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Funcionamento de motores automotivos - Português[1]

Funcionamento de motores automotivos - Português[1]

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Máqui nas Tér mi cas

Apost i l a de Mot or es de
Combust ão I nt er na



APOSTILA DE MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA








INTRODUÇÃO


Os motores de combustão podem ser classificados como de:
• COMBUSTÃO EXTERNA: no qual o fluido de trabalho está completamente separado da mistura
ar/combustível, sendo o calor dos produtos da combustão transferido através das paredes de um
reservatório ou caldeira, ou de
• COMBUSTÃO INTERNA, no qual o fluido de trabalho consiste nos produtos da combustão da mistura
de ar/combustível.

Uma vantagem fundamental do motor alternativo de combustão interna, sobre as instalações de potência
de outros tipos, consiste na ausência de trocadores de calor no circuito do fluido de trabalho, tal como a
caldeira e condensador de uma instalação a vapor. A ausência dessas peças não apenas conduz à
simplificação mecânica mas, também, elimina a perda inerente ao processo de transmissão de calor
através de um trocador de área finita.
O motor alternativo de combustão interna possui outra vantagem fundamental importante sobre a
instalação a vapor ou turbina a gás, a saber: todas as peças podem trabalhar a temperaturas bem abaixo
da máxima temperatura cíclica. Este detalhe possibilita o uso de temperaturas cíclicas bastante altas e
torna possível alta eficiência.


VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA

Vantagens Desvantagens
• arranque rápido
• trabalho em rotações relativamente baixas
• pequeno tamanho
• fácil manutenção
• limitação de potência
• não utilização de combustíveis sólidos
• peso elevado para potência
• elevado número de peças
• baixa eficiência


VANTAGENS PARA O MOTOR DE COMBUSTÃO INTERNA ALTERNATIVO SOBRE INSTALAÇÕES
DE TURBINAS DE VAPOR:

1. Maior eficiência máxima;
2. Menor razão de peso e volume da instalação para a potência máxima (exceto, possivelmente, no
caso de unidades maiores do que 7353 kW ou 10.000 CV);
3. Maior simplicidade mecânica;
4. O sistema de refrigeração de um motor de combustão interna transfere uma quantidade de calor
muito menor do que o condensador de uma instalação a vapor de igual potência e, normalmente,é
operada com temperaturas mais elevadas na superfície. O menor tamanho do trocador de calor é
uma vantagem nos veículos de transporte e em outras aplicações, nas quais o resfriamento deve
ser feito por meio de ar atmosférico.

2
VANTAGENS PRÁTICAS DA INSTALAÇÃO A VAPOR SOBRE O MOTOR ALTERNATIVO DE
COMBUSTÃO INTERNA


1. A instalação a vapor pode usar maior variedade de combustíveis, incluindo os sólidos;
2. Menos suscetíveis a vibrar;
3. A turbina a vapor é prática nas unidades de grande potência (de 147000 kW ou mais) em um
único eixo.


CLASSIFICAÇÃO DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA (MCI)


Os MCI podem ser classificados em:


a) Quanto a propriedade do gás na admissão:
• ar (Diesel)
• mistura ar-combustível (Otto)

b) Quanto à ignição
• por centelha (ICE) [spark ignition (SI)]
• por compressão (ICO) [compression ignition (CI)]
c) Quanto ao movimento do pistão
• Alternativo (Otto, Diesel)
• Rotativo (Wankel, Quasiturbine)
d) Quanto ao ciclo de trabalho
• 2 tempos
• 4 tempos
e) Quanto ao número de cilindros
• monocilíndricos
• policilíndricos
f) Quanto à disposição dos cilindros
• em linha à opostos (boxer)
• em V à em estrela (radial)
g) Quanto à utilização

• ESTACIONÁRIOS - Destinados ao acionamento de máquinas estacionárias, tais como
• Geradores, máquinas de solda, bombas ou outras máquinas que operam em rotação
constante;
• INDUSTRIAIS - Destinados ao acionamento de máquinas de construção civil, tais como
tratores,carregadeiras, guindastes, compressores de ar, máquinas de mineração, veículos de
operação fora-de-estrada, acionamento de sistemas hidrostáticos e outras aplicações onde se
exijam características especiais específicas do acionador;
• VEICULARES - Destinados ao acionamento de veículos de transporte em geral, tais como
caminhões e ônibus;
• MARÍTIMOS - Destinados à propulsão de barcos e máquinas de uso naval. Conforme o tipo de
serviço e o regime de trabalho da embarcação, existe uma vasta gama de modelos com
características apropriadas, conforme o uso. (Laser, trabalho comercial leve, pesado, médio-
contínuo e contínuo)


3

OUTRAS CLASSIFICAÇÕES:


Também pode-se classificar os motores de combustão interna segundo os vários sistemas que os
compõem, por exemplo:


· ADMISSÃO DE COMBUSTÍVEL
.. Motores com carburação (Otto)
.. Motores com injeção (Diesel, Otto)

· REFRIGERAÇÃO

.. Ar (natural ou forçada)
.. Água (termo-sifão, forçada)

· IGNIÇÃO
.. Magneto
.. Bateria
· DISPOSIÇÃO DAS VÁLVULAS
.. em I, L, T, F

· DISPOSIÇÃO DO COMANDO DE VÁLVULAS
.. no bloco
.. no cabeçote (OHC, DOHC)

4
COMPARAÇÃO ENTRE MOTOR OTTO E MOTOR DIESEL
MOTOR OTTO MOTOR DIESEL
ADMISSÃO DE COMBUSTÍVEL CARBURAÇÃO
INJEÇÃO
INJEÇÃO
ALTERAÇÃO DA ROTAÇÃO MISTURA A/C COMBUSTÍVEL
IGNIÇÃO FONTE EXTERNA AUTO IGNIÇÃO
TAXA DE COMPRESSÃO 6 a 9 gasolina
9 a 14 álcool
14 a 22
DESPERDÍCIO DE
COMBUSTÍVEL
HÁ DESPERDÍCIO
(lavagem de anéis)
NÃO HÁ
TIPO DE COMBUSTÍVEL LEVES PESADOS
MOTORES ROTATIVO DE DESLOCAMENTO - MOTOR WANKEL
São motores nos quais um membro rotativo é disposto de forma a variar o volume de
trabalho de maneira análoga ao de um compressor do tipo palheta, ou por meio de alguma espécie
de movimento excêntrico de um rotor em um espaço cilíndrico (usualmente não circular).
O problema mais difícil em tais motores é a selagem da câmara de combustão contra
vazamento sem excessivo atrito e desgaste. Esse problema é bem mais difícil do que o de anéis de
segmento convencionais, devido às seguintes razões:
1. “contato de linha” em lugar de contato de superfície;
2. as superfícies a selar são descontínuas, com arestas vivas;
3. a velocidade do selo é elevada durante parte do ciclo de alta pressão, em contraste
com anéis de segmento, cuja velocidade é próxima de zero na máxima pressão do cilindro.
O motor WANKEL é um motor deste tipo. Ele ainda se encontra sob intenso
desenvolvimento. Embora se diga que o problema de selagem esteja resolvido, não parece razoável
aceitar que a solução seja tão satisfatória quanto a do moderno anel de segmento.
Em geral, o objetivo dos projetos de motores rotativos de deslocamento foi de evitar
vibração, redução de tamanho, peso e redução de custo em comparação com os tipos convencionais.
A única vantagem básica desse tipo de motor está no fato de ser alta a relação volume
de deslocamento para volume total do motor, obtendo-se assim, maiores potências.
5
TURBINAS A GÁS
O conceito de turbina a gás é antigo, mas ele não se concretizou como fonte prática de
potência até após a II. Guerra Mundial. Seu desenvolvimento comercial foi estimulado pela
introdução bem sucedida dos motores turbojatos em aviões ingleses e alemães, próximo ao final da
guerra.
Na maior parte das realizações atuais, o conjunto é formado por várias câmaras de
combustão (de 2 a 6), possuindo cada uma delas de seu injetor. Esta disposição assegura uma
melhor utilização do combustível e permite maior flexibilidade de funcionamento.
6


CICLOS DE POTÊNCIA

Ciclo de Carnot
Para entender melhor, colocaremos aqui, de forma resumida o ciclo desenvolvido por um motor
térmico, teórico, chamado Ciclo de Carnot. Sadi Carnot (1796-1832) publicou em 1823 uma brochura
intitulada “Reflexões sobre a potência motriz do fogo”. Enunciava aí um ciclo ideal que, partindo da
transformação de gases perfeitos, deveria ter um rendimento de aproximadamente 72%, o qual, aliás, nunca
atingido por um motor térmico real. Conhecido com o nome de “Ciclo de Carnot”, este ciclo teórico se
compõe das seguintes fases:

12 = compressão isotérmica
23 = compressão adiabática
34 = expansão isotérmica
41 = expansão adiabática (Figura 30)

O ciclo de Carnot não pode ser objeto de nenhuma realização na prática. Pode ser descrito
teoricamente da seguinte maneira:

Primeira fase: compressão isotérmica
uma massa gasosa é introduzida no cilindro e depois comprimida pelo pistão “temperatura
constante”, sendo o cilindro esfriado durante esta fase.

Segunda fase: compressão adiabática
Sendo interrompido o resfriamento do cilindro, continua-se a compressão rapidamente de modo que
nenhuma troca de calor tenha lugar entre o gás e o cilindro.

Terceira fase: expansão isotérmica
Ao passo que, durante a compressão isotérmica o cilindro deve ser resfriado, durante a expansão
isotérmica, este mesmo cilindro exige aquecimento para tornar a temperatura constante.

Quarta fase: expansão adiabática
Continuando o repouso, faz-se cessar o reaquecimento do cilindro para que essa fase se efetue sem
troca de calor com o cilindro e que a massa gasosa retome o volume e a pressão que possuía no
início da primeira fase


Figura 30 - Diagrama do Ciclo de Carnot

O rendimento de um ciclo de Carnot depende somente das temperaturas nas quais o calor é fornecido
ou rejeitado, dado pela relação:

7


η
t
L
H
T
T
T
T
T
T
= − = − = − 1 1 1
4
1
3
2

O rendimento também pode ser expresso pela relação de pressão ou taxa de compressão, durante os
processos isoentrópicos:

taxa de pressão isoentrópica
( )
r
P
P
P
P
T
T
ps
k
k
= = =







1
4
2
3
3
2
1


taxa de compressão isoentrópica
( )
r
V
V
V
V
T
T
vs
k
= = =







4
1
3
2
3
2
1
1


Portanto:
( )
η
t ps
k k
vs
k
r r = − = −
− −
1 1
1 1



Ciclos de Otto e Diesel
Nos dois processos que ocorrem nos Motores de Combustão Interna Alternativos de dois e quatro
tempos, podemos ainda incluir uma subdivisão:

1) MCI trabalhando a quatro tempos:
a) Ciclo Otto;
b) Ciclo Diesel.

2) MCI trabalhando a dois tempos:
a) Ciclo Otto;
b) Ciclo Diesel.


Ciclo Otto
(Volume Constante)

Em 1862, Beau de Rochas enunciou o ciclo de “quatro tempos” que, primeiramente, o alemão Otto
aplicara a um motor térmico, de onde surgiu em algumas obras a designação de “Ciclo Otto”. Teoricamente,
o ciclo enuncia-se da seguinte maneira: o enchimento do cilindro efetua-se com a pressão atmosférica, pois
que:

AB = Compressão adiabática;
BC = Elevação brutal da pressão em volume constante;
CD = Expansão adiabática;
DA = Baixa brutal de pressão em volume constante.

O esvaziamento do cilindro se efetua em pressão atmosférica.

Primeira fase: compressão adiabática
Efetuada de maneira adiabática, a compressão leva os gases a uma certa temperatura, contudo
insuficiente para provocar a inflamação.

Segunda fase: transformação isovolumétrica
8


Introduz-se uma fonte quente destinada a elevar instantaneamente a pressão dos gases (faísca
elétrica) sem que o pistão tenha tempo de deslocar-se durante essa transformação de volume
constante.

Terceira fase: expansão adiabática
Terminada a inflamação, a massa gasosa distende-se de maneira adiabática e o fim dessa distensão
corresponde a uma baixa sensível de pressão.

Quarta fase: expansão isocórica
A abertura do escapamento provoca uma baixa brutal de pressão que leva o interior do cilindro à
pressão atmosférica enquanto o pistão bascular em ponto morto (volume constante).

Na Figura 31, observa-se os diagramas teórico e real do ciclo em questão. Observe-se que o ciclo
real é sensivelmente diferente.


Figura 31 - Diagramas do ciclo de Beau de Rochas.
A) diagrama teórico B) diagrama real.

O ciclo se aproxima do motor de combustão interna de ignição por centelha. Determina-se o
rendimento térmico desse ciclo como se segue, admitindo-se constante o calor específico do ar:

( ) η
t
H L
H
A
B
v
k
v
k
Q Q
Q
T
T
r
r
=

= − = − = −


1 1 1
1 1
1

Ciclo Quatro Tempos, Ciclo Otto
O ciclo segue os tempos indicados anteriormente sendo que, no 1º tempo, admite-se uma mistura ar-
combustível. A combustão é iniciada por uma centelha (spark), gerada no interior do cilindro por uma vela
(spark plug). A mistura ar-combustível, que é feita pelo carburador ou pela injeção eletrônica, é preparara
aproximadamente nas seguintes proporções:

14,8:1 - 14,8 partes de ar para 1 parte de gasolina
9,0:1 - 9,0 partes de ar para 1 parte de álcool

A mistura entra no cilindro à pressão atmosférica e é comprimida pelo cilindro. Nos motores a
gasolina, a taxa de compressão é, aproximadamente, de 9:1 e, nos a álcool, 12:1.

Ciclo Dois Tempos, Ciclo Otto
São utilizados principalmente em veículos motores de duas rodas, motocicletas. São motores mais
simples e leves, possuem cerca de 70 a 90% de potência a mais do que um motor de quatro tempos de mesma
cilindrada. Em contrapartida são mais poluentes (devido à queima de óleo lubrificante que é misturado ao
combustível no carter durante a pré-compressão).

9


Ciclo de Diesel
(Volume Constante)

Quando Diesel se interessou pelo motor térmico, procurou realizar industrialmente um motor
concebido segundo o ciclo de Sadi Carnot. Sabe-se que a realização deste primeiro motor manifestou-se
impossível. Diesel abandonou este ciclo, devido aos perigos que o mesmo apresentava pela compressão
elevada demais (250kg); substituiu-o por um ciclo mais simples, conhecido como o nome de “ciclo Diesel”,
cujo detalhe dá-se em seguida.



Figura 32 - Diagramas do ciclo de Rudolf Diesel.
A) diagrama teórico B) diagrama real.


O enchimento e o esvaziamento do cilindro efetua-se com a pressão atmosférica, pois que:

AB = compressão adiabática do ar puro aspirado antes;
BC = combustão em pressão constante;
CD = expansão adiabática;
DA = baixa brutal da pressão.

Primeira fase: compressão adiabática
O ar puro aspirado anteriormente é comprimido e atinge uma temperatura suficiente para provocar a
inflamação do combustível injetado.

Segunda fase: compressão isobárica
No começo da distensão, a combustão efetua-se em pressão constante, quando o volume aumenta e a
expansão dos gases compensa a queda de pressão devida ao aumento de volume.

Terceira fase: expansão adiabática
A expansão efetua-se sem troca de calor com as paredes do cilindro.

Quarta fase: baixa de pressão
A abertura brutal do escapamento produz uma queda rápida da pressão enquanto o pistão báscula em
ponto morto (volume constante).

O ciclo Diesel aplica-se aos motores lentos estudados para a propulsão dos barcos. Dificilmente
realizável em um motor de regime elevado, carros leves e veículos industriais, os engenheiros que
continuaram o trabalho de Diesel o substituíram por um motor de ciclo misto cujo funcionamento relaciona-se
ao mesmo tempo com o ciclo Diesel e com o de Beau de Rochas (Otto).
O rendimento do ciclo Diesel é dado pela relação:

10


( )
( )
( )
( )
η
t
L
H
v D A
p C B
A D A
B C B
Q
Q
C T T
C T T
T T T
kT T T
= − = −


= −


1 1 1
1
1


É importante notar que, no ciclo Diesel, a razão de compressão isoentrópica é maior do que a razão
de expansão isoentrópica.
Ciclo Quatro Tempos, Ciclo Diesel
O engenheiro Rudolf Diesel (1858-1913), em fevereiro de 1892 publicou em Berlim um fascículo
intitulado “Teoria e construção de um motor térmico racional” onde expunha suas idéias para a realização
prática do ciclo de Carnot. Ainda na Alemanha, começa a construção do seu primeiro motor em Ausburgo.
Em 1897, utilizando um já melhorado (monocilíndrico, diâmetro de 250mm, curso de 400mm e consumo de
247g de combustível por cavalo e por hora), desenvolve 20HP a 172rpm e rendimento térmico de 26,2% (os
motores a gasolina rendiam 20% e os a vapor 10%).
O motor desenvolvido, trabalhando a quatro tempos, possui basicamente duas grandes diferenças de um
motor a gasolina:

1. O motor aspira e comprime apenas ar.
2. Um sistema de injeção dosa, distribui e pulveriza o combustível em direção dos cilindros. O combustível
inflama-se ao entrar em contato com o ar, fortemente aquecido pela compressão. Utiliza taxa de compressão
de, aproximadamente 19:1.

Ciclo Dois Tempos, Ciclo Diesel
O motor Diesel a dois tempos não trabalha com uma pré-compressão no carter. Ele tem
carregamento forçado por meio de um compressor volumétrico (rotativo) ou de uma ventoinha. Possui
também um sistema de lubrificação semelhante aos motores de quatro tempos, isto é, leva óleo no carter e
possui bomba de óleo, filtro, etc. Vê-se, na Figura 88, um exemplo de motor Diesel dois tempos.



Estando os orifícios de escapamento e de
admissão fechados pelo pistão, que está
aproximando-se do ponto morto superior,
o combustível é injetado no cilindro e a
combustão começa.
As pressões elevadas, geradas pela
combustão no tempo motor repelem em
sentido oposto o pistão, que age na biela
fazendo o virabrequim girar.
11



No fim do tempo motor, a posição do
pistão permite a abertura do orifício de
escapamento. A saída foi estudada de
modo a garantir a evacuação rápida dos
gases queimados no coletor de
escapamento.
Imediatamente depois, o orifício de
admissão é descoberto e o ar contido na
câmara de ar alimentada pelo compressor
em baixa pressão entra precipitadamente
no cilindro, expelindo os gases queimados
residuais pelos orifícios de escapamento.
Figura 33 - Esquema de funcionamento do Motor Diesel 2 tempos.

Vantagens: O motor de dois tempos, com o mesmo dimensionamento e rpm, dá uma maior potência
que o motor de quatro tempos e o torque é mais uniforme. Faltam os órgãos de distribuição dos cilindros,
substituídos pelos pistões, combinados com as fendas de escape e combustão, assim como as de carga.
Desvantagens: Além das bombas especiais de exaustão e de carga, com menor poder calorífico e
consumo de combustível relativamente elevado; carga calorífica consideravelmente mais elevada que num
motor de quatro tempos, de igual dimensionamento.



SO = fendas de exaustão abertas; SS = fendas
fechadas. De AO a SO expandem-se os gases
de combustão; de AS até SS carga posterior (à
vezes a alta pressão). Pode-se tomar como
valores médios para os pontos de distribuição:
AO ~ 70° antes do PMI; AS � 30° depois do
PMI; SO = 40° antes do PMI; SS ~ 40° depois
do PMI. EB = início da injeção; EE = fim da
injeção.
Figura 34 - Gráfico de pressões em um motor Diesel de dois tempos com válvula
de admissão no cabeçote e fendas de exaustão por fluxo contínuo.




Ciclo Misto
O ciclo misto aplica-se aos motores Diesel modernos. A Figura 90, que segue, mostra os diagramas
teórico e real.

12





onde

AB = compressão adiabát ica
BC = combust ão isovolumét rica (isocórica);
CD = expansão isobárica;
DE = expansão adiabát ica;
EA = queda rápida na pressão.

A comparação dos diagramas most ra bem que esses dois ciclos se
assemelham no plano prát ico; é que na realidade o mot or a gasolina não é
complet ament e de pressão variável e de volume const ant e, mas se aproxima do
ciclo mist o porque a “ explosão” dos gases é apenas uma combust ão rápida, mas
não inst ant ânea
PRI NCI PAI S COMPONENTES DOS MCI



Os principais component es de um MCI são:

• Ór gãos ( ou peças) f i xos:

1. bl oco do mot or cyl i nder cr ankcase
2. cabeçot e head
3. cár t er cr ankcase


• Ór gãos móvei s:

1. pi st ão ( êmbol o) pi st on
2. bi el a connect i ng r od
3. ár vor e de mani vel as ( vi r abr equi m) camshaf t
4. vál vul as de admi ssão e escape i nt ake and exaust val ves
5. ár vor e de comando de vál vul as camshaf t




Bl oco do Mot or


É o mot or propriament e dit o, onde são usinados os cilindros ou os furos
para a colocação dest es; os mot ores arrefecidos a ar levam cilindros alet ados,
possuindo, geralment e, bloco baixo permit indo que os cilindros fiquem expost os à
circulação do ar de arrefeciment o. Na part e inferior do bloco est ão os aloj ament os
dos mancais cent rais, onde se apóia o eixo de manivelas (virabrequim). Nos
mot ores horizont ais (e.g., do fusca), de cilindros opost os, o eixo de manivelas
acha-se no cent ro do bloco, est e, por sua vez, é compost o de duas part es
j ust apost as, afixadas por parafusos. Figura 36.




Cabeçote
É uma espécie de tampa do motor contra a qual o pistão comprime a mistura, no caso do ciclo Otto,
ou o ar, no caso do Diesel. Geralmente possui furos com roscas onde são instaladas as velas de ignição ou os
bicos injetores e onde estão instaladas as válvulas de admissão e escape com os respectivos dutos. Figura 37.

Carter
Parte inferior do bloco, cobrindo os componentes inferiores do motor, e onde está depositado o óleo
lubrificante.



Figura 36 - Bloco do Motor

Pistão
É a parte móvel da câmara de combustão, recebe a força de expansão dos gases queimados,
transmitido-a à biela, por intermédio de um pino de aço (pino do pistão). É em geral fabricado em liga de
alumínio. Figura 93.


Figura 37 - Cabeçote

14


Biela
Braço de ligação entre o pistão e o eixo de manivelas; recebe o impulso do pistão, transmitindo-o ao
eixo de manivelas (virabrequim). É importante salientar que o conjunto biela-virabrequim transforma o
movimento retilíneo do pistão em movimento rotativo do virabrequim. Figura 38.

Virabrequim
(Eixo de manivelas, Árvore de manivelas)
Eixo motor propriamente dito, o qual, na maioria das vezes, é instalado na parte inferior do bloco,
recebendo ainda as bielas que lhe imprimem movimento. Figura 94.

Eixo Comando de Válvulas
(Árvore Comando da Distribuição)
A função deste eixo é abrir as válvulas de admissão e escape, respectivamente, nos tempos de
admissão e escapamento. É acionado pelo eixo de manivelas, através de engrenagem, corrente ou ainda,
correia dentada. É dotado de ressaltos que elevam o conjunto: tucho, haste, balancim abrindo as válvulas no
momento oportuno. Figura 38.


Figura 38 – Biela, Pistão e Bronzinas

Válvulas
Existem dois tipos: de admissão e de escape. A primeira abre-se para permitir a entrada da mistura
combustível/ar (ou ar puro, conforme o caso) no interior do cilindro. A outra, de escape, abre-se para dar
saída aos gases queimados. Figura 94.



15


Conjunto de Acionamento das Válvulas
Compreende o tucho e uma haste, que o interliga ao balancim, apoiando-se diretamente sobre a
válvula. No momento em que o eixo comando de válvulas gira, o ressalto deste aciona o tucho, que por sua
vez move a haste, fazendo com que o balancim transmita o movimento à válvula, abrindo-a. Há um conjunto
destes (tucho, haste, balancim) para cada ressalto, i. e., um para cada válvula, tanto de admissão quanto de
escape. Figura 39.





Figura 39 - Eixos, tuchos e válvulas


16
COMPONENTES DO MOTOR
ÓRGÃOS FIXOS
BLOCO DE CILINDROS. Os materiais do bloco de cilindros incluem o ferro fundido, alumínio
fundido, alumínio forjado e aço forjado, usualmente soldado no último caso. O tipo apropriado
depende principalmente das considerações do tipo de motor e custos de fabricação vérsus a
importância da economia de peso.
O uso do alumínio em lugar do ferro fundido resulta em melhor dissipação de calor e
redução do peso.
CONSIDERAÇÕES PARA O PROJETO DE BLOCOS FUNDIDOS.
Os princípios gerais a serem seguidos no projeto de bloco de cilindros fundidos incluem
os seguintes itens:
1. As seções espessas esfriam mais lentamente do que as delgadas e mudanças abruptas na
espessura da seção devem ser evitadas sempre que possível, a fim de reduzir ao mínimo as
deformações e fissuras de contração.
2. Evitar grandes seções planas. Curvar todas as grandes seções delgadas.
3. Nervuras. O costume de adição de “nervuras” ou “almas” delgadas para melhorar à flexão
usualmente tem efeito oposto. É que a nervura age como um elevador de tensão e não deve ser
usada quando se quer elevar a resistência à flexão. Seu uso para outras finalidades como, por
exemplo, resfriamento ou redução de vibração, é permissível, contanto que a tensão adicionada não
seja crítica. A adição do material da nervura à espessura da seção é uma prática melhor de se
utilizar o material adicional.
4. Evitar furos para redução de peso, uma vez que as tensões concentra-se em tais aberturas.
O bloco de cilindros é freqüentemente fundido numa peça única com o cárter superior
do motor; isto, favorece uma montagem precisa dos elementos mecânicos internos (virabrequim,
bielas e pistões).



DEFINIÇÕES

Ponto Morto Superior e Ponto Morto Inferior Ponto Morto Superior (PMS) {TDC - Top Dead Center} e o
Ponto Morto Inferior (PMI) {BDC - Bottom Dead Center}, são nestas posições onde o êmbolo muda de
sentido de movimento estando no seu máximo (PMS) ou no seu mínimo (PMI), conforme a Figura 1.








17



Figura 1 - Curso do Pistão




Cilindrada
É o volume total deslocado pelo pistão entre o P.M.I. e o P.M.S., multiplicado pelo número de
cilindros do motor. É indicada em centímetros cúbicos (cm³) e tem a seguinte fórmula:
cilindros
N Curso
D
C . .
4
.
2








=
π
(em cm³)
Tomando como exemplo o motor de um Ômega GLS (GM). De seu catálogo têm-se os seguintes
dados:

Motor Dianteiro Longitudinal M.P.F.I.
Número de Cilindros à 04
Diâmetro cilindro à 86,0 mm
Curso do pistão à 86,0 mm
Taxa de Compressão à 9,2:1

assim:
cm³ 229 , 1998 4 . 6 , 8 .
4
6 , 8 .
2
=








=
π
C
conhecido, no mercado, como 2.0 ou 2,0 litros

Câmara de Compressão ou de Combustão, Volume Morto
É o espaço livre que fica acima do pistão quando este se encontra no P.M.S. Nela, a mistura
ar/combustível do motor a gasolina, que entrou pela válvula de admissão, será comprimida e, após a faísca
emitida pela vela, explodirá para que a expansão dos gases movimente o pistão e dê seqüência ao
funcionamento do motor.
18


Dependendo do grau de modernidade do motor, a câmara pode estar inserida no cabeçote ou na
cabeça dos pistões – esse último mais comumente achados. Basicamente, o volume da câmara de combustão
define a Taxa de Compressão do motor. Quanto menor for seu volume, maior será essa relação e,
conseqüentemente, melhor o rendimento do motor. Todos os componentes que atuam em sua formação ou ao
seu redor influenciam diretamente em sua eficiência: a posição das válvulas e o desenho dos dutos de
admissão, por exemplo.


Figura 2 – Câmara de Combustão


Octanagem
A octanagem mede a capacidade da gasolina de resistir à detonação, ou a sua capacidade de resistir
às exigências do motor sem entrar em auto-ignição antes do momento programado. A detonação, também
conhecida como “batida de pino”, leva à perda de potência e pode causar sérios danos ao motor, dependendo
de sua intensidade e persistência.
Um combustível de octanagem n é aquele que se comporta como se fosse uma mistura contendo n%
de isooctano e (100-n)% de n.heptano. Por convenção, o isooctano puro tem octanagem 100 e o n.heptano
puro tem octanagem zero. Hoje, alguns combustíveis aditivados possuem octanagem superior a escala posta,
é uma nova tecnologia.
Para a Gasolina
No Brasil (com exceção do Rio Grande do Sul) é utilizada uma gasolina única no mundo, pois trata-
se de uma mistura de 76% de gasolina e 24% de álcool etílico (etanol). O teor de álcool na gasolina é objeto
de Lei Federal, cuja especificação final é de responsabilidade da Agência Nacional de Petróleo – ANP.
No Estado do Rio Grande do Sul, ao invés de álcool, utiliza-se o MTBE (metil-tercio-butil-etileno)
como oxigenador, i.e., aditivo que contém oxigênio para aumentar a eficiência da combustão do
hidrocarboneto Gasolina (C
8
H
18
)
n
.
Atualmente, a gasolina que compões esta mistura é produzida, em quase sua totalidade, pelas dez
refinarias da Petrobras. O restante, por duas outras refinarias privadas: a de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e
19


a de Ipiranga, no Rio Grande do Sul. Já o álcool é produzido a partir da cana-de-açúcar em diversas
destilarias espalhadas pelo país. A composição final da chamada gasolina brasileira, ou seja, a mistura de
gasolina e álcool é realizada pelas Companhias Distribuidoras (Esso, Shell, Texaco, etc...), responsáveis
também pela comercialização final do produto junto aos postos de serviço.
Desde janeiro de 1992, a gasolina brasileira é isenta de chumbo. O chumbo era utilizado
mundialmente para aumentar a octanagem da gasolina, mas, por questões ambientais, vem sendo
gradualmente eliminado. Atualmente, estão à disposição dos consumidores brasileiros 03 tipos de gasolina:
comum, comum aditivada e premium. Esta classificação é dada segundo a octanagem da gasolina.
A octanagem da gasolina pode ser avaliada por dois métodos distintos: método Motor (MON –
Motor Octane Number) avalia a resistência da gasolina à detonação quando o motor está operando em
condições mais severas – alta rotação e plena carga, como acontece em subidas com marcha reduzida e
velocidade alta. O método Pesquisa (RON – Reserch Octane Number) avalia a resistência da gasolina à
detonação quando o motor está operando em condições mais suaves – baixa rotação, como acontece em
subidas com marcha alta. A octanagem das gasolinas brasileiras é equivalente à das gasolinas encontradas
nos Estados Unidos e na Europa. É dada pela média entre os dois métodos, conhecida como Índice
Antidetonante (MON +RON)/2.
As Gasolinas Comum e Comum-Aditivada têm octanagem de 86, indicadas para a maioria da frota
de veículos circulante no Brasil. A Gasolina Premium possui maior octanagem, 91. Pode ser utilizada em
qualquer veículo, mas não trará nenhum benefício se o motor não exigir este tipo de combustível (alta taxa de
compressão, com monitoramento eletrônico, injeção multiponto e projetados para gasolinas de alta
octanagem).
As Gasolinas Comum e Comum-Aditivada possuem a mesma octanagem, diferindo-se entre si
apenas pela presença de um aditivo, do tipo “detergente dispersante” que tem a função de manter limpo todo o
sistema por onde passa a gasolina.
Para o Etanol
No Brasil, o etanol (C
2
H
5
OH) é utilizado de duas maneiras:
ð Como mistura na gasolina, na forma de 24% de etanol anidro, a 99,6º Gay-Lussac (GL) e 0,4% de água,
formando uma mistura “gasohol” com o objetivo de aumentar a octanagem da gasolina;
ð Como etanol puro, na forma de etanol hidratado a 95,5º GL.
Nos outros países, as misturas de “gasohol” contêm tipicamente apenas 10% (ou menos) de etanol.
O etanol é um excelente combustível automotivo: apresenta um Índice de Octanagem superior ao da gasolina
e tem uma Pressão de Vapor inferior, resultando em menores emissões evaporativas. A combustão no ar é
inferior a da gasolina, o que reduz o número e a severidade de fogo nos veículos. O etanol anidro tem poder
calorífico inferior e superior de 21,2 e 23,4 MJ/l (megaJoule por litro), respectivamente, contra 30,1 e 34,0
MJ/l da gasolina.

As principais propriedades da gasolina e do álcool estão indicadas abaixo:
GASOLINA ETANOL
Calor específico (kJ/kg) 34.900 26.700
N.º de Octano (RON/MON) 91/80 109/98
Calor latente de vaporização (kJ/kg) 376 ~ 502 903
Temperatura de ignição (ºC) 220 420
Razão Estequiométrica Ar/Combustível 14,5 9
Fonte: Goldemberg & Macedo

20


Taxa de Compressão (Relação)
Relação matemática que indica quantas vezes a mistura ar/combustível ou simplesmente o ar
aspirado (no caso dos diesel) para dentro dos cilindros pelo pistão é comprimido dentro da câmara de
combustão antes que se inicie o processo de queima. Assim, um motor a gasolina que tenha especificada uma
taxa de compressão de 8:1, por exemplo, indica que o volume aspirado para dentro do cilindro foi
comprimido oito vezes antes que a centelha da vela iniciasse a combustão, Figura 3.


Figura 3 – Definição de Taxa de Compressão


Do ponto de vista termodinâmico, a taxa de compressão é diretamente responsável pelo rendimento
térmico do motor. Assim, quanto maior a taxa de compressão, melhor será o aproveitamento energético que o
motor estará fazendo do combustível consumido. Por esse motivo é que os motores diesel consomem menos
que um similar a gasolina: funcionando com taxas de compressão altíssimas (17:1 nos turbodiesel e até 22:1
nos diesel aspirados), geram a mesma potência consumindo menos combustível.
Há limitações físicas e técnicas para a simples ampliação da taxa. No primeiro caso, ocorre a
dificuldade de obtenção de câmaras de combustão minúsculas. Já o seguinte apresenta restrições quanto às
propriedades do combustível, i.e., técnicas, o quanto cada um “tolera” de compressão antes de se auto-
inflamar (octanagem).
A taxa de compressão corresponde à relação entre


Combustão de Câmara da Volume
Combustão de Câmara da Volume Motor do Cilindrada +
= TC


chamando de V a cilindrada do motor e v o volume da câmara de combustão (volume morto), têm-se:

v
v
TC
V+
=

Tomando como exemplo o motor de um Corsa Sedan GL (GM), Figura 4. Do catálogo, obtêm-se
as seguintes informações:

Motor Transversal M.P.F.I. Gasolina
Cilindrada 1.6 1600 cm³
Número de Cilindros 04
Diâmetro do Cilindro 79,0 mm
Curso do Pistão 81,5 mm
Taxa de Compressão 9,4:1

21


Como a Taxa de Compressão já é dada, pode-se calcular então o volume da câmara de combustão v.



Figura 4 – O veículo do exemplo.

• para um motor de 04 cilindros à 1600 cm³
• para um cilindro apenas à 400
4
1600
= cm³


• a Cilindrada à cm³ 486 , 399 15 , 8 .
4
9 , 7 .
.
4
V
2 2
= = =
π π
Curso
D

• para uma Taxa de Compressão de 9,4:1

• volume morto v à cm³ 56 , 47
1 4 , 9
486 , 399
1
V
=

=

=
TC
v

Pode-se então calcular a altura deixada no cilindro para a abertura das válvulas:

à h
D
v .
4
.
2
π
=
à cm 97 , 0
9 , 7 .
56 , 47 . 4
.
. 4
2 2
= = =
π π D
v
h

à h = 9,7 mm

Com isso pode-se concluir que a Taxa de Compressão é uma propriedade inerente ao motor
(bloco, cabeçote, pistões) e não ao combustível utilizado no mesmo.

Não se altera a Taxa de Compressão de um motor apenas modificando o tipo de combustível
consumido.

Como exemplo, imagine que a altura (h) do cilindro que compões o volume morto (câmara de
combustão) tenha sido rebaixada de 0,6 mm. Qual será a nova Taxa de Compressão deste motor?

( ) cm³ 605 , 44 06 , 0 97 , 0 .
4
9 , 7 .
.
4
.
2 2
= − = =
π π
h
D
v

22


956 , 9
605 , 44
605 , 44 486 , 399 V
=
+
=
+
=
v
v
TC

Assim, com a diminuição de 0,6 mm a Taxa de Compressão aumentará de 9,4:1 para
aproximadamente 10,0:1.


Auto-Ignição
Em razão das altas temperaturas na câmara de combustão ou octanagem incorreta da gasolina para a
taxa de compressão do motor, algumas vezes o efeito auto-ignição pode ocorrer. Pontos quentes no interior
da câmara passam a fazer o papel da vela de ignição, incandescendo a mistura ar/combustível antes mesmo de
a vela de ignição iniciar o processo através da centelha elétrica. Uma vela com grau térmico muito alto para a
situação em que o motor está sendo utilizado pode também ser o motivo da auto-ignição.
Muito prejudicial ao funcionamento do motor, fazendo com que o mesmo perca potência e corra o
risco de um superaquecimento ainda maior, a auto-ignição pode levar à destruição da câmara de combustão e,
em casos extremos, furos na cabeça dos pistões ou mesmo sua fusão com o cilindro (Figura 5). Seus efeitos
devastadores são idênticos aos do motor com ponto de ignição muito adiantado, o que pode acabar
provocando detonações (Figura 6).
De uma maneira geral, o maior responsável pela auto-ignição é a carbonização da cabeça dos pistões
e das câmaras de combustão em motores com alta compressão, fato que aumenta ainda mais a taxa de
compressão por reduzir o volume da câmara de combustão, ou que estejam trabalhando com o avan'ço da
ignição adiantado com relação ao ideal para aquele motor.






Aspecto
• Zona dos anéis e cabeça do
pistão parcialmente destruídas.
• Furo no topo do pistão.

Figura 5 – Danificação por Pré-Ignição


23




Aspecto
• Cabeça do pistão parcialmente
destruída.

Figura 6 – Danificação por Detonação

Avanço
Nome empregado mais comumente para designar o quanto a faísca da vela deverá ser avançada, com
relação ao P.M.S. do pistão para iniciar o processo de combustão. Faz-se o avanço para se obter a máxima
pressão sobre o pistão quando o mesmo atinge o P.M.S., melhorando a performance do motor.
Num automóvel, o avanço pode ser de 03 tipos: a vácuo, centrífugo ou eletrônico. Os dois primeiros,
absolutamente mecânicos, atuam diretamente sobre o distribuidor (Figura 7), sendo passíveis de erro
operacional.



Figura 7 – O Sistema de Ignição Convencional e o Distribuidor

O terceiro tipo de avanço, o eletrônico, existe na memória do sistema de comando da ignição ou, o
que é bem mais moderno e comum atualmente, na central eletrônica que comanda a injeção e ignição,
simultaneamente.

24


Outras Definições e Nomenclatura
A nomenclatura utilizada pelos fabricantes de motores, normalmente encontrada na documentação
técnica relacionada, obedece a notação adotada pela norma DIN 1940. Existem normas americanas, derivadas
das normas DIN, que adotam notações ligeiramente diferenciadas, porém com os mesmos significados.

Notação Nomenclatura Definição
D Diâmetro do
Cilindro
Diâmetro interno do Cilindro.
s Curso do Pistão Distância percorrida pelo pistão entre os extremos do cilindro,
definidos como Ponto Morto Superior (PMS) e Ponto Morto
Inferior (PMI).
s /D Curso/Diâmetro Relação entre o curso e o diâmetro do pistão. (Os motores cuja
relação curso/diâmetro = 1 são denominados motores
quadrados.)
n Rotação Número de revoluções por minuto da árvore de manivelas.
c
m
Velocidade Velocidade média do Pistão = 2 s n / 60 = s n / 30
A Área do Pistão Superfície eficaz do Pistão = π D
2
/ 4

P
e

Potência Útil É a potência útil gerada pelo motor, para sua operação e para
seus equipamentos auxiliares (assim como bombas de
combustível e de água, ventilador, compressor, etc.)
z Número de Cilindros Quantidade de cilindros de dispõe o motor.
V
h
Volume do Cilindro Volume do cilindro = A s
V
c
Volume da Câmara Volume da câmara de compressão.
V Volume de
Combustão
Volume total de um cilindro = V
h
+ V
c

VH Cilindrada Total Volume total de todos os cilindros do motor = z V
h

ε ε
Relação de
Compressão
Também denominada de razão ou taxa de compressão, é a
relação entre o volume total do cilindro, ao iniciar-se a
compressão, e o volume no fim da compressão, constitui uma
relação significativa para os diversos ciclos dos motores de
combustão interna. Pode ser expressa por (V
h
+ V
c
)/V
c
(é > 1).

P
i

Potência Indicada É a potência dentro dos cilindros. Abreviadamente denominada
de IHP (Indicated Horsepower), consiste na soma das potências
efetiva e de atrito nas mesmas condições de ensaio.
P
l
Potência Dissipada Potência dissipada sob carga, inclusive engrenagens internas.
P
sp
Dissipação Dissipação de potência pela carga.

P
r

Consumo de
Potência
Consumo de potência por atrito, bem como do equipamento
auxiliar para funcionamento do motor, à parte a carga. P
r
= P
i
-
P
e
- P
l
- P
sp


P
v

Potência Teórica Potência teórica, calculada por comparação, de máquina ideal.
Hipóteses para este cálculo: ausência de gases residuais,
queima completa, paredes isolantes, sem perdas
hidrodinâmicas, gases reais.
25



p
e

Pressão Média
Efetiva
É a pressão hipotética constante que seria necessária no interior
do cilindro, durante o curso de expansão, para desenvolver uma
potência igual à potência no eixo.

p
i

Pressão Média
Nominal
É a pressão hipotética constante que seria necessária no interior
do cilindro, durante o curso de expansão, para desenvolver uma
potência igual à potência nominal.

p
r

Pressão Média de
Atrito
É a pressão hipotética constante que seria necessária no interior
do cilindro, durante o curso de expansão, para desenvolver uma
potência igual à potência de atrito.
B Consumo Consumo horário de combustível.

b
Consumo Específico Consumo específico de combustível = B / P; com o índice e
refere-se à potência efetivae com o índice i refere-se à potência
nominal.

η η
m

Rendimento
Mecânico
É a razão entre a potência medida no eixo e a potência total
desenvolvida pelo motor, ou seja: η
m
= P
e
/ P
i
= P
e
/ (P
e
+ P
r
) ou
então η
m
= P
e
/ (P
e
+ P
r
+ P
l
+ P
sp
).
η η
e

Rendimento Útil Ou rendimento econômico é o produto do rendimento nominal
pelo rendimento mecânico = η
i

m

η η
i

Rendimento
Indicado
É o rendimento nominal. Relação entre a potência indicada e a
potência total desenvolvida pelo motor.
η η
v

Rendimento Teórico É o rendimento calculado do motor ideal.
η η
g

Eficiência É a relação entre os rendimentos nominal e teórico; η
g
= η
i

v.

λ λ
l

Rendimento
Volumétrico
É a relação entre as massas de ar efetivamente aspirada e a
teórica.

PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DOS MOTORES ALTERNATIVOS
O Ciclo mecânico é o mesmo em qualquer motor alternativo.
1. Introduz-se o combustível no cilindro;
2. Comprime-se o combustível, consumindo trabalho (deve ser fornecido);
3. Queima-se o mesmo;
4. Ocorre a expansão dos gases resultantes da combustão, gerando trabalho;
5. Expulsão dos gases.
Nos motores a pistão, este ciclo pode completar-se de duas maneiras:
• ciclo de trabalho a quatro tempos;
• ciclo de trabalho a dois tempos.






26


Um ciclo de trabalho estende-se por duas rotações da árvore de manivelas, ou seja, quatro cursos do
pistão.
No primeiro tempo, com o pistão em movimento descendente, dá-se a admissão, que se verifica, na
maioria dos casos, por aspiração automática da mistura ar-combustível (nos motores Otto), ou apenas ar
(motor Diesel). Na maioria dos motores Diesel modernos, uma ventoinha empurra a carga para o cilindro
(turbocompressão).

No segundo tempo, ocorre a compressão, com o pistão em movimento ascendente. Pouco antes do
pistão completar o curso, ocorre a ignição por meio de dispositivo adequado (no motor Otto), ou a auto-
ignição (no motor Diesel).

No Terceiro tempo, com o pistão em movimento descendente, temos a ignição, com a expansão dos
gases e transferência de energia ao pistão (tempo motor).

No quarto tempo, o pistão em movimento ascendente, empurra os gases de escape para a atmosfera.

Durante os quatro tempos – ou duas rotações – transmitiu-se trabalho ao pistão só uma vez. Para
fazer com que as válvulas de admissão e escapamento funcionem corretamente, abrindo e fechando as
passagens nos momentos exatos, a árvore de comando de válvulas (ou eixo de cames) gira a meia rotação do
motor, completando uma volta a cada ciclo de quatro tempos.
27


Os quatro tempos


1º TEMPO
Curso de Admissão
Estando o pistão no PMS, o mesmo
começa a descer estando aberta a válvula
de admissão (VA) e fechada a válvula de
descarga (VD). O êmbolo, ao descer gera
um vácuo no interior do cilindro,
aspirando a mistura ar-combustível (Ciclo
Otto) ou somente ar (Ciclo Diesel) até o
PMI, quando a VA se fecha, cumprindo-se
meia volta do virabrequim (180º).
2º TEMPO
Curso de Compressão
Estando VA e VD fechadas, a medida que
o pistão desloca-se para o PMS, o mesmo
comprime o conteúdo do cilindro,
aumentando a sua temperatura e pressão
interna, figura 03. O virabrequim gira
outros 180º, completando o primeiro giro
(volta completa - 360º).


3º TEMPO
Curso de Combustão e Expansão
Nesta fase produz-se a energia que será
transformada em trabalho mecânico.
Pouco antes do pistão atingir o PMS com
VA e VD fechadas, a mistura ar-
combustível é queimada. A energia
liberada nesta combustão dá origem a uma
força no êmbolo, deslocando-o do PMS ao
PMI. Esta força é transmitida do êmbolo,
através da biela, ao virabrequim girando-o
(executa meia volta - 180º).
4º TEMPO
Curso de Escape
Com a VA fechada e a VD aberta, o
êmbolo, ao deslocar-se do PMI para o
PMS, onde VD se fecha, expulsa os
produtos da combustão. O virabrequim
executa outra meia volta - 180º,
completando o ciclo (720º).

Figura 8 - Os 4 tempos de um motor de combustão.

28


É importante salientar que somente no curso de combustão se produz energia mecânica, os outros
três tempos são passivos, ou seja, absorvem energia.


Figura 9 - Temperatura e Pressão no final da Compressão


Motor Dois Tempos
Os motores deste tipo combinam em dois cursos do êmbolo as funções dos motores de quatro
tempos, sendo assim, há um curso motor para cada volta do virabrequim. Normalmente estes motores não
têm válvulas, eliminando-se o uso de tuchos, hastes, etc. O carter, que possui dimensões reduzidas, recebe a
mistura ar-combustível e o óleo de lubrificação. Deve ser cuidadosamente fechado pois nele se dá a pré-
compressão da mistura.

1º Tempo - Curso de Admissão e Compressão
O êmbolo dirige-se ao PMS, comprimindo a mistura ar-combustível. As janelas de escape e carga
são fechadas, abrindo-se a janela de admissão. Com o movimento do êmbolo, gera-se uma pressão baixa
dentro do carter e assim, por diferença de pressão admite-se uma nova mistura ar-combustível-óleo
lubrificante, que será utilizado no próximo ciclo. O virabrequim dá meia volta, 180 graus, fechando o ciclo.
Pouco antes de atingir o PMS, dá-se a centelha, provocando a combustão da mistura, gerando uma força sobre
o êmbolo. Inicia-se então o próximo ciclo.

2º Tempo - Combustão e Escape
É o curso de trabalho. No PMS, dado início à combustão por meio de uma centelha (spark), o
êmbolo é forçado até o PMI. Durante o curso, o êmbolo passa na janela de descarga dando vazão aos gases
da combustão. Ao mesmo tempo o êmbolo abre a janela de carga permitindo que uma nova mistura ar-
29


combustível entre no cilindro preparando-o para o novo ciclo e forçando os gases provenientes da combustão
para fora (lavagem). O virabrequim, neste primeiro tempo, dá meia volta, 180 graus.


Figura 10 - Ciclo de um Motor 2 Tempos

MOTOR WANKEL

Esse motor, de um modo geral, apresenta as seguintes vantagens relativamente aos congêneres
alternativos:
1. Eliminação dos mecanismos biela-manivela com redução dos problemas de compensação de forças e
momentos, bem como vibratórios;
2. Menor número de peças móveis, o que poderá ocasionar construção e manutenção mais simples e de
menor custo;
3. Maior concentração de potência, logo menor volume e peso.

Por outro lado, o motor apresenta problemas, em parte já sanados e em parte ainda para serem
resolvidos. Entre esses problemas, destacamos:

1. Alta rotação: o primeiro protótipo experimental girava a 17.000 rpm. Atualmente essa rotação encontra-
se na faixa das 4.000 rpm.
2. Problemas de vedação entre pistão e cilindro;
3. Problemas de lubrificação, sendo que estes dois últimos já foram sanados.

O motor Wankel, consta apenas de cilindro, de duas partes rotativas, árvore com respectivo
excêntrico, volantes, massas de compensação e o pistão rotativo, que gira engrenado a um pinhão fixo.
Desde os primeiros dias da invenção do motor a gasolina, milhares já foram construídos baseados em
princípios e ciclos diferentes dos que caracterizaram os motores clássicos de dois ou quatro tempos. Entre
30
DESGASTE DOS CILINDROS. O funcionamento do motor leva a um desgaste progressivo dos
cilindros. Este desgaste é irregular e dá ao cilindro uma ovalização e uma conicidade. O maior
desgaste verifica-se no PMS. Neste local, a lubrificação é normalmente insuficiente, enquanto a
pressão e a temperatura estão no seu máximo. No PMI, estas condições são exatamente opostas e o
desgaste é quase nulo.
A ovalização dos cilindros pode ter como causa a obliqüidade da biela que, em torno do
meio do curso, apoia o pistão contra o cilindro. Neste caso, a ovalização é perpendicular ao eixo do
virabrequim.
O desgaste é, em grande parte, devido aos arranques com o motor frio. A condensação
da gasolina e a insuficiência de óleo fazem com que durante os primeiros minutos de funcionamento
os pistões funcionem que completamente a seco.
O grande desgaste dos cilindros leva a um consumo exagerado de óleo e de
combustível, a um depósito de sujeira nas velas, a uma marcha ruidosa e a diminuição da potência.
CILINDROS DESCENTRADOS. Num grande número de motores não se faz coincidir o eixo dos
cilindros com o eixo do virabrequim. Este último está deslocado alguns milímetros no sentido oposto
ao sentido de rotação. Este deslocamento tem por finalidade diminuir a inclinação da biela no tempo
motor (descida do pistão). Daí resulta um menor esforço lateral do pistão sobre as paredes do
cilindro e uma ovalização menos sensível. Durante a subida do pistão, a inclinação da biela é
grande, mas como a pressão do gás é fraca, os esforços laterais ficam normais. O deslocamento
regulariza o desgaste de ambos os lados do cilindro.
CÁRTER. O cárter de um motor é em ferro fundido ou em alumínio fundido. Forma a parte principal
do bloco do motor e contém o virabrequim, o eixo de cames (motor de válvulas laterais) e a bomba
de óleo. As extremidades do cárter têm freqüentemente garras destinadas a fixação do motor. As
paredes extremas e as divisórias internas suportam os mancais do virabrequim.
A parte inferior do cárter forma depósito de óleo. É de chapa embutida ou de liga de
alumínio. A sua fixação ao cárter superior faz-se por intermédio de cavilhas de aço doce.
CABEÇOTE. O cabeçote tem a função de tampar os cilindros formando a câmara de combustão. Os
motores refrigerados a água usam cabeçotes de ferro fundido ou ligas de alumínio. Este último
quando a necessidade de peso leve ou melhor condução de calor uma vez que impedem a formação
de pontos quentes nas paredes internas do cabeçote.
O cabeçote é um dos elementos mais críticos no projeto de um motor porque ele
combina problemas estruturais, fluxo de calor e escoamento de fluido em uma forma complexa.
31
O problema central no projeto do cabeçote com válvulas consiste em se chegar a um
arranjo satisfatório, quanto a válvulas e janelas (motor 2 tempos), que suporte as cargas de gás e, ao
mesmo tempo, evitar excessiva distorção e tensão devido aos gradientes de temperatura e, também,
evitar custos excessivamente elevados ou complexidade indevida.
COMPONENTES DO SISTEMA DE FORÇA
VIRABREQUIM. Os virabrequins são feitos de aço forjado, ou fundidos de aço, ferro maleável ou
ferro cinza. Em termos qualitativos, as cargas em um virabrequim resultam em tensões devido à
flexão, torção e cizalhamento em todo seu comprimento. A geometria complexa envolvida tornaria
impossível cálculos precisos de tensão ainda que as cargas fossem conhecidas com precisão. A
despeito dessas dificuldades entretanto, muito se tem feito para racionalização do projeto do
virabrequim, grande parte por meio da análise experimental de tensões.
A linha de eixo é o conjunto de munhões nos quais gira o virabrequim apoiado no bloco
do motor.
Os moentes são as partes do virabrequim onde se apoiam as bielas.
O interior do virabrequim contém dutos especiais por onde circula o óleo necessário a
lubrificação dos munhões e dos moentes.
VOLANTE. O volante é de fundição ou de aço moldado.
Destina-se a regularizar a rotação do virabrequim. No momento da explosão, o volante
absorve a energia desenvolvida; restitui-a nos tempos não motores. Os motores de um cilindro
exigem um volante grande, enquanto que os de vários cilindros são equipados com volantes tanto
mais leves quanto mais elevado for o número de cilindros.
32
BIELAS. As bielas são de aço-liga estampado e por vezes de liga de alumínio. A tampa da biela é
fixa por parafusos de aço ao cromo-níquel tratado, de grande resistência.
O pé de biela articula-se no pino de pistão por intermédio de uma bucha de bronze
fosforoso chavetada. Um batimento lateral de 3 a 4 mm entre o s ressaltos do pistão é aproveitado
para que o deslocamento longitudinal do virabrequim não provoque uma flexão da biela.
O corpo da biela é tubular ou de seção em duplo T. As bielas inteiramente usinadas
asseguram um melhor equilíbrio do motor.
A cabeça de biela gira no pino por intermédio de mancais de duas partes.
Os metais utilizados dependem do gênero de motores, das cargas da biela e da
velocidade de rotação.
33
MANCAIS. São utilizados para reduzir o atrito e servir de apoio as partes giratórias do motor
(moentes, munhões,...).
Os mancais dividem-se em dois tipos principais: os fixos - alojados nos munhões e no
bloco do motor, e os móveis, montados nos moentes e bielas.
Podem ser de deslizamento ou de rolamento (com roletes, esferas, agulhas).
O mancal, quando constituído por duas partes iguais, para facilitar a montagem, é
designado por mancal de duas meias-buchas.
O mancal é composto por duas partes, uma externa chamada capa e outra interna
composta por metal anti-fricção.
O metal anti-fricção pode ser uma liga de estanho, de cobre e de antimônio. Esta liga
permite um deslizamento muito suave; favorece um funcionamento silencioso do motor.
Os mancais de metal rosa - liga de alumínio, de cobre e de zinco - são montados em
motores especialmente potentes.
Os mancais de bronze - liga de estanho e de cobre - são particularmente montados nos
motores Diesel. A boa resistência mecânica deste material convém extremamente a este gênero de
motores cujo conjunto de biela é submetido a fortes cargas.
PISTÕES. Os pistões são de fundição maleável, de liga de alumínio ou de aço. Estes dois últimos
metais permitem fazer pistões mais leves. Os efeitos de inércia no final do curso são menores; há,
portanto, menos vibrações e uma menor frenagem em altos regimes.
Os pistões de liga de alumínio são igualmente melhores condutores de calor. Esta
qualidade é primordial quando se trata de motores cujo regime ultrapassa as 3500 rpm.
O pistão de um motor de combustão interna funciona em condições particularmente
desfavoráveis.
Para um regime de 3600 rpm, ele pára 120 vezes por segundo.
Entre cada parada ele atinge uma velocidade de 70 km por hora.
No momento da explosão, ele recebe um impulso de mais ou menos 20000 N (2000 kg),
e isto, 30 vezes por segundo.
A sua temperatura sobe a 620 °K (350 °C), no centro da cabeça, e cerca de 420 a 450
°K (150 - 200 °C) na extremidade final da saia.
34
Em marcha, a dilatação dos pistões é grande. As folgas médias têm um diâmetro maior
para os pistões de liga de alumínio devido à maior dilatação desta liga em relação à fundição ou ao
aço. Contudo, estes últimos, não sendo tão bons condutores de calor, a sua temperatura eleva-se
mais no que nos pistões de liga de alumínio.
À temperatura ambiente, o pistão deve ser ajustado no seu cilindro com uma certa folga,
para que, mesmo depois de ter atingido a sua temperatura de marcha, ainda deslize livremente.
As folgas de dilatação dadas na fabricação do pistão dependem:
do diâmetro do cilindro;
do ou dos metais que compõem o pistão;
da forma do pistão;
do regime de rotação do motor;
do sistema de refrigeração e de sua eficácia;
das condições de emprego do motor;
do tipo de combustível.
ANÉIS DE SEGMENTO. Os anéis de segmento constituem um problema difícil de projeto desde o
advento do motor de combustão interna e, somente no período posterior à II. Guerra Mundial, os
anéis alcançaram vida e confiabilidade comensurável com as das outras partes do motor.
Material dos anéis de segmento. A maioria dos anéis de segmento é feita de ferro fundido-cinza
dada sua excelente resistência ao desgaste em todos os diâmetros de cilindro. Quando o vazamento
pelo anel for um problema, utiliza-se o ferro modular ou mesmo o aço, usualmente com superfícies
de mancal revestidas. Para maior resistência ao desgaste do anel e parede do cilindro, os anéis são
de face cromada ou “molibdênio metalizado”, uma estrutura porosa de óxido de molibdênio. Os anéis
de controle de óleo podem ser de ferro ou de aço.
Projeto de anéis de segmento. O projeto dos anéis de segmento têm sido desenvolvido quase
totalmente numa base empírica.
Os anéis de segmento têm duas funções: evitar o vazamento do gás e para manter o
fluxo de óleo na câmara de combustão no mínimo necessário para a adequada lubrificação do anel e
35
No pistão. Nos motores modernos, a vazão de óleo através dos anéis é extremamente pequena e
aproxima-se de zero para motores de pequeno e médio porte. Todos os anéis tomam parte no
controle do fluxo de óleo, mas existe pelo menos um anel cuja função principal é essa. São os
chamados anéis de controle de óleo, enquanto que os outros são anéis de compressão.
Os requisitos a seguir são considerados desejáveis:
1. A largura da face dos anéis deve ser pequena.
2. Utilização do menor número possível de anéis, para diminuir o atrito.
36
CAPÍTULO 5 - SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO
Chama-se distribuição o conjunto de elementos que comandam a admissão de mistura
A/C motores Otto) ou ar (motores Diesel) nos cilindros e posteriormente a saída dos gases
queimados.
São requisitos fundamentais para um sistema de distribuição eficiente, que cada válvula
se mantenha aberta o tempo necessário para uma boa admissão de mistura ou ar), a lavagem do
cilindro, e a completa expulsão dos gases queimados. Que funcione suave e eficientemente nos
mais variados regimes de rotação do motor.
Pode-se designar um motor especificando a disposição dos seus elementos de
distribuição.
Os motores de válvulas laterais possuem válvulas dispostas ao lados dos cilindros.
Esta disposição clássica assegura um funcionamento silencioso, assim como uma marcha suave.
Os motores com válvulas suspensas possuem válvulas colocadas sobre os cilindros.
Esta disposição permite uma forma mais racional da câmara de combustão, favorece a potência do
motor e um rendimento térmico superior. A posição das válvulas suspensas determina melhor
rendimento aos altos regimes e convém aos motores potentes de relação volumétrica elevada.
As válvulas suspensas podem ser acionadas:
. por hastes e balancins com eixo de cames no cárter;
. por balancins com eixo de cames suspenso;
. por eixo de cames suspenso com impulsos diretos sobre as válvulas.
As duas últimas soluções exigem uma construção mais dispendiosa. A ligação do
virabrequim e do eixo de cames é feita por meio de engrenagens, por uma corrente (corrente
silenciosa), ou através de uma correia de borracha com arrames de aço (alma de aço). A fixação
direta das válvulas permite obter uma abertura rápida particularmente em regimes muito altos, sendo
reduzida ao mínimo a inércia das peças de movimento alternado.
37
ÓRGÃOS DE DISTRIBUIÇÃO
Pinhões de distribuição. Transmitem o movimento do virabrequim ao eixo de cames. Estes
pinhões são de aço semiduro, para acionamentos por corrente. São de aço ou matérias plásticas
estratificadas, para acionamento por meio de engrenagens.
Como o eixo de cames gira à metade da velocidade do virabrequim, a relação de
transmissão dos pinhões de distribuição é de 1:2 (motores a 4 tempos).
A posição exata de engrenagem dos pinhões de distribuição é marcada pelo fabricante
no momento da montagem. Esta marcação corresponde geralmente à posição do primeiro pistão no
PMS, no final do tempo de descarga.
Nas distribuições acionadas por engrenagens, a marcação é feita por traços ou pontos
marcados nos dentes.
Quando a distribuição é acionada por corrente ou por correia dentada, a marcação dos
pinhões, afastados um do outro, é obtida por meio de traços que se fazem coincidir simultaneamente
com a linha reta que liga o eixo das duas rodas dentadas, ou por meio de marcas no bloco do motor.
Eixo de cames. Ou comando de válvulas é um eixo que tem solidário a ele ressaltos ou excêntricos,
destinados a agir sobre os impulsionadores das válvulas em tempos precisos.
São fabricados em aço forjado ou ferro fundido (ao níquel-cromo-molibdênio). Passa por
tratamentos como cementação e tempera, de maneira a oferecer a máxima resistência ao desgaste
dos excêntricos.
38
Geralmente o eixo de cames gira em mancais regulados, por vezes em mancais de
bronze ou de fundição.
A forma e a posição dos cames determinam diretamente as características de potência
e de regime do motor.
Projeto do came. Devido a limitações de tensão, as válvulas não podem ser abertas e fechadas
repentinamente, mas devem seguir uma configuração de caráter geral, mostrado no gráfico a seguir.
O movimento atual da válvula será o projetado, como mostra a figura, modificado pelas
características elásticas do mecanismo da válvula.
A fim de que a válvula sempre vede bem, e para permitir ajustagens, desgaste,
expansão e contração devido a mudanças de temperatura, é necessária sempre alguma folga. Essa
folga deve ser a mínima necessária para assegurar que a válvula vem em todos as condições
normais, incluindo uma folga razoável para erros de ajustagem. Incluindo nestas condições a
dilatação dos materiais e manutenção da lubrificação.
É fundamental considerar as conseqüências de uma defeituosa folga nas válvulas: as
folgas pequenas provocarão na admissão má compressão e explosões nos condutos de admissão.
Se na descarga as conseqüências serão danosas para a integridade do sistema uma vez que além
de má compressão, poderá provocar a queima da válvula (deformação da válvula).
As folgas excessivas na admissão terão como resultado a deficiente admissão,
enquanto na descarga o escape incompleto dos gases queimados. Nas duas situações o resultado
será o baixo rendimento do motor.
No instante que o came encontra o tucho no inicio do ciclo de abertura, a folga é
“compensada” por uma rampa de velocidade constante (velocidade aqui significa elevação por
unidade de tempo em determinada rotação da manivela).
39
A curva de elevação de válvula vérsus ângulo de manivela deve ser traduzida no
contorno do came desejado, que depende do projeto do mecanismo da válvula, incluindo
naturalmente a forma do seguidor (tucho) do came.
Tucho. Tem a função de transmitir o movimento do came à vareta ou haste impulsora. São
fabricados em aço nitrado forjado ou de fundição temperada. Devem ser rígidos na compressão e
também como uma coluna. Tubos de aço parecem ser os mais adequados.
Quando o carregamento do came é alto, como nos motores que operam em longos
períodos com elevadas velocidades do pistão, são necessários tuchos de rolete feitos de aço com
endurecimento superficial, operando com cames do mesmo material. Os tuchos com roletes também
são aconselháveis quando se deseja longa vida para o motor.
Tucho hidráulico. O uso de tuchos hidráulicos é bastante geral para motores de automóveis, onde o
baixo nível de ruído é considerado essencial. Como o sistema hidráulico amortece a folga, as rampas
para uso deste tipo de tucho podem ter maiores velocidades do que aquelas de sistemas mecânicos.
Outra vantagem prática dos tuchos hidráulicos é a de ajustagem automática para o desgaste do
mecanismo de válvula, eliminando desta forma a necessidade de ajustagem periódica da folga.
Balancins. Os balancins tem a função de inverter o sentido do movimento gerado pelo came.
Podem ser de fundição, aço estampado ou alumínio.
Mola da válvula. Tem como função fechar a válvula mantendo-a pressionada contra a sua sede.
Cargas da mola. A mínima carga, isto é, com a válvula fechada, deveria ser alta o bastante para
manter a válvula firmemente em sua sede durante o período em que permanece fechada. Nos
motores carburados, a válvula de descarga deve ficar fechada no maior vácuo do coletor e, nos
motores supercarregados, a válvula de admissão não deve ser aberta pela mais elevada pressão do
coletor.
Flutuação de válvulas. Está sempre presente uma vibração interespira, chamada de onda, de maior
ou menor intensidade. Com a vibração interespira, a máxima tensão será maior do que a tensão
calculada na razão da deflexão atual para a admitida das espiras. É obviamente desejável reduzir a
amplitude da vibração interespira a um mínimo.
Diz-se que há flutuação de válvulas, quando a mola que é um sistema oscilante, recebe
uma excitação com freqüência igual a uma das suas freqüências naturais.
Tais vibrações podem ser reduzidas por meio de amortecedores de atrito, por ângulos
de hélice não uniformes, duas molas com diâmetros distintos e sentido das hélices opostos.
Válvulas. A válvula de haste é hoje universalmente usada nos motores de quatro tempos. São elas
que regulam a entrada e saída de gases no cilindro.
As válvulas de admissão são de aço, de aço ao níquel ou cromo-níquel. A passagem
dos gases novos mantém a sua temperatura a cerca de 523 a 573°K (250 a 300°C).
As válvulas de descarga são de uma liga de aço, de forte teor de níquel, de cromo e de
tungstênio. O cromo torna o aço inoxidável; o tungstênio mantém uma forte resistência mecânica à
temperatura elevada; o níquel melhora a resistência.
As válvulas de descarga suportam um pouco a passagem de gases a temperaturas
elevadas (973 a 1023°K - 700 a 750°C). À plena potência elas funcionam geralmente ao vermelho-
escuro.
40
A válvula é resfriada por contato com o assento e com a guia. Nos motores muito
potentes, as válvulas de escape são interiormente guarnecidas com sais de sódio ou potássio
destinados a melhorar a refrigeração por condutibilidade.
A cabeça da válvula comporta uma superfície de apoio retificada cujo o ângulo pode ser
de 45° ou 60°. Um ângulo de 45° permite uma melhor centragem da válvula sobre o seu assento
cada vez que se dá o encaixe, mas, para uma dada subida, a seção de passagem dos gases é
melhor do que o assento de 60°. Estas particularidades fazem com que se dê preferência ao ângulo
de 45° para as válvulas de escape, mais facilmente deformáveis a alta temperatura, e o ângulo de
60° às válvulas de admissão, que devem sobretudo favorecer a entrada dos gases novos no cilindro.
41
CAPÍTULO 8 - SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO (MOTORES OTTO)
CARBURAÇÃO
INJEÇÃO
INTRODUÇÃO
Requisitos de mistura. Em geral, a ótima razão ar/combustível com determinada
velocidade do motor consiste naquela em que se consegue o conjugado desejado, ou pressão média
efetiva no freio, com o menor consumo de combustível consistente com a operação normal e
confiável. Essa ótima razão A/C não é constante, mas depende de muitos fatores.
Os requisitos de mistura para a partida e aquecimento o motor necessitará geralmente
de mistura anormalmente ricas no dispositivo de alimentação, seja o carburador ou um sistema de
injeção, afim de assegurar a mistura de queima nos cilindros. Assim, o sistema de alimentação deve
estar apto a fornecer misturas muito ricas na partida e a razão A/C deve ser progressivamente
reduzida a partir desse ponto, durante o período de aquecimento, até o motor funcionar
satisfatoriamente com razões A/C normais de operação permanente.
O termo “aceleração”, com relação aos motores, é geralmente usado para caracterizar
um aumento na velocidade do motor, resultante da abertura da válvula. O propósito imediato da
abertura da válvula de aceleração, entretanto, é assegurar um aumento do conjugado, e dependerá
da natureza da carga o aumento subseqüente na velocidade.
Nos motores com carburador que usam combustível líquido, o processo de aceleração é
complicado pela presença do combustível não evaporado no coletor de admissão. A investigação
mostra que, durante a operação permanente normal com gasolina (ou álcool), o coletor de admissão
contém uma grande quantidade de combustível líquido que adere à parede do coletor e escorre ao
longo das mesmas até o cilindro, com uma velocidade bastante baixa comparada a do resto da
mistura, que consiste em ar, vapor de combustível e gotículas entranhadas de combustível. Nas
condições permanentes de operação com determinada velocidade, a quantidade de líquido contida no
coletor, em qualquer momento, torna-se maior com o aumento da pressão no coletor. A principal
razão para que altas pressões no coletor resultem em grandes quantidades de líquido deve-se ao
fluxo de combustível aumentar com o aumento da densidade do ar, e a evaporação é mais lenta
quando aumenta a pressão total.
Quando a válvula está aberta para aceleração, aumentando a pressão no coletor, deve
ser fornecido combustível para aumentar o conteúdo de líquido do coletor. Se o carburador fornece
uma razão A/C constante, a razão que atinge o coletor está diminuirá durante o período em que o
conteúdo de líquido está aumentando. Com a instantânea abertura da válvula de aceleração, a
resultante redução na razão A/C recebida pelos cilindros pode ser tal que venha a ocorrer má queima,
retrocesso de chama, ou mesmo completa parada do motor.
Para evitar uma mistura anormalmente pobre nos cilindros, resultante de rápidas
aberturas da válvula de aceleração, é usualmente necessário aumentar a relação de suprimento pela
injeção no coletor de uma quantidade de combustível conhecida como carga de aceleração. A injeção
dessa carga deve ocorrer simultaneamente com a abertura da válvula. A ótima quantidade de carga
de aceleração é aquela que resultará na razão A/C para melhor potência nos cilindros. Em geral, essa
quantidade varia com a velocidade do motor e com a posição da válvula no início da aceleração, com
a volatilidade do combustível, temperatura da mistura, e velocidade de abertura da válvula. Dessa
forma, os carburadores são projetados para fornecer a quantidade necessária nas condições mais
difíceis e, quando esta quantidade é muito grande, o erro será do lado rico da mistura de melhor
potência, onde o sacrifício em potência é pequeno. Como a abertura parcial ou lenta da válvula de
aceleração necessita de quantidade de mistura inferior à de completa aceleração, essa quantidade é
42
usualmente tomada como proporcional à razão de abertura da válvula e do ângulo correspondente ao
movimento da válvula.
CARBURADOR BÁSICO
O elemento básico ou principal da maioria dos carburadores consiste em uma passagem
de ar de geometria fixa, contendo uma restrição com a forma de ventúri. Na garganta do ventúri está
localizado um injetor de combustível e este vem de uma câmara de bóia de nível constante, ou outro
dispositivo de pressão constante. O fluxo de ar é controlado por uma válvula-borboleta a jusante do
ventúri.
O ar atravessa uma passagem com a forma de ventúri, proveniente da admissão de ar.
Essa forma é usada para diminuir a um mínimo a queda de pressão estática através do sistema. A
diferença de pressão de estagnação na entrada de ar e a pressão estática na garganta do ventúri é
usada para criar e regular a vazão de combustível. Na figura, a passagem de ar está na vertical, com
escoamento para baixo, carburador de fluxo descendente. Muitos carburadores são dispostos de
forma tal que o escoamento se processe de baixo para cima, carburadores de fluxo ascendente, e
alguns têm passagem de ar na horizontal, carburadores de fluxo horizontal. Os princípios de
operação entretanto, são os mesmos para qualquer direção do fluxo de ar.
A jusante do ventúri, na passagem de ar, encontra-se localizada uma válvula de
borboleta, que, nos motores de ignição por centelha, é o principal elemento de controle de potência.
O combustível é introduzido no ar, na garganta do ventúri, por meio de um bocal,
alimentado pela câmara de nível constante ou câmara da bóia, através de um orifício medidor de
combustível. O nível de combustível na câmara da bóia é mantido constante por meio de uma
válvula controlada pela bóia. A pressão acima do combustível é mantida igual a pressão total de
admissão de ar, por meio de um tubo de impacto, que mede a pressão total, ou de estagnação, na
entrada de ar.
SISTEMA DE MARCHA LENTA. O sistema usado para cobrir o requisito de mistura com baixas
taxas de fluxo de ar é chamado de sistema de marcha lenta, ainda que ele possa influenciar a razão
A/C em cargas bem superiores às de marcha lenta. A figura a seguir mostra um arranjo típico para
um sistema de marcha lenta. O depósito de marcha lenta é uma passagem vertical ligada à câmara
da bóia pelas partes superior e inferior. A conexão do fundo tem um orifício medidor com seção
pequena. A passagem de marcha lenta tem uma abertura de descarga localizada próximo da aresta
43
da válvula de borboleta, quando esta se encontra na posição de fechada. A extremidade inferior
aberta localiza-se próximo do fundo do depósito de marcha lenta. O tubo de ar de marcha lenta
comunica-se com a passagem, cujo formato é apresentado na figura, e é controlado por uma
restrição ajustável chamada de parafuso de ajustagem da marcha lenta.
Para marcha lenta na mais baixa rotação possível desejável, a válvula é ajustada de
encontro a um esbarro ajustável tal que ela permanece aberta apenas o suficiente para permitir o
fluxo de ar necessário. Nesse ponto, a aresta da válvula parcialmente encobre o bocal (injetor) de
marcha lenta. Através da colocação adequada da saída do injetor em relação à válvula e por meio de
ajustagem apropriada do parafuso regulador da marcha lenta, haverá suficiente sucção no tubo de
marcha lenta para elevar o combustível a uma taxa tal que forneça a razão A/C exigida pela marcha
lenta.
A abertura ulterior da válvula gradualmente expõe o injetor de marcha lenta à completa
depressão no coletor de admissão, que pode chegar a 0.7 bar abaixo da pressão atmosférica em um
motor em marcha lenta normal. Nesse ponto, a diferença de pressão entre as extremidades superior
e inferior da passagem de marcha lenta é tão grande que ela drena o depósito de marcha lenta até o
nível mostrado na figura anterior. A partir desse ponto, à medida que a válvula é aberta, haverá
sempre suficiente sucção para manter o nível de combustível no depósito de marcha lenta no fundo
do tubo de marcha lenta. A quantidade de combustível que escoa será constante e dependente da
área e do coeficiente do orifício de combustível de marcha lenta e da altura de carga.
SISTEMA DE MARCHA ACELERADA. Ao abrir-se a borboleta do acelerador, aumenta-se o fluxo de
ar através do pulverizador de compensação de ar. Em conseqüência do aumento da depressão no
difusor, o combustível, depois de passar pelo pulverizador principal, faz subir o nível no poço de
emulsão; ao mesmo tempo, o ar admitido no calibrador principal emulsiona o combustível, que será
posteriormente pulverizado no difusor. Simultaneamente, diminui a depressão no furo de descarga do
calibre de lenta e cessa o fluxo de combustível nesse ponto.
Para evitar qualquer empobrecimento indevido da mistura durante esta fase de
transição, é usual existirem um ou mais orifícios de progressão que são alimentados pelo canal do
circuito de marcha lenta.
Para fornecer o combustível adicional necessário na aceleração e nas aberturas súbitas
da borboleta do acelerador existe uma bomba de aceleração mecânica. Esta consiste num poço (ou
câmara) cheio de combustível e em um êmbolo acionado por uma mola ou um diafragma ligados à
44
borboleta. Quando esta se abre, o combustível é descarregado no difusor por ação de um injetor
integrado no circuito da bomba.
Partida do motor frio. É necessário uma razão A/C rica, com uma proporção que varia de
1:1 e 3:1. Para conseguir esta proporção, fecha-se a borboleta do afogador.
Estando frios, o carburador e o coletor de admissão dão de certo modo origem à
condensação do combustível nas paredes do coletor, dificultando seriamente a sua vaporização. Este
fator e a maior densidade do ar frio, somados a lentidão das primeiras rotações, empobrecem a
mistura.
Observação: Tubo de emulsão. O emulsionador é formado por dois tubos, um no interior do outro. O
combustível penetra nestes tubos antes de passar para a corrente de ar principal, no difusor. A
medida que aumenta o número de rotações do motor, o ar admitido por um pulverizador de
compensação, ou calibrador de ar, penetra no tubo interior, que apresenta orifícios a diferentes
níveis, ficando a mistura mais pobre.
SISTEMA DE INJEÇÃO ELETRÔNICA DE COMBUSTÍVEL
Os sistemas eletrônicos de injeção de combustível apresentam duas vantagens
principais sobre os sistemas mecânicos: dispõem de grande número de dispositivos de alta
sensibilidade para fornecer sempre aos cilindros a quantidade precisa de combustível e não requerem
um distribuidor mecânico de alta precisão.
Estas vantagens são evidentes nos sistemas eletrônicos mais utilizados, que operam em
pressões de combustível mais baixas que os sistemas mecânicos (1.75 a 2.1 bar). O sistema é
equipado com uma bomba de combustível elétrica que aspira combustível do reservatório num nível
superior ao que é necessário para a injeção. O combustível em excesso retorna para o reservatório
através de um regulador de pressão que evita a possibilidade de formação de bolhas de ar e de vapor
de combustível.
O injetor mantém-se fechado sob a ação de molas e são acionados por solenóides. O
volume de combustível injetado depende do tempo durante o qual o solenóide mantém o injetor
aberto. Este tempo, por sua vez, depende de um sinal que o solenóide recebe do sistema de
processamento eletrônico.
45
Este sistema de processamento eletrônico está ligado a uma série de dispositivos
sensíveis que atuam segundo diversas condições preestabelecidas do motor, tais como pressão do ar
no coletor, as temperaturas do ar admitido e do sistema de refrigeração, umidade do ar, o nível de
aceleração. Existem, ainda, sensores que atuam sobre as condições da combustão por exemplo,
sensores de detonação. Estes dispositivos permitem ao sistema de processamento determinar
instantaneamente o momento de abertura dos injetores, a razão da mistura, o avanço ou atraso da
ignição, etc.
A grande vantagem do sistema eletrônico de injeção de combustível está na rapidez de
resposta às condições de trabalho do motor. Isto proporciona alto nível de confiabilidade, controle
apurado sobre os gases de descarga (redução dos níveis de poluição) uma vez que permite uma
melhor queima da mistura, além é claro, de melhor rendimento não apenas em termos de potência,
mas também em termos de consumo.
Atualmente são utilizados dois tipos básicos de sistemas de injeção de combustível: os
sistemas que utilizam apenas um injetor (single-point), e os sistemas que operam com um injetor para
cada cilindro (multi-point). Nos dois casos os sistemas de monitoramento do motor são semelhantes.
Obviamente obtém-se melhores resultados nos sistemas "multi-ponto" (multi-point),
devido a melhor distribuição da mistura A/C, praticamente não existe perda de carga devido ao atrito
dos coletores, tendo em vista a que o combustível é injetado na janela de admissão, assim como os
problemas decorrentes da condensação do combustível nos coletores.
Por outro lado, os sistemas baseados em um único injetor proporcionam um ótimo
rendimento se comparado com os sistemas convencionais de alimentação (carburadores) pelos
motivos já abordados e se comparados com os sistemas multi-ponto oferecem um custo inferior.
PRINCIPAIS COMPONENTES DO SISTEMA DE INJEÇÃO
Bico injetor. Controla o volume de combustível. Atua através de comandos enviados pela "unidade
comando eletrônico".
Regulador de pressão. Atua como limitador de pressão de combustível de 1 a 2 bar, permitindo o
retorno de combustível em excesso para o reservatório.
Bomba de combustível. Possui acionamento elétrico. Sua operação independe da rotação do motor,
mantendo assim o sistema sem flutuações de pressão.
Bobinas de ignição. Em geral, para cada dois cilindros é instalada uma bobina controlada pelo
sistema de eletrônico de ignição e pela "unidade comando eletrônico". Nestes casos dispensa o
distribuidor.
Atuador de marcha lenta. Tem a função de controlar a vazão de ar em regime de marcha lenta,
permitindo assim controle da rotação em qualquer instante de funcionamento do motor.
Unidade de Comando Eletrônico. É o centro de operação de todos os componentes do sistema de
alimentação de combustível. Tem a função de monitorar e analisar os dados enviados pelos
sensores, sinalizando ao injetor e em alguns casos ao sistema de ignição as condições de trabalho
solicitadas pelo motor.
46
3Co
Combustão em Motores
A chamada diferença fundamental entre a Ignição por Centelha (ICE)
1
e a Ignição por
Compressão (ICO)
2
nos Motores de Combustão Interna, não comenta sobre o tipo de
combustão que ocorre e sobre como o processo é idealizado nos Ciclos Otto e Diesel. O
processo de combustão não ocorre em um volume constante (Otto) e nem a pressão constante
(Diesel). A diferença entre os dois processos de combustão é que as máquinas de Ignição por
Centelha normalmente possuem seus reagentes pré-misturados, enquanto que nas máquinas de
Ignição por Compressão, os reagentes são misturados já na combustão.
Com a combustão de reagentes pré-misturados a mistura ar/combustível deve ser
sempre estequiométrica (quimicamente correta) para uma ignição e combustão correta. Para o
controle da potência de saída a máquina ICE é regulada reduzindo-se a massa de combustível
e/ou ar na câmara, reduzindo a eficiência do ciclo. Ao contrário, para máquinas ICO, onde
ocorre a injeção do combustível, a mistura somente é estequiométrica na frente de chama. A
saída de potência pode então ser controlada pela variação do controle da quantidade de
combustível injetado, isto colabora para sua economia de combustível superior.
Nos reagentes pré-misturados, a chama se desloca entre os mesmos, separando
reagentes dos produtos da combustão. Têm-se um exemplo de combustão com reagentes pré-
misturados num equipamento de oxi-acetileno; para soldagem, a chama é rica em combustível
para prever a oxidação do metal, enquanto, para o corte do metal, a chama é rica em oxigênio
para fundir o mesmo.
Na chama de difusão, a chama ocorre na interface entre o combustível e o comburente.
Os produtos da combustão dispersam-se no comburente, e o comburente se dispersa
completamente no produto. Processo similar ocorre no lado do combustível na chama. A
velocidade de combustão é controlada pela difusão. Um exemplo comum de uma chama de
difusão é a vela. O combustível é fundido e evaporado pela radiação provinda da chama, e
então oxidada pelo ar; o processo é claramente governado pela difusão, pois os reagentes não
estão pré-misturados.
O Bico de Bunsen, apresentado na figura 01, possui uma chama pré-misturada e uma
chama de difusão. O ar que entra pela base do queimador não é suficiente para completar a
combustão com uma simples chama pré-misturada. Conseqüentemente, uma segunda frente de
chama é estabelecida na interface onde o ar está se misturando no combustível não queimado.

1
Spark Ignition - SI
2
Compression Ignition - CI
47
4
Figura 01 - Bico de Bunsen
A física e a química da combustão foi descrita com alguns detalhes por Gaydon e
Wolfhard
3
(1979) e Lewis e von Elbe
4
(1961), mas nenhum livro devota muita atenção para a
combustão em um MCI. Misturas de ar/hidrocarbonetos tem velocidade laminar de queima
máxima por volta de 0,5 m/s, uma exceção notável deve ser observada na mistura ar/acetileno
com um valor de 1,58 m/s.
Um cálculo aproximado do tempo de queima da mistura em um cilindro de 10 mm de
diâmetro com ignição central é de aproximadamente 100 ms. No entanto, para uma MCI
trabalhando a 3000 rpm o tempo de combustão pode durar apenas 10 ms. Isto mostra a
importância da turbulência na velocidade de combustão para o menor tempo.
A turbulência é gerada como resultado dos processos de admissão e compressão e da
geometria da câmara de combustão. Em adição a isto pode-se gerar um movimento de ar
como uma espiral, sendo particularmente importante em motores Diesel. Isto é obtido com a
componente tangencial da velocidade do ar durante a admissão, figura 02.
Figura 02 - Espiral gerada com a Admissão
Para a combustão com reagentes pré-misturados, o efeito da turbulência está na
fragmentação ou na curvatura da frente da chama. Ali podem-se ter pacotes de gases

3
Gaydon A. G. & Wolfhard H. G. Flames, their Structure, Radiation and Temperature, 4th edn, Chapman
and Hall, London.
4
Lewis B. and von Elbe G. Combustion Flames and Explosions of Gases, 2nd edn, Academic Press, New
York.
48
5
queimados dentro do gás não queimado e vice-versa. Isto aumenta a área frontal da chama e a
velocidade da combustão. A figura 03 apresenta uma comparação entre a frente da chama
laminar e turbulenta.
Figura 03 - Comparação entre frentes laminares e turbulentas para combustão com
reagentes pré-misturados.
Para a combustão por difusão controlada, a turbulência também aumenta a velocidade
da queima. O combustível é injetado como um fino “spray” atomizado, junto ao ar que está
quente o suficiente para vaporizá-lo e produzir a queima das gotículas de combustível, figura
04.
Figura 04 - Comparação entre uma frente laminar com ar parado e uma frente turbulenta
com movimentação de ar para combustão de difusão controlada.
Sensíveis economias podem ser conseguidas apenas com pequenos ajustes necessários
para que os equipamentos operem adequadamente do ponto de vista do controle da
combustão. Entre tantos parâmetros a serem controlados, podem ser citados, a título de
exemplo, as condições de nebulização do combustível e a relação ar/combustível. Esses
parâmetros, no entanto, muitas vezes não são “visíveis”, nem intuitivos. Mesmo um operador
experimentado dificilmente conseguirá, pela observação da chama, distinguir condições de
operação em que os excessos de ar sejam 30 e 60% respectivamente.
Durante a combustão coexistem fenômenos químicos, térmicos e aerodinâmicos, para a
interpretação dos quais são propostos vários modelos, sem que haja uma completa e rigorosa
definição dos processos intermediários envolvidos. Não obstante, o levantamento e a
49
6
interpretação de determinados parâmetros que estejam a ela relacionados, direta ou
indiretamente, permitem o estabelecimento de melhores condições de operação dos
equipamentos onde se esteja processando a combustão.
Reações de combustão e Estequiometria
De maneira geral, define-se combustão como uma reação química entre duas
substâncias ditas combustível e comburente, ocorrendo a alta velocidade e alta temperatura,
onde se dá uma intensa liberação de calor com a emissão simultânea de luz, na maioria das
vezes, dependendo, entre outros fatores, do tipo de combustível.
Normalmente, o comburente utilizado é o oxigênio do ar atmosférico, por outro lado,
os combustíveis se inserem numa faixa de tipos e qualidades, muito embora possa ser dito que
a maioria daqueles utilizados industrialmente têm em sua composição, entre outros elementos,
o carbono, o hidrogênio e o enxofre.
Na prática, costuma-se fazer uma distinção entre duas formas básicas de reação de
combustão. Diz-se que a combustão é completa quando o combustível queima em sua
totalidade, ou seja, os reagentes são levados ao seu grau de oxidação máxima. As principais
reações existentes, nesse caso, são os seguintes:
C + O
2
→ CO
2
+ Q
1
H
2
+ 1/2O
2
→H
2
O + Q
2
S + O
2
→ SO
2
+ Q
3
Nas reações anteriores, Q
1
, Q
2
, Q
3
representam as “quantidades de calor” liberadas em
cada uma das rações.
Além das reações acima, duas merecem ser destacadas. A primeira delas é a que leva à
formação de CO:
C + 1/2 O
2
→ CO + Q
4
É importante observar que, desde que sejam adotadas as mesmas condições de
temperatura e pressão na qual ocorram as reações, então a “quantidade de calor” Q
4
é menor
que a quantidade Q
1
, e portanto a combustão incompleta é um processo menos eficiente que a
combustão completa, quando o que se procura é a liberação de calor.
Outra reação é a que leva à formação de SO
3
:
SO
2
+ 1 O
2
→ SO
3
+ Q
5
50
7
A quantidade de SO
3
formado, na maioria das vezes, é pequena. O grande problema é
que essa substância, reagindo com o vapor d’água, forma ácido sulfúrico gasoso, o qual pode
condensar dependendo das condições de temperatura dos gases. Nesse caso, existem todos os
inconvenientes da corrosão provocada pela deposição da substância ácida em paredes.
A condensação do ácido sulfúrico é um fenômeno que deve ser cuidadosamente
analisado, quando se pensa em instalar um recuperador de calor na chaminé de um
equipamento.
Para cálculos práticos, pode-se admitir que no máximo 3% de SO
2
se transforma em
SO
3
. Assim, admitindo um excesso de ar de 30%, a temperatura de condensação do ácido
sulfúrico, para os gases de combustão de óleo BPF (4% de enxofre), será da ordem de 120ºC
(ver figura b.1), no caso do óleo BTE(0,9% de enxofre) de 90ºC. Esses valores são válidos
para pressão total da ordem de 1,013.10
5
Pa (760mmHg).
Dessa forma, quando se quer evitar a corrosão da chaminé, é conveniente manter a
temperatura dos gases 40 ou 50ºC acima do ponto de orvalho.
Para se utilizar o monograma da figura 1, calcula-se:
( ) %SO
3
base seca
numero de moles de SO nos gases
numero total de moles de gases secos
3
·
P do vapor d' água =
numero de moles da agua
numero total de moles
P dos gases
parcial total

III. Poder calorífico
A cada uma das reações elementares de combustão completa está associada uma
quantidade de calor liberada característica, denominada calor de reação. Em geral, para os
combustíveis industriais, costuma-se determinar, experimentalmente, a quantidade de calor
liberada (poder calorífico) por uma amostra, mediante a realização de ensaio em laboratório,
sob condições padronizadas.
É importante definir-se claramente o poder calorífico, para que se possa estabelecer
uma terminologia comum entre a entidade que ensaia o combustível e aquela que vai se utilizar
do resultado.
Mais explicitamente, entende-se por poder calorífico de um combustível o calor
liberado durante a combustão completa de um quilograma do mesmo (no caso de
combustíveis sólidos e líquidos), ou de um normal metro cúbico (no caso de combustíveis
gasosos).
Os combustíveis normalmente utilizados contêm hidrogênio e muitas vezes umidade.
Durante a combustão, a água produzida pela oxidação do hidrogênio, acrescida da umidade do
combustível, passa a fazer parte dos produtos de combustão. Se durante o ensaio as
condições são tais que esta água se condensa, o calor liberado durante a combustão, e assim
medido, denomina-se poder calorífico superior (PCS). Caso não se considere a possibilidade
de condensação, ter-se-á o poder calorífico inferior (PCI).
51
8
Além disso, é preciso estabelecer condições padronizadas de pressão e temperatura, nas
quais o ensaio é realizado ou o resultado é apresentado. Normalmente, adota-se a pressão de
1 atm e temperatura de 20ºC como condições padrão para os reagentes e os produtos após a
combustão, e nesse caso o poder calorífico é dito à pressão constante.
O valor fornecido pelos ensaios usuais é o PCS, sendo que o PCI pode ser
determinado, analiticamente, a partir do PCS e da composição elementar do combustível. Essa
fórmula é apresentada na tabela B.6.
Os poderes caloríficos podem ainda ser determinados através de fórmulas empíricas,
que levam em conta a composição elementar do combustível, desde que se conheçam as
entalpias de reação de cada uma das reações dos elementos anteriormente vistas. No entanto,
usando tal procedimento, pode-se chegar a erros consideráveis em certos casos.
A tabela B.1 apresenta o poder calorífico superior e inferior de alguns combustíveis
sólidos e líquidos, bem como suas composições elementares.
A tabela B.2 apresenta parâmetros análogos para gases pobres típicos, obtidos pela
gaseificação de carvão vegetal e madeira. Nesse caso, são fornecidas as composições
volumétricas dos gases secos, em termos, de componentes básicos. São apresentados também
os poderes caloríficos dos gases secos, valores calculados e não obtidos por ensaio.
TABELA B.1
Composição elementar e poder calorífico aproximados de alguns combustíveis sólidos e líquidos
Comb. Óleo a
(BPF) (a)
Óleo C
(OC-4) (a)
Óleo D
(BTE) (a)
Óleo E
(a)
Óleo
Diesel (b)
Querosene
(b)
Carvão
Min. (c)
Carvão
Min. (c)
Lenha Seca
(d)
C(%)
C
O H(%)
M
P O(%)
O
N S(%)
E
N N(%)
T
E H2O(%)
S
Cinzas(%)
84,8
11,1
---
4,0
---
traços
traços
85,4
12,3
---
2,3
---
traços
---
87,4
11,8
---
0,7
---
traços
traços
85,6
10,4
---
4,0
---
---
---
86,0
13,1
---
0,9
---
---
---
85,6
14,3
---
0,1
---
---
---
41,5
3,1
8,4
1,2
0,8
base seca
45,0
52,3
3,7
9,6
0,5
0,9
base seca
32,5
50,2
6,3
43,1
---
0,06
base seca
0,38
PCS (kJ/kg)
(kcal/kg)
41,940
(10,020)
44,330
(10,590)
43,870
(10,480)
42,070
(10,050)
45,460
(10,860)
46,510
(11,110)
16,700
(3,990)
21,120
(5,045)
15,910
(3,800)
PCI (kJ/kg)
(kcal/kg)
39,470
(9,430)
41,610
(9,940)
41,270
(9,860)
39,770
(9,500)
42,570
(10,170)
43,370
(10,360)
16,020
(3,827)
20,300
(4,850)
14,530
(3,470)
(a) Valores fornecidos pela Shell Brasil S.A. (Petróleo), obtidos dos certificados de qualidade da refinaria “Relan”. Anos de 1977.(b)
Teores de carbono e hidrogênio, bem como os poderes caloríficos, estimados a partir dos teores de enxofre e densidade médios, obtidos
junto a Shell Brasil S.A. (Petróleo), para óleos provenientes da refinaria “Relan”. (c) Fonte: (2). (d) Fonte: (3)
52
9
TABELA B.2
Composição volumétrica e poderes caloríficos de
gases pobres secos
Combustível
Gás de carvão Vegetal
(a)
Gás de
Madeira (b)
Composição volumétrica dos gases secos (%)
CO
2
O
2
CO
CH
4
H
2
N
2
7,9
0,3
29,7
0,5
13,8
47,8
8,5
0,3
28,1
0,8
13,6
48,6
PCS dos gases secos (kJ/kg)
(PCS em kcal/kg)
5690
(1360)
5610
(1340)
PCI dos gases secos (kJ/kg)
(PCI em kcal/kg)
5400
(1290)
5320
(1270)
(a) Valores médios obtidos em ensaios realizados em gaseificador instalado no IPT. O
gaseificador é do tipo leito fixo descendente com fluxo em contracorrente, tendo ar e vapor
d’água como agente gaseificantes.
(b) Valores médios obtidos em ensaios realizados pelo IPT, em gaseificador instalado em
indústria particular. O gaseificador é do tipo leito fixo descendente, com fluxos em
contracorrentes, tendo ar e vapor d’água como agentes gaseificantes.
53
10
IV. Estequiometria da combustão
Quando o oxigênio consumido é o necessário e suficiente para queimar completamente
os elementos combustíveis, diz-se que a reação é estequiométrica. Quando a quantidade de
oxigênio é maior, fala-se em excesso de oxigênio; em caso contrário, fala-se em falta de
oxigênio, situação na qual não se realiza a combustão completa, podendo formar-se CO e até
partículas de carbono, estas últimas constituindo o que se denomina fuligem.
Como usualmente o oxigênio é retirado do ar atmosférico, fala-se em excesso de ar ou
falta de ar, sendo este constituído basicamente de oxigênio (O
2
) e nitrogênio (N
2
), na
proporção indicada na Tabela B.3.
Tabela B.3
Composição aproximada do ar atmosférico seco
(a)
Volume (%) Massa(%)
Nitrogênio 79 77
Oxigênio 21 23
Densidade 1,293kg/Nm
3(b)
(a) O ar atmosférico carrega consigo uma dada quantidade de unidade, que depende
das condições atmosféricas, e é determinável através de consulta à carta
psicrométrica; na falta de melhores dados, pode-se adotar a umidade ω=0,010 kg de
vapor d’água/kg ar seco que representa um valor médio para a cidade de São Paulo.
(b) O normal metro cúbico (Nm
3
) identifica uma massa de gás com volume medido
de 1 m
3
, estando este nas condições normais de temperatura e pressão, ou seja,
temperatura absoluta de 273,16 K (0ºC) e pressão absoluta de 1,013x10
5
Pa
(760mmHg). Para se determinar o volume da massa de gás em outras condições,
deve-se aplicar:
V=370,84T/p: onde T = temperatura absoluta do ar em Kelvin (K) e, P = pressão
absoluta do ar em Pascal(Pa).
Assim, para cada 4,76 unidades de volume de ar consumidos na combustão, apenas
uma (21% de oxigênio) realmente participa das reações sendo as restantes 3,76 constituídas de
nitrogênio. Esse gás, por sua vez, sendo inerte, apenas contribui para abaixar a temperatura de
chama na combustão.
A partir das reações básicas de combustão, é possível determinar a quantidade de ar
consumido, bem como a quantidade de gases gerados, em massa e em volume.
Na tabela B.4 são consideradas as equações básicas para uma queima completa e
estequiométrica do carbono, do hidrogênio e do enxofre.
54
11
TABELA B.4
Equações básicas de combustão
C + O
2
→ CO
2
12kg 33kg 44kg
12kg 22,4Nm
3
22,4Nm
3
Ar de combustão seco: 22,4/12 . 4,76 = 8,88Nm
3
/kg de C
ou 8,88.1,293 = 11,48kg/kg de C
H
2
+ 1/2O
2
→ H
2
O
2kg 16kg 18kg
2kg 11,2Nm
3
22,4Nm
3
Ar de combustão seco: 11,2/2 . 4,76 = 26,7 Nm
3
/kg de H
2
ou 26,7 . 1,293 = 34,52 kg/kg de H
2
S + O
2
→ SO
2
32 kg 32kg 64 kg
32 kg 22,4Nm
3
22,4 Nm
3
Ar de combustão seco: 22,4/32 . 4,76 = 3,33 Nm
3
/kg de S
ou 3,33 . 1,293 = 4,31 kg/kg de S
Conhecendo-se então, os coeficientes assinalados na tabela B.4 e a composição
elementar do combustível, é possível obter a quantidade de ar necessária para sua
estequiométrica.
Na tabela B.5 são apresentados alguns valores de referência de massas de ar
estequiométrica para alguns combustíveis.
55
TABELA B.5
Ar e gases de combustão para queima estequiométrica
AR DE COMBUSTÃO
(a)
GASES DE
COMBUSTÃO
(b)
kg/kg de
combustível
Nm
3
/kg de
combustível
kg/kg de
comb.
Nm
3
/kg
de comb.
Óleo A(BPF)
Óleo C(OC-4)
Óleo D(BTE)
Óleo E
Óleo Diesel
Querosene
Gás de nafta
Gás pobre de carvão
vegetal (vide tabela B.2)
Propano
GLP
Lenha seca (vide tabela
B.1)
Carvão Mineral com
32,5% de cinzas (vide
tabela B.1)
13,8
14,3
14,3
13,7
14,6
14,9
7,6
1,2
15,8
15,7
6,1
7,0
10,8
11,1
11,1
10,7
11,4
11,6
6,0
0,95
12,3
12,2
4,8
5,4
14,8
15,3
15,3
14,7
15,6
15,9
8,6
2,2
16,8
16,7
7,1
7,6
11,4
11,8
11,8
11,3
12,1
12,4
7,0
1,6
13,3
13,2
5,4
5,7
(a) Ar atmosférico úmido com umidade ω=0,010kg de vapor d’água/kg de ar seco.
(b) Gases de combustão úmidos.
Na maioria das vezes, no entanto, a combustão se processa com excesso de ar. Define-
se então, o coeficiente de excesso de ar (c) como sendo:
c
massa de ar utilizado - massa de ar estequiometrico
massa de ar estequiometrico
·
56
É útil a apresentação de algumas fórmulas que permitam o cálculo dos parâmetros
anteriormente fornecidos, desde que se saiba a composição elementar do combustível.
Considere-se o caso geral de um combustível qualquer, do qual é conhecida a
composição em massa:
c: kg de carbono por kg de combustível
h: kg de hidrogênio por kg de combustível
o: kg de oxigênio por kg de combustível
a: kg de água (umidade) por kg de combustível
s: kg de enxofre por kg de combustível
n: kg de nitrogênio por kg de combustível
Admitindo-se a combustão completa, a tabela B.6 permite a determinação de vários
parâmetros importantes.
Os conceitos anteriormente vistos, são importantes na medida em que possibilitam a
execução dos procedimentos a seguir apresentados:
a) Balanços energéticos: as quantidades de ar de combustão e de gases gerados
são utilizados para a obtenção do balanço de massa, bem como do balanço energético,
sem os quais é praticamente impossível a otimização do modo de operação do
equipamento estudado.
b) Dimensionamento de exaustores e trocadores (recuperadores) de calor, que
tem no conhecimento da vazão de gases um parâmetro importante de projeto.
c) Análise de gases: com base no estudo das reações químicas é possível, tendo
a composição do combustível, avaliar a composição volumétrica dos gases de
combustão, seja esta estequiométrica, com falta ou excesso de ar. Em sentido inverso,
a análise da composição dos produtos de combustão permite determinar como se deu a
combustão, primeiro passo para a atuação nas variáveis que a influenciam.
57
14
TABELA B.6
Parâmetros de combustão
PARÂMETRO SÍMBOLO FÓRMULA
(a)
Massa de O
2
necessária à combustão
estequiométrica
m
O
2
m
c h s o
O
2
32
12 4 32 32
· + + −
|
.

`
,

Massa de ar atmosférico seco
necessária à combustão
estequiométrica
m
ar seco
m
ar seco
=137,9
c h s o
12 4 32 32
+ + −
|
.

`
,

Volume correspondente à massa acima V
ar seco
V
ar seco
=106,6
c h s o
12 4 32 32
+ + −
|
.

`
,

Massa de ar atmosférico úmido
necessária à combustão
estequiométrica
m
ar m
ar
=m
ar seco
(1+ω)
Volume correspondente à massa acima V
ar
V
ar
=V
ar seco
+ m
ar seco.
ω.1,244
Massa de CO
2
formado, proveniente
da combustão completa
(b)
m
CO
2
m
CO
2
=3,67C
Volume correspondente à massa acima
V
CO
2
V
CO
2
=1,867c=m
CO
2
.0,509
Massa de H
2
O formado, proveniente
da combustão completa
(c)
m
H O
2
m
H O
2
=9h+a+m
ar seco
. ω(1+e)
Volume correspondente à massa acima
V
H O
2
V
H O
2
=11,2h+1,244(a+m
ar seco.
ω)= m
H O
2
.1,244
Massa de SO
2
formado, proveniente da
combustão completa
(b)
m
SO
2
m
SO
2
=2S
Volume correspondente à massa acima
V
SO
2
V
SO
2
=0,7s=m
SO
2
.0,35
Massa total de gases secos,
provenientes da combustão
estequiométrica
m
gs
m c s n
c h s o
gs
· + + + + + −
|
.

`
,

3 67 2 105 3
12 4 32 32
, ,
58
BELA B.6
Parâmetros de combustão (continuação)
PARÂMETRO SÍMBOLO FÓRMULA
(a)
Volume correspondente à massa
acima
V
gs
V
c s
, .
c h s o n
.
gs
· + + + + −
|
.

`
,
+
¹
'
¹
¹
'
¹
12 32
3 76
12 4 32 32 28
22,4
Massa total de gases de
combustão úmidos, provenientes
da combustão estequiométrica
m
gu m
gu
=m
gs
+9h+a+m
ar seco

Volume correspondente à massa
acima
V
gu V
gu
=V
gs
+11,2h+1,244(a+m
ar seco
.ω)
Massa de gases de combustão
secos, provenientes da combustão
completa com excesso de ar
m
gs
'
m
gs’
=m
gs
+m
ar seco
.e
Volume correspondente à massa
acima
V
gs
'
V
gs’
=V
gs
+V
ar
.e
Massa de gases de combustão
úmidos, provenientes da
combustão completa com excesso
de ar
m
gu
'
m
gu’
=m
gu
+m
ar
.e
Volume correspondente à massa
acima
V
gu
'
V
gu’
=V
gu
+V
ar
.e
Determinação do PCI a partir do
PCS
PCI PCI=PCS-(9H+a).2,454 (d)
(a)Para as massas, as unidades são kg/kg de combustível. Para os volumes, são Nm
3
/kg de combustível.
(b) Independe do excesso de ar. (c) Com excesso de ar. (d)PCS e PCI em kJ/kg de combustível a 20ºC e
1 atm.
V. Excesso de ar
O excesso de ar muito alto, abaixando a temperatura de chama, diminui sensivelmente a
troca de calor por radiação, diminuindo a eficiência dos equipamentos. Essa é a razão pela
qual o excesso de ar sempre que possível, deve ser mantido em níveis mínimos, compatíveis
com a exigência de combustão completa.
Uma exceção deve ser feita àqueles equipamentos onde, ou por razões de processo, ou
por razões de material, deve ser admitida uma quantidade razoável de excesso de ar, de forma
a se diminuir a temperatura de chama, ou dos produtos na câmara de combustão.
Nos casos onde se deseja minimizar o excesso de ar, a análise dos produtos de
combustão reveste-se de singular importância, já que, como foi visto anteriormente, pode
fornecer a qualidade da combustão. Dos aparelhos utilizados para tal fim, o mais conhecido é
o analisador Orsat, que permite determinar a composição volumétrica dos gases secos,
fornecendo os teores de CO
2
, CO, O
2
, SO
2
e N
2
.
59
No entanto, quando a temperatura dos gases de chaminé é relativamente baixa (abaixo
de cerca de 500°C), verifica-se, experimentalmente, que os teores de CO são mínimos, desde
que não haja a formação de fuligem. Essa última condição (aparecimento de fuligem) é de fácil
constatação visual é, normalmente, prontamente corrigida pelo operador. Nesses casos,
portanto não se costuma verificar o teor de CO, sendo determinado apenas o teor de CO
2
ou
de O
2
.
A determinação do teor de CO
2
, presente nos gases de chaminé, é mais simples e,
portanto, mais usual.
A verificação exata do grau de emissão de fuligem pode também ser feita mediante a
utilização de instrumentação simples. Existem escalas de índice de fuligem (por exemplo
Bacharach e Ringelman) que permitem a comparação com a amostra coletada.
Admitida a combustão completa, a porcentagem de CO
2
dos gases secos pode ser
relacionada com o excesso de ar, mediante a utilização das fórmulas abaixo:
e
c
CO
h n o
c h s o
·
+ − −
+ + −
|
.

`
,


100
12 4 28 32
4 76
12 4 32 32
1
2
. (% )
,
ou medindo-se a porcentagem de O
2
, e desprezando o SO
2
e CO:
e
O
CO O
·
− −
3 76
1 4 76
2
2 2
, .%
% , .%
onde: e= coeficiente de excesso de ar
%CO
2
= porcentagem volumétrica de CO
2
nos gases de combustão secos
%O
2
= porcentagem volumétrica de O
2
nos gases de combustão secos
c, h, n, s e o = frações em massa dos vários constituintes do combustível, conforme
definido anteriormente.
Uma outra fórmula mais simples, porém aproximada, é a seguinte:
( )
( )
e
CO max
CO
· −
%
%
2
2
1
onde: (%CO
2
)
máx
= máxima porcentagem volumétrica de CO
2
possível nos gases secos, para o
combustível utilizado (combustão estequiométrica).
O parâmetro (%CO
2
)
máx
encontra-se apresentado na tabela B.7 para vários
combustíveis.
60
TABELA B.7
Porcentagem volumétrica básica de CO
2
nos produtos de combustão secos de alguns combustíveis
COMBUSTÍVEL (%CO
2
)
máx
Óleo A (BFP) 15,8
Óleo C (OC-4) 15,5
Óleo D (BTE) 15,9
Óleo E 16,1
Óleo Diesel 15,4
Gás de nafta 14,5
Propano 13,8
GLP 13,9
Gás pobre de carvão vegetal (vide tabela B.2) 22,4
Lenha seca (vide tabela B.1) 20,1
Carvão mineral com 32,5% de cinzas (vide tabela B.1) 18,8
Uma outra forma prática ainda, para o relacionamento do excesso de ar com o teor de
CO
2
(ou O
2
), é a utilização do monograma da figura B.2.
Ainda merecem ser citados os diagramas de Ostwald, que relacionam os teores de CO
2
,
CO, O
2
e excesso de ar para um dado combustível. A figura B.3 mostra um desses diagramas,
válido para óleos combustíveis pesados.
Finalmente, com base no excesso de ar calculado nas diferentes formas e na massa de ar
para combustão estequiométrica, indicada na tabela, pode-se também calcular a massa de gases
de chaminé pela expressão: M
g
=M
0
[1+β (1+e)]
onde: e= excesso de ar
β= massa de ar para queima estequiométrica de 1kg de combustível.
61
PUC - DEPT. ENGENHARIA MECÂNICA
MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA
PROF. SÉRGIO BARBOSA RAHDE
COMBUSTÃO EM MOTORES OTTO
COMBUSTÃO NORMAL: Se o combustível tiver o índice de octanas adequado a taxa de
compressão do motor, a centelha que salta entre os eletrodos das velas de ignição inicia a combustão
e a chama se propaga progressivamente através da mistura A/C comprimida, fazendo com que esta
se expanda gradativamente, exercendo uma força uniforme sobre a cabeça do êmbolo.
CONDIÇÕES: .
• tenha início no local correto, isto é, entre os eletrodos das velas
• ter início no momento correto, isto é, determinado pelo ponto de ignição
• desenvolvimento gradual
• duração pré-determinada
VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA CHAMA (VPC). É a composição da velocidade de combustão,
que é a velocidade da reação química de oxidação do combustível, com a velocidade de translação,
que é a velocidade de avanço da frente de chama.
Comportamento da VPC durante a combustão:
• início - VPC baixa, devido a necessidade de vencer a inércia da combustão
• durante - VPC alta
• fim - VPC baixa, divido a pequena quantidade de combustível ainda a ser
queimado, e/ou a pequena quantidade de ar para combinar com o combustível
COMBUSTÃO ANORMAL
IGNIÇÃO SUPERFICIAL. Tem origem nos chamados pontos quentes ou incandescentes (válvula de
descarga, eletrodos das velos, isoladores das velas, depósitos de carvão são os mais comuns). São
pontos quaisquer dentro da câmara de combustão, que atingem uma temperatura tal, que o ponto
passa a dar origem a uma combustão, isto é, inflamam a mistura antes ou depois de saltar a
centelha.
Se a ignição superficial acontecer antes da centelha é chamada de pré-ignição, se
acontecer após a centelha é chamada pós-ignição.
A ignição superficial se auto-alimenta, isto é, conforme o surgimento de um ponto quente
outros terão origem.
A ignição superficial poderá dar origem a detonação, explosão da mistura por efeito de
pressão. O inverso também pode ocorrer.
É possível evitar a detonação utilizando motores com menor taxa de compressão,
mistura mais pobre, melhor refrigeração, ou através de sistemas que aumentem a VPC, como por
exemplo: turbulência.
62


6
bombeamento do ar. A eficiência volumétrica é o parâmetro utilizado para medir a taxa efetiva
de volume de ar deslocado pelo êmbolo.
A deficiência no enchimento do motor depende do seu desenho, devido as suas
restrições e perdas de carga pelos dutos de admissão e, ainda, da posição da borboleta de
aceleração no caso do ciclo Otto. Pode-se relacionar a eficiência volumétrica da seguinte forma,
conforme equação 3:

N V
m
d i a
a
V
. .
. 2
,
ρ
η = (3)
Onde n
v
é o rendimento volumétrico, m
a
é o fluxo de ar que entra no motor em [kg/s], ρ
a,i
é a
massa específica do ar na admissão em [kg/m
3
] e V
d
é o volume deslocado por ciclo em [m
3
].

2.6 - COMBUSTÃO COMPLETA, INCOMPLETA, ESTEQUIOMÉTRICA E FATOR λ
A combustão completa é a reação de combustão em que todos os elementos oxidáveis
constituintes do combustível se combinam com o oxigênio, particularmente o carbono e o
hidrogênio, que se convertem integralmente em dióxido de carbono (CO
2
) e água (H
2
O),
independente da existência de excesso de oxigênio (O
2
) para a reação.
Na combustão incompleta ou parcial aparecem produtos intermediários da combustão,
especialmente o monóxido de carbono (CO) e o hidrogênio (H
2
), resultado da oxidação
incompleta dos elementos do combustível. Ela pode ser induzida pela limitação na quantidade de
oxigênio oferecido para a reação, pelo resfriamento ou sopragem da chama.
A combustão estequiométrica é a reação de oxidação teórica que determina a quantidade
exata de moléculas de oxigênio necessárias para efetuar a completa oxidação de um combustível.
Se o oxigênio disponível for suficiente, o combustível hidrocarboneto pode ser
completamente oxidado. Neste caso, o carbono existente no combustível é convertido em
dióxido de carbono (CO
2
), e o hidrogênio em água (H
2
O). Em geral, a combustão em motores
realiza-se a partir do ar atmosférico, que apresenta, para cada mol de oxigênio, 3,773 mols de
nitrogênio atmosférico.
Dessa forma, tendo a formula bruta média CH
y
O
z
, a relação estequiométrica para a
queima pode ser calculada pela seguinte equação (3.4):

( )
z y
z
y
F
A
S
F
. 16 12
2 4
1 . 84 , 137
+ +


|
.
|

\
|
+
=
|
|
.
|

\
|
(4)
Onde, A é a massa de ar em [Kg], F
F
é a massa de combustível em [Kg] e s representa a
condição estequiométrica.
63


7
A equação 4 apresenta a fórmula reduzida e a relação estequiométrica para o gás natural
veicular e para o óleo diesel. Este dado é importante, pois a relação estequiométrica ou título da
combustão, é o dado que define a relação ar/combustível. Sabe-se assim se a mistura é rica ou
pobre comparando com o valor estequiométrico, se maior, a mistura é pobre; e quando menor, a
mistura é rica. A tabela 2.4 apresenta as formulas reduzidas e a relação estequiométrica para
GNV e Diesel.
Tabela 2.4: Fórmula reduzida e a relação estequiométrica para diesel e GNV, Fonte: Petrobrás

A mistura ar/combustível, quando está com excesso de combustível, é chamada de
mistura rica e caracteriza-se por apresentar, além de CO
2
e do H
2
O, outros produtos, tais como
CO e H
2
. Por outro lado, quando há excesso de ar, é chamada mistura pobre. A variável λ
representa a relação ar/combustível utilizada (instantânea (i)), com a relação ar/combustível
(estequiométrica (s)). Os valores de λ variam conforme descrito na tabela da tabela 2.5. Utiliza-
se também o φ, que representa o inverso de λ e estão apresentados na equação 5.

( )
( )
S F
I F
F A
F A
= =
−1
φ λ (5)
Tabela 2.5: condições de λ e de φ para misturas pobres, ricas e estequiométricas.

A figura 2.5 mostra como variam a pressão e a temperatura em relação à mistura
ar/combustível. Essas curvas foram obtidas considerando um processo de combustão adiabático
(que ocorre quando existe uma mudança de pressão que resulta em uma mudança de volume,
enquanto a entropia permanece constante) com temperatura de entrada da mistura isooctano/ar
de 700K e pressão de 10atm. As temperaturas a volume constante, conforme mostra a figura, são
maiores porque a pressão final é maior, e a desassociação é menor.
64


8

Figura (2.5) Variação da pressão e temperatura com a relação combustível/ar Fonte: [Heywood, 1988]

2.7 - COMPOSIÇÃO DO AR ATMOSFÉRICO
Nos motores em geral, o oxigênio disponível no ar é utilizado como oxidante do
combustível. A mistura do ar seco é composta, em volume, por 20,95% de oxigênio, 78,09% de
nitrogênio, 0,93% de argônio e o restante por outros gases, como dióxido de carbono, néon,
hélio, metano, etc. A Tabela 2.1 mostra a tabela das proporções relativas dos constituintes do ar
seco.
Tabela2.1: proporções relativas dos constituintes do ar seco
Fonte:[Heywood,1988]

Na combustão, o componente reagente do ar é o oxigênio. O restante dos gases
existentes no ar são considerados inertes, chamados também de nitrogênio aparente.

65
SISTEMA DE ARREFECIMENTO
O Sistema de Arrefecimento tem por objetivo impedir que os elementos mecânicos
do motor atinjam uma temperatura muito elevada ao contato com os gases da combustão.
Assim sendo, a manutenção da temperatura ideal de trabalho evitando o desgaste,
detonação da mistura, as folgas adequadas e a viscosidade do lubrificante é responsabilidade do
sistema de refrigeração.
A perda de calor do sistema durante os cursos de compressão e expansão contribui para
reduções em potência e eficiência, até cerca de 10% da potência e da eficiência do ciclo equivalente
de A/C.
Além do calor transmitido do fluido de trabalho durante os cursos de compressão e
expansão, uma parcela ponderável é transmitida para a estrutura do cilindro e, conseqüentemente,
para o meio refrigerante, durante o processo de descarga. O atrito do pistão também constitui uma
fonte de mensurável fluxo de calor. Assim, o fluxo total de calor no sistema de refrigeração é muito
maior do que o fluxo de calor dos gases durante o ciclo de trabalho.
O processo de refrigeração envolve o fluxo de calor dos gases, sempre que a
temperatura destes excede a da parede do cilindro. O atrito é outra causa de fluxo de calor para as
diversas partes do motor. O atrito mecânico ou o fluido eleva a temperatura do lubrificante e das
partes envolvidas, resultando em fluxo de calor para as partes vizinhas ao resfriador e de lá para o
refrigerante.
As perdas de calor, direta e por atrito, reduzem a potência disponível e a eficiência em
comparação com o ciclo A/C correspondente (teórico). O estudo das perdas de calor no motor é
importante não apenas do ponto de vista da eficiência, mas também para o projeto do sistema de
refrigeração e, talvez, por uma razão ainda mais forte como o entendimento do efeito do fluxo de
calor, sobre as temperaturas de operação dos componentes do motor.
PROCESSOS DE TRANSMISSÃO DE CALOR
Condução. É o processo de transferência de calor por meio de movimento molecular através dos
sólidos e dos fluidos em repouso. Este é o mecanismo pelo qual o calor flui através da estrutura do
motor.
Radiação. É o processo de transmissão de calor através do espaço. Ele tem lugar não apenas no
vácuo mas, também, através de sólidos e fluidos transparentes aos comprimentos de onda na faixa
espectral, visível e infravermelha. Uma pequena parte do calor transmitido para as paredes dos
cilindros, pelos gases quentes, flui por este processo.
Convecção. É o processo de transmissão de calor através dos fluidos em movimento, e entre um
fluido e uma superfície sólida com movimento relativo. Este tipo de transmissão de calor envolve a
condução, assim como o movimento do fluido.
Convecção natural. É o termo usado quando o movimento do fluido se dá devido às diferenças de
densidade em um campo gravitacional. (Termo-sifão)
Convecção forçada. É o termo usado para indicar o processo de transmissão de calor entre o fluido
e uma superfície sólida com movimento relativo, quando este é provocado por forças que não
66
decorrem da gravidade. A maior quantidade de calor que flui entre o fluido de trabalho e as
peças do motor, e entre estas e o fluido de refrigeração, é transmitida por este processo.
TIPOS DE SISTEMAS
Refrigeração a ar. Este método apresenta uma grande simplicidade de execução e de manutenção.
Os cilindros do motor (às vezes, também, o cárter) possuem aletas, de maneira a aumentar a
superfície de contato com o ar, permitindo uma melhor troca de calor com o meio.
Nos sistemas de ventilação natural, é o deslocamento do veículo que provoca a
circulação de ar em volta dos cilindros (motocicletas). A eficácia da refrigeração depende, portanto,
da velocidade do mesmo. Ela é suficiente a velocidades normais e altas, porém insuficiente quando
parado ou a plena potência em relação de transmissão inferiores.
Os sistemas de ventilação forçada são compostos por um ventilador ou por uma turbina
acionada pelo motor. Esta solução é necessária sempre que os cilindros do motor são no interior do
veículo. O ar recalcado pelo ventilador é conduzido por tubulações de chapa até às proximidades dos
cilindros e dos cabeçotes. Em seguida, o ar sai para a atmosfera.
A ventilação forçada permite uma refrigeração suficiente em todas as condições de
funcionamento do motor. Contudo, em condições climática desfavoráveis (frio) a ventilação é
excessiva, e a refrigeração tende a levar o motor a funcionar a uma temperatura muito baixa.
Corrige-se este defeito pelo emprego de um obturador que limita a quantidade de ar aspirado. Este
obturador pode ser acionado por um comando manual ou por um dispositivo termostático situado na
corrente de ar quente que sai do motor.
O comando por termostato é automático, sendo colocado de modo a ser atingido pelo ar
quente que vem dos cilindros. O calor provoca a dilatação do termostato que, por um comando
mecânico, abre o obturador situado à entrada do ventilador.
Para controlar a temperatura de funcionamento de uma motor de refrigeração a ar,
coloca-se um termostato sobre o cárter ou no óleo de lubrificação.
De um modo geral, a refrigeração a ar faz com que o motor funcione a temperaturas
muito variáveis. A ajustagem dos pistões, segmentos e válvulas exige folgas de dilatação suficientes.
O óleo deve ser de excelente qualidade.
Arrefecimento a água
A água é utilizada como condutor de calor entre o motor e o ar atmosférico. O forte calor
específico da água permite obter uma excelente refrigeração pelo simples contato com o exterior dos
cilindros e do cabeçote. Deste fato, resulta uma maior estabilização da temperatura do motor e,
conseqüentemente, condições de funcionamento mais regulares.
O arrefecimento a água compreende:
1) uma câmara de água em volta dos cilindros, dos assentos das válvulas e dos
cabeçotes; essa câmara possui na sua parte inferior uma entrada de água fria e, na parte superior,
uma saída de água quente; freqüentemente, coloca-se um bujão de esvaziamento no local mais
baixo da câmara de água;
2) um radiador cujo elemento de refrigeração tem a forma de um favo, tubular ou com
tiras; a parte superior do radiador possui sempre uma saída de segurança chamada "registro"; esta
saída limita a pressão na circulação quando, por aquecimento, o volume do líquido aumenta
(aumento médio 0,3 a 0,81).
67
Alguns projetos substituem a válvula por um recipiente de expansão hermeticamente
fechado. Quando a temperatura da água no radiador for elevada, a água do radiador é realçada para
o recipiente, o nível do líquido eleva-se, o que provoca um aumento da pressão. A frio, a contração
do líquido abaixa o nível no recipiente e a pressão diminui quando em repouso. Os bujões do radiador
e do recipiente de expansão são, de um modo geral, chumbados e o líquido deve possuir
permanentemente a dosagem normal de anticongelante.
Atualmente, coloca-se no bujão do radiador uma válvula com mola calibrada de modo a
obter uma pressão de 0,3 a 0,5 bar (300 a 500 g/cm²) superior à pressão atmosférica. Esta pressão
eleva a temperatura de ebulição de água para mais de 383 ºK (110 º C). Evita-se, assim, que a água
ferva quando com o motor em funcionamento, e onde a pressão atmosférica é mais baixa.
3) um ventilador, destinado a provocar uma intensa circulação de ar através do elemento
de refrigeração do radiador;
4) uma bomba centrífuga de baixa pressão e alta vazão que recalca a água do radiador
para o bloco do motor.
Freqüentemente, colocam-se o ventilador e a bomba sobre o mesmo eixo, a meia altura
do sistema de refrigeração. Portanto, a bomba atua apenas como acelerador de circulação.
Sistema de arrefecimento natural - Termossifão
Este tipo de motor não possui bomba (obsoleto).
A circulação de água efetua-se naturalmente pela diferença de densidade entre a água
fria (menos densa) do motor e a água quente (mais densa) do radiador. É a circulação por
termossifão. Nesse caso, os tubos e passagens de água tem grande seção.
A circulação por termossifão tem as seguintes particularidades:
Aquecimento rápido do motor quando do acionamento a frio, porque a água só circula
depois de ter sido aquecida;
Circulação proporcional ao calor desprendido pelo motor;
Grande diferença de temperatura entre as partes superior e inferior do radiador, daí o
perigo de congelamento no inverno;
Necessidade de manter sempre o volume completo da circulação para permitir o a
circulação natural.
68
Sistema de circulação forçada - por bomba
A circulação por bomba é mais rápida, o que resulta uma menor diferença de
temperatura nas extremidades do radiador e menos riscos de congelamento no inverno. Contudo,
quando se aciona o motor, a água fria entra imediatamente em circulação, e o aquecimento do motor
é mais lento.
A utilização neste caso de um termostato freia e mesmo interrompe a circulação de
água se a sua temperatura não for superior a 353 ºK (80 ºC). O termostato é, freqüentemente,
completado por uma passagem auxiliar que, no caso de este estar fechado, permite que a água que
sai do motor volte ao bloco de cilindros sem ter que passar pelo radiador. Assim, o aquecimento do
motor é acelerado.
Em um motor de combustão interna, a refrigeração a água mantém uma temperatura de
funcionamento mais regular que a refrigeração a ar. A temperatura das paredes do cilindro não
ultrapassa 393 ºK (120 ºC).
69
Anticongelantes
Para evitar que, no inverno a água congele, junta-se lhe álcool ou glicerina pura.
O álcool dilui-se facilmente; a mistura permanece homogênea, mas, como o álcool se
evapora mais facilmente que a água, deve-se verificar a sua proporção periodicamente.
A resistência ao frio depende da quantidade de álcool ou de glicerina que se adicionou à
água.
O emprego de anticongelantes é uma medida de segurança. Contudo permitir-se-ão
melhores arranques se o ambiente estiver em local aquecido ou se houver um sistema de
aquecimento na circulação. O acionamento de um motor cuja temperatura é inferior a 273 ºK (0 ºC)
apresenta certas dificuldades e alguns perigos. Se não houver lubrificação, o metal mais frágil poderá
sofrer, sob o efeito de choques, um começo de ruptura (molas de válvulas, etc.).
70
SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO
ATRITOS
Quando duas superfícies de contato se deslocam uma em relação à outra, há atrito.
Consideram-se três espécies de atrito:
Atrito seco, em que as superfícies estão em contato sem a interposição de lubrificante;
Atrito úmido, em que uma pequena película de lubrificante favorece a fricção sem impedir que as
superfícies entrem em contato pela crista das suas rugosidades;
Atrito líquido, em que a película de lubrificante é contínua e homogênea, impedindo assim que as
duas superfícies entrem em contato.
Ligando os dois pólos de uma pilha às duas peças em movimento, por intermédio de um
galvanômetro, verifica-se uma passagem de corrente nos dois primeiros casos e uma interrupção de
corrente no caso do atrito líquido.
Todas as peças em movimento de um motor de combustão interna devem ser
lubrificadas de modo a permitirem um atrito líquido (desgaste mínimo). Contudo, na prática, não é
exatamente este o resultado que se alcança. Sob a pressão das peças, o óleo é expulso, a película
desgasta-se e as superfícies entram em contato acontecendo, assim, o atrito úmido.
A passagem do atrito líquido ao atrito úmido é tanto mais fácil quanto maiores as
pressões e as temperaturas e quanto pior a qualidade do óleo.
LUBRIFICANTES
Os óleos destinados à lubrificação dos motores de combustão interna devem possuir um
certo número de qualidades perfeitamente determinadas. Sob o ponto de vista prático, eles são
caracterizados principalmente pela sua viscosidade, o seu ponto de combustão e o seu ponto de
congelamento.
A viscosidade caracteriza as particularidades de escoamento do óleo. Pode-se medir-se
por diferentes métodos, fazendo parte de cada um deles um sistema de unidades. O método Engler é
o mais comumente utilizado. O escoamento de uma certa quantidade de óleo por um orifício de
pequeno diâmetro é comparado ao escoamento de uma mesma quantidade de água. A relação dos
tempos de escoamento dá, em graus Engler, a viscosidade do óleo. Por exemplo, um escoamento
seis vezes mais lento que o da água é designado por 6° Engler.
A viscosidade pode-se, assim, exprimir por centistock (1/100 de stock). É a viscosidade
física absoluta do lubrificante, isto é, a resistência real do deslocamento das suas moléculas, umas
em relação às outras. Determina-se a viscosidade medindo a força necessária para fazer deslocar de
1 cm, no seio do lubrificante, uma superfície de 1 cm
2
, à velocidade de 1 cm/seg. Para fazer essa
medida, usa-se também a massa específica do lubrificante utilizado.
Este método de medição da viscosidade pode ser utilizado para todos os lubrificantes,
desde os óleos mais líquidos às graxas mais consistentes.
A viscosidade de um óleo modifica-se com a temperatura. Quanto mais quente está o
óleo, mais a viscosidade diminui.
A principal qualidade de um óleo deve ser a de que a sua viscosidade seja ainda
suficiente para assegurar um atrito líquido a temperaturas de funcionamento das peças do motor
71
entre 353 °K e 423 °K (80 a 150 °C). Com um óleo de qualidade inferior, a viscosidade diminui a tal
ponto, que o motor só trabalha a atritos úmidos (desgaste rápido).
O ponto de combustão é a temperatura à qual o óleo emite vapores suscetíveis de
serem inflamados. Deve ser o mais elevado possível, de modo a evitar as fugas por vaporização ao
contato das partes inferiores do pistão do motor quente. A temperatura de combustão é, geralmente,
superior a 493 °K (220 °C) para os óleos finos e ultrapassa 253 °K (250 °C) para os óleos espessos.
O ponto de congelamento é a temperatura em que o óleo não escorre mais de uma
proveta quando esta é inclinada, O ponto de congelamento deve ser o mais baixo possível, de modo
a facilitar que o motor entre em movimento depois de tempo prolongado sob temperaturas muito
baixas.
As diferenças estruturas moleculares dos óleos dão-lhes algumas qualidades particulares
que influenciam o seu comportamento no motor.
A qualidade de aderir a superfícies metálicas é denominada adesividade. Esta qualidade
favorece a formação de uma película lubrificante e mantém na contínua apesar das cargas fortes. Em
certa medida, a adesividade e a viscosidade são paralelas. A uma viscosidade mais elevada
corresponde uma maior adesividade. Mas, a uma viscosidade igual, a adesividade pode ser
diferente, conforme a estrutura molecular de cada lubrificante.
A propriedade de combustão de óleo é uma característica independente do seu ponto de
combustão. Ela evita a acumulação de produtos carbonizados na câmara de combustão e nos canais
de escape do motor. Esta propriedade de combustão é predominante nos sistemas de lubrificação por
mistura de óleo no combustível (motor a 2 tempos). Como uma certa proporção de óleo passa do
cárter à câmara de combustão durante o transvasamento dos gases, é necessário que ela seja
queimada fácil e totalmente.
De modo geral, os óleos destinados aos motores de combustão interna são de origem
mineral. Estes óleos possuem uma grande estabilidade química. Contudo, o seu poder lubrificante
diminui rapidamente acima de 393 °K (120 °C).
Usou-se, durante muito tempo, o óleo vegetal extraído do rícino. Este óleo assegura
uma melhor lubrificação a temperaturas elevadas mas a sua estabilidade química é pequena. Dá
origem ao aparecimento de ácidos orgânicos não aconselháveis ao motor. Efetuando a mistura de
óleos minerais e vegetais, obtêm-se mistos reunindo as qualidades de ambos os componentes, isto é,
a estabilidade e a resistência da película lubrificante a altas temperaturas. No entanto, para ser
homogênea, esta mistura deve conter uma certa proporção de óleo animal. De tudo isto, resulta um
preço de custo bastante elevado.
Atualmente, prefere-se melhorar o óleo mineral adicionando-se elementos químicos
apropriados, Estes aditivos podem ter uma grande concentração a ser introduzidos no motor no
momento da sua utilização.
Os aditivos podem ser diretamente adicionados ao óleo quando da sua fabricação. Neste
caso é lhes dado o nome de óleos aditivos, designados comumente por óleos H.D. (Heavy Duty). Os
óleos H.D. são vendidos no mercado sob diversas designações, dependendo estas da proporção de
aditivos que eles contêm.
O aperfeiçoamento progressivo dos óleos minerais destinados aos motores combustão
interna deu origem ao aparecimento de óleos chamados de todas as estações ou de multiviscosos.
Estes óleos são, em geral, formados por vários óleos de base com estruturas moleculares diferentes,
aos quais foram adicionados os aditivos habituais dos óleos H.D.
72
SUPERLUBRIFICANTES (Aditivos especiais)
Chamam-se assim os óleos e produtos especiais destinados a uma melhor lubrificação
de certos pontos delicados do motor. São incorporados ao combustível ou ao óleo de lubrificação.
Incorporado ao combustível, o superlubrificante penetra no topo dos cilindros. Melhora a
lubrificação das cabeças do pistão, dos anéis de segmento e das partes superiores das guias de
válvulas. Estes produtos são, especialmente, formados por um óleo resistente às temperaturas da
câmara de combustão.
Por vezes, alguns superlubrificantes são completados por um produto antidetonante.
Todos os superlubrificantes destinados a ser incorporados no óleo do motor contêm
grafita coloidal. A grafita incrusta-se nas superfícies de atrito, mancais, pinos, bielas, eixos de
cames; nestes elementos, mantêm uma lubrificação excelente quando a sua temperatura se eleva
exageradamente.
Apenas a grafita coloidal fica em suspensão no óleo e fornece uma lubrificação correta.
A grafita em pó ou em pasta é perigosa. Ela obstrui os condutos de lubrificação e provoca um
desgaste prematuro dos elementos mecânicos.
Observações. Um certo número de superlubrificantes destinados aos óleos de motores contêm
igualmente aditivos metálicos. A sua ação não é imediata; é necessário que o motor durante algumas
horas com estes produtos para lhes permitir melhoria progressiva das superfícies de atrito.
Por outro lado, todos os superlubrificantes destinados à mistura carburada são
adicionados de produtos antidetonantes e decapantes. Os primeiros asseguram um melhor
desenvolvimento da explosão (ver combustão, explosão e detonação); tem uma ação imediata. Os
segundos favorecem a limpeza das câmaras de combustão; contudo para que a sua ação seja eficaz,
é necessário por o motor a funcionar durante alguns minutos a plena potência e alto regime.
O emprego de um superlubrificante no óleo do motor é indicado em todos os casos de
serviço prolongado a plena carga e altos regimes. Sua ação é particularmente eficaz quando o óleo
do cárter ultrapassa 373 °K (100 °C)
ÓLEOS ADITIVOS
Os óleos aditivos, conhecidos também por óleos H.D., são óleos que contêm um certo
número de corpos químicos destinados a dar propriedades especiais ao lubrificante. Os corpos
adicionados ao óleo são, normalmente, compostos de enxofre, grafita, cromo, chumbo, estanho e
alguns produtos sintéticos. Os ingredientes adicionais variam dependendo especialmente das
propriedades que se visam a obter.
As propriedades obtidas pela incorporação de aditivos são as seguintes:
Poder detergente: o óleo dissolve os produtos sólidos de combustão, borrachas e óleos grafíticos;
esta propriedade evita, assim, a formação de depósitos sobre as paredes internas do motor;
Poder dispersante: é a característica que dá ao óleo a possibilidade de conservar em suspensão
todos os produtos dissolvidos e de impedir a sua acumulação no fundo do cárter ou nos filtros; o
poder dispersante completa a ação dos produtos detergentes;
Propriedade M.P. (máxima pressão): é a propriedade que a camada de óleo tem que lhe permite
resistir às altas pressões mecânicas atuando sobre os mancais do motor; a qualidade de lubrificação
73
mantém-se, assim, mais acentuada quando do funcionamento a plena potência, altos regimes e altas
temperaturas;
Resistência à oxidação: ao contato do ar do cárter e dos gases ácidos de combustão, o óleo tende
a se transformar por oxidação. Como resultado, assiste-se a uma redução do seu poder lubrificante.
Os aditivos destinados a resistir aos fenômenos de oxidação fazem com que o óleo conserve durante
mais tempo as suas qualidade lubrificantes. Estes aditivos neutralizam os ácidos que pouco tendem a
acumular-se no cárter do motor, e cuja presença origina desgastes nas superfícies de atrito.
PARTICULARIDADES DOS ÓLEOS ADITIVOS
Como a composição dos óleos aditivos varia conforme o fabricante, é fundamental não
misturar óleos H.D. de proveniências diferentes, afim de evitar o comprometimento de sua
estabilidade.
Por outro lado, o poder detergente confere ao óleo uma propriedade de penetração muito
grande. Esta propriedade faz com que seja mais difícil efetuar a vedação do motor e provoca mais
facilmente subidas de óleo nas câmaras de combustão; o que pode resultar num pequeno aumento
de consumo de lubrificante.
Em um motor usado, a introdução de óleo aditivo origina a dissolução dos depósitos. Os
elementos móveis e, em particular, os anéis de compressão trabalham mais livremente. Deste fato
resulta uma melhoria da compressão e da potência, mas, freqüentemente, a marcha do motor é um
pouco mais ruidosa.
A introdução de um óleo aditivo altamente detergente em um motor que anteriormente já
funcionou com óleo comum apresenta certos riscos. O óleo aditivo provoca o desprendimento dos
depósitos de carvão internos. Estes depósitos, de volume apreciável, não se dissolvem totalmente no
óleo; acumulando-se no fundo do cárter, nos filtros e nos condutos de lubrificação, onde sua presença
pode criar graves incidentes.
ÓLEOS MULTI-VISCOSOS (multigrade)
Chama-se óleos multi-viscosos uma categoria de lubrificantes atuais que apresentam
uma pequena variação de viscosidade em relação às variações da sua temperatura. A frio, por
exemplo, um óleo multi-viscoso possui a mesma viscosidade de óleos comuns S.A.E. 10, enquanto
que a quente, sua viscosidade é idêntica a dos óleos grupo S.A.E. 30. Obtém-se esta característica
por meio de uma mistura apropriada de vários óleos de base.
Os óleos multi-viscosos asseguram uma lubrificação correta em todas as condições de
funcionamento do motor e independe das condições climáticas. São munidos de aditivos habituais
dos óleos H.D. e requerem as mesmas precauções quanto a sua utilização. As vantagens principais
que apresentam são as de assegurar excelentes condições para partida a frio, uma lubrificação
imediata quando do acionamento, conservando um poder lubrificante a alta temperatura.
74
CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS ÓLEOS
Durante muito tempo estes óleos foram classificados apenas sob o aspecto da sua
viscosidade, medida à temperatura de 323°K (50°C). A tabela a seguir especifica as designações, os
grupos S.A.E e as viscosidades correspondentes.
DESIGNAÇÕES GRUPO VISCOSIDADE MÉDIA A 323° K
graus Engler graus centistock
muito fluido S.A.E. 5 2 a 2.3° 12 a 15°
S.A.E. 10 2.3 a 3.3° 15 a 24°
fluido S.A.E. 20 3.3 a 6.6° 24 a 50°
S.A.E. 30 6.6 a 9.7° 50 a 74°
viscoso S.A.E. 40 9.7 a 14.0° 74 a 107°
S.A.E. 50 14.0 a 21.0° 107 a 160°
Atualmente, tende-se a fazer a classificação dos óleos conforme o gênero de trabalho
exigido ao motor, isto é, conforme a espécie de serviço a que este é submetido.
Utilizam-se as seguintes designações para os usos correspondentes:
Motores Otto
SA para serviços leves
SB para serviços médios
SC para serviços pesados e intermitentes
SD para serviços muito pesados e contínuos
SE para serviços extremamente pesados a velocidades elevadas contínuas
SF para serviços extremamente pesados, velocidades elevadas contínuas, temperaturas elevadas
SH para serviços extremamente pesados, velocidades elevadas contínuas, temperaturas
extremamente elevadas
Motores Diesel
CA para serviços leves
CB para serviços médios
CC para serviços pesados
CD para serviços muito pesados
Obs.: A classificação de serviço é independente da viscosidade. Esta, é indicada pelas
especificações habituais SAE 10, SAE 20, etc., ou, para óleos multiviscosos, SAE 10-30, SAE 20-40,
etc.
ÓLEO PARA MOTORES A DOIS TEMPOS
Nos motores a 2 tempos, lubrificados por mistura de óleo ao combustível, é
recomendado utilizar um óleo de baixa temperatura de combustão, de modo a facilitar a combustão
das partículas espessas que entram na câmara de combustão. Por outro lado, todos os aditivos
habituais de um óleo indicado para motores de 4 tempos contém compostos organometálicos. Estes
aditivos provocam o curto-circuito da vela por acumulação de metal entre os eletrodos. Os óleos
especiais para motores a 2 tempos possuem aditivos que não apresentam este inconveniente.
A proporção do óleo a juntar ao combustível indicada pelo fabricante do motor. É preciso
respeitar a dosagem prescrita, em especial para os motores de pequena cilindrada, nos quais o
consumo de combustível implica um pequeno fornecimento de lubrificante.
75
ELEMENTOS DE LUBRIFICAÇÃO
São os seguintes os elementos lubrificantes:
O reservatório de óleo, cárter inferior do motor que contém a reserva de óleo.
A bomba de óleo, formada por duas engrenagens, uma canal de aspiração e um canal
de recalque ao coletor principal.
TIPOS DE BOMBAS
O coletor principal, de onde saem os canais de lubrificação para cada peça a lubrificar:
virabrequim, bielas, eixo de cames, etc. Do coletor saem também as ligações para o manômetro de
pressão e para o filtro de óleo.
A válvula de escape é colocada sobre o coletor ou sobre a bomba. A sua função é a de
limitar a pressão máxima nos tubos de lubrificação.
Quando a pressão fornecida pela bomba for muito elevada (altos regimes ou óleo frio), a
válvula permite a passagem de óleo por um orifício de escape; uma parte do óleo escapa e entra
diretamente no cárter.
76
O filtro de óleo retém as impurezas metálicas e os partículas de carbono em suspensão
no óleo depois de um certo tempo de funcionamento.
Com o filtro de óleo colocado em derivação sobre o coletor principal, o principal entra
diretamente no cárter. A filtragem tem por finalidade reduzir a densidade de impurezas.
Com o filtro de óleo colocado em série sobre os tubos de lubrificação, o óleo filtrado
passa inteiramente para as peças a lubrificar. Para que a obstrução do filtro não ocasione uma
redução de lubrificação, todos os filtros em série são providos de uma válvula by-pass Em caso de
obstrução, a pressão da bomba aumenta, um orifício e aberto e flui diretamente ao coletor principal
sem ser filtrado.
O radiador do óleo colocado no conduto de água inferior ou encaixado na parte de
baixo do radiador, tem uma dupla finalidade:
1) acelerar o aquecimento do óleo quando se põe em funcionamento o motor a frio;
2) impedir, em seguida, que esta temperatura se eleve exageradamente durante um
andamento normal.
A melhor lubrificação é obtida quando o óleo tem uma temperatura de 232 °K (50 °C). O
radiador de óleo tem, como finalidade, portanto, normalizar rapidamente a temperatura do óleo e
depois mantê-la. Pode ser colocado em derivação ou em série sobre os tubos de lubrificação. Nos
grandes motores é sempre colocado em derivação, e possui uma bomba de circulação independente
da de lubrificação.
Nos motores de refrigeração a ar, e muito especialmente quando os cilindros são opostos
, a refrigeração do óleo deve ser completada por meio de uma radiador. Este é geralmente colocado
na corrente do ventilador, antes da entrada dos cilindros do motor. Sem facilitar o aquecimento do
óleo nos arranques, ele limita a elevação da temperatura.
SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO
Os sistemas de lubrificação tradicionais são os seguintes:
Por salpico; a bomba de óleo alimenta as cubas colocadas perto da passagem de cada biela; estas
são munidas de uma colher (pescador) que apanha o óleo que passa pela cuba; por inércia, o óleo
penetra em seguida na biela e lubrifica o moente.
77
Os mancais são diretamente alimentados por tubos que saem do coletor principal.
Com a lubrificação por salpico, a pressão fornecida pela bomba é pouco elevada: 0,1 a
0,4 bar (0,1-0,4 kg/cm
2
) . O manômetro é graduado em metros de água (1 a 4m). Para facilitar a
lubrificação, bielas e mancais devem possuir grandes ranhuras de circulação.
Por pressão; o virabrequim possui condutos especiais; o óleo chega aos mancais sob pressão, e daí
é canalizado até aos moentes para lubrificar as bielas. Os mancais e as bielas não possuem ranhuras
de lubrificação, exceto algumas câmaras de óleo curtas que não desembocam no exterior.
A pressão de lubrificação é de 1 a 3 bar (1-3 kg/cm
2
). Esta pressão impulsiona o óleo
como uma cunha entre as superfícies a lubrificar, realizando assim o atrito fluido.
Freqüentemente, a cabeça da biela é munida de um pequeno orifício dirigido ao cilindro
e destinado a lubrificar o pistão. Em alguns casos, uma canalização ao longo da biela permite,
igualmente, assegurar uma melhor lubrificação do eixo do pistão.
Por projeção; esta disposição compreende a lubrificação sob pressão de todos os mancais e a
lubrificação das bielas por um jato de óleo. cada biela tem uma colher; a rotação contra o jato
intensifica a penetração de óleo no interior da biela.
Por outro lado, o jato de óleo sobre toda a cabeça da biela favorece a sua refrigeração. A
pressão de lubrificação é de 1-3 bar (1-3 kg/cm
2
).
No motores de pouca cilindrada , a lubrificação por projeção é simplificada. O
virabrequim aciona uma roda munida de palhetas. Esta roda está semi-submersa no óleo do cárter e
sua orientação faz com que ela projete o óleo diretamente sobre a biela e no cilindro.
Por mistura; o óleo é misturado com o combustível e penetra no motor proporcionalmente ao
consumo do mesmo. Este sistema de lubrificação não é apropriado aos motores a 2 tempos que
funcionam com pré-compressão no cárter. a proporção do lubrificante em relação ao combustível é,
geralmente, de 5%. Uma quantidade mais elevada leva a um entupimento das câmaras de explosão
e de escape, assim como a um empobrecimento da carburação.
Por cárter seco; neste sistema de lubrificação, o óleo é contido num reservatório independente. Uma
bomba leva o óleo do reservatório ao motor, introduzindo-o pressão nos elementos a lubrificar. Uma
segunda bomba, chamada bomba de retorno, aspira o óleo que tende a acumular-se no fundo do
cárter e remete-o ao reservatório.
Observações gerais. Seja qual for o sistema, a lubrificação dos cilindros é assegurada unicamente
pelo óleo projetado pelas bielas em rotação. Quando se põe o motor frio em funcionamento, o óleo
circula dificilmente e a lubrificação dos cilindros é insuficiente. No motores de lubrificação sob
pressão, não circula nenhum óleo nos primeiros minutos de funcionamento. O salpico e a projeção
efetuam com maior rapidez esta lubrificação dos cilindros.
Afora a lubrificação, a circulação de óleo deve garantir a refrigeração das bielas e do
virabrequim. Partindo do tanque a 232 °K (50 °C), o óleo atinge de 353 a 393 °K (80 a 120 °C)
quando sai das bielas. Num motor novo, as folgas estão no seu mínimo; o óleo circula com mais
dificuldade e, portanto, refrigera mal as peças, havendo um maior risco de gripagem ou de fusão do
metal antifricção.
78
POTÊNCIA E RENDIMENTO
A energia mecânica desenvolvida por um motor é medida com precisão num banco de
testes. É igualmente possível calcular esta energia com uma certa aproximação tendo em conta as
particularidades do motor considerado. Em ambos os casos, determina-se a quantidade de trabalho
mecânico efetuada em um dado tempo. Do resultado obtido, deduz-se a potência.
De início, recordemos que o trabalho mecânico é sempre composto dos dois fatores
seguintes:
1) uma força que se mede em newtons (N) e que atua por impulso ou por tração;
2) um deslocamento do ponto de ação desta força. Este deslocamento é medido em metros na
direção em que a força provoca o movimento.
O produto dos valores destas duas grandezas fornece a quantidade de trabalho efetuado
em joules. O joule (J) é a unidade do trabalho mecânico: N x m = J (antigamente kg x m = kgm).
10 J representa o trabalho efetuado por uma força de 10 N, produzindo um
deslocamento de 1 m na direção em que a força atua. Isso pode ser o trabalho efetuado por uma
força de 20 N, produzindo um deslocamento de 2 m.
Calculemos, a título de exemplo, o trabalho fornecido pelo pistão de um motor que
recebe durante o seu curso motriz um impulso médio de 1800 N. Admitindo um curso do pistão de 80
mm (0,08m), o trabalho efetuado a cada explosão será de:
1800 N X 0,08 m = 144 J
Este impulso de 1800 N, atuando sobre uma distância de 0,08 m, produz um trabalho
equivalente a um impulso de 144 N, atuando sobre uma distância de 1 m.
Num motor, o impulso que atua sobre o pistão é determinado pela pressão dos gases
durante a explosão e, depois da explosão, durante a expansão. Durante a explosão, a pressão eleva-
se até 40 bar, depois baixa rapidamente no início e mais lentamente em seguida, até o fim do curso
do pistão. No momento da apertura de escape, a pressão no cilindro não passa de alguns bar. O
impulso recebido pelo pistão é, portanto, variável, e o trabalho fornecido varia a cada posição do
pistão. O cálculo de trabalho que um pistão dá a cada milímetro do seu curso é demasiado longo
para efetuar-se na prática. Medem-se todas as variações de pressão por meio do indicador de Watt,
e o diagrama fornecido por este aparelho permite estabelecer uma pressão média. É a pressão
média indicada que permite calcular o trabalho real fornecido pelo pistão durante o seu curso motriz.
Mas uma parte do trabalho fornecido pelo pistão é absorvida pelos atritos internos do
motor, pelos tempos mortos, pelos efeitos de inércia etc. O trabalho efetivo disponível à saída do
virabrequim é, portanto, mais fraco que o trabalho real fornecido pelo pistão.
Para calcular o trabalho efetivo disponível no virabrequim, adota-se uma pressão média
mais fraca que a pressão média indicada. É a pressão média efetiva, que varia conforme os
motores, o número de rotações e a relação volumétrica.
A pressão média efetiva Pm permite, então, calcular o trabalho efetivo fornecido pelo
motor. Este trabalho é tanto maior quanto maior é a superfície S do pistão, quanto mais longo é o
curso s e quanto mais elevado é o número de cilindros.
79
Exemplo: Que trabalho fornece, a cada curso motriz, um pistão de 56,5 mm (5,65 cm) de diâmetro,
efetuando um curso de 70 mm (0,07 m) sob uma pressão média de 8 bar (kg/cm*)?
Superfície do pistão: = ∏.d*/4
Impulso = ¶.d².pm/4
Trabalho = ¶.d².pm.s/4 = 3,14.5,65.5,65.80.0,07/4 = 140 J em antigas unidades de trabalho: 14 kgm.
POTÊNCIA DOS MOTORES
POTÊNCIA EFETIVA. A potência de um motor é determinada pela quantidade de trabalho que
aquele pode fornecer em um segundo, isto é, pelo número de joules (J).
A unidade de potência atual é o quilowatt (kW) ou o watt para os motores pequenos.
Para calcular a potência de um motor, basta calcular a quantidade de trabalho que este
é capaz de fornecer em 1 segundo. Esta quantidade de trabalho obtida em joules por segundo será
transformada em W ou em kW, conforme a equivalência destas unidades.
1 J/s = 1 W;
1000 J/s = 1 kW;
1000 J/s = 1,36 C.V. nas antigas unidades ou 1 C.V. = 736 J/s.
Exemplo de cálculo da potência efetiva de um motor monocilíndrico 80 x 90 girando a 4200 rpm
com uma pressão média de 9,5 bar (impulso 95 N por cm²):
trabalho de uma explosão = 3,14.8².9,5.0,09/4 = 430 J;
trabalho por segundo = 430 X 4200/60 x 2 = 15050 J/s.
(2) denominadores para motor a 4 tempos, 1 explosão a cada 2 rotações
Potência = 15050/1000 = 15,03 kW.
Praticamente, a potência efetiva de um motor em novas unidades (kW) tem como valor
os três quartos da potência em C.V.. Um motor de 80 C.V. tem uma potência de 60 kW.
Podemos resumir todas as operações do cálculo da potência efetiva do motor em uma
só fórmula:
Pe = ¶.d².pm.s.n.I.10/4.60.2.1000
onde d designa o diâmetro do cilindro em cm, Pm a pressão média em bar, s o curso do pistão em
m, n o regime do motor em rotações por minuto, I o número de cilindros e ∏ = 3,14. O numerador 10
transforma a pressão média dada em bar, de modo a efetuar um impulso médio em newtons por
cm²; o denominador 1000 permite obter o resultado em kW.
80
Testes do freio
A potência efetiva desenvolvida por um motor mede-se por meio de um freio. O freio
compreende sempre duas partes essenciais:
uma parte móvel ligada ao motor e acionada por este último;
uma parte fixa provida de um dispositivo de frenagem que atua diretamente sobre a parte móvel. Um
sistema de regulagem permite modificar a eficácia da frenagem.
A parte fixa é montada sobre um eixo de oscilação (braço de alavanca de um metro). Ë
estabilizada por uma carga variável por meio de contrapeso e de uma mola tarada.
Durante a frenagem, a parte fixa tende a ser acionada pela parte móvel. Aquela levanta
o contrapeso e atua sobre a mola até à obtenção de uma posição de equilíbrio. Conhecendo, então,
o valor dos contrapesos em kg, conhece-se igualmente o esforço desenvolvido pelo motor à periferia
do dispositivo de frenagem. Este esforço tangencial denomina-se torque motor.
Tipos de freios para teste de motores
O freio de Prony é formado por um simples tambor metálico frenado por sapatas de
madeira. A sua regulagem é delicada; varia constantemente, e o aquecimento das sapatas necessita
de uma irrigação contínua e desagradável para os operadores. Este freio é utilizado apenas para
testes de fraca potência.
O freio Froude é um freio hidráulico. Ë composto por uma turbina que gira num cárter
vedado, munido de chicanas internas, e ligado aos contrapesos. Sob o efeito da turbina, a água atua
sobre o cárter e tende a acioná-lo.
Varia-se a eficácia da frenagem modificando as possibilidades de reação da água sobre
as chicanas do cárter.
81
O freio Froude não atua nos regimes de marcha reduzida. Permite, portanto, parar o
motor, e pô-lo novamente em marcha, conservando sempre uma determinada posição da frenagem.
O freio elétrico é constituído por um simples dínamo fixado a uma estrutura rígida.
Mede-se a tensão e o débito da corrente produzida; deduz-se o número de watts, e, em seguida,
tem-se a potência em kW. Mas o rendimento do dínamo não é constante. Varia conforme o número
de rotações por minuto e o número de watts produzidos. Cada medida deve ser corrigida por um
fator de rendimento diferente que se marca sobre um gráfico dado pelo fabricante do dínamo.
As variações de frenagem são obtidas modificando a corrente de excitação por meio de
um reostato.
O freio eletrodinamométrico é igualmente constituído por um dínamo.
Mas o estator deste dínamo é montado sobre um eixo oscilante, e é ligado igualmente a
uma carga de contrapeso completada por um dinamômetro.
A reação magnética do induzido tende a acionar o estator; o esforço de acionamento
(torque) é medido em quilos pelos contrapesos e pelo dinamômetro.
O rendimento do dínamo não entra em conta.
Modifica-se a eficácia da frenagem por uma mudança da corrente de excitação como no
caso precedente.
Este tipo de freio é recente, e é de manobra simples e precisa. Pode, por outro lado,
funcionar como motor de lançamento e de acionamento para a rodagem do motor a frio. Permite
medir as resistências internas do motor funcionando ociosamente, e dando, assim, indicações exatas
sobre as condições de funcionamento da superfícies de atrito.
O freio a corrente de Foucault é constituído por dois discos de função girando na
frente das extremidades de potentes eletroímãs. Estes últimos são solidários a uma estrutura móvel
cujo deslocamento é controlado por um dispositivo de mola tarada. O motor aciona os dois discos,
excitando os eletroímãs, obtém-se um fluxo magnético fixo, que cria nos discos rotação importantes
correntes elétricas (correntes de Foucault). A reação destas correntes tem por efeito frear a rotação
dos discos, provocando uma tração nos eletroímãs. Variando a importância da excitação, varia-se a
eficácia da frenagem. O regime do motor e o esforço (torque) registrado pela mola tarada permitirão
calcular a potência fornecida pelo motor. Nos freios utilizados atualmente, o torque desenvolvido
pelo motor é indicado em antigas unidades isto é, em mkg. Basta multiplicar o valor por 10 para
obter-se o torque motor em novas unidades, metro Newton, mN.
CURVAS DE POTÊNCIA
Qualquer que seja o tipo de freio empregado, o motor é sempre testado com o
acelerador aberto, a potência máxima. Regulando a eficácia da frenagem, pode-se diminuir a
velocidade de rotação do motor até o travar completamente ou deixá-lo embalar-se ociosamente.
Para conhecer as características exatas de um motor, mede-se a sua potência em
diversos regimes de rotação. Começa-se pelos baixos regimes (1000 rpm) e sobe-se de 250 em 250
rotações, por exemplo, até ao regime máximo, a partir do qual a potência começa a diminuir.
Os resultados obtidos permitem traçar a curva de potência do motor. Traça-se
geralmente também a curva do torque. O torque é indicado em mN. É o esforço desenvolvido pelo
82
motor na circunferência de um círculo de 1 m de raio cujo centro de rotação se situa sobre o eixo do
virabrequim.
O torque tem por valor:
Torque = mN.n/10 X 1000 onde o torque = kW X 10000/n em mN.
Atualmente, tende-se a dar mais importância ao torque motor que à potência. De fato, o
torque motor depende diretamente do impulso transmitido pelos pistões ao virabrequim. Ele informa,
portanto, de modo preciso, sobre o enchimento dos cilindros e sobre a força explosiva da carga
aspirada.
Constata-se que esta carga é máxima para um regime relativamente baixo e que ela
diminui com o aumento do regime. Ora, o motor será tanto mais capaz de subir as rampas em
marcha direta (relação de transmissão 1:1) quanto mais inclinada para a direita for a curva de seu
torque. De fato, como em rampa a velocidade diminui tal como o regime do motor, o torque motor
vai aumentar.
A curva de potência é o resultado do torque motor em mN (mkg) e da velocidade em
rpm. Constata-se que ela atinge o seu máximo a um regime relativamente elevado.
Nos regimes baixos, a potência desenvolvida é relativamente fraca; o torque é
importante, mas a velocidade em rpm é fraca.
Nos regimes médios, o torque diminui ligeiramente, mas a velocidade aumentou
fortemente; a potência é nitidamente mais elevada.
Nos regimes de potência máxima, a curva torna-se horizontal. O torque diminui
fortemente, e esta diminuição é completamente compensada pelo aumento do regime. A potência
estabiliza-se.
A um regime mais elevado, a diminuição do torque é tão importante que o aumento da
velocidade não a compensa mais. A potência diminui.
O regime de potência máxima é considerado regime normal do motor.
Praticamente, interessa permanecer ligeiramente abaixo.
O regime do torque máximo é considerado o regime inferior limite para a marcha a
plena admissão.
Durante os testes do freio, mede-se com exatidão o consumo do carburante.
Conhecendo a potência desenvolvida, deduz-se o consumo em gramas por kWh (CVh). A curva de
consumo informa sobre os regimes econômicos do motor.
O consumo de um motor a gasolina é de 300 a 400 g/kWh (200 a 300 g/CVh).
O de um motor Diesel é de 250 a 360 g/kWh(170 a 240 g/CVh).
83
RENDIMENTOS DOS MOTORES
Rendimento global ou total
Chama-se rendimento de um motor a relação entre potência mecânica desenvolvida à
saída do virabrequim e a que lhe é fornecida sob a forma de carburante.
Um grama de gasolina tem um poder calorífico de 11000 calorias (pequenas calorias).
Ora, uma caloria transformada totalmente em trabalho mecânico fornece 4,185 J, ou
seja, uma força de 1 Newton (N), provocando um deslocamento de 1 m.
Um motor que consome 340 g de gasolina por kWh recebe por segundo uma energia de
340 x 11000 x 4,185/3600 = 4348 J/s
1 kWh = 3600000 J
1KW =1000 J/s.
Este motor recebe, sob forma de carburante uma energia calorífica capaz de fornecer
4348 J/s; e rende 1000 J/s.
O seu rendimento térmico é de
1000 x 100/4348 = 23%
Observações: O cálculo do rendimento de um motor pode ser feito com base no seu consumo por
hora ou por segundo. Como os catálogos dos motores indicavam sempre, antigamente, o consumo
em g por H.P./hora, era lógico calcular o rendimento a partir deste valor e em relação ao H.P./hora.
Com as novas unidades MKSA convém calcular o rendimento na base do consumo por
segundo. A unidade de trabalho (J) é dez vezes menor que o (kgm) e a unidade de calor (cal) é mil
84
vezes menor que a (kcal), pelo que, calculando por hora, ter-se-ão valores extremamente elevados e
pouco comuns na prática. Aliás, sendo a nova unidade de potência dos motores, o kW,
correspondente a 100 J/s, é mais simples calcular o rendimento sobre esta base de tempo.
O rendimento de um motor de ciclo Otto funcionando a gasolina é em média de 21 a
25%. O de um motor de ciclo Diesel pode atingir mais de 35%.
A energia total desenvolvida pela combustão da gasolina no motor de ciclo Otto
distribui-se do seguinte modo:
32% sob forma de calor gasto pelo sistema de arrefecimento dos cilindros;
35% sob forma de calor retirado pelos gases de escape;
8% sob forma de energia mecânica absorvida pelos atritos internos do motor;
25% sob forma de energia mecânica disponível na extremidade do virabrequim.
Rendimentos volumétricos (potência por litro)
Para comparar os motores entre si, relaciona-se muitas vezes a sua potência efetiva à
unidade de cilindrada expressa em litros, ou seja:
potência/cilindrada = potência por litro
Nos primeiros motores atingiam 5 C.V.(3,6 kW) por litro.
Este valor era baseado na potência nominal utilizada ainda hoje em vários países. Os
motores modernos desenvolvem entre 30 kW(40 C.V.) e 37 kW(50 C.V.) por litro, e mais de 80
kW(100 C.V.) para os motores de alto rendimento.
Estes aperfeiçoamentos resultam principalmente no aumento dos regimes de rotação,
da diminuição de peso das peças móveis e da qualidade do carburante.
Para comparação mais exata das vantagens da execução mecânica dos motores, é
preciso determinar a potência por litro milhares de rpm, ou seja:
potência/cilindrada x regime = Potência por litro por 1000 rpm.
Os valores atuais situam-se entre 5 e 9 kW por litro/1000 rpm, ou seja, entre 7 e 12
C.V..
85
Potencia do Motor

Para maior facilidade de compreensão dos fatores que influenciam a potência de um motor,
a potência efetiva, isto é, a potência gerada no eixo do motor pode ser calculada pela seguinte
fórmula:

Ne
PMI m V n
h
=
× × ×
×
η
225


PME m v
PCI
Ar R
= × × × ×
+ ×
0 0427
1
, η γ η como PME = PMI × ηm então:

Ne i te m m v
PCI
Ar R
V n
= × × × × × ×
+ ×





⎟ ×
×
0 0427
1 900
, η η η γ η

n = rpm
PMI = pressão média indicada - Kg/cm
2

PME = pressão média efetiva - Kg/cm
2

Ne = potência efetiva - CV
V = volume do motor - litro
h = n
o
de tempos do motor
γm = peso específico da mistura mais resíduos - Kg/cm
2

PCI = poder calorífico inferior do combustível - Kcal/Kg
Ar = peso do ar necessário p/ produzir a combustão de 1Kg de combustível
R = fator de correção da mistura porque o motor durante o funcionamento não é alimentado
somente por uma mistura estequiométrica, mas sim por misturas pobres e ricas.
ηi = rendimento indicado
ηv = rendimento volumétrico
ηte = rendimento térmico
ηm = rendimento mecânico
tt = tonalidade térmica do combustível ou da mistura = poder calorífico da mistura
86
tt
PCI
Ar R
=
+ × 1
(Kcal/Kg)

Através da fórmula, parece fácil aumentar a potência de um motor, bastando para isto
procurar aumentar o valor das suas variáveis, mas na realidade, aumentando-se separadamente
em cada fator, se consegue, sem dúvida nenhuma aumentá-lo, mas em detrimento de outro, o que
pode ocasionar uma redução na potência, em vez de um aumento.
Utilizando o trabalho em um cabeçote como exemplo, pode-se aumentar o diâmetro das
válvulas, o diâmetro dos dutos, polir e retirar as rebarbas de fundição, entretanto, se este trabalho
não for acompanhado de outras alterações, ocasionará um funcionamento irregular e uma redução
no rendimento do motor, devido a menor velocidade de entrada do ar, podendo diminuir a potência
do mesmo.


Rendimentos do Motor


Rendimento Mecânico

O rendimento mecânico é a relação entre a potência produzida no eixo e a potência
produzida no interior do cilindro, provocada pela combustão. Este rendimento é função da força de
atrito que ocorre entre os seus diversos órgãos e das forças necessárias p/ acionar os órgãos
auxiliares. A perda de potência devido ao atrito, torna-se cada vez maior, a medida que a rotação
fica mais elevada. Os modernos óleos, sejam de base mineral ou sintética, incorporam em sua
fórmula componentes que ajudam a minimizar estas perdas. Quando se constrói um motor de alta
performance, muitos construtores fazem longas conexões de bielas, finos anéis de pistão, anel
raspador de óleo com baixa tensão, tanto quanto a precisão da máquina permitir de modo a
minimizar as perdas por atrito. Estas modificações buscam um aumento na eficiência mecânica.
A principal força de atrito que ocorre em um motor é a provocada pelo contato direto entre o
pistão e o cilindro, a qual pode ser reduzida da seguinte forma:
87
Após a retifica, os cilindros sofrem uma usinagem de brunimento, isto é, são feitos pequenos
riscos com ângulo indicado pelo fabricante. Estes pequenos riscos, fazem com que o óleo
permaneça mais tempo em contato com as paredes do cilindro, facilitando a lubrificação. Por outro
lado, reduzem o rendimento mecânico devido ao aumento do coeficiente de atrito.
A eliminação completa destes riscos não é recomendável porque, se a parede for muito
espelhada, a película de óleo não conseguirá mais aderir às paredes do cilindro, prejudicando a
lubrificação.
Para contornar este problema, sem prejudicar a lubrificação, o brunimento deve ser bastante
“sutil” com riscos muito pequenos ou então faz-se um polimento dentro do cilindro, do seguinte
modo:
Com um pistão do motor com os anéis de segmento, solda-se uma haste na sua cabeça.
Aplica-se então uma pasta abrasiva nas paredes do cilindro misturado com um pouco de óleo. Com
as próprias mãos, deve-se fazer com que o pistão descreva um movimento alternado para cima e
para baixo e variando sua posição de 180
0
.
Este polimento deve ser feito até o cilindro tornar-se opaco e com pequeninos riscos em
forma de hélice. Todos os cilindros devem receber o mesmo polimento.
Terminada a operação, lava-se cuidadosamente os cilindros.
Com este procedimento, consegue-se reduzir o coeficiente de atrito dos cilindros,
aumentando-se o rendimento mecânico e evitando a grimpagem do pistão, que é comum em
motores de competição devido às altas solicitações.
Além do atrito entre o pistão e o cilindro, a potência absorvida pela resistências passivas
necessárias ao acionamento dos órgãos auxiliares também merecem atenção. Na verdade, pouco
se pode fazer para reduzir esta potência absorvida pelas resistências passivas.
Em alguns casos, pode-se aumentar a folga entre os seus mancais, de modo a reduzir a
possibilidade de ocorrência de interferência provocada pela variação da temperatura.
As forças exercidas pelas molas das válvulas também absorvem potência, portanto, a
redução da força da mola deve ser a maior possível. É importante lembrar que a redução da carga
das molas está diretamente ligado a redução do peso dos diversos órgãos que compõem a
distribuição (balancins, tuchos, pratinhos, travas, pastilhas e varetas). Se isto não for feito, quando
o motor estiver em alta rotação, as molas não terão mais força para retornar a sua posição inicial,
dando origem ao fenômeno chamado “flutuação” que provocará uma perda de potência.
88
Consegue-se com isso, melhorar a potência efetiva do motor e em especial a sua aceleração. A
carga ideal varia para cada motor.
Nos motores cuja regulagem das válvulas é feita por meio de pastilhas, essas podem ser
eliminadas se os tuchos forem substituídos por outros construídos de tal maneira que a espessura
se ajuste perfeitamente entre a haste das válvulas e dos cames.
Rendimento Térmico

O rendimento térmico é a relação entre o calor que efetivamente se transforma em trabalho
útil e o calor equivalente ao trabalho que poderia ser obtido pela queima do combustível. O
aumento do rendimento térmico do motor, pode ser conseguido das seguintes maneiras:

1) Aumentando a taxa de compressão.

O modo mais fácil de se aumentar o rendimento térmico do motor é aumentando-se a sua
taxa de compressão. Aumentando a taxa (ou razão), aumenta-se a energia extraída de cada gota
de combustível, ou seja, esta modificação proporciona um aumento na eficiência térmica. Este
aumento pode ser feito, dependendo da conveniência, através do abaixamento do cabeçote ou
troca dos pistões. De uma maneira geral, para cada ponto adicionado na taxa de compressão
resultará num aumento de 4% na potência do motor. É claro que isto é limitado pela qualidade da
gasolina e pela geometria de construção do motor que pode tornar o motor propenso a detonação.

2) Otimizando a combustão.

Quando algumas características do motor são alteradas, com a finalidade de se aumentar a
potência, torna-se necessário a otimização da combustão da mistura, o que é possível de ser
realizado modificando-se a bobina, vela, módulo de ignição e curva de avanço. Esta melhora na
combustão da mistura torna-se necessária porque, ao se aumentar a taxa de compressão do
motor, a capacidade da faísca saltar entre os eletrodos da vela é reduzida. É importante lembrar
que não se está considerando alterações no combustível, uma vez que não se trata de uma
alteração no motor.
Como pode-se observar na fórmula anterior, aumentando o peso específico da mistura (o
que pode ser conseguido enriquecendo-se a mistura) aumentar-se-a a potência do motor.
89
Entretanto, se a mistura for extremamente rica, a combustão já não será perfeita, diminuindo por
conseqüência o rendimento térmico do motor, reduzindo a potência.

3) Diminuindo a diferença de temperatura entre a saída e entrada d’água de refrigeração do motor.

O ideal seria transformar toda a energia química do combustível em energia térmica, mas
existem perdas pelas próprias características dos materiais envolvidos, que necessitam trocar o
calor gerado pela combustão e atritos internos. A variação da temperatura da entrada e saída
d’água de refrigeração de um motor, deve ser a menor possível, pois essa troca de calor, embora
necessária, provoca perdas de energia. Portanto, essa variação de temperatura deve ser
trabalhada com muito cuidado, caso contrário, o motor poderá apresentar superaquecimento ou ter
uma boa parte dessa energia perdida pelo trocador de calor.

Rendimento Volumétrico

O rendimento volumétrico é a relação entre o peso de ar efetivamente introduzido no cilindro
e o peso teórico máximo, nas condições atmosféricas (15
0
C e 760 atm). A grande maioria das
modificações para aumentar a performance esta centrada no aumento de ar e combustível para
dentro do motor. O rendimento volumétrico em relação aos outros rendimentos é o que oferece um
maior campo de atuação.
Existem vários modos de se fazer com que o volume de ar seja maior:
• Aumento do diâmetro do coletor de admissão, assim como, polindo o seu interior
• Uso de coletor de escape dimensionado
• Trabalho e polimento dos dutos do cabeçote
• Corte da guia de válvula
• Aumento do diâmetro das válvulas
• Aumento das aberturas das válvulas (comando de válvulas)
• Aumento do número de válvulas
• Polimento das válvulas, assim como redução no diâmetro da haste das válvulas
• Aumento da rotação do motor
• Mudança no carburador ou sistema de injeção eletrônica
90
• Uso de filtro de ar esportivo
• Uso de turbocompressor
• Uso de compressores volumétricos
• Uso de injeção de óxido nitroso



91


TERMOS IMPORTANTES (PORTUGUÊS - INGLÊS)


01 Motor 8 cilindros em V com injeção de
combustível e Ignição por Centelha
02 ventilador
03 embreagem do ventilador para
acionamento viscoso
04 distribuidor da ignição (distribuidor)
com avanço à vácuo
05 tambor de corrente dupla
06 mancal do eixo de cames
07 duto de respiro
08 tubo de óleo para lubrificação do eixo
de cames
09 eixo de cames, comando de válvulas no
cabeçote
10 borboleta do carburador
11 silenciador interno

12 regulador de pressão de combustível
13 coletor de admissão
14 bloco do motor
15 volante
16 biela
17 mancal de linha do virabrequim
18 virabrequim
19 parafuso de drenagem do óleo
20 corrente da bomba de óleo
21 abafador de vibração
22 eixo motor do distribuidor
01 eight-cylinder V (vee) fuel- injection
spark-ignition engine
02 fan line
03 fan clutch for viscous drive

04 ignition distributor (distributor) with
vacuum timing control
05 double roller chain
06 camshaft bearing
07 air-bleed duct
08 oil pipe for camshaft lubrication

09 camshaft, an overhead camshaft

10 venturi throat
11 intake silencer (absorption silencer,
Am. Absorption muffler)
12 fuel pressure regulator
13 inlet manifold
14 cylinder crankcase
15 flywheel
16 connecting rod (piston rod)
17 cover of crankshaft bearing
18 crankshaft
19 oil bleeder screw (oil drain plug)
20 roller chain of oil pump drive
21 vibration damper
22 distributor shaft for the ignition
distributor (distributor)

97



BIBLIOGRAFIA

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Treinamentos, Fitas de Vídeo, Curiosidades
ð www.setenet.com.br Fitas de vídeo, apostilas
ð www.saebr.org.br Livros, revistas, cursos e mini-cursos
ð www.sae.org Livros, revistas, artigos técnicos
ð www.centrotecnico.com.br Treinamento
ð www.oficinabrasil.com.br Revista especializada
ð www.duvidacruel.com.br Informações interessantes

Peças e Acessórios
ð www.dana.com.br Autopeças
ð www.ngk.com.br Velas e cabos de ignição, sensores de detonação e oxigênio
ð www.delphiauto.com Autopeças, sistemas e sub-sistemas automotivos
ð www.eaton.com.br Cabeçotes, embreagens, transmissões
ð www.fras-le.com.br Pastilhas e lonas de freio
ð www.fmaster.com.br Freios
ð www.ksp.com.br Autopeças, pistões, cilindros de alumínio
ð www.lukbrasil.com.br Embreagens, sistemas hidráulicos/eletrônicos de acionamento
ð www.bosh.de Autopeças elétricas, injeção eletrônica, eletrônica embarcada
ð www.sabo.com.br Autopeças, retentores, juntas e mangueiras
ð www.sachs.de Embreagens e sistemas de suspensão
ð www.siemens.com.br Sist. de injeção, controles de emissões, conversores catalíticos
ð www.sifco.com.br Eixos dianteiros, virabrequins, coroa, pinhões, semi-eixos
ð www.kncl.krupp.com.br Componentes de motor, suspensão, direção e transmissão
ð www.trw.com Componentes de direção, suspensão, cintos de segurança, airbags
ð www.visteon.com.br Sistemas e sub-sistemas automotivos
ð www.zf.group.com.br Sistemas de transmissões e direções
ð www.elliott-turbocharger.com Sistemas de sobre-alimentação
99

9
Motores Especiais

Wankel
ð www.monito.com/wankel
ð www.wankel-rotary.com
ð

QuasiTurbine

ð www.quasiturbine.com
ð
100

APOSTILA DE MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA

INTRODUÇÃO

Os motores de combustão podem ser classificados como de: • COMBUSTÃO EXTERNA: no qual o fluido de trabalho está completamente separado da mistura ar/combustível, sendo o calor dos produtos da combustão transferido através das paredes de um reservatório ou caldeira, ou de • COMBUSTÃO INTERNA, no qual o fluido de trabalho consiste nos produtos da combustão da mistura de ar/combustível. Uma vantagem fundamental do motor alternativo de combustão interna, sobre as instalações de potência de outros tipos, consiste na ausência de trocadores de calor no circuito do fluido de trabalho, tal como a caldeira e condensador de uma instalação a vapor. A ausência dessas peças não apenas conduz à simplificação mecânica mas, também, elimina a perda inerente ao processo de transmissão de calor através de um trocador de área finita. O motor alternativo de combustão interna possui outra vantagem fundamental importante sobre a instalação a vapor ou turbina a gás, a saber: todas as peças podem trabalhar a temperaturas bem abaixo da máxima temperatura cíclica. Este detalhe possibilita o uso de temperaturas cíclicas bastante altas e torna possível alta eficiência.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA Vantagens • • • • arranque rápido trabalho em rotações relativamente baixas pequeno tamanho fácil manutenção • • • • • Desvantagens limitação de potência não utilização de combustíveis sólidos peso elevado para potência elevado número de peças baixa eficiência

VANTAGENS PARA O MOTOR DE COMBUSTÃO INTERNA ALTERNATIVO SOBRE INSTALAÇÕES DE TURBINAS DE VAPOR: 1. Maior eficiência máxima; 2. Menor razão de peso e volume da instalação para a potência máxima (exceto, possivelmente, no caso de unidades maiores do que 7353 kW ou 10.000 CV); 3. Maior simplicidade mecânica; 4. O sistema de refrigeração de um motor de combustão interna transfere uma quantidade de calor muito menor do que o condensador de uma instalação a vapor de igual potência e, normalmente,é operada com temperaturas mais elevadas na superfície. O menor tamanho do trocador de calor é uma vantagem nos veículos de transporte e em outras aplicações, nas quais o resfriamento deve ser feito por meio de ar atmosférico.

2

VANTAGENS PRÁTICAS DA INSTALAÇÃO A VAPOR SOBRE O MOTOR ALTERNATIVO DE COMBUSTÃO INTERNA

1. A instalação a vapor pode usar maior variedade de combustíveis, incluindo os sólidos; 2. Menos suscetíveis a vibrar; 3. A turbina a vapor é prática nas unidades de grande potência (de 147000 kW ou mais) em um único eixo.

CLASSIFICAÇÃO DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA (MCI)

Os MCI podem ser classificados em:

a) Quanto a propriedade do gás na admissão: • ar (Diesel) • mistura ar-combustível (Otto) b) Quanto à ignição • por centelha (ICE) [spark ignition (SI)] • por compressão (ICO) [compression ignition (CI)] c) Quanto ao movimento do pistão • Alternativo (Otto, Diesel) • Rotativo (Wankel, Quasiturbine) d) Quanto ao ciclo de trabalho • 2 tempos • 4 tempos e) Quanto ao número de cilindros • monocilíndricos • policilíndricos f) Quanto à disposição dos cilindros • em linha à opostos (boxer) • em V à em estrela (radial) g) Quanto à utilização • • • ESTACIONÁRIOS - Destinados ao acionamento de máquinas estacionárias, tais como Geradores, máquinas de solda, bombas ou outras máquinas que operam em rotação constante; INDUSTRIAIS - Destinados ao acionamento de máquinas de construção civil, tais como tratores,carregadeiras, guindastes, compressores de ar, máquinas de mineração, veículos de operação fora-de-estrada, acionamento de sistemas hidrostáticos e outras aplicações onde se exijam características especiais específicas do acionador; VEICULARES - Destinados ao acionamento de veículos de transporte em geral, tais como caminhões e ônibus; MARÍTIMOS - Destinados à propulsão de barcos e máquinas de uso naval. Conforme o tipo de serviço e o regime de trabalho da embarcação, existe uma vasta gama de modelos com características apropriadas, conforme o uso. (Laser, trabalho comercial leve, pesado, médiocontínuo e contínuo)

• •

3

Motores com carburação (Otto) .. Otto) · REFRIGERAÇÃO . no bloco . Ar (natural ou forçada) .. DOHC) 4 ....... F · DISPOSIÇÃO DO COMANDO DE VÁLVULAS . Água (termo-sifão. por exemplo: · ADMISSÃO DE COMBUSTÍVEL .OUTRAS CLASSIFICAÇÕES: Também pode-se classificar os motores de combustão interna segundo os vários sistemas que os compõem. no cabeçote (OHC. Motores com injeção (Diesel.. Magneto . Bateria · DISPOSIÇÃO DAS VÁLVULAS . forçada) · IGNIÇÃO . em I. T. L.

com arestas vivas. Embora se diga que o problema de selagem esteja resolvido. cuja velocidade é próxima de zero na máxima pressão do cilindro. Esse problema é bem mais difícil do que o de anéis de segmento convencionais. 5 . redução de tamanho. O motor WANKEL é um motor deste tipo. Ele ainda se encontra sob intenso desenvolvimento. ou por meio de alguma espécie de movimento excêntrico de um rotor em um espaço cilíndrico (usualmente não circular). obtendo-se assim. o objetivo dos projetos de motores rotativos de deslocamento foi de evitar vibração.COMPARAÇÃO ENTRE MOTOR OTTO E MOTOR DIESEL MOTOR OTTO CARBURAÇÃO INJEÇÃO MISTURA A/C FONTE EXTERNA 6 a 9 gasolina 9 a 14 álcool HÁ DESPERDÍCIO (lavagem de anéis) LEVES MOTOR DIESEL INJEÇÃO COMBUSTÍVEL AUTO IGNIÇÃO 14 a 22 NÃO HÁ PESADOS ADMISSÃO DE COMBUSTÍVEL ALTERAÇÃO DA ROTAÇÃO IGNIÇÃO TAXA DE COMPRESSÃO DESPERDÍCIO DE COMBUSTÍVEL TIPO DE COMBUSTÍVEL MOTORES ROTATIVO DE DESLOCAMENTO . devido às seguintes razões: 1. Em geral. “contato de linha” em lugar de contato de superfície. 2.MOTOR WANKEL São motores nos quais um membro rotativo é disposto de forma a variar o volume de trabalho de maneira análoga ao de um compressor do tipo palheta. O problema mais difícil em tais motores é a selagem da câmara de combustão contra vazamento sem excessivo atrito e desgaste. peso e redução de custo em comparação com os tipos convencionais. as superfícies a selar são descontínuas. 3. maiores potências. A única vantagem básica desse tipo de motor está no fato de ser alta a relação volume de deslocamento para volume total do motor. a velocidade do selo é elevada durante parte do ciclo de alta pressão. em contraste com anéis de segmento. não parece razoável aceitar que a solução seja tão satisfatória quanto a do moderno anel de segmento.

mas ele não se concretizou como fonte prática de potência até após a II. Esta disposição assegura uma melhor utilização do combustível e permite maior flexibilidade de funcionamento.TURBINAS A GÁS O conceito de turbina a gás é antigo. próximo ao final da guerra. Na maior parte das realizações atuais. possuindo cada uma delas de seu injetor. Seu desenvolvimento comercial foi estimulado pela introdução bem sucedida dos motores turbojatos em aviões ingleses e alemães. Guerra Mundial. 6 . o conjunto é formado por várias câmaras de combustão (de 2 a 6).

sendo o cilindro esfriado durante esta fase. Segunda fase: compressão adiabática Sendo interrompido o resfriamento do cilindro. partindo da transformação de gases perfeitos. Sadi Carnot (1796-1832) publicou em 1823 uma brochura intitulada “Reflexões sobre a potência motriz do fogo”. aliás. teoricamente da seguinte maneira: Pode ser descrito Primeira fase: compressão isotérmica uma massa gasosa é introduzida no cilindro e depois comprimida pelo pistão “temperatura constante”. Quarta fase: expansão adiabática Continuando o repouso. dado pela relação: 7 . colocaremos aqui.Diagrama do Ciclo de Carnot O rendimento de um ciclo de Carnot depende somente das temperaturas nas quais o calor é fornecido ou rejeitado. Enunciava aí um ciclo ideal que. este ciclo teórico se compõe das seguintes fases: 12 = compressão isotérmica 23 = compressão adiabática 34 = expansão isotérmica 41 = expansão adiabática (Figura 30) O ciclo de Carnot não pode ser objeto de nenhuma realização na prática. deveria ter um rendimento de aproximadamente 72%. durante a expansão isotérmica. nunca atingido por um motor térmico real. este mesmo cilindro exige aquecimento para tornar a temperatura constante. durante a compressão isotérmica o cilindro deve ser resfriado. teórico. chamado Ciclo de Carnot. de forma resumida o ciclo desenvolvido por um motor térmico. Terceira fase: expansão isotérmica Ao passo que. o qual. faz-se cessar o reaquecimento do cilindro para que essa fase se efetue sem troca de calor com o cilindro e que a massa gasosa retome o volume e a pressão que possuía no início da primeira fase Figura 30 . continua-se a compressão rapidamente de modo que nenhuma troca de calor tenha lugar entre o gás e o cilindro. Conhecido com o nome de “Ciclo de Carnot”.CICLOS DE POTÊNCIA Ciclo de Carnot Para entender melhor.

de onde surgiu em algumas obras a designação de “Ciclo Otto”. durante os processos isoentrópicos: ηt = 1 − taxa de pressão isoentrópica rps P1 P2  T3  = = =  P4 P3  T2  k (1− k ) V V  T  (1− k ) taxa de compressão isoentrópica rvs = 4 = 3 =  3  V1 V2  T2  Portanto: (1− k η t = 1 − rps ) k 1− = 1 − rvs k 1 Ciclos de Otto e Diesel Nos dois processos que ocorrem nos Motores de Combustão Interna Alternativos de dois e quatro tempos. b) Ciclo Diesel. Primeira fase: compressão adiabática Efetuada de maneira adiabática. a compressão leva os gases a uma certa temperatura. Beau de Rochas enunciou o ciclo de “quatro tempos” que. Segunda fase: transformação isovolumétrica 8 . podemos ainda incluir uma subdivisão: 1) MCI trabalhando a quatro tempos: a) Ciclo Otto. b) Ciclo Diesel. BC = Elevação brutal da pressão em volume constante. Teoricamente. o alemão Otto aplicara a um motor térmico. Ciclo Otto (Volume Constante) Em 1862. pois que: AB = Compressão adiabática.TL T T = 1− 4 = 1− 3 TH T1 T2 O rendimento também pode ser expresso pela relação de pressão ou taxa de compressão. O esvaziamento do cilindro se efetua em pressão atmosférica. 2) MCI trabalhando a dois tempos: a) Ciclo Otto. contudo insuficiente para provocar a inflamação. CD = Expansão adiabática. primeiramente. o ciclo enuncia-se da seguinte maneira: o enchimento do cilindro efetua-se com a pressão atmosférica. DA = Baixa brutal de pressão em volume constante.

Introduz-se uma fonte quente destinada a elevar instantaneamente a pressão dos gases (faísca elétrica) sem que o pistão tenha tempo de deslocar-se durante essa transformação de volume constante. no 1º tempo. aproximadamente.8 partes de ar para 1 parte de gasolina 9. observa-se os diagramas teórico e real do ciclo em questão. A mistura ar-combustível. de 9:1 e. Em contrapartida são mais poluentes (devido à queima de óleo lubrificante que é misturado ao combustível no carter durante a pré-compressão). a massa gasosa distende-se de maneira adiabática e o fim dessa distensão corresponde a uma baixa sensível de pressão. a taxa de compressão é. nos a álcool. Figura 31 . Na Figura 31.0 partes de ar para 1 parte de álcool A mistura entra no cilindro à pressão atmosférica e é comprimida pelo cilindro. Ciclo Otto O ciclo segue os tempos indicados anteriormente sendo que. São motores mais simples e leves. gerada no interior do cilindro por uma vela (spark plug). possuem cerca de 70 a 90% de potência a mais do que um motor de quatro tempos de mesma cilindrada. Quarta fase: expansão isocórica A abertura do escapamento provoca uma baixa brutal de pressão que leva o interior do cilindro à pressão atmosférica enquanto o pistão bascular em ponto morto (volume constante). 9 .0:1 14.8:1 9. 12:1. Ciclo Dois Tempos. admitindo-se constante o calor específico do ar: ηt = Q H − QL T 1 1− k = 1 − A = 1 − ( rv ) = 1 − k −1 QH TB rv Ciclo Quatro Tempos. que é feita pelo carburador ou pela injeção eletrônica. admite-se uma mistura arcombustível. A) diagrama teórico B) diagrama real. Terceira fase: expansão adiabática Terminada a inflamação. Ciclo Otto São utilizados principalmente em veículos motores de duas rodas. A combustão é iniciada por uma centelha (spark). Determina-se o rendimento térmico desse ciclo como se segue. Nos motores a gasolina. O ciclo se aproxima do motor de combustão interna de ignição por centelha. motocicletas. é preparara aproximadamente nas seguintes proporções: 14.Diagramas do ciclo de Beau de Rochas. Observe-se que o ciclo real é sensivelmente diferente.

Dificilmente realizável em um motor de regime elevado. Segunda fase: compressão isobárica No começo da distensão. carros leves e veículos industriais. os engenheiros que continuaram o trabalho de Diesel o substituíram por um motor de ciclo misto cujo funcionamento relaciona-se ao mesmo tempo com o ciclo Diesel e com o de Beau de Rochas (Otto). pois que: AB = compressão adiabática do ar puro aspirado antes. Diesel abandonou este ciclo. O ciclo Diesel aplica-se aos motores lentos estudados para a propulsão dos barcos. devido aos perigos que o mesmo apresentava pela compressão elevada demais (250kg). A) diagrama teórico B) diagrama real. a combustão efetua-se em pressão constante.Diagramas do ciclo de Rudolf Diesel. BC = combustão em pressão constante. DA = baixa brutal da pressão.Ciclo de Diesel (Volume Constante) Quando Diesel se interessou pelo motor térmico. conhecido como o nome de “ciclo Diesel”. Quarta fase: baixa de pressão A abertura brutal do escapamento produz uma queda rápida da pressão enquanto o pistão báscula em ponto morto (volume constante). O enchimento e o esvaziamento do cilindro efetua-se com a pressão atmosférica. Sabe-se que a realização deste primeiro motor manifestou-se impossível. CD = expansão adiabática. Primeira fase: compressão adiabática O ar puro aspirado anteriormente é comprimido e atinge uma temperatura suficiente para provocar a inflamação do combustível injetado. cujo detalhe dá-se em seguida. Figura 32 . quando o volume aumenta e a expansão dos gases compensa a queda de pressão devida ao aumento de volume. procurou realizar industrialmente um motor concebido segundo o ciclo de Sadi Carnot. O rendimento do ciclo Diesel é dado pela relação: 10 . Terceira fase: expansão adiabática A expansão efetua-se sem troca de calor com as paredes do cilindro. substituiu-o por um ciclo mais simples.

geradas pela combustão no tempo motor repelem em sentido oposto o pistão. possui basicamente duas grandes diferenças de um motor a gasolina: 1. Estando os orifícios de escapamento e de admissão fechados pelo pistão. isto é. O motor aspira e comprime apenas ar. Utiliza taxa de compressão de. Um sistema de injeção dosa. desenvolve 20HP a 172rpm e rendimento térmico de 26. Em 1897. Vê-se. curso de 400mm e consumo de 247g de combustível por cavalo e por hora). Ciclo Diesel O motor Diesel a dois tempos não trabalha com uma pré-compressão no carter. etc. começa a construção do seu primeiro motor em Ausburgo. fortemente aquecido pela compressão. que está aproximando-se do ponto morto superior. em fevereiro de 1892 publicou em Berlim um fascículo intitulado “Teoria e construção de um motor térmico racional” onde expunha suas idéias para a realização prática do ciclo de Carnot. filtro. trabalhando a quatro tempos. Ciclo Diesel O engenheiro Rudolf Diesel (1858-1913). distribui e pulveriza o combustível em direção dos cilindros. 11 . leva óleo no carter e possui bomba de óleo. O motor desenvolvido. a razão de compressão isoentrópica é maior do que a razão de expansão isoentrópica.2% (os motores a gasolina rendiam 20% e os a vapor 10%). no ciclo Diesel. na Figura 88. um exemplo de motor Diesel dois tempos. aproximadamente 19:1. Possui também um sistema de lubrificação semelhante aos motores de quatro tempos.ηt = 1 − C ( T − TA ) T ( T T − 1) QL = 1− A D A = 1− v D QH C p ( TC − TB ) kTB ( TC TB − 1) É importante notar que. o combustível é injetado no cilindro e a combustão começa. Ainda na Alemanha. que age na biela fazendo o virabrequim girar. O combustível inflama-se ao entrar em contato com o ar. Ele tem carregamento forçado por meio de um compressor volumétrico (rotativo) ou de uma ventoinha. Ciclo Quatro Tempos. Ciclo Dois Tempos. 2. utilizando um já melhorado (monocilíndrico. As pressões elevadas. diâmetro de 250mm.

EE = fim da injeção.Esquema de funcionamento do Motor Diesel 2 tempos. o orifício de No fim do tempo motor. SS ~ 40° depois do PMI. Pode-se tomar como valores médios para os pontos de distribuição: AO ~ 70° antes do PMI. que segue. A saída foi estudada de em baixa pressão entra precipitadamente modo a garantir a evacuação rápida dos no cilindro.Imediatamente depois. AS � 30° depois do PMI.Gráfico de pressões em um motor Diesel de dois tempos com válvula de admissão no cabeçote e fendas de exaustão por fluxo contínuo. assim como as de carga. mostra os diagramas teórico e real. SS = fendas fechadas. Ciclo Misto O ciclo misto aplica-se aos motores Diesel modernos. dá uma maior potência que o motor de quatro tempos e o torque é mais uniforme. de igual dimensionamento. escapamento. combinados com as fendas de escape e combustão. Desvantagens: Além das bombas especiais de exaustão e de carga. substituídos pelos pistões. SO = 40° antes do PMI. EB = início da injeção. 12 . A Figura 90. expelindo os gases queimados gases queimados no coletor de residuais pelos orifícios de escapamento. SO = fendas de exaustão abertas. a posição do admissão é descoberto e o ar contido na pistão permite a abertura do orifício de câmara de ar alimentada pelo compressor escapamento. com menor poder calorífico e consumo de combustível relativamente elevado. com o mesmo dimensionamento e rpm. Faltam os órgãos de distribuição dos cilindros. De AO a SO expandem-se os gases de combustão. carga calorífica consideravelmente mais elevada que num motor de quatro tempos. de AS até SS carga posterior (à vezes a alta pressão). Figura 34 . Vantagens: O motor de dois tempos. Figura 33 .

EA = queda rápida na pressão. A comparação dos diagramas mostra bem que esses dois ciclos se assemelham no plano prático.onde AB = compressão adiabática BC = combustão isovolumétrica (isocórica). CD = expansão isobárica. mas não instantânea . mas se aproxima do ciclo misto porque a “explosão” dos gases é apenas uma combustão rápida. DE = expansão adiabática. é que na realidade o motor a gasolina não é completamente de pressão variável e de volume constante.

bloco do motor cylinder crankcase 2.g. cabeçote head 3. é composto de duas partes justapostas. pistão (êmbolo) piston 2. cárter crankcase • Órgãos móveis: 1.PRINCIPAIS COMPONENTES DOS MCI Os principais componentes de um MCI são: • Órgãos (ou peças) fixos: 1. . Na parte inferior do bloco estão os alojamentos dos mancais centrais. árvore de comando de válvulas camshaft Bloco do Motor É o motor propriamente dito. de cilindros opostos. possuindo.. Figura 36. biela connecting rod 3. árvore de manivelas (virabrequim) camshaft 4. bloco baixo permitindo que os cilindros fiquem expostos à circulação do ar de arrefecimento. afixadas por parafusos. Nos motores horizontais (e. do fusca). onde se apóia o eixo de manivelas (virabrequim). geralmente. o eixo de manivelas acha-se no centro do bloco. válvulas de admissão e escape intake and exaust valves 5. os motores arrefecidos a ar levam cilindros aletados. por sua vez. onde são usinados os cilindros ou os furos para a colocação destes. este.

Cabeçote 14 . Figura 37 . Figura 36 . por intermédio de um pino de aço (pino do pistão). Carter Parte inferior do bloco. recebe a força de expansão dos gases queimados.Bloco do Motor Pistão É a parte móvel da câmara de combustão. ou o ar. transmitido-a à biela. Figura 37. e onde está depositado o óleo lubrificante. Geralmente possui furos com roscas onde são instaladas as velas de ignição ou os bicos injetores e onde estão instaladas as válvulas de admissão e escape com os respectivos dutos. Figura 93. no caso do ciclo Otto. É em geral fabricado em liga de alumínio. no caso do Diesel. cobrindo os componentes inferiores do motor.Cabeçote É uma espécie de tampa do motor contra a qual o pistão comprime a mistura.

É acionado pelo eixo de manivelas. recebe o impulso do pistão.Biela Braço de ligação entre o pistão e o eixo de manivelas. Figura 94. haste. Virabrequim (Eixo de manivelas. Figura 38. A outra. nos tempos de admissão e escapamento. de escape. Pistão e Bronzinas Válvulas Existem dois tipos: de admissão e de escape. Figura 94. é instalado na parte inferior do bloco. Figura 38. Árvore de manivelas) Eixo motor propriamente dito. o qual. balancim abrindo as válvulas no momento oportuno. recebendo ainda as bielas que lhe imprimem movimento. correia dentada. 15 . respectivamente. É dotado de ressaltos que elevam o conjunto: tucho. conforme o caso) no interior do cilindro. Figura 38 – Biela. Eixo Comando de Válvulas (Árvore Comando da Distribuição) A função deste eixo é abrir as válvulas de admissão e escape. É importante salientar que o conjunto biela-virabrequim transforma o movimento retilíneo do pistão em movimento rotativo do virabrequim. corrente ou ainda. através de engrenagem. transmitindo-o ao eixo de manivelas (virabrequim). na maioria das vezes. A primeira abre-se para permitir a entrada da mistura combustível/ar (ou ar puro. abre-se para dar saída aos gases queimados.

Eixos. que o interliga ao balancim. i. fazendo com que o balancim transmita o movimento à válvula. abrindo-a. o ressalto deste aciona o tucho. haste. tuchos e válvulas 16 . que por sua vez move a haste. Há um conjunto destes (tucho. e. Figura 39 . No momento em que o eixo comando de válvulas gira. apoiando-se diretamente sobre a válvula. Figura 39. um para cada válvula.Conjunto de Acionamento das Válvulas Compreende o tucho e uma haste. balancim) para cada ressalto.. tanto de admissão quanto de escape.

bielas e pistões). contanto que a tensão adicionada não seja crítica. alumínio forjado e aço forjado. a fim de reduzir ao mínimo as deformações e fissuras de contração. por exemplo. É que a nervura age como um elevador de tensão e não deve ser usada quando se quer elevar a resistência à flexão. Os princípios gerais a serem seguidos no projeto de bloco de cilindros fundidos incluem os seguintes itens: 1. O costume de adição de “nervuras” ou “almas” delgadas para melhorar à flexão usualmente tem efeito oposto. favorece uma montagem precisa dos elementos mecânicos internos (virabrequim. são nestas posições onde o êmbolo muda de sentido de movimento estando no seu máximo (PMS) ou no seu mínimo (PMI). O uso do alumínio em lugar do ferro fundido resulta em melhor dissipação de calor e redução do peso.Top Dead Center} e o Ponto Morto Inferior (PMI) {BDC . 2. O tipo apropriado depende principalmente das considerações do tipo de motor e custos de fabricação vérsus a importância da economia de peso. DEFINIÇÕES Ponto Morto Superior e Ponto Morto Inferior Ponto Morto Superior (PMS) {TDC . CONSIDERAÇÕES PARA O PROJETO DE BLOCOS FUNDIDOS. As seções espessas esfriam mais lentamente do que as delgadas e mudanças abruptas na espessura da seção devem ser evitadas sempre que possível. Evitar furos para redução de peso. conforme a Figura 1.COMPONENTES DO MOTOR ÓRGÃOS FIXOS BLOCO DE CILINDROS. Seu uso para outras finalidades como. Evitar grandes seções planas. 3. isto. 4. O bloco de cilindros é freqüentemente fundido numa peça única com o cárter superior do motor. Os materiais do bloco de cilindros incluem o ferro fundido. Curvar todas as grandes seções delgadas. uma vez que as tensões concentra-se em tais aberturas. Nervuras. A adição do material da nervura à espessura da seção é uma prática melhor de se utilizar o material adicional. resfriamento ou redução de vibração.Bottom Dead Center}. 17 . usualmente soldado no último caso. é permissível. alumínio fundido.

S. Número de Cilindros Diâmetro cilindro Curso do pistão Taxa de Compressão assim:   π .Figura 1 .S. Volume Morto É o espaço livre que fica acima do pistão quando este se encontra no P. após a faísca emitida pela vela.I.F. É indicada em centímetros cúbicos (cm³) e tem a seguinte fórmula:   π .0 mm à 9.Curso .0 mm à 86.P.N cilindros   4   dados: (em cm³) Tomando como exemplo o motor de um Ômega GLS (GM). Nela. explodirá para que a expansão dos gases movimente o pistão e dê seqüência ao funcionamento do motor. que entrou pela válvula de admissão.0 litros Câmara de Compressão ou de Combustão.2:1 18 . à 04 à 86.Curso do Pistão Cilindrada É o volume total deslocado pelo pistão entre o P.8. como 2.8.6 2 C = . multiplicado pelo número de cilindros do motor.M. e o P.6 .I.4 = 1998.M. no mercado.M.. será comprimida e.229 cm³   4   conhecido.0 ou 2. a mistura ar/combustível do motor a gasolina. De seu catálogo têm-se os seguintes Motor Dianteiro Longitudinal M.D 2 C = .

ao invés de álcool. no Rio de Janeiro. o volume da câmara de combustão define a Taxa de Compressão do motor. No Estado do Rio Grande do Sul.. Todos os componentes que atuam em sua formação ou ao seu redor influenciam diretamente em sua eficiência: a posição das válvulas e o desenho dos dutos de admissão. conseqüentemente. é uma nova tecnologia. A detonação. i. também conhecida como “batida de pino”. dependendo de sua intensidade e persistência. por exemplo. pelas dez refinarias da Petrobras. Por convenção. por duas outras refinarias privadas: a de Manguinhos. e 19 . Para a Gasolina No Brasil (com exceção do Rio Grande do Sul) é utilizada uma gasolina única no mundo. alguns combustíveis aditivados possuem octanagem superior a escala posta. Quanto menor for seu volume. aditivo que contém oxigênio para aumentar a eficiência da combustão do hidrocarboneto Gasolina (C8H18)n. a gasolina que compões esta mistura é produzida. maior será essa relação e.e. em quase sua totalidade. a câmara pode estar inserida no cabeçote ou na cabeça dos pistões – esse último mais comumente achados.Dependendo do grau de modernidade do motor. O teor de álcool na gasolina é objeto de Lei Federal. O restante. o isooctano puro tem octanagem 100 e o n. pois tratase de uma mistura de 76% de gasolina e 24% de álcool etílico (etanol). ou a sua capacidade de resistir às exigências do motor sem entrar em auto-ignição antes do momento programado. Um combustível de octanagem n é aquele que se comporta como se fosse uma mistura contendo n% de isooctano e (100-n)% de n. utiliza-se o MTBE (metil-tercio-butil-etileno) como oxigenador. Figura 2 – Câmara de Combustão Octanagem A octanagem mede a capacidade da gasolina de resistir à detonação. Hoje. cuja especificação final é de responsabilidade da Agência Nacional de Petróleo – ANP.heptano. leva à perda de potência e pode causar sérios danos ao motor. Atualmente. Basicamente. melhor o rendimento do motor.heptano puro tem octanagem zero.

a mistura de gasolina e álcool é realizada pelas Companhias Distribuidoras (Esso.0 MJ/l da gasolina. injeção multiponto e projetados para gasolinas de alta octanagem). resultando em menores emissões evaporativas. formando uma mistura “gasohol” com o objetivo de aumentar a octanagem da gasolina. Desde janeiro de 1992. Já o álcool é produzido a partir da cana-de-açúcar em diversas destilarias espalhadas pelo país.4 MJ/l (megaJoule por litro). como acontece em subidas com marcha reduzida e velocidade alta. no Rio Grande do Sul.. contra 30. na forma de etanol hidratado a 95. A composição final da chamada gasolina brasileira. etc. as misturas de “gasohol” contêm tipicamente apenas 10% (ou menos) de etanol.2 e 23. Shell. mas. 91.1 e 34. o que reduz o número e a severidade de fogo nos veículos.5 20 .a de Ipiranga. As principais propriedades da gasolina e do álcool estão indicadas abaixo: GASOLINA Calor específico (kJ/kg) N. do tipo “detergente dispersante” que tem a função de manter limpo todo o sistema por onde passa a gasolina. O etanol anidro tem poder calorífico inferior e superior de 21.. conhecida como Índice Antidetonante (MON +RON)/2. estão à disposição dos consumidores brasileiros 03 tipos de gasolina: comum. O etanol é um excelente combustível automotivo: apresenta um Índice de Octanagem superior ao da gasolina e tem uma Pressão de Vapor inferior. respectivamente.700 109/98 903 420 9 34. A combustão no ar é inferior a da gasolina. como acontece em subidas com marcha alta. por questões ambientais. responsáveis também pela comercialização final do produto junto aos postos de serviço. vem sendo gradualmente eliminado.900 91/80 376 ~ 502 220 14.). indicadas para a maioria da frota de veículos circulante no Brasil. A Gasolina Premium possui maior octanagem.5º GL. Como etanol puro. Pode ser utilizada em qualquer veículo.6º Gay-Lussac (GL) e 0. o etanol (C2H5OH) é utilizado de duas maneiras: ð ð Como mistura na gasolina. Para o Etanol No Brasil. Esta classificação é dada segundo a octanagem da gasolina. na forma de 24% de etanol anidro. Texaco. Nos outros países. ou seja. É dada pela média entre os dois métodos. O chumbo era utilizado mundialmente para aumentar a octanagem da gasolina. a gasolina brasileira é isenta de chumbo. A octanagem das gasolinas brasileiras é equivalente à das gasolinas encontradas nos Estados Unidos e na Europa.4% de água. O método Pesquisa (RON – Reserch Octane Number) avalia a resistência da gasolina à detonação quando o motor está operando em condições mais suaves – baixa rotação. a 99. mas não trará nenhum benefício se o motor não exigir este tipo de combustível (alta taxa de compressão. A octanagem da gasolina pode ser avaliada por dois métodos distintos: método Motor (MON – Motor Octane Number) avalia a resistência da gasolina à detonação quando o motor está operando em condições mais severas – alta rotação e plena carga. com monitoramento eletrônico. Atualmente. As Gasolinas Comum e Comum-Aditivada têm octanagem de 86. comum aditivada e premium.º de Octano (RON/MON) Calor latente de vaporização (kJ/kg) Temperatura de ignição (ºC) Razão Estequiométrica Ar/Combustível Fonte: Goldemberg & Macedo ETANOL 26. diferindo-se entre si apenas pela presença de um aditivo. As Gasolinas Comum e Comum-Aditivada possuem a mesma octanagem.

técnicas. a taxa de compressão é diretamente responsável pelo rendimento térmico do motor.e.P. obtêm-se as seguintes informações: Motor Transversal M. Figura 4. Figura 3. Gasolina Cilindrada 1. geram a mesma potência consumindo menos combustível. Por esse motivo é que os motores diesel consomem menos que um similar a gasolina: funcionando com taxas de compressão altíssimas (17:1 nos turbodiesel e até 22:1 nos diesel aspirados). indica que o volume aspirado para dentro do cilindro foi comprimido oito vezes antes que a centelha da vela iniciasse a combustão. ocorre a dificuldade de obtenção de câmaras de combustão minúsculas. Há limitações físicas e técnicas para a simples ampliação da taxa.5 mm Taxa de Compressão 9. têm-se: TC = V+v v Tomando como exemplo o motor de um Corsa Sedan GL (GM). No primeiro caso. Assim. melhor será o aproveitamento energético que o motor estará fazendo do combustível consumido. A taxa de compressão corresponde à relação entre TC = Cilindrada do Motor + Volume da Câmara de Combustão Volume da Câmara de Combustão chamando de V a cilindrada do motor e v o volume da câmara de combustão (volume morto).0 mm Curso do Pistão 81. quanto maior a taxa de compressão.I.6 1600 cm³ Número de Cilindros 04 Diâmetro do Cilindro 79. Figura 3 – Definição de Taxa de Compressão Do ponto de vista termodinâmico.F. Assim. i. um motor a gasolina que tenha especificada uma taxa de compressão de 8:1.Taxa de Compressão (Relação) Relação matemática que indica quantas vezes a mistura ar/combustível ou simplesmente o ar aspirado (no caso dos diesel) para dentro dos cilindros pelo pistão é comprimido dentro da câmara de combustão antes que se inicie o processo de queima. Do catálogo.4:1 21 . por exemplo. Já o seguinte apresenta restrições quanto às propriedades do combustível.. o quanto cada um “tolera” de compressão antes de se autoinflamar (octanagem).

7.Como a Taxa de Compressão já é dada.h = . cabeçote.486 = = 47.6 mm.v 4. Figura 4 – O veículo do exemplo.(0.06) = 44.7.9 2 .97 − 0.D 2 π .Curso = 4 4 para uma Taxa de Compressão de 9. Qual será a nova Taxa de Compressão deste motor? v= π .4 − 1 • • • a Cilindrada Pode-se então calcular a altura deixada no cilindro para a abertura das válvulas: π .56 = = 0. pode-se calcular então o volume da câmara de combustão v. Não se altera a Taxa de Compressão de um motor apenas modificando o tipo de combustível consumido.h 4 4.7 mm Com isso pode-se concluir que a Taxa de Compressão é uma propriedade inerente ao motor (bloco. • • para um motor de 04 cilindros à 1600 cm³ 1600 para um cilindro apenas à = 400 cm³ 4 πD 2 π .605 cm³ 4 4 22 .56 cm³ TC − 1 9.8.97 cm à h= 2 π .D 2 .15 = 399.486 cm³ .9 2 à v= à h = 9.7.9 2 . imagine que a altura (h) do cilindro que compões o volume morto (câmara de combustão) tenha sido rebaixada de 0. Como exemplo.47. pistões) e não ao combustível utilizado no mesmo.4:1 à V= volume morto v à v= V 399.D π .

ou que estejam trabalhando com o avan'ço da ignição adiantado com relação ao ideal para aquele motor.0:1. Auto-Ignição Em razão das altas temperaturas na câmara de combustão ou octanagem incorreta da gasolina para a taxa de compressão do motor. Aspecto • Zona dos anéis e cabeça do pistão parcialmente destruídas.6 mm a Taxa de Compressão aumentará de 9. algumas vezes o efeito auto-ignição pode ocorrer.486 + 44. furos na cabeça dos pistões ou mesmo sua fusão com o cilindro (Figura 5). • Furo no topo do pistão. fazendo com que o mesmo perca potência e corra o risco de um superaquecimento ainda maior.605 = = 9. Pontos quentes no interior da câmara passam a fazer o papel da vela de ignição.605 Assim. De uma maneira geral. Figura 5 – Danificação por Pré-Ignição 23 . em casos extremos. o maior responsável pela auto-ignição é a carbonização da cabeça dos pistões e das câmaras de combustão em motores com alta compressão. a auto-ignição pode levar à destruição da câmara de combustão e. o que pode acabar provocando detonações (Figura 6).956 v 44. fato que aumenta ainda mais a taxa de compressão por reduzir o volume da câmara de combustão. Muito prejudicial ao funcionamento do motor. Uma vela com grau térmico muito alto para a situação em que o motor está sendo utilizado pode também ser o motivo da auto-ignição. Seus efeitos devastadores são idênticos aos do motor com ponto de ignição muito adiantado. com a diminuição de 0. incandescendo a mistura ar/combustível antes mesmo de a vela de ignição iniciar o processo através da centelha elétrica.4:1 para aproximadamente 10.TC = V + v 399.

o eletrônico. Num automóvel. melhorando a performance do motor. centrífugo ou eletrônico. do pistão para iniciar o processo de combustão. 24 .M.S. o avanço pode ser de 03 tipos: a vácuo. Os dois primeiros. na central eletrônica que comanda a injeção e ignição.. o que é bem mais moderno e comum atualmente. simultaneamente.Aspecto • Cabeça do pistão parcialmente destruída. existe na memória do sistema de comando da ignição ou. Faz-se o avanço para se obter a máxima pressão sobre o pistão quando o mesmo atinge o P. Figura 7 – O Sistema de Ignição Convencional e o Distribuidor O terceiro tipo de avanço. Figura 6 – Danificação por Detonação Avanço Nome empregado mais comumente para designar o quanto a faísca da vela deverá ser avançada. sendo passíveis de erro operacional. atuam diretamente sobre o distribuidor (Figura 7). com relação ao P.S. absolutamente mecânicos.M.

Dissipação de potência pela carga. para sua operação e para seus equipamentos auxiliares (assim como bombas de combustível e de água. Pode ser expressa por (Vh + Vc )/Vc (é > 1). bem como do equipamento auxiliar para funcionamento do motor. Volume total de um cilindro = Vh + Vc Volume total de todos os cilindros do motor = z Vh Também denominada de razão ou taxa de compressão. ao iniciar-se a compressão. consiste na soma das potências efetiva e de atrito nas mesmas condições de ensaio. Definição Diâmetro interno do Cilindro. Potência dissipada sob carga. Notação D Nomenclatura Diâmetro do Cilindro s Curso do Pistão Distância percorrida pelo pistão entre os extremos do cilindro. gases reais.) Volume do cilindro = A s Volume da câmara de compressão.Psp Potência teórica. Relação entre o curso e o diâmetro do pistão. Velocidade média do Pistão = 2 s n / 60 = s n / 30 Superfície eficaz do Pistão = π D2 / 4 É a potência útil gerada pelo motor. que adotam notações ligeiramente diferenciadas. Existem normas americanas. porém com os mesmos significados. É a potência dentro dos cilindros. Pr = Pi Pe . calculada por comparação. queima completa.Outras Definições e Nomenclatura A nomenclatura utilizada pelos fabricantes de motores. sem perdas hidrodinâmicas. ventilador. Consumo de potência por atrito. Volume do Cilindro Volume da Câmara Volume de Combustão Cilindrada Total Relação de Compressão Potência Indicada Pi Pl Psp Potência Dissipada Dissipação Consumo de Potência Potência Teórica Pv Pr 25 . e o volume no fim da compressão. etc. s /D Curso/Diâmetro n cm A Rotação Velocidade Área do Pistão Potência Útil Pe z Vh Vc V VH ε Número de Cilindros Quantidade de cilindros de dispõe o motor. à parte a carga. de máquina ideal. derivadas das normas DIN. (Os motores cuja relação curso/diâmetro = 1 são denominados motores quadrados.Pl . obedece a notação adotada pela norma DIN 1940. Hipóteses para este cálculo: ausência de gases residuais. definidos como Ponto Morto Superior (PMS) e Ponto Morto Inferior (PMI). paredes isolantes. normalmente encontrada na documentação técnica relacionada. é a relação entre o volume total do cilindro. inclusive engrenagens internas. constitui uma relação significativa para os diversos ciclos dos motores de combustão interna.) Número de revoluções por minuto da árvore de manivelas. compressor. Abreviadamente denominada de IHP (Indicated Horsepower).

Expulsão dos gases. Comprime-se o combustível. É a relação entre as massas de ar efetivamente aspirada e a teórica. com o índice e refere-se à potência efetiva e com o índice i refere-se à potência nominal. ou seja: ηm = Pe / Pi = Pe / (Pe + Pr) ou então η m = Pe / (Pe + Pr + Pl + Psp). Relação entre a potência indicada e a potência total desenvolvida pelo motor. Consumo horário de combustível. consumindo trabalho (deve ser fornecido). para desenvolver uma potência igual à potência nominal. durante o curso de expansão. 3. 5. este ciclo pode completar-se de duas maneiras: • • ciclo de trabalho a quatro tempos. É a pressão hipotética constante que seria necessária no interior do cilindro.ηm É o rendimento nominal. η g = η i /ηv. durante o curso de expansão. para desenvolver uma potência igual à potência no eixo. ηm ηe ηi ηv ηg λl Rendimento Teórico É o rendimento calculado do motor ideal. Rendimento Mecânico Rendimento Útil Rendimento Indicado Eficiência Rendimento Volumétrico É a razão entre a potência medida no eixo e a potência total desenvolvida pelo motor. durante o curso de expansão. 26 . ciclo de trabalho a dois tempos. 1. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DOS MOTORES ALTERNATIVOS O Ciclo mecânico é o mesmo em qualquer motor alternativo. Ou rendimento econômico é o produto do rendimento nominal pelo rendimento mecânico = ηi . pi pr B b Consumo Específico Consumo específico de combustível = B / P. Ocorre a expansão dos gases resultantes da combustão. Queima-se o mesmo. gerando trabalho. Introduz-se o combustível no cilindro. 2. para desenvolver uma potência igual à potência de atrito. É a pressão hipotética constante que seria necessária no interior do cilindro. 4. É a relação entre os rendimentos nominal e teórico. Nos motores a pistão.pe Pressão Média Efetiva Pressão Média Nominal Pressão Média de Atrito Consumo É a pressão hipotética constante que seria necessária no interior do cilindro.

Na maioria dos motores Diesel modernos.No primeiro tempo. abrindo e fechando as passagens nos momentos exatos. empurra os gases de escape para a atmosfera. a árvore de comando de válvulas (ou eixo de cames) gira a meia rotação do motor. ocorre a ignição por meio de dispositivo adequado (no motor Otto). Pouco antes do pistão completar o curso. ocorre a compressão. dá-se a admissão. temos a ignição. No Terceiro tempo. com o pistão em movimento descendente. o pistão em movimento ascendente. com o pistão em movimento descendente. Para fazer com que as válvulas de admissão e escapamento funcionem corretamente. com a expansão dos gases e transferência de energia ao pistão (tempo motor). com o pistão em movimento ascendente. completando uma volta a cada ciclo de quatro tempos. pistão. ou seja. que se verifica. por aspiração automática da mistura ar-combustível (nos motores Otto). Um ciclo de trabalho estende-se por duas rotações da árvore de manivelas. ou a autoignição (no motor Diesel). na maioria dos casos. No segundo tempo. No quarto tempo. ou apenas ar (motor Diesel). Durante os quatro tempos – ou duas rotações – transmitiu-se trabalho ao pistão só uma vez. quatro cursos do 27 . uma ventoinha empurra a carga para o cilindro (turbocompressão).

Os quatro tempos 1º TEMPO Curso de Admissão Estando o pistão no PMS. aspirando a mistura ar-combustível (Ciclo Otto) ou somente ar (Ciclo Diesel) até o PMI. a medida que o pistão desloca-se para o PMS. força no êmbolo. ao deslocar-se do PMI para o transformada em trabalho mecânico. completando o primeiro giro (volta completa .360º).Os 4 tempos de um motor de combustão. O êmbolo. 4º TEMPO 3º TEMPO Curso de Escape Curso de Combustão e Expansão Com a VA fechada e a VD aberta. O virabrequim gira outros 180º. A energia liberada nesta combustão dá origem a uma completando o ciclo (720º).180º). o mesmo começa a descer estando aberta a válvula de admissão (VA) e fechada a válvula de descarga (VD). ao virabrequim girando-o (executa meia volta . Esta força é transmitida do êmbolo. o mesmo comprime o conteúdo do cilindro.180º. cumprindo-se meia volta do virabrequim (180º). combustível é queimada. quando a VA se fecha. 2º TEMPO Curso de Compressão Estando VA e VD fechadas. ao descer gera um vácuo no interior do cilindro. deslocando-o do PMS ao PMI. expulsa os Pouco antes do pistão atingir o PMS com produtos da combustão. 28 . a mistura arexecuta outra meia volta . PMS. aumentando a sua temperatura e pressão interna. através da biela. O virabrequim VA e VD fechadas. figura 03. Figura 8 . o Nesta fase produz-se a energia que será êmbolo. onde VD se fecha.

eliminando-se o uso de tuchos. Normalmente estes motores não têm válvulas. abrindo-se a janela de admissão. comprimindo a mistura ar-combustível.É importante salientar que somente no curso de combustão se produz energia mecânica. etc. Com o movimento do êmbolo. os outros três tempos são passivos. gerando uma força sobre o êmbolo. sendo assim. Ao mesmo tempo o êmbolo abre a janela de carga permitindo que uma nova mistura ar- 29 . o êmbolo é forçado até o PMI. O virabrequim dá meia volta. Pouco antes de atingir o PMS. recebe a mistura ar-combustível e o óleo de lubrificação. Deve ser cuidadosamente fechado pois nele se dá a précompressão da mistura. provocando a combustão da mistura. gera-se uma pressão baixa dentro do carter e assim. Inicia-se então o próximo ciclo. As janelas de escape e carga são fechadas. que possui dimensões reduzidas.Temperatura e Pressão no final da Compressão Motor Dois Tempos Os motores deste tipo combinam em dois cursos do êmbolo as funções dos motores de quatro tempos. fechando o ciclo. ou seja.Combustão e Escape É o curso de trabalho. Durante o curso. Figura 9 . dá-se a centelha. 1º Tempo . há um curso motor para cada volta do virabrequim. dado início à combustão por meio de uma centelha (spark). por diferença de pressão admite-se uma nova mistura ar-combustível-óleo lubrificante. 2º Tempo . absorvem energia. o êmbolo passa na janela de descarga dando vazão aos gases da combustão.Curso de Admissão e Compressão O êmbolo dirige-se ao PMS. hastes. 180 graus. que será utilizado no próximo ciclo. No PMS. O carter.

Eliminação dos mecanismos biela-manivela com redução dos problemas de compensação de forças e momentos. logo menor volume e peso. Desde os primeiros dias da invenção do motor a gasolina. 2. 2. apresenta as seguintes vantagens relativamente aos congêneres alternativos: 1. Problemas de vedação entre pistão e cilindro. Problemas de lubrificação. de duas partes rotativas. milhares já foram construídos baseados em princípios e ciclos diferentes dos que caracterizaram os motores clássicos de dois ou quatro tempos. 3. destacamos: 1. dá meia volta.combustível entre no cilindro preparando-o para o novo ciclo e forçando os gases provenientes da combustão para fora (lavagem). Alta rotação: o primeiro protótipo experimental girava a 17. massas de compensação e o pistão rotativo. neste primeiro tempo. O motor Wankel. Entre 30 . Por outro lado. em parte já sanados e em parte ainda para serem resolvidos. consta apenas de cilindro. Entre esses problemas. O virabrequim. árvore com respectivo excêntrico. bem como vibratórios. de um modo geral. sendo que estes dois últimos já foram sanados. o motor apresenta problemas. Menor número de peças móveis. 180 graus.000 rpm.Ciclo de um Motor 2 Tempos MOTOR WANKEL Esse motor. Figura 10 . Maior concentração de potência. 3. Atualmente essa rotação encontrase na faixa das 4. que gira engrenado a um pinhão fixo.000 rpm. volantes. o que poderá ocasionar construção e manutenção mais simples e de menor custo.

A ovalização dos cilindros pode ter como causa a obliqüidade da biela que. No PMI. estas condições são exatamente opostas e o desgaste é quase nulo. os esforços laterais ficam normais. A parte inferior do cárter forma depósito de óleo. a ovalização é perpendicular ao eixo do virabrequim. O grande desgaste dos cilindros leva a um consumo exagerado de óleo e de combustível. A condensação da gasolina e a insuficiência de óleo fazem com que durante os primeiros minutos de funcionamento os pistões funcionem que completamente a seco. em grande parte. Este último quando a necessidade de peso leve ou melhor condução de calor uma vez que impedem a formação de pontos quentes nas paredes internas do cabeçote. Este desgaste é irregular e dá ao cilindro uma ovalização e uma conicidade. Este último está deslocado alguns milímetros no sentido oposto ao sentido de rotação. Daí resulta um menor esforço lateral do pistão sobre as paredes do cilindro e uma ovalização menos sensível. Durante a subida do pistão. a inclinação da biela é grande. As paredes extremas e as divisórias internas suportam os mancais do virabrequim. Num grande número de motores não se faz coincidir o eixo dos cilindros com o eixo do virabrequim. CÁRTER. O deslocamento regulariza o desgaste de ambos os lados do cilindro. a lubrificação é normalmente insuficiente. mas como a pressão do gás é fraca. em torno do meio do curso. O funcionamento do motor leva a um desgaste progressivo dos cilindros. O cabeçote tem a função de tampar os cilindros formando a câmara de combustão. O desgaste é. As extremidades do cárter têm freqüentemente garras destinadas a fixação do motor. O cabeçote é um dos elementos mais críticos no projeto de um motor porque ele combina problemas estruturais. O maior desgaste verifica-se no PMS. fluxo de calor e escoamento de fluido em uma forma complexa. o eixo de cames (motor de válvulas laterais) e a bomba de óleo. CILINDROS DESCENTRADOS. O cárter de um motor é em ferro fundido ou em alumínio fundido. CABEÇOTE. 31 . enquanto a pressão e a temperatura estão no seu máximo. É de chapa embutida ou de liga de alumínio. a um depósito de sujeira nas velas.DESGASTE DOS CILINDROS. Forma a parte principal do bloco do motor e contém o virabrequim. Neste local. Neste caso. devido aos arranques com o motor frio. Os motores refrigerados a água usam cabeçotes de ferro fundido ou ligas de alumínio. Este deslocamento tem por finalidade diminuir a inclinação da biela no tempo motor (descida do pistão). A sua fixação ao cárter superior faz-se por intermédio de cavilhas de aço doce. apoia o pistão contra o cilindro. a uma marcha ruidosa e a diminuição da potência.

O volante é de fundição ou de aço moldado. O interior do virabrequim contém dutos especiais por onde circula o óleo necessário a lubrificação dos munhões e dos moentes. do motor. A despeito dessas dificuldades entretanto. que suporte as cargas de gás e. evitar excessiva distorção e tensão devido aos gradientes de temperatura e.O problema central no projeto do cabeçote com válvulas consiste em se chegar a um arranjo satisfatório. COMPONENTES DO SISTEMA DE FORÇA VIRABREQUIM. restitui-a nos tempos não motores. quanto a válvulas e janelas (motor 2 tempos). enquanto que os de vários cilindros são equipados com volantes tanto mais leves quanto mais elevado for o número de cilindros. A linha de eixo é o conjunto de munhões nos quais gira o virabrequim apoiado no bloco Os moentes são as partes do virabrequim onde se apoiam as bielas. ao mesmo tempo. A geometria complexa envolvida tornaria impossível cálculos precisos de tensão ainda que as cargas fossem conhecidas com precisão. grande parte por meio da análise experimental de tensões. evitar custos excessivamente elevados ou complexidade indevida. muito se tem feito para racionalização do projeto do virabrequim. ferro maleável ou ferro cinza. o volante absorve a energia desenvolvida. No momento da explosão. 32 . também. Em termos qualitativos. Os virabrequins são feitos de aço forjado. as cargas em um virabrequim resultam em tensões devido à flexão. Destina-se a regularizar a rotação do virabrequim. torção e cizalhamento em todo seu comprimento. ou fundidos de aço. Os motores de um cilindro exigem um volante grande. VOLANTE.

BIELAS. Os metais utilizados dependem do gênero de motores. As bielas são de aço-liga estampado e por vezes de liga de alumínio. A tampa da biela é fixa por parafusos de aço ao cromo-níquel tratado. O pé de biela articula-se no pino de pistão por intermédio de uma bucha de bronze fosforoso chavetada. 33 . As bielas inteiramente usinadas asseguram um melhor equilíbrio do motor. O corpo da biela é tubular ou de seção em duplo T. das cargas da biela e da velocidade de rotação. A cabeça de biela gira no pino por intermédio de mancais de duas partes. de grande resistência. Um batimento lateral de 3 a 4 mm entre o s ressaltos do pistão é aproveitado para que o deslocamento longitudinal do virabrequim não provoque uma flexão da biela.

A sua temperatura sobe a 620 °K (350 °C).alojados nos munhões e no bloco do motor.). é designado por mancal de duas meias-buchas. No momento da explosão. Estes dois últimos metais permitem fazer pistões mais leves. de liga de alumínio ou de aço.MANCAIS. e cerca de 420 a 450 °K (150 . O metal anti-fricção pode ser uma liga de estanho. para facilitar a montagem. Os pistões são de fundição maleável. uma externa chamada capa e outra interna composta por metal anti-fricção. esferas.200 °C) na extremidade final da saia. e isto. ele pára 120 vezes por segundo. 30 vezes por segundo. de cobre e de zinco . A boa resistência mecânica deste material convém extremamente a este gênero de motores cujo conjunto de biela é submetido a fortes cargas. de cobre e de antimônio. quando constituído por duas partes iguais.são montados em motores especialmente potentes. Esta liga permite um deslizamento muito suave. favorece um funcionamento silencioso do motor.liga de alumínio. Esta qualidade é primordial quando se trata de motores cujo regime ultrapassa as 3500 rpm. Os mancais dividem-se em dois tipos principais: os fixos . Os mancais de bronze . portanto. Podem ser de deslizamento ou de rolamento (com roletes.liga de estanho e de cobre . São utilizados para reduzir o atrito e servir de apoio as partes giratórias do motor (moentes. Os pistões de liga de alumínio são igualmente melhores condutores de calor. há. O mancal é composto por duas partes. ele recebe um impulso de mais ou menos 20000 N (2000 kg).. montados nos moentes e bielas. Entre cada parada ele atinge uma velocidade de 70 km por hora. PISTÕES. munhões. Para um regime de 3600 rpm.. no centro da cabeça. e os móveis.. agulhas). O pistão de um motor de combustão interna funciona em condições particularmente desfavoráveis.são particularmente montados nos motores Diesel. 34 . O mancal. menos vibrações e uma menor frenagem em altos regimes. Os efeitos de inércia no final do curso são menores. Os mancais de metal rosa .

O projeto dos anéis de segmento têm sido desenvolvido quase totalmente numa base empírica. do regime de rotação do motor. Os anéis de segmento constituem um problema difícil de projeto desde o advento do motor de combustão interna e. Guerra Mundial. Para maior resistência ao desgaste do anel e parede do cilindro. Contudo. À temperatura ambiente. do sistema de refrigeração e de sua eficácia. os anéis são de face cromada ou “molibdênio metalizado”. os anéis alcançaram vida e confiabilidade comensurável com as das outras partes do motor. para que. As folgas médias têm um diâmetro maior para os pistões de liga de alumínio devido à maior dilatação desta liga em relação à fundição ou ao aço. Os anéis de segmento têm duas funções: evitar o vazamento do gás e para manter o fluxo de óleo na câmara de combustão no mínimo necessário para a adequada lubrificação do anel e 35 . uma estrutura porosa de óxido de molibdênio. da forma do pistão. mesmo depois de ter atingido a sua temperatura de marcha. A maioria dos anéis de segmento é feita de ferro fundido-cinza dada sua excelente resistência ao desgaste em todos os diâmetros de cilindro. Material dos anéis de segmento. do ou dos metais que compõem o pistão. estes últimos.Em marcha. Quando o vazamento pelo anel for um problema. ainda deslize livremente. não sendo tão bons condutores de calor. o pistão deve ser ajustado no seu cilindro com uma certa folga. ANÉIS DE SEGMENTO. Os anéis de controle de óleo podem ser de ferro ou de aço. a dilatação dos pistões é grande. do tipo de combustível. As folgas de dilatação dadas na fabricação do pistão dependem: do diâmetro do cilindro. somente no período posterior à II. das condições de emprego do motor. a sua temperatura eleva-se mais no que nos pistões de liga de alumínio. utiliza-se o ferro modular ou mesmo o aço. Projeto de anéis de segmento. usualmente com superfícies de mancal revestidas.

mas existe pelo menos um anel cuja função principal é essa. 2. Os requisitos a seguir são considerados desejáveis: 1. para diminuir o atrito.No pistão. São os chamados anéis de controle de óleo. A largura da face dos anéis deve ser pequena. enquanto que os outros são anéis de compressão. a vazão de óleo através dos anéis é extremamente pequena e aproxima-se de zero para motores de pequeno e médio porte. 36 . Todos os anéis tomam parte no controle do fluxo de óleo. Utilização do menor número possível de anéis. Nos motores modernos.

e a completa expulsão dos gases queimados. A fixação direta das válvulas permite obter uma abertura rápida particularmente em regimes muito altos. a lavagem do cilindro. por uma corrente (corrente silenciosa).CAPÍTULO 5 . Esta disposição permite uma forma mais racional da câmara de combustão. . As válvulas suspensas podem ser acionadas: . distribuição. Esta disposição clássica assegura um funcionamento silencioso. sendo reduzida ao mínimo a inércia das peças de movimento alternado. Que funcione suave e eficientemente nos mais variados regimes de rotação do motor. por balancins com eixo de cames suspenso. 37 . que cada válvula se mantenha aberta o tempo necessário para uma boa admissão de mistura ou ar). favorece a potência do motor e um rendimento térmico superior. As duas últimas soluções exigem uma construção mais dispendiosa. por hastes e balancins com eixo de cames no cárter. ou através de uma correia de borracha com arrames de aço (alma de aço). A ligação do virabrequim e do eixo de cames é feita por meio de engrenagens. A posição das válvulas suspensas determina melhor rendimento aos altos regimes e convém aos motores potentes de relação volumétrica elevada. Os motores com válvulas suspensas possuem válvulas colocadas sobre os cilindros. assim como uma marcha suave. por eixo de cames suspenso com impulsos diretos sobre as válvulas.SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO Chama-se distribuição o conjunto de elementos que comandam a admissão de mistura A/C motores Otto) ou ar (motores Diesel) nos cilindros e posteriormente a saída dos gases queimados. São requisitos fundamentais para um sistema de distribuição eficiente. . Pode-se designar um motor especificando a disposição dos seus elementos de Os motores de válvulas laterais possuem válvulas dispostas ao lados dos cilindros.

destinados a agir sobre os impulsionadores das válvulas em tempos precisos. Nas distribuições acionadas por engrenagens. a marcação é feita por traços ou pontos marcados nos dentes. para acionamento por meio de engrenagens. de maneira a oferecer a máxima resistência ao desgaste dos excêntricos. a marcação dos pinhões. A posição exata de engrenagem dos pinhões de distribuição é marcada pelo fabricante no momento da montagem. para acionamentos por corrente. Eixo de cames. Ou comando de válvulas é um eixo que tem solidário a ele ressaltos ou excêntricos. Transmitem o movimento do virabrequim ao eixo de cames. Esta marcação corresponde geralmente à posição do primeiro pistão no PMS. a relação de transmissão dos pinhões de distribuição é de 1:2 (motores a 4 tempos). é obtida por meio de traços que se fazem coincidir simultaneamente com a linha reta que liga o eixo das duas rodas dentadas. Como o eixo de cames gira à metade da velocidade do virabrequim. 38 .ÓRGÃOS DE DISTRIBUIÇÃO Pinhões de distribuição. ou por meio de marcas no bloco do motor. São de aço ou matérias plásticas estratificadas. São fabricados em aço forjado ou ferro fundido (ao níquel-cromo-molibdênio). no final do tempo de descarga. afastados um do outro. Quando a distribuição é acionada por corrente ou por correia dentada. Estes pinhões são de aço semiduro. Passa por tratamentos como cementação e tempera.

Se na descarga as conseqüências serão danosas para a integridade do sistema uma vez que além de má compressão. por vezes em mancais de bronze ou de fundição. O movimento atual da válvula será o projetado. Nas duas situações o resultado será o baixo rendimento do motor. mas devem seguir uma configuração de caráter geral. 39 . enquanto na descarga o escape incompleto dos gases queimados. como mostra a figura. a folga é “compensada” por uma rampa de velocidade constante (velocidade aqui significa elevação por unidade de tempo em determinada rotação da manivela). poderá provocar a queima da válvula (deformação da válvula). desgaste. Incluindo nestas condições a dilatação dos materiais e manutenção da lubrificação. É fundamental considerar as conseqüências de uma defeituosa folga nas válvulas: as folgas pequenas provocarão na admissão má compressão e explosões nos condutos de admissão.Geralmente o eixo de cames gira em mancais regulados. incluindo uma folga razoável para erros de ajustagem. Devido a limitações de tensão. Essa folga deve ser a mínima necessária para assegurar que a válvula vem em todos as condições normais. mostrado no gráfico a seguir. modificado pelas características elásticas do mecanismo da válvula. No instante que o came encontra o tucho no inicio do ciclo de abertura. Projeto do came. expansão e contração devido a mudanças de temperatura. A fim de que a válvula sempre vede bem. As folgas excessivas na admissão terão como resultado a deficiente admissão. e para permitir ajustagens. A forma e a posição dos cames determinam diretamente as características de potência e de regime do motor. as válvulas não podem ser abertas e fechadas repentinamente. é necessária sempre alguma folga.

As válvulas de descarga são de uma liga de aço. são necessários tuchos de rolete feitos de aço com endurecimento superficial. isto é. Outra vantagem prática dos tuchos hidráulicos é a de ajustagem automática para o desgaste do mecanismo de válvula. Tais vibrações podem ser reduzidas por meio de amortecedores de atrito. de aço ao níquel ou cromo-níquel. as rampas para uso deste tipo de tucho podem ter maiores velocidades do que aquelas de sistemas mecânicos. deveria ser alta o bastante para manter a válvula firmemente em sua sede durante o período em que permanece fechada. As válvulas de descarga suportam um pouco a passagem de gases a temperaturas elevadas (973 a 1023°K . Mola da válvula. Quando o carregamento do came é alto. Tucho hidráulico. Tem como função fechar a válvula mantendo-a pressionada contra a sua sede. O uso de tuchos hidráulicos é bastante geral para motores de automóveis. As válvulas de admissão são de aço. Como o sistema hidráulico amortece a folga. Válvulas. a válvula de descarga deve ficar fechada no maior vácuo do coletor e. incluindo naturalmente a forma do seguidor (tucho) do came. É obviamente desejável reduzir a amplitude da vibração interespira a um mínimo. Nos motores carburados. chamada de onda. A mínima carga. o níquel melhora a resistência. Os tuchos com roletes também são aconselháveis quando se deseja longa vida para o motor. Com a vibração interespira. Diz-se que há flutuação de válvulas. Cargas da mola. onde o baixo nível de ruído é considerado essencial. a válvula de admissão não deve ser aberta pela mais elevada pressão do coletor. O cromo torna o aço inoxidável. A passagem dos gases novos mantém a sua temperatura a cerca de 523 a 573°K (250 a 300°C). recebe uma excitação com freqüência igual a uma das suas freqüências naturais.700 a 750°C). Devem ser rígidos na compressão e também como uma coluna. nos motores supercarregados. São fabricados em aço nitrado forjado ou de fundição temperada.A curva de elevação de válvula vérsus ângulo de manivela deve ser traduzida no contorno do came desejado. com a válvula fechada. por ângulos de hélice não uniformes. Tucho. Está sempre presente uma vibração interespira. como nos motores que operam em longos períodos com elevadas velocidades do pistão. Tem a função de transmitir o movimento do came à vareta ou haste impulsora. 40 . A válvula de haste é hoje universalmente usada nos motores de quatro tempos. Flutuação de válvulas. São elas que regulam a entrada e saída de gases no cilindro. aço estampado ou alumínio. operando com cames do mesmo material. eliminando desta forma a necessidade de ajustagem periódica da folga. duas molas com diâmetros distintos e sentido das hélices opostos. de maior ou menor intensidade. de cromo e de tungstênio. que depende do projeto do mecanismo da válvula. quando a mola que é um sistema oscilante. À plena potência elas funcionam geralmente ao vermelhoescuro. Balancins. Os balancins tem a função de inverter o sentido do movimento gerado pelo came. Podem ser de fundição. Tubos de aço parecem ser os mais adequados. a máxima tensão será maior do que a tensão calculada na razão da deflexão atual para a admitida das espiras. o tungstênio mantém uma forte resistência mecânica à temperatura elevada. de forte teor de níquel.

A válvula é resfriada por contato com o assento e com a guia. Nos motores muito potentes, as válvulas de escape são interiormente guarnecidas com sais de sódio ou potássio destinados a melhorar a refrigeração por condutibilidade. A cabeça da válvula comporta uma superfície de apoio retificada cujo o ângulo pode ser de 45° ou 60°. Um ângulo de 45° permite uma melhor centragem da válvula sobre o seu assento cada vez que se dá o encaixe, mas, para uma dada subida, a seção de passagem dos gases é melhor do que o assento de 60°. Estas particularidades fazem com que se dê preferência ao ângulo de 45° para as válvulas de escape, mais facilmente deformáveis a alta temperatura, e o ângulo de 60° às válvulas de admissão, que devem sobretudo favorecer a entrada dos gases novos no cilindro.

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CAPÍTULO 8 - SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO (MOTORES OTTO) CARBURAÇÃO INJEÇÃO INTRODUÇÃO Requisitos de mistura. Em geral, a ótima razão ar/combustível com determinada velocidade do motor consiste naquela em que se consegue o conjugado desejado, ou pressão média efetiva no freio, com o menor consumo de combustível consistente com a operação normal e confiável. Essa ótima razão A/C não é constante, mas depende de muitos fatores. Os requisitos de mistura para a partida e aquecimento o motor necessitará geralmente de mistura anormalmente ricas no dispositivo de alimentação, seja o carburador ou um sistema de injeção, afim de assegurar a mistura de queima nos cilindros. Assim, o sistema de alimentação deve estar apto a fornecer misturas muito ricas na partida e a razão A/C deve ser progressivamente reduzida a partir desse ponto, durante o período de aquecimento, até o motor funcionar satisfatoriamente com razões A/C normais de operação permanente. O termo “aceleração”, com relação aos motores, é geralmente usado para caracterizar um aumento na velocidade do motor, resultante da abertura da válvula. O propósito imediato da abertura da válvula de aceleração, entretanto, é assegurar um aumento do conjugado, e dependerá da natureza da carga o aumento subseqüente na velocidade. Nos motores com carburador que usam combustível líquido, o processo de aceleração é complicado pela presença do combustível não evaporado no coletor de admissão. A investigação mostra que, durante a operação permanente normal com gasolina (ou álcool), o coletor de admissão contém uma grande quantidade de combustível líquido que adere à parede do coletor e escorre ao longo das mesmas até o cilindro, com uma velocidade bastante baixa comparada a do resto da mistura, que consiste em ar, vapor de combustível e gotículas entranhadas de combustível. Nas condições permanentes de operação com determinada velocidade, a quantidade de líquido contida no coletor, em qualquer momento, torna-se maior com o aumento da pressão no coletor. A principal razão para que altas pressões no coletor resultem em grandes quantidades de líquido deve-se ao fluxo de combustível aumentar com o aumento da densidade do ar, e a evaporação é mais lenta quando aumenta a pressão total. Quando a válvula está aberta para aceleração, aumentando a pressão no coletor, deve ser fornecido combustível para aumentar o conteúdo de líquido do coletor. Se o carburador fornece uma razão A/C constante, a razão que atinge o coletor está diminuirá durante o período em que o conteúdo de líquido está aumentando. Com a instantânea abertura da válvula de aceleração, a resultante redução na razão A/C recebida pelos cilindros pode ser tal que venha a ocorrer má queima, retrocesso de chama, ou mesmo completa parada do motor. Para evitar uma mistura anormalmente pobre nos cilindros, resultante de rápidas aberturas da válvula de aceleração, é usualmente necessário aumentar a relação de suprimento pela injeção no coletor de uma quantidade de combustível conhecida como carga de aceleração. A injeção dessa carga deve ocorrer simultaneamente com a abertura da válvula. A ótima quantidade de carga de aceleração é aquela que resultará na razão A/C para melhor potência nos cilindros. Em geral, essa quantidade varia com a velocidade do motor e com a posição da válvula no início da aceleração, com a volatilidade do combustível, temperatura da mistura, e velocidade de abertura da válvula. Dessa forma, os carburadores são projetados para fornecer a quantidade necessária nas condições mais difíceis e, quando esta quantidade é muito grande, o erro será do lado rico da mistura de melhor potência, onde o sacrifício em potência é pequeno. Como a abertura parcial ou lenta da válvula de aceleração necessita de quantidade de mistura inferior à de completa aceleração, essa quantidade é

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usualmente tomada como proporcional à razão de abertura da válvula e do ângulo correspondente ao movimento da válvula. CARBURADOR BÁSICO O elemento básico ou principal da maioria dos carburadores consiste em uma passagem de ar de geometria fixa, contendo uma restrição com a forma de ventúri. Na garganta do ventúri está localizado um injetor de combustível e este vem de uma câmara de bóia de nível constante, ou outro dispositivo de pressão constante. O fluxo de ar é controlado por uma válvula-borboleta a jusante do ventúri.

O ar atravessa uma passagem com a forma de ventúri, proveniente da admissão de ar. Essa forma é usada para diminuir a um mínimo a queda de pressão estática através do sistema. A diferença de pressão de estagnação na entrada de ar e a pressão estática na garganta do ventúri é usada para criar e regular a vazão de combustível. Na figura, a passagem de ar está na vertical, com escoamento para baixo, carburador de fluxo descendente. Muitos carburadores são dispostos de forma tal que o escoamento se processe de baixo para cima, carburadores de fluxo ascendente, e alguns têm passagem de ar na horizontal, carburadores de fluxo horizontal. Os princípios de operação entretanto, são os mesmos para qualquer direção do fluxo de ar. A jusante do ventúri, na passagem de ar, encontra-se localizada uma válvula de borboleta, que, nos motores de ignição por centelha, é o principal elemento de controle de potência. O combustível é introduzido no ar, na garganta do ventúri, por meio de um bocal, alimentado pela câmara de nível constante ou câmara da bóia, através de um orifício medidor de combustível. O nível de combustível na câmara da bóia é mantido constante por meio de uma válvula controlada pela bóia. A pressão acima do combustível é mantida igual a pressão total de admissão de ar, por meio de um tubo de impacto, que mede a pressão total, ou de estagnação, na entrada de ar. SISTEMA DE MARCHA LENTA. O sistema usado para cobrir o requisito de mistura com baixas taxas de fluxo de ar é chamado de sistema de marcha lenta, ainda que ele possa influenciar a razão A/C em cargas bem superiores às de marcha lenta. A figura a seguir mostra um arranjo típico para um sistema de marcha lenta. O depósito de marcha lenta é uma passagem vertical ligada à câmara da bóia pelas partes superior e inferior. A conexão do fundo tem um orifício medidor com seção pequena. A passagem de marcha lenta tem uma abertura de descarga localizada próximo da aresta

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Para evitar qualquer empobrecimento indevido da mistura durante esta fase de transição. e é controlado por uma restrição ajustável chamada de parafuso de ajustagem da marcha lenta. O tubo de ar de marcha lenta comunica-se com a passagem. o combustível. aumenta-se o fluxo de ar através do pulverizador de compensação de ar. diminui a depressão no furo de descarga do calibre de lenta e cessa o fluxo de combustível nesse ponto. haverá sempre suficiente sucção para manter o nível de combustível no depósito de marcha lenta no fundo do tubo de marcha lenta. Nesse ponto. cujo formato é apresentado na figura. o ar admitido no calibrador principal emulsiona o combustível. depois de passar pelo pulverizador principal.7 bar abaixo da pressão atmosférica em um motor em marcha lenta normal. haverá suficiente sucção no tubo de marcha lenta para elevar o combustível a uma taxa tal que forneça a razão A/C exigida pela marcha lenta. Esta consiste num poço (ou câmara) cheio de combustível e em um êmbolo acionado por uma mola ou um diafragma ligados à 44 . é usual existirem um ou mais orifícios de progressão que são alimentados pelo canal do circuito de marcha lenta. A partir desse ponto. Para marcha lenta na mais baixa rotação possível desejável. A abertura ulterior da válvula gradualmente expõe o injetor de marcha lenta à completa depressão no coletor de admissão. Em conseqüência do aumento da depressão no difusor. quando esta se encontra na posição de fechada. a aresta da válvula parcialmente encobre o bocal (injetor) de marcha lenta. SISTEMA DE MARCHA ACELERADA. Simultaneamente. A quantidade de combustível que escoa será constante e dependente da área e do coeficiente do orifício de combustível de marcha lenta e da altura de carga. Nesse ponto. a válvula é ajustada de encontro a um esbarro ajustável tal que ela permanece aberta apenas o suficiente para permitir o fluxo de ar necessário. A extremidade inferior aberta localiza-se próximo do fundo do depósito de marcha lenta.da válvula de borboleta. a diferença de pressão entre as extremidades superior e inferior da passagem de marcha lenta é tão grande que ela drena o depósito de marcha lenta até o nível mostrado na figura anterior. Para fornecer o combustível adicional necessário na aceleração e nas aberturas súbitas da borboleta do acelerador existe uma bomba de aceleração mecânica. Através da colocação adequada da saída do injetor em relação à válvula e por meio de ajustagem apropriada do parafuso regulador da marcha lenta. faz subir o nível no poço de emulsão. ao mesmo tempo. Ao abrir-se a borboleta do acelerador. que será posteriormente pulverizado no difusor. que pode chegar a 0. à medida que a válvula é aberta.

75 a 2. ficando a mistura mais pobre. O volume de combustível injetado depende do tempo durante o qual o solenóide mantém o injetor aberto. Partida do motor frio. Para conseguir esta proporção. somados a lentidão das primeiras rotações.borboleta. por sua vez. Estas vantagens são evidentes nos sistemas eletrônicos mais utilizados. A medida que aumenta o número de rotações do motor. no difusor. depende de um sinal que o solenóide recebe do sistema de processamento eletrônico. que operam em pressões de combustível mais baixas que os sistemas mecânicos (1. penetra no tubo interior. O sistema é equipado com uma bomba de combustível elétrica que aspira combustível do reservatório num nível superior ao que é necessário para a injeção. que apresenta orifícios a diferentes níveis. um no interior do outro. O combustível penetra nestes tubos antes de passar para a corrente de ar principal. com uma proporção que varia de 1:1 e 3:1. ou calibrador de ar. empobrecem a mistura. O emulsionador é formado por dois tubos. o carburador e o coletor de admissão dão de certo modo origem à condensação do combustível nas paredes do coletor. Quando esta se abre. O injetor mantém-se fechado sob a ação de molas e são acionados por solenóides. Observação: Tubo de emulsão. Este tempo. dificultando seriamente a sua vaporização. o combustível é descarregado no difusor por ação de um injetor integrado no circuito da bomba. É necessário uma razão A/C rica. Este fator e a maior densidade do ar frio.1 bar). fecha-se a borboleta do afogador. Estando frios. O combustível em excesso retorna para o reservatório através de um regulador de pressão que evita a possibilidade de formação de bolhas de ar e de vapor de combustível. SISTEMA DE INJEÇÃO ELETRÔNICA DE COMBUSTÍVEL Os sistemas eletrônicos de injeção de combustível apresentam duas vantagens principais sobre os sistemas mecânicos: dispõem de grande número de dispositivos de alta sensibilidade para fornecer sempre aos cilindros a quantidade precisa de combustível e não requerem um distribuidor mecânico de alta precisão. o ar admitido por um pulverizador de compensação. 45 .

ainda. assim como os problemas decorrentes da condensação do combustível nos coletores. A grande vantagem do sistema eletrônico de injeção de combustível está na rapidez de resposta às condições de trabalho do motor. Nestes casos dispensa o distribuidor. permitindo assim controle da rotação em qualquer instante de funcionamento do motor. 46 . etc. e os sistemas que operam com um injetor para cada cilindro (multi-point). Nos dois casos os sistemas de monitoramento do motor são semelhantes. permitindo o retorno de combustível em excesso para o reservatório. de melhor rendimento não apenas em termos de potência. tais como pressão do ar no coletor. PRINCIPAIS COMPONENTES DO SISTEMA DE INJEÇÃO Bico injetor. sinalizando ao injetor e em alguns casos ao sistema de ignição as condições de trabalho solicitadas pelo motor. Estes dispositivos permitem ao sistema de processamento determinar instantaneamente o momento de abertura dos injetores. a razão da mistura. devido a melhor distribuição da mistura A/C. sensores que atuam sobre as condições da combustão por exemplo. controle apurado sobre os gases de descarga (redução dos níveis de poluição) uma vez que permite uma melhor queima da mistura. Unidade de Comando Eletrônico. Atua através de comandos enviados pela "unidade comando eletrônico". Por outro lado. além é claro. praticamente não existe perda de carga devido ao atrito dos coletores. Bobinas de ignição. Possui acionamento elétrico. Tem a função de controlar a vazão de ar em regime de marcha lenta. para cada dois cilindros é instalada uma bobina controlada pelo sistema de eletrônico de ignição e pela "unidade comando eletrônico". Sua operação independe da rotação do motor. umidade do ar.Este sistema de processamento eletrônico está ligado a uma série de dispositivos sensíveis que atuam segundo diversas condições preestabelecidas do motor. o nível de aceleração. Em geral. Atua como limitador de pressão de combustível de 1 a 2 bar. Atualmente são utilizados dois tipos básicos de sistemas de injeção de combustível: os sistemas que utilizam apenas um injetor (single-point). mas também em termos de consumo. mantendo assim o sistema sem flutuações de pressão. É o centro de operação de todos os componentes do sistema de alimentação de combustível. Atuador de marcha lenta. os sistemas baseados em um único injetor proporcionam um ótimo rendimento se comparado com os sistemas convencionais de alimentação (carburadores) pelos motivos já abordados e se comparados com os sistemas multi-ponto oferecem um custo inferior. Tem a função de monitorar e analisar os dados enviados pelos sensores. tendo em vista a que o combustível é injetado na janela de admissão. Existem. o avanço ou atraso da ignição. Obviamente obtém-se melhores resultados nos sistemas "multi-ponto" (multi-point). Controla o volume de combustível. as temperaturas do ar admitido e do sistema de refrigeração. sensores de detonação. Bomba de combustível. Isto proporciona alto nível de confiabilidade. Regulador de pressão.

pois os reagentes não estão pré-misturados. A diferença entre os dois processos de combustão é que as máquinas de Ignição por Centelha normalmente possuem seus reagentes pré-misturados. Conseqüentemente. e então oxidada pelo ar. O Bico de Bunsen. Têm-se um exemplo de combustão com reagentes prémisturados num equipamento de oxi-acetileno. Um exemplo comum de uma chama de difusão é a vela.CI 3Co 47 . Ao contrário.Combustão em Motores A chamada diferença fundamental entre a Ignição por Centelha (ICE)1 e a Ignição por Compressão (ICO)2 nos Motores de Combustão Interna. para máquinas ICO. enquanto. o processo é claramente governado pela difusão. onde ocorre a injeção do combustível. A velocidade de combustão é controlada pela difusão. isto colabora para sua economia de combustível superior. a chama é rica em oxigênio para fundir o mesmo. enquanto que nas máquinas de Ignição por Compressão. não comenta sobre o tipo de combustão que ocorre e sobre como o processo é idealizado nos Ciclos Otto e Diesel. Para o controle da potência de saída a máquina ICE é regulada reduzindo-se a massa de combustível e/ou ar na câmara. Os produtos da combustão dispersam-se no comburente.SI Compression Ignition . Com a combustão de reagentes pré-misturados a mistura ar/combustível deve ser sempre estequiométrica (quimicamente correta) para uma ignição e combustão correta. a mistura somente é estequiométrica na frente de chama. O ar que entra pela base do queimador não é suficiente para completar a combustão com uma simples chama pré-misturada. reduzindo a eficiência do ciclo. possui uma chama pré-misturada e uma chama de difusão. O processo de combustão não ocorre em um volume constante (Otto) e nem a pressão constante (Diesel). a chama ocorre na interface entre o combustível e o comburente. O combustível é fundido e evaporado pela radiação provinda da chama. para soldagem. os reagentes são misturados já na combustão. 1 2 Spark Ignition . Na chama de difusão. a chama é rica em combustível para prever a oxidação do metal. A saída de potência pode então ser controlada pela variação do controle da quantidade de combustível injetado. Nos reagentes pré-misturados. e o comburente se dispersa completamente no produto. separando reagentes dos produtos da combustão. a chama se desloca entre os mesmos. apresentado na figura 01. para o corte do metal. uma segunda frente de chama é estabelecida na interface onde o ar está se misturando no combustível não queimado. Processo similar ocorre no lado do combustível na chama.

mas nenhum livro devota muita atenção para a combustão em um MCI. 4 48 3 .5 m/s. uma exceção notável deve ser observada na mistura ar/acetileno com um valor de 1. 4 Lewis B. o efeito da turbulência está na fragmentação ou na curvatura da frente da chama. Misturas de ar/hidrocarbonetos tem velocidade laminar de queima máxima por volta de 0.Bico de Bunsen A física e a química da combustão foi descrita com alguns detalhes por Gaydon e Wolfhard3 (1979) e Lewis e von Elbe4 (1961). sendo particularmente importante em motores Diesel. Chapman and Hall. Radiation and Temperature. London. Combustion Flames and Explosions of Gases. Figura 02 . and von Elbe G. Academic Press. No entanto. Em adição a isto pode-se gerar um movimento de ar como uma espiral.58 m/s.Espiral gerada com a Admissão Para a combustão com reagentes pré-misturados. 2nd edn. G. their Structure. & Wolfhard H.Figura 01 . para uma MCI trabalhando a 3000 rpm o tempo de combustão pode durar apenas 10 ms. New York. A turbulência é gerada como resultado dos processos de admissão e compressão e da geometria da câmara de combustão. Isto mostra a importância da turbulência na velocidade de combustão para o menor tempo. Ali podem-se ter pacotes de gases Gaydon A. 4th edn. G. Um cálculo aproximado do tempo de queima da mistura em um cilindro de 10 mm de diâmetro com ignição central é de aproximadamente 100 ms. Flames. Isto é obtido com a componente tangencial da velocidade do ar durante a admissão. figura 02.

Para a combustão por difusão controlada. nem intuitivos. O combustível é injetado como um fino “spray” atomizado.queimados dentro do gás não queimado e vice-versa. térmicos e aerodinâmicos. para a interpretação dos quais são propostos vários modelos. as condições de nebulização do combustível e a relação ar/combustível. Isto aumenta a área frontal da chama e a velocidade da combustão. pela observação da chama. Figura 03 . A figura 03 apresenta uma comparação entre a frente da chama laminar e turbulenta. podem ser citados. sem que haja uma completa e rigorosa definição dos processos intermediários envolvidos. no entanto. Durante a combustão coexistem fenômenos químicos. a turbulência também aumenta a velocidade da queima. figura 04.Comparação entre frentes laminares e turbulentas para combustão com reagentes pré-misturados. Entre tantos parâmetros a serem controlados.Comparação entre uma frente laminar com ar parado e uma frente turbulenta com movimentação de ar para combustão de difusão controlada. Mesmo um operador experimentado dificilmente conseguirá. o levantamento e a 5 49 . distinguir condições de operação em que os excessos de ar sejam 30 e 60% respectivamente. muitas vezes não são “visíveis”. Figura 04 . a título de exemplo. junto ao ar que está quente o suficiente para vaporizá-lo e produzir a queima das gotículas de combustível. Não obstante. Esses parâmetros. Sensíveis economias podem ser conseguidas apenas com pequenos ajustes necessários para que os equipamentos operem adequadamente do ponto de vista do controle da combustão.

nesse caso. quando o que se procura é a liberação de calor. e portanto a combustão incompleta é um processo menos eficiente que a combustão completa. por outro lado. ocorrendo a alta velocidade e alta temperatura. do tipo de combustível. duas merecem ser destacadas. Q1. define-se combustão como uma reação química entre duas substâncias ditas combustível e comburente. Na prática. o hidrogênio e o enxofre. entre outros fatores. permitem o estabelecimento de melhores condições de operação dos equipamentos onde se esteja processando a combustão. na maioria das vezes. entre outros elementos. muito embora possa ser dito que a maioria daqueles utilizados industrialmente têm em sua composição. os reagentes são levados ao seu grau de oxidação máxima. As principais reações existentes. o carbono. então a “quantidade de calor” Q4 é menor que a quantidade Q1. desde que sejam adotadas as mesmas condições de temperatura e pressão na qual ocorram as reações. Q2. Reações de combustão e Estequiometria De maneira geral. Além das reações acima. o comburente utilizado é o oxigênio do ar atmosférico. ou seja. dependendo. onde se dá uma intensa liberação de calor com a emissão simultânea de luz. Outra reação é a que leva à formação de SO3: SO2 + 1⁄2 O→ SO3 + Q5 2 6 50 . os combustíveis se inserem numa faixa de tipos e qualidades. costuma-se fazer uma distinção entre duas formas básicas de reação de combustão. direta ou indiretamente. são os seguintes: C + O2 → CO2 + Q1 H2 + 1/2O2 →H2O + Q2 S + O2 → SO2 + Q3 Nas reações anteriores. Diz-se que a combustão é completa quando o combustível queima em sua totalidade.interpretação de determinados parâmetros que estejam a ela relacionados. Q3 representam as “quantidades de calor” liberadas em cada uma das rações. Normalmente. A primeira delas é a que leva à formação de CO: C + 1/2 O2 → CO + Q4 É importante observar que.

Dessa forma. Mais explicitamente. calcula-se: %SO 3 ( base seca) = numero de moles de SO 3 nos gases numero total de moles de gases secos Pparcial do vapor d' água = numero de moles da agua • Ptotal dos gases numero total de moles III. para que se possa estabelecer uma terminologia comum entre a entidade que ensaia o combustível e aquela que vai se utilizar do resultado. Poder calorífico A cada uma das reações elementares de combustão completa está associada uma quantidade de calor liberada característica. Esses valores são válidos para pressão total da ordem de 1. para os combustíveis industriais. 7 51 . O grande problema é que essa substância. acrescida da umidade do combustível. passa a fazer parte dos produtos de combustão. Nesse caso. Durante a combustão. ou de um normal metro cúbico (no caso de combustíveis gasosos). Assim. Em geral. Se durante o ensaio as condições são tais que esta água se condensa. experimentalmente. na maioria das vezes. É importante definir-se claramente o poder calorífico. a temperatura de condensação do ácido sulfúrico. ter-se-á o poder calorífico inferior (PCI). quando se quer evitar a corrosão da chaminé.105 Pa (760mmHg). entende-se por poder calorífico de um combustível o calor liberado durante a combustão completa de um quilograma do mesmo (no caso de combustíveis sólidos e líquidos). o calor liberado durante a combustão. para os gases de combustão de óleo BPF (4% de enxofre). forma ácido sulfúrico gasoso. quando se pensa em instalar um recuperador de calor na chaminé de um equipamento.A quantidade de SO3 formado. costuma-se determinar. o qual pode condensar dependendo das condições de temperatura dos gases. e assim medido. admitindo um excesso de ar de 30%.013. denomina-se poder calorífico superior (PCS). denominada calor de reação. pode-se admitir que no máximo 3% de SO2 se transforma em SO3. reagindo com o vapor d’água. no caso do óleo BTE(0. Para se utilizar o monograma da figura 1.9% de enxofre) de 90ºC. a quantidade de calor liberada (poder calorífico) por uma amostra. mediante a realização de ensaio em laboratório. existem todos os inconvenientes da corrosão provocada pela deposição da substância ácida em paredes. sob condições padronizadas. A condensação do ácido sulfúrico é um fenômeno que deve ser cuidadosamente analisado. Para cálculos práticos. é conveniente manter a temperatura dos gases 40 ou 50ºC acima do ponto de orvalho. será da ordem de 120ºC (ver figura b.1). é pequena. Caso não se considere a possibilidade de condensação. Os combustíveis normalmente utilizados contêm hidrogênio e muitas vezes umidade. a água produzida pela oxidação do hidrogênio.

5 21.4 11.570 (10. nas quais o ensaio é realizado ou o resultado é apresentado.8 --0. e nesse caso o poder calorífico é dito à pressão constante. C(%) C O H(%) M P O(%) O N S(%) E N N(%) T E H2O(%) S Cinzas(%) PCS (kJ/kg) (kcal/kg) PCI (kJ/kg) (kcal/kg) Óleo a (BPF) (a) 84.610 (9.0 --traços traços 41. Essa fórmula é apresentada na tabela B. a partir do PCS e da composição elementar do combustível.430) Óleo C (OC-4) (a) 85.(b) Teores de carbono e hidrogênio.800) 14.3 3.770 (9. No entanto. Nesse caso. desde que se conheçam as entalpias de reação de cada uma das reações dos elementos anteriormente vistas.850) Lenha Seca (d) 50.700 (3.1 apresenta o poder calorífico superior e inferior de alguns combustíveis sólidos e líquidos.827) Carvão Min. (c) 52.A.1 ------46.8 11.860) Óleo E (a) 85.6 14.330 (10. é preciso estabelecer condições padronizadas de pressão e temperatura.38 15.870 (10.Além disso.06 base seca 0.360) Carvão Min.2 apresenta parâmetros análogos para gases pobres típicos.070 (10.3 43.510 (11.020 (3. obtidos dos certificados de qualidade da refinaria “Relan”.A.3 --traços --44.020) 39. bem como os poderes caloríficos.500) Óleo Diesel (b) 86.2 0.4 1.1 --0.470 (9.3 --0.1 --0. A tabela B.9 ------45.940) Óleo D (BTE) (a) 87.4 12. são fornecidas as composições volumétricas dos gases secos. analiticamente.470) (a) Valores fornecidos pela Shell Brasil S. pode-se chegar a erros consideráveis em certos casos. bem como suas composições elementares.8 base seca 45.7 9. (Petróleo). (c) 41. Normalmente. obtidos pela gaseificação de carvão vegetal e madeira.9 base seca 32.5 3.6 10. de componentes básicos.860) 42.460 (10.270 (9.0 16.4 --4. que levam em conta a composição elementar do combustível.1 Composição elementar e poder calorífico aproximados de alguns combustíveis sólidos e líquidos Comb.590) 41. São apresentados também os poderes caloríficos dos gases secos.1 --4.0 13.480) 41.120 (5. estimados a partir dos teores de enxofre e densidade médios. A tabela B.6.170) Querosene (b) 85. (d) Fonte: (3) 8 52 .530 (3. (c) Fonte: (2).3 --2. Os poderes caloríficos podem ainda ser determinados através de fórmulas empíricas.940 (10.370 (10.050) 39.300 (4. TABELA B.045) 20.110) 43. O valor fornecido pelos ensaios usuais é o PCS. usando tal procedimento. Anos de 1977. adota-se a pressão de 1 atm e temperatura de 20ºC como condições padrão para os reagentes e os produtos após a combustão.2 6. (Petróleo).5 0. para óleos provenientes da refinaria “Relan”. valores calculados e não obtidos por ensaio. obtidos junto a Shell Brasil S. sendo que o PCI pode ser determinado.990) 16.1 8.0 ------42. em termos.910 (3.6 0.7 --traços traços 43.

9 0.5 13.3 28. (b) Valores médios obtidos em ensaios realizados pelo IPT. tendo ar e vapor d’água como agentes gaseificantes.TABELA B.2 Composição volumétrica e poderes caloríficos de gases pobres secos Combustível CO2 O2 Composição volumétrica dos gases secos (%) CO CH4 H2 N2 PCS dos gases secos (kJ/kg) (PCS em kcal/kg) Gás de carvão Vegetal (a) Gás de Madeira (b) 8.8 47.1 0.8 5690 (1360) 5400 (1290) PCI dos gases secos (kJ/kg) (PCI em kcal/kg) (a) Valores médios obtidos em ensaios realizados em gaseificador instalado no IPT. 9 53 .6 5610 (1340) 5320 (1270) 7. O gaseificador é do tipo leito fixo descendente. com fluxos em contracorrentes.3 29. tendo ar e vapor d’água como agente gaseificantes.5 0.6 48.8 13. em gaseificador instalado em indústria particular.7 0. O gaseificador é do tipo leito fixo descendente com fluxo em contracorrente.

Tabela B.84T/p: onde T = temperatura absoluta do ar em Kelvin (K) e. na proporção indicada na Tabela B.16 K (0ºC) e pressão absoluta de 1. que depende das condições atmosféricas. Esse gás. podendo formar-se CO e até partículas de carbono. P = pressão absoluta do ar em Pascal(Pa). Quando a quantidade de oxigênio é maior. é possível determinar a quantidade de ar consumido.IV. em caso contrário. pode-se adotar a umidade ω=0.3. para cada 4. A partir das reações básicas de combustão. na falta de melhores dados. do hidrogênio e do enxofre.4 são consideradas as equações básicas para uma queima completa e estequiométrica do carbono. apenas uma (21% de oxigênio) realmente participa das reações sendo as restantes 3. e é determinável através de consulta à carta psicrométrica. sendo este constituído basicamente de oxigênio (O2) e nitrogênio (N2). apenas contribui para abaixar a temperatura de chama na combustão. Como usualmente o oxigênio é retirado do ar atmosférico. ou seja. fala-se em falta de oxigênio.76 constituídas de nitrogênio. em massa e em volume. temperatura absoluta de 273. bem como a quantidade de gases gerados. por sua vez. fala-se em excesso de ar ou falta de ar. Assim. situação na qual não se realiza a combustão completa. deve-se aplicar: V=370. Na tabela B.013x10 5 Pa (760mmHg). sendo inerte. fala-se em excesso de oxigênio.3 Composição aproximada do ar atmosférico seco(a) Volume (%) Nitrogênio Oxigênio Densidade 79 21 1. (b) O normal metro cúbico (Nm3) identifica uma massa de gás com volume medido de 1 m3. Estequiometria da combustão Quando o oxigênio consumido é o necessário e suficiente para queimar completamente os elementos combustíveis. 10 54 . estando este nas condições normais de temperatura e pressão.293kg/Nm3(b) Massa(%) 77 23 (a) O ar atmosférico carrega consigo uma dada quantidade de unidade. diz-se que a reação é estequiométrica. estas últimas constituindo o que se denomina fuligem.76 unidades de volume de ar consumidos na combustão.010 kg de vapor d’água/kg ar seco que representa um valor médio para a cidade de São Paulo. Para se determinar o volume da massa de gás em outras condições.

7 .293 = 11.4Nm3 CO2 44kg 22.293 = 34.4/12 .48kg/kg de C H2 + 1/2O2 2kg 2kg → 16kg 11.2Nm 3 H2O 18kg 22.4 Nm3 Ar de combustão seco: 22.4Nm3 Ar de combustão seco: 11. Na tabela B.4 Equações básicas de combustão C + O2 12kg 12kg → 33kg 22.5 são apresentados alguns valores de referência de massas de ar estequiométrica para alguns combustíveis. 1.76 = 3.TABELA B. 4.76 = 8.4 e a composição elementar do combustível.88.76 = 26. 1.4/32 .1. é possível obter a quantidade de ar necessária para sua estequiométrica. os coeficientes assinalados na tabela B.7 Nm3/kg de H2 ou 26.33 Nm3/kg de S ou 3. 4.293 = 4.52 kg/kg de H2 S + O2 32 kg 32 kg → 32kg 22.4Nm 3 SO2 64 kg 22.31 kg/kg de S Conhecendo-se então.33 .2/2 .88Nm3/kg de C ou 8.4Nm3 Ar de combustão seco: 22. 11 55 . 4.

3 15.3 12. Definese então.8 11.1 11. Na maioria das vezes.1 10.1 12.4 11.4 Carvão Mineral com 32.7 6.1) 13.8 16.1) 7.010kg de vapor d’água/kg de ar seco.8 11.2 5.8 16.5% de cinzas (vide tabela B.8 11. Óleo A(BPF) Óleo C(OC-4) Óleo D(BTE) Óleo E Óleo Diesel Querosene Gás de nafta Gás pobre de carvão vegetal (vide tabela B.4 7.3 13.0 0.2) Propano GLP B.massa de ar estequiometrico massa de ar estequiometrico c= 56 . a combustão se processa com excesso de ar. Nm3/kg de comb.6 Lenha seca (vide tabela 15.3 14.8 14.8 15.6 5.7 (a) Ar atmosférico úmido com umidade ω=0.6 15.7 15.7 7.7 14. o coeficiente de excesso de ar (c) como sendo: massa de ar utilizado .0 1.6 6.4 7.8 15.6 1. no entanto.2 11.3 12.0 5.95 14.1 12.6 14.TABELA B.9 8. (b) Gases de combustão úmidos.7 11.6 2.3 14.1 13.2 4.5 Ar e gases de combustão para queima estequiométrica AR DE COMBUSTÃO(a) kg/kg de combustível Nm3/kg de combustível GASES DE COMBUSTÃO(b) kg/kg de comb.3 13.2 10.4 11.9 7.

do qual é conhecida a composição em massa: c: kg de carbono por kg de combustível h: kg de hidrogênio por kg de combustível o: kg de oxigênio por kg de combustível a: kg de água (umidade) por kg de combustível s: kg de enxofre por kg de combustível n: kg de nitrogênio por kg de combustível Admitindo-se a combustão completa. bem como do balanço energético. com falta ou excesso de ar. c) Análise de gases: com base no estudo das reações químicas é possível.É útil a apresentação de algumas fórmulas que permitam o cálculo dos parâmetros anteriormente fornecidos. Os conceitos anteriormente vistos. a tabela B. desde que se saiba a composição elementar do combustível. 57 . Em sentido inverso. sem os quais é praticamente impossível a otimização do modo de operação do equipamento estudado. a análise da composição dos produtos de combustão permite determinar como se deu a combustão. tendo a composição do combustível.6 permite a determinação de vários parâmetros importantes. avaliar a composição volumétrica dos gases de combustão. são importantes na medida em que possibilitam a execução dos procedimentos a seguir apresentados: a) Balanços energéticos: as quantidades de ar de combustão e de gases gerados são utilizados para a obtenção do balanço de massa. primeiro passo para a atuação nas variáveis que a influenciam. que tem no conhecimento da vazão de gases um parâmetro importante de projeto. b) Dimensionamento de exaustores e trocadores (recuperadores) de calor. seja esta estequiométrica. Considere-se o caso geral de um combustível qualquer.

867c= m CO2 . ω.1.6  o  c h s + + −   12 4 32 32  mar=mar seco(1+ω) Var=Var seco + mar seco.7s= m SO2 .9  o  c h s + + −   12 4 32 32  Var seco=106.1.0. ω)= m H 2 O .244 m SO2 =2S VSO2 =0.0.3 + + −   12 4 32 32  14 58 .TABELA B. proveniente da combustão completa(c) Volume correspondente à massa acima Massa de SO2 formado. ω(1+e) VH 2 O =11.6 Parâmetros de combustão PARÂMETRO Massa de O2 necessária à combustão estequiométrica Massa de ar atmosférico seco necessária à combustão estequiométrica Volume correspondente à massa acima Massa de ar atmosférico úmido necessária à combustão estequiométrica Volume correspondente à massa acima Massa de CO2 formado. provenientes da combustão estequiométrica SÍMBOLO m O2 mar seco Var seco mar Var m CO2 VCO2 m H 2O VH 2 O m SO2 VSO2 m gs FÓRMULA(a) o  c h s mO2 = 32 + + −   12 4 32 32  mar seco=137. proveniente da combustão completa(b) Volume correspondente à massa acima Massa total de gases secos.2h+1.244 m CO2 =3.509 m H 2 O =9h+a+mar seco.67c + 2 s + n + 105.67C VCO2 =1. proveniente da combustão completa(b) Volume correspondente à massa acima Massa de H2O formado.35 s o  c h m gs = 3.244(a+mar seco.

compatíveis com a exigência de combustão completa.76. as unidades são kg/kg de combustível. V. (d)PCS e PCI em kJ/kg de combustível a 20ºC e 1 atm.e Vgu’=Vgu+Var.4  12 4 32 32  28  12 32  mgu=mgs+9h+a+mar seco. deve ser mantido em níveis mínimos. Excesso de ar O excesso de ar muito alto.  + + −  + . Uma exceção deve ser feita àqueles equipamentos onde.244(a+mar seco. diminuindo a eficiência dos equipamentos.22.2h+1. Para os volumes.2. são Nm3/kg de combustível.ω Vgu=Vgs+11. 59 . deve ser admitida uma quantidade razoável de excesso de ar.e PCI=PCS-(9H+a).e Vgs’=Vgs+Var. (b) Independe do excesso de ar. ou por razões de processo. de forma a se diminuir a temperatura de chama. diminui sensivelmente a troca de calor por radiação. provenientes da combustão estequiométrica Volume correspondente à massa acima Massa de gases de combustão secos.e mgu’=mgu+mar. CO.454 (d) (a)Para as massas. pode fornecer a qualidade da combustão. SO2 e N2. provenientes da combustão completa com excesso de ar Volume correspondente à massa acima Determinação do PCI a partir do PCS SÍMBOLO Vgs m gu Vgu m gs ' Vgs ' m gu ' Vgu ' PCI FÓRMULA(a) c s o n  c h s Vgs =  + + 3. O2.ω) mgs’=mgs+mar seco. como foi visto anteriormente. fornecendo os teores de CO2. Essa é a razão pela qual o excesso de ar sempre que possível. a análise dos produtos de combustão reveste-se de singular importância. ou por razões de material. Nos casos onde se deseja minimizar o excesso de ar. já que.6 Parâmetros de combustão (continuação) PARÂMETRO Volume correspondente à massa acima Massa total de gases de combustão úmidos. que permite determinar a composição volumétrica dos gases secos.BELA B. (c) Com excesso de ar. provenientes da combustão completa com excesso de ar Volume correspondente à massa acima Massa de gases de combustão úmidos. abaixando a temperatura de chama. Dos aparelhos utilizados para tal fim. o mais conhecido é o analisador Orsat. ou dos produtos na câmara de combustão.

(% CO2 ) 4 28 32 e= −1 s o  c h 4. verifica-se. portanto. conforme definido anteriormente. experimentalmente. presente nos gases de chaminé. s e o = frações em massa dos vários constituintes do combustível. quando a temperatura dos gases de chaminé é relativamente baixa (abaixo de cerca de 500°C). desde que não haja a formação de fuligem. para o combustível utilizado (combustão estequiométrica). portanto não se costuma verificar o teor de CO.No entanto. h. A determinação do teor de CO2. a porcentagem de CO2 dos gases secos pode ser relacionada com o excesso de ar. que os teores de CO são mínimos. Existem escalas de índice de fuligem (por exemplo Bacharach e Ringelman) que permitem a comparação com a amostra coletada. Uma outra fórmula mais simples.% O 2 1 − % CO 2 − 4. n.76. Essa última condição (aparecimento de fuligem) é de fácil constatação visual é.76 + + −   12 4 32 32  ou medindo-se a porcentagem de O2. mais usual. é mais simples e. prontamente corrigida pelo operador.% O 2 onde: e= coeficiente de excesso de ar %CO2= porcentagem volumétrica de CO2 nos gases de combustão secos %O2= porcentagem volumétrica de O2 nos gases de combustão secos c.7 para vários combustíveis. sendo determinado apenas o teor de CO2 ou de O2. porém aproximada. Nesses casos. e desprezando o SO2 e CO: e= 3. Admitida a combustão completa. A verificação exata do grau de emissão de fuligem pode também ser feita mediante a utilização de instrumentação simples. mediante a utilização das fórmulas abaixo: h n o 100c + − − 12.76. 60 . normalmente. O parâmetro (%CO2)máx encontra-se apresentado na tabela B. é a seguinte: e= ( % CO 2 ) max −1 ( % CO 2 ) onde: (%CO2)máx= máxima porcentagem volumétrica de CO2 possível nos gases secos.

2) Lenha seca (vide tabela B.5 15.4 20. indicada na tabela.4 14.TABELA B. CO. 61 .1) Carvão mineral com 32.8 Uma outra forma prática ainda. com base no excesso de ar calculado nas diferentes formas e na massa de ar para combustão estequiométrica.1 15. válido para óleos combustíveis pesados.1 18. O2 e excesso de ar para um dado combustível.3 mostra um desses diagramas. é a utilização do monograma da figura B.2. que relacionam os teores de CO2.7 Porcentagem volumétrica básica de CO2 nos produtos de combustão secos de alguns combustíveis COMBUSTÍVEL Óleo A (BFP) Óleo C (OC-4) Óleo D (BTE) Óleo E Óleo Diesel Gás de nafta Propano GLP Gás pobre de carvão vegetal (vide tabela B.8 13.1) (%CO2)máx 15. para o relacionamento do excesso de ar com o teor de CO2 (ou O2).5 13.5% de cinzas (vide tabela B. pode-se também calcular a massa de gases de chaminé pela expressão: Mg=M0[1+β (1+e)] onde: e= excesso de ar β= massa de ar para queima estequiométrica de 1kg de combustível.9 16. Ainda merecem ser citados os diagramas de Ostwald.8 15. Finalmente. A figura B.9 22.

determinado pelo ponto de ignição • desenvolvimento gradual • duração pré-determinada VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA CHAMA (VPC). devido a necessidade de vencer a inércia da combustão • durante . exercendo uma força uniforme sobre a cabeça do êmbolo. SÉRGIO BARBOSA RAHDE COMBUSTÃO EM MOTORES OTTO COMBUSTÃO NORMAL: Se o combustível tiver o índice de octanas adequado a taxa de compressão do motor. A ignição superficial poderá dar origem a detonação. isto é. ENGENHARIA MECÂNICA MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA PROF. como por exemplo: turbulência. isoladores das velas. explosão da mistura por efeito de pressão. que o ponto passa a dar origem a uma combustão. 62 . mistura mais pobre. e/ou a pequena quantidade de ar para combinar com o combustível COMBUSTÃO ANORMAL IGNIÇÃO SUPERFICIAL. com a velocidade de translação. É a composição da velocidade de combustão. a centelha que salta entre os eletrodos das velas de ignição inicia a combustão e a chama se propaga progressivamente através da mistura A/C comprimida. isto é. O inverso também pode ocorrer. Se a ignição superficial acontecer antes da centelha é chamada de pré-ignição. que é a velocidade da reação química de oxidação do combustível. É possível evitar a detonação utilizando motores com menor taxa de compressão. CONDIÇÕES: . se acontecer após a centelha é chamada pós-ignição. isto é. divido a pequena quantidade de combustível ainda a ser queimado. entre os eletrodos das velas • ter início no momento correto. fazendo com que esta se expanda gradativamente. São pontos quaisquer dentro da câmara de combustão. que é a velocidade de avanço da frente de chama.DEPT. inflamam a mistura antes ou depois de saltar a centelha. A ignição superficial se auto-alimenta. conforme o surgimento de um ponto quente outros terão origem.VPC baixa. depósitos de carvão são os mais comuns). Tem origem nos chamados pontos quentes ou incandescentes (válvula de descarga. eletrodos das velos. • tenha início no local correto. melhor refrigeração. ou através de sistemas que aumentem a VPC.VPC baixa.VPC alta • fim . que atingem uma temperatura tal. isto é.PUC . Comportamento da VPC durante a combustão: • início .

conforme equação 3: ηV = 2.COMBUSTÃO COMPLETA.ma ρ a .z ( ) (4) Onde. para cada mol de oxigênio. particularmente o carbono e o hidrogênio. e o hidrogênio em água (H2O). a combustão em motores realiza-se a partir do ar atmosférico.i é a massa específica do ar na admissão em [kg/m3] e Vd é o volume deslocado por ciclo em [m3].6 . Em geral. Pode-se relacionar a eficiência volumétrica da seguinte forma. A eficiência volumétrica é o parâmetro utilizado para medir a taxa efetiva de volume de ar deslocado pelo êmbolo. A é a massa de ar em [Kg].i . ainda. o combustível hidrocarboneto pode ser completamente oxidado. 63 .6 bombeamento do ar.773 mols de nitrogênio atmosférico. da posição da borboleta de aceleração no caso do ciclo Otto. A combustão estequiométrica é a reação de oxidação teórica que determina a quantidade exata de moléculas de oxigênio necessárias para efetuar a completa oxidação de um combustível. A deficiência no enchimento do motor depende do seu desenho.Vd . ma é o fluxo de ar que entra no motor em [kg/s].4):  A  F  F   =  S 137. independente da existência de excesso de oxigênio (O2) para a reação.84. resultado da oxidação incompleta dos elementos do combustível. ρa.N (3) Onde nv é o rendimento volumétrico. 2. que apresenta. Se o oxigênio disponível for suficiente. especialmente o monóxido de carbono (CO) e o hidrogênio (H2). FF é a massa de combustível em [Kg] e s representa a condição estequiométrica. 3. tendo a formula bruta média CHyOz. a relação estequiométrica para a queima pode ser calculada pela seguinte equação (3. devido as suas restrições e perdas de carga pelos dutos de admissão e. Dessa forma. o carbono existente no combustível é convertido em dióxido de carbono (CO2). ESTEQUIOMÉTRICA E FATOR λ A combustão completa é a reação de combustão em que todos os elementos oxidáveis constituintes do combustível se combinam com o oxigênio. que se convertem integralmente em dióxido de carbono (CO2) e água (H2O). Ela pode ser induzida pela limitação na quantidade de oxigênio oferecido para a reação. Neste caso. pelo resfriamento ou sopragem da chama. INCOMPLETA.1 +  y  − z    4 2     12 + y + 16. Na combustão incompleta ou parcial aparecem produtos intermediários da combustão.

5 mostra como variam a pressão e a temperatura em relação à mistura ar/combustível. se maior. 64 . Fonte: Petrobrás A mistura ar/combustível. a mistura é rica. além de CO2 e do H2O.4: Fórmula reduzida e a relação estequiométrica para diesel e GNV. Tabela 2. Por outro lado. pois a relação estequiométrica ou título da combustão. conforme mostra a figura. A variável λ representa a relação ar/combustível utilizada (instantânea (i)). e a desassociação é menor.4 apresenta as formulas reduzidas e a relação estequiométrica para GNV e Diesel. A figura 2. Essas curvas foram obtidas considerando um processo de combustão adiabático (que ocorre quando existe uma mudança de pressão que resulta em uma mudança de volume. A tabela 2. é o dado que define a relação ar/combustível. com a relação ar/combustível (estequiométrica (s)). quando está com excesso de combustível. são maiores porque a pressão final é maior. Este dado é importante. Os valores de λ variam conforme descrito na tabela da tabela 2. é chamada de mistura rica e caracteriza-se por apresentar. a mistura é pobre. Utilizase também o φ. é chamada mistura pobre.5. ricas e estequiométricas. e quando menor.7 A equação 4 apresenta a fórmula reduzida e a relação estequiométrica para o gás natural veicular e para o óleo diesel. Sabe-se assim se a mistura é rica ou pobre comparando com o valor estequiométrico. enquanto a entropia permanece constante) com temperatura de entrada da mistura isooctano/ar de 700K e pressão de 10atm.5: condições de λ e de φ para misturas pobres. outros produtos. As temperaturas a volume constante. λ = φ −1 = ( A FF )I ( A FF )S (5) Tabela 2. tais como CO e H2. quando há excesso de ar. que representa o inverso de λ e estão apresentados na equação 5.

Tabela2. hélio. 78.93% de argônio e o restante por outros gases. 65 . metano. o oxigênio disponível no ar é utilizado como oxidante do combustível.8 Figura (2. etc. o componente reagente do ar é o oxigênio. néon.1 mostra a tabela das proporções relativas dos constituintes do ar seco.09% de nitrogênio. O restante dos gases existentes no ar são considerados inertes. por 20.1: proporções relativas dos constituintes do ar seco Fonte:[Heywood. A mistura do ar seco é composta. 0. A Tabela 2. chamados também de nitrogênio aparente.COMPOSIÇÃO DO AR ATMOSFÉRICO Nos motores em geral. em volume.7 .95% de oxigênio.1988] Na combustão. 1988] 2. como dióxido de carbono.5) Variação da pressão e temperatura com a relação combustível/ar Fonte: [Heywood.

Uma pequena parte do calor transmitido para as paredes dos cilindros. É o termo usado quando o movimento do fluido se dá devido às diferenças de densidade em um campo gravitacional. O atrito mecânico ou o fluido eleva a temperatura do lubrificante e das partes envolvidas. também. O estudo das perdas de calor no motor é importante não apenas do ponto de vista da eficiência. Assim. A perda de calor do sistema durante os cursos de compressão e expansão contribui para reduções em potência e eficiência. O atrito do pistão também constitui uma fonte de mensurável fluxo de calor. O atrito é outra causa de fluxo de calor para as diversas partes do motor. visível e infravermelha. As perdas de calor. e entre um fluido e uma superfície sólida com movimento relativo. a manutenção da temperatura ideal de trabalho evitando o desgaste. Convecção natural. O processo de refrigeração envolve o fluxo de calor dos gases. resultando em fluxo de calor para as partes vizinhas ao resfriador e de lá para o refrigerante. Este é o mecanismo pelo qual o calor flui através da estrutura do motor.SISTEMA DE ARREFECIMENTO O Sistema de Arrefecimento tem por objetivo impedir que os elementos mecânicos do motor atinjam uma temperatura muito elevada ao contato com os gases da combustão. Este tipo de transmissão de calor envolve a condução. Além do calor transmitido do fluido de trabalho durante os cursos de compressão e expansão. direta e por atrito. detonação da mistura. o fluxo total de calor no sistema de refrigeração é muito maior do que o fluxo de calor dos gases durante o ciclo de trabalho. PROCESSOS DE TRANSMISSÃO DE CALOR Condução. durante o processo de descarga. uma parcela ponderável é transmitida para a estrutura do cilindro e. pelos gases quentes. talvez. sobre as temperaturas de operação dos componentes do motor. Convecção. (Termo-sifão) Convecção forçada. sempre que a temperatura destes excede a da parede do cilindro. Radiação. Ele tem lugar não apenas no vácuo mas. conseqüentemente. através de sólidos e fluidos transparentes aos comprimentos de onda na faixa espectral. É o processo de transmissão de calor através dos fluidos em movimento. É o processo de transmissão de calor através do espaço. por uma razão ainda mais forte como o entendimento do efeito do fluxo de calor. para o meio refrigerante. É o processo de transferência de calor por meio de movimento molecular através dos sólidos e dos fluidos em repouso. assim como o movimento do fluido. as folgas adequadas e a viscosidade do lubrificante é responsabilidade do sistema de refrigeração. flui por este processo. quando este é provocado por forças que não 66 . mas também para o projeto do sistema de refrigeração e. reduzem a potência disponível e a eficiência em comparação com o ciclo A/C correspondente (teórico). É o termo usado para indicar o processo de transmissão de calor entre o fluido e uma superfície sólida com movimento relativo. até cerca de 10% da potência e da eficiência do ciclo equivalente de A/C. Assim sendo.

81). permitindo uma melhor troca de calor com o meio. Deste fato. 67 . O ar recalcado pelo ventilador é conduzido por tubulações de chapa até às proximidades dos cilindros e dos cabeçotes. tubular ou com tiras. portanto. condições de funcionamento mais regulares. de maneira a aumentar a superfície de contato com o ar. O arrefecimento a água compreende: 1) uma câmara de água em volta dos cilindros. sendo colocado de modo a ser atingido pelo ar quente que vem dos cilindros. A maior quantidade de calor que flui entre o fluido de trabalho e as peças do motor. esta saída limita a pressão na circulação quando. na parte superior. resulta uma maior estabilização da temperatura do motor e. é transmitida por este processo. a parte superior do radiador possui sempre uma saída de segurança chamada "registro". é o deslocamento do veículo que provoca a circulação de ar em volta dos cilindros (motocicletas). O calor provoca a dilatação do termostato que. O óleo deve ser de excelente qualidade. coloca-se um bujão de esvaziamento no local mais baixo da câmara de água. De um modo geral. e entre estas e o fluido de refrigeração.3 a 0. e a refrigeração tende a levar o motor a funcionar a uma temperatura muito baixa. O comando por termostato é automático. por um comando mecânico. Corrige-se este defeito pelo emprego de um obturador que limita a quantidade de ar aspirado. A ajustagem dos pistões. o volume do líquido aumenta (aumento médio 0. Os sistemas de ventilação forçada são compostos por um ventilador ou por uma turbina acionada pelo motor. essa câmara possui na sua parte inferior uma entrada de água fria e. O forte calor específico da água permite obter uma excelente refrigeração pelo simples contato com o exterior dos cilindros e do cabeçote. conseqüentemente. Os cilindros do motor (às vezes. freqüentemente. a refrigeração a ar faz com que o motor funcione a temperaturas muito variáveis. da velocidade do mesmo. por aquecimento. Contudo. 2) um radiador cujo elemento de refrigeração tem a forma de um favo. em condições climática desfavoráveis (frio) a ventilação é excessiva. Este método apresenta uma grande simplicidade de execução e de manutenção. o ar sai para a atmosfera. abre o obturador situado à entrada do ventilador. dos assentos das válvulas e dos cabeçotes.decorrem da gravidade. segmentos e válvulas exige folgas de dilatação suficientes. Para controlar a temperatura de funcionamento de uma motor de refrigeração a ar. o cárter) possuem aletas. Este obturador pode ser acionado por um comando manual ou por um dispositivo termostático situado na corrente de ar quente que sai do motor. Nos sistemas de ventilação natural. Em seguida. Esta solução é necessária sempre que os cilindros do motor são no interior do veículo. A eficácia da refrigeração depende. Arrefecimento a água A água é utilizada como condutor de calor entre o motor e o ar atmosférico. também. A ventilação forçada permite uma refrigeração suficiente em todas as condições de funcionamento do motor. porém insuficiente quando parado ou a plena potência em relação de transmissão inferiores. coloca-se um termostato sobre o cárter ou no óleo de lubrificação. uma saída de água quente. Ela é suficiente a velocidades normais e altas. TIPOS DE SISTEMAS Refrigeração a ar.

Sistema de arrefecimento natural . e onde a pressão atmosférica é mais baixa. Quando a temperatura da água no radiador for elevada. Atualmente. porque a água só circula depois de ter sido aquecida. Evita-se. que a água ferva quando com o motor em funcionamento. Esta pressão eleva a temperatura de ebulição de água para mais de 383 ºK (110 º C). a bomba atua apenas como acelerador de circulação. Nesse caso. os tubos e passagens de água tem grande seção. Circulação proporcional ao calor desprendido pelo motor. Necessidade de manter sempre o volume completo da circulação para permitir o a circulação natural. A frio. de um modo geral. coloca-se no bujão do radiador uma válvula com mola calibrada de modo a obter uma pressão de 0. Freqüentemente. o que provoca um aumento da pressão.3 a 0.5 bar (300 a 500 g/cm²) superior à pressão atmosférica. A circulação por termossifão tem as seguintes particularidades: Aquecimento rápido do motor quando do acionamento a frio. o nível do líquido eleva-se. chumbados e o líquido deve possuir permanentemente a dosagem normal de anticongelante. a contração do líquido abaixa o nível no recipiente e a pressão diminui quando em repouso. 68 . Grande diferença de temperatura entre as partes superior e inferior do radiador. a água do radiador é realçada para o recipiente. 3) um ventilador.Alguns projetos substituem a válvula por um recipiente de expansão hermeticamente fechado. assim. A circulação de água efetua-se naturalmente pela diferença de densidade entre a água fria (menos densa) do motor e a água quente (mais densa) do radiador. colocam-se o ventilador e a bomba sobre o mesmo eixo. destinado a provocar uma intensa circulação de ar através do elemento de refrigeração do radiador. Portanto. Os bujões do radiador e do recipiente de expansão são. daí o perigo de congelamento no inverno.Termossifão Este tipo de motor não possui bomba (obsoleto). a meia altura do sistema de refrigeração. 4) uma bomba centrífuga de baixa pressão e alta vazão que recalca a água do radiador para o bloco do motor. É a circulação por termossifão.

Sistema de circulação forçada . O termostato é. A temperatura das paredes do cilindro não ultrapassa 393 ºK (120 ºC). o aquecimento do motor é acelerado. Assim. freqüentemente. A utilização neste caso de um termostato freia e mesmo interrompe a circulação de água se a sua temperatura não for superior a 353 ºK (80 ºC). e o aquecimento do motor é mais lento. no caso de este estar fechado. quando se aciona o motor. completado por uma passagem auxiliar que. a refrigeração a água mantém uma temperatura de funcionamento mais regular que a refrigeração a ar. Contudo. Em um motor de combustão interna.por bomba A circulação por bomba é mais rápida. 69 . o que resulta uma menor diferença de temperatura nas extremidades do radiador e menos riscos de congelamento no inverno. a água fria entra imediatamente em circulação. permite que a água que sai do motor volte ao bloco de cilindros sem ter que passar pelo radiador.

junta-se lhe álcool ou glicerina pura. O acionamento de um motor cuja temperatura é inferior a 273 ºK (0 ºC) apresenta certas dificuldades e alguns perigos. O álcool dilui-se facilmente. a mistura permanece homogênea. sob o efeito de choques. como o álcool se evapora mais facilmente que a água. Se não houver lubrificação. 70 . o metal mais frágil poderá sofrer. deve-se verificar a sua proporção periodicamente. etc. no inverno a água congele. A resistência ao frio depende da quantidade de álcool ou de glicerina que se adicionou à O emprego de anticongelantes é uma medida de segurança.). água.Anticongelantes Para evitar que. um começo de ruptura (molas de válvulas. Contudo permitir-se-ão melhores arranques se o ambiente estiver em local aquecido ou se houver um sistema de aquecimento na circulação. mas.

Pode-se medir-se por diferentes métodos. Por exemplo. desde os óleos mais líquidos às graxas mais consistentes. mais a viscosidade diminui. Contudo. É a viscosidade física absoluta do lubrificante. impedindo assim que as duas superfícies entrem em contato. A viscosidade pode-se. no seio do lubrificante. a película desgasta-se e as superfícies entram em contato acontecendo. em que a película de lubrificante é contínua e homogênea. A passagem do atrito líquido ao atrito úmido é tanto mais fácil quanto maiores as pressões e as temperaturas e quanto pior a qualidade do óleo. uma superfície de 1 cm2. o óleo é expulso. Determina-se a viscosidade medindo a força necessária para fazer deslocar de 1 cm. em graus Engler. A principal qualidade de um óleo deve ser a de que a sua viscosidade seja ainda suficiente para assegurar um atrito líquido a temperaturas de funcionamento das peças do motor 71 . Atrito úmido. O método Engler é o mais comumente utilizado. A relação dos tempos de escoamento dá. por intermédio de um galvanômetro. na prática. o atrito úmido. usa-se também a massa específica do lubrificante utilizado. isto é. O escoamento de uma certa quantidade de óleo por um orifício de pequeno diâmetro é comparado ao escoamento de uma mesma quantidade de água. há atrito. eles são caracterizados principalmente pela sua viscosidade. a viscosidade do óleo. o seu ponto de combustão e o seu ponto de congelamento.SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO ATRITOS Quando duas superfícies de contato se deslocam uma em relação à outra. Atrito líquido. Quanto mais quente está o óleo. a resistência real do deslocamento das suas moléculas. umas em relação às outras. em que uma pequena película de lubrificante favorece a fricção sem impedir que as superfícies entrem em contato pela crista das suas rugosidades. Este método de medição da viscosidade pode ser utilizado para todos os lubrificantes. A viscosidade caracteriza as particularidades de escoamento do óleo. fazendo parte de cada um deles um sistema de unidades. Sob a pressão das peças. assim. Consideram-se três espécies de atrito: Atrito seco. assim. LUBRIFICANTES Os óleos destinados à lubrificação dos motores de combustão interna devem possuir um certo número de qualidades perfeitamente determinadas. um escoamento seis vezes mais lento que o da água é designado por 6° Engler. à velocidade de 1 cm/seg. não é exatamente este o resultado que se alcança. A viscosidade de um óleo modifica-se com a temperatura. Sob o ponto de vista prático. Para fazer essa medida. Ligando os dois pólos de uma pilha às duas peças em movimento. verifica-se uma passagem de corrente nos dois primeiros casos e uma interrupção de corrente no caso do atrito líquido. Todas as peças em movimento de um motor de combustão interna devem ser lubrificadas de modo a permitirem um atrito líquido (desgaste mínimo). em que as superfícies estão em contato sem a interposição de lubrificante. exprimir por centistock (1/100 de stock).

durante muito tempo. prefere-se melhorar o óleo mineral adicionando-se elementos químicos apropriados. superior a 493 °K (220 °C) para os óleos finos e ultrapassa 253 °K (250 °C) para os óleos espessos. os óleos destinados aos motores de combustão interna são de origem mineral. dependendo estas da proporção de aditivos que eles contêm. A qualidade de aderir a superfícies metálicas é denominada adesividade.D. O ponto de combustão é a temperatura à qual o óleo emite vapores suscetíveis de serem inflamados. de modo a facilitar que o motor entre em movimento depois de tempo prolongado sob temperaturas muito baixas. de modo a evitar as fugas por vaporização ao contato das partes inferiores do pistão do motor quente. isto é. O ponto de congelamento é a temperatura em que o óleo não escorre mais de uma proveta quando esta é inclinada.entre 353 °K e 423 °K (80 a 150 °C). aos quais foram adicionados os aditivos habituais dos óleos H. Ela evita a acumulação de produtos carbonizados na câmara de combustão e nos canais de escape do motor. Esta qualidade favorece a formação de uma película lubrificante e mantém na contínua apesar das cargas fortes. A uma viscosidade mais elevada corresponde uma maior adesividade. a viscosidade diminui a tal ponto. em geral. Estes óleos possuem uma grande estabilidade química. Em certa medida. O ponto de congelamento deve ser o mais baixo possível. Esta propriedade de combustão é predominante nos sistemas de lubrificação por mistura de óleo no combustível (motor a 2 tempos). o seu poder lubrificante diminui rapidamente acima de 393 °K (120 °C). a adesividade pode ser diferente. Estes óleos são. Usou-se. esta mistura deve conter uma certa proporção de óleo animal. De tudo isto. Mas. O aperfeiçoamento progressivo dos óleos minerais destinados aos motores combustão interna deu origem ao aparecimento de óleos chamados de todas as estações ou de multiviscosos. Deve ser o mais elevado possível. As diferenças estruturas moleculares dos óleos dão-lhes algumas qualidades particulares que influenciam o seu comportamento no motor. geralmente. conforme a estrutura molecular de cada lubrificante. são vendidos no mercado sob diversas designações. De modo geral. Neste caso é lhes dado o nome de óleos aditivos. Efetuando a mistura de óleos minerais e vegetais. (Heavy Duty). Este óleo assegura uma melhor lubrificação a temperaturas elevadas mas a sua estabilidade química é pequena. Dá origem ao aparecimento de ácidos orgânicos não aconselháveis ao motor. a adesividade e a viscosidade são paralelas. Com um óleo de qualidade inferior. para ser homogênea.D. resulta um preço de custo bastante elevado. Atualmente. Como uma certa proporção de óleo passa do cárter à câmara de combustão durante o transvasamento dos gases. No entanto. Os óleos H. formados por vários óleos de base com estruturas moleculares diferentes. designados comumente por óleos H. o óleo vegetal extraído do rícino. que o motor só trabalha a atritos úmidos (desgaste rápido). Contudo. é necessário que ela seja queimada fácil e totalmente. Os aditivos podem ser diretamente adicionados ao óleo quando da sua fabricação. obtêm-se mistos reunindo as qualidades de ambos os componentes. a uma viscosidade igual. A propriedade de combustão de óleo é uma característica independente do seu ponto de combustão. A temperatura de combustão é. 72 . Estes aditivos podem ter uma grande concentração a ser introduzidos no motor no momento da sua utilização.D. a estabilidade e a resistência da película lubrificante a altas temperaturas.

Todos os superlubrificantes destinados a ser incorporados no óleo do motor contêm grafita coloidal. eixos de cames. esta propriedade evita. Por outro lado. o poder dispersante completa a ação dos produtos detergentes. Propriedade M. é necessário por o motor a funcionar durante alguns minutos a plena potência e alto regime. Os segundos favorecem a limpeza das câmaras de combustão. Os ingredientes adicionais variam dependendo especialmente das propriedades que se visam a obter. Observações. bielas.P. formados por um óleo resistente às temperaturas da câmara de combustão. Melhora a lubrificação das cabeças do pistão. Ela obstrui os condutos de lubrificação e provoca um desgaste prematuro dos elementos mecânicos. pinos. estanho e alguns produtos sintéticos. Estes produtos são. o superlubrificante penetra no topo dos cilindros. mancais. Apenas a grafita coloidal fica em suspensão no óleo e fornece uma lubrificação correta. Um certo número de superlubrificantes destinados aos óleos de motores contêm igualmente aditivos metálicos. todos os superlubrificantes destinados à mistura carburada são adicionados de produtos antidetonantes e decapantes. (máxima pressão): é a propriedade que a camada de óleo tem que lhe permite resistir às altas pressões mecânicas atuando sobre os mancais do motor. tem uma ação imediata. contudo para que a sua ação seja eficaz. A grafita em pó ou em pasta é perigosa. dos anéis de segmento e das partes superiores das guias de válvulas.D. explosão e detonação). borrachas e óleos grafíticos. chumbo. São incorporados ao combustível ou ao óleo de lubrificação. As propriedades obtidas pela incorporação de aditivos são as seguintes: Poder detergente: o óleo dissolve os produtos sólidos de combustão. a qualidade de lubrificação 73 . Sua ação é particularmente eficaz quando o óleo do cárter ultrapassa 373 °K (100 °C) ÓLEOS ADITIVOS Os óleos aditivos. assim. alguns superlubrificantes são completados por um produto antidetonante. A grafita incrusta-se nas superfícies de atrito. compostos de enxofre. Incorporado ao combustível. cromo. conhecidos também por óleos H. Os corpos adicionados ao óleo são. Os primeiros asseguram um melhor desenvolvimento da explosão (ver combustão. O emprego de um superlubrificante no óleo do motor é indicado em todos os casos de serviço prolongado a plena carga e altos regimes. Por vezes. normalmente. são óleos que contêm um certo número de corpos químicos destinados a dar propriedades especiais ao lubrificante.. A sua ação não é imediata. Poder dispersante: é a característica que dá ao óleo a possibilidade de conservar em suspensão todos os produtos dissolvidos e de impedir a sua acumulação no fundo do cárter ou nos filtros. nestes elementos.SUPERLUBRIFICANTES (Aditivos especiais) Chamam-se assim os óleos e produtos especiais destinados a uma melhor lubrificação de certos pontos delicados do motor. especialmente. grafita. é necessário que o motor durante algumas horas com estes produtos para lhes permitir melhoria progressiva das superfícies de atrito. a formação de depósitos sobre as paredes internas do motor. mantêm uma lubrificação excelente quando a sua temperatura se eleva exageradamente.

A introdução de um óleo aditivo altamente detergente em um motor que anteriormente já funcionou com óleo comum apresenta certos riscos. Estes aditivos neutralizam os ácidos que pouco tendem a acumular-se no cárter do motor. Os elementos móveis e. Estes depósitos. afim de evitar o comprometimento de sua estabilidade. e requerem as mesmas precauções quanto a sua utilização.E. Esta propriedade faz com que seja mais difícil efetuar a vedação do motor e provoca mais facilmente subidas de óleo nas câmaras de combustão.D. Como resultado. O óleo aditivo provoca o desprendimento dos depósitos de carvão internos. 74 . mais acentuada quando do funcionamento a plena potência. em particular. Deste fato resulta uma melhoria da compressão e da potência. 30.D. São munidos de aditivos habituais dos óleos H. por exemplo. PARTICULARIDADES DOS ÓLEOS ADITIVOS Como a composição dos óleos aditivos varia conforme o fabricante. o óleo tende a se transformar por oxidação. ÓLEOS MULTI-VISCOSOS (multigrade) Chama-se óleos multi-viscosos uma categoria de lubrificantes atuais que apresentam uma pequena variação de viscosidade em relação às variações da sua temperatura. a marcha do motor é um pouco mais ruidosa. Obtém-se esta característica por meio de uma mistura apropriada de vários óleos de base. enquanto que a quente. Resistência à oxidação: ao contato do ar do cárter e dos gases ácidos de combustão. onde sua presença pode criar graves incidentes. de volume apreciável. o que pode resultar num pequeno aumento de consumo de lubrificante. 10. A frio. o poder detergente confere ao óleo uma propriedade de penetração muito grande. mas. uma lubrificação imediata quando do acionamento. um óleo multi-viscoso possui a mesma viscosidade de óleos comuns S. Os aditivos destinados a resistir aos fenômenos de oxidação fazem com que o óleo conserve durante mais tempo as suas qualidade lubrificantes. assiste-se a uma redução do seu poder lubrificante. os anéis de compressão trabalham mais livremente. de proveniências diferentes. conservando um poder lubrificante a alta temperatura. acumulando-se no fundo do cárter. assim. é fundamental não misturar óleos H.A. altos regimes e altas temperaturas. As vantagens principais que apresentam são as de assegurar excelentes condições para partida a frio.E.mantém-se. a introdução de óleo aditivo origina a dissolução dos depósitos. não se dissolvem totalmente no óleo. sua viscosidade é idêntica a dos óleos grupo S. freqüentemente. Os óleos multi-viscosos asseguram uma lubrificação correta em todas as condições de funcionamento do motor e independe das condições climáticas. Em um motor usado. nos filtros e nos condutos de lubrificação. Por outro lado. e cuja presença origina desgastes nas superfícies de atrito.A.

. velocidades elevadas contínuas.7 a 14. SAE 20.E. 30 S.3 a 3.E. é indicada pelas especificações habituais SAE 10.E e as viscosidades correspondentes. 5 S.A. A proporção do óleo a juntar ao combustível indicada pelo fabricante do motor.6° 24 a 50° 6. 75 . 20 S. para óleos multiviscosos. medida à temperatura de 323°K (50°C). lubrificados por mistura de óleo ao combustível. É preciso respeitar a dosagem prescrita.6 a 9. Os óleos especiais para motores a 2 tempos possuem aditivos que não apresentam este inconveniente. Esta. é recomendado utilizar um óleo de baixa temperatura de combustão.CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS ÓLEOS Durante muito tempo estes óleos foram classificados apenas sob o aspecto da sua viscosidade. temperaturas extremamente elevadas Motores Diesel CA para serviços leves CB para serviços médios CC para serviços pesados CD para serviços muito pesados Obs. conforme a espécie de serviço a que este é submetido. ÓLEO PARA MOTORES A DOIS TEMPOS Nos motores a 2 tempos. Por outro lado.A. A tabela a seguir especifica as designações. temperaturas elevadas SH para serviços extremamente pesados. 40 S.A. 10 S. DESIGNAÇÕES muito fluido fluido viscoso GRUPO S.3° 12 a 15° 2.3 a 6. ou.A. Utilizam-se as seguintes designações para os usos correspondentes: Motores Otto SA para serviços leves SB para serviços médios SC para serviços pesados e intermitentes SD para serviços muito pesados e contínuos SE para serviços extremamente pesados a velocidades elevadas contínuas SF para serviços extremamente pesados. velocidades elevadas contínuas. etc.: A classificação de serviço é independente da viscosidade. isto é.0° 74 a 107° 14.A.E. em especial para os motores de pequena cilindrada.0 a 21.E. tende-se a fazer a classificação dos óleos conforme o gênero de trabalho exigido ao motor. os grupos S. todos os aditivos habituais de um óleo indicado para motores de 4 tempos contém compostos organometálicos.A. Estes aditivos provocam o curto-circuito da vela por acumulação de metal entre os eletrodos.7° 50 a 74° 9.E. 50 VISCOSIDADE MÉDIA A 323° K graus Engler graus centistock 2 a 2.A.E. SAE 20-40.3° 15 a 24° 3. etc. nos quais o consumo de combustível implica um pequeno fornecimento de lubrificante.0° 107 a 160° Atualmente. SAE 10-30. de modo a facilitar a combustão das partículas espessas que entram na câmara de combustão.

uma parte do óleo escapa e entra diretamente no cárter. cárter inferior do motor que contém a reserva de óleo. A bomba de óleo. TIPOS DE BOMBAS O coletor principal. a válvula permite a passagem de óleo por um orifício de escape. uma canal de aspiração e um canal de recalque ao coletor principal. Do coletor saem também as ligações para o manômetro de pressão e para o filtro de óleo.ELEMENTOS DE LUBRIFICAÇÃO São os seguintes os elementos lubrificantes: O reservatório de óleo. 76 . Quando a pressão fornecida pela bomba for muito elevada (altos regimes ou óleo frio). eixo de cames. etc. A sua função é a de limitar a pressão máxima nos tubos de lubrificação. de onde saem os canais de lubrificação para cada peça a lubrificar: virabrequim. A válvula de escape é colocada sobre o coletor ou sobre a bomba. bielas. formada por duas engrenagens.

A filtragem tem por finalidade reduzir a densidade de impurezas. que esta temperatura se eleve exageradamente durante um andamento normal. Sem facilitar o aquecimento do óleo nos arranques. A melhor lubrificação é obtida quando o óleo tem uma temperatura de 232 °K (50 °C). todos os filtros em série são providos de uma válvula by-pass Em caso de obstrução. O radiador do óleo colocado no conduto de água inferior ou encaixado na parte de baixo do radiador. Nos motores de refrigeração a ar. a bomba de óleo alimenta as cubas colocadas perto da passagem de cada biela. antes da entrada dos cilindros do motor. por inércia. e muito especialmente quando os cilindros são opostos . O radiador de óleo tem. um orifício e aberto e flui diretamente ao coletor principal sem ser filtrado. Com o filtro de óleo colocado em derivação sobre o coletor principal. Nos grandes motores é sempre colocado em derivação. o óleo penetra em seguida na biela e lubrifica o moente. Pode ser colocado em derivação ou em série sobre os tubos de lubrificação. o óleo filtrado passa inteiramente para as peças a lubrificar. o principal entra diretamente no cárter. Este é geralmente colocado na corrente do ventilador. portanto. a refrigeração do óleo deve ser completada por meio de uma radiador. estas são munidas de uma colher (pescador) que apanha o óleo que passa pela cuba. a pressão da bomba aumenta. tem uma dupla finalidade: 1) acelerar o aquecimento do óleo quando se põe em funcionamento o motor a frio. 77 . 2) impedir. como finalidade. ele limita a elevação da temperatura. em seguida. e possui uma bomba de circulação independente da de lubrificação. Para que a obstrução do filtro não ocasione uma redução de lubrificação.O filtro de óleo retém as impurezas metálicas e os partículas de carbono em suspensão no óleo depois de um certo tempo de funcionamento. SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO Os sistemas de lubrificação tradicionais são os seguintes: Por salpico. normalizar rapidamente a temperatura do óleo e depois mantê-la. Com o filtro de óleo colocado em série sobre os tubos de lubrificação.

Esta roda está semi-submersa no óleo do cárter e sua orientação faz com que ela projete o óleo diretamente sobre a biela e no cilindro. o óleo é misturado com o combustível e penetra no motor proporcionalmente ao consumo do mesmo. a pressão fornecida pela bomba é pouco elevada: 0. a cabeça da biela é munida de um pequeno orifício dirigido ao cilindro e destinado a lubrificar o pistão. aspira o óleo que tende a acumular-se no fundo do cárter e remete-o ao reservatório. portanto.4 kg/cm2) . Este sistema de lubrificação não é apropriado aos motores a 2 tempos que funcionam com pré-compressão no cárter. A pressão de lubrificação é de 1-3 bar (1-3 kg/cm2). Por cárter seco. Por outro lado. o jato de óleo sobre toda a cabeça da biela favorece a sua refrigeração. No motores de pouca cilindrada . introduzindo-o pressão nos elementos a lubrificar. Partindo do tanque a 232 °K (50 °C). A pressão de lubrificação é de 1 a 3 bar (1-3 kg/cm2). a circulação de óleo deve garantir a refrigeração das bielas e do virabrequim. assim como a um empobrecimento da carburação. refrigera mal as peças. e daí é canalizado até aos moentes para lubrificar as bielas. 78 . Observações gerais. o óleo circula com mais dificuldade e. neste sistema de lubrificação. Em alguns casos. Por pressão. havendo um maior risco de gripagem ou de fusão do metal antifricção. assegurar uma melhor lubrificação do eixo do pistão. igualmente. a lubrificação dos cilindros é assegurada unicamente pelo óleo projetado pelas bielas em rotação. Freqüentemente. de 5%. O salpico e a projeção efetuam com maior rapidez esta lubrificação dos cilindros. Com a lubrificação por salpico. Esta pressão impulsiona o óleo como uma cunha entre as superfícies a lubrificar. bielas e mancais devem possuir grandes ranhuras de circulação. o óleo circula dificilmente e a lubrificação dos cilindros é insuficiente. Seja qual for o sistema. as folgas estão no seu mínimo. não circula nenhum óleo nos primeiros minutos de funcionamento.1 a 0. Para facilitar a lubrificação. O virabrequim aciona uma roda munida de palhetas. o óleo é contido num reservatório independente.1-0. esta disposição compreende a lubrificação sob pressão de todos os mancais e a lubrificação das bielas por um jato de óleo. Por mistura.Os mancais são diretamente alimentados por tubos que saem do coletor principal. Quando se põe o motor frio em funcionamento. a lubrificação por projeção é simplificada. realizando assim o atrito fluido.4 bar (0. o virabrequim possui condutos especiais. Num motor novo. No motores de lubrificação sob pressão. chamada bomba de retorno. o óleo chega aos mancais sob pressão. O manômetro é graduado em metros de água (1 a 4m). geralmente. Por projeção. Afora a lubrificação. Uma bomba leva o óleo do reservatório ao motor. uma canalização ao longo da biela permite. o óleo atinge de 353 a 393 °K (80 a 120 °C) quando sai das bielas. Uma segunda bomba. Os mancais e as bielas não possuem ranhuras de lubrificação. a proporção do lubrificante em relação ao combustível é. exceto algumas câmaras de óleo curtas que não desembocam no exterior. a rotação contra o jato intensifica a penetração de óleo no interior da biela. cada biela tem uma colher. Uma quantidade mais elevada leva a um entupimento das câmaras de explosão e de escape.

portanto. portanto. O joule (J) é a unidade do trabalho mecânico: N x m = J (antigamente kg x m = kgm). o trabalho fornecido pelo pistão de um motor que recebe durante o seu curso motriz um impulso médio de 1800 N. 79 .08m). calcular o trabalho efetivo fornecido pelo motor. produzindo um deslocamento de 2 m. Do resultado obtido. a pressão no cilindro não passa de alguns bar. É igualmente possível calcular esta energia com uma certa aproximação tendo em conta as particularidades do motor considerado. pelos efeitos de inércia etc. e o trabalho fornecido varia a cada posição do pistão. O cálculo de trabalho que um pistão dá a cada milímetro do seu curso é demasiado longo para efetuar-se na prática. deduz-se a potência. O trabalho efetivo disponível à saída do virabrequim é. variável. Mas uma parte do trabalho fornecido pelo pistão é absorvida pelos atritos internos do motor. O produto dos valores destas duas grandezas fornece a quantidade de trabalho efetuado em joules. produz um trabalho equivalente a um impulso de 144 N. seguintes: De início. atuando sobre uma distância de 1 m. a pressão elevase até 40 bar. até o fim do curso do pistão. Em ambos os casos. que varia conforme os motores. determina-se a quantidade de trabalho mecânico efetuada em um dado tempo. pelos tempos mortos. atuando sobre uma distância de 0. Calculemos. então. Admitindo um curso do pistão de 80 mm (0. o trabalho efetuado a cada explosão será de: 1800 N X 0. Durante a explosão. É a pressão média efetiva.POTÊNCIA E RENDIMENTO A energia mecânica desenvolvida por um motor é medida com precisão num banco de testes. Medem-se todas as variações de pressão por meio do indicador de Watt. o número de rotações e a relação volumétrica.08 m. O impulso recebido pelo pistão é. e o diagrama fornecido por este aparelho permite estabelecer uma pressão média. depois baixa rapidamente no início e mais lentamente em seguida. 10 J representa o trabalho efetuado por uma força de 10 N. Num motor. quanto mais longo é o curso s e quanto mais elevado é o número de cilindros. A pressão média efetiva Pm permite. Este trabalho é tanto maior quanto maior é a superfície S do pistão. depois da explosão. É a pressão média indicada que permite calcular o trabalho real fornecido pelo pistão durante o seu curso motriz. produzindo um deslocamento de 1 m na direção em que a força atua. o impulso que atua sobre o pistão é determinado pela pressão dos gases durante a explosão e. a título de exemplo. Este deslocamento é medido em metros na direção em que a força provoca o movimento. No momento da apertura de escape. 2) um deslocamento do ponto de ação desta força. Isso pode ser o trabalho efetuado por uma força de 20 N. recordemos que o trabalho mecânico é sempre composto dos dois fatores 1) uma força que se mede em newtons (N) e que atua por impulso ou por tração. Para calcular o trabalho efetivo disponível no virabrequim. durante a expansão. mais fraco que o trabalho real fornecido pelo pistão.08 m = 144 J Este impulso de 1800 N. adota-se uma pressão média mais fraca que a pressão média indicada.

V.5 mm (5. conforme a equivalência destas unidades. o denominador 1000 permite obter o resultado em kW. basta calcular a quantidade de trabalho que este é capaz de fornecer em 1 segundo.14.10/4.5 bar (impulso 95 N por cm²): trabalho de uma explosão = 3. s o curso do pistão em m. Para calcular a potência de um motor. = 736 J/s. 1 explosão a cada 2 rotações Potência = 15050/1000 = 15.2. A potência de um motor é determinada pela quantidade de trabalho que aquele pode fornecer em um segundo.09/4 = 430 J.5. 80 .36 C.d². pelo número de joules (J). trabalho por segundo = 430 X 4200/60 x 2 = 15050 J/s. 1 J/s = 1 W.14. a potência efetiva de um motor em novas unidades (kW) tem como valor os três quartos da potência em C. tem uma potência de 60 kW.pm. n o regime do motor em rotações por minuto.d².V.d*/4 Impulso = ¶. Exemplo de cálculo da potência efetiva de um motor monocilíndrico 80 x 90 girando a 4200 rpm com uma pressão média de 9.1000 onde d designa o diâmetro do cilindro em cm.s/4 = 3.65.5. POTÊNCIA DOS MOTORES POTÊNCIA EFETIVA.60. Praticamente.0.07/4 = 140 J em antigas unidades de trabalho: 14 kgm.I.0. A unidade de potência atual é o quilowatt (kW) ou o watt para os motores pequenos. de modo a efetuar um impulso médio em newtons por cm². Pm a pressão média em bar.V.80.n. isto é..V. 1000 J/s = 1 kW.07 m) sob uma pressão média de 8 bar (kg/cm*)? Superfície do pistão: = ∏.pm/4 Trabalho = ¶.9. O numerador 10 transforma a pressão média dada em bar.14. 1000 J/s = 1. (2) denominadores para motor a 4 tempos.5.pm. efetuando um curso de 70 mm (0.65 cm) de diâmetro.Exemplo: Que trabalho fornece.65. Um motor de 80 C. I o número de cilindros e ∏ = 3.d². nas antigas unidades ou 1 C.8².03 kW. um pistão de 56. Esta quantidade de trabalho obtida em joules por segundo será transformada em W ou em kW. a cada curso motriz.s. só fórmula: Podemos resumir todas as operações do cálculo da potência efetiva do motor em uma Pe = ¶.

Tipos de freios para teste de motores O freio de Prony é formado por um simples tambor metálico frenado por sapatas de madeira. uma parte fixa provida de um dispositivo de frenagem que atua diretamente sobre a parte móvel. a parte fixa tende a ser acionada pela parte móvel. munido de chicanas internas. O freio compreende sempre duas partes essenciais: uma parte móvel ligada ao motor e acionada por este último. Um sistema de regulagem permite modificar a eficácia da frenagem. o valor dos contrapesos em kg. Conhecendo. Ë estabilizada por uma carga variável por meio de contrapeso e de uma mola tarada. Durante a frenagem. varia constantemente. conhece-se igualmente o esforço desenvolvido pelo motor à periferia do dispositivo de frenagem. A parte fixa é montada sobre um eixo de oscilação (braço de alavanca de um metro). Este esforço tangencial denomina-se torque motor. e o aquecimento das sapatas necessita de uma irrigação contínua e desagradável para os operadores. Sob o efeito da turbina.Testes do freio A potência efetiva desenvolvida por um motor mede-se por meio de um freio. Varia-se a eficácia da frenagem modificando as possibilidades de reação da água sobre as chicanas do cárter. Este freio é utilizado apenas para testes de fraca potência. a água atua sobre o cárter e tende a acioná-lo. e ligado aos contrapesos. O freio Froude é um freio hidráulico. Aquela levanta o contrapeso e atua sobre a mola até à obtenção de uma posição de equilíbrio. então. 81 . Ë composto por uma turbina que gira num cárter vedado. A sua regulagem é delicada.

Basta multiplicar o valor por 10 para obter-se o torque motor em novas unidades. que cria nos discos rotação importantes correntes elétricas (correntes de Foucault). O torque é indicado em mN. A reação destas correntes tem por efeito frear a rotação dos discos. tem-se a potência em kW. O freio elétrico é constituído por um simples dínamo fixado a uma estrutura rígida. Este tipo de freio é recente. em seguida. Varia conforme o número de rotações por minuto e o número de watts produzidos. pode-se diminuir a velocidade de rotação do motor até o travar completamente ou deixá-lo embalar-se ociosamente. Cada medida deve ser corrigida por um fator de rendimento diferente que se marca sobre um gráfico dado pelo fabricante do dínamo. Regulando a eficácia da frenagem. um reostato. mN. e é de manobra simples e precisa. metro Newton. A reação magnética do induzido tende a acionar o estator. O regime do motor e o esforço (torque) registrado pela mola tarada permitirão calcular a potência fornecida pelo motor.O freio Froude não atua nos regimes de marcha reduzida. É o esforço desenvolvido pelo 82 . obtém-se um fluxo magnético fixo. Variando a importância da excitação. As variações de frenagem são obtidas modificando a corrente de excitação por meio de O freio eletrodinamométrico é igualmente constituído por um dínamo. parar o motor. provocando uma tração nos eletroímãs. Permite. conservando sempre uma determinada posição da frenagem. funcionar como motor de lançamento e de acionamento para a rodagem do motor a frio. Modifica-se a eficácia da frenagem por uma mudança da corrente de excitação como no caso precedente. e é ligado igualmente a uma carga de contrapeso completada por um dinamômetro. Nos freios utilizados atualmente. a partir do qual a potência começa a diminuir. a potência máxima. O motor aciona os dois discos. excitando os eletroímãs. Permite medir as resistências internas do motor funcionando ociosamente. O freio a corrente de Foucault é constituído por dois discos de função girando na frente das extremidades de potentes eletroímãs. O rendimento do dínamo não entra em conta. Traça-se geralmente também a curva do torque. Estes últimos são solidários a uma estrutura móvel cujo deslocamento é controlado por um dispositivo de mola tarada. varia-se a eficácia da frenagem. CURVAS DE POTÊNCIA Qualquer que seja o tipo de freio empregado. até ao regime máximo. e pô-lo novamente em marcha. e. o esforço de acionamento (torque) é medido em quilos pelos contrapesos e pelo dinamômetro. Para conhecer as características exatas de um motor. Mede-se a tensão e o débito da corrente produzida. e dando. por outro lado. deduz-se o número de watts. o torque desenvolvido pelo motor é indicado em antigas unidades isto é. em mkg. assim. Começa-se pelos baixos regimes (1000 rpm) e sobe-se de 250 em 250 rotações. portanto. mede-se a sua potência em diversos regimes de rotação. Os resultados obtidos permitem traçar a curva de potência do motor. Mas o estator deste dínamo é montado sobre um eixo oscilante. Pode. o motor é sempre testado com o acelerador aberto. Mas o rendimento do dínamo não é constante. por exemplo. indicações exatas sobre as condições de funcionamento da superfícies de atrito.

o motor será tanto mais capaz de subir as rampas em marcha direta (relação de transmissão 1:1) quanto mais inclinada para a direita for a curva de seu torque. O consumo de um motor a gasolina é de 300 a 400 g/kWh (200 a 300 g/CVh). A curva de potência é o resultado do torque motor em mN (mkg) e da velocidade em rpm. o torque é importante. Ora. O regime de potência máxima é considerado regime normal do motor. deduz-se o consumo em gramas por kWh (CVh). interessa permanecer ligeiramente abaixo. O regime do torque máximo é considerado o regime inferior limite para a marcha a plena admissão. Nos regimes médios. de modo preciso. O de um motor Diesel é de 250 a 360 g/kWh(170 a 240 g/CVh). De fato. Nos regimes baixos. e esta diminuição é completamente compensada pelo aumento do regime. Durante os testes do freio. Constata-se que ela atinge o seu máximo a um regime relativamente elevado. a diminuição do torque é tão importante que o aumento da velocidade não a compensa mais.motor na circunferência de um círculo de 1 m de raio cujo centro de rotação se situa sobre o eixo do virabrequim. portanto. o torque motor vai aumentar. Ele informa.n/10 X 1000 onde o torque = kW X 10000/n em mN. A um regime mais elevado. 83 . a curva torna-se horizontal. sobre o enchimento dos cilindros e sobre a força explosiva da carga aspirada. Nos regimes de potência máxima. Atualmente. mede-se com exatidão o consumo do carburante. Constata-se que esta carga é máxima para um regime relativamente baixo e que ela diminui com o aumento do regime. A potência estabiliza-se. a potência é nitidamente mais elevada. tende-se a dar mais importância ao torque motor que à potência. a potência desenvolvida é relativamente fraca. O torque diminui fortemente. Conhecendo a potência desenvolvida. A potência diminui. Praticamente. o torque motor depende diretamente do impulso transmitido pelos pistões ao virabrequim. mas a velocidade em rpm é fraca. o torque diminui ligeiramente. O torque tem por valor: Torque = mN. De fato. mas a velocidade aumentou fortemente. como em rampa a velocidade diminui tal como o regime do motor. A curva de consumo informa sobre os regimes econômicos do motor.

Como os catálogos dos motores indicavam sempre.P.RENDIMENTOS DOS MOTORES Rendimento global ou total Chama-se rendimento de um motor a relação entre potência mecânica desenvolvida à saída do virabrequim e a que lhe é fornecida sob a forma de carburante. Ora. e rende 1000 J/s. provocando um deslocamento de 1 m. uma caloria transformada totalmente em trabalho mecânico fornece 4. antigamente. uma força de 1 Newton (N)./hora. O seu rendimento térmico é de 1000 x 100/4348 = 23% Observações: O cálculo do rendimento de um motor pode ser feito com base no seu consumo por hora ou por segundo. Este motor recebe./hora. A unidade de trabalho (J) é dez vezes menor que o (kgm) e a unidade de calor (cal) é mil 84 .185 J. sob forma de carburante uma energia calorífica capaz de fornecer 4348 J/s. Um motor que consome 340 g de gasolina por kWh recebe por segundo uma energia de 340 x 11000 x 4. o consumo em g por H.185/3600 = 4348 J/s 1 kWh = 3600000 J 1KW =1000 J/s. ou seja. Um grama de gasolina tem um poder calorífico de 11000 calorias (pequenas calorias). era lógico calcular o rendimento a partir deste valor e em relação ao H.P. Com as novas unidades MKSA convém calcular o rendimento na base do consumo por segundo.

ou seja. sendo a nova unidade de potência dos motores. o kW. Aliás.6 kW) por litro. e mais de 80 kW(100 C. C.V.) e 37 kW(50 C..) para os motores de alto rendimento.V. 35% sob forma de calor retirado pelos gases de escape.(3. 25% sob forma de energia mecânica disponível na extremidade do virabrequim. correspondente a 100 J/s. O de um motor de ciclo Diesel pode atingir mais de 35%. O rendimento de um motor de ciclo Otto funcionando a gasolina é em média de 21 a 25%. ter-se-ão valores extremamente elevados e pouco comuns na prática.) por litro. é preciso determinar a potência por litro milhares de rpm. pelo que. Os valores atuais situam-se entre 5 e 9 kW por litro/1000 rpm. Os motores modernos desenvolvem entre 30 kW(40 C. é mais simples calcular o rendimento sobre esta base de tempo. relaciona-se muitas vezes a sua potência efetiva à unidade de cilindrada expressa em litros. da diminuição de peso das peças móveis e da qualidade do carburante.V. Para comparação mais exata das vantagens da execução mecânica dos motores.vezes menor que a (kcal). ou seja: potência/cilindrada = potência por litro Nos primeiros motores atingiam 5 C. ou seja: potência/cilindrada x regime = Potência por litro por 1000 rpm. Estes aperfeiçoamentos resultam principalmente no aumento dos regimes de rotação.V. A energia total desenvolvida pela combustão da gasolina no motor de ciclo Otto distribui-se do seguinte modo: 32% sob forma de calor gasto pelo sistema de arrefecimento dos cilindros. Rendimentos volumétricos (potência por litro) Para comparar os motores entre si. calculando por hora. entre 7 e 12 85 . 8% sob forma de energia mecânica absorvida pelos atritos internos do motor. Este valor era baseado na potência nominal utilizada ainda hoje em vários países.V.

Kg/cm2 PCI = poder calorífico inferior do combustível . mas sim por misturas pobres e ricas. ηi = rendimento indicado ηv = rendimento volumétrico ηte = rendimento térmico ηm = rendimento mecânico tt = tonalidade térmica do combustível ou da mistura = poder calorífico da mistura 86 . a potência efetiva. isto é.Kg/cm2 Ne = potência efetiva .Kg/cm2 PME = pressão média efetiva .Potencia do Motor Para maior facilidade de compreensão dos fatores que influenciam a potência de um motor.CV V = volume do motor .0427 × ηi × ηte × ηm × γm × ηv × ⎟× ⎝ 1 + Ar × R ⎠ 900 n = rpm PMI = pressão média indicada .0427 × η × γm × ηv × PCI 1 + Ar × R como PME = PMI × ηm então: PCI ⎞ V × n ⎛ Ne = ⎜ 0. a potência gerada no eixo do motor pode ser calculada pela seguinte fórmula: Ne = PMI × ηm × V × n 225 × h PME = 0.Kcal/Kg Ar = peso do ar necessário p/ produzir a combustão de 1Kg de combustível R = fator de correção da mistura porque o motor durante o funcionamento não é alimentado somente por uma mistura estequiométrica.litro h = no de tempos do motor γm = peso específico da mistura mais resíduos .

tt =

PCI 1 + Ar × R

(Kcal/Kg)

Através da fórmula, parece fácil aumentar a potência de um motor, bastando para isto procurar aumentar o valor das suas variáveis, mas na realidade, aumentando-se separadamente em cada fator, se consegue, sem dúvida nenhuma aumentá-lo, mas em detrimento de outro, o que pode ocasionar uma redução na potência, em vez de um aumento. Utilizando o trabalho em um cabeçote como exemplo, pode-se aumentar o diâmetro das válvulas, o diâmetro dos dutos, polir e retirar as rebarbas de fundição, entretanto, se este trabalho não for acompanhado de outras alterações, ocasionará um funcionamento irregular e uma redução no rendimento do motor, devido a menor velocidade de entrada do ar, podendo diminuir a potência do mesmo.

Rendimentos do Motor

Rendimento Mecânico

O rendimento mecânico é a relação entre a potência produzida no eixo e a potência produzida no interior do cilindro, provocada pela combustão. Este rendimento é função da força de atrito que ocorre entre os seus diversos órgãos e das forças necessárias p/ acionar os órgãos auxiliares. A perda de potência devido ao atrito, torna-se cada vez maior, a medida que a rotação fica mais elevada. Os modernos óleos, sejam de base mineral ou sintética, incorporam em sua fórmula componentes que ajudam a minimizar estas perdas. Quando se constrói um motor de alta performance, muitos construtores fazem longas conexões de bielas, finos anéis de pistão, anel raspador de óleo com baixa tensão, tanto quanto a precisão da máquina permitir de modo a minimizar as perdas por atrito. Estas modificações buscam um aumento na eficiência mecânica. A principal força de atrito que ocorre em um motor é a provocada pelo contato direto entre o pistão e o cilindro, a qual pode ser reduzida da seguinte forma:

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Após a retifica, os cilindros sofrem uma usinagem de brunimento, isto é, são feitos pequenos riscos com ângulo indicado pelo fabricante. Estes pequenos riscos, fazem com que o óleo permaneça mais tempo em contato com as paredes do cilindro, facilitando a lubrificação. Por outro lado, reduzem o rendimento mecânico devido ao aumento do coeficiente de atrito. A eliminação completa destes riscos não é recomendável porque, se a parede for muito espelhada, a película de óleo não conseguirá mais aderir às paredes do cilindro, prejudicando a lubrificação. Para contornar este problema, sem prejudicar a lubrificação, o brunimento deve ser bastante “sutil” com riscos muito pequenos ou então faz-se um polimento dentro do cilindro, do seguinte modo: Com um pistão do motor com os anéis de segmento, solda-se uma haste na sua cabeça. Aplica-se então uma pasta abrasiva nas paredes do cilindro misturado com um pouco de óleo. Com as próprias mãos, deve-se fazer com que o pistão descreva um movimento alternado para cima e para baixo e variando sua posição de 1800. Este polimento deve ser feito até o cilindro tornar-se opaco e com pequeninos riscos em forma de hélice. Todos os cilindros devem receber o mesmo polimento. Terminada a operação, lava-se cuidadosamente os cilindros. Com este procedimento, consegue-se reduzir o coeficiente de atrito dos cilindros, aumentando-se o rendimento mecânico e evitando a grimpagem do pistão, que é comum em motores de competição devido às altas solicitações. Além do atrito entre o pistão e o cilindro, a potência absorvida pela resistências passivas necessárias ao acionamento dos órgãos auxiliares também merecem atenção. Na verdade, pouco se pode fazer para reduzir esta potência absorvida pelas resistências passivas. Em alguns casos, pode-se aumentar a folga entre os seus mancais, de modo a reduzir a possibilidade de ocorrência de interferência provocada pela variação da temperatura. As forças exercidas pelas molas das válvulas também absorvem potência, portanto, a redução da força da mola deve ser a maior possível. É importante lembrar que a redução da carga das molas está diretamente ligado a redução do peso dos diversos órgãos que compõem a distribuição (balancins, tuchos, pratinhos, travas, pastilhas e varetas). Se isto não for feito, quando o motor estiver em alta rotação, as molas não terão mais força para retornar a sua posição inicial, dando origem ao fenômeno chamado “flutuação” que provocará uma perda de potência.

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Consegue-se com isso, melhorar a potência efetiva do motor e em especial a sua aceleração. A carga ideal varia para cada motor. Nos motores cuja regulagem das válvulas é feita por meio de pastilhas, essas podem ser eliminadas se os tuchos forem substituídos por outros construídos de tal maneira que a espessura se ajuste perfeitamente entre a haste das válvulas e dos cames. Rendimento Térmico

O rendimento térmico é a relação entre o calor que efetivamente se transforma em trabalho útil e o calor equivalente ao trabalho que poderia ser obtido pela queima do combustível. O aumento do rendimento térmico do motor, pode ser conseguido das seguintes maneiras: 1) Aumentando a taxa de compressão. O modo mais fácil de se aumentar o rendimento térmico do motor é aumentando-se a sua taxa de compressão. Aumentando a taxa (ou razão), aumenta-se a energia extraída de cada gota de combustível, ou seja, esta modificação proporciona um aumento na eficiência térmica. Este aumento pode ser feito, dependendo da conveniência, através do abaixamento do cabeçote ou troca dos pistões. De uma maneira geral, para cada ponto adicionado na taxa de compressão resultará num aumento de 4% na potência do motor. É claro que isto é limitado pela qualidade da gasolina e pela geometria de construção do motor que pode tornar o motor propenso a detonação. 2) Otimizando a combustão. Quando algumas características do motor são alteradas, com a finalidade de se aumentar a potência, torna-se necessário a otimização da combustão da mistura, o que é possível de ser realizado modificando-se a bobina, vela, módulo de ignição e curva de avanço. Esta melhora na combustão da mistura torna-se necessária porque, ao se aumentar a taxa de compressão do motor, a capacidade da faísca saltar entre os eletrodos da vela é reduzida. É importante lembrar que não se está considerando alterações no combustível, uma vez que não se trata de uma alteração no motor. Como pode-se observar na fórmula anterior, aumentando o peso específico da mistura (o que pode ser conseguido enriquecendo-se a mistura) aumentar-se-a a potência do motor.

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A variação da temperatura da entrada e saída d’água de refrigeração de um motor. caso contrário. Portanto. provoca perdas de energia.Entretanto. 3) Diminuindo a diferença de temperatura entre a saída e entrada d’água de refrigeração do motor. mas existem perdas pelas próprias características dos materiais envolvidos. a combustão já não será perfeita. se a mistura for extremamente rica. nas condições atmosféricas (150 C e 760 atm). deve ser a menor possível. diminuindo por conseqüência o rendimento térmico do motor. pois essa troca de calor. reduzindo a potência. o motor poderá apresentar superaquecimento ou ter uma boa parte dessa energia perdida pelo trocador de calor. embora necessária. polindo o seu interior • Uso de coletor de escape dimensionado • Trabalho e polimento dos dutos do cabeçote • Corte da guia de válvula • Aumento do diâmetro das válvulas • Aumento das aberturas das válvulas (comando de válvulas) • Aumento do número de válvulas • Polimento das válvulas. A grande maioria das modificações para aumentar a performance esta centrada no aumento de ar e combustível para dentro do motor. assim como. O rendimento volumétrico em relação aos outros rendimentos é o que oferece um maior campo de atuação. Existem vários modos de se fazer com que o volume de ar seja maior: • Aumento do diâmetro do coletor de admissão. que necessitam trocar o calor gerado pela combustão e atritos internos. Rendimento Volumétrico O rendimento volumétrico é a relação entre o peso de ar efetivamente introduzido no cilindro e o peso teórico máximo. assim como redução no diâmetro da haste das válvulas • Aumento da rotação do motor • Mudança no carburador ou sistema de injeção eletrônica 90 . O ideal seria transformar toda a energia química do combustível em energia térmica. essa variação de temperatura deve ser trabalhada com muito cuidado.

• Uso de filtro de ar esportivo • Uso de turbocompressor • Uso de compressores volumétricos • Uso de injeção de óxido nitroso 91 .

comando de válvulas no cabeçote 10 borboleta do carburador 11 silenciador interno 12 regulador de pressão de combustível 13 coletor de admissão 14 bloco do motor 15 volante 16 biela 17 mancal de linha do virabrequim 18 virabrequim 19 parafuso de drenagem do óleo 20 corrente da bomba de óleo 21 abafador de vibração 22 eixo motor do distribuidor 01 eight-cylinder V (vee) fuel. Absorption muffler) 12 fuel pressure regulator 13 inlet manifold 14 cylinder crankcase 15 flywheel 16 connecting rod (piston rod) 17 cover of crankshaft bearing 18 crankshaft 19 oil bleeder screw (oil drain plug) 20 roller chain of oil pump drive 21 vibration damper 22 distributor shaft for the ignition distributor (distributor) 97 . Am.TERMOS IMPORTANTES (PORTUGUÊS .INGLÊS) 01 Motor 8 cilindros em V com injeção de combustível e Ignição por Centelha 02 ventilador 03 embreagem do ventilador para acionamento viscoso 04 distribuidor da ignição (distribuidor) com avanço à vácuo 05 tambor de corrente dupla 06 mancal do eixo de cames 07 duto de respiro 08 tubo de óleo para lubrificação do eixo de cames 09 eixo de cames. an overhead camshaft 10 venturi throat 11 intake silencer (absorption silencer.injection spark-ignition engine 02 fan line 03 fan clutch for viscous drive 04 ignition distributor (distributor) with vacuum timing control 05 double roller chain 06 camshaft bearing 07 air-bleed duct 08 oil pipe for camshaft lubrication 09 camshaft.

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Motores Especiais Wankel ð ð ð www.monito.com/wankel www.com QuasiTurbine ð www.wankel-rotary.quasiturbine.com ð 9 100 .

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