Publicado em 1927, Amar, Verbo Intransitivo , de Mário de Andrade, chama a atenção por inúmeros aspectos.

O primeiro é a sua linguagem, provavelmente considerada ³errada´ na época, pois se afasta do português castiço ao imitar (às vezes de forma eficiente, às vezes não) o padrão coloquial brasileiro. É como se o texto escrito imitasse a maneira de falar do nosso povo. É um livro para se fazer de conta que se está ouvindo e, não, lendo.

Há numerosas características em Amar, Verbo Intransitivo que o enqua dram como modernista. Um romance modernista da primeira frase (1922 ± 1930), impregnado de um espírito de destruição até ao exagero. O espírito da ³Semana de Arte Moderna´: destruir para construir tudo de novo. A mola real de toda a obra do autor é a pesqu isa, a busca. O romance apresenta no próprio título uma contradição gritante, afinal, o verbo "amar" é transitivo direto e não intransitivo. Se isto já não bastasse, ainda recebe uma curiosa classificação: é apresentado na capa como Idílio. A perplexidade é inevitável, uma vez que idílio implica numa forma singela de amor em que não pairam dúvidas quanto à reciprocidade entre dois sujeitos. Outro aspecto interessante é o constante emprego das digressões, boa parte delas metalingüísticas, outra parte socio lógicas, que fazem lembrar o estilo machadiano. Mais uma vez, a obra apresenta elementos formais que a colocam à frente de seu tempo, caracterizando -a, portanto, como moderna. Dentro do aspecto sociológico, há que se entender uma posição meio ambígua de Mário de Andrade, como se ele mostrasse uma ³paixão crítica´ por seu povo, principalmente o paulistano. Note -se que critica valores brasileiros, ao mesmo tempo que diz que é a nossa forma de comportamento, deixando subentendido um certo ar de ³não tem jeito ´, ³somos assim mesmo´. Além disso, ao mesmo tempo em que elogia o estrangeiro, principalmente a força dos alemães, desmerece -os ao mostrá-los como extremamente metódicos, ineptos para o calor latino. Sem mencionar que reconhece que o imigrante está sendo como que simpaticamente absorvido por nossa cultura. Mas o que mais chama a atenção é a utilização da teoria freudiana (grande paixão do autor) como embasamento da trama. O inusitado da profissão de Fräulein pode parecer inverossímil numa visão separada da totalidade sócio -econômica e histórica (como também seu sonho de retornar à Alemanha, ³depois de feito a América, e o casamento, o vago amado distante à espera de proteção, espécie de redenção wagneriana pelo amor.´ Professora de amor, profissão que uma ³fraqueza´ lhe permitiu exercer, no entanto ³é uma profissão´, insistiria Fräulein.

. ³onde não teve o que faze r´. Veio pro Brasil.. E os moços imitam! Depois as doenças!« Você vive em sua casa. usam morfina.. um perdido! Há de se convir que havia um vasto mercado para a professora de amor. apesar da guerra.Na Europa. Depois isso de principiar. diante de realidades tão opostas... mas a culpa é toda de Elza. São Paulo. se adapta. A descoberta de Dona Laura sobre o acordo estabelecido entre Fräulein e o Senhor Souza Costa.. Na Alemanha. por um narrador que não faz parte do romance. o período denominado entre -guerras caracterizou-se por uma profunda crise econômica. é uma invasão de aventureiras agora! Como nunca teve!. Fräulei n se adaptou. que se fez assim. concordar ou discordar. Agora tinha que viver com os Souza Costas. Fräulein... Para comentar. como nos demais países que perderam a guerra. a situação era pior: havia um clima propício... Isto sei e afirmo. expor idéias. Mas há ainda um outro ponto-de-vista: o autor se coloca dentro do livro para fazer s uas numerosas observações marginais. Como nunca teve. No Brasil. Depois Curitiba onde não teve o que fazer. Se adaptou . é tão perigoso! Podem cair nas mãos de alguma exploradora! A cidade. Foco narrativo A narrativa é feita na terceira pessoa. Mesmo antes de 14 a existência arrastava difícil lá. criticar. social e moral que atingiu os países capitalistas na década de 20. É o narrador tradicional. E viciadas! Não é só be bida não! Hoje não tem mulher -da-vida que não seja eterônoma. não sabe« é um horror! Em pouco tempo Carlos estava sifilítico e outras coisas horríveis. . É uma velha mania do romance tradicional. Observe: Isto não sei se é bem se é mal. sabemos. provocou explicações desconcertantes. Rio de Janeiro. particularmente. referente à iniciação amorosa/sexual de Carlos. ela esteve no Rio de Janeiro e em Curitiba. Fräulein tem o meu consentimento. Laura. E os comentários são feitos na primeira pessoa.. exibindo a hipocrisia social vigente na metrópole paulista: Laura. ao nascimento de um violento nacionalismo. Aliás. Superávamos o atraso de um país agrário num estado mesmo de euforia pelo dinheiro proveniente da plantação e comércio do café e vislumbrava -se a possibilidade de unir esta riqueza à n ova riqueza industrial. inclusive. estava aberta a brecha para a ascensão do nazismo. antes de vir para a emergente São Paulo.. seu poder de adaptação é insistentemente enfatizado pelo narrador: tornaram a vida insuportável na Alemanha. Ora. por captar as necessidades e capacidade desse mercado. um narrador onisciente e onipresente. o clima era bem outro: havia um relativo otimismo em relação ao futuro.. No caso. é tão perigoso! Você compreende: uma pessoa especial evita muitas coisas. Você sabe: hoje esses mocinhos. Rio de Janeiro..

num corso de carnaval. Freqüentemente a narrativa fica retardada pelos comentários marginais do autor: algumas vezes exposição de tese. Fräulein teve quatro redações diferentes! (Carta a Manuel Bandeira. O narrador gosta de ver os seus personagens. Conscientemente liberal. Mário de Andrade usa as formas conhecidas de discurso. todos os personagens em ação. É mais freqüente o discurso direto. fugindo das regrinhas escolares de pontos e vírgulas. Definitiva? Não posso garantir nada. mas em algumas vezes. Comigo 51. Para alcançar ou tentar suas inovações ele trabalhou suadamente: fazia e refazia suas redações em versões diferentes. Apesar de certos alongamentos em seus comentários marginais. Um dos momentos narrativos mais interessantes em todo o romance. Em vez de dizer e de explicar tudo. Personagens As personagens do livro são. meio e fim. Mas a ação principal está em Fräulein: seu domínio sexual. Verbo Intransitivo são bem parecidos. É um espectador pirandeliano que acompanha suas criaturas. A pontuação da frase é muito liberal. o autor escreve com rapidez. A narrativa segue. depois. em geral. em frases e palavras com jeito cinematográfico. Carlos. de modo geral. Assim em Amar. personagem . meu Deus!! Dizerem Fräulein. o autor escreve ³Fim´ e. Verbo Intransitivo e mais ainda em Macunaíma. dinamicamente. polifônicas. e socialmente domesticados. nos diál ogos. Os personagens de Amar. Abando na a pontuação quando as frases se amontoam. usa também o discurso indireto e o discurso indireto livre. Sobre Fräulein: Agora primeiro vou deixar o livro descansar u ma semana ou mais sem pegar nele. 184). Começa com a chegada de Fräulein. depois daquela viagem ao Rio de Janeiro. com imperturbável serenidade bem alemã. se estende em episódios e incidentes. praticamente. apenas sugere em frases curtas. o melhor momento é a volta de trem. sem muita vida ou substância humana. mínimas. não. Linguagem e Estrutura A narrativa corre sem divisões de capítulos. pág. cheia de elipses que obrigam o leitor a ligar e completar os pensamentos. O ritmo de leitura depende muito da capacidade de cada leitor. acavalando -se umas sobre as outras. ainda narra um pequeno episódio: um encontro de longe entre Carlos e Fräulein. Quando termina o idílio. É preciso lembrar que Mário de Andrade é sempre um experimentador em busca de soluções novas pa ra a linguagem.Volto a afirmar que o meu livro tem 50 leitores. fabricadas. simultâneas. Que mentira. uma linha linear: princípio. contrasta com a espontaneidade sexual. depois principiarei a corrigir e a escrever o livro na forma definitiva. com a impetuosidade bem brasileira do excelente aluno (em sexo). com certa espontaneidade . acaba com a saída de Fräulein. Para ver. Mário de Andrade usa uma linguagem sincopada. artificiais.

mania muito comum e que Eça de Queiróz criticou numa saboro sa carta a Eduardo Prado: todo mundo é doutor. o regime patriarcalista.. porque único) e que.irmã de Carlos.. Mas vai ficar conhecida e será chamada sem pre pela palavra .. Laura .filho de Felisberto e D. acomodada. Laurita . Enredo Souza Costa. sem que eu a procurasse. É o centro. é personagem do pequeno drama amoroso do livro. sou séria. . Felisberto Sousa Costa . cuida também da educação ou instrução das meninas: principalmente para ensinar alemão e piano.pai de Carlos. p rincipalmente para a sua educação sexual.irmã de Carlos.inventado por mim e por mim construído! Não constrói coisa nenhuma. É.. possivelmente um doutor em qualquer coisa. Como era costume.. Elza. sem muito interesse. era uma quarta -feira. pra que os homens possam ter delas conhecimento suficiente. ao lado da governanta alemã. possivelmente. . esposa de Felisberto. Virgulam -nas apenas. bem posto na vida. Uma espécie de ³enfant gaté´ (um queridinho da família. É uma senhora bem composta. com idade entre 15 e 16 anos. Uma senhora da sociedade e que mantém todas as aparências de seriedade religiosa e familiar. Talvez arrancada da vida. na educação do úni co filho-homem. da fortuna e das realizações p aternas. tem 12 anos. Ela vai ser o centro de uma narrativa dentro do romance: a sua doença e a viagem ao Rio de Janeiro. para a educação do filho. Como devia. completam a família burguesa. D. senhor. E continua a sua pequena teoria o personagem. Não me agradaria ser tomada por aventureira. Centraliza a narrativa. Concorda com os argumentos tão convincentes. Certamente não irei se sua esposa não souber o que vou fazer lá. e tenho 35 anos. Aldina . Maria Luísa . Um dia Elza me apareceu. sempre obedece ao marido. não afetivo. São os personagens que escolhem os seus autores e não estes que constroem as suas heroínas. São três meninas que.mãe de Carlos. tem 7 anos. Tem 5 anos. apenas. a sua continuação. governanta alemã. burguesa. homem burguês. Laura. contrata uma governanta alemã. Ela. Elza . deverá ser o principal herdeiro do nome. mais ou menos. deveria ser a projeção do pai. mas administrativo da casa em que mantém. certamente. mais de carne e osso. para um clima mais saudável em oposição ao frio paulistano.Fräulein (= senhorita).. Carlos Alberto . São três meninas que brincam de casinha. todo mundo tem a mania do diploma e do anel do dedo.irmã caçula de Carlos. Como é Fräulein? Ela é a mais humana e real. do marido. Elza é o nome da moça. Tão im portante que ela dava nome ao romance. de 35 anos.

Laura que se submete. Mas o papel principal da governanta é ensinar o ³amor´. São as idéias de Fräulein. numa terça -feira. 2. se adapta. Carlos é mais importante. Chegou à mansão de Souza Costa.). E a família vai continuar patriarcalista porque já estão centralizando todas as atenções no filho varão. Os portugueses também... porém que minha filha sare!. Para manter a sexualidade de Carlos e a pureza de sua saúde é que Fräulein foi contratada. nunca mais terá aventuras. Para que a filha. O problema central do romance é a educação sexual de um rapaz de família burguesa. como ela. Se casaria com um moço ³comprido. De raça superior. mantém sua estabilidade. por D . Não pode ficar sujeito à ganância e às doenças das mulheres da vida. . Fräulein. Voltaria para a Alemanha. 3. Sousa Costa aceita fazer todos os sacrifícios. uma família ³imóvel mas feliz´. Os índios também.. principalmente depois que leu um trabalho de Reimer.. Como resolver o problema? Contrata -se Fräulein. bem composta. A criançada toda começou logo aprendendo alemão e chamando a governanta de Fräulein. Sousa Costa pensa em Deus. quase transparente´. Tudo passa e muda. sare.. Carlos precisava de mulher dentro de casa. A família burguesa. Com todas as suas minúcias e permissões. Só as cozinheiras que ainda são mulatas ou cafusas. Todos têm que obedecer ao pater -familias. Laurita com 7 e Aldinha com 5. Fräulein não compreende bem o amor latino. com 12 anos. Carlos não está muito pa ra o estudo. A família burguesa é patriarcalista: o centro de tudo é o homem. Deixará até algumas aventuras fora de casa.. bem construída. 6.alemã Fräulein. a arrumadeira é belga ou s uíça. 5. o rapazinho Carlos e as meninas: Maria Luísa. certamente velha tradição dos ancestrais. o encerador é polaco ou russo. A começar de D. o pai e o filho. onde o copeiro é italiano fascista. 4. professora de sexo. onde se afirmava a inferioridade da raça latina. Laura.. em São Paulo. Maria Luísa. É mais uma estrangeira que entra para a casa brasileira. se conforma com a presença da Fräulein como professora de sexo do filho. magro´. Havia também na casa um criado japonês: Tanaka. A família era formada pelo pai. aceita as idéias do marido. muito alvo. Ora deixemos de imoralidades! Sousa Costa nunca teve aventuras. Fräulein logo se ajeitou na família. As meninas ficam relegadas a um segundo plano.. Há uma referência ao racismo alemão: quedê raça mais forte? Nenhuma. (Ganharia algum dinheiro. Carlos é bem o retrato ou exemplo da nossa sexualidade latina ou brasileira... Notas 1. Um família imóvel. O nobre destino do homem é se conservar sadio e procurar esposa prodigiosamente sadia. mas feliz. Uma religião de domingo e de tempos de doença. Na casa de Souza Costa o empregado é japonês e a governanta é alemã. Nessa família existe também uma religião. todos os sacrifícios. Carlos. Os negros são de raça inferior.

Muitos aspectos são dignos de nota aqui. Constantemente ao brincar com . mas também tem o valor e todo o peso do termo ³professora´) realiza seu serviço com dignidade. Freud. mostra -se marcante. Em suma. que também usa produto para alisar o cabelo. meio que hipócrita. portanto. Bem antes de iniciada a história. classificada como idílio pelo próprio autor. preocupado em prepará -lo para a vida. uma iniciação completa. Carlos Alberto. pois. Assemelha -se à esposa. com uma prostituta. Sousa Costa. São ricos que ainda não têm. Ficaram notórias as suas críticas à burguesia paulistana e à sua mania de tentar ser o que não é ou esconder o que no fundo é. Observa-se a genialidade do narrador ao descrever Sousa Costa usando brilhantina até no bigode. Nesse aspecto o autor mostra -se bastante cruel. se seu filho tivesse sua iniciação num prostíbulo. ele havia tido sua experiência sexual no Ipiranga. Laura. Oficialment e. pressionado pelos amigos. que vai perpassar a relação que Elza estabelecerá naquela casa. Pode-se afirmar que a intenção do chefe da família é fadada ao fracasso. revela toda a complexidade em que a sexualidade humana está mergulhada (as teorias freudianas). Assume estar realizando uma missão. Mas fora um ato mecânico. Além disso. no entender de Mário de Andrade. Fräulein Elza (o grande medo de Sousa Costa é que. sexo é a base de tudo. Além disso. Interessante é que Fräulein (em alemão essa palavra significa ³senhorita´. Comporta -se como o novo rico que acha que o dinheiro pode tomar posse de tudo. contrata uma profissional para isso. estrutura para merecer seu presente status. É um elemento que destoa do olhar de Sousa Costa e até do próprio narrador. até da iniciação sexual. o tema é completamente inédito em nossa literatura e deve ter si do motivo de certo escândalo em sua época. seco. Há aqui todo um jogo de querer e esconder. Não tinha sido. é sobre a iniciação sexual do protagonista. de Fräulein ser na aparência governanta e na verdade ini ciadora do amor. esse disfarce. O fato é que Carlos realmente precisava ser educado. Querem esconder que são tão mestiço s quanto o resto do país. negar e afirmar. poderia ser explorado pelas prostitutas ou até se tornar toxicômano por influência delas). Deve-se notar o comportamento de Sousa Costa. ela entra no lar burguês de Higienópolis para ser governanta e ensinar alemão aos quatro filhos do casal Sousa Costa. não enxergando relação com prostituição. Em primeiro lugar. Seu pai. pois Carlos não era virgem.Resumo A história. D. em meio à farra de seus amigos. a iniciação sexual tranqüila e segura é vista como garantia para uma vida madura e até para o estabelecimento de um lar sagrado. Sua atitude de contratar uma profissional do amor para realizar os serviços debaixo do seu próprio teto revela determinados valores da burguesia da época.

suas três irmãs mais novas acabava. Tan to é que pouco após esse episódio. estranhara o apego do filho à mestra e vai conversar com a alemã. o que assusta Carlos. Toma consciência. chegando alguns até a estarem com as páginas coladas). mas a educação e a formação religiosa marcarem isso como condenável. Laura qual era a função da professora. sem descontroles. se querem ou se não querem a governanta). Revelando muito bem as características da sexualidade humana (Freud). O problema é que o garoto é aluado. há a menção a anjos lavando com esponja santa o pecado que acabara de ser cometido. torna -se mais apelativa. Carlos. agora apreende vocabulário de forma acelerada. ingenuamente preocupada com a possibilidade de o menino fazer besteira. Começa com o interesse que o garoto tem repentinamente por tudo o que se refere à Alemanha. Fräulein decepciona -se com a maneira como os ³latinos´ tratam aquele assunto e os pais de Carlos não sabem exatamente o que fazer. A tensão torna -se máxima quando o menino masturba -se inspirado na professora (é um episódio descrito de forma extremamente indireta. portanto. Inconformada com a quebra do prometido. Medo e desejo. A mãe. acelerando até o conhecimen to da língua. de que a deseja. sem paixões. Se antes tinha um desempenho sofrível. o que chega a ref orçar a tese da professora. sem querer. tangencial. Os livros da biblioteca são comprados por questão de status. pressionada pelas trapalhadas da família Sousa Costa (Sousa Costa havia descumprido o combinado quando contratara Fräulein: deixar claro para D. Quer ensinar o amor em sua forma tranqüila. muitos nem sequer sendo abertos. alheia ao que estava acontecendo. sua energia. Fräulein tem plena consciência desse objetivo. O s toques de Fräulein tornam -se cada vez mais constantes. pois servirá para domar seus impulsos. É necessário um malabarismo mental para entendê -lo. o garoto não percebe as intenções dela. Há aqui toda uma conotação freudiana. Essa noção de prazer e pecado. a atração mostra-se mergulhada num jogo de avanços e recuos. Talvez a intenção do narrador é. O garoto passa a freqüentar de noite a cama de Elza. com a convivência brota o interesse do menino pela mestra. O contato corporal é mais intenso. de desejos e de medos. Até que. Inicia. é outro e lemento muito analisado por Freud). de o instinto desejar algo. Por mais que Elza se apresente sedutora nos momentos em que os dois ficam sozinhos na biblioteca (outra crítica é dirigida à burguesia paulistana. além de evitar o escândalo de ser claro em aspecto tão delicado (várias vezes diz que não quer produzir obra naturalista). É um desajeitado. Mas em pouco tempo a iniciação sexual torna -se efetiva. dificultando em muito sua percepção. o que indica o . na qual tem como intenção deixar todo o acerto claro. mas o que mais importa é entender que o prota gonista fere porque não sabe controlar sua força. No entanto. Nesse aspecto sua iniciação será importante. ainda que sensualmente. mostrar como a questão está problemática na cabeça de Carlos. Elza força uma reunião entre ela e os pais. estudando alemão. sua afetividade. O resultado é que tudo se complica. É algo que não se quer revelar claro de primeira. Os dois acabam assumindo uma cumplicidade gostosa. o que a deixa em alguns momentos irritada. Delicadamente Fräulein vence. machucando -as.

Luís. E ela começa a se sentir a mãe de todos. Preocupada em não perder controle da situação. Não sente prazer nesse serviço agora. o pai dá uma bronca no filho. ensinando -o a tomar cuidado. O segundo é o prático. Em meio à folia de rua. mas o está seduzindo. os que ensinou o amar. ou seja. Fräulein tem um misto de emoções. A família Sousa Costa cria uma enorme dependência em relação à alemã. Parecia estar mais ocupado em curtir a garota que lhe faz companhia. . intransitivamente. A governanta passa a cuidar dela. parte. Precisa ser prática para juntar dinheiro e voltar para a Alemanha. Para complicar sua situação. O trauma amadurece. Na verdade. mostrou -se frio ±. uma das irmãs de Carlos fica doente. pois acredita que a lição sentida no corpo é mais efetiva. que planeja. casamento forçado e outros problemas. o que acontece é que isso acirra o conflito entre os dois alemães que o narrador afirma que a governanta carrega dentro dela. à fantasia. Aliás. È uma situação preocupante. a amar não importa qual seja o ob jeto. Tudo em sua mão funciona perfeitamente. A o mesmo tempo em que seu lado sonhador sente-se frustrado ± o rapaz. pois sempre havia o risco de gravidez. vem fortalecer o primeiro.amadurecimento de Carlos. Dentro da armação. talvez por ter em sua mente Carlos. decide acelerar o término de sua tarefa. Carlos. É como se quisesse ensinar que o mais importante é aprender a amar intransitivamente para depois poder amar alguém. Elza localiza Carlos. comprometendo o segundo. O rapaz a vê e a cumprimenta formalmente. depois do tanto que ocorreu. recebidos seus oito contos. É Carnaval. É sua profissão. no entanto. O primeiro é dedicado ao sonho. um papel que ela assumirá no final da narrativa. Atira -lhe uma serpentina para chamar a sua atenção. Acerta com Sousa Costa um flagrante. Fräulein. sente-se realizada ao lembrar de todos os que iniciou. É um coitado que anda sufocado em Elza. Os amantes são surpreendidos no quarto da governanta. a narrativa flagra Fräulein ensinando um outro garo to da burguesia de Higienópolis. Esse é quem domina sua person alidade. o alvo. pois Fräulein acaba se envolvendo. abrindo -lhe o caminho para o amor. Faz parte de seu crescimento. mergulhando Carlos num luto monstruoso. transitivamente. que é metódico. Quer que tudo termine de forma dra mática. Após isso.