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Literário, sem frescuras!
1664ISSN 1664-5243

ESPECIAL

CEM ROSAS PARA VOCÊ, MULHER!
Março de 2011

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LITERÁRIO, SEM FRESCURAS!
GENEBRA, MARÇO DE 2011

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ESPECIAL

CEM ROSAS PARA VOCÊ, MULHER!
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1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

FATIMA VENUTTI FABIO RAMOS VO FIA WALDO LUIS VIANA TINO PORTES JOSE WALDIR DE OLIVEIRA VALQUIRIA GESQUI MALAGOLI RAQUEL GESQUI MALAGOLI TAIS SIGRIST

10. FLAVIA FLOR 11. ANGELA TOGEIRO 12. MARIA DE FATIMA BARRETO MICHELS 13. VALDECK ALMEIDA DE JESUS 14. MARILU F. QUEIROZ 15. GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA 16. LILIAN MAIAL 17. FLAVIO MACHADO 18. JOYCE CAVALCANTE 19. MARIA EMILIA GENOVESI 20. ROZELENE FURTADO DE LIMA 21. GERALDO TROMBIN 22. RITA ELISA SEDA 23. BETH ROZEN 24. CHAJA FREIDA FINKELSTAIN 25. DEBORA NOVAES DE CASTRO

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26. TETE CRISPIM 27. RAIMUNDO CANDIDO TEIXEIRA 28. MARIA ALICE ROVALHO DE SOUZA 29. MARIA CRISTINA PIRES SILVA RAMOS 30. DINA PAVESI 31. IVANE LAURETE PEROTTI 32. ZELIA GUARDIANO 33. DULCIO ULYSSEA JR. 34. RENATA IACOVINO 35. ANTONIO VENDRAMINI NETO 36. LUCY NAKAMURA 37. DALVA AGNE LYNCH 38. ANABEL SAMPAIO 39. JANIA SOUZA 40. FATIMA DIOGENES 41. ROSALIE GALLO 42. VIVI VIANA 43. FLAUZINEIDE DE MOURA MACHADO 44. VARENKA DE FATIMA ARAUJO 45. MARCIO JOSE RODRIGUES 46. NORALIA DE MELLO CASTRO 47. CIRO JOSE TAVARES 48. ANNA BACK 49. ELIANA WISSMANN 50. OSWALDO ANTONIO BEGIATO

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51. FABIO RENATO VILLELA 52. CLAUDIA GONÇALVES 53. PAULA BARROZO 54. SILMARA OLIVEIRA 55. RITA DE OLIVEIRA MEDEIROS 56. IGOR MEDEIROS DE OLIVEIRA 57. TEREZA RODEL 58. MARIA PERPETUA FREIRE BRASILEIRO 59. CLARICE VILLAC 60. CELIA LABANCA 61. JACI SANTANA 62. ALESSANDRA NEVES 63. WALNELIA CORREA PEDERNEIRAS 64. ANA MARIAH 65. MARIUZA HELENA 66. SANDRA HELENA QUEIROZ SILVA 67. AMARILIS PAZINI 68. DEBORA VILLELA PETRIN 69. GLORIA SALLES 70. ALMA LUSITANA 71. LUIZ EDUARDO GUNTHER 72. PATRICIA LARA 73. ROSELIS BATISTAR 74. VICENCIA JAGUARIBE 75. ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS

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76. VICTOR MANOEL G. VILENA 77. CARLOS DAMIAO 78. VALERIA NOGUEIRA EIK 79. MARILIA FLOOR KOSBY 80. LARIEL FROTA 81. JU VIRGINIANA 82. MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA 83. CAMILA MOSSI DE QUADROS 84. HUGO PONTES 85. ZULEIDE DE JESUS CORAL 86. FABIO SIQUEIRA DO AMARAL 87. HELENA WALDEREZ SCANFERLA 88. HENRIETTE EFFENBERGER 89. IGNEZ FREITAS 90. JOAREZ DE OLIVEIRA PRETO 91. JOSE SOLHA 92. LEDA MONTANARI 93. LOLA PRATA 94. LYRSS CABRAL BUOSO 95. MARINA VALENTE 96. MIGUEL GARCIA ALVES 97. MYRTHES NEUSALI SPINA DE MORAES 98. NORBERTO DE MORAES ALVES 99. VOLPONE DE SOUZA 100. WADAD NAIEF KATTAR
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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL ® Especial Cem Rosas Para Você, Mulher! Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelo site: www.coracional.com Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. Se você deseja par cipar do VARAL DO BRASIL NO. 9, envie seus textos até 15 de abril para: varaldobrasil@bluewin.ch
Mulher com rosa Gustavo Rocha

FALANDO DA MULHER...
Mulher não é fácil de descrever. Não o sexo feminino em si. Mas basta um chamado para se falar dela e elas chegam, mansas, bravas, cheias de histórias, de fatos, de sonhos. Chegam contando a vida que levaram, a que queriam ter, aquela que sabem que nunca terão e mesmo a que acaba de acontecer. Mulher é um caso. Está pintada, desenhada, escrita. Ninguém está longe dela. Há com certeza uma ao seu lado, seja em casa ou no trabalho. Há uma dentro de você. Mulher já foi cantada inúmeras vezes em letras de músicas, em assovios pela rua, em declarações inflamadas. Mulher é música, letra de música, sinfonia. Mulher cria, dá cria, inova, se renova, desova, estorva. Mulher não para. Mulher é o próprio movimento. Um vento que bate e nunca deixa coisa alguma no lugar. Mulheres fortes, mulheres fantásticas, são estas que você vai ler aqui e todas as que vai encontrar pelas ruas, por sua existência. Mulheres aqui também saudadas por homens que conhecem o seu valor. E é a elas que desejamos não somente um excelente dia, mas um excelente ano, uma vida de excelência! A Equipe do Varal
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Mulher com cabeça de rosas 1935 Salvador Dali

DIA SEGUINTE

Por Fá ma Venu

A madrugada chegara ao fim e ela não nha conseguido dormir. Impulsivamente abriu as cor nas da janela da sala e seu rosto rastreou a luz do sol. Foi quando abriu a janela de seu mundo que tomou a decisão: hoje vou apagar o passado. Sem pautas discu das olhou pro computador, ligou-o e começou a procurar aqueles arquivos que somente ela decifrava suas nomeações. Um amargo breve desceu pela garganta. Selecionou o primeiro arquivo, pensou, relutou. Por fim, apertou DEL. Entrou num transe de fúria incon da e foi apagando um a um sarcas camente. Havia um riso estranho permeando o canto dos lábios. Quando terminou puxou diretamente o fio da tomada, recostou-se na cadeira e percebeu: não tem mais volta. A lingerie vermelha veio à sua mente, comprada especialmente para aquela noite. Ainda pingava água de sabão no varal da lavação quando a arrancou num único golpe e foi para o quarto juntando às demais que se escondiam na gaveta. No trajeto, o chão tatuado de gotas de nta vermelha. Buscou a tesoura na lata de costura, sentou no chão em posição de meditação e foi, uma a uma, picotando as calcinhas, sou ens e tudo que remetesse àquele passado. Queria poder rasgar sua vida em dois tempos e permi r a existência somente de um. Mais amargo desceu pela garganta. Engoliu em seco todas as suas dores. Sua mente fervia em ódio, desprezo e men ras. Foi quando avistou, dentro do guarda-roupa, sua caixa de segredos, ao fundo, sob a sombra das roupas penduradas nos cabides. Es cou-se para frente para alcançá-la e levou-a até a cama. Os lençóis, ainda revirados daquele pesadelo. Ajoelhou ali mesmo os seus pecados e como que em câmera lenta foi abrindo, sorvendo suas lembranças, seus segredinhos, presentes, fotos, bilhetes, tudo que queria transformar em nada. Um a um foi re rando os objetos da caixa e pousando sobre a cama. Sabia que era a úl ma vez que veria essa cena. Travou os dentes. Não permi u que seus olhos marejassem. Veio mais uma respiração pesada, sôfrega, profunda. Olhou tudo como a um sacri cio e rapidamente devolveu, um a um, para o interior da caixa. Aproveitou o espaço interno, recolhendo as lingeries picadas e soltando-as, encobrindo os becos, trincheiras, caminhos e tudo o que conseguia remeter àquela imagem. Fechou. Agarrou a caixa junto ao peito e quase, por um segundo, pensou em se arrepender do que ia fazer. E veio outro amargo, desta vez, rasgando com mais vontade a garganta. Sen u o odor fé do de sua vergonha corroer as paredes da laringe e desaparecer no vácuo de seu estômago vazio. Sen a-se o próprio nada. Não pensou. Percorreu a casa até a porta da lavação. Passou pela cozinha, esbarrou no fogão, roubou a caixa de fósforos.
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Abriu a porta do armário onde sabia o que pegar. Perdeu-se ali no tempo do desespero e acordou às voltas com o laranja das chamas. Coisas começaram a crepitar, as faíscas aumentavam e ela foi refazendo uma pauta inexistente de sua vida em sua mente. Sua cabeça fervia lembranças e lançava jatos de vergonha alimentando as chamas. Correu de volta ao quarto e num saco de lixo jogou perfumes, jóias, livros, algumas peças de roupa, mais fotografias e poemas inacabados. Por onde seus olhos percorriam e ela encontrasse algo que a fizesse lembrar, jogava dentro do saco. Quase exausta, num choro seco, voltou à fogueira no quintal e despejou os objetos recolhidos. O saco de lixo debruçou devagar sobre a chama, por úl mo, e enrugouse antes de derreter. Era exatamente como a imagem daquele saco que ela se sen a. O tempo das chamas foi diminuindo e ela permaneceu de plantão, observando, confirmando que não haveria mais volta e nada mais restaria. Cansada, foi se despindo, jogando cada peça de roupa no chão pelo caminho até o banheiro. Nua, ligou o chuveiro no frio e mergulhou primeiro a cabeça, depois ombros, membros, enfim. Desligou sua mente no gélido da água e desejou lavar sua alma de algum resquício de passado. Agachou-se no box e ali permaneceu, sem pressa. Quando terminou, passados quase 25 minutos, ela se secou, ves u o roupão e foi conferir as horas: 10h40min. Sábado de janeiro amargo. Registrou isso num Post it e colou na porta da geladeira. Nunca mais amou. Negou sua história. Entregou sua alma aos livros, tornou-se escritora.

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O PODER DE UMA MULHER Por Vó Fia

Túlio era casado com Natércia e se julgava muito feliz, porque ela era uma mulher culta, elegante e calma, mas era uma pessoa tristonha, de pouco assunto e sem brilho; não que fosse feia, porque era linda, mas era como uma açucena, bonita , mas sem perfume e convivendo com toda aquela falta de graça e de alegria, ele se tornou apagado também, sem vida e calado. Por muitos anos viveram naquela monotonia, tiveram dois filhos, que eram apagadinhos também como seus pais, mas a vida seguia seu curso, até que Natércia adoeceu e o que no principio parecia pouca coisa, se transformou em uma enfermidade grave e depois de sofrer por alguns anos, ela morreu e a vida do agora viúvo continuou nos mesmos moldes de sempre. Dois anos se passaram e o desenxabido e solitário viúvo se aposentou e voltou para sua cidade de Verdes Campos no interior; para se distrair ele fazia caminhadas todas as manhãs em volta da praça da igreja e se encontrava diariamente com a Matilde Araújo, uma vistosa e alegre senhora também viúva, mas que nada tinha de apagada e era bem animada. Começaram com apenas um cortês bom dia e devagar começaram a trocar algumas palavras e conversa vai e conversa vem, em pouco tempo a recente amizade evoluiu para um tímido namoro, mas Matilde não era nada tímida e convenceu o enrustido namorado a acompanhála a um pequeno clube, aonde ela ia sempre para dançar, mas ele não sabia nada de danças. Ir ele ia, mas ficava assentado enquanto a alegre senhora se esbaldava na pista de danças, até que ela resolveu que ele precisava aprender a dançar e teimosa como era conseguiu começar a ensinar a arte de Terpsicore ao sombrio namorado e se surpreendeu com o resultado de suas aulas, porque em pouco tempo Túlio era um ótimo e entusiasmado dançarino. Dançavam em casa e devagar ele foi perdendo a timidez e passaram a dançar nos bailes do clube, mas o melhor foi que incentivado por Matilde ele passou a tomar parte nas conversas e foi mudando o comportamento até se tornar um alegre, prosa e simpático cidadão, nem parecia o mesmo homem calado e triste; bonito ele não era, se tornou agradável. Túlio e Matilde se casaram e formaram um casal festeiro e descontraído, eram convidados pra todos os eventos de Verdes Campos e a comunidade aplaudia encantada suas lindas exibições de dança e o melhor foi a mudança de comportamento de seus filhos, que de tristinhos passaram a bonitos e alegres rapazes, disputados pelas mais belas jovens da cidade, tudo isso foi o resultado da influencia de uma alegre mulher.

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ALDEBARÃ E SIRIUS
“Do céu azul na profundeza escura, Brilhava a estrela como um fruto louro.” CASTRO ALVES

Por Waldo Luís Viana Nesta noite, apresentei entre seus dedos duas estrelas brilhantes, vistas do firmamento através de minha janela humilde e elas exibiam, entre os outros luzeiros de um céu urbano estranhamente marchetado, um brilho de há nove mil anos. Ele chegava às nossas retinas admiradas, num breve momento de ilusão e nós dois estávamos ali, impertinentes e sozinhos, diante da beleza distante. Você, que me visita em algumas noites, sempre alegre, à procura de um pouco de companhia depois de um dia estafante: filhos, rotinas e medidas domésticas de curto e médio alcance, entre profundas tragadas de angústia com o-que-será-de-mim da própria vida. Eu, vivendo o açoite de depressões continuadas, machucado por problemas comezinhos de acertos de contas e má comida de supermercado, com saudade da filha distante, tão perto, a sonhar com uma fictícia e inatingível mulher amada (uma estrela?) que me tiraram, a fórceps, pelo destino. Que vida pequena nós temos diante de nossas duas nobres estrelas companheiras! Elas dãonos de ombros em silêncio majestoso, indiferentes às partidas de dinheiro, glória, prestígio e competição que são jogadas neste inframundo e que comandam, por querer, nossas vidas, às vezes subordinadas a vilanias e maldades que não podemos controlar... Indiferentes a tudo, elas estão lá, não cobram impostos nem propinas para tremeluzir. E nós, calmamente, as ignoramos, pensando nos mínimos instantes que nos cercam e nem ultrapassam o fio imaginário do horizonte do mar. Cá estamos nós, solitários a olhar para cima, quando cá embaixo temos um governo a nos oprimir, fome, miséria, violência e desesperança a nos circundar e uma família - a boa e honesta família – para conseguir disfarçar. Você quer o pouco que der de mim e eu tenho até um bocadinho de você, mas a vida é só isso, meigas estrelas? Os meus inarredáveis objetivos de literato, as minhas angústias medidas e quase convincentes, o cigarro que fura as suas vísceras, a psicanálise que lhe faz chorar e conhecer, os filhos que vão indo embora a cada dia, como flechas aleatórias atiradas ao vento, e eu, de repente, tenho tudo a lhe dizer e nem sei mais como fazê-lo, eu que me presumia proprietário de tantas e tão domáveis palavras... Eu quero uma mulher para amar, poxa. Será que é você? Será que tenho, finalmente, que ter a coragem necessária de entregar minha ditadora liberdade a seu coração e fazer o quê do meu ego infantil-trancafiado? Pô-lo à disposição de seus filhos tão bonitos quanto inconsequentes, esmagados pela revolta com a vida que lhes cria na mente as mesmas perguntas que não sei responder? E seu ex-marido, trancafiado fisicamente, assustado e humilhado, que não passa de um menino, quem sou eu para julgá-lo, eu que não estou conseguindo enfrentar as cadeias de meu mundo interno, pavoroso. O que me fez chegar a esse ponto, meu Deus! Fazer 46 anos e detestar o dinheiro, que é hoje o mestre satânico do mundo? O que farei da minha vida, se continuar assim?

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Hoje estive com meu pai e conversamos coisas profundas. Ele me ouviu em cheio, com um entusiasmo juvenil que já não tenho. Ele quer morrer com as armas na mão, como um guerreiro que sempre foi e eu fujo, como um infante infame da guerra de mim mesmo, que só será vencida se eu mesmo quiser. Não tenho a menor dúvida de que há um destino, governado por Deus, e que meus cabelos estão contados. Pensava que havia descoberto minha missão, mas entrei em crise. Fiquei feio, sublunar... E achei que todos me abandonariam, por não me entender. Você, porém, ficou, crendo em mim, mesmo sem compreender minhas sandices, minhas demoras, meus pesares imaginários de terrores noturnos. Você esteve perto e, a despeito de todos os seus silêncios, dos quais não perguntei a origem, permaneceu a meu lado, desafiando as perguntas óbvias que vêm a mente dos menos ferozes de meus conhecidos descrentes. É seu futuro? É ele, esse artista meio louco e fracassado, meio aventureiro e desconcertante que cruzou sua vida errante e de poucos sentidos? Não valeria a pena ele ser despedido entre duas tragadas? No entanto, o mistério de Aldebarã e Sirius, entre seus dedos, continuava irremovível, com a luz ilusória de nove mil anos. E nós dois, constituídos da mesma massa das duas estrelas, encurvados pelo sofrimento brutal de nossas consciências, fizemos perguntas completamente irrelevantes para elas: se o mês vai caber em nossos orçamentos, para quantos vigaristas teremos de sorrir nos dias seguintes e se nossos filhos alcançarão a felicidade que nossas incompetências não produziram. Não sei o porquê, mas pensei nessas esferas brilhantes na madrugada de luzeiros mornos, descobrindo que elas são um pedacinho de nós, tentando afirmar suas identidades diante de um mundo ilusório e esmagador, que não poupa armadilhas para nos ver separados, embora não saiba que são vãos tais esforços: ele não percebe que nossas luzes, malgrado venham de uma reencarnação distante, talvez sobrevivam em verdade por serem incessantes, tal como o brilho de Aldebarã e Sirius...

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Acróstico Por Tino Portes

M usa da criação... U ma deusa, isto sim! L ouvo a mulher; H omens todos – ao chão!!! E la sabe o que quer: R epitam comigo: isto sim!

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TRIBUTO AS ETERNAS SANTAS

Por José Waldir de Oliveira

La vai uma incandescente oblação, homenagem memorável as encantadoras e diabólicas mulheres que povoam as terras as eras insertas entre a luz do palpável e do delirante imaginário universal. E se assim não se fizesse seria outra coisa menor, outro deslumbre lisérgico que não a mulher. Diz um bom e sábio amigo meu, nominado por ora de Dom Isaac, que não é o Newton, que toda mulher é santa, vez que põe de junto todo homem de joelhos ao impostergável inconsciente, delirante e eterno retorno uterino. Que ritual magnífico, inarredável ao profundo e indizível regresso uterino que no mais das vezes se faz as pressas, para que a prece imantada se manifeste de logo ante a qualquer subterfugio ou razão diversa e alheia à fricção e ao tato entre as bordas, lábios, paredes constri vas em bodas de esperma e eterno gozo ao fundo da escuridão. Como se diz por aí: não importa que a mula manque, o fundamental e o que eu quero é rosetear. Ah mulheres, donas do mundo por enquanto, que somente a par r de uma costela fizeram-se a Demeter criadora, o grande colo da fer lidade materializadora da vida, que de igual modo, às vezes em sorriso largo, ao balançar a cabeleira sobre a nuca, rompe a caixa de pandora e incendeia o mundo. E lá vai ela toda bela com seu passo de cisne, de gazela, perturbando a ordem da representação que a premissa logica aguardava. É o encantamento da linda, da gostosa, da bonitona, da grande pomba de asas, penas e pernas flamejantes trazendo coriscos e raios de tempestades em pleno céu ma nal de sol escaldante. Mulheres, que fenômeno climá co indescri vel, em voo de morcego que não aparece em radar. É a grande surpresa previsível, é o inesperado que se aguarda com grande sede é a certeza de que a senhora, ga nha e “madame” retorne aos meus braços, às lambidas, mordidas e apertos e somente assim reconheço a maravilhosa condição humana ao reverberar do baixo ventre, vez que também as outras essências divinas tem lugar em ritual diverso e nem por isso ficaremos menos ou mais angelicais, menos ou mais descaídos aos olhos do sopro eterno e onipresente, que se traduz em essência e persona da grande fêmea. Peço vênia e compreendo, mas afasto qualquer compleição diversa dessa esposada em jubilo a todas as mulheres. E digo ainda que toda maledicência imposta as mulheres é alvitre decorrente das reduzidas sobre codificações aristotélicas que ainda permeiam o imaginário da contemporaneidade, subme da à ilação de uma equação amparada tão somente entre o significado e o significante, fato que lamentavelmente revela a primazia da primariedade e da incompreensão, feito cara de medo e pânico do mundo masculino ante as maravilhosas e fantás cas constelações curvilíneas das donas divas que rela vizam a configuração pujante da energia manifesta no mundo dos sen dos, impondo o debruçar do espaço sobre si mesmo deixando o planeta mais belo e não necessariamente mais correto, não importa, sois soberba, sois sóis, estrelas e cordão no labirinto do macho. Contrapondo-se a Lupicínio, “...Pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...” sempre amavam sempre....sempre andavam atrás pela frente, por baixo e por riba e ladinho e a distancia desses ditos rabos de saia, mesmo que ainda usem calça jeans.. Salve todas as mulheres, sois sempre santas, mesmo que me mandes embora, me troques por outra ou por outro...

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Seminua Releitura giz pastel seco por Valquíria Gesqui Malagoli

Femina
Por Valquíria Gesqui Malagoli

O que irá na sensacional alma insolente, a feminina? Qual a razão da irracional força que tudo em volta anima? Cicatrizes mil, nem zil versos jamais poderão traduzir... Entanto, vemos dela o anverso, pois, chora, chora, mas de rir!

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A mediadora Releitura Grafite por Raquel Gesqui Malagol

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Jeans Grafite por Taís Sigrist

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Mulher Coragem
Por Flávia Flor Dotada de imensa força interior Enfrenta o dia-a-dia com furor Jamais deixa-se abater pela dor É guiada pela força incondicional do amor! Cuida e ensina sua cria À defender-se dos perigos da vida Leoa voraz Luta, luta, até não poder mais... Guerreira nata De arma sensata O amor em equilíbrio A palavra por um fio Torna a vida prazerosa Rega-a com perfume de rosa Distribui sorrisos em buquê Colhidos em seu jardim de ser

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MULHER ORQUÍDEA

Por Angela Togeiro

O físico parece frágil. Mas tem uma reserva inesgotável, que a torna forte, capaz de suportar a lida fora de casa dentro de casa; capaz de suportar a dor do parto, o prazer de se reproduzir. A alma parece ter essência suave e irrequieta. Mas tem uma força misteriosa, capaz de consolar, quando apenas precisa de consolo; capaz de seguir adiante, quando tudo começa a recuar. Faz simbiose com o Cosmos, por isso é forte o físico frágil, é vigorosa a alma suave e irrequieta. Mas precisa de um porto seguro, de um amor sincero para despertá-la e fazê-la florescer. Torná-la plena. Mulher... Orquídea... Mulheres!

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Com elas ao telefone

(*)

Por Maria de Fátima Barreto Michels

é que nem carnaval fantasia e confete alegria geral se falo com Bete se falo com Su é coisa de dentro sempre é encontro pode ser arte às vezes questões, ou soluções com Lu é do mundo é tim tim por tim tim no fundo é a mulher que sabe de tudo que sabe rezar e pede por mim. quando é com a filhota é onde me perco ela é paixão do jeito que fale, sempre derrete este meu coração

(*) Para minhas irmãs, mãe e filha.
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Máscara
Por Valdeck Almeida de Jesus Vejo as mulheres que passam por mim Tantas pinturas, belezas artificiais Azuis, vermelhos, pretos e carmins A ferir-lhes a verdade dos traços faciais. Cores sintéticas que deturpam o singelo Que mascaram a pura beleza feminina Profanam o amor, profanam o erotismo Que tanto atrai a fauna masculina. Enfeiam a pureza do universo Apagam o brilho de mil estrelas E eu fico apavorado, confesso. Espantam o calor do amor a dois Atiram o sublime a famintos leões Adiando todo o desejo pra depois.

Lowrider-Arte

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Aquarela de Marilu F Queiroz

Instantes...

Por Marilu F Queiroz Cada instante, um instante... Sinais do tempo que não se apagam. Do que já se foi, o que é passado... Das alegrias sem fim que sonhei. Cada instante, um instante... Da satisfação desmedida... Do registro de memórias retidas, contidas na razão. Cada instante, um instante... De paixões comedidas, sentidas... Medo de expor, dar vazão... ao que se quer, sem querer. Se cada instante é um instante... O que seria de nossa percepção. Do que foi, sem volta, fantasias... Dos doces sonhos e perdidas emoções.

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A LAVADEIRA Por Gilberto Nogueira de Oliveria

Uma pobre lavadeira Anda quilômetros sem parar, É viúva e tem filhos, E sua historia é muito triste. Seu marido, há cinco anos Morreu num tiroteio Para salvar a sua honra. (Isso mesmo. Pobre também tem honra) Levou um tiro na cabeça E outro no peito, Foi fatal, E nem teve tempo Para pensar na família. Sua mulher, muito mulher Tomou a frente de tudo. E começou a batalhar Para criar os filhos, E até hoje ela vive de lavar. Às vezes pensa em João E segue em frente, Deslizando no suor da vida, E vence...

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SER MULHER
Por Lílian Maial

Distribuí amor, Superei o tempo. Amei demais, está em mim. Mulher sem amor não existe. Atraí desejos, por capricho, Ou não, por pura paixão. Caminhei e caí, me ergui. E não pretendo mudar. Arregacei as mangas tantas vezes, Que já nem sei desenrolar. Mas...quer saber? É uma delícia ser mulher! Não troco por nada, por ninguém. Volto assim mil vezes, se puder. E quando o véu da noite, De inveja e despeito me levar, Que o amor que distribuí, Os frutos que plantei, venham, enfim, me regar.

Nasci mulher, é fato Gameta indiscutível, Cometa irremediável, Soneto jamais escrito. Cresci menina, concordo, De pernas cruzadas, Cabelos alinhados, Pelos depilados. Vivi madura, é certo. Aprendi a traçar os olhos, A disfarçar as lágrimas, A não borrar a maquiagem. Sonhei criança, feliz. Escrevi meus passos, Acreditei nos planos, Colhi meus frutos. Provoquei emoções, faz parte. Ensinei meus truques, Repiquei batuques, Batalhei com arte. Briguei na vida, gritei. Enfoquei os problemas, Resolvi os teoremas, Me entreguei a poemas. Quebrei espelhos, de raiva. Escondi a dor,

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dia internacional das mulheres
Por Flávio Machado para onde vã o as meninas ? astros errantes estrelas eternas encantadas donzelas beatas empresá rias donas de casa donas da vida senhoras dos ventos tomando - nos no colo amamentando alimentando amando sofrendo parindo salvando libertando nada impedirá que sonhem e sobre tudo transformar a vida para onde vã o as meninas ?

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PARA TE FALAR DOS MEUS SEIOS
Por Joyce Cavalcante Parceiro, Eu te contaria toda a história dos meus seios, te falaria deles com menos embaraço, se por acaso vesse tua mão enganchada na minha complementando minha coragem. (Não ache que é tão fácil ou tão indolor falar assim.) Derrama com calma um olhar guloso pelo meu decote adentro, mas por favor, não me olhe depois como se pudesse ler meus pensamentos. Gostaria também muito, nem que fosse por um pequeno segundo, de poder perceber minha imagem refle da na tua íris como se eu fizesse parte de . Ao mesmo tempo, ver tua imagem entrando pelos meus olhos, ou seja, eu em e tu em mim, numa alucinante projeção infinita. (Deixa eu falar, nem que pareça tola. Deixa eu falar em paz de minhas vontades e expecta vas sem a mínima disciplina. Sem censura largar minha cabeça à toa. Serão os seios o elemento básico de minha anatomia que me torna feminina e nos diferencia?) Toque-me. Sinta como pulsa rápido meu coração. Por cima do meu coração estão duas construções de minha geografia que brotaram com a única intenção de te provocar, principalmente quando uso certa blusa preta sustentada apenas por um cadarço. Daí, faço uso de tua imaginação e penso, que se puxas o laço, tudo vai ficar à mostra. E eu serei nada mais do que uma posta de mulher à tua disposição. (Vai ver que neles está nosso traço de união. Um traço atávico, pois não foi de algum seio que re rarmos nossa primeira alimentação?) Vá além da fantasia e me desfrute. Você me quer e eu te preciso. Se você aqui não concordar, te demonstrarei em detalhes meu propósito, Me despojarei de qualquer

roupa, coisa como jogar fora a embalagem que envolve a prenda para libertar a alegria de quem a recebe. É importante livrar se de todas as prisões seculares que limitam. Aposentarei o an go espar lho ou o não tão an go su ã, engrenagens que me apertam as carnes e me fazem tensa. C Eu não estou conseguindo sozinha desatar tantas presilhas, peço que me ajudes. E desde que me ajudes, estarei quase nua. (Contra nós, são obstáculos essas peças que tentam nos separar na hora do abraço.) Veja meus seios descobertos, desprotegidos, inteiramente à mercê de tua maldade ou de tua benevolência. É tudo teu.

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Será então um momento perfeito aquele em que tu que me desabotoavas ainda há pouco, sentado na beirada da cama me rodeares a cintura, encaixando teu rosto de perfil, exatamente no hiato que existe entre, acolá. Num acanhado gesto, meio encabulada, dissimulando, vou me movimentar fingindo descompromisso, de forma a encostar tua boca em um dos meus mamilos. (Entretanto, minha intenção é te amamentar. Te sentir dependente, transformado em menino.) Me suga, amor, enquanto solto um gemido baixinho. Modela com teus lábios meu prazer. Pode mordiscar. Não com muita força. Seios são iguais as frutas de casca transparente e frágil. Quem com eles quiser brincar tem de ter muito refinamento e exa dão. Mesmo quando o desejo se confundir com a impaciência, é preciso cuidado. Certo dia lhes fizeste uns carinhos mais enérgicos, eu me lembro. Fiquei com os olhos cheios de água. Não era dengo nem exagero, não. É que eu fico sempre vulnerável quando esta vindo minha menstruação. (Componente essencial da meta sica dos seios.) Vamos deitar. Uma vez deitados, esconde teu nariz neles, quase te provocando um asfixiamento, ou um afogamento, já que pra eles se parecem com o mar. Além de ser o mar, eles podem ser duas luas bêbadas e desorganizadas que oscilam quando faço movimentos tentando me enroscar em só para ganhar a sensação gostosa de teu peito cabeludo se roçando no meu. Gostas de te diver r com essas luas par cularmente aos domingos pela manhã, quando acordamos. E eu nada mais quero das manhãs de domingo que eu ver na vida a não ser tal ondulado, tal preguiça, tal contato. (Área na qual teu talento jamais será esquecido. Até no tempo em que eu não es ver mais con go.) Estou pron nha para amar, porém não tenho pressa. Deixa primeiro eu terminar de falar: quero propor um jogo diferente que retrate nossa imagem, nossa semelhança. Foi por isso e por tanto que essa mulherzinha se permi u inventar um jogo novo para te dar de presente. Não tenha receio, é um jogo bonito. No amor, todo ludismo é permi do. Vem cá. Deixa-me segurar teu sexo como se quisesse guardá-lo no peito. Devolvo a todas as folias que fizeste em mim. Esfregue-me, portanto. Do atrito de nossas peles, quem sabe eu consiga colher a intensidade do teu brilho num instante e o produto espalhar pelo meu pescoço, face, barriga, axila, por várias partes do meu todo. No amasso demorado do fim, teu esperma secando vai se encarregar de nos unir suavemente, nos deixar misturados. Que loucura que é ficar assim: ser dois. (Porque em princípio a gente é solidão; junto fazemos a exceção.).

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Mulheres:Vamos em frente?
Por Maria Emília Genovesi
Reflexão sobre o feminino, coisa de quem escreve! Mas nessa aqui queria retratar um pouco das maravilhosas mulheres que somos! Um pouco de cada vez, pois neste momento de ascensão, que as mulheres conquistaram, a muito que se pensar. Conquistamos sim espaços jamais sonhados. Lutamos em busca de nossos direitos, ainda que um pouco pra lá ou pra cá. Ainda escutamos que há muita violência contra as mulheres mundo afora! Falar da natureza feminina é um desafio. Mulheres são mutantes! Assimilam as emoções com uma rapidez tão grande, que as palavras não conseguem acompanhar! Acredito que vamos além de nossos sonhados espaços! O universo feminino é um grande livro para se desvendar, criar e somar. Ainda que sensíveis, fortes ou choronas, vamos em frente! Ou ainda que olhando nossos cabelos que não estão assim tão bonitos, ou a gordurinha que insiste em ficar ali, ou deprimidas por causa dos nossos desejos não realizados, vamos em frente! Com filhos ou não enfrentamos o dia a dia, como guerreiras de um exercito de obrigações a realizar! Tudo haverá tempo! Mesmo fazendo a maquiagem no carro, procurando os óculos que cada hora está num lugar, ou as chaves que sumiram dentro da bolsa mais uma vez! Ou quando esquecemos em que lugar deixamos nosso carro no estacionamento do supermercado. Vamos em frente! No silencio, ou na dor, estamos lá, símbolos da batalha. Ser mulher, ser o futuro! Um futuro incerto diante dos desafios do dia a dia. Hoje, depois de rasgarmos o sutiã, é hora de levantarmos a bandeira da paz, do amor, da verdade. Agora é um novo tempo! Mulheres transparentes, vencedoras da ética. Vamos em frente!

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MULHER
Por Rozelene Furtado de Lima Deus te fez mulher Deu a ti o dom da vida Pôs em ti luz e cor Delineou a tua silhueta Na forma do amor Tu mulher, és responsável Pelos seres que nascem São teus filhos, teus frutos Dóceis ou brutos São teus filhos teus encantos Por eles derramas teu pranto Culpam a ti pelas dores também Pelos erros e escorregadelas Pelas piegas e mazelas São teus filhos teus bens Por eles rezas e imploras Por eles pedes e dizes amem! Mulher que canta Mulher que encanta Mulher que dança Mulher que faz aliança Namorada, esposa, mãe, filha Ó mulher desperta, acorda! O mundo é teu, tu és a rainha O milagre em ti transborda Toma posse da tua parte divina. Coragem mulher, tu és heroína Salva teus filhos pequeninos Amamenta teus rebentos meninos Com eles brinca, educa, ensina

Embala o berço mulher menina. Mulher estrela guia, não estás sozinha. Atrás de ti uma multidão caminha São teus filhos tuas raízes Ramos de todos os matizes Teus deveres não negues Ó mulher não entregues Nem leiloes para quem quiser O papel que é só teu Ser somente mulher!

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ELAS POR ELAS Por Geraldo Tronbin

Sheilas, Tanias, Pierinas ou Mirelas; Brancas, Negras, Vermelhas, Amarelas; Cheinhas, esbeltas, esguias, magricelas; Na direção, no mouse ou nas panelas; De salto alto, sandálias ou chinelas; Tricotando, escrevendo, pintando a vida em aquarelas; Adormecidas ou despertas como sentinelas; Pagando caro ou simplesmente bagatelas; Maçãs, morangos, cenouras, berinjelas; Atentas a documentários, filmes ou novelas; Cuidando de maridos, namorados, filhos ou mesmo delas; São sempre insinuantes, apaixonantes e singelas; Supermulheres, superprotetoras, superbelas.

Apesar das preocupações, não dão a mínima a chorumelas, Nem deixam nada pelas tabelas, Até quando os homens pisam feio no calo delas.

Se de verdade os amam, perdoam as piores mazelas, Expondo inclusive suas almas pelas janelas. E, num romântico jantar à luz de velas, Regado com vinho, olhares, beijos e abraços nas paralelas, Reconsideram tudo, ficando muito bem, ficando elas por elas. Exemplos de perseverança, força e amor, só mesmo vindo delas.

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A CRIANÇA E DEUS Por Rita Elisa Seda Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus: - Dizem-me que estarei sendo enviado à Terra amanhã… Como eu vou viver lá, sendo assim pequeno e indefeso? E Deus disse: - Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para você. Estará lhe esperando e tomará conta de você. Criança: - Mas diga-me: aqui no Céu eu não faço nada a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que eu seja feliz. Serei feliz lá? Deus: - Seu anjo cantará e sorrirá para você… A cada dia, a cada instante, você sentirá o amor do seu anjo e será feliz. Criança: - Como poderei entender quando falarem comigo, se eu não conheço a língua que as pessoas falam? Deus: - Com muita paciência e carinho, seu anjo lhe ensinará a falar. Criança: - E o que farei quando eu quiser Te falar? Deus: - Seu anjo juntará suas mãos e lhe ensinará a rezar. Criança: - Eu ouvi que na Terra há homens maus. Quem me protegerá? Deus: - Seu anjo lhe defenderá mesmo que signifique arriscar sua própria vida. Criança: - Mas eu serei sempre triste porque eu não Te verei mais. Deus: - Seu anjo sempre lhe falará sobre Mim, lhe ensinará a maneira de vir a Mim, e Eu estarei sempre dentro de você. Nesse momento havia muita paz no Céu, mas as vozes da Terra já podiam ser ouvidas. A criança, apressada, pediu suavemente: - Oh Deus, se eu estiver a ponto de ir agora, diga-me por favor, o nome do meu anjo. E Deus respondeu : - Você chamará seu anjo de … MÃE!

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21 ETAPAS DE UM PROCESSO DE SEPARAÇÃO. DA DOR DE COTOVELO À SENSAÇÃO DE LIBERDADE.
Por BETI ROZEN

8- Depois, não esquece de por aquele pijaminha bem cafona na malinha dele, como também material espor vo tão indispensável a ele. Resolve lhe dar a metade de cada roupa, rasgando pedacinho pr pedacinho.

FIM

Após isto tudo, decide dizer

1- Ficar sozinha por opção pode ser fácil Mas por rejeição é bem mais di cil. 2- Ele diz que não a quer mais nem como amante Muito menos como companheira. 9- Vai se conformando em viver sozinha; mesmo sabendo que em muitas situações precisa-se de um parceiro, 3- Seu amor próprio começa ir de mal a pior. Começa a sofrer. 4- Vai bara nando desajustando desequilibrando. Sente-se imprestável. 5- Com um certo esforço, consegue sorrir um pouquinho. Disfarçando o seu rancor, ajuda até na arrumação das malas dele. 10- Por outro lado, imbui-se de coragem e começa a perceber suas qualidades, jogando bola ao cesto, fazendo mágicas e, até mesmo, consegue se equilibrar no arame como ar sta de circo. como jogar tênis, dançar, andar de gangorra. ADEUS E não olha mais para trás.

6- Com uma certa mágoa, vai logo engomando as roupas ín mas dele, depois de lavá-las, deixando as cuequinhas bem durinhas. 7- Quanto às meias, guarda uma de cada par, por puras razões sen mentais.

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12- Joga tudo o que não precisa fora: Suas meias, su ã, roupas ín mas, todas bem sexy.

com sua camisola de flanela, ela vai para a cama sozinha, sem nem mesmo escovar os dentes. Dormindo sozinha, se sente muito deprimida.

13- E a economia que faz nas compras de supermercado nem se fala! Pois não possui mais ape te, esta é uma grande vantagem nos dias de hoje. Chega a conclusão de que é mais econômico se viver sozinha do que a dois.

19- Tenta se acostumar, mas observa que o tempo não passa facilmente quando joga cartas (“paciência”) sozinha.

20- Mesmo assim, tenta se convencer que o tempo é o melhor remédio, e vai contando os dias que passam na folhinha. Com o tempo, vê que todo problema tem solução.

14- Um belo dia ele vem buscar suas coisas, vem todo delicado, se desculpando. Ela concorda com tudo, mas diz a ele que não viu de jeito nenhum o retrato da mãe dele, a sua coleção de revistas, sua camisa favorita. E disfarça, olhando para o lixo, para ele não notar.

21- Devagarinho, vai percebendo que o que ela chamava de solidão começa a se transformar em algo que se chama LIBERDADE

15- Telefona para os amigos dele, desabafa tudo o que não teve coragem durante os úl mos anos. Fala uns bons desaforos. INÍCIO

16- Assim, começa a exercer sua independência: Queima tudo, como cartões de aniversário, cartas de amor...

17- Com coragem, se pesa, e descobre que a cada dia aproxima-se mais do zero na balança. Afinal de contas, não queria ser magrinha?

18- Como que uma aposentada, sem graça, nada sexy, maltratada,

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DUAS MENINAS

Nessa estrada?! Continuar na antiga seria rati icar a Mesmice, mas hoje seria a mesma e antiga menina... Fez bem? O custo foi alto, talvez nã o possua cacife para tal

Por chajafreidafinkelsztain
Elas sã o duas... em fases distintas... E momentos diferentes Com os mesmos valores, os mesmos censores... Nesse mundo de D”s... Tentando viver da melhor maneira... fazendo de tudo Para driblar a rotina, combatendo-a de todas as maneiras Possı́veis e imaginá rias... Rotina é conveniente por que Organiza, mas... Destró i a alma de quem nela entra... Saindo desse labirinto... uma menina perdeu em parte Sua identidade para incorporar outra; Tirou uma má scara simplesmente Ou trocou de roupa porque houve mudança De tempo? Quem dera!!!!!!!! Dirı́amos que ao fazer seu trajeto devidamente planejado Ela decidiu-se por mudar o caminho... tomou uma trilha Que a conduziu para outros lugares... apreciou-os... E, lá se foi ela, corajosa enfrentando todos os obstá culos Que à sua frente encontrava. A aventura agradou-a pelo Simples espı́rito do desa io tomou gosto e prosseguiu Hoje ela pensa, quem sabe teria sido melhor, se nã o estivesse
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Investimento e mesmo que queira... já nã o pode ser a mesma Experimentou outros gostos e outros sabores... ousou e gostou Da variâ ncia, que lhe autenticou o passaporte com livre Trâ nsito por caminhos sem ins; despertou-a simplesmente Para a vida que passou a colorir com novos tons e sons Vestiu-se a outra menina... como se izesse a metamorfose Pela simples passagem e transformaçã o, um universo de Sentimentos foram abalados neste seu pequeno ser, mas Para a efetiva virada, com certeza, dogmas nã o se romperã o Porque ambas serã o para sempre... apenas meninas!

BENEDICITE
Por Débora Novaes de Castro Bendito seja o mestre, o magnífico jade que reparte o tesouro: os saberes, floradas... benditos: a floresta, o peixe, a caridade, as cachoeiras, o ninho, o azul e as passaradas. Benditos sejam: em brilho, o sol, em majestade a pôr-se atrás do monte em régias alvoradas; as aves, a semente, o fio da água que invade o verdejante vale e o recorta em aguadas. E benditos: a pedra, o monte que insepulto, o abismo, a rosa, o dia, a soluçante estrela, a concha do oceano, o fragor da batalha... Benditos: céus, a terra, os seres, nobre culto, trabalho, o vento, a lua, um gosto só de vê-la, e Deus que loura o trigo e as almas agasalha!

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Mulher
Por Tetê Crispim

Se sentir mulher É caminhar entre canteiros de lírios Enamorada da lua, Iluminada pelo sol Mesmo em veste nua, desnudada Pelas sombras das curvas mostradas Possuída de tamanha magia Meio que irreal Embora pudesse voar E sentir a leveza do ser Pelo prazer de ser mulher Assim resplandecer em suavidade Sem poupar sensualidade, Ao mesmo tempo um ar de ingenuidade Um jeitinho de menina/mulher E num instante ser forte, poderosa Estrela... ela, aquela, Menina, mulher, Mãe Maria, Tereza ou Helena Rosas, violetas ou açucenas Não importa se for branca, negra ou morena, Todas naturalmente possuem beleza angelical, Que as fazem na vida roubar a cena real.

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Negritude
Por Raimundo Cândido Teixeira A pele lustrosa exibe toda negritude garbosa de felina talhada em ébano manando pubescência eroticamente ebânea da milenar cepa negra. Potranca nigérrima negrejando pra mim, excitando a chama na terna penumbra, aclarando a escuridão cegamente negrófila no deleite negrumoso, arrebatado da raça crioula, untada no mel da negrura.

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Normandie
Por Maria Alice Rovalho de Souza

Falou-me de prazer, de poder, de amar. Eros e Lilith, são seus pais De quem herdou sua estranha beleza, sábio poder. Vive só, além da parentada mítica

Ela fica tempos sem bater, e quando chega, entra como quem mora aqui. Me faz tirar o avental Passar o baton Me olha do espelho, me chama de amor. Ao me olhar, os olhos piscam mais cor . Seu jeito é doce, sensual Cheira a capim, a luar Gosta de velas, das flores da noite, Histórias de amantes De amores perdidos, distantes De sonhos errantes Recuerdos de nunca esquecer. Ao vê-la recordo quem fui, quem sou e quero ser

Da humanidade crítica Mesmo assim é exemplar, Ao perturbar, ao liberar, ao conspirar, trazendo à tona o que era subliminar. Ela sozinha é um par, um cento, um milhar Normandie. Quando chega me empresta seu brilho Seu xale, seu charme, Seu trilho, seu faro, seu cheiro Femina, fêmea...feminina Eu sempre me rio, me lanço no fluxo das águas do cio Me danço no canto do quente assobio Me toco nas harpas do prazer sem fim Brindamos o dar receber,

Mistura vontade e verdade Nela tudo é excentricidade A conheci em menina, eu Ela sempre foi mulher. Deu-me a mão para o equilíbrio do primeiro salto Encorajou-me no primeiro beijo Escolheu meu primeiro brinco E ensinou-me a brincar Limpou-me o sangue da primeira vez Fugiu comigo do antigo lar Abriu-me a porta do sexo sem nexo
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a entrega, o acolher mais o antes, que o depois pois o que precede, antecipa, precipita o desejo, poderes da criação

(segue)

Normandie acalma minha Vênus aflita e tão só por isso tem o meu apreço, sem preço está minha alegria Normandie me põe pra dormir, alvos lençóis, sempre virgens o quarto cheira a jasmim sua presença tinge a madrugada com o melhor de mim. Pela manhã já se foi, já partiu, não é solar, sem adeus. Deixa-me um riso nos lábios uma flor nos cabelos um novo poema um terno beijo um bilhete escrito no espelho: “ Voltarei sempre, Normandie”.

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VIDA MINHA, TEU NOME É ESPERANÇA...
Por Maria Cris na Pires Silva Ramos

Tornei-me menos pedinte, Mais atuante, E muito mais poderosa...

Por falar em o mismo... Foi durante a minha existência, Que adquiri um enorme poder de luta !

EU APRENDI A VENCER !

Lutei para vir ao mundo - fórceps, Lutei para sobreviver - aos 3 anos de idade, Lutei para conseguir andar - aos 5 anos de idade, E, por fim, depois de muitas outras lutas, Lutei, aos 52 anos, contra um câncer, Era a maturidade diante da adversidade!

Jamais perdi as esperanças, Afinal, depois de tantas lutas... Não seria um "cancerzinho de mama" Que teria o poder de me derrubar !

Conversei demasiadamente com DEUS, Mas, eu somente pedia !!!!!!!!!!! E a minha parte ? O que eu estava fazendo ? Busquei forças na Fé, na Família, no Mundo, Armei-me de coragem e fui à luta, Não parei de pedir mas... Resolvi, também, fazer a minha "parte" : - Parte do coração, - Parte da Família, - Parte da Fé, A segurança que hoje esbanjo !

E no meio disso tudo, Carimbei o "meu passaporte de vida" Com a palavra "FELICIDADE",
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O Primeiro Olhar
Por Dina Pavesi Quando os nossos olhares se cruzaram Céu e Terra se estremeceram Nossas almas se reconheceram O templo do AMOR sagrado estava de volta Para o infinito prazer dos amantes apaixonados Corpos suados, bocas sugando e alimentando Do divino amor amado Beijos molhados de volúpia e devoção Como num sonho eternizado

Respirando o perfume predileto Almas gêmeas se reencontrando Num momento mágico eletrizado Dos afagos, carinhos e deleites Dos eternos namorados

Quero morrer agora Com as imagens desfilando Todas as fotografias do nosso amor fecundo Pois tudo o que aconteceu foi lindo e puro A mais bela estória de AMOR vivida Num tempo longínquo em nossas eternas mentes Agora de corpos separados Em busca do sonho tão sonhado

Angola 2010 - Foto de Dina Pavesi, Paris

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MARIAS DO AMOR
Por Ivane Laurete Perotti

sem direito nem peito de sobreviver.

Maria benzida Desce o morro estropiado com andar de dama rica sacode o vestido surrado das ancas muito convicta. Balança o seio, Baixa o decote, Esquece a vida Suja e pobre do barracão. Não é Maria De Antônios e Joãos, apenas a moça coberta de ilusão. Bendita ilusão que encoraja esquecidos, marcados, sofridos, assustados pares da dominação. Ah! Maria sem dono nem trono princesa em trapos, farrapos, amiga de homens e ratos monstros e gatos cavaleiros em seu colchão. Maria sem memória sem luxo nem glória carrega a história de um povo abortado, encolhido e acuado (segue) Flagelo sem elo Maria não via, não ria! a pia... Pariu no silêncio eu filho, seu moço, Não cria Maria! É pó! Agonia, É medo, É dor. Pelas dores da vida Pecado mortal.

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as outras Marias mergulhadas em dor. Caídas, feridas, rotas, mortas! Anjos tombados Na via do horror. Para Maria! Cessa a folia engole a alegria veja morrer. Filhos e netos já foram embora perderam a festa que você não fez! Um tiro na testa Pagou o bilhete Sem troca, Sem volta, Na porta, no morro, na escola, Lá fora... Na rua é o povo Acuado de novo... Não cria, Maria! Mais um e mais outro Estendido Arrastado Parado Queimado, Medo,
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Terror. É isso Maria, Você não queria! menino, menina, a calçada fria, a cama vazia, Você não queria perder seu amor! Cadeira de rodas, Tubos e sondas Janelas cerradas... Maria não saia! Levante a saia, Corra e não caia É matar, É morrer! No morro e no bairro Maria não saia Não viva, Não caia Não veja o temor. Volta Maria Prepara o barraco Que a noite chegou! Perdidos, assustados, feridos, acuados, retornam cansados, Esquecem a dor... (segue)

ou mais otimistas esperam amor! Volta Maria, A dor ainda é sua! Baixa o decote a pele tão nua tão fria tão crua nas veias da rua mataram a flor.

a sorte... A guerra cessou.

Na lápide branca busca Maria! A flor, a criança O sol acordou!

Olhem... Chora Maria, O sino tocou! Longos repiques Gemidos cansados, O povo gritou. Mais alto, Mais forte A morte A sorte, A bala parou. Cantem os versos sem cortes sem mortes sem medo da sorte sem medo da dor. Cantem Marias! Volta Maria, outra vez mais. Lava a história! Limpa a memória! Com honra e glória de quem suplantou o medo a morte o filho Marias! Filhas e crias, mães na agonia O sol retornou!

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Lavradeira
Por Zélia Guardiano Olhou fixamente As próprias mãos: Viu que Não foram feitas Para ostentar Anéis Ornatos que [ Muitas vezes Cruéis ] Se transformam Em algemas [ Escravizam a mulher ] Viu mãos largas Ásperas Pesadas Mãos apropriadas Para empunhar Enxada [ Ferramenta Que Muitas vezes Se transforma Em arma A combater A fome: Sagrada Guerra ] Viu tudo isso A mulher E foi lavrar A terra
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Referida a você

Por Dúlcio Ulysséa Jr.

Só há de se saber O verdadeiro significado Da palavra Mulher

Quando também descobrirmos O propósito e o significado do Amor Há poucas pessoas tal como você é Que realmente ostentam O peso e o valor Do substan vo Mulher Como realmente deve ser posto Em qualquer fala ou oração.

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PARA AS MULHERES Por Antonio Vendramini Neto

De onde vieram as mulheres? Certamente de um mundo que não conseguimos enxergar e não sabemos ao certo onde fica. Vieram nos presenteando com sua formação, nos acolhendo, amando e também com o dom supremo de gerar novas criaturas. Com imensa ternura, criam os filhos e as filhas, que serão os personagens do amanhã, dedicando-lhes todos os ensinamentos básicos, muitas vezes sofrendo caladas no seio da família, se preocupando com todos os detalhes, principalmente na preservação dos aspectos morais. Muitas vezes além de todas essas responsabilidade, chegou mais uma, que é de buscar sozinha, ou em certas circunstâncias, ajudar o marido na labuta do sustento da casa, tendo uma dupla jornada, não se cansando, porque o amor que tem pelas pessoas é sempre inconfundível. E assim, cultuamos às mulheres de nossas vidas, vindas desse mundo que não sabemos ao certo, pois se soubéssemos, certamente nos transportaríamos para lá, para aprender a falar mais das coisas do amor, que as vezes nos esquecemos, atribulados pelo burburinho de nossos afazeres, também na luta pela subsistência. Ainda essas mulheres, que apesar de tudo o que fazem, nos recebem carinhosamente

no findar do dia, dando-nos boas vindas quando chegamos, recebendo-nos com amizade e carinho, ofertando amparo para às nossas reclamações, nos dando conforto e amor. E no seu dia marcado no calendário, temos que agracia-las com um carinho ou uma flor, louva-las ainda mais, que nos outros dias, reverenciando-as, para que oferte sempre o amor esperado para às nossas famílias. Parabéns mulheres, pela coragem e a sensibilidade que lhes é característica, na produção carinhosa de palavras de amor e de apoio que sempre necessitamos. E aqui, no meu canto de construção de palavras, junto-me com todos os homens desse mundo homenageando-as, botando também a mão na alavanca, para torná-las fortes, movendo e conduzindo nossas almas e destinos.
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Pã e, ilhos e netos...
Por Lucy Nakamura
Maria Madalena chegava aos seus 60 anos de idade, morando com suas três filhas solteironas, além de ter sempre por perto os dois filhos casados, que escaparam da vida de solteiro após muita persistência. Maria Madalena era um misto daquela mulher submissa de sua época (similar à mãe do Caso do Ves do, de Drummond), com a mulher de transição do séc. XXI, uma pãe, mistura de pai e mãe. Trauma zada pelo fato de ter sido abandonada pelo marido há mais de duas décadas, Maria Madalena fazia questão de expressar a sua repugnância pelo sexo oposto. E fazia questão de reper, todo santo dia, todas as dificuldades que enfrentara para criar os cinco filhos, sozinha e com dignidade, exacerbando a velada chantagem emocional sobre sua prole, como um meio de manter total controle sobre a família. Sendo filha de imigrantes e tendo recebido uma educação rígida e quase xenófoba, Maria Madalena se recusava a ser recep va com as amizades dos filhos: coisa de escola deveria ser resolvida na escola, coisa do trabalho deveria ser resolvida no trabalho, e ninguém deveria trazer esses assuntos para dentro de casa, a casa era sagrada, só da família. Dessa maneira, os filhos nunca conseguiam manter os laços de amizade com ninguém. Maria Madalena se sen a a própria deusa do desno de todos. Será?... A primeira filha, Mariana, dotada de uma inteligência fora do comum, sempre se destacava na escola. Mesmo quando precisou trabalhar durante o dia e estudar à noite para ajudar a mãe a sustentar a casa, Mariana con nuou se destacando. Mas Maria Madalena nunca comparecia aos eventos que homenageavam Mariana, ao contrário, logo tratou de se mostrar indiferente, como um iceberg. Mariana terminou o curso universitário, passou num concurso público e, a par r daí, passou a ser o principal pilar da casa, com a responsabilidade de acatar a todas as vontades de sua mãe, pois, sensível, era incapaz de impor suas próprias ideias para afrontar a mãe. Quando surgiu o primeiro amor de sua vida, viu-se obrigada a abrir mão dele, pois ao saber do fato, Maria Madalena imediatamente adoeceu e só se restabeleceu quando a filha desis u daquela ideia descabida. A vida de Mariana não via as cores da primavera, seu co diano era só trabalhar e voltar pra casa, o seu único orgulho era saber que todos os seus irmãos precisavam de seu apoio. A segunda filha Aninha foi a que mais sofreu com a ausência do pai. Por isso, apegou-se à mãe de forma incondicional. Era feliz com todas as regras impostas por Maria Madalena. E sen mentalmente, nunca deu trabalho à mãe, pois não se interessava por ninguém, nha poucas amizades, não saía para se distrair, estudava e trabalhava, e se ocupava com todos os afazeres da casa nos momentos de descanso. Tamanha pureza era o retrato de um ser quase assexuado. A terceira filha ficou revoltada com o abandono do pai. De uma beleza escultural, Anita era intempes va e imprevisível. Aos quinze anos decidiu ir morar na capital sozinha, para trabalhar e estudar. De nada adiantou a mãe cair doente com a no cia, repe ndo sem parar: você quer matar sua mãe de desgosto? Etc... Mas recebeu o apoio afe vo e financeiro de Mariana. Na capital, Anita conheceu Giusepe e nem se deu ao trabalho de levá-lo para a família conhecer, porque já sabia que sua mãe lhe veria inúmeros defeitos. Talvez por estar longe da família, casou-se e conseguiu ser dona de sua própria vida. Linda, decidida, perfeccionista, dona de si, escreveu os capítulos de sua própria história sem saber que era pra camente o clone da mãe, que antes de ser aquela mulher amargurada, havia sido lindíssima, autossuficiente, até arrogante, cobiçada pelos melhores par dos de sua época, escolheu o homem errado, afrontou seus pais, se deu muito mal... até ser a Maria Madalena que iniciou esse conto.
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A mesma sorte de Anita teve o irmão caçula, Edmundo, que sendo meigo e carinhoso, não despertou a ira da matriarca, ao contrário, presenteou a todos com sua prole numerosa. Em pleno séc. XXI, ter uma sequência de filhos, ou como diziam angamente, ter uma escadinha de filhos, era de uma coragem indescri vel. Na hipérbole popular, ele não podia olhar para a esposa que ela já anunciava: engravidei! Por uma ironia do desno, a cunhada de Edmundo gastou horrores em tratamento médico de fer lização durante uma década, mas não conseguiu ter filhos.

A mais calada e observadora de todos os filhos era Lucíola. Ninguém nunca sabia o que estava pensando, mas sua aparência plácida jamais despertou qualquer conflito. Gostava de cantarolar a música do grupo Titãs: “Família, família, janta junto todo dia, nunca perde essa mania...” Recebeu uma boa formação, graças ao apoio de Mariana. Suas inquietações eram guardadas para si mesma: não se conformava com as a tudes da mãe, mas também não a afrontava. Fingia que não se importava por não poder aprofundar suas amizades, mas não abria mão delas. O primeiro amor de sua vida aconteceu naturalmente, com um homem bonito, rico e culto que se apaixonou por ela, apesar de ser casado e muito mais velho que ela. O romance secreto só chegou ao fim quando ele se divorciou e disse que queria conhecer a família de Lucíola, que, sem saber como agir, rompeu com seu amor, deixandoo arrasado. Ao longo dos anos, Lucíola tentou namorar como manda a tradição, mas todos foram afugentados pela rabugice de Maria Madalena, e a tá ca era sempre a mesma: ninguém voltava à casa de Lucíola após duas visitas, pois a interferência da sogra no relacionamento do casal era de tal dimensão, que nada dava certo. Naquela garo nha plácida da adolescência, foi nascendo uma outra Lucíola, ou como ela própria ironizava, um furacão por forças externas: seu nome atraía o bem da luz, mas também o lado negro do nome Lúcifer era o que dizia o dicionário onomás co. E ela ainda complementava rindo: sem contar que meu signo ocidental é leão e o oriental é cão. Precisa dizer mais alguma coisa? E muito seriamente ainda acrescentava que, na família, uma roubou toda a inteligência e o fogo de Prometeu, enquanto a outra roubou toda a beleza grega – então o que sobrou? Nada. Ah, sim, ela ainda nha uma mãe possessiva ao extremo, para completar o quadro. Um dia, Lucíola resolveu conversar francamente com suas irmãs, pois achava um absurdo que elas se contentassem com aquela vida tão sem graça, sem amores, sem amizades, sem novidades... A princípio, Aninha ficou horrorizada ao saber que Lucíola não era mais virgem. Apesar de tudo, não a julgou mal. Lucíola fez questão de falar sobre o tempo, que é indelével, não perdoa, ele passa e não volta mais. Agora que todos já estavam bem encaminhados, por que não ser um pouquinho mais ousados e felizes? Depois daquela conversa franca algumas coisas progrediram: Mariana não se casou, mas teve um lindo filho com o seu primeiro amor, e de tanto plantar o bem, recebeu o bem de volta com juros e correção monetária; Anita con nuou a ser o braço direito da mãe, entretanto, sem aceitar os estardalhaços extremos, ganhou muitas amizades sinceras, e por fim, ainda conquistou um amor que contrariava todos os perfis possíveis e imagináveis naquela situação. E Lucíola teve outros namorados, sem que a mãe soubesse, pois esse era o melhor caminho para cada um ter o seu próprio espaço. O mais interessante de tudo, foi o imenso amor que Maria Madalena passou a sen r pelos netos. A par r dali, todos os conflitos da casa aconteciam em função dos netos.
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AS TRÊS FACES DA LUA
Por Dalva Agne Lynch A Lua tem três faces, mas permanece uma só. Como ela, toda mulher é uma deusa, tendo três faces Interligadas, entrelaçadas - permanecendo uma só. Na imensidão incompreensível que há fora do tempo No interior insondável que é seu ser feminino - Insondável, incompreensível, incomensurável Neste seu ser, ela é a Lua: criança, mãe e mulher. A Lua Crescente é a criança que sempre será Aquela que brinca e troça, faz ironia e se esquece Ri e chora sem sentido, contradiz-se, entesa, cresce... A Lua Cheia é a mãe e amante, a que ampara e conforta Cuidando tudo o que germina, cresce, floresce. A Lua Minguante é a anciã, a mulher sábia e ponderada A que busca o conhecimento nos astros, nas estações E nos segredos dos corações dos homens E toma todas as coisas com cautela. Depois dela, é a Não-Lua. A ira, a morte, a escuridão. A Lua Nova, que desaparece, que fere e mata. Esta é aquela Não-Face que a Lua esconde A que fere até ao homem que ama E depois se esquece, se arrepende E retorna a ser criança outra vez. Porque a Lua tem três faces, mas permanece uma só. Assim como a Lua, eu sou mulher, tenho três faces. Meu ser Lua Crescente ri, brinca contigo e faz troça Te entesa, te irrita e depois chora, buscando teu carinho E compreensão. A que te levanta olhos expectantes Confiantes no teu ser muro e espada, poder e força. Meu ser Lua Cheia é aquela que te ama e recebe confiante Meu corpo amado e amante, criando e destilando a vida Que do meu corpo jorra, fruto do teu amor. Sou Lua Minguante, e minha mente busca as estrelas. Falo de conhecimento, discuto filosofia com os sábios Folheio alfarrábios e textos herméticos, ocultos, esquecidos. Aconselho, pondero, meço justiça, recebo e acalanto. Mas há também em mim a Não-Lua - a escura dança Em que escondo a ira, o veneno, a vingança. Porque sou mulher, sou Lua - três faces em uma só. Três modos de perceber a vida, insondáveis, inexplicáveis Meus três modos incomensuráveis de te amar.
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Feitiço de Mulher
Por Anabel Sampaio Mulher Vulnerável e bela Inevitável não querer Passar em frente a sua janela. Para ver seus seios desnudos Expostos em seus decotes profundos Fico todo arrepiado Ao ver os seus predicados. Como faço para que sejas somente minha? Oh Deus! Que jogo de sedução! Se não me queres porque atiça Fogo ao meu coração? Feitiço de mulher Que mordisca seus lábios Que rebola do meu lado Só para me dar prazer? O seu perfume de jasmim Para sempre permaneceu em mim Quando braços ávidos pelos meus abraços Entregaram-se aos meus afagos. É a tez que meu toque ainda procura A vez que me levou a loucura De uma noite roubada Talvez por uma boa cantada. Da camisa suja de batom borrado
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Que guardei como sinal do seu pecado. Toda nudez foi revelada Quando se entregou ao meu agrado. Tão minha... Tão linda Fez-se minha rainha. A amante perfeita Parecia satisfeita. O seu olhar que não me cobiça. Nunca vi tanta injustiça! Para o meu desatino Você foi tirada do meu destino Hoje lamento pela noite mal dormida Na despedida sem seu afago Trago no peito a saudade doída Porém, ficou vago. Que filho você carrega no ventre? Se não me entregou a alma de frente Eu fiquei crente Que tudo seria para sempre.

Lady by window Kenneth Kelsoe

BEM AVENTURADAS
(Homenagem ao Dia da Mulher, 08/03/09, em Buenos Aires – Argentina) Por Jania Souza
Bem aventurado o ventre que povoa a terra! Bem aventurada guerreira indomável que com sangue e suor transforma a face da terra. Bem aventuradas essas mulheres incansáveis que curam com lágrimas com beijos com sonhos de santo e desejos as chagas da terra cravadas em espinhos cruéis. Bravas mulheres parideiras, companheiras sempre amantes de seus homens de seus filhos, de seus pais, de seu mundo no abraço ao mar do seu oceano profundo silente de todo seu pranto em busca do bem maior luz esperança na vela que sempre é nosso mundo. Mulheres do dia a dia seu nome jamais será desistência persiste no amor embora durma na guerra rega flores na cama da violência busca paz na enxada cravada no sulco da terra seu sol é chuva de amor nos caminhos de pedra. Bem aventuradas são essas mulheres conscientes ou inconscientes do seu papel pétalas de rosas a perfumar passos inseguros na incansável jornada de descobrir o finito desse infinito que é nosso mundo.

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Dia de Faxina
Por Fátima Diógenes Cheia de raiva, ela trocou os móveis dos lugares que foram estabelecidos pela lei do marido...Com força, sacudiu a poeira dos tapetes e das cortinas... Tirou toda a sujeira acumulada debaixo da cama... Trocou os lençóis e as toalhas do banheiro... Lavou todas as roupas à mão, dispensando a máquina de lavar... Enxugou as louças e limpou a cozinha...Tentava organizar o próprio desespero. Olhou para a casa limpa e a mobília arrumada em novos espaços... As lágrimas começaram a descer pelo seu rosto cansado, até tornarem-se convulsivo choro... Dominada pela exaustão, ela adormeceu...A noite já tinha chegado, quando ela acordou... Com o corpo completamente moído pelas dores da alma e da faxina furiosa, ela se levantou. Logo mais, chegaria o seu homem, trazendo o mesmo beijo sem calor, reclamando das mesmas coisas, com o jornal para ler após o jantar, sentado confortavelmente na poltrona da sala... E ela, como em todas as noites, lavaria a louça, limparia a cozinha e sentaria no sofá para assistir TV - no volume mínimo, para não o incomodar... Assim, mantinha a ilusão de estar a seu lado...E depois, ele iria para a cama sem ela, lhe desejando uma boa noite com a frieza de sempre. As dores do corpo lhe traziam mais lembranças da sua rotina: o café da manhã tomado em silêncio, os lábios frios simulando um beijo de despedida, o almoço solitário na mesinha da cozinha, os esquecimentos das datas significativas, as reclamações por coisas banais...Pequenos atos e fatos cotidianos, que agora se tornaram importantes e grandes, depois de tantos anos de casamento. A casa estava organizada e seu coração continuava confuso e triste... No seu tempo de recolhimento, que ele não percebeu, ela foi costurando os retalhos de sua vida...Recolheu lembranças da feliz infância, na casa grande do sertão; da adolescência cheia de festas, na cidade do interior; e da juventude, já estudando na capital...Depois, veio a vida profissional, juntamente com o casamento, os filhos, a compra do apartamento, da casa de veraneio, a aposentadoria e, no final de tudo, a solidão... E agora, olha à sua volta e se pergunta: Por que?...Por que manteve seu casamento por tantas décadas?... Por que não percebeu o que fez consigo mesma? Porque quis garantir a união da família (hoje, os filhos raramente os visitam, pois estão ocupados com as próprias vidas)... Também não podia decepcionar seu pai – que já morreu há mais de dez anos... E porque queria manter o padrão financeiro, o status de mulher casada e continuar participando do círculo de amizade (chatíssimo!...) do marido. Percebe que os porquês lhe dão as justificativas para suas escolhas, mas não revelam o sentido dos seus atos...Experimenta perguntar-se para que...Para que continuar neste casamento?... De que lhe servem as indelicadezas, a economia de carinhos, o sexo cada vez mais esporádico e frio, a solidão a dois?...
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?... Para que se aposentou?... Qual o sentido atual da sua vida?...Sente que esqueceu de atualizar seus objetivos, seus sentimentos e seus sonhos... Esqueceuse de si mesma. Procura o espelho grande, que tem no quarto de vestir e vê uma mulher grisalha e amarga, com rugas deixadas mais pelo sofrimento, do que pela idade... E a pergunta martela em sua cabeça: E agora, para que? Os filhos se foram, o pai morreu, chegou sua aposentadoria, o apartamento está quitado, assim como a casa de praia (aonde vão raramente, depois que os filhos cresceram), o marido se retirou do casamento e ela nem percebeu. Aproxima-se mais da própria imagem... Toca seu rosto e continua na aventura de mergulhar em si mesma... Aos poucos, reencontra o brilho escondido no próprio olhar e os sentimentos que outrora habitavam seu coração...Finalmente, encontrou a resposta que procurava nos últimos tempos...Com a calma e a determinação, que sempre lhe foram próprias, começa a agir. Sabe exatamente o quer fazer. Separa as roupas que realmente gosta, recolhe pequenas lembranças, cartas, bilhetes e algumas fotos dos filhos e de caros amigos. Onde eles estarão?... Fará novas amizades, ainda que reencontre as antigas. Silenciosamente e, sem pressa, atravessa a grande sala de estar, carregando a pequena mala... Colocou nela tudo o que necessitará de agora em diante, inclusive sua máquina fotográfica e suas lindas echarpes... Estavam todas tão esquecidas...Na bolsa, leva seus documentos e o seu próprio cartão eletrônico, além de endereços e telefones antigos. Seu coração está pleno de alegria e paz e nenhuma expectativa...Não deixa carta de despedida para o marido – ele nunca teve paciência para escutá-la... Dará notícias para os filhos, sem dizer para onde foi. Fecha a porta sem fazer barulho e sai... Agora terá toda sua vida para si mesma... Não olhará para trás...A noite está linda, perfeita para namorar, pensa, surpresa com a própria ousadia... Sente-se jovem, alegre, serena e caminha sem pressa...A hora para ser feliz acabara de chegar...O que lamenta mesmo, o que mais sente falta neste momento, é daquela sua velha mochila, companheira de tantas aventuras... Combinaria perfeitamente com sua vida.

Woman with white flowers Schery Markee Sullivan

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À minha mãe
Por Rosalie Gallo
Recebeste-me em teu ventre apesar dos riscos e me acolheste nos braços qual jardineira cuidadosa a tocar o novo broto da planta. Tantas outras vezes repetiste o gesto de carinho e a atenção desdobrada de vigílias te deixou mais bela, tez refulgente e olhar tranquilo de quem ajudou a viver.

tua mão de mulher corajosa. Hoje, sem ti fisicamente a meu lado, te busco novamente: criança composta de saudade, decomposta em lágrimas de saudade, recomposta em figura similar de matriarca. Te busco e te chamo esperando que me ouças, onde estiveres, e me socorras de novo, sempre, e me consoles.

Kolonji

Saí de casa cedo: nove meses foram poucos para que eu gozasse em teu corpo a delícia do aconchego, e o prazer da companhia. Mais tarde, desligada de ti, me lembro em prantos logo consolados e em teus braços pude ouvir a voz de Deus penetrando meus ouvidos em canções de ninar jamais esquecidas. Cresci, minha mãe, mas te buscava sempre porque sempre me fazia falta teu colo de mulher simples, teu sorriso de mulher forte,
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Da dor de tua ausência muitas vezes mais sofrida que em outras, hoje, querida mãe, te abraço pelos cem anos que faria. Tu, porém, não tens idade. És eterna no teu amor, nas marcas que deixaste em mim, nas palavras com que me moldaste meu caráter, na dedicação em todas as coisas de tua vida e que somente hoje, tanto tempo depois de tua morte, sou capaz de reconhecer como tua obra.

Neste dia, mãe querida, abriga-me no teu colo e alisa meus cabelos já grisalhos, enxuga minhas lágrimas ou mistura-as às tuas mas voltemos, mãe amada, ao regaço de antes, quando eu te fui confiada e me abrigaste, quando eu cheguei e me acolheste, quando tive fome e me ofereceste teu seio. Neste dia de teu aniversário, te peço egoisticamente: sejas o inverso de tudo. Sejas para mim o presente de que necessito, a paz que ainda procuro, a alegria que se esconde, a força de que preciso, a luz que vem de Deus.

Neste dia de teu aniversário rogo seja possível que completes em mim o que me falta, corrijas meus contínuos erros, chames minha atenção desavisada, costures uma nova fantasia, cantes teus tangos e me mostres, infinita e bondosamente, me mostres o que de melhor soubeste ensinar: que só o amor constrói, apesar das dores.

Dorothea-Lange-Corbis

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Por Vivi Viana
Mulher Apodiense, Guerreira, trabalhadora, companheira, aguerrida, Destemida, corajosa, amorosa, vencedora. Nem a beleza do pôr-do-sol da chapada Nem o luar da Lagoa, Nem o alvorecer da Barragem de Santa Cruz Ou o poema de pedras do lajedo de soledade Superam sua beleza És bela E bela é tua infinita beleza.

NY Central Park Conservatory - Three Girls Fountain

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Moça à janela - Salvador Dali

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Por Flauzineide de Moura Machado

Enviada Para mim, Para todos, Nisso eu falo, Creio, Só.

Eu tentei fazer poesia incomum, Não fluiu. Quis descobrir meu estilo, Não consegui. Só sei falar de esperança, De criança, Do mar sorrindo para mim. Eu falo de amor, Da flor, De jardins, De estrelas brilhando para mim. Eu falo de alegria, De euforia, Da lua, Do meu amor fazendo rimas para mim. Eu só falo de amizade De liberdade, De pássaros voando por mim. Eu falo de emoção, De coração, Da saudade que alguém sente por mim. Eu falo do passado, Do bem amado, Do futuro feliz que está por vir… Eu falo de Deus, Do seu amor, De sua bênção
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Mulher,mulher, mulher
Por Varenka de Fá ma Araújo

Que posto mais alto foi dado Por quantas qualidades vista nelas Nos fortes corações, na grande luta Que mostram resignação Ao serem mãe, filha e esposa.

Ainda abraçam as causas trabalhistas Ainda buscam altos postos na polí ca Debatem e se fortalecem contra injus ças medievais Afeiçoadas as suas intuições e emoções Permanecem juntas contra as inves das Altamente dói perder suas causas.

Em pra cas diferentes Agora pelos humildes caminhos Agora defendem seus direitos Agora com suas tarefas múl plas O desejo demudar o mundo Oh! Mulheres amorosas! Oh! Mulheres corajosas! Oh! Mulheres valorosas!

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1974 Por Márcio José Rodrigues 1974 foi um ano que marcou nossas vidas. No mês de março, como poetizava Tom Jobim, "as águas de março fechando o verão"não foram bem "a promessa de vida em teu coração" mas o desencadeamento de uma catástrofe que abalou o sul , do estado de Santa Catarina. Um vendaval dantesco acompanhado de chuvas torrenciais e pavorosamente duradouras, destruiu casas, cidades, famílias, lavouras e vidas preciosas de centenas de pessoas. Vivíamos dias e noites de terror. Já passados tantos anos, pessoas traumatizadas, ainda hoje, têm pânico de chuva e trovoadas. Milagrosamente, Laguna, nossa cidade à beira mar, cercada de enormes lagoas e pelo oceano, no meio do foco, resistiu e foi menos atingida do desastre, embora o rio Tubarão, o maior causador dele, desembocasse diretamente na principal lagoa da cidade. Na verdade, o mar avançou e alagou algumas ruas e praças, invadiu muitas casas dos arrabaldes, descarregou sem conta, destroços de moradias, corpos de animais e de gente, árvores imensas arrancadas pelas raízes. De um dia para outro passamos a receber milhares de desalojados das cidades vizinhas, a maioria chegada em pequenas embarcações, porque mesmo a estrada federal estava inundada e totalmente impraticável. Todos os meios de comunicação caíram; telefone, rádio, jornais, restando apenas a incerteza da falta de notícias e previsões . Os radioamadores que tiveram um papel importantíssimo no resgate de pessoas e recebimento de mantimentos faziam a divulgação boca a boca das novidades. Tudo que se ouvia era horror. A distribuição de energia estava suspensa sem previsão de retorno. Linhas inteiras, postes e torres tinham sido simplesmente arrastados pela força da torrente. Quase não se compravam mais víveres em lugar nenhum. Era o temido desabastecimento. Quando vimos que as coisas estavam caminhando para o pior, minha esposa e eu resolvemos sair com uma velha Kombi para comprar algumas coisas úteis e socorrer amigos pobres. Conseguimos em um mercadinho da periferia, uma lata de vinte litros de querosene para lamparinas, farinha de mandioca, macarrão, carne seca, biscoitos. Fizemos uma pequena ronda e repartimos nossas compras. Quando chegamos em casa, por volta das quatro da tarde, não pudemos descer, pois nessa hora despencou um aguaceiro descomunal que impedia até a visão das imagens da rua.

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O ruído sobre o grande teto de lata do carro era ensurdecedor, como se estivesse chovendo pregos ou pedras, mas era apenas chuva violenta como jamais se havia visto antes. Assustador demais como uma visão do apocalipse. Eu estava muito amedrontado e apertado o coração, quando ela deitou a cabeça em meu ombro a chorar. Nesse momento o meu mundo interior começou a desmoronar, porque secretamente eu sempre me apoiara na coragem dela. Dei-me conta do quanto eu, o homem, dependia da força daquela mulher ainda tão jovem. Ela era na verdade, a pessoa forte da casa e estava ali chorando tomada pelo medo. Eu não tinha outra saída senão a de reagir e encorajá-la com uma tentativa de demonstração de minha virilidade. Abracei-a com força, tentando aparentar segurança. Juntei umas palavras de encorajamento. Ela, com um tipo de coragem que só as mulheres possuem, prontamente cresceu. Reagiu com a energia que eu precisava para me salvar e assim, ganhei poder ao lado dela. Sem esperar que o aguaceiro parasse, enfrentamos a tempestade e o curto trajeto entre o carro e a porta de entrada deixou-nos completamente ensopados, o rosto, os braços e as mãos ardendo com as chicotadas da chuva. Uma família veio hospedar-se em nossa casa, onde a gente arrastava as camas para fora do alcance das goteiras copiosas. Aquela noite foi a mais tenebrosa do vendaval. Casas desmoronaram, árvores derrubadas. Jamais ouvi uma ventania rugir com tanta fúria. Passamo-la em sobressalto, mas por estar ao lado dela eu tinha minha aflição sob controle. Tínhamos a família reunida, um grupo de amigos acolhidos e os filhos no colo em torno de uma mesa iluminada por um lampião a querosene.

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E-mail libertador
Por Norália de Mello Castro

Hoje está sendo um dia excepcional para mim. Acabei de assinar e enviar um e-mail a favor de Iraniana Livre. As mulheres iranianas vão arrancar os véus de seus xadores e precisam do apoio internacional a favor desse gesto. Eu dei meu voto a favor delas. Não poderia negar esse voto. Finalmente, participo de um movimento para desvendar os xadores. Os primeiros xadores que vi foram no Mercado em Teerã, na década de 70. Dezenas de mulheres tinham todo o corpo coberto; com suas vestes negras e longas transitavam pelos corredores e a maioria só mostrava os olhos. Elas andavam rapidamente, quase correndo. Poucas tinham o rosto descoberto e riam alto, quando apareciam os seus dentes de ouro. Ao passarem perto de um homem, cobriam o rosto. Gesticulavam muito. Essas mulheres me chamaram a atenção. Quase ou nenhuma mulher eu vi transitando pelas ruas da cidade. No aeroporto, no comércio, no hotel, no palácio do Xá e noutros lugares visitados, não vi mulheres. Éramos sempre atendidos por homens engravatados e de terno: elegantes e belos . Essa visão panorâmica de homens e mulheres, além da curiosidade natural de uma estrangeira, me angustiava. Não vi nenhuma mulher trabalhando na cidade; somente homens. Saí de Teerã com a alma em fogo: como realmente viviam ali as mulheres? No mercado, os seus xadores negros eram uniformes. Se a visão dos xadores iranianos me angustiou, a realidade vivida pelas iranianas dizia muito mais: subservientes aos maridos, sem direito a voto (que conseguiram posteriormente), totalmente “presas” dentro de casa, tendo os filhos que os homens quisessem, sendo donas de casa sem direito à fala, à realização individual; até para sair no portão precisavam – e ainda precisam – da autorização do seu chefe/senhor. Os xadores iranianos permaneceram em mim como símbolo de opressão feminina: nada mais gritante. Haviam sido proibidos em l936, por Reza Shah, que vinha ocidentalizando o país, entretanto permaneciam evidentes naquelas mulheres, naquela época, pela força de cultura e sentimentos religiosos arraigados.

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Aquela roupa negra visível me angusti- ainda é de opressão. ava. Vinha de encontro com os xadores invisíveis, que nós ocidentais, carregávamos então. Aqui, temos liberdade de expressão. Um bem insubstituível, inestimável, que nos Uma tarde, um amigo socialista chegou favorecerá ao equacionamento melhor do parepentinamente em minha casa. Estava eufóri- pel feminino na sociedade, sem xadores invico e falava aos berros: síveis. - Finalmente, o Xá do Irã caiu. O povo Já os xadores visíveis das iranianas conse libertará do imperador tirano... Os aiatolás tinuam oprimindo direitos naturais de um ser vão salvar aquele povo. O socialismo vencerá: humano. Os xadores visíveis não detêm seus os xadores iranianos cairão. direitos de cidadãs, sob um regime ditatorial religioso fundamentalista. E que engano! A situação da mulher iraniana ficou mais tensa, mais opressora: não poderiam mesmo nem retirar o véu da face, no mercado. Os novos dirigentes decretaram o uso permanente dos xadores. O novo regime, mais opressor. Nenhum direito aos filhos é dado à mulher: o homem iraniano tem total pátrio poder. Houve um progresso desde então: permitem que a mulher estude, frequente a universidade e pode trabalhar fora de casa, com o consentimento do marido. Algumas conseguem, mas se veem xadores negros em quantidade pelas ruas da cidade. Os xadores, além dos decretos obrigando a usá-los, fazem parte cultural daquele povo, desde o século XVIII. É também uma tradição. Mas, a realidade, ainda hoje, é que as rosas de Shiraz, decantadas por Omar Kayan, sobre a liberdade e o amor, estão longe daquelas mulheres. O prazer os homens podem sentir e, para as esposas, além de cuidarem da casa, o objetivo principal é a reprodução da espécie. Passadas décadas da mudança de regime, naquele país, a realidade para a mulher E, hoje, finalmente, algo concreto chega até mim através de um e-mail – Iraniana Livre – que pede a minha assinatura. E eu assino a favor da retirada daquele xador negro. Aquelas mulheres precisam de ajuda internacional para a retirada daquelas vestes tão opressoras. Precisam da assinatura de todas as mulheres que lutam pela dignidade da mulher-cidadã, em qualquer país. Uma revolução. No dia em que todas as mulheres retirarem seus xadores visíveis ou invisíveis, haverá uma comemoração e tanto. E você, já retirou o seu xador?

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Guenevere

Por Ciro José Tavares

“And when sir Lancelot was come to Amesbury within the nunnery
Queen Guenevere died but half an hour afore.” ⃰
Thomas Malory The Morte Darthur

Aqui, minha rainha, no mosteiro de Windsor, exilado porque banido da tua companhia, arrependo-me. Concluída a penitência, retorno à Camelot e não será um reencontro. Tua censura tem doído e desabo diuturnamente. Aqui, minha rainha, quando a noite chega, renasce a esperança nos melancólicos ocasos. Na silenciosa escuridão da cela onde reflito, os ritmados cantos dos rouxinóis quebram o silêncio de minhas orações e aurora estende sobre mim inconsútil manto de saudade. Dois poemas que pensei que seríamos um dia, a presença de Arthur, teu rei, afastou nossas mãos. Resta-me, Guenevere, na futura solidão dos dias, respirar novamente o aroma das flores nos jardins, vestir a armadura e viajar no meu cavalo branco. E Lancelot, heroico cavaleiro da Távola - Redonda, desaparecerá definitivo no seu tempo submerso nas lágrimas dos beijos esquecidos.

Último poema do ciclo de Penélope. ⃰ “E quando sir Lancelot chegou ao interior do convento de Amesbury, a rainha Guenevere morrera meia hora atrás.”

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ROSTOS E VÉUS
Por Anna Back

Cobriu-se teu rosto de alvo véu Para que casaste, sonhaste teus sonhos! Um lar edificaste, os filhos criaste, Junto ao amado que por eleito foi.

Cobriu-se teu rosto de flores, de risos. Teus filhos grandes se fizeram. Tua aura se encheu de alegria Por cada um, por todos, jun nho de .

Cobriu-se teu rosto de negro véu... O encanto se quebrou. O mundo a teus pés despencou. Tuas lágrimas foram roubadas pelo céu.

Que te levou o amado, um filho, mais um... Rasgada tua vida, rasgado teu véu! Alma dilacerada, face em lágrimas. Caída por terra, arrasada, só, desamparada. Faltou o chão, o amor, a mão amiga... Corpo arqueado, pela dor transpassado.

Hoje, te saúdo velha guerreira! Cobriu-se teu rosto com o véu da fé. Olhando ao redor, viu rostos carentes de . Esteio de vida, de muitas vidas! Renovada, o pranto engoliste, segues o caminho, al va. Por tudo isso, eu te saúdo, minha mãe querida!

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És Mulher!
Por Eliana Wissmann
És tu a geradora de novos seres És tu a esperança de outra visão de mundo És a mensageira de novos tempos És a buscadora de novos enlaces És a portadora das tradições e costumes, que se renovam És tu a melhor comunicação entre diferentes És tu a mediadora És tu a professora És tu a semeadora de paz És tu a bailarina, a maga e a possibilidade És tu a mãe És tu a filha És tu o futuro És o amor explodindo em pétalas multicoloridas e multifacetadas És tu que espalhas as cores, os sabores e as fragrâncias para todos os cantos... Para ti, mulher, rosas, uma, cem... tu as mereces!!!
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RETRIBUIÇÃO
Oswaldo Antônio Begiato
E porquê a mulher, Flor iluminada, nascida Do amor da nascente pura e da terra fecunda, E do calor do fogo sagrado e do sopro divino, É água e semente, Luz e caminho, Sempre serão de regozijo Todos os dias da mulher.

Não pode o homem lhe roubar o amor E lhe esconder, Dos lábios, a plás ca do sorriso Sem que lhe caiba cas go algum.

É pois preciso beijar a mulher Como se colhem flores na nascente, Como se a ça o fogo com sopros.

Tocar a mulher Como se toca, com os olhos, estrelas. Como se ra o pó de luz de orquídeas.

Amá-la como um pássaro Atordoado dentro da tempestade.

Posto que a mulher, Ao mesmo tempo é vulcão e brisa, Correnteza e pó, Leoa e beija-flor, Fêmea e manjericão.

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Mulher e Vida
Por Fabio Renato Villela
A Mulher faz a Vida: a vida parida, a vida servida, a vida crescida, a vida sen da. Chora a Mulher que fez a Vida, a vida saída, a vida repar da, a vida interrompida. Sorri a Mulher que refaz a Vida, a vida revivida, a vida re-sen da, a vida colorida, a vida atrevida. Gargalha a Mulher que refez a Vida, de novo querida, de novo seduzida, de novo amada, de novo desejada. Vive na Mulher, a própria Vida. Para Lilian, a Vida.

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mulher
Por Cláudia Gonçalves
anoitece e na antessala do amor transborda néctar frutal rosa chá alma desnuda saindo do prumo tal fera selvagem bastam os sentidos e explode a paixão nas arenas do corpo caem folhas de outono e floresce - mulher -

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Cem Rosas para você Mulher

Por Paula Barrozo
Me orgulho de ser Mulher, mas Mulher com M maiúsculo, aquela mulher de an gamente... Vou aproveitar as comemorações do “Dia Internacional da Mulher” para fazer o meu desbafo !!!! É, sou sim !!!!! Mulher a moda an ga !!!! Sou aquela pica dona de casa, mãe de família, esposa dedicada . Que cozinha, lava, passa, borda, faz lição com as crianças, vai ao supermercado, espera o marido cansado do trabalho com muito carinho para dar... Mas no meio de tanta modernidade, transformações, somos empurradas para a evolução da Mulher !!!! Será ??? Será mesmo uma evolução ou não seria uma regressão !!!! Que me desculpem as feministas... mas a mulher só perdeu !!!!! Tínhamos um lugar privilegiado, superior, éramos protegidas, paparicadas, cortejadas !!!! Éramos tratadas como Rainhas !!!! Abriam portas, acendiam nossos cigarros, nos davam os melhores lugares, pagavam nossas contas !!! Tínhamos todo o po de regalias e privilégios !!!! E agora ??? Somos tratadas de igual para igual !!!! E só quando convém !!!! Pois trabalhamos igual ou melhor que os homens e ganhamos menos!!! Fora que temos duas jornadas de trabalho e privilégio algum... E o salário, ohhhhhhhh.... E isso é bom ??? Não para mim !!! Só para dizermos que somos independentes financeiramente ??? Grandes coisas !!!! Com isso os homens se acomodaram, pior, exigem que dividamos as contas com eles !!!! Não existe mais o Chef de Família !!!! Responsável por prover as necessidades financeiras da família e sim duas pessoas para pagarem as contas !!!! O que adianta sermos “independentes financeiramente” se na verdade seremos sempre dependentes pelo lado emocional !!! Se eu ver que dividir despesas com um homem, moro sozinha !!!! Pelo menos pago minhas contas e não tenho que aguentar mal humores, exigências, bagunça, etc... Com tudo isso, perdemos o respeito dos homens... Não nos tratam mais com diferenças... o sexo frágil, delicado e sensível, aos olhos deles, morreu !!! Somos agora iguais a eles, rivais querendo rar o lugar a eles atribuído por tradição !!!! O Mundo virou de pernas pro ar !!! E tudo por culpa do feminismo !!!! Por que achar que ser Mulher é ser inferior ??? Eu já creio que Mulher é bem ao contrário, é um Ser Superior e bem mais evoluído do que o homem !!! Por isso temos cada um seu espaço bem definido no Mundo !!! An gamente a mulher exercia um importante e respeitável papel na sociedade : o de Mãe e Esposa. E ao longo dos anos isso vem mudando.
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A mulher conquistou o seu direito ao voto, que acho muito justo e não tem nada haver com feminismo, e seu direito a disputar uma vaga no mercado de trabalho. Mas quais as consequências de toda essa independência ??? Bem, para começar, o mercado de trabalho tornou-se mais exigente e cada vez mais sele vo. O que antes era concorrido apenas por homens passou a ser disputado por mulheres também. Consequentemente aumentou o grau de escolaridade exigido. E enquanto essas mulheres estão batalhando um espaço, sofrendo descriminação para receber um salário inferior ao dos homens, aonde estão seus filhos ??? Estão sozinhos ou sendo educados por outras pessoas : babás, avós, as... Essas crianças crescem sem terem os valores , princípios e educação que cabiam a mãe ensinar. Sem essa base, tornam-se adolescentes problemá cos, muitos até revoltados, adultos infratores, imaturos e despreparados. Crianças e adultos esses que provavelmente estarão frequentando um consultório psiquiátrico quando não terão entrado para o mundo das drogas. Tudo isso é consequência da “modernidade”, da “emancipação feminina”, tudo em nome dos “direitos iguais” !!!! Agora toda uma geração sobre as consequências !!! Além de tudo a mulher tem uma tripla jornada de trabalho, pois tem seu emprego remunerado e ainda tem que cuidar da casa, dos filhos e do marido no final do dia. Foi essa a vantagem ??? Foi isso que ganhamos ??? E mesmo assim não tem seu devido valor reconhecido e muitas vezes nem uma remuneração adequada !!!! Nossas crianças precisam de nós !!! Do nosso Amor, nossa dedicação, nossa orientação e valores para serem adultos saudáveis !!! Só assim poderemos reduzir a violência, a intolerância, a marginalidade !!! Se dermos lares equilibrados e sadios a nova geração estaremos construindo um Mundo Melhor !!!! E esse papel de Suma Importância cabe a nós MULHERES !!!! Con nuem lutando... lutem sim pelos nossos direitos, mas direitos de Mulheres e não querendo compe r com os homens !!! Temos nosso lugar bem definido e importan ssimo na sociedade, não perdamos nossa essência !!! Parabenizo todas as Mulheres por esse Dia tão Merecido !!!!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER !!!

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Primeiro poema publicado por Machado de Assis aos 16 anos de idade. Em 12 de janeiro de 1855.

ELA
Seus olhos que brilham tanto, Que prendem tão doce encanto, Que prendem um casto amor Onde com rara beleza, Se esmerou a natureza Com meiguice e com primor Suas faces purpurinas De rubras cores divinas De mago brilho e condão; Meigas faces que harmonia Inspira em doce poesia Ao meu terno coração! Sua boca meiga e breve, Onde um sorriso de leve Com doçura se desliza, Ornando purpúrea cor, Celestes lábios de amor Que com neve se harmoniza. Com sua boca mimosa Solta voz harmoniosa Que inspira ardente paixão, Dos lábios de Querubim Eu quisera ouvir um -simP’ra alívio do coração! Vem, ó anjo de candura, Fazer a dita, a ventura De minh’alma, sem vigor; Donzela, vem dar-lhe alento, “Dá-lhe um suspiro de amor!”

ASSIS, Machado de, 1839 – 1908

Poema enviado Por Paula Barrozo

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Foto by Samantha Verdan

A Magia da Mulher

A Magia da Mulher é Poderosa ! Vibrante! Maravilhosa ! Irradia por todos os cantos ! Pela rua ! Nas casas ! Nos palacetes ! Nos escritórios ! Escolas ! Casebres ! Não importa Mulher é sempre magia ! Magia das artes ! Do amor ! Da liberdade ! Do perdão ! Do trabalho ! A magia da mulher embeleza o mundo com as Cores do arco-íris ! É sol depois de uma tempestade de verão ! Mel que adoça o coração ! Pote de ouro ! Felicidade que alegra o lar e deixa a Família em eterna união ! A magia da mulher é do bem. Da bondade. Da solidariedade. Ajuda as pessoas ! Aconselha ! Engrandece e fortalece a fé ! A magia da mulher é oração ! Anjo de luz ! Pedaço de diamante ! Ouro ! Prata ! Cobre ! Vegetação ! A natureza tem permanentemente a magia da mulher. A magia da mulher preenche o caminho de amor Com doação ! É sempre presença marcante ! Ventre que abriga a vida ! Seio que alimenta o Filho ! Eterna fonte de carinho ! Mas também de luta por um mundo melhor. A mulher é eterna magia. Eterna luz !

Antonio Marcos Pires
Rio de Janeiro/RJ - Brasil

Poema recebido de Paula Barrozo
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A Importância da Mulher
Mulher Geradora da vida... guerreira, batalhadora. Ao mesmo tempo terna, meiga, dócil, carinhosa e companheira. Fonte de luz, incansável nos compromissos diários, muitas vezes trabalha fora e ainda cuida da casa, dos filhos e do companheiro. Sempre com um sorriso no rosto, uma palavra de conforto e um brilho especial no olhar. Protegem a família, aconchegam os filhos nos braços, são mães, amantes, amigas e levam no corpo o segredo e a magia do Universo. A mulher está sempre presente no co diano de todo homem mãe, avó, a, irmã, amiga, filha, professora ou companheira. Enfeitam o lar com um perfume suave de rosas envolvendo de forma poderosa a mente, o corpo e o coração do homem. Mulher bene cio da vida, que dá sen do a existência, rega as plantas com amor, trabalha com seriedade e ainda tem no coração muita bondade e uma imensa sinceridade. Amam com a força do coração. E aquecem com o calor do sol ! Importantes na construção do mundo, fundamentais para a formação do mundo. Mulher, eterno brilho que transforma o caminho de espinho em um oásis de paz !
Antonio Marcos Pires
Rio de Janeiro/RJ - Brasil

Poema recebido de Paula Barrozo
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Curiosidades sobre as Rosas
A primeira rosa cresceu nos jardins asiá cos há 5.000 anos. Na sua forma selvagem, a flor é ainda mais an ga. Fósseis dessas rosas datam de há 35 milhões de anos. Os mistérios e a magia das rosas, a flor mais an ga de que se tem no cia inspiraram muitos livros e inúmeras histórias; uma das mais lindas é a do poeta lírico Anacreon, que atribui o seu nascimento a Vênus. Ele imaginou a deusa surpreendida por Júpiter enquanto se banhava. Vênus enrubesceu de tal maneira, que de sua face brotaram rosas..... A rosa é uma flor tão especial que no sarcófago do Faraó Tutankhamon foram encontrados vários buquês de rosas ainda intactos, depositados há mais de três mil anos pela rainha Ankhsenamon, sua esposa.

por Paula Barrozo www.paulabarrozo.com

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Fragilidade.
Por Silmara Oliveira.

Se ser frágil é chorar com um filme de romance com um final emocionante. Se ser frágil é colocar o amor acima de qualquer sofrimento. Se ser frágil é andar por um jardim e não deixar de colher a flor mais bela para enfeitar os cabelos. Se ser frágil é idealizar o príncipe encantado, mesmo que ele não seja tão encantado assim. Se ser frágil é ouvir uma música e perceber nela a sensibilidade do autor. Se ser frágil é se encantar e acumular lágrimas nos olhos com apenas uma sorriso de uma criança. Se ser frágil é ser capaz de amar a família e cuidar pra que ela permaneça unida. Se ser frágil é ler um livro e chorar de emoção com meras semelhanças da vida real. Se ser frágil é gerar um filho e passar por cima de tudo e de todos para protegê-lo. Se ser frágil é colocar num diário todas as emoções dos fatos diários desde a ida ao trabalho à conquista mais sensacional. Se ser frágil é admirar rosas mesmo sabendo que elas contém espinhos. Se ser frágil é demonstrar em gestos a delicadeza de um ato de amor. Se ser frágil é sentir medo de pequenas coisas e ser uma muralha intranspassável para grandes coisas. Se ser frágil é amar...e amar... e amar.... Somos mulheres... Frágeis em nossa imortalidade E fortes diante da nossa fragilidade.

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Soneto do Orfeu

São demais os perigos dessa vida Para quem tem paixão, principalmente Quando uma lua surge de repente E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado Vem unir-se uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música Luar e sentimento, e que a vida Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua: Tão linda que só espalha sofrimento, Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes
Poema enviado por Aparecida de Barros 82

FALANDO SOBRE MULHERES Por Rita de Oliveira Medeiros
Não sou poeta, como Martinho da Vila e Chico, mas também posso falar que tive mulheres muito importantes na minha vida. De algumas tenho saudades que ainda desconheço, de outras, trago uma saudade pesarosa, e outras tantas, eu admiro por sua obra e significado, por sua luta desigual e insana, por sua força e fragilidade. Tenho saudades das minhas avós, que nunca pude conhecer. A materna, dizem, era pessoa muito pobre e, tal como a minha mãe, deixou este mundo cedo demais. É só o que sei dela. A paterna, ao saber da traição do marido, morreu de parto, jovem ainda. No desespero, meu avô deu a criança, um menino, em adoção e nunca mais se soube dele. Meu pai contava de suas lembranças, dela sentada no chão, ao lado de meu avô, aprendendo com ele as artes da costura. Sempre que ouvia esta história, que ele não se cansava de repetir, imaginava uma moça morena, cabelos compridos e levemente ondulados, muito meiga e carinhosa, suavemente atenta ao que o marido lhe ensinava. Mais tarde, bem mais tarde, vim a conviver com uma avó! A mãe de meu esposo. Ao ver o seu desvelo com os netos (quatro meninas e um menino), seu carinho, a felicidade com que cuidava deles passei a acreditar que minhas avós deveriam ter sido assim também, pois toda avó é sempre um pouco babona mesmo!A partir de então, passei a amá-las profundamente, a sentir-me neta, e pensar que da mesma forma sou amada por elas, onde quer que estejam. Parece uma sina, pois da minha mãe de barriga, pouco ou quase nada conheço. Sei que era daquelas mães que os filhos vão dobrando, dobrando, até o ponto em que ela se encanzinava e ai era um salvese quem puder! Nas poucas fotos de família, vê-se uma garota muito bem sentada, delicada e séria. Não se tem dela um sorriso sequer, somente uma ruga de preocupação, marcando a testa ainda tão jovem. Dela tenho saudades estranhas. Dos carinhos que talvez tenha recebido e não recordo, das lições que dela não recebi, sobre suas experiências de uma vida tão brevemente encerrada. Morreu aos 40 anos, deixando-me ainda bebê. As mulheres mais importantes foram minha madrasta e minhas 3 irmãs. Das irmãs recebi o exemplo de cantar em coral, de me enfeitar para o carnaval, do prazer da leitura, das conversas inteligentes e de dançar muito, sempre. Lembro-me que adorava vê-las sentadas na penteadeira, passando laquê, penteando-se, esperando o namorado às escondidas do meu pai. Delas, eu recebi também, o exemplo de nunca me curvar à prepotência e à violência. De enfrentar a autoridade, da coragem de “responder” a alguém injusto, mesmo sabendo que o resultado seria um castigo físico.
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Minha madrasta me criou desde os 02 anos de idade. Desta mulher recebi o exemplo de força, coragem e inflexibilidade, mas nunca soube que ela havia sido dona de uma empresa, nunca contou dos seus sonhos, desconfiava das tristezas, mas ela parecia tão forte, sempre tão brava, nunca se abria. Sempre fiquei dividida em vê-la como minha mãe e madrasta, mas independente a isso, amava-a profundamente. Falando sobre mulheres, digo que elas tiveram uma parte muito importante em minha formação como ser humano. Logo, lembrei-me delas, as amigas que são uma parte tão importante na vida de uma mulher quanto a família o grande amor ou até mesmo, os filhos. Aprendi os trejeitos e os jeitos de ser mulher em casa. Mas a viver e sobreviver em sociedade, eu aprendi com as amigas com as quais convivi. A primeira amiga da qual tenho lembrança era uma menina chamada Simone. De vez em quando alguém me levava para ver a obra da casa nova, nós passávamos em frente da sua janela e lá estava ela, a Simone, sempre sorrindo para mim. Ela menina marcou minha infância, porque morreu queimada. Fiquei tão triste com isto, que passei a exigir que me chamassem por Simone. Quando minha irmã Itaci casou-se, foi morar na Rua João Henrique, a Rua do Valo. Lá, conheci a Zuleida. Começamos uma parceria de brincadeiras, algumas das mais inusitadas possíveis. Falar da vida escolar ao lado dela daria um bom caldo. A Zu me impressionava pela intensidade de suas emoções, não sabia como consolar sua dores e me conformei apenas em ouvi-la, aproveitando quando estava disposta a brincar. Depois, aos 05 ou 06 anos conheci a Dilcinéia, a Neinha. Ela era uma criança calada, meu pai dizia que se comovia com a tristeza dos olhos dela. Aprendemos muitas coisas, passei junto com ela muitas fases, algumas boas, outras bem ruins. Como era bom passarmos as tardes brincando, “imaginando” brincadeiras, porque brinquedo quase não se tinha. Foi com ela que aprendia a andar de bicicleta. Com a Néia, aprendi, mesmo sem saber, que uma amizade torna tudo o que é bom e belo, melhor ainda, e o que é triste, bem mais fácil de suportar. Com a Regina aprendi a exercer a religiosidade que já possuía, sem a interferência dos padres, freiras, catequistas, etc., embora sua presença estivesse subentendida entre nós, pois que nas nossas brincadeiras de missa, o padre era simplesmente ela! E o fazia com autoridade máxima! Ela tentava brincar a sério, mas eu simplesmente acabava com tudo de uma hora para outra, dizendo alguma palavra menos adequada e o “padre” libertava sua ira sobre minha pobre cabeça. Até hoje tenho medo que as ameaças tenham dado resultado! O período em que apenas brincávamos, seguiu-se ao começo da vida escolar. O meu espanto era grande, porque, se na minha casa ninguém ligava se eu estudava ou não, na casa dela estudar era a regra. A mãe dela emprestava os cadernos de alguma conhecida, que já estava um ano adiantada, e fazia a pobre criança estudar. Os horários dela sempre foram religiosos, ela passava a matéria a limpo, depois estudava, e quando “eu” chegava, ela podia brincar mais do que estudar, pois comigo era assim. Eu só me aprofundava em matérias teóricas, tipo geografia, história, ciências. Coisas que estimulassem minhas viagens espaciais, dentro do corpo humano, no passado e para o futuro, bem como, minha vocação para “cientista”, que foi fulminada pela física e matemática, que eu nunca consegui acompanhar. O resto, era só brincadeira, quando eu cansava das explicações e da maravilhosa boa vontade dela. Não fosse a Regina, creio que ainda estaria na oitava série. Foi ao lado delas, Regina e Néia, que atravessei a infância, adolescência e juventude. Paralelamente a vida escolar, nós adentramos na vida amorosa, foi o período das descobertas e o início de uma vida de muitos encontros e desencontros amorosos. Vivemos tudo, maravilhadas, encantadas com as imensas possibilidades que se descortinavam aos nossos olhos. Ao seu lado fiz minhas descobertas, com seus conselhos tomei minhas decisões, enfim, partilhamos tudo, ou quase tudo, inclusive uma certa mania de escrever poesias, que uma nova colega incentivou. Esta fase começou, lá pelos 14 anos quando nosso querido colégio, o Ana Gondin, foi impedido de funcionar como ginásio, ou seja, 5ª a 8ª séries. Mudamo -nos, Regina, Neia eu e todos os demais alunos, para o CEAL, na Cidade (o centro de Laguna). Começamos a conviver com outras pessoas espetaculares, como a Naime, que sempre ria das piadas depois que todos já haviam parado, a Jacque, o reencontro com a Zuleida, enfim, um universo de novidades, que era bem mais interessante do que as matérias da sétima série e lá fui eu de novo, me afundar na matemática.
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A Nádia foi outra grande presença em minha vida e quando fomos estudar juntas na mesma sala, foi uma maravilha para nós mas um desastre para nossos pais. Conheci a Nádia, quando participamos juntas como daminhas na Festa do Espírito Santo. Um corte de tecido rosa, que quase não deu para um vestido, a sandália da minha mãe que não serviu e deixou o meu dedão de fora, um cadarço de tênis preto e algumas chaves velhas, foram o arremedo de um colar, mas tudo era festa, porque a Nádia era a animação em pessoa. Foi por intermédio dela que conheci “o alguém” que me daria um primeiro beijo. De beijos a gente só ouvia e via nas novelas e eu imaginava que iria sentir-me no Sétimo Céu. Que decepção! Foi horrível o meu primeiro beijo e foi um desastre para minha autoestima aquele romance proibido. Ah! Esqueci de comentar que só podíamos namorar com 15 anos. Imagine se iríamos esperar tanto. Paqueramos e namoramos muito, às escondidas, nas barraquinhas, no cinema, enfim, estudar que era bom, nada! Até que a família da dela proibiu-a de sair comigo e nossa fúria namoradeira teve um refresco afinal.

Como disse, quando conhecemos a Jacque ela já escrevia poesias. Diante do seu exemplo, foi muito simples abandonarmos os questionários e passarmos a desenhar no papel os nossos sentimentos, dúvidas, sonhos e inúmeras decepções. De tempos em tempos eu conseguia rimar alguma coisa, mas no geral, foi só uma maravilhosa terapia e um grande sossego para os meus pais e familiares. Eis que passava minhas tardes e noites, escrevendo poesias, trancada no quarto, ouvindo músicas. Ao todo foram 14 cadernos de poesia, com nome de Memórias de uma Adolescente.

Findo o período escolar, começamos nossa vida profissional e outras amigas vieram, mas, ficou a amizade e a recordação deste tempo maravilhoso que passei ao lado delas. Cumprido o pacto de batizar os primeiros filhos uma da outra, Jacque hoje é, além de grande amiga, minha comadre. Graças à internet pude reatar as conversas com ela, Zuleida e Regina. Voltei, após longos e inexplicáveis anos, a conversar com minha querida amiga Neinha e Nádia, junto com sua irmã Nadine, conseguiu me tirar da tristeza que sobreveio as perdas que havia sofrido em 2004. Sempre que vou a Laguna, revejo aquele jardim e relembro de todas elas, inclusive das que não mencionei aqui, de sua amizade e grande importância, em cada uma das fases pelas quais passei, ou em todas ao mesmo tempo. Querendo falar tanto, vejo que escrevi tão pouco, do tudo que estas belas mulheres representam e representaram na minha vida. Elas mereceram e merecem, muito mais do que cem rosas.

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RABISCO Por Igor Medeiros de Oliveira

Ela vem caminhando Ritmando os passos sobre seus sapatos importados Desfilando beleza por um tapete vermelho Ausente (e desnecessário) Lágrimas escorrem pelo seu sorriso Que já iluminou muitos corações partidos Cabelos sedosos que já enfeitiçaram Todos os públicos e gostos. Atraindo presas com seu aroma que Mistura cinzas, lágrimas, tabaco E um leve traço de nectarina O gosto amargo das derrotas Distorce, levemente, suas perfeitas feições Finalmente o tapete vermelho acaba E não há nada no final Faltando cinco passos para o final, ela para. Nisso, surge um espelho No qual ela se mira Botando defeitos em cada um de seus suntuosos (E humanos) detalhes. E foi assim que a encontrei Cheguei silenciosamente atrás dela Acariciei seus cabelos sedosos Encarei seu sorriso sem que ela me encantasse. Fiz ela olhar para trás E ver tudo que já tinha passado E fiz ela ver tudo que tinha pela frente Cinco passos.

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SEMPRE MULHER Por Rejane Mattos Vilella Um dia criança. Filha, neta, sobrinha, prima, irmã , amiga, vizinha. Depois mulher. Namorada, esposa, mã e, funcionaria, chefe, dona de casa, empresá ria, tia, cunhada, avó . Aı́ voltou a ser menina...

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MULHER MARISQUEIRA
Por Tereza Rodel Você sabe o que é uma Mulher Marisqueira? Eu não sabia que existia esse termo. Mulher pescadora, mulher faxineira, mulher benzedeira, mulher rezadeira, essas já vi e ouvi falar, mas a marisqueira, nunca. E tive a grata oportunidade de conhecê-la e até acompanhá-la praticando a sua profissão. Mulher marisqueira é aquela nativa de locais à beira-mar, que pega mariscos nas pedras, algumas por simples hobby e outras para sustento de sua família. Trabalho um tanto perigoso, pois entre a pedra e o mar, tem o marisco. E como diz um ditado “eu estou igual a marisco, levando surra do mar e grudado na pedra para não ser levado pela onda e nem pelas gaivotas”. Quando chega o mês de janeiro/fevereiro, a mulher marisqueira entra em ação. Vão juntos, filhos, sobrinhos, irmãos, cada um com seu balde de 5 litros (aqueles de tinta, que após o uso é aproveitado para outros fins). E ali ficam, naquele horário em que a maré desce, a tardinha e o mar mais calmo, começam a pescar o marisco. Trabalho fácil quando mar está amigo, difícil quando ele está brabo. Ondas enormes quebrando sobre a cabeça da mulher marisqueira. E o vento, então, meio frio, pois anoitece e a temperatura cai um pouco apesar de ser no forte verão. Muitas até sem os apetrechos certo para a pescaria (tênis velho, luvas de lã, faca pontuda para arrancar o bichinho da rocha) mas elas tentam e conseguem. Após duas ou três horas, retornam, faceiras, isso mesmo, faceiras, pois conseguiram encher o balde umas quatro vezes, o que pode dar dois ou três quilos de marisco, ganhando assim uns trocados. Na companhia dessa mulher marisqueira, lado a lado, descobri um excelente remédio para aqueles momentos de tristezas, decepções, inutilidades (sim, tem momentos em que nos sentimos assim). Lava-se o corpo e a alma, no mar. Espero poder retornar mais vezes, até acho que vou aprender a cozinhar mariscos. Dizem que é afrodisíaco. Será que Afrodite comia marisco, no mar da Grécia? Será que era por isso que os deuses eram apaixonados por ela? Mas assim como Afrodite, bela mulher, segundo a lenda, a Mulher marisqueira cumpre seu papel de fêmea. Buscando naquela imensidão azul, as vezes verde, onde o céu parece que toca e fica tudo uma coisa só, o sustento para sua cria, seu companheiro e até para fazer uma mariscada para a amiga estranha no ninho mas que – como mulher – se entendem muito bem. Sem diferença de cultura, de cor, de religião, costumes. Escrevo esta crônica em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, fazendo assim a minha homenagem a esta mulher que mora numa casa simples, num canto do mundo, mas da qual tenho muito orgulho de ser amiga. Parabéns Mulher Marisqueira. Parabéns a todas as mulheres valentes.

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Mulher

Por Maria Perpétua Freire Brasileiro
Dizem que: Falamos demais, brigamos demais, choramos demais, amamos demais Somos múltiplas Quando queremos ser únicas Dizem que somos levianas Quando queremos ser livres Nos querem humildes Quando queremos ser humanas Nos fazem perder o equilíbrio Quando não perdemos a esperança Somos apenas reais.

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o que quer uma mulher

Clarice Villac

Por Clarice Villac respeito carinho justiça possibilidades para desenvolver seus melhores talentos sentir que cada dia valeu ser vivido objetivos que estimulem sua vontade de viver contemplar seus esforços desabrocharem acrescentando valor à experiência na Terra valorizando os mais puros ideais simples como a flor.

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LA VEM ELA Por Cé lia Labanca

Nua Como convé m aos puros. Alegre Como convé m aos anjos Feliz Como convé m à s fê meas.

Lucien Coutaud

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ATOS

Por Jaci Santana

Não serei aquela que, como vós, Sofrestes na pele, a dor da ingratidão. Não serei escudo, nem punhal, Dos atos profanos que rondam as ruas da cidade. Não serei juíza, ou defensora, Dos que matam e bradam justiça e liberdade. Não serei cúmplice do escárnio alheio. Nem, carregarei nos ombros o peso da desonra, Dos que traíram por vingança. Não mancharei minhas mãos Com o sangue dos ímpios. Nem, serei vítima daqueles que me apontam, E me julgam culpada. Tampouco, dissimularei olhares, Para fugir do assédio do povo que me apedreja. Seguirei com honradez, Até os últimos dos meus dias.

Andreas-Puhl

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NÃO ME CONTENTO COM POUCO
Por Alessandra Neves Não quero que grite o seu amor Nem que escreva em palavras grandes Não quero grandes presentes Nem flores, nem bombons, nem poesias Não quero e-mails diários Tweets, scraps ou ainda, SMS Não quero sua declaração num outdoor Ou numa página de jornal. Não quero grandes e notáveis manifestações Públicas de carinho Não quero um pedido lindo e emocionante De casamento num grande restaurante Nem uma festa enorme pra Todo mundo ver como somos feliz Não quero que vá me buscar todos os Dias no trabalho, Na faculdade ou na academia Não quero que seja corajoso me Acompanhando durante as compras Na verdade, nem espero mesmo Que se lembre do nosso Aniversário de namoro! Só quero que em silêncio segure minha mão Só quero que me diga que tudo vai dar certo Só quero que me diga que te faço feliz Só quero acordar ao teu lado todos os dias
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E ao chegar em casa saber tua presença mesmo que Já deitado Só quero um abraço Um toque dizendo tua presença Dizendo teu carinho Dizendo tua cumplicidade Só quero você na minha vida Mesmo que sua presença seja distante Em metros ou quilômetros Mas nunca em amor. Só quero que ao olhar nos teus olhos Saibamo-nos ali dentro Dentro de nossos corações. Não que eu me contente com pouco, Mas preciso de pouco pra me fazer feliz.

Poética

Por Walnélia Corrêa Pederneiras Intransponível janela Céu estrelado, imaginado... Na estante, muitos livros Astros de mil formas... Deito luar de meu olhar Letras salpicadas de ideias Constelação no coração Acompanho estrela cadente, Cecilia, Cora, Lia ou Adélia? Dorme boa noite em mim Tem perfume de jasmim Escrevo no livro azul Não tem inicio, nem fim

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Feitiço
Por Ana Mariah

Quero desvestir-me de esperas e vazios no peito que teimam em remexer meu passado sem constrangimento. Desvencilhar-me do torpe, de palavras jogadas à queima roupa, de quem me lança na fogueira. Se sou feiticeira é o meu destino. Não aceito condenações ou estigmas. Nasci para me livrar do medo

The Dark Keeper

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MULHERES

Por Mariuza Helena

Muitas de nó s, belas de um e de outros Um dia felizes, tristes em outros Levamos no coraçã o o mundo dos outros!
Há em nó s a vida e com ela abençoamos

Estes que passam, estes que chegam Reviram nossos cantos Espalham nossos mantos e levam Sempre de nó s um pedaço!

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CAMINHOS DE PEDRA, ESTRADA DE FERRO, ESTAÇÃO PARADA. Por Sandra Helena Queiró z Silva
Muitos caminhos percorridos, outros corridos, tropeçando em pedras (di iculdades) E os driblava feito jogador. Aprendi que deveria deixar por lá as pedras e passar pelo o lado nã o olhando para trá s, Seguindo novamente o caminho por seguir. Passei por uma estrada de ferro. Com seu trem a todo vapor, o maquinista em nove meses em intervalos de trê s em trê s meses, passou tã o rá pido e levou trê s passageiros (irmã , avó , e mã e), Nã o escutei o apito, veio em surdina e nã o tive tempo de dar um adeus, já tinham partido. A estaçã o parou, com as partidas, lá permanecı́amos nos trilhos trincados, coraçõ es partidos com partidas tã o inesperadas e momentâ neas. O maquinista esperou mais um tempinho, desta vez apitou fraco, mas eu escutei e depois de oito meses, lá chegava o trem com seu maquinista para buscar mais um passageiro, meu pai. Minha estaçã o alé m de parar por algum tempo, perdeu o referencial de tudo. Mesmo assim, continuamos a seguir, permanecendo duas. A estrada de ferro, por enquanto está desativada (até quando nã o consigo prever). A estaçã o parada construiu um modelo de vida, que muitas vezes sem querer re lete no que escrevo. Porque, os ios da carne, a força interior que tenho e como encaro a vida é tã o pequeno ao comparar com os caminhos de pedra, a estrada de ferro e a estaçã o parada.

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AMAR COMO A PRIMEIRA VEZ Por Amarilis Pazini
Quero a minha alegria de volta Correr solta pelos campos Esperar a lua nascer E o dia amanhecer. Ler as palavras suaves de amor Deixadas no pedaço de papel Largado no canto especial Onde só eu sei encontrar. Quero o olhar doce Re letindo o brilho Da paixã o desperta Do toque de mã os suaves. Quero olhar as estrelas E chorar de emoçã o Esperando o momento Ao som de uma apaixonante cançã o. Quero viver de novo A emoçã o de amar Tremer o corpo todo Na â nsia do encontro. Eu quero amar Como a primeira vez Na descoberta inocente Que ele dure eternamente.

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Coração de mãe
Por Débora Villela Petrin
(A você minha mãe guerreira) No manto debruado por linhas espessas, Costurando sonhos e pesadelos Nem o balanço de ondas revoltas, Desprezam os retalhos Que ainda, Bordados na colcha larga e solta, Possuem pregas grudadas em suas pontas O pó esmaecido se desfaz do matelassê amarelado, Sobrevivendo a cor da vida Nos cantos estreitos a busca da solução, Retrata a alma Ensolarada, Disposta a navegar em aventuras, Solitárias ou não Sem se preocupar, Com o número de pessoas juntas na "nave", As portas abertas mostram a sua forma Exclusiva de ser, Com atitudes sinceras, despojadas e cobertas Pela maciez do sorriso espontâneo Mora a mãe guerreira, Esbravejando a sua língua pátria De amor total.

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Basta-me! Por Gló ria Salles
Um jeito peculiar de me olhar do fı́sico alé m Conjuga as ausê ncias em versos de esperança A irma que as promessas um dia feitas vê m E o saldo, das duras batalhas, será bonança Nã o acumula de mim, uma imagem distorcida Sabe os redemoinhos que brutalmente me sopram Tem o inicio do io, das amarras da minha vida Sabe minhas rendiçõ es, e onde meus sonhos pousam Conhece minha fome, faz de sua boca alimento Como caravela em mar aberto meu corpo navega Embala meu sono, no doce balanço do vento Sua rota de navegaçã o faz provocar minha entrega Cobre minha nudez, com sua poesia, rica e vasta Enlaça-me, protege, cuida e ama, e isto me basta

Danny Hahlbohm

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Vem Para Mim

Por Alma Lusitana
Vem, fazer comigo Tudo que queres fazer, Vem e traz contigo Todo esse teu querer. Vem, trazer o alento Que preciso para viver, Vem, nas asas do vento Desnudar todo o meu ser. Vem, por ti espero Anseio contigo estar, Em teus braços quero Para sempre me embalar. Vem, fazer amor Ver, o sol nascer Apaziguar a dor Que sinto, Por nã o te ter. Vem dar-me esperança Poder concretizar, Sonhos que na infâ ncia Me izeram acreditar, Vir um dia, algué m amar. Agora vem, Sê o meu abrigo, O meu bem, O meu... paraı́so.
Óleo de Thomas Baker

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FALAR

Por Luiz Eduardo Gunther

Havia a possibilidade plena de falar, sem buscar a palavra exata.

Mas só no silê ncio de um olhar, podia a palavra toda brotar.

Stephen K Willi 102

Acordando os sonhos
Por Patrícia Lara A rede de metáforas onde me deitei, estreita, não coube todas as imagens que projetei. O chumbo da lógica pesou na imaginação de leves fios e foi necessário renunciar. Corajosa, me pus na abstração dos sonhos e acordei para nunca mais sonhar.

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LIÇÃO TARDIA
Por Roselis Batistar Que diabo de saudade é essa Que me toma a promessa de liberdade Que pede compressa a qualquer idade, Como se a Flor do Lácio não me bastasse? Que diabo de flecha é essa Que simulou um cataclisma, Que penetrou na cima da vontade Que destronou a vaidade Da deusa incólume da balança? Que feroz seta se me cravou na testa Insinuando um cheiro De perfume sentimental? Qual foi a Flor do Mal De enxame rabugento Que transformou em fermento A causa mesma da alucinação? Passa o tempo e não aprendes Que o racional elixir insipido Só funciona com robô metálico E não com o cálido coração teu!

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Ela Por Vicência Jaguaribe Ela apareceu de repente. Eu não a esperava. Tenho perdido o hábito de olhar o calendário. Apareceu esplêndida Num céu sem nuvens. Ela, só. Quis alcançá-la enquanto dirigia. Mas ela, indiferente, escondeu-se Por trás de uma árvore. Acelerei. Mas um prédio Substituiu a árvore. E outro prédio mais apareceu. E a sucessão de prédios Foi mais rápida do que eu. Quando, finalmente, Ficamos frente a frente E eu pude encará-la, Tive que dobrar à esquerda. Constrange-me dizê-lo: - Perdi-a numa curva do caminho.

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SIMPLESMENTE MULHER
Por Isabel C. S. Vargas Desejo falar sobre a mulher, inspirada numa cena do cotidiano. Vi uma feirante, em cima de um caminhão, esforçando-se para soltar a lona de sua barraca, em final de feira, sábado à tarde. Era de idade madura, traços orientais e delicados. Ao vê-la logo me ocorreu como deveria ser extensa sua jornada. Acordar de madrugada, adquirir os produtos no atacado, carregar, armar a barraca no local habitual, atender a clientela, certamente de forma atenciosa. Após o encerramento todo o trabalho de novo até chegar a casa e descansar. Sem medo de errar, umas 10 horas consecutivas de trabalho. Desde o massacre de Nova Iorque em 08 de março de 1857 data que depois foi convencionada de se comemorar o Dia Internacional da Mulher até a presente data muita mudanças e conquistas ocorreram. É incontestável a presença marcante das mulheres em todos os segmentos produtivos da sociedade quer como profissionais liberais ou como colaboradoras nas mais diversas atividades, não só naquelas tidas como específicas pata mulheres, pois estas já desbravaram caminhos, abriram oportunidades para todas as que as seguiram.

A família e a sociedade mudaram com o trabalho da mulher, com sua ascensão profissional, o que inclui na bagagem uma dupla jornada e muitas vezes uma boa dose de culpa por sair de casa e deixar os filhos entregue a familiares ou a terceiros. Ao escrever, desta vez desejo fazê-lo para aquelas que ainda não conseguiram se libertar de uma carga culturalmente muito pesada, que as massacra e mantém, via de regra, na mesma situação daquelas que as geraram, sem ter havido modificação na escala social, pelo que ainda hoje não veem diante de si perspectivas de mudança. Penso naquelas que ainda permanecem analfabetas e que por isto mesmo passam ao largo da inclusão social, nas sem trabalho, naquelas que, mesmo tendo escolaridade que lhes permitiriam prover seu sustento, não o fazem, por falta de oportunidades nesta sociedade extremamente competitiva e excludente; naquelas que permanecem sob o jugo de pais ou maridos que não permitem que elas trabalhem por preconceito, ignorância, discriminação ou simples insegurança.

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Aplaudo nesta data, aquelas que trabalhando em atividades consideradas subalternas, sem maior grau de escolaridade também conseguem desempenhar múltiplos papéis, manter suas respectivas famílias, formar filhos em universidades, sem terem as compensações que aquelas de postos mais altos têm, como oportunidades de lazer variadas, viagens de férias em praias, atividades culturais, pois os parcos recursos que dispõem são para o sustento de filhos, pais idosos, marido enfermo além de outros familiares não enfermos, mas excluídos do segmento produtivo. Este texto é para a senhora da feira, para a do cafezinho, da faxina, para a cozinheira, para a que trabalha de gari, para a dona de casa e outras tantas, como a comerciaria, a manicure, a florista, a ambulante, tão mulheres quanto às demais e que levam uma vida aparentemente sem glamour, levantando às seis horas da manhã fazendo um trabalho sempre igual. A sociedade é uma engrenagem (que pode ser cruel) que necessita de todas as peças para funcionar, portanto, todas investidas de valor. Não seria justo esquecer daquelas que mesmo sob a vigência da Lei Maria da Penha continuam a ser agredidas. É importante que o círculo de exclusão seja rompido e que aquelas inseridas naquele segmento da sociedade sem oportunidades, quer pelo fator econômico, social, cultural por questões relativas à etnia ao gênero, ao credo ou diversidade sexual consigam acesso a melhores condições não só de sobrevivência, mas de vida digna que possam romper os paradigmas determinantes desta condição, de modo que seus filhos não repitam este estigma e sejam portadores de novas esperanças e de um novo futuro.

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Guerrilheira
Por Victor Manoel G. Villena Guerrilheira de meus ardentes desejos, do silêncio e do tempo... Tua luta é minha paixão Tua arte carinhosa cheia de ardores é meu refúgio no tempo dos meus sonhos e apetites... Guerrilheira da beleza, Guerrilheira do fogo e da paixão, com teus cantos vitoriosos, a guerra você declara com amor, que espera impassível nas trincheiras do fogo, para combater no campo de batalha a insurgência do desamor, e com sons de fanfarra de ardentes desejos, você marcha ao campo de batalha conquistando territórios de prazer

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Enfeites de lábios poentes
Por Carlos Damião

Esboço de um pássaro no ninho ou um cogumelo desabrochando fértil no regaço do jardim.

Sentinela gulosa quase geográfica mas de sabor florido e orvalhado – morada provisória de lua-estrela: quarto-crescente.

Divertimento melódico em frescor de semente e silêncio de sangue viajante da ventania no desenho radioso da aurora.

Cenário de migrações e sombras enfeites de lábios poentes que soletram suspiros no ritual insolente de tuas bocas-línguas aladas.
Anahi Decanio

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Rosas vermelhas
Por Valéria Nogueira Eik A rosa vermelha e o sorriso cativante foram entregues ao final do dia. Amélia, olhos baixos, fez um muxoxo de menina e tentou alongar a mágoa. Encarou o riso inocente e esqueceu as palavras rudes da noite anterior. A rosa era tão linda! Duas rosas vermelhas foram entregues no início da noite por um sorriso suplicante. Amélia exibia um pequeno corte na boca. Derramou soluços incontidos e mais algumas lágrimas. Olhou as rosas. Sorriu tristemente. Desculpou a ressaca matinal. Três rosas vermelhas foram entregues, quando duas ou três estrelas salpicavam o pedaço de céu que se condensava diante da janela. Amélia, deitada na cama, invadida por todas as dores, relutava em perdoar. O sorriso dele, quase paternal, delineava motivos e a absolvição das culpas. Quatro rosas vermelhas foram entregues quando a madrugada cobria a cidade. Amélia, amontoada no chão, ainda recolhia os cacos do próprio corpo. O riso infantil implorava por perdão e afagos. Cinco rosas vermelhas foram entregues, quatro ou cinco dias depois, por um par de olhos desesperados. Amélia, de malas prontas, queria ir, queria ficar. As marcas arroxeadas e a pele costurada começavam a ganhar tons suaves. E suaves ficaram as dúvidas. Seis rosas vermelhas foram entregues por um sorriso impessoal. Amélia, agasalhada por outras tantas flores e pelo brilho das velas, não pôde ver nem perdoar.

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Iansã
Por Marília Floôr Kosby
Sobre um mar que mais parece à noite uma lâmina Num pequeno barco sem vela Carrega com ela a morte Pois Iansã Que é vento Nunca está Nem aqui Nem lá E assim fica Cada um no seu lugar

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PARINDO Por Lariel Frota Vai menino que a vida te espera Sonha, acredita, luta, prossegue Não desanime diante de nada Vai, quem tem fibra consegue Vai, pois com a mesma força que te pari um dia Hoje estou te jogando ao futuro Corre, se cair levanta, se chorar não importa Tens em mim a força do amor seguro!!!!!!

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Ser Afetivo
Por Ju Virginiana Ser afetivo é querer bem Mas antes de tudo, desejar o bem É disciplina exigir Mas, sobretudo, apontar o porvir É, sim, limites impor Mas, principalmente, mostrar caminhos É entender e respeitar Saber ouvir, o diferente não negar Jamais confrontar Dar sem muito esperar É Aprender e... Ensinar É ajuda oferecer E nunca ninguém desmerecer É no outro se perceber É não desistir E continuar a sorrir É amar o semelhante É, acima de tudo, ser GENTE!

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CORAÇÃO DE MÃE NÃO SE ENGANA!
Por Marcelo de Oliveira Souza Quando sentimos algo, ou pressentimos alguma coisa que irá acontecer, sempre antevemos uma catástrofe pessoal ou de maior porte. Ao amadurecermos, encontramos muitos percalços na vida, mas muitos problemas, nós saímos justamente por causa desses pressentimentos. Algo que nos fala nos intui para mudarmos de caminho, de vida, de opinião... Neste sentido, as mães, sempre um passo à frente, elas pressentem, intuem... Sempre quando algo poderá acontecer, elas têm uma opinião, um conselho previdente. As mães sempre são rodeadas por espíritos de luz ou anjos-da-guarda, que através delas sempre nos livra de problemas maiores. Quem já não teve essa experiência, de desobedecer a nossa genitora ou de tentar enganar, logo depois o problema vir dobrado? Por isso, sempre escute: "Coração de Mãe não se engana" ela sempre sabe o melhor para nós. Quando a enganamos, podem surgir muitos problemas futuros.

Laurie Justus

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No princípio...
Por Camila Mossi de Quadros

Deus criou o homem e vendo que este era a sua imagem e semelhança, deu-lhe o jardim e a mulher. Disse-lhe: "vá e nomeie!". O homem olhou a sua própria mão, abriu, virou, tocou seu rosto. Fechou o punho e bateu no peito: "A-DÃO!"; O Pai fitava-o num misto de orgulho e expectativa. Adão, olhando o jardim extasiado, abriu os braços e berrou: "É-DEN!", Deus sorriu enternecido. A mulher estava olhando inexpressivamente; o homem, então, aproximou-se, tocou seu seio e deixou escapar um "Hmmmmm!". O Criador, intrigado: "Hmmmm?". Adão triunfante, orgulhosíssimo do próprio trabalho, imediatamente explicou: "Não, não! É-VA!". O Todo-Poderoso com uma expressão desconfiada. "Gato! Sapo! Mato! Coco! Rato! Vaca!" – disparou o homem, correndo, apontando e nomeando; enquanto Eva olhava ao longe, catatônica e Deus dividia-se entre descabelar-se e cogitar se o homem seria hiperativo ou se a mulher estaria quebrada. "Rio, gruta, pedra, mula, fruta!" – gritava Adão alucinadamente, quando Eva falou baixinho "horizonte". Deus, em meio a gritaria, aproximou-se e perguntou: "O que foi que você disse, minha filha?". "Horizonte" – respondeu ela. Andou um pouco, pegou algo no chão, examinou e disse "diamante"; as feições divinas alternavam-se entre orgásticas e chocadíssimas. Convencido de seu papel no mundo continuava Adão freneticamente: "Vale, chão, ovo, sol, lama, lua, flor!", enquanto Eva, quase que musicalmente, dizia: "Pássaro, abacaxi, caverna, estrela, montanha, formiga, centopeia...".

Deus, num misto de orgulho e desespero, pensava em quanto amava a mulher e em como precisava deter o homem antes que toda a criação fosse nomeada com menos de três sílabas. Deus, em toda a sua sabedoria, chamou então a mulher, que apareceu logo após apontar para um bichinho, sorrir e dizer: "Você tem cara de ornitorrinco.". Ornitorrinco foi golpe baixo, Deus ficou arrepiado e teve que tomar uma atitude. Estalou os dedos e subitamente os seios de Eva triplicaram de tamanho. Chamou Adão: "Meu filho, eu estava dando uns retoques na mulher e quero saber a sua opinião sobre esses novos seios que dei a ela.".

Adam-and-Eve-in-the-crea on-MuseumMonica--Lam-2007

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Adão olhou de relance, sem qualquer entusiasmo e respondeu: "Tanto faz, não tenho tempo a perder com esses detalhes, ainda há muito o que se nomear e alguém aqui precisa trabalhar!". Então Deus colheu um pouco de cevada e, misturando com água, soprou e disse: "Tome filho, experimente a cerveja que fiz para você."; Adão mal havia engolido, soltou: "Adorei esse rum!". Deus, desacreditando no que ouvia, falou: "Chama-se cerveja", no que prontamente o homem retrucou: "Quem nomeia aqui sou eu, isto é rum!". Deus, perplexo e chateado por desobediência tão prematura, disse à mulher que não sabia mais o que fazer. Eva sorriu e cochichou alguma coisa no ouvido do Pai, que animou-lhe imediatamente. Distrair o homem dando-lhe uma mangueira dentro das calças era uma idéia genial! Orgulhava-se da mulher que fizera. Chamou Adão e falou: "Estou tão orgulho do trabalho que fizeste que irei recompensá-lo!", e estalando os dedos fez aparecer um pipi em Adão, que calou-se e foi brincar, ora acertando alvos ou escrevendo com xixi, ora exibindo-se para Eva que ignorava-o completamente, enquanto falava com maestria: "Gafanhoto, maritaca, crepúsculo, libélula...". Diz-se que, até nossos dias, os descendentes de Adão estão por aí, entretidos com o pipi ao invés de falar. Essa deficiência masculina com a comunicação é uma das grandes crises no relacionamento entre os sexos. Os homens são assim, monossilábicos, apegados ao significado básico das palavras e principalmente às palavras básicas. Não espere que ele lhe diga que você está extraordinária, borboletante, radiante, fascinante, fantástica, maravilhosa. Para ele tudo isto está incumbido em bonita. No máximo, em linda. Se ele disser bela, apegue-se, ele provavelmente tem 20 pontos de QI acima da média masculina. Se disser poderosa, desconfie, talvez vocês possam ser amigas. Se ele não disser nada, conforme-se, você sempre vai saber quando ele gostou, e ele está na mesma da maioria dos homens do planeta, do Brad Pitty, do Antonio Banderas, do Tom Cruise, do Vin Diesel. O último homem que educaram pra se expressar, acabou no movimento “Cala a boca Galvão”. A escolha é sua.

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CEM ROSAS PARA AS MULHERES Por Zuleide de Jesus Coral

Este ano, no dia internacional da mulher, eu quero homenagear as grandes heroı́nas que já estã o em outro plano espiritual. Mulheres que dispensam comentá rios, mais que deixaram um legado de honra, luta e dedicaçã o ao pró ximo. Eu estou falando de Madre Tereza de Calcutá , Irmã Dulce, Zilda Arnnes e muitas outras que viveram no anonimato, e partiram sem serem reconhecidas. Leila Diniz que enfrentou o machismo e o preconceito com uma coragem de leoa. Merecem rosas aquelas mulheres nordestinas, de rosto enrugado pelo sol escaldante que assumem o lugar dos maridos quando estes partem para grandes Metró poles em busca de sustento, deixando-as com seis, sete ilhos, para cuidar sozinhas. Para todas as enfermeiras, que lidam com a maté ria doente do ser humano, muitas vezes nas condiçõ es precá rias dos hospitais. També m para todas as mulheres Africanas e Indianas, que veem seus ilhos catando lixo para comerem. Para todas as escravas das burcas, dos patrõ es, dos maridos. E fá cil dizer que a mulher é paci icadora, generosa, amorosa, meiga, compreensiva, destemida, e valente. Difı́cil e dizer que a mulher ainda é torturada, humilhada, explorada, e estuprada. Precisamos ainda gritar muito, para que as pró ximas datas do dia internacional da mulher seja comemoradas plenas de liberdade, igualdade e respeito para com este ser Mulher que gera vida.

Hans Baldung-Grien 118

Grupo de trovadores
Minha cama já não tem certo amor de uma mulher; mesmo assim, feliz, vou bem, conquistando onde puder...

Fábio Siqueira do Amaral

Preso às rédeas da emoção, quando o amor na vida explode sem qualquer explicação, quem “mulher” definir pode? A mulher – pura beleza –, de tez alva, igual à lua, no universo é a riqueza da minha alma que flutua. Negra pele encantadora da mulher, cuja candura, traz no olhar, de sedutora, a promessa que perdura. Venha urgente ao ocidente ofertar mais alegria, formosura do oriente: mulher doce, calma, esguia.

Livre da preocupação com mulher, com filhos meus, por destino a solidão, de presente, deu-me Deus.

Nas florestas andas nua, mulher índia em prosa e verso, liberdade igual a tua tem o peixe, quando imerso... Se ela veio “de colher”, só pode ser abelhuda: Deus nos livre da mulher fofoqueira e linguaruda!

Da mulher, o encanto eu canto: ser mamãe – divino ser –, ouvi-la em santo acalanto, serafins hão de querer.

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Helena Walderez Scanferla

A mulher com filho ao colo guarda-o a unhas e dentes. Ele será seu consolo entre crianças inocentes.

Henriette Effenberger À mulher foi concedido o dom da maternidade, e no filho concebido, recria a humanidade. Ser mulher, não é destino, nem ao menos vocação. Ser mulher - Ser feminino: ser parte da criação.

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Ignez Freitas A mulher ao ser criada de uma costela de Adão foi para ser bem amada com carinho e devoção. Mulher de dupla jornada trabalha sem descansar; às vezes nem é amada mas sofre sem reclamar.

Joarez de Oliveira Preto

Ser mulher é ser carinho... Sem amor, não há mulher e se ela chora um pouquinho, ganha tudo que quiser. Tantas coisas pra falar daquela mulher e santa, que cantou pra me ninar com a doce voz que acalanta. Mulher empreendedora, mulher que não desanima, é mulher batalhadora. Bem merece nossa estima!

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José Solha Ter um verdadeiro amor, é isso que o homem quer; e viver aprisionado na magia da mulher.

Sem elas nós não vivemos, com elas vivo em tormento. São elas o que queremos, sem elas eu não aguento...

Diz-se que em uma mulher não se bate nem com flor. Mate-a porém, se puder, com muitos beijos de amor.... Leda Montanari Para a mulher, só um dia? Àquela que traz no ventre, sempre com tanta alegria, dando ao futuro, a semente?
Flying by Jojobatanesi

A mulher, a liberdade, guiando carro, alcançou. Isso é a mais pura verdade e a vida recomeçou.

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Lóla Prata

Oh, mulher, vê teu valor, perceba que tu não podes com a desculpa de temor, agir como o rei Herodes. Insensatez de mulher é quando vai a rezar, vestindo o que bem quiser sem saber se comportar.

Jesus chamava Maria simplesmente de Mulher e o amor que nisso havia é tudo o que a gente quer! A mulher não quer ser gorda, deixar de ser atraente. Siga o conselho: não morda calórico ingrediente! Therezinha, doce amiga, escritora, mãe, mulher, que a sua vida prossiga nos rumos que Deus quiser!

Talvez venha em hora errada o anúncio de gravidez, mas mulher encorajada a encara com honradez.

Sem ter carisma materno, Ó mulher, te armam trapaça, te corrompem como traça; que nem pedra na vidraça, despedaçam tua graça. Mulher sabe modelar as atitudes de alguém; constante, mas devagar, conduz ao Mal e ao Bem. Diz um filósofo esperto: fortuna e mulher desgraçam, tornam o destino, incerto, daqueles com os quais se enlaçam. ela, assustada, abortou o seu hóspede interno, o filho a quem desprezou.

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Lyrss Cabral Buoso Entre os sexos, igualdade não existe, pensem bem. O dom da maternidade somente as mulheres têm. Marina Valente Ser mãe é ofício divino do qual a mulher dá conta, seja qual for o destino com que o filho se defronta.
A mulher traduz ternura, doação, vida e amor; colabora com doçura com a obra do Criador. O Homem rende-se ao encanto e à beleza da Mulher; diz que é forte, mas no entanto, sempre faz o que ela quer... O poeta quando quer compor poema ou canção, pensa logo na Mulher e já vem a inspiração. Deve a Mulher se espelhar na que foi Mãe de Jesus: mais que rainha do lar, anjo de amor, paz e luz! Josefa Prieto conquista, com sua garra e destreza, para Bragança Paulista, “prata” no tênis de mesa!

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Myrthes Neusali Spina de Moraes

Fácil é a mulher dizer, se ela está apaixonada, mas depois vem a sofrer quando se sente enganada! A mulher apaixonada, quando recebe uma flor, fica logo deslumbrada, achando que é amor. Se o homem quer conquistar a mulher, entrega flor, pois além de cativar, vai conseguir seu amor.

Miguel Garcia Alves

Para quê grandes decotes? Queres que os homens te vejam? Mulher, deixa de fricotes, assim, os bons te cortejam.

A menina graciosa ficará linda mulher e chegará a ser famosa, se algum talento tiver. Olhos verdes cor do mar... - Que mulher tão sedutora! Traz consigo no olhar, o quanto é encantadora. Virgem Santa e poderosa, mãe de DEUS o Salvador, és a mulher mais bondosa que só nos transmite amor!

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Norberto de Moraes Alves

Quando Deus criou Adão usou argila qualquer, mas a grande inspiração teve ao moldar a mulher.

A mulher é um ser sublime, a fonte de inspiração, sopro de luz que exprime o auge da criação.

A solteirona faz drama maldizendo o malmequer. - O homem que a gente ama, sempre ama outra mulher. A solteirona sisuda debruçada na janela diz, vendo o velho e a boazuda: - Que será que ele viu nela?

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Volpone de Souza
Quando Deus fez a mulher, de “presente” ao homem deu. Acredite quem quiser: o homem não mereceu! A mais bela Criação, obra prima sem igual. Símbolo da Perfeição. Uma Paixão Nacional! Por sentir-se solitário, pediu em meditação: - “Tire-me desse Calvário!” Atendido foi Adão.

É a mulher, coisa mais bela, presente da Criação. Criada de uma costela... da costela de Adão!

Sem dúvida a mulher é tudo que o homem pediu. Pediu com tamanha fé que de cansaço dormiu!

Qualquer que seja seu nome, um nome, nome qualquer. Um desejo instiga a fome de um instinto de mulher!

O homem não abre mão de três coisas no Brasil: assistir a seleção, carnaval e mulheril!

Tem a sensibilidade e o instinto maternal. Conserva em segredo a idade, tem a alma jovial.

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Wadad Naief Kattar

Quando a mulher fala e grita tentando assim convencer, é uma falha, ela acredita. Basta chorar pra vencer. Englobando a criação do que Deus aqui deixou, é a mulher confirmação de quanto ele caprichou. A mulher, ninguém entende, porque é sempre misteriosa. é a imagem que ela vende, sabendo que é enganosa. Se encontrar uma mulher mostrando-se toda prosa, vá como quem nada quer e teste se é “caridosa”.

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AGRADECEMOS A PRESENÇA DE TODOS OS QUE AQUI COLABORARAM! AGRADECEMOS AS PALAVRAS, AS IMAGENS, OS GESTOS! AGRADECEMOS AOS QUE DIVULGARAM O PROJETO! AGRADECEMOS AOS HOMENS QUE AQUI VIERAM FALAR DA MULHER! AGRADECEMOS ÀS MULHERES QUE CONTARAM DELAS E DE TODAS AS MULHERES DO MUNDO! AGRADECEMOS A VOCÊ, LEITOR, QUE PRESTIGIA OS AUTORES!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

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