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AÇÃO DISCRIMINATÓRIA - Noções

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AÇAO DISCRIMINATORIA

A Sistemática de Discriminação de Terras Devolutas. De uma forma geral, pode-se entender que discriminatória é a ação de exclusiva competência do Poder Público Federal ou Estadual de promover a identificação e a separação das terras devolutas, das terras de propriedade particular, já tituladas e estremadas do domínio público (Lei nº 6.383/1976). É de caráter Administrativo quando sobre a área discriminada não incidem documentos de propriedade de terceiros. A ação discriminatória sempre se inicia por via administrativa. É de caráter judicial quando sobre a área discriminada incidem documentos de

propriedade de terceiros, de origem duvidosa. O objetivo primordial da discriminatória é a separação, no universo discriminado, do que é devoluto daquilo que legitimamente haja se incorporado ao domínio do particular. Sintetizamos o processo em fases:

1ª FASE:

· Caracterização do perímetro com acidentes naturais; · Levantamento das propriedades e posses no perímetro delimitado; · Levantamento das propriedades e posses confinantes nos serviços registrais; · Confronto das declarações de propriedade; · Levantamento de benfeitorias, cultura efetiva e moradia permanente; · Apuradas as concessões feitas a qualquer título pela União, Estado ou Município.

2ª FASE:

Convocação nominal dos interessados por edital para apresentarem títulos ou provas (60 dias): · Coleta das provas; · Organização do processo; · Estabelecimento de cadeias dominiais; · Reconhecimento dos títulos legítimos e posses legitimáveis; · Caracterização dos títulos nulos; · Apuração das áreas desocupadas. O processo discriminatório é aquele destinado a assegurar a discriminação e delimitação das terras devolutas da União e dos estados-membros, além de separá-las das terras particulares e de outras terras públicas. A discriminação das terras devolutas da União está prevista na Lei nº 6.383/1976. Modalidades de processos discriminatórios. Existem duas modalidades de processos discriminatórios: a efetivada administrativamente e a realizada por meio judicial. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. É aquele efetivado pela própria

administração pública, pelas instituições responsáveis e está amparado pelos artigos 2º ao 17, da Lei nº 6.383/1976, e abrangem: 1. Comissões Especiais. O presidente do INCRA está encarregado de criar as Comissões Especiais - CE, com circunscrição e sede estabelecidas no ato de criação. Essas Comissões Especiais, integradas por um advogado do serviço jurídico do INCRA (presidente), um

engenheiro agrônomo (membro) e um funcionário (secretário), ficarão incumbidas de instaurar o processo administrativo discriminatório;

2. Instrução. Após instaurada, a Comissão instruirá o processo do seguinte modo: – elaboração do memorial descritivo da área; - convocação, por edital, com prazo de 60(sessenta) dias, dos interessados para apresentarem seus títulos dominiais ou alegarem aquilo do seu interesse.

NOTA: Esse edital deverá ser afixado em lugar público na sede dos municípios e distritos onde se situar a área nele indicada, bem como, por duas vezes, no Diário Oficial da União, do Estado e na imprensa local, onde houver, com intervalo mínimo de 8 (oito) e máximo de 15 (quinze) dias entre a primeira a segunda publicação.

- autuação da documentação recebida de cada interessado e tomadas por termo as declarações dos interessados e depoimentos das testemunhas se houverem previamente sido arroladas;

- vistoria para identificação do imóvel;

- pronunciamento sobre as alegações, títulos de domínio, documentos dos interessados e boa fé das ocupações;

-

levantamento geodésico e bem como

topográfico das demarcação.

terras

objeto de nessa

discriminação

sua

Excluídas,

demarcação, estarão as áreas particulares devidamente comprovadas pelos legítimos proprietários.

3.

Conclusão. Encerrada

a

demarcação,

será

lavrado

termo

de

encerramento da discriminação administrativa e levado a registro, pelo INCRA, em nome da União, no Registro Civil de Imóveis.

DO PROCESSO DISCRIMINATÓRIO JUDICIAL. O processo discriminatório judicial é aquele que se efetiva por intermédio do Poder Judiciário. Disciplinada está a discriminação das terras da União nos arts.18 a 23 da Lei nº 6.383/1976. Alguns pontos importantes desse dispositivo: 1. Autoria. E da incumbência do INCRA promover a ação discriminatória da União (art. 18); 2. Cabimento. Promove-se o processo judicial discriminatório:

 quando o processo administrativo for dispensado ou interrompido por absoluta ineficácia;  contra aqueles que não atenderem ao edital de convocação ou notificação; e  quando ocorrer alteração de divisas, ou transferências de benfeitorias a qualquer título, sem assentimento da União (atentado) (art. 19)

3. Competência. Sendo parte autora uma autarquia federal (o INCRA), a competência para processar e julgar processo discriminatório de terras devolutas da União é da Justiça Federal.

4. Procedimento. o rito do processo discriminatório judicial será comum sumário e não o sumaríssimo, como previsto no art. 20 da lei de regência. Está elencado na hipótese material genérica do art. 275, II, g, do Código de Processo Civil brasileiro.

5. Regras específicas:  petição inicial: deve ser instruída com o memorial descritivo da área a ser discriminada;  citação: não será efetivada pelo correio, mas sim por edital;  sentença: caberá apelação recebida sempre no efeito devolutivo, possibilitando a sua execução provisória;

 prioridade: a ação discriminatória terá prioridade em relação às outras ações em andamento relativas a domínio ou posse de imóveis, situados, no todo ou em parte, na área a ser discriminada

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