P. 1
Vigiar e Punir Resenha

Vigiar e Punir Resenha

|Views: 640|Likes:
Publicado porTiago Guimarães

More info:

Published by: Tiago Guimarães on Jul 25, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/02/2013

pdf

text

original

FACULDADE DE DIREITO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFEMM

Disciplina: Teoria da Constituição I Professor: Túlio Picinini Alunos: Aruan Moura Tiago Guimarães de Oliveira RESENHA CRÍTICA Michel Foucault foi um importante filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Todo o seu trabalho foi desenvolvido em uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Seu trabalho também se concentrou sobre a relação entre poder governamentalidade, e das práticas de subjetivação. RESUMO Em Vigiar e Punir, Foucault trata com muita propriedade do tema da ³Sociedade Disciplinar´, implantada a partir dos séculos XVII e XVIII, consistindo basicamente num sistema de controle social através da conjugação de várias técnicas de classificação, de seleção, de vigilância, de controle, que se ramificam pelas sociedades a partir de uma cadeia hierárquica vindo do poder central e se multiplicando numa rede de poderes interligados e capilares. O ser humano é selecionado e catalogado individualmente, não no sentido de valorizar suas particularidades que o fazem um ser único, ³um mamífero com um grande cérebro´, como disse Huxley, mas para melhor controlá-lo. Foucault desenvolve no decorrer de seu texto além de aspectos penais, os aspectos morais e éticos a respeito das punições. APRECIAÇÃO CRÍTICA Suplícios, assim Foucault inicia sua obra, um começo trágico para fazer refletir. Hoje, em algumas partes do mundo, pessoas ainda são condenadas ao suplício, a humilhação pública, a morte. A pouco tempo assistimos o caso de Sakineh Mohammadi Ashtian, que em 2006 foi acusada de adultério e conspiração pelo assassinato do marido, sendo condenada a morte por apedrejamento, recebeu 99 chibatadas e aguarda sua execução na cadeia. Pessoas como Sakineh são um exemplo que ainda há sociedades onde a tortura e o suplício são usados para solução da ³lei´. e

1977. O corpo passa a operar não simplesmente pela consciência. houve um marco para a regulamentação escrita das escolas. 69 FOUCAULT. dos séculos XVII a XIX. Por isso o suplício era feito em praça pública. ³Não se pune portanto para apagar um crime. do soberano fazer seu papel e dar o exemplo para todos. Vozes. uma forma de mostrar poder. mas para transformar o culpado. exércitos e prisões que se persegue principalmente uma idéia de conversão do homem em máquina. 1977. a sede de vingança e o cruel prazer de punir´ 1 Então foi criado a técnica corretiva onde o culpado não era morto e sim corrigido. O homem não seria treinado apenas para agir em sociedade. o castigo deve levar em si uma certa técnica corretiva. Petrópolis.´ 2 A partir dessas técnicas foi pensada a prevenção. mas para produzir para essa sociedade. Michel. 1977. fábricas. hospitais. e todas as pessoas. o excesso. são o que podemos chamar de ³disciplinas. Petrópolis. Vigiar e Punir: nascimento da prisão.. Pag. mas para transformar um culpado. Michel. Vozes. Petrópolis. ³Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo. Pag. Pag. Vozes. onde revela a tirania. para todos poderem ver as conseqüências de cometer um crime e se sentirem intimidados. treinava operários. soldados. Segundo Foucault ³O suplício tornou-se rapidamente intolerável.. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Revoltante. 112 3 FOUCAULT. Mas isso não serviria somente para condenados. uma forma de controle total do agir. então foram criadas outras formas de controle. O suplício não resolveu os problemas da justiça. Segundo Foucault. 118 2 1 . A punição serviria não somente para pagar o crime. Michel. atitudes e comportamento. visto da perspectiva do povo. uma tentativa de tornar o homem útil e disciplinado através do trabalho. hábitos. Vigiar e Punir: nascimento da prisão.Foucault diz que o suplício é. um modo de controlar as pessoas e ³adestrá-las´ a não cometer o crime. isso é realizado através de um controle detalhado e minucioso sobre seus gestos.´ 3 FOUCAULT. que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõe uma relação de docilidade-utilidade. mas de forma biológica e corporal. evitando assim o risco da comoção pública contra o condenado. Através de técnicas de dominação dos corpos é possível disciplinar o homem para realização de suas funções. O suplício também era feito o mais rápido possível. na verdade.

A prisão não deve tomar o corpo humano como alvo para supliciá-lo e mutilálo. O panopticon é citado por Foucault como modelo melhor adaptado às prisões. mas para adestrá-lo e aprimorá-lo. mas uns detentos dos outros. Devem-se evitar as distribuições em grupos. Foucault promove um deslocamento sobre os motivos aparentemente circunstanciais do surgimento da prisão e acentua que desde o começo ela deveria ser um instrumento tão aperfeiçoado de transformação e ação sobre os indivíduos como a escola. Para Foucault. onde o corpo poderia se acostumar e agir de forma ³natural´. experiências para a reintegração social de presos já foram colocadas em prática. até a concretização exata. sendo que o indivíduo não sabe o momento que está sendo vigiado.´ 4 O trabalho nas prisões é visto por Foucault como uma necessidade.´ detentos na sociedade. acerca dos princípios da prisão. Petrópolis. erro e represaria. podendo controlar as ações dos indivíduos não somente por represarias como pelo medo. obedecendo aos espaços temporais e criando uma harmonia perfeita. Vozes. primeiro viria o isolamento. Ele diz ³Não somente a pena deve ser individual. mas também individualizante. Pag. econômicas. foram construídas 5 O trabalho nas prisões. como escolas. não só do mundo exterior. onde não deve ser remunerado. uma coordenação de movimentos. O corpo deve agir em relação com o objeto manipulado. 202 . ³No Ceará. é porque esta não faz parte realmente da pena. com o máximo de eficácia. como no Ceará. deveria haver uma elaboração temporal do ato. Isso seria conseguido pelo treino exaustivo. Michel. pois ³se uma retribuição recompensa o trabalho em prisão.Para a disciplina deve haver a distribuição dos indivíduos no espaço. Pag. tal como prisões e forças armadas. como fábricas e repressivas. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Esse modelo dá a possibilidade total de vigilância. 1977. se mostra de grande valência para reintegração dos 4 5 FOUCAULT. Michel. Foucault cita o panopticon como modelo ideal de estrutura de vigilância. Petrópolis. 199 FOUCAULT. rompendo as comunicações perigosas e criando um espaço útil. já implantado em algumas regiões no Brasil. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Em parceria com empresas privadas. Vozes. Para isso sujeita o indivíduo a regras de comportamento. Ao longo do estudo sobre a prisão. horários e atividades disciplinares. 1977. podendo ser implantado em instituições pedagógicas. e o detento pode então recusá-lo. O horário deve ser implantado.

Vigiar e Punir: nascimento da prisão. O modelo de Foucault de prisão modelo termina. Petrópolis. 112 FOUCAULT. isolamento e trabalho produtivo. devemos sempre estar procurando melhorá-lo. vigilância constante.org/wiki/Michel_Foucault FOUCAULT.br/pagina_data. Michel. a detenção provoca reincidência. devem ter a consciência de seus atos e conseqüência dos mesmos. O estado deve manter em relação a criminalidade.com. 199 FOUCAULT. Michel.informesergipe. Vigiar e Punir: nascimento da prisão.br/pagina_data. após sair da prisão. futuros cúmplices. Petrópolis. BIBLIOGRAFIA http://pt. CONCLUSÃO Os ensinamentos trazidos pela obra são de grande valia para interpretarmos a condenação de uma maneira diferente. há mais chance de voltar a ela que antes. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. podendo ser aplicado em diversas áreas da sociedade. pois.prisões industriais. um caráter preventivo. Petrópolis. Petrópolis.com. 1977. Vozes. a prisão não pode deixar de fabricar delinqüentes. 69 FOUCAULT. Pag. Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Ele diz que as prisões não diminuem a taxa de criminalidade. Petrópolis.´ 6 Foucault cita os efeitos da prisão e o fracasso da justiça penal. com regras mais severas. php?sec=10&&rec=3325&&aano=2004&&mmes=3 . Pag. Vozes. Vigiar e Punir: nascimento da prisão.informesergipe. 1977. 1977. 1977. 1977. Vozes. As pessoas devem ser educadas. Michel. ou pelo menos diminui. Pag. O autor nos mostra que o sistema judiciário não é e nunca foi perfeito. 118 FOUCAULT. Vozes. favorecem a organização de um meio de delinqüentes. 202 http://www. Pag. onde o condenado trabalha e recebe um atendimento que o prepara para a vida do lado de fora das grades. Pag. Michel.php?sec=10&&rec=3325&&aano=2004&&mmes3 6 http://www.wikipedia. Podemos ver também que o sistema panóptico pode ser utilizado em vários segmentos. Vozes. impedindo assim a execução do crime e até mesmo seu planejamento. esses efeitos.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->