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Métodos de Pesquisa em Psicologia: Métodos Observacionais

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Published by: Ivan Augusto Daguani Guarache Leonardo on Jul 22, 2011
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PESQUISA EM PSICOLOGIA: MÉTODOS OBSERVACIONAIS

Ivan Guarache ¹

Resumo
Este artigo tem o intuito de oferecer uma visão geral dos métodos observacionais. Inicia com uma breve apresentação de quatro características centrais da pesquisa observacional e as circunscreve em limites teóricos afins. Continua, então, delineando algumas características a respeito de como são feitas as diferentes formas de observação. A intenção é possibilitar os leitores compreender e a conhecer as técnicas de observação e as diferentes formas de analisar variadas possibilidades de dados observacionais. Através de um levantamento bibliográfico com o objetivo de estruturar conceitos e características do método, o artigo pretende apresentar que a observação engloba um processo interativo. Por conseguinte, a linha mestra que embasa tal método sugere que a escolha do foco da observação e da configuração da análise subseqüente são guiadas pelas características pessoais e teóricas de cada pesquisador. PALAVRAS CHAVE: Métodos observacionais. Formas de observação. Técnicas de observação.

Introdução Genericamente a observação é uma prática humana extremamente basal. Tal atividade possibilita nossa segurança e sobrevivência bem como escolher parceiros e amigos. Programas de televisão do tipo reality show possibilitam o entendimento de que a observação imprime grande fascínio sobre muitos sujeitos e indicam que as habilidades observacionais são imperativas para a atividade humana, não sendo exclusiva do comportamento cientifico (Breakwell, Hammond, Smith e Schaw, 2010). No campo científico, a escolha do método observacional é permeada por alguns fatores. Marconi e Lakatos (2006) compreendem que a seleção dos métodos de pesquisa está baseada

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nas questões que se pretende responder e adaptar, combinar e modificar os métodos para buscar melhores modos de resposta. A escolha das
1- Mestrando do MAPSI-UNIR em Psicologia Escolar e Processos Educativos

questões de pesquisa são, em grande parte, moldada pelos interesses do pesquisador, tanto nos aspectos profissionais quanto nos aspectos subjetivos pessoais. No que se refere ao campo da Psicologia o uso da observação é de suma importância. Provavelmente todos os psicólogos, nas mais variadas áreas, empregam a observação como um dos elementos da sua ação cotidiana a fim de norteá-la cotidianamente, bem como para substanciar os campos das evidencias e da teoria. O método observacional é de enorme importância no cenário científico, como um todo, “e pode ser útil reconhecer sua importância na construção de idéias iniciais da pesquisa, bem como sua contribuição em empreendimentos mais formais de pesquisa” (Breakwell, Hammond, Smith e Schaw, 2010. p 136).

Método
Este artigo faz uso do método de levantamento bibliográfico que objetivou revisar a bibliografia científica disponível que adentrava no universo da observação. Foram pesquisados livros referentes ao assunto tanto quanto artigos científicos. Foram feitas leituras, análises e interpretações das obras escolhidas subsidiando a escrita do artigo. O estudo explicita os principais conceitos e características instrumentalizando o leitor para o entendimento dos principais aspectos do referido método de pesquisa (observacional). A elaboração deste artigo e justificada pela escassez de estudos que trabalhem este tema como algo principal, sendo somente encontrado em trabalhos que fazem uso deste método, mas não um estudo especifico do mesmo.

Pesquisa Observacional: O que é?
A pesquisa observacional é um método por si só, porem pode estar em congruência a outros métodos. Uma vasta gama de

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métodos de pesquisa, como estudos etnográficos, entrevistas, estudos de casos, podem fazer uso da observação de dados. É importante ressaltar que a observação, dentro da pesquisa de cunho psicológico, tem real importância e uso. Isto se da pela necessidade do pesquisador colher informações referentes aos contextos – onde e desenvolvida a pesquisa – e as nuances do pesquisado tanto como do pesquisador. Negar tais informações podem levar a um erro considerável no entendimento dos fenômenos que envolvem seres humanos. De acordo com Breakwell (2010, p.136)
“A observação pode revelar o que fazem as pessoas, como elas fazem e como isso é influenciado – e, por sua vez, tem influência sobre o – ambiente social dentro do qual têm suas ações”.

Estudos que fazem uso do método observacional podem ser compreendidos referente a quatro principais dimensões: Testagem da teoria-exploratória onde pesquisadores, em seus estudos observacionais, preconizam a testagem de uma teoria já existente examinando o que os indivíduos fazem em inúmeras circunstâncias. A observação pode ser utilizada de forma mais descritiva, no intento de explorar diferentes dimensões de um dado fenômeno. Para Marconi e Lakatos (2006) isso pode ser configurado como uma forma de reconhecimento – observação exploratória para introduzir novas concepções que podem ser estudadas mais estruturadamente. Experimental-Naturalista vincula-se a um contraste entre observação pautada sobre condições experimentais e as naturalistas. Relacionado a questões experimentais estão os vários tipos de controle com intuito de possibilitar explicações entre causa e efeito. Referente a questões naturais percebe-se o inverso, onde se preconiza o mínimo ou nenhum controle, objetivando situações pertencentes a “vida real” (Marconi e Lakatos, 2010). Estruturado-Não Estruturado sendo que o método observacional estruturado se preocupa com tipos específicos do comportamentos. São eleitas variáveis a serem observadas em detrimentos de outras tais como: expressões, alterações emocionais e episódios de interação. Por outro lado, pode ocorrer da pesquisa observacional se configurar sem variáveis estruturadas – como em estudos etnográficos (Richardson, 1999). Não Participante-Participante a partir da postura adotada pelo pesquisador na situação que esta sendo observada. Junker (1972)

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descreveu quatro categoria de participação no ambiente observacional. O participante completo que está inteiramente envolvido com os participantes da pesquisa e esconde dos mesmos sua real atividade de observador. Outro tipo é o participante como observador, onde esse já possui ou inicia uma roupagem de identidade substancial no grupo alvo onde esta roupagem é configurada por um envolvimento relativo com o mesmo. Mais um, o observador como participante adentra ao grupo com intuito claro de observar onde sua função como observador é delineada pelo relativo destacamento em relação ao grupo alvo, tento sua postura empática e objetiva enfatizada. Por fim o observador integral configurado pelo destacamento em relação ao grupo a ser estudado, sem algum contato direto com os componentes do grupo no decorrer do trabalho.

Variáveis Importantes
Pesquisadores que fazem uso do método observacional usualmente iniciam seus trabalhos com aspectos comportamentais como: ações, variações de humor, gesticulações e expressões corporais (Gil, 1999). É importante ressaltar que os comportamentos dos sujeitos são, na sua maior parte, acompanhados pela fala. Em função deste dois níveis de variáveis Dallos (2005) propõem que o observador deve fazer uma escolha entre, de um lado, separar de alguma forma fala e comportamento e, por outro, tentar uma analise combinada dos dois. Um aspecto importante que não pode ser negligenciado é que a pesquisa qualitativa atualmente, de forma considerável, se interessa pela análise de materiais oriundos de inúmeras formas de textos de falas. Entretanto, a fala é seguida pelo comportamento e possui muitas características paralinguísticas como tremulações de voz, hesitações, tom, riso, choro ou padrões de fala. Por tanto o método observacional pode ser de suma importância em entrevistas e em outras modalidades de pesquisa onde o substrato é a linguagem (Richardson, 1999).

Perspectivas Teóricas e Observação
Todo ato de observação poder ser entendido e sustentado por um ponto de vista teórico. Os posicionamentos teóricos que pelos quais o método observacional caminha, orientam os pesquisadores

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quanto ao que observar, norteiam a atenção e configuram o significado que se atribui a o que se observa. Na psicodinâmica, as ações observadas são entendidas como dinâmicas de processos internos. Um psicólogo que faz uso de constructos psicodinâmicos concebe o método observacional de forma a procurar indícios comportamentais dessas dinâmicas (Dallos, 2005). Em uma perspectiva comportamental, a observação da ênfase sobre o comportamento em aspectos de intensidade e de freqüência nos estímulos que pode eliciar ou evocar comportamentos, contingências reforçadoras, recompensas e punições na emição de um comportamento (Skinner, 2000). Os psicólogos do desenvolvimento procuram observar variações na percepção dos bebês. A observação é importante para fornecer evidencias de estudos mentais potenciais como atenção e memória. Enfim, o método observacional deve ser compreendido inserido em um modelo interpretativo, pois o alvo da observação bem como o sentido ou significado que se da às observações envolve sempre interpretação.

Esquemas de Codificação
O princípio para qualquer estudo observacional é a definição do alvo da observação. Os esquemas aos quais os estudiosos observacionais fazem uso são chamados esquemas de codificação (Breakwell, Hammond, Smith e Schaw, 2010). Esses esquemas variam de categorias mais genéricas até as altamente estruturadas. O esquema de codificação utilizado varia com as questões de pesquisa propostas pelo estudo. Em determinados casos, é possível existir um esquema de codificação previamente estruturado. Em situações onde a pesquisa é orientada por uma teoria determinada é possível que o pesquisador ache importante utilizar o sistema observacional existente com o intuito de que os resultados sejam compatíveis com os da literatura existente selecionada. Porem, existirá varias situações onde não exista nenhum sistema ou se existe necessita de modificações em função dos propósitos da pesquisa (Gil, 1999).

Observação e Interpretação

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Basicamente o interesse dos pesquisadores que fazem uso do método observacional é observar como os indivíduos se comportam e buscam compreender por que eles se comportam de uma dada maneira. O ponto chave nesse processo é um reconhecimento de que esse interesse faz uso de um posicionamento interpretativo e reflexivo. Russel (1969) entende que em psicologia, a pesquisa observacional norteia-se pelas concepções cientificas das ciências físicas, pontualmente nas idéias de certeza e de preditividade. Porem tais idéias são confrontadas pelas teorias da relatividade, que pontuam a necessidade de se levar em conta a posição do observador e o principio da incerteza que enuncia a observação como transformadora do que esta sendo observado. Este posicionamento relativista torna-se exponencialmente mais complexo quando pisamos no solo da observação de ações humanas. A observação pode ser encarada como um caminhar ativo no qual o que observamos é norteado pela teoria a qual fazemos uso na pesquisa. Somado a isso está os posicionamentos pessoais que o observador traz consigo para a pratica da observação. É muito complicado para o pesquisador excluir um possível viés elaborado por experiências pessoais. Para isso se torna imperativo reconhecer e utilizar nossos próprios vieses para possibilitar um posicionamento mais critico no que se refere aos processos interpretativos (Richardson, 1999). Por fim, necessitamos compreender a grande influencia da linguagem e dos preconceitos culturais além de investigar quais deles são ativados para subsidiar nossas informações. Os dados observacionais são, em grande parte, codificados em linguagem e esse processo, tanto quanto nosso entendimento sobre os fenômenos, serão, por sua vez, influenciados por aspectos culturais. Essa linguagem da forma às crenças e aos comportamentos das pessoas alvo do processo de observação, e a fim de compreender seus comportamentos, e necessário levar isso em consideração.

Considerações Finais
O método observacional possui um longo relacionamento com a pesquisa psicológica. Aludiu-se que é plausível entender o método observacional como um trabalho onipresente que é um elemento importante de outras formas de pesquisa, mas que é, por si só, importante na investigação de uma enorme variedade de fenômenos. Nasce um ponto basal para a psicologia relativa à necessidade de

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desmistificar como os indivíduos se comportam em oposição ao que os mesmos pode verbalizar que fazem, como em pesquisas que se pautam na entrevista. Fundamentalmente, explicitou-se que a pesquisa observacional engloba um componente interpretativo. Tal componente está delimitado na opção das variáveis as quais se procura investigar, nas categorias que decide se fazer uso e na forma que se interpreta os dados. Foi pontuado neste artigo que se utilizarmos em nossas coletas de dados a observação, mesmo em posicionamentos mais estruturados e objetivos, um artifício interpretativo fará parte do resultado. Desta forma, este estudo é partidário de um ponto de vista sobre a observação que admite uma postura interpretativa encorajando, assim, um posicionamento mais flexível, que contribua para integrar as abordagens orientadas por teorias e as exploratórias.

Referências
BREAKWELL, Glynis M. HAMMOND, Sean. FIFE-SHCAW, CHRIS. SMITH, Jonathan A. Métodos de pesquisa em psicologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. GIL, Antonio C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MARCONI, Marina A. LAKATOS, Eva M. Fundamentos de metodologia científica. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2006. RICHARDSON, Roberto J. Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

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RUSSELL, Bertrand. História da filosofia ocidental. 3. ed. São Paulo: Nacional, 1969. SKINNER, Burrhus F. Ciência e comportamento humano. 10. Ed. São Paulo, 2000.

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