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Revista_Vol_32_n_2_2008

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  • SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO DENGUE EM SALVADOR (BA), 2000-2005
  • EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE DANÇA PARA PREVENIR QUEDAS ENTRE IDOSOS
  • SABERES E PRÁTICAS DE PROSTITUTAS ACERCA DOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
  • QUALIDADE DE VIDA: UM INSTRUMENTO PARA PROMOÇÃO DE SAÚDE
  • ANÁLISE DO ABSENTEÍSMO CIRÚRGICO EM HOSPITAL PÚBLICO
  • COMPONENTE LABORATORIAL DA VIGILÂNCIA DA SAÚDE NA BAHIAa
  • CONSTRUÇÃO DE UM ÍNDICE DE MORBIDADE PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICAa
  • ATENÇÃO PRIMÁRIA E O DIREITO À SAÚDE: ALGUMAS REFLEXÕESa

Revista Baiana de Saúde Pública

REVISTA BAIANA DE SAÚDE PÚBLICA Órgão Oficial da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia
EXPEDIENTE

Jacques Wagner – Governador do Estado da Bahia Jorge José Santos Pereira Solla – Secretário da Saúde Isabela Cardoso de Matos Pinto – Superintendente da SUPERH Gesilda Meira Lessa – Diretora da Escola Estadual de Saúde Pública
ENDEREÇO

Rua Conselheiro Pedro Luiz, 171 - Rio Vermelho Caixa Postal 631 CEP 41950-610 Salvador - Bahia - Brasil Tels: 71 3116-5313 Fax: 71 3334-1888 e-mail: saude.revista@saude.ba.gov.br Disponível no site: www.saude.ba.gov.br/rbsp/ Lorene Louise Silva Pinto - SESAB / UFBA Álvaro Cruz - UFBA Carmen Fontes Teixeira - UFBA Joana Oliveira Molesini - SESAB/ UCSal José Carlos Barboza Filho - SESAB/ UCSal Luis Eugênio Portela Fernandes de Souza - UFBA Marco Antonio Vasconcelos Rêgo - UFBA Ana Maria Fernandes Pitta – USP Cristina Maria Meira de Melo – UFBA Eliane Elisa de Souza Azevêdo – UEFS-BA Eliane Santos Souza – UFBA Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho – UFPE Fernando Martins Carvalho – UFBA Heraldo Peixoto da Silva – UFBA Jacy Amaral Freire de Andrade – UFBA Jaime Breilh – CEAS – EQUADOR Jiuseppe Benitivoglio Greco – EBMSP – BA José Tavares - Neto – UFBA Luis Roberto Santos Moraes – UFBA Maria do Carmo Soares Freitas – UFBA Maria do Carmo Guimarães – UFBA Maria Conceição Oliveira Costa – UEFS Maria Isabel Pereira Viana – UFBA Marina Peduzzi – UNICAMP-SP Mitermayer Galvão dos Reis – FIOCRUZ-BA/ UFBA Paulo Augusto Moreira Camargos – UFMG Paulo Gilvane Lopes Pena – UFBA Rafael Stelmach – HC – SP Raimundo Paraná – UFBA Reinaldo Pessôa Martinelli – UFBA Ricardo Carlos Cordeiro – UNESP Ronaldo Ribeiro Jacobina – UFBA Rosa Garcia – UFBA Sérgio Koifman – ENSP/FIOCRUZ Vera Lúcia Almeida Formigli – UFBA Lucitânia Rocha de Aleluia Ivone Silva Figueredo Pamdesign Maria José Bacelar Guimarães Maria José Bacelar Guimarães Lucitânia Rocha de Aleluia Flávio Andrade Gráfica Falcão Periodicidade - Quadrimestral Tiragem - 1.500 exemplares Distribuição gratuita

EDITORA GERAL EDITORES ASSOCIADOS

CONSELHO EDITORIAL

SECRETÁRIA EXECUTIVA BIBLIOTECÁRIA PROJETO GRÁFICO REVISÃO E NORMALIZAÇÃO DE ORIGINAIS REVISÃO DE PROVAS REVISÃO TÉCNICA EDITORAÇÃO IMPRESSÃO

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ISSN: 0100-0233

Governo do Estado da Bahia Secretaria da Saúde do Estado da Bahia

INDEXAÇÃO Periódica: Índice de Revistas Latinoamericanas en Ciências (México) Sumário Actual de Revista, Madrid LILACS - SP - Literatura Latinoamericana en Ciências de La Salud - Salud Pública, São Paulo

Capa: detalhe do portal da antiga Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Solar do Séc. XVIII). Fotos: Paulo Carvalho e Rodrigo Andrade (detalhes do portal e azulejos).
Revista Baiana de Saúde Pública é associada à Associação Brasileira de Editores Científicos

R454

Revista Baiana de Saúde Pública / Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. - v.32, n.2, maio/ago., 2008 Salvador: Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, 2008 Semestral. ISSN 0100-0233 1. Saúde Pública - Bahia - Periódico. I. Título. CDU 614 (813.8) (05)

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Revista Baiana de Saúde Pública

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EDITORIAL ........................................................................................................................................................................ 149 ARTIGOS ORIGINAIS

AVALIAÇÃO DO ACESSO AOS CRIADOUROS DO AEDES AEGYPTI POR AGENTES DE SAÚDE DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO ........................................ 151 Eduardo Dias Wermelinger, Simone Cynamon Cohen, Cláudia Thaumaturgo, Adriano Anselmo da Silva, Francisco Assis França Ramos, Marcos Barbosa Souza, Marcello Barboza de Souza SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO DENGUE EM SALVADOR (BA), 2000-2005 ...................................... 159 Adriana Souza Sampaio EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE DANÇA PARA PREVENIR QUEDAS ENTRE IDOSOS ........................... 168 Norberto Pena, João Lima Barbosa, Joana Carneiro Lima Fraga, Márcia Mattar, Carla Leite SABERES E PRÁTICAS DE PROSTITUTAS ACERCA DOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS ........................... 177 Raimunda Magalhães da Silva, Maria Alix Leite Araújo, Cristina Medeiros Pessoa, Manuela Pontes de Moraes INADEQUAÇÃO NO CONSUMO ALIMENTAR E FATORES INTERFERENTES NA INGESTÃO ENERGÉTICA DE IDOSOS MATRICULADOS NO PROGRAMA MUNICIPAL DA TERCEIRA IDADE DE VIÇOSA (MG) ..................................................................................................... 190 Wilson César de Abreu, Sylvia do Carmo Castro Franceschini, Adelson Luiz Araújo Tinoco, Conceição Angelina dos Santos Pereira, Margarida Maria Santana Silva AVALIAÇÃO DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA E HIGIÊNICO-SANITÁRIA DA ÁGUA DE COCO COMERCIALIZADA EM CARRINHOS AMBULANTES NOS LOGRADOUROS DO MUNICÍPIO DE TEIXEIRA DE FREITAS (BA) ............................................................................................... 203 Danielle Barros Silva Fortuna, Jorge Luiz Fortuna AVALIAÇÃO DA QUALIDADE SANITÁRIA DOS RÓTULOS DE ALIMENTOS EMBALADOS DE ORIGEM ANIMAL ........................................................................................................... 218 Augusto Amorim Bastos, Maria Helena Belinello, Tatiana Carla C. Saraiva, Ana Cristina Souto QUALIDADE DE VIDA: UM INSTRUMENTO PARA PROMOÇÃO DE SAÚDE ........................................... 232 Maryane Oliveira Campos, João Felício Rodrigues Neto ANÁLISE DO ABSENTEÍSMO CIRÚRGICO EM HOSPITAL PÚBLICO ......................................................... 241 Vagner Oliveira Bomfim, Juliana Bomfim de Carvalho Ferreira EVOLUÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE BUCAL NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DO MUNICÍPIO DO RECIFE (PE) NO PERÍODO DE 2001 A 2007 .................................................................. 253 Fernando Castim Pimentel, Petrônio José de Lima Martelli, José Luiz do Amaral Correa de Araújo Junior, Ângela Siqueira Lima, Vanessa Gabriele Diniz Santana, Cícera Lissandra Sá Vieira Macedo COMPONENTE LABORATORIAL DA VIGILÂNCIA DA SAÚDE NA BAHIA ............................................... 265 Leila Ramos, Edna Pagliarini UTILIDADE DO PPD EM VACINADOS COM BCG: ANÁLISE DE 3.227 CONTACTANTES INFANTIS DE TUBERCULOSE PULMONAR ........................................................................................................................ 273 Leonardo Vejar, José Ângelo Rizzo, Almerinda Silva, Débora Schorr, Décio Medeiros, Emanuel Sarinho CONSTRUÇÃO DE UM ÍNDICE DE MORBIDADE PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA ......... 282 Lauro Antonio Porto, Nelson Fernandes de Oliveira, Fernando Martins Carvalho, Tânia Maria de Araújo
ENSAIO

ATENÇÃO PRIMÁRIA E O DIREITO À SAÚDE: ALGUMAS REFLEXÕES ..................................................... 297 Marluce Maria Araújo Assis, Augusto Araújo Assis, Erenilde Marques de Cerqueira

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da gestão e do cuidado. mas é o caminho para uma classificação como periódico Qualis A Internacional. interdisciplinar. Nos últimos anos. pelo Ministério da Saúde. e indexada na base Lilacs (Bireme). Ao instituir este processo de classificação. caminho para a indexação na base Medline (importante base de dados internacional para revistas de medicina e área de saúde) e Scielo (importante base Latino-americana). o que esperamos ocorrer no ano de 2009. relacionadas à vigilância à saúde. medicina I. transformando em artigos o resultado do processo de trabalho. Os periódicos classificados neste sistema gozam. Isto nos faz convidar nossas Universidades e seus programas de pós-graduação para encaminhar-nos as publicações de suas pesquisas. possibilitando que a única revista de saúde pública do nordeste indexada na base Lilacs possa vir a ser classificada num futuro breve como periódico Qualis A internacional. de seus programas de pós-graduação. mas estamos a caminho. enfermagem. Questões de natureza epidemiológica. Neste número a RBSP está fortalecida pela diversidade dos temas de seus artigos e por sua procedência de tantas outras regiões do território brasileiro. A RBSP é divulgada no portal de periódicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Não é o ideal para os meios acadêmicos. Situação Epidemiológica do Dengue em Salvador (BA) 2000-2005. Para tanto. junto aos meios acadêmicos. Avaliação da Qualidade 149 . Da mesma forma. requer maior participação dos serviços de saúde. sendo uma revista da Secretaria de Saúde do Estado. concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e concebido como sistema de avaliação da divulgação da produção intelectual dos docentes e discentes dos programas de pós-graduação. É bem verdade que falta muito.Revista Baiana de Saúde Pública E D I T O R I A L Dentre os ganhos obtidos pela Revista Baiana de Saúde Pública (RBSP) nos últimos anos destaca-se sua classificação como periódico Qualis. A RBSP também está classificada pela Capes como periódico Qualis B nacional nas áreas de avaliação. Inadequação no Consumo Alimentar e Fatores Interferentes na Ingestão Energética de Idosos Matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade de Viçosa (MG). Aumentar a freqüência de nossas publicações requer mais participação de nossas Universidades. temos superado a marca de ser apenas uma revista regional. a cada número somam-se mais artigos científicos dos diversos estados do Brasil. medicina II e saúde coletiva. de grande reconhecimento pela divulgação da produção intelectual e científica dos meios acadêmicos. o primeiro passo será a publicação trimestral. especificamente junto aos programas de pós-graduação. são tratadas nos artigos intitulados: Avaliação do Acesso aos Criadouros do Aedes Aegyti por Agentes de Saúde do Programa de Saúde da Família do Município do Rio de Janeiro. a Capes quer oferecer importante fonte de informação para as diferentes áreas do conhecimento. com suas experiências exitosas nas áreas da vigilância à saúde.

e no ensaio Atenção Primária e o Direito à Saúde. Discute questões de promoção da saúde nos artigos: Evolução da Assistência em Saúde Bucal na Estratégia de Saúde da Família do Município de Recife (PE) no Período de 2001 a 2007. José Carlos Barboza Filho Editor Associado 150 . Debate ainda a prevenção de quedas entre idosos no artigo Eficácia de um Programa de Dança para Prevenir Quedas entre Idosos e métodos contraceptivos no texto Saberes e Práticas de Prostitutas Acerca dos Métodos Contraceptivos. Avaliação da Qualidade Sanitária dos Rótulos de Alimentos Embalados de Origem Animal. Traz ainda matérias que têm como título: Componente Laboratorial da Vigilância da Saúde na Bahia. Análise do Absenteísmo Cirúrgico em Hospital Público e Construção de um Índice de Morbidade para Professoras da Educação Básica.227 Contactantes Infantis de Tuberculose Pulmonar.Microbiológica e Higiênico-sanitária da Água de Coco Comercializada em Carrinhos Ambulantes nos Logradouros do Município de Teixeira de Freitas (BA). Utilidade do PPD em Vacinados com BCG: Análise de 3. Qualidade de Vida: um Instrumento para Promoção de Saúde.

Dos domicílios visitados 40% apresentaram alguma restrição de acesso para verificar a existência de criadouros. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca.3%.32. a pendência foi de 45. a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). caixas d’água e entulhos domésticos impedem que os ACS identifiquem parte dos criadouros. podendo comprometer a eficácia do PSF no controle do Aedes aegypti. em geral. A pendência foi de 33. eduardo. p. n.8% dos domicílios são visitados na maioria das tentativas.fiocruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. 15. Centro de Controle Vetores (CCV). observando a pendência e as demais dificuldades de acesso. sugerindo que os ACS podem ajudar na redução das pendências. Lab Vetores.5% não são visitados na maioria das tentativas e 27% nunca são visitados (domicílios fechados ou moradores nunca encontrados).2. nas lajes.4%.151-158 maio/ago. PSF .wermelinger@gmail. edw@ensp.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL AVALIAÇÃO DO ACESSO AOS CRIADOUROS DO AEDES AEGYPTI POR AGENTES DE SAÚDE DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Eduardo Dias Wermelingera Simone Cynamon Cohenb Cláudia Thaumaturgob Adriano Anselmo da Silvac Francisco Assis França Ramosd Marcos Barbosa Souzaa Marcello Barboza de Souzae Resumo Neste estudo foi investigada a capacidade do Agente Comunitário de Saúde (ACS) do Programa Saúde da Família (PSF) de verificar a existência de criadouros do Aedes aegypti no município do Rio de Janeiro.com b Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental. e Centro Municipal de Saúde Lincoln de Freitas Filho. c d v. Em aproximadamente 50% há algum tipo de entulho domiciliar que dificulta a vistoria de criadouros. às lajes e caixas d’água. Sem a companhia dos ACS. Palavras-chave: Acesso. Criadouros. Santa Cruz. Foram percorridos 133 domicílios na companhia dos ACS. Centro Universitário Plínio Leite (UNIPLI).6% desses domicílios sempre são visitados. Concluiu-se que as restrições de acesso encontradas nas pendências. Nova Iguaçu. 2008 151 . Departamento de Ciências Biológicas. 7. Aedes aegypti. 49.br. Na rotina dos ACS.

ACCESS EVALUATION TO THE AEDES AEGYPTI BREEDING SITES BY COMMUNITY HEALTH AGENTS IN RIO DE JANEIRO CITY´S FAMILY HEALTH PROGRAM Abstract The accessibility to Aedes aegypti breeding sites in the urban environment was investigated in a community attended by the family health program (Programa Saúde da Família. Key words: Accessibility. Estudos sugerem que as equipes do PSF auxiliam no ganho de conhecimento e diminuição de recipientes nas comunidades. por sua vez. Access restrictions in pending cases.2 A eficiência no controle da dengue depende da redução dos focos do vetor que. a atuação do Programa Saúde da Família (PSF) tem sido reivindicada como uma ferramenta no combate e prevenção da dengue. Aedes aegypti. in roof terraces. PSF) community agents (CHA) in the city of Rio de Janeiro. in general. In approximately 50% of houses. In the CHA routine.3 %. 49. Breeding sites. depende das vistorias nas edificações para identificar os locais propícios para acumular água e servir de criadouros das larvas do vetor Aedes aegypti (Diptera. Among houses visited by CHA. in water tanks and in domestic stored materials inhibit CHA from locating part of breeding sites. 7.1 embora a eficiência dessas equipes no combate e prevenção à doença seja pouco conhecida.5% are not visited in great part of the attempts and 27% are never visited (either closed or residents never found). A realização dessas vistorias é preconizada no PNCD1 e fundamental para alcançar as metas estabelecidas. Culicidae). Nos debates e declarações ocorridos durante o recente surto de dengue no Rio de Janeiro. A participação das equipes do PSF no combate ao vetor já é defendida no Programa Nacional de Controle da Dengue (PNDC). 15. roof terraces and water tanks.6% of houses are always visited. Pending cases amounted to 45. Pending cases amounted to 33. INTRODUÇÃO Os números de casos de dengue no Brasil têm mostrado a necessidade de rever as estratégias de combate ao vetor.8% are visited in great part of the attempts.4%in the absence of the CHA. some stored material not protected from water rain was found which made inspection for possible vector breeding site difficult. A total of 133 houses in the company of the CHA were visited. possibly compromising the effectiveness of PSF on vector control in the area. As dificuldades de acesso aos focos do vetor nas edificações comprometem a identificação dos 152 . observing pending (not visited) and other accessibility cases. 40% presented some access restriction for inspection of breeding sites.

podendo ter elevadas taxas de imóveis fechados em alguns bairros. essas dificuldades têm sido pouco consideradas na busca de estratégias alternativas para seu enfrentamento. O potencial dos ACS como facilitadores no acesso aos criadouros pode ser uma estratégia útil que ainda não foi investigada. O objetivo deste estudo foi observar a capacidade dos ACS de acessar e verificar a existência de focos e suplantar as pendências em uma área atendida pelo PSF.10. coleta de lixo e atendimento das equipes do PSF. em particular domicílios. v. No Rio de Janeiro.6.12. as pendências se acentuam em determinados períodos. Espera-se que a familiaridade dos agentes de saúde com as comunidades facilite o acesso aos focos e reduza as pendências. fechados ou que ofereçam resistências.9 que merecem especial atenção devido a seu elevado potencial produtivo como criadouros. em função da ocupação ocasional. MATERIAL E MÉTODOS Foi investigada a comunidade do Barro Vermelho. como Paquetá (46. Nas cidades com características para veraneio. não diferindo muito das cidades de São Paulo e Belo Horizonte. 2008 153 . telefone.7 Nesse sentido. n.2.151-158 maio/ago.8 O acesso aos criadouros pode ser limitado também dentro dos domicílios. Esta ocorrência é registrada em várias cidades brasileiras. cujos proprietários não são encontrados ou impedem o trabalho dos agentes responsáveis pelo combate ao mosquito. em particular as lajes e caixas d’água. com índices que variam de 12%3 a taxas superiores a 70%4. município do Rio de Janeiro. p.5 O PNCD reconhece a importância das pendências como entrave ao sucesso das metas reconhecidas pelo programa assim como outros pesquisadores.13 Apesar do reconhecimento das pendências e restrições de acesso como obstáculo ao controle do vetor. Elas podem variar também dentro das grandes cidades em função do padrão de ocupação. atendida pelo PSF. representando um sério obstáculo para a eficiência das ações de controle. Grande parte dessa dificuldade está presente nas edificações fechadas.8%). As ruas são pavimentadas e com rede de iluminação.Revista Baiana de Saúde Pública criadouros. mas com grandes diferenças dentro da cidade. bairro de Santa Cruz.11.32. denominada de pendência. o senso de 2000 apontou para uma média histórica de desocupação de imóveis de 13%. abastecimento de água. Criadouros não encontrados são desconhecidos para a população e podem ser a principal causa dos constantes índices elevados de infestação do vetor a despeito dos esforços de controle. o PNCD preconiza a utilização de instrumento normativo legal na ação do Poder Público municipal e estadual na execução das atividades de prevenção e controle da dengue para garantir o acesso dos agentes de controle nos imóveis abandonados. A ocupação dessa comunidade teve origem em 1988 e conta com serviços de luz.

o acesso a toda a área construída foi anotada. Quando o sucesso era parcial. 7. a cada residência. todos de domicílios. 47. estimava-se uma população aproximada de 480 pessoas na área estudada. os ACS declararam que 49. 64. perguntava-se se os moradores eram encontrados na maioria ou minoria das visitas (sucesso na maioria ou minoria das vezes). às lajes e caixas d’água. 16. 15. 4. Nos domicílios visitados.5% raramente conseguem ser visitados (sucesso na minoria das visitas). contendo 133 endereços. e 27% nunca são visitados (nenhum sucesso). telhado ou caixa d’água.0% declararam renda abaixo de 2 salários mínimos. os agentes chamavam os moradores e.500 m2.0% com emprego informal. à laje.9% com emprego formal. se é parcial (nem sempre são encontrados) ou se não existe sucesso (os moradores nunca são encontrados ou a casa está fechada). os domicílios não foram acessados devido ao logradouro estar desocupado ou porque os moradores não foram encontrados. com exceção apenas de um exclusivamente comercial.8% estão desempregados.3% em companhia dos ACS e de 45. As visitas ocorreram entre 9 e 12 horas. anotando-se a taxa de sucesso em encontrá-los segundo os critérios: se o sucesso é total (sempre são encontrados). Em 40% dos domicílios visitados com os ACS foi encontrada alguma restrição de acesso dentro da casa. foram percorridas todas as edificações em uma área aproximada de 27. provavelmente.8% desempenham outras atividades.4% na ausência dos ACS.6% sempre conseguem ser visitados em suas visitas (sucesso total). Na companhia dos ACS. 14. A comunidade do Barro Vermelho possui um histórico da dengue com 52 casos notificados de janeiro a julho de 2007. com e sem a companhia dos ACS do PSF. em particular. Como em todo o Barro Vermelho. sendo 3 casos situados no perímetro da área de estudo. os ACS foram questionados sobre o número de vezes que encontraram os moradores durante suas atividades rotineiras.8% são visitados na maioria das tentativas (sucesso na maioria das visitas). (dados fornecidos pela equipe do PSF). Todos os 133 endereços foram percorridos por dois autores deste trabalho em dois momentos. entre os que disseram ter renda. Em aproximadamente 50% dos 154 . Em sua maioria. Dessa população. Não foram observadas recusas. tais como empregadores. RESULTADOS A pendência foi de 33. por estarem trabalhando.3% são pensionistas ou aposentados e 16. a ocupação tem crescido desordenadamente no espaço urbano e.Dentro dessa comunidade. Do total dos domicílios (133). biscateiros etc. em geral. para comparar as pendências desses dois momentos. no ano de 2007.

com armadilhas. estima-se que 1. pelas limitações das armadilhas e pelas próprias restrições de acesso na área. Nesse município. v. em especial as pendências.151-158 maio/ago. o combate às pendências nas grandes cidades brasileiras. a orientação dos agentes responsáveis pelo monitoramento e controle do vetor no município do Rio de Janeiro é não entrar onde for detectado conflito. DISCUSSÃO Os resultados apontam as restrições de acesso na tarefa de investigar os locais que possam acumular água e. tais como: sobras de materiais de construção. eletrodomésticos etc. a pendência observada nas visitas com a presença dos ACS foi menor do que a observada sem o acompanhamento dos ACS. não seria possível ter a noção da quantidade de possíveis focos ou macrofocos (criadouro com elevada produtividade). Entretanto a eficácia do monitoramento pode ser reduzida pela elevada complexidade do espaço urbano. conseqüentemente.14 Nesses casos. sugerindo que estes podem auxiliar na redução desse evento. foi encontrada alguma quantidade de material guardado como entulho. requer um aparato jurídico e administrativo adicional difícil de conseguir e operar com agilidade satisfatória. em geral no quintal. reduzindo receios e desconfianças. servir de criadouros para o Aedes aegypti.8 No entanto. Os ACS são capazes de reduzir a pendência em função de sua familiaridade com os moradores. peças automotivas. n. o instrumento legal é a única estratégia para enfrentar as pendências.2. sem proteção das águas das chuvas. Essas limitações ao sistema de monitoramento podem oferecer dados populacionais difíceis para se analisar e detectar macrofocos “escondidos” pelas pendências. a restrição de acesso não é somente a um percentual de domicílios. em muitos casos. Entretanto.5 milhões de moradores de favelas vivem sob o regime de “leis” impostas por esses grupos. principalmente se esta ocorrência for elevada. 2008 155 . Já nas áreas onde existem conflitos decorrentes de grupos armados do tráfico ou de milícias. não foi possível conhecer a totalidade dos criadouros existentes na área percorrida. Somente um sistema eficaz de monitoramento da população do vetor. que possam existir nos domicílios fechados. mediante o uso de instrumentos legais. disponibilizando e preconizando a utilização de instrumento legal específico. Projetar os resultados observados nos domicílios visitados sobre os não visitados (pendências) não seria útil porque são realidades diferentes. objetivou também reduzir os índices de pendências a menos de 10%. ferramentas. Apesar de não haver recusas.Revista Baiana de Saúde Pública domicílios visitados. facilitando a abordagem e a recepção. p. O PNCD1 assumiu como meta reduzir a menos de 1% a infestação predial e. mas a comunidades inteiras. lixo para reciclagem. poderia apontar a existência de possíveis macrofocos nesses domicílios fechados. para isso. Assim.32. utensílios. Devido a essas restrições. a despeito dessas limitações.

não raro emprestadas de vizinhos. Nos entulhos domiciliares foram encontrados diferentes tipos de materiais. onde é comum estarem instaladas as caixas d’água. esses entulhos são preservados porque possuem algum valor econômico. Escadas fixas só são construídas quando se planeja ampliar a residência com mais um andar. com a mobilização do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e Programa de Saúde da Família (PSF)”. Contudo. seja de imediato ou não. CONCLUSÕES Os resultados permitem concluir que as dificuldades de acesso encontradas na pendência de 33.10-13 Muitas vezes o acesso às lajes é esporádico e. visto que podem aprimorar as informações nas comunidades sobre o combate2. ferramentas.9 Em sua maior parte essas restrições estão nas lajes. tais como sobras de materiais de construção.. peças automotivas.1:4 No programa. raramente protegidos das águas das chuvas e. em particular às lajes e caixas d’água.O PNCD preconiza “[.3%. Em geral estão no lado de fora dos cômodos internos.] a integração das ações de controle da dengue na atenção básica. cabe aos ACS atuar nas ações educativas de prevenção e controle da dengue. Não obstante os moradores reconhecerem que servem de abrigos e focos para mosquitos e roedores. quando necessário. é obtido por escadas comumente confeccionadas de madeira. lixo para reciclagem. eletrodomésticos etc.. O número elevado de domicílios que possuem algum tipo de entulho (50%) também merece ser apontado. Concluiu-se também que os ACS podem contribuir na redução das pendências. A restrição de acesso às caixas d’água preocupa em função da elevada produtividade de mosquitos que as caixas d’água e reservatórios de água podem oferecer nos domicílios. não permitem uma boa vistoria para a identificação de acúmulo d’água até mesmo para os próprios moradores. como também fomentar a participação dos moradores na eliminação dos fatores de risco para criadouros. 156 . Esse fato é relevante em uma população em que 64% têm renda declarada abaixo de 2 salários mínimos e estima-se que 47% são desempregados. nas ações de assistência aos pacientes e no auxílio do sistema de vigilância por meio da notificação imediata da ocorrência de casos. o potencial de ajuda dessas equipes no combate do vetor merece ser investigado. podendo comprometer a eficácia do PSF na redução dos índices de infestação do Aedes aegypti na área. utensílios diversos. comumente. a despeito das dificuldades da adesão da população e da atuação dos agentes.15 O percentual de 40% de casas com alguma restrição de acesso também é relevante e reforça a preocupação dessa restrição no combate à dengue. e nos entulhos da metade dos domicílios impedem que os ACS identifiquem parte dos criadouros. nas restrições de acesso às casas visitadas (40%). Os ACS podem não somente ajudar na redução das pendências.

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Foram baixos os percentuais de isolamento viral.159-167 maio/ago.34%. Concluiu-se que a dengue ainda se apresenta como grave problema de saúde pública para o município. THE EPIDEMIOLOGIC SITUATION OF DENGUE IN SALVADOR (BA). Pituba. Palavras-chave: Epidemiologia. Os distritos de maiores incidências foram Liberdade e Itapagipe.32. Edf.com v.088. As faixas etárias mais atingidas foram 15 a 24 e 25 a 34. Endereço para correspondência: Rua Sargento Astrolábio. março e abril. Apto. and serious in the hemorrhagic form. This study aims at investigating the epidemiologic behavior of Dengue in Salvador from 2000 through 200. Em toda a série. 303.2. aguda. na forma clássica. CEP: 41. A mortalidade e a letalidade apresentaram baixas taxas. O IIP se manteve elevado. merecendo especial atenção das autoridades no que se refere a seu controle. 2008 159 . Em todos os anos o maior percentual de cura/alta foi 82. com base em dados secundários.25 a 8. e grave na forma hemorrágica. of viral etiology and benign evolution in the classical form. Dengue. Trata-se de um estudo descritivo. variando de 0. Tel (71) 3240-6827 / 9971-3026.16% foram reagentes. 21. making use of a retrospective and descriptive methodology a Faculdade de Enfermagem. O maior número de casos confirmados foi por vínculo-epidemiológico. 2000-2005 Adriana Souza Sampaioa Resumo O dengue é uma doença febril.810-340. encontrou-se que o ano de maior incidência do dengue foi 2002 (1. Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Água Cristalina.50%.90/1000. O objetivo deste estudo é conhecer o comportamento epidemiológico do dengue em Salvador de 2000 a 2005. retrospectivo. Salvador. p. de etiologia viral e de evolução benigna. drica_hitz@hotmail. 2000-2005 Abstract Dengue is a feverish acute disease. A transmissão se faz pela picada do Aedes aegypti. Disease transmission is through the bite of Aedes Aegypti mosquito. A população de estudo foi o total de casos registrados no SINAN entre 2000 e 2005. 80.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO DENGUE EM SALVADOR (BA). Das amostras examinadas. Salvador. n.000 hab) e os meses de maior ocorrência foram fevereiro. BA. As ações de combate devem ser intensificadas e aperfeiçoadas para que se alcance maior efetividade.

quando ocorreu o isolamento.16/100. onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti. a tendência bienal modificou-se devido à rápida disseminação do vírus por diversos 160 . geralmente associadas com a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente indenes. IIP level was kept high.90/100. “Desde então. Dengue is still a serious health problem for the city.16% were reactive. the year with greatest dengue occurrence was 2002 (1.20% respectively. INTRODUÇÃO O dengue como problema de saúde pública vem preocupando as autoridades sanitárias em virtude de sua circulação nos cinco continentes e do grande potencial para causar formas graves e letais. Combat actions must be intensified and improved to be more effective.888.2 Uma segunda onda foi registrada nos dois primeiros anos da década de 1990.583. A partir de 1994. no Rio de Janeiro. Age ranges more affected were: 15-24 (24. DEN-2. In the whole series. Dengue.000 inhabitants respectively. é um Arbovírus (vírus transmitido por inseto) e possui quatro sorotipos: DEN-1. DEN-3 e DEN-4.00 hab) e Rio de Janeiro (613. em Niterói (RJ).37%).42 and 19.5%. o vírus do dengue. o qual provocou a primeira epidemia de dengue hemorrágica. Mortality rate was low. Out of the total examined samples. Greatest cure rate was 82. atingindo o Rio de Janeiro e algumas capitais do Nordeste. Districts with higher incidence were Liberdade and Itapagipe with 1. Salvador.”1:207 Na década de 1990 houve uma significativa disseminação do Aedes aegypti no Brasil. Study population comprises total registered cases in SINAN from year 2000 to year 2005. aguda. deserving special authorities’ attention regarding its control. pela primeira vez no país.000 people).2 Em 1986. É uma doença febril. em 1981.088. principal mosquito vetor”.000 hab).91%) and 25-34 (54. the months with greatest occurrencebeing February. o dengue vem ocorrendo no Brasil de forma continuada. O agente etiológico. March and April. de etiologia viral e de evolução benigna na forma clássica e grave quando se apresenta na forma hemorrágica.50 and 1. Key words: Epidemiology.25% and 8. with 24. e o primeiro surto documentado clínica e laboratorialmente ocorreu em Boa Vista (RO). intercalando-se com a ocorrência de epidemias. 40. do sorotipo DEN-2. “Dissemina-se especialmente nos países tropicais.34% in a single year. 21.1:203 O primeiro relato não confirmado sobre a ocorrência do dengue no Brasil foi em 1923. nova epidemia volta a ocorrer.based on secondary data. Viral isolation percentage levels were low.8/100. com maiores riscos nos estados do Ceará (249. between 0.1/100. The greatest number of confirmed cases was through epidemiologic link.15. com circulação dos sorotipos 1 e 4.

com a introdução do DEN-2. o objetivo da pesquisa é analisar o comportamento epidemiológico do dengue no município de Salvador de 2000 a 2005 e avaliar alguns indicadores da vigilância epidemiológica desta doença. já isolado. Só não houve registro de casos no Acre e no Amapá.2.5 Após a reincidência do vírus na Bahia.7 Este estudo tem sua importância por abordar um dos grandes problemas de saúde pública em vários países do mundo. com incidência nove vezes maior quando comparada ao ano de 1994.8/ 100. a Secretaria de Saúde do município poderá estar utilizando as informações e divulgando os achados afim de enriquecer o saber sobre o tema às comunidades leiga e científica.000 habitantes. tanto para o estado (502/100.1/100.4:7 As ações de vigilância e controle de doenças transmissíveis têm como base a detecção precoce de casos. O pico epidêmico ocorreu em 1996 e em seguida observou-se um declínio. 2008 161 . em 1994. além do DEN-2.3 A partir de 1994. Nessa perspectiva. enquanto a do estado foi de 259/100. ocorreu em 1998. Voltou a ser detectado em 1994.000 habitantes. v. então.7/100. a primeira epidemia de dengue foi detectada em 1987 e o sorotipo identificado foi o DEN-1.000 hab) enquanto a do país foi de 345.4 Na Bahia. Salvador sofreu explosiva epidemia nos quatro primeiros meses de 1995. observadas desde sua reemergência.4 “[. à deficiência dos sistemas de vigilância epidemiológica local em diagnóstico precoce e orientação de medidas de combate vetorial.] em 1996 registra-se a mais alta taxa de incidência de todo o período. A terceira onda. n. em 1981. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul somente foram registrados casos importados. Após realização desta pesquisa e obtenção dos resultados.32.000)”. O estudo poderá ainda servir de respaldo para o aprimoramento e redirecionamento de medidas de prevenção e controle do dengue. a região Nordeste passou a apresentar taxas muito superiores à média nacional.Revista Baiana de Saúde Pública estados e municípios. visando o processo de decisão-ação..000 habitantes. Em torno de 90 dias houve completa eliminação do vetor e o vírus saiu de circulação. p. atingindo em 1998 seu pico máximo (564.6 deve-se.. devido ao fato de coletar dados recentes sobre a morbidade da doença e áreas de risco. Em 1997. o sorotipo do DEN-1 também passou a circular intensamente. A deficiência no impacto das ações de vigilância e controle do dengue.000) quanto para Salvador (1423/100. além da grande capacidade de adaptação do mosquito transmissor e velocidade de circulação dos sorotipos do vírus. devido a sua magnitude e transcendência.159-167 maio/ago. quando a taxa de incidência atingiu 518.

A população de estudo foi constituída pelo total de casos registrados no SINAN no período de 2000 a 2005. Os dados foram coletados no setor de informação da 1º Diretoria Regional de Saúde (1º DIRES).52/100.446 casos. No ano seguinte a curva se modifica novamente. evolução do caso. sendo registrado um total de 27. indicando a ocorrência de uma epidemia para o período.673. dentre outros. segundo o censo de 2005 (IBGE). a vigilância entomológica do dengue. proporção de casos por faixa etária e sexo. quando comparados aos outros meses da série. mediante o envio do projeto contendo o termo de consentimento livre e esclarecido. O local de estudo foi o município de Salvador. Os achados foram apresentados sob a forma de quadros e gráficos para análise e discussão dos resultados.088.000 hab. com base de dados secundários dos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). classificação final. No mês de janeiro os percentuais de casos foram baixos em todos os anos. ocupação.45 a 9. pelo programa SINAN. dentre outros. resultado de exame sorológico. Em fevereiro os valores 162 . sexo. a incidência regride a seu nível mais baixo com 9.MATERIAL E MÉTODOS Estudo descritivo.000 hab). com um pequeno aumento da incidência. identificação do sorotipo. escolaridade.90/100. PCR. letalidade e mortalidade anuais. critério de confirmação. variando de 2. Foram contemplados os princípios da Resolução 196/96. Em 2004. idade. raça/cor. o qual foi previamente assinado pela diretora da 1º DIRES. retrospectivo.560. incidências por Distritos Sanitários e a distribuição mensal dos casos de dengue em Salvador. Mediante os relatórios do SINAN foram analisados os principais indicadores epidemiológicos sob a forma de taxas e proporções: coeficiente de incidência.74%. O SINAN foi implantado no país em 1993 e é composto de dois instrumentos de coleta padronizados. Alguns desses elementos são: município da notificação. isolamento viral. 2002 foi ano de maior incidência do dengue (1. autorizando a coleta de dados. e para efeito das ações de saúde está dividido em doze Distritos Sanitários com área de abrangência definida. Foram analisados também os critérios de confirmação. RESULTADOS Avaliando-se as incidências registradas para o município de Salvador. que tem uma população estimada em 2. que contêm os elementos necessários ao conhecimento da situação epidemiológica: a Ficha Individual de Notificação (FIN) e a Ficha Individual de Investigação (FII). Estes dados foram trabalhados em planilhas no Word e Excel.

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começaram a se elevar, exceto em 2005, cujo percentual foi igual a 1,67%. De junho a dezembro de 2000 a 2004, todos os percentuais foram baixos, exceto em junho de 2004 (13,77%) e outubro de 2000 (13,56%). O mes de março apresentou altos percentuais em todos os anos, exceto em 2005 (6,44%). No mes de abril, os valores reduziram, menos em 2004, que permaneceu elevado (16,60%). O ano de 2005 apresentou os maiores valores nos meses de julho, agosto e setembro, com variação de 10,26 a 16,47%, mudando o perfil esperado. No mes de maio, os percentuais foram elevados em 2000, 2001 e 2004, com valores entre 12,63% e 17,41%. A análise da série histórica, evidenciou um padrão definido para os meses de fevereiro, março e abril. Em 2000, a maior incidência foi encontrada no Distrito da Liberdade (233,68/ 100.000 hab), seguido do Distrito de Brotas (58,32/100.000). Nos demais, as incidências estão abaixo de 22,89/100.000 (Itapoan), com incidência mínima de 2,43/100.000 hab, em Cajazeiras. Em 2001, para 91,7% dos distritos, as incidências aumentaram, exceto para o Distrito da Liberdade, no qual houve uma redução, passando para 118,59/100.000 hab. Em 2002 as incidências apresentadas caracterizam a instalação de uma epidemia explosiva, variando de 376,53 (Cajazeiras) a 1.888,59/100 000 hab (Liberdade). Nos demais anos as incidências declinaram, apenas o Distrito do Subúrbio Ferroviário não acompanhou este padrão, apresentando, em 2003, incidência de 117,79/100.000 hab, próxima a do ano anterior à epidemia. Em 2001, o IIP foi o mais alto de toda série histórica (7,5%), sendo a incidência no mesmo ano de 88,58/100.000 hab. Provavelmente, este índice não foi determinante de uma epidemia pelo fato dos sorotipos DEN-1 e DEN-2 já estarem circulando de forma endêmica desde 1997, o que aumentou a imunidade de grupo para estes dois sorotipos, diminuindo quantitativamente os susceptíveis. Em 2002, apesar de o IIP ter diminuindo significativamente (2,2%), atingindo o menor percentual da série, o dengue se apresentou com explosiva epidemia (incidência de 1.088,90/100.000 hab), provavelmente devido à introdução do sorotipo DEN-3. Em 2003 e 2004 os IIP diminuíram progressivamente, assim como as incidências nestes dois anos. Em 2005, o índice voltou a aumentar (4,0%) o que se associou ao aumento da incidência para o mesmo ano. Os dados referentes ao índice de infestação predial do ano de 2000 não foram encontrados. Com referência à distribuição por faixa etária, os dados foram analisadas com base no total de casos ocorridos em todo o período. Foi observado que a doença atinge maior proporção na faixa etária de 15 a 24 e 25 a 34 anos, com percentuais bem próximos, 24%, 91% e 24,26%, respectivamente. Foi significativo também o percentual na faixa etária de 35 a 44 anos (16,77%). Nas faixas extremas — menores de 1 ano, 1 a 4 anos e idosos — os percentuais foram baixos; os valores não ultrapassaram 5%.

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O sexo mais atingido pelo dengue foi o feminino, com 17.412 casos registrados, o que representa 54,37% dos casos em todos os anos estudados. Porém é significativo o percentual de 44,49% de casos ocorridos no sexo masculino. A diferença entre os percentuais não apresentou um intervalo muito grande. Na série estudada, a maior taxa de mortalidade foi observada em 2002, com 0,35/ 100.000 hab, representando um total de 9 óbitos. Em 2000 e 2003 não foram registrados óbitos por dengue neste município. Em 2004 e 2005 as taxas foram iguais: 0,07/100.000 hab. Assim como a mortalidade, a letalidade também se apresentou com baixas taxas, sendo a maior delas 0,81%, registrada no ano de 2004. Em 2000 e 2003 não houve registro de óbitos. Nos demais anos as taxas estão abaixo de 0,50%. Do total de 32.023 casos registrados no período, 91,88% não foram confirmados; estão no sistema como casos ignorados/branco. Confirmados por laboratório, o percentual foi igual a 3,26. A confirmação por vínculo epidemiológico foi igual a 4,86%, um pouco mais elevado do que a confirmação laboratorial, ambos com valores pouco significativos. Do total de casos registrados em toda a série (32.023), foram realizados pelo LACEN 4.250 sorologias, o que dá um percentual de 13,27% de exames realizados. Das amostras examinadas encontrou-se um percentual de exames reagentes de 21,55%. Os anos de 2002, 2003 e 2004 foram os que apresentaram os maiores percentuais de positividade, com valores oscilando entre 15,11% e 38,82%. Em 2005 foi um pouco mais baixo; 12,00%. Os dados do LACEN foram bem maiores do que os registrados no SINAN em todo o período; encontraram-se registros de 35 sorologias no SINAN. Na série estudada, foram baixos os percentuais de isolamento viral realizado, com variação de 0,25% (2000) a 8,50% (2004). Também foram baixos os percentuais de casos em que o isolamento viral não foi realizado; em 2000 e 2001 não houve registros. Em 2004 e 2005 os valores se elevam: 45,34% e 62,77%, respectivamente. Os percentuais mais elevados foram para os casos ignorados/branco, com percentual de até 99,75% (2000). Os dados referentes à identificação do sorotipo foram prejudicados pelo alto percentual de casos com resultados ignorados/ branco, com valor de até 99,52%. Em 2001, os casos em que foo identificado o sorogrupo apontam para a circulação do vírus tipo 1, 2, e 3. Em 2000 não foram identificados sorotipos. Em 2002, 2003 e 2004 foi identificado apenas o sorotipo 3, e em 2005 foram identificados os sorotipos 1 e 3. Em todos os anos, os valores encontrados foram baixos e pouco significativos. No SINAN, para toda a série estudada, foi encontrado registro de isolamento viral de apenas 32 casos, e no LACEN, de 168, valor 5,3 vezes maior do que os dados do SINAN. Para ambas as fontes, o número de isolamento viral foi baixo se for considerado o total de casos registrados (32.023).

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Avaliando-se a evolução dos casos de dengue registrados no período, em 2000 e 2002 os percentuais de cura foram muito baixos (1,87 e 2,86%). Em 2001 houve uma pequena elevação (18,17%), melhorando significativamente em 2005, com percentual de 82,34%. O percentual de óbitos (letalidade) também foi baixo; 0,03 (2002) a 0,81% (2004); em 2000 e 2003 não houve registros. Observa-se alto percentual de casos ignorados/branco com valores de 97,11% (2002) e 98,13% (2000). Em 2004 houve um pequeno declínio, passando para 46,96% e chegando a 2005 com valor igual a 17,18%. As limitações do estudo foram os campos em branco ou ignorados das fichas epidemiológicas do SINAN. DISCUSSÃO A análise dos dados permitiu observar-se que a incidência do dengue no município de Salvador foi se elevando desde o primeiro ano da série histórica até 2002, quando alcançou seu ápice, indicando a epidemia ocorrida no período. No biênio posterior, as incidências foram decrescentes, voltando a se elevar em 2005, o que deixa a população e as autoridades de saúde em alerta, devido ao fato das epidemias serem precedidas de um aumento seqüencial das incidências, podendo ser previstas com antecedência.5,8 Os altos coeficientes do dengue registrados no município de Salvador durante a progressão temporal reforçam a contínua participação do município com as maiores taxas de detecção durante as ondas epidêmicas.7,9 Este padrão está intimamente associado às características climáticas da região, ao adensamento populacional e às deficiências socioeconômicas, de infra-estrutura e saneamento ambiental, além do fluxo migratório da população.6 A distribuição mensal dos casos de dengue foi irregular, quando analisada de forma detalhada, porém, observando-se a série histórica, foi possível visualizar padrões definidos para os meses característicos (fevereiro, março e abril).6,10 Em relação ao espaço, as áreas distritais que apresentaram as maiores incidências foram Liberdade e Itapagipe, ambas no ano de 2002. Neste mesmo ano, todos os distritos apresentaram altas incidências de casos de dengue. Em Salvador, são encontrados altos índices de infestação predial, tanto em áreas precárias como naquelas com melhores condições de vida,11 revelando a baixa efetividade das ações de combate vetorial, que se deve à complexidade da biologia e capacidade de adaptação do vetor, além de dificuldades operacionais.5 A elevada densidade larvária, apontada pelos altos IIP pode propiciar maior número de picadas e, conseqüentemente, , maior risco de transmissão.10

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a implementação de ações de educação e comunicação em saúde para prevenção do dengue e investimento no acompanhamento e avaliação da completude das variáveis da ficha epidemiológica de investigação. o que prejudicou a análise mais consistente dos dados avaliados. impedindo a percepção do risco ao qual a população está exposta ao entrar em contato com mais de um sorotipo. atingindo esta população. 166 .4 A maioria dos casos de dengue evoluíram para cura/alta. reduzindo o índice de infestação a menos de 1% e. o risco de surtos. Este fato pode ser atribuído ao mau preenchimento das variáveis da ficha de investigação. Os baixos percentuais de séries sorológicas realizadas dificultaram a mensuração das incidências de infecções. maiores investimentos nas ações de controle e combate ao vetor. a realização de busca ativa de casos compatíveis com Dengue (pela equipe de vigilância epidemiológica). com altos percentuais de campos ignorados/branco.12 A oportuna e adequada atenção médica reduz em muito a letalidade desta doença. Os registros do SINAN apresentaram algumas variáveis importantes para o estudo. tanto para os dados do LACEN quanto para os dados do SINAN. No LACEN o número de registros foi maior.6 Também foram observados baixos percentuais de isolamento viral. A população feminina foi a mais atingida. Foram baixos os percentuais de sorologias realizadas quando comparado ao total de casos registrados. intensificariam o combate ao dengue e minimizariam o impacto desta sobre a população. é possível reduzir a letalidade a valores próximos de 1%. conseqüentemente. que facilite seu acesso precoce aos serviços de saúde e informe a população sobre a possibilidade da ocorrência de formas graves e letais da doença. o maior percentual foi por vínculoepidemiológico. o que dificultou a identificação dos sorotipos circulantes. por acometer pessoas em plena fase produtiva. Com o aprimoramento do setor saúde. Frente aos resultados encontrados. especialmente nas áreas silenciosas e com índice de infestação predial acima do recomendado. com um total de 14 óbitos nos seis anos estudados. O maior percentual de mulheres acometidas deve-se. estimulando a busca precoce de assistência médica. ao fato do aedes aegypti ser um mosquito domiciliado. provocando o absenteísmo ao trabalho. por ser a que passa maior tempo no domicílio.A mortalidade e a letalidade apresentaram baixas taxas. embora os valores fossem pouco significativos em relação ao número total de casos.10 As faixas etárias de maior acometimento foram 15 a 24 e 25 a 34 anos. podendo favorecer a ocorrência do dengue hemorrágico. provavelmente. por meio de um plano estratégico de atendimento aos pacientes suspeitos de dengue. Ressalta-se que o maior percentual de ignorados/branco prejudicou a análise mais fidedigna dos dados. com objetivo de reduzir o percentual de campos ignorados/ branco. representando uma alta relevância econômica. Para a confirmação dos casos de dengue.

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The methodology design consisted of a controlled a Dr. b Aluno da Escola de Dança. c Mestranda em Dança. Condomínio Busca Vida. para desenvolver ações destinadas a reduzir o risco de quedas. correio eletrônico: norbertopena@terra.ARTIGO ORIGINAL EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE DANÇA PARA PREVENIR QUEDAS ENTRE IDOSOS Norberto Penaa João Lima Barbosab Joana Carneiro Lima Fragac Márcia Mattard Carla Leitee Resumo As quedas e as fraturas influenciam na capacidade funcional dos idosos. Conclusivamente. em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas (PPGAC). Dra. Não foram verificadas diferenças significativas entre os grupos em relação à incidência de quedas nem às avaliações subjetivas de saúde. RJ. Palavras chave: Idosos. EFFICACY OF A DANCE PROGRAM IN PREVENTING FALLS AMONG THE ELDERLY Abstract Falls and fractures influence functional status among the elderly. O desenho metodológico foi um ensaio clínico controlado. de nível socioeconômico baixo. da Escola de Dança da UFBA. Brasil.com. Adjunto da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Universidade Federal da Bahia (UFBA). moradoras de uma área central da cidade de Salvador. Gleba 11. Lote 14. O objetivo deste trabalho foi verificar a eficácia de um programa de dança para diminuir a incidência de quedas entre idosos e melhorar suas próprias avaliações subjetivas de saúde. Fisioterapeuta. em Kinesiologia e Fisiatria pela Universidade de Buenos Aires. Ar. bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Quedas. d e Médica Fisiatra pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). A amostra incluiu 30 mulheres maiores de 60 anos. Camaçari. encontrou-se que. Prof. Bahia. The aim of this research was to verify the efficacy of a dance program in reducing the incidence of falls and to improve health subjective self-evaluations.br 168 . BA CEP42800-000. Profa. Catú de Abrantes. Endereço para correspondência: Estrada do Coco km 9. deve-se contemplar uma abordagem multidimensional do problema e não apenas observar os determinantes ligados à saúde física do indivíduo. Dança.

pois este limite é válido para os países em desenvolvimento. estilo de vida. acuidade visual comprometida. p. a população de residentes maiores de 60 anos representava 6. dificuldades ambientais. INTRODUÇÃO De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a população idosa é definida como aquela com idade igual ou superior a 60 anos. depressão. Brazil. in order to develop actions for reducing the risk of falls among the elderly. problemas nos pés. provocam exclusão social e acarretam um aumento no orçamento da saúde de todas as nações.8% da população. conclusivamente.2 Dentre estes destaca-se o problema das quedas e fraturas que vem sendo estudado amplamente tanto no âmbito nacional quanto no internacional. As fraturas por quedas estão associadas a perdas de densidade mineral óssea. Dance.3-8 Também se sabe que a severidade das complicações provocadas pelas quedas aumenta com a idade9.2. v. Bahia.11 Entre os fatores de risco para quedas destacam-se: a freqüência. seguramente. qual destes seria o mais eficiente. Diversos trabalhos que relacionam quedas e fraturas informam que 30% a 37% das pessoas maiores de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano e destes indivíduos 3% a 10% se fraturam. n.168-176 maio/ago. além de deteriorar a qualidade de vida do indivíduo e de sua família. aged 60+. most of who come from poor socioeconomic background. Results: No significant differences were observed among groups as to fall incidence and the improvement of health subjective selfevaluation.10 e que estas complicações. elevando-se para 65 anos de idade quando se trata de países de primeiro mundo. dificuldade de cognição. O censo do IBGE 2000 revelou que. a multidimensional approach to the problem should be considered rather than simply concentrating on the observation of determining facts related to individual’s physical health. medo de cair. uso de polimedicação. se incrementará nas próximas décadas em virtude do aumento da expectativa de vida da população brasileira. 2008 169 . Entretanto ainda não se conhece. fazendo uma distinção quanto ao local de residência (país) dos idosos. problemas de equilíbrio.Revista Baiana de Saúde Pública clinical essay. em Salvador (BA). Participants were 30 women. comportamentos de risco e diferenças raciais. The authors concluded that. história prévia de fraturas. A capacidade funcional do idoso é influenciada por determinantes sociais de saúde. residing in a central area of Salvador.1 Esta percentagem. Keywords: The elderly. fraqueza muscular e higidez individual. programas educativos e programas destinados a promover modificações do ambiente em que vivem os idosos.32. Falls.12-16 As alternativas para prevenir quedas podem ser reunidas em três grandes grupos: programas destinados a incrementar força muscular e equilíbrio. índice de massa corpórea.

por não cumprirem 70% da atividade prevista. que estes não conseguem modificar o risco de queda. seqüela de acidente cerebral vascular. Critérios de Eliminação: foram eliminados três participantes do grupo experimental. não compreender ordens simples. MATERIAIS E MÉTODOS Com a finalidade de controlar e detectar os elementos que constituirão a amostra e para a realização do trabalho foram utilizados questionários epidemiológicos para estabelecer a freqüência de quedas e para identificar queixas atuais e/ou antecedentes pessoais. Hipótese: Um programa de dança diminui a incidência de quedas e modifica avaliações subjetivas de saúde entre idosos. que expressaram seu desinteresse em continuar colaborando com a pesquisa. como barras para segurarse. e três do grupo controle. sugerindo-a como uma ferramenta eficiente para diminuição de quedas. que estavam clinicamente sãos e aceitaram participar da experiência. em relação a um grupo controle. Foram incluídas todas as pessoas que desejavam participar da atividade e estavam dentro dos critérios de inclusão e fora dos de exclusão e de eliminação. apresentando diferenças estatisticamente significativas (p<05). pisos antiderrapantes. surdez.24-28 O objetivo deste trabalho foi verificar a eficácia de um programa de dança para diminuir a incidência de quedas e melhorar avaliações subjetivas de saúde entre idosos. iluminação adequada e outras adaptações arquitetônicas ainda não passam de tímidas iniciativas individuais e dependem de disponibilidade financeira. Características da Amostra A amostra ficou representada por 30 mulheres com as seguintes características: 170 . contra-indicação médica para a atividade física.19-23 Algumas destas alternativas utilizam a dança para promover a capacidade funcional e melhorar o equilíbrio.Em relação a programas educativos. internados ou não. ficou demonstrado. A amostra foi constituída de mulheres moradoras do bairro do Calabar. Critérios de Exclusão: estar fora dos de inclusão. As alternativas de prevenção de quedas que buscam melhorar o equilíbrio com o aumento da força muscular e da mobilidade vêm apresentando resultados com tendência positiva em comunidades de idosos. Salvador (BA). lesões nos pés. Critérios de Inclusão: homens e mulheres de 60 e mais anos de idade.17.18 As modificações do ambiente em que os idosos moram. por meio de ensaios clínicos randomizados. cegueira.

Em relação às quedas n=10(33. Solicitadas a classificar seu estado atual de saúde n=16(54%) o classificaram como regular ou ruim. Portanto os resultados não podem ser generalizados.6%) primário incompleto e 15(50%) analfabetos. n=6(19. O nível de escolaridade da amostra ficou assim configurado: n=5(16. n=6 pensionistas e n=4 donas de casa.3%) como regular ou ruim.8%) manifestaram sentir dor de cabeça sempre ou quase sempre. n=5 (16.6%) diabéticas. e n=5(16. O grupo controle estava constituído por idosas socialmente ativas. uma vez que os homens não foram atraídos pela atividade.6%) a qualificaram como boa ou excelente e n=16(53. n=18 aposentadas. A experiência foi realizada em dois locais: na Escola de Dança da UFBA e no Centro Social Urbano situado no Bairro Calabar. Na avaliação subjetiva da visão n=14(46. O desenho metodológico utilizado foi o de um ensaio clínico controlado.6%) disseram acordar bem dispostas. v. n=20(66. p. O estado emocional foi classificado por n=12(40%) como tranqüilo. sendo n=12 casadas. O programa de dança aplicado durante um ano no Grupo Experimental incluía: a) uma preparação para a atividade.168-176 maio/ago. e n=14(46%) disseram que seu estado de saúde era bom ou excelente. residentes no bairro.6%) de nível pós-elementar. n. e n=2(6. Em relação à situação ocupacional: n=2 eram aposentadas que trabalham. que não aderiram à atividade. Do estudo só participaram mulheres voluntárias.6%) primário completo.Revista Baiana de Saúde Pública todas eram moradoras de uma área central da cidade de Salvador. n=5 (16. Em relação às queixas mais freqüentes: n=15(50%) disseram que se cansavam facilmente. Em relação à posição socioeconômica: n=7 pertenciam à classe media e n=23 à classe baixa.6%) como bastante tenso.3%) como levemente tenso. com uma idade média de X=69 anos.0%) declararam-se hipertensas. Em relação às queixas atuais e antecedentes pessoais: n=18(60. que consistia na repetição de seqüências rítmicas de padrões de movimento sugeridas visualmente pelo professor e objetivavam explorar a força explosiva.2. n=7 solteiras e n=11 viúvas. respectivamente — de n=15 participantes.6%) das participantes referiram ter caído no último ano e n=3(10%) relataram fratura. A amostra foi dividida em dois grupos G1 e G2 — experimental e controle. b) em um segundo momento os participantes dançavam ritmos populares do Brasil e da América Latina. 2008 171 .32. As aulas tinham a duração de uma hora e meia e freqüência de duas vezes na semana. o equilíbrio e a eficiência nos movimentos. n=16(53. n=15(50%) referiram insônia freqüente.

Tabela 1. Foi aceita. A hipótese estatística verificada era se existiria ou não associação entre os grupos. sendo maiores de 60 anos. de imediato. em relação às variáveis: incidência de quedas. Incidência de quedas Em relação à incidência de quedas o teste de Qui quadrado não verificou diferença estatística entre os grupos.Os participantes. utilizando-se o teste de Qui quadrado. Nas três medições. Os participantes foram informados e aceitaram os benefícios e as possíveis complicações em que sua participação implicaria. Cansa Facilmente (avaliação subjetiva) Em relação à avaliação subjetiva do cansaço o teste de Qui quadrado não verificou diferença estatística entre os grupos. Foi solicitada a aprovação do projeto ao comitê de ética da UFBA. representavam uma população que apresenta maior risco de queda e de fratura. a vontade expressa de abandonar o programa. RESULTADOS Foram analisados estatisticamente os resultados em ambos os grupos e em três momentos entre os anos de 2006 e 2007. Tabela 2. Estado atual de saúde (avaliação subjetiva) Em relação à avaliação subjetiva de saúde o teste de Qui quadrado não verificou diferença estatística entre os grupos. Tabela 3. 172 . 2 e 3). não foram verificadas diferenças estatísticas significativas entre os grupos para nenhuma das variáveis (Tabelas 1. estado atual de saúde e sensação subjetiva de cansaço.

168-176 maio/ago. freqüentemente. 25 de julho de 2002. van Rossum. REFERÊNCIAS 1. em recente revisão da literatura. Bellagamba e Rocchi24 e Zeeuwe. dessa intervenção.25 tenham demonstrado o poder significativo da dança para melhorar o equilíbrio. n. v. conseqüentemente. promovendo um envelhecimento bem sucedido e saudável. fato que reduz a credibilidade destas conclusões. não se pode concluir que a melhora do equilíbrio leve à diminuição da incidência de quedas entre os idosos. Formas estéticas de expressão contribuem para o bem-estar físico e intelectual e para a interação com outros indivíduos.30 Experiências com dança. p. artes e literatura costumam ser utilizadas como estímulos para a promoção de saúde. Verhagen. verificaram sérias falhas metodológicas nas comunicações. por estimular a participação em atividades sociais. Para encarar ações destinadas a reduzir o risco de quedas. Faber e Koes. Howe. Por outro lado. a experiência com a dança tampouco se mostrou suficientemente transformadora para modificar a auto-percepção do estado de saúde individual. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Banks e Blair. Bierma-Zeinstra. porém. música. 2008 173 .Revista Baiana de Saúde Pública DISCUSSÃO A atividade física é mencionada.29 porém. Neste caso. literatura e cinema demonstram ser importantes e gratificantes para o dia-a-dia entre idosos. Howe. não se revelou estatisticamente significativo para modificar a incidência de quedas entre os idosos participantes. como estatisticamente significativa para a promoção do equilíbrio entre idosos e. Entretanto o programa de dança revelou-se instrumento facilitador de inclusão nesta população. contudo. Brasília. Jackson.32. Rochester. surgiu um espaço de inclusão de cidadãos à Universidade. deve-se contemplar uma abordagem multidimensional dos determinantes sociais de saúde e não apenas observar os determinantes ligados à saúde física do indivíduo. interferiria positivamente para a redução da incidência de quedas.31 O programa de dança empregado no Calabar.2. a formação de grupos de idosas e a inclusão das participantes em uma vida associativa e saudável. CONCLUSÕES Os esforços por melhorar o equilíbrio por meio da atividade física ou de programas de dança não redundam em uma diminuição expressiva da incidência de quedas. Comunicação Social. Não obstante os trabalhos de Federici.

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2008 177 . Entre os métodos mais usados. com 69 prostitutas cadastradas na Associação das Prostitutas do Ceará (APROCE). Palavras-chave: Prostituição. Edson Queiróz.1%) o anticoncepcional oral hormonal. n. Aplicou-se um questionário com mulheres que trabalhavam nos bairros do Centro.1%) o anticoncepcional oral. Barra do Ceará e Serviluz/Farol. postos de saúde e farmácias. Fortaleza. Endereço para correspondência: Raimunda Magalhães da Silva. Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Washington Soares 1321. Pesquisadora do CNPq. 8 (11. Os preservativos eram adquiridos na APROCE.2%) afirmaram usar camisinha em todas as relações sexuais e apenas uma aceitava a oferta de dinheiro pelo sexo sem proteção. rmsilva@unifor.177-189 maio/ago. 69 (100%) colocaram o preservativo masculino e 36 (52. Trata-se de uma pesquisa descritiva. 69 (100%) conheciam o preservativo masculino e 67 (97. a b c Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). colocando em prática as orientações para prevenção e promoção da saúde e vivem em situação socioeconômica desfavorável. Anticoncepção. Doenças sexualmente transmissíveis. Acerca dos métodos anticoncepcionais. Av.811-905. Concluiu-se que as prostitutas são informadas quanto à importância do preservativo na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e do HIV.3280.4%) o anticoncepcional hormonal injetável. Estudantes de Enfermagem da UNIFOR.br v. CE. 65 (94.2%) gostariam de associá-lo a outro método. CEP: 60. dentre eles: 12 (17. Fone: (85) 3477.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL SABERES E PRÁTICAS DE PROSTITUTAS ACERCA DOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS Raimunda Magalhães da Silvaa Maria Alix Leite Araújob Cristina Medeiros Pessoac Manuela Pontes de Moraesc Resumo Este estudo teve como objetivo analisar saberes e práticas de prostitutas com os métodos anticoncepcionais em Fortaleza (CE).6%) o dispositivo intra-uterino (DIU) e 7 (10. realizada em janeiro de 2007.32.2. p.

As parcerias costumam variar. Centro and Serviluz/Farol. as casas de “massagem”. The contraceptives were obtained in APROCE. as rodovias e os garimpos.2%) would like to associate it with another method. sendo o corpo o objeto. no qual a pessoa “aluga” seu corpo em troca de algum bem.1%) with oral contraceptive. influência de familiares e amigas) e simbólicas (posicionam-se com certa intensidade de poder em seu núcleo familiar). Trata-se.4%) would like to associate it with contraceptive hormonal injection. de um contrato de locação. sustento familiar. apresentando grande rotatividade 178 . mas por interesse financeiro. em locais insalubres e muitas vezes perigosos como as ruas.PROSTITUTES’ KNOWLEDGE AND PRACTICES WITH CONTRACEPTIVE METHODS Abstract This aimed atanalyzing prostitutes’ knowledge and practices with contraceptive methods in Fortaleza – Ceará. já que busca seu sustento. 12 (17. pois a pessoa não se “aluga” por prazer.2%) said they used condom in every sexual relation and only one accepted money offer to have sex without protection.2 A prostituição também se configura como uma prática de autonomia e decisão da mulher em relação aos homens. It is a descriptive research carried out in January 2007 with 69 prostitutes registered in APROCE (Associação das Prostitutas do Ceará). em todas as sociedades. We concluded that the prostitutes are aware of the importance of contraceptives to prevent sexually transmitted disease and HIV. Trata-se na verdade de um jogo sexual. desemprego.6%) with intra uterine device (IUD) and 7 (10. os hotéis. financeiro ou não. apresentando-se como um exercício de poder. Key words: Prostitution.3 As prostitutas trabalham em geral por conta própria. Concerning contraceptive methods. os portos. Out of these. no entanto.1%) were acquainted with oral hormonal contraceptive. 65 (94. 69 (100%) used condom and 36 (52. as praças. sem amor. Apart from that. 69 (100%) were acquainted with the condom and 67 (97. os postos de combustíveis. estudo acerca da representação social de profissionais do sexo revela que a prostituição acontece por questões estruturais (necessidades básicas. INTRODUÇÃO A prostituição é considerada uma profissão antiga e praticada mais comumente por mulheres. putting into effect the orientation to prevent and promote health. Sexually transmitted diseases. 8 (11. pelo qual o homem teria acesso a seu corpo mediante pagamento por seus serviços sexuais. Among the most used methods. health centers and pharmacies.1 No Brasil. A questionnaire was applied to women who worked in Barra do Ceará. ocidentais e orientais. desde os tempos mais remotos. Contraception. they live in unfavorable socioeconomic environment. os bares.

Dentre as ações de saúde desenvolvidas entre as prostitutas. Como as prostitutas vivem da prática do sexo.32. discriminação social. Estes devem ser usados de forma livre e informada. geralmente. aumenta a vulnerabilidade e mesmo o risco de exposição às DST e ao HIV/Aids.Revista Baiana de Saúde Pública geográfica.2. Planejamento familiar é o direito que toda pessoa tem à informação. bem como de prevenção das DST entre as prostitutas. adaptando-os às características e condições de vida próprias do exercício da prostituição. entretanto as prostitutas precisam conhecer e ter acesso a esses métodos. p. considerando ser inquestionável que estão mais expostas às DST e à gravidez indesejada ou não planejada. É importante que as autoridades sanitárias desenvolvam trabalhos de promoção à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos. Atuam também em ambientes inadequados.4 Estudos realizados com prostitutas encontraram que as mais jovens representam população de maior risco para aquisição de DST e que o uso de substâncias psicoativas.7 Por outro lado. é possível que. considerando a possibilidade de maiores agravos nessa população. v. a utilização do preservativo nas relações sexuais é muito importante. e estão expostas a preconceitos. O número. em razão do estigma de que são vítimas e da dificuldade de acesso aos órgãos de saúde pública. à qual deve ser assegurado o direito de escolher de forma livre e por meio da informação. destacam-se a disponibilização de métodos contraceptivos. Essa situação aumenta a vulnerabilidade. consumo de drogas ilícitas e de bebidas alcoólicas.6 Isso pode ser decorrente de fatores diretamente ligados ao exercício da profissão entre as mais novas. inclusive o HIV/Aids.177-189 maio/ago. violências. agressões. Salienta-se também que durante o atendimento sejam trocadas informações necessárias para a tomada de decisão com relação à escolha do método. o acolhimento e a escuta devem permear todo processo de atenção dispensada à prostituta na rede pública. Portanto faz-se necessário que o ingresso dessas mulheres no programa de planejamento familiar seja facilitado e que estes serviços possam disponibilizá-los. as mais novas se preocupam mais com a prevenção da gravidez do que com as DST. as prostitutas recebam pouca atenção ou não se sintam à vontade para identificar o tipo de atividade que exercem. 2008 179 . Para tanto. como maior número de parceiros sexuais. Ocorre que.5. à assistência especializada e ao acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou não ter filhos. o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado são opções que cabem à mulher. durante a atividade da prostituição. em especial na atenção básica. n. porque não dizer indispensável. coerção ou violência. dificuldade de exigir o uso do preservativo nas relações sexuais. sem discriminação. que devem ser disponibilizados na rede pública de saúde. e ainda ao risco de serem contaminadas pelas doenças sexualmente transmissíveis (DST). sem proteção.

Barra do Ceará e Serviluz/Farol. saúde reprodutiva. especialmente entre as prostitutas. Diante desta perspectiva. pautada nos seguintes argumentos: têm o maior número de mulheres cadastradas. quando necessário. visando desenvolver atividades educativas para a promoção da saúde e do aconselhamento. Os serviços parecem ignorar sua existência. e esta dificuldade está muitas vezes relacionada às questões socioculturais que envolvem a prostituição e a falta de habilidade do profissional de saúde em lidar com essas questões. Cada bairro dispõe de educadoras sociais que. Na prática os profissionais vivenciam muitas dificuldades na abordagem de alguns temas que envolvem o exercício da sexualidade. MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo. precisariam estar preparados para lidar com mitos. A relevância deste estudo consiste na proposta de dar visibilidade ao problema da anticoncepção entre prostitutas. folders informativos e próteses penianas para 180 . quinzenalmente. político e educativo de relevância em prol da melhoria da qualidade de vida e de trabalho dessas mulheres. O estudo foi desenvolvido em três bairros na cidade de Fortaleza (CE): Centro. auxiliando-as na escolha e no uso dos métodos contraceptivos. acompanhamento dos filhos.8 No geral as prostitutas não recebem uma assistência adequada dos profissionais nos serviços de saúde. Nesse sentido. procurou-se conhecer os saberes e as práticas das prostitutas com os métodos contraceptivos em Fortaleza (CE).744 prostitutas cadastradas e desenvolve um trabalho social. os profissionais de saúde devem ter competência e habilidades para ir além do conhecimento técnico-científico e levar em conta os aspectos culturais que influenciam na escolha do método e atender as necessidades de saúde sexual e reprodutiva dos clientes. Esta associação possui 3. No campo da anticoncepção. com prostitutas cadastradas na Associação das Prostitutas do Ceará (APROCE).quando impede que recebam orientações contextualizadas a seus estilos de vida e se sintam acolhidas em suas dúvidas acerca das formas de prevenção e assistência. vão a campo desenvolver trabalho educativo acerca de métodos contraceptivos e prevenção das DST/HIV/Aids junto às mulheres. A escolha desses locais ocorreu por sugestão da própria APROCE. preconceitos e percepções errôneas acerca da sexualidade. Devem ajudar na tomada de decisão e desenvolver durante todo o atendimento um acolhimento respeitoso. são bairros de fácil acesso e as prostitutas são mais receptivas. O trabalho educativo das educadoras sociais é desenvolvido por meio de palestras e com a utilização de recursos do tipo álbuns seriados. dentre outros.

7%) tinham de um a quatro. com múltiplas variáveis. As pesquisadoras tiveram o cuidado de aplicar os questionários individualmente e afastadas das educadoras. A população do estudo foi composta de mulheres que vivem da prostituição e são cadastradas na APROCE. Foram entrevistadas todas as mulheres que se encontravam nos locais determinados para as entrevistas. as educadoras sociais da APROCE acompanharam as pesquisadoras ao campo em todas as entrevistas.Revista Baiana de Saúde Pública demonstração do uso do preservativo. composto de dados sociodemográficos. 2007 v. Fortaleza (CE).2. Vale salientar que. RESULTADOS Caracterização dos aspectos sociodemográficos e reprodutivos A Tabela 1 apresenta a faixa etária e o total de filhos das 69 entrevistadas.9%) entre 26 a 35 anos e 18 (26. A presença dessas pessoas com certeza facilitou a execução do trabalho de campo. 22 (31.32. Os questionários foram aplicados nos ambientes de trabalho das mulheres. 29 (42%) tinham entre 18 e 25 anos. cabarés nos referidos bairros e aceitaram participar do estudo. A amostra foi composta por 69 mulheres que faziam programas sexuais em praças. para que as participantes pudessem discorrer livremente sobre os temas abordados. saberes e práticas em relação aos métodos anticoncepcionais e à negociação do sexo protegido. devido à dificuldade de acesso a essa população. utilizando-se um questionário. foram definidas três tardes. Tabela 1. Para o trabalho de campo. n. em comum acordo com as educadoras. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Destas.177-189 maio/ago. A coleta de dados ocorreu no mês de janeiro de 2007. Distribuição das prostitutas de acordo com a faixa etária e número de filhos. 2008 181 . Quanto ao número de filhos. Os dados foram analisados e apresentados de forma descritiva em tabelas. pois estes eram os dias em que elas iam aos referidos locais realizar o trabalho educativo. respeitando suas peculiaridades. bares. 53 (76. p.1%) acima de 36 anos.

mesmo que associado a outro método.4%).2%) das mulheres. 37 (53.7%) associavam o preservativo a outros métodos contraceptivos (anticoncepcional oral. injetável.2%) gostam de alguns aspectos da prostituição. o DIU 55 (79.6%) ainda freqüentam esse serviço atualmente. O uso do preservativo foi citado por 51 (73.8%) já freqüentaram o serviço de Planejamento Familiar e que apenas 8 (11.3%) gostam e cinco (7.4%) entre um e dois dias.0) entre 2 e 5 anos e 19 (27.4%) usavam somente o preservativo. 37 (53. 64 (92.8%) fazem até quatro programas por dia (Tabela 2). Entre os métodos hormonais.6%) entre três e quatro dias. Verificou-se que 24 (34. 20 (29%) fazem os programas às tardes e às noites.Das participantes do estudo. e 68 182 .5%) exerce a atividade há mais de 6 anos. 14 (20. prevalecendo a de doméstica e de faxineira (Tabela 2). 12 (17.5%) referiram não gostar do que fazem. a maioria das prostitutas cobra de 10 a 30 reais (79. 19 (27. Para 65 (94. DIU). referenciaram a laqueadura 61 (88. Quanto aos turnos de trabalho.5%) há menos de um ano (Tabela 2).5%) fazem de cinco a seis programas/dia.2%) nunca fizeram e citaram como principal motivo o medo. o preservativo é utilizado em todas as relações. Quanto ao valor cobrado por programa. 37 (53. 49 (76. 24 (34.9%) das mulheres como forma de prevenção contra DST/HIV/Aids. 50 (72.6%).1%) nos três turnos. A família tinha conhecimento da profissão de 39 (56. Com o propósito de evitar a gravidez. 29 (42. No que se refere ao número de programas/dia.1%) entre cinco e seis dias.1%) delas exerciam também outra profissão.5%) só às noites e 18 (26.7%) e o diafragma 15 (21. No que se refere à negociação do uso do preservativo. Ao serem questionadas sobre a consulta ginecológica. 14 (20.8%) fizeram exame de prevenção do colo uterino e 5 (7. No que diz respeito ao número de dias e aos horários dos programas.6%) disseram que os parceiros não aceitavam e/ou dificultavam usar a camisinha em todas as relações. 18 (26. 28 (40.7%) Entre os métodos mais usados também se destacou o preservativo masculino (Tabela 3). A maioria das mulheres 30 (43. sendo o preservativo masculino o mais citado 69 (100%). Sobre o conhecimento acerca dos métodos contraceptivos. Todas as mulheres referiram o uso do preservativo. pôde-se perceber que as prostitutas tinham maior informação sobre os métodos de barreira.0%) trabalhavam de cinco a sete dias da semana.1%) mulheres. O tempo de prostituição variou de menos de um a 28 anos.6%) responderam que o dinheiro satisfaz suas necessidades e 32 (46. o anticoncepcional hormonal oral foi citado por 67 (97.5%) entrevistadas e 27 (39. 20 (29.41%) que não satisfaz (Tabela 2). A seguir.3%) haviam feito laqueadura tubária e 30 (43.

6%) dessas mulheres não aceitavam o sexo desprotegido. A maioria das entrevistadas.Revista Baiana de Saúde Pública (98. Tabela 2. cujos diagnósticos foram: 5 gonorréias. declarou que nunca apresentou sinais e/ou sintomas de DST. Distribuição das prostitutas quanto à profissão. 11 (16%) referiram já ter apresentado sintomas. 2007 v. 58 (84%). mesmo após a oferta de um valor maior em dinheiro. 1 Papilomavírus humano (HPV).177-189 maio/ago. 3 sífilis e 2 outros tipos de DST não especificadas. p. Fortaleza (CE). n. 2008 183 .2.32.

expulsão de suas casas pelos pais e influência de amigas. 2007 DISCUSSÃO Observou-se com este estudo que é grande o percentual de mulheres que iniciam a vida na prostituição ainda jovens e constituem família. falta de qualificação profissional. O estudo mostra que em algumas situações elas necessitam deixar os filhos com as avós para irem trabalhar ou pagar a alguém para cuidar deles ou mesmo deixá-los sob a responsabilidade dos irmãos mais velhos. Fortaleza (CE). A inserção na prostituição pode ser decorrente de fatores socioeconômicos e da dificuldade de encontrar outros tipos de atividades laborais em virtude da baixa escolaridade. principalmente crianças e adolescentes pobres ou dependentes de substâncias psicoativas. as mulheres começam a se prostituir muito jovens. de maneira geral.Tabela 3. Distribuição das prostitutas em relação à adesão ao serviço de planejamento familiar e uso de métodos contraceptivos. pois a grande maioria tinha filhos. o que pode estar associado ao grande número de mulheres jovens.6 Mais da metade das participantes do estudo tinha menos de seis anos na prostituição. por serem mais atraentes para os homens. altos índices de desemprego. É importante entender-se que.4 A idade é um componente que muito concorre na relação entre as mulheres que vivem da prostituição. pois as mais jovens têm maior possibilidade de ganhar mais dinheiro.6 184 .

aumentando as possibilidades de melhorar os rendimentos. o temor de serem descobertas é uma preocupação constante e fonte adicional de estresse. Estudo mostra que a rentabilidade cai a partir de 30 anos.10 O pequeno número de usuárias no serviço de planejamento familiar pode ocorrer devido à limitação dos métodos contraceptivos oferecidos pelo serviço.12 O preservativo masculino é mais popular que o feminino e ambos são distribuídos pela APROCE. este não seja utilizado em função das mulheres v. por não conhecer seu próprio corpo. e pela capacitação desigual e insuficiente dos profissionais para atuarem nessa área. reservada a um âmbito privado. a dupla proteção deve sempre ser estimulada. 2008 185 . Percebeu-se que há certo conhecimento por parte das entrevistadas sobre os métodos contraceptivos. O preservativo feminino apresenta muitas vantagens especialmente para as prostitutas. Isso pode decorrer do fato de receberem os preservativos da APROCE e dos trabalhos de prevenção das DST/HIV/Aids realizados pelo governo e sociedade civil após o advento da Aids.9 Encontrou-se um percentual considerável 30 (43.Revista Baiana de Saúde Pública As mais jovens.2. em geral. Para muitas. segundo as entrevistadas. quando usado adequadamente. porém. n. o que pode contribuir para o aumento da morbidade e mortalidade materna. Mesmo sendo distribuídos gratuitamente pela associação. A atenção ao planejamento familiar no Brasil continua a ser marcada pela indisponibilidade dos métodos nos serviços públicos de saúde.5%) de mulheres cujos familiares desconheciam a atividade de prostituição. Entretanto o número de prostitutas que fazem uso do preservativo feminino é reduzido. Mesmo com o uso de outros métodos contraceptivos pelas prostitutas. demonstraram interesse em associar mais de um método contraceptivo. Para as mulheres que mantêm familiares e amigos alheios a suas atividades profissionais. o que possibilita à mulher já sair de casa protegida.13 É possível que mesmo estando disponível. isso pode decorrer do fato de não saber usá-lo. estes métodos são em quantidade insuficiente.177-189 maio/ago.32. No caso das prostitutas. Uma das desvantagens desse método. estar na prostituição é motivo de vergonha e elas tentam manter essa realidade dissociada de sua vida familiar. totalmente distante de sua vida pública.11 As mulheres participantes da pesquisa. no geral. a garantia de anticoncepção adquire papel fundamental e a falta de acesso aos métodos pode levar a gravidez não planejada e até a possibilidade de abortos provocados. Permite a colocação com até oito horas de antecedência do ato sexual. estão com o corpo em melhor forma. é o alto custo e a dificuldade de acesso. pois o aspecto físico depende muito da condição estética e de saúde destas mulheres. Outra vantagem é permitir maior autonomia na decisão por relações sexuais mais seguras. pois este é reconhecido como método efetivo de barreira contra as DST. p. sendo os preservativos masculino e feminino bastante familiares.

ficavam em uma área próxima e isso pode ter influenciado nas respostas das prostitutas. uma pessoa motivada fortalece a disposição do outro para engajar-se de forma mais efetiva na busca da transformação. As mulheres encontravam resistência e enfrentavam medos e insegurança. com risco de adoecer. devido aos inúmeros trabalhos preventivos desenvolvidos pelos órgãos governamentais em parceria com as organizações não governamentais. Entretanto uma revelou contradição.14 As altas taxas de infecção por HIV e outras DST entre trabalhadoras do sexo em vários países indicam que os programas de prevenção e assistência para esta população são inexistentes ou ineficientes. afirmou usar o contraceptivo em todas as relações sexuais e que não aceitariam dinheiro para abrir mão de seu uso.cederem aos apelos dos clientes. o que faz com que tenham dificuldade no acesso a serviços de saúde e programas de prevenção. especialmente quando são pessoas em quem confiam. Neste panorama. o uso do preservativo fica como uma opção dos clientes e não uma exigência.13 No que se refere à atividade sexual. Uma das principais dificuldades para a implementação dessas ações é 186 . O número de mulheres contaminadas pelo HIV tem aumentado em todo mundo e fatores biológicos. Ressalta-se que é possível estas mulheres estarem com um nível de conhecimento elevado acerca da importância do uso do preservativo para a prevenção das DST/HIV/Aids. Isto ocorre quando as mulheres identificam os clientes como já “antigos” ou “sadios”. 65 (94.2%). antigos e de confiança. as prostitutas apresentam como agravante sua condição “marginal” na sociedade. o uso do preservativo se impõe como a única estratégia capaz de amenizar a propagação da epidemia entre as prostitutas.12 A restrita mudança nas práticas sexuais femininas. culturais. mesmo com as ameaças evidentes de infecção pelo HIV. sociais e econômicos contribuem para esse incremento. Entretanto o alto percentual de uso de preservativo deve ser analisado com cautela. pois poderia gerar algum constrangimento e problemas junto à instituição. Nesses casos. sendo capazes de criar estratégias de transformação e mudanças em seus comportamentos sexuais para se protegerem da AIDS. aponta para o fato de que a maioria das mulheres precisa evoluir no que se refere à prevenção. Negociar o uso da camisinha com os parceiros ainda é difícil. mesmo não participando diretamente da aplicação dos questionários. principalmente nas relações estáveis.10 Por outro lado. devido à presença constante das educadoras sociais da APROCE que. alegando que deixava de usar com certos parceiros por achar que eles eram conhecidos. Elas são consideradas reservatórios de infecção e não recipientes em potencial.6 Percebeu-se que um percentual considerável das entrevistadas.

são necessárias informações e orientações adequadas. Além da alta adesão ao uso do preservativo masculino. Pretendeu-se com este estudo despertar a atenção dos profissionais de saúde para a problemática desse grande número de mulheres que vive na prostituição. que é promover o conhecimento de medidas preventivas para o autocuidado. mediante palestras e álbuns seriados. seu modo de vida e suas práticas de risco. v. muitas parecem estar conformadas com a situação e com a idéia de que é o único meio de trabalho capaz de suprir suas necessidades financeiras e sociais. informar as mulheres sobre os métodos contraceptivos. Este argumento poderá ser forte para justificar a omissão do Estado e da Sociedade perante a questão biopsicossocial da prostituição. Portanto. p. no que se refere a resultado de pesquisa. desconhece-se como essa questão do uso do preservativo se desenvolve efetivamente na prática. as participantes afirmaram que sabiam sobre DST/AIDS. o que aumenta sua situação de vulnerabilidade para adquirir DST/HIV/Aids e gravidez. pouco se tem produzido. 2008 187 . A prostituição é um problema que se agrava cada vez mais.14 Trata-se de uma temática que requer o desenvolvimento de novas investigações. para se abordar o assunto. Por sua vez. incontestavelmente. ressalta-se o papel da educadora da Associação. Por outro lado.Revista Baiana de Saúde Pública a resistência usual destas mulheres à abordagem e ao acompanhamento pelos serviços de saúde. contribui para a prevenção da gravidez. muitas foram as ações de prevenção das DST/HIV envolvendo as prostitutas. É possível que essas mulheres estejam apresentando um comportamento mais autêntico. Percebeu-se que uma grande maioria das prostitutas referiu usar o preservativo em todas as relações sexuais o que. propiciar maior conscientização da importância da saúde sexual. melhor escolha e emprego correto. assim. livres da discriminação e do preconceito.177-189 maio/ago. Há necessidade de atuação mais efetiva do Estado e da sociedade de modo geral. em prol da saúde e da qualidade de vida dessas mulheres. o que pode ter contribuído para aumentar a adesão das mulheres ao uso do preservativo. n. proporcionando. maior poder de decisão e respeito por si mesmas. Para abordar assuntos muitas vezes considerados polêmicos. tem-se que recorrer a referenciais dos estudos sobre a prostituição em geral. sofre discriminação social e institucional. porque.2.32. para se alcançar êxito nestes programas é importante conhecer o perfil da população alvo. Assim. CONCLUSÃO Nos últimos anos. e urge a necessidade de acompanhamento sistemático dessas mulheres nos locais de trabalho ou em outros lugares que contemplem as exigências da profissão. Nesse sentido. direcionando-se as ações ao encontro de suas características e necessidades próprias.

O conhecimento no cotidiano: as representações sociais na perspectiva da psicologia social. de 11 de fevereiro de 1999. A prostituição infantil. 2. Alvarez GO. Nupec. 1995. Essas mulheres necessitam de um atendimento por equipe multidisciplinar. Brasília (DF). Mulher-menina: um estudo da exploração sexual feminina infantojuvenil em Teresina.32(1/ 2):53-68. 1994. 3.10(1):58-66. 10.23(2):22-9. Alvares SC. Cenchi OE. 5.(30):427-38.149-187. 188 . Profissionais do sexo e identidade: um levantamento das publicações relacionadas à prostituição no Brasil. Prostituição juvenil: uma condição existencial em busca de seus sentidos. ciência e profissão 2003. Rev. 8. Prostituição infantil: uma questão de Saúde Pública.6(2):75-87. Rodrigues MT. Ciênc.39(5):795-801. enfatizando a importância da dupla proteção para a prevenção das DST e conseqüente melhoria da qualidade de vida. 4. 2004. Oltramari LC.Vislumbra-se ainda a real necessidade da ação integrada de equipe multidisciplinar na atenção à saúde da mulher. Sociais 2001. 2005. Moura ERF. NUPEC/UFPI-CBIA. Portaria nº 48. Gomes R. Castro R. 6. seus aspectos e a realidade bauruense. Revista do Instituto de Pesquisas e Estudo: divisão jurídica 2005. esclarecimento de mitos e dúvidas. Representações sociais da prostituição na cidade do Rio de Janeiro. 1993. São Paulo: Brasiliense. In: Spink MJ. Brasil. Ano Internacional da Mulher. Teresina: Halley. Cad. Molina AMR. Ministério da Saúde. Oltramari LC. Saúde Públ. Prostitutas cidadãs: movimentos sociais e políticas na área de saúde HIV/AIDS. Competência profissional e assistência em anticoncepção.10/ 11(30/31):169-88. 9. 7. Camargo BV. Silva RM. Episteme 2003/04. facilidade de acesso aos serviços e aos métodos contraceptivos. Representações sociais de profissionais do sexo sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e contracepção. Psicologia: Teoria e Prática 2004. organizador. REFERÊNCIAS 1. Psicologia. R. Saúde Públ. incluindo o planejamento familiar como uma fonte básica de controle e melhoria da qualidade de vida das prostitutas. p.

Diagnósticos de enfermagem em mulheres que freqüentam serviços de planejamento familiar. Prostitute women and AIDS: epidemiology. Transm. DST – J. Comportamento sexual das mulheres em relação . Bandeira VMP Diógenes MAR. Brás. Doenças Sex. entre alunos de enfermagem na Universidade de Fortaleza. 2001. 12. UERJ 2006. 2008 189 .Revista Baiana de Saúde Pública 11. R.2. 14.13(5):17-22.32. Enferm. p.6. 4(1):74-9. R. Camiá GEK.2:413-9.9(2):26-34. Trindade MP Schiavo MR. AIDS 1988. n.2007 e aprovado em 9. Marin HF. Recebido em 19.2008. ao HIV/AIDS. Latino-Am. 2001.177-189 maio/ago. O uso do preservativo masculino e feminino . Padian N. v. Enferm.11. 13.

Foi aplicado um questionário para avaliar as variáveis socioeconômicas e de saúde. Piumhi. baixa renda. sugerindo a necessidade de implementação de ações de assistência social e educacional para melhorar o quadro nutricional deste grupo. Consumo alimentar. 230.br 190 .2% e 79. A ingestão de proteínas foi afetada negativamente pelo edentulismo e sedentarismo. Nova Brasília. edentulismo. B2 e B6). Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). wilsonprofessor@oi.05). morar sozinho ou com três gerações. A. Endereço para correspondência: Rua João dos Santos. Os resultados mostram uma ingestão alimentar deficiente em vários nutrientes.com. Alimentação. Drs. B1. uso de medicamentos e sedentarismo interferiram negativamente no consumo de energia (p<0. O consumo mediano de cálcio foi cerca de 1/3 do valor recomendado. a b Mestre em Ciências da Nutrição pelo Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). utilizou-se a média obtida a partir da soma do consumo encontrado entre o recordatório de 24 horas e o questionário de freqüência alimentar semi-quantitativo (QFCA-s). MG. Palavras-chave: Idoso. Epidemiologia. Os fatores. Para avaliar o consumo alimentar.3% dos idosos. Verificou-se elevada inadequação no consumo de vitaminas (vitamina C. A ingestão de energia e proteína ficou abaixo da necessidade estimada para 94. Profs. A prevalência de inadequação de ferro foi baixa entre os idosos. CEP: 37-925-000.ARTIGO ORIGINAL INADEQUAÇÃO NO CONSUMO ALIMENTAR E FATORES INTERFERENTES NA INGESTÃO ENERGÉTICA DE IDOSOS MATRICULADOS NO PROGRAMA MUNICIPAL DA TERCEIRA IDADE DE VIÇOSA (MG) Wilson César de Abreua Sylvia do Carmo Castro Franceschinib Adelson Luiz Araújo Tinocob Conceição Angelina dos Santos Pereirab Margarida Maria Santana Silvab Resumo O presente estudo teve como objetivo avaliar o consumo alimentar de idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa (MG) e os possíveis fatores que interferem negativamente sobre o mesmo.

Results show deficient food intake as to several nutrients.Revista Baiana de Saúde Pública FOOD CONSUMPTION INADEQUACY AND INTERFERING FACTORS IN ENERGY INTAKE OF THE ELDERLY ENROLLED IN THE CITY OF VIÇOSA’S (MG) THIRD AGE PROGRAM Abstract The present study was designed to evaluate food consumption of the elderly enrolled in the City of Viçosa´s (MG) Third Age Program (CTAP) and possible factors negatively interfering upon it. An elevated inadequacy in the consumption of vitamins (vitamin C. são poucos os estudos sobre o consumo alimentar.32. B1. n. p. suggesting the need of implementation of social and educational assistance actions in order to improve this group’s nutritional scenery.1 A partir da década de 1960. realizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Protein intake was affected negatively for edentulism and sedentarism. living alone or within a three generation family.2. The prevalence of iron inadequacy was low among the elderly.2 o Brasil possui 14. A questionnaire was applied to evaluate socioeconomic and health variables. Key words: Elderly.2% and 79. 2008 191 . especialmente no grupo dos idosos. são passos fundamentais da epidemiologia nutricional na busca do entendimento das relações existentes entre a alimentação e as doenças. Considerando as mudanças na capacidade funcional dos tecidos e maior risco para desenvolvimento de doenças. Food consumption. means were obtained from the sum of the 24 hour recording consumption and the semi-quantitative feed frequency questionnaire (SQFFQ). A. bem como a ocorrência e 3 distribuição de doenças numa população. O interesse nas relações entre dieta e doença vem aumentando nas últimas décadas. teve início o processo de envelhecimento brasileiro. a alimentação equilibrada torna-se fundamental para a manutenção e/ou recuperação da saúde deste grupo populacional. No Brasil.190-202 maio/ago. perda da capacidade funcional e alterações das funções metabólicas. ao qual todo ser vivo está submetido. v. Epidemiology. associado à queda na taxa de fecundidade. Segundo o Censo de 2000. que não necessariamente acarretarão a ocorrência de enfermidades. Este é marcado por uma redução progressiva dos tecidos ativos. To evaluate food consumption. B2 and B6) was verified. edentulism. Food. Energy and protein intake remained bellow the requirement estimated for 94. Investigar os hábitos alimentares e o consumo de nutrientes. Low income.3% of the elderly. use of medicines and sedentarism were factors negatively interfering in energy consumption (p<0.05).5 milhões de idosos (pessoas com 60 anos ou mais). Average calcium consumption was about 1/3 of the value recommended. INTRODUÇÃO O envelhecimento é um processo natural.

7. o teor de nutrientes que a compõem torna-se. O objetivo deste estudo foi avaliar o consumo alimentar e os fatores interferentes na ingestão energética de idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) na cidade de Viçosa.9-13 Frente à mudança demográfica que o Brasil experimenta e à escassez de informações sobre a situação alimentar dos idosos. Atualmente são conhecidas as relações entre alguns nutrientes e doenças específicas.6 Já as alterações fisiológicas. dependência para realizar atividades da vida diária e comprometimento da capacidade cognitiva. uma vez que muitos desses alteram a ingestão. estudar o consumo alimentar de uma população não é tarefa que se execute sem esforço. este conhecimento constituirá em material fundamental para a elaboração de estratégias que melhorem o quadro de saúde dos idosos. Os fatores socioeconômicos. tais como o consumo de gorduras saturadas e colesterol e o risco de doenças coronarianas. econômicos e nutricionais que envolvem o tema. faringe. são mais importantes que os fisiológicos. 192 . Investigar a qualidade da dieta. digestão. muitas vezes. Certamente. tais como: depressão. pobreza. desintegração social. absorção e utilização dos nutrientes. também podem afetar negativamente o consumo alimentar.5 Destacam-se também os fatores psicossociais. isolamento social. assim como as interações entre eles tornam esta análise bastante complexa. alterações no funcionamento digestivo. não só ao baixo peso e obesidade. o consumo adequado de fibras e a redução do risco de câncer de boca.8 O efeito do consumo deficiente ou excessivo de nutrientes está relacionado.4 Diversos fatores podem afetar o consumo alimentar dos idosos. localizada no estado de Minas Gerais. redistribuição da massa adiposa. bem como a associação existente entre o consumo de sódio e a pressão arterial. CASUÍSTICA E MÉTODOS Trata-se de estudo transversal. ou seja. alterações na percepção sensorial e diminuição da sensibilidade a sede.7 O freqüente uso de medicamentos na terceira idade também deve ser considerado. Os fatores sociais. como a diminuição do metabolismo basal. especialmente as crônicas não transmissíveis. culturais. então. mas também a diversas doenças. no qual foram avaliados a inadequação da ingestão de nutrientes e os fatores interferentes na ingestão energética de idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa (MG).Entretanto. colón-reto. é de extrema importância a realização de investigações que retratem a realidade alimentar da terceira idade. cada vez mais importante.

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Casuística A unidade amostral deste estudo foi o idoso, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos, matriculado no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa-MG. O referido Programa tem como objetivo principal promover a melhoria da qualidade de vida dos idosos. No PMTI, os idosos participam de atividades educativas (palestras), físicas, recreação, atendimento médico, odontológico e nutricional. Para todas as variáveis estudadas obteve-se amostra mínima de 163 idosos, que foi calculada considerando uma freqüência máxima esperada de idosos igual a 12% e um erro amostral de 5%.14 Participaram deste estudo 164 idosos matriculados no PMTI de Viçosa (MG), que corresponde a 11,7 % do total de idosos matriculados no PMTI. Estes foram selecionados aleatoriamente pelo seu número de matrícula, utilizando-se a tábua de números aleatórios. A coleta de dados foi realizada por um único entrevistador no Ambulatório de Atendimento Nutricional do Núcleo de Saúde Pública do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa. Métodos O consumo de macro e micronutrientes dos idosos participantes deste estudo foi avaliado utilizando-se a média obtida com base em dois tipos de inquéritos dietéticos, ambos aplicados uma vez em cada participante: o Recordatório de 24 horas e o Questionário de Freqüência de Consumo Alimentar Semi-quantitativo (QFCA-s). A inadequação da ingestão de micronutrientes pelos idosos foi calculada com base nas Ingestões Dietéticas de Referência (Dietary Reference Intakes - DRIs) do Institute of Medicine/Food and Nutrition Board, considerando a Necessidade Média Estimada (Estimated Average Requirement - EAR) como ponto de corte, exceto para o cálcio, o qual foi avaliado tendo-se como parâmetro de comparação, a Ingestão Adequada (Adequate Intakes - AI).15-18 Para o cálculo da inadequação da ingestão de macronutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas) e energia utilizou-se as recomendações Institute of Medicine/Food and Nutrition Board.19 Por meio de um questionário foram coletados dados sobre algumas variáveis socioeconômicas (renda, escolaridade, composição familiar) e de saúde (prática de atividade física, tabagismo, ingestão de álcool, saúde oral e uso diário de medicamentos) para verificar sua possível interferência sobre o consumo de energia. O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Viçosa (MG) — processo nº 643/02. Os idosos selecionados e que aceitaram participar do estudo, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Com relação aos idosos analfabetos foi exigida a assinatura de um familiar ou responsável.

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Os dados foram analisados utilizando-se os softwares Epi Info versão 6.02 e Sigma Stat versão 2.0. Para analisar as variáveis categóricas foi aplicado o teste do Qui-quadrado (c2). Aplicou-se o teste de aderência de Komolgorov-Smirnov às variáveis contínuas. Para a comparação de dois grupos, onde a distribuição não foi simétrica, utilizou-se o Teste de Mann-Whitney e para comparar três ou mais grupos utilizou-se o teste de Kruskal Wallis complementado pelo Procedimento de Comparações Múltiplas de Dunn’s. O nível de significância adotado foi igual ou inferior a 0,05 ou 5%. RESULTADOS Participaram deste estudo 44 homens e 120 mulheres. No PMTI a maioria dos idosos matriculados (69%) é do sexo feminino. A idade mediana dos idosos foi igual a 68 anos, sendo a mínima igual a 60 anos e a máxima 90 anos. Apesar do PMTI oferecer atividades físicas orientadas, a prevalência de sedentarismo foi elevada, sendo significativamente maior entre os homens (49,5%) em relação às mulheres (54,2%) (p=0,0056). O edentulismo (perda total dos dentes) atingiu 81,7% dos idosos. O uso diário de medicamentos foi relatado por 81,1% dos idosos, sendo maior entre as mulheres (88,3%) em relação aos homens (61,4%) (p=0,0003). Os idosos utilizavam em média 2,35 medicamentos/dia (feminino=2,60 e masculino=1,68, p=0,008). Com relação à composição familiar, 12,3% dos idosos moravam sozinhos, 17,9% com cônjuge, 47,5% com filhos e 22,2% com filhos e netos. Um percentual de 45,4% dos idosos vivia com uma renda familiar per capita inferior a um salário mínimo (SM), 40,1% entre um a dois SM e 14,5% acima de 2 SM. A Tabela 1 mostra a mediana e a freqüência de inadequação do consumo de micronutrientes. Com exceção do ferro e colesterol, todos os outros micronutrientes apresentaram elevada prevalência de inadequação entre os idosos. A prevalência de inadequação foi maior entre homens para vitamina C, vitamina A, vitamina B2. Já as prevalências de inadequação de vitamina B1, B6 e ferro foram maiores entre as mulheres. No entanto, não houve diferença significativa entre as proporções de inadequação em relação ao sexo. A ingestão média de carboidratos foi superior à ingestão dietética de referência (IDR = 130g/dia) para ambos os sexos (Tabela 2). Ao todo 74,4% dos idosos ingeriam mais que 130 gramas de carboidratos por dia. A ingestão média de proteínas foi baixa. Ao todo 84,1% dos idosos apresentaram ingestão de proteínas abaixo do recomendado para o sexo masculino (56 g/dia). Já entre as idosas 75% ingeriam menos proteína que o recomendado (46 g/dia). Considerando a ingestão de proteínas por quilograma de peso corporal observou-se que 79,3% dos idosos apresentaram ingestão média diária abaixo do recomendado (0,8 g/kg/peso corporal), sendo a ingestão média do sexo masculino e feminino igual a 0,61± 0,20 e 0,64 ± 0,24 g/dia, respectivamente (Tabela 2). A presença de edentulismo e sedentarismo associou-se negativamente com a ingestão de proteínas (p<0,01).

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Tabela 1. Inadequação da ingestão de nutrientes de idosos do PMTI, de acordo com o sexo, Viçosa (MG), 2002

Tabela 2. Ingestão média diária de macronutrientes, de idosos do PMTI, Viçosa-MG, 2002.

De acordo com as IDRs,19 a distribuição percentual aceitável de macronutrientes deve estar entre 45-65%, 20-35%, 10-35% para carboidratos, lipídeos e proteínas, respectivamente. A Tabela 2 mostra a distribuição percentual média de macronutrientes para os idosos avaliados. Todos apresentaram ingestão percentual de macronutrientes dentro das faixas recomendadas. A ingestão média de fibras totais foi igual a 16,8 ± 5,8 g/dia para o sexo masculino e 15,5 ± 5,11 g/dia para o sexo feminino. Apenas 9,2% das mulheres atingiram a recomendação diária de fibras totais (21 g/dia) e todos os homens ficaram abaixo da recomendação para o sexo masculino (30 g/dia).

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todos ficaram abaixo da EER. AF= faz atividade física. CF1= mora sozinho. sedentários e que usavam algum medicamento diariamente. NED= não edêntulo.2% ingeriam energia abaixo da EER (valor recomendado) e entre os homens.A maioria dos idosos apresentou ingestão energética inadequada. Mediana de ingestão de energia de idosos do PMTI. segundo variáveis sociais e de saúde. de acordo com o quartil de renda. No PMTI a ingestão energética dos idosos associou-se positivamente com a renda.05). sendo que houve diferença significativa entre o quarto quartil e os dois primeiros (Gráfico 1). Viçosa (MG). 2002 * p<0. NUMED= não usa medicamento. Gráfico 2.01. 2002 196 . Kruskal-Wallis complementado por Dunn’s. Os idosos que moravam sozinhos (CF1) ou em domicílios com três gerações (CF4) apresentaram menor ingestão de energia em relação aos demais e o grupo de idosos que vivia somente com o(a) parceiro(a) apresentaram maior ingestão sem diferença significativa (p>0. CF2= casal. UMED= usa medicamento. a ingestão de energia foi significantemente menor (Gráfico 2). CF4=3 gerações. NAF= não faz atividade física. Entre as idosas. teste de Mann-Whitney. 94. CF3=2 gerações. **p<0. Entre os idosos edêntulos. * Q4> Q1 e Q2 (p<0.05).05. Legenda: ED=edêntulo. Gráfico 1. Mediana de ingestão energética de idosos do PMTI. Viçosa (MG).

1 mg/dia) e Lasheras. Fonseca e Pedrosa29 realizaram um estudo com 95 idosos piauienses no qual 62. v.2. uma vez que houve uma importante redução nos parâmetros de avaliação da adequação da dieta utilizados na última década. Os poucos estudos sobre o consumo de vitaminas em idosos. p. Fornes e Maucci20 encontraram níveis de ingestão de ferro igual para ambos os sexos (10.23 Além disso a baixa renda dos idosos dificulta o acesso a diversos alimentos ricos em vitaminas e minerais. frequentemente observada neste grupo populacional. Gonzáles.5% não sabiam que a falta de cálcio favorecia a ocorrência da osteoporose. evitando alimentos de consistência firme. especialmente na forma cru. Portanto a ingestão adequada de nutrientes é fundamental para a manutenção da saúde em qualquer fase da vida.27. Cervato. n. Outros estudos também encontraram ingestão média de cálcio abaixo das recomendações para ambos os sexo.0 g/dia para homens e mulheres.20 O baixo consumo de vitaminas encontrado é semelhante ao de outros estudos. 2008 197 .25. 20.26 A ingestão de cálcio pelos idosos do PMTI ficou abaixo do valor recomendado (Tabela 1).28 Velasquez-Melendez. Carvalho.Revista Baiana de Saúde Pública DISCUSSÃO Várias patologias têm sua origem na deficiência ou excesso de nutrientes. Martins. o que pode causar importante prejuízo aos idosos. bem como a utilização de diferentes metodologias dificultam a comparação dos resultados. sendo a mediana de ingestão igual a 414 mg/dia para homens e 240mg/dia para mulheres.18 A ingestão média de ferro encontrada entre os idosos do PMTI foi menor a encontrada por outros autores. Cervato.24 A baixa prevelência de inadequação no consumo de ferro observada neste estudo deve ser analisada com cuidado. Patterson e Fernández21 encontraram médias iguais: 11. Martins.32.190-202 maio/ago. Fornes e Maucci 20 também encontraram baixos valores de ingestão de cálcio. favorecendo a ingestão inadequada de vitaminas.3 e 9. como carnes ou vegetais e frutas crus. passando de 10mg/dia (RDA/89) para 6mg/dia para homens e 5mg/dia para mulheres (EAR/DRI-s. 2002). A ingestão deficiente de cálcio durante a vida está associada com aumento do risco de osteoporose. a elevada prevalência de edentulismo pode limitar o consumo de hortaliças e frutas crus. Velasquez-Melendez. respectivamente. A carência de ferro está associada a uma diminuição da imunidade celular e conseqüente aumento da susceptibilidade a infecções.21 Segundo Jaime e Monteiro22 a ingestão deficiente de vitaminas e minerais. Existem evidências de que pessoas com perda total dos dentes ou com próteses mal ajustadas apresentam dificuldades para mastigar e engolir. Entre os idosos do PMTI. Garcia. é decorrente da baixa ingestão de hortaliças e frutas.21. especialmente em mulheres após a menopausa.

o controle da ingestão de lipídios.11 A ingestão de colesterol e o percentual de lipídeos consumido estava dentro das recomendações. Segundo Campos. Gonzáles. Além disso. sendo estas a maior causa de mortalidade entre eles.34 As medianas de renda per capita dos grupos CF1. Uchoa e Lima-Costa33 em idosos da região metropolitana de Belo horizonte (72.1. alguns efeitos adversos dos medicamentos (anorexia. Mattos e Martins30 evidenciaram consumo médio de 24 g/dia de fibras em indivíduos com idade entre 20 e 88 anos. a ingestão protéica de idosos é assunto controverso. especialmente de origem animal. Monteiro e Ornelas 7 o uso frequente de medicamentos pode prejudicar os processos de digestão. Lasheras.32 A prevalência do uso de medicamentos entre os idosos do PMTI foi um pouco superior a encontrada por Loiola Filho.28 A ingestão inadequada de fibras encontrada no PMTI pode estar associada ao edentulismo que dificulta a mastigação de vegetais crus. Por outro lado.21. mesmo com o uso de próteses. náuseas.8 A maioria dos idosos do PMTI moravam em domicílios multigeracionais. Além disso. diminuição do paladar) também contribuem negativamente para o consumo alimentar. Tannus e Rigo et al.34. CF2 e CF3 foram significantemente maiores que a do grupo CF4 (p<0. Dessa forma. deve ser incentivado.6 a alta prevalência de baixo peso entre idosos eleva as necessidades de ingestão de proteínas. Garcia.23.O consumo elevado de gordura aumenta o risco de doenças cardiovasculares. O baixo consumo de energia observado entre os idosos que moravam sozinhos (CF1) e em domicílios com três gerações (CF4) pode ser decorrente da solidão. Entre os idosos. Entretanto não foi investigado neste estudo a composição de lipídeos ingeridos.31.7 g/dia para homens e mulheres. no qual os idosos moram com filhos e netos.04 e 13.. Estes resultados sugerem que esse arranjo familiar. pobreza e descuido. pode estar associado às condições econômicas da família. doenças crônicas que diminuem a capacidade funcional do rim e do fígado reduzem as necessidades de proteínas.1%).01). Patterson e Fernández21 encontraram um consumo médio de de 14. Outros autores encontraram uma média igual 4. Paiva. Segundo Ferriolli. o uso de próteses mal ajustadas tornam a alimentação uma atividade desconfortável. A baixa ingestão média de proteínas observada no PMTI foi diferente de outros estudos que encontraram médias de ingestão diária entre 60 e 70 g/dia. respectivamente.28 A perda dos dentes pode comprometer a ingestão alimentar. Miranda. uma vez que a capacidade mastigatória diminui. absorção e utilização dos nutrientes. Moriguti. pois este grupo etário apresenta uma alta prevalência de doenças cardiovasculares.35 198 .1 g/dia. aumentando o risco de baixo peso entre idosos.

5. Jintaridhi P Vorasanta . Zandstra EH. S. Vudhivai N. 4. R.13:11-23. dietary intake. Bras. 3. Aspectos do metabolismo energético e protéico em idosos. v. JAAC. Padrão alimentar de diferentes estratos socioeconômicos residentes em localidade urbana da região sudeste. Tannus AES. Souza ALM. Geront. Ornelas APRC. 2000. Food Quality and Preference 2000. R. Saúde Públ. REFERÊNCIAS 1. Sigulem DA. Cintra IP Von der Heyde MED.2. Diante dos resultados encontrados faz-se necessária a intensificação das medidas de educação nutricional para a melhoria do consumo alimentar dos idosos. Ferriolli E. Os fatores que interferiram negativamente na ingestão de energia foram: a baixa renda.13(3):157-65.28(3):187-91. et al. bem como a implantação de políticas de saúde especiais para este grupo populacional. Arch.35(1):52-9. 6. Cad. Social and physiological factors affecting food intake in elderly subjects:an experimental comparative study. and antropometry of an informal social group of thai elderly in Bangkok. quase todos os idosos apresentaram baixa ingestão energética e alta prevalência de inadequação no consumo de proteínas. vitaminas e minerais. morar sozinho ou com três gerações.Revista Baiana de Saúde Pública CONCLUSÃO Os resultados mostram uma situação alimentar preocupante. Monteiro JBR. Graaf C. 30:245-60. R. Barreto SAJ. n. Sampaio LR. Phonrat B. 1994.11:397-403.ibge.br]. Campos MTFS. Taddei . Alim. Mathey MFAM. Fatores que afetam o consumo alimentar e a nutrição do idoso. R. 2008 199 . Sachs A. Análise da composição dos gastos com alimentação no município de São Paulo (Brasil) na década de 1990. Saúde Públ. Staveren WAV. que muitas vezes apresentam importante relação com a ingestão alimentar. uso de medicamentos e o sedentarismo. Geriatr. Miranda SC. p. 2001. et al. Schmitz BAS. edentulismo. 8. Najas MS. 2000.19/20:19-30. Nutr. Soc. 7. uma vez que. Moriguti JC. Extraído de [http://www. Andrezza S. Deve-se lembrar que a terceira idade é o grupo etário mais atingido pelas doenças crônicas não transmissíveis. 2000. et al.190-202 maio/ago.gov. Brasil. Nutr. Cyrillo DC. Rigo R. Nutrição 1997. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE. acesso em [30 de julho de 2003]. Métodos de inquéritos dietéticos. Pongpaew P Tungtrongchitr R. . Activity.32. Franceschini SCC. Paiva CE. Guedes ACB. Resultados preliminares do censo 2000. 2.

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Os métodos empregados foram baseados nos recomendados pela Associação Americana de Saúde Pública.8% apenas REGULAR e somente 6. nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA).203-217 maio/ago.Universitário. 43. Jorge Luiz Fortuna. 2008 203 . As amostras da água foram submetidas a pesquisa de coliformes termotolerantes. pela técnica de semeadura em profundidade.4%). manipuladas e processadas. Ao avaliar as Boas Práticas de Higiene dos ambulantes. a b Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).5% como RUIM.2% classificados como BOA. utilizando a técnica do Número Mais Provável (NMP) e a contagem padrão em placas de bactérias aeróbias mesófilas. Mestre em Higiene e Processamento de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF).Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA E HIGIÊNICO-SANITÁRIA DA ÁGUA DE COCO COMERCIALIZADA EM CARRINHOS AMBULANTES NOS LOGRADOUROS DO MUNICÍPIO DE TEIXEIRA DE FREITAS (BA) Danielle Barros Silva Fortunaa Jorge Luiz Fortunab Resumo O consumo da água de coco verde no Brasil é crescente e significativo. Ambulante. Nenhum foi classificado como EXCELENTE. classificando estes produtos como impróprios para o consumo humano.32.995-000. em 25 (78. podendo servir de veículo de contaminação dos alimentos e bebidas. M. Kaikan. Das 32 amostras de água de coco analisadas. obtiveram-se os seguintes resultados: 12. Universidade do Estado da Bahia (UNEB). s/nº . Departamento de Educação – Campus X. Docente da disciplina Microbiologia do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Foram analisadas 32 amostras de água de coco in natura. Coliforme termotolerante. Sc.5% classificados como PÉSSIMO. Av. CEP: 45. 37. Este trabalho tem como objetivo geral avaliar a qualidade microbiológica e higiênico-sanitária da água de coco comercializada em carrinhos ambulantes com serpentina para refrigeração. jfortuna@uneb.1%) houve crescimento de bactérias aeróbias mesófilas e em 11 (34. constatou-se a presença de coliformes termotolerantes acima do número permitido por lei. Teixeira de Freitas-BA. A atividade ambulante é geralmente exercida por pessoas não treinadas.br v. p. Endereço para correspondência: Prof.2. de 16 diferentes carrinhos ambulantes equipados com serpentina para refrigeração. n. Palavras-chave: Água de coco.

5% as BAD. cuja grande demanda é suprida. Itinerant. busca a modernização e profissionalização nos processos de plantio. INTRODUÇÃO O consumo da água de coco verde no país é crescente e significativo. in 25 (78. com este incentivo. Water samples were subject to the Most Probable Number (MNP) thermotolerant coliforms research technique and to pour plate technique for mesophil bacteria standard aerobic plate count. serving as possible vehicle of foods and drinks contamination.1 Este crescimento vem estimulando a produção agrícola do coco verde que. pois depende da logística do fruto in natura até estes locais. None was graded as EXCELLENT. Key words: Coconut water.MICROBIOLOGICAL QUALITY AND HYGIENIC-SANITARY ASSESSMENT OF COCONUT WATER IN STREET CARTS IN TEIXEIRA DE FREITAS CITY Abstract Coconut water consumption in Brazil is increasing and noteworthy. colheita. thermotolerant coliforms presence was evidenced above allowed number. assessing microbiological and hygienicsanitary quality of coconut water of sold in coil refrigerated itinerant carts in Teixeira de Freitas (BA) city streets. When assessing itinerant merchants’ Good Practices in Hygiene.2% classified as GOOD. classifying these products as inappropriate for human consumption. para garantir ainda mais o crescimento do mercado. O apoio da mídia foi fundamental para disseminar a importância e os benefícios que o consumo proporciona à saúde humana. 37. The itinerant activity is generally performed by untrained people. devido às diversas contaminações que podem ocorrer durante seu deslocamento sob elevadas temperaturas e prolongado tempo.2 O consumo em locais distantes de sua região de origem sempre foi problemático.5% were graded as VERY BAD. Methods recommended by the American Public Health Association were employed. basically. This study aims at. Thermotolerant coliforms. 32 in natura manipulated and processed coconut water samples were analyzed from 16 different coil refrigerated itinerant carts. o que ocasiona comprometimento da qualidade do produto. Out of the 32 samples of coconut water analyzed.8% as REGULAR and exclusively 6. pela extração da água do fruto in natura.3 204 .4%). principalmente. distribuição e comercialização. only 43.1%) there was aerobic mesophil bacteria growth and in 11 (34. the following results were obtained: 12. A popularização desta bebida desencadeou um aumento progressivo de seu consumo.

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A crescente acessibilidade do consumidor de cidades não litorâneas à água de coco deve-se, além da ampliação logística do produto, às criativas maneiras que os comerciantes encontraram para disponibilizar esta iguaria nos centros urbanos. Exemplo disso é a recente criação de carrinhos ambulantes que apresentam serpentina de refrigeração, destinados à comercialização da água de coco. Entretanto é importante salientar que a atividade ambulante é geralmente exercida por pessoas não treinadas que, ao manusearem o alimento, por desconhecimento e/ou maus hábitos de higiene, podem servir de veículos de contaminação dos alimentos e bebidas. É necessário e urgente que este profissional, mesmo que atue de maneira informal no mercado de trabalho, tenha consciência dos danos que pode causar à saúde do consumidor, da importância de seu papel e de como deve exercer seu ofício para atender às recomendações das leis sanitárias vigentes. Tendo em vista a importância da venda de alimentos por ambulantes para a população, ressaltando as boas condições higiênico-sanitárias para a garantia da Segurança Alimentar na manipulação dos alimentos, este trabalho tem como objetivo geral avaliar a qualidade microbiológica e higiênico-sanitária da água de coco comercializada em carrinhos ambulantes com serpentina para refrigeração nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA) e verificar sua conformidade com as leis sanitárias vigentes. A pesquisa tem como objetivos específicos: (1) verificar a presença de coliformes termotolerantes nas amostras de água de coco coletadas, com o uso da técnica do Número Mais Provável (NMP); (2) enumerar bactérias aeróbias mesófilas das amostras de água de coco mediante a Contagem Padrão em Placas; e (3) investigar as condições higiênico-sanitárias dos vendedores ambulantes de água de coco. METODOLOGIA Foram analisadas 32 amostras de água de coco in natura, manipuladas e processadas, coletadas em 16 diferentes carrinhos ambulantes equipados com serpentina para refrigeração, comercializadas nos logradouros do município de Teixeira de Freitas, localizado no extremo sul da Bahia. Foram coletadas duas amostras de água de coco in natura, comercializadas em copos descartáveis de 300 ml, adquiridas pela compra direta com os ambulantes dos carrinhos, durante a primeira quinzena de junho de 2007, uma no período da manhã, entre nove e onze horas e outra no período da tarde, entre quinze e dezessete horas. As amostras foram acondicionadas em frascos de vidro devidamente esterilizados em autoclave e encaminhadas em recipiente isotérmico para o Laboratório de Microbiologia da Universidade do Estado da Bahia – Campus X, Teixeira de Freitas (BA), para a realização imediata da análise.

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Os métodos empregados foram baseados nos recomendados pela Associação Americana de Saúde Pública — American Public Health Association (APHA). As amostras da água foram submetidas à pesquisa de coliformes termotolerantes utilizando a técnica do Número Mais Provável (NMP)4 e à contagem padrão em placas de bactérias aeróbias mesófilas, pela técnica de semeadura em profundidade (pour plate).5, 6 O resultado obtido como NMP/ml da amostra permitiu avaliar a qualidade microbiológica da água de coco, conforme os padrões estabelecidos pela Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001.7 Para cada amostra coletada de água de coco foi feita a medida de temperatura e de pH. A determinação de temperatura foi realizada utilizando-se um termômetro digital portátil, do tipo espeto, com um intervalo de determinação de temperatura de -10°C a 110°C no ato da coleta das amostras. O pH foi determinado utilizando-se um pHmetro digital portátil (Corning pH-10 Mite®), no próprio Laboratório, após a retirada da alíquota de 10 ml para a obtenção das diluições. Para avaliar as Boas Práticas de Higiene dos manipuladores foi utilizado um instrumento de medição de qualidade. Um pequeno guia de verificação ou check-list (Figura 1) do

Figura 1. Modelo da ficha de avaliação higiênico-sanitária dos manipuladores de água-de-coco comercializada em carrinhos nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA). Jun. 2007. 206

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tipo entrevista direta com os 16 responsáveis pela manipulação dos cocos, dos respectivos carrinhos ambulantes, sobre a prática de higiene-sanitária, no que diz respeito ao produto a ser comercializado. Além disso, foram observadas as principais etapas da comercialização rotineira da água de coco in natura pelos ambulantes, desde o armazenamento do fruto e sua abertura até o acondicionamento nos copos plásticos descartáveis. RESULTADOS E DISCUSSÃO Das 32 amostras de água de coco analisadas, a temperatura no momento da coleta variou entre 4,1°C e 20,5°C e pH de 4,25 e 6,30. Das 32 (100%) amostras, 27 (84,38%) apresentaram temperatura acima do padronizado por lei (máximo de 5,0°C), conforme a RDC nº 218. Quatorze (43,75%), tiveram pH fora dos padrões preconizados pela literatura científica (4,55,5).8 O efeito da temperatura do produto não só acelera o crescimento microbiológico como também altera a aparência e o sabor da água. Tal desenvolvimento pode estar relacionado com a composição nutricional da água de coco.9 Ocorreu em 25 (78,1%) o crescimento de bactérias aeróbias mesófilas e em 11 (34,4%), constatou-se a presença de coliformes termotolerantes acima do número permitido por lei (Tabela 1). Estes resultados possibilitaram a classificação destes produtos como impróprios para o consumo humano. De acordo com a RDC nº 12, os sucos e refrescos in natura, incluindo água de coco, caldo-de-cana, de açaí e similares, isolados ou em misturas, tolera o número máximo de 10² de coliformes a 45°C (coliformes termotolerantes) por mililitro (ml).7 Não há um padrão para bactérias aeróbias mesófilas para estes produtos. Com relação aos resultados obtidos na contagem de bactérias aeróbias mesófilas, é importante observar que, segundo a legislação vigente, a detecção deste grupo de microrganismos numa amostra de água de coco não a torna imprópria para o consumo humano, mas permite uma avaliação das condições higiênico-sanitárias das amostras analisadas.10 Os cocos encontravam-se armazenados dentro e fora do carrinho. Do lado de dentro foi constatada a presença de lixo. Do lado de fora, os comerciantes os deixavam expostos sobre a tampa do carrinho, sob o pretexto de ser uma boa estratégia de venda, atraindo os consumidores. Algumas vezes, os cocos ficavam pelo chão, no meio-fio da calçada urbana. A higienização dos cocos nem sempre era feita, e quando ocorria, utilizavam pano úmido. O lixo (casca de cocos e copos descartáveis) geralmente se encontrava acondicionado em sacos de lona ou caixotes de papelão, que eram recolhidos pelo caminhão de coleta de lixo da Prefeitura. A limpeza dos carrinhos e serpentinas, geralmente, segue um esquema estabelecido pelo vendedor ambulante, de acordo com sua própria idéia de “necessidade”, o

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outros somente água. Resultados das análises das amostras de água-de-coco coletadas dos carrinhos ambulantes nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA). uma vez por semana a uma vez por mês. geralmente. alternadamente.que varia entre dois em dois dias. Na serpentina. por exemplo. Alguns utilizam xampu. Junho / 2007. 208 . Tabela 1. é utilizada água fria e água fervente. A limpeza do carrinho é feita com detergente e água na maior parte dos casos. Interessante notar que alguns vendedores dão maior prioridade à limpeza dos carrinhos. que é lavada somente uma vez por mês. em vez da serpentina. limpando-os toda semana.

62.5% receberam algum tipo de treinamento.5% têm algum local para higienização das mãos. uso de panos sujos para limpar as mãos. roupas. 94. Teixeira de Freitas (BA). já que este não apresenta torneira e/ou pia (Gráfico 1).32. medidas que propiciam a contaminação por microrganismos patogênicos. 2008 209 . a lavagem das mãos compreendia apenas o uso de água. como manipulação do dinheiro.8% apresentavam unhas limpas e aparadas. a freqüência de higienização das mãos encontrada foi muito baixa.7% dos pontos de venda não apresentavam pessoas distintas para manipulação de alimentos e de dinheiro. no momento da coleta.7% dos vendedores usavam adornos nas mãos.Revista Baiana de Saúde Pública Neste trabalho verificou-se que 18. 62. Jun.12 Em outra pesquisa. Resultado dos itens analisados na observação (check-list) dos ambulantes comerciantes de água de coco. 81.11 Assim como em outro estudo. Gráfico 1. 2007. Ao mesmo tempo. todos não usavam luvas. n. Alguns destes resultados contrastam com os encontrados na cidade de São Paulo. unhas e mãos sujas. nos quais os percentuais foram de 83% dos manipuladores usando adornos nas mãos e 30% apresentando unhas limpas e aparadas.3% tinham os cabelos protegidos. foram observados entre os comerciantes diversos procedimentos de higiene inadequados. porém este local não é no carrinho.13 v. manipulavam alimento e dinheiro ao mesmo tempo.203-217 maio/ago. Estes resultados revelam oportunidades das mãos funcionarem como carreadoras de microrganismos para os alimentos comercializados. para 39%. p. porém apresentavam algum esquema de limpeza do carrinho.2. 43.

portanto. sem lavar as mãos. impulsionado pelo desemprego e busca de uma alimentação rápida e de baixo custo. um fenômeno crescente. a manipulação dos alimentos e do dinheiro pela mesma pessoa.7% disseram nunca ter recebido nenhum tipo de treinamento para manipulação correta dos alimentos. No Brasil. sendo. Williams e Paulson16 encontraram baixo percentual de uso de luvas no preparo dos alimentos. Fendler. existem controvérsias sobre sua eficácia com relação à higiene dos alimentos.5%) afirmaram ter recebido treinamento informal para manuseio dos cocos. foi indicada como um fator de risco relacionado às altas contagens de bactérias aeróbias mesófilas. estudos realizados com alimentos comercializados por ambulantes em diversas regiões demonstraram que este tipo de produto pode representar um risco para a saúde pública. principalmente. a respeito dos coliformes termotolerantes.3% das amostras analisadas. Dolan. A luva funciona como uma barreira física. entretanto.18 Em estudo sobre a qualidade microbiológica de amostras de água de coco vendidas por ambulantes na cidade de São José do Rio Preto (SP). Esta atividade implica. constataram a presença de E. coli acima do permitido em 8. não mostraram relação significativa entre o não uso de luvas e as altas contagens de bactérias indicadoras encontradas nos alimentos. extraídas do questionário aplicado aos comerciantes durante a coleta das amostras. considerada potencialmente capaz de causar enfermidades veiculadas por alimentos. aumentando os níveis de umidade e nutrientes necessários para seu desenvolvimento. mas está sujeita a rompimentos e. evidenciando prováveis deficiências nas diversas etapas do processo.Dentre os vendedores ambulantes entrevistados. Entretanto foi verificado que na maioria dos carrinhos 15 (93. Dos fatores de risco citados.15 Quanto ao uso de luvas no preparo de alimentos. 10 (62. na produção e preparação de alimentos por pessoas não capacitadas. foram analisadas em conjunto com os resultados das análises microbiológicas. as condições higiênico-sanitárias estavam em desacordo com o exigido pela RDC nº 218. equipamentos e noções de higiene.14 As informações sobre os procedimentos realizados pelos manipuladores que comercializavam água de coco nos carrinhos. pode facilitar o crescimento de microrganismos na pele. Uma pesquisa realizada entre manipuladores de alimentos no município de Teixeira de Freitas (BA) constatou que 57. entretanto.1% dos entrevistados não lavavam as mãos durante a manipulação dos alimentos comercializados. de fato.17 O comércio ambulante de bebidas e alimentos é. Os resultados demonstraram qualidade microbiológica inadequada. falta de cuidados higiênico-sanitários e 210 . pois tapam as mãos.8%). A lavagem adequada das mãos seria mais eficiente para a remoção ou diminuição dos microrganismos. 60.

uma vez que a água de coco apresenta-se estéril dentro de seu próprio invólucro natural. mas envolver os hábitos e costumes tradicionais que. por si só. e o consumo cada vez maior deste produto. Os serviços de fiscalização municipais.32. observa-se que os vendedores ambulantes transferem para os carrinhos suas formas de convívio doméstico com os alimentos e fômites. p. n. Se seus hábitos incorporam higiene. constituem-se em risco à saúde. o público está sujeito à ingestão de alimentos inadequados. dirigidos aos manipuladores de alimentos. à utilização de utensílios mal protegidos e a outros perigos do ponto de vista da saúde pública. As atividades exercidas nos carrinhos ambulantes guardam semelhanças com as atividades que se realizam no âmbito doméstico. programas de treinamento sobre esta temática.2.21. A presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal significa necessariamente contaminação por manipuladores. 2008 211 . deveriam ser constantemente implementados com vistas a diminuir os riscos à saúde pública. utensílios e da própria unidade de produção. sua comercialização nas condições atuais de higiene põe em risco a saúde do consumidor. bolores e leveduras. em que os resultados das análises microbiológicas apresentaram contaminação elevada por coliformes termotolerantes. Neste sentido. no mais amplo sentido. uso de material descartável etc. Esse treinamento se caracterizaria como um conjunto de ações educativas organizadas com a finalidade específica de aprimorar uma competência ou conjunto de competências de um indivíduo ou do grupo. em particular sua contaminação. Os resultados deste estudo são concordantes com o estudo deste mesmo produto comercializado na cidade de Salvador (BA).23.20 Sabe-se que os alimentos contaminados por microrganismos durante todas as etapas do processo produtivo podem acarretar as conhecidas Doenças Veiculadas por Alimentos (DVA). respeitando os hábitos e a cultura alimentar e que sejam seguros nos aspectos higiênico-sanitários.203-217 maio/ago. 24 A desinformação do consumidor deve merecer preocupação específica dos profissionais higienistas alimentares. Assim. principalmente durante os dias mais quentes.. que deverá abranger não somente a educação formal. Há estudos que apontam o manipulador de alimentos como o veículo implicado.19 Devido à rápida proliferação dos carrinhos ambulantes com serpentina para comercialização de água de coco em Teixeira de Freitas (BA). para evitar o comprometimento dos alimentos. estaduais e federais devem ser ampliados e receber recursos compatíveis com sua missão social.3 A segurança alimentar implica na garantia do acesso aos alimentos em quantidade adequada (qualidade nutricional). Assim.Revista Baiana de Saúde Pública sanificação dos equipamentos. Torna-se relevante o treinamento dos manipuladores. Caso contrário.22 sendo a carência de conhecimentos relativos aos cuidados higiênico-sanitários a principal causa. alicerçando-se em legislação que seja: v. deve-se buscar sua educação sanitária. eles são transferidos para o atendimento ao público.

porém sempre com seriedade e rigor. recomenda-se a realização de 212 . é de fundamental importância uma campanha de educação em saúde. não houve alta contaminação por coliformes termotolerantes na água de coco. dos consumidores e dos próprios produtores.26 Para avaliar as Boas Práticas de Higiene dos ambulantes foi utilizado na pesquisa um instrumento de medição de qualidade. Para tanto. consumidores. até o momento.25 O processamento industrial da água de coco virtualmente elimina todos os microrganismos que possam causar algum tipo de doença humana. ser de fácil compreensão entre os usuários. Torna-se importante observar que não há. Já em carrinhos/manipuladores que apresentaram avaliação higiênicosanitária de RUIM a PÉSSIMO. Ao lado dessas medidas. 70-89% (BOA). adotaram-se os seguintes intervalos de classificação referentes à higienização: <30% (PÉSSIMO).28 obteve-se os seguintes resultados: 12. 30-49% (RUIM).5% foram classificados como PÉSSIMO.8% apenas REGULAR e somente 6. Entretanto as características sensoriais deste produto in natura ou envasada a fresco são consideradas superiores à da bebida pasteurizada ou comercialmente estéril. e 90-100% (EXCELENTE). visando mudar a conduta. a bebida fresca é mais barata que a industrializada. mas sim um conjunto de fatores.5% como RUIM. Sendo assim. Os resultados obtidos neste trabalho permitiram constatar-se que se torna de grande importância as Boas Práticas de Higiene em toda a cadeia produtiva e a adequação dos padrões de higiene alimentar no manuseio dos alimentos.17 Ressalta-se que mesmo em alguns carrinhos/manipuladores que apresentavam condições higiênico-sanitárias de REGULAR a BOA foi detectada alta contaminação por coliformes termotolerantes na água de coco. principalmente os relacionados a sua capacitação no que diz respeito às Boas Práticas de Higiene. o papel dos órgãos competentes.27 Com base neste check-list de observação dos ambulantes referente à higienização. assessorados por profissionais da área de alimentação. Para isso.2% classificados como BOA (Gráfico 2 e Gráfico 3). Nenhum foi classificado como EXCELENTE. ou seja. norma e/ou padrão de classificação quantitativa referente às Boas Práticas de Higiene. fundamentada nos mais modernos conhecimentos científicos e aplicada mais com um sentido educativo do que punitivo. um guia de verificação ou check-list. fiscais etc. baseado na RDC nº 275. 43. associada a uma refrigeração adequada durante o transporte e armazenamento. Além disso. mostrando que não há um fator específico que determine as condições higiênico-sanitárias dos comerciantes ambulantes de água de coco em carrinhos. 37. 50-69% (REGULAR). A segurança dos produtos frescos depende fundamentalmente da prevenção de sua contaminação. é fundamental. para este estudo. coerente com a realidade socioeconômica do país. pelo menos a médio prazo.uniforme e abrangente. Esta é uma ferramenta que nos permite fazer uma avaliação preliminar das condições higiênico-sanitárias de um estabelecimento de produção de alimentos.

Jun. No v.203-217 maio/ago. Gráfico 3. Teixeira de Freitas (BA).Revista Baiana de Saúde Pública treinamentos dos manipuladores de alimentos. p. Porcentagem dos itens contemplados na observação (check-list) dos ambulantes comerciantes de água de coco.32. 2007. provenientes de uma manipulação imprópria dos produtos alimentícios. Gráfico 2. Classificação dos carrinhos que comercializam água de coco nos logradouros do município de Teixeira de Freitas-BA. após avaliação higiênico-sanitária.2. 2008 213 . n. Teixeira de Freitas (BA). 2007. a fim de minimizar ou sanar as altas contagens de bactérias aeróbias mesófilas e coliformes termotolerantes. Jun. CONCLUSÕES Este estudo possibilitou verificar que os ambulantes desconhecem as técnicas adequadas de manipulação bem como os procedimentos para assegurar a inocuidade dos alimentos e que as ações para o controle de qualidade dos alimentos tornam-se necessárias.

destaca-se o treinamento dos profissionais envolvidos em sua manipulação. Sendo assim. voltada à conscientização do problema de sanidade do alimento e suas repercussões para o consumidor. Espera-se que a divulgação deste estudo junto aos órgãos competentes como a Vigilância Sanitária instigue maior fiscalização quanto ao comércio ambulante de alimentos. principalmente. proporcionando ao consumidor um alimento com segurança alimentar satisfatória. Juntamente com este trabalho de capacitação aos manipuladores. É importante salientar que a negligência e/ou desinteresse. analisar os dados e em seguida propor alternativas.br/noticias/ 100504. além de maiores estudos sobre a segurança alimentar em toda a sua cadeia produtiva. procedimentos e manuseio dos equipamentos e do produto. Galiza M. [on line] Extraído de: [http://memoria. distribuição e manipulação deste produto. Conseqüentemente. é interessante que seja elaborado um manual de normas padrão para a manipulação e comercialização da água de coco em carrinhos ambulantes com serpentinas. se faz necessário fornecer condições para que todos os profissionais. 214 . comercialização. ratifica-se a relevância do treinamento dos comerciantes ambulantes. Face às características intrínsecas do produto. aliada às ações de educação sanitária por meio de treinamento sobre as Boas Práticas de Higiene no preparo de alimentos. REFERÊNCIAS 1. Os hábitos praticados pelos manipuladores desempenham um papel de grande importância para a sanidade dos produtos. Água de coco em pó facilita a difusão dos benefícios do produto in natura. espera-se que este trabalho seja o início de sucessivos estudos sobre os alimentos comercializados por vendedores ambulantes nos logradouros de Teixeira de Freitas (BA). à presença de perigos na matéria-prima e ao crescente consumo de água de coco no país. ou mesmo a simples desinformação são os principais responsáveis pela ocorrência de Doenças Veiculadas por Alimentos. reconheçam a importância da higiene nesses processos. com informações gerais sobre limpeza.cnpq. Além disso. para a prevenção das toxinfecções alimentares.htm] Acesso em [25 de março de 2007]. e. desde a área de produção à manipulação do alimento. é necessário maior rigor na produção. para que o produto final esteja de acordo com as normas sanitárias vigentes. para que se possa conhecer a real situação deste segmento.caso da venda do coco verde. principalmente para alimentos sujeitos a uma intensa manipulação como o coco verde. CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). sejam informados sobre os principais fatores de risco de contaminação.

2008 215 . Gumerato HF. 2001.) acondicionada em garrafas plásticas. 13. Manual de métodos de análise microbiológica de alimentos. Compendium of methods for the microbiological examinations of foods. Boas práticas de fabricação e aplicação do sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle no processamento de água de coco. Faria JAF. Coelho DA.19 suplemento CD-ROM. In: Anais do 41º Congresso Brasileiro de Olericultura. Pimentel SS. 6. 1992. Silva N. 5. Revista Higiene Alimentar 2004. MG. Castro MFPM. Schmidt FL. Lucca A. 12.21(151):88-92. Regulamento Técnico Sobre Padrões Microbiológicos para Alimentos. Leitão MFF. Avaliação microbiológica da água de coco produzida e comercializada na cidade de Salvador.14(70):64-6. Cachorro-quente comercializado em locais públicos: pontos críticos e características do mercado. Silva PMF. Makishima N. Leite CC. Vanderzant C. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 12.20(144):37-43. Comida de rua: estrutura. Sant’Anna MEB. Carraro CNM. 2001. 10. Moita AW. Cardoso RCV. Leber AS.Revista Baiana de Saúde Pública 2. Splittstoesser DF.203-217 maio/ago. 3rd ed. Ministério da Saúde (MS). 2000. Cresto R. Cerqueira SC. Santana LRR. L. 1995. Brasil. PR. Junqueira VCA. Brasília: Embrapa-SPI. 2ª ed. Carrijo AO. Silva MD. Revista Higiene Alimentar 2006. 3. Revista Higiene Alimentar 2000. 1997. Revista Higiene Alimentar 2007. Santana CS. Veiga S. Washington: American Public Health Association (APHA). 7. 4. Silveira NFA. Assis PN. São Paulo: Varela. Agência Nacional da Saúde (Anvisa). Revista Higiene Alimentar 2004. Rio de Janeiro: Embrapa-CTAA. Análise microbiológica de caldos de cana comercializados nas ruas de Curitiba.18(121):65-76.2. Horticultura Brasileira 2001. 8. Brasília. regulação e higiene em pontos de venda da cidade de Salvador-BA. Brasília. Reis NVB. BA. p.32.18(119):55-8. 9. [Dissertação] São Paulo: Universidade de São Paulo. Moreira LN. Alterações microbiológicas em água de coco (Cocos nucifera. Avaliação de substratos e de casa de vegetação para o cultivo de tomateiro na região de Brasília. Manual de microbiologia de alimentos. Fiorini JE. Lopes G. de 2 de janeiro de 2001. DF. 11. n. Siqueira RS.20(147):40-4. Revista Higiene Alimentar 2006. Avaliação da qualidade microbiológica de águas minerais comercializadas em supermercados da cidade de Alfenas. v.

Perez MP Kraemer FB. Miranda AS. Silva VA. Food and Environmental Sanitation 1998. Havas F. Brasília. Gonçalves MO. 216 . 2003. Santos CLS. Revista Higiene Alimentar 2003. Treinamento de manipuladores de alimentos: uma revisão de literatura. 16. Williams RA. Brasil. Treinamento de manipuladores de alimentos.21(150):529. Paulson DS. Regulamento Técnico de Procedimentos Higiênico-sanitários para Manipulação de Alimentos e Bebidas Preparados com Vegetais. 24. Oliveira TS. Oliveira AM. About the bacteriological state of notes and coins. Stamford TLM. 23. Dolan MJ.21(150):91. Ministério da Saúde (MS) Agência Nacional da Saúde (Anvisa). Silva MA. Paulo EM. Manipuladores de alimento: um fator de risco. Merendeiras. BA. Qualidade microbiológica de amostras de água de coco vendidas por ambulantes na cidade de São José do Rio Preto-SP Revista Higiene . São Paulo: Livraria Varela. Ações . . Neves ZJ et al. Análise microbiológica do caldo de cana (com gelo e sem gelo). 25. Diagnóstico higiênico-sanitário dos manipuladores de produtos alimentícios comercializados em uma praça pública do município de Teixeira de FreitasBA. Bernardi MRV.20(138):15-9. 17. Revista Higiene Alimentar 2007.21(150):481. Góes JAW. . Mansor AP Takahashi CM. Shinhara NRS. 2005. Filho JP Hombre JS. Souza JM. Mattos GRO. Jesus AG. Cunha AH. Revista Higiene Alimentar 2005. Germano MIS. Alimentar 2002.14. comercializado nas ruas de Feira de Santana. Torres SAM. Revista Higiene Alimentar 2007. Fortuna JL. Revista Higiene Alimentar 2006. Dairy. Rocha JF. Effectiveness. Costa EQ. Vinturim TM. 21. 19. 15. Coelho AR. Bellizzi A. Hoffmann FL. Consumo de alimentos de rua em Salvador: o que é que a(o) baiana(o) tem? Bahia Análise de Dados 1999. Magyar Allatorvosok Lapja 2000.17(114/ 115):12-9. Padrão SM. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 218. Toledo SC. Fendler EJ. 20.9(2):89-92.18(12):824-9. de 29 de julho de 2005. 18. Part II. Treinamento de manipuladores de alimentos: fator de segurança alimentar e promoção de saúde. Revista Higiene Alimentar 2007.19(133):36-48. Ribeiro DS. educativas para manipuladores de alimentos: uma promoção de saúde. 22. Handwashing and gloving for food protection.16(97):87-92.8(122):501-3.

Brasília. 28.1. Avaliação das boas práticas através de check-list aplicado em restaurantes self-service da região central de Maringá. Health Sci.203-217 maio/ago. Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados Aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação. 27. [Dissertação]. 2002. Ministério da Saúde (MS). Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).2008 e aprovado em 4. de 21 de janeiro de 2002.Revista Baiana de Saúde Pública 26.2.2008. Genta TMS. 2005. n. Campinas: Universidade de Campinas (Únicamp). Sci. Walter EHM. Brasil.7. Matioli G. 2008 217 . Recebido em 19. Maurício AA.27(2):151-6. v. p.32. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 275. 2005. Act. estado do Paraná. Descontaminação da superfície do coco verde por métodos físicos e químicos e desenvolvimento de Listeria monocytogenes em água de coco fresca.

aderência do rótulo. s/n 3º andar. Tels: (71) 3230-6907/9918-6933.40110 -170. coerência e clareza. Verificou-se que a maioria dos rótulos atendia a legislação em vigor. inscrição “Indústria Brasileira”. Saraivad Ana Cristina Soutob Resumo Neste estudo avalia-se a qualidade das informações e dos rótulos de alimentos embalados. Inconformidades encontradas foram falta do número de lote e visibilidade das informações. importante instrumento de informação ao consumidor e da segurança sanitária e alimentar. por intermédio do Centro Colaborador ISC/Anvisa. mel e lingüiça calabresa. iogurte e leite líquido de diversas marcas. E-mail: augustobas@yahoo.ARTIGO ORIGINAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE SANITÁRIA DOS RÓTULOS DE ALIMENTOS EMBALADOS DE ORIGEM ANIMALa Augusto Amorim Bastosb Maria Helena Belinelloc Tatiana Carla C.br 218 . conforme convênio n° 022. a Este estudo foi financiado com recursos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). legibilidade. d Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras. lingüiça calabresa. As categorias analíticas foram: tipo de alimento. carimbo do serviço de inspeção. Vigilância sanitária. Salvador. lote. Instituto de Saúde Coletiva (ISC). registro no Ministério da Agricultura. CEP . de origem animal. visibilidade. data de fabricação/envase. identificação do produtor. frango congelado. mel. Um maior controle sanitário das informações contidas nos rótulos de alimentos poderá tornar o consumidor mais consciente de seus direitos. Instituto de Saúde Coletiva/Centro Colaborador ISC/ANVISA. no qual as unidades de observação foram os rótulos de alimentos de origem animal comercializados em supermercados das cidades de Barreiras e Salvador (BA). Secretaria Municipal de Saúde de Salvador. b c Endereço para correspondência: Augusto Amorim Bastos. Brasil. Palavras-chave: Alimentos de origem animal. Alimentos com pior qualidade da rotulagem foram ovos. Foram analisados rótulos de ovos. Bahia. validade. informações nutricionais e ingredientes. Este é um estudo descritivo. Universidade Federal da Bahia (UFBA). Canela. Rotulagem de alimentos. instruções sobre armazenamento e conservação.com. Rua Basílio Gama. preparo ou uso.081.

composição.32. ao reforçar a legislação de proteção e defesa da saúde. visibility. Worst label quality foods were eggs. sausage.2. 2008 219 . quantidade. visíveis. quando o rótulo não leva ao consumidor informações claras. os rótulos destes alimentos devem apresentar: nome. both cities located in the state of Bahia. Key words: Animal origin foods. frozen chicken. não obstante as normas sanitárias e do Código de Defesa do Consumidor (CDC). honey and sausage.3 Portanto a vigilância da rotulagem desempenha importante papel no controle sanitário de alimentos com vistas à proteção da saúde da coletividade. legibility. an important instrument for consumer information and food and health safety. p. instructions for preparation or usage. De acordo com as exigências legais. armazenamento e conservação. data de fabricação. n. It is a descriptive study carried out with labels of animal origin food available in supermarkets in Barreiras and Salvador. corretas. Egg. ingredients and nutritional information. especialmente no que se refere à informação na rotulagem. INTRODUÇÃO Inúmeros alimentos embalados. expiration date. v. obrigando-o a fornecer informações ao consumidor. Non-compliance was observed in the lot number and information visibility. lote. register in the Ministry of Agriculture. lot. producer identification. identificação civil do produtor. são colocados à venda no mercado brasileiro sem a devida observância do recomendado pela legislação em vigor. Sua atribuição é detectar possíveis erros que podem ocasionar agravos à saúde da população. label adherence. origin inscription. características. Brazil. carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do MA. número de registro no Ministério da Agricultura (MA). yogurt and liquid milk of several brand names were analyzed.Revista Baiana de Saúde Pública HEALTH QUALITY ASSESSMENT OF LABELS FROM PACKED FOOD OF ANIMAL ORIGIN Abstract The purpose of this study is to evaluate information and the label quality of packed animal food. storage and preservation instructions. formas de preparo e consumo. preços e outras informações inerentes ao produto exigidas pela legislação específica. completas e precisas sobre o alimento exposto à venda.1. Health surveillance. validade. de origem animal. A better health control of food label information can make consumer more conscious of his rights. consistency and clarity. It was observed that most labels were in conformance with the legislation. production/packaging date. 2 A criação do CDC representou um avanço para o controle do risco sanitário de produtos de interesse da saúde. Analytical categories were: type of food. inspection stamp.218-231 maio/ago. responsabilizando o produtor pela qualidade. Food labeling. condições ideais de transporte. honey.

MATERIAL E MÉTODOS Este é um estudo descritivo. capital do estado da Bahia e a cidade de Barreiras. visibilidade. de todas as marcas encontradas. no qual as unidades de observação foram rótulos de alimentos de origem animal selecionados de supermercados de Salvador. lingüiça calabresa. mel. A escolha destes alimentos foi feita com base em: 1) denúncias realizadas por consumidores junto aos serviços de vigilância sanitária sobre a não-conformidade das rotulagens. Os objetivos específicos são: avaliar o tipo e a qualidade das informações constantes nos rótulos de acordo com as normas do Ministério da Saúde (MS). leite líquido desnatado e integral. de origem animal. é essencial para a garantia da qualidade das informações de rotulagem. num total de quinze estabelecimentos. Essas cidades foram escolhidas devido à conveniência operacional e o interesse de profissionais de saúde que ali residiam. dos rótulos de produtos alimentícios embalados. legibilidade. Os dados foram coletados pelos autores. frango congelado. valores nutricionais. o controle sanitário. do MA e CDC.4 denominação de origem. 2) alimentos de grande consumo10 e/ e/ou que integram a cesta básica.5 ausência de rótulo em alimentos clandestinos. acessibilidade a serviços de atendimento ao consumidor. entre maio e junho de 2003. do ponto de vista sanitário. ou situados em bairros 220 . em sete supermercados de Barreiras e oito de Salvador.4. presumivelmente esperado. de 30 de abril de 1938. selecionadas independentemente dos fabricantes. coerência e clareza das informações.9 Este trabalho tem como objetivo principal avaliar a qualidade.11 Não foi realizada amostragem devido à indisponibilidade de cadastro de supermercados e de listagem dos produtos existentes nesses estabelecimentos. Ademais.6-8 Desta forma. definida de acordo com o Decreto Lei n 399. falta do número de registro5 e uso de mensagens confusas que podem levar o consumidor a erros ou riscos à saúde. segundo o tipo de alimento e empresas produtoras. localizada na região extremo-oeste desse estado.Estudos têm demonstrado deficiências nas informações de rótulos de alimentos no que se refere à composição química. Os alimentos examinados foram ovos. de bens materiais e imateriais relacionados à saúde. de grande porte e elevada popularidade. descrever o risco sanitário decorrente da deficiência nos dizeres de rotulagem daqueles alimentos. escolhidos entre aqueles de caráter varejista. avaliar o rótulo quanto a sua aderência. a qualidade reporta-se à noção de atributo intrínseco. responsabilidade do produtor e prestador de serviços. expostos à venda no comércio varejista de alimentos. indicação de ausência ou presença de alimentos provenientes de organismos geneticamente modificados.4. competência da vigilância sanitária. iogurte integral e desnatado com e sem polpa de fruta.

registrando os dados em formulários elaborados para a pesquisa. legibilidade. segurança sanitária. com base na revisão de literatura. visibilidade. armazenamento e conservação. Realizaram-se também reuniões para padronizar os procedimentos de coleta. manifesta. Em seguida. preparo e instrução de uso (quando necessário). do rótulo e informação sobre o atendimento ao consumidor. apresentando os propósitos da pesquisa. e-mail. se dirigiam às seções onde estavam expostos os alimentos de interesse. Permissão para a realização da pesquisa foi solicitada previamente. qualidade da informação. Em todos os dados coletados também foram observadas. visibilidade. a legibilidade. p. carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) ou no Serviço de Inspeção Estadual (SIE). incluindo-se uma cópia do instrumento utilizado para o registro dos dados. coerência e clareza das informações. nítida. perceptível ou que se pode ver. modo de apresentação e conduta nos estabelecimentos. Foram considerados os seguintes requisitos: a) b) c) adequação e coerência em relação às recomendações técnicas. aderência do rótulo. Não houve recusa de participação na pesquisa. data de fabricação/ envase. coerência e clareza da informação. agrupados nestas categorias de análise. identificação do produtor (nome. endereço e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica . ligação gratuita. número de registro no Ministério da Agricultura e Abastecimento. foram: tipo de alimento. ingredientes (se pertinente).CNPJ). O formulário foi estruturado com base nos seguintes construtos: identificação do produto.Revista Baiana de Saúde Pública ou locais de intensa movimentação e alta densidade demográfica. lote. prazo de validade. home page. Em geral. a importância do estudo.218-231 maio/ago. Os dados coletados. compreensível ao entendimento do consumidor12. na legislação sanitária e de defesa do consumidor (Apêndice A). ostentação da informação de forma visível. apresentada aos olhos do consumidor. caixa postal. Os formulários empregados para a coleta de dados foram preparados pelos autores. Inicialmente. ligação paga. estes procedimentos foram realizados sem a presença de funcionários dos supermercados. sem manchas ou borrões.32.12 A visibilidade foi definida como a informação aparente. informações nutricionais. os pesquisadores procuravam o responsável pelo estabelecimento e informavam sobre a coleta de dados. n. clareza como informação inteligível. dispensando qualquer esforço para a sua localização na embalagem. a identificação dos pesquisadores de campo. individualmente. tipos de alimentos que seriam estudados. 2008 221 . Encaminhou-se uma carta a cada estabelecimento. inscrição “Indústria Brasileira”. v.2. d) legibilidade como informação que se pode ler.

Os produtos foram examinados apenas uma vez para cada marca. ainda se encontra com pouco controle sanitário. e a comercialização ser realizada em pequenas quantidades e em períodos sazonais. o que leva à omissão da rotulagem completa do produtor. sendo os mais comuns o iogurte (29. os ovos eram comercializados com embalagens sem nenhuma rotulagem. Vale ressaltar que a ausência desse registro nos rótulos de lingüiça calabresa pode ser resultante da prática da comercialização fracionada no varejo. o mel tem um significado cultural de “pureza”. Isso implica em problemas sanitários. leite líquido (19. Isto pode evidenciar o crescimento da produção deste tipo de alimento e seu maior consumo em nossa sociedade.7%). uso infantil. 222 . e os resultados foram confrontados com o previsto na legislação. frango congelado (14. 11. “energia” e “saúde”.0%). pelo fato de sua produção ser mais comumente artesanal. o que ainda favorece a comercialização de alguns produtos de origem clandestina. leite líquido e frango congelado apresentavam registro no MA. Nos sete supermercados visitados na cidade de Barreiras.5%). constitui-se em alimento “inofensivo”. Afinal.0% para o mel (Tabela 1). inclusive em sua rotulagem. Portanto foram excluídos do estudo. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram coletados dados dos rótulos de 117 marcas comerciais de diversos tipos de alimentos. lingüiça calabresa (11. A análise foi realizada estimando-se freqüências simples das variáveis do estudo por tipo de alimento.Devido a sua importância sanitária. IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO A totalidade dos rótulos de iogurte.1% para ovos e 10. versão 2000. especificamente. indicação de suplementação de cálcio e vitaminas e por causa do desenvolvimento tecnológico e modernização das sociedades. Isto é sugestivo de que pode haver produtos de comercialização clandestina em ambas as cidades.7%). Os dados foram digitados no programa Excel. e carimbo do SIF ou SIE.1%) e ovos (7. justifica-se a não divulgação dos nomes comerciais e as respectivas marcas dos produtos alimentícios estudados que apresentaram irregularidades. Verificou-se um universo maior de marcas de iogurte em relação às demais marcas dos alimentos estudados. ocasionado provavelmente pelo apelo comercial. mel (17. para muitos consumidores. foram observadas e registradas as informações específicas relativas a instruções de uso e preparo adequado dos alimentos. tanto na produção como na comercialização varejista. Como o objetivo principal deste trabalho foi avaliar a qualidade das informações dos rótulos de alimentos embalados de origem animal como um instrumento de informação ao consumidor. Para a maioria da população.8% nos rótulos de lingüiça calabresa. 31.1%). O mel. Todavia faltavam esses registros nos demais.

visando provavelmente dar credibilidade ao produto. trazia em seu rótulo inscrições visíveis da seguinte expressão: “Só Jesus Salva”. portanto. encontrou-se mel clandestino com a informação no rótulo. 2008 223 . p. Distribuição da conformidade dos rótulos por categorias de análise e tipo de alimento v. A título de exemplo. n. isento de “risco”.Revista Baiana de Saúde Pública “saudável” e “nutritivo”.2. sendo. que estava aguardando o registro e carimbo por parte do órgão competente regulador. Tabela 1. Entretanto.218-231 maio/ago.32.

Jorge e Silva5. quando necessárias. curativas ou terapêuticas e pelo fato de poder significar um apelo comercial. 91. Isto representa um avanço e uma conquista do exercício da cidadania. que o produto não possui. SEGURANÇA SANITÁRIA Em todos os rótulos observados foi encontrado o registro do prazo de validade (Tabela 1). Resultado semelhante também foi encontrado no estudo de Graciano. 224 .4%).6% dos alimentos de origem animal estudados apresentavam o número do lote em suas rotulagens. 259.5% dos rótulos de lingüiça calabresa.1% do total de rótulos de frango congelado (Tabela 1). lingüiça calabresa (15. ovos (22.2%) e leite líquido (47. certamente contribuiu para a consolidação dessa prática na sociedade brasileira.0%) (Tabela 1). Gonzalez. Entre os de menor freqüência de conformidade estavam lingüiça calabresa e ovos. O Código de Defesa do Consumidor.Encontrou-se um rótulo de mel com um nome comercial que sugere uma ação terapêutica. de 20 de setembro de 20021 proíbe esta prática. 80. e sua massiva divulgação nos principais meios de comunicação. Com a atual expansão internacional dos mercados de produtos alimentícios.8%). iogurte (14. induzindo o consumidor a fazer uso do produto com a finalidade curativa. por se tratar de alimento que está ressaltando propriedades medicinais. A inscrição Indústria Brasileira esteve presente em 61. Isto permite agilizar providências para a retirada do produto do mercado e a conseqüente eliminação ou redução de danos e agravos à saúde da população. Entre os alimentos com menores percentuais de falta desse dado estão o frango congelado (11. visto que o número de lote representa maior controle da produção. servindo para identificação do produto e sua conseqüente rastreabilidade. no período de janeiro de 1998 a junho de 1999. face ao reconhecimento. que exige a apresentação dessa informação.3%). a referência do país produtor de origem é importante para o consumidor e autoridades sanitárias. Verificou-se que apenas 28. à exceção do frango congelado. respectivamente (Tabela 1). no Estado de São Paulo. para o devido controle da qualidade e a adoção de medidas de saúde pública. embalagem ou validade mínima. A Resolução nº. por parte de consumidores e produtores. O mel foi o que apresentou maior percentual (60.0% de mel. com 76. da relevância dessa informação para a segurança alimentar. que também apontava a ausência do número de lote como principal irregularidade relativa a informações de rotulagem. Tal dispositivo significa um equívoco.9% e 77.8%). Todos os rótulos de alimentos apresentaram falhas em relação à menção da data de fabricação ou envase. A legislação sanitária em vigor faculta a indicação do lote por meio da data de fabricação.8%.4% de iogurte e 94.

Este item pode ser necessário para os consumidores que sejam alérgicos a algum ingrediente ou substância que constitua o alimento. Todos os rótulos de iogurte apresentaram informações sobre ingredientes utilizados no processo de fabricação (Tabela 1). cujo tratamento exige controle na dieta alimentar (diabetes). 77. Esta informação pode levar o consumidor diabético a acreditar que este alimento pode ser consumido sem restrições por conta desta falsa informação.0% de seus rótulos. de 23 de dezembro de 2003. neste estudo.9% e 65. Isto pode significar riscos para consumidores que têm doenças metabólicas. apenas iogurte e frango congelado apresentaram informações sobre armazenamento e conservação em 100. Trata-se de uma informação técnica que o produtor disponibiliza. revelam que a maioria dos indivíduos pesquisados apresentavam dificuldades na compreensão de termos técnicos e informações numéricas. 2008 225 . o que não aconteceu com os demais alimentos. lingüiça calabresa e.Revista Baiana de Saúde Pública Todos os rótulos de leite líquido e ovos apresentaram informação nutricional.32. Estudos7.8. de 21 de março de 2001.15 De acordo com a Tabela 1. Apenas mel apresentou maior percentual de irregularidade.2.2%) de informações quanto a critério de preparo e instruções de uso. glicose ou corante”. importante para a manutenção da integridade do produto. Os rótulos de frango congelado foram os que apresentaram maior percentual (88.12 sobre o entendimento por parte dos consumidores das informações de rotulagem. n. açúcar. 40. As rotulagens de leite líquido.0%.7%. Entretanto observaram-se deficiências no que tange à visibilidade da informação nas rotulagens v. a Resolução nº. Vale observar que. respectivamente). sobretudo nutricional. Este item é relevante para orientar a população sobre a forma de armazenar e conservar os alimentos. o que evidencia a falta de clareza. mel apresentaram índices menores quanto a este requisito legal (95.8%. ovos.218-231 maio/ago. principalmente. É importante ressaltar que a referida norma foi substituída pela Resolução nº. p. Foi encontrado um rótulo de mel com a seguinte informação: “não contém aditivos. QUALIDADE TÉCNICA DO RÓTULO A Tabela 1 demonstra que foi baixo o percentual de irregularidades nos rótulos dos alimentos quanto à legibilidade. visando a manutenção de sua qualidade e características originais. Este requisito não foi observado nos rótulos de frango congelado e ovos porque estes não são produzidos com o uso e manipulação de ingredientes. 360. principalmente com os rótulos de mel (Tabela 1). sendo salutar na prevenção de agravos e doenças ocasionadas por inadequações de armazenamento e conservação de alimentos. não foi avaliado se a informação nutricional estava de acordo com a norma específica.14 vigente na época da coleta dos dados. 76.

com percentuais de regularidade de apenas 29. Ovos e mel apresentaram os menores percentuais de regularidade. apresentando 88. mel e leite líquido também apresentaram rotulagens com problemas desta natureza. 226 . comprometendo sua função de comunicação. 45. frangos) já providenciou as necessárias adequações. o que dificultava a visualização. Esses aspectos deverão ser incorporados nas normas futuras. Houve problemas de aderência nos rótulos de mel. com o rótulo solto em seu interior.8% de seus rótulos com boa visibilidade das informações (Tabela 1). O iogurte foi o tipo de alimento que apresentou o menor índice.dos alimentos estudados. no caso do frango. respectivamente (Tabela 1).7% da totalidade dos produtos analisados encontravam-se com pouca visibilidade. que vem possibilitando condições especiais de esterilização e de proteção contra a luz e o ambiente externo. Da mesma forma.0%. Cowburn e Stockley7 destacam que o tamanho das impressões nos rótulos é uma das razões citadas por consumidores para a não leitura da rotulagem nutricional. traduzindo o amadorismo de muitos produtores.9% de seus rótulos sendo considerados de boa visibilidade. principalmente em supermercados de bairros periféricos. Por exemplo. frango congelado. É interessante destacar que os rótulos de várias marcas — principalmente aquelas destinadas às crianças — têm uma profusão tão grande de cores e imagens que se torna difícil a leitura. Verificou-se que 49. as informações nutricionais e tantas outras importantes simplesmente são omitidas. Não foram constatadas muitas irregularidades na aderência dos rótulos às embalagens.4% e 90.4%. quando estavam próximas ao lacre da embalagem.0% e 52. é ainda muito comum o produtor embalar seus produtos em caixas forradas com filmes de plástico. Salienta-se a identificação de embalagens de iogurte em placas de seis potes (inclusive com dizeres advertindo que o produto só pode ser vendido em placas) sendo os potes vendidos separadamente. Observou-se também que alguns alimentos apresentavam o rótulo em locais inadequados. material mais resistente a água. com 44. Assim. No caso dos ovos. exatamente naqueles sem registro. nos rótulos. com apenas 28. Enfatiza-se que a legislação relativa à rotulagem não especifica a dimensão da fonte de letra adequada a uma fácil leitura. respectivamente. Os produtores de leite se serviram do avanço tecnológico da embalagem tetrapak. formavam pregas. A maioria dos produtores de alimentos que necessitam de refrigeração (iogurtes. Ovos foi o tipo de alimento que mais atendeu a este critério. O pequeno tamanho das letras e o pouco contraste entre a cor do fundo e a do texto também dificultavam a visualização. utilizando a própria embalagem ou empregando. Também não explicita local para impressão e contraste de cores que facilitem a visibilidade das informações contidas nas rotulagens de alimentos embalados.2%.

Esta informação. o que representou 29. ou de forma mais acelerada.2. n.” O descongelamento deve ser feito gradativamente. que recomendava o seguinte: “Descongelamento: Para conservação de todas as características sensoriais do Frango Caipira X congelado. pôde-se constatar que o setor produtivo vem se esforçando para atender seus consumidores com informações claras e inteligíveis a respeito dos produtos colocados no mercado.. que neste caso são as próprias embalagens.. QUALIDADE DA INFORMAÇÃO Alimentos como frango congelado e ovos não apresentaram irregularidades quanto à clareza das informações.Revista Baiana de Saúde Pública Nos frangos congelados observados. Informações sobre o atendimento ao consumidor Apesar de não ser exigido nenhum tipo de serviço de atenção ao consumidor na rotulagem de alimentos. não sendo evidenciado neste estudo grande percentual de inadequações (Tabela 1). Entretanto encontraram-se cinco marcas de frango congelado. Verificou-se. Ressalta-se que apenas leite líquido e lingüiça calabresa apresentaram rotulagem que atendia em sua totalidade à coerência das informações (Tabela 1). leite líquido e iogurte ainda apresentam percentuais menores que 100.0% de regularidade. 2008 227 . porém.218-231 maio/ago. não se observou grande quantidade de desvios. A maioria dos rótulos dos frangos congelados trazia informações específicas de rotulagem. embale o frango num saquinho plástico e o ponha em uma bacia com água. “para não haver perdas de nutrientes”. com o uso do microondas.32. sob refrigeração. 35. pode-se considerar que estes dois itens não se constituem objeto de grande preocupação no que consiste em ocorrência de irregularidades. para não ocorrer perdas nutricionais.] Para um descongelamento rápido. o que pode permitir sua contaminação e omitir informações de rotulagem. Esta recomendação para o descongelamento poderá comprometer a integridade nutricional e sanitária do produto. como afirma o fabricante. Troque a água constantemente. Pelo contrário.4%. Um destes produtos apresentava uma informação equivocada em relação ao descongelamento. mel. além de comprometida quanto a sua coerência e clareza. que lingüiça calabresa. siga as seguintes regras: [. p.3% encontravam-se com suas embalagens perfuradas. leva o consumidor a erro. este não deveria orientar seu consumidor a proceder ao descongelamento embalando o frango em saquinho plástico e o deixando em uma bacia com água. pela legislação em vigor. Também quanto à coerência. que não mostrava essas informações com adequada visibilidade. ou use o microondas. a oferta desse tipo de serviços pelos fabricantes v. Assim. Portanto.

1% dos rótulos de iogurte encontrou-se informação do endereço eletrônico do produtor (e-mail). foi encontrado em 69. como mel e ovos. É possível que fatores socioeconômicos e regulatórios contribuam para a permanência desta prática. com apenas seis (30.2% do total de rótulos das lingüiças calabresa informações sobre a disponibilidade de serviço de caixa postal. Os endereços eletrônicos e acesso a páginas na Internet também foram encontrados como meios de comunicação disponibilizados pelos produtores. Verificou-se também a permanência da prática cultural da venda de ovos a granel na cidade de Barreiras. além de atender a objetivos mercadológicos e de marketing.0%) e um (11. A rotulagem. Pôde-se observar que produtos com menor tecnologia envolvida na produção.foi também checada (Tabela 1). o consumidor adquire o produto sem nenhuma informação pertinente. é imprescindível a divulgação para a sociedade. e em 43. constituem-se no fator principal na tarefa de controle da qualidade dos produtos comercializados. e insuficiente controle sanitário por parte dos órgãos competentes. a não verificação do uso e compreensão das informações da 228 . Todavia esse acesso fica restrito aos consumidores de nível educacional ou poder aquisitivo diferenciado. seguramente. devido à ausência de rótulos na embalagem. da realidade da qualidade da rotulagem de alimentos. o que requer fiscalização sistemática. em um país de dimensões continentais como o Brasil. por ser um canal aberto para melhorar a qualidade do produto e a satisfação do consumidor. Ressalta-se que o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) tem importante papel na aproximação entre produtor e consumidor. nem sempre possível de ser realizada com a abrangência e a qualidade requeridas. Estas ações poderão não só tornar o consumidor mais consciente de seus direitos como também. Quanto aos demais tipos de SAC. Desta maneira. mesmo em supermercados. é importante veículo de informação em saúde para a sociedade. apresentaram menor disponibilidade de serviços de ligações gratuitas para esclarecimentos aos consumidores. CONSIDERAÇÕES FINAIS Um adequado controle sanitário de alimentos requer a disseminação de informações para o consumidor e o público em geral. por meio da mídia em geral. como a pouca informação sobre o risco sanitário. baixo poder aquisitivo e nível de escolaridade. respectivamente (Tabela 1). especialmente em relação a não ter sido usado o processo aleatório de amostragem.5% das embalagens de leite líquido havia indicação de endereço de página na Internet (Tabela 1). Em 37. a não inclusão de outros tipos de alimentos de origem animal de grande consumo pela população. podendo contribuir para a redução de problemas relativos à segurança no consumo de alimentos. Além da obediência rígida a regras. Apesar das limitações deste estudo.1%).

Evaluacion de etiquetas de .br/e-legis]. Farmacia 2002. Dra. 2008 229 . Silva MLP Avaliação crítica da rotulagem . Ministério da Saúde.gov. sem a comprovação com análises laboratoriais. 2000. Brasil. Constituição da vigilância sanitária. bem como algumas das principais deficiências relativas à rotulagem de alimentos embalados de origem animal. Fundamentos de vigilância sanitária. Higiene Alimentar 2000.14:21-7. Aprova o Regulamento Técnico sobre rotulagem de alimentos embalados. Vilma Santana. a exemplo da indústria farmacêutica. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 8. Resolução RDC nº. 3. Ministério da Justiça. 259. AGRADECIMENTOS A todos os colegas do Centro Colaborador Instituto de Saúde Coletiva /Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Rev. Graciano RAS. este estudo recomenda: adoção de providências relativas à alteração da legislação. visando maior rigor na obrigatoriedade da declaração do número de lote nas rotulagens de alimentos embalados.Revista Baiana de Saúde Pública rotulagem pelos consumidores. principalmente este último. Rio de Janeiro: Fiocruz. nossos sinceros agradecimentos. 15-40. 2. Por fim. Profa. pelo apoio para a elaboração deste trabalho.44:18-28. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Costa EA. Esses achados podem servir de instrumento para informações aos serviços de controle sanitário de alimentos. observou-se uma preocupação do setor de produção de alimentos de origem animal em atender ao preconizado na legislação vigente no Brasil. que os órgãos responsáveis pelo controle sanitário dediquem maior atenção aos ovos. de 20 de setembro de 2002. mel e lingüiça. alimentos nacionales e importados. Lei nº. Ainda assim. p. Rozenfeld S. Extraído de [http://www. de 11 de setembro de 1990. A Profa. Vit P Plaza R. organizador.078. Dra. acredita-se que tenha contribuído para demonstrar alguns aspectos positivos. Brasil. Rui M.anvisa.2. pelas valiosas sugestões e correções do texto final. Uzcátegui M. v. Gonzalez E. Facult. especialmente a sua Coordenadora. 4. a despeito das falhas ainda observadas quanto à identificação dos lotes e à qualidade do rótulo (visibilidade da informação). 5. p. 12 set 1990. n. In: Rozenfeld S. Brasília (DF): Diário Oficial da União. REFERÊNCIAS 1. praticada pela indústria alimentícia brasileira.32.218-231 maio/ago. Ediná Alves Costa. devido à prática de fracionamento em alguns supermercados. Jorge LIF. acesso em [25 de fevereiro de 2003]. e a avaliação apenas da existência de informações nutricionais. Villasmil M.

Extraído de [http://www. Aprova o regulamento para execução da Lei n° 185. Ministério da Saúde. Ação contra fabricantes de pneus: informações claras e objetivas sobre o produto. constante do anexo desta Resolução. Eur. tornando obrigatória a rotulagem nutricional. Nutr. Decreto-Lei n° 399. R. 15.6.8:21-8. acesso em [13 de abril de 2003]. 360. Williams. Nutr. Brasil. Celeste RK.com. Extraído de [http:// www.jus. que institui as comissões de salário mínimo. Costa EA. 10. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas. 2005.br/pecas/texto.8. Recebido em 8. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.anvisa. 14. 9.57. 2004. Chan C. 230 . de 30 de abril de 1938. Resolução RDC nº. de 14 de janeiro de 1936. Tibúrcio FC. Mercosul. Resolução RDC nº. Extraído de [http://www. 12. de 21 de março de 2001. Brasil. libdigi. Aprova Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados. 2001. 8.35:217-23. Sampaio MFA.5. acesso em [2 de junho de 2003]. Reino Unido e União Européia. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Williams P Consumer understanding and use of health claims for foods.br].2008 e aprovado em 8. Brasil. . 2005. P Australian consumers are sceptical about but . Extraído de [http://www. 40. acesso em [21 de abril de 2007].asp?id=501]. Clin. Ver.2008. Jus Navigandi 2002. Aprova o Regulamento Técnico para Rotulagem Nutricional obrigatória de alimentos e bebidas embalados. de 23 de dezembro de 2003. Cowburn G. Saúde Públ. Vigilância sanitária: proteção e defesa da saúde. 7. acesso em [25 de fevereiro de 2003]. Consumer understanding and use of nutrition labelling: a systematic review. J. Extraído de [http:// www.br]. Public.unicamp. 13.br]. Patch C.59:148-51. 2001. Análise comparativa da legislação sobre rótulo alimentício do Brasil.gov. acesso em [25 de fevereiro de 2003].gov. Health Nutr.63:256-64.br].1. São Paulo: Hucitec. 11.senado.gov. Análise comparativa do consumo de alimentos: América Latina e União Européia [Dissertação]. influenced by claims about fat on food labels.anvisa. Stockley L. 2005.

2008 231 .218-231 maio/ago.Revista Baiana de Saúde Pública Apêndice A Formulário para coleta de dados sobre a rotulagem de alimentos v.2. n. p.32.

Professor Doutor do Departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). joão.400-208.br. A PS tem como objetivo promover a QV e reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados a seus determinantes e condicionantes. researchers. CEP: 39. Health promotion’s objective is promoting Life Quality and reducing health and risks’ vulnerability Fisioterapeuta. MG. Life Quality is directly related to health promotion (HP). As políticas públicas colocam a PS como além de evitar doenças e prolongar a vida. em intervenções ou avaliação das políticas públicas. Neste artigo reflete-se sobre a avaliação da QV como um instrumento para a promoção de saúde. Promoção de saúde. (38)99134988. Saúde pública.br 232 .maryane@yahoo. pesquisadores. 202. apto. (38)3224-8372. Os resultados mostram que a QV tem sido avaliada com instrumentos genéricos e específicos. b Médico. economistas. Diante disso. (35)3831-2290. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Mestranda em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). considera-se que há um interesse crescente pela avaliação da QV. economists. Instrumentos de medida. Entretanto faltam medidas de diagnóstico da situação real da QV da população brasileira para subsidiar medidas de PS. oliveiracampos.ARTIGO ORIGINAL QUALIDADE DE VIDA: UM INSTRUMENTO PARA PROMOÇÃO DE SAÚDE Maryane Oliveira Camposa João Felício Rodrigues Netob Resumo A qualidade de vida (QV) é uma medida de desfecho que tem sido entusiasticamente utilizada por clínicos. administradores e políticos. Montes Claros. Rua: Bernardino Souto. Palavras-chave: Qualidade de vida. n° 25. Tel: (38)32166482. managers and politicians. LIFE QUALITY: AN INSTRUMENT FOR HEALTH PROMOTION Abstract Life’s Quality (LQ) is an ending measure that has been enthusiastically used by clinics. no racionamento de recursos. buscam meios e situações que ampliem a qualidade de vida.felicio@unimontes. buscando dar subsídios à PS na definição de prioridades. O método utilizado foi descritivo-reflexivo com dados fundamentados em revisão de literatura.com. a Endereço para correspondência: Maryane Oliveira Campos. Vila Regina. A QV está diretamente relacionada com a promoção de saúde (PS).

acarretando uma intervenção multi e intersetorial sobre os chamados determinantes do processo saúde-enfermidade. em 1948. A discussão em torno da PS vem se firmando como um ponto de confluência de superação do modelo biomédico que apresenta como enfoque a doença. in intervening or assessing public policies. capazes de reconhecer os estados de “completo bemestar físico. tem como foco o processo social de sua produção. administradores e políticos. This article presents a reflection about Life’s Quality assessment as an instrument to health promotion. The descriptive-reflexive method was used along with data from reviewing the literature. As thus. there seems to be an increasing interest in Life Quality assessment so as to subsidize health promotion in terms of defining priorities. Recentemente tem sido reforçado o uso da qualidade de vida como um conceito necessário na prática dos cuidados e pesquisa em saúde. n. mas também a presença de bem-estar físico. pesquisadores. elege como objetivo a defesa da vida e o desenvolvimento humano. tanto nas práticas assistenciais quanto nas políticas públicas. Não é um conceito novo. 2008 233 . Public health. consiste na v. QV e saúde aproxima os clássicos da medicina social da discussão que vem apresentando o PS como sua estratégia central. Health promotion. mental e social. Apresenta-se com foco centralizado em não apenas diminuir o risco de doenças.232-240 maio/ago.3-5 O interesse pela mensuração da QV é relativamente recente. têm-se desenvolvido e testado instrumentos estruturados e simplificados. A Organização Mundial de Saúde (OMS).32. A PS parte do conceito ampliado e positivo de saúde. nos campos de prevenção de doenças e promoção da saúde (PS). mas tem crescido sua importância por uma série de razões. providing means and situations to improve life quality. a QV está diretamente associada ao termo PS. INTRODUÇÃO Qualidade de vida (QV) é uma medida de desfecho que tem sido entusiasticamente utilizada por clínicos. although public policies place health promotion as a way of. mental e social” dos sujeitos.6 Diante deste contexto. mas aumentar as chances de saúde e QV. A visão entre condições sociais.2 A qualidade de vida é uma importante medida de impacto em saúde. besides avoiding diseases and prolonging life. definiu saúde como não apenas a ausência de doença ou enfermidade. economistas. There is no measure of the general Brazilian population. Measuring instruments.7. Key words: Life quality.2. superando o modelo de intervenção e passando para práticas intersetoriais e conhecimentos interdisciplinares. in the regulating resources. p. Results show that Life Quality has been assessed by means of generic and specific instruments.1 Para medir diretamente a saúde dos indivíduos.8 No campo da saúde pública a PS vem ganhando destaque.Revista Baiana de Saúde Pública as related to their determiners and conditioners.

Este trabalho é parte da dissertação de mestrado intitulada Qualidade de Vida e Fatores de Risco para as Doenças Crônicas não Transmissíveis em Montes Claros .essência das políticas públicas saudáveis. e a organização política e econômica do sistema assistencial”.. e em relação a seus objetivos.MG submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros. Para Auquier. QUALIDADE DE VIDA Os especialistas no assunto diferem ao conceituar QV. apresenta-se uma discussão com dados fundamentados na revisão de literatura. há um interesse recente de sua mensuração nas políticas públicas. com Parecer n° 677. bem como os danos a elas relacionados. nunca se restringindo a amostras de pessoas portadoras de agravos específicos. agravos. ponderado pelas deteriorações funcionais. Entretanto. psicológicas. Um aspecto importante que caracteriza estudos que partem de uma definição genérica do termo QV é que as amostras estudadas incluem pessoas saudáveis da população. aparentemente influenciada por estudos sociológicos.. Simeoni e Mendizabal17 e também Gianchello18.15 São identificadas duas tendências na conceituação do termo QV: um conceito genérico e outro ligado à saúde. Sendo a QV uma importante medida de impacto de saúde. funções sociais e oportunidades influenciadas pela doença..] valor atribuído à vida. sem fazer referência a disfunções ou agravos.] é o valor atribuído à duração da vida quando modificada pela percepção de limitações físicas. recursos econômicos. uma tentativa de definição engloba desde estado de saúde. relacionamentos. padrões e preocupações”. tratamento e outros agravos. as percepções e condições sociais que são induzidas pela doença.10. No primeiro caso. Na conceituação recente adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)16:1405. a QV foi definida como “[. as funções sociais. tratamentos.. Para tanto. como meio-ambiente.. tempo para trabalho e lazer.6-9 Este artigo objetiva fazer uma reflexão sobre a avaliação da QV como um instrumento para a promoção de saúde.” É o principal indicador para a pesquisa avaliativa sobre o resultado de intervenções. exposto por Gianchello18:14. psicológicas e físicas. no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive. os conceitos fundamentais de HRQL seriam igualmente a percepção da saúde. assim como uma variedade de domínios. 10-14 Não existe um consenso sobre o que constitui QV.1.6 Um outro conceito é qualidade de vida ligada à saúde (QVLS). QV apresenta uma acepção mais ampla.. é similar: “[. quando a QV é relacionado à saúde engloba dimensões específicas do estado de saúde. expectativas. é o “[. 234 .] a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida.17:14 A versão inglesa do conceito de health related quality of life (HRQL).

20. Nottingham Health Profile (NHP). trata-se. Os instrumentos genéricos são utilizados na avaliação da QV da população em geral. em decorrência da história natural ou após determinada intervenção. Avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-100).23. Reprodutibilidade é a medida de consistência dos resultados. Sua principal característica é a sensibilidade de medir as alterações. sendo administrados por entrevistadores ou auto-administráveis. Um número crescente de instrumentos tem sido construído para medi-la. enfermidade. ou para uma determinada situação. Validade é a propriedade de um instrumento de medir o que realmente se pretende medir. INSTRUMENTOS DE MEDIDA DE QUALIDADE DE VIDA Diversos instrumentos têm sido propostos. p. sendo mais apropriadas a estudos epidemiológicos. Sensibilidade a mudanças é definida como a habilidade da escala de registrar alterações devido a um tratamento ou mudanças associadas à própria história natural da doença.19-24 Os instrumentos específicos são capazes de avaliar. usam-se questionários de base populacional sem especificar enfermidades. The Medical Outcomes Study 36-Item Short Form Health Survey (SF-36). Podem ser específicos para uma determinada população.23. Os mais freqüentemente utilizados no mundo são: Sickness Impact Profile (SIP).1 Todos os instrumentos utilizados devem apresentar características básicas de reprodutibilidade.232-240 maio/ago. n.2. validade de critério e validade de construção. proporcionando maior capacidade de detecção de melhora ou piora do aspecto em estudo.25 v. por meio de instrumentos estatísticos. 2008 235 . quando o questionário é repetido em tempos diferentes ou por observadores diferentes. atualmente existe crescente interesse em transformar a QV em uma medida quantitativa. determinados aspectos da QV.Revista Baiana de Saúde Pública Não obstante a ausência de uma definição consensual. portanto. planejamento e avaliação do sistema de saúde. de forma individual e específica. levando a resultados similares. validade e sensibilidade às alterações. McMaster Health Index Questionnaire (MHIQ).22. de componente passível de mensuração e comparação. mesmo que se leve em conta a necessidade de revitalizar culturalmente esses instrumentos no tempo e no espaço. Rand Health Insurance Study (Rand HIS). entre outros.24 CONSIDERAÇÕES ESTATÍSTICAS A qualidade de vida. Os instrumentos de medida de qualidade de vida podem ser divididos em dois grupos: genéricos e específicos. Em relação ao campo de aplicação. Os principais tipos de validade que devem ser considerados na seleção ou construção de uma medida de qualidade de vida são: validade de conteúdo.32.

lazer. cidadania. ambiente. setor privado. trabalha com a idéia de responsabilização múltipla.7 COMO A MEDIDA DE QUALIDADE DE VIDA PODE SUBSIDIAR A PROMOÇÃO DE SAÚDE? Outros países como Reino Unido. assegurar meios e situações que ampliem a QV “vivida”. compõem redes de compromisso e coresponsabilidade quanto à QV da população. a Carta de Ottawa. A Política Nacional de PS tem como objetivo promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados a seus determinantes e condicionantes — modos de viver. Em um dos primeiros documentos fundadores da promoção da saúde atual. O Ministério da Saúde. são valores socialmente definidos. habitação. além de evitar doenças e prolongar a vida. preconiza que a PS apresenta-se como mecanismo de fortalecimento e implantação de uma política transversal. Refere-se também a uma combinação de estratégias: ações do Estado (políticas públicas saudáveis). seja pelos problemas. Ou seja. O diálogo entre as diversas áreas do setor sanitário. Seu marco conceitual e sua prática foram desenvolvidos predominantemente por Organizações Internacionais e por estudiosos da Europa Ocidental. acesso a bens e serviços essenciais. Isto é. ampliem a capacidade de autonomia e o padrão de bem-estar que. integrada e intersetorial. cultura.8 A Carta de Ottawa foi um marco importante. seja pelas soluções propostas.28 Proporcionar saúde significa.27 em análise da situação de saúde. não-governamental e a sociedade. decisão sobre as prioridades em assistir determinados setores. França. de indivíduos (desenvolvimento de capacidades e habilidades pessoais). realizada em 1986. saúde. participação e parceria. entre outros. Alemanha. A medida da QV na população brasileira geraria informações que poderiam ser usadas para rastreamento e identificação das necessidades de saúde da população. do sistema de saúde (reorientação do sistema de saúde) e de parcerias intersetoriais. desenvolvimento. 236 . outros setores do Governo. Espanha e Turquia4. da comunidade (reforço da ação comunitária). condições de trabalho. instituída na 1ª Conferência Internacional sobre Promoção de Saúde.29-31 apresentam estudos sobre QV na população em geral. por sua vez.PROMOÇÃO DE SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA A promoção de saúde passou a ganhar destaque no campo da Saúde Pública a partir da década de 1980. eqüidade. importando em valores e escolhas. educação. Canadá e Estados Unidos. inspirada pelos princípios da Declaração de Alma Ata (1978) e pela meta “Saúde para todos no ano 2000”.6. democracia. solidariedade. alocação de recursos e comparar estados de saúde de diferentes tipos de tratamentos realizados.26 a expressão promoção de saúde está associada a um conjunto de valores: qualidade de vida.

Seidl EMF. Há o desafio da promoção de saúde diante da multidisciplinaridade e complexidade de fatores intervenientes no processo saúde-enfermidade. Coons SJ. et al. o uso de instrumentos de medida de qualidade de vida no campo da saúde o colocaria em consonância com pesquisas internacionais para o avanço teórico e metodológico na área. Harper R. agravos ou intervenções. mar. p. Med. Thomas KJ. Guyatt GH.32-34 Assim. uso de insulina e outros medicamentos de uso prolongado. No Brasil./abr. O’Cathian A. clínicos e usuários dos sistema de saúde. v.Revista Baiana de Saúde Pública A QV medida com instrumentos específicos para situações ligadas à saúde subseqüente à experiência de doenças. Saúde Públ. Hartz ZMA. Carr AJ. implantação de novas políticas e práticas de intervenção. Há um interesse crescente pela avaliação. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e metodológicos. Rao S. 4. em intervenções ou na avaliação de políticas públicas. a medida da QV é irreversível.28:58-462.118:622-9. 3. Quality of life measures. de instrumentos genéricos e específicos facilitaria a compreensão da QV em âmbito nacional. J.5(1):7-18. Brazier JE. R. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. a medida da QV tem sido proposta como um instrumento para verificar a saúde da população e incentivar medidas de promoção de saúde. Ann. buscando dar subsídios à PS na definição de prioridades. 1996.32. 6. transplantes. Boisaubert B. 2008 237 . 1993. Brousse C. no racionamento de recursos. o uso disseminado e sistemático de versões brasileiras validadas. Sendo o país marcado por diferenças regionais e culturais. Feeny DH. Zannon CMLC. Quality of life and escales measuring. Pharmacoeconomics 2000. Jones NMB. 2004. Measuring health-related quality of life.20(2):580-8.17:13-35. A avaliação quantitativa pode ser usada em ensaios clínicos e estudos de modelos econômicos. Minayo MCS. Keininger DL. Buss PM. Méd. Hays RD. Br. Patrick DL. Cad. CONSIDERAÇÕES FINAIS No âmbito da saúde coletiva e das políticas públicas. como problemas neurológicos pós-traumáticos. n. Rheumatol. Intern.35:275-81.232-240 maio/ago. Ciência & Saúde Coletiva 2000. Os resultados obtidos podem ser comparados entre diversas populações e até mesmo entre enfermidades. A comparative review of generic quality of life instruments. REFERÊNCIAS 1. 2. pode contribuir na tomada de decisão pelos gestores. 5.2. 2007. Int.

Singer MK. 10. Ciência & Saúde Colet. Patrick DL.5(1):7-18. Prevenir 1997. Apud Minayo MCX.41:1403-10.142:473-8. Hartz ZMA. 1993. Quality of life measures.35:275-81. Arch. 19. Buss PM. 238 .27:5217-32. Med. Care 1989. Buss. 11. Carr AJ. 17. Hartz ZMA. PM. 15. Med.37:295-304. Redefining health: living with cancer. p. Approches théoriques et . 8. Rheum. Cerqueira MT. Hutchinson A. Promoção da saúde e qualidade de vida. Grant I. 18. Health outcomes research in Hispaniccs/ Latinos. Intern. Spitz P Kraines RG.5:391-2.5(1):7-18. 2005. Thompson PW. Heaton R. arthritis. 1979. bras. Farndon J. Auquier P Simeoni MC. J. 13. Holman H.21(5):235-54. The WHOQOL Group. Apud Minayo MCX.33:138-47.7. Med. Med. Quality of survival of patients following mastectomy. Br.33:77-86. 1978. Promoción de la salud y educación para la salud: retos y perspectivas. Kirwan JR. Rheumatol. 1997. Buss PM. 12. The World Health Organization quality of life assessment (WHOQOL): position paper from the World Health Organization. Ciência & Saúde Colet. 14. Almeida Filho N. Psychol. Clin. 16. La promoción de la salud y la educación para la salud em América Latina: un análisis sectorial. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Generic and disease-specific measures in assessing health status and quality of life. Fries JF. 1995.23:137-45.3(1):4-20. Flanagan J. Measurement of patient outcome in . Ciência & Saúde Coletiva 2000.5(1):163-77. Artthr. 1980. 9. Soc. 2005. In: Organización Mundial de la Salud. J. Soc. Deyo RA. A research approach to improving our quality of life. Gianchello AL. Wilson R. Am. McSweeney A. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Sci. méthodologiques de la qualité de vie liée à la santé. Life quality of patients with chronic obstructive pulmonary disease. 1982. Epidemiol. 2000. Genebra: Editorial de La Universidad de Puerto Rico. Rev. 1996. Med. Mendizabal H.7-48. Sci. O conceito de saúde: ponto cego da epidemiologia? R. Oncol. Systems 1996.

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1993. Justifications et difficultés éthiques du concept de qualité de vie. Revue Prevenir 1997. Ebrahim S.2008. and resource allocation. 34. 33. Patrick DL. Quality of life: health care evaluation . Erickson P Health Policy. Soc.3. Clinical and public health perpectives and applications of healthrelated quality of life measurement.41(10):1383-94.33:89-103. Nova York: Oxford University Press. Recebido em 17.8.2008 e aprovado em 8. 240 . Raimex S.32. Sci. Med. 1993.

these procedures’ condition and implication as to the functioning of the surgical block in a public unit within the Unified Health System. o porte desses procedimentos e suas implicações para o funcionamento do bloco operatório em uma unidade pública conveniada ao Sistema Único de Saúde.968 cirurgias. terapia intensiva e unidades de cirurgia-dia. Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).: (75) 32233734. obtendo-se taxas de absenteísmo de 69. A cirurgia de pequeno porte foi mais freqüente com 40.241-252 maio/ago. n. no período de janeiro a julho de 2006. (75) 91119290. realize uma profunda reforma e ampliação dos centros de custos vitais como centro cirúrgico. as áreas cirúrgicas envolvidas. 2008 241 . only 914 had been programmed. Feira de Santana.com. Concluiu-se que é importante que o hospital desenvolva um sistema de gerenciamento integrado e informatizado. BA. Palavras-chave: Administração de serviços de saúde.2. Gestão de recursos. ANALYSIS OF THE SURGICAL ABSENTEEISM IN A PUBLIC HOSPITAL Abstract This study aimed at investigating the amount of programmed and suspended surgeries. a retrospective observational study was undertaken in a public hospital having instructional specific training activities in Feira de Santana. E-mail: wbomfim@terra.968 surgeries. Das cirurgias suspensas apenas 7.03%. Utilizou-se um estudo observacional retrospectivo em hospital público com atividades de ensino e especialização em Feira de Santana (BA). apenas 914 foram programadas.73% dos casos.br v. Das 2. surgical areas involved. que venham a adequar o hospital a seu real e efetivo papel de atendimento em urgência e emergência combinadas com as atividades de ensino. Tel. p. Endereço para correspondência: Av. Sampling consisted of data from 914 individuals within the period from January to July 2006. Getúlio Vargas. Bahia. 1085/906 Centro. rates of absenteeism attaining a b Hospital Geral Clériston Andrade.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL ANÁLISE DO ABSENTEÍSMO CIRÚRGICO EM HOSPITAL PÚBLICO Vagner Oliveira Bomfima Juliana Bomfim de Carvalho Ferreirab Resumo Este estudo teve o propósito de investigar o quantitativo de cirurgias programadas e suspensas.00% foram remarcadas e realizadas posteriormente. Out of 2.32.

Esta prestação de serviços tem sua legitimidade no respeito aos princípios de equidade. INTRODUÇÃO A prestação de serviços de saúde é uma atividade complexa afetada por uma série de fatores internos e ambientais que podem comprometer seus resultados finais. 8080/90 e 8142/90 e das Normas Operacionais Básicas-NOAS editadas em 1991 e 1993. podendo representar uma ineficiente gestão de um centro de custos hospitalares além de atrasos em seu cronograma interno de cirurgias e realização de outros procedimentos envolvendo os usuários da unidade hospitalar. quebrando expectativas de solução e melhoria de sua condição de saúde. obrigatoriamente. mas. A realização de um procedimento cirúrgico envolve. materiais e tecnológicos. objetiva a garantia de satisfação do usuário. O absenteísmo ou taxa de suspensão de cirurgias tido como indicador hospitalar de qualidade e produtividade é um importante auxiliar para o gestor na identificação de não 242 . Os pressupostos acima. é importante a identificação do perfil institucional. efetividade e aceitabilidade emanados da Constituição Federal de 1988 e viabilizados pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS). alterações outras como mudança do perfil psicológico dos pacientes e de recursos financeiros necessários para a submissão a tais procedimentos. da intervenção ambiental e de políticas externas ao setor saúde. provides for an extensive process of vital cost centers reorganization and expansion: as the surgical center. o cancelamento de uma cirurgia implica numa elevada perda de insumos financeiros pela unidade de saúde. Small extent surgery was most frequent with a rate of 40. Among canceled surgeries. Resources Management. intensive care unit and day hospital units – which should match the hospital’s real and effective role in urgency and emergency assistance combined with instructional training activities. sobretudo. A suspensão de um ato cirúrgico. Outrossim. evidenciando uma transgressão a pressupostos gerenciais administrativos já consagrados. Ademais.73% of cases.03%. além de uma grande soma de recursos humanos. a descoberta e o cumprimento da missão deste prestador de serviço de saúde na comunidade que o abriga. just 7. eficiência. It was agreed that it is important that the hospital develops an integrated and computerized management system. qualidade.00% had been rearranged and accomplished later. compreendendo-se aí o campo da assistência. mediante as chamadas Leis Orgânicas da Saúde nº. longe de representar apenas um horário disponível em um setor vital de uma unidade hospitalar — o centro cirúrgico — acarreta uma perda de qualidade do serviço a ser prestado ao paciente. Key words: Health Service. conduzem não apenas ao benefício de uma organização ou instituição de saúde.69. Management.

] vínculos afetivos entre cada usuário e uma equipe e/ou profissional”. tais como: tristeza. expressam-se pela percepção de vivências negativas relacionadas ao v. ansiedade. podendo acarretar em maior ou menor sucesso da cirurgia.. os “[. p.3 inegavelmente. 2008 243 . expressa inegavelmente uma agressão ao indivíduo. implicando em ônus significativo.determinar as causas do absenteísmo cirúrgico neste hospital.32. para fazer frente a essa nova realidade. com prejuízo para todos os familiares. quer seja programado e autorizado pelo paciente e responsável.Revista Baiana de Saúde Pública conformidade técnica e/ou administrativa. proporciona modificações funcionais no paciente.6 perdendo. implicando em um novo estado psíquico e com a expectativa de uma melhor qualidade de vida.2 Além disto. quer seja de urgência ou de emergência. . Outros elementos citados. seja psíquicos. Não raras vezes o paciente é o mantenedor dessa estrutura na qual a interrupção por um ato cirúrgico acarreta significativa redução da renda. em sua grande maioria muito carente de recursos. justificando-se a análise dessas taxas neste estudo e suas implicações como fator de satisfação dos usuários dos serviços de saúde. n.2.241-252 maio/ago..avaliar o nível de satisfação dos pacientes e dos trabalhadores de saúde envolvidos no atendimento hospitalar. o paciente e seus familiares vivenciam uma adequação de suas referências financeiras e emocionais. OBJETIVOS . A mobilização dos vários recursos. A resposta à expectativa do ato cirúrgico se evidencia de várias maneiras. além de muitas vezes conduzir a um estado de segregação social. como o componente psíquico.1 A identificação ou diagnóstico de patologias que conduzam a um tratamento cirúrgico permite a elaboração de diversos aspectos psicoafetivos pelo indivíduo como um mecanismo de adaptação à doença ou à indicação cirúrgica.7:113 O contexto financeiro é sobremaneira modificado pela interrupção da capacidade laborativa deste usuário. mágoas e ressentimentos vivenciados pelo paciente e que nem sempre são avaliados e devidamente tratados pela equipe multiprofissional. com penalização de sua estrutura familiar.5. como alterações de órgãos e aparelhos. quadros psicossomáticos vários. .4 Os diversos mecanismos ou meios elaborados na perspectiva de realização de um ato cirúrgico contrapõem-se à suspensão de uma cirurgia com possibilidade de sentimento de frustração. REFERENCIAL TEÓRICO Um procedimento cirúrgico. angústia. seja sociais e/ou financeiros. visto sob uma ótica de ameaça ou dano físico e emocional.identificar o número de cirurgias programadas e suspensas em um hospital público. pois.

com suas características extremamente corporativas. da pessoalidade das relações e das emoções. Os custos operacionais e financeiros gerados pela suspensão das cirurgias repercutem na unidade hospitalar especificamente em seus instrumentos de determinação. Tal fato evidencia a grave crise de gestão traduzida por precariedade da assistência hospitalar. obtendo assim níveis de excelência nos procedimentos administrativos e clínicos e no atendimento às necessidades dos clientes. financeiros e tecnológicos otimizados. independente dos custos de produção. sua resolubilidade enquanto doença de curso benigno e o temor acerca de neoplasias malignas proporcionam um profundo mal-estar psíquico que acaba impactando em na relação do indivíduo com o outro.11 Outro elemento de suma importância decorre da inadequação dos currículos acadêmicos em seus diversos níveis (técnicos. Por outro lado. Desta forma poder-se-á formar profissionais com perfis compatíveis com as novas realidades e. pois. 244 . aceitabilidade e eqüidade15. bem como a multiplicidade de profissionais envolvidos na prestação do serviço.diagnóstico e perda da auto-estima com o subseqüente isolamento social. ainda que os primeiros sejam dotados de menor eficiência. Estas leis de mercado são amplamente influenciadas pelas necessidades e especificidades humanas. sobretudo em regiões menos favorecidas como o norte e nordeste do país. no caso os trabalhadores da saúde e os pacientes. implicando na necessidade de revê-los e torná-los mais flexíveis e centrados nas necessidades dos pacientes. preocupados com o comportamento das pessoas e não apenas com seus conhecimentos. de graduação e pós-graduação).9.8 O significado de determinada patologia. no Brasil.13 A suspensão de um ato cirúrgico envolve o agravamento da escassez dos recursos destinados à Saúde Pública no Brasil e seu crônico mau aproveitamento. Deve-se. o prestador de serviços de saúde é entendido nesse contexto como a instituição de saúde com todos os seus recursos materiais. considerar ainda que. sobretudo.16 e em muitos casos sua capacidade instalada seja subutilizada. humanos. Estes objetivos proporcionam a eliminação ou a minimização de riscos com a maximização de benefícios aos pacientes. 10 Estas necessidades dos clientes encontram atualmente obstáculos para um melhor padrão de qualidade em face de elementos como as limitações das leis de mercado voltadas para o setor saúde.14 É oportuno citar que os custos de manutenção e funcionamento dos hospitais públicos giram em torno de 6 a 10 vezes mais elevados quando comparados com os custos dos hospitais privados.12. distanciados da vivência de valores éticos e limitados apenas à prática das técnicas terapêuticas. tendo como objetivo a garantia de satisfação de seus clientes internos e externos. a concorrência limitada do respectivo setor. estima-se gastar pouco mais de 80 dólares per capita com a saúde. divergindo dos aspectos humanos.

gestores ou gerentes das unidades. ao tempo em que objetive mecanismos e processos na prática administrativa. que se utiliza dos serviços públicos de saúde.19 O estudo foi um desenho observacional retrospectivo realizado no período de janeiro a julho de 2006. no sistema de saúde e em sua capacidade de atendimento à população. sendo excluídos os procedimentos cirúrgicos de urgência/emergência e os pacientes residentes em outros municípios que não Feira de Santana. a reabilitação e educação do paciente. unidade de saúde pública. e os resultados como as mudanças oriundas dos cuidados adquiridos pelos clientes internos (trabalhadores da saúde) e a satisfação dos usuários externos (pacientes). mormente a mais carente. Deve-se entender como estrutura os recursos materiais.17 Mais importante que evitar o absenteísmo cirúrgico ou a suspensão de cirurgia é identificar suas causas.241-252 maio/ago. Os dados foram extraídos dos livros de agendamento do centro cirúrgico. Cirurgias de pequeno porte. suas práticas de trabalho e de atenção à saúde. indicador este de parâmetro de qualidade gerencial hospitalar. 19 MATERIAL E MÉTODOS Este estudo foi desenvolvido em um centro cirúrgico do Hospital Geral Clériston Andrade na cidade de Feira de Santana.18.Cirurgias eletivas. tendo como população alvo todos os pacientes que tiveram cirurgias programadas (914). sob pena de agravamento da patologia ou implicar em risco iminente de morte. processos e de resultados. as que necessitam de pronta intervenção pela equipe de saúde. cujas questões foram elaboradas para atender aos objetivos determinados pelo estudo.18. Tudo isto implica numa maior e efetiva qualidade gerencial.Revista Baiana de Saúde Pública controle e análise dos gastos e nos sistemas de controle de patrimônio hospitalar. A metodologia utilizada foi a análise da taxa de suspensão de cirurgia ou absenteísmo cirúrgico.2. embora necessitem de recursos e/ou equipamentos de v.32. que permitam repensar seus modelos de gestão. humanos e o tipo ou modelo administrativo da unidade. os processos como os meios diagnósticos. As variáveis utilizadas para o estudo foram: . definidas como aquelas agendadas para uma determinada oportunidade. o tratamento. tendo a qualidade de atenção à saúde identificada e otimizada nos aspectos de estrutura. referência em alta complexidade na macro-região centro norte da Bahia. n. propiciando maior produtividade e satisfação dos usuários internos (trabalhadores da saúde) e pacientes. aquelas que. p. definida como o número total de cirurgias suspensas divididas pelo número total de cirurgias programadas no período estudado multiplicado por 100 (cem). Desta forma será possível interligar equipes profissionais multidisciplinares. Cirurgias de urgência/emergência. 2008 245 . mediante o preenchimento de questionário específico.

O estudo contou com a aprovação do Serviço de Educação Continuada do H. os de pequeno porte foram responsáveis por 369 (40. Deste total de procedimentos operatórios.6%) atingiram as cirurgias realizadas (Gráfico 2). A análise estatística baseou-se em média e distribuição percentual. Cirurgias de Ginecologia. as que tratam de patologias do aparelho genital feminino. as que tratam de patologias cirúrgicas em crianças. utilizando-se o software Words for Windows para o processamento de texto e Excel para a confecção de tabelas e gráficos. conforme a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.G.2006 246 . CAAE 0002. aquelas que tratam das patologias cirúrgicas do trato ano retais. Cirurgias de Pediatria. Cirurgia Bucomaxilofacial./jul. aquela que trata de patologias de tórax. Número e percentual de cirurgias eletivas e de urgência realizadas no HGCA.054 caracterizadas como cirurgias de urgência e 914 procedimentos eletivos ou programados (Gráfico 1). cabeça e pescoço. Gráfico 1. sendo identificadas 2.050. abdome. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao longo de sete meses foram coletados dados referentes a 2. protocolo 006/2005. as que tratam de patologias decorrentes de traumas ou alterações da região bucomaxilofacial. Cirurgias de médio/grande porte.um centro cirúrgico.0.4%) eventos e as restantes 545 (59. Após a coleta os dados foram tabulados no programa SPSS 9. aquelas que tratam de patologias do aparelho ósteoarticular. jan. Cirurgia Geral. Cirurgias de Ortopedia. não precisam de internação hospitalar. bem como do Comitê de Ética em Pesquisa da localidade (UEFS.968 cirurgias. Cirurgias de Proctologia.000-06). Feira de Santana.C. as que necessitam de grandes recursos/equipamentos e internação em hospital.0.A.

Os dados encontrados são motivo de extrema preocupação e da necessidade de aprofundar estudos específicos na identificação das causas do absenteísmo nesta unidade hospitalar (Tabela 1). deveriam seguir seu curso rotineiro que é sua realização e posterior recuperação e reabilitação da saúde do cliente.Revista Baiana de Saúde Pública Gráfico 2. mesmo considerando que estas análises sejam focadas em unidades hospitalares com perfil de ensino e assistência.32./jul. implicando em uma maior ou menor taxa de absenteísmo cirúrgico. de alterações da pessoa do cliente. p.8 Todas essas mudanças são enfocadas na literatura sob um aspecto clínico. em que as taxas variam em torno de 19. Feira de Santana/BA. Número e percentual de cirurgias de pequeno e médio/grande porte realizadas no HGCA. Contudo ocorrem situações alheias a sua vontade que modificam radicalmente este processo e trazem. na dependência também das características loco-regionais e do perfil epidemiológico da unidade hospitalar. muito diferente do referido na literatura especializada. financeiro e social. Feira de Santana/BA. 2007 Obviamente as cirurgias. bem como sob o aspecto institucional.2. por si só. 2008 247 . Tabela 1.14 Neste estudo a taxa de suspensão de cirurgia atingiu 69. jan. além de profundas modificações em seu contexto familiar. jan.2006 v. trauma de ordem psíquica e física. Número e percentual de cirurgias realizadas e suspensas e total de programadas no HGCA.91% a 33%./jul.03% (631).241-252 maio/ago. n. uma vez programadas. segundo situação da cirurgia.

cuja taxa foi de 70. Os outros 28. Feira de Santana/BA. como o não comparecimento ao hospital. Número e percentual de causas geradoras de suspensão de cirurgias no HGCA. Entre todas as especialidades cirúrgicas envolvidas.8% dos casos identificados. 248 . seguida da clínica ginecológica e da odontologia bucomaxilofacial. no transcurso do tempo do estudo. conforme se identifica na Tabela 2./jul. terem sido realizados estes procedimentos cirúrgicos eletivos. destacando-se as doenças cardiovasculares e ginecológicas como mais prevalentes — hipertensão. jan. entretanto. falta de sala de cirurgia (28.1% (442).9% (189 cirurgias). denotando talvez a capacidade de realização de procedimentos menores com maior resolubilidade quando comparado com as cirurgias maiores (Tabela 1). As taxas de suspensão de cirurgias sofreram maiores elevações nos meses de janeiro e junho do período estudado. a cirurgia geral destacou-se com maior número de suspensões. Vale ressaltar que as taxas identificadas pela literatura dizem respeito às causas do absenteísmo cirúrgico.Os dados evidenciaram ainda a remarcação de 10. colpites e doença inflamatória pélvica (DIP).8%) e falta de guias de internação pelo SUS (13. bem como também não foram identificados mecanismos gerenciais que modificassem substancialmente estes números. a suspensão por motivos clínicos do paciente ou causas de ordem administrativa. destacando-se a falta de vaga nas unidades de internação (29. entre outras. conforme identificado na Tabela 3. quando comparada com as de médio a grande porte. (Gráfico 3).4%).2% decorreram de problemas relacionados com os pacientes e de ordem clínica. Neste estudo o absenteísmo por motivos de ordem estrutural atingiu 71. 2006 As cirurgias de pequeno porte apresentaram taxa de suspensão de 29.1% (64) de todas as cirurgias suspensas sem. Gráfico 3.6%). devendo ser mais bem aclarados os motivos dessas elevações.

p.3% dos usuários e em 30. 2008 249 . Identificou-se na pesquisa de satisfação a necessidade de aprimorar a comunicação interprofissional e interdisciplinar. 24. Para a média de cirurgias suspensas distribuídas ao longo dos meses e por especialidades cirúrgicas. Número e percentual de cirurgias realizadas.5) classificaram como regular a assistência médica. Md). Número e percentual de cirurgias realizadas e suspensas e total de programadas no HGCA segundo a especialidade.241-252 maio/ago. jan. Feira de Santana/BA. verificou-se que as cirurgias maiores.jul.3% (Md=18. 46.jul.7% dos questionários aplicados entre os trabalhadores da saúde envolvidos no estudo (Tabela 4).2% (Md=20. Feira de Santana. segundo mês. O sistema de marcação de cirurgia foi avaliado pelos pacientes e pelos trabalhadores da saúde como ruim em 24. em toda a estrutura física ambulatorial e na unidade de internação.20 Esta necessidade foi referida como regular por 25.7) dos pacientes classificaram a assistência de enfermagem como regular. n.0 utilizou-se como referência estatística a medida de tendência central (Ma. Na análise realizada pelo software Statistical Packcage for Social Science (SPSS) 9.2. tornando as disciplinas integradas e auxiliares entre si. sobretudo.2006 Tabela 3. 2006 A pesquisa de satisfação dos usuários realizada evidenciou a necessidade de melhorias no centro cirúrgico.32. apresentou-se como a de suspensão mais v. mas.7% (Md=18.Revista Baiana de Saúde Pública Tabela 2. uma vez que parte significativa do absenteísmo decorreu da limitação de leitos e da falta de integração entre os setores administrativos e o centrocirúrgico. suspensas e total programadas no HGCA.4) dos questionários respondidos (Tabela 4). como a colecistectomia (grande porte). jan. entendida como a superação de novas modalidades da práxis científica.

terapia intensiva e unidades de cirurgia-dia. carecendo aprofundar estudos que permitam explicar as distribuições encontradas.6%). pois. Feira de Santana. que possam adequar o hospital a seu real e efetivo papel de atendimento em urgência e emergência combinado com as atividades de ensino. seguida de hérnias inguinais (18. em números percentuais. a cirurgia pediátrica apresentou uma taxa de suspensão maior (85. A satisfação do cliente. uma profunda reforma e ampliação dos centros de custos vitais como centro cirúrgico.4%).6%). jan. Nesse particular é importante que o hospital desenvolva um sistema de gerenciamento integrado e informatizado. aliada a uma organização estruturada e mobilizada em torno de um objetivo deve. fraturas de malar (31.4%). merecer um planejamento estratégico e uma reorientação de pressupostos básicos como perfil e missão de uma unidade prestadora de serviço de saúde pública. 250 .6%) e da ginecologia (71. histerectomias (37.7%).2006 Os dados citados não se apresentam de maneira uniforme ao longo dos meses e sem que tenha havido relação entre o tipo ou porte de cirurgia e o mês de ocorrência do absenteísmo cirúrgico. é de suma importância que os gestores elaborem mecanismos gerenciais que reduzam significativamente as taxas de absenteísmo numa unidade de custos importante como o centro cirúrgico.freqüente por especialidade na amostra estudada (26.2%). seguida da odontologia bucomaxilofacial (76. segundo a Gestão Estratégica de Qualidade com ênfase nos processos e fluxos de trabalho. CONCLUSÃO No momento em que o financiamento da saúde requer aporte significativo de recursos face aos altos custos que se elevam dia-a-dia decorrentes de uma medicina cada vez mais tecnicista e cara. Percentual de satisfação dos trabalhadores de saúde e pacientes do HGCA. Tabela 4.jul.0%) no período de janeiro a julho. Identificou-se uma média de cirurgias suspensas de 90 ± 33 (69.4%). fraturas de mandíbulas (38.4%) e colpoperineoplastias (18.

Arieta CEL.dez. Cabral C. São Paulo: Saraiva. 7. 2003. Paciente cirúrgico: a influência da ansiedade nas estratégias de enfrentamento utilizadas no período pré-operatório [Dissertação].112(2):5-19. Qualidade total e administração hospitalar: explorando disjunções conceituais. Med. IMS. ed.2:18-30. Psicol. Asoc. As necessidades de saúde como conceito estruturante na luta pela integralidade e equidade na atenção em saúde. 2001.4(4):152-5. São Paulo: Universidade de São Paulo.16(3):44-7. Conde WC. Jurkiewicz R. Economia e sociedade: fundamentos de sociologia compressiva Brasília: Editora UnB. 1995. Rio de Janeiro: UERJ. Ambulatório de pré-anestesia: experiência da Disciplina de Anestesiologia do Departamento de Cirurgia da Escola Paulista de Medicina. out.21(34):41-7 Brunner LS. Argent 1999. Utilização e causas de suspensão de intervenções cirúrgicas oculares em centro cirúrgico ambulatorial universitário.113-126. Batalden PB. Estrés quirúrgico: implicâncias clínicas y psicosocialis. Magri A./set. Nelson EC.2. v. 10. Gonçalves EL. Cecílio LCO. maio/jun. Suddarth DS.Revista Baiana de Saúde Pública REFERÊNCIAS 1. Brasil. p.1. p. Lo Ré Júnior I. Carneiro MS. 9. 2002. Med.. Stagnaro JC. Monteiro RB. Mezomo JC. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Tratado de Enfermagem médico cirúrgica. Argum. Kara JN. 11. 6. Bras. v. Anestesiol. 2008 251 . n. R. 4. p. Saúde Coletiva. Gestão hospitalar: administrando o hospital moderno. p. Enferm. Vieira MMF. Paul. 1991.241-252 maio/ago.41(3):233-5. jul. Programa de humanização da assistência hospitalar da Fundação Santa Casa Misericórdia do Pará. 1995. São Paulo: Universidade de Guarulhos. R. Assoc. Taiar A. Gurgel Júnior GDV. 7a. ABRASCO. 2006. 3./set. R. Hurtado Hoyo E. 8. Rev. jul. Giacomantone E. 13. Bianchi ERF. Leite LGM. R. 14. 5. Medeiros VCC.2002. Weber M.1986. R. 1984. Patient-based quality measurement system.36(3):123-6. Torrieri A. A comunicação da suspensão de cirurgia. Quality Management in Health Care 1993. 1993.32. Gestão da qualidade na saúde: princípios básicos. paraense Med. 12.7(2):325-34. 343-58. 2. Psicologia clínica e saúde. 128-144. 2002.

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Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL EVOLUÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE BUCAL NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DO MUNICÍPIO DO RECIFE (PE) NO PERÍODO DE 2001 A 2007 Fernando Castim Pimentela Petrônio José de Lima Martellia José Luiz do Amaral Correa de Araújo Juniora Ângela Siqueira Limaa Vanessa Gabriele Diniz Santanaa Cícera Lissandra Sá Vieira Macedob Resumo O presente estudo tem como objetivo analisar a evolução da assistência realizada pelas equipes de saúde bucal no município do Recife (PE) no período de 2001 a 2007.32. 2008 253 . no qual os dados relativos aos procedimentos odontológicos da rede ambulatorial do Recife foram obtidos do Sistema de Informação Ambulatorial do Ministério da Saúde. E-mail: nandocastim@yahoo. Recife/PE. n. Serviços de saúde bucal. apto. p.com. Trata-se de um estudo descritivo. 802. Graças. 342. No grupo das práticas individuais.br v. CEP: 52050010.2. Em relação às ações de promoção e prevenção.253-264 maio/ago. Tel. nota-se que as equipes de saúde bucal são as principais responsáveis por esse tipo de ação no município. Rua do Futuro. (81) 8737-3027. a b Departamento de Saúde Coletiva. Sistemas de informação. os procedimentos preventivos superam os curativos em praticamente toda a série histórica. Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães – Fundação Oswaldo Cruz Secretaria de Saúde – Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho – PE Endereço para correspondência: Fernando Castim Pimentel. Programa saúde da família. Palavras-chave: Saúde bucal. Percebeu-se que o aumento da produção total da atenção odontológica básica não acompanhou o ritmo do crescimento do número de equipes de saúde bucal. mas o perfil dos procedimentos realizados pelas equipes demonstra o início de uma reorientação do modelo de atenção à saúde bucal no Recife e o Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do Sistema Único de Saúde (SUS) se constitui em um importante instrumento nesse processo de mudança. quando comparado proporcionalmente à evolução das equipes de saúde bucal e à produção odontológica dessas mesmas equipes. Os resultados mostraram que os procedimentos odontológicos básicos apresentaram um baixo crescimento ao longo de sete anos.

o número de Equipes de Saúde Bucal implantadas no país alcança 16. Com esse incentivo. preventive overcame curative procedures in practically all historical series. Dois anos depois. In the group of individual practices. prevenção e tratamento dos agravos à saúde.450 pessoas.190. Information systems. when compared proportionally to the evolution of the oral health teams and their odontological production. de 30 de junho de 2003.2 Atualmente.444. although the profile of procedures conducted by the teams demonstrates the beginning of a reorientation in the oral health attention model in the city of Recife and SIA / SUS constituted an important instrument in the change process. oral health teams are the main responsible for this type of action in 2007.342).1 A regulamentação da Equipe de Saúde Bucal (ESB) na Estratégia de Saúde da Família ocorreu por meio da Portaria Nº 1. In relation to the promotion and prevention actions. voltadas para a promoção. Essas medidas representaram um grande avanço para a expansão da saúde bucal na atenção básica. a Equipe de Saúde da Família (ESF) contou com a participação oficial de uma ESB para cada duas ESF. houve um grande aumento no número de ESB na Estratégia de Saúde da Família em todo Brasil (8. o MS passou a financiar as ESB na proporção de 1:1 com relação à ESF. Nesta oportunidade. that basic odontological production increase did not accompany oral health teams growth. com a Portaria Nº 673.3 254 . then. Pela Portaria Nº 267. cada ESB passou a cobrir. situadas no primeiro nível de atenção.THE EVOLUTION OF ORAL HEALTH CARE IN THE FAMILY HEALTH STRATEGY IN RECIFE-PE FROM 2001 TO 2007 Abstract The aim of this study was to analyze the evolution of care conducted by the oral health teams of Recife city from 2001 to 2007. The study showed that the basic odontological procedures presented a low growth in seven years. de dezembro de 2002 até dezembro de 2005. representando um aumento superior a 195%. de 28 de dezembro de 2000. em média. It is evident. imprimindo uma nova dinâmica para a consolidação do SUS. It is a descriptive study and the data from odontological procedures of Recife’s outpatient system were obtained from the Ministry of Health Outpatient Information System. Family health program. de 6 de março de 2001. 3. Dental health services. INTRODUÇÃO O Ministério da Saúde (MS) pretende reorientar o modelo assistencial por meio de um conjunto de ações individuais e coletivas. Key words: Oral health.

orientando a organização da saúde bucal nos municípios. v. Os dados relativos aos procedimentos odontológicos da rede ambulatorial do Recife foram obtidos no SIA-SUS. atualmente.7 Assim. utilizando-se.Revista Baiana de Saúde Pública Entretanto. apesar da expansão do número de ESB.32.253-264 maio/ago. Esse sistema de informação foi implantado em 1991. questiona-se. o SIASUS. aos problemas de saúde bucal da população. Parecer N° 78/05. banco de dados do Ministério da Saúde. 2008 255 . pois ainda se observa que “[. as secretarias municipais de saúde devem potencializar a utilização de instrumentos de gestão como o Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do Sistema Único de Saúde (SUS). Este artigo é um produto da pesquisa Analisando a Política de Atenção Básica em Recife-PE: um Olhar sobre a Estratégia Saúde da Família e o Programa de Saúde Ambiental. prevenção.. se houve aumento quantitativo ou mesmo alguma mudança nos tipos de procedimentos oferecidos à população com a introdução da ESB na ESF. na medida em que não responde.6 com característica individual. MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo de corte transversal que corresponde a uma série histórica de sete anos dos procedimentos odontológicos realizados na atenção básica do município do Recife (PE) no período de 2001 a 2007. sendo de grande importância na avaliação das equipes de saúde bucal. para acompanhar a atuação dos serviços de saúde bucal e orientar seu processo de trabalho. demonstrando ser ineficaz.. p. financiada pelo Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM). a participação da equipe odontológica na Estratégia de Saúde da Família ainda é focalizada no atendimento clínico ambulatorial básico. assistência e reabilitação. A consulta a esse sistema permite o acompanhamento e a avaliação da produção ambulatorial odontológica8.] a atenção à saúde bucal no Brasil tem-se caracterizado pela insuficiência de procedimentos coletivos e preventivos individuais e pela baixa cobertura de procedimentos curativos e de urgência”.4: 94 Embora a Política Nacional de Saúde Bucal5 estabeleça em suas diretrizes a atenção integral com a realização de atividades de promoção. para isso.2. Busca-se conhecer o perfil das práticas oferecidas à população e identificar se demonstram indícios de reorientação do modelo de atenção em saúde bucal. em níveis significativos. curativa e tecnicista. neste estudo. por permitir o acompanhamento da programação da produção ambulatorial odontológica e a construção de alguns indicadores quantitativos das ações desenvolvidas. analisar a evolução das ações realizadas pelas equipes de saúde bucal no município do Recife no período de 2001 a 2007. n.8 Pretende-se.

escovação dental supervisionada. 1001102. 2 – Procedimentos individuais – este item agrupou desde aplicação tópica de flúor até moldagem/adaptação/acompanhamento de prótese dentária (códigos 0302201 a 0305101). 1001101 e 1001102).fundamentais no processo de planejamento das ações e organização da atenção à saúde bucal nos municípios. aplicação de cariostático. atividades educativas e procedimentos coletivos descritos a seguir: – – – visitas domiciliares realizadas pelo cirurgião-dentista e pelo Técnico de Higiene Dental (THD) – (códigos 0102304 e 0401107). restaurações de compósito. – cirúrgicos – exodontia de dente permanente ou decíduo. escariação por dente. controle da placa. 0102301. 1005115 e 1005136). o modo de registro selecionado foi a “quantidade apresentada”. 256 . além de três procedimentos do grupo 10 que. amálgama ou cimento de ionômero de vidro. resina fotopolimerizável. remoção de resto radicular (códigos 0304101 a 0304107. curetagem subgengival. sendo também possível identificar os tipos de atividades priorizadas pelas equipes de saúde bucal da cidade do Recife (PE) no período de 2001 a 2007. 1004101. independente do teto estipulado. procedimentos coletivos como aplicação tópica de flúor gel. dentre outros (códigos 0301101 a 0301105). 0401103). o que facilita a análise. por conter todos os procedimentos informados ao sistema. Na coleta dos dados. Para isso. remoção de cálculo supragengival. desde a NOAS/01. inserção/condensação substância restauradora por dente (códigos 0302201 a 0302208). aplicação de selante. atividades educativas realizadas pelo cirurgião-dentista e pelo THD (códigos 0102301. os procedimentos foram agrupados da seguinte forma: 1 – Ações de promoção e prevenção – constituídas pelas visitas domiciliares. passaram a compor o elenco de procedimentos odontológicos básicos individuais (códigos 1001101. silicato. e restauração a pino em dentes decíduos ou permanentes (códigos 0303101 a 0303115. procurou-se comparar a evolução do total dos procedimentos odontológicos do município realizados pela rede pública com aqueles produzidos apenas pelas equipes de saúde bucal. 1005115 e 1005136): – preventivos – aplicação de flúor. 0401102. Para a coleta dos dados. – restauradores – capeamento pulpar direto. foram utilizados gráficos e tabelas elaborados pelo programa Microsoft Excel. pulpotomia de dente decíduo/ permanente. Para a análise dos dados coletados.

Ao longo dos anos.046) em 2007. decrescendo até o ano de 2004. que apresentava 45 equipes implantadas em 2001. a produção das ESB.967) em 2007 (Gráfico 1). p.4% (66. Tabela 1. Evolução do N° de ESB. procedimentos odontológicos básicos produzidos no Recife e pelas ESB no período de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS).6% desses procedimentos. aumentando sua participação para 87.5%) no ano de 2001. eram responsáveis por 48. Dentre as ações de promoção e prevenção realizadas pelas ESB.4%).2. Enquanto a produção total do município aumentou apenas 1.Revista Baiana de Saúde Pública RESULTADOS A análise dos procedimentos odontológicos produzidos na atenção básica do município do Recife permitiu observar-se crescente participação dos procedimentos realizados pelas ESB (Tabela 1).737) desses procedimentos no município. tornando possível perceberse sua participação em 95. passando para 82. passando para 110 equipes em 2007. respectivamente) e uma baixa quantidade de atividades educativas (13. observa-se no Gráfico 2 uma predominância dos procedimentos coletivos e visitas domiciliares (44. o percentual de procedimentos coletivos aumentou. Observou-se um crescimento dos procedimentos em saúde bucal realizados pelas equipes até o ano de 2002. Em 2005.253-264 maio/ago. n.5% do total de procedimentos. mostra que as ESF vêm assumindo a responsabilidade por esse tipo de procedimento. como pode ser visto no Gráfico 2. Esse aumento torna-se bastante expressivo ao se comparar com o aumento do número de ESB (144.3% em v.8%. 2008 257 . especialmente devido aos procedimentos coletivos realizados pelas ESB. chegando a representar apenas 37. houve um grande salto na quantidade dessas ações.421) dos procedimentos da atenção básica em 2001. na qual estão incluídas as visitas domiciliares.74% no período de estudo. em 2001.9% (282.8% (51.7 e 41. o que representa um aumento de 448% da produção realizada por essas equipes.0% (18. passou para 25. já que. A análise dos procedimentos de promoção e prevenção. que correspondia a 4. atividades educativas e procedimentos coletivos.32.

6% em 2007. quando comparado ao que foi realizado por todo o município no período do estudo. permanecendo sem grandes variações até 2007. observou-se que aqueles relativos aos procedimentos preventivos. Essa participação foi aumentando e chegou a 20. seguido dos procedimentos restauradores e cirúrgicos. Participação dos procedimentos de promoção e prevenção realizados pelas ESB no total de procedimentos realizados pelos serviços públicos do Recife no período de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS). os procedimentos odontológicos individuais realizados pelas equipes representavam 3. Gráfico 1. a maior parte dos procedimentos clínicos. mas crescente. Em 2001. Os procedimentos restauradores apresentaram um aumento gradual até 2004. É interessante notar a participação quase exclusiva dos procedimentos coletivos realizados pelas equipes em 2005: representaram 99. os quais representavam 71. quando passou a apresentar uma tendência declinante de 2004 a 2007. Em relação aos procedimentos odontológicos individuais. Em geral. enquanto as visitas domiciliares apresentaram uma gradual redução.1% das ações nesse mesmo ano. 258 . com uma representação de 47. chegando a representar apenas 2. As atividades educativas se destacaram apenas no ano de 2003.3% em 2007.3%.9% dos procedimentos individuais em 2001. participação desses procedimentos realizados pelas ESB.4% dos procedimentos individuais realizados em Recife. os procedimentos individuais preventivos representaram. evidenciou-se uma pequena. ao longo dos anos. O número de procedimentos cirúrgicos também mostrou um crescimento em sua participação até 2004.2007. quando ultrapassaram as demais ações. diminuíram seu percentual para 51. Ao se detalhar os procedimentos odontológicos individuais realizados na Estratégia de Saúde da Família (Gráfico 3).1% das ações de promoção e prevenção.

2008 259 .253-264 maio/ago.32. Percentual de participação dos diferentes tipos de procedimentos coletivos realizados pelas ESB do Recife de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS) PI prev – procedimentos individuais preventivos.2. p.Revista Baiana de Saúde Pública Gráfico 2. PI cirurg – procedimentos individuais cirúrgicos. Gráfico 3. Participação dos tipos de procedimentos individuais realizados pelas ESB do município do Recife de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS). v. PI rest – procedimentos individuais restauradores. n.

na maioria das vezes.1% da oferta de serviços ambulatoriais.9 o Ministério passou a ter melhor controle das ações de saúde realizadas pelos municípios. Consideradas de grande impacto na saúde bucal da população e elo de ligação entre profissionais e comunidade. Tais fatos corroboram o início da mudança do modelo de atenção à saúde bucal na cidade do Recife. as atividades educativas ainda são muito realizadas pelas ESB do Recife.. no ano anterior. acompanhado de um aumento ainda maior da produção dessas equipes (448. e no município B. Verificou-se ainda a substituição das Unidades Básicas Tradicionais (UBT) pelas Unidades de Saúde da Família (USF) com saúde bucal. Emmi e 260 .5%). neste estudo.541. no atendimento clínico ambulatorial básico”.74% no período de sete anos. verificando e incentivando aqueles que cumpriam as metas pactuadas. Devido a tal substituição. as atividades educativas influenciam positivamente as pessoas que têm acesso a elas. observou-se um aumento de 1. observou-se que a produção ambulatorial odontológica total ampliou-se em apenas 1.DISCUSSÃO Ao se analisar a evolução dos procedimentos odontológicos básicos realizados no município do Recife (PE). Em relação às ações de promoção e prevenção realizadas pelos serviços de saúde bucal do município. no período de 2001 a 2007. a exemplo de Barros e Chaves8 que. Pôde-se verificar.4%). Tal fato refletiu na quantidade e no tipo de procedimentos realizados no Recife: aumento explosivo dos procedimentos coletivos (223.74%. e a despeito do crescente aumento da produção das ESB.1% do total de procedimentos coletivos do município.011) no ano de 2005. que levou ao fechamento das UBT. Nesse período. número pouco significativo quando comparado aos resultados encontrados por Silva2. Com o surgimento dos indicadores do Pacto da Atenção Básica em janeiro de 2005. as quais envolvem visitas domiciliares. de 1995 a 2001. para o estado de Pernambuco. que observou um crescimento de 20%. sendo priorizados atualmente os procedimentos coletivos em detrimento dos demais. entre os anos de 2002 e 2005. a quantidade desses procedimentos era de apenas 18.] a participação da equipe odontológica no PSF é limitada e focalizada.6: 301 os quais afirmam que “[. a produção das ESB representou 99. atividades educativas e procedimentos coletivos.8%. o crescimento do número de ESB no município (144. quando. o que contraria as afirmações de Oliveira e Saliba. a expansão de 57.6% dos procedimentos coletivos em 2007. observaram no município A um aumento de 138. em estudo semelhante realizado em dois municípios da Bahia. Não obstante participarem com 15. Outros autores também evidenciaram esse aumento da produção odontológica em outros municípios.. constatou-se que as ESB foram os principais responsáveis por esse tipo de prática.

p. é representado pela maior participação do pessoal auxiliar odontológico (PAO) nas ações de promoção. Patriota14 também concorda com esses resultados. mesmo dentro dos consultórios. observaram que os mais citados foram as orientações sobre higiene bucal. decorre do fato de terem sido realizadas em maior número quando da implantação da estratégia. em Recife.13: 50 A análise do percentual de procedimentos individuais realizados pelas ESB mostra que. como se viu no Gráfico 3. Ao questionarem os usuários sobre os fatores que melhoraram e que consideram de relevância após a inclusão das ESB. seja nas palestras.] contribuem para a acessibilidade aos serviços e representam um instrumento valioso para cumprir a nova dinâmica imposta pelo PSF”.32. em seus estudos. esses ainda superam os procedimentos curativos (restauradores e cirúrgicos) ao longo dos anos de referência. com exceção de 2004.7% no referido período. que os procedimentos básicos preventivos superaram os procedimentos básicos curativos no período de 2001 a 2005: os primeiros apresentaram um crescimento de 43%. Frazão11 demonstrou. nos anos de 2001 e 2002. enquanto os demais cresceram apenas 6.1% em 2007. Corrobora esta afirmação os resultados da pesquisa realizada por Andrade e Ferreira12 que. É preciso. a exemplo de Vilarinho.Revista Baiana de Saúde Pública Barroso10 avaliaram as ações de saúde bucal no programa saúde da família no distrito de Mosqueiro (PA). em alguns municípios. “A prática profissional ainda continua amarrada a uma demanda reprimida crescente de atendimento cirúrgico-restaurador. mas também com a qualidade necessária para mudar os hábitos da população. ao avaliarem a inserção da odontologia na Estratégia de Saúde da Família do município de Pompeu (MG). que passaram de 41.253-264 maio/ago.”8: 42 v. sem perceber melhorias na condições de saúde da sua comunidade. Entretanto os resultados encontrados neste estudo diferem daqueles expostos por outros autores. porém. observaram o despreparo das ESB e a falta de treinamento e capacitação ao realizarem as atividades educativas. nas visitas em casa ou na própria consulta. Mendes e Prado Júnior. ao observar. há uma predominância das práticas individuais preventivas realizadas pelas equipes de saúde bucal. A redução das visitas domiciliares realizadas pelas ESB. 2008 261 . que um dos fatores que contribuem para a transformação das práticas da Odontologia em Saúde Coletiva. o que reforça o caráter substitutivo das práticas assistenciais em saúde bucal.13 os quais verificaram que os procedimentos restauradores e cirúrgicos superaram os procedimentos preventivos em Teresina (PI).2. fato esse de grande significância para a mudança do modelo de atenção em saúde bucal. que as atividades educativas sejam realizadas não somente com grande freqüência.. Isso demonstra que. As visitas domiciliares “[. a despeito da diminuição dos procedimentos individuais preventivos. n.8% em 2001 para 2. ou seja..

Para melhorar o nível de saúde bucal da população de Cuiabá — e também de Mato Grosso e do Brasil —. seguidas dos procedimentos cirúrgicos (23. fluoretação da água. pode ser decorrente de maior enfoque nas ações de promoção e prevenção por parte dos profissionais e/ou aumento dos procedimentos restauradores. por procedimentos curativos. os procedimentos individuais preventivos responsáveis por aproximadamente 50% dos procedimentos clínicos. evidenciado neste trabalho. em mais de 50%. a saúde bucal ainda necessita de muito investimento por parte dos demais níveis de governo.16:54 É importante salientar o valor dos sistemas de informação. As ações educativas de higiene oral e nutrição. e a diminuição lenta da quantidade de procedimentos cirúrgicos. quando comparado proporcionalmente à evolução das ESB e à produção odontológica dessas mesmas equipes. Entretanto alguns fatos reforçam a reorientação do modelo de atenção à saúde bucal presenciada pelo município do Recife: o crescimento da participação das ações de promoção e prevenção nos últimos anos. Barros e Chaves8 encontraram. em 2001. econômicos e psicológicos deles advindos.Os dados deste estudo também se opõem aos estudos de Oliveira15 sobre o modelo de atenção em saúde bucal apresentado por 57% dos municípios de Pernambuco no ano de 2001.2%). e menor participação dos procedimentos preventivos individuais (11. maior participação das primeiras consultas odontológicas (37. em um município do interior da Bahia.6%). ampliação da qualidade da cobertura do PSF com incorporação de odontólogos e consecução de parcerias dentro e fora do setor Saúde sobressaem-se como algumas das estratégias com capacidade de reduzir os tratamentos odontológicos mutiladores e. além do controle e avaliação de suas 262 .6%) e periodontais (9. há que se ampliar o investimento de recursos na promoção de saúde e na prevenção primária. conseqüentemente. É interessante apontar que o decréscimo do percentual de procedimentos cirúrgicos realizados pelas ESB a partir de 2004. controle e avaliação das ações realizadas pelos serviços odontológicos municipais ainda é um problema sério a ser enfrentado pelos gestores. especialmente o SIA-SUS.3%) e restauradores (18.3%). isto devido à opção de substituição das Unidades Básicas Tradicionais pelas Equipes de Saúde Bucal. os quais produziram uma assistência básica composta. os problemas sociais. pois a falta de mecanismos de acompanhamento.17 CONCLUSÃO Os resultados apresentados neste estudo mostraram que os procedimentos odontológicos realizados na atenção básica do município apresentaram um baixo crescimento ao longo de sete anos. Apesar dos avanços.

8(2):599-609. 8. 2. 26(1):94-8. Extraído de [http://dtr2004. Recife (PE): Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. o qual fornece aos gestores um material importante para o planejamento e a tomada de decisão. al. Cardoso ACC.datasus. Equipe de Saúde Bucal no PSF. 7. curativa. Extraído de [http://www. Departamento de Atenção Básica. Brasília. Souza LEP Barbosa MBCB. A saúde bucal dentro da estratégia de saúde da família no estado de Pernambuco. Atenção odontológica no Programa de Saúde da Família de Campos dos Goytacazes. Pereira DQ. Avaliação das ações de saúde bucal no programa saúde da família no distrito de Mosqueiro (Pará). Tomita NE.br/dab/cnsb/]. A inserção da saúde bucal no PSF. Oliveira JLC. 2002.32.gov. 3. Saúde Bucal . 2008 263 . bras.org. Secretaria de Atenção à Saúde. acesso em [12 de março de 2008 para informações dos anos de 2001-2007]. autônoma e tecnicista. Saúde Col. 2006. Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2003. Souza DS. Aprova a relação de indicadores da Atenção Básica. Portaria n° 21.2(2):13-29. de 5 de janeiro de 2005. acesso em [14 de março de 2008 para informações dos anos de 2001-2007]. Barros SG.Cadernos de Atenção Básica. Ferreira MA. 4. Emmi DT.abrasco.php?id_artigo=144].gov. Odontol. baiana Saúde Públ. Ciência & Saúde Coletiva 2006. Extraído de [http://tabnet. Ciência & Saúde Coletiva 2005. Departamento de Atenção Básica.saude. 6. Brasil. R. REFERÊNCIAS 1. acesso em [12 de março de 2008 para informações dos anos de 2001-2007]. 9. Narvai PC.br/cienciaesaudecoletiva/artigos/ artigo_int. Silva SF. Coordenação Nacional de Saúde Bucal. 2001.2. R. Gevaerd SP et .10 (sup):297-302. Inserção de . Caminha JAN. p. A utilização do sistema de informações ambulatoriais como instrumento para caracterização das ações de saúde bucal. Histórico de cobertura da saúde da família. Chaves SCL. um desafio para a melhoria da qualidade de atenção à saúde. [Monografia de Residência]. A prática odontológica em Unidades Básicas de Saúde em Feira de Santana (BA) no processo de municipalização da saúde: individual. v. 10. Ciência & Saúde Coletiva 2003.Revista Baiana de Saúde Pública ações através do SIA-SUS.pdf].12(1):41-51. Santos Júnior RQ. Pereira JCM. Saliba NA.253-264 maio/ago. n. 5.br/cgi/ siab/pacto2005/portaria21. Barroso RFF. Brasil. Assis MA. Secretaria de Atenção à Saúde. 2006.

Brasil.11(1):123-30. Tomita NE. Leal RB. Frazão P A participação do pessoal auxiliar odontológico na promoção da . 16. Saúde bucal em Pernambuco: acesso e utilização dos serviços odontológicos do SUS em 2001. Andrade KLC. Perfil dos cirurgiões-dentistas integrantes do Programa Saúde da Família em Teresina (PI). 14. a partir do banco de dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIASUS). Assistência odontológica e universalização: percepção de gestores municipais. Volpato LER. Avaliação da inserção da odontologia no Programa Saúde da Família de Pompéu (MG): a satisfação do usuário. Ciência & Saúde Coletiva 2006.2008 e aprovado em 25. Prado Júnior RR. Recebido em 15. Recife (PE): Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. Estado de Mato Grosso. saúde bucal. Recife (PE): Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. 2002. 2006. Odontol. Univ.8.2008. Mendes RF.22(55):48-54.15(2):47-55. Scatena JH.11(1):155-60.4. Cobertura das ações de saúde bucal no Recife no período de 2000 a 2005. Análise da política de saúde bucal do Município de Cuiabá. 17. [Monografia de Residência]. 12. R. 264 . 13. R. São Paulo 1998.12(4):329-36. Vilarinho SMM. Ciência & Saúde Coletiva 2006. Oliveira LMA. Patriota CMM. Odonto Ciência 2007.11. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2006. Ferreira EF. 15. [Monografia de Residência].

SANITARY SURVEILLANCE LABORATORIAL COMPONENT IN THE STATE OF BAHIA Abstract This article presents the past records of public health laboratory policies as well as the results of a survey on installed labs in the state of Bahia. Brasil. b Sanitarista do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado da Bahia (LACEN). Amaralina. Mestre em Saúde Comunitária pelo Instituto de Saúde Coletiva c (ISC). Universidade Federal da Bahia (UFBa). Coordenadora de Acompanhamento e Avaliação. utilizando as informações contidas no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde. Salvador. epagliarini@gmail. Its aim was to subsidize the definition of strategies in order to implement the laboratorial component in Sanitary Surveillance actions in accordance with Health Department’s established norms within a context in which individual assistance prevails. by means of the information from Health Department’s CNES (National Health Establishment Register).2.com v. Key words: Laboratories. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (SUVISA). 2008 265 . Sanitary Surveillance.265-272 maio/ago. Bahia CEP: 41900-020. n.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL COMPONENTE LABORATORIAL DA VIGILÂNCIA DA SAÚDE NA BAHIAa Leila Ramosb Edna Pagliarinic Resumo Este artigo apresenta antecedentes sobre a política de laboratórios de saúde pública bem como os resultados do levantamento dos laboratórios instalados no estado da Bahia.com Farmacêutica do LACEN/SUVISA/SESAB. a Texto elaborado em 2006 por profissionais da Coordenação de Acompanhamento e Avaliação do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado da Bahia (LACEN).32. Amaralina. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB).leila@gmail. 27 ap. Palavras-chave: Laboratórios. chandani. 04. Bahia. atendendo às normas operacionais estabelecidas pelo Ministério da Saúde em um ambiente no qual permanece a hegemonia da assistência individual. p. Endereço para correspondência: Av. Vigilância. Laboratórios de Saúde Pública. Public Health Laboratories. Visou subsidiar a definição de estratégias para implementar o componente laboratorial das ações de Vigilância da Saúde.

266 . tanto no que tange aos exames para Vigilância Epidemiológica como.2:3 d O Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) é integrante da estrutura da Superintendência de Vigilância da Saúde da SESAB. expõe a situação ao afirmar: “Em relação aos 28 laboratórios oficiais de controle de qualidade em saúde.] um conjunto de redes nacionais de laboratórios.. O Relatório da Oficina de Vigilância Sanitária para a XII Conferência Nacional de Saúde. bem como a Vigilância da Saúde do Trabalhador.INTRODUÇÃO Nos últimos anos assistimos à incorporação de novas tecnologias que têm contribuído para a determinação de novas formas de organização dos serviços de saúde na busca de ganhos em eficiência. vigilância sanitária e assistência médica.]”1:3. Posteriormente. No ano seguinte. equidade e acessibilidade. a NOAS 01/02 tratou especificamente da Assistência Laboratorial. o Ministério da Saúde baixou portaria GM nº 2031/2004.. em setembro de 2004. Vigilância Sanitária e Ambiental. cujo financiamento não é garantido nem previsto em instrumento legal. Em 2001 o Departamento de Descentralização da Gestão da Assistência da Secretaria da Assistência à Saúde do Ministério da Saúde editou o “Manual de Apoio aos Gestores do SUS – Organização da Rede de Laboratórios Clínicos” propondo um modelo estruturado em níveis de complexidade articulados. o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACENBa)d enfrenta o grande desafio de utilizar os instrumentos legais disponíveis para gerenciar suas atividades na perspectiva da saúde coletiva. Finaliza propondo o fortalecimento da rede de laboratórios públicos mediantee financiamento para expansão da capacidade instalada e manutenção bem como para a incorporação tecnológica.2 que dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (SISLAB). tendo suas atividades voltadas para atender à Vigilância Epidemiológica. em 2003. Enquanto os esforços se concentram no apoio laboratorial voltado para a resolutividade da assistência individual.. há ainda escassez de investimento e de cobertura para responder as necessidades [. instituindo formas de financiamento e responsabilidades dos gestores. principalmente. definido como [. para as análises de produtos submetidos à Vigilância Sanitária. por agravos ou programas.. de forma hierarquizada por grau de complexidade das atividades relacionadas à vigilância em saúde – compreendendo a vigilância epidemiológica e vigilância em saúde ambiental. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) também tem se perseguido racionalidade da organização dos serviços laboratoriais que proporcione melhor relação custo/ efetividade pautada nos princípios da universalidade. organizadas em subredes.

laboratório de referência nacional (LRN). mais especificamente Vigilância Epideminológica e Vigilância Ambiental. atribuídos conforme auto-avaliação. comportam sub-redes estruturadas por unidades laboratoriais classificadas em: centros colaboradores (CC). Estas. Esta Portaria institui cinco portes e cinco níveis para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs). Vale ressaltar que dada a sua natureza. Dando seguimento. por sua vez. estabelecendo modelo de financiamento para ações de Vigilância da Saúde. laboratório de referência municipal (LRM). e de Assistência Médica de Alta Complexidade.265-272 maio/ago.606/2005. v. e determina o fator de incentivo — FINLACEN — a ser transferido fundo a fundo. as ações de Vigilância Sanitária não podem ser terceirizadas. dentre as quais o cadastramento dos estabelecimentos.2. cujas redes estão sob a gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). n. o Comitê Consultivo de Vigilância Sanitária da Comissão Intergestora Tripartite apresentou minuta de documento para discussão sobre a categorização das ações do componente laboratorial da Vigilância Sanitáriae tendo em vista a lacuna existente e a necessidade do aperfeiçoamento da pactuação do Termo de Ajuste e Metas (TAM)f .606/2005. do Ministério da Saúde.32. o presente estudo é desdobramento do cadastramento da rede de laboratórios públicos da Bahia.3 para classificação dos laboratórios centrais. o Ministério da Saúde editou a Portaria nº 2. enquanto coordenadores da política estadual. se defrontam com o desafio de definir estratégias para implementar o componente laboratorial de Vigilância da Saúde. de Vigilância em Saúde Ambiental.Revista Baiana de Saúde Pública Esta Portaria prevê a organização do Sistema em quatro redes nacionais de laboratórios: Vigilância Epidemiológica. atendendo às normas operacionais do Ministério da Saúde em um ambiente no qual permanece a hegemonia da assistência individual e de tal monta que o repasse do fator de incentivo FINLACEN não se deu na forma prevista pela Portaria 2. 2008 267 . cronograma de supervisão e fluxo de informações sobre a produção de exames. laboratórios locais (LL) e laboratórios de fronteira (LF). As iniciativas vão ao encontro das necessidades dos LACENs que.606/2005. Instrumento de pactuação de ações de Vigilância Sanitária firmada entre os estados e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). laboratório de referência estadual (LRE). Neste sentido. ao tempo em busca subsidiar a definição de políticas de Vigilância da Saúde. uma das metas obrigatórias estabelecidas pela Portaria MS nº 2. laboratório de referência regional (LRR). conveniados e privados. p. No mesmo ano. de Vigilância Sanitária. e f Não chegou a ser operacionalizada em decorrência da mudança do modelo de financiamento das ações de saúde. Define também metas para o cumprimento obrigatório em doze meses.

editada após a conclusão da pesquisa. As Fichas Reduzidas do CNES de todos os estabelecimentos de cada um dos 417 municípios foram consultadas com a intenção de identificar os estabelecimentos classificados no campo “Atendimento Prestado” como “Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutica (SADT)” e. área geográfica integrada pela capital do estado e municípios com grande concentração populacional e serviços de saúde. em Hospital: geral. especializado. justamente Macrorregiões com maior percentual de municípios sem apoio diagnóstico laboratorial: 19. porém incluídos os que têm serviço próprio e terceirizado. perfazendo um total de 95 municípios (22. acessado.8% na Nordeste. Micro-região e municípios e os dados obtidos foram consolidados.MATERIAL E MÉTODOS Realizado. RESULTADOS O levantamento evidenciou a existência de 1078 laboratórios cadastrados no CNES no estado da Bahia.8%) sem qualquer serviço de diagnóstico laboratorial. g Cada município foi acessado uma única vez. no período de 7 de agosto a 26 de setembro de 2006. todos considerados laboratórios clínicos. Unidade Básica de Saúde e Unidade Mista). utilizando o programa Excel. 268 . LACENs passaram a ser incluídos no Sistema do CNES como “tipo de estabelecimento” pela Portaria SAS/MS nº 717/2006. os registrados como “Laboratório Clínico (Patologia Clínica)” no campo ”Serviços e Classificação”. segundo o “Tipo de unidade” onde se encontra instalado o laboratório (SADT isolado.2% em Itabuna (Macrorregião Sul). inclusive o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACEN-Ba)i com maior concentração (34%) na Macrorregião Nordeste (Gráfico 1). via internetg. As Fichas de interesse foram impressas e organizadas por Macrorregião de Saúde. confirmando a tendência de atuação em escala. em Centro de Saúde: Posto e Centro de Saúde. h i O registro considerou o maior nível de complexidade que consta na coluna “classificação” acima mencionada. Assim é possível que no decorrer da pesquisa o cadastro tenha sido acrescido de novos estabelecimentos. Foram excluídos os que ofertam serviço laboratorial terceirizado.4% na Centro Leste e 33.3% na Sul. em cuja Ficha do CNES registra “ambos”. Quando observada a distribuição por microrregiões. tem-se que 17. em quadros e gráficos.6% dos laboratórios estão em Salvador (Macrorregião Nordeste). em Clínica: clínica e Policlínica. bem como conforme o nível de complexidadeh .5% em Feira de Santana (Macrorregião Centro-leste) e 5. dentre esses. 22. o levantamento dos laboratórios instalados no estado da Bahia utilizou como fonte de dados o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde. 6.

2008 269 .9%) são SADT isolados.Revista Baiana de Saúde Pública Gráfico 1.3%) em clínicas e 142 (13. Tabela 1.265-272 maio/ago. Bahia. Distribuição de Laboratórios por Macrorregião. 527 (48.32. com maior percentual de laboratórios M3. e Centro Leste com maior concentração de M1 (Gráfico 2). Em termos gerais. No que se refere ao “Tipo de unidade”. Bahia.6%) estão instalados em unidades hospitalares. M3-automatizado) para conhecer a incorporação tecnológica da oferta laboratorial e assim gerar dados que permitam o desenho de alternativas de organização dos serviços.2%) em Centros de Saúde. Concentração de laboratórios isolados por Macrorregião. 122 (11. p. Dentre os SADT isolados 40 são públicos. 2006. regiões cuja cobertura da rede assistencial é precária. enquanto 287 (26.2. prevalecem os laboratórios M2 e apenas duas macrorregiões apresentam disposição diferente: Extremo Sul. M2-semiautomatizado. v. visando a otimização dos recursos disponíveis.6% do total (Tabela 1). o que significa 7. Sudoeste e Norte. 2006 Também foi pesquisado o nível de complexidade (M1-manual. n. a maioria nas Macros Oeste.

Complexidade dos SADTs isolados conforme vínculo organizacional. Irecê e Salvador (todos sedes de microrregião). Sete são os laboratórios M3 instalados em Centros de Saúde (Tabela 3) e. Bahia. Laboratórios por nível de complexidade. Barra. Riachão de Jacuípe.Bahia. Caldeirão Grande. Tabela 2. 2006 Tabela 3. Barreiras. Morpará. Laboratórios instalados em Centros de Saúde segundo a complexidade e vínculo organizacional.Gráfico 2. Bahia. dos quais três sob gestão municipal. um estadual e um federal (Tabela 2) que estão em Juazeiro. constata-se cinco SADT isolados públicos M3 (automatizados). 2006 Fonte: CNES/DATASUS/MS Considerando em conjunto o nível de complexidade e o vínculo organizacional. Lençóis e Maraú. sob gestão municipal. portanto. localizados nos municípios Gloria. 2006 270 .

Brasília. sinalizando que das quatro redes previstas.6 de laboratórios isolados público / privado conveniado. Avaliação e Controle. Independentemente da situação apresentada. de 23 de setembro de 2004. Manual Técnico do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – Versão 2. o LACEN-Ba vem desenhando sub-redes para alguns agravos. mas enfrenta a carência de profissionais. A construção do SISLAB na Bahia deve considerar as particularidades de cada uma das redes: a de laboratórios de Vigilância Epidemiológica já conta com financiamento garantido. com ampliação do acesso. recebendo o investimento necessário). parece mais viável o componente laboratorial da Vigilância Epidemiológica. Esta ampliação. Dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública. disponibilidade de profissionais e processos automatizados para diagnóstico e controle de doenças e vários procedimentos de análise já descentralizados. mesmo estando sob gestão municipal. Brasília. tampouco laboratórios clínicos. Ministério da Saúde. Brasil. Uma avaliação técnica e administrativa criteriosa permitirá avaliar aqueles que. 2004. Portaria nº 2. exigirá melhoria da estrutura administrativa do Laboratório Central e aperfeiçoamento das atividades de coordenação e acompanhamento para garantir a sustentabilidade da rede.Revista Baiana de Saúde Pública DISCUSSÃO Não obstante as limitações do CNES foi possível constatar que. entretanto. possam vir a atender os requisitos necessários e se constituírem em referências para a região (referência regional.265-272 maio/ago. para cada laboratório público existem doze privados com uma relação de 1:5. o que poderá significar um aumento da capacidade analítica. e a rede de laboratórios de Vigilância Sanitária necessita de definição de política de financiamento para investimento e manutenção. REFERÊNCIAS 1. que não são laboratórios centrais. a Rede de Vigilância Ambiental tem financiamento.2. Secretaria de Atenção à Saúde.32. podendo se constituir em embriões desta rede. mobilizando recursos para a desconcentração de exames. Brasil. v. Ademais. bem como formação de profissionais qualificados para análises de produtos de interesse para a saúde coletiva. Departamento de Regulação. p. j Dentre esses estão o LACEN e o laboratório do Instituto de Ciências da Saúde. 2006. n. Ministério da Saúde. 2008 271 . 2. em termos gerais.031/GM. visto que os doze laboratórios M3 públicosj acima referidos estão distribuídos em seis das oito macrorregiões. este último vinculado à Universidade Federal da Bahia. Coordenação Geral dos Sistemas de Informação. A concretização do SISLAB no âmbito estadual ainda exigirá muitos esforços. será necessária a criação de novos tipos de estabelecimentos no Sistema do CNES / MS para a incorporação adequada de laboratórios integrantes do SISLAB.

2006. 2002. Estabelece os critérios e sistemáticas para habilitação de laboratórios de referência nacional e regional para as redes nacionais de laboratórios de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde. 4. Ministério da Saúde. de 28 de setembro de 2006. Comitê Consultivo de Vigilância Sanitária. acesso no período [7 de agosto a 26 de setembro de 2006]. acesso em [25 de setembro de 2006].gov. Classifica os Laboratórios Centrais de Saúde Pública e institui fator de incentivo. Anual de Apoio aos Gestores do SUS. Portaria nº 70/2004.2008. Brasília. 7. Ministério da Saúde. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Ministério da Saúde. 11. Ministério da Saúde. Síntese do Relatório da Oficina “Subsídios para Consolidação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária”. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Departamento de Descentralização da Gestão da Assistência. Brasil. Brasil. 2004. Secretaria de Atenção à Saúde. Organização da Rede de Laboratórios Clínicos. Ministério da Saúde. 9.br].2008 e aprovado em 25. 272 . 2005. Portaria nº 717/ 2006.606/2005. 8. Secretaria de Assistência à Saúde. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasil. GT Categorização das Ações de Vigilância Sanitária.cnes. Portaria nº 2. Extraído de [www. Relatório da Oficina de Vigilância Sanitária para XII Conferência Nacional de Saúde. Ministério da Saúde.anvisa.8. Brasília. 2004.3. Recebido em 7. de 23 de dezembro de 2004. Norma Operacional da Assistência à Saúde / SUS – NOAS-SUS 01/02. Brasil.datasus.gov. 10. 2005. Extraído de [www. 2003. 5. Brasília. de 28 de dezembro de 2005. de 27 de fevereiro de 2002.8.br]. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. 6. Brasília. Brasília. Brasil. 2001. Brasil.

59% quando BP3+. Fone: 081-3231-2122. Estudo de coorte retrospectivo. A cultura em todos os casos foi positiva (CP) e a bacterioscopia classificada como negativa (BN) ou positiva (BP) com gradações semi-quantitativas de 1+ até 3+ como classicamente é realizada na análise de escarro em tuberculose.68% quando BN e CP.273-281 maio/ago. Parnamirim.14% quando BP1+. apenas em 6.006. O objetivo deste estudo é testar a hipótese de que a vacina BCG.32.53% quando BP2+ e em 20. A relação entre PPD positivo e bacteriologia foi a seguinte: 10. 16. visando comparar o teste tuberculínico (PPD) de contactantes intradomiciliares de tuberculose com a bacteriologia do escarro do caso índice (CI).2. sendo TP 868 e TE 138.6%) crianças apresentarem uma ou mais cicatrizes de BCG. Professores da Universidade Federal de Pernambuco. 202. apto. de acordo com dados oriundos da cidade de Santiago do Chile. ao registrar adequado controle da doença.227 CONTACTANTES INFANTIS DE TUBERCULOSE PULMONAR Leonardo Vejar a José Ângelo Rizzob Almerinda Silvab Débora Schorrc Décio Medeirosc Emanuel Sarinhoc Resumo Apesar de ainda ser disseminada a informação de que a vacina BCG pode interferir na resposta ao teste tuberculínico.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL UTILIDADE DO PPD EM VACINADOS COM BCG: ANÁLISE DE 3. Pesquisadores do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia da Universidade Federal de Pernambuco. 13. tanto de tuberculose pulmonar (TP) quanto da doença na forma extra-pulmonar (TE). realizado com base em registros do Programa de Tuberculose Infantil do Chile no período de 10 anos. Avenida Parnamirim. Apesar do fato de 2. p. Fax: 081-32312122. CEP 52060-000.227 contactantes considerados foram crianças de 0-14 anos. a experiência do Sistema de Saúde chileno sugere o contrário. Os 3. O número de casos índices foi de 1. Endereço para correspondência: Emanuel Sarinho.23% dos casos houve a b Pediatra Pneumologista do Ministério da Saúde do Chile.com c v. aplicada nos primeiros meses de vida. 327. A vacina BCG foi averiguada pela presença de cicatriz. não interfere na interpretação do teste tuberculínico. RecifePE.969 (90.sarinho@gmail. Pesquisadores do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia da Universidade Federal de Pernambuco. 2008 273 . E-mail: emanuel. n.

migrações. PPD. Although 2969 (90. Este estudo sugere que a vacina BCG não interfere de forma importante na interpretação do PPD na investigação de crianças contactantes de tuberculose. disagrees with this idea. The relation of a positive PPD test to microbiology was as follows: 10. o surgimento da AIDS e formas associadas a germes resistentes estão relacionadas a esta situação. There were 1006 index cases. Tuberculin Test. The age range of the 3227 children with contact with a case was from 0 to 14 years. A pobreza. Teste Tuberculínico.6%) of children had one or more BCG scar. Bacterioscopia. 868 PT and 138 ET.2 Nas crianças. The culture was positive in all cases (PC) and the sputum smear for bacilli classified as negative (NB) or positive (PB) with semi-quantitative graduations from 1+ to 3+ as classically done in sputum examinations for tuberculosis. Foi estimado que no início do século XXI 15 milhões de pessoas estejam doentes e 5 milhões tenham falecido por tuberculose em suas diferentes manifestações.14% when PB 1+. This is a 10 year period retrospective cohort study done from records of the Chilean Children Tuberculosis Program aiming to compare the tuberculin test (PPD) of domiciliary contacts of tuberculosis patients with the sputum bacteriology of index the case (IC). Sputum Smear. where there is adequate disease control. either with the pulmonary (PT) or extrapulmonary (ET) forms of the disease. Palavras-chave: Tuberculose infantil.teste tuberculínico positivo quando o contactante intradomiciliar apresentou bacterioscopia negativa. a 274 . INTRODUÇÃO A tuberculose pulmonar é um problema mundial de saúde e tem características de uma verdadeira pandemia. BCG.23% the tuberculin test was positive when the domiciliary case was NB. The BCG vaccination was diagnosed from the arm scar presence. This study suggests that BCG vaccine do not interfere significantly with the PPD test interpretation in the investigation of children with contact with tuberculosis patients. USEFULNESS OF PPD IN BCG VACCINATED PERSONS: ANALYSIS OF 3. the Chilean health system experience. in only 6.68% when there was a NB and a PC. 16. Key words: Children Tuberculosis. PPD.227 CHILDREN WITH CONTACT WITH PULMONARY TUBERCULOSIS Abstract Although it still disseminated the notion that BCG vaccine may interfere with the response to tuberculin test.1 As estratégias de controle da tuberculose são a identificação e eliminação das fontes de contágio. 13.53% when PB2+ and 20. o estudo dos contactantes e a vacinação BCG.59% when PB3+.

000 habitantes. nesta situação. O Chile é um país que vem realizando um efetivo controle epidemiológico da tuberculose. quando positivo.2. Após reunião dos autores. cuja população em 1999 superava 1. p. com registro de casos e rede laboratorial confiáveis.6-8 Este argumento foi o que justificou a realização desta pesquisa em crianças contactantes de adultos bacilíferos que eliminavam quantidades variáveis de bacilos. sendo mais de 97% vacinados com BCG.3 A prevalência de infecção tuberculosa e da doença clínica em crianças em contacto íntimo com o adulto com exame de escarro positivo é bem maior que na população em geral4.000. v. No entanto sua interpretação em vacinados é difícil e controvertida.273-281 maio/ago.300. Foram analisados dados obtidos nos livros de registro do programa de Tuberculose infantil no período compreendido entre 1987 e 1997.9 mas ainda não suficientemente baixa para dispensar o Teste Tuberculínico como recurso de grande valor no inquérito populacional. na área em estudo. o teste tuberculínico poderia perder seu valor diagnóstico. Optamos por esse período histórico porque. n.Revista Baiana de Saúde Pública forma de pesquisa mais eficiente tem sido o estudo dos contactantes. a taxa de Tuberculose em 1997 foi em torno de 20/100. que pudesse sustentar ou refutar a hipótese da utilidade diagnóstica da reação de PPD em crianças vacinadas com BCG nos primeiros anos de vida. Segundo alguns autores.32. pela baixa efetividade da pesquisa maciça diante da diversidade das formas de apresentação. CASUÍSTICA E MÉTODOS O estudo foi realizado na região sudeste de Santiago do Chile. Parte essencial do estudo dos contactantes é o teste tuberculínico de Mantoux que. A hipótese a ser testada é a de que a maior carga bacilar do caso índice aumenta a probabilidade da reação positiva ao PPD no respectivo contactante vacinado. de acordo com o recomendado pela Organização Pan-americana de Saúde. com taxa de nascidos vivos em torno de 20. dos quais ainda tivemos acesso a seus antecedentes clínicos e bacteriológicos.000 crianças/ ano. Obtivemos dados da presença de cicatriz de BCG e exames das crianças e dos casos índices. com dados confiáveis. sugere presença de infecção pelo bacilo de Koch. a metade da prevalência atual no Brasil. sendo então o país escolhido para obtenção da fonte histórica de dados. Os contactantes infantis de adultos com tuberculose foram referidos para este estudo desde clínicas de atenção primária até a clínica de pneumologia pediátrica instalada no hospital de referência. 2008 275 . sentiu-se a necessidade de uma pesquisa ampla de campo.5 e este fato serve de base para a investigação dos contactantes.

A Tabela 1 demonstra a forma de apresentação da tuberculose e a freqüência de positividade da bacteriologia de escarro dos vários casos índices. os possíveis transmissores foram os pais das crianças.388 casos índices segundo forma e resultado de exames bacteriológicos oriundos de escarro A Tabela 2 demonstra a classificação dos casos índices segundo ponderação convencional e a probabilidade de contágio. Foram consideradas negativas quando não existiram bacilos álcool ácido resistente em 100 campos observados. A grande maioria dos contactantes apresentou uma ou mais cicatrizes de BCG (90.234 abaixo dos 6 anos de idade. que serve de modelo elaborativo para a Tabela 3.3 As informações relacionadas ao PPD foram incorporadas ao Programa EPI INFO 6 para análise estatística. foram parentes próximos que viviam com eles.1ml (PPD RT23 . positivas + (P1+) quando houve menos que 1 bacilo em campo de 100 aumento.6%). positiva ++ (P2+) quando houve 1 a 10 bacilos em campo de 50 aumento. Distribuição de 1. A média de contactantes por caso índice foi de 2. por via intradérmica. em um terço. 276 . a qual demonstra que a positividade dos contactantes ao Teste Tuberculínico variou em função da contagiosidade dos casos índices.6.4% foram outras pessoas do convívio extradomiciliar. e em somente 1. RESULTADOS O total de casos índices foi de 1. Tabela 1. no quadrante anterior externo do antebraço esquerdo.227 contactantes menores de 15 anos dos quais 1. e positiva +++ (P3+) quando houve mais de 10 bacilos em campo de 20 aumento.006 com 3. Em dois terços dos casos.O Teste Tuberculínico de Mantoux foi realizado injetando-se 0. Como medida desta probabilidade foi escolhida a proporção de contactantes (vacinados com BCG) em cada nível de carga bacilar. considerando-se positivo induração > 9mm2. As baciloscopias foram realizadas no hospital de referência de acordo com as normas do programa de Tuberculose e recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).2 UT).

2008 277 . A Tabela 3 demonstra claramente que a contagiosidade dos casos índices é praticamente zero quando a tuberculose é extrapulmonar e vai progressivamente aumentando quando o cultivo é positivo e quando a bacterioscopia é positiva em uma a três cruzes. Nossa hipótese de trabalho e também nossa experiência tem sido de que o PPD mantém sua capacidade de apoio no diagnóstico frente à vacina BCG. estabelecendo-se então todo o enfoque da situação e. v. A regressão simples calculada é altamente significativa com r2 = 0. De acordo com esta visão. A análise estatística demonstra que a carga bacilar aumenta em sentido crescente para os intervalos construídos. Classificação dos casos índices segundo ponderação convencional e a probabilidade de contágio Tabela 3.Revista Baiana de Saúde Pública Tabela 2.10 Ainda há autores que têm apoiado a possibilidade de que a vacina BCG interfira na interpretação do PPD. entrega-se a primeira dose da medicação.2. segundo escala de carga bacilar COMENTÁRIOS No Sistema de Saúde Chileno. n.32.273-281 maio/ago. Correlação positiva com o PPD. Porcentagem de contatos menores de 15 anos. realizam-se radiografias. e aumenta diretamente na proporção dos contatos com Teste Tuberculínico de Mantoux positivos.9952. se for o caso. p. Este último é mais sensível para pesquisar a infecção em crianças. a norma é que todo contactante tenha o resultado do estudo familiar em três dias. amostras para a bacterioscopia (de pouco rendimento) e o Teste tuberculínico (Teste com PPD).

Neste estudo. Esta restrição é compensada quando se compara o contato correspondente em cada escala de risco. além disso. classe de idades restritas. Em outros estudos de uma população não exposta de Santiago do Chile. se tem encontrado uma percentagem de 8. Estes valores são semelhantes ao encontrado em nosso grupo de comparação. foram incluídas todas as pessoas da área que se consultaram durante estes 11 anos.A maior restrição aos resultados apresentados poderia ser a constatação de um número relativamente alto de casos índices. quando os pais eram os casos índices. Temos considerado que os pacientes com tuberculose extrapulmonar não bacilíferos funcionam como grupo comparativo não transmissível. Como raramente as cicatrizes vacinais de BCG se esvaem e algumas crianças apresentam cicatrizes tênues e difíceis de interpretar. que pudessem ser bacilíferos. sem uma notificação exata das formas de tuberculose e sem classificação segundo escala da carga bacilar. realizados com número menor de pacientes. E nesta pesquisa atual. 278 . Em estudos realizados no Chile12-17 foram encontrados mais enfermos de tuberculose. pela análise multivariada. a seu redor. quando o Teste tuberculínico encontrava-se positivo. pouco tempo de seguimento após a vacinação e não foi considerada adequadamente a exposição ao bacilo de Koch. o grupo sem cicatriz de BCG não se constituiu num grupo homogêneo em que poderíamos assegurar que haviam sido realmente vacinados. realizado em Recife. foram usados outros valores de corte para a avaliação da positividade ao PPD. de forma aceitável. Este grupo de comparação representa os pacientes não expostos ao bacilo de forma intra-domiciliar que apresentam viragem tuberculínica quando positivos ao Teste com PPD. Em um estudo do tipo caso-controle. mas representa menos de 5% destas crianças. pois não eliminam os bacilos de Koch.6-8 Na maioria desses estudos.11 Podemos estabelecer que uma variável a ser considerada seria a intimidade que o contactante apresenta com o caso índice. para os contactantes estudados. e foram examinados os efeitos da vacina sobre a resposta ao Teste com PPD considerado como positivo a partir de 10mm. também os pais eram os casos índices em mais de dois terços dos casos positivos à baciloscopia. foi demonstrado. provavelmente em decorrência da vacina BCG. foi decidida sua exclusão nesta pesquisa. que o fato da criança apresentar cicatriz de BCG prévia não foi associado com uma resposta positiva ao teste com PPD. comparando a vacina BCG aplicada no período neonatal e a resposta ao teste tuberculínico em contactantes de bacilíferos. de PPD positivo (considerando positivo 6mm) em crianças vacinadas com BCG.8%. também foi exaustivamente pesquisada a existência de outros adultos. Em outras pesquisas há sugestões de que a vacina BCG possa modificar o resultado do Teste com PPD. Em relação ao grupo de contactantes que não apresentam cicatriz de BCG.

18 É importante sempre estudar a criança no contexto de sua exposição ao bacilífero e no contexto clínico. A simples medida do teste tuberculínico. 2ª ed. JAMA 1995. independente de vacina BCG prévia. 3. para valorizar. 2. Singh M. também nas crianças. 2005 jun. Santiago do Chile: Pub Téc Mediterráneo. especialmente em escolares revacinados com BCG. 2008 279 . Mathew JL. esta pesquisa com 3.19 Devemos aqui insistir na importância do emprego da técnica adequada ao ser realizado o Teste Tuberculínico. Arch Dis Child. consideramos importante aceitar as proposições da Organização Mundial de Saúde. p. 1987. mesmo em vacinados. 1992. Mynak ML. Global epidemiology of tuberculosis morbidity and of a worldwide epidemics. OPS Pub Cientif. Prevalence and risk factors for transmission of infection among children in household contact with adults having pulmonary tuberculosis. Enfim. Ravoglione MC. REFERÊNCIAS 1.2. demonstrada por uma regressão simples. Manual de los métodos y procedimientos para los programas integrados de TBC. Kumar L. Kochi A. Organización Panamericana de Salud. 4. Epidemiología. as crianças contactantes podem ser investigadas com teste tuberculínico independente de ter recebido a vacina BCG previamente ou não. Farga V.273:220-62. em que o valor positivo de leitura pode ser reduzido para 6 mm.273-281 maio/ago. Se o número de bacilos à bacterioscopia é elevado. fazendo com que este seja considerado um exame importante na investigação de contactantes. uma medida do teste com PPD desta magnitude. Jindal SK. Tuberculosis. deve-se ampliar a investigação e o acompanhamento clínico do grupo familiar a ser estudado. Portanto.90(6):624-8. n. é incapaz de distinguir a infecção tuberculosa da persistência à reação pós-vacinal. A leitura dos exames deve ser feita por leitor experiente e considerar como positivo um nível de induração maior que 10 mm. A exposição da criança a uma carga bacilar considerável. v. considerar positivo além deste valor pode levar a uma possível perda da sensibilidade do exame. é quem mais influencia no Teste Tuberculínico.227 crianças vacinadas com BCG contactantes intradomiciliares de casos de tuberculose pulmonar demonstrou correlação direta entre a positividade ao Teste com PPD e a carga bacilar positiva dos casos índices.Revista Baiana de Saúde Pública Alguns estudos sugerem que. É importante reiterar a necessidade da realização correta da bacterioscopia do caso índice no momento de estudar os contactantes. ao serem expostas intimamente a um caso fonte com exame de escarro positivo. com exceção dos recém-nascidos e crianças com HIV.32. Sneider DE.

Díaz M. Véjar L. 7. Ledesma O.53:565-9. Valenzuela P Control de los niños contactos de tbc infantil en el área norte de .90(6):624-8. Girardi G. Zuñiga. Rivero S. Mallol J. Pediatric Infeccious Diseases J. 1998. Clerc N. Militão de Albuquerque MF.67(supl.65(6):338-42.44(4):319-23.15(4):255. 6. Neonatal BCG vaccine and response to the tuberculin test in BCG vaccinated children in contact with tuberculosis patients in Recife. Singh M. Ministerio de Salud. Véjar L. División de Salud de las Personas. Santiago de Chile entre 1988 y 1993.5. Ferrer X. 17. Maia Filho V. Rev Chil Ped 1996. Sorensen R. Solar E. tuberculínica en lactantes sanos vacunados con BCG al nacer. Arch Dis Child. 1988. Rev Chil Inf 1998.61(3):133-8. y cols. Tapia J. 11. (7). Espinoza P Reacción . [60]. 13. Santiago. Lewinsohn D. Sarinho E. 16.50(1):32-6. Kumar L. Tbc en niños. 280 . Ibáñez S. Rev Chil Ped 1982. Respuesta cutánea a 2 y 10 UT de tuberculina. 10. Rev Chil Pediatr 1973. Montenegro C.59:250-3. Chile. Cruz M. Saez M. Jindal SK. Rev Chil Pediatr 1990. Situación Epidemiológica de la tbc en Chile. 2005 jun. Rev Chil Pediatr 1990. Gomes T. 9. Talesnik G. Prevalence and risk factors for transmission of infection among children in household contact with adults having pulmonary tuberculosis. Quezada A. TBC pulmonar infantil. 8. Rev Chil Ped 1988.44(4):307. Ximenes RA. Booster effect of tuberculin skin testing in healthy six years old children vaccinated with bacilus Calmette Guerin at birth. Ryan M. Brazil. Véjar L. Ibáñez S. Tuberculosis infantil. Tbc pulmonar en lactante 59 casos. Ross G. Campelo AR.1):1-6. Experiencia de 7 años en tbc pulmonar infantil.578-1. J Trop Pediatr. Rev Chil Ped 1973. Programa Nacional de Control de la Tuberculosis. 12. Burr C. Sepúlveda R.61(5):252-7. 2004 feb. 14. Mynak ML. Mathew JL. 15. Rev Chil Pediatr 1994.

Revista Baiana de Saúde Pública 18. Recebido em 21. Cunha SS. n. Pereira SM.13(5):285-93. Barbieri MA. Ichihara MY.20(11):1061-5. Brito SC. Almeida LM. Bierrenbach AL.1. 19.2008.9.2. Rev Panam Salud Publica 2003 may. Da Paixão AC. v. Rodrigues LC. Use of purified protein derivative to assess the risk of infection in children in close contact with adults with tuberculosis in a population with high Calmette-Guérin bacillus coverage.32. Tuberculin reactivity in a population of schoolchildren with high BCG vaccination coverage.2008 e aprovado em 27. Dourado I. Pediatr Infect Dis J. Cuevas LE. Barreto ML. 2008 281 . 2001 nov. p.273-281 maio/ago.

Observou-se a possibilidade de realizar essa análise com dois componentes.com. Epidemiologia. CEP: 40080-004. Marte. Para a análise fatorial exploratória restaram 21 itens. Foram estudadas 933 professoras de escolas públicas municipais e particulares. Índice de morbidade. Av. Bahia. Análise fatorial. b c Endereço para correspondência: Lauro Antonio Porto. com base em inquérito de morbidade referida realizado em 2001. O índice de morbidade foi definido com três níveis.ARTIGO ORIGINAL CONSTRUÇÃO DE UM ÍNDICE DE MORBIDADE PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICAa Lauro Antonio Portob Nelson Fernandes de Oliveirac Fernando Martins Carvalhob Tânia Maria de Araújod Resumo Um indicador sumário foi elaborado para mensurar a morbidade entre as professoras de Vitória da Conquista. Análise de agrupamentos. As 95 variáveis pré-selecionadas eram relativas a problemas vocais. distúrbios psíquicos. Endereço eletrônico: lauroporto@uol. a Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – auxílio individual número 475564/2003-0. diagnósticos médicos. Departamento de Estatística do Instituto de Matemática da UFBA. Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ed. acidentes do trabalho e problemas de saúde recentes.: (071) 3336-3052. d Departamento de Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana. O objetivo deste artigo foi descrever o processo de construção de um indicador de morbidade entre professoras. fax (Faculdade de Medicina da Bahia): (071) 3283-8854. Vitória. Palavras-chave: Saúde dos trabalhadores. Salvador. Sete de Setembro. Bahia. Ensino. O índice atendeu a exigência de ser unidimensional e satisfez algumas das propriedades gerais de um bom indicador: clareza quanto ao que tentou medir. 601. ausência de assunções ideológicas e extracientíficas e ausência de inclusão de parâmetros arbitrários. 282 . as nove variáveis correlacionadas com o segundo componente correspondiam a sintomas vocais habituais e diagnósticos médicos. Tel. As doze variáveis correlacionadas com o primeiro componente eram perguntas do Questionário de AutoResposta (SRQ-20) de rastreamento de distúrbios psíquicos. apto.br. O índice foi construído através de análises de componentes principais e de agrupamentos. 2022.

2008 283 . no arbitrary parameters. Epidemiology. fazendo um contraponto aos estudos em que o objeto de estudo é fragmentado através da descrição individual dos principais problemas de saúde. totalizing 933 teachers.282-296 maio/ago. A justificativa funda-se na oportunidade de sintetizar as manifestações do adoecimento de uma categoria profissional. Public county schools and private schools teachers were studied.2 foi elaborado um indicador sumário para representar a morbidade deste grupo de trabalhadores. The twelve variables correlated with the first component were questions from the Self Reporting Questionnaire (SRQ-20) of scanning of mental disorders. The index was constructed using principal components analysis and cluster analysis. INTRODUÇÃO Para explorar a variedade dos dados de um inquérito de morbidade referida e de características do trabalho realizado entre professores de Vitória da Conquista. the nine variables correlated with the second component corresponded to customary vocal symptoms and medical diagnosis. nunca capta completamente sua riqueza e sua complexidade4. um índice evita os vieses de representação de um construto baseado em um item único e. Morbidity index complied with the demand of being one-dimensional and satisfied an important part of general properties of a good index: clarity as to what it intended to measure. mental disorders. Um índice de morbidade permitirá a análise de um indicador sumarizado do adoecimento dos docentes. Twenty one tested items remained to the exploratory factor analysis. This paper aimed at describing in detail the process of construction of this morbidity index. Bahia. é um dispositivo eficiente de redução de dados para a análise de múltiplos itens. p.2. no ideology and no extra-scientific assumption.32. work accidents. The index was defined in three levels. Teaching. Mas um índice. Key words: Occupational health. in a self-reported morbidity survey carried out in 2001. It was observed the possibility to make this analysis with two components. and recent health problems.Revista Baiana de Saúde Pública CONSTRUCTION OF A MORBIDITY INDEX FOR ELEMENTARY AND MIDDLE SCHOOL FEMALE TEACHERS Abstract A summarized index was developed to measure the morbidity of elementary and middle school female teachers from Vitória da Conquista. Factor analysis. Bahia1. n. v. Brazil. The 95 pre-selected variables were related to vocal problems. Sendo baseado em vários itens de um questionário. por outro lado. permitindo considerar sua riqueza de detalhes sem se emaranhar em um sem número de respostas simultâneas3. medical diagnoses. Morbidity index. ao reduzir um fenômeno social real. Cluster analysis.

2. sinais. Alfabetização. lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados com o trabalho (LER/DORT). sala de leitura e aqueles dedicados exclusivamente a direção ou coordenação). tempo de realização do trabalho e existência de solicitações conflitantes) e o suporte social (nível de interação social de auxílio mútuo dos trabalhadores entre si e com os coordenadores)6 e a ocorrência de morbidade.7-19. Este estudo teve o objetivo de descrever o processo de construção do índice de morbidade entre as professoras de Vitória da Conquista. em um questionário respondido anonimamente por professores de todas as escolas públicas municipais e das dez maiores escolas particulares de Vitória da Conquista. da Educação Básica: Educação Infantil (Pré-Escola e Alfabetização) e do Ensino Fundamental. Foi realizado um censo dos professores da Educação Básica (Pré-Escola. 284 . Foram excluídos deste estudo os 34 professores do Ensino Médio (das escolas particulares) porque não há escolas municipais dessa modalidade e os 89 homens porque representaram apenas 8. 211 não responderam aos questionários (perda de 17%). Com base nestas referências. Restaram 747 professores das escolas municipais e 186 das escolas particulares. Obteve-se o retorno de 808 professores das escolas municipais da população efetiva estimada de 963 professores. Ensino Fundamental. Bahia. Contudo as limitações usuais da extensão de um texto publicado impedem que em um mesmo manuscrito sejam expostos o longo e intrincado processo de construção do índice e seu emprego prático em uma situação de pesquisa. Dos 1. artes. MÉTODOS A coleta dos dados deste estudo foi realizada de setembro a novembro de 2001. informática. foi identificada uma série de trabalhos que descreveram queixas. volume. xadrez. Na seleção das condições mórbidas a serem incluídas no índice. síndromes e doenças mais freqüentes entre professores1.Em outro artigo5 este índice de morbidade foi apresentado juntamente com um estudo exploratório da associação entre as demandas sofridas pelas professoras no desempenho de seu trabalho (ritmo. os grupos de doenças mais comuns entre os professores são: doenças do sistema respiratório. com exclusão do Ensino Médio. Ensino Médio). 91 por recusa.6% dos docentes. sintomas. pela inexistência de um cadastro fidedigno destes estabelecimentos1. excluindo-se os professores cujas atividades não seguiam o padrão usual de sala de aula (professores de educação física. 102 por não devolução do questionário.235 professores elegíveis para participarem da pesquisa. varizes de membros inferiores e distúrbios psíquicos não-psicóticos. e de 250 dos 272 professores estimados nas escolas particulares. 9 por licenças e 9 por não terem recebido o questionário.

pontuação máxima: 15. em um total de 95. Por isto. pontuação máxima: 21. índice de problemas vocais (ivoz: escala bimodal de respostas. variáveis do Quadro 1). desta maneira. foram classificadas em seis grupos. o caminho adotado inicialmente foi estabelecer uma ponderação entre os blocos de itens constituintes de cada índice. a aproximação mais simples para o índice de morbidade é compô-lo pela soma da pontuação das variáveis referentes a cada um dos grupos de problemas descritos nos Quadros 1 a 6. exceto quanto aos diagnósticos médicos. Entre suas orientações. sim ou não. os itens devem ter pesos iguais. a menos que existam fortes razões para ponderações distintas. sintomas e doenças estavam referidas a manifestações habituais ou recorrentes e àquelas presentes no período de quatro semanas anteriores à data do preenchimento do instrumento. pontuação mínima: 0. ou seja. atribuição de escores a respostas específicas. discriminados nos Quadros 1 a 6. v. ele deve representar apenas uma dimensão. procedimento em relação aos dados faltantes e validação do índice. As variáveis selecionadas inicialmente para a composição do índice de morbidade. de modo semelhante ao que é feito no Questionário de Auto-Resposta (Self Reporting Questionnaire – SRQ-20)20 de rastreamento de distúrbios psíquicos. p. Há também uma sugestão de que. b. ponderação dos escores específicos correspondentes a cada resposta. sendo uma medida composta. inclui-se a referência à necessidade de unidimensionalidade na construção de um índice. 2008 285 . preferivelmente. definição da quantidade de indivíduos classificados em cada categoria. compondo o índice de morbidade (imorbid) pela soma da pontuação das variáveis-índices referentes a cada um dos grupos de problemas. n. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Registro n. ponderadas pelo inverso de sua pontuação máxima. Assim.282-296 maio/ago. os que têm maior número de itens ficam sobrevalorizados em relação àqueles com menos itens. para igualar sua influência no índice sintético: a.2.Revista Baiana de Saúde Pública As perguntas do questionário relacionadas a sinais. Possibilidades de construção de um índice de morbidade Babbie3 descreve os passos para a construção de um índice: seleção dos itens. referidos ao período de exercício da profissão. em virtude de o número de questões ser diferente entre os grupos de problemas. pontuação mínima: 0. índice de diagnósticos de tratamentos com otorrinolaringologista (iorl: indicação dos problemas identificados em consulta com otorrinolaringologista.32. exame das relações entre as variáveis. Contudo. variáveis do Quadro 2). 218/02).

passo da seleção em que a variável foi excluída. variáveis do Quadro 3). Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos problemas identificados em consulta com otorrinolaringologista em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. passo da seleção em que a variável foi excluída. índice de distúrbios psíquicos (idp: escala bimodal de respostas. Bahia. 286 . Quadro 2. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos problemas com a voz e de garganta em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. c. 2001. sim ou não. Bahia.Quadro 1. 2001. pontuação máxima: 20. pontuação mínima: 0.

282-296 maio/ago. 2001. passo da seleção em que a variável foi excluída. Bahia. pontuação mínima: 0.Revista Baiana de Saúde Pública Quadro 3. d.2. e índice de problemas de saúde nos quinze dias antes do preenchimento do questionário dentre os mais freqüentes entre os professores (ipr15d: v. variáveis do Quadro 4). sim ou não. passo da seleção em que a variável foi excluída. p.32. Quadro 4. variáveis do Quadro 5). e. pontuação máxima: 6. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos diagnósticos médicos durante a carreira em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. índice de acidentes do trabalho (iactr: indicação dos problemas. f. índice de diagnósticos médicos durante a carreira de professor (idiagn: escala bimodal de respostas. 2008 287 . pontuação mínima: 0. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes ao indicativo de distúrbios psíquicos com base no Questionário de Auto-Resposta (SRQ-20) em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. pontuação máxima: 15. n. 2001. Bahia.

2001. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos acidentes de trabalho (acidentes ocorridos no ambiente de trabalho ou no deslocamento casaescola-casa) em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. Quadro 6. passo da seleção em que a variável foi excluída. 2001. Quadro 5. O índice sintético de morbidade foi calculado como: (Equação 1). Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos problemas de saúde (dentre os mais freqüentes entre as professoras) nos quinze dias antapreenchimento do questionário em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista.indicação dos problemas. pontuação máxima: 18. Bahia. 288 . Bahia. passo da seleção em que a variável foi excluída. pontuação mínima: 0. variáveis do Quadro 6).

n. sintomas ou doenças era inferior a 5%. rotação ortogonal varimax dos componentes principais e exclusão das variáveis para as quais a correlação de cada um dos itens não alcançou 0.Revista Baiana de Saúde Pública Foi estabelecida uma classificação em níveis ordenados com base em pontos de corte definidos empiricamente por quartis. porque Uebersax24 considerou que esta função interna é uma aproximação muito grosseira. sendo o módulo de Kolenikov mais acurado.2. p. Esta forma de construção do índice foi abandonada porque foi avaliada como frágil. 3. o procedimento acompanhou os passos adotados pela Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados) na definição do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS)28.282-296 maio/ago. pois a utilização da soma de variáveis manifestas gera uma medida de um construto de baixa qualidade e ineficiente no aproveitamento das informações disponíveis.32. Ela foi usada. estes critérios foram adaptados do que foi empregado por Boeckel e Sarriera26. no presente estudo. 2008 289 . A função polychoricpca foi instalada pelo comando Stata “net from http:// www. O uso da correlação tetracórica em lugar da correlação convencional de Pearson é justificada porque esta última se aplica a variáveis intervalares e. versão 10.unc.27. análise fatorial com as variáveis remanescentes. calculada com a função polychoricpca. análise fatorial com as variáveis remanescentes e definição do número de componentes com base no gráfico de sedimentação (scree plot)26. Os passos adotados na seleção das variáveis foram: 1. 5. extração dos componentes principais utilizando-se a regra de Kaiser25 (retenção dos autovalores maiores que 1). A aproximação por fim empregada na construção do índice de morbidade foi a análise de componentes principais na matriz de correlação tetracórica. exclusão das variáveis em que a proporção de professoras que relataram cada um destes sinais. inclusão inicial das 95 variáveis listadas anteriormente. as variáveis são dicotômicas22. alternativas mais adequadas estando disponíveis nos pacotes estatísticos. desenvolvida por Kolenikov21. análise de agrupamentos para a identificação de subconjuntos de professoras com semelhanças em relação aos componentes extraídos na análise precedente.2 com nenhum dos componentes extraídos e a proporção não explicada conjuntamente pelos componentes ultrapassou 70%.edu/~skolenik/stata/”. o qual apresenta a distribuição gráfica dos autovalores e componentes. em vez da função interna tetrachoric do Stata. 2. O pacote estatístico empregado foi o Stata23. 4. v.

com base em suas dissimilaridades quanto a um número de variáveis e. aos pares.2 com nenhum dos componentes extraídos e a proporção não explicada conjuntamente pelos dois componentes ultrapassou 70% (Quadros 1 a 6). Os resultados do agrupamento são visualizados em um gráfico denominado dendrograma ou diagrama de árvore. Há vários métodos para a vinculação das observações. por partição e hierárquico. 4. Outras 21 variáveis foram excluídas (passo 3 da seleção das variáveis) porque. utilizando-se a regra de Kaiser25. caracterização dos níveis do índice de morbidade em relação aos componentes extraídos. baseada na resposta de 933 professoras. 3. A análise demonstrou a presença de seis componentes com autovalores superiores a 1. para formar grupos progressivamente maiores. Para a análise fatorial exploratória. é usada como uma aproximação exploratória para o desenvolvimento de tipologias empíricas. o último é mais apropriado à aproximação exploratória. RESULTADOS As 53 variáveis com proporção inferior a 5% das professoras com relato de sinais. padronização das variáveis pela amplitude: divisão de cada variável por sua amplitude. que especificam o que comparar entre grupos que contêm mais de uma observação. A análise de agrupamentos divide as observações em grupos. tomando a distância valor absoluto (distância de um ponto da reta de números reais ao zero desta reta real) como medida da dissimilaridade. foram incluídos os 21 itens remanescentes. Os passos adotados na análise de agrupamentos foram: 1. Das duas grandes categorias de métodos de agrupamento. sintomas ou doenças foram excluídas (passo 2 da seleção das variáveis). Os fatores foram extraídos da análise de componentes principais. na matriz de componentes rotados. grupos pequenos são fundidos. vinculação das observações por suas médias ponderadas. a correlação de cada um destes itens não alcançou 0. a funcionar melhor na detecção de agrupamentos de tamanhos desiguais. feitura do dendrograma com dissimilaridades abaixo de um valor de corte estipulado na medida da distância valor absoluto. O método de vinculação das observações por suas médias ponderadas atribui igual peso a cada agrupamento independentemente do número de observações que ele contenha. geralmente. No método hierárquico de aglomeração. assim. até ser alcançado um ponto especificado de parada ou chegarse a um único grupo. 2. explicando 73% da variância total das respostas das 290 . tendendo.A condução da análise de agrupamentos obedeceu às orientações de Hamilton29.

para a identificação de subconjuntos de professoras com semelhanças internas (e dissimilaridades entre os subconjuntos) em relação aos dois componentes extraídos na etapa precedente. As doze variáveis correlacionadas com o primeiro componente eram perguntas do Questionário de Auto-Resposta (SRQ-20)20.2. a qual define o sedimento27. que correspondeu ao valor de corte 0. Sedimentação dos componentes após análise de componentes principais na matriz de correlação tetracórica. com três níveis. v. O último fator a ser considerado no gráfico de sedimentação (Gráfico 1) é aquele imediatamente além da linha aproximadamente reta próxima ao eixo das abscissas. somando 51% de explicação. 2001. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. 2008 291 . foi definido após uma análise de agrupamentos. As observações foram fundidas pelas médias ponderadas29 até o número de grupos que melhor caracterizou a relação entre demanda e morbidade. p. de rastreamento de distúrbios psíquicos. Gráfico 1. A tabulação da freqüência das professoras por agrupamento mostra a distribuição apresentada na Tabela 2.7 na medida da distância valor absoluto com os dados resultantes da rotação da matriz de componentes. o último fator a considerar é o componente 2.32. portanto. circundados no Gráfico 1). as nove variáveis correlacionadas com o segundo componente correspondiam a sintomas vocais habituais ou recorrentes e doenças diagnosticadas por médico (Tabela 1).282-296 maio/ago. O índice de morbidade. o segundo 15%. o terceiro 7%. Ou seja. O primeiro componente explicou 35%. n. o quarto 6% e os demais 5% cada um. observou-se a possibilidade de realização da análise fatorial com dois componentes (1 e 2. o primeiro componente passou a explicar 28% e o segundo 23%. Após a retenção de dois componentes e a realização da rotação ortogonal varimax. Bahia. a linha do sedimento vai do componente 3 até o componente 21.Revista Baiana de Saúde Pública professoras. Neste caso.

Bahia. Número absoluto e relativo de professoras por agrupamento. No outro extremo situa-se o agrupamento 2. e quatro ou mais problemas vocais. Correlações entre as variáveis que permaneceram na etapa final da análise fatorial exploratória e os dois componentes principais extraídos nessa análise no estudo sobre as professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. Os Gráficos 2 e 3 apresentam. Bahia. apresenta uma concentração dos indivíduos com respostas negativas ou com até três respostas afirmativas às doze variáveis selecionadas do questionário de rastreamento de distúrbios psíquicos e sem problemas vocais ou com até sete dos nove problemas vocais selecionados (Gráfico 2 e 3). com a definição de três agrupamentos. O agrupamento 3. 2001. deste modo. ser considerado como o grupo de referência. 2001. com 23% das professoras. que reúne os indivíduos com um mínimo de quatro respostas afirmativas às questões de rastreamento de distúrbios psíquicos. 292 . Pode. com 40% das professoras estudadas (Tabela 2). Tabela 2. respectivamente. com o menor grau de morbidade. O agrupamento 1. as relações entre os níveis do índice de morbidade e os dois componentes extraídos. tendo sua concentração entre seis e nove.Tabela 1. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista.

imorb_3: maior. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. p. imorb_2: intermediário. Freqüência dos itens indicativos de distúrbios psíquicos segundo os níveis do índice de morbidade. e que satisfez parcialmente as propriedades gerais de um bom indicador assinaladas por Musgrove:30 clareza quanto ao que tentou medir. 2001. n. níveis do índice de morbidade: imorb_1: menor. níveis do índice de morbidade: imorb_1: menor. Gráfico 2. imorb_2: intermediário.282-296 maio/ago.32. v. 2001. que o índice atendeu a exigência de ser unidimensional3.Revista Baiana de Saúde Pública constituído por 36% das professoras. Bahia. 2008 293 . imorb_3: maior. COMENTÁRIO FINAL A avaliação do índice de morbidade foi desenvolvida em outro artigo5. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. Bahia. reúne os indivíduos com um nível intermediário de distúrbios psíquicos e uma freqüência baixa ou intermediária de problemas vocais. resumidamente.2. Aponta-se aqui. Gráfico 3. Freqüência de problemas vocais segundo os níveis do índice de morbidade. representando apenas a dimensão da morbidade. ausência de assunções ideológicas e extracientíficas e ausência de inclusão de parâmetros arbitrários.

2008. Condições de trabalho e saúde em professores da rede particular de ensino: Salvador – Bahia.aspx?RID=44584]. 4. Silvany Neto AM. Brasil.A proporção final de 83% de resposta pode ser considerada muito boa3.uk/resource/item. Cadernos de Saúde Pública 2004. 519 p. 294 . Araújo TM. mas não se pode afastar a existência de viés de resposta. Tratando-se de um instrumento exploratório limitado às condições impostas por um inquérito de morbidade concluído previamente a sua construção. Pencheon D. Silva MO et al. Silvany Neto AM.apho. 1999. REFERÊNCIAS 1. Rio Claro: Univ. requerendo continuidade. 1997. 96 f. Salvador: Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. New York: Basic Books. SP [Monografia]. .20(1):187-96. Mas o estudo é apenas uma aproximação preliminar. et al. and the reconstruction of working life. Extraído de [http://www. Brasil. Babbie E. Trabalho e distúrbios psíquicos em professores da rede municipal de Vitória da Conquista. Reis E. Araújo T. Oliveira NF. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais. Delcor NS. productivity. Porto LA. Silvany Neto AM. 3. 1990.[submetido]. 2. Carvalho FM. Bahia. Carneiro MCBGC. 396 p. Bahia. Kavalkievicz C. 8. Carvalho FM. Cadernos de Saúde Pública 2008. o índice apenas é indicativo tentativamente das potencialidades de classificar uma população de trabalhadores quanto a seu grau de morbidade geral e de identificar grupos com maior magnitude de morbidade auto-referida.org. 1998. Carvalho FM. Coventry: NHS Institute for Innovation and Improvement/The Association of Public Health Observatories. Karasek R. Porto LA. Reis EJFB. Cadernos de Saúde Pública 2005. Theorell T. acesso em [22 de novembro de 2008]. Araújo TM. Métodos de pesquisas de survey. The good indicators guide: understanding how to use and choose indicators. Healthy Work: Stress. Reis EJFB. 5. 6. 7. 36 p. além de comparações entre grupos de professoras. Araújo TM. Estadual Paulista. 42 p. Reis EJFB. Em seu desenvolvimento ele pode ser útil para viabilizar o estudo de morbidade especificamente relacionada com o trabalho docente e de fatores potencialmente associados a este adoecimento. Condições de trabalho e saúde dos professores da rede particular de ensino de Vitória da Conquista.21(5): 480-90. Um estudo de morbidade entre professores no município de Rio Claro. Porto LA. Morbidade entre professoras: índice e fatores associados.

432p.32. 16. et al.28(1):33-49. et al.31(2):18999.40(5):818-26.282-296 maio/ago. Assunção AÁ. Carvalho FM. Salvador: Universidade Federal da Bahia. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Condições de saúde e trabalho dos docentes da Universidade Federal da Bahia Salvador – Bahia. acesso em [23 de agosto de 2008]. Educação: carinho e trabalho.Revista Baiana de Saúde Pública 9.12(20):485-95. Codo W. 171 f.php?script=sci_pdf&pid=S151 797022005000200003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt]. Revista Baiana de Saúde Pública 2004.br/rbsp/arquivos/rbsp_28_1. n. Paranhos IS. Extraído de [http://www. 176 f. gênero e saúde: sofrimento e estresse. 11. Dutra FRD.pdf]. 14. Bahia.24(91/92):115-24. acesso em [29 de janeiro de 2005]. [Dissertação].ba. 2001. Barreto SM. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade 2003. Condições de trabalho e saúde de professores da rede particular de ensino de Salvador. Araújo TM. O professor. as condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde. Araújo TM. Azi GR. Carvalho FM. Extraído de [http://www. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional [1998]. v. Reis EJFB. Dutra FRD. 119 f. Revista de Saúde Pública 2006. Oliveira MG. 15. Kavalkievicz C.brscielo. [Dissertação]. Alves RL. Petrópolis: Vozes. p. Reis EJFB. Gasparini SM.24(1/2):42-56. 12. 2000. Extraído de [http://www. Oliveira NF. Dutra FRD.revistada faeeba. Silvany Neto AM. Interface entre trabalho docente e saúde dos professores da Universidade Estadual de Feira de Santana. 17.2. Paiva LC. Educação e Pesquisa 2005. Wernick R.saude.br/anteriores/numero20. Doenças ocupacionais em professores atendidos pelo Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador (CESAT). Bahia. [Dissertação]. Araújo TM. Araújo TM. acesso em [14 de julho de 2008]. Condições de trabalho.uneb. Silvany Neto AM. Porto LA. Azi GR. Reis IC. Kavalkievicz C.scielo. Lima BGC.gov. Associação entre distúrbios psíquicos e aspectos psicossociais do trabalho de professores. Alves RL. 2001. Andrade JM. Um estudo de caso com os profissionais docentes do ensino superior privado de Belo Horizonte. 10. coordenador. Condições de trabalho e saúde em professores da rede particular de ensino na Bahia: Estudo Piloto. Nascimento CR. 18. Revista Baiana de Saúde Pública 2000. Porto LA. 2008 295 . 13. 1999. Silvany Neto AM. Feira de Santana: Universidade Estadual de Feira de Santana.pdf]. et al. 2002. Silvany Neto AM. Trabalho docente e sofrimento psíquico: um estudo entre professores de escolas particulares de Salvador.

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br Telefones: (75) 3221-4264. Mestre em Saúde Coletiva pela Uefs. o texto é desenvolvido recortando a discussão de direito à saúde a partir dos cuidados primários de saúde propostos na Declaração de Alma Ata e articulados às proposições contidas no postulado do Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisadora do Nupisc. 8804-4900. articulando-o à proposta de Atenção Primária à Saúde (APS).Revista Baiana de Saúde Pública ENSAIO ATENÇÃO PRIMÁRIA E O DIREITO À SAÚDE: ALGUMAS REFLEXÕESa Marluce Maria Araújo Assisb Augusto Araújo Assisc Erenilde Marques de Cerqueirad Resumo O presente ensaio tem como objetivo refletir sobre o direito à saúde.32. assegurado na legislação brasileira. Professora Titular da Uefs.Unified a Este ensaio é parte da base teórica do Projeto Atenção Básica à Saúde no Processo de Descentralização da Saúde na Bahia. the text is developed by focusing the discussion on the right to health from the point of primary health care as considered in the Alma-Ata Declaration and as articulated to postulates contained in the public health system proposals (SUS. Bairro Mangabeira. n. da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Coordenadora/ pesquisadora do Nupisc. Direito à Saúde. Ex bolsista de Iniciação Científica do Nupisc. as an integral practice of health services “gateway”. ACM.036-000.2. E-mail: marluce. 2008 297 . Pesquisadora do CNPq. Conj. In this way. v. Professora assistente da Uefs. Integralidade. como uma possibilidade de assegurar este direito. Enfermeira. Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). Concluiu-se que ainda existe uma distância muito grande entre o mundo cotidiano e a saúde enquanto direito fundamental. Endereço para correspondência: Rua C. CEP: 44. as a possibility to guarantee this right. c d Advogado. Para tanto. BASIC ATTENTION AND THE RIGHT TO HEALTH: SOME REFLECTIONS Abstract The present essay aims at reflecting about the right to health. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Feira de Santana-BA. enquanto prática integral na “porta de entrada” dos serviços de saúde. Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. p. 3224-8162.297-303 maio/ago. Sistema de Saúde. do Núcleo de Pesquisa Integrada em Saúde Coletiva (Nupisc). b Enfermeira. Formado pela Uefs. Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP). n.cnpq.assis@pesquisador. 121. articulating it to the Basic Health Attention (PHA) proposal.

Key words: Basic Health Attention. Tal 298 . inclusive alimentação. independentemente de classe social. situa-se o cenário pós segunda guerra mundial. e direito a segurança em caso de desemprego. capazes de contemplar as necessidades mais complexas que fazem parte do contexto social. a very great distance still remains separating daily world and health as an essential right. cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis. questionando as condições das pessoas humanas e a necessidade de garantia efetiva dos direitos humanos. pela representação de seus governos. XXV – todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar. Esta declaração foi um marco. passaram a discutir e concretizar os direitos sociais como responsabilidade do Estado. os ordenamentos jurídicos mundiais. cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. Os vários países. doença. guaranteed by Brazilian legislation. velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.Health System). só pode ser legitimado na prática social por meio de políticas de responsabilidade estatal para a concretização da igualdade em situações reais. invalidez. Right to Health. propondo uma nova abordagem na organização e racionalização dos recursos disponíveis nos cuidados primários à saúde. colocadas ao alcance de famílias e da comunidade. O documento referido vem influenciando. introduzindo a participação comunitária como estratégia essencial desse modelo. para o reordenamento dos sistemas de saúde. Integrality. INTRODUÇÃO Para iniciar uma discussão sobre Atenção Primária à Saúde (APS) e o direito à saúde. desde então. vestuário. no que se refere a “imagem objetivo”. At last. em especial da saúde. viuvez. editada em 1948. político e econômico das populações. Os cuidados primários foram definidos na Declaração de Alma Ata3 como cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas. a fim de proporcionarem um nível de saúde para todos. como orientadores de políticas de Estado que assegurem os direitos de sobrevivência à pessoa humana. A declaração de Alma-Ata3 sintetizou as discussões em torno das estratégias que deveriam ser adotadas no contexto mundial. de acordo com as análises de Sussekind. período em que houve mobilizações das sociedades do mundo inteiro. habitação. Health System.2: 27 estabelece os direitos sociais e explicita o direito à saúde: Art. No entanto é preciso deixar claro que a conquista dos direitos sociais.1 A Declaração dos Direitos Humanos.

articulando-o à proposta de APS. para promoverem um ambiente de justiça social.Revista Baiana de Saúde Pública abordagem propôs uma compreensão sobre cuidados fundamentais que deveriam ser garantidos a todas as pessoas. construída no final da década de 1970. classificado nas três gerações. Bobbio4 classifica os direitos fundamentais em 3 (três) gerações: a primeira dá significado e concretude às liberdades das pessoas na dinâmica social. a segunda. consistem em poderes que se efetivam por intermédio da imposição de obrigações a outros. como primeiro momento do processo de atenção à saúde. n.2. o de segunda geração se relaciona às medidas preventivas de promoção à saúde ou de combate às doenças. Estabeleceu-se como meta a garantia do acesso à saúde para todas as pessoas. inexiste determinação de seus titulares. que envolve determinações econômicas. por isso. sociais e culturais. Nesse sentido. que são de responsabilidade do poder público (Estado). tomou como eixo orientador a saúde como direito. constitui uma vinculação v. apresentando a APS como primeiro nível de contato com os serviços. portanto. políticas.4 teve como base a idéia de direitos fundamentais de terceira geração.4 pode-se afirmar que a saúde está articulada ao direito fundamental. os direitos individuais e coletivos. SAÚDE COMO DIREITO E A DECLARAÇÃO DE ALMA ATA Observa-se que a proposta de Alma Ata. prevenção e reabilitação. com sua especificidade. Esses cuidados expressam a necessidade de ação urgente de todos os governos e sujeitos sociais envolvidos com o setor saúde. Com o slogan “Saúde para todos no ano 2000”.3 fundamentado por Bobbio. constituindo-se no início de um processo hierarquizado de atenção. da construção do direito à saúde. se torna um direito que não pode ser cedido e nem negociado. enquanto prática integral na “porta de entrada” dos serviços de saúde. por meio de reivindicações que emergiram de movimentos sociais e das necessidades que vão se apresentando em diferentes contextos no mundo globalizado. 2008 299 . como uma possibilidade de assegurar este direito. Diante do exposto. incluindo o poder público. Ao fazer uma analogia do direito à saúde com o pensamento de Bobbio.297-303 maio/ago. cuja apreensão ultrapassaria os limites do setor saúde. O direito de primeira geração é caracterizado pela titularidade individual e pela possibilidade de ser oposto à vontade do Estado e que. na medida em que tais métodos e tecnologias seriam implementados nos serviços de proteção. no cenário mundial. os direitos sociais. A situação brasileira é parte deste global. p.32. e na terceira geração. o presente ensaio tem como objetivo refletir sobre o direito à saúde. e nos níveis de atenção que demandam dos vários setores sociais. esse movimento passou a ser desencadeador.

tendo em vista a manutenção e garantia da continuidade dos serviços. O Projeto da Reforma Sanitária brasileira que passa a ser construído também no final da década de 1970. por meio de políticas econômicas e sociais integrativas. tomando corpo na década de 1980. em uma idéia de direito difuso (direito de todos – conforme a Constituição Federal de 1988). regulamentado na Lei Orgânica da Saúde em 1990. A autora ainda acrescenta a necessidade da coordenação.6 Aliada a esse Projeto de Saúde transformador — “a Reforma Sanitária” —. diretrizes de descentralização (reestruturação do poder com autonomia e co-participação entre os níveis federativos) e participação social (instâncias problematizadoras de exercício da democracia e da atualização de identidade das lutas de saúde no país). busca materializar um sistema de saúde orientado pelo direito fundamental do ser humano e responsabilidade do Estado em prover e garantir a saúde. a integralidade enfatiza a responsabilidade pela prestação de serviços. inserido numa organização institucional que englobe ações de promoção. Esta perspectiva influenciou a criação da Estratégia Saúde da Família (ESF) como orientadora da APS. proteção e recuperação da saúde). A família é compreendida como sujeito social principal e considerada unidade social no processo do cuidado em saúde. psicológicos e sociais das doenças. Para isso. o primeiro contato que se dá na rede seria a “porta de entrada”. para que possa atender ao conjunto de necessidades de uma população numa área delimitada. uma dimensão fundamental é a “longitudinidade”. não sendo possível determinar a titularidade. como um todo indivisível. integralidade (existência de uma integração na relação profissional-usuário. Nessa perspectiva.direta e orgânica aos poderes (governos) instituídos. passa-se a pensar no reordenamento do sistema de saúde. Outra dimensão seria a focalização na família como uma nova abordagem sobre o sujeito do processo saúde/doença. redefinindo a lógica de acesso dos usuários aos serviços e o papel da APS na rede de atenção. A produção de Starfield7 mostra este novo caminho. que traduz a capacidade de garantir o acesso e a utilização dos serviços de saúde às pessoas que demandam atenção e implica na maior proximidade possível entre as instituições de saúde e a comunidade. apreendendo de forma ampliada os determinantes biológicos. a partir de 1994.5 As proposições contidas no postulado do SUS incorporam o princípio da universalidade (acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de atenção). desdobrado na aprovação de um Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988. Sendo assim. ao mesmo tempo em que defende a eqüidade (igualdade de insumo e acesso por necessidades iguais). para priorizar os mecanismos de gestão. Este 300 . abrangendo a totalidade psicofisiológica e social.7 que estabelece um processo continuado de atenção pelo provimento de recursos e de estratégias em longo prazo. e o de terceira geração diz respeito às dimensões individuais e coletivas de atenção à saúde.

em especial.. uma recusa à objetivação dos sujeitos e talvez a uma afirmação da abertura do diálogo. de acordo com Brasil. concebendo-a como um caminho para a concretização do SUS. vislumbrando atender de forma dialógica e flexível as demandas/necessidades dos usuários. a preocupação com o cuidado e o respeito com a visão de mundo de cada um. de fato. deflagra-se a co-responsabilização. O acesso é definido não em função de uma oferta de serviços organizada e hierarquizada. portanto. n. discutem o vínculo como um dos componentes da integralidade. a capacidade de perceber as singularidades e de investir na capacidade individual e coletiva de fazer escolhas.297-303 maio/ago..2. A APS precisa estar inserida neste contexto. prevenção.] a integralidade implica uma recusa ao reducionismo. com participação cidadã. por meio de um sistema organizado de forma hierarquizada e resolutiva que. ser cúmplice das estratégias de promoção.. na prática. É. Ou seja. destacando a necessidade de ampliação dos laços relacionais para desenvolver afetos e potencializar o processo terapêutico.8 Por fim. o qual deve orientar as ações de saúde. a resolubilidade envolve aspectos relacionados à rede de atenção à saúde. As inúmeras discussões acerca deste tema têm lançado desafios às concepções dos modelos de atenção à saúde. ou seja. considerando que. traduzidas em demandas por atendimento médico. para se constituir em “porta de entrada” do sistema.11 no entanto. na “porta de entrada”. seja referenciado e contra-referenciado.32.” v. e sim pelas necessidades que são estabelecidas pelos usuários. cura e reabilitação dos usuários. teria que trabalhar com qualificação e responsabilização da equipe e dos gestores. Seria uma mudança radical do modelo médico-centrado para um que situasse o usuário no centro do processo. REFLEXÕES FINAIS A discussão apontada acima abre possibilidades para inserir a questão do acesso aos serviços de saúde.] cerca de 80% dos problemas de saúde da população”. causando tensões que impulsionam novas reformas nos modos de fazer/agir/pensar em saúde.12:9 Em síntese. O vínculo-responsabilização frente aos desafios do processo saúde/doença é a incorporação ao ato terapêutico da valorização do outro. com capacidade para resolver “[.10. à conduta profissional e à relação equipe de saúde/usuário. Como aponta Mattos:3:57 “[. a orientação comunitária propõe o reconhecimento do contexto econômico. 2008 301 . a universalização da atenção se traduz em um sistema segmentado e desarticulado no âmbito interno do sistema público e na cadeia organizativa do sistema como um todo. social e cultural em que vivem as famílias. Nesse sentido. Deste modo.. cujas necessidades ocorrem em função desse ambiente.Revista Baiana de Saúde Pública modelo de saúde foi incorporado pelo Estado brasileiro como prioritário para a reconstrução do sistema de saúde. é preciso pensar a integralidade como eixo orientador da APS. p.9 Santos e Assis.

o postulado da APS como estratégia política de governo tem sido colocado em diferentes projetos que tomam como lócus da atenção e como espaço operacional de intervenção estratégica o Programa Saúde da Família (PSF). O legado constitucional que assegura o direito à saúde envolve a liberdade individual do cidadão brasileiro para optar entre as distintas alternativas de serviços ofertados pela rede de atendimento. 6 sept. se tornam restritas se a pessoa humana não tiver a plena consciência de seus direitos como cidadão. REFERÊNCIAS 1. orientadas pela Declaração de Alma Ata e pelo legado Constitucional.65:184-91. Alma Ata (URSS). porém. Este é o desafio colocado para a APS. pois as realidades são diferenciadas neste mundo complexo e contraditório. Bartolomei CEF. Estas opções. o que corresponde ao ideal de igualdade. A era dos direitos. como a vacinação. e que. 1992. A saúde é um direito? Saúde em Debate 2003. sociais e econômicos. 3. que depende de cada cenário e de cada contexto social. Bobbio N. 302 . envolvendo o processo saúde-doença em suas múltiplas dimensões. no plano coletivo. 2. Delduque MC. conformados e interpenetrados por interesses individuais. Carvalho MS. a fiscalização de produtos pela Vigilância Sanitária. que as obriga a submeterem-se à normalização institucional. Rio de Janeiro: Freitas Barros. se submete ao pleno desenvolvimento do Estado democrático de direito.No Brasil. consensos e dissensos. Persiste ainda uma distância muito grande entre o mundo cotidiano e as proposições de saúde para todos. a segunda dimensão diz respeito à garantia da oferta de atenção à saúde a todos os que dela necessitem. sem deixar de considerar a multiplicidade de interesses. a construção histórica das práticas de saúde é desdobrada em diversas formas organizativas dos serviços de saúde. 1978. 4. No entanto é um processo pleno de contradições. Atención Primaria de Salud. Por fim. permeado por conflitos. Informe conjunto del Director General de la Organización Mundial de la Salud e del Director Ejecutivo del Fondo de las Naciones Unidas para la Infância. 1986. Além disso. Direitos sociais na constituinte. Rio de Janeiro: Campus. Conferencia Internacional sobre Atención Primaria de Salud. Sussekind A. o direito à saúde pode ser avaliado em duas dimensões: uma que depende das exigências das pessoas face às necessidades coletivas. entre outros. por sua vez. Organización Mundial da Saúde (OMS). o tratamento das doenças de notificação compulsória. em especial na APS.

1997. Brasília: Ministério da Saúde/Unesco/DFID.). 10.39-64. Equilíbrio entre necessidades de saúde. Starfield B. Brasília. Assis MMA. Ciência & Saúde Coletiva 2003. Normas e Diretrizes do Programa de ACS e do PSF. In: Pinheiro R. Rede de relações dos protagonistas da prática de saúde bucal no Programa Saúde da Família de Alagoinhas-BA. p. serviços e tecnologia. 2004. 9.080/90 e Lei 8. 12. Assis MMA. Os sentidos da integralidade: algumas reflexões acerca de valores que merecem ser defendidos. Mattos RA (Orgs. Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Revista Baiana de Saúde Pública 2005. Rio de Janeiro: Abrasco. Acesso aos serviços de saúde: uma possibilidade a ser construída na prática. Villa TCS.2. Carvalho GI. 13.142/90). Atenção Primária.7. Mattos RA. Santos AM. Brasil. Recebido em 7. Campos GWS.2:7-14.3:815-23. 8. 2001. 7. Paidéia e modelo de atenção: um ensaio sobre a reformulação do modo de produzir saúde.Revista Baiana de Saúde Pública 5. As formas de produção dos serviços de saúde: o público e o privado. 2a ed.2008.886/GM. Nascimento MAA.8. n.1:53-61. Ciência & Saúde Coletiva 2006. Sistema Único de Saúde: comentários à Lei Orgânica de Saúde (Lei 8. 6. [Tese]. 11. Portaria nº 1. 2008 303 . Santos L. v. Da fragmentação à integralidade: construindo e (des)construindo a prática da saúde bucal no Programa Saúde da Família de Alagoinhas-BA.2007 e aprovado em 14. Santos AM. Assis MMA. DF.2:313-25. 1998.32. Aprova as normas e diretrizes do Programa de Agentes Comunitários e do Programa de Saúde da Família. 2a ed. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. São Paulo: Hucitec. 1995.297-303 maio/ago. Olho Mágico 2003. Ministério da Saúde. Assis MMA. p.

Editorial: de responsabilidade do editor. 1. 5. Comunicações: informes de pesquisas em andamento. nome do orientador e local disponível para consulta. 3. 2. 304 . 6. publicação oficial da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB). 7.3 Revisão: artigos com revisão crítica de literatura sobre tema específico. Resenha de livros: resenhas de livros publicados sobre temas de interesse. programas e relatórios técnicos (5 a 8 laudas). 1. de acordo com as normas da RBSP publicadas. dedica-se a publicar contribuições sobre aspectos relacionados aos problemas de saúde da população e à organização dos serviços e sistemas de saúde e áreas correlatas. Carta ao editor: carta contendo comentários sobre material publicado (2 laudas). dia e local da defesa. Relato de experiências: apresentando experiências inovadoras (8 a 10 laudas). CATEGORIAS ACEITAS: 1.1 Pesquisa: artigos apresentando resultados finais de pesquisas científicas (10 a 15 laudas). obedecendo a ordem de aprovação pelos editores. Serão aceitas para publicação as contribuições escritas preferencialmente em português.2 Ensaios: artigos com análise crítica sobre um tema específico (5 a 8 laudas). 8. Os resumos devem ser encaminhados com o título oficial da tese. de periodicidade semestral.NORMAS PARA PUBLICAÇÃO A Revista Baiana de Saúde Pública (RBSP). Documentos: de órgãos oficiais sobre temas relevantes (8 a 10 laudas). solicitados pelos editores (8 a 10 laudas). 4. solicitados pelos editores (1 a 4 laudas). Artigos originais 1. Teses e dissertações: resumos de dissertações de mestrado e de teses de doutorado/livre docência defendidas e aprovadas em universidades brasileiras (máximo 2 laudas). podendo ser redigido por convidado por solicitação deste.

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ORIENTAÇÕES AOS AUTORES INSTRUÇÕES GERAIS PARA ENVIO Os trabalhos a serem apreciados pelos editores e revisores seguirão a ordem de recebimento e deverão obedecer aos seguintes critérios de apresentação. Devem ser encaminhadas à secretaria executiva da revista uma cópia impressa. As páginas devem ser formatas em espaço duplo com margem de 3cm à esquerda, fonte Times New Roman, tamanho 12, página padrão A4, numeradas no canto superior direito (não numerar as páginas contendo tabela, gráfico, desenho ou figura). Podem também ser enviados para o e-mail da revista, desde que não contenham desenhos ou fotografias digitalizadas. Uma cópia em disquete deverá ser entregue com a versão final aceita para publicação. ARTIGOS Folha de rosto: deve constar, o título (com versão em inglês), nome(s) do(s) autor(es), principal vinculação institucional de cada autor, orgão(s) financiador(es) e endereço postal e eletrônico de um dos autores para correspondência. Segunda folha: iniciar com o título do trabalho sem referência à autoria e acrescentar um resumo de no máximo 200 palavras, com versão em inglês (abstract). Trabalhos em espanhol ou inglês devem também ter acrescido o resumo em português. Palavras-chave (3 a 8) extraídas do vocabulário DECS (Descritores em Ciências da Saúde/ www.decs.bvs.br) para os resumos em português e do MESH (Medical Subject Headings / www.nlm.nih.gov/mesh) para os resumos em inglês. Terceira folha: Título do trabalho sem referência à autoria e início do texto com parágrafos alinhados nas margens direita e esquerda (justificados), observando a seqüência: introdução, incluindo justificativas, citando os objetivos no último parágrafo; material e métodos; resultados; discussão; e referências. Digitar em página independente os agradecimentos, quando necessário.

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TABELAS, GRÁFICOS E FIGURAS Obrigatoriamente, os arquivos das tabelas, gráficos e figuras devem ser digitados em arquivos independentes e impressos em folhas separadas. Estes arquivos devem ser compatíveis com processador de texto “Word for Windows” (formatos: PICT, TIFF GIF, BMP). O número de tabelas, , gráficos e, especialmente, ilustrações deve ser o menor possível. As ilustrações, figuras e gráficos coloridos somente serão publicados se a fonte de financiamento for especificada pelo autor. No texto do item resultados, as tabelas, gráficos e figuras devem ser numeradas por ordem de aparecimento no texto, com algarismos arábicos e citadas em negrito (e.g. “... na Tabela 2 as medidas ..) Tabela (não utilizar linhas verticais), Quadro (fechar com linhas verticais as laterais). O título deve ser objetivo e situar o leitor sobre o conteúdo, digitado após o número da Tabela, Gráfico, etc., e.g.: Gráfico 2. Número de casos de AIDS no Brasil de 1986 a 1997, distribuído conforme a região geográfica. Figuras reproduzidas de outras fontes já publicadas devem indicar esta condição na legenda. ÉTICA EM PESQUISA Trabalho que tenha implicado em pesquisa envolvendo seres humanos ou outros animais deve vir acompanhado de cópia de documento que atesta sua aprovação prévia por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), além da referência em material e métodos. REFERÊNCIAS Preferencialmente, qualquer tipo de trabalho encaminhado (exceto artigo de revisão), deverá ter até 30 referências. As referências no corpo do texto deverão ser numeradas em sobrescrito, consecutivamente, na ordem em que forem mencionadas a primeira vez no texto. As notas explicativas e/ou de rodapé são permitidas e devem ser ordenadas por letras minúsculas em sobrescrito. As referências devem aparecer no final do trabalho, listadas pela ordem de citação, seguindo as regras propostas pelo Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas, disponíveis em: http:// www.icmje.org ou www.abec-editores.com.br (Requisitos uniformes para manuscritos apresentados a periódicos biomédicos/Vancouver).

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Exemplos: a) LIVRO Acha PN, Szyfres B. Zoonosis y enfermedades transmisibles comunes al hombre y a los animales. 2ª. ed. Washington: Organizacion Panamericana de la Salud; 1989. b) CAPÍTULO DE LIVRO Almeida JP Rodriguez TM, Arellano JLP Exantemas infecciosos infantiles. In: Arellano JLP Blasco , . , AC, Sánchez MC, García JEL, Rodríguez FM, Álvarez AM, editores. Guía de autoformación en enfermedades infecciosas. Madrid: Panamericana; 1996. p. 1155-68. c) ARTIGO Azevêdo ES, Fortuna CMM, Silva KMC, Sousa MGF Machado MA, Lima AMVMD, et al. Spread and , diversity of human populations in Bahia, Brazil. Human Biology 1982;54: 329-41. d) TESE E DISSERTAÇÃO Britto APCR. Infecção pelo HTLV-I/II no Estado da Bahia [Dissertação]. Salvador (BA): Univ. Federal da Bahia; 1997. e) RESUMO PUBLICADO EM ANAIS DE CONGRESSO Santos-Neto L, Muniz-Junqueira I, Tosta CE. Infecção por Plasmodium vivax não apresenta disfunção endotelial e aumento de fator de necrose tumoral-a (FNT-a) e interleucina-1b (IL-1b). In: Anais do 30o. Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Salvador, Bahia; 1994. p.272. f) DOCUMENTO EXTRAÍDO DE ENDEREÇO DA INTERNET [autores ou sigla e/ou nome da instituição principal]. [Título do documento ou artigo] Extraído de [endereço eletrônico], acesso em [data]. Exemplo: COREME, Comissão de Residência Médica do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Regimento Interno da COREME. Extraído de [http://www.hupes.ufba.br/coreme], acesso em [20 de setembro de 2001]. Não incluir nas “Referências” material não-publicado ou informação pessoal. Nestes casos, assinalar no texto: (i) FF Antunes Filho, Costa SD: dados não-publicados; ou (ii) JA Silva: comunicação pessoal, 1997. Todavia, se o trabalho citado foi aceito para publicação, incluí-lo entre

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Quando o trabalho encaminhado para publicação tiver a forma de relato de investigação epidemiológica. título do trabalho ou livro e periódico ou editora). resumo de trabalho final de curso de pósgraduação.as referências. relatórios técnicos. com informações introdutórias curtas e precisas.br 308 . As contribuições encaminhadas só serão aceitas para apreciação pelos editores e revisores se atenderem às normas da revista. nº 171 Rio Vermelho – Salvador – Bahia CEP 41950-610 TEL/FAX 0XX 71 3116 5313/3334 1888 saude. seguido da expressão latina In press e o ano. Endereço para remessa de trabalho: Revista Baiana de Saúde Pública Escola da Saúde Pública Prof.gov. resenha bibliográfica e carta ao editor.revista@saude.ba. tabelas e figuras. gráficos. citando os registros de identificação necessários (autores. delimitando o problema ou a questão objeto da investigação. relato de fato histórico. comunicação. Seguir as orientações para referências. o(s) autor(es) deve(m) utilizar linguagem objetiva e concisa. Francisco Peixoto de Magalhães Netto Rua Conselheiro Pedro Luiz.

FRANCISCO PEIXOTO DE MAGALHÃES NETTO .Rio Vermelho CEP 41950-610 Caixa Postal 631 Tel 71 3116-5313 Fax 71 3334-1888 Recebemos e agradecemos Nous avons reçu We have received _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Desejamos receber Il nous manque We are in want of _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Enviamos em troca Nou envoyons en echange We send you in exchange _________________________________________________________________________________ Favor devolver este formulário para assegurar a remessa das próximas publicações.SUPERH ESCOLA ESTADUAL DE SAÚDE PÚBLICA PROF. 171 .RBSP Rua Conselheiro Pedro Luiz. Please fill blank and retourn it to us in order to assure the receiving of the next issues. On prie da dévolution de ce formulaire pour étre assuré l’envoi des prochaines publications. _________________________________________________________________________________ 309 .SESAB SUPERINTENDÊNCIA DE RECURSOS HUMANOS E EDUCAÇÃO EM SAÚDE .Revista Baiana de Saúde Pública SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA .EESP REVISTA BAIANA DE SAÚDE PÚBLICA .

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