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A desconsideração da personalidade jurídica aplicada às associações

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A desconsideração da personalidade jurídica aplicada às associações
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Publicado em 06/2010

Jairo Cavalcanti Vieira Resumo: Artigo acerca da aplicabilidade da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica às associações. Partindo da premissa de que as associações são pessoas jurídicas de direito privado suscetíveis de abuso em sua personalidade jurídica, à semelhança das sociedades, apresenta a teoria da desconsideração da personalidade jurídica como instituto apto à correção e inibição da situação abusiva. Comenta a disciplina legal das associações, concentrando sua atenção no regramento dos membros. Examina a evolução e os elementos da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. Demonstra a possibilidade de desconsiderar a personalidade jurídica das associações e os fundamentos para tanto. Abstract: Article concerning Disregard Doctrine applicability to associations. Working on the premise that the associations are private legal entities susceptible to abuse in its corporate entity, similarity to society, introduce the Disregard Doctrine as an appropriate institute to correct and slow down this abusive situation. It comments the legal association’s disciplines, concentrating attention on members and administrators rules. It examines the Disregard Doctrine evolution and its elements. It demonstrates the possibility for disregard the corporate entity of the associations and the beddings for in such a way. Palavras-chave: Pessoa jurídica – Abuso da personalidade jurídica – Teoria da

desconsideração da personalidade jurídica – Associação. Key-words: Legal entity; Abuse of corporate entity; Disregard Doctrine; Association.

1. Introdução No Brasil a existência de pessoas jurídicas é uma realidade incontestável. Há milhares de sociedades exercendo atividades empresariais, vendendo produtos, prestando serviços. Existem inúmeras sociedades simples, conforme a nomenclatura do atual Código Civil, constituídas de advogados, médicos, contadores etc., os quais conjugam esforços para o exercício de suas atribuições profissionais. Ao lado das sociedades convivem as associações, em meio a seus mais variados objetivos: os consumidores que adquirem produtos e serviços fornecidos pelas sociedades têm integrado associações para a defesa de seus interesses; os empregados das sociedades têm criado

associações com o fito de promover lazer para si, ou realizar atos de caridade; os advogados, médicos, contadores e profissionais, ao tempo em que participam de sociedades simples, são membros de associações de defesa de interesses da classe profissional. Com tamanha importância, a pessoa jurídica infiltrou-se em inúmeras relações sociais e, infelizmente, tem sido alvo de abuso por parte de pessoas físicas que a compõem. Estas se valem da personificação da pessoa jurídica para cometer atos fraudulentos contra credores, assegurados pelo fato de que seu patrimônio pessoal não será atingido. É nesse contexto que reclamam análise as associações, espécie de pessoa jurídica que, ao lado das sociedades, também merece o abrigo do art. 50 do Código Civil de 2002. Afinal de contas, os associados podem abusar da personalidade jurídica das associações, à semelhança dos sócios em relação às sociedades. Tal abuso pode e deve ser coibido à luz da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica.

2. A personalidade jurídica da associação Herlita Barreira Custódio (1979) explica que as corporações beneficentes foram as primeiras a se identificarem com a noção de pessoa jurídica formulada na Idade Média, isto em virtude da influência da Igreja Católica. O esboço da pessoa jurídica como ente abstrato autônomo tomou forma no seio da Igreja Católica medieval (CUSTÓDIO, 1979). A Igreja mantinha, além de suas ocupações sacras, instituições ou locais voltados para a filantropia e benemerência, onde religiosos e nobres prestavam auxílio aos pobres e desvalidos. Com o decorrer do tempo, contudo, a idéia de personificação dos entes coletivos se desenvolveu e, ainda na época clássica, definiram-se duas categorias de pessoas jurídicas, ou seja, de universitates, portadoras de personalidade: as universitates personarum, representadas por agrupamentos de indivíduos, compreendendo os colégios, as associações de publicanos, os agrupamentos artesanais etc., e as universitates bonorum, formadas pelos estabelecimentos, que constituíam verdadeiras fundações. Observa Herlita Barreira Custódio (1979, p. 9) que "a personalidade, abrangendo a universitas, não se referia à societas, por ser esta encarada como um fenômeno puramente contratual, não passando de simples vínculo obrigacional entre os sócios, que eram considerados os verdadeiros sujeitos de direitos e obrigações", adicionando:

"De acordo com os dados históricos, as primeiras fundações de beneficência e de culto surgem na época cristã, encontrando-se, inicialmente, incorporadas e confundidas com a personalidade de Igreja. Posteriormente, estas fundações se tornam independentes, com a colaboração, também, do conceito de fundações autônomas pelo Direito canônico". (CUSTÓDIO, 1979, p. 9, grifo do autor).

Generalizado o reconhecimento de existência própria dos grupos de pessoas e bens, como ocorreu no século XIX, o status das associações já havia se sedimentado e, nos anos seguintes, o Direito Continental, do qual descende o brasileiro, conservou a associação em seu arcabouço jurídico, sempre abrangida nas discussões e mutações da pessoa jurídica. O Código Civil, no artigo 44, enumera que são pessoas jurídicas de direito privado: as

Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004. utilizam-no como ponto vestibular para verterem seus próprios conceitos. Por isso Miguel Reale aponta ser fundamental. O termo associação não é apenas rotulação ou qualquer coisa dessa ordem. p. conforme Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004. O Código Civil delimita a finalidade para a qual uma associação pode ser constituída. p. a pessoa jurídica jamais pode ser classificada como associação. 39). 215-216). em pura doutrina. XVII) – contanto que os associados não aufiram lucro por participarem da associação. ostentando contornos próprios e inconfundíveis. Caio Mário da Silva Pereira (2000) segue a mesma trilha lecionando que. Os elementos que a caracterizam são: a reunião de diversas pessoas para a obtenção de um fim ideal. "por sua repercussão em todo o sistema. No campo das associações. É um juris. obter acréscimo ao seu patrimônio pessoal. conforme se lê no texto no caput do artigo 53. As associações. que não podem lucrar com as atividades da pessoa jurídica da qual fazem parte. ou dividendos. 215) discorrem que "associações são entidades de direito privado. as sociedades. as organizações religiosas e os partidos políticos. Os associados participam de uma associação por motivos egoísticos ou altruísticos sem. pelo contrário. reconhecidas na nossa legislação. p. cultural e esportiva. (REALE apud CUSTÓDIO. A vedação legal é de incorporação dos ganhos da associação ao patrimônio dos associados. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade". Associações não repartem lucros. no sentido de que qualquer finalidade é possível – salvo fins ilícitos e paramilitares. especialmente em contraste com as sociedades. Os civilistas não divergem do enunciado legal. o reconhecimento de sua personalidade por parte da autoridade competente. portanto. são pessoas jurídicas de direito privado. . entretanto. 1979. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e mercantis. uma precisa distinção entre as pessoas jurídicas de fins não econômicos (associações e fundações) e as de escopo econômico (sociedade simples e sociedade empresária)". com fins não econômicos. Destarte. Associação é a reunião de várias pessoas para a realização de objetivos sem fins de lucro. com todos os seus conceitos e definições. no entanto. é impositiva a inexistência de intento lucrativo na sua constituição e existência. a ausência de finalidade lucrativa. Configura a característica juridicamente eleita na delimitação da associação. estão aquelas pessoas jurídicas de natureza civil. Presente a finalidade econômica. No regime jurídico da associação. os seus membros não pretendem partilhar lucros (pro labore). dotada de personalidade jurídica. "em uma associação. vedados pela Constituição Federal (artigo 5º. piedosa. correspondendo às universitates personarum. e com embasamento em vocação doutrinária para distinguir as sociedades das associações.associações. as fundações. formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins não-econômicos". Para o Código Civil pátrio. semelhante às sociedades. e não se trata de questão meramente de denominação. científica. as associações são constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. associação serve para denominar as pessoas jurídicas formadas por um grupo de pessoas. não distribuem dividendos. O aspecto da ausência de finalidade econômica das associações é de extrema relevância.

Percebe-se. deixando evidente quem são as pessoas unidas na constituição de uma associação. em última análise. continua válido doutrinariamente. o ente passa a ter existência jurídica. com personalidade conferida pelo Direito. goza de capacidade patrimonial e seus bens não se confundem com os bens dos associados. cada um dos associados constituirá uma individualidade e a associação uma outra. não podendo o ordenamento que a personificou ignorar esta nova realidade ou afastar arbitrariamente os seus efeitos". Elucidativa a definição de Paulo Sanchez Campos (2004. p. De acordo com o entendimento de João Batista Lopes (2003). 79): "Associado é a qualidade daquele que é sócio. No desenrolar de suas atividades. prática de esportes. A conseqüência prática e. p. Suzy Koury (2003.2. a utilidade desta construção da pessoa jurídica é o regime jurídico observado como corolário da personificação. adere a um ente jurídico ou empreendimento ou mesmo à sua formação. a associação conta com patrimônio próprio e capacidade para ser sujeito em relações jurídicas e assumir obrigações. sem qualquer miscigenação com seus membros. A associação passa a ter vida própria e autônoma. Infere-se do Código Civil que os membros da associação são denominados associados. Os associados são aquelas pessoas que se unem e se organizam em torno de um fim não lucrativo. Todos os nove artigos do capítulo que trata das associações utilizam esta expressão. 2. por meio de um acordo de vontade informal ou por meio de um instrumento jurídico (proposta associativa. conforme ponderam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004). por ser uma nova unidade orgânica. Distinção entre a associação e seus membros O Direito brasileiro compreende a pessoa jurídica como tendo existência própria e real. Além disso. exercendo direitos outorgados pelo estatuto e gozando deveres conferidos neste instrumento. em situação análoga à dos sócios perante a sociedade. defesa de direitos coletivos. segundo o qual "As pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros" não tenha sido repetido no Código Civil em vigor. distinguindo-se dos seus membros. prática de caridade e outras atividades que beneficiam um determinado grupo de pessoas. as associações são criadas para lazer. a distinção entre a pessoa jurídica e as pessoas físicas . integrando-a. mediante personificação. embora o postulado básico do artigo 20 do Código Civil de 1916. Os associados são as pessoas físicas ou jurídicas que atendem aos requisitos previstos no estatuto da associação e passam a ter direitos e deveres perante a corporação. tendo cada um seus direitos. isto é. contrato etc. Em função da sua natureza de pessoa jurídica. 08) frisa que "uma vez personalizado. deveres e bens.Em vista da disciplina legal. juridicamente exigíveis". passando a ostentar direitos e obrigações dessa condição constantes do ato de vontade. por isso. que. Como observa Maria Helena Diniz (2003). daquele que. a associação adquire aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações. sem propiciar-lhe renda. de seu estatuto ou da própria lei e. portanto. nessa mesma linha de pensamento.). adquire personalidade e atua no mundo jurídico da mesma forma que as demais pessoas jurídicas.

a pessoa jurídica perderia seu sentido jurídico. os efeitos da personificação redundam na intangibilidade do patrimônio particular dos associados perante os credores da associação. por estas não respondem os seus associados". Qual a conseqüência desta omissão? Será que se trata do "silêncio eloqüente" do legislador dando a entender que não há limitação ou descaracterização de responsabilidade dos associados. enquadrando-se na conceituação proposta. o grupo passa a ser sujeito de direito. anuímos com Fábio Konder Comparato (1979. Ocupamo-nos em demonstrar que a constituição de uma pessoa jurídica tem. Pode-se. Inexiste dispositivo legal estabelecendo em que situações os associados são responsáveis por obrigações das associações. contribuírem para a criação de uma pessoa jurídica com finalidade específica. limitação ou supressão de responsabilidades individuais". Nesse sentido. Não é aceitável que os associados. quanto por expressa disposição de lei. é possível que o ato de constituição da associação atribua responsabilidade aos associados por obrigações da associação. a associação é pessoa jurídica. O ente coletivo desprende-se do seu criador e passa a gozar de plena autonomia perante o Direito. ou não. não o faz quanto às associações. Por outro lado. consoante o artigo 46. porquanto quando falamos de associação. Embora não haja disposição explícita sobre o assunto. solidária ou subsidiária. Personificado. porquanto são. reversamente ao previsto para as sociedades? De modo algum. neste diapasão. é facultativa. Assim sendo. Afastar a separação patrimonial da associação seria uma contradição ontológica. ilimitada. apto a praticar atos jurígenos e. A fixação de responsabilidade. ou seja. Ora. após constituírem uma associação com fins não econômicos. cuja natureza impõe a incomunicabilidade de bens. o ato de registro da associação deve declarar se os membros respondem. que passam a ter personalidades próprias e patrimônios inconfundíveis. bem como entre o acervo de bens de ambos. perfeitamente aplicável hodiernamente. destarte. 268) quando afirma que "não se pode perder de vista é o fato de ser a personalização uma técnica jurídica utilizada para se atingirem determinados objetivos práticos – autonomia patrimonial. não fosse essa distinção entre o singular e o coletivo. definindo ou delimitando a responsabilidade dos associados por obrigações da associação. especialmente sob o aspecto patrimonial. exponham seus bens ao risco de um insucesso da associação. inciso V. se a responsabilidade é limitada. opina Miguel Reale (1998.compõem o vetusto brocardo societas distat a singulis. Enquanto a norma fixa pormenorizadamente os limites e efeitos da constituição da sociedade em relação ao patrimônio dos sócios. Ao ser criada a pessoa jurídica. contudo. do Código Civil. tanto pela sua natureza jurídica. p. versamos sobre uma pessoa jurídica. pelas obrigações sociais. . subsidiariamente. a distinção entre o ente coletivo e seus membros. Diversamente do que ocorre no tocante às sociedades. p. A inexistência de responsabilidade dos associados é fator inerente à existência da associação civil. por definição legal. 234) que "se uma sociedade civil de intuitos recreativos falha em seus objetivos e se vê a braços com imensas dívidas. Às associações aplica-se esta disciplina. o Código Civil não se preocupou em disciplinar a responsabilidade social das associações. da qual os associados não obterão nenhum acréscimo patrimonial. como principal efeito. pessoas jurídicas. ocorre uma cisão entre a sua existência e a de seus integrantes. Verdade é que.

A revolução industrial trouxe o aumento dos custos da atividade econômica: a mão-de-obra. Leciona Suzy Elizabeth Koury (2003. os meios-de-produção consumiam maiores investimentos. afinal. De outra parte. . a criação de pessoas jurídicas tornou-se comum. passou a ser paga. A burguesia. p. lançou mão da pessoa jurídica para viabilizar a produção. será destinado a entidade de fins não econômicos. de modo que a estas não possam ser imputadas as condutas.assentar que não há qualquer responsabilidade dos membros. os direitos e os deveres daquela". Se a associação quedar insolvente. É forçoso que os associados não fiquem pessoalmente obrigados perante credores da associação. eram usadas como ferramenta para práticas escusas e locupletamento. Foi-se tornando cada vez maior a preocupação da doutrina e da jurisprudência com a utilização da pessoa jurídica para fins diversos daqueles tipicamente considerados pelos legisladores. conforme argumenta Fábio Konder Comparato. não podem ingressar no acervo de qualquer associado. Aos associados é vedado obter lucro na criação. A distinção entre os membros e a pessoa jurídica diminuía o impacto dos riscos da atividade econômica. De outro modo. 2003. O instituto da associação tornar-se-ia inócuo e totalmente irrelevante para a coletividade. Os bens da associação são só dela e. se for o caso. acarretando a inexistência de qualquer responsabilidade dos associados por obrigações da associação. limitando a perda do patrimônio individual. durante o funcionamento ou por meio da dissolução da associação. então alçada ao poder. O patrimônio pessoal do sócio de uma empresa ficava resguardado em caso de insucesso do empreendimento a partir do momento em que o capital destinado à atividade empresarial fosse destacado. antes serão entregues a outra pessoa jurídica com fins semelhantes. o remanescente do seu patrimônio líquido. 63) que dentre esses meios. as quotas ou frações ideais. a demanda reclamava alta produtividade. mesmo após sua extinção. "a função geral da pessoa jurídica consiste na criação de um centro de interesses autônomos em relação às pessoas que lhe deram origem. dissolvida a associação. ocasionalmente. seus credores não poderão avançar no patrimônio pertencente exclusivamente aos associados. o artigo 61 do Código Civil preconiza que. razão pela qual passaram a buscar meios idôneos para reprimi-la. 66). antes escravizada. Isto reforça a separação patrimonial entre associação e associados. ninguém se interessaria em criar uma associação ou nela ingressar. A partir do século XIX. p. (COMPARATO apud KOURY. unida à vantagem de união de esforços com outrem. Teoria da desconsideração da personalidade jurídica Nos auspícios do liberalismo econômico. depois de deduzidas. verificou-se que a separação patrimonial e a exclusão de responsabilidade propiciavam situações injustas e. 3.

principalmente a norte-americana. não fosse a desconsideração. acerca da personificação da pessoa jurídica e seus corolários. assentada nos diversos ordenamentos jurídicos. de 1897. seriam atribuídos (respectivamente) à sociedade ou ao sócio" (JUSTEN FILHO. Solomon & Co. 1987. E acrescenta que nela "aprecia-se a situação jurídica tal como se pessoa jurídica não existisse. a teoria ingressa no final dos anos 1960. O princípio . Por outro lado. no caso concreto. para quem "pela teoria da desconsideração. "A maioria dos doutrinadores acredita que a teoria da desconsideração da personalidade jurídica teve sua origem na Inglaterra. que questionam a autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar sempre os sócios. a desconsideração da personalidade jurídica". para preservar a jurisdição dos tribunais sobre as sociedades anônimas.] Mas foi no âmbito da common law. ignorando a existência da pessoa jurídica num caso concreto.406. Posteriormente positivada em várias leis especiais. De acordo com Alexandre Couto Silva (2004. Deveaux. o que significa que se trata a sociedade e o sócio como se fossem uma mesma e única pessoa. obtempera que a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica "é a ignorância. Na doutrina brasileira. que se desenvolveu. 55).. O juiz Marshal. 57). e as técnicas. Ltd. Marçal Justen Filho (1987. numa conferência de Rubens Requião expondo seus estudos produzidos na Europa. elaborada pelo alemão HAUSSMANN e desenvolvida na Itália por MOSSA. A desconsideração vem de encontro a toda a construção teórica. que se apegam inflexivelmente ao primado da separação subjetiva das sociedades. a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica foi acolhida no Código Civil em vigor (Lei nº 10."VERRUCOLI recorda a chamada teoria da soberania. o juiz pode deixar de aplicar as regras de separação patrimonial entre sociedade e sócios. inicialmente na jurisprudência. p. 40). p. aplicando-se a teoria da desconsideração". Nela a teoria foi apresentada como a superação do conflito entre as soluções éticas. a primeira manifestação de que se tem notícia nos EUA foi no caso Bank of United States v. a fim de evitar um resultado incompatível com a função da pessoa jurídica". constitui um precedente da Disregard Doctrine. dos efeitos da personificação jurídica validamente reconhecida a uma ou mais sociedades. não se discerne. que. entre o membro e a pessoa jurídica da qual ele faz parte.. (grifos do autor) A Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica surgiu como instrumento de inibição e correção do uso indevido da pessoa jurídica. proclamou os acionistas como parte integrante e seu direito e deveres como cidadãos reconhecidos para serem alcançados pela jurisdição. p. Esse é. 444). [. de 10 de janeiro de 2002). julgado pelo Juiz Marshal em 1809. para casos concretos e sem retirar a validade de ato jurídico específico. no caso Solomon v. em percuciente digressão. segundo ele. Ao aplicar-se a desconsideração. porque é necessário coibir a fraude perpetrada graças à manipulação de tais regras". Atribuem-se ao sócio ou à sociedade condutas (ou efeitos jurídicos de conduta) que. também. p. o entendimento de Fábio Ulhoa Coelho (2002.

ainda. 39. Segundo argumenta Alexandre Couto Silva (2004. afirma tal personalidade". ou seja. graças ao caráter instrumental que tem o reconhecimento da personalidade jurídica como aparato técnico oferecido pela lei à obtenção de finalidade que os indivíduos por si sós não poderiam conseguir". e faz-se isto criteriosamente. O abuso da pessoa jurídica é possível. precisamente. não exatamente para preservar os ganhos já consolidados em seu patrimônio pessoal. Do ponto de vista de Serick. mas para se locupletar indevidamente com o descumprimento de obrigações. o que seria absolutamente legítimo de acordo com o escopo da personificação. Abuso de direito é o uso excessivo ou impróprio da pessoa jurídica em benefício dos sócios. p. A justificativa para a aplicação da desconsideração reside no desvirtuamento dos fins da pessoa jurídica ou. p. como afirma com propriedade Rolf Serick. grifos do autor). temos a configuração do uso abusivo do direito legalmente sancionado. Abuso de personalidade jurídica A teoria do abuso de direito foi transportada para o campo do direito comercial como diretriz para o funcionamento das sociedades. .universitas distat singuli é inobservado. 2003." (SERIK apud LOPES. na origem de sua elaboração científica. como enumera Rolf Serick. 2. Em caso de abuso da forma da pessoa jurídica. p. subtrair-se às obrigações contratuais ou causar danos a terceiros. não se pode desconhecer a autonomia subjetiva da pessoa jurídica só porque não se logrou realizar o escopo de uma norma ou a causa objetiva de um negócio jurídico. 89). a sociedade é espécie de pessoa jurídica utilizada nas atividades econômicas. Quem luta contra semelhante desvirtuamento. Salvo exceções previstas em lei. contudo.3. como forma de combater o abuso da pessoa jurídica. é direito subjetivo de toda pessoa ser membro ou administrador de uma pessoa jurídica. Bem observa Fábio Ulhoa Coelho (2002) que algumas pessoas se valem desse postulado de distinção entre personalidade e patrimônio. Em princípio. A personificação da pessoa jurídica não pode servir como anteparo de fraudes e de atos lesivos a interesses daqueles que mantêm relações jurídicas com a corporação ou membros e administradores desta. o reconhecimento de situação concreta na qual a personalidade já foi descaracterizada. acima transcrito. A licitude das sociedades não é irrestrita. "1. pois. 3. se esse direito é utilizado de modo incompatível com a finalidade para a qual a pessoa jurídica foi idealizada pelo ordenamento jurídico. 434). traduzida na intenção de burlar a lei. "quem nega sua personalidade é quem abusa dela. Afinal. o abuso é traduzido na intenção de burlar a lei. sendo lícito. a quem quiser dedicar-se a este ramo. o juiz pode afastar-se da distinção entre sócio e pessoa jurídica. subtrair-se às obrigações contratuais ou causar danos a terceiros. a teoria da desconsideração da personalidade jurídica fulcrou-se na teoria do abuso do direito. juntar-se a outros sócios e constituir uma corporação com tais fins. "O abuso de direito é a utilização da pessoa jurídica de maneira contrária ao fundamento que a criou ou a reconheceu. pois. (SERICK apud KOURY. caracterizados pelo abuso da personalidade jurídica. 2003.

(grifos do autor). Ao fazê-lo. 460) que "deve-se entender que o desvio de finalidade estabelecido no novo Código Civil trata-se do desvio do fim para o qual o ordenamento jurídico reconheceu a personalidade à pessoa jurídica. cujo significado é exposto por Fábio Konder Comparato (1979. O Código Civil elegeu especificamente o abuso da personalidade jurídica. ou aberratio finis legis. transparecendo que não são cumulativas. a falha de um objetivo ou finalidade.De fato. evidentemente. trata-se de abuso de direito". como foi dito em paráfrase a consagrada expressão do direito penal". O artigo 50 encerra o desvio de finalidade como circunstância que caracteriza o abuso da personalidade jurídica.68). . pois. uma via direta que deixou de ser seguida. p. O desvio da finalidade da pessoa jurídica ocorre quando se faz uso deste instituto de maneira distorcida à luz do Direito. ou seja. o legislador preocupou-se em especificar duas situações que caracterizam o abuso da personalidade jurídica: o desvio de finalidade e a confusão patrimonial. Assim sendo. Reforça Alexandre Couto Silva (2004. 284): "Falando-se de desvio. então. a primeira hipótese caracterizadora do abuso da personalidade jurídica é o desvio de finalidade. p. p. calcado na teoria do abuso de direito. Supõe-se. para se atingir um alvo ou se chegar a um resultado. Só é viável reconhecer o desvio de finalidade ou função através de exame dos atos concretos por meio dos quais se exterioriza o funcionamento da pessoa jurídica. Se a via instituída não é observada e sucede uma deformidade subjetiva na existência da pessoa jurídica. mas na atividade funcional desempenhada pelo sujeito que praticou tal ato. como pressuposto para a desconsideração da pessoa jurídica. autorizando a desconsideração. Esse "defeito" é que se encontra na raiz da desconsideração. a confusão dos patrimônios da pessoa jurídica e dos seus membros ou administradores. como assenta Marçal Justen Filho (1987. Passa a atuar conflitantemente com a função a ela atribuída pelo direito. subtende-se. impostos pelo direito. contudo é possível que estes não sejam obedecidos na prática. ressalta Fábio Konder Comparato (1979). separadas pela conjunção alternativa "ou". "A desconsideração configura-se como um defeito de funcionalidade na atuação de uma pessoa jurídica. larga corrente teórica e jurisprudencial tem procurado justificar a desconsideração da personalidade com as noções de abuso de direito. Há um conflito entre a função abstratamente delineada pelo ordenamento e a atividade funcional concretamente desempenhada pela sociedade personificada". O defeito de que se pode falar reside não na estrutura do ato jurídico específico.3. Estas duas hipóteses estão expressamente previstas no texto do artigo 50. (grifos do autor). há abuso da personalidade jurídica. pois. No ordenamento jurídico encontramos os contornos ditados para o funcionamento da pessoa jurídica.1. configurado o desvio de finalidade da pessoa jurídica ou. Desvio de finalidade Na dicção do artigo 50 do Código Civil. antes de tudo. 3.

Tal preceito deriva da teoria ou concepção objetiva da desconsideração da personalidade jurídica elaborada por Fábio Konder Comparato (1979. Ela foi causada por uma utilização abusiva da pessoa jurídica". é possível ocorrer confusão patrimonial. Havendo procedimento que acarrete a indistinção entre o patrimônio da pessoa jurídica e dos seus membros. não se vê bem porque os juízes haveriam de respeitá-lo. que assim seja. Neste sentido. 333). numa regra puramente unilateral". Segundo argumenta Marçal Justen Filho (1987. apresentada por Comparato. pois a pessoa jurídica nada mais é. que é o maior interessado na manutenção desse princípio. mas também qualquer situação na qual os administradores ou sócios tivessem amalgamado seus bens pessoais com os bens de propriedade da sociedade. (grifos do autor). Em decorrência de administração ou utilização da pessoa jurídica em moldes desfigurados da sua interface normativa. entendida pelo Código Civil como caracterização de abuso da personalidade jurídica. 138): "a confusão patrimonial será corolário do abuso da pessoa jurídica. afinal. destarte. tal constatação pode ser invocada para fazer aplicar a desconsideração. p. desde que seja causa de uma desfunção. transformando-o. E compreende-se. facilmente. colocada nos seguintes termos: "A confusão patrimonial entre controlador e sociedade controlada é.3. baseia-se na separação patrimonial destacando os fundamentos da desconsideração conforme negócios interna corporis – desvio de poder e fraude à lei – ou externa corporis da pessoa jurídica – confusão patrimonial entre titular do controle e sociedade controlada". . Comparato escrevia sobre o poder de controle nas sociedades anônimas quando exprimiu a idéia de confusão patrimonial como hipótese de aplicação da desconsideração da personalidade jurídica. Esta tese evoluiu de modo a abarcar não só a confusão patrimonial entre controlador e sociedade controlada. 449) que "a concepção objetiva. o artigo 50 do Código Civil previu a confusão patrimonial como hipótese de abuso da personalidade jurídica. p. transparece a infringência ao principal efeito da personificação. assinala Alexandre Couto Silva (2004. Confusão patrimonial Ao lado do desvio de finalidade. razão pela qual comina a hipótese com a possibilidade de desconsideração da personificação para que os bens dos administradores e integrantes sejam atingidos pelos efeitos de obrigações assumidas pelo ente coletivo. A distinção de personalidade implica a separação de patrimônios. Se o controlador. fator já devidamente comentado algures. do que uma técnica de separação patrimonial. o Código Civil entrevê na confusão patrimonial o abuso da personalidade jurídica.2. Neste caso.3. ou seja. o critério fundamental para a desconsideração da personalidade jurídica externa corporis. desde que haja utilização inadequada e insatisfatória da pessoa jurídica. (grifos do autor) Assimilando tal construção teórica. portanto. p. descumpre-o na prática.

Não é só a sociedade que pode ser instrumento de perpetração de fraude. Os direitos titularizados pela associação. as associações podem apresentar distorções em seu funcionamento. Semelhantemente. posto que as sociedades são as entidades que transitam na seara comercial. "fins não econômicos". seriam realizados a custo muito maior. Quer dizer. de outro modo. Rubens Requião (2002.4. a associação observa o regime de inconfundibilidade com seus membros e de separação patrimonial. a saber. assim como o abuso de personalidade jurídica pode ser encontrado em qualquer instituto que se valha da personificação. negócios jurídicos e pessoas jurídicas alheias ao Direito Comercial. não é difícil . resultam da necessidade gregária do homem e da conveniência em unir-se a outros semelhantes de modo a potencializar a capacidade de alcançar fins comuns que. ou simplesmente irrealizáveis. p. a pessoa jurídica reveste forma associativa ou fundacional. O abuso de direito pode ocorrer onde se apresentar um direito. dentre as quais. a associação não foge dos fundamentos pelos quais a pessoa jurídica surgiu como instituto jurídico. Assim. se administradores ou membros inescrupulosos utilizarem-na de maneira estranha ao intento fixado pelo ordenamento jurídico. Fábio Ulhoa Coelho (2002. devido a sua instrumentalidade no âmbito comercial. Sua finalidade é especificamente delimitada pelo caput artigo 53 do Código Civil. desde que mantenham controle total sobre os seus órgãos administrativos. ao seu integrante ou instituidor não é atribuído nenhum bem correspondente à respectiva participação na constituição do novo sujeito de direito. ele é radicalmente distinto dos bens dos seus membros. Entretanto. as associações. não são extensíveis aos seus membros ou administradores. As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. sobretudo para contornar as proibições estatutárias do exercício de comércio ou outras vedações legais". podem concretizar com maior eficácia a fraude do desvio de bens". p. por ser pessoa jurídica. Aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica às associações A teoria da desconsideração da personalidade jurídica sempre foi abordada como recurso jurídico aplicável às sociedades. O regime jurídico das pessoas jurídicas sofreu distorções observáveis na dinâmica das sociedades. 751) argumenta que "todos percebem que a personalidade jurídica pode vir a ser usada como anteparo de fraude. A inserção da desconsideração da personalidade jurídica no corpo do Código Civil ampliou a abrangência da teoria respectiva. nem somente ela é passível de ter sua personalidade jurídica maculada por abuso. Em hipótese alguma as associações estão autorizadas a desempenhar atividades que redundem na propiciação de lucro para seus administradores ou associados. bem como as obrigações por ela contraídas. Dada sua natureza. de modo a torná-la aplicável a relações jurídicas. De mesma forma. a exemplo das associações. o sócio da associação ou o instituidor da fundação. 43) comenta: "Quando. porém. Se a associação possui patrimônio próprio.

em estabelecer o conteúdo mínimo necessário do estatuto de uma associação. A maior parte das destas são associações "sem fins lucrativos". são constituídas sem capital ou este tem valor simbólico" frase cujo teor menciona nuança deveras relevante na análise das associações em sua função instrumental: insuficiência patrimonial das associações. p. como também articula todas as maneiras possíveis de canalizar o lucro da instituição em benefício pessoal.] Daí as regras disciplinadoras da vida associativa em geral. citando Miguel Reale: "Preocupa-se a lei. com disposições especiais sobre as causas e a forma de exclusão de associados. pois até 1997. na realidade. Neste caso. ou proporcionando ganho patrimonial aos seus membros através de uma complexa ginástica contábil ou mesmo cínica e diretamente. portanto. as atividades da corporação.vislumbrar uma associação repartindo periodicamente o saldo do seu caixa aos seus associados. É possível pessoas se unirem e constituírem uma associação sem desembolsar qualquer quantia. Exemplificativamente. O bem senso e a experiência nos levam a admitir a possibilidade das associações serem objeto de abuso de personalidade jurídica. É possível existir associações somente "de fachada" para permitir aos seus associados a execução de atividades profissionais de intuito inegavelmente lucrativo.. nem destinar quaisquer bens para a composição do patrimônio da associação. a associação pode padecer desta deficiência endógena de sintomas imperceptíveis. colhemos de um sítio eletrônico especializado em Ensino Superior uma matéria jornalística segundo o qual. A associação pode ter sua sede em um imóvel valiosíssimo e uma infra-estrutura excelente sem . visando. muito provavelmente. estima-se que apenas 400 a 500 delas sejam empresas com finalidades lucrativas. o ordenamento jurídico não impõe qualquer patamar mínimo de recursos financeiros para que uma associação seja criada ou funcione. a coibir abusos por parte de pessoas inescrupulosas. quando. Ou. p. bem como quanto à repressão de uso indevido da personalidade jurídica. contudo. ainda. [01] Este é apenas um registro de hipótese na qual identificamos traços de abuso da personalidade jurídica por desvio de finalidade relativo às associações e não nos ocuparemos em arrolar outros exemplos. Alexandre Ferreira de Assumpção Alves (2000. [. fato já percebido pelo legislador. serão realizadas mediante a utilização de bens de propriedade dos membros. Além dos riscos de desvirtuamento de uso indevido.. quando esta for desviada de seus objetivos sócio-econômicos para a prática de atos ilícitos e abusivos".762 Instituição de Ensino Superior privadas existentes hoje. situação propícia para o estabelecimento de confusão patrimonial. das 1. seu acervo de bens é mínimo ou inexistente. o funcionamento da associação com bens pertencentes aos seus associados de maneira a aparentar vasto patrimônio aos seus credores. tanto é que. para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004. a maioria delas tem um "dono" que não apenas detém o poder total sobre a instituição. principalmente aqueles de fins culturais e religiosos. mas conseqüências daninhas. haja vista a plausibilidade de desvio de finalidade das associações independentemente do motivo de suas constituições. 216). Devido ao seu caráter não econômico. que constituem associações fraudulentas apenas para causar danos à Fazenda Pública ou a terceiros de boa-fé. esta era a única modalidade jurídica permitida pelo governo para o setor. 254) ressalta que "algumas sociedades. sobremaneira.

sem negar sua existência. Desconsiderar a personalidade jurídica é o remédio que a tecnologia do Direito instituiu em face do abuso da pessoa jurídica e não apenas das sociedades. (SERICK apud SILVA. Ambas são corporações. ou ligadas por interesse comum. A similaridade estrutural é de tal ordem que o Código Civil prevê . de que as sociedades e as associações são espécies". reputando-o perfeito e acabado. 36): "Do latim corporatio. configurado pela confusão patrimonial. "a proteção do próprio instituto através da teoria da desconsideração da personalidade jurídica que. como pessoas jurídicas de direito privado que são. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica visa preservar o espírito da pessoa jurídica. quando na realidade seu patrimônio é nulo ou ocorre um intercambiamento entre o acervo da corporação e de seus membros. aplicável unicamente às sociedades por ter sido lapidado nos arraiais comercialistas. no âmbito civil. Em tais circunstâncias a confusão patrimonial é inevitável. subordinadas a uma regra. em razão de ter sido cedido pelos associados. estas entidades se encontram implicitamente previstas no Direito Privado. ou seja. Aos olhos de terceiros. 451). p. tendo órgãos deliberativos e administradores. A teoria da desconsideração não pode ser tratada de forma estática. para determinado fim. como um novo dogma. Mais ainda. enveredarem pela trilha do abuso da personalidade jurídica. De acordo com a teoria de abalizados mestres. p. compreende agremiação ou união de pessoas. Desse modo. 2004.que tal patrimônio lhe pertença. resultam da união de pessoas. p. A possibilidade de abuso da personalidade jurídica da associação ocorre. uma vez que constituem gênero. estatuto ou compromisso. agora. As corporações também são denominadas pela doutrina como universitas personarum. (grifos do autor). a corporação. afinal. devido à semelhança estrutural entre associação e sociedade. atingindo em casos particulares a pessoa do sócio (pessoa natural ou jurídica)". 431). em parte. supera a pessoa jurídica. A positivação do instituto não deve implicar sua fossilização. o jurista alemão Rolf Serick afirma que "a desconsideração da personalidade jurídica poderá ser aplicada em qualquer país em que se apresente a separação incisiva entre pessoa jurídica e os membros que a compõem. percebe-se a real possibilidade das associações. sob pena de torná-lo inadequado às novas realidades. a teoria da desconsideração da personalidade jurídica surgiu do inconformismo perante situações injustas e redundou no questionamento do dogma da separação radical entre a corporação e seus integrantes. não hesitamos em afirmar que a teoria da desconsideração pode e deve ser usada como instrumento de correção do abuso. Por isso. colocando o problema de que essa separação radical pode conduzir a resultados injustos". onis. como expõe Alexandre Couto Silva (2004. É inconcebível que seja posta. relativizando o princípio segundo o qual as pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros. A par destas constatações. Sua aplicação imediata às sociedades é conjuntural e não reflete com exatidão a abrangência da teoria. segundo escreve Herlita Barreira Custódio (1979. a associação parece ser proprietária de inúmeros bens. nem mesmo pelo fato de vir prevista em norma escrita.

veda a instituição de impostos sobre o patrimônio. A personalidade jurídica passa a ser considerada doutrinariamente um direito relativo. sem quaisquer intenções lucrativas. no entanto. o bem-estar coletivo.1. no inciso XVII. Isto requer sua aplicação às associações. que é o fundamento legal da desconsideração da personalidade jurídica. dispensando prévia autorização para criação e vedando interferência estatal (inciso XVIII). parece-nos que o abuso da personalidade jurídica adquire uma dimensão axiológica mais preocupante. através de sua justiça. Tanto que a Constituição Federal. "c". e este mesmo Estado tem o dever de relativizar a personalidade das associações caso identifique o seu desvirtuamento. ainda. O Estado vê na associação um agrupamento permeado de ideais nobres. Esta similaridade dá azo a abusos da personalidade jurídica em uma e outra espécie de corporação. p. É o entendimento de Rubens Requião (2002. a cultura. além de uma consistente hermenêutica do artigo 50 do Código Civil. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica vem servindo adequadamente diante do abuso de sociedades. O artigo 5º. haja vista os fins não econômicos impostos pelo ordenamento jurídico. salvo por decisão judicial (inciso XIX) e conferindo-lhe legitimidade para representar seus filiados judicialmente ou extrajudicialmente. 4.2. extremamente úteis para a sociedade. sem lançar mão das ferramentas de coibição disponíveis no próprio ordenamento jurídico. proibindo a dissolução compulsória ou suspensão de atividades. ou mesmo uma remodelagem da citada teoria. É inaceitável que o Estado contemple passivamente a distorção de uma entidade deste quilate jurídico. onde se fomenta a filantropia. renda ou serviços das instituições de educação e de assistência social. A associação é. como concessão do Estado objetivando.a aplicação subsidiária às sociedades das disposições concernentes às associações (artigo 44.2. ser imprescindível outra perspectiva. macula um dos direitos fundamentais contidos na Lei Magna. "a realização de um fim" nada mais procedente do que se reconhecer ao Estado. VI. atendidos os requisitos de lei. Quem abusa da personalidade jurídica de uma associação. No caso das associações. isto através da teoria da desconsideração. Um olhar crítico revela. Hermenêutica do artigo 50 do Código Civil 4. a exemplo das sociedades. estabelece que é plena a liberdade de associação para fins lícitos. consagrada como agrupamento inerente a um direito fundamental assegurado em nosso Estado Democrático de Direito. a faculdade de verificar se o direito concedido está sendo adequadamente usado. 754). Interpretação gramatical O Código Civil dispôs sobre a desconsideração da personalidade jurídica nos termos seguintes: . § 2º). É o Estado que personifica a associação. para quem: "se a personalidade jurídica constitui uma criação da lei. a educação. permitindo ao juiz penetrar o véu da personalidade para coibir os abusos ou condenar a fraude através de seu uso". sem fins lucrativos. como diz Cunha Gonçalves. no artigo 150. fitando inseri-la na realidade social do século XXI.

membro (HOUAISS. que compreenderia as espécies. Do latim societas (associação. (SILVA. apresentando distinção entre a corporação e seus associados. do Código Civil. ou trabalhar. o que tornaria o texto legal assaz extenso e inútil. estando. em sentido amplo. Sócio. lemos que os efeitos de obrigações podem ser estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. parece-nos que a palavra sócio é utilizada como sinônimo de associados. já registramos que as associações possuem personalidade jurídica. (FERREIRA. membros de associação. a requerimento da parte. agrupamento. aplicam-se em sentido equivalente. lança mão de uma sinédoque para referir-se a toda pessoa física ou jurídica que seja membro de uma pessoa jurídica. em sentido lato. p. 61. sociedade stricto sensu e associação. Na parte final do artigo. quando fala em "sócios da pessoa jurídica". comunidade de interesses). No entanto.] Nesta lata significação. 2003. sem maiores embargos. Em caso de abuso da personalidade jurídica. 50. sob certo aspecto. associado. gramaticalmente e em sentido amplo. caracterizado pelo desvio de finalidade. aquele que ingressou em uma associação ou clube. afinal de contas elas são pessoas jurídicas. Inicialmente. Neste mesmo sentido. [. sociedade significa reunião. reunião. 1986. atinentes ao destino dos bens da associação". e em sentido estrito. sociedade e associação. entendo nos termos seguintes: Sociedade. grifos do autor). 1311. (SILVA. além de encerrar um significado mais amplo do que aquele instantaneamente apreendido sem reflexão mais detida. ou pela confusão patrimonial. pode o juiz decidir. p.. Em ambos percebemos que o verbete tem o mesmo sentido que associado. societário. Até aqui. Socorrendo-nos em dois do mais reconhecidos dicionários da língua portuguesa.Art. §§ 1º e 2º. 2003. associado. para o qual todos devem cooperar. Outrossim. que participa ou é membro de uma sociedade. sociedade e associação têm finalidades distintas que bem as identifica. ainda. grifos do autor). sócios pode. sócio pode ter sentido amplo. p. significa sociedade e associação. afiliado. significar associados. pela inconveniência em fazê-lo. Ora. Isto pela impossibilidade de citar todas as figuras jurídicas abrangidas pelo dispositivo. na intenção de realizar um fim.. por sua vez. encontramos que o vocábulo sócio significa Membro de associação ou clube. designa. com a ressalva do art. indica os membros de sociedade que. . temos por pacífica a aplicabilidade do artigo 50 às associações. 1602) e. p. na linguagem técnico-jurídica. juridicamente. Portanto. ou ainda. 215) que "a sociedade lato sensu seria o gênero. As associações possuem órgãos de representação denominados administradores no Código Civil. diz-nos Maria Helena Diniz (2003. por isso. 1319. convém acentuar. conforme registra De Plácido e Silva em seu Vocabulário Jurídico ao referir que sócio. correntemente. Ademais. ou de cumprir um objetivo de interesse comum. O artigo 50. p. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. encontramos o comando legal versando sobre abuso da personalidade jurídica. em sentido amplo. a pessoa que faz parte. têm personalidade jurídica e têm administradores. Sócio e associado na linguagem informal e leiga são sinônimos. 2001. 2596). ou agremiação de pessoas. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. (grifos do autor). submetidas ao mesmo regime normativo. isto é. haja vista serem pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas organizadas para fins não econômicos.

quando a norma ao ser aplicada produzir efeitos que contradigam os valores . Percebe-se que os artigos citados versam sobre a personalidade das pessoas jurídicas (o início da personalidade.3. Seja sociedade. ou seja. a finalidade do artigo 50 do Código Civil é possibilitar a desconsideração. retirar lucro de uma associação é desviar sua finalidade. mesmo utilizando a associação para obter lucro.4. com vistas a inibir e sancionar o desvio de finalidade do ente coletivo. do Livro II da Parte Especial do Código Civil. o órgão de representação. De acordo com Luis Recaséns Siches. afinal de contas.2. seja associação. a desconsideração da personalidade jurídica é aplicável às associações. pois só assim o espírito do dispositivo será alcançado. imputando os atos e obrigações da pessoa jurídica aos seus administradores ou membros. deve-se aplicar a norma em questão. Representação da pessoa jurídica é objeto dos artigos 47. consoante assevera Alexandre Couto Silva (2000). O fato do Código ter previsto a teoria da desconsideração da personalidade jurídica no título da parte geral que regula as pessoas jurídicas. bem como a confusão patrimonial. A disciplina do começo da existência da pessoa jurídica está nos artigos 45 e 46 do Código Civil. consta da aludida seqüência de artigos. Somos forçados a concluir que o artigo 50. Interpretação sistemática Se a desconsideração da personalidade jurídica fosse aplicável exclusivamente às sociedades. que trata do abuso da personalidade da pessoa jurídica. no que couber. a possibilidade de fazê-lo. Ousamos afirmar que a desconsideração independe da espécie de pessoa jurídica em questão. "O juiz deve verificar os resultados práticos que a aplicação da norma produziria em determinadas situações reais. 48 e 49. p. 4. evidencia a intenção do legislador de estender a aplicação da desconsideração a qualquer pessoa jurídica ou.2. em caso de abuso da personalidade jurídica. concluímos que a finalidade do artigo 50 é autorizar o afastamento da personificação. No artigo 51 encontramos disposições sobre o fim da existência da pessoa jurídica e o artigo 52 prevê a aplicação às pessoas jurídicas. do mesmo modo que os demais dispositivos acerca da personalidade da pessoa jurídica. o texto do artigo 50 teria sido inserido no Capítulo Único. Se admitirmos ser o artigo 50 inaplicável às associações basta um grupo de pessoas constituir uma associação para estar a salvo da desconsideração. em atenção à lógica do sistema. ao menos. Interpretação teleológica Marçal Justen Filho (1987. Não há como negar que a idéia da busca da justiça é fator preponderante para aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. fato que não autorizaria a desconsideração da associação. da proteção dos direitos de personalidade. o fim da personalidade e sua proteção) e são integralmente aplicáveis às associações. se houver abuso da personalidade jurídica. Dessa maneira. que trata das disposições gerais sobre as sociedades. do Título II. Caso contrário.2. 57) elucida que "o que justifica toda a teoria da desconsideração é o risco de uma utilização anômala do regime correspondente à pessoa jurídica acarretar um resultado indesejável". por si só. Sempre que esses resultados mostrarem-se de acordo com as valorações que inspiram a ordem jurídica positiva. por conseguinte.

(SICHES apud KOURY. tal norma não deve ser aplicada à situação concreta". etc. Na 3ª dimensão ganham destaque os direitos de fraternidade ou de solidariedade destinados à proteção de grupos humanos. trabalho. valorização dos meios de produção e conceitos do mesmo quilate.Interpretação histórica A teoria é instituto jurídico forjado pelo Direito no contexto do liberalismo econômico. restando frustrado se tolhermos seu alcance. p. nem vontade social para criação de associações. posto que dirigidos a uma abstenção por parte dos poderes públicos (liberdade perante o Estado). diferente dos das gerações anteriores é. A 2ª dimensão é tida como dimensão positiva dos direitos em que o Estado deveria intervir para assegurá-los (liberdade por intermédio do Estado). As associações eram corporações sem maior relevância na sociedade industrial. A titularidade de tais direitos. quando da sistematização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. que acarretou a proliferação das sociedades como instrumento para exercício de atividades econômicas. excluindo as associações da sua incidência. garantindo os direitos civis e políticos. Serick não tenha vislumbrado a possibilidade de abuso das associações. não titularizados pelas pessoas individualmente. 2003. O fim do artigo comentado é ordenar o uso da pessoa jurídica em moldes consentâneos com o ideal do Direito e o seu escopo social. assistência social. [02] . Não havia circunstâncias favoráveis. as crises econômicas. também.conforme os quais se modelou a ordem jurídica. A título de melhor compreensão acerca das dimensões dos direitos fundamentais. a jurisprudência norte-americana e inglesa parecem não ter se deparado com casos de desvio de pessoa jurídica sem fins econômicos. O Estado liberal do fim século XIX e início do século XX conferiu às pessoas o direito subjetivo de constituir e integrar entes coletivos sob o pretexto de fomentar o progresso econômico. as guerras e o agravamento das desigualdades sociais tornaram obsoleto o liberalismo e o Estado passou de garantidor das liberdades a promotor das liberdades e do bem-estar dos indivíduos. nem incentivos. ocorreu nova modificação e o Estado dirigiu sua atenção. A espécie de pessoa jurídica mais adequada a este desiderato era a sociedade.2. 77). Do mesmo modo. tais como saúde. Posteriormente. Os indivíduos passaram a gozar de direitos a prestações sociais estatais. as transformações econômicas e sociais resultantes da Revolução Industrial e do fortalecimento do Estado Liberal trouxeram a disseminação das pessoas jurídicas com fins econômicos. Durante o século XX. via de regra. para quem a 1ª dimensão engloba os direitos de cunho negativo. desenvolvimento. Os valores cultivados pela sociedade eram produtividade. porquanto a finalidade desta espécie de pessoa jurídica recebia pouca atenção do Estado e da coletividade. coletiva ou difusa. para os interesses e necessidades coletivas. geração de riqueza.4. valemo-nos do entendimento de Ingo Wolfgang Sarlet (2001). no final do século XIX e início do século XX. A hipótese torna-se mais palpável ao lembrarmos que. 4. É possível e provável que.

O ato jurídico praticado pela associação é mantido em sua eficácia e validade. p. O jurista é o responsável pela interpretação da lei em conformidade com a realidade social vivida e. apenas de 1996 para 2002. devido a sua identificação com os direitos enfatizados naquela. p. Considerações finais Além da plausibilidade de abuso da personalidade jurídica das associações. dentre outros pontos. Nas associações ocorre personificação e a desconsideração desta implica na ignorância dos seus efeitos. 453). que foi de 88% de 1970 para 1980. O afastamento da distinção patrimonial e dos efeitos da personificação tem o escopo de evitar a perpetração de fraudes ou o abuso através da associação em detrimento de interesses de pessoas que figuram em relações jurídicas junto àquela corporação. Tal digressão faz-nos concluir que a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica às associações é compatível com a evolução histórica desta teoria. O destaque das associações é recentíssimo. contudo as repercussões daquele ato alcançam o patrimônio dos associados ou administradores das associações. 2004). como exprime Alexandre Couto Silva (2004. todos os elementos da desconsideração da personalidade jurídica podem ser encontrados quando aplicada às associações. As sociedades não se enquadram na promoção do direito ao meio-ambiente equilibrado. dado o aparecimento de grande número de entidades em todos os setores da vida". conclui. revela Herlita Barreira Custódio (1979.Nessa terceira dimensão houve fortalecimento e proliferação das associações. adiantando-se no regramento desta hipótese. considerariam a possibilidade de abuso destas pessoas jurídicas. "não pode limitar-se à mera interpretação de um direito objetivo que tem a pretensão de ser perfeito e infalível. a par dos resultados do levantamento supra referido. o problema das associações vem apresentando traços característicos. de modo que a separação patrimonial é afastada no caso concreto. de 124% de 1980 para 1990 e. não poderiam levá-las em conta. Assim sendo. caracterizada pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. A cada década se acelera o ritmo de crescimento. bem como o legislador do Código Civil. 53) que "hodiernamente. à educação e outros relacionados à fraternidade e à solidariedade. os pioneiros no estudo da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. o que por si só justifica a aplicação da teoria comentada. Na obra As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil 2002 (IBGE. devendo assumir uma função propulsiva capaz de tornar o direito positivo sempre mais de acordo com as necessidades concretas da sociedade". Estes são os que têm ganhado espaço no Brasil a partir do final do século passado. se conseguissem antever a presença maciça das associações na sociedade brasileira. Por isso. que a grande maioria (62%) das associações sem fins lucrativos foi criada a partir dos anos 90. Indubitavelmente. Já o cunho não econômico das associações "cai como uma luva" no contexto de ênfase dos direitos da terceira dimensão. contendo coleta e análise de dados realizadas pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística acerca das associações. de 157% [03]. sendo que as sediadas no Norte e Nordeste são bem mais jovens que as do Sul e Sudeste. 5. direito dos consumidores. .

lógico-sistemática. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: um estudo de direito civil constitucional. A desconsideração da personalidade jurídica continua sendo um instituto jurídico muito novo e de difícil compreensão. CANOTILHO. O poder de controla na sociedade anônima. 2. como as da Física. 77-85. BONAVIDES. Direito constitucional e teoria da constituição. ed. retornando às lições de Miguel Reale (1998. . 2001. porquanto. 2001. Encontramos no artigo 50 do Código Civil o fundamento legal para construção do modelo jurídico disciplinador deste abuso. A teoria que lhe dá suporte. Alexandre Ferreira de Assumpção.O trabalho hermenêutico. Paulo. São Paulo: Saraiva. corrigindo as situações injustas decorrentes desta conduta. ela estabelece princípios e leis. a objetividade da observação dos fatos sociais e concordância de seus enunciados. CAMPOS. jan. São Paulo: Revista dos Tribunais. Norberto. "A certeza das ciências sociais é obtida mediante o rigor do raciocínio. Revistas dos Tribunais. à vista da observação positiva dos fenômenos ou fatos sociais". As associações no novo código civil e a liberdade de religião. p. leis que asseguram certo grau de certeza e previsibilidade. Bibliografia ALVES. COELHO. Gomes. mas leis de tendência. 82). 10. de modo a evidenciar a aplicabilidade da desconsideração da personalidade jurídica às associações. p. 1979. São Paulo. ou por terem sido estabelecidas "com rigor". São Paulo: Malheiros. In Problemas de direito civil – constitucional / Coordenação Gustavo Tepedino. v. por meio das interpretações gramatical. 4.. J. BOBBIO. Fábio Ulhoa. ed. isto é. como nosso sistema. Fábio Konder. embora construtivo. teleológica e histórica. p. Quando uma ciência social obedece às exigências ora apontadas. 7. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Paulo Sanches. 1999. 2002. COMPARATO. 5. contudo. J. Coimbra: Almedina. 2004. 819. ed. principalmente nos países que derivam do direito continental europeu. ed. São Paulo: Renovar. 2. Visto se basearem em dados estatísticos e probabilísticos. 11. se apresenta como ferramenta jurídica útil e eficaz na tarefa de inibir o abuso da personalidade jurídica das associações. (grifos do autor) O abuso da personalidade jurídica das associações é um fato social observável e previsível. Teoria do ordenamento jurídico. ed. v. Curso de direito comercial. deve ser científico e criterioso. 2000. Curso de direito constitucional. 243-276. Não são leis de causalidade.

2004. Judith. 191-205. 579. Rio de Janeiro: Objetiva.(Ed. v. São Paulo. 20. "Disregard of legal entity". ed./ago. CUSTÓDIO. Thadeu Andrade da. 2006. João Batista. Revistas dos Tribunais. São Paulo. HOUAISS. Pablo Stolze.. 819. IBGE. 2 ed.. p. 818. Maria Helena. Marcia Regina. jul. 1. 1997. São Paulo: Revista dos Tribunais. A dimensão temporal do conceito de pessoa jurídica e sua crise. 2529. 5. PEREIRA. 36-46. v. mai.. A responsabilidade dos sócios e administradores e a desconsideração da pessoa jurídica./set. Novo código civil comentado. Rodolfo. 2. v. 2004. v. Comentários ao código de defesa do consumidor. ed. DINIZ. MARTINS-COSTA. ed. 1987. A desconsideração de personalidade jurídica (disregard doctrine) e os grupos de empresas. 1979. 1997. . Mauro Sales Villar. PAMPLONA FILHO.. p. 1984. 2004. KOURY. p. jan. ed. São Paulo: Saraiva. Novo dicionário da língua portuguesa. p. Hermenêutica e aplicação do direito. São Paulo: Saraiva. São Paulo. 19.CUNHA. GAGLIANO. Caio Mário da Silva. Rio de Janeiro: Forense. Associações e fundações de utilidade pública. FRIGERI. Rio de Janeiro: Forense.. 2006. 19.). São Paulo: Revista dos Tribunais. 339. _____. 1986. ed. 2. p. Curso de direito civil brasileiro. 2. jan. v. Carlos. São Paulo: Saraiva. Revistas dos Tribunais. v. São Paulo: Revista dos Tribunais. São Paulo. 2003. 739. 1. MAXIMILIANO. FERREIRA.). 2001. Co-editor. Helita Barreira. Novo curso de direito civil. Revista Forense. Cláudia Lima. Rio de Janeiro: IBGE. 2003. Suzy Elizabeth Cavalcante. Instituições de direito civil. Revistas dos Tribunais. v. Rio de Janeiro. As fundações privadas e associações sem fins lucrativos no Brasil 2002. LOPES. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Desconsideração da personalidade jurídica no novo código civil. Aurélio Buarque de Holanda (Ed. Desconsideração da personalidade societária no direito brasileiro. 53-69. ed. Culturalismo e experiência no novo código civil. 2004. MARQUES. 2003. 23-38. A. Revistas dos Tribunais. JUSTEN FILHO. Lauro. 3. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. LIMBORÇO. ed. ed. dez. Marçal. Rio de Janeiro: Forense.

ed. São Paulo. _____. Ingo Wolfgang. Rio de Janeiro. ed. 89. fev. Alexandre Couto.. SILVA. Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica (disregard doctrine). 2. Notas 1. 2001. Revista Forense. In Direito de empresa no novo código civil / Coordenação Frederico Viana Rodrigues. out. Revistas dos Tribunais. XAVIER. 1998.. v. Vocabulário Jurídico. Antonio do Rêgo Monteiro. 2003. Direito civil. Direito civil.. São Paulo: Atlas. Sistema de legalidade. mai. 751-764. 24. ed. 1998. os chamados microssistemas e a Constituição: premissas para uma reforma legislativa. 2004. v. De Plácido e. Visão geral do novo código civil. Universia Brasil.universia. _____. v. Desconsideração da personalidade jurídica no código civil. In Problemas de direito civil – constitucional / Coordenação Gustavo Tepedino. v. 20 out. 23. 169-184. p. São Paulo.2000. São Paulo: Saraiva. 11-19. 2003. Revista dos Tribunais. Rubens. São Paulo: Forense. . Disponível em: http://www. ROCHA. p. São Paulo: Saraiva. São Paulo. na "desconsideração da personalidade jurídica". SILVA. São Paulo. 1.. Curso de direito comercial. São Paulo: Renovar.jsp?id=2308. Revista da Ajuris. 1. O código civil.com. 2007. p. RAMALHETE. A eficácia dos direitos fundamentais. p. v. 1998. Sílvio. v. 2000. 47-58. 2003. 431-467./fev. Gustavo. Curitiba: Juruá. RODRIGUES. 2002. 2000. ed./mar. Rio de Janeiro: Forense. Desconsideração da personalidade jurídica: limites para sua aplicação. 28. 3. 2003. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 1. Sílvio de Salvo. set. TEPEDINO. Acesso em 26 abr. Miguel. 293. Código de defesa do consumidor: desconsideração da personalidade jurídica. 803. 23º ed. 1-16. _____. A teoria da desconsideração da pessoa jurídica no novo código civil. 1986. Revistas dos Tribunais. 1. Lições preliminares de direito. p. p. REQUIÃO. p. José Tadeu Neves.br/materia/materia. ed. 2003. VENOSA.. 1999. ENSINO superior na mira dos investidores. São Paulo: Saraiva. Clóvis. Porto Alegre. 808. 780. REALE. SARLET. jan. 79-82. v. v. v.

n. A desconsideração da personalidade jurídica aplicada às associações. 3. São Paulo: Malheiros. Especialista em Direito Civil Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT VIEIRA. Paulo Bonavides menciona ainda os direitos de quarta geração (BONAVIDES.br/home/estatistica/economia/fasfil/comentario. Paulo. p. Jairo Cavalcanti. Teresina. 2007. 2010. Acesso em 26 abr. 2544. 2010.br/revista/texto/15064>. ano 15. mas seu exame fugiria por demais nosso propósito.pdf.ibge. Rio de Janeiro.2. Disponível em: <http://jus. 11 ed. Jus Navigandi. 524-526). Sobre o autor Jairo Cavalcanti Vieira Procurador Geral do Ministério Público de Contas do Maranhão. Acesso em: 9 nov. Perfil das fundações privadas e associações sem fins lucrativos em 2002. IBGE.uol. Disponível em: http://www. .com.gov. Curso de direito constitucional. 19 jun. 2001.

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