Manual de Ligações Metálicas
Eds. L. Simões da Silva e A. Santiago http://www.cmm.pt ISBN 972-98376-4-3

Documento para divulgação do Projecto: Continuing Education in Structural Connections - CESTRUCO No. CZ/00/B/F/PP-134049 Ao abrigo do PROGRAMA LEONARDO DA VINCI da Comunidade Europeia. Este projecto foi desenvolvido com o apoio da Comunidade Europeia. O conteúdo deste projecto não reflecte necessariamente, a posição da Comunidade Europeia ou Departamentos Nacionais nem envolve a responsabilidade de nenhuma das partes.

manual de LIGAÇÕES METÁLICAS

editado por:

Luís Simões da Silva Aldina Santiago

Coimbra, Novembro de 2003 __________________________________________________________________ cmm – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista

2 2.9 Q2.11 Introdução Características mecânicas dos parafusos Comportamento de um parafuso numa ligação Parafusos em ligações ao corte Ligações resistentes ao escorregamento Perda de pré-esforço no parafuso Resistência de ligações da categoria C Resistência ao corte de parafusos solicitados também à tracção Distâncias máximas entre parafusos e dos parafusos às extremidades das placas Critério de deformação em ligações com parafusos ao corte Distâncias entre parafusos e dos parafusos às extremidades das placas Resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos ao corte Resistência ao esmagamento em ligações com furos ovalizados Método de dimensionamento de ligações com parafusos ao corte em furos ajustados Parafusos solicitados ao corte mais tracção Resistência de ligações com aço de alta resistência ix 1 3 3 3 4 5 5 6 6 6 7 8 9 9 10 12 12 13 3 Soldadura e Ligações Soldadas 3.3 2.2 Q2.8 Q2.1 Q2.7 Q2.5 Q2.6 Q2.2 Q3.4 2.3 Q2.10 Q2.3 Q3.ÍNDICE ÍNDICE Prefácio 1 Introdução 2 Parafusos e Ligações Aparafusadas 2.1 Q3.4 Introdução Ligação de duas cantoneiras a uma placa de gusset Resistência de um cordão de soldadura de ângulo Dimensionamento de cordões de soldadura de topo com penetração parcial Dimensionamento de cordões de soldadura em ligações com resistência total 15 15 18 19 19 20 .1 2.5 Q2.4 Q2.1 Q3.

3 Q5.1 Q4.3 5.1 Introdução 6.4 Q4.1 Q4.6.2 Q6.1 5.4 Dupla cantoneira de alma Cantoneira de alma simples Placa de extremidade flexível Placa de gousset Dupla cantoneira de alma Placa de extremidade flexível Placa de gousset Extremidades preparadas para o contacto Extremidades não-preparadas para o contacto 31 31 31 32 32 32 33 33 33 34 34 35 35 36 36 37 37 38 39 40 Ligação viga-viga Emendas de pilares Resistência dos parafusos ao esmagamento: tolerâncias permitidas Cantoneira ligada por um ou dois parafusos Capacidade de rotação Integridade estrutural 6 Ligações com Transmissão de Momento 6.1 5.2 Q4.1 6.4.2 Q5.1.3 5.3 Q6. para ligações com placa de extremidade Fórmula para o coeficiente α do comprimento efectivo do T-Stub Regras para dimensionamento de ligações com esquadro de reforço Regras para reforços diagonais e em K Manual de ligações metálicas .4.1 Q6.1 Q5.2 5.2 Q6.4.5 Introdução Cálculo preliminar de ligações Utilização da análise elástica para a análise global de estruturas Critérios de classificação para bases de pilar Cálculo de ligações solicitadas por esforços reduzidos Modelação da excentricidade da ligação no cálculo de pórticos 23 23 24 26 27 29 29 5 Ligações sem Transmissão de Momento 5.4 Introdução Integridade estrutural Métodos de cálculo Ligação viga-pilar 5.4 Método das componentes Caracterização do comportamento de componentes de uma ligação 43 43 43 45 46 47 48 49 Coeficiente de modificação da rigidez η.5 5.5.6.2 5.6 5.1 5.3 5.2 Q5.2 5.5.4.4 Modelação Estrutural 4.3 Q4.5.4 5.1.1 5.

8 Q7.5 Q6.5 Q8.1 Q7.3 8.4 Q8.1 8.1 Introdução 89 89 Manual de ligações metálicas .10 Introdução Análise elástica da placa de base Cálculo da resistência da placa de base com argamassa de assentamento de baixa qualidade Cálculo comparativo da resistência do betão pela EN 1992-1-1 e EN 1993-1-8 Factor de concentração de tensões kj para bases de pilares Comprimento efectivo do T-stub associado à placa de base Comprimento efectivo do T-stub de bases de pilar com chumbadouros fora da largura dos banzos Coeficiente de atrito entre o aço e o betão Transmissão de forças de corte através dos chumbadouros Transferência de forças de corte por atrito e através de chumbadouros Regras para realização da ancoragem dos chumbadouros 61 61 62 63 64 66 67 69 72 72 73 74 8 Acção Sísmica 8.3 Q8.8 Q6.9 Q7.5 Q7.6 Q6.1 Q8.10 Distribuição plástica de forças numa ligação com placa de extremidade muito espessa Linhas de rotura em fiadas com quatro parafusos Distribuição de esforço transverso em ligações aparafusadas Efeito de alavanca no T-Stub e verificação da fadiga Determinação das propriedades de ligações submetidas a momento flector e esforço axial Regras de dimensionamento para reforços em K e do tipo Morris 49 50 52 52 54 58 7 Bases de Pilares 7.2 Q8.7 Q7.Q6.2 8.4 Q7.7 Q6.2 Q7.4 Q8.6 Q7.1 Q7.3 Q7.6 Introdução Critérios de dimensionamento Tipos de ligações viga-pilar Recomendações de projecto e produção Dimensionamento de ligações sujeitas a carregamento dinâmico Influência de carregamento não-simétrico Influência de encruamento Influência da tecnologia e pormenorização da soldadura Utilização de parafusos de alta resistência em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas Importância do comportamento do painel de alma do pilar (reforços) 79 79 79 81 82 84 84 85 85 87 87 9 Acção do Fogo 9.9 Q6.

2.2 Q9.2 Q10.1 Q10.2 Q11.2 10.4 Resistência dos parafusos a temperaturas elevadas Resistência da soldadura a temperaturas elevadas Distribuição da temperatura numa ligação.5 Q10.1 Q9.4 Q10.3 Q11.6 Q10.1 Q11.1 Q12.3 11.3 Q9.1 11.4 Q10.3 Q10.4 Ligadores mecânicos Soldadura Colas 113 113 113 113 117 119 119 120 120 121 121 Considerações de dimensionamento Aumento da tensão de cedência das secções enformadas a frio Capacidade de deformação de ligações ao corte Resistência dos parafusos em painéis sandwich Resistência ao esmagamento de placas finas 12 Ligações em Alumínio 12.7 Introdução Ligações soldadas Ligações aparafusadas Considerações de dimensionamento Modelos de previsão do comportamento para ligações com perfis circulares ocos (CHS) Modelos de previsão do comportamento para ligações com perfis rectangulares ocos (RHS) Modelos analíticos para ligações entre perfis ocos e secções abertas Ábacos de dimensionamento Sistemas de “Blind Bolting” – aparafusamento com acesso apenas por um dos lados Aço de alta resistência em ligações de secções tubulares Dimensionamento de estruturas offshore 97 97 97 98 99 99 102 104 106 108 110 111 11 Ligações de Perfis Enformados a Frio 11.3 Q11.3 Introdução Resistência da soldadura de ângulo Largura efectiva e espessura do cordão de soldadura de ângulo Soldadura de topo em ligações de alumínio 123 123 124 125 125 Manual de ligações metálicas .3 10.2.1 10.2 Introdução Ligadores 11.2 11.1 Q12.2 Q12.Q9.2.1 11. ao longo do tempo Comportamento de ligações metálicas a temperaturas elevadas – aplicação do método das componentes 89 91 91 93 10 Ligações de Secções Tubulares 10.

Q12.1 Casos práticos 131 131 Simbologia Referências Bibligráficas 137 143 Manual de ligações metálicas .4 Zona afectada pelo calor (ZAC) 126 13 Exemplos de Dimensionamento 13.

T. Braham. M. e morreu tragicamente no verão de 2001. Měřínský (internal review). A edição e tradução desta publicação foi efectuada pelos seguintes membros do Grupo de Construção Metálica do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra: Luís Simões da Silva (editor). D. Shipholt. Os autores dedicam este trabalho a Martin Steenhuis. R. B. Veljkovic (chapter Bolting). Luís Costa Neves. Steenhuis. Leino. Sandra Jordão. M. Johansson. T. Covilhã). Eliášová. Mazzolani. Bijlaard. J. L. T. Lennon. D. D. Huber. A. Evers (chapter Design Cases). Jorge Andrade (UBI. Turcic. Z. Leiria). G. Dubina (chapter Seismic Design). . que trabalhou connosco durante vários anos na investigação de ligações metálicas. Aldina Santiago (editora). M. Grecea (chapters Hollow Section Joints and Cold-formed Member Joints). A. Santiago (chapter Fire Design). chapter Introduction and Column Bases). Weynand. participou no início deste projecto. and F. Brekelmans. Luciano Lima (UERJ. F. Sokol (chapter Structural Modeling). Baniotopoulos (chapters Welding and Aluminium).A versão original inglesa desta publicação foi elaborada no âmbito do Projecto Comunitário “CESTRUCO – Continuing Education in Structural Connections” com a colaboração das seguintes pessoas: C. Jaspart. A. H. F. Simões da Silva (chapter Fire Design). M. G. Rathbone. Rio de Janeiro). Coimbra). J. M. Moore (chapter Simple Connections). Gresnigt (chapter Moment-resistant Connections). Janata (internal review). Kouhi. Rui Simões. J-P. C. R. Luís Borges (ISTG. Wald (editor. Beg. Blok (internal review). Altino Loureiro(DEM. J. V. Fernando Teixeira Gomes. N. nosso amigo. K. F. Yeomans. A versão original inglesa desta publicação foi revista externamente por: D.

E. O contributo português. um problema a resolver pelo fabricante. modelação e análise das ligações surge como tema de muitas comunicações a congressos sobre estruturas metálicas e é o motivo dos mais recentes desenvolvimentos ocorridos na redacção dos Eurocódigos.deformabilidade e resistência . ao envolver cortes e tolerâncias. e montados . confinado-o em Portugal. furados. portanto. . por outro lado. assim. em particular do grupo de Coimbra liderado pelo Professor Luís Simões da Silva. Por outras palavras. soldados e pintados em instalações protegidas. às pontes e aos edifícios industriais. a principal diferença económica entre as estruturas de aço e as que usam materiais a moldar in situ. "pormenores" cujo dimensionamento não acompanhou os progressos da concepção estrutural com base nos critérios da análise limite e da visão integradora que proporciona. explorando. por isso. até há poucos anos atrás.em obra através de parafusos. As vantagens económicas das estruturas de aço estão. mas também para limitar o tempo de obra e ocupação de estaleiro.ou ligados . isto é. ser muito condicionado pelo comportamento das ligações projectadas . especialmente. por a sua concepção. a exposição de ligações criativamente concebidas está hoje "na moda" e pode-se dizer que o projecto e fabrico de ligações eficazes e belas tem estimulado significativos avanços na construção metálica. as ligações. Diria que é também por esta razão que as ligações na construção metálica têm recentemente conhecido um crescente interesse por parte dos engenheiros projectistas e. tem tido neste domínio particular relevância. o funcionamento da estrutura. a concepção. como o betão. isto é. não integrando o comportamento das ligações na avaliação global da estruturas que concebia. ser frequentemente relegada para o âmbito da metalomecânica. afastavam do uso do aço quem mais pode contribuir para a sua difusão na área dos edifícios importantes .os arquitectos -. Por outro lado. até há pouco tempo. exprimem de forma eloquente o nível tecnológico da estrutura que integram e delas depende muito a qualidade estética do conjunto. e a prescrição de elementos e processos de aparafusamento. associadas à eficiência das suas ligações. Tendo-se alterado esta situação. a elas se devendo grande parte da popularidade que as estruturas de aço conhecem. Eram. Por isso.PREFÁCIO PREFÁCIO Os meus alunos sabem que inicio todas as aulas ou palestras sobre o uso de elementos estruturais de aço na construção salientando que devem ser concebidos para serem cortados. dos arquitectos. Esta relevância das ligações para o sucesso das estruturas de aço era contrariada. quando visíveis. Isto não só para que a maior parte da preparação da estrutura seja executada em ambientes controlados e tirando partido de equipamentos e processos automatizáveis. preparações e soldaduras. o engenheiro de estruturas não assumia o seu controlo. Independentemente do facto do modelo estrutural adoptado.a competitividade da solução metálica depende das ligações projectadas por nelas se concentrar a maior parte do custo quer de fabrico quer de montagem em obra dos elementos a ligar. É que para a promoção do aço nunca é demais insistir que o seu moderno e eficaz uso assenta na préfabricação e na exploração de todas as técnicas que permitam reduzir o trabalho em obra à realização de montagens rigorosas mas fáceis e rápidas.

na análise de estruturas metálicas.PREFÁCIO Como sempre. será. bem como o tratamento do problema do comportamento das ligações sob a acção de incêndios. nomeadamente sob acção de sismos. E também que. traduzidos por regras complexas. as recomendações para projecto têm ciclos de desenvolvimento. estimada através do método das componentes. O presente Manual. ANTÓNIO LAMAS Manual de ligações metálicas . a que se seguem fases de teste e simplificação. muito útil. por isso. Para a sua compreensão e ensino nos cursos de Engenharia Civil os textos de apoio escasseiam. cujas regras e modelos de cálculo são complexos e de difícil aplicação. embora se trate de um Manual destinado a apoiar engenheiros civis e não a engenheiros metalúrgicos. No caso das ligações estamos num momento intermédio pois trata-se ainda de capítulo especializado do Eurocódigo 3. Sublinharia do seu conteúdo a consideração da deformabilidade das ligações (semi-rigidez). não deixa de abordar os problemas relacionados com a fadiga e a sua prevenção através de pormenores de forma e escolha adequada dos materiais. que resulta de um trabalho de equipa no âmbito do Projecto Europeu CESTRUCO.

as ligações soldadas em oficina e aparafusadas em obra têm-se generalizado. Esta parte inclui-se no documento principal do Eurocódigo 3 e é designada por EN 1993-1-8 – Dimensionamento de Ligações [prEN 1993-1-8: 2003]. Como parte integrante do desenvolvimento das primeiras versões da EN 1993-1-8. que ligado directamente ao controlo numérico das máquinas (CNC) permite cortar a laser. assim como em utilizações mais correntes. Com base nesta informação. .9 e 12. a União Europeia decidiu implementar normas de dimensionamento. A introdução de aços de alta resistência aumentou a variedade de aços e de parafusos disponíveis no mercado.6 e 5. e em particular a generalização da automação das tarefas de projecto e fabricação. estando actualmente em fase de conversão em Normas definitivas que substituirão. etc). banzo da coluna. A metodologia apresentada na EN 1993-1-8 é designada por método das componentes e baseia-se no comportamento individual de cada uma das componentes (parafusos. Actualmente dispõe-se de métodos capazes de avaliar não só a capacidade resistente. para descrever o comportamento global momento-rotação da ligação. os modelos de dimensionamento de cada um desses componentes forão progressivamente validados através de ensaios experimentais. tem sido feito um grande esforço para se tentar avaliar o seu comportamento real. soldas.5. Estas alterações. Nos últimos dez anos. tem conduzido a alterações na filosofia de dimensionamento de estruturas metálicas. com um nível de segurança mais aferido e podem ser utilizadas em estruturas que se pretendam que sejam esteticamente agradáveis. mas com o desenvolvimento tecnológico.8. em devido tempo. fabricação e montagem de estruturas metálicas. nomeadamente pela introdução de laminagem contínua de aços e utilização de robôs de soldadura. No que se refere ao Eurocódigo de Estruturas Metálicas (Eurocódigo 3) foi “reconhecida” a importância das ligações e autonomizou-se uma parte específica com regras e recomendações para o seu dimensionamento. era usual utilizar rebites como elemento de ligação. Adicionalmente e antes de serem incluídos nas Normas Europeias. a qualidade dos processos de soldadura tem sofrido avanços consideráveis. fabricação e construção de estruturas metálicas. Actualmente os aços variam desde os tradicionais S235 a S355 aos aços de classe S690 ou S960 e os parafusos dividem-se em parafusos ordinários: classes 4. os regulamentos nacionais. tem conduzido a um aumento da qualidade e normalização relativamente a outros materiais estruturais. em simultâneo com a introdução de materiais de construção de alto desempenho. placa de extremidade. estes documentos apresentaram-se sob a forma de pré-normas. No passado. 4. Para tirar partido da variabilidade dos produtos metálicos.1 INTRODUÇÃO Desenvolvimentos recentes no projecto. o dimensionamento de ligações metálicas baseia-se apenas em verificações da capacidade resistente.9. dos desenvolvimentos tecnológicos e técnicas disponíveis nos diferentes países. 10. o projectista pode prever o comportamento real de pórticos metálicos simples. A automação de fabrico tem evoluído desde o desenho manual (ou mesmo CAD-2D) e métodos de corte tradicionais. Estas normas têm sido desenvolvidas ao longo de vários anos e constituem documentos designados por Eurocódigos Estruturais. resistência e capacidade de rotação para uma gama alargada de ligações aparafusadas e soldadas. Tradicionalmente. nomeadamente nas ligações. Numa primeira fase. Do mesmo modo. a software sofisticado de projecto. nomeadamente parafusos e soldadura. A EN 1993-1-8 considerou estes desenvolvimentos e inclui uma abordagem ao cálculo da rigidez. Actualmente as ligações metálicas podem ser económicas de fabricar e montar. que referem recomendações de dimensionamento e montagem de elementos de ligação. foram elaborados documentos de apoio. mas também a rigidez e capacidade de rotação de ligações aparafusadas e soldadas.6 e parafusos de alta resistência: classes 8. por punção ou furar automaticamente.

Luxemburgo). O objectivo desta publicação é documentar cada uma dessas questões juntamente com a sua respostas. Mais tarde este trabalho foi alargado e incorporado num programa educacional Europeu: European Steel Design Educational Programme (ESDEP). de modo a fornecer aos projectistas a informação detalhada com base nos fundamentos e métodos de dimensionamento apresentados na EN 1993-1-8. De modo a facilitar a sua utilização. O ensino faz parte integrante da apresentação e divulgação de novos métodos do dimensionamento de ligações metálicas. Adicionalmente. regras de verificação da capacidade resistente ao esmagamento em furos ovalizados. sob a égide do Programa Leonardo da Vinci (União Europeia). bem como a intensa actividade de investigação levada a cabo nos Estados Unidos (Projecto SAC) e no Japão. a Jan Stark (TU Delft.um conjunto de lições em PowerPoint para o dimensionamento de elementos metálicos e mistos. sendo uma das fases deste processo o desenvolvimento de material educacional necessário para incentivar os projectistas Europeus a adoptarem a EN 1993-1-8. 1988]. seguida de questões e respectivas respostas. Cheal. a EN 1993-1-8 também inclui uma metodologia de dimensionamento de bases de colunas com placa de extremidade. O método das componentes. Dessas iniciativas cita-se o Projecto “Reliability of moment resistant connections of steel building frames in seismic areas (RECOS)”. em trabalho realizado por Zoetemeijer [Zoetemeijer. regras de interacção momento-esforço axial na ligação. Outros trabalhos educacionais disponíveis pelo ESDEP incluem o WIVISS . Consequentemente. vários investigadores iniciaram pesquisas de modo a definir o comportamento das ligações metálicas sujeitas à acção sísmica.um conjunto de lições em CD. mais tarde foi alargado de modo a incluir ligações com cantoneiras [Jaspart. que é actualmente usado em várias Universidades Europeias. foi desenvolvido um projecto denominado “Continuing Education in Structural Connections (CESTRUCO)”. entre outros. A ideia deste projecto deve-se a Marc Braham (Astron. fabricação e montagem de ligações metálicas.INTRODUÇÃO contínuos e semi-contínuos. 1998]. Uma das prioridades deste Comité é facilitar a introdução da EN 1993-1-8 como Euro-Norma. o desenvolvimento e a implementação de um conjunto de regras de dimensionamento para ligações metálicas. O Comité Técnico 10 (Ligações Estruturais) da Convenção Europeia de Construção Metálica (ECCS TC10) apoia. expressões de dimensionamento de ligações soldadas em perfis rectangulares ocos e critérios de verificação de Estados Limites de Utilização para ligações realizadas por cavilhas. a informação contida neste documento será disponibilizada num curso interactivo de dimensionamento.b] em ligações com placa de extremidade rasa e estendida. ligações mistas [Anderson.. Paralelamente. baseia-se. 1999] e bases de colunas [Wald et al.um gabinete virtual de projectos metálicos e o SSEDTA . Um dos primeiros trabalhos educacionais em ligações foi produzido por Owens e Cheal [Owens. Huber. há mais de vinte anos. que contribuiu para o conhecimento do comportamento de estruturas metálicas sob acções sísmicas. Finlândia). 1983a. 1998. 1997]. o SteelCal . 2 Manual de ligações metálicas . Após os sismos de Northridge (USA) e Kobe (Japão). Este projecto pretendeu reunir questões típicas sobre o dimensionamento de ligações metálicas e de seguida publicar as respectivas respostas. encontra-se estruturada nos seguintes capítulos: Capítulo 1: Introdução Capítulo 2: Parafusos e Ligações Aparafusadas Capítulo 3: Soldadura e Ligações Soldadas Capítulo 4: Modelação Estrutural Capítulo 5: Ligações sem Transmissão de Momento Capítulo 6: Ligações com Transmissão de Momento Capítulo 7: Bases de Pilares Capítulo 8: Acção Sísmica Capítulo 9: Acção do Fogo Capítulo 10: Ligações de Secções Tubulares Capítulo 11: Ligações de Perfis Enformados a Frio Capítulo 12: Ligações em Alumínio Capítulo 13: Exemplos de Dimensionamento Cada capítulo apresenta uma breve descrição da aplicação da EN 1993-1-8. Holanda) e a Jouko Kouhi (VTT.

8 e 10. nas ligações sujeitas a forças e momentos estáticos.6 240 400 baixa ou 5.9). Quadro 2.6 300 500 6. recozido.1(3) da EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]. Classe do parafuso fyb (MPa) fub (MPa) 4.8 480 600 8. Como regra semi-empírica tem-se. a descrita na cláusula 3.6. nomeadamente os parafusos de classes 8. pode-se dizer que as ligações aparafusadas são dimensionadas através de processos semi-empíricos. A resistência de um parafuso é normalmente avaliada utilizando a “secção resistente à tracção” (também denominada por “secção resistente”).1) .6. devem utilizar-se parafusos com elevada resistência à fadiga e deformabilidade reduzida. definida pela média entre o diâmetro do núcleo da espiga dn e o diâmetro “médio” dm: dres = dn + dm 2 (2. 8. e de forma tradicional. 5. Genericamente. em que os parafusos normalmente garantem a transmissão de forças entre dois elementos com pequenas excentricidades. Neste capítulo apresentam-se questões directamente relacionadas com o comportamento dos parafusos e tipologias de ligações muito simples. A zona mais fraca de um parafuso é a parte roscada (Figura 2. podem ser utilizadas todas as classes de parafusos.1).1: Características mecânicas dos parafusos. entre outas. temperado – parafusos de alta resistência. baseados em resultados de ensaios. As diferentes tipologias de ligações aparafusadas incluem placas cobrejuntas.9 ou superiores. Características Mecânicas dos Parafusos No Quadro 2.9 900 1000 Material e tratamento carbono.85.2 PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Introdução Ligações são dispositivos utilizados para transmitir forças entre elementos estruturais. as ligações aparafusadas estão mais vulgarizadas pela sua facilidade de fabrico e montagem em obra.6. Nas ligações sujeitas a forças cíclicas susceptíveis de induzir fenómenos de fadiga. placas de extremidade e cantoneiras. por exemplo. De um modo geral.8 640 800 10. 6. experiência e prática de boa execução.8 e 10. média percentagem de Liga de aço com uma percentagem média total ou parcialmente de carbono. Embora em estruturas metálicas se possam usar ligações soldadas e ligações aparafusadas.1 apresentam-se as classes de parafusos mais utilizadas em ligações metálicas (classes 4. segundo a qual a resistência ao corte de parafusos M12 e M14 deve ser calculada multiplicando a expressão de cálculo da resistência ao corte de parafusos de maior diâmetro por um factor igual a 0. Para ligar estes elementos aos perfis estruturais utilizam-se parafusos.8.

comprovadas experimentalmente.. resistindo por atrito.2: Distribuição de forças em ligações aparafusadas sujeitas ao corte e em ligação aparafusadas préesforçadas [Trahair et al. esmagamento e tracção) podem ser transferidas por corte/esmagamento em ligações aparafusadas correntes e por atrito entre as placas em ligações pré-esforçadas. Comportamento de um Parafuso numa Ligação A resistência última de uma ligação aparafusada é avaliada assumindo simplificações na redistribuição das forças internas.1: Secção transversal e ”secção resistente” de um parafuso [Ballio. • Parafusos de alta resistência em ligações pré-esforçadas resistentes ao escorregamento – Neste caso as placas são comprimidas entre si devido às forças de aperto dos parafusos.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS O tamanho de um parafuso é definido em função do seu diâmetro nominal. Além destas. Rosca Figura 2. 2001]. do comprimento abaixo da cabeça e do comprimento da parte roscada. Mazzolani. 1983].3 para ligações correntes e ligações pré-esforçadas. existem muitos outros tipos de ligações onde os parafusos são solicitados por uma combinação de corte com tracção. • Parafusos traccionados. 4 Manual de ligações metálicas .2 e 2. os parafusos podem ser solicitados como: • Parafusos ao corte – Neste caso o movimento das placas de ligação é restringido essencialmente pelo núcleo do parafuso. força no parafuso força na placa esmagamento força no parafuso punçoamento esmagamento atrito corte esmagamento corte atrito esmagamento atrito tracção esmagamento esmagamento a) ligações resistentes ao corte b) ligações pré-esforçadas c) ligações resistentes à tracção Figura 2. Essas forças são descritas nas Figuras 2. As forças internas (corte. Para as diversas distribuições de forças possíveis ao longo de uma ligação.

Cd Fp.7 da EN 1993-1-8 são definidas várias classes de tratamento das superfícies para as quais μ varia entre 0.4 da EN 1993-1-8. 2000]. o valor do coeficiente de atrito deve ser determinado com base em testes experimentais. No caso de outras condições de tratamento das superfícies. μFp. C e E. Larsen. Os valores de dimensionamento da resistência ao corte e ao esmagamento são obtidos com base no quadro 3. com 70% da sua tensão última. com uma chave (“snug-tight” ou “spanner-tight”). Esmagamento da placa de ligação. Este aperto é suficiente para garantir força de atrito entre as placas ligadas e transferir uma pequena força sem que se verifique escorregamento.Cd μFp. Willems.4.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Parafusos em Ligações ao Corte Os parafusos predominantemente solicitados por cargas estáticas podem ser apertados manualmente. os parafusos de alta resistência devem ser apertados. Este deslizamento termina quando o núcleo do parafuso entra em contacto com a placa.Cd Manual de ligações metálicas 5 . e da força de aperto FpCd (Figura 2. Fp.Cd μFp.10. enquanto que o método para avaliação da rotura em bloco é descrito na cláusula 3. A resistência relativa à rotura em bloco é baseada em dois mecanismos de rotura possíveis: cedência por corte combinada com rotura por tracção ou rotura por corte combinada com cedência por tracção [Aalberg. Nestas ligações. Se aplicarmos forças superiores.Cd Fp. Na cláusula 3. verifica-se uma resposta elástica até que o núcleo do parafuso ou a placa de ligação entrem em fase plástica.1 da EN 1993-1-8 são definidas três categorias de ligações resistentes ao escorregamento. 1983]. no mínimo. Para forças superiores à força de atrito ocorre um deslizamento permanente devido à folga entre o parafuso e o furo. denominadas por B.Cd μFp. A resistência de uma ligação deste tipo é função do coeficiente de atrito das superfícies em contacto μ. No quadro 3. Rotura em bloco.3) introduzida pelos parafusos de alta resistência. Ligações Resistentes ao Escorregamento Em ligações pré-esforçadas resistentes ao escorregamento.2 e 0. O modo de rotura depende das dimensões da ligação e da resistência relativa entre o material dos parafusos e o material das partes ligadas.Cd Figura 2.2 do mesmo Documento.Cd Fp. os parafusos não são solicitados ao corte e as forças são transmitidas por atrito entre as placas ligadas.3: Parafusos de alta resistência numa ligação pré-esforçada [Kuzmanovic.5. A deformação plástica pode iniciar-se no parafuso e na placa de ligação em simultâneo. A rotura • • • da ligação poderá ocorrer segundo um dos seguintes modos: Corte no parafuso.

Questão 2. Para se obter um nível de segurança adequado.5(4) da EN 1090-1 [EN 1090-1: 1996]. No entanto.Cd não é reduzida da totalidade da força de tracção Ft aplicada. • Método “Turn-of-the-nut”. • em parafusos de classe 10. deve-se utilizar: • em parafusos de classe 8. aplicado com uma chave dinamómetro. quando o escorregamento não é permitido para Estados Limites Últimos? _____________________________________________________________________ Neste tipo de ligações existe sempre a possibilidade do parafuso não ficar centrado no furo e entrar em contacto com as placas. quando as forças de tracção e de corte são combinadas.9. As pinturas correntes reduzem o coeficiente de atrito nas superfícies em contacto e consequentemente a capacidade resistente da ligação.1: Perda de Pré-esforço no Parafuso Testes realizados em França mostraram que em ligações entre elementos de aço protegidos com pinturas correntes.2: Resistência de Ligações da Categoria C Porque é que as ligações resistentes ao escorregamento da Categoria C são verificadas ao esmagamento para cargas correspondentes aos Estados Limites Últimos. que consiste na aplicação de um determinado ângulo de rotação após se ter atingido a condição de “snug-tight” (o valor da rotação depende da espessura total das placas e anilhas). verifica-se uma deformação do conjunto constituído pelas placas de ligação e pelo parafuso. • Combinação dos dois primeiros métodos. • Dispositivos indicadores de carga. e de acordo com a cláusula 8. Questão 2. cuja análise simplificada pode ser efectuada de 6 Manual de ligações metálicas . podem ser usadas pinturas específicas que não reduzam o atrito. Qual a razão deste facto? _____________________________________________________________________ Quando se aplica uma força de pré-esforço num parafuso. a força de pré-esforço Fp. podia ocorrer uma redução da força de pré-esforço entre 25% e 45% num prazo de 2 e 3 meses. Como é que este efeito é incorporado no método de dimensionamento de ligações pré-esforçadas? _____________________________________________________________________ Os elementos de ligações resistentes ao escorregamento não devem ser protegidos com pinturas correntes. de acordo com a cláusula 3.4.8: uma anilha mais dura por baixo do elemento que roda durante o aperto (cabeça ou porca).9: uma anilha mais dura por baixo da cabeça e da porca.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Neste tipo de ligações. deve ser verificada a resistência ao esmagamento. Questão 2.1(1c) da EN 1993-1-8.3: Resistência ao Corte de Parafusos Pré-esforçados Solicitados Também à Tracção De acordo com a cláusula 3.2 da EN 1993-1-8. A força de tracção instalada num parafuso de alta resistência pode ser controlada por um dos seguintes métodos: • Momento torçor.

nota 2. Se aplicarmos uma força exterior de tracção Ft. Em juntas muito longas. devido a deformações no material de base. Manual de ligações metálicas 7 . a força de contacto entre as placas toma um valor. Ao aplicarmos a força de tracção à ligação.4. sendo a restante equivalente a uma redução da força que as placas de ligação inicialmente (após o pré-esforço do parafuso) exerciam sobre o parafuso ΔFj.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS acordo com a Figura 2. no mínimo igual a: Fc = Fp − 0. Estes limites são definidos de forma a garantir um bom comportamento da ligação.4: Distâncias Máximas entre Parafusos e dos Parafusos às Extremidades das Placas Quais os critérios em que se baseiam os valores de 14 t ou 200 mm para as distâncias máximas entre parafusos.ext Deformação no parafuso (δb) Encurtamento da placa (δp) δb. de acordo com o quadro 3. sendo a deformação da ligação dada por δp. segundo os critérios definidos no quadro 3. A força de tracção exterior será parcialmente transformada numa força adicional no parafuso ΔFb. devido à deformação das placas. tendo em conta fenómenos como a instabilidade local das placas e os associados a juntas longas. Este efeito é considerado nas regras definidas na cláusula 3.8 baseia-se num cilindro de compressão com área fixa. Devido à relação entre a rigidez do parafuso à tracção e das placas à compressão (com valores entre 1 e 4). os parafusos ficam submetidos a forças desiguais (se a junta for muito longa.ext.3 da EN 1993-1-8? _____________________________________________________________________ Os valores limites para p1 e p2 são independentes das condições atmosféricas ou outros factores que influenciem a corrosão dos elementos da ligação. Estudos por elementos finitos indicam que esse factor deveria depender da espessura. A deformação do parafuso δb.4: Diagrama de forças internas numa ligação pré-esforçada solicitada à tracção [Bickford. a força total no parafuso será Fb e a deformação δb.ext.2) A validade do factor 0.3. Questão 2. A linha a traço interrompido mostra a influência da flexibilidade das placas à flexão devido às forças de alavanca. O aumento da força no parafuso é dado por ΔFb e a diminuição da força de aperto entre as placas é de ΔFp.ext Figura 2. as deformações nas placas ligadas conduzem a uma distribuição não uniforme das forças pelos parafusos). classe de parafuso. A instabilidade local das placas entre parafusos deve ser verificada de acordo com a EN 1993-1-8.8. é compatível com a força de pré-esforço Fp e com a diminuição de espessura da placa δp. 1995]. uma parte da força de pré-esforço no parafuso mantém-se constante. ΔFb Pré-esforço no parafuso (Fp) Força total no parafuso (Fb) ΔFj Força externa no parafuso (Ft) Fj δp. classe de aço e número de placas ligadas. 8 ⋅ Ft (2.

2002b].9 Fexp. De modo a validar este modelo de resistência foram efectuados ensaios experimentais com placas cobrejuntas com furos ovalizados. é definida pela intersecção entre uma recta com uma inclinação igual à rigidez inicial e uma recta com uma inclinação igual a 1/10 da rigidez inicial. Em ligações não expostas a ambientes corrosivos. Com base em que documentos foi definido o critério de deformação adoptado na fórmula de verificação da resistência ao esmagamento? _____________________________________________________________________ A maioria dos regulamentos consideram que a resistência Fexp. 1. a resistência convencional depende mais da rigidez inicial da ligação do que propriamente do modo de rotura. 2000].conv.. no caso de rotura frágil da ligação [Snijder et al. 2000].fy/fum = 0.5 é obtida com base numa deformação máxima de 1. 8 Manual de ligações metálicas . para a tensão de cedência característica fy.5 Fexp.ult fy / fum. δ (mm) Figura 2. não existem limites máximos para as distâncias dos parafusos às extremidades das placas e1 e e2 (Figura 2. A resistência de elementos estruturais obtida a partir de testes experimentais até à rotura Fexp. Este procedimento toma a forma Fexp.5: Critério de Deformação em Ligações com Parafusos ao Corte A verificação da resistência ao esmagamento numa ligação com parafusos ao corte pretende essencialmente evitar uma deformação excessiva devido à ovalização dos furos. Força. Questão 2. mais do que propriamente evitar a rotura da ligação.1. p 1 e1 F e2 p2 Figura 2. Desta forma. tangente à parte não-linear da curva carga-deformação. ult Fexp. como se ilustra na Figura 2. facto que inclusivamente é comprovado por testes experimentais. F (kN) Rigidez inicial/10 200 Rigidez inicial Fexp.6: Valores limites da resistência de uma ligação [Piraprez. é avaliada com base numa redução da tensão resistente do material (tensão última) fum. 1988].6 [Piraprez.5: Simbologia relativa ao espaçamento de parafusos.5).fy/fum. fy/fum 150 100 50 0 0 Curva experimental 3 mm (para ambas as placas) 5 10 15 20 Deformação. conv Fexp.5 mm. dependente do comprimento da ligação. de acordo com o indicado no Anexo D da EN 1990 [Wald et al..PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS que obrigam a uma redução da resistência ao corte dos parafusos. A resistência avaliada com base na tensão limite convencional de elasticidade Fexp.

2 d0 p2= 4d0 e2 = 3d0 Furos 1 Furos 2 Figura 2. Questão 2. 8 ⋅ 3 ⋅ d0 ⎧ 2. as distâncias às arestas limite das placas e1 e e2 e as distâncias entre parafusos p1 e p2 podem ser determinadas com base nos semi-eixos de uma elipse tangente à aresta limite da placa.5 ⎩ (2. respectivamente. 8.8: Ligação não simétrica. Figura 2. 2 ⋅ d0 ⎧ e1 ⎪ 3 ⋅ d = 3 ⋅ d = 0. Furos 2: 1. 4 0 0 ⎪ ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. 4) Manual de ligações metálicas 9 . 7 = 1. 7 = − 1.7: Resistência ao Esmagamento de um Grupo de Parafusos ao Corte A resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos pode ser obtida pela soma das resistências individuais de cada parafuso? Ver Figura 2.7 e se descreve na cláusula 3. quando as linhas de parafusos e/ou as arestas limite da placas não são nem paralelas nem perpendiculares à direcção de actuação das forças? _____________________________________________________________________ Nestas circunstâncias. 22 360 ⎪ fu ⎩ (2.7: Espaçamentos entre parafusos e dos parafusos às extremidades da placa.8 e o exemplo apresentado.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Questão 2. 3) 2.6: Distâncias entre Parafusos e dos Parafusos às Extremidades das Placas Quais as distâncias entre parafusos e/ou espaçamentos entre parafusos e as extremidades das placas. como se ilustra na Figura 2.5 da EN 1993-1-8. e nos semi-eixos com centro num furo e passando no furo adjacente. Parafusos M20. 8e 2 − 1.8 Aço: S275 F F p1= 3d0 e1 = 1.1 ⎪ 3 ⋅ d0 k1 menor de ⎨ 3 ⋅ d0 ⎪2.

25 = 1 − 0. Neste ensaios.17 ⎪ 3 ⋅ d0 k1 menor de ⎨ 3 ⋅ d0 ⎪2.1) ⋅ d ⋅ t ⋅ fu = 1. O somatório das resistências individuais dos parafusos não condiciona a segurança mas apenas as condições de serviço. a resistência ao esmagamento em ligações com parafusos em furos ovalizados. a deformação nos furos 2 pode ser um pouco elevada nos Estados Limites de Serviço. 10 Manual de ligações metálicas . 76 ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 γ M2 γ M2 (2. Se houver necessidade de limitar as deformações na ligação. 75 0 0 ⎪ ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2.17 ) ⋅ d ⋅ t ⋅ fu = 1. 6) Método 1: A resistência ao esmagamento do grupo é dada pela soma das resistências individuais de cada parafuso Fb. 4 ⋅ 1. os parafusos devem ser dispostos simetricamente na ligação. para assim evitar desnecessárias redistribuições internas de forças. 4 ⋅ 1. 1999].8: Resistência ao Esmagamento em Ligações com Furos Ovalizados Segundo a Nota 1 do quadro 3.7 da EN 1993-1-8 são indicadas regras muito claras sobre como calcular a resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos. Com base em que estudos é que foi definido este critério? _____________________________________________________________________ Os valores da folga normalizada para parafusos em furos ovalizados são definidos na cláusula 8 do Documento EN 1090-1. A redução de resistência considerada em EN 1993-1-8 é baseada em ensaios recentes [Wald et al. 7 = 0. observou-se que esta redução de resistência deve-se essencialmente a uma redução da rigidez.1 + 2 ⋅ 0. 40 ⋅ 1.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Furos 1: 3 ⋅ d0 ⎧ p1 ⎪ 3 ⋅ d − 0. 25 = 3 ⋅ d − 0.14 ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 γ M2 γ M2 (2. 2000]. verificada no caso de furos ovalizados. 5) 1. 22 fu 360 ⎪ ⎩ (2. 25 = 0. deve ser considerada como 60% da resistência obtida para ligações com parafusos em furos com folga normalizada. [Piraprez. solicitados segundo a direcção perpendicular à maior dimensão. 8) _____________________________________________________________________ De acordo com o método 1. [Tizani.4 do Documento EN 1993-1-8. se a ligação for solicitada apenas por acções permanentes.5 ⎩ (2. 75 ⋅ 0. 4 ⋅ 4 ⋅ d0 ⎧1. os Estados Limites de Serviço devem ser verificados em separado. Em ligações de emenda de elementos. 7 = − 1.. 2002a].Rd = ( ∑ α b ⋅ k1 ) d ⋅ t ⋅ fu = ( 2 ⋅ 0. 4p2 − 1. Questão 2.1 + 2 ⋅ 0. Na cláusula 3.Rd = ( ∑ α b ⋅ k1 ) d ⋅ t ⋅ fu = ( 2 ⋅ 0. 7) Método 2: A resistência ao esmagamento do grupo é baseada na resistência ao esmagamento do parafuso mais fraco Fb.

4 1.. Manual de ligações metálicas 11 . δ (mm) Figura 2.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS 22 18 40 40 8 16 8 M16 18 200 180 160 140 120 100 Força.2 1 0.2 0 0 Tamanho do parafuso/ Diâmetro do parafuso 0.6 0. Uma ligação com parafusos em furos ovalizados solicitados segundo a direcção perpendicular à maior dimensão.8 0.9 e 2.5 3 3.10. como se ilustra nas Figuras 2. apresenta menor rigidez e maior deformabilidade que uma ligação do mesmo tipo mas com furos circulares. 2002a].5 1 1. F (kN) Furos circulares 40 40 8 16 8 M16 Furos ovalizados 10 35 50 25 110 10 35 50 25 110 80 60 40 20 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Deslocamento. 2002b].11: Razão entre a resistência ao esmagamento obtida experimentalmente e através do modelo analítico de dimensionamento.10: Esmagamento de uma placa de ligação [Wald et al..5 4 Figura 2. a) esmagamento por corte (furos normalizados) b) esmagamento por flexão (furos ovalizados) Figura 2. Resistência experimental / Resistência obtida com o modelo analítico: r re t 1.5 2 2.9: Comparação entre a curva força-deslocamento numa ligação com furos circulares e com furos ovalizados.4 0. [Wald et al.

um parafuso sujeito a uma força de tracção igual à sua resistência.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS A resistência ao esmagamento em ligações com furos ovalizados.Sd = 0. Uma fórmula de interacção alternativa consiste em usar os termos ao quadrado e a resistência à tracção (que aparece em denominador) avaliada na zona do liso. Neste tipo de furos não é permitido o esmagamento na zona roscada do parafuso.Sd + ≤1 Fv. possui ainda uma reserva de resistência à corte. é avaliada com base na expressão seguinte: Fb. A montagem das ligações é efectuada segundo um processo normal se os furos forem realizados em fábrica. com o eixo longitudinal do furo perpendicular à direcção da força aplicada. • Limitação da resistência. Questão 2. tal como considerado em [Owens.4 da EN 1993-1-8.10: Parafusos Solicitados ao Corte mais Tracção De acordo com a o quadro 3. a variação da razão resistência ao corte/resistência à tracção é de 0.Rd.75-0. no caso da zona de esmagamento e corte se localizarem na parte roscada do parafuso. Em que critérios se baseia esta fórmula? Mais lógico parecia ser a seguinte fórmula: Fv. 1989].Rd (2.89 se o plano de corte se localiza na zona do liso do parafuso. pode ser visualizada na Figura 2.4 da EN 1993-1-8.3 mm.63-0.9: Método de Dimensionamento de Ligações com Parafusos ao Corte.Rd = 0.Sd Ft. e é de 0.68 se o plano de corte se localiza na zona roscada. Cheal.286 Fv. um parafuso solicitado por uma força de tracção igual à força resistente de dimensionamento Ft. • Resistência ao esmagamento.9) sendo αb e k1 calculados de acordo com o quadro 3. em Furos Ajustados Qual o método de dimensionamento de ligações com parafusos solicitados ao corte. os furos podem ser realizados em obra. 12 Manual de ligações metálicas . A resistência à tracção de um parafuso é condicionada pela fractura na zona roscada e a interacção corte+tracção é considerada na parte lisa do parafuso.12.11. De acordo com a Figura 2. 10) _____________________________________________________________________ Tal como observado experimentalmente. • Montagem da ligação. em furos ajustados? Qual a influência dos seguintes factores: • Tolerâncias nas folgas dos furos. 6 k1 ⋅ α b ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (2.Rd Ft. _____________________________________________________________________ Normalmente as tolerâncias aplicadas de acordo com [EN ISO 898-1: 1999] conduzem a folgas de aproximadamente 0.Rd pode suportar uma força de corte Fv. A influência do comprimento do furo ovalizado na resistência ao esmagamento. onde se representam os resultados de 70 ensaios. Questão 2. em alternativa. A resistência ao esmagamento é considerada independente das folgas.

é possível utilizar aço de alta resistência.Rd 1. 4 ⋅ Ft. 11) Fv.R 0 0 Resistência ao corte analítica 0. rotura por corte em bloco em 6 ensaios e rotura da secção útil nos restantes 6 ensaios. Isto deve-se ao facto de um parafuso mais comprido desenvolver mais flexão quando comparado com parafusos mais curtos. Foram usadas placas de aço com uma tensão de cedência nominal de 640 MPa e tensão última de 700 MPa e os parafusos eram de classe 10.Rd Plano de corte na rosca 0. Foram observados os seguintes modos de rotura: esmagamento em 18 ensaios.11: Resistência de Ligações com Aço de Alta Resistência Em ligações correntes e de acordo com os modelos de dimensionamento definidos em EN 1993-1-8. 1990].0 Figura 2. Cheal.R 1. Kortesmaa. 4 ⋅ Ft. Resultados experimentais têm comprovado que a resistência ao corte aumenta com o aumento do comprimento da zona do liso do parafuso. De modo a avaliar a resistência de ligações com aço de alta resistência. Os resultados dos ensaios referidos foram comparados com os obtidos através dos modelos de dimensionamento definidos na EN 1993-1-8.exp Ft.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS No caso possíveis • • de o plano de corte se localizar na zona do liso do parafuso. Questão 2. 1989].5 Resistência ao corte experimental Fv. A fórmula de interacção considerada em EN 1993-1-8 é a seguinte: Fv.exp Fv.Sd Ft.Rd (2. realizou-se um estudo experimental em ligações aparafusadas com corte duplo [Kouhi. Rotura por tracção do parafuso na zona da rosca. logo não deve ser usado para o dimensionamento de ligações entre elementos de aço de classes superiores. verificou-se que todos estavam do lado da segurança (Figura 2. os dois modos de rotura são os seguintes: Combinação de corte mais tracção no plano de corte. de acordo com com os requisitos definidos na EN 1993-1-8 [Owens.0 Plano de corte no liso Fv.5 1.Sd + ≤1 Fv.max Ft.9.Rd Resistência à tracção experimental / Resistência à tracção analítica Ft.13): Manual de ligações metálicas 13 .12: Curvas de interacção corte + tracção.Sd + ≤1 Fv.Rd 1.Sd Ft. com uma tensão de cedência nominal de 640 MPa? _____________________________________________________________________ O Documento EN 1993-1-8 foi desenvolvido para aços até à classe S460.

PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS

• As fórmulas para avaliação da resistência ao esmagamento e da resistência da área útil usada experimentalmente deram os mesmos resultados da EN 1993-1-8. • As fórmulas para avaliação da resistência ao corte em bloco definidas na EN 1993-1-8 são conservativas, quando comparadas com as experimentais. • A resistência ao esmagamento das ligações, obtida com base no somatório das resistências individuais de cada parafuso apresenta-se na Figura 2.13. A deformação avaliada experimentalmente nos Estados Limites Últimos foi da ordem de grandeza do diâmetro dos parafusos. A resistência ao esmagamento obtida com base na resistência mínima dos parafusos é mais segura.
Nota:

• Com o objectivo de estudar a resistência ao esmagamento, o programa de ensaios foi dividido em dois grupos. Num grupo de seis ensaios foi considerada apenas uma linha de parafusos enquanto que no segundo grupo foram consideradas duas linhas, indicadas na Figura 2.13 como esmagamento 1ª linha e esmagamento 2ª linha, respectivamente. • Nos testes foram usadas placas com espessuras de 3 mm, 4 mm, 6 mm e 8 mm. Os valores obtidos para as tensões de cedência foram de 604 MPa a 660 MPa para as placas de 6 mm e 4 mm de espessura, respectivamente. Para a tensão última foram obtidos valores entre 711 MPa e 759 MPa para as placas de 6 mm e 4 mm de espessura, respectivamente. As propriedades medidas correspondem à média de três provetes.
Resistência experimental / Resistência teórica
2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 0 1 2 3 4 5 6

re rt

Rotura em bloco Esmagamento 1a linha Esmagamento 2a linha Secção útil

Ensaio

Figura 2.13: Resistência de ligações aparafusadas obtidas experimentalmente [Kouhi, Kortesmaa, 1990].

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Manual de ligações metálicas

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SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS
3.1 Introdução

A maioria das ligações soldadas são efectuadas em oficina. Um dos problemas que mais afecta as ligações soldadas é a falta de ductilidade do material de adição; todavia, este problema pode ser resolvido se forem respeitadas determinadas regras. Em ligações estruturais deve-se usar sempre soldadura por arco, excepto em casos especiais tais como “stud welding”. Quando se adopta este procedimento, as propriedades mecânicas do metal de adição devem ser compatível com as do metal de base e a espessura das peças a ligar deve ser igual ou superior a 4mm (na soldadura de elementos de paredes finas pode haver necessidade de se aplicar regras especiais). Os cordões de soldadura podem ser divididos em diversos tipos: • soldadura de ângulo, • soldadura por entalhe, • soldadura de topo, • soldadura por pontos e • soldadura sem chanfro. Na EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] são indicadas regras para avaliação do comprimento efectivo de um cordão de soldadura de ângulo com uma espessura a, ver Figura 3. 1.

a

a

Figura 3. 1: Definição da espessura de um cordão de soldadura, a.

No dimensionamento de um cordão de soldadura de ângulo, a tensão total é decomposta nas componentes paralelas e transversais ao plano crítico do cordão (Figura 3.2). A distribuição de tensões é assumida como uniforme ao longo do plano crítico do cordão, podendo desenvolver-se as seguintes componentes: • σ⊥ tensão normal perpendicular ao plano crítico do cordão de soldadura; • σ// tensão normal paralela ao eixo do cordão de soldadura, pode ser desprezada no dimensionamento de cordões de soldadura de ângulo; • τ⊥ tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) perpendicular ao eixo do cordão de soldadura; • τ// tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) paralela ao eixo do cordão de soldadura.

SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS

σ⊥

τ⊥ τ//

σ//

Figura 3.2: Tensões actuantes no plano crítico de um cordão de soldadura de ângulo.

A resistência de um cordão de soldadura de ângulo é suficiente se foram satisfeitas as condições seguintes:
2 σ ⊥ + 3 (τ ⊥ + τ // ) ≤ 2

fu β w ⋅ γ M2

(3. 1)

e

σ⊥ ≤

fu

γ M2

(3. 2)

O factor de correlação βw é definido no Quadro 3. 1, de acordo com o tipo de aço.
Quadro 3. 1: Factor de correlação para avaliação da resistência de uma soldadura.
Classes de Aço

EN 10025 S 235 S 235W S 275 S 275N/NL S 275M/ML S 355 S355N/NL S 355M/ML S 355W S 420N/NL S 420M/ML S 460N/NL S 460M/ML S 460Q/QL/QL1

EN 10210 S 235H S 275H S 275NH/NLH S 355H S355NH/NLH

EN 10219 S 235H S 275H S 275NH/NLH S 275MH/MLH S 355H S355NH/NLH S 355MH/MLH S 420MH/MLH

Factor de correlação βw

0,80 0,85

0,90

1,00 1,00

S 460NH/NLH

S 460NH/NLH S 460MH/MLH

A EN 1993-1-8 considera ainda um método simplificado alternativo para o dimensionamento de cordões de soldadura de ângulo. Consiste na avaliação da tensão resistente ao corte por unidade de comprimento de cordão, independentemente da direcção do esforço transmitido, como se ilustra na Figura 3.3,

fvw.d =

fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2

(3. 3)

sendo a força resistente do cordão de soldadura por unidade de comprimento dada por
Fw.Rd = a ⋅ fvw.d

(3. 4)

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Manual de ligações metálicas

as tensões a meio do cordão são inferiores às tensões nos topos (Figura 3. Sempre que possível e de forma a minimizar a possibilidade de arrancamento lamelar.Sd Figura 3.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS N⊥ Sd Fw. A resistência de um cordão de topo com penetração parcial deve ser determinada de uma forma análoga à considerada para os cordões de soldadura de ângulo. Quando esses pormenores forem necessários.8 0. devem ser tomadas medidas adequadas. 4c): βLw = 1. devem ser evitados pormenores de ligações que originem tensões perpendiculares à espessura das peças metálicas resultantes de soldadura. as tensões no cordão serão uniformes (Figura 3.6 0. 4: Ligações soldadas longas: a) distribuição de tensões não.Sd Fw.Rd Fw.4 0. b) distribuição de tensões uniforme.uniforme.4b). independentemente da direcção do esforço transmitido.2 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 ΒLw c) L a Figura 3. A concentração de tensões pode provocar uma rotura nos topos dos cordões de soldadura (“zip effect”). como se descreve na Figura 3. A resistência de um cordão de soldadura com comprimento superior a 150a deve ser reduzida. Manual de ligações metálicas 17 . A distribuição de forças numa ligação soldada pode ser obtida com base numa análise elástica ou numa análise plástica.4a). c) factor de redução βLw. multiplicando-a pelo factor βLw. Se as placas tiverem uma espessura adequada às forças internas transmitidas.5) τ// a) τ// b) τ// τ// Lw 1 0. Quando um cordão de soldadura muito comprido é solicitado Na direcção do seu eixo.Rd La V⊥ . A espessura ou profundidade adequadas de um cordão de soldadura deve ser obtida experimentalmente.Sd V//. os cordões com penetração total devem ter uma resistência igual à resistência da parte mais fraca a ligar. esta variação deve-se à deformação das placas de ligação. 2 ⎜ ⎛ La ⎞ ⎟ ⎝ 150a ⎠ (3. 2 − 0.3: Dimensionamento de um cordão de soldadura. Em relação às soldaduras de topo.

as forças e os momentos causados por excentricidades devem ser tidos em conta no cálculo das tensões actuantes num cordão de soldadura. deve ser tida em conta a excentricidade? _____________________________________________________________________ Em geral. que simplificada resulta na seguinte condição τ 1.6) a qual provoca uma tensão de corte na direcção paralela ao eixo do cordãoτ// τ 1.3. as excentricidades devem ser consideradas no dimensionamento dos cordões. é dada por F2 = fSd ( b − e ) 2 b (3. é solicitado pela força F1 dada por F1 = FSd e 2 b (3. // ≤ fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2 (3.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Questão 3.7) Como se trata da única tensão actuante.1: Ligação de Duas Cantoneiras a uma Placa de Gusset Numa ligação soldada entre duas cantoneiras e uma placa de gusset. bem como no dimensionamento dos elementos ligados. No caso de cantoneiras de abas desiguais ligadas pela aba menor. No entanto. a resistência do cordão de soldadura pode ser verificada através da expressão 3. // ≤ F2 a2 ⋅ L 2 (3.5: Cantoneiras ligadas por uma placa de gusset. no cálculo de ligações soldadas entre cantoneiras de abas iguais e placas de gusset é prática corrente na Europa desprezar os esforços causados pelas excentricidades.9) sendo a tensão de corte τ// dada por τ 2. O exemplo seguinte descreve o cálculo da distribuição de forças num cordão de soldadura. designado por cordão 1. O cordão inferior.8) A força F2 no cordão superior (cordão 2). // = F1 a1 ⋅ L1 (3.10) 18 Manual de ligações metálicas . 2 e b 1 F Sd Figura 3.

b) forças perpendiculares.13) Questão 3.2 Figura 3.end. como se ilustra na Figura 3. as diferenças entre os dois métodos são significativas.Rd 3 2 = 1.11) Com base numa análise plana de tensões.end. com uma espessura igual a: a = anom – 2 mm.7a). obtém-se fu ⎛ σw ⎞ ⎛ σw ⎞ ⎜ ⎟ + 3⎜ ⎟ ≤ β w ⋅ γ M2 ⎝ 2⎠ ⎝ 2⎠ 2 2 e σw ≤ fu β w ⋅ γ M2 2 = Fw. 22 (3.3: Dimensionamento de Cordões de Soldadura de Topo com Penetração Parcial Quais os procedimentos recomendados para o dimensionamento de cordões de soldadura de topo com penetração parcial? ___________________________________________________________________________ Os cordões de soldadura com penetração parcial podem ser dimensionados como os cordões de ângulo. 6: Cordões de soldadura solicitados por: a) forças paralelas ao seu eixo. um método exacto e um método simplificado. as tensões calculadas pelo método exacto são obtidas a partir de: σ⊥ = τ⊥ = σw 2 e τ // = 0 (3.7: Espessura efectiva de: a) cordões de soldadura de topo com penetração parcial. Neste caso.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Questão 3. Quais as diferenças entre os dois métodos? ___________________________________________________________________________ Não existe qualquer diferença.12) As diferenças entre os dois métodos são traduzidas pela seguinte relação Fw.Rd = Fw. Manual de ligações metálicas 19 . b) ligações em T.6.1 a) anom anom b) a nom. τ// FSd b) τ// σw FSd Fw. t anom c nom a nom.2: Resistência de um Cordão de Soldadura de Ângulo A EN 1993-1-8 inclui dois métodos para o dimensionamento de cordões de ângulo.Rd (3. Para cordões de soldadura solicitados por forças perpendiculares ao seu eixo.Rd = fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2 a) τ// σ Figura 3. como se ilustra na Figura 3. no caso do cordão de soldadura ser solicitado por forças paralelas ao seu eixo.

4: Dimensionamento de Cordões de Soldadura em Ligações com Resistência Total Quais as recomendações no dimensionamento de cordões de soldadura em ligações com resistência total? ___________________________________________________________________________ τ⊥ σ⊥ t t a) b) τ σw σ FSd τ VSd h Figura 3. No caso ilustrado na Figura 3.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Em ligações em T. 25 (3.14) No caso de penetração parcial (ver Figura 3. 0)t = 0.1 + anom. 7 (235 /1. os cordões de soldadura assumem-se como cordões com penetração total.16) sendo σ = FSd / (t h). 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 0. usando uma análise elástica e considerando aço S235. o dimensionamento é feito com se tratassem de cordões de ângulo com uma espessura efectiva dada por: anom.1 − 2mm a2 = anom.2 − 2mm (3. os cordões de soldadura podem ser dimensionados para resistir às forças aplicadas através da seguinte condição: a > 0.57t ≈ 0.1 + anom.2 < t a1 = anom. a espessura deve ser calculada através da condição: a > 0. 7 σ ⋅t fu / γ M2 (3.17) 20 Manual de ligações metálicas . Para que a soldadura possa suportar uma força superior à resistência das placas de ligação.7b). nos casos em que: anom.2 ≥ t c nom ≤ c nom t 5 ≤ 3mm (3.15) Questão 3. 8: Espessura efectiva de um cordão de soldadura solicitado por: a) forças normais. b) por forças transversais. 6t 360 /1.8.

a espessura pode ser calculada através da seguinte condição a > 0.19) De uma forma análoga.18) Estruturas não contraventadas a > 1. 7 ⋅ 0. 25 (3. 85 = 0. 4 ⋅ 0.20) Manual de ligações metálicas 21 . a espessura deve ser obtida considerando as seguintes condições: Estruturas contraventadas a > 1. 4t fw / γ M2 fu / γ M2 360 /1. 85 = 0. 7 (235 /1. 0 × 3)t ≈ 0. 79t ≈ 0. 7 ⋅ 0. 97t ≈ 1. 25 (3. 0)t = 0. 8t 360 /1. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 1. 7 (235 /1.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Através de uma análise plástica. para cordões de soldadura solicitados segundo uma direcção paralela ao seu eixo. 85 fy /( 3γ M0 ) t τ ⋅t 235 /(1. 4 ⋅ 0. 0)t = 0. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 1. 40t ≅ 0. 25 (3. 0t 360 /1.

1: Tipos de modelação de ligações. as principais características das ligações são a resistência e a capacidade de rotação.rígida Articulada M 2 MRd 3 Resistência total Contínua Semi.plástica φCd φ Figura 4.4 MODELAÇÃO ESTRUTURAL 4.ini MSd Sj.Contínua M MRd Articulada Simples MSd Sj. semi-contínua e simples. O Quadro 4.Estados Limites de Serviço M MRd φ b) Análise Elástica .1 Introdução O comportamento das ligações tem um efeito significativo na resposta das estruturas. Os parâmetros considerados em cada uma destas modelações depende do tipo de análise aplicada à estrutura.Estados Limites Últimos M MRd φCd c) Análise Rígido .Contínua - RESISTÊNCIA Resistência parcial Semi. quer a rigidez quer a resistência devem ser incluídas na modelação da ligação. No caso de uma análise rígido-plástica.1: Determinação das características das ligações baseada no tipo de análise global. Estas possibilidades de análise são ilustradas na Figura 4.ini /η φ a) Análise Elástica . Em todos os outros casos. . Quadro 4. RIGIDEZ Rígida Semi .1 e no Quadro 4.ini d) Análise Elásto . apenas a rigidez das ligações é relevante para a modelação da ligação: a rigidez inicial para a determinação dos Estados Limites de Serviço e cálculos de estabilidade e a rigidez secante aproximada para a determinação dos Estados Limites Últimos. No caso da análise elástica global de pórticos.Contínua Semi.2.1 resume os três tipos de modelação de ligações adoptados pela EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]: modelação contínua.plástica φ Sj.

3. separando ou não. tal pode ser útil em alguns casos. 1999]. ver Figura 4.fc ⋅ r 2 ⋅ t fc = γ M0 (4.1: Cálculo Preliminar de Ligações A EN 1993-1-8 fornece regras para a caracterização do comportamento das ligações viga-pilar de eixo forte. na maior parte das aplicações não seja conveniente modelar o comportamento da ligação e do painel da alma separadamente. ver Quadro 4. MODELAÇÃO Contínua Semi.Contínua Análise elástica Rígida Semi .ini. c) características do painel da alma. Haverá outro método mais simples que possa ser usado no cálculo preliminar? _____________________________________________________________________ Steenhuis desenvolveu um método simplificado para a previsão do comportamento das ligações [Steenhuis. o comportamento do painel de alma do pilar (em ligações viga-pilar) e da ligação. M a M a M b φa T φb M b a) b) c) Figura 4. Embora.2) 24 Manual de ligações metálicas .app ς ⋅ fy. como por exemplo em estruturas mistas.1) O braço da alavanca r é aproximadamente igual à distância entre os centros dos banzos da viga. b) modelo incluindo o painel da alma ao corte. A rigidez pode ser aproximada por S j. O momento resistente da ligação baseia-se na espessura do banzo do pilar tfc.app = E ⋅ r 2 ⋅ t fc ξ (4.2: Modelação da ligação através de molas rotacionais: a) zona nodal. considerado como o elemento mais fraco Mj. Questão 4.rígida TIPO DE ANÁLISE DA ESTRUTURA Análise rígido-plástica Análise elásto-plástica Resistência total Rígida/ Resistência total Resistência parcial Rígida/ Resistência parcial Semi-rígida/ Resistência total Semi-rígida/ Resistência parcial Articulada Articulada Simples Articulada A modelação das ligações pode ser efectuada através de molas rotacionais.2: Modelação de ligações e análise global da estrutura. A estimativa da rigidez e da resistência das ligações é baseada na componente mais fraca. ligações à esquerda e à direita e painel da alma do pilar.Rd.2. incluídas na resposta da ligação.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Quadro 4.

0 5 r ∞ >7 r 7.5 5 r 14 r 6.0 7 r 40 r 5.5 5 r r 20 5 (placa de base) Manual de ligações metálicas 25 .MODELAÇÃO ESTRUTURAL O factor ς pode ser obtido do Quadro 4.5 7 r 6 7 r 8. a espessura do reforço do pilar ts ≈ tfb e o diâmetro dos parafusos d ≥ tfc.3.5 5 r 15 r 11.5 5 r 7 r 3 >7 r 10 r 3 >7 r 35 r 11. Para assegurar que a componente mais fraca é o banzo do pilar. Quadro 4.3: Coeficientes ξ e ς e braço da alavanca r . considera-se a espessura da placa de extremidade tp superior à espessura do banzo do pilar tp ≥ tfc. LIGAÇÃO viga-pilar t fc r M Sd COEFICIENTE LIGAÇÃO viga-pilar. placa de base COEFICIENTE ξ ς ξ ς 13. utilizados para avaliar a rigidez inicial e o momento resistente da ligação e bases de pilares.

Por exemplo. nos quais a verificação do comportamento elástico nos Estados Limites de Serviço faz parte do procedimento normal de cálculo. usando a esbelteza da alma e dos banzos. a resistência dos elementos é baseada numa distribuição plástica das tensões. desde que seja considerada a rigidez de ligação relevante. É baseado na experiência e não num procedimento exacto de análise.2: Utilização da Análise Elástica para a Análise Global de Estruturas É permitido o uso de métodos elásticos na análise global da estrutura.el deve usar-se a rigidez inicial Sj.6 da EN 1993-1-1 [prEN 1993-1-1: 2003]. (Figura 4.ult Mj. A capacidade de rotação das rótulas plásticas nas secções é garantida pela classificação das secções. a distribuição plástica de esforços é utilizada no cálculo das ligações de modo semelhante ao que é efectuado no cálculo de elementos estruturais (Figura 4.ult então. a verificação do comportamento elástico para os Estados Limites de Serviço não é necessária.50)/4)/1.3: Rigidez inicial e rigidez secante de uma ligação. algumas componentes podem limitar a capacidade de rotação da ligação. Para os Estados Limites de Serviço admite-se um comportamento elástico dos elementos. ver Figura 4. Este procedimento é simples e prático.4. A relação de carregamento dos Estados Limites Últimos e Estados Limites de Serviço em estruturas de aço pode ser tipicamente avaliada em ((1x1.18/1. logo.sec φ Figura 4. se se considerar o momento plástico Mj. deve usar-se a rigidez secante Sj.ini na análise. O mesmo procedimento pode ser aplicado às ligações.3). 26 Manual de ligações metálicas . Esta estimativa é conservadora e segura se for considerada a tensão de cedência fy no modelo de cálculo. Este não é o caso dos elementos mistos. Normalmente.35+3x1.46 e a relação entre a resistência plástica e elástica à flexão de secções em I é cerca de 1. 1983b]. a classe mínima da secção deverá ser Classe 2.sec. M Sj. têm sido um dos principais focus de investigação mais recente nesta área. com ligações concebidas por análise plástica? _____________________________________________________________________ A análise global elástica pode ser usada com ligações calculadas plasticamente. A resistência de todos os elementos estruturais e ligações terá de satisfazer os critérios de dimensionamento. O mesmo princípio é aplicado no cálculo de ligações.0 = 1. Nestas condições. obtida através de uma análise global elástica. Os procedimentos de cálculo para avaliação da capacidade de deformação das componentes e da capacidade de rotação das ligações. ver cláusula 5.ini Mj. No entanto.el Sj. A EN 1993-1-8 fornece alguns princípios básicos para a verificação da capacidade de rotação.5a). Esta relação foi observada experimentalmente para outros tipos de ligações.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Questão 4.0 = 1. No entanto. O início do comportamento não-linear de placas de extremidade pode ser estimado a 2/3 do momento plástico de vigas de secção rectangular [Zoetemeijer.18. Na prática. e de forma similar à classificação das partes comprimidas da secção das barras. se a capacidade resistente é baseada no momento elástico de cálculo Mj. Admite-se que os Estados Limites Últimos apenas serão alcançados ocasionalmente.

Rd ≤ Fc. Manual de ligações metálicas 27 .5c).Rd < Ft3.Rd < Ft2. ver Figura 4.exp Mj.Rd ≤ Fc. Neste caso.5b). φ Rotação. M Rotação elástica da viga Rotação última da viga Mb.Rd Ligação de resistência parcial Momento resistente da viga M M Ligação dúctil (Classe 1) Ligação semi-dúctil (Classe 2) Ligação frágil (Classe 3) φ φ M Rotação.d Mj.Rd a) distribuição plástica = Ft1. = Ft1.MODELAÇÃO ESTRUTURAL M Mj.Rd = Ft3.Rd < Ft3.Rd ≤ Fc. As componentes da ligação podem ser dúcteis ou frágeis.ult.Rd = Ft2.Rd c) distribuição elástica z3 z2 z1 Figura 4.pl. Quando a componente frágil é colocada no meio da ligação (parafuso na segunda fiada de parafusos. a ligação deve ser calculada com uma distribuição plástica de esforços (ver a terceira fiada de parafusos na Figura 4. M Ligação de resistência total Momento.el Curva experimental Método das componentes utilizando fu M M φ Método das componentes utilizando fy Sj.ult.3: Critérios de Classificação para Bases de Pilar Porque é que o Documento Normativo EN 1993-1-8 utiliza limites diferentes na classificação de ligações viga-pilar e bases de pilar? _____________________________________________________________________ As ligações podem ser classificadas relativamente à resistência.ini φ Cd φ Figura 4. Em engenharia é recomendado sobredimensionar as componentes frágeis para aumentar a capacidade de deformação da ligação e consequentemente a segurança da estrutura. φ Figura 4. É usada uma distribuição elástica quando a componente frágil limita a resistência da ligação. rigidez e capacidade de rotação (ver Figura 4. as componentes inferiores devem estar em regime elástico. por exemplo). Momento.6).6: Classificação das ligações baseada na resistência e na capacidade de rotação.Rd Mj.5: Distribuição dos esforços internos na ligação com placa de extremidade.4: Avaliação do comportamento da ligação.Rd = Ft2. Questão 4.Rd b) distribuição elasto-plástica = Ft1.

7: Classificação das ligações viga-pilar baseado na rigidez à rotação. têm sido propostos limites entre ligações rígidas e semi-rígidas.8. 36 .2 0 Ligações semi-rígidas S j.b = 8 φ= E. As ligações articuladas são caracterizadas por uma fraca rigidez (Sj. ver Figura 4.ini. estimada em 30 E Ic / Lc é deduzida para um erro máximo da solução inferior a 10%. A rigidez limite. A rigidez mínima da base do pilar depende da esbelteza relativa do pilar: para para para λ ≤ 0. Seguindo o procedimento supracitado.MODELAÇÃO ESTRUTURAL A fronteira de rigidez entre ligações rígidas e semi-rígidas baseia-se na precisão de cálculo necessária à verificação dos esforços nos elementos e ligações. 93 3.ini ≥ 0 S j.Rd S j.4) (4.Ib. A rigidez limite 12 E Ic / Lc pode ser usada em pórticos não-contraventados com pilares de esbelteza inferior a λ = 1.5) O limite (4. estes valores são função da rigidez à flexão da viga associada. Assume-se que as ligações são rígidas se a carga crítica não for inferior a 97.Rd 0. Esta rigidez é o limite para ligações rígidas e todas as ligações com rigidez superior podem ser modeladas como rígidas. A necessidade de verificação dos deslocamentos nos Estados Limites de Serviço é a razão para a existência de limites diferentes em pórticos não contraventados (Sj.5). Por razões práticas. 93 ≤ λ o limite é o limite é o limite é S j. que modifica os esforços internos dentro dos limites de precisão requerida.9. ver Figura 4.pl. Jaspart.pl.b = 8).5% do valor da carga crítica com ligações totalmente rígidas. Cálculos semelhantes foram realizados em pórticos com bases de pilares semi-rígidas [Wald.u =25 M b= Mb Mb.5 Ligações articuladas φ Figura 4. Os limites de pórticos contraventados são deduzidos dos deslocamentos horizontais.p = 0.ini.φ Lb. fraca resistência à flexão e grande capacidade de rotação ( φCd = 60mrad ). M b Ligações 1. ver Figura 4.6 0.3) (4.4 0.p = 0. Este valor baseia-se em estudos numéricos realizados num pórtico com uma viga muito flexível.ini. os limites para ligações viga-pilar introduzidos nos regulamentos são valores conservativos. Neste caso recomenda-se comparar a rigidez da base de pilar com a rigidez à flexão do pilar. 5 0.5) é uma aproximação conservativa e pode ser usado em todos os pilares.ini.ini.Mb.8 0.5 ≤ λ ≤ 3.ini ≥ 48E Ic Lc Ic Lc (4.0 rígidas S j. Por simplicidade.7.ini. 1999].ini ≥ 7 ( 2λ − 1) E S j.u = 25) e contraventados (Sj. Pode-se avaliar a rigidez mínima da ligação num pórtico. 28 Manual de ligações metálicas .

é necessário ter em conta.8: Avaliação da resistência de um pilar baseada na rigidez à flexão do apoio inferior.) à alma de uma secção aberta pode ser omitida. Questão 4.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Rigidez relativa da placa de base 60 50 40 30 20 10 0 0 2 Sj.002 0. etc. Caso actuem forças muito reduzidas. Apenas a excentricidade de uma ligação viga-pilar aparafusada (placa de extremidade. com a resistência da viga/pilar? _____________________________________________________________________ As ligações estruturais devem ser calculadas para transmitir esforços acidentais e nominais. a excentricidade da ligação ao banzo do pilar.4: Cálculo de Ligações Solicitadas por Esforços Reduzidos Se a ligação for solicitada por esforços muito reduzidos. comparado. será necessário calculá-la para um certo nível (razoável) de esforços.n = 30EIc/Lc λo = 1.Rd 1.ini.9: Classificação de bases de pilar baseada na rigidez à flexão.2 0 0 Sj.5: Modelação da Excentricidade da Ligação no Cálculo de Pórticos Os pórticos são normalmente modelados por linhas ligando os centros de gravidade das secções.10.01 0. pode ser avaliado pela interacção entre esforço axial e momento flector (a encurvadura do pilar é desprezada): Manual de ligações metálicas 29 . cantoneiras de alma. o pilar pode ser considerado como axialmente carregado (ver Figura 4. Questão 4. na análise global. Momento relativo Mj/Mpl. O erro na omissão da excentricidade e da flexão em torno do eixo fraco é relativamente elevado.s = 12EIc/Lc Base do pilar semi-rígida Base do pilar rotulada 0.10)? ___________________________________________________________________________ No caso da Figura 4.Rd Figura 4.pl.36 ⎯ φ= EIcφ LcMc. Os esforços a considerar dependem do tipo de ligação.4 0.ini.c.6 0. por exemplo. a integridade da estrutura e os esforços na montagem devem ser tidos em consideração. λ Figura 4.ini E Ic / Lc Curva simplificada Curva real 4 6 8 10 Esbelteza relativa do pilar.8 0.c.0 0. Se a ligação for considerada como articulada.003 φ (rad) Base do pilar rígida Sj.

NSd N ⋅e + Sd ≤1 Npl.y ⋅ fy / γ M0 = 642.Rd (4.9) A resistência ao esforço axial diminui para 828.8) A resistência ao esforço axial diminui para 1561kN com a excentricidade e = 4.1 ⋅ 106 Nmm (4. c) e alma.4*103 N para uma excentricidade de e = 100 mm.MODELAÇÃO ESTRUTURAL HE 200 B e = 100 mm a) b) FSd c) 9 HE 200 B e = 4. O erro na omissão da flexão em torno do eixo forte pode ser avaliado pelo momento de cálculo do pilar: Mpl. 0 ⋅ 106 Nmm (4.7) e a resistência do pilar ao momento flector é Mpl. 3 ⋅ 103 ⋅ 235 /1.z ⋅ fy / γ M0 = 200. 0 = 1835 ⋅ 103 N (4. 0 = 47. b) vigas ligadas ao banzo.5 mm.10: a) Exemplo de excentricidade da carga no pilar. 0 = 151.Rd = A ⋅ fy / γ M0 = 7808 ⋅ 235 /1.Rd = Wpl.Rd = Wpl.Rd Mpl.z.y. d) por placas de extremidade.5 ⋅ 103 ⋅ 235 /1.5 mm FSd d) Figura 4. 30 Manual de ligações metálicas .6) A resistência do pilar ao esforço axial é Npl.

Isto quer dizer que as ligações viga-pilar de um pórtico metálico. . é normalmente suficiente para permitir a montagem sem a necessidade de contraventamentos temporários.26°) quando solicitada pela carga máxima de cálculo. O método usual para o conseguir é assegurar que a ligação se prolongue pelo menos 10mm para além da extremidade da viga.5 LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. Esta definição sublinha o cálculo global estrutura. devem ser capazes de transferir uma força horizontal de tracção. Quando a viga roda. As estruturas devem ter um mínimo de robustez para resistir às cargas acidentais. Em teoria. rígido-plástico ou elásto-plástico. por forma a preservar a integridade da estrutura e impedir o colapso progressivo. pode originar uma rotação de 0. é conveniente evitar que o banzo inferior da viga encoste ao banzo do pilar. esta rotação não deve prejudicar a resistência da ligação ao corte e à tracção. na prática. Ao mesmo tempo. Um método para o conseguir é ligar todos os elementos principais da estrutura. na prática.0m de vão.022rad (1. e de modo a prevenir grandes esforços na ligação. Para verificar as hipóteses de cálculo. que resulta da falta de ligação entre os principais elementos da estrutura. no caso de um acidente. As ligações simples são definidas como as ligações que transmitem apenas esforço transverso e têm uma resistência à rotação desprezável. e portanto não transferem momentos significativos nos Estados Limites Últimos.1 Introdução As ligações são classificadas de acordo com o método de análise global e o tipo de modelo da ligação. uma viga simplesmente apoiada com 457mm de altura e 6. Placas de gousset. Emendas de pilares. Consideram-se • • • • as seguintes formas de ligações simples: Dupla cantoneira de alma. Este capítulo diz respeito ao cálculo de ligações simples no qual o método de análise global pode ser elástico. por forma a preservar a integridade estrutural (ver 5. No entanto. as ligações devem ter um grau de fixação. Placas de extremidade flexíveis. esta rotação será consideravelmente menor pela restrição oferecida pela ligação. no qual as vigas são calculadas como simplesmente apoiadas e os pilares são calculados para o esforço axial actuante e pequenos momentos introduzidos pelas reacções na extremidade das vigas. as ligações simples devem permitir uma rotação adequada da extremidade da viga à medida que esta flecte e ocupa as folgas usuais.2). 5. o qual embora não tido em conta no cálculo.2 Integridade Estrutural O colapso parcial de Ronan Point no Reino Unido em 1968 alertou a indústria da construção para o problema do colapso progressivo.

Os parafusos que ligam as cantoneiras à face do pilar devem ser dimensionados para o esforço transverso apenas. realizadas pela aplicação de cantoneiras. as cantoneiras de pilar raramente são críticas e o cálculo é quase sempre determinado pelos parafusos que solicitam a alma da viga. 5.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. em grande parte. Na prática. A recomendada nesta publicação assume que a linha de acção do esforço transverso entre a viga e o pilar actua na face do pilar. As fórmulas relevantes podem ser encontradas na bibliografia. o grupo de parafusos que liga as cantoneiras à alma da viga deve ser dimensionado para o esforço transverso.4 5. Usando este modelo. Normalmente as cantoneiras são usadas aos pares. Para aumentar a capacidade de rotação. aparafusadas por cantoneiras de alma em torno dos eixos de maior e menor inércia do pilar. 32 Manual de ligações metálicas . em termos do tipo e natureza da fixação e tipos de ligações. a viga com as cantoneiras ligadas é descida entre os banzos do pilar.4.1 apresentam-se ligações típicas. Esta secção diz respeito aos princípios gerais aplicáveis a todos os tipos de ligações simples.1: Ligações típicas em torno do eixo de maior e menor inércia. não alterando a resistência ao corte da viga. pilar de suporte viga suportada pilar de suporte viga suportada Figura 5. a espessura da cantoneira deve ser reduzida ao mínimo e a distância entre parafusos deve ser tão grande quanto possível. placas de extremidade flexíveis e placas de gousset. Na ligação em torno do eixo de menor inércia do pilar pode ser necessário cortar os banzos da viga. A prática corrente.3 Métodos de Cálculo O cálculo de ligações simples é baseado nos princípios e procedimentos adoptados pela EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]. É suficiente utilizar uma análise simples de equilíbrio para o cálculo deste tipo de ligação. determinada pela capacidade de deformação das cantoneiras e pelo escorregamento entre as partes ligadas. Durante a montagem.1 Ligações Viga-pilar Dupla Cantoneira de Alma Na Figura 5. Nos itens seguintes descrevem-se os métodos de cálculo para cantoneiras. e para o momento produzido pelo esforço transverso na extremidade multiplicado pela excentricidade do grupo de parafusos relativamente à face do pilar. varia entre os países membros da Comunidade. Estes tipos de ligações são comuns porque permitem pequenos ajustamentos quando se usam parafusos não pré-esforçados em furos com folgas de 2mm. A capacidade de rotação desta ligação é.

2: Ligações típicas viga-pilar em torno dos eixos de maior e menor inércia. realizadas pela aplicação de placas de extremidade flexíveis. mas não é necessário soldar a placa de extremidade aos banzos da viga.2 apresenta ligações típicas em torno dos eixos de maior e menor inércia.2 Cantoneira de Alma Simples Normalmente. uma placa de 8mm de espessura combinada com uma distância de 90mm entre centros de parafusos. 5. em obra. que é soldada à alma ou banzo do pilar. Em vigas com mais de 500mm de altura e até 10mm de espessura de placa combinada com 140mm de distância entre o centro dos parafusos.4 Placa de Gousset Seguindo a prática australiana e americana. pilar de suporte Viga suportada pilar de suporte Viga suportada Figura 5. mas tem a desvantagem de não ter espaço para ajustamentos em obra. com furos previamente realizados. é frequentemente usada em vigas até cerca de 450mm de altura. ou quando a acessibilidade exclui o uso de ligações por dupla cantoneira ou placa de extremidade. Estas ligações consistem numa placa soldada à extremidade da viga e aparafusada. um dos desenvolvimento mais recente tem sido a introdução de ligações por placas de gousset. é usada para transferir as reacções na extremidade da viga. Este tipo de ligação não é desejável do ponto de vista do construtor pela tendência da viga a rodar durante a montagem. como por exemplo. É necessário que o comprimento total da viga esteja dentro de limites apertados. a viga deve ser verificada e. Manual de ligações metálicas 33 . A Figura 5.4. assegurando assim um ajustamento fácil. ao pilar ou viga de suporte. Estas ligações compreendem uma única placa.3 Placa de Extremidade Flexível A Figura 5.3 mostra uma ligação típica por placa de gousset. por vezes. Esta ligação é relativamente barata.4. A placa de extremidade é frequentemente prolongada até à altura total da viga. 5. a placa de extremidade é soldada aos banzos da viga para melhorar a estabilidade do pórtico durante a montagem e evitar a necessidade de contraventamento temporário. Os parafusos que ligam a cantoneira ao pilar devem ser verificados ao momento produzido pelo esforço transverso multiplicado pela distância entre os parafusos e o eixo da viga. No entanto.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. Este tipo de ligação consegue a sua flexibilidade pelo uso de placas relativamente finas combinadas com grandes distâncias entre parafusos. as soldaduras entre a placa de extremidade e a alma da viga não devem ser o elo mais fraco. por causa da falta de ductilidade. Apresenta uma folga entre a extremidade da viga suportada e a viga ou pilar de suporte. Deve-se ter cuidado com o uso deste tipo de ligação em áreas onde a tracção é elevada. embora possa ser usada uma placa para compensar as tolerâncias de fabrico e montagem. as cantoneiras de alma simples são usadas apenas em pequenas ligações.4. em torno dos eixos de maior e menor inércia de um pilar. Este tipo de ligação é económica e de montagem simples.

4. realçam-se alguns itens adicionais que devem ser considerados no cálculo e na utilização das ligações viga-viga.3: Ligações típicas em torno dos eixos de maior e menor inércia. Viga principal Viga secundária Viga principal Viga secundária Figura 5. tomado como o produto do esforço do corte vertical com a distância entre a face do pilar e o centro do grupo de parafusos. pela distorção devida ao esmagamento dos furos e por flexão da placa de gousset fora do seu plano. Em vigas que não são apoiadas lateralmente.4. que está em compressão. Nas secções seguintes. Os ensaios mostraram também que as placas de gousset longas têm a tendência para rodar e atingir a ruína por instabilidade lateral. 34 Manual de ligações metálicas . o banzo da viga secundária é cortado e a alma deve ser verificada tendo em conta o efeito do entalhe. As ligações por placas de gousset conseguem a sua capacidade de rotação por deformação dos parafusos ao corte. O extremidade da alma cortada. 5. Por esta razão todas as secções críticas devem ser verificadas para o mínimo de momento.3 e 5. realizadas por placas de gousset.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Tem sido feito um esforço considerável de modo a identificar a linha de acção apropriada para o esforço de corte. Pilar de suporte Viga suportada Pilar de suporte Viga suportada Figura 5.4 mostra ligações típicas viga-viga aparafusadas por cantoneiras de alma em vigas com entalhe simples ou duplo. Os comentários dados nas secções 5.4. 5.4: Ligações viga-viga com entalhe simples e duplo.5 Ligações Viga-viga Há três formas de ligação viga-viga: dupla cantoneiras de alma.1. A validação desta e outras hipóteses de cálculo foram efectuadas com uma série de ensaios de ligações por placas de gousset. relativamente à encurvadura lateral. Quando os banzos superiores das vigas estão ao mesmo nível.4. 5. Há duas possibilidades. placas de extremidade flexíveis e placas de gousset. em conjunto com o esforço de corte. é necessário um estudo pormenorizado da estabilidade global da viga com entalhes. o esforço de corte actua na face do pilar ou actua no centro do grupo de parafusos que ligam a placa de gousset à alma da viga. Os resultados destes testes concluíram que o método de cálculo era conservativo e dava resultados adequados da resistência.4 também se podem aplicar às correspondentes ligações viga-viga.5.1 Dupla Cantoneira de Alma A Figura 5. como no caso da ligação da Figura 5. deve ser verificada à instabilidade local da alma não restringida.

desde que a placa de extremidade seja relativamente fina e a distância entre parafusos seja grande. haverá capacidade de rotação adequada mesmo com uma placa de extremidade espessa. 5.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO O uso de cantoneiras pode tornar-se complexo quando se ligam vigas de diferentes tamanhos.6b). a placa de extremidade considera-se suficientemente flexível para ser classificada como ligação simples.6: Ligação viga-viga por placa de gousset: a) placa de gousset longa. Em alternativa. 5. Se ambas as vigas têm altura semelhante ambos os banzos são cortados. a capacidade de rotação deve ser conseguida pela própria ligação.5: Ligação típica viga-viga com placa de extremidade flexível. Os comentários na secção 5.6 mostra ligações típicas por placa de gousset aparafusada.5 ilustra ligações típicas viga-viga com placa de extremidade flexível.3 Placa de Gousset A Figura 5. por exemplo.5. Uma outra consideração é a torção induzida quando as placas de gousset são ligadas a um dos lados da alma da viga apoiada. Tal como a ligação por cantoneiras duplas. No entanto. Nestes casos. numa ligação dos dois lados. ou uma viga cortada como mostra a Figura 5.4 sobre placas de gousset viga-pilar aplicam-se também às placas de gousset viga-viga.2 Placa de Extremidade Flexível A Figura 5. Na prática. Manual de ligações metálicas 35 . Para além disso este tipo de ligação implica uma placa de gousset longa como se mostra na Figura 5.6a). a cantoneira da viga maior pode ser prolongada e os parafusos colocados por baixo da base da viga menor. se o comprimento dos cortes excede certos limites. as placas de extremidade espessas de altura total podem provocar sobretensões nos parafusos e nas soldaduras. o banzo superior da viga secundária é cortado para ajustar à alma da viga principal. b) placa de gousset curta com vigas com entalhe. a placa de extremidade tem frequentemente a altura total da viga cortada e é soldada ao nível do banzo inferior.4. Neste caso é necessário cortar o banzo inferior da viga menor para impedir a obstrução dos parafusos. Nestes casos. O projectista deve escolher entre capacidade reduzida de uma placa de gousset longa e a capacidade reduzida de uma viga cortada. Nos casos em que a viga principal não é livre de rodar. a) b) Figura 5. a alma não apoiada e a viga devem ser verificadas à instabilidade lateral. Viga principal Viga secundária Figura 5. os estudos experimentais têm mostrado que nestes casos os momentos torsores são reduzidos e podem ser desprezados. Se a viga principal é livre de rodar. Este procedimento torna a ligação relativamente mais rígida que a placa de extremidade parcial mas.5.

6 Emenda de Pilares Esta secção apresenta regras de cálculo para emendas de pilares em edifícios contraventados de vários andares.1 Extremidades Preparadas para Contacto A Figura 5. 5. Nos três casos a emenda é construída com placas cobrejunta. e são usadas chapas para compensar as diferenças de espessura da alma e do banzo. as barras devem estar posicionados de forma a que os centros de gravidade do material de emenda coincida com os centros de gravidade das secções dos pilares. considera-se que as forças do vento nas paredes externas dos edifícios actuam 36 Manual de ligações metálicas . as emendas de pilares devem suportar os perfis alinhados. os esforços horizontais de corte que resultam da variação de momento no pilar são absorvidos pelo atrito nas superfícies de contacto entre as dois pilares e pelas placas cobrejuntas da alma. Geralmente. e aquelas nas quais as extremidades dos perfis não estão preparadas para esse contacto. A sua colocação no interior tem a vantagem de reduzir a altura total do pilar.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. ou se se assumiu um grau de encastramento ou continuidade no cálculo do comprimento efectivo do pilar. Contudo. No entanto não é necessário conseguir um ajustamento perfeito sobre toda a área do pilar. o momento adicional que foi introduzido pela acção de escoramento deve ser tido em consideração. c) pilares com secções diferentes. aquelas nas quais as extremidades dos perfis são preparadas para o contacto. Neste tipo de edifícios. Cada emenda deve ser dimensionada para suportar os esforços axiais. Nesta secção consideram-se dois tipos de emendas.6. As placas cobrejunta do banzo podem ser colocadas na parte exterior ou na parte interior. As extremidades cortadas com serra são suficientemente lisas e plana para contacto e não é necessária maquinação.7: Emendas de pilares com extremidades preparadas para contacto: a. Normalmente. acima e abaixo da emenda. e o pilar é concebido como rotulado nesse ponto. Se uma ligação é posicionada próximo do ponto de contraventamento lateral (digamos dentro de 500mm acima do piso). Em qualquer caso. a emenda pode ser dimensionada para a carga axial e quaisquer momentos aplicados. a tensão (se existir) resultante da presença de momentos flectores e os esforços de corte horizontais. e sempre que possível. se a emenda é posicionada longe do ponto de contraventamento lateral (isto é. uma vez que após a montagem as extremidades do pilar vão-se ajustando à medida que as sucessivas cargas permanentes actuam na estrutura. a mais de 500mm acima do piso). As placas cobrejunta asseguram a continuidade da rigidez e são dimensionadas para resistir à tracção provocada por momentos flectores elevados para se sobreporem aos esforços de compressão no pilar. b) pilares com secções semelhantes.7 mostra pormenores típicos de emendas de pilares preparadas para o contacto. nestes casos o esforço de compressão é transmitido por contacto. Em geral estão submetidas ao esforço axial de compressão e momentos que resultam das reacções nas extremidades das vigas. placas placas placas (se necessário) placa de separação a) b) c) Figura 5. as emendas de pilares são necessárias para assegurar continuidade da rigidez e resistência em torno dos dois eixos do pilar. As extremidades dos pilares são frequentemente preparadas para contacto.

2 Extremidades não Preparadas para Contacto A Figura 5.8: Emendas de pilares com extremidades não preparadas para contacto. Normalmente. enquanto que o momento flector é suportado pelas placas cobrejunta de banzo. 8. Questão 5.8 e aço S235: A resistência ao esmagamento de um só parafuso é dada pela seguinte expressão: Fb.1: Resistência dos Parafusos ao Esmagamento: Tolerâncias Permitidas Na Figura T.8 apresenta pormenores típicos de emendas de pilares não preparadas para contacto. 2 ⋅ 13 = 15. 2d0 = 1. 1) Manual de ligações metálicas 37 .LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO ao nível do piso e raramente as emendas de pilares transmitem esforço horizontal de corte devido à acção do vento.5 da EN 1090-1 [EN 1090-1: 1996] é permitida uma tolerância de Δ = ±5 mm para o posicionamento de um grupo de furos.Rd = k 1 ⋅ α b ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 • Resistência ao esmagamento. Quando se ligam pilares de diferentes tamanhos são necessárias várias chapas para compensar a variação de dimensões. 5.5. Esta variação deverá ser tida em conta no cálculo da resistência ao esmagamento do grupo de parafusos? Por exemplo. para parafusos M12. Neste tipo de emendas os esforços são totalmente suportados pelas placas cobrejunta e nenhuma carga é transferida por contacto directo. 6mm (5.6. o esforço axial no pilar é partilhado entre o banzo e a placa cobrejunta de alma proporcionalmente às suas dimensões. assumindo Δ = ±0 mm d = 12mm d0 = 13mm e1 = e2 = 1. Neste caso a emenda é construída com placas cobrejunta de alma e banzo e se necessário usam-se chapas para compensar as diferenças de espessura das almas e banzos. Ambas as figuras mostram que o pilar acima e abaixo da emenda têm tamanhos semelhantes. placas placas (se necessário) Placa no exterior do banzo Placa no interior do banzo Figura 5.

3 da EN 1993-1-8. devido à tolerância permitida. 7 = − 1.5 ⎩ (5. assumindo Δ = -5mm d = 12mm d0 = 13mm e1 = 1. 27 ⎪ 0 ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. Dados: L 50 × 5 A = 480mm2 t = 5mm d0 = 14mm e2 = 25mm fu = 510MPa De acordo com a cláusula 3. 8 ⋅ 15. 66 ⎪ 13 k1 menor de ⎨ d0 ⎪ 2. 3) Comparado com o primeiro exemplo. 7 = 1.5 ⎩ (5. 8e2 − 1. 2 ⋅ 13 − 5 = 10. 6 ⎧ e1 ⎪ 3d = 3 ⋅ 13 = 0. 7 = 1. 6mm Considera-se que existe deslocamento apenas na direcção da força. no segundo obtém-se uma resistência 32% inferior. 8e2 − 1. 40 ⎪ 0 ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. deverá ser tida em conta a redução da distância ao bordo? _____________________________________________________________________ Normalmente as tolerâncias não são tidas em conta no cálculo da ligação.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 15.2: Cantoneira Ligada por Um ou Dois Parafusos Como é possível que a resistência à tracção da secção útil de uma cantoneira com um parafuso seja superior à da cantoneira com dois parafusos? Ver o exemplo a seguir. 66 ⎪ 13 k1 menor de ⎨ d0 ⎪ 2. 7 = − 1.10. Questão 5. 2 360 ⎪ fu ⎩ 2. 6 ⎧ 2. 2d0 − 5 = 1. 6 ⎧ 2. logo e2 = 15. 8 ⋅ 15. 2) Resistência ao esmagamento. verificamos a resistência à tracção da secção útil: 38 Manual de ligações metálicas . Assume-se que as tolerâncias são pequenas em comparação com as distâncias ao bordo e que a redução da resistência é pequena e pode ser integrada no factor de segurança parcial. 6 ⎧ e1 ⎪ 3d = 3 ⋅ 13 = 0.6mm 10. No cálculo da resistência da ligação. 2 360 ⎪ fu ⎩ 2.

50 d (para aço S275) • todas as distâncias ao bordos da placa e alma da viga são iguais ou superiores a 2d.Rd = A eff = β 2 A net = β 2 ( A − d0 t ) = 0.Rd = A eff fu γ M2 = 180 ⋅ 510 = 73440N 1. 25 L 50 × 5. dois parafusos 14 5 L 50 × 5. Manual de ligações metálicas 39 .3: Capacidade de Rotação Como é que as ligações simples conseguem a sua capacidade de rotação? _____________________________________________________________________ A ductilidade das ligações por cantoneiras deve-se à espessura reduzida das cantoneiras (normalmente 8mm ou 10mm de espessura). 5) γ M2 = 164 ⋅ 510 = 66912N 1. Do mesmo modo é usual utilizar placas de extremidade relativamente delgadas (8mm ou 10mm) e afastamentos de 90mm ou 140mm entre os parafusos. 4 Nu. Esta rotura é normalmente conseguida pela adopção da seguinte pormenorização: • a espessura da placa de gousset ou da alma da viga é: ≤ 0.5d0 ) t = 2 ( 25 − 7 ) 5 = 180mm2 Nu. A razão deve-se. • a base do comprimento do cordão de soldadura tem pelo menos 0. provavelmente. 4) Para dois parafusos: β 2 = 0. aos momentos adicionais que são atraídos pela ligação com mais de um parafuso. • usam-se parafusos 8. um parafuso 50 14 5 50 1. e ao afastamento dos parafusos no elemento de suporte (normalmente 100mm + a espessura da alma da viga). Para obter a ductilidade necessária numa placa de gousset deve-se assegurar que a rotura se verifica na placa de gousset ou na alma da viga. 25 (5. para assegurar que uma ligação por placa de extremidade consiga a flexibilidade e ductilidade adequada para ser classificada como “ligação simples”. não pré-esforçados em furos com folga.8 vezes a espessura da placa de gousset. Estes ensaios mostraram que a resistência de uma cantoneira ligada por um só parafuso é maior que uma cantoneira ligada por dois ou mais parafusos.5 d0 1.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Para um parafuso: A eff = 2 ( e2 − 0.5 d0 2.8.42 d (para aço S355) ≤ 0.5 d0 ___________________________________________________________________________ Foram realizados vários ensaios em cantoneiras ligadas por um ou dois parafusos. 4 ( 480 − 14 ⋅ 5 ) = 164mm2 A eff fu (5. Questão 5.

ou próximo do centro dos furos e as outras duas localizam-se no ângulo da cantoneira. esta metodologia baseia-se numa análise de grandes deslocamentos das cantoneiras à tracção. De um modo geral. mas apenas se houver rotação nas rótulas junto às soldaduras. o deslocamento δ define a geometria deformada das cantoneiras). realizaram-se vários estudos experimentais [SCI Recomendation. se a ligação não suportar grandes forças de tracção. a resistência à tracção de uma ligação por cantoneiras de alma é adequada.9: Dupla cantoneira de alma à tracção.4: Integridade Estrutural Que método deverá ser usado para determinar a resistência à tracção de ligações simples? E qual é o fundamento deste método? _____________________________________________________________________ O Steel Construction Institute [SCI Recomendation. utilizando a representação deformada apresentada na Figura 5.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 5. Em ambos os casos deve-se considerar o aumento da rigidez à rotação da ligação. • Estes deslocamentos reduzem as excentricidades nas cantoneiras de alma. A comparação entre os resultados analíticos e experimentais mostrou que o método fornece uma margem de segurança adequada. 2002] especifica uma metodologia para o cálculo da resistência à tracção de ligações de dupla cantoneira e ligações por placas de extremidade flexíveis. Duas localizam-se na ligação. Estas regiões podem ter sofrido alguma fragilização devido ao arrefecimento rápido após a soldadura. pode ser conseguida uma resistência adicional aumentando a espessura da cantoneira e/ou reduzindo a distância entre parafusos. Do mesmo modo. As principais características desta metodologia são: • A amplitude potencial do deslocamento δ (ignorando os efeitos de segunda ordem.10.9. tracção e momento. As características deste método são: • Podem surgir deformações consideráveis. Excentricidade Força de tracção Secções críticas δ Figura 5. 2002]. A deformada da placa de extremidade é apresentada na Figura 5. o método para as ligações por placas de extremidade flexíveis é baseado numa análise de grandes deslocamentos da placa de extremidade à tracção. De modo a validar esta metodologia. 40 Manual de ligações metálicas . • Há quatro secções críticas em cada cantoneira que estão sujeitas a fortes deformações plásticas sob a acção simultânea de corte. Para as ligações por dupla cantoneira. No entanto. devido à sua capacidade para acomodar grandes deformações antes da rotura. Parte da força de tracção é suportada por tracção nas abas das cantoneiras.

as forças de alavanca nos parafusos são normalmente superiores às que se obtêm nos métodos mais tradicionais. o modo crítico de rotura será a resistência à tracção da placa de extremidade. Por isso se apresenta uma verificação simples para ambas as ligações. assinaladas na Figura 5. Embora a relação entre a resistência experimental PE e a resistência calculada PC tenha variado consideravelmente. dado que a análise depende de grandes deformações. Em ligações de pilares em I. foi realizado um estudo experimental para verificar este método [Jarrett. O motivo para esta variabilidade não é claro. • Há quatro secções críticas na placa. A resistência à tracção duma placa de extremidade é geralmente inferior à da ligação por cantoneira de alma ou placa de gousset. basta ser considerada a acção do momento (a interacção momento/esforço transverso existe mas não é necessário considerá-la pois o esforço transverso actuante é uma pequena parte da sua resistência ao corte). deve-se aumentar a espessura da placa ou reduzir a distância entre parafusos. que assegura que a tensão de tracção nominal de um parafuso 8. 1990]. δ Momento último da placa desenvolvido na raíz do cordão de soldadura e nas extremidades do furo Força de tracção Figura 5.8 não excede 300 MPa. este efeito de membrana é ignorado. Em ambos os métodos. mas pode ser devido ao efeito de membrana variável e não quantificado. Para aumentar a resistência. Manual de ligações metálicas 41 . os ensaios provaram que o método é conservativo. De um modo geral. Dado que o efeito de membrana é desprezado.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO • Estes deslocamentos reduzem as excentricidades dentro da ligação mas. Esta restrição de membrana surge apenas se a placa de extremidade for aparafusada a uma placa ou banzo maior.10 por Ο. produzem um efeito de membrana. Uma vez mais.10: Placa de extremidade à tracção.

permitiram a previsão das principais propriedades das ligações: momento resistente Mj.1: Exemplo de trajectória de forças em ligações metálicas [Owens et al. rigidez de rotação Sj.. Ao longo dos anos. reforços. 1989]. para condições de tensão residual e configurações geométricas complexas.1 Método das Componentes As dificuldades descritas levaram ao desenvolvimento de processos alternativos para a análise de ligações. o establecimento de critérios de rotura e a calibração com base nos resultados contidos nas bases de dados.Rd. e devido à sua complexidade.1 é possível identificar trajectórias distintas para as forças de tracção. São necessárias considerações apropriadas para uma multiplicidade de fenómenos desde a não-linearidade material (plasticidade.1 Introdução O comportamento deste tipo de ligações caracteriza-se por uma curva não-linear momento-rotação. o contacto não-linear e escorregamento.1. A identificação das várias componentes que constituem uma ligação com transmissão de momento (placa de extremidade. corte e compressão. tem sido efectuados numerosos ensaios de diversas configurações de ligações. 1998]. cordões de soldadura. Observando a Figura 6. permitindo dividir a N Fc M/2 dc Fc Fb N N db N M dc Fc M/2 N Fc Fb Figura 6.) dá-nos uma ideia da complexidade que constitui a análise do seu comportamento. e capacidade de rotação φCd.6 LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 6. parafusos.. até à não-linearidade geométrica (instabilidade local)... A aplicação de métodos de avaliação estatística.. No entanto. A utilização de métodos numéricos com elementos finitos de comportamento não-linear permitem endereçar todos os fenómenos presentes numa ligação. O comportamento destas ligações pode ser obtido por via experimental ou através de modelos (analíticos ou numéricos) desenvolvidos com base na geometria e nas propriedades mecânicas da ligação. que aliassem um maior rigor e simplicidade de análise. cujos resultados estão reproduzidos em bases de dados de ligações [Cruz et al. 6. . patamar de cedência). são morosos no cálculo dos modelos e muito sensíveis às opções de análise e modelação.

2 Banzo do pilar à flexão Mj Mj Parafusos à tracção Alma e banzo da viga à compressão 8 1 2 7 Alma da viga à tracção Parafusos à tracção Figura 6. a estimativa da rigidez de uma ligação. cuja origem se deve a Zoetemeijer [Zoetemeijer. O modelo simplificado adoptado na EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] é constituído por barras rígidas e por molas (componente). Este método permite aliar às soluções tradicionais a verificação da compatibilidade de deformações. associadas em série ou em paralelo. • Zona de corte. compreende três etapas: • enumeração das componentes activas numa ligação. a rigidez de rotação Sj de uma ligação é obtida pela combinação das rigidezes das diversas molas que contribuem para a deformabilidade da ligação. 1974] corresponde a um modelo simplificado. A aplicação deste método. • caracterização do comportamento de cada uma dessas componentes. com base na distribuição de forças internas. • Zona comprimida. compressão ou corte. • assemblagem das várias componentes para caracterização do comportamento global da ligação.1 5.2 5.1 10.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO ligação e estabelecer analogias com componentes mais simples e mais fáceis de analisar.. Deste modo.2: Zonas críticas de uma ligação viga-pilar. 1995]. que se traduz na discretização da ligação metálica nas suas componentes básicas que reproduzem. De acordo com a EN 1993-1-8.3: Método das componentes aplicado a uma ligação viga – pilar.2): • Zona traccionada. dependente do tipo de carregamento.2 8. O método das componentes. tal como se ilustra na Figura 6. Zona traccionada Zona de corte Zona comprimida Figura 6. identifica a contribuição de uma ou mais propriedades estruturais. Alma do pilar ao corte 3. conduzindo a: 44 Manual de ligações metálicas . além da geometria da ligação o comportamento das suas partes: resistência e a deformabilidade.2 10. representando estas últimas uma parte específica da ligação que. As componentes podem ser solicitadas por tracção.1 φ Alma do pilar à compressão Banzo da viga à compressão 3. a caracterização do comportamento de uma ligação pode ser efectuada através da associação das propriedades das suas zonas críticas (Figura 6.1 4.2 4.3 para uma ligação viga-pilar com placa de extremidade estendida e duas fiadas de parafusos à tracção [Weynand et al. e consequentemente.

. 1998]. não existindo.. banzo do pilar à flexão. A EN 1993-1-8 fornece alguns princípios básicos para a verificação da capacidade de rotação. É assumido que a maioria das propriedades das componentes são independentes. banzo e alma da viga à compressão. rigidez elástica Ke.2 Caracterização do Comportamento das Componentes de uma Ligação A precisão do método das componentes depende da precisão da avaliação das propriedades de cada componente. é obtido calculando o momento das forças desenvolvidas ao nível das linhas dos parafusos.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Sj = E ⋅ z2 1 μ∑ ki i (6.1) O momento flector resistente Mj. placa de extremidade à flexão. M Rigidez inicial. 1998] agrupa as principais componentes de uma ligação metálica em três classes.4). cordões de soldadura.Rd. O método das componentes permite avaliações muito simples. identificando-se cinco propriedades distintas: força de cedência Fy.ini Resistência da ligação...2) A capacidade de rotação necessária de uma ligação depende do tipo de estrutura. Momento. de acordo com a sua capacidade de deformação: • Componentes de ductilidade elevada: painel de alma do pilar ao corte. Kuhlmann [Kuhlmann et al. para aplicações práticas.. conduziria a uma metodologia demasiado complexa e pouco compatível com uma utilização prática.. que pode ser representada por uma aproximação bilinear ou trilinear. Existe porém interacção entre algumas delas. Mj. esta interacção é tida em conta de uma forma aproximada já que um procedimento mais rigoroso.. • Componentes de rotura frágil: parafusos à tracção. o conhecimento da ductilidade de ligações metálicas requer uma análise não-linear. Na sequência do apresentado na Questão 4.... Cada componente é caracterizada por uma curva força-deslocamento. parafusos ao corte. nenhum método geral de verificação [Kuhlmann et al. φ Figura 6. alma da viga à tracção. alma do pilar à tracção.2. necessariamente iterativo. Sj. 6. usadas por exemplo no âmbito do desenvolvimento de novos tipos de ligações. Manual de ligações metálicas 45 . de modo a avaliar a resposta de cada uma das componentes (Figura 6. deformação correspondente ao início da plastificação Δy e deformação correspondente ao colapso Δf. 2/3 Mj. rigidez pós-limite Kpl.1.Rd Limite elástico. no entanto. não-linear. e modelações mais complexas. De acordo com este regulamento.. • Componentes de ductilidade limitada: alma do pilar à compressão.Rd Curva experimental Curva EN 1993-1-8 Capacidade de deformação φj.Cd Rotação. em relação ao centro de compressão: M (F ) = ∑ Fr ⋅ zr (6. mas raramente excede 60mrad.4: Capacidade de rotação..

ver Figura 6. mas não o factor de modificação η.1. 1994]. de um e de outro lado da alma do pilar sejam simétricos. _____________________________________________________________________ Para se proceder a uma análise global da estrutura do tipo elástica linear de acordo com a cláusula 5. 1996].6b). dados no quadro 5. em que estas ligações são consideradas como rótulas [Gomes. Neste caso é possível desprezar a alma.ini η Rigidez inicial. o coeficiente η pode não ser relevante nas situações.5: Rigidez da ligação utilizada na análise global elástica. etc? Quais os fundamentos daquele quadro. relativamente frequentes. ser considerada como rotulada. a ligação poderá. A EN 1993-1-8 apresenta regras básicas para determinar os valores da força de cedência Fy e da rigidez elástica Ke de cada uma das componentes.. é possível usar um valor de rigidez igual à rigidez inicial da ligação dividida por um coeficiente de modificação da rigidez η.5. desde que os momentos actuantes.2 deste Documento Normativo.el S 1 Rigidez secante. Sj. 46 Manual de ligações metálicas .ini φ Figura 6. ver Figura 6. necessária ao cálculo do momento flector. a ligação pode ser considerada uma emenda de vigas com parafusos longos. Por exemplo. para proceder à distribuição das forças entre as diversas componentes. Para avaliar a resistência de uma determinada componente. será que são adequados a ligações à alma de um pilar ou viga. • Para uma viga ligada à alma não reforçada de um pilar.2 da EN 1993-1-8.6a). não cobrem a gama de possíveis geometrias de ligações com placa de extremidade. • Para vigas ligadas à alma de um pilar ou de vigas não reforçadas. a placas de extremidade finas e espessas. basta conhecer o limite inferior de resistência. Questão 6. Jaspart. 2002]. Este coeficiente η é indicado no quadro 5. e a resistência da ligação é limitada à resistência do pilar em torno do eixo de menor inércia. • Para uma viga contínua ligada a ambos os lados da alma do pilar.1: Extremidade Coeficiente de Modificação da Rigidez η.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Deste modo. M Mj. no entanto. • No caso em que a viga esteja ligada a uma alma de pilar reforçada como indicado na Figura 6.sec = Sj.2 da EN 1993-1-8. dependendo da geometria da ligação. [Neves et al. A espessura da placa de extremidade condiciona o valor rigidez inicial. estendidas e rasas. e uma vez que o método das componentes permite prever qual(is) a(s) componente(s) crítica(s). os enrigecedores têm um efeito similar a uma emenda de vigas. 1994]. [Neves. Sj. é possível antever o comportamento da ligação. [Gomes et al. devesse conhecer o limite superior de resistência. para Ligações com Placa de Os valores do coeficiente de modificação η.

Questão 6.2: Fórmula para o Coeficiente α do Comprimento Efectivo do T-stub Qual o “background” das curvas que permitem determinar α.7: Valores de α para banzos de pilares reforçados e placas de extremidade.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO a) b) Figura 6. De notar que os valores de α apresentados na figura 2.3 0. usadas no cálculo do comprimento efectivo do T-stub e das equações para α em função de λ1 e de λ2? _____________________________________________________________________ Estas regras baseiam-se na teoria das linhas de rotura.1 8 7 2π 6 5.8 0.9 1.5 5 4.4 1.3 0.0 λ 1 Figura 6. Manual de ligações metálicas 47 .4 0.1 0.5 4. 1990] apresentam-se os pormenores deste estudo.3 1.2 1. λ 2 α= 1.0 0.6 0.4 0.2 0.45 0 0.9 0.12 do mesmo relatório necessitam de ser divididos por 2 para comparação com EN 1993-1-8.5 0.7 0.5 0.8 0. b) viga ligada a pilar reforçado.7 0.75 4. No relatório de TU-Delft escrito por Zoetemeijer [Zoetemeijer.6 0.1 1.6: Ligações viga-pilar em torno do eixo de menor inércia: a) emenda de viga (momentos simétricos).2 0.

75 (6.6. Leff = α m1 corresponde à fórmula: Leff = 4 m1 + 1.8). A EN 1993-1-8 disponibiliza o método das componentes que pode ser utilizado em qualquer geometria de ligações. desde que se conheça o comportamento de todas as suas componentes. As curvas para α = 7 e 8 são acrescentadas na EN 1993-1-8.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Com base nos valores de m1. A cláusula 6. Se a altura da viga (incluindo o esquadro) exceder 600 mm. e consequentemente o valor de α (Figura 6. resultam das equações: se λ2 < λ : * 2 ⎛ λ* − λ ⎞ λ1 = λ + (1 − λ ) ⎜ 2 * 2 ⎟ ⎝ λ2 ⎠ * 1 * 1 α 2 (6. não deverá ser superior a 45º. ou esquadros concebidos para aumentar a resistência ao momento flector (35-40%). também a alma do pilar flectida e a alma do pilar à tracção). Os esquadros deverão ser dimensionados dentro das seguintes limitações: • a classe de resistência do aço do esquadro deverá ser semelhante à da secção a que se liga. 25 α − 2.3: Regras para Dimensionamento de Ligações com Esquadro de Reforço A EN 1993-1-8 não inclui especificações para dimensionamento de ligações com esquadro de reforço. Como é que é feito o seu dimensionamento? _____________________________________________________________________ Podem ser distinguidos dois tipos fundamentais de esquadros: esquadros concebidos para economizar na viga de cobertura (cerca de 10%. • o ângulo de intersecção entre o banzo do esquadro e o banzo do perfil a que este se liga.8).4) λ2* = α ⋅ λ1 2 Questão 6.2.1) (6. se inclinadas). No estudo de Zoetemeijer acima mencionado. • o comprimento de apoio ss deverá ser tomado igual à espessura do banzo do esquadro paralelo à viga (Figura 6. As curvas para um valor constante α・ como ilustrado na figura 6.7 da EN 1993-1-8 apresenta algumas especificações sobre esquadros de reforço. • a dimensão do banzo e a espessura da alma do esquadro não deverão ser inferiores às dimensões correspondentes da secção adjacente. podendo ser aplicado a ligações com esquadros.7) Para as partes paralelas das curvas.2) se λ2 ≥ λ2* : onde λ1 = λ1* λ1* = 1. Os problemas apresentados para os esquadros são semelhantes aos encontrados em secções de inércia variável. é possível determinar os valores de λ1 e λ2. • influência sobre as propriedades das componentes alma do pilar em compressão e placa de extremidade flectida (em ligações soldadas. a contribuição da alma da viga na resistência à compressão deverá ser limitada a 20%. o valor de α não excede 2π. 48 Manual de ligações metálicas .25 e. há dois aspectos relacionados com a descrição das componentes e sua assemblagem: • influência da inclinação da viga nas forças internas e influência na resistência do banzo da viga e da alma do pilar na zona de compressão (Figura 6. Neste caso particular.11 deste Documento Normativo. m2 e e.3) (6.

4: Regras para Reforços Diagonais e em K Será que é relevante analisar se um reforço diagonal de uma ligação viga-pilar está solicitado em tracção ou em compressão? _____________________________________________________________________ Existem diferenças no que respeita às verificações de resistência do reforço. Questão 6.11a).9). Figura 6. Os reforços em K são solicitados à compressão e à tracção. já que este modo de rotura frágil não é admissível.9: Verificação de um reforço de alma relativamente à encurvadura. Neste caso. para um reforço solicitado em compressão. • A relação b/t do reforço é escolhida em função da tensão de cedência.fl / cos α Fc / cos α Fc Fc tg α M = Mr V = Vr cos α + Nr sin α N = Nr cos α + Vr sin α Figura 6. é necessário verificar a encurvadura (Figura 6. Para um reforço solicitado em tracção é necessário verificar a resistência da secção transversal. Como simplificação. enquanto que. de modo a que a secção seja pelo menos classe 3. pelo que ambas as verificações deverão ser efectuadas. para além da resistência da secção transversal.8: Representação de: a) uma ligação com esquadro. verificar-se-á rotura frágil.11b). ver Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO a) V b) Nr Mr N M Vr α th. é possível usar as seguintes regras: • A espessura da placa usada no reforço é igual à do banzo da viga. é necessário adoptar outro dimensionamento. Manual de ligações metálicas 49 . Seguindo correctamente as indicações da EN 1993-1-8.5: Distribuição Plástica de Forças numa Ligação com Placa de Extremidade Muito Espessa Será adequado usar uma distribuição plástica de forças numa ligação de resistência parcial. ver Figura 6. a) viga de cobertura com esquadro. por não verificar as regras relativas à capacidade de rotação da ligação. este pode-se deformar e proporcionar a capacidade de rotação suficiente. se for aplicada uma placa de extremidade muito espessa? Caso não seja adequado. Questão 6. há critérios de escolha da espessura adequada a um dimensionamento elástico? _____________________________________________________________________ A rotura dos parafusos pode ser condicionante caso sejam usadas placas de extremidade demasiado espessas.fl ss = th. No caso do banzo do pilar não ser muito espesso.

11: Influência da placa de extremidade e do banzo do pilar na capacidade de rotação das ligações. • Momento plástico condicionado pela resistência da placa de extremidade.2 Mb. • Distribuição elástica das forças nos parafusos. c) Banzo do pilar fino e placa de extremidade espessa em relação à resistência dos parafusos.10. apenas b) b1 b2 c2 b3 c3 b4 b1 b2 b3 b4 c2 d1 a) c3 d2 d3 d4 c) Figura 6. 50 Manual de ligações metálicas . porém os parafusos c1 e c4 não deverão ser considerados para resistir à tracção. Questão 6. excepto se: Mj. bp e a1 w1 a2 w2 a3 w1 a4 e Parafusos traccionados ex mx a1 a2 a3 a4 a1 a2 a3 a4 b1 c1 b2 c2 b3 c3 b4 c4 Parafusos ao corte. • A capacidade de rotação provém da placa de extremidade. Estes parafusos. c) Divisão da fiada superior em T-stubs separados. os parafusos ocasionarão rotura frágil sem capacidade de rotação suficiente (sendo β o quociente entre o modo 1 e o modo 3.6: Linhas de Rotura em Fiadas com 4 Parafusos Como estender as regras apresentadas na EN 1993-1-8 a fiadas com 4 parafusos ao invés de 2? _____________________________________________________________________ Em tracção.2 da EN 1993-1-8). Os parafusos c2 e c3 também podem ser considerados. importa notar que esta rotação plástica da viga só se verifica em secções transversais da classe 1 (no caso mais geral).Rd. e os parafusos da fiada d poderão no entanto.Rd > 1. a) Banzo do pilar espesso e placa de extremidade espessa. • Dimensionamento não permitido. • Distribuição plástica das forças nos parafusos. em virtude da rigidez limitada da placa de extremidade. Porém. todos os parafusos situados próximo do banzo traccionado da viga podem ser considerados no cálculo do momento resistente (a1-4 e b1-4).LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Para placas de extremidade e banzos de pilar com β > 2. em relação à resistência dos parafusos. em relação à resistência dos parafusos. • A capacidade de rotação provém do banzo do pilar. ser considerados para a transmissão do esforço transverso. • Sem capacidade de rotação plástica. Figura 6. a capacidade de rotação necessária será fornecida pela própria viga (Figura 6. Nesse caso. de acordo com o quadro 6. • Distribuição plástica das forças nos parafusos. Neste caso a capacidade de rotação plástica provém da própria viga-rótula plástica na viga.2 vezes superior ao momento plástico da viga adjacente. ver Figura 6. b) Banzo do pilar espesso e placa de extremidade fina.pl.10: a) Placa de extremidade com 4 parafusos por fiada. b) Separação em T-stubs em tracção. • Momento plástico condicionado pela resistência do banzo do pilar. Esta pormenorização só é permitida se o momento plástico da ligação for pelo menos 1.11).

ver Quadro 6. evitando a resolução de mecanismos complexos.op = 2m x + 0. A hipótese mais simples (e segura) considera fiadas de parafusos totalmente independentes. A fiada a pode ser considerada como uma fiada exterior ao banzo da viga.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Dependendo das dimensões da placa de extremidade e do espaçamento dos parafusos. modificando o mecanismo de rotura plástico para o grupo de parafusos. ver Figura 6.5w 2 L eff . 625e x + w1 + 0.10c). 25e x + w1 Leff .5e x Leff .cp = 3π ⋅ m x + w 2 L eff .op = 8m x + 2.op = 0. 25e x + e + 0.op = 4m x + 1.cp = 2π ⋅ m x + 2w1 L eff .cp = π ⋅ m x + 2w1 + 2e Leff .875e x + e Leff .op = 6m x + 1.cp = 4π ⋅ m x L eff .5b p Manual de ligações metálicas 51 .1.cp = 2π ⋅ m x + w 2 + 2e L eff . haverá diferentes possibilidades de mecanismos de rotura para as fiadas a e b.cp = 3π ⋅ m x + 2e1 L eff .op = 6m x + 1.875e x + 0.cp = π ⋅ m x + 2w1 + w 2 Leff .op = 2m x + 0. 6.1: Mecanismos de rotura plástica e comprimento efectivo do T-stub para fiadas de 4 parafusos junto ao banzo não reforçado da viga. Quadro.op = 4m x + 1.5w 2 Leff .5w 2 Leff . e ser adoptado o procedimento preconizado pela EN 1993-1-8. 625e x + e + w1 Leff . Padrão circular Padrão não-circular Leff .

A importância do pré-esforço (mesmo que pequeno) na minimização das forças de alavanca é evidenciada nas Figuras 6. A pormenorização da ligação é bastante importante. A transferência das acções variáveis deverá passar por uma zona de contacto rígida e nunca através dos parafusos (Figura 6. a distribuição de forças numa ligação é realizada pelo caminho mais rígido.4) Por este motivo. Como é que este fenómeno é tido em conta? _____________________________________________________________________ No caso da fadiga.Sd Ft. a força de tracção nos parafusos é compensada por uma força de contacto na zona de compressão da ligação. pelo que não é necessário proceder a qualquer diminuição da resistência por escorregamento. kN 100 Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 6. kN 100 Resistência ao corte remanescente Resistência Assume-se Distribuição distribuição plástica elástica 0 0 Resistência ao corte. 0 Fv. o esforço transverso é frequentemente distribuído pelos parafusos na zona de compressão. esta gama de valores é denominada por “Resistência ao corte remanescente”. é necessário que a resistência ao corte dos parafusos seja superior à resistência ao esmagamento por corte da placa ou do banzo do pilar na zona dos orifícios. Como simplificação.12. então os parafusos na zona de tracção. precisam apenas de ser verificados à tracção. b) Interacção das forças de tracção e corte nos parafusos.12: a) Exemplo de distribuição das forças de corte na ligação. o esforço de corte transmitido pelos parafusos não deve exceder 0. 4 Ft. Na Figura 6. os parafusos deverão ser sempre pré-esforçados. Porém. os parafusos solicitados à tracção e corte deverão satisfazer a condição relativa à combinação desses esforços.Rd 1.Rd (6. Se a resistência ao corte desses parafusos for suficiente.Rd + ≤ 1. e para haver capacidade de rotação suficiente. para se poderem verificar os parafusos. Como se distribui o esforço transverso pelos diversos parafusos? _____________________________________________________________________ Em geral. é possível distribuir o esforço transverso de forma equitativa por todos os parafusos (Figura 6. o efeito dessas forças deverá ser conhecido. Para além destas condições. uma placa de extremidade é solicitada por momento flector e por esforço transverso. tal como indicado na EN 1993-1-8: Fv.13). Em geral. Resistência à tracção.7: Distribuição de Esforço Transverso em Ligações Aparafusadas Geralmente. Questão 6.4/1.8: Efeito de Alavanca no T-Stub e Verificação da Fadiga O efeito das forças de alavanca é tido em consideração nas fórmulas de dimensionamento das fiadas de parafusos.15. No caso de parafusos pré-esforçados. no caso da fadiga.14 e 6. Neste caso. 52 Manual de ligações metálicas .11).4 vezes a resistência total ao corte dos parafusos que também são necessários para resistir à tracção.

o fluxo da acção variável através da ligação é representado pelas linhas tracejadas. Na Figura 6. Fp 45° 0 0 0 45° 100 kN 0 100 kN 0 100 kN Força no T-stub. Fp 2F t 100 kN 2Ft Força de pré-esforço. O ensaio da direita mostra o comportamento no caso da ligação de dois banzos sem placa intermédia e com contacto junto à zona da alma. a força de contacto não se altera quando é aplicada uma força exterior.13: Pormenorização incorrecta e correcta de uma ligação pré-esforçada. Num ensaio como o indicado na figura do meio.15. Bt Força no parafuso.14: Esquema de ensaio de um T-stub.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO incorrecto correcto Figura 6. Ft Figura 6. Ft seja inferior a Fp. como neste caso.15: Resultados de ensaios a T-stubs. O efeito das acções cíclicas seria mais gravoso caso a zona de contacto fosse perto das extremidades dos banzos. Bt 2Ft Forças de alavanca 100 kN 2Ft 2Ft 2F t 100 kN Força de pré-esforço. Bt Força no parafuso. Figura 6. Manual de ligações metálicas 53 . Força no parafuso. a força nos parafusos é indicada com uma linha grossa. o que significa que toda a acção cíclica aparecerá no parafuso. Ft Força no T-stub. Nos três casos a ligação foi préesforçada com uma força Fp. Ft Força no T-stub. a força de contacto será reduzida de Ft. Fp 45° 0 Força de pré-esforço. Introduzindo uma força externa de tracção 2Ft no ensaio representado à esquerda. não haverá efeito do carregamento alternado sobre os parafusos. Desde que. A força nos parafusos Fb pode ser dividida numa força de contacto Fc e numa força de tracção Ft.

a resistência máxima à tracção. (Figura 6. de acordo com os resultados actualmente disponíveis. o ponto de activação da segunda fiada de parafusos. 54 Manual de ligações metálicas . Outra abordagem para flexão com esforço axial de compressão é baseada no método das componentes aplicado a bases de pilares. ponto de activação da segunda fiada de parafusos.9: Determinação das Propriedades de Ligações Submetidas a Momento Flector e Esforço Axial Que abordagem deverá ser adoptada numa ligação com esquadros usada em pórticos com travessas inclinadas. 2002]. A resistência da ligação sob a acção combinada destes dois efeitos.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 6. a resistência à compressão no caso de momento nulo.16: Curva de interacção momento – esforço axial. Qual a influência do ângulo de intersecção numa ligação de um pórtico inclinado? Qual a influência do esforço axial sobre a resistência ao momento flector de uma ligação? As regras da EN 1993-1-8 aplicam-se a a ligações cujos eixos dos elementos que aí se intersectam são perpendiculares (ou paralelos) entre si. e de seguida serão incorporadas numa assemblagem modificada para calcular a resistência e rigidez da ligação [Sokol et al. O ponto representa a resistência máxima ao momento flector. solicitada por momento flector e esforço axial? _____________________________________________________________________ Esta questão inclui dois aspectos que serão tratados separadamente. ver Cláusula 6. sobretudo em ligações não-simétricas. a resistência ao momento no caso de esforço axial. poderá ser determinada através de: NSd MSd + ≤1 NRd MRd (6. ver Figura 6.4 da EN 1993-1-8. o momento negativo no caso de esforço axial nulo.. assumindo uma interacção linear entre MSd e NSd. As propriedades das componentes deverão ser avaliadas de acordo com aquele documento como se não existisse esforço axial. baseada na EN 1993-1-8 e no método das componentes.16). o valor de compressão axial. a resistência máxima ao momento flector negativo.5) Esta abordagem é conservativa. kN EN 1993-1-8 200 100 -20 -10 0 -100 10 Método das componentes Momento. A resistência ao momento flector de uma ligação submetida a esforço axial e momento flector poderá ser determinada.3. kNm Figura 6.16. O ângulo de inclinação da viga muda a geometria da ligação e deverão ser considerados valores modificados do braço das forças. A interacção linear é considerada pela determinação dos valores extremos da resistência ao momento flector sem esforço axial (MRd) e a resistência ao esforço axial sem momento flector (NRd). Força axial.

17: a) Curva momento-rotação para carregamento proporcional e não proporcional. Momento. φ Parafusos à tracção.19). A força de tracção é localizada na fiada de parafusos à tracção.Rd. No caso de carregamento proporcional. para níveis moderados de momento flector. mantendo constante a relação entre eles. b) Caminhos de carga no diagrama de interacção. No caso de carregamento não proporcional. MSd Rotação. 1998] (Figura 6. que mantém a placa de extremidade em contacto com o banzo do pilar.18.Rd e Fc. respectivamente. Neste cálculo é assumida uma distribuição plástica das forças internas.18: Equilíbrio na ligação. banzo da viga à compressão e0 NSd Ambos os banzos da viga à compressão Sj. 1995]. O modelo simplificado apenas considera a área efectiva junto aos banzos [Steenhuis.Rd Secção activa Centro da secção à compressão Figura 6.Rd zt z zc NSd MSd Eixo neutro Fc. os dois esforços são aplicados em simultâneo. Este efeito deve-se à presença de esforço axial. No caso da existência de mais do que uma fiada de parafusos à tracção. mesmo nos casos em que a placa de extremidade excede aquele limite. e o esforço axial NSd e momento flector aplicado MSd. A dimensão e a forma da área de contacto entre a placa de extremidade e o banzo do pilar são baseados no conceito de área rígida efectiva [Wald. tomando em consideração a resistência das zonas em tracção e compressão Ft.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Podem ser distinguidos dois caminhos de carga. NSd Carregamento proporcional Carregamento não-proporcional Resistência da ligação Momento. Centro da secção à tracção Ft. a resistência da parte em tracção é obtida a partir da resultante das forças dessas fiadas. pelo que apenas as componentes em compressão contribuem para a deformação da ligação.17. ver Figura 6. A posição do eixo neutro pode ser avaliada a partir das equações de equilíbrio. ver Figura 6. É assumido que a força de compressão actua no centro do banzo comprimido. No caso de carregamento não proporcional. MRd Carregamento não-proporcional Carregamento proporcional Curva não-linear Plastificação da componente mais fraca Força axial. Manual de ligações metálicas 55 .ini Figura 6. a rigidez da ligação é superior ao caso de carregamento proporcional. a força normal é aplicada à ligação seguida do momento flector.

6) e MSd NSd ⋅ z t − ≤ −Fc z z (6. Usando as equações de equilíbrio e assumindo a excentricidade e. Neste caso. e em compressão Fc.9) 56 Manual de ligações metálicas .t. para carregamento proporcional. As forças representam resistências das componentes em tracção Ft. podem ser estabelecidas as fórmulas seguintes (Figura 6.Rd.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Ft.b.b + 1 ⎪ ⎪ e ⎪ = min ⎨ ⎬ −Fc.20a): MSd ⎧ ⎪e = N ≤ −z c ⎪ Sd ⎨ ⎪ MSd + NSd ⋅ zc ≤ F t ⎪ z ⎩ z (6.19: Modelo simplificado.8) Se a excentricidade e = ≥ −zc . considera como área efectiva apenas a zona dos banzo: a) ligação aparafusada com uma fiada à tracção. não existe força de tracção na fiada de parafusos.Rd zt z zc Fct.t ⎪ −1 ⎪ ⎪ ⎩ e ⎭ Mj.19b).t.Rd ⋅ z ⎫ ⎪z ⎪ ⎪ c +1⎪ ⎪ e ⎪ = min ⎨ ⎬ Fc. Por simplicidade. estando as duas partes da ligação em compressão. Fc. ver Figura 6.l ⎪ ⎪1 − ⎪ e ⎭ ⎩ MSd NSd Mj.6) e (6. o modelo é desenvolvido apenas para carregamento proporcional. b) ligação soldada.Rd (6.7) podem ser reescritas como: ⎧ Ft.Rd ⋅ z ⎪ ⎪ ⎪ z t. as equações (6.7) MRd Como e = MSd NSd = NRd = const .Rd zct z zcb a) b) Figura 6.Rd.b.7) será modificada para: ⎧ −Fc. a equação (6.Rd.Rd ⋅ z ⎪ ⎪ ⎪ z c.Rd ⋅ z ⎫ ⎪ z ⎪ ⎪ c.Rd NSd MSd Fc.Rd NSd MSd Fcb.Rd (6.

pode ser expressa como: MSd NSd ⋅ zc + M + NSd ⋅ zc z δt = z = Sd E ⋅ kt E ⋅ z ⋅ kt MSd NSd ⋅ z t − M − NSd ⋅ z t z δc = z = Sd E ⋅ kc E ⋅ z ⋅ kc (6.ini = MSd φ (6.14) sendo a excentricidade e0.15) a parte não linear da curva momento rotação pode ser modelada introduzindo o coeficiente de rigidez μ. A deformação elástica das componentes na zona de tracção e de compressão. ver Figura 6.12) A rigidez da ligação depende do momento flector aplicado. definida da seguinte forma: e0 = zc ⋅ k c − zt ⋅ k t kc + kt (6.5 γ ) 2.b φ NSd z MSd zt NSd zc MSd δc δc.20a).10) (6.11) Sendo a rotação da ligação determinada a partir daqueles valores: φ= δt + δc z = 1 ⎛ MSd + NSd ⋅ zc MSd − NSd ⋅ z t ⎞ + ⎜ ⎟ E ⋅ z2 ⎝ kt kc ⎠ (6.ini = MSd E ⋅ z2 e E ⋅ z2 = 1 MSd + NSd ⋅ e 0 ⎛ 1 1 ⎞ e + e0 ∑k ⎜ + ⎟ ⎝ kc kt ⎠ (6.t z zc. que depende do quociente γ das forças actuantes μ = (1.b a) b) Figura 6.16) Manual de ligações metálicas 57 .LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO A rigidez de rotação da ligação resulta da deformação das componentes: δt δc.13) a rigidez é obtida substituindo a rotação da ligação (6.12) na equação (6. que é produzido pelo esforço axial aplicado com a excentricidade constante e S j.7 ≥ 1 (6.20: Modelo mecânico para a placa de extremidade.13) S j.t φ zc.

ligações com placa de extremidade estendida [Silva et al. o factor γ pode ser definido como γ = MSd + 0.17) e substituindo o valor da excentricidade e.. metade da altura da viga.e.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Assumindo os braços das forças zt e zc como aproximadamente iguais a h/2.5h ⋅ NSd MRd + 0.19) Para se avaliar o comportamento destas ligações submetidas a momento flector e esforço axial não proporcional. evidencia-se uma diminuição do momento resistente da ligação. sendo o valor proposto pela EN 1993-1-8. i.. é possível modelar a curva momento-rotação da ligação carregada proporcionalmente.. podem ser usadas placas de alma.5h ⋅ NSd (6. No entanto. Os resultados obtidos mostraram que. 58 Manual de ligações metálicas . Na primeira série foram analisadas ligações com placa de extremidade rasa e na segunda fase. a ligação está sobre-dimensionada [Lima et al. reforços diagonais ou em “K” de modo a proporcionar a resistência adequada. esta grandeza pode ser simplificada para e+ h 2 γ = ⎛ MRd ⎞ h ⎜ ⎟e + 2 ⎝ MSd ⎠ (6.21: Reforço tipo “Morris”. Questão 6. na forma Sj = e E ⋅ z2 1 e + e0 μ∑ ki (6.18) Usando o factor μ acima referido. ser aplicadas a reforços tipo “K” e tipo “Morris”? _____________________________________________________________________ Se a alma tem uma resistência insuficiente. quando as ligações estão submetidas a esforços axiais de compressão. 2001]. 2002].21). 2002]. o Grupo de Construção Metálica e Mista do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra realizou quinze ensaios de dois tipos de ligações viga-pilar com placa de extremidade. para esforços axiais de tracção. O reforço de corte tipo “Morris” foi desenvolvido para resolver dois problemas simultaneamente – a resistência por corte do painel de alma e a distorção do banzo do pilar (Figura 6. sub-dimensionado [Lima et al. até um determinado nível de carregamento. ou seja. Figura 6. o momento resistente da ligação é superior ao proposto na EN 1993-1-8.10: Regras de Dimensionamento para Reforços em K e do Tipo Morris Poderão as regras para reforços transversais dadas na EN 1993-1-8.

20) sendo θ o ângulo entre o reforço e a horizontal. Asg é dada por: A sg = 2bsg ⋅ t s com A sg ≥ Fv − Pv fyd cos θ (6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Os ensaios realizados com reforços do tipo “Morris”. São particularmente eficazes para pilares do tipo UB. As soldaduras que ligam a parte horizontal do reforço tipo Morris ao banzo do pilar deverão ser dimensionadas de forma que a sua espessura permita obter Asn. O comprimento deverá ser suficiente para permitir o acesso dos parafusos (100 mm). quando comparados com reforços tradicionais. sendo Asn dada pela expressão seguinte: A sn = 2b sn ⋅ t s com A sn ≥ m1 yd F ⎛ F ⎞ ⎜m +m + m +m ⎟ f ⎝ ⎠ ri rj 1 2L 1 2U (6. têm uma rigidez inicial elevada e um melhor desempenho após a cedência. quando comparados com os reforços em “K” tradicionais. Soldaduras: As soldaduras que ligam os reforços diagonais e os banzos do pilar deverão ser soldaduras de penetração total e a espessura da soldadura deve igualar a espessura do reforço. bastante eficientes. mas mais difíceis de montar em secções mais pequenas. De facto. A parte diagonal deverá ser dimensionada como um reforço diagonal. A parte horizontal do reforço suporta a mesma força de tracção de um reforço de tracção colocado no mesmo alinhamento.21) Manual de ligações metálicas 59 . permitem concluir que estes reforços são. Revelam-se igualmente mais económicos e permitem uma maior facilidade de acesso dos parafusos para montagem. Área dos reforços: A área dos reforços.

A abordagem tradicional para o dimensionamento de bases rotuladas conduz a espessuras da placa de base que lhe conferem rigidez suficiente para garantir uma distribuição uniforme de tensões sob a placa e consequentemente. a base de pilar é suportada ou por uma sapata de betão ou outro tipo de sub-estrutura (ex. Outras disposições construtivas relativas a bases de pilares também podem ser aplicadas.. b) Parafusos no exterior da base .Configuração habitual e componentes a utilizar para determinação da rigidez e resistência do conjunto: a) Parafusos no interior da base. A influência da sapata de betão. ele ignora a flexibilidade da placa de base à flexão (mesmo quando reforçada).1 Introdução Uma ligação do tipo base de pilar é constituída por um pilar. admitindo que as secções se mantêm planas. uma placa de base e dispositivos de ancoragem. que pode ser considerável para determinadas características do solo de fundação. Normalmente.reforço opcional.1: Bases de pilar . Chumbadouros à tracção e flecção Alma e banzo do pilar à compressão Betão à compressão e flexão Enrigecedores em ambos os lados (opcional) Chumbadouros ao corte a) b) Figura 7. Apesar deste procedimento se ter mostrado satisfatório ao longo de vários anos de utilização prática. não é tida em conta na EN 1993-1-8. O procedimento preconizado no documento é aplicável a pilares de secção aberta ou fechada [Wald et al. O documento normativo EN 1993-1-8 [prEN1993-1-8: 2003] indica regras para cálculo da resistência e rigidez das bases de pilares. a deformação e a força de tracção no conjunto de dispositivos que constituem a ancoragem. o dispositivo de ancoragem e o betão. O modelo de cálculo adoptado pela EN 1993-1-8 traduz a flexibilidade da placa de base numa placa rígida efectiva. mas se a ligação de fundação estiver sujeita a momentos flectores elevados. Utilizando as equações de equilíbrio pode determinar-se o valor máximo da tensão na fundação de betão (considerando uma distribuição linear de tensões). 2000]. estaca).7 BASES DE PILARES 7. De uma maneira geral. . poderão prever-se reforços. esta pode ser modelada como rígida. O dimensionamento tradicional de bases de pilares não rotuladas considera uma análise elástica. as bases de pilares são dimensionadas sem reforços. nomeadamente o reforço através de chumbadouros e embebimento de um troço da zona inferior do pilar na fundação de betão.

M c c c c c t Figura 7. 1/4 t2? _____________________________________________________________________ A área útil da placa de base (flexível) é determinada com base no comprimento efectivo c. Malha deformada e indeformada e direcções principais no betão [Wald. considera-se uma distribuição plástica de tensões. 1982].8 da EN 1993-1-8. ver Figura 7. c c O valor do momento resistente elástico por unidade de comprimento da placa de base. através da restrição das deformações da placa a comportamento elástico [Bijlaard.3. O modelo utilizado limita os valores das tensões concentradas sob a placa de base flexível. 1998]. deve ser tomado como: M′ = 1 2 t ⋅ fyd 6 (7. As regras homólogas para determinação da rigidez encontramse na cláusula 6.2 do mesmo Documento Normativo. Para cálculo relativamente aos Estados Limites Últimos.2. 1/6 t2.3. na determinação da resistência da placa de base em vez de análise plástica. O modelo garante ainda.3: Modelo de análise da placa de base. As regras para determinação da resistência de bases de pilares encontramse na cláusula 6.4. utiliza-se o método das componentes. Figura 7. Questão 7.1: Análise Elástica da Placa de Base Porquê utilizar análise elástica. e do bloco de betão à compressão. Para cálculo da rigidez e à semelhança do que acontece para as ligações viga-pilar.BASES DE PILARES permitindo que o nível de tensão na fundação de betão atinja o valor da resistência deste à compressão.1) 62 Manual de ligações metálicas . que a tensão de cedência do material da placa não é excedida.2: Modelo 2D de elementos finitos da placa de base (T-Stub). como efeito secundário. Baniotopoulos.2. As fronteiras para a classificação das bases de pilares em termos de resistência e rigidez são apresentadas na cláusula 6.

ver Figura 7.4: Distribuição de tensões na argamassa. admitindo uma distribuição de tensões normais a 45° sob a área útil da placa de base. Que valor deve ser utilizado quando a resistência da argamassa é menor? ____________________________________________________________________ A problemática da argamassa de assentamento de baixa qualidade tem sido alvo de vários estudos experimentais e numéricos. Quando os momento anteriores são iguais. Deste modo. 45° Manual de ligações metálicas 63 . quando a argamassa de assentamento tiver pelo menos 20% da resistência característica do betão da fundação. Admite-se que a camada de argamassa esteja sujeita a compressão triaxial. a resistência ao esmagamento pode ser verificada. No caso em que a espessura da argamassa é superior a 50 mm. a camada de argamassa pode ser desprezada.3.3. a resistência característica da argamassa deve ser igual ou superior à resistência da fundação de betão [prEN 1993-1-8: 2003].3) então: c=t fy 3fj ⋅ γ M0 (7. ou seja: a argamassa entre o betão e a placa de base é semelhante a um líquido.4) Questão 7.2. quer dizer que foi atingida a capacidade de resistência à flexão da placa. tg t tg tg tg 45° Figura 7.2) que é o momento actuante numa consola de vão c. 1988]. A maior parte das argamassas tem uma resistência mais elevada do que o material que constitui o bloco [Stark. Bijlaard.BASES DE PILARES e o valor do momento actuante na placa de base .2: Cálculo da Resistência da Placa de Base com Argamassa de Assentamento de Baixa Qualidade Na cláusula 6. Nestes casos. Informações adicionais são fornecidas na Questão 7. a fina camada de argamassa não afecta a resistência do betão ao esmagamento.5 da EN 1993-1-8. o coeficiente da ligação βj é considerado igual a 2/3.4. deve ser considerado igual a: M′ = 1 fj ⋅ c 2 2 (7. e a fórmula para avaliar o comprimento c pode ser obtida de: 1 1 fj ⋅ c 2 = t 2 ⋅ fy 2 6 (7. Nas outras situações. ver Figura 7.

1968a. Qual é a justificação científica deste facto? _____________________________________________________________________ Ambos os Documentos Normativos apresentam forma de determinar a resistência esmagamento do betão quando sujeito à acção imposta por uma placa de aço. sendo no entanto os métodos de cálculo diferentes.b]. A abordagem de dimensionamento preconizada na EN 1993-1-8 está de acordo com os resultados experimentais. 1968a]. A Figura 7. 33fcd ⇒ FRd = 3. que trata o problema da resistência ao esmagamento de um bloco de betão carregado através de uma placa. Para este valor a resistência esmagamento da base do pilar será: fj = 2 ⋅ 5 ⋅ fcd = 3.75. 3A c0 ⋅ fcd 3 O resultado é o mesmo. Por outro lado. um estudo análogo. 1978] conduziram ao desenvolvimento de um modelo adequado para a tensão resistente ao esmagamento de bases de pilares. Os espécimens ensaiados consistiam em cubos de betão com dimensões que variavam desde 150 até 330 mm. Estudos experimentais [Shelson. O modelo preconizado na EN 1993-1-8 foi verificado experimentalmente. com carga centrada actuando através de uma placa de aço.0. Os parâmetros utilizados foram as dimensões do bloco de betão. é necessário uma verificação separada que depende da geometria e pormenorização do bloco. as investigações direccionaram-se no sentido da determinação da tensão de esmagamento de placas rígidas. 3A c0 ⋅ fcd A c0 De acordo com EN 1993-1-8 o valor máximo de kj é 5. [Hawkins. e a resistência ao esmagamento relativa. A capacidade resistente dos espécimes ensaiados correspondente à rotura do betão é 1. conduz a resultados semelhantes aos obtidos através da EN 1992-1-1.3: Cálculo Comparativo da Resistência do Betão pela EN 1992-1-1 e EN 19931-8 Aparentemente o cálculo da resistência da base do pilar ao esmagamento fj calculado de acordo com a EN 1993-1-8.BASES DE PILARES Questão 7. Verificou-se que a rotura ocorre quando se forma uma pirâmide invertida no betão sob a placa.5 ilustra a relação existente entre a esbelteza da placa de base (quociente entre a espessura da placa e a distância livre até à extremidade da placa).5 vezes a capacidade resistente calculada segundo a EN 1993-1-8. foram analisados resultados de 50 ensaios para verificar a resistência esmagamento do betão [DeWolf. A investigação realizada fez uso de modelos experimentais e analíticos e foram vários os parâmetros em estudo. A resistência ao esmagamento é limitada pela resistência do betão ao esmagamento. Hawkins. A bibliografia técnica. mas para placas flexíveis carregadas pela secção transversal do pilar avalia a transferência da carga feita apenas numa parte da placa.4 a 2. pode ser dividida em duas categorias. Para calcular a resistência do bloco de betão ao corte. No total. 64 Manual de ligações metálicas . De acordo com EN 1992-1-1 têm-se: FRd = A c0 ⋅ fcd A c1 ≤ 3. as dimensões da placa de aço e a resistência do betão. nomeadamente a relação entre a resistência do betão e a área da placa. com um valor médio de 1. a posição da placa relativamente à fundação de betão e os efeitos de elementos de reforço. mas é conservativa. 1978. Por um lado. A análise do betão para Estados Limites Últimos obriga à consideração do comportamento tridimensional do material. que tem vindo a ser adoptado pelos Documentos Normativos recentes. à flexão e ao punçoamento. [DeWolf. com plastificação e fendilhação. a espessura relativa do bloco de betão. 1957].

6. 1968a].89 mm 25. o que conduz a um aumento da tensão de esmagamento. é necessário utilizar a teoria do dano. A partir de um programa experimental realizado por Hawkins sobre esta temática [Hawkins. Esta hipótese.BASES DE PILARES fj /fCd 2 Cálculo analítico Ensaios e 1 0 0 5 10 15 20 25 30 t/e Figura 7. A influência da resistência do betão é apresentada na Figura 7.52 mm 3. 1975]. foram seleccionados 16 ensaios em provetes com geometria e propriedades materiais semelhantes. tendo sido utilizados os valores de 19. 1968a]. [Murray. 1978].35 mm 8. 1983]. 1980]. [Wald. 1982].4 mm a b c d e f < > < > < > < > e d c b a 0 10 20 30 40 50 60 Fcd (MPa) a × b = 600 × 600 mm Figura 7. vem de encontro à situação mais realista de distribuição não uniforme de tensões. verificou-se que a tensão de esmagamento aumenta para valores elevados de excentricidade da força normal [DeWolf e Sarisley. A EN 1993-1-8 adoptou este método numa forma conservativa.76 mm 1. dada a sua complexidade. Neste caso. pelo que esta situação define o limite de utilização da análise acima descrita.5 Relação: Resistência ao esmagamento relativa – Esbeltez da placa de base Resultados numéricos e experimentais [DeWolf. com valores máximos sob a secção transversal do perfil. Esta metodologia simples e prática foi modificada e verificada através de ensaios experimentais [Bijlaard. N (kN) 700 600 500 400 300 200 100 0 t= Cálculo Ensaios f 0. [Hawkins. O único factor variável foi a resistência do betão. No caso de esmagamento localizado da superfície de betão sob a superfície rígida. Este tipo de análise não é aceitável para dimensionamento ordinário. 31 e 42 MPa. 1993]. quando a distância desde a extremidade da placa até à extremidade de bloco é constante e a excentricidade da carga aumenta. 1968a]. Manual de ligações metálicas 65 . Com base em observações experimentais. a área de contacto diminui.05 mm 6.6: Relação entre a resistência do betão e a carga última [Hawkins. A influência da flexibilidade da placa foi considerada através da utilização de uma placa rígida equivalente [Stockwell.

sempre que a tensão característica da argamassa de assentamento seja igual ou superior a 20% da resistência característica do betão.0 para uma placa de base quadrada.66 fcd. Recomenda-se a utilização do valor do coeficiente da ligação de βj=2/3.7.7. admite-se que a tensão característica da argamassa fck. 66 Manual de ligações metálicas .BASES DE PILARES Questão 7. A qualidade e espessura da argamassa são consideradas no coeficiente da ligação βj.2 = 16. Esta verificação deverá ser semelhante ao cálculo da resistência do bloco de betão.7) c= t (7.33*fcd / 0. No caso da argamassa ter uma resistência menor ou uma espessura maior do que o admitido acima. a1 ≥ a ⎪ a+h ⎪ ⎪ 5 b1 ⎪ ⎩ ⎭ ⎧b + 2 br ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ 5b ⎪ ⎨ ⎬ . ver Figura 7. A área da placa rígida equivalente obtém-se a partir da área da secção transversal do pilar acrescida de uma faixa de largura efectiva c. obtém-se o valor de fj=2/3*5*fcd = 3. b). 2fck ). b1 ≥ b ⎪ b+h ⎪ ⎪ 5a ⎪ ⎩ ⎭ 1 a1 = min (7. que pode conduzir a valores de fj 10 vezes superiores aos da tensão característica da argamassa de assentamento.6) fj = 2 3 k j ⋅ fck γC fy 3 fj ⋅ γ M0 (7. _____________________________________________________________________ A resistência da argamassa de assentamento e do bloco de betão à compressão é limitada pela resistência da argamassa de assentamento ao esmagamento ou pela resistência do betão sob uma placa de base flexível.9) A área efectiva Aeff é definida de acordo com o ilustrado na Figura 7. A resistência da placa de base ao esmagamento Fc. a resistência mínima da argamassa de assentamento é: fcd. é necessário fazer uma verificação separada em relação à argamassa.2 min(a. como tal.Rd = A eff ⋅ fj (7. a placa de base flexível é substituída por uma placa rígida equivalente. Segundo a EN 1993-1-8.4: Factor de Concentração de Tensões kj para Bases de Pilares Indique bibliografia de apoio para justificar a utilização do valor de kj.33 fcd.g é igual ou superior 20% da tensão característica da fundação de betão fck ( Fck. o valor máximo de kj é 5. Para βj=2/3. e que a espessura da argamassa é tg ≤ 0. Para este valor máximo. Para o cálculo da resistência do betão ao esmagamento fj.g ≥ 0.5b) kj = a1 ⋅ b1 a⋅b (7.Rd é calculada a partir de: ⎧a + 2 ar ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ 5a ⎪ ⎨ ⎬ . Nos modelos de cálculo utilizados.8) Fc.5a) b1 = min (7.g=3. é necessário determinar o coeficiente de concentração da ligação kj.

A resistência ao esmagamento do betão da fundação representa uma situação de carregamento tridimensional para o betão. Esta diferença deve-se essencialmente à presença de chumbadouros com grande comprimento e de uma placa de base espessa.8. Neste caso. e consequentemente à ausência de forças de alavanca.5: Comprimento Efectivo do T-Stub Associado à Placa de Base No cálculo do comprimento efectivo do T-Stub da placa de base pode-se usar a tabela de comprimentos efectivos de uma ligação com placa de extremidade? _____________________________________________________________________ O comprimento efectivo de um T-stub à tracção é definido pelo modo de rotura do T-stub. área efectiva da placa flexível.10) A relação entre o modo de rotura 1* e os modos de rotura do T-stub em situações de contacto. quando comparada com uma placa de extremidade. como tal não é necessária uma verificação separada da argamassa.BASES DE PILARES Só esforço axial A eff t h Esforço axial e momento flector Área efectiva em torno do pilar c Área efectiva em torno da zona comprimida do pilar a1 a ar Eixo neutro A eff Só momento flector A eff b br Eixo neutro Área efectiva em torno da zona comprimida do pilar Figura 7. é ilustrada na Figura 7. este facto é tido em conta através da utilização de um factor de concentração de tensões kj com um valor máximo de 5.25 vezes superior à resistência à compressão do betão. Manual de ligações metálicas 67 . O cálculo da resistência da camada de argamassa de assentamento baseia-se em vários pressupostos e não deve ser confundida com a resistência do betão ao esmagamento. O resultado é um novo modo de rotura designado 1*.9. é necessária uma verificação separada da argamassa. A verificação pode ser feita de forma semelhante à realizada para a resistência do betão. para uma placa de base quadrada. a resistência obtido experimentalmente é cerca de 6.Rd m (7. A resistência do T-stub sem contacto com o betão é: Ft = 2L eff ⋅ mpl. ver Figura 7.7: Dimensões da fundação de betão. mas os modos de rotura podem ser diferentes. Uma camada pouco espessa de argamassa de assentamento não afecta a resistência da base do pilar. De uma maneira geral esta situação conduz a um afastamento do T-stub da fundação de betão.0. Na EN 1993-1-8. Quando a camada de argamassa de assentamento é espessa ou é de má qualidade. Questão 7. O T-stub de placa de base é semelhante ao T-stub de uma ligação com placa de extremidade.

λeff mpl. por exemplo em termos de dimensão máxima do chumbador Lb. o comprimento Lb pode ser considerado como o comprimento acima da superfície de betão Lbf mais o comprimento efectivo da parte embebidos Lbe. 1999].Rd 1 0.9: Modos de rotura para os T-stubs de bases de pilares.6 0.lim. L b.Rd /ΣBtRd 0 0.lim = 8. Lbf Lb Lbe d Figura 7.4 0. tal como representado na Figura 7. 68 Manual de ligações metálicas . determina-se através de uma análise das deformações elásticas do T-stub.BASES DE PILARES F m n Q=0 Q=0 Figura 7.2.8 0.5 2 2. Este último pode ser estimado como: Lbe = 8 d. Para dimensões dos chumbadouros superiores a Lb. Os comprimentos efectivos do T-stub de uma placa de base.5 Figura 7. com e sem contacto.11. A fronteira entre os modos de rotura.2 0 Modo 1 Modo 1* Modo 2 Modo 3 4. ver Figura 7. F/ΣΒt. encontram-se sistematizados no Quadro 7. Essa fronteira pode ser expressa de diversas formas.10: Comprimento livre dos chumbadouros embebidos na fundação de betão.lim não há contacto ou forças de alavanca.10 [Wald.5 1 1.1 e Quadro 7. 82 m3 ⋅ A s < Lb > L eff ⋅ t 3 (7.11) Para chumbadouros embebidos na fundação de betão.8: T-stub sem contacto com o bloco de betão.

BASES DE PILARES

e

p

e

ex mx

e b

m

Figura 7.11: Dimensões da placa de base com parafusos dentro e fora dos banzos do pilar. Quadro 7.1: Comprimentos efectivos de T-stubs para placas de base com chumbadouros fora dos banzos do pilar. há efeito de alavanca não há efeito de alavanca

L1 = 4mx + 1, 25e x L 2 = 2π ⋅ mx L 3 = 0,5b L 4 = 2mx + 0, 625e x + 0,5p L 5 = 2mx + 0, 625e x + e L 6 = π ⋅ mx + 2e L 7 = π ⋅ mx + p
L eff.1 = min (L1 ; L 2 ; L 3 ; L 4 ; L 5 ; L 6 ; L 7 )
L eff.2 = min (L1 ; L 3 ; L 4 ;L 5 )

L1 = 4mx + 1, 25e x L 2 = 4π ⋅ mx L 3 = 0,5b L 4 = 2mx + 0, 625e x + 0,5p L 5 = 2mx + 0, 625e x + e L 6 = 2π ⋅ mx + 4e L 7 = 2π ⋅ mx + 2p
L eff.1 = min (L1 ;L 2 ; L 3 ;L 4 ; L 5 ; L 6 ;L 7 )
L eff.2 = min (L1 ; L 3 ; L 4 ; L 5 )

Quadro 7.2: Comprimentos efectivos de T-stubs para placas de base com chumbadouros dentro dos banzo do pilar.

L1 = 2α ⋅ m − ( 4m + 1, 25e )

há efeito de alavanca

L1 = 2α ⋅ m − ( 4m + 1, 25e )

não há efeito de alavanca

L 2 = 2π ⋅ m L eff ,1 = min (L1 ;L 2 )

L 2 = 4π ⋅ m L eff ,1 = min (L1 ; L 2 )

L eff ,2 = L1

L eff ,2 = L1

Questão 7.6: Comprimento Efectivo do T-Stub da Placa de Base com Chumbadouros fora da Largura dos Banzos

Os quadros para cálculo do comprimento efectivo de um T-stub, consideram apenas os casos em que todos os parafusos se encontram dentro dos limites da largura do banzo da viga. Quando os parafusos se encontram fora dos limites do banzo da viga podem utilizar-se as mesmas fórmulas?

_____________________________________________________________________
Os padrões de linhas de rotura para placas com parafusos situados fora dos limite da largura do banzo da viga foram estudados por Wald [Wald et al., 2000]. O estudo concluiu que, para este caso, existe um padrão adicional, cuja fórmula deve ser adicionada aos quadros de ligações viga-pilar.

Manual de ligações metálicas

69

BASES DE PILARES

1

Δ

a a c b bc

d c

α
y Lb eb
eff.5 Caso 5 eff.4 Caso 4

eff.1 Caso 1

eff.2 Caso 2 eff.3 Caso 3

Linha de rotura

x La

α
ea

a)

b)

Figura 7.12: Placa de base com chumbadouros fora dos limites do banzo do pilar: a) geometria da placa de base, b) comprimentos efectivos do T-stub.

O comprimento efectivo do T-stub pode ser determinado através do método das linhas de rotura. A posição do chumbadouro é definida pelas coordenadas x e y. A linha de rotura é uma linha recta que é perpendicular à linha que une a posição do chumbadouro ao canto da placa. O ângulo α representa a inclinação da linha de rotura e c é a distância mínima desde a linha de rotura ao canto da placa. Para calcular a distância c, utiliza-se o método das linhas de rotura juntamente com o princípio dos trabalhos virtuais. O trabalho realizado pelas forças interiores (energia de deformação interna) na linha de rotura é: ⎛1 1 ⎞ Wi = mpl ⎜ x + y ⎟ x ⎠ ⎝y O trabalho realizado pelas forças exteriores é:
We = Fpl ⋅ Δ

(7.12)

(7.13)

O trabalho realizado pelas forças exteriores é igual à energia de deformação interna, logo:
⎛1 1 ⎞ mpl ⎜ x + y ⎟ = Fpl ⋅ Δ x ⎠ ⎝y

(7.14)

O deslocamento virtual Δ representa a deformação da placa na coordenada do chumbadouro, ver Figura 7.12, e é igual a: Δ= x2 + y2 c (7.15)

Substituindo a expressão de Δ na equação (7.14), vem:
Fpl e x2 + y2 ⎛ x2 + y2 ⎞ = mpl ⎜ ⎟ c ⎝ x⋅y ⎠ (7.16)

70

Manual de ligações metálicas

BASES DE PILARES

Fpl = mpl ⋅ c
∂Fpl ∂c = mpl

x2 + y2 x⋅y
x2 + y2 = const . x⋅y

(7.17) (7.18)

Como tal, o comprimento efectivo Leff é igual a:
L eff = c x2 + y2 x⋅y

(7.19)

No canto do pilar podem observar-se cinco padrões de linhas de rotura, ver Quadro 7.3 [Wald et al., 2000] admitindo que não há contacto entre a placa de base e a superfície do betão, e que portanto não há forças de alavanca.
Quadro 7.3: Determinação do comprimento efectivo do T-stub, Casos 1 a 3. Caso 1 Caso 2 Caso 3

Wext = Fpl ⋅ δ Wext = Fpl ⋅ δ

Wext = Fpl ⋅ δ

δ =

a − ac − 2e a a − ac

δ =

(b − bc ) + (a − ac ) − 2 ea2 + e b2 2 2 (b − bc ) + (a − ac )
2 2

Wint = 4π ⋅ mpl ⋅ δ
Fpl = 4π ⋅ mpl m= a − ac − ea 2

Wint = mpl Fpl = mpl

b a − ac

⎛e e ⎞ Wint = mpl ⎜ a + b ⎟ eb e a ⎠ ⎝ Fpl = mpl ⎛ e a eb ⎞ ⎜ + ⎟ δ ⎝ eb e a ⎠

b a − ac − 2e a

L eff.1 = π ⋅ m

L eff.2

b = 4

L eff.3 =

(a − a )
c

2

+ ( b − b c ) ⎛ e a eb ⎞ ⎜ + ⎟ 8 ⎝ eb e a ⎠
2

Os casos 4 e 5 são semelhantes aos casos 2 e 1 respectivamente. Os resultados das simulações com modelos de Elementos Finitos apresentam-se na Figura 7.13.

Figura 7.13: Simulações com modelos de Elementos Finitos de linhas de rotura. Representação da malha e dos diferentes padrões de rotura para diferentes posições diferentes do chumbadouro em relação à placa de base.

Manual de ligações metálicas

71

30 para argamassa especial.2(6) da EN 1993-1-8.8: Transmissão de Forças de Corte Através dos Chumbadouros Os chumbadouros podem ser utilizados para transmitir forças horizontais à fundação de betão? _____________________________________________________________________ As forças horizontais de corte nas bases de pilares podem ser resistidas por: • atrito entre a placa de base e a argamassa e o betão da fundação. a força de corte é resistida por atrito entre a placa de base e a argamassa de assentamento. os chumbadouros terão que transmitir estas forças de corte.d = 0.d = 0. ver Figura 7. tem sido bastante difundida nos EUA [DeWolf and Ricker 1990]. deve utilizar-se um factor parcial de segurança γMf = 1. Se não forem previstos outros dispositivos (ex.14. (c) dispositivo especial para resistir ao corte. • contacto directo. devido a acções horizontais (vento).5 d. 1997] sugere a utilização de um valor de 0. Nestes casos. o vão pode ser reduzido para L/2. por forma a acomodar a tolerância relativa à posição dos chumbadouros. no caso da placa de base estar embebida no betão.5.2. O valor de Cf. Neste caso. O atrito depende na força de compressão mínima e do coeficiente de atrito. (d) contacto directo. Considerase que os chumbadouros funcionam como uma consola com vão igual à espessura do betão acrescida de 0. é apresentado o coeficiente de atrito entre a placa de base e a camada de solo. Na maior parte dos casos.15. como por exemplo um troço de perfil I ou T ou de uma simples placa. Os furos da placa de base necessitam de ter as folga adequadas.4 para coeficiente de atrito. conectores de esforço transverso). 14: Bases de pilares sujeitas a corte horizontal (a) atrito entre a placa de base e a argamassa e o betão da fundação. (b) corte e flexão dos chumbadouros. quando é usada uma camada de argamassa de assentamento fina com menos de 3mm. Questão 7. a força horizontal de corte não pode ser transmitida por atrito entre a placa de base e a argamassa de assentamento. a força normal de compressão se anule ou passe mesmo a tracção.7: Coeficiente de Atrito entre o Aço e o Betão Qual é o coeficiente de atrito entre o aço e o betão? _____________________________________________________________________ Na cláusula 6. A versão mais conservativa é sintetizada no documento CEB. 72 Manual de ligações metálicas . A utilização de pré-esforço nos chumbadouros faz aumentar a resistência ao corte associada ao atrito. como por exemplo um troço de perfil I ou T ou de uma simples placa. no caso da placa de base estar embebida no betão. Quando a rotação da porca é impedida pela placa de base. A utilização de chumbadouros para transferir a força de corte. soldados à base da placa de base.20 é apresentado para argamassa com inerte do tipo areia. soldados à base da placa de base. em edifícios esbeltos. ver Figura 7. e um valor de Cf. Por vezes pode suceder que.BASES DE PILARES Questão 7. O documento CEB [CEB. conforme recomendado no documento EN 1990 [prEN 1990: 2001]. a) b) c) d) Figura 7. para Estados Limites Últimos. • um dispositivo especial para resistir ao corte. • corte e flexão dos chumbadouros.

Sd δv. Este estado inicializa o efeito de encruamento do material de que são constituídos os parafusos. ver Figura 7. o que corresponde ao desenvolvimento de tracção nos chumbadouros. 1989].Rd = Ft..16. será seguro adicionar a resistência ao atrito à resistência de todos os chumbadouros? _____________________________________________________________________ O modelo de resistência às forças de corte preconizado na cláusula 6..Rd Ff. Considera-se que o chumbadouro vai deformar o que permite o desenvolvimento de tracção no chumbadouro e compressão na argamassa. Tal como indicado na EN 1993-1-8. ver Figura 7.Rd + n ⋅ Fvb.Sd F v.Rd L Figura 7. resistência à tracção.17. Apenas os chumbadouros que se encontram na zona comprimida da placa de base podem ser utilizados para transferência de forças de corte.furo Fv. o esquema de dimensionamento é simplificado de modo a permitir a sua implementação prática.Rd Nc.Rd Fa Ft Fv Fv Resistência à tracção Resistência à tracção reduzida Resistência à flexão e corte δv δv Figura 7. Manual de ligações metálicas 73 . Nc. O método aí descrito baseia-se em trabalho experimental e analítico apresentado em Bouwman et al.Rd Resistência ao escorregamento (7. A resistência dos parafusos à tracção é pequena.9: Transferência de Forças de Corte por Atrito e através de Chumbadouros Uma vez que as folgas na furação são grandes.furo δv Figura 7.2. O modelo de resistência às forças de corte é descrito na EN 1993-1-8. pelo que facilmente se pode atingir a capacidade resistente do material. ver Figura 7. Questão 7.BASES DE PILARES Fv.17: Atrito e resistência à tracção dos chumbadouros. Fv.20) Fv δ v δv.2 da EN 1993-1-8 baseia-se na hipótese de que os chumbadouros sujeitos ao corte têm deformação de flexão. A resistência total ao corte é então devida ao atrito entre a sapata de betão e a placa de base e à resistência à tracção dos chumbadouros da zona comprimida. [Bouwman et al.15: Esquema estrutural do chumbadouro à flexão.16: Comportamento do chumbadouro solicitado ao corte.16.

p γ Mp (7.23) 74 Manual de ligações metálicas . ver Figura 7. chumbadouros com extremidade em cone. Ancoragem a vigas embebidas em espera no bloco de betão. Modelos de resistência de chumbadouros de acordo com a EN 1993-1-8. b) barras com gancho. Questão 7. Que regras se devem seguir? _____________________________________________________________________ As regras indicadas no quadro 3. a) b) c) d) e) f) Figura 7. O factor de redução tem o valor de βb = 0. pois é uma solução muito onerosa.4 da EN 1993-1-8: para determinação da capacidade resistente de parafusos à tracção podem ser utilizadas para todos os tipo de aço. 9 A s ⋅ fub γ M2 (7.BASES DE PILARES A resistência dos parafusos ao esmagamento deve ser verificada separadamente na zona do bloco de betão e na zona da placa de base. d) chumbadouros colados.22) Arrancamento NSd ≤ Na.Rd = βb 0.18.10: Regras para Realização da Ancoragem dos Chumbadouros O estabelecimento de um sistema de ancoragem adequado é o critério mais importante para o dimensionamento de chumbadouros. barras com gancho.18: Tipos de chumbadouros: a) chumbadouros de cabeça aplicados na obra . A força actuante no parafuso NSd deve verificar: NSd ≤ Ft.21) βb é o factor de redução a aplicar a peças obtidas a partir de varões redondos em que as roscas não são normalizadas. chumbadouros colados e chumbadouros cimentados. incluindo o dos chumbadouros. no entanto.85. Podem ser utilizados diferentes sistemas de ancoragem. e) chumbadouros cimentados. f) ancoragem a vigas embebidas em espera no bloco de betão. destina-se apenas a pilares com um momento flector muito elevado.Rd ≤ NRd. 1997] com base em trabalho de Eligehausen [Eligehausen 1990].s = A s ⋅ fyb γ M2 (7. não é considerado na EN 1993-1-8. De acordo com este Guia.Rd ≤ NRd. se for aplicável. c) chumbadouros com extremidade em cone. foram publicados no Guia CEB [CEB. nomeadamente: chumbadouros de cabeça aplicados na obra. é necessária a verificação dos seguintes modos de rotura de chumbadouros: Cedência do aço NSd ≤ Na.p = NRk .

é dada por: 0 NRd.N (7.Rd ≤ NRd. A resistência ao arrancamento é dada por: NRd.N ⋅ Ψ ec.c γ Mc (7.sp γ Msp (7.28a) (7. Para chumbadouros de cabeça circular e quadrada Ah é dada por: Ah = π (d 2 h − d2 ) 4 d2 4 (7.N A0 c.BASES DE PILARES Rotura do cone de betão NSd ≤ Na.25) Para os chumbadouros em grupo são necessárias as mesmas verificações.19).28b) A h = ah2 − π A resistência do cone de betão.27) e Ah é a área da cabeça do chumbadouros sujeita a esmagamento. sujeitas a tracção (Figura 7.N ⋅ Ψ s.N ⋅ Ψ ucr.19: Geometria dos chumbadouros de cabeça aplicados na obra.sp = NRk .20.c A c.c = NRd.p = pk ⋅ A h (7. p e d 0. De seguida indica-se o dimensionamento de ancoragens realizadas com chumbadouros de cabeça aplicados na obra.N ⋅ Ψ re.24) Resistência do betão à projecção NSd ≤ NRd.29) onde: Manual de ligações metálicas 75 . é: pk = 11 fck (7.7 t 1 h ef ah t1 a1 h1 th dh Figura 7. ver Figura 7.c = NRk .26) γ Mp onde pk para betão não-fissurado.

N = 1.N p1 pcr. a resistência é aumentada através do parâmetro Ψure.N a) b) c) Figura 7.N = pcr. 3 e e cr.50 mm ) (7. para chumbadouros aplicados em obra. pode ser impedida se o betão passar a ser armado e se se limitar a zona de aplicação dos chumbadouros.N p2 0.N + p1 )( pcr. é incluído na expressão da área do cone (Figura 7.20: Cone virtual de betão. A perturbação na distribuição de tensões no betão pode ser contabilizada através do parâmetro Ψs. utiliza-se no caso de chumbadouros a pequenas profundidades (hef ≤ 100 mm). e2). A rotura do betão por projecção. O efeito geométrico relativo ao espaçamento dos chumbadouros (p1.N = 0. c) chumbadouro individual junto à extremidade.N A largura do cone de betão pode ser tomada aproximadamente como: pcr.5 p cr.34) a distância dos chumbadouros à extremidade do bloco deve ser maior que: 76 Manual de ligações metálicas .5 pcr.BASES DE PILARES 0 NRk .N p cr.N e 0.5 pcr.31b) (7. O espaçamento dos chumbadouros deve ser maior que: pmin = ( 5 dh . p2) e da distância à extremidade (e1. O coeficiente k1 = 11 (N/mm)0.30) é o valor da resistência de um elemento de ligação isolado.5 ef γ Mc (7.33) O parâmetro Ψec.N2 (7.31c) A c.N ) pcr.N é introduzido para ter em conta o efeito de vários chumbadouros em conjunto.32) 0.20). como: A 0 c. 7 + 0.c = 0.5 k1 ⋅ fck ⋅ h1.31a) (7.N Ψ s.N ≤1 (7.N pcr.4. 5 pcr. Se a ancoragem for realizada numa zona de betão não fissurado. b) grupo de chumbadouros. a) chumbadouro individual.N = 3 hef (7.5 pode ser utilizado para betão não fissurado.N + p2 ) A c.N = ( pcr.N = ( e + 0.

Manual de ligações metálicas 77 . 1994].36) Para chumbadouros a uma distância da extremidade do bloco e > 0. a verificação de rotura do betão por projecção pode ser omitida. A descrição detalhada da resistência de diferentes tipos de chumbadouros sujeitos a esforços de tracção.5 hef em todas as direcções.BASES DE PILARES emin = ( 3 dh .35) e a altura do bloco de betão não deve ser menor que: hmin = hef + t h + c ∅ (7.50 mm ) (7. corte e a ambos está disponível no Guia CEB [CEB.

2 Critérios de Dimensionamento de Actualmente. A influência de acções sísmicas ou dinâmicas.8 ACÇÃO SÍSMICA 8. As técnicas de pormenorização de soldadura. no que diz respeito às ligações metálicas dimensionadas para zonas sísmicas. não é considerada neste Documento Normativo. comprometendo assim as capacidades dissipativas da ligação e o seu bom comportamento sísmico.1 Generalidades As estruturas metálicas porticadas são largamente utilizadas no dimensionamento associado a acções sísmicas. e ainda hoje os engenheiros tentam compreender a resposta deste tipo de estruturas face às acções sísmicas verificadas. A nível de projecto. a resistência a acções sísmicas e o comportamento deste tipo de estruturas eram tidos como muito favoráveis até se verificarem os sismos de Northridge e de Kobe. Infelizmente. Nos EUA e no Japão. O Documento EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] inclui regras de avaliação da resistência e rigidez de ligações metálicas. que pode ser condicionante em regiões sísmicas. nomeadamente factores que se prendem com a pormenorização e técnicas de execução da soldadura vigentes no passado. as estruturas metálicas sofreram danos durante estes sismos. Entretanto foi desenvolvido um programa de investigação no sentido de analisar a razão do mau comportamento sísmico das ligações em determinadas estruturas metálicas. a utilização de perfis e ligações com dimensões significativamente maiores do que as dos modelos utilizados na maioria dos ensaios experimentais realizados. incluem por um lado. e por outro. desenvolve-se em três vertentes principais: • Pesquisa bibliográfica aprofundada. que alegadamente tiveram um papel de relevo nas roturas observadas pós-sismo. nomeadamente: • Critério de sobre-resistência. As deficiências no processo de soldadura prendem-se maioritariamente com o uso de metal de adição de baixa tenacidade e controlo de qualidade insuficiente. os procedimentos que se julga terem contribuído para uma má performance sísmica das ligações. a utilização de opções de dimensionamento que conduzem a um enfraquecimento excessivo da zona do painel de alma do pilar. incluem detalhes que conduziram ao desenvolvimento de grandes concentrações de tensões. Os danos inesperados invalidaram os procedimentos de projecto e construção estabelecidos e utilizados nessa altura para ligações viga-pilar. 8. . • Critério de robustez (pormenorização e comportamento do material adequados). há condições básicas que têm que ser satisfeitas. • Critério de ductilidade (capacidade de rotação). É óbvio que. Existe consenso no que diz respeito ao facto de que vários factores devem ter contribuído para as roturas observadas. necessidades excessivas de ductilidade local e confinamento tri-axial elevado na zona de interface viga-pilar. respectivamente. a investigação direccionada para o desenvolvimento de procedimentos dimensionamento de edifícios de estrutura metálica.

As suas ligações podem ser rígidas ou rotuladas. Nos EUA. tipo de furo.ACÇÃO SÍSMICA • Investigação analítica e experimental relativamente a vários aspectos que demonstraram ter um papel significativo na resposta sísmica de estruturas metálicas. do mesmo tipo ou não. material de base. As condições de dimensionamento apresentadas a seguir são consideradas genéricas. e também. mão-de-obra. do comportamento das ligações. • Resistência do painel da alma do pilar. apresenta informação adicional. • Efeitos P-δ.viga fraca. considera-se que o seu comportamento é semelhante ou que pelo menos têm as características exigidas para que assim seja. A EN 1998-1 [prEN 1998-1: 2001]. Estudos recentes que visam a produção de recomendações de projecto. O comportamento dos pórticos é função de muitos factores relacionados entre si. ou seja: se duas ligações quaisquer. • Tenacidade do entalhe para o material do cordão de soldadura. • Tenacidade do entalhe para o material de base. análise estrutural. As recomendações fornecem indicações para escolha do sistema mais adequado para o fim em causa. em termos de capacidade de rotação. sendo os valores limites de 0. verificarem as mesmas condições. respectivamente. • Cordão de reverso e guias perdidas.03. definida pelo momento resistente Mj. As recomendações para o dimensionamento de ligações dividem-se em dois campos. Ligações Aparafusadas: • Dimensões do parafuso. • Resistência da ligação e características de degradação do comportamento. • Dimensões e forma do orifício de acesso. • Cordões de soldadura de ângulo para reforço. as recomendações de dimensionamento de pórticos sujeitos a acções sísmicas. Pórtico Não Rotulado de Resistência Intermédia (IMRF) e Pórtico Não Rotulado de Resistência Melhorada (SMRF). Ligações Soldadas: • Resistência na espessura. direccionam-se para a determinação dos efeitos e da importância dos seguintes aspectos: • Critério de dimensionamento pilar forte . relativamente a ligações metálicas sujeitas a acções sísmicas. • Instabilidade local de secções. Os três tipos de pórticos referidos devem ser classificados consoante a capacidade de rotação plástica.01. 0. Por um lado fornecem indicações específicas para ligações normalizadas. Desses aspectos destacase a caracterização das solicitações sísmicas. tal como o indicado no Capítulo 6 desta publicação. em alguns casos. 80 Manual de ligações metálicas . rigidez de rotação Sj e capacidade de rotação φCd. Na Europa. De um modo geral a investigação realizada conduz a procedimentos actualizados e mais rigorosos para o controlo de qualidade dos materiais e dos processos de fabrico. soldadura. quer seja a obtenção de redundância estrutural. • Resistência da área útil. a EN 1993-1-8 caracteriza as ligações metálicas através de uma curva não-linear momento-rotação. subdividem as estruturas consoante o nível de solicitação sísmica a que devem resistir à priori: Pórtico Não Rotulado de Resistência Ordinária (OMRF). aperto. os limites da categoria estrutural seleccionada.02 e 0. e por outro disponibilizam uma gama alargada de informações relativas a certos itens relativos ou mesmo à totalidade dos processos de dimensionamento. • Ensaios à escala real de ligações usuais ou suas componentes. aspectos de dimensionamento do pórtico ou para o dimensionamento de ligações adequadas que verifiquem.Rd. e de relações de dimensionamento que afectam o comportamento global do pórtico.

3 Tipos de Ligações Viga-Pilar O programa de ensaios experimentais levado a cabo pelo consórcio FEMA/SAC (EUA). Figura 8. Os tipos de ligações apresentados abaixo estão pré-certificados para utilização corrente. se necessário Guia para alma Parafusos de alta resistência Soldadura. Figura 8.1b). Placa de continuidade Placa dupla. • Soldada com reforço simples (SRS). semelhante à configuração da Figura 8. Cada tipo de ligação é classificado como adequado para determinado intervalo.1a). • Soldada – Alma reforçada com placa cobrejunta (SARCC).1c). • Soldada com T em espera ligado à viga por placa cobrejunta aparafusada (STELVCCA).1: Ligações tipo pré-qualificadas em utilização nos EUA. • Soldada com cantoneira na alma (SCA). • Soldada – Banzos da viga não reforçados (SBVNR). Manual de ligações metálicas 81 . especificado em termos de dimensões das secções e da rotação plástica. se necessário Placa de reforço a) Ligação viga-pilar pré-qualificada Placa cobrejunta soldada à viga (de ambos os lados) Ligação de alma soldada Placas nos banzos b) Ligação soldada com banzos da viga reforçados com placa Parafusos de alta resistência (c) Soldada com t em espera ligado à viga por placa cobrejunta aparafusada Placa cobrejunta soldada à viga (d) Ligação aparafusada com placa de extremidade estendida Parafusos de alta resistência Parafusos de alta resistência Placas soldadas ou Tês variáveis com placas soldadas (f) Ligação aparafusada com reforço duplo (e) Ligação soldada com placas cobrejunta aparafusadas à viga Figura 8. forneceu dados suficientes para permitir o desenvolvimento de directivas fiáveis de dimensionamento para vários tipos de ligações soldadas. • Soldada – Banzos da viga reforçados com placa (SBVRC). • Soldada com reforço duplo (SRD).ACÇÃO SÍSMICA 8.

ACÇÃO SÍSMICA

As recomendações incluem, para além das ligações soldadas enumeradas acima, vários tipos de ligações aparafusadas em obra, que também se encontram pré-qualificadas para determinadas condições de utilização. As tipologias disponíveis, dentro das ligações aparafusadas são: • Aparafusada com placa de extremidade (ACT), Figura 8.1d); • Soldada com placas cobrejunta aparafusadas à viga (SCCAV), Figura 8.1e); • Aparafusada com esquadro simples (ARIVS) Figura 8.1f); • Aparafusada com esquadro duplo (ARIVD), Figura 8.1f). Na Figura 8.2 apresentam-se algumas ligações específicas utilizadas no Japão e na Figura 8.3, ligações ensaiadas e utilizadas habitualmente na Europa [Mazzolani, 2000].
diafragma metálico steel diaphragm diafragma metálico steel diaphragm

viga beam pilar column pilar column

cantilever consola

viga beam

Figura 8.2: Ligações usuais no Japão.
A
pilar

pilar

. . .

column beam viga

. . .
10M20 gr 10.9

column beam viga

. . .

column beam viga

pilar

A

B

B

C

C

3M20 gr6.6 B-B C-C

A-A

Ligação com Placa de Extremidade Estendida

Ligação Soldada

Ligação Soldada com Placas Soldadas ao Banzo da Viga

Figura 8.3: Ligações usuais na Europa.

8.4

Recomendações de Projecto e Produção

O Documento EN 1998-1 preconiza as seguintes regras de carácter geral para ligações metálicas, em estruturas dissipativas: • Devem-se evitar deformações plásticas localizadas, concentrações de tensões elevadas e defeitos de construção. A qualidade do dimensionamento deve ser comprovada através de ensaios experimentais. • Ligações não dissipativas de elementos dissipativos, realizadas com soldadura de penetração total, têm que verificar o critério de sobre-resistência. • Para ligações soldadas com cordão de ângulo, ou ligações aparafusadas não dissipativas, deve ser verificada a seguinte condição:

82

Manual de ligações metálicas

ACÇÃO SÍSMICA

R d ≥ 1, 35 R fy

(8.1)

em que Rd é a resistência da ligação e Rfy é resistência plástica do elemento dissipativo ligado. • Nas ligações aparafusadas com corte, apenas as categorias B e C devem ser utilizadas, e nas ligações aparafusadas com tracção, apenas a categoria E com aperto controlado dos parafusos deve ser utilizada. Parafusos desta categoria, também poderão ser utilizados em ligações ao corte com parafusos em furos sem folga. • Para ligações aparafusadas ao corte, a resistência dos parafusos ao corte deve ser 1,2 vezes superior à resistência da placa ao esmagamento. • A resistência e ductilidade dos perfis e suas ligações sujeitas a solicitações cíclicas devem ser comprovados através de ensaios experimentais, por forma a estarem de acordo com os requisitos definidos para cada tipo estrutural e para cada classe de ductilidade. Este procedimento aplica-se a todos os tipos de ligações em estruturas em zonas sísmicas. Os requisitos exigidos em termos de ductilidade para os vários tipos estruturais encontram-se expressos nas cláusulas 6.6 e 6.9 da EN 1998-1. Para esses mesmos requisitos, quando expressos em termos de capacidade de rotação plástica, o parâmetro utilizado é θp:

θp = δ

0,5L

(8.2)

em que δ é a flecha da viga a meio vão. O Documento EN 1998-1 apresenta os seguintes requisitos para ligações viga-pilar: • Se a estrutura for dimensionada de forma que a energia seja dissipada nas vigas, a ligação viga-pilar deve ser dimensionada de forma a verificar o critério de sobre-resistência, considerando o momento resistente Mpl.Rd e o esforço transverso avaliados conforme a cláusula 6.6.2 da EN 1998-1. • Ligações semi-rígidas dissipativas e/ou de resistência parcial podem ser utilizadas desde que sejam satisfeitas as seguintes condições: a) as ligações têm uma capacidade de rotação consistente com as deformações globais; b) os elementos associados às ligações se mantenham estáveis para Estados Limites Últimos; c) o efeito da deformação das ligações seja tido em conta no deslocamento horizontal global. • O dimensionamento das ligações deve ser tal que a capacidade de rotação plástica θp na linha de rotura, não seja menor que 35 mrad para estruturas de classe de ductilidade H, e 25 mrad para estruturas de classe de ductilidade M, com q>2. Estes valores devem ser obtidos para ensaios cíclicos em que a degradação de resistência e de rigidez se limite a 20%. Este requisito é válido independentemente do local onde se pretende a zona dissipativa. • Quando se utilizam ligações de resistência parcial, o dimensionamento do pilar deve ser condicionado pela capacidade de rotação plástica da ligação. A influência da pormenorização local e das propriedades materiais no comportamento plástico de ligações em pórticos de nós fixos tem sido investigado em vários países nos últimos anos. Algumas das conclusões dessas investigações são apresentadas de seguida [El-Tawil et al., 2000], [Mao et al., 2001]:

Propriedades Materiais – relação tensão de cedência/ tensão última (RTCTU) Ligações com RTCTU (fy/fu) de 0,65 e 0,80 exibiram um comportamento semelhante para capacidades de rotação plástica até 0,030 rad. Comparativamente com os dois casos referidos, ligações com RTCTU de 0,95 apresentaram um comprimento significativamente menor na linha de rotura, para uma capacidade e rotação plástica 0,030 rad. A dimensão da zona plastificada na viga com RTCTU de 0,95
Manual de ligações metálicas 83

ACÇÃO SÍSMICA

era sensivelmente metade da dimensão da zona plastificada na viga com RTCTU de 0,80. Como consequência de um menor comprimento plastificado verificou-se um aumento de extensões locais, o que por sua vez conduziu a instabilidade localizada prematura. Este nível elevado de extensões conduz também a uma maior susceptibilidade à rotura oligocíclica.

Pormenores construtivos – furo de acesso para soldar: dimensões e geometria
O aumento das dimensões do entalhe da alma para soldar torna mais fácil a operação de soldar no banzo inferior da viga e conduz a um trabalho de soldadura de melhor qualidade. No entanto, as investigações sugerem que é importante utilizar um furo de acesso de pequenas dimensões, por forma a reduzir o potencial de fractura frágil na base do furo. A análise confirma que o comportamento dos furos de acesso que terminam perpendicularmente ao banzo é inferior ao dos furos de configuração semi-circular, em termos de propensão à fractura frágil.

Pormenores construtivos – placas de continuidade
As recomendações FEMA-267 preconizam a utilização de placas de continuidade em todas as ligações. No entanto, a investigação sugere que as recomendações possam não ser cumpridas no caso de ligações em T.

Questão 8.1: Dimensionamento de Ligações Sujeitas a Carregamento Dinâmico

O Documento Normativo EN 1993-1-8 é aplicável a ligações sujeitas a acções estáticas. Será também aplicável a ligações sujeitas a acções dinâmicas, nomeadamente à acção do vento?

_____________________________________________________________________
A aplicabilidade do Documento EN 1993-1-8 depende do parâmetro em estudo: • No que diz respeito ao momento resistente Mj.Rd e à rigidez inicial de rotação da ligação Sj.ini, a formulação apresentada neste Documento pode ser perfeitamente utilizada para o caso de acções dinâmicas. • No que diz respeito à capacidade de rotação de ligações metálicas, as disposições apresentadas na EN 1993-1-8 não consideram a tipologia das ligações metálicas. De qualquer forma, após um vasto programa experimental, concluiu-se que a capacidade de rotação de uma ligação sujeita a acções dinâmicas é cerca de 0,5 da capacidade de rotação medida no caso de carregamento monotónico. • O mecanismo de colapso também pode sofrer alterações no caso de carregamento dinâmico em relação ao mecanismo de colapso determinado de acordo com este Documento Normativo.

Questão 8.2: Influência de Carregamento Não-simétrico

O Documento Normativo EN 1993-1-8 é aplicável a ligações sujeitas a acções estáticas. Será também aplicável a ligações sujeitas a acções sísmicas, nomeadamente à acção de cargas sísmicas nãosimétricas?

_____________________________________________________________________
Segundo um programa de investigação desenvolvido na Europa [Mazzolani, 2000], conclui-se que os valores preconizados na EN 1993-1-8 não podem ser utilizados para este tipo de carregamento. Na questão anterior foi apresentada uma comparação entre os valores apresentados na EN 1993-1-8 e os valores homólogos obtidos de ensaios de ligações simétricas sujeitas a carregamento cíclico. Foi realizado um estudo similar para estabelecer a comparação entre o comportamento de ligações

84

Manual de ligações metálicas

Foram estudados três tipos de soldadura: duplo viés. que em muitos casos atingiu 27% do seu valor. não é possível retirar ilações com grande fiabilidade quanto à redução de ductilidade devido a altos níveis de extensão no caso de carregamento cíclico.03-0.06 s-1 (comum para perfis metálicos em cedência devido a acções sísmicas) provoca um aumento na tensão de cedência. Este facto evidencia uma das desvantagens deste tipo de processo de soldadura. o comportamento ideal que corresponde à rotura no metal de base. permitindo assim o início da propagação de fendas.3: Influência do Encruamento Qual é a influência do encruamento no comportamento de ligações metálicas? _____________________________________________________________________ Ensaios experimentais realizados por Mazzolani permitiram concluir que o encruamento tem um papel importante no comportamento das ligações [Mazzolani. Os espécimens com soldadura de ângulo apresentaram um comportamento intermédio. tendo-se obtido as seguintes conclusões: • Os valores do momento resistente obtidos com o segundo grupo são menores entre 20% a 40% do momento resistente do primeiro grupo. De um modo geral. sendo a causa principal de rotura. Também se verificou uma redução de ductilidade. • A capacidade de rotação do segundo grupo é 150% a 200% da capacidade de rotação do primeiro grupo. No caso de soldadura de ângulo é condição obrigatória a verificação das dimensões do cordão. dependendo igualmente da configuração da ligação. No entanto. este fenómeno é já bem conhecido para o aço estrutural. A explicação foi atribuída ao facto de este tipo de soldadura não apresentar imperfeições em comparação com os outros dois processos referidos. No caso particular de ligações viga-pilar em pórticos não-rotulados.ACÇÃO SÍSMICA sujeitas a carregamentos cíclicos simétricos e não simétricos. enquanto que as soldaduras de viés duplo e de ângulo obrigam a soldar em posição invertida no caso de o trabalho ser realizado na obra. e a um nível mais reduzido provoca o aumento da resistência última das ligações soldadas. 2000]. 2000]. Os espécimens com cordão de viés simples apresentam. são propostas as seguintes recomendações: • As técnicas de duplo viés e de ângulo são recomendadas para soldadura de componentes em estaleiro. um comportamento insatisfatório devido à penetração parcial da solda. ângulo e viés simples. particularmente quando o trabalho é realizado em obra. que consiste na dificuldade de controlar e verificar a dimensão do cordão. em geral. A análise do comportamento destes três tipos de soldadura tem que ter em conta os aspectos tecnológicos e económicos da soldadura. dependendo da configuração da ligação. verificou-se nas soldaduras de duplo viés.4: Influência da Tecnologia e Pormenorização da Soldadura Qual é a influência da tecnologia e pormenorização da soldadura no comportamento de ligações metálicas? _____________________________________________________________________ Ensaios experimentais evidenciam uma vez mais a importância da qualidade da soldadura [Mazzolani. Manual de ligações metálicas 85 . Questão 8. já que os resultados deste tipo de ensaios apresentaram grande dispersão. As soldaduras de viés simples e duplo requerem operações mecânicas adicionais (preparação dos topos a soldar). Uma taxa de extensão no intervalo 0. Questão 8. a dimensão insuficiente do cordão.

a técnica de soldadura utilizada é por arco submerso – fluxo metálico. 86 Manual de ligações metálicas .. A comparação entre ambas as técnicas sugere que a primeira é mais onerosa mas pode conduzir a uma maior tenacidade da solda. pequena sobreposição das resistências da solda e limitação das deformações de corte do painel.030 rad antes do início da fractura na base da soldadura. mas obriga à re-soldagem da base da soldadura de forma a eliminar os defeitos que aí aparecem. cujo comportamento se considera melhor. para este tipo de situação.4b) mostra-se uma configuração modificada do furo de acesso que é recomendada para estruturas sujeitas a acções sísmicas. com dióxido de Carbono (CO2). Com base nos resultados analisados. enquanto que no Japão é por arco submerso – fluxo gasoso. Os resultados mostraram a importância de seleccionar uma configuração adequada para o furo de acesso. do que o da configuração standard. Nos EUA. O carregamento cíclico faz aumentar a probabilidade de fractura da solda para ligações incompletas (solda de ângulo com dimensões insuficientes) e para soldas que apresentem defeitos como penetração incompleta (solda de viés simples). Foi feito um estudo da influência da geometria e dimensões do furo de acesso no potencial início de fractura na vizinhança dos furos. 2001]. As técnicas de soldadura que envolvam eléctrodo de elevada tenacidade para o cordão de ângulo usado para soldar a alma. Na Figura 8. Em ensaios cíclicos de ligações em regime plástico.4: Configurações standard e modificada para o furo de acesso para soldar. devem ser executadas com todo o rigor de modo a minimizar os defeitos da solda. Os resultados das várias análises demonstram que determinados procedimentos podem permitir uma rotação não elástica de 0. verificou-se que a fractura inicia-se na base dos furos de acesso para soldar. Esses procedimentos passam pela utilização de materiais com maior tenacidade e melhor acabamento superficial da soldadura. exibida na Figura 8.ACÇÃO SÍSMICA • A técnica de viés simples é adequada para trabalho em obra. a) Furo de acesso standard a) Standard Weld Access Hole b)b) furo de acesso Access Hole Modified Weld modificado Figura 8. foi definida uma pormenorização que é recomendada para estruturas sujeitas a acções sísmicas. Neste último aspecto destaca-se a remoção da barra de suporte. É de realçar que os defeitos referidos foram observados quer no caso de ligações viga-pilar.4a) [Mao et al. Nos EUA e no Japão também foram realizados ensaios sobre a mesma problemática. quer no caso de ligações soldadas. com soldas nos banzos da viga. Além disso recomenda-se a utilização de um painel de alma do pilar mais forte. e que apenas se utilizem ligações por placa de alma aparafusada em pórticos ordinários. A pormenorização consiste na utilização de soldadura de penetração completa na zona da alma e cordões suplementares como reforço da soldadura de ângulo utilizada na placa ao corte. Observou-se que o pormenor de ligação à alma tem um papel de relevo no potencial de fractura do banzo da viga junto à interface entre o metal da solda e o metal de base.

o painel de alma do pilar tem uma forte influência no comportamento da ligação. _____________________________________________________________________ Os HSFG podem ser utilizados como parafusos ordinárias em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas. Estas soluções apresentam vantagens e desvantagens.6: Importância do Comportamento do Painel de Alma do Pilar (Reforços) Qual é a influência do painel de alma do pilar numa ligação sujeita a cargas dinâmicas? _____________________________________________________________________ O comportamento do painel da alma do pilar é descrito na EN 1993-1-8. É recomendado que sejam apertados a um nível que corresponda a 50% da sua carga de pré-esforço..5b). A solução da Figura 8. relativas ao critério de resistência mínima dos Manual de ligações metálicas 87 . realizaram um estudo numérico relativamente ao comportamento sísmico de estruturas metálicas com ligações com painéis de alma deformáveis [Schneider. r b) beff Ls beff a) Figura 8. tendo chegado à conclusão que as normativas actuais. 1998]. No entanto.5.5: Utilização de Parafusos de Alta Resistência em Ligações de Estruturas Sujeitas a Acções Sísmicas É possível utilizar parafusos de alta resistência (HSFG) como parafusos ordinários em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas. No caso de ligações. demonstrou-se que a resistência da ligação se reduz entre 20% e 40% e a ductilidade aumenta entre 150% e 200%. em nó externo ou em nó interno. devido à influência do painel de alma do pilar. representada na Figura 8. A resistência da ligação pode ser aumentada mediante a utilização de placas de alma como reforço do painel de alma do pilar. o que introduz tensões adicionais à ligação. de modo a que as superfícies das placas não tenham que ser preparadas para resistir ao escorregamento. conforme Figura 8.5: Exemplos de placas de alma. Amidi.5a) requer que sejam soldadas placas de alma junto à zona de transição almabanzo. 2000]. Questão 8. Para determinadas cargas não simétricas do tipo dinâmico e sísmico. com carregamento não simétrico. tem a vantagem de evitar as referidas tensões adicionais na zona de ligação alma-banzo. Schneider e Amidi. esta solução reduz o comprimento útil do banzo e limita a utilização de uma ligação aparafusada de eixo forte [Dubina et al.ACÇÃO SÍSMICA Questão 8. mas apenas para acções estáticas. e que consiste em soldar as placas de alma directamente aos banzos. A segunda solução.

seja apenas um valor mínimo.ACÇÃO SÍSMICA painéis. podem conduzir a ligações com elevadas distorções por corte que aumenta a probabilidade de fractura dos banzos dos elementos ligados. 88 Manual de ligações metálicas . Estes resultados sugerem que o valor preconizado na normativa de NEHRP 1991 para a resistência do painel de alma (pelo menos 90% da soma das resistências das vigas que confluem na ligação).

onde a capacidade última dos parafusos em estado limite de incêndio é obtida pela aplicação do factor de redução da resistência elástica kb. pela elevada concentração de massa existente na zona das ligações que retarda o seu aquecimento relativamente aos perfis ligados (vigas e colunas). 1995]. Questão 9. referente à avaliação da resistência estrutural à acção do fogo [prEN 1993-12: 2002]. as ligações entre vigas e pilares são consideradas perfeitamente rígidas ou perfeitamente rotuladas e raramente se considera que estas últimas consigam resistir a momentos flectores. actualmente. assim como a previsão da variação da temperatura nas ligações. as ligações aparafusadas tendem a sofrer escorregamento quando sujeitas a temperaturas elevadas. e ao desenvolvimento tensões devido à dilatação (fase de aquecimento) e à contracção dos elementos aquecidos (fase de arrefecimento). Esta diminuição de força deve-se à relaxação dos parafusos e das placas metálicas.1. 2003].. nomeadamente entre 300 e 700ºC [Sakumoto et al. [Simões da Silva et al.. 1991] e em resultados experimentais de elementos isolados [El-Rimawi et al. assim como à redução do módulo de elasticidade (E).1: Resistência dos Parafusos a Temperaturas Elevadas Como se calcula a resistência dos parafusos a temperaturas elevadas? _____________________________________________________________________ Devido à diminuição das forças de aperto. Para além da verificação isolada de cada ligação.9 ACÇÃO DO FOGO 9. o método das componentes também se poderá aplicar a temperaturas elevadas. [Kirby. 2002]. Estas conclusões são reproduzidas na EN 1993-1-2. Tradicionalmente. em que o comportamento resultante da interacção entre elementos é fundamental.. O capítulo do Eurocódigo. 1997]. [Spyrou et al.θ definido na Figura 9. em incêndios reais [SCI recommendation. No entanto. Ensaios experimentais em parafusos sujeitos a temperaturas elevadas. No seguimento do dimensionamento de ligações metálicas à temperatura ambiente. e embora no passado [prEN 1993-1-2: 1995] se tenha desprezado a avaliação do seu comportamento em situação de incêndio. a EN 1993-1-2 permite a análise de sub-estruturas. aumentando o tempo de vida útil da estrutura. em situação de incêndio..1 Introdução Durante um incêndio. tal como se indica na bibliografia [Simões da Silva et al. inclui um Anexo com expressões de avaliação da resistência das soldaduras e parafusos sujeitos a temperaturas elevadas. . 1992]. as ligações consideradas rotuladas à temperatura ambiente conseguem absorver níveis de resistência e rigidez consideráveis quando sujeitas a temperaturas elevadas. as estruturas metálicas estão sujeitas a alteração das suas propriedades (mecânicas e térmicas). 1997]. e tal como observado em ensaios em estruturas reais [Moore. 2001].1 e no Quadro 9. considera-se que deverão ser verificadas tal como qualquer outro elemento estrutural. mostraram que a redução da resistência do aço tem uma influência significativa na redução da capacidade última dos parafusos.. Para além disso.

033 0.Rd ⋅ k b.Rd = Fb.2 0.t .ACÇÃO DO FOGO 1 0. ºC Figura 9.1: Factor de redução para a resistência de parafusos.8 0.550 0.θ para a resistência elástica do aço.θ ky.100 0.775 0.θ γm γ m. em situação de incêndio é dada por: Fb.4 0.θ (tensão e corte) 20 100 150 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1.Rd ⋅ k b.1) a resistência de cálculo dos parafusos ao esmagamento.000 0. kw.5 0.3 0.3) 90 Manual de ligações metálicas .fi (9.fi (9.t .1 0 0 200 400 600 800 1000 1200 kw.9 0.6 0. em situação de incêndio é dada por: Fv .1: Factor de redução kb.θ γm γ m.220 0.Rd ⋅ k b.θ para a resistência de parafusos.θ kb. em situação de incêndio é: Ften.952 0. Temperatura θa Factor de redução para parafusos kb.θ θa.7 0.968 0.θ para a resistência da soldadura e ky.000 A resistência de cálculo dos parafusos ao corte.fi (9.903 0.2) e a resistência de cálculo de um parafuso traccionado.067 0.935 0.Rd = Ft . Quadro 9.θ γm γ m.Rd = Fv .t .

5) θh = 0. 3 ( h / D ) ⎤ ⎣ ⎦ • Altura da viga é superior a 400 mm (9. devido à concentração de massa na ligação.Rd ⋅ k w.t. Tendo como objectivo principal a quantificação da distribuição da temperatura em ligações. deverá ser considerado pelo menos igual à da peça ligada mais fraca. Aplicando as expressões referidas na EN 1993-1-2.6) (9. Para as ligações viga-pilar e viga-viga. a temperatura na alma é ligeiramente inferior. sujeita a temperaturas elevadas? _____________________________________________________________________ A resposta a esta questão poderá ser dividida em duas partes: a variação da temperatura na ligação (ver resposta à Questão 9.2 apresenta esses resultados. este valor de temperatura poderá ser calculado com base no maior valor dos racios A/V dos perfis metálicos adjacentes.4) Questão 9. para temperaturas inferiores a 700ºC.2). em que as vigas suportam uma laje de betão. 88θ0 ⎡1 + 0. Existem várias distribuições de temperatura propostas e/ou utilizadas em ensaios experimentais. Observa-se que. a temperatura na ligação deverá ser calculada em função do valor de massividade (A/V) das componentes da ligação. foram efectuados estudos experimentais em várias tipologias de ligações. Manual de ligações metálicas 91 . Para temperaturas superiores a 700ºC. a variação de temperatura na ligação deverá ser avaliada separadamente dos elementos ligados. 88θ0 ⎡1 − 0.3: Distribuição da Temperatura numa Ligação. ao Longo do Tempo As expressões simplificadas referentes à distribuição da temperatura.3).ACÇÃO DO FOGO Questão 9. os factores de redução apresentados para os cordões de soldadura de ângulo podem ser aplicados à soldadura de topo.fi (9. é considerada uma distribuição uniforme de temperatura na ligação. De acordo com a EN 1993-1-2. a presença da laje de betão provoca uma redução na temperatura do banzo superior da viga. a temperatura da ligação é calculada a partir da temperatura do banzo inferior da viga a meio vão. A resistência de cálculo da soldadura de topo por penetração completa. Para além disso. indicadas na EN 1993-1-2. deve ser determinada a partir de: Fw. poderão ser utilizadas para qualquer geometria de ligação? _____________________________________________________________________ A conductilibidade térmica do aço é muito elevada. 88θ0 h é inferior a D/2 h é superior a D/2 (9.Rd = Fw .2: Resistência da Soldadura a Temperaturas Elevadas Como se avalia a resistência de uma ligação soldada. enquanto que em vigas mais compactas. Como simplificação. 2 (1 − 2h / D ) ⎤ ⎣ ⎦ Sendo h a distância do banzo inferior da viga à componente em estudo (Figura 9.7) θh = 0. 1990]. a temperatura na alma de vigas esbeltas é similar à temperatura do banzo inferior. a temperatura nas componentes da ligação é determinada do seguinte modo: • Altura da viga é inferior a 400 mm θh = 0. utilizando o factor de reducção apropriado para o aço. e a resistência da soldadura a temperaturas elevadas. [Lawson. A resistência de cálculo por unidade de comprimento de um cordão de soldadura. O Quadro 9. Descrições mais detalhadas encontram-se na bibliografia.θ ⋅ γm γ m. No entanto.

Quadro 9.88 0.banzo superior da viga .8)): No interior do forno. junto à ligação .88 Figura 9. ao longo do tempo. (1997) 92 Manual de ligações metálicas .parafusos superiores (expostos) .banzo superior da viga. de modo a atingir 900ºC em 90 min. θ fiada superior de parafusos ≈ 520 ºC.75 0. θ placa de extremidade ≈ 550 ºC.・・ 0. 3 parafusos M16 (8.88 0. ・・ Placa de extremidade θ fb ・・: Temperatura do banzo inferior da viga Al-Jabri et al (1998) e Al-Jabri et al (1997) Ensaios em ligações viga-pilar metálicas e mistas: No interior do forno.2: Gradiente térmico na viga mista.985 ×θ fb . 0. θ parafusos embebidos ≈ 350 ºC Ensaios em ligações de nó interno com placa de extremidade rasa (viga: 254x102x22. θ alma da coluna ≈ 450 ºC.928 ×θ fb .parafusos inferiores .・ 1. Adoptou: θ banzo superior da viga = 0.banzo inferior da viga . de modo a atingir 900ºC em 90 min. 0. considerando a fiada superior de parafusos embebida no betão: 1 6 3 4 2 7 5 .2: Distribuição da temperatura numa ligação.7 θ banzo inferior da viga = θ alma da viga El-Rimawi et al.parafusos superiores embebidos em betão SCI recommendation (1990) Temperatura (ºC) Compartimento de incêndio Temperatura no banzo inferior da viga (ºC) Modelação numérica de ligações de nó interno mistas com placa de extremidade estendida: Variação Liu (1996) da temperatura na ligação: Para t =45 min: θ fiada inferior de parafusos ≈ 650 ºC.62 D > 400 mm 0.ACÇÃO DO FOGO Viga mista D < 400 mm 0.036 ×θ fb .987 ×θ fb . pilar: 152x152x23.982 ×θ fb . Os resultados obtidos indicam que a componente da ligação com temperaturas mais elevadas foi a alma do pilar.677 ×θ fb . A sua temperatura foi 8%-26% superior à temperatura do banzo inferior da viga. A presença da laje de betão sobre a ligação provocou uma redução de 20%-30% da temperatura do banzo superior da viga.000 ×θ fb .966 ×θ fb . foi aplicada uma variação linear de temperatura. As temperaturas médias obtidas foram: Leston-Jones et al (1997) Banzo inferior da viga Alma da viga Fiada média de parafusos Banzo da coluna 1. 0.・・ Banzo superior da viga ・・Fiada superior de parafusos Fiada inferior de parafusos 0.banzo inferior da viga.70 h D 0. junto à ligação . de geometria similar às utilizadas em edifícios metálicos (ligações metálicas e mistas): As temperaturas médias obtidas foram: θ banzo inferior da viga = 650 ºC a 750 ºC θ fiada superior de parafusos = 150 ºC a 200 ºC inferior a θ banzo inferior da viga θ fiada inferior de parafusos = 100 ºC a 150 ºC inferior a θ fiada superior de parafusos Ligação com placa de extremidade estendida. Autor Distribuição de temperatura Lawson (1990) Ensaio em oito ligações viga-pilar. foi aplicada uma variação linear de temperatura.・ 0.

8) a (9. [Al-Jabri et al.9) (9. 1990].10).8) (9. No contexto do método das componentes. também é aplicável esta metodologia? _____________________________________________________________________ O método das componentes. recorrendo a estudos numéricos e/ou experimentais. a EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] apresenta uma metodologia que permite calcular o comportamento global da ligação. pode ser adaptado e aplicado ao cálculo do comportamento de ligações metálicas a temperaturas elevadas. [Leston-Jones et al. ao esmagamento e tracção. 1997]. 1997]. 1996].θ = k E. RESISTÊNCIA Tendo como base a Figura 9. [Al-Jabri et al.θ para um dado nível de força F. provavelmente pelas dimensões das componentes serem de ordem muito inferior às dimensões dos perfis ligados e a influência destes perfis ser sentida nas componentes da ligação [Franssen. y Fi. estão de acordo com os resultados experimentais aqui referidos.20ºC (9. Além do mais. para além de expressões de cálculo da resistência dos parafusos ao corte.8) a (9. é directamente proporcional ao seu módulo de elasticidade (E)... a curva de incêndio externo ou se se tratar de um incêndio natural. Os valores propostos na EN 1993-1-2. estes valores foram obtidos com base na curva de incêndio padrão ISO 834.10) apresentam a variação da resposta força-deformação da componente i à temperatura θ. tal como apresentado no Capítulo 6 para ligações à temperatura ambiente [Simões da Silva et al. 1997] e [El-Rimawi et al. estudos recentes contrariam as recomendações dadas pela EN 1993-1-2: Franssen mostrou que a variação da temperatura nas componentes é superior ao valor calculado com base na massividade local. Dependendo do objectivo da análise. No entanto.. pode ser avaliada a resistência e a rigidez inicial ou. tendo em consideração a curva não-linear força-deformação de cada uma das componentes. 2002].ACÇÃO DO FOGO [SCI recommendation. é necessário efectuar uma análise específica.4: Comportamento de Ligações Metálicas a Temperaturas Elevadas – Aplicação do Método das Componentes À temperatura ambiente.10) K e i.. o comportamento não linear da ligação. A aplicação deste procedimento permite que o comportamento de ligações em situação de incêndio. e da resistência de cálculo de um cordão de soldadura por unidade de comprimento.20ºC Introduzindo nas equações (9. é possível avaliar o comportamento da ligação para uma evolução de temperatura pré-definida. esta variação é implementada ao nível das componentes.θ ⋅ K e i. 1998]. e a resistência de cada componente depende da tensão de cedência do aço (fy). Questão 9. Kpl e Fy relativas ao comportamento das componentes à temperatura ambiente. A rigidez elástica.θ = k E.θ ⋅ K pl i. a deformação da componente ∆i..yθ = k y . De modo a avaliar a resposta não-linear de ligações metálicas em situação de incêndio. 2001]. é dada pelas seguintes expressões: Manual de ligações metálicas 93 . A temperaturas elevadas. em alternativa. seja obtido em dois “domínios” diferentes: • Resistência: Resistência de cálculo à temperatura de dimensionamento. se o incêndio seguir outras curvas.θ ⋅ Fi. é necessário conhecer a variação das propriedades mecânicas do aço com o aumento de temperatura.3. [Liu. o valor das constantes Ke. como a curva dos hidrocarbonetos.20ºC K pl i. • Temperatura: Cálculo da temperatura crítica. As equações (9.

θ = Eθ ⋅ z2 = k E.11) a (9.θ k E.θ Δ” i.20ºC F fi.yθ F '' ≥ Fi.20ºC Δ’ i.θ y φi.θ Δy i .θ k E.θ ⋅ K i.2) (9.yθ F = Fi.θ Δ” i.12) Δ y i.θ (F '' ) = Δi.20ºC Análise à tem peratura am biente F yi.θ S y i. a partir da correspondente distribuição de forças nas componentes: Mθ = Fr .13) F fi.θ y Mi.θ Δ Δ’ i.2 0ºC yi.θ Figura 9.16) permitem definir a curva momento-rotação à temperatura constante θ.θ (9.θ ⋅ S1.θ = y k y .ACÇÃO DO FOGO F ' < Fi.20ºC (9.15) e a rotação da ligação na cedência da componente i obtêm-se a partir de: φ = y i.θ + f y 1 Δi.θ Análise iso térm ica à tem peratura θ Δ yi.20ºC (F ' ) e e K i.θ z = k y . TEMPERATURA Para uma ligação com distribuição uniforme de temperatura. Mj.3: Resposta isotérmica força-deformação de uma componente da ligação.θ = Δi.20ºCΔ i.θ F yi.θ ⋅ Si.θ '' y Δi.2 0ºC f Δ fi.20 ºC (9.yθ ) f y k E.θ (F ' ) = Δi.θ = k y . Δi O momento flector é calculado no âmbito do modelo das componentes.20ºC k E.20ºC = k y .θf (9.17) 94 Manual de ligações metálicas .11) (9.20ºC − Fi.θ ⋅ Mi.16) As equações (9.θ k E.yθ ' Δi.θ = Fi. A rigidez inicial da ligação à temperatura θ é dada por: S1.14) Expressões similares poderão ser obtidas para o cálculo da rigidez e rotação da ligação. a temperatura crítica representa a temperatura da ligação no instante em que se verifica a condição.20ºC (F ''− Fi.yθ K e i.20ºC 1 ∑k i i.20ºC (9.20ºC − Δi.max.Sd = Mj. identificando-se a cedência de cada uma das componentes.θ ⋅ M20ºC (r =1.θ Fi.20ºC k E.θ = F' F' 1 = = Δi.

max . No caso de ligações. para t = 0. 967 μ0 ⎣ ⎦ ⎡ (9. η0. que é definido como o quociente entre o valor de cálculo do efeito das acções em situação de incêndio e o valor de cálculo da capacidade resistente em situação de incêndio.18) A aplicação da Equação (9.833 0.19ln ⎢ ⎤ 1 .19) Manual de ligações metálicas 95 .1⎥ + 482 3. o grau de utilização apresenta-se do seguinte modo: μ0 = Mj.18) conduz ao cálculo directo da temperatura crítica da ligação [prEN 1993-1-2: 2002]: θ cr = 39. a temperatura crítica depende do grau de utilização do elemento para t = 0.Sd Mj.ACÇÃO DO FOGO De acordo com EN 1993-1-2.20ºC (9.

Um caso particular é o de pórticos com ligações viga-pilar em que os pilares sejam do tipo CHS ou RHS cheios de betão (CFHS).1 Introdução A tecnologia de ligação desempenha um papel preponderante no comportamento de estruturas com perfis tubulares. A resistência estática das ligações é expressa em função do esforço axial resistente máximo. a não ser que sejam tomadas medidas especiais para garantir propriedades adequadas ao longo da espessura. desde que as dimensões desses perfis satisfaçam os requisitos necessários. Importa fazer a distinção entre perfis do tipo CHS (perfis circulares ocos – Circular Hollow Sections) e do tipo RHS (perfis rectangulares ocos – Rectangular Hollow Sections). especialmente em treliças. só poderão ser usadas desde que satisfeitas todas as condições aí enumeradas.1) e as regras de aplicação fornecidas no parágrafo 7. aplicável a ligações de vigas em perfis abertos ou fechados ocos e pilares do tipo RHS ou CHS. As regras de aplicação são válidas para perfis laminados de acordo com a EN 10210 e para perfis enformados a frio de acordo com a EN 10219. podendo no entanto. De acordo com a EN 1993-1-8. São ainda tratadas as ligações planas em estruturas compostas por combinações de perfis ocos e abertos do tipo I ou H. apenas do lado exterior.2 deste Documento Normativo.2 Ligações Soldadas Embora seja frequente a utilização de ligações aparafusadas. em estruturas compostas por perfis circulares. o método mais usado em ligações de perfis CHS é a soldadura. Esta secção sumaria os aspectos principais do comportamento e do dimensionamento de ligações com perfis ocos solicitadas predominantemente por esforços estáticos. ser usadas em edifícios solicitados por acções sísmicas.1. O capítulo 7 do Documento Normativo EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] contém regras de aplicação detalhadas para o cálculo da resistência sob acções estáticas de ligações com geometria num só plano ou em vários planos. Está ainda disponível a tecnologia tipo “blind bolting”. As tipologias de ligações abrangidas pela EN 1993-1-8 (Figura 10. quadrados ou rectangulares ocos. As ligações podem ser aparafusadas ou soldadas. deverão ser baseadas nos seguintes modos de rotura. e/ou momento flector resistente máximo para os elementos da estrutura. as resistências de cálculo de ligações entre perfis ocos e entre perfis ocos e secções abertas. Este tipo de tecnologia permite a materialização da ligação ao pilar apesar da limitação do acesso. A espessura nominal dos perfis ocos deverá estar compreendida entre 2. 10.10 LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES 10. já que o seu comportamento é diferenciado. conforme a sua aplicabilidade: .5 mm e 25 mm. já que este tipo de acções não são consideradas passíveis de envolver fenómenos de fadiga.

as ligações aparafusadas continuam a ser de utilização vantajosa e económica. Outra vantagem das ligações aparafusadas. é necessário que sejam tomadas medidas especiais. 10. na maior parte das situações. Figura 10. a ligação aparafusada entre dois perfis ocos ou entre um perfil oco e um perfil aberto ou uma chapa pode ser difícil. é a fácil montagem e desmontagem 98 Manual de ligações metálicas . • Rotura por encurvadura local de um elemento transversal. Apesar desta limitação. • Rotura por punçoamento da face do perfil principal. coroação ou dispositivos soldados e de seguida procede-se ao aparafusamento. Outra alternativa é a utilização de processos que materializem a ligação através do exterior – “Blind bolting”. os perfis ocos podem ser ligados indirectamente usando chapas de banzos. Nestas condições. como a abertura de orifícios no elemento oco para acesso e aparafusamento a partir do interior. esmagamento local ou encurvadura da face lateral ou alma do perfil principal sob a acção de compressão do membro interior.3 Ligações Aparafusadas Uma vez que os perfis ocos permitem o acesso apenas pelo exterior. Porém nestes casos.1: Tipologias de ligações em vigas treliçadas. • Rotura por corte do perfil principal. • Plastificação da face lateral do perfil principal.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES • Plastificação da face do perfil principal ou plastificação da secção transversal do perfil principal.

1: Modelos de Previsão do Comportamento para Ligações com Perfis Circulares Ocos (CHS) Que modelos analíticos são usados no cálculo da resistência das ligações com CHS? _____________________________________________________________________ Actualmente são usados três modelos que permitem caracterizar o comportamento das ligações CHS: • Modelo de tubo de rotura da face do perfil principal. A pormenorização para ligações soldadas e para ligações aparafusadas é indicada no Guia de dimensionamento do CIDECT para ligações de perfis ocos em aplicações mecânicas. com empalme. Manual de ligações metálicas 99 .LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES em obra. poderão ser desprezados no dimensionamento. O dimensionamento de ligações de perfis ocos deverá ser efectuado de acordo com o capítulo 7 da EN 1993-1-8: ligações de perfis ocos e capítulo 5 do Guia de Dimensionamento do CIDECT para ligações de perfis ocos em aplicações mecânicas: considerações de dimensionamento para ligações [CIDECT. soldados aos perfis ocos. 1995]. ou seja os elementos ou ligações críticas deverão proporcionar capacidade de rotação suficiente. 1995]. preferível às soldaduras no local pelos defeitos que poderão advir destas e por serem mais onerosas que o aparafusamento no local. aparafusadas com extremidades achatadas. classificadas como ligações aparafusadas normais de acordo com o capítulo 3 da EN 1993-1-8. 1995]. 10. e onde serão então materializadas as ligações aparafusadas. apoio rotulado. capítulo 6: pormenorização de ligações [CIDECT. deverá ser dimensionada de modo a apresentar um comportamento dúctil. aparafusamento de várias componentes e parafusos colocados através de orifícios de acesso [CIDECT. com cantoneiras de topo. como é o caso de secções de paredes finas. deverá ser usada uma análise plástica de segunda ordem. 2002]. bases de colunas. 1995] e “Guide on the use of bolts: single sided blind bolting systems” de N. F. Os principais tipos de ligações aparafusadas em estruturas de perfis ocos são: ligações aparafusadas tipo “joelho”. os momentos secundários resultantes de deformações impostas ou da rigidez da ligação. Wardenier et al. • Modelo de rotura por corte no perfil principal.4 Considerações de Dimensionamento Uma estrutura realizada com secções ocas e solicitada predominantemente por acções estáticas. Questão 10. Neste caso. [CIDECT. aparafusamento atravessando o perfil oco. com extremidades em forquilha. As ligações aparafusadas entre dois perfis ocos são sempre realizadas usando dispositivos intermédios de ligação. • Modelo de rotura por punçoamento. Yeomans [Yeomans. pernos roscados. Este parágrafo é apresentado de acordo com as publicações “Design guide for structural hollow sections in mechanical applications” de J. Nos casos em que os elementos ou ligações críticas não tenham capacidade de rotação suficiente.

Desprezando as forças axiais e de corte.3: Modelo para rotura por punçoamento do perfil principal numa ligação com perfis CHS. a relação entre os diâmetros dos tubos. como indicado na Figura 10. deverão ser adicionados outros parâmetros tais como o esforço axial actuante e a distância entre diagonais.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Modelo de tubo de rotura da face do perfil principal A ligação é modelada por um tubo de comprimento efectivo Be com geometria e propriedades mecânicas idênticas às do perfil principal em perfil CHS.2) Figura 10. Figura 10.2. O esforço axial na diagonal é dado pela expressão: N2 = fyo 3 ⋅ π ⋅ d2 ⋅ t o 1 + θ2 2 sin2 θ2 (10. o esforço correspondente à plastificação do tubo é dado por: N1y = C0 t2 ⋅ fyo ⋅ o 1 − C1 ⋅ β sin θ1 (10.1) Sendo β = d1/d0. 100 Manual de ligações metálicas .3 para um ligação do tipo Y traccionada. No entanto. Este modelo dá bons resultados para ligações do tipo T. Modelo de rotura por punçoamento Este modelo é apresentado na Figura 10. Y e X. e considerando o comprimento efectivo Be calculado experimentalmente.2: Modelo de tubo para uma ligação tipo X em CHS. para ligações mais complexas como do tipo K e N.

4) No ⋅ g ≤ π ( do − t o ) t o ⋅ fyo Mo ⋅ g ≤ ( do − t o ) t o ⋅ fyo (10. 0 ⎟ ⎟ ⎠ 2 ⎛ No ⋅ g ⎜ ⎜ π (d − t ) t ⋅ f o o o yo ⎝ ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ 2 (10.5) Geralmente o momento flector é reduzido e deve-se considerar apenas a interacção entre o esforço axial e o esforço transverso: ⎛ ⎜ Ni ⋅ sin θi +⎜ ⎜ 2fyo ( do − t o ) t o ⎜ ⎝ 3 ⎞ ⎟ ⎟ ≤ 1. As regras aplicadas ao cálculo da resistência ao punçoamento. Modelo de rotura por corte no perfil principal Tal como indicado na Figura 10. para ligações K e N com afastamento entre diagonais (g). corte e momento flector. pois se o valor de β aumentar. que aumenta consideravelmente a sua resistência ao esforço transverso. sendo β = d2/d0. Manual de ligações metálicas 101 . Se o perfil principal é uma secção compacta. o dimensionamento plástico conduz às seguintes equações: Ni sin θi ≤ 2 fyo 3 (d 2 o − to ) to (10. este critério aplica-se apenas para valores reduzidos de β.4.3) (10. a secção transversal do perfil principal pode ruir na secção desse afastamento (secção A) pela combinação entre esforço axial.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES De um modo geral. g Figura 10. a carga será transmitida ao perfil principal através de tensões circulares. as diagonais funcionam como um reforço do perfil principal.4: Modelo para rotura por corte no perfil principal numa ligação com perfis CHS.6) Se o afastamento é reduzido. são frequentemente usadas em recomendações de dimensionamento de estruturas do tipo “offshore”.

Y e X.8) 102 Manual de ligações metálicas . 1996]: N1 = fyo ⋅ t o ⎛ 2h1 +4 1−β ⎜ 1 − β ⎝ bo ⋅ sin θ1 ⎞ 1 ⎟ ⎠ sin θ1 (10. A resistência ao corte de ligações do tipo T.6 para uma ligação do tipo Y traccionada. Y ou X (rotura da face do perfil principal). Modelo de rotura por punçoamento Este modelo é representado na Figura 10.5 para um ligação do tipo Y. ilustrado na Figura 10. e igualar essa grandeza ao trabalho interno nas rótulas plásticas (comprimento li e ângulo de rotação ψi) [APK.2: Modelos de Previsão do Comportamento para Ligações com Perfis Rectangulares Ocos (RHS) Quais os modelos analíticos usados no cálculo da resistência de ligações com perfis RHS? _____________________________________________________________________ Na caracterização deste tipo de ligações e no estudo da influência dos principais parâmetros são usados modelos analíticos. Tomar em consideração todos os parâmetros torna-se impraticável. Modelo de linhas de rotura plásticas O princípio geral deste modelo.5: Modelo de linhas de rotura para ligações do tipo T. consiste em estabelecer o trabalho da força N1 segundo o deslocamento δ.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Questão 10. por isso são utilizados modelos simplificados de acordo com o modo de rotura a estudar. é dada pela expressão: N1 = fyo ⎛ 2h1 ⎞ 1 to ⎜ + 2bep ⎟ 3 ⎝ sin θ1 ⎠ sin θ1 (10.7) Ligação Y Modelo Figura 10. Estes modelos simplificados e a sua combinação com resultados experimentais permitiram estabelecer expressões de dimensionamento.

Y ou X (rotura da face do perfil principal).Rd = A v ⋅ fyo 3 γ M0 (10.7: Modelo para a resistência ao corte do perfil principal na secção de afastamento (g) de uma ligação K ou N. Modelo da largura efectiva da diagonal da viga treliçada A resistência é calculada em função das dimensões da diagonal.9) Modelo de rotura por corte do perfil principal A Figura 10. a resistência é dada por: N1 = fy1 ⋅ t1 ⋅ ( 2h1 − 4t1 + 2beff ) (10.10) sendo Av = (2 h0+α b0) t0. Manual de ligações metálicas 103 .LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES (a) secção longitudinal (b) secção transversal (c) plano Figura 10. Y e X. Para ligações do tipo T.7 apresenta o modelo para a resistência ao corte do perfil principal na secção de afastamento (g) de uma ligação K ou N. Figura 10.6: Modelo de linhas de rotura para ligações do tipo T. A resistência ao corte pode ser determinada analiticamente com base na resistência plástica da secção: Vpl.

ver Figura 10.8: Modelo de plastificação ou encurvadura local das paredes laterais do perfil principal. este fenómeno torna-se mais relevante. Este último é representativo para o perímetro da secção oca.12) Figura 10. Para ter em conta estes efeitos.Sd ≤ ( A o − A v ) fyo + A v ⋅ fyo ⎛ V ⎞ 1 − ⎜ Sd ⎟ ⎜V ⎟ ⎝ pl. capaz de transmitir o esforço de colapso iminente. ou por instabilidade localizada no bordo do elemento traccionado.9. o modelo indicado na Figura 10. Utilizando o critério de cedência de Von Mises.8 conduz a: ⎛ h ⎞ 1 N1 = 2fyo ⋅ t o ⎜ 1 + 5t o ⎟ ⎝ sin θ1 ⎠ sin θ1 (10. Com o aumento do carregamento. Este fenómeno deve-se às características da alma do perfil I ou H e à diferença de rigidez entre as extremidades e a parte central do banzo.3: Modelos Analíticos para Ligações entre Perfis Ocos e Secções Abertas Que modelos analíticos são usados para ligações entre perfis CHS ou RHS e perfis principais de secções em I ou H? _____________________________________________________________________ São usados modelos analíticos simplificados para descrever o comportamento destas ligações e o efeito dos principais parâmetros. Modelo da largura efectiva do perfil principal Para ligações de perfis ocos soldados a perfis de secção I ou H.Rd ⎠ 2 (10. Y e X com parâmetro β elevado podem ter a sua rotura associada à plastificação ou à encurvadura local das faces laterais do perfil principal. a distribuição das tensões e deformações na extremidade do perfil de secção oca não é uniforme. 104 Manual de ligações metálicas . Para ligações entre RHS de igual largura.11) Modelo de plastificação ou encurvadura local das faces laterais do perfil principal As ligações T.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES O resto da secção transversal suporta o esforço axial. podendo conduzir à rotura prematura da ligação pelo colapso na secção entre o elemento traccionado e o banzo do perfil principal. 1996]. são aplicados os conceitos de fissuração transversal e largura efectiva. Questão 10. ver Figura 10.10 [APK. é obtida a seguinte fórmula de interacção: No.

X.11: Corte do perfil principal numa ligação do tipo K com afastamento.Figura 10. e pode ser determinado por: beff = t w + 2r + 7 fyo fyi ⋅ tf (10.Rd = 2fyi ⋅ t i ⋅ beff (10.11. Figura 10. Y.14) Modelo de rotura por corte no perfil principal A rotura por corte no perfil principal é o modo de rotura mais provável numa ligação do tipo K ou N com afastamento . A resistência última de um elemento em ligações do tipo T. K ou N (com afastamento). Figura 10.9: Distribuição de tensões e deformações na extremidade de um perfil RHS. Manual de ligações metálicas 105 .13) onde beff é igual a metade do perímetro efectivo do membro em perfil oco. pode ser quantificada da seguinte forma: Ni.10: Perímetro efectivo.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Figura 10.

16) Figura 10.15) Modelo de plastificação local da alma do perfil principal A plastificação localizada no perfil principal por tracção ou compressão.14. Para ligações com secção do tipo CHS. CX para ligações em X e CK para ligações em K ou em N) avalia a eficácia de um ligação com kp = 1. Estes ábacos baseiam-se nas recomendações da EN 1993-1-8.4: Ábacos de Dimensionamento Qual o objectivo dos ábacos de dimensionamento de ligações numa época em que está vulgarizado o uso de meios informáticos na análise estrutural? _____________________________________________________________________ Para um dimensionamento rápido de uma ligação com perfis de secção oca é útil dispor de ábacos de dimensionamento como o representado nas Figura 10.13 e 10. é: Ni.12: Plastificação local da alma do perfil principal.0 e t1 = 90. com elementos interiores e perfil principal de espessura e classe de aço idênticas. 1996]: N1.17) O parâmetro de eficácia Ce (CT para ligações em T ou Y. é directamente transposta da verificação da compressão local de ligações viga-pilar entre secções I ou H. dado para cada diagonal.Rd A1 ⋅ fy1 = Ce fyo ⋅ t o kp fy1 ⋅ t1 sin θ1 (10. O esforço normal no perfil principal.Rd = A v ⋅ fyo 3 γ M0 (10. ver Figura 10.12.Rd = fyo ⋅ t w ⋅ b w sin θi (10.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES A resistência ao corte do perfil principal pode ser quantificada através da seguinte expressão: Vpl. e o valor da resistência é obtido a partir de um coeficiente de eficácia Ce. 106 Manual de ligações metálicas . Questão 10. esta eficácia é dada pela seguinte expressão [APK.

4 0.1 0. Para ligações com secção do tipo RHS.6 f y0 t 0 k n N 1 .2 0.8 0.5 0.7 0.0 0.7 0. A referência bibliográfica [CIDECT.5 0.0 0.Rd = C Kg f yi t i sin θ i Ai f yi b 1+ b 2 2 bi b0 t0 Figura 10.9 f yo t o k p N 1.18) Por exemplo.6 0.5 0.14: Ábaco de eficácia da diagonal de uma viga treliçada para ligações soldadas em K ou N com afastamento.Rd A i ⋅ fyi = Ce fyo ⋅ t o k n fyi ⋅ t i sin θi (10.7 0.0 0.0 0.2 1.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES C T 1.13: Ábaco de dimensionamento para ligações do tipo T e Y com secções do tipo CHS.1 0.3 0.3 0.8 0.4 0.8 0. 1995] fornece ábacos de dimensionamento para todos os tipos de ligações RHS com afastamento ou com sobreposição. a eficácia total é dada pelo ábaco da Figura 10.6 1.0 0.6 0.14 apresenta o coeficiente de eficácia para uma ligação do tipo K com afastamento em secções do tipo RHS.4 0.9 0. a eficácia é dada pela seguinte expressão [APK.6 0. Para ligações sem afastamento.0 10 15 20 25 30 35 1. 1996]: N1.3 0.2 0.4 1.9 0.1 0. Rd = CT A1 f y 1 f y1 t 1 sin θ 1 d0 t0 10 15 20 30 40 50 1.0 β Figura 10.2 0. a Figura 10. Manual de ligações metálicas 107 .8 0. C Kg 1.15.

0 1. O processo “Flowdrill” é esquematizado na Figura 10. placa de extremidade elemento ligado.4 0.15: Ábaco de eficácia para ligações de RHS soldados em K ou N sem afastamento entre as diagonais. com recurso a uma broca com quatro lóbulos de tungsténio e carbono [Yeomans.25 1.0 f yj t j f yi t i bj tj Figura 10.RHS parafusos standard 8.5: Sistemas de “Blind Bolting” .Aparafusamento com Acesso Apenas por um dos Lados Que sistemas do tipo “Blind Bolting” se encontram disponíveis no Mercado Europeu? _____________________________________________________________________ Sistema “Flowdrill” Este sistema actua por fricção e consiste na extrusão de orifícios que actua por fricção. Estes ensaios mostraram que: 108 Manual de ligações metálicas .3 0.9 0.17: Ligação viga-pilar executado através do sistema “Flowdrill”. realizada com recurso a este sistema. 2002]. Os resultados de uma série de ensaios com orifícios isolados executados através deste sistema [Yeomans. Questão 10. 2002].0 Ai f yi 0.8 completamente roscados Figura 10.17 apresenta-se uma ligação típica viga-pilar com placa de extremidade.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES N i 1.6 0.5 1.75 1. ex.0 10 15 20 25 30 35 2. Na Figura 10.5 0.16: Representação esquemática do processo “Flowdrill”.16. concluiram que o sistema pode ser usado em aplicações estruturais.2 0.8 0.7 0.1 0. Figura 10.

8 M24 classe 8.19: Parafuso Huck Ultra-Twist: a) vista do sistema. mm M16 classe 8. ver Figura 10. Dimensão e classe do parafuso Espessura mínima do material.0 e 12. • Os orifícios roscados poderão acomodar parafusos dos diâmetros M16. • A capacidade resistente ao corte e pressão diametral do parafuso e orifício é calculada de forma usual. indicada em EN 1993-1-8. porca anilha resistente ao esmagamento anilha resistente ao corte manga manga núcleo da cavilha Figura 10.1: Espessuras mínimas do material para desenvolver a resistência total à tracção em parafusos da classe 8. poderá ser considerada a resistência total à tracção de parafusos de classe 8.18a).8. como apresentado na Figura 10.8.19b). Existe também um outro sistema semelhante constituído por 5 peças [Yeomans.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES • Os orifícios executados através de “flowdrill” podem ser usados em secções com espessuras compreendidas entre 5. Manual de ligações metálicas 109 .RHS “Hollo-bolt” instalado Figura 10.19a).4 8. b) Ligação viga-pilar executado através de Hollo-Bolt. um cone roscado com rasgos e um parafuso standard de classe 8. em orifícios de diâmetro 2 mm superior ao diâmetro exterior dos parafusos. Figura 10.8 M20 classe 8. Quadro 10.8 6. o que corresponde às tolerâncias usuais de montagem. Parafuso tipo “Huck Ultra-Twist” O parafuso Huck Ultra-Twist é um dispositivo pré-montado [Yeomans. • Desde que a espessura mínima do material obedeça ao especificado no Quadro 10. 2002]. Para roscas abertas pelos processos tradicionais. 2002]. a resistência ao arrancamento é inferior ao indicado no Quadro 10.5 mm. É instalado recorrendo a uma chave eléctrica específica.6 Dispositivo “Lindapter Hollo-Bolt” O Hollo-Bolt é um dispositivo pré-montado constituído por 3 partes: corpo principal.0 9. ex.1. b) procedimento de instalação.18: a) Dispositivo Hollo-Bolt (como fornecido). placa de extremidade elemento ligado.8. M20 e M24.1 e que a tensão de cedência nominal esteja compreendida entre 275 e 355 MPa.

mas neste caso. ex.1 (4) da EN 1993-1-8 especifica que a tensão de cedência nominal de secções ocas laminadas e a tensão de cedência nominal do material de base de secções enformadas a frio. com tensões de cedência de 640 MPa ou superiores. existem muitos outros que permitem executar ligações apenas de um dos lados. mas geralmente necessita de uma espessura da parede mínima de 16 mm para resistir a esforços de arrancamento. O primeiro consiste na abertura de um orifício e posterior abertura de uma rosca. as especificações para o material são determinadas com base no produto final e não no material de base. Outro método [Kato. De seguida serão apresentados dois destes métodos. 110 Manual de ligações metálicas . aços com composições químicas melhoradas ou especiais ou ainda aços patinados.90. é necessário proceder à encomenda de quantidades elevadas. ver Figura 10. Questão 10. deverá ser reduzida através do factor 0.20: Ligação efectuada através de pernos roscados soldados.21.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Soldadura de pernos roscados Na materialização da ligação poderão ser usados pernos roscados. consiste na abertura de orifícios com dimensão suficiente para acomodar uma porca de tamanho adequado que é soldada à face do perfil de tal forma que não apresente saliências do lado exterior da secção. De acordo com a EN 10210 e a EN 10219. placa de extremidade parafusos ordinários elemento ligado. como é o caso dos aços de alta resistência.20 apresenta uma ligação típica efectuada através deste sistema. A Figura 10. ex. note-se que neste caso não existe cavidade para acomodar a anilha.RHS placa de extremidade Figura 10.RHS porcas Figura 10. O Guia de dimensionamento do CIDECT [CIDECT. 1988]. que são soldados à face do perfil oco. Porcas soldadas Para além dos métodos apresentados.6: Aço de Alta Resistência em Ligações de Secções Tubulares Haverá alguma razão para que as regras indicadas na EN 1993-1-8 não possam ser aplicadas a aços de alta resistência? _____________________________________________________________________ A cláusula 7.1. não deverá exceder 460 MPa. pernos roscados soldados elemento ligado.21: Porcas soldadas à face do perfil tubular. Para aços da classe S420 e S460 a resistência estática avaliada de acordo com esta secção. 1995] estipula que é possível produzir secções estruturais ocas com aços especiais.

No caso de estruturas offshore. desde que sejam reunidas as condições gerais. Adicionalmente. Manual de ligações metálicas 111 . poderão ser aplicadas a qualquer tipo de estrutura.7: Dimensionamento de Estruturas Offshore Poderão as recomendações da EN 1993-1-8 ser aplicadas às secções de grandes dimensões utilizadas em estruturas offshore? _____________________________________________________________________ O campo de aplicação de secções ocas é extenso e os domínios específicos de aplicação são enumerados no Guia de Dimensionamento do CIDECT. estes limites de aplicação geralmente não são respeitados. onde se incluem as estruturas offshore. para estruturas offshore solicitadas por acções que provoquem fadiga. e terão que ser usadas recomendações especiais. é necessário considerar as disposições especiais dadas na EN 1993-1-9 [prEN 1993-1-9: 2002]. As regras de aplicação indicadas no capítulo 7 da EN 1993-1-8.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Questão 10.

Figura 11. A utilização de elementos de secções de paredes finas requer o uso de parafusos roscados até à cabeça.. • soldadura. de acordo com Toma [Toma et al. Em comparação com ligações mais espessas (t> 3 mm) o comportamento de ligações em elementos de paredes finas é caracterizado pela pequena rigidez das placas. que são.2 Ligadores Para construções com elementos de secções de paredes finas.1b. diferentes das regras previstas para elementos metálicos laminados.: uma madre.1c. . 11. 2000]: • ligadores mecânicos. [Yu.2. podem-se utilizar os seguintes tipos de ligadores [Toma et al.. Encontra-se disponível uma variedade de métodos de montagem de estruturas com elementos de secções de paredes finas. O diâmetro do parafuso varia normalmente entre M5-M16 e as classes mais utilizadas são 8. De acordo com resultados obtidos experimentalmente. • rotura da chapa à tracção. Esta é a razão pela qual foram desenvolvidas regras específicas para ligações em elementos enformados a frio. 11.1d. ex.1 Introdução As ligações de elementos estruturais com secções de paredes finas são normalmente usadas para: • fixação de painéis metálicos a uma estrutura de suporte.11 LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO 11. podem surgir efeitos adicionais no Estados Limites Últimos e de Serviço e o nível de segurança pode depender do controle de qualidade.9. • esmagamento ou enrugamento de material na frente do parafuso. 1993]. Parafusos com porcas constituem ligadores roscados a colocar em orifícios previamente executados nos elementos a unir. rotação do ligador em roturas por escorregamento ou a grande distorção da placa quando o ligador está à tracção e a chapa é solicitada directamente em cima da cabeça do ligador. • assemblagem de secções lineares enformadas a frio. nalguns casos.1a.1 Ligadores Mecânicos O Quadro 1 apresenta as possíveis aplicações para os diferentes tipos de ligadores mecânicos. São ainda fornecidos alguns pormenores para cada um dos ligadores mecânicos. 1993]. ex: estruturas de armazenamento. Figura 11. Figura 11. • corte do parafuso. Figura 11. ex. • colas.: costuras longitudinais de chapas. Exemplos de tais efeitos podem ser: a inclinação do ligador no esmagamento do orifício. podem ocorrer quatro tipos básicos de modos de rotura nas ligações aparafusadas de enformados a frio: • corte longitudinal da chapa ao longo de duas linhas paralelas.8 ou 10. • interligação de dois ou mais painéis metálicos. Neste caso.

22 ou 4.4 mm Pregos X X X Em muitos casos.0 mm φ 4.3 mm Rebites cegos. com diâmetros:・ φ 4. com diâmetros: φ 4. Existem dois tipos de parafusos: • parafusos auto-roscáveis (por deformação ou furação).5. Aço Espessas Ligador Observação madeira espessas X X Parafuso M5-M16 X Parafusos auto-roscáveis φ 6. c) rotura à tracção da chapa. a ligação está sujeita a uma combinação de modos de rotura. Figura 11.2. 1 mm de espessura com material elastomérico X X Parafusos com cabeça hexagonal φ 6. com anilha ≥ 16 mm.1: Resumo dos campos de aplicação para ligadores mecânicos.3 ou 6. bem como servir de ligadores de painéis de gesso cartonado a perfis metálicos.5 mm φ 6. como ilustrado nas Figura 11.8 mm φ 5.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Finas espessas Quadro 11. Podem também ser usados em sistemas metálicos porticados e treliças de cobertura.1: Tipos de roturas em ligações aparafusadas: a) corte longitudinal da chapa. d) rotura por corte do parafuso. Os parafusos podem constituir um modo rápido e efectivo de ligar chapas metálicas em painéis de fachada e cobertura. b) esmagamento da chapa. • parafusos auto-perfuradores. A fractura da chapa é muitas vezes causada pela rotação excessiva do parafuso e deformação da chapa. 1 mm de espessura com material elastomérico Parafusos auto-perfuradores. 114 Manual de ligações metálicas .8 mm φ 6.3 com anilhar ≥ 16 mm.

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

A maior parte dos parafusos são combinados com anilhas de modo a aumentar a resistência ao esmagamento da ligação e/ou selar a ligação. Alguns tipos têm cabeças plásticas ou protectores plásticos para conferir resistência à corrosão ou a côr desejada.

.....nervurado

.....plano

V - viga de cobertura

Chapa de cobertura ondulada

Figura 11.2: Aplicação de parafusos auto-roscáveis.

A Figura 11.3 mostra dois exemplos de parafusos auto-perfuradores. A Figura 11.4 apresenta os vários tipos de rosca para parafusos auto-roscáveis por deformação. O tipo A é usado para ligar chapas finas. O tipo B é usado para fixações a bases de aço de espessura superior a 2 mm. O tipo C é usado normalmente para fixações de bases metálicas finas (espessura até 4 mm) a bases metálicas. Os parafusos auto-roscáveis são usualmente fabricados em aço-carbono (zincado e lubrificado). A Figura 11.5 apresenta alguns exemplos de parafusos auto roscáveis por furação. Os parafusos autoroscáveis por furação são usados para ligações a bases metálicas espessas. Os parafusos autoperfuradores abrem o seu próprio orifício e formam a rosca numa única operação.
drill thread Comprimento Comprimento length length de furação da rosca

drill point Ponto de furação drill diameter Diâmetro de furação 7.7

Figura 11.3: Exemplos de parafusos auto-perfuradores.

Tipo A Tipo B Tipo C Figura 11.4: Exemplos de rosca para parafusos auto-roscáveis por deformação.

Figura 11.5: Exemplos de rosca para parafusos auto-roscáveis por furação.

Manual de ligações metálicas

screw length Comprimento do parafuso

drill flute

115

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

Rebites cegos e rebites tubulares são muitas vezes usados na construção com perfis enformados a frio. São usados para simplificar a montagem, reduzir o custo da ligação bem como por questões estéticas. Um rebite cego é um ligador mecânico capaz de ligar peças onde o acesso é limitado e é feito apenas por um dos lados. De acordo com o método de aplicação, os rebites-cegos encontram-se ilustrados na Figura 11.3. Os rebites tubulares são muitas vezes usados para ligar chapas metálicas. A resistência ao corte ou compressão é comparável à dos rebites sólidos. Os diâmetros do corpo dos rebites variam entre 0,8 e 7,9 mm. Os comprimentos mínimos variam entre 0,8 a 6,4 mm, respectivamente.

Cut amolação da and grind Corte eat rivet head cabeça do rebite

Self-plugging

Pull-through

Extremidades abertas

Open end

Closed end Extremidades fechadas
a)

Extremidades abertas

Open end
b)

Extremidades fechadas

Closed end

c)
Figura 11.3: Rebites cegos.

Pregos, tal como ilustrado na Figura 11.7, são ligadores que atravessam os painéis metálicos a ligar por meio de disparo ou ar comprimido.

116

Manual de ligações metálicas

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

Pregos a aplicar por disparo Figura 11.4: Pregos

pregos a aplicar por ar comprimido

Ligação por pressão é uma técnica relativamente recente para ligar secções metálicas de perfis enformados a frio. A ligação é formada usando o metal das secções a ligar. As ferramentas usadas consistem num punçuador e numa matriz de punção. A Figura 11.8 apresenta as etapas para execução de uma ligação por pressão.
Placas metálicas a ligar

punçuador

Matriz (de punção)

Corte do metal

Deformação lateral do aço

Pressão final

Figura 11.5: Sequência de execução de uma ligação por pressão.

Ligação em roseta (“Rosette-joining”), é um novo processo automático de ligação de componentes metálicas enformadas a frio, tais como painéis metálicos e treliças de cobertura. O processo de ligação é apresentado na Figura 11.9.

Figura 11.6: Representação da ligação em roseta e processo de fabricação.

11.2.2

Soldadura

As ligações de secções enformadas a frio podem ser feitas recorrendo ao processo do arco aberto bem como à soldadura por resistência. Para secções de paredes finas, podem ser usados os seguintes procedimentos de soldadura [Toma et al., 1993]: • soldadura MAG/MIG; • soldadura por arco manual; • soldadura TIG; • Soldadura por plasma.

Manual de ligações metálicas

117

A Figura 11.7 [Yu. • soldadura em entalhe. ver Figura 11. b) soldadura por pontos.11 apresenta este processo de soldadura. A soldadura por resistência é executada sem arco aberto. • soldadura de topo. b) soldadura por costura. • soldadura com recobrimento.8: Processo de soldadura resistente: a) soldadura pontual.7: a) Soldadura de topo. • soldadura de bordos interrompidos. electrodes or ou matriz dies punção) (de electrodes or eléctrodos welding tips electrodes or eléctrodos welding tips eléctrodos projection Projecção das soldas welds Before antes da welding soldadura After após a welding soldadura a) b) c) Figura 11. 2000]: • soldadura por pontos. Ao contrário do processo de arco aberto não há necessidade de protecção do metal fundido através de escória ou gás de protecção. c) soldadura em entalhe. a) b) c) d) (end view) Aspecto final e) f) Figura 11.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Em construções metálicas com secções enformadas a frio. são geralmente usados os seguintes tipos de soldadura por arco. • soldadura de ângulo. c) soldadura projectada. e) soldadura em ângulo f) soldadura de bordos interrompidos. 118 Manual de ligações metálicas . d) soldadura com recobrimento.

são calculadas do mesmo modo que as secções espessas para qualquer tipo de ligador.6 refere-se a soldaduras sobrepostas. No que diz respeito às ligações soldadas. Esforço de corte Loaded by shear Esforço de peeling Loaded by arrancamento Figura 11. As resistências de dimensionamento para soldadura por pontos são fornecidas no parágrafo 8.3) e parafusos auto-roscáveis (quadro 8. 2002]. enquanto o parágrafo 8.9. a soldadura por pontos representa uma tecnologia específica para ligar estruturas metálicas de paredes finas e já foram desenvolvidas regras de dimensionamento específicas [prEN 1993-1-3: 2002].1). Quando é usado dimensionamento com recurso a ensaios experimentais.3 Colas Na apresentação deste tipo de ligação.5. deverão ser aplicadas as disposições previstas na EN 1993-1-3. ver Figura 11. pregos (quadro 8.2) e soldaduras por pontos por arco (8. As ligações com ligadores mecânicos são tratadas no parágrafo 8. interessa salientar que a ligação colada possui uma boa resistência ao corte e geralmente uma fraca resistência ao arrancamento. 11.3). resistência à tracção e secção útil de resistência dos elementos ligados. As diferenças existentes referem-se aos coeficientes numéricos das fórmulas que estão especificados no Documento. uma combinação de colagem com ligadores mecânicos pode constituir uma opção. parafuso auto-perfuradores (quadro 8. Modos de rotura específicos são verificados através de ensaios “pull-through” ou “pullout”. Ligações mecânicas especiais.3 Considerações de Dimensionamento As considerações de dimensionamento para elementos enformados a frio estão especificadas no capítulo 8 do Documento Normativo EN 1993-1-3 [prEN 1993-1-3. é de sublinhar que a sua resistência ao esmagamento. respectivamente.2. Por essa razão.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO 11. As colas usadas para aços de secções de paredes finas são os seguintes: • resina epoxy– o melhor endurecimento aparecerá a temperaturas elevadas (na gama dos 80-120°C). No que diz respeito aos ligadores mecânicos. e capítulo 9 e Anexo Z do Documento EN 1993-1-1. Especificações para ligações coladas são incluídas em EN 1999-1.6.4). resistência ao corte.2). Algumas desvantagens são: a necessidade de a superfície estar lisa e limpa e o tempo necessário ao seu endurecimento. Manual de ligações metálicas 119 . As vantagens das ligações coladas são: a distribuição uniforme das forças ao longo da ligação e um bom comportamento a cargas cíclicas.9: Corte e arrancamento de ligações coladas. quadro 8.5. estão na mesma situação e devem ser tratadas do mesmo modo que as restantes. com cordão de soldadura (8.4 deste Documento Normartivo como rebites cegos (quadro 8. por punção ou em roseta.6. • adesivos acrílicos– mais flexíveis que as resinas epóxidas.

2 do Documento Normativo EN 1993-1-3? _____________________________________________________________________ Esta questão refere-se ao quadro 8. • O momento resistente de uma secção transversal com banzos completamente efectivos. • A resistência da secção transversal e a resistência à encurvadura de um elemento comprimido axialmente.2: Capacidade de Deformação de Ligações ao Corte Qual a razão do limite Fv.Rk de parafusos auto-perfurantes [EN 1993-1-3: 2002].Rd ≥ 1. Questão 11.3 8. a resistência da soldadura pode ser referida à tensão de cedência média fya.3: Resistência característica ao corte Fv.Rd = A net ⋅ fu γ M2 (11.Rd ≥ 1.1: Aumento da Tensão de Cedência das Secções Enformadas a Frio Pode o aumento da tensão de cedência devido a enformagem a frio. tendo em consideração as limitações anteriores e a dificuldade em controlar a aplicação destas limitações. 2 Fn.Rd no quadro 8.0 5200 7200 9800 16300 4600 6500 8500 14300 120 Manual de ligações metálicas . ser considerado no dimensionamento de ligações soldadas após a enformagem do elemento? _____________________________________________________________________ Este aumento pode ser usado no dimensionamento de ligações soldadas mas os efeitos devem ser avaliados experimentalmente. Aeff a tensão de cedência fy deve ser tomada como fyb (tensão de cedência do material base).2). A tensão de cedência media fya pode ser usado para determinar: • A resistência da secção transversal de um membro traccionado axialmente. Diâmetro exterior da rosca Material do parafuso (mm) Aço endurecido Aço inoxidável 4.Rd (11. O critério de dimensionamento para a capacidade de deformação por corte da ligação é apresentada como (Quadro 11. recomenda-se fyb como tensão. O Documento EN 1993-1-3 permite o uso da tensão de cedência média fya da secção transversal para contabilizar o efeito de enformagem a frio (ver parágrafo 3. com uma secção transversal totalmente efectiva.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Questão 11.2) Quadro 11. • Noutros casos pode ser demonstrado que os efeitos de enformagem a frio conduzem a um aumento da capacidade de carga. De acordo com o disposto no Documento. Para determinar a área efectiva da secção.2): FV .1) ou avaliada experimentalmente Fn.2 Fu.5 6.2 do Documento EN 1993-1-3: Resistência de dimensionamento para parafusos auto-perfuradores. do material base. Em principio.8 5. o aumento na tensão de cedência devido à enformagem a frio deve ser tido em consideração do seguinte modo: • Em elementos carregados axialmente nos quais a área da secção transversal efectiva Aeff iguala a área bruta Ag.1.

onde se incluem também os rebites.1 considera o encruamento do aço. Para prevenir a rotura sob acções de serviço. d) Modo de rotura por fractura da rosca do parafuso.4 do Documento EN 1993-1-8 e para parafusos em placas finas no quadro 8. As acções normalmente condicionantes. Manual de ligações metálicas 121 . tal como apresentado na Figura 11.10b).2 na expressão 11. 2000]. 2002]. A distribuição de forças nas faces interior e exterior do painel sandwich podem ser tidas em conta pelo método das componentes.11: a) Forças de alavanca provocadas pelos momentos de fixação adicionais. c) modelo de componentes do parafuso no painel sandwich [Mareš et al. Parafusos em flexão Bolt in bending Parafusos ao corte Bolt in shear Rótula plástica Plastic hinge Placa ao esmagamento Plate in bearing Parafusosshear Bolt in ao corte Placa ao esmagamento Plate in bearing Fd a) b) c) Figura 11.4: Resistência ao Esmagamento de Placas Finas Qual a diferença entre o esmagamento de placas finas e espessas? _____________________________________________________________________ Os modelos de previsão da resistência ao esmagamento são baseados em observações experimentais.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO O factor 1. A fórmula para parafusos em placas espessas (com espessura maior ou igual a 3 mm) encontra-se no quadro 3. são usados parafusos de aços austeníticos com formas especiais. parafusos auto-perfurantes e cavilhas. Quando estas condições não são satisfeitas deve ser provado que a capacidade de deformação será proporcionada por outras partes da estrutura. Questão 11. 2000].3: Resistência dos Parafusos em Painéis Sandwich De que forma é avaliada a resistência ao corte e à tracção. b) Forças de membrana devidas à deflecção do painel sandwich [ECCS 66. dos parafusos de painéis sandwich? _____________________________________________________________________ Os parafusos auto-perfurantes são normalmente usados para ligar painéis sandwich [prEN 14509. Questão 11.1 do Documento EN 1993-1-3.. a2 a1 c) a) F b) a3 L d) a3 F Figure 11. 2000]. b) parafuso com entalhe na rosca. ver Figura 11. c) Modo de rotura por esmagamento no orifício interno.10: a) Curva de deformação de um parafuso tradicional. temperatura e vento são geralmente cíclicas. A contribuição dos painéis é tida em conta para prevenir o colapso sob a acção das diferenças de temperaturas.. As condições devem ser satisfeitas sempre que a capacidade de rotação é um requisito determinante.13c [Mareš et al.

através do factor k1. com α b = 122 Manual de ligações metálicas .5) / 2.75 mm ≤ t ≤ 1. considerando a espessura da placa através do factor factor kt. 8t + 1.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO A resistência ao esmagamento de placas espessas considera o espaçamento na direcção perpendicular.25 mm.5) para 0.3) A resistência ao esmagamento das placas finas. Fb.5 α b ⋅ k t ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (11. 3d Espessuras para além desta gama de valores podem ser usadas desde que a sua resistência seja determinada experimentalmente.25 mm ou k t = 1. 0 para t > 1.Rd = k 1 ⋅ α b ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (11. Fb.Rd = 2.4) e1 e k t = (0.

A soldadura é preferida para trabalhos genéricos de engenharia. As indicações presentes em EN 1999-1-1.65. • O processo de soldadura MIG pode ser utilizado para todas as espessuras. devido à sua simplicidade de fabrico e de união. o comportamento de ligações estruturais em alumínio é um dos principais focus dessa investigação [Andrade. Com excepção da estabilidade e fadiga. e se for especificada uma qualidade de soldadura inferior para os perfis semi ou não-estruturais. Os parafusos de aço galvanizado são preferidos em situação de risco de corrosão. Desde que a soldadura é utilizada em elementos estruturais de alumínio. tem sido feito um grande esforço de modo a caracterizar o comportamento de estruturas em alumínio. Liga Metal de adição 5356 4043A 3103 95 5052 170 5083 240 5454 220 6060 160 150 6061 190 170 6082 210 190 7020 260 210 De acordo com o capítulo 6. ao baixo custo e ao facto de não limitar a ductilidade da ligação. A escolha do metal de adição tem uma importância significativa na resistência da ligação.12 LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO 12. . Quadro 12.1. deve ser compatível com a liga de alumínio dos elementos a ligar. O dimensionamento deste tipo de ligações em relação ao estado limite de fadiga é apresentado em EN 1999-2 [prEN 1999-2: 1999]. • O material de adição. ver Quadro 12.25 deverá ser substituido por γΜ = 1. as ligações soldadas tem sido bastante desenvolvidas e consideradas de grande importância. No cálculo da resistência ao escorregamento de ligações soldadas.1 Introdução Nas últimas décadas. frequentemente sujeitas a acções repetitivas ou cíclicas que podem conduzir à rotura por fadiga do elemento. Os resultados obtidos têm sido incorporados no Documento Normativo EN 1999-1-1 [prEN 1999-1-1: 1999]. poderão ser aplicadas desde que sejam satisfeitas as seguintes condições: • As estruturas estão carregadas com carregamento estático. 2002]. o factor parcial de segurança γΜ =1. No dimensionamento dos elementos da ligação é necessário considerar o limite de ductilidade do material de adição.1: Valores da resistência característica do metal de adição fw [MPa]. geralmente inferior à resistência do material de base. predominantemente. Deverão ser tidos cuidados especiais no caso de ligações estruturais em alumínio. que inclui especificações e expressões de dimensionamento de estruturas de alumínio.1 de EN 1999-1-1.6. O dimensionamento de ligações soldadas baseia-se na metodologia e considerações similares às utilizadas em estruturas metálicas (com as devidas modificações). o processo TIG só deverá ser utilizado em materiais de espessura superior a t = 6 mm e em reparações de soldas. Em contrapartida. a transferência de forças é afectada pela relaxação das placas de alumínio.

que tensões deverão ser verificadas de modo a satisfazer o indicado na EN 1999-1-1? _____________________________________________________________________ A abordagem é similar ao indicado no Capítulo 3. A tensão total num cordão de soldadura.1.2: σ⊥ tensão normal perpendicular ao plano crítico do cordão de soldadura. σ _ I τ τ II _ I a 2a Figura 12. As componentes da tensão total são as seguintes.2) 124 Manual de ligações metálicas . A resistência do cordão de soldadura de ângulo é suficiente se foram satisfeitas as seguintes condições: 2 σ ⊥ + 3 (τ ⊥ + τ // ) ≤ 2 fu β W ⋅ γ M2 (12. é decomposta nas componentes paralelas e transversais ao plano crítico do cordão. σ// tensão normal paralela ao eixo da soldadura. τ// tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) paralela ao eixo do cordão de soldadura. g1 a a Figura 12. ver Figura 12.1: Resistência da Soldadura de Ângulo No cálculo da soldadura de ângulo.1) e σ⊥ ≤ fu γ M2 (12. pode ser desprezada no dimensionamento dos cordões da soldadura de ângulo. ver Figura 12.1: Definição da espessura do cordão de soldadura: a.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. τ⊥ tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) perpendicular ao eixo do cordão de soldadura.2: Componente da tensão num cordão de soldadura de ângulo.

A espessura efectiva da soldadura de topo com penetração completa deverá ser igual à espessura dos elementos ligados. tracção ou compressão. relativas a largura efectiva e espessura do cordão de soldadura? _____________________________________________________________________ A pergunta já foi respondida no Capítulo 3. Noutros casos.3.3: Soldadura de Topo em Ligações de Alumínio Quais as informações dadas em EN 1999-1-1. em que se verifique através de ensaios.9) combinação das tensões normais e de corte 2 σ ⊥ + 3τ 2 ≤ fw γ M2 (12.8) tensão de corte paralela ao eixo da soldadura τ ≤ 0. Questão 12. deve-se usar. 6 fw γ M2 (12. Se forem soldados elementos de espessuras diferentes. No caso de soldadura de topo com penetração parcial. ver Figura 12. quais são as restrições geométricas. O valor da tensão instalada em soldaduras de topo deverá satisfazer os seguintes critérios: tensão normal. te te Figura 12. a soldadura de topo com penetração parcial deverá ser aplicada com o factor parcial de segurança γΜ.2: Largura Efectiva e Espessura do Cordão de Soldadura de Ângulo Quando se utiliza soldadura de ângulo. a espessura da soldadura deverá ser igual à do elemento de menor espessura. devido à susceptibilidade do aparecimento de defeitos neste tipo de soldadura.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. A soldadura de topo com penetração parcial deve usar-se apenas nos casos. perpendicular ao eixo da soldadura: σ⊥ ≤ fw γ M2 (12. de preferência.10) Manual de ligações metálicas 125 . que não existem defeitos aparentes na soldadura.3: Espessura efectiva do cordão de soldadura de topo com penetração parcial. deverá considerar-se o valor da espessura do cordão de soldadura. em relação às características da soldadura de topo em ligações de alumínio? _____________________________________________________________________ Quando se utiliza soldadura de topo em ligações de elementos estruturais de alumínio. soldadura de topo com penetração completa. No que se refere às restrições geométricas não existe diferenças significativas entre a soldadura em elementos metálicos e elementos de alumínio.

As resistências características fo. a resistência de cálculo de uma secção rectangular afectada pelo amaciamento da ZAC. o tempo de recuperação deverá ser aumentado. no dimensionamento de ligações soldadas de alumínio? _____________________________________________________________________ O material estrutural alumínio composto por várias ligas e tratamentos é alterado nas zonas afectadas pelo calor (ZAC) junto à soldadura. • Ligas que não podem ser tratadas termicamente com qualquer encruamento (séries 3xxx e 5xxx). Se o material é ligado a uma temperatura inferior a 10°C. Os dois aspectos principais do amaciamento da ZAC são a severidade e a dimensão. A severidade e dimensão da ZAC dependem do tratamento a que o elemento foi sujeito. 126 Manual de ligações metálicas .4: Zona afectada pelo calor numa soldadura de topo. considerando que o material foi soldado a uma temperatura não inferior a 10°C: • Série de ligas: 6xxx . Estas zonas deverão ser tidas em atenção no caso de se utilizarem as seguintes ligas: • Ligas que podem ser tratadas termicamente com qualquer tratamento térmico inferior a T4 (séries 6xxx e 7xxx).4: Zona Afectada pelo Calor (ZAC) Qual o efeito das temperaturas elevadas na zona da soldadura. é calculada a partir da expressão FRd = A ( fa ⋅ ρhaz ) = A ⋅ fa.2 refere-se especificamente a zonas afectadas pelo calor (ZAC).30 dias após a soldadura. para além desta zona. reduzindo-as do factor de amaciamento correspondente ρhaz. provoca uma maior ZAC e um amaciamento mais severo devido a uma maior quantidade de calor [Mazzolani. fv na ZAC são calculadas de acordo com o indicado em EN 1999-1-1 para o metal de base. cláusula 6. Estes valores são válidos. fa. do tipo de liga do elemento soldado e do processo de soldadura utilizado: TIG e/ou MIG.6. a liga recupera o valor das propriedades resistentes rapidamente.haz γ M2 γ M2 (12.3 dias após a soldadura.4. O Documento EN 19991-1.11) Os valores de ρhaz são indicados no Quadro 12. Deste modo. pode-se reduzir a área onde actuam as tensões. A região afectada estende-se em torno da soldadura. t t ρ haz bhaz bhaz bhaz Figura 12.2. • Série de ligas: 7xxx . O processo de soldadura TIG. ver Figura 12.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. 1995]. Em alternativa. O fabricante deverá informar-se relativamente a esta situação.

Quadro 12.80 0.86 0.haz = fa ⋅ ρhaz (12. ver Figura 12.haz.00 0. chapas. bhaz (soldadura TIG) 30 mm. Se a distância entre a zona da soldadura e a extremidade do elemento for inferior a três vezes bhaz. fa. 35 mm.60 Nota Extrusão. em qualquer direcção a partir da soldadura.5 e Quadro 12. placas.80 0.2: Valores dos factores de amaciamento da ZAC. • Em qualquer direcção radial a partir da extremidade da soldadura. a ZAC prolonga-se a toda a largura do elemento. A resistência característica das zonas afectadas pelo calor deverá ser reduzida a fa. os limites da ZAC deverão ser considerados com linhas rectas normais à superfície do metal.65 0.60 0. placas e peças forjadas 0.00 0.12) para tensões normais e a fv. ρhaz. • Em soldaduras de topo aplicadas em extremidades.00 1.3.50 0. quando se pretende soldar materiais espessos pode-se assumir um limite curvo com raio igual a bhaz.60 0. 40 mm. espessura t 0 < t ≤ 6 mm 6 < t ≤ 12 mm 12 < t ≤ 25 mm t > 25 mm bhaz (soldadura MIG) 20 mm. No entanto. De um modo geral.60 1xxx Assume-se que a zona afectada pelo calor se prolonga por uma distância bhaz.00 5xxx 3xxx H22 H24 H14 H16 H18 H14 0.3: Extensão da ZAC para soldaduras MIG e TIG.80 Aplicado quando as tensões de tracção actuam transversalmente ao eixo da soldadura de ângulo ou topo Aplicado em quaisquer condições Chapas.60 0.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Quadro 12. Tês ou ligações cruciformes: transversalmente a partir do ponto de intersecção das superfícies soldadas. Séries de ligas Quaisquer 6xxx Tratamento O F T4 T5 T6 T6 ρhaz (processo de soldadura MIG) 1.haz para tensões de corte fv .65 0. tubos trefilados e peças forjadas 7xxx 1.13) Manual de ligações metálicas 127 . O valor bhaz deve ser medido de seguinte modo: • Transversalmente a partir da linha central do cordão de soldadura. • Em soldaduras de ângulo: transversalmente a partir do ponto de intersecção das superfícies soldadas.80 ρhaz (processo de soldadura TIG) 1. especialmente se se tratar de chapas finas.86 0.60 0.haz = fa ⋅ ρhaz 3 (12. 30 mm.

Em soldadura de ângulo.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz Figura 12.15) 3) força de tracção na raiz do cordão da soldadura e nos limites de fusão.16) (12.haz t γ M2 (12.21) 128 Manual de ligações metálicas .haz γ M2 g1 fa.haz γ M2 (12. σ haz ≤ σ haz ≤ fa. respectivamente.haz t γ M2 (12.20) (12. em ligações de soldadura de ângulo.haz γ M2 (12.haz t γ M2 (12. aplicam-se condições similares τ haz ≤ τ haz ≤ fv.14) 2) força de tracção perpendicular ao plano de rotura em ligações com soldadura de topo com penetração parcial σ haz ≤ t e fa.17) Quando se aplica esforço de corte na soldadura.haz γ M2 g1 fv.5: Zona afectada pelo calor em soldadura de ângulo.18) na raiz do cordão de soldadura e a τ haz ≤ t e fv. bhaz bhaz bhaz bhaz <3 bhaz A tensão instalada em zonas afectadas pelo calor deverá ser inferior a: 1) força de tracção perpendicular ao plano de rotura em ligações com soldadura de topo com penetração completa σ haz ≤ fa.haz t γ M2 (12. a tensão na zona afectada pelo calor de soldaduras de topo é limitada a: τ haz ≤ fv.19) no limite da fusão.

Manual de ligações metálicas 129 . refere-se que a capacidade de deformação de ligações soldadas poderá aumentar se a resistência de cálculo da soldadura for superior à do material existente na ZAC.haz γ M2 g1 fa.22) (12.23) 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ Em soldadura de ângulo aplicam-se condições similares 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ fa.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Quando se aplica a combinação de tensão de corte e tensão normal na soldadura.25) 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ Como conclusão.haz t γ M2 (12. devem ser aplicadas as seguintes condições 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ fa.haz γ M2 t e fa.haz t γ M2 (12.24) (12.

consideram-se soluções desadequadas aquelas que: (i) não cumprem os parâmetros pré-estabelecidos. Anilhas Método de aperto dos parafusos Aspecto estético Projecto Produção • • • • • • • • • • • • • • • Montagem . embora a primeira conduza habitualmente a soluções mais económicas. tradição. produção. pelo que é difícil quantificar uma solução como a mais adequada.2 indica as principais razões das soluções recomendadas.1 a 13. ou a escolha de ligações individualizadas. (iii) ligações que apresentam limitações de fabrico ou montagem difícil. Adicionalmente. 13.1 Casos Práticos Na concepção de ligações para estruturas metálicas verificam-se duas abordagens distintas: a procura de ligações “standard”. com normalização extensiva. Classe.12 apresentam soluções correctas e incorrectas baseadas em alterações a projectos de estruturas completas e reais.). de acordo com a regulamentação vigente. Os principais aspectos. Reparação de pequenas deformações Manutenção: Pintura e/ou Galvanização Transporte (estragos) Pré-montagem Dificuldades de montagem em obra Tolerâncias: Dimensões das secções dos perfis. etc. calculadas como rotuladas quando se comportam como parcialmente rígidas. Comprimento. Soldadura. (ii) ligações que introduzem efeitos secundários (i. etc. o critério de escolha difere de país para país (custos de fabrico.1: Aspectos a considerar no dimensionamento de ligações metálicas. que deverão ser considerados no dimensionamento e pormenorização de ligações metálicas são indicados no Quadro. Furação. No contexto deste manual. Ambas as abordagens apresentam vantagens e inconvenientes. facilidade e condições de montagem).13 EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO 13. Precisão na produção Encaixe dos perfis em obra Número de parafusos: Tipo. As Figuras 13.1. teoricamente mais ajustadas a cada ligação. experiência e hábitos Limitação do número de operações por elemento: Corte. Entalhe. Comprimento da parte roscadas. Cálculo • • • Transferência de forças através da ligação Excentricidade nas ligações Regulamentação: Dimensionamento de elementos [prEN 1993-1-1: 2003] Dimensionamento de ligações [prEN 1993-1-8: 2003] Montagem [EN 1090-1: 1996] Aspecto arquitectónico Corrosão Possibilidade de standarização Limitação do número de secções de perfis Limitação do número de tipo. (iv) soluções demasiado caras e pesadas em relação a outras. O Quadro 13.e. excentricidades. comprimentos e classes de parafusos Meios técnicos disponíveis. Quadro 13.

transverso na ligação VRd = 62. transverso na ligação vigas HEB180. 2) Solução com custos elevados de fabricação e montagem SOLUÇÃO CORRECTA Momento na ligação Mj.9 kNm 1) Utilização de placa de extremidade estendida no eixo forte e placas de extremidade com altura parcial no eixo fraco a) b) Figura 13. a) 132 Manual de ligações metálicas . soldadura: Mj.Rd = 139. Solução com custos elevados SOLUÇÃO CORRECTA Esf. transferência de momento no eixo forte do pilar.72 kNm Utilização de placas de alma b) Figura 13. parafusos 8xM20 VRd = 62.4 kNm.2: Ligação viga-pilar com contraventamentos diagonais: a) solução incorrecta.3 kNm 1) Instabilidade durante a montagem.Rd = 297. b) solução correcta. b) solução correcta.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO DADOS SOLUÇÃO INCORRECTA Momento na ligação vigas IPE 330. parafusos 4xM20 placa de extremidade Mj. ligação rotulada no eixo fraco: a) solução incorrecta. DADOS SOLUÇÃO INCORRECTA Esf. pilar: HEB180.72 kNm Dificuldade de fabricação e montagem.1: Ligação viga-pilar.Rd = 98.

b) solução correcta. 2) Solução com custos elevados na ligação. 1) Ligação com cantoneiras de alma Vj.3 kNm 1) Ligação de eixo forte com placa de extremidade estendida. 2) Ligação de eixo fraco com placa de extremidade com altura parcial ou placa de alma a) b) Figura 13. Mj. b) solução correcta. Manual de ligações metálicas 133 . transferência de momento no eixo forte do pilar. SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA Esforço transverso 1) Instabilidade durante a montagem. 2) Solução com custos elevados.Rd = 48.4: Ligação viga-pilar.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO DADOS Momento na ligação SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA Momento viga principal IPE270.4 kNm 1) Transferência de forças confusa.Rd = 279. vigas secundárias: HEB120. parafusos 6xM16 MRd = 65.3: Ligação viga-pilar. ligação simples inclinada no eixo fraco: a) solução incorrecta.viga de secção aberta e pilar de secção tubular RHS : a) solução incorrecta.Rd = 379.9 kNm a) b) Figura 13.2 kNm. na soldadura: Mj.

EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO SOLUÇÃO INCORRECTA DADOS Esforço transverso na ligação viga principal HEA1000. 134 Manual de ligações metálicas .6: Ligação à fundação a) solução incorrecta. parafusos 6xM16 VRd = 35. vigas secundárias: IPE240.0 kN 1)Ligação com placas de alma alongadas (aleta longa) a) b) Figura 13.0 kN 1) Introdução de excentricidades.5: Ligação viga-viga rotulada: a) solução incorrecta. parafusos 4xM16 VRd = 35. vigas secundárias: IPE240. b) solução correcta. 2) Instabilidade durante a montagem SOLUÇÃO CORRECTA DADOS Esforço transverso na ligação viga principal HEA1000. b) solução correcta SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA 1) Ligação muito complicada 2) Ligação com placa de base rotulada (sem transmissão de momento flector). 13. poderão ser introduzidos reforços a) b) Fig.

1 Pilar+2 vigas (mom.3 13.6. na ligação) 00 ++ 00 ++ 8 3 13.4 Pilar+2 Pilar+2 vigas+1 Pilar+4 vigas travessa vigas (ligação (momento na (ligação rotulada) ligação) rotulada) 000 0 000 +++ ++ +++ 000 00 00 ++ ++ ++ 7 9 8 3 3 2 0 8 000 00 00 +++ ++ +++ 00 + ++ + 00 00 00 + ++ + 12 10 14 12 8 12 00 00 00 ++ ++ + 000 0 00 ++ + ++ 0 0 0 + + + + ++ 00 00 +0 + ++ 0 0 0 + + ++ 13.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO Quadro 13.2 .2 classificação dos exemplos de dimensionamento apresentados nas Figuras 13.2 13. Exemplo Parâmetros observados Fig.6 Base de pilar com possibilidade de rotação (ligação rotulada) 00 ++ 000 +++ 20 1 2 0 00 ++ 00 +++ 000 ++ 12 2 0 ++ 000 ++ 00 ++ 000 ++ 000 ++ Dimensionamento Projecto Placas Perfis Medição Furos Soldadura Parafusos Arquitectura Corrosão Transporte Tolerâncias de construção Montagem B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G 00 + 0 ++ 0 ++ 16 14 0 + 00 ++ 0 + 0 + + + + + 0 + + + 6 4 0 + 0 + ++ 0 ++ + 0 + NOTA: Nº 000 00 0 Exemplos incorrectos B Nível de qualidade muito mau mau duvidoso Nº + ++ +++ Exemplos correctos G Nível de qualidade suficiente bom muito bom Manual de ligações metálicas 135 . 13.13.5 Viga principal +1 travessa (ligação rotulada) 0 ++ 0 ++ 3 1 13.

diâmetro.SIMBOLOGIA SIMBOLOGIA ZAC Zona Afectada pelo Calor a ac ah a1 b. comprimento da placa de base Altura da secção transversal do pilar Dimensão da cabeça do chumbador Comprimento efectivo da fundação Largura Largura efectiva da fundação Largura da zona afectada pelo calor Largura da secção transversal do pilar Largura efectiva Largura da placa de extremidade Largura do reforço de cada um dos lados Deformação. b1. distância da extremidade de uma cantoneira ao eixo neutro. ea.haz fcd Espessura de um cordão de ângulo. diâmetro do parafuso. ex. diâmetro do ligador Diâmetro do furo Diâmetro do chumbadouro Diâmetro médio do parafuso Diâmetro do núcleo da espiga do parafuso Largura efectiva da placa de base flexível Recobrimento mínimo para as armaduras do betão Excentricidade. distância do parafuso à face do T-stub Excentricidade da ligação Distância. b0. eb e1. distâncias dos parafusos Distâncias entre parafusos Distância do parafuso à face da placa de extremidade Tensão característica à flexão e cedência à tracção e compressão Tensão característica local à tracção e compressão Tensão característica da zona afectada pelo calor Valor de dimensionamento da tensão de compressão para provete cilíndrico de betão fcd = fck / γc . e2 ex fo fa fa. bw b1 bhaz bc beff bp bsg d d0 dh dm dn c c∅ e e0 e.

g fck fj fy.fc fv fv.d g g1 h.haz fu.θ ky.SIMBOLOGIA fcd. no cálculo da resistência ao esmagamento Factor de concentração de tensões Coeficiente de rigidez total da zona de compressão Coeficiente de rigidez total para uma fiada de parafusos à tracção Coeficiente de rigidez total da zona de tracção Coeficiente de rigidez da componente i Factor de redução da resistência dos parafusos à temperatura θ Factor que depende da espessura da placa e é utilizado no cálculo da resistência ao esmagamento Factor de redução da resistência da soldadura à temperatura θ Factor de redução da tensão de cedência do aço à temperatura θ Factor de redução do módulo de elasticidade do aço à temperatura θ Comprimento efectivo do T-stub Distância do parafuso ao banzo da viga λeff mx 138 Manual de ligações metálicas . h1 hef kp.θ kt kw.θ kE. entre o pilar e o reforço. kn k1 kj kc keff keq ki kb. fyi fya fyb fyc fyd fy. fum fub fw fvw.θ Valor de dimensionamento da tensão de compressão para provete cilíndrico de argamassa Tensão característica de compressão para provete cilíndrico de betão Tensão de esmagamento do betão Tensão de cedência do aço Tensão de cedência média Tensão de cedência do parafuso. h0. tensão de cedência do aço da viga Tensão de cedência do aço do pilar Tensão de cedência mais baixa. fy0. Tensão de cedência do banzo do pilar Tensão característica ao corte Tensão característica ao corte na zona afectada pelo calor Tensão última do aço Tensão última do parafuso Tensão característica do metal de adição Tensão resistente de um cordão de soldadura de ângulo por unidade de comprimento Comprimento do afastamento Comprimento do cordão de soldadura de ângulo Altura Comprimento do chumbadouro embebido no betão Constantes Factor relativo à distância entre parafusos e distancia dos parafusos à extremidade da placa. fy1.

braço da alavanca. t1. zr zeq zc zc. w2 z.SIMBOLOGIA m. p2 q r rc. A0 Ab Ac Área Área total do parafuso. distância entre o eixo de tracção e o eixo de compressão Braço de alavanca equivalente Braço de alavanca da zona de compressão Braço de alavanca da zona de compressão na zona superior da ligação Braço de alavanca da zona de compressão na zona inferior da ligação Braço de alavanca da zona de tracção A. s re rt t. t0. mx m1.Rd n n p1. tw te tfb tfc tp ts twc tf tg th twa w1. t2. m2 m1 m2L m2U mpl. Distância do bordo do reforço ao centro da fiada mais abaixo. zona não roscada Área da secção transversal do pilar 139 Manual de ligações metálicas .t zc. Distância do bordo do reforço ao centro da fiada mais acima Momento resistente plástico da placa de base. por unidade de comprimento Distância do eixo do parafuso à extremidade da placa de base Número de chumbadouros na placa de base Distâncias entre parafusos Factor de comportamento Braço da alavanca Raio de concordância na ligação da alma com o banzo do pilar Resistência teórica obtida a partir do modelo de dimensionamento Resistência obtida a partir ensaios experimentais Espessura Espessura efectiva da soldadura de topo por penetração parcial Espessura do banzo da viga Espessura do banzo do pilar Espessura da placa de extremidade Espessura do reforço Espessura da alma do pilar Espessura do banzo Espessura da argamassa Espessura da cabeça do chumbadouro Espessura da porca Distância entre parafusos Braço.b zt Distância do eixo do parafuso à solda Distância do parafuso à alma do T-stub Distância do centro do parafuso ao raio de concordância.

Ft Área efectiva Área total (bruta) Área ao esmagamento da cabeça do parafuso Área útil Área útil do parafuso.Rd C0.Rd FcR. em situação de incêndio Resistência da zona comprimida Resistência de cálculo em compressão na zona inferior da ligação Resistência de cálculo em compressão na zona superior da ligação Resistência de cálculo do banzo da viga comprimido Resistência de cálculo da alma do pilar comprimida Limite elástico Resistência dos elementos estruturais obtida experimentalmente Resistência de dimensionamento para parafusos auto-perfuradores.Rd Fc.fb.SIMBOLOGIA Aeff Ag Ah Anet As Asg Asn Av Be Bt.d Fc. avaliada experimentalmente Força de compressão aplicada Força de pré-esforço de dimensionamento Força de tracção na fiada mais acima Força de tracção na fiada mais abaixo Resistência de cálculo Força de cálculo actuante Resistência à tracção da fiada i de parafusos Resistência da zona traccionada Força de tracção 140 Manual de ligações metálicas . Área dos chumbadouros Área dos reforços Área de ambos os reforços Área de corte Comprimento efectivo Resistência de cálculo de um parafuso à tracção Constantes Parâmetro de eficácia Coeficiente de atrito Módulo de elasticidade do aço à temperatura θ Módulo de elasticidade do aço Força Resistência de cálculo ao esmagamento por parafuso Resistência de cálculo ao esmagamento por parafuso.b.Rd Fp Fp.Rd Ft.Rd Fb.Rd Fel Fexp Fn. na zona roscada. CX.Rd Fc.Cd Fri Frj FRd FSd Fti. CK Cf. P Fb.wc.t.Rd Fc. CT.t.Rd Ft.Sd. C1 Ce.d Eθ E F.

Rd Fw. à temperatura ambiente Forças de cedência e de rotura da componente i.Rd Fy. L1 Lb Lc Leff Lw Lw.t.wc.θ.Rd Ften. em situação de incêndio Resistência de um cordão de soldadura de ângulo por unidade de comprimento Forças de cedência da componente i.Sd Fv.θ I Ib Ic Ke.θ.Rd Fv Fn.Rd Ft. Kpli.fc.20ºC Fyi.ep. Fyi.lim Lbe Lbf Leq L. à temperatura ambiente Rigidez plástica da componente i.t.Rd Ft.20ºC Fui.SIMBOLOGIA Ft. à temperatura ambiente Rigidez elástica e plástica da componente i. em situação de incêndio Força de corte actuante Resistência característica de elementos ao corte Resistência de cálculo ao corte Resistência de um cordão de soldadura Resistência de um cordão de soldadura. à temperatura θ Momento de inércia Momento de inércia da viga Momento de inércia do pilar Rigidez elástica da componente i.wb.t. à temperatura θ Comprimento da soldadura Comprimento limite dos parafusos para que haja forças de alavanca nos chumbadouros Comprimento da zona embebida do chumbadouro Comprimento do chumbadouro acima da fundação de betão Comprimento equivalente do chumbadouro Comprimento Comprimento da viga.eff M Resistência de cálculo da placa de extremidade flectida Resistência de cálculo do banzo do pilar flectido Resistência de cálculo da alma da viga traccionada Resistência de cálculo da alma da viga comprimida Resistência de cálculo dos parafusos à tracção.20ºC.Rd Fw. Kpli.Sd Fv. comprimento livre do chumbadouro Comprimento do pilar Comprimento efectivo de um T-stub Comprimento do cordão da soldadura de ângulo Comprimento efectivo do cordão da soldadura de ângulo Momento flector 141 Manual de ligações metálicas . à temperatura ambiente Forças de rotura da componente i.Rd Fw.Rd Ft.Rd Fw. Fui.max Fv. em situação de incêndio Força actuante num cordão de soldadura Esforço transverso actuante Máxima resistência ao corte obtida experimentalmente Resistência de cálculo dos parafusos ao corte. Kpl.θ La Lb.Rd Fv. Kei.20ºC Kei.

ult Mj.Sd. S1.ult.SIMBOLOGIA M´ Mb Mpl.pl.20ºC. N2 NSd Npl.Rd Mb. função Manual de ligações metálicas .Ed VSd Vpl. com capacidade dissipativa Rigidez da ligação Rigidez inicial da ligação Rigidez secante da ligação Rigidez de rotação da ligação à temperatura ambiente. Wpl. Mj Mj.θf Momento flector máximo da ligação j. Mj.d Mj.el Mj.y Momento flector resistente Momento flector actuante Esforço axial Esforço axial actuante Esforço axial plástico de cálculo Esforço axial resistente Esforço axial no elemento principal que corresponde à plastificação Resistência do painel de alma não reforçado Força de alavanca Resistência da ligação Resistência plástica do membro ligado.Ed VM.Rd N1y Pv Q Rd Rfy Sj Sj. N1.max.exp Momento flector por unidade de comprimento Momento na viga Momento flector plástico de cálculo Momento flector plástico de cálculo na viga Momento flector plástico de cálculo no pilar Momento flector plástico de cálculo da ligação Momento flector actuante na ligação Momento flector elástico da ligação Momento flector de rotura da ligação Valor esperado do momento flector de rotura da ligação Valor experimental do momento flector de rotura da ligação Mj.pl.z.Rd Nu.20ºC VG.Rd Mj.ult.Rd Vwp.Rd Mj.Rd Mc. no instante de cedência da componente i Esforço de corte devido a acções não sísmicas Esforço de corte devido aos momentos resistentes nas extremidades da viga Esforço transverso actuante Esforço transverso plástico de cálculo Resistência de cálculo do painel de alma do pilar em corte Módulo de flexão plástica na direcção z e na direcção y. respectivamente MRd MSd N. N0.20ºC Sj.max.sec Si.Rd Wpl. respectivamente α 142 Coeficiente de comprimento efectivo de um T-stub. ângulo. à temperatura ambiente e a temperatura de rotura θf.ini.

SIMBOLOGIA αb Factor relativo à distância entre parafusos e distância dos parafusos à extremidade da placa. pela aplicação de forças exteriores Deformação de componentes na zona de compressão Deformação de componentes na zona de compressão na parte superior da ligação Deformação de componentes na zona de compressão na parte inferior da ligação Variação da espessura da placa Deformação total da placa. ângulo entre o reforço e a horizontal.b δp δp. relativo à plastificação da secção transversal Coeficiente parcial de segurança da secção útil na zona da ligação Coeficiente parcial de segurança à temperatura ambiente Coeficiente parcial de segurança em situação de incêndio Deformação Deformação do parafuso Deformação total do parafuso. temperatura Ângulo entre a diagonal e o perfil principal Capacidade de rotação plástica Temperatura do banzo inferior da viga Dimensões do T-stub Esbelteza relativa Coeficiente de rigidez. θ2. no cálculo da resistência ao esmagamento Coeficiente de transformação para solicitação por corte.fi δ δb δb. λ 2 λ μ μ0 ρhaz Manual de ligações metálicas . coeficiente de atrito Grau de utilização da estrutura Factor da amaciamento da ZAC 143 β βj βw βLw γM0 γM2 γm γm. ξ η θ θ1.ext δt δCd ζ.t δc. quociente entre diâmetros Coeficiente da ligação Factor de correlação para avaliação da resistência de uma soldadura Factor de redução para cordões longos Factor parcial de segurança para o aço. pela aplicação de forças exteriores Deformação de componentes na zona de tracção Capacidade de deformação Coeficientes utilizados para avaliar a rigidez inicial e o momento resistente da ligação e bases de pilares Coeficiente de modificação de rigidez Ângulo.ext δc δc. θi θp θ0 = θfb λ 1.

SIMBOLOGIA σ σw σ⊥ σ// τ τ⊥ τ// φ. φy i. à temperatura ambiente e à temperatura θ. à temperatura ambiente Deformação da componente i na rotura.θ Δfi. Δfi. respectivamente Deformação da componente i na cedência.θ Δ f Tensão normal Tensão normal na soldadura Tensão normal perpendicular ao plano crítico de um cordão de soldadura Tensão normal paralela ao eixo de um cordão de soldadura Tensão de corte Tensão tangencial (no plano crítico do cordão) perpendicular ao eixo de um cordão de soldadura Tensão tangencial (no plano crítico do cordão) paralela ao eixo de um cordão de soldadura Rotação da ligação Capacidade de rotação da ligação Rotação da ligação no instante de cedência da componente i.20ºC . Δy Δyi.20ºC. tolerância Deformação da componente i. à temperatura ambiente e à temperatura θ.20ºC . Δi. Φj φCd φyi. à temperatura θ Deformação da componente i na rotura. à temperatura ambiente Deformação da componente i na cedência. respectivamente Factor de forma Ângulo de rotação Deformação.20ºC . à temperatura θ 144 Manual de ligações metálicas .θ Δyi.θ ψ ψi Δ Δi.

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8 do Eurocódigo 3 (prEN 1993-1-8) considerou estes desenvolvimentos e inclui uma abordagem ao cálculo da rigidez. fabricação e montagem de estruturas metálicas. resistência e capacidade de rotação para uma gama alargada de ligações aparafusadas e soldadas. Este livro pretende fornecer informação detalhada sobre o comportamento das ligações. em toda a União Europeia e respondidas por especialistas nas respectivas áreas. tem conduzido à evolução e desenvolvimento de novos critérios de dimensionamento e construção de estruturas metálicas. Uma das suas acções é o apoio ao desenvolvimento de material educacional necessário a incentivar os projectistas europeus a adoptarem a EN 1993-1-8. . nomeadamente no que diz respeito às ligações. Nos últimos anos foi feito um grande esforço para se tentar avaliar o comportamento real das ligações. com base nos fundamentos e métodos de dimensionamento apresentados nesta Norma. Tradicionalmente. em simultâneo com a introdução de materiais de construção de alto desempenho. construtores e fabricantes. Foi elaborado a partir de questões recolhidas junto dos projectistas. A parte 1. o dimensionamento de ligações metálicas baseia-se apenas em verificações da capacidade resistente. O Comité Técnico de Ligações Estruturais da Convenção Europeia de Construção Metálica (ECCS TC10) apoia o desenvolvimento e a implementação de um conjunto de regras para o dimensionamento de ligações metálicas.O desenvolvimento no projecto.

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