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Vantagens e Desvantagens da utilização do Sistema de Custeio por atividade - ABC

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VANTAGENS E DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO SISTEMA DE CUSTEIO ABC

Nilton de Aquino Andrade1 Daniel Gerhard Batista2 Cleber Batista de Sousa3

RESUMO Nos dias atuais têm surgido vários trabalhos que versam sobre custos, tais como, artigos, livros, monografias, dissertações e teses, o que vem corroborar com os estudos e avanços deste ramo da Contabilidade. Sendo assim, este artigo vem dar uma contribuição nas pesquisas nesta área. Para atingir o objetivo proposto de apresentar as vantagens e desvantagens do sistema de custeio ABC (Activity Based Costing), o artigo mostra considerações gerais sobre os sistemas de custeio por absorção e variável, por ser os chamados sistemas tradicionais, para compará-los ao sistema ABC e, ainda, descreve sobre os principais conceitos e faz uma revisão bibliográfica sobre este último. Como contribuição apresenta-se um exemplo da aplicação dos sistemas de custeio ABC em uma indústria de móveis a fim de evidenciar as vantagens e desvantagens do sistema aqui discutido. Palavras-chave: Contabilidade, Custos, Custos na área pública, Sistemas de Custeio, ABC.

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Fundação Visconde de Cairu - Salvador - BA. E-mail: <nilton@gruposim.com.br>. Fundação Visconde de Cairu - Salvador - BA. E-mail: <daniel@gruposim.com.br>. Fundação Visconde de Cairu - Salvador - BA. E-mail: <cleberbatista@crcmg.org.br>.

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1 INTRODUÇÃO

A Contabilidade tem como um de seus objetivos o oferecimento de informações aos gestores que possam auxiliar na tomada de decisões e que são imprescindíveis para uma boa gestão. Segundo Iudícibus e Marion (2000, p.19), “A Contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões”. Nesse contexto a contabilidade coloca a disposição do gestor a informação sobre custos de seus bens, mercadorias e/ou serviços, seja a empresa da atividade industrial, comercial ou da prestação de serviços. Para tanto, custos devem ser entendidos como um ramo da contabilidade que cuida de apurar os valores para a produção de bens, mercadorias e serviços para fins de apuração do resultado e mensuração dos estoques de produtos acabados e/ou de produtos e serviços em acabamento, além de fornecer informações gerenciais. Conforme Martins (2003, p.21), “A preocupação primeira dos Contadores, Auditores e Fiscais foi a de fazer da Contabilidade de Custos uma forma de resolver seus problemas de mensuração monetária dos estoques e do resultado”. O citado autor continua sua explanação afirmando que
devido ao crescimento das empresas, com o conseqüente aumento da distância entre administrador e ativos e pessoas administradas, passou a Contabilidade de Custos a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio no desempenho dessa nova missão, a gerencial.

Vários trabalhos acadêmicos têm surgido em decorrência de novas pesquisas no ramo da contabilidade de custos. No entanto, entende-se que há dois fatores importantes que parecem justificar o crescimento das pesquisas nesta área. Em primeiro lugar, no campo científico, porque a bibliografia existente, apesar de vasta, ainda não foi capaz de explorar todos os conhecimentos possíveis deste ramo contábil, aliás, o que acontece igualmente com os outros ramos da contabilidade. Em segundo lugar, há uma necessidade apresentada pelas empresas, atualmente, as quais estão inseridas em um mundo globalizado, de forte concorrência e de necessidade elementar de redução de custos para conseqüente maximização do resultado. Nesse sentido, as empresas têm buscado na Contabilidade de Custos o caminho para melhorar seu desempenho econômico e financeiro.

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Um dos resultados que podem ser alavancados pelas pesquisas em custos é o aperfeiçoamento dos sistemas de custeio4, os quais, um após outro, procura atender diferentes situações empresariais e ao mesmo tempo minimizar as falhas que podem ocorrer na apuração de custos nas empresas e influenciar seus resultados. Não obstante, o presente artigo vem tratar das vantagens e desvantagens do sistema de custeio ABC, fazendo-se necessário abordar, ainda que de forma introdutória, os sistemas de custeio por absorção e variável, os quais segundo Megliorini (2001, p. 3) “são chamados por alguns autores de Métodos Tradicionais de Custeio”.

2 CONSIDERAÇÕES SOBRE ALGUNS MÉTODOS DE CUSTEIO

2.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS Métodos de custeio são formas de apuração dos valores de custos dos bens, mercadorias ou serviços das entidades públicas e privadas. Segundo Eller (2000, p. 79), “os métodos de custeio tem como função determinar o modo de como será atribuído custo aos produtos”. Vários são os métodos existentes, mas não pode se afirmar que um seja melhor ou que substitua o outro, pois são aplicáveis conforme as características das entidades, como ramo de atividade, porte, grau de detalhamento desejado dos valores de custos, objetivos gerenciais etc. Ao escolher um sistema de custeio os analistas de custos devem posicionar-se em buscar um conjunto de preceitos, coordenados entre si, que atenda a empresa, seja funcional e que respeite o princípio da relação custo- benefício, ou seja, de nada adianta implantar um sistema de custeio muito detalhado em que as informações geradas não justificam os valores gastos para produzi-las. Por outro lado, o sistema, não pode ser tão sucinto que não gere as informações necessárias para a tomada de decisão.

2.2 MÉTODOS DE CUSTEIO TRADICIONAIS Os três principais métodos de custeio abordados pela bibliografia de custos no Brasil referem-se ao custeio por absorção, ao custeio variável e ao custeio ABC.

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Sistemas de custeio são os métodos de apuração de custos, tais como: sistema de custeio por absorção, sistema de custeio variável, sistema de custeio ABC etc.

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Não se pode afirmar que um sistema seja melhor que outro, visto que cada um atende a determinadas empresas, distintamente, dependendo da atividade desempenhada, da formatação das informações requeridas e dos objetivos definidos pelos gestores. Como o objetivo deste estudo é abordar o sistema de custeio ABC, apontando suas vantagens e desvantagens, dando noções aos interessados para melhor definir os limites dos sistemas; os demais serão tratados de forma sucinta, apenas para que o leitor possa conhecê-los, com o fim de compará-los com o sistema ABC, objeto deste trabalho. No entanto, antecedendo a abordagem sobre os métodos de custeio, faz-se necessário que fiquem claros para o leitor, alguns conceitos para melhor compreensão do assunto, quais sejam:
QUADRO 1 - CONCEITOS ITEM Custos Fixos Custos Variáveis Custos Diretos DESCRIÇÃO Para Koliver (2003, p.30), “custos fixos são aqueles que tendem a permanecer num determinado nível, entre certos limites no uso da capacidade instalada da entidade”. Para Dutra (1995, p. 37) “Define-se custos variáveis como os custos que variam em função da variação do volume de atividade, ou seja, da variação da quantidade produzida no período”. Para Horngren, Foster e Datar (2000, p. 20) “Custos diretos são os custos que estão relacionados a um determinado objeto de custo e que podem ser identificados com este de maneira economicamente viável”. Custos Indiretos Para Martins (2003, p. 49) custos que “não oferecem condição de uma medida objetiva e qualquer tentativa de alocação tem de ser feita de maneira estimada e muitas vezes arbitrária (...). São os Custos Indiretos com relação aos produtos”. Portadores Finais de Custos São os produtos (bens e mercadorias) e/ou serviços objeto de custeio.

O quadro 1 conceitua algumas terminologias que facilitaram o entendimento de todo o artigo.

2.2.1 Custeio por Absorção O sistema de custeio por absorção é aquele sistema que apura o valor dos custos dos bens ou serviços, tomando como base todos os custos da produção, quer sejam fixos ou variáveis, diretos ou indiretos. Megliorini (2001, p. 3), ensina que custeio por absorção
é o método de custeio que consiste em atribuir aos produtos fabricados todos os custos de produção, quer de forma direta ou indireta (rateios). Assim, todos os custos, sejam eles fixos ou variáveis, são absorvidos pelos produtos. (grifo do autor)

Uma das vantagens do custeio por absorção é que o mesmo atende aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, editados pela resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, principalmente no que tange ao Princípio da Competência.

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Nesse sentido reconhece todos os custos de produção como despesas somente no momento da venda, demonstrando de forma mais apropriada a confrontação da receita com a despesa, na apuração do resultado. Por este motivo é aceito pelo fisco brasileiro. Por outro lado, podem-se mencionar dois fatores que se apresentam como desvantagem do sistema de custeio por absorção. Primeiro, o fato do mesmo apresentar pouca quantidade de informações para fins gerenciais, pois serve basicamente à valoração dos estoques e das despesas com produtos ou serviços vendidos. Em segundo lugar, como este sistema considera a alocação de todos os custos aos bens, mercadorias ou serviços, há a necessidade de rateio dos custos indiretos, o que torna as informações de custos frágeis, visto que os rateios estão sujeitos ao subjetivismo da ação do homem. Segundo Megliorini (2001, p.62)
A dificuldade que encontramos para alocar custos indiretos reside na definição da base de rateios a ser utilizada, pois é uma tarefa que envolve aspectos subjetivos e arbitrários. Se o critério adotado não for bem consistente, o resultado de custos ficará por certo deficiente para atender aos fins a que se propões.

Nesse sentido, o gestor do custeio por absorção tem um desafio no momento de definir qual a base será utilizada para o rateio em execução.

2.2.2 Custeio Variável O sistema de custeio variável procura amenizar as distorções existentes nos critérios de rateios exigidos no sistema de custeio por absorção. No custeio por absorção os custos fixos são rateados aos produtos e/ou serviços enquanto que no custeio variável estes custos são tratados como despesas, e vão direto para o resultado. Abordando comentários acerca dos custos fixos, Megliorini (2001, p.137) afirma que “enquanto no custeio por absorção eles são rateados aos produtos, no custeio variável, são tratados como custos do período, indo diretamente para o resultado igualmente às despesas”. A diminuição da necessidade de rateio deve-se ao fato de que no sistema de custeio variável, são alocados aos produtos e/ou serviços, somente os custos variáveis e, como na maioria dos casos, os custos variáveis também são diretos, expurgam-se assim os rateios dos custos indiretos. Uma das vantagens do custeio variável é a apresentação de informações gerenciais para o gestor. Conforme Megliorini (2001, p.137) “este método permite aos administradores utilizar os custos como ferramenta auxiliar na tomada de decisões”.

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Pois, quando expurga os custos indiretos da composição do custos unitários de cada produto e/ou serviço e o leva direto ao resultado, permite-se demonstrar quanto cada produto e/ou serviço contribuiu para o resultado final da entidade por meio da margem de contribuição5 de cada produto. Nesse contexto se permite avaliar, individualmente o resultado de cada unidade sobre o todo. Como desvantagem apresenta-se a não obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, por não atender principalmente o princípio da competência, uma vez que os custos fixos, referentes a produtos e/ou serviços, ainda não vendidos, são levados diretamente para o resultado. Outro ponto de vista é que comparado com o custeio por absorção, o custeio variável tem sua utilização nas empresas de forma mais tímida por se tratar de um método mais sofisticado.

3 MÉTODO DE CUSTEIO ABC

3.1 CONCEITOS BÁSICOS O sistema de custeio baseado em atividades (ABC – Activity Based Costing) procura, igualmente, amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio, necessários aos sistemas tratados anteriormente, principalmente no que tange ao sistema de custeio por absorção. Poderia ser tratado como uma evolução dos sistemas já discutidos, mas sua relação direta com as atividades envolvidas no processo configura mero aprofundamento do sistema de custeio por absorção. Martins (2003, p. 87), informa que o Custeio Baseado em Atividades “é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos”. Este sistema tem como fundamento básico a busca do princípio da causação, ou seja, procura identificar de forma clara, por meio de rastreamento, o agente causador do custo, para lhe imputar o valor. A idéia básica é atribuir primeiramente os custos às atividades e posteriormente atribuir custos das atividades aos produtos. Sendo assim, primeiramente faz-se o rastreamento dos custos que cada atividade causou, atribuindo-lhes estes custos, e posteriormente verificam-se como os portadores finais de custos consumiram serviços das atividades, atribuindo-lhes os custos definidos.

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Margem de contribuição: “é o resultado da diferença entre a receita e os custos variáveis e diretos incorridos para a sua realização” (Leone, p. 191, 2004).

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Conforme Eller (2000, p.82), “o Custeio Baseado em Atividades parte da premissa de que as diversas atividades desenvolvidas geram custos e que os produtos consomem essas atividades”. Segundo Martins (2003, p.96) para atribuir custos às atividades e aos produtos utilizam-se de direcionadores. Martins (2003, p.96) ensina ainda que “há que se distinguir dois tipos de direcionador: ... direcionador de custos de recursos, e os ...direcionadores de custos de atividades” (grifado). O citado autor continua afirmando que “o primeiro identifica a maneira como as atividades consomem recursos e serve para custear as atividades”. Afirma ainda que “o segundo identifica a maneira como os produtos consomem atividades e serve para custear produtos”. Nakagawa (2001, p.42), conceitua atividade “como um processo que combina, de forma adequada, pessoas, tecnologias, materiais, métodos e seu ambiente, tendo como objetivo a produção de produtos”. Assim para o estudo do método ABC deve-se ponderar sobre as atividades envolvidas em cada processo de produção, seja de uma mercadoria ou um serviço.

3.2 IMPORTÂNCIA E UTILIZAÇÃO DO ABC A importância que se dá à utilização do sistema de custeio ABC é em virtude do mesmo não ser apenas um sistema que dá valor aos estoques, mas também proporciona informações gerenciais que auxiliam os tomadores de decisão, como por exemplo, os custos das atividades, que proporcionam aos gestores atribuírem responsabilidades aos responsáveis pelas mesmas. Um diferencial do sistema de custeio ABC, é que a sua utilização, por exigir controles pormenorizados, proporciona o acompanhamento e correções devidas nos processos internos da empresa, ao mesmo tempo em que possibilita a implantação e/ou aperfeiçoamento dos controles internos da entidade.

3.2.1 Relevância na Área Pública Em se tratando da área pública, a terminologia custo já estava implícita na Lei no 4.320/64:
Art. 16. Fundamentalmente e nos limites das possibilidades financeiras, a concessão de subvenções sociais visará à prestação de serviços essenciais de assistência social, médica e educacional, sempre que a suplementação de recursos de origem privada aplicados a esses objetivos revelar-se mais econômica.

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Parágrafo único. O valor das subvenções, sempre que possível, será calculado com base em unidades de serviços efetivamente prestados ou postos à disposição dos interessados, obedecidos os padrões mínimos de eficiência previamente fixados (grifo nosso). Art. 22. A proposta orçamentária, que o Poder Executivo encaminhará ao Poder Legislativo nos prazos estabelecidos nas Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios, compor-se-á de: (...) IV - Especificação dos programas especiais de trabalho custeados por dotações globais, em termos de metas visadas, decompostas em estimativas do custo das obras a realizar e dos serviços a prestar, acompanhadas de justificação econômica, financeira, social e administrativa (grifo nosso). Art. 85. Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitir o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros (grifo nosso). Art. 99. Os serviços públicos industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da escrituração patrimonial e financeira comum (grifo nosso). Art. 106. A avaliação dos elementos patrimoniais obedecerá às normas seguintes: I - os débitos, créditos, bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal feita a conversão quando em moeda estrangeira, à taxa de câmbio vigente na data do balanço; II - os bens móveis e imóveis; pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção (grifo nosso).

A Lei Comlementar 101, Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), também preconiza:
Art. 4o A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2o do art. 165 da Constituição e: (...) e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos (grifo nosso). Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a escrituração das contas públicas observará as seguintes: (...) § 3o A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial (grifo nosso). Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se refere a:

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(...) V - fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou indícios de irregularidades na gestão orçamentária” (grifado).

Tais referências demonstram que este ramo da contabilidade tem campo de pesquisa abrangente e de produção ainda não explorado. Deve-se alertar que, por se tratar de assunto administrativo, os custos na área pública passam pela implantação de um bom sistema de controle interno. É um necessidade gerencial e os tribunais de contas também cobram tal controle por meio dos relatórios de Controle Interno preconizados na LRF. Este é o primeiro passo para a implantação e fiscalização sobre os custos na área pública. Por não se tratar do foco deste trabalho, não será abordado nenhum exemplo nesta área.

3.3 IMPLEMENTAÇÃO DO ABC A implementação do ABC requer uma cuidadosa análise do sistema de controle interno da entidade. Sem este procedimento que contemple funções bem definidas e fluxo dos processos, torna-se inviável a aplicação do ABC de forma eficiente e eficaz. O ABC, por ser também um sistema de gestão de custos, pode ser implantado com maior ou menor grau de detalhamento, dependendo das necessidades de informações gerenciais para o gestor, o que está intimamente ligado ao ramo de atividade e porte da empresa.

4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC

Para melhor entendimento apresentamos as vantagens e desvantagens da aplicação do método de custeio ABC. Como vantagens podemos ressaltar:

informações gerenciais relativamente mais fidedignas por meio da redução do rateio; adequa-se mais facilmente às empresas de serviços, pela dificuldade de definição do que seja custos, gastos e despesas nessas entidades; menor necessidade de rateios arbitrários; atende aos Princípios Fundamentais de Contabilidade (similar ao custeio por absorção); obriga a implantação, permanência e revisão de controles internos; proporciona melhor visualização dos fluxos dos processos;

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identifica, de forma mais transparente, onde os itens em estudo estão consumindo mais recursos; identifica o custo de cada atividade em relação aos custos totais da entidade; pode ser empregado em diversos tipos de empresas (industriais, comerciais, de serviços, com ou sem fins lucrativos); pode, ou não, ser um sistema paralelo ao sistema de contabilidade; pode fornecer subsídios para gestão econômica, custo de oportunidade e custo de reposição; e possibilita a eliminação ou redução das atividades que não agregam valor ao produto.

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Por outro lado, pode-se enumerar como desvantagens:
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gastos elevados para implantação; alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados; necessidade de revisão constante; leva em consideração muitos dados; informações de difícil extração; dificuldade de envolvimento e comprometimento dos empregados da empresa; necessidade de reorganização da empresa antes de sua implantação; dificuldade na integração das informações entre departamentos; falta de pessoal competente, qualificado e experiente para implantação e acompanhamento; necessidade de formulação de procedimentos padrões; e maior preocupação em gerar informações estratégicas do que em usá-las;

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5 EXEMPLO DA APLICAÇÃO DO ABC EM UMA INDÚSTRIA DE MÓVEIS

5.1 COMENTÁRIOS SOBRE A INDÚSTRIA PESQUISADA A indústria, na qual elaborou-se este exemplo, tem o sistema de custeio por absorção implantado para apuração de seus custos e a sua forma de produção é contínua, o que segundo MARTINS (2003, p. 144), este tipo de produção é caracterizado pela forma da empresa trabalhar, ou seja, será produção contínua, se a empresa produzir produtos iguais e de forma contínua para venda a quaisquer clientes, contrário à produção por ordem, onde a produção é feita para atender a um determinado pedido do cliente. No entanto, vale ressaltar que a empresa produz e vende toda sua produção, não ficando com unidades em estoques.

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Outra característica importante da empresa é a pouca diversificação de produtos que a empresa trabalha. Os produtos são restritos na fabricação de camas, criados e modulados, sem muitas opções de modelos. Para que o leitor tenha noções do porte da empresa, aqui tratada, cabe informar que a mesma tem um faturamento médio de R$ 50.000,00 por mês e conta com uma equipe de 20 empregados.

5.2 PRODUÇÃO E PRINCIPAIS PRODUTOS A empresa produz camas, criados e modulados com alta tecnologia aplicada às matérias-primas e produtos de acabamento final, (vernizes importados), conjugados a peças de metal e vidros. Toda produção é informatizada e tem um alto grau de equipamentos geridos por softwares específicos.

5.3 APURAÇÃO DOS CUSTOS UTILIZANDO O SISTEMA DE CUSTEIO ABC. Em atendimento ao objetivo deste trabalho, buscou-se estudar a empresa e formatar o sistema de custeio ABC a realidade da instituição. O primeiro passo para a apuração dos custos pelo método ABC é a identificação das atividades relevantes exercidas na empresa, que no presente caso, foram levantadas as seguintes:
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comprar materiais; receber e movimentar materiais; supervisionar produção; cortar e beneficiar; montagem; e acabamento.

Uma vez levantado as atividades, foram calculados os custos às mesmas, observando o princípio de causacão6. Este levantamento foi efetuado levando-se em conta a análise das operações específicas da empresa, além de apontamentos durante o funcionamento da entidade e entrevistas com os responsáveis pelos setores. Por não se tratar de ponto relevante para entendimento do assunto deste artigo, deixamos de apresentar a metodologia dos cálculos dos custos por atividades da

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Princípio de causação: Os custos devem ser atribuídos ao portador ou atividade que o causou.

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empresa.Após os levantamentos necessários, concluiu-se sobre os dados do mês de maio/2004, pontuando os custos em cada atividade, que ficaram assim distribuídos:
QUADRO 2 - CUSTOS POR ATIVIDADE ATIVIDADE Comprar materiais Receber e movimentar materiais Supervisionar produção Cortar e beneficiar Montagem Acabamento TOTAL FONTE: os autores CUSTOS (R$) 1.830,14 2.820,66 4.050,30 6.348,60 4.862,00 2.789,00 22.700,70

Após atribuir os custos às atividades relevantes, procurou-se distribuir estes custos aos produtos, utilizando o mesmo critério da relação causal dos custos, ou seja, os custos das atividades serão distribuídos aos produtos em função da utilização de cada atividade pelo produto. Ressalta-se, no entanto, que em alguns casos foi inevitável não efetuar rateios, para atribuição dos custos, como é o caso da atividade de supervisionar produção, que tem como custo, basicamente, o salário do supervisor, que coordena toda a produção. Seria necessário anotar horas em que o supervisor esteve em cada atividade, o que tornou-se inviável na relação custo-benefício. Os custos unitários e totais, nos portadores finais, ficaram assim distribuídos, supondo-se que no mês de maio de 2004, a produção foi de 100 peças, sendo 52 camas de casal, 43 criados e 5 módulos:
QUADRO 3 - RATEIO DOS CUSTOS POR ATIVIDADE PRODUTOS Cama Criados Modulados Total FONTE: os autores CUSTOS UNITÁRIOS (R$) 259,27 188,94 218,85 UNIDADES PRODUZIDAS 52 43 5 CUSTOS TOTAIS (R$) 13.482,03 8.124,42 1.094,25 22.700,70

O quadro 3 demonstra o resultado da atribuição dos custos ao produto, dentro da produção suposta para o mês de maio de 2004.

6 APONTAMENTOS SOBRE O ESTUDO

Apesar da empresa escolhida utilizar o método do custeio por absorção, foram trabalhados todos os dados e informações da empresa no sentido de implantar o sistema de

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custeio ABC como forma de mensuração dos resultados e apontamentos de suas vantagens e desvantagens. Sendo assim, o quadro 4 reflete algumas considerações sobre o resultado da pesquisa no exemplo em análise:
QUADRO 4 - VANTAGENS E DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO MÉTODO ABC SOBRE O ESTUDO VANTAGENS Conhecimento dos custos dos processos. Custos mais fidedignos. Se for implantado superficialmente se equipara ao custeio por absorção. Possibilita revisão do processo de produção. Atende aos Princípios Fundamentais de Contabilidade. FONTE: os autores Às vezes exige rateio. Tem limitações nas informações gerenciais. DESVANTAGENS Dificuldade de implantação completa do sistema. Necessidade de detalhamento dos controles internos. Dificuldade de envolvimento dos responsáveis dos setores.

7 CONCLUSÃO

As formas de apuração de custos foram aperfeiçoando e, com isso, surgindo novos métodos de custeio para adaptação às novas exigências empresariais. Tal afirmativa demonstra que os métodos não são excludentes, pois cada empresa deve procurar o método que melhor lhe atenda. O sistema de custeio ABC apresenta diversas vantagens que devem ser cuidadosamente analisadas pelas empresas, com o sentido de serem tirados proveitos de suas informações, colocando a entidade em uma posição privilegiada. Restam aos detentores da gestão analisar qual a real necessidade da empresa e qual a sua condição em implantar determinado tipo de custeio em detrimento de outro, contudo, vale ressaltar, que dentre os sistemas analisados nesse artigo, o ABC sobressai por diminuir as distorções causadas pelo rateio. Contudo a necessidade imposta pelo mercado, os custos de implantação e acompanhamento, o recurso humano necessário, os produtos envolvidos, as necessidades dos gestores etc. devem ser analisados para que se dimensionem as vantagens e desvantagens para cada instituição. O profissional contabilista tem conhecimento técnico-científico capaz de ajudar no processo de idealização, implantação, correção e avaliação do custo pelo ABC, contudo não se deve rotular. A gestão envolve motivação dos envolvidos, conhecimento de processos, definição e ajustes na estrutura organizacional e administrativa da empresa, além de necessitar de interlocução entre as disciplinas. Entretanto há céticos que não se atentaram para o poder do conhecimento e das mudanças abruptas que recaem sobre os Contabilistas e suas atribuições. Não só o poder do conhecimento e da experiência, mas da concepção teórica, do envolvimento acadêmico,

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da participação em cursos, simpósios, seminários, mesas redondas, ou seja, a educação continuada e, principalmente, do intercâmbio e interações de vivências entre outras ciências. Assim, a Contabilidade não deve ser vista como uma função multidisciplinar. Sua função é única e específica. Já o profissional contabilista deve interagir-se com todos os outros departamentos das instituições. Ele é multidisciplinar, assim como deve ser a auditoria, a consultoria e a assessoria. Não se pretendeu ser finalista nos estudos sobre as vantagens e desvantagens do ABC, visto que em cada entidade poder-se-ão numerar outros pontos. O que deve ocorrer é manter-se sempre pronto para as mudanças mercadológicas e estar sempre preparados para reorganizar o sistema de custeio ABC de maneira harmônica com cada momento da economia.

BIBLIOGRAFIA
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