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A Construção do Cérebro

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A Construção do Cérebro

Cientistas mostram que as experiências durante a infância alimentam os circuitos nervosos e determinam o futuro da inteligência. Pesquisadores de diversas partes do mundo estão descobrindo que há etapas definidas para o desenvolvimento do cérebro das crianças, e informam que a inteligência, a sensibilidade e a linguagem podem e devem ser aprimoradas na escola, no clube e, especialmente, dentro de casa. E maior surpresa: o gosto pela ciência, pela arte e pelas línguas ocorre muito mais cedo do que se imaginava. Os 400 gramas de massa cinzenta de um recém-nascido guardam os neurônios de toda uma vida. As conexões, entretanto, ainda não estão totalmente desenvolvidas. As fibras nervosas capazes de ativar o cérebro têm de ser construídas, e o são pelas exigências, pelos desafios e estímulos a que uma criança é submetida, a maior parte entre o nascimento e os 4 anos de idade. “As primeiras experiências da vida são tão importantes que podem mudar por completo a maneira como as pessoas se desenvolvem”, disse o neuropediatra Harry Chugani, Professor da Universidade de Wayne EUA. Conclusão: o cérebro precisa de estímulos. Sem isso, por mais rica que seja a herança genética recebida, nada feito. Os testes clínicos mostraram que bebês que passaram a maior parte de seu primeiro ano de vida dentro de um berço, sem maiores contatos físicos, têm um desenvolvimento anormal. Pouco estimuladas, não desenvolveram os sentidos de equilíbrio e localização corporal, escreveu a neorobiologista Carla Shatz, professora da Universidade da Califórnia. A partir dessas constatações, os neurobiologistas começaram a estudar o que chamam de “janelas de oportunidades”. Da mesma forma que o sentido da visão depende de conexões feitas até os dois anos, e que os circuitos da linguagem se consolidam até um máximo de dez anos, eles julgaram lícito cogitar que outros dons podiam ter também janelas de oportunidades que, uma vez exploradas conduziriam a adultos com determinadas capacidades. Confirmado. Musicalidade, raciocínio lógico-matemático, inteligência espacial, capacidades relativas aos movimentos do corpo, entre outras, dependem de circuitos que são plugados logo na primeira infância, época em que a criança aprende a aprender. O tempo é essencial. “Não se pode ultrapassar a idade de maturação cerebral, afirma o neuropediatra Mauro Muszkat, professor da Universidade Federal de São Paulo. Imagens tomográficas de cérebros de crianças desde o nascimento até os 12 meses de vida mostram esse esforço emocionante que as crianças fazem para amadurecer. Desde o nascimento, a massa encefálica vai acelerando seu nível metabólico e intensifica-se a atividade mental. As mesmas imagens, quando coletadas num adulto de 28 anos, porém, mostram que o tempo joga contra. O dínamo cerebral de uma criança de 1 ano é mais carregado do que do adulto, mesmo que ela mal consiga balbuciar “papá” e “mamá” enquanto o adulto se delicia com alta literatura. A música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro. A janela de oportunidades musical abre-se aos 3 e fecha-se aos 10 anos. Não por acaso, conhecem-se tão poucos concertistas que tenham iniciado no aprendizado musical depois de iniciada a adolescência. Em outubro de 1995, pesquisadores da Universidade de Konstanz, Alemanha, estudaram o cérebro de nove músicos destros, do naipe de cordas de uma orquestra local. Graças ao exame de ressonância nuclear magnética, perceberam que as porções cerebrais relacionadas aos movimentos do polegar e do dedo mindinho da mão esquerda eram maiores do que entre os não músicos. Nessa diferença, não importava a quantidade de horas dedicadas no estudo musical, e sim, em que idade eles haviam sido apresentados aos instrumentos – sempre cedo. Mas a música não serve apenas para incentivar as crianças a ler uma partitura, apreciar um concerto mais tarde e, quem sabe, evitar que se tornem metaleiras insuportáveis. É capaz de imprimir no cérebro a compreensão da melodia das próprias palavras. Aos 8 anos, o poeta inglês W.H. Auden (1907-1973) era submetido a sessões operísticas intensas por sua mãe, Constance Rosalie. Ela gostava especialmente de Tristão e Isolda, de Wagner, e reproduzia com Auden os duetos da obra. Estaria aí uma possível explicação para a extraordinária musicalidade dos poemas de Auden, feitos mais para ser lidos em voz alta. A divisão melódica das obras clássicas exige um tipo de automatismo matemático acurado. Essa seria a razão porque as conexões nervosas acionadas ao se executar uma peça estejam tão próximas do córtex cerebral esquerdo, daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica. A música relaciona-se ainda a outros dons, como a capacidade de percepção de sons sutis. O professor neurologista Luiz Celso Vilanova já observou que os alunos de medicina habituados a ouvir música clássica têm maior facilidade para auscultar corações e pulmões. Gordon Shaw e Frances Rauscher, da Universidade da Califórnia, num trabalho com dezenove pré-escolares, descobriram que, após oito meses de aulas de piano e canto, as crianças se saíram muito melhor na cópia de desenhos geométricos do que as que não tiveram aulas de música. Os pequenos músicos eram melhores na percepção espacial e muito mais eficientes, por exemplo, no jogo de quebra-cabeça. Mozart neles, então. E rápido. De todas essas pesquisas , a conclusão inevitável é que quanto mais se expuser a criança a estímulos benéficos, mais ela poderá aproveitar as potencialidades de seu cérebro. A influência do ambiente doméstico conta. A história emocional da criança, idem. Mas é preciso cuidado. As conseqüências da estimulação exagerada podem ser desastrosas. Respeite os ritmos da criança. Seria errado supor que é possível programar um cérebro infantil a partir de uma seqüência infalível de estímulos dados por pais e professores. Se fosse, quem quisesse fazer de seu filho um músico só teria o trabalho de entregá-lo a um professor de piano desde cedo. A fórmula deu certo com um gênio como Mozart, mas ninguém lembra que o mesmo tratamento foi dado a sua irmã Maria Anna, chamada carinhosamente pelo compositor de Nannerl. Ninguém pode garantir que determinado estímulo gere um comportamento específico. Para ficar no exemplo do pequeno Auden, cantando árias de Wagner: como nesses ensaios o futuro poeta fazia o papel de Isolda, e sua mãe o de Tristão, talvez esteja aí a explicação não só para a musicalidade de Auden, mas para o seu homossexualismo.

psicologia do desenvolvimento. A Música e o Desenvolvimento da Mente no Início da Vida: investigação. na qual o indivíduo pode melhor concentrar em qualquer campo de pesquisa e do pensamento filosófico. Miller & Deebus. nenhum treino ou aquelas que tiveram aulas de informática. equilibra as emoções proporcionando paz de espírito. são emocionalmente mais saudáveis e se concentram melhor que seus colegas não músicos. Pesquisadores acreditam que a música é uma forma superior de ensinar os estudantes primários o conceito de frações. Pesquisadores alemães descobriram que a área do cérebro utilizada para analisar tons musicais é. em média 25% maior nos músicos. O que aconteceu? O rendimento escolar caiu e o problema de disciplina e de drogas nas escolas aumentou. Vendo toda a problemática acima descrita percebemos que já é hora de entendermos a importância da música nas escolas.A Importância da Música nas Escolas [*] A educação física desenvolve o físico enquanto a música desenvolve a mente. de três anos de idade eram experts no domínio de quebra-cabeças. Pesquisas recentes sugerem que John Locke (1632-1704) estava mesmo equivocado quando sugeriu que o ser humano vem ao mundo com a tabula rasa. normalmente recebem notas mais altas nos testes de aptidão escolar. A Universidade da Califórnia em Irvine descobriu que após seis meses tendo aulas de piano. alunos de música em idade escolar têm menos problemas com álcool e drogas. e há inúmeras demonstrações empíricas das competências cognitivas do recém-nascido (veja Eliot. É também nesta época que as crianças desenvolvem suas preferências e memórias musicais (veja Ilari & Polka. Durante a infância. sabe-se hoje que é no período entre o nascimento e o décimo aniversário que as distinções entre alturas. 1999). pois. Naquele tempo as crianças cantavam e formavam o Grande Coral apresentando-se em estádios de futebol. estudaram o poder da música observando dois grupos de crianças em idade préescolar. eles acreditam. Por motivos alheios aos mestres da música. Assim a música foi ficando de lado. A música. O interesse pelo desenvolvimento cognitivo-musical tem crescido substancialmente nos últimos tempos. timbres e intensidades se desenvolvem e se tornam mais refinadas (Werner & Vandenbos. O desenvolvimento cognitivo-musical nesta época ocorre através de processos como impregnação e imitação (Ilari . Na mesma universidade. fatos e mitos Beatriz Ilari (UFPR) Resumo: O objetivo deste artigo é discutir os efeitos de transferência cognitiva entre a música e outros contextos e áreas do conhecimento. Após oito meses. Segundo um estudo conduzido na Universidade do Texas. atingindo desempenho 80% superior ao que seus colegas conseguiram em inteligência espacial – habilidade de visualizar o mundo acuradamente. contribuído para a extinção do departamento de música nas escolas e colégios. o artigo trata de quatro relações de causa e efeito que envolvem a música (inteligência. Como exemplo. Quanto mais cedo começar o treino musical maior a área do cérebro desenvolvida. Aulas de música na infância realmente desenvolvem o cérebro. as crianças musicadas. matéria com várias artes incluindo a música. crianças préescolares tiveram desempenho 34% melhor em testes de raciocínio tempero-espacial que aquelas que não tiveram. que estudaram música obtiveram 52 pontos mais na parte verbal de seus testes de aptidão escolar e 37 pontos a mais em matemática (89 pontos combinados) que aqueles sem instrução em música. Alunos adolescentes. tal disciplina foi mudada para Educação Artística. Trehub & Schellenberg. Trainor. matemática. linguagem e leitura) e discute suas implicações para a educação musical brasileira e para o desenvolvimento musical como um todo. Especificamente. 1995). Platão disse uma vez que a música é “um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”. 1996. Agora os cientistas sabem por quê. psicobiologia. 2000). No tempo do grande compositor Heitor Villa-Lobos foi introduzida na grade curricular a disciplina de música nas escolas do Brasil. educação e psicologia da música vêm fomentando um interesse crescente acerca do desenvolvimento cognitivo-musical do ser humano. treina o cérebro para formas superiores de raciocínio. centros de convenções e outros especialmente em datas cívicas. a maioria dos professores com pouco ou nenhum conhecimento de música. Descobertas recentes da neurociência. Isso também parece ser o caso do desenvolvimento auditivo. Crianças que estudam música saem-se melhor na escola e na vida. Um grupo teve lições de piano e ]cantava diariamente no coro. o cérebro humano é mais maleável e os efeitos da aprendizagem são maiores que em qualquer outra fase da vida (Flohr. Depois de aprenderem as notas musicais e divisões rítmicas os estudantes de música tiveram notas 100% maiores que seus companheiros que tiveram aulas de frações pelos métodos tradicionais. no prelo. 1993). em colégios com regime de internato.

Há cerca de uma década. escolhi quatro relações de causa e efeito que envolvem a música. Segundo o político. 2004). algum tempo mais tarde.também conhecidos como efeitos de transferência entre contextos e áreas do conhecimento (para uma discussão consulte Schellenberg. até o presente momento não foram encontradas réplicas do efeito. Minhas pesquisas procuram compreender como. realizadas através do canto. entre crianças e adultos. a mando do então governador Zell Milner. suas produções musicais. eu e meus colegas de área temos procurado compreender e modelar os processos mentais envolvidos nas atividades musicais da infância (para exemplos consulte Gardner. ao realizar pesquisas nesta área. e. Primeira relação: O aprendizado musical e o desenvolvimento da inteligência humana Nos últimos anos. receberam um piano em suas casas e tiveram aulas semanais gratuitas por três anos consecutivos. 2002. Hargreaves. 2002). 2004). Estes mitos afetam (e muito) as práticas musicais realizadas em conservatórios e escolas de música de todo o país. 2004. Geralmente. compararam a performance de ratos de laboratório e de estudantes universitários em condições sonoras variadas. A minha fala hoje trata das relações causais. inclusive de emoção. e transmitidos (ou retransmitidos) em conversas. o endosso de normas culturais e étnicas. 1996. 2001). 1999. quando estas frases são pronunciadas. 1998. As pontuações obtidas pelas crianças musicalizadas . de um estado com indivíduos mais inteligentes que a média. e está normalmente associado a diversas funções psico-sociais como a comunicação. 1995. além de tudo. o ‘Efeito Mozart’ não causou polêmica apenas junto à população. Outras experiências sobre os efeitos da música no desenvolvimento da inteligência humana também foram realizadas. Schellenberg. sobretudo no que tange à percepção e produção musicais de bebês e crianças. Um exemplo disso foi o chamado ‘Efeito Mozart’. portanto. A cada ano as crianças passavam por uma bateria de testes de inteligência e tinham suas pontuações comparadas àquelas de um grupo controle. e o entretenimento (Gregory. Seus pesquisadores (veja Rauscher. por exemplo. tenho me dedicado ao estudo dos mecanismos e processos mentais envolvidos no desenvolvimento da mente musical humana. mas gerou grandes disputas nas grandes rodas científicas. 1999. a criança faz a transição entre os sons que aprendeu ainda no útero materno (exemplo sonoro 1). que hoje é marca registrada. Nos últimos anos. informais e acadêmicas (para exemplos consulte Schellenberg. a disseminação prematura pela mídia dos resultados de uma investigação científica preliminar deu origem ao famigerado ‘Efeito Mozart’.& Majlis. um dos problemas que tenho encontrado refere-se à existência de diversos mitos. deu origem a uma verdadeira febre de consumo da música de Mozart e de programas ‘mágicos’ de educação musical. Outro caso interessante e também relativo ao tal efeito foi a distribuição de CDs intitulados ‘Construa o cérebro de seu bebê através da música de Mozart’ em todas as maternidades do estado da Geórgia (EUA) no ano de 1998. há uma tendência natural em associarmos o aprendizado musical a atributos ou rendimentos em outras áreas do conhecimento. que causou (e ainda causa) muita polêmica. 1997. cognitivo e social. que. Trehub & Schellenberg. Shaw & Ky. Além disso. bem como afastam muitos indivíduos daquilo que chamo de motivações ‘reais’ para o ensino e para o aprendizado musical (veja Ilari. Como não poderia deixar de ser. Sabe-se hoje em dia que a inteligência humana é multifacetada e que as habilidades especiais constituem apenas parte do conjunto de habilidades que constituem a inteligência humana (Gardner. Talvez esses fatores expliquem sua ubiqüidade. 1993. Huron. Almeida et al 2003).A. nome atribuído a uma pequena melhoria em um sub-teste (habilidades espaciais) do famoso teste Stanford Binet de inteligência ocorrida logo após a audição de uma determinada obra musical de W. alguns dos quais estabelecidos há muito tempo. 1983). era significativo porém muito pequeno estatisticamente (veja Nantais & Schellenberg. no prelo. frases como ‘a música deixa o ser humano mais inteligente’ ou ‘ela estuda música e por isso é muito boa de raciocínio’ podem ser ouvidas em diversos ambientes – em conversas informais entre amigos. uma das principais contestações da comunidade científica referiu-se ao equívoco dos defensores do efeito ao tomarem as habilidades espaciais como se elas fossem sinônimos da inteligência humana. como no silêncio e na presença de peças de Mozart e Phillip Glass. a distribuição do CD supostamente ‘garantiria’ o desenvolvimento da inteligência dos bebês e. além de ajudar a fortalecer as ligações afetivas nas famílias. No entanto. do movimento corporal e/ou da execução instrumental (exemplo sonoro 3). Contudo. 1995). na televisão e até mesmo em contextos educacionais. Ilari. que prometiam desenvolver bebês mais inteligentes e mais aptos a obterem um lugar em universidades famosas como a renomada Universidade de Yale (Schoenstein. Como sugerem diversos estudiosos. 2002). O ‘Efeito Mozart’. e que vêm sendo disseminados pela mídia. por exemplo. criando muita polêmica entre estudiosos da música e da lingüística (exemplo sonoro 2). Trainor. estudou os efeitos de três anos de aprendizado do piano ao desenvolvimento cognitivo de crianças canadenses. as práticas musicais das crianças e dos adultos são relevantes porque auxiliam no desenvolvimento auditivo. Diversas experiências foram realizadas com o intuito de replicar ou refutar os resultados encontrados pelo time de Rauscher. e concluíram que a audição da música de Mozart causava um progresso temporário nas habilidades espaciais de seus participantes. As crianças participantes do experimento e que tinham entre 6 e 9 anos de idade. 1985). Mozart. as experiências sonoro-imitativas desenvolvidas através de jogos e brincadeiras e que denotam possíveis sobreposições entre a música e a linguagem na infância. Trevarthen. em círculos familiares. motor. Costa-Giomi (1999). Para a fala de hoje. dos efeitos da aprendizagem musical em outras áreas do conhecimento . 2003). Não ignorando as diferenças individuais. Schoenstein.

Um outro estudo (Thompson. há muitas relações matemáticas contidas na própria estrutura musical. 1999). Em outras palavras.. No entanto. que podem ser traçadas no decorrer de toda a vida. 1996).foram melhores que as obtidos pelas crianças do grupo controle nos dois primeiros anos. é preciso muita cautela na interpretação dos resultados das pesquisas acima mencionadas. no prelo. seguidas pelas crianças oriundas do curso de teatro. que é transmitido através da prosódia contida tanto na fala quanto na música. Entretanto. embora a música e a matemática tenham uma relação estreita. porém foram equivalentes entre os grupos. Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento. sendo. a música e a linguagem compartilham algumas propriedades acústicas como altura. No entanto. A música e a linguagem. 1996. o efeito foi estatisticamente pequeno. Cutietta (1996a) revisou a literatura e encontrou uma relação estreita entre o aprendizado das duas formas de comunicação humana por sons. Resultados semelhantes foram encontrados por Schellenberg (2004). é necessária muita cautela no assunto. entre a educação musical e o desenvolvimento da inteligência. ao término do terceiro ano do projeto. Além disso. relações causais sólidas entre o aprendizado musical e a inteligência ainda não foram encontradas. Cutietta (1996a) sugere que há uma possível relação entre a aprendizagem musical e o aprendizado de línguas estrangeiras. Segundo os pesquisadores. por exemplo.I. já que.I. as crianças musicalizadas tiveram um desempenho melhor nos testes de Q. o que torna bastante próxima a relação entre as duas áreas. que freqüentemente se confundem no início da vida. e alguns estudiosos chegaram a sugerir que a melodia (e não o conteúdo semântico das palavras) é a mensagem principal que os bebês captam (Fernald. é importante considerar que. todo cuidado é pouco no estabelecimento de relações causais entre elas já que não há garantias de que haverá. Cutietta não encontrou estudos que versassem sobre o aprendizado musical como elemento de ‘melhoria’ ou aperfeiçoamento das habilidades matemáticas. conforme ocorreu no estudo de Costa-Giomi (1999) e nos estudos do ‘Efeito Mozart’. 1989). Entretanto. Comentando os resultados de seu estudo. Além disso. . Trainor. possui muitas características musicais (Ilari. Contudo. transferência cognitiva de uma área para a outra. o que sugere um efeito mínimo. Considerando que os estudos revisados por Cutietta foram conduzidos principalmente na América do Norte e na Europa. Além disso. é possível que não exista necessariamente uma relação causal sólida entre a música e a matemática. 2001). Após um ano de instrução. é preciso muito cuidado com as generalizações já que não há nenhuma garantia de que ao aprender uma disciplina o aluno terá sucesso na outra. Porém. é importante notar que estudos com relações causais sólidas e apresentando um grande efeito estatístico entre a música e o desenvolvimento do intelecto humano não são encontrados na literatura científica. Schellenberg (2004) apontou para a necessidade de realização de outros estudos uma vez que a possibilidade de haver uma relação. A própria história da música fornece uma possível explicação para tamanho interesse nesta relação. Cutietta (1996b) revisou a literatura sobre o assunto e concluiu que há alguma relação estreita entre a música e a matemática. onde há programas fortes de educação musical na escola. mas que os alunos matriculados em cursos e aulas de música sejam alunos mais aplicados que a média. Schellenberg & Husain. bons alunos também na matemática. possivelmente porque tais estudos são difíceis de serem realizados já que são longitudinais e envolvem uma série de questões sociais. embora os resultados tenham sido significativos. É possível que estudos futuros revelem o potencial da música no desenvolvimento da inteligência. Trevarthen. Além disso. tornam-se mais independentes no decorrer do desenvolvimento infantil e praticamente se dissociam quando as crianças aprendem a diferenciar o canto da fala. que comparou o desempenho de crianças de 6 anos de idade que cursaram uma entre três modalidades artísticas: (1) aulas de piano. Nos estudos revisados. Alguns estudos investigaram as relações causais entre o aprendizado da música e o aprendizado da linguagem. Trehub. ainda que pequena. parece ser real. a criança pré-verbal está atenta e responde igualmente aos contornos melódicos da fala e do canto dirigido a ela (Trainor. as crianças do grupo controle. tal habilidade se estende à interpretação do conteúdo emocional. apesar de a música e a linguagem aparentarem ter relações muito próximas. portanto. econômicas. Na Antigüidade. com um grupo controle em testes de Q. A fala dirigida aos bebês. culturais e étnicas. Segunda relação: O aprendizado musical e o raciocínio lógico-matemático A discussão acerca da existência de uma relação causal entre a música e a matemática é bastante antiga. tanto a música quanto a matemática faziam parte dos conhecimentos dos indivíduos ilustrados e respeitados socialmente por suas capacidades intelectuais. e de outras disciplinas. até o presente momento. há sugestões de que a música e a linguagem estão muito próximas e são igualmente importantes na infância (Trainor. O que o pesquisador encontrou foram estudos em que os alunos que eram bons em música eram também bons alunos de matemática. 2003) sugeriu que os músicos possuem uma habilidade superior aos não-músicos na percepção da prosódia na fala tanto em frases faladas como em frases musicais análogas. ritmo e timbre. por exemplo. Segundo a interpretação de Cutietta. os alunos musicalizados mostraram um desempenho superior ao de seus colegas não-musicalizados em tarefas de percepção e de articulação da fala. bem como de seus métodos de investigação. 1996. e por último. 2003).. sua revisão de literatura não encontrou nenhuma relação causal entre a aprendizagem musical e as habilidades matemáticas. necessariamente. como ficou dito. (2) aulas de canto coral através do Método Kodály e (3) aulas de teatro. Terceira relação: O aprendizado musical e o aprendizado da linguagem Diversos estudos da neurociência sustentam o argumento de que a música e a linguagem são duas formas de comunicação humana através de sons que possuem tanto diferenças quanto semelhanças de processamento e de localização espacial no cérebro (veja Marin & Perry.

é importante que sejam consideradas as distinções entre os diversos tipos de transferência (distante e próxima) no exame dos estudos sobre os efeitos de transferência entre contextos e áreas de conhecimento. cultura. e também buscarmos informações nas entrelinhas. até o presente. do ensino e da aprendizagem musicais. Como exemplo. tempo. de uma área de conhecimento para a outra. como sugere Schellenberg (2004). isso raramente ocorre e diversos problemas decorrem da aplicação das relações causais entre a música e outros contextos ou áreas.Quarta relação: O aprendizado musical e a leitura O interesse pelos efeitos da música no desenvolvimento cognitivo nos últimos anos. as investigações acerca dos efeitos da música no desenvolvimento intelectual ainda estão em fase preliminar e há poucos fatos comprovados e muitos mitos (veja Ilari. Trehub & Schellenberg. nas possíveis omissões de dados (como ocorreu no caso ‘Efeito Mozart’). Como sugere Schoenstein (2002). canto. 2003). É necessário indagarmos sobre os métodos de investigação. sociais. trouxe à tona a questão dos efeitos da educação musical em uma área fundamental: a alfabetização. criam e brincam com a música simplesmente porque é natural (e muito divertido) fazê-lo. No entanto. composição. dança e execução instrumental entre outras. Estas relações são interessantes e possuem algum valor se tomarmos um ponto de vista exclusivamente científico-teórico. no exercício dessas formas de aprendizagem os alunos podem ter uma sensação de realização pessoal. quando crianças. A Música no Contexto da Arte e Educação Ana Maria N. reprodução. culturas e classes sociais cantam. mentais e espirituais” e a arte contribui muito para esse desenvolvimento integral. que influenciam diretamente a validade e aplicabilidade dos estudos. 2002. que são transmitidos e desenvolvidos através da educação musical. não foram encontradas relações causais entre os dois aprendizados. Outros estudos revisados anteriormente por Cutietta (1995) sugerem uma forte correlação entre a educação musical e o rendimento de leitura em alunos com idade variável entre 5 e 19 anos. as amostras e os contextos. muitas vezes. 1995). mas novos estudos ainda são necessários para determinarmos se há. é importante questionarmos as relações causais entre a música e as outras áreas do conhecimento porque elas influenciam nossas motivações e atitudes diante do desenvolvimento infantil. representação. Além disso. Em segundo lugar. 1983). Além disso. movimento. Sem falar que. Os estudos resenhados sugerem que as crianças musicalizadas podem aprender a ler mais depressa. sobretudo em um país como o nosso que luta pela inserção da música como disciplina obrigatória na educação básica. Enquanto evidências sólidas e convincentes não são apontadas. Considerações Finais Apesar dos avanços científicos recentes. Porém. a habilidade que o ouvinte tem de segmentar a fala em unidades menores e ainda assim reconhece-las independentemente de variações em altura. Se por um lado os estudos sobre os prováveis benefícios extra-musicais da música parecem fomentar argumentos promissores para a educação musical. É também imprescindível questionarmos até que ponto há importância em estabelecermos relações causais entre a música e outras áreas. impondo razões educacionais. A música tem valor próprio e há muitas razões que justificam sua inserção na escola. È possível que as pesquisas futuras apresentem evidências que apontem para enormes efeitos e benefícios da educação musical no desenvolvimento cognitivo. Em terceiro lugar. Um estudo recente conduzido por Anvari e colegas (2002) sugeriu que a percepção musical tem uma relação estreita com o desenvolvimento da leitura e com a consciência fonológica (isto é. os maiores efeitos da música são aqueles contidos nas experiências que ocorrem diariamente em todas as partes do mundo. muitos estudos das relações de transferência cognitiva entre as áreas servem razões muito mais econômicas que propriamente psicológicas ou educacionais. o fazer musical da aula de música envolve diversas formas de aprendizagem contidas em atividades como audição. a música constitui uma importante forma de comunicação e expressão humana e praticamente todos os povos do mundo possuem algum tipo de música (Ilari & Majlis. a aplicação dos estudos de transferência entre a música e outras áreas acaba estabelecendo relações completamente estapafúrdias. de fato. Todas estas atividades auxiliam no desenvolvimento da inteligência musical (veja Gardner. uma transferência cognitiva generalizada. que fomentam e garantem o desenvolvimento cognitivo musical das crianças. raramente ouvimos alguém dizer ‘ele estuda física para ser bom em culinária’ ou ‘ela faz teatro para aprender a nadar’. . a música carrega traços de história. os resultados apresentados até o momento são bastante sólidos. realizadas dentro e fora da escola. dançam. Como foi dito anteriormente. ao meu ver. e no caso específico da educação musical. os mesmos estudos transformam a música em um meio e não em um fim em si. São as experiências musicais de qualidade. avaliarmos os resultados. políticas e econômicas que freqüentemente transcendem à própria razão de ensinarmos música. estes estudos sugerem que o aprendizado musical pode ser útil para o desenvolvimento da leitura. timbre e contexto). criação. é importante frisar novamente que. e identidade social. de bem estar e de prazer que resulte naquilo que Csikszentmihalyi (1990) chamou de fluxo. Embora existam poucos estudos. Gorski Damaceno [*] A Educação conforme a escritora americana Ellen White é o “desenvolvimento harmônico das faculdades físicas. Em primeiro lugar. de diversas etnias. improvisação. Em conjunto.

fixou a idéia que as belas artes e o estudo do piano e canto são só para o sexo feminino. pouco compatível com a sublimação cultural e mais a radiocacofonia. Segundo o educador Paulo Dourado: “A música é a mias abstrata das manifestações do homem. Pela lei 5. sempre representou uma forma de libertação emocional. criatividade. têm um efeito terapêutico muito grande. Isto e mais o consenso antimusical de alguns pedagogos do nosso país “Música não serve para nada”. ensaiam bem para que saibam as letras com precisão rítmica e melódica. O objetivo deve ser o desenvolvimento das faculdades intelectuais e sensoriais e a busca de uma interação enriquecedora entre ambas. senso estético. confiança. onde dividimos a classe em vários grupos. O conceito de ensino da arte como adorno para as moças da classe alta até meados deste século. concentração. na experiência artística-musical. para desenvolver um bom físico e a segunda para uma mente sadia. Todos os alunos se realizaram e.692/71 o Brasil instituiu duas horas por semana para Arte nas escolas.. São apropriados a todos independentemente de sexo. pois faziam por prazer e com gosto. que provocam fenômenos de rejeição acústica. alguns pouco interessados em aperfeiçoar-se. foram coroados pelos seus esforços. Infelizmente. dramatizaram. equilíbrio. Advoga-se a tese de maior intercambio entre arte. Talvez. Todos os pais e educadores devem se convencer de que a música é um inestimável beneficio para a formação. as músicas eruditas em geral. interlúdio e poslúdio. ensinam a desouvir. devido ao machismo existente em todo o mundo. afetividade. desinibição. ainda pior. Os três elementos fundamentais da música. Todas estas idéias negativas de música formadas no século XX e a vinda de músicas ruidoras que. leitura dinâmica. “Mente sã em corpo são”. O que acontece. devem ser desenvolvidos cantando. As músicas podem ser integradas numa peça de teatro. é que muitas vezes professores pouco motivados. Por outro lado. desde os tempos remotos. de que “toda pessoa é talentosa”. o grupo dos músicos providenciou os fundos musicais e tocou na abertura. tinham como disciplinas primordiais à educação física e a música. flexibilidade e originabilidade. alguns ainda advogam que as experiências em arte são luxo dispensável. outro cuidou dos efeitos de luz e som. harmonia e ritmo. depois. Portanto as generalizações aos músicos e artistas são simplesmente absurdas! A música no decorrer de nossa vida e. sua agudeza de observação. outro pintou e improvisou o cenário. Grau. em todas as épocas. sem formação especializada ou. atual Ensino Médio. sem idéias renovadoras. auto-afirmação. e apresentou um programa para pais e alunos da escola. uma grande auxiliadora pedagógica par se aprender as demais matérias. ciência e técnica e. podendo despertar perigosos impulsos para o efemininamento e a boemia. melodia. cotidiana e permanente. outros interpretaram os papéis. A classe trabalhou unida e arduamente. Deve permitir em primeiro lugar a exploração livre pelos alunos. fluência. sua fantasia e criatividade. ajudando na cura de várias enfermidades. cantores e pintores de maior projeção de todos os séculos são homens. professor e aluno selecionam o material. felizes. deixam as pessoas irritadas e extremamente cansadas. A utilização da música na educação de crianças é um grande estimulo ao desenvolvimento do pensamento criativo. Exprime o que de mais profundo há no espírito humano”. A primeira. colocam numa ordem. numa coreografia. . sexualizada. Para nosso trabalho muitas vezes era pouco tempo e os alunos não se incomodavam em marcar ensaios extras. Até ligam sempre os artistas a pessoas desajustadas e metidas com drogas.. da imaginação e de noção de forma. daí o termo “musicoterapia”. música. Sabemos que os gregos. Instrumentos e Belas Artes não possuem sexo.A escritora brasileira Ana Mae Tavares Bastos Barbosa mencionou: “Educação é o caminho que leva alguém a realizar as próprias descobertas e alcançar sua expressão própria”. como arte turva. O professor deve estimular os alunos à composição de músicas instrumentais e vocais. Também para desenvolver: a coordenação motora. tornam essas aulas maçantes. ouvindo e tocando instrumentos até construídos pelos próprios alunos. Tanto que os pianistas. Achamos interessante mencionar uma experiência com nossos alunos da Educação Artística do 2o. instintiva. escolhemos um tema onde um grupo escreveu o roteiro da peça. desenvolvimento e equilíbrio da personalidade da criança e adolescente. Opinião assim e. cansam e desgastam grandemente o sistema nervoso. procurando despertar no estudante sua sinceridade de emoção. numa festival ou num recital ou concerto. impulsiva. à medida que vão realizando as improvisações. concepção esta inteiramente errada.

vadiagem. mas ás vezes melhorar as relações do dia-a-dia com ele.. Todos os pais querem que seus filhos sintam o lar como um paraíso de paz. Sob essas circunstancias a disciplina de torna cada vez mais difícil. a musica parece ser a fonte do amor.. E aprendem os pais como o filho ataca um problema. podem contribuir para o equilíbrio emocional. Igualmente. E verdade que gastamos quase todo o nosso tempo cozinhando para eles. ou consultar especialistas para criar esses laços de estreitamento da família. Mas antes vejamos quais os problemas domésticos que dão maior relevo a esses benefícios. demonstrar lógica e afeição torna-se quase impossível enquanto nossas gerações agirem como se estivessem em órbitas diferentes.uma solução fácil.e ouvi-los. ou pelo menos uma das fontes onde o amor se abastece. Qual o Caminho? Hoje em dia nós.É nosso objetivo reforçar que a música e. Esse procedimento produz calorosas e estreitas relações e reduz a ansiedade. Mas. estudando convivendo com os amigos. mulheres e crianças descobriram que é possível criar melhor entendimento e harmonia doméstica através da música.. infelizmente. em casa. Eles ficam fora. Você não precisa fazer um curso para estudar a criança. "Se a Música é o Alimento do Amor. Vamos dar uma olhada em alguns dos benefícios que a musica tem para oferecer. De fato estamos tão atarefados fazendo que pouco tempo nos sobra para que. os homens. Mas os jovens músicos estudam onde os pais podem vêlos. A observação dessas exteriorizações da personalidade permite melhor entendimento do caráter do filho e uma forma de tratá-lo mais sensatamente. Todo o processo: a escolha do instrumento. coordena e persevera. pais. E sobre tudo. Como a Música Pode Melhorar o Entendimento Entre Você e Seu Filho Você adora seu filho. estamos preocupados com muitas coisas: disciplina (ou falta dela).. e a sua própria.. vivendo através deles. Todos nós temos momentos em que queremos entender nossos filhos um pouco mais e melhor. ou tirar umas férias da família. indagando ás vezes por que não vemos mais claramente o que os nossos jovens querem ou entendemos o que eles realmente sentem. Isto significa que 99% dos pais não liga para esse eficiente e vital método para melhorar a vida de suas crianças. que muito raramente participa daquilo que está fazendo. Uma solução maravilhosamente simples? Talvez. econômica e antiga. os mais velhos. estamos a sua volta para criar e preservar um coração feliz. fazê-los compreender o quanto nos preocupamos com eles.. um lugar de alegrias e entretenimento e que nós. Aqui pretendemos oferece-lhe uma solução diferente. menos de 1% das crianças brasileiras estão sujeitas a um preparo musical adequado ou sendo treinadas em um instrumento musical. Hoje em dia quase toda a educação se faz longe do lar. . comprando por causa deles. por pessoas devidamente especializadas. Estudos recentes mostraram que as famílias que cultivam a música tomam interesse também em todas as fases da vida deles. Sentada olhando e falando e aplaudindo. nos preocupamos com nós mesmos. sua compra e o estudo nele. Em síntese. tem menos oportunidades para obras criativas. planejando em torno deles. as artes em geral. Não estamos certos de como essa mocidade folgada está crescendo. quão profundo é o nosso amor por eles. conferenciando sobre eles. envolve uma intensa relação entre pais e filhos. A musica permanece como uma das poucas atividades cujo núcleo encontra-se no lar moderno. ou para onde ela vai. Isto não é mágica é lógica. Compartilhar idéias e interesses. Muito constrangedor é verificarmos que a juventude se torna uma espectadora passiva. Nós podemos estar vivendo uma era que gira em torno da criança mas. Vamos Fazê-la" (Shakespeare) Você perguntará agora o que isso tem a ver com a música. é de suma importância a fim de proporcionar uma melhor integração do indivíduo na família. escola e sociedade. A medida que os anos passam nossa ansiedade vai aumentando. psicológico e social do educando. Realmente nossos filhos também não param quase em casa. a juventude tem pouca chance de exteriorizar sua energia interior. que o ensino da música na arte educação. falta de comunicação entre as gerações: estatísticas ameaçadoras sobre delinqüência juvenil. o centro dessa era raramente é o lar. Desde que David acalmou o rei Saul com música. e uma variedade de males e vícios. A pressão das forças externas causa um impacto violento em nós e tenciona os laços familiares a um ponto critico. como pais. Causar-lhe-á espanto como uma clarineta pode agrupar um lar ou substituir um psicanalista. enfrenta as frustrações.. e acima de todos os nossos receios. ou que espécie de valores ela está colecionando para o futuro. simplesmente fiquemos com eles.

amor e ódio. nem deixam de se amar. muitos pais negam essa experiência a seus filhos? Porque eles obstinadamente viram as costas para tanta riqueza potencial? As razões que os pais dão para essa relutância são inúmeras e nós tivemos o trabalho de catalogar as principais: 1 – Meu Filho Não Tem Talento! . Essa integração. Ele verá que existem momentos em que compromissos. mas a indiferença sim. Na infância as bonecas e os amigos imaginários satisfazem essa necessidade. dias bons e maus. ele está dedicando seu tempo para ouvi-la. ou viajar no Rio Amazonas. de fato. é um ser emocional. por causa de seu instrumento ele encontrará amigos em todos os círculos e suas chances serão. Aprendendo a viver consigo mesmo como um indivíduo. todas essas forças antagônicas são uma parte normal da existência humana. mas ele encontrou sua forma de "escape" como um participante ativo e não como um simples espectador. Ouvir-se-ão notas desafinadas e barulho. de praticar ou de melhorar por causa deles. prazer. A criança saberá que. Esse inanimado amigo o ensinará a enfrentar a tristeza e a frustração de forma diferente. um instrumento musical é o substituto ideal. Em seu instrumento ele pode criar ou expressar grandes pensamentos. "A Música é a Linguagem Universal da Humanidade". para ele bastante ego. respeito pessoal. Por mais que ele viva e em qualquer lugar a que for. Um instrumento musical ajudará Joãozinho a tornar-se: 1) um melhor irmão. e algumas vezes relutância para uma pratica constante. apanhará ou sofrerá caçoada. encorajamento e repreensão. Entretanto quando ele recebe um instrumento musical. Criticas construtivas não inibem a criança. Desde que muitos pais estão freqüentemente preocupados com a felicidade de seus filhos. Ele terá que enfrentar – ou não enfrentar – competições e brigas na escola. com sua clarineta. um pequeno trompete pode construir. conversar com Peter Pan ou pular com Pedrinho no Sitio do Pica-Pau Amarelo. que lhe dará uma chance de expressão pessoal. rivais na escola e algumas dúvidas íntimas acerca de si mesmo. Porque. sente-se estimulado para maior esforço por causa de seu orgulho. ele. Pais e filhos emocionalmente sadios não se assustam ou se ressentem por sentimentos discordantes. ele pode ir à batalha. A música tem muitas faces e muitas virtudes. expressão e atendimento.Neste ponto você talvez diga: Oh! Inclusive diga que a música cria também atritos. a assoprar fora sua fúria ao invés de se bater por ela com os punhos. se o pai a critica por uma nota desafinada. pode ir para qualquer lugar. mas felicidade também significa encontrar um caminho aceitável de "escape" quando "estamos saturados do mundo". escape. uma palavra deve ser dita sobre os instrumentos musicais como uma fonte de alegria e duradouro prazer. Mas. encontrar quem quiser. e divisão se desenvolve em torno de sons e notas e traduz-se em afeição e harmonia humana. Assim que Joãozinho for se desenvolvendo no uso de seu amigo. Joãozinho. então. Joãozinho estará dando o primeiro passo num ajustamento bem sucedido no grupo. muito maiores. fazer o que quiser. lutas com os irmãos e insegurança pessoal. ou se livrar grandes problemas. 2) um indivíduo alegre e 3) um membro mais cooperador de um grupo. Ele reclama muito? Realmente não Joãozinho. "A Música Tem Encantos que Enternecem o Selvagem". ou renúncias. aprendendo a gostar de si mesmo. Ele pode ser sonhador e fugitivo. Sem se resignar à angústia da realidade ou a ridicularização dos amigos. quando essas "escapadas" da infância precisam ser substituídas. Abra-te Sésamo! Um instrumento musical é a chave que abre um tesouro: talento engenhosidade. ele provavelmente tem irmãos e irmãs em casa. Pode torná-lo desejoso de realizações ou compreensivo e obediente para os pais. Mais tarde. ele está pronto e amadurecido para ele e o receberá com uma fonte de conforto e de alegria. sons melodiosos e discordantes. afinal. Você está certo neste ponto. Com o tempo ele começa a tocar um instrumento musical (de forma ideal em torno de seu 10° aniversário). ou expelir grandes sons. ele também adquirirá nova segurança em si mesmo e incrementará seu respeito pessoal. Onde quer que esteja todos entenderão o que ele diz por que seu instrumento tem uma linguagem melhor e mais profunda que a das palavras. Ninguém nega que para se atingir a uma harmonia deve-se começar por aquilo que é perfeito. ou cooperação são tão necessários. existe alguma coisa (ou alguém) que o apoiará. por seu lado. Felicidade – na idade adulta – significa encarar a realidade. E pode fazer mais. Quando você e seu filho comentam o progresso dele e demonstra se orgulhar disso. Em suma. harmonia familiar. Pode manter Joãozinho mais em casa. se ele insiste para que ela estude é por que está suficientemente envolvido para querer isso. cooperação. A música estreita as relações entre você e seu filho de uma outra maneira. Por seus momentos de ansiedade ou tensão Joãozinho será punido. ele pode retroceder em seu instrumento. dependendo de sua imaginação e das músicas que ele escolher. Agora por fim.

Nós. mesmo que breve.. Cante um acalanto e o bebê se acalma. Mesmo que ele se disponha a seguir os passos que você quer. talvez agora você tivesse uma fonte extra de verdadeiro prazer. E Provavelmente Desistiria! As crianças. ou deseje e falhe.. onde se dava inteira liberdade. como um bom pai você pode se tornar um melhor pai por fazer com que a nova geração passe a fazer música. alfaiate. a profundidade desse caminho fácil. se somente os talentosos se tornassem aprendizes de música quem assistiria nossas Sinfônicas. aprendem música mais rapidamente. Fazendo o jogo "depois de você. não por que seus amigos fazem a mesma coisa. tocando-a. O mundo da criança está saturado de ritmo e de melodia. Ainda mais estranho quando pensamos que a música é a única das distrações que será duradoura durante a vida de seu filho – e melhor harmonia de seu lar – olhe para aqueles cujos instrumentos musicais enriqueceram sua vidas através dos anos. isso significará que ele deve ser um atleta que não aprecie música? Doutor. E supondo que seu filho tente e desista. a música deve permanecer sendo como a caridade. ou apreciaria nossos músicos ou compraria discos? 2 – Meu Filho Não é o Tipo! Nós devemos catalogar. rotular e enquadrar todo mundo? É natural que nós desejamos que nossos filhos tenham o que nós uma vez já desejamos e não tivemos. a música é uma das poucas coisas que a criança pode fazer. Elas precisam de pais que façam as escolhas. Que decepção terá se ele fraudar sua boa fé. A educação musical mudou bastante e a criança adquire um senso de empreendimento. Talvez você ache que seu filho tenha o "tipo atlético" por que quer que ele seja o esportista que você nunca chegou a ser. batendo. Nós. 3 – Meu Filho Não Demonstra Nenhum Interesse Pela Música! Tem certeza? Quase toda criança se manifesta através de músicas e sons. hoje em dia. uma enormidade de escalas e anos de prática para que algum progresso fosse notado. se você perder o seu respeito. Lembre-se que a "musica é o alimento do amor" e que. 4 – Meu Filho Nunca Pediu Para Aprender Música! Ele lhe pede permissão para ir à igreja? À escola? Felizmente você assume a responsabilidade por essas decisões como uma parte de sua atividade de pai. Estará ele ou ela preparado para a música? Qual o instrumento mais apropriado? Certos tipos de crianças são mais aptas para serem bem sucedidas com este ou aquele instrumento? O educador musical da . Se seus pais não o tivessem estereotipado. mas cada uma delas é enriquecida pela recompensa que a música dá. se eles o tivessem colocado em contato com a música quando criança. tocando um instrumento. pais.Como você pode saber enquanto ele não esteve submetido a uma situação de aprendizado em que a música estivesse envolvida? Mesmo que você esteja certa. As crianças gastam uma boa parte de seu tempo zunindo. nenhuma direção e nenhum controle. dará nova dimensão á sua personalidade. quando do regresso. de uma caneta a um gurizinho e ele baterá um ritmo fascinante. você pode ter perguntas sobre as oportunidades que seu filho ou filha terá na banda de música. É de se estranhar que somente 1% de nós veja a sabedoria. É supondo sua reação que devemos negar-lhe essa agradável experiência? O contato com o aprendizado musical. lembramos da música como era em nosso tempo. marinheiro. deve ser dada somente aos necessitados e aos talentosos? Não são todas as crianças que devem ter mais cultura? Não devemos dar a todas a oportunidade de uma enriquecedora aventura? Porque negar a seu filho a alegria da música? E ainda mais. antigo e indubitavelmente econômico para solidariedade familiar. dedilhando. 5 – Eu Quero Uma Criança Varonil! Numa época em que muitos pais lavam pratos e em que muitas mães são obrigadas a trabalhar fora como podemos dizer qual o interesse ou atividade que é masculino ou feminino? Quer um exemplo mais positivo do que o fato de que um dos primeiros homens a pisar na Lua era músico e passou seu tempo de isolamento. As crianças não sabem que experiências ou aprendizados são bons para elas. puna uma criança de 6 anos e ele cantará sua música privativa. não pelas notas. Como podemos avaliar o que isso significará para ele quando adulto? Lembre-se. que a conduzam em certas direções e que lhes abram novos horizontes que facilitarão o seu futuro. Agora que acabou de ler. de realização em muito pouco tempo. mas é perigoso colocarmos nossas necessidades na frente das deles. 6 – Meu Filho Levaria Anos Para Aprender. não pelos resultados. assobiando balançando e cantando. mas simplesmente pela experiência que dela emana. meu filho". soldado. os pais damos desculpas e buscamos fracos argumentos para negar música a nossos filhos. não para um fim longínquo. você o estará incentivando a seguir o seu próprio caminho. Psiquiatras sabem que uma boa parte da delinqüência e do desajustamento do individuo deriva de um lar em que os pais deixavam as atitudes ao livre arbítrio da criança. ou seja. nenhuma carreira é um caminho para a música.

. O Compasso deve ser a expressão objetiva do ritmo através das fórmulas de compasso e barras bem aplicadas. Acontece o mesmo com os sons que devem obedecer a certas leis de atração. formam uma proposição. As fórmulas e barras de compasso são as referências básicas para identificar os sons acentuados na música. Obs. Algumas vezes o próprio compositor deixa de refletir o suficiente para colocar a barra na posição correta ou escolher a fórmula ideal para representar objetivamente o ritmo de sua música (ver o exemplo no apêndice). a parte acentuada. mas não tão forte (mf) como o 1°. Os sons se agrupam em células que associadas vão formar as frases e períodos da música. O Motivo equivale à palavra na poesia. (melhor seria: Tinha ao lado coqueiro).banda deve ser um professor treinado e qualificado através de anos de experiência em trabalhar com as crianças para organizá-la em cooperação com o diretor da Escola? Critérios para Relacionar Letra e Música Tércio Simon Para obter bom resultado na associação dessas duas linguagens. Vamos colocar em primeiro lugar a importância do respeito às sílabas tônicas e sons acentuados da Música. Tempo Forte — Todo compasso deve ter início com o tempo forte. O ponto de partida para a frase musical é o motivo[2]. simples ou composto. Sintomas de ritmo mal expresso podem ser: a incidência de barras antes de pausas (Hino 245). sendo a primeira parte forte seguida de duas partes fracas. deve indicar 1 tempo forte seguido de 3 tempos fracos. "Por si só. A diferença é que o compasso tem início no tempo forte. Ex: Casinha Pequenina: Tinha um coqueiro do lado. a fórmula correta é binária com os tempos convertidos em partes de tempo. Divisão dos Tempos — Compassos Simples têm divisão binária dos tempos sendo a parte inicial do tempo.. A expressão objetiva da altura dos sons é feita pela posição das notas na pauta e determinada com mais precisão utilizando as claves. assim como as palavras isoladas não constituem a linguagem. somente quando unidas entre si por um vínculo lógico respondendo às leis do entendimento. a expressão objetiva da duração dos sons é feita pelo uso das figuras e pausas. (São palavras de Charles Gounod). Há normalmente o mesmo número de motivos e compassos. assim a falsa acentuação do 3º tempo passa a funcionar como legítima parte forte do 2° tempo (Hino 1 e 392). O compasso quaternário costuma ser mal interpretado acarretando certa confusão. E só então que passam a pertencer ao domínio da arte".. Ou notas fracas como as prolongadas por ligadura (Hino 480). Além da dificuldade para bem adaptar letra à música cuja grafia não expressa com clareza a cadência que lhe é própria. Índia: . substituir mentalmente a indicação incorreta pela certa. afeta também sua interpretação. de inter-relação — que são as que regulam sua sucessiva ou simultânea produção — para converter-se realmente. uma frase inteligível. Quando o 3° tempo é mais acentuado que o 2° e o 4°.. (El Ritmo Musical – Mathis Lussy). O regente que não faz coincidir o som acentuado com seu gesto mais enfático. os sons não constituem a música. tens o cheiro da flor. Fraseologia Musical Outro aspecto importante é reconhecer os limites da frase musica. Infelizmente isto nem sempre ocorre. Os outros tempos do compasso são igualmente fracos em qualquer das fórmulas. estruturado na . Na combinação das duas linguagens o número de sílabas do verso poético deve corresponder ao número de sons para que o pensamento se complete ao mesmo tempo. Não é preciso muito preparo para identificar as sílabas tônicas e átonas das palavras. Vem que eu quero te dar. A segunda parte do tempo é fraca. portanto a barra de compasso só está bem colocada quando vem antes do som mais acentuado. enquanto o motivo. ou ainda acentuação freqüente em outro tempo do compasso sem ser o 1° — único tempo realmente acentuado (Hino 590). Em Música.: O grifo indica sílabas que recebem acento forçado pelas notas acentuadas. As palavras. Palavras bem colocadas não terão as sílabas átonas associadas a notas mais acentuadas que as que correspondem às sílabas tônicas (vício comum em músicas folclóricas e sertanejas). Seu centro de gravidade é o tempo forte do compasso.sangue tupi.alternativa proposta no exemplo 2 do Apêndice) [1]. Qualquer fórmula de compasso quaternário. a indicação correta deveria ser: 2 compassos binários com uma nova barra antes do falso 3° tempo (Hino 145 . Quando o 3° tempo é forte como o 1°.. Já na Música surgem algumas dúvidas. — Compassos Compostos (unidade de tempo pontuada) têm divisão ternária. deve-se respeitar a sintaxe de ambas. está simplesmente abanando a mão e confundindo aqueles que ele conduz. em uma idéia musical. Acompanhante e regente deveriam perceber o problema e mesmo sem modificar a escrita..

ou as sílabas excedentes invadem notas de outro elemento da frase musical. Deus será glorificado e todo crente elevado espiritualmente.relaçãoarsis/tesis (impulso/repouso). e a maior. (EX. A 1ª frase pode vir seguida de uma ou duas frases que respondem à 1ª. As divisões mais enfáticas da música são: o fim do período ou o fim da frase. simetria total em 2 períodos). completando o período musical. . A combinação dos períodos forma a obra musical (Ex. A menor frase terá 4 motivos (2 meias-frases binárias — frase quadrada). 7 ou 8 motivos (combinações assimétricas). Se essas características se repetem em todas as estrofes expressando o pensamento de forma lógica e bela — devemos estar diante de uma obra de arte. Não cabem aqui onde a intenção é apenas dar uma idéia de como se estrutura a frase musical. Motivo de uma nota só — será formado pela nota do tempo forte. Conclusão O verso ideal conserva as sílabas tônicas onde há nota acentuada. e no 2° caso só combinação ternária. Esta pode vir seguida de uma ou duas meias-frases formadas por dois ou três motivos.: 1° motivo do Hino 1 – palavra monossilábica). Quando o verso tem mais sílabas que as notas da frase musical. O lº motivo combinado com mais um ou dois motivos.Música e Poesia forem compatíveis e ambas resultarem de legítima inspiração religiosa. e a que ocorre entre uma meia-frase e outra. [1] Todos os hinos mencionados referem-se ao Hinário Adventista [2]Os critérios para a divisão dos motivos são baseados nas leis do ritmo. torna-se necessário o uso de contração (geralmente forçada). A mescla de combinação binária com ternária pode formar frases de 5. Se ainda. Quando ele tem várias notas pode conter uma ou mais palavras. 6. melodia e harmonia. Mesmo assim a sensação é mais ou menos incômoda sempre que uma palavra é cortada por uma dessas divisões. meia-frase. formam a meia-frase. no 1° caso só combinação binária. São divisões menos enfáticas: a separação dos motivos que formam a meia-frase. costuma terminar no tempo forte (repouso). frase ou período.: Hino 1 – é formado por 4 frases quadradas. mas a palavra não deve ser cortada pelo motivo. e não usa palavras que avancem além dos limites do motivo. terá 9 motivos (3 meias-frases de 3 motivos).

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