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Como Elaborar Contratos

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Texto de apoio- Como Elaborar Contratos Módulo 1 – Estrutura Contratual 1.1 - Introdução 1.2 - O que é um contrato 1.

3 - Capacidade das partes contratantes 1.4 - Objetivo do Contrato 1.5 - Forma Contratual 1.6 - Resumo Módulo 2 – Formação dos Contratos 2.1 - Proposta 2.2 - Aceitação 2.3 - Descrição dos direitos e obrigações 2.4 - Contrato preliminar 2.5 - Dicas 2.6 - Resumo Módulo 3 – Principais espécies contratuais 3.1 – Compra e Venda 3.2 – Prestação de serviço 3.3 – Empreitada 3.4 - Transporte 3.5 – Locação 3.6 - Resumo Módulo 4 – Extinção do Contrato 4.1 - Distrato 4.2 – Cláusula Resolutiva 4.3 - Onerosidade Excessiva 4.4 - Dicas 4.5 - Resumo

Voltando à definição de contrato. com enfoque prático para que pessoas sem formação jurídica aprendam a elaborar contratos simples. ou seja. será explicado cada um deles mais detalhadamente. tornam-se emancipados e ficam aptos a praticar os atos da vida civil. os maiores de 18 anos. portanto. O termo de emancipação deve ser lavrado em instrumento público. pródigos (toda pessoa que gasta mais do que o necessário. é também intenção deste treinamento servir de reciclagem para profissionais da área jurídica que necessitem revisar os conhecimentos básicos sobre a elaboração de contratos e atualizar-se sobre principiais questionamentos na sua elaboração. objeto lícito. A seguir. O mesmo acontece com quem é proprietário de estabelecimento civil ou comercial e é menor de dezoito anos. os excepcionais sem desenvolvimento completo. forma prevista ou não proibida por lei. • • • • • • seus bens). • homem e a mulher menores de dezoito anos que se casam. dilapidando . é considerado capaz de celebrar contratos. um cego-surdo-mudo). e. fax. viciados em tóxicos que não tenham discernimento. Através de um contrato uma pessoa se obriga perante outra a entregar determinado bem mediante uma contraprestação. As pessoas se utilizam do contrato para estabelecer relações de direitos e obrigações entre si. o objetivo deste curso é dar noções gerais sobre os principais aspectos do contrato. As ofertas feitas na televisão e na internet apresentam produtos e serviços que podem ser adquiridos através de um simples telefonema ou envio de e-mail. e-mail. deve ser elaborado e firmado por um tabelião que o mantém registrado em seu cartório. que são: capacidade das partes. os que não puderem exprimir sua vontade (Ex. • A pessoa menor de dezoito anos que exerce emprego público efetivo e/ou cola grau em curso de ensino superior torna-se emancipado e também está apto a praticar os atos da vida civil e. Nesse contexto. portanto. A Lei estabelece três requisitos necessários para que um contrato seja válido. no entanto. Assim. que tenham pouca complexidade. de forma que hoje pode-se celebrar contratos através de telefone. pode-se dizer que é o encontro de vontade de duas ou mais pessoas que têm o objetivo de estabelecerem direitos e obrigações entre si. Por outro lado. 2) Maiores de 18 anos que não são plenamente capazes. Exceções 1) Menores de 18 anos com plena capacidade para celebração de contratos.Módulo 1 O contrato é um instrumento de circulação de riquezas. A evolução dos meios de comunicação imprimiu uma praticidade à celebração de contratos. são considerados capazes para celebrar contratos. A legislação brasileira estabelece como pessoas capazes para praticar os chamados atos da vida civil. os deficientes mentais que não tenham capacidade de discernimento. toda pessoa maior de 18 anos preenche o primeiro requisito para elaboração de um contrato. os alcoólatras habituais. comporta exceções. Essa é a regra geral que. Emancipação é o ato pelo qual as pessoas menores de 18 anos tornam-se aptas a praticar os atos da vida civil. • Os jovens de dezesseis anos completos podem se tornar capazes para a prática dos atos civis através da concessão da emancipação pelos seus pais. como celebrar contratos.

espécie e quantidade. como uma pessoa que faz uma viagem de metrô. o COMPRADOR pagará a quantia de R$15. No entanto. Já mencionamos que o contrato é o encontro de vontade de duas ou mais pessoas. para dar validade ao contrato. ou seja. o contrato é válido. seria necessário descrever detalhadamente o veículo a ser adquirido. de sua marca. Em primeiro lugar. permite a exteriorização do conteúdo do contrato por qualquer modo. modelo. ano. A determinação do objeto contratual se dá pelo detalhamento do seu gênero. Esse segundo significado é o que nos interessa para conhecer a estrutura dos contratos. A forma contratual tem como objetivo principal tornar certa e induvidosa a manifestação de vontade das partes. O comprador não sabe exatamente a quantidade de laranja que irá receber no momento da celebração do contrato. antes de elaborar um contrato é necessário verificar se as partes são maiores de 18 anos e se não se enquadram em umas dessas hipóteses. seria nulo o contrato que tivesse como objeto a construção de uma casa na Lua. ou seja. sem determinar adequadamente o objeto da aquisição. Você verá exemplos de situações em que o objeto do contrato não é válido. chassi. Imagine a seguinte redação em um contrato: “pela aquisição de um veículo qualquer. • Ocorre que. pois. é de se destacar que as pessoas jurídicas.000. quando se adquire antecipadamente a safra de um produtor agrícola de laranja. Para validade da redação que mencionei anteriormente. Em segundo lugar. por exemplo. e então explicaremos o motivo. de modo a revelar o conteúdo do contrato. celebrou de forma oral um contrato de transporte. Por fim. pelo fato de contrariar a norma jurídica de ordem pública e a moralidade pública. O objeto contratual também deve ser lícito. muitas vezes.00”. o conjunto de todos os direitos e obrigações das partes contratantes. Nesse caso. também se pode entender o seu objeto como o bem sobre o qual versará o contrato. é indeterminado. nesse sentido. pois o cumprimento dessa obrigação é materialmente impossível. Exemplo: não se pode estabelecer em um contrato de compra e venda em que o comprador pague ao vendedor uma quantia determinada. lícito e determinado ou determinável. a exteriorização. desde que devidamente representadas por seus procuradores. A forma também pode ser especial ou solene . É impossível obrigar alguém a pagar alguma coisa ou executar alguma atividade de maneira indeterminada. durante seu curso. protegendo também a boa-fé de terceiros. ou seja. não podendo contrariar a lei e os bons costumes. com a menção. Explicaremos o que exatamente isso significa. O contrato nesses moldes. o objeto do contrato deve ser possível. A forma pode ser livre ou geral. Assim ficará mais concreto e você entenderá melhor como deve ser o objeto do contrato. pois o bem a ser adquirido. pode-se entender o objeto contratual como tudo aquilo que as partes estabeleceram ao celebrar o contrato. e. “um veículo qualquer”. ou uma pessoa que compra um sanduíche numa lanchonete celebra oralmente um contrato de compra e venda. etc. pode ocorrer do objeto contratual não ser determinado de maneira completa no momento da celebração. essa vontade deve ser exteriorizada de alguma forma. como por exemplo oralmente. são capazes para celebrar contratos. a despeito de seu objeto ser indeterminado no momento da celebração. também é aceito pelo nosso Direito. adquirir a especificação exigida pela lei. Não é válido o contrato que possui objeto indeterminado. • • • O objeto deve ser possível no sentido de que a obrigação contida no contrato deve ser suscetível de ser cumprida. placa. por exemplo. Ora. A expressão “objeto do contrato” pode ter dois significados. É o caso. mas essa quantidade torna-se facilmente determinável no momento da colheita e do pagamento fixado. Assim. onde o objeto é determinável. este contrato não pode ser válido.que exige um ritual ou uma formalidade.Assim. é determinável em um momento seguinte. na forma de seu estatuto ou contrato social. deve atender a um conjunto de exigências . Vale salientar ainda que a lei permite que as pessoas enquadradas nas exceções acima possam celebrar contrato desde que assistidas ou representadas por seus representantes legais. pois. Não seria válido um contrato que tivesse por objeto o contrabando de armas. como sociedades e associações.

ele deve necessariamente ser escrito e firmado por um tabelião de notas que o deixará registrado em seu cartório. a escritura pública (contrato de compra e venda de bem imóvel celebrado pelas partes perante um tabelião de notas) é essencial no contrato. Contudo. sendo que sua ausência conduz a sua nulidade. o direito à renovação forçada do contrato de locação não residencial para o inquilino que tiver contrato escrito. sob pena de nulidade do contrato. a lei não exige forma específica para a celebração de contratos. a lei impõe determinada forma para exteriorização do conteúdo contratual. por exemplo. permitindo as partes optarem pela forma escrita ou verbal (princípio da liberdade da forma).que são estabelecidas em lei. . Em regra. Um exemplo é um contrato de compra e venda de um imóvel. Em algumas situações. a lei confere direitos mais amplos aos contratantes que obedeceram a determinada forma. como. como no exemplo da compra e venda do imóvel que demos no parágrafo anterior. Numa outra situação. em alguns casos.

A proposta é a declaração unilateral de vontade do proponente através da qual apresenta a outrem (aceitante) a oferta de um negócio. se o contrário não resultar dos termos dela. salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos. o fornecedor é obrigado a garantir o preço. vitrines. A proposta do contrato. A proposta pode ter endereço certo. a manifestação de vontade das partes é pressuposto essencial para a formação de uma relação contratual.Módulo 2 É preciso ter em mente que o contrato é o encontro de vontade de duas ou mais pessoas que têm o objetivo de estabelecerem direitos e obrigações entre si. Veja abaixo o que a legislação fala a respeito do que acabamos de ver: CC art. na prática. às quais estará vinculado. ela pode ser apresentada especificamente à determinada pessoa. É importante ressaltar que no caso de proposta apresentada ao público. e a mesma se traduz através da proposta e da aceitação. decurso do prazo estipulado na proposta. o proponente só ficará liberado de honrar esse compromisso sem se sujeitar ao pagamento de indenização por perdas e danos nas hipóteses abaixo: Hipóteses que liberam do compromisso da proposta: • • • Se houver disposição em contrário na proposta. definindo como direito básico do consumidor o acesso a essas informações. ou grupo de pessoas. desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. obriga o proponente. etc. Ela deve ser clara e objetiva e deve conter. uma vez apresentada a oferta de um negócio com a definição das bases para a sua contratação a um terceiro. CC art. É o que se verifica. 427. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato.078/90) exige de forma expressa que o fornecedor (proponente) apresente de forma clara e adequada informações sobre os produtos ou serviços ofertados. a princípio. No entanto. nos casos de ofertas feitas aos consumidores de um modo geral através de anúncios. o Código de Defesa do Consumidor (Lei n. ou das circunstâncias do caso. catálogos. Ou seja. por exemplo. 8. o proponente consignar em sua proposta que a oferta apresentada se configura como uma mera liberalidade e que a qualquer momento poderá ter o seu conteúdo modificado ou revogado. 429. ou seja. em caso de verificada a negativa do aceitante. Parágrafo único. Dessa forma. os elementos essenciais do contrato para permitir ao terceiro interessado uma análise apurada que lhe permita formar o seu convencimento sobre a oportunidade de negócio que lhe está sendo apresentada. A proposta de contrato obriga o proponente. em princípio. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação. as características e as quantidades apresentadas na oferta. É muito comum. a proposta também pode ser apresentada ao público em geral. Nesse sentido. físicas ou jurídicas. da natureza do negócio. Veja abaixo o que a legislação fala a respeito do assunto que acabamos de ver: .

precisas. é de se destacar que a mesma deixa de ser obrigatória em algumas situações. enquanto que o intermediário ou mensageiro não age em nome do proponente. qualidade e preço. quantidade. preços e condições de pagamento. CDC art. A proposta pode se dar entre presentes e ausentes. ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características. mensageiro. . características. Se a proposta for feita à pessoa ausente e não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado. garantia. Exemplo: um revendedor de eletrodomésticos encaminhou para a casa de uma pessoa que estava ausente uma proposta de venda de um fogão novo. Outro caso ocorre quando a proposta é feita sem prazo à pessoa ausente e tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. através de intermediário. Um exemplo é a compra e venda de um refrigerante numa lanchonete. Se o consumidor não aceita a oferta naquele momento ele não poderá exigir que a lanchonete lhe venda. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas. em determinado dia a lanchonete faz uma oferta ao consumidor através do seu cardápio. veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados. não podendo o vendedor ser obrigado a honrar a sua proposta num prazo superior a este tempo. Já a proposta entre ausentes é aquela que é apresentada pelo proponente ao aceitante. no qual consta o preço do refrigerante. entre outros dados. em outro dia. Toda informação ou publicidade. bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. preço. documentos). ou através dos seus representantes devidamente constituídos através de procuração. e uma dessas condições é a expedição da aceitação até um determinado prazo. o mesmo refrigerante pelo mesmo preço. bem como sobre os riscos que apresentem. Ele apenas serve de meio para fazer com que a proposta chegue ao seu destinatário (aceitante). o que é muito comum nos contratos menos complexos que não requerem muitas negociações. A proposta entre presentes é aquela que é apresentada diretamente pelo proponente ao aceitante. prazos de validade e origem. essa oferta só será válida até esse prazo. Nesse caso.CDC art. no caso em que uma pessoa recebe em casa um catálogo de produtos com as suas características. Por exemplo. Vamos ver algumas situações: Caso a proposta seja feita sem prazo à pessoa presente e não for imediatamente aceita. obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. sem prazo de validade. Procedendo-se a análise dos efeitos de uma proposta realizada entre presentes e ausentes. qualidades. 30. claras. 31. A proposta realizada por telefone ou meio assemelhado é considerada entre presentes. esta deixa de ser obrigatória. composição. São direitos básicos do consumidor: III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. com especificação correta de quantidade. É importante esclarecer que o representante é o sujeito que age em nome do proponente mediante procuração que lhe é outorgada por este. antes da proposta. Ou se. ou outra forma de correspondência (carta. CDC art. chegar ao conhecimento do aceitante a retratação do proponente. a pessoa ausente não tiver manifestado se sobre a proposta feita pelo revendedor. 6. composição. ou simultaneamente. suficientemente precisa. Se decorrido mais de 30 dias (que é um prazo razoável).

hipótese na qual a relação contratual não se perfaz. a referida agência percebe o equívoco do preço e manda uma mensagem retratando-se da proposta oferecida. II – se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. 434. aceitá-la. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida.Exemplo: uma agência de viagens faz uma proposta de venda de um pacote turístico de 8 noites para Aruba por R$ 1 real a um cliente qualquer. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. Veja o que a legislação fala a respeito desse assunto: CC art. III – se ela não chegar no prazo convencionado. o aceitante tem três opções: • • • negá-la. como vimos em sua terceira opção. Agora veja o que a legislação fala a respeito do que acabamos de ver na segunda opção do aceitante. consideram-se perfeitos a partir do momento que é expedida a aceitação. A partir do momento em que a aceitação chega ao conhecimento do proponente a relação contratual está formada.se. feita a pessoa ausente. encaminhando ao proponente uma contraproposta. IV . ou seja.se. Veja um exemplo: O caso de um leiteiro que entrega diariamente uma quantidade de leite encomendada pelo cliente e o mesmo a aceita costumeiramente. restrições. tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. sem nenhuma manifestação expressa. importará nova proposta. exceto: I – no caso do artigo antecedente. Após o recebimento da proposta. não foi imediatamente aceita. simultaneamente ao recebimento desta. que é impor condições à proposta: CC art. salvo algumas exceções legais. 431. Agora veja o que a legislação fala a respeito disso: CC art. a relação contratual se formará. Se o aceitante realmente aceitar a proposta. feita sem prazo a pessoa ausente. . Ela só ocorrerá nos casos em que o proponente dispense a aceitação expressa ou quando esta não seja de costume. A aceitação fora do prazo. antes dela. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante. impor algumas condições para aceitá-la. A aceitação pode ocorrer de forma expressa ou pode ocorrer por presunção. Veja o que a legislação fala a respeito do que acabamos de ver: CC art. Deixa de ser obrigatória a proposta: I . 428. conforme estudaremos no próximo ponto.se. os contratos entre ausentes. não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado. No entanto. com adições. pela aceitação o aceitante integra a sua vontade na do proponente. II . A aceitação é o ato unilateral de vontade do aceitante através do qual o mesmo exprime a sua concordância com a proposta que lhe foi apresentada pelo proponente. III . A aceitação por presunção é aquela que se verifica desde que não chegue a tempo a recusa do aceitante. mas antes mesmo deste consumidor receber esta proposta ou. ou simultaneamente. ou modificações. feita sem prazo a pessoa presente.se. 432.

leva um tempo para ficar pronto para assinatura. e. é importante relembrar que o objeto de qualquer contrato tem que ser lícito. no que diz respeito à celebração de um contrato definitivo. nas quais se relacionam de forma exaustiva todas as obrigações das partes contratantes. O contrato preliminar. No caso de aceitação modificativa ou com restrições. requer a formalidade legal de ser elaborado por instrumento público (contrato público celebrado em um cartório com a chancela de um tabelião de notas) e. que as partes podem desistir de celebrar o contrato definitivo a qualquer momento. por exemplo. O contrato de compra e venda de imóvel. 465. Portanto. CC art. deve relacionar de forma exaustiva todos os direitos e obrigações das partes contratantes. que muitas vezes só se resolvem através da via judicial. deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. ou o proponente a tiver dispensado. ao realizar o pagamento devido à contratada. Concluído o contrato preliminar. conforme já abordado. Um contrato omisso. portanto. Veja o que a legislação fala a respeito desse assunto: CC art. . pode-se concluir que o contrato preliminar. com observância do disposto no artigo antecedente. Os contratos preliminares são negócios jurídicos. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar. Nesse sentido. 462. são contratos concluídos. é uma “porta de entrada” para a ocorrência de conflitos entre as partes contratantes. sem se configurar hipótese de descumprimento contratual. Isso porque é lícito estipular no contrato. ou seja. o contrato preliminar deve conter todos os requisitos essenciais o contrato a ser celebrado. Veja o que a legislação fala a respeito disso: CC art. qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo. por conseqüência dessa burocracia. reputar-se-á concluído o contrato. Conforme já dito. como a sua própria nomenclatura define. Portanto. um contrato com uma cláusula que disponha que a contratante. traduzindo-se como uma contraproposta do aceitante ao proponente. o contrato não se forma. a proposta deve ser clara e. Ademais. Tal cláusula é nula e a parte contratante poderá realizar a retenção dos impostos ao efetuar o pagamento à contratada. bem como as condições em que o negócio definitivo será celebrado. não produz efeitos jurídicos. qualquer cláusula contratual que disponha sobre obrigações ilícitas relacionadas a quaisquer das partes contratuais é considerada nula. salvo se houver cláusula de arrependimento dispondo de outra forma. exceto quanto à forma. Por exemplo. A parte que desistir de celebrar o contrato definitivo conforme estipulado no contrato preliminar será responsável pelas perdas e danos causadas à outra parte. Por isso. sem que essa conduta gere qualquer tipo de indenização a qualquer das partes contratantes. Eles são utilizados quando as partes contratantes pretendem deixar previamente acertado as condições nas quais determinado contrato será celebrado. e desde que dele não conste cláusula de arrependimento. nesse sentido. poderá a outra parte considerá-lo desfeito. a aceitação é um ato de aderência do aceitante em relação a proposta do proponente. não retenha os impostos que por obrigação legal deva reter. é um contrato que tem como objetivo resguardar os direitos e obrigações das partes contratantes. por exemplo. com o objetivo de garantir a realização da operação ajustada. e pedir perda e danos. assinando prazo à outra parte que o efetive. ou mal redigido.Se o negócio for daqueles em que não seja costume aceitação expressa. É muito comum na prática contratual serem utilizadas cláusulas contratuais intituladas “Das obrigações da contratante” e “Das obrigações da contratada”. 463. Logo. é muito comum as partes contratantes celebrarem primeiro um contrato preliminar no qual regulam todos os seus direitos e obrigações. não chegando a tempo a recusa.

é um contrato que tem como objetivo resguardar os direitos e obrigações das partes contratantes. Uma forma de evitar a confusão sobre os direitos e obrigações dos contratados é utilizar-se das cláusulas “Das obrigações do Contratante” e “Das obrigações do Contratado”. pode-se concluir que o contrato preliminar. como no exemplo do leiteiro. salvo quando pela natureza do contrato proposto for de costume a aceitação presumida. descrevendo e individualizando de forma exaustiva o que cabe a cada uma das partes do contrato. Assim o simples envio de uma proposta não é suficiente para considerar-se aceito o contrato. . Lembre-se que a regra é que a aceitação deverá ser expressa para vincular a outra parte.Portanto. no que diz respeito à celebração de um contrato definitivo. Veremos agora algumas dicas: • • • A proposta do proponente do contrato deve ser clara. como a sua própria nomenclatura define. para evitar confusão sobre os direitos e obrigações contratados.

podendo ser fixo ou baseado em taxas de mercado. . as despesas para transferência do bem vendido ao comprador serão do vendedor.pai para filho. sem que o comprador tenha possibilidade de negociação. se já transferido ou não. já existente. Vamos começar pelo contrato de Compra e Venda: O contrato de Compra e Venda é aquele no qual uma das partes. Veja o que a legislação fala a respeito: CC “Art. como por exemplo a futura colheita de um laranjal. chamada de vendedor. avô para neto etc. Este tipo de serviço não poderá ser objeto de contrato de prestação de serviços. ou seja. Isso significa que todas as despesas para a conservação do bem. obriga-se a transferir determinado bem a outra parte. em razão do mal tempo. pago) e a não eventualidade (serviço contínuo) é sujeito à lei trabalhista por se constituir numa relação de emprego. Nos casos de venda a vista. o vendedor é obrigado a entregar o bem no momento do pagamento do preço ajustado.ou seja.” O contrato de compra e venda pode ser por escrito ou oral. pois tal compra e venda poderá ferir o direito de herança dos mesmos. não produzindo qualquer efeito. a responsabilidade é do comprador. O preço também poderá ser ajustado por um terceiro não vinculado ao contrato. desde que sejam objetivos. sendo que a lei estabelece algumas hipóteses..Módulo 3 Falaremos agora a respeito das principais espécies contratuais. a depender da situação do bem. como uma colheita perdida. mediante o pagamento do preço ajustado. serão do vendedor ou comprador. a pessoalidade (somente aquela pessoa pode prestar o serviço). a onerosidade (serviço não gratuito. O preço da compra e venda em regra é pactuado entre as partes. Vamos falar agora sobre o contrato de prestação de serviço. se não houve consentimento expresso do cônjuge (esposo ou esposa) do vendedor e dos demais descendentes. A compra e venda de ascendentes para descendentes . Primeiramente. como por exemplo manutenção e impostos. no qual o vendedor fixe o preço de acordo com o seu interesse. em que o contrato deve ser necessariamente escrito. salvo se as partes resolveram pactuar tal possibilidade no contrato. Pelo contrato de compra e venda. Neste último caso. chamada de comprador. como a compra e venda de um imóvel. Um exemplo: um contrato de compra e venda de um bem.que ainda existirá. precisamos analisar o que é um serviço sujeito à lei trabalhista e um serviço sujeito a uma lei especial. Até o momento da transferência do bem. a responsabilidade do mesmo é do vendedor. índices ou parâmetros. 481. para entender o que é esse contrato. De outro lado. ou futuro . desde que este seja designado pelos contratantes. O contrato de compra e venda que atribui à apenas uma das partes a fixação do preço é nulo. e o outro. Pode ser objeto da compra e venda qualquer bem atual . a pagar-lhe certo preço em dinheiro. você conhecerá as particularidades dos tipos de contrato mais comuns com os quais poderá se deparar. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa . Vamos ver os elementos que caracterizam uma relação de emprego: • Todo serviço que tenha como característica a subordinação (um chefe e um subordinado).pode ser anulada. as despesas com escritura (contrato celebrado perante tabelião de notas) e registro serão de responsabilidade do comprador. como por exemplo um árbitro. o contrato ficará sem efeito se o objeto futuro não vier a existir. Salvo se as partes estipularem de forma diversa. o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o total do valor devido. e após esta. Já nos casos de venda a crédito. já que sobre cada um deles é necessário saber algumas coisas específicas.

Quatro dias. Véspera. salvo se foi pactuado o pagamento antecipado ou o pagamento em prestações. este será fixado de acordo com o costume do lugar. O transporte realizado de forma gratuita (uma carona. O de transporte. De igual forma. os materiais empregados na obra também. mediante pagamento. Veja: Aviso prévio à outra parte em contrato de prestação de serviço: • • • Oito dias. O contrato de empreitada é aquele no qual um empreiteiro (pessoa que executa) é contratado por um terceiro (dono) para a execução de uma obra (construção). Diante disso. todo serviço que seja regulado por lei especial. não poderá exigir acréscimo no preço. como uma catástrofe como um terremoto que atingiu um país inteiro. correm por sua conta os riscos destes até o momento da entrega da obra. Se o contrato de prestação de serviços não estipulou o valor do serviço. ainda que sejam introduzidas modificações no projeto. se o salário foi fixado por mês. desde que comunicada em tempo hábil de ser renegociada. Vamos à próxima espécie de contrato. qualquer das partes pode dar fim ao contrato mediante aviso prévio à outra parte. o empreiteiro que aceitar a execução de uma obra de acordo com plano aceito por quem o encomendou.• Da mesma forma. A parte contratada por tempo certo ou por obra determinada não pode ausentar-se ou despedir-se sem justa causa antes de preenchido o tempo ou terminada a obra. a regra é que o mesmo seja feito somente depois da prestação de serviço. se o salário foi fixado por menos de uma semana. Agora vamos falar sobre um outro tipo de contrato. obriga-se a transportar pessoas ou coisas de um lugar para o outro. como um motorista bêbado que invada o sinal e se choque com um ônibus que transportava passageiros. A não ser que seja um motivo de força maior. cujo prazo varia conforme a fixação do salário combinada. O contrato de prestação de serviços poderá ter duração máxima de quatro anos. Os empreiteiros de construções de edifícios que tenham por objeto materiais e mão de obra. Chama-se contrato de empreitada. contados da entrega da obra. o dono é obrigado a recebê-la. Salvo acordo das partes. respondem pela segurança e solidez da obra pelo prazo de cinco anos. Em relação ao tempo do pagamento. além desta. Se o empreiteiro só forneceu mão de obra. Se o prazo não foi estipulado no contrato. todos os riscos correm por conta do dono da obra. O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens. salvo se esta foi executada em desacordo com as suas instruções. como por exemplo o serviço público que é regulado pela lei do funcionalismo público. O objeto do contrato de empreitada poderá ter somente a mão de obra do empreiteiro ou. sendolhe devida a restituição do valor integral da passagem. este . É o exemplo clássico do empreiteiro que dimensiona mal o projeto e tenta repassar os custos para o dono da obra. Concluída a obra pelo empreiteiro. Quando o empreiteiro fornece também os materiais. O passageiro tem o direito de rescindir o contrato de transporte antes de iniciada a viagem. Contrato de transporte é aquele pelo qual uma pessoa. ainda que o transportador não tenha culpa. se o salário foi fixado por semana ou quinzena. o tempo gasto e a qualidade do serviço. sob pena de responder por perdas e danos. também não pode ser objeto de um contrato de prestação de serviços por ter regras próprias que se aplicam ao mesmo. a parte contratada por tempo certo ou por obra determinada que teve o seu contrato rescindido sem justa causa terá direito por inteiro à retribuição vencida e também a metade do que teria direito se tivesse continuado o contrato até o final. Se o transporte for interrompido. ainda que o dano tenha sido causado por culpa de terceiro. por exemplo) não se subordina às regras do contrato de transporte. contrato de prestação de serviço é aquele no qual uma parte contrata de outra um serviço material (conserto de uma casa) ou imaterial (elaboração de uma marca para um produto) e que não se confunde com a contratação do serviço sujeito à lei trabalhista ou lei especial.

o uso pacífico da coisa. Havendo prazo estipulado à duração do contrato. inclusive pagando estadia e alimentação para os passageiros. no estado em que recebeu. O transportador poderá exigir que o contratante lhe entregue. restituir ao Locador a coisa. Garantir-lhe. O transportador poderá recusar o transporte da coisa cuja embalagem esteja inadequada. comunicar o Locador as tentativas de uso da coisa por terceiros. O contrato de locação é aquele no qual uma das partes (Locador) cede a outra (Locatário) um bem (móvel ou imóvel) por um prazo determinado. valor. . A coisa recebida para transporte deverá estar caracterizada pela sua natureza.obriga-se a concluir o transporte dando os meios necessários para tal. indicando-se ao menos o nome e o endereço do destinatário. E agora chegou a vez de conhecer as obrigações do Locatário: Obrigações do Locatário: • • • • utilizar da coisa alugada de acordo com a destinação contratada. Exemplo: se o contrato foi para fins residenciais. senão ressarcindo o Locatário das perdas e danos resultantes. peso e quantidade e o que mais for necessário para que não se confunda com as demais. salvas as deteriorações naturais ao uso regular da mesma. devidamente assinada. este terá direito à redução proporcional do valor do aluguel. ou danificar o veículo ou outros bens. salvo se pagar a multa prevista no contrato. A responsabilidade do transportador pela coisa transportada é limitada ao valor discriminado na relação entregue pelo contratante. Exemplo: Se o movimento dos sem teto tentou invadir o imóvel locado. Veja abaixo as obrigações do Locador: Obrigações do Locador: • • Entregar ao locatário a coisa alugada. não poderá o Locador reaver a coisa alugada antes de vencido o prazo. Por fim. O transportador tem direito de reter as bagagens do passageiro como forma de garantir o seu pagamento. Um exemplo: transporte de material inflamável sem embalagem adequada. uma relação discriminada das coisas a serem transportadas que passará a fazer parte do contrato de transporte. mediante o pagamento de retribuição (aluguel). durante o tempo de contrato. pagar o aluguel pontualmente. começando a partir do recebimento da coisa e somente terminando com a entrega do bem ao destinatário. não poderá o bem ser utilizado para fins comerciais. finda a locação. bem como a que possa por em risco a saúde das pessoas. Se durante o contrato de locação a coisa se deteriorar sem culpa do locatário. vamos conhecer a última espécie contratual de que vamos falar: o contrato de locação. nem o Locatário poderá devolver a coisa ao Locador.

Módulo 4 Entenderemos agora como terminar um contrato. mas é igualmente importante saber desfazê-lo. A chamada cláusula resolutiva é a figura que permite ao contratante lesado a resolução do contrato em juízo. diz-se que ocorreu a resolução do contrato. a parte que foi lesada com o inadimplemento contratual tem o direito de exigir a sua resolução. se o contrato foi feito por escrito. mas decorre da aplicação da lei. que utiliza o distrato como instrumento para formalizar a extinção do contrato. Ocorre que. É importante mencionar que existe também a cláusula resolutiva tácita. nem sempre o contrato é extinto dessa forma. Assim. A primeira forma de extinção contratual disciplinada pelo Código Civil é o distrato. se for o caso. Assim. mediante a iniciativa de uma ou de ambas as partes. conforme disposto no art. ou seja. Quando as partes estabelecem no contrato que o inadimplemento de qualquer uma de suas cláusulas permite a resolução do contrato. mesmo com o fim do contrato pelo cumprimento de todas as obrigações assumidas. Se as partes chegarem a um acordo. as partes costumam elaborar um distrato para formalizar o fim da relação estabelecida entre elas. A inexecução contratual ocorre quando uma das partes deixa de cumprir uma obrigação. os contratantes devem utilizar uma das formas extintivas previstas nos artigos 472 a 480 do Código Civil. pleitear indenização pelas suas perdas e danos. Uma vez que os contratantes. Trata-se de um costume do mercado. pode-se dizer que o distrato é um novo contrato. uma vez aberta uma porta. tornando-se inadimplente. diante do inadimplemento contratual de uma delas. É importante destacar que. o distrato também deverá ser feito por escrito. poderão obter a extinção do contrato mediante a elaboração de um distrato. é essencial saber como fechá-la. na prática. ocorrendo o descumprimento de uma obrigação contratual. Qual a diferença então entre a cláusula resolutiva tácita e a expressa? . estas estipulam uma cláusula resolutiva expressa. a parte lesada pode requerer a extinção do contrato com fundamento na cláusula resolutiva e. Caso não cheguem a um acordo para terminar o contrato. porque é importante saber como fazê-lo. Assim. cada um deles. que tem por objeto colocar fim a outro celebrado anteriormente pelas partes. acabando antecipadamente com o conjunto de direitos e obrigações que as partes celebraram. Na verdade. Trata-se de documento elaborado de comum acordo entre as partes para por fim ao antigo contrato firmado. Quando um contrato é extinto pelo descumprimento de uma obrigação por qualquer das partes. rompendo o vínculo e extinguindo o contrato. ou seja. Sim. Em algumas situações. deverá a parte lesada recorrer ao Poder Judiciário para obter uma decisão judicial que determine o fim do contrato. infelizmente. cumpriram com suas obrigações. sob pena de resolução do contrato. utilizar para o distrato a mesma forma adotada para confeccionar o contrato que se pretende terminar. Vamos ver como ocorre esse proceso. tendo havido sucesso no que foi acordado pelas partes. o contrato é extinto de maneira anormal. Nesses casos. Após aprender como confeccionar e utilizar corretamente um contrato deve-se estudar como terminar de maneira apropriada a relação de direitos e obrigações criada por este instrumento. pode-se dizer que o contrato está extinto. jamais verbalmente. deve o elaborador. como dispõe o artigo 472 do Código Civil. A maneira mais comum de extinção do contrato ocorre pelo cumprimento espontâneo de todas as obrigações estabelecidas pelas partes. Falaremos agora sobre quando um contrato termina porque uma das partes não cumpriu o acordado. o que por si só já implicaria na extinção do vínculo contratual. 474 do Código Civil. A cláusula resolutiva tácita se baseia no dever geral de que todos devem cumprir com as suas obrigações contratuais. Afinal. para que situações inesperadas não surjam indesejadamente. a cláusula resolutiva que não vem escrita expressamente no contrato.

o que. em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Recomenda-se que a cláusula resolutiva constante em um contrato seja o mais objetiva possível. poderá a parte prejudicada solicitar a resolução do contrato. em primeiro lugar. a onerosidade excessiva do contrato deve ser decorrente de fatos anormais e imprevisíveis no momento de sua confecção. Esse fato. para entregar a obra concluída adequadamente. Como já foi mencionado. É evidente que um tema importante como a extinção dos contratos deve ter as suas dicas. a despeito de não ser necessário. a resolução do contrato por onerosidade excessiva deve ser alegada com cautela pelos contratantes. Assim. Durante a execução da fundação da obra. por uma questão de cautela. Além disso. a existência de rochas de alta resistência. Trata-se de um costume do mercado. A confecção de uma cláusula geral. tem por objetivo ratificar a intenção das partes de encerrar a relação contratual. • • . o contratante lesado apenas comunica ao contratado inadimplente a sua vontade de extinguir o contrato. A formalização desse distrato. deve ser levado à apreciação do Poder Judiciário. inovação trazida nos artigos 478 a 480 do Código Civil de 2002. uma excessiva diferença entre o valor da obrigação ou do objeto da obrigação entre o momento da celebração do contrato e o instante do seu efetivo cumprimento. pois estes terão que provar ao juiz que o desequilíbrio entre as obrigações contratuais é realmente excessivo e que decorrem de fatos imprevisíveis e extraordinários. Vale salientar que o contrato. Se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. de sorte a não deixar dúvidas quanto à intenção das partes de pôr fim ao contrato na hipótese de inadimplemento daquela obrigação específica. deverá a parte desfavorecida ajuizar medida judicial para ver extinto o contrato celebrado. veja a seguinte situação: Imagine. registrado no distrato expressamente que nenhuma das partes tem qualquer relação com a outra. Assim. criará uma excessiva diferença em desfavor da empreiteira contratada pelo investidor. Para que fique configurada a onerosidade excessiva do contrato. Para exemplificar. irá impor à contratada uma obrigação muito maior do que a inicialmente prevista. A resolução do contrato também pode ocorrer no caso de onerosidade excessiva. com extrema vantagem para a outra. recomenda-se que. 2. quando o contrato já encontra-se extinto pelo cumprimento de todas as obrigações. caracterizará a onerosidade excessiva do contrato. gaste um valor equivalente a 20% do total do contrato para remover as rochas. que não foram detectadas pelos melhores métodos de sondagem do terreno. deve haver. Se a cláusula resolutiva vem expressa no contrato. ficam evidentes as vantagens de se mencionar expressamente a cláusula resolutiva. Existe ainda uma outra forma para um contrato ser extinto. se a cláusula resolutiva não está expressa. e como pagamento foi acordado um preço fixo determinado pela execução do projeto. Se as partes não chegarem a um acordo para recompor o equilíbrio entre os direitos e obrigações do contrato. o contratante lesado tem a obrigação de notificar o contratante inadimplente para atribuir-lhe uma última oportunidade de cumprir o contrato. por exemplo. um investidor do setor de energia que contrata uma empreiteira para a construção de uma usina hidroelétrica. inesperadamente. a formalização de um distrato constitui uma prática comum no mercado. descobre-se. para ser cumprido. Somente após esta notificação poderá a parte inocente extinguir o contrato e requerer a recomposição das eventuais perdas e danos que o inadimplemento tiver lhe causado. pois o contrato termina pelo simples cumprimento satisfatório de todas as obrigações contratuais. para ser extinto com base na alegação de onerosidade excessiva. O contrato.A diferença entre a cláusula resolutiva tácita e a expressa reside no fato de que. sem a necessidade de dar nova oportunidade para o cumprimento da obrigação. certamente. as partes sempre elaborem um distrato para extinguir o contrato celebrado. Vamos ver algumas: • Independentemente do cumprimento de todas as obrigações contratuais pelos contratantes. Esse fato fará com que a empresa construtora. decorrente de circunstâncias anormais e imprevisíveis.

sob pena de. sujeitando uma das partes a uma obrigação desmedida. exigir a prévia notificação do inadimplente. põe fim ao contrato. esta deve procurar o Poder Judiciário o mais rápido possível. considerada como cláusula resolutiva tácita. 3. pela dificuldade de cumprir a obrigação. Uma vez configurada a onerosidade excessiva de um contrato. do tipo: “o descumprimento de qualquer obrigação prevista neste contrato implica na sua imediata resolução”. pode deixar levar o juiz a considerá-la como cláusula resolutiva tácita. de sorte a não permitir que o outro contratante solicite a sua resolução em razão do inadimplemento. mediante o ajuizamento da ação competente. deve-se evitar no contrato a confecção de uma cláusula resolutiva geral. • . É importante que a parte lesada pleiteie a resolução do contrato na iminência de tornar-se inadimplente.sem menção expressa da obrigação que. • Assim. inadimplida. É preciso citar qual a obrigação específica que implica na resolução do contrato.

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