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Poeira e Outros Particulados

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Nota de Aula Higiene do Trabalho II 1.

Introdução As doenças ocupacionais pulmonares ocorrem nas vias aéreas (intra e extratorácicas), na região alveolar e na pleura dependendo do agente envolvido, suas características toxicológicas, da dose e da reação do hospedeiro. Embora as ocorrências na região pulmonar sejam mais conhecidas, a ocorrência é maior nas vias aéreas. 2. Doenças ocupacionais pulmonares devidas à inalação de particulados As partículas inaladas podem depositar-se no trato respiratório e provocar reações no próprio local que vão desde uma irritação aguda nas vias aéreas até uma reação pulmonar por hipersensibilidade dependendo da atividade biológica da substância invasora e dos contaminantes que a acompanha. As partículas menores que 5 µm atingem os alvéolos facilmente e causam alguns efeitos. O efeito mais simples é a deposição sobre o tecido alveolar sem provocar dano. As doenças pulmonares devidas aos particulados incluem a pneumoconiose, a bronquite (produção excessiva do muco), a asma (constrição dos dutos bronquiais) e o câncer. As respostas à inalação de poeiras inorgânicas dependem da natureza, dose e tempo e exposição e podem ser modificadas pela presença de fatores imunológicos, da presença simultânea de outros tipos de poeiras e da pré-existência de outras doenças pulmonares. As partículas inertes, inócuas ou incomodas denominadas atualmente como PNOS pela ACGIH considera como atóxicas, como o estanho (Tabela 1), ferro, carbono puro, bário, deixam a estrutura alveolar intacta, e a reação do organismo é potencialmente reversível, isto é, é uma pneumoconiose benigna. A palavra pneumoconiose significa acúmulo de partículas nos pulmões e as conseqüentes reações do tecido pulmonar à sua presença. A magnitude do dano depende da interação entre as partículas depositadas e as células de defesa alveolares, principalmente os macrófagos. Há partículas que são pouco tóxicas para o macrófago alveolar, como o ferro e o carbono e outras extremamente tóxicas, como a sílica cristalina e os diversos tipos de asbesto. Entretanto, a maior ou menor toxicidade dos particulados é apenas um dos fatores determinantes do risco de doença. Assim, a inalação crônica de altas doses de poeiras de ferro pode levar a uma pneumoconiose denominada siderose. Substância (Nº CAS) Estanho [7440-31-5], como Sn (1992) Metal Compostos inorgânicos e óxido, exceto hidreto de estanho Compostos orgânicos TWA Valores Adotados STEL Notações Peso Mol. Base do TLV®

2 mg/m3

-

-

118,69

2 Vários 3 mg/m 0,1 0,2 Pele; A4 Vários 3 mg/m mg/m3 Tabela 1 – Limites de Exposição (TLV®), ACGIH 2010. Normalmente as pneumoconioses não apresentam em suas fases iniciais ou moderadas e por este fato reforça a necessidade de um controle ambiental e médico adequados, uma vez que depois de instalada a doença, é irreversível. O exame radiológico é de suma importância. Não basta que o profissional seja um radiologista, pneumologista ou um bom clínico. É necessário que haja conhecimento e treinamento específico na classificação radiológica da Organização Internacional do Trabalho.

Pneumoconiose; irritação nos olhos e TRS; dor de cabeça; náusea

juta e exposição a produtos de combustão de óleo diesel e outros. os pacientes costumam ter uma melhora nítida em finais de semana ou em afastamentos prolongados. que é uma variante da inflamação do interstício e provavelmente é devida a produção e eliminação excessiva de proteínas e lipídios que molham a superfície alveolar. levar a uma resposta nociva após subseqüente exposição ao alérgeno.Nota de Aula Higiene do Trabalho II Na exposição à poeiras formadas por fibras de asbesto. na tentativa de manter o suprimento adequado de oxigênio. espirro. A área de troca gasosa vai diminuindo gradativamente uma vez que o efeito da doença é evolutivo. que tanto podem ocorrer durante a jornada de trabalho. O antígeno. entre 2 µm e 4 µm os macrófagos tentam fagocitá-las mas a liberação de enzimas acabam provocando sua morte deixando o cristal quartzo livre com essas enzimas. pêlos de animais. e em alguns casos. isto é. peso no peito. São sintomas mais comuns: dermatite. e uma exposição posterior ao alérgeno produz os sintomas alérgicos. ou a formação de anticorpos que levam a constrição dos dutos bronquiais (asma). inchaço das membranas. a dimensão das fibras é fator determinante: a maioria das fibras com comprimento menor que 3 µm deposita-se nos dutos alveolares e nos bronquíolos respiratórios e são envolvidas pelos macrófagos. e diminuição da ventilação pulmonar. chiado no peito. resinas epóxi. o agente químico combina-se com proteínas do organismo formando um complexo denominado de antígeno. A bronquite ocupacional aparece em diversas atividades que envolvem a exposição a poeiras minerais (mineração. ao ser absorvido ou liberado pelo organismo humano leva a produção de anticorpos que demoram alguns dias para serem detectados. No caso da exposição a partículas de sílica cristalina. As partículas de sílica não cristalizada são muito mais toleradas pelo organismo. o pólen de flores e cogumelos. Muitas dessas fibras podem ser transportadas para o interstício entre a parede alveolar e os capilares sanguíneos. Nas fases iniciais. Para ocorrer uma reação alérgica. os sintomas podem persistir. Com persistência dos sintomas. poeiras de algodão. Este esforço adicional pode causar dano permanente ao coração. devido à produção excessiva de muco (bronquite). conjuntivite. como após o turno de trabalho. Como a principal causa da bronquite crônica é o tabagismo fica extremamente difícil estabelecer o nexo causal com o trabalho em caso de trabalhadores fumantes com queixas. morte resultante de um choque anafilático. A silicose crônica acaba resultando em efeitos cardiopulmonares fatais. urticária. o quadro tende agravar-se. falta de ar. e. É responsável por mais de 50% dos diagnósticos de doenças ocupacionais da FUNDACENTRO. Esse processo se repete muitas vezes acabando por danificar os tecidos alveolares (fibrose) que perdem a elasticidade e permeabilidade ao oxigênio e dióxido de carbono. Muitos agentes orgânicos na forma de partículas respiráveis podem provocar doenças por sensibilização. tabaco. com conseqüência da inalação de grandes quantidades de sílica cristalina e outras partículas inorgânicas. bem como para o sistema linfático. A asma ocupacional está relacionada a exposição a gases. levando à dificuldade de respirar. por um período consecutivo de 2 anos. causada por exposição a particulados. A bronquite crônica ocupacional é definida como a presença de tosse matinal por pelo menos 90 dias/ano. O quadro clínico é de tosse. penas de pássaros. A asma e a bronquite provocam sobrecarga ao lado direito do coração que procura bombear mais sangue para os pulmões. mesmo o afastamento. Em algumas exposições agudas a aerossóis de quartzo ocorre a proteinase alveolar. a silicose e ao asbesto. Normalmente a asma ocupacional incapacita o trabalhador permanentemente para uma dada função ou manipulação da substância causadora. temas ligados a fibrogenecidade das partículas. vapores. especiarias. São exemplos. linho. Devido a sua importância serão discutidos adiante. gases e vapores presentes no ambiente de trabalho. poeiras e fumos presentes no ambiente de trabalho. pedreiras etc). fibras vegetais como algodão e juta. A inalação de poeiras orgânicas com sensibilização dos tecidos pulmonares ou .

publicada pela ABHO. fumos de plásticos e borracha) podem provocar infecções no trato respiratório superior devido à ação física e química direta sobre a mucosa. poeiras minerais. Além disso. é estabelecido um limite de exposição (TLV®). se transforma em câncer. as substâncias a que esta recomendação se aplica são aquelas para as quais existem poucos dados. bagaço de cana seco. utilizadas na fabricação de detergentes. aves. A combinação do hábito de fumar cigarro com o trabalho com produtos contendo asbesto leva a incidência de câncer abdominal e na pleura. pólen.  Adenocarcinomas nos seios da face provocado por poeiras de diversas madeiras duras em trabalhadores de serrarias e marcenarias. Exemplos de sensibilizantes: óleos de corte. plantas. poeiras de madeira duras. Daí recebe a classificação errônea de particulados incômodos. metálicas. reações lentas. isocianatos como o TDI. como névoas ácidas ou alcalinas. inertes ou inócuos. uma extrema sensibilidade a doses baixas. assim como existem indivíduos que apresentam uma reação extremamente baixa a altas doses. dióxido de enxofre. pois é impossível atender ao nívelpadrão de evidências usado para o estabelecimento de um TLV®. que após um período latente. São freqüentes:  Perfuração do septo nasal. Além dos danos pulmonares na área de troca gasosa. inflamação e ulceração do trato respiratório superior. farinhas.Nota de Aula Higiene do Trabalho II dos brônquios provoca a bissinose (algodão). o TLV® para o PNOS e seus predecessores foi incorretamente utilizado no passado. de trabalhadores de galvanoplastia expostos ao cromo e níquel. como no caso do asbesto. e níquel. bagaçose (devido ao fungo presente no bagaço da cana de açúcar). Alguns particulados podem provocar danos instantâneos nos tecidos.  Rinite aguda. Quando existem evidências suficientes para uma substância específica. São citadas na literatura mais de 200 substâncias relacionadas à asma ocupacional. partículas radioativas. animais. Também causam asma ocupacional as enzimas proteolíticas. edição 2010 apresenta as seguintes informações sobre o título de “Partículas (insolúveis ou de baixa solubilidade) não Especificadas de Outra Maneira (PNOS). A recomendação ao final deste Anexo é sugerida como um guia. fibras vegetais como o algodão. 2. A edição em português dos TLV’s e Bel’s da ACGIH. devida a ação irritante do níquel e cromo  Rinite alérgica em trabalhadores expostos a grãos. surpreendentemente alta comparada com os efeitos desses dois agentes em separado. e não como TLV ®. produtos de termodegradação de plásticos. Alguns indivíduos podem apresentar uma reatividade excessiva a um alérgeno isto é.”: É objetivo do Comitê TLV® recomendar limites de exposição (TLVs®) para todas as substâncias em relação às quais haja evidências de efeitos à saúde em concentrações no ar encontradas nos locais de trabalho. por definição. numerosas substâncias (fibra de vidro. cromatos. fumos metálicos.1 Particulados insolúveis não classificados de outra maneira (PNOS) É muito comum em nosso meio dizer que certos materiais particulados manipulados na indústria ou agricultura são inócuos à saúde do trabalhador. Certos contaminantes. Em alguns indivíduos a reação do organismo produz alterações nas células dos pulmões. ou então quando o indivíduo apresenta hipersensibilidade nessa zona do trato respiratório. ou somente deposição sobre o tecido. madeiras. Assim. tendo sido aplicado a quaisquer . glicerina e soda cáustica produzem irritação química.

Normalmente. visíveis no RX. ou quimicamente reativas de outra forma com o tecido pulmonar. às vezes acompanhada de fibrose. pois mesmo a deposição de aerossóis considerados não fibrogênicos provoca discreta reação inflamatória local. titânio.3 Definições de aerossóis fibrogênicos e não fibrogênicos A definição do que é fibrogênico e não fibrogênico não é fácil porque são necessárias maiores informações para uma caracterização apropriada. genotóxicas. b) exposições em locais confinados com alta concentração. As recomendações deste Anexo se aplicam a partículas que:  Não tenham um limite de exposição TLV® aplicável.2 Aerossóis fibrogênicos e não fibrogênicos E. as poeiras fibrogênicas causam a deposição de tecido conectivo entre os alvéolos e capilares que os envolvem (interstício pulmonar) ou nas regiões que envolvem os bronquíolos e vasos de forma nodular ou difusa. asbesto. É importante ressaltar que o termo não fibrogênico. algodão. ou outros efeitos tóxicos que não sejam a inflamação ou o mecanismo de sobrecarga pulmonar). têm limitada capacidade e provocar reação orgânica maior que a fagocitose. podem causar efeitos adversos e recomenda que as concentrações ambientais sejam mantidas abaixo de 3 mg/m3 . não permeável) nas regiões do tecido pulmonar. os aerossóis fibrogênicos são compostos de partículas sólidas minerais (naturais ou artificiais) e orgânicas como sílica cristalina. considera um aerossol como fibrogênico quando este tem a capacidade de desencadear reação orgânica que resulta na deposição de tecido conectivo (não elástico. a presença de fibrose provocada por aerossóis não fibrogênicos é conseqüência de situações particulares (exclusivas ou concomitantes): a) quantidade de partículas depositadas é grande. se houver dados disponíveis). como o óxido de ferro. e não emitam radiação ionizante. não sejam citotóxicos. e  Tenham toxicidade (isto é. Estes aerossóis também são compostos de partículas minerais ou orgânicas. Possivelmente. 1996.Nota de Aula Higiene do Trabalho II partículas não listadas. como estanho. e não àquelas que seguem critério apresentado a seguir. c) reação orgânica individual excessiva. A ACGIH® que as partículas insolúveis. que são grupos de macrófagos carregados de partículas fagocitadas e depositados ao redor de pequenos vasos e bronquíolos na região central dos lóbulos. para partículas inaláveis. Aerossóis não fibrogênicos ou inertes são os que. As pneumoconioses provocadas por partículas PNOS são potencialmente reversíveis. fungos. mas não provocam reações nos tecidos. ou fracamente solúveis. 2. Do ponto de vista anatomo-patológico. preferencialmente. Alegranti. Os aerossóis no ambiente de trabalho geralmente são formados por partículas de mais de um elemento químico o que exige que sejam feitas avaliações qualitativas e quantitativas para uma . e de 10 mg/m3. para substâncias respiráveis. mesmo que biologicamente inertes.  Sejam insolúveis ou fracamente solúveis em água (ou. ou inerte tem significado relativo. causem imunossensibilização. enquanto que as poeiras não fibrogênicas levam a formação de máculas. e ausência ou discreta presença de fibrose. nos fluidos aquosos do pulmão. 2. até que seja estabelecido um limite de exposição (TLV®) para uma substância específica. quando depositados no sistema respiratório. Alguns particulados PNOS podem provocar depósitos opacos nos pulmões. a menos que a exposição seja severa.

berílio. Presença de fibras respiráveis. grafite natural (mineração). poeira contendo fibras artificiais. cobalto. Qualquer aerossol que contenha mais de 7. mica. Porcentagem de sílica cristalina. o negro de fumo e o grafite sintético são aerossóis potencialmente classificáveis como fibrogênicos e não fibrogênicos. poeiras contendo asbesto e ou outras fibras naturais.5% mas a concentração de poeiras respiráveis total seja de tal magnitude que o limite de tolerância para a poeira contendo sílica (calculado pela expressão LT = 8 / [%SiO2 + 2]) seja ultrapassado. As poeiras mistas. % Sílica cristalina é de 7%. Assim por exemplo devem ser tratadas como fibrogênicas as poeiras dos casos a e b. b) A concentração de poeira respirável é 1. alumínio. como o alumínio. São exemplos de aerossóis não fibrogênicos (desde que o LT para sílica não seja ultrapassado): antimônio. ligas de metais duros.89 mg/m3. Uma partícula PNOS. carvão vegetal. quando em forma pura.96 mg/m3. lã de vidro. sepiolita.5% de sílica cristalina em sua composição deve ser considerado como fibrogênico.5% na fração respirável). talco. Qualquer aerossol que contenha fibras minerais naturais (asbestos. atapulgita. bário. negro de fumo e grafite sintético.5%.24 mg/m3. sílica amorfa. São exemplos de aerossóis fibrogênicos: carvão mineral.5% na fração respirável juntamente com partículas menos fibrogênicas como o óxido de ferro. Também deve ser considerada fibrogênica a poeira que apresente teor de sílica cristalina menor que 7. abaixo: a) A concentração de poeira respirável é 52. como é o caso das poeiras mistas. se contaminada por fibras de asbesto deve ser tratada como fibrogênica. Nestes casos. devem ser tratadas como potencialmente fibrogênicas. por exemplo. Nestes casos é necessário proceder-se à avaliação quantitativa da poeira respirável e se o LT da sílica for ultrapassado a poeira mista deve ser considerada fibrogênica. Embora não se tenha comprovação de fibrose em humanos para uma série de fibras artificiais. ou se a concentração desse talco estiver acima do LT. titânio puro. grafite natural (uso industrial). aquelas que contêm porcentagem de sílica inferior a 7. não seja tóxico para as células de defesa pulmonares. na dependência de algumas variáveis. O mesmo vale se o talco estiver contaminado com sílica cristalina acima 7. wollastonita e outras) e fibras artificiais (fibra de vidro.5%. e presença de fibras respiráveis. até que haja evidências científicas suficientes para uma conclusão em relação a cada uma. sílica (contendo SiO2 acima de 7. A poeira é fibrogênica porque a concentração da poeira respirável ultrapassou o LT. fibra cerâmica) deve ser considerado como fibrogênico. estanho. Em algumas poeiras mistas com teor de sílica alto. LT = 0. pode agir como tampão diminuindo a toxicidade da sílica por adsorção à sua superfície diminuindo muito as lesões características da silicose. são comuns em aerossóis gerados em diversas atividades coma mineração e indústria de transformação. isto é.5%. Alguns aerossóis podem ser classificados como fibrogênicos. carbono e outras. ferro. carbeto de silício (carborundum). os . erionita. LT= 0. como o talco. para fins de vigilância epidemiológica e o controle médico. % Sílica cristalina é de 23%. Do ponto de vista prático há dois pontos que exigem caracterização: porcentagem de sílica livre cristalina. embora a porcentagem de sílica seja menor que 7. tungstênio puro. Embora o elemento carbono. 20%.32 mg/m3 . ou não fibrogênicos. a presença de outros elementos químicos. A poeira é fibrogênica porque %SiO2 é maior que 7. essa poeira mista deve ser tratada como fibrogênica.Nota de Aula Higiene do Trabalho II correta orientação. As poeiras mistas. É o das poeiras de fundições. O negro de fumo e o grafite sintético incluem-se no grupo das poeiras carbonáceas.

São exemplos de minérios ricos em silicatos: o caulim (silicato de alumínio). representando cerca de 60% da crosta terrestre. progressiva e irreversível que provoca insuficiência pulmonar. na fundição de ferro e no jateamento de areia. O quartzo é o principal constituinte das rochas ígneas e dos arenitos sedimentares formados pela erosão das rochas ígneas. ou o dióxido de silício (SiO2). resultando uma ordenação espacial caótica de átomos. Na sílica cristalina. Nos silicato. é um dos minerais mais abundantes na natureza. fato que exige informações precisas dos fabricantes desses materiais. onde o sílex era utilizado como matéria prima. Al. A sílica contém átomos de silício e oxigênio em estruturas moleculares diferentes. sílex) e amorfa (terra diatomácea). Além disso. A sílica amorfa é o resultado da combinação de condições naturais. tornam esses dois produtos responsáveis por doenças. constituindo os silicatos. e a terra Fuler (mistura de quartzo e silicatos). As pneumoconioses estão aparecendo no país em maior volume devido ao seu largo período de latência. F. É uma doença crônica fibrogênica. OH etc. e. os átomos de silício e oxigênio estão arranjados no formato de tetraedros que se repetem formando uma molécula gigante de fórmula SiO2 . cátions e ânions como Na.4 Sílica cristalizada. Nestes casos. ferro. ou artificiais.Nota de Aula Higiene do Trabalho II contaminantes presentes no negro de fumo e na grafite sintética. na Inglaterra. sobre a sílica. Na natureza a sílica amorfa aparece na forma de terra diatomácea. ela está ligada quimicamente a óxidos de metais como alumínio. de evolução em geral muito lenta. originando diversas substâncias químicas com características toxicológicas diferentes. silicatos e silicose Fonte: Toxicologia da Sílica. A silicose é uma doença pulmonar atribuída à inalação de várias formas de sílica livre e cristalizada que produz uma reação fibrosa no tecido alveolar. A presença de fibras no processo de carbonização faz a exposição a esses materiais ser considerada fibrogênica para fins de controle médico. obtida da sílica cristalizada aquecida acima de 1723 ºC e em seguida resfriada rapidamente. oriunda do fóssil de esqueletos de pequenas plantas marinhas. sílica amorfa. A sílica na forma criptocristalina foi responsável pela alta prevalência de pneumoconiose em trabalhadores na indústria de porcelana fina. São consideradas as mais insolúveis e as substâncias químicas naturais menos reativas. abrasivos. Poeiras mistas. o feldspato (mistura de sílica livre com silicatos). A sílica. K. A sílica cristalina livre é combinada. magnésio. As doenças hoje diagnosticadas refletem exposições ocorridas a partir da década de 50. escavação de poços no Nordeste e moagem de rochas provocam silicose aguda e sub-aguda. criptocristalina (calcedônia. Mg. jaspe. Satoshi Kitamura e Manual de Proteção Respiratória. Também o asbesto é um silicato (ferro. O quartzo é a forma mais comum de sílica livre encontrada na natureza. presentes em alguns tipos de material refratário que revestem os fornos de carbonização. O risco da silicose é maior nas indústrias: cerâmica. a vermiculita e as micas (silicatos complexos hidratados de alumínio). existe a possibilidade da presença de contaminação por fibras. magnésio) que se apresenta na forma de fibras sedosas. aplica-se a mesma regra das poeiras mistas quando há presença de sílica. o talco (silicato de magnésio). 2. na primeira metade do século passado. A cristobalita e a tridimita são mais raros e ocorrem em lavas vulcânicas de tipo ácido. cristobalita e tridimita). Outra classificação divide em sílica cristalina livre e sílica combinada. Existe sob a forma cristalina (quartzo. Ca. na mineração. O vidro é sílica amorfa. A exposição a altas doses de sílica finamente dividida como nas operações de jateamento de areia. estão ligados à estrutura da sílica cristalizada. A sílica amorfa é uma forma não cristalina e praticamente não apresenta ação tóxica para os pulmões. isto é. Fe. outros. poeiras contendo sílica livre abaixo de 10% associada a .

pois representa 97% da produção mundial. Estes últimos estão classificados de acordo com suas características mineralógicas em dois grandes grupos: o da serpentina (ou crisólita) e os dos anfibólios. tecidos resistentes ao calor. e ate as PNOS. mas quando contaminado por sílica ou asbesto. pode ser causa da silicose ou asbestose. A quase totalidade do asbesto produzido no Brasil é do tipo crisólita. cálcio ou sódio. mas alguns representantes deste grupo mineral apresentam riscos variáveis de pneumoconiose. Todos os tipos de fibras de asbesto têm sido implicados como causadores de câncer de pulmão. em geral não é fibrogênico. normalmente silicatos hidratados de magnésio. Assim o talco.000 em oficinas mecânicas que trabalham com sistemas de freios. ferro. caixas d’água. o carvão mineral. divisórias. Na construção civil é desconhecido o total de expostos. é o mais abundante e de maior importância econômica. mas somente cinco ou seis tem importância comercial. São fatores que determinam a dimensão do risco de asbestose num local de trabalho: . Por sua composição química. como o ferro. artefatos de fibrocimento (cimento-asbesto) tais como telhas. incluindo esôfago. O grupo dos anfibólios compreende. é o mesmo que asbesto. A maior parte dos expostos encontra-se fora de qualquer controle. também de origem grega. O termo asbesto é a designação comercial de várias fibras minerais. As principais patologias relacionadas à exposição à poeira de asbesto são:  Asbestose (pneumoconiose que se desenvolve geralmente cinco ou mais anos após a exposição ao asbesto).  Câncer de pulmão. lonas de freios. óxidos de alumínio. por exemplo. No Brasil a população exposta é de 20.1 Asbesto e doenças pulmonares Fonte: Agentes cancerígenos ocupacionais. A sílica cristalina por enquanto é considerada como suspeita de cancerígena para o ser humano (A2). assim como uma variedade de cânceres gastrintestinais. em ambientes de trabalho que apresentam concentrações superiores ao LT. A palavra asbesto de origem grega significa incombustível. Além do câncer de pulmão e do mesotelioma de pleura. Victor Wunsch Filho e Manual de Proteção Respiratória. entre outros. estômago. É um dos cancerígenos ocupacionais mais bem estudados e conhecidos. cólon e reto. encontrado em diversas regiões da terra. tubulações. apresentam poder fibrogênico diminuído. Existem dezenas de variedades de asbesto. O “uso controlado” do asbesto é possível apenas dentro da indústria primária. e denominado cientificamente de asbesto.000 na indústria típica e 225. silicatos como o caulim. a crocidolita (asbesto azul). que significa incorruptível. a antofilita. 2. e  O mesotelioma (neoplasia difusa da pleura que se origina do mesotélio). pisos. embora pareçam existir diferenças na potencialidade cancerígena com relação aos mesoteliomas. devido às propriedades carcinogênicas encontradas em quase todos os tipos de asbesto. Em geral os silicatos não têm efeitos patogênicos. existente também em minas brasileiras. e a tremolita.Nota de Aula Higiene do Trabalho II poeiras menos fibrogênicas. o asbesto possui qualidades que o tornam apropriado para numerosas aplicações industriais: cordas. bem como por sua estrutura fibrosa e cristalina. a amosita (asbesto marrom). O grupo da serpentina. como o câncer de laringe e faringe.4. discos de embreagem. luvas. grande número de outros cânceres é hoje associado à exposição ao asbesto. isolamento térmico em geral. ou asbesto branco. micas. Asbestose é o acúmulo de partículas nos pulmões e as reações do tecido à sua presença. que dependem da dimensão da fibra de asbesto. A fibrose pulmonar geralmente se desenvolve após vários anos de exposição.

O câncer do pulmão é uma complicação da asbestose. com relação de comprimento 3:1. em 70 a 90 % dos mesoteliomas encontrados. mesmo abaixo do limite de exposição representam risco de asbestose. Concentração da poeira: quanto maior a quantidade de fibras em suspensão. O tipo de fibra (crisólita. maior a prevalência da asbestose. O mesotelioma é um tumor maligno raro que acomete a pleura e o peritônio. . Tempo de exposição: o risco de desenvolver asbestose aumenta com os anos de exposição. demonstram-se caso de mesotelioma relacionado à exposição a crocidolita. Em humanos.Nota de Aula Higiene do Trabalho II a) b) c) d) e) Tamanho da fibra respirável: diâmetro menor que 3 µm. e susceptibilidade individual. mas fumantes expostos ao asbesto têm apresentado risco de desenvolver câncer e pulmão 50 a 90 vezes maior que as não expostas e não fumantes. mas é menos grave que a fibrose devida a silicose ou a pneumoconiose dos mineiros do carvão. O tempo de latência é de 30 a 40 anos. houve exposição ao asbesto. Aparentemente a “clearence de crisotila é maior. de modo que jornadas de 10h ou 12h. amosita e em menor escala a crisólita. anfibólitos etc) e as dimensões da fibra determinam o maior ou menor potencial cancerígeno. Duração da jornada: limites de exposição são para 8 horas/dia e 48 h/semanais. Não existe nível de exposição abaixo do qual não existe risco. devido à dissolução dos compostos magnesianos ou a um transporte mucociliar mais efetivo em razão de sua deposição em situação menos profunda”. Fatores predisponentes: hábito de fumar. comprimento maior ou igual a 5 µ. O processo fibrótico da asbestose evolui lenta e progressivamente mesmo em casos onde a exposição cessou. O asbesto pode isoladamente ser causa de câncer de pulmão. existência de doenças broncopulmonares no presente ou no passado.

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