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UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA

CAMPUS DE JOAÇABA

VICE-REITORIA DE GRADUAÇÃO

ÁREA DAS CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO MECÂNICA

ELEMENTOS DE MÁQUINAS I

Prof. Douglas Roberto Zaions, MSc.

Joaçaba, 09 de Fevereiro de 2008

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

ii

UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA

CAMPUS DE JOAÇABA

VICE-REITORIA DE GRADUAÇÃO

ÁREA DAS CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO MECÂNICA

Disciplina de:

ELEMENTOS

DE

MÁQUINAS I

Prof. Douglas Roberto Zaions, MSc.

Joaçaba, 09 de Fevereiro de 2008

Este material foi elaborado para a disciplina de Elementos de Máquinas I do curso de Engenharia de Produção Mecânica oferecido pela Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus de Joaçaba O trabalho apresenta citações dos autores pesquisados e referências bibliográficas, constituindo- se em uma ótima fonte para aprofundamento do conhecimento sobre os elementos de máquinas.

No mesmo são tratados assuntos como: analise de tensões, solicitações estáticas, solicitações dinâmicas, eixos e árvores, parafusos de fixação e movimento, ligações entre cubo e eixo, lubrificação industrial, mancais de deslizamento e mancais de rolamento.

Tem a finalidade de proporcionar aos acadêmicos o conteúdo básico da disciplina, com o intuito de melhorar o aproveitamento dos mesmos.

Qualquer sugestão com referência ao presente trabalho, serão aguardadas, pois assim pode-se melhorá-lo com futuras modificações.

Prof. Eng. Douglas Roberto Zaions, MSc.

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

iv

DOUGLAS ROBERTO ZAIONS

Engenheiro Mecânico formado pela Universidade Federal de Santa Maria em 1993. Em 1994 iniciou

o curso de especialização em Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina obtendo o

grau de Especialista em Engenharia Mecânica. Em 2003 concluiu o curso de Mestrado em Engenharia de

Produção na Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de concentração de Gerência,

desenvolvendo o trabalho intitulado Consolidação da Metodologia da Manutenção Centrada em

Confiabilidade em uma Planta de Celulose e Papel. Atualmente é doutorando do curso de Engenharia

Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina na área de concentração de Projeto de Sistemas

Mecânicos.

Foi Coordenador do Curso de Engenharia de Produção Mecânica de março/2000 até março/2006 e do

Curso de Tecnologia em Processos Industriais – Modalidade Eletromecânica de março/2000 até

Junho/2002 da UNOESC – Joaçaba.

Conselheiro Estadual e membro da Câmara Especializada de Engenharia Industrial do Conselho

Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de Santa Catarina, CREA – SC no período

de janeiro de 2001 até dezembro de 2003. Também foi Diretor do CREA – SC no período de janeiro de

2002 até dezembro de 2002.

Doze anos de docência em cursos técnicos, tecnológicos, engenharia e especialização na área

mecânica.

Professor de várias disciplinas da área de projetos nos cursos Técnico em Mecânica e Eletromecânica

do SENAI – CET Joaçaba.

É Professor do curso de Engenharia de Produção Mecânica da UNOESC – Joaçaba onde atua nas

disciplinas de Resistência dos Materiais, Elementos de Máquinas, Mecanismos, Processos de Usinagem e

Comando Numérico, Pesquisa Operacional, Projeto de Máquinas e Manutenção Mecânica. É também

pesquisador nas áreas de Projeto e Manutenção Industrial.

Professor dos cursos de Especialização em Engenharia de Manutenção Industrial e Gestão da

Produção da Universidade do Oeste de Santa Catarina ministrando respectivamente a disciplina de

Manutenção de Elementos de Máquinas e Gestão da Manutenção. No curso de Especialização em

Projetos de Sistemas Mecânicos atua nas disciplinas de Metodologia de Projeto de Sistemas Mecânicos e

Projeto para a Confiabilidade e Mantenabilidade.

É perito técnico judicial, desenvolvendo trabalhos nas áreas automotiva e industrial na busca de causa

raiz de falhas.

Contato:

Universidade do Oeste de Santa Catarina – Campus de Joaçaba e-mail: douglas.zaions@unoesc.edu.br Fone/Fax: (49) 3551 - 2035

ÍNDICE

1 ANÁLISE DE TENSÕES

 

11

1.1 PRINCIPAIS VARIÁVEIS UTILIZADAS NESTE CAPÍTULO

11

1.2 INTRODUÇÃO

 

11

1.3 DEFINIÇÕES

12

 

1.3.1 Tensão

12

1.3.2 Diagrama Tensão-Deformação

13

1.3.3 Ductilidade

 

17

1.3.4 Maleabilidade

18

1.3.5 Dureza

18

1.3.6 Resiliência

 

18

1.3.7 Tenacidade

18

1.4 TENSÕES

 

19

 

1.4.1 Tensão Normal de Tração ou Compressão

19

1.4.2 Tensão de Corte devido ao Cisalhamento Simples

19

1.4.3 Tensão Normal na Flexão

21

1.4.4 Tensão de Cisalhamento na Torção

21

1.4.5 Tensão de Cisalhamento na Flexão

22

1.5 ANÁLISE DE TENSÕES

 

23

 

1.5.1 Tensões Principais

25

1.5.2 Círculo de Mohr

28

1.6 EXERCÍCIOS

 

30

2 SOLICITAÇÕES ESTÁTICAS

33

2.1 PRINCIPAIS VARIÁVEIS UTILIZADAS NESTE CAPÍTULO

33

2.2 INTRODUÇÃO

 

33

2.3 TEORIAS PARA FALHAS ESTÁTICAS

34

 

2.3.1 Teoria da Tensão Normal Máxima

35

2.3.2 Teoria da Tensão Máxima de Cisalhamento

37

2.3.3 Teoria de Huber-von Mises - Hencky ou da Máxima Energia de Distorção

41

2.3.4 Comparação entre as três teorias aplicadas a materiais Dúcteis

43

2.3.5 Teoria de Coulomb Mohr

43

2.3.6 Teoria

de

Mohr Modificada

44

2.4

CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES

46

2.4.1 Efeito da Concentração de Tensões em materiais dúcteis

48

2.4.2 Efeito da Concentração de Tensões em materiais frágeis

48

2.5

EXERCÍCIOS

55

3 SOLICITAÇÕES DINÂMICAS

57

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

vi

 

3.2 INTRODUÇÃO

 

58

3.3 TIPOS DE CARGA DINÂMICAS

58

3.3.1 Carga

Repetida

58

3.3.2 Carga

Alternante

59

3.3.3 Carga

Flutuante

60

3.4 MECANISMO DA FALHA POR FADIGA

61

3.5 MEDIÇÃO DAS FALHAS POR FADIGA

62

3.5.1 Ensaio de flexão alternante - Tensões totalmente reversas

62

3.5.2 Tensão limite de Resistência a Fadiga

65

3.5.3 Ensaio com força axial alternante

65

3.5.4 Ensaio de flexão em viga engastada

67

3.5.5 Ensaio de Fadiga Torcional

67

3.5.6 Fatores de correção da Resistência a Fadiga

68

3.5.7 Valores teóricos de S e ´ e Sf´

69

3.5.8 Fator de correção do tipo de carga

69

3.5.9 Fator de correção do tamanho da peça

69

3.5.10 Fator de correção do Acabamento Superficial da Peça

71

3.5.11 Fator de correção da temperatura

72

3.5.12 Fator de correção da Confiabilidade

72

3.6 INFLUÊNCIA DA COMBINAÇÃO DE TENSÕES MÉDIAS E ALTERNANTES

73

3.7 ENTALHES E CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES

76

3.7.1

Fator de Concentração de Tensões aplicado a tensões médias e Alternantes

79

3.8 CONSTRUÇÃO DO DIAGRAMA TENSÃO X VIDA

79

3.9 CONSTRUÇÃO DO DIAGRAMA MODIFICADO DE GOODMAN

81

3.10 TEORIAS DE FALHA DINÂMICA

82

3.10.1 Cargas totalmente Alternantes com tensões Unidirecionais

84

3.10.2 Cargas

Flutuantes com Tensão Unidirecional

85

3.10.3 Projetando para tensões multiaxiais na fadiga

89

3.10.4 Cargas totalmente alternantes com tensões multiaxiais

89

3.10.5 Cargas

Flutuantes com Tensões multiaxiais

90

3.11

EXERCÍCIOS

93

4

EIXOS E ÁRVORES

 

95

4.1 INTRODUÇÃO

95

4.2 DEFINIÇÕES

95

4.3 MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO DE EIXOS

96

4.4 TENSÕES EM EIXOS E ÁRVORES

96

4.5 FALHA DE EIXOS COM TENSÕES COMBINADAS

98

4.6 PROJETO DE EIXOS

 

99

4.6.1 Regras Gerais para o projeto de eixos

99

4.6.2 Projeto de Árvores combinando Flexão alternante e Torção Constante

100

4.8

VELOCIDADE CRÍTICA DE EIXOS E ÁRVORE

104

 

4.8.1 Vibração lateral forçada

105

4.8.2 Vibrações auto-excitadas

106

 

4.9

EXERCÍCIOS

108

5

PARAFUSOS DE FIXAÇÃO

 

114

5.1 INTRODUÇÃO

114

5.2 VANTAGEM E DESVANTAGEM DAS UNIÕES PARAFUSADAS

115

5.3 TERMINOLOGIA DE ROSCAS

 

117

 

5.3.1 Rosca

Whiworth

118

5.3.2 Rosca

Sellers

118

5.3.3 Rosca

Métrica

118

5.3.4 Padronização

119

 

5.4

ERROS QUE PODEM OCORRER NOS AJUSTES ROSCADOS

121

 

5.4.1 Erro

de

Passo

121

5.4.2 Erro no ângulo de Flancos α

121

5.4.3 Erro do diâmetro de Flancos(efetivo)

122

 

5.5

TIPOS DE PARAFUSOS

123

 

5.5.1 Parafuso

passante normal

123

5.5.2 Parafuso

com Cabeça

123

5.5.3 Parafuso

Prisioneiro

124

5.5.4 Parafuso com porca nas duas extremidades

125

5.5.5 Parafuso

com

cabeça de

embutir

125

5.5.6 Parafusos com fenda na cabeça

126

5.5.7 Parafusos de Alta Resiliência

126

5.5.8 Parafusos

Chumbadores

126

5.5.9 Parafusos

para Metais Leves

127

5.5.10 Parafusos de Anel

127

5.5.11 Parafusos

para madeira

128

5.5.12 Parafusos

auto-atarraxantes

128

5.5.13 Parafusos

diferenciais

128

 

5.6 PROCESSOS DE FABRICAÇÃO DE ROSCAS

129

5.7 MATERIAIS DAS ROSCAS DOS PARAFUSOS

129

5.8 RESISTÊNCIA DOS PARAFUSOS DE FIXAÇÃO

130

5.9 ÁREA RESISTENTE A TRAÇÃO

 

133

5.10 P-CARGA EM PARAFUSOS SUBMETIDOS A TRAÇÃO

134

5.11 P-CARGA EM PARAFUSOS SUBMETIDOS A CARGAS ESTÁTICAS

137

5.12 P-CARGA EM PARAFUSOS SUBMETIDOS A CARGAS DINÂMICAS

141

5.13 DETERMINAÇÃO DA CONSTANTE ELÁSTICA DO MATERIAL

143

5.14 TORQUE DE APERTO

 

144

5.15 SEGURANÇA CONTRA AFROUXAMENTO

145

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

viii

5.15.2 Segurança de Forma

147

5.15.3 Recomendação prática para parafusos prisioneiros ou sem cabeça

149

5.15.4 Ligações por múltiplos parafusos

149

5.16

AUMENTO DA RESISTÊNCIA À FADIGA EM LIGAÇÕES PARAFUSADAS

150

5.16.1 Alívio do primeiro filete carregado

150

5.16.2 Arredondamento da união da cabeça com haste

151

5.16.3 Angulo de saída da rosca

151

5.16.4 Redução das pontas de tensão na raiz da rosca

151

5.16.5 laminação da

rosca;

152

5.16.6 Comprimento

livre da rosca

152

5.16.7 Passo

152

5.16.8 Acabamento superficial

152

5.16.9 Fator de mola

152

5.16.10 Pré-carga

152

5.16.11 Número de parafusos

152

6 PARAFUSOS DE MOVIMENTO

153

6.1 INTRODUÇÃO

153

6.2 ANÁLISE DE FORÇA, TORQUE E POTÊNCIA PARA ACIONAMENTO DOS PARAFUSOS DE MOVIMENTO

154

6.2.1 Rosca

Quadrada

154

6.2.2 Rosca trapezoidal ou ACME

157

6.3 CONDIÇÃO DE AUTO-TRAVAMENTO DA ROSCA

158

6.4 EFICIÊNCIA DO PARAFUSO

158

7 LIGAÇÃO ENTRE CUBO E EIXO

159

7.1 INTRODUÇÃO

159

7.2 CHAVETAS

159

7.2.1 Tipos de Chavetas

159

7.2.2 Tensões nas Chavetas

161

7.3 EIXOS RANHURADOS

165

7.3.1

Compressão no cubo

165

7.4 LIGAÇÃO POR AJUSTE PRENSADO CILÍNDRICO

166

7.4.1

Determinação da Pressão Máxima

167

7.4.2

Prensagem ou

Martelamento

174

7.4.3

Ajuste Prensado por Aquecimento/Esfriamento

175

7.5 AJUSTE PRENSADO CÔNICO

176

7.5.1 Determinação das Interferências

176

7.5.2 Força Axial de Montagem - P a

177

7.5.3 Conicidade Recomendada

179

7.5.4 Deslocamento Axial

179

7.6 EXERCÍCIOS

182

8.1

LUBRIFICAÇÃO

184

 

8.1.1

Tipos de Lubrificação

184

 

8.2 SUBSTÂNCIAS LUBRIFICANTES

187

 

8.2.1

Lubrificantes

líquidos

188

8.2.2

Lubrificantes

Pastosos

188

8.2.3

Lubrificantes

Sólidos

189

 

8.3 LUBRIFICANTES LÍQUIDOS

189

 

8.3.1 Óleos

Minerais

189

8.3.2 Óleos

Graxos

191

8.3.3 Óleos

Sintéticos

192

8.3.4 Pastas Lubrificantes

193

8.3.5 Ceras Lubrificantes

194

 

8.4 PROPRIEDADES DOS LUBRIFICANTES

195

 

8.4.1 Propriedades

Físicas

195

8.4.2 Propriedades

Químicas

198

8.4.3 Propriedades

Práticas

199

8.4.4 Propriedades específicas das Graxas Lubrificantes

201

 

8.5 LUBRIFICANTES DO SETOR ALIMENTÍCIO

204

 

8.5.1 Leis de Regulamentação

204

8.5.2 Considerações sobre a lubrificação no setor alimentício

206

8.5.3 Lubrificantes de alto rendimento do setor alimentício

210

8.5.4 Qualidade através de GMP e HACCP

212

 

8.6 ORGANIZAÇÃO DA LUBRIFICAÇÃO

214

 

8.6.1 Fase da Implantação

214

8.6.2 Controle

219

8.6.3 Manuseio e Armazenagem de Lubrificantes

221

8.6.4 Reciclagem dos Óleos Usados

224

9

MANCAIS

DE DESLIZAMENTO

226

9.1

TIPOS

DE MANCAIS

227

 

9.1.1 Mancais

Radiais

227

9.1.2 Mancais Axiais ou de Escora

228

 

9.2 COEFICIENTE DE ATRITO

 

230

9.3 MECÂNISMO DE FORMAÇÃO DA PELÍCULA

232

9.4 TEORIA HIDRODINÂMICA

 

235

9.5 MÓDULO DO MANCAL

237

9.6 CONSIDERAÇÕES SOBRE A TEMPERATURA

239

9.7 EQUILÍBRIO TÉRMICO

 

241

9.8 MATERIAIS

242

9.9 PROJETO DE MANCAL

244

9.10 TABELAS E ÁBACOS PARA UTILIZAÇÃO EM MANCAIS DE DESLIZAMENTO

248

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

x

10 MANCAIS

DE ROLAMENTO

255

10.1 TIPOS DE MANCAIS DE ROLAMENTO

256

10.2 ATRITO NOS MANCAIS DE ROLAMENTO

259

10.3 SELEÇÃO DE ROLAMENTOS SEGUNDO A ISO

260

 

10.3.1

Carga Dinâmica Equivalente

264

10.4

SELEÇÃO DO TAMANHO DO ROLAMENTO UTILIZANDO-SE A CAPACIDADE DE CARGA ESTÁTICA

265

10.4.1 Carga estática equivalente

266

10.4.2 Capacidade de carga estática requerida

267

10.5 PLANOS DE DIMENSÕES

268

10.6 FOLGA INTERNA

269

10.7 LUBRIFICAÇÃO

270

10.8 VEDAÇÃO

271

10.8.1 Vedadores

integrados

271

10.8.2 Vedadores

externos

272

10.9

APLICAÇÃO DE ROLAMENTOS

274

10.9.1 Arranjo de rolamentos

274

10.9.2 Fixação

radial dos rolamentos

275

10.9.3 Fixação axial dos rolamentos

275

10.9.4 Métodos de Fixação

275

10.9.5 Seleção do lubrificante

277

10.9.6 Lubrificação com Graxa

278

10.9.7 Métodos de lubrificação com graxa

283

10.9.8 Características dos óleos

286

10.10 ÓLEOS E GRAXAS PARA LUBRIFICAÇÃO DE ROLAMENTOS

294

10.11 EXERCÍCIOS

297

11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

298

UNOESC – Curso de Engenharia de Produção Mecânica Prof. Douglas Roberto Zaions

11

1

ANÁLISE DE TENSÕES

1.1

PRINCIPAIS VARIÁVEIS UTILIZADAS NESTE CAPÍTULO

Símbolo

Descrição da variável

Unidade

Descrição da variável em inglês

A

Área

m 2

Area

E

Módulo de elasticidade longitudinal

Pa

Young’s modulus

G

Módulo de elasticidade transversal

Pa

Shear modulus

HB

Dureza Brinell

-

Brinell hardness

HRB

Dureza Rockwell B

-

Rockell B hardness

HRC

Dureza Rockwell C

-

Rockell C hardness

HV

Dureza Vickers

-

Vickers hardness

S

el

Limite de resistência elástica

Pa

Strenght at elastic limit

S

us

Limite de resistência ao cisalhamento

Pa

Ultimate shear strenght

S

ut

Limite de resistência a tração

Pa

Ultimate tensile strenght

S y

Resistência ao escoamento a tração

Pa

Tensile yield strenght

 

S ys

Resistência ao escoamento ao cisalhamento

Pa

Shear yield strenght

ε

Deformação percentual

Strain

σ

Tensão normal

Pa

Tensile stress

τ

Tensão de corte, cisalhamento ou tangencial

Pa

Shear stress

θ

Deflexão angular

Pa

Angular deflection

ν

Coeficiente de Poisson

Poisson’s ratio

Τ

Momento Torçor

N.m

Torque

Μ

Momento Fletor

N.m

Moment

P

Carga

N

Force

1.2 INTRODUÇÃO

Segundo Baud em máquinas e estruturas, a manifestação das forças apresenta-se sob aspectos muito diferentes. Podem ser exteriores ou estar, pelo contrário, no interior dos elementos e por outro lado, são suscetíveis de se exercer sob muitos modos: podem ser estáticas, quer dizer, fixas e sem movimento, ou dinâmicas (ou seja animadas) e produzir assim efeitos bem diferentes.

A aparição das forças ou das solicitações se deve a diversas fontes dentre as quais: (i) A gravitação gera a força peso em máquinas e equipamentos; e (ii) O vento, os efeitos térmicos (Dilatação) e químicos podem também gerar forças cujos efeitos desenvolvem as solicitações nos equipamentos.

Quaisquer que sejam as fontes que produzam solicitações, estas determinam esforços nos materiais. Estes esforços, verificados pelos cálculos da estática, servem para prever as características dos materiais que devem ser empregados ou para dar a estes as dimensões adequadas.

Quando um elemento é mal dimensionado, e no mesmo é aplicada uma carga, este poderá sofrer uma deformação permanente e em muitos casos chegar a ruptura.

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

12

Na construção de máquina, deve-se sempre evitar as deformações plásticas nas peças, o que ocasionará variação na geometria das mesmas e normalmente modificação na relação funcional. As falhas mais correntes em engenharia são quebras e desintegrações. Ex.: corrosão, desgaste, trincas, etc., mas estes exemplos são praticamente inevitáveis em um maior ou menor espaço de tempo, pois todos os materiais são passíveis de deterioração.

Assim, há a necessidade de determinar o nível de tensões atuantes em peças e componentes mecânicos para dimensiona-los.

Este capítulo trata especificamente sobre tensões, onde serão descritos os tipos de tensões.

1.3

DEFINIÇÕES

1.3.1

Tensão

Tensão é a quociente entre uma força e uma área. Pode ser entendida pela fórmula e ilustração na Figura 1.1, onde F é a força agindo em uma peça e A é a área de sua seção.

As unidades da tensão podem ser:

Tensao =

kgf

N

22

cm

;

;

kgf

m

mm

2

Forca

Area

No Sistema Internacional de Unidades utiliza-se o

N

2

m

Peça Tracionada F Área da Seção Transversal F F
Peça Tracionada
F
Área da Seção
Transversal
F
F

Figura 1.1 - Tensão Normal devida ao esforço de tração

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13

Em função do tipo de solicitação (Tração, Compressão, Flexão, Cisalhamento, Torção) aplicada em um elemento mecânico, poderão surgir dois tipos de tensões(Figura 1.2): (i) Tensão normal (Representada por σ “sigma”); e (ii) Tensão tangencial, de corte ou cisalhante (Representada por τ “Tau”).

Superfície
Superfície

Figura 1.2 - Tipos de Tensões: σ -Tensão Normal; τ - Tensão Tangencial

1.3.2 Diagrama Tensão-Deformação

Quando um corpo de prova é submetido a um ensaio de tração a máquina de ensaio fornece um gráfico (Figura 1.3) que mostra as relações entre a força aplicada e as deformações ocorridas durante o ensaio.

Para determinar as propriedades do material o que interessa é a relação entre tensão e deformação.

do material o qu e interessa é a relação entre tensão e deformação. Figura 1.3 -

Figura 1.3 - Diagrama Tensão x Deformação

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

14

No gráfico tensão x deformação, os valores de deformação estão representados pela letra grega ε no eixo das abscissas (x) e os valores de tensão ou força indicados no eixo das ordenadas (y).

A curva de Tensão x Deformação de um dado material é obtida, submetendo corpos de prova (Figura

1.4) padronizados deste material a um ensaio de tração em uma máquina de ensaio (Figura 1.5), que possui um sistema de processamento o qual por meio de sensores/transdutores mede a força aplicada no corpo de prova e a respectiva deformação, processa essas informações e emite um gráfico Tensão x Deformação.

informações e emite um gráfico Tensão x Deformação. Figura 1.4 - Corpo de prova Figura 1.5

Figura 1.4 - Corpo de prova

Tensão x Deformação. Figura 1.4 - Corpo de prova Figura 1.5 - Máquina de Ensaio de

Figura 1.5 - Máquina de Ensaio de Tração

A curva resultante apresenta certos pontos características que são comuns a diversos tipos de materiais

usados na área engenharia mecânica(Figura 1.6).

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15

Tensão Limite de Resistência B S ut Limite de Ruptura C S y A’ A
Tensão
Limite de
Resistência
B
S ut
Limite de
Ruptura
C
S y
A’
A
Escoamento
Limite de
Elasticidade
Limite de
Proporcionalidade
ε
Fase Elástica
Fase Plástica
Deformação

Figura 1.6 - Diagrama Tensão x Deformação

Os pontos comuns ilustrados na Figura 1.6 são:

Limite de Proporcionalidade:

A lei de Hooke só vale até um determinado valor de Tensão, denominado Limite de

Proporcionalidade, que é o ponto representado na figura 6 pela letra A, a partir do qual a deformação

deixa de ser proporcional à carga aplicada.

Exemplo: Se aplicarmos uma tensão de 10 MPa e a peça se alongar 0,1%, quando aplicamos uma tensão de 100 MPa, a peça se deformará 1%.

Limite de Elasticidade:

O limite elástico representado no diagrama acima pela letra A’. Este ponto representa a tensão máxima que pode ser aplicado a uma barra sem que apareçam deformações residuais, ou permanentes, após a retirada integral da carga externa. Para muitos materiais, os valores dos limites de elasticidade e proporcionalidade são praticamente iguais e esses termos são então empregados como sinônimos. Nos casos em que são diferentes, em geral o limite de elasticidade é maior do que o de proporcionalidade.

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16

Fase Elástica:

O trecho da curva tensão-deformação, compreendido entre a origem e o limite de elasticidade recebe o nome de fase elástica ou região elástica.

Fase Plástica:

Chama-se de fase plástica ou região plástica o trecho do diagrama compreendido entre o limite de elasticidade e o ponto correspondente à ruptura do material.

Resistência ao Escoamento:

Terminada a fase elástica, tem início a fase plástica, na qual ocorre uma deformação permanente no material, mesmo que se retire a força de tração.

Em um ponto pouco acima do limite de elasticidade, aumentam as deformações sem que se altere, praticamente o valor da tensão. Quando se atinge o limite de escoamento, diz-se que o material passa a escoar. Durante o escoamento, a carga ou a tensão oscila entre valores muito próximos uns dos outros.

Este ponto do gráfico é simbolizado por S y e chamado Resistência ao Escoamento por tração, quando o respectivo ensaio é o de tração.

Limite de Resistência:

Strength (Resistência)

S y
S
y

Yield ( Escoamento)

Após o escoamento ocorre um encruamento que é um endurecimento causado pela quebra dos grãos que compõem o material quando deformado a frio. O material resiste cada vez mais a tração externa, exigindo uma tensão cada vez maior para se deformar.

Nessa fase, a tensão recomeça a subir, até atingir um valor máximo num ponto chamado de limite de resistência caracterizado no gráfico pelo ponto B.

Este ponto do gráfico é simbolizado por S ut e chamado Limite de Resistência a Tração, quando o respectivo ensaio é o de tração.

Strength (Resistência)

S ut
S
ut

Ultimate Tensile ( Limite de Tração)

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17

Limite de ruptura

Continuando a tração, chega-se à ruptura do material, que ocorreu num ponto chamado de Limite de ruptura caracterizado no gráfico pelo ponto C.

Note que a tensão no limite e ruptura é menor que no limite de resistência, devido à área que ocorre no corpo de prova depois que se atinge a carga máxima.

Estricção:

diminuição da

É a redução percentual da área da seção transversal do corpo de prova na região onde vai se localizar a ruptura.

A estricção determina a ductilidade do material. Quanto maior for a percentagem de estricção, mais

dúctil será o material.

Módulo de Elasticidade:

Na fase elástica, se dividirmos a tensão pela deformação, em qualquer ponto obteremos sempre um valor constante.

Este valor constante é chamado módulo de elasticidade. Quando relacionado com tensões normais, é chamado de módulo de elasticidade longitudinal e simbolizado pela letra E. Quando relacionado com tensões tangenciais, é chamado módulo de elasticidade transversal e simbolizado pela letra G.

O módulo de elasticidade é a medida da rigidez do material. Quanto maior for o módulo, menor será a

deformação elástica resultante da aplicação de uma força ou tensão e mais rígido será o material.

1.3.3

Ductilidade

Ductilidade é a propriedade que apresentam certos materiais de absorverem sobrecargas por um tempo maior que o normal, a custa de uma maior deformação plástica, antes de haver ruptura.

A ductilidade é medida pela percentagem de elongação (deformação) que o material apresenta no

momento da ruptura.

Materiais são ditos frágeis para elongação até 5%.

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18

Esta propriedade é muito importante nos casos em que trabalhamos o material a frio (Trefilação, Forjamento, etc ).

T

T Fratura Fratura Deformação Deformação (a) Frágil (b) Dúctil
T
Fratura
Fratura
Deformação
Deformação
(a) Frágil
(b) Dúctil

Figura 1.7 - Exemplo de materiais de mesma dureza e resistência

1.3.4 Maleabilidade

Quando a ductilidade é referida em função da carga de compressão, passa a ser chamada de maleabilidade.

1.3.5 Dureza

Quando o material é resistente ao desgaste, a erosão, a deformação plástica é dito duro. Os testes de dureza mais usados são: BRINELL, ROCKWELL, VICKERS e SHORE.

1.3.6 Resiliência

A resiliência de um material é sua capacidade de absorver energia no campo elástico das deformações, ou seja, é a energia armazenada por um corpo solicitado até o seu limite elástico.

1.3.7 Tenacidade

Tenacidade é a habilidade de um material de absorver energia no campo plástico. A maioria das autoridade no assunto estão de acordo com esta definição, mas há muito desacordo a respeito de como se pode medir a tenacidade. Alguns dizem que a resistência ao impacto do material é a melhor medida, outros preferem usar o diagrama tensão - deformação de várias maneiras. O diagrama, contudo é uma avaliação das propriedades estáticas, enquanto tenacidade é uma propriedade desejável em peças sujeitas a choques e impactos, o que implicaria em ser ela medida dinamicamente.

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19

1.4

TENSÕES

Nesta seção, analisaremos as tensões desenvolvidas em um elemento mecânico sujeito a cargas

externas e as tensões principais originadas em outros planos devido as tensões aplicadas.

1.4.1 Tensão Normal de Tração ou Compressão

A tensão Normal é originada pela aplicação de uma carga normal P de tração ou compressão. A

direção dos vetores da tensão normal são perpendiculares a superfície da peça sujeita ao esforço de tração

ou compressão. A distribuição da tensão ao longo seção da peça é uniformemente distribuída.(Figura 1.8)

A tensão normal desenvolvida para o caso de tensão axial simples pode ser calculada por:

Equação 1.1

σ

=

P

x A

Onde:

P – Força aplicada (Tração ou Compressão);

A – Área da seção transversal;

Este tipo de solicitação pode ser encontrado em diversos elementos mecânicos tais como: parafusos,

rebites, elementos estruturais, treliças, eixos, cabos de aço, etc

y σ x z Figura 1.8 - Distribuição da Tensão normal
y
σ
x
z
Figura 1.8 - Distribuição da Tensão normal

1.4.2 Tensão de Corte devido ao Cisalhamento Simples

Este tipo de tensão ocorre principalmente em pinos, parafusos ou rebites. Também é conhecida

simplesmente por tensão de cisalhamento.

A tensão de corte devido ao cisalhamento simples ocorre em situações onde não há flexão presente. A

Figura 1.9 ilustra duas situações: (a) Cisalhamento Simples e (b) Cisalhamento com Flexão.

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20

P A P
P
A
P

(a)

P x P (b)
P
x
P
(b)

Figura 1.9 - Comparação entre o cisalhamento simples e com flexão

A tensão de cisalhamento é do tipo tangencial, pois os vetores que representam à tensão são tangentes

a superfície da peça. As tensões tangenciais originadas com os esforços de Cisalhamento são

uniformemente distribuídas pela área e são representadas conforme Erro! Fonte de referência não

y τ x z
y
τ
x
z

Figura 1.10 - Distribuição das Tensões Tangenciais devido ao Cisalhamento Puro

A tensão cisalhante desenvolvida pode ser calculada por:

Equação 1.2

Onde:

P – Força aplicada;

A Corte – Área de corte;

τ

xy

=

P

A Corte

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21

1.4.3 Tensão Normal na Flexão

A tensão desenvolvida na Flexão é também do tipo Normal, porém, sua distribuição não é uniforme

ou seja: A tensão máxima ocorre na periferia da peça, enquanto sobre a linha neutra, a tensão é

nula.(Figura 1.11)

y σ x z Figura 1.11 - Distribuição de Tensões devido a Flexão
y
σ
x
z
Figura 1.11 - Distribuição de Tensões devido a Flexão

A tensão normal devido ao momento fletor é calculada a partir da equação:

Equação 1.3

onde:

M – Momento Fletor;

σ =

M c

I

c

– Distância da Fibra Neutra a fibra que se deseja calcular a tensão;

I

– Momento de inércia;

1.4.4

Tensão de Cisalhamento na Torção

A

tensão desenvolvida na torção é do tipo tangencial ou cisalhante e apresenta uma distribuição não

uniforme (Figura 1.12). Esta tensão também, assim como a de cisalhamento é tangente á seção da peça.

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22

y τ τ τ τ z τ τ τ τ Figura 1.12 - Distribuição da
y
τ
τ
τ
τ
z
τ
τ
τ
τ
Figura 1.12 - Distribuição da Tensão de Cisalhamento na Torção

A tensão Cisalhante devido ao momento torçor é calculada a partir da equação:

Equação 1.4

onde:

T – Momento torçor;

r

– Raio de giração;

J

– Momento de inércia polar;

1.4.5

Tensão de Cisalhamento na Flexão

τ =

T r

J

Quando a força cortante e uma viga não for zero, desenvolve-se uma tensão cisalhante cuja

intensidade máxima depende da forma geométrica de sua seção transversal. A tensão cisalhante máxima

devido a flexão ocorre em pontos onde a tensão normal devido a flexão é nula.

A Figura 1.13 ilustra a distribuição de tensões cisalhantes na flexão para uma seção transversal

circular. Observe que a máxima tensão cisalhante ocorre no eixo x (linha neutra).

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23

y τ x z
y
τ
x
z

Figura 1.13 - Distribuição de tensões cisalhantes na flexão para seção circular.

Para uma seção retangular, a tensão cisalhante máxima na flexão é calculada a partir da Erro! Fonte

de referência não encontrada

Equação 1.5

τ

max

=

3

V

2

A

Para uma seção circular, a tensão cisalhante máxima na flexão é calculada a partir da Erro! Fonte de

referência não encontrada

Equação 1.6

τ

max

=

4

V

3

A

Para uma seção circular oca, a tensão cisalhante máxima na flexão é calculada a partir da Erro! Fonte

de referência não encontrada

Equação 1.7

Onde:

V – Esforço de Corte;

A – Área da seção transversal;

1.5 ANÁLISE DE TENSÕES

τ max

= 2

V

A

Conforme já definido, tensão é força por área. Qualquer elemento infinitesimal de um material pode

estar submetido a diversos tipos de tensões ao mesmo tempo. Este elemento infinitesimal, geralmente é

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24

z

y

σ y τ yx x τ τ yz x y σ τ x z y
σ y
τ yx
x
τ
τ yz
x
y
σ
τ
x
z y
τ z x
τ
x
z
σ
z

Figura 1.14 - Paralepípedo elementar, suas superfícies e componentes de tensão

Para o estado plano de tensões, considera-se o retângulo ilustrado na Figura 1.15.

y

consid era-se o retângulo ilust rado na Figura 1.15. y x σ y τ yx σ

xconsid era-se o retângulo ilust rado na Figura 1.15. y σ y τ yx σ x

σ y

era-se o retângulo ilust rado na Figura 1.15. y x σ y τ yx σ x

τ yx

o retângulo ilust rado na Figura 1.15. y x σ y τ yx σ x τ
o retângulo ilust rado na Figura 1.15. y x σ y τ yx σ x τ
σ x
σ
x

τ

x

y

ilust rado na Figura 1.15. y x σ y τ yx σ x τ x y

τ yx

rado na Figura 1.15. y x σ y τ yx σ x τ x y τ

σ y

τ x y σ x
τ
x
y
σ
x

Figura 1.15 - Componentes de tensão no estado biaxial

Considera-se que as tensões agem nas faces destes cubos, de duas maneiras:

1. Tensões Normais: Agem perpendicularmente as faces. Tendem a puxar o elemento ( tensão normal de tração) ou a empurrá-lo (tensão normal de compressão).

2. Tensões Cisalhantes: Agem paralelamente as faces do cubo aos pares e em faces opostas. As tensões cisalhantes são positivas, se atuam no sentido positivo de um eixo de referência estas tensões tendem a distorcer o cubo na forma romboédrica.

O primeiro índice representa a coordenada normal à face do paralepípedo. O segundo índice indica o eixo paralelo a tensão representada.

Muitos elementos de máquinas estão sujeitos ao estado tridimensional de tensão, porém outros casos podem ser tratados como estado de tensões bidimensional ou estado plano de tensões.

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25

1.5.1 Tensões Principais

Para qualquer combinação de tensões aplicadas no paralelepípedo elementar (Figura 1.16), haverá sempre uma distribuição de tensões ao redor deste ponto. As tensões normais e cisalhantes irão variar. Haverá planos onde a tensão cisalhante será nula. As tensões normais agindo nestes planos são chamadas tensões principais (Figura 1.17) e os planos são chamados de planos principais. O eixo normal ao plano principal é chamado de eixo principal. Há outro conjunto de eixos ortogonais no qual a tensão cisalhante será máxima. A tensão principal de cisalhamento ocorre em um plano a 45 o do plano principal.

σ y τ yx τ σ x y x σ τ x x y τ
σ y
τ yx
τ
σ
x y
x
σ
τ
x
x
y
τ yx
σ y

Figura 1.16 - Combinação de tensões normais e tangenciais em um cubo elementar

σ 2 σ 1 σ 1 σ 2
σ
2
σ
1
σ
1
σ
2
φ
φ

Figura 1.17 - Tensões Principais e Planos Principais

τ 21 τ 12 θ τ 12 τ 21
τ
21
τ
12
θ
τ
12
τ
21

Figura 1.18 - Tensões Principais de Cisalhamento

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26

Do ponto de vista da engenharia, procuraremos sempre projetar os elementos de máquinas de modo a não falharem. Para isto, sempre necessitaremos calcular a maior tensão, seja ela normal ou tangencial, nos pontos mais críticos da peça que faz parte da máquina.

A expressão que relaciona as tensões aplicadas com as tensões principais para o estado tridimensional

é:

Equação 1.8

onde:

Equação 1.9

Equação 1.10

Equação 1.11

C

0

= σ

x

σ

y

σ

z

C

1

+

2

xy

=τ

2

τ

xy

+τ

2

yz

τ

yz

σ

3

C

2 σ

2

C

1

σ

C

0

=

0

+τ

τ

zx

C

2

=σ

x

+σ

y

+σ

z

2

zx

σ σ

x

y

σ

y

σ

z

σ

τ

2

σ

τ

2

 

x

yz

y

zx

σ σ

z

x

σ τ

z

2

xy

As três tensões normais principais σ 1 , σ 2 e σ 3 , são as três raízes deste polinômio (Figura 1.8) de

terceiro grau. As raízes deste polinômio são sempre reais de modo que σ 1 >σ 2 >σ 3 .

As tensões principais de cisalhamento podem ser encontradas a partir das tensões principais normais usando:

Equação 1.12

Equação 1.13

Equação 1.14

usando: Equação 1.12 Equação 1.13 Equação 1.14 σ 1 − σ 3 2 σ 2 −

σ

1

σ

3

2

Equação 1.12 Equação 1.13 Equação 1.14 σ 1 − σ 3 2 σ 2 − σ

σ

2

σ

1

2

1.13 Equação 1.14 σ 1 − σ 3 2 σ 2 − σ 1 2 σ

σ

3

σ

2

2

τ

=

=

=

τ

13

21

τ

32

As direções dos vetores das tensões principais podem ser encontrados substituindo cada uma das raízes na matriz abaixo (Equação 1.15) e resolvendo n x , n y e n z . A direção das três tensões principal são mutuamente ortogonais.

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27

Equação 1.15

onde:

σ - Intensidade das tensões principais;

σ

x

τ

τ

yx

zx

σ

σ

τ

y

τ

xy

zy

σ

τ

τ

σ

z

xz

yz

σ

n

n

n

x

y

z

= 0

n x , n y , n z - Coseno da direção do vetor unitário n o qual é normal ao plano principal.

Equação 1.16

Equação 1.17

n ˆ =

n

x

i ˆ

+

n

y

nˆnˆ =1

ˆ j

+

n

z

k ˆ

Da Resistência dos Materiais, temos do mesmo modo as equações básicas para determinar as tensões principais e seus planos:

Equação 1.18

Equação 1.19

sendo: τ xy =-τ yx

A variação de 2φ será:

0 0 2φ 360 0

O ângulo φ variará então de:

0 0 φ 180 0

σ

=

σ

+

σ

σ

σ

xy

xy

+

2

2

cos2

φτ

−⋅

xy

φ

sen 2

τ

=

σ

x

σ

y

2

sen 2

φτ

+⋅

xy

cos2

φ

Para localizarmos as tensões máxima e mínima, devemos determinar o valor do ângulo 2φ, que é dado pelas seguintes expressões:

Equação 1.20

tg

φ

2

=

σ

x

σ

y

2

τ xy

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28

Simplificando as equações acima chega-se a:

Equação 1.21

Equação 1.22

Equação 1.23

1.5.2 Círculo de Mohr

σ

1

2 σσ + ⎛ σσ − ⎞ xy xy 2 , σ = ± ⎜
2
σσ
+
σσ
xy
xy
2
,
σ
=
±
+
τ
2
xy
2
2
2
σ
σ
x
y
2
τ
, τ
= ±
+
τ
max
min
xy
2
σ
σ
τ
, τ
1
2
= ± ⎛
max
min
⎜ ⎝
2

Tomando-se um eixo de coordenadas cartesianas, toma-se a tensão normal sobre o eixo das abcissas e as tensões de corte ou cisalhamento sobre o eixo das ordenadas. A determinação dos pontos é feita através de suas coordenadas que tem para valores,σ x , σ y , τ xy e φ.

São dados os seguintes valores: Ponto D

(σ x , τ xy ) e Ponto E

(σ y , τ yx )

Sendo σ x e σ y tensões normais e ortogonais entre si e τ xy =-τ yx

τ max

τ min

τ σ x D τ xy φ G φ 0 2 B σ 2 τ
τ
σ
x
D
τ
xy
φ
G
φ
0
2
B
σ
2
τ
yx
E
σ
y
σ
1

F

τ xy φ G φ 0 2 B σ 2 τ yx E σ y σ

σ

Figura 1.19 - Círculo de Mohr

A Tabela 1.1 indica a propriedades mecânicas de alguns aços comuns utilizados em projetos mecânicos.

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29

Tabela 1.1 - Propriedades Mecânicas dos Aços Comuns

Classificação

Estado

Limite

de

Resistência

ao

Alongamento em 50,0 mm

Estricção

Dureza

SAE/ANSI

Resistência

à

Escoamento

(%)

Brinell

Tração

S

y

(%)

HB

S

ut

MPa

 

MPa

   

1015

Laminado

420,6

 

313,7

 

39,0

61,0

126

Normalizado

424,0

 

324,1

 

37,0

69,6

121

Recozido

386,1

 

284,4

 

37,0

69,7

111

1020

Laminado

448,2

 

330,9

 

36,0

59,0

143

Normalizado

441,3

 

346,5

 

35,8

67,9

131

Recozido

394,7

 

294,8

 

36,5

66,0

111

1030

Laminado

551,6

 

344,7

 

32.,0

57,0

179

Normalizado

520,6

 

344,7

 

32,0

60,8

149

Recozido

463,7

 

341,3

 

31,2

57,9

126

1040

Laminado

620,5

 

413,7

 

25,0

50,0

201

Normalizado

589,5

 

374,0

 

28,0

54,9

170

Recozido

518,8

 

353,4

 

30,2

57,2

149

1050

Laminado

723,9

 

413,7

 

20,0

40,0

229

Normalizado

748,1

 

427,5

 

20,0

39,4

217

Recozido

636,0

 

365,4

 

23,7

39,9

187

1095

Laminado

965,3

 

572,3

 

9,0

18,0

293

Normalizado

1013,5

 

499,9

 

9,5

13,5

293

Recozido

656,7

 

379,2

 

13,0

20,6

190

1118

Laminado

521,2

 

316,5

 

32,0

70,0

149

Normalizado

477,8

 

319,2

 

33,5

65,9

143

Recozido

450,2

 

284,8

 

34,5

66,8

131

3140

Normalizado

891,5

 

599,8

 

19,7

57,3

262

Recozido

689,8

 

422,6

 

24,5

50,8

197

4130

Normalizado

668,8

 

436,1

 

25,5

59,5

197

Recozido

560,5

 

360,6

 

28,2

55,6

156

4140

Normalizado

1020,4

 

655,0

 

17,7

46,8

302

Recozido

655,0

 

417,1

 

25,7

56,9

197

4340

Normalizado

1279,0

 

861,8

 

12,2

36,3

363

Recozido

744,6

 

472,3

 

22,0

49,9

217

6150

Normalizado

939,8

 

615,7

 

21,8

61,0

269

Recozido

667,4

 

412,3

 

23,0

48,4

197

8650

Normalizado

1023,9

 

688,1

 

14,0

48,4

302

Recozido

715,7

 

386,1

 

22,5

46,4

212

8740

Normalizado

929,4

 

606,7

 

16,0

47,9

269

Recozido

695,0

 

415,8

 

22,2

46,4

201

9255

Normalizado

932,9

 

579,2

 

19,7

43,4

269

Recozido

774,3

 

112,3

 

70,5

41,1

229

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

30

1.6

EXERCÍCIOS

1

– Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m e

F

= 2000 N calcular as tensões principais e esboçar as tensões desenvolvidas no engaste (pontos A e B).

EPM A UNOESC - Joaçaba B a
EPM
A
UNOESC - Joaçaba
B
a

d

F

2

– Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m e

P

= 2500 N calcular as tensões principais e esboçar as tensões desenvolvidas no engaste (pontos A e B).

A B a
A
B
a

EPM

UNOESC - Joaçaba

P

A B a EPM UNOESC - Joaçaba P
 

d

3

– Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m e

T

= 250 N.m calcular as tensões principais e esboçar as tensões desenvolvidas no engaste (pontos A e B).

EPM A UNOESC - Joaçaba B T a
EPM
A UNOESC - Joaçaba
B
T
a

d

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31

4 – Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m, P

= 2500 N e T = 250 N.m calcular as tensões principais e esboçar as tensões desenvolvidas no engaste (pontos A e B).

EPM A UNOESC - Joaçaba B P T a
EPM
A UNOESC - Joaçaba
B
P
T
a

d

5 – Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m, F

= 2000 N e T = 250 N.m calcular as tensões principais e esboçar as tensões desenvolvidas no engaste (pontos A e B).

EPM A UNOESC - Joaçaba B T d a F
EPM
A
UNOESC - Joaçaba
B
T
d
a
F

6 – Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m, P

= 2500 N, F = 2000 N e T = 250 N.m calcular as tensões principais e esboçar as tensões desenvolvidas no engaste (pontos A e B).

EPM A UNOESC - Joaçaba B P T d a F
EPM
A UNOESC - Joaçaba
B
P
T
d
a
F

Elementos de Máquinas I Prof. Douglas Roberto Zaions

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7 – Para o elemento de máquina mostrado na figura abaixo, considerando que a = 0,25 m, d = 0,020 m, P = 2500 N e F = 2000 N