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ENSINO de a COM Materiais Reciclados-labmat

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  • A. Objetivo do módulo
  • B. Ementa do módulo
  • C. Carga horária
  • 1.1. Introdução
  • 1.2. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM)
  • 1.2.1. Algumas concepções de LEM
  • 1.2.2. A construção do LEM
  • 1.2.3. Objeções ao uso do LEM
  • 1.3. Material didático (MD)
  • 1.3.1. MD manipulável
  • 1.3.2. MD e o processo de ensino-aprendizagem
  • 1.3.3. O professor e o uso do MD
  • 1.3.4. Potencialidades do MD
  • 1.3.5. Obstáculos ao uso do MD
  • 1.4. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM
  • 1.5. Referências bibliográficas do texto
  • Referências bibliográficas do texto
  • OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS
  • 3.1. Construindo um Dodecaedro com Canudos
  • Construindo um Dodecaedro com Canudos
  • 3.2. Lista de materiais
  • 3.3. Atividade 1: Construção de um tetraedro regular
  • Atividade 1: Construção de um tetraedro regular
  • 3.4. Atividade 2: Construção de um octaedro regular
  • 3.5. Atividade 3: Construção de um icosaedro regular
  • 3.6. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais
  • 4. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13
  • 4.1. Introdução
  • 4.2. Sobre a etimologia do termo jogo
  • 4.3. Sobre o conceito de jogo
  • 4.4. Sobre a definição do jogo
  • 4.5. Origem do jogo
  • 4.6. Características do jogo
  • 4.7. Conclusões
  • 5.1. Introdução
  • 5.2. Motivação
  • 5.3. O Jogo Didático
  • 6.1. Introdução
  • 6.2. Como ministrar conteúdos com o autódromo?
  • 6.3. Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone?
  • 6.4. Como ministrar conteúdos com o cochicho?
  • 6.5. Como ministrar conteúdos com o arquipélago?
  • 6.6. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago?
  • 6.7. Como ministrar conteúdos com o torneio?
  • 6.8. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas?

PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DA MATEMÁTICA

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

ACCESSU EDUCAÇÃO SUPERIOR
FACULDADE ATENEU
COORDENADOR GERAL: PROF. JOSÉ WILLIAM FORTE COORDENADORAS PEDAGÓGICAS: PROF.ª LUCIDALVA BACELAR/PROF.ª SOLANGE MESQUITA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO

DISCIPLINA:

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

.

............ 16 MD manipulável ..3.................................................................. 8 1............ 1....3...........3..................................................................... 1........... 39 Atividade 1: Construção de um tetraedro regular ..Sumário A........3......... B..................................................................... 25 Referências bibliográficas do texto............................................ DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA ............ 18 O professor e o uso do MD .......4.............................................................................................. 25 Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM . 4...................... 27 Referências bibliográficas do texto .................................2............................ 4.... 40 Atividade 2: Construção de um octaedro regular ..... 3. 1........4....................................6.........................................3.................... 49 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof................................ 26 2........... 12 Material didático (MD) ....... 3.................................1.............................................. 4.....................3........................ Helder Filho .....................................2........1............... 3............. 10 Objeções ao uso do LEM .....4....................................................................................... 1............................. 1.....................................................2.... 3......................................2................................. 3..........1...................2............. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS ... 21 Obstáculos ao uso do MD ............ 8 O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) ......................helder@accessueducacao............................... 4....................................................... 7 1......... 3.......................................................3.....................1............... 7 Ementa do módulo ..2......... 38 Lista de materiais ......................3......................................................... Objetivo do módulo ...............2........................................... 9 A construção do LEM .......... Introdução ...... C................................. 1..................................................... 36 3........................................... 1............................. 1............................................. 37 Construindo um Dodecaedro com Canudos ..............5......... 42 Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais ...... 42 APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO ................. 7 Carga horária...................... 45 Sobre o conceito de jogo ............................... 1..........................................3............. 16 MD e o processo de ensino-aprendizagem ..........................................1.............................. 1...................org 5 ...................... 1............. 9 Algumas concepções de LEM .... 19 Potencialidades do MD ... 1.....................5........ 44 Introdução .............................3.......... 41 Atividade 3: Construção de um icosaedro regular ..................................5.... LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS .........2................. 44 Sobre a etimologia do termo jogo ......

........................5................................. 4...................................................................................................................................4...............7...............6....... 57 Conclusões ............... 6..2.....1.....................................8................. 55 Características do jogo ............ 65 Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? ........................... 6...................... 5.......... 58 5.. 6...... 5.................................... Sobre a definição do jogo ................................... 6........... 61 COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS .....................................2................. 60 5.... 4.. Introdução ...................................... 71 Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? .................................7......... Helder Filho ........ 60 O Jogo Didático ................ 72 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.......1.............. 6................... JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM ................................ 67 Como ministrar conteúdos com o cochicho? .......4...................... 68 Como ministrar conteúdos com o arquipélago? .....helder@accessueducacao............. 6.................... 69 Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? ................................................................ 70 Como ministrar conteúdos com o torneio? ............................................3....org 6 ... 4...... 6. 64 Introdução .......................................6.................3.............................................. 64 Como ministrar conteúdos com o autódromo? .....5......................................... 60 Motivação ............................ 6...............4...................... 51 Origem do jogo ............................ 6......................................................................................

Despertar o interesse pela matemática experimental como método de ensino. 2. Análise de temas do ensino da matemática. C. 5. 6. 3. diante das novas necessidades de mudanças no paradigma de ensinar e aprender. 4. etc. Carga horária 12 horas-aula Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. materiais didáticos convencionais. como: dificuldades básicas. materiais didáticos alternativos. como forma de incitar questionamentos e ampliar as possibilidades de reflexão e ação dos professores sobre as próprias vivências de sala de aula. O papel do professor de Matemática na formação do pensamento científico.A. Ementa do módulo 1. A influência da concepção desse papel na prática pedagógica. Helder Filho . B. Possibilitar aos alunos docentes contato com novas abordagens do conteúdo matemático e ampliar o repertório de estratégias do professor. Objetivo do módulo O módulo se insere em uma perspectiva teórica que propõe discutir a metodologia do ensino da matemática.helder@accessueducacao. no contexto social e tecnológico. Aplicar materiais didáticos manipuláveis e alternativos através da utilização de experimentos em aulas teóricas e práticas. Também.org 7 .

Técnicas e procedimentos didáticos no ensino da matemática. também reconheceram que o ensino deveria começar pelo concreto. p. Herbart defendeu que a aprendizagem começa pelo campo sensorial. Mais recentemente. 3 J ú l i o César de Mello e Souza (1957). Em termos de sala de aula. que valorizavam a ativida-de como fator básico para a aprendizagem. Luigi Campedelli e Zoltan P. cada educador. nos Estados Unidos. entre outros. Essa lista de nomes de expoentes da educação que reconheceram a eficácia do material didático na aprendizagem poderia ser muito maior. se lembrarmos das contribuições de Willy Servais. Enfim. Rousseau recomendou a experiência direta sobre os objetos. e Bruner. Assim. (Coleção Formação de Professores). entre muitos outros. ressaltaram a importância do apoio visual ou do visual-tátil como facilitador para a aprendizagem. Cerca de cem anos depois. Nessa lista de pensadores e educadores podem constar.isto é. Georges Cuisenaire. ressaltando a importância da experiência direta como fator básico para construção do conhecimento. reconheceu que a ação do indivíduo sobre o objeto é básica para a aprendizagem. doutor em educação pela UNICAMP (Campinas) e pós-doutor em educação matemática pela Université Laval (Canadá). Comenius escreveu que o ensino deveria dar-se do concreto ao abstrato. SP: Autores Associados. por volta de 1800. 4 Manoel Jairo Bezerra (1962). LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS1 Introdução Sérgio Lorenzato 2 Muitos foram os educadores famosos que. muito contribuíram para a divulgação do uso de material didático como apoio às aulas In O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Diretoria do Ensino Secundário/ Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário/ MEC. enquanto Piaget deixou claro que o conhecimento se dá pela ação refletida sobre o objeto. Pedro Puig Adam. Rio de Janeiro.1. na Rússia. dizia da necessidade da experiência sensível para alcançar o conhecimento. mestre em educação pela UnB (Brasília). Malba Tahan . justificando que o conhecimento começa pelos sentidos e que só se aprende fazendo. especialmente do tátil. por exemplo. na mesma época.org 8 1 . 2 É licenciado em matemática pela UNESP (Rio Claro). Tamas Varga.) – Campinas. nos últimos séculos. mesmo se restrita ao ensino da matemática. Sérgio Lorenzato (org. Docente da Faculdade de Educação da UNICAMP. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. durante a ação pedagógica. Rio de Janeiro. a seu modo. e Poincaré recomendava o uso de imagens vivas para clarear verdades matemáticas. em 1680. O material didático no ensino da matemática. por justiça. Dienes. concordaram que as experiências no mundo real constituem o caminho para a criança construir seu raciocínio. Pelos idos de 1900. Jean-Louis Nicolet. Pestalozzi e Froebel. Emma Castelnuovo. nomes como o de Claparède (defensor da inclusão de brincadeiras e jogos na escola) e o de Freinet (que recomendava o uso de cantinhos temáticos na sala de aula). 1. Vygotsky. Dewey confirmava o pensamento de Comenius. Aurora. Montessori legou-nos inúmeros exemplos de materiais didáticos e atividades de ensino que valorizam a aprendizagem através dos sentidos. Caleb Gattegno. visando à aprendizagem. No Brasil. Helder Filho . 3. Locke.e Manoel Jairo Bezerra4. por volta de 1650. 2006.helder@accessueducacao. Júlio César de Mello e Souza3 . esse reconhecimento evidencia o fundamental papel que o material didático pode desempenhar na aprendizagem.1.

Seria injusto faltar o registro a um excepcional matemático que percebeu a influência do ver e do fazer na aprendizagem: Arquimedes. médico-cirurgião. mediante a mecânica. veterinário. e ainda é possível. entre muitos outros. se vejo. entre outros. um local para criação e desenvolvimento de atividades experimentais. determinadas verdades matemáticas [. decorre uma inescapável necessidade de as escolas possuírem laboratórios de ensino dotados de materiais didáticos de diferentes tipos. materiais manipuláveis. cozinheiro. neste caso. esqueço. mais ou menos no ano 250 a.2. lembro. cabeleireiro. alguém poderia lembrar-se de que foi. o laboratório de ensino é uma grata alternativa metodológica porque.. até mesmo. nossas escolas também devem ter seus componentes. No entanto. mais do que nunca. para aqueles que possuem uma visão atualizada de educação matemática. discutirem seus projetos. Afinal. E por que local apropriado para trabalhar? Porque o bom desempenho de iodo profissional depende também dos ambientes e dos instrumentos disponíveis. Justamente por isso. para os professores de matemática planejarem suas atividades. exposições.2.. olimpíadas. ele é um local da escola reservado preferencialmente não só para aulas regulares de matemática. Facilitando a realização de experimentos e a prática do ensino-aprendizagem da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. dizendo: “é meu dever comunicar-te particularidades de certo método que poderás utilizar para descobrir. se faço.org 9 . Ampliando essa concepção de LEM. Em muitas profissões. o ensino da matemática se apresenta com necessidades especiais e o LEM pode e deve prover a escola para atender essas necessidades. ensinar assuntos abstratos para alunos sentados em carteiras enfileiradas e com o professor dispondo apenas do quadro-negro.de matemática. tendências e inovações. transparências. Ele evidenciou isso quando escreveu a Eratóstenes. É assim para o dentista. avaliações. exige que muitos profissionais tenham seus locais apropriados para desempenharem o trabalho. sejam elas aulas.helder@accessueducacao. Enfim. ator. inclusive matérias-primas e instrumentos para confeccionar materiais didáticos. a prática difere pouco do planejamento. Arquimedes revelou o modo pelo qual fazia descobertas matemáticas e confirmou a importância das imagens e dos objetos no processo de construção de novos saberes. inclusive de produção de materiais instru-cionais que possam facilitar o aprimoramento da prática pedagógica.C. é um depósito/arquivo de instrumentos. e um deles deve ser o Laboratório de Ensino de Matemática (LEM). Inicialmente ele poderia ser um local para guardar materiais essenciais. porteiro. tornando-os acessíveis para as aulas. Assim como nossas casas se compõem de partes essenciais. o que é confirmado plenamente pela experiência de todos. 1967). Porém. como facilitadores da aprendizagem. compreendo”. 1. especialmente daqueles que estão em sala de aula. Desse modo. filmes. que diz: “se ouço. mas também para tirar dúvidas de alunos. muitos de nós aprendemos (e ensinamos?) a fazer contas desse modo. Algumas concepções de LEM Mas o que é um LEM? Existem diferentes concepções de LEM. que torna o LEM simplesmente indispensável à escola. entre outras. tais como: livros. Nessa mesma linha de pensamento está um antigo provérbio chinês. pela Geometria” (apud NICOLET.1. depois. cada uma com uma função específica. devido à criatividade dos alunos. não faltam argumentos favoráveis para que as escolas possuam objetos e imagens a serem utilizados nas aulas. Helder Filho .] as quais eu pude demonstrar. não é o caso do magistério. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) Nossa sociedade pressupõe e. 1.

nessa concepção. analisar e concluir. num canto ou num armário. organizar. 1. planejar. de preferência. sala de aula. se o professor possuir conhecimento. diante dos poliedros de Platão. montar e implementar o seu LEM. quais são suas características? Quais são os outros tipos de poliedros? Onde os poliedros estão presentes? Uma lista de indagações. transformar ou construir. experimentar. é uma sala-ambiente para estruturar. o LEM deve ser o centro da vida matemática da escola. administradores e de alunos. Essa é uma utopia que enfraquece a concepção possível e realizável do LEM. crença porque. também. Para muitos professores. como também para orientar seus alunos e transformá-los em estudantes e. enfim. possuir uma boa formação matemática e pedagógica. O LEM pode ser um espaço especialmente dedicado à criação de situações pedagógicas desafiadoras e para auxiliar no equacionamento de situações previstas pelo professor em seu planejamento mas imprevistas na prática. Note que aprender a procurar. o professor pode precisar de diferentes materiais com fácil acesso. é um espaço para facilitar.2. mesmo dispondo de um LEM. que. muito frequentemente. enfim. procurar. mais ainda. pode tornar o trabalho altamente gratificante para o professor e a aprendizagem compreensiva e agradável para o aluno. tais como: Por que assim são denominados? Quem foi Platão? Quais foram suas contribuições para a matemática? Por que os poliedros de Platão são somente cinco. o LEM é o lugar da escola onde os professores estão empenhados em tornar a matemática mais compreensível aos alunos. crença e engenhosidade. de uma conquista de professores. o LEM. Convém que o LEM seja consequência de uma aspiração grupai. poderia ser afixada no LEM para que o professor e os alunos se ponham à procura das respostas ao longo dos dias seguintes para. por exemplo. Conhecimento porque. tanto ao aluno como ao professor. Assim. planejar e fazer acontecer o pensar matemático. e engenhosidade porque. Enfim. todas as salas de aula e todas as suas aulas devem ser um laboratório onde se dão as aprendizagens da matemática. convém que surjam questionamentos pelos alunos ou pelo professor. conjecturar.helder@accessueducacao.2.org 10 . devido aos questionamentos dos alunos durante as aulas. mantê-lo. e provavelmente dois professores com concepções bem diferentes de educação e de LEM. e mesmo a encontrar respostas. darem retorno de suas descobertas. por meio das possíveis e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. mesmo em condições desfavoráveis. como tudo na vida. é preciso acreditar naquilo que se deseja fazer. é exigida do professor uma boa dose de criatividade. O LEM. não só para conceber.matemática. Nesse caso. isto é. seja este numa sala. então. questionar. dando o nome e a definição de cada um. mais que um depósito de materiais. é mais importante para a formação do indivíduo do que as respostas às indagações. A construção do LEM É difícil para o professor construir sozinho o LEM e. em aprendizes também. Note. aprender e principalmente aprender a aprender.. Helder Filho . temos dois modos diferentes de utilizar um mesmo LEM. o professor pode simplesmente mostrar aos alunos os cinco poliedros. biblioteca ou museu de matemática.. porque ela pode induzir professores a não tentarem construir o LEM num certo local da escola em que trabalham. é preciso conhecer matemática mas também metodologia de ensino e psicologia. Assim. tendo em vista que ninguém ensina o que não sabe. tal como essa. Essa participação de diferentes segmentos da escola pode garantir ao LEM uma diferenciada constituição.

à descoberta de propriedades. além desses materiais. o significado dos sentidos para a aprendizagem. a importância dos métodos ativos de aprendizagem. que reconheçam a necessidade de a escola possuir seu LEM. em seguida. educação física. Mas. mas agora também devem compor o LEM aqueles materiais que desafiam o raciocínio lógico-dedutivo (paradoxos. se-qiienciação. inclusão e conservação -. Orientados pelo professor responsável pelo LEM. Helder Filho . educação artística. para que tudo aconteça. distribuídos em grupos. E também várias questões ou situaçõesproblema referentes a temas já abordados no ensino fundamental. os professores desses cursos realcem a necessidade da autoconstrução do saber. mas que agora demandam uma análise e interpretação mais aprofundadas por parte dos alunos. os alunos.correspondência. trigonométrico. Certamente. ciências. em suas aulas. para a construção do conceito de medida. geométrico. então não há argumento que justifique a ausência do LEM nas instituições responsáveis pela Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pois é fazendo que se aprende.helder@accessueducacao. geografia. problemas de aplicação da matemática. é também fundamental considerar a quem ele se destina. aos objetivos matemáticos. ilusões de ótica) nos campos aritmético. o LEM irá constituindo-se de acordo com as condições locais e até mesmo tornará possível uma exposição escolar dos trabalhos produzidos pelos alunos. simplesmente. o LEM deve possuir aqueles que poderão favorecer a percepção espacial (formas. mas. por exemplo) e a noção de distância. na prática de ensino e no estágio supervisionado. desafios ao raciocínio topológico ou combinatório. principalmente se contarem com o apoio bibliográfico ou computacional. A respeito da construção do LEM. os quais são essenciais para a formação do conceito de número. que se empenhem na construção dele e que considerem as possibilidades da escola.indispensáveis contribuições dos professores de história. os seus alunos não disponham de instrumentos para a realização da prática pedagógica. será necessário preparar o material para apresentação do que foi coletado. comparação. à percepção da necessidade do emprego de termos ou símbolos. Essa característica deve continuar presente no LEM para as séries seguintes do ensino fundamental. é preciso que a escola possua professores que acreditem no LEM. o respeito às diferenças individuais. seriação. enfim. o apelo ao tátil e visual ainda deve manter-se forte. Se o LEM se destina às quatro primeiras séries do ensino fundamental. A contribuição dos alunos para a construção da LEM é muito Importante para o processo educacional deles. questões de vestibulares. entre outros. entre outros. se o LEM se destina para crianças de educação infantil. podem solicitar. mas os materiais devem visar mais diretamente à ampliação de conceitos. a coleta será quantitativamente maior do que esperavam. exemplos de interseção dessas áreas com a matemática. podem ser acrescidos artigos de jornais ou revistas. estatístico. algébrico. posições. Assim. E o que dizer do LEM para os cursos de formação de professores? Que ele é. classificação. os materiais devem estar fortemente centrados para apoiar o desenvolvimento delas no que se refere aos processos mentais básicos . Se lembrarmos que mais importante do que ter acesso aos materiais é saber utilizá-los corretamente.org 11 . português. à compreensão de algoritmos. dos professores das áreas mencionadas. mais que necessário para as instituições de ensino que oferecem tais cursos. tamanhos. Ao LEM do ensino médio. É inconcebível que.

filmes. uma vez construído. • Livros paradidáticos. e algumas crendices o perseguem. Afinal. Apesar de o LEM ser uma excelente alternativa metodológica. a qual. 1. Existem diversos tipos de LEM. • Quebra-cabeças. instrumentos ou equipamentos pode ser a base para a constituição de muitos LEM. • Ilusões de ótica.2. Vejamos algumas questões referentes a esses assuntos: 1. Objeções ao uso do LEM Na prática escolar. • Quadros murais ou pôsteres. utilizando sucatas locais. Apesar dessa diversificação. • Questões de vestibulares. é facilmente constatável que muitos professores não conhecem o LEM. • Livros sobre temas matemáticos. • Artigos de jornais e revistas. o custo é diminuto e todos. exige que o professor se mantenha atualizado. Helder Filho . sofismas e paradoxos. outros o rejeitam sem ter experimentado.formação de professores. cada um adaptado ao contexto em que estiver inserido. fitas. • Calculadoras. alunos e professor. ele possui limitações didáticas. A construção de um LEM não é objetivo para ser atingido a curto prazo. exige materiais que a escola não dá ao professor e raríssimas escolas possuem um LEM.3. conhecem a aplicabilidade dos materiais produzidos. ele demanda constante complementação.helder@accessueducacao. é inconcebível um bom curso de formação de professores de matemática sem LEM. a lista seguinte de sugestões de materiais didáticos. • Transparências. softwares. em razão dos seus diferentes objetivos e concepções. falácias. dessa Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pois conteúdo e seu ensino devem ser planejados e ensinados de modo simultâneo e integrado. e alguns o empregam mal. presente no estudo didatico-metodológico de cada assunto do programa de metodologia ou didática do ensino da matemática. • Computadores. • Jogos. sofre prejulgamentos. Assim. Lecionar numa escola que não possui LEM é uma ótima oportunidade para construí-lo com a participação dos alunos. De modo geral. • Registros de episódios da história da matemática. • Figuras. • Materiais didáticos produzidos pelos alunos e professores. sempre que necessário. • Problemas interessantes. o material deve estar. • Sólidos. • Instrumentos de medida. por sua vez.org 12 . o LEM pode constituir-se de coleções de: • Livros didáticos. pois é nelas que os professores devem aprender a utilizar os materiais de ensino. • Modelos estáticos ou dinâmicos. • Materiais e instrumentos necessários à produção de materiais didáticos. O LEM é caro. • Materiais didáticos industrializados.

nesse sentido. Antes de considerar o tempo dispendido para que os alunos aprendam. não se trata de limitação própria ao LEM. entre outros. É nossa obrigação estar bem preparados para propiciar a aprendizagem da matemática àqueles que nos são confiados. como todo instrumento ou meio. da biblioteca. e com o professor dando atendimento a cada subgrupo. faz o professor ganhar tempo. qual é o método de ensino que não exige do professor uma boa formação matemática e didático-pedagógica? Na verdade. inevitavelmente. Se a dificuldade aqui se refere ao aumento de movimentação e de motivação dos alunos e de troca de informações entre eles. Sim. causadas pelo LEM. e o material individual manipulável é. passam a fazer perguntas difíceis ou fora do planejamento da aula. 7.org 13 . Além disso. Helder Filho . 3. mas sim de situações em que os alunos efetivamente trabalham mais do que quando apenas assistem à explanação do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Em contrapartida. O LEM não pode ser aplicado a todos os assuntos do programa. O LEM exige do professor mais tempo para ensinar. é provável que o uso do LEM desperte nos alunos indagações não previstas pelo professor e. Para turmas maiores. Aqui cabe uma analogia: dize-me como usas o LEM e eu saberei que tipo de professor és. O LEM possibilita o “uso pelo uso”. infelizmente o “fazer” é substituído pelo “ver”. 5. 6. Essa frase insinua uma limitação do LEM. pois a manipulação é realizada pelo professor. se a dificuldade for referente ao fato de que os alunos. dos interesses dos alunos e dos objetivos da escola. todos estudando um mesmo tema. O LEM não pode ser usado em classes numerosas. com professor despreparado. É mais difícil lecionar utilizando o LEM. Em educação. Por isso. usar o LEM pode ser mais difícil para parte dos professores. O LEM possibilita o “uso pelo uso” dele como também o seu mau uso. o uso do LEM. é possível distribuí-los em subgrupos.forma. a quantidade e a qualidade geralmente se desenvolvem inversamente. cabendo aos alunos apenas a observação. muitas vezes. não é um caminho para todos os momentos da prática pedagógica. 4. se eles forem atendidos. 2. Afinal. Tudo dependerá do professor. indispensáveis para a utilização tia quadra e dos equipamentos de esportes. questionando: com o LEM o rendimento dos alunos melhora? Os alunos preferem aulas com ou sem o LEM? Por quê? Apesar de as respostas a essas questões de penderem do perfil profissional do professor. substituído pelo material de observação coleti-va. Daí a importância dos saberes do professor. realmente. por facilitar a aprendizagem. Realmente o LEM não é uma panaceia para o ensino. mais importante do que receber pronto ou comprar o LEM é o processo de construção dele. é preciso considerar a qualidade da aprendizagem. em turmas de até trinta alunos. o ensino demandará mais tempo que o previsto. podemos dizer que o LEM exige do professor uma conduta diferente da exigida pela aula tradicional. nenhum método produz aprendizagem significativa.helder@accessueducacao. evita-se um fato comum nas escolas que recebem os materiais: muitos não são utilizados por desconhecimento de suas aplicações. Em ambos os casos. então. utilizando-se de materiais idênticos. mas seguramente pode disponibilizar uma diversificação de meios e uma excelente prontidão ao uso deles como nenhuma outra alternativa oferece. influenciados pelo LEM. dos computadores. O LEM exige do professor uma boa formação.

com as mesmas quatro partes obtidas do quadrado. a aquisição do conhecimento apóia-se fortemente no verbal (audição).org 14 . 8. pois praticam o “é verdade porque vi”. Raciocínio dedutivo será fundamental para todos os estudos posteriores: ele vai logicamente permitir-nos. o LEM pode ocasionar nos alunos uma mudança de comportamento. temos que o comprimento da semicircunferência da figura é 7ir e. não é? No entanto. Quando os jovens adquirem o poder de dedução lógica. é importante mostrar-lhes sofismas. a curva limite se constituirá de círculos infinitamente pequeEnsino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. então o comprimento pedido mede 7r. falácias e paradoxos matemáticos com o objetivo de eles perceberem que conclusões baseadas apenas na intuição ou naquilo que se vê podem contrapor-se ao que o raciocínio lógico-dedutivo aponta como verdadeiro. Monte um quadrado de 8cm por 8cm.professor. Agora. confundem constatação de natureza perceptual com demonstração. cuja área é 65cm2. Continuando indefinidamente este processo (figura 6).1) comum aos dois termos.1) e cancelando o fator (1 . no gráfico (visão) e na manipulação (tato). Divida-o em dois trapézios e dois triângulos. Seguem-se alguns exemplos: a) Se 2 .1) = 3 (1 . em cuja construção cada curva gera duas outras menores e o diâmetro de cada curva maior é igual ao dobro do da menor. Dependendo do nível de desenvolvimento dos alunos. monte um retângulo. “vale porque tem a mesma medida”. separar aquilo que parece ser verdadeiro daquilo que essencialmente é verdadeiro. é altamente desejável que essa afirmação seja verdadeira. e não sentem a necessidade de provas lógico-dedutivas porque tomam a percepção visual como prova. de agora em diante. O LEM pode induzir o aluno a aceitar como verdadeiras as propriedades matemáticas que lhes foram propiciadas pelo material manipulável ou gráfico. conforme mostra a figura 2. Assim. A medida da semicircunferência de raio igual a 1 é n ou 2? Sabendo que o comprimento da circunferência é dado por C = 2nr. até o aparecimento do raciocínio lógico-dedutivo por volta dos 13 ou 14 anos de idade. Mas onde encontrar uma coleção de sofismas.3. resulta 2 = 3. Em outras palavras. observemos as figuras 4 e 5. cuja área é 64cm2. Qual seria a causa desse desfecho absurdo? b) Veja as figuras 1 e 2.2 = 3 . pois. você acabou de descobrir que 64 = 65. “se vale para dois ou ires casos então valerá para todos”. falácias e paradoxos? No LEM. Helder Filho . Confiando plenamente naquilo que vêem. Simples. c) Veja a figura 3. então 2 (1 . conforme mostra a figura 1. se o raio vale 1.helder@accessueducacao.

a mesma distância que vai do ponto 1 ao 2. Helder Filho . elas rolam ao mesmo tempo sobre dois trilhos C e D colocados em níveis diferentes. Nessas condições. As retas r e 5 são paralelas? Elas se parecem paralelas? Se. Mas como explicar que as medidas das circunferências são iguais se as rodas são de diferentes tamanhos? e) Veja a figura 9.helder@accessueducacao. não menos desastroso será conduzir os alunos à total descrença em tudo que a observação e a intuição nos revelam Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. cuja medida é 2. percorrendo uma distância igual ao comprimento da roda maior. conforme mostra a figura 8. o arco mede n ou 2? d) Observe a figura 7. porque vale o dobro do raio que mede 1.org 15 . assim.nos. quando a roda maior completar uma volta a menor também completará uma volta porque uma está fixa na outra. por outro lado. Afinal. é importante o professor propor situações que realcem o perigo de se acreditar em conclusões baseadas apenas no que foi percebido pelos sentidos. de tamanhos diferentes e firmemente unidas entre si. por um lado. em que estão representadas duas rodas A e B. percorrendo. As rodas partem da posição 1 e rolam até a posição 2. sem deslizarem. quando então ela se confundirá com o segmeto AE.

ela pode ser dobrada de várias maneiras e. MD pode ser um giz. Outros já permitem uma maior participação do aluno: é o caso do ábaco.3. por exemplo. que. É o caso da estrela (ver figura 10) construída com 18 palitos ou cotonetes iguais e unidos por borrachas (pedaços de garrote simples nos pontos ímpares e transpassados nos pontos pares). e. o MD nunca ultrapassa a categoria de meio auxiliar de ensino. reflexão. a percepção de propriedades e a construção de uma efetiva aprendizagem. o MD não é garantia de um bom ensino. Estas são um bom começo para investigar e para aprender. Portanto. do material montessoriano (cuisenaire ou dourado). o professor deve perguntar-se para que ele deseja utilizar o MD: para apresentar um assunto. Os MD podem desempenhar várias funções. permitindo transformações por continuidade. Apesar dessa enorme gama de possibilidades. triângulo.org 16 . para auxiliar a memorização de resultados. um jogo. dos jogos de tabuleiro.1. que. e. entre outros. rotação. 1. aqui vamos referir-nos apenas ao MD manipulável concreto. por serem estáticos.helder@accessueducacao. MD manipulável Existem vários tipos de MD. Devido à impossibilidade de abordar a utilização didática dos distintos tipos de MD que podem compor um LEM. um quebra-cabeça. para motivar os alunos. uma calculadora. um livro. Helder Filho .ou sugerem. pode facilitar o estudo de simetria. uma transparência. Alguns não possibilitam modificações em suas formas. todos os MD constituem apenas um dos inúmeros fatores que interferem no rendimento escolar do aluno. aqueles dinâmicos. Material didático (MD) Material didático (MD) é qualquer instrumento útil ao processo de ensinoaprendizagem.3. nem de uma aprendizagem significativa e não substitui o professor. Existem. de alternativa metodológica à disposição do professor e do aluno. 1. por isso. facilitam ao aluno a realização de redescobertas. conforme o objetivo a que se prestam. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. permitem só a observação. como tal. Por melhor que seja. é o caso dos sólidos geométricos construídos em madeira ou cartolina. assim. para facilitar a redescoberta pelos alunos? São as respostas a essas perguntas que facilitarão a escolha do MD mais conveniente à aula. um filme. uma embalagem. ainda.

hexágono. coladas uma sobre a outra. quando o MD for mudado da posição 1 (figura 15) para a posição 2 (figura 16). hexaedro. só comprimento. Um outro exemplo de MD é aquele que se refere ao Teorema de Pitágoras: ele compõe-se de um triângulo retângulo com quadrados construídos sobre os respectivos lados do triângulo.helder@accessueducacao. 5. 7 e 11 no centro da estrela (figura 14) Utilizando-se de questões tais como as seguintes. tetraedro. faz-se necessária também a atividade mental. Para que esta efetivamente aconteça. será possível estimular os alunos para operações além das simplesmente manipulativas: • Que figura plana pode ser construída colocando-se o 4 junto ao 10? • Quantas diferentes figuras planas podem ser construídas? • Qual delas tem o maior perímetro? E a maior área? • Qual é a relação entre a área da figura estrelada inicial e da figura hexagonal em a? • É possível formar um tetraedro (espacial)? • Qual é a área total do hexaedro? • Qual é a diferença entre a representação de uma figura e a sua imagem mental? Convém termos sempre em mente que a realização em si de atividades manipulativas ou visuais não garante a aprendizagem. Largura e espessura são necessárias à representação. o líquido (ou areia) interno se transferirá dos dois Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. se for construído em acrílico: são duas placas idênticas (no formato do estático). Seguem algumas das formas possíveis: a) Ponha os vértices ímpares no centro da estrela (figura 11) b) Coloque 1 e 7 no centro da estrela (figura 12) c) Superponha 1 ao 7 (figura 13) d) Coloque 1. seja por imagem. Agua ou areia.org 17 . Helder Filho . como mostra a figura seguinte. E o MD pode ser um excelente catalisador para o aluno construir seu saber matemático. interessante. isomeria ótica. por parte do aluno. como óleo. desafiador e inspirador. Este material estático pode transformar-se em dinâmico. seja por material concreto. os lados não possuem largura nem espessura. entre outros assuntos. Neste tipo de saber. Fazendo um furo de A a B e de C a D. de modo que elas possam reter algum material moldável.

Para as pessoas que já conceituaram esses objetos. Helder Filho . inclui também as imagens gráficas. Esse processo começa com o apoio dos nossos sentidos e. tocado ou utilizado esses objetos. Os conceitos evoluem com o processo de abstração. expressões. mais ampla. porque é empírico e baseado no concreto. Não seria a ausência do MD a causa de possíveis retardamentos? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.quadrados menores para o quadrado maior. às vezes. precisa partir do chão. é o “isolamento de alguma propriedade sensorialmente acessível do objeto”. ele é aparentemente paradoxal porque. ou provavelmente impossível. Essa trajetória é semelhante à que se deve fazer para conseguir o rigor matemático: para consegui-lo. Vejamos por quê. p. e outra. O abstrato. 1982. 332). para qualquer ser humano caracterizar espelho. símbolos e raciocínios. forma e peso. 54). Qual será o tipo de MD que os alunos irão preferir: o estático ou o dinâmico? 1. p. O concreto pode ter duas interpretações: uma delas refere-se ao palpável. segundo Kopnin (1978. a abstração ocorre pela separação mental das propriedades inerentes a objetos (DAVIDOV.2. com seus vocábulos. Faz-se necessário partir do concreto. quando ouvem o nome do objeto. para voar. ainda sobre o concreto. sugerindo a existência de uma equivalência entre os quadrados. Tal característica poderia ser considerada de somenos importância se não conduzisse alguns profissionais à falsa conclusão de que o uso do MD retarda o desenvolvimento intelectual do aluno. o real tem sido confundido com o concreto. telefone. é preciso começar pelo conhecimento dos alunos. bicicleta ou escada rolante sem ter visto.org 18 .helder@accessueducacao. cor. assim. que é um ponto distante e oposto ao rigor matemático. É muito difícil. O avião retrata bem essa característica aparentemente contraditória do processo educacional: ele é feito para voar.3. sem precisarem dos apoios iniciais que tiveram dos atributos tamanho. movimento. mas. manipulável. é preciso partir do concreto. flui em suas mentes a ideia correspondente ao objeto. pan se chegar no abstrato. MD e o processo de ensino-aprendizagem A utilização do MD está sempre intimamente relacionada com um processo de ensino que possui uma característica aparentemente paradoxal.

Tomemos. o quadro-negro. tais como o pincel.Uma das pesquisas5 que comprovaram a eficiência do ensino com MD foi realizada em Brasília. não junta os três ângulos. o professor pode mostrar aos alunos. tanto diante de questões fáceis como de médias e de difíceis. o professor está respondendo as questões: “Por que material didático?”.org 19 . ou até mesmo necessário. • O perímetro do triângulo é maior do que o de cada retângulo. o professor de matemática. • O ponto onde se juntam os três ângulos depende das medidas dos ângulos. é um mero reforço à memorização do enunciado matemático que pode ser encontrado nos livros didáticos. escaleno ou retângulo. • O ponto onde se juntam os três ângulos é o pé da altura do triângulo. precisa perguntar-se: será conveniente. na outra. Algumas destas podem ser: • Quando juntados os três ângulos.helder@accessueducacao. a bola. é preciso perguntar-se: “Como este material deverá ser utilizado?”.3. em qualquer tipo de triângulo. descobertas ou conclusões. Esta última questão é fundamental. Os resultados revelam que o grupo que foi ensinado com MD reagiu de for-ma muito mais positiva. Subsídios metodológicos para o ensino da matemática:cáculo de áreas das figuras planas. o sino. recortar e dobrar sua figura e mostrar aos colegas suas observações. Helder Filho . se não. Note que essa atitude do professor. em cada escola. grande ou pequeno. Para que os alunos aprendam significativamente. • A área do triângulo é o dobro da área de cada retângulo. • O ponto onde se juntam os três ângulos varia de triângulo para triângulo. Tese (Doutorado) . • Todo triângulo pode ser transformado em dois retângulos. numa utilizando MD.3. justapondo os três “vértices”. o revólver. No entanto. não basta que o professor disponha de um LEM. o automóvel. e 70% delas consideravam a matemática uma disciplina difícil para aprender. facilitar a aprendizagem com algum material didático? Com qual? Em outras palavras.FE-UNICAMP. se cada aluno desenhar um triângulo qualquer (equilátero. não. como outros instrumentos. embora não suficiente. O professor e o uso do MD A atuação do professor é determinante para o sucesso ou fracasso escolar. ao planejar sua aula. Campinas. para que possa ocorrer uma aprendizagem significativa. um mesmo professor lecionou para duas turmas. isósceles. e em diferentes posições). Em seguida. com cerca de 180 crianças cursando a 5” série. pois estes. que se resume em apenas apresentar um resultado aos alunos. Tão importante quanto a escola possuir um LEM é o professor saber utilizar corretamente os MDs. Assim. exigem conhecimentos específicos de quem os utiliza. a enxada. 1. com idades variando entre 11 e 12 anos e com semelhantes condições de conhecimento matemático. a representação de um triângulo qualquer. o bisturi. que a “soma dos três ângulos dá 180 graus”. dá meio círculo. feita em cartolina ou em madeira: com ele. por exemplo. conforme resultado de pré-teste. o batom. • Mas tem que dobrar os lados ao meio. 5 Sérgio Lorenzato (1976). as consequências do uso do material podem ser mais abrangentes e positivas. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. • Dá sempre 180 graus. “Qual é o material?” e “Quando utilizá-lo?”. Essas crianças pertenciam a distintas escolas e a diferentes níveis socioeconômicos. do que o grupo que foi ensinado sem MD.

tipos de peças e possibilidade de dobra ou decomposição. é obter a alegria da descoberta. São esses banais conhecimentos que possibilitarão. é um campo de saber onde ele. por isso.helder@accessueducacao. feito em papelão. ideias incompletas e percepções vagas ou erróneas. roncursos. Para o aluno. entre C e D.org 20 . a eles deve ser dado um tempo para que realizem uma livre exploração. Todas as pessoas passam por essa primeira etapa em que. mostrar ou provar aos alunos que a soma dos três ângulos dá ISO graus e. tal como suas partes e cores. se AB for paralelo a CD? O que se pode dizer das áreas desses diferentes triângulos? E de seus perímetros? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. aluno. a melhoria da auto-imagem. mais importante que co-nhecer essas verdades matemáticas. o P deve deslocar-se pelo corte no papelão. a certeza de que vale a pena procurar soluções e fazer constatações. quando o MD for novidade aos alunos. a matemática foi ensinada assim e. E o que acontece com as medidas das alturas. cujos resultados são regras ou fórmulas que servem para resolver exercícios em exames. utilizando-se apenas do quadro-negro. longe de ser um bicho-papão. com ou sem o auxílio do professor. onde os pontos A a B são fixos e Pé móvel. Um pro-fessor que concebe a matemática como um conjunto de proposições dedutíveis. tomemos o MD representado pela figura 17. convém lembrar que. Os triângulos são diferentes quanto às formas. o MD pode gerar alguma estranheza ou dificuldade e propiciar noções superficiais. avaliações. num primeiro momento. a satisfa-çlo do sucesso. Para ilustrar. pode navegar. Para muitos de nós. Com referência à manipulação propriamente dita do MD pelos alunos. Helder Filho . a procura e a descoberta de novos conhecimentos. B. os três pontos A. a percepção da sua competência. auxiliadas por definições. conhecem o superficial do MD. nem ver nela um essencial instrumento para cotidianamente lei colocado a nosso serviço. seguramente poderia.A diferença entre as duas maneiras distintas de utilização de MD aqui apresentadas ressalta que a eficiência do MD depende mais do professor do que do próprio MD. dar alguns exercícios para auxiliar a memorização dessa propriedade. O modo de utilizar cada MD depende fortemente da concepção do professor a respeito da matemática e da arte de ensinar. por isso. e compreender que a matemática. P são unidos por um fio. através da observação. para representar vários triângulos. em seguida. e ainda mostra a importância que a utilização correta do MD tem no desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno. mas todos têm a mesma medida de base. não conseguimos admirar a beleza e harmonia dela.

uma vez que ela camufla o perpendicularismo e o paralelismo laterais. por exemplo. Após a verbalização. realizar suas descobertas e. 3 e 4. isto é. o ângulo 2 diminui”. representando um losango. porque. porque esse poder depende do estado de cada aluno e. “um triângulo”. além disso. memorizar os resultados obtidos durante suas atividades. concretas e abstraías.org 21 . “outros paralelogramos”. Alunos . a socialização das estratégias. “outros losangos”. mas os resultados do segundo tipo de aula serão mais benéficos à formação dos alunos porque. “um quadrado”. “quando o ângulo 1 aumenta. processos. é provável que os alunos se deparem inicialmente observando e testando o possível movimento do fio e percebendo o paralelismo entre AB e CD. para um mesmo MD. há uma diferença pedagógica entre a aula em que o professor apresenta oralmente o assunto. ações e conclusões deles. frequente em nossas salas de aula. Vejamos. Helder Filho . ilustrando-o com um MD. Feito isso. também. algumas potencialidades mais específicas dos MD. Professor . como mostra a figura 18. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. elo modo como o MD é empregado pelo professor. Existem também diferenças de potencialidade entre o MD manipulável e sua representação gráfica. de posse do MD. os quais conduzem os alunos a fazer conjecturas e a descobrir caminhos e soluções. as questões anteriores se tornarão fáceis aos alunos. Raios X Analise o seguinte diálogo. até mesmo em cursos de aperfeiçoamento para experientes professores de ensino fundamental. conforme suas possibilidades. então. em ritmos próprios.Diante desse MD. a comunicação das ideias. e a aula em que os alunos manuseiam esse MD. Aos alunos é dado um MD (figura 19) formado por quatro palitos de mesmo comprimento.“Um segmento”. O MD é o mesmo. por eles realizadas.3. 2. se souberem os conceitos de perímetro e de área.4. “os ângulos opostos são iguais”. as observações e reflexões deles serão mais profícuas. ela não retrata as reais dimensões e posições dos lados e faces dos objetos.helder@accessueducacao. erros e conclusões. Aqui. não é menos importante para a formação deles. Será nesse momento que o professor poderá avaliar como e o que os alunos aprenderam. pois é durante esta que surgem imprevistos e desafios. uma vez que poderão. mais facilmente. 1. é recomendável que cada aluno tente registrar em seu caderno. as novas conquistas decorrentes das atividades. Talvez a melhor das potencialidades do MD seja revelada no momento de construção do MD pelos próprios alunos. é importante que seja realizada entre os alunos a verbalização dos pensamentos. Assim.Procurem transformar esta figura em outras e digam o que observaram. raciocínios. Potencialidades do MD Todo MD tem um poder de influência variável sobre os alunos. apesar de todas as contribuições da perspectiva. entre os alunos. flexível nos pontos 1.

o MD possibilitou ao professor constatar conceitos que precisam ser revistos ou ampliados. losango é losango.Professor . mas. não estavam previstas no planejamento nem eram do conhecimento do professor. às vezes. Note que: a) Esta última resposta indica que esses alunos estão no primeiro nível da proposta de Van Hiele6. esperando que ele redescubra que “a soma dos três ângulos é 180 graus” (figura 21). mas também é mais difícil aprender sem o MD. para o professor. Tal constatação é válida. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. às vezes.Não. ou. então.3: Quando se pergunta aos alunos o que eles observaram na transformação anterior. Em outras palavras. ele pode ser um complicador.Não. No entanto. possibilita ao aluno a realização de observações.org 22 . c) O MD foi para o professor o mesmo que o aparelho de raios X é para o médico ou dentista. é contraditória para 6 Van Hiele propõe que o desenvolvimento do pensamento geométrico pode se dar em cinco níveis. O uso do MD planejado para atingir um determinado objetivo.A sequência de movimentos que transformou losango em quadrado destruiu alguma característica (propriedade) dos losangos? Alunos . referindo-se à propriedade “todo triângulo pode ser decomposto em seis triângulos menores congruentes dois a dois”. descobertas e até mesmo o levantamen-to de hipóteses e a elaboração e testagem de estratégias que.helder@accessueducacao. o que é uma verdade geralmente inesperada por alguns professores e que não consta nos livros didáticos. Professor . frequentemente dizem que “o triângulo se transformou em dois retângulos”. Helder Filho . Complicador Se o MD pode ser para o aluno um facilitador. frequentemente. é muito mais fácil dar aula sem MD. constatações. o quadrado é losango? Alunos . quadrado é quadrado. como foi sugerido em 3. é preciso reconhecer que essa dificuldade vem no intuito de melhorar a qualidade do processo de rnsino-aprendizagem. também.Então. os lados continuaram iguais. os alunos dizem que “no triângulo sempre cabem seis triângulos”. Outra observação dos alunos que pode surpreender alguns professores é a de que a área do retângulo (figura 21) é a metade da área do triângulo inicial (figura 20). Um exemplo disso (figura 20) é o que pode acontecer quando se dá ao aluno um triângulo (dobrável pelos pontos médios dos lados). b) Nesse exemplo.

mais retardado será o processo de abstração. lembrando que. e essa é uma das críticas mais frequentes ao seu uso. a maioria das pessoas não compreenderá o que está sendo dito e mostrado.i liem isso é o seguinte: diante do triângulo cujos ângulos se juntam para mostrar que a soma é 180 graus (assunto de 7a e 8a séries). o emprego de MD pode “atrasar o programa”. é uma questão de opção: valorizar mais o ensino ou a aprendizagem. Regulador O MD pode ser um eficiente regulador do ritmo de ensino para. Portanto. devido à compreensão adquirida pelo aluno. ângulo. se a todas elas for dado um modelo tridimensional para manusear. É importante registrar que o MD nunca favorece o adiamento do assunto. Como se explica essa contradição? Só para crianças A experiência tem mostrado que o MD facilita a aprendizagem. imediatamente indicarão ter compreendido o significado da frase.helder@accessueducacao. Em outras palavras. uma vez que ele possibilita ao aluno aprender em seu próprio ritmo e não no pretendido pelo professor. apresente o desenho da figura em questão. qualquer que seja o assunto. Helder Filho . E isso é uma façanha.quem se lembrar das fórmulas para cálculo da área de retângulo e de triângulo. Será que isso significa que é preciso Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. fazendo acontecer a chamada descoberta dirigida. círculo e medida. Então. se não há aprendizagem.org 23 . diante da imagem. o que conflita com a crendice de que MD só deve ser utilizado com crianças. curso ou idade. Longe de observar erro de português ou falta de rigor na linguagem matemática. porque eles ainda não construíram os conceitos de triângulo. é possível interferir no ritmo dos alunos. não podemos considerar que houve ensino. Justificando essa crendice. Se de um lado o processo se torna rico. quanto mais o MD concreto for utilizado. adição. e mais: o professor pode acelerar o ritmo das atividades dos alunos apresentando questões que os auxiliem em suas reflexões. por que utilizar MD só com crianças? Na verdade. muitas delas imprevistas. o ritmo aumentará e o tempo gasto no início será. de longe. Por isso. Se elas não compreenderem a mensagem. a utilização de MD pode inicialmente tornar o ensino mais lento. No entanto. de matematização do aluno. Outro exemplo que ilus-n. alguns dizem que. é preciso exaltar que intuitivamente as crianças em fase escolar inicial já conseguem detectar a verdade matemática e expressá-la em sua linguagem. como a abstração é essencial para a aprendizagem da matemática. e certamente não a compreenderão. Aqueles que assim pensam provavelmente ainda não fizeram a seguinte experiência: escolha pessoas adultas que não estudaram geometria espacial e diga a elas que “todo prisma triangular pode ser decomposto em três pirâmides”. ao contrário. o importante é verificar se o assunto é novidade para os alunos. mas em seguida. por outro se torna mais difícil para ser conduzido dentro de uma visão fechada. mesmo assim. Na verdade. ele quase sem-pre propicia a antecipação da abordagem. grau. e não a idade deles. diretiva e predeterminada. crianças de 1a série disseram que “as três pontas dá meia roda”. Modificador Pelo exemplo do prisma que foi decomposto em três pirâmides pode-se verificar que a utilização do MD favorece a alteração de ordem de abordagem do conteúdo programático. recompensado em quantidade e principalmente em qualidade. dar o programa ou aprender com compreensão.i aula. pois a dupla MD e imaginação infantil quase sempre abre um leque de possibilidades.

para que se dê uma significativa aprendizagem. Dosagem seriada A prática pedagógica tem confirmado a necessidade e a conveniência da adoção do currículo em espiral. os conhecimentos avançam para a constatação numérica (área). explorando a equivalência de suas áreas (por transformação) para. É o caso do MD sobre o chamado Teorema de Pitágoras. com o apoio de con-tagcm ou medida.helder@accessueducacao. e não somente a manipulativa. Como já vimos no item 3. e isso é mais sério do que parece. tudo indica que comprar o equipamento e conseguir o espaço físi-CO para ele é o mais fácil: o mais difícil é conseguir software (programa) adequado e principalmente professor preparado para elaborar. então. em decorrência da motivação que ele gera nos alunos. a condicional (triângulo retângulo). Helder Filho . desenvolver e avaliar um processo de ensinar e aprender dilcrente dos que tivemos até hoje. nele. serem calculadas as áreas por meio de medidas. apresentado no item 3. o MD desempenha a função de um pré-requisito para que se dê a aprendiam através do computador. Por exemplo. Assim sendo. Ao professor cabe acreditar no MD como Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ele pode não apresentar o sucesso esperado pelo professor. Em segundo lugar. o MD se tornou obsoleto e desnecessário. em seguida. pois. ao longo das séries. mais tarde. é preciso lembrar que infelizmente o computador não chegou à grande maioria das escolas brasileiras. os conhecimentos são ampliados e aprofundados. recorrem ao MD (manipulável) e então prosseguem sem dificul-dades com o computador.1: num primeiro momento. Um mesmo MD pode ser utilizado para um assunto. porque muitas escolas que já se equiparam com computadores não sabem bem o que fazer com eles. o que para muitas pessoas pode significar bagunça. o objetivo era facilitar a percepção da existência de uma equivalência entre “os quadrados”. faz-se necessário que haja uma atividade mental. os mesmos assuntos são retomados e. com a chegada do computador. em diferentes níveis de conhecimento. estes falam e movimentam-se mais que de costume. por parte do aluno. se pretendermos que alunos de 5a série calculem áreas de figuras planas sem usar fórmulas (por equivalência de áreas). não compreendendo a mensagem (visual) da tela do computador. porém.abrir mão do rigor para se conseguir o rigor? Será que isso indica que a dosagem seriada deve merecer uma atenção maior do que a escola tem dado? Ou será isso uma indicação de que o MD permite antecipar a abordagem de conteúdos programáticos no currículo escolar? Outro tipo de alteração que quase sempre o uso de MD ocasiona se refere ao nível de atividade dos alunos em sala de aula. finalmente na 5a série. para muitos alunos. Primeiramente. o MD manipulável tem-se mostrado um eficiente recurso para muitos alunos que. Funciona sempre? Apesar de o MD geralmente despertar o interesse de quem aprende. a cada vez.org 24 . devem vir jogos livres com figuras de diferentes formas e cores. o processo pode começar na educação infantil através da montagem/desmontagem de figuras quaisquer. tão recomendado por ilustres educadores. na la/4a séries. depois para a demonstração (prova) e finalmente para ampliações do tipo: o teorema vale para outras formas ou somente para quadrados? A palavra “quadrado” no enunciado refere-se à forma ou à área de figura? Em quais condições o teorema vale para três dimensões (volume)? Quais aplicações práticas são previsíveis? Computador Uma outra crítica contra o uso de MD se baseia no argumento de que.

muitos professores não sentem falta de MD em suas práticas pedagógicas. ele só produz bons resultados para quem nele acredita. Mas. “muito difícil”. ou não sabem utilizar corretamente o MD. Em decorrência.um auxiliar do processo de ensino-aprendizagem. as causas da ausência do MD nas salas de aulas não são devidas a ele propriamente. diminuindo. e apresentado no III Encontro Nacional de Educação Matemática.3. UNESP. como podem vir a admirá-la? No entanto. estaduais ou municipais geralmente não preconiza ou orienta os educadores ao uso do MD.org 25 .4. como a de ser ela uma disciplina “só para poucos privilegiados”. pior ainda. pois. Helder Filho . talvez. a ansiedade ou a indiferença serão substituídos pela satisfação. Outra consequência provável se refere ao ambiente predominante durante as aulas de matemática. se a eles não foi dado conhecer a matemática.5. assim. “pronta”. e outras semelhantes. Efeitos colaterais Se for verdadeiro que “ninguém ama o que não conhece”. Caso contrário. ou não dispõem de MD. por diferentes motivos. • Quais aspectos educacionais devem ser considerados ao planejar e ao empregar MD: o cognitivo. que tenha significado para o aluno. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 1. o risco de serem criadas ou reforçadas falsas crenças referentes à matemática. trabalho apresentado no Seminário sobre Prática do Ensino. se empregá-lo corretamente. pode-se dizer que os obstáculos ao uso do MD são de ordem extrínseca a ele. E mais: o MD necessita ser corretamente empregado. aqueles que opinam contra o uso do MD sem o conhecerem ou sem o terem experimentado7. o histórico. é preciso conhecer o porquê. então fica explicado porque tantos alunos não gostam da matemática. pela alegria ou pelo prazer. 1. o como e o quando colocá-lo em cena. A esses todos se somam aqueles que. que poucas são as instituições responsáveis pela formação de professores que ensinam seus alunos a usarem MD. conseguir uma aprendizagem com compreensão. pois como muitas coisas na vida. 7 Sérgio Lorenzatto. resistem às mudanças didáticas e. pois é fácil constatar que a própria política educacional emanada pelos governos federal. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM • O que é um LEM? • Quais são os fatores a serem considerados no planejamento de um LEM? • Por que escolas de formação de professores devem possuir seus LEMs? • O que você pode fazer para que sua escola venha a ter um LEM? • Como o MD pode influir no processo ensino-aprendizagem? • Quando o uso do MD é recomendável? Justifique. o afetivo. ou não acreditam nas influências positivas do uso do MD na aprendizagem. isto é. em 1989. Obstáculos ao uso do MD De modo geral.helder@accessueducacao. Enfim. Rio Claro. o pedagógico ou o epistemológico? • Por quais maneiras se pode dar a má aplicação do MD? • Como construir MD de boa qualidade e de baixo custo? • O uso de MD facilita ou dificulta o magistério? Justifique. UFRN. onde o temor. o professor pode. em 1990. com o auxílio de MD. o mais importante efeito será o aumento da autoconfiança e a melhoria da auto-imagem do aluno. que raras são as escolas de ensino fundamental ou médio que possuem seu LEM. o MD pode ser ineficaz ou até prejudicial à aprendizagem.

• Comente: As secretarias de educação deveriam implantar LEM em suas escolas. E. G. & MIORIM. Ciudad de La Habana. (2000). intermedeia as sensações iniciais do mundo físico com as abstrações exigidas pelo processo de formação dos conceitos matemáticos.G. ano 4. Artmed. R. (1993). (1978). Aguilar. Arquimedes e a alavanca em 90 minutos.helder@accessueducacao. P. STRATHERN.A. 55-73. 1. pois é a geometria que. P. por possibilitar as representações visuais. pp. POLYA. J. Tradução de Felipe Roblelo Vasquez. (1978). Civilização Brasileira. FIORENTINI. UFPb. 2. ano 1. pp. KOPNIN. Rio de Janeiro. Zahar. vol. Helder Filho . Tipos de generalización en la ensenanza. A. El material para la ensenanza de las matemáticas. MANSUTTI.org 26 . • Comente: As características dos MD devem ser distintas de acordo com os níveis escolares ou com as faixas etárias a que se destinam. l. • Quais dificuldades os professores enfrentam para produzir. “Intuición matemática y dibujos animados”. Boletim SBEM. (1988). Simões. Madrid. 7.• A ausência de MD torna deficiente o ensino? Justifique. R. Rio de Janeiro. O desenvolvimento dos conceitos matemáticos e científicos na criança. V.L. n. (1998). reimpresión. (1973). M. Interciência. Editorial Pueblo y Educación. G. • Comente: A aritmética e a álgebra escolares podem tornar-se mais fáceis aos alunos se ilustradas com o apoio das formas. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo. Porto Alegre. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. M. & RÊGO. Bell e Sons. Didáctica de la matemática moderna. LOVELL. D. A arte de resolver problemas. London. São Paulo.V. adquirir ou utilizar MD? • Quais são as características de um bom MD? • Por que os alunos preferem aulas com MD? • Quais são os argumentos favoráveis ao uso de MD no ensino? • Quais são os seus argumentos para não usar MD em suas aulas? • Dê exemplo de caso em que o uso de MD provocou a reflexão dos alunos. In: COMISION INTERNACIONAL PARA EL ESTÚDIO Y MEJORA DE LA ENSENANZA DE LAS MATEMATICAS. Matematicativa. Tradução de Maria Helena Geordane. Tradução de Auriphebo B. (1993).SBEM.M. K. (1967). RÊGO. 17-29. João Pessoa. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Ed. Revista de Educação Matemática . • Comente: O uso do MD garante uma aprendizagem com compreensão. “Concepção e produção de materiais institucionais em educação matemática”. “Uma reflexão sobre o uso de materiais concretos e jogos no ensino da matemática”. THE MATHEMATICAL ASSOCIATION (1968). NICOLET. DAVIDOV. (1982). São Paulo. Referências bibliográficas do texto CASTELNUOVO.V. n. • Comente: O MD só deve ser usado com crianças. México (DF). Tradução de Gonzalo Medina. 123 (Coleção Perspectivas do Homem). Trillas. Rio de Janeiro. Mathematics Laboratories in Schools.5.

oficinas. fruto de pesquisas realizadas na área de ensino de matemática. palestras e cursos para alunos e professores de matemática. lançando as condições de superar as limitações dos cursos de pós-graduação de caráter tecnicista. Sérgio Lorenzato (org. a comunidade. compromissos políticos na direção de mudanças. que já executou mais de vinte projetos institucionais (SPEC/PADCT/CAPES. vêm sendo elaboradas e discutidas desde a sua fundação. SP: Autores Associados. envolvendo a escola.) – Campinas. ricos de conexões com a matemática. passando posteriormente a abranger a assessoria em projetos de implantação de clubes e laboratórios de matemática. vinculado ao Departamento de Matemática do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPb). E professor do Departamento de Matemática e Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPb) e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPb). 9 Bacharel e mestre em matemática e doutor em educação matemática. a luta por melhores condições de trabalho e por uma formação inicial e continuada de qualidade. baseados em um acervo material constantemente renovado e ampliado. Para tanto. PROLICEN . jogos e quebra-cabeças.Programa de Licenciatura . jogos e quebra-cabeças. É professora do Departamento de Matemática da UFPb e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da mesma universidade. 11 Significado das siglas: SPEC . Ao lado da pesquisa. 39. visando o desenvolvimento de materiais didáticos adequados à realidade das nossas escolas e de sua divulgação por meio de livros. Baseiam-se na crença de que a construção do saber matemático é acessível a todos e que a superação dos baixos índices de desempenho de nossos alunos requer também conhecimentos externos à matemática.Programa de Apoio aos Cursos de Graduação . 2006. em 1991. além da realização de uma exposição anual intitulada "Matemática e imaginação".UFPb. na montagem de módulos e projetos de feiras de ciências na área de matemática. criatividade e capacidade de ação. PROLICEN. entre outros recursos. reflexão e crítica pelo aluno. nos moldes da exposição francesa "Horizontes matemáticos".Subprograma Educação para a Ciência. coleção de elementos da natureza. (Coleção Formação de Professores). composto de kits didáticos.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. PROGRAD .2. CAPES . história da matemática .estão integradas às diversas ações da equipe do LEPAC. mestre em filosofia e doutora em educação matemática. faz-se necesIn O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA8 Rômulo Marinho do Rego9e Rogéria Gaudêncio do Rego10 A filosofia e política do Laboratório de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Científica (LEPAC).UFPb Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho .UFPb. PROBEX)11 e realizou cursos e exposições em instituições de ensino fundamental. As diversas linhas de desenvolvimento de conhecimentos matemáticos apontadas como mais apropriadas dentro da perspectiva de mudanças . médio e superior em estados do Norte e Nordeste.Programa Institucional de Bolsas de Extensão . As novas demandas sociais educativas apontam para a necessidade de um ensino voltado para a promoção do desenvolvimento da autonomia intelectual.entre as quais: resolução de problemas. as ações da equipe do LEPAC estavam inicialmente direcionadas para a formação de especialistas.org 27 8 .helder@accessueducacao. PROGRAD. p. PROBEX . administradores escolares. PADCT -Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 10 Bacharel em matemática.

e iii. Uma das linhas de investigação e ação em um LEM compreende a elaboração. atuando como parceira na solução dos problemas educacionais que esta apresenta. pesquisa e extensão. novos materiais e metodologias. Quando instalados em instituições de ensino superior. sua potencialidade para auxiliar a aprendizagem de conhecimentos de naturezas diversas (informações. suas principais funções (1962. reestruturado. ii.org 28 . que tem a oportunidade de avaliar na prática. baseada em uma sólida formação teórica e prática. faixa etária. materiais adequados são necessários. oportuniza a realização de atividades em que professores da educação básica e alunos de cursos de licenciatura possam refletir e elaborar sua avaliação pessoal do sistema de ensino adotado em nossas escolas e construir modelos viáveis de superação de seus aspectos negativos.sário a introdução da aprendizagem de novos conteúdos de conhecimentos e de metodologias que. criado por alguns professores e alimentado pelos pais e pelos que não gostam de matemática. entre outros elementos. adaptação e uso de materiais didáticos de matemática. resultados de pesquisas disponibilizados na literatura (ver sugestões em Rego & Rego. descobrir significados e processos para essas experiências ou atividades de aprendizagem. conceitos. como afirmam Grossnickle e Brueckner (1965. reconheça. Acabar com o medo da matemática que. além de incentivar a melhoria da formação inicial e continuada de educadores de matemática. além de oficinas e cursos de formação continuada para seus professores. Uma vez trabalhado e avaliado em sala de aula um recurso didático pode ser. visando à instalação de clubes e laboratórios de matemática. caso indicado. os laboratórios de ensino. habilidades ou atitudes). está aumentando cada vez mais a dificuldade do ensino dessa matéria e Interessar maior número de alunos no estudo dessa ciência. baseadas na concepção de que o aluno deve ser o centro do processo de ensino-aprendizagem. ou seja.helder@accessueducacao. identifique e considere seus conhecimentos prévios como ponto de partida e o prepare para realizar-se como cidadão em uma sociedade submetida a constantes mudanças. p. Estreitar as relações entre a instituição e a comunidade. ii. para o professor. seu alcance e suas limitações e a sua adequação à competência dos alunos. quando associado à formação docente. ampliando sua formação de modo crítico. pp. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) em uma escola constitui um importante espaço de experimentação para o aluno e. 2004). buscando a melhoria do ensino e constituindo um espaço de divulgação e de implantação de uma cultura de base científica. Firmar projetos de parceria com os sistemas locais de ensino. Estimular a prática da pesquisa em sala de aula. possibilitam: i. iii. Auxiliar o professor a tornar o ensino da matemática mais atraente e acessível. em especial. Se concebermos uma aula de matemática como um espaço em que os alunos vão experimentar. Helder Filho . considerando-se os objetivos educacionais a serem atingidos. 10-13): i. Manoel Jairo Bezerra destacou. levando-se em conta conhecimentos prévios. na obra O material didático no ensino da matemática. compreendendo-se que a aprendizagem não reside em Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. promovendo a integração das ações de ensino. 87). sem as pressões do espaço formal tradicional da sala de aula.

raciocínio e criatividade. 1986).. iv. ainda no ano de 1911. vii. com um acabamento que torne as atividades a serem realizadas agradáveis aos sentidos. 1999b. exigindo do raciocínio o que quase sempre é deixado apenas como tarefa para a memória. 2003) ou em vias de publicação pela equipe do LEPAC. Iniciar-se nos métodos de investigação científica e na notação matemática. Adquirir estratégias de resolução de problemas e de planejamento de ações. "baseando-se em objetos e exemplos do ambiente cotidiano. Porém. pois. Por meio de experiências pessoais bem-sucedidas.org 29 . Desenvolver sua capacidade de fazer estimativas e cálculos mentais. como afirmava Ignátiev. auxiliando-o a: i. Nessa concepção de aprendizagem. favorecendo a aprendizagem pela formação de idéias e modelos. desenvolvendo conhecimentos na direção de uma ação autônoma. "a independência mental. perseverança. as atividades realizadas em um LEM estão voltadas para o desenvolvimento de conhecimentos matemáticos e a formação geral do aluno. a partir de sua utilização adequada.sua estrutura física ou na simples ação sobre ele. 1999a. embora relacionado a fatores externos. iii. sua percepção espacial. estruturar idéias e organizar informações. acumulando informações e regras. apresentamos algumas sugestões. vencendo os mitos e preconceitos negativos. discriminação visual e a formação de conceitos. dentro de padrões de segurança que não coloquem em risco o seu usuário.helder@accessueducacao. Nossa experiência pessoal aponta para a possibilidade de produção e de massificação de materiais de baixo custo e grande potencial didático. o aluno desenvolve o gosto pela descoberta. REGO. um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores que atuam à frente de LEMs compreende a socialização dos resultados de seus trabalhos. As interações do indivíduo com o mundo possibilitam-lhe relacionar fatos. os alunos ampliam sua concepção sobre o que é. Estimular sua concentração. REGO & GAUDENCIO JR. É Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. internalizando-os. sendo seguros apenas os resultados dos casos em que a introdução no campo da matemática ocorrer de forma prazerosa. Ampliar sua linguagem e promover a comunicação de idéias matemáticas. ii. 2004. Sabemos. Acreditava-se. há até relativamente pouco tempo. a reflexão e a criatividade não podem ser metidas em nenhuma cabeça". Promover a troca de idéias através de atividades em grupo. mas resulta do aprofundamento de reflexões sobre essa ação. v. Helder Filho . estando seu pensamento em constante processo de mudança. contribuindo para formação do senso estético e direcionando a atenção e a percepção para os aspectos cognitivos a serem trabalhados. Para exemplificar a potencialidade de recursos simples na promoção de atividades didáticas em um LEM. vi. que os alunos aprendiam de igual maneira. entretanto. que cada aluno tem um modo próprio de pensar e que este varia em cada fase de sua vida. aqui descritas de modo sucinto. Estimular sua compreensão de regras. Em razão das características socioeconômicas da nossa população. Assim. como e para que aprender matemática. a coragem para enfrentar desafios e para vencê-los. A aprendizagem pela compreensão é um processo pessoal e único que acontece no interior do indivíduo. cujos objetivos e uso em sala de aula poderão ser encontrados com detalhes nos textos já publicados (REGO & REGO. selecionados com a criatividade e interesse correspondentes" (IGNÁTIEV. o material concreto tem fundamental importância.

seguidos fielmente sem a promoção de reflexões. A primeira atividade. de revistas. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Colar três anéis de mesmo tamanho. intitulada estudo de quadriláteros (RÊGO & REGO. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um retângulo (não quadrado)? iii. Em seguida. e como colá-los. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um losango (não quadrado)? ii. estimando o que acontece quando cortarmos ao meio os dois anéis colados. sendo indicada para alunos de todas as séries da educação básica. são as exigências formais envolvidas. jornal etc. Depois de feitas as previsões. Verificar o resultado obtido confrontando-o com as hipóteses levantadas. Helder Filho . Iniciar a discussão questionando aos alunos o que acontece quando cortamos um desses anéis ao meio. o conjunto fica semelhante a uma algema (uma tira com duas argolas. Vale notar que. Sugerimos que seja desenvolvida no estudo de quadriláteros. para que o resultado seja um paralelogramo (não quadrado)? Outras investigações podem ser feitas: i. cortar o anel e conferir o resultado. cola e tesoura. quando o primeiro anel é cortado. Depois de recortadas. na ilustração serve apenas para indicar onde deverá ser realizado o corte). um perpendicular ao outro. 1999a).). cada um perpendicular ao seguinte e cortar os três ao meio. em cada caso. como indicado na figura 1. e não como receituários. como feito no anel da questão inicial. no que trata da análise das propriedades das figuras obtidas e na nomenclatura apresentada.importante lembrar que os roteiros de sugestão de uso de qualquer recurso instrumental devem ser vistos como possíveis caminhos que poderão ou deverão ser reestruturados de acordo com as especificidades dos alunos e dos conhecimentos a serem desenvolvidos. colar dois anéis iguais ao primeiro. O que deverá variar. Como devem ser os anéis. O procedimento a ser adotado inicia-se com o corte de algumas tiras de papel com aproximadamente 30 cm de comprimento e 4cm de largura. colar as tiras formando cada uma um anel comum. uma em cada extremidade). como indicado na figura l (o pontilhado não precisa ser feito. Os alunos poderão em seguida investigar: i.org 30 . com mesmo diâmetro e largura. como indicado na figura 2. Em seguida.helder@accessueducacao. pois esta corresponde a uma das argolas que estavam inicialmente coladas. ao longo da linha pontilhada. cortar a tira ao meio. com menos ou mais rigor. dependendo do nível da turma e dos objetivos a serem alcançados. demanda apenas papel (ofício. tentando estimar e verificando o resultado.

como indicado na ilustração do centro na figura 3. ou três iguais colados inclinados um em relação ao outro.) e os resultados obtidos. Ainda em geometria.org 31 . Essa atividade enseja oportunidade de abordar de maneira intuitiva questões relativas aos quantificadores universais e existenciais e de suas negações. Dependendo do nível da turma. Nesse caso. Este poderá ser posteriormente desmontado e grampos e canudos serem utilizados na construção de outros poliedros. concluindo que todo quadrado é um retângulo. o uso de grampos pequenos de cabelo (de metal. Colar três anéis de tamanhos diferentes. por exemplo. Depois de prontas as articulações. suas definições e interseções entre estas como. além do registro e da busca de associação do conhecimento desenvolvido dentro da linguagem. a rigidez da figura dependerá da forma de suas faces: se apenas Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. descrevendo a dimensão dos anéis (se todos são de mesmo tamanho ou não).ii. inserir a parte ondulada dos grampos no interior dos canudos (ilustração da direita na figura 3). Inicialmente prender cada grupo de três grampos entre si. para o qual iremos precisar de seis canudos e doze grampos de cabelo. facilidade de uso.helder@accessueducacao. O número de canudos utilizados em um poliedro será igual a seu número de arestas e o número de grampos será igual à soma do número de arestas que convergem para cada vértice do sólido. dentre outros. Helder Filho . correspondendo a cada conjunto de três grampos um vértice do tetraedro. inclinados etc. levar o aluno a diferenciar o que é uma definição e um conceito. que poderão ser explorados posteriormente no estudo de propriedades de sólidos. os alunos podem analisar e explorar os elementos das figuras obtidas. como estavam colados uns em relação aos outros (se perpendiculares. modificando-se a quantidade de canudos e/ou a quantidade de grampos em cada sistema de articulações. formando quatro sistemas de articulação. Após cada atividade. dispostos entre si como no caso anterior. bem como o desenvolvimento de atitudes como ver a matemática como um conhecimento social. abre-se um espaço para discutir as habilidades que estão sendo desenvolvidas com a realização e reflexão sobre ela. O processo de confecção dos poliedros é bastante simples e as vantagens do material são muitas: baixo custo. Teorema de Euler. sugerimos para a confecção de esqueletos de poliedros. com a construção do esqueleto de um tetraedro (pirâmide de base triangular) regular. estimando e verificando os resultados. como em qualquer caso de construção de esqueletos de poliedros. planos de simetria. rapidez do processo e possibilidade de reaproveitamento do material. comuns) e canudos de refrigerante. Solicitar aos alunos que façam um pequeno relatório ou tabela. Acompanhe o seguinte exemplo. de acordo com a necessidade. entre outras. em permanente processo de construção. embora o contrário não aconteça. a quantidade de anéis utilizada em cada caso.

custo. objetivos. uma experiência interessante consiste em dividir a turma em grupos. potencialidade e limitações. durabilidade. direcionamento para os objetivos cognitivos programados e resultados estéticos. visando criar ou adaptar kits existentes à realidade das escolas. barbante. Os grampos de cabelo poderão ainda ser substituídos por clipes de papel de tamanho adequado. e conexões feitas com borracha de soro e canudos de churrasco ou pirulito.helder@accessueducacao. desenvolvemos um modelo de fácil confecção e uso. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Em cursos de formação inicial ou continuada. tempo de elaboração. Ver foto 1). Helder Filho . resistência. clipes de papel. fita adesiva. arame ou outros. conversando. 1958).org 32 . resistência. aqui exemplificando o processo de constante aperfeiçoamento de nosso acervo. segurança e apresentação.triangulares a figura será rígida. isto é. Dentre os diversos materiais didáticos que "evoluíram" no LEPAC destacamos o Geoespaço. com largura igual ao diâmetro interno do canudo. sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos materiais empregados. como já afirmamos. depois. cada um deles produzindo esqueletos de poliedros utilizando um material específico (canudos de refrigerante e grampos de cabelo. durabilidade. Baseado em um material sugerido para a construção e o estudo de prismas e pirâmides em uma publicação de uma mostra de materiais concretos para o ensino de matemática. riscos de acidentes no processo. caso contrário ficará flexível. de modo semelhante aos grampos. onde eles serão inseridos após serem agrupados entre si. realizada em Madrid em 1958 (ADAM. disponibilidade local dos insumos. referentes a custo. considerando.

Helder Filho . com quadrados de 3 cm de lado. facilitando o seu transporte e armazenamento. em cujos vértices são fixados pequenos ganchos de cobre. delimitados por ligas que formam polígonos nas duas malhas quadriculadas (ver exemplo na foto 2). possibilitam trabalhar com geometria espacial em sala de aula com modelos tridimensionais. além da grande versatilidade. e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. requer a realização de atividades voltadas para esses fins. a exemplo de uma eoleção de embalagens diversas. Os dois últimos recursos apresentados. assim como a identificação e compreensão dos elementos que caracterizam um determinado tipo de sólido.org 33 . relações entre volumes. presas entre os ganchos dos dois planos.helder@accessueducacao. tendo-se a visualização das vistas do poliedro facilitada pela transparência do acrílico. como a percepção espacial. preferencialmente iniciando-se com materiais presentes no cotidiano do aluno. evitandose recorrer apenas a figuras planas (no quadro ou livro) com representações de sólidos para tal. a visualização de cortes e planos de simetria. O modelo pode ser desmontável. Os esqueletos dos sólidos são construídos com ligas de borracha. quatro cantoneiras que dão sustentação a uma placa quadrada de acrílico transparente de 4 mm. entre outras. O desenvolvimento de habilidades específicas. Nos dois planos (base de madeira e placa de acrílico) são traçadas malhas quadriculadas semelhantes.Simplificamos o modelo apresentado utilizando uma base de madeira. Um simples deslocamento de um dos polígonos e das borrachas correspondentes possibilita a rápida transformação de um prisma reto em um prisma oblíquo de mesma base. utilizados pela indústria de mobiliário (e facilmente encontrados em casas de ferragens).

posteriormente ampliando-se o estudo dos sólidos geométricos por meio das figuras obtidas com os canudos ou no Geoespaço, na direção da representação destes no plano. Os recursos apresentados nas fotos seguintes, descritos de modo sucinto, indicam a possibilidade de concretização de ideias criativas para um LEM, facilmente reprodutíveis, sem demandar custos financeiros de grande monta. O material da foto 3 é utilizado para substituir os blocos lógicos, nas diversas atividades possíveis de serem realizadas com esse material, sendo socialmente mais significativo e rico em termos de propriedades gerais, o que amplia consideravelmente as categorias para classificação em subconjuntos, entre outras vantagens. Na foto 4, temos dois jogos para as séries iniciais, um compreendendo uma trilha com círculos concêntricos feita com uma base descartável para bolo e outro uma mancala12 com copos de iogurte. Na foto 5, temos um jogo de pares, feito com potes para filmes fotográficos, com materiais semelhantes em seu interior (dois potes cheios até a metade com areia, dois outros com arroz, dois com clipes de papel, etc.) que, depois de misturados, devem ser separados pelos alunos em pares, identificados pela semelhança do som que produzem. Estimulam, além do trabalho com a idéia de par e a classificação de elementos sonoros, a concentração e a prática da auto-avaliação, uma vez que o próprio aluno pode, abrindo as tampas, conferir se suas respostas estão
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Mancala é um jogo de tabuleiro de origem africana, com mais de quatro mil anos, e que apresenta inúmeras variantes. As regras podem ser encontradas na internet ou em livros sobre jogos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho - helder@accessueducacao.org 34

corretas. As roletas, confeccionadas em EVA e tampas de potes de mostarda ou ketchup, ou com tampas plásticas circulares, substituem com eficiência os dados comuns, podendo ser numeradas de acordo com as necessidades específicas de uma atividade. O terceiro e último material da foto é produzido em EVA e restos de espirais de encadernação, compreendendo um quebra-cabeça com peças articuladas que, quando dobrado, pode gerar figuras de diversas formas, que podem ser classificadas pelos alunos de acordo com o número de lados, concavidade ou convexidade, ângulos internos, número de diagonais, entre outros. Na foto 6 um bingo feito com garrafas PET de diferentes tamanhos transforma-se em um atraente material para a prática do cálculo mental em sala de aula. O ábaco aberto, com base em EVA, pinos em lápis marcadores para quadrobranco e argolas de bases fixadoras de tampas de garrafas PET (de refrigerante ou água mineral) pode ser usado na representação e leitura de números na base dez, destacando-se as características de nosso sistema de numeração, a exemplo do valor posicional. É importante frisar que a utilização de todo e qualquer recurso didático exige cuidados básicos por parte do professor, entre os quais destacamos: i. Dar tempo para que os alunos conheçam o material (inicialmente é importante que os alunos o explorem livremente); ii. Incentivar a comunicação e troca de ideias, além de discutir com a turma os diferentes processos, resultados e estratégias envolvidos; iii. Mediar, sempre que necessário, o desenvolvimento das ati-vidades por meio de perguntas ou da indicação de materiais de apoio, solicitando o registro individual ou coleti-vo das ações realizadas, conclusões e dúvidas; iv. Realizar uma escolha responsável e criteriosa do material; v. Planejar com antecedência as atividades, procurando conhecer bem os recursos a serem utilizados, para que possam ser explorados de forma eficiente, usando o bom senso para adequá-los às necessidades da turma, estando aberto a sugestões e modificações ao longo do processo, e vi. Sempre que possível, estimular a participação do aluno e de outros professores na confecção do material. Alguns princípios a serem promovidos em sala de aula, defendidos por Irene Albuquerque (1951), dentre os quais, possibilitar variadas experiências de ensino relativas a um mesmo conceito matemático; atribuir significado para a aprendizagem; criar situações para que o aluno redescubra padrões, regras e relações e "criar um ambiente agradável em torno do ensino de matemática, promovendo o sucesso e evitando o fracasso", são facilitados no espaço de um LEM.
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Tais princípios, desenvolvidos em todos os níveis de ensino, deverão estar teoricamente bem fundamentados, baseados em um profundo conhecimento dos conteúdos matemáticos, dos resultados de pesquisas, da elaboração, estudo e confecção de recursos didáti-cos e na execução de projetos envolvendo escolas da região, o que possibilita uma permanente avaliação qualitativa do trabalho realizado. Finalizamos defendendo a importância de um LEM em escolas de educação básica e em instituições superiores envolvidas em cursos de formação de professores, considerando em especial o grande distanciamento entre a teoria e a prática, hoje ainda predominante nas salas de aula em todos os níveis de ensino; a baixa conexão entre os conteúdos de matemática e destes com as aplicações práticas do dia-a-dia e a necessidade de promoção do desenvolvimento da criatividade, da agilidade e da capacidade de organização do pensamento e comunicação de nossos alunos.

Referências bibliográficas do texto
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A estrutura mais simples para se montar é a a do tetraedro (poliedro de quatro f faces) que possui 6 arestas e 4 vértices. to torna possível a visualização de alguns elementos que na atividade com cartolina são menos notados. Ligar um canudo ao outro pode parecer algo compl complicado a princípio. Mas o mesmo não se pode dizer quando se deseja ensinar os elementos da geometria espacial. ensinada no quadro negro ou através de livros didáticos. que é um triângulo. atr através de dobraduras e colagem. sinar Portanto. Estes elementos nos são as arestas e os vértices dos sólidos. Se o tetraedro é regular então o triângulo deverá ser equilátero. além de possibilitar que a criança construa e e estruturas e "brinque" com a geometria espacial. freqüentemente. A constr ção da base começa pa construção passando-se sando o barbante por três canudos. Porém. neste material.org 37 . mas essa tarefa ficará mais fácil depois de alg algumas tentativas. Desse se jeito não será preciso dar um nó. Pegamos a ponta do barbante que acabamos de passar pelo canudo da base e passamos por dois ou outros canudos. edro Portanto. a atividade que é proposta aqui. Helder Filho . sugiro a utilização de canudos de refrigerante na montagem de estruturas geométricas. Para começar a construção da estrutura deve iniciar pela deve-se base (alicerce). Concluída esta etapa temos a estrutura como mostrada na figura ao lado. como a mostrada na figura ao lado. para montá-lo será necessário dispor de 6 lo canudos de refrigerante. que também é uma pirâmide de base tria triangular.helder@accessueducacao. Na figura ao lado nota nota-se que cada aresta do tetraedro corresponde a um canudo.3. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS A geometria é. Quando se trata de figuras planas esse método não representa grande dificu dificuldade p para o aprendizado da criança. Depois de passar o barbante pelos canudos pa passa-se novamente pelo primeiro canudo da fileira. em que a criança tagem recorta um desenho numa folha de cartolina e. Pode-se ensinar geometria espacial por i se intermédio da montagem de sólidos. Assim já podemos levantar o tetraedro. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ai ainda. monta um sólido ge geométrico.

la 3. notamos que dois pentágonos são ligados pela mesma aresta. Assim t teremos 60/2 = 30 arestas neste sólid sólido. mas se manuseada ela pode deformar deformarse. Sendo preciso fazer várias conexões entre os vértices a opostos.Em seguida passamos o barbante por mais um canudo da base. necessitando. Contudo. passaremos mais uma vez o barbante por dentro do canudo mostrado na figura. Em vez de usar barbante para unir os canudos pode se usar bolinhas de isopor ou massa de mod pode-se modelar. teríamos 5·12 = 60 vértices. de 12 canudos. Porém um jeito que achei mais interessante é através da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ela não fica de pé facilmente. O mesmo procedimento é utilizado para as arestas: temos 5 arestas em cada pentágono. Há muitas maneiras de se construir um dodecaedro. A ponta sairá na outra extremidade e poderemos passá pelo último canudo. Ele tem 6 faces e 12 arestas. Helder Filho . Para construí-la serão necessários 8 canudos. Porém a estrutura não ficará estável. podemos perceber que três pentágonos compartilham o me mesmo vértice.org 38 . ou seja. Mas p . Para que a estrutura fique bem firme é interessante passar o barbante duas vezes pelo mesmo canudo.helder@accessueducacao. Já a pirâmide de base quadrada fica de pé. e cada face é um pentágono ecaedro de lado l. Como cada pentágono possui 5 vértices. passá-la Assim como fizemos para fechar o triângulo da base.1. Ou seja. resultando em 60/3 = 20 vértices ao todo. assim. o que resultaria em 5·12 = 60 arestas no dodecaedro. Com isso as extremidades adjacentes dos canudos ficarão conectadas. Construindo um Dodecaedro com Canudos Um dodecaedro é um poliedro regular de 12 faces. Outro poliedro que pode ser montado é o cubo (hexaedro). faremos para fechar o t tetraedro.

utilizando Pitágoras. d dependendo do método que se o usa para unir estes canudos. 3. Em seguida são apresentados alguns poliedros que podem ser construídos com canudos: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.4·20 deverão = 28 cm. ou seja. Mas não é uma pirâmide qualquer. pois o dodecaedro deverá ter no fim do pr processo 12 pentágonos iguais.helder@accessueducacao. se você for construir um 1. Lista de materiais 30 canudos de comprimento l para as arestas. 20 canudos de comprimento 1. então os canudos internos deverão medir 1. e depois levantamos a p nstrução pirâmide. precisei ligar todos os vértices ao centro do dodecaedro. que é um pentágono. De início se nota que cada aresta co corresponderá a um canudo.4·l. e também o comprimento dos canudos comprimento que formam as arestas. Todavia. ou seja. para a estrutura interna. Para essa brincadeira precisei de mais 20 canudos! Um para cada vértice. como mostrado vértices na figura.2. e para que isso ocorra esta pirâmide deverá ter uma altura específica. Através das características do pentágono podemos encontrar a apótema a e a disavés tância b do centro ao vértice do pentágono. para a estrut estrutura ficar firme.4· . encontramos o comprimento dos canudos que ligarão os vértices como sendo de 1. Ao t todo será necessário usar 50 canudos e muito barbante. a duas passadas em cada canudo. Depois de alguma álgebra é possível concluir que a altura h da pirâmide vale: Lembre-se que l é o lado do pentágono.4·l. Helder Filho . e muita paci paciência.4· 1. 30 canudos. no mínimo um barbante de comprimento 116· . dodecaedro de arestas medindo 20 cm. Eu usei barbante passando pelos canudos para construir a estrutura. a estrutura não ficará estável e o seu dodecaedro poderá virar um "tortaedro". Por fim. Mas.org 39 . Contudo. os canudos têm compr comprimentos diferentes. que corresponde 116·l. Veja a figura: A construção começa pela base.estrutura montada com canudos de refrigerante.

Atividade 1: Construção de um tetraedro regular Material a ser utilizado: Ø Um metro de linha nº 10. A = 15: F+V-A = 10+7-15 = 2. Octaedro: F = 8. V = 8. 30 arestas e 30 canudos canudos.helder@accessueducacao. 12 es. Icosaedro 10 faces. V = 5. 7 vértices. Pirâmide de base quadrada: F = 5. Mas. 6 vértices. 5 vértices. a título de curiosidade. A = 30: F+V-A = 12+20-30 = 2. teremos a seguinte relação: F + V – A = 2. 15 arestas e 15 canudos. Cubo: F = 6. 12 faces. se pegarmos um poliedro de F faces. Dodecaedro: F = 12. será que funciona mesmo? Vamos ver: Tetraedro: F = 4. o teorema de Euler sobre poliedros pode ser uma brincadeira interessante. 3.org 40 . 20 faces. 8 arestas e 8 canudos. V = 7. A = 12: F+V-A = 8+6-12 = 2. 20 vértices. Helder Filho . 10 arestas e 10 canudos. V = 4. º Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. V = 6. V = 12. Icosaedro: F = 20. Decaedro 6 faces. arestas e 12 canudos. 12 vértices. A = 12: F+V-A = 6+8-12 = 2.3. 6 vértices. Para finalizar. V vértices e A arestas. A = 8: F+V-A = 5+5-8 = 2. A = 30: F+V-A = 20+12-30 = 2. V = 20.Pirâmide de base quadrada Pirâmide de base pentagonal Octaedro 5 faces. 30 arestas e 50 canudos (30 das arestas e 20 dos vértices). A = 6: F+V-A = 4+4-6 = 2. Decaedro: F = 10. Segundo este teorema. Dodecaedro 8 faces.

conforme o esquema apresentado abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. passe o restante da linha por mais dois pedaços de canudo. Com pedaços de canudos e o fio de linha. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (novamente sugiro a medida de 8 centímetros). Observe a figura abaixo: 3. Tome o fio de linha.4. ligando-o aos outros dois. Essa estrutura representa as arestas de um tetraedro regular e as etapas intermediárias de sua construção estão representadas abaixo: Nas construções das estruturas é importante observar que.org 41 . Helder Filho . juntando-os e formando mais um triângulo com um dos lados do primeiro triângulo. passe a linha por um dos lados desse triângulo e pelo pedaço que ainda resta. construindo um triângulo e o feche por meio do um nó.helder@accessueducacao. fechando a estrutura com um nó. Finalmente. construa quatro triângulos e os uma. é necessário reforçá-los passando o fio de linha mais de uma vez por cada pedaço de canudo. passe-o através de três pedaços de canudo. Agora.Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro 8 centímetros). dois a dois. para se dar firmeza aos vértices de uma estrutura. Atividade 2: Construção de um octaedro regular Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10.

Se você não conseguir realizar essa tarefa. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor medindo 8 centímetros cada.org 42 . Helder Filho . Observe que ainda faltam dois canudos para completar as arestas do cubo.3. construindo um quadrado. Una cada uma das pirâmides através dos vértices das bases. Construa quatro triângulos seguindo o esquema abaixo e os una obtendo uma pirâmide regular de base pentagonal. como a desenhada na figura b (abaixo). Para isso. observe o esquema abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. de tal forma que em cada vértice se encontrem cinco canudos.6. passe o fio através de quatro canudos e passe a linha novamente por dentro do primeiro canudo. Com os doze pedaços de canudo da mesma cor construa um cubo de 8 cm de aresta. obtendo mais uma pirâmide. construa mais um quadrado. Prenda-os de maneira a completá-lo.helder@accessueducacao. Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor (cor diferente dos canudos mencionados acima) medindo 11.3 centímetros.5. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. por meio de pedaços de canudos. Repita essa construção. Considerando um dos lados desse quadrado e passando a linha por mais três canudos. Atividade 3: Construção de um icosaedro regular Material a ser utilizado: Ø Três metros de linha nº 10. 3. Ø Trinta pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro a medida de 7 centímetros).

então é necessário tornar essa estrutura rígida. de moda que em cada vértice que determina a diagonal cheguem mais duas diagonais. pois os seus lados não ficam por si só perpendiculares à superfície da mesa. Dando continuidade a esse raciocínio. notamos que se construirmos triângulos nas faces dessa estrutura ou no seu interior. ela se enrijecerá.org 43 . sugiro a seguinte tarefa: com os seis pedaços de canudo de cor diferente (11.Se você observou que a estrutura construída não tem rigidez própria. Nesse processo. Helder Filho .helder@accessueducacao. construa uma diagonal em cada face. Que estrutura você construiu? Observe a figura abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.3 centímetros).

Deve-se estimular as atividades lúdicas como meio pedagógico que. O jogo serviu de vínculo entre povos. Moor. Entretanto. Atrevo-me a afirmar que a identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo. aprendeu a viver. a criança aprende valores humanos e éticos destinados à formação integral de sua personalidade e ao desenvolvimento motor e intelectual. mas. joga às vezes mais. como as artísticas e musicais. necessária para enfrentar os desafios na vida. "O verdadeiro valor do jogo reside na quantidade de oportunidades que oferece para que a educação possa ser levada a cabo" (Gruppe. ao mágico. A esse respeito. Aparece como mecanismo de identificação do indivíduo e do grupo. "Jogar não é estudar nem trabalhar. à literatura. o jogo potencializa a identidade do grupo social. A atividade lúdica é tão antiga quanto a humanidade. à guerra. ao amor. aos costumes. Cagigal. aprendeu normas de comportamento que o ajudaram a se tornar adulto. Desde a infância. O jogo. que. em todas as circunstâncias e em todas as culturas. Sob este ponto de vista. à arte. Gruppe. portanto. 1976).1. Porto Alegre: Artmed. Felizmente. por sua vez. prejudicou os valores éticos". a criança aprende a conhecer e a compreender o mundo social que a cerca" (Ortega. é sentir os conhecimentos. as crianças aprendem jogando. 1979. 1981. Apesar disso. à sua história. dirigida à eficácia e à praticidade.4. ao sagrado. através do jogo. portanto.org 44 13 . ajudam a enriquecer a personalidade criadora. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13 Jesus Paredes Ortiz14 4. O ser humano sempre jogou. É uma constante em todas as civilizações. 1976. junto com outras atividades. a posição da pedagogia atual converteu "o princípio do jogo ao trabalho" (Marin. ele não era bem-visto pela pedagogia tradicional. a educação e o jogo não eram considerados bons aliados. 1986) classificam-no como elemento antropológico fundamental na educação. é um facilitador da comunicação entre os seres humanos. traduzido por Valério Campos. tão importante como adquirir. Dessa forma. Giles Ferry (citado por Bandet Aprendizagem através dos jogos. jogando. favorece os sentimentos de comunidade. A atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma formação integral. O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência. 1982) em máxima da didática infantil. Para qualquer aprendizagem.helder@accessueducacao. 1990). Organizado por Juan Antonio Moreno Murcia. é gerador de cultura. às vezes menos e. é um caminho para a solução defendida por Einstein (1981): "A supervalorização do intelectual em nossa educação. Introdução O jogo está intimamente ligado à espécie humana. Helder Filho . já que fazem da própria vida um jogo constante. 2005. Contribui para fomentar a coesão e a solidariedade do grupo e. O ensino deve favorecer uma participação mais ativa por parte da criança no processo educativo. Alguns teóricos (Huizinga. Blanchard e Cheska. 1938. portanto. esteve sempre unido à cultura dos povos. O jogo é um fenômeno antropológico que se deve considerar no estudo do ser humano. (páginas 9 a 28) 14 Universidade Católica San Antonio de Murcia Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. à língua.

O jogo é um elemento transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. A complexidade do termo é determinada pela preocupação de explicar melhor a natureza humana. Buytendijk (1935) oferece-nos uma análise etimológica da palavra "jogo". encontramos um estudo de Dehoux (1965) que inclui a seguinte citação de Flaubert: "As causas principais dos nossos erros provêm. 4. mostraremos brevemente a etimologia das palavras que significam jogo em distintas sociedades.2. Assim. E necessário aprender em todas as etapas da vida para formar de maneira harmónica a personalidade da criança e com ela desenvolver e manter um fio vital de expressão e de entendimento com o mundo que a cerca. A aprendizagem. como comer ou dormir. que deverão estar orientados para finalidades perseguidas pela educação. a mais pura e espontânea. jogo é sinônimo de conduta humana. quase todas. da espontaneidade. está continuamente presente. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. A palavra jogo aparece como uma simples atividade humana. Aprender jogando é o primário. mude e participe ativamente do processo educativo. primeiro na vida escolar e depois em sua vida profissional. "Seria ideal que o objetivo máximo da educação fosse a felicidade e.helder@accessueducacao. Este objetivo aponta para a busca do equilíbrio vital. na escola do futuro. e faz parte de nossa maneira de viver e de pensar. tentando deduzir os sinais característicos dos processos a que se refere. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a aprendizagem fazem com que a criança cresça. necessária para alcançar o desenvolvimento completo. Diz que a criança distingue muito bem o que é jogo e o que não merece sê-lo. o jogo teria um papel predominante" (Delgado. mas de aprender a transformar-se. Nos fala do "movimento de vaivém" (hind und her bewegung). O jogo deve cumprir duas funções na escola como conteúdo e como finalidade: a educação através do jogo e para o jogo. o mais simples e natural na criança. a mais natural. já que é o menos traumático. a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o cumprimento desse direito" (Declaração Universal dos Direitos da Criança. da alegria e do lazer. a mudar. a criança deve ser protagonista de sua educação (Imeroni. O jogo é a primeira expressão da criança. tanto na escola quanto na própria vida. 7º). art. a realização pessoal e social. 1991).org 45 .e Abbadie. A seguir. Aceitou-se com a naturalidade de um simples ato. A importância e a necessidade do jogo como meio educativo foi além do reconhecimento e se converteu em um direito inalienável das crianças: "A criança desfrutará plenamente do jogo e das diversões. Sobre a etimologia do termo jogo Fazendo referência à importância do verdadeiro significado dos termos e sua aplicação à cultura. essa palavra está em constante movimento e crescimento. Atendendo a essas duas funções que o jogo deve cumprir. As características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência emocional da criança. do mau uso das palavras". 1974). então. Rojas (1998) vai ainda mais longe e faz uma afirmação tão categórica quanto bela: "A meta do homem na vida é ser feliz". logo. 1975) acrescenta que. Pode ser um elemento essencial para preparar de maneira integral os jovens para a vida. Helder Filho . não se tratará de adquirir conhecimentos. 1980) e jogar por jogar é a primeira disciplina a ser cursada (Feslikenian.

diversão. da palavra "παιδια/παιδεια". mesmo que seu primeiro significado seja jogar fora. que descreve o jogo das crianças. Em hebraico. por outro. Assim se expressou o aéreo. alegria. cujo significado é infância e educação das crianças. mas também ligada a bom humor e diversão. que é brincar. que significa jogo. vaivém. O grego possui uma expressão para o jogo infantil com o sufixo "inda". aparece. de brincadeira e de diversão. rir. Serve também para se referir ao agitar do vento e às ondas. a qual se refere a jogo. Em castelhano. Além disso. os germânicos e o francês em representação dos românicos.org 46 . o alegre. que tem em comum o árabe la’iba com alguns idiomas modernos. Em antigo índio. excursão. sabemos de palavras mais importantes para se referir à função lúdica: wan. o jogo é marcado pela raiz la'ab. Em japonês. Refere-se ao jogo. temos a forma éjati e também íngati. especialmente ao infantil. no Antigo Testamento. Com significado parecido. mesmo que seu significado primário seja rir. Em chinês. o livre e o transcendental do jogo. que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. O ponto semântico comum em todas essas palavras que expressam o conceito jogo parece ser um movimento rápido. O francês é o único idioma românico que utiliza essa forma. aparecer repentinamente. e. a forma sahaq. o que poderia indicar alguma influência germânica. diversão e. que significa jogar. la'ab significa zombar e rir. competição em que se obtém prémio ou então campeonato. com referência a todas as formas de jogo e de brinquedos.A raiz do vocábulo jogo aparece em indoeuropeu como *aig-. Helder Filho . a palavra mais usada é "παιδια". utiliza-se o substantivo asobi para se referir a jogo e o verbo asobu. dos adultos e dos animais. Divyati refere-se ao jogo de dardos. ao zombar. jogar e estar ocupado ou fazer algo. mas se diferencia no acento. "αθυρω e αδυρµα" referem-se à ação de jogar. O sânscrito possui diferentes raízes para se referir ao conceito de jogo. relacionando-se também com o termo irradiar. oscilar e mover-se. podendo se referir. e sai. há a raiz nrt. para se referir a qualquer jogo competitivo. distração. expressão similar é la'at. algo como "criancices". que significa oscilar. mas também se refere aos grandes jogos (é impossível separar a competição no mundo grego do trinômio jogo. Também é interessante comprovar o significado de "jogar um instrumento musical". com o sentido de tocar. recreação. Em hebreu-aramaico. balanço. É da mesma etimologia. relativo ao jogo infantil. não apenas limitada ao jogo infantil. que significa duvidar.helder@accessueducacao. la'iba é jogar em geral. jogar dardos. ao aprontar. Em grego clássico. zombar. a saltos ou à dança em geral. Nos idiomas semíticos. A raiz lila aparece em lilayati. conserva-se em algumas canções tradicionais. com a mesma etimologia. laikan significa jogar e saltar. "αγων" é o jogo de competição e luta. Presente também aparece em sânscrito como kliada. Também se utiliza o termo "παιγνια". que se refere a todo o campo da dança e à representação dramática. o ligeiro. No gótico. tscheng. brincar e também dançar e jogar. "lila" também é o aparente. zombar. inclusive. com o significado de jogo. soar de novo. Na raiz las. festa e ato sagrado). por um lado. jogar e "παιγµα e παιγνιον". ao burlar. Em árabe. juntam-se os significados de irradiar. de que procede vilasa. ao brincar em geral. torneio. a imitação própria do jogo. que significa algo que se move. Ainda há: "παιζω". As coisas são apresentadas como se as classes superiores sempre se expressassem jogando. O termo mais usado é kridati. que significa jogar. aparece "παιγνιωδησ".

dança e exercícios físicos. juglar. feestelijk (festa). Afirma Corominas (1984) que o vocábulo jogo procede etimologicamente do latim iocus -i (brincadeira. No velho frisão: fyuchtleek. lâc e lâcan. entretenimento. jogo. Vimos que as línguas germânicas utilizam o verbo jogar para se referir também a tocar algum instrumento musical.org 47 . Para o estudo etimológico. Na Idade Média. Em bielo-russo: IRRÁ (igrá). diversão. jogo de lançamento. spel. de que procedem o alemão pflegen e o holandês plegen (em latim vulgar. Em húngaro: JÁTEK (játek). Em ucraniano: RRA (grá). No castelhano medieval. Em inglês. é o gosto pela dificuldade gratuita. leikr. Têm relação direta com essa palavra: ioculator. a competição. vechtelic (combate). utilizava-se o substantivo leich. plegan. em alemão: spilan. A partir do século XII. desafio). Por exemplo. e também provém ludicrus. dando lugar a lúdicro e não-lúdicot mesmo que aceito em castelhano. Em antigo escandinavo. entre os quais tocar instrumentos. Em antigo eslavo. iocus -i. iocari não designa o verdadeiro sentido do jogo ou o jogo autêntico. em português e galego: jogo. a representação litúrgica e teatral e os jogos de azar. o recreio. também se utiliza game (jogo. russo antigo e atual UGPÁ (igrá). diversão. lusum é o ato de jogar. em servo-croata: URRA (igrá). Este plegan corresponde exatamente ao plegan do velho alto-alemão e ao plega do alto frisão. eiken (atrevido. huweleic (contrair matrimonio). "στρεπτινδα". de ludicer -era. jogo. No antigo anglo-saxão. vocábulo latino que abarca o campo do jogo. No antigo alemão. jogo. diversão). sacrifício. "βασιλινδα". significando bardo. ligeireza. gozação.significa jogar. deve-se considerar também ludus -i. espetáculo. um favor e até generosidade. plegium). em norueguês: spill. esporte. De onde deriva-se lusus -us. em basco: jolas. diversão. as crianças gregas jogam com a bola "σφαιριδα". passatempo. presente em geral. músico e malabarista. A base etimológica de ludere seguramente se encontra no que não é Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. aparece yogar com vários sentidos. jongleur. No velho nórdico. ou ludicrum -i. em sueco. saltar. em antigo eslavo. em neerlandês. em tcheco: HRA (hra). brincam de ser rei. músico. que produz grande prazer. A expressão lares ludentes significa dançar. tocar um instrumento). essa palavra era usada para se referir ao significado de burla. spel. "ελκυστινδα". em polonês: GRA (grã). com referência a jogo. movimento rápido e suave como o do pêndulo. dança e exercícios corporais. Também significa movimento rápido e tocar um instrumento. que significa jogo e jogar. spelet. homem que joga. Em romeno e catalão: joc. selvagem). divertido. jogada.helder@accessueducacao. joko. Ludo. havia três formas de se referir a jogo com os seguintes significados: huweleec. oferenda. com a corda. Segundo Huizinga. corresponde a spielman. diversão. Segundo Huizinga (1952). -crum. passatempo. Em inglês play (jogo. Em esloveno: IGRA (igra). russo antigo e atual urpá (igrá). mover-se. brincar. Em italiano: giuoco. lusi. ludere abarca o jogo infantil. jogos. do ponto de vista semântico. leika. No holandês antigo. Helder Filho . tal expressão origina-se do velho inglês plega. Trapero (1971) afirma que jocus significa chiste. cantor. Em eslovaco: HRA (hra). alegria. diversões. em búlgaro: URRA (igrá). passatempo. brincadeira. ludus. ioci. jogo público. diversão.

ser um herói. "desempenhar um papel imprescindível". usase mais de um termo. "jogar limpo". para descrever um ato fácil ou inocente. que significa brincar. que designava. giuoco e giocare. do vocábulo ludus i não há apenas palavras indo-européias conhecidas para essa noção. aparece juego (ludus). divertir-se com algum jogo. tanto em inglês quanto em francês: to play the piano. também se pode empregar com o sentido de se aproveitar ou zombar de alguém. ou como obra de honestidade. entreter-se. juego e jugar. "jogar na bolsa". brincar. que significa brincar. Segundo Huizinga. Em alguns idiomas. em outras ocasiões. quando utilizados no campo do jogo e de jogar. joc e juca. ludere. No Dicionário da Real Academia Espanhola atual. azucrinação. iocari. espontânea e. outras vezes. fazer algo com o único propósito de se entreter ou divertir. mas que não impede detectar que todas as línguas românicas ampliaram seus vocábulos iocus. joc e jogar. formando com ela a palavra spielkin. "jogar com a sorte". em que se ganha ou perde. aparecem no Mio Cid e em Gonzalo de Berceo. manifesta que a abstração do fenómeno jogo teve lugar em algu-tnas culturas de modo secundário. o desaparecimento do termo ludus pode ser devido tanto a causas fonéticas quanto semânticas. possivelmente de origem etrusca. "jogo de Adão". como em castelhano. Ao mesmo tempo. pode se tratar de um termo criado com a instituição. em inglês usa-se play para se referir ao jogo como atividade pouco codificada. juramento do "Jogo de Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. "jogar". "pôr em jogo". jouer du piano. como falta de responsabilidade. drama semilitúrgico. diversão ejugar (ludere). ao se referir aos termos jogo e jogar. ocupar certa posição.org 48 . permanecendo em um nível menos avançado os termos ludus. obras dramáticas e novelas. "brincar com uma pessoa".sério.helder@accessueducacao. ação e efeito de jogar. participar de um jogo. e game quando se alude ao seguimento de uma prática lúdica que se caracteriza por regras estritas. a relação é com a arte. designa-se o jogo com apenas um vocábulo. Segundo o dicionário etimológico do latim (Ernout-Meillet). lugares para o jogo de bola no México e na Guatemala. em catalão. com relação às origens idiomáticas. sem dúvida religiosa. entretenimento. "brincadeira de crianças". Em castelhano. jogo e jogar. jugar (iocari). "era hrincadeirinha". "Jogo de bola". Corominas (1984) assegura que as primeiras documentações da palavra jogo. jeu ejouer. em outros. se divertir. como se depreende da expressão "brincar com fogo". ajuste de contas. em francês. el juego del amor. Por exemplo. temos juego (iocus). em português. Helder Filho . Os vocábulos juego e jugar têm muitas acepções e interpretações. A palavra juego é empregada com o significado de entretenimento ou diversão e jugar. para se referir aos filhos ilegítimos frutos da brincadeira. como no alemão spielen. O próprio autor destaca que o termo que abarca o conceito de |ogo e jogar desaparece. mais do que no campo do "mover rápido". fazer algo de modo arriscado. não deixando marca nas línguas românicas. No Dicionário da Real Academia Espanhola de 1837. enquanto a própria função de jogar teve caráter primário. há conotações eróticas. ação deflagrada espontaneamente pela mera satisfação que representa. passatempo e diversão. para investidores. turbulenta. "jogar-se à vida". em italiano. comportar-se de forma desleal. por vezes. exercício recreativo submetido a regras. também pode ser utilizada em sentido figurado. aventura ou risco. Seguir historicamente a evolução fonética da palavra jogo é um trabalho difícil. "jogos de emoções". no simulacro e na trapaça. em romeno.

frivolidade.bola". ou da mais inocente criança à mais séria aposta na bolsa de valores com a finalidade de ganhar dinheiro. satisfação. O ser humano pratica atividades ao longo de sua vida. do jogo mais infantil à mais trágica das encenações no teatro ou à mais divertida comédia circense. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. à ideia de luta. 4. por exemplo. ludus -i significava alegria. é difícil saber em que momento aparecem e qual o significado dessas locuções e suas conotações. etc. a antiga palavra spilan definia um movimento rápido e suave como o do pêndulo que produzia um grande prazer.) começou a significar em todas as línguas um grande grupo de ações que não requerem trabalho árduo e proporcionam alegria. A palavra jogo provém etimologicamente do vocábulo latino iocus. giuoco. Entre os romanos. ludus-us e ludicrus (ou cer era. Para os gregos antigos. o que nos interessa. Como pudemos comprovar. graça. "jogos florais". Houve má familiarização com o termo jogo. joko. educação. recreação. Entre os germânicos. em muitas ocasiões. diversão. prazer. joc. É quase impossível compreender os traços de uma pesquisa para o significado etimológico.3. Entre os hebreus. mas o certo é que elas existem e em diferentes idiomas. deve-se considerar também o significado do vocábulo ludus -i: o ato de jogar. também há conotações de tipo erótico.helder@accessueducacao. passatempo. para o homem. hoje. Para Elkonin (1980). Segundo diferentes estudiosos do tema. a palavra jogo era empregada com relação a risadas e brincadeiras. alegria. competição poética. Esse vocábulo latino dá mais um sentido ao jogo: ludus-ludere. relaciona-se ao meio artístico e estético. o significado de "jogo" apresenta algumas diferenças entre povos distintos. diversão e que ocupam tanto a vida central da criança como o tempo de ócio e recreio do adulto. Mas quando se estuda a brincadeira no mundo infantil. rapidez. spiel. as crianças adquirem a palavra jogo dos adultos. O aspecto lúdico do jogo (do latim de ludicrus) é essa atividade secundária relativa ao jogo. o jogo significava as ações próprias das crianças e expressava principalmente o que entre nós. a brincadeira não é um conceito científico no sentido estrito. Sobre o conceito de jogo A palavra jugar (do latim iocari) significa fazer algo com espírito de alegria e com a intenção de se divertir ou de se entreter. denominadas lúdicas. Por outro lado. play. Delgado e Del Campo (1993) nos explicam a brincadeira como necessidade na vida. se denomina "criancices". que significa brincadeira. Helder Filho . já que aparece a transposição de significados na história da transnominação. promessa solene feita pelos deputados franceses do Terceiro Estado (23-6-1789). paixão ou amor. que lhe servem de distração. gioco. o trabalho.org 49 . Posteriormente. entretenimento. que se cultiva unicamente pelo prazer. crum)". porque. urpa. a palavra juego (jogo. é perigoso". jolas. Há contrastes: seriedade e alegria. Para seu estudo. como. jogo. game. em países germânicos. recordando uma citação de Sófocles: "Quem se esquece de brincar que se afaste do meu caminho. A esse respeito. foi associado a todo ato de falta de seriedade ou feito de forma leviana. observamos tanta seriedade como no trabalho mais responsável do adulto. Em sânscrito. Como vimos. jeu. o prazer da dificuldade gratuita. kliada. relaxamento de outras atividades consideradas mais sérias. emprega-se o vocábulo tanto no sentido figurado como no direto ou fundamental. divertimento e responsabilidade acompanhada de alegria. e. Para Petrovski (citado por Elkonin).

sua gratuidade foi classificada como prova de que é pouco importante. A brincadeira envolve toda a vida da criança. se realiza. mais ou menos relacionada com a vida cotidiana. não apenas na etapa infantil. A brincadeira nasce espontânea e cresce junto com a criança durante os diferentes estados evolutivos até chegar. O adulto também aprende. superando a idade biológica mesmo que com conteúdo diferente e cumprindo distintos objetivos na vida. Acompanha o crescimento biológico. a luta Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. formar e alimentar o crescimento integral da pessoa.helder@accessueducacao. o ócio.Tal necessidade psicobiológica nasce com a criança e acompanha o ser humano ao longo da vida. Cumpre a missão de nutrir. ao ser acompanhado de regras ou normas. todos os jogos fazem jogo. brincar está presente na necessidade de motricidade que enriquece a evolução do feto no ventre e vai acompanhar a vida de cada um de nós até a velhice. de tomada de responsabilidade individual ou coletiva. Por acaso carece de seriedade e concentração o ato de lutar. o humor. e nem por isso deixa de ser séria a realização pessoal do humano adulto. Assim. se desafoga. com ele aprendemos a aproveitar. A simplicidade da ação de jogar é absolutamente universal. ao vício ou ao pecado. como o binômio seriedade-regozijo. O jogo entre crianças é muito sério. Contudo. torna-se jogo. não-séria. em sua energia. O sábio sabe que brinca e saboreia jogar. plural. é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais. mas na maioria das iniciativas racionais que tomamos diariamente. na configuração da inteligência. além disso. divertir-se e aprender são modos verbais inerentes ao ser humano. o entretenimento e a alegria. heterogénea. traduzindo-se em matéria. O jogo transcorre no mundo da fantasia. flexível e tão ambivalente quanto necessária. por conseguinte. como a outra face do trabalho. O jogo é parte do caráter do ser humano em sua formação. O jogo é uma constante vital na evolução. mesmo que com diferentes objetivos. até a mais avançada idade. o sorriso. improdutiva. como ela e com ela. físicos. Isto também pode seguir vivo no estado adulto. e sempre visto como algo insignificante. de entretenimento e seriedade nos atos. em suas distintas formas. uma realidade mais ou menos mágica e. cenário impulsionador de ordem. em outras. indispensáveis na vida de qualquer grupo sociocultural. no amadurecimento e na aprendizagem do ser humano. Graças à racionalidade. Assim. a ternura brotam com a compaixão do quebra-cabeças da vida (Delgado e Del Campo. na idade adulta. realidade lógica. sociais e/ou morais. necessita de distração. Helder Filho . Brincar. seriamente. O jogo não carece de seriedade.org 50 . estado emocional do ser humano e se mostra através do ato motor em movimento. ao se modelar sob parâmetros voluntários ou obrigatórios. O ser humano necessita permanentemente de entusiasmo. A brincadeira. em sua personalidade. complementar. Apesar dessa observação pessimista. Traduz-se como espírito. o verbo jogar. muitas vezes associada à perda de tempo. precisa de humor. na própria vida. da seriedade e da alegria. Mesmo que nem sempre se queira reconhecer. qualquer jogo. psicoemocional e espiritual do homem. é uma constante de nossas vidas. 1993). Tudo isso pode ser proporcionado pelas vivências do jogo: um enriquecimento integral. ao estado adulto e à velhice. pode brincar consigo mesmo. Tente mudar uma regra ou improvisar para ver o que acontece.

4. Sobre a definição do jogo A Real Academia da Língua Espanhola diz do jogo: "ação de jogar. contudo. evidente. Vimos que. até o segundo ou terceiro mês).helder@accessueducacao. excetuando a nutrição ou as emoções observadas. podemos ob-servar <|ue a criança reproduz determinadas condutas somente pelo prazer que isso lhe dá. qualquer tentativa. 1980).para obter uma bola e mantê-la. passado. ganhar. O jogo se formará a partir de ações que a criança não domina com suficiente destreza. fácil. 'íJogo ou jogar expressa algo claro. não compreende ou. as brincadeiras com as mãos em seu Campo visual. Nesse sentido. por mais erudita que seja. a criança projeta um relativo distanciamento do mundo dos adultos. Assim. Alguns autores afirmam que toda atividade é jogo desde os primeiros meses da existência humana. afetivas e emocionais) mediante as experiências sociais da criança (Ortega. Acrescentam que. sem infringir alguma regra? Jogando com a incerteza do resultado final. devido ao amadurecimento de certos órgãos ou funções evolutivas. torna-se parte dessa realidade intersubjetiva. Por outro lado. atua como se o seu mundo fosse o deles. como seus sons guturais. E sua complexidade responde à sua Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho . somente será capaz de captar uma parte da verdade do jogo.org 51 . Sua significação é polissêmica. pois implica um amplo leque de significados e sua leitura é múltipla. Piaget (1946). não global ou total. O jogo é algo vital para o ser humano: o "homo ludens" passa quase metade da vida em vigília" (Cagigal. não situa a aparição ou a formação do jogo até o 2a estágio do período sensório-motor (respostas circu-lares primárias. A capacidade lúdica desenvolve-se articulando as estruturas psicológicas globais (cognitivas. diante de tantos adversários. Nesse período. 1980). 1981). todas as crianças usam a palavra jogo atribuindo-lhe um significado simples e claro: simplesmente definem-na jogando. O jogo de condição ambivalente (qualitativo. fazendo dele uma conduta conhecida. perder. O antropólogo Bateson (1958) explica a confusão diante da tentativa de definição do jogo por seu caráter paradoxal. como medo ou raiva. O conceito de jogo é tão versátil e elástico que escapa a uma localização conceituai definitiva. mesmo lutando para vencer. quantitativo. presente. a definição de "jogo" não é possível. porque essa palavra refere-se a uma condição ou realidade primordial da vida. passatempo ou diversão". utilizará e praticará para incorporá-las e dominá-las em seu eu de forma a continuar crescendo plena e harmoniosamente. a brincadeira é a "assimilação do real ao eu". Nenhum sábio foi capaz de defini-lo. sequer uma delimitação exata na vasta esfera de atividade do homem e dos animais e toda busca dessas definições deve ser classificada de jogo científico. independentemente do idioma que falem. ou seja. por meio da brincadeira. quando a criança pratica repetindo um fato para encaixá-lo e consolidá-lo. certo e incerto) resiste a uma definição categórica. mas também como se esse mundo criado por ela fosse real.4. Segundo Kollarits (citado por Elkonin. pegar e largar objetos. Bajo e Betrán (1998) afirmam que o jogo infantil tende a reproduzir em pequena escala as predileções dos adultos.

. Nele está o prazer da ação livre.. algo que é uma ficção."O que define o jogo é que se joga sem razão e que não deve haver motivo para jogar.helder@accessueducacao. 1887). 1979).. .. . combinação espontânea e símbolo" (Buytendijk."(."O jogo é a manifestação de uma livre espontaneidade e a expansão de uma atividade em expansão" (Karl Groos....(. o impulso criador" (Lin Yutang. vivendo-se como real e com mais intensidade que o trabalho sério e responsável.a educação . algumas definições: . mas por si mesma" (Russel."(. pode absorver por completo o jogador. .. pode entrar a exigência e a liberação de quantidades muito mais consideráveis de energia do que as que exigiria uma tarefa obrigatória" (Wallon. constitui parte integrante desta e permite a todos entender melhor e a compreender nossas vidas" (Schiller. 1980)."(.) o jogo é uma atividade geradora de prazer que não se realiza com finalidade exterior a ela. . como meio de eliminar seu excesso de energia" (Spencer. 1935). seguindo uma regra livremente consentida. 1938). . Poderia se assegurar de que qualquer definição não é mais que uma aproximação parcial do fenómeno lúdico e. Helder Filho .. acompanhada de um sentido de tensão e de desfrute e da consciência de ser diferente da vida cotidiana" (Huizinga. fazê-lo já é razão suficiente. 1980).especificidade e indefinição. às vezes.org 52 . realizada dentro de certos limites fixados no tempo e no lugar. O jogo constitui um desafio. resultado ou conclusão da teoria que a contempla."(.e proporciona as forças e as virtudes que permitem fazer a si mesmo na sociedade (.. 1988). 1935). executada e sentida como estando fora da vida cotidiana. mas que. .) uma atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário."O jogo situa-se na intersecção do mundo exterior com o mundo interior" (Winnicott. . com um fim em si mesma. O excesso de energia é apenas uma condição para a existência do prazer estético que o jogo proporcio na". 1958). nem se obtenha proveito algum."No jogo. A seguir. "Fique claro que o homem somente joga quando é plenamente tal e somente é um homem completo quando joga."A brincadeira é filha do trabalho. 1977). com a direção que o jogador quer lhe dar. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. . 1968). . . O jogo não é uma fuga da vida. sem rédeas.) o jogo é uma atividade estética."(."(.) o jogo é uma forma privilegiada de expressão infantil" (Gulton. . 1901)..) o jogo é uma ação livre. é essencialmente ficção."A atividade lúdica contribui para a paidéia ...) "o jogo é uma ação ou atividade voluntária. mas completamente imperiosa. que se parece com a arte. . 1855). Não há forma de brincadeira que não tenha como modelo alguma ocupação séria que lhe precede no tempo" (Wundt.) O jogo prepara para a entrada na vida e o surgimento da personalidade" (Chateâu. sem que haja nela qualquer interesse material.) é uma atividade livre que tem seu fim em si mesma" (Stern. que se executa dentro de um determinado tempo e de um determinado espaço.."Tanto o animal como o homem jogam com imagens: a imagem é a expressão do caráter que o sujeito projeta sobre a realidade. apesar de tudo. ... que se desenvolve em uma ordem submetida a regras e que dá origem a associações propensas a cercar-se de mistério ou a se disfarçar para se destacar do mundo habitual".

"A brincadeira infantil é meio de expressão. .. 1967)."(."Brincar é o que se faz quando se está livre para fazer o que se quer" (Gulich. com toda a personalidade. 1997)."O jogo é mais agradável e mais puramente jogo quanto maior é a naturalidade. que infiltra no trabalho a necessidade de conseguir um fim a todo custo" (Ortega e Gasset. levar-se para o mundo irreal."O jogo é uma das manifestações mais enriquecedoras do tempo livre. no sentido de equilibrar as situações de preocupação. a uma série de atividades concretas claramente delimitadas" (Martinez Criado.helder@accessueducacao. 1988).. sem dúvida. a ausência de esforço exagerado e habilidade com que se realiza" (Russel. meio essencial de organização. Jogar é negar e superar o fantasma arcaico" (Freud. à diversão."O jogo é um diálogo experimental com o meio ambiente" (Eibl-Eibesfeldt (1967). . Este exercita atitudes que são as mesmas que servem para o estudo e para as atividades sérias do adulto. refere-se a uma forma de se comportar e sentir e. tanto no nível individual. . . 1971).) é um esforço que. .) o jogo é algo muito importante em nossa vida: ajuda-nos a dar uma via de realização à nossa imaginação. citada por Trigo. para fugir. (Cillois."O jogo é intrinsecamente essencial para a criatividade (.. .org 53 . ."O jogo é recreação (. para estabelecer um meio de relação otimista e positiva com os outros homens (.. nossas carências e virtudes" (Ciskszentmihalyi. para passar a expressarse como somos. repousa em si mesmo sem esse desassossego."O jogo é uma atividade multidimensional. "O jogo é uma atividade que o homem desenvolve. 1958). ao mesmo tempo.. 1982). ."O jogo tem duplo significado.. A atividade lúdica caracteriza-se pela improdutividade". tristeza e dor..Um passo do fantasma ao símbolo. 1970). como fator de equilíbrio psicológico em sua vida. encontro e separação" (Aberastury. um instrumento efetivo de desenvolvimento das estruturas do movimento. 1996). na busca do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. De um lado. 1996). 1994). desenvolvimento e afirmação da personalidade" (Zapata.) Uma pessoa que não sabe brincar está privada. (.. quanto no nível social. em uma palavra. 1988). fator de socialização. de outro. . 1923)."O jogo leva a experimentar uma sensação de fluir que nos transporta a um entorno em que abstraímos a realidade e outras situações cotidianas. ."O jogo é a arte ou a técnica que o homem possui para suspender virtualmente sua escravidão dentro da realidade.) a função própria do jogo é o jogo mesmo. Helder Filho . oferece-nos um meio de relação social. instrumento de conhecimento."O mundo lúdico origina-se nos primeiros jogos de perda e recuperação. ao exercício ou à atividade coletiva" (Lagardera.) porque continuamente cria a sociedade em que se realiza" (Stone e Orlick. .. reguladora e compensadora da afetividade. . exerce sobre nós um grau de encanto e absorção de que carecem outras atividades da vida cotidiana que é psicologicamente liberador e nos proporciona a oportunidade de comparar nossa capacidade com a dos outros" (Castellote. 1988). que se ajusta sempre às necessidades do ser humano com relação à incerteza.. não sendo provocado pelo utilitarismo que inspira o esforço imposto por uma circunstância do trabalho. da alegria de fazer e criar e seguramente está mutilada em sua capacidade de se sentir viva" (Rosemary Gordon.. .

mas. direito. Huizinga considera o jogo uma forma de cultura mais do que um componente formal da cultura.org 54 . Huizinga (1938) afirma que o desenvolvimento da civilização deve-se a mecanismos lúdicos e também. intensa e profundamente. Nasce. Um conceito de jogo que possa ser aplicado transculturalmente é essencial para a antropologia da motricidade humana e o esporte. política. Deveria. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. de fato. sobretudo durante a infância". são poucas as definições satisfatórias de tais atividades. porque carece de seriedade. A maioria das espécies animais executa. até certo ponto descartável. absorve. Helder Filho . viaja. ete). sobretudo. como diferentes etapas evolutivas. alguma forma de brincadeira. nasce. com um denominador comum: o desejo de melhorar a qualidade de vida. etc). diferenciado temporalmente de outros comportamentos por sua qualidade transcendental ou fictícia". Começa sua obra dizendo que o jogo é como "uma atividade livre mantida conscientemente fora da vida cotidiana. na ausência de toda pesquisa social ou de comportamentos agonísticos ou passivos/submissos por parte dos membros de uma díade (tríade. mesmo que tais ações possam ocorrer como atos derivados durante o jogo". que se distinguem por uma combinação de traços: é voluntário. Há uma necessidade escondida de crescer. Realmente. Como comportamento vital. mas deve crescer e evoluir em suas formas junto ao homem para ajudá-lo em suas diferentes etapas. "o jogo é um fenómeno não apenas universal dos seres humanos como é comum a outros animais. percorre as etapas evolutivas. homem. Numerosos etólogos estudaram o jogo social dos animais. O sociólogo Norbeck (1971) define o jogo da seguinte maneira: "Seu comportamento fundamenta-se em um estímulo ou em uma propensão biologicamente herdados. saúde. Faz-se necessário o jogo em seus diferentes contextos para a busca antropológica da verdadeira natureza do homem. O jogo é criança.helder@accessueducacao. ao mesmo tempo. portanto.desenvolvimento. amadurecer e ser junto ao jogo espontâneo. pode-se entender o jogo como atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário e com o objetivo de eliminar o excedente de energia. de vez em quando. dentro das quais o jogo (definição do poeta Schiller modificada pelo filósofo Spencer). da autonomia e do desfrute da pessoa" (Lavega. Bekoff (citado por Blanchard e Cheska) propõe o seguinte conceito etológico: "O jogo é o comportamento que se observa nas interações sociais que comportam uma diminuição da distância social entre os protagonistas. quem a exerce. que não traz qualquer proveito e que se desenvolve ordenadamente dentro de seus próprios limites de tempo e espaço. ao trabalho. O jogo permite que se exteriorizem outras facetas da cultura (ritual. acompanha o ser humano e morre com ele. O jogo não morre com o final da infância ou da adolescência. desenvolve-se e morre com o sentimento ou o campo das emoções do ser humano. Do ponto de vista fisiológico. 1997). mas. amor. Segundo Blanchard e Cheska (1986). Uma atividade desprovida de todo interesse material. poderiam existir atividades necessárias e vitais e atividades desinteressadas. de acordo com regras preestabelecidas e que promove a criação de agrupamentos sociais que tendem a atuar secretamente e a se distinguir do resto da sociedade por seus disfarces e por outros meios". velho. adolescente. ser auto-suficiente e dispor de seu próprio significado e justificativa.

expressão da criatividade do homem como resultado das emoções. surge espontaneamente.Puigmire-Stoy (1966) define o jogo como a participação ativa em ativida-des físicas ou mentais prazerosas para obter satisfação emocional. No jogo. significa a raiz da vida do ser humano e a própria vida. É agradável. simbolismo e ação.. ao se expressar através de emoções. Helder Filho . nos aproximamos da comunicação com o mundo que nos rodeia.) o jogo é uma forma de comportamento que inclui tanto dimensões biológicas como culturais. poderíamos dizer que. seu amadurecimento e sua observação sistemática são imprescindíveis para a vida. além de fazer parte da realização da capacidade cognitiva de observação. sem outro fim que a necessidade e a alegria de jogar. busca com o homem um significado que cumpra necessidades biológicas. para brincar. sua evolução. Pelo jogo se conhece o espírito. querer e fazer: tudo pode ser. Comprovamos que. cultura. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Por que as crianças brincam ou que causas as levam a brincar? A própria criança poderia responder simplesmente porque sim. intencional. O jogo em sua formação não necessita de aprendizagem. Por que o ser humano quer modificar isso ao longo de suas diferentes etapas evolutivas? Com elas.org 55 . O ser humano necessita da realidade do jogo para recuperar seu comportamento natural. conectamos nosso micromundo ao macromundo onde vivemos. é intensificada a vida cultural do homem. Trata-se de uma atividade praticada em todas as épocas e culturas. o ser humano se introduz na cultura e. Através dos jogos. porque gosto. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de realizações. Realmente. mas por uma variedade de traços.helder@accessueducacao. singular em seus parâmetros temporais. Em seu desenvolvimento. experimentamos a realidade das coisas. 4. ao se fazer com sua alegria ou amor. As atividades realizadas no contexto do jogo são produto da ilusão. Atrevo-me a afirmar que o jogo nos serve de cordão umbilical ou união com a nossa natureza mais íntima. "(. qualitativamente fictício e deve sua realização à irrealidade". recordações. que se define não por eliminação dos demais comportamentos. na obra do jogo. crescer e acompanhar durante toda a vida o ser humano e a sua cultura. o jogo deve evoluir. Pensar. sempre presente na vida do homem. dos sentidos e do pensamento. seu equilíbrio vital. Poderia ser a expressão mais pura e simples do comportamento humano integral. O jogo faz cultura. diz Martinez Criado (1998). plasmada na obra da vida. O jogo não é material. com o jogo. Segundo os antropólogos Blancjard e Cheska. Origem do jogo O jogo é parte fundamental do desenvolvimento harmónico infantil e de importância tal que o conhecimento dos interesses lúdicos. O jogo nasce espontâneo.5.. emocionais ou espirituais. ela se enriquece. Corredor (1998) afirma que qualquer atividade acompanhada de alegria e/ou riso consciente também é uma forma de jogo. a cultura faz vida: o jogo é vida e a vida. é algo instintivo que responde às necessidades da dinâmica infantil. podemos conseguir tudo o que desejamos. amplia sua capacidade de imaginação e de representação simbólica da realidade. por meio do jogo. como veículo de comunicação. é espiritual e se materializa ao ser criado.

acompanhada de uma sensação de tensão e de júbilo e da consciência de ser diferente da vida real (Huizinga.Forma de cenário pedagógico natural (Ortega e cols. desenvolvimento e afirmação da personalidade (Zapata. 1977). Aquino. . 1959. Garcia. .Forma motivante como princípio motor do jogo (Château. Seria um exercício preparatório das atividades que serão enfrentadas no futuro (assim como osfilhotes dos animais) (Gross. .org 56 . .Forma de transformação da realidade segundo as necessidades do eu (Piaget. . 1982.Forma de organização. . Secadas. com fim em si mesma (Stern. . 1958). O jogo está relacionado com a capacidade criadora do homem e traduz a necessidade da criança de atuar sobre o mundo (Rubinstein. 1991). 1979. 1958). . 1977).Forma de atividade lúdica funcional (Buhler. como resposta possivelmente psicobiológica à vida. 1931. 1946. 1986. 1955). Froébel.Forma de se preparar para a vida adulta. fugir da realidade ou reproduzir as situações de prazer (Freud.Forma de elaboração (Klein. 1989). 1992).Forma de aprendizagem e crescimento harmónico. Klein. Linaza. 1955.Mas o jogo aparece.Forma de descanso para o organismo e o espírito (Schiller. citado por Mune. 1980. Berne. .Forma de construção de conhecimentos sociais e psicológicos da criança (Flavell e Ross. 1987. . 1904). 1991. defender-se das frustrações. 1946). 1987.Forma privilegiada de expressão infantil (Gutton. 1988). . . 1923). atrevo-me a dizer. 1920.Forma de aprender. Helder Filho . Delcroy e Monchamp. . . 1897). Erikson. 1935). . . .. 1986). 1986).Forma de evasão da realidade: não se busca um resultado utilitário.Forma de intervenção educativa baseada no conhecimento do desenvolvimento da criança e na busca de metodologia adaptada ao pensamento das crianças e sua forma espontânea de construir conhecimentos (Canal e Porlán. Diferentes autores apontam uma série de razões pelas quais se joga: . 1981). . interceptar e conservar os novos hábitos adquiridos (Piaget. . . Case. 1924). Autoformação (Château. 1996).Forma original da risada e do prazer (Delgado.Forma de terapia e liberdade de criar (Winnicott.Forma de passar do fantasma ao símbolo: brincar é negar e superar o fantasma arcaico (Freud. . Garcia e cols. 1960).Forma de prolongamento de traços da espécie posteriores ao amadurecimento Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.Forma de recapitulação de filogênese.. Adeler. .Forma de improdutividade (Caillois. reprodução da evolução de atividades de gerações passadas (Hall. Csikzentmilhalyi.Forma de atividade livre.Forma de fixação de hábitos adquiridos e de garantir as novas habilidades (Bhuler.Forma catáltica para reduzir as tensões. 1958.helder@accessueducacao. .Forma de atividade voluntária com fim em si mesma. . 1938). 1901). 1988). 1997).Forma de se liberar da energia excedente por falta de outras atividades mais sérias em que investi-la (Spencer.

Características do jogo Ao estudá-lo. . Russel. Caneque. Piaget. Prazer do tipo sensorial. González. 1989. estabelecido pelos jogadores.Forma de resposta emocional e intelectual às experiências sensoriais (Brierley e Goleman.O jogo é fictício. Bronfenbrenner. Ortega e Caneque. ninguém é obrigado a jogar. entre outros. . Sendo uma atividade criativa. impulso inato que não requer especialização nem aprendizagem prévia.Forma de assegurar a transmissão de valores promovidos por diferentes culturas (Sutton-Smith. Trigo. .helder@accessueducacao. não se trata de uma atividade utilitária.O jogo é separado. espontânea.O jogo é uma forma natural de troca de ideias e experiências. O jogo possui uma auréola mágica. é desinteressada.Forma de incorporação da criança a uma instituição educativa (Linaza. 1980). O jogo cresce com a criança até a idade adulta. 1990). é como uma história contada com ações. . temos algumas das mais representativas: . Helder Filho . . 1991).O jogo é um comportamento de caráter simbólico e de desenvolvimento social.Forma de criatividade (Marin Ibánez. Tal característica é muito importante na brincadeira infantil. afetivo e físico da criança e se adapta aos períodos críticos de seu desenvolvimento (aos seus conflitos pessoais e sociais). intelectual. . É uma manifestação que tem um fim em si mesma. . salvo deslocamento de propriedade no seio do círculo de jogadores. É um mundo à parte. Não cria bens nem riqueza ou qualquer elemento novo de espécie alguma e. .6. cujo resultado final flutua constantemente. Essa talvez seja uma de suas características centrais. 1946.O jogo é improvisado.O jogo deve ser espontâneo. 1986. Groos. 1972). Cagigal. 1979). . . que determinam suas regras. . mesmo que isoladamente não o defina. . permanecendo até a velhice. . É um acontecer voluntário. Csikzentmilhalyi.O jogo é uma atividade desinteressada e autotélica.Forma de atividade que somente cabe definir a partir do próprio organismo imerso nela (Piaget. Vygotsky. . original.humano (Bruner.O jogo é gratuito ou improdutivo. Joga-se pelo prazer de jogar. distante do cotidiano. é uma contínua mensagem simbólica.O jogo é incerto. De acordo com autores como Huizinga.O jogo deve ser limpo. . por não possibilitar qualquer fracasso. 4. deriva-se da palavra paidia. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a brincadeira evolui com o desenvolvimento integral. mesmo que a prática sucessiva leve a isso. Todo jogo coletivo é um acordo social. Robert. físico e prazer moral ou psíquico.Forma ecológica. Sarazanas. e cativa a todos. . À medida que a criança cresce.O jogo é uma atividade livre.O jogo é convencional e regulamentado. Caillois. física e cultural (Pellegrini. . 1997). acaba em situação idêntica à do começo. pois apresenta características. Moyles. A finalidade do jogo deve ser ele mesmo. seu organismo responde de diferentes formas e utiliza distintas atividades lúdicas.O jogo deve ser prazeroso. . Sempre se localiza em limitações espaciais e imperativos temporais estabelecidos de antemão. ou seja. Brunner.org 57 . 1982. superação de algum tipo de obstáculo. 1991). podemos vislumbrar uma série de características. 1955. Bandet. 1966. ordens e limitações.

espontânea.O jogo permite à criança relacionar-se com a realidade.O jogo reflete em cada momento a forma com que a criança atua. da. imitar e à necessidade de enriquecimento por meio do movimento.org 58 . Há na criança uma forte necessidade de se expressar e de comunicar-se. se mover. A criança brinca sempre. por isso vou apenas mencionar ideias que podem servir de proposta para encontrar uma definição do tema. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de conexões ou interações para atingir diversas realizações.7. No jogo.O jogo é como uma vela que ilumina o comportamento do ser humano: é o resultado da busca das melhores coisas escondidas no mais íntimo do ser. da vontade. bandeira ou moeda.O jogo é como uma bandeira com todas as cores. adultos e velhos de maneira imediata. deixemos a porta aberta para continuar aprendendo com quem sente o desejo de explorar esse maravilhoso e mágico mundo do jogo: . . uma característica da saúde. superando montanhas. O benefício dessa prática preenche o desejo de realização e nos proporciona prazer ou satisfação. portanto. . Helder Filho . brinca de diferentes maneiras conforme o meio em que se encontre. do otimismo.O jogo é uma atitude. . porque sente-se confortável. É um símbolo de humanidade. compreende e se relaciona com o mundo. Somente quando a criança conhece o ambiente brinca. voa como as nuvens pelo ar e se hospeda como a terra em todos os povos e países. contudo. parece-me. Faz com que se entendam crianças. O jogo tem um efeito estimulante. sem preconceitos. explorar. É. Responde à necessidade de motricidade. Já que a aprendizagem é infinita.O comportamento lúdico é universal. como um idioma internacional.O comportamento lúdico nasce com a criança e cresce com o interesse e a curiosidade por explorar o seu corpo e o mundo que a cerca. não importa onde e nem com quem. Nenhuma criança se cansa de brincar. solidário. porque a passagem de um ao outro é constante e contínua. bandeira da paz e laço de união entre os povos. relaxante. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. restaurador. Tão somente procura a recompensa de um gesto ou de um sorriso como conteúdo mínimo de comunicação. de estar ou ser ativo. . . desinibida e natural. porque não tem fronteiras. viaja tão puro como a água através de rios e oceanos. estão intercalados. . O que se entende como jogo ou brincadeira abarca uma infinidade de ações e atividades. sem nenhum outro vínculo de comunicação. Os atos do jogo são produto da ilusão.ilegria. O jogo é incompatível com circunstâncias vitais da doença. desertos e bosques.. O mundo real e o mundo criado pelo jogo se movem em um mesmo plano. Essa curiosidade cresce saciando-se de conhecimentos e oportunidades de aprendizagem.O jogo não tem fronteiras porque não as conhece e se propaga rapidamente como o fogo.helder@accessueducacao. É realizado em situações de bem-estar e sem pe-rlgo à vista. 4. Conclusões Talvez este título não seja o adequado. é parte da vida. pertence a todas as pessoas. mesmo que não seja o Único. Não necessita passaporte nem entende de idioma. como uma moeda comum. porque nasce da bondade humana. podemos conseguir tudo o que desejamos.O jogo é respeitoso. o mais importante veículo para o desenvolvimento evolutivo e a adaptação ao meio vital. já que constantemente estão trocando informações. Por isso. Tudo o que vivemos pode tomar parte na brincadeira. .

a ferramentachave para a aprendizagem é o jogo.Os jogos evoluem com a criança e ajudam a formar a estrutura de sua personalidade. gera valores humanos positivos para a vida e. . se poderia afirmar que é uma realidade. porque as crianças praticam continuamente e de forma simples os comportamentos e as tarefas necessárias para se converterem em adultos. quando adultos. além de alcançar a felicidade são objetivos prioritários da educação para evitar o fracasso escolar. relacionar-se bem com os outros e fazer amigos). . uma atitude ativa. ajuda a canalizar. uma solução saudável. Já que o jogo promove habilidades sociais (talentos maravilhosos).O jogo serve-nos de ligação com a natureza. vive-se em meio a um processo de aprendizagem global.Desenvolver a inteligência emocional. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. em um elemento ideal para reconciliar. social e cultural. em um modo de expressão com que se atua. as crianças expressam-se de forma natural. a criança aprende normas de comportamento para crescer e aprender a viver na sociedade de forma integral. na escola e na vida. promove a participação e a atividade (com a base da criatividade.org 59 . O jogo proporciona ao ser humano um interesse pelo conhecimento. . .Alguns teóricos afirmam que a brincadeira é o trabalho da criança. explora.helder@accessueducacao. . . Nesse caso. . O jogo fomenta a capacidade para a elaboração de normas da infância à vida adulta. Uma atitude necessária para encarar a vida diária. melhora a saúde física e emocional. comunica. por fim. aumenta a auto-estima (vive-se em um ambiente harmónico). podemos considerar a brincadeira como um modo mágico de entender o trabalho. colaboração e cooperação: todas as crianças querem brincar). pois escolhem uma solução adequada às suas necessidades e possibilidades. a mente e o coração da criança e. participativo e significativo: processo que se amplia ao longo da vida. criativo. na escola. dada sua importância vital (por seu caráter multidisciplinar. positiva e crítica. instrumento que lhe ajuda a entender a vida e a sua própria vida.O modo natural de aprender é através do jogo. emocional. reduzir ou processar condutas agressivas (base para a segurança do indivíduo e do ambiente).Com o jogo. . por outro lado. A criança cresce aprendendo hábitos de convivência necessários para viver em sociedade. . nos preparamos para a vida ensaiando papéis que desenvolveremos posteriormente na sociedade. coloca-se em conexão o nosso micromundo (pessoa) com o macro mundo (sociedade) em que vivemos. por um lado. estimular o senso de humor. Assim. que lhe permite se integrar de maneira gradual na família. nesse sentido.Mediante o jogo.. Helder Filho . fomenta as relações sociais frutíferas (aprender as limitações.Com o jogo. pelos valores que origina e pelos efeitos que produz).A magia da brincadeira se converteria. desenvolvendo os aspectos motor. As crianças e os adultos necessitam da realidade do jogo para conservar ou recuperar seu comportamento natural: seu equilíbrio vital. que nos ajuda a encarála com o otimismo necessário para manter um estado emocional estável e que possa nos proporcionar uma sensação de bem-estar. bem como o estado de espírito. fomentar a curiosidade. Intelectual.A brincadeira proporciona situações que estimulam o senso de humor como estado de espírito. pesquisa.

. Helder Filho . Poderíamos particularizar focalizando o processo ensino aprendizagem na nossa área – Matemática. O que é a motivação? Nada mais do que a predisposição interna que impulsiona a busca de um objetivo. Nossa pergunta é: basta isso para que haja aprendizagem? Essa modificação interna. O processo de aprendizagem é desencadeado por um motivo que pode ser a necessidade. Fatores culturais. Fatores físicos que tanto podem ser do tipo alimentação. com um impasse: nossos alunos não têm interesse naquilo que pretendemos lhes ensinar. à sua psique. As legítimas motivações para a aprendizagem são raras.Emília Tavares/UFPEL Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Motivação De todos os fatores que apresentamos ou possamos apresentar queremos abordar um ponto que em nossa opinião é o mais essencial e imprescindível no desenrolar do processo aprendizagem – a motivação. Não vamos entretanto nos ater a isso.Profª M. Geralmente o que vai acontecer: procura-se o agradável e por ele chegamos ao útil ou necessário. a agradabilidade. ou personalidade.helder@accessueducacao. ou. JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM15 Introdução 5. Poderíamos tecer várias considerações sobre cada um desses fatores e a forma como influenciam o ser humano em seu processo de aprendizagem.5. “estudar”. no desenvolvimento de nossa atividade didática. Entendemos que ao se falar em um se fala em outro. Sabemos que certos condicionamentos externos. em outras palavras – naquilo que achamos que eles deveriam aprender. Julgamos que sim. um motivo inerente a própria pessoa. Inúmeros são os fatores que interferem na aprendizagem. lá que nome queiramos dar. aqueles inerentes à própria pessoa. a utilidade. profunda do ser humano com mudanças nas operações mentais e atitudes não necessitam de algo mais do que um estímulo externo? Não será necessário uma força. faz-se necessário desencadear o processo através de um impulso externo – a incentivação. muitas vezes é preciso repetir várias vezes.1. Também não o faremos. Faz-se necessário então que o professor crie uma situação em que surja o interesse. Fatores sociais como as oportunidades de interações como as outras que podem ser do mesmo nível ou de nível diferente e que promovem e desenvolvem o espírito de cooperação. Muitas vezes o aluno não se interessa por determinada situação de aprendizagem exatamente porque não vê motivos para realizar aquela atividade. São muitas essas condições 15 Texto retirado da II Reunião da SBM . Fatores que poderíamos classificar de pessoais. Muitos de nós professores de matemática nos deparamos. ou psicológico. Consideremos a aprendizagem como uma mudança estável e intencional de comportamento e para que isso ocorra. ou ego. sob diversos aspectos e com experiências variadas uma determinada ação para que ela seja aprendida. Renomados estudiosos. métodos.2.org 60 . ou seja.. procedimentos de criar uma situação favorável. 5. estado geral de saúde como também iluminação e adequação do espaço físico. Cabe ao professor através de uma variedade de recursos. considerando que se trata de “trabalhar”. ou seja. processos mecânicos podem levar a repetir uma ação tornando-a automática. e econômicos. psicólogos e filósofos já o fizeram e com amplo domínio desse campo do conhecimento. ou espiritual.

Não é também porque essa atividade apenas possa ser utilizada como elemento propulsor da força motivadora.org 61 . Queremos nessa oportunidade. • Pelos livros e revistas de divulgação da Matemática. como por exemplo: • Pela correlação com o real. Acreditamos que o professor de Matemática deve estar preocupado em alcançar um despertar a motivação em seus alunos. com qualquer grupo de alunos e qualquer professor. o estímulo adequado. mas também é resultante dos recursos que ele emprega no ensino. sabemos. Mas ainda achamos que acima de tudo o professor é um dos fatores mais preponderantes nesse processo motivador – sua personalidade. . • Pelos clubes de matemática. • Pela construção de modelos. • Pela utilização de meios audio-visuais.porque a atividade lúdica é intrínseca ao próprio ser humano. pela Matemática. especialmente dos que trabalham com 2º grau e alegam ou que “os Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. digamos assim – um prazer pessoal e isso fará com que se sinta livre e responsável por sua realização. • Pela aplicação às demais ciências. aparelhagens. • Pelas atividades recreativas. • Pela seleção adequada de problemas. O Jogo Didático Porque o fazemos? Não é porque o consideremos a mais eficiente forma de despertar a motivação – já expusemos nossas idéias sobre o que é “mais eficiente”.” O despertar desse gosto pela Matemática depende em grande parte do professor. Basta se ter observado – em grande escala o fenômeno que acontece nos jogos olímpicos. mobilizando de crianças a velhos. O fazemos. sabendo que é ela a força impulsionadora de toda a aprendizagem.3. gráficos. Essa incentivação visando orientar o interesse do aluno pela Matemática como objetivo de estudo e trabalho tem formas variadas – já o dissemos – de ser obtida. murais. o entusiasmo que tem. independente de qualquer tipo de sectarismo. Não temos “receita” para esse despertar do querer aprender. dentre esses vários aspectos focalizar um em especial: 5. Isso é fundamental: que tenhamos sempre presente que o “dar certo” para um grupo de alunos num dado momento não significa uma “fórmula de dar certo” em qualquer momento. “A Matemática tem significado diferente para pessoas diferentes. mas especialmente pessoais. • Pelas atividades lúdicas. sociais e psicológicas. e demonstra.porque é uma atividade ainda pouco utilizada em sala de aula e que ainda não conseguiu impor o seu espaço como elemento propulsor no processo ensino-aprendizagem – porque é uma atividade que ainda não ganhou a confiança de muitos professores. o “amor” que ele sente pelos seus alunos e por eles é percebido. Mas isso não é tudo.helder@accessueducacao. É ele que a partir do conhecimento da sua turma de alunos vai promover no momento exato.favoráveis e não são apenas materiais. Somos de opinião que essa receita não exista. • Pela importância de valores históricos. Helder Filho . A criança e o jovem e porque não dizer também o adulto – precisa sentir naquilo que fez uma auto-realização. isso sim. ou – em menor escala – o que acontece a volta de uma “pelada de rua” ou de um “volei familiar”.

Um jogo realizado com êxito numa turma pode redundar em verdadeiro fracasso quando aplicado noutra turma. • Educar para competir. • Cultivar o espírito de solidariedade. na verdade nem nos preocupamos com ela em demasia. a) Alguns dos objetivos do jogo didático na sala de aula: • Incutir no aluno o espírito de disciplina através do cumprimento e/ou elaboração das regras do jogo. c) Classificação quanto ao material: De acordo com o material empregado o jogo pode ser considerado: . com satisfação. • Se o jogo será individual. ou que se sentem constrangidos de fazer joguinhos. Em outras palavras é a aplicação desse ou daquele jogo não é inteiramente arbitrário. Não somos rígidos quanto a esse tipo de classificação. . foi o conteúdo que eles mais gostaram e se saíram melhor”. jogos de armar. tipos e objetivos. pelo próprio entusiasmo com que os participantes se congregam. • Desenvolver a lealdade – mesmo que inicialmente isso se faça por “fiscalização”. d) Planejamento e execução do Jogo Como qualquer outra atividade didática o jogo didático a ser praticado em aula deve ser cuidadosamente planejado. noutra época. Por tudo isso. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. “bah!. • Se o jogo será com competição ou sem competição. • Educar a atenção. “não pensei que eles iam se entusiasmar e trabalhar tão bem!” A seguir vamos analisar o jogo didático quanto as finalidades. Cabe ao professor portanto escolher com cuidado o jogo mais adequado à maturidade da turma.Simples – aquele em que o professor só utiliza material de uso em sala de aula. Helder Filho . “vou ter que fazer outro”.org 62 . número de alunos. Nesse planejamento deve o professor atender ao seguinte: • A finalidade específica do jogo.helder@accessueducacao. de grupo ou coletivo. b) Escolha e/ou criação do jogo: A escolha ou elaboração do jogo a ser aplicado deve merecer a maior atenção do professor a fim de que se verifique a adequação entre o jogo e a turma para o qual é destinado. • Se o jogo será simples ou vai exigir material. e porque durante o tempo em que trabalhamos com “Prática de Ensino de Matemática” tivemos a oportunidade de com os nossos estagiários elaborar e aplicar vários tipos de jogos didáticos e ouvir.alunos não gostam (só que nunca vivenciaram!) pois são grandes para brincar” ou que não “dá tempo”.Com material improvisado – aquele em que o professor distribui entre os participantes. . material por ele preparado previamente. só então a resistências vencidas – comentários do tipo “como eles gostaram!”. • Combater certos complexos.Com material permanente – aquele em que o professor utiliza o material já fabricado especialmente para a finalidade. como dominó. após o vivenciar da experiência e muitas vezes. tamanho da sala. material e tempo disponível. grau de sociabilidade. • Reavivar a simpatia pelo professor e pela disciplina. destacamos o jogo didático.

Antes de iniciar o jogo deverá o professor explicar. 2) Sobre a contagem de pontos. assinalando se as finalidades foram alcançadas. Helder Filho . as regras que devem presidir a atividade lúdica. analisando se as finalidades foram alcançadas. Como será feito a motivação. mas com bastante energia. Enfim o professor tem um jogo testado – o que não significa que deva ser aplicado “cegamente” em nova oportunidade. Não havendo esse cuidado o jogo deixará de ter função educativa. Quando o professor surpreender um aluno em atitude irregular deverá adverti-lo com serenidade. A designação que será dada no jogo. e) Avaliação: Após a aplicação de um jogo didático o professor deve fazer uma avaliação. mas sim que é possível de novas aplicações desde que em condições equivalentes e/ou com adaptações convenientes. o maior cuidado do professor é evitar e suprimir a fraude.helder@accessueducacao. Como será apresentado o jogo. Tratando-se do jogo com competição é indispensável que o professor esclareça a turma: 1) Sobre o número de partidas.org 63 . em termos bem claros.O tempo a ser empregado no jogo. f) Sugestão de roteiro do jogo didático I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome do Jogo: Curso: Disciplina: Série: Nº de alunos: Duração: Aplicador (a): II – OBJETIVOS III – CONTEÚDOS IV – MATERIAL UTILIZADO V – DESENVOLVIMENTO VI – AVALIAÇÃO VII – OBSERVAÇÕES • • • • Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Nos jogos escritos. Lembramo-nos de que “o jogo deve ser uma forma de levar o aluno a querer tudo o que faz e não a fazer tudo o que quer”. assinalando os pontos que podem ser aperfeiçoados ou que devem ser mudados.

Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e. com critério e acuidade. uma. organizando os alunos em duplas. Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia. quantas duplas. amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem compõe o recurso material do “jogo de palavras”. basta entregá-la aos alunos destacando que sua tarefa. Com tantas cópias desse material. devidamente adaptado. que se ministrado através de aula expositiva? É possível na regência dessa aula. por exemplo. por último organizando. será possível trabalhar-se simultaneamente o texto e contexto. conquistar a certeza de que sua apresentação não suscitará indisciplina.br/pt/projetos. Mais fácil é quadricularse uma folha antes. trios ou quartetos e. fazendo-os falar e. como fazê-lo? Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham “alguma idéia” sobre o tema. No desempenho desse trabalho o professor poderá estar se aproximando dos sonhos de Piaget. dessa forma. desenvolvendo do raciocínio lógico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e exploração de habilidades operatórias mais amplas que as provocadas por simples explanação. a ela outras conquistas positivas se agregará. fragmentá-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. impondo a monotonia e o cansaço? Pode esse tema.helder@accessueducacao. Matemática ou Ciências. mas fora processo o inte16 http://www. duas ou três sentenças sobre o assunto escolhido. garantir igual ou maior compreensão e lucidez por parte dos alunos. conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação. escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois cortála. por falar estimular as estruturas mentais do pensar. trios ou grupos se contam em classe. COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS16 Introdução 6. dessa forma. ser executado em qualquer série ou nível de escolaridade e. similar que afirmar “É construção coisa não que de. extremamente pertinentes e significativas em relação a essência e objetivos do texto.php Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. posteriormente avaliado. Mas. Helder Filho .1. Após a seleção dessas questões. tornando o apreendido compatível com as estruturas mentais do apreendente e. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposição por um envolvente e motivador Jogo de Palavras. Será possível com esse trabalho alcançar não apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer. poderá esse trabalho. específico para cada um.celsoantunes.org 64 .6. mas construindo-o interiormente em um processo de assimilação. emprestando-lhe sentido lógico. bem mais que apenas uma compreensão literal do que se expõe. ainda de quebra.com. desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos dispêndio de energia que o imposto por aula tradicional? A resposta a essa pergunta é afirmativa e. ao levar o aluno não a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro. dessa forma. Esse emaranhado de palavras. Em segundo lugar. à imagem de quem monta quebra-cabeças. será tentar ordenar as frases. Algo.

estariam exercitando esquemas de assimilação em atividade pura diante do objeto da aprendizagem. Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga. Cada equipe deve ter um nome escolhido livremente pelos alunos. Exemplo Questão 1 – A soma de quatro mais sete é onze / Extraindo-se seis de onze o resultado é quatro. envolvimento e participação dos alunos. colocou em ação mecanismos de uso dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e. mas processo interativo de construção interior”. levaria o aluno a falar. simbolizado pelo texto fragmentado. estariam interessados e disciplinados. Como ministrar conteúdos com o autódromo? O Autódromo é um jogo operatório dos mais interessantes. Solicita. Embora cause motivação. o professor organiza uma listagem de questões sobre o assunto trabalhado. Essas questões devem estar agrupadas duas a duas. mas deve ser aplicado uma vez ou outra. Com as equipes constituídas o professor explica o(s) tema(s) ou conteúdos que serão cobrados durante o Autódromo. buscar esquemas de solução e por essas vias pensar. comparação e classificação. a freqüência de uso constante acaba desgastando-o Para essa interessante atividade. Ao invés de se colocarem de forma passiva diante de um texto. Com a classe dividida em equipes e os componentes de cada equipe sentados próximos uns aos outros. a seguir. Helder Filho . um máximo de sete componentes. os alunos necessitam estar agrupados em equipes e cada equipe deve abrigar um mínimo de quatro e. essa aula. 6. Nessa atividade o professor transformou texto em contexto. não se desviariam da tarefa e. a resposta correta a essa questão é VF.2. o professor possui o material necessário ao Autódromo. usando habilidades que envolveriam análise e síntese. o professor economizaria energia. mas a segunda é falsa (Extraindo-se seis de onze o resultado é cinco e não quatro). como no exemplo abaixo.helder@accessueducacao. através do mesmo ensinou que o novo conhecimento não se sobrepõe aos conhecimentos anteriores. pois estaria substituindo tradicional discurso. e como cada questão pode ser verdadeira (V) ou falsa (F) as duas juntas permitem quatro respostas possíveis: VV – As duas questões são verdadeiras VF – A primeira questão é verdadeira e a segunda falsa FF – As duas questões são falsas FV – A primeira questão é falsa e a segunda verdadeira. levando a seus alunos jogo desafiador e atraente. com Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. motivados. ao qual buscariam uma estrutura lógica. Como é fácil perceber. mas a eles se compõe modificando-o.rativo de um conhecimento vem do interior” e que ordenado expressaria “O conhecimento não é uma coisa que vem de fora. que cada grupo prepare em meia folha de papel. pois a primeira (4 + 7 = 11) é verdadeira. portanto. interesse. por ajuda interativa e. Com dez a quinze questões duplas como demonstrado no exemplo e naturalmente dentro do assunto marcado para a atividade.org 65 . os alunos encontrariam motivação por ver substituída sua postura passiva de ouvinte por ação solidária de jogador. trocar idéias. dedução e contextualização. alternando-o com outros jogos operatórios e aulas expositivas diversas.

então. onde aparecem com letras graúdas as alternativas possíveis de respostas (VV – VF – FF – FV). Organiza a lousa para o Autódromo e. portanto. Em seguida. ficaria assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela Azul Vermelha Branca Laranja Roxo Com a “pista” do Autódromo desenhada na lousa. Assim um aluno será o “A” ou outro “B” e assim por diante. com uma das quatro papeletas escolhidas voltadas contra o peito. o terceiro “C” e o quarto “D”. Chama a seguir uma letra. A seguir o professor chama cada uma das equipes e o aluno exibe a papeleta com a qual acredita ser a resposta correta. portanto.org 66 . marco no espaço da lousa os grupos que acertaram e passam a fazer juz a cem pontos. Agindo dessa forma cada equipe contará com representantes para todas as letras atribuídas. sem anunciá-la como “certa” ou como “errada” e após a manifestação do último grupo. O professor lê a primeira questão dupla. Procederá da mesma forma nas demais equipes e caso uma delas tenha menos alunos um mesmo ficará com duas letras. a sucessão de pontos que o desempenho das equipes possibilitará alcançar. o outro o “B” até o último que será o “F”. na vertical. Antes de iniciá-lo. Helder Filho . escreve o nome das equipes um abaixo do outro como demonstra o exemplo e ao alto. estão prontos os recursos essenciais a aplicação do Autódromo. Vamos supor que apenas as equipe AMARELA e BRANCA acertaram. Por exemplo: A equipe Verde possui seis alunos e dessa forma um aluno será o “A”. É. por exemplo. um deles será o “A” e “F”. cada grupo com suas quatro papeletas e o professor com a relação das questões.giz colorido. Dirigindo-se a equipe Amarela e percebendo que na mesma existem apenas quatro alunos. o outro “B” e “E”. entretanto. O professor anota essa resposta na lousa. o professor passará em cada equipe iniciando pela que mais alunos tiver e atribuirá aleatoriamente a cada um deles uma letra do alfabeto. quatro papeletas diferentes.helder@accessueducacao. concede as equipe um espaço de tempo de dez a quinze segundos para optarem por uma das quatro respostas possíveis e após esse tempo. anuncia a resposta correta. A lousa. dá um sinal avisando que o prazo terminou. hora de começar o Autódromo. a letra “C” e os alunos de todas as equipes que tiverem essa letra deverão ficar imediatamente de pé. A lousa ficará assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela X Azul Vermelha Branca X Laranja Roxo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.

E evidente que a resposta de um grupo jamais será idêntica a de outro.org 67 . Helder Filho . entre uma Rocha Sedimentar e uma Rocha Metamórfica e inúmeros outros. exigindo assim estudo. criatividade. Tal como o Jogo de Palavras ou o Autódromo. por exemplo. mas o professor que prepara questões intrigantes e desafiadoras. Ricardo: – Oi Juliana. construírem a fala do outro personagem.Registrado o desempenho das equipes. criatividade e plena participação dos alunos. organizados em grupos. A tarefa dos grupos não é a de adivinhar o texto originalmente preparado pelo professor.. dessa forma. Ricardo: – Puxa! É bastante matéria e creio que estou um pouco perdido em relação às Grandes Navegações. personagens históricos ou não humanos podem compor a dupla do diálogo e. Com o tempo.helder@accessueducacao. tal como os jogos operatórios anteriores. Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? O Jogo do telefone é outro Jogo Operatório dos mais interessantes e que possui a propriedade de despertar envolvimento. Com o diálogo telefônico bem organizado. entre uma Monocotiledônea e uma Dicotiledônea. Como destaca o exemplo acima. entretanto o cuidado de apresentar a fala de apenas um dos personagens (Juliana ou Ricardo) cabendo aos alunos.. Cabral e Pero Vaz de Caminha. baseando nos elementos que dispõe. O Jogo do Telefone exige de cada equipe pleno domínio do conteúdo marcado para a atividade e extrema criatividade e. o professor poderá ir progressivamente apresentando outros com dificuldades crescentes. criar-se diálogos telefônicos imaginários entre. interesse e sobretudo aprendizagem. O que esse tema. A atividade. mas podem revelar qualidade se no trabalho existir coerência e envolvimento lógico. após a realização do Jogo uma ou duas vezes. abordando o assunto escolhido para a atividade. A professora vai organizar questões sobre os primeiros cinqüenta anos da História do Brasil. Você poderia dizer o que vai cair na prova de História amanhã? Juliana: – Pois não. interesse. tomando. empenho. Portanto você deve estudar desde as Grandes Navegações dos Séculos XV e XVI e passar pelo Descobrimento do Brasil e a organização das Capitânias Hereditárias. obterá empenho. Uma relação de questões apenas memorativa em nada contribui para a aprendizagem dos alunos. evitando o desgaste inevitável de uma repetitividade constante. o diálogo prossegue com cada um dos personagens apresentando umas oito a dez falas até encerrar-se a “conversa”. necessita que os alunos estejam organizados em diferentes equipes. mas tomando por base as colocações de um dos personagens criar uma estrutura de seqüência do diálogo. tem a ver com as Capitanias Hereditárias.. faz-se a segunda questão e assim sucessivamente até o final da aula. que não aconteceu no Brasil. Ricardo. basta preparar-se uma cópia para cada equipe. 6.3. O sucesso do Autódromo depende sempre da qualidade das questões organizadas. Para a realização dessa atividade é necessário que o professor prepare um diálogo telefônico imaginário entre duas pessoas. Veja o exemplo. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.. deve ser desenvolvido uma vez ou outra.

análise. não explorem a reflexão. o professor sinaliza para que cada aluno sente-se em qualquer lugar da classe. enriquecida por perguntas diversas que os alunos devem buscar responder. Após esse sorteio todos os alunos já saberão com quem deverão jogar. preferindo outras como “nome de uma cidade. Essa tira de papel. Após esses lapsos de tempo. amontoá-los deixando separado de outros montes com nomes de alunos de outras equipes. Iniciada a atividade. solicita-se que cada aluno disponha de uma tira de papel com aproximadamente vinte centímetros de altura e quatro de largura. os três últimos formarão um trio. Caso a quantidade de alunos em sala seja um número impar. O professor irá retirando um por um os papéis sobre sua mesa e anunciando a formação de duplas entre aluno de uma equipe contra aluno de outro até esgotar-se o último papel. Helder Filho . pesquisa bibliográfica ou apresentar uma síntese. agroindústria e pecuária e que no passado se identificava como grande produtor de castanha e borracha”. Embora realizado pelos alunos organizados em grupo permite identificar o desempenho individual de cada aluno. O aluno deverá levar consigo uma caneta e a tira de papel com o nome do grupo que preparou logo no início da aula. em seguida. o professor apresenta a primeira questão e oferece aos alunos um tempo para refletirem e anotar sua resposta. verdadeiro/falso ou de múltiplas alternativas ou ainda apresentarem resposta que sejam expressas por poucas palavras. isto é o nome do colega de outra equipe com a qual irão se defrontar. anuncia a resposta correta.6. solicita que cada aluno apresente sua resposta ao parceiro e. Um aluno de cada grupo deverá recolher o pedaço de papel em que consta o nome de cada participante. um a zero (um dos dois acertou e o outro não) e um a um (os dois acertaram). Nessa oportunidade. situada na Região Norte. Como ministrar conteúdos com o cochicho? O cochicho é um jogo operatório vibrante que envolve e emociona os alunos. o professor pode solicitar uma leitura. a primeira formando um pequeno quadrado de quatro por quatro centímetros onde cada aluno deverá anotar seu nome e no verso o nome da equipe a que pertence. Com a tira de papel restante. Ao organizar essas questões o professor deve evitar as de natureza essencialmente memorativas e que. Por exemplo: evitar questões do tipo “Nome da capital do Estado do Pará”. deverá ser dividida em outras duas. dedução e conclusão. o professor inicia o Cochicho formulando questões relativas ao tema estudado. Vale-se da organização dos alunos em grupos ou equipes de quatro a sete componentes e para seu desenvolvimento é essencial que o professor trabalhe um tema do qual os alunos tenham algum conhecimento. trazer à mesa do professor. Dispondo de uma lista de questões reflexivas e envolventes sobre o tema marcado pelo Cochicho. e se presta ao desenvolvimento de qualquer conteúdo curricular para qualquer série ou ciclo de estudos.4. capital de um Estado que se destaca por importante atividade mineral. se anotará ao alto o nome do grupo. Para que exista esse conhecimento prévio sobre o tema. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 68 . Essas questões necessitam ser “fechadas” isto é. Com o tema ou conteúdo escolar definido e os alunos organizados em grupos marca-se a aula em que se aplicará o Cochicho.helder@accessueducacao. portanto. Com os alunos organizados. desde que ao lado do colega de outra equipe que forma a dupla – ou eventualmente – o trio sorteado. como explicado acima. Após esse anúncio em cada dupla de alunos assiste três posições possíveis: zero a zero (os dois erraram).

helder@accessueducacao. isto é. ajuda a construção do conhecimento e domínio de conteúdos. deve extrair a média de acertos de cada equipe. até o limite de tempo possível. destacando as que mais pontos fizeram. Cerca de dez minutos antes de encerrar a aula. quantos pontos – acertos – foi realizado pelo conjunto de alunos de cada equipe. O uso ou não dos pontos conquistados no Cochicho como atributo de uma média do aluno é possível caso o professor assim pretenda e será explicado em outro capítulo deste trabalho. Parece importante destacar que o sucesso de um Cochicho depende menos da forma com é a atividade organizada pelo professor e bem mais da qualidade reflexiva das questões organizadas. tal como “ilhas” de um conjunto. Enquanto essa leitura é feita.O Cochicho prossegue com a formulação de outra e depois mais outra questão. sendo desejável leituras e discussões prévias sobre o mesmo. Com os alunos acomodados. Como ministrar conteúdos com o arquipélago? O Arquipélago é outro jogo operatório muito interessante a atraente e se organizado com questões reflexivas. tem início a primeira etapa do Arquipélago: Primeira etapa. FF ou FV ou ainda outras. O desenvolvimento do Arquipélago organiza-se através de quatro etapas. Com os alunos reunidos o professor dá início ao Arquipélago solicitando que individualmente façam uma atenta leitura sobre o texto. Ao final da aula. 100 ou 150 para cada resposta certa) sendo facultado ao professor “descontar ou não pontos” pelas respostas erradas. O professor autoriza nova e breve consulta sobre o texto e após a mesma formula uma questão geral que cada grupo deverá responder por escrito. após a correção. o professor afere a contagem final. Ainda que se preste para inúmeras outras formas de utilização seu uso principal visa a análise. 6. Previamente os alunos deverão ser informados sobre o texto que deverão analisar. Caso a quantidade de alunos por equipe não seja uniforme. O professor aguarda esse retorno e anuncia as respostas certas que deverá ser corrigida pelo grupo que acolheu esse aluno visitante. explorando diversas habilidades operatórias. 400 pontos) e os mesmos serão divididos entre as equipes que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho . organizados em equipes.5. registra o quadro com a classificação das equipes. deixando na equipe que os recebeu o papel com suas respostas. Informa o valor dessa questão (por exemplo. O nome “Arquipélago” deriva do fato dos alunos na maior parte do tempo sentarem-se juntos. São atribuídos pontos (50. A equipe que acolheu o aluno. solicita que anotem no papel o nome de seu grupo e a seguir propõe quatro a seis questões sobre o texto. levando um pedaço de papel e uma caneta. dividindo-se o total de respostas corretas pelos alunos que participaram do Cochicho. informa o resultado que deve ser registrado pelo professor na lousa ou em seu diário de classe. levantando o braço no caso de dúvidas. possibilitando “respostas fechadas”. ajudando os alunos no esclarecimento de suas dificuldades. como VV. O professor escolhe um aluno de cada grupo que deverá sentar em outro grupo que não o seu. Após anotar as respostas os alunos que representam seu grupo devem retornar ao mesmo. Segunda etapa. VF. Estas devem visar sempre uma aprendizagem efetivamente significativa.org 69 . o professor percorre os diferentes grupos. Concluída essa releitura prévia. interpretação e assimilação de um texto de qualquer disciplina em qualquer nível de escolaridade.

imaginando a seguinte situação. que em uma prova convencional o aluno responde as questões em seu nome pessoal e os acertos que conquista representam pontuação própria. mas o nome de seu grupo. Assim a equipe Verde. Pois bem. Com esse resultado o “placar” vai se alterando e as equipe vão ou não acumulando mais pontos. a equipe Amarela à equipe Azul e assim por diante. A derradeira etapa do Arquipélago é similar à segunda ou então se caracteriza pela abertura para que uma equipe formule uma questão a outra. o professor com uma listagem de questões significativas que propõe respostas simples (por exemplo: A. enquanto que no Hiper-Arquipélago os alunos. uma atrás das outras. através de análises e interpretações de texto. de uma única etapa do Arquipélago. todos eles. o Hiper-Arquipélago assemelha-se a uma prova tradicional.acertaram. Helder Filho . levando papel e caneta. D. destacando a(s) equipe(s) que revela(m) maior capacidade de compreensão do texto. mas a sucessão de atividades permite que progressivamente seja aumentada a complexidade do texto e das questões desafiadoras propostas. Nas primeiras oportunidades em que essa estratégia é aplicada é essencial que o texto seja bastante simples assim como as perguntas formuladas pelo professor com respeito a sua interpretação. C. E Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. representar sua equipe. de maneira que todas possam dispor da mesma possibilidade de respostas. formula uma questão à Amarela. Após essa etapa ainda uma vez o “placar” vai sendo progressivamente alterado. Ocorre. representando sua equipe. com cada aluno e sua carteira. altamente motivadora e permite significativo exercício de aprendizagem significativa. Procure conceber o Hiper-Arquipélago. Concluída a quarta etapa encerra-se o Arquipélago com o devido registro dos pontos acumulados pelas equipes.6. Terceira etapa. tal como na primeira etapa do Arquipélago ou na última etapa do Painel Integrado é constituído pelo envolvimento dos alunos. entretanto. pois constitui em ocupar durante todo o tempo de uma aula. a primeira etapa caracteriza-se pela participação de um único aluno que. Alternando participações individuais (na primeira e na terceira etapa) com decisões consensuais (na segunda e a na quarta etapa) a atividade é extremamente dinâmica e envolvente. cada uma delas acrescentará 200 pontos ao saldo acumulado pela participação do aluno representante na primeira etapa. respondem para sua equipe e desta for. para responder as questões formuladas pelo professor. Nesse sentido. B. A terceira etapa é semelhante à primeira. os pontos que auferem são computados globalmente para o grupo. Em cada carteira um aluno com uma tira de papel que leva ao alto não seu nome. Quarta etapa. 6.helder@accessueducacao. respondia questões formuladas pelo professor. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? O Hiper-Arquipélago é um jogo operatório extremamente simples e seu nome deriva da estratégia anteriormente exposta. como arrumadas para uma prova convencional. respondendo individualmente as questões formuladas pelo professor e ao fazê-lo. Assim. Este se dirige a outra equipe. mas desta vez cabe a equipe o direito de escolha de seu representante. o HiperArquipélago. respondendo individualmente e por escrito as questões formuladas pelo seu professor. se duas equipes acertaram a resposta apresentada.org 70 . individualmente. Como foi explicada no “Arquipélago”. por exemplo. Carteiras enfileiradas. A frente da classe.

por exemplo.org 71 . um aluno de cada equipe recolhe as de seu grupo. Nessa oportunidade o professor solicita aos alunos que verifiquem se existem questões rasuradas.como em um teste de múltipla escolha. com alguns alunos mais capazes. sem possibilidade de identificar o colega que respondeu uma vez que essa folha traz apenas nome dos grupos. “nem todos são craques”. VVF. o professor pode marcar um conteúdo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Após essas respostas. FFF. Apresentadas as questões. traz à frente e o professor passa as questões de um grupo para outro responder. para o mundo do trabalho cooperativo que. com cinco representantes. VFF.7. Estabelecida a posição dos grupos e o empenho dos alunos está concluído o Hiper-Arquipélago. solicita aos alunos de uma equipe – que estão corrigindo questões de outras equipes – que fiquem de pé e informem quantos acertos existem nas folhas corrigidas. Em outra circunstância. Como ministrar conteúdos com o torneio? O Torneio é uma atividade pedagógica que simula um campeonato esportivo onde todas as equipes se enfrentam. por certo necessitarão vivenciar. Concluída essa providência. uma fórmula ou mesmo um conceito apresentado de forma sintética) e que formulará aos alunos. FFV. FVV. sua média será sete (uma vez que 42 dividido por seis. Como é provável que existam equipes com mais ou com menos alunos é sempre importante calcular-se a média dos acertos e. preparadas pelo professor. se a equipe Amarela. de tal forma que todos os alunos recebam a folha com as respostas. apresenta as respostas corretas para a devida correção. totalizou 42 acertos como seis representantes. nesse caso autenticando-as com uma rubrica. mas que a solidariedade se constrói com uma construção laboriosa e recíproca. atingindo este hoje pode alcançar outro amanhã. Soma esses acertos e registra na lousa. mas até mesmo para a vida social. para evitar que a rasura possa ser provocada pelo aluno que corrige e que demonstre interesse em prejudicar a equipe concorrente. chamando a seguir outra equipe até que obtenha a pontuação de todas as equipes. Esse tema pode ou não ter sido antes explicado e em caso positivo o Torneio seria uma oportunidade de se proceder a revisão do conteúdo efetivamente apreendido. mesmo pelos que eventualmente optem por não trabalhar com grupos. É interessante mostrar aos alunos que em uma equipe esportiva. igual a da equipe Azul que obteve 35 acertos. dessa forma. É por esse motivo que todo trabalho em grupo necessita que o educador faça um paciente e persistente trabalho com os alunos. VVV. mas como uma proposta de educação solidária que deve ser assumida pela maior parte dos professores.helder@accessueducacao. mostrando a importância de uma ação solidária e a necessidade de aceitar-se em uma coletividade a desigualdade na produção que. ajudando outros em seu preparo para trabalhar esta ou aquela atividade. 6. responde questões significativas. descobrem que a pontuação da equipe ficou reduzida pelo insucesso de alguns. Ou ainda questões que proponham o resultado de uma operação matemática. por exemplo. corresponde a média sete). Helder Filho . sobre um tema específico. FVF. VFV. É importante destacar que atividades que individualizam a participação dos alunos ocasionam inevitáveis ressentimentos dos que obtendo maior número de acertos. É por essa razão que esse trabalho não pode ser refletido como “um ou outro eventual conselho”. Como acima se disse um trabalho dessa natureza não prepara os alunos apenas para as contingências de se aceitar o outro em atividades escolares.

A avaliação da aprendizagem escolar não pode se implantar por novas rígidas.helder@accessueducacao. propor o desafio de algumas perguntas sobre esse tema e sugerir que os alunos se preparem. a pontuação que cada equipe receberá por seu desempenho (Por exemplo: 1º colocado = 700 pontos. o professor informa. Optando-se por essa forma.a ser estudado. Helder Filho . caso o professor prefira. uma vez que deverá ser sempre meio para se aferir a Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. está agindo de forma tão correta quanto outro colega que opta por fazer dos jogos operatórios uma forma de se obter notas mais elevadas. cinco. o professor antes da realização do Torneio deve abrir um espaço para o devido esclarecimento de dúvidas e somente após a certeza de terem sido todas efetivamente superadas é que deve dar início a atividade.8. Cabe ao professor estabelecer se a construção das mesmas será ou não realizadas com consultas e a forma como serão apresentadas.org 72 . Esgotado o tempo previsto. Caso pretenda desenvolver jogos operatórios sem lhes atribuir valor que se transformem em notas. 3º colocado = 500 pontos e assim por diante). Anotados os resultados da primeira rodada. Após a divulgação da tabela. seis ou mais questões fechadas sobre o assunto marcado e dando um tempo para que as equipes apresentem suas respostas. 2º colocado = 600 pontos. Essa questão constitui decisão específica do professor. inicia-se a segunda e assim por diante até a rodada final. Para que o Torneio se concretize é essencial a existência de uma “tabela” como a que abaixo sugerimos. pode atribuir três pontos para a equipe que venceu seu adversário e um ponto em caso de empate ou ainda considerar como pontuação da equipe o total de acertos. se assim julgar válido. indicar diferentes fontes de pesquisa. estudando individualmente e reunindo-se em grupos para avaliarem-se. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? A primeira e mais importante questão. tem inicio o torneio com o professor formulando quatro. supondo a existência de seis equipes em uma classe. a Equipe Verde conquistou cinco pontos e a equipe Azul conquistou 3). solicita a um membro de cada equipe que traga à frente as anotações das respostas. Com essas providências tomadas. (Por exemplo: Na primeira rodada a equipe Verde acertou 5 das sete questões e portanto venceu a equipe Azul que acertou 3 das sete questões – 5 a 3 – e nesse caso a equipe Verde conquistou três pontos por sua vitória e a equipe Azul nenhum ou. a se formular sobre o título deste capítulo é sem dúvida. Da mesma maneira como em um campeonato esportivo. por que transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? Não existe a possibilidade de uma resposta única. Modelo de uma tabela para o Torneio 1ª Rodada 2ª Rodada 3ª Rodada Verde Laranja Verde Azul Verde Amarela Azul Branca Azul Vermelha Amarela Laranja Vermelha Laranja Amarela Branca Branca Vermelha 4ª Rodada 5ª Rodada Verde Branca Azul Amarela Amarela Vermelha Branca Laranja Laranja Azul Vermelha Verde 6. confere-as e apresenta o resultado. com a classificação definitiva.

0.helder@accessueducacao. chegando a uma classificação. Considerando que pontos equivalem a 10.500 Branca 600 300 600 1. Caso. por exemplo. A nota vale apenas como uma referência para que o aluno saiba seu desempenho. a equipe que mais pontos somou no bimestre foi a equipe Branca ( ) e. um Arquipélago.efetiva aprendizagem. Também está agindo de maneira correta quem assim procede. Alguns. (Um) Portanto: Equipe Pontuação Nota 1.700 9. um Autódromo e um Cochicho.800 Laranja No exemplo destacado acima.100 6.400 Verde 600 500 600 1. nessa circunstância merece receber a mais alta nota (que pode ser 10. se tivesse participado de todos os Jogos Operatórios teriam direito a nota recebida pela equipe. o professor trabalhou com a classe ministrando aulas expositivas diversas e ainda aplicou. por exemplo. cada aluno de cada equipe.org 73 .6 Laranja 1. estabelecer uma relação direta entre cada atividade e o desempenho revelado. O verdadeiro compromisso do professor é com a aprendizagem significativa e a nota que atribui apenas um elemento que expressa essa aprendizagem.500 8.3 Branca 1. uma regra de três simples nos revela que cada 180 pontos conquistados por qualquer equipe deve equivaler a 1.4 Azul 1.0). combinam com a classe que o primeiro lugar em seu desempenho nos diferentes jogos pode valer um ou dois pontos na avaliação final e. Por exemplo: A equipe Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Fica a critério de o professor descontar ou não do aluno que não tenha participado de um ou de outro jogo. entretanto. entretanto. Portanto a transformação de pontos ganhos pelas equipes em notas constitui decisão do professor que poderá dispensá-la se acredita que os alunos estão aprendendo o que ensina de forma significativa. julgue que o desempenho dos alunos nos Jogos Operatórios desenvolvidos resultou de um esforço construtivo e deseje expressar a diferença entre os que mais e que menos se esforçaram.400 Verde 7.700 Amarela 300 400 400 1. Por exemplo: Durante um bimestre. jamais um critério para selecionar bons ou maus alunos.200 6. dessa forma. Totalizou os pontos e o resultado final do bimestre foi: Equipes Arquipélago Autódromo Cochicho Total 500 400 500 1. Helder Filho .1 Vermelha 1.7 (pois ) Amarela 1. atribui pontos sem.100 Azul 400 400 400 1. apresentamos uma proposta de transformação de pontos em notas que poderá ou não ser adotada pelo professor.0 Considerando esse exemplo.0.800 10. os pontos auferidos pela equipe durante sua aplicação.200 Vermelha 600 600 600 1. Outra forma de avaliação consiste em se somar os pontos obtidos pelos grupos nos diferentes jogos propostos. tal como o de equipes que disputam um campeonato.

helder@accessueducacao.org 74 . Seria assim possível o professor atribuir.3 pontos (pois 600 180 = 3. recebendo 5. dessa forma. dessa forma. se possível. da Coordenação e Direção da Escola e. do conhecimento de toda equipe discente e docente. atribuído pelo professor. análise do professor envolvido.3 pontos como os recebidos por seus colegas que participaram de todas as atividades). deverá ser submetida a apreciação. Os pontos ganhos pelos alunos nos Jogos Operatórios poderiam compor uma de suas notas e esta teria o peso correspondente. Helder Filho . Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. peso sete para as provas individuais e peso três para a participação dos alunos em Jogos Operatórios. Torna-se importante destacar que a idéia proposta por este capítulo serve apenas como uma sugestão e que.0 por sua atuação em Jogos Operatórios e não 8. por exemplo.Laranja conquistou 600 pontos no Cochicho e caso um de seus integrantes tenha faltado sem justificativa quando da aplicação do mesmo.3) e. estaria perdendo 3.

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