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MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DA BIOMASSA microbiana do solo

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Agropecuária Técnica

,
ISSN 0100-7467 -

v. 25,

n.1, 2004

Areia, PB, CCA/UFPB

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DA BIOMASSA MICROBIANA DO SOLO

MARINICE O. CARDOSO
1

1

Doutoranda em Agronomia do CCA/UFPB, Campus II, Areia – PB, CEP: 58397-000

RESUMO A biomassa microbiana do solo (BMS) é o principal componente do subsistema de decompositores, que regula a ciclagem de nutrientes, o fluxo de energia, a produtividade das plantas e dos ecossistemas. Portanto, sua quantificação é de grande importância para estudos sobre a melhoria ou perda da qualidade do solo. Para quantificação da BMS muitas e diversificadas técnicas foram criadas. Nos métodos pioneiros contavam-se células microbianas pela observação direta de lâminas de solo ao microscópio. Foram introduzidas, posteriormente, melhorias como o uso de corantes vitais e o cálculo da biomassa através do biovolume celular e da densidade média das estruturas vivas. Outros métodos, baseados na extração e determinação de algum componente celular específico (ácido murâmico para bactérias, quitina para fungos e A TP para a biomassa total, entre outros) surgiram em grande número. Entretanto, atualmente, os métodos da respiração induzida pelo substrato, da fumigação-incubação e da fumigação-extração são os mais utilizados para a quantificação da BMS. Nesta revisão, os principais métodos são apresentados e discutidos quanto à utilidade e confiabilidade. Palavras-chave: microscopia direta, constituintes celulares, respiração induzida, fumigação-incubação, fumigação-extração

METHODS FOR QUANTIFYING SOIL MICROBIAL BIOMASS

ABSTRACT Soil microbial biomass (SMB) is the main component of the decomposers subsystem that regulates nutrient cycling, energy flow, and productivity of plants and ecosystems. Thus, its quantification is of great importance for studies aiming to improve or to prevent loss of quality of soils. SMB quantification can be performed by many and diverse techniques. In the early methods, microbial cells were counted through direct observation of soil smear (soil samples spread on a microscope slide), under optical microscopy. Lately, improvements were introduced by using vital stains and subsequent calculation of biomass from cell biovolume and average density of living structures. Other methods based on extraction and determination of specific cell constituents (muramic acid of bacteria, chitin of fungi, and A TP of total biomass, among others), appeared to a large extent. However, the current methods of substrate-induced respiration, and fumigation-incubation and fumigation-extraction, are the most utilized methods for quantifying SMB. In the present review, the main methods are presented and discussed with respect to their usefulness and reliability. Key words: direct microscopy, cellular constituents, induced respiration, fumigation-incubation, fumigation-extraction

Agropecuária Técnica, v.25, n.1, p.1-12, 2004

1999). 1994. que são discutidos quanto aos vários aspectos de sua utilidade e limitações. Matsuoka et al. e avaliar os efeitos dos poluentes como metais pesados e pesticidas entre outros (Frighetto.25.. 1992. com base na concentração de algum elemento ou de alguma substância celular. 1996.1-12. CARDOSO INTRODUÇÃO A biomassa microbiana do solo (BMS) compreende a parte viva da matéria orgânica do solo. na ciclagem de nutrientes e no fluxo de energia (Wardle e Giller. et al. porque sofrem influência das condições experimentais (Rodrigues et al. 1975. Neste trabalho. de ajustes metodológicos (Gama-Rodrigues. T empler et al. excluídas as raízes e organismos maiores do que 5 x 10 3 1994). diluições da amostra do solo são adicionadas a tubos contendo meio liquefeito e resfriado. Como parâmetro ecológico. 1999.. 1999. Turner et al. é calculado o número de organismos vivos por grama de solo (Jackson e Raw. 2002. Taylor et al. foi introduzida a técnica de plaqueamento para isolamento de fungos de solo (Jackson e Raw. os trabalhos sobre BMS tratavam. 2002). a BMS funciona como dreno competitivo (Duxbury et al. 1999). Marchiori Júnior e Melo. a necessidade de isolamento. paralelamente. v... 2003). A relação C C orgânico microrganismos : transformadores da matéria orgânica do solo. Através da rápida imobilização de nutrientes. Antecedentes O aumento do interesse em microrganismos de solo e. após incubação.. mas da massa microbiana viva total do solo. medir regeneração dos solos após a remoção da camada superficial. resultaram na criação e diversificação de muitas técnicas. DePolli e Guerra. considerando-se a população microbiana como uma entidade única (De-Polli e Guerra. 1984). disseminadas em placas com gelatina e. que pode reduzir a disponibilidade de nutrientes para as plantas. foi realizada uma revisão de literatura sobre esses métodos. 2001. 2003). Operacionalmente. P S e outros nutrientes para as plantas. 1996. sendo mais sensível que o resultado quantitativo do C orgânico e do N total para aferir alterações na matéria orgânica do solo (Gama-Rodrigues..1. e os fluxos . visto que a BMS não é uma estimativa da atividade dos microrganismos do solo. Constituindo a maior parte da fração ativa da matéria orgânica. 1975. 3 contendo.2 M. determinava-se o número de bactérias (Grisi. 2002). 2001). 1999).. através do reservatório microbiano podem ser de particular relevância no solo (De-Polli e Guerra. é amplamente aceita (Duxbury et al. 2 a 5% do carbono orgânico e 1 a 5% do nitrogênio total do solo (Cerri et al. 1999).. Gonçalves et al. e total do solo aumenta e diminui rapidamente conforme ocorram elevação ou redução da matéria orgânica do solo num sistema ecológico. 1999). Melloni et al. 1989. em média. 1984). 2003). de fonte/dreno de nutrientes e de catalisador pela execução de processos enzimáticos no solo. posteriormente o conteúdo desses tubos é distribuído em placas de Petri. Wang et al.. A dupla função da BMS. 2000). e a constância dessa relação indica o novo equilíbrio desse sistema (Anderson e Domsch. a avaliação da BMS permite obter informações rápidas sobre mudanças nas propriedades orgânicas do solo. O. deve-se distinguir a biomassa de sua atividade (Siqueira et al. Pelczar Jr. Agropecuária Técnica. a BMS pode ser enquadrada como o interpretação da condição funcional da BMS total ou de algum compartimento (Marchiori Júnior e Melo. Até o início da década de 90. 2004 . Em seguida. bem como para monitoramento e aplicação de modelagens (Leal e De-Polli. 1999. identificação e enumeração desses agentes compartimento central do ciclo do carbono.. Ressalva-se que as atividades de algumas enzimas podem ser relacionadas com a BMS e são auxiliares na µm . Grisi. por adaptação. a BMS atua como agente de transformação da matéria orgânica. Inicialmente. e a partir do número de colônias desenvolvidas na placa.. As possibilidades metodológicas existentes para avaliação da BMS são várias e contemplam diferentes abordagens. O método de plaqueamento por gotas é recomendado por Jahnel et al. O estudo quantitativo da BMS é de fundamental importância para o estudo da extensão dos processos no solo em que atua. Neste sentido. Alguns métodos bastante utilizados têm sua confiabilidade questionada. p. A BMS compreende uma fonte potencial de N.. foi introduzido o método de diluição em placas para contagem de bactérias do solo. Kouno et al. 1989).. Nessa técnica. n.. as investigações em bacteriologia de solo foram realizadas com métodos desenvolvidos em bacteriologia médica: amostras de solo eram diluídas com água esterilizada. detectar mudanças causadas por cultivos ou por devastação de florestas. (1999) para determinação do número mais provável de fungos e bactérias do solo. 1989). Posteriormente. principalmente.

Na impossibilidade da obtenção de uma medida de lâminas de solo ao microscópio.1. Bailey et al. Na microscopia direta. proposto por Anderson e Domsch (1978). sendo introduzido e da densidade média das estruturas vivas (Grisi. e após fixação e coloração do esfregaço. na presença do sistema enzimático. Fierer et al. Como o princípio básico da metodologia é estimar a biomassa microbiana através do biovolume dos microrganismos. está presente nas diferentes células microbianas (bactérias. a BMS (Pelczar et al. v. 1999). Para solos bem drenados. 1999). 2004 . foram desenvolvidas ecossistema. o trifosfato de adenosina (Grisi. p. De-Polli e Guerra. Métodos microbiana Os métodos da microscopia direta. et al. do trifosfato de adenosina. o ácido murâmico. a sua concentração nas células é razoavelmente uniforme em relação à concentração de carbono celular (De-Polli e Guerra. 2002. segundo Paul e Clark (1989): A TP: C: N: P: S. sendo a quantidade de luz emitida proporcional à concentração de A TP no extrato (De-Polli e Guerra. no caso. 1989).6. 1985.1-12. . bem como. 1985). Haubensak et al.. ou outros extratores com eficiências de recuperação variáveis. 1999). . para conversão de biovolume a biomassa (Alexander. este método é freqüentemente utilizado como padrão. 2003).MÉTODOS P ARA QUANTIFICAÇÃO DA BIOMASSA MICROBIANA DO SOLO 3 exame de microrganismos provenientes de amostras dos ambientes naturais ocorreu no início do século XX. há para quantificação da biomassa como por exemplo. O método está fundamentado no princípio de que o A TP pode ser quantificado através do sistema enzimático luciferina-luciferase (Oades e Jenkinson. bem como o cálculo da biomassa através da determinação dos volumes celulares Grisi e Gray.Microscopia direta No exame microscópico direto.25. 1984). 1: 250: 40: 9: 2. n. 1977. 1980. a quitina. respectivamente. técnicas de colorações especiais são Esse método. da fumigação-incubação e da fumigação-extração são os mais utilizados para quantificação da BMS. em razão de algumas características favoráveis deste constituinte celular: é degradado rapidamente após a morte das a células dos entre microrganismos. para estimar a BMS. sendo a expectativa geral de que todos os demais métodos apresentem boa correlação com o mesmo (Seganfredo. é baseado no aumento inicial da taxa de Agropecuária Técnica. Scheu e Parkinson. fungos. ou seja.. e..Respiração induzida pelo substrato ou fisiologia da taxa de respiração necessidade da estimativa da densidade específica e do conteúdo de umidade dos microrganismos. 1979). na extração e determinação de constituintes celulares específicos de microrganismos. número de células microbianas pela observação direta depois o uso de corantes vitais. Grisi e Gray.. é medida através de fotômetros comerciais disponíveis para esta situação. 1982). 1984. bem como muitas vezes é difícil distinguir partículas microscópicas do solo de células microbianas (Casida. . uma diluição da amostra do solo é espalhada em camada fina sobre uma lâmina de vidro. Os primeiros métodos utilizados consistiam na contagem do O desenvolvimento de técnicas microscópicas para necessárias para discriminar microrganismos vivos de mortos. 1971). e a emissão luminosa do material. Os métodos de extração dos componentes celulares baseiam-se no fato de que a célula microbiana quiescente mantém as seguintes relações. além de não ser confundido com as moléculas de A TP provenientes de fragmentos de raízes. a clorofila. os microrganismos podem ser contados pelo exame microscópico (Pelczar Jr. 1976. apontada como sendo de 1: 250 (Paul e Clark. 2000. destacandose os dois últimos. facilitando separação microrganismos vivos e mortos. Grisi e Gray. por métodos culturais ou por meio da outras técnicas capazes de avaliar a massa dos microrganismos. 1996). ácidos nucléicos e outros. Embora esse método possa ser utilizado para estimar a população microbiana total. os microrganismos podem ser corados por várias formas e observados por diferentes técnicas ópticas (Casida. quantitativa exata da população microbiana total em um observação microscópica direta. 1999). A técnica do A TP vem sendo utilizada para estimar a BMS (Tate e Jenkinson.3 mol L -1 . tendo sido melhorado por Tate e Jenkinson (1982).Método do trifosfato de adenosina (ATP) Este método inclui-se num grupo de métodos que se baseia. Convém mencionar a técnica de análise de PLFAs (phospholipid fatty acids) totais extraídos para estimar a BMS. O A TP oriundo das células vivas é extraído com solução de H SO 2 4 0. 1994).. 2002). da respiração induzida pelo substrato. que tem gerado valores proporcionais aos obtidos por outros métodos (Fritze et al. 1985. algas e protozoários)..

Entretanto. Mercante. Os procedimentos envolvem a medida da emanação de CO devido à decomposição da população microbiana na amostra fumigada. n. livre de álcool. ele deverá ser determinado para cada tipo de solo (Wardle. Lin e Brookes. 1994. Este método facilita liberado do solo fumigado no período de 10 dias de incubação menos o C-CO liberado do solo testemunha 2 CI . pois é esse componente que está reciclando ativamente os nutrientes e é responsável pela decomposição dos restos culturais.. . 1999). 2004 . 1978. Lin e Brookes. Um grave erro técnico quanto a este método é a realização de medidas de taxas de respiração após o crescimento microbiano. 1978). não-fumigada (Rodrigues et al. Siqueira et al. p.25. Wang et al. o fator k não é precisamente o mesmo para todos os solos (Stevenson e Elliott. devendo ser determinada para cada tipo de solo (Lin e Brookes. 2000. 1986.. 2000). O. um fator médio de 0. A fonte usual é a glicose porque a maioria dos microrganismos pode utilizá-la imediatamente como fonte de carbono (Grisi. 1999). o flush de CO . Entretanto. é adicionada em excesso ao solo. para a determinação da biomassa (Anderson e Domsch.Fumigação-incubação O método de fumigação-incubação se fundamenta na ocorrência dos seguintes eventos: interrupção da atividade microbiana de uma dada amostra de solo pela fumigação com clorofórmio (CHCl ). a conversão para a biomassa. enquanto em outros verifica-se inicialmente uma queda e depois uma elevação da respiração (Anderson e Domsch. pode ser estimada pela relação B = C I 2 2 3 decomponível. O quociente metabólico microbiano (qCO ) é calculado como a razão da respiração microbiana em relação à biomassa. Os procedimentos sobre o método de fumigação-incubação encontram-se descritos detalhadamente em De-Polli e Guerra (1999) e Matsuoka et al. Este termo (k C1 ) corresponde ao fator de mineralização do C. 2001). mineralização entre 0.. 1978). e é de 0. 2 2 gerado durante um período de incubação predeterminado. Alternativamente à proposta original. 1992. 1966). (1985) e Stevenson e Elliott (1989) explicam a determinação do N da BMS pelo método de Agropecuária Técnica. visto que o mesmo tende a ser mais baixo em solos ácidos e de textura argilosa das zonas tropicais (Sampaio et al. ou pelas novas populações a partir de um inóculo de solo fresco introduzido na amostra fumigada (Jenkinson. Por esta razão. antes que o crescimento microbiano ocorra. A biomassa. que é justamente o componente de maior interesse para os microbiologistas do solo. prontamente adição da glicose em diferentes solos. onde C I = C-CO 2 de modo particular a avaliação do quociente metabólico ou taxa de respiração específica.1. 2003). A quantidade de glicose requerida para ativar a máxima taxa respiratória inicial varia grandemente. No método de fumigação-incubação. dependendo das propriedades físicas e químicas dos solos. mas a equação obtida é válida somente nas condições de proposição. Tiunov e Scheu. 1999. e em uma amostra testemunha. que provoca o rompimento da célula. 1978. representada pelo carbono microbiano. como a quantidade de CCO produzido por unidade de C da biomassa microbiana (Thirukkumaran e Parkinson.4 M. Fisk et al.35 e 6..5 C o (Anderson e Domsch. há necessidade de calibração. 1994).. 2003). foi correlacionado com a BMS. com um método padrão.. A respeito do fator de correção. que permite verificar o estado de equilíbrio do solo (Wardle. 1999) ou respirômetro automatizado a partir de microcompensação de O 2 / k eletrolítico (Tiunov e Scheu. realizando-se em seguida. 2001). 1984. é acompanhado por algumas horas. visto que em alguns ocorre um aumento rápido na respiração. 1994).41 foi proposto para amostras de alguns solos no Brasil. Lin e Brookes. 1989). isto é. esse método pode ser extremamente útil como medida relativa da biomassa microbiana. à proporção de carbono microbiano liberado na forma de CO 2 nos 10 dias de incubação. 1988. (2003). 1994). até um máximo. V oroney e Paul (1984) estudaram sua determinação “in situ” para calibração desse método. devido à decomposição dos organismos mortos pelos sobreviventes à fumigação. De acordo com Wardle (1994) é esperado que apenas os microrganismos ativos respondam à adição de glicose. isto é. o uso da glicose sólida foi substituído por solução de glicose e o analisador de gás para medir o CO 2 respirado por cromatógrafo a gás (Sparling e West.45 a 25 C (Anderson e Domsch. e no caso de solos muito diferentes daqueles utilizados na determinação dos valores de k C1 C1 tradicionalmente usados. Mercante. De-Polli e Guerra. CARDOSO respiração da população microbiana. Originalmente. quando uma fonte de carbono. v. Brookes et al.41 à o o temperatura de 22 C e 0. O aumento da taxa respiratória (liberação de CO ). seguido por um pico de CO . devendo-se atentar para o fato de que há variações na resposta à 2 2 (Pfenning et al. 1999).5 ml de CO 2 100 g de solo -1 h -1 e temperatura de 22 ± 0. ou seja. 2000.1-12.

1985). v.. Os procedimentos para execução da técnica de fumigação-extração foram explicados detalhadamente por De-Polli e Guerra (1999) e Frighetto (2000).. p. o que é adotado também no método de fumigação-incubação. Zimmermann e Frey. 2000. Portanto. 2003). Na fase de pré-condicionamento. N e P da biomassa microbiana.. que é igualmente liberado pela ação do agente fumigante clorofórmio. 1992). ou o analisador de C solúvel Shimadzu TOC-5000A (Bailey et al. matéria orgânica intracelular (biomassa) e matéria orgânica extracelular (Hofman e Dusek.1-12. revelou-se rápida. recomendação correntemente utilizada (Tate et al. 1987a. (2001). (1999) utilizaram a irradiação do forno de microondas em substituição ao clorofórmio. rompe as células microbianas liberando o constituinte microbiano para o solo e permitindo assim sua extração (Frighetto. antes comentado. e concluíram que a irradiação durante dois minutos foi suficiente para estimar o C.38. e a determinação do carbono nos extratos fumigado e não-fumigado é feita por dicromatometria a partir da retirada de uma alíquota do extrato (V ance et al. Em termos de procedimento. 1997). De-Polli e Guerra.5 M de solos fumigados e não-fumigados. além de matar.5 M (Tate et al. a amostra é dividida em subamostras que sofrerão extração imediata (o controle.25..MÉTODOS P ARA QUANTIFICAÇÃO DA BIOMASSA MICROBIANA DO SOLO 5 fumigação-incubação e afirmam que o maior problema para sua estimativa é a desnitrificação ou imobilização poder alterar as quantidades de N calculadas para as formas solúveis após a incubação..64 ou do solo fumigado menos o carbono extraído do solo controle (Pfenning et al. Convém ressaltar que a correção da umidade do solo para 40% da sua capacidade de saturação é parte do procedimento metodológico. O material celular liberado pelo rompimento das células microbianas é recuperado com um extrator fraco como o K SO 2 4 não foi determinado (De-Polli e Guerra. 1987b). Guerra. O carbono representa cerca de 47% do peso seco da célula microbiana. a biomassa microbiana é proporcional ao aumento de carbono orgânico que se torna extraível do solo após uma fumigação.. 2003). O extrato da amostra não-fumigada contém somente a matéria orgânica extracelular e o extrato fumigado contém ambos. e também o N. o analisador de carbono Dohrman DC-180 é utilizado para quantificação do C extraído (Wu et al. 1999. 1985. Roy e Sing. sendo 2. 1999). A fumigação do solo com o clorofórmio. Aoyama et al. e ambiente. pela maior elevado na célula. O N. por sete dias em temperatura em um recipiente fechado com 100% de umidade. A biomassa. Segundo esses autores.33 ± 0. P e S microbianos também facilidade na quantificação devido ao seu teor ser mais podem ser determinados por fumigação-extração no mesmo extrato de solo (Brookes et al. inclusive em solos do Brasil para os quais o fator k CE substituição da incubação por uma extração do carbono da biomassa. Roy e Sing (2003) deixaram as amostras de solo com a umidade do campo com o CO removido. n. a técnica de absorvância ultravioleta (UV) em 280 nm de extratos de K SO 2 4 0. Ferreira et al. visto que os resultados foram fortemente correlacionados com aqueles determinados pelos métodos convencionais. De-Polli e et al. representada pelo carbono microbiano.38. 2004 . pode ser E estimada pela E relação B = C B = C / 0. 2003). 2002). simples. eliminando-se os dez dias de incubação do método anterior. Numa modificação do procedimento de fumigaçãoextração originalmente proposto. 1988).. quando da preparação das amostras de solo para fumigação (Grisi. 1999). para estimar a concentração de C. Este último valor de k CE encontra-se no intervalo proposto (0. precisa e relativamente barata para estimar a BMS. . onde C representa o carbono extraído E x 2.08) por Sparling e West (1988) para solos minerais com baixo pH e menos de 10% de carbono orgânico. o fator k CE para conversão do carbono extraído em biomassa microbiana (V ance et al. De acordo com Turner 0. presente na biomassa microbiana nos procedimentos de incubação e extração.. fósforo e enxofre da biomassa 2 microbiana do solo Os métodos de quantificação da BMS geralmente baseiam-se na estimativa do C microbiano. Va n c e et al... Agropecuária Técnica. 1988) logo após a fumigação.64 ou 0.. Na etapa de fumigação. 2002. (1987a) propuseram a Hargreaves et al. 2000). é mais conveniente mensurar o N da BMS pela fumigaçãoextração 24 horas após a fumigação (Brookes et al. sem fumigação) ou fumigação seguida de extração.1. para estimar o C e o N da BMS. • Nitrogênio. 1990. sendo o mesmo aberto diariamente por alguns minutos para aeração.Fumigação-extração • Carbono da biomassa microbiana Como alternativa promissora à técnica de fumigaçãoi n c u b a ç ã o .

Guerra et al. p. 1996. e o cálculo é dado pela seguinte fórmula: N mic (mg kg ) = FN / k .25. Algumas críticas específicas sobre esses métodos são apresentadas abaixo: Microscopia direta. 2000). bem como a adsorção dessa molécula pelos colóides inorgânicos do solo (Martens. NaHCO valores de k s 3 0. 2002). 1995). Brookes e Jenkinson (1989) consideram que os valores de ATP podem não ser indicadores fiéis do estado metabólico de um organismo ou de uma população. ou a hidrólise química do A TP durante o processo de extração. o N da biomassa é avaliado à maneira do C da biomassa.45 e 0... Método do trifosfato de adenosina (ATP). 1995). 2000. Pelczar Jr. 1985. De-Polli e Guerra. mas estão muitas vezes sujeitos à variabilidade da eficiência de extração e rompimento das células (Frighetto e S c h n e i d e r. Algumas dificuldades estão a ele associadas como a extração incompleta de A TP das células.01 M.35. e admitem como . que tem dois valores amplamente utilizados. Os métodos extrativos não apresentam os problemas daqueles que dependem do crescimento microbiano.5 M (relação solo:extrator de 1:4. o método prevê a extração do P inorgânico disponível com resina. bem como requer o ajuste na capacidade de adsorção de P pelo solo (Stevenson e Elliott. 2004 . têm sido usados para determinação do P e S da BMS. Rheinheimer et al. et al.1. Limitações associadas aos métodos Muito se discute ainda sobre a confiabilidade dos atuais métodos. sendo razoável esperar que equações de calibração derivadas a partir de ampla faixa de valores abrangendo maior área geográfica sejam mais consistentes do que na faixa estreita de pequena área geográfica (Wardle e Ghani.. Dessa forma. a utilização de mais de um método para estudos sobre a biomassa microbiana (Gama-Rodrigues. as . Entretanto. Stevenson e Elliott.4.5. é mais conveniente.1 M e CaCl de 0. 1989). v. acima mencionados. fator de correção k =0. principalmente quando se deseja estimar a biomassa dos microrganismos “in situ”.fator de correção (0. Este método pioneiro é raramente utilizado em amostras naturais de solo porque apresenta enorme dificuldade operacional e maior tempo de execução dos procedimentos. Também.5 M em pH=8. respectivamente 2 0. 1994). CARDOSO Na metodologia convencional. com (Saggar et al. E. Procedimentos similares de fumigação-extração.54 o do método original. fumigação-extração e PLFAs totais. 0.. além de ser difícil diferenciar partículas microscópicas do solo de células microbianas (Casida. A oxidação de persulfato alcalino para determinação automática do N total em extratos da biomassa microbiana. a decomposição enzimática.. que é somente de 40%. dois extratores têm sido utilizados para determinar o S da biomassa. de maneira mais próxima da realidade. Joergensen e Mueller. Conte et al. O. e k N t .41 e 0. 1996).54 (Wardle. são altamente variáveis. e. 1985). FN diferença entre a quantidade de N total recuperado no extrato da amostra fumigada e o recuperado na amostra não fumigada. sendo 0. 1976. que expressa a fração do N da biomassa microbiana do solo recuperada após os processos de fumigação-extração (Brookes et al. é útil quando se comparam diferentes metodologias para aferição da biomassa (Martens.fluxo obtido da t N mic - correlações através de diferentes amostras de solos.. membrana de troca de ânions (Kuono et al. Apesar da variação entre o conteúdo do A TP e o do C da BMS. 1995. Smolander et al. 1996). 1993. 1995. visto que apenas uma parte da população poderá estar em crescimento. visto que na estimativa da biomassa microbiana do solo deve ser considerada a massa viva de microrganismos. A dificuldade para discriminação entre microrganismos vivos e mortos se torna uma limitação. O conteúdo de N microbiano é quantificado em extrato de K SO 2 4 0. antes do processo de fumigação com clorofórmio e extração com NaHCO p 3 0.1-12. 1999). 1999). 2002). Morel et al. 1981. mas usando o fator k EN valor absoluto. extração por 30 minutos e análise após digestão de Kjeldahl) a partir do fluxo de N solúvel total de amostras fumigadas e não-fumigadas. (1994) e Fierer et al. sendo N -1 nitrogênio microbiano do solo. Para o P da biomassa.. também utilizada (Cabrera e Beare.54). tem possibilitado resultados válidos quando sua execução é cuidadosa. Entre pares de métodos.. Friedel e Scheller. para solos com alta capacidade de fixação de P foi a da . através do autoanalisador Scalar-UV é . n. 1989. sempre que possível. em diferentes condições edafoecológicas. Uma proposição adaptada para medida do P da BMS. (2003) discutem em suas pesquisas as razões de estimativas distintas da BMS com os métodos que utilizaram: respiração induzida pelo substrato. ou seja. estimando-se seu Agropecuária Técnica. ou tipos de solos. para compensar a incompleta liberação do P microbiano pela fumigação com clorofórmio e a incompleta extração do P microbiano liberado pelo extrator.6 M.

de imediato. quantifica preferencialmente o rápido crescimento microbiano. medida após a adição de um substrato lábil. 2003). É considerado um método prático e rápido para estimar a quantidade de m i c r o rg a n i s m o s vivos do solo. De-Polli e Guerra. Messias et al. pois o tempo de exposição afeta a extração de C e N de distintos compartimentos condições de umidade. em diferentes contrastantes de florestas. que não são destruídos pelo clorofórmio (Siqueira et al. 1994)... teve resultados promissores somente quando níveis e períodos adequados de reumedecimento foram (Gonçalves et al. sendo essencial uma testemunha não-fumigada (W ardle.25. os zero a 10 dias (estabelecido no método). E o pré-condicionamento de curta duração de dependem dos materiais do solo (Scheu e Parkinson. que pode variar sensivelmente em diferentes tipos de solo (Grisi.1-12. (1984) sugeriram algumas adaptações para solos sob estas condições.. 1992). Seu valor. obtidos mais rapidamente e com menores variações entre as repetições. 1966.MÉTODOS P ARA QUANTIFICAÇÃO DA BIOMASSA MICROBIANA DO SOLO 7 melhor indicador a carga energética de adenilato. amostras. adotados determinação da biomassa microbiana com o uso dessa técnica. como terra fina secada ao ar (TFSA). onde. 2000).. Contudo. armazenagem e pré-condicionamento da amostra anteriormente à fumigação. 1986. n. Esse método..1. como a glicose. o seu emprego requer a disponibilidade de equipamento que possa determinar acuradamente o CO 2 respirado (Wardle. ocorrerá um fluxo de CO 2 2 das amostras fumigadas. 2003). ao solo (Fierer et al. em solos com alto teor de argila aliado à umidade foram encontradas dificuldades para efeitos da secagem ao ar sobre bactérias e fungos 1994). Fumigação-extração.8 a 0.. Fumigação-incubação. a porção zimógena da comunidade microbiana. O alto teor de argila protege a matéria orgânica da decomposição e torna os microrganismos menos ativos pelo confinamento em pequenos poros ( Wa n g et al. 1996). devido à decomposição dos microrganismos mortos. Em relação à condição de transporte. A principal população microbiana (Pfenning et al. dada por [(A TP) + 0.95 (Grisi. a fumigação afeta pouco os microrganismos (Frighetto. 1994). portanto. O método encontra-se bem padronizado em seu protocolo laboratorial por diferentes usuários (Frighetto. p. 1988). onde o método de fumigação-incubação mostra limitações (Wardle. ou solos com recente adição de matéria orgânica. 1992. Sobre isto. Neste método. os resultados são. na sua forma padrão.. 1984). Neste sentido.. as aludidas condições dos solos tenham interferido na homogeneidade da fumigação e na capacidade de reconstituição da Agropecuária Técnica. Em solos muito secos.5 (ADP)] / [(A TP) + (ADP) + (AMP)]. Ele não é recomendado para solos ácidos com elevado teor de Al (Siqueira et al. 2002). que provoca uma subestimativa da biomassa microbiana do solo (Jenkinson. 1999). Diferentes autores fazem referência à marcante influência dos fatores ambientais neste método.. as regras não estão bem definidas (Gonçalves et al. 1999).. quando uma grande proporção de massa microbiana do solo foi morta pela seca. 1992. 1994).. visto que é aceito ser a BMS proporcional à taxa de respiração de curto prazo. Também foi sugerido que as populações microbianas inoculadas nas amostras fumigadas não são capazes de metabolizar matéria orgânica não-microbiana tão rapidamente quanto as nativas do solo não-fumigado.. 1994). 1999). não é adequado para solos alagados. tanto para laboratório como para condições de campo. a partir de dados de vários autores é na faixa de 0. responsável pelo aumento da liberação de CO 2 desvantagem deste método está relacionada com o fator de conversão. o que leva à subestimação da biomassa microbiana (Siqueira et al. porém Inubushi et al. pela extração do carbono das amostras. (2002) concluíram pela necessidade de mais estudos quanto ao tempo de exposição ao clorofórmio. Respiração induzida pelo substrato.. 2004 . Stevenson e Elliott (1989) afirmam que o mesmo é inadequado para análises de solos secos ao ar. 1994). Igualmente. o que pode interferir na reconstituição da população microbiana.. 2002). Por outro lado. são evitados os fatores químicos e/ou biológicos que interferem na reconstituição da população microbiana. Os valores do fator de correção do carbono extraído (k CE ) não foram exatamente determinados para solos tropicais (Pfenning et al. 2000. 2002). pelo fato da fumigação ser seguida. Ta m b é m . 1994). Hashimoto (2002) descreveu um método simples para medição de um volume pequeno do gás CO usando um analisador de gás infravermelho. Por outro lado. antes da amostragem. para solos no período de da matéria orgânica do solo. Esse método é particularmente útil em solos ácidos e orgânicos de florestas e em solos secos reidratados. e em solos encharcados a água poderá proteger os microrganismos. Por exemplo. como ocorre na fumigação-incubação. De-Polli e Guerra. v. ou seja. o que se reflete em coeficientes de variação baixos (Pfenning et al. bem como aqueles da rizosfera de pastagem permanente e solos sob encharcamento ou seca (Tate et al. Gonçalves et al. Sampaio et al. provavelmente. Haubensak et al.

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