Manual de Ligações Metálicas
Eds. L. Simões da Silva e A. Santiago http://www.cmm.pt ISBN 972-98376-4-3

Documento para divulgação do Projecto: Continuing Education in Structural Connections - CESTRUCO No. CZ/00/B/F/PP-134049 Ao abrigo do PROGRAMA LEONARDO DA VINCI da Comunidade Europeia. Este projecto foi desenvolvido com o apoio da Comunidade Europeia. O conteúdo deste projecto não reflecte necessariamente, a posição da Comunidade Europeia ou Departamentos Nacionais nem envolve a responsabilidade de nenhuma das partes.

manual de LIGAÇÕES METÁLICAS

editado por:

Luís Simões da Silva Aldina Santiago

Coimbra, Novembro de 2003 __________________________________________________________________ cmm – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista

8 Q2.10 Q2.3 Q3.9 Q2.5 Q2.3 Q2.2 2.5 Q2.1 Q3.4 2.1 Q3.6 Q2.4 Introdução Ligação de duas cantoneiras a uma placa de gusset Resistência de um cordão de soldadura de ângulo Dimensionamento de cordões de soldadura de topo com penetração parcial Dimensionamento de cordões de soldadura em ligações com resistência total 15 15 18 19 19 20 .11 Introdução Características mecânicas dos parafusos Comportamento de um parafuso numa ligação Parafusos em ligações ao corte Ligações resistentes ao escorregamento Perda de pré-esforço no parafuso Resistência de ligações da categoria C Resistência ao corte de parafusos solicitados também à tracção Distâncias máximas entre parafusos e dos parafusos às extremidades das placas Critério de deformação em ligações com parafusos ao corte Distâncias entre parafusos e dos parafusos às extremidades das placas Resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos ao corte Resistência ao esmagamento em ligações com furos ovalizados Método de dimensionamento de ligações com parafusos ao corte em furos ajustados Parafusos solicitados ao corte mais tracção Resistência de ligações com aço de alta resistência ix 1 3 3 3 4 5 5 6 6 6 7 8 9 9 10 12 12 13 3 Soldadura e Ligações Soldadas 3.ÍNDICE ÍNDICE Prefácio 1 Introdução 2 Parafusos e Ligações Aparafusadas 2.1 Q2.1 2.3 2.4 Q2.2 Q3.7 Q2.2 Q2.

6 5.5.1 5. para ligações com placa de extremidade Fórmula para o coeficiente α do comprimento efectivo do T-Stub Regras para dimensionamento de ligações com esquadro de reforço Regras para reforços diagonais e em K Manual de ligações metálicas .1.5.2 Q5.3 5.6.2 5.3 5.1 Q4.4 Dupla cantoneira de alma Cantoneira de alma simples Placa de extremidade flexível Placa de gousset Dupla cantoneira de alma Placa de extremidade flexível Placa de gousset Extremidades preparadas para o contacto Extremidades não-preparadas para o contacto 31 31 31 32 32 32 33 33 33 34 34 35 35 36 36 37 37 38 39 40 Ligação viga-viga Emendas de pilares Resistência dos parafusos ao esmagamento: tolerâncias permitidas Cantoneira ligada por um ou dois parafusos Capacidade de rotação Integridade estrutural 6 Ligações com Transmissão de Momento 6.5.1.2 Q6.4 Método das componentes Caracterização do comportamento de componentes de uma ligação 43 43 43 45 46 47 48 49 Coeficiente de modificação da rigidez η.4 Modelação Estrutural 4.4.3 Q6.4.2 5.2 5.4 Introdução Integridade estrutural Métodos de cálculo Ligação viga-pilar 5.1 Q5.1 5.3 Q5.4.1 6.4.5 5.4 5.1 Q4.2 Q6.2 Q4.2 Q5.1 5.1 Q6.3 Q4.3 5.4 Q4.1 5.1 Introdução 6.5 Introdução Cálculo preliminar de ligações Utilização da análise elástica para a análise global de estruturas Critérios de classificação para bases de pilar Cálculo de ligações solicitadas por esforços reduzidos Modelação da excentricidade da ligação no cálculo de pórticos 23 23 24 26 27 29 29 5 Ligações sem Transmissão de Momento 5.6.

6 Q6.4 Q8.5 Q7.1 Q7.8 Q6.10 Introdução Análise elástica da placa de base Cálculo da resistência da placa de base com argamassa de assentamento de baixa qualidade Cálculo comparativo da resistência do betão pela EN 1992-1-1 e EN 1993-1-8 Factor de concentração de tensões kj para bases de pilares Comprimento efectivo do T-stub associado à placa de base Comprimento efectivo do T-stub de bases de pilar com chumbadouros fora da largura dos banzos Coeficiente de atrito entre o aço e o betão Transmissão de forças de corte através dos chumbadouros Transferência de forças de corte por atrito e através de chumbadouros Regras para realização da ancoragem dos chumbadouros 61 61 62 63 64 66 67 69 72 72 73 74 8 Acção Sísmica 8.1 Q8.7 Q7.9 Q7.8 Q7.6 Q7.2 8.5 Q6.4 Q7.3 Q7.3 Q8.9 Q6.3 8.10 Distribuição plástica de forças numa ligação com placa de extremidade muito espessa Linhas de rotura em fiadas com quatro parafusos Distribuição de esforço transverso em ligações aparafusadas Efeito de alavanca no T-Stub e verificação da fadiga Determinação das propriedades de ligações submetidas a momento flector e esforço axial Regras de dimensionamento para reforços em K e do tipo Morris 49 50 52 52 54 58 7 Bases de Pilares 7.4 Q8.1 Q7.Q6.5 Q8.1 Introdução 89 89 Manual de ligações metálicas .2 Q7.7 Q6.2 Q8.1 8.6 Introdução Critérios de dimensionamento Tipos de ligações viga-pilar Recomendações de projecto e produção Dimensionamento de ligações sujeitas a carregamento dinâmico Influência de carregamento não-simétrico Influência de encruamento Influência da tecnologia e pormenorização da soldadura Utilização de parafusos de alta resistência em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas Importância do comportamento do painel de alma do pilar (reforços) 79 79 79 81 82 84 84 85 85 87 87 9 Acção do Fogo 9.

1 Q11.1 Q9.3 Q10.3 Q11.1 11.3 Introdução Resistência da soldadura de ângulo Largura efectiva e espessura do cordão de soldadura de ângulo Soldadura de topo em ligações de alumínio 123 123 124 125 125 Manual de ligações metálicas .2 10.1 Q10.2.4 Ligadores mecânicos Soldadura Colas 113 113 113 113 117 119 119 120 120 121 121 Considerações de dimensionamento Aumento da tensão de cedência das secções enformadas a frio Capacidade de deformação de ligações ao corte Resistência dos parafusos em painéis sandwich Resistência ao esmagamento de placas finas 12 Ligações em Alumínio 12.2 Q10.3 11.4 Q10.2 Q11.2 11.1 Q12.1 11.2.4 Resistência dos parafusos a temperaturas elevadas Resistência da soldadura a temperaturas elevadas Distribuição da temperatura numa ligação.1 Q12.6 Q10.1 10.2 Q12.Q9. ao longo do tempo Comportamento de ligações metálicas a temperaturas elevadas – aplicação do método das componentes 89 91 91 93 10 Ligações de Secções Tubulares 10.4 Q10.2 Q9.3 Q9.3 10.3 Q11.5 Q10.2.2 Introdução Ligadores 11.7 Introdução Ligações soldadas Ligações aparafusadas Considerações de dimensionamento Modelos de previsão do comportamento para ligações com perfis circulares ocos (CHS) Modelos de previsão do comportamento para ligações com perfis rectangulares ocos (RHS) Modelos analíticos para ligações entre perfis ocos e secções abertas Ábacos de dimensionamento Sistemas de “Blind Bolting” – aparafusamento com acesso apenas por um dos lados Aço de alta resistência em ligações de secções tubulares Dimensionamento de estruturas offshore 97 97 97 98 99 99 102 104 106 108 110 111 11 Ligações de Perfis Enformados a Frio 11.

Q12.1 Casos práticos 131 131 Simbologia Referências Bibligráficas 137 143 Manual de ligações metálicas .4 Zona afectada pelo calor (ZAC) 126 13 Exemplos de Dimensionamento 13.

K. Santiago (chapter Fire Design). Blok (internal review). Grecea (chapters Hollow Section Joints and Cold-formed Member Joints). J. Weynand. Simões da Silva (chapter Fire Design). Yeomans. Leino. Jaspart. J. Turcic. Gresnigt (chapter Moment-resistant Connections). . M.A versão original inglesa desta publicação foi elaborada no âmbito do Projecto Comunitário “CESTRUCO – Continuing Education in Structural Connections” com a colaboração das seguintes pessoas: C. T. Dubina (chapter Seismic Design). Bijlaard. F. A edição e tradução desta publicação foi efectuada pelos seguintes membros do Grupo de Construção Metálica do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra: Luís Simões da Silva (editor). Janata (internal review). A. N. chapter Introduction and Column Bases). Rui Simões. que trabalhou connosco durante vários anos na investigação de ligações metálicas. Z. Eliášová. J. Rio de Janeiro). Brekelmans. C. Beg. Wald (editor. Lennon. Luís Costa Neves. Altino Loureiro(DEM. Mazzolani. and F. D. Sandra Jordão. Baniotopoulos (chapters Welding and Aluminium). B. Os autores dedicam este trabalho a Martin Steenhuis. Luís Borges (ISTG. Moore (chapter Simple Connections). T. A. M. R. Evers (chapter Design Cases). Coimbra). Luciano Lima (UERJ. Huber. G. Jorge Andrade (UBI. J-P. T. nosso amigo. Veljkovic (chapter Bolting). Johansson. D. Kouhi. Leiria). Fernando Teixeira Gomes. R. F. L. H. G. F. Braham. Sokol (chapter Structural Modeling). Rathbone. Covilhã). A versão original inglesa desta publicação foi revista externamente por: D. Shipholt. M. Aldina Santiago (editora). e morreu tragicamente no verão de 2001. V. participou no início deste projecto. A. Steenhuis. M. Měřínský (internal review). M. D.

portanto. e montados . o funcionamento da estrutura. até há pouco tempo. as ligações. afastavam do uso do aço quem mais pode contribuir para a sua difusão na área dos edifícios importantes . soldados e pintados em instalações protegidas. a concepção. preparações e soldaduras. às pontes e aos edifícios industriais. e a prescrição de elementos e processos de aparafusamento. confinado-o em Portugal. como o betão. E. em particular do grupo de Coimbra liderado pelo Professor Luís Simões da Silva. Por outro lado.os arquitectos -. Isto não só para que a maior parte da preparação da estrutura seja executada em ambientes controlados e tirando partido de equipamentos e processos automatizáveis. Eram. isto é.deformabilidade e resistência . Esta relevância das ligações para o sucesso das estruturas de aço era contrariada. ser muito condicionado pelo comportamento das ligações projectadas . As vantagens económicas das estruturas de aço estão. explorando. exprimem de forma eloquente o nível tecnológico da estrutura que integram e delas depende muito a qualidade estética do conjunto. tem tido neste domínio particular relevância. Por isso. o engenheiro de estruturas não assumia o seu controlo. Tendo-se alterado esta situação. por isso. isto é. a elas se devendo grande parte da popularidade que as estruturas de aço conhecem. a exposição de ligações criativamente concebidas está hoje "na moda" e pode-se dizer que o projecto e fabrico de ligações eficazes e belas tem estimulado significativos avanços na construção metálica.a competitividade da solução metálica depende das ligações projectadas por nelas se concentrar a maior parte do custo quer de fabrico quer de montagem em obra dos elementos a ligar. O contributo português. . "pormenores" cujo dimensionamento não acompanhou os progressos da concepção estrutural com base nos critérios da análise limite e da visão integradora que proporciona. associadas à eficiência das suas ligações. mas também para limitar o tempo de obra e ocupação de estaleiro. a principal diferença económica entre as estruturas de aço e as que usam materiais a moldar in situ. até há poucos anos atrás. por outro lado. Independentemente do facto do modelo estrutural adoptado. Diria que é também por esta razão que as ligações na construção metálica têm recentemente conhecido um crescente interesse por parte dos engenheiros projectistas e.em obra através de parafusos. ser frequentemente relegada para o âmbito da metalomecânica. especialmente. dos arquitectos. quando visíveis.ou ligados . por a sua concepção. modelação e análise das ligações surge como tema de muitas comunicações a congressos sobre estruturas metálicas e é o motivo dos mais recentes desenvolvimentos ocorridos na redacção dos Eurocódigos. um problema a resolver pelo fabricante. ao envolver cortes e tolerâncias. não integrando o comportamento das ligações na avaliação global da estruturas que concebia. É que para a promoção do aço nunca é demais insistir que o seu moderno e eficaz uso assenta na préfabricação e na exploração de todas as técnicas que permitam reduzir o trabalho em obra à realização de montagens rigorosas mas fáceis e rápidas. assim. Por outras palavras.PREFÁCIO PREFÁCIO Os meus alunos sabem que inicio todas as aulas ou palestras sobre o uso de elementos estruturais de aço na construção salientando que devem ser concebidos para serem cortados. furados.

embora se trate de um Manual destinado a apoiar engenheiros civis e não a engenheiros metalúrgicos. No caso das ligações estamos num momento intermédio pois trata-se ainda de capítulo especializado do Eurocódigo 3. Sublinharia do seu conteúdo a consideração da deformabilidade das ligações (semi-rigidez). a que se seguem fases de teste e simplificação. O presente Manual. será. que resulta de um trabalho de equipa no âmbito do Projecto Europeu CESTRUCO. na análise de estruturas metálicas. não deixa de abordar os problemas relacionados com a fadiga e a sua prevenção através de pormenores de forma e escolha adequada dos materiais. cujas regras e modelos de cálculo são complexos e de difícil aplicação. nomeadamente sob acção de sismos. Para a sua compreensão e ensino nos cursos de Engenharia Civil os textos de apoio escasseiam. as recomendações para projecto têm ciclos de desenvolvimento. muito útil. por isso. E também que. traduzidos por regras complexas. estimada através do método das componentes.PREFÁCIO Como sempre. bem como o tratamento do problema do comportamento das ligações sob a acção de incêndios. ANTÓNIO LAMAS Manual de ligações metálicas .

9. mas com o desenvolvimento tecnológico. em devido tempo. Actualmente dispõe-se de métodos capazes de avaliar não só a capacidade resistente. nomeadamente parafusos e soldadura. o projectista pode prever o comportamento real de pórticos metálicos simples.9 e 12. para descrever o comportamento global momento-rotação da ligação. era usual utilizar rebites como elemento de ligação. tem sido feito um grande esforço para se tentar avaliar o seu comportamento real. 10. Para tirar partido da variabilidade dos produtos metálicos. assim como em utilizações mais correntes. Actualmente os aços variam desde os tradicionais S235 a S355 aos aços de classe S690 ou S960 e os parafusos dividem-se em parafusos ordinários: classes 4. tem conduzido a um aumento da qualidade e normalização relativamente a outros materiais estruturais. em simultâneo com a introdução de materiais de construção de alto desempenho. nomeadamente nas ligações. fabricação e construção de estruturas metálicas. A introdução de aços de alta resistência aumentou a variedade de aços e de parafusos disponíveis no mercado. que referem recomendações de dimensionamento e montagem de elementos de ligação. No que se refere ao Eurocódigo de Estruturas Metálicas (Eurocódigo 3) foi “reconhecida” a importância das ligações e autonomizou-se uma parte específica com regras e recomendações para o seu dimensionamento. dos desenvolvimentos tecnológicos e técnicas disponíveis nos diferentes países. por punção ou furar automaticamente. 4. resistência e capacidade de rotação para uma gama alargada de ligações aparafusadas e soldadas. Do mesmo modo. A automação de fabrico tem evoluído desde o desenho manual (ou mesmo CAD-2D) e métodos de corte tradicionais. fabricação e montagem de estruturas metálicas. Adicionalmente e antes de serem incluídos nas Normas Europeias. a qualidade dos processos de soldadura tem sofrido avanços consideráveis. com um nível de segurança mais aferido e podem ser utilizadas em estruturas que se pretendam que sejam esteticamente agradáveis. . Como parte integrante do desenvolvimento das primeiras versões da EN 1993-1-8. etc). os modelos de dimensionamento de cada um desses componentes forão progressivamente validados através de ensaios experimentais. que ligado directamente ao controlo numérico das máquinas (CNC) permite cortar a laser. tem conduzido a alterações na filosofia de dimensionamento de estruturas metálicas. A metodologia apresentada na EN 1993-1-8 é designada por método das componentes e baseia-se no comportamento individual de cada uma das componentes (parafusos. foram elaborados documentos de apoio. mas também a rigidez e capacidade de rotação de ligações aparafusadas e soldadas. e em particular a generalização da automação das tarefas de projecto e fabricação. as ligações soldadas em oficina e aparafusadas em obra têm-se generalizado.1 INTRODUÇÃO Desenvolvimentos recentes no projecto.5. a software sofisticado de projecto. a União Europeia decidiu implementar normas de dimensionamento. Esta parte inclui-se no documento principal do Eurocódigo 3 e é designada por EN 1993-1-8 – Dimensionamento de Ligações [prEN 1993-1-8: 2003]. Actualmente as ligações metálicas podem ser económicas de fabricar e montar. banzo da coluna. Tradicionalmente.6 e parafusos de alta resistência: classes 8. o dimensionamento de ligações metálicas baseia-se apenas em verificações da capacidade resistente. placa de extremidade. A EN 1993-1-8 considerou estes desenvolvimentos e inclui uma abordagem ao cálculo da rigidez. estando actualmente em fase de conversão em Normas definitivas que substituirão. soldas. Com base nesta informação. No passado. estes documentos apresentaram-se sob a forma de pré-normas. Estas alterações. Numa primeira fase. os regulamentos nacionais.6 e 5. Estas normas têm sido desenvolvidas ao longo de vários anos e constituem documentos designados por Eurocódigos Estruturais. Nos últimos dez anos.8. nomeadamente pela introdução de laminagem contínua de aços e utilização de robôs de soldadura.

encontra-se estruturada nos seguintes capítulos: Capítulo 1: Introdução Capítulo 2: Parafusos e Ligações Aparafusadas Capítulo 3: Soldadura e Ligações Soldadas Capítulo 4: Modelação Estrutural Capítulo 5: Ligações sem Transmissão de Momento Capítulo 6: Ligações com Transmissão de Momento Capítulo 7: Bases de Pilares Capítulo 8: Acção Sísmica Capítulo 9: Acção do Fogo Capítulo 10: Ligações de Secções Tubulares Capítulo 11: Ligações de Perfis Enformados a Frio Capítulo 12: Ligações em Alumínio Capítulo 13: Exemplos de Dimensionamento Cada capítulo apresenta uma breve descrição da aplicação da EN 1993-1-8. De modo a facilitar a sua utilização. de modo a fornecer aos projectistas a informação detalhada com base nos fundamentos e métodos de dimensionamento apresentados na EN 1993-1-8. Finlândia). regras de interacção momento-esforço axial na ligação. que é actualmente usado em várias Universidades Europeias. 1998]. mais tarde foi alargado de modo a incluir ligações com cantoneiras [Jaspart.um conjunto de lições em PowerPoint para o dimensionamento de elementos metálicos e mistos.um gabinete virtual de projectos metálicos e o SSEDTA . 2 Manual de ligações metálicas . Holanda) e a Jouko Kouhi (VTT. 1997]. O objectivo desta publicação é documentar cada uma dessas questões juntamente com a sua respostas. 1988]. O Comité Técnico 10 (Ligações Estruturais) da Convenção Europeia de Construção Metálica (ECCS TC10) apoia. bem como a intensa actividade de investigação levada a cabo nos Estados Unidos (Projecto SAC) e no Japão. Luxemburgo). que contribuiu para o conhecimento do comportamento de estruturas metálicas sob acções sísmicas. baseia-se. 1999] e bases de colunas [Wald et al. sendo uma das fases deste processo o desenvolvimento de material educacional necessário para incentivar os projectistas Europeus a adoptarem a EN 1993-1-8. regras de verificação da capacidade resistente ao esmagamento em furos ovalizados. entre outros. Consequentemente. Cheal.. Huber. ligações mistas [Anderson. a informação contida neste documento será disponibilizada num curso interactivo de dimensionamento. fabricação e montagem de ligações metálicas.b] em ligações com placa de extremidade rasa e estendida. Adicionalmente.INTRODUÇÃO contínuos e semi-contínuos. O ensino faz parte integrante da apresentação e divulgação de novos métodos do dimensionamento de ligações metálicas. foi desenvolvido um projecto denominado “Continuing Education in Structural Connections (CESTRUCO)”. expressões de dimensionamento de ligações soldadas em perfis rectangulares ocos e critérios de verificação de Estados Limites de Utilização para ligações realizadas por cavilhas. o desenvolvimento e a implementação de um conjunto de regras de dimensionamento para ligações metálicas. Paralelamente. O método das componentes. sob a égide do Programa Leonardo da Vinci (União Europeia). 1983a. Uma das prioridades deste Comité é facilitar a introdução da EN 1993-1-8 como Euro-Norma. há mais de vinte anos. em trabalho realizado por Zoetemeijer [Zoetemeijer. Dessas iniciativas cita-se o Projecto “Reliability of moment resistant connections of steel building frames in seismic areas (RECOS)”. o SteelCal . a Jan Stark (TU Delft. Outros trabalhos educacionais disponíveis pelo ESDEP incluem o WIVISS . A ideia deste projecto deve-se a Marc Braham (Astron. seguida de questões e respectivas respostas. Um dos primeiros trabalhos educacionais em ligações foi produzido por Owens e Cheal [Owens. vários investigadores iniciaram pesquisas de modo a definir o comportamento das ligações metálicas sujeitas à acção sísmica. Mais tarde este trabalho foi alargado e incorporado num programa educacional Europeu: European Steel Design Educational Programme (ESDEP).um conjunto de lições em CD. Após os sismos de Northridge (USA) e Kobe (Japão). Este projecto pretendeu reunir questões típicas sobre o dimensionamento de ligações metálicas e de seguida publicar as respectivas respostas. a EN 1993-1-8 também inclui uma metodologia de dimensionamento de bases de colunas com placa de extremidade. 1998.

recozido. devem utilizar-se parafusos com elevada resistência à fadiga e deformabilidade reduzida. De um modo geral. Como regra semi-empírica tem-se.9). por exemplo. 8.6 300 500 6. pode-se dizer que as ligações aparafusadas são dimensionadas através de processos semi-empíricos. Genericamente.8 480 600 8. A resistência de um parafuso é normalmente avaliada utilizando a “secção resistente à tracção” (também denominada por “secção resistente”). placas de extremidade e cantoneiras. nomeadamente os parafusos de classes 8.1(3) da EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]. entre outas. baseados em resultados de ensaios. em que os parafusos normalmente garantem a transmissão de forças entre dois elementos com pequenas excentricidades. A zona mais fraca de um parafuso é a parte roscada (Figura 2.6. Características Mecânicas dos Parafusos No Quadro 2.8. Nas ligações sujeitas a forças cíclicas susceptíveis de induzir fenómenos de fadiga.85. temperado – parafusos de alta resistência.1 apresentam-se as classes de parafusos mais utilizadas em ligações metálicas (classes 4. nas ligações sujeitas a forças e momentos estáticos. a descrita na cláusula 3. as ligações aparafusadas estão mais vulgarizadas pela sua facilidade de fabrico e montagem em obra.9 900 1000 Material e tratamento carbono.8 e 10.8 e 10. As diferentes tipologias de ligações aparafusadas incluem placas cobrejuntas. definida pela média entre o diâmetro do núcleo da espiga dn e o diâmetro “médio” dm: dres = dn + dm 2 (2. podem ser utilizadas todas as classes de parafusos. segundo a qual a resistência ao corte de parafusos M12 e M14 deve ser calculada multiplicando a expressão de cálculo da resistência ao corte de parafusos de maior diâmetro por um factor igual a 0. 6. Para ligar estes elementos aos perfis estruturais utilizam-se parafusos.8 640 800 10.6. Neste capítulo apresentam-se questões directamente relacionadas com o comportamento dos parafusos e tipologias de ligações muito simples. e de forma tradicional.6 240 400 baixa ou 5.9 ou superiores. média percentagem de Liga de aço com uma percentagem média total ou parcialmente de carbono.1). Embora em estruturas metálicas se possam usar ligações soldadas e ligações aparafusadas. 5.2 PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Introdução Ligações são dispositivos utilizados para transmitir forças entre elementos estruturais. Quadro 2. Classe do parafuso fyb (MPa) fub (MPa) 4.6. experiência e prática de boa execução.1) .1: Características mecânicas dos parafusos.

Além destas. Comportamento de um Parafuso numa Ligação A resistência última de uma ligação aparafusada é avaliada assumindo simplificações na redistribuição das forças internas. As forças internas (corte. 1983]. do comprimento abaixo da cabeça e do comprimento da parte roscada. Mazzolani. • Parafusos traccionados. resistindo por atrito. Rosca Figura 2. • Parafusos de alta resistência em ligações pré-esforçadas resistentes ao escorregamento – Neste caso as placas são comprimidas entre si devido às forças de aperto dos parafusos. esmagamento e tracção) podem ser transferidas por corte/esmagamento em ligações aparafusadas correntes e por atrito entre as placas em ligações pré-esforçadas. comprovadas experimentalmente.. os parafusos podem ser solicitados como: • Parafusos ao corte – Neste caso o movimento das placas de ligação é restringido essencialmente pelo núcleo do parafuso. existem muitos outros tipos de ligações onde os parafusos são solicitados por uma combinação de corte com tracção.2: Distribuição de forças em ligações aparafusadas sujeitas ao corte e em ligação aparafusadas préesforçadas [Trahair et al. força no parafuso força na placa esmagamento força no parafuso punçoamento esmagamento atrito corte esmagamento corte atrito esmagamento atrito tracção esmagamento esmagamento a) ligações resistentes ao corte b) ligações pré-esforçadas c) ligações resistentes à tracção Figura 2. 2001].1: Secção transversal e ”secção resistente” de um parafuso [Ballio. Essas forças são descritas nas Figuras 2.2 e 2.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS O tamanho de um parafuso é definido em função do seu diâmetro nominal.3 para ligações correntes e ligações pré-esforçadas. Para as diversas distribuições de forças possíveis ao longo de uma ligação. 4 Manual de ligações metálicas .

os parafusos não são solicitados ao corte e as forças são transmitidas por atrito entre as placas ligadas.10.Cd μFp.4. o valor do coeficiente de atrito deve ser determinado com base em testes experimentais. No quadro 3. enquanto que o método para avaliação da rotura em bloco é descrito na cláusula 3.Cd Fp.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Parafusos em Ligações ao Corte Os parafusos predominantemente solicitados por cargas estáticas podem ser apertados manualmente.Cd Figura 2.1 da EN 1993-1-8 são definidas três categorias de ligações resistentes ao escorregamento. C e E.3) introduzida pelos parafusos de alta resistência. Nestas ligações. No caso de outras condições de tratamento das superfícies. Willems. 1983].Cd Fp. Os valores de dimensionamento da resistência ao corte e ao esmagamento são obtidos com base no quadro 3. A resistência relativa à rotura em bloco é baseada em dois mecanismos de rotura possíveis: cedência por corte combinada com rotura por tracção ou rotura por corte combinada com cedência por tracção [Aalberg. Para forças superiores à força de atrito ocorre um deslizamento permanente devido à folga entre o parafuso e o furo. 2000]. Esmagamento da placa de ligação.Cd μFp.2 do mesmo Documento.4 da EN 1993-1-8. Este deslizamento termina quando o núcleo do parafuso entra em contacto com a placa. verifica-se uma resposta elástica até que o núcleo do parafuso ou a placa de ligação entrem em fase plástica. no mínimo.2 e 0. Se aplicarmos forças superiores. com uma chave (“snug-tight” ou “spanner-tight”).Cd μFp. denominadas por B. Fp. Larsen. Rotura em bloco. os parafusos de alta resistência devem ser apertados. μFp. com 70% da sua tensão última.Cd Manual de ligações metálicas 5 . Na cláusula 3. e da força de aperto FpCd (Figura 2.3: Parafusos de alta resistência numa ligação pré-esforçada [Kuzmanovic. A resistência de uma ligação deste tipo é função do coeficiente de atrito das superfícies em contacto μ. A deformação plástica pode iniciar-se no parafuso e na placa de ligação em simultâneo.Cd Fp. Este aperto é suficiente para garantir força de atrito entre as placas ligadas e transferir uma pequena força sem que se verifique escorregamento.5. Ligações Resistentes ao Escorregamento Em ligações pré-esforçadas resistentes ao escorregamento.7 da EN 1993-1-8 são definidas várias classes de tratamento das superfícies para as quais μ varia entre 0. A rotura • • • da ligação poderá ocorrer segundo um dos seguintes modos: Corte no parafuso. O modo de rotura depende das dimensões da ligação e da resistência relativa entre o material dos parafusos e o material das partes ligadas.

Questão 2. podem ser usadas pinturas específicas que não reduzam o atrito.8: uma anilha mais dura por baixo do elemento que roda durante o aperto (cabeça ou porca).3: Resistência ao Corte de Parafusos Pré-esforçados Solicitados Também à Tracção De acordo com a cláusula 3. • Combinação dos dois primeiros métodos.9.2 da EN 1993-1-8. podia ocorrer uma redução da força de pré-esforço entre 25% e 45% num prazo de 2 e 3 meses. que consiste na aplicação de um determinado ângulo de rotação após se ter atingido a condição de “snug-tight” (o valor da rotação depende da espessura total das placas e anilhas). deve-se utilizar: • em parafusos de classe 8.9: uma anilha mais dura por baixo da cabeça e da porca. Como é que este efeito é incorporado no método de dimensionamento de ligações pré-esforçadas? _____________________________________________________________________ Os elementos de ligações resistentes ao escorregamento não devem ser protegidos com pinturas correntes. cuja análise simplificada pode ser efectuada de 6 Manual de ligações metálicas . As pinturas correntes reduzem o coeficiente de atrito nas superfícies em contacto e consequentemente a capacidade resistente da ligação. quando o escorregamento não é permitido para Estados Limites Últimos? _____________________________________________________________________ Neste tipo de ligações existe sempre a possibilidade do parafuso não ficar centrado no furo e entrar em contacto com as placas. No entanto. A força de tracção instalada num parafuso de alta resistência pode ser controlada por um dos seguintes métodos: • Momento torçor. verifica-se uma deformação do conjunto constituído pelas placas de ligação e pelo parafuso. • Método “Turn-of-the-nut”. • em parafusos de classe 10. Questão 2.1(1c) da EN 1993-1-8.Cd não é reduzida da totalidade da força de tracção Ft aplicada.5(4) da EN 1090-1 [EN 1090-1: 1996]. Qual a razão deste facto? _____________________________________________________________________ Quando se aplica uma força de pré-esforço num parafuso. deve ser verificada a resistência ao esmagamento. de acordo com a cláusula 3. • Dispositivos indicadores de carga.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Neste tipo de ligações. a força de pré-esforço Fp.1: Perda de Pré-esforço no Parafuso Testes realizados em França mostraram que em ligações entre elementos de aço protegidos com pinturas correntes. quando as forças de tracção e de corte são combinadas. Questão 2.4. e de acordo com a cláusula 8. aplicado com uma chave dinamómetro.2: Resistência de Ligações da Categoria C Porque é que as ligações resistentes ao escorregamento da Categoria C são verificadas ao esmagamento para cargas correspondentes aos Estados Limites Últimos. Para se obter um nível de segurança adequado.

3 da EN 1993-1-8? _____________________________________________________________________ Os valores limites para p1 e p2 são independentes das condições atmosféricas ou outros factores que influenciem a corrosão dos elementos da ligação. nota 2. sendo a deformação da ligação dada por δp. uma parte da força de pré-esforço no parafuso mantém-se constante. Se aplicarmos uma força exterior de tracção Ft.ext Figura 2.ext. O aumento da força no parafuso é dado por ΔFb e a diminuição da força de aperto entre as placas é de ΔFp.4: Distâncias Máximas entre Parafusos e dos Parafusos às Extremidades das Placas Quais os critérios em que se baseiam os valores de 14 t ou 200 mm para as distâncias máximas entre parafusos. devido a deformações no material de base.4: Diagrama de forças internas numa ligação pré-esforçada solicitada à tracção [Bickford. Devido à relação entre a rigidez do parafuso à tracção e das placas à compressão (com valores entre 1 e 4).3. a força total no parafuso será Fb e a deformação δb. de acordo com o quadro 3.8.ext Deformação no parafuso (δb) Encurtamento da placa (δp) δb. A força de tracção exterior será parcialmente transformada numa força adicional no parafuso ΔFb.2) A validade do factor 0.ext. Este efeito é considerado nas regras definidas na cláusula 3. A instabilidade local das placas entre parafusos deve ser verificada de acordo com a EN 1993-1-8. devido à deformação das placas. Em juntas muito longas. tendo em conta fenómenos como a instabilidade local das placas e os associados a juntas longas. Estudos por elementos finitos indicam que esse factor deveria depender da espessura. segundo os critérios definidos no quadro 3. é compatível com a força de pré-esforço Fp e com a diminuição de espessura da placa δp. Estes limites são definidos de forma a garantir um bom comportamento da ligação. classe de parafuso.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS acordo com a Figura 2. A deformação do parafuso δb. ΔFb Pré-esforço no parafuso (Fp) Força total no parafuso (Fb) ΔFj Força externa no parafuso (Ft) Fj δp. A linha a traço interrompido mostra a influência da flexibilidade das placas à flexão devido às forças de alavanca. Ao aplicarmos a força de tracção à ligação. Questão 2. classe de aço e número de placas ligadas. Manual de ligações metálicas 7 . 8 ⋅ Ft (2. sendo a restante equivalente a uma redução da força que as placas de ligação inicialmente (após o pré-esforço do parafuso) exerciam sobre o parafuso ΔFj.4. a força de contacto entre as placas toma um valor. os parafusos ficam submetidos a forças desiguais (se a junta for muito longa. 1995]. as deformações nas placas ligadas conduzem a uma distribuição não uniforme das forças pelos parafusos). no mínimo igual a: Fc = Fp − 0.8 baseia-se num cilindro de compressão com área fixa.

5: Simbologia relativa ao espaçamento de parafusos. 8 Manual de ligações metálicas .conv.6 [Piraprez.5). Este procedimento toma a forma Fexp.9 Fexp.. fy/fum 150 100 50 0 0 Curva experimental 3 mm (para ambas as placas) 5 10 15 20 Deformação. de acordo com o indicado no Anexo D da EN 1990 [Wald et al.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS que obrigam a uma redução da resistência ao corte dos parafusos. dependente do comprimento da ligação. como se ilustra na Figura 2. δ (mm) Figura 2. 2000].1. Força.5: Critério de Deformação em Ligações com Parafusos ao Corte A verificação da resistência ao esmagamento numa ligação com parafusos ao corte pretende essencialmente evitar uma deformação excessiva devido à ovalização dos furos. Desta forma.fy/fum = 0.. não existem limites máximos para as distâncias dos parafusos às extremidades das placas e1 e e2 (Figura 2. para a tensão de cedência característica fy.6: Valores limites da resistência de uma ligação [Piraprez.ult fy / fum. 1988]. tangente à parte não-linear da curva carga-deformação.5 é obtida com base numa deformação máxima de 1. Questão 2. p 1 e1 F e2 p2 Figura 2. a resistência convencional depende mais da rigidez inicial da ligação do que propriamente do modo de rotura. é definida pela intersecção entre uma recta com uma inclinação igual à rigidez inicial e uma recta com uma inclinação igual a 1/10 da rigidez inicial. mais do que propriamente evitar a rotura da ligação.fy/fum.5 mm. conv Fexp. 2000]. Com base em que documentos foi definido o critério de deformação adoptado na fórmula de verificação da resistência ao esmagamento? _____________________________________________________________________ A maioria dos regulamentos consideram que a resistência Fexp. A resistência de elementos estruturais obtida a partir de testes experimentais até à rotura Fexp. Em ligações não expostas a ambientes corrosivos. 1. é avaliada com base numa redução da tensão resistente do material (tensão última) fum. A resistência avaliada com base na tensão limite convencional de elasticidade Fexp. ult Fexp. F (kN) Rigidez inicial/10 200 Rigidez inicial Fexp.5 Fexp. De modo a validar este modelo de resistência foram efectuados ensaios experimentais com placas cobrejuntas com furos ovalizados. 2002b]. no caso de rotura frágil da ligação [Snijder et al. facto que inclusivamente é comprovado por testes experimentais.

6: Distâncias entre Parafusos e dos Parafusos às Extremidades das Placas Quais as distâncias entre parafusos e/ou espaçamentos entre parafusos e as extremidades das placas. respectivamente.7 e se descreve na cláusula 3. 2 ⋅ d0 ⎧ e1 ⎪ 3 ⋅ d = 3 ⋅ d = 0.5 da EN 1993-1-8.8 e o exemplo apresentado.7: Espaçamentos entre parafusos e dos parafusos às extremidades da placa.8: Ligação não simétrica. 8.8 Aço: S275 F F p1= 3d0 e1 = 1. 8 ⋅ 3 ⋅ d0 ⎧ 2.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Questão 2. Parafusos M20. quando as linhas de parafusos e/ou as arestas limite da placas não são nem paralelas nem perpendiculares à direcção de actuação das forças? _____________________________________________________________________ Nestas circunstâncias. como se ilustra na Figura 2. 8e 2 − 1. e nos semi-eixos com centro num furo e passando no furo adjacente. 3) 2.2 d0 p2= 4d0 e2 = 3d0 Furos 1 Furos 2 Figura 2. 22 360 ⎪ fu ⎩ (2. Figura 2.7: Resistência ao Esmagamento de um Grupo de Parafusos ao Corte A resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos pode ser obtida pela soma das resistências individuais de cada parafuso? Ver Figura 2. as distâncias às arestas limite das placas e1 e e2 e as distâncias entre parafusos p1 e p2 podem ser determinadas com base nos semi-eixos de uma elipse tangente à aresta limite da placa. Furos 2: 1. 7 = − 1. 7 = 1.5 ⎩ (2. Questão 2.1 ⎪ 3 ⋅ d0 k1 menor de ⎨ 3 ⋅ d0 ⎪2. 4 0 0 ⎪ ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. 4) Manual de ligações metálicas 9 .

8) _____________________________________________________________________ De acordo com o método 1. Se houver necessidade de limitar as deformações na ligação. observou-se que esta redução de resistência deve-se essencialmente a uma redução da rigidez. Com base em que estudos é que foi definido este critério? _____________________________________________________________________ Os valores da folga normalizada para parafusos em furos ovalizados são definidos na cláusula 8 do Documento EN 1090-1. 25 = 3 ⋅ d − 0.1 + 2 ⋅ 0.Rd = ( ∑ α b ⋅ k1 ) d ⋅ t ⋅ fu = ( 2 ⋅ 0. Na cláusula 3. deve ser considerada como 60% da resistência obtida para ligações com parafusos em furos com folga normalizada. a resistência ao esmagamento em ligações com parafusos em furos ovalizados.8: Resistência ao Esmagamento em Ligações com Furos Ovalizados Segundo a Nota 1 do quadro 3.1 + 2 ⋅ 0. para assim evitar desnecessárias redistribuições internas de forças. solicitados segundo a direcção perpendicular à maior dimensão.5 ⎩ (2.14 ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 γ M2 γ M2 (2. 2000].17 ) ⋅ d ⋅ t ⋅ fu = 1. os Estados Limites de Serviço devem ser verificados em separado. 4p2 − 1. 4 ⋅ 1. 4 ⋅ 4 ⋅ d0 ⎧1. os parafusos devem ser dispostos simetricamente na ligação. 76 ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 γ M2 γ M2 (2. 75 0 0 ⎪ ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. [Tizani. 6) Método 1: A resistência ao esmagamento do grupo é dada pela soma das resistências individuais de cada parafuso Fb. Neste ensaios. Questão 2. 10 Manual de ligações metálicas . 1999]. verificada no caso de furos ovalizados.Rd = ( ∑ α b ⋅ k1 ) d ⋅ t ⋅ fu = ( 2 ⋅ 0. Em ligações de emenda de elementos. 7 = 0. 4 ⋅ 1.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Furos 1: 3 ⋅ d0 ⎧ p1 ⎪ 3 ⋅ d − 0.1) ⋅ d ⋅ t ⋅ fu = 1. 25 = 1 − 0. A redução de resistência considerada em EN 1993-1-8 é baseada em ensaios recentes [Wald et al. 2002a]. 75 ⋅ 0.7 da EN 1993-1-8 são indicadas regras muito claras sobre como calcular a resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos. [Piraprez.17 ⎪ 3 ⋅ d0 k1 menor de ⎨ 3 ⋅ d0 ⎪2. 25 = 0. 40 ⋅ 1. 22 fu 360 ⎪ ⎩ (2. 7) Método 2: A resistência ao esmagamento do grupo é baseada na resistência ao esmagamento do parafuso mais fraco Fb.. 5) 1. se a ligação for solicitada apenas por acções permanentes. a deformação nos furos 2 pode ser um pouco elevada nos Estados Limites de Serviço. 7 = − 1.4 do Documento EN 1993-1-8. O somatório das resistências individuais dos parafusos não condiciona a segurança mas apenas as condições de serviço.

F (kN) Furos circulares 40 40 8 16 8 M16 Furos ovalizados 10 35 50 25 110 10 35 50 25 110 80 60 40 20 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Deslocamento. Manual de ligações metálicas 11 . δ (mm) Figura 2. Resistência experimental / Resistência obtida com o modelo analítico: r re t 1.4 0. 2002a].2 1 0. 2002b]. Uma ligação com parafusos em furos ovalizados solicitados segundo a direcção perpendicular à maior dimensão.10.9 e 2.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS 22 18 40 40 8 16 8 M16 18 200 180 160 140 120 100 Força.6 0. como se ilustra nas Figuras 2.5 2 2.9: Comparação entre a curva força-deslocamento numa ligação com furos circulares e com furos ovalizados..8 0. a) esmagamento por corte (furos normalizados) b) esmagamento por flexão (furos ovalizados) Figura 2. apresenta menor rigidez e maior deformabilidade que uma ligação do mesmo tipo mas com furos circulares.2 0 0 Tamanho do parafuso/ Diâmetro do parafuso 0.4 1.5 1 1.5 3 3.5 4 Figura 2. [Wald et al.10: Esmagamento de uma placa de ligação [Wald et al.11: Razão entre a resistência ao esmagamento obtida experimentalmente e através do modelo analítico de dimensionamento..

Sd Ft. tal como considerado em [Owens. 1989]. a variação da razão resistência ao corte/resistência à tracção é de 0. A influência do comprimento do furo ovalizado na resistência ao esmagamento. A resistência à tracção de um parafuso é condicionada pela fractura na zona roscada e a interacção corte+tracção é considerada na parte lisa do parafuso.Sd + ≤1 Fv. _____________________________________________________________________ Normalmente as tolerâncias aplicadas de acordo com [EN ISO 898-1: 1999] conduzem a folgas de aproximadamente 0. Cheal. no caso da zona de esmagamento e corte se localizarem na parte roscada do parafuso.Rd = 0. • Montagem da ligação.3 mm.10: Parafusos Solicitados ao Corte mais Tracção De acordo com a o quadro 3.Sd = 0. Uma fórmula de interacção alternativa consiste em usar os termos ao quadrado e a resistência à tracção (que aparece em denominador) avaliada na zona do liso. Questão 2.9) sendo αb e k1 calculados de acordo com o quadro 3.4 da EN 1993-1-8. e é de 0.Rd (2. • Limitação da resistência. em furos ajustados? Qual a influência dos seguintes factores: • Tolerâncias nas folgas dos furos. com o eixo longitudinal do furo perpendicular à direcção da força aplicada. um parafuso solicitado por uma força de tracção igual à força resistente de dimensionamento Ft. um parafuso sujeito a uma força de tracção igual à sua resistência.89 se o plano de corte se localiza na zona do liso do parafuso.11. possui ainda uma reserva de resistência à corte. Neste tipo de furos não é permitido o esmagamento na zona roscada do parafuso.Rd pode suportar uma força de corte Fv. é avaliada com base na expressão seguinte: Fb.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS A resistência ao esmagamento em ligações com furos ovalizados.68 se o plano de corte se localiza na zona roscada. A resistência ao esmagamento é considerada independente das folgas. em Furos Ajustados Qual o método de dimensionamento de ligações com parafusos solicitados ao corte.Rd. em alternativa.75-0. De acordo com a Figura 2.Rd Ft. • Resistência ao esmagamento.12. onde se representam os resultados de 70 ensaios. Em que critérios se baseia esta fórmula? Mais lógico parecia ser a seguinte fórmula: Fv. 6 k1 ⋅ α b ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (2. A montagem das ligações é efectuada segundo um processo normal se os furos forem realizados em fábrica.4 da EN 1993-1-8.286 Fv.63-0.9: Método de Dimensionamento de Ligações com Parafusos ao Corte. os furos podem ser realizados em obra. pode ser visualizada na Figura 2. 10) _____________________________________________________________________ Tal como observado experimentalmente. 12 Manual de ligações metálicas . Questão 2.

Sd + ≤1 Fv.Rd 1.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS No caso possíveis • • de o plano de corte se localizar na zona do liso do parafuso.exp Fv.Sd Ft.max Ft. Os resultados dos ensaios referidos foram comparados com os obtidos através dos modelos de dimensionamento definidos na EN 1993-1-8.5 Resistência ao corte experimental Fv. é possível utilizar aço de alta resistência. 4 ⋅ Ft.13): Manual de ligações metálicas 13 . os dois modos de rotura são os seguintes: Combinação de corte mais tracção no plano de corte. A fórmula de interacção considerada em EN 1993-1-8 é a seguinte: Fv.Sd Ft. Rotura por tracção do parafuso na zona da rosca. Resultados experimentais têm comprovado que a resistência ao corte aumenta com o aumento do comprimento da zona do liso do parafuso. com uma tensão de cedência nominal de 640 MPa? _____________________________________________________________________ O Documento EN 1993-1-8 foi desenvolvido para aços até à classe S460. Kortesmaa.9. de acordo com com os requisitos definidos na EN 1993-1-8 [Owens.Rd 1.exp Ft. 4 ⋅ Ft.R 1. 11) Fv.Rd Resistência à tracção experimental / Resistência à tracção analítica Ft. Foram usadas placas de aço com uma tensão de cedência nominal de 640 MPa e tensão última de 700 MPa e os parafusos eram de classe 10. logo não deve ser usado para o dimensionamento de ligações entre elementos de aço de classes superiores. Cheal.0 Figura 2. Isto deve-se ao facto de um parafuso mais comprido desenvolver mais flexão quando comparado com parafusos mais curtos. verificou-se que todos estavam do lado da segurança (Figura 2. Questão 2. 1989].12: Curvas de interacção corte + tracção. Foram observados os seguintes modos de rotura: esmagamento em 18 ensaios.0 Plano de corte no liso Fv.R 0 0 Resistência ao corte analítica 0.5 1. realizou-se um estudo experimental em ligações aparafusadas com corte duplo [Kouhi. De modo a avaliar a resistência de ligações com aço de alta resistência. 1990].Rd Plano de corte na rosca 0.Rd (2.Sd + ≤1 Fv.11: Resistência de Ligações com Aço de Alta Resistência Em ligações correntes e de acordo com os modelos de dimensionamento definidos em EN 1993-1-8. rotura por corte em bloco em 6 ensaios e rotura da secção útil nos restantes 6 ensaios.

PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS

• As fórmulas para avaliação da resistência ao esmagamento e da resistência da área útil usada experimentalmente deram os mesmos resultados da EN 1993-1-8. • As fórmulas para avaliação da resistência ao corte em bloco definidas na EN 1993-1-8 são conservativas, quando comparadas com as experimentais. • A resistência ao esmagamento das ligações, obtida com base no somatório das resistências individuais de cada parafuso apresenta-se na Figura 2.13. A deformação avaliada experimentalmente nos Estados Limites Últimos foi da ordem de grandeza do diâmetro dos parafusos. A resistência ao esmagamento obtida com base na resistência mínima dos parafusos é mais segura.
Nota:

• Com o objectivo de estudar a resistência ao esmagamento, o programa de ensaios foi dividido em dois grupos. Num grupo de seis ensaios foi considerada apenas uma linha de parafusos enquanto que no segundo grupo foram consideradas duas linhas, indicadas na Figura 2.13 como esmagamento 1ª linha e esmagamento 2ª linha, respectivamente. • Nos testes foram usadas placas com espessuras de 3 mm, 4 mm, 6 mm e 8 mm. Os valores obtidos para as tensões de cedência foram de 604 MPa a 660 MPa para as placas de 6 mm e 4 mm de espessura, respectivamente. Para a tensão última foram obtidos valores entre 711 MPa e 759 MPa para as placas de 6 mm e 4 mm de espessura, respectivamente. As propriedades medidas correspondem à média de três provetes.
Resistência experimental / Resistência teórica
2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 0 1 2 3 4 5 6

re rt

Rotura em bloco Esmagamento 1a linha Esmagamento 2a linha Secção útil

Ensaio

Figura 2.13: Resistência de ligações aparafusadas obtidas experimentalmente [Kouhi, Kortesmaa, 1990].

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Manual de ligações metálicas

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SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS
3.1 Introdução

A maioria das ligações soldadas são efectuadas em oficina. Um dos problemas que mais afecta as ligações soldadas é a falta de ductilidade do material de adição; todavia, este problema pode ser resolvido se forem respeitadas determinadas regras. Em ligações estruturais deve-se usar sempre soldadura por arco, excepto em casos especiais tais como “stud welding”. Quando se adopta este procedimento, as propriedades mecânicas do metal de adição devem ser compatível com as do metal de base e a espessura das peças a ligar deve ser igual ou superior a 4mm (na soldadura de elementos de paredes finas pode haver necessidade de se aplicar regras especiais). Os cordões de soldadura podem ser divididos em diversos tipos: • soldadura de ângulo, • soldadura por entalhe, • soldadura de topo, • soldadura por pontos e • soldadura sem chanfro. Na EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] são indicadas regras para avaliação do comprimento efectivo de um cordão de soldadura de ângulo com uma espessura a, ver Figura 3. 1.

a

a

Figura 3. 1: Definição da espessura de um cordão de soldadura, a.

No dimensionamento de um cordão de soldadura de ângulo, a tensão total é decomposta nas componentes paralelas e transversais ao plano crítico do cordão (Figura 3.2). A distribuição de tensões é assumida como uniforme ao longo do plano crítico do cordão, podendo desenvolver-se as seguintes componentes: • σ⊥ tensão normal perpendicular ao plano crítico do cordão de soldadura; • σ// tensão normal paralela ao eixo do cordão de soldadura, pode ser desprezada no dimensionamento de cordões de soldadura de ângulo; • τ⊥ tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) perpendicular ao eixo do cordão de soldadura; • τ// tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) paralela ao eixo do cordão de soldadura.

SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS

σ⊥

τ⊥ τ//

σ//

Figura 3.2: Tensões actuantes no plano crítico de um cordão de soldadura de ângulo.

A resistência de um cordão de soldadura de ângulo é suficiente se foram satisfeitas as condições seguintes:
2 σ ⊥ + 3 (τ ⊥ + τ // ) ≤ 2

fu β w ⋅ γ M2

(3. 1)

e

σ⊥ ≤

fu

γ M2

(3. 2)

O factor de correlação βw é definido no Quadro 3. 1, de acordo com o tipo de aço.
Quadro 3. 1: Factor de correlação para avaliação da resistência de uma soldadura.
Classes de Aço

EN 10025 S 235 S 235W S 275 S 275N/NL S 275M/ML S 355 S355N/NL S 355M/ML S 355W S 420N/NL S 420M/ML S 460N/NL S 460M/ML S 460Q/QL/QL1

EN 10210 S 235H S 275H S 275NH/NLH S 355H S355NH/NLH

EN 10219 S 235H S 275H S 275NH/NLH S 275MH/MLH S 355H S355NH/NLH S 355MH/MLH S 420MH/MLH

Factor de correlação βw

0,80 0,85

0,90

1,00 1,00

S 460NH/NLH

S 460NH/NLH S 460MH/MLH

A EN 1993-1-8 considera ainda um método simplificado alternativo para o dimensionamento de cordões de soldadura de ângulo. Consiste na avaliação da tensão resistente ao corte por unidade de comprimento de cordão, independentemente da direcção do esforço transmitido, como se ilustra na Figura 3.3,

fvw.d =

fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2

(3. 3)

sendo a força resistente do cordão de soldadura por unidade de comprimento dada por
Fw.Rd = a ⋅ fvw.d

(3. 4)

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Manual de ligações metálicas

as tensões a meio do cordão são inferiores às tensões nos topos (Figura 3.4b). os cordões com penetração total devem ter uma resistência igual à resistência da parte mais fraca a ligar. esta variação deve-se à deformação das placas de ligação.uniforme. devem ser evitados pormenores de ligações que originem tensões perpendiculares à espessura das peças metálicas resultantes de soldadura. A concentração de tensões pode provocar uma rotura nos topos dos cordões de soldadura (“zip effect”). independentemente da direcção do esforço transmitido.Sd Fw.Sd Figura 3.2 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 ΒLw c) L a Figura 3. A resistência de um cordão de soldadura com comprimento superior a 150a deve ser reduzida. Manual de ligações metálicas 17 . 4c): βLw = 1. A distribuição de forças numa ligação soldada pode ser obtida com base numa análise elástica ou numa análise plástica.6 0. Em relação às soldaduras de topo. Quando esses pormenores forem necessários.4a).SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS N⊥ Sd Fw. devem ser tomadas medidas adequadas. A resistência de um cordão de topo com penetração parcial deve ser determinada de uma forma análoga à considerada para os cordões de soldadura de ângulo. c) factor de redução βLw. como se descreve na Figura 3. 2 ⎜ ⎛ La ⎞ ⎟ ⎝ 150a ⎠ (3. 4: Ligações soldadas longas: a) distribuição de tensões não. b) distribuição de tensões uniforme.Rd Fw. Se as placas tiverem uma espessura adequada às forças internas transmitidas. Quando um cordão de soldadura muito comprido é solicitado Na direcção do seu eixo. as tensões no cordão serão uniformes (Figura 3. multiplicando-a pelo factor βLw. A espessura ou profundidade adequadas de um cordão de soldadura deve ser obtida experimentalmente.8 0. 2 − 0.Rd La V⊥ .4 0. Sempre que possível e de forma a minimizar a possibilidade de arrancamento lamelar.3: Dimensionamento de um cordão de soldadura.5) τ// a) τ// b) τ// τ// Lw 1 0.Sd V//.

que simplificada resulta na seguinte condição τ 1. No entanto. O exemplo seguinte descreve o cálculo da distribuição de forças num cordão de soldadura. // ≤ F2 a2 ⋅ L 2 (3.7) Como se trata da única tensão actuante. deve ser tida em conta a excentricidade? _____________________________________________________________________ Em geral. as excentricidades devem ser consideradas no dimensionamento dos cordões.8) A força F2 no cordão superior (cordão 2).6) a qual provoca uma tensão de corte na direcção paralela ao eixo do cordãoτ// τ 1.3.9) sendo a tensão de corte τ// dada por τ 2.5: Cantoneiras ligadas por uma placa de gusset.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Questão 3. // = F1 a1 ⋅ L1 (3.1: Ligação de Duas Cantoneiras a uma Placa de Gusset Numa ligação soldada entre duas cantoneiras e uma placa de gusset. é dada por F2 = fSd ( b − e ) 2 b (3. No caso de cantoneiras de abas desiguais ligadas pela aba menor. no cálculo de ligações soldadas entre cantoneiras de abas iguais e placas de gusset é prática corrente na Europa desprezar os esforços causados pelas excentricidades. a resistência do cordão de soldadura pode ser verificada através da expressão 3.10) 18 Manual de ligações metálicas . O cordão inferior. 2 e b 1 F Sd Figura 3. designado por cordão 1. // ≤ fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2 (3. é solicitado pela força F1 dada por F1 = FSd e 2 b (3. as forças e os momentos causados por excentricidades devem ser tidos em conta no cálculo das tensões actuantes num cordão de soldadura. bem como no dimensionamento dos elementos ligados.

7a). b) forças perpendiculares.7: Espessura efectiva de: a) cordões de soldadura de topo com penetração parcial.Rd (3. obtém-se fu ⎛ σw ⎞ ⎛ σw ⎞ ⎜ ⎟ + 3⎜ ⎟ ≤ β w ⋅ γ M2 ⎝ 2⎠ ⎝ 2⎠ 2 2 e σw ≤ fu β w ⋅ γ M2 2 = Fw.11) Com base numa análise plana de tensões.6.end. Quais as diferenças entre os dois métodos? ___________________________________________________________________________ Não existe qualquer diferença.13) Questão 3. Para cordões de soldadura solicitados por forças perpendiculares ao seu eixo. τ// FSd b) τ// σw FSd Fw.Rd = Fw.1 a) anom anom b) a nom. as diferenças entre os dois métodos são significativas.3: Dimensionamento de Cordões de Soldadura de Topo com Penetração Parcial Quais os procedimentos recomendados para o dimensionamento de cordões de soldadura de topo com penetração parcial? ___________________________________________________________________________ Os cordões de soldadura com penetração parcial podem ser dimensionados como os cordões de ângulo.12) As diferenças entre os dois métodos são traduzidas pela seguinte relação Fw. 6: Cordões de soldadura solicitados por: a) forças paralelas ao seu eixo. um método exacto e um método simplificado. t anom c nom a nom.end. no caso do cordão de soldadura ser solicitado por forças paralelas ao seu eixo. Manual de ligações metálicas 19 . como se ilustra na Figura 3. como se ilustra na Figura 3. 22 (3.Rd = fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2 a) τ// σ Figura 3. Neste caso. as tensões calculadas pelo método exacto são obtidas a partir de: σ⊥ = τ⊥ = σw 2 e τ // = 0 (3.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Questão 3.2: Resistência de um Cordão de Soldadura de Ângulo A EN 1993-1-8 inclui dois métodos para o dimensionamento de cordões de ângulo. b) ligações em T. com uma espessura igual a: a = anom – 2 mm.Rd 3 2 = 1.2 Figura 3.

SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Em ligações em T.2 − 2mm (3. os cordões de soldadura assumem-se como cordões com penetração total.17) 20 Manual de ligações metálicas . 8: Espessura efectiva de um cordão de soldadura solicitado por: a) forças normais. o dimensionamento é feito com se tratassem de cordões de ângulo com uma espessura efectiva dada por: anom. 25 (3. a espessura deve ser calculada através da condição: a > 0.2 < t a1 = anom.15) Questão 3. 6t 360 /1.7b). 7 (235 /1.1 + anom. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 0.1 + anom.57t ≈ 0. 0)t = 0. nos casos em que: anom. b) por forças transversais.1 − 2mm a2 = anom. 7 σ ⋅t fu / γ M2 (3.8. usando uma análise elástica e considerando aço S235. Para que a soldadura possa suportar uma força superior à resistência das placas de ligação.4: Dimensionamento de Cordões de Soldadura em Ligações com Resistência Total Quais as recomendações no dimensionamento de cordões de soldadura em ligações com resistência total? ___________________________________________________________________________ τ⊥ σ⊥ t t a) b) τ σw σ FSd τ VSd h Figura 3. No caso ilustrado na Figura 3. os cordões de soldadura podem ser dimensionados para resistir às forças aplicadas através da seguinte condição: a > 0.14) No caso de penetração parcial (ver Figura 3.16) sendo σ = FSd / (t h).2 ≥ t c nom ≤ c nom t 5 ≤ 3mm (3.

25 (3. 85 fy /( 3γ M0 ) t τ ⋅t 235 /(1. 0)t = 0. a espessura deve ser obtida considerando as seguintes condições: Estruturas contraventadas a > 1. 85 = 0. 85 = 0.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Através de uma análise plástica. para cordões de soldadura solicitados segundo uma direcção paralela ao seu eixo. 7 (235 /1. 97t ≈ 1. 7 (235 /1. 7 ⋅ 0. 7 ⋅ 0. 4 ⋅ 0. 0t 360 /1. a espessura pode ser calculada através da seguinte condição a > 0. 4t fw / γ M2 fu / γ M2 360 /1. 79t ≈ 0. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 1. 8t 360 /1. 25 (3. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 1. 25 (3.19) De uma forma análoga. 0 × 3)t ≈ 0.20) Manual de ligações metálicas 21 . 40t ≅ 0.18) Estruturas não contraventadas a > 1. 0)t = 0. 4 ⋅ 0.

No caso de uma análise rígido-plástica.plástica φCd φ Figura 4. quer a rigidez quer a resistência devem ser incluídas na modelação da ligação. apenas a rigidez das ligações é relevante para a modelação da ligação: a rigidez inicial para a determinação dos Estados Limites de Serviço e cálculos de estabilidade e a rigidez secante aproximada para a determinação dos Estados Limites Últimos. Em todos os outros casos.ini d) Análise Elásto .4 MODELAÇÃO ESTRUTURAL 4.ini MSd Sj.Estados Limites de Serviço M MRd φ b) Análise Elástica .2.Contínua - RESISTÊNCIA Resistência parcial Semi. semi-contínua e simples. No caso da análise elástica global de pórticos.1: Tipos de modelação de ligações.1 resume os três tipos de modelação de ligações adoptados pela EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]: modelação contínua.Contínua M MRd Articulada Simples MSd Sj.rígida Articulada M 2 MRd 3 Resistência total Contínua Semi.1 Introdução O comportamento das ligações tem um efeito significativo na resposta das estruturas. . RIGIDEZ Rígida Semi . Os parâmetros considerados em cada uma destas modelações depende do tipo de análise aplicada à estrutura.plástica φ Sj.Contínua Semi. as principais características das ligações são a resistência e a capacidade de rotação.ini /η φ a) Análise Elástica . O Quadro 4.Estados Limites Últimos M MRd φCd c) Análise Rígido . Estas possibilidades de análise são ilustradas na Figura 4. Quadro 4.1 e no Quadro 4.1: Determinação das características das ligações baseada no tipo de análise global.

app = E ⋅ r 2 ⋅ t fc ξ (4.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Quadro 4.2: Modelação de ligações e análise global da estrutura.ini.app ς ⋅ fy.1: Cálculo Preliminar de Ligações A EN 1993-1-8 fornece regras para a caracterização do comportamento das ligações viga-pilar de eixo forte.Rd. incluídas na resposta da ligação.2: Modelação da ligação através de molas rotacionais: a) zona nodal. A rigidez pode ser aproximada por S j. O momento resistente da ligação baseia-se na espessura do banzo do pilar tfc. c) características do painel da alma. M a M a M b φa T φb M b a) b) c) Figura 4.1) O braço da alavanca r é aproximadamente igual à distância entre os centros dos banzos da viga. MODELAÇÃO Contínua Semi.rígida TIPO DE ANÁLISE DA ESTRUTURA Análise rígido-plástica Análise elásto-plástica Resistência total Rígida/ Resistência total Resistência parcial Rígida/ Resistência parcial Semi-rígida/ Resistência total Semi-rígida/ Resistência parcial Articulada Articulada Simples Articulada A modelação das ligações pode ser efectuada através de molas rotacionais.fc ⋅ r 2 ⋅ t fc = γ M0 (4. considerado como o elemento mais fraco Mj. ver Quadro 4. ver Figura 4. na maior parte das aplicações não seja conveniente modelar o comportamento da ligação e do painel da alma separadamente. o comportamento do painel de alma do pilar (em ligações viga-pilar) e da ligação.2. A estimativa da rigidez e da resistência das ligações é baseada na componente mais fraca. Embora. tal pode ser útil em alguns casos. b) modelo incluindo o painel da alma ao corte. 1999]. Questão 4. como por exemplo em estruturas mistas. Haverá outro método mais simples que possa ser usado no cálculo preliminar? _____________________________________________________________________ Steenhuis desenvolveu um método simplificado para a previsão do comportamento das ligações [Steenhuis. separando ou não.Contínua Análise elástica Rígida Semi .3.2) 24 Manual de ligações metálicas . ligações à esquerda e à direita e painel da alma do pilar.

3.5 7 r 6 7 r 8. LIGAÇÃO viga-pilar t fc r M Sd COEFICIENTE LIGAÇÃO viga-pilar. utilizados para avaliar a rigidez inicial e o momento resistente da ligação e bases de pilares.5 5 r 15 r 11.0 7 r 40 r 5. a espessura do reforço do pilar ts ≈ tfb e o diâmetro dos parafusos d ≥ tfc.5 5 r r 20 5 (placa de base) Manual de ligações metálicas 25 . Quadro 4.5 5 r 7 r 3 >7 r 10 r 3 >7 r 35 r 11.3: Coeficientes ξ e ς e braço da alavanca r . considera-se a espessura da placa de extremidade tp superior à espessura do banzo do pilar tp ≥ tfc.MODELAÇÃO ESTRUTURAL O factor ς pode ser obtido do Quadro 4.0 5 r ∞ >7 r 7.5 5 r 14 r 6. placa de base COEFICIENTE ξ ς ξ ς 13. Para assegurar que a componente mais fraca é o banzo do pilar.

ult Mj. No entanto.4. Por exemplo.el deve usar-se a rigidez inicial Sj. Para os Estados Limites de Serviço admite-se um comportamento elástico dos elementos. A resistência de todos os elementos estruturais e ligações terá de satisfazer os critérios de dimensionamento. nos quais a verificação do comportamento elástico nos Estados Limites de Serviço faz parte do procedimento normal de cálculo. ver Figura 4. e de forma similar à classificação das partes comprimidas da secção das barras. ver cláusula 5.3: Rigidez inicial e rigidez secante de uma ligação.18.ini Mj. com ligações concebidas por análise plástica? _____________________________________________________________________ A análise global elástica pode ser usada com ligações calculadas plasticamente. Os procedimentos de cálculo para avaliação da capacidade de deformação das componentes e da capacidade de rotação das ligações.46 e a relação entre a resistência plástica e elástica à flexão de secções em I é cerca de 1. a verificação do comportamento elástico para os Estados Limites de Serviço não é necessária. Este não é o caso dos elementos mistos. se se considerar o momento plástico Mj. Nestas condições. a distribuição plástica de esforços é utilizada no cálculo das ligações de modo semelhante ao que é efectuado no cálculo de elementos estruturais (Figura 4.ult então. O mesmo procedimento pode ser aplicado às ligações. Esta relação foi observada experimentalmente para outros tipos de ligações. Esta estimativa é conservadora e segura se for considerada a tensão de cedência fy no modelo de cálculo.6 da EN 1993-1-1 [prEN 1993-1-1: 2003]. A EN 1993-1-8 fornece alguns princípios básicos para a verificação da capacidade de rotação.35+3x1. Este procedimento é simples e prático. Na prática. logo. a classe mínima da secção deverá ser Classe 2. A relação de carregamento dos Estados Limites Últimos e Estados Limites de Serviço em estruturas de aço pode ser tipicamente avaliada em ((1x1. O mesmo princípio é aplicado no cálculo de ligações.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Questão 4. É baseado na experiência e não num procedimento exacto de análise. No entanto. A capacidade de rotação das rótulas plásticas nas secções é garantida pela classificação das secções. algumas componentes podem limitar a capacidade de rotação da ligação.ini na análise.el Sj.5a). a resistência dos elementos é baseada numa distribuição plástica das tensões.0 = 1. desde que seja considerada a rigidez de ligação relevante. deve usar-se a rigidez secante Sj. obtida através de uma análise global elástica. 26 Manual de ligações metálicas .0 = 1. Normalmente. 1983b]. (Figura 4. M Sj.3). Admite-se que os Estados Limites Últimos apenas serão alcançados ocasionalmente.sec φ Figura 4. têm sido um dos principais focus de investigação mais recente nesta área. O início do comportamento não-linear de placas de extremidade pode ser estimado a 2/3 do momento plástico de vigas de secção rectangular [Zoetemeijer.18/1.2: Utilização da Análise Elástica para a Análise Global de Estruturas É permitido o uso de métodos elásticos na análise global da estrutura.sec. usando a esbelteza da alma e dos banzos.50)/4)/1. se a capacidade resistente é baseada no momento elástico de cálculo Mj.

a ligação deve ser calculada com uma distribuição plástica de esforços (ver a terceira fiada de parafusos na Figura 4. φ Rotação. Questão 4.pl.Rd ≤ Fc. ver Figura 4.ini φ Cd φ Figura 4. Manual de ligações metálicas 27 .6: Classificação das ligações baseada na resistência e na capacidade de rotação.5b).el Curva experimental Método das componentes utilizando fu M M φ Método das componentes utilizando fy Sj.exp Mj.Rd a) distribuição plástica = Ft1.Rd Ligação de resistência parcial Momento resistente da viga M M Ligação dúctil (Classe 1) Ligação semi-dúctil (Classe 2) Ligação frágil (Classe 3) φ φ M Rotação.Rd = Ft2.Rd b) distribuição elasto-plástica = Ft1.d Mj. M Ligação de resistência total Momento.5c). Em engenharia é recomendado sobredimensionar as componentes frágeis para aumentar a capacidade de deformação da ligação e consequentemente a segurança da estrutura.Rd = Ft3.Rd ≤ Fc.4: Avaliação do comportamento da ligação.Rd c) distribuição elástica z3 z2 z1 Figura 4. As componentes da ligação podem ser dúcteis ou frágeis. por exemplo). = Ft1.Rd < Ft3.Rd ≤ Fc. M Rotação elástica da viga Rotação última da viga Mb.Rd < Ft2. rigidez e capacidade de rotação (ver Figura 4.Rd = Ft2. φ Figura 4. Momento.5: Distribuição dos esforços internos na ligação com placa de extremidade. Quando a componente frágil é colocada no meio da ligação (parafuso na segunda fiada de parafusos. É usada uma distribuição elástica quando a componente frágil limita a resistência da ligação.ult.Rd < Ft3.Rd Mj.MODELAÇÃO ESTRUTURAL M Mj. Neste caso.6).ult.3: Critérios de Classificação para Bases de Pilar Porque é que o Documento Normativo EN 1993-1-8 utiliza limites diferentes na classificação de ligações viga-pilar e bases de pilar? _____________________________________________________________________ As ligações podem ser classificadas relativamente à resistência. as componentes inferiores devem estar em regime elástico.

Seguindo o procedimento supracitado.Ib. Assume-se que as ligações são rígidas se a carga crítica não for inferior a 97. A rigidez limite.ini. estimada em 30 E Ic / Lc é deduzida para um erro máximo da solução inferior a 10%. 93 3.7.5).ini. os limites para ligações viga-pilar introduzidos nos regulamentos são valores conservativos.Mb. 5 0. que modifica os esforços internos dentro dos limites de precisão requerida. ver Figura 4.pl.b = 8 φ= E.5% do valor da carga crítica com ligações totalmente rígidas.b = 8).pl.MODELAÇÃO ESTRUTURAL A fronteira de rigidez entre ligações rígidas e semi-rígidas baseia-se na precisão de cálculo necessária à verificação dos esforços nos elementos e ligações. A rigidez mínima da base do pilar depende da esbelteza relativa do pilar: para para para λ ≤ 0. ver Figura 4.ini ≥ 7 ( 2λ − 1) E S j. têm sido propostos limites entre ligações rígidas e semi-rígidas.ini ≥ 0 S j.ini.7: Classificação das ligações viga-pilar baseado na rigidez à rotação.9.p = 0.8. 1999]. Por razões práticas.φ Lb.5 Ligações articuladas φ Figura 4.5 ≤ λ ≤ 3. As ligações articuladas são caracterizadas por uma fraca rigidez (Sj.Rd S j. Esta rigidez é o limite para ligações rígidas e todas as ligações com rigidez superior podem ser modeladas como rígidas. Este valor baseia-se em estudos numéricos realizados num pórtico com uma viga muito flexível. ver Figura 4. fraca resistência à flexão e grande capacidade de rotação ( φCd = 60mrad ).ini.0 rígidas S j. 28 Manual de ligações metálicas .4) (4.ini.u = 25) e contraventados (Sj.5) O limite (4. Neste caso recomenda-se comparar a rigidez da base de pilar com a rigidez à flexão do pilar.p = 0.3) (4. Os limites de pórticos contraventados são deduzidos dos deslocamentos horizontais. Por simplicidade. 93 ≤ λ o limite é o limite é o limite é S j.ini. 36 . A rigidez limite 12 E Ic / Lc pode ser usada em pórticos não-contraventados com pilares de esbelteza inferior a λ = 1.4 0.8 0.5) é uma aproximação conservativa e pode ser usado em todos os pilares. estes valores são função da rigidez à flexão da viga associada.2 0 Ligações semi-rígidas S j.6 0. M b Ligações 1.u =25 M b= Mb Mb. Jaspart. Cálculos semelhantes foram realizados em pórticos com bases de pilares semi-rígidas [Wald. A necessidade de verificação dos deslocamentos nos Estados Limites de Serviço é a razão para a existência de limites diferentes em pórticos não contraventados (Sj.Rd 0. Pode-se avaliar a rigidez mínima da ligação num pórtico.ini ≥ 48E Ic Lc Ic Lc (4.

etc.6 0.0 0.10.01 0. Se a ligação for considerada como articulada. λ Figura 4.8 0. comparado. é necessário ter em conta.36 ⎯ φ= EIcφ LcMc.8: Avaliação da resistência de um pilar baseada na rigidez à flexão do apoio inferior. na análise global. Os esforços a considerar dependem do tipo de ligação.c.s = 12EIc/Lc Base do pilar semi-rígida Base do pilar rotulada 0. será necessário calculá-la para um certo nível (razoável) de esforços. por exemplo.4: Cálculo de Ligações Solicitadas por Esforços Reduzidos Se a ligação for solicitada por esforços muito reduzidos.Rd Figura 4. com a resistência da viga/pilar? _____________________________________________________________________ As ligações estruturais devem ser calculadas para transmitir esforços acidentais e nominais.5: Modelação da Excentricidade da Ligação no Cálculo de Pórticos Os pórticos são normalmente modelados por linhas ligando os centros de gravidade das secções.ini E Ic / Lc Curva simplificada Curva real 4 6 8 10 Esbelteza relativa do pilar.pl.2 0 0 Sj.4 0.10)? ___________________________________________________________________________ No caso da Figura 4.Rd 1.003 φ (rad) Base do pilar rígida Sj. O erro na omissão da excentricidade e da flexão em torno do eixo fraco é relativamente elevado. Apenas a excentricidade de uma ligação viga-pilar aparafusada (placa de extremidade.n = 30EIc/Lc λo = 1.c. a integridade da estrutura e os esforços na montagem devem ser tidos em consideração. Questão 4.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Rigidez relativa da placa de base 60 50 40 30 20 10 0 0 2 Sj. Questão 4.ini.) à alma de uma secção aberta pode ser omitida.ini. o pilar pode ser considerado como axialmente carregado (ver Figura 4.9: Classificação de bases de pilar baseada na rigidez à flexão. Momento relativo Mj/Mpl.002 0. pode ser avaliado pela interacção entre esforço axial e momento flector (a encurvadura do pilar é desprezada): Manual de ligações metálicas 29 . cantoneiras de alma. Caso actuem forças muito reduzidas. a excentricidade da ligação ao banzo do pilar.

Rd = A ⋅ fy / γ M0 = 7808 ⋅ 235 /1. c) e alma. 3 ⋅ 103 ⋅ 235 /1.6) A resistência do pilar ao esforço axial é Npl.1 ⋅ 106 Nmm (4.4*103 N para uma excentricidade de e = 100 mm.z ⋅ fy / γ M0 = 200.5 mm FSd d) Figura 4.9) A resistência ao esforço axial diminui para 828. 0 = 47. 30 Manual de ligações metálicas .5 mm.Rd (4.Rd = Wpl.Rd Mpl. NSd N ⋅e + Sd ≤1 Npl.MODELAÇÃO ESTRUTURAL HE 200 B e = 100 mm a) b) FSd c) 9 HE 200 B e = 4. b) vigas ligadas ao banzo.7) e a resistência do pilar ao momento flector é Mpl.z.Rd = Wpl.y. d) por placas de extremidade.y ⋅ fy / γ M0 = 642. 0 = 1835 ⋅ 103 N (4. 0 ⋅ 106 Nmm (4. 0 = 151. O erro na omissão da flexão em torno do eixo forte pode ser avaliado pelo momento de cálculo do pilar: Mpl.8) A resistência ao esforço axial diminui para 1561kN com a excentricidade e = 4.10: a) Exemplo de excentricidade da carga no pilar.5 ⋅ 103 ⋅ 235 /1.

e portanto não transferem momentos significativos nos Estados Limites Últimos. devem ser capazes de transferir uma força horizontal de tracção. esta rotação será consideravelmente menor pela restrição oferecida pela ligação. é normalmente suficiente para permitir a montagem sem a necessidade de contraventamentos temporários. Consideram-se • • • • as seguintes formas de ligações simples: Dupla cantoneira de alma. Isto quer dizer que as ligações viga-pilar de um pórtico metálico.26°) quando solicitada pela carga máxima de cálculo. No entanto. Placas de extremidade flexíveis. na prática. Para verificar as hipóteses de cálculo.1 Introdução As ligações são classificadas de acordo com o método de análise global e o tipo de modelo da ligação. Em teoria.2 Integridade Estrutural O colapso parcial de Ronan Point no Reino Unido em 1968 alertou a indústria da construção para o problema do colapso progressivo. e de modo a prevenir grandes esforços na ligação. Esta definição sublinha o cálculo global estrutura. . o qual embora não tido em conta no cálculo. As ligações simples são definidas como as ligações que transmitem apenas esforço transverso e têm uma resistência à rotação desprezável. Um método para o conseguir é ligar todos os elementos principais da estrutura. rígido-plástico ou elásto-plástico.022rad (1. O método usual para o conseguir é assegurar que a ligação se prolongue pelo menos 10mm para além da extremidade da viga. no qual as vigas são calculadas como simplesmente apoiadas e os pilares são calculados para o esforço axial actuante e pequenos momentos introduzidos pelas reacções na extremidade das vigas.5 LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. uma viga simplesmente apoiada com 457mm de altura e 6.0m de vão. as ligações devem ter um grau de fixação. Quando a viga roda. no caso de um acidente. As estruturas devem ter um mínimo de robustez para resistir às cargas acidentais. Emendas de pilares. na prática.2). por forma a preservar a integridade estrutural (ver 5. 5. as ligações simples devem permitir uma rotação adequada da extremidade da viga à medida que esta flecte e ocupa as folgas usuais. por forma a preservar a integridade da estrutura e impedir o colapso progressivo. esta rotação não deve prejudicar a resistência da ligação ao corte e à tracção. que resulta da falta de ligação entre os principais elementos da estrutura. é conveniente evitar que o banzo inferior da viga encoste ao banzo do pilar. Ao mesmo tempo. Este capítulo diz respeito ao cálculo de ligações simples no qual o método de análise global pode ser elástico. Placas de gousset. pode originar uma rotação de 0.

1 apresentam-se ligações típicas. Esta secção diz respeito aos princípios gerais aplicáveis a todos os tipos de ligações simples. Usando este modelo. não alterando a resistência ao corte da viga. A recomendada nesta publicação assume que a linha de acção do esforço transverso entre a viga e o pilar actua na face do pilar. Estes tipos de ligações são comuns porque permitem pequenos ajustamentos quando se usam parafusos não pré-esforçados em furos com folgas de 2mm. 32 Manual de ligações metálicas . o grupo de parafusos que liga as cantoneiras à alma da viga deve ser dimensionado para o esforço transverso. em grande parte. Na prática. Nos itens seguintes descrevem-se os métodos de cálculo para cantoneiras. A prática corrente. 5. as cantoneiras de pilar raramente são críticas e o cálculo é quase sempre determinado pelos parafusos que solicitam a alma da viga. Durante a montagem. a espessura da cantoneira deve ser reduzida ao mínimo e a distância entre parafusos deve ser tão grande quanto possível. pilar de suporte viga suportada pilar de suporte viga suportada Figura 5.4. É suficiente utilizar uma análise simples de equilíbrio para o cálculo deste tipo de ligação.1: Ligações típicas em torno do eixo de maior e menor inércia. placas de extremidade flexíveis e placas de gousset. Para aumentar a capacidade de rotação. realizadas pela aplicação de cantoneiras. Na ligação em torno do eixo de menor inércia do pilar pode ser necessário cortar os banzos da viga.4 5. A capacidade de rotação desta ligação é.1 Ligações Viga-pilar Dupla Cantoneira de Alma Na Figura 5. varia entre os países membros da Comunidade. e para o momento produzido pelo esforço transverso na extremidade multiplicado pela excentricidade do grupo de parafusos relativamente à face do pilar. As fórmulas relevantes podem ser encontradas na bibliografia. aparafusadas por cantoneiras de alma em torno dos eixos de maior e menor inércia do pilar. Os parafusos que ligam as cantoneiras à face do pilar devem ser dimensionados para o esforço transverso apenas.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5.3 Métodos de Cálculo O cálculo de ligações simples é baseado nos princípios e procedimentos adoptados pela EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]. em termos do tipo e natureza da fixação e tipos de ligações. determinada pela capacidade de deformação das cantoneiras e pelo escorregamento entre as partes ligadas. Normalmente as cantoneiras são usadas aos pares. a viga com as cantoneiras ligadas é descida entre os banzos do pilar.

3 mostra uma ligação típica por placa de gousset. 5.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. que é soldada à alma ou banzo do pilar. embora possa ser usada uma placa para compensar as tolerâncias de fabrico e montagem. Apresenta uma folga entre a extremidade da viga suportada e a viga ou pilar de suporte.4. É necessário que o comprimento total da viga esteja dentro de limites apertados.2 apresenta ligações típicas em torno dos eixos de maior e menor inércia. Os parafusos que ligam a cantoneira ao pilar devem ser verificados ao momento produzido pelo esforço transverso multiplicado pela distância entre os parafusos e o eixo da viga. em obra.4 Placa de Gousset Seguindo a prática australiana e americana. Este tipo de ligação é económica e de montagem simples. por vezes. pilar de suporte Viga suportada pilar de suporte Viga suportada Figura 5. A Figura 5. mas não é necessário soldar a placa de extremidade aos banzos da viga. Estas ligações consistem numa placa soldada à extremidade da viga e aparafusada.2: Ligações típicas viga-pilar em torno dos eixos de maior e menor inércia. Deve-se ter cuidado com o uso deste tipo de ligação em áreas onde a tracção é elevada. 5. a viga deve ser verificada e.4. mas tem a desvantagem de não ter espaço para ajustamentos em obra. é frequentemente usada em vigas até cerca de 450mm de altura. Estas ligações compreendem uma única placa. por causa da falta de ductilidade. a placa de extremidade é soldada aos banzos da viga para melhorar a estabilidade do pórtico durante a montagem e evitar a necessidade de contraventamento temporário. Esta ligação é relativamente barata.4. Este tipo de ligação não é desejável do ponto de vista do construtor pela tendência da viga a rodar durante a montagem. um dos desenvolvimento mais recente tem sido a introdução de ligações por placas de gousset. realizadas pela aplicação de placas de extremidade flexíveis. Manual de ligações metálicas 33 . como por exemplo. ao pilar ou viga de suporte. Este tipo de ligação consegue a sua flexibilidade pelo uso de placas relativamente finas combinadas com grandes distâncias entre parafusos. No entanto.2 Cantoneira de Alma Simples Normalmente. assegurando assim um ajustamento fácil. uma placa de 8mm de espessura combinada com uma distância de 90mm entre centros de parafusos. A placa de extremidade é frequentemente prolongada até à altura total da viga. as cantoneiras de alma simples são usadas apenas em pequenas ligações. Em vigas com mais de 500mm de altura e até 10mm de espessura de placa combinada com 140mm de distância entre o centro dos parafusos. em torno dos eixos de maior e menor inércia de um pilar.3 Placa de Extremidade Flexível A Figura 5. com furos previamente realizados. é usada para transferir as reacções na extremidade da viga. ou quando a acessibilidade exclui o uso de ligações por dupla cantoneira ou placa de extremidade. as soldaduras entre a placa de extremidade e a alma da viga não devem ser o elo mais fraco.

4 mostra ligações típicas viga-viga aparafusadas por cantoneiras de alma em vigas com entalhe simples ou duplo. Os resultados destes testes concluíram que o método de cálculo era conservativo e dava resultados adequados da resistência.1 Dupla Cantoneira de Alma A Figura 5.4.1. pela distorção devida ao esmagamento dos furos e por flexão da placa de gousset fora do seu plano.5 Ligações Viga-viga Há três formas de ligação viga-viga: dupla cantoneiras de alma. O extremidade da alma cortada. realçam-se alguns itens adicionais que devem ser considerados no cálculo e na utilização das ligações viga-viga. 5. que está em compressão. Os comentários dados nas secções 5.4 também se podem aplicar às correspondentes ligações viga-viga. como no caso da ligação da Figura 5. Por esta razão todas as secções críticas devem ser verificadas para o mínimo de momento.4. Pilar de suporte Viga suportada Pilar de suporte Viga suportada Figura 5. realizadas por placas de gousset. placas de extremidade flexíveis e placas de gousset. 5.3 e 5.3: Ligações típicas em torno dos eixos de maior e menor inércia. Nas secções seguintes.4. deve ser verificada à instabilidade local da alma não restringida. Em vigas que não são apoiadas lateralmente. relativamente à encurvadura lateral. As ligações por placas de gousset conseguem a sua capacidade de rotação por deformação dos parafusos ao corte. Os ensaios mostraram também que as placas de gousset longas têm a tendência para rodar e atingir a ruína por instabilidade lateral.4. em conjunto com o esforço de corte. A validação desta e outras hipóteses de cálculo foram efectuadas com uma série de ensaios de ligações por placas de gousset.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Tem sido feito um esforço considerável de modo a identificar a linha de acção apropriada para o esforço de corte. o banzo da viga secundária é cortado e a alma deve ser verificada tendo em conta o efeito do entalhe. 5. Viga principal Viga secundária Viga principal Viga secundária Figura 5. o esforço de corte actua na face do pilar ou actua no centro do grupo de parafusos que ligam a placa de gousset à alma da viga. Quando os banzos superiores das vigas estão ao mesmo nível.4: Ligações viga-viga com entalhe simples e duplo. é necessário um estudo pormenorizado da estabilidade global da viga com entalhes. tomado como o produto do esforço do corte vertical com a distância entre a face do pilar e o centro do grupo de parafusos. 34 Manual de ligações metálicas .5. Há duas possibilidades.

o banzo superior da viga secundária é cortado para ajustar à alma da viga principal. as placas de extremidade espessas de altura total podem provocar sobretensões nos parafusos e nas soldaduras. Se a viga principal é livre de rodar. por exemplo.2 Placa de Extremidade Flexível A Figura 5. O projectista deve escolher entre capacidade reduzida de uma placa de gousset longa e a capacidade reduzida de uma viga cortada.6 mostra ligações típicas por placa de gousset aparafusada.6: Ligação viga-viga por placa de gousset: a) placa de gousset longa. Tal como a ligação por cantoneiras duplas. 5. a placa de extremidade considera-se suficientemente flexível para ser classificada como ligação simples. a) b) Figura 5. desde que a placa de extremidade seja relativamente fina e a distância entre parafusos seja grande. a capacidade de rotação deve ser conseguida pela própria ligação. a cantoneira da viga maior pode ser prolongada e os parafusos colocados por baixo da base da viga menor.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO O uso de cantoneiras pode tornar-se complexo quando se ligam vigas de diferentes tamanhos.6a). Neste caso é necessário cortar o banzo inferior da viga menor para impedir a obstrução dos parafusos. 5.5: Ligação típica viga-viga com placa de extremidade flexível.5. a placa de extremidade tem frequentemente a altura total da viga cortada e é soldada ao nível do banzo inferior.5.5 ilustra ligações típicas viga-viga com placa de extremidade flexível.4. os estudos experimentais têm mostrado que nestes casos os momentos torsores são reduzidos e podem ser desprezados.4 sobre placas de gousset viga-pilar aplicam-se também às placas de gousset viga-viga. se o comprimento dos cortes excede certos limites.3 Placa de Gousset A Figura 5. a alma não apoiada e a viga devem ser verificadas à instabilidade lateral. Os comentários na secção 5. b) placa de gousset curta com vigas com entalhe. Em alternativa. numa ligação dos dois lados. No entanto. Nestes casos. Nos casos em que a viga principal não é livre de rodar. haverá capacidade de rotação adequada mesmo com uma placa de extremidade espessa. Para além disso este tipo de ligação implica uma placa de gousset longa como se mostra na Figura 5. Uma outra consideração é a torção induzida quando as placas de gousset são ligadas a um dos lados da alma da viga apoiada. Se ambas as vigas têm altura semelhante ambos os banzos são cortados. Este procedimento torna a ligação relativamente mais rígida que a placa de extremidade parcial mas. Viga principal Viga secundária Figura 5. ou uma viga cortada como mostra a Figura 5. Manual de ligações metálicas 35 . Na prática.6b). Nestes casos.

As placas cobrejunta do banzo podem ser colocadas na parte exterior ou na parte interior. e aquelas nas quais as extremidades dos perfis não estão preparadas para esse contacto.1 Extremidades Preparadas para Contacto A Figura 5. Neste tipo de edifícios.6. as barras devem estar posicionados de forma a que os centros de gravidade do material de emenda coincida com os centros de gravidade das secções dos pilares. Se uma ligação é posicionada próximo do ponto de contraventamento lateral (digamos dentro de 500mm acima do piso). ou se se assumiu um grau de encastramento ou continuidade no cálculo do comprimento efectivo do pilar. Cada emenda deve ser dimensionada para suportar os esforços axiais. acima e abaixo da emenda. a tensão (se existir) resultante da presença de momentos flectores e os esforços de corte horizontais. Nos três casos a emenda é construída com placas cobrejunta.7 mostra pormenores típicos de emendas de pilares preparadas para o contacto. a emenda pode ser dimensionada para a carga axial e quaisquer momentos aplicados. c) pilares com secções diferentes. e são usadas chapas para compensar as diferenças de espessura da alma e do banzo. se a emenda é posicionada longe do ponto de contraventamento lateral (isto é. o momento adicional que foi introduzido pela acção de escoramento deve ser tido em consideração.7: Emendas de pilares com extremidades preparadas para contacto: a. No entanto não é necessário conseguir um ajustamento perfeito sobre toda a área do pilar. As placas cobrejunta asseguram a continuidade da rigidez e são dimensionadas para resistir à tracção provocada por momentos flectores elevados para se sobreporem aos esforços de compressão no pilar. considera-se que as forças do vento nas paredes externas dos edifícios actuam 36 Manual de ligações metálicas . e o pilar é concebido como rotulado nesse ponto. As extremidades dos pilares são frequentemente preparadas para contacto. As extremidades cortadas com serra são suficientemente lisas e plana para contacto e não é necessária maquinação. as emendas de pilares são necessárias para assegurar continuidade da rigidez e resistência em torno dos dois eixos do pilar. b) pilares com secções semelhantes. Contudo.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. Geralmente. Em geral estão submetidas ao esforço axial de compressão e momentos que resultam das reacções nas extremidades das vigas. a mais de 500mm acima do piso). e sempre que possível. as emendas de pilares devem suportar os perfis alinhados. Normalmente. nestes casos o esforço de compressão é transmitido por contacto. Nesta secção consideram-se dois tipos de emendas. placas placas placas (se necessário) placa de separação a) b) c) Figura 5. A sua colocação no interior tem a vantagem de reduzir a altura total do pilar. os esforços horizontais de corte que resultam da variação de momento no pilar são absorvidos pelo atrito nas superfícies de contacto entre as dois pilares e pelas placas cobrejuntas da alma. aquelas nas quais as extremidades dos perfis são preparadas para o contacto.6 Emenda de Pilares Esta secção apresenta regras de cálculo para emendas de pilares em edifícios contraventados de vários andares. Em qualquer caso. uma vez que após a montagem as extremidades do pilar vão-se ajustando à medida que as sucessivas cargas permanentes actuam na estrutura. 5.

5 da EN 1090-1 [EN 1090-1: 1996] é permitida uma tolerância de Δ = ±5 mm para o posicionamento de um grupo de furos. assumindo Δ = ±0 mm d = 12mm d0 = 13mm e1 = e2 = 1. Esta variação deverá ser tida em conta no cálculo da resistência ao esmagamento do grupo de parafusos? Por exemplo. Questão 5.8 apresenta pormenores típicos de emendas de pilares não preparadas para contacto. Normalmente. 6mm (5.2 Extremidades não Preparadas para Contacto A Figura 5. 1) Manual de ligações metálicas 37 . 8. 5. enquanto que o momento flector é suportado pelas placas cobrejunta de banzo. Ambas as figuras mostram que o pilar acima e abaixo da emenda têm tamanhos semelhantes. Neste caso a emenda é construída com placas cobrejunta de alma e banzo e se necessário usam-se chapas para compensar as diferenças de espessura das almas e banzos.5.1: Resistência dos Parafusos ao Esmagamento: Tolerâncias Permitidas Na Figura T. Neste tipo de emendas os esforços são totalmente suportados pelas placas cobrejunta e nenhuma carga é transferida por contacto directo.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO ao nível do piso e raramente as emendas de pilares transmitem esforço horizontal de corte devido à acção do vento. 2d0 = 1. 2 ⋅ 13 = 15. o esforço axial no pilar é partilhado entre o banzo e a placa cobrejunta de alma proporcionalmente às suas dimensões.8 e aço S235: A resistência ao esmagamento de um só parafuso é dada pela seguinte expressão: Fb.8: Emendas de pilares com extremidades não preparadas para contacto.6. placas placas (se necessário) Placa no exterior do banzo Placa no interior do banzo Figura 5. Quando se ligam pilares de diferentes tamanhos são necessárias várias chapas para compensar a variação de dimensões. para parafusos M12.Rd = k 1 ⋅ α b ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 • Resistência ao esmagamento.

2d0 − 5 = 1. 6 ⎧ e1 ⎪ 3d = 3 ⋅ 13 = 0.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 15. deverá ser tida em conta a redução da distância ao bordo? _____________________________________________________________________ Normalmente as tolerâncias não são tidas em conta no cálculo da ligação. 7 = − 1. 7 = − 1. No cálculo da resistência da ligação. 8 ⋅ 15.3 da EN 1993-1-8. 2 360 ⎪ fu ⎩ 2. 8 ⋅ 15. logo e2 = 15. 6mm Considera-se que existe deslocamento apenas na direcção da força. 66 ⎪ 13 k1 menor de ⎨ d0 ⎪ 2. 2 ⋅ 13 − 5 = 10.5 ⎩ (5. 8e2 − 1. 2) Resistência ao esmagamento. 7 = 1. 27 ⎪ 0 ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. devido à tolerância permitida. 2 360 ⎪ fu ⎩ 2. Questão 5. 40 ⎪ 0 ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2.6mm 10. 3) Comparado com o primeiro exemplo.5 ⎩ (5. Dados: L 50 × 5 A = 480mm2 t = 5mm d0 = 14mm e2 = 25mm fu = 510MPa De acordo com a cláusula 3. no segundo obtém-se uma resistência 32% inferior. 7 = 1. 8e2 − 1.2: Cantoneira Ligada por Um ou Dois Parafusos Como é possível que a resistência à tracção da secção útil de uma cantoneira com um parafuso seja superior à da cantoneira com dois parafusos? Ver o exemplo a seguir. Assume-se que as tolerâncias são pequenas em comparação com as distâncias ao bordo e que a redução da resistência é pequena e pode ser integrada no factor de segurança parcial. 6 ⎧ e1 ⎪ 3d = 3 ⋅ 13 = 0. verificamos a resistência à tracção da secção útil: 38 Manual de ligações metálicas . 6 ⎧ 2.10. 6 ⎧ 2. assumindo Δ = -5mm d = 12mm d0 = 13mm e1 = 1. 66 ⎪ 13 k1 menor de ⎨ d0 ⎪ 2.

25 (5.Rd = A eff = β 2 A net = β 2 ( A − d0 t ) = 0. não pré-esforçados em furos com folga.3: Capacidade de Rotação Como é que as ligações simples conseguem a sua capacidade de rotação? _____________________________________________________________________ A ductilidade das ligações por cantoneiras deve-se à espessura reduzida das cantoneiras (normalmente 8mm ou 10mm de espessura). • usam-se parafusos 8. Questão 5.8. 25 L 50 × 5. um parafuso 50 14 5 50 1. 4 ( 480 − 14 ⋅ 5 ) = 164mm2 A eff fu (5. Manual de ligações metálicas 39 .LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Para um parafuso: A eff = 2 ( e2 − 0. Do mesmo modo é usual utilizar placas de extremidade relativamente delgadas (8mm ou 10mm) e afastamentos de 90mm ou 140mm entre os parafusos.Rd = A eff fu γ M2 = 180 ⋅ 510 = 73440N 1. 4 Nu.5d0 ) t = 2 ( 25 − 7 ) 5 = 180mm2 Nu. dois parafusos 14 5 L 50 × 5.5 d0 1. aos momentos adicionais que são atraídos pela ligação com mais de um parafuso. 5) γ M2 = 164 ⋅ 510 = 66912N 1. Estes ensaios mostraram que a resistência de uma cantoneira ligada por um só parafuso é maior que uma cantoneira ligada por dois ou mais parafusos. A razão deve-se.5 d0 2.50 d (para aço S275) • todas as distâncias ao bordos da placa e alma da viga são iguais ou superiores a 2d. e ao afastamento dos parafusos no elemento de suporte (normalmente 100mm + a espessura da alma da viga). Esta rotura é normalmente conseguida pela adopção da seguinte pormenorização: • a espessura da placa de gousset ou da alma da viga é: ≤ 0. • a base do comprimento do cordão de soldadura tem pelo menos 0. provavelmente.42 d (para aço S355) ≤ 0. 4) Para dois parafusos: β 2 = 0.5 d0 ___________________________________________________________________________ Foram realizados vários ensaios em cantoneiras ligadas por um ou dois parafusos. para assegurar que uma ligação por placa de extremidade consiga a flexibilidade e ductilidade adequada para ser classificada como “ligação simples”. Para obter a ductilidade necessária numa placa de gousset deve-se assegurar que a rotura se verifica na placa de gousset ou na alma da viga.8 vezes a espessura da placa de gousset.

4: Integridade Estrutural Que método deverá ser usado para determinar a resistência à tracção de ligações simples? E qual é o fundamento deste método? _____________________________________________________________________ O Steel Construction Institute [SCI Recomendation.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 5. No entanto. As características deste método são: • Podem surgir deformações consideráveis. Para as ligações por dupla cantoneira. Parte da força de tracção é suportada por tracção nas abas das cantoneiras. se a ligação não suportar grandes forças de tracção. Estas regiões podem ter sofrido alguma fragilização devido ao arrefecimento rápido após a soldadura. Excentricidade Força de tracção Secções críticas δ Figura 5. devido à sua capacidade para acomodar grandes deformações antes da rotura. realizaram-se vários estudos experimentais [SCI Recomendation. 40 Manual de ligações metálicas . mas apenas se houver rotação nas rótulas junto às soldaduras. Em ambos os casos deve-se considerar o aumento da rigidez à rotação da ligação. A comparação entre os resultados analíticos e experimentais mostrou que o método fornece uma margem de segurança adequada. esta metodologia baseia-se numa análise de grandes deslocamentos das cantoneiras à tracção. o método para as ligações por placas de extremidade flexíveis é baseado numa análise de grandes deslocamentos da placa de extremidade à tracção. Do mesmo modo. As principais características desta metodologia são: • A amplitude potencial do deslocamento δ (ignorando os efeitos de segunda ordem. • Estes deslocamentos reduzem as excentricidades nas cantoneiras de alma. • Há quatro secções críticas em cada cantoneira que estão sujeitas a fortes deformações plásticas sob a acção simultânea de corte. De um modo geral. 2002] especifica uma metodologia para o cálculo da resistência à tracção de ligações de dupla cantoneira e ligações por placas de extremidade flexíveis. pode ser conseguida uma resistência adicional aumentando a espessura da cantoneira e/ou reduzindo a distância entre parafusos. Duas localizam-se na ligação. A deformada da placa de extremidade é apresentada na Figura 5. ou próximo do centro dos furos e as outras duas localizam-se no ângulo da cantoneira. tracção e momento.10. o deslocamento δ define a geometria deformada das cantoneiras). utilizando a representação deformada apresentada na Figura 5.9: Dupla cantoneira de alma à tracção. 2002]. a resistência à tracção de uma ligação por cantoneiras de alma é adequada.9. De modo a validar esta metodologia.

Em ligações de pilares em I. Por isso se apresenta uma verificação simples para ambas as ligações. Embora a relação entre a resistência experimental PE e a resistência calculada PC tenha variado consideravelmente. A resistência à tracção duma placa de extremidade é geralmente inferior à da ligação por cantoneira de alma ou placa de gousset.10: Placa de extremidade à tracção. assinaladas na Figura 5. os ensaios provaram que o método é conservativo. produzem um efeito de membrana. este efeito de membrana é ignorado. • Há quatro secções críticas na placa. 1990]. Esta restrição de membrana surge apenas se a placa de extremidade for aparafusada a uma placa ou banzo maior. Uma vez mais. Manual de ligações metálicas 41 . mas pode ser devido ao efeito de membrana variável e não quantificado.10 por Ο.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO • Estes deslocamentos reduzem as excentricidades dentro da ligação mas. De um modo geral.8 não excede 300 MPa. δ Momento último da placa desenvolvido na raíz do cordão de soldadura e nas extremidades do furo Força de tracção Figura 5. as forças de alavanca nos parafusos são normalmente superiores às que se obtêm nos métodos mais tradicionais. Para aumentar a resistência. deve-se aumentar a espessura da placa ou reduzir a distância entre parafusos. dado que a análise depende de grandes deformações. que assegura que a tensão de tracção nominal de um parafuso 8. o modo crítico de rotura será a resistência à tracção da placa de extremidade. O motivo para esta variabilidade não é claro. basta ser considerada a acção do momento (a interacção momento/esforço transverso existe mas não é necessário considerá-la pois o esforço transverso actuante é uma pequena parte da sua resistência ao corte). foi realizado um estudo experimental para verificar este método [Jarrett. Em ambos os métodos. Dado que o efeito de membrana é desprezado.

para condições de tensão residual e configurações geométricas complexas. corte e compressão. o establecimento de critérios de rotura e a calibração com base nos resultados contidos nas bases de dados.1 Método das Componentes As dificuldades descritas levaram ao desenvolvimento de processos alternativos para a análise de ligações. São necessárias considerações apropriadas para uma multiplicidade de fenómenos desde a não-linearidade material (plasticidade. reforços. A identificação das várias componentes que constituem uma ligação com transmissão de momento (placa de extremidade. patamar de cedência).1 é possível identificar trajectórias distintas para as forças de tracção. que aliassem um maior rigor e simplicidade de análise. 1998]. até à não-linearidade geométrica (instabilidade local). são morosos no cálculo dos modelos e muito sensíveis às opções de análise e modelação.. cordões de soldadura. A utilização de métodos numéricos com elementos finitos de comportamento não-linear permitem endereçar todos os fenómenos presentes numa ligação. A aplicação de métodos de avaliação estatística.1. . tem sido efectuados numerosos ensaios de diversas configurações de ligações.Rd. No entanto... permitindo dividir a N Fc M/2 dc Fc Fb N N db N M dc Fc M/2 N Fc Fb Figura 6. Ao longo dos anos..1: Exemplo de trajectória de forças em ligações metálicas [Owens et al.) dá-nos uma ideia da complexidade que constitui a análise do seu comportamento. rigidez de rotação Sj. parafusos. o contacto não-linear e escorregamento. Observando a Figura 6.. cujos resultados estão reproduzidos em bases de dados de ligações [Cruz et al. O comportamento destas ligações pode ser obtido por via experimental ou através de modelos (analíticos ou numéricos) desenvolvidos com base na geometria e nas propriedades mecânicas da ligação. 6. permitiram a previsão das principais propriedades das ligações: momento resistente Mj.6 LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 6. 1989]. e devido à sua complexidade. e capacidade de rotação φCd.1 Introdução O comportamento deste tipo de ligações caracteriza-se por uma curva não-linear momento-rotação.

1974] corresponde a um modelo simplificado. De acordo com a EN 1993-1-8.3 para uma ligação viga-pilar com placa de extremidade estendida e duas fiadas de parafusos à tracção [Weynand et al. associadas em série ou em paralelo.1 4.3: Método das componentes aplicado a uma ligação viga – pilar. representando estas últimas uma parte específica da ligação que.2): • Zona traccionada. Alma do pilar ao corte 3. e consequentemente. identifica a contribuição de uma ou mais propriedades estruturais. Deste modo. tal como se ilustra na Figura 6. compreende três etapas: • enumeração das componentes activas numa ligação. além da geometria da ligação o comportamento das suas partes: resistência e a deformabilidade.1 φ Alma do pilar à compressão Banzo da viga à compressão 3.2: Zonas críticas de uma ligação viga-pilar.2 10.. cuja origem se deve a Zoetemeijer [Zoetemeijer. que se traduz na discretização da ligação metálica nas suas componentes básicas que reproduzem. • assemblagem das várias componentes para caracterização do comportamento global da ligação.2 5. conduzindo a: 44 Manual de ligações metálicas . a caracterização do comportamento de uma ligação pode ser efectuada através da associação das propriedades das suas zonas críticas (Figura 6. com base na distribuição de forças internas. dependente do tipo de carregamento. compressão ou corte. a rigidez de rotação Sj de uma ligação é obtida pela combinação das rigidezes das diversas molas que contribuem para a deformabilidade da ligação. O método das componentes. A aplicação deste método. Este método permite aliar às soluções tradicionais a verificação da compatibilidade de deformações. • caracterização do comportamento de cada uma dessas componentes. 1995].1 5.2 4. a estimativa da rigidez de uma ligação. O modelo simplificado adoptado na EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] é constituído por barras rígidas e por molas (componente).2 Banzo do pilar à flexão Mj Mj Parafusos à tracção Alma e banzo da viga à compressão 8 1 2 7 Alma da viga à tracção Parafusos à tracção Figura 6. • Zona comprimida.1 10. • Zona de corte. Zona traccionada Zona de corte Zona comprimida Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO ligação e estabelecer analogias com componentes mais simples e mais fáceis de analisar. As componentes podem ser solicitadas por tracção.2 8.

Rd Limite elástico.2 Caracterização do Comportamento das Componentes de uma Ligação A precisão do método das componentes depende da precisão da avaliação das propriedades de cada componente.1) O momento flector resistente Mj.Rd. 2/3 Mj.... nenhum método geral de verificação [Kuhlmann et al. Sj. De acordo com este regulamento. Manual de ligações metálicas 45 . necessariamente iterativo. e modelações mais complexas. Existe porém interacção entre algumas delas.Rd Curva experimental Curva EN 1993-1-8 Capacidade de deformação φj.2.. mas raramente excede 60mrad. em relação ao centro de compressão: M (F ) = ∑ Fr ⋅ zr (6. rigidez elástica Ke. M Rigidez inicial. • Componentes de rotura frágil: parafusos à tracção. placa de extremidade à flexão. É assumido que a maioria das propriedades das componentes são independentes. esta interacção é tida em conta de uma forma aproximada já que um procedimento mais rigoroso. 6.2) A capacidade de rotação necessária de uma ligação depende do tipo de estrutura. rigidez pós-limite Kpl. alma da viga à tracção. não existindo. Cada componente é caracterizada por uma curva força-deslocamento.. cordões de soldadura. φ Figura 6.ini Resistência da ligação. Na sequência do apresentado na Questão 4.Cd Rotação.4: Capacidade de rotação. 1998] agrupa as principais componentes de uma ligação metálica em três classes. para aplicações práticas.. conduziria a uma metodologia demasiado complexa e pouco compatível com uma utilização prática. parafusos ao corte. • Componentes de ductilidade limitada: alma do pilar à compressão. banzo e alma da viga à compressão. A EN 1993-1-8 fornece alguns princípios básicos para a verificação da capacidade de rotação. usadas por exemplo no âmbito do desenvolvimento de novos tipos de ligações.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Sj = E ⋅ z2 1 μ∑ ki i (6. Momento. não-linear. o conhecimento da ductilidade de ligações metálicas requer uma análise não-linear. de acordo com a sua capacidade de deformação: • Componentes de ductilidade elevada: painel de alma do pilar ao corte.... O método das componentes permite avaliações muito simples. Kuhlmann [Kuhlmann et al. banzo do pilar à flexão. identificando-se cinco propriedades distintas: força de cedência Fy. alma do pilar à tracção. é obtido calculando o momento das forças desenvolvidas ao nível das linhas dos parafusos. 1998]. no entanto.4). de modo a avaliar a resposta de cada uma das componentes (Figura 6.. que pode ser representada por uma aproximação bilinear ou trilinear. Mj..1.. deformação correspondente ao início da plastificação Δy e deformação correspondente ao colapso Δf.

Sj.sec = Sj.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Deste modo. A espessura da placa de extremidade condiciona o valor rigidez inicial. Sj.1.. o coeficiente η pode não ser relevante nas situações. necessária ao cálculo do momento flector. ser considerada como rotulada. e uma vez que o método das componentes permite prever qual(is) a(s) componente(s) crítica(s). Questão 6. Para avaliar a resistência de uma determinada componente. M Mj.6a).ini φ Figura 6. é possível usar um valor de rigidez igual à rigidez inicial da ligação dividida por um coeficiente de modificação da rigidez η. • No caso em que a viga esteja ligada a uma alma de pilar reforçada como indicado na Figura 6. mas não o factor de modificação η. [Gomes et al. será que são adequados a ligações à alma de um pilar ou viga. em que estas ligações são consideradas como rótulas [Gomes. ver Figura 6.el S 1 Rigidez secante. a ligação poderá. Este coeficiente η é indicado no quadro 5. a placas de extremidade finas e espessas. no entanto. dependendo da geometria da ligação.2 da EN 1993-1-8.1: Extremidade Coeficiente de Modificação da Rigidez η. a ligação pode ser considerada uma emenda de vigas com parafusos longos. • Para vigas ligadas à alma de um pilar ou de vigas não reforçadas. A EN 1993-1-8 apresenta regras básicas para determinar os valores da força de cedência Fy e da rigidez elástica Ke de cada uma das componentes.5. Neste caso é possível desprezar a alma. 1994].6b). dados no quadro 5. desde que os momentos actuantes. não cobrem a gama de possíveis geometrias de ligações com placa de extremidade. • Para uma viga ligada à alma não reforçada de um pilar. 46 Manual de ligações metálicas .2 da EN 1993-1-8. para proceder à distribuição das forças entre as diversas componentes. 2002]. • Para uma viga contínua ligada a ambos os lados da alma do pilar. é possível antever o comportamento da ligação. os enrigecedores têm um efeito similar a uma emenda de vigas. 1994]. _____________________________________________________________________ Para se proceder a uma análise global da estrutura do tipo elástica linear de acordo com a cláusula 5.ini η Rigidez inicial. basta conhecer o limite inferior de resistência. para Ligações com Placa de Os valores do coeficiente de modificação η.5: Rigidez da ligação utilizada na análise global elástica. Jaspart. devesse conhecer o limite superior de resistência. 1996]. estendidas e rasas. ver Figura 6. de um e de outro lado da alma do pilar sejam simétricos. [Neves. [Neves et al. etc? Quais os fundamentos daquele quadro.2 deste Documento Normativo. Por exemplo. e a resistência da ligação é limitada à resistência do pilar em torno do eixo de menor inércia. relativamente frequentes.

LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO a) b) Figura 6.2 0. No relatório de TU-Delft escrito por Zoetemeijer [Zoetemeijer.9 0.5 5 4.3 0.2 0.1 0.2 1.4 0.9 1.7 0.12 do mesmo relatório necessitam de ser divididos por 2 para comparação com EN 1993-1-8.0 0. usadas no cálculo do comprimento efectivo do T-stub e das equações para α em função de λ1 e de λ2? _____________________________________________________________________ Estas regras baseiam-se na teoria das linhas de rotura.6: Ligações viga-pilar em torno do eixo de menor inércia: a) emenda de viga (momentos simétricos).4 1. 1990] apresentam-se os pormenores deste estudo. De notar que os valores de α apresentados na figura 2.2: Fórmula para o Coeficiente α do Comprimento Efectivo do T-stub Qual o “background” das curvas que permitem determinar α.1 8 7 2π 6 5. λ 2 α= 1.5 0. b) viga ligada a pilar reforçado.5 4.1 1.0 λ 1 Figura 6.4 0.6 0. Questão 6.3 1.7: Valores de α para banzos de pilares reforçados e placas de extremidade.5 0.3 0.8 0.6 0.7 0.75 4.8 0. Manual de ligações metálicas 47 .45 0 0.

ou esquadros concebidos para aumentar a resistência ao momento flector (35-40%). • a dimensão do banzo e a espessura da alma do esquadro não deverão ser inferiores às dimensões correspondentes da secção adjacente. o valor de α não excede 2π. As curvas para um valor constante α・ como ilustrado na figura 6. não deverá ser superior a 45º. m2 e e.2.3: Regras para Dimensionamento de Ligações com Esquadro de Reforço A EN 1993-1-8 não inclui especificações para dimensionamento de ligações com esquadro de reforço.7 da EN 1993-1-8 apresenta algumas especificações sobre esquadros de reforço.11 deste Documento Normativo.7) Para as partes paralelas das curvas.8). Como é que é feito o seu dimensionamento? _____________________________________________________________________ Podem ser distinguidos dois tipos fundamentais de esquadros: esquadros concebidos para economizar na viga de cobertura (cerca de 10%. A EN 1993-1-8 disponibiliza o método das componentes que pode ser utilizado em qualquer geometria de ligações. também a alma do pilar flectida e a alma do pilar à tracção). Neste caso particular.1) (6. e consequentemente o valor de α (Figura 6. é possível determinar os valores de λ1 e λ2. 75 (6.2) se λ2 ≥ λ2* : onde λ1 = λ1* λ1* = 1.25 e. há dois aspectos relacionados com a descrição das componentes e sua assemblagem: • influência da inclinação da viga nas forças internas e influência na resistência do banzo da viga e da alma do pilar na zona de compressão (Figura 6.3) (6. 48 Manual de ligações metálicas . Se a altura da viga (incluindo o esquadro) exceder 600 mm. Leff = α m1 corresponde à fórmula: Leff = 4 m1 + 1.6. • o ângulo de intersecção entre o banzo do esquadro e o banzo do perfil a que este se liga. 25 α − 2. Os problemas apresentados para os esquadros são semelhantes aos encontrados em secções de inércia variável. desde que se conheça o comportamento de todas as suas componentes. podendo ser aplicado a ligações com esquadros. A cláusula 6. • influência sobre as propriedades das componentes alma do pilar em compressão e placa de extremidade flectida (em ligações soldadas. se inclinadas). As curvas para α = 7 e 8 são acrescentadas na EN 1993-1-8.4) λ2* = α ⋅ λ1 2 Questão 6. a contribuição da alma da viga na resistência à compressão deverá ser limitada a 20%. Os esquadros deverão ser dimensionados dentro das seguintes limitações: • a classe de resistência do aço do esquadro deverá ser semelhante à da secção a que se liga.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Com base nos valores de m1. resultam das equações: se λ2 < λ : * 2 ⎛ λ* − λ ⎞ λ1 = λ + (1 − λ ) ⎜ 2 * 2 ⎟ ⎝ λ2 ⎠ * 1 * 1 α 2 (6. No estudo de Zoetemeijer acima mencionado.8). • o comprimento de apoio ss deverá ser tomado igual à espessura do banzo do esquadro paralelo à viga (Figura 6.

LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO a) V b) Nr Mr N M Vr α th. verificar-se-á rotura frágil. Como simplificação.fl ss = th. por não verificar as regras relativas à capacidade de rotação da ligação. Figura 6. ver Figura 6. enquanto que. já que este modo de rotura frágil não é admissível. se for aplicada uma placa de extremidade muito espessa? Caso não seja adequado. a) viga de cobertura com esquadro. Seguindo correctamente as indicações da EN 1993-1-8.4: Regras para Reforços Diagonais e em K Será que é relevante analisar se um reforço diagonal de uma ligação viga-pilar está solicitado em tracção ou em compressão? _____________________________________________________________________ Existem diferenças no que respeita às verificações de resistência do reforço. de modo a que a secção seja pelo menos classe 3. • A relação b/t do reforço é escolhida em função da tensão de cedência. Para um reforço solicitado em tracção é necessário verificar a resistência da secção transversal. Manual de ligações metálicas 49 . este pode-se deformar e proporcionar a capacidade de rotação suficiente. é possível usar as seguintes regras: • A espessura da placa usada no reforço é igual à do banzo da viga. Questão 6. é necessário verificar a encurvadura (Figura 6.5: Distribuição Plástica de Forças numa Ligação com Placa de Extremidade Muito Espessa Será adequado usar uma distribuição plástica de forças numa ligação de resistência parcial. há critérios de escolha da espessura adequada a um dimensionamento elástico? _____________________________________________________________________ A rotura dos parafusos pode ser condicionante caso sejam usadas placas de extremidade demasiado espessas. No caso do banzo do pilar não ser muito espesso. Os reforços em K são solicitados à compressão e à tracção. para um reforço solicitado em compressão.8: Representação de: a) uma ligação com esquadro.11a). pelo que ambas as verificações deverão ser efectuadas. Neste caso.11b). ver Figura 6. é necessário adoptar outro dimensionamento.9: Verificação de um reforço de alma relativamente à encurvadura. para além da resistência da secção transversal.fl / cos α Fc / cos α Fc Fc tg α M = Mr V = Vr cos α + Nr sin α N = Nr cos α + Vr sin α Figura 6.9). Questão 6.

e os parafusos da fiada d poderão no entanto. • Distribuição plástica das forças nos parafusos. 50 Manual de ligações metálicas . • Distribuição elástica das forças nos parafusos. • Sem capacidade de rotação plástica.pl.11: Influência da placa de extremidade e do banzo do pilar na capacidade de rotação das ligações.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Para placas de extremidade e banzos de pilar com β > 2. c) Banzo do pilar fino e placa de extremidade espessa em relação à resistência dos parafusos. Estes parafusos. ser considerados para a transmissão do esforço transverso. b) Separação em T-stubs em tracção. porém os parafusos c1 e c4 não deverão ser considerados para resistir à tracção.11). c) Divisão da fiada superior em T-stubs separados.Rd > 1. todos os parafusos situados próximo do banzo traccionado da viga podem ser considerados no cálculo do momento resistente (a1-4 e b1-4).10: a) Placa de extremidade com 4 parafusos por fiada. em relação à resistência dos parafusos. • Distribuição plástica das forças nos parafusos. excepto se: Mj. Nesse caso. Neste caso a capacidade de rotação plástica provém da própria viga-rótula plástica na viga. Figura 6. a) Banzo do pilar espesso e placa de extremidade espessa. bp e a1 w1 a2 w2 a3 w1 a4 e Parafusos traccionados ex mx a1 a2 a3 a4 a1 a2 a3 a4 b1 c1 b2 c2 b3 c3 b4 c4 Parafusos ao corte.2 da EN 1993-1-8). • Momento plástico condicionado pela resistência da placa de extremidade. de acordo com o quadro 6. • A capacidade de rotação provém da placa de extremidade. os parafusos ocasionarão rotura frágil sem capacidade de rotação suficiente (sendo β o quociente entre o modo 1 e o modo 3. em virtude da rigidez limitada da placa de extremidade.10. ver Figura 6.2 Mb. • A capacidade de rotação provém do banzo do pilar.Rd. • Momento plástico condicionado pela resistência do banzo do pilar. em relação à resistência dos parafusos. importa notar que esta rotação plástica da viga só se verifica em secções transversais da classe 1 (no caso mais geral).6: Linhas de Rotura em Fiadas com 4 Parafusos Como estender as regras apresentadas na EN 1993-1-8 a fiadas com 4 parafusos ao invés de 2? _____________________________________________________________________ Em tracção.2 vezes superior ao momento plástico da viga adjacente. Os parafusos c2 e c3 também podem ser considerados. Questão 6. Porém. apenas b) b1 b2 c2 b3 c3 b4 b1 b2 b3 b4 c2 d1 a) c3 d2 d3 d4 c) Figura 6. a capacidade de rotação necessária será fornecida pela própria viga (Figura 6. b) Banzo do pilar espesso e placa de extremidade fina. Esta pormenorização só é permitida se o momento plástico da ligação for pelo menos 1. • Dimensionamento não permitido.

875e x + e Leff .cp = π ⋅ m x + 2w1 + 2e Leff .875e x + 0.5b p Manual de ligações metálicas 51 .cp = 3π ⋅ m x + w 2 L eff .cp = 4π ⋅ m x L eff . 625e x + e + w1 Leff .op = 6m x + 1. 625e x + w1 + 0.1.op = 2m x + 0. 6. 25e x + w1 Leff . A fiada a pode ser considerada como uma fiada exterior ao banzo da viga.op = 4m x + 1.op = 4m x + 1. ver Quadro 6. Padrão circular Padrão não-circular Leff .1: Mecanismos de rotura plástica e comprimento efectivo do T-stub para fiadas de 4 parafusos junto ao banzo não reforçado da viga. evitando a resolução de mecanismos complexos. Quadro. e ser adoptado o procedimento preconizado pela EN 1993-1-8. A hipótese mais simples (e segura) considera fiadas de parafusos totalmente independentes.cp = π ⋅ m x + 2w1 + w 2 Leff .LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Dependendo das dimensões da placa de extremidade e do espaçamento dos parafusos. 25e x + e + 0.cp = 2π ⋅ m x + 2w1 L eff . ver Figura 6.op = 8m x + 2.cp = 3π ⋅ m x + 2e1 L eff .op = 6m x + 1.5w 2 Leff .op = 0.cp = 2π ⋅ m x + w 2 + 2e L eff .op = 2m x + 0.5w 2 Leff .10c). modificando o mecanismo de rotura plástico para o grupo de parafusos. haverá diferentes possibilidades de mecanismos de rotura para as fiadas a e b.5e x Leff .5w 2 L eff .

pelo que não é necessário proceder a qualquer diminuição da resistência por escorregamento.7: Distribuição de Esforço Transverso em Ligações Aparafusadas Geralmente. é necessário que a resistência ao corte dos parafusos seja superior à resistência ao esmagamento por corte da placa ou do banzo do pilar na zona dos orifícios. Em geral. para se poderem verificar os parafusos. a distribuição de forças numa ligação é realizada pelo caminho mais rígido. Neste caso. tal como indicado na EN 1993-1-8: Fv.12. Como simplificação. os parafusos deverão ser sempre pré-esforçados. A importância do pré-esforço (mesmo que pequeno) na minimização das forças de alavanca é evidenciada nas Figuras 6.11). Como se distribui o esforço transverso pelos diversos parafusos? _____________________________________________________________________ Em geral.12: a) Exemplo de distribuição das forças de corte na ligação. então os parafusos na zona de tracção. Para além destas condições. b) Interacção das forças de tracção e corte nos parafusos.Sd Ft. 4 Ft.Rd 1. A pormenorização da ligação é bastante importante. Como é que este fenómeno é tido em conta? _____________________________________________________________________ No caso da fadiga. uma placa de extremidade é solicitada por momento flector e por esforço transverso. Porém.Rd + ≤ 1.4) Por este motivo. A transferência das acções variáveis deverá passar por uma zona de contacto rígida e nunca através dos parafusos (Figura 6.4/1. Se a resistência ao corte desses parafusos for suficiente. o efeito dessas forças deverá ser conhecido.14 e 6. kN 100 Resistência ao corte remanescente Resistência Assume-se Distribuição distribuição plástica elástica 0 0 Resistência ao corte.Rd (6. Questão 6. kN 100 Figura 6. o esforço transverso é frequentemente distribuído pelos parafusos na zona de compressão. é possível distribuir o esforço transverso de forma equitativa por todos os parafusos (Figura 6. no caso da fadiga. a força de tracção nos parafusos é compensada por uma força de contacto na zona de compressão da ligação. e para haver capacidade de rotação suficiente. esta gama de valores é denominada por “Resistência ao corte remanescente”. No caso de parafusos pré-esforçados. 0 Fv. Na Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 6. 52 Manual de ligações metálicas . o esforço de corte transmitido pelos parafusos não deve exceder 0.15. os parafusos solicitados à tracção e corte deverão satisfazer a condição relativa à combinação desses esforços.4 vezes a resistência total ao corte dos parafusos que também são necessários para resistir à tracção.13).8: Efeito de Alavanca no T-Stub e Verificação da Fadiga O efeito das forças de alavanca é tido em consideração nas fórmulas de dimensionamento das fiadas de parafusos. Resistência à tracção. precisam apenas de ser verificados à tracção.

Num ensaio como o indicado na figura do meio. Nos três casos a ligação foi préesforçada com uma força Fp. Manual de ligações metálicas 53 . Ft seja inferior a Fp.15. Fp 2F t 100 kN 2Ft Força de pré-esforço.14: Esquema de ensaio de um T-stub. Introduzindo uma força externa de tracção 2Ft no ensaio representado à esquerda. Figura 6. Na Figura 6. O ensaio da direita mostra o comportamento no caso da ligação de dois banzos sem placa intermédia e com contacto junto à zona da alma. a força nos parafusos é indicada com uma linha grossa. Fp 45° 0 Força de pré-esforço. a força de contacto será reduzida de Ft. Bt 2Ft Forças de alavanca 100 kN 2Ft 2Ft 2F t 100 kN Força de pré-esforço. a força de contacto não se altera quando é aplicada uma força exterior.15: Resultados de ensaios a T-stubs. o que significa que toda a acção cíclica aparecerá no parafuso. Ft Força no T-stub. A força nos parafusos Fb pode ser dividida numa força de contacto Fc e numa força de tracção Ft. Desde que. Ft Figura 6. Ft Força no T-stub. o fluxo da acção variável através da ligação é representado pelas linhas tracejadas.13: Pormenorização incorrecta e correcta de uma ligação pré-esforçada. como neste caso.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO incorrecto correcto Figura 6. não haverá efeito do carregamento alternado sobre os parafusos. Bt Força no parafuso. O efeito das acções cíclicas seria mais gravoso caso a zona de contacto fosse perto das extremidades dos banzos. Força no parafuso. Bt Força no parafuso. Fp 45° 0 0 0 45° 100 kN 0 100 kN 0 100 kN Força no T-stub.

Qual a influência do ângulo de intersecção numa ligação de um pórtico inclinado? Qual a influência do esforço axial sobre a resistência ao momento flector de uma ligação? As regras da EN 1993-1-8 aplicam-se a a ligações cujos eixos dos elementos que aí se intersectam são perpendiculares (ou paralelos) entre si.3. A interacção linear é considerada pela determinação dos valores extremos da resistência ao momento flector sem esforço axial (MRd) e a resistência ao esforço axial sem momento flector (NRd). o valor de compressão axial. A resistência ao momento flector de uma ligação submetida a esforço axial e momento flector poderá ser determinada. e de seguida serão incorporadas numa assemblagem modificada para calcular a resistência e rigidez da ligação [Sokol et al. A resistência da ligação sob a acção combinada destes dois efeitos. sobretudo em ligações não-simétricas. ver Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 6. O ponto representa a resistência máxima ao momento flector. poderá ser determinada através de: NSd MSd + ≤1 NRd MRd (6. (Figura 6.16). kN EN 1993-1-8 200 100 -20 -10 0 -100 10 Método das componentes Momento. a resistência à compressão no caso de momento nulo. 2002]. baseada na EN 1993-1-8 e no método das componentes. a resistência máxima ao momento flector negativo. As propriedades das componentes deverão ser avaliadas de acordo com aquele documento como se não existisse esforço axial. O ângulo de inclinação da viga muda a geometria da ligação e deverão ser considerados valores modificados do braço das forças. assumindo uma interacção linear entre MSd e NSd.. a resistência máxima à tracção. ver Cláusula 6. de acordo com os resultados actualmente disponíveis. Força axial. kNm Figura 6.16: Curva de interacção momento – esforço axial. solicitada por momento flector e esforço axial? _____________________________________________________________________ Esta questão inclui dois aspectos que serão tratados separadamente. Outra abordagem para flexão com esforço axial de compressão é baseada no método das componentes aplicado a bases de pilares.9: Determinação das Propriedades de Ligações Submetidas a Momento Flector e Esforço Axial Que abordagem deverá ser adoptada numa ligação com esquadros usada em pórticos com travessas inclinadas.16. o ponto de activação da segunda fiada de parafusos. ponto de activação da segunda fiada de parafusos. 54 Manual de ligações metálicas . o momento negativo no caso de esforço axial nulo.4 da EN 1993-1-8.5) Esta abordagem é conservativa. a resistência ao momento no caso de esforço axial.

19). a resistência da parte em tracção é obtida a partir da resultante das forças dessas fiadas. ver Figura 6. e o esforço axial NSd e momento flector aplicado MSd.17: a) Curva momento-rotação para carregamento proporcional e não proporcional.Rd zt z zc NSd MSd Eixo neutro Fc. Neste cálculo é assumida uma distribuição plástica das forças internas. No caso de carregamento não proporcional.18: Equilíbrio na ligação. 1995]. Momento. O modelo simplificado apenas considera a área efectiva junto aos banzos [Steenhuis.ini Figura 6. mantendo constante a relação entre eles. No caso de carregamento não proporcional.18. a rigidez da ligação é superior ao caso de carregamento proporcional. ver Figura 6. MRd Carregamento não-proporcional Carregamento proporcional Curva não-linear Plastificação da componente mais fraca Força axial. mesmo nos casos em que a placa de extremidade excede aquele limite. a força normal é aplicada à ligação seguida do momento flector. A dimensão e a forma da área de contacto entre a placa de extremidade e o banzo do pilar são baseados no conceito de área rígida efectiva [Wald. 1998] (Figura 6. É assumido que a força de compressão actua no centro do banzo comprimido. os dois esforços são aplicados em simultâneo. pelo que apenas as componentes em compressão contribuem para a deformação da ligação. A posição do eixo neutro pode ser avaliada a partir das equações de equilíbrio.Rd. No caso da existência de mais do que uma fiada de parafusos à tracção. No caso de carregamento proporcional. que mantém a placa de extremidade em contacto com o banzo do pilar. Centro da secção à tracção Ft. banzo da viga à compressão e0 NSd Ambos os banzos da viga à compressão Sj. φ Parafusos à tracção. Este efeito deve-se à presença de esforço axial.Rd Secção activa Centro da secção à compressão Figura 6. NSd Carregamento proporcional Carregamento não-proporcional Resistência da ligação Momento. respectivamente. b) Caminhos de carga no diagrama de interacção. A força de tracção é localizada na fiada de parafusos à tracção. Manual de ligações metálicas 55 .17.Rd e Fc.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Podem ser distinguidos dois caminhos de carga. para níveis moderados de momento flector. MSd Rotação. tomando em consideração a resistência das zonas em tracção e compressão Ft.

estando as duas partes da ligação em compressão.Rd ⋅ z ⎫ ⎪z ⎪ ⎪ c +1⎪ ⎪ e ⎪ = min ⎨ ⎬ Fc.6) e (6.t.b.Rd ⋅ z ⎪ ⎪ ⎪ z c. Usando as equações de equilíbrio e assumindo a excentricidade e.Rd ⋅ z ⎫ ⎪ z ⎪ ⎪ c.t.Rd.Rd NSd MSd Fcb. As forças representam resistências das componentes em tracção Ft.Rd zct z zcb a) b) Figura 6.9) 56 Manual de ligações metálicas .Rd ⋅ z ⎪ ⎪ ⎪ z t. b) ligação soldada. e em compressão Fc. as equações (6. não existe força de tracção na fiada de parafusos.19: Modelo simplificado.Rd.8) Se a excentricidade e = ≥ −zc .6) e MSd NSd ⋅ z t − ≤ −Fc z z (6.7) podem ser reescritas como: ⎧ Ft.b.7) será modificada para: ⎧ −Fc.20a): MSd ⎧ ⎪e = N ≤ −z c ⎪ Sd ⎨ ⎪ MSd + NSd ⋅ zc ≤ F t ⎪ z ⎩ z (6. o modelo é desenvolvido apenas para carregamento proporcional.Rd (6. ver Figura 6. Neste caso.Rd zt z zc Fct.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Ft.Rd NSd MSd Fc. Fc.7) MRd Como e = MSd NSd = NRd = const . a equação (6.19b).Rd (6. considera como área efectiva apenas a zona dos banzo: a) ligação aparafusada com uma fiada à tracção.b + 1 ⎪ ⎪ e ⎪ = min ⎨ ⎬ −Fc. podem ser estabelecidas as fórmulas seguintes (Figura 6.t ⎪ −1 ⎪ ⎪ ⎩ e ⎭ Mj. para carregamento proporcional.l ⎪ ⎪1 − ⎪ e ⎭ ⎩ MSd NSd Mj.Rd. Por simplicidade.

ini = MSd φ (6.16) Manual de ligações metálicas 57 .14) sendo a excentricidade e0.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO A rigidez de rotação da ligação resulta da deformação das componentes: δt δc.5 γ ) 2. que é produzido pelo esforço axial aplicado com a excentricidade constante e S j. ver Figura 6.12) na equação (6. pode ser expressa como: MSd NSd ⋅ zc + M + NSd ⋅ zc z δt = z = Sd E ⋅ kt E ⋅ z ⋅ kt MSd NSd ⋅ z t − M − NSd ⋅ z t z δc = z = Sd E ⋅ kc E ⋅ z ⋅ kc (6.15) a parte não linear da curva momento rotação pode ser modelada introduzindo o coeficiente de rigidez μ.ini = MSd E ⋅ z2 e E ⋅ z2 = 1 MSd + NSd ⋅ e 0 ⎛ 1 1 ⎞ e + e0 ∑k ⎜ + ⎟ ⎝ kc kt ⎠ (6.12) A rigidez da ligação depende do momento flector aplicado.t φ zc.b a) b) Figura 6.t z zc.13) S j.10) (6.13) a rigidez é obtida substituindo a rotação da ligação (6. definida da seguinte forma: e0 = zc ⋅ k c − zt ⋅ k t kc + kt (6.20: Modelo mecânico para a placa de extremidade. A deformação elástica das componentes na zona de tracção e de compressão.7 ≥ 1 (6.20a). que depende do quociente γ das forças actuantes μ = (1.11) Sendo a rotação da ligação determinada a partir daqueles valores: φ= δt + δc z = 1 ⎛ MSd + NSd ⋅ zc MSd − NSd ⋅ z t ⎞ + ⎜ ⎟ E ⋅ z2 ⎝ kt kc ⎠ (6.b φ NSd z MSd zt NSd zc MSd δc δc.

18) Usando o factor μ acima referido. Questão 6. 2002]. 2002]. i. evidencia-se uma diminuição do momento resistente da ligação.19) Para se avaliar o comportamento destas ligações submetidas a momento flector e esforço axial não proporcional. reforços diagonais ou em “K” de modo a proporcionar a resistência adequada..LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Assumindo os braços das forças zt e zc como aproximadamente iguais a h/2. esta grandeza pode ser simplificada para e+ h 2 γ = ⎛ MRd ⎞ h ⎜ ⎟e + 2 ⎝ MSd ⎠ (6. sub-dimensionado [Lima et al. O reforço de corte tipo “Morris” foi desenvolvido para resolver dois problemas simultaneamente – a resistência por corte do painel de alma e a distorção do banzo do pilar (Figura 6.21: Reforço tipo “Morris”. No entanto. Os resultados obtidos mostraram que. 2001]. a ligação está sobre-dimensionada [Lima et al. quando as ligações estão submetidas a esforços axiais de compressão.10: Regras de Dimensionamento para Reforços em K e do Tipo Morris Poderão as regras para reforços transversais dadas na EN 1993-1-8. o Grupo de Construção Metálica e Mista do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra realizou quinze ensaios de dois tipos de ligações viga-pilar com placa de extremidade. o factor γ pode ser definido como γ = MSd + 0.21).5h ⋅ NSd MRd + 0. o momento resistente da ligação é superior ao proposto na EN 1993-1-8.e. é possível modelar a curva momento-rotação da ligação carregada proporcionalmente.. metade da altura da viga. 58 Manual de ligações metálicas . sendo o valor proposto pela EN 1993-1-8. podem ser usadas placas de alma. ser aplicadas a reforços tipo “K” e tipo “Morris”? _____________________________________________________________________ Se a alma tem uma resistência insuficiente. Na primeira série foram analisadas ligações com placa de extremidade rasa e na segunda fase. ligações com placa de extremidade estendida [Silva et al. Figura 6. na forma Sj = e E ⋅ z2 1 e + e0 μ∑ ki (6.17) e substituindo o valor da excentricidade e.5h ⋅ NSd (6.. ou seja. até um determinado nível de carregamento. para esforços axiais de tracção.

A parte diagonal deverá ser dimensionada como um reforço diagonal. O comprimento deverá ser suficiente para permitir o acesso dos parafusos (100 mm). bastante eficientes. permitem concluir que estes reforços são. Asg é dada por: A sg = 2bsg ⋅ t s com A sg ≥ Fv − Pv fyd cos θ (6. sendo Asn dada pela expressão seguinte: A sn = 2b sn ⋅ t s com A sn ≥ m1 yd F ⎛ F ⎞ ⎜m +m + m +m ⎟ f ⎝ ⎠ ri rj 1 2L 1 2U (6. quando comparados com reforços tradicionais.20) sendo θ o ângulo entre o reforço e a horizontal. Área dos reforços: A área dos reforços. São particularmente eficazes para pilares do tipo UB.21) Manual de ligações metálicas 59 . mas mais difíceis de montar em secções mais pequenas. A parte horizontal do reforço suporta a mesma força de tracção de um reforço de tracção colocado no mesmo alinhamento.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Os ensaios realizados com reforços do tipo “Morris”. Revelam-se igualmente mais económicos e permitem uma maior facilidade de acesso dos parafusos para montagem. quando comparados com os reforços em “K” tradicionais. De facto. As soldaduras que ligam a parte horizontal do reforço tipo Morris ao banzo do pilar deverão ser dimensionadas de forma que a sua espessura permita obter Asn. Soldaduras: As soldaduras que ligam os reforços diagonais e os banzos do pilar deverão ser soldaduras de penetração total e a espessura da soldadura deve igualar a espessura do reforço. têm uma rigidez inicial elevada e um melhor desempenho após a cedência.

que pode ser considerável para determinadas características do solo de fundação.1 Introdução Uma ligação do tipo base de pilar é constituída por um pilar. Outras disposições construtivas relativas a bases de pilares também podem ser aplicadas. De uma maneira geral. O dimensionamento tradicional de bases de pilares não rotuladas considera uma análise elástica. A abordagem tradicional para o dimensionamento de bases rotuladas conduz a espessuras da placa de base que lhe conferem rigidez suficiente para garantir uma distribuição uniforme de tensões sob a placa e consequentemente. Apesar deste procedimento se ter mostrado satisfatório ao longo de vários anos de utilização prática. 2000]. nomeadamente o reforço através de chumbadouros e embebimento de um troço da zona inferior do pilar na fundação de betão. as bases de pilares são dimensionadas sem reforços. Utilizando as equações de equilíbrio pode determinar-se o valor máximo da tensão na fundação de betão (considerando uma distribuição linear de tensões). mas se a ligação de fundação estiver sujeita a momentos flectores elevados. estaca). A influência da sapata de betão. esta pode ser modelada como rígida. não é tida em conta na EN 1993-1-8. ele ignora a flexibilidade da placa de base à flexão (mesmo quando reforçada).. o dispositivo de ancoragem e o betão. b) Parafusos no exterior da base . O procedimento preconizado no documento é aplicável a pilares de secção aberta ou fechada [Wald et al. O modelo de cálculo adoptado pela EN 1993-1-8 traduz a flexibilidade da placa de base numa placa rígida efectiva. Chumbadouros à tracção e flecção Alma e banzo do pilar à compressão Betão à compressão e flexão Enrigecedores em ambos os lados (opcional) Chumbadouros ao corte a) b) Figura 7. poderão prever-se reforços. admitindo que as secções se mantêm planas.reforço opcional. .Configuração habitual e componentes a utilizar para determinação da rigidez e resistência do conjunto: a) Parafusos no interior da base.1: Bases de pilar . uma placa de base e dispositivos de ancoragem. a deformação e a força de tracção no conjunto de dispositivos que constituem a ancoragem.7 BASES DE PILARES 7. Normalmente. O documento normativo EN 1993-1-8 [prEN1993-1-8: 2003] indica regras para cálculo da resistência e rigidez das bases de pilares. a base de pilar é suportada ou por uma sapata de betão ou outro tipo de sub-estrutura (ex.

2. e do bloco de betão à compressão. utiliza-se o método das componentes. As fronteiras para a classificação das bases de pilares em termos de resistência e rigidez são apresentadas na cláusula 6. Figura 7. considera-se uma distribuição plástica de tensões. 1/6 t2.8 da EN 1993-1-8. através da restrição das deformações da placa a comportamento elástico [Bijlaard.1: Análise Elástica da Placa de Base Porquê utilizar análise elástica.3.2 do mesmo Documento Normativo.2.3: Modelo de análise da placa de base. M c c c c c t Figura 7. As regras homólogas para determinação da rigidez encontramse na cláusula 6. 1982]. ver Figura 7. deve ser tomado como: M′ = 1 2 t ⋅ fyd 6 (7.4. Para cálculo da rigidez e à semelhança do que acontece para as ligações viga-pilar.2: Modelo 2D de elementos finitos da placa de base (T-Stub). Malha deformada e indeformada e direcções principais no betão [Wald. na determinação da resistência da placa de base em vez de análise plástica. Baniotopoulos. O modelo utilizado limita os valores das tensões concentradas sob a placa de base flexível. 1/4 t2? _____________________________________________________________________ A área útil da placa de base (flexível) é determinada com base no comprimento efectivo c. As regras para determinação da resistência de bases de pilares encontramse na cláusula 6.3. Questão 7. c c O valor do momento resistente elástico por unidade de comprimento da placa de base. 1998]. Para cálculo relativamente aos Estados Limites Últimos. O modelo garante ainda. que a tensão de cedência do material da placa não é excedida.1) 62 Manual de ligações metálicas .BASES DE PILARES permitindo que o nível de tensão na fundação de betão atinja o valor da resistência deste à compressão. como efeito secundário.

admitindo uma distribuição de tensões normais a 45° sob a área útil da placa de base.BASES DE PILARES e o valor do momento actuante na placa de base . Quando os momento anteriores são iguais. a camada de argamassa pode ser desprezada. Admite-se que a camada de argamassa esteja sujeita a compressão triaxial. 45° Manual de ligações metálicas 63 . ver Figura 7.3. Deste modo. No caso em que a espessura da argamassa é superior a 50 mm. Nas outras situações. ou seja: a argamassa entre o betão e a placa de base é semelhante a um líquido.2) que é o momento actuante numa consola de vão c.2. o coeficiente da ligação βj é considerado igual a 2/3.4: Distribuição de tensões na argamassa.5 da EN 1993-1-8. quer dizer que foi atingida a capacidade de resistência à flexão da placa. A maior parte das argamassas tem uma resistência mais elevada do que o material que constitui o bloco [Stark.4. Bijlaard. a resistência ao esmagamento pode ser verificada. tg t tg tg tg 45° Figura 7. Informações adicionais são fornecidas na Questão 7. 1988]. a resistência característica da argamassa deve ser igual ou superior à resistência da fundação de betão [prEN 1993-1-8: 2003]. Nestes casos. Que valor deve ser utilizado quando a resistência da argamassa é menor? ____________________________________________________________________ A problemática da argamassa de assentamento de baixa qualidade tem sido alvo de vários estudos experimentais e numéricos. e a fórmula para avaliar o comprimento c pode ser obtida de: 1 1 fj ⋅ c 2 = t 2 ⋅ fy 2 6 (7.3.4) Questão 7.2: Cálculo da Resistência da Placa de Base com Argamassa de Assentamento de Baixa Qualidade Na cláusula 6.3) então: c=t fy 3fj ⋅ γ M0 (7. quando a argamassa de assentamento tiver pelo menos 20% da resistência característica do betão da fundação. deve ser considerado igual a: M′ = 1 fj ⋅ c 2 2 (7. ver Figura 7. a fina camada de argamassa não afecta a resistência do betão ao esmagamento.

No total. com um valor médio de 1. sendo no entanto os métodos de cálculo diferentes. A capacidade resistente dos espécimes ensaiados correspondente à rotura do betão é 1. e a resistência ao esmagamento relativa. Para este valor a resistência esmagamento da base do pilar será: fj = 2 ⋅ 5 ⋅ fcd = 3. nomeadamente a relação entre a resistência do betão e a área da placa. que tem vindo a ser adoptado pelos Documentos Normativos recentes.0. foram analisados resultados de 50 ensaios para verificar a resistência esmagamento do betão [DeWolf. Por outro lado. com plastificação e fendilhação. A Figura 7. 33fcd ⇒ FRd = 3.BASES DE PILARES Questão 7. A investigação realizada fez uso de modelos experimentais e analíticos e foram vários os parâmetros em estudo. Verificou-se que a rotura ocorre quando se forma uma pirâmide invertida no betão sob a placa.5 vezes a capacidade resistente calculada segundo a EN 1993-1-8.75. que trata o problema da resistência ao esmagamento de um bloco de betão carregado através de uma placa. 1957]. mas é conservativa. Para calcular a resistência do bloco de betão ao corte. 1968a. a espessura relativa do bloco de betão.4 a 2.5 ilustra a relação existente entre a esbelteza da placa de base (quociente entre a espessura da placa e a distância livre até à extremidade da placa). um estudo análogo. [Hawkins. A resistência ao esmagamento é limitada pela resistência do betão ao esmagamento. à flexão e ao punçoamento. as dimensões da placa de aço e a resistência do betão. Estudos experimentais [Shelson. 3A c0 ⋅ fcd A c0 De acordo com EN 1993-1-8 o valor máximo de kj é 5. conduz a resultados semelhantes aos obtidos através da EN 1992-1-1. A abordagem de dimensionamento preconizada na EN 1993-1-8 está de acordo com os resultados experimentais. 1978. Por um lado. 1978] conduziram ao desenvolvimento de um modelo adequado para a tensão resistente ao esmagamento de bases de pilares. 3A c0 ⋅ fcd 3 O resultado é o mesmo. A análise do betão para Estados Limites Últimos obriga à consideração do comportamento tridimensional do material. [DeWolf. Os espécimens ensaiados consistiam em cubos de betão com dimensões que variavam desde 150 até 330 mm.3: Cálculo Comparativo da Resistência do Betão pela EN 1992-1-1 e EN 19931-8 Aparentemente o cálculo da resistência da base do pilar ao esmagamento fj calculado de acordo com a EN 1993-1-8. De acordo com EN 1992-1-1 têm-se: FRd = A c0 ⋅ fcd A c1 ≤ 3. 64 Manual de ligações metálicas . é necessário uma verificação separada que depende da geometria e pormenorização do bloco. Qual é a justificação científica deste facto? _____________________________________________________________________ Ambos os Documentos Normativos apresentam forma de determinar a resistência esmagamento do betão quando sujeito à acção imposta por uma placa de aço. Os parâmetros utilizados foram as dimensões do bloco de betão. Hawkins. O modelo preconizado na EN 1993-1-8 foi verificado experimentalmente. A bibliografia técnica. a posição da placa relativamente à fundação de betão e os efeitos de elementos de reforço.b]. pode ser dividida em duas categorias. 1968a]. com carga centrada actuando através de uma placa de aço. mas para placas flexíveis carregadas pela secção transversal do pilar avalia a transferência da carga feita apenas numa parte da placa. as investigações direccionaram-se no sentido da determinação da tensão de esmagamento de placas rígidas.

A influência da resistência do betão é apresentada na Figura 7. [Murray. o que conduz a um aumento da tensão de esmagamento.52 mm 3. é necessário utilizar a teoria do dano.6. A partir de um programa experimental realizado por Hawkins sobre esta temática [Hawkins. com valores máximos sob a secção transversal do perfil. vem de encontro à situação mais realista de distribuição não uniforme de tensões. 1968a].4 mm a b c d e f < > < > < > < > e d c b a 0 10 20 30 40 50 60 Fcd (MPa) a × b = 600 × 600 mm Figura 7. No caso de esmagamento localizado da superfície de betão sob a superfície rígida.5 Relação: Resistência ao esmagamento relativa – Esbeltez da placa de base Resultados numéricos e experimentais [DeWolf. Com base em observações experimentais.05 mm 6. tendo sido utilizados os valores de 19. verificou-se que a tensão de esmagamento aumenta para valores elevados de excentricidade da força normal [DeWolf e Sarisley.35 mm 8.76 mm 1. Neste caso. O único factor variável foi a resistência do betão. A influência da flexibilidade da placa foi considerada através da utilização de uma placa rígida equivalente [Stockwell. 1978].6: Relação entre a resistência do betão e a carga última [Hawkins. 1983]. Esta metodologia simples e prática foi modificada e verificada através de ensaios experimentais [Bijlaard. a área de contacto diminui. Manual de ligações metálicas 65 . 1982]. pelo que esta situação define o limite de utilização da análise acima descrita. quando a distância desde a extremidade da placa até à extremidade de bloco é constante e a excentricidade da carga aumenta. N (kN) 700 600 500 400 300 200 100 0 t= Cálculo Ensaios f 0. [Hawkins. 1975]. Esta hipótese. 1980]. 31 e 42 MPa. 1993]. foram seleccionados 16 ensaios em provetes com geometria e propriedades materiais semelhantes.89 mm 25. [Wald.BASES DE PILARES fj /fCd 2 Cálculo analítico Ensaios e 1 0 0 5 10 15 20 25 30 t/e Figura 7. dada a sua complexidade. A EN 1993-1-8 adoptou este método numa forma conservativa. 1968a]. 1968a]. Este tipo de análise não é aceitável para dimensionamento ordinário.

é necessário determinar o coeficiente de concentração da ligação kj.6) fj = 2 3 k j ⋅ fck γC fy 3 fj ⋅ γ M0 (7. 2fck ). _____________________________________________________________________ A resistência da argamassa de assentamento e do bloco de betão à compressão é limitada pela resistência da argamassa de assentamento ao esmagamento ou pela resistência do betão sob uma placa de base flexível.9) A área efectiva Aeff é definida de acordo com o ilustrado na Figura 7. e que a espessura da argamassa é tg ≤ 0. Recomenda-se a utilização do valor do coeficiente da ligação de βj=2/3. Esta verificação deverá ser semelhante ao cálculo da resistência do bloco de betão.33 fcd.33*fcd / 0.g é igual ou superior 20% da tensão característica da fundação de betão fck ( Fck. a resistência mínima da argamassa de assentamento é: fcd.2 min(a.0 para uma placa de base quadrada. No caso da argamassa ter uma resistência menor ou uma espessura maior do que o admitido acima. Nos modelos de cálculo utilizados.66 fcd. Para βj=2/3. é necessário fazer uma verificação separada em relação à argamassa.g ≥ 0.5b) kj = a1 ⋅ b1 a⋅b (7.8) Fc. 66 Manual de ligações metálicas . b1 ≥ b ⎪ b+h ⎪ ⎪ 5a ⎪ ⎩ ⎭ 1 a1 = min (7. A qualidade e espessura da argamassa são consideradas no coeficiente da ligação βj. A área da placa rígida equivalente obtém-se a partir da área da secção transversal do pilar acrescida de uma faixa de largura efectiva c. a placa de base flexível é substituída por uma placa rígida equivalente. sempre que a tensão característica da argamassa de assentamento seja igual ou superior a 20% da resistência característica do betão.BASES DE PILARES Questão 7. Para este valor máximo. A resistência da placa de base ao esmagamento Fc.4: Factor de Concentração de Tensões kj para Bases de Pilares Indique bibliografia de apoio para justificar a utilização do valor de kj. Para o cálculo da resistência do betão ao esmagamento fj.Rd é calculada a partir de: ⎧a + 2 ar ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ 5a ⎪ ⎨ ⎬ . admite-se que a tensão característica da argamassa fck. como tal. o valor máximo de kj é 5. Segundo a EN 1993-1-8. obtém-se o valor de fj=2/3*5*fcd = 3.7. b).g=3.2 = 16.5a) b1 = min (7. a1 ≥ a ⎪ a+h ⎪ ⎪ 5 b1 ⎪ ⎩ ⎭ ⎧b + 2 br ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ 5b ⎪ ⎨ ⎬ . ver Figura 7.Rd = A eff ⋅ fj (7. que pode conduzir a valores de fj 10 vezes superiores aos da tensão característica da argamassa de assentamento.7.7) c= t (7.

Questão 7. Manual de ligações metálicas 67 .BASES DE PILARES Só esforço axial A eff t h Esforço axial e momento flector Área efectiva em torno do pilar c Área efectiva em torno da zona comprimida do pilar a1 a ar Eixo neutro A eff Só momento flector A eff b br Eixo neutro Área efectiva em torno da zona comprimida do pilar Figura 7. O cálculo da resistência da camada de argamassa de assentamento baseia-se em vários pressupostos e não deve ser confundida com a resistência do betão ao esmagamento. área efectiva da placa flexível. Esta diferença deve-se essencialmente à presença de chumbadouros com grande comprimento e de uma placa de base espessa.8. mas os modos de rotura podem ser diferentes. O T-stub de placa de base é semelhante ao T-stub de uma ligação com placa de extremidade.0.7: Dimensões da fundação de betão. é ilustrada na Figura 7. De uma maneira geral esta situação conduz a um afastamento do T-stub da fundação de betão. ver Figura 7. quando comparada com uma placa de extremidade. A resistência ao esmagamento do betão da fundação representa uma situação de carregamento tridimensional para o betão. Na EN 1993-1-8. A resistência do T-stub sem contacto com o betão é: Ft = 2L eff ⋅ mpl.10) A relação entre o modo de rotura 1* e os modos de rotura do T-stub em situações de contacto. e consequentemente à ausência de forças de alavanca. a resistência obtido experimentalmente é cerca de 6.9. como tal não é necessária uma verificação separada da argamassa.5: Comprimento Efectivo do T-Stub Associado à Placa de Base No cálculo do comprimento efectivo do T-Stub da placa de base pode-se usar a tabela de comprimentos efectivos de uma ligação com placa de extremidade? _____________________________________________________________________ O comprimento efectivo de um T-stub à tracção é definido pelo modo de rotura do T-stub. Quando a camada de argamassa de assentamento é espessa ou é de má qualidade. para uma placa de base quadrada.Rd m (7. este facto é tido em conta através da utilização de um factor de concentração de tensões kj com um valor máximo de 5. é necessária uma verificação separada da argamassa.25 vezes superior à resistência à compressão do betão. Uma camada pouco espessa de argamassa de assentamento não afecta a resistência da base do pilar. A verificação pode ser feita de forma semelhante à realizada para a resistência do betão. O resultado é um novo modo de rotura designado 1*. Neste caso.

lim não há contacto ou forças de alavanca.lim.Rd 1 0. 68 Manual de ligações metálicas .2. L b. A fronteira entre os modos de rotura.Rd /ΣBtRd 0 0.10: Comprimento livre dos chumbadouros embebidos na fundação de betão.9: Modos de rotura para os T-stubs de bases de pilares.6 0. ver Figura 7. Para dimensões dos chumbadouros superiores a Lb. 1999].5 2 2. Os comprimentos efectivos do T-stub de uma placa de base.lim = 8. encontram-se sistematizados no Quadro 7. tal como representado na Figura 7.5 1 1. com e sem contacto. 82 m3 ⋅ A s < Lb > L eff ⋅ t 3 (7.4 0. Este último pode ser estimado como: Lbe = 8 d. F/ΣΒt.2 0 Modo 1 Modo 1* Modo 2 Modo 3 4.1 e Quadro 7.11. Essa fronteira pode ser expressa de diversas formas.8 0. o comprimento Lb pode ser considerado como o comprimento acima da superfície de betão Lbf mais o comprimento efectivo da parte embebidos Lbe. Lbf Lb Lbe d Figura 7. por exemplo em termos de dimensão máxima do chumbador Lb.10 [Wald.11) Para chumbadouros embebidos na fundação de betão.5 Figura 7.8: T-stub sem contacto com o bloco de betão.BASES DE PILARES F m n Q=0 Q=0 Figura 7.λeff mpl. determina-se através de uma análise das deformações elásticas do T-stub.

BASES DE PILARES

e

p

e

ex mx

e b

m

Figura 7.11: Dimensões da placa de base com parafusos dentro e fora dos banzos do pilar. Quadro 7.1: Comprimentos efectivos de T-stubs para placas de base com chumbadouros fora dos banzos do pilar. há efeito de alavanca não há efeito de alavanca

L1 = 4mx + 1, 25e x L 2 = 2π ⋅ mx L 3 = 0,5b L 4 = 2mx + 0, 625e x + 0,5p L 5 = 2mx + 0, 625e x + e L 6 = π ⋅ mx + 2e L 7 = π ⋅ mx + p
L eff.1 = min (L1 ; L 2 ; L 3 ; L 4 ; L 5 ; L 6 ; L 7 )
L eff.2 = min (L1 ; L 3 ; L 4 ;L 5 )

L1 = 4mx + 1, 25e x L 2 = 4π ⋅ mx L 3 = 0,5b L 4 = 2mx + 0, 625e x + 0,5p L 5 = 2mx + 0, 625e x + e L 6 = 2π ⋅ mx + 4e L 7 = 2π ⋅ mx + 2p
L eff.1 = min (L1 ;L 2 ; L 3 ;L 4 ; L 5 ; L 6 ;L 7 )
L eff.2 = min (L1 ; L 3 ; L 4 ; L 5 )

Quadro 7.2: Comprimentos efectivos de T-stubs para placas de base com chumbadouros dentro dos banzo do pilar.

L1 = 2α ⋅ m − ( 4m + 1, 25e )

há efeito de alavanca

L1 = 2α ⋅ m − ( 4m + 1, 25e )

não há efeito de alavanca

L 2 = 2π ⋅ m L eff ,1 = min (L1 ;L 2 )

L 2 = 4π ⋅ m L eff ,1 = min (L1 ; L 2 )

L eff ,2 = L1

L eff ,2 = L1

Questão 7.6: Comprimento Efectivo do T-Stub da Placa de Base com Chumbadouros fora da Largura dos Banzos

Os quadros para cálculo do comprimento efectivo de um T-stub, consideram apenas os casos em que todos os parafusos se encontram dentro dos limites da largura do banzo da viga. Quando os parafusos se encontram fora dos limites do banzo da viga podem utilizar-se as mesmas fórmulas?

_____________________________________________________________________
Os padrões de linhas de rotura para placas com parafusos situados fora dos limite da largura do banzo da viga foram estudados por Wald [Wald et al., 2000]. O estudo concluiu que, para este caso, existe um padrão adicional, cuja fórmula deve ser adicionada aos quadros de ligações viga-pilar.

Manual de ligações metálicas

69

BASES DE PILARES

1

Δ

a a c b bc

d c

α
y Lb eb
eff.5 Caso 5 eff.4 Caso 4

eff.1 Caso 1

eff.2 Caso 2 eff.3 Caso 3

Linha de rotura

x La

α
ea

a)

b)

Figura 7.12: Placa de base com chumbadouros fora dos limites do banzo do pilar: a) geometria da placa de base, b) comprimentos efectivos do T-stub.

O comprimento efectivo do T-stub pode ser determinado através do método das linhas de rotura. A posição do chumbadouro é definida pelas coordenadas x e y. A linha de rotura é uma linha recta que é perpendicular à linha que une a posição do chumbadouro ao canto da placa. O ângulo α representa a inclinação da linha de rotura e c é a distância mínima desde a linha de rotura ao canto da placa. Para calcular a distância c, utiliza-se o método das linhas de rotura juntamente com o princípio dos trabalhos virtuais. O trabalho realizado pelas forças interiores (energia de deformação interna) na linha de rotura é: ⎛1 1 ⎞ Wi = mpl ⎜ x + y ⎟ x ⎠ ⎝y O trabalho realizado pelas forças exteriores é:
We = Fpl ⋅ Δ

(7.12)

(7.13)

O trabalho realizado pelas forças exteriores é igual à energia de deformação interna, logo:
⎛1 1 ⎞ mpl ⎜ x + y ⎟ = Fpl ⋅ Δ x ⎠ ⎝y

(7.14)

O deslocamento virtual Δ representa a deformação da placa na coordenada do chumbadouro, ver Figura 7.12, e é igual a: Δ= x2 + y2 c (7.15)

Substituindo a expressão de Δ na equação (7.14), vem:
Fpl e x2 + y2 ⎛ x2 + y2 ⎞ = mpl ⎜ ⎟ c ⎝ x⋅y ⎠ (7.16)

70

Manual de ligações metálicas

BASES DE PILARES

Fpl = mpl ⋅ c
∂Fpl ∂c = mpl

x2 + y2 x⋅y
x2 + y2 = const . x⋅y

(7.17) (7.18)

Como tal, o comprimento efectivo Leff é igual a:
L eff = c x2 + y2 x⋅y

(7.19)

No canto do pilar podem observar-se cinco padrões de linhas de rotura, ver Quadro 7.3 [Wald et al., 2000] admitindo que não há contacto entre a placa de base e a superfície do betão, e que portanto não há forças de alavanca.
Quadro 7.3: Determinação do comprimento efectivo do T-stub, Casos 1 a 3. Caso 1 Caso 2 Caso 3

Wext = Fpl ⋅ δ Wext = Fpl ⋅ δ

Wext = Fpl ⋅ δ

δ =

a − ac − 2e a a − ac

δ =

(b − bc ) + (a − ac ) − 2 ea2 + e b2 2 2 (b − bc ) + (a − ac )
2 2

Wint = 4π ⋅ mpl ⋅ δ
Fpl = 4π ⋅ mpl m= a − ac − ea 2

Wint = mpl Fpl = mpl

b a − ac

⎛e e ⎞ Wint = mpl ⎜ a + b ⎟ eb e a ⎠ ⎝ Fpl = mpl ⎛ e a eb ⎞ ⎜ + ⎟ δ ⎝ eb e a ⎠

b a − ac − 2e a

L eff.1 = π ⋅ m

L eff.2

b = 4

L eff.3 =

(a − a )
c

2

+ ( b − b c ) ⎛ e a eb ⎞ ⎜ + ⎟ 8 ⎝ eb e a ⎠
2

Os casos 4 e 5 são semelhantes aos casos 2 e 1 respectivamente. Os resultados das simulações com modelos de Elementos Finitos apresentam-se na Figura 7.13.

Figura 7.13: Simulações com modelos de Elementos Finitos de linhas de rotura. Representação da malha e dos diferentes padrões de rotura para diferentes posições diferentes do chumbadouro em relação à placa de base.

Manual de ligações metálicas

71

Na maior parte dos casos. tem sido bastante difundida nos EUA [DeWolf and Ricker 1990]. O valor de Cf. • um dispositivo especial para resistir ao corte.5. no caso da placa de base estar embebida no betão. Os furos da placa de base necessitam de ter as folga adequadas. a força de corte é resistida por atrito entre a placa de base e a argamassa de assentamento.20 é apresentado para argamassa com inerte do tipo areia. • corte e flexão dos chumbadouros.30 para argamassa especial.d = 0. O atrito depende na força de compressão mínima e do coeficiente de atrito. a força normal de compressão se anule ou passe mesmo a tracção. Questão 7. 72 Manual de ligações metálicas . no caso da placa de base estar embebida no betão. ver Figura 7. ver Figura 7.8: Transmissão de Forças de Corte Através dos Chumbadouros Os chumbadouros podem ser utilizados para transmitir forças horizontais à fundação de betão? _____________________________________________________________________ As forças horizontais de corte nas bases de pilares podem ser resistidas por: • atrito entre a placa de base e a argamassa e o betão da fundação. Considerase que os chumbadouros funcionam como uma consola com vão igual à espessura do betão acrescida de 0. como por exemplo um troço de perfil I ou T ou de uma simples placa.2(6) da EN 1993-1-8. Neste caso.4 para coeficiente de atrito. A utilização de pré-esforço nos chumbadouros faz aumentar a resistência ao corte associada ao atrito. a) b) c) d) Figura 7. como por exemplo um troço de perfil I ou T ou de uma simples placa. por forma a acomodar a tolerância relativa à posição dos chumbadouros. para Estados Limites Últimos. os chumbadouros terão que transmitir estas forças de corte. • contacto directo. em edifícios esbeltos.2.BASES DE PILARES Questão 7. Por vezes pode suceder que.d = 0. Quando a rotação da porca é impedida pela placa de base. devido a acções horizontais (vento). A versão mais conservativa é sintetizada no documento CEB. (b) corte e flexão dos chumbadouros. a força horizontal de corte não pode ser transmitida por atrito entre a placa de base e a argamassa de assentamento. conforme recomendado no documento EN 1990 [prEN 1990: 2001]. e um valor de Cf. 14: Bases de pilares sujeitas a corte horizontal (a) atrito entre a placa de base e a argamassa e o betão da fundação. 1997] sugere a utilização de um valor de 0. O documento CEB [CEB.5 d. (d) contacto directo. Se não forem previstos outros dispositivos (ex. conectores de esforço transverso). quando é usada uma camada de argamassa de assentamento fina com menos de 3mm. Nestes casos. o vão pode ser reduzido para L/2. soldados à base da placa de base.14. A utilização de chumbadouros para transferir a força de corte. é apresentado o coeficiente de atrito entre a placa de base e a camada de solo. (c) dispositivo especial para resistir ao corte.7: Coeficiente de Atrito entre o Aço e o Betão Qual é o coeficiente de atrito entre o aço e o betão? _____________________________________________________________________ Na cláusula 6. deve utilizar-se um factor parcial de segurança γMf = 1. soldados à base da placa de base.15.

1989]. A resistência total ao corte é então devida ao atrito entre a sapata de betão e a placa de base e à resistência à tracção dos chumbadouros da zona comprimida. A resistência dos parafusos à tracção é pequena.17.Rd = Ft. Tal como indicado na EN 1993-1-8. Este estado inicializa o efeito de encruamento do material de que são constituídos os parafusos.16: Comportamento do chumbadouro solicitado ao corte.15: Esquema estrutural do chumbadouro à flexão.2. ver Figura 7.furo δv Figura 7. O método aí descrito baseia-se em trabalho experimental e analítico apresentado em Bouwman et al. Fv. o que corresponde ao desenvolvimento de tracção nos chumbadouros. Nc.Rd Fa Ft Fv Fv Resistência à tracção Resistência à tracção reduzida Resistência à flexão e corte δv δv Figura 7.Rd Resistência ao escorregamento (7. ver Figura 7.furo Fv. o esquema de dimensionamento é simplificado de modo a permitir a sua implementação prática.20) Fv δ v δv. Considera-se que o chumbadouro vai deformar o que permite o desenvolvimento de tracção no chumbadouro e compressão na argamassa.Rd Nc.Rd Ff.BASES DE PILARES Fv..17: Atrito e resistência à tracção dos chumbadouros.Sd F v.9: Transferência de Forças de Corte por Atrito e através de Chumbadouros Uma vez que as folgas na furação são grandes. ver Figura 7.16. será seguro adicionar a resistência ao atrito à resistência de todos os chumbadouros? _____________________________________________________________________ O modelo de resistência às forças de corte preconizado na cláusula 6. Manual de ligações metálicas 73 .Rd L Figura 7. Questão 7.16. O modelo de resistência às forças de corte é descrito na EN 1993-1-8.Sd δv. [Bouwman et al. Apenas os chumbadouros que se encontram na zona comprimida da placa de base podem ser utilizados para transferência de forças de corte. resistência à tracção. pelo que facilmente se pode atingir a capacidade resistente do material.2 da EN 1993-1-8 baseia-se na hipótese de que os chumbadouros sujeitos ao corte têm deformação de flexão..Rd + n ⋅ Fvb.

p γ Mp (7. incluindo o dos chumbadouros. chumbadouros colados e chumbadouros cimentados. no entanto. d) chumbadouros colados. foram publicados no Guia CEB [CEB.s = A s ⋅ fyb γ M2 (7. é necessária a verificação dos seguintes modos de rotura de chumbadouros: Cedência do aço NSd ≤ Na. ver Figura 7. não é considerado na EN 1993-1-8.21) βb é o factor de redução a aplicar a peças obtidas a partir de varões redondos em que as roscas não são normalizadas.Rd ≤ NRd.BASES DE PILARES A resistência dos parafusos ao esmagamento deve ser verificada separadamente na zona do bloco de betão e na zona da placa de base. De acordo com este Guia. Modelos de resistência de chumbadouros de acordo com a EN 1993-1-8.4 da EN 1993-1-8: para determinação da capacidade resistente de parafusos à tracção podem ser utilizadas para todos os tipo de aço. destina-se apenas a pilares com um momento flector muito elevado. Questão 7.Rd = βb 0. Ancoragem a vigas embebidas em espera no bloco de betão. O factor de redução tem o valor de βb = 0.18.10: Regras para Realização da Ancoragem dos Chumbadouros O estabelecimento de um sistema de ancoragem adequado é o critério mais importante para o dimensionamento de chumbadouros. Que regras se devem seguir? _____________________________________________________________________ As regras indicadas no quadro 3. b) barras com gancho.22) Arrancamento NSd ≤ Na. f) ancoragem a vigas embebidas em espera no bloco de betão. pois é uma solução muito onerosa.23) 74 Manual de ligações metálicas .p = NRk . chumbadouros com extremidade em cone. se for aplicável. 1997] com base em trabalho de Eligehausen [Eligehausen 1990]. c) chumbadouros com extremidade em cone. barras com gancho. 9 A s ⋅ fub γ M2 (7. e) chumbadouros cimentados.85.18: Tipos de chumbadouros: a) chumbadouros de cabeça aplicados na obra .Rd ≤ NRd. Podem ser utilizados diferentes sistemas de ancoragem. nomeadamente: chumbadouros de cabeça aplicados na obra. A força actuante no parafuso NSd deve verificar: NSd ≤ Ft. a) b) c) d) e) f) Figura 7.

c A c. De seguida indica-se o dimensionamento de ancoragens realizadas com chumbadouros de cabeça aplicados na obra.sp = NRk .28b) A h = ah2 − π A resistência do cone de betão.N (7.7 t 1 h ef ah t1 a1 h1 th dh Figura 7.29) onde: Manual de ligações metálicas 75 .25) Para os chumbadouros em grupo são necessárias as mesmas verificações.26) γ Mp onde pk para betão não-fissurado.N ⋅ Ψ re.N A0 c. A resistência ao arrancamento é dada por: NRd.27) e Ah é a área da cabeça do chumbadouros sujeita a esmagamento.20. é dada por: 0 NRd.c = NRk . Para chumbadouros de cabeça circular e quadrada Ah é dada por: Ah = π (d 2 h − d2 ) 4 d2 4 (7. é: pk = 11 fck (7.N ⋅ Ψ ucr.c = NRd.BASES DE PILARES Rotura do cone de betão NSd ≤ Na. ver Figura 7.24) Resistência do betão à projecção NSd ≤ NRd.19).Rd ≤ NRd. sujeitas a tracção (Figura 7. p e d 0.19: Geometria dos chumbadouros de cabeça aplicados na obra.c γ Mc (7.N ⋅ Ψ s.28a) (7.N ⋅ Ψ ec.sp γ Msp (7.p = pk ⋅ A h (7.

31a) (7. é incluído na expressão da área do cone (Figura 7.N = 3 hef (7. 7 + 0. 3 e e cr. p2) e da distância à extremidade (e1.5 pode ser utilizado para betão não fissurado.BASES DE PILARES 0 NRk .N p cr.N + p1 )( pcr.5 pcr.N ) pcr.4.N A largura do cone de betão pode ser tomada aproximadamente como: pcr. para chumbadouros aplicados em obra.31b) (7. pode ser impedida se o betão passar a ser armado e se se limitar a zona de aplicação dos chumbadouros.5 ef γ Mc (7. A rotura do betão por projecção.N e 0. a) chumbadouro individual. a resistência é aumentada através do parâmetro Ψure.N = ( e + 0.N ≤1 (7. O espaçamento dos chumbadouros deve ser maior que: pmin = ( 5 dh .5 k1 ⋅ fck ⋅ h1. 5 pcr. utiliza-se no caso de chumbadouros a pequenas profundidades (hef ≤ 100 mm).30) é o valor da resistência de um elemento de ligação isolado.N + p2 ) A c.50 mm ) (7.5 pcr.5 p cr.20). como: A 0 c. c) chumbadouro individual junto à extremidade.N2 (7.N = 0.33) O parâmetro Ψec. O coeficiente k1 = 11 (N/mm)0.N = pcr.32) 0.N Ψ s.N a) b) c) Figura 7.c = 0.20: Cone virtual de betão. b) grupo de chumbadouros. O efeito geométrico relativo ao espaçamento dos chumbadouros (p1. A perturbação na distribuição de tensões no betão pode ser contabilizada através do parâmetro Ψs. Se a ancoragem for realizada numa zona de betão não fissurado.N = ( pcr.34) a distância dos chumbadouros à extremidade do bloco deve ser maior que: 76 Manual de ligações metálicas .31c) A c.N p2 0.N p1 pcr. e2).N = 1.N pcr.N é introduzido para ter em conta o efeito de vários chumbadouros em conjunto.

a verificação de rotura do betão por projecção pode ser omitida. Manual de ligações metálicas 77 .BASES DE PILARES emin = ( 3 dh .36) Para chumbadouros a uma distância da extremidade do bloco e > 0.5 hef em todas as direcções. corte e a ambos está disponível no Guia CEB [CEB.50 mm ) (7.35) e a altura do bloco de betão não deve ser menor que: hmin = hef + t h + c ∅ (7. 1994]. A descrição detalhada da resistência de diferentes tipos de chumbadouros sujeitos a esforços de tracção.

que pode ser condicionante em regiões sísmicas. incluem detalhes que conduziram ao desenvolvimento de grandes concentrações de tensões. A nível de projecto. as estruturas metálicas sofreram danos durante estes sismos. e por outro. Infelizmente. incluem por um lado. Os danos inesperados invalidaram os procedimentos de projecto e construção estabelecidos e utilizados nessa altura para ligações viga-pilar.8 ACÇÃO SÍSMICA 8.2 Critérios de Dimensionamento de Actualmente. • Critério de ductilidade (capacidade de rotação). a utilização de opções de dimensionamento que conduzem a um enfraquecimento excessivo da zona do painel de alma do pilar. respectivamente. os procedimentos que se julga terem contribuído para uma má performance sísmica das ligações. a investigação direccionada para o desenvolvimento de procedimentos dimensionamento de edifícios de estrutura metálica. • Critério de robustez (pormenorização e comportamento do material adequados). desenvolve-se em três vertentes principais: • Pesquisa bibliográfica aprofundada.1 Generalidades As estruturas metálicas porticadas são largamente utilizadas no dimensionamento associado a acções sísmicas. no que diz respeito às ligações metálicas dimensionadas para zonas sísmicas. a resistência a acções sísmicas e o comportamento deste tipo de estruturas eram tidos como muito favoráveis até se verificarem os sismos de Northridge e de Kobe. 8. que alegadamente tiveram um papel de relevo nas roturas observadas pós-sismo. comprometendo assim as capacidades dissipativas da ligação e o seu bom comportamento sísmico. Existe consenso no que diz respeito ao facto de que vários factores devem ter contribuído para as roturas observadas. nomeadamente: • Critério de sobre-resistência. . Nos EUA e no Japão. não é considerada neste Documento Normativo. necessidades excessivas de ductilidade local e confinamento tri-axial elevado na zona de interface viga-pilar. a utilização de perfis e ligações com dimensões significativamente maiores do que as dos modelos utilizados na maioria dos ensaios experimentais realizados. Entretanto foi desenvolvido um programa de investigação no sentido de analisar a razão do mau comportamento sísmico das ligações em determinadas estruturas metálicas. e ainda hoje os engenheiros tentam compreender a resposta deste tipo de estruturas face às acções sísmicas verificadas. O Documento EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] inclui regras de avaliação da resistência e rigidez de ligações metálicas. nomeadamente factores que se prendem com a pormenorização e técnicas de execução da soldadura vigentes no passado. A influência de acções sísmicas ou dinâmicas. As deficiências no processo de soldadura prendem-se maioritariamente com o uso de metal de adição de baixa tenacidade e controlo de qualidade insuficiente. As técnicas de pormenorização de soldadura. há condições básicas que têm que ser satisfeitas. É óbvio que.

do comportamento das ligações. direccionam-se para a determinação dos efeitos e da importância dos seguintes aspectos: • Critério de dimensionamento pilar forte . Ligações Soldadas: • Resistência na espessura. e por outro disponibilizam uma gama alargada de informações relativas a certos itens relativos ou mesmo à totalidade dos processos de dimensionamento. sendo os valores limites de 0. • Tenacidade do entalhe para o material do cordão de soldadura. Nos EUA. De um modo geral a investigação realizada conduz a procedimentos actualizados e mais rigorosos para o controlo de qualidade dos materiais e dos processos de fabrico. em alguns casos. mão-de-obra. • Cordões de soldadura de ângulo para reforço. em termos de capacidade de rotação. quer seja a obtenção de redundância estrutural. considera-se que o seu comportamento é semelhante ou que pelo menos têm as características exigidas para que assim seja. Pórtico Não Rotulado de Resistência Intermédia (IMRF) e Pórtico Não Rotulado de Resistência Melhorada (SMRF). • Tenacidade do entalhe para o material de base. 0. • Resistência da ligação e características de degradação do comportamento. e também. 80 Manual de ligações metálicas . • Ensaios à escala real de ligações usuais ou suas componentes. Ligações Aparafusadas: • Dimensões do parafuso. Os três tipos de pórticos referidos devem ser classificados consoante a capacidade de rotação plástica. Estudos recentes que visam a produção de recomendações de projecto. os limites da categoria estrutural seleccionada. • Instabilidade local de secções.ACÇÃO SÍSMICA • Investigação analítica e experimental relativamente a vários aspectos que demonstraram ter um papel significativo na resposta sísmica de estruturas metálicas. e de relações de dimensionamento que afectam o comportamento global do pórtico. aspectos de dimensionamento do pórtico ou para o dimensionamento de ligações adequadas que verifiquem. • Efeitos P-δ. do mesmo tipo ou não. análise estrutural.01. apresenta informação adicional. respectivamente. As recomendações fornecem indicações para escolha do sistema mais adequado para o fim em causa. A EN 1998-1 [prEN 1998-1: 2001]. O comportamento dos pórticos é função de muitos factores relacionados entre si. verificarem as mesmas condições. • Resistência do painel da alma do pilar.02 e 0. tal como o indicado no Capítulo 6 desta publicação. Desses aspectos destacase a caracterização das solicitações sísmicas. as recomendações de dimensionamento de pórticos sujeitos a acções sísmicas. • Dimensões e forma do orifício de acesso. Por um lado fornecem indicações específicas para ligações normalizadas.Rd. relativamente a ligações metálicas sujeitas a acções sísmicas. aperto. As condições de dimensionamento apresentadas a seguir são consideradas genéricas. definida pelo momento resistente Mj. Na Europa. subdividem as estruturas consoante o nível de solicitação sísmica a que devem resistir à priori: Pórtico Não Rotulado de Resistência Ordinária (OMRF). As recomendações para o dimensionamento de ligações dividem-se em dois campos.viga fraca. • Cordão de reverso e guias perdidas. As suas ligações podem ser rígidas ou rotuladas. soldadura. material de base. ou seja: se duas ligações quaisquer.03. a EN 1993-1-8 caracteriza as ligações metálicas através de uma curva não-linear momento-rotação. • Resistência da área útil. rigidez de rotação Sj e capacidade de rotação φCd. tipo de furo.

• Soldada com reforço duplo (SRD). especificado em termos de dimensões das secções e da rotação plástica. Cada tipo de ligação é classificado como adequado para determinado intervalo. Figura 8.1b). • Soldada com cantoneira na alma (SCA).1c). Os tipos de ligações apresentados abaixo estão pré-certificados para utilização corrente. se necessário Placa de reforço a) Ligação viga-pilar pré-qualificada Placa cobrejunta soldada à viga (de ambos os lados) Ligação de alma soldada Placas nos banzos b) Ligação soldada com banzos da viga reforçados com placa Parafusos de alta resistência (c) Soldada com t em espera ligado à viga por placa cobrejunta aparafusada Placa cobrejunta soldada à viga (d) Ligação aparafusada com placa de extremidade estendida Parafusos de alta resistência Parafusos de alta resistência Placas soldadas ou Tês variáveis com placas soldadas (f) Ligação aparafusada com reforço duplo (e) Ligação soldada com placas cobrejunta aparafusadas à viga Figura 8. • Soldada – Alma reforçada com placa cobrejunta (SARCC). Manual de ligações metálicas 81 . forneceu dados suficientes para permitir o desenvolvimento de directivas fiáveis de dimensionamento para vários tipos de ligações soldadas. • Soldada – Banzos da viga não reforçados (SBVNR). • Soldada com reforço simples (SRS).1a).ACÇÃO SÍSMICA 8. se necessário Guia para alma Parafusos de alta resistência Soldadura.3 Tipos de Ligações Viga-Pilar O programa de ensaios experimentais levado a cabo pelo consórcio FEMA/SAC (EUA). Placa de continuidade Placa dupla. • Soldada com T em espera ligado à viga por placa cobrejunta aparafusada (STELVCCA). • Soldada – Banzos da viga reforçados com placa (SBVRC). Figura 8. semelhante à configuração da Figura 8.1: Ligações tipo pré-qualificadas em utilização nos EUA.

ACÇÃO SÍSMICA

As recomendações incluem, para além das ligações soldadas enumeradas acima, vários tipos de ligações aparafusadas em obra, que também se encontram pré-qualificadas para determinadas condições de utilização. As tipologias disponíveis, dentro das ligações aparafusadas são: • Aparafusada com placa de extremidade (ACT), Figura 8.1d); • Soldada com placas cobrejunta aparafusadas à viga (SCCAV), Figura 8.1e); • Aparafusada com esquadro simples (ARIVS) Figura 8.1f); • Aparafusada com esquadro duplo (ARIVD), Figura 8.1f). Na Figura 8.2 apresentam-se algumas ligações específicas utilizadas no Japão e na Figura 8.3, ligações ensaiadas e utilizadas habitualmente na Europa [Mazzolani, 2000].
diafragma metálico steel diaphragm diafragma metálico steel diaphragm

viga beam pilar column pilar column

cantilever consola

viga beam

Figura 8.2: Ligações usuais no Japão.
A
pilar

pilar

. . .

column beam viga

. . .
10M20 gr 10.9

column beam viga

. . .

column beam viga

pilar

A

B

B

C

C

3M20 gr6.6 B-B C-C

A-A

Ligação com Placa de Extremidade Estendida

Ligação Soldada

Ligação Soldada com Placas Soldadas ao Banzo da Viga

Figura 8.3: Ligações usuais na Europa.

8.4

Recomendações de Projecto e Produção

O Documento EN 1998-1 preconiza as seguintes regras de carácter geral para ligações metálicas, em estruturas dissipativas: • Devem-se evitar deformações plásticas localizadas, concentrações de tensões elevadas e defeitos de construção. A qualidade do dimensionamento deve ser comprovada através de ensaios experimentais. • Ligações não dissipativas de elementos dissipativos, realizadas com soldadura de penetração total, têm que verificar o critério de sobre-resistência. • Para ligações soldadas com cordão de ângulo, ou ligações aparafusadas não dissipativas, deve ser verificada a seguinte condição:

82

Manual de ligações metálicas

ACÇÃO SÍSMICA

R d ≥ 1, 35 R fy

(8.1)

em que Rd é a resistência da ligação e Rfy é resistência plástica do elemento dissipativo ligado. • Nas ligações aparafusadas com corte, apenas as categorias B e C devem ser utilizadas, e nas ligações aparafusadas com tracção, apenas a categoria E com aperto controlado dos parafusos deve ser utilizada. Parafusos desta categoria, também poderão ser utilizados em ligações ao corte com parafusos em furos sem folga. • Para ligações aparafusadas ao corte, a resistência dos parafusos ao corte deve ser 1,2 vezes superior à resistência da placa ao esmagamento. • A resistência e ductilidade dos perfis e suas ligações sujeitas a solicitações cíclicas devem ser comprovados através de ensaios experimentais, por forma a estarem de acordo com os requisitos definidos para cada tipo estrutural e para cada classe de ductilidade. Este procedimento aplica-se a todos os tipos de ligações em estruturas em zonas sísmicas. Os requisitos exigidos em termos de ductilidade para os vários tipos estruturais encontram-se expressos nas cláusulas 6.6 e 6.9 da EN 1998-1. Para esses mesmos requisitos, quando expressos em termos de capacidade de rotação plástica, o parâmetro utilizado é θp:

θp = δ

0,5L

(8.2)

em que δ é a flecha da viga a meio vão. O Documento EN 1998-1 apresenta os seguintes requisitos para ligações viga-pilar: • Se a estrutura for dimensionada de forma que a energia seja dissipada nas vigas, a ligação viga-pilar deve ser dimensionada de forma a verificar o critério de sobre-resistência, considerando o momento resistente Mpl.Rd e o esforço transverso avaliados conforme a cláusula 6.6.2 da EN 1998-1. • Ligações semi-rígidas dissipativas e/ou de resistência parcial podem ser utilizadas desde que sejam satisfeitas as seguintes condições: a) as ligações têm uma capacidade de rotação consistente com as deformações globais; b) os elementos associados às ligações se mantenham estáveis para Estados Limites Últimos; c) o efeito da deformação das ligações seja tido em conta no deslocamento horizontal global. • O dimensionamento das ligações deve ser tal que a capacidade de rotação plástica θp na linha de rotura, não seja menor que 35 mrad para estruturas de classe de ductilidade H, e 25 mrad para estruturas de classe de ductilidade M, com q>2. Estes valores devem ser obtidos para ensaios cíclicos em que a degradação de resistência e de rigidez se limite a 20%. Este requisito é válido independentemente do local onde se pretende a zona dissipativa. • Quando se utilizam ligações de resistência parcial, o dimensionamento do pilar deve ser condicionado pela capacidade de rotação plástica da ligação. A influência da pormenorização local e das propriedades materiais no comportamento plástico de ligações em pórticos de nós fixos tem sido investigado em vários países nos últimos anos. Algumas das conclusões dessas investigações são apresentadas de seguida [El-Tawil et al., 2000], [Mao et al., 2001]:

Propriedades Materiais – relação tensão de cedência/ tensão última (RTCTU) Ligações com RTCTU (fy/fu) de 0,65 e 0,80 exibiram um comportamento semelhante para capacidades de rotação plástica até 0,030 rad. Comparativamente com os dois casos referidos, ligações com RTCTU de 0,95 apresentaram um comprimento significativamente menor na linha de rotura, para uma capacidade e rotação plástica 0,030 rad. A dimensão da zona plastificada na viga com RTCTU de 0,95
Manual de ligações metálicas 83

ACÇÃO SÍSMICA

era sensivelmente metade da dimensão da zona plastificada na viga com RTCTU de 0,80. Como consequência de um menor comprimento plastificado verificou-se um aumento de extensões locais, o que por sua vez conduziu a instabilidade localizada prematura. Este nível elevado de extensões conduz também a uma maior susceptibilidade à rotura oligocíclica.

Pormenores construtivos – furo de acesso para soldar: dimensões e geometria
O aumento das dimensões do entalhe da alma para soldar torna mais fácil a operação de soldar no banzo inferior da viga e conduz a um trabalho de soldadura de melhor qualidade. No entanto, as investigações sugerem que é importante utilizar um furo de acesso de pequenas dimensões, por forma a reduzir o potencial de fractura frágil na base do furo. A análise confirma que o comportamento dos furos de acesso que terminam perpendicularmente ao banzo é inferior ao dos furos de configuração semi-circular, em termos de propensão à fractura frágil.

Pormenores construtivos – placas de continuidade
As recomendações FEMA-267 preconizam a utilização de placas de continuidade em todas as ligações. No entanto, a investigação sugere que as recomendações possam não ser cumpridas no caso de ligações em T.

Questão 8.1: Dimensionamento de Ligações Sujeitas a Carregamento Dinâmico

O Documento Normativo EN 1993-1-8 é aplicável a ligações sujeitas a acções estáticas. Será também aplicável a ligações sujeitas a acções dinâmicas, nomeadamente à acção do vento?

_____________________________________________________________________
A aplicabilidade do Documento EN 1993-1-8 depende do parâmetro em estudo: • No que diz respeito ao momento resistente Mj.Rd e à rigidez inicial de rotação da ligação Sj.ini, a formulação apresentada neste Documento pode ser perfeitamente utilizada para o caso de acções dinâmicas. • No que diz respeito à capacidade de rotação de ligações metálicas, as disposições apresentadas na EN 1993-1-8 não consideram a tipologia das ligações metálicas. De qualquer forma, após um vasto programa experimental, concluiu-se que a capacidade de rotação de uma ligação sujeita a acções dinâmicas é cerca de 0,5 da capacidade de rotação medida no caso de carregamento monotónico. • O mecanismo de colapso também pode sofrer alterações no caso de carregamento dinâmico em relação ao mecanismo de colapso determinado de acordo com este Documento Normativo.

Questão 8.2: Influência de Carregamento Não-simétrico

O Documento Normativo EN 1993-1-8 é aplicável a ligações sujeitas a acções estáticas. Será também aplicável a ligações sujeitas a acções sísmicas, nomeadamente à acção de cargas sísmicas nãosimétricas?

_____________________________________________________________________
Segundo um programa de investigação desenvolvido na Europa [Mazzolani, 2000], conclui-se que os valores preconizados na EN 1993-1-8 não podem ser utilizados para este tipo de carregamento. Na questão anterior foi apresentada uma comparação entre os valores apresentados na EN 1993-1-8 e os valores homólogos obtidos de ensaios de ligações simétricas sujeitas a carregamento cíclico. Foi realizado um estudo similar para estabelecer a comparação entre o comportamento de ligações

84

Manual de ligações metálicas

dependendo igualmente da configuração da ligação.ACÇÃO SÍSMICA sujeitas a carregamentos cíclicos simétricos e não simétricos. A explicação foi atribuída ao facto de este tipo de soldadura não apresentar imperfeições em comparação com os outros dois processos referidos. que consiste na dificuldade de controlar e verificar a dimensão do cordão. Uma taxa de extensão no intervalo 0. Questão 8. No entanto. No caso particular de ligações viga-pilar em pórticos não-rotulados. particularmente quando o trabalho é realizado em obra. a dimensão insuficiente do cordão. Questão 8. Este facto evidencia uma das desvantagens deste tipo de processo de soldadura. verificou-se nas soldaduras de duplo viés. já que os resultados deste tipo de ensaios apresentaram grande dispersão. As soldaduras de viés simples e duplo requerem operações mecânicas adicionais (preparação dos topos a soldar). dependendo da configuração da ligação. que em muitos casos atingiu 27% do seu valor. e a um nível mais reduzido provoca o aumento da resistência última das ligações soldadas. 2000]. o comportamento ideal que corresponde à rotura no metal de base. sendo a causa principal de rotura. Também se verificou uma redução de ductilidade.03-0. enquanto que as soldaduras de viés duplo e de ângulo obrigam a soldar em posição invertida no caso de o trabalho ser realizado na obra. Os espécimens com cordão de viés simples apresentam. um comportamento insatisfatório devido à penetração parcial da solda. em geral.4: Influência da Tecnologia e Pormenorização da Soldadura Qual é a influência da tecnologia e pormenorização da soldadura no comportamento de ligações metálicas? _____________________________________________________________________ Ensaios experimentais evidenciam uma vez mais a importância da qualidade da soldadura [Mazzolani. De um modo geral. ângulo e viés simples. Foram estudados três tipos de soldadura: duplo viés. No caso de soldadura de ângulo é condição obrigatória a verificação das dimensões do cordão. A análise do comportamento destes três tipos de soldadura tem que ter em conta os aspectos tecnológicos e económicos da soldadura.3: Influência do Encruamento Qual é a influência do encruamento no comportamento de ligações metálicas? _____________________________________________________________________ Ensaios experimentais realizados por Mazzolani permitiram concluir que o encruamento tem um papel importante no comportamento das ligações [Mazzolani.06 s-1 (comum para perfis metálicos em cedência devido a acções sísmicas) provoca um aumento na tensão de cedência. este fenómeno é já bem conhecido para o aço estrutural. tendo-se obtido as seguintes conclusões: • Os valores do momento resistente obtidos com o segundo grupo são menores entre 20% a 40% do momento resistente do primeiro grupo. permitindo assim o início da propagação de fendas. 2000]. Manual de ligações metálicas 85 . são propostas as seguintes recomendações: • As técnicas de duplo viés e de ângulo são recomendadas para soldadura de componentes em estaleiro. Os espécimens com soldadura de ângulo apresentaram um comportamento intermédio. • A capacidade de rotação do segundo grupo é 150% a 200% da capacidade de rotação do primeiro grupo. não é possível retirar ilações com grande fiabilidade quanto à redução de ductilidade devido a altos níveis de extensão no caso de carregamento cíclico.

A comparação entre ambas as técnicas sugere que a primeira é mais onerosa mas pode conduzir a uma maior tenacidade da solda. Foi feito um estudo da influência da geometria e dimensões do furo de acesso no potencial início de fractura na vizinhança dos furos. 86 Manual de ligações metálicas . quer no caso de ligações soldadas. 2001]. É de realçar que os defeitos referidos foram observados quer no caso de ligações viga-pilar. Os resultados mostraram a importância de seleccionar uma configuração adequada para o furo de acesso. Neste último aspecto destaca-se a remoção da barra de suporte. Os resultados das várias análises demonstram que determinados procedimentos podem permitir uma rotação não elástica de 0. cujo comportamento se considera melhor. Nos EUA. e que apenas se utilizem ligações por placa de alma aparafusada em pórticos ordinários. enquanto que no Japão é por arco submerso – fluxo gasoso. do que o da configuração standard.030 rad antes do início da fractura na base da soldadura. devem ser executadas com todo o rigor de modo a minimizar os defeitos da solda. Esses procedimentos passam pela utilização de materiais com maior tenacidade e melhor acabamento superficial da soldadura. pequena sobreposição das resistências da solda e limitação das deformações de corte do painel. As técnicas de soldadura que envolvam eléctrodo de elevada tenacidade para o cordão de ângulo usado para soldar a alma. Na Figura 8. a) Furo de acesso standard a) Standard Weld Access Hole b)b) furo de acesso Access Hole Modified Weld modificado Figura 8. Observou-se que o pormenor de ligação à alma tem um papel de relevo no potencial de fractura do banzo da viga junto à interface entre o metal da solda e o metal de base. Além disso recomenda-se a utilização de um painel de alma do pilar mais forte. Nos EUA e no Japão também foram realizados ensaios sobre a mesma problemática. com dióxido de Carbono (CO2).ACÇÃO SÍSMICA • A técnica de viés simples é adequada para trabalho em obra. O carregamento cíclico faz aumentar a probabilidade de fractura da solda para ligações incompletas (solda de ângulo com dimensões insuficientes) e para soldas que apresentem defeitos como penetração incompleta (solda de viés simples). verificou-se que a fractura inicia-se na base dos furos de acesso para soldar.4: Configurações standard e modificada para o furo de acesso para soldar. foi definida uma pormenorização que é recomendada para estruturas sujeitas a acções sísmicas. para este tipo de situação. A pormenorização consiste na utilização de soldadura de penetração completa na zona da alma e cordões suplementares como reforço da soldadura de ângulo utilizada na placa ao corte..4a) [Mao et al. exibida na Figura 8. Com base nos resultados analisados. com soldas nos banzos da viga. a técnica de soldadura utilizada é por arco submerso – fluxo metálico. mas obriga à re-soldagem da base da soldadura de forma a eliminar os defeitos que aí aparecem.4b) mostra-se uma configuração modificada do furo de acesso que é recomendada para estruturas sujeitas a acções sísmicas. Em ensaios cíclicos de ligações em regime plástico.

A solução da Figura 8. devido à influência do painel de alma do pilar.. realizaram um estudo numérico relativamente ao comportamento sísmico de estruturas metálicas com ligações com painéis de alma deformáveis [Schneider. conforme Figura 8. A resistência da ligação pode ser aumentada mediante a utilização de placas de alma como reforço do painel de alma do pilar. demonstrou-se que a resistência da ligação se reduz entre 20% e 40% e a ductilidade aumenta entre 150% e 200%. Amidi. _____________________________________________________________________ Os HSFG podem ser utilizados como parafusos ordinárias em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas. e que consiste em soldar as placas de alma directamente aos banzos. com carregamento não simétrico. Para determinadas cargas não simétricas do tipo dinâmico e sísmico. esta solução reduz o comprimento útil do banzo e limita a utilização de uma ligação aparafusada de eixo forte [Dubina et al.ACÇÃO SÍSMICA Questão 8.5: Utilização de Parafusos de Alta Resistência em Ligações de Estruturas Sujeitas a Acções Sísmicas É possível utilizar parafusos de alta resistência (HSFG) como parafusos ordinários em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas.5. Schneider e Amidi. r b) beff Ls beff a) Figura 8. de modo a que as superfícies das placas não tenham que ser preparadas para resistir ao escorregamento. No entanto. No caso de ligações. o que introduz tensões adicionais à ligação. A segunda solução. o painel de alma do pilar tem uma forte influência no comportamento da ligação. tendo chegado à conclusão que as normativas actuais. Questão 8. mas apenas para acções estáticas. relativas ao critério de resistência mínima dos Manual de ligações metálicas 87 . Estas soluções apresentam vantagens e desvantagens.5b). tem a vantagem de evitar as referidas tensões adicionais na zona de ligação alma-banzo. É recomendado que sejam apertados a um nível que corresponda a 50% da sua carga de pré-esforço.5: Exemplos de placas de alma.6: Importância do Comportamento do Painel de Alma do Pilar (Reforços) Qual é a influência do painel de alma do pilar numa ligação sujeita a cargas dinâmicas? _____________________________________________________________________ O comportamento do painel da alma do pilar é descrito na EN 1993-1-8. em nó externo ou em nó interno.5a) requer que sejam soldadas placas de alma junto à zona de transição almabanzo. representada na Figura 8. 1998]. 2000].

seja apenas um valor mínimo. 88 Manual de ligações metálicas .ACÇÃO SÍSMICA painéis. podem conduzir a ligações com elevadas distorções por corte que aumenta a probabilidade de fractura dos banzos dos elementos ligados. Estes resultados sugerem que o valor preconizado na normativa de NEHRP 1991 para a resistência do painel de alma (pelo menos 90% da soma das resistências das vigas que confluem na ligação).

Estas conclusões são reproduzidas na EN 1993-1-2. inclui um Anexo com expressões de avaliação da resistência das soldaduras e parafusos sujeitos a temperaturas elevadas.9 ACÇÃO DO FOGO 9.θ definido na Figura 9. 1992]. [Spyrou et al. Tradicionalmente. onde a capacidade última dos parafusos em estado limite de incêndio é obtida pela aplicação do factor de redução da resistência elástica kb. 2002]. [Simões da Silva et al. em situação de incêndio. e tal como observado em ensaios em estruturas reais [Moore. em que o comportamento resultante da interacção entre elementos é fundamental.1: Resistência dos Parafusos a Temperaturas Elevadas Como se calcula a resistência dos parafusos a temperaturas elevadas? _____________________________________________________________________ Devido à diminuição das forças de aperto. No entanto. as ligações aparafusadas tendem a sofrer escorregamento quando sujeitas a temperaturas elevadas. e embora no passado [prEN 1993-1-2: 1995] se tenha desprezado a avaliação do seu comportamento em situação de incêndio. a EN 1993-1-2 permite a análise de sub-estruturas. Para além disso. e ao desenvolvimento tensões devido à dilatação (fase de aquecimento) e à contracção dos elementos aquecidos (fase de arrefecimento). actualmente. assim como à redução do módulo de elasticidade (E). as estruturas metálicas estão sujeitas a alteração das suas propriedades (mecânicas e térmicas). [Kirby. O capítulo do Eurocódigo.. 1995]. 1997]. tal como se indica na bibliografia [Simões da Silva et al. mostraram que a redução da resistência do aço tem uma influência significativa na redução da capacidade última dos parafusos.. em incêndios reais [SCI recommendation. 2003]. assim como a previsão da variação da temperatura nas ligações.1. nomeadamente entre 300 e 700ºC [Sakumoto et al.. Questão 9.. as ligações consideradas rotuladas à temperatura ambiente conseguem absorver níveis de resistência e rigidez consideráveis quando sujeitas a temperaturas elevadas. as ligações entre vigas e pilares são consideradas perfeitamente rígidas ou perfeitamente rotuladas e raramente se considera que estas últimas consigam resistir a momentos flectores. No seguimento do dimensionamento de ligações metálicas à temperatura ambiente.1 Introdução Durante um incêndio. 1997]. Para além da verificação isolada de cada ligação. 1991] e em resultados experimentais de elementos isolados [El-Rimawi et al. considera-se que deverão ser verificadas tal como qualquer outro elemento estrutural.. pela elevada concentração de massa existente na zona das ligações que retarda o seu aquecimento relativamente aos perfis ligados (vigas e colunas). Esta diminuição de força deve-se à relaxação dos parafusos e das placas metálicas. 2001]. o método das componentes também se poderá aplicar a temperaturas elevadas. aumentando o tempo de vida útil da estrutura. referente à avaliação da resistência estrutural à acção do fogo [prEN 1993-12: 2002]. Ensaios experimentais em parafusos sujeitos a temperaturas elevadas. .1 e no Quadro 9.

4 0.7 0.033 0.3 0.952 0.Rd ⋅ k b.θ γm γ m. em situação de incêndio é dada por: Fv . em situação de incêndio é: Ften. Temperatura θa Factor de redução para parafusos kb. kw.000 0.Rd = Fv .θ para a resistência elástica do aço.8 0.067 0.θ θa.fi (9.t .2 0.t .2) e a resistência de cálculo de um parafuso traccionado.1: Factor de redução kb.θ kb.903 0. em situação de incêndio é dada por: Fb.ACÇÃO DO FOGO 1 0.935 0.6 0.100 0.θ γm γ m.Rd ⋅ k b.θ para a resistência da soldadura e ky.1 0 0 200 400 600 800 1000 1200 kw.t .3) 90 Manual de ligações metálicas .550 0.000 A resistência de cálculo dos parafusos ao corte.Rd = Fb.1: Factor de redução para a resistência de parafusos.Rd ⋅ k b.fi (9.5 0.Rd = Ft .fi (9. ºC Figura 9.220 0.θ γm γ m.9 0.775 0.θ para a resistência de parafusos.1) a resistência de cálculo dos parafusos ao esmagamento. Quadro 9.θ (tensão e corte) 20 100 150 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1.θ ky.968 0.

para temperaturas inferiores a 700ºC. 2 (1 − 2h / D ) ⎤ ⎣ ⎦ Sendo h a distância do banzo inferior da viga à componente em estudo (Figura 9. Para além disso. deverá ser considerado pelo menos igual à da peça ligada mais fraca. [Lawson. O Quadro 9.4) Questão 9. a variação de temperatura na ligação deverá ser avaliada separadamente dos elementos ligados. 1990].2: Resistência da Soldadura a Temperaturas Elevadas Como se avalia a resistência de uma ligação soldada. A resistência de cálculo por unidade de comprimento de um cordão de soldadura. deve ser determinada a partir de: Fw. De acordo com a EN 1993-1-2. foram efectuados estudos experimentais em várias tipologias de ligações. 88θ0 ⎡1 − 0.t.7) θh = 0. Observa-se que.5) θh = 0. Descrições mais detalhadas encontram-se na bibliografia. Para temperaturas superiores a 700ºC. a presença da laje de betão provoca uma redução na temperatura do banzo superior da viga. A resistência de cálculo da soldadura de topo por penetração completa.2 apresenta esses resultados. No entanto.ACÇÃO DO FOGO Questão 9.3: Distribuição da Temperatura numa Ligação.6) (9.Rd ⋅ k w. ao Longo do Tempo As expressões simplificadas referentes à distribuição da temperatura.θ ⋅ γm γ m.fi (9. e a resistência da soldadura a temperaturas elevadas.2). devido à concentração de massa na ligação. enquanto que em vigas mais compactas. em que as vigas suportam uma laje de betão. Como simplificação. Manual de ligações metálicas 91 . este valor de temperatura poderá ser calculado com base no maior valor dos racios A/V dos perfis metálicos adjacentes. 3 ( h / D ) ⎤ ⎣ ⎦ • Altura da viga é superior a 400 mm (9. Aplicando as expressões referidas na EN 1993-1-2. 88θ0 h é inferior a D/2 h é superior a D/2 (9. os factores de redução apresentados para os cordões de soldadura de ângulo podem ser aplicados à soldadura de topo. a temperatura na alma é ligeiramente inferior. a temperatura na ligação deverá ser calculada em função do valor de massividade (A/V) das componentes da ligação. poderão ser utilizadas para qualquer geometria de ligação? _____________________________________________________________________ A conductilibidade térmica do aço é muito elevada. Existem várias distribuições de temperatura propostas e/ou utilizadas em ensaios experimentais. indicadas na EN 1993-1-2. utilizando o factor de reducção apropriado para o aço. sujeita a temperaturas elevadas? _____________________________________________________________________ A resposta a esta questão poderá ser dividida em duas partes: a variação da temperatura na ligação (ver resposta à Questão 9. a temperatura da ligação é calculada a partir da temperatura do banzo inferior da viga a meio vão.Rd = Fw . a temperatura nas componentes da ligação é determinada do seguinte modo: • Altura da viga é inferior a 400 mm θh = 0. 88θ0 ⎡1 + 0. Tendo como objectivo principal a quantificação da distribuição da temperatura em ligações. é considerada uma distribuição uniforme de temperatura na ligação.3). Para as ligações viga-pilar e viga-viga. a temperatura na alma de vigas esbeltas é similar à temperatura do banzo inferior.

(1997) 92 Manual de ligações metálicas . ・・ Placa de extremidade θ fb ・・: Temperatura do banzo inferior da viga Al-Jabri et al (1998) e Al-Jabri et al (1997) Ensaios em ligações viga-pilar metálicas e mistas: No interior do forno.banzo superior da viga. 0. θ alma da coluna ≈ 450 ºC.88 0.・ 0. Autor Distribuição de temperatura Lawson (1990) Ensaio em oito ligações viga-pilar.036 ×θ fb .88 Figura 9.2: Distribuição da temperatura numa ligação.8)): No interior do forno. de modo a atingir 900ºC em 90 min.677 ×θ fb . Adoptou: θ banzo superior da viga = 0.parafusos superiores (expostos) . 0. θ parafusos embebidos ≈ 350 ºC Ensaios em ligações de nó interno com placa de extremidade rasa (viga: 254x102x22. Quadro 9.75 0. ao longo do tempo. A sua temperatura foi 8%-26% superior à temperatura do banzo inferior da viga.7 θ banzo inferior da viga = θ alma da viga El-Rimawi et al.62 D > 400 mm 0.・ 1.・・ Banzo superior da viga ・・Fiada superior de parafusos Fiada inferior de parafusos 0. pilar: 152x152x23.88 0.ACÇÃO DO FOGO Viga mista D < 400 mm 0. 0.70 h D 0.banzo inferior da viga. foi aplicada uma variação linear de temperatura. foi aplicada uma variação linear de temperatura.987 ×θ fb .928 ×θ fb . considerando a fiada superior de parafusos embebida no betão: 1 6 3 4 2 7 5 . junto à ligação .banzo superior da viga .966 ×θ fb . A presença da laje de betão sobre a ligação provocou uma redução de 20%-30% da temperatura do banzo superior da viga.banzo inferior da viga .parafusos inferiores .parafusos superiores embebidos em betão SCI recommendation (1990) Temperatura (ºC) Compartimento de incêndio Temperatura no banzo inferior da viga (ºC) Modelação numérica de ligações de nó interno mistas com placa de extremidade estendida: Variação Liu (1996) da temperatura na ligação: Para t =45 min: θ fiada inferior de parafusos ≈ 650 ºC.・・ 0. As temperaturas médias obtidas foram: Leston-Jones et al (1997) Banzo inferior da viga Alma da viga Fiada média de parafusos Banzo da coluna 1.000 ×θ fb .985 ×θ fb . θ fiada superior de parafusos ≈ 520 ºC.2: Gradiente térmico na viga mista. Os resultados obtidos indicam que a componente da ligação com temperaturas mais elevadas foi a alma do pilar. de geometria similar às utilizadas em edifícios metálicos (ligações metálicas e mistas): As temperaturas médias obtidas foram: θ banzo inferior da viga = 650 ºC a 750 ºC θ fiada superior de parafusos = 150 ºC a 200 ºC inferior a θ banzo inferior da viga θ fiada inferior de parafusos = 100 ºC a 150 ºC inferior a θ fiada superior de parafusos Ligação com placa de extremidade estendida. 3 parafusos M16 (8. θ placa de extremidade ≈ 550 ºC.982 ×θ fb . junto à ligação . de modo a atingir 900ºC em 90 min.

estudos recentes contrariam as recomendações dadas pela EN 1993-1-2: Franssen mostrou que a variação da temperatura nas componentes é superior ao valor calculado com base na massividade local. [Leston-Jones et al.3. é directamente proporcional ao seu módulo de elasticidade (E). 1990]. é possível avaliar o comportamento da ligação para uma evolução de temperatura pré-definida. A aplicação deste procedimento permite que o comportamento de ligações em situação de incêndio. 1996]. 2002]. No entanto. seja obtido em dois “domínios” diferentes: • Resistência: Resistência de cálculo à temperatura de dimensionamento.. a deformação da componente ∆i. y Fi. tal como apresentado no Capítulo 6 para ligações à temperatura ambiente [Simões da Silva et al.20ºC Introduzindo nas equações (9. 2001]. para além de expressões de cálculo da resistência dos parafusos ao corte. pode ser adaptado e aplicado ao cálculo do comportamento de ligações metálicas a temperaturas elevadas. ao esmagamento e tracção.ACÇÃO DO FOGO [SCI recommendation. • Temperatura: Cálculo da temperatura crítica. [Al-Jabri et al.20ºC K pl i. em alternativa..20ºC (9. tendo em consideração a curva não-linear força-deformação de cada uma das componentes. [Al-Jabri et al..yθ = k y . Kpl e Fy relativas ao comportamento das componentes à temperatura ambiente. 1997]. 1997]. é dada pelas seguintes expressões: Manual de ligações metálicas 93 . também é aplicável esta metodologia? _____________________________________________________________________ O método das componentes.9) (9.θ ⋅ Fi. Dependendo do objectivo da análise. 1998]. se o incêndio seguir outras curvas. e a resistência de cada componente depende da tensão de cedência do aço (fy). é necessário conhecer a variação das propriedades mecânicas do aço com o aumento de temperatura. As equações (9. o valor das constantes Ke. provavelmente pelas dimensões das componentes serem de ordem muito inferior às dimensões dos perfis ligados e a influência destes perfis ser sentida nas componentes da ligação [Franssen. A rigidez elástica. como a curva dos hidrocarbonetos. Além do mais. De modo a avaliar a resposta não-linear de ligações metálicas em situação de incêndio. esta variação é implementada ao nível das componentes. No contexto do método das componentes..10) apresentam a variação da resposta força-deformação da componente i à temperatura θ. [Liu. e da resistência de cálculo de um cordão de soldadura por unidade de comprimento.. estão de acordo com os resultados experimentais aqui referidos. a EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] apresenta uma metodologia que permite calcular o comportamento global da ligação. Questão 9.8) (9. Os valores propostos na EN 1993-1-2.θ ⋅ K e i.θ ⋅ K pl i.θ = k E.10). A temperaturas elevadas.8) a (9. RESISTÊNCIA Tendo como base a Figura 9.4: Comportamento de Ligações Metálicas a Temperaturas Elevadas – Aplicação do Método das Componentes À temperatura ambiente.θ = k E. recorrendo a estudos numéricos e/ou experimentais. pode ser avaliada a resistência e a rigidez inicial ou. a curva de incêndio externo ou se se tratar de um incêndio natural.8) a (9. 1997] e [El-Rimawi et al. o comportamento não linear da ligação. estes valores foram obtidos com base na curva de incêndio padrão ISO 834.θ para um dado nível de força F.10) K e i. é necessário efectuar uma análise específica.

θ (9. a temperatura crítica representa a temperatura da ligação no instante em que se verifica a condição.20ºC (F ''− Fi.θ ⋅ K i.θ = y k y .14) Expressões similares poderão ser obtidas para o cálculo da rigidez e rotação da ligação.20ºCΔ i.θ k E.20ºC F fi.20ºC Análise à tem peratura am biente F yi.16) As equações (9.11) (9.yθ K e i.θ = F' F' 1 = = Δi. identificando-se a cedência de cada uma das componentes.13) F fi.θ Figura 9.θ Δ” i.θ z = k y . A rigidez inicial da ligação à temperatura θ é dada por: S1.θ Δ Δ’ i. Mj.θ k E.3: Resposta isotérmica força-deformação de uma componente da ligação.θ = Fi.20ºC − Δi. TEMPERATURA Para uma ligação com distribuição uniforme de temperatura.20ºC 1 ∑k i i.yθ F = Fi.Sd = Mj.17) 94 Manual de ligações metálicas .20ºC Δ’ i.θ (F ' ) = Δi.2) (9.ACÇÃO DO FOGO F ' < Fi.θ ⋅ Si.θ k E.20ºC k E.θ Fi.θ '' y Δi.θf (9.θ Análise iso térm ica à tem peratura θ Δ yi.20ºC (9.yθ F '' ≥ Fi. a partir da correspondente distribuição de forças nas componentes: Mθ = Fr .yθ ) f y k E.θ F yi.2 0ºC f Δ fi.θ ⋅ S1.θ + f y 1 Δi.12) Δ y i. Δi O momento flector é calculado no âmbito do modelo das componentes.max.yθ ' Δi.θ ⋅ Mi.θ y φi.11) a (9.θ (F '' ) = Δi.16) permitem definir a curva momento-rotação à temperatura constante θ.20ºC = k y .θ S y i.20ºC (F ' ) e e K i.θ = Eθ ⋅ z2 = k E.θ Δy i .θ ⋅ M20ºC (r =1.20ºC − Fi.θ y Mi.θ = Δi.15) e a rotação da ligação na cedência da componente i obtêm-se a partir de: φ = y i.θ = k y .2 0ºC yi.θ Δ” i.20 ºC (9.20ºC k E.20ºC (9.

max . o grau de utilização apresenta-se do seguinte modo: μ0 = Mj.ACÇÃO DO FOGO De acordo com EN 1993-1-2. para t = 0.20ºC (9.833 0.Sd Mj.19ln ⎢ ⎤ 1 . No caso de ligações.18) A aplicação da Equação (9.18) conduz ao cálculo directo da temperatura crítica da ligação [prEN 1993-1-2: 2002]: θ cr = 39. η0. que é definido como o quociente entre o valor de cálculo do efeito das acções em situação de incêndio e o valor de cálculo da capacidade resistente em situação de incêndio. 967 μ0 ⎣ ⎦ ⎡ (9.19) Manual de ligações metálicas 95 .1⎥ + 482 3. a temperatura crítica depende do grau de utilização do elemento para t = 0.

em estruturas compostas por perfis circulares.1) e as regras de aplicação fornecidas no parágrafo 7. conforme a sua aplicabilidade: . o método mais usado em ligações de perfis CHS é a soldadura. desde que as dimensões desses perfis satisfaçam os requisitos necessários. as resistências de cálculo de ligações entre perfis ocos e entre perfis ocos e secções abertas. a não ser que sejam tomadas medidas especiais para garantir propriedades adequadas ao longo da espessura. Este tipo de tecnologia permite a materialização da ligação ao pilar apesar da limitação do acesso. São ainda tratadas as ligações planas em estruturas compostas por combinações de perfis ocos e abertos do tipo I ou H.10 LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES 10. já que o seu comportamento é diferenciado. só poderão ser usadas desde que satisfeitas todas as condições aí enumeradas. aplicável a ligações de vigas em perfis abertos ou fechados ocos e pilares do tipo RHS ou CHS. ser usadas em edifícios solicitados por acções sísmicas. 10. quadrados ou rectangulares ocos. De acordo com a EN 1993-1-8.2 deste Documento Normativo.1 Introdução A tecnologia de ligação desempenha um papel preponderante no comportamento de estruturas com perfis tubulares. As tipologias de ligações abrangidas pela EN 1993-1-8 (Figura 10. já que este tipo de acções não são consideradas passíveis de envolver fenómenos de fadiga.2 Ligações Soldadas Embora seja frequente a utilização de ligações aparafusadas.1. Um caso particular é o de pórticos com ligações viga-pilar em que os pilares sejam do tipo CHS ou RHS cheios de betão (CFHS). A resistência estática das ligações é expressa em função do esforço axial resistente máximo. As ligações podem ser aparafusadas ou soldadas. Esta secção sumaria os aspectos principais do comportamento e do dimensionamento de ligações com perfis ocos solicitadas predominantemente por esforços estáticos. A espessura nominal dos perfis ocos deverá estar compreendida entre 2. especialmente em treliças. e/ou momento flector resistente máximo para os elementos da estrutura. deverão ser baseadas nos seguintes modos de rotura. As regras de aplicação são válidas para perfis laminados de acordo com a EN 10210 e para perfis enformados a frio de acordo com a EN 10219. O capítulo 7 do Documento Normativo EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] contém regras de aplicação detalhadas para o cálculo da resistência sob acções estáticas de ligações com geometria num só plano ou em vários planos. apenas do lado exterior. Está ainda disponível a tecnologia tipo “blind bolting”. Importa fazer a distinção entre perfis do tipo CHS (perfis circulares ocos – Circular Hollow Sections) e do tipo RHS (perfis rectangulares ocos – Rectangular Hollow Sections). podendo no entanto.5 mm e 25 mm.

• Rotura por punçoamento da face do perfil principal.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES • Plastificação da face do perfil principal ou plastificação da secção transversal do perfil principal. esmagamento local ou encurvadura da face lateral ou alma do perfil principal sob a acção de compressão do membro interior.3 Ligações Aparafusadas Uma vez que os perfis ocos permitem o acesso apenas pelo exterior. • Plastificação da face lateral do perfil principal. Apesar desta limitação. Figura 10. coroação ou dispositivos soldados e de seguida procede-se ao aparafusamento. as ligações aparafusadas continuam a ser de utilização vantajosa e económica. Outra alternativa é a utilização de processos que materializem a ligação através do exterior – “Blind bolting”. é necessário que sejam tomadas medidas especiais. Nestas condições.1: Tipologias de ligações em vigas treliçadas. 10. como a abertura de orifícios no elemento oco para acesso e aparafusamento a partir do interior. Porém nestes casos. os perfis ocos podem ser ligados indirectamente usando chapas de banzos. é a fácil montagem e desmontagem 98 Manual de ligações metálicas . • Rotura por encurvadura local de um elemento transversal. Outra vantagem das ligações aparafusadas. na maior parte das situações. a ligação aparafusada entre dois perfis ocos ou entre um perfil oco e um perfil aberto ou uma chapa pode ser difícil. • Rotura por corte do perfil principal.

Nos casos em que os elementos ou ligações críticas não tenham capacidade de rotação suficiente. 10. O dimensionamento de ligações de perfis ocos deverá ser efectuado de acordo com o capítulo 7 da EN 1993-1-8: ligações de perfis ocos e capítulo 5 do Guia de Dimensionamento do CIDECT para ligações de perfis ocos em aplicações mecânicas: considerações de dimensionamento para ligações [CIDECT. A pormenorização para ligações soldadas e para ligações aparafusadas é indicada no Guia de dimensionamento do CIDECT para ligações de perfis ocos em aplicações mecânicas. pernos roscados. As ligações aparafusadas entre dois perfis ocos são sempre realizadas usando dispositivos intermédios de ligação. Manual de ligações metálicas 99 . 1995] e “Guide on the use of bolts: single sided blind bolting systems” de N.1: Modelos de Previsão do Comportamento para Ligações com Perfis Circulares Ocos (CHS) Que modelos analíticos são usados no cálculo da resistência das ligações com CHS? _____________________________________________________________________ Actualmente são usados três modelos que permitem caracterizar o comportamento das ligações CHS: • Modelo de tubo de rotura da face do perfil principal. Os principais tipos de ligações aparafusadas em estruturas de perfis ocos são: ligações aparafusadas tipo “joelho”. ou seja os elementos ou ligações críticas deverão proporcionar capacidade de rotação suficiente. classificadas como ligações aparafusadas normais de acordo com o capítulo 3 da EN 1993-1-8. [CIDECT. capítulo 6: pormenorização de ligações [CIDECT. deverá ser usada uma análise plástica de segunda ordem. poderão ser desprezados no dimensionamento. deverá ser dimensionada de modo a apresentar um comportamento dúctil. com empalme. F. com cantoneiras de topo.4 Considerações de Dimensionamento Uma estrutura realizada com secções ocas e solicitada predominantemente por acções estáticas. e onde serão então materializadas as ligações aparafusadas. • Modelo de rotura por punçoamento. aparafusamento atravessando o perfil oco. Yeomans [Yeomans.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES em obra. aparafusadas com extremidades achatadas. • Modelo de rotura por corte no perfil principal. aparafusamento de várias componentes e parafusos colocados através de orifícios de acesso [CIDECT. preferível às soldaduras no local pelos defeitos que poderão advir destas e por serem mais onerosas que o aparafusamento no local. 1995]. Este parágrafo é apresentado de acordo com as publicações “Design guide for structural hollow sections in mechanical applications” de J. 1995]. bases de colunas. apoio rotulado. com extremidades em forquilha. Questão 10. como é o caso de secções de paredes finas. 2002]. soldados aos perfis ocos. Neste caso. 1995]. Wardenier et al. os momentos secundários resultantes de deformações impostas ou da rigidez da ligação.

Desprezando as forças axiais e de corte. No entanto. O esforço axial na diagonal é dado pela expressão: N2 = fyo 3 ⋅ π ⋅ d2 ⋅ t o 1 + θ2 2 sin2 θ2 (10.3: Modelo para rotura por punçoamento do perfil principal numa ligação com perfis CHS. a relação entre os diâmetros dos tubos. Este modelo dá bons resultados para ligações do tipo T. como indicado na Figura 10. deverão ser adicionados outros parâmetros tais como o esforço axial actuante e a distância entre diagonais.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Modelo de tubo de rotura da face do perfil principal A ligação é modelada por um tubo de comprimento efectivo Be com geometria e propriedades mecânicas idênticas às do perfil principal em perfil CHS. 100 Manual de ligações metálicas .3 para um ligação do tipo Y traccionada.2: Modelo de tubo para uma ligação tipo X em CHS. Y e X. Modelo de rotura por punçoamento Este modelo é apresentado na Figura 10. o esforço correspondente à plastificação do tubo é dado por: N1y = C0 t2 ⋅ fyo ⋅ o 1 − C1 ⋅ β sin θ1 (10. e considerando o comprimento efectivo Be calculado experimentalmente. Figura 10.1) Sendo β = d1/d0. para ligações mais complexas como do tipo K e N.2.2) Figura 10.

6) Se o afastamento é reduzido. 0 ⎟ ⎟ ⎠ 2 ⎛ No ⋅ g ⎜ ⎜ π (d − t ) t ⋅ f o o o yo ⎝ ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ 2 (10. g Figura 10.5) Geralmente o momento flector é reduzido e deve-se considerar apenas a interacção entre o esforço axial e o esforço transverso: ⎛ ⎜ Ni ⋅ sin θi +⎜ ⎜ 2fyo ( do − t o ) t o ⎜ ⎝ 3 ⎞ ⎟ ⎟ ≤ 1. este critério aplica-se apenas para valores reduzidos de β. Manual de ligações metálicas 101 . para ligações K e N com afastamento entre diagonais (g). a secção transversal do perfil principal pode ruir na secção desse afastamento (secção A) pela combinação entre esforço axial. As regras aplicadas ao cálculo da resistência ao punçoamento. a carga será transmitida ao perfil principal através de tensões circulares. corte e momento flector.3) (10. Se o perfil principal é uma secção compacta. que aumenta consideravelmente a sua resistência ao esforço transverso. pois se o valor de β aumentar.4. sendo β = d2/d0. as diagonais funcionam como um reforço do perfil principal. são frequentemente usadas em recomendações de dimensionamento de estruturas do tipo “offshore”.4: Modelo para rotura por corte no perfil principal numa ligação com perfis CHS.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES De um modo geral. o dimensionamento plástico conduz às seguintes equações: Ni sin θi ≤ 2 fyo 3 (d 2 o − to ) to (10.4) No ⋅ g ≤ π ( do − t o ) t o ⋅ fyo Mo ⋅ g ≤ ( do − t o ) t o ⋅ fyo (10. Modelo de rotura por corte no perfil principal Tal como indicado na Figura 10.

5: Modelo de linhas de rotura para ligações do tipo T.6 para uma ligação do tipo Y traccionada. consiste em estabelecer o trabalho da força N1 segundo o deslocamento δ.7) Ligação Y Modelo Figura 10.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Questão 10. Modelo de linhas de rotura plásticas O princípio geral deste modelo. Estes modelos simplificados e a sua combinação com resultados experimentais permitiram estabelecer expressões de dimensionamento. e igualar essa grandeza ao trabalho interno nas rótulas plásticas (comprimento li e ângulo de rotação ψi) [APK.2: Modelos de Previsão do Comportamento para Ligações com Perfis Rectangulares Ocos (RHS) Quais os modelos analíticos usados no cálculo da resistência de ligações com perfis RHS? _____________________________________________________________________ Na caracterização deste tipo de ligações e no estudo da influência dos principais parâmetros são usados modelos analíticos. por isso são utilizados modelos simplificados de acordo com o modo de rotura a estudar. 1996]: N1 = fyo ⋅ t o ⎛ 2h1 +4 1−β ⎜ 1 − β ⎝ bo ⋅ sin θ1 ⎞ 1 ⎟ ⎠ sin θ1 (10. Modelo de rotura por punçoamento Este modelo é representado na Figura 10. é dada pela expressão: N1 = fyo ⎛ 2h1 ⎞ 1 to ⎜ + 2bep ⎟ 3 ⎝ sin θ1 ⎠ sin θ1 (10.8) 102 Manual de ligações metálicas . Tomar em consideração todos os parâmetros torna-se impraticável. A resistência ao corte de ligações do tipo T.5 para um ligação do tipo Y. Y ou X (rotura da face do perfil principal). Y e X. ilustrado na Figura 10.

Rd = A v ⋅ fyo 3 γ M0 (10. a resistência é dada por: N1 = fy1 ⋅ t1 ⋅ ( 2h1 − 4t1 + 2beff ) (10.7: Modelo para a resistência ao corte do perfil principal na secção de afastamento (g) de uma ligação K ou N. Modelo da largura efectiva da diagonal da viga treliçada A resistência é calculada em função das dimensões da diagonal. Figura 10.10) sendo Av = (2 h0+α b0) t0. Para ligações do tipo T.6: Modelo de linhas de rotura para ligações do tipo T. A resistência ao corte pode ser determinada analiticamente com base na resistência plástica da secção: Vpl. Manual de ligações metálicas 103 .9) Modelo de rotura por corte do perfil principal A Figura 10.7 apresenta o modelo para a resistência ao corte do perfil principal na secção de afastamento (g) de uma ligação K ou N. Y e X.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES (a) secção longitudinal (b) secção transversal (c) plano Figura 10. Y ou X (rotura da face do perfil principal).

8 conduz a: ⎛ h ⎞ 1 N1 = 2fyo ⋅ t o ⎜ 1 + 5t o ⎟ ⎝ sin θ1 ⎠ sin θ1 (10. 1996]. ver Figura 10. Y e X com parâmetro β elevado podem ter a sua rotura associada à plastificação ou à encurvadura local das faces laterais do perfil principal.9. Este último é representativo para o perímetro da secção oca. este fenómeno torna-se mais relevante.3: Modelos Analíticos para Ligações entre Perfis Ocos e Secções Abertas Que modelos analíticos são usados para ligações entre perfis CHS ou RHS e perfis principais de secções em I ou H? _____________________________________________________________________ São usados modelos analíticos simplificados para descrever o comportamento destas ligações e o efeito dos principais parâmetros. Questão 10. Utilizando o critério de cedência de Von Mises.8: Modelo de plastificação ou encurvadura local das paredes laterais do perfil principal. 104 Manual de ligações metálicas .Rd ⎠ 2 (10. são aplicados os conceitos de fissuração transversal e largura efectiva. podendo conduzir à rotura prematura da ligação pelo colapso na secção entre o elemento traccionado e o banzo do perfil principal.10 [APK. capaz de transmitir o esforço de colapso iminente. Para ligações entre RHS de igual largura. ou por instabilidade localizada no bordo do elemento traccionado. Modelo da largura efectiva do perfil principal Para ligações de perfis ocos soldados a perfis de secção I ou H. Com o aumento do carregamento.11) Modelo de plastificação ou encurvadura local das faces laterais do perfil principal As ligações T. a distribuição das tensões e deformações na extremidade do perfil de secção oca não é uniforme. o modelo indicado na Figura 10.Sd ≤ ( A o − A v ) fyo + A v ⋅ fyo ⎛ V ⎞ 1 − ⎜ Sd ⎟ ⎜V ⎟ ⎝ pl.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES O resto da secção transversal suporta o esforço axial. é obtida a seguinte fórmula de interacção: No. ver Figura 10.12) Figura 10. Para ter em conta estes efeitos. Este fenómeno deve-se às características da alma do perfil I ou H e à diferença de rigidez entre as extremidades e a parte central do banzo.

10: Perímetro efectivo. X. A resistência última de um elemento em ligações do tipo T.9: Distribuição de tensões e deformações na extremidade de um perfil RHS. Figura 10.11.Figura 10.13) onde beff é igual a metade do perímetro efectivo do membro em perfil oco.Rd = 2fyi ⋅ t i ⋅ beff (10. pode ser quantificada da seguinte forma: Ni. K ou N (com afastamento). Manual de ligações metálicas 105 . e pode ser determinado por: beff = t w + 2r + 7 fyo fyi ⋅ tf (10.14) Modelo de rotura por corte no perfil principal A rotura por corte no perfil principal é o modo de rotura mais provável numa ligação do tipo K ou N com afastamento .11: Corte do perfil principal numa ligação do tipo K com afastamento. Figura 10. Y.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Figura 10.

12: Plastificação local da alma do perfil principal. ver Figura 10.17) O parâmetro de eficácia Ce (CT para ligações em T ou Y. com elementos interiores e perfil principal de espessura e classe de aço idênticas.15) Modelo de plastificação local da alma do perfil principal A plastificação localizada no perfil principal por tracção ou compressão. dado para cada diagonal.Rd A1 ⋅ fy1 = Ce fyo ⋅ t o kp fy1 ⋅ t1 sin θ1 (10. é: Ni.0 e t1 = 90. Estes ábacos baseiam-se nas recomendações da EN 1993-1-8. 1996]: N1. CX para ligações em X e CK para ligações em K ou em N) avalia a eficácia de um ligação com kp = 1.16) Figura 10. Para ligações com secção do tipo CHS. O esforço normal no perfil principal.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES A resistência ao corte do perfil principal pode ser quantificada através da seguinte expressão: Vpl.13 e 10. é directamente transposta da verificação da compressão local de ligações viga-pilar entre secções I ou H.Rd = A v ⋅ fyo 3 γ M0 (10. esta eficácia é dada pela seguinte expressão [APK. e o valor da resistência é obtido a partir de um coeficiente de eficácia Ce.4: Ábacos de Dimensionamento Qual o objectivo dos ábacos de dimensionamento de ligações numa época em que está vulgarizado o uso de meios informáticos na análise estrutural? _____________________________________________________________________ Para um dimensionamento rápido de uma ligação com perfis de secção oca é útil dispor de ábacos de dimensionamento como o representado nas Figura 10.12. Questão 10. 106 Manual de ligações metálicas .14.Rd = fyo ⋅ t w ⋅ b w sin θi (10.

3 0.2 0.6 0.1 0.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES C T 1.0 β Figura 10.9 0.8 0.5 0.3 0.9 0.4 1.5 0.18) Por exemplo. a Figura 10.8 0.4 0.0 10 15 20 25 30 35 1. Para ligações com secção do tipo RHS.4 0.9 f yo t o k p N 1. a eficácia total é dada pelo ábaco da Figura 10.1 0.2 0.6 1. Manual de ligações metálicas 107 . 1995] fornece ábacos de dimensionamento para todos os tipos de ligações RHS com afastamento ou com sobreposição.8 0.2 0.6 0.0 0.1 0.6 f y0 t 0 k n N 1 . Rd = CT A1 f y 1 f y1 t 1 sin θ 1 d0 t0 10 15 20 30 40 50 1.0 0.6 0.13: Ábaco de dimensionamento para ligações do tipo T e Y com secções do tipo CHS. 1996]: N1.14 apresenta o coeficiente de eficácia para uma ligação do tipo K com afastamento em secções do tipo RHS. C Kg 1.7 0.15.8 0.5 0.0 0.3 0.7 0.2 1. a eficácia é dada pela seguinte expressão [APK. Para ligações sem afastamento.0 0.7 0.Rd = C Kg f yi t i sin θ i Ai f yi b 1+ b 2 2 bi b0 t0 Figura 10.Rd A i ⋅ fyi = Ce fyo ⋅ t o k n fyi ⋅ t i sin θi (10. A referência bibliográfica [CIDECT.0 0.4 0.14: Ábaco de eficácia da diagonal de uma viga treliçada para ligações soldadas em K ou N com afastamento.

3 0.0 Ai f yi 0. realizada com recurso a este sistema.RHS parafusos standard 8. placa de extremidade elemento ligado. O processo “Flowdrill” é esquematizado na Figura 10. ex.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES N i 1. Estes ensaios mostraram que: 108 Manual de ligações metálicas .4 0.8 completamente roscados Figura 10.1 0. Questão 10. Os resultados de uma série de ensaios com orifícios isolados executados através deste sistema [Yeomans. concluiram que o sistema pode ser usado em aplicações estruturais. com recurso a uma broca com quatro lóbulos de tungsténio e carbono [Yeomans.16.7 0.15: Ábaco de eficácia para ligações de RHS soldados em K ou N sem afastamento entre as diagonais.0 1.6 0.75 1. Figura 10.Aparafusamento com Acesso Apenas por um dos Lados Que sistemas do tipo “Blind Bolting” se encontram disponíveis no Mercado Europeu? _____________________________________________________________________ Sistema “Flowdrill” Este sistema actua por fricção e consiste na extrusão de orifícios que actua por fricção.16: Representação esquemática do processo “Flowdrill”.0 10 15 20 25 30 35 2.25 1. 2002].5 1.5 0.8 0.9 0.2 0.17: Ligação viga-pilar executado através do sistema “Flowdrill”. Na Figura 10. 2002].17 apresenta-se uma ligação típica viga-pilar com placa de extremidade.5: Sistemas de “Blind Bolting” .0 f yj t j f yi t i bj tj Figura 10.

5 mm.19: Parafuso Huck Ultra-Twist: a) vista do sistema. o que corresponde às tolerâncias usuais de montagem.8 M24 classe 8.1 e que a tensão de cedência nominal esteja compreendida entre 275 e 355 MPa. como apresentado na Figura 10. Parafuso tipo “Huck Ultra-Twist” O parafuso Huck Ultra-Twist é um dispositivo pré-montado [Yeomans.1: Espessuras mínimas do material para desenvolver a resistência total à tracção em parafusos da classe 8.18a). b) procedimento de instalação.0 9. poderá ser considerada a resistência total à tracção de parafusos de classe 8. em orifícios de diâmetro 2 mm superior ao diâmetro exterior dos parafusos.0 e 12. • Os orifícios roscados poderão acomodar parafusos dos diâmetros M16.8 6.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES • Os orifícios executados através de “flowdrill” podem ser usados em secções com espessuras compreendidas entre 5.19b). porca anilha resistente ao esmagamento anilha resistente ao corte manga manga núcleo da cavilha Figura 10. Manual de ligações metálicas 109 .6 Dispositivo “Lindapter Hollo-Bolt” O Hollo-Bolt é um dispositivo pré-montado constituído por 3 partes: corpo principal. mm M16 classe 8. • A capacidade resistente ao corte e pressão diametral do parafuso e orifício é calculada de forma usual. placa de extremidade elemento ligado. Para roscas abertas pelos processos tradicionais.18: a) Dispositivo Hollo-Bolt (como fornecido). • Desde que a espessura mínima do material obedeça ao especificado no Quadro 10. Quadro 10. 2002]. Existe também um outro sistema semelhante constituído por 5 peças [Yeomans. 2002]. M20 e M24.8.8 M20 classe 8. b) Ligação viga-pilar executado através de Hollo-Bolt.1. a resistência ao arrancamento é inferior ao indicado no Quadro 10.19a). ver Figura 10.4 8.8. ex. indicada em EN 1993-1-8. um cone roscado com rasgos e um parafuso standard de classe 8. Dimensão e classe do parafuso Espessura mínima do material. É instalado recorrendo a uma chave eléctrica específica. Figura 10.RHS “Hollo-bolt” instalado Figura 10.8.

20 apresenta uma ligação típica efectuada através deste sistema. mas geralmente necessita de uma espessura da parede mínima de 16 mm para resistir a esforços de arrancamento. A Figura 10. De seguida serão apresentados dois destes métodos. O Guia de dimensionamento do CIDECT [CIDECT. 110 Manual de ligações metálicas .21: Porcas soldadas à face do perfil tubular. mas neste caso. como é o caso dos aços de alta resistência. placa de extremidade parafusos ordinários elemento ligado.1 (4) da EN 1993-1-8 especifica que a tensão de cedência nominal de secções ocas laminadas e a tensão de cedência nominal do material de base de secções enformadas a frio. ex. ex.21. aços com composições químicas melhoradas ou especiais ou ainda aços patinados. 1995] estipula que é possível produzir secções estruturais ocas com aços especiais.RHS placa de extremidade Figura 10. é necessário proceder à encomenda de quantidades elevadas.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Soldadura de pernos roscados Na materialização da ligação poderão ser usados pernos roscados. as especificações para o material são determinadas com base no produto final e não no material de base.90. que são soldados à face do perfil oco.20: Ligação efectuada através de pernos roscados soldados.RHS porcas Figura 10. pernos roscados soldados elemento ligado. deverá ser reduzida através do factor 0. Para aços da classe S420 e S460 a resistência estática avaliada de acordo com esta secção. não deverá exceder 460 MPa. O primeiro consiste na abertura de um orifício e posterior abertura de uma rosca. consiste na abertura de orifícios com dimensão suficiente para acomodar uma porca de tamanho adequado que é soldada à face do perfil de tal forma que não apresente saliências do lado exterior da secção.6: Aço de Alta Resistência em Ligações de Secções Tubulares Haverá alguma razão para que as regras indicadas na EN 1993-1-8 não possam ser aplicadas a aços de alta resistência? _____________________________________________________________________ A cláusula 7. note-se que neste caso não existe cavidade para acomodar a anilha. De acordo com a EN 10210 e a EN 10219. com tensões de cedência de 640 MPa ou superiores.1. existem muitos outros que permitem executar ligações apenas de um dos lados. Outro método [Kato. Porcas soldadas Para além dos métodos apresentados. Questão 10. 1988]. ver Figura 10.

No caso de estruturas offshore. estes limites de aplicação geralmente não são respeitados. e terão que ser usadas recomendações especiais.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Questão 10. As regras de aplicação indicadas no capítulo 7 da EN 1993-1-8. Manual de ligações metálicas 111 . é necessário considerar as disposições especiais dadas na EN 1993-1-9 [prEN 1993-1-9: 2002]. para estruturas offshore solicitadas por acções que provoquem fadiga. onde se incluem as estruturas offshore.7: Dimensionamento de Estruturas Offshore Poderão as recomendações da EN 1993-1-8 ser aplicadas às secções de grandes dimensões utilizadas em estruturas offshore? _____________________________________________________________________ O campo de aplicação de secções ocas é extenso e os domínios específicos de aplicação são enumerados no Guia de Dimensionamento do CIDECT. Adicionalmente. poderão ser aplicadas a qualquer tipo de estrutura. desde que sejam reunidas as condições gerais.

podem surgir efeitos adicionais no Estados Limites Últimos e de Serviço e o nível de segurança pode depender do controle de qualidade. São ainda fornecidos alguns pormenores para cada um dos ligadores mecânicos. Exemplos de tais efeitos podem ser: a inclinação do ligador no esmagamento do orifício.1 Introdução As ligações de elementos estruturais com secções de paredes finas são normalmente usadas para: • fixação de painéis metálicos a uma estrutura de suporte. rotação do ligador em roturas por escorregamento ou a grande distorção da placa quando o ligador está à tracção e a chapa é solicitada directamente em cima da cabeça do ligador. • esmagamento ou enrugamento de material na frente do parafuso. 11. Encontra-se disponível uma variedade de métodos de montagem de estruturas com elementos de secções de paredes finas. O diâmetro do parafuso varia normalmente entre M5-M16 e as classes mais utilizadas são 8. • interligação de dois ou mais painéis metálicos. [Yu. Em comparação com ligações mais espessas (t> 3 mm) o comportamento de ligações em elementos de paredes finas é caracterizado pela pequena rigidez das placas. podem ocorrer quatro tipos básicos de modos de rotura nas ligações aparafusadas de enformados a frio: • corte longitudinal da chapa ao longo de duas linhas paralelas. Parafusos com porcas constituem ligadores roscados a colocar em orifícios previamente executados nos elementos a unir. nalguns casos.8 ou 10.11 LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO 11. de acordo com Toma [Toma et al.: uma madre. ex: estruturas de armazenamento. que são. 1993]. A utilização de elementos de secções de paredes finas requer o uso de parafusos roscados até à cabeça. • soldadura. Neste caso. Esta é a razão pela qual foram desenvolvidas regras específicas para ligações em elementos enformados a frio.. .1d.1b.1c. • rotura da chapa à tracção.2. Figura 11. Figura 11.1a. • corte do parafuso.: costuras longitudinais de chapas.9. 1993]. podem-se utilizar os seguintes tipos de ligadores [Toma et al. ex.. ex. 2000]: • ligadores mecânicos. Figura 11. • assemblagem de secções lineares enformadas a frio. Figura 11. diferentes das regras previstas para elementos metálicos laminados. • colas. 11.1 Ligadores Mecânicos O Quadro 1 apresenta as possíveis aplicações para os diferentes tipos de ligadores mecânicos. De acordo com resultados obtidos experimentalmente.2 Ligadores Para construções com elementos de secções de paredes finas.

3 mm Rebites cegos. 1 mm de espessura com material elastomérico Parafusos auto-perfuradores. bem como servir de ligadores de painéis de gesso cartonado a perfis metálicos.3 ou 6.1: Resumo dos campos de aplicação para ligadores mecânicos.22 ou 4. d) rotura por corte do parafuso. com diâmetros:・ φ 4. b) esmagamento da chapa.1: Tipos de roturas em ligações aparafusadas: a) corte longitudinal da chapa. 114 Manual de ligações metálicas .5 mm φ 6. Figura 11. Existem dois tipos de parafusos: • parafusos auto-roscáveis (por deformação ou furação).0 mm φ 4.4 mm Pregos X X X Em muitos casos. 1 mm de espessura com material elastomérico X X Parafusos com cabeça hexagonal φ 6. com anilha ≥ 16 mm.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Finas espessas Quadro 11. como ilustrado nas Figura 11. • parafusos auto-perfuradores. A fractura da chapa é muitas vezes causada pela rotação excessiva do parafuso e deformação da chapa. c) rotura à tracção da chapa.3 com anilhar ≥ 16 mm. com diâmetros: φ 4. Os parafusos podem constituir um modo rápido e efectivo de ligar chapas metálicas em painéis de fachada e cobertura.8 mm φ 5.8 mm φ 6. a ligação está sujeita a uma combinação de modos de rotura.5. Podem também ser usados em sistemas metálicos porticados e treliças de cobertura.2. Aço Espessas Ligador Observação madeira espessas X X Parafuso M5-M16 X Parafusos auto-roscáveis φ 6.

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

A maior parte dos parafusos são combinados com anilhas de modo a aumentar a resistência ao esmagamento da ligação e/ou selar a ligação. Alguns tipos têm cabeças plásticas ou protectores plásticos para conferir resistência à corrosão ou a côr desejada.

.....nervurado

.....plano

V - viga de cobertura

Chapa de cobertura ondulada

Figura 11.2: Aplicação de parafusos auto-roscáveis.

A Figura 11.3 mostra dois exemplos de parafusos auto-perfuradores. A Figura 11.4 apresenta os vários tipos de rosca para parafusos auto-roscáveis por deformação. O tipo A é usado para ligar chapas finas. O tipo B é usado para fixações a bases de aço de espessura superior a 2 mm. O tipo C é usado normalmente para fixações de bases metálicas finas (espessura até 4 mm) a bases metálicas. Os parafusos auto-roscáveis são usualmente fabricados em aço-carbono (zincado e lubrificado). A Figura 11.5 apresenta alguns exemplos de parafusos auto roscáveis por furação. Os parafusos autoroscáveis por furação são usados para ligações a bases metálicas espessas. Os parafusos autoperfuradores abrem o seu próprio orifício e formam a rosca numa única operação.
drill thread Comprimento Comprimento length length de furação da rosca

drill point Ponto de furação drill diameter Diâmetro de furação 7.7

Figura 11.3: Exemplos de parafusos auto-perfuradores.

Tipo A Tipo B Tipo C Figura 11.4: Exemplos de rosca para parafusos auto-roscáveis por deformação.

Figura 11.5: Exemplos de rosca para parafusos auto-roscáveis por furação.

Manual de ligações metálicas

screw length Comprimento do parafuso

drill flute

115

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

Rebites cegos e rebites tubulares são muitas vezes usados na construção com perfis enformados a frio. São usados para simplificar a montagem, reduzir o custo da ligação bem como por questões estéticas. Um rebite cego é um ligador mecânico capaz de ligar peças onde o acesso é limitado e é feito apenas por um dos lados. De acordo com o método de aplicação, os rebites-cegos encontram-se ilustrados na Figura 11.3. Os rebites tubulares são muitas vezes usados para ligar chapas metálicas. A resistência ao corte ou compressão é comparável à dos rebites sólidos. Os diâmetros do corpo dos rebites variam entre 0,8 e 7,9 mm. Os comprimentos mínimos variam entre 0,8 a 6,4 mm, respectivamente.

Cut amolação da and grind Corte eat rivet head cabeça do rebite

Self-plugging

Pull-through

Extremidades abertas

Open end

Closed end Extremidades fechadas
a)

Extremidades abertas

Open end
b)

Extremidades fechadas

Closed end

c)
Figura 11.3: Rebites cegos.

Pregos, tal como ilustrado na Figura 11.7, são ligadores que atravessam os painéis metálicos a ligar por meio de disparo ou ar comprimido.

116

Manual de ligações metálicas

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

Pregos a aplicar por disparo Figura 11.4: Pregos

pregos a aplicar por ar comprimido

Ligação por pressão é uma técnica relativamente recente para ligar secções metálicas de perfis enformados a frio. A ligação é formada usando o metal das secções a ligar. As ferramentas usadas consistem num punçuador e numa matriz de punção. A Figura 11.8 apresenta as etapas para execução de uma ligação por pressão.
Placas metálicas a ligar

punçuador

Matriz (de punção)

Corte do metal

Deformação lateral do aço

Pressão final

Figura 11.5: Sequência de execução de uma ligação por pressão.

Ligação em roseta (“Rosette-joining”), é um novo processo automático de ligação de componentes metálicas enformadas a frio, tais como painéis metálicos e treliças de cobertura. O processo de ligação é apresentado na Figura 11.9.

Figura 11.6: Representação da ligação em roseta e processo de fabricação.

11.2.2

Soldadura

As ligações de secções enformadas a frio podem ser feitas recorrendo ao processo do arco aberto bem como à soldadura por resistência. Para secções de paredes finas, podem ser usados os seguintes procedimentos de soldadura [Toma et al., 1993]: • soldadura MAG/MIG; • soldadura por arco manual; • soldadura TIG; • Soldadura por plasma.

Manual de ligações metálicas

117

a) b) c) d) (end view) Aspecto final e) f) Figura 11. 2000]: • soldadura por pontos.11 apresenta este processo de soldadura. • soldadura de bordos interrompidos. • soldadura de topo. • soldadura em entalhe. b) soldadura por costura.7: a) Soldadura de topo. e) soldadura em ângulo f) soldadura de bordos interrompidos. A Figura 11. d) soldadura com recobrimento. 118 Manual de ligações metálicas . electrodes or ou matriz dies punção) (de electrodes or eléctrodos welding tips electrodes or eléctrodos welding tips eléctrodos projection Projecção das soldas welds Before antes da welding soldadura After após a welding soldadura a) b) c) Figura 11. c) soldadura em entalhe.7 [Yu. são geralmente usados os seguintes tipos de soldadura por arco. • soldadura de ângulo. ver Figura 11. b) soldadura por pontos. c) soldadura projectada.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Em construções metálicas com secções enformadas a frio. A soldadura por resistência é executada sem arco aberto. Ao contrário do processo de arco aberto não há necessidade de protecção do metal fundido através de escória ou gás de protecção. • soldadura com recobrimento.8: Processo de soldadura resistente: a) soldadura pontual.

3). As colas usadas para aços de secções de paredes finas são os seguintes: • resina epoxy– o melhor endurecimento aparecerá a temperaturas elevadas (na gama dos 80-120°C).2). enquanto o parágrafo 8. resistência à tracção e secção útil de resistência dos elementos ligados. Ligações mecânicas especiais. por punção ou em roseta.2.5. quadro 8. uma combinação de colagem com ligadores mecânicos pode constituir uma opção.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO 11.9: Corte e arrancamento de ligações coladas. No que diz respeito às ligações soldadas. com cordão de soldadura (8.5.1).6 refere-se a soldaduras sobrepostas. resistência ao corte. As vantagens das ligações coladas são: a distribuição uniforme das forças ao longo da ligação e um bom comportamento a cargas cíclicas. Quando é usado dimensionamento com recurso a ensaios experimentais. parafuso auto-perfuradores (quadro 8. ver Figura 11. e capítulo 9 e Anexo Z do Documento EN 1993-1-1.6.3 Considerações de Dimensionamento As considerações de dimensionamento para elementos enformados a frio estão especificadas no capítulo 8 do Documento Normativo EN 1993-1-3 [prEN 1993-1-3. As diferenças existentes referem-se aos coeficientes numéricos das fórmulas que estão especificados no Documento.6. estão na mesma situação e devem ser tratadas do mesmo modo que as restantes. é de sublinhar que a sua resistência ao esmagamento. 2002]. são calculadas do mesmo modo que as secções espessas para qualquer tipo de ligador. respectivamente.9. As ligações com ligadores mecânicos são tratadas no parágrafo 8.3) e parafusos auto-roscáveis (quadro 8. Modos de rotura específicos são verificados através de ensaios “pull-through” ou “pullout”. deverão ser aplicadas as disposições previstas na EN 1993-1-3.2) e soldaduras por pontos por arco (8.3 Colas Na apresentação deste tipo de ligação. Esforço de corte Loaded by shear Esforço de peeling Loaded by arrancamento Figura 11. Algumas desvantagens são: a necessidade de a superfície estar lisa e limpa e o tempo necessário ao seu endurecimento. 11. No que diz respeito aos ligadores mecânicos. pregos (quadro 8. interessa salientar que a ligação colada possui uma boa resistência ao corte e geralmente uma fraca resistência ao arrancamento. As resistências de dimensionamento para soldadura por pontos são fornecidas no parágrafo 8. a soldadura por pontos representa uma tecnologia específica para ligar estruturas metálicas de paredes finas e já foram desenvolvidas regras de dimensionamento específicas [prEN 1993-1-3: 2002].4 deste Documento Normartivo como rebites cegos (quadro 8. • adesivos acrílicos– mais flexíveis que as resinas epóxidas. Especificações para ligações coladas são incluídas em EN 1999-1. Manual de ligações metálicas 119 .4). Por essa razão.

2 Fn.Rd (11.1: Aumento da Tensão de Cedência das Secções Enformadas a Frio Pode o aumento da tensão de cedência devido a enformagem a frio.Rd ≥ 1. tendo em consideração as limitações anteriores e a dificuldade em controlar a aplicação destas limitações.Rd no quadro 8. De acordo com o disposto no Documento. Em principio.2 do Documento Normativo EN 1993-1-3? _____________________________________________________________________ Esta questão refere-se ao quadro 8.3 8.2) Quadro 11.0 5200 7200 9800 16300 4600 6500 8500 14300 120 Manual de ligações metálicas .2: Capacidade de Deformação de Ligações ao Corte Qual a razão do limite Fv.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Questão 11.2): FV . O critério de dimensionamento para a capacidade de deformação por corte da ligação é apresentada como (Quadro 11. A tensão de cedência media fya pode ser usado para determinar: • A resistência da secção transversal de um membro traccionado axialmente.2 Fu. recomenda-se fyb como tensão.5 6.1) ou avaliada experimentalmente Fn. Para determinar a área efectiva da secção.Rd ≥ 1. • O momento resistente de uma secção transversal com banzos completamente efectivos. Diâmetro exterior da rosca Material do parafuso (mm) Aço endurecido Aço inoxidável 4.3: Resistência característica ao corte Fv. o aumento na tensão de cedência devido à enformagem a frio deve ser tido em consideração do seguinte modo: • Em elementos carregados axialmente nos quais a área da secção transversal efectiva Aeff iguala a área bruta Ag. ser considerado no dimensionamento de ligações soldadas após a enformagem do elemento? _____________________________________________________________________ Este aumento pode ser usado no dimensionamento de ligações soldadas mas os efeitos devem ser avaliados experimentalmente.2).Rd = A net ⋅ fu γ M2 (11.8 5. • Noutros casos pode ser demonstrado que os efeitos de enformagem a frio conduzem a um aumento da capacidade de carga.2 do Documento EN 1993-1-3: Resistência de dimensionamento para parafusos auto-perfuradores. Questão 11. • A resistência da secção transversal e a resistência à encurvadura de um elemento comprimido axialmente. O Documento EN 1993-1-3 permite o uso da tensão de cedência média fya da secção transversal para contabilizar o efeito de enformagem a frio (ver parágrafo 3. do material base.Rk de parafusos auto-perfurantes [EN 1993-1-3: 2002]. com uma secção transversal totalmente efectiva. Aeff a tensão de cedência fy deve ser tomada como fyb (tensão de cedência do material base). a resistência da soldadura pode ser referida à tensão de cedência média fya.1.

ver Figura 11. d) Modo de rotura por fractura da rosca do parafuso. Parafusos em flexão Bolt in bending Parafusos ao corte Bolt in shear Rótula plástica Plastic hinge Placa ao esmagamento Plate in bearing Parafusosshear Bolt in ao corte Placa ao esmagamento Plate in bearing Fd a) b) c) Figura 11. As acções normalmente condicionantes.4 do Documento EN 1993-1-8 e para parafusos em placas finas no quadro 8. parafusos auto-perfurantes e cavilhas. c) modelo de componentes do parafuso no painel sandwich [Mareš et al.10b).13c [Mareš et al.1 do Documento EN 1993-1-3.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO O factor 1. Para prevenir a rotura sob acções de serviço.. 2002]. A distribuição de forças nas faces interior e exterior do painel sandwich podem ser tidas em conta pelo método das componentes. são usados parafusos de aços austeníticos com formas especiais. 2000]. Manual de ligações metálicas 121 .1 considera o encruamento do aço. Questão 11. 2000].4: Resistência ao Esmagamento de Placas Finas Qual a diferença entre o esmagamento de placas finas e espessas? _____________________________________________________________________ Os modelos de previsão da resistência ao esmagamento são baseados em observações experimentais. dos parafusos de painéis sandwich? _____________________________________________________________________ Os parafusos auto-perfurantes são normalmente usados para ligar painéis sandwich [prEN 14509.11: a) Forças de alavanca provocadas pelos momentos de fixação adicionais.10: a) Curva de deformação de um parafuso tradicional. onde se incluem também os rebites. b) parafuso com entalhe na rosca. Quando estas condições não são satisfeitas deve ser provado que a capacidade de deformação será proporcionada por outras partes da estrutura. 2000]. As condições devem ser satisfeitas sempre que a capacidade de rotação é um requisito determinante. c) Modo de rotura por esmagamento no orifício interno. temperatura e vento são geralmente cíclicas. b) Forças de membrana devidas à deflecção do painel sandwich [ECCS 66. Questão 11. a2 a1 c) a) F b) a3 L d) a3 F Figure 11.3: Resistência dos Parafusos em Painéis Sandwich De que forma é avaliada a resistência ao corte e à tracção. tal como apresentado na Figura 11. A contribuição dos painéis é tida em conta para prevenir o colapso sob a acção das diferenças de temperaturas..2 na expressão 11. A fórmula para parafusos em placas espessas (com espessura maior ou igual a 3 mm) encontra-se no quadro 3.

3d Espessuras para além desta gama de valores podem ser usadas desde que a sua resistência seja determinada experimentalmente. considerando a espessura da placa através do factor factor kt.4) e1 e k t = (0.25 mm.25 mm ou k t = 1.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO A resistência ao esmagamento de placas espessas considera o espaçamento na direcção perpendicular. através do factor k1.3) A resistência ao esmagamento das placas finas.5) para 0. 8t + 1.5) / 2. Fb.Rd = 2. com α b = 122 Manual de ligações metálicas . Fb.5 α b ⋅ k t ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (11. 0 para t > 1.Rd = k 1 ⋅ α b ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (11.75 mm ≤ t ≤ 1.

geralmente inferior à resistência do material de base.1 de EN 1999-1-1.1.1 Introdução Nas últimas décadas. No cálculo da resistência ao escorregamento de ligações soldadas. tem sido feito um grande esforço de modo a caracterizar o comportamento de estruturas em alumínio. O dimensionamento deste tipo de ligações em relação ao estado limite de fadiga é apresentado em EN 1999-2 [prEN 1999-2: 1999]. Quadro 12.25 deverá ser substituido por γΜ = 1. A soldadura é preferida para trabalhos genéricos de engenharia. predominantemente. ao baixo custo e ao facto de não limitar a ductilidade da ligação. Desde que a soldadura é utilizada em elementos estruturais de alumínio. Com excepção da estabilidade e fadiga. Liga Metal de adição 5356 4043A 3103 95 5052 170 5083 240 5454 220 6060 160 150 6061 190 170 6082 210 190 7020 260 210 De acordo com o capítulo 6. que inclui especificações e expressões de dimensionamento de estruturas de alumínio.12 LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO 12. As indicações presentes em EN 1999-1-1. ver Quadro 12. No dimensionamento dos elementos da ligação é necessário considerar o limite de ductilidade do material de adição. a transferência de forças é afectada pela relaxação das placas de alumínio.6. 2002]. Em contrapartida. o comportamento de ligações estruturais em alumínio é um dos principais focus dessa investigação [Andrade. e se for especificada uma qualidade de soldadura inferior para os perfis semi ou não-estruturais. • O material de adição. devido à sua simplicidade de fabrico e de união. O dimensionamento de ligações soldadas baseia-se na metodologia e considerações similares às utilizadas em estruturas metálicas (com as devidas modificações). frequentemente sujeitas a acções repetitivas ou cíclicas que podem conduzir à rotura por fadiga do elemento. as ligações soldadas tem sido bastante desenvolvidas e consideradas de grande importância.1: Valores da resistência característica do metal de adição fw [MPa]. poderão ser aplicadas desde que sejam satisfeitas as seguintes condições: • As estruturas estão carregadas com carregamento estático. deve ser compatível com a liga de alumínio dos elementos a ligar. • O processo de soldadura MIG pode ser utilizado para todas as espessuras. Os resultados obtidos têm sido incorporados no Documento Normativo EN 1999-1-1 [prEN 1999-1-1: 1999].65. o factor parcial de segurança γΜ =1. o processo TIG só deverá ser utilizado em materiais de espessura superior a t = 6 mm e em reparações de soldas. Deverão ser tidos cuidados especiais no caso de ligações estruturais em alumínio. A escolha do metal de adição tem uma importância significativa na resistência da ligação. Os parafusos de aço galvanizado são preferidos em situação de risco de corrosão. .

2: Componente da tensão num cordão de soldadura de ângulo. ver Figura 12. σ// tensão normal paralela ao eixo da soldadura.1) e σ⊥ ≤ fu γ M2 (12. que tensões deverão ser verificadas de modo a satisfazer o indicado na EN 1999-1-1? _____________________________________________________________________ A abordagem é similar ao indicado no Capítulo 3.2: σ⊥ tensão normal perpendicular ao plano crítico do cordão de soldadura.1. ver Figura 12.1: Definição da espessura do cordão de soldadura: a. As componentes da tensão total são as seguintes. A resistência do cordão de soldadura de ângulo é suficiente se foram satisfeitas as seguintes condições: 2 σ ⊥ + 3 (τ ⊥ + τ // ) ≤ 2 fu β W ⋅ γ M2 (12. τ// tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) paralela ao eixo do cordão de soldadura. τ⊥ tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) perpendicular ao eixo do cordão de soldadura.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. pode ser desprezada no dimensionamento dos cordões da soldadura de ângulo. A tensão total num cordão de soldadura. é decomposta nas componentes paralelas e transversais ao plano crítico do cordão.1: Resistência da Soldadura de Ângulo No cálculo da soldadura de ângulo. σ _ I τ τ II _ I a 2a Figura 12. g1 a a Figura 12.2) 124 Manual de ligações metálicas .

A soldadura de topo com penetração parcial deve usar-se apenas nos casos.10) Manual de ligações metálicas 125 . a soldadura de topo com penetração parcial deverá ser aplicada com o factor parcial de segurança γΜ. O valor da tensão instalada em soldaduras de topo deverá satisfazer os seguintes critérios: tensão normal. te te Figura 12.3: Soldadura de Topo em Ligações de Alumínio Quais as informações dadas em EN 1999-1-1. deve-se usar. A espessura efectiva da soldadura de topo com penetração completa deverá ser igual à espessura dos elementos ligados. relativas a largura efectiva e espessura do cordão de soldadura? _____________________________________________________________________ A pergunta já foi respondida no Capítulo 3. Se forem soldados elementos de espessuras diferentes. No caso de soldadura de topo com penetração parcial. perpendicular ao eixo da soldadura: σ⊥ ≤ fw γ M2 (12. Noutros casos. de preferência. soldadura de topo com penetração completa. Questão 12. que não existem defeitos aparentes na soldadura. ver Figura 12. a espessura da soldadura deverá ser igual à do elemento de menor espessura. quais são as restrições geométricas.2: Largura Efectiva e Espessura do Cordão de Soldadura de Ângulo Quando se utiliza soldadura de ângulo.8) tensão de corte paralela ao eixo da soldadura τ ≤ 0. tracção ou compressão.3: Espessura efectiva do cordão de soldadura de topo com penetração parcial.9) combinação das tensões normais e de corte 2 σ ⊥ + 3τ 2 ≤ fw γ M2 (12.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. deverá considerar-se o valor da espessura do cordão de soldadura.3. em relação às características da soldadura de topo em ligações de alumínio? _____________________________________________________________________ Quando se utiliza soldadura de topo em ligações de elementos estruturais de alumínio. No que se refere às restrições geométricas não existe diferenças significativas entre a soldadura em elementos metálicos e elementos de alumínio. em que se verifique através de ensaios. 6 fw γ M2 (12. devido à susceptibilidade do aparecimento de defeitos neste tipo de soldadura.

do tipo de liga do elemento soldado e do processo de soldadura utilizado: TIG e/ou MIG. • Série de ligas: 7xxx . no dimensionamento de ligações soldadas de alumínio? _____________________________________________________________________ O material estrutural alumínio composto por várias ligas e tratamentos é alterado nas zonas afectadas pelo calor (ZAC) junto à soldadura. Estes valores são válidos.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. Em alternativa.4: Zona afectada pelo calor numa soldadura de topo.6.30 dias após a soldadura. a resistência de cálculo de uma secção rectangular afectada pelo amaciamento da ZAC. O processo de soldadura TIG. reduzindo-as do factor de amaciamento correspondente ρhaz. a liga recupera o valor das propriedades resistentes rapidamente.11) Os valores de ρhaz são indicados no Quadro 12. provoca uma maior ZAC e um amaciamento mais severo devido a uma maior quantidade de calor [Mazzolani. Se o material é ligado a uma temperatura inferior a 10°C. t t ρ haz bhaz bhaz bhaz Figura 12.4: Zona Afectada pelo Calor (ZAC) Qual o efeito das temperaturas elevadas na zona da soldadura.2 refere-se especificamente a zonas afectadas pelo calor (ZAC). para além desta zona. • Ligas que não podem ser tratadas termicamente com qualquer encruamento (séries 3xxx e 5xxx). é calculada a partir da expressão FRd = A ( fa ⋅ ρhaz ) = A ⋅ fa. pode-se reduzir a área onde actuam as tensões. O fabricante deverá informar-se relativamente a esta situação.4.2. Estas zonas deverão ser tidas em atenção no caso de se utilizarem as seguintes ligas: • Ligas que podem ser tratadas termicamente com qualquer tratamento térmico inferior a T4 (séries 6xxx e 7xxx). o tempo de recuperação deverá ser aumentado. cláusula 6. A região afectada estende-se em torno da soldadura.3 dias após a soldadura. 1995]. considerando que o material foi soldado a uma temperatura não inferior a 10°C: • Série de ligas: 6xxx . A severidade e dimensão da ZAC dependem do tratamento a que o elemento foi sujeito. O Documento EN 19991-1. fv na ZAC são calculadas de acordo com o indicado em EN 1999-1-1 para o metal de base. 126 Manual de ligações metálicas . fa. Os dois aspectos principais do amaciamento da ZAC são a severidade e a dimensão. Deste modo.haz γ M2 γ M2 (12. ver Figura 12. As resistências características fo.

especialmente se se tratar de chapas finas. quando se pretende soldar materiais espessos pode-se assumir um limite curvo com raio igual a bhaz. Quadro 12.00 0. placas.60 0.80 Aplicado quando as tensões de tracção actuam transversalmente ao eixo da soldadura de ângulo ou topo Aplicado em quaisquer condições Chapas.50 0.haz.00 0. • Em qualquer direcção radial a partir da extremidade da soldadura.5 e Quadro 12. Tês ou ligações cruciformes: transversalmente a partir do ponto de intersecção das superfícies soldadas. a ZAC prolonga-se a toda a largura do elemento.3: Extensão da ZAC para soldaduras MIG e TIG.80 0.86 0. ρhaz. 35 mm.haz = fa ⋅ ρhaz (12.60 0. bhaz (soldadura TIG) 30 mm.2: Valores dos factores de amaciamento da ZAC. 40 mm. chapas. placas e peças forjadas 0.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Quadro 12.12) para tensões normais e a fv. ver Figura 12. De um modo geral.86 0.3.65 0.60 0. fa. Se a distância entre a zona da soldadura e a extremidade do elemento for inferior a três vezes bhaz.80 0.80 ρhaz (processo de soldadura TIG) 1. os limites da ZAC deverão ser considerados com linhas rectas normais à superfície do metal. espessura t 0 < t ≤ 6 mm 6 < t ≤ 12 mm 12 < t ≤ 25 mm t > 25 mm bhaz (soldadura MIG) 20 mm.haz para tensões de corte fv . em qualquer direcção a partir da soldadura. • Em soldaduras de ângulo: transversalmente a partir do ponto de intersecção das superfícies soldadas. 30 mm. • Em soldaduras de topo aplicadas em extremidades.60 1xxx Assume-se que a zona afectada pelo calor se prolonga por uma distância bhaz. tubos trefilados e peças forjadas 7xxx 1. No entanto.00 1.60 Nota Extrusão.haz = fa ⋅ ρhaz 3 (12. A resistência característica das zonas afectadas pelo calor deverá ser reduzida a fa.65 0. Séries de ligas Quaisquer 6xxx Tratamento O F T4 T5 T6 T6 ρhaz (processo de soldadura MIG) 1.13) Manual de ligações metálicas 127 .00 5xxx 3xxx H22 H24 H14 H16 H18 H14 0.60 0. O valor bhaz deve ser medido de seguinte modo: • Transversalmente a partir da linha central do cordão de soldadura.

14) 2) força de tracção perpendicular ao plano de rotura em ligações com soldadura de topo com penetração parcial σ haz ≤ t e fa. bhaz bhaz bhaz bhaz <3 bhaz A tensão instalada em zonas afectadas pelo calor deverá ser inferior a: 1) força de tracção perpendicular ao plano de rotura em ligações com soldadura de topo com penetração completa σ haz ≤ fa.5: Zona afectada pelo calor em soldadura de ângulo.17) Quando se aplica esforço de corte na soldadura.15) 3) força de tracção na raiz do cordão da soldadura e nos limites de fusão.haz γ M2 g1 fa.19) no limite da fusão. σ haz ≤ σ haz ≤ fa. aplicam-se condições similares τ haz ≤ τ haz ≤ fv.haz t γ M2 (12.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz Figura 12.20) (12.haz t γ M2 (12.18) na raiz do cordão de soldadura e a τ haz ≤ t e fv.haz γ M2 (12.haz γ M2 g1 fv.21) 128 Manual de ligações metálicas .haz t γ M2 (12. respectivamente. Em soldadura de ângulo. a tensão na zona afectada pelo calor de soldaduras de topo é limitada a: τ haz ≤ fv.16) (12. em ligações de soldadura de ângulo.haz γ M2 (12.haz t γ M2 (12.

haz t γ M2 (12.haz γ M2 t e fa.25) 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ Como conclusão.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Quando se aplica a combinação de tensão de corte e tensão normal na soldadura. devem ser aplicadas as seguintes condições 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ fa.24) (12.22) (12.23) 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ Em soldadura de ângulo aplicam-se condições similares 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ fa.haz t γ M2 (12. refere-se que a capacidade de deformação de ligações soldadas poderá aumentar se a resistência de cálculo da soldadura for superior à do material existente na ZAC. Manual de ligações metálicas 129 .haz γ M2 g1 fa.

calculadas como rotuladas quando se comportam como parcialmente rígidas. Precisão na produção Encaixe dos perfis em obra Número de parafusos: Tipo. produção. Classe. Entalhe. embora a primeira conduza habitualmente a soluções mais económicas.1 Casos Práticos Na concepção de ligações para estruturas metálicas verificam-se duas abordagens distintas: a procura de ligações “standard”.1. Anilhas Método de aperto dos parafusos Aspecto estético Projecto Produção • • • • • • • • • • • • • • • Montagem . experiência e hábitos Limitação do número de operações por elemento: Corte. 13. O Quadro 13.2 indica as principais razões das soluções recomendadas. teoricamente mais ajustadas a cada ligação.12 apresentam soluções correctas e incorrectas baseadas em alterações a projectos de estruturas completas e reais. comprimentos e classes de parafusos Meios técnicos disponíveis. etc. Ambas as abordagens apresentam vantagens e inconvenientes. o critério de escolha difere de país para país (custos de fabrico. facilidade e condições de montagem). Reparação de pequenas deformações Manutenção: Pintura e/ou Galvanização Transporte (estragos) Pré-montagem Dificuldades de montagem em obra Tolerâncias: Dimensões das secções dos perfis. etc. As Figuras 13. (ii) ligações que introduzem efeitos secundários (i. Adicionalmente.1: Aspectos a considerar no dimensionamento de ligações metálicas. de acordo com a regulamentação vigente.e. que deverão ser considerados no dimensionamento e pormenorização de ligações metálicas são indicados no Quadro. Furação.1 a 13. No contexto deste manual. Soldadura. Quadro 13. pelo que é difícil quantificar uma solução como a mais adequada. (iv) soluções demasiado caras e pesadas em relação a outras.13 EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO 13. Comprimento da parte roscadas. ou a escolha de ligações individualizadas. tradição. com normalização extensiva.). excentricidades. Cálculo • • • Transferência de forças através da ligação Excentricidade nas ligações Regulamentação: Dimensionamento de elementos [prEN 1993-1-1: 2003] Dimensionamento de ligações [prEN 1993-1-8: 2003] Montagem [EN 1090-1: 1996] Aspecto arquitectónico Corrosão Possibilidade de standarização Limitação do número de secções de perfis Limitação do número de tipo. Os principais aspectos. consideram-se soluções desadequadas aquelas que: (i) não cumprem os parâmetros pré-estabelecidos. (iii) ligações que apresentam limitações de fabrico ou montagem difícil. Comprimento.

b) solução correcta.Rd = 139.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO DADOS SOLUÇÃO INCORRECTA Momento na ligação vigas IPE 330.1: Ligação viga-pilar. parafusos 4xM20 placa de extremidade Mj. b) solução correcta. DADOS SOLUÇÃO INCORRECTA Esf.2: Ligação viga-pilar com contraventamentos diagonais: a) solução incorrecta.Rd = 297.3 kNm 1) Instabilidade durante a montagem. 2) Solução com custos elevados de fabricação e montagem SOLUÇÃO CORRECTA Momento na ligação Mj.4 kNm.9 kNm 1) Utilização de placa de extremidade estendida no eixo forte e placas de extremidade com altura parcial no eixo fraco a) b) Figura 13. transverso na ligação vigas HEB180. pilar: HEB180.72 kNm Dificuldade de fabricação e montagem. soldadura: Mj. a) 132 Manual de ligações metálicas . transverso na ligação VRd = 62. parafusos 8xM20 VRd = 62.Rd = 98. Solução com custos elevados SOLUÇÃO CORRECTA Esf. ligação rotulada no eixo fraco: a) solução incorrecta. transferência de momento no eixo forte do pilar.72 kNm Utilização de placas de alma b) Figura 13.

EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO DADOS Momento na ligação SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA Momento viga principal IPE270. na soldadura: Mj. parafusos 6xM16 MRd = 65.2 kNm.9 kNm a) b) Figura 13. 2) Solução com custos elevados. vigas secundárias: HEB120.3 kNm 1) Ligação de eixo forte com placa de extremidade estendida. 2) Solução com custos elevados na ligação. ligação simples inclinada no eixo fraco: a) solução incorrecta. b) solução correcta. 1) Ligação com cantoneiras de alma Vj.3: Ligação viga-pilar.4 kNm 1) Transferência de forças confusa.Rd = 379.Rd = 279. SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA Esforço transverso 1) Instabilidade durante a montagem. Manual de ligações metálicas 133 .viga de secção aberta e pilar de secção tubular RHS : a) solução incorrecta. b) solução correcta.Rd = 48. Mj.4: Ligação viga-pilar. 2) Ligação de eixo fraco com placa de extremidade com altura parcial ou placa de alma a) b) Figura 13. transferência de momento no eixo forte do pilar.

13. b) solução correcta. vigas secundárias: IPE240.0 kN 1) Introdução de excentricidades.5: Ligação viga-viga rotulada: a) solução incorrecta. b) solução correcta SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA 1) Ligação muito complicada 2) Ligação com placa de base rotulada (sem transmissão de momento flector). parafusos 4xM16 VRd = 35.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO SOLUÇÃO INCORRECTA DADOS Esforço transverso na ligação viga principal HEA1000.6: Ligação à fundação a) solução incorrecta.0 kN 1)Ligação com placas de alma alongadas (aleta longa) a) b) Figura 13. 134 Manual de ligações metálicas . poderão ser introduzidos reforços a) b) Fig. parafusos 6xM16 VRd = 35. 2) Instabilidade durante a montagem SOLUÇÃO CORRECTA DADOS Esforço transverso na ligação viga principal HEA1000. vigas secundárias: IPE240.

13.2 13.4 Pilar+2 Pilar+2 vigas+1 Pilar+4 vigas travessa vigas (ligação (momento na (ligação rotulada) ligação) rotulada) 000 0 000 +++ ++ +++ 000 00 00 ++ ++ ++ 7 9 8 3 3 2 0 8 000 00 00 +++ ++ +++ 00 + ++ + 00 00 00 + ++ + 12 10 14 12 8 12 00 00 00 ++ ++ + 000 0 00 ++ + ++ 0 0 0 + + + + ++ 00 00 +0 + ++ 0 0 0 + + ++ 13.2 . Exemplo Parâmetros observados Fig.6.6 Base de pilar com possibilidade de rotação (ligação rotulada) 00 ++ 000 +++ 20 1 2 0 00 ++ 00 +++ 000 ++ 12 2 0 ++ 000 ++ 00 ++ 000 ++ 000 ++ Dimensionamento Projecto Placas Perfis Medição Furos Soldadura Parafusos Arquitectura Corrosão Transporte Tolerâncias de construção Montagem B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G 00 + 0 ++ 0 ++ 16 14 0 + 00 ++ 0 + 0 + + + + + 0 + + + 6 4 0 + 0 + ++ 0 ++ + 0 + NOTA: Nº 000 00 0 Exemplos incorrectos B Nível de qualidade muito mau mau duvidoso Nº + ++ +++ Exemplos correctos G Nível de qualidade suficiente bom muito bom Manual de ligações metálicas 135 .EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO Quadro 13.2 classificação dos exemplos de dimensionamento apresentados nas Figuras 13.3 13.5 Viga principal +1 travessa (ligação rotulada) 0 ++ 0 ++ 3 1 13. na ligação) 00 ++ 00 ++ 8 3 13.1 Pilar+2 vigas (mom.13.

ea. distância da extremidade de uma cantoneira ao eixo neutro. ex.haz fcd Espessura de um cordão de ângulo. eb e1. b1. distância do parafuso à face do T-stub Excentricidade da ligação Distância. b0. diâmetro. diâmetro do parafuso. diâmetro do ligador Diâmetro do furo Diâmetro do chumbadouro Diâmetro médio do parafuso Diâmetro do núcleo da espiga do parafuso Largura efectiva da placa de base flexível Recobrimento mínimo para as armaduras do betão Excentricidade. distâncias dos parafusos Distâncias entre parafusos Distância do parafuso à face da placa de extremidade Tensão característica à flexão e cedência à tracção e compressão Tensão característica local à tracção e compressão Tensão característica da zona afectada pelo calor Valor de dimensionamento da tensão de compressão para provete cilíndrico de betão fcd = fck / γc . bw b1 bhaz bc beff bp bsg d d0 dh dm dn c c∅ e e0 e. comprimento da placa de base Altura da secção transversal do pilar Dimensão da cabeça do chumbador Comprimento efectivo da fundação Largura Largura efectiva da fundação Largura da zona afectada pelo calor Largura da secção transversal do pilar Largura efectiva Largura da placa de extremidade Largura do reforço de cada um dos lados Deformação. e2 ex fo fa fa.SIMBOLOGIA SIMBOLOGIA ZAC Zona Afectada pelo Calor a ac ah a1 b.

entre o pilar e o reforço. no cálculo da resistência ao esmagamento Factor de concentração de tensões Coeficiente de rigidez total da zona de compressão Coeficiente de rigidez total para uma fiada de parafusos à tracção Coeficiente de rigidez total da zona de tracção Coeficiente de rigidez da componente i Factor de redução da resistência dos parafusos à temperatura θ Factor que depende da espessura da placa e é utilizado no cálculo da resistência ao esmagamento Factor de redução da resistência da soldadura à temperatura θ Factor de redução da tensão de cedência do aço à temperatura θ Factor de redução do módulo de elasticidade do aço à temperatura θ Comprimento efectivo do T-stub Distância do parafuso ao banzo da viga λeff mx 138 Manual de ligações metálicas .θ kE. fum fub fw fvw.haz fu. Tensão de cedência do banzo do pilar Tensão característica ao corte Tensão característica ao corte na zona afectada pelo calor Tensão última do aço Tensão última do parafuso Tensão característica do metal de adição Tensão resistente de um cordão de soldadura de ângulo por unidade de comprimento Comprimento do afastamento Comprimento do cordão de soldadura de ângulo Altura Comprimento do chumbadouro embebido no betão Constantes Factor relativo à distância entre parafusos e distancia dos parafusos à extremidade da placa. h0. fyi fya fyb fyc fyd fy.θ kt kw.g fck fj fy.SIMBOLOGIA fcd. kn k1 kj kc keff keq ki kb.fc fv fv. fy1.θ Valor de dimensionamento da tensão de compressão para provete cilíndrico de argamassa Tensão característica de compressão para provete cilíndrico de betão Tensão de esmagamento do betão Tensão de cedência do aço Tensão de cedência média Tensão de cedência do parafuso. fy0.d g g1 h.θ ky. tensão de cedência do aço da viga Tensão de cedência do aço do pilar Tensão de cedência mais baixa. h1 hef kp.

Rd n n p1.t zc. p2 q r rc. por unidade de comprimento Distância do eixo do parafuso à extremidade da placa de base Número de chumbadouros na placa de base Distâncias entre parafusos Factor de comportamento Braço da alavanca Raio de concordância na ligação da alma com o banzo do pilar Resistência teórica obtida a partir do modelo de dimensionamento Resistência obtida a partir ensaios experimentais Espessura Espessura efectiva da soldadura de topo por penetração parcial Espessura do banzo da viga Espessura do banzo do pilar Espessura da placa de extremidade Espessura do reforço Espessura da alma do pilar Espessura do banzo Espessura da argamassa Espessura da cabeça do chumbadouro Espessura da porca Distância entre parafusos Braço. m2 m1 m2L m2U mpl. zona não roscada Área da secção transversal do pilar 139 Manual de ligações metálicas .SIMBOLOGIA m. mx m1.b zt Distância do eixo do parafuso à solda Distância do parafuso à alma do T-stub Distância do centro do parafuso ao raio de concordância. w2 z. t1. t2. A0 Ab Ac Área Área total do parafuso. t0. s re rt t. tw te tfb tfc tp ts twc tf tg th twa w1. braço da alavanca. zr zeq zc zc. Distância do bordo do reforço ao centro da fiada mais acima Momento resistente plástico da placa de base. Distância do bordo do reforço ao centro da fiada mais abaixo. distância entre o eixo de tracção e o eixo de compressão Braço de alavanca equivalente Braço de alavanca da zona de compressão Braço de alavanca da zona de compressão na zona superior da ligação Braço de alavanca da zona de compressão na zona inferior da ligação Braço de alavanca da zona de tracção A.

CX.Rd Fb.wc. P Fb. C1 Ce. CT.Sd. Área dos chumbadouros Área dos reforços Área de ambos os reforços Área de corte Comprimento efectivo Resistência de cálculo de um parafuso à tracção Constantes Parâmetro de eficácia Coeficiente de atrito Módulo de elasticidade do aço à temperatura θ Módulo de elasticidade do aço Força Resistência de cálculo ao esmagamento por parafuso Resistência de cálculo ao esmagamento por parafuso.Rd Fp Fp.t.Rd Fel Fexp Fn.Cd Fri Frj FRd FSd Fti.Rd Fc. Ft Área efectiva Área total (bruta) Área ao esmagamento da cabeça do parafuso Área útil Área útil do parafuso. em situação de incêndio Resistência da zona comprimida Resistência de cálculo em compressão na zona inferior da ligação Resistência de cálculo em compressão na zona superior da ligação Resistência de cálculo do banzo da viga comprimido Resistência de cálculo da alma do pilar comprimida Limite elástico Resistência dos elementos estruturais obtida experimentalmente Resistência de dimensionamento para parafusos auto-perfuradores.Rd Ft.d Fc.Rd Fc.Rd FcR. CK Cf.Rd Fc.b.d Eθ E F.Rd C0. na zona roscada.t.Rd Ft. avaliada experimentalmente Força de compressão aplicada Força de pré-esforço de dimensionamento Força de tracção na fiada mais acima Força de tracção na fiada mais abaixo Resistência de cálculo Força de cálculo actuante Resistência à tracção da fiada i de parafusos Resistência da zona traccionada Força de tracção 140 Manual de ligações metálicas .fb.SIMBOLOGIA Aeff Ag Ah Anet As Asg Asn Av Be Bt.

fc. à temperatura ambiente Rigidez plástica da componente i.20ºC Fui.Sd Fv.SIMBOLOGIA Ft.20ºC Fyi.Sd Fv.20ºC.Rd Ft.Rd Fy. à temperatura ambiente Rigidez elástica e plástica da componente i.Rd Fw. à temperatura θ Comprimento da soldadura Comprimento limite dos parafusos para que haja forças de alavanca nos chumbadouros Comprimento da zona embebida do chumbadouro Comprimento do chumbadouro acima da fundação de betão Comprimento equivalente do chumbadouro Comprimento Comprimento da viga.Rd Fw. à temperatura θ Momento de inércia Momento de inércia da viga Momento de inércia do pilar Rigidez elástica da componente i. L1 Lb Lc Leff Lw Lw.ep.Rd Fw. Kpli.θ.t.t. Kei.Rd Ft. em situação de incêndio Força actuante num cordão de soldadura Esforço transverso actuante Máxima resistência ao corte obtida experimentalmente Resistência de cálculo dos parafusos ao corte. à temperatura ambiente Forças de cedência e de rotura da componente i.θ La Lb.t. Fyi. Fui.Rd Fw.20ºC Kei.Rd Fv.max Fv. em situação de incêndio Força de corte actuante Resistência característica de elementos ao corte Resistência de cálculo ao corte Resistência de um cordão de soldadura Resistência de um cordão de soldadura.θ. Kpli.eff M Resistência de cálculo da placa de extremidade flectida Resistência de cálculo do banzo do pilar flectido Resistência de cálculo da alma da viga traccionada Resistência de cálculo da alma da viga comprimida Resistência de cálculo dos parafusos à tracção.θ I Ib Ic Ke.Rd Fv Fn.Rd Ften.wb. Kpl. em situação de incêndio Resistência de um cordão de soldadura de ângulo por unidade de comprimento Forças de cedência da componente i.wc.lim Lbe Lbf Leq L.Rd Ft. à temperatura ambiente Forças de rotura da componente i. comprimento livre do chumbadouro Comprimento do pilar Comprimento efectivo de um T-stub Comprimento do cordão da soldadura de ângulo Comprimento efectivo do cordão da soldadura de ângulo Momento flector 141 Manual de ligações metálicas .

no instante de cedência da componente i Esforço de corte devido a acções não sísmicas Esforço de corte devido aos momentos resistentes nas extremidades da viga Esforço transverso actuante Esforço transverso plástico de cálculo Resistência de cálculo do painel de alma do pilar em corte Módulo de flexão plástica na direcção z e na direcção y. respectivamente MRd MSd N. função Manual de ligações metálicas . N2 NSd Npl.exp Momento flector por unidade de comprimento Momento na viga Momento flector plástico de cálculo Momento flector plástico de cálculo na viga Momento flector plástico de cálculo no pilar Momento flector plástico de cálculo da ligação Momento flector actuante na ligação Momento flector elástico da ligação Momento flector de rotura da ligação Valor esperado do momento flector de rotura da ligação Valor experimental do momento flector de rotura da ligação Mj.ult. N0.Rd Mb.d Mj.max.Rd Mj. N1.ult.pl.ini. Wpl. à temperatura ambiente e a temperatura de rotura θf.Rd N1y Pv Q Rd Rfy Sj Sj.Sd. ângulo.el Mj. S1.z.Rd Mj.Rd Vwp.20ºC VG.20ºC Sj.y Momento flector resistente Momento flector actuante Esforço axial Esforço axial actuante Esforço axial plástico de cálculo Esforço axial resistente Esforço axial no elemento principal que corresponde à plastificação Resistência do painel de alma não reforçado Força de alavanca Resistência da ligação Resistência plástica do membro ligado.Ed VM.ult Mj.pl.20ºC. Mj.SIMBOLOGIA M´ Mb Mpl. com capacidade dissipativa Rigidez da ligação Rigidez inicial da ligação Rigidez secante da ligação Rigidez de rotação da ligação à temperatura ambiente.sec Si.Rd Mc. Mj Mj.Ed VSd Vpl. respectivamente α 142 Coeficiente de comprimento efectivo de um T-stub.θf Momento flector máximo da ligação j.Rd Nu.Rd Wpl.max.

θi θp θ0 = θfb λ 1. pela aplicação de forças exteriores Deformação de componentes na zona de compressão Deformação de componentes na zona de compressão na parte superior da ligação Deformação de componentes na zona de compressão na parte inferior da ligação Variação da espessura da placa Deformação total da placa. θ2.ext δt δCd ζ.t δc. coeficiente de atrito Grau de utilização da estrutura Factor da amaciamento da ZAC 143 β βj βw βLw γM0 γM2 γm γm.SIMBOLOGIA αb Factor relativo à distância entre parafusos e distância dos parafusos à extremidade da placa. no cálculo da resistência ao esmagamento Coeficiente de transformação para solicitação por corte. quociente entre diâmetros Coeficiente da ligação Factor de correlação para avaliação da resistência de uma soldadura Factor de redução para cordões longos Factor parcial de segurança para o aço.ext δc δc.b δp δp.fi δ δb δb. ξ η θ θ1. λ 2 λ μ μ0 ρhaz Manual de ligações metálicas . ângulo entre o reforço e a horizontal. pela aplicação de forças exteriores Deformação de componentes na zona de tracção Capacidade de deformação Coeficientes utilizados para avaliar a rigidez inicial e o momento resistente da ligação e bases de pilares Coeficiente de modificação de rigidez Ângulo. temperatura Ângulo entre a diagonal e o perfil principal Capacidade de rotação plástica Temperatura do banzo inferior da viga Dimensões do T-stub Esbelteza relativa Coeficiente de rigidez. relativo à plastificação da secção transversal Coeficiente parcial de segurança da secção útil na zona da ligação Coeficiente parcial de segurança à temperatura ambiente Coeficiente parcial de segurança em situação de incêndio Deformação Deformação do parafuso Deformação total do parafuso.

20ºC . Δy Δyi. à temperatura θ Deformação da componente i na rotura. à temperatura ambiente e à temperatura θ. Δfi. à temperatura ambiente Deformação da componente i na rotura. à temperatura ambiente Deformação da componente i na cedência. tolerância Deformação da componente i. à temperatura ambiente e à temperatura θ.SIMBOLOGIA σ σw σ⊥ σ// τ τ⊥ τ// φ.20ºC .θ Δ f Tensão normal Tensão normal na soldadura Tensão normal perpendicular ao plano crítico de um cordão de soldadura Tensão normal paralela ao eixo de um cordão de soldadura Tensão de corte Tensão tangencial (no plano crítico do cordão) perpendicular ao eixo de um cordão de soldadura Tensão tangencial (no plano crítico do cordão) paralela ao eixo de um cordão de soldadura Rotação da ligação Capacidade de rotação da ligação Rotação da ligação no instante de cedência da componente i.20ºC .θ ψ ψi Δ Δi.θ Δyi. Φj φCd φyi. respectivamente Deformação da componente i na cedência. respectivamente Factor de forma Ângulo de rotação Deformação.20ºC. φy i. Δi.θ Δfi. à temperatura θ 144 Manual de ligações metálicas .

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nomeadamente no que diz respeito às ligações. fabricação e montagem de estruturas metálicas. Foi elaborado a partir de questões recolhidas junto dos projectistas. em toda a União Europeia e respondidas por especialistas nas respectivas áreas. . Nos últimos anos foi feito um grande esforço para se tentar avaliar o comportamento real das ligações. o dimensionamento de ligações metálicas baseia-se apenas em verificações da capacidade resistente. Este livro pretende fornecer informação detalhada sobre o comportamento das ligações. O Comité Técnico de Ligações Estruturais da Convenção Europeia de Construção Metálica (ECCS TC10) apoia o desenvolvimento e a implementação de um conjunto de regras para o dimensionamento de ligações metálicas. Uma das suas acções é o apoio ao desenvolvimento de material educacional necessário a incentivar os projectistas europeus a adoptarem a EN 1993-1-8. tem conduzido à evolução e desenvolvimento de novos critérios de dimensionamento e construção de estruturas metálicas.8 do Eurocódigo 3 (prEN 1993-1-8) considerou estes desenvolvimentos e inclui uma abordagem ao cálculo da rigidez. A parte 1. com base nos fundamentos e métodos de dimensionamento apresentados nesta Norma. Tradicionalmente. construtores e fabricantes. resistência e capacidade de rotação para uma gama alargada de ligações aparafusadas e soldadas.O desenvolvimento no projecto. em simultâneo com a introdução de materiais de construção de alto desempenho.

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