre o teor de cada dispositivo. inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. 15. não importando se é. atividade inventiva e aplicação industrial) acima referidos. educativos. g) regras de jogo. à ordem e à saúde públicas. Esse é o teor do parágrafo 1o do art. bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico. presume-se o requerente legitimado a obter a patente. publicitários. elementos ou produtos de qualquer espécie. que privilegia a pessoa que primeiro encaminhou o pedido de patente. que proíbe a concessão de patentes às seguintes criações: a) tudo o que for contrário à moral. b) substâncias. c) esquemas.

não importando da data de invenção ou criação. O órgão competente para receber os pedidos de patentes relativos a invenções e modelos de utilidade é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI. não havendo publicação pelo prazo de dezoito meses desde a data do depósito. e c) pela pessoa a quem a lei ou o contrato de trabalho ou prestação de serviço indicar como titular do direito. em se tratando de matéria referente à defesa nacional. se for o caso. Faltando algum requisito essencial. e. do mesmo artigo. até o deferimento da patente. mediante nomeação dos demais. 19 (requerimento. o pedido deve ser mantido em sigilo. salvo prova em contrário. a fim de subsidiarem o exame técnico ou de mérito. 30 do CPI. sob pena de devolução ou arquivamento da documentação. estabelecendo as exigências a serem cumpridas no prazo de trinta dias. b) pelo cessionário. e comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito). que não será iniciado senão após o prazo de sessenta dias da publicação do pedido. sob pena de arquivamento do . Para tanto. desenhos. conforme exposto no item anterior.46 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O parágrafo seguinte. por todo o tempo. o INPI pode emitir recibo. está em sintonia com o princípio de que o primeiro a chegar será considerado o titular do direito. com a data de apresentação sendo tomada como data de depósito. ao depositante e ao inventor. Conforme reza o art. Esta data é importante. o direito de obter a patente será assegurado àquele que promover o depósito mais antigo. relatório descritivo. Uma vez publicado o pedido. o pedido pode ser dirigido por todas ou uma delas. é necessário que o depositante ou qualquer interessado o requeira no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. É lá onde se faz o exame formal preliminar do requerimento e. para se observar a divulgação de informações sobre o objeto do depósito. presente no art. salvo por solicitação do depositante. quando devidamente instruído de acordo com a exigência do art. em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas. Essa disposição. considera-se data do depósito a mesma do recibo. Satisfeitas as exigências. permite que o pedido seja feito em nome próprio: a) pelos herdeiros ou sucessores do autor. resumo. será protocolizado. faculta-se aos interessados apresentar novos documentos e informações. além de outros fins. De outra forma. reivindicações. quando ocorrer invenção ou criação de modelo de utilidade por uma ou mais pessoas de forma independente. relativa ao estado da técnica. 7o. No entanto. mas existindo dados relativos ao objeto.

colocar à venda. Em resumo. ficará em sigilo pelo prazo de dezoito meses. sob pena de arquivamento em definitivo. Conforme a disposição do art. usar. o titular de patente tem o direito de impedir terceiro. enquanto a do modelo de utilidade é de sete anos. no prazo de trinta e seis meses. o depositante solicitar. Neste caso. conforme prevê o art. salvo por solicitação do depositante. conforme as exigências postas nos arts. porque pode acontecer de a concessão sofrer demora no processo. De outra forma. que somente será emitida após o pagamento de retribuição correspondente. ambos contados da data de depósito. indeferindo ou deferindo a patente. 42. parágrafo 1o. por causa mortis ou inter vivos.2. No entanto. o instrumento utilizado é a carta-patente. a satisfação no pedido não garante a realização do exame técnico. mediante o pagamento de retribuição específica. sem o seu consentimento. retardando o início da exploração industrial e comercial do bem. 44 indenização em favor do titular da patente. o INPI deve proceder a uma análise preliminar do pedido que. ou. garantem-se aqueles prazos mínimos de vigência da patente. conforme reza o art. o prazo mínimo de vigência da patente de invenção é de dez anos. que será considerado bem móvel. sem importar o intervalo de tempo compreendido entre o depósito e a concessão. porém da data de depósito. se. 58 permite a cessão do pedido). Portanto. .CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 47 Série Impetus Provas e Concursos pedido. 38. Prevê o art. contado não da publicação do pedido.3. se aprovada. por ato oneroso ou gratuito. pode haver o desarquivamento do pedido. mesmo. no prazo de sessenta dias. A patente de invenção vigorará pelo prazo de vinte anos e a do modelo de utilidade pelo prazo de quinze anos. de produzir. vender ou importar com estes propósitos o produto objeto da patente ou o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. quando estaria prejudicado o direito do titular. Essa previsão é importante. inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. que somente será feito mediante nova solicitação. 5o. 15. na hipótese de exploração indevida de seu objeto. Neste último caso. 34 a 36. Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente Enquanto perdurar a patente. no prazo de sessenta dias do deferimento. será proferida decisão. seu titular tem direito à exploração exclusiva do objeto. Concluído o exame. ser objeto de contrato para licença de exploração. podendo ser cedido (o art.

Neste caso. de forma onerosa ou gratuita. senão juntamente com o negócio ou empresa. ou mediante requerimento de pessoa com legítimo interesse. 45 prescreve que o direito não poderá ser cedido. Sendo administrativa. por ato inter vivos ou mortis causa.4. já explorava seu objeto no país. pelo próprio INPI. A nulidade poderá ser total ou parcial. de boa-fé.48 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entrementes. o parágrafo 1o do art. Na hipótese de ação judicial para a nulidade da patente. c) houver omissão de qualquer formalidade essencial à concessão. 61). 46 a 48). Neste caso. por solicitação das partes. o pedido de patente. não haverá limitação de prazo. sem ônus. b) o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido original depositado. Igualmente permite-se ao titular de patente ou o depositante celebrar contrato de licença para exploração industrial do objeto da patente. por alienação ou arrendamento. . O titular desses direitos pode cedê-los. 6o do CPI considera bens móveis os direitos relativos à propriedade industrial. ou parte desta que tenha relação direta com a exploração objeto da patente. quando não for o autor. intervindo o INPI.5. a nulidade será instaurada de ofício. será assegurado o direito de continuar a exploração. da forma como ocorre na nulidade administrativa. neste caso quando as reivindicações subsistentes constituírem matéria patenteável por si mesma (arts. mesmo. 15. sempre que: a) não tiver sido atendido qualquer requisito legal. no prazo de seis meses da concessão.2. podendo. Pode o titular da patente solicitar ao INPI que a coloque em oferta para fins de exploração. o contrato deverá ser averbado no INPI. na forma e nas condições anteriores. antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente. a patente concedida contrariando as disposições do CPI. quando o instituto promoverá a publicação da oferta. igualmente é parte legítima para a propositura tanto o INPI como qualquer interessado. A nulidade da patente poderá ser declarada administrativamente ou na esfera judicial. e o foro competente será a Justiça Federal. arbitrar a remuneração cabível. Para que produzam efeitos em relação a terceiros. para aquele que. até. desde de a data do depósito. incluindo-se a patente ou. 15. quando o licenciado poderá ser investido de todos os poderes para agir em defesa da patente (art. Da Nulidade da Patente É nula.2. Das Licenças Vimos que o art.

Outra hipótese para concessão da patente compulsória está no art. ou mesmo se não forem obedecidas as condições impostas para exploração (art. da mesma forma que. à data do requerimento. b) quando a comercialização não satisfizer as necessidades do mercado. 70 se refere a casos de licença compulsória concedida à patente dependente da outra. efetuada por decisão administrativa ou judicial. b) comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 49 Série Impetus Provas e Concursos Nesta condição. 69 prevê que não será concedida licença compulsória se. pode o titular da patente requerer o cancelamento da licença. que trata dos casos de emergência nacional ou interesse público. desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. c) justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. 68. . Caso o licenciado não dê início à exploração em um ano da concessão. que podem ensejar a licença compulsória. assim entendida como a patente cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto da patente anterior. b) o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior. O art. declarados em ato do Poder Executivo Federal. são: a) não-exploração do objeto da patente no território brasileiro. o titular: a) justificar o desuso por razões legítimas. fica sujeito a uma ação movida pelo titular da patente. se o licenciado interromper a exploração por prazo superior a um ano. por meio dela. 71. após decorridos três anos da concessão da patente. quando ocorrerem cumulativamente as três hipóteses previstas no dispositivo. Diferente é a licença compulsória ou. igualmente no prazo de três anos da concessão. restar constatado o abuso de poder econômico. Outras hipóteses previstas no art. 67). a anuidade devida ao INPI será reduzida à metade. e será temporária e nãoexclusiva. quais sejam: a) ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação à outra. conforme linguagem popular costumar se referir. Neste caso. a “quebra de patente”. e c) o titular não realizar acordo com o outro titular da patente dependente para exploração da patente anterior. até que seja concedida a primeira licença. em função do exercício abusivo ou se. a concessão dar-se-á de ofício. O art. Se o licenciado não iniciar a exploração em um ano da concessão.

decorridos dois anos da concessão da primeira licença compulsória. De outra forma. c) pela caducidade (pode ser de ofício ou a requerimento de interessado e ocorre quando.7. 15. 78. O parágrafo 2o do art. salvo disposição contratual em contrário.8. 88 prevê que a invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador. Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço O art.2. quando qualquer um poderá explorá-la industrialmente. salvo motivos justificáveis). sem a utilização de meios. instalações ou equipamentos do empregador. 75 proíbe o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional. pode haver propriedade comum de invenção ou de modelo de utilidade.6. o processamento do pedido perde o caráter sigiloso. Da Patente de Interesse da Defesa Nacional O pedido de patente originário do Brasil. Cabe ao INPI encaminhar tal pedido ao órgão específico do Poder Executivo Federal para que este se manifeste no prazo de sessenta dias. quando resultarem da contribuição pessoal do empregado em combinação com a utilização de meios. não for sanado o abuso ou desuso. salvo prova em contrário.2. Da Extinção da Patente Segundo a disposição do art. 75). Extinta a patente. a patente será extinta: a) pela expiração do prazo de vigência. Não havendo manifestação do órgão próprio. cujo objeto interesse à defesa nacional. aquelas pertencerão exclusivamente a ele. ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. seu objeto cai em domínio público. Quando o empregado desenvolver o objeto da invenção ou do modelo de utilidade de forma desvinculada do contrato de trabalho. .50 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. considera-se desenvolvida na vigência do contrato de trabalho a invenção ou o modelo de utilidade. 15. d) pela falta de pagamento da retribuição anual. Até um ano da extinção do vínculo empregatício. ressalvado o direito de terceiros. quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva. b) pela renúncia de seu titular.2. instalações ou equipamentos do empregador. será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito a publicações previstas no CPI (art.

. analisados em item anterior.1. As marcas. conforme dispõe o art. Novo é o desenho industrial não compreendido no estado da técnica. convém entender o sentido de um e outro conceito. que reproduz praticamente o mesmo conteúdo dos arts. representa o resultado visual novo em um produto já existente. para a divulgação do desenho industrial sem ser incluído no estado da técnica.3. É o que ocorre com os novos modelos de veículos surgidos a cada ano. A diferença é o prazo constante do parágrafo 3o. ao passo que a originalidade tem a ver com o resultado visual inédito alcançado. Desenho industrial. por sua vez. 95 traz elementos essenciais ao registro do desenho industrial. São eles: a) novidade.2. tratando-se de marca ou de desenho industrial assume o nome de registro. 15.1. de no 15. pois não introduz nova forma à utilização do bem. são sinais ou expressões que servem à identificação de produtos ou serviços. para onde o leitor deve se reportar. b) originalidade.3. de cento e oitenta dias anteriores à data de depósito (tratando-se de patentes é de doze meses). 97). mais conhecido como design. 11 e 12. . são registráveis no INPI. e c) aplicação industrial. A diferença entre um e outro elemento reside no fato de que a novidade se refere à técnica de aplicação industrial. apenas agrega outra aparência a ele. Enquanto para as invenções e modelos de utilidade o instrumento garantidor da propriedade é a patente. contudo. No que pese a diferença de nomenclatura. podendo até haver utilização de elementos já conhecidos (art. Original é o desenho industrial que resulte em uma configuração visual distintiva. há pontos coincidentes entre as patentes e os registros. ou com a questão estética. Antes. em relação a outros objetos anteriores. Registro É o ato pelo qual se assegura ao titular de um desenho industrial ou de uma marca a propriedade sobre esses bens. Registrabilidade do Desenho Industrial O teor do art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 51 Série Impetus Provas e Concursos 15. que é o INPI. Não se confunde com o modelo de utilidade. Outros são expostos em seguida. 96. a exemplo do órgão competente para processá-lo. decorrente do emprego ornamental de linhas e cores ao objeto. Da mesma forma que os desenhos industriais.

sob pena de ser considerado inexistente (em se tratando de patentes. aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. Diferente é a forma de concessão do registro. uma vez não atendidas as exigências do art.2. por parte do requerente. pois. ao menos no que se refere aos peticionários do direito.2. Logo. vale a regra de que o primeiro a chegar presume-se proprietário. nas condições estabelecidas na lei. O órgão para recepcionar e processar o pedido é o mesmo Instituto Nacional de Propriedade Industrial. devendo ser observado que. Para as demais particularidades. Por outro lado. 98). a ser feita no prazo de trinta e seis meses da data do depósito.2. ao desenho industrial e ao autor. quando comparada com a concessão de patente. Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial Ao autor de desenho industrial. o parágrafo único do mesmo dispositivo remete o tema à regulamentação feita pelos arts. b) a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou. o leitor deve se reportar ao item 15.. salvo prova em contrário. que estabelecerá prazo de cinco dias para o cumprimento das exigências. As regras para processamento do pedido também são coincidentes em sua maioria. 101.3. não são registráveis como desenho industrial: a) o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou a imagem de pessoas. 6o e 7o. ainda. uma vez depositado o pedido de registro de desenho industrial. crença. 94 assegura o direito de obter registro que lhe confira a propriedade sobre o bem. Somente se permite o registro daqueles desenhos que possam entrar numa linha de produção industrial.2. geralmente por ofenderem a moral e os bons costumes. para o registro de desenho industrial. de acordo com o art. mas existindo dados suficientes relativos ao depositante. culto religioso ou idéia e sentimentos dignos de respeito e veneração. a lei segue os mesmos princípios aplicados às patentes. o art. que tratam das pessoas que podem ingressar junto ao INPI com pedidos de patente. 100. Desta forma. assim como acontece com as patentes. desde que .52 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Aplicação industrial é outro elemento comum ao registro do desenho industrial. Obras de caráter puramente artístico não são consideradas desenhos industriais (art. ou atente contra a liberdade de consciência. enquanto para esta há um exame formal preliminar do pedido que antecede a solicitação.2. No entanto. o pedido poderá ser entregue mediante recibo datado ao INPI. de um exame de mérito. há desenhos que não são passíveis de registro. conforme foi explicitado no item 15. esse prazo é de trinta dias). 15. Significa afirmar que.

Essa é a disposição do art. que é de cinco anos. Quanto à vigência. um prazo máximo possível de vinte e cinco anos. 46.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 53 Série Impetus Provas e Concursos cumpridas as exigências formais. 113. A mesma hipótese. 108). 120.4. Extinção do Registro O registro extingue-se pelas causas previstas no art. contados da concessão do registro. c) pela falta de pagamento da retribuição qüinqüenal. então. de produzir. aplicado às patentes. b) pela renúncia de seu titular. Da Nulidade do Registro É nulo o registro concedido em desacordo com a lei.3. exceto os dos incisos III. que copia os termos do art. assim como outros direitos especificados nos arts. quando referente à anulação de patentes. a fim de conferir todos os demais conceitos. prorrogável por três períodos sucessivos de cinco anos cada (art. 15.3. V. tem prazo de seis meses contados da concessão da patente. expedindo-se o respectivo certificado. Observa-se. prevista no art. pois.Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro A proteção conferida ao titular de registro de desenho industrial é similar ao do titular de patente. poderá ser o pedido mantido em sigilo. 106). usar. Diferem no prazo previsto no parágrafo 1o do art. para fins de anulação administrativa do registro. 119: a) pela expiração do prazo de vigência. pode impedir terceiro. 112. após o que será processado (art. será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro. . Caso. pelo prazo de cento e oitenta dias da data de depósito.3. 43. VI e VII do art.2. o leitor se reportar àquele item. 42 e 43. Deve. porém. ressalvado direito de terceiros. ou d) quando se tratar de titular domiciliado no exterior. será de dez anos contados da data de depósito.4. sem o seu consentimento.5. 15. colocar à venda. ou seja. vender ou importar produtos objeto do desenho industrial.3. Também coincidentes com as regras das patentes são os processos de nulidade administrativa e judicial. expostos no item 15. requeira o depositante. pela falta de indicação de representante no Brasil. 15.

Essa regra. 6o desse documento garantiu exclusividade aos titulares de marcas assim classificadas em todos os países signatários da Convenção.4. ainda que limitado às fronteiras do país. a marca registrada representa um bem móvel negociável. o que significa que não haverá problema se a marca já servir a um determinado tipo de manteiga. As proibições a que se refere o legislador têm o sentido de. Trata-se de marcas que. Fábio Ulhoa Coelho adverte que o registro de marcas nessa categoria é ato discricionário do INPI. para que se respeite o princípio da especificidade. contudo. citadas no art. 125. mas que não poderiam ficar sujeitas ao uso por outras pessoas. No entanto. senão quanto aos seus aspectos formais. e 15. . Registro de Marcas 15. a fim de não induzir o consumidor. 122 prescreve que são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. Basta. por exemplo. Assim. 121 remete à mesma disciplina apropriada às patentes. proteger as marcas já existentes. mas somente em seu ramo de atividade. Estas.5.Disposições Preliminares O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceito para marca. tendo em vista a tripartição constitucional dos Poderes do Estado. através do Ato Normativo no 150/99.2. ainda que para produtos ou serviços diversos. se alguém tentar registrar uma marca de refrigerante. da qual o Brasil é signatário. oferecem uma boa visão dos temas.1.4. o art. deve ser observada dentro de cada classe de produtos ou de serviços. desde que não estejam compreendidos nas proibições legais. o seu art. É que o INPI. afinal. somados aos texto legal. insuscetível de revisão pelo Poder Judiciário. ainda que não haja registro no INPI. O art. gozam de proteção contra reprodução em todas as classes de produtos ou serviços.8. A origem dessa proteção remonta à Convenção da União de Paris. o exame da colidência se verificará tão somente na classe específica dos refrigerantes. uma vez registradas sob esse título. portanto. que. pois não pode haver colidência de marca nova com outra criada anteriormente. classificou serviços e produtos conforme a natureza de cada um. o leitor se reportar aos itens 15. Também merecem destaque as marcas notoriamente conhecidas. mesmo que não estejam registradas. São marcas que possuem um forte apelo popular. 126.2.54 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação às licenças e à realização por empregado ou prestador de serviços. 15. não poderiam ficar sujeitas ao registro. Diferente são as marcas de alto renome. devido ao conhecimento generalizado de populações de vários países. previstas no art. primeiramente.

à natureza. b) letra. estrangeiros ou internacionais. emblema. político. b) em se tratando de marcas coletivas – o requerimento tem que ser feito por pessoa jurídica representativa da coletividade. artístico. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 55 Série Impetus Provas e Concursos Percebam. no entanto. a título de mera exemplificação. e o efeito da proteção alcança todos os ramos de atividade. são impostas aos requerentes. que. 128).4. prêmio ou símbolo de evento esportivo. que se estende do inciso I ao XXIII. diretamente ou através de pessoas jurídicas. notadamente quanto à qualidade. 123 contém classificação a respeito das marcas. econômico ou técnico. 124. . algarismo e data.2. ao material utilizado e à metodologia empregada (exemplo: certificado ISO 9000). de origem diversa. bastando observar alguns. Despiciendo a reprodução de todo o dispositivo. Do Pedido e da Concessão do Registro Podem requerer o registro de marcas ao INPI as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado (art. e c) marca coletiva – aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. b) marca de certificação – aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. c) nome. armas. nacionais. dentre outros. Desta forma. ao passo que a marca notoriamente conhecida não precisa estar registrada no país signatário da convenção. para uma marca ser considerada de alto renome. a saber: a) em se tratando de pessoas de Direito Privado – a lei exige prática de atividade lícita. isoladamente. figura ou imitação. distintivo e monumentos oficiais. 15. bem como a imitação suscetível de criar confusão. social. o art. portanto. não são registráveis como marca: a) brasão. semelhante ou afim. bem como a respectiva designação. bandeira. cultural. públicos. medalha. Outrossim. necessita estar registrada no INPI. mas o efeito de tal qualificação é restrito ao ramo de atividade. oficialmente reconhecido. Outras proibições legais ao registro de marcas estão no art. salvo quando revestido de suficiente forma distintiva. c) em se tratando de marca de certificação – somente pode ser requerida por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. Algumas exigências. considerando: a) marca de produto ou serviço – aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico.

impressos. Percebam que o teor desse último dispositivo analisado difere do correspondente relativo ao registro de desenho industrial. d) haja a citação da marca em obras literárias. Outros direitos conferidos ao titular da marca são: a) ceder seu registro ou pedido de registro. 110. 132): a) comerciantes ou distribuidores utilizem a marca do produto. na sua promoção e comercialização. e outros sessenta dias para defesa do depositante. propaganda e documentos relativos à atividade do titular.56 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel As normas para concessão do registro de marca são similares às aplicadas ao registro de desenho industrial. que tenha direta relação com o uso da marca. 129 garante o direito de precedência ao registro por parte da pessoa que. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro O registro validamente expedido confere ao seu titular o direito de uso exclusivo da marca em todo o território nacional. . usava marca idêntica ou semelhante no país. enquanto para a marca o legislador garantiu o direito à prioridade daquele que. e c) zelar pela sua integridade material ou reputação. expostas no item 15. de boa-fé. quanto à necessária publicação do pedido para fins de oposição. desde que tenha sido deferido. há pelo menos seis meses. Não podem. os titulares de marcas impedir que (art. contudo.2. Neste caso. O parágrafo 1o do art. no entanto.4. Diferem. já o exploravam. que é o art. Sim. o art. quando ausente a prática comercial. 158 e 159. discursos ou qualquer outra publicação. já a utilizava seis meses antes do depósito. b) fabricantes de acessórios usem a marca para indicar a destinação de seus produtos. porque. 110 assegurou o direito à continuidade da exploração do objeto do desenho industrial dos que. semelhante ou afim.3. 15. b) licenciar seu uso. c) haja a livre circulação dos produtos regularmente colocados no mercado interno. o direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. juntamente com sinais distintivos. ou parte deste.3. para certificar produto ou serviço idêntico. O certificado de registro de marca somente é expedido após a conclusão do exame do pedido. de boa-fé. de boa-fé. a ser efetivado em papéis. tudo na conformidade dos arts. quando é concedido prazo de sessenta dias para oposição.

será pelo prazo de dez anos. quando não mantiver representante no país. 15. ou seja. Em se tratando de nulidade administrativa. os prazos são coincidentes. portanto. conforme reza o art. 174. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. conforme prevê o art. instruído com pagamento de retribuição. sem que tenha havido prorrogação.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 57 Série Impetus Provas e Concursos Com relação à vigência da marca. . após cinco anos da concessão: a) não haja sido iniciado o uso da marca no Brasil. constituindo-se no único bem da propriedade industrial que possui tal privilégio. 142. contados da data de concessão do registro. enquanto.4. merece destaque o teor do art. pois não poderíamos admitir que seu proprietário fosse obrigado a partilhar de um direito para qual investiu anos de trabalho na sua divulgação. aliás. b) pela renúncia. No entanto. que poderá ser total ou parcial em relação a produtos ou serviços assinalados pela marca. em ambos os casos sem justificativas legítimas. 56. b) houver interrupção de uso por prazo superior a cinco anos. 165 a 175 regulam o processo de nulidade de registro de marcas. contado da concessão. seis meses. c) pela caducidade. para a patente. de forma absolutamente justa. 15. que estipula prazo de cinco anos para a prescrição da ação judicial de nulidade do registro de marca. o leitor se reportar a ele. Admite-se o pedido de prorrogação em até seis meses subseqüentes ao término da vigência. Deve. e que foram expostos no item 15. Conclui-se. Da Extinção do Registro De acordo com o art.3.4. Da Nulidade do Registro Os arts. 133. A caducidade acontece quando. Com algumas adaptações.5. pode ser promovida a qualquer tempo. desde que seja paga a retribuição adicional.4. esses dispositivos praticamente copiam aqueles referentes ao mesmo assunto. por conseguinte.4. a requerimento de qualquer interessado. o registro da marca extingue-se: a) pela expiração do prazo de vigência. que as marcas podem guardar exclusividade por tempo indeterminado. d) em se tratando de titular domiciliado no exterior. O pedido de prorrogação deverá ser feito no último ano de vigência do decênio. mas aplicados a patentes.

para coibir e punir aqueles que se enquadrarem nas hipóteses legais. região ou localidade que se tenha tornado conhecido como centro de extração. inciso IV. sem prejuízo de perdas e danos em favor dos prejudicados. produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. que dispõe serem todos de ação privada. incluídos fatores naturais e humanos. Já a denominação de origem representa igualmente o nome de país. O art. estabeleceu a livre concorrência como princípio geral da atividade econômica. Para eles. expuser ou oferecer à venda ou tiver em estoque produto que apresente falsa indicação geográfica.5. 192 pune com pena de detenção. Indicação de procedência é o nome do país. 170. de um a três meses. importar. sobretudo dos consumidores.6. puníveis com pena de detenção. 199. Indicações Geográficas Constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem. Trata-se de uma característica inerente à atividade empresarial. Porém. que poderá maximizar a oferta de bens e serviços. região ou localidade que designe produto ou serviço cujas qualidades se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. vale a prescrição do art. A própria Carta Magna do País. 195 do CPI relaciona crimes de concorrência desleal. ou multa. Regularmente praticada. 15. É aí que entra o poder repressor do Estado. beneficia tanto o consumidor. O uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local.58 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. coerente com o papel de “Estado Liberal Brasileiro”. como o empresário. em seu art. cidade. que tem o lucro como seu objetivo maior. O art. que varia de três meses a um ano. vender. quem fabricar. exportar. ou multa. Concorrência Desleal A concorrência é algo que acompanha o exercício da atividade mercantil desde seus primórdios. cidade. São eles: . nem sempre. a concorrência se desenvolve de forma a satisfazer o interesse de todos. que se vêem prejudicados e impotentes diante de certas práticas empresariais inescrupulosas e fraudulentas. que tende a adquirir produtos e serviços por preços mais baratos.

de conhecimento. ou de desenho industrial registrado. explora ou utiliza-se. explora ou utiliza-se. clientela de outrem. declarando ser objeto de patente depositada. usa expressão ou sinal de propaganda alheios. ou aceita promessa de pagamento ou recompensa. ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma espécie. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. utilizáveis na indústria. indevidamente. sem o ser. sem o seu consentimento. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. proporcionar vantagem a concorrente do empregador. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. em produto de outrem. vende ou expõe ou oferece à venda. usa. recebe dinheiro ou outra utilidade. pelo seu próprio nome ou razão social. emprega meio fraudulento. informações ou dados confidenciais. em proveito próprio ou alheio. de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. acerca de concorrente. presta ou divulga. . comércio ou prestação de serviços. divulga. embora não-adulterado ou falsificado. com o fim de obter vantagem. em anúncio ou papel comercial. falsa afirmação. dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente. como meio de propaganda. sem autorização. explora ou utiliza-se. título de estabelecimento ou insígnia alheios ou vende. cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos. faltando ao dever do emprego. nome comercial. por qualquer meio. de resultados de testes ou outros dados não divulgados. falsa informação. substitui. para desviar. sem autorização. o nome ou razão social deste. para. produto adulterado ou falsificado. mesmo após o término do contrato. que não o seja. lhe proporcione vantagem. em recipiente ou invólucro de outrem. expõe ou oferece à venda produto. se o fato não constitui crime mais grave. com o fim de obter vantagem. como depositado ou patenteado. ou registrado. atribui-se. ou divulga. vende. expõe ou oferece à venda ou tem em estoque produto com essas referências. sem autorização. recompensa ou distinção que não obteve. para que o empregado. ou os imita. em detrimento de concorrente. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude. ou menciona-o. divulga.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 59 Série Impetus Provas e Concursos a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) publica. ou concedida. faltando ao dever de empregado.

de 27 de dezembro de 1990. 17). portanto. previstos no Código de Propriedade Industrial.Disposições Preliminares A Lei no 8. pois contêm dispositivos para prevenir e reprimir certas atitudes. Quando se tratar de grupo econômico. sua abrangência atinge pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado. passíveis de punição na esfera administrativa. mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio. ainda que temporariamente. Outro é a Lei no 8.137. constituídas de fato ou de direito. enquanto que o outro contém crimes contra a ordem econômica. Meios de Proteção à Ordem Econômica Além da repressão aos crimes de concorrência desleal. com ou sem personalidade jurídica.1. que define crimes contra ordem tributária. dispondo a respeito de praticadas consideradas abusivas àqueles princípios. 18 a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade. Ambos os textos legais servem de escudo contra práticas abusivas de mercado. o Brasil possui instrumentos legais que visam a combater práticas abusivas de mercado.884. O primeiro relaciona infrações contra a ordem econômica.1.60 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. analisar cada uma das normas legais. por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE. bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas. Vale a pena. haverá solidariedade entre as entidades componentes (art. a fim de atingir o patrimônio particular daqueles que deram causa à infração (esse tema será melhor avaliado no capítulo seguinte). 16.884/94 nasceu sob a bandeira constitucional da liberdade de iniciativa.1. Neste caso. Repressão as Infrações Contra a Ordem Econômica 16. O efeito das punições nela previstas implica responsabilidade da sociedade e a de seus dirigentes ou administradores. reputando-as como infrações à ordem econômica. prevê o art. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica. livre concorrência. solidariamente (art. de 11 de junho de 1994. ou judicial. 15. De acordo com o art. que praticar infração da ordem econômica. econômica e contra as relações de consumo. defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. Um é a Lei no 8. função social da propriedade. de fato ou de direito. 16). .

dentre outras atribuições previstas no art. falsear ou. que deverão ser remetidos ao CADE para julgamento. b) dominar mercado relevante de bens ou serviços. 7o. 21 são atos possíveis de serem cometidos e. diversas condutas que. Mas a lei foi além. de qualquer forma. constituem infração da ordem econômica. visando à apuração e repressão de infrações previstas na lei. c) dividir os mercados de serviços ou produtos. pois é este que possui o poder decisório. existe. percebam que as hipóteses enumeradas no art. com competência para decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as penalidades previstas na lei. independente de culpa.2. . 20 se revestem de natureza genérica.1. Observem que a SDE detém competência para instauração dos processos. ao relacionar. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE O CADE é uma autarquia federal.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 61 Série Impetus Provas e Concursos 16. a responsabilidade do infrator é objetiva.1. e mais. 20. 21.3. na estrutura do Ministério da Justiça. Pelo teor desse art. dentre outros. estará tipificada a infração. se configurarem uma das hipóteses do art. 20. independente do resultado produzido. c) aumentar arbitrariamente os lucros. enquanto que as do art. sob qualquer forma. basta a ocorrência fática. preços e condições de venda de bens ou de prestação de serviços. em seu art. Para o bom entendimento do tema. em acordo com concorrente. acabados ou semi-acabados ou as fontes de abastecimento de matérias-primas ou produtos intermediários. com atribuições para averiguações preliminares e instauração de processos administrativos. com sede e foro no Distrito Federal e jurisdição em todo território nacional. Das Infrações e das Penas Segundo o art. b) obter ou influenciar a adoção de condutas comercial uniforme ou concertada entre concorrentes. 20 reproduzidas acima. Além do CADE. prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. a Secretaria de Direito Econômico – SDE. Vejamos alguns: a) fixar ou praticar. vinculada ao Ministério da Justiça. 16. d) limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado. a título de exemplificação. se o forem e estiverem revestidos de uma daquelas características. ou d) exercer de forma abusiva posição dominante. caracterizam infração da ordem econômica. e ainda que seus efeitos não sejam alcançados: a) limitar. pois não depende de existência de culpa.

dominado por sociedade ou grupo de sociedades. a critério da autoridade judiciária. Em seguida. o legislador adotou o percentual de 20% do mercado relevante. Para setores específicos da economia. igualmente. venda de ativos. 20. como presunção para se considerar a posição dominante. Sobre a posição dominante referida na letra b. 60 e 64). à escolha do CADE (arts. b) denunciar ao juiz quaisquer irregularidades praticadas pelos responsáveis pela sociedade e das quais venha a ter conhecimento.1. conforme a disciplina dos arts. 23 e 24).Da Intervenção Judicial O juiz decretará a intervenção em sociedade quando necessária para permitir a execução específica de penas estabelecidas na lei. serviço ou tecnologia a ele relativa. inscrição do infrator no Cadastro de Defesa do Consumidor. O prazo máximo da intervenção será de cento e oitenta dias. o seu parágrafo 2o esclarece que há ocorrência quando uma sociedade ou grupo de sociedades controla parcela substancial de mercado relevante. o CADE detém atribuição para alterar aquele percentual. e mais. já no parágrafo 3o. de extrato da decisão condenatória. intermediário. 16. e que sejam cancelados incentivos e subsídios públicos. do art. adquirente ou financiador de um produto. recomendação para processar a cisão da sociedade. e c) apresentar ao juiz relatório mensal de suas atividades. proibição de contratar com instituições financeiras oficiais e de participar de licitação com o Poder Público. . A decisão do plenário do CADE que cominar multa ou impuser obrigação de fazer ou não-fazer constitui título executivo extrajudicial e será promovida na Justiça Federal do Distrito Federal ou da sede ou domicílio do executado. permitida a prorrogação. cessação parcial de atividade ou qualquer outro ato que contribua para eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica (arts. além de publicação. às expensas do infrator.4.62 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A prática de infração da ordem econômica sujeita os responsáveis à multa pecuniária. Ao interventor compete: a) praticar ou ordenar que sejam praticados os atos necessários à execução. transferência de controle. recomendação aos órgãos públicos competentes para que seja concedida licença compulsória de patentes pertencentes ao infrator e não lhe seja concedido parcelamento de tributos federais. 69 a 78. como fornecedor. nomeando interventor que assumirá responsabilidade por suas ações e omissões similares à dos administradores das sociedades.

CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 63 Série Impetus Provas e Concursos Durante a intervenção.078.137/90. considerou a defesa do consumidor como um dos princípios gerais da atividade econômica. 170. equiparando-se a ele a coletividade de pessoas. Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica Se. os arts. ganhou um regramento específico. culminando com a edição do Código. mas que intervenha nas relações de consumo. 4o. do outro.2. Direitos do Consumidor 17. sob a chancela da Lei no 8. na disciplina da no Lei 8. os responsáveis pela sociedade não são afastados de suas funções. . 6o. detenção de dois a cinco anos. 2o do CDC define consumidor como a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. as operações das quais participem. e. quando este poderá assumir a administração total do negócio. de um lado. ou multa. para as hipóteses do art. ainda que indetermináveis. conforme veremos adiante. é teoricamente a parte mais frágil numa relação de consumo. A Carta Magna Federal de 1988. 17.2. puníveis com penas que vão da: reclusão de dois a cinco anos. que se encarregava dos contratos puramente civis. Se antes nós tínhamos o Código Comercial de 1850 disciplinando as operações entre esses sujeitos que tivessem natureza eminentemente mercantil. Já o art. o consumidor final desses bens ou serviços. portanto. salvo se obstarem o cumprimento dos atos de competência do interventor.1. fundamentado sobretudo na vulnerabilidade do consumidor que. Percebe-se. com a edição do CDC. o fornecedor de bens ou serviços. 5o. inciso XXXII. 17. de 11 de setembro de 1990. uma importância demasiada à figura do consumidor por parte do legislador pátrio. Consumidor O art. ou multa. para as hipóteses do art. 16. além do Código Civil. 5o. 4ª a 6o tipificam como crime contra ordem econômica as hipóteses ali relacionadas. materializado pela Lei Federal no 8. em seu art. Disposições Preliminares O Código de Defesa do Consumidor. e detenção de um a 4 quatro anos. ou multa. para as hipóteses do art.884/94 as atitudes nela previstas caracterizam infração à ordem econômica. veio impor nova ordem às relações entre fornecedores e consumidores. elevou a defesa do consumidor à qualidade de direitos e garantias fundamentais. inciso V.

Determinada é aquela que apresenta um número certo de sujeitos envolvidos. Do caput daquele artigo podemos inferir que a conceituação de fornecedor é ampla. importação.3. luz ou energia elétrica. não é requisito à qualificação de fornecedor ser o ente personificado. 17. considerando-se uma coletividade indeterminável de pessoas. Para fins da proteção do Código. individual ou coletivo. a coletividade pode ser determinada ou não. Já o poder público somente será considerado fornecedor quando atuar mediante o pagamento de preço. Por produto o legislador considerou bens móveis ou imóveis. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. De outra forma.64 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A partir do dispositivo. materiais ou imateriais. 3o do CDC. não se pode determinar o número correto de consumidores atendidos. transformação. pública ou privada. Quanto aos serviços. 29. quando se conclui que uma sociedade em comum (assunto do próximo capítulo) pode ser enquadrada no conceito de fornecedor. pois o termo foi utilizado em seu sentido mais amplo. estará se revestindo da condição de consumidores. no fornecimento de energia elétrica prestado por uma concessionária de serviço público. desde que fornecidos mediante remuneração. nacional ou estrangeira. conforme a prescrição do art. rico ou pobre. não importa. justamente para evitar a exclusão de algum praticante de conduta danosa ao consumidor. fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. Neste último caso. seja pessoa física ou jurídica. a exemplo dos serviços de fornecimento de água. não por preços. construção. posto que regidos pela legislação do trabalho. criação. o condomínio de apartamentos e o espólio. Exemplo: se um grupo de vizinhos resolver contratar serviço de vigilância de uma empresa especializada. . montagem. O proprietário de um veículo danificado após passar em uma via repleta de buracos não encontra proteção no CDC. equiparam-se à pessoa jurídica a massa falida. bem como os entes despersonalizados que desenvolverem atividades de produção. exportação. podem ser qualquer um. pois a conservação das vias públicas deve ser realizada com verbas oriundas dos impostos pagos pelos cidadãos. observem que o princípio da vulnerabilidade do consumidor independe de sua qualificação. o que o Código pretendeu foi resguardar os direitos daqueles que se encontrem vulneráveis à ação do fornecedor. O consumidor pode aparecer na relação de forma individual ou coletiva. Desta forma. Fornecedor Pelo teor do art. salvo os de caráter trabalhista.

independentemente de a compradora ser ou não destinatária final do bem. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações. ou. b) aquisição pelo consumidor à concessionária – será regida pelo CDC. assegurada a proteção jurídica. b) a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços.4. mesmo. pois o vendedor não se enquadra no conceito de fornecedor. individuais. Dos Direitos Básicos do Consumidor Além de outros não especificados no Código.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 65 Série Impetus Provas e Concursos Tomando-se como exemplo uma operação de compra e venda de veículos. de legislação interna ordinária ou de regulamentos expedidos por autoridade administrativas competentes. à pessoa física – não será regida pelo CDC. uma vez que o comprador é o destinatário final e a concessionária é fornecedora do produto. individuais. saúde e segurança contra riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos. mas que possam ser derivados dos princípios gerais do Direito. e) a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. bem como sobre os riscos que apresentem. da eqüidade ou de tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja signatário. teríamos as seguintes situações: a) aquisição pela concessionária à fábrica – não será regida pelo CDC. características. qualidade e preço. composição. com especificação correta e quantidade. 6o relaciona como direitos básicos do consumidor: a) proteção à vida. g) o acesso aos órgãos judiciários e administrativos. administrativa e técnica aos necessitados. 17. uma vez que a concessionária não é destinatária final do produto. o art. d) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. c) a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais. métodos comerciais coercitivos ou desleais. f) a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. dos costumes. . coletivos e difusos. da analogia. coletivos ou difusos. c) aquisição pela concessionária de veículo novo ou usado.

Defeituoso é o fornecimento de produto ou serviço que traga dano ao consumidor. no processo civil. 8o obriga os fornecedores a prestarem informações necessárias e adequadas a respeito. Por outro lado. Por exemplo. quando aquecido. em se tratando de um ferro de passar roupas. precisam ser melhor avaliados. todos sabem que. que obriga o fornecedor a anúncios publicitários para alerta dos consumidores. uma vez que o fornecedor tem obrigação de informar de maneira clara tal condição. mas por falha na fabricação ou na prestação do serviço. Viciado também é um fornecimento cujo objeto contenha falha que possa vir a comprometer a sua perfeita utilização. portanto. Por exemplo. 8o. o mesmo art. inclusive com a inversão do ônus da prova. em decorrência da própria natureza e fruição deles. da utilização de um produto ou serviço. quando. É o chamado recall. Tais riscos. o CDC. Decorre que. Essa premissa também vale nas hipóteses do art. não pelo uso indevido decorrente da falta de informação. mas em que fora posteriormente verificado algum grau de periculosidade. Daí dispensa-se informação nesse sentido. a lei excetuou da necessária informação aos consumidores os produtos e serviços para os quais os riscos oferecidos são considerados normais e previsíveis. 10.66 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel h) a facilitação da defesa de seus direitos. Perigoso ou nocivo é o fornecimento de produtos ou serviços que possam vir a acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores. segundo as regras ordinárias de experiências. 8o. ainda que ausente qualquer defeito em um ou em outro. não contiver alerta de perigo aos consumidores. na embalagem de um veneno para ratos. i) a adequada e eficaz prestação de serviços públicos em geral. Em primeiro lugar. Explica-se pela ausência de informações adequadas. A boa informação. que tratam da necessária comunicação aos consumidores a respeito de produtos ou serviços já introduzidos no mercado. o fornecimento é considerado perigoso ou nocivo aos usuários. é o elemento que define a correção do fornecimento. ainda invocando o caput do art. se. pois dependem de certa dose de razoabilidade. a critério do juiz. pode provocar queimaduras. no entanto. respectivamente. define a responsabilidade por fornecimento defeituoso e viciado. a seu favor. 12 e 18. em seus arts. . pode haver dano ao consumidor. Além do fornecimento perigoso. de acordo com a previsão do art. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. a fim de se eximir de qualquer responsabilidade pela utilização indevida do produto.

o fornecimento é defeituoso. em sintonia com o princípio da vulnerabilidade do consumidor. Essas são as exegeses dos arts. Isso porque o prejuízo sofrido pelo consumidor relativamente ao próprio bem ou serviço consumido é tratado adiante. Das Responsabilidades 17. Igualmente o prestador de serviços responde pela reparação de danos aos consumidores.Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço O fabricante.5. No entanto. independentemente de culpa. 18. tanto no fornecimento perigoso como no defeituoso. Basta ao consumidor provar a ocorrência do fato. pela reparação dos danos causados aos consumidores. Por exemplo. pois independe de se comprovar a existência de culpa. enquanto que o outro. sempre lembrando do teor do inciso VIII do art. . na prestação de um serviço de conservação e limpeza. De outra forma. b) quando colocou no mercado. independentemente de culpa. não. construtor. o construtor. ou c) quando a culpa for exclusiva do consumidor ou de terceiro. que a responsabilidade a que se referem esses dispositivos é sobre os danos decorrentes da má utilização dos produtos ou serviços. contudo. Desta forma. e o importador respondem. se essa conseqüência não se confirmou. 6o. em caso afirmativo.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 67 Série Impetus Provas e Concursos A diferença entre um e outro fornecimento reside no fato de o primeiro efetivamente provocar o dano ao usuário. 12 e 14 do Código. ao sofrer um acidente de carro provocado por defeito na fabricação dos pneus. 17. trata-se de um fornecimento viciado. no art. Explique-se. foram utilizados produtos químicos com prazos de validade vencidos. o consumidor tem o direito de ser indenizado pelos danos sofridos à sua pessoa. a responsabilidade do fornecedor é objetiva. do dano e do nexo de causalidade entre ambos. encarregando-se a doutrina de nominá-la como acidente de consumo). o produtor. o que poderia provocar dano à saúde das pessoas e aos móveis e materiais envolvidos. mas o defeito é inexistente.1. Exime-se a responsabilidade do fabricante. claro.5. que prevê a inversão do ônus da prova a seu favor (significa que a responsabilidade de produzir provas para descaracterizar o fato passa para o fornecedor). produtor ou importador nas seguintes hipóteses: a) quando não colocou o produto no mercado. nacional ou estrangeiro. se não for por culpa do consumidor (o CDC chama de responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço. seja por informações insuficientes ou inadequadas ou por fornecimento defeituoso de produto. E. independentemente de ser ressarcido dos prejuízos materiais em seu veículo.

para fins de sua responsabilização. Ele é citado no art. 14 retoma ao modelo clássico de responsabilidade subjetiva do agente. a responsabilidade do comerciante é subsidiária. Já em relação ao produtor. Com relação à prestação de serviços. 13 o direito de regresso contra os demais responsáveis. produtor. arquitetos etc. contados a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.5. dentistas. b) o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante. Desta forma. . pelos danos causados aos consumidores por defeitos e/ou falhas de informação relativos à prestação dos serviços. mesmo. c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. conforme prevê o art. até aqui. uma vez que ele somente responde pelo acidente de consumo se não forem identificadas uma daquelas pessoas citadas no caput. independentemente de culpa. do importador. na hipótese de um paciente se sentir prejudicado por uma cirurgia mal realizada.68 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que. como médicos. é comum haver dificuldade na individualização dessas pessoas. É que parágrafo 4o do art. não se falou da responsabilidade do comerciante que vendeu o produto. o construtor. prevê o parágrafo único do art. Situação interessante é a dos profissionais liberais. 17. 27. quando exige a apuração de culpa do profissional. que é de cinco anos. com danos ao condutor e/ou terceiros. situação que torna esse dispositivo de grande valia para os consumidores. quando foi citado como exemplo desastre automobilístico causado por defeito na fabricação de pneus. o raciocínio é similar ao de fornecimento de produtos. Normalmente não há dificuldade na identificação do fabricante. imprudência ou imperícia. do dano e do nexo causal entre ambos. Nestes casos.2. da forma como ocorre nos demais casos de fato do produto ou do serviço. pois o prestador responde. deverá reunir provas de que o médico atuou com negligência. não bastando apenas a ocorrência do fato. devem estar atentos ao prazo prescricional para responsabilização do fornecedor pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. que prevê a sua responsabilidade pelo fato do produto quando: a) o fabricante. Nas hipóteses das letras “a” e “b”. 13. Estes. no entanto. do construtor ou. construtor ou importador. o produtor ou o importador não puderem ser identificados.Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço Vimos no item anterior a responsabilidade decorrente de acidente de consumo.

Pois bem. portanto. percebe que o equipamento não dispõe da capacidade de processamento anunciada pelo fabricante. o conteúdo líquido ou o número de unidades não corresponder à descrição do rótulo. o vício. faculta as seguintes opções: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. em caso de acidente de consumo. e responsabilizam tanto o fabricante como o empresário que vendeu o produto. ou não. referido no item anterior. a partir da observação de pequenas fissuras nos pneus. O vício na quantidade se materializa quando o peso. c) o abatimento proporcional do preço. Também respondem por disparidade entre o conteúdo e as indicações constantes do recipiente. em perfeitas condições de uso. independentemente de conhecerem. Sobre esse tema. estudaremos a responsabilidade pelo fornecimento de produtos e serviços viciados. vale comparar que. Os vícios. É como se o proprietário do veículo citado em nosso exemplo tivesse detectado o problema antes da ocorrência. ao chegar em casa. rotulagem ou mensagem publicitária. podem ser na qualidade ou na quantidade dos produtos. independentemente de virem a causar acidente de consumo. ou se o vício for atribuído à má conservação sob a responsabilidade do vendedor. 18 que os fornecedores de bens duráveis. Logo. ou não. uma vez que a lei prevê a responsabilidade solidária entre eles. da embalagem. se não for efetivada em trinta dias. monetariamente atualizada. respondem solidariamente pelos vícios dos produtos que os tornem impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor. desde que não fique inferior a sete nem superior a 180 cento e oitenta dias. pode reclamar a substituição das partes viciadas (vício de qualidade). O prazo de trinta dias para solução do problema pode ser alterado de comum acordo pelas partes. condição que o obrigou a cessar a utilização do automóvel com a finalidade de evitar o sinistro. o empresário que vendeu somente é responsabilizado nas hipóteses de não-localização ou identificação do fabricante. que. um usuário que adquire um computador e. Nestes casos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 69 Série Impetus Provas e Concursos No presente tópico. . sem prejuízo de eventuais perdas e danos. acrescidas da possibilidade de complementação do peso ou da medida. b) a restituição imediata da quantia paga. prevê o art. embalagem ou mensagem publicitária. dispõe o consumidor das mesmas alternativas referentes ao vício de qualidade.

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Quando se tratar de produto essencial ao consumidor ou de outros cuja substituição da parte viciada possa diminuir-lhes o valor, permite-se ao consumidor fazer uso imediato de uma daquelas alternativas reproduzidas acima. Sendo o produto in natura, a exemplo da venda de grãos, frutas e legumes, dentre outros, será responsabilizado o fornecedor imediato, salvo quando o produtor puder ser identificado. Relativamente ao vício de quantidade, prevê o parágrafo 2o do art. 19 a responsabilidade do fornecedor imediato quando fizer a pesagem ou a medição com instrumento que não esteja aferido segundo os padrões oficiais. Isso é o que ocorre na aquisição de produtos por meio de balanças ou outros equipamentos que não obedecem às medições impostas por órgãos oficiais. Impróprios ao consumo são os produtos: a) com prazos de validade vencidos; b) deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; c) que, por qualquer motivo, revelem-se inadequados ao fim a que se destinam. Com relação à prestação de serviços, prevê o art. 20 que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade que tornem os serviços impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes de disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. Nestes casos, faculta-se ao consumidor exigir alternativamente e à sua escolha: a) reexecução dos serviços, sem custo adicional, que pode ser confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor original; b) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; c) abatimento proporcional do preço. Não é rara a prestação de serviços deficiente em nosso país, frustrando as expectativas dos consumidores que, na maioria das vezes, vêem-se lesados por falsas promessas de execução de serviços os mais variados possíveis. Por exemplo, determinado consumidor contrata a reparação de um aparelho de som danificado. Na hipótese de o serviço realizado não corresponder à descrição anunciada, pode o contratante solicitar a sua reexecução ou a restituição da quantia paga devidamente corrigida ou, ainda, um abatimento no valor pago, não se admitindo a ignorância do fornecedor sobre vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços. Isso quer dizer que não pode o fornecedor alegar que desconhecia o mecanismo de funcionamento do aparelho, a fim de se furtar à responsabilidade (art. 23).

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Em se tratando de serviços que tenham por objeto a reparação de qualquer produto, o art. 21 obriga o fornecedor a empregar somente componentes de reposição originais adequados e novos, ou pelo menos que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor. Quanto aos serviços públicos, a exemplo do fornecimento de água, energia elétrica e coleta de lixo, independentemente de serem prestados por órgãos ou entidades da Administração Direta ou Indireta das três esferas de Poder, os mesmos devem ser adequados, eficientes, seguros e, se forem essenciais, deve haver continuidade na prestação. Esta é a disposição do art. 22, que prevê a necessária reparação de danos causados pelo descumprimento total ou parcial do serviço. Isso não significa a impossibilidade de interrupção do serviço, em caso de inadimplência do consumidor, pois o princípio básico do fornecimento é a retribuição remuneratória, citada no parágrafo 2o do art. 3o. Desta forma, se tomarmos como exemplo o fornecimento de energia elétrica, na hipótese da ocorrência de dano em aparelhos elétricos provocados pela súbita interrupção no fornecimento de energia, tem o consumidor direito ao ressarcimento do prejuízo. Sobre a garantia legal do fornecimento, a lei trouxe disposição comum tanto para produto como para serviço. É o que está disposto no art. 24, que veda a exoneração contratual da garantia do fornecedor, asseverando que ela independe de termo expresso. Em outras palavras, mesmo que o consumidor tenha assinado termo pelo qual o fornecedor queira se furtar à garantia de reparação do produto ou do serviço viciado, mantém-se a obrigação do fornecedor em prestar a garantia. Por outro lado, se nada dispuser o contrato de fornecimento de produto ou serviço, valem os prazos de trinta dias para os serviços e produtos não-duráveis, e de noventa dias para os serviços e produtos duráveis (art. 26). Percebam que esses prazos legais somam-se aos concedidos pelos fornecedores, significando afirmar que, na hipótese de a oficina contratada para o conserto do aparelho de som conceder um prazo de garantia do serviço igual a sessenta dias, este somente começa a correr findo o prazo legal, que é de noventa dias, por se tratar de um serviço de natureza durável. In casu, teríamos uma garantia de cento e cinqüenta dias. Disposição semelhante está contida no art. 25, através do qual o legislador vedou a estipulação contratual que tenha por objetivo exonerar ou atenuar a obrigação do fornecedor de indenizar o consumidor de produto ou serviço. Decorre que a contratação de um serviço de mudança, pelo qual a transportadora inseriu cláusula contratual isentando-se da responsabilidade por dano provocado no deslocamento, não possui qualquer eficácia. O mesmo pode ser repetido para cláusulas do tipo: “Esse estacionamento não se responsabiliza por danos sofridos pelos veículos”.

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Ainda a respeito do mesmo art. 25, os seus parágrafos 1o e 2o previram a responsabilidade solidária de todos os responsáveis pela causação do dano. Se tomarmos novamente o exemplo do pneu defeituoso, que apresentou fissuras observadas pelo proprietário do veículo, tem o consumidor a faculdade de reclamar o dano tanto da montadora, quando se tratar de veículo novo, como do próprio fabricante do pneu. Se o pneu foi adquirido em loja especializada para ser incorporado ao carro, a responsabilidade será solidária entre o fabricante do pneu e a loja, tudo para garantir ao consumidor lesado uma boa proteção contra abusos dos fornecedores. 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição Os arts. 26 e 27 do CDC tratam respectivamente dos limites máximos de tempo para o consumidor reclamar por vícios do produto ou do serviço, assim como pelos danos decorrentes de acidentes de consumo. Os prazos a que se referem ambos os dispositivos são bem distintos, variando de trinta dias a cinco anos, em função da constatação de vícios ou da ocorrência de acidentes de consumo, quando, ultrapassado esse tempo, terá caducado o direito do consumidor. A lei chamou de decadenciais os prazos referidos no art. 26, enquanto prescricional é o do art. 27. Dessa forma, contados a partir da entrega do produto ou do término da execução do serviço, decai o direito de o consumidor reclamar por vícios aparentes e de fácil constatação em: a) trinta dias – para fornecimento de produtos e serviços não-duráveis; b) noventa dias – para fornecimento de produtos e serviços duráveis. Vício aparente e de fácil constatação é aquele que se torna visível por uma simples observação. Se tomarmos como exemplo a aquisição de um computador, o mesmo estará maculado por vício aparente se o seu visor estiver rachado. De outra forma, o mesmo produto conterá vício oculto se sua capacidade de memória não corresponder à descrição do fornecedor. Neste último caso, o prazo decadencial começa a contar a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito. Obsta a decadência a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor até a resposta negativa transmitida por forma inequívoca, da mesma forma que o inquérito civil, até o seu encerramento. Durável é o produto ou serviço que não é consumido com o uso. Um serviço de lavagem de veículo é não-durável, enquanto que o de pintura é durável.

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Já em relação aos acidentes de consumo, o prejudicado tem um prazo de cinco anos para pretender a reparação pelos danos causados, contado a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, após o que estará prescrito o direito de o consumidor pleitear a indenização. 17.6. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade sempre que os seus representantes agirem de forma a fraudar consumidores, valendo-se da vulnerabilidade normalmente presente entre eles. Ressalte-se que esse tema será melhor apreciado no capítulo seguinte, relativo ao Direito Societário, quando será abordada a desconsideração com o fito de resguardar os direitos dos credores em geral. Neste momento, contudo, vale a pena uma visão rápida sobre ele, a fim de adaptá-lo ao Direito do Consumidor. Por conseguinte, podemos afirmar que desconsiderar a personalidade jurídica de uma sociedade significa afastar momentaneamente a limitação da responsabilidade dos sócios pelas dívidas e obrigações contraídas em nome da pessoa jurídica, com a finalidade de atingir o patrimônio pessoal dos sócios ou administradores. Imaginem, então, uma sociedade limitada, caracterizada justamente pela limitação da responsabilidade dos sócios à integralização do capital social (uma vez integralizado 100% do capital social subscrito, nenhuma responsabilidade mais caberia aos sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica), através da qual foram vendidas cem unidades de computadores, todos com configuração inferior ao especificado. Chegando os consumidores para reclamar do vício, perceberam que a empresa havia encerrado suas operações, com paradeiro desconhecido dos sócios. Ora, fica evidente que houve fraude aos consumidores, prevalecendo-se aquelas pessoas da ausência de responsabilidade oriunda da integralização total do capital social, pois assim prevê o art. 1.052 do Código Civil, que se refere às sociedades limitadas. É nesta situação que o juiz pode não aplicar a regra geral da limitação da responsabilidade, a fim de atingir diretamente o patrimônio particular dos sócios. O mesmo poderia ser repetido para outros tipos de sociedades onde houvesse obstáculo à responsabilização dos sócios. Em seguida, algumas disposições específicas quando se tratar de (a conceituação sobre cada uma dessas figuras jurídicas está Capítulo 2):

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a) grupo de sociedade – existe responsabilidade subsidiária de cada sociedade componente do grupo pelas obrigações contraídas em nome dele, relativamente aos direitos dos consumidores; b) sociedade controlada – também responde, de forma subsidiária, pelas obrigações para com os consumidores que não forem cumpridas pela controladora; c) consórcio – neste caso, há solidariedade entre as consorciadas, significando afirmar que o consumidor lesado pode acionar qualquer das sociedades integrantes do consórcio, independentemente de ordem; d) sociedades coligadas – uma somente responderá pelas obrigações da outra se restar comprovada a culpa no dano sofrido pelo consumidor. 17.7. Da Publicidade A publicidade de produtos e serviços é própria do mercado de consumo. Numa sociedade consumista, é difícil imaginar a comercialização de bens ou a prestação de serviços sem o fator publicitário. Existem empresas especializadas em propaganda e as despesas decorrentes de suas contratações são mensuradas e compõem os custos dos produtos e serviços colocados no mercado. Com a concorrência cada vez mais acirrada, nada mais legítimo do que os fornecedores investirem nesse componente que vem, ano a ano, tornando-se mais criativo, havendo até concursos para escolha da melhor mensagem. No entanto, o CDC impõe regras destinadas à proteção do consumidor, que não pode ser iludido ou enganado com falsas promessas ou tentativas de se aproveitarem da vulnerabilidade de sua conduta. Desta forma, os arts. 36 e 37 proibiram mensagens disfarçadas, enganosas ou abusivas. Disfarçada é a publicidade que aparece de maneira camuflada dentro de uma determinada reportagem. Por exemplo, certo fornecedor contrata espaço pago em jornal de grande circulação para veicular matéria relativa ao seu produto como se fosse uma reportagem gratuita, de interesse da própria edição jornalística, quando, na verdade, se trata de peça publicitária. Também disfarçada é a publicidade invisível aos olhos e ouvidos, mas que é detectada pelo subconsciente humano. Por exemplo, durante um programa televisivo, certa marca de refrigerante pode ser inserida na tela com tamanha rapidez e freqüência que não é captada pelo olho humano, porém atinge o subconsciente das pessoas. Esta possibilidade está cientificamente comprovada e, como tal, é considerada publicidade disfarçada.

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Enganosa é a publicidade inteira ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor em erro a respeito do produto ou serviço adquirido. Por exemplo, uma peça publicitária de veículo, na qual o fabricante anuncie que aquela marca consegue percorrer 20 km na estrada com um litro de gasolina quando, na realidade, não passa dos 10 km, é uma publicidade enganosa. O parágrafo 3o do art. 37 chega a mencionar a publicidade enganosa por omissão, que é aquela que deixa de informar dado essencial do produto ou serviço. Por exemplo, ainda na hipótese do veículo prometido como o mais econômico do mercado, faltou a mensagem informar que somente seria possível atingir aquela meta se fosse misturado outro componente químico à gasolina. Considera-se abusiva a publicidade discriminatória, que incite à violência, explore o medo ou a superstição, aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência das crianças, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Essa forma de publicidade não traz necessariamente dano econômico ao consumidor, da forma como pode acontecer com a publicidade enganosa, porém ela agride valores sociais. Por exemplo, a propaganda de calças jeans que estimule os filhos a considerarem os pais ultrapassados em seus valores morais. A propaganda enganosa e a abusiva constituem crimes contra as relações de consumo e sujeitam tanto o publicitário como o fornecedor do produto ou serviço à pena de três meses a um ano de detenção e multa (arts. 61 e 67), além de uma contrapropaganda, prevista nos arts. 56, XII, e 60, cujo objetivo é desfazer o efeito da primeira. 17.8. Da Proteção Contratual Vimos que um dos princípios basilares do CDC é o reconhecimento da situação de vulnerabilidade do consumidor, tido como a parte mais fraca numa relação que envolva este e o fornecedor de produtos ou serviços. E é natural que seja assim, afinal o fornecedor que trabalha com certo produto ou serviço normalmente já conhece todos os meandros do objeto ofertado, inclusive as formas de melhor repassá-lo ao mercado, sempre com o objetivo de maximizar o lucro. Já o consumidor, muitas vezes gente simples e humilde, que não dispõe da mesma gama de informações do fornecedor, tem que ser protegido contra abusos do fornecedor. Portanto, o Código trouxe uma série de dispositivos tendentes a resguardar os direitos dos consumidores que celebrem contratos de consumo. Eles estão relacionados nos arts. 46 a 54 e podemos expô-los da forma abaixo.

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a) Conhecimento prévio e exposição clara do conteúdo – imaginem certos contratos de seguro nos quais a seguradora coloca em letras microscópicas e nas entrelinhas certas cláusulas de comprometimento do consumidor imperceptíveis numa leitura normal. b) Interpretação favorável ao consumidor – na dúvida, o juiz deve interpretar as cláusulas contratuais de forma a beneficiar o consumidor. c) Declarações de vontade apartadas vinculam o fornecedor – mesmo que não haja ainda a celebração de contrato de consumo, documento escrito e assinado pelo fornecedor obriga-o ao cumprimento do que nele constar. Por exemplo, no caso do aparelho de som levado à reparação, na hipótese de o prestador do serviço fornecer orçamento escrito, a ele se vinculará, ao menos pelo prazo de dez dias, que é a validade do orçamento, conforme prevê o art. 40, parágrafo 1o. d) Possibilidade de arrependimento do consumidor – este, no prazo de sete dias, a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação ocorrer fora do estabelecimento empresarial, especialmente por telefone ou em domicílio, pode desistir do contrato, quando deverão ser devolvidos os valores já pagos, corrigidos monetariamente. e) A garantia contratual é complementar à legal – já foi dito que o fornecedor tem a faculdade de oferecer garantia adicional pelos produtos ou serviços contratados. Essa, contudo, deve ser somada à garantia prevista no art. 26, já exposta em item antecedente. f) Impossibilidade de renúncia de direitos por parte do consumidor – o art. 51 discrimina uma série de atos ineficazes, quase todos girando em torna da renúncia de direitos por parte do consumidor. Pois bem, são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que visem a subtrair direitos garantidos por lei ao consumidor. Por exemplo, certo fornecedor promete aos consumidores bens de consumo durável por preços inferiores ao de mercado, desde que eles renunciem ao direito à garantia legal do produto. Mesmo que o consumidor assine tal contrato, continuará o fornecedor vinculado à garantia prevista no art. 26 do CDC. g) Nulidade de cláusula para perda total de prestações pagas – em contratos de compra e venda de móveis ou imóveis, ou de alienação fiduciária em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento do comprador, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

d) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo S. (denominação). terminologia adotada pela legislação vigente sobre registro público de empresas mercantis. o uso desse termo ao final da denominação. sendo vedado. b) Refinações de Milho Brasil Ltda. a ser efetuado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). a) ( ) Comerciantes individuais devem adotar como nome empresarial a firma individual. porém. c) ( ) Sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem usar. (firma social).Exercícios 1. – Viplan (firma social).A. constam de forma dispersa no Código Comercial e nas legislações que cuidam das diversas sociedades mercantis. indistintamente. marcando V ou F. em qualquer caso. ESAF (TTN/1989) Sabendo-se que uma empresa pode adotar nome comercial do tipo firma individual. e) ( ) A proteção ao nome empresarial decorrerá do seu registro. por extenso ou abreviadamente. Almeida e Cia. assinale a alternativa correta entre os seguintes nomes comerciais. c) Fagundes.A. do termo limitada. (firma individual). razão social ou denominação. As regras disciplinadoras da composição dos nomes comerciais ou nomes empresariais. acrescidas. julgue os seguintes itens. b) ( ) As sociedades anônimas podem ser identificadas pelo termo companhia. a) Arhur Lundgren Tecidos S. A respeito do tema.A. . (firma individual). é uma modalidade de nome empresarial que somente pode ser utilizada por sociedade anônima. e) Viação Planalto S. também chamado de “nome fantasia. d) ( ) Título de estabelecimento. firma social e denominação. 2. por extenso ou abreviadamente. CESPE – UnB (INSS/1998) Os comerciantes individuais e as sociedades comerciais necessitam de um nome para exercerem as suas atividades mercantis.

e) não pode ser cedida a terceiros. (JUIZ SUBSTITUTO – BA/1999) No que tange aos efeitos do registro do comércio. e) mantidos com observância das formalidades legais. d) sua escrituração for efetuada em idioma e moeda correntes nacionais. através de instrumento público de alteração contratual. cujo valor está longe de ser absoluto. d) ( ) a matrícula no registro do comércio. pelo só efeito do registro. contraindo obrigações perante terceiros: a) jamais poderá ser cedida. 7. observa-se que (V ou F): a) ( ) a matrícula do contrato social no registro do comércio assegura a condição de comerciante. com a concordância do seu titular. ESAF (TTN – MANAUS/1992) Os livros e as fichas de escrituração mercantil provam a favor do comerciante quando: a) mantidos em boa ordem cronológica. d) em nome coletivo. não determina a qualidade de comerciante. e) ( ) o registro dos atos de comércio não é constitutivo de direito. 4. d) universalidade de fato. c) universalidade de direito. mas somente aos sócios que remanescerem. em princípio. b) ( ) os atos de registro do comércio não podem ser elididos em face de melhor prova. d) pode ser cedida por simples autorização do titular. 6. Sua natureza jurídica é a de: a) sujeito de todos os direitos mercantis. diretamente ou por reprodução. e não sujeito de direitos. e) anônima. b) pode ser cedida. no instrumento particular de alteração contratual. sendo objeto. ESAF (AFTN/1991) A firma. b) conjunto de direitos exclusivos do comerciante. (ICM – SP/1986) Fundo de comércio é o conjunto de bens corpóreos e incorpóreos operado pelo comerciante. c) poderá ser cedida. f) ( ) a inscrição de firma individual ou contrato social não assegura a qualidade de comerciante. c) ( ) o registro do comércio constitui um instrumento de publicidade. 5. com o nome pelo qual a sociedade exerce o comércio e assina seus atos. b) por quotas de responsabilidade limitada. qualidade esta que pode ser contestada por terceiro. b) a escrituração ficar a cargo de profissional qualificado. c) sua escrituração for efetuada por lançamentos diários. JUIZ FEDERAL DA 5 a REGIÃO (FCC/2002) A espécie societária que não admite firma para formação do nome comercial é a sociedade: a) de capital e indústria. c) em comandita simples. desde que haja cessão do estabelecimento comercial a que está ligada. .78 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 3.

pode-se. d) ( ) O nome João Batista e Companhia Limitada indica que a empresa é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou uma sociedade anônima. dos Estados. d) requer prévia autorização judicial. independentemente de comprovar legítimo interesse. b) ( ) As sociedades anônimas. Compreende três espécies: a firma individual. ESAF (TTN – ALAGOAS/1992) Sobre a obtenção de certidões dos livros de registro do comércio. ESAF (TTN – RECIFE/1992) As fichas seguidamente numeradas. pode-se afirmar que: a) é reservada às pessoas que comprovem legítimo interesse. b) está ao alcance de qualquer pessoa. ESAF (BNDES/2002) O estabelecimento empresarial é formado: a) por todos os bens corpóreos e incorpóreos que são utilizados na exploração da atividade empresarial. 9. b) podem substituir o Diário. A leitura do nome social por olhos treinados revela informações invisíveis aos leigos. as comanditas por ações e as sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem adotar tanto a razão social quanto a denominação como nome empresarial. a) ( ) O nome empresarial é aquele sob o qual a empresa mercantil exerce sua atividade e se obriga nos atos a ela pertinentes. julgue os itens que se seguem (V ou F). 10. c) ( ) Em obediência ao princípio da novidade. os sócios e a responsabilidade deles pelas obrigações sociais e. e) não comportam escrituração resumida. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O nome empresarial contém elementos importantes que podem passar despercebidos por muitos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 79 Série Impetus Provas e Concursos 8. c) dispensam os termos de abertura e de encerramento. c) ressalvadas as autoridades judiciárias e fiscais. identificar o tipo societário sob o qual a empresa se constituiu. todas as pessoas físicas ou jurídicas necessitam comprovar legítimo interesse. A respeito desse assunto. c) apenas pelos bens de natureza imaterial. . do Distrito Federal e dos Municípios. também. em regra. na forma exigida para o Diário. a firma ou razão social e a denominação. e) apenas pelos bens cuja propriedade pertença à sociedade mercantil. b) apenas pelos bens de natureza material. 11. mecânica ou tipograficamente: a) não podem substituir o Diário. por totais periódicos. d) apenas pelos bens que estão dentro do estabelecimento físico do comerciante. e) é reservada aos Poderes constituídos da União. como os estoques. A partir do nome. o nome empresarial não poderá conter palavras ou expressões que denotem atividade não-prevista no objeto da empresa mercantil. o objeto social. e) ( ) O nome empresarial Manoel Dias e Filhos indica que a responsabilidade de todos os sócios pelas obrigações contraídas pela sociedade é solidária e ilimitada. os móveis e o imóvel. d) dispensam a autenticação.

c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário. c) ( ) Sabendo que João Verdureiro é o nome empresarial do mercadinho de João e sendo João empresário mercantil. a) ( ) Ao negar o registro ao contrato social do Supermercado J&M Ltda. a Junta agiu de acordo com a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa. . julgue os itens que se seguem (V ou F). 13. até então. para abrirem um supermercado na região onde. deve: a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização. Dessa forma. A Junta negou o registro. o nome empresarial Supermercado J&M Ltda. visando à ampliação do seu negócio.406/2002).80 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 12 ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A escrituração mercantil. a) ( ) A atividade empresária somente poderá ser exercida por quem não estiver legalmente impedido. exercê-la. e solicitaram à Junta Comercial do Distrito Federal o seu registro. dono da firma individual João Verdureiro. b) abrem um processo próprio para registrar e dar proteção ao nome empresarial. elaboraram o contrato social do Supermercado J&M Ltda. se determinado sócio-gerente estiver interditado.. mas suas decisões são vinculantes em definitivo. é nome empresarial da espécie denominação. a partir do momento em que assumir(em) o(s) novo(s) gerente(s). Considerando a situação hipotética acima e as normas que regem o nome e o registro comercial. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação às Juntas Comerciais. associou-se a Manoel. a partir do arquivamento do contrato social. João tinha um mercadinho. o patrimônio como pessoa física de João não se confunde com o patrimônio da firma individual. 15. seu conhecido. ele poderá continuar o negócio por meio de seu pai. ainda que legalmente impedido. 14. CESPE – UnB (AUDITOR DO INSS/2003) Marque V ou F. b) ( ) Nas sociedades em geral. se o pai for legalmente impedido. CESPE – UnB (AGU/2002) João. e) estar escoimada de imperfeições. Nesse caso. extingue-se a responsabilidade do pai sobre os atos praticados. responderá pelas obrigações contraídas pela empresa. por permitir a verificação das mutações patrimoniais e dado seu valor probatório. alegando que Manoel estaria sendo processado criminalmente por peculato e não poderia constar como sócio do supermercado. teria proteção automática. d) ( ) Caso tivesse sido registrado segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. Juntos. b) ( ) Supermercado J&M Ltda. c) são órgãos administrativos. e) deverão efetuar o registro também de associações. elas: a) somente podem fazer o exame formal dos atos que lhes são apresentados. d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas. comerciante antigo no Distrito Federal. d) efetuam o registro de empresas estrangeiras após autorizadas pelo órgão federal competente. nos termos do Novo Código Civil (Lei no 10. nomeará gerente(s) com aprovação do juiz. desde que autorizado pelo juiz. uma vez que as sociedades limitadas não admitem nome comercial de outra natureza. se alguém.

empresarial julgue os itens que seguem. Como conseqüência desse fato: a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito. d) ele não poderia ter a falência decretada. desde que em local diferente do da residência. c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial. 19. . ESAF (PROCURADOR DO DF DF/2004) A alienação do estabelecimento empresarial: a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente contabilizadas. para venda. b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente pelo prazo de cinco anos. produtos para higiene bucal. d) não implica a cessão de créditos relativos à atividade exercida no estabelecimento. não fazem parte do estabelecimento. d) os locais mantidos por fotógrafos amadores no qual são revelados os filmes. em conjunto. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. e) os costume praeter legem desempenha função supletiva da lei. c) independentemente de efeitos na esfera administrativa. c) ( ) O alienante de determinado estabelecimento empresarial não poderá fazer concorrência ao adquirente nos dois anos subseqüentes à transferência. 20. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Em vista de uma denúncia anônima. vários profissionais de Direito que dividem tarefas conforme as diferentes especializações. “quando a lei for omissa. os costumes e os princípios gerais de direito” (art. foi descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento comercial. suas obrigações manterse-iam válidas. b) o costume constitui apenas regra de hermenêutica. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Considera-se estabelecimento: a) o estúdio de um artista plástico. exonerando o alienante de qualquer responsabilidade. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) Estabelecendo a Lei de Introdução ao Código Civil que. 18. sujeitos à disciplina do Código Civil. CESPE – UnB (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Acerca do estabelecimento. d) é admitido amplamente o costume contra legem. b) o consultório dentário em que são prestados serviços e oferecidos aos clientes.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 81 Série Impetus Provas e Concursos 16. mas que não guardam liame com a atividade-fim da empresa. e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade empresarial. 4 o). 17. c) somente se admite o costume secundum legem. c) o escritório de advocacia de que são locatários. desde que ele não tivesse se valido do cargo para conseguir algum favor. e) somente são estabelecimentos. e) sua falência seria decretada de pleno direito. b) não haveria qualquer penalidade. a) ( ) O estabelecimento empresarial confunde-se com o patrimônio da sociedade. aqueles locais nos quais o titular for empresário. é correto afirmar que: a) o costume é meio de integração do direito. mas não pode ser considerado fonte ou forma de expressão do Direito. em qualquer ponto do território nacional. b) ( ) Os imóveis pertencentes à sociedade empresarial.

e) podem levar à prisão civil os administradores. na sua desobediência. a) ( ) Configura infração à ordem econômica a retenção de bens de produção ou de consumo. 23. passa ele a gozar de uma presunção relativa de ser legitimado a obter a patente. caso os livros obrigatórios não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida. mesmo que seja para garantir a cobertura dos custos de produção.078/90. responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal. b) ( ) Os atos de concentração de empresa que possam prejudicar a livre concorrência devem ser submetidos previamente à apreciação do Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE) ou no prazo de quinze dias úteis. b) respeito ao sinalagma genético ao longo da execução do contrato. é permitido a seus herdeiros requererem a patente. julgue os itens que se seguem. 24. determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal. no seu descumprimento. a lei prevê que as três requeiram juntas a patente. pelos quais o ordenamento jurídico pátrio tem especial apreço. e) impossibilidade de reajuste de prestações vincendas. não se admitindo que apenas uma delas faça o requerimento que contenha a nomeação e qualificação dos demais. em face de insatisfação do consumidor. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) Com referência à atividade econômica e ao regime jurídico da concorrência. 22. baseou-se na vulnerabilidade do consumidor.82 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 21. a) ( ) Se um inventor requerer uma patente perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial. por dano moral. em face da insatisfação do consumidor com os serviços prestados. . c) anulação de cláusulas contratuais que impeçam a defesa do consumidor. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) No que concerne a patentes. c) ( ) Se três pessoas trabalharam conjuntamente para inventar um modelo de utilidade. contados da celebração do contrato. b) ( ) Falecido o inventor de um modelo de utilidade. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As obrigações relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto à informações daquela constantes. d) reparação. ESAF (AUDITOR DO TCE DO PARANÁ/2003) A Lei no 8. A proteção de seus interesses implica: a) renegociação do preço do bem ou serviço. ao estabelecer a política nacional das relações de consumo. julgue os itens subseqüentes. b) determinam.

pessoa ou empresa que vendeu ou fez a entrega do produto ao consumidor. ou por omitir dados importantes. proíbe-se apenas o resultado: que a publicidade induza o consumidor a formar falsa noção da realidade. Nessa situação. c) ( ) Para efeito de direito do consumidor. uma pessoa física que preste serviço enquadrase no conceito de fornecedor. e cujas sedes localizam-se na mesma avenida. nos termos previstos no contrato. julgue os itens subseqüentes. 27. c) ( ) Estando individualizada a responsabilidade do fornecedor pela colocação de um produto no circuito comercial. preços e condições para a prestação de seus serviços. a) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. os serviços de natureza bancária enquadram-se no conceito de serviços previstos no CDC. prática vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. basta que a informação publicitária. Duas auto-escolas. não se exige culpa ou dolo do anunciante. b) ( ) De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). há exclusão absoluta da responsabilidade do comerciante. b) ( ) Uma instituição financeira pode encerrar conta-corrente mediante notificação do correntista. com base na disciplina jurídica da concorrência empresarial. quanto à disciplina jurídica da concorrência empresarial. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) A respeito da defesa da proteção do consumidor. para que uma sociedade seja considerada fornecedora. no caso. decidiram fixar. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Julgue os itens que se seguem. . a) ( ) Para caracterização da publicidade enganosa. recusa à prestação do serviço. b) ( ) A pessoa jurídica que incidir em prática de infração da ordem econômica poderá se sujeitar à pena de multa de até 20% do valor do faturamento bruto no seu último exercício. leve o consumidor ao erro. é correto concluir que não houve infração à ordem econômica. que dominam menos de 1% do mercado relevante. Nessa situação. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) Em relação a conceitos utilizados para a aplicação das normas de defesa do consumidor. inteira ou parcialmente. não se enquadram como produtos os bens de natureza imaterial. terá que ser dotada de personalidade jurídica. não caracterizando. a) ( ) Para a defesa do consumidor. julgue os itens subseqüentes. por ser falsa. d) ( ) Apesar de terem um regime próprio de direitos do consumidor.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 83 Série Impetus Provas e Concursos 25. em comum acordo. 26.

. como forma de se resguardar o interesse público. a qual deverá ser ajuizada no foro da Justiça Federal. f) ( ) Caso os agentes do INPI verifiquem que tenha sido patenteada determinada invenção contrária à saúde pública. Isso não implica. por decisão administrativa ou judicial. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Julgue os itens que se seguem. para efeito de patente. b) ( ) A inversão do ônus da prova. e) ( ) Determinada pessoa. visa a facilitar a defesa da parte hipossuficiente na relação de consumo. o próprio INPI poderá propor ação de nulidade de patente. tal objeto. no dia 1o de janeiro de 2004. direito básico do consumidor. 29. o depósito relativo ao pedido de patente no INPI. mas. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Acerca da normatização do Direito do Consumidor. em regra. tornem-se excessivamente onerosas. esse novo objeto poderá. c) ( ) Considere que alguém modifique a forma de uns óculos e isso resulte em um novo modelo. b) ( ) Não serão objeto de patente. químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie. produtos alimentícios. já utilizavam. concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). se pretenda provar. autora de modelo de utilidade. tal qual o empréstimo bancário. Nessa situação. não sendo o contratante destinatário final de produto ou serviço. sim. sendo considerados verdadeiros os fatos que. oponível contra todos. de boa-fé.84 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 28. a modificação de cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais. promoveu o depósito referente ao pedido de patente de sua obra e. contudo. por intermédio dessa prova. tomou conhecimento de que algumas pessoas. Não se aplica a essa situação o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nessa situação. legalmente. relativos à propriedade industrial e intelectual. dado que ela envolve instituições financeiras. o autor deveria ter notificado as pessoas para que cessassem a exploração do objeto. facilmente adaptável à cabeça. tem seus direitos materiais resguardados desde o momento da criação de sua obra. julgue os itens a seguir. d) ( ) Considere que o autor de uma invenção tenha feito. ser considerado um modelo de utilidade e o prazo de proteção da patente será de quinze anos. decorrido longo período. sob pena de ser arquivado. o exame do pedido de patente deve ser requerido até o dia 1o de janeiro de 2007. que o fornecedor seja obrigado a arcar com as custas para a produção de prova requerida pelo consumidor. que suporte o ônus de sua não-produção. pois o bem adquirido por essa modalidade de contrato é utilizado para aquisição de outros bens de consumo. a) ( ) Tal como ocorre no direito autoral. c) ( ) O CDC permite a revisão de cláusulas que. o autor de propriedade industrial. pois aos criadores de obras intelectuais é assegurado o direito de exploração. g) ( ) Será passível de licença compulsória a patente concedida a empresário que utilize os direito dela decorrentes de forma a praticar abuso do poder econômico comprovado nos termos da lei. antes da data do depósito no INPI. contudo. em razão de fatos supervenientes. em virtude do princípio da pacta sunt servanda. a) ( ) Não é considerado relação de consumo o negócio jurídico de natureza creditícia. Não permite. Nessa situação.

k) ( ) A venda de frutas e hortaliças torna responsável. que rege as relações de consumo. a prática descrita é abusiva. elaborou projeto para a construção de casas populares. Nesse caso. por vícios do produto. independentemente da existência de culpa.00. para fins de incidência do CDC. conforme o CDC. Antônio pediu que seu filho. com ar-condicionado. prontamente. ao deixar cair a garrafa de vidro no chão. à restituição imediata da quantia paga ou ao abatimento proporcional do preço pago. constatou que o arcondicionado não estava funcionando. engenheiro civil. Dias após. alternativamente e à sua escolha. em princípio. foi informado de que bastaria a reinstalação de um software e de que a execução do serviço custaria R$ 35. Entrou em contato com a concesionária e exigiu a substituição desse acessório. h) ( ) Os serviços públicos essenciais devem ser prestados de maneira contínua. José teria direito. cujo computador apresentou problemas. Nessa situação.00. recebeu a fatura discriminando a troca de um componente de computador. A concessionária. No percurso. no valor de R$ 500. e pagou à vista. visto que a culpa é exclusiva da vítima. à substituição do veículo. em razão do princípio da responsabilidade objetiva. i) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. não pode o órgão público prestador de serviço público essencial cortar o fornecimento de serviço a consumidor que permaneça inadimplente após ter sido previamente notificado. Nessa situação. Portanto. na condição de fornecedor de produtos e serviços. Entretanto. Os computadores dessa marca apresentavam defeitos de montagem. Arnaldo. pegasse e trouxesse. de posse do veículo. até o carrinho de compras. sem cobrar remuneração. de apenas dez anos de idade. exceto no caso em que for possível identificar claramente o produtor. j) ( ) Determinada marca de computador estava sendo vendida pelo estabelecimento empresarial X. sofreu cortes profundos na perna. para que José o utilizasse enquanto fosse efetuado o conserto no carro por ele adquirido. uma garrafa de vidro que continha refrigerante. Em um supermercado. a atitude meramente liberal de Arnaldo não é caracterizada como prestação de serviços. o garoto. visando a auxiliar uma cooperativa habitacional. Sendo assim. e) ( ) Suponha que um cliente. g) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. tenha procurado uma empresa de assistência técnica para consertá-lo e. entregando um outro veículo. f) ( ) O profissional liberal. o fornecedor não responde pela reparação dos danos causados ao consumidor. José adquiriu veículo novo. Mais de trinta dias se passaram sem que o veículo fosse consertado. é pessoalmente responsável por danos causados ao consumidor. . Nessa situação. dispôs-se a reparar o dano. o fornecedor imediato.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 85 Série Impetus Provas e Concursos d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. entre outros acessórios. usado e de menor valor. o estabelecimento empresarial X será solidariamente responsável apenas se o fabricante ou o importador do produto não puderem ser identificados.

o aumento ou. em se tratando de fornecimento de serviço ou de produto não-durável. ( ) O anúncio publicitário é considerado parte integrante do contrato que estabelece a relação de consumo. ele deve sanar o vício no prazo máximo de trinta dias. até mesmo. ( ) O prazo para reclamação de vícios de fácil constatação decai em trinta dias. à devolução da primeira prestação não corrigida monetariamente. Entretanto. ( ) Pela existência de vício de qualidade que torne o produto inadequado para consumo. ( ) Considere a seguinte situação hipotética. conforme disposição do CDC. Todavia. ( ) O fornecedor de serviços de reparação de produtos não é obrigado a empregar componentes originais. Lucas comprou. a supressão desse prazo. podendo ser estendido uma única vez por igual período. Depois do primeiro pagamento. o qual vincula o fornecedor do produto ou serviço e pode ser objeto de execução específica. mesmo que ele ignore a mácula. . salvo se expressamente convencionado no contrato. por telefone. Lucas terá direito. imediatamente. Nessa situação. Lucas recebeu o produto em sua residência. um equipamento de ginástica.86 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel l) m ) n) o) p) q) ( ) Dada a responsabilidade do fornecedor por disparidade de indicações do produto constantes de mensagem publicitária. as partes podem convencionar a redução. é responsabilizado o seu fornecedor. Lucas não gostou do bem adquirido. tendo acertado que o pagamento seria efetuado em quatro parcelas iguais. o que fez o desistir do contrato três dias após a entrega do produto.

de 22 de dezembro de 2003). • PARTIDOS POLÍTICOS E ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS – Essas ARTIDOS novas formas de pessoas jurídicas. caracterizada pela inexistência de fim lucrativo em seu objeto. Antes. moral. parágrafo único. • SOCIEDADE – Tem definição no art. do CC/2002. são enquadradas nessa categoria as associações as sociedades partidos as fundações as organizações religiosas e os partidos políticos (os dois últimos ganharam fundações. em seu art. a fonte de origem das fundações são bens. temos a Fundação de Cultura Roberto Marinho. sociedades. senão vejamos: . Observe-se que. conforme o mandamento do art. Serve como exemplo a Associação Atlética Banco do Brasil. 62. Para o bom entendimento da matéria. enquanto as organizações religiosas eram fundações. criadas com recursos oriundos apenas da iniciativa privada. Disposições Preliminares O Código Civil de 2002. seja ela social. os partidos políticos assumiam forma de associação. recreativa.825/2003. definiu as espécies de pessoas jurídicas de Direito Privado. Em regra. A alteração teve o condão de definir uma forma jurídica própria para cada uma. esportiva. que é a destinação de um patrimônio para dar surgimento ao ente jurídico. possíveis de serem adotadas no ordenamento jurídico brasileiro. • FUNDAÇÃO – Existe um traço marcante em sua composição.Capítulo Direito de Empresa 2 1. inseridas no Código a partir da Lei Federal no 10. 981 do CC/2002. cultural ou de assistência.825. organizações tal destaque a partir da Lei no 10. política ou profissional. presta-se a reunir indivíduos ligados a uma mesma causa. é necessário distinguirmos cada uma das espécies relacionadas pela Lei Civil. enquanto as outras espécies de pessoas jurídicas constituem-se a partir do agrupamento entre seres naturais. A título de exemplificação. precede a criação de uma fundação a afetação de bens que serão empregados na realização do fim proposto que. associações. provêm de um desmembramento das anteriores. Por aquele dispositivo. 44. Com efeito. deve ser religioso. • ASSOCIAÇÃO – É forma de construção de pessoa jurídica.

Parágrafo único. ficaram as sociedades empresárias. a priori situadas à margem do conceito empresarial. ainda que o objeto seja de caráter intelectual. dos resultados. com bens ou serviços. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados. enquanto os membros de uma sociedade perfilham a busca dos ganhos decorrentes da atividade econômica.1. 982 do CC/2002 determinou que as sociedades que tiverem por objeto atividades próprias de empresário. mas também à forma organizacional por ela adotada. conforme a definição do art. estão fora do conceito as sociedades de professores.88 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Art. Diferencia. 966. poderemos presenciar o surgimento de sociedades empresárias cujos objetos sociais possam ser justamente o desenvolvimento daquelas atividades. além de outras. portanto. no outro. Desta forma. entre si. as sociedades simples. independentemente de seu porte ou organização. Nessa hipótese. quando o objeto social for diretamente relacionado às atividades profissionais respectivas. pois. para o exercício de atividade econômica e a partilha. 1. . De outra maneira. as associações das sociedades o fato de as primeiras não possuírem finalidade econômica. encaixando-se o objeto como atividade própria de empresário. a sociedade pode vir a ser empresária. conforme já exposto no Capítulo 1. 966. A opção do legislador em caracterizar determinada sociedade como empresária não se limitou à análise de seu objeto social. O Código Civil de 2002 elegeu a bipartição das sociedades em ramos distintos. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. fossem consideradas empresárias. caput. Como se vê. Sociedades Empresárias O art. Em um. O dispositivo excluiu da conceituação as sociedades criadas para o desenvolvimento de atividades intelectuais. médicos e dentistas. desde que presente a forma organizacional requerida. a atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. ou seja. enquanto. previstas no parágrafo único do mesmo art. há um intuito econômico na formação da sociedade. a sociedade será considerada empresária. a exemplo de uma instituição de ensino ou de um hospital. simples Vejamos os traços singulares entre umas e outras. A ressalva é se o exercício dessas profissões constituir elemento de empresa. artistas. pois as pessoas que dela participam visam à partilha de seus resultados entre si. 981.

. especializada em consultoria de projetos. Além dessas. quando ausente elemento de empresa. mas empresária. Observem que toda sociedade simples deve possuir como objeto social o exercício de uma daquelas profissões intelectuais. a pessoa jurídica terá a forma de sociedade simples. a exemplo das instituições financeiras e transportadoras. das grandes consultorias etc.404/76 para as por ações). todas aquelas que já tinham por objeto a compra e venda de mercadorias ou a prestação de umas poucas espécies de serviços exemplificados na primeira coluna foram aqui enquadradas. mas nem toda sociedade cujo objeto social seja daquela espécie será sociedade simples.708/1919 para as limitadas e Lei no 6. É o que pode ocorrer com uma sociedade de grande porte. Sociedades Simples Estas são determinadas pelo seu objeto social. Nesta condição.2. com muitos profissionais envolvidos. temos não uma sociedade simples.404/76. atividade tipicamente intelectual. Em se tratando de uma sociedade cujo objeto seja um daqueles previstos no parágrafo único do art. no 3. o mesmo de profissões intelectuais de natureza científica. Com a nova ordem. onde o caráter pessoal do serviço é menos importante. . de natureza científica. podem ser classificadas como tal. a exemplo dos grandes hospitais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 89 Série Impetus Provas e Concursos 1. 966. Se traçarmos um paralelo entre a classificação existente anteriormente ao Código Civil de 2002 com a que passou a vigorar a partir da nova Lei Civil. literária ou artística. as que forem organizadas como empresa. Também algumas prestadoras de serviço já eram assim consideradas. ou seja. porém desempenhada de uma forma empresarial. podemos elaborar o seguinte quadro comparativo: Situação antes do novo Código 1-Sociedades comerciais reguladas pelo Código Comercial e legislação complementar (Dec. Situação após o novo Código 1-Sociedades e mpresárias reguladas pelo Código Civil de 2002 e Lei no 6. Nesse âmbito se encontravam todas as que tivessem por objeto a compra e venda de mercadorias.

gozam de classificação já anunciada legalmente. Sendo o objeto mercantil. senão vejamos: . Nessa categoria. independentemente da forma como se organizem. pela sua forma. são consideradas as antigas sociedades civis. de natureza científica. que poderá indicar a presença de elemento de empresa. desprovidas de estrutura empresarial. ou qualquer outro. temos uma clínica médica ou sociedades de arquitetos. Nesses casos. mas passou a ser empresária. quando será ela simples. como número de funcionários. em se tratando de objeto civil. pelo seu objeto. Trata-se de sociedades que. todas sem elemento de empresa. será necessária a análise da estrutura organizacional. De outra maneira. pois assim quis o legislador. A par desse raciocínio. como tal definido no parágrafo único do art. faturamento bruto. Nessa época. pois a observação do objeto era bastante para definição de sua classificação. ou a ausência daquele. será ela considerada empresária. algumas organizações têm suas espécies previamente definidas. cujos objetos seriam todos os outros. Como exemplo. podemos afirmar que o critério para se definir se uma sociedade é simples ou empresária depende tanto do objeto social como de sua estrutura. a atividade de produção ou intermediação de mercadorias. a fim formar um divisor de águas entre aquela que poderia ser uma sociedade simples. a dificuldade reside na ausência de parâmetros objetivos. que tenham por objeto o exercício de uma profissão intelectual. Do exposto.90 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2-Sociedades civis reguladas pelo antigo Código Civil. 2-Sociedades simples reguladas pelo Código Civil de 2002. literária ou artística. além daquelas poucas espécies de serviços já mencionadas. recolhimento de impostos. tanto pelos seus objetos como pelos seus tipos. pois o legislador não se preocupou em traçar elementos indicativos de uma ou outra espécie. levando a sociedade a ser classificada como empresária. não enqua-drados no campo comercial. 966. pintores. quer dizer. independentemente de sua estrutura. não importava a forma pela qual estava organizada a pessoa jurídica.

904/94 (Estatuto da OAB) e do art. parágrafo por ações. O art. A conclusão vem da combinação dos arts. O art. sempre empresárias. mas sem registro. 982. 4-Sociedade de advogados. Pelo art. parágrafo único. Constituição das Sociedades As sociedades nascem da comunhão de vontade entre os sócios. visando à participação no resultado econômico. parágrafos 1o e 2o. sempre soc. 15. desde que tenham registro na Junta e adotem um dos tipos daquelas. os principais efeitos da caracterização de sociedade como empresária são a submissão à falência. da Lei no 8. que se propõem a contribuir com o fundo social. possibilidade de obter recuperação judicial ou extrajudicial. Em geral. que considera simples todas as que não forem empresárias. 2. 5-Sociedade com objeto próprio de empresário rural. Sempre sociedade simples. declarou comerciais as sociedades de construção. 2-Sociedade de construção.068/62. 1o da Lei no 4. além de ficar obrigada a manter escrituração especial. 984 do CC/2002 diz que se equiparam as empresárias. 982. simples. 3-Cooperativa. único. permitindo-se.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 91 Série Impetus Provas e Concursos ESPÉCIES EMPRESÁRIAS SIMPLES 1-Anônima e comandita Pelo art. . inclusive. fazer prova com seus livros empresariais. 982 do CC/2002.

ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. sociedades constituídas a partir de acordos firmados à revelia de qualquer documento escrito. dois sócios no quadro social (exceção para subsidiária integral. serão estudadas detalhadamente em tópico seguinte. apenas se considera ineficaz estipulação nesse sentido. Também se considera assim a sociedade onde algum sócio seja desonerado da contribuição para o fundo social. entretanto.92 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O acordo celebrado entre os componentes da sociedade. probatório de suas existências. 1. ou mesmo aquela em que algum seja excluído do resultado. pelo menos. que pode ser um contrato ou um estatuto social. expressos no art. temos as sociedades em comum (antes intituladas sociedades irregulares ou de fato) e as sociedades em conta de participação assim conhecidas participação. a sociedade. Outros requisitos são igualmente necessários à validade dos atos de constituição. O art. cuja totalidade do capital encontra-se em mãos de outra sociedade).008 do CC/2002 veio modificar o antigo Código Comercial. ou seja. tornando nula apenas a cláusula específica. são efetivados por escritura.. Entretanto. deve se revestir dos mesmos quesitos exigidos do negócio jurídico em geral. reunindo os tipos societários que tiveram seus atos de constituição arquivados na Junta Comercial. . c) forma prescrita ou não defesa em lei. quando se tratar de sociedade simples. Leonina é a sociedade na qual se estipule que a totalidade dos lucros competirá a um só sócio. 104 do Código Civil/2002. seja ela simples ou empresária. pública ou particular. e mais a participação necessária de. Neste caso. O Código Civil de 2002 reservou um subtítulo que trata especificamente das sociedades não-registradas. b) objeto lícito. se forem empresárias. que é uma S. assim como a participação nos lucros ou prejuízos.A. Atualmente. desde o Código Comercial. será tida como irregular. quais sejam: a) agente capaz. Todas. Neste grupo. não a própria sociedade. embora podendo vir a ter provada sua existência. que considerava nula a sociedade em cujo contrato constasse uma dessas cláusulas. a lei admite a existência de contratos orais. classificando-as como “sociedades não-personificadas”. quais sejam: a contribuição dos sócios na formação do capital social. pois não poderá arquivar seus atos constitutivos no órgão de registro do comércio. possível. determinado ou determinável. As demais estão relacionadas no subtítulo “sociedades personificadas”. Na forma.

no caso de sociedades simples.166 do Código assegura o uso exclusivo do nome. a sociedade pode até funcionar.151 do CC/2002 prescreve que os documentos de constituição da empresa devem ser apresentados a registro até trinta dias da lavratura. pessoa física ou jurídica. ou seja. Trazidos em prazo posterior. não o agente. d) proteção ao nome e ao título – o art. O art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 93 Série Impetus Provas e Concursos 3. o registro só terá efeito a partir da data de sua concessão. todavia. sendo empresárias. a pessoa jurídica poderá exercer direitos e contrair obrigações. Da personalidade jurídica decorrem. nos limites do respectivo Estado. somente poderia atuar por meio de alguém. Não providenciada tal formalidade. nome e domicílio. atos relacionados ao objeto social. pois há aquelas nas quais os sócios assumem responsabilidade subsidiária. sendo um ente abstrato. as sociedades somente podem ser consideradas personificadas depois do arquivamento de seus atos de constituição na Junta Comercial. ao empresário inscrito. Em qualquer sociedade. Logo. b) capacidade negocial – quando um legítimo representante da sociedade contrai uma obrigação ou adquire um direito para a sua representada o faz em nome dela. praticando. 1. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. representante seu. quando providenciada pelo titular. c) capacidade judicial – o mesmo princípio exposto acima pode ser invocado. são os bens e direitos atinentes a ela que têm que fazer face às obrigações contraídas em seu nome. Esta. providenciado o arquivamento. sujeito de direito. através de seu representante. Personificação das Sociedades Enquanto as pessoas naturais adquirem personalidade jurídica a partir do nascimento com vida (a lei resguarda o direito do nascituro). tudo de forma distinta de seus sócios. podendo haver a extensão da proteção a todo território nacional. Por outro lado. pois é a pessoa jurídica que assume um dos pólos da relação negocial. será reputada não-personificada. ao menos no primeiro momento. além de possuir patrimônio próprio. 1. estará agindo em nome dela. o representante de pessoa jurídica que ingressar em juízo na defesa de interesses da sociedade. Contudo. não importa o tipo. é a pessoa jurídica. não seu representante. que estará demandando ou sendo demandada judicialmente. não significa que perderão a validade. A mesma . dentre outras conseqüências: a) capacidade patrimonial – significa afirmar que o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de cada sócio.

o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. quando foi citada a Lei do Inquilinato. conforme o disposto no art. Não sendo esse suficiente. em seu art. defendida inicialmente por Fran Martins. tudo dependendo de estarem presentes outras condições legais. como a sociedade em nome coletivo e as em comandita simples ou por ações. 4o. Entretanto. faz-se uso da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. que foi logo seguida pelos demais autores. em situações onde se verifique a ocorrência de atos fraudulentos cometidos por sócios. a fim de poder alcançar bens particulares dos sócios que se valeram da pessoa jurídica para o cometimento de atos com fraude. O Patrimônio das Sociedades Vimos. sinônimo de nome de fantasia. 1. f) Registro e patentes junto ao INPI – também outro tema abordado no Capítulo 1 deste obra. que um dos efeitos da personalização das sociedades é a separação patrimonial entre os bens sociais e os particulares do sócio. Não se trata de despersonalizar um ente que adquiriu personalidade jurídica por meio do arquivamento de seu ato constitutivo no órgão de registro. 4. Para tanto. Por ela se afasta a autonomia patrimonial da sociedade. é claro. que previu. seria preciso processo específico junto ao mesmo órgão.245/1991. mesmo. a Lei Civil não fez qualquer referência expressa ao título. no item antecedente. Quanto ao título do estabelecimento. independentemente do tipo societário adotado.155.94 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel garantia é dada às denominações de sociedades simples. Esta hipótese. ao contrário. a regularidade de constituição como requisito para o titular do ponto gozar do direito à renovação do contrato de locação ou. ser arcadas pelo ativo dela própria. para o cancelamento da inscrição. . associações e fundações. é apropriada para os tipos de sociedade que possuam sócios de responsabilidade ilimitada. há a possibilidade de desconsiderar-se a separação patrimonial. in casu. único. Nesses casos. Significa afirmar que as obrigações assumidas pela sociedade devem. receber indenização pela saída. os sócios poderão ser compelidos a disponibilizar seus bens para satisfação dos credores sociais. no 8. desde que o registro tenha sido efetivado no órgão próprio. para onde o leitor deve se reportar. não existe a mesma previsão legal. e) Proteção ao ponto – esse tema foi objeto de apreciação no Capítulo 1. em princípio. A equiparação daquela proteção é fruto de posição doutrinária.

o patrimônio particular daqueles é chamado a cobrir o saldo das obrigações sociais. em sua obra Curso de Direito Comercial: Pedro e Carlos. de qualquer forma.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 95 Série Impetus Provas e Concursos A teoria. O que ela busca é evitar o encobrimento de sócios inescrupulosos sob o nome empresarial de sociedades para as quais a responsabilidade pelos débitos da pessoa jurídica não alcança o patrimônio dos sócios. que aproveitam essa prerrogativa para o exercício de atos que trazem encargos consideráveis à pessoa jurídica. Se estivéssemos falando de uma sociedade em nome coletivo. para onde se dirigiram clientes. desnecessário seria o uso da teoria. Em outras palavras. Observem que essas pessoas usam indevidamente o nome da organização na contratação de obrigações. sabedores de que as obrigações não passariam da pessoa jurídica. portanto. citado por Fábio Ulhoa Coelho. fornecedores. ou de uma comandita simples ou por ações. acionistas de uma sociedade anônima. não tem tamanho propósito. constituíram uma nova. estão elas dispostas a se acobertar sob a tutela legal atribuída aos sócios daqueles tipos sociais com o intuito de praticarem atos fraudulentos. Isso é o que vem acontecendo com os representantes de sociedades. conforme abordagem no item 7 deste Capítulo. nenhuma responsabilidade têm os sócios pelos débitos da pessoa jurídica. mesmo sabedores da incapacidade para o pagamento. vejamos o seguinte exemplo. nas quais sócios ou administradores assumem responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações da sociedade. de acordo com o tipo societário adotado. esse benefício criado para a indução da atividade econômica não pode servir de manto ao cometimento de fraude por parte dos sócios. ou. Nesse período. uma vez que. É óbvio que eles somente agem dessa forma na segurança de não serem atingidos por provável inadimplência da devedora. contraíram pesada obrigação em nome da pessoa jurídica. nas sociedades simples em cujos contratos de constituição não constem tal exigência. pois. referindo-se a sociedades nas quais a lei resguarda o patrimônio particular dos sócios. para as quais não há previsão legal de responsabilidade subsidiária de seus sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. ainda. da forma como acontece nas sociedades anônimas ou nas limitadas. toda a base de negócios antes . Contudo. com o mesmo objeto da anterior. desta vez uma limitada. com evidente intenção de esvaziar a sociedade. enfim. A fim de facilitar o entendimento. materializada com a assinatura de uma nota promissória a vencer em trezentos e sessenta dias.

com a informação de que fora encerrada a atividade econômica ali realizada. ou pela confusão patrimonial. . em seu art. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. estando inviabilizado o pagamento da obrigação por parte da sociedade anônima. não mais dispondo a pessoa jurídica de bens para o ressarcimento do consumidor. com entrega dos produtos marcada para o dia seguinte. Também o Código de Defesa do Consumidor. excesso de poder. um consumidor que. ainda. já podemos observar igual linha de pensamento sendo inserida na legislação vigente. Nesta situação. ou. pelo contrário. atraído pelo anúncio de grande liquidação de bens. atingindo o patrimônio dos sócios e/ou administradores. de alguma forma. exclusivamente para atingir o patrimônio pessoal dos sócios que promoveram o ato fraudulento. tendo em vista a inatividade social. sabendo que não efetuariam a entrega. chegando ao estabelecimento. vendendo produtos por preço vil. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. pode a autoridade judiciária invocar a aplicação da lei. 50 do Código Civil de 2002. Nesta situação. e mesmo que se trate de uma sociedade onde não existam sócios para responder subsidiariamente pela obrigação.A. houver abuso de direito. que prevê a desconsideração da pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. Lei no 8. estado de insolvência. desde que preservem direitos dos credores da sociedade antiga. que não permite a indisponibilidade dos bens particulares dos sócios. O dispositivo é complementado pelo parágrafo 5o. que prevê. caracterizado pelo desvio de finalidade. quando a lei dispuser sobre sua atuação no processo. a requerimento da parte ou do Ministério Público. Ora.96 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pertencentes à S. com a finalidade de proteger o consumidor. preceitua que o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. Não foi o que eles fizeram. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. permite-se à autoridade judicial. em caso de abuso de pessoa jurídica. Nessa data. enquanto a teoria provém de uma seara puramente doutrinária. não há qualquer ilegalidade na atitude dos sócios. infração da lei. Imaginem. desconsiderar essa pessoa jurídica.078/1990. a possibilidade do juiz decidir. sem comprometer a atividade social. Vale como exemplo o art. em detrimento do consumidor. a intenção era justamente escapar ao pagamento do título. adquire-os à vista. Entretanto. falência. acobertando-se no manto da sociedade anônima. Ora. encontra-o fechado. então. 28. fica claro que a intenção dos sócios foi fraudar o consumidor incauto. a requerimento da parte.

é uma espécie social sui generis. 3o e 4o estendem a proteção ao consumidor quando vítima de sociedades controladas. Cada um dos tipos societários previstos possui suas particularidades. Já em relação às de capital. aumentando assim as chances de ressarcimento. possuem o poder de barrar a entrada de sócio não desejado. a doutrina desenvolveu formas de agrupá-los em razão de semelhanças encontradas em cada sociedade. consórcios entre sociedades e sociedades coligadas. podendo também adotar o tipo de uma sociedade em nome coletivo. enquanto nas de capital não há tal restrição. de uma comandita simples ou. Pensando nisso. sociedade limitada. os interessados deverão escolher uma das formas dispostas pelos arts. A depender do objeto social. quais sejam: em nome coletivo. 2o.090 da Lei Civil. Se a intenção for constituir sociedade empresária. portanto. diante da obrigação ao consumidor. até mesmo. . os empreendedores podem contratar uma sociedade simples. se menor de idade. não deve haver qualquer interferência na qualificação pessoal do candidato a sócio. nos moldes dos arts. 991). O trabalho dos autores serve para identificar melhor as peculiaridades próprias dos tipos sociais. sociedade anônima ou em comandita por ações. Assim. 997 a 1. pois o que importa é sua contribuição social. Daí se dizer que. nas sociedades de pessoas. tanto em relação aos sócios como em relação ao capital empregado no fundo social ou. grupos de sociedades. contudo.038. No primeiro caso. podemos encontrar as classificações seguintes: a) De pessoas ou de capital Essa classificação importa em conceder importância maior às qualidades individuais dos sócios (de pessoas) ou ao capital investido na empresa (de capital).CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 97 Série Impetus Provas e Concursos Ainda sobre o mesmo art. Os demais sócios. o ingresso de herdeiro de sócio falecido. proíbe-se a cessão ou alienação de quotas sociais e. como é usual. para que uma possa responder pela outra. até. Classificação das Sociedades O Código Civil de 2002 estabeleceu os tipos societários previstos no Direito brasileiro. o de uma limitada. que. seus parágrafos 1o. na forma de constituição. 1. se capaz.039 a 1. há uma preocupação em se conhecer quem é que vai ingressar no quadro social. assemelhando-se mais a um contrato de empreendedores do que propriamente a uma sociedade. em comandita simples. Pode ainda criar uma sociedade em conta de participação (art. se consentâneo com a filosofia do negócio. salvo com autorização dos demais sócios. salvo se presente elemento de empresa. já vimos no início do capítulo que ela não perde a característica de sociedade simples. 28. conforme estudaremos adiante. 5. Nesses casos.

ou a saída de algum. uma diferença pode ser sentida. são institucionais. por se constituírem de um estatuto social. c) De responsabilidade limitada. 84. É por isso que se exige também das sociedades estatutárias objeto lícito. 82. caput. como o erro ou ignorância. Já as sociedades cujo capital social se divide em ações. quais sejam: anônima e comandita por ações. capacidade das partes. basta a concretização do acordo entre comprador e vendedor. Apesar da similitude. este aplicado às sociedades limitadas. É quando ocorre o ingresso de novos sócios. são dessa espécie as sociedades simples e.057. mas dos sócios. do Código Civil. todos da Lei no 6. representado por ações. dolo. com todas as exigências Conforme a disposição do art. parágrafo único. dentre outros. O art. do CC/2002. em comandita simples. como o capítulo se aplica subsidiariamente às demais. 95. Em se tratando de sociedades por ações. 1. com a conseqüente transferência de propriedade do capital social. lesão e fraude contra credores. pode-se cobrar parcela do patrimônio particular dos sócios (responsabilidade subsidiária). quando a natureza do vínculo existente entre os sócios será contratual.003 e 1. ilimitada ou mista A responsabilidade aqui tratada não é da sociedade. 83 dessa lei. Sendo a sociedade constituída por contrato. A assertiva está fundamentada nos arts. conforme abordado no item 2 deste Capítulo. . Vai depender do tipo societário adotado. prevê que o estatuto social deverá obedecer aos mesmos requisitos exigidos para os contratos das demais sociedades. . para que aconteça o ingresso ou saída de sócio. forma prescrita ou não defesa em lei. posto que a entidade sempre terá de comprometer todo seu patrimônio no pagamento dos débitos sociais. esse ato se manifesta através de um contrato. Nas contratuais. a aquisição e venda das cotas sociais se materializa com alteração do contrato social. conforme referência nos arts. em relação à responsabilidade dos sócios. 83. inclusive. igualmente são classificadas como sociedades contratuais as em nome coletivo. estado de perigo. quando o instrumento deverá ser averbado no órgão próprio de registro. estes podem responder pelos débitos sociais ou não. em conta de participação e as limitadas.404/76. coação. 997.98 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) Contratual ou institucional A formação de todas as sociedades depende de ato volitivo de seus sócios. Desta forma. Apenas na hipótese de exaurido aquele. além da ausência de defeitos previstos no Capítulo IV Livro III.

aliás.404/76). em se tratando de ações do próprio sócio individualmente consideradas. assim mesmo. que prevê até a dispensa do capital social. Nessa categoria. seja o contrato plurilateral ou o estatuto. por serem desprovidas de regular existência no mundo jurídico. incluem-se as sociedades em comum. conforme disposição do art. personificadas são todas as demais. III. é cláusula indispensável. e ainda assim existindo credores nãosatisfeitos.094. seja limitada ou ilimitada. quando vieram a adquirir personalidade jurídica. cujos atos de constituição foram regularmente arquivados. Esta. . 84. como as em comandita simples ou por ações. esgotado o patrimônio social no pagamento de dívida. 997. por exemplo. I. isso só é possível na hipótese de haver capital ainda não completamente integralizado e. conseqüentemente. Essas. antes conhecidas como irregulares ou de fato. contudo. d) De capital Fixo ou variável De capital fixo é a sociedade cujo capital social vem definido em seu ato de constituição. Se falarmos de uma sociedade limitada ou de uma sociedade anônima. já existentes desde o antigo Código Comercial. não possuem atos arquivados e. Nas sociedades mistas. Neste caso. toda alteração de capital deverá ser precedida da correspondente alteração do ato. As primeiras. subtraem-se bens particulares de sócio para a satisfação daqueles. I. da Lei no 6. seja ao contrato (art. Tanto as sociedades empresárias como as sociedades simples em geral são constituídas com a fixação do capital social. 1. são tidas como sociedades despersonificadas. são objeto de comentários adiante. assim classificadas por não possuírem atos arquivados no órgão próprio de registro. do CC/2002) ou ao estatuto social (art. seja a Junta Comercial ou o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. existe mais de uma categoria de sócios. e) Personificadas ou não-personificadas O Código Civil de 2002 traz subtítulos distintos para as sociedades nãopersonificadas e as personificadas. De outra forma. as sociedades em conta de participação. são desprovidas de personalidade jurídica.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 99 Série Impetus Provas e Concursos Tratando-se de uma sociedade em nome coletivo. se for sociedade anônima. Igualmente. De capital variável são as sociedades cooperativas. na razão direta da responsabilidade assumida.

permite-nos concluir que elas. conforme prevê a parte final do art. pelas normas das sociedades simples. não se submeterão às normas da sociedade em comum. Com relação às sociedades em conta de participação e às outras personificadas. 6. entrarem nos bens particulares dos sócios. vale enfatizar que as pessoas jurídicas constituídas sob um dos tipos das sociedades empresárias. enquanto não tiverem seus atos arquivados na Junta Comercial ou no Cartório.404/76. 986 a 990 do CC/2002 e. Fora do benefício de ordem está aquele sócio que contratou pela sociedade. ou devam conhecer.100 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sobre as sociedades em comum. não subsidiária. sem se ater ao fato de serem. seja nas relações recíprocas ou com terceiros. enquanto os sócios. A intenção da lei parece facilitar a ação de quem transacionou com a sociedade. 94 e 99 da Lei no 6. 990. prevê o art. primeiro deve ser exaurido o ativo da sociedade para. serão tidas como sociedades em comum. 989. como exposto no item 9 deste Capítulo. somente comprovam a existência da sociedade por prova escrita. representantes da sociedade. 986 do Código. o que não deixa de ser estranho. mesmo sem o estatuto social arquivado. através das quais pode a pessoa jurídica promover mudanças substanciais em sua estrutura. com os arts. 987 que terceiros que mantiverem relações jurídicas com elas poderão provar sua existência por qualquer modo lícito de prova. no que diz respeito à previsão de os bens sociais responderem pelas obrigações sociais assumidas por qualquer dos sócios. pois sua obrigação será pessoal. já que nessa condição a sociedade não teria patrimônio próprio. regidas pelos arts. Outra inovação do Código a respeito das sociedades em comum foi o caráter subsidiário de responsabilidade atribuído aos sócios. ou mesmo quando se tratar de uma sociedade simples. 986. subsidiariamente. para quitação dos débitos sociais. Merece destaque a exceção reservada às sociedades por ações. salvo pacto expresso limitativo de poderes. Portanto. . ou não. que terá eficácia contra terceiros que o conheçam. depois. mas à da lei específica. Para estas. Acrescento o teor do art. a abordagem completa está reservada aos itens 7 a 9 deste Capítulo. a combinação do art. de acordo com o preceito do art. Modificação das Sociedades São formas de alteração ou reorganização societária. Com relação à prova de existência das sociedades em comum.

salvo se prevista no ato constitutivo. disposta nos arts. e manterão. 1. independente de dissolução ou liquidação. raríssimo de acontecer. aliás. uma vez que. Existindo omissão do Código sobre algum instituto.404/76. ou seja. os credores anteriores à mudança continuarão titulares de créditos pelos quais poderão argüir a responsabilidade subsidiária. que vai do art. Desta forma. parágrafo 3o. de um tipo para outro. Outra constante do Código. para as sociedades não-reguladas por aquela norma.113 ao art. Da Fusão e Da Cisão das Sociedades”. Uma já existente. a transformação não pode prejudicar o direito dos credores. Em qualquer caso. quando a transformação for para uma companhia. No exemplo inverso. ou uma sociedade em nome coletivo que se transforma numa limitada. da Lei no 6. citada apenas no art. Esse direito de retirada. 220 ao 234. as mesmas garantias que tinham antes da alteração. ransformação a) Transformação É a operação pela qual a sociedade passa. 1.122. Com a chegada do Novo Código Civil. como há em relação à cisão.122. 1. nenhuma legislação sobre o tema havia. Não importa o tipo transformado. uma limitada que se transforma numa sociedade anônima. que servia às demais espécies. pode até ser renunciado no contrato social. Da Incorporação. a eficácia da operação depende de consentimento unânime dos sócios. que se refere à falência da sociedade cindida. o credor de uma sociedade anônima transformada em sociedade em nome coletivo não pode invocar responsabilidade subsidiária dos sócios na satisfação de seu crédito. passamos a contar com duas disciplinas a respeito do tema. a matéria se encontrava disciplinada unicamente pela Lei das Sociedades Anônimas. também se aplica o mesmo raciocínio. solidária e ilimitada dos sócios. específica para os demais tipos societários. aplicada às sociedades por ações. nem modificá-los.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 101 Série Impetus Provas e Concursos Até o advento do Código Civil de 2002. Por exemplo. se uma sociedade em nome coletivo se transformar em sociedade anônima. que trouxe capítulo específico intitulado “Da Transformação. . até a integral satisfação de seus créditos. quando o sócio dissidente poderá retirar-se da sociedade. somente os titulares por créditos constituídos após a transformação possuiriam tal direito. Neste caso. além de necessário registro conforme as especificações do tipo em que vai se converter. continua a regência pela lei.

deste vez de limitada para em nome coletivo. total ou parcialmente. Em outras palavras. na qual não tenham os sócios as mesmas responsabilidades. solidária e ilimitada dos sócios. Aos primeiros administradores da sociedade que surgem compete promover o arquivamento dos atos de fusão. no caso de reversão total daquele. titular de um direito garantido pela responsabilidade subsidiária. que seus créditos usufruirão das garantias próprias ao novo tipo societário adotado. . quando compete à incorporadora declarar extinta(s) a(s) incorporada(s) e promover respectiva averbação. Observem. caso não houvesse a transformação. o patrimônio para uma ou mais sociedades criadas para esse fim ou já existentes. também em caso de falência da sociedade transformada. e sua efetivação será causa de extinção da(s) sociedade(s) incorporada(s). Pode ser operada entre sociedades de tipos iguais ou diferentes. Da mesma forma. a nova empresa garantirá os direitos dos credores. pois a incorporadora permanece com sua personalidade jurídica inalterável. garantirá o interesse dos credores da(s) incorporada(s).102 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No entanto. Esta. que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. quando transformada a sociedade em outro tipo. que do ato não surge nova sociedade. Pode haver extinção da empresa fornecedora do patrimônio. já que é sucessora de suas obrigações. pode o credor de uma sociedade em nome coletivo. De outra forma. b) Incorporação Operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra já existente. contudo. por sua vez. aos credores por créditos constituídos anteriormente ao ato basta não se manifestarem. A operação provoca a extinção das pessoas jurídicas fusionadas. c) Fusão Operação pela qual duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova. que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. devendo todas aprová-la. vier ela a falir. na hipótese de falência da sociedade transformada. têm os titulares de créditos constituídos antes da mudança a faculdade de requererem o tratamento que receberiam. fazer valerem tais prerrogativas. d) Cisão Operação pela qual uma sociedade transfere. na forma estabelecida para os respectivos tipos.

1. apesar de terem previsão legal de existência na mesma Lei Civil.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 103 Série Impetus Provas e Concursos Sendo total a cisão. podem servir à regulação da matéria as disposições concernentes às sociedades simples. o estudo daquelas. reputa-se como sociedade em comum durante o tempo em que funcionou até a expedição do registro. em comandita simples. . Tipos de Sociedades Neste tópico. haverá solidariedade entre elas no pagamento aos credores. para as sociedades por ele disciplinadas. a empresa que recebeu o patrimônio obriga-se pelos direitos dos credores. 7. portanto. Sendo em prazo superior. do CC/2002 garante o direito de credores prejudicados promoverem ação de anulação dos atos. direitos e obrigações dos sócios. 1. pelo menos para fins de retroatividade dos efeitos. e até mesmo das sociedades por ações. ou mesmo relativas às sociedades por ações. A maioria tem disciplinamento no Código Civil de 2002.122.404/76. na hipótese de serem omissas as normas específicas ditadas pelo Código Civil de 2002. com atualizações. são analisadas as especificidades de cada um dos tipos societários previstos no Direito brasileiro. Sociedades Simples 7. com o ato devendo ser registrado no Cartório de Pessoas Jurídicas do local de sua sede.1. ao passo que as sociedades por ações. em conta de participação.038. o art. além de outros. Isso quer dizer que. 7. que vão do art. Antes da abordagem individual de cada uma. fusão ou cisão. o instrumento da cisão pode estabelecer quais as obrigações que passam à outra empresa. vale explicar que o Código Civil de 2002 reservou capítulo específico tratando de normas gerais das sociedades simples (antigas sociedades civis). de no 6. 997 ao art. Se mais de uma empresa recepcionou os bens da cindida. Em se tratando de incorporação. Importante. são reguladas por norma própria.1. das limitadas. ou seja. administração da sociedade e dissolução. Constituição As sociedades simples são de natureza contratual. relativamente aos capítulos específicos das sociedades em nome coletivo. no prazo de noventa dias da publicação dos mesmos. Ali são postos assuntos como forma de constituição. trinta dias da lavratura. aplicam-se as regras das sociedades simples. 1. Nos casos de omissão do legislador. O prazo de registro é o mesmo exigido nas Juntas Comerciais. Caso seja parcial. tendo em vista o fato de suas normas aplicarem-se supletivamente às sociedades empresárias.

1. outra vez o Código Civil omitiu-se. menos a omissão do teor do inciso VI. parágrafo 1o. somente podem ser aceitos aqueles relacionados ao objeto social (a Lei das S. salvo convenção em contrário. Todos. a qual a lei equipara ao nome empresarial. Sobre a responsabilidade dos sócios pelos vícios redibitórios e pela evicção desses bens. . portanto. Para as demais. na prestação de serviços (nas limitadas.404/76 prevê idêntica responsabilidade do vendedor. fica ele sujeito à notificação premonitória por parte da sociedade. mas apenas em relação aos vícios (já a Lei no 6. em caso de insolvência. 7. 1. é a integralização em dinheiro. contrários ao instrumento do contrato. O prazo para efetivação da contribuição dos sócios é previsto no contrato social. estabelece o art. quanto à designação dos administradores). não se admitindo sequer pacto em contrário. é clara a esse respeito. Sendo em serviços. 997 dispõe que pactos em separado. deverá averbar aquela. Isso é o que se depreende da leitura do art. que exigiu a notificação prévia do sócio devedor para constituí-lo em mora. basta a maioria absoluta. O mais usual. no entanto. entendendo-se que terão perante os sócios. Qualquer alteração nessas cláusulas necessita de aprovação unânime dos sócios. o que inclui os vícios redibitórios e a evicção). não é solidária. A sociedade simples que constituir filial. ressalvo. Se em créditos. essa última opção não é possível). mas subsidiária.A. devem participar. com a concessão do prazo de trinta dias para adimplir sua obrigação. A contribuição pode materializar-se em bens. dinheiro ou. mesmo. deve o sócio responder não só pela sua existência. uma vez que deve a sociedade primeiro.2. promover a cobrança judicial do crédito.006 do CC/2002 a proibição de o sócio empregar-se em atividade estranha à sociedade. ao menos para fins de proteção. não têm validade perante terceiros. Opera sob uma denominação (acrescida do termo S/S). Essa responsabilidade. sem prejuízo de outros estipulados pelos sócios. no art.004 do CC/2002. 997 do CC/2002 (a ausência de algum acarreta a negação do registro.1. Sendo em bens. mas pela solvência da dívida. alínea h. O parágrafo único do mesmo art. sucursal ou agência na circunscrição de outro Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. portanto. no Cartório da sede. pois tem o sócio benefício de ordem em relação ao devedor. Formação do Capital Social Vimos anteriormente que não é possível haver cláusula excludente da contribuição de sócio para o fundo social. Responde. Somente após o não-atendimento à notificação é que o sócio poderá ser considerado remisso.104 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conteúdo do instrumento contratual deve revestir-se dos elementos enumerados no art. Não cumprida a estipulação. 117. pela evicção o sócio que entrar com bens para o capital social. cujo entendimento é extensivo às demais). nele deverá inscrevê-la com a prova do registro original e.

com antecedência mínima de sessenta dias. Havendo interesse conflitante entre o sócio e a sociedade. 1. a totalidade de suas cotas.1.7. provada judicialmente. 1. durante o prazo de dois anos. . e ocorre se o sócio for declarado falido (a falência aqui tratada não é a da sociedade que o estiver excluindo. Outros detalhes a respeito do tema. 1. responderá o sócio perante a sociedade pelos danos emergentes da mora. parágrafo 3o. O primeiro tem previsão legal no art. se cedida. mas dele próprio. 7.026. Para a eficácia perante terceiros.030. 7.1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 105 Série Impetus Provas e Concursos Configurada a condição de sócio remisso. Deliberações Sociais Os sócios têm o dever de influir na condução dos negócios da sociedade. Quanto à exclusão. O art. a contar da averbação da alteração. 1. são dispostos no item 7.3.004. em lugar da indenização. para ressalvar que a exclusão do sócio remisso não precisa de provocação ao Poder Judiciário – é extrajudicial. desde que com a concordância unânime dos demais sócios. quando a sociedade for de prazo indeterminado. Percebam que a cessão aqui abordada é uma das maneiras através das quais o sócio pode desligar-se do quadro social. conforme dispõe o art. depende de justa causa. a seguir. ela pode acontecer judicialmente ou de pleno direito. claro. a alteração deve ser averbada no órgão competente. De pleno direito é a exclusão que não passa pelo crivo judicial.1. Cessão de Quota Social É possível haver cessão de quotas sociais.010.4. decidindo questões que objetivem o melhor para ela. deve aquele se abster de votar na deliberação. Outras são o exercício do direito de retirada e a exclusão. no que pese a falta grave. continua respondendo solidariamente com o cessionário.029 do CC/2002 e dependerá de notificação aos demais sócios. Judicial é a exclusão que depende da ocorrência de falta grave no cumprimento das obrigações de sócio e. do CC/2002 prevê a punição do sócio que votar de acordo com seus interesses privados. Sendo constituída por prazo determinado. conforme a previsão do art. 1. O mesmo dispositivo reporta-se ao art. além da alteração do contrato. com perdas e danos em favor da pessoa jurídica. que passará a conter os dados do novo sócio. em possível atividade empresarial) ou tiver sua quota liquidada. mediante iniciativa da maioria dos demais componentes do quadro social. assim mesmo. Pelas obrigações que o cedente tinha antes da transferência. podendo os demais decidir por sua exclusão.

o que se observa são atuações temerárias dessas pessoas.. 3/4 ou. cujos valores nominais são iguais). respeitando os rigores da lei e do contrato social. parágrafo único. pois elas se posicionam à frente dos negócios. quando configuradas as hipóteses do art. não pode a deliberação ser anulada. hipótese em que estaria isento de responsabilidade sobre o ocorrido. Dispositivos do Código prevêem punição aos administradores que agirem em desconformidade com a lei ou com o contrato social. Nas sociedades simples.011 exigiu do administrador o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na condução de seus próprios negócios. 2/3 do capital social. prevalece a decisão sufragada pelo maior número de sócios e. a responsabilização é apenas nos casos de prevalência do voto daquele quotista. 115 estabelece a responsabilidade do acionista. 1. Já na disciplina do Código Civil. Mas não parou por aí. sempre buscando o melhor resultado para a organização. o contrato ou a lei estipular quóruns diversos como. 7. Nas limitadas. exige-se unanimidade para alteração de uma das cláusulas do contrato previstas no art. possibilitando à sociedade o ressarcimento de danos sofridos por essas atuações. o juiz decide. ou simplesmente se eximirem de qualquer responsabilidade oriunda de prejuízos sofridos por terceiros. a regra é a maioria absoluta do capital social. celebrando contratos. Em caso de empate. por motivos alheios a sua vontade. pode resultar em prejuízo social. assim como a possibilidade de anulação da decisão.106 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No âmbito da Lei das S. . a unanimidade. em decorrência de gestores despreparados ou mal intencionados. 997 do CC/2002. o caput do art. deixando tal encargo para os próprios administradores. Quanto ao quórum exigido. que colocam em risco todo o negócio em nome de interesses pessoais. e mais. mesmo. contraindo direitos e obrigações em nome da sociedade. computando-se a quantidade e o valor de cada quota (lembro que as quotas podem ter valores diversos. ainda que seu voto não tenha prevalecido. por exemplo. em nome coletivo e nas comanditas simples. Entretanto. mesmo agindo com zelo e lealdade à pessoa jurídica. Por essas razões. entretanto. diferentemente das ações. seu art. Pode.1. se este persistir. É claro que. Não é por outro motivo que muitas sociedades foram levadas à ruína. Administração A administração de uma sociedade deve ser exercida por uma ou mais pessoas comprometidas em realizar o fim social previsto para a pessoa jurídica.A.015.5. ainda assim a atuação do administrador. 1. o assunto será objeto de estudo específico.

CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 107 Série Impetus Provas e Concursos Esses e outros aspectos relacionados à função do administrador são alvo de abordagem neste item. Essa é a regra do art. contra as relações de consumo. concussão.019. peita ou suborno. reconhecida judicialmente.046. Esta tese. O contrato social poderá ainda definir a competência dos administradores. 1. De outra forma. desde que prove uma das seguintes hipóteses: a) o conhecimento do terceiro quanto à falta de poder do administrador. Não podem ser administradores aqueles condenados à pena que vede. ou a propriedade. . ou por crime falimentar. Mas. Este é o teor do art. Também o parágrafo único do art. peculato. o acesso a cargos públicos. não é extensiva aos demais sócios da sociedade. ou contra a economia popular. 1. a exoneração da pessoa jurídica em responder perante terceiros. são revogáveis a qualquer tempo. e que encontra correspondente no art. quando não ocupem função de administração. contra o sistema financeiro nacional. conforme dispõe o art. 1. b) encontrar-se a limitação de poderes registrada no órgão próprio. de forma expressa. deverá promover a averbação à margem do contrato. 147. conforme dissertação em seguida. 1. nos arts. poderes conferidos a sócio por ato separado. a administração da sociedade caberá separadamente a cada um dos sócios. menos se tal atividade for do próprio objeto social. encontra lastro na omissão do Código que não veda tal hipótese como fez. que depende de aprovação da maioria absoluta.015.011). que. desconsidera a cláusula a que se refere o inciso VI do art.042 e 1. contra as normas de defesa da concorrência. 1.013 do CC/2002. enquanto perdurarem os efeitos da condenação (art. Se não o fizer. 1. parágrafo único. ou a quem não seja sócio. seus poderes serão irrevogáveis. Se investido na função por cláusula expressa no contrato. responderá pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos que vier a praticar (art. A doutrina vem consagrando a possibilidade de o administrador ser sócio ou não. Caso contrário. parágrafo 1o. salvo justa causa. que vai de encontro ao exposto na segunda edição desta obra. atenção: a vedação exposta no parágrafo anterior. com as sociedades em nome coletivo e as em comandita simples. a fé pública.015. salvo a venda de bens imóveis. como se vê. a pedido de qualquer dos sócios. ainda que temporariamente. Quanto à responsabilidade dos administradores. 1. 1. prevaricação. o Código Civil de 2002 inovou ao prever. O administrador pode ser nomeado no próprio contrato ou em ato separado. da Lei das Sociedades por Ações. 997. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. eles poderão praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. Silente o contrato social.019 serve de supedâneo ao raciocínio. decorrente de norma expressa do novo Código Civil. Neste último caso. em seu art.012).

018. com todos os lucros resultantes e. da Teoria Ultra Vires. não exigindo a lei a averbação no órgão de registro. esta pressuposto para o uso de outra teoria. Responsabilidade dos Sócios Na formação de uma sociedade simples. neste caso. em havendo previsão . previu a obrigação a eles imposta de. 1. como a presença em determinada audiência na Justiça do Trabalho. A primeira. por atos culposos decorrentes da função. quando a parte demandada é a pessoa jurídica da qual participe. Melhor explicando. em caso de aplicarem bens ou créditos da sociedade em proveito próprio ou de terceiros sem autorização escrita dos demais sócios. se agirem com violação à lei ou ao contrato social. 1. se houver prejuízo. perante a sociedade e terceiros prejudicados. proibida pela lei. no Direito brasileiro. se aquela assumir a responsabilidade perante terceiros. regressivamente. Nesta situação. inciso VIII.016 impôs a responsabilidade solidária dos administradores. subsidiariamente. porém. a da Desconsideração da Pessoa Jurídica. deve ser conjugada com os arts.1. mesmo que ausente a fraude. ficarão os administradores sujeitos a indenizar terceiros ou a sociedade. Já no art. os sócios têm a opção de adotar um dos tipos das sociedades empresárias. a exemplo da assinatura de cheques. faculta aos contratantes definir se respondem. que veda a delegação da função de administrador. Por último. por ele também responderão.024. 1. 1.017. ou aplicação de recursos no mercado de valores mobiliários. já sabemos. Observem que se trata de duas situações bem distintas. pelas obrigações sociais. vale conferir a exegese do art. prefiram adequá-la tão somente às linhas traçadas no capítulo específico do Código. contudo. Isso quer dizer que. Outra seria a nomeação de alguém para representá-lo em algumas operações ou atos específicos. A disposição.108 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa é a positivação. se refere à hipótese de o administrador fazer-se substituir em suas atribuições precípuas do cargo. o art. por ato praticado pelo administrador com excesso de poder. Caso. Esse último preconiza a responsabilidade subsidiária dos sócios pelas dívidas contraídas em nome da sociedade. da celebração de contratos.6. menos aquelas constituídas por ações. 7. através da qual a pessoa jurídica exime-se da responsabilidade perante terceiros. 997.023 e 1. o art. suas responsabilidades pelos débitos contraídos em função da pessoa jurídica serão regidas na conformidade do tipo escolhido. Seguindo a disposição do Código. ou não. restituírem à sociedade ou pagarem o equivalente. ao mesmo tempo em que permite a constituição de procurador ou mandatário para realização de negócio específico.

que poderá cobrar a dívida normalmente daquele sócio posteriormente admitido. qualquer um que pretenda adquirir parcela do capital social de sociedade já constituída e em funcionamento necessita estar atento às dívidas da sociedade. primeiro deve ser consumido o patrimônio da entidade para depois. Com relação ao sócio que se desliga da sociedade. parágrafo único. ou seja. serem utilizados os bens particulares dos sócios. por sua vez. salvo se preferirem a responsabilidade solidária. Em suma. estipula que a responsabilidade subsidiária dos sócios será cobrada de forma proporcional à participação de cada um nas perdas sociais. vale citar a previsão do art. 1. neste caso em se tratando de sócios comanditados. quando normalmente acompanha a participação de cada um no capital social.003. esse pacto não terá validade contra terceiros. Para complementar o tema. portanto.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 109 Série Impetus Provas e Concursos contratual de responsabilidade dos sócios por débitos da pessoa jurídica. apesar de o art. ou não. ou a proporcionalidade sugerida.025. no sentido de a participação de cada um nos lucros e nas perdas não guardar correlação percentual igual à da participação per capita no capital social. ou em comandita simples. E como a lei não prevê ressalvas. em havendo saldo a pagar. pior para ele. conforme exposto nos itens a seguir. conforme prevê o art. O outro dispositivo. os sócios a opção de escolher contratualmente a forma de cobrança da responsabilidade subsidiária a eles dirigida. Por conseguinte. quando da contratação de uma sociedade simples sem a adoção de algum dos tipos da empresária. assim como ao contrato social para se certificar quanto à possível previsão de responsabilidade subsidiária dos sócios. que determina a responsabilidade do sócio que ingressar na sociedade por dívidas anteriores à sua presença. Se a averbação demorar a ser feita. salvo cláusula de responsabilidade solidária. Têm. pois o acordo valeria apenas entre eles. 1. Sendo a resposta positiva. a responsabilidade será proporcional à participação de cada um nas perdas ou no prejuízo da sociedade. 1. quando poderão optar entre a solidariedade. a contar da averbação da modificação contratual.007 prevê a possibilidade de estipulação contratual diversa. a responsabilidade subsidiária pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. da maneira como acontece na sociedade em nome coletivo. os sócios possuem a faculdade de escolher se assumirão. mesmo que seja acordada a exclusão de tal responsabilidade. . pois o prazo somente começa com aquela providência. deverá ser respeitado o princípio que rege todos os tipos sociais. permanece ele solidário com o que adquiriu suas cotas durante o prazo de dois anos.

É justamente a primeira fase. o mesmo órgão pelo qual faz nascer a personalidade jurídica de uma sociedade é também responsável pela sua extinção que. Nesta. No âmbito do Direito Comercial. conforme prevê o art. porém. condição que. divide-se o acervo com os sócios.033 ao 1. vejamos o estudo pormenorizado de cada um deles. acontece com a baixa de sua inscrição no órgão de registro competente. pela qual a sociedade paralisa suas atividades. O Código Civil de 2002 procurou incorporar os fundamentos da preservação da atividade econômica trazendo novas regras ao tema. Diferente é o que ocorre quando um ou mais sócios resolvem sair da sociedade. em detrimento do desejo individual de um sócio. pouco a pouco. expressão que o Código de 2002 substituiu por “resolução da sociedade em relação a um sócio”. distribuídas nos arts. deixando aos remanescentes a continuidade do objeto social. vedadas novas operações. bastava a vontade de apenas um dos sócios para a sociedade ser dissolvida. A previsão legal estava assentada no art.038. caso exista saldo remanescente. Aliás. foi cedendo espaço ao princípio da continuidade da empresa. acontece a alienação de todo o ativo. No antigo Direito. se materializa com a averbação no registro próprio da ata da assembléia que aprovar as contas do liquidante. Concluída a liquidação. que se chama de liquidação. no caso da liquidação de sociedade. vale a pena pontuarmos a respeito de alguns conceitos relacionados ao assunto. . Dissolução da Sociedade Na vigência do antigo Código Comercial. e passa a inventariar seus bens e direitos na preparação de outra etapa. juridicamente falando. essa operação era conhecida como “dissolução parcial da sociedade”. dissolução de sociedade representa uma etapa no processo de extinção da pessoa jurídica. quando os operadores do Direito perceberam a importância em preservar a atividade produtiva desenvolvida. de abordá-las. 1. 335 daquela lei e. 1. Antes. visando ao pagamento dos credores e.110 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. pode então a sociedade ser extinta.109 do Código.7.1. Esse derradeiro ato é o que decreta o fim da personalidade jurídica. pelas quais responderão os administradores solidária e ilimitadamente. restringindo a gestão própria aos negócios inadiáveis. Para facilitar a aprendizagem dos institutos.

parágrafo único. na forma da lei.028. Nessa situação. quando os demais preferem a dissolução total à parcial. ou se nenhum sócio exercer a faculdade a eles assegurada pelo art. d) pela falta de pluralidade de sócios. segundo a previsão do art. alguém estranho ao quadro social Se a causa for a da alínea “e” acima citada. a omissão do órgão ministerial. cabe aos administradores promover a investidura do liquidante. Judicial é a dissolução que necessita passar pelo crivo do Poder Judiciário. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado.036. II. não entrar a sociedade em liquidação. c) pela deliberação dos sócios por maioria absoluta na sociedade de prazo indeterminado.7. ou a verificação de que o mesmo é inexeqüível. e) pela extinção. permite à autoridade competente para conceder a autorização nomear interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. salvo se. Da Dissolução Assim. que poderá ser um sócio já indicado no contrato social ou. Sobre essas hipóteses de dissolução. b) pelo consenso unânime dos sócios. não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. a sociedade dissolve-se de pleno direito: a) com o vencimento do prazo de duração.034. nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação sobre o fato.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 111 Série Impetus Provas e Concursos 7. e é originada a partir do requerimento de qualquer sócio. desde que os administradores não o façam nos trinta dias seguintes à perda da autorização. 1. 1. que se refere à morte de sócio. vencido este e sem oposição de sócio. b) o exaurimento do fim social. de autorização para funcionar. Pelo art. observem que basta a configuração de uma delas para que tenhamos aperfeiçoada a causa para a dissolução da pessoa jurídica. na omissão desse.1. qualquer sócio está habilitado a requerer que a liquidação se processe judicialmente.033. 1. Caso prefiram a liquidação administrativa. Outra forma de dissolver a sociedade extrajudicialmente é a prevista no art. quando o juiz nomeará um liquidante para conduzir o processo. são causas de dissolução judicial: a) a anulação da constituição da sociedade. 1. Sendo a dissolução de pleno direito.1. o Ministério Público detém a prerrogativa subsidiária para promover a liquidação judicial. que será considerada de pleno direito. .

quando ele pratica o que se conhece como “direito de recesso”. 7. que se refere à anulação da sociedade. 45. seja por redução substancial do capital social ou quebra do affcetio societatis. Entenda o leitor que liquidar a quota do sócio falecido significa apurar seus haveres diante da sociedade. regular-se a substituição do sócio falecido. conforme prevê o art. No momento em que a atividade extrativa se esgotar. contado da publicação e sua inscrição no registro.028. conforme prevê o art. uma transportadora que perde seus caminhões e fica sem meios ou créditos para novas aquisições. conforme a previsão do art. embora podendo ser realizado em outras condições. Importante ressaltar. se preferirem.031. c) se. à data da resolução. por acordo com os herdeiros.112 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação a cada uma das hipóteses de dissolução judicial. 1. tanto em caso de morte de sócio como na hipótese da prática do direito de recesso. seja por morte ou por simples vontade do retirante. Por exemplo. Da Resolução em Relação a um Sócio Já foi mencionado que esse instituto corresponde à dissolução parcial da sociedade que. quando esta se obriga pelo pagamento correspondente aos herdeiros. b) se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. Para tanto. no caso de morte. mas à liquidação individual da quota do sócio que saiu. 1. . que a saída de sócio não leva necessariamente a sociedade à extinção. 1. parágrafo único. 1. que essas hipóteses do art.7. contudo. quando será levantado balanço especial. É o que acontece com a sociedade que tem por objeto social a exploração de determinada mina. exaure-se seu fim social. promover a dissolução da sociedade. Já a exaustão do objeto social compromete a continuidade do negócio. não o é para certas sociedades.1. liquidar-se-á a quota. não conduz necessariamente à extinção da pessoa jurídica. Neste último caso. pois o art. Desta forma. inexeqüível é o fim social que. do CC/2002. faz-se necessário verificar a situação patrimonial da sociedade. diversamente ao item antecedente. é porque os sócios remanescentes podem optar entre a resolução em relação a um sócio ou.034 não são taxativas. contudo.035 permite que o contrato social preveja outras causas de dissolução judicial.2. a primeira. Quando se afirma. possui prazo decadencial de até três anos. salvo: a) se o contrato dispuser diferentemente. De outra forma. a escolha é motivada em possível dificuldade para cumprir o fim social.

o contrato social pode prever outras hipóteses de retirada do sócio. É o momento em que a sociedade previamente dissolvida passa a vender seu ativo.003. Em seguida. desde que notifique os demais com antecedência mínima de sessenta dias. deve o leitor ficar atento à distinção entre a liquidação judicial. 1. é preciso por conta da dificuldade imposta pelo art. a fim de quitar suas dívidas perante os credores. em qualquer dos casos de retirada. Por último.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 113 Série Impetus Provas e Concursos Por vontade própria. por atividade empresarial alheia à sua condição de sócio da pessoa jurídica referida. que pode ocorrer de forma extrajudicial. Se assim não fosse.026. na proporção da participação do capital social. De outra forma. Se constituída por prazo determinado. deverá ser distribuído aos sócios. poderíamos presenciar casos em que o sócio seria obrigado a permanecer como tal. enquanto não se requerer a averbação. pelo mesmo prazo de até dois anos. 1. o art. ou seja. 1. e aquela desenvolvida independentemente da instauração de falência.032. O mesmo dispositivo ressalva a exclusão de sócio remisso.1. porém igualmente passa . Especificamente quando se tratar de retirada ou exclusão. É o que ocorre quando o sócio for declarado falido. a obrigação deste ou de seus herdeiros pelas obrigações sociais anteriores.029. 1. previsto no art. em se tratando de sociedade por prazo indeterminado. faz-se necessário provar judicialmente justa causa. Esse permissivo. Para o bom entendimento da matéria. simplesmente por decisão dos demais. mediante iniciativa da maioria dos demais. 7. 1. exclusão ou morte de sócio. conforme dispõe o art. o sócio pode retirar-se da sociedade. que exige a concordância unânime dos demais sócios para a cessão ou alienação das quotas de algum. por falta grave ou incapacidade superveniente. Além de todas essas hipóteses. que prevê. O acervo porventura resultante. parágrafo único. durante o prazo de dois anos. além das previstas na lei. contado da averbação da resolução da sociedade. ou mesmo quando sua quota social for liquidada por requerimento do credor legitimado. o parágrafo único do mesmo dispositivo acrescenta hipóteses de resolução da sociedade por exclusão de sócio considerada de pleno direito. convém ressaltar a exegese do art. a responsabilidade alcança também obrigações constituídas posteriormente à saída.030 determina a resolução da sociedade por exclusão judicial de sócio. à revelia de manifestação do Poder Judiciário.8. que se processa no âmbito de um processo falimentar. Da Liquidação Já foi dito que a liquidação é um estágio do processo que leva à extinção da pessoa jurídica.

livros e documentos da sociedade. ou não-sócio. pois faz parte do capítulo que regula a liquidação de todas as sociedades contratuais. ocorrendo justa causa. Acontece que a primeira é regulada na própria Lei de Falências. quando se tratar de instituição financeira e assemelhada. Neste caso. se este não providenciar a liquidação judicial. entra em cena todo um regramento específico. De outra forma. pois.114 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pela chancela do Poder Judiciário. compete aos administradores providenciar a investidura do liquidante. nós já estudamos que. . de forma resumida. podem ser assim reproduzidos: a) averbar no registro próprio o instrumento de dissolução.033. conforme a previsão do art. a requerimento de um ou mais sócios. conforme exposição no mesmo Capítulo 04. bastaria o liquidante gozar de prestígio perante a maioria dos sócios representativos do capital social. quando os demais não quiserem mais continuar o negócio. que poderá ser sócio já designado no contrato social.033. Também para a liquidação extrajudicial há disciplina específica. que não é exclusivo para as sociedades simples. discriminou os deveres do liquidante que.111 do Código Civil. que ainda prevê hipóteses para sua realização. e compõe uma das etapas do processo falimentar. 1. desde que haja justa causa. inventário e balanço patrimonial.024/74. neste caso. têm os sócios a opção entre a liquidação judicial ou extrajudicial. sua destituição depende de simples deliberação. em até quinze dias da investidura. 1. 1. O art. c) providenciar. A exceção está na hipótese do inciso V do art. 7. 1.103 do Código Civil. sempre quando se tratar de liquidação de pleno direito. pode ele também ser destituído pela via judicial. para se perpetuar na função.1. que é promover a alienação do ativo e o conseqüente pagamento do passivo. abordada no Capítulo 04 desta obra. Da Liquidação Extrajudicial Dissolvida de pleno direito a sociedade pelas hipóteses previstas no art. pois. Ambas possuem uma só finalidade. Em todo caso.1. enquanto para a outra. capitaneado pela Lei Federal no 6. O liquidante cujo nome já conste no contrato social somente pode ser destituído por via judicial. será nomeado um interventor com poderes para tanto. b) arrecadar bens. se assim não fosse. tudo de acordo com o art. sendo ele eleito pelos demais. ou em caso de morte ou retirada de sócio. passa ao Ministério Público a iniciativa ou. deve ser observado o disposto no Código de Processo Civil. É claro que. se não requerida a medida judicial pelos sócios.8. 1.037 do Código.

não é permitido a ele gravar de ônus reais os móveis e imóveis. conforme a disposição do parágrafo único do art. pagará os demais de forma proporcional. alienar o ativo. O liquidante assume responsabilidades similares às dos administradores da sociedade liquidanda. inclusive alienar bens móveis e imóveis. se aprovadas. i) averbar no órgão de registro o instrumento firmado pelos sócios que considerar encerrada a liquidação. À medida que for aquele for sendo realizado. No pagamento das dívidas. este deverá vir seguido da expressão “em liquidação” e de sua assinatura individual. complementada com a averbação no registro próprio da ata da assembléia. ato que. com a declaração de sua qualidade. instruída com relatório e balanço do estado da liquidação. de forma similar ao que acontece na falência. além de exigir as quantias necessárias. 1. Contudo. nos limites da responsabilidade de cada um. com desconto. g) em se tratando de sociedade empresária. Se o ativo for superior ao passivo. não precisa esperar a alienação de todo o ativo e a apuração dos haveres para começar a partilha. como já foi mencionado. mas em relação a essas últimas. e) chamar os sócios à integralização do capital social. nem prosseguir. Sobrando ativo. encerra-se a liquidação. o liquidante deve pagar inicialmente os credores por títulos preferenciais. embora para facilitar a liquidação. f) convocar assembléia de quotistas a cada seis meses para prestação de contas. receber e dar quitação. provoca a extinção da sociedade. Depois de quitados todos os credores. cabe ao liquidante convocar assembléia de sócios para prestação de contas após o que. A ele compete representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação. sem distinção entre vencidas ou vincendas. na atividade social. confessar falência e requerer a recuperação judicial ou a extrajudicial. Sempre que o liquidante utilizar o nome empresarial. se a maioria preferir. Neste caso. antecipa-se a partilha. nem contrair empréstimo. pagar o passivo e distribuir o saldo com os sócios. salvo expressa previsão contratual ou autorização pelo voto da maioria dos sócios.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 115 Série Impetus Provas e Concursos d) ultimar os negócios. Ao final desse processo. . o saldo remanescente será partilhado entre os sócios. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. pode o liquidante dar preferência às dívidas vencidas. transigir. quando insuficiente o ativo. apresentar aos sócios o relatório da liquidação e suas contas.105. h) ao final do processo.

Sendo este omisso. ambos devem promover a alienação de todo ativo da sociedade visando ao pagamento dos credores. As atas dessas reuniões serão. na essência. inciso V. apensadas ao processo judicial. Vejamos agora as principais características dos tipos societários reservados pela lei às sociedades empresárias que. 1. conforme já frisado. o sócio dissidente tem um prazo de trinta dias. devido à importância que representam. O art. disciplina a liquidação judicial. Os deveres e obrigações do liquidante judicial pouco diferem daqueles especificados no art. a contar da publicação da ata já averbada. incisos I e II. proporcionalmente à participação de cada um no capital social. reunião ou assembléia para deliberar sobre os interesses da liquidação. para a ação que couber. 7. é sempre bom repetir que. 1. estabelecendo que compete ao juiz a nomeação do liquidante cujo nome já conste do contrato social. o juiz convocará. em seus arts. Fora esses dispositivo. e as presidirá. Ademais. o leitor deve observar que. em cópias autênticas. cujo nome já esteja presente no contrato social. em se tratando de dissolução judicial provocada por uma das causas do arts.034.033. que poderá agir de ofício a requerimento de qualquer interessado. Antes. embora referida em algumas passagens do Código Civil. com o saldo sendo restituído aos sócios.8. 657 a 674.116 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Após a averbação. 1. 1. podem ser adotados pelas sociedades simples. o liquidante. Da Liquidação Judicial Essa forma de liquidação da sociedade. no curso da liquidação judicial. a escolha deverá ser feita em assembléia de cotistas.112 do Código Civil chega a mencionar que. as sociedades limitadas e as anônimas ganharam tópicos específicos neste livro. sem extrapolar o montante de seu crédito ou propor contra o liquidante ação de perdas e danos. se necessário. é nomeado pelo juiz na própria sentença que decretar a dissolução. ou depois. em caso de omissão do instrumento. ou do art. que será indicado em petição. sempre que tiver justa causa. o Código de Processo Civil de 1939.2. menos se já houver unanimidade em algum nome. A destituição do liquidante judicial é ato privativo do juiz. porém. à exceção daquelas cujos capitais se dividem em ações. . Já o credor insatisfeito pode exigir de cada sócio valor correspondente a soma individualmente recebida em partilha. pois. claro. é regulamentada pelo Direito Processual.103.1. resolvendo sumariamente as questões suscitadas.

039 a 1. Não percam de vista que. Em Nome Coletivo Tipo societário regulado pelos arts. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. É sociedade constituída por contrato escrito. cujas cláusulas essenciais estão discriminadas no art. . cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. público ou particular. De outra maneira. que somente seria eficaz entre eles. Com tamanho risco assumido pelo empreendedor. perde o sentido. já tornaram seus bens privados vulneráveis a possíveis perdas. decisivo nessa linha de raciocínio. aplica-se a regra da responsabilidade solidária. justamente de ver seus bens particulares comprometidos com dívidas oriundas da atividade econômica organizada.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 117 Série Impetus Provas e Concursos 7. esse tipo social só poderia cair no atual desuso. parece. Possível haver pacto de limitação da responsabilidade dos sócios. uma vez que essas pessoas. que cometerem atos fraudulentos. Quanto à natureza. não atingindo terceiros.003 do CC/2002. até mesmo pelo caráter subjetivo que envolve essa classificação. Aqueles que defendem tratar-se de sociedade de pessoas fundamentam a opção na forte ligação existente entre os sócios. aí sim. não há solidariedade entre eles. 1. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. posto ser subsidiária). 1. quando da contratação da sociedade. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios frente a terceiros (todos pessoas físicas) pelos débitos contraídos em nome da sociedade (claro que após exaurido o patrimônio social. quando se tratar de atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores que efetuaram negócios com a sociedade. a doutrina não é unânime em afirmar que se trata de uma sociedade de pessoas ou de capital. tanto que a quantidade dessas empresas registradas nas Juntas Comerciais é ínfima. Também o teor do art. Para essa responsabilidade. 997 do CC/2002. Nesta hipótese.2. o acordo necessitaria de aprovação unânime. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais. que assumem responsabilidade solidária pelos débitos sociais. ao menos enquanto não for integralizado.044 do Código Civil de 2002. que exige o consentimento unânime dos demais sócios para a cessão de quota social. Percebam que a aplicação de teorias ou dispositivos legais que prevêem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade para fins de atingir o patrimônio particular dos sócios. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social.

a falência. que a importância seja depositada em juízo. 1. que significa o pagamento por parte da sociedade de quantia proporcionalmente devida ao sócio retirante. em se tratando de prorrogação por deliberação entre os sócios. Ainda assim. Pedro Bento e Cia. se for alterado o contrato social para permitir o livre ingresso de novos sócios. 1. somente poderia ser admitida na hipótese de a sociedade constituída por prazo determinado haver sido prorrogada tacitamente ou. se o devedor não possuir outros bens. Em Comandita Simples Tipo societário regulado pelos arts. ainda assim. sobretudo quando invocamos a exegese do art. Do confronto de posições. Exemplo: João Alves. Já em relação à sociedade em nome coletivo. parece-me mais plausível a primeira. há uma quebra do fator pessoal que envolve os membros da sociedade. conforme prevê o art. o credor tenha promovido oposição judicial. a iniciativa do credor naquele sentido.045 a 1.1. A penhora da quota social obedece aos mesmos requisitos da cessão. As normas para sua constituição são similares às da sociedade em nome coletivo. ou seja. anteriormente à dissolução da sociedade. pautando-se por contrato escrito. Nesta.043. As razões para sua dissolução obedecem aos termos do art. 1. Neste caso. Quanto à possibilidade de credor particular de sócio pretender a liquidação da quota do sócio devedor. porém adaptadas ao tipo social. talvez não tenha finalidade prática a decisão de se guiar por uma ou outra corrente. Utiliza-se a expressão “e cia. e que foram analisadas no item 7. 1.”.1. 1. aos que detenham plena capacidade civil e não sejam impedidos por leis especiais.033 do CC/2002. parágrafo único. cujas cláusulas estão presentes no art. até o julgamento definitivo do feito.051 do Código Civil 2002. o credor pode pleitear a liquidação. no prazo de noventa dias da liquidação. que trata o tipo social como sociedade de pessoas. deste Capítulo. .003. é necessário o consentimento dos demais sócios. para indicar a existência de sócios ausentes do nome. os seguidores de tese contrária o fazem por entenderem que. ou similar.026. a regra é distinta da aplicada às sociedades simples. Seu nome empresarial será sempre firma social. se empresária. assinado por qualquer sócio designado no contrato social. prevê o art.7.3. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios e. 997. no prazo de noventa dias da publicação do ato dilatório. apurada em balanço patrimonial.118 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De outra forma. 7. próprios para as sociedades simples. acrescentando-se.

quando se atribui importância superior ao capital empregado na sociedade.046. para indicar existência de sócios ausentes do nome. comanditários. de acordo com o teor do parágrafo único do art. Não possuem qualquer ingerência na administração da sociedade. depois de esgotado o patrimônio social. possuem direitos e obrigações iguais aos dos sócios das sociedades em nome coletivo. por mais de cento e oitenta dias. conforme reza o parágrafo único do art. pessoas físicas ou jurídicas. respondendo tão somente pelo valor de sua quota. formado pelo nome civil de um ou mais sócios comanditados. irá praticar os atos de administração. A comandita por ações possui seu capital dividido em ações.4. 1.047. A administração deve ficar a cargo de comanditado que goze da plena capacidade civil. acrescido da expressão e cia..092 do Código Civil/2002. somente pessoas físicas. salvo a faculdade de tomar parte nas deliberações. 7. ou similar. assim como a sociedade anônima. é regida pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. O nome empresarial será sempre firma social. sem restrições decorrentes de impedimentos. os comentários concernentes à sociedade em nome coletivo podem ser aproveitados. daí seu caráter institucional. estes nomearão administrador provisório que. em detrimento à . Esses sócios assumem a administração e a direção da pessoa jurídica e. mas com algumas diferenças. chamados de comanditados. de ser constituído procurador da sociedade para negócio determinado e com poderes especiais. As regras para sua dissolução seguem as da sociedade simples. sob pena de assumirem responsabilidade de sócio comanditado. sem assumir a condição de sócio. para respeitar a subsidiariedade das obrigações. ou de fiscalizar as operações. 1. Não obstante. ou. obrigam-se como sócios ilimitada e solidariamente responsáveis perante terceiros. uma vez que poucas pessoas se aventurariam a ser sócios comanditados.090 a 1. pois prevalece a impessoalidade dos sócios. Quanto à natureza. É sociedade de capital. restando apenas os comanditários. Nesta situação. são simples prestadores de capitais. Da mesma maneira que as sociedades em nome coletivo. não por contrato. perdurar a falta de uma das categorias de sócio. essas também estão em desuso. ainda.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 119 Série Impetus Provas e Concursos Caracteriza-se pela existência de duas categorias de sócios. 1. Em Comandita por Ações Tipo societário cuja existência legal está prevista nos arts. e é constituída a partir de um estatuto. uns. com a peculiaridade de haver a dissolução quando. Os outros.

por extenso ou abreviadamente. somente aos acionistas é permitido ocupar cargo de administração. diferenciam-se das sociedades anônimas por não poderem lançar aqueles títulos no Mercado de Valores Mobiliários. continuam responsáveis pelas dívidas contraídas sob sua gestão. que assim expressa: Art. ou nos casos de débitos de natureza tributária. ou seja. pelas dívidas contraídas.120 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel figura humana de cada um. Entretanto. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliários – MVM e a Comissão de Valores Mobiliários – CVM..) § 1o. . se houver. pela integralização das ações por eles subscritas.385/76. trabalhista ou previdenciária. além do registro de que trata o art. à revelia do consentimento dos demais. quando se desconsidera a personalidade jurídica da sociedade. conforme exposto no item próprio. Apesar de poderem organizar-se em assembléias. o que significa dizer que se permite ao sócio ceder. aquele sócio que desempenhar função de administração na sociedade ficará ilimitada e solidariamente responsável com os demais administradores. alienar ou penhorar suas ações em favor de qualquer pessoa. ou mesmo de novas ações. Nas anônimas.. Se for firma. Diferentemente das anônimas. salvo por maioria de dois terços dos acionistas. 21. Neste caso. estes se tornarão responsáveis solidários pelas dívidas sociais. sempre acompanhado da expressão comandita por ações. de forma subsidiária. A conclusão está arrimada no art. O nome empresarial pode ser denominação ou firma social. sendo nomeados pelo estatuto. Somente os valores mobiliários emitidos por companhia registrada nos termos deste artigo podem ser negociados na bolsa e no mercado de balcão. isso só pode acontecer em situações muito especiais. ou procederem à emissão de debêntures e partes beneficiárias. Nela. 21. esta será composta com o nome do sócio-administrador. Constando nome de outros sócios. A responsabilidade dos sócios é similar à dos acionistas das sociedades anônimas. A Comissão de Valores Mobiliários manterá. não pode haver impedimento ao ingresso de outros sócios. 19: (. da Lei Federal no 6. Daí não poderem ser destituídos tão facilmente como naquelas. a fim de atingir o patrimônio particular de sócios ou administradores que cometeram atos com abuso da personalidade jurídica. § 1o.

991 a 996 e. Trata-se de uma sociedade constituída por contrato. como veremos adiante. 284 da Lei no 6. Sendo o ostensivo uma pessoa jurídica. pessoas físicas ou jurídicas. A rigor. unicamente às companhias ou sociedades anônimas é facultado o direito de negociar com títulos no Mercado de Valores Mobiliários. que exercem a atividade constitutiva do objeto social em seus próprios nomes. se forem abertas. ainda que. assim como prévia autorização para aumento de capital e. pois não possui nome empresarial. Observem que o sócio ostensivo é quem vai gerir o negócio. conforme dispõe o art. seu ato constitutivo seja levado a registro. composta por um ou mais sócios chamados de participantes. capital. existe um pacto entre empreendedores e investidores.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 121 Série Impetus Provas e Concursos Logo. 993. entendendo tratar-se de um contrato. Essa singularidade confere a ela o título de sociedade despersonificada. serve à normatização da matéria o capítulo específico das sociedades simples. Compõe-se de duas categorias de sócios. contudo. patrimônio. É uma forma social sui generis. pessoas físicas ou jurídicas. Parte da doutrina chega até a deixá-la à margem do conceito de sociedade.5. personalidade jurídica nem mesmo sede ou estabelecimento. não há sequer a subsidiariedade em relação . Outra distinção reside na vedação contida no art. e assumindo responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas. conseqüentemente. 7. Significa afirmar que não é possível haver conselho de administração numa comandita por ações. eventualmente. visando à realização de uma atividade econômica. quanto à existência de conselho de administração e a autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição. desprovidos de qualquer ingerência no negócio social. não seria a melhor orientação. verbal ou escrito. Em Conta de Participação Tipo societário regulado pelos arts. cuja característica principal reside na ausência de personalidade jurídica. Para o ostensivo. inclusive porque o próprio Código Civil a insere no capítulo específico das sociedades. é ele que aparece frente a terceiros. emissão de bônus para subscrição de novas ações. sob inteira responsabilidade de cada um. no que for compatível com esses dispositivos. Uma.404/76. deve nomear representante. formada por um ou mais sócios chamados de ostensivos. A outra. em qualquer hipótese. atuando em seu próprio nome. Esta. sob pena de assumirem responsabilidade ilimitada.

Já o sócio participante é mero prestador de capital. ao mesmo tempo em que a conta será liquidada nos termos da legislação processual que rege a matéria. da forma estipulada no contrato. A contribuição do participante e do ostensivo constitui patrimônio especial.122 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel à sociedade. ou seja. credores da sociedade. do contrato. que pode ser nenhuma. sob a denominação “Hotéis do Brasil Ltda”. sendo a falência do sócio participante. ele pode compartilhar da gestão social ou se mostrar diante de terceiros com ânimo de sócio ostensivo. Pelas obrigações decorrentes da gestão da sociedade em conta de participação. então. pode celebrar um contrato de participação com um ou mais sócios participantes que acabaram de adquirir um condomínio de apartamentos.9. da forma como acontece para os outros tipos sociais. claro. ou não. sob sua inteira responsabilidade. mas sempre diante do ostensivo. pois. a sociedade em participação será dissolvida. pois. . não é subsidiária. a doutrina também o intitula de sócio oculto. Significa afirmar que ambas as categorias são livres para determinar a responsabilidade do participante. tendo em vista ausência de personalidade jurídica da sociedade. o contrato de participação fica sujeito às mesmas regras dos contratos bilaterais. Por isso. A lei proíbe ao ostensivo admitir outro sócio sem a concordância dos demais. Havendo saldo. Aos participantes. como vimos. com o propósito específico de administrar o empreendimento. Tal especialização patrimonial somente tem efeito entre os sócios. na condição de sócio ostensivo. cabe cumprir as obrigações determinadas no contrato. A responsabilidade do participante se opera exclusivamente em face do sócio ostensivo. Imaginem. mas do próprio sócio ostensivo. responde exclusivamente a “Hotéis do Brasil Ltda”. Não se inclui na proibição imposta ao participante o direito de fiscalizar a gestão social.4. Essa pessoa jurídica. conforme exposto no item 1. tanto com objeto civil como mercantil. é largamente utilizado. a responsabilidade ilimitada do sócio ostensivo para com terceiros. Percebam que a falência aqui tratada não é da sociedade. se o participante tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. ou ilimitada. constitui-se crédito quirografário em favor do sócio participante. facultando-se aos demais a fiscalização dos negócios. não depende de esgotar o patrimônio social. se empresário. em nenhum momento. ao contrário dos anteriores. De outra forma. do Capítulo 04. Vindo a falir o sócio ostensivo. se quiser. quando é conferida a faculdade ao administrador judicial para escolher entre a rescisão. passa a responder solidariamente com aquele pelas obrigações em que intervier. pois os credores podem consumir todo o patrimônio do sócio ostensivo na satisfação de seus direitos. de forma ilimitada. No entanto. Esse tipo social. uma sociedade já constituída que opera no ramo de hotelaria.

dentre outras. pela clara natureza contratual.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 123 Série Impetus Provas e Concursos Sua liquidação. na forma da lei processual. Assim. rege-se pelas normas da prestação de contas. Conceito Define-se como a sociedade cuja principal característica é a limitação da responsabilidade de seus sócios ao valor das quotas adquiridas por cada um. Contudo. 8. apesar de todos responderem solidariamente pela integralização do capital social. cláusula leonina e mora de sócio. 8. b) suplementar o tema com o capítulo próprio relativo às sociedades simples. É justamente por isso que os sócios podem lançar mão de três opções: a) livre estipulação contratual. e não havendo resolução da questão no próprio instrumento de contrato. Logo. que têm as regras traçadas no Código.052 a 1.1.1. Regência A sociedade limitada rege-se pelos arts. são questões de caráter contratual. . devem pautar-se por certos princípios. Mas. bastando um único processo de prestação.2. liquidação da cota de sócio falecido. ainda que haja mais de um sócio ostensivo. Para a boa compreensão da matéria.404/76. 1. Esse conceito será melhor explicado a seguir.037. pois não devemos esquecer que as limitadas são sociedades contratualistas e. a sociedade pode guiar-se pela Lei no 6. matérias atinentes à sua formação e dissolução serão sempre reguladas de acordo com as sociedades simples. nas omissões da lei. 997 ao art. direito de recesso. havendo expressa previsão contratual. ao menos naquilo em que o Código Civil for omisso. diferentemente das demais sociedades contratuais. 1. como acentuou Sérgio Campinho. que vai do art. tais dispositivos não são suficientes para exaurir todas as questões a ela relacionadas. como tais. atenção! Nem todos os assuntos podem ser regulados pela Lei das Sociedades Anônimas. e c) subsidiarem-se com o regramento das sociedades por ações.1. Sociedade Limitada Disposições Preliminares 8. 8.4. no item 8. podemos afirmar que o silêncio do contrato a respeito de determinado tema não-previsto no capítulo específico do Código permite a suplementação pelas normas da sociedade simples.1. conforme já mencionado. quando abordaremos a responsabilidade dos sócios da limitada. No entanto.087 do Código Civil.

pois. poderá ser uma firma social ou denominação denominação. quando serão aproveitados todos.A. como a emissão de títulos no Mercado de Valores Mobiliários. com certeza teríamos que concordar que a sociedade limitada seria considerada de pessoa.”). No primeiro caso. 1. o art.4.3. quis o legislador (Lei no 6. 8. Entrementes. Escolhida uma denominação. Se o dispositivo parasse por aí. deverá estampar o objeto da sociedade. expressão tornará responsáveis. o que caracterizaria uma importância demasiada à figura humana.385/76.124 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel impossíveis de se submeterem à Lei das S. Exemplo de denominação Frigorífico Ribeira Ltda denominação: Ltda. em detrimento do capital. já aproveita as da sociedade simples acrescida da falência. solidária e ilimitadamente. basta inserirem cláusula no instrumento que subtraia a faculdade de eles próprios limitarem a entrada de terceiros. são de exclusividade das sociedades anônimas. que criou a Comissão de Valores Mobiliários). se empresária. os administradores que assim a empregarem. No entanto. previu que o sócio pode ceder suas quotas tanto a quem já seja sócio como a estranho. o mesmo dispositivo deixa claro que pode haver estipulação contratual diversa. . por sua vez. apenas os nomes de sócios devem constar no nome empresarial. haveria a chance de os sócios obstarem o ingresso de novos componentes no quadro associativo.087 prescreve as mesmas hipóteses da sociedade em nome coletivo. mas apenas diante daquele credor específico. em ambas as hipóteses acrescido do termo limitada ao final. A omissão desta limitada. em seu art. O Nome Quanto ao nome empresarial. os sócios podem contratar uma sociedade limitada cuja natureza seja de capital. Sobre a dissolução de pleno direito da sociedade limitada. alguns ou apenas um (nestes casos. Outras. invariavelmente. Se a opção for por uma firma social. participante da operação.1.057. 8. se destinadas a terceiro.1. uma vez que. acresce-se o termo “e cia. Logo. Este. E não vem sendo diferente após o novo Código. Natureza Interpretações doutrinárias divergentes sempre surgiram quando tentamos determinar a natureza das sociedades limitadas. não pode haver oposição de titulares de mais de 1/4 do capital social. desta forma. não precisa da anuência dos demais. 1. que.

na feitura do contrato social. Muitos desses requisitos. aparece a obrigatoriedade de todos os subscritores do capital social contribuírem na sua formação. será assistido. De outra forma. objeto lícito e possível. deve contar com representante na assinatura do instrumento do contrato. É que. se em fase de constituição. A ausência desses pressupostos leva à dissolução da sociedade. contudo. o contrato deve obedecer a certos requisitos de validade. não prevêem limite para o quantitativo de sócios. como capacidade das partes. Para sua plena validade. Constituição As sociedades limitadas são contratuais. são igualmente exigidos quando se tratar de estatuto social. não havendo espaço para fixação de tema não constante da lei. o estatuto social exige que os sócios sigam apenas as determinações legais. A doutrina salienta que o instrumento contratual que dá origem à sociedade é plurilateral e de estrutura aberta. desde que não colidam com o texto legal. No grupo em referência. que poderão ser reunidos em dois grupos específicos. forma prescrita em lei. pois nascem a partir de um contrato celebrado entre seus sócios. que admite o ingresso. esse tema encontra-se pacificado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O primeiro traz as condições de validade de qualquer ato jurídico. assim como participarem do resultado social. Para esse grupo. Esse raciocínio vale também para o estatuto das sociedades estatutárias que. Exprimem-se na necessária pluralidade de sócios na formação do capital social e na intenção deles em executar o objeto social. ou ao não-registro do instrumento.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 125 Série Impetus Provas e Concursos 8. . posto admitir a participação de número ilimitado de sócios. Hoje. mas sem obedecer àquela parte do acordo. Há. Existem ainda pressupostos de existência igualmente apropriados a todas as sociedades contratuais. a sociedade continua a existir. o desrespeito provoca a nulidade da cláusula. o instrumento é nulo e gera a inexistência da pessoa jurídica. Neste caso. assim como as contratuais. Nesta hipótese. devendo ainda o capital subscrito encontrar-se completamente integralizado. Em se tratando de incapacidade civil absoluta. conhecida como affectio societatis. cabe uma observação a respeito da possibilidade de participação de menores no quadro social da limitada. desde que o menor não assuma função de gerência (administração da sociedade). Não cumpridos esses primeiros requisitos no contrato social. não do contrato. as partes são livres para contratar outras cláusulas além daquelas previstas na lei. Se relativa.2. O outro grupo de requisitos essenciais à plena validade do contrato diferencia-se do primeiro quanto à conseqüência advinda pelo seu descumprimento. se já constituída. uma grande diferença entre um contrato e um estatuto de sociedade. aliás.

podendo ser indeterminada (se por tempo certo. nome etc. seus efeitos entre os sócios.126 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que as conseqüências pelo não-cumprimento dos requisitos essenciais diferem entre si. 997 do CC/2002. como nacionalidade. pode ser declarada a nulidade do contrato. pois valerá a intenção contextual). Além de tudo isso. c) tipo adotado e objeto detalhado da sociedade. possível prorrogação). quando não coincidir com o ano civil. Em outras palavras.. com as devidas adaptações. insuficientes os requisitos do primeiro grupo (capacidade das partes. ainda assim a responsabilidade é limitada. .013 do CC/2002). do CC/2002.072. d) informação sobre os administradores (em caso de omissão. 1. a ineficácia da cláusula contratual não invalida o contrato. se passar. domicílio. por se tratar de limitada: a) informações dos sócios. faltando requisito do segundo grupo (contribuição de sócio no capital social ou participação no resultado social). inclusive. f) a quota com que cada sócio entrou para a sociedade. expresso em moeda corrente. 1. não sendo razão de impedimento ao registro. o contrato deve trazer informações a respeito dos sócios e da própria sociedade. pessoa física ou jurídica. objeto lícito e possível. mantendo-se os efeitos já produzidos. forma prescrita em lei). previsão de assembléia ou reunião de sócios. para deliberar assuntos escolhidos ou determinados por lei. Quanto aos pressupostos (pluralidade de sócios e affectio societatis). sua omissão provoca a dissolução da sociedade. da mesma forma que geram efeitos distintos à falta de pressuposto. b) duração da sociedade. j) conforme o caso. i) cláusula de limitação da responsabilidade (veda-se registro de contrato sem essa informação. h) data de encerramento do exercício social. De outra forma. à exegese do art. São as relacionadas no art. e) fixação do capital social. comprometendo. conforme dispõe art. g) percentual de cada sócio nos lucros e nas perdas. todos os sócios podem gerir a empresa. parágrafo 1o.

O direito patrimonial materializa-se na participação nos lucros e acervo da sociedade. inferindo-se que a prova do domínio vem do contrato social. Se.3.055 do CC/2002). Quanto mais quotas um sócio possuir. indicado pelos demais. Não são representadas por cártula. onde deve constar a participação de cada sócio. quando se forma um condomínio onde o representante (cabecel). nas sociedades contratuais a quota social representa a unidade do capital social. enquanto o direito pessoal vem do status de sócio.056). os outros condôminos respondem solidariamente pela integralização do capital social (art. Diferentemente das ações.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 127 Série Impetus Provas e Concursos QUADRO-RESUMO 8. A essa situação dá-se o nome de co-propriedade das quotas. irá exercer os direitos de sócio. do que se deduz que várias quotas podem ser de propriedade de um único titular. 1. são sempre representadas por papéis. a expressão do capital da companhia é o montante do valor nominal de todas as ações. dentre outros. 1. Mas uma quota pode ser de mais de um sócio? Sim. à exceção das escriturais. as quotas sociais podem ter valores nominais iguais ou não (art. Já as ações das companhias. . A Quota Social Podemos conceituá-la como uma fração do capital social. que lhe confere a possibilidade de participar das deliberações sociais e fiscalizar atos dos administradores. Sua natureza jurídica é de direito bifrontal. mais influência ele terá nas deliberações sociais. nas sociedades anônimas. Perante a sociedade. por encerrar um direito patrimonial e um direito pessoal.

Em todo caso. por exemplo. Gozam os sócios de preferência para novas subscrições (proporcional à participação). a contribuição em prestação de serviços.128 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação à integralização das quotas. 8. com a alteração averbada. a livre alienação. 1. pode estabelecer de forma diversa. Conceito O sócio quotista é o proprietário de parcela do capital da sociedade. pondo o termo no contrato social. Também não existe percentual mínimo de integralização das quotas. Não satisfeita a obrigação. qualquer credor quirografário pode opor-se a ela. A cessão. . desde que não haja oposição de sócios representativos de 1/4 do capital social. para ser oponível à sociedade e a terceiros. O Sócio Quotista 8. A cessão de quotas sociais é possível. Antes dessa providência. direitos ou em dinheiro. o capital social pode ser aumentado. A integralização pode ser feita em bens. não se pode contar o tempo (dois anos) para liberação da responsabilidade solidária do alienante perante a sociedade. Pois bem. como.4. Pode ser pessoa física ou jurídica. à revelia da concordância de outros sócios (art. contudo. não há prazo legal para a integralização. no caso das limitadas. que é o ato de dar em garantia de pagamento por alguma prestação.1. por ocasião da subscrição do capital social (nas sociedades por ações o mínimo é de 10%). desde que seu título seja anterior àquela data). trata-se do principal dever que aqueles têm diante da sociedade. decorrente da falta de integralização das mesmas quotas. a regra é similar à do parágrafo anterior. não há óbice legal no Código. Igualmente pode haver a redução do capital social.081). a quota muda de titularidade. havendo perdas irreparáveis. ficando a critério dos sócios decidir. tem que ser averbada. Sobre a penhora de quotas.4.057). O contrato. Também pode haver a caução de quotas sociais. que deve ser manifestada no prazo de trinta dias após a deliberação (art. por um dos motivos: a) após integralizado. b) se excessivo em relação ao objeto social (no prazo de noventa dias da publicação da ata de assembléia que aprovar a redução. basta não haver oposição de 1/4 do capital social. Após integralizadas todas as quotas. Aplica-se a regra da caução. A lei não admite. 1. e usufruirá do status de sócio.

quando ele terá um prazo de trinta dias. atenção! É necessário haver prévia notificação (notificação premonitória). conforme dispõe o art. fixado no contrato social. na visão da majoritária doutrina. lealdade à pessoa jurídica no sentido de não cometerem atos que prejudiquem o fim por ela perseguido.055. ou mesmo bens ou créditos. caso detenha parcela já integralizada. o adquirente cumpriu a sua obrigação perante a sociedade (em se tratando de bens e direitos. não pode haver obstáculo ao voto do sócio remisso. § 2o. deverão ter em mente a quantia inicial necessária ao início das operações da empresa. Os subscritores do capital social são. conforme art. se a venda for contra recebimento à vista de numerário. b) exclusão da sociedade. c) redução de sua participação. Essa conseqüência pode traduzir-se em uma das seguintes hipóteses: a) cobrança da dívida acrescida dos encargos de mora. sem que tenha adimplido sua prestação. Esse pode ser considerado como o principal compromisso que os subscritores do capital social assumem frente à sociedade. Remisso será o sócio que faltar com sua prestação. o Código silencia. se a limitada tiver regência supletiva nas anônimas.4. situação em que.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 129 Série Impetus Provas e Concursos 8. mais. Esse valor. devedores da sociedade.2. além de buscarem agir com zelo e profissionalismo em relação às atividades desenvolvidas e. É claro que. que não poderá ser feita na forma de prestação de serviços. responderá perante a pessoa jurídica pelos danos emergentes da mora. pelo menos enquanto não promoverem a entrega efetiva dos recursos correspondentes à parcela do capital adquirida. a desoneração só ocorre se não houver vício na coisa ou após a satisfação do crédito) e não mais pode ser considerado devedor perante ela. portanto. Sérgio Campinho alerta que. participarem das perdas dos resultados sociais. Deveres dos Sócios Quando duas ou mais pessoas resolverem contratar a formação de uma sociedade limitada. Devem.404/76. o sócio remisso poderá ter suspenso seu direito ao voto. Quanto à possibilidade de o sócio remisso ser tolhido em seu direito de voto. findo o qual. arcando com ônus proporcional à sua participação societária. 120 da Lei no 6. sobretudo. 1. Mas. do CC/2002. . Mas não é o único. será alienado aos sócios e terá o nome de capital social subscrito subscrito.

Isso se deve principalmente à maneira pela qual os sócios responsabilizam-se pelas obrigações sociais. então.052 do CC/2002 que a responsabilidade de cada sócio é limitada ao valor das quotas por eles subscritas. e Manoel. os sócios podem ser compelidos a responder por obrigações originárias da pessoa jurídica. trezentas. No momento em que aportarem recursos correspondentes à parcela do capital comprada (em dinheiro. 135. cujo capital social foi fixado em R$1. • OBRIGAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA – conforme dispõe o NATUREZA art. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.000. estarão quitando suas dívidas diante da organização.00 cada. Responsabilidade dos Sócios As sociedades limitadas gozam da preferência absoluta dos empreendedores brasileiros. sem se ater primeiro ao esgotamento do patrimônio da sociedade. No entanto. assume responsabilidade pessoal o sócio-gerente que descumprir a lei ou o contrato . se parcela do capital social ainda não foi realizada. ainda que sua parte já tenha sido satisfeita. Imaginemos. só se livram de responder pelas obrigações sociais contraídas. não haverá responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais.620/93 a responsabilidade solidária dos sócios da limitada pelos débitos junto à Previdência Social. 13 da FA o Lei Federal n 8. De fato. Em outras palavras. Contudo. distribuído em mil quotas com valor de R$1.130 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. José e Manoel tenham contratado a formação de empresa limitada. José. Pelo dispositivo. embora 100% do capital subscrito tenham sido integralizados. mesmo aquele que já tenha cumprido a sua parte. que João. a regra da limitação de responsabilidade comporta exceções. gerente ou não. 1. estando o capital completamente realizado.3.00. reza o art. as duzentas restantes. estes atos correspondem à subscrição do capital social feita por cada um dos quotistas e geram obrigação para eles perante a empresa. Significa dizer que. Em se tratando de administrador não-sócio. Ao contrário. Se João adquiriu quinhentas quotas.4. Não é à toa que mais de 90% das empresas registradas pelas Juntas Comerciais espalhadas pelo país são desse tipo. há que se respeitar a subsidiariedade em relação à pessoa jurídica. o órgão da previdência pode cobrar a dívida diretamente do sócio. inciso III. do Código Tributário Nacional. qualquer sócio pode ser compelido a fazê-lo. Isso acontece nos seguintes casos: • CRÉDITOS A FAVOR DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – prevê o art. quando todo o capital social subscrito ingressar na sociedade. bens ou créditos).

Também servem à hipótese os casos de positivação da teoria. no item 4 deste Capítulo. • CASOS DE DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – vimos. Vimos. mas ao próprio agente que os praticou. 1. 50 do Código Civil de 2002. O leitor deve observar que não é o simples atraso no pagamento que provoca a responsabilização pessoal do administrador.015 e 1.2.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 131 Série Impetus Provas e Concursos social. É justamente o que ocorre com os arts. quando a responsabilidade pelos atos ultra vires (aqueles que extrapolam os poderes do administrador) deve ser imputada não à pessoa jurídica. O art. É a Teoria da Despersonalização. mas a mora injustificada. no subitem 8. que é possível os sócios responderem por atos fraudulentos cometidos sob o manto da pessoa jurídica. que. não são afetados. em conjunto com a sociedade. a exemplo do art. o órgão é a Junta Comercial).015 trouxe grande inovação.016. através da qual se permite à autoridade judiciária. 1.012. pelos atos que cometer antes de averbar o instrumento em separado de sua nomeação (sendo sociedade empresária.1. deste Capítulo. • DELIBERAÇÕES INFRINGENTES DO CONTRATO SOCIAL – pelo CONTRATO disposto no art. o parágrafo único do mesmo artigo exige a materialização de uma das seguintes hipóteses: a) o . A melhor doutrina alerta que o efeito desse dispositivo restringe-se à operação específica. afastar a autonomia patrimonial da empresa. • ATOS PRATICADOS PELOS ADMINISTRADORES – a parte do Código PRATICADOS destinada a regular as sociedades simples traz hipóteses de responsabilização de seus administradores. O primeiro prevê a responsabilidade pessoal e solidária do administrador.080 do CC/2002. não quitando dívidas fiscais junto à Fazenda Pública. havendo omissão em relação a algum tema das limitadas. ao positivar a Teoria da Aparência. que votaram contra ou abstiveram-se. Os demais. admite-se a suplementação do assunto pelas normas disciplinadoras da sociedade simples. já mencionados no item “4” deste Capítulo. 1. Para tanto. que colidiu com o contrato. a fim de atingir diretamente os bens dos sócios que cometeram tais atos. 1. a aprovação de matéria contrária ao que dispuser o contrato social torna ilimitada a responsabilidade daqueles sócios que votaram a favor da deliberação. quando a empresa dispunha de recursos e o administrador optou por gastá-los em outras finalidades. por solicitação da parte ou do Ministério Público.

todos os sócios deverão suportá-lo de forma proporcional à participação no capital social. sua vontade normalmente irá prevalecer. neste caso. sobre as questões de interesse social. evidentemente. por atos praticados com culpa no desempenho de suas funções. colher frutos de seu investimento com o retorno do capital empregado. Uma é vender suas quotas a outro . c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. Por último. Para tanto. ou seja. 1. através de relatórios apresentados ou. Nessas decisões. deliberando. que é o Conselho Fiscal. Mas os direitos dos sócios não se resumem apenas à participação no resultado social: eles também têm a faculdade de decidir os destinos da pessoa jurídica. sócio que não desempenhe a gerência da sociedade pode fiscalizar as ações dos administradores. a pessoa jurídica assume a responsabilidade frente ao terceiro prejudicado. Caso contrário. por meio de órgão criado para esse fim. perante a sociedade ou terceiros prejudicados. Em outras palavras. pois a sua parcela no capital social suplanta a soma das demais. 8.132 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel registro competente da limitação. É comum a configuração de prejuízo e.016 previu a responsabilidade solidária dos administradores.4. de existência facultativa nas limitadas. não mais compondo o quadro social. Direitos dos Sócios Aquele que resolve ingressar no quadro social de uma sociedade busca. Claro que nem sempre a sociedade apresenta lucro a ser distribuído. ele terá duas opções. mesmo. Também se permite a fiscalização da gestão dos negócios. tem-se observado que a TRABALHISTAS Justiça do Trabalho vem desconsiderando a limitação da responsabilidade para cobrar dívidas trabalhistas diretamente no patrimônio dos sócios. que se situa à margem do Direito positivo vigente. Esse é o objetivo maior do investidor e não pode ser tolhido sob pena de ineficácia da cláusula contratual. não há qualquer respaldo legal nessa atitude. se um sócio é detentor de 51% do capital social.4. com direito de regresso contra seu administrador. respeitar-se-á a participação no capital social de cada um. tem o sócio direito de afastar-se da sociedade. O art. seja na assembléia (obrigatória para as limitadas com número de sócios superior a dez) ou na reunião de sócios (facultativa para as limitadas com até dez sócios). • OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS – por último. b) a ciência da limitação por parte do terceiro. Diferentemente das outras exceções.

omisso o contrato. por falta grave. Isso porque. Prevêem os arts. por incapacidade superveniente e. mesmo. mediante o reembolso. . o exercício do direito de recesso está diretamente relacionado à ocorrência de situações fáticas.031 o prazo de noventa dias para pagamento da quota liquidada. Nestas. antes mesmo de entrar para a sociedade. A título comparativo. prevendo o parágrafo 2o do art. a fusão ou a incorporação.030 e 1.085 do CC/2002 a possibilidade de exclusão de sócios minoritários. pois trouxe novas exigências para o ato. quando houver previsão expressa no contrato. após seu ingresso. situação em que só será permitida a retirada ao sócio dissidente de deliberação que aprove a modificação do contrato social. Basta ver a necessária previsão contratual para a exclusão extrajudicial. estranhos ao quadro social. Sendo o contrato por prazo indeterminado. por falta grave.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 133 Série Impetus Provas e Concursos sócio ou a terceiro interessado (neste caso. podemos afirmar que o Código Civil de 2002 dificultou a exclusão de sócio minoritário. exige-se justo motivo quando a sociedade for contratada por prazo determinado. sócio de outra empresa). deve o minoritário. mas na hipótese de o sócio ser empresário individual ou. se forem declarados falidos (essa falência não é da pessoa jurídica aqui abordada. não será necessária uma das hipóteses para o exercício do direito de recesso bastando recesso. mesmo se a companhia for por prazo indeterminado. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. até. Certa permissividade em relação ao direito de recesso explica-se pela relativa dificuldade imposta ao ingresso de novos sócios. A outra possibilidade é chamada de direito de recesso e consiste na retirada do sócio. Contudo. 1. Para isso. a manifestação de vontade do sócio. Completando o tópico. Também prevê o Novo Código a hipótese de exclusão extrajudicial de sócio por justa causa. É por isso que se diz que o Novo Código procurou proteger o sócio minoritário contra abusos dos majoritários. vejamos matéria referente à exclusão de sócio minoritário. O primeiro dispositivo trata da exclusão por ação judicial movida por sócios representantes da maioria do capital social. sobretudo quando comparada às sociedades anônimas. por não existir qualquer óbice à alienação das ações a terceiros. contado a partir da liquidação. ficará à mercê da vontade da maioria. desde que deliberada em assembléia ou reunião dos sócios. não pode haver oposição de mais de ¼ do capital social). observar o contrato social. pela pessoa jurídica. igualmente aprovada por maioria absoluta. do capital investido na empresa. 1. a fim de barganhar suas cláusulas.

a diretoria. esse ato decorreu do consenso entre os demais sócios. apenas. desde o início da sociedade. deixou de ser privativa de sócio. para haver nomeação através do contrato social. Estando o capital já integralizado. Sendo em momento posterior. ou por crime falimentar. não como administrador da sociedade. a delegação dos poderes de gestão. em qualquer caso. não importa se a nomeação foi via contrato ou através de ato separado: o quórum exigido é a unanimidade. peculato. O administrador. Se for em ato separado. o acesso a cargos públicos. Para tanto. é necessário haver permissão contratual. vale o disposto no art. em se tratando de administrador que não seja sócio. A nomeação de administrador.011. O que se permite é a constituição de procurador para representar o sócio em atos específicos relacionados aos seus direitos como cotista. nem mesmo se houver previsão contratual. entende-se que a direção tocará individualmente a cada um. 1. deve ser nomeado no próprio contrato social ou em ato separado. Para administrador-sócio nomeado em ato separado. Se omisso o contrato. sócio ou não. exige-se aprovação de titulares de 3/4. . no mínimo (para sócio). situação em que a eficácia dos atos dependerá da participação de todos. que proíbe os poderes de gestão àqueles condenados a penas que vedem. ainda que temporariamente. o administrador-sócio foi nomeado no contrato social. se for o caso. Administração da Limitada Com a entrada em vigor do Novo Código Civil. mas sempre pessoa física (o CC/2002 vedou a gestão à pessoa jurídica). pode ser realizada tanto diretamente no contrato social. não mais pode ser feita. o quórum exigido é a maioria absoluta dos votos representativos do capital social. ou contra a economia popular. A administração pode ser concedida a uma pessoa. ficando eles habilitados à prática de todos os atos que digam respeito à gestão empresarial. com o capital social sem estar completamente integralizado. Se.134 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. o contrato deve explicitar se a gestão será exercida individualmente por cada um ou em conjunto. concussão. cuja alteração será averbada na Junta Comercial. Se a nomeação processar-se por meio do contrato social. do CC/2002. do capital social. de prevaricação. parágrafo 1o. será mediante termo de posse no livro de atas da administração.5. peita ou suborno. que antes era possível. sócio ou não. como em ato separado. a administração da sociedade ou. Por outro lado. De outra forma. que igualmente deverá ser averbado. ou a várias. deve o gestor assinar no próprio contrato. Nesta última hipótese. Lembro que. baixa para 2/3 dos votos representativos do capital social. conforme a prática vem consagrando nas limitadas.

não tentarem inibir sua prática. não sendo extensiva aos demais. já que esta assumiria a responsabilidade diante de terceiros. 1. logicamente a depender da especificação dos poderes estipulada no contrato. salvo se com ele forem coniventes. quando não for do objeto social. hoje o sistema legal brasileiro já prevê essa possibilidade. os administradores podem praticar todos os atos que digam respeito à gestão social. É a positivação da Teoria da Aparência. perante a própria sociedade ou frente a terceiros prejudicados. aquele que extrapola a competência legal do administrador. prevista no art. b) provando-se que era conhecida do terceiro. antes. se presente uma das seguintes situações: a) se a limitação de poderes estiver escrita ou averbada no registro próprio da sociedade. Se. Diferente é a responsabilidade do administrador por interesse conflitante. normalmente. Importante realçar que a responsabilidade deve ser imputada ao administrador que cometeu o ato com culpa.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 135 Série Impetus Provas e Concursos contra o sistema financeiro nacional. Percebam que. ou mesmo com culpa em não atender aos seus deveres de diligência e lealdade com a pessoa jurídica. Regularmente nomeados. ele pretender deliberação que o favoreça pessoalmente. 1.016. 1. É o que acontece se. assumirá a responsabilidade dos prejuízos sofridos pela sociedade. se negligenciarem em descobrir ou. O mesmo dispositivo prevê oposição a terceiros dos excessos cometidos pelos administradores. pelo menos enquanto durarem os efeitos da condenação. o administrador não pode ser responsabilizado por atos regulares de gestão que necessariamente deve cometer para exercer a função. tais atos não podiam ser imputados diretamente ao administrador que os cometesse. Restrição existe para venda de bens imóveis. isso para não repetir todas as hipóteses já comentadas no item 8. previdenciária e trabalhista dos administradores. Sendo sócio. mas apenas em poder de regresso por parte da sociedade. conforme prevê o art. agindo com excesso. fé pública ou propriedade. ou seja. não posso deixar de evidenciar a responsabilidade tributária. no trato de determinado negócio. Por último. contra as normas de defesa da concorrência. contra a legislação de consumo. No entanto. e votando a favor de decisão que venha prejudicar a pessoa jurídica. em detrimento do interesse da sociedade. salvo estipulação contratual diversa (art. pode ser responsabilizado solidariamente com outros.017. que prevê a exoneração da pessoa jurídica por ato ultra vires. tomando conhecimento. c) tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. que só poderá ser processada com autorização da maioria do capital social.015).5 deste Capítulo: .

Assim.6. 135. se for em ato separado. que exigem um controle e uma organização muito mais complexos. Órgãos da Limitada Geralmente. o administrador não deve responder por dívidas trabalhistas.136 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • tributária – o art. o Código Civil de 2002 trouxe a forma como deve esse tipo societário organizar-se. 13 da Lei no 8. com órgãos de administração e fiscalização. Se. do CTN prevê a responsabilização do administrador por dívidas tributárias não recolhidas. permitindo-se estipulação contratual diversa. Em se tratando de administradores não-sócios. que tem imputado aos administradores a responsabilidade por débitos de origem trabalhista. Isto porque as sociedades anônimas são mais apropriadas para grandes empreendimentos. quando recursos tiver a sociedade. Sua eficácia perante terceiros terá validade a partir da averbação na Junta. será necessária aprovação de mais da metade do capital social. o ato deve ser averbado em até dez dias seguintes à ocorrência. o que vem decidindo a Justiça do Trabalho. não havia referência aos órgãos da sociedade. a menos que tenha agido com abuso de poder. III. A renúncia é ato volitivo do administrador. e de mais da metade do capital social. temos a assembléia de quotistas. que se materializa com a comunicação por escrito aos demais representantes da pessoa jurídica. até o Conselho de Administração.620/93 prevê a responsabilidade não apenas dos administradores. Não é. o Conselho Fiscal e. Cessa o exercício da função de gestão com a destituição ou com a renúncia. Em todos os casos. Tendo sido em ato separado. se preferirem os sócios. 8. Contudo. mas dos sócios da sociedade limitada. a Diretoria. em se tratando de nomeação através do contrato. • previdenciária – o art. no antigo Decreto no 3. o parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a responsabilidade quando a omissão decorrer de culpa ou dolo. isso não impede que a limitada adote estrutura similar à das sociedades anônimas. enquanto as outras ficam com os negócios de importância relativa inferior. por débitos junto à Seguridade Social. Quando se tratar de não-sócio. o quórum exigido para destituição é de 3/4 do capital social. .708/1919. A destituição de administrador-sócio que tenha sido nomeado no contrato social reclama aprovação de 2/3 do capital social. entretanto. violação do contrato ou da lei. • trabalhista – a princípio. a sociedade limitada possui estrutura bastante simplificada. que regulava as limitadas. quando comparada com as anônimas.

autorização de concordata (a partir da Lei no 11. com o capital não totalmente integralizado. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – É órgão de existência facultativa. fusão. em ato separado. sendo qualquer número em segunda convocação. incorporação. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Possui atribuições sócios). social. para instalação. os membros do conselho deverão submeter-se aos mesmos requisitos . além dos membros do Conselho Fiscal. sócio. modificação do contrato social. designação quando em ato separado e destituição dos administradores. além de outros assuntos não previstos na lei.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 137 Série Impetus Provas e Concursos • ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS – É órgão competente para decidir a QUOTISTAS estratégia geral dos negócios. com o capital já integralizado completamente e para a destituição de sócio administrador. Para tanto. – três quartos do capital social para modificação do contrato social. Já as deliberações devem obedecer aos seguintes números: – unanimidade do capital social para designação de administrador nãosocial. sócio. pedido de concordata (foi substituída pela recuperação judicial ou extrajudicial) e incorporação. quando nomeado pelo contrato social. Para que suas decisões tenham validade. dissolução da sociedade contratada por prazo indeterminado ou cessação da liquidação. – maioria simples para a aprovação das contas dos administradores. assim como para dissolução da sociedade por prazo determinado.101/05. a exemplo da aprovação das contas dos administradores. dois terços do capital social para designação de administrador não– social. Forma-se com a participação dos quotistas e é obrigatória nas limitadas com número de sócios superior a dez (se inferior. elencadas no art.071 do CC/2002. Nesta hipótese. 1. leia-se recuperação judicial ou extrajudicial). nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. raramente encontrado numa limitada. fusão e dissolução da sociedade. o quórum mínimo previsto na primeira convocação é de sócios representativos de 3/4 do capital social. Realiza-se pelo menos uma vez por ano. é preciso a sociedade constituir-se sob a regência de uma sociedade anônima. destituição de administrador não-sócio ou não-nomeado no contrato. antes de atingido aquele. é necessário respeitar número mínimo de sócios. Desta forma. simples. tanto na instalação como nas deliberações. fixação de suas remunerações. – maioria absoluta para designação de administrador sócio quando procedida absoluta.

Os gerentes representam a sociedade e a obrigam pelos seus atos regulares de gestão. se em ato apartado. cuja existência é facultativa. se o capital não estiver todo integralizado. • CONSELHO FISCAL – É órgão de fiscalização dos negócios.138 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel exigidos para os da sociedade por ações. Suas atribuições e poderes não podem ser outorgados a outros órgãos. pelo menos. nem sejam seus empregados ou administradores. é necessária aprovação de mais da metade do capital social) ou não-sócios que administram a sociedade (neste caso. Todos devem ser residentes no país. exige-se aprovação unânime dos demais. é composta por sócios (se eleitos no contrato social. com suplentes em igual número. e de 2/3. • DIRETORIA – Também chamada de gerência. ou de outra por ela controlada. Para facilitar o entendimento. vejamos o quadro-resumo a seguir. Compõe-se de. e escolhidos entre sócios ou não. . estando o capital social já integralizado). precisa da aprovação de 3/4 do capital social. eleitos pela assembléia ou em reunião de quotistas. desde que tenham residência no país e não ocupem assento em outro órgão da sociedade. três membros. responsável por acompanhar os atos dos administradores.

Não se permite participarem membros de órgão de administração e empregados da pessoa jurídica. podendo ser convocada em outra época qualquer. Suas atribuições estão discriminadas no art. Seus atos obrigam a sociedade tanto interna como externamente.CAMPUS ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS QUOTISTAS Órgão de representação da limitada. fiscalizando seus atos e denunciando irregularidades. 139 Série Impetus Provas e Concursos . Compõe-se de sócios ou não. todos residentes no país. • modificar o contrato social. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. Colegiado de caráter deliberativo. Suas atribuições geralmente são originárias da assembléia. com permissão do próprio contrato. É órgão máximo de deliberação. residentes ou não no Brasil. Suas decisões não têm força de obrigar a sociedade para com terceiros. Compõe-se de três membros. porém.071 do CC/2002: • designar. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL Capítulo 2 — Direito de Empresa Reunião de quotistas. eleitos e destituíveis pela assembléia. dentre outras. quando em ato separado. 1. com existência obrigatória. todos sócios. destituir e aprovar as contas dos administradores e membros do conselho fiscal. destinada a resolver todos os negócios de interesse da sociedade. • autorizar a incorporação. São eleitos pela assembléia. dentre sócios ou não. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Acontece sócios). Possui atribuições para opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores. com existência facultativa. podendo o contrato conferir ao conselho de administração poder originário da assembléia. além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. • autorizar o pedido de concordata. fusão e dissolução. raramente encontrado numa limitada. além de parentes até terceiro grau dos administradores. Órgão de fiscalização dos negócios da sociedade. cuja existência é facultativa. a fim de trazer agilidade às decisões. são transferidas ao conselho. com suplentes em igual número. ou cessação da liquidação. responsável por executar seu objeto. Possui existência obrigatória em todas as sociedades limitadas com número de sócios superior a dez (até dez. Compõe-se de um mínimo de três membros. mas residentes no país. eleitos e destituíveis pela assembléia. Deve obedecer ao seguinte quórum: para instalação – 3/4 do capital social em primeira convocação e qualquer número em segunda.

• 2/3 para designação de administrador não-sócio. que não tenha sido nomeado pelo contrato social. sócio ou não. e demais assuntos que não exijam quórum qualificado.140 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos deliberação: para deliberação • 100% do capital social para indicar administrador não-sócio (quando o capital não estiver todo integralizado). quando feita em ato separado. cessação da liquidação e dissolução da sociedade por prazo indeterminado. • 3/4 para alterar o contrato social. expulsão de sócio por justa causa e destituição de administrador. . ou dissolução antes do prazo determinado. que tenha sido nomeado no contrato social. incorporação e fusão. autorização de concordata. • maioria simples para aprovação das contas dos administradores. • maioria absoluta para designação de administrador sócio. no caso de o capital já se encontrar totalmente realizado e destituição de administrador sócio. fixação da remuneração dos administradores.

por extenso ou abreviadas. podendo ser qualquer um. esta pode acontecer de duas maneiras: • por subscrição particular – quando a totalidade do capital social inicial é comprada apenas pelos fundadores. a título de homenagem. O objeto da sociedade anônima será definido em seu estatuto. denominadas ações. Assim como as sociedades em comandita por ações. 9. para sua composição. a presença de nome de sócio fundador ou de outro que tenha contribuído com o sucesso da companhia. adquirem todo o capital social por eles mesmos fixado.A. igual valor nominal. Constituição Quando duas ou mais pessoas pretenderem fundar uma sociedade anônima. constituiem-se a partir de um estatuto. a ata da assembléia de constituição. que pode ser uma escritura pública lavrada em cartório ou. A impessoalidade dos sócios é própria desse tipo social. Entretanto. a companhia será sempre empresária. Companhia Tecelagem João Batista. Caracteriza-se por apresentar seu capital dividido em partes de. Numa. São. sendo por isso consideradas institucionais. Em decorrência da modalidade de subscrição do capital social. Tecelagem João Batista etc. S. Exemplo: Tecelagem João Batista S.. quando falamos da aquisição ou subscrição do capital social. ofertando à venda parte do capital social (ações) que eles não puderam ou não quiseram adquirir. Admite-se. Sociedades Anônimas Disposições Preliminares Tipo societário regulado pela Lei no 6.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 141 Série Impetus Provas e Concursos 9. Em qualquer caso. ou com a participação de outros investidores. Independentemente da opção escolhida. não sendo possível impor barreiras ao ingresso de novos sócios. à ordem pública e aos bons costumes. a companhia sempre terá início a partir de um documento escrito. poderão fazê-lo de duas formas. O nome empresarial será apenas uma denominação. não as qualidades pessoais dos acionistas. fazem apelo ao público em geral. • por subscrição pública – quando acontece a oferta das ações ao público. por isso. Noutra.A.1. 9. em regra. pois o mais importante é o capital. desde que não contrário à lei. reunidos em assembléia de fundadores. sendo alienado apenas aos fundadores. Daí ser desnecessário alterar-se o estatuto social a cada ingresso ou exclusão de sócio.2. mesmo. sociedades de capital. a sociedade nasce: . acompanhado de uma das expressões companhia ou sociedade anônima.404/76.

debêntures e bônus de subscrição. pessoa jurídica nacional). através de uma autarquia conhecida como Comissão de Valores Mobiliários (CVM). pois. ainda que emitam esses títulos. o mercado de balcão opera com uma ou outra forma. A Lei no 6. Importante o leitor perceber que o fato de a sociedade ser considerada fechada não significa que ela ou os titulares dos valores mobiliários não possam vendê-los a outrem Em absoluto. executam o trabalho de oferecimento público dos valores disponibilizados pelas sociedades anônimas. admitidos à negociação no Mercado de Valores Mobiliários. A bolsa é uma instituição de Direito Privado que facilita o intermédio. o art. A bolsa e o mercado de balcão diferem quanto ao produto. por meio de agentes muitas vezes designados pelas pessoas jurídicas. processarem a oferta via mercado de valores mobiliários. de títulos das companhias autorizadas pelo Governo Federal (não é autorização para funcionar. mas sem o apelo popular. pela qual a sociedade fica temporariamente com . Aqui cabe uma digressão a respeito do Mercado de Valores Mobiliários. Poderão. como ações. à exceção da subsidiária integral (sociedade anônima cujo capital encontra-se totalmente nas mãos de um único acionista. mas a permissão para o oferecimento público). não usufruem da mesma oportunidade. posto ser o exercício da atividade livre a qualquer um que satisfaça as condições. mas realizado fora da bolsa. enquanto a primeira não trabalha com novas ações emitidas pelas companhias (mercado primário). tanto a sociedade como o dono da ação. o que não é possível é as companhias assim classificadas outrem. igualmente. enquanto as fechadas. • aberta – com a oferta pública das ações. ficando adstritas a contatos pessoais com os compradores (a qualquer tempo a companhia pode passar de uma a outra categoria).404/76 previu ainda a necessidade de a companhia obedecer aos seguintes requisitos para correta constituição: • pluralidade de pessoas – é condição comum a todos os tipos de sociedades previstos no Direito brasileiro. 4o da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que as primeiras são as que têm seus valores mobiliários. Ao classificar as companhias entre abertas ou fechadas. aliená-la a qualquer interessado.142 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • fechada – com o capital social inteiramente nas mãos dos fundadores. Este compreende a bolsa de valores e o mercado de balcão. Já o mercado de balcão compõe-se das sociedades corretoras e instituições financeiras que. assim como da unipessoalidade incidental (hipótese prevista tanto no Código Civil de 2002 como na Lei das Sociedades Anônimas. apenas com ações que se transferem de um acionista para outro (mercado secundário).

Como formalidade complementar à constituição.3. bens e direitos (sendo com bens. no mínimo. de pleno direito. sujeitando-se à cobrança de juros e multa. Deveres dos Acionistas Há duas formas de entrar para o quadro social de uma sociedade anônima. em se tratando de sociedade anônima. continua responsável frente à sociedade. situação pela qual nenhuma obrigação mais poderia ser cobrada do subscritor. 9. do aumento do capital social. ser constituído em mora. Uma é subscrevendo parcela do capital da empresa. • depósito bancário – a parte do capital social vendida à vista deverá ser depositada em instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil. Entretanto. pela quantia não realizada do capital social. seja no momento de sua fundação ou em período posterior. Sócio que não cumprir a obrigação deverá. ou no prazo de cento e oitenta dias. perante a sociedade. 106. • realização de 10%. outra seria a aquisição de ações negociadas diretamente com outro acionista. se em direitos. por exemplo. mesmo que tenha quitado sua obrigação com a parte alienante. temos: • arquivamento do ato constitutivo – o estatuto social deverá ser arquivado na Junta Comercial. do capital subscrito – significa dizer que pelo menos 10% do capital subscrito deverão ser alienados à vista (50% é o percentual exigido. . mesmo. a transação pode ser efetivada com o pagamento à vista de numerários ou. pela satisfação do crédito). ou seja. se alguém comprar ações de outro sócio. Em resumo. conforme previsto no art. mediante o pagamento do valor pactuado entre as partes. Na primeira hipótese. quando for a sociedade regida pelo Código Civil). caso aquelas ações estejam sem a completa integralização (a lei prevê responsabilidade solidária entre vendedor e comprador dos títulos). responsabiliza-se o subscritor por vícios na coisa. não podendo a penalidade ser superior a dez por cento do valor da prestação. parágrafo 2o. até o ingresso de outro. Idêntico raciocínio pode ser construído para a segunda hipótese. quando. que poderá acontecer até a próxima reunião da assembléia geral ordinária. quando detentor de parcela do capital social que tenha sido totalmente realizada.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 143 Série Impetus Provas e Concursos um único sócio. quando a sociedade for instituição financeira). o sócio permanece devedor. conforme fixação no estatuto. o acionista só deixa de ser devedor da sociedade. sendo o negócio realizado a prazo.

2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial valor patrimonial). o preço de emissão das ações adquiridas.4. assim como o não-pagamento de obrigações trabalhistas ou previdenciárias. ou depois. baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado mercado). são normalmente imputados aos administradores.144 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que a disciplina das sociedades anônimas dispensa a prévia notificação do sócio inadimplente. a medida cabível é a redução do capital social.. da forma como acontece nas sociedades contratuais. Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. 3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial valor negocial). permanentemente. maioria de votos nas deliberações e usa seu poder para dirigir a companhia) solidariamente com os administradores. Caso não obtenha sucesso. Neste último caso.004 do CC/2002. valor 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão emissão). dentre outros. Outros deveres. Uma vez pago. Responsabilidades dos Acionistas A responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. no próprio estatuto social. servindo o boletim de subscrição ou o aviso de chamada expedido pela companhia como título executivo. por sua vez. o débito é imputado ao acionista controlador (aquele que tem. operação realizada por conta e risco do acionista. Outra opção posta à disposição da pessoa jurídica contra o acionista remisso é a venda das ações em bolsa de valores. ficam isentos de responder perante terceiros pelas obrigações assumidas em nome da pessoa jurídica. como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal valor nominal). Verificada a mora do acionista. preço . aspecto que estudaremos em tópico específico. É que estas podem ser valoradas de variadas formas. mesmo se o seu ativo for insuficiente para saldar todas as suas dívidas. enquanto que o efeito da desconsideração da pessoa jurídica atinge o(s) sócio(s) praticante(s) de ato(s) fraudulento(s). em assembléia geral ou reunião do conselho de administração. como a lealdade. O preço de emissão das ações. junto à companhia.A. para fins de ser ele considerado remisso. conforme consta do art. 9. 4 – montante estipulado por analistas de mercado. que a sociedade pode promover execução contra o sócio remisso. 1. é fixado quando da fundação da companhia. São exceções a essa regra as hipóteses de desconsideração temporária da personalidade jurídica. 107 da Lei das S. o zelo e a correta utilização das informações sobre a companhia. prevê o art.

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Em que pesem as muitas maneiras de enxergar o valor de uma ação, serve à definição da responsabilidade do acionista o preço de emissão. É dele que se permitirá indicar a existência de acionista remisso (inadimplente com a sociedade). Observem que competente para decidir a respeito da fixação do preço de emissão é a própria sociedade, através de seus membros. Estes deverão estar atentos à avaliação que a companhia alcança no mercado, para não emitirem ações com preço muito acima (hipótese na qual dificilmente conseguiriam vendê-las) nem abaixo (para não provocar uma diluição do patrimônio dos demais sócios) do que realmente valem. 9.5. Direitos dos Acionistas

Os acionistas gozam de direitos atribuídos pela lei ou pelo estatuto. São prerrogativas do tipo: fiscalizar a gestão dos negócios, votar nas deliberações da assembléia, colher dividendos proporcionais ao capital investido etc. A fim de facilitar o entendimento, iremos separá-los em duas categorias. A primeira é composta pelos direitos essenciais (os que não podem ser suprimidos), ao passo que a outra compõe-se dos não-essenciais (podem ser suprimidos). Desta forma, são considerados direitos essenciais, segundo o art. 109 da Lei o n 6.404/76: • participação no lucro e acervo da companhia – permite-se a retenção de lucros produzidos pela sociedade, desde que atinja todos os acionistas. Quanto ao acervo, este só se verifica em momento posterior à liquidação, quando é apurada a sobra porventura existente; • fiscalização da gestão – veremos, em seguida, que a administração da sociedade é concedida aos membros da diretoria e, se houver, do conselho de administração. Essas pessoas têm atribuições de conduzir os negócios da sociedade, praticando atos em nome da pessoa jurídica, que trarão repercussões para a vida social. Aos demais acionistas cabe fiscalizar a atuação desses agentes, afinal seus investimentos estão em jogo. O órgão competente para tanto é o conselho fiscal. Mas o acionista não precisa ficar adstrito a ele. Pode acessar livros sociais (desde que titular de, pelo menos, 5% do capital social), observar a prestação de contas dos administradores, além de outros instrumentos; • preferência na compra de valores mobiliários – no momento em que a companhia resolver colocar à venda novas ações ou, mesmo, debêntures, partes beneficiárias e bônus de subscrição (conversíveis em ações), tais títulos devem ser oferecidos inicialmente aos acionistas, que terão prazo de trinta dias para se manifestarem. Só após esse tempo, sem que tenha sido aproveitada a preferência, é que podem ser ofertados a terceiros;

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• direito de retirada – também conhecido como direito de recesso. Consiste no pagamento, por parte da sociedade, ao acionista dissidente de deliberação da assembléia geral na qual tenha sido parte discordante. Não é qualquer decisão contrária ao seu posicionamento, mas aquelas previamente definidas em lei. Assim, se a assembléia deliberou a mudança do objeto social ou a participação em grupo de sociedades, por exemplo, permite-se ao acionista que votou contra retirar-se do quadro social, mediante o pagamento do valor patrimonial das ações, a ser feito pela própria pessoa jurídica. A essa operação confere-se o nome de reembolso. Observem que o exercício desse direito não depende de autorização dos outros sócios; basta a materialização da hipótese legal para o seu exercício. Além desses direitos essenciais, existem outros que, diferentemente dos primeiros, permite-se serem negados ao acionista. Serve como exemplo o direito de voto nas assembléias gerais, que pode ser proibido aos detentores de partes das ações preferenciais (é espécie de ação caracterizada por conferir aos seus titulares direitos diferenciados, como prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital investido, mas podem não dar direito a voto). Sobre o tema, o art. 120 prevê a supressão, por parte da assembléia geral, de direitos aos acionistas que se encontrem em débito para com a companhia. É claro que os direitos aqui referidos não podem ser nenhum dos considerados irrenunciáveis, mas outros, a exemplo do direito a voto aos acionistas ordinários. 9.6. Administração da Companhia

A condução dos negócios de uma sociedade anônima compete a dois órgãos componentes de sua estrutura. Um é a diretoria, cuja existência é obrigatória; outro é o conselho de administração, obrigatório apenas nas de capital aberto, nas sociedades de economia mista (aquelas nas quais a maior parte do capital social pertence ao setor público, enquanto outra parcela está nas mãos da iniciativa privada) e nas de capital autorizado (sociedades cujos estatutos contêm, além da definição do capital subscrito, uma autorização para futura subscrição e conseqüente aumento de capital). Nas demais, a existência de conselho de administração é facultativa, ficando a critério dos próprios acionistas decidir sobre a matéria. Ambos os órgãos compõem-se de pessoas naturais. Do conselho somente participam acionistas, enquanto que a diretoria pode reunir sócios ou não. Em todo caso, são esses agentes que irão efetivamente administrar a companhia, sendo, portanto, considerados seus administradores.

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Relacionado a esse tema, o ponto que desperta o maior interesse da doutrina é a definição da responsabilidade dos administradores. O art. 158 da Lei no 6.404/76 estabelece que os administradores não são responsáveis por atos regulares de gestão, ainda que tragam prejuízo à pessoa jurídica. Responderão, contudo, quando procederem com culpa ou dolo, mesmo que no âmbito de seus poderes, ou quando violarem a lei ou o estatuto social. É a chamada responsabilidade subjetiva do agente, diante da empresa prejudicada. Desta forma, durante o período em que está à frente dos negócios, o administrador precisa tomar decisões, celebrar contratos, realizar operações, muitas vezes definindo o destino da organização. Evidente que ele, mesmo se cercando dos cuidados e diligências necessárias, pode cometer erros de previsão, quando determinado resultado seja aquém do esperado. Nesta hipótese, ainda que seu ato incorra em dano patrimonial à companhia, ele não fica obrigado a indenizá-la. Entretanto, se agiu irregularmente, extrapolando os limites de seus poderes, ou, mesmo, de forma negligente, imprudente ou com imperícia, ou, ainda, buscando aquele resultado danoso, estará passível de indenizar a sociedade, mediante ação de responsabilidade civil prevista no art. 159, interposta pela própria companhia, após deliberação da assembléia geral. Na inércia da pessoa jurídica, permite-se a qualquer acionista a iniciativa pela ação, desde que decorridos três meses da assembléia que deliberou pela sua impetração. Outrossim, ainda que contrária à decisão da assembléia, acionistas que representem pelo menos 5% do capital social poderão fazê-lo. Complementa a exegese do art. 158 a responsabilidade por omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o correto funcionamento da companhia. Significa dizer que o administrador que não providenciou determinada licença junto a um órgão público, por exemplo, pode responder perante a sociedade por prejuízo sofrido pela pessoa jurídica, oriundo da ação governamental no exercício de seu poder de polícia. Neste ponto, o mesmo art. 158 em análise faz uma diferença quanto às sociedades fechadas ou abertas. Sendo companhia de capital fechado, a responsabilidade pelo descumprimento de dever imposto por lei é solidária por todos os administradores, ainda que de áreas de atuação que não digam respeito especificamente àquela onde se deu a omissão. Escapa da responsabilidade o administrador de outra área que consignar, em ata de reunião do órgão do qual participe, sua divergência em relação à atuação omissiva. Por outro lado, em se tratando de sociedade de capital aberto, a solidariedade alcança apenas os administradores que tenham funções correlatas. Livram-se estes se consignarem em ata de reunião do respectivo órgão, desde que comuniquem a divergência à assembléia geral.

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Conclui-se que os administradores de sociedade de capital fechado devem ficar ainda mais vigilantes em relação à atuação dos demais, já que correm risco de responder solidariamente por omissões dos outros. Percebam que a responsabilidade tratada neste tópico é do administrador perante a companhia da qual participe, não diante de terceiros prejudicados. Isso acontece porque, na disciplina da Lei da Sociedades por Ações, não há previsão de o administrador de sociedade por ela regida responder diretamente por danos provocados a terceiros decorrentes de atuação sua. Seguindo aquele diploma, é a pessoa jurídica quem tem obrigação de ressarcir terceiros prejudicados, cabendo-lhe direito regressivo contra o administrador, desde que configuradas hipóteses legais. No entanto, a partir do que estabelece o art. 1.089 do Código Civil, que prevê a regência supletiva das disposições do código para as sociedades anônimas, o art. 1.015 veio suprir uma lacuna da Lei no 6.404/76, ou seja, da combinação de ambos possibilita-se a responsabilização direta do administrador que provocou danos a terceiros, conforme exposto no item específico tanto das sociedades simples como das limitadas. 9.7. Órgãos da Companhia

Na busca em realizar seu objetivo, a sociedade anônima necessita estar organizada, com suas funções distribuídas por órgãos específicos, assim conhecidos: • ASSEMBLÉIA GERAL – reunião dos acionistas competentes para resolver todos os negócios de interesse da companhia. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros, relacionados no art. 132, quais sejam: tomar as contas dos administradores e votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro e distribuição de dividendos, eleger administradores e membros dos conselho fiscal, além de aprovar a correção da expressão monetária do capital social; extraordinária – acontece a qualquer época, servindo para decidir temas não-rotineiros, tais como: reforma do estatuto, transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, autorização aos administradores para confessar falência ou pedir concordata (esse instituto foi substituído pela recuperação judicial ou extrajudicial), criação de partes beneficiárias, entre outros. Geralmente diz-se que os assuntos concernentes à AGE são determinados por exclusão, ou seja, não sendo nenhum daqueles discriminados no art. 132, compete à assembléia extraordinária.

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Para a legalidade das deliberações de uma assembléia, existem certas formalidades a serem seguidas, como forma de convocação, lavratura das atas e número mínimo de acionistas. O quantitativo de presentes é importante em dois momentos. No primeiro, avalia-se a presença de acionistas para iniciar a reunião. Depois, a quantidade necessária à aprovação das matérias. Logo, tem-se que respeitar os seguintes quóruns: para instalação – a regra geral é a presença de acionistas que representem pelo menos 1/4 do capital social com direito a voto, na primeira convocação. Não atingido esse número, vale qualquer percentual em segunda convocação. Se o objeto da reunião for a reforma do estatuto, eleva-se a representatividade do capital social a 2/3, pelo menos, na primeira convocação, sendo qualquer número na segunda; para deliberação – a regra geral é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião, respeitada a proporcionalidade de participação no capital social de cada um. Versando o assunto sobre matérias constantes do art. 136 da Lei no 6.404/76 (fusão, cisão, participação em grupo de sociedades, mudança de objeto etc.), é necessário voto da metade representativa do capital social. Unanimidade será necessária para aprovar a transformação da companhia, salvo se prevista no estatuto. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – órgão de deliberação colegiada obrigatório nas S.A. de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Compõe-se de, pelo menos, três membros, todos sócios, segundo o caput do art. 146 da Lei das Sociedades Anônimas, residentes ou não no país, eleitos e destituíveis pela assembléia. O art. 142 elenca as atribuições desse órgão, dentre elas: eleger e destituir diretores, fixando suas remunerações; promover orientação geral dos negócios e fiscalização da gestão dos diretores, além de deliberar, quando autorizado pelo estatuto, a emissão de ações e bônus de subscrição. A finalidade da existência do conselho é conferir maior agilidade a decisões originárias da assembléia, porém não-privativas, repassadas por delegação. • DIRETORIA – é órgão de representação da companhia, além de ser responsável pela execução de seu objeto. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, mas com residência no país, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração ou, se não houver, pela assembléia. Na sua composição, admite-se até um terço dos membros do conselho de administração. São eles que irão efetivamente administrar a companhia.

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Direito Comercial — Carlos Pimentel

• CONSELHO FISCAL – órgão de fiscalização dos negócios da empresa, com atribuições previstas no art. 163, dentre elas, opinar sobre relatório anual da administração, fiscalizar atos dos administradores; denunciar aos órgãos de administração erros, fraudes ou crimes que descobrirem etc. Compõe-se de, no mínimo, três a, no máximo, cinco membros, além de suplentes em igual número, eleitos pela assembléia, entre acionistas ou não (não podem participar integrantes de outros órgãos da administração). Pode funcionar de forma permanente ou apenas nos exercícios nos quais houver pedido de acionistas (nas sociedades de economia mista, seu funcionamento é permanente). O quadro na folha seguinte facilita a compreensão da matéria.

CAMPUS

ASSEMBLÉIA GERAL

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL

Capítulo 2 — Direito de Empresa

Reunião de acionistas da companhia. É órgão máximo de deliberação, podendo o estatuto conferir ao conselho de administração poder pertencente à AG, menos os descritos no art. 122, por serem de sua competência privativa, tais como: reforma do estatuto, eleição no conselho fiscal, emissão de debêntures etc. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros descritos no art. 132, como tomar contas dos administradores, votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro, eleição dos administradores e membros do conselho fiscal; extraordinária – realizada em qualquer época para tratar de temas não-rotineiros, como reforma do estatuto, emissão de debêntures e partes beneficiárias, mudança de objeto, transformação, autorização aos administradores a confessar falência ou pedir concordata etc.

Colegiado de deliberação, com existência facultativa, salvo nas sociedades anônimas de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Suas atribuições estão no art. 142 da Lei das S.A. Geralmente, são originárias da assembléia geral, porém, a fim de trazer agilidade às decisões, são transferidas ao conselho, com permissão do próprio estatuto, senão, vejamos: deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição (exigível autorização estatutária), orientação geral dos negócios, eleição e destituição dos diretores, além de auditores independentes, se houver. Suas decisões não obrigam a companhia para com terceiros. Compõe-se de três membros, todos sócios, residentes ou não no Brasil, eleitos e destituíveis pela assembléia geral.

Órgão de representação da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, responsável pela execução de seu objeto. Seus atos obrigam a companhia, tanto interna como externamente. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, residentes no país, eleitos e destituíveis pelo conselho de administração ou pela assembléia geral. O mandato é de três anos, permitida a reeleição.

Órgão de fiscalização dos negócios da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, mas de funcionamento permanente facultativo, salvo nas de economia mista. Sua função é opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores, fiscalizando seus atos e denunciando incorreções, além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. Compõe-se de três a cinco membros, com suplentes em igual número. São eleitos em assembléia geral, dentre acionistas ou não, mas residentes no país. Não podem participar do conselho membros de órgão de administração, empregados da companhia ou parentes até terceiro grau dos administradores.

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Unanimidade é para a aprovação de transformação. salvo se houver no estatuto.152 Série Impetus Provas e Concursos O quórum obedece às seguintes regras: para instalação – em primeira convocação. são 2/3 do capital social votante. 136. passando à metade do capital social com direito a voto (em ambos se respeita a participação de cada sócio no capital social). para deliberação – a regra é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião. Direito Comercial — Carlos Pimentel . e qualquer número em segunda. Para reforma do estatuto. Excetuam-se as hipóteses do art. vale qualquer número. Em segunda. 1/4 do capital social com direito a voto.

partes beneficiárias e bônus de subscrição. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios. Esse ato possui natureza impositiva.A. ordinárias ou preferenciais. se autorizado pela assembléia geral. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. que vai estabelecer se elas terão ou não valor nominal. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. estudadas adiante. São quatro os tipos de papéis: ações. Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. observando disciplinamento do estatuto. Na realidade. Em outras palavras. posto que. prevendo sua futura liquidação. No entanto. Uma vez negociados.1. ou 10%. pelo menos na regra geral. 9. além de ser proprietário de um bem de fácil negociação. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. obrigatoriamente os valores individuais serão iguais (não se permite a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. posto que a sociedade.8. inclusive. Se tiverem. . a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. Aqui. sob pena de nulidade do ato). Conceito A fim de captar recursos. Para essa operação. exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. 44 e 45 da Lei das S. são substituídas pelas de gozo ou fruição. Valores Mobiliários 9. O titular de uma ação de qualquer espécie. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa. se a sociedade for fechada. Ações São unidades do capital social e seu número será fixado pelo estatuto da companhia. ou até tornar a companhia fechada. debêntures. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas.8. o acionista não pode opor-se a ele. com redução ou não do capital social. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações. não pode haver redução do capital social.8..CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 153 Série Impetus Provas e Concursos 9. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação. torna-se acionista da sociedade. em se tratando de companhia aberta.2. decidir os destinos da companhia. podendo.

aqui entendidas de todas as espécies. conferem prioridade na distribuição de dividendos. O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. com recursos provenientes dos lucros ou reservas. enquanto o restante fica em igualdade de condições com as ordinárias. fixos ou mínimos. as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias. além do direito de voto. São espécies de ações: • ordinárias – são de existência obrigatória em todas as sociedades por ações. 3% do valor do patrimônio líquido da ação. e no reembolso do capital social. 15 da Lei das S. ser composta de preferenciais. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações. O parágrafo 2o do art. • preferenciais – além de outros direitos definidos na lei. no mínimo. nesse caso. pelo menos. Nesta condição. a sociedade não pagar dividendos fixos ou mínimos. b) ao . neste período. pelo prazo fixado no estatuto. Significa afirmar que é facultado às companhias emitirem até a metade de suas ações. exceto a legal e. 202. não ordinárias. garantindo-se. que não poderá ser superior a três exercícios consecutivos. limitou em 50% do número total de ações emitidas o quantitativo de ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição nesse direito. Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desse direito somente podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuído pelo um dos seguintes direitos: a) aos dividendos distribuídos correspondentes a. necessariamente. De outra forma. 111 garantiu aos acionistas preferenciais sem direito a voto a aquisição desse direito quando. O art. 25% do lucro líquido. sem direito a voto.5 deste Capítulo).A. tais como voto na assembléia e recebimento de dividendos. Se. calculado na forma do art. e com prioridade no recebimento. reduz-se o capital social. Faculta-se ainda terem poder de voto. os acionistas não forem substituídos. prerrogativa que conservarão até que tais pagamentos sejam feitos. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. Só que a metade sem esse direito deverá.154 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso (ver item 9. Sua propriedade confere direitos de participação nos lucros e acervo da companhia.

prevê como forma das ações apenas as nominativas. que previam a emissão de ações endossáveis e ao portador. assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. O art. • de gozo ou fruição – apesar do pouco uso. registradas. o art. foram revogados pela Lei no 8. consta o nome do proprietário. de sorte que as ações ordinárias das sociedade anônima de capital aberto devem atribuir a seus titulares o mesmo conjunto de direitos. ou c) de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle. pelo menos 10% maior que o atribuído a cada ação ordinária. as ações dessa forma também são nominativas. . o art. Conclui-se. de acordo com os direitos que conferem a seus titulares. as quais podem ser escriturais ou. No entanto. 20. 254-A. Na forma. conforme a doutrina vem consagrando. pois são mantidas em conta de depósito numa instituição financeira autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. ao mesmo tempo em que retira de circulação ações de sua emissão. Sua principal finalidade é a redução de papéis na companhia. as ações podem ser: • nominativas – possibilitam a identificação de seus titulares. 32 e 33. Quando são alienadas. nas condições previstas no art. a pessoa jurídica amortiza parte de sua dívida com os acionistas. 34 admite a emissão de ações a serem mantidas em conta de depósito aberta em nome do acionista. restringiu tal separação às ações ordinárias de companhia fechada e às preferenciais da companhia aberta ou fechada. e sua propriedade importa em registro no Livro de Ações Nominativas. que todas as ações devem ser nominativas. Na verdade. portanto. por ação preferencial. pois. A circulação delas se processa por meio de lançamento contábil na conta específica. 15. Nesta situação. • escriturais – são aquelas que não possuem certificados. pertencente à sociedade. são empregadas na substituição de ordinárias ou preferenciais. Contudo. respeitando-se os mesmos direitos que eram concedidos às substituídas. inclusive. parágrafo 1o.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 155 Série Impetus Provas e Concursos recebimento de dividendo. no registro próprio. vedando-se a separação por classes. Permite-se a divisão das ações em classes. Para que os beneficiários não fiquem sem títulos representativos da pessoa jurídica. os arts. quando a companhia resolver antecipar aos titulares desses dois tipos de ações valores a que eles só teriam direito por ocasião da liquidação da sociedade. além da transferência da cártula.021/90. faz-se registro no mesmo livro. emitem-se ações de gozo ou fruição. De outra forma.

9. c) direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos. A deliberação para emissão de debêntures é de competência privativa da assembléia geral e o valor total da emissão não pode ser superior ao capital social. conforme a combinação dos arts. . contudo. Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia ou seja. 46. prevê o art. O debenturista não é sócio. a atribuição para emissão pode ser delegada ao conselho de administração. o companhia. haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. apesar de sua escritura de emissão poder prever a conversibilidade em ação. inciso IV. parágrafo 4o). Debêntures São títulos igualmente emitidos pelas sociedades anônimas.3. Proíbe-se.8. parágrafo 1o. e 59. 9. b) exigência de nacionalidade brasileira do acionista. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. desde que autorizada pela assembléia geral. desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim. Se a sociedade não apresentar resultado positivo. empréstimos feitos por ela junto ao público. Partes Beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. Em se tratando de debêntures sem garantia ou subordinada. seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar. No entanto. permite-se sua conversão em ação. mas credor da sociedade. Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista. 122. ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores.4.156 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em se tratando de ações ordinárias de companhias fechadas. 16 que podem ser de classes diversas em função de: a) conversibilidade em ações preferenciais.8. cuja propriedade confere direito de crédito contra a companhia pois representam verdadeiros companhia. direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). acionistas (como vantagem adicional de classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados).

Há quatro espécies desse título: • com garantia real – conferem a seu titular uma segurança maior no recebimento de seu crédito. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. A deliberação para sua emissão compete à assembléia geral. posto estarem garantidas por um direito real (penhor. Bônus de Subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado. Normalmente é alienado pela companhia. ficando seu titular situado na mesma situação dos credores quirografários.8.5. na ordem de subordinada prioridade de satisfação dos créditos. ações ou partes beneficiárias. • sem garantia – não gozam de qualquer privilégio. se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 157 Série Impetus Provas e Concursos O art. • com garantia flutuante – a maior garantia desta espécie só se materializa em caso de falência da sociedade emissora. em caso de falência. assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. até determinado limite de autorização). hipoteca. Se alienado. Na verdade. anticrese) sobre determinado bem. Por ocasião da subscrição das novas ações. 53 permite a emissão de debêntures de mais de uma série. Não se trata. 9. seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado. estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus. portanto. . de competência privativa da assembléia. ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. sendo também conhecida por subquirografária. em função dos direitos conferidos ao titular. • subordinada – esta espécie aparece ainda abaixo da anterior. quando seu titular terá seu crédito classificado junto a outros com privilégio geral geral.

Sim. e) Presença dos Acionistas. 100. f) Atas das Reuniões do Conselho de Administração e Atas das Reuniões da Diretoria. devem se destinar à defesa de direitos e ao esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários. o parágrafo 1o do mesmo art. Para tanto. permitindo-se à companhia cobrar o custo do serviço. ordenada judicialmente. Livros Sociais Além do Livro Diário. a pedido de acionistas que representem 5% do capital social.10. Evidente que nem todos esses livros são de uso obrigatório a todas as companhias. por exemplo. a Lei no 6. quando apontados atos violadores da lei ou do estatuto. 9. e. 105 a exibição por inteiro dos livros da companhia. ou haja fundadas suspeitas de graves irregularidades na atuação dos órgãos da sociedade. cabe ao interessado recurso à Comissão de Valores Mobiliários. obrigatório a todos os empresários. c) Registro de Partes Beneficiárias Nominativas e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas. De outra forma. os Livros de Registro e Transferência de Ações Nominativas.9. Demonstrações Financeiras Ao final de cada exercício social. tornou obrigatória às sociedades anônimas a manutenção dos seguintes livros: a) Registro de Ações Nominativas. porque há aquelas que não possuem conselho de administração ou que não emitem partes beneficiárias.158 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. d) Atas das Assembléias Gerais. dispensam tal escrituração. 100 garante a qualquer pessoa o fornecimento de certidões dos assentamentos constantes dos livros citados no parágrafo anterior. previstas no art. especialmente em seu art. 176: . ainda sobre o acesso à escrituração da companhia.404/76. Na hipótese de indeferimento do pedido. b) Transferência de Ações Nominativas. a diretoria da companhia fará elaborar as seguintes demonstrações financeiras. e de Registro e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas podem ser substituídos por registros mecanizados ou eletrônicos A respeito do acesso às informações constantes dos livros. conforme exposto no item 11 do Capítulo 1. prevê o art. conseqüentemente. Em se tratando de companhias abertas. pessoas físicas ou jurídicas. g) Atas e Pareceres do Conselho Fiscal.

posta no art. No passivo estão contabilizadas as obrigações. os dividendos. até chegar no lucro ou prejuízo líquido do período. Por último. O balanço patrimonial deve apresentar as contas de ativo. a demonstração das origens e aplicação de recursos. seja no pagamento de dividendos. Lucros. b) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. É no ativo que se localizam as contas representativas de bens e direitos da companhia. c) demonstração do resultado do exercício. redução do passivo etc. aquisição de ativo imobilizado.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 159 Série Impetus Provas e Concursos a) balanço patrimonial. 981 do Código Civil. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados reflete o desempenho social.Disposições Preliminares Na definição de sociedade. assim como da utilização dos mesmos. A demonstração do resultado do exercício exprime o resultado positivo ou negativo da companhia.1. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. 9. Contudo. É claro que esse pode ser aquém do esperado ou. um instrumento capaz de expor as modificações na posição financeira da companhia.11. além das transferências para reservas. indicando basicamente as fontes dos recursos. mesmo. os ajustes dos exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial. ninguém ingressa no quadro social de sociedade pensando em perder. quando todos terão que suportar proporcionalmente a perda.11. a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. a exemplo do lucro do exercício. passivo e patrimônio líquido da companhia. o legislador deixou claro que as pessoas que dela resolvem participar o fazem na intenção de partilhar o resultado obtido. pois é da essência daquela pessoa jurídica a busca pelo lucro. Já o patrimônio líquido representa o resultado da equação do ativo subtraído do passivo. dispostas na ordem decrescente do grau de liquidez. a partir da discriminação das receitas e despesas. negativo. igualmente classificadas em ordem decrescente de exigibilidade. d) demonstração das origens e aplicações de recursos. . indicando o saldo do início do período. da realização do capital social ou dos recursos de terceiros. Reservas e Dividendos 9.

senão vejamos: a) reserva legal. antes de qualquer participação. este será absorvido pelos lucros acumulados. Os arts. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. Sendo a soma superior ao capital social em 30%. 189. pelas reservas de lucros e pela reserva legal. 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo. e) reserva de lucros a realizar. antes de qualquer outro encaminhamento. estabeleceu que. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social. b) reservas estatutárias. Isso acontece por várias razões. c) reservas para contingências. 9. No entanto. d) retenção de lucros.160 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Partindo dessa premissa. está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda. exceder em 30% o capital social. parágrafo único). nessa ordem. do art. Somente após todas essas reduções. explicitando natureza e modo de criação. f) reserva de capital. chega-se ao lucro líquido do exercício. De outra forma. nessa ordem (art. base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido.11.2. Portanto. Por lado. . o art.A. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social.A. da Lei das S. será este último montante o seu limite máximo. Do que sobrar após a feitura dessa equação. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. prevê o art. havendo prejuízo no exercício.Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas. o parágrafo 1o. do resultado do exercício. administradores e partes beneficiárias. 189 da Lei das S. 193 a 200. 182. conforme a natureza da reserva. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social.

c) resgate de partes beneficiárias. dispõe o art. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. nos termos do art. da mesma forma que as reservas estatutárias. 182. por ocasião de futuros prejuízos. da Lei das S. Desta forma. Para tanto. previu o art. em exercício futuro. 198 limita a formação desse tipo de reserva. Desta forma. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. mas a criação é feita por meio do estatuto social. Desta forma. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. Uma vez constituídas as reservas de capital. embora contabilizados. conforme dispõe o art. parágrafo 5o. se previstas tal vantagem no estatuto social. que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. de que trata o art. Na verdade. parágrafo 1o. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 161 Série Impetus Provas e Concursos As reservas estatutárias. a fim de evitar abalo em sua saúde financeira. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. b) no resgate. prevê o art. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. que são formadas por contas que. Por fim. por proposta dos órgãos de administração e. A criação dessa reserva é feita pela assembléia geral. será revertida. 202. cujo valor possa ser estimado. As reservas para contingências são criadas para compensar. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. possuem alguma relação com ele. Apesar da faculdade conferida. o art. por proposta dos órgãos de administração e. depende de deliberação da assembléia geral. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. 202.. reembolso ou compra de ações.A. é uma atitude prudente por parte da sociedade. têm previsão na lei. conforme o nome sugere. 17. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. d) incorporação ao capital social. d) doações recebidas e subvenções para investimento. . a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. apesar de não integrarem o capital social da sociedade. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. as reservas de capital. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros.

3. 202. reduzir-lhes seu valor. a serem fixados no estatuto da companhia. citado no parágrafo antecedente. por deliberação da assembléia geral. 9. mesmo. 201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido. Se o fizerem.Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas. sem prejuízo da ação penal cabível. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. se coniventes. O art. 201. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício. parágrafo 4o). São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. a lei criou os dividendos obrigatórios. em se tratando de ações preferenciais. Caso. pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse. Dividendos Obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. Pelo parágrafo 2o do art. não haja tal previsão no estatuto. há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou.11. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. 201. à conta das reservas de capital. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. claro. igualmente por deliberação unânime da assembléia geral.11. se os órgãos de administração informarem à assembléia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art.3. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal. de lucros acumulados. Desta forma. Entretanto. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. o art. b) em se tratando de companhia fechada. se a assembléia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. porém.1. De outra forma. . desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. na omissão do estatuto. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. devendo repor ao caixa social a importância distribuída. c) se a companhia for aberta.162 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. da reserva de lucros ou. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações.

deduzido apenas da reserva legal. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários (o leitor deve se reportar ao item 9. b) nos casos previstos no estatuto. prevê as seguintes hipóteses para dissolução. no mínimo.8.2. 206 da Lei das S.3. de pleno direito. algumas regras. d) pela existência de um único acionista (unipessoalidade incidental). conforme a exegese do art. Dividendos Prioritários Vimos no item 9. devemos entender por dissolução a etapa na qual a sociedade interrompe a sua atividade econômica.2. na forma da lei.A. esses conceitos não se alteram. e) pela extinção. deste capítulo que os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos.12. de autorização para funcionar. 9. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios. Dissolução. a extinção. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. Na disciplina das sociedades por ações.. quando acontece o fim da personalidade jurídica.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 163 Série Impetus Provas e Concursos 9. dois acionistas (excetua-se a subsidiária integral). verificada em assembléia geral ordinária. Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado.8. Pois bem. contudo.11. Liquidação e Extinção Conforme exposto no item referente às sociedades contratuais. os acionistas ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos. A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício. mudam. quando comparados com os titulares de ações ordinárias. deixando de aceitar novos pedidos e comprometendo aqueles já realizados. Por último. que podem ser fixos ou mínimos. . 203. O art. da companhia: a) pelo término do prazo de duração. concedendo-se um prazo até a assembléia seguinte para a recomposição do quadro social como. ou em percentual do patrimônio líquido.2. deste Capítulo). c) por deliberação da assembléia geral (exige-se quórum qualificado de metade dos acionistas representantes do capital social). A liquidação representa a alienação do ativo para que seja partilhado entre credores e sócios da pessoa jurídica.

Os arts. em regra.164 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por decisão judicial é a dissolução que ocorre nos casos de: a) quando anulada a sua constituição. 1. em ação proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. deverá mantê-lo. No entanto. o conselho fiscal pode não ter funcionamento permanente. não seja iniciada em trinta dias a liquidação. a liquidação extrajudicial ou amigável. salvo. são os mesmos do liquidante das sociedades contratuais. porém a liquidação passa a ser judicial. quando o liquidante será nomeado pelo juiz. em regra. o art.1. ou se o for. dissolvida a sociedade de pleno direito. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. 217 da Lei das S. Por outro lado. Neste caso. competindo à assembléia geral nomear o liquidante e o conselho fiscal. com destaque para a prática de todos os atos necessários à liquidação. assim como fez o Código Civil. se autorizado pela assembléia. deste Capítulo. sem prévia autorização da assembléia. receber e dar quitação.A. vai depender do que dispuser o estatuto. em ação proposta por qualquer acionista. ainda assim de forma temporária. b) quando provado que não pode atingir seu fim. igualmente judicial será a liquidação. transigir. c) em caso de falência. que terá funcionamento permanente até o fim do processo. conforme haja previsão em lei especial. Essa é a regra geral. os administradores ou a maioria dos acionistas se recusarem a proceder à liquidação amigável. Sendo a dissolução de pleno direito. opera-se. Não pode. Em relação às responsabilidades do liquidante. quando a dissolução for judicial. já reproduzidos no item 7. dissolvida a companhia de pleno direito por conta de extinção de autorização para funcionar. para as sociedades por ele regidas.1. 210 e 211 enumeram os deveres e poderes do liquidante que.104. competindo-lhe a nomeação do liquidante. que tenha sido interrompida por prazo superior a quinze dias (depende de requerimento do Ministério Público). A dissolução pode ainda se materializar por decisão de autoridade administrativa competente. inclusive alienar bens móveis ou imóveis. b) quando. gravar bens nem contrair empréstimo. bastando o pedido de qualquer acionista. . 209 prevê hipóteses em que a dissolução é amigável. equipara esse agente aos administradores da sociedade. o art. São elas: a) quando.8. contudo. em seu art. Também é defeso ao liquidante prosseguir na atividade social. Se a companhia tiver conselho de administração.

a Lei Federal no 5. em seu art. Interessante que a lei. 10. conforme previsão do art. apesar de sucinto. sem a liberdade existente nas contratuais. 3o. com as atribuições do Governo Federal para essa área. abrangendo os arts. A título de exemplo. quando omissa a lei específica. que faculta aos contratantes a inserção de cláusulas. quais sejam: incorporação. o que significa afirmar que a Lei no 5. Esses dispositivos não estabeleceram um novo regime jurídico para elas. Devemos entender a dicotomia muito mais como uma questão de semântica do que propriamente uma contradição legal. utiliza-se do termo “contrato”. ou de instrumento público. encontra respaldo na Carta Magna Federal. conforme acontece nas sociedades por ações.096. . parágrafo único. Sociedade Cooperativa 10. No entanto. Isso fica claro na observação do art. 219 da Lei das S.764/71 se encontra em vigor. igualmente estatutárias. desde que lícitas. que prevê a sua constituição a partir da ata da assembléia geral dos fundadores.764/71 já havia instituído o regime jurídico das sociedades cooperativas. 982.096 a regência supletiva das cooperativas pelas normas da sociedade simples em geral. o funcionamento e o objetivo. Adiante. 10. o apoio e estímulo ao cooperativismo e associativismo. o Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico tratando da sociedade cooperativa. 1. fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. 1. que também prevê outras três formas de extinção. O mesmo diploma também definiu a política nacional de cooperativismo.2. que prevê.A. 174. do Código Civil. além de outros temas relacionados às cooperativas. referindo-se ao ato constitutivo da cooperativa para. na medida em que seus sócios devem formalizar o ato constitutivo contendo artigos conforme a lei reguladora. 21. prevê o art. trazer seção específica a respeito do estatuto social.1. considerada uma sociedade simples por força do art. que podem ser conciliados com a legislação antiga. no art. extingue-se a companhia.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 165 Série Impetus Provas e Concursos Concluída a liquidação. Constituição A sociedade cooperativa é uma sociedade estatutária. parágrafo 2o. regulando a constituição. 14 da lei. em seu art. Antes da edição da Constituição de 1988. o capítulo do Código inseriu alguns novos princípios. e desde que respeitadas as características relacionadas no Código.093 a 1. Regência A sociedade cooperativa.

a própria lei classificou as cooperativas como sociedades de pessoas. e reforçado pelo inciso IV. Ao contrário das sociedades em geral. não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Características Principais O objetivo social das cooperativas é de natureza civil. estado civil. além da quota parte de cada um. 32. conforme ratificado no art. conforme explicitado no art. deve ser feito na Junta Comercial. de proveito comum. de uma safra de produtos agrícolas. sede e objeto social. 10. Desta forma. alínea a. O mesmo raciocínio deve ser empregado quando o resultado for negativo. conforme a previsão do art. não caracteriza circulação de mercadorias. pois visa à prestação de serviços aos associados. que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica.094. inciso VII. que previu a impossibilidade de cessão das quotas sociais a terceiros. No entanto. da Lei de Registro Público de Empresas. caput. 5o. inciso XVIII. pois o art. ou envolvendo mais de uma cooperativa. Antiga disposição constante dos arts. por parte de um sócio. 4o. da CF tornou livre a criação de cooperativas e associações. b) nome. idade. mas sempre perseguindo os objetivos sociais.166 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Do ato constitutivo devem constar: a) denominação. para ser negociada com terceiros. assim entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os associados. a respeito de necessária autorização governamental para funcionamento. 4o. exige-se o arquivamento de seu ato constitutivo que.934/94. 1. nacionalidade. 17 e 18 da lei. c) aprovação do estatuto. do . por exemplo. repita-se que a cooperativa não tem objetivo de lucro. Na verdade. Os atos cooperativos. proporcionalmente às operações realizadas por cada um. embora sendo considerada sociedade simples. este é chamado de “sobras líquidas do exercício” e. inciso IV. conforme já ressaltado. conforme prevê o art. conforme a disposição do art. estranhos à sociedade. mas sem o objetivo de lucro. Quanto à natureza. profissão e residência dos fundadores. a remessa à cooperativa. no 8. 79. deve ser rateado entre os sócios. d) mesmos dados pessoais dos eleitos para os órgãos de administração e fiscalização. não mais tem validade. inciso I. Isso não significa afirmar que deva ter prejuízo. ainda que por herança. Apenas quando houver futura comercialização é que poderá haver incidência tributária. passível de tributação pelo imposto de competência estadual. havendo resultado positivo.3. independentemente de permissão para funcionarem.

as constituídas por outras singulares. Sobre o nome.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 167 Série Impetus Provas e Concursos Código. Classificação das Cooperativas Quanto à forma pela qual se organizam. Outro traço marcante nas cooperativas é variabilidade ou dispensa do capital social. inciso I.094 do Código aboliu esse patamar inferior para formação da sociedade. desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto. Independentemente da forma e do percentual de participação dos sócios. que reúne federações ou cooperativas centrais. cada um terá direito a apenas um voto nas deliberações. possibilitando a admissão de associados individuais. No que se refere ao objeto ou à natureza das atividades desenvolvidas. nós temos: . as cooperativas podem ser: a) singulares. pessoas físicas ou jurídicas. desde que o quantitativo seja bastante para compor a sua administração. e seguindo a disposição do art. de forma industrial ou artesanal. a sociedade não terá capital social. a partir do cumprimento de exigências estatutárias. na busca pelo objetivo social. elas podem ser de diversas espécies. b) cooperativas centrais ou federação de cooperativas. merece um comentário destacado. ou cooperativas de trabalho. significando afirmar que os sócios podem contribuir apenas com serviços. c) confederação de cooperativas. que exigia número mínimo de vinte pessoas físicas para compor seu quadro social. 6o. o inciso II do art. a exemplo das cooperativas de crédito. Classifica-se como cooperativa de trabalho tanto aquelas que administram os serviços de seus cooperados como as que produzem determinado bem. No que pese essa disposição. 10. sendo a espécie mais usual em nosso país. Assim. Ao contrário do que previa o art. Depreende-se que os associados não podem dispor de suas quotas para fins de alienação a terceiros. Esta última. cooperativas agrícolas. Se todos assim o fizerem. 29 da lei determinou o livre ingresso a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade. que tenham por objeto atividades econômicas correlatas. mas a estes permite-se o ingresso na cooperativa. o art. acrescida do termo “cooperativa”. alterado na parte relativa ao número mínimo de associados. que são as constituídas por associados.4. 1. permitindo-se a admissão de pessoas jurídicas que tivessem atividades correlatas às das pessoas físicas. adota um denominação. da mesma ou de diferentes modalidades. 6o da lei.

composto por três membros efetivos e suplentes em igual número. que podem. da Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT. o art. além de outros assuntos. órgão encarregado da fiscalização dos atos cometidos pelos administradores. motoristas de táxi etc. desde que especificados no edital de convocação. parágrafo 1o. pode ser realizada a qualquer época. Esta. dentistas. para tratar de assuntos não-rotineiros. considerando-se cada uma individualmente. conforme prevê o art.168 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) cooperativas de mão-de-obra ou de serviços. mudança do objeto social. incorporação ou desmembramento. 10. destinadas à fabricação de produtos industriais por parte dos próprios cooperados. excluídos o que for de competência exclusiva da extraordinária. com poderes para decidir os negócios relativos ao objeto social. que pode ser ordinária ou extraordinária. b) cooperativas de produção. além das contas do liquidante. sem prejuízo da criação de outros para o mesmo fim. reunir trabalhadores das mais variadas áreas. 442. destinadas a reunir artesãos que confeccionam seus produtos para serem comercializados através da cooperativa. todos sócios eleitos pela assembléia geral. da Lei. da destinação das sobras. tem competência para deliberar a respeito da prestação de contas da administração. este último composto exclusivamente por sócios. dissolução voluntária da sociedade e nomeação de liquidantes. 31 determina a supressão de seu direito de votar e ser votado. De sua competência exclusiva são: a reforma do estatuto. nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. b) diretoria e conselho de administração. necessariamente realizada até o fim dos três meses seguintes ao término do exercício social. fusão. mantendo com eles vínculos trabalhistas. Observem que uma característica fundamental a qualquer ramo de atividade da sociedade cooperativa é a ausência de vínculo empregatício entre a cooperativa e os cooperados.5. até que sejam aprovadas as contas do exercício em que ele deixou o emprego. É claro que a cooperativa pode contratar funcionários. A ordinária. c) conselho fiscal. c) cooperativas artesanais. A assembléia é órgão supremo formado pelos associados. . com mandato limitado a quatro anos. eleição dos administradores. parágrafo único. a exemplo de médicos. Órgãos Compõem a estrutura de uma cooperativa: a) assembléia geral. Esses são os órgãos encarregados da administração da sociedade. pois cada um exerce suas atividades de forma autônoma. 47. Na hipótese de o associado vir a estabelecer relação empregatícia com a cooperativa. por sua vez. Essa previsão encontra respaldo no art.

de outros órgãos necessários à administração. conforme consta do art. parágrafo 1o. salvo se a sociedade ratificá-los. da Lei no 6. criados pelo estatuto especialmente para esse fim. 1. sem prejuízo das sanções penais cabíveis.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 169 Série Impetus Provas e Concursos 10. Em outras palavras. ou deles tirar proveito. essa disposição tem previsão no art. parágrafo 1o. o acesso a cargos públicos. Assim como acontece com as demais sociedades. a fé pública ou a propriedade. o sócio responde individualmente pelo valor de suas quotas. está o indivíduo reabilitado. Na Lei no 5. conforme prevê o art. Administração A administração da cooperativa é atribuída a pessoas físicas. parágrafo 1o. neste caso de forma proporcional às operações realizadas por cada um. ou contra a economia popular. peculato. de prevaricação.7.764/71. 147.6. que não podem ocupar uma mesma diretoria ou o conselho de administração. pode ser pessoalmente responsabilizado. 10. além dos condenados à pena que vede. Logo. até o segundo grau. não se responsabilizam pelos atos de gestão. vai depender do que dispuser o estatuto. além de igualmente assumir responsabilidade pelos prejuízos verificados nas operações sociais. pois. têm os sócios obrigação pessoal de integralizar suas quotas adquiridas junto à sociedade. entende-se que tal proibição somente perdura enquanto durarem os efeitos da condenação. A responsabilidade dos administradores também acompanha. ainda. peita ou suborno. Seu correspondente para as sociedades regidas pelo Código é o art. participantes da diretoria ou do conselho de administração. do CC/2002. 49. de acordo com o disposto no art. 47. Outra restrição à função é quanto aos parentes. 50. Sendo limitada. Embora constando apenas do artigo concernente ao Código Civil.404/76. a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. Na hipótese de o administrador deliberadamente ocultar a natureza da sociedade. ainda que temporariamente. em linha reta ou colateral. a dos seus pares nas demais sociedades. . uma vez cumprida pena. da forma como acontece com os demais tipos sociais. ou. concussão. salvo se agirem com culpa ou dolo. não podem ser administradores pessoas impedidas por lei. 51. enquanto para as sociedades por ações a normatização aparece no art. em operações que gerem obrigações para a pessoa jurídica.011. ou por crime falimentar. Responsabilidade dos Sócios Na cooperativa. pelo menos nas linhas gerais.

764/71. vale a regra da subsidiariedade. para elas. em qualquer caso. se o estatuto prevê responsabilidade ilimitada dos sócios. Dissolução da Cooperativa A sociedade cooperativa se dissolve. simplesmente. b) pelo decurso do prazo de duração. é causa de dissolução judicial. esta será similar à dos sócios da sociedade em nome coletivo. 1. de pleno direito. encontra correspondente para as sociedades regidas pelo Código. ou de sócio excluído. a apuração da responsabilidade se faz de maneira proporcional às operações efetivadas por cada cooperado. Entretanto. mas não há chance para transformação. quando. a limitação da responsabilidade aqui referida tem como patamar máximo a proporcionalidade entre a participação do cooperado nas operações que resultaram em prejuízo para a sociedade. saíram por conta de dissolução da pessoa jurídica. Sobre esse tema. entendido como os que saíram em virtude de infração legal ou estatutária. significando afirmar que houve o exaurimento do fim perseguido. contudo. o art. ou seja. pois a lei não prevê a possibilidade de transformação da cooperativa. os que deixaram de atender a requisitos de ingresso ou permanência na sociedade ou. Por outro lado. 57 a 62 da Lei no 5. d) devido à alteração de sua forma jurídica. inciso II.170 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Diante de terceiros. ou para desmembramento de cooperativa em tantas quantas forem necessárias ao atendimento dos interesses de seus associados.034. de sócio que foi eliminado. nas seguintes hipóteses. Em se tratando de sócio demitido.8. solidária com os demais e ilimitada. e) pela paralisação de suas atividades por prazo superior a cento e vinte dias. se observarmos os arts. 63: a) por deliberação da assembléia geral. no art. aí inseridos os que morreram. Assim. 36 prevê a responsabilidade deles perante terceiros até a aprovação das contas do exercício em que aconteceu o desligamento. aliás. c) pela consecução do objetivo social. os que tiveram incapacidade não suprida. quando constituída por prazo determinado. incorporação de uma(s) cooperativa(s) por outra. veremos previsão para a fusão de cooperativas. . assim considerado o que se retirou a pedido. 10. previstas no art. da forma como acontece com as demais sociedades. Este dispositivo. com a possibilidade de consumo de todo o patrimônio particular dos sócios.

404/76. enquanto. ainda.101. seria o Código Civil. possibilita-se haver acordo de acionistas. já foi escrito que o quantitativo mínimo de cooperados deve ser o que for suficiente para compor a administração. . ao ponto de tornar-se sua controladora.097 a 1. 1. Configurada uma das hipóteses reproduzidas acima. a Lei no 6. Tais investimentos podem acontecer envolvendo sociedades por ações. que tratam do número mínimo de sócios e da autorização do Governo Federal para funcionarem. quando o controlador será considerado de conformidade com o art. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. a norma legal cabível vai depender da situação concreta. A rigor. É claro que a definição do tipo de ligação deve reger-se pela norma que regulamenta a sociedade investida. quando a disciplina jurídica aplicada será o Código Civil de 2002. compete a qualquer associado promover medida judicial para sua dissolução. A depender de uma ou de outra espécie. É possível. enquanto que não mais pode ser exigida a autorização para funcionamento.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 171 Série Impetus Provas e Concursos Com relação às outras duas hipóteses referidas no artigo. 11. Para as primeiras. Nesta hipótese. 116 da Lei Federal no 6. e vice-versa. ou entre sociedades contratuais.404/76. teremos as seguintes formas de ligações entre as sociedades. que o entendimento do que seja poder de controle difere do aplicado às sociedades por ações. não há grandes distinções entre um e outro regime jurídico. Melhor explicando. e não havendo iniciativa para dissolução da sociedade. subordinada à Lei Civil. No mais. imaginemos uma limitada adquirindo ações de uma sociedade anônima. hipótese na qual o tema é regulado a partir do art. nas outras. torna-se desnecessária qualquer preocupação em identificar qual diploma normativo deva ser seguido. Do contrário. abaixo relacionadas. permite-se adquirir participação no capital social de outras. ainda que na qualidade de pessoas jurídicas. De notar. in casu. em se tratando de sociedades contratuais. o investimento de uma entidade regida pela Lei das Sociedades Anônimas em outra. e aqui não relacionadas. conforme previa a lei. arts. Ligações entre Sociedades Às sociedades. valem os votos efetivamente proferidos na assembléia ou reunião de quotistas. até mesmo devido à coincidência entre eles. contudo.

do capital social da outra. Informações a respeito do investimento relevante. além do poder de eleger a maioria dos administradores. referida no parágrafo antecedente. valem os mesmos comentários a respeito da participação recíproca. de modo permanente. • sociedades coligadas ou filiadas – quando uma participa com 10%. excluída a legal. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade na qual a controladora. que deverá ser alienada no prazo de cento e oitenta dias da aprovação daquela demonstração financeira. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações. ou mais. com direito a voto. aproveitam os mesmos . • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade de cujo capital social outra seja majoritária e possua a maioria dos votos na assembléia ou reunião de quotistas. Neste caso. suprime-se o direito de voto da parte excedente. assim como limitações para a participação recíproca. ou mais. sem controlá-la. desde que até o limite da soma das reservas da primeira. as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada. seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem. Para estas. Permite-se a participação da sociedade investida na investidora (participação recíproca). para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. B – Sendo as sociedades institucionais: • sociedades coligadas – quando uma participa com 10%. Excedido esse patamar. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses). ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. desde que aberta a companhia. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. diretamente ou através de outras controladas. sem controlá-la. excluída a de capital. do capital social da outra. verificado em balanço.172 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A – Sendo as sociedades contratuais: • simples participação – configura-se quando uma sociedade possui menos de 10% do capital social de outra. até o limite do saldo das reservas. entendendo-se como tal a aquisição. As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora.

884/94. art. à execução de seus respectivos objetos. constituindo sociedade empresária. Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. 30. . mas brasileira. 2o. art. § 3o). Com relação à solidariedade por obrigações sociais.078/90. art.212. e que não haja qualquer impedimento. desde que presente a plena capacidade civil. grupos de sociedade – as sociedades sob relação de controle ou de coligação • podem constituir grupos. basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras. Podem ser de fato ou de direito. Sociedades Dependentes de Autorização 12. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8. além de possuir sede e administração no país. 17). 33. apesar de não possuir personalidade jurídica própria.666/93. art. além de um só objetivo. com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. inciso IX). com ou sem poder de voto. estas terão suspenso o direito de voto. visando à realização de objetivos comuns ou. deve ser acessível a qualquer um. 28. a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. seja como pessoa física ou. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais.1. podem elas formar um consórcio. art. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo. Disposições Gerais O exercício da atividade empresarial no Brasil. só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. conforme análise presente no item 9 do Capítulo 1 (esses requisitos não são opostos aos sócios das limitadas ou das sociedades por ações). cuja totalidade das ações.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 173 Série Impetus Provas e Concursos comentários do parágrafo antecedente. seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. 2o. ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT. • consórcio – quando mais de um empresa une-se para executar um empreendimento comum. 12. simplesmente. inciso V). mesmo. art. • subsidiária integral – é a sociedade anônima (única sociedade unipessoal não-temporária prevista no Direito brasileiro). § 2o) e nas licitações (Lei no 8. Para o grupo ser considerado nacional. não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios. além de dívidas trabalhistas (CLT. O grupo.

e a sociedade não entrando em funcionamento no prazo de doze meses após a publicação. São. a sociedade é estrangeira e depende de autorização para funcionamento.125. desde que possua sede e administração no país.3. ambos do CC/2002. conforme prevê o art. Ao Poder Executivo é facultado recusar a autorização. aquela será considerada caduca. Ao Poder Executivo é facultado estabelecer condições para a autorização. que a competência para a autorização será sempre do Poder Executivo federal. o tema encontra-se assim disciplinado: “Nacional é a sociedade constituída sob as leis brasileiras. 12.127. a pessoa jurídica somente dependerá de autorização na hipótese de seu objeto social ser um daqueles mencionados no tópico anterior. contudo.126. que reproduziu o teor da EC. pelo menos se forem consideradas nacionais. 1. parágrafo único. . em seu art. 1. já que pode ser cassada. Concedida a autorização. Sociedade Nacional Quais os critérios para definir a nacionalidade de uma sociedade? A partir da Emenda Constitucional no 06/95. certos ramos empresariais que se sujeitam à autorização de funcionamento por parte do Poder Executivo federal. financeiras ou jurídicas especificadas em lei. Enquadrando-se como sociedade brasileira. não é necessário autorização de funcionamento. 1. ainda que por estabelecimentos subordinados. independentemente do ramo.2. Sociedade brasileira não mudará sua nacionalidade. 12. se a sociedade não atender às condições econômicas. nos casos de infração à ordem pública ou quando a sociedade praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto. Para as sociedades que atuarem nos demais ramos da atividade econômica. Esta é a disposição prevista no art.134. Prevêem os arts. 1.174 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Há. e 1. ou outros. dentre outras.123. convenientes ao interesse nacional.135. de acordo com o art. cujo instrumento é um decreto federal. as administradoras de consórcios. Sociedade Estrangeira Não sendo nacional. que permite serem acionistas de sociedade anônima brasileira. salvo se a lei ou o ato do Poder Público fixar outro prazo. as sociedades arrendadoras (operadoras de leasing). desde que haja previsão legal. 1.” Esse entendimento foi contemplado pelo Código Civil de 2002. salvo com unânime consentimento dos sócios. as instituições financeiras. as seguradoras e as operadoras de planos de saúde. antes do início da atividade. disciplinados em leis específicas. E mais: será a título precário. por exemplo.

têm eles duas opções: uma é abrir sociedade subordinada à nossa legislação.137 e 1. Nacional ou estrangeira a sociedade. ou na composição do capital social de sociedades jornalísticas e de radiodifusão sonora. com restrições previstas na legislação federal. 1. se estrangeiros quiserem ser empreendedores no Brasil. transferindo sua sede para cá. para respeitar o disposto no art. 977 do Código Civil/2002 veio a obstar a contratação de sociedade entre marido e mulher. a sociedade assume a qualidade estrangeira. 1. a fim de produzir efeitos no Brasil (art. deve publicar no órgão oficial da União. sob pena de ver cassada sua autorização de funcionamento. e do Estado. fazendo deste país sua sede e administração. § 3o. pelo menos. Outra é requerer a autorização para funcionamento de sociedade estrangeira. e mais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 175 Série Impetus Provas e Concursos Para os atos e operações praticados no Brasil.140. deverá manter representante no Brasil. que limita o exercício de algumas atividades à atuação de estrangeiros. Sociedade entre Cônjuges O art. De outra forma. Nesta hipótese. pode a sociedade estrangeira autorizada a funcionar no país nacionalizar-se.139). pois se trata de uma sociedade brasileira. A qualquer tempo. por exemplo. não estará condicionada à autorização do Governo Federal para funcionamento. da participação de capital ou sociedade estrangeira na assistência à saúde no país (art. É o caso. ainda que participem terceiros. 13. ao resultado econômico. . Desta forma. salvo se houverem se casado no regime de comunhão parcial de bens. indicado no instrumento averbado. as publicações que a lei de seu país de origem a obrigar a fazer. concernentes ao balanço patrimonial. hipótese em que seria possível. se o ramo escolhido não for um daqueles dependentes de autorização (a assertiva não exclui a necessária autorização da Comissão de Valores Mobiliários. que assumirão a gestão da empresa. 222 da Constituição Federal exige que. 199. se for o caso. quando o art. bem como aos atos de administração. faz-se necessário registro do ato constitutivo na Junta Comercial. da CF). participação final nos aqüestros ou separação convencional de bens. mediante autorização do Poder Executivo. apto a receber citações judiciais pela sociedade. não importando suas nacionalidades ou a origem do capital empregado.138 que a sociedade estrangeira se submeterá às leis e aos tribunais brasileiros. claro. 70% do capital social total e do capital votante devam pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. em se tratando de sociedade anônima de capital aberto). Se concedida. dispõem os arts. 1. Modificação no contrato ou no estatuto social também dependerá de autorização do Governo Federal.

Quanto à falência. Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta. podemos afirmar que essas sociedades não podem se submeter à falência. Podem participar de outras sociedades. conhecida como “Nova Lei de Falências”. se o regime for de comunhão universal ou de separação obrigatória.101/2005. ao excluir. XIX. Essas disposições. 14. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades. a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. sem prejuízo de disposições especiais. estaria proibida a constituição de sociedade. não se pode impor novo regramento.429/92. daquele diploma. a Lei no 11. ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial. inciso I. dissipou qualquer dúvida persistente na doutrina. prevista no art. para as sociedades constituídas anteriormente à vigência do Código. Sendo o regime de separação obrigatória. tanto a empresa pública como a sociedade de economia mista. conforme dispõe o art.404 de 1976 (arts. não podem ferir o direito adquirido. tampouco aos processos de recuperação judicial ou extrajudicial.176 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. essa possibilidade sequer existiria. da CF em combinação com o art. Terão obrigatoriamente conselho de administração. são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. Esta é a posição defendida pela melhor doutrina. desde que autorizadas por lei. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. . Sua criação depende de prévia autorização legislativa. o da Lei n 6. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central. Sociedades de Economia Mista São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público. Em se tratando de instituições financeiras. Por serem sociedades anônimas. 37. 2o. 236 . A partir dessa nova disposição. a única saída para formação da sociedade seria a alteração do regime por meio de autorização judicial. 235 a 240). Em se tratando de regime de comunhão universal. do regime jurídico falimentar ou de recuperação das sociedades.404/76. por ser aquele insuscetível de mudança. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação. significando afirmar que. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas. contudo.

bens. 177 Série Impetus Provas e Concursos . vai depender do contrato. de peita. por vícios redibitórios e solvência do crédito. os administradores podem praticar todos os atos de gestão. parágrafo 1o. que depende da aprovação majoritária dos sócios. créditos ou prestação de serviços. NOME EMPRESARIAL OBSERV OBSER VAÇÕES ADMINISTRAÇÃO 1 – Simples Cotistas. Em caso afirmativo. a responsabilidade é proporcional à participação de cada um nas perdas. ou por crime falimentar. salvo casos urgentes. suborno e outros previstos no art. a regra será a da espécie escolhida. salvo cláusula de responsabilidade solidária. a ser feita em dinheiro. pela evicção. Atos de competência conjunta exigem o concurso de todos. O registro do ato deve ser feito em cartório. Pode ser de sócio ou não. mas apenas pessoa física não-condenada à pena que vede o acesso a cargo público. Respondem. Silente o contrato. Todos os sócios devem participar da formação do capital social. Capítulo 2 — Direito de Empresa Podem responder ou não. Para alterar alguma das cláusulas do art. acrescida do termo “sociedade simples”. Proíbe-se a cessão da quota social. pois se constitui a partir de um contrato escrito. adotado um dos tipos da sociedade empresária. Os administradores que excederem a atribuição É sociedade contratual. De outra forma. Silente o contrato. 1. a administração compete separadamente a cada sócio.011. contudo. nos trinta dias subseqüentes à sua lavratura. cujas cláusulas devem ser as constantes do art.CAMPUS TIPOS DE SOCIEDADE SÓCIOS RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA COM TERCEIROS PELOS DÉBITOS SOCIAIS Denominação. exige-se unanimidade. menos venda de bens imóveis. pessoas físicas ou jurídicas. desde que não conflitem com os termos da lei. por extenso ou abreviado. a fim de evitar dano. 997. 997. além de outras que os sócios queiram inserir.

salvo com o consentimento dos demais sócios. A função é indelegável. pela decisão da maioria absoluta. salvo a possibilidade de constituir mandatário com poderes específicos. c) evidente operação estranha ao objeto. com base: a) anulação de sua constituição. por mais de cento e oitenta dias. qualquer sócio pode pleitear a dissolução. conforme prescrição em lei. Judicialmente. e se tratando de ato com excesso de poder (ultra vires). em regresso. de forma solidária entre eles. c) se por prazo incerto. .178 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos recebida podem arcar com a responsabilidade por seus atos frente a terceiros. nas hipóteses: a) vencimento do prazo. cobrar do administrador. a pessoa jurídica deve assumir a responsabilidade para. isentando a pessoa jurídica. A sociedade pode ser dissolvida de pleno direito. Não materializada uma dessas hipóteses. b) se o fim social for exaurido ou se tornar inexeqüível. b) que o terceiro sabia da limitação. Atos com culpa responsabilizam os administradores frente à sociedade e a terceiros prejudicados. que cause dano a terceiros. se por prazo determinado. e) se extinta a autorização para funcionar. Administrador sócio. Essa regra vale para a penhora de quotas. desde que configurada uma das hipóteses: a) limitação inscrita no registro próprio. d) se ficar com um só sócio. b) consenso entre os sócios.

2– Em nome coletivo Capítulo 2 — Direito de Empresa Cotistas.034. ou similar. 1. reconhecida em juízo. Omitido nome de algum. Série Impetus Provas e Concursos 179 .033. quando insuficientes os bens sociais. A administração compete exclusivamente a sócios. a pedido de qualquer sócio. o registro deve ser feito na Junta Comercial. ou sócio. formada com o nome de um. Sobre a dissolução de pleno direito. pois o credor não pode ser prejudicado. somente Todos os sócios pessoas físicas.”. copia as hipóteses do art. pois nasce a partir de um contrato social escrito. As hipótese de dissolução judicial são as mesmas do art. É sociedade contratual. por extenso ou abreviada.CAMPUS nomeado pelo contrato. respondem solidária e ilimitadamente com seus bens particulares por débitos contraídos em nome da sociedade. no prazo de trinta dias da lavratura. As demais regras vistas para a sociedade simples valem para esse tipo social. contudo. com as cláusulas previstas no art. Sendo empresária. adaptadas à espécie. Tal acordo. O nome será sempre firma ou razão social. acrescida da falência. alguns. só tem validade entre eles. Para formação do capital social e cessão ou penhora de quota social. as regras são similares às da sociedade simples. Administrador não-sócio. se empresária. salvo justa causa. detém poderes revogáveis. 997. ou todos os sócios. mas investido por ato separado. necessária a expressão “e cia. 1. possui poderes irrevogáveis. Possível haver pacto para limitação da responsabilidade de cada um.

salvo disposição diversa no contrato. fiscalizar as operações. acrescida dos sócios da sociedade em nome da expressão “ e cia. sob pena de capital social. b) comanditários. pois o negócio continuará com os sucessores. Adota como nome apenas a firma ou razão social. ao comanditário participar das deliberações sociais. este lização de sua ou jurídicas.Se constar nome de pessoas físicas comanditário. alguns ou sociais é idêntica à somente um. Não podem participar da gestão. com o ato devendo ser registrado na Junta Comercial. com missão de gerir a sociedade. deles pelas dívidas todos. para negócio específico. acrescendo a hipótese de ausência de uma das categorias de sócios por prazo superior a cento e ointenta dias. . em caso de morte de comanditário.180 Série Impetus Provas e Concursos 3 – Em comandita Comporta duas categorias de simples sócios: a) comanditados. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade contratual. todos pessoas físicas. As regras para a dissolução são similares à da sociedade em nome coletivo. A administração compete exclusivamente aos comanditados. assume responsaobrigados pela quota. A cessão e penhora de quotas também seguem as regras da sociedade simples. Para a formação do capital social. No entanto. contraírem as mesmas responsabilidades dos comanditados. a ausência de sócios do nome. se empresária. bilidade similar à do formação do comanditado. Conforme citado na segunda coluna. para indicar coletivo. além de poder ser constituído como procurador da sociedade.”. Esses se obrigam apenas pela integra. A responsabilidade constituída apenas com nome de comanditado. comanditário que tome parte na gestão assume responsabilidade como se fora comanditado. contudo. ou similar. Permite-se. valem as mesmas regras da sociedade simples. aproveitando-se as mesmas disposições já vistas para a sociedade simples. a disposição é diversa.

contudo. não podem emitir bônus de subscrição. Também em relação ao nome. Constando nome de outro. a responsabilidade frente a terceiros pelas obrigações contraídas. que pode ser uma razão social ou denominação. porque titulares por ação de unidades do capital social chamadas de ação. em ambos os casos acrescida da expressão: “Comandita por Ação”. Igualmente não podem ser de capital autorizado e. Podem adotar tanto denominação como razão social. A impessoalidade é própria desse tipo social. mesmo. se tiver. Se for uma razão social. não havendo qualquer impedimento à cessão. Neste caso. a emissão de novas ações. venda ou penhora de ações pertencentes a um sócio para terceiros. mas com algumas diferenças. debêntures e partes beneficiárias. não podem ser obrigados ao pagamento de dívidas sociais ou. Uma vez pago todo valor. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. sem que haja solidariedade entre eles. é ilimitada e solidária com outros administradores. Pelos atos de gestão dos administradores respondem. ou institucional. Permite-se. por se constituir a partir de um estatuto social. este passa a ser tão responsável quanto aqueles. que não podem ser destituídos. por conseqüência. por extenso ou abreviada.CAMPUS 4 – Em comandita Acionistas. solidária e ilimitadamente. mesmo que dele não participem. 181 Série Impetus Provas e Concursos . no que pese a proibição para operar na bolsa ou no mercado de balcão. não administrador. A ela é vedada a existência de conselho de administração. daí ser considerada de capital. salvo em deliberação aprovada por sócios representativos de pelo menos 2/3 do capital social. Rege-se pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. Responsabilizam-se até a integralização do preço de emissão de cada ação subscrita. apenas sócios que sejam administradores devem emprestar seus nomes à formação daquela. embora subsidiária. Essa regra não vale para os que assumirem função de gerência ou administração da sociedade. É conferida apenas a sócios. A primeira distinção diz respeito ao exercício da função de administração da forma como foi vista nas outras colunas. todos os demais administradores. à parcela do capital não integralizada por outro sócio.

que provoca a dissolução da sociedade e liquidação da respectiva conta. na forma da lei processual. pessoa física ou jurídica. Permite-se. Comporta duas categorias de sócios: a) ostensivo. o Código a definiu como sociedade. quando é facultado ao administrador judicial a rescisão do contrato social. Seu objeto pode ser mercantil ou de prestação de serviços. mesmo que o contrato seja registrado. apesar de despersonalizada. b) participante. Não tem personalidade jurídica. não-subsidiária e ilimitada. empresário ou não. As regras para sua liquidação não são as mesmas das sociedades contratuais. Não tem. por parte da doutrina. aplica-se a regra dos contratos bilaterais. . Sua falência deve ser tratada como falência do sócio ostensivo.182 Série Impetus Provas e Concursos 5 – Em conta de participação Sua responsabilidade diante dos credores é pessoal. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade constituída por contrato. que pode ser pessoa física ou jurídica. Falindo o participante. salvo se tomar parte nas relações do ostensivo junto a terceiros. mas as relativas à prestação de contas. mas que exerce o negócio em seu próprio nome. Sua responsabilidade diante dos credores não existe. Compete ao sócio ostensivo. fiscalizar os negócios. contudo. escrito ou verbal. que apenas contribui com o fundo social. Embora considerada um simples contrato.

No entanto. Perante credores da sociedade. a lei Pode adotar tanto uma razão social como uma denominação. podendo ser conferida a não-sócio. contudo. a responsabilidade aqui tratada é subsidiária. Neste último caso. que vai do art. nenhuma obrigação terão os sócios para com as dívidas assumidas em nome da pessoa jurídica. pois todos são responsáveis. em qualquer caso seguido do termo “limitada”. é solidária. não mais pode ser feita. As regras para destituição do administrador diferem daquelas da sociedade simples. contudo. das outras quando proíbe a integralização em prestação de serviços. De qualquer forma. A delegação das funções de administrador. da forma Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade contratual. a exemplo das outras sociedades. mas não integralizado. Essa é a regra aplicável aos demais tipos sociais. quando o capital não estiver todo integralizado. exige-se aprovação mínima de 2/3 do capital social. Da integralização do capital social devem participar todos os sócios. mesmo os que já integralizaram as suas quotas. A omissão do termo implica a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem o nome. pessoas físicas ou jurídicas. pois ele pode ser destituído a qualquer tempo de suas funções. Apesar da regra geral. a exemplo da emissão de valores mobiliários. que não poderá aproveitar normas singulares das sociedades anônimas. pois depende do esgotamento do ativo. por extenso ou abreviado. Também em relação à cessão. sob pena de nulidade da cláusula que excluir algum. Pode. Vai depender do que dispuser o contrato. venda. Significa afirmar que. A administração pertence aos sócios. e é limitada. ou mesmo na Lei das Sociedades por Ações. ter regência supletiva no capítulo das sociedades simples. tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato. 1. pessoas físicas.087 do Código. no momento em que o capital estiver totalmente pago. exige-se aprovação unânime dos sócios. Difere. 1. ou penhora de quota social Série Impetus Provas e Concursos 183 . Rege-se por capítulo próprio. salvo a constituição de procurador com poderes específicos.052 ao art. salvo disposição contratual diversa. pois tem como patamar superior à parcela não-integralizada do capital social.CAMPUS 6 – Limitada Cotistas. ou 2/3 após a integralização. que antes era permitida. os sócios respondem até o valor total do capital social subscrito. mas apenas por danos relativos àquela operação específica. mas só se o contrato expressamente permitir.

que não é obrigatório. As causas para sua dissolução de pleno direito acompanham as da sociedade simples. como as dívidas tributárias e os atos ultra vires. Logo. São elas: a) dívida tributária. mas pode existir nas limitadas. Podem ter conselho fiscal. que permite sua organização através de órgãos similares aos das sociedades anônimas. disposição contratual diversa. para aquelas com número de sócios superior a dez. é obrigatória a assembléia de quotista. Já diretoria é órgão obrigatório. relativamente aos administradores. pois a regra geral é pela permissão. até no sentido de excluir qualquer possibilidade de oposição. f) deliberação infrigente do contrato social. apesar de não ser obrigatório. como nas anônimas. Possível. As outras disposições citadas para as sociedades simples.184 Série Impetus Provas e Concursos como acontece com a sociedade simples. essa sociedade ganhou estrutura tipificada na lei. e outras que podem atingir esse ou apenas o sócio. possui norma própria. e) desconsideração da pessoa jurídica. Também o conselho de administração. desde que não haja oposição de sócios titulares de 1/4 do capital social. são aproveitadas para as limitadas. Direito Comercial — Carlos Pimentel comporta exceções. algumas específicas para administrador. Com o Novo Código. d) atos ultra vires. . c) dívida trabalhista. b) dívida previdenciária. contudo.

ainda que traga prejuízo à sociedade. independente de seu objeto social. peita ou suborno. c) partes beneficiárias (este só por cia. O sócio pode alienar suas ações livremente a quem se interessar. é uma responsabilidade subsidiária. conforme lance títulos no MVM. Tanto um como outro pode vir no início. se negligenciar em descobri-los ou se. da forma como acontece nas limitadas. Para ser aberta. que não pode ser feita por quem estiver impedido por lei especial. A sua estrutura comporta os seguintes órgãos: a) assembléia geral. credores da companhia. responde pelos prejuízos que causar à sociedade. contém mesma previsão do Código quanto à vedação para ocupação do cargo. O administrador não é responsável por ato regular de gestão. Atos ilícitos de outros administradores não responsabilizam os demais. por extenso ou abreviados. no meio ou no fim do nome. ou condenado por crime falimentar. de prevaricação. b) debêntures. pessoas físicas ou jurídicas. obrigatória em toda S/A (reunião de acionistas apta a decidir os destinos Série Impetus Provas e Concursos 185 . à exceção da que trata sobre responsabilidade por deliberação infrigente do contrato social. pela pouca importância que se dá à pessoa do sócio. dentre outros. mas somente a pessoas físicas. deles tendo conhecimento. e d) bônus de subscrição (este só por cia de capital autorizado). As exceções vistas para as limitadas também são aplicadas aqui.CAMPUS 7 – Anônima Acionistas. salvo se com eles for conivente. É sempre empresária. De toda forma. com violação da lei ou do estatuto. A administração pode ser concedida a sócio ou não. A Lei das S. Pode ser aberta ou fechada. deixar de agir para inibir sua prática. concussão. fechada). Contudo. Capítulo 2 — Direito de Empresa Frente a terceiros. constituindo-se a partir de um estatuto social. Significa dizer que não há solidariedade pela soma do capital social não-integralizado. pois depende de ser exaurido o ativo da pessoa jurídica. daí ser considerada de capital. É sociedade estatutária. os acionistas se responsabilizam pela integralização do preço de emissão das ações adquiridas por cada um. acompanhada de um dos termos: “companhia” ou “sociedade anônima”. Somente pode adotar uma denominação. tem que haver autorização Comissão de Valores Mobiliários. Os valores mobiliários por ela emitidos são: a) ações.A. se agiu com culpa ou dolo. peculato.

cuja competência era originária da assembléia.186 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos Prejuízos causados à sociedade. Em ambos os casos. previstas no parágrafo único do art. de existência facultativa. 1. valem as regras concernentes às sociedades simples. a responsabilidade atinge a todos os administradores.015 do Código. salvo nas de capital aberto. em virtude omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da cia. os administradores que tenham atividade correlata. Sendo de capital fechado. formada por sócios ou não.. mas responsável pela execução do objeto social. responsável pela fiscalização dos atos dos administradores e dos negócios sociais. de capital autorizado e nas de economia mista (colegiado só de acionistas.). b) conselho de administração. c) diretoria. 1. d) conselho fiscal. de forma solidária. responsabilizam.089 prevê aplicação subsidiária do Código para as sociedades anônimas. escapa da obrigação o administrador que comunicar o fato à assembléia geral. obrigatória em toda cia. se a sociedade for de capital aberto. formado por sócios ou não.. Isso porque o art. . Em relação a prejuízos causados a terceiros. mas que lhe foi delegada). da cia.

O escopo de sua criação é prestar um serviço ao cooperado. que não pode cair nas mãos dos que tenham praticados certos crimes. não em Cartório. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. a fim de facilitar a prática de uma atividade econômica. podendo até ser dispensado. Se for ilimitada. A administração pode ser conferida a sócio ou não. O capital social não é fixado no estatuto. A participação de cada um no resultado social é proporcional às operações realizadas com a cooperativa. não de capital. Série Impetus Provas e Concursos 187 . vai depender do que dispuser o estatuto. daí ser considerada sociedade de pessoas. não possui objetivo de lucro. por se constituir a partir de um estatuto social. independente da quantidade de quotas. será solidária com os demais cooperados. Não pode haver cessão das quotas sociais a terceiros. também chamados de cooperados. Apesar disso. Seja qual for o ramo. segue a proporção das operações realizadas por cada sócio. sempre acompanhada do termo “cooperativa”. Adota como nome uma denominação. neste caso quando se tratar de federação ou confederação de cooperativas. mas sempre pessoa física. Proíbe-se o vínculo trabalhista entre sócios e cooperativa.CAMPUS 8 – Cooperativa Cotistas. Esse instrumento deve ser arquivado na Junta Comercial. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. Pode ser limitada ou ilimitada. Igualmente às demais. permite-se o livre ingresso de qualquer um que tenha correlação com a atividade. há impedimentos legais ao exercício do cargo. Sendo limitada. possui apenas um voto nas deliberações sociais. O sócio.

3. I – Terá sempre funcionamento permanente. ESAF (AFTN/1996) A teoria da superação ou desconsideração da personalidade jurídica: a) não é aceita em nosso Direito. b) é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal. c) de capital e indústria. (OAB–CE/99) Sobre o conselho fiscal de sociedade por ações. d) não tem aplicação em sociedades anônimas. ESAF (TTN–JULHO/1992) Não tem personalidade jurídica a sociedade: a) em nome coletivo. b) em comandita simples. IV – As atribuições e os poderes conferidos pela lei não podem ser outorgados a outros órgãos da companhia. II – Somente funcionará se assim dispuser o estatuto ou a pedido dos acionistas. e) em comandita por ações. d) em conta de participação. b) II. II e IV. III – A sua composição não será inferior a três nem superior a cinco membros efetivos e suplentes em igual número. e) foi desenvolvida pela jurisprudência e tem como pressuposto a fraude e o abuso de direito. d) todas. . considere as afirmativas seguintes.Exercícios 1. c) tem aplicação restrita às relações de consumo. c) I. III e IV. eleitos dentre aqueles que compõem os órgãos de administração. Estão corretas as afirmativas: a) II e IV. e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes. 2.

e) limitadas. . no mínimo. 7. no máximo. c) São coligadas as sociedades quando uma participa com.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 189 Série Impetus Provas e Concursos 4. e) Autorizar o exercício do direito de recesso do acionista e nomear os auditores independentes da companhia. b) ( ) A constituição de sociedade anônima está sujeita à prévia autorização do governo federal e depende da presença de. b) em comandita simples. A respeito desse tema. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. c) Autorizar a emissão de debêntures. 6. e) endossáveis. 10% do capital da outra. c) ( ) As companhias podem ser constituídas mediante a subscrição pública de ações. preferenciais e de fruição. mesmo assim. do capital da outra. d) endossáveis. não à ordem e de fruição. b) São coligadas as sociedades quando uma participa. à vista do relatório de auditoria independente e do parecer do Conselho de Administração. com 10% ou mais. julgue os itens abaixo (V ou F). c) de capital e indústria. o que são SOCIEDADES COLIGADAS? a) São coligadas as sociedades quando uma participa com. e) ( ) As sociedades anônimas têm capital social dividido em títulos. a) Reformar o estatuto social e suspender o exercício dos direitos dos acionistas em mora junto à companhia. no mínimo. b) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e reforma do estatuto social. ESAF (TTN – JULHO/1992) Todos os sócios são solidária e ilimitadamente responsáveis nas sociedades: a) em nome coletivo. 8. d) ( ) A responsabilidade do acionista é limitada ao valor do capital social a integralizar. preferenciais e nominativas. nominativas e endossáveis. quando houver Conselho de Administração. c) endossáveis. d) São coligadas as sociedades quando uma participa com 40% do capital da outra e. detém o controle acionário em face de predominância de ações com direito a voto. de igual valor nominal. (OAB – GO/1999) Na conformidade do que preceitua o parágrafo 1o do art. 5. em regra. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) Assinale a opção que contém apenas matérias de competência privativa da assembléia geral de uma sociedade anônima. sete sócios. CESPE – UnB (INSS/1997) A doutrina e a legislação atribuem às sociedades anônimas uma série de características peculiares. nominativas e não à ordem. b) ordinárias. sem controlá-la. d) em conta de participação. 5% do capital da outra. sem controlá-la. ações e bônus de subscrição. d) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e eleger os membros da diretoria. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) As ações podem ser das seguintes espécies: a) ordinárias. a) ( ) As denominações são a única forma de nome comercial que poderá ser adotada por sociedades anônimas.

d) Nenhuma das alternativas está correta. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Abigail. b) a modalidade de ações endossáveis somente é admitida nas companhias fechadas. inserta no Capítulo XVIII da legislação pertinente às sociedades anônimas. Bárbara e Camilo pagaram à 10. c) 51% do capital social. ser ou não inscrita no registro de comércio é juridicamente irrelevante para que ela seja considerada comerciante e para que lhe seja aplicado o regime jurídico dos comerciantes. se houver versão de todo o seu patrimônio. a qualquer tempo. endossáveis ou ao portador.190 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. (OAB – GO/1999) Assinalar a alternativa que corresponde à conceituação de INCORPORAÇÃO. c) as companhias abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. d) as companhias fechadas ou abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. As participações deles são. b) Incorporação é a operação pela qual a companhia transfere parcelas de seu patrimônio. para formar sociedade nova. pelo menos: a) 5% do capital social. ou dividindo-se o seu capital. é correto afirmar que: a) podem ser nominativas.00. a) ( ) Mesmo que um indivíduo seja sócio minoritário. que as sucederá em todos os direitos e obrigações. Bárbara. e) 10% do capital integralizado. constituídas para esse fim ou já existentes. ele terá o direito de influir na escolha dos administradores da sociedade. endossáveis ou ao portador. b) ( ) No Direito brasileiro. d) 20% do capital integralizado. com participação de apenas 1% no capital social. os papéis e livros da sociedade e o de tomar conta dos gerentes. Serviços e Representações Ltda. física ou jurídica.00. que pratique atos de comércio. R$40. julgue os itens abaixo (V ou F).00 e R$10. o de fiscalizar. observado o contrato social. extinguindo-se a companhia cindida. respectivamente. para uma ou mais sociedades. que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. c) Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. . ainda que com restrições.00. Abigail integralizou suas quotas.000. cujo capital social é de R$200. 11. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2000) Em relação às sociedades comerciais e ao registro mercantil.000. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação às ações emitidas pelas sociedades anônimas. Mas a lei exige.000. para esse fim. b) 10% do capital social. de R$100. que os sócios representem.00. e) tanto as companhias abertas quanto as fechadas somente podem emitir ações nominativas. 12.. se parcial a versão. R$50. Camilo e Dalva são sócios da empresa ABCD Comércio. porém as companhias fechadas podem emitir ações nominativas. sendo a ambas vedado emitir ações ao portador.000. (JUIZ DO TRABALHO – 13a REGIÃO/PB) A exibição dos livros da sociedade anônima pode ser ordenada judicialmente. sempre que acionistas apontem atos violadores da lei ou do respectivo estatuto. o fato de uma pessoa.000. a) Incorporação é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades.

O juiz julgou o pedido de Eliana procedente em parte e condenou Abigail a pagar à credora o valor de R$89. e) permitidas como resultado de fusão.000. b) a nacionalidade da sede do grupo. pois a devedora era a sociedade. d) limitadas entre coligada e controladora. para retirar-se da empresa. se houver o ingresso de novo sócio.000. b) à forma societária adotada. não eles. Os sócios defenderam-se com a tese de nada deverem.000. 13. A credora ajuizou ação em face dos sócios Pedro e Luís. Usando esse nome e estando representada pelos sócios. de um estranho na sociedade. e) a nacionalidade da sociedade controladora. ESAF (AFTN – SET/1994) Nas sociedades mercantis. c) ao acordo com os credores sociais. a responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade está relacionada: a) à formulação de pactos parassociais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 191 Série Impetus Provas e Concursos sociedade apenas R$5.. ESAF (AFTN – SET/1994) O critério para determinar a nacionalidade dos grupos de sociedade no Direito pátrio considera: a) a nacionalidade da maioria dos sócios das sociedades grupadas. Como a empresa. devido à natureza de direito pessoal que se forma entre os sócios e entre estes e a sociedade. Dalva integralizou somente R$1.000. esta era identificada como Monteiro & Cavalcanti Empreendimento. d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Pedro Monteiro e Luís Cavalcanti constituíram a sociedade por quotas de responsabilidade limitada. a sociedade firmou contrato com a empresa XYZ Ltda. Abigail contestou a ação. 14. b) livremente admitidas. d) ao acordo entre sócios. e) exclusivamente ao fato de a sociedade ser ou não personificada. sob o fundamento de já haver integralizado sua parte no empreendimento. O juiz rejeitou a defesa e condenou os dois sócios.000. .00. 15. em razão do qual contraiu dívida de R$50. ESAF (AFTN – SET/1994) As participações recíprocas entre sociedades são: a) formas de aumentar o controle de uma sociedade sobre a outra. cobrando-lhe o valor da dívida. um sócio pode opor-se ao ingresso. e) ( ) Nas sociedades por ações em geral. Nessa situação. Nessa situação. o juiz agiu corretamente.00.00 cada um.. com o nome Monteiro & Cavalcanti Empreendimento Ltda. Camilo e Dalva não possuíam patrimônio. c) a que vier determinada na convenção grupal.000.00. e porque já haviam integralizado suas quotas.00 e não as pagou. o juiz sentenciou incorretamente. que não pagou. provando a insolvência da sociedade e cobrando-lhes o total da dívida. d) a nacionalidade do sócio majoritário de sociedade controladora. Bárbara. Nos papéis da sociedade. com capital de R$100. A sociedade contraiu dívidas com Eliana no valor de R$300. por meio da aquisição de ações. que foi totalmente integralizado. o sócio discordante pode pedir à sociedade que proceda à apuração dos haveres que possuir. c) limitadamente admitidas. Eliana acionou Abigail judicialmente. por insolvência.00.

18. assinale a opção correta. c) por quotas de responsabilidade limitada. 19. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Considerando uma sociedade que adote o nome empresarial Cia. correspondem a: a) partes beneficiárias. e) Em face de seu objeto. b) A sociedade constituída pelos sócios não poderá falir. a) A sociedade constituída por João e Joaquim não será considerada mercantil. a falta de nome empresarial próprio e o fato de não estar sujeita às formalidades necessárias à constituição das demais sociedades comerciais são características da sociedade: a) de fato. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) João e Joaquim decidiram reunir capital e trabalho para. se for aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. e) João e Joaquim somente serão chamados a responder com seus bens pessoais pelas dívidas que venham a contrair em nome da sociedade. d) As sociedades comerciais adquirem personalidade jurídica a partir da celebração do acordo entre os sócios. b) em conta de participação. . d) ações. pois não está registrada. e) em conta de participação. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Divisão do capital social em partes iguais. b) por quotas de responsabilidade limitada. consistente na participação nos lucros sociais.192 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. responsabilidade de seus sócios limitada ao valor de suas participações no capital social e uso exclusivo de denominação são algumas características das sociedades: a) anônimas. b) Está incompleto o nome da sociedade. b) debêntures. trata-se de sociedade civil. haja vista não ter sido registrada em Junta Comercial. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) A inexistência de personalidade jurídica própria. a) Trata-se de sociedade por quotas de responsabilidade limitada. assinale a opção correta. Agrícola do Planalto. por extenso ou abreviadamente. juntos. c) em nome coletivo. d) em comandita. ainda que este não esteja registrado. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Títulos sem valor nominal. 17. Considerando que o acordo firmado entre os sócios não foi levado a registro em Junta Comercial. estranhos ao capital social e que asseguram a seus titulares crédito eventual contra a companhia. c) bônus de subscrição. d) de capital e indústria. 20. emitidos pelas sociedades anônimas. haja vista ter sido omitida a expressão sociedade anônima. e) opções. ela sempre será sociedade comercial. c) O registro dos atos constitutivos dessa sociedade confere a ela personalidade jurídica própria. c) A responsabilidade dos sócios é ilimitada. e) anônima. explorarem comercialmente atividade de compra e venda de mercadorias. d) Independentemente de seu objeto social.

aprovada em assembléia geral. regida pela Lei n o 6. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) A emissão de ações por sociedade em comandita por ações. no seu relatório anual de administração. c) ( ) De acordo com o conceito legal de sociedade controlada. devendo prestar contas de seus atos ao conselho de administração e ao conselho fiscal. em relação à competência das assembléias gerais ordinárias. CESPE – UnB (AGU/2002) Para quatro sociedades anônimas – X. 23. d) ( ) A sociedade X deverá obrigatoriamente. (BNDES/2002) Cumpre à diretoria. Y. . b) ( ) A sociedade Y é controladora de W. relacionar investimentos feitos na companhia Y e mencionar modificações ocorridas durante o exercício. Nessa situação e considerando que. d) representar os interesses dos acionistas controladores na administração da sociedade. Z e W –. ESAF (INSS/2002) Nas sociedades anônimas: a) os diretores devem ser acionistas titulares. os diretores são considerados administradores e os membros do conselho de administração responsáveis pelo controle social. julgue os itens abaixo (V ou F). uma vez que a coligação ocorre quando uma sociedade participa de. b) limitação das ações objeto da oferta a menos de 50% do capital social. b) executar as deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e representar a sociedade em seus atos negociais. 10% do capital da outra. – W detém 20% do capital de X. a) ( ) X e Y são sociedades coligadas. c) os membros do conselho de administração necessitam invariavelmente ter domicílio no Brasil. controladoras ou controladas. ao menos. necessariamente. nas sociedades anônimas: a) administrar a companhia. no que se refere à participação acionária de uma sociedade em relação à outra.404/76 com as alterações posteriores. no máximo. verifica-se que: – X detém 7% do capital de Y e 11% do capital de W. 24. e) ( ) Se a sociedade W for controladora de X. e) administrar os interesses de todos os acionistas da sociedade. – Y detém 30% do capital de Z e 55% do capital de W. a sociedade Z tem possibilidade de ser controlada por Y. sem controlá-la. e) inadmissibilidade do tipo de operar em bolsa. pauta-se por: a) emissão apenas de ações sem direito de voto para oferta pública. através de deliberações que satisfaçam os anseios dos investidores. d) a competência das assembléias gerais extraordinárias é formada por exclusão.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 193 Série Impetus Provas e Concursos 21. administrar e executar os atos inerentes à vida negocial da companhia. 22. d) impossibilidade de acionistas comanditados limitarem sua responsabilidade pelas obrigações sociais. c) responsabilidade ilimitada de acionistas titulares de ações votantes por obrigações da sociedade. as ações de W pertencentes à companhia X deverão ter direito de voto suspenso. de ações preferenciais. as sociedades por ações são classificadas como coligadas. c) deliberar. e) para os efeitos legais de responsabilidade. b) os membros do conselho de administração devem ser brasileiros.

d) produzir separação entre patrimônios dos sócios e o da sociedade. que elaborasse para eles o contrato social. e) têm natureza bifrontal. solicitaram a um amigo comum. . d) em nada se identificam com as ações das companhias por não ser possível adotar a divisão do capital social em quotas do mesmo valor nominal. b) ser contrato cuja tipificação é apenas social. tanto civil. FCC (MP – PE/2002) Na sociedade limitada. deixando expresso que tanto Antônio quanto Benedito poderiam atuar indistintamente como gerentes da sociedade. Carlos. d) esteja matriculada no registro de empresas. advogado recém-formado. e) determinar a regularidade do exercício de atividades econômicas. ESAF (AUDITOR DO TCE-PARANÁ/2002/2003) O negócio constitutivo de sociedades é denominado contrato plurilateral. que facilitam a separação patrimonial. Antônio e Benedito descobriram que o amigo Carlos esquecera-se de indicar. c) conferirão ao quotista. e) seja mercantil.194 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 25. Acerca da situação hipotética acima descrita. d) facilitar a ação das minorias societárias. que se caracteriza por: a) ser contrato de estrutura aberta. CESPE – UnB (SEFAZ – MT/2002) Antônio e Benedito decidiram criar a firma AB Toldos Ltda. de dinheiro de contado para a instituição do capital social. e) dificultar a criação de sociedades de pequeno porte. notadamente aquelas entre marido e mulher. Após feito e registrado o contrato na Junta Comercial. b) serão representadas pela entrada. 27. c) redesenhar o controle da sociedade. julgue os seguintes itens (V ou F). Procuraram novamente Carlos e solicitaram que ele procedesse à alteração do contrato social. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) Considera-se empresária a sociedade que: a) assume os riscos da produção. Não tendo conhecimentos jurídicos. b) exerce atividade econômica com a colaboração de terceiros não-familiares. ESAF (AUDITOR – TCE – PR/2002/2003) A sociedade limitada prevista no Novo Código Civil. exclusivamente. qual dos sócios seria o gerente da sociedade. encerrando um direito patrimonial e um direito pessoal do sócio quotista. 26.406/2001. como comercialmente. apenas o direito à percepção de lucros e à partilha da massa residual. Lei n o 10. ao serem integralizadas por ele. altera a disciplina atual das limitadas para: a) torná-las pequenas anônimas. 29. é certo que as quotas: a) asseguram que a regra da limitação da responsabilidade dos quotistas seja absoluta. c) é titular de estabelecimento. 28. c) não se aplicar às companhias ou sociedades por ações. b) dar-lhes estrutura típica. no referido contrato.

e) facilitar a negociação dos valores mobiliários pela inexistência de cártula. b) garantir a titularidade das participações que ficam lançadas em livros próprios de instituição financeira autorizada. 30. são pouco utilizadas. d) modificação da estrutura societária. desde que fizessem constar expressamente a designação no contrato social. fusão ou cisão. embora subsidiária. d) dificultar a circulação das participações e. societária como incorporação. e) modificação tipológica em todas as hipóteses. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A disciplina da emissão de ações pelas companhias prevê: a) a autorização prévia da CVM para emissões privadas. b) ilimitada. ESAF (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL/2002/2003) A responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas é: a) limitada à sua participação no capital social. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Nos termos do Código Civil. servem para: a) reduzir a guarda de papéis e deságio. c) sucessão nas obrigações.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 195 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) Ante a omissão do contrato social quanto à indicação do gerente. b) a prévia aprovação da emissão pela assembléia geral em qualquer caso. caracterizam-se por: a) alterar as relações entre sociedades e credores. b) de pessoas e de capitais. c) a manutenção de proporção da participação dos acionistas no capital social. ESAF (AFTN/2001) As ações escriturais e sem valor nominal. c) ilimitada na hipótese de delegação da função administrativa pelos atos do delegado. 32. salvo se for requerida autorização provisória à Junta Comercial. e) com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. nem Antônio nem Benedito poderão exercer a gerência da sociedade. introduzidas no Direito Societário em 1976. e) solidária com a sociedade em certas hipóteses. perante credores sociais. . ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) As operações de reorganização. d) o pagamento integral do preço de emissão em todos os casos. 31. e) a possibilidade de emissões sem aprovação da assembléia geral. c) unipessoais e pluripessoais. b) ( ) Enquanto não for realizada a alteração do contrato social. b) alterar a proporção em que os sócios participam do capital social. as sociedades são classificadas: a) empresárias e simples. c) ( ) Antônio e Benedito. poderiam designar o amigo Carlos gerente da sociedade. c) dar notoriedade aos portadores. d) solidária com os demais gerentes pelos atos de gestão. a Junta Comercial deveria ter recusado o seu registro. 34. por isso. 33. d) grupadas e isoladas. se assim desejassem.

sem o benefício de ordem de primeiro serem executados os bens sociais. as responsabilidades perante terceiros decorrentes da atividade constitutiva do objeto social limitam-se. a requerimento da parte. d) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. sempre que se verificar abuso da personalidade da pessoa jurídica em proveito de seus administradores ou sócios. os sócios não podem decidir contratualmente nem responder subsidiariamente pelas obrigações sociais. a sociedade passa a ter natureza jurídica de sociedade em nome coletivo. se caracterizado desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial. se caracterizado desvio de finalidade ou se verificar confusão patrimonial. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. d) que o juiz pode praticar de ofício. b) que pode ser praticado pelo Juiz. os bens particulares de determinado sócio podem ser executados por dívidas da sociedade. é ato: a) privativo do Ministério Público. . b) ( ) Na sociedade não-personificada em comum. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) A desconsideração da pessoa jurídica. e) que pode ser praticado de ofício pela autoridade administrativa ou pelo juiz. 36. o exercício desta não se estende automaticamente àqueles que se tornarem sócios após a efetivação do contrato social. ao sócio ostensivo. e) ( ) Nas sociedades simples puras (que não tenham outro tipo jurídico). para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens de seus administradores ou sócios. porém é válida cláusula do contrato social que limite a responsabilidade de um dos sócios nas relações entre eles. em regra. a requerimento dos credores privilegiados. por qualquer autoridade administrativa ou pelo Ministério Público. o sócio participante é sempre responsabilizado nas obrigações sociais perante terceiro. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Marque V ou F. participando os demais apenas dos resultados correspondentes. se assim o fizerem. c) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. depois de executados os bens sociais. f) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. c) privativo do juiz. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. a) ( ) Nas sociedades simples puras (que não têm outro tipo jurídico). sempre que houver encerramento irregular do estabelecimento comercial. a fim de que os credores privilegiados recebam seus créditos. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. com prejuízo para os credores em virtude de decretação de falência ou insolvência. pois. se verificada fraude contra credores.196 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 35. g) ( ) Nas sociedades limitadas em cujo contrato esteja definido o exercício da administração por todos os sócios. a requerimento da parte. caso exerça o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais.

alienação ou oneração dos bens do ativo permanente dependerão de prévia autorização por assembléia geral dos sócios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As sociedades cooperativas a) podem ter o capital dividido em ações. c) estabeleceu que o excesso de poderes dos administradores pode ser oposto contra terceiro. b) sempre atribuem responsabilidade limitada aos seus sócios. c) respondem solidariamente pelos atos ou omissões danosos dos demais administradores. d) o contrato social poderá prever a regência supletiva pela Lei das Sociedades por Ações. devem considerar-se representantes destes nos órgãos de administração. aplicar-se-ão sempre as regras da sociedade simples. d) permitiu que os poderes conferidos aos administradores pelo contrato social poderão ser alterados por voto de dois terços dos sócios. e) permitem a transferência das quotas a estranhos. o sócio poderá ceder sua quota a não-sócios. b) determinou que ela não pode ter filiais ou agências. o Novo Código Civil: a) adotou uma forma societária de estrutura menos complexa. quando sua atuação estiver pondo em risco a continuidade da empresa. d) atribuem ao sócio uma distribuição nos resultados proporcional às operações por meio delas realizadas. desde que atuem profissionalmente no seu ramo de atividade. ser designado um representante residente e domiciliado no Brasil. d) somente podem ser responsabilizados por ação proposta mediante autorização da assembléia geral. c) exigem que o sócio tenha. c) qualquer sócio poderá ser excluído da sociedade. e) quando eleitos por minoritários. exceto os créditos trabalhistas e fiscais. 38. b) todas as deliberações que envolverem compra. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) No novo modelo de sociedade limitada: a) continua sendo exigido que os administradores sejam necessariamente sócios. .CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 197 Série Impetus Provas e Concursos 37. não respondendo pelos atos dos demais administradores. e) impediu que os bens particulares dos sócios possam ser executados por dívidas sociais. ao menos. devendo. b) devem exercer suas funções em atendimento ao dever de diligência. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Ao instituir a sociedade simples. e) no silêncio do contrato social. provando-se que a limitação era conhecida deste. regendo-se supletivamente pela Lei das Sociedades Anônimas. neste caso. tendo ação regressiva contra estes quando forem inocentes. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Os administradores da sociedade anônima: a) podem ser pessoas jurídicas. desde que não haja oposição de mais de um quarto do capital social. própria para as microempresas. Não o fazendo. por voto da maioria dos demais. 39. 40. uma quota ou ação do seu capital.

. c) de reordenação patrimonial. e) não será necessária assembléia no outro banco. d) o capital social é dividido em ações. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Sociedades empresárias são as que: a) têm como objeto atividade econômica organizada para mercados. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Diz-se que há sucessão comercial ou empresarial quando: a) o novo titular da atividade era sócio da sociedade que anteriormente exercia a atividade. mas são outros os produtos ou serviços oferecidos pelo exercente da atividade. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Uma sociedade anônima aberta denominada Banco de Taguatinga S/A. com ações dotadas de alta liquidez e dispersão no mercado. d) não há mudança de denominação do estabelecimento. e) mantém-se a sociedade exercente da atividade embora com outros sócios. c) têm como objeto a prestação de serviços em estabelecimentos especiais. e) mesmo após a integralização de todo o capital social. 45. b) a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. c) a decisão final será do conselho de administração. b) o novo controlador fica obrigado pelas obrigações anteriores ao negócio de alienação do controle da sociedade. 42. não havendo solidariedade.198 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 41. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Incorporação de uma sociedade por outra é operação: a) de liquidação da sociedade incorporada. b) destinada a aumentar o patrimônio líquido da incorporadora. o patrimônio dos sócios pode ser responsabilizado por obrigações da sociedade. c) a atividade exercida pelo empresário é imputada aos filhos que com ele trabalham. b) caso seja realizada a fusão. 43. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Numa sociedade limitada: a) apenas sócios podem ser administradores. Nessa situação: a) trata-se de assembléia geral ordinária. b) têm como objeto atividade mercantil. d) exercem atividade de intermediação na circulação de serviços. e) de transformação tipológica em qualquer circunstância. e) foram organizadas para atividades econômicas. convocou uma assembléia geral para deliberar sobre realização de uma fusão com outro banco. ambos os bancos deixarão de existir. c) o conselho fiscal é obrigatório. d) os titulares de ações sem direito a voto não podem sequer comparecer à assembléia. que apenas houve a assembléia geral. no caso da desconsideração da personalidade jurídica. d) de combinação do corpo de sócios das envolvidas. 44.

b) ( ) As sociedades em comum não possuem personalidade jurídica. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. O primeiro é sede da sociedade empresária. a) ( ) Em conformidade com a teoria dos perfis da empresa. 48. decidiu constituir sociedade em conta de participação com Manoel. Antônia. o referido decreto deve ser publicado na imprensa oficial da União. Nessa situação. Um grupo de pessoas resolveu constituir sociedade cooperativa cujo objeto consistia na prestação de serviços de processamento de dados. em segunda convocação. para que este financiasse sua atividade empresarial. pessoas físicas ou jurídicas. no prazo de trinta dias contados da data de sua expedição. ante o aumento na demanda por seus produtos e diante da pretensão de aumentar sua produção. pelo perfil objetivo. são aplicados no ativo patrimonial da referida sociedade empresária. julgue os itens que se seguem. a) ( ) Os bens utilizados na atividade desenvolvida por microempresa e que a guarnecem são impenhoráveis. 47. c) ( ) Fernando não pode contratar sociedade com terceiros. julgue os itens a seguir. necessariamente. há dois imóveis. se for casado sob o regime de comunhão universal de bens. julgue os itens seguintes. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. solidariamente e ilimitadamente. enquanto o segundo. a assembléia geral é instalada. No acervo patrimonial de determinada pessoa jurídica. localizado em outra unidade da Federação. a) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. artesã. encontra-se alugado. requerimento feito por sociedade dependente de autorização. Nessa situação. que pode ser escrito ou verbal. não confere personalidade jurídica à referida sociedade. com qualquer número de acionistas com direito a voto. d) ( ) Considere que o Poder Executivo Federal defira. Nessa situação. respondem. b) ( ) Se Francisco e Maria casaram-se sob regime de separação obrigatória de bens. . o ato constitutivo da referida sociedade deve conter cláusulas que indiquem. julgue os seguintes itens. d) ( ) Considera-se nula determinada cláusula contratual que exclua sócio de participar dos lucros e das perdas da sociedade. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) No que concerne às espécies societárias. a título de aluguéis desse segundo imóvel. jamais poderão contratar sociedade. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) Quanto ao Direito Comercial moderno. bem como a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. que deve ser fixo e expresso em moeda corrente. o imóvel alugado não faz parte do estabelecimento empresarial da mencionada pessoa jurídica. 49. pelas obrigações sociais. Nessa situação. Ficou acordado que os dois dividiriam o lucro das vendas. os sócios. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Quanto ao direito de empresa de que cuida o Código Civil. a inscrição em registro competente do ato constitutivo da sociedade entre os dois.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 199 Série Impetus Provas e Concursos 46. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. a) ( ) Nas sociedades anônimas. mediante decreto. Os valores recebidos. a empresa se confunde com a própria atividade empresarial. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Acerca da empresa e da teoria geral do Direito Societário. o capital social.

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Capítulo 3 Direito Cambiário 1. não podem ser aproveitadas indistintamente para todo o Direito Cambiário. permitindo-se ao legislador ordinário dispor diferentemente das leis especiais que regulam cada tipo de título de crédito. tentou introduzir mudanças substanciais. as regras de Direito Cambial. encontrados como legislação complementar ao Código Comercial. Como bem escreveram os autores da obra Novo Código Civil Comentado. Disposições Preliminares Considerada uma disciplina independente em relação às demais estudadas no Direito Comercial. pelo menos no que forem contrárias. que. tais como a impossibilidade de haver cláusula proibitiva de endosso (não à ordem). tornando inócuas as disposições do Código Civil. sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza. o Direito Cambiário abrange os títulos de crédito com suas peculiaridades. a nota promissória. 897 e 914. Acontece que. O mesmo raciocínio pode ser repetido para os demais . existem normas regulamentadoras específicas que traçam linhas diversas das contidas naqueles artigos supramencionados. embora essas novidades constem do Novo Código. Para esses títulos. porque o art. contidas no Código Civil de 2002. 887) da moderna Lei Civil tratar a respeito do tema. ou a desoneração tácita do endossante da qualidade de obrigado indireto pelo pagamento do crédito (salvo cláusula em contrário). apesar de o Título VIII (a partir do art. 903 da mesma Lei Civil assevera: “Salvo disposição diversa em lei especial. 890. Enquanto o Código Civil de 2002 provocou grandes alterações na parte do Direito relativa aos comerciantes e às sociedades comerciais. sobretudo com a letra de câmbio. são normas de caráter geral. o cheque e a duplicata. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código”. a vedação ao aval parcial. geralmente dispostas em diplomas legais específicos. É justamente o que ocorre. em alguns momentos. a exemplo dos arts. praticamente não mexeu nessa matéria. E não foi por falta de iniciativa do legislador.

igualmente possuidores de normatização própria. se este não pagar a dívida dentro de vinte e quatro horas. mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. Atributos dos Títulos de Crédito São direitos reconhecidos aos seus titulares. Características dos Títulos de Crédito Por alguns autores denominadas princípios do Direito Cambiário são Cambiário. 12. independentemente de um processo de conhecimento 3 conhecimento. Desse modo. o que permite a introdução de certas particularidades postas no Código. São eles: • NEGOCIABILIDADE – é a possibilidade que tem o credor de negociar seu direito antes mesmo do vencimento da obrigação. A diferença é que esses outros são regidos por normas que não trazem a riqueza de detalhes dos primeiros. que irão beneficiar os credores das obrigações. 4. ed.202 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel títulos. de conteúdo operacional. indispensáveis à legitimidade da obrigação. Aquele que obedece ao tradicional rito processual na Justiça. dos títulos de crédito. faz-se a sua imediata cobrança com a penhora dos bens do devedor. Não se confundem com a própria obrigação. Vejamos: 2 3 Manual de Direito Comercial. próprio devedor) ou indireta (contra os coobrigados). . 2. p. como o título de crédito tem força executiva. O meio próprio para tanto é a execução que pode ser direta (contra o execução. 213. Segundo Nelson Godoy. a cobrança judicial é mais eficaz e célere. 3. Conceito de Títulos de Crédito Fábio Ulhoa Coelho ensina que: Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. São Paulo: Saraiva. Decorre da característica da circulação própria circulação. Esse atributo é conseqüência do fato de o título de crédito ter força de uma sentença judicial transitada em julgado. a fim de captar recursos de seu interesse.2 Podemos também aclamá-los como documentos necessários ao exercício do direito literal e autônomo neles mencionado. • EXECUTIVIDADE – permite ao seu titular buscar a execução imediata da obrigação. 2000.

. por existir qualquer vinculação entre eles e a situação que os motivou. Exemplo: Carlos adquire um computador de Manuel. cláusula expressa em papel apartado não será considerada. Exemplo: se o direito de crédito relativo a um cheque for transmitido através de sucessivos endossos. o devedor de uma nota promissória obriga-se a respeitar as condições inseridas no documento. promover-se a execução • AUTONOMIA – cada obrigação constante em um título de crédito é autônoma em relação às outras. tal singularidade. mas por dependerem da ocorrência de um fato para sua emissão. cópia de um cheque. são intitulados títulos causais não causais. como a duplicata não se prendem a duplicata.. a exemplo da letra de câmbio ou da promissória. ao emiti-la. a nulidade de uma obrigação não invalida as demais. • CARTULARIDADE – para o exercício do direito de crédito.) o possuidor de boa-fé exercita um direito próprio. como prazo de vencimento. o fato de haver vício em uma das assinaturas dos endossantes não terá influência sobre as restantes. pagando-o através do cheque . também chamado de cártula (exceção para o protesto de duplicata.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 203 Série Impetus Provas e Concursos • LITERALIDADE – vale o que estiver escrito no título. De outra sorte. II – o da inoponibilidade das exceções pessoais Significa dizer que aquele que for regularmente demandado por um terceiro de boa-fé. é necessária a CARTULARIDADE apresentação do documento. Estes somente são gerados a partir de uma operação de compra e venda mercantil. nota promissória poderem ser emitidos sem haver necessariamente uma causa que lhes dê origem. Assim. pessoais. No dizer de Vivante: (. Por isso. I – o da abstração incomum à totalidade dos títulos de crédito. excetuando-se a folha alongue. não será eficaz para promover omover-se execução. não pode alegar uma situação pessoal com outrem. a fim de furtar-se ao seu cumprimento. Alguns autores costumam subdividir essa última característica em dois subprincípios: abstração. Outros. que pode ser feito sem apresentação do documento). pois. por exemplo. pela obrigação resultante de um título. Refere-se à possibilidade de alguns títulos. Assim. valor etc. que não pode ser restringido ou destruído em virtude das relações existentes entre os anteriores possuidores do título e o devedor. de alongue anexada aos títulos para complementação do espaço para endossos. havia concordado com seus termos. Nesse contexto. por exemplo..

tão-somente. 907 do Código. no valor de R$2. b) não à ordem – com essa cláusula. • NOMINATIVOS – são aqueles que identificam o credor. quando o título encontra-se ainda em poder do primeiro titular do crédito. veda-se a possibilidade de transmissão através de endosso. Chegando em casa. Carlos poderia defender-se da cobrança. Manuel já havia endossado o cheque em favor de Regina. alegando defeito da coisa comprada a Manuel. Seu portador tem direito à prestação nele indicada. ao menos enquanto não houver lei específica para esse fim. admite-se a defesa do devedor. pois são emitidos NOMINATIVOS a favor de pessoa certa e determinada. Carlos não poderá oporse ao pagamento do cheque. Entretanto. 5. . nunca uma exceção pessoal contra Regina. Regina não tem nada a ver com aquela transação. a saber: • AO PORTADOR – é o título que não indica o nome do beneficiário pelo PORT crédito. a menos que se tratasse de falha formal no próprio documento. endosso Essa disposição pode ser tácita. Modo de Circulação É a forma como os títulos de crédito transitam entre seus titulares.204 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel no 000001. Essa norma vem sendo respeitada até hoje. descobre que o equipamento não possui a capacidade de memória que aparentava. se Manuel ainda fosse seu proprietário. no mesmo exemplo. cujo nome deve constar da cártula. maculado estava por um vício redibitório. a tradição é possível apenas por meio de uma cessão civil de crédito (conceito no item a seguir). Desta forma. incapaz de ser percebido no momento da aquisição. Da exegese podemos inferir que permanece a vedação à circulação desses títulos. pleitear em juízo perdas e danos contra Manuel. mediante a simples apresentação ao devedor.00. 4 Defeito oculto da coisa.4 Por outro lado.021/1990 proibiu a circulação de títulos ao portador. Subdividem-se em: a) à ordem – são títulos nominativos que podem ser transferidos via endosso.000. a exemplo da ausência do nome no cheque ou de adulteração visível no valor etc. que reputa nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. Há dois modos de circulação. Neste caso. merece atenção o art. Contudo. A Lei Federal no 8. Competirá a Carlos. A circulação se processa mediante a apresentação do documento.

Utiliza-se a expressão “válido em garantia” ou “válido em penhora”. conforme explicitadas no quadro abaixo: . só pode ser exercido contra quem se posicione em lugar anterior da cadeia de endosso Em outras palavras. se realizado após o protesto. Entretanto. poderá usar o poder regressivo contra coobrigado que entrou posteriormente a ele naquela relação. não transferindo sua propriedade. de endosso próprio c) endosso-mandato – quando não se transfere ao endossatário o direito de dispor do crédito. endosso em preto – quando se indica o nome do endossatário. que é instituto do Direito Civil igualmente eficaz para aquele objetivo. mas com diferenças. impróprio. Lavra-se com a assinatura do titular no próprio título. tem poder regressivo pelo seu reembolso. tanto que. obedecendo às normas do Direito Cambiário. Há cinco tipos de endossos. É importante destacar que o endosso é a forma usual de um titular de direito creditício. na qualidade de obrigado indireto. penhora” É forma de endosso impróprio e) endosso póstumo – também conhecido como endosso tardio Ocorre após tardio. o vencimento do título. Produz dois efeitos: o primeiro é a mudança de titularidade do direito expresso no título. que passa à propriedade do endossatário. que endossatário é quem o recebe. se pagá-lo. Endosso. Aval.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 205 Série Impetus Provas e Concursos 6. na qualidade de mandatário ou procurador. se assim não o desejar ou estiver impedido de fazê-lo (título com a cláusula não à ordem a saída é a cessão civil de crédito ordem). representado por um título de crédito. Protesto • ENDOSSO – ato pelo qual se transfere a propriedade do título de crédito. transferir seu bem. nunca um endossante endosso. ou depois do prazo limite para tal. crédito. Qualquer condição posta pelo endossante considera-se não-escrita. seus efeitos serão os de uma cessão ordinária de crédito. Aceite. Significa dizer que o endossante assume obrigação solidária pelo pagamento do crédito. por procuração ou para cobrança É forma de endosso impróprio d) endosso-caução – também chamado de endosso pignoratício é utilizado pignoratício. Aquele que transfere o título chama-se endossante ou endossador enquanto endossador. O endosso só pode ser total sendo nulo o endosso parcial. Utiliza-se a cláusula cobrança. Produz idênticos efeitos àqueles efetuados antes do vencimento. Esse poder. Contudo. para dar o título como garantia de uma obrigação. a saber: a) endosso em branco – quando não se identifica o nome do endossatário ou favorecido. mas o de promover a sua cobrança. dando quitação do título. contudo. É forma b) próprio. É forma de endosso próprio próprio. não podendo ser processado em documento separado. impróprio. o segundo é a vinculação ao pagamento daquele que transferiu o crédito.

Pode ser total ou parcial. servindo para garantir contratos. em se tratando de letra de câmbio ou de duplicata.663/66. Em regra. protesto. formalizar a obrigação por escrito. 1. Na fiança é preciso fiança. ligada à obrigação principal. . que se incorpora a ele como mais um devedor. sendo dispensável quando o demandado for o principal devedor. sendo autônomo e independente em relação às outras obrigações incidentes sobre o título. é forçoso reconhecer a exegese introduzida pelo art. Processa-se com a simples assinatura do devedor no anverso (frente) do título. Não se confunde com a fiança pois o aval é instituto próprio fiança. assumida por terceiro. despesa. apenas. desde que presente a expressão sem protesto ou sem despesa prevista no art. salvo se o regime for o de separação absoluta de bens. que impôs a necessária autorização do outro cônjuge para o ato. parcial. ou simplesmente ausência de devolução do título remetido ao sacado para aceite. ou. ao passo que o aval materializa-se tão-somente com a aposição da assinatura do avalista no título. Pode ser pelo valor total avalista. • AVAL – é garantia unilateral e pessoal de pagamento do título. enquanto a fiança é uma garantia acessória. É possível dispensar-se o protesto até mesmo para cobrança dos obrigados indiretos. A assertiva vem atualizar edição anterior. que se guiava pela antiga legislação.206 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • ACEITE – ato pelo qual o sacado reconhece a dívida. III. do Direito Cambiário. no caso de duplicata. Todavia. 46 do Decreto no 57. do Código Civil de 2002. • PROTESTO – é ato pelo qual se prova o não-cumprimento da ordem ou promessa de pagamento contida no título. Quem presta o aval chama-se avalista enquanto que avalizado é o beneficiário. É requisito para cobrar-se um título dos obrigados indiretos. tem causa na falta de pagamento. possibilita-se o protesto pela recusa do aceite.647. Com relação à fiança e ao aval.

em matéria de letras de câmbio e notas promissórias. ao nascer. o emitente também pode ser o sacado da letra. 7.00 a “C”. com a Lei Uniforme de Genebra (LU). que irão interagir na relação criada.044/08. Letra de Câmbio Conceito Conceitua-se a letra de câmbio como uma ordem de pagamento. “A” (sacador) saca uma letra em favor de “C” (tomador). os endossantes e seus avalistas são coobrigados ou obrigados indiretos. Para entender a posição de cada uma. vejamos o seguinte exemplo: “A” deve R$100. a fim liquidar sua dívida. assim. O aceitante e seu avalista são os obrigados diretos da letra de câmbio. • tomador – também chamado de beneficiário. Entretanto. Assim. “A” pode emitir a letra em seu próprio favor. da mesma forma. subsidiado pelo Decreto no 2. como vimos. “A” é credor de “B”. pode-se observar a presença de três pessoas. será o credor do título. pois. 7. prazo.1. à vista ou a tomador.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 207 Série Impetus Provas e Concursos 7. de 24 de janeiro de 1966. será o principal devedor). enquanto que o sacador.3. pela mesma quantia. • sacado – aquele contra o qual a letra foi emitida (aceitando. . que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro as normas estabelecidas na Convenção Internacional de Genebra. Figuras Intervenientes O vínculo jurídico constituído a partir da emissão de uma letra de câmbio pode contar com a participação de muitas pessoas. Legislação Aplicável Esta espécie de título de crédito é regulada pelo Decreto no 57. constituindo-se em sacador e tomador ao mesmo tempo. 7.2. 3o da Lei Uniforme permite que uma pessoa ocupe simultaneamente mais de uma das três posições jurídicas. o art. hipótese que se assemelha a uma nota promissória. que deverá apresentar a obrigação.663. por sua vez. “B” (sacado) para que este pague a obrigação A par da formulação usual. o título é passível de um número ilimitado de endossos. conta com os seguintes sujeitos: • sacador – é quem emite. que o sacador dá ao sacado em benefício do tomador Do conceito. Cada operação como essa irá trazer novos integrantes à cadeia.

no nosso exemplo do item 7. 1o da Lei Uniforme de Genebra): • a palavra letra de câmbio. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. salvo se contiver expressamente a cláusula não à ordem. por sua vez. 2o). nome do sacado. só é transmissível pela forma e com efeitos de uma cessão civil de créditos (art. como quantia a ser paga. 7. Requisitos de Validade São requisitos de validade da letra (art. • a quantia a ser paga. que será considerada pagável à vista. • assinatura do sacador. Neste caso. cada uma dessas pessoas irá constituir-se em obrigado indireto para com o credor do título. “B” será o obrigado direto pelo pagamento da letra. conjugado com a Súmula no 387 do STF 5 alguns dos requisitos de validade de uma letra devem estar completos. não no . Outros. desde que tenha aceitado o título. • nome do tomador (beneficiário). • lugar do pagamento.4. Na hipótese de “C” endossar seu título a “D”. também assumirá o papel de coobrigado pela satisfação do crédito. avalizando obrigação do endossante “D”.208 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Desta forma. • nome do sacado. • época do pagamento. são indispensáveis e devem acompanhar o documento desde a sua origem.” . 11 da LU). enquanto que “A” será obrigado indireto ou coobrigado. mas por ocasião da cobrança e do protesto do título. que. Por força do art. toda letra é passível de endosso.1. Endosso Em regra. não invalida a letra. A supressão das datas do vencimento e de emissão. 3o do Decreto no 2. ou em branco.5. O terceiro que entrar na relação. além dos lugares de pagamento ou de emissão. e assim sucessivamente. • data e lugar de onde a letra é sacada. 5 Súmula no 387 do STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões. nome e assinatura do sacador e o termo letra de câmbio. por exemplo.044/08. no lugar colocado ao lado do nome do sacado (art. 7. momento do saque. endossa-o a “E”.

opera-se o vencimento antecipado em relação ao sacador. A principal é o vencimento antecipado do título. salvo se inserir cláusula isentando-se dessa responsabilidade (art. Aceite O aceite não é ato obrigatório na letra de câmbio.00. nos R$500. Para transmissão de seu crédito. podendo acontecer quantas vezes desejem seus titulares. Uma vez paga. na hipótese de “D” colocar a cláusula sem garantia irá eximir-se da responsabilidade garantia. na qualidade de coobrigado. como detentor do direito literal escrito no ordem. a única saída é uma cessão civil de crédito. pelo pagamento do título.6.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 209 Série Impetus Provas e Concursos Assim. ainda que o sacado seja reconhecidamente devedor da obrigação. Por isso. 15. Nesta situação. primeira parte. Insuficiente o espaço do título. da LU). A letra comporta outras duas formas de endosso. como garantia da satisfação de uma dívida. no mesmo exemplo. por parte do beneficiário da letra. salvo para um endosso-mandato (art. 20). mas tão-somente para o sacador. em favor de um credor. ao emitir o título. mas o sacado só aceita R$250. não poderá endossá-lo a outrem. ou seja. garantia.1. se “C” resolver endossar o título a favor de “D”. não estará ele compelido a aceitá-la. 19 da LU).00. se “A”. o endossatário não pode endossar o título. Porém. Não há limites para o número de endossos de um título. provoca o vencimento antecipado do título. apenas legitima um procurador para recebê-lo (art. Sua recusa. Melhor explicando. permite-se anexar uma folha de alongue alongue. o aceitante fica obrigado. pois. inseriu a cláusula não à ordem “C”. que endossa em favor de “E”. nos termos de seu aceite (art. Por exemplo. São elas: • endosso-mandato – não transfere a titularidade do crédito. 26 da LU). • endosso-caução – quando seu titular onera a letra com penhor. O endossante é garantidor tanto da aceitação como do pagamento da letra. diz-se que o aceite deve ser sempre INCONDICIONADO. A esta condição dá-se o nome de endosso sem garantia Assim. Também se furta à obrigação de garantidor da obrigação o endossante de endosso efetuado posteriormente ao protesto por falta de pagamento. livre de qualquer modificação pelo sacado. Aceitar parcialmente traz conseqüência similar à recusa total. título de crédito. apenas . ou feito após expirado o prazo para fazer-se o protesto (art.00. que poderá ser exigido de imediato. 18 da LU). ainda aproveitando nosso exemplo do item 7. retorna à posse do endossante. 7. se a ordem que lhe foi endereçada tem valor de R$500. mesmo que parcial.

autônoma sua obrigação em relação à daquele. Entretanto. avalizado o sacador da letra (art. 22 da LU). a apresentação dar-se-á no vencimento. Por exemplo. Na sua omissão.210 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel por ocasião do vencimento. 31 da LU). b) modificativo – quando o sacado altera qualquer outra condição presente na letra. 7. Devemos. título para aceite. considera-se aval. que intervém para aceitar o título. não significa que o título não vá ser apresentado ao sacado. salvo se a nulidade avalizado. contudo. O emitente pode. que se . Deve. Avalista é o garantidor. 30 da LU). diferentemente do pagamento por intervenção. claro. 56 e 57 da LU). O avalista responsabiliza-se da mesma forma que o avalizado É. o sacado poderá ser cobrado regressivamente pelo sacador que pagar a obrigação. que é o ato praticado por terceiro.7. no entanto. tentando evitar seu vencimento antecipado. Temos duas formas de aceite parcial ou condicional: a) limitativo – ocorre quando o sacado concorda em aceitar apenas parte do valor constante da cártula. haver a indicação daquele em honra de quem foi feita a intervenção. Contudo. Aval Aval é a garantia de pagamento do título. caso não haja a indicação. É que duas características permeiam a obrigação do avalista. Exprime-se pela simples assinatura do dador no anverso (frente) da letra. mesmo se for considerada nula a obrigação do avalizado subsiste a do avalista. Isto significa que. na verdade. total ou parcial prestada por alguém parcial cial. a descoberta não atinge a obrigação do avalista. que é aquele que macula a própria caracterização do documento como título de crédito (art. é necessária a anuência do portador da letra. e diretamente para pagamento. a primeira é a AUTONOMIA em relação à do avalizado. através da cláusula não-aceitável proibir a apresentação do não-aceitável. Por ela. que se incorpora à relação jurídica criada. avalizado. toma-se o sacador por beneficiário. a obrigação do avalista não se contamina com qualquer causa presente na do avalizado. Possível o ACEITE POR INTERVENÇÃO (arts. diferente do domicílio do sacado (art. que normalmente é o sacado. se for detectado que a assinatura do avalizado posta no título é falsa. ou se o avalizado é civilmente incapaz. ainda. Nesta hipótese. Se for colocada no verso. a exemplo do local de pagamento. deve conter expressão do tipo bom para aval com a indicação do favorecido. estar atentos ao teor desse dispositivo. desde que não se trate de título pagável em domicílio de terceiro. na parte que aquele aceitou. enquanto o avalizado é o devedor em favor do qual foi dada a garantia (art. estranho ou mesmo já coobrigado na relação. 32 da LU). resultar de vício de forma.

terá ação regressiva contra seu avalizado (B). se B1. 36 da LU). A doutrina. nunca avalista seu (B1. 35 da LU). 37 da LU). • a um certo termo de vista – o vencimento conta-se a partir do aceite. pelo valor total que foi pago. prevista no art. se B1 e B2 resolvem prestar aval à prestação do aceitante B. conseguir a remissão parcial de dívida quirografária (letra de câmbio com valor de R$100. põe-se em prática a regra da solidariedade passiva. 33 da LU. quando não reduzido ou ampliado.8. Não havendo aceite. estaremos diante de um aval sucessivo.00). do devedor principal (B). significa a posição em que o avalista coloca-se numa cadeia de obrigação cambial. Igualmente podemos afirmar que. claro. a característica da EQUIVALÊNCIA. em concessão de recuperação judicial. por vontade do próprio sacador (art. De outra forma. 7. 283 do CC/2002. só poderá acionar regressivamente o devedor principal (B). pois não haverá solidariedade entre eles. não estará obstado de executar o avalista pela totalidade da obrigação. • num dia fixado – o vencimento vem definido na própria letra (art. O primeiro ocorre quando duas ou mais pessoas avalizam a mesma obrigação. • a um certo termo de data – o vencimento será a tantos dias da data de emissão ou saque (art.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 211 Série Impetus Provas e Concursos mantém nas mesmas condições originais.1). cita Fran Martins. 26. Neste último caso. que se coaduna com a exegese do art. para fins da anterioridade-posterioridade. apresentar B1. somente poderá reaver a metade do que pagou. Quer dizer que ele estará imediatamente após o avalizado. avalista de B. se B1 pagar a totalidade da dívida. se B1.1 pagar. Na hipótese de B1 quitar integralmente o débito. Já o aval sucessivo é aquele que se materializa quando um avalista tem garantida sua obrigação por outro avalista (é o aval do aval). o credor. De outra sorte. Neste caso. que deve ser em um ano após a emissão. . Vencimento O vencimento da letra obedece à exegese do art. Porém. 34 da LU). poderá cobrar a integralidade de seu avalizado (B1) e. que é reduzida para R$50. senão vejamos: • à vista – quando pagável na apresentação. contra o outro avalista. embora tendo perdido 50% de seu crédito para o devedor.00. Desta forma. considera-se a data do protesto (art. se o avalizado. Por exemplo. distinguiu duas espécies de avais: o SIMULTÂNEO e o SUCESSIVO.1 como avalista seu.

a regra é a da desoneração dos obrigados posteriores. . em favor de B. F e B. numa relação cambiária. Portanto. se tivermos uma letra emitida por A. respectivamente. mesmo. Na hipótese de conseguir recebê-la de H. estará correta assim: B-F-A-G-C-H-D-I. Caso não consiga recebê-la de B. desoneram-se os demais situados na relação posteriormente ao que pagou. contra aquele por honra de quem pagou. que paga. que é seu devedor principal. sob pena de perder o direito contra os co-devedores. que é o detentor e credor da letra. ficando H com direito à ação regressiva contra C. A Lei Uniforme. e mais. que endossou a E. de outra forma. perde o direito contra aqueles que teriam sido beneficiados. sendo o pagamento efetuado por um co-devedor. se o devedor principal pagar o título. H e I. A. Caso o portador recuse o pagamento por intervenção. procurar B. no vencimento. Se a regressiva de H for contra A. já que os demais permanecem passíveis de uma cobrança em regresso. O pagamento da cambiária provoca a extinção de todas. Em resumo.212 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. É forma de liquidação do título por um terceiro que não participe da relação jurídica. Contudo. C e D. E. Seu efeito é o de desonerar os endossantes e avalistas posteriores ao signatário por honra de quem foi feito o pagamento. algumas ou uma das obrigações contraídas por cada um daqueles agentes. em favor de C. em seus arts. Desta forma. deve. estarão quitados todos os demais co-devedores. a liberação terá efeito apenas sobre esse. muitas pessoas poderão assumir obrigação pelo pagamento do título. na hipótese de obrigarem-se os avalistas F G. estarão desonerados D e I. Importante destacar a obrigatoriedade de o credor dirigir-se ao devedor principal em primeiro lugar. sacada contra B. 59 a 63. permitindo-se a esse intentar ação regressiva contra os anteriores a ele. pois é ele que se obriga em primeiro lugar. seja na condição de obrigado direto (sacado aceitante da letra ou emitente de nota promissória) ou. A. A fim de simplificar o entendimento. permite ainda o PAGAMENTO POR INTERVENÇÃO. Melhor explicando. caso o pagamento seja realizado pelo co-devedor que venha por último na relação cambiária. . Pagamento Sabemos que. a cadeia anterior-posterior . como obrigado indireto (endossantes e avalistas). tanto que o devedor principal que paga livra todos os demais. ou nota promissória. ficando o terceiro interveniente sub-rogado nos direitos emergentes da letra. G. poderá dirigir-se a qualquer um dos coobrigados. não sem antes providenciar a certidão de protesto (exceto se presente a cláusula “sem despesas” ou “sem protesto”). Fábio Ulhoa Coelho organizou relação de responsabilidade a qual denominou “cadeia anterior-posterior”. que posteriormente endossou-a a D. assim como contra os que são obrigados para este beneficiário. este poderá propor nova ação contra B e F pois G e C não mais poderão ser cobrados.9.

o portador terá até o fim do prazo de apresentação para procurar o cartório. este não dirigir-se regr egressivamente F. C. enquanto que. e seus avalistas. Proíbe-se o poder regressivo daquele que pagou contra coobrigados posteriormente posicionados na cadeia de endosso. ou de um processo de execução. Se posta por um dos endossantes. acontece a prescrição do direito (art. No primeiro caso. o crédito contra os obrigados diretos (aceitante e seu avalista). Não impetrada nos prazos abaixo. antecederam na relação cambial Prescrita a ação cambial. por força do art. o prazo para sua execução é de dois dias após o vencimento. ou contra o sacador • endossantes.: existindo uma cadeia de endosso composta pelas pessoas B. Apesar do título. ou avalistas destes. conseguir saldá-la com o endossante E.10. contados do protesto ou do vencimento (tratando-se de letra que contenha cláusula sem despesas). . quais sejam: sacador. despesas inserida pelo sacador da letra. faz-se necessário um regular processo de conhecimento (ação ordinária). Mantém-se. 53 da LU). seis meses – dos endossantes uns contra os outros. 70 da LU): • três anos – todas contra o aceitante (sacado) e seus avalistas. prevê-se a ação contra enriquecimento ilícito do sacador ou aceitante. poderá dirigir-se regressivamente a F. mas apenas àqueles que o cambial. perde este o direito creditício contra os coobrigados da letra. desde que presente a cláusula sem despesas. inclusive contra os próprios obrigados indiretos. se a hipótese for a negação do aceite. endossantes e respectivos avalistas (art. E. credor da letra.11. Contudo. na hipótese de G. Para tanto. muito mais demorado que a ação cambial. Protesto Já estudamos que o protesto cambial da letra de câmbio é ato extrajudicial fundamentado tanto na falta de pagamento como na recusa de aceite pelo sacado. conforme a nomenclatura constante do Código de Processo Civil.044/08.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 213 Série Impetus Provas e Concursos 7. D. F e G. sua eficácia atingirá tão-somente aquele que a introduziu. Não tirado o protesto pelo portador. a contar do dia em que o endossante pagou a letra letra. 48 do Decreto no 2. contados vencimento. pois. do vencimento • um ano – do portador contra o sacador (emitente) ou endossantes e seus avalistas. Ação de Cobrança É providência judicial cabível na hipótese de o titular da letra não ver satisfeito seu crédito literal nela constante. 7. através do qual o credor pode promover a cobrança judicial da cambial sem que seja necessário regular processo de conhecimento. trata-se de uma execução. Ex. 46 da Lei Uniforme prevê a possibilidade de dispensa do protesto. o art.

8.12. junto da qual deve seguir. Ressaque Ressacar é sacar outra vez. a Lei Uniforme de Genebra. ele poderá demandar os demais de duas formas (respeitando-se a regra da anterioridade): 1) por meio de ação regressiva. subsidiado pelo Decreto no 2. Legislação Aplicável Nota promissória é uma espécie de título de crédito regulado pelas mesmas normas disciplinadoras da letra de câmbio. 8. Veremos adiante que muitos dos dispositivos legais aplicados às letras são apropriados também às notas promissórias.663/66. passa a ser considerada título certo. que será a cópia fiel da primitiva. proceder à emissão de um novo título. uma vez emitida. com o objetivo de substituir a ação regressiva contra os demais co-responsáveis. devidamente protestada e não prescrita. designada beneficiário beneficiário. destinam-se a regulamentar pontos singulares da NP. a nota promissória dispensa a participação de um aceitante da dívida.214 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. o que significa que. Nota Promissória Conceito Enquanto a letra de câmbio expressa uma ordem de pagamento dada pelo sacador ao sacado do título. . a nota promissória exprime uma promessa feita pelo próprio devedor. se algum obrigado indireto pagar a letra. Tem previsão no art. ou seja. 8. com os mesmos requisitos essenciais. 37 do Decreto no 2. de pagar certa importância em dinheiro a uma outra pessoa. 75 do Decreto no 57. através do qual se permite ao portador de uma letra que a tenha pago.663/66. especificamente a partir do art. 2) emitindo uma nova letra. ou emitente do documento.1. Outros. tanto que se dispensa até novo aceite do sacado.044/08. Pode-se afirmar que. introduzida na legislação brasileira pelo Decreto no 57. O ressaque deve possuir idêntica natureza do saque primitivo.2. Por ser emitida pela mesma parte que se obriga ao seu pagamento. podendo ser cobrada diretamente do sacador que a gerou.044/08. considerando-se a aposição no título original como suficiente.

Vencimento.3. Endosso. Neste momento. pois o endossatário assumirá a titularidade sobre o crédito. Requisitos de Validade Para ser considerada válida. não dois. Aval. • nome do beneficiário. mas três sujeitos participando da relação jurídica formada pelo título. aval. 8. 8. • promessa de pagar certa quantia. enquanto o endossador aparecerá como responsável indireto pela obrigação. Protesto São concernentes às notas promissórias as disposições relativas à letra de câmbio. ação endosso. • data e lugar de emissão. Outra forma de inserir terceiros à relação jurídica é através do aval. ao prestar a garantia. ressaque. de cobrança protesto e ressaque . observa-se a participação de duas pessoas componentes da relação jurídica: • emitente. teremos. O avalista. torna-se coobrigado da obrigação constante na cártula. pois não há limite para o número de endossos. 76 da LU). O beneficiário conservará a posse e propriedade do título. • beneficiário. Com essas prerrogativas. vencimento. a ausência de algum dos elementos discriminados provoca a desconsideração do título como nota promissória (art. Pagamento. cobrança. Figuras Intervenientes Na sua constituição. especificamente no que se refere a endosso aval vencimento pagamento. senão vejamos (art. transferindo-o por meio de endosso a uma terceira pessoa interveniente na relação.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 215 Série Impetus Provas e Concursos 8. uma nota promissória deve conter alguns requisitos requisitos. Muitas outras pessoas ainda poderão fazer parte do vínculo jurídico criado. • assinatura do emitente. sacador ou subscritor. 75 da LU): • a denominação nota promissória. Salvo a data (se omitida.5.4. o titular do direito creditício poderá livremente negociar seu crédito. será considerada à vista) e o lugar de pagamento ou emissão. Ação de Cobrança. • lugar do pagamento. que lhe será entregue após a emissão por parte do sacador. • data do pagamento. portanto.

ed. o subscritor da nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra de câmbio (art. que nada mais é do que a inserção. logo. Cheque Conceito É o cheque uma ordem de pagamento à vista. p. Nesse contexto. sendo despiciendo exigir-se nova declaração de sua parte a respeito do débito. reside no fato de a NP não admitir o aceite. de 2 de setembro de 1985.3. da Lei Uniforme do Cheque.6 O cheque incide sobre fundos disponíveis do sacador.216 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exceção deve ser feita ao vencimento a certo termo de vista não-aplicável às vista. e. São Paulo: Meta. por tratar-se de uma promessa de pagamento declarada pelo próprio agente emissor. Figuras Intervenientes Participam da relação jurídica decorrente do cheque as seguintes pessoas: • sacador – o correntista emitente do cheque. A conclusão doutrinária. Igualmente é inadmissível o protesto por falta de aceite. de 7 de janeiro de 1966.595. 9. Por ser seu devedor principal. pelo Decreto no 57. 8. • beneficiário – o favorecido a quem deve ser pago o cheque (pode ser o próprio sacador). o sacador já está aceitando o encargo dele decorrente. Considera-se que. em poder do sacado. como o prazo para esse tipo de vencimento deve ser contado a partir daquele ato. 9. não há que se falar em vencimento antecipado por falta de aceite. Direito Comercial. 9.2. Legislação Aplicável O tema é disciplinado pela Lei Federal no 7. 9. inconcebível seria recepcioná-lo para as notas promissórias. sacada por uma pessoa contra uma instituição financeira (a favor do sacado ou de terceiro). 88. 6 MATIELO. notas promissórias. 78 da LU). defendida inclusive por Requião. 1994. Mário Eduardo. ao proceder à criação do título. elaborada pela Convenção Internacional de Genebra. 1. Aceite O aceite não se aplica à nota promissória.1. que é a própria instituição financeira. • sacado – a instituição financeira contra a qual se saca o cheque. de forma subsidiária àquela. no Direito brasileiro.357. . realizada em 1931.6.

não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. 9. O art. se pagar cheque falso. 2o da Lei do Cheque. salvo lugar de pagamento ou emissão e a data: • a denominação cheque – deve estar inserida no contexto do título. ainda que contenha todos os requisitos ditados no art. se designados vários lugares. considera-se o primeiro. mas civil). Este se responsabiliza apenas quando processar pagamento indevido. não sendo o beneficiário do título. • ordem incondicional de pagar quantia determinada • nome do banco sacado sacado. O banco que paga cheque endossado obriga-se a verificar a regularidade. • assinatura do emitente ou seu mandatário mandatário.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 217 Série Impetus Provas e Concursos Obrigados diretos do cheque são o emitente e seu avalista se houver. . contudo. a exemplo de um cheque cruzado (aquele que deve ser depositado em conta) pago diretamente ao portador não-cliente. considera-se o lugar junto ao nome do sacado. Outra vinculado. determinada. pré-datado. Características Principais Trata-se de título de modelo vinculado determinado pelo Banco Central. • lugar de pagamento – não constando lugar de pagamento. falsificado ou alterado. endossante ou beneficiário (não é responsabilidade cambial. 9. Além desses. contudo. mesmo pré-datado o banco não se deve vincular à data aposta para pagamento. assim como o sacado (banco). Neste caso. 32 da Lei no 7. Responde. Obrigados avalista. Significa dizer que. não prejudica a validade do título como cheque. indiretos serão os endossantes e seus avalistas. Esta é a regra do art. ou de um cheque pago erradamente à pessoa estranha à relação jurídica. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. forma de cheque. 39 da LC). sem os quais o documento não valerá como cheque. Requisitos de Validade O art. não é aceita como título de crédito. 4o da Lei do Cheque. • data e lugar de emissão – não constando lugar de emissão. o cheque deverá possuir fundos disponíveis na instituição financeira.4.5. 2o da Lei do Cheque enumera os seguintes requisitos. considera-se o local indicado ao lado do nome do emitente. se nenhum.357/85 considera como não-escrita qualquer menção em contrário. mas ao tempo presente. salvo dolo ou culpa do correntista. A ausência de provisão. será o lugar de emissão. pode a instituição financeira reaver o que pagou (art.

O cheque. é bastante para concretizar o ato. da operação De outra forma. permite o endosso-mandato pelo qual o portador pode exercer todos endosso-mandato. 21 da LC). 9. diploma legal limitou em apenas uma a quantidade de endosso permitida. Entretanto. Admite-se o pagamento parcial não se facultando ao portador recusá-lo. não admite o endosso-caução endosso-caução. Em regra. contrapartida recusar o recebimento de cheque ofertado pelo comprador.311/96. expressamente proibido endosso posterior. O endosso próprio transmite todos os direitos do cheque. pode vendedor. o mesmo vier a ocorrer à revelia de tal vedação (art. Quanto ao número possível de endossos. A essa singularidade confere-se o nome de obrigação pró-solvendo pró-solvendo. por esse tipo de endosso impróprio. nulo.7. Exemplificando: o vendedor. em preto ou em branco A assinatura do endossante juntamente com o nome do endossatário. o 9. a obrigação só se extingue com a sua compensação. a transferência opera-se via cessão civil de crédito crédito. se inserida qualquer condição para sua efetivação. n 8. Significa dizer que não se permite ao endossatário. O endosso parcial é nulo Outrossim.6. parcial. pode ser branco. os direitos resultantes do cheque. Endosso Permite-se o endosso próprio do cheque que. considerando-se não-escrita qualquer declaração neste sentido (art. Endosso posterior ao protesto ou ao prazo de apresentação também produz efeitos de uma cessão civil de crédito crédito. 92 da Lei Federal forçado. é necessário fazer referência à Lei no 9. uma vez recebido o cheque. comercial. Isso é lógico. como contrapartida operação. em uma transação comercial. Nesse caso. por ser uma ordem de pagamento à vista. 6o da LC). como já mencionado. Equivale afirmar que ninguém está compelido a recebê-lo como se fora dinheiro. 26 da LC). lançados no verso do título. o sacado (banco) não garante o pagamento do cheque. Como conseqüência. recebimento ofertado comprador. posto que o endosso não se subordina a nenhuma circunstância.218 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O cheque não é papel de curso forçado É o que dispõe o art. que instituiu a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira – CPMF Esse . Aceite O cheque não admite aceite. o endossante é garantidor do pagamento (coobrigado). considerar-se-á aquela como não-escrita. . já que o mesmo não detém a propriedade do direito. salvo se.884/94. transmitir a titularidade do crédito representado no papel. mas só pode lançar no documento endossomandato (art.

a sua assinatura aposta no momento da expedição do documento já representa seu consentimento em relação ao débito. 29). coobrigados Se o credor não apresentar o cheque ao banco no prazo legal (trinta ou sessenta dias). quando o título foi emitido pelo próprio devedor. dispensando a exigência de apresentação ao banco. conhecimento. 9. a qualquer adiamento daquele ato (cheque pré-datado). 9. 31). 59 da LC). Com relação aos obrigados diretos a Súmula no 600 do STF veio alterar o dispositivo diretos. supramencionado. O avalista obriga-se da mesma maneira que o avalizado (art. 30). 33 da LC). No entanto. 35.9. não tem sentido cogitar o aceite de um cheque. Ação de Cobrança Não honrado o pagamento pelo seu principal devedor (emitente). portanto. 9. . o prazo para se promover a execução (art. o título só pode ser cobrado via processo de conhecimento desprovido. prescreve em seis meses. que é o principal responsável pela sua solvência. “faculta-se ao banco o pagamento”. para fins de decadência do direito de ação cambiária. para apresentação ao banco. e de sessenta dias. Em outras palavras. exceto o sacado (art. Aval Permite o aval prestado por terceiro.8.10.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 219 Série Impetus Provas e Concursos Realmente. 47 da LC). Após essas datas. contados da emissão. senão se considera avalizado o emitente (art. A partir dessa data. parágrafo único). contados da data de expiração do tempo para apresentação (trinta ou sessenta dias da emissão). banco aceitar a apresentação no lapso temporal que vai até seis meses do tempo de apresentação. O aval deve indicar a pessoa avalizada. seu beneficiário tem prazo de trinta dias. se o coobrigados. permanece o direito contra os obrigados indiretos (art. A ação pode ser impetrada contra o emitente e seus avalistas (obrigados diretos obrigados diretos). do atributo da executividade. desde que ainda não-prescrito (art. não se submetendo. Vencimento e Pagamento Vimos que o cheque é ordem de pagamento cujo vencimento é sempre à vista. perderá o direito à ação de cobrança contra os coobrigados Claro que. ou contra os endossantes e seus avalistas (coobrigados coobrigados). Pode ser total ou parcial e exprime-se pela simples assinatura do avalista colocada no anverso do cheque (frente). sendo cheque emitido em outro lugar do país ou até do exterior (art. se for cheque da praça. portanto.

prescrição para ação de cobrança. e ainda assim apresentou o cheque ao banco. se a vítima estava ciente de que não havia provisão de fundos. 9. 171 do Código Penal. se lançada por um endossante ou por avalista. com prazo prescricional da ação de cobrança (06 meses + 30 ou 60 dias = 210 ou 240 dias). a necessidade do protesto contra os coobrigados. 50 da LC). faz-se necessária a conjunção dos seguintes fatores: • dolo – é a intenção na finalidade do ato. produz efeito em relação a todos os obrigados. contados a partir da enriquecimento. previsto no art. contra o emitente e outros obrigados. mas não o é se o demandado for o emitente ou avalista seu. É exigível para propositura de ação de cobrança contra os endossantes e seus avalistas. fraude – caracteriza-se na forma deliberada do agente de fraudar o credor. o cheque pré-datado. não há o tipo penal (como exemplo negativo. 61 da LC). o efeito atingirá apenas aqueles (art. ATENÇÃO! Cheque sem fundos constitui tipo penal. Essa condição. decorridos dela. Para configurar-se. 210 ou 240 dias.220 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel ATENÇÃO! Não confundir prazo para apresentação ao banco (30 ou 60 dias da emissão). se posta pelo emitente. não observado pelo correntista. Protesto O protesto do cheque só pode acontecer motivado pela ausência de fundos disponíveis para pagamento. Permite-se inserir no título a cláusula sem protesto ou sem despesa para dispensar despesa. entre as partes e devolvido por falta de fundos • . que se locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque (art.11. Ao banco proíbe-se o pagamento do cheque. conforme o documento seja da praça ou fora dela A lei prevê ação de enriquecimento no prazo de dois anos. O instrumento legal que vem sendo empregado para tanto é a ação monitória. o simples descontrole do saldo. no entanto. não tipifica o crime. apresentado antes do prazo pactuado fundos).

o nome de um banco. não pode ser sacado diretamente no caixa. Só produz efeito após o prazo de apresentação (trinta ou sessenta dias). banco contra seu caixa. mediante visto aposto no próprio título. bancário – também conhecido por administrativo é emitido pelo próprio • administrativo. não compete ao banco julgar a relevância da razão invocada pelo emitente. debita de imediato a quantia na conta do sacador. a devolução. por insuficiência de fundos. Não sustado. como vimos. • oposição – prevista no art. mas depositado em conta. apenas cumprir a determinação. que pode dar-se mesmo durante o tempo de apresentação.12. • viagem – já contém a importância que deve ser paga. ou seja. • visado – quando o banco. Equivale a uma limitação de validade do título ao prazo de apresentação ao banco. só a este poderá ser apresentado. direito creditício advindo da nota promissória 9. considerando-se inexistente declaração pela qual se exima do cumprimento da obrigação. Produz efeito a partir da cientificação ao banco. • especial – confere ao seu titular o direito de emiti-lo além de sua provisão de fundos. será de trinta ou de sessenta dias. Espécies Os cheques podem ser das seguintes espécies: • cruzado – atravessado por duas linhas paralelas. no cruzamento. 36 da LC. Se houver. . que é ato privativo do emitente. 9. permanecer não reduz o patrimônio do credor. o emitente deve garantir o pagamento do cheque. Pode ser efetuada de duas formas: • revogação ou contra-ordem – prevista no art.13. 35 da LC. Em ambas as formas. posto per manecer ele com mesmo promissória). Sustação A lei admite a sustação do cheque.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 221 Série Impetus Provas e Concursos • dano – necessário o dano patrimonial à vítima. assim como a assinatura do sacador. que. garantindo o cumprimento da obrigação. a diminuição do seu patrimônio (como exemplo negativo. de cheque utilizado no pagamento de uma nota promissória reduz credor edor. dependendo do local de emissão.

Daí. permitia-se a emissão da(s) duplicata(s). uma vez emitida. com escopo de servir tanto a fins contábeis como fiscais. 2o da LD).1. Entretanto.7 Trata-se. V. Rubens. . o comerciante era obrigado a extrair duplicata. de um título originado a partir de um contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. até 1968. depende. A respeito da faculdade de expedição da duplicata. Entretanto. já que poucos processavam a emissão de fatura.474/68. de concretizar-se um prévio negócio mercantil. Da fatura. os comerciantes que realizassem venda com prazo de pagamento não-inferior a trinta dias estariam obrigados à emissão de fatura da venda respectiva. São Paulo: Saraiva. Duplicata 10. como a duplicata pode nascer sempre da fatura ou da nota-fiscal-fatura. deixa de haver qualquer vinculação com a causa que lhe deu origem. assimilado aos títulos cambiários por força de lei. Daí ser um título causal posto que causal. constituindo um saque fundado sobre crédito proveniente de contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. Curso de Direito Comercial. Ocorre que. em toda operação de compra e venda mercantil a prazo. para sua existência. Esse documento tem a finalidade de discriminar o produto da venda. Com advento da Lei no 5. Fran Martins lembra que. desde que foi firmado um convênio entre os Estados para adoção. 7 REQUIÃO. A emissão da duplicata é facultativa. preço unitário etc. 444. este deverá obrigatoriamente ser uma duplicata (art. os comerciantes signatários que o adotarem obrigam-se à emissão em toda venda efetuada. p. quando realizadas vendas com prazo curto de recebimento. de um documento chamado “nota fiscal fatura”. circulante por meio de endosso. por parte dos comerciantes.222 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 10. pelo fato de não ser obrigatória a emissão da fatura em vendas cujos vencimentos fossem inferiores a trinta dias. especificando detalhes como: valor unitário. se da operação houver intenção de emitir um título de crédito. Conceito Requião conceitua duplicata como um título formal. inclusive à vista. portanto. passou a haver certa regularidade na emissão do título. 2. Percebam que. nesse período. quantidade. dificilmente se dava a emissão de duplicatas em vendas com prazos abaixo daquele tempo. não importando se é à vista ou não.

CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 223 Série Impetus Provas e Concursos 10. aquele que se obriga a pagar a obrigação. • nome e domicílio do vendedor e do comprador. 2o da LD traz requisitos sem os quais o título não valerá como duplicata: • denominação duplicata data de emissão e número de ordem. duplicata. • valor.2. Sobre a triplicata. 10. seja como garantidor do obrigado direto ou de um dos coobrigados. Figuras Intervenientes Duas pessoas são necessárias à relação jurídica: • sacador – é o comerciante que vende a mercadoria (credor). Documento emitido sem obediência àquele modelo não gera efeito cambial. • cláusula à ordem.474/68 reputa como obrigatória a sua extração. hipótese em que se admitirá o ingresso de terceiros na relação originalmente criada. requisitos e efeitos do original. dizer que só é válida se emitida de acordo com especificações já definidas. 10.4.3. na verdade. • aceite do devedor (sacado). efeitos e requisitos do documento original. • sacado – é o comprador. o sacador assumirá o papel de obrigado indireto pelo crédito.474/68 é o diploma normativo aplicável à duplicata. Características Principais Assim como o cheque. Legislação Aplicável A Lei Federal no 5. por meio de endosso. o avalista também fará parte da mesma relação decorrente do título.5. permite-se ao proprietário de uma duplicata transferir. . • número da fatura. ao menos quando houver perda ou extravio da duplicata. Prestando aval. • vencimento (ou declaração de ser à vista). 10. permite-se a emissão da triplicata com os mesmos triplicata. Assim como os demais títulos cambiários. o art. seu direito sobre o título. • local de pagamento. • assinatura do emitente. a duplicata é título de modelo vinculado significando vinculado. Trata-se. Nesta situação. devendo-se observar idênticas formalidades daquela. Em caso de perda ou extravio. o endossatário será o novo credor. de um novo documento com as mesmas características. 23 da Lei no 5. Requisitos de Validade O art.

• vícios na qualidade ou na quantidade dos produtos. ser interpretado de forma diversa. a ausência de devolução dele ao sacador. Ressalva para a impossibilidade de ser inserida a cláusula não à ordem desde a origem. a recusa do sacado em aceitar o título ou. Desta forma. Obriga-se o comerciante que emitir duplicata ao registro no Livro de Registro de Duplicatas. 23 ainda está “contaminado” com a antiga obrigatoriedade da emissão da duplicata. claro na hipótese legal. . Isso porque. que terá sempre como primeiro endossante o vendedor da operação de compra e venda que deu origem ao título. Aceite Diversamente à letra de câmbio. relativas à forma de circulação das duplicatas. 8o da LD. posto que a lei restringe a possibilidade de o sacado libertar-se da obrigação que lhe é apresentada apenas naquelas hipóteses. o aceite do sacado é obrigatório. Segundo Fran Martins. ou seja. 10.6. assim mesmo. • divergências nos prazos ou nos preços. sempre que acontecer a perda ou extravio da original. O art. havendo sua devolução juntamente com exposição circunstanciada do sacado. 10. sendo facultativa a emissão da duplicata.224 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A doutrina acentua que. lastreada em uma daquelas razões. muito menos desconsideração do documento como duplicata mercantil. pois. salvo nas seguintes situações (art. 8o da LD): • avaria ou não-recebimento das mercadorias quando a culpa for do mercadorias. é preciso esclarecer que o título só é considerado não-aceito depois de configurado um dos motivos descritos acima. o art. como uma faculdade que detém o comerciante ou o prestador de serviço. também o é a expedição da triplicata. não implicam sua liberação de saldar a duplicata. não se deve tomar a disposição “ao pé da letra”. Quando se ressalta a compulsoriedade do aceite na duplicata. Endosso Permite-se o endosso da duplicata. mesmo. Deve. 25 da Lei de Duplicatas assegura a aplicação das mesmas regras concernentes à letra de câmbio. vendedor. apesar de o dispositivo legal expressar a obrigatoriedade de emissão da triplicata. inexistindo uma das causas capituladas no art. e.7.

produzindo idênticos efeitos (art.8. para que esse aceite o débito custodiado no banco. ordinário: condição que o torna título executivo contra o sacado. ainda que posterior ao vencimento do título. As normas para pagamento seguem as disposições aplicadas à letra de câmbio. devem ser obedecidas (art. comunicação: descontadora do título. 10. Algumas regras. Ação de Cobrança Para cobrar-se judicialmente uma duplicata. vista. retém a cártula. 10. b) por presunção acontece sempre que o sacado. c) por comunicação é forma pela qual uma instituição financeira. da LD).9. 15 da LD): • se houver aceite do devedor – independe de protesto para propositura da ação de cobrança contra o obrigado direto. contudo. presumindo-se que ele concordou com o saque efetuado contra ele. este será considerado como aquele que vier indicado logo abaixo de sua assinatura.10. Vencimento De forma diversa da letra de câmbio. ao mesmo tempo em que remete ao sacado algum instrumento de comunicação. Se não houver indicação do avalizado. contudo. além de aumentar a quantidade de papel.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 225 Série Impetus Provas e Concursos Devemos destacar. 10. presunção: não as devolve ao remetente. ainda que não haja a restituição da duplicata enviada a aceite. Fora desses casos. devido à utilização mais corriqueira de meio magnético para substituir a emissão de papéis. a duplicata só admite duas formas de vencimento: à vista ou num dia fixado no próprio título (art. o avalizado será o comprador. 2o. . Atualmente. fere o princípio da cartularidade. pois. essa forma é largamente usada no meio comercial. III. para cobrar-se dos obrigados indiretos é necessário o protesto. independentemente de estar protestado ou não. 12 da LD). o instrumento devido é a ação de cobrança. Essa forma tem pouco uso. três formas de aceite do título: a) ordinário ocorre quando o sacado apõe sua assinatura no próprio título. Aval Admite-se o aval. ao receber as mercadorias.

as mesmas mercadorias. desde que tenha aceite. desde que não tenha havido recusa de aceite por um dos motivos previstos no art. trata-se de uma exceção à característica da cartularidade. 8 Estabelecimento que tem por fim a guarda e a conservação de mercadorias depositadas. Conhecimento de Depósito e Warrant 11. processando-se por intermédio de indicação do credor (art. § 1o. 18 da LD): • três anos da data do vencimento – contra o sacado e respectivos avalistas. • um ano da data do protesto – contra endossantes e seus avalistas. ao passo que o warrant é um título fundado numa garantia pignoratícia (vem de penhor) sobre as mercadorias depositadas. Contra o devedor principal (sacado) e seu avalista. não se faz necessário o protesto. Protesto A duplicata pode ser protestada por falta de aceite. 8o. ainda que sem a apresentação do título no cartório. 13 da LD). • um ano da data do pagamento – quando movida por um coobrigado contra os demais. São emitidos pelo titular do armazém geral.226 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • se não houver aceite nem devolução do título – depende de prévio protesto até mesmo contra o obrigado direto. assim como do acompanhamento de documento que comprove a entrega da mercadoria. Perde o direito creditício contra endossantes e respectivos avalistas o portador que não protestar o título até trinta dias do vencimento. para fins cobrança do crédito. por falta de aceite ou de devolução. 13. Conceito O conhecimento de depósito é título representativo de mercadorias custodiadas em armazéns gerais 8 ao passo que o warrant representa uma garantia real sobre gerais.11. já que dispensa vista ao documento. por solicitação do depositante. Ambos são considerados títulos de crédito impróprios impróprios. Na verdade. da LD). A prescrição do prazo para propor-se a ação dá-se (art. legitimando seu portador na propriedade das mesmas.1. de devolução ou de pagamento (art. A ausência do protesto. não impossibilita o mesmo ato lastreado na falta de pagamento. Permite-se o protesto. O primeiro substitui o recibo da mercadoria. 11. 10. .

2. requer ao armazém a emissão de um conhecimento de depósito. 11. sem obrigatoriamente abrir mão de seu domínio.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 227 Série Impetus Provas e Concursos Para entender a razão motivadora de alguém requerer a expedição dos títulos. Uma vez expedidos. imaginemos que um comerciante. • nome do segurador da mercadoria e valor do seguro. que vem atrelado ao warrant. o seqüestro ou qualquer outro embaraço que prejudique a livre disposição das mercadorias.102/03 relaciona os seguintes requisitos impostos aos títulos: • denominação do armazém geral. 15 do Decreto no 1. quantidade e demais especificações da mercadoria. sua profissão e domicílio.102/03). para só então poder ter a liberação dos produtos depositados. legítimo proprietário de dez mil quilos de feijão. ele pode exigir a entrega de um simples recibo de depósito. mas sem querer desfazer-se da propriedade de seu bem. constará importância do crédito garantido. mantendo-se na propriedade do conhecimento de depósito. 17 do Decreto no 1. • lugar e prazo de depósito. • natureza. No entanto. • data de emissão e assinatura do depositante.4. documento legitimador de sua propriedade.102. e a retirada da mercadoria do depósito só poderá ser feita com a apresentação dos dois títulos. de 21/11/1903. Após o depósito da mercadoria. • nome do depositante. Legislação Aplicável Regem-se pelo Decreto no 1. deverá satisfazer o direito creditício nele presente. Para tanto. incapaz de armazená-los devido à ausência de instalações adequadas. necessitando de capital de giro para seu negócio. 11. Contudo. os próprios títulos podem ser penhorados ou arrestados por dívidas (art. proíbe-se a penhora. A posse e propriedade desses títulos irá permitir que o depositante capte recursos financeiros. . resolva levá-los à custódia de um armazém geral.3. Requisitos de Validade O art. basta alienar apenas o warrant. Características Principais No warrant. 11. • declaração dos impostos incidentes sobre a mercadoria. Por ocasião do vencimento do warrant.

1. 897 do Novo Código Civil. responsabiliza-se o armazém geral por inexatidões contidas nos títulos. 11. Possibilita-se até a venda em leilão das mercadorias necessárias à satisfação da dívida. 25 do Decreto no 1. Perante terceiros. respeitados os direitos do credor. Títulos de Crédito Rural 12. que veda o aval parcial. Se for apenas do warrant. terá que consignar principal e juros ao depositário.228 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Se o portador do conhecimento de depósito intencionar retirar a mercadoria antes do vencimento da dívida constante do warrant.6. no peso ou na quantidade das mercadorias. cada endossante responsabiliza-se solidariamente pelo débito. O endosso de um e de outro confere ao endossatário direito de livre disposição das mercadorias. representativos de obrigações decorrentes de um empréstimo de capital liberado por uma instituição financeira. 18 do Decreto no 102/03). 11. Neste caso. para haver o saldo. relativamente à divergência na natureza. 903 do Código Civil de 2002. sendo do conhecimento de depósito a faculdade de dispor das depósito. quando não satisfeita a obrigação nele constante.7. 18 do Decreto no 1. unidos ou separadamente (art. 12. mercadorias. Endosso Ambos os títulos podem ser transferidos por endosso. Por força do art. Protesto Admite-se o protesto por falta de pagamento do warrant. Conceito Constituem títulos de financiamento assim compreendidos. portador do warrant (art. 11. Aval Aplica-se o art. Não ficando integralmente quitada.102/1903. implica o direito de penhor sobre as mercadorias.102/03).102/03). . aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. o portador do warrant pode impetrar ação contra os endossantes anteriores. 22 do Decreto no 1.5. aqueles financiamento. no que se refere à responsabilidade dos endossantes do warrant. combinado com o art. que imediatamente repassará ao portador do warrant (art.

pois. os títulos são chamados de cédula de crédito rural. é título de crédito impróprio. Características Principais O credor do título pode exigir uma garantia real ao empréstimo. a aplicar o montante recebido na atividade declarada ao financiador. devedor do direito creditício. satisfeitos todos os requisitos exigidos.4. dirige-se a um órgão integrante do Sistema Nacional de Crédito Rural. na qualidade de emitente. Os títulos de financiamento em geral configuram-se como um importante meio de fomento da economia. sob pena de vencimento antecipado de toda a dívida. através deles. 12. Possuem natureza de uma promessa de pagamento em favor do agente financeiro. intitula-se de nota de crédito rural. • Beneficiário – é o organismo que liberou o recurso.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 229 Série Impetus Provas e Concursos Igualmente ao conhecimento de depósito e warrant. . Exemplificando: um produtor rural. Assim nós temos: • cédula rural pignoratícia – disciplinada pelos arts. Apropriada para financiamentos garantidos por um penhor sobre bens móveis. 12.2.3. de 14/02/1967. Nestes casos. expressa na própria cédula (princípio da cedularidade). até mesmo. 14 a 19 do Decretolei no 167/67. pessoa física ou jurídica. necessitando de recursos para incrementar sua produção. 12. cédula comercial) rural) para a construção da casa própria (cédula hipotecária cédula hipotecária). o título de crédito. ocorre a liberação de verbas. cédula cédula crédito comercia ou agricultura (cédula ou nota de crédito rural e. De outra forma. Legislação Aplicável Regula-se pelo Decreto-lei no 167. tanto para a indústria (cédula de crédito industrial como para o comércio (cédula de industrial). credor do direito creditício. posto fugir às normas gerais atinentes aos títulos de crédito mais conhecidos. Lá chegando. Figuras Intervenientes • Emitente ou sacador – é o produtor rural. dada por quem recebe o benefício da linha de crédito. com o penhor ou hipoteca de bens. Este se obriga. assina. que terá como favorecida a mesma instituição que está liberando o dinheiro para o emitente. quando não houver garantia real à dívida.

mantendo-se a possibilidade de o aval ser parcial. • nota de crédito rural – disciplinada pelos arts. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. no que se refere à responsabilidade dos endossantes desses títulos. para assegurar o direito de regresso contra coobrigados. 12. Apropriada para financiamentos garantidos por hipoteca sobre imóveis.230 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • cédula rural hipotecária – disciplinada pelos arts. 60 daquele Decreto-lei. O quadro-resumo da folha seguinte tem o objetivo de facilitar a compreensão da matéria. 903 do Código Civil de 2002. 25 e 26.5. 12. 27 e 28. normalmente mais requisitados nas provas de concursos. Utilizada para financiamentos desprovidos de garantia real. . não prevalece o art. rurais ou urbanos. 20 a 24. 60 do Decreto-lei no 167/67. Protesto Não é necessário. combinado com o art. trazendo os principais elementos a respeito dos títulos de crédito próprios. Abrange ambas as garantias numa mesma cédula. 12. respectivos terrenos. • cédula rural pignoratícia e hipotecária – disciplinada pelos arts. 897 do CC/2002.7. Aval Também devido ao mesmo art.6. Endosso Por força do art. assim entendidas as construções. instalações e benfeitorias.

adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. à exceção do endosso-caução (inadmissível) e do número ilimitado de endossos Capítulo 3 — Direito Cambiário Participam da relação jurídica original: sacador – quem emite o título. de forma subsidiária.474/68. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor.aplicadas às letras de câmbio. em favor do beneficiário. n 2.663/66 Rege-se pela Lei Federal e. Inserida cláusula não ordem. que poderá Relativamente ao endosso.CAMPUS LETRA DE CÂMBIO Ordem de pagamento à vista ou a prazo. CHEQUE Ordem de pagamento à vista.044/08. Rege-se pela Lei Federal no 5. à exceção do momento de inserir a cláusula não à Admite o endosso. dada ao sacado. Rege-se pelo Dec. no 57. no 57. DUPLICAT DUPLICATA Saque efetuado pelo emitente. de forma subsidiária.044/08. feita pelo emitente do título. a partir de um contrato de compra e venda mercantil.357/85 e. Participam da relação original: sacador – vendedor/ prestador de serviços (credor).). além do endosso próprio. pelo Dec.663/66 Rege-se pelo Dec. sacado – devedor principal do título. tomador – credor do título. dada ao sacado. pelo no 7. caução. ou de prestação de serviços. pelo emitente. Dec. no 57. Relativamente ao endosso. pelo e. segue as mesmas regras ser: endosso-mandato ou endosso.595/66. à ordem proíbe-se o endosso. 231 Série Impetus Provas e Concursos . sacado – comprador/ tomador do serviço. Dec. pelo emitente. Relativamente ao endosso. em favor do beneficiário. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. beneficiário – é o credor do título (terá posse do docum. n 2. NOTA NOTA PROMISSÓRIA Promessa de pagamento à vista ou a prazo. contra provisão de fundos em poder do próprio sacado. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. sacado – banco. beneficiário – credor do título. de forma o o subsidiária.

Direito Comercial — Carlos Pimentel Admite o aceite do sacado. o aceite parcial provoca o vencimento antecipado. ou não-entrega do produto. Apenas nestas hipóteses estará o sacado livre de responder pelo pagamento do título. Ressalva para a nãoindicação do favorecido pelo aval. Ressalva para a proibição de o aval ser prestado pelo banco. ordem. salvo por avaria devedor. posto ser o título emitido pelo próprio devedor. segue as parcial. ordem que não pode ser desde a emissão do título. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. que poderá ser o sacado. Relativamente ao aval. O avalista obrigar-se-á nas Relativamente ao aval. . aceitável para evitar o vencimento antecipado.232 Série Impetus Provas e Concursos Cláusula sem garantia livra o endossante da obrigação pelo pagamento do título. mesmo. adota as mesmas regras da letra de câmbio. (a Lei no 9. Permite-se o aval. assim como erros nos prazos ou nos preços. vício na qualidade ou quantidade. apesar de não ser obrigatório. Possível haver cláusula nãoaceitável. Não admite aceite. posto ser Aceite do sacado é o título emitido pelo próprio obrigatório. Deve haver a indicação mesmas regras aplicadas às do favorecido pelo aval. total ou Relativamente ao aval. obrigando-se o sacado pelo que aceitou. A recusa do sacado ou. Não admite aceite. Se não houver aceite. caso letras de câmbio. contrário será o sacador da letra.311/96 limitou em apenas um). o sacador será devedor principal.

O vencimento da letra pode ser: à vista – será o prazo de apresentação. Após esse tempo. a providência judicial cabível é a execução. e até sua prescrição. O pagamento da letra deve ser exigido primeiro do obrigado principal. obedecidas as seguintes regras: com aceite – dispensável protesto contra o sacado. Após esse tempo. só após.CAMPUS Relativamente ao vencimento. para. pelo fato de não admitir aceite. Não satisfeito o crédito. num dia fixado – vem definido na letra. No caso de não ser paga. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. o título deve ser apresentado para pagamento. a certo termo de data – tantos dias do saque. Caso esse não pague. salvo aquele a certo termo de vista. qualquer um dos obrigados indiretos poderá ser compelido a fazê-lo. Vale a ação de cobrança. Capítulo 3 — Direito Cambiário mesmas condições do avalizado. faculta-se o pagamento. a certo termo de vista – tantos dias do aceite. O vencimento é sempre à O vencimento da duplicata vista. contados do fim do prazo de apresentação para promover a execução do título. nos seguintes prazos: Relativamente ao pagamento. Contudo. sem aceite – precisa do protesto até mesmo contra sacado. No prazo de trinta ou sessenta dias. a saída é uma ação monitória. tem o credor o prazo de cento e oitenta dias. seja contra o principal devedor ou contra devedores indiretos. o prazo de pode ser à vista ou num apresentação ao banco é de dia fixado. conforme o cheque seja da praça ou não. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. sem se respeitar a ordem pela qual se obrigaram. O pagamento deve ser exigido inicialmente do sacado. cobrarse de um coobrigado. trinta ou de sessenta dias. se da praça ou não. 233 Série Impetus Provas e Concursos .

não do aceitante. é até o fim do prazo de apresentação. qual seja: cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. enquanto. um ano do protesto – contra coobrigados. um ano do venc. já que não admite aceite. .234 Série Impetus Provas e Concursos três anos do vencimento – contra obrigado direto. fazê-lo. e seu prazo é o mesmo da prescrição (cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação). lembrando que a cláusula sem protesto vale para o endossante que a inseriu. interposta contra o emitente ou coobrigados. A cláusula sem protesto dispensa protesto até dos coobrigados. Direito Comercial — Carlos Pimentel O protesto da letra é fundado na falta de pagamento ou de aceite. O prazo da ação é: três anos do vencimento – contra sacado. salvo se posta na origem. No mais. O instrumento para tanto será igualmente a ação de cobrança. O protesto da duplicata pode ser fundado na falta de pagamento. 8o. sei meses do pagamento – poder regressivo de quem pagou. O protesto do cheque só pode ser fundado na falta de pagamento. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. No mais. É necessário para se cobrar o título de um coobrigado. um ano do pagamento – poder regressivo. e seu prazo é de trinta dias do vencimento. não contra o sacado (com aceite). ou protesto – contra obrigado indireto. de aceite ou de devolução do título remetido ao sacado para aceite. No primeiro caso. no segundo. o prazo é de dois dias do vencimento. limitada ao prazo prescricional do cheque. O protesto de nota promissória só pode ser fundado na falta de pagamento. e com comprovante de entrega das mercadorias. Esta segunda hipótese vale se o sacado não tiver razões fundadas no art. É necessário contra coobrigados.

2. b) torna ineficaz o aval dado antecipadamente. que seja imputável ao sacador. b) não admitir função diversa daquela que originou sua criação. assim como todos os endossos anteriores a esse evento. para que possa gerar efeitos cambiais. c) só se justifica no caso de vício da relação jurídica subjacente. o conhecimento de todos. ESAF (AFTN/1994) O warrant é título de crédito que se caracteriza por: a) representar mercadorias depositadas. criados para facilitar a circulação de direitos com segurança. . e) só servir aos empresários. 3. c) exigir. caracterizam-se por: a) ser numerus clausus. na cadeia de regresso. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 5 a REGIÃO/1999) A recusa do aceite pelo sacado de um letra de câmbio: a) implica o vencimento antecipado do título e torna o sacador o principal responsável pelo seu pagamento. d) não ser documentos de legitimação. b) ser independente de qualquer relação fundamental entre emitente e primeiro beneficiário. reputando-se não-escrito o aceite prestado dessa forma. e) representar garantia real sobre bens. ESAF (AFTN/1994) Os títulos de crédito. d) permitir o stoppage in transitu. c) servir para a transferência de propriedade de bens. d) não pode restringir-se a apenas uma parte da obrigação. e) deve ser comunicada por escrito ao sacador no prazo máximo de dez dias após a apresentação.Exercícios 1.

d) não poderá ser objeto de execução. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação a um cheque que não foi apresentado durante o prazo de apresentação fixado em lei. ocorreria em face de uma situação de: a) cheque furtado. representativa de contrato de compra e venda mercantil. . c) não poderá ser objeto de ação de execução. Uma hipótese que caracterizaria exceção a essa regra. assim. e) extingue-se o crédito do beneficiário. em razão de o título de crédito ser oriundo de um contrato de compra e venda mercantil. e) poderá ser imediatamente executada. e) é transmissível somente pela forma e com os efeitos de uma cessão de crédito. 5. 7. aplicável aos títulos de crédito. b) poderá ser executada. (JUIZ SUBSTITUTO DE 1 a ENTRÂNCIA/PE 2000) Em face do princípio da cartularidade. c) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data em que o cheque foi efetivamente emitido. ESAF (AFTN/1991) A nota promissória parcialmente avalizada com cláusula não à ordem: a) é transmissível pela via do endosso translativo. b) letra de câmbio não-aceita. d) em hipótese alguma é transmissível. b) não é transmissível. a fim de que possa obrigar o devedor a efetuar o pagamento de sua dívida. na qual seria possível a execução do título sem que ele estivesse presente nos autos. desde que protestada e acompanhada de documentos que comprovem a entrega e o recebimento da mercadoria e que o sacado não tenha tempestivamente recusado o aceite. exige-se que o credor apresente o título – cártula –. c) duplicata não-devolvida. b) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data lançada na face do título. porque o endosso parcial é nulo.236 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. porque sua emissão é nula. c) apenas poderá ser transmitida através do endosso parcial. ESAF (AFTN/1991) Uma duplicata. 6. Não se admite. que se inicie a ação cambial sem que a petição inicial esteja acompanhada do respectivo título de crédito. d) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da expiração do prazo de apresentação. em razão de ter valor inferior ao valor de emissão da fatura. d) nota promissória protestada por falta de pagamento. vencida sem aceite e de valor inferior ao da fatura que lhe deu causa: a) poderá ser executada somente depois de protestada por falta de aceite e pagamento. porque não tem aceite do sacado. é correto afirmar que: a) somente pode ser exigido em processo de conhecimento. e) debênture com garantia flutuante. não podendo o documento ser utilizado como fundamento para ação de locupletamento.

c) o portador não pode exercer os direitos resultantes do cheque. 10. (OAB – GO/1998) Em relação ao cheque. b) cheque. confirmando a exatidão do saque. Esta definição tornou-se clássica por indicar duas das várias características aplicáveis aos títulos de créditos. para cobrança. 9. Observa-se. . o avalista de um título de crédito não pode alegar defeito de forma. c) ( ) A afirmação de que os títulos de crédito valem pelas informações nele mencionadas está vinculada à sua cartularidade. em face de determinado título de crédito. 11. julgue os itens a seguir (V ou F). CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O jurista italiano Cesare Vivante definiu o título de crédito como o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O endosso é o meio de transferência de títulos de crédito. (OAB – RJ – AGOSTO/1998) O título de crédito que comporta declaração do principal devedor. e) ( ) Em decorrência da autonomia das relações jurídicas. possui natureza contratual. c) warrant. é: a) nota promissória. d) o portador somente pode exercer os direitos resultantes do cheque com a prévia anuência do endossante. d) letra de câmbio. b) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. mas só pode endossá-lo na qualidade de procurador. a) ( ) A literalidade está relacionada ao fato de que o credor de título de crédito somente pode exercer os seus direitos mediante a apresentação do título ao devedor. quando comparado à fiança. b) ( ) A inoponibilidade de exceções em embargos propostos contra ação cambial é decorrência do princípio da autonomia das relações jurídicas. d) ( ) São modalidades de endosso impróprio o endosso-caução e endosso-mandato. por procuração ou qualquer outra menção que indique um simples mandato: a) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. d) ( ) A abstração é a principal característica da duplicata mercantil. a) ( ) O aval possui natureza de ato unilateral de vontade. A propósito das peculiaridades desses dois institutos. portanto. assim como a fiança. c) ( ) A legislação uniforme em relação à letra de câmbio e a nota promissória admite endosso sem garantia. quando um endosso contém a menção valor a cobrar. d) ( ) O avalista pode ser demandado independentemente de o avalizado ter sido demandado. nas mesmas condições que a pessoa por ela avalizada. Acerca do endosso. certa semelhança em seu funcionamento. Acerca das características dos título de crédito. consistindo na assinatura do seu titular lançada no próprio título. e) ( ) Letras de câmbio são endossáveis. b) ( ) O benefício de ordem é comum a ambos os institutos. 12. julgue os itens a seguir (V ou F). c) ( ) O aval. julgue os itens seguintes (V ou F) a) ( ) É o meio pelo qual se transfere a propriedade de títulos com a cláusula não à ordem. mas não pode endossá-lo. ainda que não contenham a cláusula não à ordem.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 237 Série Impetus Provas e Concursos 8. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O aval pode ser entendido como o ato por meio do qual determinada pessoa passa a responder. b) ( ) É nulo o endosso parcial.

c) ( ) Considere que seja emitida um nota promissória por A em favor de B. a) ( ) Considere a seguinte situação: firmado um contrato entre A (obrigação de pagar) e B (obrigação de entregar coisa certa). b) a exclusão de responsabilidade de todos os endossantes. a) ( ) O prazo prescricional da ação executiva do cheque é de seis meses. facilitando a sua circulação. lançada na face da letra de câmbio. ligando em seqüência A. G cobre de D. sendo que o primeiro deles contém declaração do endossante. ainda que não tenha sido aceita. alegando que sua obrigação. G pode. e este a endosse para C. julgue os itens a seguir (V ou F). D. entre outros aspectos. d) ( ) O portador pode recusar o aceite por valor inferior ao consignado no título em face do princípio da literalidade. 16. Um passo ainda maior foi dado com a criação dos títulos de crédito. 15. poderá ser executada. c) nulidade do título. ainda. presume-se o aceite. X pode recusar-se ao pagamento. De acordo com tais princípios. b) ( ) Duplicata mercantil. que significa a confiança de uma pessoa em que outra cumprirá. o que vai implicar: a) a exclusão de responsabilidade do primeiro endossante. e) ( ) O avalista. F e G. em ação regressiva. por ser vinculada à de C. Acerca dos títulos de crédito. e que. c) ( ) As notas promissórias distinguem-se das letras de câmbio. . contados da data de emissão do título. A defendeu-se. consignando a promessa de pagar. recusando o pagamento a C. Diante disso. eximindo-se de garantir o pagamento do título. mas desde que protestada e acompanhada de documento que comprove efetivamente a entrega e o recebimento da mercadoria. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) A disciplina que rege os títulos de crédito norteia-se por uma série de princípios. d) considerar-se não-escrita a exclusão de responsabilidade. julgue os itens a seguir (V ou F). por sua vez. em seguida. no futuro. é inválida.238 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 13. CESPE – UnB (INSS/1998) A respeito dos títulos de crédito. 14. apresente o avalista X. Se for executado. em face do descumprimento do contrato por parte de B. que também é fiador do contrato ao qual está vinculada nota promissória. B endossou a nota para C. autonomia. julgue os itens a seguir (V ou F). e) ( ) Pela simples assinatura do sacado. o título a D. abstração e inoponibilidade das exceções pessoais. cuja função precípua é incorporar um direito de crédito. pelo fato de que a primeira é uma promessa de pagamento. cobrar de E e de F. é correta a decisão do juiz que acata a defesa de A e indefere o pedido de C. d) ( ) Notas promissórias não admitem aceite cambial. que não paga. A emitiu nota promissória. obriga-se nos termos do contrato. como os princípios de literalidade. executado por inadimplência. a obrigação pecuniária assumida no presente. (JUIZ FEDERAL – 5a REGIÃO/1995) Em uma nota promissória. que. constituiu grande passo para o desenvolvimento do comércio. enquanto a segunda é uma ordem de pagamento. Nesse caso. alegando não ser obrigado. foram lançados três endossos. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O surgimento do crédito. E. b) ( ) Considere que seja constituída cadeia cambial em letra de câmbio. endossando. B.

é requisito essencial da letra de câmbio. e) ( ) Não se aplica ao cheque. nela constar para que possa produzir efeito. . julgue os itens a seguir (V ou F). desde que o detentor do título concorde com o aceite e tenha feito antes o protesto. ao portador. c) o protesto é necessário para o exercício da ação de execução dos devedores principais da obrigação cambial. d) é nula de pleno direito. 19. o cheque pode ser transferido mediante endosso. a) ( ) Segundo a Lei Uniforme do Cheque. e) ( ) A letra de câmbio pode ser endossada em favor do aceitante. b) é transmissível por via de endosso. porque. o possuidor deve apresentar o título ao devedor ou à pessoa indicada para fins de pagamento. no momento em que desejar exercer o direito de crédito. CESPE – UnB (AGU/2002) Com referência ao cheque e à letra de câmbio. e) é exigível apenas do sacador e do sacado. A doutrina trata-o como título de apresentação. regidos pelo princípio da concreção. são requisitos essenciais desse título de crédito a ordem incondicional de pagar quantia determinada. em regra. c) ( ) Na letra de câmbio. necessariamente. coresponsável pelo pagamento. mas este. a data de emissão e a assinatura do emitente e a denominação cheque inscrita no título. e) os coobrigados são devedores solidários de todos os outros devedores da obrigação cambial. o aval pode ser parcial ou total e pode ser dado por terceiro ou por signatário da letra. uma vez que são estritamente vinculados ao negócio que originou o título. o princípio da inoponibilidade das exceções. d) ( ) Na hipótese de o sacado recusar-se a aceitar a letra de câmbio. c) só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. b) ( ) Os títulos de crédito são. em regra. b) ( ) Trazendo o nome do beneficiário. no entanto. b) o endosso funciona como instituto de garantia ao cumprimento de quaisquer das obrigações assumidas no título. 17. entretanto. o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar. d) ( ) Em letra de câmbio. podendo ser condicionado. o nome da pessoa que deve pagar. o endosso parcial é nulo. devendo. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RS/1988) A letra de câmbio que não contenha cláusula à ordem expressa: a) é transmissível por via de endosso. segundo a Lei Uniforme do Cheque. ESAF (BNDS/2002) No Direito Cambiário: a) as notas promissórias e os cheques independem de protesto para constituírem títulos executivos contra seus emitentes. 18. pode um terceiro aceitá-la. d) a transferência das obrigações opera-se. que. por ter a obrigação de pagá-la. salvo estipulação em contrário. segundo a Lei Uniforme do Cheque.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 239 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) O título de crédito é documento indispensável ao exercício do direito nele contido. a indicação do lugar de pagamento e de emissão. não poderá reendossá-la a outra pessoa. isto é. c) ( ) O nome do sacado. ficando o endossante.

b) deve redigir contrato escrito a ser assinado pelo comprador. d) pode emitir uma triplicata. com o objetivo de ter em mãos um instrumento capaz de propiciar-lhe o poder de cobrar o valor da venda: a) pode emitir qualquer título de crédito à sua escolha. 21. no caso em que o comprador não haja devolvido a duplicata remetida para o aceite. b) ( ) Não se considera a prazo. a) ( ) Devem ser emitidas sempre que se trate de venda a prazo. 22. decorrentes que são dos contratos de compra e venda a prazo. diz-se que: a) são requisitos facultativos da duplicata. enquanto a extração da fatura é facultativa. e) é obrigatório que a duplicata seja garantida por aval e que o pagamento seja feito somente após o aceite. Relativamente a essa espécie de títulos – duplicatas mercantis –. ESAF (AUDITOR DO TCE-PR/2002/2003) Tendo feito uma venda mercantil. mas a duplicata é título de emissão facultativa. a praça de pagamento e a cláusula à ordem. a compra contratada para pagamento em trinta dias. e) é obrigado a sempre valer-se de banco. com duas testemunhas. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Um dos instrumentos de grande utilidade na fiscalização do pagamento de tributos incidentes sobre o faturamento é a auditoria nos registros de duplicatas a receber. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE RECIFE/2003) A transferência de um conhecimento de depósito: a) indica que há mercadorias em trânsito. c) ( ) Diferentemente da letra de câmbio e da nota promissória. FCC (MP – PE/2002) No que tange à duplicata mercantil. d) o aceite da duplicata não é compulsório. não há previsão legal para que a duplicata tenha vencimento a certo termo de data e a certo termo de vista. b) a emissão da duplicata é sempre obrigatória. 23. julgue os itens subseqüentes (V ou F). dispensado o reconhecimento de firma. para efeito de exigência da emissão da fatura. o vendedor. c) é obrigado sempre a sacar duplicatas contra o comprador. b) representa venda dos bens nele mencionados. entre outros.240 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 20. c) requer que o warrant esteja a ele ligado. para a imediata liberação das coisas em poder de terceiro. para enviar a duplicata ao devedor para cobrança e posterior protesto. d) serve para facilitar operações de garantia sobre produtos agrícolas. porque o comprador poderá deixar de aceitá-la por qualquer motivo comercial. . e) transfere ao novo titular do documento a responsabilidade pela guarda dos bens. c) a emissão de triplicata é obrigatória.

Não se chegando a um acordo. sua redação foi finalmente encaminhada à sanção presidencial. seguida da recuperação judicial e da falência. realizada entre devedor e credores. recebeu o número 4. Uma vez falidas.101. para sanar problema de fluxo de caixa do devedor. Devido à intenção do legislador. quase sempre por descumprimento das metas estabelecidas para o processo. foi elaborado projeto de uma nova lei de falências para o país. teve vigência no Brasil o Decreto-lei no 7. talvez fosse mais conveniente se o texto legal viesse em outra ordem. até. no mês de dezembro de 2004. tanto que mais de 80% das empresas concordatárias eram levadas à falência. que regula a recuperação judicial. passa-se à recuperação judicial ou. levando consigo emprego e renda dos trabalhadores. Editado em um momento no qual a atividade industrial e de serviços no país estava ainda incipiente. porque a recuperação extrajudicial deve ser a tentativa inicial. regulador das falências e concordatas. à falência. do empresário e da sociedade empresária. com a recuperação extrajudicial em primeiro lugar. Sim. o que se podia observar era a alienação de todos os bens arrecadados.661/45.376/93. . Sob o fundamento de preservar e estimular a cadeia econômica. Após mais de dez anos de tramitação em ambas as Casas Legislativas. Chegando ao Congresso Nacional em 1993.Capítulo 4 Direito Falimentar INTRODUÇÃO Por mais de meio século. não se preocupou o legislador da época com a recuperação e a conseqüente manutenção da atividade produtiva. visando à satisfação dos credores. inclusive aqueles que antes serviam à atividade fim do negócio. a maioria com chances ínfimas de reaverem seus créditos. a extrajudicial e a falência. quando se transformou na Lei Federal no 11. de 09/02/2005. nesta ordem. Quanto à empresa. esta estava fadada à extinção.

sem haver sucessão das obrigações trabalhistas ou tributárias do falido. perdem a prioridade no recebimento. parágrafo único. 2o do Decreto no 7. Isso significa que alguém poderá adquirir apenas a empresa. é novidade no Direito brasileiro. sem a sucessão do arrematante pelas obrigações daquele. quando ultrapassarem a cifra de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. prevê. Quando observamos os processos de recuperação extrajudicial e judicial. o art. na recuperação judicial. na relação de credores. a possibilidade de alienação de filiais ou de unidades produtivas do devedor. ficando o excesso equiparado aos credores quirografários do falido. da forma como acontece na falência. Basta ver a prioridade para alienação do ativo na falência. Tal permissivo abre grandes chances de negócios para aqueles que resolverem apostar no soerguimento de empresas que atrevessem momentos de dificuldade financeira. O mesmo pode ser dito para a limitação imposta aos créditos trabalhistas. não é requisito obrigatório percorrer os outros dois processos. A título de exemplificação. Não é isso. Claro que essa medida eleva as chances dos que vierem em seqüência. Também a mudança feita na ordem dos créditos habilitados em uma falência. mediante instrumentos que preservem a capacidade da empresa de gerar riquezas para o país. A segunda é sucessora da concordata. quando se concedeu prioridade àqueles com garantia real (penhor. no entanto. hipoteca). 60. Sustentam os defensores da nova lei que a maior segurança emprestada aos detentores de tais créditos – geralmente as instituições financeiras – é decisiva para a diminuição das taxas de juros cobradas dos empresários. Ambos os processos. pode contribuir para estimular o desenvolvimento da economia. sem se tornar também coobrigado pelo seu passivo. . em detrimento dos fiscais. os chamados spreads bancários. Estes. tampouco a recuperação extrajudicial tem que anteceder a judicial. que é dada ao estabelecimento empresarial como um todo. antes proibida pelo art.242 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entendam que. para acontecer a falência de uma empresa. Essa pretensão pode ser observada em dispositivos que transmitem a disposição do Governo Central em preservar ativos que contribuam para a produção industrial. igualmente podemos perceber a preocupação com a preservação do cenário produtivo. muitos terão acesso a mais financiamentos dos bancos. com conseqüente investimento na produção. inclusive de natureza tributária. pois não estarão adquirindo igualmente seus passivos. O que o legislador pretendeu foi oferecer alternativas para o empresário e seus credores resolverem problemas de inadimplência de seus créditos. surgiram sob o fundamento de propiciar ao empresário instrumentos rápidos de solução das suas dificuldades. enquanto que a extrajudicial.661/45. Diminuindo-se esse encargo.

661/45. instalação de um processo de concordata. a ordem de prioridade no recebimento é determinada no plano de recuperação apresentado pelo devedor em juízo. estudadas ainda neste Capítulo (art. continuam valendo as disposições do antigo decreto. mas não concluídos. quando da vigência da nova lei.2. conforme veremos no item 2.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 243 Série Impetus Provas e Concursos Ainda na recuperação judicial que. não mais será possível a concessão de novas concordatas. 201 o prazo de cento e vinte dias após a publicação para entrar em vigor. c) em se tratando de falências decretadas no curso da vigência da moderna lei.7. 195). que era aplicada quando já existia falência instalada. não há qualquer empecilho para o devedor pleitear a recuperação judicial.661/45. 197). e os créditos quirografários submetidos à concordata serão inscritos na recuperação judicial pelos seus valores originais. desde essa data. deste Capítulo. caput e parágrafo 1o). Ainda assim. Por último. No entanto. a concordata será extinta. desde que cumpridas as exigências no âmbito daquele processo. estabelece o art. a nova lei autoriza a alienação dos bens da massa. 192. independentemente da formação do quadro geral de credores ou. diferente da antiga concordata. esta lei é aplicada subsidiariamente à legislação que trata da liquidação extrajudicial de instituições financeiras e equiparadas. senão vejamos: a) para os processos de falência ou concordata ajuizados anteriormente ao início de sua vigência. a que se referem os arts. sendo o pedido de falência ajuizado ainda na vigência do Decreto no 7. nem a suspensiva. parágrafo 4o). 192. seja a partir da convolação de antigas concordatas ou. 70 a 72 (art. já se aplicam as novas regras (art. 192. b) na hipótese de já existir prévio pedido ou. d) a falência das concessionárias de serviços públicos implica a extinção da concessão. mesmo. mesmo. Neste último caso. deduzidas as parcelas pagas pelo concordatário. na forma da lei (art. mesmo. marcada para 09/06/2005. com relação à aplicação e vigência da nova lei. parágrafos 2o e 3o). não engloba apenas os créditos quirografários. mas todos (algumas exceções serão tratadas no item específico). . A exegese não se aplica ao plano de recuperação judicial de microempresas e empresas de pequeno porte. conclusão de possível inquérito judicial (art. Advindo a recuperação judicial. algumas regras precisam ser respeitadas. e) da mesma forma que o antigo Decreto no 7. com ressalva para os créditos trabalhistas.

aqueles que forem detentores de créditos já vencidos. Falência Disposições Preliminares Define-se falência como um processo de execução concursal do devedor insolvente. de um universo de credores habilitados em uma falência. tampouco a recomendada aos empresários. a fim de satisfazerem seus credores. a faltar com compromissos monetários assumidos. Há também os que possuem créditos lastreados em uma garantia real (hipoteca. a não-suspensão de contratos de arrendamento mercantil de aeronaves. assim considerados de acordo com a qualidade de seus créditos. Esses e outros pontos serão desenvolvidos a seguir. enquanto que outros demandam dívidas de natureza tributária. logo seus credores irão perceber que correm o sério risco de não conseguir a satisfação de seus direitos. 1.244 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel f) salvo para as empresas aéreas. terão tratamento paritário. cuja ordem de abordagem não será a mesma da nova lei. inclusive. não havendo espaço para ações individuais. irão obviamente ter maiores chances de escapar de um calote. penhor) ou. ainda. num estudo pormenorizado de cada um dos capítulos da Nova Lei de Falências. Continuando nesta condição. Para evitar tamanha injustiça. Assim. mesmo se decretada a falência ou a recuperação da empresa. O parágrafo 1o do mesmo artigo ressalta. Neste quadro. o Direito tutelou o interesse de todos. A expressão par conditio creditorum exprime a condição de equivalência em que se encontram os credores admitidos em um processo de falência. ou até com prazos curtos de recebimento. 199). Os iguais. já começando. aqueles que nenhuma garantia têm (quirografários). .1. uma sociedade empresária. mas a que entendo de melhor didática. através do qual se arrecadam judicialmente os bens do falido. poderemos encontrar alguns respaldados em indenizações por acidentes de trabalho. relacionada esta à real probabilidade de cumprimento obrigacional pelo devedor. uma vez que os demais não poderão reclamar suas obrigações antes dos vencimentos. 1. Por isso se diz que a execução dos créditos é concursal ou coletiva. que se encontre em situação de iminente dificuldade financeira. prescrevendo a igualdade de oportunidades dos que tiverem legítimo interesse na percepção de valores devidos por um empresário insolvente. essa lei não terá aplicação para as outras pessoas jurídicas que já eram excluídas do regime da concordata (art. consubstanciada justamente no desfavorecimento de parte dos credores do devedor. aqui entendido como um empresário individual ou. ainda. Imaginemos determinado empresário. mesmo.

d) cooperativa de crédito. não se permitindo. condenação do devedor por crime falimentar. h) sociedade seguradora. f) entidade de previdência complementar. c) instituição financeira. a falência é. Outras questões pontuais a respeito do processo são esboçadas na seqüência. o art. o efeito prático dessa medida será apenas o momento do pagamento. algumas organizações. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. por exemplo. 1. mesmo sendo reputadas empresariais. já que a totalidade de seus débitos será executada. ou. podem até vir a falir. devido ao permissivo contido no art. para se atingir o percentual naquela categoria de credores. Caracterização da Falência Para se materializar o estado falimentar. É evidente que. Logo. Os parcialmente excluídos. Claro que. por alguns. Contudo. 2o exclui da aplicação da lei as seguintes empresas: a) empresa pública. são excluídas do regime jurídico falimentar. a um crédito quirografário ser classificado de forma equivalente a um tributário. e outras a todas essas equiparadas por lei. como veremos no item 3 deste Capítulo. mas apenas em situações especiais.2. na hipótese de haver. se o falido dispuser de um ativo capaz de satisfazer todo o seu passivo. considerada um favor legal. pública ou privada. . No que pese a imposição advinda de autoridade judiciária. 158. pelo decurso do prazo de dez ou de cinco anos após o encerramento da falência. os antecedentes devem ter sido satisfeitos. inciso II. situada praticamente no final da relação. desde que esgotado todo o ativo. ou não. a exemplo dos bancos. i) sociedade de capitalização.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 245 Série Impetus Provas e Concursos Todos deverão ser agrupados na conformidade da qualidade de seus direitos. que sofrem regulamentação específica. b) sociedade de economia mista. parcial ou totalmente. mesmo. que possibilita a extinção das obrigações do falido apenas com o pagamento de 50% dos créditos quirografários (o dispositivo correspondente no antigo decreto previa percentual de 40% do passivo). • DEVEDOR EMPRESÁRIO A falência atinge de forma restrita os empresários individuais ou sociedades empresárias. da nova lei. três pressupostos principais devem estar presentes. e) administradora de consórcio.

especialmente as primeiras. se dúvida havia quanto à possibilidade de virem a falir. mas de acordo com as hipóteses fáticas enumeradas pelo art. 23 da Lei Federal no 9. II e III. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde. observados os requisitos do art. não há mais que se falar em tal possibilidade. Servem à materialização da hipótese os títulos de crédito em geral. Com relação à falência requerida com base no art. assim como certidões da dívida ativa.404/76 que proibia a falência das sociedades de economia mista. que trata da documentação necessária ao pedido. da Nova Lei de Falências. tudo devidamente protestado. g) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação. ao menos a partir da exclusão de dispositivo da Lei no 6. 94. que poderia ser qualquer um.246 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A sociedade totalmente à margem do procedimento falimentar em nenhuma hipótese pode se submeter ao favor legal. . relacionadas no art. b) prescrição. c) nulidade de obrigação ou de título. materializada por um ou mais títulos executivos protestados. 51 desta lei. INSOLVÊNCIA • INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR A configuração do estado de insolvência não deve ser assimilada no sentido estritamente patrimonial (passivo maior que o ativo). I. a exemplo do que ocorre com os bancos nãofederais. d) pagamento da dívida. Observem que a lei também deixou de fora de sua regulamentação as sociedades de economia mista e as empresas públicas. não havia um limite mínimo de valor necessário ao requerimento. na vigência do antigo decreto. 96: a) falsidade de título. por força do art. desde que comprovada a inadimplência através da certidão de protesto. o legislador aumentou a exigência ao processo. pois. cuja soma ultrapasse quarenta salários mínimos vigentes na data do pedido. O inciso I enfoca a impontualidade injustificada de obrigação líquida. Para essas. o devedor pode obstar a sua instalação se conseguir provar uma das seguintes hipóteses. 94. senão com a existência de um novo texto legislativo específico. conforme citação anterior. Operadoras de plano de assistência à saúde encontram-se nessa situação. Tal dispositivo previu a possibilidade de liquidação extrajudicial daquelas instituições.656/98. Nesse ponto. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. incisos I. f) vício em protesto ou em seu instrumento.

refere-se de forma restrita a obrigações líquidas já executadas em juízo. para uma das hipóteses de não-cumprimento de obrigação pecuniária. a fim de lhes propor dilação nos pagamentos ou. não estipula um patamar mínimo de valor para a causa. o que era proibido. por parte do empresário. basta que tenha havido a liquidação e partilha de seu ativo. por título executivo. 23. o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior do atro registrado. equivaleria ao plano proposto pelo extinto devedor concordatário. Por último. houve a inserção de uma. o parágrafo 2o do mesmo artigo dispõe a respeito de créditos que. Em se tratando de sociedade anônima. como veremos mais adiante. 2o do Decreto no 7. onde o credor. O inciso II. b) realiza negócio simulado. aqui. 94. mas o cometimento de certos atos tidos como maléficos ou mal-intencionados. sem o consentimento de todos os credores. uma justa correção foi realizada. como as obrigações a título gratuito. dizendo respeito ao não-cumprimento do plano de recuperação judicial que. As alíneas a seguir são quase uma repetição das constantes no art. constava de seu art. O inciso III relacionou os chamados atos de falência Percebam que. Aqui estamos falando do descumprimento de uma sentença judicial transitada em julgado. que. c) transfere seu estabelecimento a terceiro. não deposita ou não nomeia bens à penhora suficientes para o pagamento do débito. na vigência do decreto. mesmo líquidos. Vejamos todas elas: a) procede à liquidação antecipada de seus ativos ou lança mão de meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos. Entretanto. quando a parte não paga. 5o da nova lei. legislador não colocou como causa a ausência de uma prestação pecuniária como fizera nos dois primeiros incisos. ao se remanejar o teor do inciso I do art. exceto custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. 2o do antigo decreto. assim como as despesas que os credores fizerem para tomar parte na falência. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. como demonstrado há pouco. com objetivo de retardar pagamento ou fraudar credores. para impedir a falência. obteve decisão favorável ao seu pleito. remissão de créditos.661/45. contudo. no inciso II do art. aparece de forma restrita no art. salvo se sobrarem bens suficientes para solver o passivo. De outra forma. mesmo. Em seguida. o falência. diferente do anterior. não legitimam o pedido de falência. o rol de tais créditos. .CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 247 Série Impetus Provas e Concursos h) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. pois nela não se pode reclamar. o que se fez foi retirar uma que tratava da convocação extrajudicial de credores pelo devedor.

no item antecedente. Vimos. Por se tratar de procedimento judicial. Outras. abandona o estabelecimento ou se oculta propositadamente. conforme citado no item anterior. como acontece com as sociedades de economia mista. Merece atenção o teor do parágrafo 1o do art. Sujeitos Passivos da Falência A falência é um instituto privativo de devedores empresários. quando já liquidado e partilhado seu ativo. o que reza o art. f) ausenta-se. não se submetem às normas da lei falimentar. mesmo classificados como empresários. 2o da Nova Lei. 197 desta. contudo. que prevê a falência do espólio de devedor empresário. Esta pode ser denegatória ao pedido ou declaratória. a falência. Entrementes. e) dá ou reforça garantia real a algum credor. em momento posterior à constituição do crédito. como as instituições financeiras ou cooperativas de crédito. possuem normas específicas a serem aplicadas em momentos de crise. regulado pela Lei de Falências.248 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor.10. a sua existência depende de provocação ao Poder Judiciário. não deixando representante capaz de saldar suas dívidas.3. admitindo-se para elas. Nesta segunda hipótese. com aproveitamento subsidiário da nova lei. 96. É o caso dos bancos. g) deixa de cumprir. no prazo estabelecido. Percebam que as entidades para as quais existem leis especiais onde há previsão para virem a falir devem se guiar pelos respectivos diplomas. 1. sociedades empresárias ou apenas empresários individuais. Para os demais tipos de sociedade . deste Capítulo. introduz-se o devedor em um regime jurídico específico. A simples tentativa desta prática já tipifica o ato. obrigação assumida no plano de recuperação judicial. que irá se manifestar através de sentença. até o prazo de um ano da morte do de cujus. prevalece a vedação do já citado art. assim como a proibição de falência para as sociedades anônimas. Mais detalhes sobre a sentença serão estudados no item 1. independentemente de serem registrados em Junta Comercial. a respeito de certos devedores que. 2o. a exemplo da sociedade de economia mista. salvo se sobrarem bens suficientes para saldar o resto de suas obrigações. como prevê o art. em situações extremas. não existindo previsão legal em lei própria. DECLARATÓRIA FALÊNCIA • SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA Completa os pressupostos a própria sentença de falência.

herdeir deiros • o cônjuge sobrevivente e os herdeiros do devedor. 1. Se não residir no Brasil.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 249 Série Impetus Provas e Concursos empresária. no prazo máximo de um ano da morte do devedor. que diz respeito à rejeição. 4o. devedor. Em outras palavras.5.4. não. no caso de autofalência prevista nos arts. persiste a visão doutrinária quanto à submissão ao procedimento falimentar. 22. de acordo com o art. 53. Não possui personalidade jurídica. requerer a falência do devedor ao juiz. A Massa Falida Quando falamos em massa falida normalmente temos a idéia de que seja o falida. Nesta condição. Outra hipótese para se chegar a uma falência é a previsão contida no art. mas incompleta. assim como pela comunhão de interesses dos credores (massa falida subjetiva). caput. o credor deverá prestar caução pelas custas judiciais e indenização decorrente de dolo no requerimento. compete ao administrador judicial. nos termos do art. alínea b. ao mesmo tempo em que representa o interesse dos credores do falido. 1. 105 a 107. credor empresário edor. 56. através do administrador judicial (antes denominado síndico da massa). Daí ser considerada uma universalidade de direito. A definição não parece errada. conjunto de todos os bens e direitos arrecadados do falido. conforme dispuser a lei ou o ato constitutivo da sociedade devedora. • o próprio devedor. Contudo. quando o mesmo julgue não atender os requisitos legais para sua recuperação judicial. a autoridade judiciária fará a convolação da recuperação judicial em falência. deverá apresentar certidão de inscrição na Junta Comercial. Sujeitos Ativos da Falência Podem requerer falência do devedor. quando não houve o cumprimento de qualquer obrigação considerada essencial. a massa deve ser entendida tanto como o complexo formado pelos bens e direitos arrecadados do falido (massa falida objetiva). não é considerada uma pessoa jurídica. • o sócio cotista ou acionista da sociedade devedora. assim como se permite ser demandada judicialmente. mesmo no prazo de dois anos após o encerramento de suas atividades. 97: autofalência. parágrafo Credores. assim como o inventariante do espólio. Na verdade. • o credor empresário ou não Sendo empresário. mas um conjunto de coisas destinadas a um fim por vontade legal. Com relação aos impedidos para o exercício da atividade empresarial que a exercerem. por parte da Assembléia Geral de Credores do plano de recuperação judicial proposto pelo devedor. Também é possível que a falência seja proveniente da conversão de um processo de recuperação judicial. Neste caso. a massa pode ingressar em juízo na defesa de seus direitos. mas tem capacidade processual. nos termos do art. inciso II. pode haver a falência. .

É essa pessoa que irá promover a arrecadação e avaliação de todos os bens e documentos do falido. parágrafo 1o. e art. 4o do projeto.250 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sob a visão puramente objetiva. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada.661/45. a massa se forma de um ato contínuo à assinatura do compromisso. 22. conforme dispõe o art. enquanto a figura do síndico cedeu espaço para o administrador judicial. 142 a 148. XIII. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. Detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. 154 a 156. na forma prevista nos arts. conforme art. à exceção daqueles absolutamente impenhoráveis. termo de compromisso por parte do administrador judicial. de acordo com os arts. inciso III. caput. A respeito do MP. . • O MINISTÉRIO PÚBLICO Esse órgão atua no processo como fiscal da lei. 24. cada uma dentro de suas respectivas competências. que será subsidiária da pública. como veremos em seguida. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. b) escolha da modalidade de alienação do ativo. A sentença que decretar a falência ordenará a intimação do Ministério Público. responsabilizando-se por atos de interesse da massa. c) julgamento das contas do administrador judicial e encerramento da falência. Órgãos da Falência São órgãos da falência as instituições designadas na lei para atuarem diretamente no processo falimentar. 183 a 188. na forma estipulada pelos arts. O produto dos bens penhorados entrará para a massa. surgiram a Assembléia Geral de Credores e o Comitê Geral de Credores. Em relação ao antigo Decreto no 7. que terá atuação obrigatória no processo. 99.6. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. cujo parágrafo único previa a intervenção desse órgão em toda ação proposta pela massa falida ou contra ela. As razões do veto são no sentido de evitar uma obstaculação do processo. 1. foi vetado o art. fazendo parte de um inventário. Os demais – o juiz e o Ministério Público – mantiveram-se como órgãos de presença obrigatória na falência. cujo teor veremos no tópico a seguir.

papéis. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar à massa. 7o. Em se tratando de recuperação judicial. preferencialmente advogado.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 251 Série Impetus Provas e Concursos Outras prerrogativas possui o MP. parágrafo único). salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração da falência. o administrador judicial será pago proporcionalmente ao trabalho realizado. Na hipótese de ser substituído. quando provocados por dolo ou culpa (art. Em seguida. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. Em se tratando de pessoa jurídica. antes existente nas falências. b) dinheiro. administrador de empresas ou contador. documentos e bens do falido (incluem-se os particulares do empresário individual ou. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. O administrador veio a substituir a figura do síndico. valem tanto para a falência como para a recuperação judicial. 110. 21. de acordo com a capacidade da massa. parágrafos 3o e 4o. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo. c) bens da massa em poder de terceiros. que se encontram no art. Na falência. penhor ou retenção. sócio de responsabilidade solidária e ilimitada). o administrador será intimado para. 24. 32). sob a imediata direção e superintendência do juiz. a título de depósito. documentos e demais bens da massa. no prazo de quarenta e oito horas. hipótese em que não terá direito à remuneração. não pode ser superior a 5% do valor de venda dos bens. 143. providenciará a arrecadação dos livros. No primeiro caso. guarda. a fim de proceder ao inventário da massa massa. Essas últimas disposições. ao devedor ou aos credores. dolo ou descumprimento das obrigações fixadas na lei. parágrafo 2o. d) bens de terceiros em poder do falido. economista. Também não terá direito à remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas. Sua remuneração é fixada pelo juiz. parágrafo 2 ): a) livros obrigatórios e auxiliares do falido. a remuneração do administrador judicial tem como limite máximo o percentual de 5% dos créditos submetidos ao processo. o No inventário constarão (art. será escolhido alguém idôneo. mesmo. na disposição do art. Pode ser pessoa física ou jurídica. por tratarem de matéria comum aos institutos. culpa. obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. ou contra o processo de alienação de ativo da massa. . Depois de nomeado.

22. salvo com autorização judicial. ainda que de difícil recebimento. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores. assim como possíveis ações judiciais de interesse da massa e atos suscetíveis de revogação. tudo objetivando o melhor resultado para a massa. dos titulares de crédito com garantia real. quirografários. a que se refere o art. II). 111 e 113 que o juiz poderá autorizar a alienação antecipada de bens. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o resultado da falência. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. valores do passivo e ativo. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. além daquelas previstas no art. ou conceder abatimento de dívidas. e alíneas. que enfoca a obrigatoriedade da entrega de um relatório em juízo. a exemplo da aprovação de outra modalidade para alienação do ativo. em se tratando de bens perecíveis. . cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. VII. Merece destaque a letra e do mesmo dispositivo legal. 35. o administrador judicial transigir sobre obrigações e direitos da massa falida. parágrafo 3o). b) constituição do Comitê de Credores.252 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Dispõem os arts. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. com escolha e substituição de seus membros. seja para os próprios credores ou. com privilégio especial. depois de ouvidos o Comitê e o devedor (art. III. após a avaliação. senão vejamos: a) vetado. 142. 83. a lei reservou um artigo para elencar as principais atribuições da AGC (art. titular dos créditos fiscais. A lei contém ainda extensa relação de deveres e atribuições do administrador. contudo. Não pode. enumerados no art. 22. onde constarão os atos necessários à administração da massa. No entanto. III. até para terceiros. com privilégio geral e subordinados. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. c) adoção de outras modalidades de realização do ativo. 35 a 46.

Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. controladores ou representantes legais. Dos efetivos. e o último. Na possibilidade de não existir comitê. e parágrafo 1o). ou até ao juiz. 30. em caso de incompatibilidade daquele (art. 1. parágrafo 1o). por exemplo. 26. reunidas em assembléia geral. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. 26. ou deles for amigo. seus administradores. falimentar As causas trabalhistas. a dos quirografários e com privilégios gerais. nos últimos cinco anos. 28). suas atribuições passam ao administrador judicial. caput. parágrafo 3o.7. 3o). o juiz da jurisdição de sua filial no país (art. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. A esse conceito confere-se o nome de juízo falência. certas questões não são abrangidas pela aptidão atrativa do juízo falimentar. relativas ao falido. todos nomeados pelo juiz. tanto na falência como na recuperação judicial. Entretanto. são submetidas a uma Justiça especializada em dirimir conflitos naquela área. inciso I). . mas indicados pelas classes dos credores. ficam suspensas todas as ações individuais propostas contra o devedor. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. universal da falência competente para conhecer e decidir sobre todas as questões de caráter econômico. Compõe-se de até nove membros. comunicando ao juiz qualquer violação dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. mesmo. outro. Instalada a falência. possuindo atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. sendo três efetivos e seis suplentes. seja em processo de falência ou de recuperação judicial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 253 Série Impetus Provas e Concursos • O COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. ou. O Juízo da Falência É competente para decretar a falência o juiz do local onde se situa o principal estabelecimento do devedor (entenda-se aquele que concentre o maior volume de negócios da empresa) ou. em se tratando de organização localizada fora do Brasil. inimigo ou dependente (art. um representará a classe dos credores trabalhistas. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê.

Porém. como as ações cujo leilão público já está para ser realizado. 76. Assim. No primeiro caso. caput). caput). Com a nova lei. caput). e outro. Basta a determinação de que o dinheiro arrecadado com a venda seja revertido em favor da massa. revertendo-se o que sobrar para a massa falida.661/45. em ambos os casos. cairia na regra da exceção. imaginemos a ocorrência de um acidente de trânsito envolvendo veículo da sociedade falida. a ação de indenização de autoria da empresa falida proposta na vara especializada teria seqüência normalmente. Não faria sentido suspender todo o processo. FALIDO • AÇÕES NÃO-REGULADAS PELA LEI FALIMENTAR. 76. 76. caput). EM QUE O FALIDO SEJA AUTOR OU LITISCONSORTE ATIVO (art. . devendo correr normalmente na vara de Justiça específica. cujo resultado irá interferir na massa. se o leilão já tiver sido realizado quando da sentença de falência. LITISCONSORTE ATIVO (art. Convém realçar que. na vigência do antigo Decreto no 7. passando a sobra para a massa. o produto da venda será destinado ao autor da ação. TRABALHISTAS (art. CUJA HASTA PÚBLICA JÁ TENHA SIDO DESIGNADA. Percebam que o fato de um crédito ser exceção ao juízo falimentar não significa que o mesmo não seja classificado e incluído no quadro geral de credores.254 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em outras. sobrepõe-se a exceção. e é lá onde deverão ser resolvidas tais questões. enquanto que. são exceções ao juízo universal da falência os itens seguintes. • RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS (art. na hipótese de o leilão haver sido concluído. PAR ARTICULAR HASTA • AÇÃO PARTICULAR EM ANDAMENTO. caput). Sendo culpado este último. Tanto a nova lei como o Código Tributário Nacional prevêem que as demandas envolvendo tributos não se submetem à habilitação no processo falimentar. Existe uma Justiça especializada para dirimir conflitos dessa espécie. paga-se ao proponente da ação. pertencente a um particular. deixa de haver a distinção. pois. FALIMENT ALIMENTAR. não faz sentido recomeçar o mesmo procedimento outra vez. prevalecia a atração do juízo falimentar. o que se tem é um processo correndo regularmente em outro juízo. se a autoria fosse da massa. havia uma distinção entre a ação proposta pelo falido ou pela massa falida. Como exemplo. • EXECUÇÕES TRIBUTÁRIAS (art. que deverá ser concluído e o produto revertido em benefício da massa. São os casos em que o credor já tenha conseguido a definição do leilão de bens do devedor que vier a falir. caput). Contudo.

Também os titulares por esses créditos perdem o direito de voto na Assembléia Geral de Credores. os créditos retardatários não podem participar de rateio eventualmente realizado e ficam sujeitos ao pagamento de custas. fraude ou erro essencial. contudo. O art. ou. Para estes. como quadro geral de credores (art. documentos ignorados na época da feitura do quadro geral de credores (art. importância ou classificação daqueles. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. a ordem a ser obedecida para eles. Não havendo impugnação.14). Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação da sentença declaratória de falência. mesmo. A habilitação de um crédito na falência é ato que dá conhecimento à dívida. até o encerramento da falência. 7o. salvo se. já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o respectivo crédito retardatário (art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 255 Série Impetus Provas e Concursos 1. a lei classificou-os como créditos extraconcursais por serem pagos extraconcursais. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. qualquer credor ou o representante do Ministério Público pode pleitear ao juiz exclusão. igualmente demonstrando a relação de credores. créditos que não se vinculam ao requisito da habilitação. quando descoberta falsidade. e mais nas provas colhidas junto aos credores. contra a legitimidade. simulação. juntamente com a relação de credores fornecida pelo falido. dolo. com precedência sobre todos os demais. basta a notícia de existência em momento anterior à liquidação. sendo considerada a habilitação retardatária. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. 10). significando afirmar que não concorrem com nenhum outro. para se tornarem aptos na relação de credores. Há. 84 dispôs. com base nos livros e documentos arrecadados e na relação de credores fornecida pelo falido. inclusive. O administrador judicial. tais como os decorrentes de dívida tributária e trabalhista. Outros. o Comitê de Credores. à época da reunião. quando será dada oportunidade tanto aos credores como ao devedor ou ao Ministério Público para. terá um prazo de quarenta e cinco dias para publicação de outro edital. mesmo. o administrador judicial. apresentar ao juiz impugnação contra ausência de algum crédito ou. 19). no prazo de dez dias da publicação. Na falência. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. Entretanto. reclassificação ou retificação de qualquer crédito. o juiz homologará a relação dos credores efetuada pelo administrador judicial. parágrafo 1o).8. senão vejamos: .

e créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência. enquanto que seus defensores avaliam uma perspectiva positiva para o futuro da economia no país. ou após a decretação da falência. 83. vejamos. que concorrem com os restantes na ordem de classificação estipulada pelo art. pois esses são credores da massa. e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. não-originários do falido e. Outra inovação foi a inserção na relação das penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas. a ordem disposta pelo legislador no art. Isso é lógico. 67. prevalece o disposto no art. os extraconcursais não entram nessa competição. A seguir. nos termos do art. realização do ativo e distribuição de seu produto.256 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares. Quanto à ordem de prioridade no pagamento dos créditos. a Lei no 11. bem como custas do processo de falência. b) quantias fornecidas à massa pelos credores. 83. que antes não podiam ser exigidas no processo. 84. nessa qualidade. 83. Inédita também é a limitação imposta aos créditos oriundos da relação de trabalho. embora dispensando a habilitação.101/2005 veio a alterar antiga disposição. ainda que outra lei civil enquadre-os em qualquer categoria de créditos prevista no art. provocados justamente pela maior garantia concedida aos agentes financeiros. diferente dos créditos fiscais ou trabalhistas. d) custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida. . Na visão dos críticos da nova lei. pois devem ser quitados antes de todos os outros. indispensáveis ao prosseguimento do processo. respeitada a ordem estabelecida no art. quando a parcela que transpuser a quantia de cento e cinqüenta salários mínimos se equiparará aos quirografários. administração. a disposição decorreu de pressão dos banqueiros detentores de créditos geralmente garantidos por hipoteca ou penhor. e) obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial. Portanto. Observem que. quando poderemos ver reduzidos os spreads bancários (diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e os juros cobrados do cliente). c) despesas com arrecadação. posicionando os créditos com garantia real de forma prioritária sobre os créditos fiscais. na íntegra. 83.

• CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO ESPECIAL. Dentro dessa classe. concernentes aos seus últimos seis meses de vida. • CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. conforme dispõe o art. Na hipótese de o produto da alienação do bem gravado ser inferior ao crédito. o credor por sementes. a saber: a) os previstos no art. b) os credores quirografários do processo de recuperação judicial que continuarem a fornecer bens ou serviços após o pedido de recuperação terão privilégio geral. quais sejam: a) os relacionados no art. têm prioridade os créditos por salários atrasados. a diferença será classificada como crédito quirografário. independentemente da sua natureza e tempo de constituição. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO GERAL. que abrangem todos os outros bens não-sujeitos a crédito com garantia real ou privilégio especial. até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador. • CRÉDITOS QUIROGRAFÁRIOS. a exemplo do crédito decorrente do funeral do devedor. instrumentos e serviços à colheita sobre os frutos agrícolas. até o limite do bem gravado. ao pagamento do crédito que ele favorece. que não gozam da garantia atribuída aos demais. De outra forma. ou ainda. 964 do Código Civil de 2002.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 257 Série Impetus Provas e Concursos • CAUSAS TRABALHISTAS. . • CRÉDITOS COM GARANTIA REAL. c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. salvo disposição contrária desta lei. 151. em caso de decretação de falência. 965 do Código Civil de 2002. vencidos nos três meses anteriores à decretação de falência. ou do credor de aluguéis sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico. até o limite de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. parágrafo 4o. excetuadas as multas tributárias. a exemplo do credor de custas e despesas judiciais com a coisa arrecadada sobre o mesmo bem. e INDENIZAÇÕES POR ACIDENTE DE TRABALHO. créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários. 83. salvo disposição contrária desta lei. ou os salários dos empregados do serviço doméstico do devedor. b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. por expressa disposição de lei. c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. conforme prevê o art. que compreendem os bens sujeitos. A lei assim os especificou: a) aqueles não-previstos nos demais incisos deste artigo.

9. inclusive. além de fiscalizar a administração da falência. a saber: a) os assim previstos em lei ou em contratos. b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. • MULTAS CONTRATUAIS E AS PENAS PECUNIÁRIAS POR INFRAÇÃO DAS LEIS PENAIS OU ADMINISTRATIVAS. que excederem o limite de cento e cinqüenta salários mínimos. de acordo com cada um dos temas a seguir enunciados. requerer as providências . da Lei Federal no 6. Efeitos Jurídicos da Falência A sentença declaratória de falência introduz o sujeito passivo em um sistema jurídico delimitado pela Lei de Falências. • CRÉDITOS SUBORDINADOS. as penas pecuniárias não podiam ser exigidas na falência. pode o representante legal da sociedade falida requerer ao juiz a continuidade temporária do negócio. 1. No entanto. Por exemplo. a partir da decretação da quebra. sejam em relação às dívidas com os credores. a exemplo das debêntures subordinadas. dos veículos que já se encontrem em processo inicial de montagem. comprometer a entrega de produtos já comercializados.404/76. 58. pelo menos. Por dissolução entenda-se o fim das atividades econômicas da dissolução. Quanto ao Negócio do Falido Quando instalado o processo falimentar.9. Notem que a iniciativa do pedido não é dos credores. se estamos tratando da falência de uma indústria de veículos. mas do representante da sociedade falida. para fins de recebimento do valor acordado. pode ser que seja interessante a conclusão. Em nosso exemplo. previstas no art. 103. ela deve parar sua linha de produção. INCLUSIVE MULTAS TRIBUTÁRIAS.1. que poderá se fundamentar no parágrafo único do art. que permite a ele. sob o fundamento de que a paralisação diminuiria ainda mais as chances de os credores receberem seus créditos. c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho. aos seus bens. empresa.258 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) os saldos dos créditos não-cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento. parágrafo 4o. 1. Para facilitar o entendimento da matéria. devemos estudar os efeitos da falência separadamente. É nesse diploma que se encontram dispostas todas as questões relativas ao falido. lembrando que. contratos ou à atuação profissional. deixando de aceitar pedidos e podendo. seu efeito imediato é a dissolução da sociedade falida. na antiga legislação.

mediante pagamento de remuneração. na apreciação da matéria. b) alienação da empresa.2. XI. a autoridade judiciária leva em conta não o interesse do requerente.9. o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor” (art. 140. que trata da continuidade provisória das atividades do falido. Também se percebe uma clara intenção do legislador em preservar o ativo produtivo da massa. Entrementes. com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. sobretudo quando a operação acarretar ganho comparativo à massa. Logo. representada pela venda do ativo para satisfação do passivo. 99. com a venda de seus estabelecimentos em bloco. mas o dos próprios credores. em razão da conveniência ou oportunidade: a) alienação da empresa. já que ela não deve obstar a liquidação da sociedade. a lei prescreve a indisponibilidade dos bens do falido como conseqüência imediata à sentença. d) alienação dos bens individualmente considerados. Quanto aos Bens do Falido “Desde a declaração da falência ou do seqüestro. que estipula uma ordem de preferência na realização do ativo. Igualmente serve à fundamentação do requerimento o art. Justifica-se tal medida numa maior celeridade requerida nesses casos. Esta perda só se dá quando for procedida à liquidação judicial que. caput). conforme já vimos. que possibilita a venda dos bens da massa antes mesmo da formação do quadro geral de credores. 140. Se concedida. Uma delas foi o permissivo contido no parágrafo 2o do art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 259 Série Impetus Provas e Concursos necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada. c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor. A nova lei trouxe novidades a respeito da alienação do ativo do falido. Basta ver o teor do art. 103. com a possibilidade de ser adotada mais de uma forma. . caput. 1. é importante assinalar que a continuidade dos negócios não pode ser por prazo indefinido. o juiz nomeia pessoa idônea indicada pelo administrador judicial para condução dos negócios. assim como da coletividade. Esse efeito não é o mesmo que perder a propriedade sobre os bens. é a fase onde a massa ativa objetiva é alienada para satisfação dos credores. não prejudicando as atribuições do administrador. requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. Entretanto.

ou c) identificado como agente do falido. Neste último caso. Para estimular ainda mais operações como essa. contudo. geralmente por bom preço. voltando ao início do tópico. Com relação aos empregados do devedor que forem contratados pelo arrematante. 142. ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do Comitê de Credores. consangüíneo ou afim. Em qualquer modalidade de alienação. b) propostas fechadas. por lances orais. quais bens seriam afetados pela medida? Os bens pertencentes aos sócios de uma sociedade falida sofrem o mesmo efeito? E aqueles bens particulares do empresário falido? Para o bom entendimento da matéria. é preciso delimitar a incidência da norma de acordo com a qualidade do sujeito passivo. Mas. 141 previu que o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. o Ministério Público será intimado pessoalmente. até o quarto grau. Essa nova ordem tende a gerar excelentes oportunidades de negócios aos que pretenderem adquirir ativos de empresas falidas. São elas: a) leilão. c) pregão. dentre as quais compete ao juiz. serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o comprador não responderá por obrigações decorrentes do contrato anterior. a fim de torná-los novamente produtivos.260 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Portanto. o inciso II do art. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. A liberalidade retratada não se aplica. pois a alienação em bloco do estabelecimento permite ao comprador continuar o processo produtivo antes desenvolvido pelo falido. . É que podemos estar falando de um falido. a sociedade pode ser anônima. sem o risco de estarem contraindo obrigações inviáveis ao projeto. Três modalidades para alienação do ativo foram previstas. sob pena de nulidade (art. limitada ou até uma sociedade de responsabilidade ilimitada dos sócios. em linha reta ou colateral. com o objetivo de fraudar a sucessão. a escolha de uma. inclusive as de natureza tributária. do falido ou do sócio da sociedade falida. na parte referente à indisponibilidade dos bens do devedor como efeito imediato da falência. b) parente. parágrafo 7o). empresário individual ou sociedade empresária. inicialmente. quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida. o que a lei sugere é que se deve evitar ao máximo uma pulverização dos bens componentes da massa. Tais encargos permanecem compondo as obrigações da massa. ou sociedade controlada pelo falido. conforme previu o parágrafo 2o do mesmo artigo.

sobre os sócios-gerentes. caput. Excetuam-se apenas os bens absolutamente impenhoráveis (são tratados no Direito Civil). além dos da sociedade. quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. a disponibilidade sobre todo o seu patrimônio. . poderá haver a penhora de tantos bens particulares quantos bastem à integralização do capital social. Nesta hipótese. ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus. até o julgamento da ação de responsabilização. Nestes casos. aplica-se a regra do art. em quantidade compatível com o dano provocado. além da indisponibilidade dos bens daqueles sócios. que prevê. O empresário individual perde. a falência de tais sócios. Julgada procedente a ação. Além da obrigação pela parcela nãorealizada do capital social. 82 reforçou a aptidão atrativa do juízo falimentar para apurar a responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada. o sócio remisso ficará passível de uma ação de integralização pela sua participação no capital ainda não satisfeita. assim como os dotais e os particulares da mulher e dos devedor. filhos do devedor LIMITADA SOCIEDADE ANÔNIMA OU LIMITADA – apenas os bens sociais é que serão objeto da arrecadação judicial. que passará a compor a massa falida. sejam os destinados ao exercício do negócio. a depender da qualificação do falido. de ofício ou a requerimento das partes. DEMAIS TIPOS SOCIETÁRIOS – a falência de uma sociedade em nome coletivo provoca a indisponibilidade tanto dos bens sociais como dos sócios (menos aqueles indisponíveis). sujeitando-os aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida. controladores e dos administradores da sociedade falida. Para essas sociedades possuidoras de sócios com responsabilidade ilimitada. 81. pode o juiz. no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. por conseguinte. lembrando a solidariedade presente quando se tratar de sociedade limitada. Sendo uma comandita por ações o efeito recai ações. Se a falida for uma sociedade em comandita simples. o parágrafo 1o estipula a extensão do efeito aos sócios que tenham se retirado voluntariamente ou que tenham sido excluídos da sociedade há menos de dois anos. concomitantemente com a da pessoa jurídica. temos a seguinte regra: EMPRESÁRIO INDIVIDUAL – arrecadam-se todos os bens. ou não. preservando-se o patrimônio particular dos sócios. Em seguida. simples a indisponibilidade alcança apenas os bens dos sócios comanditados.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 261 Série Impetus Provas e Concursos • • • Portanto. o art. claro. mesmo na hipótese de o capital social não se encontrar totalmente integralizado.

3. que ordenará intimação ao falido. Percebam que. fica o bem indisponível. a fim de formarem a massa falida subjetiva com direitos paritários de acordo subjetiva. Para melhor explicá-los. Portanto. a coisa deverá ser restituída em quarenta e oito horas. pode ser pleiteada pelo seu legítimo proprietário. e deverá ser interposto perante o juiz da falência. art. 77). 85. A decretação da falência também provoca a suspensão do curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor (art. 6o). Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito ao falido e entregue a este nos quinze dias anteriores ao requerimento de sua falência.262 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Complementando o tópico. interesses e negócios do falido. no prazo sucessivo de cinco dias. aberto o processo de falência. apto para decidir as questões relativas à massa. se ainda não alienada. • JUÍZO UNIVERSAL O juiz do local em que se situa o estabelecimento de maior volume de negócios do falido atrai todas as questões econômicas que digam respeito à pessoa e aos bens do falido. Quanto aos Direitos dos Credores O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens. fiscais e aquelas não reguladas nesta lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo (art. assim como o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (art. todas as pessoas que tiverem créditos a receber do sujeito passivo falido devem se dirigir a um só juízo. aqui. 76). ao Comitê de Credores e ao administrador judicial para que. . manifestem-se. habilitando-os no prazo previsto no parágrafo 1o do art. 1. Significa afirmar que é para lá que os interessados em receber seus créditos devem se dirigir. o legislador está resguardando o direito daquele empresário de boa-fé que fez negócio com o falido quando este já se encontrava em situação de crise.9. o procedimento aplicável é o mesmo tratado no parágrafo antecedente. Enquanto isso. O instrumento hábil é o Pedido de Restituição a que se refere o Restituição. Para tanto. 7o (quinze dias). Da leitura dos dois parágrafos acima. não a propriedade. ressalvadas as causas trabalhistas. podemos visualizar três efeitos imediatos sobre os direitos dos credores advindos da sentença declaratória de falência. vale esclarecer que coisa arrecadada da qual o falido detenha sua posse. Julgado procedente o pedido. tendo entregue um bem sem haver ainda a contrapartida da obrigação. vejamos o seguinte destaque.

FALIDO • SUSPENSÃO DAS AÇÕES INDIVIDUAIS CONTRA O FALIDO Com a decretação da falência. Não quer dizer que o credor vá receber seu direito naquela data. No entanto. para decidir as questões que digam respeito à massa. se. O parágrafo único do art. antes de decretada a quebra. pois ele só será pago após a liquidação do ativo. Apenas na hipótese de serem satisfeitos todos os credores (dívida mais correção monetária). ativo. como prescreve o art. 124 excetua dessa regra os juros das debêntures e dos créditos com garantia real. São eles: a) credores fiscais. é que incidiriam juros até o pagamento. d) credores por dívidas em cuja ação já tenha sido realizada a hasta pública. necessariamente haveria a suspensão do processo. a antecipação para a época da sentença importa em calcular juros por dívidas já vencidas até aquela data. desde que os encargos não ultrapassem o produto dos bens que constituem a garantia. 1. As questões que envolvam essas matérias terão seqüência normal nos respectivos juízos. Quanto aos Contratos do Falido A sentença de falência introduz o falido e seus negócios em um sistema jurídico regulado pela Lei de Falências. para só depois de concluídas atingirem a massa. há credores que não se submetem à habilitação. Por essa razão. respeitando-se de novo a ordem de classificação dos créditos (art. 124). ao mesmo tempo em que devem ser deflacionadas aquelas ainda não-vencidas.9. se este comportar todo o passivo. tomando-se sempre a data da sentença como base. evidentemente. c) ações não-reguladas pela LF em que o falido seja autor ou litisconsorte . na medida em que define a data da sentença como parâmetro tanto para o cálculo dos juros devidos como para a conversão dos créditos em moeda estrangeira para a moeda brasileira.4. e ainda sobrando ativo.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 263 Série Impetus Provas e Concursos com a classificação de seus créditos. Na verdade. admitindo-se as mesmas exceções já comentadas em tópico anterior. o juízo universal é quem passa a ser competente . com a suspensão do prazo prescricional. b) credores trabalhistas. . algum credor já houvesse ajuizado ação tendente a ver satisfeito direito seu. por serem exceção à aptidão atrativa do juízo falimentar. ANTECIPADO • VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA Esta conseqüência visa à equalização dos créditos. 77.

Tem o administrador judicial a faculdade de rescindi-lo. pois os contratos nascem para ser cumpridos nas condições em que foram constituídos). 119. indenização pecuniária. ensina que eles não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos normalmente pelo administrador judicial. que passou de cinco para dez dias. mediante autorização do Comitê. Os parágrafos 1o e 2o do mesmo art. se julgar interessante para a massa. há uma série de disposições específicas a respeito de algumas peculiaridades envolvendo tanto os contratos de compra e venda como outros. cujo valor constituirá crédito quirografário. Seguindo o texto da lei. Essa disposição. deverá ter suas cláusulas respeitadas pelas partes. determinado contrato de compra e venda. quando pactuadas livremente entre elas. relativamente aos contratos bilaterais. por exemplo.264 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Uma conseqüência desse poder constitutivo da sentença é a possibilidade de se modificarem os vínculos constituídos sob a tutela de outros regimes de Direito. a ser classificada como crédito quirografário. como o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil. até noventa dias da assinatura termo de sua nomeação. é bom que se diga. A regra geral disposta no art. mediante autorização do Comitê. o administrador judicial tem a faculdade de não mais querer dar prosseguimento ao vínculo já constituído (isso não seria possível numa situação normal. já no art. contrato bilateral envolvendo pessoa futuramente sujeito passivo de uma falência deve ser cumprido na forma como foi pactuado. para que declare. em processo ordinário. novo disciplinamento legal tem início. se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. Entretanto. 118). Assim. não é novidade. a regra é similar. O que mudou foi o prazo de manifestação do administrador judicial. 117. a ser apurada em processo ordinário. pois já constava do antigo decreto. desta vez de acordo com o que dispuser a lei falimentar. 117 dispõem que o contratante pode interpelar o administrador judicial. mesmo. Em suma. quando isso contribuir para reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa (art. se cumpre ou não o contrato. Vejamos algumas. desde que em consonância com os ditames legais. . Para os contratos unilaterais. vindo uma delas a falir. o silêncio do administrador confere à parte direito à indenização. dentro de dez dias. celebrado entre duas sociedades. podendo o administrador judicial. realizar o pagamento da prestação pela qual está obrigado. A declaração negativa ou. cabendo ao contraente pleitear. a exemplo da locação empresarial ou de contas correntes. No entanto.

faculta-se ao comprador devolver a parte recebida. COMPOSTAS FALIDO • COISAS COMPOSTAS VENDIDAS PELO FALIDO Coisas compostas são aquelas cuja utilidade desejada depende do todo. IV). mas ainda em trânsito. Não o fazendo. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. as tiver revendido. FALIDO. cabe restituição ao vendedor. prevista no art. não sem antes ouvir o Comitê de Credores. cuja importância constituirá crédito quirografário (art. nos quinze dias que antecederam o requerimento da falência. A diferença é que a coisa já fora entregue ao falido. antes que aconteça a venda judicial do bem. COM RESER VA DE DOMÍNIO DO VENDEDOR Se o administrador resolver não continuar a execução do contrato. Pois bem. previsto no art. II. enquanto aquela se refere a uma operação comum entre vendedor e comprador. MAS EM TRÂNSITO O inciso I do art. não havendo ainda a revenda por parte do comprador. já tendo procedido à entrega parcial dos produtos alienados. a devolução da coisa. exigindo a devolução dos valores pagos. na classe própria (art. conforme estipulação contratual (art. é possível barrar a entrega. RESERV • COISA MÓVEL COMPRADA PELO F ALIDO. via pedido de restituição. compete ao vendedor reivindicar. deve restituir o bem ao vendedor. esta tem a ver com a realização do ativo processada judicialmente no curso da falência. 85. FALIDO • COISA MÓVEL VENDIDA PELO FALIDO A PRAZO Não tendo o devedor entregue coisa móvel ou prestado serviço que vendera ou contratara a prestações. FALIDO. o crédito relativo aos valores já pagos pelo comprador ou pelo tomador do serviço sujeitar-se-á à habilitação. combinado com o art. sem fraude. pois. tomando-se conhecimento da falência. posteriormente declarado falido. JÁ DESPACHADA. e resolvendo o administrador judicial não executar o contrato. DESPACHADA. requerendo perdas e danos. 119. Pois bem.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 265 Série Impetus Provas e Concursos FALIDO. Percebam que a venda aqui referida não é da mesma natureza da tratada na hipótese antecedente. ENTREGUE QUINZE DIAS ANTES DO PEDIDO Essa hipótese. é similar à anterior. se o comprador. não tendo sido ainda realizada a alienação judicial do bem. na hipótese de o administrador judicial decidir cancelar contrato no qual aparece o devedor falido como vendedor. 119 estipula que aquele que vender produtos a outrem. 117. 85. não pode obstar a entrega das coisas já saídas do estabelecimento. III). . antes do requerimento da falência. parágrafo 2o). 119. parágrafo único. 119. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. Subentende-se que.

a quebra provocará a cessão. CONTRATO CONTA • CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM O DEVEDOR É encerrado no momento da decretação da falência. verificando-se o respectivo saldo (art. 1.5. o que evidentemente reduziria as chances de satisfação dos créditos. independentemente de haver intenção do devedor de fraudar credores (art. mantêm-se os termos do contrato. PARA • MANDATO CONFERIDO PELO DEVEDOR. o legislador foi mais além. avaliando sua situação de iminente liquidação judicial. CONTRATOS ENVOLVENDO FALIDO • CONTRATOS DE LOCAÇÃO ENVOLVENDO FALIDO Sendo a falência do locador. Sim. ANTES DA FALÊNCIA. o legislador considerou importante proteger os credores de boa-fé contra atos praticados pelo devedor. cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão. a seguir demonstrados. MANDATO FALÊNCIA. 119. começar a celebrar alguns negócios com intuito de salvaguardar interesse seu. 121). faculta-se ao administrador judicial. De outra forma. em detrimento do seu ativo. a qualquer tempo. pois relacionou atos considerados ineficazes para a massa. e do produto da venda deve ser deduzido o que for devido aos demais condôminos. VII). Na hipótese de o falido haver recebido mandato ou comissão antes da falência. antes mesmo da decretação da falência. nos termos da melhor proposta obtida (art. salvo dos que versem sobre matéria estranha à atividade empresarial (art.9. denunciar o contrato (art. parágrafo 2o). Tanto na lei como no antigo decreto. 129 da nova lei). PAR ARTICIPE FALIDO • CONDOMÍNIO INDIVISÍVEL DO QUAL PARTICIPE O FALIDO O bem deverá ser vendido. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos Assim como fizera no antigo decreto. faculta-se ao administrador judicial a revogação. Em se tratando de mandato para representação judicial do devedor. 120). 119 remete o tema à legislação específica. 123. Significa afirmar que tais atos. ficando passíveis de ser declarados .266 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS O inciso VI do mesmo art. porque poderia o devedor mal-intencionado. vindo a falir o locatário. PARA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS A quebra provoca a cessação de seus efeitos. uma vez cometidos não devem produzir qualquer efeito sobre a massa. facultada a estes a compra da quota-parte do falido.

mas a eficácia deles perante a massa. • TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DE IMÓVEL – desde a declaração de falência. • RENÚNCIA À HERANÇA OU AO LEGADO – desde dois anos antes da falência. ou até incidentalmente. exceto quando tenha havido prenotação anterior. o juiz pode considerar a transação ineficaz perante a massa. Na omissão da autoridade judiciária. pelo juiz.10 deste Capítulo). durante o termo legal de falência (período suspeito de até noventa dias anteriores à falência. tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor. não houver oposição dos credores. • CONSTITUIÇÃO DE DIREITO REAL DE GARANTIA – quando procedido dentro do termo legal de falência. no curso do processo.000. talvez porque. • PRÁTICA DE ATOS A TÍTULO GRATUITO – desde dois anos antes da declaração de falência. ofertando ao credor um veículo no valor de R$ 40. para surpresa do devedor. no Cartório de Imóveis.00. • PAGAMENTO DE DÍVIDAS VENCIDAS – quando realizado dentro do termo legal da falência. o futuro empresário falido resolveu pagar dívida sua. não podendo o falido voltar atrás. Desta forma. • ALIENAÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO – quando realizada sem o consentimento ou pagamento de todos os credores. a ineficácia pode ser alegada na defesa. Para facilitar o entendimento. como veremos à frente. Percebam que não se trata de questionar a nulidade dos atos. .00. o ato é plenamente válido. que podem se revestir de todos os requisitos legais.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 267 Série Impetus Provas e Concursos ineficazes. são ineficazes perante a massa. determinando o retorno à situação jurídica anterior. chegando a dois anos anteriores à sentença. Porém. de ofício. a massa dispunha de ativo suficiente para saldar todos os créditos. no prazo de trinta dias da notificação. inclusive.000. ou através de ação própria. Alguns. no valor de R$ 20. extrapolam o termo legal de falência. que será melhor estudado no item 1. alegando a nulidade do negócio. desde que efetivada por outra forma distinta da prevista no contrato (é o caso do exemplo acima citado). seja ou não a intenção deste fraudar credores: • PAGAMENTO DE DÍVIDAS NÃO-VENCIDAS – quando realizado pelo falido dentro do termo legal da falência. salvo se restarem bens suficientes para solver o seu passivo ou se. se entender que nenhum prejuízo trouxe à comunidade de credores. vejamos o seguinte exemplo: se. para dívidas contraídas anteriormente.

estamos tratando não apenas de impedir os efeitos dos atos diante da massa. O primeiro tem a ver com restituir. provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. . não possuem discriminação taxativa na lei. e se aplica aos casos em que os atos são declarados ineficazes pelo juiz. pois o devedor não pode ficar esperando muito tempo pelo provimento judicial. trazer de volta. Tanto um como outro recurso não possuem efeito suspensivo. no prazo de três anos contados da decretação da falência. podendo ser qualquer um. neste caso do art. perante o juiz da falência. Percebam que. O Processo Falimentar A falência tem início com a sentença judicial declaratória. conforme já mencionado. e o contratante de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao devedor. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. sua atuação de ofício. posto que eivados de vício na origem. até. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. com relação a um agravo contra sentença. no prazo de três anos contados da sentença de falência. revogar se relaciona à anulação ou invalidação do ato. O instrumento hábil para revogação de tais atos é a ação revocatória. nos termos do art. com sua falência decretada. ou julgada procedente a ação revocatória. o art. movida pelo administrador judicial. O agravo. tem a finalidade de ensejar maior rapidez à decisão judicial. justifica-se a medida na necessária celeridade que tem que ser dada ao processo. pois normalmente o recurso cabível seria a apelação. Apesar de parecer estranha a previsão legal. e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação. Da decisão que decreta a falência cabe agravo. permitindo-se. quando a atuação do juiz depende de uma ação revocatória.10. que insere o devedor em regime jurídico regulado pela Lei de Falências. De outra forma. posta no art. 129. 130 dispôs a respeito dos atos revogáveis. 130. 1. 100. mas da nulidade dos mesmos. 130. desde que praticados com a intenção de fraudar credores. convém explorar um pouco mais a distinção entre o sentido jurídico dos termos r evocar e revogar. as partes retornarão ao estado anterior.268 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Além dos atos ineficazes supramencionados. Reconhecida judicialmente a ineficácia dos atos a que se refere o art. Para melhorar a compreensão. Estes. nesta situação. movida pelo administrador judicial. diferentemente dos outros.

Quando promovido com base no descumprimento de uma execução judicial. a sentença é o ato que marca tanto o início da falência como seu final. • O PEDIDO Vimos. instruído com demonstrações contábeis relativas aos três últimos exercícios sociais. Na hipótese do pedido lastreado em “atos de falência”. deve vir instruído com os títulos originais (se mais de um) ou por cópias autenticadas. previstos no art. parágrafo 3o. 94. no item 1. desde o pedido até a reabilitação do falido. 94. prevista no art. deste Capítulo. dos bens e direitos . Desta forma. parágrafo 4o). a exemplo do balanço patrimonial. 94. I. depois de executadas diversas etapas procedimentais. 94. se estiverem juntados a outro processo. juntando-se as provas que houver e especificando as que serão produzidas (art. incluindo o próprio devedor. Assim. o pedido de falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução (art. Para credores residentes fora do país. além dos procedimentos necessários. Quando se tratar de pedido de autofalência a que se refere o art. 105. Alguns requisitos. que são posteriores a ela. 9o. contudo. combinado com o art. II. conforme a previsão do art. a lei se reporta a etapas que a antecedem ou. 156. deve fazer prova de sua regularidade mediante certidão do Registro Público de Empresas. sendo o credor empresário. dentre outras. mesmo. as pessoas que detêm a faculdade para pleitear a falência. parágrafo único. O pedido fundamentado na impontualidade do devedor. podemos afirmar que a falência compreende três etapas distintas: a) o pedido. este deve vir autofalência. e o recurso cabível contra ela é a apelação. 94. como a arrecadação de bens do falido. Portanto. tudo para estabelecer regras.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 269 Série Impetus Provas e Concursos Esse mesmo diploma normativo prevê o encerramento do processo. compreendidos na fase falimentar propriamente dita. b) a fase falimentar. deverá conter a descrição dos fatos tipificados na lei. a elaboração do quadro geral de credores e a liquidação do patrimônio do devedor. 94. a fim de legitimar a petição. e c) a reabilitação do falido. parágrafo único). são exigidos. conforme o art. sempre acompanhados da Certidão de Protesto (art. Entretanto.4. da relação nominal dos credores. parágrafo 5o). exige-se a prestação de caução. Em qualquer caso. O instrumento hábil para pôr fim ao processo é igualmente uma sentença judicial. III.

Percebam que. Após o pedido. seus efeitos são constitutivos de direitos. c) nulidade de obrigação ou de título. prorrogável por até cinco dias). d) pagamento da dívida. . deste Capítulo. 99 contém extenso rol das determinações que devem estar presentes na sentença. a nova lei tornou obrigatória a presença do termo na própria sentença.9. o qual não prevalecerá diante de prova de exercício posterior ao ato registrado. b) fixação obrigatória do termo legal de falência que é um intervalo de falência. além dos livros obrigatórios e outros documentos contábeis exigidos por lei. podemos destacar: a) síntese de pedido. Apesar da qualificação atribuída. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. conhecido como “período suspeito”.9. Com relação à qualidade de empresário regular. diferentemente do antigo decreto. conforme discorrido no subitem 1. não é necessário. conforme já referido no subitem 1. tempo antecedente à sentença.4. no qual o devedor pode haver cometido atos prejudiciais à massa. pois introduz devedor e credores num sistema jurídico diverso do previsto no Direito Obrigacional. como também ampliou seu prazo máximo para noventa dias anteriores ao pedido. deste Capítulo. Dentre elas. a saber: a) falsidade de título. g) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. e) vício em protesto ou em seu instrumento. 96.5. FASE FALIMENT ALIMENTAR • A FASE FALIMENTAR Tem início com a sentença declaratória de falência. a identificação do falido e os nomes dos administradores à época. que poderá apresentar contestação no prazo de dez dias (antes era de vinte e quatro horas. o juiz ordenará a citação do devedor. assim considerado pelo Registro de Empresas. b) prescrição. admitindo-se até a inexistência de instrumento constitutivo do negócio. excluindo-se protestos cancelados. O art. f) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo de contestação. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. ou contados do primeiro protesto por falta de pagamento. 105 requer apenas prova da condição de empresário. além de outras julgadas necessárias pelo juiz. A contestação deverá estar baseada em uma das hipóteses do art. pois o inciso IV do mesmo art.270 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel que compõem o ativo e dos administradores nos últimos cinco anos.

para que tomem conhecimento da falência. embora se permita ação privada subsidiária da pública por parte de qualquer credor ou do administrador judicial (art. Ainda na fase falimentar. 109. ou da lacração dos estabelecimentos. d) explicitação do prazo de quinze dias para habilitações dos créditos. no prazo máximo de cinco dias. a fim de prevenir riscos. 181): . neste caso observado o que dispõe o art. mas não lhe pertencem. 183). apesar da ressalva do parágrafo 2o do art. Os bens arrecadados e avaliados ficarão sob a guarda do administrador judicial ou de pessoa por ele escolhida. São efeitos da condenação por crime previsto nesta lei (art. chamada de etapa cognitiva (vem de conhecimento). que prevê a medida. a declaração de ineficácia de certos atos cometidos pelo devedor antes da sentença. Também é nessa parte do processo que. 184). 187. assim como os que estão em sua posse. Tais crimes estão tipificados nos arts. processam-se duas etapas bem distintas: uma. é apurada a existência de possíveis “crimes falimentares”. observando-se os bens de sua propriedade. a fim de compor o inventário. diretores. mesmo. que permite a impetração da ação penal em qualquer fase processual. A competência para o conhecimento da ação penal pertence ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido declarada a falência (art. g) pronúncia a respeito da continuação provisória das atividades do falido por meio do administrador judicial. administradores. na medida da culpabilidade de cada um. fazendo constar a expressão: “falido”. conforme a disposição do art. equiparam-se ao falido. normalmente. É nesse estágio que são processadas as possíveis ações revocatórias. Processa-se também a habilitação dos créditos para elaboração do quadro geral de credores. 7o. h) ordem de intimação ao Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. sob a responsabilidade daquele. conselheiros e o próprio administrador judicial (art. parágrafo 1o. sócios. se ainda não constar dos autos. 168 a 178 da Lei de Falências e são classificados como de ação pública incondicionada. podendo o falido ser nomeado depositário. Para todos os efeitos penais decorrentes desta lei. pela qual é levantado todo ativo e passivo do devedor. mas que se encontram em poder de terceiros. na maioria das vezes cometidos pelo falido. e) ordem ao Registro Público de Empresas para que proceda à anotação da falência no registro do devedor. 179). sob pena de desobediência. relação nominal dos credores. f) nomeação do administrador judicial. os pedidos de restituição ou.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 271 Série Impetus Provas e Concursos c) ordem ao falido para que apresente.

Se for conveniente à massa. Só em último caso.272 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) inabilitação para o exercício de atividade empresarial. diretoria ou gerência de qualquer sociedade sujeita à lei falimentar. Essa tendência é manifestada textualmente no parágrafo 3o do art. não são automáticos. 140. neste trabalho. necessitam ser motivadamente declarados na sentença. de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. Ademais. 140 e 141. inclusive as de natureza tributária. ainda. b) impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração. contudo. já que não são singulares da falência. Igualmente na recuperação judicial e na extrajudicial pode haver apuração da ocorrência deles. alienação de todos os bens da massa. para que não haja a pulverização de uma organização capaz de gerar riqueza ao país. Dentre as medidas inovadoras para se atingir tal objetivo. a saber: a) preferência para venda em bloco da empresa. parente. não sendo possível. que os crimes falimentares previstos na lei não são exclusivos do processo falimentar. Só a partir daí terão eficácia. consangüíneo ou afim. quando não-incompatível com a lei falimentar. visando ao pagamento dos credores. ou identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. 188 a aplicação subsidiária do Código de Processo Penal. vem a liquidação quando acontece a liquidação. o legislador procurou deixar clara a intenção governamental de preservar o conjunto produtivo de bens ou serviços do falido. merecem destaque as dos arts. permanecerei com aquela nomenclatura. Importante assinalar. do falido ou de sócio da sociedade falida. . 180. apenas por uma questão de semântica. pode ser adotada mais de uma das formas descritas. c) impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. Nesse ponto. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. vendemse os bens de forma unitária. salvo se o arrematante for sócio da sociedade falida ou de sociedade controlada pelo falido. Contudo. prevê o art. sempre que a eles se refere. conforme se depreende da combinação dos arts. Esses efeitos. Por essa razão o legislador optou pela expressão: “crimes previstos nesta lei”. em linha reta ou colateral até o quarto grau. parágrafo 2o. b) o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. 183 e 187. ou até o conjunto dos bens que integram cada um dos estabelecimentos. 179. Concluída a etapa de conhecimento.

pois comporta os dois. 111). surgiu o pregão que é pregão. manifestar-se a respeito. quando poderá haver autorização judicial aos credores para adquirir ou adjudicar os bens arrecadados. que prevê a possibilidade de realização do ativo. De acordo com o antigo decreto. não apenas os bens assim qualificados podem ser objeto de rápida alienação. o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz. salvo na hipótese de bens de fácil deterioração. contado da publicação do aviso de que as contas foram entregues. no prazo de cinco dias. no prazo de trinta dias. o falido permanece na condição de devedor. sob pena de nulidade do mesmo. em seguida. o juiz julgará as contas do administrador por sentença e. 140. Após esse período. antes mesmo da formação do quadro geral de credores. Quanto à forma a ser escolhida para alienação do ativo. a alienação dar-se-á pelo maior valor oferecido. A partir da nova lei. ainda que seja inferior ao de avaliação. que havia sido suspenso com a sentença de falência (art. Em qualquer caso. atendida a regra de classificação e preferência entre eles (art. Cumpridas todas essas providências. o juiz mandará intimar o Ministério Público para. quando o síndico peticionaria ao juiz sobre a necessidade de venda. em autos apartados. Os interessados têm prazo de dez dias para impugnação. Havendo impugnação ou parecer contrário do MP. Transitada em julgado a sentença de encerramento da falência. . apresentará relatório final da falência. Reforça a assertiva a disposição do parágrafo 2o do art. mesmo tendo lançado mão de todo seu ativo para satisfação dos credores. os pagamentos feitos aos credores.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 273 Série Impetus Provas e Concursos c) empregados do falido que forem contratados pelo arrematante celebrarão novo contrato de trabalho e o contratante não responde por obrigações decorrentes da relação jurídica anterior. além das responsabilidades com que continuará o falido (arts. no prazo de dez dias. recomeça a correr o prazo prescricional relativo às obrigações do falido. Apresentado o relatório final. O Ministério Público será pessoalmente intimado para acompanhar o processo. uma modalidade híbrida entre as outras duas permitidas – leilão ou por propostas –. será ouvido o administrador judicial. dentre outras informações. onde constarão. 156). o produto da realização do ativo. em razão dos custos e do interesse da massa. apenas depois de concluída toda a fase cognitiva é que poderia ter início a outra etapa de liquidação. o juiz encerrará a falência por sentença (art. REABILITAÇÃO FALIDO • A REABILITAÇÃO DO FALIDO Concluída a realização de todo o ativo e distribuído o produto entre os credores. mas qualquer um. caso não-satisfeitos todos os credores até o encerramento da falência. Observem que. 157). 154 e 155).

--–––—-. se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. depois de realizado todo o ativo. Para acontecer.–– - . em seu art. é necessária a sentença declaratória da extinção de suas obrigações. existe um prazo carencial de dois anos a ser respeitado. vejamos a seguinte representação gráfica: (---. 158. pois elevou de 40% para 50% o patamar da alínea b. 94 do Código Penal. Configurada qualquer das hipóteses descritas acima. Tal dispositivo. e b) decurso do tempo de dois anos após a execução da pena privativa de liberdade. não poderá fazê-lo enquanto condenado ou se estiver respondendo a processo por crime falimentar. a lei prevê.274 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entretanto. é bom que se ressalte. se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. necessita da conjunção de dois requisitos. contado do encerramento da falência.. Desta forma. Contudo. quais sejam: a) sentença de extinção das obrigações. c) decurso do prazo de cinco anos. de mais de 50% dos créditos quirografários. se tiver havido condenação por crime falimentar.) Pode exercer a atividade empresarial –––—––-.–– (---. mesmo sem o seu pagamento integral.. podemos afirmar que a reabilitação devolve à pessoa do falido o direito para o exercício da atividade empresarial. se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo. Mesmo após o cumprimento da pena. o falido poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. Em suma. Percebam que.--–––—-. hipóteses de exonerar a dívida do falido.) Não pode exercer a atividade empresarial –––—––-. para o falido poder novamente exercer a atividade empresarial. d) decurso do prazo de dez anos. tornou mais difícil a liberação do devedor. de acordo com a exegese do art. b) pagamento. contado do dia em que termine o cumprimento da pena privativa de liberdade. sendo facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem. pelo menos se comparado com o do antigo decreto. contado do encerramento da falência. extinguem as obrigações do falido: a) pagamento de todos os créditos. Para o melhor entendimento do tema.

.. 2. Anotem que não há intervenção judiciária no pacto..-/ .. maiores as chances de se manter a atividade econômica desenvolvida pelo devedor.. 2o. Pelo menos. representava ato de falência conforme a exegese de seu art.. a fim de proporcionar uma visão global do tema.. 167.— .. . Se./.... Essa é disposição do art.– . o ensaio do devedor em propor aos seus credores um acordo extrajudicial para equalizar suas dívidas.. ou mesmo na remição parcial de algumas obrigações...– ... Disposições Preliminares Consentâneo com a filosofia motivadora da nova lei.. Deve ser o passo inicial para a tentativa de solução das dificuldades financeiras do devedor. à época do antigo decreto.. que vai do art.1. foi com essa finalidade que surgiu esse instituto.. pois./-— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações Início da Pena Fim da Pena 2...– – . Recuperação de Empresas Recuperação Extrajudicial 2. Apenas após o entendimento. III. 167..– ... Também deve ser ressaltado que a lei não exclui outras modalidades de acordo privado entre devedor e credores. reunidos em item específico.-/———————————— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações b) Segunda hipótese: processo falimentar com condenação criminal do devedor 02 anos /.– .. quanto mais precoce e célere for a resolução desses conflitos.. falência.-/... é que o plano de recuperação se submete à homologação do juiz. que deve envolver exclusivamente as partes..CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 275 Série Impetus Provas e Concursos a) Primeira hipótese: processo falimentar sem condenação criminal do devedor /. pois o mais importante deve ser a resolução das pendências com um mínimo de interferência possível no desenvolvimento da atividade econômica do devedor. a fim de provocar efeitos....– ..-/. A recuperação extrajudicial possui regulamentação no Capítulo VI da nova lei.. vejamos como funciona o desenrolar do processo de recuperação de empresas... 161 ao art.1.. extrajudicial e judicial.1. normalmente materializada na dilatação dos prazos de vencimentos dos créditos...— ..– – ....– .-/ . agora não só foi legalizada como deve ser incentivada.– ..

f) entidade de previdência complementar. Logo. parágrafo 3o. se o foi. contudo.101/05.276 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. i) sociedade de capitalização. a exemplo da Lei Federal no 6. d) cooperativa de crédito. Assim. c) instituição financeira. b) não ter. e ainda válidas. São elas: a) empresa pública. É de bom alvitre salientar que. que estejam declaradas extintas. as responsabilidades daí decorrentes. 198 e 199. também só pode celebrar o acordo aquele devedor qualificado como empresário. c) não ter. e) administradora de consórcio. outras leis específicas mais antigas.024/74. elas estão absolutamente fora do processo de recuperação extrajudicial. Igualmente imprescindível à obtenção da homologação judicial é a observância da exegese contida no art. obtido concessão de recuperação judicial. há menos de oito anos. senão vejamos: a) não ser falido e. conforme a combinação dos arts. e outras para as quais exista lei específica proibindo a concordata.1. não existe outro diploma legal prevendo a recuperação extrajudicial para as mesmas entidades. há menos de cinco anos. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte. para caracterização da recuperação extrajudicial.2. Algumas sociedades. b) sociedade de economia mista. 161. por sentença transitada em julgado. em combinação com a do art. que trata da intervenção e da liquidação extrajudicial de instituições financeiras. Caracterização da Recuperação Extrajudicial Nesse tópico são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. alguns itens fazem-se necessários: • DEVEDOR EMPRESÁRIO – da mesma forma que na falência. estão à margem do processo. enquanto para a falência. . permite-se até o empresário irregular). à exceção das empresas de serviços aéreos. No entanto. somente é admissível o empresário regularmente constituído há mais de dois anos (para a falência. h) sociedade seguradora. 48. prevêem hipóteses de essas sociedades virem a falir. pública ou privada. mesmo caracterizadas como tal. na conformidade do que dispôs a Lei no 11.

inclusive em incorporações imobiliárias. parágrafo 3o. Todos esses deverão ter conservadas as condições originalmente contratadas. enquanto uma estipula prazo mínimo de cinco anos imediatamente anterior ao pedido. parágrafo 3o). inciso II. assim como credores titulares da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. Não podem participar do plano. de arrendador mercantil. Significa assegurar aos titulares dos créditos excluídos do plano garantias de que seus direitos não serão preteridos. quando o devedor elaborava seu plano de pagamento à revelia de prévia consulta aos credores (necessitava estar de acordo com as hipóteses legais). a outra prevê interstício de dois anos para o mesmo impedimento. conforme a combinação dos arts. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. devidamente acompanhado do plano. e) não possuir pedido de recuperação judicial pendente de liberação. cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. • PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E O PEDIDO – diversamente da antiga concordata. ou não ter. ao passo que as duas últimas vêm do art. os titulares de créditos de natureza tributária. Somente após esse entendimento a respeito do plano de recuperação. f) não houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de dois anos. e 86. como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica). pois. os titulares de crédito contra o devedor decorrente de adiantamento em moeda nacional de contrato de câmbio para exportação. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel. os derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. encaminhando o pedido diretamente à autoridade judiciária. é fácil perceber que há divergência entre as letras “b” e “f”. Observando cada uma das alíneas reproduzidas (as quatro primeiras estão no art. Também o plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem o tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos (art. 161. como um período no qual o devedor não pode ter obtido a concessão de recuperação judicial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 277 Série Impetus Provas e Concursos d) não ter sido condenado. o devedor deverá encaminhar o pedido ao juiz. . a nova disciplina impõe a discussão entre devedor e credores como meandro para obtenção do benefício. 48. parágrafo 1o. parágrafo 2o). e mais. ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio. 161. 161. 49.

. nunca aos credores. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial Da mesma forma que na falência. não há qualquer óbice a ações ou execuções contra o devedor. conforme prevê o art. mantendo-se o devedor à testa do negócio. 2.1. Se homologado (via sentença). Significa dizer que os participantes do plano passarão a dispor de um instrumento de execução direta contra o devedor.278 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Para os credores não-sujeitos aos efeitos do plano. a fim de proporcionar-lhe novamente saúde financeira. Em outras palavras. a sua homologação. Nunca é demais repetir. • SENTENÇA DE HOMOLOGAÇÃO DO PLANO – acordada com os credores as condições do plano. o acordo constituirá título executivo judicial. apenas para devedores. combinado com o art. parágrafo 6o. assim como dos outros que não aderirem ao plano. como veremos adiante.1. 2. contudo. Logo. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial O pedido de homologação judicial para o plano de recuperação da empresa compete exclusivamente ao devedor empresário. ou da filial da empresa que tenha sede no Brasil. o sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário. contudo.1. a fim de observar as limitações e os requisitos exigidos na lei. compete ao devedor requerer ao juiz do local do principal estabelecimento do devedor. muito menos para pedidos de decretação de falência daquele. com as mesmas exigências já esboçadas no item 2. 161. que só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter a homologação (art. parágrafo 1o). a homologação do plano não interfere nos direitos dos titulares de créditos citados no parágrafo anterior. pode ser concedida homologação judicial de um plano de recuperação extrajudicial. pessoas físicas ou jurídicas que se enquadrem na qualidade de empresário.3. 161. caput. outros efeitos. nada impede o pedido de falência. na hipótese de descumprimento do plano. Não produz. que deve tramitar em processo distinto da execução. Tomada tal providência.4.2. Deve ainda o leitor se reportar ao item anterior. 48.

os envolvidos são devedor e credores. assim como para os participantes do plano. limitando-se praticamente à homologação. quando descumpridas suas condições. Portanto. mesmo. 179. a suspensão do curso da prescrição de outras ações e execuções em face do devedor. por exemplo. não envolvido no plano.1. mas de forma restrita. ou não. O Juízo da Recuperação Extrajudicial A escolha do juiz designado para homologação do plano de recuperação extrajudicial deve seguir a prescrição do art. 180. Neste. O Ministério Público. da mesma forma que não se exige a nomeação de um administrador judicial. na recuperação extrajudicial não há obrigatoriedade da participação do Ministério Público. atuará na hipótese de se verificarem indícios de crime falimentar. A sentença não tem o condão de provocar. quando descumpridas suas condições. Também o Comitê de Credores e a Assembléia Geral de Credores são órgãos exclusivos da falência e da recuperação judicial. recaindo naquele onde se situe o principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.1.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 279 Série Impetus Provas e Concursos 2.7. 2. da forma como acontece na falência ou na recuperação judicial. Enquanto o juízo da falência atrai todas as outras questões de caráter econômico envolvendo o falido. contudo. 2. 3o. com algumas exceções. ou mesmo a rescisão de contratos bilaterais que envolvam o devedor. 183 e 187.6. somente a autoridade judiciária encarregada da homologação do plano de recuperação é que pode ser considerada órgão no processo.5. o mesmo não se dá no processo de recuperação extrajudicial.1. . Órgãos da Recuperação Extrajudicial Bem mais simplificado que o processo falimentar ou. do plano previamente acordado entre devedor e credores. conforme a combinação dos arts. a participação da autoridade judiciária é bem mais restrita. Igualmente continua a possibilidade de outro credor. se comparado com a recuperação judicial. Isso quer dizer que a sentença de homologação funciona como uma espécie de referendo legal para devedor e credores colocarem em prática aquilo que eles próprios combinaram. assim como para os participantes do plano. Ademais. requerer a falência do devedor. parágrafo 2o. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial A homologação do plano de recuperação extrajudicial altera as relações econômicas das partes envolvidas. quando poderá oferecer denúncia.

para repactuarem as dívidas.2. deste Capítulo. O Processo de Recuperação Extrajudicial Neste item. . obedecendo à mesma didática empregada no estudo da falência. 161. pois a homologação da recuperação extrajudicial em nada deverá afetar o funcionamento da empresa. o parágrafo 2o do art. II. 163. desde que respeitados os demais termos da lei. conforme descrição no item 2. que prescreve a sujeição. que dele não participem. parágrafo 5o). As espécies a que se refere a capitulação legal são as do art. IV. ou seja. incisos. salvo com a anuência dos demais signatários do pacto. VI e VIII. sem afetar o curso regular de suas atividades econômicas.1. quando poderão redefinir prazos e montantes dos créditos. não podem os credores desistir da adesão ao plano. • O PEDIDO Já vimos que a sujeição ativa para dirigir ao juiz requerimento para homologação do plano de recuperação extrajudicial é de empresários regularmente constituídos há mais de dois anos. Exceção está no art. V. Sobre a adesão ao plano.1. os tributários e as multas contratuais e tributárias.280 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O mesmo pode ser repetido tanto para o negócio como para os bens do devedor. mesmo. devem ser analisadas as duas fases componentes do processo: o pedido e a sentença de homologação. O objetivo esperado é contornar uma situação de falta de liquidez enfrentada pelo empresário. a liberdade que possuem credores e devedor para estabelecerem as condições do plano esbarram no direito dos demais. além dos discriminados no item 2. De outra forma. deste Capítulo. dos outros. 83. ficam de fora os créditos trabalhistas. Ou seja.2. a fim de emprestar a ele eficácia jurídica. Em resumo. muito menos a disponibilidade do devedor sobre seus bens. 162 traduz a necessária assinatura do plano por todos os credores participantes. a nova lei propicia a possibilidade de acontecer um livre acordo entre devedor e credores. destes excluídos os titulares de créditos de origem tributária e trabalhista. Estabelecidas as condições. de receberem seus créditos da forma originariamente contratada.1. compete ao juiz homologar o acordo. 161 proíbe o pagamento antecipado de dívida ou o tratamento desfavorável aos credores que não estejam sujeitos ao plano. desde que o plano esteja assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos. 2. a regra geral contida no art.8. incluindo os outros credores e o devedor (art. Depois de distribuído o pedido à autoridade judiciária.

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Capítulo 4 — Direito Falimentar

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Portanto, se credores representativos de pelo menos 3/5 de cada uma das espécies de créditos discriminadas naqueles incisos do art. 83 assinarem o plano, estarão obrigando os demais, exclusivamente em relação aos créditos constituídos até a data do pedido de homologação, e mais, apenas aqueles abrangidos no plano, pois os credores cujos créditos nele não estejam previstos não podem ser compelidos a aceitá-lo. De outra forma, se o plano contemplar a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstas no art. 83, exceto trabalhistas e tributários, a exemplo dos quirografários, ou com garantia real, sua homologação obrigará a todos os credores da espécie. Em resumo, poderíamos fazer a seguinte distinção: a) o plano não abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – neste caso, para sua homologação, necessita haver a assinatura de credores que representem mais de 3/5 dos créditos de cada espécie por ele abrangidos, hipótese em que, uma vez homologado, todos os créditos dele constante, não os outros, estariam submetidos às suas regras; b) o plano abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – logo, sua homologação, que poderá ser feita igualmente com assinatura de credores representativos de mais de 3/5, neste caso da totalidade dos créditos de cada espécie, estará obrigando a todos. O pedido, além de documento contendo as condições acordadas pelas partes com suas respectivas assinaturas, deve conter uma exposição da situação patrimonial do devedor, assim como suas demonstrações contábeis relativas ao último exercício social, documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou transigir, e mais, relação completa dos credores com seus dados pessoais e valor atualizado do crédito. • A SENTENÇA Recebido o pedido, o juiz ordenará a publicação de edital no órgão oficial e em jornal de circulação nacional ou das localidades da sede e das filiais do devedor, quando os credores terão um prazo de trinta dias para impugnar o plano. Para tanto, não poderão alegar mais do que: a) não-preenchimento do percentual mínimo previsto no caput do art. 163 (assinatura de credores representativos de mais de 3/5 de todos os créditos de cada espécie); b) prática, por parte do devedor, de qualquer dos atos de falência a que se refere o art. 94, III (ver item 1.2. deste capítulo), assim como se restar comprovada a intenção de fraudar credores, na forma prescrita no art. 130; c) descumprimento de qualquer outra exigência legal.

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Apresentada a impugnação, será aberto prazo de cinco dias para manifestação do devedor, após o que o juiz decidirá, no prazo de cinco dias, a respeito da homologação do plano, que será feita via sentença. Na hipótese de não-homologação, não há prazo carencial para novo pedido (art. 164, parágrafo 8o). Da sentença que homologar ou negar o plano, cabe apelação sem efeito suspensivo, conforme prevê o art. 164, parágrafo 7o. Embora os efeitos do plano surjam após a sua homologação, o parágrafo 1o do art. 165 prevê a retroatividade em relação à modificação do valor ou da forma de pagamento dos credores signatários. Significa dizer que, antes mesmo da homologação judicial, devedor e credores já podem pôr em prática acordo celebrado entre eles, posto no plano de recuperação traçado. Porém, caso não haja a homologação, devolve-se aos credores o direito de exigir seus créditos nas condições originais, deduzidos os valores efetivamente pagos. Em relação à ordem de prioridade no recebimento dos créditos, deve prevalecer o que foi acordado no plano, não existindo imposição legal a respeito. Por último, nunca é demais lembrar que o parágrafo 2o do art. 187 prevê a possibilidade de, em qualquer fase do processo, haver a apuração da ocorrência de crime falimentar, mesmo em se tratando de recuperação extrajudicial. 2.2. Recuperação Judicial

2.2.1. Disposições Preliminares Após quase sessenta anos de validade do antigo Decreto n o 7.661/45, regulamentador dos processos judiciais de falência e concordata, o Brasil ganha, afinal, uma nova legislação, com a aposta de grande parte dos especialistas de que a moderna lei irá reverter a tendência de quebra das empresas, sempre que atravessavam situações de crise econômico-financeira. Essa realidade estava diretamente relacionada ao excesso de formalismo que permeava o decreto. Para se ter uma idéia, um pedido de concordata que não respeitasse certos requisitos por ele exigidos levava o devedor invariavelmente à falência, trazendo conseqüências nefastas para devedor e credores, mas, sobretudo, à economia do país, que via desaparecerem postos de trabalho, além da redução da atividade econômica. A partir de agora, o devedor terá um prazo de sessenta dias, contados da publicação da decisão judicial que deferir o pedido de recuperação judicial, para apresentar o plano de recuperação. Somente após esse tempo sua falência deverá ser decretada (art. 53).

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O plano de recuperação, ao contrário do que acontecia na concordata, quando o devedor dispunha unicamente da faculdade de prorrogar prazos de vencimentos das obrigações quirografárias ou reduzir seus valores, pode prever outras formas de solução para a situação vivenciada, tais como: a cisão, incorporação, fusão ou transformação da sociedade, redução salarial dos empregados mediante acordo ou convenção coletiva, venda de alguns bens, substituição dos administradores, dentre outras, a serem estudadas adiante. Ainda se comparada com a concordata, a recuperação judicial é bem mais abrangente, pois, enquanto daquela participavam apenas credores quirografários, que tinham seus créditos reduzidos no valor, ou modificados os prazos de vencimentos, a recuperação judicial engloba a totalidade dos credores. Em outras palavras, tanto os titulares de créditos de origem trabalhista e fiscal, os com garantia real, como os quirografários, dentre os outros, podem estar incluídos no plano de pagamento proposto pelo devedor, à semelhança do que ocorre na falência, mas diferente da recuperação extrajudicial, que exclui credores trabalhistas e fiscais. Apesar da regra geral, a lei comporta exceções, no art. 49, parágrafos 3o e 4o, como veremos no item 2.2.6., à frente. Quanto ao fundamento do instituto, é coincidente com o da extinta concordata, pois tem por objetivo oferecer ao empresário instrumento para superação de uma crise econômico-financeira, mantendo, portanto, a atividade produtiva desenvolvida, o que é bom para os trabalhadores, que conservam seus empregos; para o país, por conta dos índices econômicos; para o devedor, que continua com seu negócio; e para os credores, pois suas chances de satisfação dos créditos se mantêm. Em seu teor, a nova lei trouxe disposições comuns à recuperação judicial e à falência, que vão do art. 5o ao art. 46. Nesse âmbito, matérias relacionadas à atuação do administrador judicial, ao Comitê de Credores, à Assembléia Geral de Credores, dentre outras, são tratadas de maneira conjunta. Já as contidas no Capítulo III (arts. 47 a 74) dizem respeito exclusivamente à recuperação judicial. Merece destaque a distinção inserida para as microempresas e empresas de pequeno porte, que receberam procedimento especial de recuperação judicial, conforme dispõem os arts. 70 a 72, assemelhando-se mais à antiga concordata, com dilatação dos prazos de pagamento das obrigações quirografárias para trinta e seis meses, e pagamento da primeira parcela no prazo máximo de cento e oitenta dias. Outra conseqüência do plano especial de recuperação judicial para microempresa e empresa de pequeno porte é que o aumento de despesa ou a contratação de empregados passa a depender de autorização do juiz, após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores. Por outro lado, a lei não prevê suspensão das ações e execuções em face do devedor, como acontece no processo ordinário de recuperação judicial, e também na falência.

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Tal procedimento especial, é bom que se diga, não exclui a possibilidade de as microempresas e empresas de pequeno porte requererem a recuperação judicial, seguindo as normas aplicáveis aos demais modelos de sociedade, como exposto adiante. A conclusão está arrimada no próprio teor do art. 70, caput, que prescreve a sujeição delas às normas do capítulo que trata da recuperação judicial. Em seguida, já no parágrafo 1o do mesmo artigo, há o permissivo para as referidas empresas adotarem plano especial de recuperação judicial, quando deverão, então, se guiar pelos dispositivos acima citados. Para as empresas de médio e grande porte, a lei reservou apenas procedimento ordinário, o qual o leitor poderá em seguida conferir. 2.2.2. Caracterização da Recuperação Judicial Nesse tópico, são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo, na conformidade do que dispôs a Lei no 11.101/2005. Assim, para caracterização da recuperação judicial, faz-se necessária a combinação dos seguintes requisitos seguintes. • DEVEDOR EMPRESÁRIO – assim como na recuperação extrajudicial, o acesso à recuperação judicial é facultado aos devedores empresários regularmente constituídos há mais de dois anos, com as mesmas exclusões já mencionadas e repetidas abaixo: a) empresa pública; b) sociedade de economia mista; c) instituição financeira, pública ou privada; d) cooperativa de crédito; e) administradora de consórcio; f) entidade de previdência complementar; g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde; h) sociedade seguradora; i) sociedade de capitalização, e outras para as quais existam lei específica proibindo a concordata, à exceção das empresas de serviços aéreos, conforme a combinação dos arts. 198 e 199. Igualmente necessário ao pedido é a observância da exegese contida no art. 48, a saber:

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a) não ser falido e, se o foi, que estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes; b) não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de outra recuperação judicial; c) não ter, há menos de oito anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte; d) não ter sido condenado, ou não ter, como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica), pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. • PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL – da mesma forma que na extinta concordata, a iniciativa do pedido pertence ao empresário devedor, nunca aos seus credores. O parágrafo único do art. 48 estende a iniciativa ao cônjuge sobrevivente do empresário devedor, aos seus herdeiros, inventariante ou sócio remanescente. A petição inicial deverá vir instruída com os seguintes documentos, previstos no art. 51: a) exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise econômico-financeira; b) balanço patrimonial e demonstração de resultados acumulados desde o último exercício social, e o relatório gerencial do fluxo de caixa e de sua projeção, estes relativos aos últimos três exercícios, além dos levantados especialmente para instruir o pedido; c) relação nominal completa dos credores, com endereço e dados a respeito do crédito; d) relação integral dos empregados, onde constem informações sobre funções, salários, indenizações e parcelas pendentes de pagamento; e) certidão de regularidade do devedor perante o Registro Público de Empresas, com o ato constitutivo atualizado e nomeação dos administradores; f) relação de bens particulares dos controladores e administradores; g) extratos bancários atualizados do devedor; h) certidões dos cartórios de protestos dos locais da sede e filiais, se tiver; i) relação de todas as ações judiciais em que o devedor seja parte, com estimativa dos valores demandados.

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Observem que não é requisito para o pedido a apresentação do plano de recuperação da empresa, da forma como acontece na recuperação extrajudicial. Lembrem-se de que, nesta, devedor e credores negociam o plano antes do requerimento de homologação judicial, proibindo-se, inclusive, aos credores, a desistência na adesão, salvo com a anuência expressa de todos. Já na recuperação judicial, o art. 53 permite que o devedor apresente o plano em juízo no prazo improrrogável de sessenta dias, contado do deferimento do processo de recuperação judicial. Não o fazendo, cabe ao juiz decretar a falência do devedor. Portanto, se, na recuperação extrajudicial, o plano deve ser apresentado concomitantemente com o pedido de sua homologação, na judicial, o pedido de deferimento do processo não necessita estar instruído com ele, pois o devedor dispõe de um prazo de sessenta dias após a sentença de deferimento. Tem o devedor as seguintes possibilidades para a sua recuperação judicial, qualificadas pelo legislador como “meios de recuperação judicial”, previstos no art. 50: a) concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; b) cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente; c) alteração do controle societário; d) substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; e) concessão aos credores do direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; f) aumento de capital social; g) trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados; h) redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; i) dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro; j) constituição de sociedade de credores; k) venda parcial de bens; l) equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação específica;

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m) usufruto da empresa; n) administração compartilhada; o) emissão de valores mobiliários; p) constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor. Importante salientar que o devedor pode optar por um ou mais meios disponibilizados para sua recuperação, em qualquer caso, fazendo-o(s) constar(em) do plano. • A SENTENÇA DE DEFERIMENTO – estando o pedido devidamente instruído, nos termos do art. 51, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial do devedor, abrindo prazo de sessenta dias para que ele apresente o plano de recuperação, sob pena de convolação em falência (art. 53). Outros detalhes sobre a sentença estão dispostos adiante, no item 2.2.9. 2.2.3. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial Assim como na recuperação extrajudicial, só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter o deferimento do processo de recuperação judicial (art. 48, caput). Outras limitações impostas pelo legislador à figura do devedor que, mesmo sendo classificado como empresário, permanece à margem do processo, já foram relacionadas acima. Deve, pois, o leitor reportar-se ao item 2.2.2. deste Capítulo, a fim de observar as restrições e os requisitos exigidos na lei. 2.2.4. Sujeito Ativo da Recuperação Judicial O sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário, com as mesmas exigências já esboçadas no item 2.2.1. deste Capítulo. Significa afirmar que é ele quem detém a competência para o pedido ao juiz. Igualmente pode impetrar o pedido o cônjuge sobrevivente do devedor classificado como empresário individual, seus herdeiros ou o inventariante de seu espólio, todos no prazo de um ano da morte do de cujus, conforme previsão do art. 48, parágrafo único, assim como o sócio remanescente, neste caso quando o devedor for sociedade empresária dissolvida.

economista. preferencialmente advogado. Pode ser pessoa física ou jurídica. e parágrafo 1o). a recuperação judicial conta com a intervenção dos mesmos órgãos da falência. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração do processo. dolo. Órgãos da Recuperação Judicial Enquanto o procedimento de recuperação extrajudicial se desenvolve de uma forma mais simplificada. conforme a disposição do art. O administrador veio a substituir a figura do comissário antes existente na concordata preventiva. além de ordenar a publicação de edital em órgão oficial com resumo do pedido (art. na forma prevista nos arts. que terá atuação obrigatória no processo. 22. e 31. O MP detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. A sentença que deferir a recuperação judicial ordenará a intimação do Ministério Público. em caso de rejeição ao plano de recuperação por parte da Assembléia Geral de Credores (art. simulação. caput. c) decretação da falência do devedor. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. fraude. quando descoberta falsidade. parágrafo 4o). 7o. 4o e 52. com um mínimo possível de participação estatal. dentre outros. responsabilizando-se por atos a ele relacionados. ou. 52. caput. No primeiro caso. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público.2. 183 a 188. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. caput. mesmo. conforme a combinação dos arts. caput. V. que será subsidiária da pública. conforme arts. 56. será escolhido alguém idôneo. Outras prerrogativas possui o MP. 19. erro essencial ou. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Este órgão atua no processo como fiscal da lei. documentos antes ignorados. sob a imediata direção e superintendência do juiz.5. inciso III. pedir a exclusão de qualquer crédito. 24. parágrafo 2o. . conforme veremos a seguir. mesmo. b) deferimento do processo de recuperação judicial. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. ainda que as atribuições contenham diferenças. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada.288 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. parágrafo 1o.

a que se refere o art. o juiz providenciará a nomeação dos mesmos. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. tanto na falência como na recuperação judicial. 21. à elaboração da relação de credores e à consolidação do quadro geral de credores (art. quirografários. . com privilégio geral e subordinados. após a assembléia indicar os componentes do comitê. a exemplo da aprovação. dando ciência da data do pedido. inciso I. rejeição ou modificação do plano de recuperação apresentado pelo devedor. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. Assim. Depois de nomeado. a fim de dar consecução aos atos do processo. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. alíneas e e f). o juiz deverá decretar obrigatoriamente a falência do devedor. Possui atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. inciso I). 22. o administrador será intimado para. 32). Em se tratando de pessoa jurídica. ou a indicação dos nomes que irão compor o comitê de credores. na hipótese de a assembléia rejeitar o plano de recuperação judicial. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar ao devedor ou aos credores. 33). dos titulares de crédito com garantia real. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. com privilégio especial. é obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. sobretudo. Em seguida deverá enviar correspondência a todos os credores constantes da relação nominal entregue em juízo pelo peticionário do processo. quando provocados por dolo ou culpa (art. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. no prazo de quarenta e oito horas. VII. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o interesse dos credores. parágrafo 3o. titular dos créditos fiscais. visando. De outra forma. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. 26. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. 35 a 46. comunicando ao juiz violações dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 289 Série Impetus Provas e Concursos administrador de empresas ou contador. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. • COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. 83. parágrafo único). Percebam que as decisões da assembléia são encaminhadas ao juiz.

parágrafo 4o. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. 6o. controladores ou representantes legais ou deles for amigo inimigo ou dependente (art. 30. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. voltam a correr normalmente os prazos prescricionais de todas as ações em face do devedor. Em absoluto. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. Entendam que isso não significa a exclusão daqueles créditos do plano de recuperação. 2. ou até ao juiz. todos nomeados pelo juiz. vale reproduzir o caput do art. 28). ou outras que demandarem quantia ilíquida. Passado esse tempo. suas atribuições passam ao administrador judicial. Dos efetivos.2. 49. seus administradores. um representará a classe dos credores trabalhistas. conforme prevê o art. apesar de o desenrolar do processo não acontecer no juízo da recuperação judicial. tais créditos devem ser inscritos no quadro geral de credores pelo valor determinado em sentença. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. Entretanto.6. mas indicados pelas classes dos credores. mesmo. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. reunidas em assembléia geral. Instalado o processo. contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. Em se tratando de uma filial que tenha sede fora do Brasil. Para reforçar a assertiva. sendo três efetivos e seis suplentes. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. da mesma forma como ocorre na falência. O Juízo da Recuperação Judicial O juiz competente para deferir o processamento da recuperação judicial é o do local do principal estabelecimento do devedor. a dos quirografários e com privilégios gerais. 26. devendo seguir a tramitação normal de cada uma. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. Na possibilidade de não existir comitê. 3o). assim entendido como o de maior volume da atividade econômica. senão vejamos: . a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. parágrafo 1o). deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. caput. contudo. ou. e parágrafo 1o).290 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Compõe-se de até nove membros. está limitada ao prazo de cento e oitenta dias. nos últimos cinco anos. Tal suspensão. outro. em caso de incompatibilidade daquele (art. será o juiz do local onde ela se situe (art. e o último.

7o. parágrafos 1o e 2o). têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. . O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. No primeiro caso. a lei garante os direitos de propriedade sobre a coisa e a manutenção das condições contratuais. contendo o resumo do pedido de recuperação judicial do devedor. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. em moeda nacional. que mantêm o direito. • titular de crédito relativo à importância entregue ao devedor. estão relacionadas as exceções à regra geral. juntamente com a relação nominal dos credores e os valores de cada crédito.2. não se permitindo. parágrafo 1o). ainda que não vencidos. de arrendador mercantil. os créditos que não podem ser incluídos no plano de recuperação. Em seguida. 52.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 291 Série Impetus Provas e Concursos Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido. já nos parágrafos 3o e 4o do mesmo dispositivo. mesmo sendo considerados retardatários e. pelo menos durante o prazo de cento e oitenta dias de suspensão a que se refere o caput do art. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação do edital a que se refere o parágrafo 1o do art. contudo. 10. observada a legislação respectiva. sendo considerada a habilitação retardatária.5. tanto na falência como na recuperação judicial. perderá direito de voto na assembléia (art. A exceção é para os créditos derivados da relação de trabalho. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. inclusive em incorporações imobiliárias. A habilitação de um crédito é ato que dá conhecimento à dívida. ou seja.2. 2. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. hipótese em que esse conferiria direito ao voto. se na data da realização da assembléia geral já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o crédito retardatário.7. conforme foi visto no item 2. Já os titulares de créditos fiscais não possuem direito de voto na assembléia. São eles: • titular de crédito que detenha a posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. 6o. O credor retardatário. oriunda de adiantamento em contrato de câmbio para a exportação. ou de proprietário em contrato de compra e venda com reserva de domínio. a retirada do estabelecimento do devedor de bens de capital essenciais à sua atividade empresarial. em se tratando de falência.

Portanto. Entretanto.8. veio o art. não se submetem a ele. Na verdade. conforme a disposição do art.2. 68 permitir o parcelamento de tais débitos. aderindo aos meios que entender convenientes para sua recuperação. . Com relação aos débitos de natureza tributária.292 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Percebam que. 50. 49. tanto pelas Fazendas Públicas como pelo Instituto Nacional de Seguro Social-INSS. Significa afirmar que. A respeito desse tema. se a lei não permitisse o parcelamento. o devedor pode ainda não ter apresentado seu plano de recuperação judicial. De outra forma. somente para cumprir com a exigência legal. Ademais. 83. já reproduzido no item 2. sempre lembrando que os titulares por créditos relacionados nos parágrafos 3o e 4o do art. na recuperação judicial.2. 57 e 68. o legislador concedeu prioridade ao pagamento dos créditos tributários. seria muito difícil admitir que o devedor conseguisse quitar a obrigação antes mesmo de iniciar a realização do plano de recuperação. b) o plano não poderá prever prazo superior a trinta dias para o pagamento dos créditos por salários em atraso. disposição curiosa está prevista nos arts. relativos aos últimos três meses anteriores ao pedido. deste Capítulo. observem que normalmente as dívidas tributárias são as que primeiro o devedor em dificuldades deixa de pagar. cabe ao devedor elaborar seu plano de acordo com as exigências da lei. a possibilidade de parcelamento torna o art. uma vez que exigiu do devedor a prova das quitações. antes de qualquer outro.8. deste capítulo. Mas isso não tem importância. tornando-se inadimplente das demais. pois permite ao devedor o pagamento de apenas uma parcela do acordo. 57 letra morta. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial Os efeitos advindos do processamento da execução judicial são sentidos basicamente pelos titulares de crédito inseridos no quadro geral de credores. até esse momento. e reproduzida no item 1. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. desde que respeitadas as seguintes condições: a) o plano de recuperação não pode prever prazo superior a um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido.6. pois a lei fixou um prazo de sessenta dias após a publicação referida no primeiro parágrafo deste item. pois. na forma do art. Pelo primeiro. observa-se que é requisito obrigatório à concessão da recuperação judicial a apresentação de certidão negativa referente a eles. indiretamente. cabe ao devedor emprestar ordem de prioridade no pagamento de suas dívidas. não vigora a ordem de classificação dos créditos disposta para a falência. 2. por parte do devedor.

d) constatados gastos pessoais excessivos. mas. se houver. indicado pela assembléia geral e nomeado pelo juiz.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 293 Série Impetus Provas e Concursos Enquanto. Quanto aos Bens do Devedor O devedor não perde a disponibilidade de seus bens. O art. ele não poderá alienar bens de seu ativo permanente. IV. a economia popular ou a ordem econômica. despesas injustificáveis em relação ao negócio. mas sob a fiscalização do comitê. na falência. se constar do plano. houver descapitalizado injustificadamente a empresa ou realizado operação prejudicial ao funcionamento regular do negócio. 50. 2. situação em que seria escolhido um gestor. Mas. Outra possibilidade de afastamento dos administradores está prevista no art. cujos efeitos se resumem aos credores inseridos no plano de recuperação. Pelo contrário. e mais. na hipótese de o afastamento do devedor estar prevista no próprio plano de recuperação. e do administrador judicial.1. . diferentemente da recuperação extrajudicial. a partir da distribuição do pedido. ou seja. Quanto ao Negócio do Devedor O deferimento do processo de recuperação judicial não traz solução de continuidade ao negócio. os efeitos da recuperação judicial são bem mais amenos.2. se simularem ou omitirem créditos da relação de credores apresentados.8. por fim. São elas: a) houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o patrimônio.8. b) houver indícios veementes de ter cometido crime previsto na lei falimentar. e. a empresa deve permanecer com sua atividade produtiva dentro da normalidade com o devedor e seus administradores mantidos na condução da atividade empresarial. c) houver agido com dolo. previstos na legislação vigente. 2. pudemos observar uma série de conseqüências provocadas com a instalação do processo. simulação ou fraude contra os interesses de seus credores.2. ou em se negando a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou pelos demais membros do comitê. salvo evidente utilidade reconhecida pelo juiz. tanto no negócio como nos bens e contratos do falido. eles existem e podem ser relacionados a seguir. depois de ouvido o comitê.2. 64 prevê hipóteses de afastamento tanto do devedor como de seus administradores.

Tal suspensão. quais sejam: leilão por lances orais. conforme o permissivo do art. significando dizer que o comprador de ativos de sociedade em recuperação judicial herdará dívidas trabalhistas do vendedor. em linha reta ou colateral. observa-se a ausência dos créditos de natureza trabalhista. inclusive de natureza tributária. b) parente do falido ou de sócio da sociedade falida. que é a necessária certidão negativa dos débitos. Comparando-se essa disposição com a do art. o permissivo não se aplica quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida ou controlada pelo falido. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor.6.2. 49). inciso XI. não há qualquer necessidade de prévia autorização (art. Entretanto.294 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Contudo. colateral ou afim. aplicada à falência. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. Quanto aos Direitos dos Credores Repetindo trecho do item 2. 2. até o quarto grau. instalado o processo. propostas fechadas ou pregão. cabe ao juiz ordenar a realização em uma das modalidades previstas no art. 50. mesmo estando prevista no plano. estando a venda do bem prevista no plano de recuperação aprovado em juízo. ou outras que demandarem quantia ilíquida. Talvez a exclusão dos créditos trabalhistas no dispositivo tenha sido motivada como proteção aos empregados. 141.. Para os credores fiscais. estes já contam com uma boa segurança no processo de recuperação judicial.3. parágrafo único. da mesma forma como ocorre na falência. Em se tratando da alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. inciso II.2. Como acontece na falência. 66). . pois seria teoricamente mais fácil para os trabalhadores receberem seus créditos do comprador dos ativos do que da massa falida. c) identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. limita-se ao prazo de cento e oitenta dias contado do deferimento do processamento da recuperação judicial. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. conforme dispõe o parágrafo único do art. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. da exegese do art. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. devendo seguir a tramitação normal de cada uma (o leitor deve se reportar ao mesmo item para observar os créditos que não podem participar do plano. no que pese a possibilidade de parcelamento. 142. conforme citação dos parágrafos 3o e 4o do art. 60. no entanto. anteriormente comentada.8. Em todo caso. 60.

2. a partir do deferimento. parágrafos 3o e 4o). parágrafo 1o). Em se tratando de dívidas por salários atrasados referentes aos três meses anteriores ao pedido.4. já reproduzidos no item 2. o juiz defere o pedido do devedor sem que tenha havido a entrega do seu plano de recuperação. pelo juiz. novação dos créditos anteriores ao pedido. 2. Observem que. No mesmo ato.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 295 Série Impetus Provas e Concursos O plano de recuperação implica. Em qualquer caso. c) ordem para suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor. Ao devedor. deste Capítulo. O Processo de Recuperação Judicial A recuperação judicial tem início com o deferimento. salvo se houver aprovação expressa do credor titular da garantia (art.2.2. o . 52. Deferido o processamento.8. 50. 52: a) nomeação do administrador judicial. deverá também constar. mas com a manutenção das garantias porventura existentes. do pedido do devedor. No plano é que o devedor vai explicar como pretende sair da situação de crise. e) ordem para intimação ao Ministério Público e para comunicação às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. sob pena de destituição de seus administradores. caput.2.2. que estipula prazo máximo de um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. com a escolha dos meios apropriados que poderão ser os previstos no art. salvo com aprovação da assembléia geral (art. segundo a disciplina do art. b) determinação para dispensa da apresentação de certidões negativas normalmente exigidas. 2. ou outros que entender mais convenientes. deste Capítulo. que terá um prazo improrrogável de sessenta dias. 59. à exceção para contratações com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. contados desde o deferimento. 54. proíbe-se a desistência do processo.6. é preciso respeitar a exegese do art. combinado com o art. na recuperação judicial. ainda. para o envio ao juízo. d) determinação ao devedor para apresentação de demonstrativos mensais de sua atividade. 50. respeitadas as exceções já mencionadas no item 2. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor Devem ser cumpridos da forma como foram celebrados.9. compete aos credores requerer a convocação da assembléia geral para constituição do comitê de credores. para onde o leitor deve se reportar.

296 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel plano deve contemplar o pagamento num prazo máximo de trinta dias. A decisão da assembléia pode ser: pela aprovação do plano. tenha obtido. 59. a lei exige aprovação pela maioria simples dos presentes. compete ao juiz convocar a assembléia geral para deliberar. o juiz concederá a recuperação judicial do devedor. De outra forma. Publicado o plano do devedor. 45. cumulativamente com a aprovação da maioria simples dos presentes. Observem que a aprovação pela assembléia do plano de recuperação não é requisito para a concessão do processo pelo juiz. com privilégio geral e subordinados. como acontece com os demais. Esta somente é necessária na hipótese de haver qualquer objeção de credor. no prazo de trinta dias. 58): . ainda que tenha havido qualquer objeção. quando o juiz decretará obrigatoriamente a falência do devedor (arts. Contra a decisão que conceder a recuperação judicial caberá agravo. os seguintes votos (art. ao menos nos termos do art. pode o juiz conceder-lhe aprovação. ou pela rejeição. 45. com privilégio especial. conforme a leitura do art. de forma cumulativa. c) não terá direito a voto o titular de crédito que não tenha sofrido qualquer alteração no valor ou nas condições originais de pagamento. Neste caso. faz-se necessária a obediência aos requisitos impostos pelo art. Cumpridas as exigências da lei. desde que não haja tratamento diferenciado entre credores da classe que o houver rejeitado. quirografários. b) quanto aos titulares de créditos decorrentes da legislação do trabalho ou por acidente de trabalho. parágrafo 2o. desde que o plano não tenha sido contestado por algum credor ou. a assembléia o tenha aprovado. qualquer credor pode se manifestar desfavoravelmente a ele. ainda que o plano não tenha sido aprovado pela assembléia. e mais. Para aprovação da assembléia. restringindo-se aos que estiverem presentes na assembléia. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. hipótese na qual se faz necessária a expressa concordância do devedor. senão vejamos: a) voto favorável dos credores representativos de mais da metade dos créditos com garantia real. 55 e 56). considerados separadamente por cada uma dessas classes. por sua alteração (desde que não diminua direitos de credores ausentes). proposto por qualquer credor ou pelo Ministério Público. independentemente do valor de cada crédito.

o devedor sairá do processo de recuperação (via sentença do juiz). esperando ter garantidos seus créditos.). 61). Todas devem contar com a credibilidade da população. voto favorável de credores que representem mais da metade da soma de todos os créditos presentes na assembléia. 45. . São diversas organizações bancárias que interferem diretamente no fomento da economia de nosso país. Aprovado o plano. Caso suas obrigações sejam cumpridas em um lapso de tempo inferior. desde que obedecido o quórum referido no artigo. os credores terão restabelecidos seus direitos e garantias nas condições originariamente contratadas. O parágrafo 1o do mesmo art. Neste caso. inciso III. 3. Ocorrendo o descumprimento após o prazo de dois anos. parágrafo o 1 ) e o devedor permanecerá em recuperação judicial pelo prazo máximo de dois anos. e deduzidos os valores já pagos. 3. a decisão constituirá título executivo judicial (art. o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação judicial. configura-se ato de falência. Significa a aprovação. uma vez cumpridas todas as obrigações vencidas no prazo máximo de dois anos. o art. alínea g. 94. por exemplo. pela classe dos quirografários e dos detentores de garantia real apenas. caso seja descumprida qualquer obrigação prevista no plano. contemplando o plano de obrigações com prazos superiores àquele. compete a qualquer credor requerer a respectiva execução da dívida não-cumprida (lembrem-se de que o ato de concessão da recuperação judicial tem força de título executivo). 61 prevê a convolação da recuperação judicial em falência. durante aquele período. como prevê o art. Por fim. ou a falência do devedor. que confia nelas suas poupanças.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 297 Série Impetus Provas e Concursos a) independentemente das classes (quirografários. c) voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores da classe pertencente àquele que tenha rejeitado o plano. aquele período será menor (art. De outra forma. mas continuará vinculado ao plano. dispõe o parágrafo 2o. trabalhistas etc. b) aprovação de apenas duas das classes de credores na forma do art. pois. recebendo depósitos e emprestando recursos. 63 dispõe que. 59. além de anunciar algumas providências para conclusão do processo. Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras Disposições Preliminares O Brasil é possuidor do maior sistema financeiro da América Latina.1.

então. da Lei no 6.661/45). Pensando nisso. quando é possível o soerguimento da pessoa jurídica. quando se dá a extinção da pessoa jurídica. o processo é conduzido com menores empecilhos que na falência (esta regulada pelo Decreto no 7. financeira e econômica que sucederia. com a normalização de suas atividades.024/74. longe de serem os ideais. veremos os pormenores de cada um dos três institutos. procedimento próprio das sociedades empresárias em geral. quando os credores daquelas se vêem diante de um concurso geral de credores.024. . em prol do passivo da entidade. Na prática. é quase certo que a falência sepulta as chances da maioria dos credores de terem satisfeitos seus direitos. de 25 de fevereiro de 1987. privadas ou públicas. quando acontece.2. inclusive sociais.298 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Imaginemos. a instabilidade monetária. Conceito Encontra guarida nos arts. o Governo Federal procurou proteger o sistema de possíveis falências. Constitui-se num regime que visa à reorganização das instituições financeiras. fato que traria enormes conseqüências. pois. porque haveria uma corrida natural dos depositantes aos bancos. de 13 de março de 1974. assim como o Decreto-lei no 2. 1o a 14. Mesmo no caso da liquidação extrajudicial. não afastam completamente a possibilidade de falência dos bancos. Intervenção 3. sobretudo em se tratando da intervenção ou do regime de administração especial temporária. capaz de coibir desmandos e operações fraudulentas por parte dos administradores. que instituiu o regime de administração especial temporária. cuja finalidade é o rateio do ativo da sociedade falida. normalmente as dívidas suplantam em muito os bens e direitos do falido.1.2. pois seus efeitos são menos drásticos. A Nova Lei de Falências não alterou as normas referentes a esses regimes A seguir. a partir de sua recuperação econômico-financeira. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 6. Sim. não-federais. na hipótese de uma quebradeira geral de nossas instituições financeiras. Melhor seria uma fiscalização preventiva eficaz. ao nosso país. com maior ênfase para o da liquidação extrajudicial. 3. dispondo sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. por ser mais questionado nos concursos.321. se comparados com os da falência. igualmente aplicado às instituições financeiras. mas podem ser um remédio para estancar uma crise no setor. a fim de resgatarem seus valores. Esses institutos. como veremos adiante. tendo em vista ser o Banco Central do Brasil competente para dar seqüência a ele.

mesmo. Notem que. quando comparados com outros ensejadores da liquidação extrajudicial. São elas: • prejuízo oriundo de má administração. que necessitam de prévia e expressa autorização do Banco Central. a instituição continuará operando na busca de seu objetivo social. • cooperativas de crédito. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. • infrações à legislação bancária. Durante aquele tempo. • mora injustificada de título executivo ou ato de falência. quando possível evitar tanto a falência como a liquidação extrajudicial. conforme art. públicas ou privadas. contraindo direitos e obrigações. não resolvidas após atuação do Banco Central. com o art.2.4.2. Sujeito Ativo A intervenção será sempre decretada pelo Banco Central. embora a finalidade seja o saneamento da instituição. tanto que pode haver a conversão em liquidação extrajudicial ou.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 299 Série Impetus Provas e Concursos Sob essa ótica. assim como admissão e demissão de funcionários. à exceção de atos que impliquem disposição ou oneração do patrimônio da sociedade. com plenos poderes de gestão. pelo menos à primeira vista.3. a depender da gravidade dos fatos apurados no decorrer do processo de intervenção. cuja natureza dos fatos observados possui menor relevância. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. o legislador objetivou evitar a liquidação extrajudicial da empresa que enfrenta dificuldade momentânea. .2. 3. prorrogável uma única vez por igual período. que não poderá ultrapassar o prazo de seis meses.2. 94 da Nova Lei de Falências. ex officio. pondo em risco seus credores. falência. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. a intervenção nem sempre é garantia de que isso vá ocorrer. não-federais. desta feita sob a execução de um interventor. de acordo com a combinação dos arts. 3o da Lei no 10. 1o e 52. 2o da mesma lei enumerou as hipóteses para sua ocorrência. 3. 3o). nomeado pelo Bacen. 3.190/01: • instituições financeiras. Causas O art.

torcendo para que o mesmo não seja convertido em liquidação extrajudicial ou. o interventor tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. os credores cujos direitos constituíram-se posteriormente à intervenção podem exercê-los normalmente. detentores de recursos sob a guarda da instituição. a intervenção provoca (art. • sociedades de capitalização.2. • sociedades arrendadoras. 6o): • suspensão da exigibilidade das obrigações vencidas. simultaneamente à decretação da intervenção. prorrogáveis se necessário. significando afirmar que os clientes. o interventor entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômicofinanceira da entidade. que será conduzida pelo interventor. • seguradoras. pois não são atingidos pelos seus efeitos. • inexigibilidade dos depósitos já existentes à época de sua decretação. • corretoras de câmbio. Efeitos da Intervenção Desde sua decretação. no sentido de os credores não poderem cobrar seus créditos enquanto durar o regime. De outra forma. com objeto exclusivo na operação de leasing. • suspensão da fluência do prazo das obrigações a vencer. • suspensão do mandato dos administradores da instituição. 3. Dentro de sessenta dias contados da posse. mediante “Termo de Posse”.6. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). O Processo de Intervenção Decretada a intervenção. b) indicação dos atos e omissões danosas eventualmente verificados. falência. terão que aguardar o termo final do regime. o interventor será investido de imediato em suas funções.300 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. aí sim. lavrado no livro Diário da entidade. pois suas chances de reaver os créditos. 3. Ao assumir. . seriam bastante reduzidas. b) levantará balanço geral e inventário. • sociedades de previdência privada.5.2. mesmo.

Nesses casos.3. a fim de saldar seu passivo. se for companhia. dependendo do que for apurado. portanto. até o prazo limite de seis meses. d) autorizar o interventor a requerer a falência. 3. prorrogável por igual período. ou não. a participação do Poder Judicante. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. a fim de que sejam saldadas suas obrigações.1. d) pela decretação da falência. que assume um papel similar ao do juiz nas liquidações judiciais. ou até em conseqüência da complexidade dos negócios. Entrementes. operação que leva à extinção da pessoa jurídica. não-federais. e não judicial. devido à gravidade dos fatos apurados. pelo simples fato de haver. um processo administrativo. respectivamente. mesmo. . sem a participação do Poder Judiciário. que pode ser prorrogado. ou pela autoridade judiciária. embora se sujeite ao controle do Poder Judiciário. podemos nominá-las de liquidação extrajudicial e liquidação judicial. a exemplo de um cheque ou de uma nota promissória não-lastreados em garantia real) ou. que pode ser conduzida pelos próprios órgãos da sociedade. com as regras definidas na Lei no 6. Percebam que o termo final da intervenção acontece pela materialização das seguintes hipóteses: a) esgotado o prazo de seis meses. ou no Código Civil. decretado pelo Banco Central do Brasil. quando o ativo da entidade for inferior à metade dos créditos quirografários (aqueles que não gozam de qualquer preferência no recebimento.3.024/74. b) pela normalização da situação. quando se tratar de instituições financeiras e afins. Conceito Sob a ótica do Direito Comercial. A liquidação extrajudicial de instituições financeiras é. Liquidação Extrajudicial 3. o processo de liquidação é conduzido pelo Banco Central do Brasil. c) se decretada a liquidação extrajudicial. “liquidação” significa a alienação de todo o ativo de uma empresa. o Bacen poderá: a) cessar a intervenção. c) decretar a liquidação extrajudicial da entidade. É conhecida por “liquidação ordinária”. que visa à execução concursal da entidade. públicas ou privadas. a critério do Bacen. É possível acontecer a qualquer momento. para as demais sociedades. retornando à situação jurídica anterior. b) manter a intervenção.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 301 Série Impetus Provas e Concursos À vista do relatório. significando afirmar que todos os bens e direitos da liquidanda deverão ser vendidos. desde que configurada uma das hipóteses de dissolução da sociedade.

302 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Esse procedimento não exclui a possibilidade de falência das mesmas organizações. ou qualquer outro ato ensejador de falência. como veremos adiante. • prejuízo que sujeite a risco anormal seus credores quirografários. • violação grave das normas legais e estatutárias disciplinadoras da atividade da instituição. Causas O decreto de liquidação extrajudicial é modalidade de ato administrativo vinculado. até. Percebam que há certa coincidência de motivos para a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial.024/74 proibiu a concordata para as mesmas entidades. A propósito. se seu estatuto permitir. pois é o liquidante que assumirá os poderes de gestão. ou do interventor. Basta ver as hipóteses que se referem à ocorrência de prejuízo na instituição. o art. a instituição não começar em noventa dias sua liquidação ordinária) ou. de ofício ou a requerimento dos próprios administradores da entidade. à exceção daquelas de transporte aéreo. 3. O que irá então definir se ela se submeterá a um ou outro regime será a gravidade dos fatos mencionados. a representação da sociedade em juízo. a alienação dos bens. julgada a critério do Bacen. cassada a autorização para funcionar. • morosidade em dar início (quando. especialmente inadimplência de título executivo. dentre outras tarefas.3. em conduzir a liquidação ordinária da instituição. bem como determinações do Conselho Monetário Nacional ou do Banco Central. neste caso processada através de licitação. competindo-lhe. 53 da Lei no 6. De outra forma. pois apenas com base nas hipóteses legais é que pode ser expedido. . em se tratando de entidade que já esteja sob o regime de intervenção. a nomeação e demissão de funcionários. o art. 94 da Nova Lei de Falências. que igualmente é uma forma de execução concursal. só que decretada pela autoridade judiciária. e com prévia autorização do Bacen. São causas para a decretação de ofício: • ocorrências que comprometam a saúde econômica ou financeira. 198 da Nova Lei de Falências vedou a recuperação judicial e extrajudicial para as empresas antes proibidas de requererem concordata.2. Uma instituição sob aquele regime tem de imediato afastados seus administradores. conforme especificação nos no art. ou aquela relacionada às mesmas causas para a falência.

190/01). Sujeito Ativo Apenas o Banco Central do Brasil tem competência para a decretação. Efeitos da Liquidação Extrajudicial Os principais efeitos do regime relacionados aos direitos e obrigações da liquidanda estão discriminados no art. ainda. . • sociedades arrendadoras. no sentido de equalizar os créditos para uma mesma data (a do decreto). São eles: • suspensão das ações e execuções antes iniciadas. as seguintes instituições: • instituições financeiras. mas uma tentativa de trazer para um mesmo dia a base para cômputo daqueles encargos. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 303 Série Impetus Provas e Concursos Conclui-se que. 18. além de diplomas complementares (Lei no 10. não-federais. 15) ou. • vencimento antecipado das obrigações da liquidanda. pois já vimos que o Bacen pode autorizar o liquidante a requerê-la. assim como na proibição de intentarem-se quaisquer outras contra a liquidanda. de acordo com a combinação dos arts. no que pese a modalidade vinculante do ato que instalar o regime. • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. ao menos a pedido de algum credor.3. 3. na hipótese de a entidade já se encontrar sob intervenção. o que implica a impossibilidade de ser decretada sua falência. tudo objetivando a solução que melhor repercuta no mercado financeiro e de capitais. públicas ou privadas. • seguradoras. 3. Isso não significa a garantia de recebimento por parte dos credores.3. com objeto exclusivo na operação de leasing. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. o legislador permitiu ao Banco Central atuar de forma discricionária no momento de escolher entre a intervenção ou a liquidação extrajudicial. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. • sociedades de previdência privada.3. 1o e 52.4. 3. a fim de serem calculados os juros devidos. • cooperativas de crédito.3. • corretoras de câmbio. • sociedades de capitalização. por proposta do interventor.5. ex officio.

o liquidante deverá providenciar em jornal de grande circulação aviso aos credores para que declarem os respectivos créditos. tudo conforme dispõe o art. À vista do relatório. desde a decretação. Com a decretação. quando seu ativo for inferior à metade do passivo quirografário ou se houver fundados indícios de crime falimentar.3. b) indicação das omissões e atos danosos eventualmente verificados. 21. e posteriores à liquidação. pelo menos em sua parte inicial. o Decreto-lei no 1. ficando dispensados dessa medida os titulares de depósitos ou de letras de câmbio cujo aceite seja da própria instituição liquidanda. b) autorizá-lo a requerer a falência da entidade. no sentido de torná-la devida.477/76 veio modificar a alínea f do mesmo art. lavrado no livro Diário da entidade. o liquidante entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômico-financeira da entidade. Dentro de sessenta dias contados da posse. Se a opção for pela continuidade da liquidação. após o que tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. 18. b) levantará balanço geral e inventário.304 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • inexigibilidade das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos. • interrupção da prescrição relativa a todas as obrigações devidas pela liquidanda. o que é lógico. O Processo de Liquidação Extrajudicial As regras aplicadas ao processo de intervenção também norteiam o da liquidação extrajudicial. no prazo de vinte a quarenta dias. o Banco Central decidirá dentre uma das alternativas: a) autorizar o liquidante a continuar com o processo de liquidação. estes perdem seus mandatos. o liquidante será investido de imediato no cargo. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). tendo em vista o vencimento antecipado que provoca nas mesmas. • não-fluência de juros incidentes sobre as obrigações. • com relação aos administradores.6. • quanto à correção monetária incidente sobre as obrigações. 3. mediante “Termo de Posse”. prorrogáveis se necessário. .

Responsabilidade dos Administradores A responsabilidade aqui tratada atinge os administradores tanto no regime de liquidação extrajudicial. Preceitua o art. Essa investigação deve partir da observação do balanço geral que deve ser levantado pelo liquidante ou pelo interventor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 305 Série Impetus Provas e Concursos Essa iniciativa tem a finalidade de dar conhecimento à dívida. limitada a responsabilidade ao montante dos prejuízos causados. uma vez instalada. quando esses agentes respondem solidariamente. a fim de apurar as causas que levaram a entidade àquela situação. 40 que os administradores de instituição sujeita a um daqueles regimes respondem solidariamente pelas obrigações por elas assumidas durante suas gestões. Na conformidade do art. ou seja. b) por transformação em liquidação ordinária. administradores).7. respeitada a mesma ordem do processo falimentar. sob critério do Bacen. pois. independe de culpa ou dolo por parte do agente. apenas cessará numa das seguintes hipóteses: a) se os interessados (credores) tomarem para si o prosseguimento da atividade econômica da empresa. a solidariedade referida no parágrafo antecedente foi estendida aos controladores daquelas instituições (são as pessoas naturais ou jurídicas que detêm percentual de participação no capital social a tal ponto de garantir-lhes o poder de decidir as questões deliberadas na assembléia. 3. assim como a responsabilidade dos administradores.3. que estudaremos em seguida. 15). Parte da doutrina costuma compará-la com a responsabilidade dos sócios-gerentes das sociedades em comandita por ações. Posteriormente. que instituiu o regime de administração especial temporária. à similitude do que é feito na falência. 1o).321/87 (art.447/97 (art. c) com a baixa no registro público competente. diferente da intervenção. 41. em combinação com o Decreto-lei no 2. como nos de intervenção ou de administração temporária. Essa responsabilidade é objetiva. ou não. o Banco Central detém competência para instaurar inquérito. Observem que. entre eles. pelos atos de gestão cometidos por algum. com edição da Lei no 9. d) com a baixa no registro público competente. . quando se organiza o quadro geral de credores. ao final de um possível processo falimentar. independente de serem. após aprovadas as contas do liquidante. invariavelmente a liquidação extrajudicial irá acarretar o fim da pessoa jurídica.

A princípio.1. se a conclusão for pela inexistência de prejuízo. que concordará com ela ou não. junto ao Poder Judiciário. a administração especial temporária não conduz ao fim da pessoa jurídica.7). vimos que a intervenção não pode se estender por tempo superior a doze meses. Diferenciam-se. Foi assim que previu. possibilitando uma reorganização administrativa e financeira. 3. uma vez decretado pelo Bacen. c) quanto ao agente. a administração especial não afeta o curso regular dos negócios. sendo definido no ato do Bacen que a decretar.3. De outra forma. a indisponibilidade dos bens (salvo os inalienáveis) dos administradores da instituição que exerceram suas funções nos doze meses anteriores à decretação do regime. d) quanto às causas. igualmente ao regime de intervenção. esse regime objetiva evitar a liquidação extrajudicial de instituições financeiras e assemelhadas.4. Quanto aos efeitos.4. ou pelo menos não é esse seu objetivo. o legislador procurou cercar-se de algumas garantias. Com relação ao prazo. permanecendo os credores com os mesmos direitos que tinham antes da sua . com tantos membros quantos forem necessários para a condução dos negócios sociais. desde a edição do decreto. que serão substituídos por um conselho diretor. Para ser extensiva aos membros do conselho fiscal. o órgão do Ministério Público será competente para promover.321/87. b) quanto aos efeitos. nos seguintes aspectos: a) quanto ao prazo de duração. contudo. Observem que. no art. Conceito Instituído pelo Decreto-lei no 2.306 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Concluindo-se pela ocorrência de prejuízo. Não o fazendo em trinta dias. com atribuições de gestão (dependem de prévia autorização atos que impliquem oneração do patrimônio). Já a administração especial temporária não tem limite máximo de duração pré-fixado. afastam-se de imediato os administradores e membros do conselho fiscal da instituição (ver responsabilidade dos administradores no item 3. Para tanto. qualquer credor é parte legítima para intentá-la. e destituíveis a qualquer tempo pelo Banco Central. A fim de garantir o cumprimento da obrigação. nomeado pelo banco. ação de responsabilidade civil contra os responsáveis. o Bacen precisa encaminhar proposta ao Conselho Monetário Nacional. essa medida atinge diretores e membros do conselho de administração. 36. Administração Especial Temporária 3. arquivam-se as peças do inquérito no próprio Banco Central.

3. .4. conforme se depreende da leitura da alínea e. Isso quer dizer que. até.2. como da liquidação extrajudicial. a administração especial temporária o é por um conselho diretor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 307 Série Impetus Provas e Concursos instalação. em combinação com o art.321/87 tratou de relacionar as causas ensejadoras do regime. Ao conselho incube: a) eleger. ou. mantida no Bacen. se na intervenção os depositantes existentes à época de sua decretação ficam com seus créditos inexigíveis. assim como a possibilidade de recuperação da instituição. relatório ao Banco Central contendo. as causas que ensejam um e outro regime são diversas. independentemente da publicação do ato. dentre seus membros. dentre outras informações. do mesmo artigo. Outra distinção é quanto ao agente que irá assumir os poderes de gestão.447/97. É claro que o que vai nortear a decisão do banco é a gravidade dos fatos inicialmente observados. c) arrecadar livros e documentos da instituição. assim como entregar. liquidação extrajudicial. proposta das providências que lhe pareçam convenientes à instituição.4. Ambos. a administração especial temporária não provoca qualquer interferência sobre eles. • gestão temerária ou fraudulenta de seus administradores. 4o da Lei no 9. são nomeados pelo Banco Central. levantar inventário e balanço geral. Conclui-se que sempre o Banco Central pode optar por uma medida menos drástica ou que menos afete a vida dos credores da instituição. • ocorrência de qualquer das razões ensejadoras tanto da intervenção. mesmo se configurado motivo para intervenção. Estas veremos no tópico seguinte. O Processo de Administração Especial Temporária Os membros do conselho diretor são investidos de imediato nas respectivas funções. no prazo de sessenta dias. • descumprimento das normas referentes à conta de reservas bancárias. Causas O art. São elas: • práticas reiteradas de operações contrárias às diretrizes de política econômica ou financeira traçadas em lei federal. contudo. Enquanto a intervenção é conduzida por um interventor. 1o do Decreto-lei no 2. b) fixar atribuições de cada um de seus membros. o presidente. 3. • existência de passivo a descoberto.3. Por último.

3) letras de câmbio. tanto que se advir algum problema com o banco basta a assembléia de investidores buscar outro agente financeiro para administrá-lo. mediante cessão ao próprio banco dos correspondentes créditos. 4) letras imobiliárias. direitos e ações a serem efetivados pelos respectivos titulares. Sua vigência estendeu-se até dezembro de 1995. quando submetidas à falência ou liquidação. inciso VI. incorporação. • pela decretação da liquidação extrajudicial. a fim de honrar o pagamento de obrigações das instituições sob os efeitos de um dos três regimes. que nada mais é do que uma instituição privada capaz de garantir a solvência de créditos em poder das instituições financeiras. a criação de fundo ou seguro objetivando proteger a economia popular contra intempéries do sistema financeiro. com ou sem emissão de certificados (CDB/RDB). • pela ocorrência de transformação. foi criado. o Bacen podia autorizar o saque de recursos da reserva monetária. Não estão na abrangência de proteção os fundos de investimentos. 2) depósitos a prazo. Justifica-se a ausência no fato de o patrimônio dos fundos apenas serem administrados pelas instituições financeiras não fazendo parte delas. Com essa premissa foi criado o Fundo Garantidor de Créditos. desde que não houvesse participação de recursos da União Federal.308 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conselho prestará contas ao Banco Central do Brasil. 5) letras hipotecárias. se solicitado. que era um programa para recuperação de instituições financeiras em crise. De outra forma. Com o objetivo de evitar uma crise no setor financeiro. De acordo com o estatuto do Fundo. fusão. julgada a critério do Banco Central. o Proer. são garantidos pelo FGG: 1) depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio. cisão ou transferência do controle acionário. A administração temporária cessará nas seguintes hipóteses: • se a União Federal assumir o controle acionário da instituição. 192. em nosso país. Por meio dele. em seu art. • pela normalização da situação. quando cessar o regime ou a qualquer tempo. a Constituição Federal de 1998 havia previsto. .

c) propositura de ação pauliana. separadamente da massa falida. cuja falência foi decretada: a) são declarados rescindidos antecipadamente. 3. d) não são afetados pela falência. c) suspende a prescrição das obrigações do falido. . sido praticados no período suspeito. c) serem potencialmente benéficos para o devedor. e) serem anulados. c) têm sua execução interrompida pela decretação da falência. antes de declaração de falência. ESAF (AFTN/2001) A ineficácia de certos atos praticados pelo devedor. ESAF (AFTN/1989) Os contratos bilaterais de uma empresa. (JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO – 22 a REGIÃO/1994) A sentença declaratória de falência: a) interrompe a prescrição de todas as obrigações do falido. d) ineficacização de negócios. além daqueles decorrentes da falência. 2. d) terem. devendo ser cumpridos pelo síndico. b) ocasiona o vencimento antecipado somente das obrigações quirografárias. em qualquer hipótese. d) é restrita aos credores comerciantes. e) é prolatada por juiz da Justiça Federal. devendo ser retomada após a sentença que encerre o processo falimentar. se achar de conveniência para a massa. na data da decretação da falência. em geral. mas o produto de sua execução será obrigatoriamente contabilizado à parte. b) causarem danos adicionais aos credores. b) não são rescindidos automaticamente na data da decretação da falência. b) não é importante. e) não são rescindidos pela falência e podem ser executados pelo síndico. 4. depende de: a) ser provada fraude contra credores. (PROCURADOR DO INSS/1993) A fixação do termo legal da falência é importante na: a) continuidade dos negócios do falido. e) valoração dos créditos admitidos.Exercícios 1.

c) impedir que os administradores retomem suas funções quando tiverem exercido suas funções de forma temerária. FCC (MP – PE/2002) Tendo sido decretada a falência de uma empresa. a fim de manter a concorrência no mercado. b) a todos os administradores exercentes de cargos. sendo lícita a arrecadação dos bens encontrados nessa qualidade. c) em face do não-pagamento de impostos apurado pela fiscalização. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Nas liquidações extrajudiciais. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A decretação da falência ocorre quando: a) o comerciante não tiver crédito na data do pedido. d) a impenhorabilidade extingue-se. c) conluio para beneficiar um ou poucos credores durante o período de concordata preventiva da falência. c) serão também passíveis de arrecadação os bens dotais e os particulares da mulher do falido. . apenas perdendo a disposição e a administração deles. e) tomar as medidas necessárias para liquidar o ativo e solver as obrigações. 9. d) promover a reorganização das atividades. c) apenas ao controlador e aos seus parentes em linha reta. 7. a administração. e) declaração de ilegalidade. salvo direitos e ações existentes na época de sua decretação e os adquiridos no curso do processo. Nesse caso: a) o falido perde a disposição. d) pagamento de obrigações naturais antes da falência. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) Na hipótese de falência de instituição financeira. b) na impontualidade ou insolvabilidade do comerciante. b) administrar a instituição financeira de forma a pagar todos os depositantes e investidores. bem como a propriedade de seus bens. b) declaração de ineficácia. 6. quanto à indisponibilidade de bens: a) ao controlador e administradores. compete ao liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil: a) administrar a instituição financeira para o fim de recuperá-la. e) apenas aos últimos administradores antes da liquidação extrajudicial. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) A legislação falimentar prevê a revocação de atos praticados pelo falido antes da falência por força de: a) fraude contra credores no período suspeito da falência. à época da decretação da liquidação. d) a todos e quaisquer administradores. à época do ato da autoridade administrativa. aplicam-se as regras de liquidação extrajudicial.310 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. entre os efeitos decorrentes estão aqueles quanto aos bens do falido. b) o falido não perde a propriedade de seus bens. 8. e) não forem pagas dívidas garantidas por hipoteca. d) na eventualidade de insolvabilidade do empresário. eleitos e ocupantes de cargos nos doze meses anteriores à decretação da liquidação. e) serão atingidos todos os bens do devedor.

c) criar condições mais eficientes para atender ao rateio dos créditos contra as instituições financeiras por qualquer credor. mas estão sujeitas ao regime de administração especial temporária e à liquidação extrajudicial. a petição inicial deve ser instruída com as demonstrações contábeis do empresário relativas aos cinco últimos exercícios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Decretada a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira pelo Banco Central do Brasil: a) os diretores respondem solidariamente pelo prejuízo apurado no balanço especial saneado. UnB/CESPE (Juiz Federal Substituto da 5a Região/2005) Acerca da recuperação judicial. julgue os itens seguintes. mas estão sujeitas à administração judicial temporária requerida pelo Banco Central do Brasil e executada por um conselho nomeado e supervisionado pelo juiz competente para decretar o regime especial. 11. credores das instituições financeiras. e) garantir igualdade entre credores de mesma classe nos rateios da massa. a) ( ) No pedido de recuperação judicial. as instituições financeiras públicas não-federais: a) podem impetrar concordata.024/74 visa a: a) superar as dificuldades típicas das execuções coletivas tal como prescrito no Decreto no 7. e) não podem impetrar concordata. se ficar caracterizada a sua omissão. . pagando-se todos eles na força da massa. suporte normativo para exercerem suas pretensões. mas estão sujeitas à liquidação decretada e executada pela Comissão de Valores Mobiliários. b) dar aos aplicadores. c) não podem impetrar concordata. 13. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002-2003) A liquidação extrajudicial disciplinada pela Lei n o 6. ambos decretados pelo Banco Central do Brasil. d) impedir pedidos de falência contra instituições financeiras por qualquer credor. e) fica impossibilitada a decretação de sua falência pelo Judiciário. b) o controlador responde solidariamente pelo passivo a descoberto e os membros do conselho de administração respondem. b) podem impetrar concordata e estão sujeitas à liquidação extrajudicial requerida pelo Banco Central do Brasil.661/45.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 311 Série Impetus Provas e Concursos 10. d) não podem impetrar concordata. c) o liquidante pagará integralmente os depositantes com recursos do fundo garantidor de créditos. extrajudicial e da falência do empresário ou da sociedade empresária. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RGS/1998) Segundo a legislação brasileira. b) ( ) O Ministério Público é parte legítima para impor recurso de agravo contra a decisão que conceder pedido de recuperação judicial. em se tratando de companhias abertas. 12. d) não há credores privilegiados. mas não estão sujeitas à liquidação extrajudicial.

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quando do desenvolvimento da atividade precípua da administração. . • CONTRATOS DE CONSUMO – disciplinados pelo Código de Defesa do CONTRATOS Consumidor. o fornecedor de bens ou serviços. enquanto os demais competem ao Direito Privado. o ordenamento jurídico brasileiro comporta dois ramos bem distintos de contratos. Precisamos estabelecer o campo de abrangência entre os variados contratos regidos pelo Direito Privado. Dessa forma. destinatário final do produto. está concretizando um contrato administrativo De outra administrativo. Assim. serviços bancários entre outros. celebrados pelos gestores públicos. o consumidor. o Direito reconhece a existência das seguintes espécies de contratos privados: • CONTRATOS DE TRABALHO – são regidos pelas normas da legislação CONTRATOS trabalhista. São os chamados contratos administrativos administrativos. e. do outro. se o mesmo Poder Municipal resolver adquirir um aparelho de televisão para equipar o Gabinete do Prefeito. podendo impor sua vontade de forma a privilegiar o interesse coletivo sobre o privado. de um lado. prestação e venda no varejo entre o comerciante e o consumidor. Disposições Preliminares Dependendo das relações jurídicas que nascem com o vínculo contratual. para efetuar a coleta de lixo no Município. quando uma Prefeitura contrata uma empresa. Exemplos: compra varejo entre comerciante consumidor. numa situação de absoluta equivalência com o particular. existe a participação do setor público. envolvem. Os primeiros são objeto de estudo do Direito Administrativo. sendo objeto de estudo no Direito do Trabalho. o faz sob a regência de um contrato regulamentado pelo Direito Privado. prestação de bancários. colocado em situação de supremacia em relação aos particulares.Capítulo 5 Contratos 1. Em um. Essa distinção ainda não é o bastante para delimitarmos o universo de nosso estudo. sorte.

o contrato de compra e venda estará sob a tutela do Direito do Consumidor. matéria-prima). empregada no processo produtivo (maquinário. se o bem houver sido adquirido pelo seu destinatário final. tínhamos o Código Comercial disciplinando alguns dos mais importantes contratos mercantis. a rigor. enquanto que. por exemplo. antes. ao passo que os unilaterais (doação pura geram dever doação pura) apenas para um lado. Nessa nova ordem. Se. mandato mercantil e comissão mercantil. Classificação dos Contratos A doutrina não costuma ser uniforme ao classificar os contratos. instalações. podemos citar a seguinte classificação: • de adesão ou paritários – nos primeiros (seguro uma parte redige as seguro). arrendamento mercantil e outros que possuam regulamentação fora do Código Civil). Percebam que. 481 a 532 do CC/2002). hoje o moderno Código Civil traça as cláusulas de todos eles indistintamente (ressalva para contratos como: faturização. pois tanto um como outro possuem idêntica regulamentação legal (arts. as cláusulas contratuais encontram guarida no próprio Código Civil. 2. determinado contrato de compra e venda na esfera civil ou comercial. Entretanto.314 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • CONTRATOS CIVIS – esses são todos os demais. equivalem-se. e o Código Civil de 1916 encarregando-se daqueles que não eram reputados comerciais. deixou de haver dois sistemas normativos reguladores desses contratos. De maneira geral. franquia. com a mercadoria sendo destinada a posterior revenda ou. Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. . • comutativos ou aleatórios – nos primeiros (compra e venda as compra venda). na hipótese de as partes serem empresários. seguro cláusulas e a outra apenas adere. tanto que há autores que normalmente não se referem a mais do que três ou quatro formas de agrupá-los. além de serem certas e determinadas. nos paritários (compra e compra venda ambas as partes têm a faculdade de discutir e impor suas condições. não-incluídos nas CONTRATOS outras espécies. não há mais qualquer efeito prático na tentativa de enquadrar. entre outros. venda) • bilaterais ou unilaterais – os primeiros (compra e venda obrigam a compra venda) ambas as partes. mesmo. como compra e venda mercantil. alienação fiduciária. contraprestações. pois o mais importante é a intenção no momento da compra. É claro que essa condição não impede uma alienação futura do mesmo produto.

comutativo. alienação fiduciária) • solenes ou não-solenes – os primeiros exigem formato previsto em lei (fiança ou seguro enquanto que os não-solenes (compra e venda de seguro). consensual. nos gratuitos (doação pura e simples só um contraente assume prestação onerosa. faturização) e venda mercantil enquanto que os atípicos (faturização podem até faturização ser originados a partir de uma lei. comutativo oneroso não-solene principal típico paritário e consensual 3. erro. No entanto. das duas partes possuem valor econômico. Pode ser tácita ou expressa. é imprescindível que esteja isenta de coação dolo fraude ou coação. existirem e serem eficazes (compra e venda enquanto que os acessórios (alienação fiduciária nascem em função de um principal. realizados a partir da declaração de vontade das partes. não-solene. erro . Constituição dos Contratos Os contratos. assim. dolo. oneroso. Convém enfatizar que um só contrato pode abranger vários itens dessa classificação. ao mesmo tempo: bilateral bilateral. doação • principais ou acessórios – os primeiros não dependem de outro para compra venda). seguro • consensuais ou reais – os primeiros (compra e venda reputam-se compra venda). simples). mas suas principais cláusulas são resolvidas no instrumento de contrato. as obrigações e direitos das partes são definidas no instrumento de contrato. enquanto que os contratos reais só se efetivam com a entrega da coisa (o depósito e o o penhor). quais sejam: • agentes capazes capazes. objeto lícito e possível • possível. para serem reputados válidos.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 315 Série Impetus Provas e Concursos enquanto que. afirmando a intenção de celebrar o acordo. • vontade das partes – é uma declaração de vontade dos contratantes. ao passo que. não obstante haver uma lei instituidora (Lei no 8. penhor • onerosos ou gratuitos – nos primeiros (compra e venda as prestações compra venda). • típicos ou atípicos – os primeiros possuem regulamentação legal (compra compra mercantil). fiança compra móvel) bem móvel são livres na forma. o contrato de compra e venda é. nos aleatórios.955/94). • forma prescrita ou não-proibida em lei lei. típico. Isto é o que ocorre nos contratos de franquia nos quais. elas podem ser desproporcionais (seguro seguro). principal. devem obedecer aos mesmos requisitos dos atos jurídicos em geral.

por vontade de todos os contratantes. Em outros. As duas singularidades podem ser traduzidas em dois princípios. nos contratos comutativos prevalece comutativos. não sendo possível uma arcar com um ônus adicional àquele previsto no início. no sentido de ser considerado irretratável e inalterável salvo inalterável. Significa afirmar que os contratos nascem para ser executados pelas partes. • PACTA SUNT SERVANDA – expressão de origem latina. comutativos lança-se mão de uma cláusula implícita presente nessas espécies de contratos que é a REBUS SIC STANTIBUS. À similitude do outro princípio. Isso significa que os contratos têm implícitas as cláusulas de irretratabilidade (o desejo de uma parte não basta para dissolver a relação jurídica) e intangibilidade (as condições contratuais não se alteram pela vontade de um dos contratantes). que se aperfeiçoem (contrato de depósito ou o penhor mercantil mercantil). São os chamados contratos consensuais (compra e venda compra venda). Acontecendo. bastam essas condições para eles serem reputados concretizados. pelo menos se forem mantidas as condições fixadas na sua origem. Há casos em que se torna indispensável uma revisão das condições econômicas inicialmente pactuadas. favor de terceiros que irá atingir diretamente pessoa não-contratante. nas condições em que foram estipulados. . por sua própria e única vontade. esse também não tem aplicação absoluta em todos os contratos. como nos contratos reais é imprescindível a entrega da coisa para reais.316 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Na maioria dos contratos. segundo a qual ACTA SERV os pactos nascem para ser cumpridos. fato imprevisível que venha a onerar uma das partes contratantes. Há exceção à regra. que não se podem furtar de seu fiel cumprimento. a exemplo do seguro de vida em terceiros. Em regra. São eles: • PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE – os contratos geram efeitos apenas entre RELATIVIDADE as partes avençadas. isto porque. ninguém poderá ser liberado do cumprimento da obrigação. lei entre as partes. Efeitos da Celebração dos Contratos O principal e mais importante efeito da celebração de um contrato é o vínculo jurídico que nasce entre as partes. passando a gerar obrigações entre as partes. portanto. a ponto de prejudicar o equilíbrio que deve reger os contratos comutativos. A conseqüência atinge apenas quem participa da relação contratual fazendo contratual. contrato 4. a regra de que se deve manter um equilíbrio entre as obrigações assumidas pelas partes.

pelas partes contratantes. por exemplo. Podem ainda comprar bens de uso da própria empresa. . o contrato é civil. mediante o pagamento de certa importância. condições originariamente pactuadas. É aquele pelo qual uma das partes obriga-se a transferir para outra a propriedade de um bem. Neste caso. 5. a exemplo do mobiliário utilizado na sala da presidência. • as partes devem ser empresárias.1. seja sociedade empresária ou. mesmo. De outra forma. A compra e venda mercantil é classificada como contrato consensual pois se consensual. Com essas premissas. Assim. Se o objetivo é contratar funcionário. ainda que não tenha sido efetivada a entrega da coisa. necessitando adquirir imóvel para montar a sede administrativa de seu negócio. celebrar contratos de diversas espécies. Primeiro. móvel ou semovente. como tal empregada na atividade econômica. Essa regra é conseqüência da Teoria da Imprevisão que permite a mudança nas Imprevisão evisão. ao longo de sua vida profissional. realizam contrato regido pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho. pode vir a ter suas condições alteradas com a ocorrência de um fenômeno natural que comprometa a produção da empresa agrícola. Também em relação ao objeto do contrato. Se assim não fosse.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 317 Série Impetus Provas e Concursos Através dela. estaremos diante de um contrato de compra e venda mercantil. 481 e seguintes do CC/2002. o contrato é regido pelas normas do Código de Defesa do Consumidor. um contrato de fornecimento de laranjas. a ponto de seus custos de produção serem majorados de forma a inviabilizar o negócio. Contudo. é importante observar que os empresários podem. 5. são dois os requisitos exigidos para caracterização dessa espécie como contrato mercantil: • o objeto do contrato deve ser bem móvel ou semovente destinado ao processo produtivo ou para revenda ou locação. Espécies de Contratos Compra e Venda Mercantil Contrato regulado pelos arts. a exemplo do estoque de mercadorias. os contratos deixariam de ser comutativos e passariam a aleatórios. o empresário individual. ao comprar matériaprima na indústria para reposição do estoque. considera perfeita e acabada logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. matérias-primas e até máquinas e instalações diretamente usadas na produção. Distingue-se da compra e venda puramente civil em dois aspectos. que deve ser uma mercadoria. firmado entre uma empresa agropecuária e uma outra fabricante de sucos de frutas. que devem ser empresários. aleatórios quando uma parte arrisca-se a suportar obrigação não-prevista.

SÃO OBRIGAÇÕES DO VENDEDOR: • transferir a propriedade da coisa – se não o fizer. sejam mercantis ou civis propriamente ditos. responde por perdas propriedade perdas danos. • responder pela evicção – entenda-se por evicção o dever que tem o vendedor de defender a transferência da propriedade da coisa em juízo. Essa obrigação deverá vir representada pela cláusula: FOB (free on board). se não houver justa causa. responsabilidade do alienante se. 5. rescindir o contrato e reclamar a restituição da quantia já paga. a ação do comprador. este se dará na entrega da coisa. os dois pactuarem que este não responde por aqueles defeitos. perde o direito. à doutrina fazer a distinção. . Se o vendedor tinha conhecimento do vício.2. acrescido de mora. a fim de garantir o pagamento de uma dívida. apenas para melhor caracterizar uma e outra espécie. juridicamente falando. Isto porque a Lei Civil unificou as duas formas. deixa de haver distinção entre as cláusulas legais previstas para os contratos de compra e venda. e danos • responder pelos vícios redibitórios – faculta-se ao comprador. cabem ainda perdas e danos Livra-se a danos.318 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Notem que. no próprio contrato. na hipótese de haver terceiros reivindicando o mesmo direito. sob condição resolutória da integral quitação do débito. portanto. que merece receber o produto adquirido. portanto. Alienação Fiduciária É o contrato em garantia pelo qual o devedor. SÃO OBRIGAÇÕES DO COMPRADOR: • pagar o preço ajustado – se não houver prévio ajuste quanto ao prazo de vencimento. No caso de o comprador estar ciente da restrição desde o início do negócio. • receber a coisa – em caso contrário. via ação redibitória (prazo de trinta dias do recebimento ou da manifestação do vício). pode o alienante rescindir o contrato ou demandar o comprador pelo preço da venda. a salvo de qualquer restrição de domínio. Coube. com a entrada em vigor do Novo Código Civil. • pagar o frete pelo transporte da mercadoria salvo estipulação em mercadoria. Dispensa-se. transfere a propriedade de um bem móvel durável ou imóvel. contrário. considerando todos como contrato de compra e venda.

havendo resistência. hipótese em que se desfaz o vencimento antecipado de toda a dívida. 7o do Decreto-lei no 911/69). na hipótese de ele ser alvo de uma ação de busca e apreensão apreensão. 22. ou aquele que recebeu a propriedade da coisa em garantia pelo financiamento do bem. através do qual uma empresa disponibilizou recursos a serem utilizados na aquisição de um bem. O juiz pode conceder liminarmente a busca e apreensão do bem alienado. que introduziu no sistema jurídico brasileiro a possibilidade de esse tipo de contrato ser aproveitado para bens imóveis. no caso a liquidação do débito pelo devedor fiduciante. se aquele já houver quitado pelo menos 40% de seu débito. o objeto da garantia. aquele que tomou o dinheiro emprestado ou. Essa é a exegese do art. . 901 a 906 do Código de Processo Civil. se houver falência do devedor (art.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 319 Série Impetus Provas e Concursos A alienação fiduciária é contrato acessório pois serve a assegurar o cumprimento acessório. bastando a caracterização da mora do devedor. O domínio da coisa atribuído ao credor fiduciário é resolúvel posto que se resolúvel. o que ficou com a posse direta do bem dado em garantia. a fim de vendê-la para quitação do débito. mantém-se na posse do bem como se fora dono. A inadimplência do devedor fiduciante traz as seguintes conseqüências: • VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODA A DÍVIDA – as parcelas ANTECIPADO vincendas consideram-se vencidas desde o inadimplemento da prestação. Em caso de inadimplência do devedor. poderá haver a conversão daquela em depósito. na forma prevista nos arts. motivada por sua própria inadimplência. permite-se ao credor tomar. São partes no negócio: • O CREDOR FIDUCIÁRIO – é a pessoa que emprestou o dinheiro. Regula-se pelo Decreto-lei no 911/69 e pela Lei no 9. • O DEVEDOR FIDUCIANTE – é a pessoa que alienou o bem em garantia. ainda. 4o do Decreto-lei no 911/69. Entretanto.514/97. • POSSIBILIDADE DE PERDA DO BEM – o credor poderá tomar a coisa amigavelmente ou. Enquanto ele estiver em dia com o pagamento. de forma amigável ou judicial. via ação de busca e apreensão apreensão. que assegura também ao credor fiduciário o direito de pedir a restituição do bem. em outras palavras. especificamente a partir de seu art. ação de depósito caso o bem não seja encontrado. tem a chance de purgar a mora o que. significa pagar a parcela vencida. O devedor fiduciante assume a função de verdadeiro fiel depositário do bem custodiado tanto que. de outro contrato de financiamento. resolve com a ocorrência de um fato futuro. mora.

ainda que de uma prestação. cujas vendas dão-se. Imaginemos. apenas para satisfação de seu crédito. cujo percentual de liquidação do débito esteja abaixo dos 40%. provando-se qualquer encargo pela inadimplência do devedor. aquele que cedeu o crédito não assumirá encargo devedor. então. um empresário cede créditos a uma instituição em troca de recebimento à vista de numerário. pois. mediante pagamento de juros.3. a prazo. que determinado atacadista de cereais. Contudo.320 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De forma diversa. resolve fazer uma operação muito mais rápida. requerendo-se o registro do instrumento no Cartório de Títulos e Documentos. Por último. O bem resgatado pelo credor fiduciário deverá ser objeto de venda para integral quitação do débito (é vedado ao credor ficar com a coisa). mediante a emissão de duplicatas. mas não pode o credor alienar a coisa por qualquer preço. em sua maioria. Em sua forma mais conhecida. • FATURIZADORA – é a empresa que assumiu a titularidade pelos créditos. que possibilitaria um desconto das duplicatas. esse tipo de contrato somente se prova por escrito. não tem o cedente qualquer responsabilidade pela integral quitação do débito. 5. entregando seus títulos a outro empresário. Duas partes compõem a relação contratual: • CEDENTE OU FATURIZADO – é o empresário que transferiu créditos FA de sua propriedade. através de instrumento público ou particular. A diferença é o que será pago ao cedente. Esse só assume responsabilidade pela existência da dívida. não se exigindo ser necessariamente uma instituição bancária. Questão importante que vem à tona na efetivação do contrato é quanto à responsabilidade do cedente pela solvência do crédito. restitui-se o devedor. com recebimento à vista pelo cedente. Sem querer submeter-se à tradicional exigência bancária. Havendo sobra. caso não haja acordo em contrário. Mesmo ciente de que a prática indica o contrário. um operação de antecipação dos valores a serem recebidos pelo cedente cedente. Faturização Embora não se revestindo de regulamentação legal. Exemplo: se e factoring. provando-se a falsidade fraude. o devedor fiduciante inadimplente. pode vir a perder definitivamente a propriedade do bem alienado. um cheque negociado numa factoring. este será responsabilizado pela fraude . necessite do dinheiro das vendas à vista. trata-se de um contrato largamente utilizado no âmbito das relações comerciais. do título por ato voluntário do cedente. for devolvido por insuficiência de fundos. A lei é omissa quanto ao prazo de venda. que subtrai parte dos valores a serem recebidos em seu benefício. É.

daí ser adesão). Nesta situação. Além dessa forma para o contrato. mediante parcela de remuneração. estará isento de responsabilidade pela satisfação do crédito. deverá utilizar-se da cláusula endosso sem garantia garantia. sem que haja vínculo empregatício.955/94 traz a definição: Art. No instrumento de contrato é que serão definidas as cláusulas que terão validade entre as partes. pode realizar-se com ou sem venda de produtos entre as partes.4. fique caracterizado vínculo empregatício. 2o. 5. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente. Franquia Mercantil Disciplinado pela Lei Federal no 8. a única forma de promover-se a transferência é o endosso.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 321 Série Impetus Provas e Concursos Notem que um problema surge se o faturizado resolver transferir ao faturizador um título de crédito nominativo através de endosso. o faturizado e endossante do cheque. Ora. embora existindo lei instituidora. sem que. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócios ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador. 2o da Lei no 8. Também chamado de contrato de franquia empresarial. é um contrato atípico. em relação à responsabilidade por crédito negociado com a faturizadora. Aprendemos (Capítulo 3) que o endossante continua responsável pelo pagamento do título. na qualidade de obrigado indireto pela obrigação. É claro que. se o título for um cheque nominal. contrato de adesão . de 15/12/1994. Por isso. O art. diz-se que. até mesmo para que o banco possa admitir a liquidação. como admitir então a exoneração do faturizado. no entanto. no qual um empresário (franqueador libera a outro (franqueado a utilização da marca de seu produto.955. associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e. eventualmente. no caso de não-pagamento pelo principal devedor? A solução para o impasse se resolve com a transferência na forma uma cessão civil de crédito quando o faturizado (cedente) crédito. inclusive providenciando sua cobrança e liquidação. há outra pela qual a faturizadora realiza a administração do crédito que lhe é repassado. franqueador) franqueado) franqueador franqueado incluindo toda a assistência técnica necessária ao perfeito funcionamento do negócio. mediante remuneração direta ou indireta. para que se exima do encargo. para só então transferir os recursos ao cedente. atípico pois suas condições de funcionamento poderão ser livremente estipuladas pelos contratantes (a rigor é o franqueador quem estipula suas cláusulas.

enquanto no operacional o montante pode ser considerado. no financeiro.132/83. no prazo de dez dias anteriores à assinatura do contrato ou pré-contrato. após adquirir determinado bem. • ARRENDATÁRIO – é a pessoa física ou jurídica que tomou o bem para ARRENDATÁRIO seu uso. Na omissão dessa providência. além de permitir-se exigir a devolução de todas as quantias (devidamente corrigidas) que já houver pago ao franqueador ou a terceiros por ele indicados. pois pode compreender as seguintes relações jurídicas: • locação do bem – caracteriza-se pelo fato de o arrendador disponibilizar a posse direta do bem ao arrendatário. pode o franqueado argüir a anulabilidade do contrato. devendo ser averbado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. operacional Diferem-se basicamente quanto ao valor residual. e outra. uma vez que. atualizada pela Lei no 7. 6o). aluga-o a uma pessoa física ou jurídica. por sua vez. • Promessa unilateral de venda – findo contrato. O franqueador obriga-se a fornecer ao interessado em se tornar franqueado. o arrendador obriga-se irrevogavelmente a vender a coisa pelo seu valor residual ao arrendatário. Trata-se de um contrato pelo qual um financiador. ou mesmo do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado ao franqueador. Há duas espécies de leasing. chamada leasing financeiro.322 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O contrato assume a forma escrita (art. O contrato possui natureza complexa. uma. Duas partes compõem a relação: • ARRENDADOR – é a pessoa jurídica que adquiriu o bem para posterior arrendamento. Leasing ou Arrendamento Mercantil Tem disciplinamento na Lei Federal no 6. irá pagar prestações fixas e continuadas ao primeiro. locatário. .5. 5. móvel ou imóvel.099. uma “circular de oferta de franquia”. a título de taxa de filiação e royalties. permitindo-se ao residual. esse praticamente não existe (é embutido nas prestações). de 12/09/1974. contendo informações detalhadas sobre o negócio. que. ao final do prazo contratual. leasing operacional. sua aquisição pelo preço residual que será a diferença entre o valor venal do bem e as quantias já desembolsadas pelo seu uso. além de perdas e danos.

Para finalizar. visando a ser ressarcido pelas operações efetuadas. o futuro possuidor direto do bem (arrendatário) atuando como um verdadeiro mandatário do arrendador. física ou jurídica. 5. Vemos três pessoas componentes da relação contratual: • EMITENTE – é a administradora do cartão de crédito. mesmo credenciado pela administradora. pois facilita as relações de consumo. pode condicionar seu uso a determinado patamar mínimo de valor. TITULAR – é uma pessoa. pela inadimplência do titular. incidem correção monetária e juros contratuais. nenhuma responsabilidade terá perante o comprador. acertando preço e especificações. Cartão de Crédito Contrato pelo qual uma instituição financeira compromete-se a pagar o crédito oferecido por um fornecedor a uma pessoa. que serão repassados ao arrendador. na medida em que permite as transações. O valor da compra deverá ser liquidado pelo comprador até o dia do vencimento de seu cartão. Neste caso. o fornecedor apresenta ao emitente relação contendo as notas de vendas efetuadas via cartão de crédito. que é a de um contrato de financiamento. Descontada a remuneração do emissor. . adquirente dos produtos ou • serviços comercializados pelo fornecedor. junto ao fornecedor do bem.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 323 Série Impetus Provas e Concursos • Mandato – ocorre quando é o arrendatário que negocia com o vendedor a compra do bem. Observa-se. Essa forma de contrato constitui elemento propulsor da economia. independentemente de o adquirente possuir disponibilidade financeira. Entretanto. materializado na antecipação de pagamento do preço do bem. a administradora cobra o débito do titular. • FORNECEDOR – é o empresário credenciado pela administradora.6. Entendendo ser desinteressante para o seu negócio. corr emissor. aquele que irá financiar a dívida. A partir desta data. poderá responder com multa contratual e descredenciamento junto à administradora. não está compelido a processar todas as vendas por meio do cartão de crédito. Periodicamente. O risco quem corr e é o emissor O fornecedor. Importante esclarecer que o fornecedor não tem responsabilidade subsidiária titular. física ou jurídica. quem concede o crédito. neste caso. há autores que ainda consideram uma quarta relação jurídica presente. este se obriga a repassar ao fornecedor o montante de seu crédito. sem acréscimos financeiros. a fim de que este providencie a sua aquisição. De posse dos documentos trazidos pelo fornecedor.

em caráter não-eventual. ainda que de representados diversos. ficando o representante obrigado a registrar-se no Conselho Regional dos Representantes Comerciais. pelo qual um empresário (concessionário) obriga-se a comercializar mercadorias produzidas por outro (concedente). Concessão Comercial É o contrato regulado pela Lei no 6. Obriga-se o representado a respeitar a exclusividade de zona que é a zona. As duas partes componentes da relação são: • REPRESENTANTE – é o agente comercial intermediador dos negócios. Em outras palavras. Representação Comercial É o contrato regulado pela Lei no 4.). também deve ter registro na Junta Comercial. mas não para concluí-la. Isso se deve à impossibilidade de haver vínculo empregatício entre representante e representado. Este só tem direito à comissão a partir do pagamento do preço pelo comprador ao representado. Sendo pessoa jurídica. a realizar negócios mercantis. mediante remuneração (assume a forma de comissão). pois a representação é uma atividade autônoma. A doutrina vem apontando a existência de relação interempresarial sempre presente nesta espécie de contrato. representação que seria a impossibilidade de ele representar outros produtos.420/92. fabricante ou apenas revendedor das mercadorias comercializadas.7. 5.132/90. Por outro lado. pelo qual uma parte (representante comercial autônomo) obriga-se. atualizada pela Lei no 8. ainda que o representante não possua qualquer organização empresarial (elemento de empresa). No entanto. Nas competências do representante. REPRESENTANTE • REPRESENTADO – é o empresário que irá fornecer os bens.324 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. as partes contratantes sempre serão consideradas empresárias. ainda que informal. . impossibilidade de ele vir a comercializar seus produtos na circunscrição do representante. não está obrigado o representante a respeitar exclusividade de representação.8. atualizada pela Lei no 8. evicção etc. em favor de outra (representado). inclui-se o poder para iniciar a negociação. salvo estipulação em contrário.886/65. permanece devida a comissão. pois cabe ao representado aprovar os pedidos de compra obtidos pelo representante.729/79. salvo estipulação contratual específica. se o comprador não pagou por culpa imputada ao representado (vício nos produtos. REPRESENTADO Não pode haver vínculos de subordinação ou de emprego entre as partes.

• respeitar uma distância territorial mínima entre os concessionários. tratores. não terá o concessionário restrição a vender veículos de outra marca. a fim de atender. caminhões. de forma condizente. O percentual será definido de comum acordo com os demais concessionários e concedente. corpo diplomático e a clientes especiais nos limites acordados entre as partes. • vender ao concessionário a quantidade de veículos fixada conforme estimativa de mercado. • organizar-se empresarialmente nos padrões definidos pelo concedente. diretamente. concessionário: São obrigações do concessionário • havendo cláusula contratual de exclusividade da marca. • não vender. valendo o que for pactuado entre as partes. Caso contrário. veículos de sua produção no perímetro de atuação do concessionário.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 325 Série Impetus Provas e Concursos Duas partes compõem a relação contratual: • CONCESSIONÁRIO – é o que recebe os produtos para revenda. salvo se destinados ao Poder Público. A norma legal abrange a concessão comercial relacionada aos seguintes bens: automóveis. não há disciplina legal regulamentadora. os clientes. • comprar ao concedente a quantidade de veículos fixada em quota. • CONCEDENTE – é quem produz e fornece os bens destinados à comercialização. São obrigações do concedente: • permissão ao uso da marca pelo concessionário. • respeitar o índice de fidelidade em relação à aquisição dos componentes da marca. motocicletas e similares. ônibus. Para os demais. deverá ser respeitada. .

com promessa unilateral de compra do bem. um mandato. d) só podem ser provados por escrito. que se perfaz com a entrega da coisa. c) podem ser provados por escrito ou verbalmente ou por meio de testemunhas idôneas. detém a chamada posse direta da coisa. podemos afirmar que: a) compreende uma locação. ser obrigatoriamente arquivado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do credor. 3. detém a propriedade indireta da coisa e o credor detém o direito de reserva da garantia. antes de transitada em julgado ação que reconheça o inadimplemento do devedor.Exercícios 1. ao passo que o alienante é apenas credor com direito de garantia fiduciária. detém a chamada posse direta e indireta da coisa. e) alienante. às vezes. para ter valor contra terceiros. b) não permitem que o credor ou proprietário fiduciário requeira contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado. ESAF (PROCURADOR DO BACEN/1994) Quanto à natureza jurídica do leasing. detém a propriedade e a posse indireta da coisa. ESAF (AFTN/1991) Nos contratos de financiamento com alienação fiduciária. uma promessa unilateral de venda e. c) envolve uma prestação de serviços para financiamento de bens. . precedida de avaliação judicial da coisa. e) só permitem que o credor ou proprietário fiduciário venda a coisa alienada fiduciariamente através de leilão ou hasta pública. d) alienante. b) fiduciário. 2. b) compreende uma abertura de crédito. o devedor. detém a propriedade direta da coisa e o credor detém um direito real de garantia fiduciária. ao passo que o fiduciante detém a posse indireta da coisa. ao passo que o alienante detém a posse direta. também chamado de (ANULADA): a) fiduciário. d) consiste em contrato real. c) fiduciário. o pedido de restituição do bem alienado. em caso de falência do devedor. ESAF (AFTN/1989) A alienação fiduciária em garantia e o respectivo contrato: a) não permitem ao credor ou proprietário fiduciário. e) perfaz-se pelo mútuo consentimento e é exeqüível em uma única prestação. devendo o contrato.

6. bem como o pagamento de perdas e danos. e) com o pagamento de 75% (setenta e cinco por cento) do preço. b) a responsabilidade pelos riscos da coisa passa do vendedor para o comprador apenas quando se faz a entrega efetiva da coisa vendida. (OAB – RJ/1998) A compra e venda mercantil pura e simples aperfeiçoase: a) quando é pago o preço. c) com o pagamento do preço total. e) se a coisa vendida apresenta defeito após a entrega. 8.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 327 Série Impetus Provas e Concursos 4. e) suspende a eficácia do contrato de franquia até que seja sanada a irregularidade. d) quando o comprador declara-se satisfeito com a coisa e paga o preço. b) quando é entregue a coisa. d) é negócio atípico de cessão de crédito. 7. espécie de operação financeira: a) facilita a obtenção de créditos pelo empresário. c) é desconto de duplicatas. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A faturização. c) a obrigação do comprador somente surge após a entrega da coisa pelo vendedor. mantendo-se íntegro. mesmo que a coisa vendida venha a não existir. por parte do franqueado. . a qualquer tempo. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação a um contrato de compra e venda: a) pode ser celebrado em relação à coisa futura. (JUIZ DO TRABALHO – 13 a REGIÃO/1995) O contrato de compra e venda mercantil torna-se perfeito e acabado: a) quando as partes acordam na coisa. d) quando feito a prazo. e) é negócio indireto de financiamento. do pré-contrato ou do pagamento de taxas ao franqueador ou pessoa a ele ligada: a) permite a resolução imotivada do contrato de franquia. d) assegura ao franqueado o direito de obter judicialmente a revisão das cláusulas e condições contratuais que lhe sejam desfavoráveis. c) faz nulas as cláusulas contratuais que impuserem vantagem excessiva do franqueador sobre o franqueado. b) com a entrega da coisa. d) com o pagamento de 50% (cinqüenta por cento) do preço. a propriedade da coisa somente passa para o comprador após o pagamento da última parcela. FCC (JUIZ FEDERAL/2002) O não-recebimento da circular de oferta de franquia pelo candidato a franqueado no mínimo dez dias antes da assinatura do contrato. b) constitui venda de duplicatas. c) quando as partes acordam em relação à coisa e ao preço. somente cabe ao comprador pedir abatimento do preço. no preço e nas condições estabelecidas. com a devolução das quantias pagas ao franqueador e a terceiros a título de taxa ou de royalties. 5. b) permite ao franqueado a argüição de anulabilidade do contrato de franquia.

.

b) F a) F. B D F F V. c) F C 21. 5. h) F. V. f) V. V. 6. 4. 6. 19. F V . q) V. 10. 25. E . 22. V.Gabarito CAPÍTULO 1 1. e) V. 9. 3. 7. 18. 27. b) V. 26. b) V. 20. 8. B C E 11. 14. C B E B A A D C 21. E D A A B A V. d) V. F V. 13. b) F. 23. . F F . o) V. F F . b) V. V. 2. 12. b) F. 25. B F F V. . 16. c) V. c) F a) V. 18. E D FFFV . 5. 28. g) V a) F. 10. 30. 16. f) F. V. j) F. V. 23. i) V. F B E C. d)V a) V. c) F. m) F. b) V. D E C E B B A 11. C A a) F. b) V a) V. 12. 14. 17. 27. 20. 17. V. 26. l) V. 4. 15. a) F. r) F CAPÍTULO 2 1. 15. c) F. c) F a) V. d) V. F F F V . 8. n) F. e) F. . . V . . 9. 22. 29. 24. 24. E C A E B FFF . 7. 3. . g) V. p) F. . . F V . V. A V. 13. 28. . 2. V. 29. 19.

F F V . D 3. 8. D 2. A . d) V a) F. . B C D C F F NULA . . c) F. E 34. d) V a) V. A 5. V. 20. F V. 45. A A C a) F. F V. 46. CAPÍTULO 4 1. 4. V. B 7. 13. 21. F V. 42. 8. F . A 33. 47. 11. 12. b) V. b) V CAPÍTULO 3 1. C 6. V . . 3. 6. C 35. 16. 12. E B a) V. . b) F. F F F . V. . c) F. F V. E B D E B C 44. V . 14. 23. F F V. 37. A V. F V. 5. 48. 3. 10. F . 2. V. 43. A 4. 39. 49. E D C D B 6. F V. 4.330 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 31. b) V a) F. 19. 40. A V. C 36. . 7. B B D E 10. 13. V. CAPÍTULO 05 1. V. 15. 2. 7. b) V 17. 5. F F V . A 32. 9. A V. 11. . 22. C 38. 18. . 41. E A A C D E B D 9. V. F V. D 8. V .

158 do CC/2002. 8-b) – É o que preceitua o art. deve ser marcada a mais correta. 1. d) F – Título e “nome fantasia” são expressões sinônimas. d) V – Servem comentários da letra “a”. não modalidade de nome. entendo que há direitos. o alienante pode ceder seu uso.160 do CC/2002.185 do CC/2002.Comentário CAPÍTULO 1 1-a) V – Art. . situação que tornaria falsa a alternativa. que são adquiridos com o registro. e) V – Embora o gabarito tenha considerado a alternativa verdadeira. 7-e) – É o que preceitua o art.156 do CC/2002. e) F – A proteção ao nome vem com o arquivamento dos atos na Junta Comercial. entendimento que pode ser estendido na conceituação de empresário. 1. como. bastando existirem outros documentos para descaracterizá-los. 4-d) O fundo de comércio (o mesmo que estabelecimento empresarial) não tem poder para ingressar em juízo na defesa de seus interesses. 5-e) Nenhuma das alternativas contém erro. 3-a) F – O Direito brasileiro adotou o critério real na definição de comerciante. contudo.160 do CC/2002. c) V – Servem comentários da letra “b”. b) V – Art. c) V – Art. Entretanto. desde que precedido da expressão sucessor de. b) F – Os atos de registro de comércio não fazem prova absoluta.164 do CC/2002). na hipótese de alienado todo o estabelecimento. 1. 1. a proteção ao nome. por exemplo. 6-c) O nome não pode ser objeto de alienação (art. Quem o faz é a pessoa jurídica. 1. f) V – Servem comentários da letra “a”. 2-b) É denominação que indica tratar-se de uma sociedade limitada. 1.

antes utilizadas pelo antigo Decreto no 916.156 e 1. é preciso ver se estão sendo respeitados os princípios da veracidade e/ou da novidade. A letra “d” está errada. apesar de não haver o detalhamento doutrinário entre firma social e firma individual.404/76 prevê apenas denominação. e) V – Na primeira edição deste livro. A letra “a” está errada porque as Juntas também procedem ao exame material dos atos. com base no art. de 24/12/1890. pois deveria referir-se à escrituração fiscal. mas conceder regularidade à atividade empresarial. 1. b) F – A assertiva é falsa no que se refere às sociedades anônimas. 29 da Lei Federal no 8934/94. sejam materiais (instalações.) ou imateriais (nome. colocando-a de acordo com o gabarito oficial. da Lei no 8. 3o da Lei Federal no 6.142 do CC/2002 define o estabelecimento como um complexo de bens organizado. ou do mesmo artigo do Decreto no 1. A letra “c” contém erro. pois o art. 1. veículos etc.800/96. por tratar-se necessariamente de uma sociedade em nome coletivo. incorporou idênticas nomenclaturas.a) V – O Código Civil de 2002. quando obedecidas outras formalidades. Na verdade. d) F – O único tipo societário possível para esse nome é o de sociedade limitada. 10-a) – O art. apesar de os agentes do fisco não se submeterem ao princípio do sigilo.934/94. 12 – A letra “e” está correta.157. A letra “a” está errada porque. . a respeito dos nomes empresariais. pois a eficácia da ação administrativa mede-se com relatórios gerenciais. título etc. alínea c. como espécie de nome empresarial aplicado a esse tipo societário. que trata do registro de comércio. Essa conceituação deve abranger todas as espécies de bens. destinado ao exercício da empresa. pois deve ser respeitado o princípio do sigilo. aparece essa alternativa como falsa. 1.) 11. em seus arts. 32. Exemplo: não basta observar se determinado nome empresarial obedece à forma exigida em lei.A resposta correta é a letra “d”.155. o escopo da escrituração mercantil não é facilitar a atuação da fiscalização. o princípio correto seria o da veracidade. 13. A letra “b” está errada. pois o termo “estar escoimada” tem o sentido de “estar livre” (obs. marca. c) F – O princípio da novidade trata da exclusividade contra uso por terceiros.332 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9-b) – É o que preceitua o art.: essa questão poderia ser respondida por eliminação das demais alternativas). resposta que retifico.

pois se trata de uma atividade mercantil e. 1. apesar de haver sido considerada correta. 1. bastando ver o art.934/94 como do Decreto no 1. porque as decisões ou certidões das Juntas podem ser elididas em face de melhor prova. como cooperativas. “c” e “d” não poderiam estar corretas.a) V – Respondem à questão os arts. 18. como tal. d) V – A proteção ao nome advém do arquivamento do contrato na Junta Comercial. 1.A letra “c”. parágrafo 1o.A resposta correta é a letra “b”.800/96. pois nenhuma das atividades é mercantil. não as associações. Escritório de advocacia. As letras “a”. é que a Junta deveria recusar o registro. conforme podemos observar no Capítulo 1. 17. 15. apenas empresário pode ser titular de estabelecimento.A resposta correta é a letra “e”. b) F – A alternativa está errada pelo fato de as sociedades limitadas também admitirem a firma social como espécie de nome empresarial. conforme dispõe o art. sempre será sociedade simples. Quanto à letra “e”.245/1991. vai de encontro à regra geral disposta no art. apenas se Manoel fosse designado administrador da sociedade. Ademais. A letra “c” está errada na parte final. 51. a princípio. sendo dispensada qualquer outra providência burocrática. item 6. 974 e 975 do CC/2002. 35. Mas o Direito brasileiro não admite a afetação de bens do empresário individual. II. daí a confusão patrimonial. não responde à questão. 16. Sociedades simples. 14-a) F – Da leitura do art. da Lei no 8. deste livro.148. pois ambos os dispositivos prevêem. A letra “e” está errada. muito menos possui organização empresarial. 32. tanto da Lei no 8. do CC/2002. 972 e 973 do CC/2002. da Lei no 8. e ainda assim após a condenação criminal. a destinação de bens componentes de seu estabelecimento empresarial seria razão suficiente para admitir-se a distinção entre bens de uso pessoal com os reservados ao negócio.142). em caso de alienação do estabelecimento. não havendo processo apartado para tanto.142. em que pese a correção da assertiva (art. é que podem requerer registro perante as Juntas Comerciais. b) F – Respondem à questão os arts. deverá ser desenvolvida por um empresário.CAMPUS Comentário 333 Série Impetus Provas e Concursos A letra “b” está errada porque a proteção ao nome advém do arquivamento e conseqüente registro do ato constitutivo. uma vez que. juntamente com as disposições legais sobre a matéria. e art. c) F – O patrimônio pessoal do empresário individual confunde-se com aquele destinado ao exercício da sua atividade econômica. que expõe a melhor doutrina. a . Chega a soar estranhamente a assertiva. inclusive. pessoa física ou jurídica.934/94.

54. A letra “b” está errada. 22. do CDC. 6o. 6o.A letra “a” está correta. 1. 18 do CPI. do CC/2002. 6o. A letra “d” está correta. considerada correta. 6o. do CPI.179. com base no art. 29. do CDC. caput. do CPI. A letra “g” está correta. do CDC. 25. com base no art. A letra “b” está errada. 21. 46. 21. A letra “b” está errada. A letra “c” está errada. 23. parágrafo 1o. do CDC.A letra “a” está correta. 6o. 20. inciso I. apesar de seu forte caráter subjetivo. 2o do CPI.147 do CC/2002. parágrafos 3o e 4o.A letra “a” está errada. 8o do CDC. com base no art.A letra “a” está errada. A letra “c” está correta. 973. da Lei no 8. A letra “c” está errada. com base no art. parágrafo 2o. 24. parágrafo 2o. com base no art. do CDC. com base no art. parágrafo 3o. 37. inciso VIII. da Lei no 8. A letra “c” está correta. A letra “b” está correta. 28. do CPI.A letra “c” está correta. caput. 3o. 68 do CPI. com base no art.A letra “a”. com base no art. com base no art. porém que não sejam utilizados no objeto social.334 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel sub-rogação dos contratos que não tiverem natureza pessoal. 26. com base no art. do CDC. 27. com base nos riscos previsíveis. A letra “b” está correta. 13. do CDC. A letra “d” está correta.A letra “a” está errada porque os bens pertencentes à sociedade. com base no art. com base nos mesmos argumentos da alternativa anterior. 54.A letra “a” está correta. 1. 3o. com base no art. A letra “c” está errada. A letra “b” está correta. 33 do CPI. A letra “e” está errada. do CPI. parágrafo 1o. inciso V. com base no art. 23. parágrafo 3o.A letra “c” está correta. do CPI. parágrafo 2o. com base no art. . a que se refere o art.884/94. 56. A letra “d” está correta.A letra “a” está correta. com base no art. do CDC. do CDC. inciso V. com base no art. A letra “e” está errada. da Lei no 8. 3o. com base no art. A letra “c” está errada. 19. parágrafo 1o. com base no art. do CDC. com base no art. 3o. 51 do CDC. salvo disposição em contrário. com base no art. 40 do CPI.884/94. A letra “b” está correta. inciso XXII.884/94. 57 e 18. do CDC. com base nos arts. 45 do CPI. não fazem parte do estabelecimento. com base no art. 6o. com base no art. com base no art. A letra “f” está correta. 3o. com base no art. com base no art. A letra “b” está errada. com base no art. inciso I. com base no art. encontra respaldo no art.A letra “a” está correta.

do art. que não condiciona a responsabilidade ao conhecimento do vício pelo fornecedor. A letra “n” está correta. do CDC. com base no art. com base no art. pois não podem compor o conselho membros de outros órgãos da companhia (art. que prevê a necessária correção monetária. com base no art. do CDC. do CDC. 20.CAMPUS Comentário 335 Série Impetus Provas e Concursos A letra “e” está correta. 18. do CDC. parágrafo 1o. da Lei das Sociedades Anônimas). a não citar expressamente a fraude como pressuposto. do CDC. caput. 21. . do CDC. observo que a assertiva não vale para as de economia mista. acrescentando tratar-se de vício do produto. da Lei das Sociedades Anônimas (reforma do estatuto) e no art. este previsto no art. com base no art. desde que o orçamento esteja escrito. 50 do Novo Código Civil ou. A letra “p” está correta. 18 do CDC. A letra “g” está correta. 122. A letra “q” está errada. parágrafo 5o. 120. 28 do Código de Defesa do Consumidor. CAPÍTULO 2 1-e) Atualmente. com base no art. com base no art. Com relação ao item II. A letra “f” está errada. parágrafo 2o. 18. parágrafo 2o. 163. 48 do CDC. a fraude deve estar presente. sempre que falarmos da teoria da despersonalização. O item III está errado em sua parte final. com base no art. parágrafo 4o. não de fato do produto. com base no art. 2-d) A ausência de personalidade jurídica decorre do não-registro na Junta. caput. com base no art. A letra “m” está errada. A letra “o” está errada. 22. 3o. inclusive. considerado verdadeiro. A letra “k” está correta. Por fim. 3-a) Sobre o item I. Contudo. que prevê a continuidade dos serviços públicos essenciais. desde que adimplente o consumidor. do mesmo diploma (suspensão de direito de acionistas). É o que podemos perceber com a leitura do art. Esses dispositivos legais chegam. do CDC. com base no art. que prescreve a necessária remuneração do serviço. da mesma Lei das Sociedades Anônimas. 18. 162. caput. com base no art. 4-a) A resposta correta tem fundamento no art. começa a surgir a positivação da teoria. do CDC. § 2o. A letra “l” está errada. 49. que prevê a necessária verificação de culpa. 26 do CDC. mesmo. A letra “i” está correta. do CDC. A letra “j” está errada. I. 18. § 7o. 14. 12. A letra “h” está errada. parágrafo único. com base no art. com base no art. temos que o conselho fiscal só funciona de forma permanente nas sociedades de economia mista. o item IV tem respaldo no art. do CDC.

Se tiverem.099 do CC/2002. 6-a) Serve como supedâneo à alternativa o art. 11 da mesma lei.00. não ao capital social que falta integralizar. 7-a) V – Responde a questão o art. diz o parágrafo 2o desse artigo. os sócios respondem. caput. 20.019. mesmo admitindo que os contratantes poderiam verificar. § 1o. e) F – A sociedade anônima é de capital. 15. c) V – Na sociedade limitada. 12-a) V – Esses são direitos dos sócios. d) F – Prevalece o que os autores chamam de Teoria da Aparência. que no caso é de R$89. 11-a) O art. 10-e) O art. os papéis da empresa.336 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5-b) A resposta está fundamentada no art. através da Comissão de abertas tas. c) V – Subscrição pública é a aquisição do capital social inicial. 243. b) F – Necessitam de autorização do Governo Federal. da Lei das Sociedades Anônimas. pelo menos a partir da edição da Lei no 8. há previsão de as ações possuírem. o que significa ser irrelevante o registro na Junta para qualificá-los. caput. o valor nominal será igual para todas. de forma solidária. junto ao órgão de registro. 8-b) A resposta tem fundamento no art. 9-c) A resposta tem fundamento no art. 1o estabelece que o capital das sociedades anônimas é dividido em ações. 227. Valores Mobiliários. mas dois. que é a forma como a sociedade apresenta-se no comércio. caput. da Lei das Sociedades Anônimas. ou não. d) F – O art.160 do CC/2002. 1. da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. 1. . 1o da Lei das Sociedades Anônimas prevê a responsabilidade do acionista até o preço de emissão das ações por ele subscrita. e) V – O mesmo art. valor nominal. pela parte ainda não-integralizada do capital social. não apenas pelos sócios fundadores. 105 da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão.116 do CC/2002.021. da Lei das Sociedades Anônimas. assim como no art. que independem do percentual da participação no capital social. caput. apenas as companhias que queiram ser abertas O número mínimo de sócios não é sete. do CC/2002. A seguir.000. 1. o que significa que não pode haver barreiras ao ingresso de novos sócios. e necessariamente a companhia já nasce aberta. no art. 1. mas pelo público em geral. b) V – O Direito brasileiro elegeu o critério real para classificar os comerciantes. que proibiu outra forma de ação. assim como no art.

mas sim da companhia. 22-d) O art. 20-c) A letra “a” está errada por desconsiderar daquela qualidade as sociedades irregulares. 14-b) Define a responsabilidade. 18-a) Responde à questão a combinação dos arts. quando utilizado na frente do nome. A letra “d” errou ao considerar o início da personalização a partir do acordo. 132 da Lei das Sociedades Anônimas traz os assuntos que competem à assembléia geral ordinária. 30. 16-b) Respondem à questão os arts.”. Na letra “b”. é ilimitada e solidária. quando o correto seria o registro na Junta. 244. prevê que é proibida a aquisição de ações de uma companhia por outra. a forma ou o tipo societário. a lei . 1o e 3a da Lei das Sociedades Anônimas. 132 da Lei no 6. por exemplo. Sendo em nome coletivo. § 1o. A letra “e” aproveita comentários da letra “d”. além do que já vimos a quem compete o encargo de administrar a companhia. apenas a palavra executar pode ser considerada como atribuição do órgão. ao passo que se for uma sociedade anônima. Além do que a prestação de contas é feita perante a assembléia geral ordinária. 21-b) A diretoria é órgão de representação da sociedade perante o público em geral. § 1o. alínea b. própria das sociedades irregulares. combinado com o art.CAMPUS Comentário 337 Série Impetus Provas e Concursos 13-c) O ar t. sendo conhecidos por exclusão. A letra “b” está errada porque a Lei de Falências permite a falência de sociedade irregular. e vice-versa salvo se o objetivo de uma delas for a aquisição para vice-versa. 15-e) A resposta correta está embasada no art. 19-d) O termo “cia. 17-a) Resposta no art. A letra “a” está errada. todos da Lei das Sociedades Anônimas. 265. A letra “d” está errada por não ser o interesse dos administradores. não há a necessidade de os diretores serem acionistas. Os de competência da assembléia geral extraordinária não estão relacionados em dispositivo específico. segundo o art. 46 da Lei das Sociedades Anônimas. que tanto podem ser membros da diretoria como do conselho de administração. posto que quem administra a companhia são os administradores. Na letra “a”. Na letra “c”. A letra “e” errou por conta da responsabilidade ilimitada.404/76. em cumprimento às deliberações da assembléia geral ou do conselho de administração. da Lei das Sociedades Anônimas. manutenção em tesouraria (ações que são adquiridas pela pessoa jurídica para serem retiradas de circulação). 991 e 992 do CC/2002. indica tratar-se necessariamente de uma sociedade anônima. a responsabilidade vai até o preço de emissão das ações subscritas pelo sócio. § 1o. responsabilizando-se pela execução de seu objeto.

posto se tratar de simples participação. A letra “e” está errada ao classificar os membros do conselho de administração como responsáveis pelo controle social. e) V – Responde à questão o art. Correta a assertiva. a sociedade assume o controle de forma permanente sobre a outra. por acordo de acionistas. Logo. A letra “b” está errada porque podem existir sociedades simples na mesma situação. Correta a assertiva. A letra “c” está errada porque a responsabilidade ilimitada dos sócios acontece quando eles assumem cargo de gerência na sociedade. mas não foi essa a opção de quem elaborou a questão. A letra “d” está errada porque. b) F – A alternativa somente seria verdadeira na hipótese de o capital referido (55% de W) conferir poder de voto. apenas ela pode ser seu titular. da Lei das Sociedades Anônimas. seja por empresário ou por sociedade empresária. 24-e) O § 1o do art. 23-a) F – 7% de participação são considerados simples participação. por exemplo. na medida em que. não pela qualidade das ações. d) F – Não é necessário.385/76.338 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel não faz qualquer menção à exigência de nacionalidade brasileira. c) V – 30% de participação no capital social da outra só deixam de caracterizar uma coligação. 25-c) O art. como a organização com elementos de empresa. restringiu apenas às companhias a possibilidade de negociar valores mobiliários na bolsa ou no mercado de balcão. . além de não poderem fazê-lo no Mercado de Valores Mobiliários. A letra “a” está errada porque a assunção dos riscos da produção não é determinante à definição. é necessário haver a forma empresarial de organização. Na verdade.142 do CC/2002 conceitua o estabelecimento como o complexo de bens organizados para o exercício da empresa. 1. 244. Na letra “c”. os membros da diretoria é que necessariamente teriam que ter residência no país. A letra “b” está errada porque não há tal limitação. Isso exclui as sociedades simples. exceto a dos que assumirem função de gerência. A letra “d” está errada porque há sociedades simples que também podem estar inscritas na Junta Comercial (cooperativas). a responsabilidade dos acionistas está limitada da mesma forma que nas sociedades anônimas. pela nova conceituação do Código. A letra “e” está errada porque. É claro que outras características. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliário. 21 da Lei no 6. não basta ser mercantil. § 2o. A letra “a” está errada porque as comanditas por ações podem ofertar ações com ou sem poder de voto. administradores são tanto os diretores como os membros do conselho de administração. em regra. poderia tipificar a sociedade empresária.

28-b) Alternativa correta. pois terá que haver prévia previsão contratual. A letra “a” está errada. com fundamento no art. Logo. A letra “d” está errada porque é possível que as quotas sejam de mesmo valor. A letra “c” está errada porque há outros direitos. Correta a assertiva. .012 do CC/2002. 1. 1. A letra “c” está errada. o novo Código protegeu-os. apesar de não ser obrigatório. não enxergo qualquer incorreção. A letra “e” está errada porque as limitadas não têm nada a ver com a restrição imposta pelo art. pois a tipicidade significa previsão em lei. posto admitir a participação de um número ilimitado de sócios. A letra “a” está errada. enquanto que o direito pessoal é decorrente do status de sócio.013 do CC/2002. A letra “d” foi considerada errada. não constando nome do administrador. diferentemente do antigo Decreto no 3. assembléia de quotistas etc. quanto à exclusão de sócio minoritário. A letra “b”está errada. 977 do CC/2002. observo que. por exemplo. pois. A letra “b” está errada porque a integralização do capital social também pode ser com bens ou créditos. com fundamento no art. 1.CAMPUS Comentário 339 Série Impetus Provas e Concursos 26-a) O contrato de sociedades é de estrutura aberta. como o de voto.052 do CC/2002. 27-e) O direito patrimonial está consubstanciado no valor econômico atribuído às quotas. Contudo. A letra “d” está errada porque a separação patrimonial acontece quando do arquivamento. 29-a) Alternativa falsa. a exemplo dos débitos tributários. pois carece de fundamento. A letra “b” está errada porque o vínculo é contratual. gerando direitos e obrigações. deu-lhes estrutura típica. 1.052 do CC/2002. Na letra “c”. A letra “e” está errada porque a regularidade dá-se apenas com o arquivamento do ato na Junta Comercial. ambos poderão exercer a gestão dos negócios. pois não houve alteração na forma de controle. Correta a alternativa. e não da lavratura do instrumento. com fundamento no art. c) Alternativa falsa. b) Alternativa falsa. no que pese ter sido considerada errada.708/19. tendo em vista a possibilidade de a designação ser em ato separado. como o Código disciplinou a estrutura das limitadas com conselho fiscal. com fundamento no art. 30-e) A alternativa está correta. A letra “a” está errada porque há casos que fogem à regra da limitação da responsabilidade.

apesar de não haver sido marcada pelo gabarito. não podemos admitir tratar-se de classificação de sociedade. 982 do CC/2002 elegeu a bipartição das sociedades em empresárias e simples. não haverá alteração da relação percentual de cada um. com autorização do estatuto. Na hipótese de os sócios de A serem os mesmos sócios de B. pois existem percentuais mínimos de integralização das ações. 80 da Lei das Sociedades Anônimas). apesar de o Direito brasileiro permitir a unipessoalidade. 33-e) A letra “e” está correta. A letra “d” está errada. com idênticos percentuais de participação em cada sociedade.115 do CC/2002 dispõe justamente a respeito da preservação do direito dos credores. § 1o. 142 da Lei das Sociedades Anônimas). A letra “e” está errada porque o objeto social não é fator determinante para classificação societária. 31-a) A alternativa está correta. pois. pois a inexistência de papel simplifica a transação. 32-a) O art. aprovar a emissão de ações (art. Basta ver a possibilidade de haver sociedades simples com ou sem fins lucrativos. não pode ser considerada errada. não mais pode haver tal delegação. 1.404/76. no novo regime do Código. pois as ações escriturais não dificultam a negociação. A letra “c” está errada. a exemplo dos 10% exigidos para constituição de companhias (ver art. posto não ser a competência privativa da assembléia. servem comentários da letra “c”. A letra “c” está errada porque não possui qualquer fundamento. A letra “e”. que é a sucessão das obrigações. . pois pode o conselho de administração. para as ofertas privadas.340 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “c” está errada. A letra “d” está errada porque os atos regulares de gestão não responsabilizam os administradores. e não um tipo ou uma classificação. A letra “b” está errada porque as demais também garantem a titularidade. não é necessário autorização da CVM. A letra “d” está errada. da Lei no 6. aproveitando comentários em relação a letra “e”. A letra “d” está errada porque sociedades grupadas são forma de ligação entre sociedades. podendo ser feito até por companhias fechadas. Exemplo: digamos que as sociedades A e B sofrerão fusão para o nascimento da sociedade C. é que nem sempre a relação tem que ser alterada. A letra “b” está errada. de acordo com o art. 34. A letra “c” está errada porque. seja incidental ou no caso de subsidiária integral (a regra é a pluripessoalidade). caso se referisse à classificação doutrinária. Correta a assertiva. 34-c) O art. A letra “a” está errada porque. A letra “a” está errada. A letra “b” estaria correta.

A letra “c” está correta. 36 – A letra “a” está correta.057. pois a exclusão somente poderia atingir sócios minoritários. 38. . que é a passagem de um tipo para outro (limitada para sociedade anônima. caso aquele administrador. seja conivente. do Capítulo 2 deste livro. de acordo com a combinação dos arts. pois o art. A letra “g” está correta. não praticante de ato ilícito cometido por outro. 997. que exclui do benefício de ordem. 991. VIII. parágrafo único. conforme a exegese do art. já que o majoritário detém o poder de decisão na empresa.039. 997. de acordo com o art. A letra “e” está errada. A letra “f” está correta. do CC/2002. conforme a exegese do art. A letra “a” está errada. A letra “d” está errada. com base no art. conforme a exegese do art.061. mesmo. 50 do CC/ 2002. VI. parágrafo único. 37. pois é possível a suplementação da lei pelo contrato social. com base no art. por comportar número ilimitado de sócios) e. A letra “d” está errada. A letra “e” está errada. A letra “e” está errada. VIII. 39. de acordo com o art.A letra “b” está correta. apenas quando se tratar de venda ou oneração. com base no art. prevê a unanimidade. parágrafo único.2. VIII.A resposta correta é a letra “c”. 997. pode não haver alteração no quadro social. 1. A letra “d” está errada em sua parte final. parágrafo 1o. conforme a exegese do art. do CC/2002. da regra da subsidiariedade apenas aquele que representou a sociedade. ou seja. de acordo com o art. estipula a necessidade de deliberação. conforme a exegese do art. 1. ou negligenciar em descobri-lo. parágrafo único. A letra “b” está errada. por exemplo). 1.071 e 1. 1. 993. pois tem a ver com seus membros (lembro que o contrato é de estrutura aberta. não tentar inibir sua prática. conforme vimos. 158. 1. conforme a exegese do art. embora se deva ressaltar que o mesmo dispositivo prevê o contrário. em combinação com o art.015. da Lei no 6.404/76. inciso II. ou. 999. pois modificação tipológica seria o mesmo que a sociedade sofrer “transformação”. 1. e não de compra. 997. 990 do CC/2002.015.060.CAMPUS Comentário 341 Série Impetus Provas e Concursos A letra “d” está errada. A letra “c” está errada. Este último. com fundamentação legal no art.1. A letra “b” está errada. 35 – A resposta correta é a letra “c”. se a limitada tiver regência supletiva nas sociedades simples. conforme comentado no tópico 8.A resposta correta é a letra “e”.

Não se liquida a sociedade. Portanto. está errada. Ressalte-se que mercantil é a atividade própria de empresário. Também não há necessária mudança do tipo social.A letra “d”. pois. que é a alienação do estabelecimento. Isso. A letra “d” está errada. encontra respaldo no art.A letra “b” está correta. com base no art. se a sucessão referida pelos elaboradores tiver relação com o trespasse. independe da forma como ela se organize. Sim. Quanto à letra “a”. Ora. A letra “d” está errada. Pode ser um ato legítimo de gestão. 159. . não ficou claro. a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. 4o. quando a doutrina se refere à “sucessão empresarial”. A letra “c” está errada. estudada no Capítulo 4 desta obra. O seu patrimônio é que é agregado ao da incorporadora. pois incorporação é um processo que visa à reorganização entre sociedades. contudo. 43. porque. citado na letra “b”. 41. servindo como fundamento legal o art.A letra “d”.055 do CC/2002. com base no art. 1. Ato danoso é o que traz dano à sociedade. sem necessariamente ser ilícito. Basta o patrimônio líquido da incorporada ser negativo. 1. mas que trouxe prejuízo à pessoa jurídica. 28 do CDC ou.404/76. assim como a incorporação provoca o fim da personalidade jurídica da incorporada. é merecedora de comentário. De outra forma.342 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “a” está errada. especificamente a incorporação. 50 do CC/2002 ou o art. aí sim. só se os sócios quiserem fazer a transformação. 1. nem o autor muito menos os demais administradores deverão responder por ele. conforme a exegese do art. 1.A letra “e” está correta. sabemos que a fusão é causa de extinção das sociedades fusionadas para criação de uma outra. o tema está relacionado às formas de modificação ou reaorganização societária. considerada correta. 42. salvo numa cisão parcial. da Lei no 5.066 do CC/2002. Quanto ao patrimônio líquido da incorporadora. apesar de considerada correta. 146 da Lei no 6. que reduzirá o patrimônio líquido da incorporadora.A letra “c” está correta. para fins de ser considerada empresária. mesmo. com base no art. A letra “c” está errada.061 do CC/2002. a questão estaria correta.052 do CC/2002. fusão e cisão entre sociedades. sendo mercantil a atividade desenvolvida pela sociedade. a partir da extinção da incorporada.764/1971. nem sempre acontece o seu aumento. parágrafo 4o. 44. conforme teor do art. A letra “b” está errada. 40. conforme citado na letra “a”. não se pode falar em manutenção da sociedade exercente da atividade. Assim. com base no art. inciso VII.

do CC/2002.CAMPUS Comentário 343 Série Impetus Provas e Concursos 45. 49. 2-a) A expressão numerus clausus empregada significa estarem as espécies de títulos de crédito todas previstas no ordenamento jurídico brasileiro. inciso VIII. com base no art. enquanto o voto é restrito aos titulares de ações com esse direito.404/1976. A letra “d” está correta. A letra “b” está errada. com base no art. com base no art. A letra “b” está correta. com base no art.A letra “a” está errada. 135 da Lei no 6. . 1. ambos do CC/2002. a mercadoria deverá ser alienada para pagamento ao seu titular. 46. O perfil objetivo é aplicado na Teoria dos Atos de Comércio. A letra “b” está correta.A letra “b” está correta. pois somente compõem o estabelecimento empresarial os bens diretamente utilizados no objeto social. com base no art. com base no mesmo art.A letra “a”. inciso VII. A letra “a” está errada. 977 do CC/2002. da mesma lei. incisos I e VII. prevista no art.008. A letra “c” está errada.094. com base no art. apesar de considerada verdadeira. pois somente pessoas físicas podem compor o quadro social da sociedade em nome coletivo. 48. de forma taxativa. 993 do CC/2002. 977do CC/2002. CAPÍTULO 3 1-e) Enquanto o conhecimento de depósito representa a propriedade sobre as mercadorias depositadas. 47.A letra “a” está errada porque a qualificação de empresa como atividade empresarial está relacionada ao perfil subjetivo. A letra “c” contém erro porque o warrant não serve à transferência da propriedade. não encontra respaldo na legislação específica. 1. 1. com base no art. 132 da mesma lei. com base no art.404/1976. A letra “b” está correta. o titular do warrant tem um direito real sobre elas. combinado com o art. pela qual comerciante era aquele que praticasse certos atos previstos em lei ou em antigo regulamento. pois não poderiam contratar sociedade entre eles. A letra “d” está correta.133 do CC/2002. 228 da Lei no 6. 122. No caso de inadimplência do título. A letra “c” está errada. provoca a extinção das sociedades envolvidas. A letra “d” está errada porque a presença na assembléia é facultativa.039 do CC/2002.A letra “a” está correta. 1.142 do CC/2002. 997. com base no art. pois a fusão. A letra “b” está errada porque o emitente do título (armazém geral) necessariamente fez um contrato de depósito com o primeiro beneficiário (depositante). com base no art. 986 do CC/2002. com base no art. 1. A letra “c” está errada.

344 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “b” está errada porque uma nota promissória emitida para saldar uma dívida de “A” para com “B”. A letra “d” está errada porque a anuência do endossante já é concedida quando é feito o endosso-mandato. A letra “b” tenta confundir. pois os títulos legitimam seus proprietários no direito creditício neles contido. conta-se a partir dos trinta ou sessenta dias (prazo de apresentação). pelo qual o portador não é proprietário. se vir a endossar o título. seu titular pode cobrar o título de qualquer coobrigado indistintamente. é irrelevante. poder atingir o outro. só que o título permanece transmissível. Isso só vale para a fiança. recibos etc. Aqueles títulos constantes das letras “a”. na utilização do princípio da solidariedade. apenas detém a atribuição para sua cobrança. “b” e “c” não exigem o aceite. só então. . 7-b) O termo executar significa ser alvo de uma ação de cobrança. lastreado no art. 2 – documentação comprobatória da entrega dos produtos (conhecimento de frete. 10-a) V – O aval é ato unilateral porque independe da concordância expressa do avalizado. 8o da LD. porque. apenas com efeitos de uma cessão civil de crédito. Por conseqüência. 3-a) O sacado de uma letra não está obrigado a aceitá-la. 3 – que não tenha havido recusa com fundamento no art. b) F – O benefício de ordem significa cobrar-se primeiro do beneficiário. sem precisar comunicar aos demais. 8-d) A declaração aqui referida é o aceite. observem três requisitos à execução: 1 – protesto por falta de aceite. onde o protesto é feito por indicação indicação. ordem. O que faz diferença realmente é a cláusula não à ordem que proíbe novo endosso. Está correta a assertiva. o fato de a nota estar avalizada. o avalista pode ser demandado independentemente do avalizado. não precisando de nova declaração a esse respeito. pode ser utilizada pelo seu credor para garantia de outra obrigação (endosso-caução). 5-d) A expressão a quo significa de início e. No caso de duplicatas sem aceite. A letra “b” está errada pelo fato de as obrigações de um título serem autônomas. mesmo que reconhecidamente seja devedor. no caso de cheque.663/66. por exemplo. 4-c) É hipótese de exceção. A letra “d” contém erro. A letra “c” está errada porque. para. 9-a) É hipótese de endosso-mandato. ou não. taxando de nulo o endosso parcial.). Quanto à letra “d”. 26 do Decreto no 57. no aval. o aceite pode ser parcial. 6-e) In casu. conforme seja o documento da praça ou não. Seu silêncio já indica a recusa. só poderá fazê-lo como procurador do proprietário.

13-a) F – Não se permite ao devedor impor uma defesa contra terceiros (credor). . É o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais. seria a literalidade. c) V – A primeira parte do art. d) F – A duplicata é título causal. Sob essa ótica. e) V – O fato de haver contrato de fiança não impede a existência do aval. 15 do Decreto no 57. seria cartularidade. como. ou seja. 8o da LD. as notas promissórias já são emitidas pelo próprio devedor. e) F – O defeito de forma não tem nada a ver com o princípio da autonomia. b) V – Embora tenha sido considerada correta.663/66 responde à questão.CAMPUS Comentário 345 Série Impetus Provas e Concursos c) F – Sendo ato unilateral. 14-a) F – Errado. d) F – Já vimos que o próprio decreto prevê a possibilidade de aceite parcial. o devedor de um título não pode negar o pagamento a terceiro. 12-a) F – Neste caso. d) V – Respondem à questão os arts. b) V – O princípio da autonomia significa que as obrigações oriundas de um título são independentes entre si. por exemplo. não poderia ser contratual o aval (a fiança é contrato). b) V – Não só de E e de F como também de B e de A. razão para dispensar-se o aceite. Sobre o termo endosso impróprio a doutrina classifica-os impróprio. alegando questão sua com outrem.663/66. diante de terceiros. alegando defeito na relação sua com aquele com quem transacionou. o devedor pode alegar. o complemento à alternativa seria a ausência de aceite com fundamento no art. que entraram na relação via endosso. o nome cheque constante do documento. porque seus termos não excluem a possibilidade da cobrança contra os dois primeiros. 12 do Decreto no 57.663/66. c) F – Em decorrência do princípio da autonomia das relações cambiais. Por ele. b) V – Serve à fundamentação o art. como aqueles que fogem ao padrão convencional. d) V – Valem comentários anteriores. titular do direito creditício. cheque. porque a contagem dá-se a partir do fim do prazo de apresentação. c) F – Neste caso. c) V – Quem emite uma nota promete pagar certa importância a alguém. por depender de uma prévia operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços. d) V – Assim como o cheque. enquanto que o emitente de uma letra dá a ordem ao sacado para que este pague. 11-a) F – A cláusula não à ordem impede a transferência via endosso. que um cheque do qual é cobrado não obedece a um dos requisitos previstos em lei. basta não conter não à ordem para estar presente a primeira. e) V – A cláusula à ordem pode ser tácita. 18 (endosso-mandato) e 19 (endosso-caução) do Decreto no 57. A questão não está errada . não-abstrato.

produzindo todos os efeitos cambiários do endosso. 21-d) A alternativa foi considerada correta. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. posta uma condição. a emissão da triplicata deve ser entendida como uma faculdade do vendedor. 16-a) V – Trata-se do princípio da cartularidade.663/66 responde à questão. b) V – É o endosso próprio. com base no art. c) V – O art. na obrigação dos devedores solidários de uma cadeia de endossos. não importando se é o próprio sacado ou não.663/66. 25 do Decreto no 57. 19-b) A cláusula à ordem pode ser expressa ou tácita. o n 57. exime este de responsabilizar-se pelo pagamento. 17-a) Os emitentes desses títulos são seus devedores principais e. . 23 da LD. Reparem que prevaleceu não o texto literal da lei. 56 do Decreto intervenção. basta não vir a cláusula não à ordem para o título ser considerado à ordem. para cobrá-los dos coobrigados. mesmo constando do art. Neste último caso. 23 da LD a obrigatoriedade de emissão da triplicata.346 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel e) V – Responde à questão o art. ou prestador de serviços. 1o do Decreto no 57. considera-se não-escrita. salvo cláusula em contrário. daqueles cuja vinculação aconteceu em momento anterior à sua. se colocada por um endossante. do Decreto no 57. item 3. nessa qualidade. 20-c) Embora tenha sido considerada correta. prevalece a anterioridade. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. c) F – O endosso parcial é nulo. não importando se o avalista já faz parte da cadeia de endosso. Como tal.595/66. aproveita todos eles. 1o. Quando posta na origem. é transferível por meio de endosso. normalmente se exige o protesto. mas a interpretação doutrinária. 18-a) V – Responde à questão o art.663. pelo qual só se exime o endossante da responsabilidade pelo pagamento com a cláusula sem garantia garantia. e) F – Esse princípio é geral para todos os títulos de crédito. no sentido de um coobrigado só poder exercer seu direito regresso. d) V – Vale o aval parcial. 15-a) A questão trata da cláusula sem garantia que. A letra “e” está errada porque a letra pode ser exigida de qualquer um que se obrigue no título. Contudo. e) F – A segunda parte da alternativa contém erro porque o titular da letra é livre para endossá-la a quem bem quiser. Quanto à letra “e”. b) F – O princípio da autonomia prevê justamente o contrário. Porém. dispensa-se o protesto para efetivação da cobrança. d) V – A isso chama-se aceite por intervenção previsto no art. de regresso em caso de pagamento do título.

Atualmente. pelo disposto no art. pois a emissão da duplicata é facultativa e é precedida da fatura. é gênero do qual são espécies a impontualidade (art. não se pode falar em vencimento a certo termo de vista para as notas promissórias. para os obrigados à expedição deste documento. pois a duplicata não permite tais formas de vencimentos. 5-b) Embora sem a melhor redação. quando especificou que tanto as letras de câmbio como as notas promissórias poderiam ter vencimentos a certo termo de data e a certo termo de vista. 1o da Lei no 5. na minha opinião não contém vício. Ora. salvo direitos do titular do warrant. a exigência de emissão obrigatória da fatura é para vendas com prazo não-inferior a trinta dias (vinte e nove dias para baixo não seria obrigatória a emissão). CAPÍTULO 4 1-e) O art. 43. A letra “b” está errada. observo que o teor do art. seu sentido é mais abrangente. Isto significa transferência do domínio. a parte final do enunciado parece-me correta. desde que se consigne no próprio armazém a dívida constante do warrant. sejam a prazo ou à vista. 3-c) O período de prescrição volta a contar depois de encerrado o processo. De outra forma. 4-d) Valem comentários anteriores. 2o da LF). contudo. pois. 18. . ou da nota fiscal fatura. A letra “c” foi anulada porque conteve erro conceitual. não vejo a necessidade de o warrant estar ligado ao conhecimento de depósito. pois inclui empresários e sociedades empresárias. por não admitir aceite. 22 do Dec. § 2o. caput. Logo. trinta não é menor. A rigor. fez-se a opção pelo texto legal da Lei de Falências. Portanto. da Lei de Falências responde à questão.474/68.CAMPUS Comentário 347 Série Impetus Provas e Concursos 22-c) Embora tenha sido considerada a alternativa correta.A letra “a” está errada. a alternativa está correta. conforme o teor do art. considerada errada pelo gabarito oficial. 2-d) É a chamada ineficacização de certos atos praticados em período suspeito. a transferência do conhecimento de depósito confere a faculdade de dispor das mercadorias nele constantes. pois. para fins de liberação das coisas.102/1903 permite a retirada da mercadoria do armazém geral apenas com o conhecimento de depósito. 23. uma venda com vencimento para trinta dias enquadra-se na obrigatoriedade da fatura. Quanto ao termo comerciante. ou insolvência. que os empresários que adotarem a nota fiscal fatura ficam obrigados à emissão deste documento em todas as operações de venda mercantil. é igual a trinta. no 1. Já a letra “b”. ou seja. a insolvabilidade. Lembro. 1o da LF) e os atos de falência (art. do mesmo decreto. embora condicionada ao pagamento do warrant.

como sabemos. combinado com o art.024/74. apesar de não conterem erro. com fundamento no art. A letra “b” está errada em sua parte final. 40 da Lei no 6. Em todo caso. com base no art.024/76. As letras “a” e “c” estão erradas porque os controladores. 40 da LF . 9. 19. pois o procedimento de liquidação extrajudicial não objetiva o soerguimento do sujeito passivo. Alerto que “balanço especial saneado” nada mais é do que aquele levantado pelo liquidante.101/2005. senão vejamos: a eventualidade na impontualidade não impede a falência.A alternativa correta é a letra “e”. 53 do mesmo diploma. A utilização do termo empresário também está correta. A primeira. 13) A letra “a” está errada. assim como na falência. não se submetem a tal restrição. devido ao alto grau de subjetividade contido. A letra “d” está errada. . pois existe ordem de classificação de créditos. 36 da Lei no 6.A alternativa correta é a letra “c”. pelo fato de ser possível a conversão da liquidação em falência. A letra “e” está errada.024/76. com base no art. pois a responsabilidade dos administradores independe de prova da omissão. É claro que. para serem considerados ineficazes. da Lei no 11.348 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Quanto à alternativa “d”. da Lei no 11.024/74. prevê a revocação dos atos independentemente de terem sido cometidos com fraude. pois basta um único título em atraso para declaração da falência. 10. por coadunar-se perfeitamente com o escopo do procedimento. com fundamento no art. 6-b) A alternativa está correta. entendo não haver dúvida quanto à incorreção das letras “d” e “e”. com base no art. Sobre as demais respostas. bastando ver teor do art. inciso II. alínea d. ao fato de que tal igualdade também é garantida pela falência. 1o da Lei no 6. na inexistência de alternativa mais completa. a solidariedade foi estendida aos controladores da sociedade. com base no art. 52 da LF Esse dispositivo . 12. a alternativa mais correta é a letra “a”. 11. da Lei no 6. A letra “b” está correta. não encontro erro. 51. não são as mais verdadeiras. Com relação às letras “b” e “c”. 8. logo que assumir o cargo. embora responsáveis solidários. basta terem sido praticados no período suspeito.Essa é uma questão cuja resolução torna-se difícil. deve ser assinalada essa. Contudo. parágrafo 2o.A resposta correta é a letra “a”. podendo ser enquadrada no art. a outra devido.101/2005. já que este é largamente usado na doutrina. 7-b) A alternativa está correta. uma vez que provoca encerramento das atividades sociais.A resposta correta é a letra “d”. 59.

5-c) Valem os mesmos comentários da questão anterior. o contrato já estará constituído. O mesmo não pode ser dito para concordata. pois o arrendador é obrigado a disponibilizar o bem à venda para o arrendatário. porque basta a simples mora do devedor para dar ensejo à busca e apreensão que só não será eficaz se o devedor já tiver pago 40% do débito. Quanto à letra “a”. Significa afirmar que. Quanto à letra “b”. logo que as partes acordarem no preço e nas condições. Sobre a letra “a”. mas de cessão de crédito. como constante na questão. há autores que. o contrato de leasing é consensual. pois logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. A letra “b” está errada. consideram como uma quarta característica desse contrato o financiamento. Por negócio atípico entenda-se aquele que não tem previsão em lei. e. para outras espécies. basta o arrendatário não optar pela compra. mas do vendedor. Quanto à letra “b”. Com relação à letra “d”. a promessa unilateral não é do comprador. 3-a) O contrato de leasing possui natureza complexa. posto traduzir-se numa locação. é mais simples adquirir crédito numa faturizadora do que em um banco. deve ser considerada a alternativa mais verdadeira. tivesse posse direta a proposição estaria correta. às vezes. mesmo ainda não havendo a entrega da coisa. salvo cláusula contratual nesse sentido. e desde que coloquem isso no instrumento. de fato. a letra “e” está errada porque a venda também pode ser feita por propostas. ao mesmo tempo em que concorde em purgar a mora. para descaracterizar financiamento. Contudo. 4o da Lei no 8. . como acontece com a faturização. na medida em que o arrendatário paga o preço de uso. Por fim. 4-a) Trata-se de contrato consensual e informal. a devolução do bem. o contrato reputação é realizado. em nome do arrendador. é o próprio arrendatário que intermedeia. a falência do devedor é motivo para pleitear-se. um mandato porque. Se. a escolha do bem.955/94. Entretanto. A letra “c” contém erro ao inserir sempre o financiamento de bens. 6-b) Responde à questão o art. 7-d) A alternativa está correta. não se trata de venda. numa proposta unilateral de venda.CAMPUS Comentário 349 Série Impetus Provas e Concursos CAPÍTULO 5 1-d) A anulação dessa questão deveu-se a erro de nomenclatura presente na alternativa considerada correta. ao invés de propriedade direta. o que tornaria correta a sua primeira parte. independente de instrumento. apesar de formal. direta. 2-d) É a alienação fiduciária contrato solene exigindo-se formalidades inconcebíveis solene. em muitos casos. quando nem sempre isso ocorre. via pedido de restituição.

483 do CC/2002. prevendo que o contrato ficará “sem efeito”. o contrato continua íntegro. vale observar o teor do art. pois é consensual e. na hipótese de a coisa futura vir a não existir. Sem efeito não é o mesmo que anulado ou revogado. . Logo. Contudo.350 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8-a) A alternativa está correta. está perfeito e acabado a partir do acordo de vontades. como tal.

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044. Lei no 8. que disciplina o contrato de franquia mercantil.279/1996). Legislação sobre Contrato de Alienação Fiduciária (Lei no 9.656/1998.474. e Decreto no 1. Legislação sobre o Conhecimento de Depósito e Warrant (Decreto n o 1. de 18/07/1968). que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde.404.132/1983). de 18/11/1994.101. Lei das Sociedades Anônimas (Lei no 6. Legislação Falimentar (Lei Federal no 11. Lei no 5.024/76. . atualizada pela Lei no 10. Código de Defesa do Consumidor (Lei no 8.841/99 e Decreto no 3. de 11/01/1973).172/1966).764/1971. Legislação sobre o Cheque (Lei no 7. que define crimes contra a ordem tributária. de 31/12/1908. Código Tributário Nacional (Lei no 5.321/87 e Lei Federal no 9. e Decreto no 57. de 09/02/2005). de 2/09/1985. Legislação Previdenciária (Leis nos 8. Código Civil Brasileiro (Lei no 3. que define a política nacional de cooperativismo. Letra de Câmbio e Nota Promissória (Decreto no 2.099/1974 e Lei no 7. de 21/11/1903). Decreto-lei no 2. Lei no 8. de 31/10/2001). de 10/01/2002). Código da Propriedade Industrial (Lei no 9.869.884/1994.595. Código Comercial Brasileiro (Lei no 556. Lei no 6. Legislação das Micro e Pequenas Empresas (Lei no 9.934.955/1994. Lei Federal no 6.352 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel NORMATIV TIVAS FONTES NORMATIVAS Constituição Federal de 1998. e Decreto no 57.729/1979 e Lei no 8.245/1991). em combinação com o novo Código Civil (Lei no 10.406.137/1990. Legislação sobre contratos de representação comercial (Lei no 4.071.514/1997 e Decreto-lei no 911/1969). de 30/01/1996).078/1990). Legislação sobre Duplicata (Lei no 5. de 15/12/1976.886/1965 e Lei no 8.447/97.800.474/2000) Legislação do Inquilinato (Lei no 8. de 1o/01/1916).385/1976.663.303. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica.620/1993) Lei no 8. Registro Público do Comércio (Lei no 8.102.420/1992). de 7/01/1966). Legislação sobre os contratos de arrendamento mercantil (Lei no 6.132/1990). que tratam sobre a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. de 25 /06/1850). Legislação sobre contratos de concessão comercial (Lei no 6. Código de Processo Civil Brasileiro (Lei no 5.357. de 24/01/1966). que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários. Lei no 9.

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