SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO PEDAGOGIA JORDANA WRUCK TIMM

BULLYING:
UMA REALIDADE ESCOLAR

São Lourenço do Sul 2010 Alfabeto

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JORDANA WRUCK TIMM

BULLYING:
UMA REALIDADE ESCOLAR

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, como requisito parcial para a obtenção do título de licenciado em Pedagogia. Cooredenadora: Sandra Reis Rampazzo. Professores: Fábio Goulart de Andrade; Juliana Telles Faria Suzuki; Marlizete Cristina Bonafini Steile; Okçana Battini. Tutor Eletrônico: Valéria Miato Andreatti. Tutor de Sala: Maria Cristine Laude de Souza. Orientador: Orlando Fogaça.

São Lourenço do Sul 2010 Alfabeto

Timm, Jordana Wruck. Bullying: uma realidade escolar/ Jordana Wruck Timm. -- 2010. 55 p. TCC (Licenciatura em Pedagogia) – Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, 2010. Orientação: Orlando Fogaça (virtual) e Mª Cristine Laude de Souza (presencial).

1. Bullying. 2. Agressão. 3. Consequências. 4. Leis. 5. Realidade. I. Título.

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JORDANA WRUCK TIMM

BULLYING:
UMA REALIDADE ESCOLAR

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, como requisito parcial para a obtenção do título de licenciatura em Pedagogia. Orientador virtual: Orlando Fogaça. Tutora e orientadora presencial: Maria Cristine Laude de Souza.

Banca examinadora:

....................................................................................................................................... Profª Orlando Fogaça (virtual)

....................................................................................................................................... Profª Maria Cristine Laude de Souza (presencial)

Conceito:........................................................................................................................ ........................................................................................................................................ ........................................................................................................................................

São Lourenço do Sul, ................de .............................................de .................... Alfabeto

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Aos meus familiares, meu namorado, as pessoas com quem trabalhei, aos meus amigos, aos meus mestres, enfim, a todas as pessoas que de uma forma ou de outra contribuiram para o meu estudo, que me apoiaram, incentivaram, me ensinaram e acreditaram no meu potencial. Alfabeto

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter guiado meus passos e ter dado-me luz ao caminho e perseverança nos momentos que pareciam impossíveis. Agradeço a minha família pelo incentivo que tive na hora da decisão de iniciar os estudos e por não exigir tanto de mim em casa, permitindo que eu me dedicasse ao máximo nos mesmos. Obrigada mãe/pai Marisa e Dario, Sogra(o) Ironi e Darci, meu irmão Flavio, minha cunhada, meu sobrinho, meus cunhados. Agradeço, em especial, meu namorado Vinícius por tolerar os finais de semana estudando, por ter me apoiado nas minhas escolhas e até me ajudado financeiramente no início dos estudos. Agradeço confiaram as pessoas no com quem trabalhei, que e

plenamente

meu

potencial

profissional

valorizaram a minha formação. Aos amigos que entenderam a minha ausência em alguns momentos. Aos colegas de aula, pela amizade que conquistamos e que provavelmente vão para a vida toda e pelas múltiplas trocas de conhecimentos. Aos professores que tanto me ensinaram, agradeço por tudo o que aprendi e tudo o que vou levar para o resto de minha vida. Alfabeto

―Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita... Viver! E não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...‖ (Gonzaguinha)

―Tudo pode ser, se quiser será, o sonho sempre vem pra quem sonhar. Tudo pode ser, só basta acreditar, tudo que tiver que ser, será. Tudo que eu fizer, eu vou tentar melhor do que já fiz, esteja o meu destino onde estiver, eu vou buscar a sorte e ser feliz. Tudo que eu quiser o cara lá de cima vai me dar, me dar toda coragem que puder, que não me falte forças pra lutar‖. (Xuxa) Alfabeto

TIMM, Jordana Wruck. Bullying: Uma realidade escolar. 2010. 54 p. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como pré requisito para conclusão do Curso de Graduação em Pedagogia, Universidade Norte do Paraná- UNOPAR (EAD), pólo São Lourenço do Sul, 2010. RESUMO O trabalho tem por base complementar o pré-projeto já apresentado, onde trata o bullying como uma realidade escolar, presente no dia-a-dia, tem por objetivos fazer com que as pessoas reconheçam atos que vitimam as pessoas para o bullying, como também seus agressores, conscientizar da realidade onde estão inseridos, podendo observar o que realmente está acontecendo, que possam perceber quais são atos de bullying e quais não são, podendo entender o que ocorre em sala de aula, ficando alerta ao que acontece ao redor, buscando atitudes corretas de resolução para tais problemas, nunca discriminando, mas sim dialogando, explicando com calma e paciência. A justificativa para tal assunto é poder conhecer e dividir conhecimentos em relação a este assunto que é antigo, mas criou polêmica recentemente, agora ele ficou mais ―visto‖, e por vezes sem ter conhecimentos, passam despercebidos, criando alunos dependentes do medo (as vítimas) e outros criadores de angústias (os agressores). A revisão bibliográfica trata-se da origem, da prevenção, identificação, consequências, as agressões, os tipos de agressões, a evolução do comportamento agressivo, compreendendo os mesmos, os tipos de perconceitos e as leis. A metodologia utilizada é a pesquisa teórica, procedendo com leituras, pesquisas, investigações, enfim, tudo para manter-se atualizada no tema. Palavras-chave: Bullying; Agressão; Consequências; Leis; Realidade.

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RESUMÉN El trabajo se basa en complementar la pre proyecto ya presentada, que se refiere al acoso como una realidad escolar, presente en lo día a día, tiene por objetivos hacer con que las personas reconoscan actos que victimizan a las personas para el acoso, como también sus agresores, percebiendo la realidad que pertencen, podiendo observar lo que realmiente esta sucediendo, que puedan entender qué es el acoso y lo que no es, podiendo entender lo que esta sucediendo en el aula, quedando alerta al que sucede a su alrededor, búscando actitudes correctas de resolución para estos problemas, nunca roto, pero charlando y explicando com calma y paciencia. La justificación para este assunto es poder conocer y dividir conocimientos en relación al assunto que es antigo, sino que creó controversia recientemente, ahora es más ―visto‖ y, a veces sin ter conocimientos, pasan desapercebidos, creando alumnos dependientes del medo (las victmas) y otros creadores de las angustias (los agresores). La revisión de la literatura se trata de la origen, de la prevención, detección, consecuencias, las agresiones, los tipos de agresiones, la evolución del comportamiento agresivo, comprendendo los mismos, los tipos de preconceito y las leyes. La metodología utilizada fue la investigación teórica, procediendo con lecturas, estudios, investigaciones, todo para mantenerse actualizada sobre el tema. Palabras claves: Acoso; agresión; consecuencias; leyes; realidad.

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LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS Tabela 1- Saiba como identificar o bullying ...............................................................20

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................10 1. COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS: AS MARCAS FICAM ......................12 1.1 O QUE É AGRESSÃO? ..................................................................................12 1.2 QUAIS SÃO OS TIPOS DE AGRESSÃO? .....................................................13 1.3 A EVOLUÇÃO DOS COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS EM CADA FAIXA ETÁRIA DO SER HUMANO ..........................................................................14 1.4 COMPREENDENDO OS COMPORTMENTOS AGRESSIVOS E APRENDENDO A LIDAR E CONTROLAR ELES ..................................................16 2. 2.1 2.2 2.3 2.4 3. 3.1 3.2 BULLYING: ESTA BRINCADEIRA NÃO TEM GRAÇA ................................19 QUAL A ORIGEM DO NOME BULLYING? ....................................................19 COMO PODE-SE PREVENIR A PRÁTICA DE BULLYING? .........................21 COMO IDENTIFICAR O BULLYING? .............................................................23 QUAIS SÃO AS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING? ...............24 O BULLYING E AS LEIS ...............................................................................27 FORMAS DE PRECONCEITO .......................................................................27 LEIS QUE GARANTEM IGUALDADE ............................................................28

CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................32 ANEXOS ...................................................................................................................35

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INTRODUÇÃO

O estudo do bullying é desde muito antigamente abordado, mas tornou-se mais persistente na atualidade, mesmo assim ele ainda é desconhecido ou ―invisível‖ para muitos. Bullying é toda e qualquer forma de agressão seja ela física, verbal ou moral. Na escola o bullying é uma realidade muita vezes ignorada pelos educadores. Professores devem estar atentos a todos comportamentos comprometedores, podendo começar a guiar-se inclusive pelo desempenho do aluno nas aulas, nas notas, para continuar a avaliar o comportamento do mesmo, investigando suas reações, para descobrir as causas. Esta pesquisa tem por objetivo, fazer com que o professor seja capaz de:     Ficar alerta ao que está se passando no convívio diário, mas sem

punir, xingar e nem constrager, mas resolver tudo com muito diálogo e paciência; Reconhecer todo e qualquer ato maldoso e aprender a lidar tanto com

as condutas negativas, como com quem esta sendo agredido (verbal ou corporal); Conscientizar da situação em que se encontra determinado assunto na

sala de aula, dentro da escola; Perceber quais são os atos de bullying, que por vezes, os fatos estão

ocorrendo e se passa despercebido, sendo que esta prática muitas vezes já está presente na rotina; Tratar sobre o assunto requer que tenha-se o desejo de pesquisa e de superação dos entraves que possivelmente poderão trazer dificuldades de relacionamentos e de aprendizagem nas instituições escolares. O Bullying pode ser uma barreria edificada a fim de execrar das escolas, crianças com capacidade de aprendizagens indiscutíveis, mas por estarem em sofrimento, poderão evadir a mesma e terem memórias negativas quanto a sua estada em ambientes escolares. O bullying está muito presente no dia a dia, nesse sentido, a metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, acredita-se que a melhor maneira de investigar é ler muito, procurar sempre mais, estar atento aos materiais que se tem, para que Alfabeto

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depois possa ser descoberto na realidade, quanto mais informação adquirida, mais fácil fica para descobrir se está acontecendo alguma coisa ou não. Nesta pesquisa recorreu-se a periódicos da internet, a biblioteca pública da cidade e artigos em revistas e textos, entre outros. Para cada artigo encontrado, analisou-se as fontes, tendo a preocupação de sua fidedignidade, de respeitar os direitos autorais de conferir a veracidade alicerçada a várias leituras para compreensão e entendimento do conteúdo. No referêncial teórico buscou-se abordar temas que realmente envolvem a rotina, neste caso a sala de aula ou até mesmo a escola, como local, e ninguém melhor do que os alunos para servirem de sujeitos. Em cada capítulo pensou-se no que envolve odia-a-dia, assuntos pertinentes ao trabalho, abordando várias questões, como: a origem, as causas e as consequências, a prevenção, a participação dos familiares e dos professores no combate a este tipo de violência. O TCC contribuiu para que a qualificação profissional possa ser permeada de responsabilidade e competência.

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1 COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS: AS MARCAS FICAM

1.1 O QUE É AGRESSÃO?

No relatório apresentado por Tremblay, Gervais e Petitclerc (2008), é descrito sobre os comportamentos agressivos existentes entre as crianças de primeira infância, para o autor isto não pode ser visto como uma aberração, pois é um ato extremamante normal nesta fase, no entanto para que não fiquem consequências futuras, será necessário que a criança aprenda a controlar sua agressividade o quanto antes. De acordo com estudos realizado pelos autores, as crianças tem muitos reflexos de seus pais, por exemplo, se a mãe for jovem, tenha pouca escolaridade, ou se os pais forem agressivos, a criança persistirá por maior tempo com este mesmo comportamento, do contrário sua fase passará por volta de dois ou três anos de idade, em outro estudo ele afirma que crianças nascidas de mães que fumaram durante a gestação, também apresentaram traços agressivos e hiperativos, comparando a outras crianças nascidas de mães não fumantes. Já crianças que permanescem em ambiente favorável, terá um comportamento social ‗mais aceitável‘. Em pesquisa realizada no Canadá, por Tremblay, Gervais e Petitclerc (2008), 60% das pessoas responderam que o índice de agressividade se encontra principalmente na faixa dos 12 aos 17 anos e apenas 2% disseram que encontra-se na educação infantil, e para o autor, são estes dois por centos que tem a razão. Nos dias atuais as crianças vem se desenvolvendo muito bem e antes do primeiro ano de idade sua coordenação já é tão boa que lhe permite bater, morder, chutar.
Os primeiros anos constituem um período crítico para incutir nas crianças os fundamentos da sociabilidade: a partilha e o compromisso, a colaboração e a comunicação. (TREMBLAY, GERVAIS E PETITCLERC, 2008, p. 02)

Os autores ainda afirmam que com três anos as crianças já são capazes de cometer vários tipos de agressões físicas, e isto só começa a se controlar por volta de dois ou três anos, pois é nesta fase que elas começam a controlar suas emoções, a utilizar a linguagem como meio de se comunicar e exprimir suas frustrações. Alfabeto

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Quanto mais cedo as crianças conseguirem controlar suas aptidões, menos riscos correm de enfrentar sérios problemas no futuro, isto vale para problemas escolares, pessoais, inclusive ao uso de álcool e drogas, ainda o autor aponta conclusões a cerca de que deve ser levadas a sério as agressões das crianças sim, podendo solucionar um problema desde o seu princípio, intervindo cedo e não se preocupando futuramente. Segue um dado relevante em pesquisas feitas:
As pesquisas demonstram que as intervenções junto aos adolescentes agressivos aumentam, muitas vezes sensivelmente, o risco de comportamento criminoso, enquanto que aquelas realizadas junto a crianças de risco, em idade pré-escolar, têm efeitos benéficos em longo prazo. Entretanto, a idéia ainda não foi sedimentada na opinião pública. Quando da pesquisa mencionada anteriormente, 41% dos entrevistados disseram que, em sua opinião, os governos deveriam injetar mais dinheiro nos programas de prevenção da violência para adolescentes, enquanto que apenas 10% responderam que seria preciso investir mais nos programas destinados à primeira infância. (TREMBLAY, GERVAIS E PETITCLERC, 2008, p. 02).

1.2 QUAIS SÃO OS TIPOS DE AGRESSÃO?

Tremblay, Gervais e Petitclerc (2008) apontam, segundo alguns especialistas, a agressão é subdividida principalmente em três tipos, a física, verbal e indireta, e ainda tem a proativa e reativa, cada qual com suas características. A agressão física- Na faixa etária em que as crianças se encontram a agressão física é utilizar de comportamentos como bater, chutar, morder, puxar, jogar objetos no outro, enfim. A agressão verbal- Este tipo de agressão é denominado por insultos e ameaças que tem por poder intimidar o outro, é comum vermos entre crianças, discussões como: ―-Eu não sou!‖, ―-sim, você é!‖, ―-Não é verdade!‖, ―-Sim, é verdade!‖. Geralmente estas discussões ocorrem e permanecem até que um se intimida e começa a chorar, são palavras, mas que acabam por machucar também. A agressão indireta- Esta é mais ‗corriqueira‘ entre os adultos, mas na infância também ocorre, este é um modo de agredir sem que o agressor necessariamente tenha contato com a vítima, os agressores tentam ‗manipular‘ os expectadores com diálogos, fazendo com que os mesmos não queiram mais o amiguinho no grupo (por conta das tais ‗fofoquinhas‘), o excluindo deste, neste caso Alfabeto

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a criança não chegou a sofrer uma agressão corporal, mas ficarão marcas e cicatrizes por ter sido rejeitado de seus vínculos afetivos. Agressão proativa- É quando produzida sem provocação aparente, com crianças ocorrem quando elas querem algo em troca, quando querem obter alguma vantagem, sobre a outra, na medida em que esta cresce, ela aprenderá a dar uns tapas, enquanto o adulto não a vê, obviamente, que eles escolherão vítimas menores do que eles. Agressão reativa- É o contrário da agressão proativa, nesta é manifestada uma resposta mediante ameaça percebida ou provocação, mesmo que seja acidental, por exemplo, se uma criança brinca com um brinquedo e percebe que tem outra criança se aproximando, ela de imediato pensa que a outra se aproxima para retirar seu brinquedo e então já parte para a agressão. Os autores ainda escrevem nas crises de raiva, que estas podem aparecer em decorrência de tais comportamentos agressivos no momento em que se tornam repetitivos e uma das maneiras mais notórias é com demonstrações destas crises, que ocorrem com maior frequência em crianças de 18 meses a três anos de idade e são ‗desenvolvidas‘ com a criança atirando-se no chão, em seguida ela começa a gritar e dar pontapés, enfim, e passará/terminará de maneira tão súbita, quanto começou. As crises geralmente ocorrem por frustração, raiva, aflição etc., e se caso a criança atingir o que deseja com essas demonstrações, provavelmente ela repetirá por várias vezes em troca do desejo, elas (crises) tendem a cessar na fase em que a criança procura meios construtivos de administrar suas emoções e reações, que são geralmente por meio da linguagem, com o aparecimento desta a criança começa a desabafar suas frustrações, e isto só ocorre por volta dos quatro anos, pois é onde ocorre o amadurecimento cerebral facilitando o aprendizado.

1.3 A EVOLUÇÃO DOS COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS EM CADA FAIXA ETÁRIA DO SER HUMANO

Tremblay, Gervais e Petitclérc (2008) fazem um acompanhamento evolutivo em cada faixa etária do ser humano, relacionado aos comportamentos agressivos, no qual obteve-se: Alfabeto

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Recém nascidos até o primeiro ano de vida- por vezes nem passa na imaginação que bebezinhos possam apresentar características agressivas, de fato ele não baterá em ninguém e nem fará outra agressão destas quaisquer, mas ele já irá emitir ‗gritos‘ e mostrar em sua expressão facial que estão descontentes com algo, isto varia de bebê para bebê, e este dado relatado é o primeiro sinal ocorrente como forma de agressão na vida das crianças/ pessoas. Agressões físicas surgem em seguida, é por volta dos seis meses a um ano, nesta fase o bebê já consegue controlar alguns gestos e estes são geralmente provocados pela frustração (deve-se estar atento, pois nem sempre quem esta cuidando da criança percebe o que esta acontecendo ou não entende).

De um a dois anos, as crianças estão começando a caminhar- nesta fase nota-se o aumento dos comportamentos agressivos, claro isto é variável de criança para criança, e é este fator que fará uma reagir contra a outra para obter o que deseja. Nesta fase as agressões mais comumentes realizadas são: bater, pegar a força um objeto de desejo que está com outrem e morder. Estas são agressões tipicamente encontradas entre as crianças, mas que não devem ser ignoradas, aos pais cabe conversar, explicar e educar, se mesmo assim estas persistirem, deve-se recorrer a um profissional.

A partir dos dois até os seis anos, a criança da idade pré-escolar- nesta idade as crianças começam a possuir mais capacidades motoras e por isso suas agressões ‗podem‘ chegar semelhantes à de adolescentes, isto se intensifica ainda mais em torno dos quatro anos. Felizmente, também é nesta faixa etária que as crianças podem começar a diminuir os seus hábitos agressivos. Isto ocorre devido o córtex frontal estar mais bem desenvolvido do que antes, este é responsável por administrar as reações e emoções, incluindo as agressões, o autor reforça a ajuda de profissional para o caso da criança não conseguir se controlar.
Ao nascimento, o cérebro do bebê é cerca de três vezes menor que o de um adulto, mas ao final de cinco anos, ele atinge aproximadamente o mesmo tamanho. (TREMBLAY, GERVAIS E PETITCLERC, 2008, p.06)

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1.4

COMPREENDENDO

OS

COMPORTAMENTOS

AGRESSIVOS

E

APRENDENDO A LIDAR E CONTROLAR ELES

Tremblay, Gervais e Peticlerc (2008) acreditam que para conhecer e entender alguns comportamentos agressivos, precisa-se levar em conta alguns fatores que estão associados a este, podendo assim prevenir e intervir de maneira eficaz, para tanto seguem tais fatores:  o ―meio intra-uterino‖, este momento é de fundamental importância, tendo em vista que a criança começa a se desenvolver já na gestação, por isso deve-se haver maior cuidado com a ingestão álcool, tabaco, entre outros tipos de drogas, pois estes dão início, dentre tantas complicações, ao hiperativismo, bem como a redução de oxigênio para o feto e alteração no desenvolvimento do cérebro;  o ―temperamento‖ já começa a ser adquirido desde a gestação, são um conjunto de qualidades adquiridas nesta fase que contribuem para a formação da personalidade do bebê, que não nasceu ainda, este tipo é influenciado pela genética, portanto irá variar de acordo com o seu meio, ao nascer vê-se nitidamente as diferenças entre uns bebês e outros, uns são agitados, se incomodam com facilidade e começam a chorar, por ‗qualquer‘ motivo, como com a claridade, com a troca de fraldas, com barulho, e outros são mais tranquilos sorriem para tudo, se chorarem facilmente se acalmam, nem se quer acordam-se com a troca de fraldas e caso se acordem não dão importância, enfim, crianças que desde muito pequenas reagem a tudo, sem motivos, são as mais prováveis de terem problemas comportamentais que as outras;  entender as ―fontes‖, ou seja, que os bebês não agridem por maldade e

nem por má educação, este é um meio natural de alcançar o que se deseja e será utilizado enquanto não houver repreensão e este estiver lhe trazendo ‗bons‘ efeitos; Alfabeto

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a ―herança da espécie‖, é fato que toda criança ao sentir fome irá chorar, se estiver com dor precisará de carinho, se um objeto de desejo estiver com outrem irá querer tomá-lo dele, estes comportamento devem ser vistos como naturais, não há educação que ensine isto, elas nascem com este instinto, e para tanto o autor escreve: ―As crianças fazem crises de raiva sem que jamais tenham aprendido a fazê-lo‖ (TREMBLAY, GERVAIS E PETITCLERC, 2008. p. 11), e ainda por vezes as crianças chegam a tomar certas atitudes na tentativa de serem aceitas na sociedade, para tanto imitam/ reproduzem o outro, se outra criança chora, ela faz igual, do mesmo modo emite sorrisos, tudo na tentiva de serem inclusos ao meio;

a herança ligada ao sexo, geralmente, e é notável, os meninos recorrem bem mais as agressões físicas do que as meninas, bem como as meninas deixam de agir de forma agressiva antes deles, chegando os meninos cometetrem duas vezes mais atos agressivos que elas.

A herança familiar é diferente da herança genética, esta última não apresenta tantas influências quanto ao meio onde as crianças estão inseridas, o nível educacional dos ‗criadores‘ apresenta influência neste aspecto, bem como o modo como agem com a criança, se esta está acostumada a ser agredida, a levar palmadas, enfim, ela passará a utilizar mais deste meio nas ruas, com as outras crianças, pois faz parte de seu convívio e ela acaba por reproduzir nos outros o que se passa consigo. Os autores (2008) ainda esclarecem que para aprender a lidar e controlar os

comportamentos agressivos, são necessários estabelecer a maneira de atuação dos pais, em primeiro plano deve-se observar, após deve-se compreender e em seguida agir. Deve-se identificar os que agridem e os que são agredidos, saber o que aconteceu, qual ato ocorreu, conhecer com que freqüêcia está acontecendo e onde e em qual contexto costumam ocorrer determinadas agressões, neste processo é importante vigiar as crianças enquanto estas brincam e interagem, compreendendo o que realmente ocorre, facilita esclarecer os métodos a serem utilizados para favorecer as interações sociais e reduzir as agressões, agora que já sabe-se as causas e estas já foram compreendidas, parte-se para a ação, cuidados e Alfabeto

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estimulação são fundamentais para um bom desempenho, desenvolvimento e socialização, e se mesmo após isto, a criança não apresentar resultados, deve-se procurar auxílio com profissionais da área, tendo em vista que se as mesmas não forem ajudadas, tais agressões irão interferir em sua vida emocional, cognitiva e social. O desenvolvimento da linguagem também produz efeitos benéficos em relação a agressão, pois a criança fica apta a entender o que os outros lhe querem dizer, e do mesmo modo ela se faz entender para os outros, por meio da linguagem a criança pode expor o que esta sentindo, suas raivas, angústias, frustrações, mas também tem a outra versão que é utilizar a linguagem como meio de agredir verbalmente, geralmente esta substitui em certo momento a agressão física, geralmente é mais utilizada pelas meninas e também deve ser percebida e ‗tratada‘ do mesmo modo, para que não tornem impacíficas as suas relações com o meio. Tremblay, Gervais e Petitclerc (2008) em sua publicação, escreveram sobre as brincadeiras de lutar, e orientam aos pais e aos educadores que devem compreender e aceitar, pois esta é uma forma de aprendizado, claro, é importante que estabeleçam algumas regras, pois além das crianças utilizarem de gestos de agressão, elas terão que entender que nem sempre as mesmas ganharão, então se revezarão, não se pode utilizar da força e nem machucar seus colegas, ou seja a criança precisa aprender a se controlar, para poder continuar na brincadeira, permitindo assim a diversão de todos.

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BULLYING: ESTA BRINCADEIRA NÃO TEM GRAÇA

2.1 QUAL A ORIGEM DO NOME BULLYING?

Acha-se importante começar escrevendo sobre a origem do nome bullying, que segundo Escola (2006) é de origem inglesa, ―bully‖ significa ―valentão‖, ele começou a ser pesquisado a cerca de uns 10 anos atrás na Europa, justamente por haverem casos de tentativas ao suicídio pelos adolescentes, vítimas desta prática. Sem termo equivalente na língua portuguesa, define-se universalmente como ―um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento‖ (ESCOLA, 2006). Insultos, intimidações, apelidos cruéis e constrangedores, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os à exclusão, além de danos físicos, psíquicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying. Na atualidade, Fante (2005) defende que este é um dos temas que vem despertando cada vez mais o interesse de profissionais das áreas de educação e saúde, principalmente o bullying escolar. Termo encontrado na literatura psicológica anglo-saxônica, que conceitua os comportamentos agressivos e anti-sociais, em estudos sobre o problema da violência escolar. Ainda, Fante (2005) escreve que somente para ter-se noção, o bullying tratase de um problema mundial, encontrado em todas as escolas, que vem se disseminado largamente nos últimos anos e que só recentemente vem sendo estudado em nosso país. Em todo o mundo, as taxas de prevalência de bullying, revelam que entre 5% a 35% dos alunos estão envolvidos no fenômeno. No Brasil, através de pesquisas realizadas, inicialmente no interior do estado de São Paulo, em estabelecimentos de ensino públicos e privados, com um universo de 1.761 alunos, foi comprovado que 49% dos alunos estavam envolvidos no fenômeno. Desses, 22% figuravam como ―vítimas‖; 15% como ―agressores‖ e 12% como ―vítimasagressoras‖. Por isso, o tão necessário interesse dos profissionais, pois os números estão altos, e mais são as vítimas que estão pelas escolas em nossa realidade. Alfabeto

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A autora afirma que o bullying é um conceito específico, bem definido, mas que por vezes ainda é confundido por pessoas sem conhecimento do tema, se faz necessário entender o que realmente acontece, pois pode parecer nada preocupante, mas é mais difícil do que se pensa, pois ele envolve e coloca em jogo a vida de quem é vítima, seja qual(ais) for(em) a(s) agressão(ões) recebidada(s). Zacher (2009) relata que pelo nome ‗bullying‘ não ser de origem brasileira, e por não haver uma palavra que expresse tudo o que é esta prática envolve, ele citou vários tipos de agressões que estão abaixo apresentadas, baseadas em seu artigo:

Tabela 1 Saiba como identificar o Bullying Colocar apelidos; Ofender; Zoar; Gozar; Encarnar; Sacanear; Humilhar; Fazer sofrer; Discriminar; Excluir; Isolar; Ignorar; Intimidar; Perseguir; Assediar; Aterrorizar; Amedrontar; Tiranizar; Dominar;
Tabela 1- Saiba como identificar o bullying. ZACHER, 2009, p.13.

Agredir; Bater; Chutar; Empurrar; Ferir; Roubar; Quebrar pertences;

Como pode-se observar, nesta tabela estão classificadas algumas ações do bullying, a primeira coluna apresenta ações de deboche, a segunda apresenta ações de exclusão, amedrontamentos e ameaças e a terceira de agressões físicas e aos bens materiais. Segundo Fante (2005) o bullying é um conceito específico e muito bem definido, uma vez que não se deixa confundir com outras formas de violência. Isso se justifica pelo fato de apresentar características próprias, dentre elas, talvez a mais Alfabeto

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grave, seja a propriedade de causar ―traumas‖ ao psiquismo de suas vítimas e envolvidos. Possui ainda a propriedade de ser reconhecido em vários outros contextos, além do escolar: nas famílias, nas forças armadas, nos locais de trabalho (denominado de assédio moral), nos asilos de idosos, nas prisões, nos condomínios residenciais, enfim onde existem relações interpessoais. A autora aponta que estudiosos do comportamento bullying entre escolares identificam e classificam assim os tipos de papéis sociais desempenhados pelos seus protagonistas:      ―vítima típica‖, como aquele que serve de bode expiatório para um grupo; ―vítima provocadora‖, como aquele que provoca determinadas reações contra as quais não possui habilidades para lidar; ―vítima agressora‖, como aquele que reproduz os maus-tratos sofridos; ―agressor‖, aquele que vitimiza os mais fracos; ―espectador‖, aquele que presencia os maus-tratos, porém não o sofre diretamente e nem o pratica, mas que se expõe e reage inconscientemente a sua estimulação psicossocial. Enfim, o bullying é o uso do poder e força para assustar e até agredir outra pessoa, por vezes repetida, geralmente mais fraca, que não tem como se defender e não conseguem pedir ajuda para outros, justamente pelo medo das ameaças feitas pelo agressor.

2.2 COMO PODE-SE PREVENIR A PRÁTICA DE BULLYING?

Beane (2010) cita em primeiro lugar os professores, educadores, pais, familiares, funcionários da escola e todos os participantes da rotina diária dos alunos devem estar atentos, sempre observando, ficando de olho a cada sinal suspeito: humor, companhias, as notas escolares, enfim. Incentivar, conversar, explicar, esclarecer, fazer trabalhos e discussões sobre o assunto, sempre favorecer a comunicação em sala de aula (entre todos), evitando as ―panelinhas‖, qualquer

queixa que vier, não desconsiderar, procurar a direção da escola, chamar os pais, promover o diálogo, tentar resolver no início, para que não tenham consequências piores. Alfabeto

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Muito importante, cabe a escola também promover o debate, o diálogo, mas os pais devem estar sempre acompanhando, devem estar sabendo de tudo o que se passa com seu filho, e outro fator importante é o modo da conversa, deve-se haver este cuidado para não correr o risco de na tentativa de querer ajudar, incentivar mais ainda os agressores a cometerem estes atos contra o agredido. Nas referências lidas e estudadas, falam de algumas iniciativas bem sucedidas que vem sendo implantadas em escolas dos mais diversos países, na tentativa de reduzir este tipo de comportamento. Fante (2005) relata que de forma pioneira no país, foi implantado um programa antibullying, denominado de ―Programa Educar para a Paz‖, elaborado e desenvolvido, em uma escola de São José do Rio Preto. Como resultados obtiveram índices significativos de redução do comportamento agressivo e expressiva melhora nas relações entre alunos e professores, além de melhorias no desempenho escolar. O resultado das pesquisas iniciais, que detectava em torno de 26% de vitimização, já no segundo semestre de implantação do programa caiu para 10%; e após dois anos, o resultado mostrava que havia chegado a patamares toleráveis, com índices de apenas 4% de vitimização. Segundo Fante (2005) O ―Programa Educar para a Paz‖, pode ser definido como um conjunto de estratégias psicopedagógicas que se fundamenta sobre princípios de solidariedade, tolerância e respeito às diferenças. Recebeu este nome por acreditar-se que a paz é o maior anseio das crianças envolvidas no fenômeno, bem como de toda a sociedade. Envolve toda a comunidade escolar, inclusive os pais e a comunidade onde a escola está inserida. As estratégias do programa incluem o trabalho individualizado com os envolvidos em bullying, visando à inclusão e o fortalecimento da auto-estima das ―vítimas‖ e a canalização da agressividade do ―agressor‖ em ações proativas – bem como o envolvimento de toda escola, pais e a comunidade em geral. A autora escreve sobre grupos de ―alunos solidários‖ que atuam como ―anjos da guarda‖ daqueles que apresentam dificuldades de relacionamento, dentro e fora da escola. Grupos de ―pais solidários‖ auxiliam nas brincadeiras do recreio dirigido, junto aos ―alunos solidários‖. A interiorização de valores humanistas, bem como a discussão de ―situações-problema‖ de cada grupo-classe, são estratégias que visam Alfabeto

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a educação das emoções, sendo desenvolvidas semanalmente, durante o encontro entre os tutores e suas turmas. Ações solidárias em prol de instituições filantrópicas são objetivos comuns a serem alcançados pela escola e comunidade. Fante (2005) sugere que é notável a crença que se existe uma cultura de violência, que se dissemina entre as pessoas, pode-se disseminar uma contracultura de paz. Se conseguirmos plantar nos corações das crianças as sementes da paz, solidariedade, tolerância, respeito ao outro e o amor, poderemos vislumbrar uma sociedade mais equilibrada, justa e pacífica. Construir um mundo de paz é possível, para isso, deve-se primeiramente construí-lo dentro de cada um de nós. A autora esclarece que o Programa Educar para a Paz vem sendo implantado em inúmeras escolas de todo o país, por ser de fácil adaptação à realidade escolar e por apresentar resultados, num curto espaço de tempo da sua implantação. Atualmente, promovem cursos de formação de multiplicadores do Programa, atendendo tanto à rede particular de ensino como a pública, além de cursos de pósgraduação, com fundamentação em Psicanálise e Inteligência Multifocal. Em decorrência do contato direto com profissionais de educação, foi detectado um dado surpreendente: é expressivo o número de profissionais que foram envolvidos pelo fenômeno quando estudantes e que trazem consigo suas consequências. Por serem constatados altos índices de sintomas de stress entre eles, foi incluso no Programa, o cuidado com a saúde emocional e o controle do stress. Acredita-se que pessoas saudáveis educam crianças saudáveis.

2.3

COMO IDENTIFICAR O BULLYING?

Fante (2005) escreve que esta forma de violência nem sempre é fácil de identificar, seja por parte da escola ou até dos familiares, isto porque quem é vítima tem medo de denunciar, já que já sofre por tantas agressões, ou até mesmo por sentirem-se envergonhadas, pensando no que os outros pensarão, ao admitir sofrer ameaças, violência e humilhações, preferindo calar-se. Por vezes também não contam por temerem a não receber o devido crédito, achando que é bobagem e não a levarem em conta, e então ser humilhada ainda mais diante de seus agressores. Para elas a denúncia ecoa como um sintoma de fraqueza e impotência. Com isto os Alfabeto

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agressores reagem, pois percebem o silêncio, e os demais expectadores não se pronunciam por medo de poderem ser as próximas vítimas. Então, criança depressiva, com a auto-estima baixa, sempre triste e isolada, com ansiedade, querendo abandonar os estudos, ou que já tenha abandonado, inclusive, bruscas quedas de notas ou faltas regulares, nestes casos é bom ficar atento, pois pode ser que algo esteja acontecendo. O bullying costuma atindir as pessoas mais inseguras, retraídas, que dificilmente irão conseguir se defender e também não terão corajem de contar a alguém por medo das ameaças. Também são alvos dos agressores, não só os que apresentam dificuldades psicológicas, mas também outros que tenham algumas particularidades, como: diferente cultura, religião, etnia, que seja obeso ou frágeis (pouco peso/ magros demais), se for portador de alguma deficiência física (problemas visuais são os mais vistos, estes são chamados de ―quatro-olhos‖, quando estão em briga, geralmente na quebra de pertences, aproveitam e quebram os óculos, sabendo que fará falta para quem os usa) e, ainda, pela estatura (baixos ou altos demais), também são vítimas por sua aparência física, sofrem deboches repetidamente, e os(as) bonitos(as) também sofrem por assédio, que quando não são abusadas, sofrem por comentários maldosos a seu respeito. Os agressores costumam ser os líderes da turma, os ―mais ativos e populares‖, os que costumam apelidar todo mundo, principalmente os mais frágeis.

2.4

QUAIS SÃO AS CAUSAS E CONSEQUÊNCIS DO BULLYING?

Fante (2005) aponta que segundo especialistas as causas deste tipo de comportamento abusivo são inúmeras e variadas. Geralmente ocorre por carência afetiva, falta de limites e o modo como é conduzida a relação pais e filhos (poder e autoridade), estes (pais) na tentativa de querer educar e com receio de perder a autoridade partem para ‗práticas educativas‘ envolvendo maus-tratos físicos e emocionais. Após este dado foram feitos estudos que comprovaram que 80% dos classificados como agressores, têm seu comportamento assim, por reflexo, querendo reproduzir os maus tratos sofridos em si, nos outros. Em vista disto, um grupo de estudos e pesquisas motivou-se em pesquisar sobre, possibilitando Alfabeto

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identificar uma doença psicossocial expansiva, que gera um conjunto de sinais e sintomas, que foi denominada Síndrome de Maus-tratos Repetitivos, quem a possui tem a necessidade de se impor sobre o outro, chamando a atenção para si, apresenta irritabilidade, agressividade, intolerância, explosões emocionais,

impulsividade, tensão, depressão, stress, raiva reprimida, alterações de humor, pensamento suicidas, enfim. A criança, em seu inconsciente, introjeta estes ‗estímulos‘ ao seu comportamento, em seguida se tornará predisposta a reproduzir tais agressões sofridas ou irá reprimi-las, de qualquer modo, irá comprometer seu processo de desenvolvimento social. Para a autora, os que sofrem, no caso as vítimas, as consequências são graves, promovendo na sua rotina escolar, o desinteresse, o déficit de atenção, concentração e aprendizagem, a queda no rendimento, inclusive podendo levar a evasão escolar. Na vida pessoal também se apresentam os resultados, fazendo com que a criança seja acompanhada de baixa resistência imunológica e na auto-estima, stress, sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, depressivos e até o suicídio. Os que cometem, neste caso os agressores, sentem dificuldades nas

adaptações escolares, supervalorizam a violência e as usam como meio de ganhar poder, o desenvolvimento prévio para futuros atos delinquentes e condutas violentas. Ainda, para os que assistem, os ‗espectadores‘, que são em maioria, podem sentir-se inseguros, ansiosos, com medo e estressados, comprometendo seu rendimento educacional também. Para Fante (2005), este fenômeno atinge a alma, justamente a área mais preciosa, intima e inviolável do ser. O bullying mexe com toda estrutura da criança, a torna refém de ansiedades, medos e emoções, a envolta e a vitima de tal maneira que interfere negativamente em sua vida escolar e pessoal. Devido a tantas agressões a criança poderá começar a cometer também comportamentos agressivos, prejudiciais a si e a comunidade, ou ainda, passará a ter sentimentos de vingança e/ ou até mesmo de suicídio. Para tanto há a intervenção diagnóstica, preventiva e psicoterápica, a fim de contribuir no tratamento para tantas reações.

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3 O BULLYING E AS LEIS

3.1 FORMAS DE PRECONCEITOS
Assim, é importante definir que o preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. Nestes casos chegam a levar a discriminação, a exclusão e a violência. A discriminação é o tratamento desigual ás pessoas com direitos iguais, ela diz respeito a toda distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo, gênero, raça, cor da pele, linhagem, origem nacional ou étnica, orientação sexual, condição social, religião, idade, deficiência, etc. (WIKIPÉDIA, 2010, p. da internet)

Apesar docuidado com os sites pesquisados, achou-se adequada a citação que iniciou este. Agora, será definido as formas de preconceitos, segundo a cartilha apresentada pela Universidade Estadual Paulista (NAPOLITANO, 2007):  Preconceito Social: para muitos a sociedade é dividida entre bons e maus, e quem faz o papel dos maus, geralmente, são os pobres, infelizmente esta informação vem se vinculando na televisão, nos jornais e são alimentados por adultos, que educam seus filhos nesta mesma perspectiva, formando cada vez mais este tipo de preconceito;  Preconceito étnico-racial: Outra forma bem comum de expressão de intolerância é o preconceito racial e que na sociedade brasileira está relacionada quase sempre à cor da pele da pessoa. Muita gente, por ser negro, é discriminada quando tenta conseguir vaga no mercado de trabalho, por exemplo, bem como no círculo de amigos;  Preconceito estético: este é o mais identificado nos casos de bullying, são postos apelidos que zombam de aspectos físicos dos outros, além da parte de agressão física e ofensa, que se enquadram neste conceito. Este tipo de preconceito se inicia como uma brincadeira, mas é maldosa, sua prática se dá por muitas vezes consecutivas e intencionais, tanto em ambiente escolar, como familiar e/ou comunitário, e o intuito principal é de amedrontar, discriminar, difamar e/ou excluir amigos e colegas.  Preconceito em relação à sexualidade: este tipo de preconceito é

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acompanhado de alguns atos, conhecidos como ‗homofobia‘, que podem ser a partir de agressões verbais, colocando apelidos zombantes nos mesmos. Várias piadas foram criadas a partir destes e estas mostram o preconceito que os comerciantes, professores e a sociedade em geral possuem.  Preconceito entre religiões: Em nossa história muitos foram os caminhos para a humanização, guerras foram promovidas em nome das culturas religiosas. O fato principal para admitir tolerância para este caos é o entendimento que cada grupo religioso tem sua maneira de louvar a Deus, mas que não existe uma que seja verdadeira, cada qual tem seu modo de expressão e isto deve ser respeitado.  Preconceito em relação ao sexo: Desde muito tempo as histórias vêm se propagando em relação a cultura machista imposta pelos homens, estes organizavam sua vida familiar e pessoal e não davam direito a mulher fazer o mesmo, pois esta era vista como objeto de prazer, dona de casa, mãe e responsável pela criação das crianças.

3.2 LEIS QUE GARANTEM IGUALDADE

A Constituição Federal garante que diante da lei todos somos iguais, independente da origem, da cor, raça, sexo, idade, não sendo admitidas quaisquer formas de discriminação e preconceitos. Segue o que diz a lei, a respeito das formas de preconceito:
(...) Art. 3º- ―Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - Garantir o desenvolvimento nacional; III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Art. 4º- ―VIII- Repúdio ao terrorismo e ao racismo‖. Art. 5º- ―Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no

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28 país a inviolabilidade do direito a vida, á liberdade, á igualdade, á segurança, e á propriedade nos termos seguintes: IHomens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos

termos desta constituição. (...) VIII- Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política (...). (...) XLI- A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. XLIIA prática do racismo constitui crime inafiançável e

imprescritível, sujeito a pena de reclusão, nos termos da lei. Art. 7º- ―XXX- Proibição de diferença de salários, de exercícios de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou idade civil. XXXI- Proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. (Constituição Federal de 88, p. 01-07).

O Estatuto da Criança e do Adolecente, traz:

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - direito de ser respeitado por seus educadores (...). (COLLOR/art.53).

Segundo Eloi (2009) o ECA garante que todas as crianças tem direitos e sem discriminação, de participar tanto da família, quanto da escola e da comunidade, todas crianças e adolescentes devem ser respeitados e tratados com dignidade e humanidade, sem precisar passar por situações de medos e vergonhas, nem de violências. Além destas leis, tem outras que também protegem o direito a igualdade, são elas:

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29 Artigo I- Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Artigo II- Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Artigo III- Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo VII- Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. (Declaração Universal dos Direitos Humanos-1948) ―Artigo 1º - Significado da tolerância 1.1- A tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só é um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz. 1.4- Em consonância ao respeito dos direitos humanos, praticar a tolerância não significa tolerar a injustiça social, nem renunciar às próprias convicções, nem fazer concessões a respeito. A prática da tolerância significa que toda pessoa tem a livre escolha de suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade. Significa aceitar o fato de que os seres humanos, que se caracterizam naturalmente pela diversidade de seu aspecto físico, de sua situação, de seu modo de expressar-se, de seus comportamentos e de seus valores, têm o direito de viver em paz e de ser tais como são. Significa também que ninguém deve impor suas opiniões a outrem. (A Declaração de Princípios sobre a Tolerância- 1995, p. 2-3). Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) (Disponível na Lei 7716/89). Artigo 1º-1. Todos os seres humanos pertencem à mesma espécie e têm a mesma origem. Nascem iguais em dignidade e direitos e todos formam parte integrante da humanidade. 2. Todos os indivíduos e os grupos têm o direito de serem diferentes, a se considerar e serem considerados como tais. (...) 3. A identidade de origem não afeta de modo algum a faculdade que possuem os seres humanos de viver diferentemente, nem as diferenças fundadas na diversidade das culturas, do meio ambiente e da história, nem o direito de conservar a identidade cultural. 4. Todos os povos do mundo estão dotados das mesmas faculdades que lhes permitem alcançar a plenitude do desenvolvimento intelectual, técnico, social, econômico, cultural e político. 5. As diferenças entre as realizações dos diferentes povos são explicadas totalmente pelos fatores geográficos, históricos, políticos, econômicos, sociais e culturais. Essas diferenças não podem em nenhum

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30 caso servir de pretexto a qualquer classificação hierárquica das nações e dos povos. (Declaração sobre a Raça e os Preconceitos Raciais- 1978).

Na realidade, pode-se analisar que possuímos várias leis que defendem o direito de igualdade, melhor escrevendo, que deveriam defender, mas é o caminho, restam as pessoas fazerem jus dos direitos que tem, com intuito de viverem melhor, em um ambiente onde prevalece o respeito e a paz.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS Buscou-se as ―peças‖ mais importantes que retratam o bullying, que é a sua origem, os meios de identificá-lo, suas causas e suas consequências, sua prevenção, pesquisou-se a respeito dos comportamentos agressivos, os tipos, a evolução em cada faixa etária do ser humano e maneiras de compreender tais comportamentos, possuia-se muita curiosidade em relação as leis, em relação ao bullying, realmente não tinha nenhum conhecimento na área, e foi em uma das que mais dedicou-se as buscas, alegra saber que tem leis já estabelecidas e espera-se realmente que elas saiam do papel para agir em nossa realidade tornando a sociedade mais justa e livre de tais situações. Aprendeu-se muito com o trabalho, pois é um assunto que gosta-se de pesquisar, pois é algo que intriga, que faz-se querer mudar, libertar as vítimas de tantos constrangimentos que marcam para uma vida toda e entender sempre mais, os objetivos foram atingidos para este, mas instigou a buscar ainda mais, por isso declara-se que as mesmas não encerraram ainda e para finalizar: ―preconceito não é legal, esta brincadeira não tem graça‖.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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_________; MACHADO, Cláudia. Bullying e violência nas escolas e justiça restaurativa. São Lourenço do Sul, Aud. Esc. Profª Marina Vargas, 04 jul. 2009. Centro de Estudos Trabalhistas (painel).

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ANEXOS

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ANEXO A- Aluno é transferido após agredir professora

Publicado no Site da Globo.com em 27/06/2007 Estudante do Ensino Fundamental agrediu a professora após xingá-la dentro da sala. Com olhos e mãos machucados, a vítima se diz chocada com a atitude do garoto. Do G1, em São Paulo, com informações do Bom Dia São Paulo Um aluno de 15 anos será transferido de uma escola de Suzano, na Grande São Paulo, por ter agredido a professora quando ela saía da sala de aula. Segundo a professora, o estudante, da 8ª série do Ensino Fundamental, começou a xingá-la durante uma atividade. Ela pediu para que ele se retirasse da sala. O garoto ficou no corredor, esperou o horário de troca de aulas e, na saída da educadora, agrediu-a no rosto e na cabeça. Ela também teve os olhos e as mãos machucados. A transferência do menino foi decidida em uma reunião entre o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a direção da escola e pais de alunos. A professora está de licença médica que deve durar 30 dias, mas pode ser prorrogada. A Diretoria Regional de Ensino deve discutir, ainda essa semana, providências a serem tomadas para evitar que outros casos aconteçam. Um levantamento da Apeoesp feito com 684 professores do estado de São Paulo apontou que 87% deles disseram que conhecem histórias de violência nas escolas. Em 93% dos casos, os responsáveis são os alunos. O estudo aponta, também, as principais causas dessa violência: 76% estão relacionados a conflitos entre os estudantes, 63% por causa de drogas e álcool e 45,6% pobreza generalizada.

Acessado em: Segunda, 12 de Abril de 2010. Em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/noticia.php?it=9432 Alfabeto

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ANEXO B- Famosos revelam receitas de superação com bullying

Elvis Presley, Gisele Bündchen e Tom Cruise são algumas das estrelas que já sofreram na infância Se você sofre ou já sofreu com apelidos ou perseguições de colegas, não se intimide. De Elvis Presley a Gisele Bündchen, muita gente talentosa também passou por isso em seu tempo de estudante. Conhecida como bullying, a violência sistemática, rotineira e sem motivo aparente ocorrida dentro da escola está associada a casos de depressão e até tentativas de suicídios entre adolescentes, mas pode ser superada.Apelidada de saracura por ser magra e alta, a supertop de Horizontina encontrou nos cursos para melhorar a postura um atalho para a vida de modelo, enquanto o tímido Elvis Presley descobriu na música um refúgio para o isolamento experimentado em sala de aula. Infográfico traz mais informações sobre a ameaça do cyberbullying:

O cantor Tonho Crocco, ex-vocalista da banda gaúcha Ultramen, atualmente em carreira solo, também enfrentou brincadeiras de mau gosto. Mas resistiu. Mesmo tendo sido chamado de "todas as variantes de gordo" em seu tempo de estudante, nunca entrou em depressão, nem se sentia diminuído. A receita? Ignorar as provocações. — Apelido todo mundo tem, mas eu não dava bola. Se der bola aí é que pega — ensina. Conhecido como "quatro olhos" no tempo de colégio, pelos óculos com lentes fundo de garrafa que usava, o vocalista da banda Cachorro Grande, Beto Bruno, Alfabeto

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adotou a estratégia inversa para se defender: reagia colocando apelidos em outros colegas. — Tinha um pequeninho que apelidamos de morceguinho, outro que tinha uma testa grande e era o testa. Mas a gente gostava de todo mundo, ria junto. Não era tão violento como agora — compara. Jovem chegou a tentar o suicídio após humilhações A universitária Daniele Vuoto, 22 anos, sabe bem o quanto esse tipo de violência sutil pode ser perversa: acostumada a defender colegas que eram motivos de risada, acabou sendo perseguida também. Tudo virava motivo de chacota: por ela ser muito branca, muito loira, tirar notas altas.

A seqüência de humilhações fez com que entrasse em depressão e chegasse a tentar o suicídio. Recuperada, encontrou um jeito nobre para responder aos ataques: criou um blog para compartilhar informações com outras vítimas. — Normalmente, esses alunos sofrem calados, o que só aumenta a dor — orienta. Embora nunca tenha sido perseguida, a escritora Claudia Tajes se arrepende por outro motivo: com amigas, perseguia uma colega da 4ª série. Hoje, orienta o filho de 16 anos a evitar o mesmo erro. — Até hoje, eu tenho remorso do que eu fazia. Se eu soubesse o nome dela, iria atrás para pedir desculpa. Ela era humilde e tinha rodado de ano, aí a gente corria atrás dela no recreio. Espero não ter causado muito transtorno na vida dela — diz a escritora. Eles também sofreram Elvis Presley: zombado na escola por ser um menino tímido, dificilmente fazia amigos. Gisele Bündchen: a top aturou muitas piadinhas sem graça por ser magra e alta. Tinha três apelidos: Saracura, Olívia Palito e Somaliana. Alinne Moraes: a bela era atormentada por coleguinhas de sua escola em Sorocaba (SP), por sua boca. Tinha um apelido que detestava: Bocão, e pensou em fazer cirurgia plástica para diminuir os lábios

Kate Winslet: a Rose, de Titanic, padecia na escola por ser gordinha, e era chamada de baleia Alfabeto

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Tom Cruise: passou maus bocados no colégio por ser disléxico, um distúrbio que interfere na aprendizagem Orlando Bloom: era discriminado por estar acima do peso e ser disléxico. Sophia Loren: a musa sofria quando era chamada de "palito-de-dente" e "vareta" pelos colegas

ZERO HORA

Acessado em: Segunda, 12 de Abril de 2010. Em: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&newsID= a2325734.xml Alfabeto

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ANEXO C- Dicas para quem é vítima de bullying

Publicado por Jornal Hoje, no dia 09/03/2009, às 11h43min. Se você é alvo de bullying lembre-se: - você não está sozinho! Não tenha medo de contar o que acontece pra um adulto em quem você confia. Pode ser seus pais, professores, ou então converse com seus avós, irmãos ou irmãs. - evite os bullies e os lugares onde eles estão. Se você sabe que um garoto ou garota não gosta de você, então procure ficar longe deles. - procure não ficar sozinho nos corredores, banheiros, salas vazias ou no pátio. É bom estar à vista dos professores e de adultos. Melhor ainda é fazer amizades e tornar-se integrante de um grupo. Isto dificulta a aproximação dos bullies. - se o bully não ficar longe de você, procure não se irritar, ignore-o. Não revide, tal atitude piora ainda mais o bullying. É mais difícil para o bully te incomodar se você demonstrar desprezo. - seja confiante. Não aja de maneira apavorada, olhe para nos olhos de quem fala com você. E não fique bravo, tente rir da situação. Isto mostra que você não está com medo e o humor às vezes pode ajudar a diluir a situação. - procure seu médico ou a enfermeira da escola. Peça para eles anotarem qualquer arranhão ou machucado em você e mostre pra um adulto. - isto vai passar! Você não vai se sentir mal assim pra sempre!

Acessado em: quinta-feira, 20 de maio de 2010. Em: http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1034723-16022,00DICAS+PARA+QUEM+E+VITIMA+DE+BULLYING.html. Alfabeto

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ANEXO D- Câmara de POA cria lei contra bullying

Prevenir a humilhação e a violência entre colegas de escola é o principal objetivo de um projeto de lei aprovado ontem por unanimidade na Câmara Municipal de Porto Alegre. De autoria do vereador Mauro Zacher (PDT), a proposta é combater o bullying com políticas permanentes nas escolas da capital gaúcha. Para acabar com ações como disseminação de fofoca, boatos e agressões físicas e psicológicas – atitudes consideradas bullying pelo projeto –, o texto prevê o desenvolvimento de planos locais para a prevenção e o combate às práticas nas escolas com a capacitação de docentes e equipes pedagógicas para o diagnóstico do problema. – O objetivo é que o município invista em ações que ajudem a acabar com uma cultura escolar que permite essas ações. Uma das conseqüências dessas práticas é a queda no desempenho do aluno, evasão escolar e, muitas vezes, até tentativa de suicídio da vítima – afirma Zacher. Um levantamento feito em Porto Alegre, na Escola Estadual Odila Gay, pelo especialista Marcos Rolim, concluiu que 47% dos jovens, alunos do Ensino Fundamental, foram vítimas de bullying.

O que diz a lei

Práticas como ameaças e agressões físicas como bater e socar, submissão do outro, pela força, à condição humilhante, destruição proposital de bens alheios, insultos ou atribuição de apelidos vergonhosos ou humilhantes, comentários racistas, homofóbicos ou intolerantes quanto às diferenças econômico-sociais, físicas, culturais, morais e religiosas são alguns exemplos.

Acessado em: sexta, 16 de Abril de 2010. Em: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/donna/19,0,2820425,Camara-de-PortoAlegre-cria-lei-contra-bullying.html Alfabeto

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ANEXO E- Princesa Aiko (Japão), conta ter sido vítima de bullying

A princesa Aiko, do Japão, contou ter sido vítima de bullying - atos de perseguição ou humilhação - e deixou de ir nos últimos dias à escola que frequenta em Tóquio, segundo um porta-voz da família real japonesa. Com apenas oito anos de idade, a princesa teria voltado da Escola Primária Gakushuin em um estado de ansiedade e com dores de estômago. Segundo o porta-voz, a princesa e outros alunos da mesma classe foram "tratados de maneira rude" por meninos de outra turma. A princesa Aiko é filha do príncipe herdeiro Naruhito e da princesa Masako, e neta do imperador Akihito.

Divulgação O porta-voz da família real não divulgou mais detalhes sobre quando a princesa deve voltar à escola, onde não aparece desde terça-feira. De acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo, a família real pediu que a escola investigue a alegação de bullying e autorizou a divulgação de informações sobre a situação da princesa Aiko. Um diretor da escola Gakushuin disse que a princesa ficou assustada na terça-feira, quando um menino correu de uma das salas de aula, e acrescentou que isso "deve ter feito ela lembrar do comportamento rude de vários meninos no passado que podem ter atirado coisas e feito com que ela se sentisse desconfortável". A mãe de Aiko, a princesa Masako, raramente tem aparecido em público nos últimos anos devido a problemas ligados ao estresse, atribuído a aspectos negativos da vida como integrante da família real. Fonte: BBC Brasil

Acessado em: Segunda, 12 de Abril de 2010. Em: http://www.cabecadecuia.com/noticias/66047/princesa-japonesa-deixa-de-ir-aescola-apos-sofrer-bullying.html Alfabeto

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ANEXO F- Princesa Aiko (Japão) volta as aulas após sofrer bullying Princesa Aiko voltaà escolano Japão, após sofrerbullying

por: Redação Nova Brasil FM

A princesa Aiko, filha única do herdeiro ao trono do Japão, Naruhito, voltou hoje ao colégio acompanhada de sua mãe após seis dias sem assistir às aulas. A menina sofreu bullying, que é uma ameaça conjunta de um grupo de pessoas contra uma única vítima, uma espécie de perseguição. O fato levou o Palácio Imperial a intervir e pedir soluções aos diretores do colégio.

Acessado em: Segunda, 12 de Abril de 2010. Em: http://www.novabrasilfm.com.br/noticias/nova-brasil-informa/princesa-aikovolta-a-escola-no-japao-apos-sofrer-bullying/ Alfabeto

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ANEXO G- Pesquisa aponta resultados de estudantes agredidos

Um terço dos estudantes de 5ª a 8ª série foi agredido no ano passado, aponta pesquisa. Quase um terço dos estudantes brasileiros entre a 5ª e 8ª séries do primeiro grau já sofreram maus tratos. Segundo pesquisa divulgada hoje (14) pela organização não-governamental (ONG) Plan Brasil, 28% dos 5.168 estudantes entrevistados para a pesquisa foram agredidos em 2009. Quando esses maus tratos são recorrentes, acontecendo mais de três vezes no mesmo ano, configuram, de acordo com a metodologia da pesquisa, em bullying. O termo designa todo o tipo de atitudes agressivas, verbais ou físicas, praticadas repetidamente por um ou mais estudantes contra outro aluno. Estiveram envolvidos em bullying 17% dos estudantes: 10% como vítimas, 10% como agressores, sendo que 3% eram tanto os que sofreram como praticaram os maus tratos. Os mais atingidos por esses fatos são os meninos. Segundo o estudo, 12,5% dos estudantes do sexo masculino foram vítimas desse tipo de agressão, número que cai para 7,6% entre as meninas. A sala de aula é apontado como local preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos relatados. As regiões onde a prática se mostrou mais frequente foram a Sudeste, com 12,1% dos estudantes assumindo ter praticado o bullying, e Centro-Oeste, onde 14% confessaram esse tipo de atitude. O Nordeste é a região do país onde o bullying é menos comum, apenas entre 7,1% dos estudantes. A educadora Cléo Fante diz ser importante que os pais e professores estejam atentos e saibam diferenciar o bullying de uma brincadeira entre os jovens. ―O bullying não é uma simples brincadeira de criança ou apelido que às vezes constrange. Tem casos que são gravíssimos, chegam a espancamentos. A criança não pode ir na escola, porque sabe que vai apanhar.‖ Essas práticas violentas acabam por causar prejuízos na aprendizagem dos agredidos, os sintomas mais citados pelos jovens ouvidos foram a perda do entusiasmo, perda da concentração e o medo de ir à escola. Os agressores também têm problemas, segundo Cléo Fante. Muitos acabam ficando deslocados ao chegar ao ensino médio, quando o bullying é menos tolerado. Alfabeto

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Ela exemplificou essa situação com base em um grupo de jovens agressores e agredidos que acompanha. ―Muitos [dos jovens] já desistiram da escola. Um que foi morto pela polícia, era um agressor. Ele acabou desistindo da escola, se envolvendo com drogas, se envolvendo com gangues e com tráfico.‖ A educadora disse que é difícil definir quais são os fatores que geram o bullying. De acordo com Fante, tanto a família como a escola propiciam, por diversos motivos, esse tipo de prática. Ela ressaltou a própria cultura divulgada pelos meios de comunicação como uma incentivadora da agressão. ―Os programas humorísticos geralmente pegam como alvo grupos de minorias. É o anãozinho, o portador de nanismo, o negro, o homossexual. Então são esses grupos que eles fazem "zoação", que eles apelidam e constrangem‖, exemplificou. As escolas não tem, de acordo com Fante, estratégias para lidar com o bullying e outras forma de violência escolar. Ela destacou, entretanto, que não existe um método definido para lidar com essas situações. ―Se existisse uma receita pronta, todas as escolas utilizariam. Cada criança age de um jeito‖, ponderou A melhor maneira de agir, na opinião da especialista, é analisar os casos individualmente e tentar descobrir o motivo da agressão, além de conscientizar os envolvidos no processo do ensino ―Nós temos que atuar muito mais de uma forma sistêmica, trabalhar com as crianças, com a família, com a escola e com as instituições e atores sociais‖.

Fonte: Ag. Brasil-- Acessado em: quinta-feira, 20 de maio de 2010. Em: http://www.jornalbrasil.com.br/interna.php?autonum=7871. Alfabeto

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ANEXO H- Allan Beane: "As escolas fecham os olhos ao bullying"

Por Claudia Jordão.

Um dos maiores especialistas em violência entre estudantes diz que a omissão dos educadores é fator decisivo para o aumento de casos. Quem pensa que o universo infantil é povoado exclusivamente de inocência, ingenuidade e ausência de maldade sente um baque cada vez que notícias sobre bullying – quando crianças agridem verbalmente, fisicamente e psicologicamente seus colegas – são divulgadas. Nessas últimas semanas, os casos se intensificaram. Em março, a princesa Aiko, filha de 8 anos do herdeiro do trono no Japão, o príncipe Naruhito, faltou seis dias na escola por causa de dores de estômago e ansiedade depois de ser zombada pelos coleguinhas. Semanas depois, nove adolescentes foram indiciados após o suicídio de uma garota de 15 anos supostamente motivado por bullying nos Estados Unidos. E, desde o início de abril, o País de Gales investiga 23 crianças em caso de agressões e abusos sexuais contra uma colega de classe. Detalhe: algozes e vítima têm apenas 6 anos. Isso para ficar nos casos que ganharam os holofotes.

"Quando

a

criança

conta

aos

pais

que

está

sofrendo

bullying,

geralmente já é assediada há muito tempo" No Brasil, situações de violência entre alunos acontecem diariamente. Referência mundial no assunto, com sete livros publicados, além de 36 anos de experiência como educador da Murray State University (Kentucky, EUA), o americano Allan Beane, 60 anos, afirma que o bullying sempre existiu, mas nunca foi tão frequente e cruel. Com a demanda, ele presta consultoria em quatro investigações criminais e cinco ações judiciais – além de dar palestras sobre o tema e de ter desenvolvido um método anti-bullying para escolas. Beane, que acaba de Alfabeto

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lançar no Brasil o livro ―Proteja Seu Filho do Bullying‖, fala com um triste conhecimento de causa. Ele perdeu o filho há dez anos por consequências indiretas da violência praticada nas escolas.

"A

existência

de

um

“melhor

amigo”

reduz

drasticamente

a duração e o sofrimento da vítima do bullying"

(Isto é) Hoje em dia acontecem mais casos de bullying do que anos atrás? (Allan Beane) Allan Sim, eles têm acontecido com mais frequência e numa intensidade cada vez maior. Aos poucos, as pessoas estão percebendo que o bullying rouba a infância das suas vítimas. Quando são alvo de tamanha crueldade por parte dos colegas, as crianças podem desenvolver distúrbios alimentares, ansiedade, stress pós-traumático, fobia escolar e, muitas vezes, se machucam ou se suicidam. (Isto é) O bullying pode levar ao suicídio? (Allan Beane) Dados apontam que 30% dos suicídios entre jovens são causados pelo bullying. Mas acredito que esse número seja maior. Só eu já conheci 19 jovens que sofreram bullying e tentaram se matar. Meu filho morreu há dez anos e, de lá para cá, o caso mais chocante que soube foi o de uma garota que se enforcou no armário de seu quarto. Mas, independentemente do grau de gravidade, me choco sempre que ouço relatos de agressões da boca das próprias crianças e vejo lágrimas rolarem de seus rostos. E elas vão continuar a adoecer, se matar ou matar seus pares se nós, adultos, permitirmos que isso continue. (Isto é) Por que está havendo esse aumento de ocorrências? (Allan Beane) Há uma série de razões que contribuem para que uma criança se torne cruel. Os pais adotam hoje ou uma postura permissiva demais ou agressiva em demasia. Portanto, há cada vez mais filhos carentes de autocontrole. Além disso, Alfabeto

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os adultos têm se esquecido de ensinar uma regra de ouro: ―Trate o outro da maneira que gostaria de ser tratado. ‖As crianças estão apáticas e insensíveis. Às vezes, por exemplo, têm permissão para maltratar animais – e se são impiedosas com os animais tendem a ser impiedosas também com as pessoas. Há ainda a questão da sociedade, cada vez mais violenta. As novas gerações parecem ser insensíveis à violência, de tão acostumadas que estão a ela. (Isto é) Como acontece o bullying? (Allan Beane) O bullying é uma forma de comportamento agressivo, que é intencional, doloroso (física, emocional e psicologicamente) e persistente. Ou seja, geralmente, acontece repetidamente. A vítima pode ser agredida fisicamente, com socos, tapas, empurrões. Também pode ter seus pertences destruídos ou roubados. Pouca gente sabe, mas é muito comum que crianças forcem a cabeça de colegas para dentro do vaso sanitário e deem descarga, por exemplo. Além disso, há o cyberbullying, no qual a tecnologia é usada para a propagação da violência. Nesse caso, a criança é agredida e um vídeo com a cena de violência é postado na web. (Isto é) E como identificar se uma criança está sofrendo o bullying? (Allan Beane) A vítima do bullying costuma ter um repentino desinteresse pelos estudos. Seu aproveitamento escolar diminui e isso aparece nas notas. Ela parece feliz nos finais de semana e infeliz durante a semana. Prefere a companhia de adultos e passa a reclamar de dor de cabeça e de barriga, por exemplo. Algumas apresentam insônia ou pesadelos. Voltam para a casa machucadas ou com os pertences destruídos. Ao menor sinal, os pais devem intervir. Quando a criança conta o que está sofrendo, geralmente, já é assediada há muito tempo. (Isto é) Qual é o perfil da criança que sofre bullying? (Allan Beane) Crianças malvestidas, com roupas sujas, de tamanhos maiores ou menores, atraentes ou não, acima do peso, abaixo do peso, negras, com orelhas de abano, nariz grande. Tudo é motivo para ataque, desde que a criança agredida ―entre no jogo‖, demonstrando medo. A vítima também costuma ser sensível, tímida e com dificuldades de relacionamento. (Istoé) E a descrição da criança que pratica? (Allan Beane) São aquelas que gostam do poder e de ter controle sobre a situação. Amam ganhar e odeiam perder – isso é perceptível em jogos e Alfabeto

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brincadeiras. Ficam excitadas quando outras pessoas discutem e costumam estimular disputas. Têm sangue-frio durante as brigas e não sentem remorso depois delas. Desobedecem regras e costumam desafiar os adultos. (Istoé) Em qual idade escolar costumam acontecer mais casos? (Allan Beane) Nos Estados Unidos, entre o sexto e o oitavo ano (equivalente ao brasileiro no ensino fundamental). Mas pode começar já aos 3 anos de idade. (Istoé) Meninos e meninas praticam e lidam com o bullying de maneira diferente? (Allan Beane) Meninos e meninas agridem verbalmente – zombando, xingando, passando trote – e intimidam. Mas existem diferenças. Meninos tendem a agredir fisicamente com mais frequência. E as meninas costumam agir pelas costas, tecendo comentários depreciativos sobre seus colegas. Além disso, elas disfarçam melhor – na frente de adultos parecem boazinhas. (Istoé) Na tentativa de ajudar, muitos pais cujos filhos sofrem bullying procuram a criança agressora e os pais dela para uma conversa. É uma boa solução? (Allan Beane) Essa estratégia só funciona quando o agressor tem pais conscientes, que se preocupam com a questão e se empenharão em resolvê-la. Infelizmente, nem sempre é assim. Tem pai que sente orgulho do filho valentão, que bate e xinga. (Istoé) Como os pais devem agir então se o filho é vítima? (Allan Beane) O melhor a fazer é conversar com a criança, ouvi-la, apoiá-la. Muitas vítimas do bullying acreditam merecer as agressões porque são gordas, negras, feias. Uma reunião com a direção, professores e monitores da escola é fundamental. Eles devem ter paciência, mas exigir ação. Além disso, precisam aconselhar o filho a evitar andar sozinho pela escola. Se estiver acompanhado de um grupo, a chance de sofrer bullying é menor. A existência de um ―melhor amigo‖ reduz drasticamente a duração e o sofrimento do bullying. E, se possível, os pais devem prestar queixas formais. (Istoé) No livro ―Proteja Seu Filho do Bullying‖, o sr. fala da importância de as crianças treinarem lutas marciais. Isso indica que elas devem revidar? Alfabeto

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(Allan Beane) Geralmente, quem sofre bullying é menor e mais vulnerável psicologicamente que seus pares. Algumas vítimas também têm baixa autoestima. Quem pratica o bullying as escolhe porque pode machucá-las e controlá-las. A atividade física torna a criança mais forte e contribui para aumentar sua confiança. Por outro lado, desencorajamos as artes marciais quando não são promovidos a paz, o autorrespeito e o respeito ao próximo. Crianças não devem responder ao bullying de forma agressiva porque, geralmente, torna o revide mais rápido e mais violento. A ideia é prevenir para que ela não seja agredida e fazer com que ela lide melhor com as questões que envolvem o tema. (Isto é) O que fazer quando o próprio filho é o agressor? (Allan Beane) Esse é um assunto delicado, pois, muitas vezes, as crianças reproduzem o que vivem em suas próprias casas, o que vem a ser um importante desencadeador para a agressividade. Nesses casos, os pais não querem fazer nada, pois não reprovam a atitude de seus filhos. Mas, ao mesmo tempo, também há bons pais com filhos praticando bullying. Aí é preciso conversar e tentar entender o porquê desse comportamento da criança. Também é preciso fazer uma reflexão sobre como se está educando. Algumas vezes, é necessário ajuda profissional. (Istoé) Como explicar a passividade de alguns educadores diante dos casos de violência dentro das próprias escolas? (Allan Beane) As escolas fecham os olhos ao bullying. Às vezes, os educadores sabem o que acontece e ignoram. Ou dizem que aquilo não existe nas suas escolas. Acho que as instituições de ensino deveriam intensificar a supervisão. Ou estabelecer programas anti-bullying. Só não há desculpa para não agir. (Istoé) Pessoas que praticam bullying na infância são assediadoras na vida adulta? (Allan Beane) Crianças que machucam crianças tendem a virar adultos que machucam adultos. É muito difícil transformar uma criança agressiva num adulto tranquilo. Ela pode crescer e agredir seus filhos e animais. (Istoé) Como se interessou em estudar a prevenção do bullying? (Allan Beane) Meu filho Curtis sofreu bullying no sétimo ano e no colegial. Na primeira vez, o mudei de escola. Quando estava começando a se adaptar, sofreu um acidente de carro. Eu e minha esposa tivemos de autorizar a remoção de dois dedos Alfabeto

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e um terço de sua mão direita. Ele tinha 15 anos e aquilo mudou a sua vida. Quando voltou para a escola, muitos colegas o apoiaram e o incentivaram. Infelizmente, muitos foram cruéis. O bullying contribuiu para sua depressão e ansiedade e sua necessidade de partir para as drogas. Ele tinha um problema no coração, que não sabíamos, teve uma parada cardíaca e morreu. Ele não se matou. Ele tinha as chaves do seu carro na mão, ia procurar ajuda. (Istoé) Depois de estudar tanto o tema, acredita que seria capaz de livrar seu filho do bullying, caso estivesse vivo e sofresse com isso hoje? (Allan Beane) Sem dúvida. Desde a morte do meu filho, meu projeto de vida, e da minha mulher, é levar luz à escuridão que é a vida de crianças que sofrem diariamente o bullying.

Acessado

em:

Quinta-feira,

20

de

maio

de

2010.

Em:

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/65710_AS+ESCOLAS+FECHA M+OS+OLHOS+AO+BULLYING+?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage. Alfabeto

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ANEXO I- Serginho Groisman promove discussão sobre bullying

Serginho Groisman promove discussão sobre bullying

Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever a violência física e psicológica praticadas por uma pessoa ou um grupo com a intenção de intimidar ou agredir um indivíduo. Essa prática acontecia muito em escolas, mas atualmente migrou para o campo virtual. Durante o Altas Horas deste sábado, dia 17 de abril, o apresentador Serginho Groisman promoveu uma discussão com a platéia sobre o tema. Muitas pessoas relataram casos e um menino, chamado Felipe, revelou que sofre com o bullying. Comovidos com a agressão sofrida pelo menino, Marcius Melhem, Luciano e Maria Rita também comentaram o bullying. Para finalizar a conversa, Serginho Groisman propôs ajudar e acompanhar o Felipe para mostrar a evolução do caso.

Acessado em: Segunda, 19 de Abril de 2010. Em: http://altashoras.globo.com/AltasHoras/Internas/0,,MUL157180517069,00.html Alfabeto

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ANEXO J- Garoto de 15 anos é morto em ponto de ônibus em Porto Alegre

Publicado por Glauco Araújo, do G1.

Polícia investiga se crime tem relação com bullying sofrido por vítima. Segundo a polícia, adolescente de 14 anos teria confessado o homicídio. Um garoto de 15 anos foi morto com um tiro no peito, nesta terça-feira (11), perto de um ponto de ônibus em Porto Alegre. Segundo informações da Polícia Civil, a vítima sofria bullying, mas a investigação do caso ainda tenta estabelecer se há relação entre a prática discriminatória com o crime. Um jovem de 14 anos se apresentou aos policiais do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), nesta quarta-feira (12), e teria confessado o homicídio aos policiais. O delegado Andrei Vivan disse ao G1 que a vítima tinha um porte físico grande, o que seria motivo de "piadas". "Em depoimento, o adolescente que se apresentou como autor do homicídio disse que nunca estudou com a vítima, mas disse também que tinha amigos em comum com o garoto assassinado e estas seriam as responsáveis pelas brincadeiras com a aparência da vítima. Ainda em depoimento, ele nos informou que era comum praticarem bullying com o garoto." Segundo Vivan, o jovem assassinado costumava se defender do bullying com agressões físicas. "Um dos meninos agredidos era amigo do adolescente infrator, que se armou de um revólver para tirar satisfação e defender o amigo. Foi quando ocorreu a morte. Por isso ele vai responder por homicídio doloso [quando há intenção de matar], qualificado por motivo fútil." O delegado informou que o bullying se origina no ambiente escolar, mas pode acontecer em outros locais. "Apesar disso, também se caracteriza como bullying as agressões cometidas fora da escola, em um grupo de amigos", disse Vivan. O adolescente foi levado para a Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, que deve providenciar a internação dele em uma unidade para jovens infratores na capital gaúcha. A vítima estudava na Escola Municipal Antônio Giúdice, em Porto Alegre. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a mãe do jovem assassinado nunca teria atendido aos convites feitos para ir até a unidade de ensino acompanhar o Alfabeto

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desenvolvimento escolar do filho. Ainda de acordo com a secretaria, não há registros de queixa dos pais do estudante assassinado e nem do próprio aluno sobre a prática de bullying. O órgão também informou que nos dois últimos anos, nenhum aluno da instituição fez queixa de bullying para a direção.

Acessado

em:

quinta-feira,

20

de

maio

de

2010.

Em:

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/05/garoto-de-15-anos-e-morto-emponto-de-onibus-em-porto-alegre.html. Alfabeto

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