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Novo Acordo Ortografico - Teoria e Pratica

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página 02 Página inicial Logo que você registra seu e-mail e senha, abre-se para você uma página

, contendo: o espaço da “AGENDA” e as abas “CURSO” e “DADOS”, mais abaixo. Na “AGENDA”, você lerá os avisos, chamadas e comentários da sua tutora ou tutor, bem como da Coordenação do curso. Acessando “DADOS”, você tem a opção de inserir sua foto e de trocar sua senha, a qualquer momento. Na aba “CURSO”, clique em “acessar curso”. É a sua porta de entrada em nossa sala de aula virtual. Explore o ambiente do curso e suas funcionalidades. Comunicação na plataforma A plataforma é o melhor canal de comunicação com a tutoria, com a coordenação e com seus colegas.

Para se apresentar, utilize o “FÓRUM DE APRESENTAÇÃO”, clicando em “FÓRUM”, no campo da “COMUNICAÇÃO”, e poste sua mensagem, apresentando-se à sua tutora ou tutor e aos seus colegas. Não deixe de participar desse fórum! Se não o fizer, correrá o risco de desativação do curso. Está prevista uma segunda chamada de candidatos, que substituirão as alunas e alunos que não participarem do “FÓRUM DE APRESENTAÇÃO” no prazo de dez dias, a contar do início do curso. Veja esses prazos no “CALENDÁRIO”, a seguir. Tendo em vista a grande demanda que houve para este curso e o número limitado de vagas, seremos obrigados a adotar essa conduta, para contemplar o maior número possível de interessados.

Sempre que você quiser se comunicar com seus colegas e a Coordenação, utilize o fórum “CONVERSA ENTRE ALUNOS”, criado para esse fim. Ele será aberto mais tarde. Avisaremos a você. Acesse-o clicando em “FÓRUM”, no campo da “COMUNICAÇÃO”, no menu lateral à esquerda.

Se quiser entrar em contato com sua tutora ou tutor, clique em “MENSAGEM”, também no campo da “COMUNICAÇÃO”, no menu lateral à esquerda. Sua tutora ou tutor acessará sua mensagem e a responderá no mesmo espaço.

Se, no entanto, você não estiver conseguindo acessar a plataforma ou quiser se dirigir particularmente à Coordenação, recorra, então, ao correio eletrônico, escrevendo para ilbead@senado.gov.br.

Quando postar mensagens pelo correio eletrônico, lembre-se sempre de identificar o seu curso no campo “ASSUNTO” da mensagem, assinar seu nome completo no final dela, informando, também, a sua turma. página 03 Tutoria Você conta com uma tutora ou um tutor, que vai lhe dar orientação sobre o conteúdo do curso. Contate-a/o por meio do campo “MENSAGEM”, no menu lateral à esquerda.

Coordenação A coordenadora ou coordenador vai ajudar você em todos os assuntos referentes à utilização da

plataforma e seus recursos e à dinâmica do curso. Contate-a/o por meio do fórum “CONVERSA ENTRE ALUNOS” ou por correio eletrônico, enviando sua mensagem para ilbead@senado.gov.br.

Suporte técnico Esclarece e resolve as dúvidas de acesso e desempenho do ambiente virtual de aprendizagem. Acesse-o: E-mail: ilbead@senado.gov.br Telefone: (55) (61) 3303-1475 Horários de atendimento: de 10h às 12h e de 15h às 17h (dias úteis) Programa do curso Programa do curso

Unidade 1 – A Questão Ortográfica 1.1. Escrita: uma ferramenta de transmissão, fixação e preservação 1.2. A Ortografia e a difícil arte de escrever ou Ortografia: a utopia da normatização Unidade 2 – Por que promover um acordo? 2.1. Padrões de regularidade ortográfica. 2.2. Irregularidades na Ortografia 1ª Avaliação 1º Fórum de Discussão MÓDULO II – O Novo Acordo Ortográfico Unidade 1 – O histórico do Novo Acordo Ortográfico 1.1. Objetivos e critérios 1.1.1. Objetivos 1.1.2. Critérios 1.1.3. As Bases do Acordo 1.2. Vigência 1.2.1. Implementação Unidade 2 – Repercussões e críticas 2ª Avaliação MÓDULO III – O Acordo e as novas regras Unidade 1 – Mudanças no Alfabeto 1.1. Reintegração das letras K, W e Y 1.2. Consequências Práticas 1.3. Emprego de maiúsculas e minúsculas Unidade 2 - Supressão do Trema 2.1. O trema 2.2. Histórico do uso do trema 2.3. Pronúncia das palavras afetadas 3ª Avaliação 2º Fórum de Discussão MÓDULO III – O Acordo e as novas regras (continuação) Unidade 3 - Acentuação Gráfica 3.1. Definição 3.2. Regras gerais 3.3. O caso dos verbos com < qu > e < gu > no radical 3.4. O caso dos acentos diferenciais Unidade 4 - Uso do hífen

4.1. Noções preliminares 4.1.1. Prefixos e falsos prefixos. 4.1.2. Unidades semânticas e unidades sintagmáticas 4.2. Casos em que se emprega o hífen. 4.3. Casos em que não se emprega o hífen. 4.4. Quadro sinóptico 4.5. Divisão silábica e translineação 4ª Avaliação Calendário

Calendário

DATA 05/04 05 a 14/04 05/04 14/04 15 a 25/04 Início do curso.

EVENTO

Abertura do Fórum de Apresentação para os alunos da primeira chamada. Disponibilização do conteúdo do curso aos alunos da primeira chamada. Encerramento do Fórum de Apresentação para os alunos da primeira chamada. Segunda chamada de candidatos para substituição dos alunos desistentes.

25/04 a 02/05 Abertura do Fórum de Apresentação para os alunos da segunda chamada. 25/04 06/05 06 a 16/05 16/05 17/05 30/05 Disponibilização do conteúdo do curso aos alunos da segunda chamada. Prazo final para postagem da 1ª Avaliação, referente às Unidades 1 e 2 do Módulo I. Abertura da 1º Fórum de Discussão. Encerramento do 1º Fórum de Discussão. Prazo final para postagem da 2ª Avaliação, referente às Unidades 1 e 2 do Módulo II. Prazo final para postagem da 3ª Avaliação, referente às Unidades 1 e 2 do Módulo III.

30/05 a 08/06 Abertura do 2º Fórum de Discussão. 08/06 15/06 27/06 30/06 Encerramento do 2º Fórum de Discussão. Prazo final para postagem da 4ª Avaliação, referente às Unidades 3 e 4 do Módulo III. Prazo final para entrega das notas pelos tutores. Encerramento do curso.

Critérios de Avaliação Critérios de Avaliação

1ª AVALIAÇÃO

1º FÓRUM DE DISCUSSÃO

2ª AVALIAÇÃO

2º FÓRUM DE DISCUSSÃO

3ª AVALIAÇÃO

4ª AVALIAÇÃO

Módulo I Unidades 1 e2 15 pontos 15 pontos

Módulo II Unidades 1 e2 15 pontos 15 pontos

Módulo III Unidades 1 e2 20 pontos

Módulo III Unidades 3 e4 20 pontos

TOTAL: 100 PONTOS

A nota máxima possível são 100 pontos. A nota mínima para aprovação são 70 pontos. Ao se encerrar o curso, se você não tiver obtido pelo menos a nota mínima (70 pontos), não obterá aprovação e não poderá se matricular em outro curso do ILB durante o semestre seguinte. Portanto, não desista no meio do curso! Faça um esforço para chegar até o final. Conte com a ajuda da Tutoria e Coordenação quando tiver dificuldades. Recomendações Recomendações Agora que você já conhece todos os recursos disponíveis na plataforma do curso, aqui vão algumas sugestões para que você obtenha o máximo de aproveitamento possível: assegure-se de que terá disponibilidade para se dedicar ao estudo; administre bem seu tempo; fique de olho no “calendário” do curso; consulte regularmente a “Agenda” na primeira página e leia as mensagens da Tutoria e da Coordenação; participe do “Fórum de Apresentação”, tão logo se inicie o curso; responda às quatro avaliações na sequência em que forem apresentadas e dentro dos prazos previstos; participe dos dois fóruns de discussão dentro do prazo de funcionamento: eles são instrumentos valiosíssimos de interação com o grupo, e a participação neles é obrigatória.

Certificação eletrônica Certificação eletrônica Se você obtiver aprovação no curso, estará em condições de extrair o CERTIFICADO e a DECLARAÇÃO, com o conteúdo programático. Ambas poderão ser expedidas por meio do ícone “EMITIR CERTIFICADO”, que surgirá para você após a conclusão do curso, tão logo a Coordenação fechar as notas. O ILB não fornece autenticação digital ou quaisquer outras comprovações além do CERTIFICADO e da DECLARAÇÃO. Esperamos que este curso atenda à expectativa de enriquecimento e aperfeiçoamento profissional e pessoal e lhe proporcione momentos prazerosos no contato com seus colegas, sua tutora ou tutor e a Coordenação do curso. Felicidades! Coordenação de Educação a Distância Instituto Legislativo Brasileiro Senado Federal

Unidade 1 - A Questão Ortográfica

Unidade 1 – A Questão Ortográfica

1.1. Escrita: uma ferramenta de transmissão, fixação e preservação. Toda língua é um fenômeno sociocultural e, talvez, o mais importante elemento de agregação do tecido social sob o qual se abrigam os seres humanos. E, nesse espaço comum, as línguas desempenham papel fundamental: o de fazer circular e, assim, transmitir conhecimento. Ainda mais: enquanto (e porque) unem os falantes em torno de uma língua comum, promovem a circulação do conhecimento que esses mesmos falantes constroem ao longo da sua experiência social. Obviamente isso contribui para a evolução do grupo. Para analisar essa função de fazer circular o conhecimento – onde a Ortografia é peça fundamental, conforme veremos mais adiante –, teremos de observar, com especial interesse, o avanço tecnológico que a sociedade humana experimentou em alguns de seus agrupamentos, ao desenvolver códigos gráficos para representar os sons da fala – a escrita.

Acredita-se que a escrita, então uma representação fonética, surgiu por volta de 3.500 a.C. com a escrita cuneiforme dos sumérios. http://histoblogsu.blogspot.com /2009_01_18_archive.html

página 02 Nos primórdios da civilização humana, a língua falada foi responsável pela transmissão do conhecimento de geração em geração. Com a invenção da escrita, os primeiros povos puderam, então, perenizar todo esse conhecimento acumulado, visto que agora seria possível “armazená-lo” em registros impressos, sejam em cascos de tartaruga, ossos de animais, tabuletas de barro, pedra, metal, papiro, tiras de bambu, pergaminho ou papel. Isso não significa que os povos de tradição oral, que não conhecem a escrita, sejam subdesenvolvidos culturalmente. Eles têm mecanismos próprios para fazer circular, transmitir e “armazenar” seus conhecimentos por meio da língua falada, da mesma forma que nós utilizamos a escrita para esse fim. Esse é, sem dúvida, um assunto muito interessante, mas deixemos para outro momento a discussão sobre as implicações sociais do domínio da escrita. Durante séculos, essa técnica do registro da escrita ficou restrita a um pequeno círculo de iniciados, que a mantinha muito bem guardada atrás dos muros das cidadelas medievais e nos espaços secretos dos monastérios.

Os monges copistas (ou escribas) trabalhavam reservadamente em suas bancadas. Alguns deles gastaram a vida inteira para reproduzir apenas um exemplar da Bíblia Sagrada. Escreviam à mão, página por página, usando o stylus, pequeno objeto pontiagudo de madeira, para gravar as letras sobre uma tabuleta coberta com cerume branco de abelhas. Foi daí que surgiu a expressão “cada qual tem seu estilo”. Os monastérios eram conhecidos pela sua caligrafia. Cada pergaminho trazia consigo uma assinatura, por assim dizer, que revelava a sua procedência e, às vezes, até a identidade do seu artífice.

Os monges copistas, graças ao seu conhecimento de hebraico, grego e latim, são preciosos depositários e transmissores da cultura e da teologia antigas.

página 03 Surgiu, então, a prensa. O ourives alemão Johannes Gutenberg a inventou em 1455 e nela imprimiu seu primeiro livro, a Bíblia Sagrada. Os chineses já usavam a técnica da impressão havia mais de 1.400 anos, mas os tipos eram talhados em madeira, o que impedia que se fizesse muita pressão para marcar o papel, resultando gravuras pouco nítidas. Aliás, o papel tinha sido inventado por eles mesmos 200 anos antes. Antes dele, eram usados o pergaminho e o velino (papel de couro de vitela), mas eram caros. Portanto, o papel vindo da China foi fundamental para a impressão dar certo. A prensa de Gutenberg empregava placas de metal duro, que eram mais resistentes e duráveis, e nelas fundia os caracteres, que depois eram juntados em fôrmas com moldura de madeira, que resultariam nas páginas. A tinta era à base de óleo de linhaça e negro-de-fumo. Era um processo muito mais eficaz e rápido, que possibilitava a impressão em massa. Para se ter uma ideia, em 1424, a famosa Universidade de Cambridge, no Reino Unido, possuía apenas 122 livros. Em 1500, cerca de 15 milhões de livros já haviam sido impressos no mundo inteiro.

Tabuleta de escriba com o “stylus” e a Prensa de Gutenberg

página 04 As prensas se difundiram, fazendo circular informação e conhecimento de maneira mais rápida, ampla e clara e suprindo, assim, a crescente demanda nesse sentido. A informação escrita se democratizou, portanto, deixando de ser exclusividade da nobreza e do clero. E isso iria transformar para sempre a cultura ocidental, conforme veremos a seguir. Com a difusão dos livros, surgiu a necessidade de se padronizar a escrita, o que significava estabelecer um padrão gráfico (ver Glossário), para se evitar os sentidos dúbios, os mal-entendidos ou mesmo a desinformação. Era a chamada normatização. Normatização é o ato de normatizar (criar ou estabelecer normas). Os verbos ‘normalizar’ e ‘normatizar’, por vezes, são usados um pelo outro, indiferentemente, como sinônimos. Muito embora Houaiss admita a sinonímia, outros dicionaristas estabelecem diferença semântica entre eles. Divergências à parte, o fato é que apenas o verbo ‘normatizar’ tem a acepção explícita de estabelecer normas. É preferível, pois, empregar o verbo ‘normalizar’ e seus cognatos somente na acepção tradicional de tornar normal, de voltar à normalidade, e ‘normatizar’ para expressar a ação de estabelecer ou aplicar normas, regras, regulamentos, rituais etc., assim como as que foram baixadas pelo Novo Acordo Ortográfico. Ainda mais recentemente, emprega-se o verbo ‘normatizar’ na acepção de formatar um trabalho, dando-lhe formas específicas, com aparência padronizada de acordo com determinadas normas técnicas, como as da ABNT, por exemplo. No português de Portugal usa-se ‘normativizar’ em lugar de ‘normatizar’, aparentemente um derivado de normativo + sufixo izar.

Essa normatização serviria, portanto, para se veicular mais e melhor. O esforço de veicular mais implicava padronizar os tipos, a tabulação (ver Glossário), a paragrafação (ver Glossário), e tinha motivação econômica, pois visava o “mercado editorial” nascente. Por outro lado, veicular melhor significava padronizar a grafia das palavras, e aí estava implícita a intenção de atribuir valor cultural e de estilo às publicações. Portanto, além da motivação econômica, havia também uma preocupação de natureza linguística e social. página 05 1.2. A Ortografia e a difícil arte de escrever Os códigos comunicacionais (ver Glossário) são um conjunto regulamentar de signos ou sinais que permite o intercâmbio de informações, ou seja, a comunicação. A comunicação humana se realiza oral ou graficamente. Modernamente, diz-se que, para se falar bem uma língua, é preciso dominar tanto seu código oral como seu código escrito, ou seja, ser capaz de compreender e de se exprimir. Isso significa que o falante/escritor não só deve conhecer as estruturas linguísticas, como saber interpretar o que é comunicado e ser capaz de transmitir mensagens de acordo com o contexto e o interlocutor, ou seja, a pessoa com quem se conversa ou a quem se escreve.

A comunicação oral é o ponto de partida de todo processo de comunicação. Nela se expressa o pensamento com bastante liberdade e desenvoltura, muitas vezes beneficiando-se da interação imediata com o interlocutor, bem como de recursos que podemos chamar de “extralinguísticos”, que ampliam a capacidade de comunicação.

Por outro lado, na escrita, o sujeito comunicante, para dar sentido ao que informa, tem que retomar o texto várias vezes, reorganizá-lo e refazê-lo, editando-o, sugerindo contextos ou mesmo criando situações para se fazer entender. Assim, como se vê, a escrita desenvolve-se numa situação discursiva mais tensa e formal, que exige o emprego de estruturas linguísticas mais abstratas. A escrita é um sistema de representação da linguagem oral. É profundamente influenciado pelas circunstâncias históricas, sociais e culturais e, dessa forma, vai se aprimorando no tempo e no espaço onde se desenvolve. Em função desse processo dinâmico de construção e reconstrução da língua, compreende-se por que a escrita se tornou um sistema complexo de combinação de símbolos e regras gráficas de arranjo e distribuição desses símbolos. página 06 Esse sistema é definido por convenção, a partir da busca por uma melhor forma de se representar a oralidade da língua. A essa convenção vamos chamar ORTOGRAFIA. À Ortografia interessa: • o Alfabeto e as combinações possíveis dos seus elementos: grafemas (ver Glossário) (< ç >, < s >, < c >) e dígrafos (-rr-, -ss-, -ch-, -lh-, -nh-); • a acentuação gráfica e suas regras de aplicação; • o emprego do hífen e do apóstrofo; • as regras de utilização de certas consoantes (como, por exemplo, a utilização ou supressão do < h >, o uso de < g > ou < j >, de < s > ou < z >, ou de < x > etc.); • as regras de divisão silábica e de translineação; • as regras de utilização de maiúsculas e minúsculas.

Por aí já se percebe que a Ortografia é uma convenção normalizadora (ver Glossário) do registro escrito de uma língua. O princípio básico que rege a Ortografia é o da transcrição

fonológica (ver Glossário) das línguas, onde cada som (fonema) (ver Glossário) é representado por um símbolo gráfico (grafema) (ver Glossário). Todavia, no intrincado processo de transcrição da palavra falada para a palavra escrita, não se conseguiu resolver todas as particularidades fonéticas da língua, como, por exemplo, atribuir a cada som um único correspondente símbolo gráfico. De fato, mesmo quando somos alfabetizados, percebemos que um mesmo som pode ser grafado com diferentes letras. Isso acontece porque poucas letras respeitam o princípio fonológico de relacionar uma unidade sonora ou som (fonema) a apenas uma letra escrita ou símbolo gráfico (grafema). . É nessa fase, a da alfabetização, que aprendemos a dominar o sistema gráfico da língua, testando as possíveis combinações e rejeitando aquelas não atestadas na forma escrita do português, como, por exemplo, < jh > ou < çh >. Aprendemos a reconhecer, desde cedo, que tais representações violam o sistema gráfico da língua. No entanto, nesse mesmo estágio, é bem comum substituirmos o < x > da palavra ‘xícara’ por < ch >, não nos dando conta de que subvertemos o sistema ortográfico da língua portuguesa. página 07 A existência de mais de um grafema para cada fonema revela toda a riqueza etimológica e fonológica do idioma português, mas, por outro lado, traz dificuldades ao ensino da língua.

Quando, porém, o estudante consegue perceber que o aprendizado da Ortografia depende da prática social da linguagem, do hábito da leitura e da produção de textos, essas “dificuldades” da língua deixam de ser um problema. A verdade é que, quanto mais os alunos lerem e escreverem, maiores possibilidades terão de dominar a Ortografia vernácula (ver Glossário).

Falamos anteriormente em fonemas e grafemas. Para melhor visualizar essa relação entre fonemas e grafemas, ou seja, entre o sistema de sons da língua e o sistema ortográfico, apresentamos, a seguir, três tabelas. Na Tabela 1, repare que a cada fonema corresponde apenas e tão somente um grafema. Os fonemas consonantais apresentados e seus respectivos grafemas constituem pares inseparáveis em qualquer dos exemplos dados, não importando a posição em que ocorram na palavra e na sílaba.

FONEMA /p/ /b/ /t/ /d/ /f/ /v/

GRAFEMA <p> <b> <t> <d> <f> <v> Tabela 1

EXEMPLOS ‘pó’, ‘papel’, ‘primo’ ‘bolo’, ‘sebo’, ‘cobra’ ‘tom’, ‘gesto’, ‘tropa’ ‘dia’, ‘mudo’, ‘drama’ ‘foto’, ‘café’, ‘frio’ ‘veia’, ‘neve’, ‘livro’

O mesmo não ocorre nas Tabelas 2 e 3, onde um mesmo grafema representa dois fonemas diferentes, ou vários grafemas representam um único fonema, dependendo da letra que vem em seguida ou da sua posição na palavra. Observe que alguns fonemas são representados por sinais digamos “estranhos”, como, por exemplo, o /x/(*), que corresponde ao fonema 'r' simples; ou o /Z/(**), que corresponde ao fonema 'gê'.

É interessante informar aqui que, quando se trata de fonemas, utilizam-se as barras (//); quando se trata de grafemas, os sinais < >. É uma convenção dos textos linguísticos. página 08

GRAFEMA <r> <c> <s> <g>

FONEMA /x/ (*) /R/ /k/ /s/ /s/ /z/ /g/ /Z/ (**) Tabela 2

EXEMPLOS ‘rato’, ‘enrolado’ ‘era’, ‘prato’, ‘tambor’ ‘casa’, ‘macaco’, ‘cravo’ ‘cena’, ‘macio’ ‘sapo’ ‘casa’ ‘gato’, ‘lago’, ‘tigre’ ‘gelo’, ‘mágico’

FONEMA /s/

/x/ (*) /Z/ (**) /g/

< < < < < < < < < < < < < <

GRAFEMA ss > sc > sç > xc > s> c> ç> x> r> rr > j> g> g> gu > Tabela 3

EXEMPLOS ‘passar’ ‘crescer’ ‘nasça’ ‘exceto’ ‘som’, ‘urso’ ‘cimento’, ‘ócio’ ‘moça’, ‘março’ ‘extra’ ‘rosa’, ‘hora’ ‘corre’ ‘jardim’, ‘caju’, ‘geléia’, ‘mágico’ ‘gota’, ‘vaga’, ‘sogra’ ‘guerra’, ‘águia’

Aqui é importante fazer uma ressalva: nas Tabelas 2 e 3, os exemplos não estão contextualizados. É bom alertar para o fato de que, existindo um contexto, reduz-se o número de alternativas para a grafia de certos fonemas. página 09 Aqui estamos nos referindo aos dois contextos: no interior da palavra (fonético) e o contexto em que a palavra se insere. O primeiro caso é o dos dígrafos < ss >, < sc >, < sç >, < xc > e < xs >, por exemplo, que só podem ser utilizados entre vogais (contexto intramorfema) (ver Glossário), o que reduz as opções gráficas disponíveis. O segundo caso é aquele do ambiente semântico (ver Glossário) do texto (contextualidade), que nos permite precisar a correta grafia de uma dada palavra. “O cinto (com < c >) do Antônio está na altura da cintura”; “Sinto (com < s >) que o Antônio está tentando se superar”. Tanto o contexto I quanto o contexto II reduzem de fato as possibilidades gráficas. Como podemos ver na Tabela 3, existem oito grafemas disponíveis no sistema para representar o fonema /s/, mas existem limitações para o uso de alguns deles. O < ss >, assim como os demais dígrafos, < sc >, < sç >, < xc > e < xs >, por exemplo, só podem ser utilizados entre vogais, o que reduz as opções gráficas disponíveis.

Esse panorama sobre as relações que se estabelecem entre fonemas e grafemas no sistema ortográfico da língua revela a complexidade da tarefa imposta à criança durante o processo de aprendizagem da Ortografia. Por outro lado, se a escrita fosse fonética, isto é, se representasse exatamente os sons da fala, teríamos uma tamanha diversidade de símbolos gráficos que a unidade linguística ficaria comprometida. A escrita reproduziria não só a imensa variedade de modos de falar regionais brasileiros, mas também as diferenças entre os falares do português europeu e africano. A escrita perderia, assim, o seu papel unificador. Unidade 2 - Por que promover um acordo?

MÓDULO I – Reflexões preliminares Unidade 2 – Por que promover um acordo? 2.1. Padrões de regularidade ortográfica 2.2. Irregularidades na Ortografia página 02 Unidade 2 – Por que promover um acordo?

A Ortografia é uma convenção social criada para facilitar a comunicação escrita. Desse modo, compreender as convenções ortográficas ajuda, e muito, no processo de comunicação escrita. Isso porque, quando unificamos o modo de grafar as palavras, facilitamos a compreensão das ideias contidas nos textos que produzimos.

Falando mais especificamente sobre as convenções ortográficas, é importante saber que existem palavras cuja grafia obedece a padrões de regularidade ortográfica, ou seja, em que o conhecimento de uma regra permite antecipar como uma determinada palavra deve ser escrita mesmo sem conhecê-la.

Por outro lado, há as chamadas irregularidades ortográficas, representadas por aquelas palavras que não seguem nenhum padrão ou princípio.

No caso das regularidades, cabe-nos observar e refletir sobre elas, buscando estabelecer o padrão de ocorrência que define a regra ortográfica.

Entre as irregularidades, o caminho é criar estratégias de memorização da grafia das palavras de maior uso. página 03 2.1. Padrões de regularidade ortográfica. A tendência da Ortografia, em todas as línguas, é reproduzir a pronúncia do léxico (ver Glossário), ou seja, do vocabulário da língua em uma determinada época. Nesse processo, o primeiro padrão é o fonêmico, que surge quando se cria o sistema alfabético para associar um único grafema a cada fonema, conforme exemplificado na Tabela 1 da Subunidade 1.2. Além do padrão fonêmico, há outros que regulam as bases da Ortografia portuguesa. São eles o fonético, o lexical e o etimológico.

O exemplo característico de uma forma ortográfica foneticamente padronizada é o caso do uso do < m > antes de < p > e < b > (exemplos: “tampa” e “tombo”). Ele é uma marca de nasalização da vogal que o antecede. Embora estejamos tratando de escrita e não de fala, temos de recorrer à fonética para explicar a opção pelo emprego do < m > e não do < n > para aqueles casos em que ele antecede o < p > ou o < b >. O /m/ é naturalmente bilabial, assim como o /p/ e o /b/. Quando falamos ‘mamãe’, naturalmente os lábios se encontram para articular o fonema /m/. Do mesmo modo como para falarmos ‘papai’. Assim, a grafia mais natural, digamos assim, é aquela que as aproxima dada a sua familiaridade fonética. Tal não se daria, portanto, com o /n/. Vejamos, agora, a motivação lexical. Ela é encontrada naquelas formas que mantêm o mesmo grafema, ainda que ocorra mudança no som. Exemplos: a palavra ‘medicina’, que se escreve com < c > por derivar da palavra primitiva ‘médico’; e a palavra ‘sal’ grafada com < l >, que é também encontrada nas palavras derivadas ‘saleiro’, ‘salgado’ e ‘salina’.

E, por último, a motivação é etimológica, que se pode avaliar quando a grafia de uma determinada palavra se explica pela sua origem. Exemplo: as palavras ‘homem’ e ‘hoje’ são escritas com < h >, porque se originam nas formas latinas homine e hodie respectivamente. página 04 2.2. Irregularidades na Ortografia. Há ainda palavras cuja grafia não se orienta por regra alguma. De fato, como não somos especialistas em filologia (ver Glossário) românica e etimologia (ver Glossário), não temos que saber se determinada palavra se origina de vocábulo latino ou grego, ou mesmo se é uma palavra de origem indígena. A saída para esses casos é usar o dicionário ou consultar registros onde sabemos que determinada palavra está escrita da maneira correta, como livros de autores consagrados da literatura nacional e mundial. A mudança na pronúncia é uma das origens da “falta de padrão” ou das chamadas “irregularidades ortográficas”. E historicamente podemos verificar que, quando se altera a pronúncia, a tendência é haver mudanças no registro escrito da palavra. Se consultarmos um dicionário etimológico da língua portuguesa, poderemos observar que a grafia de determinadas palavras mudou várias vezes ao longo da história, embora aparentemente sua pronúncia não tenha mudado muito. Foi o caso, por exemplo, da palavra “instrumento”, derivada do vocábulo latino instrumentum. No final do século XV, pronunciava-se “estromento”; só depois voltou a ser pronunciada como “instrumento”. No seu processo histórico dinâmico, as línguas sofrem constantes modificações, tanto assim que nenhuma língua apresenta uma única pronúncia para todas as palavras. Todavia, a escrita é um meio de preservação da fala que se prolonga no tempo. Assim, quando nos deparamos com textos muito antigos, percebemos que a língua sofreu alterações na sua grafia, notadamente porque a pronúncia das palavras também mudou. As mudanças podem ocorrer no espaço, no tempo e no meio social onde se fala a língua. Se vamos a Portugal, logo percebemos que os portugueses não falam como os brasileiros. Dentro do Brasil, o modo de falar varia de região para região. Mesmo numa mesma cidade, podemos discernir traços linguísticos peculiares a determinadas classes sociais. página 05 Enfim, a diversidade linguística é resultado da transformação que as línguas experimentam no tempo, no lugar e no meio onde são faladas.

Num processo de constante evolução, o português, como o espanhol, o italiano e até o romeno, originaram-se no latim. Mas essas línguas

não vieram do latim clássico ou erudito, aquele falado pelos senadores de Roma ou pelos nobres: vieram do latim vulgar, aquele falado pelas pessoas do povo, pelos legionários que garantiam a expansão do Império Romano. Com o declínio de Roma e a constituição dos estados nacionais na Europa, essa forma “vulgar” e em transformação do latim foi adotada pela nobreza nos diferentes países, alcançando status de língua nacional. Essas novas nações também tinham ricos e pobres, pessoas do povo e pessoas da aristocracia recém-formada. Ali também se desenvolveu o que hoje chamamos de “preconceito linguístico”. Os nobres, que supostamente tiveram acesso a uma melhor formação cultural e intelectual, falariam uma variedade linguística tida como padrão, adotada nas academias e nos círculos aristocráticos, em oposição a uma variedade popular que continha impropriedades vocabulares e sintáticas. Ocorre que essas duas variedades conviviam, como ainda hoje convivem, lado a lado, impregnando uma à outra. Os filhos dos nobres eram cuidados por pessoas do povo. Assim, inevitável que aprendessem certas pronúncias que não seriam muito bem aceitas na academia. Esse fato provocaria um problema para o aprendizado da escrita. página 06 Então, em fins do século XV e início do século XVI, começaram a surgir as gramáticas vernáculas, objetivando ensinar ao povo a distinção entre o popular inculto e o padrão formal culto das elites. Ao mesmo tempo, surgiram os tratados de Ortografia, que se firmaram como peças muito úteis, uma vez que as pessoas cultas e ricas também cultivavam dúvidas sobre a correta grafia de certas palavras.

Além do mais, estabelecer regras e explicitá-las de forma sistematizada servia ao propósito de justificar a maneira como as palavras deveriam ser escritas, mantendo assim uma tradição, um registro escorreito.

Da mesma forma como doem os nossos ouvidos se alguém, ao falar, não flexiona o plural ou conjuga um verbo em tempo ou modo incorreto para o contexto, na escrita, a impropriedade ortográfica – ou barbarismo gráfico, como também é

conhecido – constitui um ruído que impede ou perturba a boa comunicação.
Ainda assim, até o final do século XIX, a questão ortográfica na língua portuguesa ficou limitada aos círculos acadêmicos, onde as regras, não importa de que natureza fossem, ora eram reafirmadas com argumentos favoráveis, ora eram postas por terra com argumentos contrários. Entretanto, com muitos vocabulários ortográficos ditos oficiais, o Estado, a certa altura de nossa história política, passou a editar leis e decretos para regular a matéria. Mesmo assim, a Ortografia não consolidou um registro único. Prova disso são os diversos acordos e tratativas entre Brasil e Portugal em busca de um modelo ideal único de grafia do léxico da língua portuguesa.

página 07 A dupla grafia do português (a europeia e a brasileira) data de 1911. Nesse ano, ainda sob a influência da implantação de sua República, Portugal promoveu a primeira grande reforma oficial da Ortografia portuguesa. Nessa oportunidade, buscou estabelecer uma ortografia simplificada, tal como consagrada nos textos oficiais. Essa primeira reforma, contudo, não foi feita de comum acordo com a República Federativa do Brasil, esta proclamada já desde 1889. Ocorre que, sendo a língua oficial de oito Estados soberanos, o português tem duas ortografias: a de Portugal e a do Brasil. Essa diferença traz visíveis desvantagens do ponto de vista das relações internacionais, eis que a língua ganha importância nos fóruns internacionais e organismos multilaterais na medida do seu peso unificado, vale dizer: o número total de falantes sob o mesmo regime ortográfico, sem necessidade, pois, de tradução oficial de documentos. É preciso lembrar que são quatro as grandes línguas modernas faladas hoje no mundo, considerado para tanto o número total de falantes: inglês, francês, português e espanhol. Todas elas, com exceção do português, reconhecem uma grafia oficial única. Assim, a dupla grafia oficial reduz a capacidade de afirmação do idioma no plano internacional e limita a possibilidade de compartilhamento de conteúdos no plano cultural, comercial e político. O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi firmado em 1990, pelo Brasil e mais sete países, após mais de dez anos de discussões. Aqui as opiniões divergem quanto à repercussão dessa convenção. De um lado, alguns defendem a tese de que ela consolida a identidade da lusofonia (ver Glossário) no contexto internacional. Outros creem que ela serve de proposta de solução aos problemas de circulação do conhecimento produzido entre as culturas dos povos lusófonos, na medida em que o Acordo elimina boa parte daqueles “ruídos” gráficos que frequentavam os nossos textos. Isso permite, por exemplo, que as publicações em português do Brasil, tais como livros, jornais, revistas, textos científicos, legais etc., sejam mais bem aceitas e interpretadas por nossos irmãos de língua. Esteja claro que o inverso é verdadeiro. página 08

1ª Avaliação (Módulo I, Unidades 1 e 2) Chegou o momento da nossa primeira avaliação. Aqui vão algumas orientações. Acesse a 1ª Avaliação no item “TRABALHOS/REDAÇÕES” do campo “AVALIAÇÃO”, no menu lateral à esquerda. Clique em “GERENCIAR ETAPAS”. Leia o comando da avaliação e clique em "FAZER". Trabalhe tranquilamente no campo de resposta que se abrirá. Sempre que precisar interromper sua resposta para continuar mais tarde, salve sua versão clicando em “SALVAR VERSÃO”. Você pode fazê-lo quantas vezes quiser. Só você visualizará seu trabalho. Mas cuidado para não ficar mais de três minutos sem trabalhar na plataforma: o sistema bloqueia o seu acesso, e você terá que reiniciar, perdendo, portanto, o seu trabalho. Você também poderá redigir sua resposta em um arquivo do Word e salvar depois no seu campo de resposta na plataforma. É também uma forma segura de trabalhar.

Quando concluir sua resposta, clique, então, em "SALVAR E FINALIZAR". A partir daí, sua resposta ficará disponível para a sua tutora ou tutor. Ao corrigir sua resposta, sua tutora ou tutor vai apontar eventuais erros ortográficos, inclusive os que se referem ao Novo Acordo Ortográfico. Assim, você irá se familiarizando com as novas regras. Se sua tutora ou tutor lhe devolver sua resposta para você revê-la, trabalhe nela da mesma forma. Ao concluir, clique novamente em “SALVAR E FINALIZAR”. Caso tenha dúvidas sobre a utilização dos recursos da plataforma, releia as instruções no “GUIA DO ESTUDANTE” ou consulte a Coordenação do curso. Sucesso! (Mínimo de 15 e máximo de 20 linhas.) (Esta avaliação vale 15 pontos.) 1º FÓRUM DE DISCUSSÃO

Cara aluna, caro aluno, Nossa próxima atividade será o 1º FÓRUM DE DISCUSSÃO. Ele funciona mais ou menos como o FÓRUM DE APRESENTAÇÃO e também será avaliada pelos respectivos tutores. Este fórum ficará aberto e acessível aos alunos no período de 6 a 16 de maio. Não perca esse prazo. Uma vez fechado o fórum, não será mais possível postar mensagens nele. Cada aluna ou aluno poderá postar uma ou mais mensagens, que ficarão visíveis para todos os demais integrantes da sua turma. Ao acessá-lo, você verá um texto contendo o assunto de abertura da discussão que será desenvolvida em seguida. Ao usar o fórum, a aluna ou aluno deve primar não apenas por apresentar ideias interessantes, mas também por saber dialogar com os demais colegas, dando continuidade às manifestações já apresentadas, explorando aspectos que não tenham sido abordados, apresentando contra-argumentos a posicionamentos assumidos etc. Outra dica muito importante é acerca do comprimento de suas postagens. As participações não serão avaliadas pelo número de linhas. O que queremos é a discussão. É mais interessante você complementar a postagem de um colega, concordando, exemplificando ou até divergindo, do que atuar em monólogo, certo? Acesse, agora, em “FÓRUM”, no campo “COMUNICAÇÃO” do menu lateral à esquerda, o 1º FÓRUM DE DISCUSSÃO e manifeste-se, apresentando seus argumentos favoráveis ou contrários. Tente utilizar a nova ortografia o máximo possível. Vamos apontar eventuais erros ortográficos, para você ir se familiarizando com as novas regras.

Lembre-se: não fique mais de três minutos sem trabalhar na plataforma, pois o sistema pode bloquear seu acesso, e você perderá o que já fez.
Vamos aos detalhes sobre nosso debate. (A participação neste fórum vale 15 pontos.)

Unidade 1 - Histórico do Novo Acordo Ortográfico Unidade 1 – Histórico do novo Acordo Ortográfico

Já refletimos que a Ortografia é uma tentativa de normatização ou de padronização da forma gráfica das palavras de uma língua, com vista a uma maior eficácia da comunicação escrita entre os falantes. Assim, por maior que seja a diversidade de modos de falar de uma língua, é importante que sua ortografia garanta que qualquer leitor reconheça uma dada palavra escrita de acordo com o padrão ortográfico registrado nos dicionários e vocabulários ortográficos. Salientamos que a partir do século XV, em decorrência de fatos marcantes para a história ocidental, como a invenção da imprensa e o Renascimento, as línguas românicas, que estavam se impondo como línguas oficiais, sem dúvida, alteraram a sua relação com a Ortografia, criando a necessidade de explicitar as suas regras gramaticais. É nesse ambiente que florescem os estudos linguísticos, principalmente aqueles que cuidam da Ortografia. As inúmeras gramáticas ortográficas que surgiram nesse momento tinham como principal preocupação e objeto de estudo o fato de que os fonemas latinos haviam se modificado muito na evolução que experimentaram do latim clássico, passando pelo latim vulgar, até os idiomas europeus que começavam a se formar. E essa mutação fez com que surgissem fonemas (ver Glossário) novos até então inexistentes na língua de origem. Entretanto, na segunda metade do século XVI, esses estudos ganhariam uma nova perspectiva: a histórica. Isso porque a língua portuguesa precisava se afirmar frente à língua castelhana. Pretendia-se resgatar a feição latina dos vocábulos portugueses. Implantou-se, então, o que chamamos de uma “ortografia etimológica”. Nessa perspectiva, o latim foi resgatado como modelo de perfeição e excelência. Contrapondo-se a essa Ortografia etimológica, surge uma Ortografia fonética (ver Glossário), que procura simplificar a escrita e aproximá-la da língua oral, por meio daquelas relações entre fonemas e grafemas que vimos anteriormente, onde a cada som corresponde apenas um símbolo, ou seja, onde a cada fonema corresponde apenas um grafema. A polêmica que se instaurou, a partir de então, entre os ortógrafos etimólogos e os ortógrafos foneticistas perdurará pelos séculos XVII, XVIII e XIX. É apenas na primeira década do século XX que percebemos ganhar fôlego a corrente fonética em detrimento da rígida tradição etimológica, ainda que sempre se contraponha àquela a impossibilidade de uma total identidade entre o som e a grafia. página 02 Mas vamos aos efeitos práticos dessa polêmica.

Duas capas de Os Lusíadas, uma de 1572 e outra de 1584, mostram o nome do poeta grafado de maneiras diferentes: Luis de Camoés e Lvis de Camões.

Nos séculos XII a XV, surgem os primeiros documentos escritos em português. A Ortografia portuguesa tenta reproduzir os sons da fala para facilitar a leitura: • a duplicação das vogais indica sílaba tônica: (‘ceeo’ > céu, ‘dooe’ > dói’); • a nasalização das vogais é representada pelo til (manhãas > manhãs), por dois acentos (mááos > mãos) e por < m > e < n > (‘omde’ > onde; ‘senpre’ > sempre). • o < i > podia ser substituído por < y > ou < j > (‘ay’ > ai; ‘mjnas’ > minhas).

Mas não há uma padronização: uma mesma palavra aparece grafada de modos diferentes: ‘ygreja’, ‘eygreya’, ‘eygleyga’, ‘eigreia’, ‘eygreia’ (= igreja); ‘home’, ‘homee’, ‘ome’, ‘omee’ (= homem). página 03 A partir da segunda metade do século XVI, a língua portuguesa sofre influência do latim e da cultura grega, graças ao Renascimento e à necessidade de valorização do idioma. Essa tendência perdura até o início do século XX.

Esquerda: capa do livro Memorias Posthumas de Braz Cubas, de Machado de Assis.

Direita: Cartão postal de 1908, em que se vê a palavra ‘telephone’, grafada com < ph >, e ‘escriptorio’, com < p > mudo.

O critério era o de respeitar as letras originárias das palavras, isto é, sua origem etimológica. Empregam-se: • < ph >, < ch >, < rh > e < y >, que representavam fonemas gregos: ‘philosophia’, ‘theatro’, ‘chimica’ (= química), ‘rheumatismo’, ‘martyr’, ‘sepulchro’, ‘thesouro’, ‘lyrio’; • consoantes mudas: ‘septembro’, ‘enxucto’, ‘maligno’;

• consoantes duplas: ‘approximar’, ‘immundos’. No início do século XIX, o escritor Almeida Garrett defende a simplificação da escrita e critica a ausência de normas que regularizem a Ortografia. Enquanto escritores e acadêmicos colocam lenha na fogueira da polêmica, o que ocorre de fato com a língua portuguesa escrita do final do século XIX é que cada um escreve da maneira que acha mais adequada e elegante. A partir daí, para melhor visualizarmos a evolução histórica da Ortografia da língua portuguesa, com as sucessivas tratativas, discussões e acordos de padronização, ora frustrados, ora bem-sucedidos, elaboramos, com o auxílio do quadro abaixo, a seguinte Linha do Tempo: página 04 LINHA DO TEMPO 1904 O foneticista Gonçalves Viana (1840-1914) publica, em Lisboa, a maior obra sobre ortografia da língua portuguesa, a Ortografia Nacional, que foi adotada pelo governo português como oficial em 1911. Nela, o estudioso apresenta proposta de simplificar a Ortografia: • eliminação dos fonemas gregos th (theatro), ph (philosofia), ch (com som de k, como em chimica), rh (rheumatismo) e y (lyrio); • eliminação das consoantes dobradas, com exceção de e : cabello (= cabelo); communicar (= comunicar); ecclesiastico (= eclesiástico); sâbbado (= sábado). • eliminação das consoantes nulas, quando não influenciam na pronúncia da vogal que as precede: licção (= lição); dacta (= data); posthumo (= póstumo); innundar (= inundar); chrystal (= cristal); • regularização da acentuação gráfica.. A partir de uma proposta do jornalista, professor, político e escritor Medeiros e Albuquerque, a Academia Brasileira de Letras (ABL) elabora projeto de reformulação ortográfica com base nas propostas de Gonçalves Viana. Portugal oficializa, com pequenas modificações, o sistema de Gonçalves Viana. A ABL aprova a proposta do professor, filólogo e poeta Silva Ramos que ajusta a reforma ortográfica brasileira aos padrões da reforma portuguesa de 1911. A ABL volta atrás e revoga o projeto de 1907, ou seja, não há mais reforma. A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras assinam acordo para unir as ortografias dos dois países. O governo brasileiro oficializa o acordo de 1931. A Constituição Brasileira revoga o acordo de 1931 e estabelece a volta das regras ortográficas de 1891, ou seja, a palavra ortografia voltaria a ser grafada orthographia. Protestos generalizados, porém, fazem com que essa ortografia seja considerada optativa.

1907

1911 1915

1919 1931

1933 1934

página 04

1943

Convenção Luso-Brasileira retoma, com pequenas modificações, o acordo de 1931.

1945

As modificações introduzidas pelo novo Acordo, ao priorizarem a ortografia lusitana, foram de tal monta que provocaram intensos protestos pelos brasileiros, culminando com a revogação do Acordo em 1955, restabelecendo-se o sistema ortográfico instituído no Brasil em 1943. Divergências na interpretação de regras resultam no Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro. Em Portugal, as normas vigoram, mas o Brasil mantém a ortografia de 1943. Como consequência passaram a existir duas normas ortográficas no que diz respeito à língua portuguesa: uma brasileira (1943) e uma lusitana (1945). Decreto do governo altera algumas regras da ortografia de 1943: • abolição do trema nos hiatos átonos: saüdade (= saudade), vaïdade (= vaidade); • supressão do acento circunflexo diferencial nas letras e da sílaba tônica das palavras homógrafas, com exceção de ‘pôde’ em oposição a ‘pode’; almôço (= almoço), êle (= ele), enderêço (= endereço), gôsto (= gosto); • eliminação dos acentos circunflexos e graves que marcavam a sílaba subtônica nos vocábulos derivados com o sufixo ‘mente’ ou iniciados por z: bebêzinho (= bebezinho), vovôzinho (= vovozinho), sòmente (= somente), sòzinho (= sozinho), ùltimamente (= ultimamente). As colônias portuguesas na África (São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique) tornam-se independentes. São finalmente redigidas as Bases Analíticas da Ortografia Simplificada de 1945, renegociadas em 1975 e consolidadas em 1986. Iniciam-se, assim as discussões de que resultaram as bases do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entre Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Reunião de representantes dos sete países de língua portuguesa no Rio de Janeiro resulta nas Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa de 1945, mas que nunca foram implementadas.

1971

1975

1986

página 05 1991 Surge outra versão do documento anterior (1986), o Acordo de Ortografia Simplificado entre Brasil e Portugal para Lusofonia, conhecido como Acordo Ortográfico de 1995, por ter sido aprovado oficialmente em 1995 pelos dois principais países envolvidos: Brasil e Portugal. Brasil e Portugal aprovam oficialmente o documento de 1990, que passa a ser reconhecido como Acordo Ortográfico de 1995. Em Cabo Verde, foi assinado um Protocolo Modificado ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, mas apenas Brasil, Portugal e Cabo Verde aprovaram esse protocolo. No Primeiro Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa fica estabelecido que todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) devem ratificar as normas propostas no Acordo Ortográfico de 1995 para que este seja implantado. O Timor Leste torna-se independente e passa a fazer parte da CPLP. Com a aprovação do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, fica determinado que basta a ratificação de três membros

1995

1998

2002 2004

para o acordo entrar em vigor. No mesmo ano, o Brasil ratifica o acordo. 2005 2006 Cabo Verde ratifica o Acordo. São Tomé e Príncipe ratificam o documento, possibilitando a entrada em vigor do Acordo. Portugal aprova o Acordo Ortográfico. O Decreto Presidencial nº 6.586, de 29 de setembro de 2008, determina a implementação do Acordo Ortográfico a partir de 1º de janeiro de 2009 no Brasil, estabelecendo período de transição de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012.

2008 2008

página 06 1.1. Objetivos e critérios 1.1.1. Objetivos. Estima-se que cerca de 210 milhões de pessoas falem português, o que faz da nossa a quinta língua mais falada no mundo e a terceira no Ocidente. Ainda assim, o português ostentava (ou ostenta) o título de ser o único idioma no mundo a ter duas ortografias oficiais, a do Brasil e a de Portugal. A propósito, páginas atrás, pudemos avaliar que a dupla grafia oficial implica flagrantes desvantagens do ponto de vista das relações internacionais, pois dificulta a afirmação do idioma no âmbito das Nações Unidas, bem como limita a possibilidade de compartilhamento, entre países lusófonos, de conteúdos no plano cultural, comercial e político. Fazendo eco a essa afirmativa, recentemente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) asseverou que: “A dupla grafia acaba limitando a dinâmica do idioma, pois dificulta não só a divulgação de informações e as relações comerciais, como também a difusão cultural entre os países de língua portuguesa, enfraquecendo a língua”. Com essa visão, os objetivos principais do novo Acordo são: 1) fortalecer a língua portuguesa no plano internacional, facilitando o intercâmbio cultural, comercial e jurídico-institucional entre os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa); e 2) aumentar o prestígio internacional do português, permitindo-lhe ingressar no rol dos idiomas oficiais utilizados na Organização das Nações Unidas. Para tanto, um dos propósitos do Acordo é congregar em torno do mesmo sistema ortográfico oficial todos os Estados signatários (as chamadas partes), a saber: Angola, Brasil, Cabo Verde, GuinéBissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. página 07

Centro de Língua Portuguesa – Instituto Camões (Portugal)

Ressalta-se que as partes, na formulação do Acordo, mesmo buscando o consenso entre as ortografias brasileira e portuguesa, optaram, em alguns casos, por manter duas redações oficiais. Em termos práticos, como fica o nosso dicionário? Do ortografia Lisboa, é ortografia ponto de vista do léxico da língua portuguesa, estima-se que o número de palavras cuja seria alterada quando da celebração do Acordo, segundo dados da Academia de Ciências de de pouco mais de duas mil num universo de cerca de 110.000. Com isso, unifica-se a de aproximadamente 98% do vocabulário da língua portuguesa. página 08

No caso brasileiro, calcula-se que as modificações atinjam cerca de 0,5% das palavras. Já no caso do português de Portugal, a estimativa é de que 1,6% do vocabulário seja alterado com a entrada em vigor do novo Acordo. É importante salientar que nesse levantamento não foram contabilizadas, à época, as alterações decorrentes das novas regras de uso do hífen, bem como aquelas resultantes da supressão do trema. 1.1.2. Critérios Nesta oportunidade, o critério que fundou as bases para a construção do Novo Acordo Ortográfico foi o fonético, isto é: a ortografia das palavras alterou-se para aproximar a forma escrita e a forma falada. Foi o caso da eliminação das consoantes mudas de palavras de origem greco-latina mantidas na Ortografia lusitana. Vejam os seguintes exemplos: ‘sector’, do latim ‘sectore’, que resultou ‘setor’; ‘acção’, do latim ‘actione’, que resultou ‘ação’; ‘ceptro’, do grego ‘skêptron’, que resultou ‘cetro’; ‘Egipto’, do grego ‘Aígyptos’, que resultou ‘Egito’. É bom observar que, mesmo com esse esforço de unificação da grafia, que se baseou, como foi dito acima, em um critério fonético, o Acordo não obrigou que se alterasse a pronúncia das palavras modificadas, o que também não deverá ocorrer na prática, pelo menos no curto e médio prazo. No longo prazo, contudo, o < c > ou o < p > mudos eliminados da grafia das palavras talvez desapareçam também da pronúncia do português falado na Europa e na África, na medida em que as escolas passarem a alfabetizar de acordo com as novas regras ortográficas.

Além disso, é importante ressalvar que variações podem ocorrer no idioma falado independentemente dos acordos ortográficos. No Brasil mesmo, coexistem diferentes formas de falar, não obstante sermos regulados e guiados pelo mesmo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Por fim, é de se esperar que a implantação da pretendida unificação ortográfica traga benefícios aos países de língua portuguesa, na medida em que ensejar a formulação de políticas públicas para a alfabetização de jovens e adultos, a difusão do hábito de leitura, o fortalecimento do mercado editorial em língua portuguesa e a implementação dos mecanismos de cooperação multilateral construídos pela CPLP. página 09

1.1.3. As Bases do Acordo Optando por privilegiar as alterações ortográficas em função do critério fonético em detrimento do critério etimológico, ou seja, em função das características da língua falada, deixando de lado a questão da origem das palavras, os oito países signatários do Novo Acordo Ortográfico concordaram em unificar a sua ortografia sobre 21 bases. O quadro sinóptico abaixo foi formatado para apresentar cada uma das bases do Acordo, o tema da alteração de cada base e as suas repercussões no Brasil. Base I II III IV V VI VII VIII IX X XI XII XIII XIV XV XVI XVII XVIII XIX XX XXI Tema Alfabeto e grafia de nomes próprios estrangeiros. Uso do h. Grafemas consonânticos. Sequências consonânticas. Vogais átonas. Vogais nasais. Ditongos. Acentuação gráfica das palavras oxítonas. Acentuação gráfica das palavras paroxítonas. Acentuação gráfica das vogais tônicas i e u nas palavras oxítonas e paroxítonas. Acentuação gráfica das palavras proparoxítonas. Do emprego do acento grave. Da supressão dos acentos em palavras derivadas. Uso do Trema. Uso do Hífen. Uso do Hífen. Uso do Hífen. Uso do Apóstrofo. Empregos de maiúsculas e minúsculas. Regras de divisão silábica e translineação. Grafia das assinaturas e firmas. Observação (A) (NA) (NA) (DG) (A) (NA) (NA) (A) (A) (A) (A) (NA) (NA) (A) (A) (A) (NA) (NA) (A) (A) (NA)

(A) – Houve alteração na Ortografia do português do Brasil (NA) – Não houve alteração (DG) – Manteve-se a dupla grafia

Página 10 1.2. Vigência

O Acordo de unificação da Ortografia da língua portuguesa, na sua versão original, a de 1990, previa a entrada em vigor das novas normas apenas quando todos os Estados signatários o ratificassem. A previsão inicial era de que o Acordo entrasse em vigor no dia 1º de janeiro de 1994, após serem depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados signatários. Findo o prazo sem que isso acontecesse, a disposição tornou-se letra morta, ensejando a redação de um primeiro Protocolo Modificativo alargando o prazo para a entrada em vigor do Acordo. Entretanto, diante da ineficácia das normas ali contidas, em 2004, foi necessário redigir um segundo Protocolo Modificativo, em que se estabeleceu que o Acordo Ortográfico entraria em vigor quando três dos Estados signatários o ratificassem. Além disso, foi permitida a adesão do Timor-Leste, que só alcançou sua independência total em 2002. Frise-se que os Protocolos Modificativos alteraram apenas o modo pelo qual se daria a entrada em vigor do Acordo, sem tocar no conteúdo, ou seja, nas alterações ortográficas propostas no Acordo original. Com a ratificação do Acordo por São Tomé e Príncipe em 2006, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou em vigor, apenas no plano jurídico externo, no dia 1º de janeiro de 2007, quando Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe ratificaram o Acordo Ortográfico e o Segundo Protocolo Modificativo. Contudo, para efeitos integrais, o Acordo só foi ratificado por Portugal em 16 de maio de 2008, depois de muitos adiamentos e polêmicas, tendo sido sancionado pelo Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, em julho do mesmo ano. 1.2.1. Implementação. Muito provavelmente os efeitos práticos do Acordo só serão sentidos quando cada país definir o seu plano de ação nacional de implementação, determinando as áreas (ensino, administração pública, comunicação social etc.) onde as alterações serão implantadas em primeiro lugar. Tendo em vista a complexidade relativa em termos técnicos e financeiros, como a edição de livros escolares, a implementação do Acordo levará em conta as peculiaridades de cada Estado signatário. O Acordo prevê ainda a fixação de períodos de transição a serem definidos pelos Estados, a fim de que as gramáticas, dicionários, vocabulários ortográficos, livros escolares, formulários de serviços públicos, contratos etc. sejam adaptados à nova Ortografia. Naturalmente, durante um período de tempo, as duas grafias conviverão simultaneamente. O processo de alteração gráfica será absorvido pelo mercado editorial de forma mais lenta e gradual, enquanto os periódicos diários e semanais promoverão dia a dia essa alteração, motivando os seus articulistas a se enquadrarem nas novas normas.

Unidade 2 - Repercussões e críticas MÓDULO II – O Novo Acordo Ortográfico Unidade 2 – Repercussões e críticas página 02 Unidade 2 – Repercussões e críticas “Americanos e ingleses são povos separados por uma mesma língua.” (Oscar Wilde)

A implementação da reforma proposta pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1986/1990 iniciou-se em 1º de janeiro de 2009, sendo que o período de transição se encerrará em 31 de dezembro de 2012, conforme estabelecido pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, a partir de 1º de janeiro de 2013, a reforma ortográfica passará a ser adotada em caráter definitivo no Brasil. É a mais importante iniciativa de que se tem notícia em relação à unificação ortográfica de uma língua. Mas, se, por um lado, ela promove avanços, de outro, como seria de se esperar, divide opiniões, gera muita polêmica e cria desafios.

Enquete 05/10/2007 – Jornal Mundo Lusíada On Line

Em linhas gerais, o que o Acordo pretende é eliminar aqueles sinais gráficos que supostamente nada exprimem, como o circunflexo em ‘enjoo’ ou o acento agudo de ‘heroico’, que deixarão de existir na grafia brasileira. Eles já não são usados em Portugal desde a reforma de 1945. página 03 Por outro lado, os portugueses passarão a suprimir, tal como fazemos no Brasil, o < p > e o < c > mudos de ‘adoptado’ e ‘colecção’, por exemplo. "Não os pronunciamos, assim como o < c > de ‘actor’ ou o < p > de ‘cepticismo’, mas eles carregam informação fonética, já que ‘forçam’ a tônica da palavra", dispara o jornalista e escritor português João Pereira Coutinho. Ele resume assim as críticas feitas pelos detratores do Acordo: “[O Acordo] é um brutalíssimo erro de natureza científica, por sua visão concentradora da língua; de natureza política, já que os países africanos mal foram consultados na sua elaboração; e também de ordem filosófica, porque procura aniquilar as diferentes músicas, por assim dizer, que se ouvem ao ler textos em grafias diversas da nativa”. Mas há ainda a considerar, por exemplo, as visões diversas sobre a natureza da Ortografia. Em uma mão, alguns importantes estudiosos sustentam que ela deve mudar ou não segundo os seus usos, sem interferência das academias; noutra mão, seguem aqueles que creem que não deve subsistir nenhuma razão para o português contemplar duas grafias oficiais, enquanto o espanhol, por

exemplo, com seus mais de 400 milhões de falantes e dezenas de academias de letras, só emprega uma grafia. “Portugal e Brasil são como dois navios singrando paralelos, que se acenam a uma distância de 20 metros. Quando o acordo entrar em vigor, a distância será reduzida em 3 metros, que não valem o imenso custo da reforma”, opina Cláudio Moreno, doutor em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. O custo a que se refere o professor é tanto de ordem social quanto financeira. Apenas para se ter uma ideia do tamanho do investimento: já em 2010, os Ministérios da Educação e da Cultura autorizaram apenas a compra de livros escritos de acordo com a nova Ortografia. Só o Ministério da Educação realizará licitação para a compra de oito milhões de exemplares de dicionários nos próximos anos. Daí se vê que uma boa parte desse impulso do mercado editorial brasileiro será custeado pelo contribuinte. página 04 Ainda mais: o decreto que ratifica o Acordo ortográfico determina que todos os alunos do ensino fundamental deverão receber material didático com as adaptações propostas até 2010. Para os alunos do ensino médio, a data-limite para o recebimento desse material didático é 2011. Ainda até o ano de 2011, as universidades também deverão ter ajustado os exames vestibulares, assim como todos os concursos públicos. O decreto só não definiu as políticas e os programas de atualização dos milhares de professores do País para levarem a bom termo essa empreitada.

"Estamos fazendo a reforma no susto", critica o professor Pasquale Cipro Neto, um dos mais prestigiados educadores da língua portuguesa do Brasil. Uma das primeiras críticas que se esboçaram contra o Acordo baseia-se na tese de que os debates que precederam a ratificação não foram suficientes para dar à proposta uma unidade, uma coesão interna. Mesmo Evanildo Bechara (2008, p. 7), um dos defensores da medida, alerta: “O sucesso e a boa aceitação de um sistema ortográfico repousam, principalmente, na coerência interna de suas normas, harmonizando, tanto quanto possível, o peso do uso e da tradição lexicográfica refletido nos seus vocabulários e dicionários de maior aceitação entre os usuários”. (BECHARA, 2008, p. 7). No mesmo sentido, já se pronunciava Herculano Carvalho em 1997, destacando que o objetivo primeiro da unificação e reforma ortográfica visando à simplificação de sua escrita não está totalmente

contemplado na última proposta do Acordo, em cujo texto se verificam ambiguidades. Outra crítica que se faz ao Acordo diz respeito à sua opção pelo critério fonético. Segundo os que assim entendem, o maior problema da redação de um Acordo Ortográfico está em encontrar o equilíbrio entre o peso da etimologia, com toda uma história linguística, e o peso da atualização quotidiana da língua falada. A polêmica a favor e contra o Acordo tem vida longa e apresenta pontos relevantes em ambos os lados. Todavia, para se tomar uma posição, convém conhecermos antes as alterações propostas para a Ortografia da língua portuguesa. página 05

2ª AVALIAÇÃO (Módulo II, Unidades 1 e 2) Vamos fazer agora outro exercício de redação. Acesse a 2ª Avaliação no item “TRABALHOS/REDAÇÕES” do campo “AVALIAÇÃO”, no menu lateral à esquerda. Abra o link e trabalhe no seu campo de resposta.

Procure utilizar a nova ortografia. Sua tutora ou tutor vai apontar ortográficos, para você ir se familiarizando com as novas regras.

eventuais

erros

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Unidade 1 - Mudanças no Alfabeto Unidade 1 - Mudanças no Alfabeto Como vimos, o Alfabeto é o sistema de escrita de uma língua natural. Nesse sistema, o que se pretende é que, teoricamente, a um fonema corresponda um único grafema. Na prática, contudo, não existe essa correspondência perfeita entre símbolos e sons, ou seja, entre grafemas e fonemas, por uma razão muito simples: as línguas são dinâmicas, estão em constante processo de transformação em sua forma oral. Os alfabetos se expandiram por serem sistemas de escrita muito econômicos e avançados se comparados, por exemplo, aos sistemas de escrita silábicos (como na língua etíope básica e no japonês moderno) ou logográficos (ver Glossário) (chinês e japonês), uma vez que permitem representar toda a realidade sonora da língua utilizando um número reduzido de símbolos. São inúmeros os alfabetos conhecidos. Um dos mais antigos é o fenício, e os mais correntes são os alfabetos grego, latino, cirílico e árabe.

Devido a uma intensa atividade comercial, os fenícios estenderam a sua escrita para além da região onde hoje se encontram o Líbano e a Síria, tendo sido a língua de inscrição do hebraico antigo.

Alfabeto fenício Alfabeto grego

O alfabeto grego surgiu por volta do século VIII a. C. e baseava-se no alfabeto consonântico fenício, povo com quem os gregos mantiveram frequente contato. O alfabeto grego, dividido em quatro tipos diferentes, foi o primeiro a apresentar símbolos para sons consonânticos e sons vocálicos, o que significava uma evolução, pois a tendência observada entre os alfabetos da antiguidade era a de representar apenas sons consonânticos. De todos os alfabetos, o latino foi o mais difundido, graças à expansão do império romano e, consequentemente, do latim; e à crescente difusão do Cristianismo na Idade Média. Empregado na representação escrita da maioria das línguas da Europa ocidental (português, espanhol, inglês, francês, alemão, italiano etc.), o alfabeto latino não possui muitas vezes os sons que as novas línguas passaram a incorporar. Aliado a isso, a grande difusão da Ortografia etimológica latina impôs maiores ou menores problemas de aprendizagem da Ortografia das atuais línguas europeias. Em português, por exemplo, não existe correspondência direta entre o alfabeto e a fonologia (ver Glossário) da língua, ou seja, um sistema fonológico de 19 consoantes é representado por 18 consoantes ortográficas e de 9 vogais orais representadas por apenas 5 vogais ortográficas. página 02 1.1. Reintegração das letras K, W e Y

Extra! Extra! Cosmonautas russos retornam à Terra depois de 66 anos no espaço!

(MishaJaparidze/AP)

Esta bem que poderia ser uma manchete estampada na primeira página de jornais de todo o mundo... Bem, isto é, se fosse verdadeira. Contudo, serve muito bem para ilustrar como se deu a “reentrada” das letras 'k', 'w' e 'y' no nosso alfabeto. Depois de mandadas ao espaço pela reforma ortográfica de 1943, as referidas letras foram reintroduzidas no português com a vigência, a partir de 2009, do Novo Acordo Ortográfico.

página 03 Importante ressaltar que a medida em nada altera o que está estabelecido. Apenas fixa a sequência dessas letras para efeito da listagem alfabética de qualquer natureza. Adotou-se, assim, a convenção internacional: o < k > vem depois do < j >, o < w > depois do < v > e o < y > depois do < x >. Embora ainda observem algumas restrições, as letras < k >, < w > e < y > ficam agora incluídas no alfabeto usado para a língua portuguesa, que passa, então, a ter 26 letras, assim dispostas: ABCDEFGHIJKLM NOPQRSTUVWXYZ

1.2. Consequências práticas É bem verdade que o < k >, o < w > e o < y > orbitaram o idioma pátrio há muito tempo, ora como formadores de siglas, abreviaturas e símbolos, ora como partes integrantes de antropônimos (nomes de pessoas) e de topônimos (nomes de lugares). Embora ainda façam cócegas na língua de muitos daqueles que só ouviram falar dos Beatles, lembro que o < k >, o < w > e o < y > vivem há muito entre nós como estrangeiros, imigrantes ilegais. Agora, porém, eles podem circular livremente como “grafemas nativos”. Antes, nós os aceitávamos apenas porque era quase inevitável não fazê-lo. Eles frequentavam, mesmo não oficializados, as nossas aulas de química, matemática, história geral. Pertenciam, por assim dizer, a um alfabeto paralelo, um “alfabeto pedagógico”, ao lado do alfa, do beta e do gama. Agora, estamos lhes dando as boas-vindas sem preconceitos. Ainda assim, as letras < k >, < w > e < y > aparecem apenas em casos especiais, como em abreviaturas, siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Vejamos quais são esses casos:

a) Antropônimos (nomes próprios, sobrenomes ou apelidos) originários de outras línguas e suas derivações: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista etc. b) Topônimos originários (nome geográfico próprio de região, cidade, vila, povoação, lugar, rio, logradouro público etc.) de outras línguas e suas derivações: Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano etc. c) Siglas, símbolos e unidades de medida de aplicação internacional: TWA, KLM, K (potássio, do latim kalium), W (oeste, do inglês west), kg (quilograma), km (quilômetro), kW (quilowatt), yd (jarda, do inglês yard), watt etc. d) Palavras estrangeiras: show, playboy, playground, windsurf, windsurfista, kung fu, yin, yang, kaiser, kaiserista. e) Sequência de uma enumeração: a), b), c)... j), k), l),... u), v), w), x), y), z). página 04 OBSERVAÇÃO: Evidentemente, os antropônimos terão a sua grafia original respeitada, como Comte, Garrett, Shakespeare e os respectivos adjetivos, quando houver (comtiano, garrettiano, shakespeariano), bem como os nomes de batismo com registro cartorial, por constituírem um elemento identificador, individualizador da pessoa. Quanto aos topônimos, a convenção aponta no sentido de que devemos adaptá-los ao português sempre que possível. É por isso que Genéve acabou sendo aportuguesado para Genebra; Torino (Itália) para Turim; Milano (Itália) para Milão; Zurich (Suíça) para Zurique. Atenção (1): embora se recomende substituir, sempre que possível, os topônimos estrangeiros pela palavra correspondente em português, às vezes, esses nomes já estão de tal forma sedimentados na nossa língua que se torna impossível essa adequação. Por exemplo, a capital argentina é Buenos Aires. Não há quem se atreva a aportuguesar para ‘Bons Ares’, ou a capital boliviana La Paz para ‘A Paz’, sob pena de comprometer a comunicação. Frise-se: estes são nomes já consolidados na língua portuguesa. Atenção (2): Sempre causa dúvida a grafia do nome da cidade americana mais famosa do mundo – New York, Nova York ou Nova Iorque? O doutor em Língua Portuguesa pela UFRGS, Cláudio Moreno, explica: (...) Ou tudo em Inglês, ou tudo em Português; eu prefiro a segunda hipótese. Nem sempre poderás optar pelo aportuguesamento do nome, porque o processo de adaptar nomes geográficos só foi ativo até meados do século XVI. Depois disso, usamos os nomes como eles são lá fora. Iorque (a velha), no entanto, já era comum no Português, e a criação, na América, de uma cidade do mesmo nome, com o adjetivo Nova, não nos atrapalhou nem um pouco. Do mesmo modo Jersey/Jérsei, New Jersey/Nova Jérsei. Há cidades que só são chamadas por seu nome aportuguesado: Londres (e não London), Munique (e não München), Marselha (e não Marseille) etc. Outras, embora exista a forma aportuguesada, são chamadas preferencialmente pelo seu nome original: Nuremberg, Avignon, Canterbury (e não, como muito se sugeriu em Portugal, Nuremberga, Avinhão, Cantuária). Friso um detalhe que talvez tenha passado despercebido: evitei falar em “tradução” do nome geográfico. É que Nova Iorque, por exemplo, é tradução só no que se refere ao adjetivo ‘nova’; Iorque é uma simples adaptação do nome estrangeiro ao nosso sistema ortográfico e fonológico. Assim também Londres, Bolonha, Marselha não são traduções de London, Bologna e Marseille”.

(http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/05/18/new-york-ou-nova-iorque/) página 05 1.3. Emprego de maiúsculas e minúsculas. Se compararmos as disposições do Novo Acordo com o que está definido no atual Formulário Ortográfico Brasileiro (1943), observaremos que se implementou uma simplificação quanto ao emprego das letras maiúsculas. Uso restrito: - Aos antropônimos reais ou fictícios: Maria, José, Dom Quixote, Sancho Pança; - Aos topônimos reais ou fictícios: Belo Horizonte, Pará, Rio de Janeiro, Lumpalândia, Herzoslováquia; - Aos nomes de instituições (pessoas jurídicas): Universidade de Brasília, Instituto Nacional da Seguridade Social, Ministério da Educação; - Aos nomes de seres mitológicos ou antropomorfizados (ver Glossário): Júpiter, Netuno, Minerva; Saci Pererê; - Aos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Carnaval, Ano Novo; - Às designação dos pontos cardeais e colaterais quando se referem a grandes regiões do Brasil e do mundo: Nordeste, Sudeste, Oriente, Ocidente; - Às siglas: CPF, IPI, AGU, FAO, ONU; - Às iniciais de abreviaturas: ‘Sr.’, ‘Gen.’, ‘V. Exª’; e - Aos títulos de periódicos: Diário do Povo, Veja, Estadão, Folha de S. Paulo. Uso facultativo: - Nas citações bibliográficas, com exceção do primeiro vocábulo e daqueles obrigatoriamente grafados com letras maiúsculas: O Primo Basílio ou O primo Basílio; Casa-grande e Senzala ou Casa-grande e senzala, Memórias Póstumas de Braz Cubas ou Memórias póstumas de Braz Cubas. - Nos pontos cardeais e colaterais ordinários, mas não nas suas abreviaturas: norte, sul, leste, mas SW, SE, N etc. - Nos axiônimos (formas de tratamento e reverência) e hagiônimos (nomes sagrados e que designam crenças religiosas): Senhor Pedro ou senhor Pedro; Doutora Marta ou doutora Marta; Governador Agnelo ou governador Agnelo; Magnífico Senhor Reitor ou magnífico senhor reitor; Santa Cecília ou santa Cecília; Papa Bento XVI ou papa Bento XVI. - Nos nomes que designam domínios do saber ou disciplinas: Medicina ou medicina, Matemática ou matemática, Arte Renascentista ou arte renascentista. - Nas categorizações de logradouros públicos, templos e edifícios: Rua/rua Teodoro Sampaio, Igreja/igreja de Santa Efigênia, Edifício/edifício Copasa etc. página 06 OBSERVAÇÃO: No particular, nem o Acordo Ortográfico em vigor, nem o Formulário Ortográfico Brasileiro foram suficientemente explícitos ao tentarem estabelecer normas e critérios para o emprego

das iniciais maiúsculas. Tanto é assim que o Acordo lança, ao final do tema, a seguinte observação: “Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica etc.), promanadas de entidades científicas ou normalizadoras reconhecidas internacionalmente”. Ainda assim, vale observar certas tendências. - O emprego de maiúsculas em excesso, assim como dos negritos, dos sublinhados ou dos destaques deve ser evitado, já que “poluem" o texto. - A tendência é, pois, a seguinte: a) mais formalidade, mais deferência, mais ênfase: maiúsculas; b) mais modernidade, menos “poluição" gráfica, mais simplicidade: minúsculas.

Atenção: - A mídia é uma fonte inesgotável de criação de tendências, formulando, para cada caso, normas próprias. - Nunca se pode, no entanto, esquecer da regra taxativa que preceitua o emprego obrigatório de inicial maiúscula nos substantivos próprios de qualquer natureza. Unidade 2 - Supressão do trema

MÓDULO III – O Acordo e as novas regras Unidade 2 - Supressão do trema 2.1. O trema 2.2. Histórico do uso do trema 2.3. Pronúncia das palavras afetadas página 02 Unidade 2 – Supressão do trema

2.1. O trema O trema é um dos sinais discríticos (ver Glossário) usados na língua portuguesa. É graficamente representado por dois pontos sobrescritos dispostos horizontalmente, e a sua função, no português, é dividir duas vogais adjacentes em duas sílabas.

Quando se usa o trema, o ditongo é pronunciado como se fosse um hiato. Em tempo: os sinais gráficos, chamados discríticos, são usados na língua portuguesa para distinguir a modulação das vogais ou para explicitar a pronúncia de certas palavras. Veja a explicação: Diacríticos são sinais gráficos que conferem às letras ou grupos de letras um valor fonológico especial. Em português são tradicionalmente usados como diacríticos: a) os acentos agudos, grave, circunflexo para assinalar a tonicidade ou timbre das vogais; b) o TREMA, para indicar que o < u > não é letra muda depois de < q > ou < g > seguidos de vogal anterior; c) o TIL, para o valor nasal do < a > final ou de um ditongo; d) o APÓSTROFO para impor a elisão; e) o HÍFEN, para a justaposição, de acordo com certas regras ortográficas. (Câmara, 2007, in Dicionário de Linguística e Gramática) Empregado em diversas línguas, o trema ocorre para: a) indicar alteração do som regular ou ordinário de uma vogal; b) indicar, em encontros vocálicos, que a vogal átona não formava ditongo com a anterior; c) dar identidade própria a determinada letra; d) assinalar a independência de uma vogal em relação a uma vogal anterior. No português, o trema é o sinal que se emprega sobre a letra < u >, quando átona, para indicar que ela deveria ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. Com a entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, o trema foi eliminado das palavras portuguesas e aportuguesadas, permanecendo, contudo, em nomes próprios estrangeiros e derivações: Hübner, hüberiano, Müller, mülleriano. página 03

2.2. Histórico do uso do trema O trema foi extinto da língua portuguesa pela segunda vez! Sim; até 1971, ainda que pouco difundido, era facultado o uso do trema para indicar hiatos átonos. Dessa forma, podíamos encontrar o trema sobre o < u > e até sobre o < i > em palavras como ‘païsinho’ e ‘paraïbano’, para indicar a pronúncia do hiato pa-i-si-nho (diminutivo de país) e pa-rai-ba-no. Como recurso poético, para estender a métrica da palavra ‘saudade’, era possível encontrar a grafia ‘saüdade’ (sa-u-da-de). Entretanto, justamente por ser de emprego facultativo e ainda porque em todas as línguas impera o princípio do menor esforço (gráfico e oral), o uso do trema na representação de hiatos átonos, de tão raro, acabou caindo no esquecimento. Com a reforma ortográfica de 1971, acabou-se por extinguir o uso do trema nesses casos. Entretanto, a partir da década de 70, maus articulistas e outros não muito dedicados autores generalizaram o equívoco de que, com a reforma então recém-implantada, o trema havia sido abolido definitivamente da língua pátria, como de resto já ocorrera em Portugal desde 1945. E simplesmente deixaram de usá-lo. Por isso, muitos brasileiros devem ter se surpreendido com a regra do novo Acordo Ortográfico, suprimindo o uso do trema.

2.3. Pronúncia das palavras afetadas Mesmo com o fim do trema, não haverá modificação na pronúncia das palavras.

O novo acordo garante o direito de se manter a grafia original com o trema nos casos de nomes próprios, de empresas e de marcas com registro público. página 04

OBSERVAÇÕES: a) Embora o trema não seja mais usado, a pronúncia das palavras que recebiam o trema não mudará, ou seja, deveremos continuar pronunciando a letra < u >. b) Não esqueça que jamais houve trema quando a letra < u > estava seguida de ‘o’ ou ‘a’, como em ambíguo, longínquo, averiguar, adequado... c) Se a letra < u >, antes de < e > ou < i >, fosse pronunciada e tônica, devíamos usar acento agudo em vez do trema, tal como em “que ele averigúe”, “que eles apazigúem”, “ele argúi”, “eles argúem” etc. Esse acento também foi abolido, como veremos oportunamente. d) obviamente o trema também desaparece nas palavras com dupla pronúncia (aquelas em que o uso do trema ERA facultativo): antiguidade, antiquíssimo, equidistante, liquidação, liquidar, liquidez, liquidificador, líquido, sanguinário, sanguíneo. e) E também naquelas que, com possibilidade de dupla grafia, apresentam dupla pronúncia: catorze e quatorze; cota ou quota; cotizar ou quotizar; cotidiano ou quotidiano (frise-se: sempre sem trema). página 05

3ª Avaliação (Módulo III, Unidades 1 e 2) Chegou o momento da 3ª Avaliação. Abra o link correspondente no item “TRABALHOS/REDAÇÕES” do campo “AVALIAÇÃO”, no menu lateral à esquerda. Trabalhe no seu campo de resposta. Tente utilizar a nova ortografia o máximo que puder. Sua tutora ou tutor vai apontar eventuais erros ortográficos, para você fixar bem as novas regras.

Caso tenha dúvidas sobre a utilização dos recursos da plataforma, releia as instruções no “GUIA DO ESTUDANTE”. Concentre-se! (Mínimo de 15 e máximo de 20 linhas) (Esta avaliação vale 20 pontos.) 2º FÓRUM DE DISCUSSÃO

2º FÓRUM DE DISCUSSÃO

Abrimos o 2º FÓRUM DE DISCUSSÃO, que ficará acessível aos alunos no período de 30 de maio a 8 de junho. Você poderá acessá-lo em “FÓRUM”, no campo “COMUNICAÇÃO” do menu lateral à esquerda. O tema do debate será a linguagem utilizada nos vários ambientes de internet: blogs, sites, correios eletrônicos, redes sociais, publicidades. Trabalhe nele da mesma forma com que participou do 1º Fórum, postando seus comentários, ideias, argumentos, contra-argumentos e sugestões. Utilize tanto quanto possível a nova ortografia! Vamos continuar apontando eventuais erros ortográficos. Caso tenha dúvidas sobre a utilização dos recursos da plataforma, recorra ao “GUIA DO ESTUDANTE”. Vamos aos detalhes sobre nosso debate. (A participação neste fórum vale 15 pontos.) Unidade 3 - Acentuação gráfica MÓDULO III – O Acordo e as novas regras Unidade 3 - Acentuação gráfica 3.1. Definição 3.2. Regras gerais 3.3. O caso dos verbos com < qu > e < gu > no radical 3.4. O caso dos acentos diferenciais página 02 Unidade 3 – Acentuação gráfica 3.1. Definição Quando imprimimos um esforço expiratório maior sobre determinada sílaba de uma palavra, diz-se que aplicamos um acento de intensidade ou de energia, resultando uma variação da altura melódica, donde decorrem ainda as expressões “acento de entonação” ou “acento musical”. No português, uma língua de acento livre, a maioria das palavras tem uma de suas sílabas pronunciada com maior força expiratória. A essa força dá-se o nome de acento tônico. Apenas umas poucas palavras em nossa língua não têm acento tônico e, por isso, são chamadas átonas.

Em tempo: línguas de acento livre são aquelas cuja tonicidade das palavras pode recair ora sobre a última sílaba (oxítona), ora sobre a penúltima (paroxítona), ora sobre a antepenúltima (proparoxítona) e ora, em situações especiais, na sílaba anterior à antepenúltima sílaba, como nas formas verbais em que se faz a mesóclise: ‘apresentavase-lhe’, ‘afigura-se-me’. O francês, por exemplo, é uma língua oxítona, por assim dizer, pois a maior parte de suas palavras recebe o acento na última sílaba.

E o que isso tem a ver com Ortografia?

Pois bem, na fala, podemos expressar facilmente a melodia da língua, quase por intuição, aplicando uma maior ou menor força expiratória. página 03 Na escrita, temos de nos valer de recursos gráficos para “ensinar” o leitor a cantar essa melodia, usando os acentos, que vão diferenciar também os sons vocálicos abertos dos fechados. Daí por que se diz que a palavra “acento” encontra sua etimologia na expressão latina ad cantum (= “para o canto”). Então, se aplicamos acentos gráficos para “ajudar a cantar”, quais as regras formuladas pelo Novo Acordo Ortográfico a esse respeito? Observem que optamos por destacar, das regras gerais, o caso dos verbos com < qu > e < gu > no radical e o caso dos acentos diferenciais. Primeiramente, porque se trata de verbos que admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo. Em segundo lugar, porque os acentos diferenciais aplicados às palavras homógrafas deixam de existir, salvo algumas exceções. Aqui cabe uma observação quanto aos acentos diferenciais. A sua eliminação pode provocar ambiguidades na leitura. Neste caso, é o contexto que vai informar o sentido dessas palavras que perderam o acento.

3.2. Regras gerais

No que interessa aos brasileiros, a maior parte das alterações propostas pelo Novo Acordo Ortográfico se dá exatamente nas regras de acentuação gráfica. De modo geral, as modificações se concentram nas palavras paroxítonas, naquelas em que ocorre hiato e nas homógrafas, sempre no sentido de eliminar os acentos gráficos até então presentes nesses grupos de palavras. Vamos a elas!

página 04 1ª REGRA: Elimina-se o acento agudo das palavras paroxítonas cuja sílaba tônica seja formada pelos ditongos abertos < ei > e < oi >.

Como era antes alcalóide alcatéia apóio (verbo apoiar) asteróide assembléia

Como deve ser agora alcaloide alcateia apoio asteroide assembleia

bóia clarabóia colméia Coréia Galiléia geléia hebréia heróico idéia intróito jibóia jóia odisséia onomatopéia paranóico platéia protéico tramóia

boia claraboia colmeia Coreia Galileia geleia hebreia heroico ideia introito jiboia joia odisseia onomatopeia paranoico plateia proteico tramoia

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Atenção! O acento PERMANECE: a) Nas palavras oxítonas, mesmo que ocorram os ditongos abertos < ei > e < oi >, como em: ‘hotéis’, ‘heróis’, ‘papéis’, ‘troféu’, ‘troféus’; b) Nas paroxítonas terminadas em < r >, como em: ‘blêizer’, ‘contêiner’, ‘destróier’, ‘gêiser’; c) Nos monossílabos tônicos: ‘dói’, ‘méis’, ‘réis’, ‘sóis’.

2ª REGRA: Elimina-se o acento agudo de palavra paroxítona formada pelas vogais < i > e < u > precedidas de ditongo. Exemplo: em 'baiuca", o < u > perde o acento, pois antes dele vem o ditongo 'ai'. Como era antes baiúca bocaiúva boiúna cauíla feiúra maoísmo Sauípe taoísmo Mais uma vez, atenção! O acento PERMANECE nas palavras oxítonas onde o < i > ou o < u > estiverem em posição final, mesmo que seguidos de < s >, como em: ‘tuiuiú’, ‘tuiuiús’, ‘Piauí’. página 06 Como deve ser agora baiuca bocaiuva boiuna cauila feiura maoismo Sauipe taoismo

3ª REGRA: Elimina-se o acento circunflexo nos seguintes casos: a) nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos ‘crer’, ‘dar’, ‘ler’, ‘ver’ e seus derivados.

Como era antes crêem (verbo crer) dêem (verbo dar) descrêem (do verbo descrer) lêem (verbo ler) relêem (do verbo reler) vêem (verbo ver)

Como deve ser agora creem deem descreem leem releem veem

b) na vogal tônica fechada do hiato < oo > em palavras paroxítonas, seguidas ou não de < s >. Como era antes abençôo dôo (verbo doar) enjôo (verbo ou subst.) magôo (verbo magoar) perdôo (verbo perdoar) povôo (verbo povoar) vôo (verbo ou subst.) zôo Como deve ser agora abençoo doo enjoo magoo perdoo povoo voo zoo

página 07 CASOS FACULTATIVOS: O Acordo recebeu assim a duplicidade articulatória de algumas palavras geralmente provenientes do francês, que, como reporta, “nas pronúncias cultas, ora é registrada como aberta, ora como fechada”, admitindo, pois, tanto o acento agudo como o acento circunflexo: 1) Algumas palavras oxítonas terminadas em < e > tônico admitem tanto o acento agudo quanto o acento circunflexo. É facultativo bebê bidê canapê caratê crochê guichê nenê purê rapê bebé bidé canapé caraté croché guiché nené puré rapé

2) Torna-se facultativo o emprego do acento circunflexo nas palavras oxítonas ‘judô’ e ‘metrô’;

3) É facultado, para fins de diferenciação, o uso do acento agudo nas formas verbais paroxítonas do pretérito perfeito do indicativo, na 1ª pessoa do plural, quando coincidirem com a forma verbal correspondente do presente do indicativo.

Presente do Indicativo

Pretérito Perfeito do Indicativo amamos cantamos dançamos louvamos

amamos cantamos dançamos louvamos

Aceita-se a grafia para representar o Pretérito Perfeito amámos cantámos dançámos louvámos

página 08 3.3. O caso dos verbos com < qu > e < gu > no radical. Elimina-se o acento agudo na vogal < u > das formas verbais que contenham < qu > e < gu > no radical, ou seja, quando o u presente nessas sequências é tônico e faz parte da raiz ou radical do verbo. Em tempo: para melhor compreendermos os enunciados seguintes, vale recordar: - As formas verbais regulares podem ser decompostas em três morfemas: raiz, vogal temática e desinências. Assim, em 'amaremos', por exemplo, tem-se o radical < am >; a vogal temática < a >; o elemento < mos >, que, associado ao pronome 'nós', traz a marca de pessoa (a 1ª) e de número (plural); o elemento < re > (variante de < ra >), que aparece em 'amarei', 'amarás', como uma desinência de modo (indicativo) e de tempo (futuro do presente). (*) - Quando a tonicidade da forma verbal flexionada recai sobre a raiz ou radical, dizemos que é rizotônica (ver Glossário); quando não, dizemos que é arrizotônica (ver Glossário). É o caso do exemplo dado acima. A forma ‘amaremos’ tem a tonicidade marcada na sílaba < re >, portanto, fora da raiz ou radical do verbo < am >. (*) A respeito da lição exposta, consulte o link: http://educacao.uol.com.br/portugues/verbo-2.jhtm Na prática, além de perderem o trema quando o < u > é átono, verbos como ‘arguir’ e ‘redarguir’ e suas flexões não mais recebem o acento agudo, ainda que mantida a tonicidade no < u >. ARGUIR (Presente do Indicativo) REDARGUIR (Presente do Indicativo) Arguo, arguis, argui, arguímos, arguís, arguem redarguo, redarguis, redargui, redarguímos, redarguís, redarguem

página 09 Atenção! Quando, no hiato < ui >, a tonicidade recair sobre o < i >, este deve ser acentuado, como no exemplo: “Eu arguí todas as testemunhas do caso”. Ainda: ‘arguíste’, ‘arguímos’. Em alguns verbos, o emprego do acento é determinado pela pronúncia, como em ‘aguar’, ‘apaniguar’, ‘apaziguar’, ‘apropinquar’, ‘averiguar’, ‘desaguar’, ‘enxaguar’, ‘obliquar’ e ‘delinquir’. Nesses casos, admite-se que sejam grafados de duas formas, de acordo com a pronúncia.

1 – Nas formas rizotônicas, ou seja, quando a tonicidade recai sobre o radical (aquele morfema que é comum a todas as formas flexionadas de verbos regulares), acentua-se o < a > e o < i > do radical.

AGUAR (eu) águo (que (tu) águas (que (ele) água (que (nós) aguamos (que (*) (*) (vós) aguais (*) (que (eles) águam (que

eu) águe tu) águes ele) águe nós) aguemos vós) agueis (*) eles) águem

AVERIGUAR (eu) averíguo (que eu) averígue (tu) averíguas (que tu) averígues (ele) averígua (que ele) averígue (nós) averiguamos (que nós) averiguemos (*) (*) (vós) averiguais (*) (que vós) averigueis (*) (eles) averíguam (que eles) averíguem

(*) Observe que as formas destacadas são as arrizotônicas e, portanto, não acentuadas. 2 – Já se a tonicidade da pronúncia recai fora do radical (arrizotônica), não se utiliza o acento, como no quadro abaixo: AGUAR (eu) aguo (que eu) ague (tu) aguas (que tu) agues (ele) agua (que ele) ague (nós) aguamos (que nós) aguemos (vós) aguais (que vós) agueis (eles) aguam (que eles) aguem AVERIGUAR (eu) averiguo (que eu) averigue (tu) averiguas (que tu) averigues (ele) averigua (que ele) averigue (nós) averiguamos (que nós) averiguemos (vós) averiguais (que vós) averigueis (eles) averiguam (que eles) averiguem

Assim, se a tonicidade recair sobre o < u >, este não receberá acento gráfico, como nas formas ‘enxague’, ‘oblique’; porém, se a tonicidade recair sobre as vogais < a > ou < i > da sílaba anterior, estas, obrigatoriamente, receberão acento gráfico (‘enxágue’, ‘oblíque’). Página 10 3.4. O caso dos acentos diferenciais Quando palavras de sentidos diferentes têm a mesma grafia, verifica-se o fenômeno da homografia. As palavras homógrafas podem também ser homófonas, ou seja, terem o mesmo som, apresentarem os mesmos traços fonéticos. Para a Ortografia isso representava um complicador, daí a criação de acentos diferenciais – agudo ou circunflexo –, a fim de que, mesmo se tomadas isoladamente, fora de contexto, essas palavras contivessem “marcas” que indicassem a qual campo semântico pertenciam. Entretanto, com a entrada em vigor do novo Acordo, em regra geral, não mais se distinguem palavras homógrafas. Como era antes pára (verbo parar) / para (preposição) péla (verbo pelar) / pela (preposição) / péla (substantivo) pólo (substantivo) / pôlo (substantivo) / polo (preposição antiga) pélo (verbo pelar) / pêlo (substantivo) / pelo (preposição) Como deve ser agora para (verbo e preposição) pela (preposição, verbo e substantivo) polo (substantivos e preposição) pelo (verbo, substantivo e preposição)

pêro (substantivo) / pero (conjunção antiga) pêra (substantivo) / pera (preposição antiga)

pero (substantivo e conjunção antiga) pera (substantivo e preposição antiga)

Apenas algumas palavras permanecem acentuadas para se distinguir pelo acento gráfico: - ‘pôr’ (verbo) para diferenciar de ‘por’ (preposição); - ‘pôde’ (verbo na 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) para diferenciar de ‘pode’ (3ª pessoa do singular do presente do indicativo); e - os verbos ‘ter’ e ‘vir’, bem como seus derivados (‘manter’, ‘deter’, ‘reter’, ‘conter’, ‘convir’, ‘intervir’, ‘advir’ etc.) para diferenciar as formas da 3ª pessoa no singular (presente do indicativo) das formas da 3ª pessoa no plural (presente do indicativo). Atenção! É facultativo o uso do acento da palavra ‘fôrma’ (substantivo) para diferenciar da palavra ‘forma’ (3ª pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ª pessoa do singular do imperativo do verbo ‘formar’). Unidade 4 - Uso do hífen MÓDULO III – O Acordo e as novas regras Unidade 4 - Uso do hífen 4.1. Noções preliminares 4.1.1. Prefixos e falsos prefixos. 4.1.2. Unidades semânticas e unidades sintagmáticas 4.2. Casos em que se emprega o hífen. 4.3. Casos em que não se emprega o hífen. 4.4. Quadro sinóptico 4.5. Divisão silábica e translineação página 02 Unidade 4 - Uso do hífen

O termo deriva do grego hýphen (juntos, juntamente). O vocábulo chegou ao português pelo latim tardio hyphen, que, frise-se, manteve o < h > na grafia, muito embora essa letra já não fosse pronunciada. A menção à origem grega da palavra serve para afastar de vez um certo equívoco que se comete em certos compêndios escolares, sobretudo os adotados nas escolas fundamentais. Ali, com frequência se diz: “separam-se por meio do hífen as palavras...”.

Ora, o hífen, como garante a sua etimologia (ver Glossário), existe para unir e não para 'separar'. Ainda quando 'separa', a sua simples presença preserva a 'unidade semântica e sintagmática' (ver Glossário) do vocábulo, evita a criação de uma sílaba indesejada e, assim, indica uma melhor pronúncia, como em ‘mal-humorado’, ‘pan-hospitalar’, ‘sub-reino’.

Atente para o fato de que o Acordo Ortográfico (1990), nas Bases reservadas ao tratamento do hífen, não economizou na utilização das expressões 'unidade sintagmática' e 'unidade semântica' (ver Glossário). Antes, porém, de darmos início à análise de como o Acordo Ortográfico tratou o hífen, reproduziremos, para fins meramente didáticos, uma lenda muito veiculada na internet, que bem ilustra os propósitos peculiares desse 'sinalzinho' que agora, como querem alguns, acabou por se tornar um 'vilão'. página 03 As controvérsias e os pontos obscuros são tantos que ensejaram matérias como a que se pode ler em: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL472527-5604,00HIFEN+E+NOVO+VILAO+DA+REFORMA+ORTOGRAFICA.html

Leia a lenda. Conta a lenda que Graphos, “deus da escrita”, passeando por um lindo jardim, viu um pequeno pássaro arisco introduzir o frágil bico nas flores que pendiam em cachos. Pareceu-lhe que a avezinha beijava as flores enquanto se alimentava. Consultou o léxico e não encontrou nenhuma denominação para o passarinho. Como uma de suas funções era a de registrar graficamente as palavras da língua, pôs-se a pensar. Ocorreu-lhe a ideia de dar à ave o nome da sua aparentemente aflitiva função, a de beijar flores. Assim, denominou-a ‘beija flor”. Contudo, ao registrar por meio da escrita o nome que criara, deu-se conta de que aquilo mais parecia uma frase que uma palavra. Guiado pelo princípio da economia linguística, resolveu, assim, criar um sinal gráfico que unisse os dois elementos da expressão para representar um terceiro . Pensou em traçar uma barra, grafando “beija/flor”. Pareceu-lhe, contudo, mais explícita a ideia da separação, quando o propósito era o de ligação, de união. Veio-lhe de usar a vírgula, grafando “beija,flor”. Nada feito; persistia a separação! Enquanto pensava, a pena que segurava caiu-lhe da mão e, acidentalmente, fez um pequeno traço entre as duas palavras. Apesar de surpreso com o acontecido, encontrou ali a solução para o seu intento de unir as palavras criando uma terceira: “beija-flor”. O pequeno traço recebeu o nome de hýfen que, em grego, significa “em um só corpo”.

Deixemos as lendas de lado, a Teogonia com Hesíodo, e passemos à análise do hífen tal como é tratado hoje pelo novo Acordo Ortográfico. O Acordo deu atenção ao hífen na Base XV, em sete itens e cinco subitens; na Base XVI, em três itens e oito subitens; e na Base XVII, em dois itens e dois subitens. Leia também o item 6 da Nota Explicativa, ao final do Acordo Ortográfico. Todavia, mesmo com o considerável espaço que teve no texto do Acordo, a questão ainda provoca polêmicas na nova ortografia. Para facilitar a compreensão das novas regras do hífen, vamos esclarecer alguns conceitos que surgiram com a publicação do texto do novo Acordo: os “falsos prefixos” e as “unidades semânticas e sintagmáticas". Como foram empregadas sem uma referência prévia, essas expressões acabaram por complicar

mais ainda o já controvertido universo do hífen. página 04 4.1. Noções preliminares 4.1.1. Prefixos e falsos prefixos. “Denomina-se de ‘prefixo’ a um morfema da classe dos afixos que figuram no início de uma unidade léxica". (DUBOIS, Jean – org., in Dicionário de Linguística, Cultrix, 1998)

Os prefixos são elementos que se unem ao início de uma palavra, para formar outra palavra com sentido diferente. Não são, portanto, unidades semânticas autônomas (unidades de sentido), mesmo quando possuem um significado. Há, porém, morfemas que, mesmo possuindo um radical próprio ou se comportando como radicais de outras palavras, unem-se a outros morfemas para formar novas palavras, sem perder seu significado: são os chamados “falsos prefixos” ou “pseudoprefixos”. Veja a Base XVI do Acordo. Por exemplo: ‘contra’ é prefixo em ‘contradizer’, ‘contradição’, mas é forma livre em “falar contra” (advérbio) ou em “estar contra o muro” (preposição) e é o radical de ‘contrariar’. Frequentemente na fala, mas também na escrita, por meio do truncamento (ver Glossário), podemos fazer com que o prefixo assuma a carga semântica da unidade inteira (um ‘auto’, uma ‘mini’, para ‘automóvel’ e ‘minissaia’). São exemplos de falsos prefixos em oposição a prefixos: FALSOS PREFIXOS ‘contra’ (oposição): Eu sou contra a discriminação. ‘auto’ (por si próprio): Eu posso me autogovernar. ‘pseudo’ (falso): João era um pseudomoralista. ‘semi’ (metade): Eu bebo leite semidesnatado. “mini” (mínimo): Ela estava usando uma minissaia. PREFIXOS (ante) = ‘antes de’

(anti) = ‘contrário a’

(arqui, super, hiper, sobre) = ‘acima de’

(infra) = ‘abaixo de’

página 05 4.1.2. Unidades semânticas e unidades sintagmáticas

Em linhas gerais, o hífen é um recurso gráfico que simboliza o “acoplamento” de duas ou mais palavras para constituir uma nova unidade lexical, ou seja, uma nova palavra, que chamaremos morfemas compostos por hifenização. Ocorre que, além desses morfemas hifenizados, existem as locuções, que podem ser nominais, adjetivas ou verbais. Essas locuções, contudo, não constituem unidades lexicais.

O problema aqui reside em saber quando uma expressão cujos elementos se agregam em “blocos de sentido” deixa de ser uma locução e passa a ser um substantivo composto, ou ainda, quando saímos do campo da sintaxe e entramos no campo da morfologia (ver Glossário). O emprego do hífen é um recurso valioso para que possamos distinguir os substantivos compostos das locuções e, ao fazê-lo, perceber a sua função e sua identidade semântica. Todavia, por ser muito tênue, não é tarefa fácil definir a linha de fronteira que demarca o território das locuções daquele dos substantivos compostos. As gramáticas tradicionais negligenciam o tema, e os lexicógrafos se digladiam em torno da questão. página 06 A esse respeito, reproduzimos a aula do Prof. Cláudio Moreno, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul:

“Este sempre foi (e sempre será) o grande problema do uso do hífen em nosso idioma: saber quando uma locução passa a ser um substantivo composto. Em que momento saímos da Sintaxe (vários vocábulos) e entramos na Morfologia (um só vocábulo)? Por que ‘papel almaço’ e ‘papel da Índia’ são locuções, e ‘papel-bíblia’ é um substantivo composto? Por que alguns (Aurélio, por exemplo) consideram ‘pôr-do-sol’ um substantivo, enquanto Houaiss classifica como uma simples locução (‘pôr do sol’)? Apesar de existirem vários “palpites” sobre como se poderia fazer essa diferenciação, acho que nunca poderemos chegar a uma resposta definitiva — não por deficiência de nossas teorias ou incompetência de nossos estudiosos, mas exatamente pela natureza difusa do problema. (...) Note-se que a presença do hífen, aqui, é o que serve para distinguir aquilo que consideramos locução daquilo que consideramos vocábulo. Há gramáticos que veem em ‘ponto e vírgula’ uma locução (daí não usarem o hífen); Aurélio e Houaiss, por sua vez, consideram-no um vocábulo e, ipso facto, escrevem ‘ponto-e-vírgula’ [uma divergência que repete aquela sobre ‘pôr-do-sol/por do sol’]. É exatamente por isso que ninguém entendeu essa orientação esdrúxula do VOLP [Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa] de eliminar o hífen de vocábulos compostos que tenham preposição ou conjunção entre os elementos. Foi uma interpretação equivocada do texto do Acordo, e tenho certeza de que a ABL acabará voltando atrás, para não se cobrir de ridículo. Portugal entendeu corretamente o que foi disposto e manteve os hífens em vocábulos como ‘pé-de-moleque’, ‘maria-vai-comas-outras’, ‘mula-sem-cabeça’, ‘dia-a-dia’, ‘pé-de-cabra’ etc.’

Eis aí um dos problemas cuja solução é fundamental para sabermos definitivamente como empregar o hífen. página 07 Para formar frases, a combinação das palavras ou vocábulos precisa obedecer a determinados princípios da língua. As palavras ou vocábulos se agrupam em conjuntos, em torno de um núcleo. Esse conjunto, que chamamos 'sintagma' (ver Glossário), vai desempenhar uma função no conjunto maior, ou seja, a frase. Leia o exemplo: O médico não prescreveu todos os medicamentos.

O médico (sintagma nominal)

Não prescreveu todos os medicamentos (sintagma verbal) não prescreveu (modificador + verbo) não prescreveu (advérbio + núcleo verbal)

O médico (sintagma nominal)

todos os medicamentos (sintagma nominal)

O médico (determinante + núcleo nominal)

todos os medicamentos (determinante + determinante + núcleo nominal)

Aceitaríamos as formas: O médico não prescreveu os medicamentos todos.

Não prescreveu o médico os medicamentos todos.

Os medicamentos todos, o médico não os prescreveu.

Mas teríamos dificuldade em aceitar: Prescreveu todos não o médico os medicamentos.

O prescreveu não médico os medicamentos todos.

página 08 Torna-se evidente que existe uma organização dentro dos sintagmas. Eles desempenharão funções distintas de acordo com a posição dos vocábulos e a relação que estabelecem entre si. Assim, é possível inverter a ordem, desde que mantenhamos os grupos ‘o médico’, ‘não prescreveu’, ‘todos os medicamentos’, mudando apenas sua posição. Essa possibilidade de deslocamento prova que cada grupo é um sintagma. “As unidades sintáticas da língua (sistema de unidades hierarquizadas) apresentam-se sob a forma de palavras, sintagmas, orações, e são relacionadas por um conjunto de mecanismos formais”. (Azeredo, J. C – in Iniciação à Sintaxe, 1990) A unidade sintagmática é considerada um agrupamento intermediário entre o nível do vocábulo e o da oração: um ou mais vocábulos se unem (em sintagmas) para formar uma unidade maior, que é a oração. Como vimos, os vocábulos que compõem a unidade sintagmática se organizam em torno de um núcleo. Dependendo da natureza desse núcleo, podemos falar em sintagma nominal ou sintagma verbal.

Se compararmos as orações (A) O guri foi bem educado pelos pais.

(B) Meninos bem-educados sabem quando calar.

Na oração (A), não se emprega o hífen na expressão ‘bem educado’, porque, no sintagma “bem educado pelos pais”, ela não forma uma unidade semântica, embora os dois vocábulos estejam juntos. São duas palavras com funções definidas e distintas. O vocábulo ‘bem’ é um advérbio e, aqui, está modificando o vocábulo ‘educado’, que é o particípio passado do verbo ‘educar’. Na oração (B), as duas palavras da expressão ‘bem-educados’ formam um único elemento com clara unidade sintagmática e semântica. Ela tem a função de adjetivo e, aqui, está modificando o substantivo ‘meninos’. Feitas essas considerações preliminares, passemos às novas regras de emprego do hífen. página 09

4.2. Casos em que se emprega o hífen.

EMPREGA-SE O HÍFEN:

Nas palavras compostas que designam nomes de plantas e animais, estejam ou não ligados por preposição ou qualquer outro elemento. abóbora-menina bênção-de-deus bem-me-quer couve-flor erva-do-chá ervilha-de-cheiro fava-de-santo-inácio andorinha-grande cobra-capelo formiga-branca andorinha-do-mar cobra-d’água lesma-de-conchinha bem-te-vi tartaruga-marinha cana-de-açúcar

Observação: como, nesses casos, se observava alternância no uso do hífen, o Acordo uniformizou a grafia.

O Acordo define que o hífen só será usado em palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos, como nos seguintes casos: 1. Quando o segundo elemento começa por < h >:

anti-higiênico arqui-hipérbole contra-harmônico circum-hospitalar pan-helenismo eletro-higrômetro mini-hospital

pré-história extra-humano semi-hospitalar geo-história sub-hepático neo-helênico sub-humano super-homem

Observação: Não se usa o hífen em formações que contêm os prefixos < des > e < in > e nas quais o segundo elemento perdeu o inicial: ‘desumano’, ‘desumidificar’, ‘inábil’, ‘inumano’ etc. Página 10

2. Quando a vogal final do prefixo ou falso prefixo coincidir com a vogal inicial do segundo elemento da composição. anti-ibérico micro-ondas auto-observação micro-organismo contra-almirante semi-intensivo infra-axilar supra-auricular

3. Nos compostos formados pelos prefixos ‘ex’, ‘sota’, ‘soto’, ‘vice’ e ‘vizo’. ex-almirante ex-hospedeira ex-diretor ex-primeiro-ministro sota-piloto soto-mestre vice-reitor vice-presidente vizo-rei

4. Em palavras formadas pelos prefixos ‘circum’ ou ‘pan’ seguidos de palavras iniciadas em vogal, < m > ou < n >. circum-escolar circum-navegação pan-mágico pan-africano

pan-americano pan-negritude

página 11 5. Quando os prefixos ‘hiper’, ‘inter’ e ‘super’ formar compostos com palavras iniciadas por < r >. hiper-realista hiper-requintado hiper-resistente inter-racial inter-regional inter-relação super-resistente super-revista

6. Para ligar duas ou mais palavras que formam encadeamentos vocabulares do tipo: - divisas: ‘Liberdade-Igualdade-Fraternidade’; - trajetos e percursos: ‘ponte Rio-Niterói’, ‘trecho São PauloSantos’; - em que se opõem relações e noções: ‘professor-aluno’, ‘ensinoaprendizagem

7. Nos vocábulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como < -açu >, < -guaçu > e < -mirim >, e quando a vogal final do primeiro elemento é acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos:

amoré-guaçu anajá-mirim andá-açu capim-açu Ceará-mirim tamanduá-mirim

8. Nos compostos formados com os advérbios ‘bem’ e ‘mal’ quando estes formam, com o elemento que se segue, uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou < h >.

bem-aventurado bem-estar bem-humorado bem-criado bem-ditoso bem-falante bem-mandado bem-nascido bem-soante

mal-afortunado mal-estar mal-humorado

Observações: - Em muitos compostos, o advérbio ‘bem’ aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte: ‘benfazejo’, ‘benfeito’, ‘benfeitor’, ‘benquerença’ etc. - No entanto, o advérbio ‘bem’, ao contrário de ‘mal’, pode não se aglutinar com palavras iniciadas por consoante. página 12 4.3. Casos em que não se emprega o hífen.

NÃO SE EMPREGA O HÍFEN

a) Nos compostos formados por prefixo ou falso prefixo terminado em vogal em combinação com palavra iniciada por < r > ou < s >, que, nesses casos, são dobrados. COMO ERA ante-sala auto-retrato anti-social contra-senso ultra-sonografia supra-renal COMO DEVE SER antessala autorretrato antissocial contrassenso ultrassonografia suprarrenal

Observação: A medida uniformiza várias exceções antes existentes. b) Nos compostos, quando a vogal final do prefixo ou falso prefixo é diferente da vogal inicial da palavra com a qual se combinam.

COMO ERA anti-aéreo anti-americanismo auto-afirmação auto-ajuda infra-estrutura neo-impressionista

COMO DEVE SER antiaéreo antiamericanismo autoafirmação autoajuda infraestrutura neoimpressionista

c) Nos compostos que, devido ao uso, perderam a noção de composição. COMO ERA manda-chuva pára-quedas pára-quedista pára-lama pára-choque pára-vento COMO DEVE SER mandachuva paraquedas paraquedista paralama parachoque paravento

d) Nos compostos que apresentam elementos de ligação.

pé de moleque pé de vento pai de todos dia a dia fim de semana cor de vinho ponto e vírgula camisa de força cara de pau olho de sogra.

Observação: Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional, como: ‘maria vai com as outras’, ‘leva e traz’, ‘diz que diz que’, ‘deus me livre’, ‘deus nos acuda’, ‘cor de burro quando foge’, ‘bicho de sete cabeças’, ‘faz de conta’. Exceções: ‘água-de-colônia’, ‘arco-da-velha’, ‘cor-de-rosa’, ‘mais-que-perfeito’, ‘pé-demeia’, ‘ao deus-dará’, ‘à queima-roupa’. página 13 e) Nas formações com o prefixo < co- >, este se une diretamente ao segundo elemento, mesmo quando este se inicia por < o > ou < h >. coobrigação coedição coeducar cofundador coabitação coerdeiro corréu corresponsável coocorrência.

Observação: Dobra-se o < r > inicial do segundo elemento.

f) Nos vocábulos formados por < pré- > e < re- >, mesmo diante de palavras começadas por < e >.

preexistente preelaborar reescrever reedição.

Observação: Como o acento do prefixo < pré- > é praticamente imperceptível em algumas palavras, como ‘predeterminado’ e ‘preexistente’, na dúvida é sempre bom consultar o dicionário.

g) Não se usa o hífen na formação de locuções com o advérbio ‘não’.

(acordo de) não agressão (reservado para) não fumantes

Observação: O Acordo Ortográfico aboliu o hífen das formas em que a palavra ‘não’ tem valor prefixal: ‘não agressão’, ‘não engajado’, ‘não fumante’, ‘não violência’, ‘não participação’, ‘não governamental’ etc. página 14

NÃO SE USA O HÍFEN REGRA Em palavras compostas que apresentam elementos de ligação. EXEMPLOS pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra. OBSERVAÇÕES Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional. Ex.: Maria vai com as outras, leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de sete cabeças, faz de conta. * Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

Não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que se inicia a outra palavra.

autoajuda, autoestrada, autoescola, antiaéreo, intermunicipal, supersônico, superinteressante, agroindustrial, aeroespacial, semicírculo. contrarrelógio, minissaia, antirracismo, ultrassom, semirreta.

Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por < r > ou < s >, dobram-se essas letras. O prefixo ‘co’ junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por < o > ou < h >. Com os prefixos < pré- > e < re- >, não se usa o hífen, mesmo diante de

coobrigação, coedição, coeducar, cofundador, coabitação, coerdeiro, corréu, corresponsável, coocorrência. preexistente, preelaborar, reescrever, reedição. Como o acento do prefixo < pré- > é praticamente imperceptível em algumas palavras, como

palavras começadas por < e >.

‘predeterminado’ e ‘preexistente’, na dúvida, é sempre bom consultar o dicionário.

Não se usa o hífen na formação de palavras com ‘não’.

(acordo de) não agressão (reservado para) não fumantes.

O acordo ortográfico aboliu o hífen das formas em que a palavra ‘não’ tem valor prefixal: ‘não agressão’, ‘não engajado’, ‘não fumante’, ‘não violência’, ‘não participação’, ‘não governamental’ etc.

página 15

USA-SE O HÍFEN REGRA com os prefixos < circum> e < pan- >, quando o segundo elemento começa por vogal, < h >, < m > ou < n >. com os prefixos < hiper- >, < inter- > e < super >-, quando o segundo elemento começa por < r >. com os prefixos < pré- >, < pró- > e < pós- > Quando prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação. EXEMPLOS circum-navegação, pan-africano; OBSERVAÇÕES

hiper-realista e superresistente

pré-fabricação e pré-fabricar; pós-graduação micro-ondas, anti-inflacionário, sub-bibliotecário, inter-regional, infraaxilar guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, portamalas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca. Exceções: Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, paraquedismo.

Em palavras onomatopeicas (isto é, que representam ruídos ou sons naturais) que são compostas mas não apresentam elementos de ligação.

reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, ziguezague, bi-bi, fom-fom, tim-tim (tim-tim por

tim-tim). Nos compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo. Nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes de lugares) que apresentam ou não elementos de ligação. queda-d'água, gota-d'água, copo-d'água. belo-horizontino (Belo Horizonte); porto-alegrense (Porto Alegre); mato-grossense-do-sul (Mato Grosso do Sul); rio-grandensedo-norte (Rio Grande do Norte) bem-te-vi, peixeespada, peixedo-paraíso, mico-leãodourado, andorinhada-serra, lebreda-patagônia, erva-doce, ervilhade-cheiro, pimentado-reino, perobadocampo, cravoda-índia. Não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original. Observe a diferença de sentido entre os pares: arroz-do-campo (certo tipo de erva) - arroz de festa (alguém que está sempre presente em festas). bico-depapagaio (espécie de planta ornamental) bico de papagaio (deformação nas vértebras). olho-de-boi (espécie de peixe) olho de boi (selo postal).

Nos compostos que designam espécies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação.

Diante de palavra começada por < h >. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra começada por < r >. Com os prefixos < ex- >, < sem- >, < além- >, < aquém- >, < recém- >, < pós- >, < pré- >, < pró- >, < vice- >.

anti-higiênico, superhomem, sobrehumano. sub-região, sub-reitor, sub-regional.

ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recémcasado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu, vice-rei.

Atenção! A dúvida, nesse caso, é sempre comum. Como o acento desses prefixos é praticamente imperceptível na fala, em algumas palavras, como ‘predeterminado’ e ‘preexistente’, muitos não sabem se o hífen deve ou não ser usado. Assim, também aqui é sempre bom consultar o dicionário.

Com o prefixo < mal- >, quando a palavra seguinte começar por vogal, < h > ou < l >.

mal-assombrado, mal-entendido, mal-estar, mal-humorado, mal-limpo.

* Nos outros casos, escreve-se sem hífen: malcriado, malcomportado, malcheiroso, malfeito, malsucedido, malvisto. * Quando mal significa doença, usa-se o hífen se a palavra não tiver elemento de ligação. Ex.: mal-francês. Se houver elemento de ligação, escreve-se sem hífen. Ex.: mal de lázaro, mal de sete dias. * Mas há vários casos em que bem se liga sem hífen à palavra seguinte. Ex.: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquisto.

Com < bem- >, de modo geral, nos compostos.

bem-aventurado, bem-intencionado, bem-humorado, bem-merecido, bem-nascido, bem-falante, bem-vindo, bem-visto, bem-disposto.

página 16

Regra de ouro:

Para não correr o risco de errar, quando não se souber se a palavra perdeu a noção de composição, é aconselhável consultar o dicionário, que determina qual é a grafia consagrada pelo uso. Exemplos disso são as palavras malmequer (sem hífen) e bem-me-quer (consagrada com hífen).

4.5. Divisão silábica e translineação

Na divisão silábica quando da translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen ou mais, se a partição coincidir com o final de um dos elementos ou membros, deve-se, por clareza gráfica, repetir o hífen no início da linha imediata: Exemplos: “O comandante da polícia é um ex-capitão do Exército” “Quanto ao Paulo, ao João e ao Pedro, convocá-los-emos na próxima semana.” Ou “Quanto ao Paulo, ao João e ao Pedro, convocá-los-emos na próxima semana.” O carro do presidente era seguido de perto pelo do vice-presidente.”

página 17

4ª AVALIAÇÃO (Módulo III, Unidades 3 e 4) Chegamos à última avaliação. Trata-se de um exercício de fixação diferente dos anteriores. Aqui você receberá um texto contendo erros ortográficos. Corrija-os, justificando sua correção com base nas normas constantes das 21 Bases do novo Acordo Ortográfico e gramáticas. Para isso, consulte o conteúdo deste curso, os sites que disponibilizamos para você em DICIONÁRIOS, WEBIBLIOTECA, LINKS RELACIONADOS, bem como as gramáticas de que você dispõe. Oferecemos algumas sugestões em BIBLIOGRAFIA, no menu lateral. Lembre-se: a melhor forma de se apreender conteúdos é ler várias abordagens, versões e visões sobre o assunto. No caso de um idioma, procure estudar as regras gramaticais e correlatas em vários autores e exercitar o máximo possível o conteúdo aprendido. Vamos lhe ensinar agora como responder à avaliação na plataforma. Primeiramente, identifique a palavra errada e transcreva-a no seu campo de resposta. Digite, na frente dela, a regra que embasou a sua correção. No final do texto a ser corrigido, oferecemos modelos de correção e justificação dos dois primeiros erros. Siga esse modelo para os próximos 50 erros. Aproveite essa dica! Acesse, agora, o conteúdo da 4ª AVALIAÇÃO no item “TRABALHOS/REDAÇÕES” do campo “AVALIAÇÃO”, no menu lateral à esquerda. Abra o link e trabalhe no seu campo de resposta. (Esta avaliação vale 20 pontos.)

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