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EJA No Campo

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SUMÁRIO

PROPOSTA PEDAGÓGICA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO ............................................................................................. 03
Joana Célia dos Passos

PGM 1 OS JOVENS E ADULTOS DO CAMPO – QUEM SÃO ELES? ............................................................................... 07
Joana Célia dos Passos

PGM 2 ... ESCOLARIZAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: O TRABALHO NA VIDA DOS POVOS DO CAMPO...... 12
Ivone Maria Elias Moreyra

PGM 3 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO ........................................... 18
Texto 1: Projeto Semear: Educação e profissionalização dos agricultores familiares visando ao desenvolvimento sustentável Lindomar Araújo Texto 2: Os Centros Familiares de Formação por alternância e a educação do campo no Brasil João Batista Pereira de Queiroz

PGM 4 A FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE EDUCADORES PARA JOVENS E ADULTOS NO CAMPO ............39
Edna Castro de Oliveira

PGM 5

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .

2 .

A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO COMO POLÍTICA PÚBLICA ............................................ 46
Sonia Meire Santos Azevedo de Jesus

PROPOSTA PEDAGÓGICA

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO
Joana Célia dos Passos 1

1. Apresentação

Cerca de 32 milhões de brasileiros vivem no campo e encontram-se em franca desvantagem, tanto em termos de capital físico (recursos financeiros), quanto de capital sociocultural (escolaridade e freqüência à escola), em comparação à população urbana. Do ponto de vista do capital físico, a desigualdade de oportunidades fica evidenciada quando se constata que o rendimento médio mensal do trabalhador do campo corresponde a 38% do rendimento médio do trabalhador urbano.

No que se refere ao capital sociocultural, o nível de instrução e o acesso à educação da população residente no campo são importantes indicadores da desigualdade social existente entre o campo e a cidade.

Embora a legislação determine a obrigatoriedade da educação para crianças na faixa etária de 7 a 14 anos e tenha ampliado a duração do Ensino Fundamental para nove anos, a escolarização das populações do campo ainda apresenta uma situação problemática e desigual. De modo geral, as escolas apresentam instalações precárias e improvisadas e oferecem apenas o primeiro segmento do Ensino Fundamental. Aproximadamente 80% das

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .

3 .

classes são multisseriadas, com professores unidocentes pouco qualificados e mal remunerados. A organização curricular desconsidera os tempos e espaços da vida das pessoas do campo e a sua diversidade sociocultural.

Estes, entre outros fatores, têm contribuído sobremaneira com a baixa escolarização no campo, demonstrando a histórica incapacidade do Estado brasileiro em atender dignamente à demanda de escolarização dessas populações. Indicam, também, que a educação praticada no meio rural brasileiro tem contribuído pouco com as necessidades de desenvolvimento das populações do campo.

2. Objetivos da série

Geral: Possibilitar formação continuada a educadores que atuam com a Educação de Jovens e Adultos do campo, que lhes permita ressignificar suas concepções de jovens e adultos do campo.

2.1. Específicos

Discutir os sujeitos da EJA do campo na perspectiva da diversidade que os constitui e da relação com o trabalho.

Apresentar possibilidades de integração curricular entre escolarização e qualificação profissional.

Apresentar algumas iniciativas de EJA realizadas por movimentos e organizações nãogovernamentais do campo.

Discutir a EJA do campo como política pública.

Apresentar experiências de formação de educadores para a EJA do campo.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .

4 .

Temas que serão abordados na série Educação de Jovens e Adultos no campo, que será apresentada no programa Salto para o Futuro/TV Escola/SEED/MEC de 11 a 15 de setembro de 2006:
PGM 1 - Os jovens e adultos do campo – quem são eles?

O primeiro programa da série visa discutir a diversidade dos povos do campo, tendo em vista que o universo da população do campo não compreende somente o agricultor ou a pessoa que trabalha com a terra. Nesta série, procura-se mostrar que, no campo, não existe apenas a agricultura como atividade. Outros sujeitos – como ribeirinhos, artesãos, quilombolas, indígenas, pescadores artesanais – são alguns exemplos de sujeitos que compõem o universo dessa população, que precisa ser contemplada pela Educação de Jovens e Adultos no campo. Serão apresentados dados de escolaridade, questões de gênero, estabelecimentos de ensino, além de depoimentos de professores e alunos de EJA que participaram dos diferentes projetos que serão apresentados durante a série.

PGM 2 - Escolarização e qualificação profissional: o trabalho na vida dos povos do campo

Este segundo programa tratará da integração curricular da EJA, tendo como proposta contemplar a relação entre trabalho e qualificação profissional. Serão apresentadas as políticas que estão sendo estruturadas pelo MEC/SECAD, para a consolidação de uma política de educação do campo, a qual necessita contar com a participação dos movimentos sociais, das escolas agrícolas, dos sindicatos e de outros organismos de representação dos trabalhadores.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .

5 .

Consultora desta série. e também pelo Poder Público. Os cursos para os educadores de EJA no campo visam garantir a avaliação permanente do processo pedagógico.PGM 3 . 6 . qualificação profissional e desenvolvimento da solidariedade e da cidadania. como o Semear. em Educação de Jovens e Adultos do campo. Notas: Doutoranda em Educação no PPGE da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Serão apresentados alguns projetos em andamento. .Práticas pedagógicas em Educação de Jovens e Adultos no campo Este terceiro programa abordará os desafios e as possibilidades das experiências que vêm sendo realizadas por organizações não governamentais. na Coordenação Geral de Educação do Campo da Secretaria de Educação Continuada. a socialização das experiências vivenciadas pelos alunos e a sistematização de concepções e práticas político-pedagógicas e metodológicas que orientem a continuidade do processo. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . PGM 5 – A Educação de Jovens e Adultos no campo como política pública O quinto e último programa da série vai debater a relação sociedade civil e Estado na construção de uma política pública de EJA para o campo. uma iniciativa do movimento sindical rural da Agricultura Familiar no Estado da Bahia. Alfabetização e Diversidade – SECAD/MEC. Consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. PGM 4 . que possibilite a esses alunos oportunidades de elevação da escolaridade.A formação inicial e continuada de educadores para jovens e adultos no campo O quarto programa pretende apresentar os desafios das experiências em andamento relativas à formação inicial e continuada de educadores para jovens e adultos do campo.

Esta defasagem indica que as trajetórias escolares das crianças do meio rural são caracterizadas pelas interrupções e reprovações decorrentes.2 milhões de pessoas. o que chega a uma defasagem de até 64. entretanto a taxa de distorção idade-série revela que 50% dos estudantes estão com idade superior à adequada. 21. . na faixa etária de 10 a 14 anos. na maioria das vezes. ou com menos de um ano de estudo. Os índices para a faixa etária de 20 a 24 anos. os dados também preocupam: na faixa etária de 15 a 19 anos. do ingresso precoce como mão-de-obra familiar.9% não adquiriram a escolaridade básica de oito anos. percebe-se que a escolaridade média da população do campo com 15 anos ou mais EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . corresponde a 16. apesar de melhores.7% dos jovens não concluíram o equivalente às quatro séries iniciais do ensino básico e 66.3% no segundo segmento do Ensino Fundamental. encontram-se na escola. Quando são comparados os indicadores das populações do campo e das populações urbanas. Entre as faixas mais jovens.7% não completaram os oito anos de escolaridade obrigatória.1% não concluíram as quatro séries iniciais e 55.PROGRAMA 1 JOVENS E ADULTOS NO CAMPO – QUEM SÃO ELES? Joana Célia dos Passos 1 Por volta de 95% das crianças da área rural. 7 . Dados do IBGE (2001) indicam que o percentual da população com 15 anos e mais de idade sem instrução. confirmam o fenômeno da escolarização tardia e do atraso devido à repetência: 20.

8 . o Parecer CEB n. de produção teórica sobre a educação do campo. a função equalizadora. a perda de um instrumento EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . e tenham sido a força de trabalho empregada na constituição de riquezas e na elevação de obras públicas. Por outro lado. e a função qualificadora. MAB. FETRAF. Há também um intenso envolvimento dessas organizações e movimentos com a formação continuada de professores e de monitores responsáveis pela condução das propostas pedagógicas. Mesmo com abrangências limitadas a suas áreas de intervenção. Em conformidade a essa realidade. o que se diferencia significativamente dos processos formativos convencionais. que é de 7 anos de escolarização. apresenta três funções para a EJA: a função reparadora. . 11/2000. nas últimas décadas.) 2.4 anos. que possibilita a reentrada no sistema educacional daqueles/as que tiverem trajetórias escolares e de vida desiguais. além de apresentarem propostas pedagógicas e organizações curriculares coerentes e adequadas aos tempos e espaços da vida cotidiana das pessoas do campo. Nesses dados não estão incluídas aquelas pessoas que concluíram menos de quatro séries do Ensino Fundamental.3%. de fato. estas organizações têm apresentado avaliações positivas nos processos de escolarização que realizam3. no sentido de educação permanente e para toda a vida. RESAB. 29. Isso significa reconhecer que: “A Educação de Jovens e Adultos representa uma dívida social não reparada para com os que não tiveram acesso e nem domínio da escrita e leitura como bens sociais. até mesmo. que sugere a restauração de um direito negado. praticamente a metade da média estimada para a população urbana. de autoria do Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury. Ser privado desse acesso é. Os índices do analfabetismo também apontam uma distância considerável: somente 66% dos jovens de 15 a 17 anos freqüentam a escola. na escola ou fora dela. CUT. MST. CEFFA’s. etc. A disseminação de tantas iniciativas educacionais vai se configurando como um terreno de experimentação de diferentes concepções educativas e de propostas pedagógicas e. CONTAG. ampliaram-se iniciativas educacionais desenvolvidas por movimentos sociais e organizações não-governamentais do campo (ANARA. enquanto que na zona urbana esse índice é de 10.8% da população adulta rural é analfabeta.corresponde a 3.

em relação ao conjunto da sociedade. 2002. à saúde. . É um espaço emancipatório. É essa capacidade produtora de cultura que o constitui em espaço de criação do novo e do criativo. que o perfil dos/as estudantes que freqüentam a EJA é diferente do dos/as estudantes presentes nos cursos regulares e recomenda que o perfil dos estudantes da EJA e suas situações reais devam constituir o núcleo da organização da proposta pedagógica a ser desenvolvida. caboclos migrantes e trabalhadores braçais. 32). à organização da produção. O Parecer n. pelo direito à educação. etc. sociais. Impedidos da cidadania plena. ainda. é fundamental compreender o campo como um universo socialmente integrado ao conjunto da sociedade brasileira e ao contexto atual das relações internacionais. 9 . p. o campo mantém particularidades históricas. ao mesmo tempo. que tem suas particularidades e. devem receber proporcionalmente maiores oportunidades que os demais. culturais e ecológicas. 33-34). o Estado brasileiro reconhece as desigualdades a que os grupos desfavorecidos socialmente estão submetidos historicamente no sistema de ensino. Reconhece também que tais grupos. que o diferenciam. pela preservação. Não está se supondo. 11/2000 destaca. Continua o Parecer: “No Brasil esta realidade resulta de caráter subalterno atribuído pelas elites dirigentes à educação escolar de negros escravizados. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . ao transformar-se no lugar não apenas das lutas pelo direito à terra. em relação ao acesso e à permanência na escola. No caso da Educação de Jovens e Adultos do campo. autônomo.imprescindível para uma presença significativa na convivência social contemporânea” (In: SOARES. p. Desse modo. e que tenha uma lógica exclusiva de funcionamento e reprodução. o campo é um espaço rico e diverso. entre outros. índios reduzidos. mas também. é produto e produtor de cultura. portanto. Com essas afirmações. os descendentes destes grupos ainda sofrem as conseqüências desta realidade histórica” (idem. um território fecundo de construção da democracia e da solidariedade. Porém. a existência de um universo isolado.

A Declaração de Hamburgo. cujo único papel é repor a escolarização de pessoas que não tiveram acesso à escola em idade apropriada. a educação do campo é concebida como toda ação educativa que incorpora os espaços da floresta. realizada em 1997. Ela deve “contemplar os diferentes espaços de aprendizagem. de se relacionar com a terra e formas de compartilhar a vida.” Essa concepção permite superar a educação de jovens e adultos como uma política compensatória. e fundamenta-se nas práticas sociais constitutivas dessas populações: os seus conhecimentos. ribeirinhos e extrativistas. Todavia. a educação não-formal e o espectro da aprendizagem informal e incidental disponível numa sociedade multicultural. sentimentos. expressa um conjunto de possibilidades que dinamiza a ligação dos seres humanos com a própria produção das condições da existência social e com as realizações da humanidade. onde pessoas consideradas ‘adultas’ pela sociedade desenvolvem suas habilidades. direcionando-as para a satisfação de suas necessidades e as de sua sociedade. ciência e tecnologias. culturas. enriquecem seu conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações técnicas e profissionais. Mais do que um perímetro não-urbano. são apreendidos como dois pólos de um continuum. onde os estudos baseados na teoria e na prática devem ser reconhecidos. valores. na qual foram firmados compromissos pautados na concepção de educação de jovens e adultos na perspectiva da educação continuada ao longo da vida. caiçaras. valores. . da pecuária. 10 . Toda essa diversidade de coletivos humanos apresenta formas específicas de produção de saberes. A educação de adultos inclui a educação formal. das minas e da agricultura. por meio dos quais os [jovens] e adultos possam desenvolver suas EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . habilidades. A educação desses diferentes grupos tem especificidades que devem ser respeitadas e incorporadas nas políticas públicas e nos projetos pedagógicos. com especificidades que não se anulam. afirma que: “A educação de adultos engloba todo o processo de aprendizagem formal ou informal. o campo e a cidade. modos de ser e de produzir. conhecimentos. mas. articulam-se.Nesta perspectiva. mas os ultrapassa ao acolher para si os espaços pesqueiros. antes de tudo. formais ou não-formais. ou o rural e o urbano. nem se isolam.

2004) 4 MEC. no período de 1999 a 2002.aptidões. Educação de Jovens e Adultos. realizou a escolarização de aproximadamente 4 mil agricultores/as familiares na Região Sul do Brasil.) EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . Desse modo. Notas: Doutoranda em Educação no PPGE da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. 1 (Mimeo.As Casas Familiares Rurais (CFRs) possuem 91 unidades em funcionamento (Queiroz. e atuou na formação continuada de aproximadamente 150 educadores e técnicos envolvidos no projeto Terra Solidária. Consultora desta série. FETRAF – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar.779 estudantes/ 25. com qualificação profissional. A CUT também desenvolveu o Projeto Semear na Bahia. RESAB – Rede de Educação do Semi-Árido Brasileiro 3 A FETRAF SUL/CUT. 2 ANARA – Associação Nacional pela Reforma Agrária.400 famílias. conhecimentos e qualificações”. 2004. . MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. . Sua ocupação principal não é estudar. Alfabetização e Diversidade – SECAD/MEC. Consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. São pessoas orientadas principalmente para o trabalho. mesmo quando entram em um curso de EJA. na Coordenação Geral de Educação do Campo da Secretaria de Educação Continuada. CONTAG – Confederação dos Trabalhadores na Agricultura. na modalidade EJA. CEFFA’s – Centros Familiares de Formação em Alternância. CUT – Central Única dos Trabalhadores. Jovens e adultos são pessoas que já trazem um saber acumulado de décadas de vida e trabalho.As Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) possuem 127 unidades em funcionamento e atendem a aproximadamente 10. a EJA deve possibilitar “a transformação dos indivíduos em sujeitos com maior autonomia e melhores condições de enfrentamento das questões que envolvem a sociedade4”. . 11 . MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens. p.

. o sonho. dos adultos e do trabalho. aquilo que alguns de nós vivemos quando morávamos no interior. Reavivam-se a cultura. participando do trabalho e das relações que dele advêm. É quase intrínseca a relação das crianças. os saberes. Mas esse é o idílico. . olha-se o tempo e constrói-se o imaginário. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .. comese. as histórias.PROGRAMA 2 ESCOLARIZAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: O TRABALHO NA VIDA DOS POVOS DO CAMPO Ivone Maria Elias Moreyra1 O homem e a mulher do campo sempre tiveram uma relação com a escolaridade e o com o trabalho muito diferente da do homem e da mulher da cidade. na roça. desde os primeiros anos de vida. as crianças estão com seus pais e mães. 12 . Pela própria natureza da organização do trabalho no campo... Brinca-se.

que produziu a Sudene e. em grande parte. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .” A tomada de posição da Igreja. na vida do país. mas de interrupção da trajetória dos movimentos populares e. contra a possibilidade da integração dos trabalhadores rurais no processo político brasileiro. Há aspectos dessa questão que. “o golpe de 1964 foi dado.] A luta pela terra. Foram tratados como socialistas. posteriormente. triste. idílico. historiador goiano. que havia tomado uma feição definida no começo dos anos 60. foi então criminalizada.E nem sempre foi assim. Qualquer ação das pessoas em defesa dos direitos dos trabalhadores era considerada como comunismo. ou comunistas. para compreendermos o que aconteceu nas últimas décadas. muito especialmente. pacífico em muitas regiões do país. aprofundando ainda mais a exclusão dos trabalhadores rurais de qualquer participação organizada na vida política brasileira. Uso uma reflexão do professor Sérgio Paulo Moreyra. capitalista. que tem estudado a questão da terra há mais de 30 anos. O mundo estava dividido em bloco comunista e bloco ocidental. bom. Ela endossava o projeto juscelinista de conciliação com as oligarquias. hoje. Foi o ponto de partida para transformar a questão da reforma agrária. no final dos anos 50. mas não que se politizassem. foi importante e muito significativa pelos limites que estabeleceu. Vale a pena remontar aos anos 60.. de questão política em questão técnica e de questão técnica em questão militar. em diversos sentidos. 13 .” [De alterar esse quadro. Não só um momento de ruptura da ordem constitucional. Como diz o professor Martins. em uma disputa sem limites.. todos os que lutaram pelos direitos dos trabalhadores. sangrenta. “O ano de 1964 representa um momento de viragem. . embora não exclusivamente. o Estatuto do Trabalhador Rural. dos movimentos sociais no campo. José de Souza Martins diz que a ditadura militar permitia que os trabalhadores rurais se sindicalizassem. parecem irreais ou surreais.

sindicalização. aumentar a produtividade agrícola e criar uma classe média rural de perfil empresarial. foi finalmente aprovado pelo Congresso Nacional o Estatuto da Terra. determinava o que poderia ser desapropriado (terras improdutivas e latifúndios. Permitiu um rápido desenvolvimento do sindicalismo rural.000 hectares). proposta de reforma agrária. mas estabelecia limites muito estreitos.No caso da Igreja. . identificados como a fonte dos conflitos. acima de 1. Ele removia – do ponto de vista legal – obstáculos seculares à reforma agrária: substituía a prévia indenização em dinheiro por títulos da dívida agrária. eliminar os conflitos no campo. Ainda hoje há quem olhe para o texto do Estatuto da Terra e se pergunte porque não funcionou. da sindicalização e da educação. Ao mesmo tempo. definia como o módulo rural deveria ser dimensionado em cada região e estabelecia como objetivo eliminar as tensões sociais para que o desenvolvimento pudesse fluir. esvaziada de conteúdos ideológicos revolucionários e concebida como um instrumento técnico para modernizar a estrutura agrária. que criava direitos. o Governo reafirmava a convicção de que era necessário fazer uma reforma agrária. Em 1963. significava avançar em direção à modernização e a uma proposta de integração social dos trabalhadores através do mercado. Já no final de 1964. cujo objetivo era extinguir progressivamente latifúndios e minifúndios. Mas uma reforma limpa. a adesão a esse projeto tomou forma como educação popular. estabelecia o valor da terra (para o fim de desapropriação) pelas declarações fiscais do proprietário. o Congresso Nacional havia finalmente aprovado o Estatuto do Trabalhador Rural. Essa lei tinha a característica de uma lei de desenvolvimento rural. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . que passou a concorrer com as Ligas Camponesas e terminou por substituí-las. por dimensão. 14 . A tese era a de que o capitalismo representava uma saída possível. Embora fosse o engajamento em um projeto de modernização que tinha como referência um capitalismo moderno (o Brasil era visto como um capitalismo atrasado).

. a federalização da questão agrária tirava das mãos das oligarquias locais o controle da terra.Vinte anos depois de sua promulgação. determinada pela constitucionalização do Estado. fundamentalmente. mergulhado em um quadro social grave. Já estavam alastrados por toda parte quando a Comissão Pastoral da Terra . Tanto de suas lideranças. além disso. É fundamental apresentar três observações: A primeira é sobre o MST. têm traços comuns importantes: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . E não era dirigido ao agricultor familiar. aliviar a pressão exercida por outro excedente populacional nas áreas de pequena propriedade do Extremo Sul. Nesses termos. retomava a política de controle e direcionamento das migrações e da interiorização que o período Vargas havia executado com a Marcha para o Oeste. mas à empresa rural. Esse processo de confronto determinou as características das lutas sociais no campo até o início dos anos 90. Com essa diretriz. Os novos movimentos sociais. formal e informal. mas modernizá-la. havia uma organização comunitária. Não que isso tivesse sido previsto ou planejado. e. 15 . apesar da heterogeneidade. vida comunitária etc. Além das discussões políticas e teóricas. a concentração da propriedade havia aumentado enormemente. o que amplia também a reflexão sobre o MST. mas o seu objetivo real não era suprimir a grande propriedade. Seu objetivo era criar condições para a ocupação imediata da Amazônia. uma preocupação em investir em educação. A segunda observação é sobre os movimentos sociais dos anos 90. permitiria ocupar econômica e politicamente os grandes espaços “vazios” da Amazônia. essa política servia simultaneamente a vários propósitos: aliviar as tensões exercidas em todo o Nordeste por um excedente populacional significativo.CPT começou a estimular a formação de uma coordenação nacional. como de suas crianças. As ocupações eram movidas pela necessidade e quase nunca havia isenção política mais ampla por parte dos ocupantes. Os conflitos por terra não nasceram com o MST. quando as organizações de luta pela terra se conformaram a uma nova conjuntura. ao mesmo tempo. A inovação é a criação de um método.

. a agricultura biológica ou orgânica. a reprodução de plantas extrativas. sobre educação do campo. ele procura mostrar que o campo brasileiro tem uma população não-agrícola crescente. ele procura delinear uma nova concepção de reforma agrária que não pode ser apenas agrícola. a ranicultura. Depois de fazer uma minuciosa análise de todas as transformações que têm atingido o setor agrário nas últimas décadas. como essa integração tem transformado o rural criando novas atividades para o mundo rural. isto é. no governo Lula. são atividades antigas que não tinham importância econômica e passaram a ter importância. é preciso demarcar que o MEC. pessoas que não se ocupam profissionalmente com atividades agropecuárias. no livro O Novo Rural Brasileiro. os sucos naturais e polpa de frutas. a criação de aves nobres. os cogumelos.• Trabalham para expandir. Ao longo do livro. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . Alfabetização e Diversidade – para que houvesse o fortalecimento de ações iniciadas na SETEC – Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. como a piscicultura. A terceira e última observação é sobre um texto de José Graziano da Silva. o turismo rural. Na verdade. particularmente nos anos 90. a floricultura e as plantas ornamentais. Ele procura mostrar o crescimento das ocupações não agrícolas e como se tem diluído. Com esse histórico do que os homens e mulheres do campo viveram nestas três últimas décadas. a fruticultura de mesa. as verduras e os legumes. a produção de ervas medicinais. cada vez mais. os hotéis-fazenda. a separação entre o urbano e o rural. iniciou um trabalho que inclui a criação de uma secretaria que cuida especificamente desta questão. • Procuram articular atores e categorias diversas. 16 . a SECAD – Secretaria de Educação Continuada. ampliar a democracia política e para garantir um peso maior para a sociedade civil nas ações e decisões do Estado. a criação em cativeiro de animais selvagens para corte. • Produzem e praticam formas novas de intervenção no processo de decisão política.

para que. de fato. das escolas agrícolas e dos sindicatos e outros organismos de representação dos trabalhadores. . com a Pedagogia do oprimido. nem mesmo pelas instituições de educação agrícola. Assim. 17 . EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . se consolide uma política pública de Estado para a educação do homem e da mulher do campo.A perspectiva iniciada nos anos 60 com Paulo Freire. especialmente as públicas. para a consolidação de uma política de educação do campo. sua trajetória. nem assumida pelo Ministério da Educação. a política que está sendo estruturada pelo MEC/SECAD. teve. necessita contar com a participação dos movimentos sociais. não formalizada. durante anos. Nota: Diretora do Programa Escola de Fábrica da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação. que poderiam ter contribuído para a construção de uma educação para o campo e no campo. que tinha como objetivo alcançar o trabalhador da cidade e do campo. desprovido de outras possibilidades de elevar sua escolaridade ou de possuí-la.

o ensino no meio rural sempre ocorreu de forma tardia e descontínua. .PROGRAMA 3 TEXTO 1 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO Projeto Semear: Educação e profissionalização dos agricultores familiares visando ao desenvolvimento sustentável 1 Lindomar Araújo2 Experiência de educação do Ensino Fundamental EJA do Projeto Semear O contexto socioeducativo do campo No Brasil. tem predominado uma profunda desconsideração dos valores e das culturas das populações rurais. para o treinamento e para a adaptação dos agricultores familiares ao modelo EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . principalmente a partir da década de 70. tanto no atendimento quanto na qualidade do ensino oferecido. Desde o final do Império até os dias atuais. 18 . A qualificação profissional – quando existe – está voltada.

. de escolas. renda e riqueza – responsável pelo empobrecimento e pela expulsão de milhões de trabalhadores do campo brasileiro. estimulando conhecimentos. em 1998.hegemônico – concentrador de terra. A educação e a profissionalização no meio rural são fundamentais para o desenvolvimento sustentável e têm uma grande importância para milhões de famílias e para as atividades econômicas situadas neste espaço. culturas e valores dos agricultores familiares. Falta de recursos. além do despreparo e da falta de estímulo aos professores. o Projeto Semear. de material didático. Em caráter experimental. Para construir alternativas educacionais que ajudem a capacitar a população rural e a promover novos processos de desenvolvimento. integrar educação formal e profissionalização. são algumas das características do ensino na área rural. mas têm sido esquecidas tanto por parte do Estado quanto da própria sociedade. social e ambientalmente – sustentáveis. que heroicamente tentam dar sua vida a esta causa. contribuindo assim para a concretização de projetos de desenvolvimento – econômica. O Semear As transformações ocorridas na área rural e a valorização da importância social da agricultura familiar nos últimos anos inspiraram diversos projetos que buscam a formulação de novas metodologias de educação para a área rural. Tal realidade traz grandes dificuldades para pensar e implementar propostas formativas que superem esta situação e que sejam capazes de. este ensino encontra-se distanciado da cultura. de transporte. iniciaram. quase sempre. a Central Única dos Trabalhadores e a Fase Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional. ao mesmo tempo. o projeto possibilitou o acesso à educação de EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . O Projeto Semear é uma iniciativa do movimento sindical rural da Agricultura Familiar no Estado da Bahia. com o apoio do Movimento Sindical Organizado da Agricultura Familiar do Estado da Bahia. das necessidades e dos conhecimentos necessários para o desenvolvimento do campo. que deve ser ampliado para toda a Região Nordeste e para as outras regiões do Brasil. 19 . Além disso.

por sua vez. de forma participativa. Essas foram importantes inovações introduzidas na prática educacional pelo projeto Semear. na perspectiva do Desenvolvimento Sustentável e Solidário baseado na Agricultura Familiar e envolvendo Educação. As demandas ligadas à gestão de cooperativas. etc. para a promoção de políticas publicas. um caminho para a melhoria das suas vidas. 20 . as iniciativas da Fase e do Projeto Semear se direcionam para a experimentação de metodologias pedagógicas inovadoras e a discussão de novas formas organizativas que consigam abrigar a grande diversidade da Agricultura Familiar: associações. exigindo dos dirigentes sindicais e dos/as trabalhadores/as rurais uma qualificação específica bastante complexa que. Além disso. o controle social fortalecido através da gestão do projeto por organizações sociais. associações e atividades ligadas ao desenvolvimento sustentável e solidário cresceram enormemente nos últimos anos. a construção. de currículos adequados às necessidades de cada território. Experiência com EJA no Ensino Fundamental Estratégia político-pedagógica do curso A proposta do curso de Elevação de Escolaridade ao Ensino Fundamental é parte de uma estratégia de intervenção do Projeto Semear no meio rural do estado da Bahia. no ensino tradicionalmente oferecido pelas escolas. este projeto traz novas e importantes perspectivas para as políticas de educação no campo.pessoas que não tiveram esse acesso e não encontraram. o desenvolvimento de uma prática pedagógica que respeita os conhecimentos e as culturas da população e estimula a aprender. Assim. . metodológicas e organizacionais. grupos de mulheres. cooperativas. Trabalho e Organização da Agricultura Familiar. mais do que estimular. a promoção de uma forte ligação entre o projeto educacional e as comunidades e. gerar e transmitir novos conhecimentos que ajudaram a promover a cidadania e uma vida mais digna no campo para os (as) educandos (as) que dele participam. O Semear incorpora inovações institucionais. requer uma sólida EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . ainda. de jovens.

formação básica. Hoje. com seus avanços e desafios metodológicos. Foi essa experiência pioneira. no município de São Paulo de Potegi. preservação cultural e ambiental. não tinham concluído o Ensino Fundamental e o Médio. o projeto educativo que ali se desenvolve e o vínculo necessário dessa educação com estratégicas específicas de desenvolvimento humano e social do campo. Base Legal EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . na Bahia. Paraíba. outra em Vitória da Conquista. etc. promoção social. Fase. apropriação de novas tecnologias. Verificou-se. tem uma intencionalidade político-pedagógica de ação em comunidades. interligada com um conjunto de ações políticas.). Nisto está em questão o tipo de escola. Além de garantir o direito à formação básica. O início da proposta de educação sistematizada com elevação de escolaridade decorre da experiência piloto realizada pelo Projeto Semear. Entretanto. A proposta tem ênfase na educação. não se alimenta das concepções que enxergam na Educação a única fonte de desenvolvimento. Este é o resultado concreto da luta e da experiência organizativa do movimento dos trabalhadores da agricultura familiar da Bahia. considerando que. e Rio Grande do Norte. que grande número de dirigentes. entretanto. no âmbito do PROESQ (Projeto Especial de qualificação). . solidariedade. a ser trabalhada nas modalidades básica e profissional. a educação se torna necessária enquanto mediadora do processo de emancipação social. e uma terceira no Rio Grande do Norte. econômicas e culturais que mexam no modelo econômico. embora portadores de uma ampla leitura de mundo e já dominassem a leitura da palavra. com o curso Gestão em Desenvolvimento Sustentável e Solidário para o Ensino Fundamental de dirigentes sindicais (2002-2004). como promotora de inclusão social combinada. 21 . temos funcionando duas turmas de Ensino Fundamental: uma no município de Mutuípe. participação. Movimento Sindical Rural e Central Única de Trabalhadores com a Prefeitura Municipal de Alagoinhas/BA. com o apoio do Ministério do Trabalho. que permitiu ampliar a proposta para outros quatro estados do Nordeste: Alagoas. nos termos em que foram definidos os pressupostos do desenvolvimento (sustentabilidade.

a primeira é alicerce da segunda. 138/2001 – Diretrizes para Educação Básica na modalidade de EJA no Sistema de Ensino do Estado da Bahia. de jovens e mulheres. o ponto de partida e a própria missão do Projeto Semear/Fase visam contribuir para a qualificação sociopolítica e técnica. e esta complementa e lhe agrega as condições necessárias para a participação na vida social e para a própria inserção no mundo do trabalho. as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Profissional Técnica de Nível Médio e da LDB/98. cooperativas.01 de fevereiro de 2005. na ação de desenvolvimento e reorganização sindical dos diversos atores sociais da Agricultura Familiar – STR. no que se refere ao: • Decreto Presidencial de Regulamentação do art. promovendo organicamente a articulação entre a educação básica e a qualificação profissional. 39 da LDB/1996 para educação profissional – Decreto n. 5. pelo contrário.A base legal do presente projeto está consubstanciada no objetivo de garantir aos agricultores familiares a escolaridade e formação profissional de nível técnico articulada e integrada com o Ensino Médio. 22 . Entretanto. Objetivos EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . • Resolução CEE n. • As Diretrizes Operacionais da Educação Básica do campo (Conselho de Educação Básica – CEB de 01 de abril de 2002). O Projeto se propõe a integrar e a fazer dialogar entre si variadas referências conceituais e estratégicas. grupos de produção. . posto que a formação para a cidadania e a formação para o trabalho não se excluem mutuamente. para atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais definidas pelo CNE para o Ensino Médio e para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. associações.154 de 23 de julho de 2004 e Resolução CNE/CEB n.

g) Considerar a didática e as metodologias da educação popular para desenvolverem uma prática coerente com a realidade do campo. profissional e sociopolítica. jovens e adultos na Educação Profissional Técnica de Nível Fundamental em Agropecuária. mediante o envolvimento dos professores e alunos. através de práticas pedagógicas desenvolvidas no tempo presencial (hora-aula) e não presencial dos tempos de comunidade e de estágio (diferentes espaços formativos dos agricultores para além da escola). não seriada. Proposta Pedagógica e Metodologia A proposta de formação técnica profissional se concretiza através das atividades de ensino e pesquisa e estas se interligam e complementam-se para a compreensão e apreensão da realidade e do conhecimento culturalmente elaborado pela humanidade. d) Promover qualidade de vida para a mulher e o homem no campo. iniciar ações pedagógicas capazes de alterar a matriz tecnológica da unidade produtiva. Tal postura política e metodológica implicou uma organização do trabalho pedagógico que considere os saberes dos (as) educandos (as). e) Orientar a formação no desenvolvimento técnico em agroecologia. c) Reconhecer os mecanismos de interação entre as atividades de ensino e a realidade social concreta. articulando as práticas de agricultores “experimentadores”. h) Resgatar na escolarização a concepção de educação humana e de valores como liberdade. igualdade e solidariedade. f) Caracterizar o Rural como espaço de desenvolvimento. ainda. justiça. Significa. 23 . E os objetivos específicos são: a) Promover certificação do Ensino Fundamental integrado com educação profissional. pelo social (relações sociais) e pela história. A apreensão e a elaboração do conhecimento são reconhecidas pela prática (experiência). pela produção de conhecimentos científicos EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . f) Explorar as dimensões pedagógicas da cultura e da identidade do homem do campo. i) Contribuir com a organização dos agricultores.O objetivo geral do Semear é a formação de trabalhadores. b) Promover metodologias de educação do campo com a integração da educação básica. . por módulos e em regime de alternância. A estrutura do curso se processa de forma semipresencial. para participarem ativa e criticamente no desenvolvimento socioambiental da agricultura familiar.

levando em conta os diferentes saberes dos educandos. política e econômica. estamos fazendo uso da metodologia problematizadora. é importante compreender que estas práticas não deverão estar deslocadas do movimento histórico camponês em defesa do meio ambiente. Isto significa pensar um processo de ensino-aprendizagem e uma nova forma de organização curricular e de organizar o trabalho pedagógico como processos de construção do conhecimento em rede (currículo aberto). Está organizado de tal forma que a Agricultura Familiar e o Desenvolvimento Sustentável e Solidário são eixos dos conhecimentos que servem como ponte para a articulação dos demais conhecimentos já reconhecidos.conscientizadores. numa perspectiva da emancipação social. Para que estes princípios sejam atendidos. Nesta organização curricular não temos hierarquia dos Eixos Temáticos. . 24 . das ciências e das tecnologias. Os conteúdos devem atender a necessidades concretas reais. com diferentes procedimentos didáticos. da garantia da terra e de uma agricultura sustentável. Ao mesmo tempo. A escolha do complexo temático da “Agricultura familiar e Desenvolvimento Socioambiental – DSS” como o eixo principal e dos demais eixos temáticos deve-se às experiências formativas do Projeto Semear e às pesquisas que vêm sendo construídas desde 1998 sobre problemáticas significativas dos trabalhadores do campo e da agricultura familiar. que preserve o meio ambiente e garanta a qualidade de vida. O currículo. Educação diz respeito a todos os processos formativos dos agricultores. devem ser socialmente referenciados. e também procuramos refletir sobre quais conhecimentos nossos educandos precisam dominar (apreender). significativas e vitais. estruturados por um conjunto de ações formativas. não apresenta abordagem tradicional. sobre questões que precisam ser resolvidas no âmbito da prática social. e sim a necessidade de refletir sobre as questões que precisam ser resolvidas no âmbito da prática social. bem como aos conteúdos da Educação Básica e da Educação Profissional de Jovens e Adultos. visto que nosso EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . pois o critério para o desenvolvimento do trabalho pedagógico não é o Eixo em si. neste projeto. Ou seja. conforme proposta de organização curricular. expressos em mudanças de atitudes e práticas agroecológicas.

Esta proposta deve ser desenvolvida em todas as áreas do conhecimento. Os eixos temáticos se complementam de uma unidade para outra. gênero. captado através do eixo temático e dos temas geradores. observando a totalidade sem. que serão. etnia. direitos humanos. Ciências Naturais Educação Profissional TEMA GERADOR Matemática Ciências Humanas . A organização de todo o trabalho pedagógico será desenvolvida a partir do tema do complexo geral “Agricultura Familiar e Desenvolvimento Socioambiental”. de desenvolvimento e de qualidade de vida. Nesta construção. ao final de cada módulo. ética etc. cidadania. a exemplo de educação ambiental. integrando-os aos saberes da prática social. desenvolvendo um conjunto de procedimentos necessários à compreensão dessa realidade. estabelecidos em relação com a problemática dos temas geradores. esquecer as particularidades de cada contexto. em consonância com os temas transversais de maior aproximação. como parte de um projeto de sociedade. formando uma organização curricular integrada. Os conhecimentos a serem trabalhados são delimitados a partir da realidade local e o ponto de partida é o contexto social da educando(a). sistematizadas pelos professores e alunos. também estamos priorizando os Temas Transversais. perpassando todos os conteúdos. através das ações pedagógicas presenciais e a distância. novas relações e novos conhecimentos para conhecimento de novos eixos temáticos. entretanto. construindo novos paradigmas. 25 . articulado com os diferentes eixos temáticos.compromisso são os sujeitos que vivem da agricultura familiar. Valendo-se da metodologia problematizadora. O processo de construção do conhecimento em rede Linguagem Arte EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . atentando à normatização da Educação Profissional de nível Médio estabelecida pelos Conselhos Federal e Estadual de Educação. os educadores selecionam o conhecimento científico e programático de cada área do conhecimento para responder às questões de cada eixo temático.

considerar: a) A organização do trabalho pedagógico interdisciplinar e transdisciplinar. apresentação e mobilização em torno da proposta e da construção do percurso formativo. dirigentes da agricultura familiar e equipe pedagógica. d) Elaborar diferentes linguagens de expressão e comunicação e interação. i) A metodologia problematizadora. com a seguinte pergunta: Em que medida as ações formativas têm contribuído para re-elaboração do conhecimento e da experiência dos trabalhadores? EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . b) Horizontalidade (dialógica) com respeito ao tempo histórico e pedagógico de cada educando. 26 . h) Prática pedagógica qualitativamente comprometida. adequação às possibilidades sociocognitivas dos envolvidos. com a participação de agricultores/as familiares. f) A relevância social dos conteúdos.Ações prioritárias Descrição das ações estratégicas voltadas para cada público prioritário: • Ações de sensibilização. Avaliação A avaliação não se caracteriza propriamente como uma etapa. a partir dos dados da realidade (contemporaneidade dos conteúdos). pois acontecerá durante todo o processo. dirigentes e equipe pedagógica. com a participação de agricultores/as familiares. • Ações de execução e validação da experiência conceitual e metodológica. . g) Aprofundar-se no conhecimento das bases teóricas da Pedagogia Libertadora e da pedagogia histórico-crítica. subsidiando a mobilização dos participantes e flexibilizando o trabalho em todo o percurso formativo. e) A utilização de fontes variadas de informação e a busca de conhecimentos necessários à compreensão da realidade e à articulação de ações coletivas. Na proposta pedagógica de cada área do conhecimento. c) As características sociopolíticas. afetivas e culturais dos educandos.

política e cultural. Identificar inovações metodológicas passa por identificar. Coletivo de Educadores da Região Cacaueira do sul da Bahia. trabalhando as temáticas nas dimensões produtiva. No Estado da Bahia. cuja responsabilidade é assumida por todos. Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Estado da Bahia . o Projeto Semear proporcionou aos agricultores familiares e técnicos um processo de capacitação em agroecologia. no método de ensino e na relação entre as escolas e as comunidades. Visando contribuir neste sentido é que o Projeto Semear está voltado para discutir e para compreender. as instituições comunitárias. a rede das Escolas Famílias Agrícolas – AECOFABA e REISAB e as Escolas Sindicais da CUT. sobretudo. Conclusão Em 2005.Parcerias A parceria é condição para a realização das ações do Projeto Semear/Fase. a importância da educação e da qualificação profissional no atual contexto. universidades.FETRAF e as instituições públicas de ensino em nível fundamental e médio. econômica. no sul do Brasil. Os principais parceiros são os sindicatos de trabalhadores na Agricultura. as metodologias empregadas na educação de agricultores familiares e o impacto deste projeto nos indivíduos e nas suas organizações são essenciais para orientar novos projetos de formação. que mudanças foram implementadas no currículo escolar. discutindo alguns mitos e realidades que geralmente envolvem EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . A reconstrução do processo de organização destes trabalhadores. social. no Pará. as associações. 27 . Comitê Executivo de Educação do Campo do Estado da Bahia. as cooperativas. para identificar quais são as inovações metodológicas desenvolvidas pelo projeto e analisar de que forma estas inovações podem promover mudanças significativas na educação no meio rural. a parceria é desenvolvida por meio de gestão participativa. Fórum de Educação do Campo do Estado da Bahia. Coordenadores pedagógicos de EJA no campo devem contribuir com a sistematização e avaliação contínuas e permanentes do percurso. no seu processo de formação. TERRA SOLIDÁRIA. . projetos de formação dos Movimentos Sociais e Sindical – RAÍZES.

Parecer nº 11 aprovado em 10 de maio de 2000. _____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9. é uma das principais ferramentas disponibilizadas para os agricultores familiares e suas lideranças compreenderem as mudanças da realidade social. Ministério da Educação.172/2001. Referências Bibliográficas BRASIL. ____. preocupando-se com a formação de novas e antigas lideranças e com a organização. assim como também para pensar novas dinâmicas e espaços organizativos para o movimento sindical e popular. .d. enfatizando a importância da aproximação entre projetos educativos e as comunidades envolvidas e apresentando propostas de resoluções para o educação rural na Bahia e no Nordeste brasileiro. enquanto instrumento de formação. Lei nº EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . gestão e diversificação da produção da agricultura familiar. quadro da Por fim. Referências para uma política nacional de educação do campo: caderno de subsídios. Educação de jovens e adultos.).estas temáticas. Diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo. Decreto nº 5. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. na organização do cooperativismo de crédito solidário. Congresso Nacional. política e econômica. Congresso Nacional. o Projeto Semear.394/96. (s. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. contribuindo com o novo projeto político-pedagógico construído e experimentado nas bases e grupos de produção. problematizando as relações existentes entre educação e as políticas de desenvolvimento rural. (2004).154/2004. 10. ______. ____. Resolução nº 1 de 03 de abril de 2002. (mimeo). ______. Plano Nacional de Educação. 28 . Congresso Nacional. Ministério da Educação.

Railda Souza. Lindomar. (s. II CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO. Luziânia. Notas: O Projeto Semear conta com a parceria da Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE.d). 2 Coordenador Pedagógico do SEMEAR/FASE/BA. Ministério do Trabalho e Emprego. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . 29 . Ministério do Trabalho e Emprego. Central Única dos Trabalhadores. (2003). II – CADERNO CURRICULAR Projeto SEMEAR. PROJETO SEMEAR: Projeto Político Pedagógico. Org. Bahia: DEQ/FAT/PNQ/MTE: FASE. Educação e profissionalização dos agricultores familiares visando ao desenvolvimento sustentável. Agosto de 2005. Salvador /BA. Almerico. Texto Base. (mimeo). FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA FAMILIAR DO ESTADO DA BAHIA. GO. (2004).____. (2003). (2004). Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Estado da Bahia – FETRAF. . PROJETO SEMEAR. Plano Nacional de Qualificação: 2003-2007. Plano Nacional de Qualificação: termo de referência em economia solidária.

. Os nossos filhos vão aprender. Têm apenas alguns meses que meu filho freqüenta essa escola e já nos ensina tanto que posso afirmar que nós.PROGRAMA 3 TEXTO 2 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DO CAMPO OS CENTROS FAMILIARES DE FORMAÇÃO POR ALTERNÂNCIA E A EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL João Batista Pereira de Queiroz1 “Até pouco tempo.. agricultora). afastam os jovens de suas raízes. os pais. acredito que cada pessoa que abandona o campo. ficávamos matutando: e agora? É claro que tem muita escola de 2o grau por aí. de sua cultura e. essas escolas afastam nossos filhos de nós. E o campo precisa de muita gente jovem. Isso não acontece de maneira isolada. Ficam mais independentes. nos ensinam e abastecem de conhecimentos e levam às suas famílias. o verdadeiro significado dessa escola para nós aqui na roça. 30 .. tão sofrido.. antes de a Escola Família Agrícola existir para nós. mas é parte de uma caminhada que desde a década de 60. INTRODUÇÃO Atualmente o tema “Educação do Campo” está presente em vários momentos e espaços da sociedade brasileira. também estudamos na Escola Família Agrícola” (Maria de Fátima. Contudo. quando víamos nossos filhos terminando o 1o grau. principalmente se for um jovem. É aí que entra a importância da Escola Família Agrícola. voltam. muitos movimentos sociais. de sangue novo para abastecer essa nação. sindicais e pastorais EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . empobrece um pouquinho mais esse nosso país. do século passado..

a contribuição histórica dos Centros Familiares de Formação por Alternância na construção da Educação do Campo no Brasil. à moradia e à educação. se expandiu para outros países da Europa e. Esse texto tem como objetivo resgatar. as primeiras experiências surgiram em 1969. à água. até os dias atuais. Para alcançar estas finalidades. e que a União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas (UNEFAB. É nessa caminhada que vem sendo construída a Educação do Campo. com o nome de Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). 1. As finalidades de um CEFFA são a Formação Integral dos jovens e o Desenvolvimento do Meio onde vivem. 2003) sintetizou assim: “é uma Associação de famílias. ao crédito. 31 . com vários outros Centros Educativos. para a América e para a África. na década de 30.vêm realizando na luta por vários direitos. Depois. Desde o final da década de 60. . a Pedagogia da Alternância tem sido um instrumento valioso na construção da Educação do Campo. que podem ser identificados como sendo duas finalidades e dois meios. OS CENTROS FAMILIARES DE FORMAÇÃO POR ALTERNÂNCIA (CEFFAS) Um Centro Familiar de Formação por Alternância é um Centro Educativo que se constrói a partir de quatro pilares fundamentais. com as Escolas Famílias Agrícolas. à saúde. A primeira experiência de Centro Educativo trabalhando com a Alternância surgiu na França. jovens e suas famílias”. Nessa construção da Educação do Campo. Esses pilares nos remetem à própria definição de CEFFAs. têm participação significativa. no estado do Espírito Santo. os Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs). os CEFFAs utilizam os seguintes meios: a Associação Local e a Alternância. depois. A partir da França. de maneira sucinta. na década de EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . do poder e do saber. atualmente muito utilizada. trabalhando com a Pedagogia da Alternância. inclusive à terra. pessoas e instituições que se unem para promover o Desenvolvimento Sustentável e Solidário do Campo através da Formação dos Adolescentes. No Brasil. em contraposição à concentração da terra. como definem alguns autores.

As Escolas Comunitárias Rurais oferecem o Ensino Fundamental de 5a a 8a séries e a qualificação profissional. Os dois CEFFAs mais antigos e mais significativos que. através da Pedagogia da Alternância.80. temos cerca de 254 (duzentos e cinqüenta e quatro) Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs) no Brasil. no Estado de São Paulo. são as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) e as Casas Familiares Rurais (CFRs). quanto política e administrativamente. Escolas Técnicas Estaduais (ETEs). foram influenciadas e assumiram muitas características das EFAs. no campo. tanto pedagogicamente. Na década de 90. bem como três Escolas Técnicas Estaduais (ETEs). Escolas de Assentamentos (EAs). de maneira autônoma. Escolas Técnicas Estaduais e Escolas de Assentamentos. enquanto o PROJOVEM e o CEDEJOR não trabalham a escolarização. e o Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (CEDEJOR). Escolas Comunitárias Rurais (ECORs). de certa maneira. no Estado de São Paulo. As três Escolas Técnicas Estaduais de São Paulo oferecem EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . Atualmente. 32 . se espelharam nas CFRs para a sua implantação. que assumiram a Formação em Alternância. As Escolas Famílias Agrícolas e as Casas Familiares Rurais oferecem o Ensino Fundamental de 5 a a 8a séries. surgiram as Casas Familiares Rurais (CFRs). Programa de Formação de Jovens Empresários Rurais (PROJOVEM) e o Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (CEDEJOR). nos estados do Paraná. nasceram as Escolas Comunitárias Rurais (ECORs). . Escolas Comunitárias Rurais. Mais tarde. Casas Familiares Rurais. surgiram vários outros Centros Educativos. trabalham com a escolarização. Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As Escolas Famílias Agrícolas. no Estado do Espírito Santo. organizados em sete diferentes denominações: Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Isto porque as Escolas Comunitárias Rurais (ECORs) e as Escolas de Assentamentos (EAs). o Ensino Médio e a Educação Profissional de nível Técnico. influenciaram a implantação dos outros cinco. juntamente com a qualificação profissional. Esses Centros Educativos se organizam. Por outro lado o Programa de Formação de Jovens Empresários Rurais (PROJOVEM). Casas Familiares Rurais (CFRs).

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . Por isso. E as Escolas de Assentamentos oferecem o Ensino Fundamental de 5a a 8a séries. trabalha mais com a terra. proporcionando a formação em alternância dos jovens agricultores familiares. 33 . (Adevanildo. Então me ajudou muito nesse ponto. nos reportamos a Gramsci. . podemos dizer que os CEFFAs são Centros vivos.. porque eu tinha essa visão. A escola acrescentou. p. poderia estar com meu irmão em Bom Jesus da Lapa tocando. In: Queiroz.) As expectativas que se tinha para ampliação da EFAGO seriam a capacitação profissional do jovem. permitindo assim a possibilidade de uma atuação mais eficaz no desenvolvimento do meio rural (Queiroz. 2004. OS CENTROS FAMILIARES DE FORMAÇÃO POR ALTERNÂNCIA: CONSTRUINDO A EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL Retomando a história e as contribuições dos CEFFAs na construção da Educação do Campo no Brasil. 57). 2004). em construção. já a minha visão foi mais pra o campo. Mas quando eu vim e cursei. Eu acho que se não fosse essa escola eu poderia hoje ser uma outra pessoa. (.. Um CEFFA expressa bem isso: A Escola Família Agrícola de Goiás (EFAGO) nasceu com a finalidade de se obter uma educação voltada para a realidade camponesa que atendesse às necessidades do agricultor. quando entende que “uma escola é viva somente quando existe uma profunda e orgânica ligação entre ela e um específico dinamismo social objetivo que nela e com ela se identifica” (NOSELA. a minha visão foi outra. Agradeço muito por eu ter uma visão e força de vontade.) Eu vejo uma grande melhora. 1992. Eu poderia estar. p. Um egresso concludente assim se expressa. 129). 2. no caso em São Paulo.o Ensino Médio e a Educação Profissional de nível Técnico... eu cursei. falando da importância do CEFFA para os jovens agricultores: (. egresso da EFA de Riacho de Santana/BA. o meu curso é técnico.

entidades representativas dos trabalhadores. semana em casa. provavelmente muitos deles estejam naqueles centros urbanos que fazem parte do “Brasil Rural” 2. 2004. Através da escola. E mesmo aqueles que declararam residência no meio urbano (35%). tesoureiro da AECOFABA. p. a escola tem ajudado muito. Isso significa que os CEFFAs. constatamos que grande parte. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . permanece na zona rural. não digo cem por cento. Antigamente o pessoal queimava. estão contribuindo para a formação social. In: Queiroz. 65%. 2004. p. além da formação escolar e técnica. Na nossa pesquisa com os egressos das EFAs de Ensino Médio e Educação Profissional do Brasil (Queiroz. porque a alternância contribui muito. também. movimentos sociais. aluno do último ano da EFA de Olivânia/ES. In: Queiroz. . A maioria dos jovens concludentes do Ensino Médio e da Educação Profissional nas EFAs participa de várias organizações e/ou movimentos da sociedade. 34 . da EFA de Olivânia/ES. tinha erosão no solo. Dessa forma então a escola para a agricultura aqui nessa região é cem por cento (Nilton. e política dos jovens e que a experiência do trabalho em equipe contribuiu fortemente para a formação desses jovens e para que eles continuem a vivenciar esta dimensão. fala da importância do CEFFA: Acho que a EFA contribui. mas sessenta está combatido. ajudam um pouco na parte técnica (Paulo Machado. sim. dos egressos concludentes. A primeira coisa que a escola ajudou foi combater o êxodo rural. 129). etc. Um agricultor e tesoureiro de uma Associação confirmam a contribuição do CEFFA na Região de Riacho de Santana/BA: Moço. 2004). leva um pouco do conhecimento.Um aluno do 4º ano. Contribuem um pouco indiretamente. de forma direta e indireta. O aluno passa a semana na escola. Os monitores vão na propriedade. Também dando incentivo à agricultura e dando proteção à natureza. Foi a primeira forma de ajuda. 129). as visitas às famílias. A pesquisa também nos mostrou que a permanência dos egressos concludentes no meio rural é acompanhada de uma boa participação (69%) em organizações comunitárias.

Podemos lembrar aqui um dos pilares da Educação para o século XXI. de Professores. Cooperativas de Agricultores. Movimentos e Organizações de Estudantes. organizações e pastorais de Igrejas. Organizações comunitárias variadas. Negro. Grifo nosso. Movimento Sem Terra (MST). a EFA Bontempo do município de Itaobim/MG.. Agricultura Orgânica. Um CEFFA. de Ex-alunos. quando diz que sua missão é “através da formação em alternância contribuir com a formação integral da pessoa humana e o desenvolvimento sustentável e solidário do Vale do Jequitinhonha”. bem como o valor da formação para a cooperação. . 2000). a solidariedade e a participação cidadã. constatamos a importância da formação política e social dispensada pelos CEFFAs. Podemos dizer. 2º . na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade social da vida coletiva no país (Conselho Nacional de Educação. que os CEFFAs estão formando os jovens para a participação cidadã na sociedade. Associações de EFAs. Cultura. Art. 2002. das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo). EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . Ex-alunos. apontado pela UNESCO: “aprender a conviver” (DELORS.Isso está em sintonia com as Diretrizes Operacionais. Programas e Institutos diversos. a partir destes dados. de Agricultores. etc. Menores. de Moradores. encontramos um leque muito grande de organizações e movimentos. Sindicatos de Trabalhadores Rurais. Quando olhamos onde estes jovens participam. Mulheres. ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes. 35 . de Técnicos. na memória coletiva que sinaliza futuros. Conselhos Municipais e diversos Projetos. Parágrafo único. mostra isso. de Crédito. Terra. Assim. Ecologia. quando vinculam a identidade das Escolas do Campo aos movimentos sociais: A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes à sua realidade. Os mais freqüentes são: movimentos.

sindicato sempre está no meio social. pedagogicamente. através de parecer da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE). em 1976. ele pode ser presidente da comunidade. em nível de Ensino Médio e formação técnica. Foi a primeira vez que os jovens agricultores tiveram acesso a uma formação escolar de nível médio e à formação técnica. pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). residem na zona rural e a maioria. 66. 131). CONCLUSÃO Concluindo esse texto. enquanto em nível de Ensino Fundamental de 5ª a 8ª séries.É o que nos confirma um egresso concludente. uma possibilidade de acesso à educação formal. Assim constatamos que os CEFFAs proporcionam. as primeiras experiências surgiram em 1969. a título de exemplo. egresso concludente da EFA de EM e EP de Riacho de Santana/BA. Isso é confirmado pela constatação que muitos deles. membro da AECOFABA. com esta experiência. sem retirá-los do meio rural. E além disso. . Então pra gente aqui a EFA está sendo um destaque. teve início no Brasil a formação. (Adevanildo. trabalha no meio rural. quando diz: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . já vejo o pessoal começar a falar aqui tem uma associação com certeza é ex-aluno da EFA. Então deu muito bem pra perceber que quando chega na comunidade. 36 . 65%. p. viveirista. sobre os dias letivos da Pedagogia da Alternância dos CEFFAs do Brasil. In: Queiroz. queremos. Os CEFFAs no Brasil iniciaram a oferta do Ensino Médio e a Educação Profissional de Técnico em Agropecuária. quando diz: Eu estive conversando esses dias que a divulgação é de acordo o trabalho do aluno.5%. com a Pedagogia da Alternância. 2004. aos jovens agricultores. apontar quatro acontecimentos relevantes na consolidação dos CEFFAs no Brasil: 1) Todo esse trabalho e essa construção dos CEFFAs no Brasil foi reconhecido. a partir de sua realidade rural e das condições e demandas objetivas da agricultura familiar. que tem um ex-aluno.

na qual a concentração da terra. 2) Está em circulação a “Revista Alternância”. À L’Aube des Formations par Alternance. considerando como dias e horas letivos atividades desenvolvidas fora da sala de aula. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . pois integram os períodos vivenciados no centro educativo (escola) e no meio sócio-profissional (família/comunidade). Assim. podemos afirmar que os CEFFAs estão. debate. ao concluir esse texto. estarão reunidos em Brasília em torno de 300 educadores(as). estudo e aprofundamento da Pedagogia da Alternância. desde o final da década de 60. Histoire d’une Pédagogie Associative dans le Monde Agricole et Rural. o primeiro Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Pedagogia da Alternância do Brasil. como meio de informação. organizações e iniciativas de construção de uma sociedade democrática. do poder e do saber sejam superadas. juntamente com a Associação das Escolas Famílias Agrícolas do Centro-Oeste e Tocantins (AEFACOT). contribuindo com a construção da Educação do Campo no Brasil e fazem parte dos movimentos. a Universidade Católica de Brasília (UCB) realiza.Os CEFFAs cumprem as exigências legais quanto à duração do ano letivo. Paris: Editions Universitaires. 37 . 4) Nos dias 11 a 14 de setembro. REFERÊNCIAS CHARTIER. UNMFREO. 3) Na Região Centro-Oeste e no Estado do Tocantins. . justa e participativa. Daniel. no I Encontro Nacional de Monitores dos CEFFAs. 1986. revista dos CEFFAs no Brasil. mas executadas dentro do Plano de Estudo de cada aluno.

São Paulo: Cortez. de 3 de abril de 2002. Construção das Escolas Famílias Agrícolas no Brasil. Brasília/DF. Jacques et al. 38 . Resolução n. promovido pelo MEC. 16-22 de abril de 2001. 4. NEAD. Ensino Médio e Educação Profissional. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Boletim no.nead. 79. João Batista Pereira de. . Formação e Desenvolvimento Sustentável.br/artigodomes. Brasília: UnB. 2000. 1. VEIGA. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Centros Familiares de Formação por Alternância – CEFFAs.ed. Porto Alegre: Artes Médicas.br NOSELA. Paolo. Parecer CNE/CEB 1/2006. http://nead.org. DELORS. http://www. (Tese de Doutorado – Universidade de Brasília).org. Apresentação feita no Seminário Nacional de Educação do Campo. UNEFAB. pesquisador e gestor de Projeto de Extensão da Universidade Católica de Brasília (UCB). 23 a 25 de outubro de 2003a. QUEIROZ. José Eli da. 2004. Notas: Doutor em Sociologia. 1992. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . O Campo e o Censo.CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. A Escola em Gramsci. Professor. Educação: um tesouro a descobrir – Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI.

uma vez que.29. pelos povos do campo. a formação dos educadores tem que estar em estreita relação com essas lutas. 2002.2 Ver Veiga. que exige transformações sociais estruturais e urgentes” (CALADART. os educadores vêm assumindo sua parcela nessa construção. Em especial. e de EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . É a partir da interlocução que tenho mantido com esses educadores. 39 . na construção de políticas públicas para esse setor. p. se destaca a do Movimento de Articulação Nacional por uma Educação do Campo. a formação de educadores de jovens e adultos ganha sentido na busca da superação dessa realidade. no Espírito Santo. Dentre elas. esgarçada pela “injustiça. como sujeitos do campo. agricultores–militantes. que emerge da contundência da realidade desumana das condições de vida dos sujeitos do campo. desigualdade e opressão. 2002). no âmbito do PRONERA2/EJA/MST. Por essa razão. PROGRAMA 4 A FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE EDUCADORES PARA JOVENS E ADULTOS NO CAMPO A experiência de formação com educadores de jovens e adultos do campo: algumas lições Edna Castro de Oliveira1 A formação de educadores para a Educação de Jovens e Adultos do campo é uma questão que integra a ação dos movimentos sociais e as lutas que vêm sendo travadas. .

independentemente do percurso de sua formação inicial.minha inserção nessa luta através do trabalho de formação e da pesquisa. que passo a dialogar com outros educadores sobre os achados. as experiências vividas e as lições (re)aprendidas no estudo do tema proposto. os educadores apresentavam inicialmente escolarização em nível do antigo magistério de 2º grau. . se faz muito mais no trânsito que realizam entre diferentes espaços/tempos das ações educativas do Movimento. que requeria o trato para lidar com a especificidade da EJA. 2004). os espaços/tempos de formação inicial e continuada assumiram diferentes matizes. esta é uma experiência cheia de tensões e dúvidas. observa uma concepção de formação linear e hierárquica que se circunscreve às normas da “educação maior” (GALLO. guarda similaridades que apontam para o fato de que a formação dos educadores de jovens e adultos do campo. A experiência de cada um. Os espaços/interstícios das marchas e das ocupações – onde residem grandes EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . no contexto do MST. Diferentemente de vários estados. como requisito para que alguém se torne professor. em função das circunstâncias. No entanto. Posteriormente. e/ou Ensino Médio incompleto. embora singular. outros educadores foram incorporados ao Programa apenas com escolaridade de Ensino Fundamental. se fazem na prática. No contexto do PRONERA/EJA/MST. o que passou a constituir uma demanda de formação inicial. reiterando assim um dado que tem se firmado no campo da formação em geral: o da centralidade da prática docente na formação docente (AZEVEDO. o que leva à ressignificação da formação inicial. Os espaços/tempos3 da formação inicial e continuada A primeira lição me faz retomar a idéia de que os educadores de jovens e adultos do campo. abrindo caminhos para o trabalho de formação continuada. no Espírito Santo. no que ela representa para a experiência do educador na sua intersecção com a formação continuada. indicando um percurso indeterminado de formação. 40 . 2002). ou pelos cursos na modalidade normal. ALVES. Sabemos que a formação inicial oferecida pelas universidades.

82). no trânsito da formação em suas diferentes temporalidades. enfrentar o risco inevitável. me sentia um educador” (Juliano. o extremo perigo em cujo contato vai se converter no que ele é” (LARROSA. para além dos espaços improvisados das aulas embaixo da lona. a lição que aprendi com os educadores. Entre os espaços/tempos da formação inicial e continuada. não tutelados [onde o educador do campo do MST] vai testar sua própria têmpera. eu não estaria hoje na Pedagogia da Terra 4. leva-me a considerar que a formação desses sujeitos se evidencia como um processo nômade. mas eu não tinha também nenhuma prática assim de sala de aula. essa já foi uma dificuldade pra mim. p.perigos – e os encontros de formação. eu já me senti um professor. 2004). 2004) 5 . p. . ou nas escolas de assentamento. e que continuo a reler. da importância do que acontece no processo. “Se eu não tivesse começado pela EJA. que acontece muito mais nas contingências. Como é que você ia se tornar uma referência se não tivesse mostrado aptidão? Eu não tinha vontade de ser professor. Era a primeira vez que eu ia trabalhar em sala de aula de EJA” (Enilson. 2000. Então eu saí daqui do curso Pedagogia da Terra sabendo que eu ia trabalhar lá. Na experiência de alguns deles. 41 . 20046). 2004. Nesse trânsito. Os saberes de experiência como elementos da formação EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . É “nesses espaços fronteiriços. Então. reafirmando a idéia da não-linearidade. a sala de aula como espaço/tempo de formação se amplia para a horta do fundo de quintal. “Dificuldade eu encontrei logo de início. Porque eu saí daqui sem experiência assim de sala de aula. como “uma nova trajetória. mas a partir do momento em que comecei a turma com a EJA. não há uma ação cumulativa entre formação inicial e continuada. nas quais procura-se produzir e compreender os sentidos da luta por uma educação do campo. da qual não podemos saber de antemão o final” (GALLO. pra mim. são os espaços/tempos do singular e da possibilidade do imprevisível (PACHECO. 215). nos acampamentos. na percepção dos educadores. formar sua maneira de ser. uma nova aventura.

o que não têm.. o saber da mistura (do conhecimento da terra com o conhecimento científico). 2004) 7. embora reconheça a EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . valorizando eles. introjetada. algo considerado muito difícil para se trabalhar com pessoas que acham que já passaram da idade de aprender e que estudar já não faz mais sentido. aí comecei por ouvir o aluno.] Ao trabalhar com os adultos na alfabetização é uma forma de valorizar eles. o que precisam ter para suprir o que nunca tiveram. o que pressupõe a escuta. que não se refere à transmissão de conhecimentos escolares. A escuta atenta do educador Welson8 (2004) me permitiu levantar outros saberes. É por isso que hoje. 42 . a imagem deles mesmos como sendo a imagem de “alguém que não sabe”. de forma surpreendente. Os saberes explícitos. “de alguém que não pode”. mas à “experiência de saber transmitir para os educandos que eles têm capacidade de saber e que eles têm necessidade de saber”. o que é algo muito difícil.[. outros saberes como: o saber do amor à terra. na relação com seus alunos. como o saber da transmissão. Uma experiência de saber envolvida nessa mesma perspectiva é a de saber transmitir para os educandos que “eles têm também saberes que são escondidos”. na experiência desse educador. Então. o saber da valorização e o saber da busca requerem do educador um exercício permanente de formas apropriadas para trabalhar com seus alunos. . indivíduo que tem valor. também. saber o que ele queria estudar. do ouvir muito os alunos. num contexto em que as relações de poder/saber entre professor e aluno compartilham de uma outra lógica que não a da dominação. Observa-se. valorizo muito aquilo que o aluno consegue produzir” (Maria Lúcia. a cultura deles. Esse educador compartilha ainda. Esses saberes emergem da concretude da experiência e vão se constituindo elementos da experiência de formação vivida por esses educadores do campo na relação com outros sujeitos do campo. etc. Durante a vida.. uma ênfase na proposta de educação do Movimento que.Outra lição me faz retomar os saberes de experiência exercitados pelos educadores. essas pessoas aprenderam o que elas não são. uma vez que têm. o saber do pertencimento pela linguagem (o da identidade lingüística própria da cultura do campo) e outros que continuo sem saber como nominar. quando eu trabalho. pela sua simplicidade e criação. tá dando a oportunidade deles se sentir gente. porque eles se sentem inferior. “Uma coisa que a gente aprende na escola de assentamento é ouvir os alunos muito! Não chegar e ir despejando conhecimento.

na linguagem do MST ou. 43 . é a que se volta para a valorização do sentido da experiência de formação para os sujeitos. nem à preocupação com a relação ensino-aprendizagem. a ação ativa desses sujeitos na ocupação dos espaços de formulação das propostas e na organização dos encontros de formação. que não posso deixar de compartilhar. No que se refere aos princípios do Movimento que orientam as práticas de formação. ocupa a atenção tanto de formadores quanto de alfabetizadores. reafirma o princípio de que as propostas de formação devem ser pensadas conjuntamente com os sujeitos para quem elas se destinam. que dentre os saberes de experiência por ele nomeados não exista menção ao saber ensinar. principalmente na alfabetização. sobre a não consideração dos sujeitos educadores e de suas experiências nos processos de formação. segundo Silvio Gallo EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . tão cara à tradição pedagógica. que prevê um fim a alcançar. Parece que tem se tornado comum. o que desloca a ênfase na tradição pedagógica da formação. a ênfase nas experiências prévias dos sujeitos educandos. não há na ação do educador a preocupação com o como ensinar. esse último remete à preocupação do educador de criar. No entanto. um ambiente favorável à aprendizagem. são poucas as referências explícitas com relação à valorização do conhecimento que emerge das experiências de formação vividas pelos sujeitos educadores-militantes. Tenho observado. o saber e de experiência de integrar e fazer da sala de aula um ambiente em que todos possam aprender. também. .importância dos conteúdos escolares. Dentre todos os saberes já referidos. Tem destaque. junto com os alunos. já exercitada nas bases pelo Movimento. na postura desse educador. com o método que. ainda. nas práticas do Movimento. Isto tende a reafirmar uma ênfase já indicada na pesquisa. Surpreende ainda. foge à ênfase de sua centralidade como saberes a serem transmitidos. Essa prática. Olhares sobre a experiência de formação dos sujeitos educadores Uma outra lição aprendida. no campo da formação em geral. no MST. O olhar sobre a experiência de formação dos educadores de jovens e adultos do campo reafirma a emergência do professor-militante. mas não se confere a mesma importância para as experiências dos sujeitos educadores.

Por uma educação do campo: traços de uma identidade em construção. (Org. Rio de Janeiro: DP&A. na formulação de sua proposta inacabada de educação. Edgar et al. GALLO.). 2004. 169 -178. v. na micropolítica. 2. Esse seria aquele que opera no âmbito da “educação menor”. nº 04. Silvio. Coleção Por uma Educação Básica do Campo. Roseli Salete./dez. DP&A. 2002. Neila Guimarães.(2002) do educador-militante. In: KOHAN. _______. Joanir Gomes de Azevedo e Neila Guimarães Alves (organizadoras). Referências Bibliográficas AZEVEDO Joanir Gomes e ALVES. O macaco de Kafka e os sentidos da educação filosófica. Políticas do ensino de filosofia. . jul. Rio de Janeiro. mas é preciso abertura para escutá-los e compreendê-los. CALDART. enfatizando o protagonismo desses atores e autores. In: Kolling. DF: Articulação Nacional Por uma Educação do Campo. construindo novas formas de resistência dentro de sua sala de aula e em todos os demais espaços educativos do Movimento. que vão se constituindo sujeitos da Educação de Jovens e Adultos do campo. “A centralidade da prática na formação de professoras e professores”. Porto Alegre. Em torno de uma educação menor. 44 . 2002. Educação do campo: identidade e políticas públicas. Eles nos falam de seus percursos de formação. exercendo influência nas ações macropolíticas. 2004. 27. Walter O. o que coloca para o Movimento a necessidade de atentar para a escuta atenta desses educadores. no sentido de valorizar as experiências que vêm sendo produzidas. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . p. Educação e Realidade. Brasília. n. (Orgs). In: Formação de professores: possibilidades do imprevisível.

ed. Notas: Professora do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo. Tomo aqui a expressão utilizada pela professora Nilda Alves. Vale Ouro. 45 . Pedagogia profana: danças. . Dirceu Castilho. no município de Aracruz – ES. 3 4 Curso superior ofertado pela UFES. Belo Horizonte: Autêntica. piruetas e mascaradas. ALVES. dentro do PRONERA. 2004. Cotidiano: o espaçotempo do aprenderensinar. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . Neila Guimarães (Orgs. Formação de professores: possibilidades do imprevisível. 3. aos educadores do campo vinculados ao MST e a outros movimentos sociais do campo. 2000. Jorge.PACHECO. In: AZEVEDO. Joanir Gomes de. no município de 6 Educador do Assentamento Ecoporanga – ES. LARROSA. 5 Educador do Assentamento Piranema no município de Fundão – ES. Rio de Janeiro: DP&A. no município de Conceição da Barra – ES. 7 Educadora do Assentamento Pontal do Jundiá. 8 Educador do Assentamento Nova Esperança.). 2 Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.

o analfabetismo. entre outros. A fome. No avanço do capitalismo no mundo. o que está reservado para os países como o Brasil é uma política econômica que reduz cada vez mais a participação do Estado naquilo que deveria ser EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . a violência urbana e rural. voltado para atender aos interesses privados. a péssima distribuição de renda e a ausência de políticas que resolvam os problemas agrários brasileiros.PROGRAMA 5 A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO COMO POLÍTICA PÚBLICA Sonia Meire Santos Azevedo de Jesus1 O Brasil é um país que tem se organizado como uma sociedade de longa tradição política autoritária. sinalizam as conseqüências que estão na base de um Estado de base liberal. o não atendimento aos direitos sociais básicos. O Estado possui características políticas e culturais marcadas pela marginalização social e política das classes populares. 46 . controlador e regulador. com base em um modelo de dominação oligárquico. aumentam a cada dia as desigualdades sociais. Outros aspectos desse modelo são: a restrição da esfera pública. ao mesmo tempo em promove a integração subordinada destas classes por meio do populismo e do clientelismo. entre tantos outros problemas. a privatização dos bens sociais e culturais pelas elites. . Com isto. patrimonialista e burocrático.

o seu papel na resolução dos problemas sociais. ou com empregos temporários. porque ambas se referem a lógicas e epistemologias diferenciadas. no tempo determinado e com a qualidade exigida pelo mesmo mercado. outras culturas. As diferentes políticas públicas se organizam e utilizam o Estado liberal para criar os mecanismos e as estratégias ideológicas de disseminação de conhecimentos que são EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . veio gradativamente provocando a substituição do trabalho humano e uma possível desertificação do campo. em que desregulamentam a economia pela redução do trabalho e pelo fator de produção. outros valores e produtos e outras lógicas. na medida em que as comunidades rurais assumem os processos desenvolvidos pelo mercado. O conteúdo dessa globalização está exatamente na produção do conhecimento e na transformação de outros em mercadoria. Portanto. 2004) discutem essa problemática. ao mesmo tempo. quem não produzir aquilo que o mercado está exigindo. Isto é feito sob a égide de formas jurídicas e de poder que buscam tornar hegemônicos os modelos de exploração do capital. com o uso de insumos químicos e de processos altamente mecanizados. é considerado improdutivo. elas estão assumindo uma forma hegemônica de pensar e de agir que substitui a forma camponesa/familiar de pensar e de agir. o campo tem sido alvo deste modelo de desenvolvimento e há uma vasta literatura que explica esse processo. A implementação de políticas agrícolas com base na monocultura de produção em larga escala. em detrimento dos interesses da sociedade. do direito e dos valores em torno de um projeto hegemônico global. Na experiência brasileira. Trabalhos como os de Veiga (2000. sem salários. na qual outras agências disputam o monopólio da violência. Nossa hipótese é a de que existem espaços e tempos diferenciados dessa produção e. os processos de geração da vida não têm sido fáceis. especialmente a partir da década de 50. 2003) e Fernandes (2000. no seu modo e no seu tempo de produzir conhecimento. em que o valor maior está no produtivo. . porque estão sendo pressionados a incorporar. 47 . Para os que continuam resistindo no campo. A crise do Estado brasileiro está na própria crise da perda da sua centralidade. o qual provocou grandes migrações do campo para a cidade.

o anterior é tido como primitivo. pejorativamente chamado de preguiçoso. pois a ideologia da produtividade é a que ganha status nesse âmbito explicativo. por meio de competências e habilidades EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . simples e não desenvolvido (SANTOS. uma maior produção e o trabalhador que mais produz. A concepção de desenvolvimento. elas próprias. As reformas educacionais brasileiras são exemplos de que. A terra que não produz em grande escala é vista como estéril. defendendo o menor espaço de tempo. Segundo Azevedo (2001). tem conseqüências profundas no campo educacional. obsoleto. 2001). o camponês é tratado como desqualificado profissionalmente e. Uma das lógicas dessa razão está em colocar como atrasado tudo o que é anterior ao presente. são deslegitimadas todas as outras formas do conhecimento produzido pela sociedade. transformaram-se em forças produtivas. e tudo que não acompanha a lógica do progresso está relacionado com o atraso. na medida em que esta forja uma nova ortodoxia nas relações entre a política. Por outro lado. o governo e a educação” (idem. p. em todos os que não acompanham essa lógica. em virtude das repercussões no setor que a regulação via mercado vem provocando. É assim que se produz a não existência dos sujeitos do campo. a base que representa para os processos que conduzem ao desenvolvimento científico e tecnológico. com o que não deve existir como forma de produzir o presente. as relações de vida do campo vêm sendo alteradas há séculos e não é à toa que os trabalhadores são vistos como atrasados. É ela que define como bons os critérios capitalistas de produção. marcada pelo paradigma técnico-econômico como modelo ideal de emancipação. a educação ganhou centralidade por dois aspectos: “por um lado. ignorantes e resistentes aos avanços científicos e tecnológicos. Nessa lógica. muitas vezes. num quadro em que a ciência e a tecnologia. propõe-se uma relação direta entre educação e trabalho. Ao criar essa crença. A não existência assume a forma de resíduo.considerados como sendo os únicos legítimos para provocar o desenvolvimento econômico. 10). político e cultural da sociedade. 48 . mesmo que para isso ela desrespeite os ciclos de vida. na maioria das vezes. .

É essa mesma lógica que atravessa as políticas de financiamento da educação. têm como estratégia prioritária desenvolver a educação básica partindo do pressuposto de que as pessoas precisam desenvolver habilidades básicas e conhecimentos gerais que possibilitem o seu redirecionamento em atividades que exigem esses conhecimentos. Reconhece-se também um maior controle no sistema de avaliação da educação. a ausência de cursos e de planos de carreira para o trabalhadores e trabalhadoras da educação. provocando um esvaziamento das escolas do campo. em pleno desenvolvimento no Brasil. que resulta mais eficaz em função dos custos. entendendo-a como condição para aumentar o nível de empregabilidade. “A mudança tecnológica está fazendo com que se aumente a quantidade de aptidões cognitivas e conhecimentos teóricos que requerem a produção de ocupações especializadas. o uso dos recursos públicos a fim de melhorar a produtividade e a flexibilidade da força de trabalho. é o investimento em educação geral em nível primário e secundário (…) incrementa diretamente a produtividade dos trabalhadores e o acesso dos pobres e dos grupos socialmente desfavorecidos à capacitação e ao emprego assalariado” 2. a não construção de escolas e não equipamento das mesmas. 49 . É importante observar o discurso que funda as políticas públicas e o que ocorre na prática. com base no mesmo modelo capitalista da monocultura em larga escala. por meio da participação direta de representantes sociais. que não prioriza a produção camponesa/familiar e suas formas de EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . entre elas a política agrária.adaptadas ao mercado. Esta política parte do pressuposto de que a educação é a motora do desenvolvimento. uma mercantilização e uma privatização da educação por diversos meios de contratação de serviços por dentro do próprio Estado. porque a política pública de educação está articulada com outras políticas. Tendo como argumento a necessidade de qualificação. principalmente no que diz respeito ao financiamento dos transportes para deslocar os jovens e as crianças do campo para a cidade. cada vez mais. Portanto. vai-se expulsando as crianças e os jovens para fora do campo. na gestão e em diferentes formas de apoio às políticas governamentais. . Presenciam-se. As políticas educacionais financiadas pelo Banco Mundial. o que incrementa a necessidade de que os trabalhadores tenham uma base de competências básicas para que o readestramento seja eficaz.

a possibilidade de viverem como extrativistas são as lutas principais. ausência de equipamentos nas escolas são estratégias dessa política. 50 . está ficando cada vez mais difícil pensar políticas públicas de Educação do Campo sem os seus sujeitos. . Tradicionalmente. organizados pelos movimentos sociais.7% não possuem Alfabetização de Jovens e Adultos. Um campo sem gente.679 escolas das áreas de reforma agrária e entorno. explicando que “atribuir a expansão da escolarização ao aumento das pressões do mercado já foi uma crença hoje desconstruída por pesquisas. o direito ao uso responsável das águas. porque a noção de direito tem se fortalecido na luta e na resistência da terra e nos processos de organização política e social. 73. o modelo de agronegócio. A Pesquisa Nacional da Educação na Reforma Agrária (INEP. Entre as décadas de 1980.5% não têm pré-escola. a resistência aumenta a cada dia no campo e os trabalhadores reivindicam e lutam pelos seus direitos. 96. desrespeito ao calendário agrícola.1% não possuem Ensino Fundamental completo. Do universo de 8. e com elas todos os outros direitos sociais se articulam. a definição das políticas públicas em educação do campo tem sido sempre a da diferenciação para manter a exclusão e aumentar a desigualdade. Estudos mostram que trazem a expulsão do campo.organização e comercialização. sem crianças e jovens dispensará a sua educação e estimulará a destruição da pobre estrutura e rede de escolas rurais” 3. 1990 e na atualidade. a realidade do campo é tão cruel: fechamento das escolas. Arroyo afirma a desconstrução dessa crença. 2004) traz dados exemplificadores dessa situação. Por essa razão. Compreendendo que a lógica capitalista não demanda educação.5% não possuem creche. Por muito tempo as políticas públicas ignoraram a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. As formas como está se dando a modernização da agricultura. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . não indicam que demandarão elevação dos níveis de educação dos povos do campo. 83. O mercado nunca foi demasiado exigente quanto à educação dos setores populares. ausência de concursos públicos para os docentes e demais técnicos. 69. A terra. nem sequer quanto à escolarização dos trabalhadores. por isso.

a Educação do Campo tem impulsionado o Estado a redefinir suas ações. à cultura e às formas de produção. com as formas de organização dos camponeses. e que as formas de recuperação não exigem mudanças profundas nas bases dessa política. para que a educação se articule com a luta social. estadual e municipal que vêm ocorrendo. que é fomentadora de debates em todo o país sobre a Educação do Campo. com base no entendimento de que é preciso recuperar o atraso escolar para se pensar em uma educação. com o modelo de desenvolvimento EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . a participação de dezenas de secretarias municipais e estaduais que buscam construir propostas específicas para o campo. Reconhecemos o avanço dessa luta por diversos fatores: a aprovação das Diretrizes Operacionais da Educação Básica do Campo. juntamente com os movimentos sociais e sindicais. não é mais possível pensar em políticas públicas de Educação do Campo sem pensar no campo. o avanço de alguns programas governamentais nas áreas de reforma agrária em todo o país. sem pensar nos sujeitos que vivem ou trabalham no campo.Os movimentos sociais têm conseguido colocar essa discussão – os problemas pertinentes à Educação do Campo – na agenda pública dos governos federal. criada em 2004 no MEC. sem pensar nas lutas sociais que ocorrem e mudam as relações. estadual e municipal. É o avanço da consciência do direito por parte dos sujeitos do campo que tem provocado o avanço na Educação do Campo como política pública. A Educação do Campo está sendo construída como uma força motora que contribui para proporcionar um maior pertencimento à terra. a Coordenadoria de Educação do Campo. regional. Hoje. Essa defesa muda em muito os interesses da educação. Ao invés de atender às demandas educacionais dos interesses da cultura de produção agrícola de base capitalista. 51 . a incorporação dos movimentos sociais e sindicais em seus coletivos da luta em defesa da educação do campo. os diversos seminários e encontros de âmbito nacional. Esse avanço tem gerado mudanças em algumas formas conservadoras de pensar as políticas de educação de perfil privatista e compensatório. .

(2004). SP: Autores Associados. (1999). (1998). AZEVEDO. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ARROYO. In: Contribuições para a construção de um projeto de Educação do Campo. BRASIL. Bernardo Mançano. Mônica C. O Pronera e a construção de novas relações entre Estado e Sociedade. São Paulo: Ação Educativa. Brasília: Pronera. 52 . Ministério da Educação/ INEP/Ministério do Desenvolvimento Agrário INCRA/Pronera. p. 89-101. (2000). (orgs). José Luis. Miguel G. Pesquisa Nacional da Educação na Reforma Agrária. Contribuição ao estudo do campesinato brasileiro: formação e territorialização do movimento dos trabalhadores rurais sem terra – MST (1979-1999). SANTOS. In: A Educação na Reforma Agrária em Perspectiva: uma avaliação do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. Brasília:DF.). Brasília. . Sonia Meire A. Desenvolvimento humano e educação. (2004). Márcia Andrade. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . DF. Isso muda profundamente o fundamento das políticas públicas de educação. 2004. Universidade de São Paulo (Tese de doutorado). Lisboa: Gradiva. Reinventar a Democracia. de. Molina (org.socialmente justo e ecologicamente sustentável. JESUS. São Paulo: Cortez. Por um tratamento público da Educação do Campo. Campinas. Maria Clara Di Pierro et al. CORRAGIO. A educação como política pública. FERNANDES. (2005). L. (2001). Janete M. Boaventura de Sousa.

31-106. Cidades Imaginárias: O Brasil é menos urbano do que se calcula.br . 59.SEED TV ESCOLA SALTO/PARA O FUTURO Diretoria do Departamento de Produção e Capacitação em Educação a Distância Coordenação Geral de Produção e Programação Coordenação Geral de Capacitação Supervisora Pedagógica Rosa Helena Mendonça Coordenadora de Utilização e Avaliação Mônica Mufarrej EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO . p. 1992. 3 Presidência da República Ministério da Educação . São Paulo: Editora Autores Associados. (2003). Notas: Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação/UFS – educampo@ufs. Campinas.__________________________. 53 . . 2 Banco Mundial. p. 2002. In: Globalização: fatalidade ou utopia? Boaventura Sousa Santos (org. (2001a). p. 95. José Eli da. apud CORAGGIO. VEIGA. ARROYO. 2004.). Os processos de globalização. Porto: Edições Afrontamento.MEC Secretaria de Educação a Distância .

br Home page: www.Copidesque e Revisão Magda Frediani Martins Diagramação e Editoração Equipe do Núcleo de Produção Gráfica de Mídia Impressa Gerência de Criação e Produção de Arte Consultora especialmente convidada Joana Célia dos Passos Email: salto@tvebrasil.br/salto Rua da Relação. 54 . 18.com. Centro. 4º andar.com. CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ) Setembro 2006 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO CAMPO .tvebrasil. .

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