Manual de Ligações Metálicas
Eds. L. Simões da Silva e A. Santiago http://www.cmm.pt ISBN 972-98376-4-3

Documento para divulgação do Projecto: Continuing Education in Structural Connections - CESTRUCO No. CZ/00/B/F/PP-134049 Ao abrigo do PROGRAMA LEONARDO DA VINCI da Comunidade Europeia. Este projecto foi desenvolvido com o apoio da Comunidade Europeia. O conteúdo deste projecto não reflecte necessariamente, a posição da Comunidade Europeia ou Departamentos Nacionais nem envolve a responsabilidade de nenhuma das partes.

manual de LIGAÇÕES METÁLICAS

editado por:

Luís Simões da Silva Aldina Santiago

Coimbra, Novembro de 2003 __________________________________________________________________ cmm – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista

6 Q2.ÍNDICE ÍNDICE Prefácio 1 Introdução 2 Parafusos e Ligações Aparafusadas 2.4 Q2.2 2.4 2.1 Q2.3 Q2.8 Q2.11 Introdução Características mecânicas dos parafusos Comportamento de um parafuso numa ligação Parafusos em ligações ao corte Ligações resistentes ao escorregamento Perda de pré-esforço no parafuso Resistência de ligações da categoria C Resistência ao corte de parafusos solicitados também à tracção Distâncias máximas entre parafusos e dos parafusos às extremidades das placas Critério de deformação em ligações com parafusos ao corte Distâncias entre parafusos e dos parafusos às extremidades das placas Resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos ao corte Resistência ao esmagamento em ligações com furos ovalizados Método de dimensionamento de ligações com parafusos ao corte em furos ajustados Parafusos solicitados ao corte mais tracção Resistência de ligações com aço de alta resistência ix 1 3 3 3 4 5 5 6 6 6 7 8 9 9 10 12 12 13 3 Soldadura e Ligações Soldadas 3.3 2.1 2.7 Q2.5 Q2.1 Q3.2 Q2.4 Introdução Ligação de duas cantoneiras a uma placa de gusset Resistência de um cordão de soldadura de ângulo Dimensionamento de cordões de soldadura de topo com penetração parcial Dimensionamento de cordões de soldadura em ligações com resistência total 15 15 18 19 19 20 .1 Q3.2 Q3.10 Q2.9 Q2.5 Q2.3 Q3.

2 Q4.2 5.1.3 Q4.6 5.5.3 5.4.1 Introdução 6.5.4 5.3 Q5.3 Q6.1 Q6.2 Q5.1 5.1 5.1 Q5.3 5.4 Dupla cantoneira de alma Cantoneira de alma simples Placa de extremidade flexível Placa de gousset Dupla cantoneira de alma Placa de extremidade flexível Placa de gousset Extremidades preparadas para o contacto Extremidades não-preparadas para o contacto 31 31 31 32 32 32 33 33 33 34 34 35 35 36 36 37 37 38 39 40 Ligação viga-viga Emendas de pilares Resistência dos parafusos ao esmagamento: tolerâncias permitidas Cantoneira ligada por um ou dois parafusos Capacidade de rotação Integridade estrutural 6 Ligações com Transmissão de Momento 6.5 5.1 6.2 Q5.4 Q4.4.3 5.4 Introdução Integridade estrutural Métodos de cálculo Ligação viga-pilar 5.5 Introdução Cálculo preliminar de ligações Utilização da análise elástica para a análise global de estruturas Critérios de classificação para bases de pilar Cálculo de ligações solicitadas por esforços reduzidos Modelação da excentricidade da ligação no cálculo de pórticos 23 23 24 26 27 29 29 5 Ligações sem Transmissão de Momento 5.1 5. para ligações com placa de extremidade Fórmula para o coeficiente α do comprimento efectivo do T-Stub Regras para dimensionamento de ligações com esquadro de reforço Regras para reforços diagonais e em K Manual de ligações metálicas .6.4 Método das componentes Caracterização do comportamento de componentes de uma ligação 43 43 43 45 46 47 48 49 Coeficiente de modificação da rigidez η.4 Modelação Estrutural 4.4.6.5.2 5.2 Q6.1 5.1.1 Q4.2 Q6.2 5.4.1 Q4.

1 Q7.7 Q6.2 8.4 Q8.10 Distribuição plástica de forças numa ligação com placa de extremidade muito espessa Linhas de rotura em fiadas com quatro parafusos Distribuição de esforço transverso em ligações aparafusadas Efeito de alavanca no T-Stub e verificação da fadiga Determinação das propriedades de ligações submetidas a momento flector e esforço axial Regras de dimensionamento para reforços em K e do tipo Morris 49 50 52 52 54 58 7 Bases de Pilares 7.6 Introdução Critérios de dimensionamento Tipos de ligações viga-pilar Recomendações de projecto e produção Dimensionamento de ligações sujeitas a carregamento dinâmico Influência de carregamento não-simétrico Influência de encruamento Influência da tecnologia e pormenorização da soldadura Utilização de parafusos de alta resistência em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas Importância do comportamento do painel de alma do pilar (reforços) 79 79 79 81 82 84 84 85 85 87 87 9 Acção do Fogo 9.2 Q8.1 Introdução 89 89 Manual de ligações metálicas .8 Q7.4 Q8.7 Q7.Q6.1 Q7.3 Q8.2 Q7.8 Q6.5 Q8.9 Q7.9 Q6.5 Q7.6 Q7.3 Q7.6 Q6.1 8.1 Q8.5 Q6.4 Q7.10 Introdução Análise elástica da placa de base Cálculo da resistência da placa de base com argamassa de assentamento de baixa qualidade Cálculo comparativo da resistência do betão pela EN 1992-1-1 e EN 1993-1-8 Factor de concentração de tensões kj para bases de pilares Comprimento efectivo do T-stub associado à placa de base Comprimento efectivo do T-stub de bases de pilar com chumbadouros fora da largura dos banzos Coeficiente de atrito entre o aço e o betão Transmissão de forças de corte através dos chumbadouros Transferência de forças de corte por atrito e através de chumbadouros Regras para realização da ancoragem dos chumbadouros 61 61 62 63 64 66 67 69 72 72 73 74 8 Acção Sísmica 8.3 8.

3 Q11.Q9.3 Q11.7 Introdução Ligações soldadas Ligações aparafusadas Considerações de dimensionamento Modelos de previsão do comportamento para ligações com perfis circulares ocos (CHS) Modelos de previsão do comportamento para ligações com perfis rectangulares ocos (RHS) Modelos analíticos para ligações entre perfis ocos e secções abertas Ábacos de dimensionamento Sistemas de “Blind Bolting” – aparafusamento com acesso apenas por um dos lados Aço de alta resistência em ligações de secções tubulares Dimensionamento de estruturas offshore 97 97 97 98 99 99 102 104 106 108 110 111 11 Ligações de Perfis Enformados a Frio 11. ao longo do tempo Comportamento de ligações metálicas a temperaturas elevadas – aplicação do método das componentes 89 91 91 93 10 Ligações de Secções Tubulares 10.3 Introdução Resistência da soldadura de ângulo Largura efectiva e espessura do cordão de soldadura de ângulo Soldadura de topo em ligações de alumínio 123 123 124 125 125 Manual de ligações metálicas .2 11.1 Q9.2 Q10.1 Q12.1 11.3 Q10.3 10.1 Q12.2 Q9.2.2.2 10.4 Ligadores mecânicos Soldadura Colas 113 113 113 113 117 119 119 120 120 121 121 Considerações de dimensionamento Aumento da tensão de cedência das secções enformadas a frio Capacidade de deformação de ligações ao corte Resistência dos parafusos em painéis sandwich Resistência ao esmagamento de placas finas 12 Ligações em Alumínio 12.1 Q11.6 Q10.5 Q10.2 Q11.2 Q12.1 Q10.3 11.4 Resistência dos parafusos a temperaturas elevadas Resistência da soldadura a temperaturas elevadas Distribuição da temperatura numa ligação.1 10.4 Q10.1 11.3 Q9.4 Q10.2 Introdução Ligadores 11.2.

1 Casos práticos 131 131 Simbologia Referências Bibligráficas 137 143 Manual de ligações metálicas .Q12.4 Zona afectada pelo calor (ZAC) 126 13 Exemplos de Dimensionamento 13.

Aldina Santiago (editora). B. Gresnigt (chapter Moment-resistant Connections). Baniotopoulos (chapters Welding and Aluminium). N. chapter Introduction and Column Bases). Sokol (chapter Structural Modeling). Shipholt. Os autores dedicam este trabalho a Martin Steenhuis. Luciano Lima (UERJ. Blok (internal review). H. Leiria). Altino Loureiro(DEM. e morreu tragicamente no verão de 2001. Huber. J. Dubina (chapter Seismic Design). Simões da Silva (chapter Fire Design). Moore (chapter Simple Connections). Grecea (chapters Hollow Section Joints and Cold-formed Member Joints). Rui Simões. Kouhi. D. Mazzolani. nosso amigo. Sandra Jordão. Steenhuis. Yeomans. que trabalhou connosco durante vários anos na investigação de ligações metálicas. K. Luís Costa Neves. Evers (chapter Design Cases). Coimbra). T. D. Covilhã). Luís Borges (ISTG. T. participou no início deste projecto. J. M. Měřínský (internal review). Johansson. F. A. Turcic. G. Braham. R. and F. M. Beg. J-P. A edição e tradução desta publicação foi efectuada pelos seguintes membros do Grupo de Construção Metálica do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra: Luís Simões da Silva (editor). M. Leino. M. J. Fernando Teixeira Gomes. Weynand. V. Jorge Andrade (UBI. A. G. Z. Bijlaard. Eliášová. Santiago (chapter Fire Design). F. Rio de Janeiro). D. Rathbone.A versão original inglesa desta publicação foi elaborada no âmbito do Projecto Comunitário “CESTRUCO – Continuing Education in Structural Connections” com a colaboração das seguintes pessoas: C. L. T. . Lennon. A. C. Wald (editor. F. Janata (internal review). Veljkovic (chapter Bolting). M. R. Jaspart. A versão original inglesa desta publicação foi revista externamente por: D. Brekelmans.

em obra através de parafusos. As vantagens económicas das estruturas de aço estão. Diria que é também por esta razão que as ligações na construção metálica têm recentemente conhecido um crescente interesse por parte dos engenheiros projectistas e. confinado-o em Portugal. isto é. quando visíveis. a concepção.deformabilidade e resistência . as ligações. o engenheiro de estruturas não assumia o seu controlo. Eram. preparações e soldaduras. às pontes e aos edifícios industriais. Por isso. Esta relevância das ligações para o sucesso das estruturas de aço era contrariada. Isto não só para que a maior parte da preparação da estrutura seja executada em ambientes controlados e tirando partido de equipamentos e processos automatizáveis. E. por outro lado. É que para a promoção do aço nunca é demais insistir que o seu moderno e eficaz uso assenta na préfabricação e na exploração de todas as técnicas que permitam reduzir o trabalho em obra à realização de montagens rigorosas mas fáceis e rápidas. Por outro lado.a competitividade da solução metálica depende das ligações projectadas por nelas se concentrar a maior parte do custo quer de fabrico quer de montagem em obra dos elementos a ligar. até há pouco tempo. associadas à eficiência das suas ligações. por a sua concepção. e a prescrição de elementos e processos de aparafusamento. a principal diferença económica entre as estruturas de aço e as que usam materiais a moldar in situ. e montados . portanto. Independentemente do facto do modelo estrutural adoptado. especialmente. tem tido neste domínio particular relevância. ser muito condicionado pelo comportamento das ligações projectadas . ao envolver cortes e tolerâncias. o funcionamento da estrutura. até há poucos anos atrás.PREFÁCIO PREFÁCIO Os meus alunos sabem que inicio todas as aulas ou palestras sobre o uso de elementos estruturais de aço na construção salientando que devem ser concebidos para serem cortados. soldados e pintados em instalações protegidas. como o betão.ou ligados . isto é. exprimem de forma eloquente o nível tecnológico da estrutura que integram e delas depende muito a qualidade estética do conjunto. Por outras palavras. . furados.os arquitectos -. ser frequentemente relegada para o âmbito da metalomecânica. não integrando o comportamento das ligações na avaliação global da estruturas que concebia. dos arquitectos. um problema a resolver pelo fabricante. O contributo português. explorando. mas também para limitar o tempo de obra e ocupação de estaleiro. por isso. assim. Tendo-se alterado esta situação. modelação e análise das ligações surge como tema de muitas comunicações a congressos sobre estruturas metálicas e é o motivo dos mais recentes desenvolvimentos ocorridos na redacção dos Eurocódigos. "pormenores" cujo dimensionamento não acompanhou os progressos da concepção estrutural com base nos critérios da análise limite e da visão integradora que proporciona. a exposição de ligações criativamente concebidas está hoje "na moda" e pode-se dizer que o projecto e fabrico de ligações eficazes e belas tem estimulado significativos avanços na construção metálica. a elas se devendo grande parte da popularidade que as estruturas de aço conhecem. afastavam do uso do aço quem mais pode contribuir para a sua difusão na área dos edifícios importantes . em particular do grupo de Coimbra liderado pelo Professor Luís Simões da Silva.

No caso das ligações estamos num momento intermédio pois trata-se ainda de capítulo especializado do Eurocódigo 3. que resulta de um trabalho de equipa no âmbito do Projecto Europeu CESTRUCO. estimada através do método das componentes. E também que. será. bem como o tratamento do problema do comportamento das ligações sob a acção de incêndios. as recomendações para projecto têm ciclos de desenvolvimento. traduzidos por regras complexas. O presente Manual. na análise de estruturas metálicas. muito útil. por isso. a que se seguem fases de teste e simplificação. Para a sua compreensão e ensino nos cursos de Engenharia Civil os textos de apoio escasseiam. embora se trate de um Manual destinado a apoiar engenheiros civis e não a engenheiros metalúrgicos. Sublinharia do seu conteúdo a consideração da deformabilidade das ligações (semi-rigidez). nomeadamente sob acção de sismos. não deixa de abordar os problemas relacionados com a fadiga e a sua prevenção através de pormenores de forma e escolha adequada dos materiais.PREFÁCIO Como sempre. cujas regras e modelos de cálculo são complexos e de difícil aplicação. ANTÓNIO LAMAS Manual de ligações metálicas .

para descrever o comportamento global momento-rotação da ligação. mas com o desenvolvimento tecnológico. Nos últimos dez anos. o projectista pode prever o comportamento real de pórticos metálicos simples. etc). Do mesmo modo. a qualidade dos processos de soldadura tem sofrido avanços consideráveis.9 e 12. com um nível de segurança mais aferido e podem ser utilizadas em estruturas que se pretendam que sejam esteticamente agradáveis.5. mas também a rigidez e capacidade de rotação de ligações aparafusadas e soldadas. No passado. A automação de fabrico tem evoluído desde o desenho manual (ou mesmo CAD-2D) e métodos de corte tradicionais. .6 e 5. resistência e capacidade de rotação para uma gama alargada de ligações aparafusadas e soldadas. Estas alterações. nomeadamente nas ligações. a software sofisticado de projecto. 10. foram elaborados documentos de apoio. estando actualmente em fase de conversão em Normas definitivas que substituirão. A introdução de aços de alta resistência aumentou a variedade de aços e de parafusos disponíveis no mercado. fabricação e montagem de estruturas metálicas. fabricação e construção de estruturas metálicas. e em particular a generalização da automação das tarefas de projecto e fabricação. Com base nesta informação. 4. Como parte integrante do desenvolvimento das primeiras versões da EN 1993-1-8. Actualmente dispõe-se de métodos capazes de avaliar não só a capacidade resistente. Actualmente os aços variam desde os tradicionais S235 a S355 aos aços de classe S690 ou S960 e os parafusos dividem-se em parafusos ordinários: classes 4. por punção ou furar automaticamente. Actualmente as ligações metálicas podem ser económicas de fabricar e montar. o dimensionamento de ligações metálicas baseia-se apenas em verificações da capacidade resistente. em simultâneo com a introdução de materiais de construção de alto desempenho. Estas normas têm sido desenvolvidas ao longo de vários anos e constituem documentos designados por Eurocódigos Estruturais. estes documentos apresentaram-se sob a forma de pré-normas. dos desenvolvimentos tecnológicos e técnicas disponíveis nos diferentes países. banzo da coluna. que referem recomendações de dimensionamento e montagem de elementos de ligação. a União Europeia decidiu implementar normas de dimensionamento.9.1 INTRODUÇÃO Desenvolvimentos recentes no projecto. as ligações soldadas em oficina e aparafusadas em obra têm-se generalizado. que ligado directamente ao controlo numérico das máquinas (CNC) permite cortar a laser. nomeadamente parafusos e soldadura. Esta parte inclui-se no documento principal do Eurocódigo 3 e é designada por EN 1993-1-8 – Dimensionamento de Ligações [prEN 1993-1-8: 2003]. era usual utilizar rebites como elemento de ligação. assim como em utilizações mais correntes. A metodologia apresentada na EN 1993-1-8 é designada por método das componentes e baseia-se no comportamento individual de cada uma das componentes (parafusos.6 e parafusos de alta resistência: classes 8. tem conduzido a um aumento da qualidade e normalização relativamente a outros materiais estruturais. No que se refere ao Eurocódigo de Estruturas Metálicas (Eurocódigo 3) foi “reconhecida” a importância das ligações e autonomizou-se uma parte específica com regras e recomendações para o seu dimensionamento. tem sido feito um grande esforço para se tentar avaliar o seu comportamento real. nomeadamente pela introdução de laminagem contínua de aços e utilização de robôs de soldadura. A EN 1993-1-8 considerou estes desenvolvimentos e inclui uma abordagem ao cálculo da rigidez. os regulamentos nacionais. Para tirar partido da variabilidade dos produtos metálicos. placa de extremidade. soldas. Numa primeira fase. em devido tempo. Tradicionalmente. Adicionalmente e antes de serem incluídos nas Normas Europeias. os modelos de dimensionamento de cada um desses componentes forão progressivamente validados através de ensaios experimentais. tem conduzido a alterações na filosofia de dimensionamento de estruturas metálicas.8.

há mais de vinte anos. sendo uma das fases deste processo o desenvolvimento de material educacional necessário para incentivar os projectistas Europeus a adoptarem a EN 1993-1-8. Uma das prioridades deste Comité é facilitar a introdução da EN 1993-1-8 como Euro-Norma. Luxemburgo). Paralelamente. De modo a facilitar a sua utilização. ligações mistas [Anderson. entre outros. Finlândia). 1999] e bases de colunas [Wald et al. Adicionalmente. foi desenvolvido um projecto denominado “Continuing Education in Structural Connections (CESTRUCO)”.um gabinete virtual de projectos metálicos e o SSEDTA . o SteelCal .. em trabalho realizado por Zoetemeijer [Zoetemeijer. baseia-se. Outros trabalhos educacionais disponíveis pelo ESDEP incluem o WIVISS . expressões de dimensionamento de ligações soldadas em perfis rectangulares ocos e critérios de verificação de Estados Limites de Utilização para ligações realizadas por cavilhas. mais tarde foi alargado de modo a incluir ligações com cantoneiras [Jaspart.INTRODUÇÃO contínuos e semi-contínuos. O Comité Técnico 10 (Ligações Estruturais) da Convenção Europeia de Construção Metálica (ECCS TC10) apoia. 1988].b] em ligações com placa de extremidade rasa e estendida. Mais tarde este trabalho foi alargado e incorporado num programa educacional Europeu: European Steel Design Educational Programme (ESDEP).um conjunto de lições em PowerPoint para o dimensionamento de elementos metálicos e mistos. vários investigadores iniciaram pesquisas de modo a definir o comportamento das ligações metálicas sujeitas à acção sísmica. Huber. O ensino faz parte integrante da apresentação e divulgação de novos métodos do dimensionamento de ligações metálicas. 1998]. Um dos primeiros trabalhos educacionais em ligações foi produzido por Owens e Cheal [Owens. a informação contida neste documento será disponibilizada num curso interactivo de dimensionamento. A ideia deste projecto deve-se a Marc Braham (Astron. O objectivo desta publicação é documentar cada uma dessas questões juntamente com a sua respostas. sob a égide do Programa Leonardo da Vinci (União Europeia). Após os sismos de Northridge (USA) e Kobe (Japão). Holanda) e a Jouko Kouhi (VTT. 1998. o desenvolvimento e a implementação de um conjunto de regras de dimensionamento para ligações metálicas. 1983a. O método das componentes. a Jan Stark (TU Delft. regras de verificação da capacidade resistente ao esmagamento em furos ovalizados. 1997]. fabricação e montagem de ligações metálicas.um conjunto de lições em CD. regras de interacção momento-esforço axial na ligação. de modo a fornecer aos projectistas a informação detalhada com base nos fundamentos e métodos de dimensionamento apresentados na EN 1993-1-8. 2 Manual de ligações metálicas . que é actualmente usado em várias Universidades Europeias. Este projecto pretendeu reunir questões típicas sobre o dimensionamento de ligações metálicas e de seguida publicar as respectivas respostas. que contribuiu para o conhecimento do comportamento de estruturas metálicas sob acções sísmicas. seguida de questões e respectivas respostas. encontra-se estruturada nos seguintes capítulos: Capítulo 1: Introdução Capítulo 2: Parafusos e Ligações Aparafusadas Capítulo 3: Soldadura e Ligações Soldadas Capítulo 4: Modelação Estrutural Capítulo 5: Ligações sem Transmissão de Momento Capítulo 6: Ligações com Transmissão de Momento Capítulo 7: Bases de Pilares Capítulo 8: Acção Sísmica Capítulo 9: Acção do Fogo Capítulo 10: Ligações de Secções Tubulares Capítulo 11: Ligações de Perfis Enformados a Frio Capítulo 12: Ligações em Alumínio Capítulo 13: Exemplos de Dimensionamento Cada capítulo apresenta uma breve descrição da aplicação da EN 1993-1-8. Dessas iniciativas cita-se o Projecto “Reliability of moment resistant connections of steel building frames in seismic areas (RECOS)”. bem como a intensa actividade de investigação levada a cabo nos Estados Unidos (Projecto SAC) e no Japão. a EN 1993-1-8 também inclui uma metodologia de dimensionamento de bases de colunas com placa de extremidade. Cheal. Consequentemente.

devem utilizar-se parafusos com elevada resistência à fadiga e deformabilidade reduzida. média percentagem de Liga de aço com uma percentagem média total ou parcialmente de carbono. A zona mais fraca de um parafuso é a parte roscada (Figura 2. Embora em estruturas metálicas se possam usar ligações soldadas e ligações aparafusadas.9 900 1000 Material e tratamento carbono. 6.1). por exemplo.6.9 ou superiores. 5. definida pela média entre o diâmetro do núcleo da espiga dn e o diâmetro “médio” dm: dres = dn + dm 2 (2.6 300 500 6.8 640 800 10. nomeadamente os parafusos de classes 8.8. podem ser utilizadas todas as classes de parafusos. A resistência de um parafuso é normalmente avaliada utilizando a “secção resistente à tracção” (também denominada por “secção resistente”). Classe do parafuso fyb (MPa) fub (MPa) 4.6 240 400 baixa ou 5. as ligações aparafusadas estão mais vulgarizadas pela sua facilidade de fabrico e montagem em obra. Genericamente.1: Características mecânicas dos parafusos.1) . Como regra semi-empírica tem-se. a descrita na cláusula 3. temperado – parafusos de alta resistência. experiência e prática de boa execução. Neste capítulo apresentam-se questões directamente relacionadas com o comportamento dos parafusos e tipologias de ligações muito simples. As diferentes tipologias de ligações aparafusadas incluem placas cobrejuntas. 8. recozido. em que os parafusos normalmente garantem a transmissão de forças entre dois elementos com pequenas excentricidades. nas ligações sujeitas a forças e momentos estáticos. placas de extremidade e cantoneiras.9).8 480 600 8.2 PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Introdução Ligações são dispositivos utilizados para transmitir forças entre elementos estruturais.6. e de forma tradicional. De um modo geral.8 e 10. Quadro 2.1 apresentam-se as classes de parafusos mais utilizadas em ligações metálicas (classes 4.1(3) da EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]. segundo a qual a resistência ao corte de parafusos M12 e M14 deve ser calculada multiplicando a expressão de cálculo da resistência ao corte de parafusos de maior diâmetro por um factor igual a 0. Para ligar estes elementos aos perfis estruturais utilizam-se parafusos.6. pode-se dizer que as ligações aparafusadas são dimensionadas através de processos semi-empíricos.8 e 10. Características Mecânicas dos Parafusos No Quadro 2. Nas ligações sujeitas a forças cíclicas susceptíveis de induzir fenómenos de fadiga. baseados em resultados de ensaios.85. entre outas.

PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS O tamanho de um parafuso é definido em função do seu diâmetro nominal. esmagamento e tracção) podem ser transferidas por corte/esmagamento em ligações aparafusadas correntes e por atrito entre as placas em ligações pré-esforçadas. do comprimento abaixo da cabeça e do comprimento da parte roscada.2 e 2. Comportamento de um Parafuso numa Ligação A resistência última de uma ligação aparafusada é avaliada assumindo simplificações na redistribuição das forças internas. • Parafusos traccionados.. Além destas. Para as diversas distribuições de forças possíveis ao longo de uma ligação. As forças internas (corte.1: Secção transversal e ”secção resistente” de um parafuso [Ballio. 2001]. 4 Manual de ligações metálicas . • Parafusos de alta resistência em ligações pré-esforçadas resistentes ao escorregamento – Neste caso as placas são comprimidas entre si devido às forças de aperto dos parafusos. os parafusos podem ser solicitados como: • Parafusos ao corte – Neste caso o movimento das placas de ligação é restringido essencialmente pelo núcleo do parafuso.2: Distribuição de forças em ligações aparafusadas sujeitas ao corte e em ligação aparafusadas préesforçadas [Trahair et al. resistindo por atrito. comprovadas experimentalmente. 1983]. Rosca Figura 2. existem muitos outros tipos de ligações onde os parafusos são solicitados por uma combinação de corte com tracção.3 para ligações correntes e ligações pré-esforçadas. força no parafuso força na placa esmagamento força no parafuso punçoamento esmagamento atrito corte esmagamento corte atrito esmagamento atrito tracção esmagamento esmagamento a) ligações resistentes ao corte b) ligações pré-esforçadas c) ligações resistentes à tracção Figura 2. Mazzolani. Essas forças são descritas nas Figuras 2.

Na cláusula 3. os parafusos não são solicitados ao corte e as forças são transmitidas por atrito entre as placas ligadas.4 da EN 1993-1-8. os parafusos de alta resistência devem ser apertados.Cd μFp. Esmagamento da placa de ligação. e da força de aperto FpCd (Figura 2. verifica-se uma resposta elástica até que o núcleo do parafuso ou a placa de ligação entrem em fase plástica. Os valores de dimensionamento da resistência ao corte e ao esmagamento são obtidos com base no quadro 3. Fp. A resistência de uma ligação deste tipo é função do coeficiente de atrito das superfícies em contacto μ. O modo de rotura depende das dimensões da ligação e da resistência relativa entre o material dos parafusos e o material das partes ligadas. no mínimo.Cd Fp.Cd Manual de ligações metálicas 5 . C e E. A rotura • • • da ligação poderá ocorrer segundo um dos seguintes modos: Corte no parafuso. No caso de outras condições de tratamento das superfícies.7 da EN 1993-1-8 são definidas várias classes de tratamento das superfícies para as quais μ varia entre 0.2 e 0. A deformação plástica pode iniciar-se no parafuso e na placa de ligação em simultâneo. 2000]. Rotura em bloco.Cd μFp. μFp. Larsen. com 70% da sua tensão última. Se aplicarmos forças superiores.3) introduzida pelos parafusos de alta resistência. o valor do coeficiente de atrito deve ser determinado com base em testes experimentais. A resistência relativa à rotura em bloco é baseada em dois mecanismos de rotura possíveis: cedência por corte combinada com rotura por tracção ou rotura por corte combinada com cedência por tracção [Aalberg. 1983]. Para forças superiores à força de atrito ocorre um deslizamento permanente devido à folga entre o parafuso e o furo. Willems.Cd μFp.4. Ligações Resistentes ao Escorregamento Em ligações pré-esforçadas resistentes ao escorregamento. Este aperto é suficiente para garantir força de atrito entre as placas ligadas e transferir uma pequena força sem que se verifique escorregamento.Cd Fp.3: Parafusos de alta resistência numa ligação pré-esforçada [Kuzmanovic. enquanto que o método para avaliação da rotura em bloco é descrito na cláusula 3.5.Cd Figura 2.1 da EN 1993-1-8 são definidas três categorias de ligações resistentes ao escorregamento. denominadas por B. Nestas ligações.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Parafusos em Ligações ao Corte Os parafusos predominantemente solicitados por cargas estáticas podem ser apertados manualmente. No quadro 3.2 do mesmo Documento. com uma chave (“snug-tight” ou “spanner-tight”).10.Cd Fp. Este deslizamento termina quando o núcleo do parafuso entra em contacto com a placa.

de acordo com a cláusula 3.1(1c) da EN 1993-1-8. quando as forças de tracção e de corte são combinadas.9. Questão 2. Questão 2. Qual a razão deste facto? _____________________________________________________________________ Quando se aplica uma força de pré-esforço num parafuso. que consiste na aplicação de um determinado ângulo de rotação após se ter atingido a condição de “snug-tight” (o valor da rotação depende da espessura total das placas e anilhas). deve-se utilizar: • em parafusos de classe 8. e de acordo com a cláusula 8. • Dispositivos indicadores de carga. • Método “Turn-of-the-nut”. podia ocorrer uma redução da força de pré-esforço entre 25% e 45% num prazo de 2 e 3 meses. Para se obter um nível de segurança adequado.Cd não é reduzida da totalidade da força de tracção Ft aplicada. Como é que este efeito é incorporado no método de dimensionamento de ligações pré-esforçadas? _____________________________________________________________________ Os elementos de ligações resistentes ao escorregamento não devem ser protegidos com pinturas correntes.8: uma anilha mais dura por baixo do elemento que roda durante o aperto (cabeça ou porca). podem ser usadas pinturas específicas que não reduzam o atrito.2 da EN 1993-1-8. • Combinação dos dois primeiros métodos. Questão 2.5(4) da EN 1090-1 [EN 1090-1: 1996]. aplicado com uma chave dinamómetro. deve ser verificada a resistência ao esmagamento.1: Perda de Pré-esforço no Parafuso Testes realizados em França mostraram que em ligações entre elementos de aço protegidos com pinturas correntes. A força de tracção instalada num parafuso de alta resistência pode ser controlada por um dos seguintes métodos: • Momento torçor. a força de pré-esforço Fp. As pinturas correntes reduzem o coeficiente de atrito nas superfícies em contacto e consequentemente a capacidade resistente da ligação.4.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Neste tipo de ligações.2: Resistência de Ligações da Categoria C Porque é que as ligações resistentes ao escorregamento da Categoria C são verificadas ao esmagamento para cargas correspondentes aos Estados Limites Últimos. verifica-se uma deformação do conjunto constituído pelas placas de ligação e pelo parafuso. quando o escorregamento não é permitido para Estados Limites Últimos? _____________________________________________________________________ Neste tipo de ligações existe sempre a possibilidade do parafuso não ficar centrado no furo e entrar em contacto com as placas.9: uma anilha mais dura por baixo da cabeça e da porca. No entanto.3: Resistência ao Corte de Parafusos Pré-esforçados Solicitados Também à Tracção De acordo com a cláusula 3. • em parafusos de classe 10. cuja análise simplificada pode ser efectuada de 6 Manual de ligações metálicas .

segundo os critérios definidos no quadro 3. nota 2. O aumento da força no parafuso é dado por ΔFb e a diminuição da força de aperto entre as placas é de ΔFp. A instabilidade local das placas entre parafusos deve ser verificada de acordo com a EN 1993-1-8. classe de aço e número de placas ligadas. sendo a restante equivalente a uma redução da força que as placas de ligação inicialmente (após o pré-esforço do parafuso) exerciam sobre o parafuso ΔFj.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS acordo com a Figura 2.ext Deformação no parafuso (δb) Encurtamento da placa (δp) δb. a força de contacto entre as placas toma um valor. A força de tracção exterior será parcialmente transformada numa força adicional no parafuso ΔFb. A deformação do parafuso δb. a força total no parafuso será Fb e a deformação δb. Estudos por elementos finitos indicam que esse factor deveria depender da espessura. de acordo com o quadro 3.ext. uma parte da força de pré-esforço no parafuso mantém-se constante. Se aplicarmos uma força exterior de tracção Ft.4: Diagrama de forças internas numa ligação pré-esforçada solicitada à tracção [Bickford. Questão 2. Em juntas muito longas. Estes limites são definidos de forma a garantir um bom comportamento da ligação.ext Figura 2. é compatível com a força de pré-esforço Fp e com a diminuição de espessura da placa δp. as deformações nas placas ligadas conduzem a uma distribuição não uniforme das forças pelos parafusos).2) A validade do factor 0. classe de parafuso. ΔFb Pré-esforço no parafuso (Fp) Força total no parafuso (Fb) ΔFj Força externa no parafuso (Ft) Fj δp.4: Distâncias Máximas entre Parafusos e dos Parafusos às Extremidades das Placas Quais os critérios em que se baseiam os valores de 14 t ou 200 mm para as distâncias máximas entre parafusos. os parafusos ficam submetidos a forças desiguais (se a junta for muito longa. 1995]. no mínimo igual a: Fc = Fp − 0.ext. devido à deformação das placas. tendo em conta fenómenos como a instabilidade local das placas e os associados a juntas longas. A linha a traço interrompido mostra a influência da flexibilidade das placas à flexão devido às forças de alavanca. Manual de ligações metálicas 7 . sendo a deformação da ligação dada por δp.4.8 baseia-se num cilindro de compressão com área fixa. Ao aplicarmos a força de tracção à ligação. devido a deformações no material de base.3.8. Este efeito é considerado nas regras definidas na cláusula 3. 8 ⋅ Ft (2.3 da EN 1993-1-8? _____________________________________________________________________ Os valores limites para p1 e p2 são independentes das condições atmosféricas ou outros factores que influenciem a corrosão dos elementos da ligação. Devido à relação entre a rigidez do parafuso à tracção e das placas à compressão (com valores entre 1 e 4).

Força.. 1. facto que inclusivamente é comprovado por testes experimentais. mais do que propriamente evitar a rotura da ligação.fy/fum. Desta forma.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS que obrigam a uma redução da resistência ao corte dos parafusos.5 mm.6: Valores limites da resistência de uma ligação [Piraprez. Com base em que documentos foi definido o critério de deformação adoptado na fórmula de verificação da resistência ao esmagamento? _____________________________________________________________________ A maioria dos regulamentos consideram que a resistência Fexp.5: Critério de Deformação em Ligações com Parafusos ao Corte A verificação da resistência ao esmagamento numa ligação com parafusos ao corte pretende essencialmente evitar uma deformação excessiva devido à ovalização dos furos. a resistência convencional depende mais da rigidez inicial da ligação do que propriamente do modo de rotura. 2000].conv. A resistência avaliada com base na tensão limite convencional de elasticidade Fexp. não existem limites máximos para as distâncias dos parafusos às extremidades das placas e1 e e2 (Figura 2.5). de acordo com o indicado no Anexo D da EN 1990 [Wald et al.5: Simbologia relativa ao espaçamento de parafusos. De modo a validar este modelo de resistência foram efectuados ensaios experimentais com placas cobrejuntas com furos ovalizados. δ (mm) Figura 2.fy/fum = 0. dependente do comprimento da ligação.1. 2000].5 é obtida com base numa deformação máxima de 1.ult fy / fum. ult Fexp. para a tensão de cedência característica fy.6 [Piraprez. no caso de rotura frágil da ligação [Snijder et al. como se ilustra na Figura 2.9 Fexp.. p 1 e1 F e2 p2 Figura 2. 8 Manual de ligações metálicas . é definida pela intersecção entre uma recta com uma inclinação igual à rigidez inicial e uma recta com uma inclinação igual a 1/10 da rigidez inicial. conv Fexp. Questão 2. Este procedimento toma a forma Fexp.5 Fexp. tangente à parte não-linear da curva carga-deformação. Em ligações não expostas a ambientes corrosivos. F (kN) Rigidez inicial/10 200 Rigidez inicial Fexp. 2002b]. 1988]. fy/fum 150 100 50 0 0 Curva experimental 3 mm (para ambas as placas) 5 10 15 20 Deformação. é avaliada com base numa redução da tensão resistente do material (tensão última) fum. A resistência de elementos estruturais obtida a partir de testes experimentais até à rotura Fexp.

quando as linhas de parafusos e/ou as arestas limite da placas não são nem paralelas nem perpendiculares à direcção de actuação das forças? _____________________________________________________________________ Nestas circunstâncias. 8e 2 − 1. Figura 2. 3) 2.2 d0 p2= 4d0 e2 = 3d0 Furos 1 Furos 2 Figura 2.7: Espaçamentos entre parafusos e dos parafusos às extremidades da placa.7: Resistência ao Esmagamento de um Grupo de Parafusos ao Corte A resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos pode ser obtida pela soma das resistências individuais de cada parafuso? Ver Figura 2. 7 = 1.5 ⎩ (2.8 Aço: S275 F F p1= 3d0 e1 = 1. Questão 2. as distâncias às arestas limite das placas e1 e e2 e as distâncias entre parafusos p1 e p2 podem ser determinadas com base nos semi-eixos de uma elipse tangente à aresta limite da placa. 2 ⋅ d0 ⎧ e1 ⎪ 3 ⋅ d = 3 ⋅ d = 0. e nos semi-eixos com centro num furo e passando no furo adjacente. 4) Manual de ligações metálicas 9 .7 e se descreve na cláusula 3. 22 360 ⎪ fu ⎩ (2.1 ⎪ 3 ⋅ d0 k1 menor de ⎨ 3 ⋅ d0 ⎪2.6: Distâncias entre Parafusos e dos Parafusos às Extremidades das Placas Quais as distâncias entre parafusos e/ou espaçamentos entre parafusos e as extremidades das placas.8 e o exemplo apresentado. Furos 2: 1.8: Ligação não simétrica. respectivamente. como se ilustra na Figura 2.5 da EN 1993-1-8. 7 = − 1. Parafusos M20. 4 0 0 ⎪ ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. 8. 8 ⋅ 3 ⋅ d0 ⎧ 2.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Questão 2.

1999]..Rd = ( ∑ α b ⋅ k1 ) d ⋅ t ⋅ fu = ( 2 ⋅ 0. 2002a].PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS Furos 1: 3 ⋅ d0 ⎧ p1 ⎪ 3 ⋅ d − 0. 6) Método 1: A resistência ao esmagamento do grupo é dada pela soma das resistências individuais de cada parafuso Fb. 25 = 0. 2000].1) ⋅ d ⋅ t ⋅ fu = 1. os parafusos devem ser dispostos simetricamente na ligação. [Piraprez. A redução de resistência considerada em EN 1993-1-8 é baseada em ensaios recentes [Wald et al.4 do Documento EN 1993-1-8. 4p2 − 1. deve ser considerada como 60% da resistência obtida para ligações com parafusos em furos com folga normalizada. 75 ⋅ 0. solicitados segundo a direcção perpendicular à maior dimensão. 5) 1. Neste ensaios.7 da EN 1993-1-8 são indicadas regras muito claras sobre como calcular a resistência ao esmagamento de um grupo de parafusos.17 ) ⋅ d ⋅ t ⋅ fu = 1. Em ligações de emenda de elementos.Rd = ( ∑ α b ⋅ k1 ) d ⋅ t ⋅ fu = ( 2 ⋅ 0. 8) _____________________________________________________________________ De acordo com o método 1. Questão 2. [Tizani. 25 = 1 − 0. 75 0 0 ⎪ ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2.1 + 2 ⋅ 0.8: Resistência ao Esmagamento em Ligações com Furos Ovalizados Segundo a Nota 1 do quadro 3. 4 ⋅ 4 ⋅ d0 ⎧1.17 ⎪ 3 ⋅ d0 k1 menor de ⎨ 3 ⋅ d0 ⎪2. 10 Manual de ligações metálicas . 4 ⋅ 1. Com base em que estudos é que foi definido este critério? _____________________________________________________________________ Os valores da folga normalizada para parafusos em furos ovalizados são definidos na cláusula 8 do Documento EN 1090-1. Se houver necessidade de limitar as deformações na ligação. 76 ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 γ M2 γ M2 (2. Na cláusula 3. a resistência ao esmagamento em ligações com parafusos em furos ovalizados. 22 fu 360 ⎪ ⎩ (2.1 + 2 ⋅ 0. observou-se que esta redução de resistência deve-se essencialmente a uma redução da rigidez. 7) Método 2: A resistência ao esmagamento do grupo é baseada na resistência ao esmagamento do parafuso mais fraco Fb. 25 = 3 ⋅ d − 0. se a ligação for solicitada apenas por acções permanentes. os Estados Limites de Serviço devem ser verificados em separado. para assim evitar desnecessárias redistribuições internas de forças. 7 = 0. a deformação nos furos 2 pode ser um pouco elevada nos Estados Limites de Serviço. 7 = − 1. verificada no caso de furos ovalizados. 40 ⋅ 1.5 ⎩ (2. O somatório das resistências individuais dos parafusos não condiciona a segurança mas apenas as condições de serviço. 4 ⋅ 1.14 ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 γ M2 γ M2 (2.

[Wald et al.6 0.9 e 2. a) esmagamento por corte (furos normalizados) b) esmagamento por flexão (furos ovalizados) Figura 2.8 0.5 2 2. Manual de ligações metálicas 11 .10. 2002b]..4 1.5 1 1. apresenta menor rigidez e maior deformabilidade que uma ligação do mesmo tipo mas com furos circulares.10: Esmagamento de uma placa de ligação [Wald et al.5 3 3. como se ilustra nas Figuras 2. Uma ligação com parafusos em furos ovalizados solicitados segundo a direcção perpendicular à maior dimensão.2 0 0 Tamanho do parafuso/ Diâmetro do parafuso 0.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS 22 18 40 40 8 16 8 M16 18 200 180 160 140 120 100 Força.9: Comparação entre a curva força-deslocamento numa ligação com furos circulares e com furos ovalizados. δ (mm) Figura 2. 2002a].. Resistência experimental / Resistência obtida com o modelo analítico: r re t 1.2 1 0.4 0. F (kN) Furos circulares 40 40 8 16 8 M16 Furos ovalizados 10 35 50 25 110 10 35 50 25 110 80 60 40 20 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Deslocamento.5 4 Figura 2.11: Razão entre a resistência ao esmagamento obtida experimentalmente e através do modelo analítico de dimensionamento.

em Furos Ajustados Qual o método de dimensionamento de ligações com parafusos solicitados ao corte.Sd Ft. _____________________________________________________________________ Normalmente as tolerâncias aplicadas de acordo com [EN ISO 898-1: 1999] conduzem a folgas de aproximadamente 0. com o eixo longitudinal do furo perpendicular à direcção da força aplicada.4 da EN 1993-1-8.286 Fv. A resistência ao esmagamento é considerada independente das folgas.Sd + ≤1 Fv. tal como considerado em [Owens.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS A resistência ao esmagamento em ligações com furos ovalizados. Cheal.11. onde se representam os resultados de 70 ensaios. 12 Manual de ligações metálicas .9: Método de Dimensionamento de Ligações com Parafusos ao Corte. possui ainda uma reserva de resistência à corte. e é de 0. • Limitação da resistência. no caso da zona de esmagamento e corte se localizarem na parte roscada do parafuso.Rd pode suportar uma força de corte Fv. em furos ajustados? Qual a influência dos seguintes factores: • Tolerâncias nas folgas dos furos.Rd (2. pode ser visualizada na Figura 2. um parafuso sujeito a uma força de tracção igual à sua resistência.75-0. Questão 2. Questão 2. um parafuso solicitado por uma força de tracção igual à força resistente de dimensionamento Ft.12. A influência do comprimento do furo ovalizado na resistência ao esmagamento.Rd. é avaliada com base na expressão seguinte: Fb. De acordo com a Figura 2. Neste tipo de furos não é permitido o esmagamento na zona roscada do parafuso. 1989]. Uma fórmula de interacção alternativa consiste em usar os termos ao quadrado e a resistência à tracção (que aparece em denominador) avaliada na zona do liso. os furos podem ser realizados em obra.9) sendo αb e k1 calculados de acordo com o quadro 3. Em que critérios se baseia esta fórmula? Mais lógico parecia ser a seguinte fórmula: Fv. • Resistência ao esmagamento. 6 k1 ⋅ α b ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (2.4 da EN 1993-1-8.10: Parafusos Solicitados ao Corte mais Tracção De acordo com a o quadro 3.68 se o plano de corte se localiza na zona roscada.63-0. A montagem das ligações é efectuada segundo um processo normal se os furos forem realizados em fábrica.89 se o plano de corte se localiza na zona do liso do parafuso.3 mm. em alternativa. A resistência à tracção de um parafuso é condicionada pela fractura na zona roscada e a interacção corte+tracção é considerada na parte lisa do parafuso.Rd Ft.Sd = 0.Rd = 0. 10) _____________________________________________________________________ Tal como observado experimentalmente. a variação da razão resistência ao corte/resistência à tracção é de 0. • Montagem da ligação.

Os resultados dos ensaios referidos foram comparados com os obtidos através dos modelos de dimensionamento definidos na EN 1993-1-8. 1990].5 Resistência ao corte experimental Fv.max Ft. De modo a avaliar a resistência de ligações com aço de alta resistência.12: Curvas de interacção corte + tracção. Kortesmaa. rotura por corte em bloco em 6 ensaios e rotura da secção útil nos restantes 6 ensaios.Rd 1. 1989]. A fórmula de interacção considerada em EN 1993-1-8 é a seguinte: Fv.exp Ft.Rd Resistência à tracção experimental / Resistência à tracção analítica Ft.9.13): Manual de ligações metálicas 13 . 11) Fv. Foram usadas placas de aço com uma tensão de cedência nominal de 640 MPa e tensão última de 700 MPa e os parafusos eram de classe 10.R 0 0 Resistência ao corte analítica 0.PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS No caso possíveis • • de o plano de corte se localizar na zona do liso do parafuso.Sd + ≤1 Fv. Resultados experimentais têm comprovado que a resistência ao corte aumenta com o aumento do comprimento da zona do liso do parafuso.Sd Ft. os dois modos de rotura são os seguintes: Combinação de corte mais tracção no plano de corte. verificou-se que todos estavam do lado da segurança (Figura 2.Rd 1.exp Fv.0 Figura 2. Questão 2. realizou-se um estudo experimental em ligações aparafusadas com corte duplo [Kouhi.R 1. Isto deve-se ao facto de um parafuso mais comprido desenvolver mais flexão quando comparado com parafusos mais curtos. Foram observados os seguintes modos de rotura: esmagamento em 18 ensaios. Rotura por tracção do parafuso na zona da rosca.0 Plano de corte no liso Fv. de acordo com com os requisitos definidos na EN 1993-1-8 [Owens.5 1.Rd Plano de corte na rosca 0.Sd + ≤1 Fv. 4 ⋅ Ft.Rd (2. logo não deve ser usado para o dimensionamento de ligações entre elementos de aço de classes superiores. é possível utilizar aço de alta resistência. Cheal. com uma tensão de cedência nominal de 640 MPa? _____________________________________________________________________ O Documento EN 1993-1-8 foi desenvolvido para aços até à classe S460.11: Resistência de Ligações com Aço de Alta Resistência Em ligações correntes e de acordo com os modelos de dimensionamento definidos em EN 1993-1-8. 4 ⋅ Ft.Sd Ft.

PARAFUSOS E LIGAÇÕES APARAFUSADAS

• As fórmulas para avaliação da resistência ao esmagamento e da resistência da área útil usada experimentalmente deram os mesmos resultados da EN 1993-1-8. • As fórmulas para avaliação da resistência ao corte em bloco definidas na EN 1993-1-8 são conservativas, quando comparadas com as experimentais. • A resistência ao esmagamento das ligações, obtida com base no somatório das resistências individuais de cada parafuso apresenta-se na Figura 2.13. A deformação avaliada experimentalmente nos Estados Limites Últimos foi da ordem de grandeza do diâmetro dos parafusos. A resistência ao esmagamento obtida com base na resistência mínima dos parafusos é mais segura.
Nota:

• Com o objectivo de estudar a resistência ao esmagamento, o programa de ensaios foi dividido em dois grupos. Num grupo de seis ensaios foi considerada apenas uma linha de parafusos enquanto que no segundo grupo foram consideradas duas linhas, indicadas na Figura 2.13 como esmagamento 1ª linha e esmagamento 2ª linha, respectivamente. • Nos testes foram usadas placas com espessuras de 3 mm, 4 mm, 6 mm e 8 mm. Os valores obtidos para as tensões de cedência foram de 604 MPa a 660 MPa para as placas de 6 mm e 4 mm de espessura, respectivamente. Para a tensão última foram obtidos valores entre 711 MPa e 759 MPa para as placas de 6 mm e 4 mm de espessura, respectivamente. As propriedades medidas correspondem à média de três provetes.
Resistência experimental / Resistência teórica
2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 0 1 2 3 4 5 6

re rt

Rotura em bloco Esmagamento 1a linha Esmagamento 2a linha Secção útil

Ensaio

Figura 2.13: Resistência de ligações aparafusadas obtidas experimentalmente [Kouhi, Kortesmaa, 1990].

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Manual de ligações metálicas

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SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS
3.1 Introdução

A maioria das ligações soldadas são efectuadas em oficina. Um dos problemas que mais afecta as ligações soldadas é a falta de ductilidade do material de adição; todavia, este problema pode ser resolvido se forem respeitadas determinadas regras. Em ligações estruturais deve-se usar sempre soldadura por arco, excepto em casos especiais tais como “stud welding”. Quando se adopta este procedimento, as propriedades mecânicas do metal de adição devem ser compatível com as do metal de base e a espessura das peças a ligar deve ser igual ou superior a 4mm (na soldadura de elementos de paredes finas pode haver necessidade de se aplicar regras especiais). Os cordões de soldadura podem ser divididos em diversos tipos: • soldadura de ângulo, • soldadura por entalhe, • soldadura de topo, • soldadura por pontos e • soldadura sem chanfro. Na EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] são indicadas regras para avaliação do comprimento efectivo de um cordão de soldadura de ângulo com uma espessura a, ver Figura 3. 1.

a

a

Figura 3. 1: Definição da espessura de um cordão de soldadura, a.

No dimensionamento de um cordão de soldadura de ângulo, a tensão total é decomposta nas componentes paralelas e transversais ao plano crítico do cordão (Figura 3.2). A distribuição de tensões é assumida como uniforme ao longo do plano crítico do cordão, podendo desenvolver-se as seguintes componentes: • σ⊥ tensão normal perpendicular ao plano crítico do cordão de soldadura; • σ// tensão normal paralela ao eixo do cordão de soldadura, pode ser desprezada no dimensionamento de cordões de soldadura de ângulo; • τ⊥ tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) perpendicular ao eixo do cordão de soldadura; • τ// tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) paralela ao eixo do cordão de soldadura.

SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS

σ⊥

τ⊥ τ//

σ//

Figura 3.2: Tensões actuantes no plano crítico de um cordão de soldadura de ângulo.

A resistência de um cordão de soldadura de ângulo é suficiente se foram satisfeitas as condições seguintes:
2 σ ⊥ + 3 (τ ⊥ + τ // ) ≤ 2

fu β w ⋅ γ M2

(3. 1)

e

σ⊥ ≤

fu

γ M2

(3. 2)

O factor de correlação βw é definido no Quadro 3. 1, de acordo com o tipo de aço.
Quadro 3. 1: Factor de correlação para avaliação da resistência de uma soldadura.
Classes de Aço

EN 10025 S 235 S 235W S 275 S 275N/NL S 275M/ML S 355 S355N/NL S 355M/ML S 355W S 420N/NL S 420M/ML S 460N/NL S 460M/ML S 460Q/QL/QL1

EN 10210 S 235H S 275H S 275NH/NLH S 355H S355NH/NLH

EN 10219 S 235H S 275H S 275NH/NLH S 275MH/MLH S 355H S355NH/NLH S 355MH/MLH S 420MH/MLH

Factor de correlação βw

0,80 0,85

0,90

1,00 1,00

S 460NH/NLH

S 460NH/NLH S 460MH/MLH

A EN 1993-1-8 considera ainda um método simplificado alternativo para o dimensionamento de cordões de soldadura de ângulo. Consiste na avaliação da tensão resistente ao corte por unidade de comprimento de cordão, independentemente da direcção do esforço transmitido, como se ilustra na Figura 3.3,

fvw.d =

fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2

(3. 3)

sendo a força resistente do cordão de soldadura por unidade de comprimento dada por
Fw.Rd = a ⋅ fvw.d

(3. 4)

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Manual de ligações metálicas

devem ser evitados pormenores de ligações que originem tensões perpendiculares à espessura das peças metálicas resultantes de soldadura. 2 ⎜ ⎛ La ⎞ ⎟ ⎝ 150a ⎠ (3.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS N⊥ Sd Fw.uniforme. A resistência de um cordão de soldadura com comprimento superior a 150a deve ser reduzida.Rd Fw.4 0. A espessura ou profundidade adequadas de um cordão de soldadura deve ser obtida experimentalmente.6 0.3: Dimensionamento de um cordão de soldadura. 2 − 0. devem ser tomadas medidas adequadas. Em relação às soldaduras de topo. Sempre que possível e de forma a minimizar a possibilidade de arrancamento lamelar.4a). A resistência de um cordão de topo com penetração parcial deve ser determinada de uma forma análoga à considerada para os cordões de soldadura de ângulo.5) τ// a) τ// b) τ// τ// Lw 1 0. os cordões com penetração total devem ter uma resistência igual à resistência da parte mais fraca a ligar. esta variação deve-se à deformação das placas de ligação. Quando esses pormenores forem necessários. as tensões a meio do cordão são inferiores às tensões nos topos (Figura 3. Manual de ligações metálicas 17 . A distribuição de forças numa ligação soldada pode ser obtida com base numa análise elástica ou numa análise plástica. independentemente da direcção do esforço transmitido. 4c): βLw = 1. as tensões no cordão serão uniformes (Figura 3.Rd La V⊥ .Sd V//.4b).Sd Figura 3.Sd Fw.8 0. c) factor de redução βLw. b) distribuição de tensões uniforme. multiplicando-a pelo factor βLw. A concentração de tensões pode provocar uma rotura nos topos dos cordões de soldadura (“zip effect”). Quando um cordão de soldadura muito comprido é solicitado Na direcção do seu eixo. Se as placas tiverem uma espessura adequada às forças internas transmitidas. como se descreve na Figura 3. 4: Ligações soldadas longas: a) distribuição de tensões não.2 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 ΒLw c) L a Figura 3.

10) 18 Manual de ligações metálicas . é solicitado pela força F1 dada por F1 = FSd e 2 b (3. que simplificada resulta na seguinte condição τ 1. 2 e b 1 F Sd Figura 3. as forças e os momentos causados por excentricidades devem ser tidos em conta no cálculo das tensões actuantes num cordão de soldadura.9) sendo a tensão de corte τ// dada por τ 2.5: Cantoneiras ligadas por uma placa de gusset.1: Ligação de Duas Cantoneiras a uma Placa de Gusset Numa ligação soldada entre duas cantoneiras e uma placa de gusset. No entanto. // ≤ fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2 (3. a resistência do cordão de soldadura pode ser verificada através da expressão 3.6) a qual provoca uma tensão de corte na direcção paralela ao eixo do cordãoτ// τ 1.3. as excentricidades devem ser consideradas no dimensionamento dos cordões.7) Como se trata da única tensão actuante. designado por cordão 1. é dada por F2 = fSd ( b − e ) 2 b (3.8) A força F2 no cordão superior (cordão 2).SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Questão 3. O exemplo seguinte descreve o cálculo da distribuição de forças num cordão de soldadura. // = F1 a1 ⋅ L1 (3. bem como no dimensionamento dos elementos ligados. No caso de cantoneiras de abas desiguais ligadas pela aba menor. // ≤ F2 a2 ⋅ L 2 (3. no cálculo de ligações soldadas entre cantoneiras de abas iguais e placas de gusset é prática corrente na Europa desprezar os esforços causados pelas excentricidades. deve ser tida em conta a excentricidade? _____________________________________________________________________ Em geral. O cordão inferior.

Para cordões de soldadura solicitados por forças perpendiculares ao seu eixo. 6: Cordões de soldadura solicitados por: a) forças paralelas ao seu eixo. b) ligações em T. no caso do cordão de soldadura ser solicitado por forças paralelas ao seu eixo. b) forças perpendiculares. um método exacto e um método simplificado.Rd (3. 22 (3.13) Questão 3. como se ilustra na Figura 3. com uma espessura igual a: a = anom – 2 mm. obtém-se fu ⎛ σw ⎞ ⎛ σw ⎞ ⎜ ⎟ + 3⎜ ⎟ ≤ β w ⋅ γ M2 ⎝ 2⎠ ⎝ 2⎠ 2 2 e σw ≤ fu β w ⋅ γ M2 2 = Fw.2: Resistência de um Cordão de Soldadura de Ângulo A EN 1993-1-8 inclui dois métodos para o dimensionamento de cordões de ângulo. Quais as diferenças entre os dois métodos? ___________________________________________________________________________ Não existe qualquer diferença.12) As diferenças entre os dois métodos são traduzidas pela seguinte relação Fw.Rd = fu 3 ⋅ β w ⋅ γ M2 a) τ// σ Figura 3. as tensões calculadas pelo método exacto são obtidas a partir de: σ⊥ = τ⊥ = σw 2 e τ // = 0 (3. as diferenças entre os dois métodos são significativas. τ// FSd b) τ// σw FSd Fw.7: Espessura efectiva de: a) cordões de soldadura de topo com penetração parcial.1 a) anom anom b) a nom.Rd 3 2 = 1.Rd = Fw.11) Com base numa análise plana de tensões. t anom c nom a nom.2 Figura 3.3: Dimensionamento de Cordões de Soldadura de Topo com Penetração Parcial Quais os procedimentos recomendados para o dimensionamento de cordões de soldadura de topo com penetração parcial? ___________________________________________________________________________ Os cordões de soldadura com penetração parcial podem ser dimensionados como os cordões de ângulo.7a).6. Neste caso. Manual de ligações metálicas 19 .SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Questão 3.end.end. como se ilustra na Figura 3.

2 − 2mm (3.4: Dimensionamento de Cordões de Soldadura em Ligações com Resistência Total Quais as recomendações no dimensionamento de cordões de soldadura em ligações com resistência total? ___________________________________________________________________________ τ⊥ σ⊥ t t a) b) τ σw σ FSd τ VSd h Figura 3. b) por forças transversais.16) sendo σ = FSd / (t h).1 − 2mm a2 = anom. o dimensionamento é feito com se tratassem de cordões de ângulo com uma espessura efectiva dada por: anom. No caso ilustrado na Figura 3.17) 20 Manual de ligações metálicas . Para que a soldadura possa suportar uma força superior à resistência das placas de ligação. 8: Espessura efectiva de um cordão de soldadura solicitado por: a) forças normais. 6t 360 /1. 7 (235 /1. 0)t = 0.2 < t a1 = anom. os cordões de soldadura assumem-se como cordões com penetração total. os cordões de soldadura podem ser dimensionados para resistir às forças aplicadas através da seguinte condição: a > 0.2 ≥ t c nom ≤ c nom t 5 ≤ 3mm (3. a espessura deve ser calculada através da condição: a > 0. 25 (3.7b).8. usando uma análise elástica e considerando aço S235.57t ≈ 0. nos casos em que: anom. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 0.15) Questão 3.SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Em ligações em T.1 + anom.1 + anom. 7 σ ⋅t fu / γ M2 (3.14) No caso de penetração parcial (ver Figura 3.

SOLDADURA E LIGAÇÕES SOLDADAS Através de uma análise plástica. 85 = 0. 4 ⋅ 0. 8t 360 /1. 0)t = 0. para cordões de soldadura solicitados segundo uma direcção paralela ao seu eixo. 79t ≈ 0. 85 fy /( 3γ M0 ) t τ ⋅t 235 /(1. a espessura deve ser obtida considerando as seguintes condições: Estruturas contraventadas a > 1. 7 ⋅ 0. 97t ≈ 1. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 1. 0 × 3)t ≈ 0. 25 (3. 7 (fy / γ M0 )t fu / γ M2 = 1. 40t ≅ 0. 4t fw / γ M2 fu / γ M2 360 /1. 7 ⋅ 0.20) Manual de ligações metálicas 21 . 25 (3.19) De uma forma análoga. 0t 360 /1. 7 (235 /1. 4 ⋅ 0.18) Estruturas não contraventadas a > 1. 7 (235 /1. 0)t = 0. 25 (3. 85 = 0. a espessura pode ser calculada através da seguinte condição a > 0.

ini /η φ a) Análise Elástica . as principais características das ligações são a resistência e a capacidade de rotação.2.ini d) Análise Elásto .plástica φ Sj.4 MODELAÇÃO ESTRUTURAL 4. .1: Determinação das características das ligações baseada no tipo de análise global. semi-contínua e simples. RIGIDEZ Rígida Semi . No caso de uma análise rígido-plástica.Contínua - RESISTÊNCIA Resistência parcial Semi.Estados Limites Últimos M MRd φCd c) Análise Rígido . Quadro 4.1 Introdução O comportamento das ligações tem um efeito significativo na resposta das estruturas. Em todos os outros casos.Estados Limites de Serviço M MRd φ b) Análise Elástica . apenas a rigidez das ligações é relevante para a modelação da ligação: a rigidez inicial para a determinação dos Estados Limites de Serviço e cálculos de estabilidade e a rigidez secante aproximada para a determinação dos Estados Limites Últimos.Contínua M MRd Articulada Simples MSd Sj.ini MSd Sj. O Quadro 4.1 e no Quadro 4.Contínua Semi.plástica φCd φ Figura 4. Os parâmetros considerados em cada uma destas modelações depende do tipo de análise aplicada à estrutura. Estas possibilidades de análise são ilustradas na Figura 4.1: Tipos de modelação de ligações. quer a rigidez quer a resistência devem ser incluídas na modelação da ligação.rígida Articulada M 2 MRd 3 Resistência total Contínua Semi.1 resume os três tipos de modelação de ligações adoptados pela EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]: modelação contínua. No caso da análise elástica global de pórticos.

1) O braço da alavanca r é aproximadamente igual à distância entre os centros dos banzos da viga. 1999]. MODELAÇÃO Contínua Semi.Rd.2. considerado como o elemento mais fraco Mj. ligações à esquerda e à direita e painel da alma do pilar. separando ou não. ver Quadro 4.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Quadro 4.rígida TIPO DE ANÁLISE DA ESTRUTURA Análise rígido-plástica Análise elásto-plástica Resistência total Rígida/ Resistência total Resistência parcial Rígida/ Resistência parcial Semi-rígida/ Resistência total Semi-rígida/ Resistência parcial Articulada Articulada Simples Articulada A modelação das ligações pode ser efectuada através de molas rotacionais.ini. Embora. O momento resistente da ligação baseia-se na espessura do banzo do pilar tfc. A estimativa da rigidez e da resistência das ligações é baseada na componente mais fraca. incluídas na resposta da ligação. como por exemplo em estruturas mistas. tal pode ser útil em alguns casos. c) características do painel da alma. na maior parte das aplicações não seja conveniente modelar o comportamento da ligação e do painel da alma separadamente.app = E ⋅ r 2 ⋅ t fc ξ (4. M a M a M b φa T φb M b a) b) c) Figura 4. b) modelo incluindo o painel da alma ao corte.3. Questão 4.app ς ⋅ fy.Contínua Análise elástica Rígida Semi . ver Figura 4.2: Modelação de ligações e análise global da estrutura.fc ⋅ r 2 ⋅ t fc = γ M0 (4. o comportamento do painel de alma do pilar (em ligações viga-pilar) e da ligação.2) 24 Manual de ligações metálicas . A rigidez pode ser aproximada por S j.2: Modelação da ligação através de molas rotacionais: a) zona nodal. Haverá outro método mais simples que possa ser usado no cálculo preliminar? _____________________________________________________________________ Steenhuis desenvolveu um método simplificado para a previsão do comportamento das ligações [Steenhuis.1: Cálculo Preliminar de Ligações A EN 1993-1-8 fornece regras para a caracterização do comportamento das ligações viga-pilar de eixo forte.

5 7 r 6 7 r 8. Quadro 4.5 5 r 14 r 6. considera-se a espessura da placa de extremidade tp superior à espessura do banzo do pilar tp ≥ tfc. placa de base COEFICIENTE ξ ς ξ ς 13.0 7 r 40 r 5. utilizados para avaliar a rigidez inicial e o momento resistente da ligação e bases de pilares.3: Coeficientes ξ e ς e braço da alavanca r .MODELAÇÃO ESTRUTURAL O factor ς pode ser obtido do Quadro 4.0 5 r ∞ >7 r 7. a espessura do reforço do pilar ts ≈ tfb e o diâmetro dos parafusos d ≥ tfc. Para assegurar que a componente mais fraca é o banzo do pilar.3.5 5 r 15 r 11. LIGAÇÃO viga-pilar t fc r M Sd COEFICIENTE LIGAÇÃO viga-pilar.5 5 r 7 r 3 >7 r 10 r 3 >7 r 35 r 11.5 5 r r 20 5 (placa de base) Manual de ligações metálicas 25 .

com ligações concebidas por análise plástica? _____________________________________________________________________ A análise global elástica pode ser usada com ligações calculadas plasticamente. Este procedimento é simples e prático.ult então. algumas componentes podem limitar a capacidade de rotação da ligação.4. nos quais a verificação do comportamento elástico nos Estados Limites de Serviço faz parte do procedimento normal de cálculo. 26 Manual de ligações metálicas . É baseado na experiência e não num procedimento exacto de análise. No entanto.0 = 1. Para os Estados Limites de Serviço admite-se um comportamento elástico dos elementos. A capacidade de rotação das rótulas plásticas nas secções é garantida pela classificação das secções. Nestas condições. O mesmo procedimento pode ser aplicado às ligações. A resistência de todos os elementos estruturais e ligações terá de satisfazer os critérios de dimensionamento.46 e a relação entre a resistência plástica e elástica à flexão de secções em I é cerca de 1.5a). ver Figura 4. Admite-se que os Estados Limites Últimos apenas serão alcançados ocasionalmente. (Figura 4.ult Mj.el deve usar-se a rigidez inicial Sj. A EN 1993-1-8 fornece alguns princípios básicos para a verificação da capacidade de rotação. Os procedimentos de cálculo para avaliação da capacidade de deformação das componentes e da capacidade de rotação das ligações.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Questão 4. No entanto. Por exemplo. a resistência dos elementos é baseada numa distribuição plástica das tensões.0 = 1.3). usando a esbelteza da alma e dos banzos. se a capacidade resistente é baseada no momento elástico de cálculo Mj.6 da EN 1993-1-1 [prEN 1993-1-1: 2003]. a distribuição plástica de esforços é utilizada no cálculo das ligações de modo semelhante ao que é efectuado no cálculo de elementos estruturais (Figura 4. M Sj. Normalmente. logo. têm sido um dos principais focus de investigação mais recente nesta área.18/1. Esta estimativa é conservadora e segura se for considerada a tensão de cedência fy no modelo de cálculo. a classe mínima da secção deverá ser Classe 2. a verificação do comportamento elástico para os Estados Limites de Serviço não é necessária. desde que seja considerada a rigidez de ligação relevante.el Sj.ini na análise.50)/4)/1. 1983b]. Este não é o caso dos elementos mistos.3: Rigidez inicial e rigidez secante de uma ligação. se se considerar o momento plástico Mj. obtida através de uma análise global elástica.ini Mj.sec φ Figura 4. ver cláusula 5. O mesmo princípio é aplicado no cálculo de ligações.sec. deve usar-se a rigidez secante Sj.35+3x1.2: Utilização da Análise Elástica para a Análise Global de Estruturas É permitido o uso de métodos elásticos na análise global da estrutura.18. Esta relação foi observada experimentalmente para outros tipos de ligações. A relação de carregamento dos Estados Limites Últimos e Estados Limites de Serviço em estruturas de aço pode ser tipicamente avaliada em ((1x1. e de forma similar à classificação das partes comprimidas da secção das barras. Na prática. O início do comportamento não-linear de placas de extremidade pode ser estimado a 2/3 do momento plástico de vigas de secção rectangular [Zoetemeijer.

Rd = Ft2.pl. As componentes da ligação podem ser dúcteis ou frágeis. Questão 4.Rd < Ft2. por exemplo).d Mj.el Curva experimental Método das componentes utilizando fu M M φ Método das componentes utilizando fy Sj.Rd = Ft3.5: Distribuição dos esforços internos na ligação com placa de extremidade. Manual de ligações metálicas 27 .Rd < Ft3. Em engenharia é recomendado sobredimensionar as componentes frágeis para aumentar a capacidade de deformação da ligação e consequentemente a segurança da estrutura. rigidez e capacidade de rotação (ver Figura 4.Rd c) distribuição elástica z3 z2 z1 Figura 4.Rd Mj.Rd Ligação de resistência parcial Momento resistente da viga M M Ligação dúctil (Classe 1) Ligação semi-dúctil (Classe 2) Ligação frágil (Classe 3) φ φ M Rotação. Neste caso. M Rotação elástica da viga Rotação última da viga Mb.ult.MODELAÇÃO ESTRUTURAL M Mj.Rd ≤ Fc. É usada uma distribuição elástica quando a componente frágil limita a resistência da ligação. Momento. M Ligação de resistência total Momento.6).ult.Rd = Ft2.4: Avaliação do comportamento da ligação.Rd < Ft3. as componentes inferiores devem estar em regime elástico. = Ft1. ver Figura 4.ini φ Cd φ Figura 4. a ligação deve ser calculada com uma distribuição plástica de esforços (ver a terceira fiada de parafusos na Figura 4.Rd ≤ Fc. φ Rotação. φ Figura 4.exp Mj. Quando a componente frágil é colocada no meio da ligação (parafuso na segunda fiada de parafusos.6: Classificação das ligações baseada na resistência e na capacidade de rotação.Rd ≤ Fc.Rd b) distribuição elasto-plástica = Ft1.3: Critérios de Classificação para Bases de Pilar Porque é que o Documento Normativo EN 1993-1-8 utiliza limites diferentes na classificação de ligações viga-pilar e bases de pilar? _____________________________________________________________________ As ligações podem ser classificadas relativamente à resistência.5c).5b).Rd a) distribuição plástica = Ft1.

p = 0.9.ini. Seguindo o procedimento supracitado.pl. que modifica os esforços internos dentro dos limites de precisão requerida. os limites para ligações viga-pilar introduzidos nos regulamentos são valores conservativos.ini.4) (4. ver Figura 4.u =25 M b= Mb Mb. Assume-se que as ligações são rígidas se a carga crítica não for inferior a 97. Pode-se avaliar a rigidez mínima da ligação num pórtico.Rd S j. 36 .ini.b = 8 φ= E.Rd 0.5 ≤ λ ≤ 3. Este valor baseia-se em estudos numéricos realizados num pórtico com uma viga muito flexível. M b Ligações 1.5 Ligações articuladas φ Figura 4.ini. ver Figura 4. 1999].ini.3) (4. estes valores são função da rigidez à flexão da viga associada. 93 3. Os limites de pórticos contraventados são deduzidos dos deslocamentos horizontais.4 0.b = 8). A rigidez mínima da base do pilar depende da esbelteza relativa do pilar: para para para λ ≤ 0.6 0.Mb.5) é uma aproximação conservativa e pode ser usado em todos os pilares.MODELAÇÃO ESTRUTURAL A fronteira de rigidez entre ligações rígidas e semi-rígidas baseia-se na precisão de cálculo necessária à verificação dos esforços nos elementos e ligações.5) O limite (4.ini ≥ 0 S j.7: Classificação das ligações viga-pilar baseado na rigidez à rotação. Jaspart.pl. A rigidez limite 12 E Ic / Lc pode ser usada em pórticos não-contraventados com pilares de esbelteza inferior a λ = 1. A necessidade de verificação dos deslocamentos nos Estados Limites de Serviço é a razão para a existência de limites diferentes em pórticos não contraventados (Sj.7.5% do valor da carga crítica com ligações totalmente rígidas. têm sido propostos limites entre ligações rígidas e semi-rígidas.p = 0. 5 0. estimada em 30 E Ic / Lc é deduzida para um erro máximo da solução inferior a 10%. fraca resistência à flexão e grande capacidade de rotação ( φCd = 60mrad ).8 0. Cálculos semelhantes foram realizados em pórticos com bases de pilares semi-rígidas [Wald. ver Figura 4.Ib.ini ≥ 48E Ic Lc Ic Lc (4. 28 Manual de ligações metálicas .8.u = 25) e contraventados (Sj.ini.φ Lb. 93 ≤ λ o limite é o limite é o limite é S j.5). Por razões práticas. Por simplicidade. Esta rigidez é o limite para ligações rígidas e todas as ligações com rigidez superior podem ser modeladas como rígidas. Neste caso recomenda-se comparar a rigidez da base de pilar com a rigidez à flexão do pilar.2 0 Ligações semi-rígidas S j.ini ≥ 7 ( 2λ − 1) E S j.0 rígidas S j. A rigidez limite. As ligações articuladas são caracterizadas por uma fraca rigidez (Sj.

2 0 0 Sj. Questão 4.36 ⎯ φ= EIcφ LcMc. com a resistência da viga/pilar? _____________________________________________________________________ As ligações estruturais devem ser calculadas para transmitir esforços acidentais e nominais. Momento relativo Mj/Mpl.MODELAÇÃO ESTRUTURAL Rigidez relativa da placa de base 60 50 40 30 20 10 0 0 2 Sj.Rd Figura 4.002 0.10.c.4 0.n = 30EIc/Lc λo = 1.4: Cálculo de Ligações Solicitadas por Esforços Reduzidos Se a ligação for solicitada por esforços muito reduzidos.pl. Se a ligação for considerada como articulada. será necessário calculá-la para um certo nível (razoável) de esforços. Apenas a excentricidade de uma ligação viga-pilar aparafusada (placa de extremidade. comparado.6 0.003 φ (rad) Base do pilar rígida Sj.01 0. por exemplo.ini.ini E Ic / Lc Curva simplificada Curva real 4 6 8 10 Esbelteza relativa do pilar. λ Figura 4.5: Modelação da Excentricidade da Ligação no Cálculo de Pórticos Os pórticos são normalmente modelados por linhas ligando os centros de gravidade das secções.Rd 1. etc.c. a integridade da estrutura e os esforços na montagem devem ser tidos em consideração. a excentricidade da ligação ao banzo do pilar.ini.10)? ___________________________________________________________________________ No caso da Figura 4.0 0. cantoneiras de alma. pode ser avaliado pela interacção entre esforço axial e momento flector (a encurvadura do pilar é desprezada): Manual de ligações metálicas 29 . Os esforços a considerar dependem do tipo de ligação. O erro na omissão da excentricidade e da flexão em torno do eixo fraco é relativamente elevado.8 0.9: Classificação de bases de pilar baseada na rigidez à flexão. na análise global.s = 12EIc/Lc Base do pilar semi-rígida Base do pilar rotulada 0. Caso actuem forças muito reduzidas. Questão 4.8: Avaliação da resistência de um pilar baseada na rigidez à flexão do apoio inferior. o pilar pode ser considerado como axialmente carregado (ver Figura 4.) à alma de uma secção aberta pode ser omitida. é necessário ter em conta.

z ⋅ fy / γ M0 = 200. 30 Manual de ligações metálicas .5 mm. O erro na omissão da flexão em torno do eixo forte pode ser avaliado pelo momento de cálculo do pilar: Mpl. 0 = 1835 ⋅ 103 N (4. b) vigas ligadas ao banzo.5 ⋅ 103 ⋅ 235 /1.y ⋅ fy / γ M0 = 642.y. c) e alma.6) A resistência do pilar ao esforço axial é Npl. 3 ⋅ 103 ⋅ 235 /1. d) por placas de extremidade. NSd N ⋅e + Sd ≤1 Npl.10: a) Exemplo de excentricidade da carga no pilar.z.Rd (4.8) A resistência ao esforço axial diminui para 1561kN com a excentricidade e = 4. 0 = 47.9) A resistência ao esforço axial diminui para 828.MODELAÇÃO ESTRUTURAL HE 200 B e = 100 mm a) b) FSd c) 9 HE 200 B e = 4.Rd Mpl.7) e a resistência do pilar ao momento flector é Mpl.1 ⋅ 106 Nmm (4.Rd = Wpl.Rd = A ⋅ fy / γ M0 = 7808 ⋅ 235 /1.5 mm FSd d) Figura 4.4*103 N para uma excentricidade de e = 100 mm. 0 ⋅ 106 Nmm (4. 0 = 151.Rd = Wpl.

Emendas de pilares. e portanto não transferem momentos significativos nos Estados Limites Últimos. esta rotação será consideravelmente menor pela restrição oferecida pela ligação. as ligações simples devem permitir uma rotação adequada da extremidade da viga à medida que esta flecte e ocupa as folgas usuais.2 Integridade Estrutural O colapso parcial de Ronan Point no Reino Unido em 1968 alertou a indústria da construção para o problema do colapso progressivo. por forma a preservar a integridade da estrutura e impedir o colapso progressivo.2). Placas de extremidade flexíveis. uma viga simplesmente apoiada com 457mm de altura e 6. as ligações devem ter um grau de fixação. Isto quer dizer que as ligações viga-pilar de um pórtico metálico. e de modo a prevenir grandes esforços na ligação. Para verificar as hipóteses de cálculo. devem ser capazes de transferir uma força horizontal de tracção. Consideram-se • • • • as seguintes formas de ligações simples: Dupla cantoneira de alma. . no qual as vigas são calculadas como simplesmente apoiadas e os pilares são calculados para o esforço axial actuante e pequenos momentos introduzidos pelas reacções na extremidade das vigas. por forma a preservar a integridade estrutural (ver 5. o qual embora não tido em conta no cálculo. Quando a viga roda. é conveniente evitar que o banzo inferior da viga encoste ao banzo do pilar. Um método para o conseguir é ligar todos os elementos principais da estrutura. O método usual para o conseguir é assegurar que a ligação se prolongue pelo menos 10mm para além da extremidade da viga. no caso de um acidente. que resulta da falta de ligação entre os principais elementos da estrutura. Esta definição sublinha o cálculo global estrutura.022rad (1. na prática. As estruturas devem ter um mínimo de robustez para resistir às cargas acidentais. Em teoria. esta rotação não deve prejudicar a resistência da ligação ao corte e à tracção.1 Introdução As ligações são classificadas de acordo com o método de análise global e o tipo de modelo da ligação. Placas de gousset.26°) quando solicitada pela carga máxima de cálculo.5 LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. Este capítulo diz respeito ao cálculo de ligações simples no qual o método de análise global pode ser elástico. As ligações simples são definidas como as ligações que transmitem apenas esforço transverso e têm uma resistência à rotação desprezável. No entanto. Ao mesmo tempo. na prática. 5. pode originar uma rotação de 0.0m de vão. rígido-plástico ou elásto-plástico. é normalmente suficiente para permitir a montagem sem a necessidade de contraventamentos temporários.

A prática corrente.1 Ligações Viga-pilar Dupla Cantoneira de Alma Na Figura 5. varia entre os países membros da Comunidade.1: Ligações típicas em torno do eixo de maior e menor inércia. Normalmente as cantoneiras são usadas aos pares. a espessura da cantoneira deve ser reduzida ao mínimo e a distância entre parafusos deve ser tão grande quanto possível. Para aumentar a capacidade de rotação. A capacidade de rotação desta ligação é. a viga com as cantoneiras ligadas é descida entre os banzos do pilar. e para o momento produzido pelo esforço transverso na extremidade multiplicado pela excentricidade do grupo de parafusos relativamente à face do pilar. É suficiente utilizar uma análise simples de equilíbrio para o cálculo deste tipo de ligação. Na ligação em torno do eixo de menor inércia do pilar pode ser necessário cortar os banzos da viga. Os parafusos que ligam as cantoneiras à face do pilar devem ser dimensionados para o esforço transverso apenas. Usando este modelo.4 5. em termos do tipo e natureza da fixação e tipos de ligações. o grupo de parafusos que liga as cantoneiras à alma da viga deve ser dimensionado para o esforço transverso. As fórmulas relevantes podem ser encontradas na bibliografia. Nos itens seguintes descrevem-se os métodos de cálculo para cantoneiras. Durante a montagem. Na prática.1 apresentam-se ligações típicas. A recomendada nesta publicação assume que a linha de acção do esforço transverso entre a viga e o pilar actua na face do pilar. em grande parte. realizadas pela aplicação de cantoneiras. as cantoneiras de pilar raramente são críticas e o cálculo é quase sempre determinado pelos parafusos que solicitam a alma da viga. pilar de suporte viga suportada pilar de suporte viga suportada Figura 5.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. não alterando a resistência ao corte da viga. Estes tipos de ligações são comuns porque permitem pequenos ajustamentos quando se usam parafusos não pré-esforçados em furos com folgas de 2mm.3 Métodos de Cálculo O cálculo de ligações simples é baseado nos princípios e procedimentos adoptados pela EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003]. determinada pela capacidade de deformação das cantoneiras e pelo escorregamento entre as partes ligadas. placas de extremidade flexíveis e placas de gousset. aparafusadas por cantoneiras de alma em torno dos eixos de maior e menor inércia do pilar. 5. Esta secção diz respeito aos princípios gerais aplicáveis a todos os tipos de ligações simples.4. 32 Manual de ligações metálicas .

é usada para transferir as reacções na extremidade da viga.4 Placa de Gousset Seguindo a prática australiana e americana. Estas ligações compreendem uma única placa. Este tipo de ligação consegue a sua flexibilidade pelo uso de placas relativamente finas combinadas com grandes distâncias entre parafusos.4. pilar de suporte Viga suportada pilar de suporte Viga suportada Figura 5. realizadas pela aplicação de placas de extremidade flexíveis. ao pilar ou viga de suporte. que é soldada à alma ou banzo do pilar. 5. por causa da falta de ductilidade.2 apresenta ligações típicas em torno dos eixos de maior e menor inércia.4. é frequentemente usada em vigas até cerca de 450mm de altura.4. embora possa ser usada uma placa para compensar as tolerâncias de fabrico e montagem.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5. as cantoneiras de alma simples são usadas apenas em pequenas ligações. Esta ligação é relativamente barata. mas não é necessário soldar a placa de extremidade aos banzos da viga. Deve-se ter cuidado com o uso deste tipo de ligação em áreas onde a tracção é elevada. Em vigas com mais de 500mm de altura e até 10mm de espessura de placa combinada com 140mm de distância entre o centro dos parafusos. Manual de ligações metálicas 33 . A placa de extremidade é frequentemente prolongada até à altura total da viga. É necessário que o comprimento total da viga esteja dentro de limites apertados. No entanto. Estas ligações consistem numa placa soldada à extremidade da viga e aparafusada. Este tipo de ligação é económica e de montagem simples. A Figura 5. uma placa de 8mm de espessura combinada com uma distância de 90mm entre centros de parafusos. 5. as soldaduras entre a placa de extremidade e a alma da viga não devem ser o elo mais fraco.2 Cantoneira de Alma Simples Normalmente. Este tipo de ligação não é desejável do ponto de vista do construtor pela tendência da viga a rodar durante a montagem. um dos desenvolvimento mais recente tem sido a introdução de ligações por placas de gousset. mas tem a desvantagem de não ter espaço para ajustamentos em obra. em obra. como por exemplo. Apresenta uma folga entre a extremidade da viga suportada e a viga ou pilar de suporte. por vezes. a placa de extremidade é soldada aos banzos da viga para melhorar a estabilidade do pórtico durante a montagem e evitar a necessidade de contraventamento temporário.2: Ligações típicas viga-pilar em torno dos eixos de maior e menor inércia.3 Placa de Extremidade Flexível A Figura 5. ou quando a acessibilidade exclui o uso de ligações por dupla cantoneira ou placa de extremidade. a viga deve ser verificada e. assegurando assim um ajustamento fácil. com furos previamente realizados. Os parafusos que ligam a cantoneira ao pilar devem ser verificados ao momento produzido pelo esforço transverso multiplicado pela distância entre os parafusos e o eixo da viga. em torno dos eixos de maior e menor inércia de um pilar.3 mostra uma ligação típica por placa de gousset.

pela distorção devida ao esmagamento dos furos e por flexão da placa de gousset fora do seu plano.3 e 5. Quando os banzos superiores das vigas estão ao mesmo nível.5. realçam-se alguns itens adicionais que devem ser considerados no cálculo e na utilização das ligações viga-viga. em conjunto com o esforço de corte.1 Dupla Cantoneira de Alma A Figura 5. é necessário um estudo pormenorizado da estabilidade global da viga com entalhes. 5. Em vigas que não são apoiadas lateralmente.4.5 Ligações Viga-viga Há três formas de ligação viga-viga: dupla cantoneiras de alma. relativamente à encurvadura lateral. A validação desta e outras hipóteses de cálculo foram efectuadas com uma série de ensaios de ligações por placas de gousset.1. placas de extremidade flexíveis e placas de gousset.4.4: Ligações viga-viga com entalhe simples e duplo. realizadas por placas de gousset. o banzo da viga secundária é cortado e a alma deve ser verificada tendo em conta o efeito do entalhe. o esforço de corte actua na face do pilar ou actua no centro do grupo de parafusos que ligam a placa de gousset à alma da viga.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Tem sido feito um esforço considerável de modo a identificar a linha de acção apropriada para o esforço de corte. Os comentários dados nas secções 5. Há duas possibilidades.4 mostra ligações típicas viga-viga aparafusadas por cantoneiras de alma em vigas com entalhe simples ou duplo. Por esta razão todas as secções críticas devem ser verificadas para o mínimo de momento. Viga principal Viga secundária Viga principal Viga secundária Figura 5. tomado como o produto do esforço do corte vertical com a distância entre a face do pilar e o centro do grupo de parafusos. deve ser verificada à instabilidade local da alma não restringida. 34 Manual de ligações metálicas . como no caso da ligação da Figura 5. Os ensaios mostraram também que as placas de gousset longas têm a tendência para rodar e atingir a ruína por instabilidade lateral. O extremidade da alma cortada. 5.3: Ligações típicas em torno dos eixos de maior e menor inércia. As ligações por placas de gousset conseguem a sua capacidade de rotação por deformação dos parafusos ao corte.4.4.4 também se podem aplicar às correspondentes ligações viga-viga. que está em compressão. Pilar de suporte Viga suportada Pilar de suporte Viga suportada Figura 5. 5. Os resultados destes testes concluíram que o método de cálculo era conservativo e dava resultados adequados da resistência. Nas secções seguintes.

b) placa de gousset curta com vigas com entalhe. Para além disso este tipo de ligação implica uma placa de gousset longa como se mostra na Figura 5. numa ligação dos dois lados.6: Ligação viga-viga por placa de gousset: a) placa de gousset longa.4 sobre placas de gousset viga-pilar aplicam-se também às placas de gousset viga-viga. Tal como a ligação por cantoneiras duplas.6 mostra ligações típicas por placa de gousset aparafusada. a placa de extremidade considera-se suficientemente flexível para ser classificada como ligação simples. 5. Os comentários na secção 5. a capacidade de rotação deve ser conseguida pela própria ligação.2 Placa de Extremidade Flexível A Figura 5. No entanto. Se a viga principal é livre de rodar. ou uma viga cortada como mostra a Figura 5. se o comprimento dos cortes excede certos limites. Nos casos em que a viga principal não é livre de rodar. por exemplo. Nestes casos.4.5. Uma outra consideração é a torção induzida quando as placas de gousset são ligadas a um dos lados da alma da viga apoiada. Manual de ligações metálicas 35 .3 Placa de Gousset A Figura 5.5 ilustra ligações típicas viga-viga com placa de extremidade flexível. Nestes casos. Viga principal Viga secundária Figura 5. os estudos experimentais têm mostrado que nestes casos os momentos torsores são reduzidos e podem ser desprezados. as placas de extremidade espessas de altura total podem provocar sobretensões nos parafusos e nas soldaduras. Se ambas as vigas têm altura semelhante ambos os banzos são cortados.6b). Este procedimento torna a ligação relativamente mais rígida que a placa de extremidade parcial mas.5: Ligação típica viga-viga com placa de extremidade flexível. Neste caso é necessário cortar o banzo inferior da viga menor para impedir a obstrução dos parafusos. 5. Na prática. a alma não apoiada e a viga devem ser verificadas à instabilidade lateral.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO O uso de cantoneiras pode tornar-se complexo quando se ligam vigas de diferentes tamanhos. a) b) Figura 5.6a). o banzo superior da viga secundária é cortado para ajustar à alma da viga principal. a cantoneira da viga maior pode ser prolongada e os parafusos colocados por baixo da base da viga menor. haverá capacidade de rotação adequada mesmo com uma placa de extremidade espessa. Em alternativa. a placa de extremidade tem frequentemente a altura total da viga cortada e é soldada ao nível do banzo inferior. O projectista deve escolher entre capacidade reduzida de uma placa de gousset longa e a capacidade reduzida de uma viga cortada. desde que a placa de extremidade seja relativamente fina e a distância entre parafusos seja grande.5.

As extremidades dos pilares são frequentemente preparadas para contacto. acima e abaixo da emenda. No entanto não é necessário conseguir um ajustamento perfeito sobre toda a área do pilar. e o pilar é concebido como rotulado nesse ponto. e sempre que possível. as emendas de pilares são necessárias para assegurar continuidade da rigidez e resistência em torno dos dois eixos do pilar. uma vez que após a montagem as extremidades do pilar vão-se ajustando à medida que as sucessivas cargas permanentes actuam na estrutura. As placas cobrejunta do banzo podem ser colocadas na parte exterior ou na parte interior. considera-se que as forças do vento nas paredes externas dos edifícios actuam 36 Manual de ligações metálicas . Nos três casos a emenda é construída com placas cobrejunta. Neste tipo de edifícios. placas placas placas (se necessário) placa de separação a) b) c) Figura 5. Cada emenda deve ser dimensionada para suportar os esforços axiais. e são usadas chapas para compensar as diferenças de espessura da alma e do banzo. e aquelas nas quais as extremidades dos perfis não estão preparadas para esse contacto. Normalmente. Em geral estão submetidas ao esforço axial de compressão e momentos que resultam das reacções nas extremidades das vigas. Em qualquer caso. as emendas de pilares devem suportar os perfis alinhados. aquelas nas quais as extremidades dos perfis são preparadas para o contacto. Se uma ligação é posicionada próximo do ponto de contraventamento lateral (digamos dentro de 500mm acima do piso). As placas cobrejunta asseguram a continuidade da rigidez e são dimensionadas para resistir à tracção provocada por momentos flectores elevados para se sobreporem aos esforços de compressão no pilar. 5. as barras devem estar posicionados de forma a que os centros de gravidade do material de emenda coincida com os centros de gravidade das secções dos pilares. A sua colocação no interior tem a vantagem de reduzir a altura total do pilar. b) pilares com secções semelhantes. a emenda pode ser dimensionada para a carga axial e quaisquer momentos aplicados. ou se se assumiu um grau de encastramento ou continuidade no cálculo do comprimento efectivo do pilar. nestes casos o esforço de compressão é transmitido por contacto. se a emenda é posicionada longe do ponto de contraventamento lateral (isto é.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 5.7 mostra pormenores típicos de emendas de pilares preparadas para o contacto. a mais de 500mm acima do piso). Contudo. c) pilares com secções diferentes. As extremidades cortadas com serra são suficientemente lisas e plana para contacto e não é necessária maquinação. o momento adicional que foi introduzido pela acção de escoramento deve ser tido em consideração. Nesta secção consideram-se dois tipos de emendas.6 Emenda de Pilares Esta secção apresenta regras de cálculo para emendas de pilares em edifícios contraventados de vários andares. os esforços horizontais de corte que resultam da variação de momento no pilar são absorvidos pelo atrito nas superfícies de contacto entre as dois pilares e pelas placas cobrejuntas da alma.7: Emendas de pilares com extremidades preparadas para contacto: a.6. Geralmente.1 Extremidades Preparadas para Contacto A Figura 5. a tensão (se existir) resultante da presença de momentos flectores e os esforços de corte horizontais.

8 e aço S235: A resistência ao esmagamento de um só parafuso é dada pela seguinte expressão: Fb. Ambas as figuras mostram que o pilar acima e abaixo da emenda têm tamanhos semelhantes. o esforço axial no pilar é partilhado entre o banzo e a placa cobrejunta de alma proporcionalmente às suas dimensões. Quando se ligam pilares de diferentes tamanhos são necessárias várias chapas para compensar a variação de dimensões. Normalmente.1: Resistência dos Parafusos ao Esmagamento: Tolerâncias Permitidas Na Figura T.Rd = k 1 ⋅ α b ⋅ d ⋅ t ⋅ fu γ M2 • Resistência ao esmagamento.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO ao nível do piso e raramente as emendas de pilares transmitem esforço horizontal de corte devido à acção do vento. 6mm (5. 1) Manual de ligações metálicas 37 . enquanto que o momento flector é suportado pelas placas cobrejunta de banzo.5.5 da EN 1090-1 [EN 1090-1: 1996] é permitida uma tolerância de Δ = ±5 mm para o posicionamento de um grupo de furos. Esta variação deverá ser tida em conta no cálculo da resistência ao esmagamento do grupo de parafusos? Por exemplo. 2 ⋅ 13 = 15.8: Emendas de pilares com extremidades não preparadas para contacto. para parafusos M12. placas placas (se necessário) Placa no exterior do banzo Placa no interior do banzo Figura 5. 8. 5.2 Extremidades não Preparadas para Contacto A Figura 5. Neste caso a emenda é construída com placas cobrejunta de alma e banzo e se necessário usam-se chapas para compensar as diferenças de espessura das almas e banzos. Neste tipo de emendas os esforços são totalmente suportados pelas placas cobrejunta e nenhuma carga é transferida por contacto directo. Questão 5.6. 2d0 = 1.8 apresenta pormenores típicos de emendas de pilares não preparadas para contacto. assumindo Δ = ±0 mm d = 12mm d0 = 13mm e1 = e2 = 1.

devido à tolerância permitida. assumindo Δ = -5mm d = 12mm d0 = 13mm e1 = 1. 8 ⋅ 15.5 ⎩ (5. Questão 5. 8e2 − 1. 7 = − 1. 6 ⎧ 2. 8e2 − 1.5 ⎩ (5. 2d0 − 5 = 1. 2 360 ⎪ fu ⎩ 2. no segundo obtém-se uma resistência 32% inferior.2: Cantoneira Ligada por Um ou Dois Parafusos Como é possível que a resistência à tracção da secção útil de uma cantoneira com um parafuso seja superior à da cantoneira com dois parafusos? Ver o exemplo a seguir. 2) Resistência ao esmagamento. 6 ⎧ 2. 66 ⎪ 13 k1 menor de ⎨ d0 ⎪ 2. Assume-se que as tolerâncias são pequenas em comparação com as distâncias ao bordo e que a redução da resistência é pequena e pode ser integrada no factor de segurança parcial. 7 = 1. 6mm Considera-se que existe deslocamento apenas na direcção da força. 7 = 1. logo e2 = 15. 8 ⋅ 15. 66 ⎪ 13 k1 menor de ⎨ d0 ⎪ 2. 2 360 ⎪ fu ⎩ 2. 2 ⋅ 13 − 5 = 10. 6 ⎧ e1 ⎪ 3d = 3 ⋅ 13 = 0. No cálculo da resistência da ligação. 3) Comparado com o primeiro exemplo. 7 = − 1. Dados: L 50 × 5 A = 480mm2 t = 5mm d0 = 14mm e2 = 25mm fu = 510MPa De acordo com a cláusula 3. 40 ⎪ 0 ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2.10.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 15. 27 ⎪ 0 ⎪ α menor de ⎨ 1 ⎪f 800 ⎪ ub = = 2. deverá ser tida em conta a redução da distância ao bordo? _____________________________________________________________________ Normalmente as tolerâncias não são tidas em conta no cálculo da ligação.3 da EN 1993-1-8. verificamos a resistência à tracção da secção útil: 38 Manual de ligações metálicas .6mm 10. 6 ⎧ e1 ⎪ 3d = 3 ⋅ 13 = 0.

8. um parafuso 50 14 5 50 1.42 d (para aço S355) ≤ 0. 4 ( 480 − 14 ⋅ 5 ) = 164mm2 A eff fu (5. para assegurar que uma ligação por placa de extremidade consiga a flexibilidade e ductilidade adequada para ser classificada como “ligação simples”.5d0 ) t = 2 ( 25 − 7 ) 5 = 180mm2 Nu.5 d0 1.Rd = A eff fu γ M2 = 180 ⋅ 510 = 73440N 1. • a base do comprimento do cordão de soldadura tem pelo menos 0. não pré-esforçados em furos com folga. provavelmente. e ao afastamento dos parafusos no elemento de suporte (normalmente 100mm + a espessura da alma da viga).Rd = A eff = β 2 A net = β 2 ( A − d0 t ) = 0. A razão deve-se. 25 (5.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Para um parafuso: A eff = 2 ( e2 − 0. aos momentos adicionais que são atraídos pela ligação com mais de um parafuso. Esta rotura é normalmente conseguida pela adopção da seguinte pormenorização: • a espessura da placa de gousset ou da alma da viga é: ≤ 0. • usam-se parafusos 8. dois parafusos 14 5 L 50 × 5. Estes ensaios mostraram que a resistência de uma cantoneira ligada por um só parafuso é maior que uma cantoneira ligada por dois ou mais parafusos. 5) γ M2 = 164 ⋅ 510 = 66912N 1.50 d (para aço S275) • todas as distâncias ao bordos da placa e alma da viga são iguais ou superiores a 2d. Do mesmo modo é usual utilizar placas de extremidade relativamente delgadas (8mm ou 10mm) e afastamentos de 90mm ou 140mm entre os parafusos.8 vezes a espessura da placa de gousset. 25 L 50 × 5. Manual de ligações metálicas 39 .5 d0 2.5 d0 ___________________________________________________________________________ Foram realizados vários ensaios em cantoneiras ligadas por um ou dois parafusos. Questão 5. 4) Para dois parafusos: β 2 = 0.3: Capacidade de Rotação Como é que as ligações simples conseguem a sua capacidade de rotação? _____________________________________________________________________ A ductilidade das ligações por cantoneiras deve-se à espessura reduzida das cantoneiras (normalmente 8mm ou 10mm de espessura). 4 Nu. Para obter a ductilidade necessária numa placa de gousset deve-se assegurar que a rotura se verifica na placa de gousset ou na alma da viga.

• Estes deslocamentos reduzem as excentricidades nas cantoneiras de alma. Excentricidade Força de tracção Secções críticas δ Figura 5.9: Dupla cantoneira de alma à tracção. utilizando a representação deformada apresentada na Figura 5. No entanto. Para as ligações por dupla cantoneira. Duas localizam-se na ligação.4: Integridade Estrutural Que método deverá ser usado para determinar a resistência à tracção de ligações simples? E qual é o fundamento deste método? _____________________________________________________________________ O Steel Construction Institute [SCI Recomendation. 2002] especifica uma metodologia para o cálculo da resistência à tracção de ligações de dupla cantoneira e ligações por placas de extremidade flexíveis. As características deste método são: • Podem surgir deformações consideráveis. mas apenas se houver rotação nas rótulas junto às soldaduras. Parte da força de tracção é suportada por tracção nas abas das cantoneiras. ou próximo do centro dos furos e as outras duas localizam-se no ângulo da cantoneira. Do mesmo modo. De um modo geral. pode ser conseguida uma resistência adicional aumentando a espessura da cantoneira e/ou reduzindo a distância entre parafusos. devido à sua capacidade para acomodar grandes deformações antes da rotura. se a ligação não suportar grandes forças de tracção. 40 Manual de ligações metálicas . o método para as ligações por placas de extremidade flexíveis é baseado numa análise de grandes deslocamentos da placa de extremidade à tracção. A comparação entre os resultados analíticos e experimentais mostrou que o método fornece uma margem de segurança adequada. 2002]. tracção e momento. A deformada da placa de extremidade é apresentada na Figura 5. As principais características desta metodologia são: • A amplitude potencial do deslocamento δ (ignorando os efeitos de segunda ordem. Estas regiões podem ter sofrido alguma fragilização devido ao arrefecimento rápido após a soldadura. • Há quatro secções críticas em cada cantoneira que estão sujeitas a fortes deformações plásticas sob a acção simultânea de corte. realizaram-se vários estudos experimentais [SCI Recomendation. o deslocamento δ define a geometria deformada das cantoneiras).10. Em ambos os casos deve-se considerar o aumento da rigidez à rotação da ligação.9. esta metodologia baseia-se numa análise de grandes deslocamentos das cantoneiras à tracção. De modo a validar esta metodologia. a resistência à tracção de uma ligação por cantoneiras de alma é adequada.LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 5.

este efeito de membrana é ignorado. deve-se aumentar a espessura da placa ou reduzir a distância entre parafusos.10 por Ο. as forças de alavanca nos parafusos são normalmente superiores às que se obtêm nos métodos mais tradicionais. basta ser considerada a acção do momento (a interacção momento/esforço transverso existe mas não é necessário considerá-la pois o esforço transverso actuante é uma pequena parte da sua resistência ao corte). De um modo geral. A resistência à tracção duma placa de extremidade é geralmente inferior à da ligação por cantoneira de alma ou placa de gousset. dado que a análise depende de grandes deformações. δ Momento último da placa desenvolvido na raíz do cordão de soldadura e nas extremidades do furo Força de tracção Figura 5. • Há quatro secções críticas na placa. que assegura que a tensão de tracção nominal de um parafuso 8. foi realizado um estudo experimental para verificar este método [Jarrett.10: Placa de extremidade à tracção.8 não excede 300 MPa. Em ambos os métodos. os ensaios provaram que o método é conservativo. Uma vez mais. Em ligações de pilares em I. O motivo para esta variabilidade não é claro. Esta restrição de membrana surge apenas se a placa de extremidade for aparafusada a uma placa ou banzo maior. Por isso se apresenta uma verificação simples para ambas as ligações. Manual de ligações metálicas 41 .LIGAÇÕES SEM TRANSMISSÃO DE MOMENTO • Estes deslocamentos reduzem as excentricidades dentro da ligação mas. 1990]. Dado que o efeito de membrana é desprezado. Para aumentar a resistência. o modo crítico de rotura será a resistência à tracção da placa de extremidade. mas pode ser devido ao efeito de membrana variável e não quantificado. assinaladas na Figura 5. Embora a relação entre a resistência experimental PE e a resistência calculada PC tenha variado consideravelmente. produzem um efeito de membrana.

. Ao longo dos anos. e capacidade de rotação φCd. São necessárias considerações apropriadas para uma multiplicidade de fenómenos desde a não-linearidade material (plasticidade. 1989]. Observando a Figura 6. 1998]. tem sido efectuados numerosos ensaios de diversas configurações de ligações. patamar de cedência). são morosos no cálculo dos modelos e muito sensíveis às opções de análise e modelação.1. o establecimento de critérios de rotura e a calibração com base nos resultados contidos nas bases de dados. 6.6 LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO 6. O comportamento destas ligações pode ser obtido por via experimental ou através de modelos (analíticos ou numéricos) desenvolvidos com base na geometria e nas propriedades mecânicas da ligação. e devido à sua complexidade. A identificação das várias componentes que constituem uma ligação com transmissão de momento (placa de extremidade... corte e compressão.. reforços. até à não-linearidade geométrica (instabilidade local). cujos resultados estão reproduzidos em bases de dados de ligações [Cruz et al. A utilização de métodos numéricos com elementos finitos de comportamento não-linear permitem endereçar todos os fenómenos presentes numa ligação.) dá-nos uma ideia da complexidade que constitui a análise do seu comportamento. rigidez de rotação Sj. para condições de tensão residual e configurações geométricas complexas.1 é possível identificar trajectórias distintas para as forças de tracção. que aliassem um maior rigor e simplicidade de análise. o contacto não-linear e escorregamento.. permitiram a previsão das principais propriedades das ligações: momento resistente Mj. . cordões de soldadura.Rd.1: Exemplo de trajectória de forças em ligações metálicas [Owens et al. No entanto. permitindo dividir a N Fc M/2 dc Fc Fb N N db N M dc Fc M/2 N Fc Fb Figura 6. A aplicação de métodos de avaliação estatística. parafusos.1 Introdução O comportamento deste tipo de ligações caracteriza-se por uma curva não-linear momento-rotação.1 Método das Componentes As dificuldades descritas levaram ao desenvolvimento de processos alternativos para a análise de ligações.

.2): • Zona traccionada.1 10. a estimativa da rigidez de uma ligação. conduzindo a: 44 Manual de ligações metálicas .2 4. A aplicação deste método.3 para uma ligação viga-pilar com placa de extremidade estendida e duas fiadas de parafusos à tracção [Weynand et al.2 5. tal como se ilustra na Figura 6.3: Método das componentes aplicado a uma ligação viga – pilar. com base na distribuição de forças internas.2 Banzo do pilar à flexão Mj Mj Parafusos à tracção Alma e banzo da viga à compressão 8 1 2 7 Alma da viga à tracção Parafusos à tracção Figura 6. além da geometria da ligação o comportamento das suas partes: resistência e a deformabilidade. e consequentemente.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO ligação e estabelecer analogias com componentes mais simples e mais fáceis de analisar. O método das componentes. cuja origem se deve a Zoetemeijer [Zoetemeijer. compressão ou corte. a rigidez de rotação Sj de uma ligação é obtida pela combinação das rigidezes das diversas molas que contribuem para a deformabilidade da ligação. • Zona de corte. a caracterização do comportamento de uma ligação pode ser efectuada através da associação das propriedades das suas zonas críticas (Figura 6. As componentes podem ser solicitadas por tracção. Deste modo.2 10.1 4. 1974] corresponde a um modelo simplificado. • assemblagem das várias componentes para caracterização do comportamento global da ligação. identifica a contribuição de uma ou mais propriedades estruturais. que se traduz na discretização da ligação metálica nas suas componentes básicas que reproduzem.1 φ Alma do pilar à compressão Banzo da viga à compressão 3. representando estas últimas uma parte específica da ligação que. O modelo simplificado adoptado na EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] é constituído por barras rígidas e por molas (componente). 1995]. De acordo com a EN 1993-1-8. compreende três etapas: • enumeração das componentes activas numa ligação.1 5. Este método permite aliar às soluções tradicionais a verificação da compatibilidade de deformações.2: Zonas críticas de uma ligação viga-pilar. associadas em série ou em paralelo. • caracterização do comportamento de cada uma dessas componentes. Zona traccionada Zona de corte Zona comprimida Figura 6.2 8. • Zona comprimida. Alma do pilar ao corte 3. dependente do tipo de carregamento.

A EN 1993-1-8 fornece alguns princípios básicos para a verificação da capacidade de rotação. Manual de ligações metálicas 45 . 2/3 Mj.. não-linear. • Componentes de rotura frágil: parafusos à tracção. φ Figura 6.. alma do pilar à tracção.. • Componentes de ductilidade limitada: alma do pilar à compressão.1. e modelações mais complexas.. Momento.4). não existindo.1) O momento flector resistente Mj... usadas por exemplo no âmbito do desenvolvimento de novos tipos de ligações. banzo do pilar à flexão. 6. o conhecimento da ductilidade de ligações metálicas requer uma análise não-linear. mas raramente excede 60mrad. é obtido calculando o momento das forças desenvolvidas ao nível das linhas dos parafusos. banzo e alma da viga à compressão. conduziria a uma metodologia demasiado complexa e pouco compatível com uma utilização prática. esta interacção é tida em conta de uma forma aproximada já que um procedimento mais rigoroso. 1998]. cordões de soldadura. em relação ao centro de compressão: M (F ) = ∑ Fr ⋅ zr (6. no entanto.ini Resistência da ligação.2) A capacidade de rotação necessária de uma ligação depende do tipo de estrutura. M Rigidez inicial..Rd Limite elástico. Existe porém interacção entre algumas delas. Na sequência do apresentado na Questão 4.. deformação correspondente ao início da plastificação Δy e deformação correspondente ao colapso Δf. para aplicações práticas.2. É assumido que a maioria das propriedades das componentes são independentes. Mj.. Cada componente é caracterizada por uma curva força-deslocamento. Kuhlmann [Kuhlmann et al. 1998] agrupa as principais componentes de uma ligação metálica em três classes.. nenhum método geral de verificação [Kuhlmann et al. rigidez pós-limite Kpl. parafusos ao corte. identificando-se cinco propriedades distintas: força de cedência Fy. placa de extremidade à flexão.Rd.. De acordo com este regulamento.4: Capacidade de rotação. de modo a avaliar a resposta de cada uma das componentes (Figura 6.2 Caracterização do Comportamento das Componentes de uma Ligação A precisão do método das componentes depende da precisão da avaliação das propriedades de cada componente. que pode ser representada por uma aproximação bilinear ou trilinear.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Sj = E ⋅ z2 1 μ∑ ki i (6.Rd Curva experimental Curva EN 1993-1-8 Capacidade de deformação φj.. Sj. de acordo com a sua capacidade de deformação: • Componentes de ductilidade elevada: painel de alma do pilar ao corte. O método das componentes permite avaliações muito simples. rigidez elástica Ke. necessariamente iterativo.Cd Rotação. alma da viga à tracção.

Por exemplo. necessária ao cálculo do momento flector. [Neves et al. • Para uma viga contínua ligada a ambos os lados da alma do pilar.6a). • Para uma viga ligada à alma não reforçada de um pilar. em que estas ligações são consideradas como rótulas [Gomes. Questão 6. • No caso em que a viga esteja ligada a uma alma de pilar reforçada como indicado na Figura 6.el S 1 Rigidez secante. para proceder à distribuição das forças entre as diversas componentes. dados no quadro 5.ini φ Figura 6. M Mj. 46 Manual de ligações metálicas . 1994]. dependendo da geometria da ligação. _____________________________________________________________________ Para se proceder a uma análise global da estrutura do tipo elástica linear de acordo com a cláusula 5. a ligação pode ser considerada uma emenda de vigas com parafusos longos. para Ligações com Placa de Os valores do coeficiente de modificação η. não cobrem a gama de possíveis geometrias de ligações com placa de extremidade. Sj. Sj. [Gomes et al. 1996]. etc? Quais os fundamentos daquele quadro.1. 2002]. no entanto. o coeficiente η pode não ser relevante nas situações. ver Figura 6.2 deste Documento Normativo. a placas de extremidade finas e espessas.sec = Sj.. Jaspart.2 da EN 1993-1-8. • Para vigas ligadas à alma de um pilar ou de vigas não reforçadas. a ligação poderá.5. relativamente frequentes. Para avaliar a resistência de uma determinada componente. é possível antever o comportamento da ligação. será que são adequados a ligações à alma de um pilar ou viga. Neste caso é possível desprezar a alma.2 da EN 1993-1-8.5: Rigidez da ligação utilizada na análise global elástica.6b).1: Extremidade Coeficiente de Modificação da Rigidez η. de um e de outro lado da alma do pilar sejam simétricos. desde que os momentos actuantes. é possível usar um valor de rigidez igual à rigidez inicial da ligação dividida por um coeficiente de modificação da rigidez η.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Deste modo. e a resistência da ligação é limitada à resistência do pilar em torno do eixo de menor inércia. estendidas e rasas. devesse conhecer o limite superior de resistência. basta conhecer o limite inferior de resistência. A EN 1993-1-8 apresenta regras básicas para determinar os valores da força de cedência Fy e da rigidez elástica Ke de cada uma das componentes. Este coeficiente η é indicado no quadro 5.ini η Rigidez inicial. A espessura da placa de extremidade condiciona o valor rigidez inicial. ver Figura 6. mas não o factor de modificação η. e uma vez que o método das componentes permite prever qual(is) a(s) componente(s) crítica(s). 1994]. [Neves. os enrigecedores têm um efeito similar a uma emenda de vigas. ser considerada como rotulada.

2 0.8 0.0 λ 1 Figura 6.5 0.1 1.4 0. Questão 6.1 0.1 8 7 2π 6 5.6 0.0 0. No relatório de TU-Delft escrito por Zoetemeijer [Zoetemeijer. λ 2 α= 1.7: Valores de α para banzos de pilares reforçados e placas de extremidade.3 1. usadas no cálculo do comprimento efectivo do T-stub e das equações para α em função de λ1 e de λ2? _____________________________________________________________________ Estas regras baseiam-se na teoria das linhas de rotura. b) viga ligada a pilar reforçado. De notar que os valores de α apresentados na figura 2.7 0.3 0.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO a) b) Figura 6.3 0.75 4.2 1.5 0.2 0.5 4.6 0.7 0.2: Fórmula para o Coeficiente α do Comprimento Efectivo do T-stub Qual o “background” das curvas que permitem determinar α. Manual de ligações metálicas 47 .5 5 4.6: Ligações viga-pilar em torno do eixo de menor inércia: a) emenda de viga (momentos simétricos).8 0.9 1.4 0. 1990] apresentam-se os pormenores deste estudo.45 0 0.4 1.9 0.12 do mesmo relatório necessitam de ser divididos por 2 para comparação com EN 1993-1-8.

75 (6.6.8). ou esquadros concebidos para aumentar a resistência ao momento flector (35-40%). A cláusula 6. o valor de α não excede 2π. A EN 1993-1-8 disponibiliza o método das componentes que pode ser utilizado em qualquer geometria de ligações. Os problemas apresentados para os esquadros são semelhantes aos encontrados em secções de inércia variável. a contribuição da alma da viga na resistência à compressão deverá ser limitada a 20%.7 da EN 1993-1-8 apresenta algumas especificações sobre esquadros de reforço. • a dimensão do banzo e a espessura da alma do esquadro não deverão ser inferiores às dimensões correspondentes da secção adjacente. As curvas para um valor constante α・ como ilustrado na figura 6. • o comprimento de apoio ss deverá ser tomado igual à espessura do banzo do esquadro paralelo à viga (Figura 6. desde que se conheça o comportamento de todas as suas componentes.8).2.7) Para as partes paralelas das curvas. Neste caso particular. podendo ser aplicado a ligações com esquadros. Se a altura da viga (incluindo o esquadro) exceder 600 mm. • influência sobre as propriedades das componentes alma do pilar em compressão e placa de extremidade flectida (em ligações soldadas.2) se λ2 ≥ λ2* : onde λ1 = λ1* λ1* = 1. há dois aspectos relacionados com a descrição das componentes e sua assemblagem: • influência da inclinação da viga nas forças internas e influência na resistência do banzo da viga e da alma do pilar na zona de compressão (Figura 6. é possível determinar os valores de λ1 e λ2. As curvas para α = 7 e 8 são acrescentadas na EN 1993-1-8.4) λ2* = α ⋅ λ1 2 Questão 6. 48 Manual de ligações metálicas .25 e. Como é que é feito o seu dimensionamento? _____________________________________________________________________ Podem ser distinguidos dois tipos fundamentais de esquadros: esquadros concebidos para economizar na viga de cobertura (cerca de 10%.11 deste Documento Normativo. Leff = α m1 corresponde à fórmula: Leff = 4 m1 + 1. se inclinadas).LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Com base nos valores de m1. não deverá ser superior a 45º. m2 e e. também a alma do pilar flectida e a alma do pilar à tracção). Os esquadros deverão ser dimensionados dentro das seguintes limitações: • a classe de resistência do aço do esquadro deverá ser semelhante à da secção a que se liga. resultam das equações: se λ2 < λ : * 2 ⎛ λ* − λ ⎞ λ1 = λ + (1 − λ ) ⎜ 2 * 2 ⎟ ⎝ λ2 ⎠ * 1 * 1 α 2 (6. 25 α − 2.3: Regras para Dimensionamento de Ligações com Esquadro de Reforço A EN 1993-1-8 não inclui especificações para dimensionamento de ligações com esquadro de reforço.3) (6. • o ângulo de intersecção entre o banzo do esquadro e o banzo do perfil a que este se liga.1) (6. No estudo de Zoetemeijer acima mencionado. e consequentemente o valor de α (Figura 6.

ver Figura 6. • A relação b/t do reforço é escolhida em função da tensão de cedência.11a).fl / cos α Fc / cos α Fc Fc tg α M = Mr V = Vr cos α + Nr sin α N = Nr cos α + Vr sin α Figura 6.fl ss = th.9). ver Figura 6. Os reforços em K são solicitados à compressão e à tracção. para um reforço solicitado em compressão. é necessário adoptar outro dimensionamento. este pode-se deformar e proporcionar a capacidade de rotação suficiente. Questão 6. Para um reforço solicitado em tracção é necessário verificar a resistência da secção transversal. é possível usar as seguintes regras: • A espessura da placa usada no reforço é igual à do banzo da viga. é necessário verificar a encurvadura (Figura 6. de modo a que a secção seja pelo menos classe 3.5: Distribuição Plástica de Forças numa Ligação com Placa de Extremidade Muito Espessa Será adequado usar uma distribuição plástica de forças numa ligação de resistência parcial. Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO a) V b) Nr Mr N M Vr α th. pelo que ambas as verificações deverão ser efectuadas.4: Regras para Reforços Diagonais e em K Será que é relevante analisar se um reforço diagonal de uma ligação viga-pilar está solicitado em tracção ou em compressão? _____________________________________________________________________ Existem diferenças no que respeita às verificações de resistência do reforço.9: Verificação de um reforço de alma relativamente à encurvadura. há critérios de escolha da espessura adequada a um dimensionamento elástico? _____________________________________________________________________ A rotura dos parafusos pode ser condicionante caso sejam usadas placas de extremidade demasiado espessas.11b). se for aplicada uma placa de extremidade muito espessa? Caso não seja adequado. enquanto que. Seguindo correctamente as indicações da EN 1993-1-8. a) viga de cobertura com esquadro.8: Representação de: a) uma ligação com esquadro. por não verificar as regras relativas à capacidade de rotação da ligação. No caso do banzo do pilar não ser muito espesso. para além da resistência da secção transversal. Questão 6. Como simplificação. Neste caso. Manual de ligações metálicas 49 . já que este modo de rotura frágil não é admissível. verificar-se-á rotura frágil.

em relação à resistência dos parafusos. • Dimensionamento não permitido. • Distribuição elástica das forças nos parafusos. Neste caso a capacidade de rotação plástica provém da própria viga-rótula plástica na viga.2 vezes superior ao momento plástico da viga adjacente. a) Banzo do pilar espesso e placa de extremidade espessa. c) Divisão da fiada superior em T-stubs separados. porém os parafusos c1 e c4 não deverão ser considerados para resistir à tracção. c) Banzo do pilar fino e placa de extremidade espessa em relação à resistência dos parafusos. ser considerados para a transmissão do esforço transverso. em relação à resistência dos parafusos.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Para placas de extremidade e banzos de pilar com β > 2. • A capacidade de rotação provém do banzo do pilar.Rd. • Momento plástico condicionado pela resistência do banzo do pilar. Esta pormenorização só é permitida se o momento plástico da ligação for pelo menos 1. 50 Manual de ligações metálicas . Questão 6. a capacidade de rotação necessária será fornecida pela própria viga (Figura 6. b) Separação em T-stubs em tracção. bp e a1 w1 a2 w2 a3 w1 a4 e Parafusos traccionados ex mx a1 a2 a3 a4 a1 a2 a3 a4 b1 c1 b2 c2 b3 c3 b4 c4 Parafusos ao corte. os parafusos ocasionarão rotura frágil sem capacidade de rotação suficiente (sendo β o quociente entre o modo 1 e o modo 3. Os parafusos c2 e c3 também podem ser considerados. • Distribuição plástica das forças nos parafusos. todos os parafusos situados próximo do banzo traccionado da viga podem ser considerados no cálculo do momento resistente (a1-4 e b1-4). importa notar que esta rotação plástica da viga só se verifica em secções transversais da classe 1 (no caso mais geral). e os parafusos da fiada d poderão no entanto. Figura 6.2 da EN 1993-1-8).11: Influência da placa de extremidade e do banzo do pilar na capacidade de rotação das ligações. • A capacidade de rotação provém da placa de extremidade. de acordo com o quadro 6. apenas b) b1 b2 c2 b3 c3 b4 b1 b2 b3 b4 c2 d1 a) c3 d2 d3 d4 c) Figura 6.11). b) Banzo do pilar espesso e placa de extremidade fina. • Distribuição plástica das forças nos parafusos. ver Figura 6. • Momento plástico condicionado pela resistência da placa de extremidade. excepto se: Mj. • Sem capacidade de rotação plástica.2 Mb. Estes parafusos.10: a) Placa de extremidade com 4 parafusos por fiada.6: Linhas de Rotura em Fiadas com 4 Parafusos Como estender as regras apresentadas na EN 1993-1-8 a fiadas com 4 parafusos ao invés de 2? _____________________________________________________________________ Em tracção.pl.10. Nesse caso. em virtude da rigidez limitada da placa de extremidade. Porém.Rd > 1.

625e x + w1 + 0.op = 0.cp = π ⋅ m x + 2w1 + 2e Leff . modificando o mecanismo de rotura plástico para o grupo de parafusos. 25e x + e + 0. evitando a resolução de mecanismos complexos.5w 2 L eff .875e x + e Leff .5w 2 Leff .cp = 2π ⋅ m x + w 2 + 2e L eff . A hipótese mais simples (e segura) considera fiadas de parafusos totalmente independentes. e ser adoptado o procedimento preconizado pela EN 1993-1-8.cp = 3π ⋅ m x + 2e1 L eff .op = 2m x + 0.cp = 4π ⋅ m x L eff . 625e x + e + w1 Leff . 6. haverá diferentes possibilidades de mecanismos de rotura para as fiadas a e b.875e x + 0.cp = 3π ⋅ m x + w 2 L eff . ver Quadro 6.10c).1.1: Mecanismos de rotura plástica e comprimento efectivo do T-stub para fiadas de 4 parafusos junto ao banzo não reforçado da viga. ver Figura 6.cp = π ⋅ m x + 2w1 + w 2 Leff . A fiada a pode ser considerada como uma fiada exterior ao banzo da viga. Padrão circular Padrão não-circular Leff .op = 4m x + 1.5w 2 Leff .op = 8m x + 2.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Dependendo das dimensões da placa de extremidade e do espaçamento dos parafusos. Quadro.op = 6m x + 1. 25e x + w1 Leff .op = 4m x + 1.op = 2m x + 0.op = 6m x + 1.5e x Leff .5b p Manual de ligações metálicas 51 .cp = 2π ⋅ m x + 2w1 L eff .

kN 100 Figura 6. é possível distribuir o esforço transverso de forma equitativa por todos os parafusos (Figura 6. o esforço transverso é frequentemente distribuído pelos parafusos na zona de compressão. Porém. é necessário que a resistência ao corte dos parafusos seja superior à resistência ao esmagamento por corte da placa ou do banzo do pilar na zona dos orifícios.12: a) Exemplo de distribuição das forças de corte na ligação.Rd (6. A pormenorização da ligação é bastante importante. Como se distribui o esforço transverso pelos diversos parafusos? _____________________________________________________________________ Em geral.7: Distribuição de Esforço Transverso em Ligações Aparafusadas Geralmente. 0 Fv. a distribuição de forças numa ligação é realizada pelo caminho mais rígido. Como simplificação. Resistência à tracção.13).8: Efeito de Alavanca no T-Stub e Verificação da Fadiga O efeito das forças de alavanca é tido em consideração nas fórmulas de dimensionamento das fiadas de parafusos.Sd Ft. o efeito dessas forças deverá ser conhecido. Questão 6. tal como indicado na EN 1993-1-8: Fv. Como é que este fenómeno é tido em conta? _____________________________________________________________________ No caso da fadiga. Neste caso.11). os parafusos solicitados à tracção e corte deverão satisfazer a condição relativa à combinação desses esforços. A transferência das acções variáveis deverá passar por uma zona de contacto rígida e nunca através dos parafusos (Figura 6. 52 Manual de ligações metálicas .12. 4 Ft.4/1. No caso de parafusos pré-esforçados. b) Interacção das forças de tracção e corte nos parafusos. uma placa de extremidade é solicitada por momento flector e por esforço transverso. a força de tracção nos parafusos é compensada por uma força de contacto na zona de compressão da ligação.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 6. no caso da fadiga.4 vezes a resistência total ao corte dos parafusos que também são necessários para resistir à tracção. precisam apenas de ser verificados à tracção. A importância do pré-esforço (mesmo que pequeno) na minimização das forças de alavanca é evidenciada nas Figuras 6. para se poderem verificar os parafusos. Na Figura 6. o esforço de corte transmitido pelos parafusos não deve exceder 0. e para haver capacidade de rotação suficiente. esta gama de valores é denominada por “Resistência ao corte remanescente”.14 e 6. então os parafusos na zona de tracção.Rd + ≤ 1.15. Para além destas condições. Se a resistência ao corte desses parafusos for suficiente.Rd 1. os parafusos deverão ser sempre pré-esforçados. Em geral.4) Por este motivo. kN 100 Resistência ao corte remanescente Resistência Assume-se Distribuição distribuição plástica elástica 0 0 Resistência ao corte. pelo que não é necessário proceder a qualquer diminuição da resistência por escorregamento.

Bt Força no parafuso.15. o fluxo da acção variável através da ligação é representado pelas linhas tracejadas.13: Pormenorização incorrecta e correcta de uma ligação pré-esforçada. A força nos parafusos Fb pode ser dividida numa força de contacto Fc e numa força de tracção Ft.14: Esquema de ensaio de um T-stub. Ft Figura 6. Bt Força no parafuso. a força nos parafusos é indicada com uma linha grossa. Nos três casos a ligação foi préesforçada com uma força Fp.15: Resultados de ensaios a T-stubs. como neste caso. Fp 2F t 100 kN 2Ft Força de pré-esforço. Ft Força no T-stub. Desde que. Introduzindo uma força externa de tracção 2Ft no ensaio representado à esquerda. o que significa que toda a acção cíclica aparecerá no parafuso. Fp 45° 0 Força de pré-esforço. Num ensaio como o indicado na figura do meio. Bt 2Ft Forças de alavanca 100 kN 2Ft 2Ft 2F t 100 kN Força de pré-esforço. O efeito das acções cíclicas seria mais gravoso caso a zona de contacto fosse perto das extremidades dos banzos. a força de contacto não se altera quando é aplicada uma força exterior. Manual de ligações metálicas 53 . Ft Força no T-stub. Fp 45° 0 0 0 45° 100 kN 0 100 kN 0 100 kN Força no T-stub. O ensaio da direita mostra o comportamento no caso da ligação de dois banzos sem placa intermédia e com contacto junto à zona da alma. Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO incorrecto correcto Figura 6. Na Figura 6. Força no parafuso. não haverá efeito do carregamento alternado sobre os parafusos. Ft seja inferior a Fp. a força de contacto será reduzida de Ft.

16). 2002]. Qual a influência do ângulo de intersecção numa ligação de um pórtico inclinado? Qual a influência do esforço axial sobre a resistência ao momento flector de uma ligação? As regras da EN 1993-1-8 aplicam-se a a ligações cujos eixos dos elementos que aí se intersectam são perpendiculares (ou paralelos) entre si. o valor de compressão axial. o momento negativo no caso de esforço axial nulo. (Figura 6.. A interacção linear é considerada pela determinação dos valores extremos da resistência ao momento flector sem esforço axial (MRd) e a resistência ao esforço axial sem momento flector (NRd).LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Questão 6. o ponto de activação da segunda fiada de parafusos. assumindo uma interacção linear entre MSd e NSd.16: Curva de interacção momento – esforço axial. As propriedades das componentes deverão ser avaliadas de acordo com aquele documento como se não existisse esforço axial. A resistência da ligação sob a acção combinada destes dois efeitos. a resistência máxima à tracção. Outra abordagem para flexão com esforço axial de compressão é baseada no método das componentes aplicado a bases de pilares. ver Figura 6.4 da EN 1993-1-8. kN EN 1993-1-8 200 100 -20 -10 0 -100 10 Método das componentes Momento. Força axial. sobretudo em ligações não-simétricas. kNm Figura 6. O ângulo de inclinação da viga muda a geometria da ligação e deverão ser considerados valores modificados do braço das forças. ver Cláusula 6. de acordo com os resultados actualmente disponíveis.16. a resistência máxima ao momento flector negativo. 54 Manual de ligações metálicas . ponto de activação da segunda fiada de parafusos. poderá ser determinada através de: NSd MSd + ≤1 NRd MRd (6.9: Determinação das Propriedades de Ligações Submetidas a Momento Flector e Esforço Axial Que abordagem deverá ser adoptada numa ligação com esquadros usada em pórticos com travessas inclinadas. a resistência à compressão no caso de momento nulo. A resistência ao momento flector de uma ligação submetida a esforço axial e momento flector poderá ser determinada.3.5) Esta abordagem é conservativa. baseada na EN 1993-1-8 e no método das componentes. a resistência ao momento no caso de esforço axial. solicitada por momento flector e esforço axial? _____________________________________________________________________ Esta questão inclui dois aspectos que serão tratados separadamente. O ponto representa a resistência máxima ao momento flector. e de seguida serão incorporadas numa assemblagem modificada para calcular a resistência e rigidez da ligação [Sokol et al.

18. No caso de carregamento não proporcional. Centro da secção à tracção Ft. para níveis moderados de momento flector. mesmo nos casos em que a placa de extremidade excede aquele limite. e o esforço axial NSd e momento flector aplicado MSd. MRd Carregamento não-proporcional Carregamento proporcional Curva não-linear Plastificação da componente mais fraca Força axial.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Podem ser distinguidos dois caminhos de carga. 1995]. b) Caminhos de carga no diagrama de interacção. O modelo simplificado apenas considera a área efectiva junto aos banzos [Steenhuis. φ Parafusos à tracção. a rigidez da ligação é superior ao caso de carregamento proporcional. ver Figura 6.19). Manual de ligações metálicas 55 .ini Figura 6.18: Equilíbrio na ligação. pelo que apenas as componentes em compressão contribuem para a deformação da ligação.Rd e Fc. ver Figura 6. No caso de carregamento proporcional. A força de tracção é localizada na fiada de parafusos à tracção. respectivamente. que mantém a placa de extremidade em contacto com o banzo do pilar. mantendo constante a relação entre eles. a resistência da parte em tracção é obtida a partir da resultante das forças dessas fiadas. MSd Rotação.17: a) Curva momento-rotação para carregamento proporcional e não proporcional. A posição do eixo neutro pode ser avaliada a partir das equações de equilíbrio. A dimensão e a forma da área de contacto entre a placa de extremidade e o banzo do pilar são baseados no conceito de área rígida efectiva [Wald. É assumido que a força de compressão actua no centro do banzo comprimido.Rd Secção activa Centro da secção à compressão Figura 6. tomando em consideração a resistência das zonas em tracção e compressão Ft. No caso de carregamento não proporcional.Rd. a força normal é aplicada à ligação seguida do momento flector. Momento. Este efeito deve-se à presença de esforço axial. No caso da existência de mais do que uma fiada de parafusos à tracção.Rd zt z zc NSd MSd Eixo neutro Fc. NSd Carregamento proporcional Carregamento não-proporcional Resistência da ligação Momento. banzo da viga à compressão e0 NSd Ambos os banzos da viga à compressão Sj. os dois esforços são aplicados em simultâneo.17. Neste cálculo é assumida uma distribuição plástica das forças internas. 1998] (Figura 6.

para carregamento proporcional. estando as duas partes da ligação em compressão.t.b.6) e (6.Rd ⋅ z ⎪ ⎪ ⎪ z t.b + 1 ⎪ ⎪ e ⎪ = min ⎨ ⎬ −Fc. Neste caso.l ⎪ ⎪1 − ⎪ e ⎭ ⎩ MSd NSd Mj.Rd NSd MSd Fcb.8) Se a excentricidade e = ≥ −zc . considera como área efectiva apenas a zona dos banzo: a) ligação aparafusada com uma fiada à tracção.20a): MSd ⎧ ⎪e = N ≤ −z c ⎪ Sd ⎨ ⎪ MSd + NSd ⋅ zc ≤ F t ⎪ z ⎩ z (6.7) podem ser reescritas como: ⎧ Ft.7) MRd Como e = MSd NSd = NRd = const .Rd zt z zc Fct. As forças representam resistências das componentes em tracção Ft.b.Rd.Rd zct z zcb a) b) Figura 6. Usando as equações de equilíbrio e assumindo a excentricidade e. ver Figura 6. não existe força de tracção na fiada de parafusos.7) será modificada para: ⎧ −Fc.t ⎪ −1 ⎪ ⎪ ⎩ e ⎭ Mj.Rd ⋅ z ⎫ ⎪ z ⎪ ⎪ c.Rd ⋅ z ⎫ ⎪z ⎪ ⎪ c +1⎪ ⎪ e ⎪ = min ⎨ ⎬ Fc. Por simplicidade. a equação (6.6) e MSd NSd ⋅ z t − ≤ −Fc z z (6. e em compressão Fc. o modelo é desenvolvido apenas para carregamento proporcional.9) 56 Manual de ligações metálicas .Rd.Rd (6.Rd.19: Modelo simplificado. podem ser estabelecidas as fórmulas seguintes (Figura 6. b) ligação soldada.19b). as equações (6.Rd (6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Ft. Fc.Rd NSd MSd Fc.t.Rd ⋅ z ⎪ ⎪ ⎪ z c.

que depende do quociente γ das forças actuantes μ = (1.10) (6.t z zc.b φ NSd z MSd zt NSd zc MSd δc δc. A deformação elástica das componentes na zona de tracção e de compressão.5 γ ) 2.ini = MSd E ⋅ z2 e E ⋅ z2 = 1 MSd + NSd ⋅ e 0 ⎛ 1 1 ⎞ e + e0 ∑k ⎜ + ⎟ ⎝ kc kt ⎠ (6.t φ zc. ver Figura 6.13) a rigidez é obtida substituindo a rotação da ligação (6.7 ≥ 1 (6.20: Modelo mecânico para a placa de extremidade.20a).12) A rigidez da ligação depende do momento flector aplicado.16) Manual de ligações metálicas 57 .b a) b) Figura 6.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO A rigidez de rotação da ligação resulta da deformação das componentes: δt δc.14) sendo a excentricidade e0.12) na equação (6.ini = MSd φ (6. definida da seguinte forma: e0 = zc ⋅ k c − zt ⋅ k t kc + kt (6.15) a parte não linear da curva momento rotação pode ser modelada introduzindo o coeficiente de rigidez μ.13) S j.11) Sendo a rotação da ligação determinada a partir daqueles valores: φ= δt + δc z = 1 ⎛ MSd + NSd ⋅ zc MSd − NSd ⋅ z t ⎞ + ⎜ ⎟ E ⋅ z2 ⎝ kt kc ⎠ (6. pode ser expressa como: MSd NSd ⋅ zc + M + NSd ⋅ zc z δt = z = Sd E ⋅ kt E ⋅ z ⋅ kt MSd NSd ⋅ z t − M − NSd ⋅ z t z δc = z = Sd E ⋅ kc E ⋅ z ⋅ kc (6. que é produzido pelo esforço axial aplicado com a excentricidade constante e S j.

18) Usando o factor μ acima referido. Na primeira série foram analisadas ligações com placa de extremidade rasa e na segunda fase. na forma Sj = e E ⋅ z2 1 e + e0 μ∑ ki (6.21). 2002]. ligações com placa de extremidade estendida [Silva et al. o Grupo de Construção Metálica e Mista do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra realizou quinze ensaios de dois tipos de ligações viga-pilar com placa de extremidade. o factor γ pode ser definido como γ = MSd + 0. quando as ligações estão submetidas a esforços axiais de compressão..LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Assumindo os braços das forças zt e zc como aproximadamente iguais a h/2. 58 Manual de ligações metálicas .19) Para se avaliar o comportamento destas ligações submetidas a momento flector e esforço axial não proporcional. é possível modelar a curva momento-rotação da ligação carregada proporcionalmente. ou seja.e. para esforços axiais de tracção. O reforço de corte tipo “Morris” foi desenvolvido para resolver dois problemas simultaneamente – a resistência por corte do painel de alma e a distorção do banzo do pilar (Figura 6.17) e substituindo o valor da excentricidade e. i. Os resultados obtidos mostraram que. Questão 6. No entanto. ser aplicadas a reforços tipo “K” e tipo “Morris”? _____________________________________________________________________ Se a alma tem uma resistência insuficiente.21: Reforço tipo “Morris”. evidencia-se uma diminuição do momento resistente da ligação.. podem ser usadas placas de alma. sendo o valor proposto pela EN 1993-1-8. sub-dimensionado [Lima et al.5h ⋅ NSd (6.10: Regras de Dimensionamento para Reforços em K e do Tipo Morris Poderão as regras para reforços transversais dadas na EN 1993-1-8. a ligação está sobre-dimensionada [Lima et al. até um determinado nível de carregamento.5h ⋅ NSd MRd + 0. 2001]. o momento resistente da ligação é superior ao proposto na EN 1993-1-8. Figura 6.. reforços diagonais ou em “K” de modo a proporcionar a resistência adequada. 2002]. metade da altura da viga. esta grandeza pode ser simplificada para e+ h 2 γ = ⎛ MRd ⎞ h ⎜ ⎟e + 2 ⎝ MSd ⎠ (6.

Asg é dada por: A sg = 2bsg ⋅ t s com A sg ≥ Fv − Pv fyd cos θ (6. As soldaduras que ligam a parte horizontal do reforço tipo Morris ao banzo do pilar deverão ser dimensionadas de forma que a sua espessura permita obter Asn. sendo Asn dada pela expressão seguinte: A sn = 2b sn ⋅ t s com A sn ≥ m1 yd F ⎛ F ⎞ ⎜m +m + m +m ⎟ f ⎝ ⎠ ri rj 1 2L 1 2U (6. bastante eficientes. permitem concluir que estes reforços são. quando comparados com reforços tradicionais. mas mais difíceis de montar em secções mais pequenas. Área dos reforços: A área dos reforços. São particularmente eficazes para pilares do tipo UB.LIGAÇÕES COM TRANSMISSÃO DE MOMENTO Os ensaios realizados com reforços do tipo “Morris”.20) sendo θ o ângulo entre o reforço e a horizontal. A parte horizontal do reforço suporta a mesma força de tracção de um reforço de tracção colocado no mesmo alinhamento.21) Manual de ligações metálicas 59 . Revelam-se igualmente mais económicos e permitem uma maior facilidade de acesso dos parafusos para montagem. têm uma rigidez inicial elevada e um melhor desempenho após a cedência. Soldaduras: As soldaduras que ligam os reforços diagonais e os banzos do pilar deverão ser soldaduras de penetração total e a espessura da soldadura deve igualar a espessura do reforço. quando comparados com os reforços em “K” tradicionais. A parte diagonal deverá ser dimensionada como um reforço diagonal. O comprimento deverá ser suficiente para permitir o acesso dos parafusos (100 mm). De facto.

não é tida em conta na EN 1993-1-8. mas se a ligação de fundação estiver sujeita a momentos flectores elevados. a base de pilar é suportada ou por uma sapata de betão ou outro tipo de sub-estrutura (ex. O modelo de cálculo adoptado pela EN 1993-1-8 traduz a flexibilidade da placa de base numa placa rígida efectiva. A abordagem tradicional para o dimensionamento de bases rotuladas conduz a espessuras da placa de base que lhe conferem rigidez suficiente para garantir uma distribuição uniforme de tensões sob a placa e consequentemente. poderão prever-se reforços. a deformação e a força de tracção no conjunto de dispositivos que constituem a ancoragem. admitindo que as secções se mantêm planas. Outras disposições construtivas relativas a bases de pilares também podem ser aplicadas. que pode ser considerável para determinadas características do solo de fundação. ele ignora a flexibilidade da placa de base à flexão (mesmo quando reforçada). esta pode ser modelada como rígida.reforço opcional. Chumbadouros à tracção e flecção Alma e banzo do pilar à compressão Betão à compressão e flexão Enrigecedores em ambos os lados (opcional) Chumbadouros ao corte a) b) Figura 7. nomeadamente o reforço através de chumbadouros e embebimento de um troço da zona inferior do pilar na fundação de betão.Configuração habitual e componentes a utilizar para determinação da rigidez e resistência do conjunto: a) Parafusos no interior da base. De uma maneira geral. estaca). O procedimento preconizado no documento é aplicável a pilares de secção aberta ou fechada [Wald et al. Utilizando as equações de equilíbrio pode determinar-se o valor máximo da tensão na fundação de betão (considerando uma distribuição linear de tensões). as bases de pilares são dimensionadas sem reforços.1: Bases de pilar . b) Parafusos no exterior da base . A influência da sapata de betão.7 BASES DE PILARES 7. . 2000]. O dimensionamento tradicional de bases de pilares não rotuladas considera uma análise elástica.. Apesar deste procedimento se ter mostrado satisfatório ao longo de vários anos de utilização prática. o dispositivo de ancoragem e o betão. uma placa de base e dispositivos de ancoragem. Normalmente. O documento normativo EN 1993-1-8 [prEN1993-1-8: 2003] indica regras para cálculo da resistência e rigidez das bases de pilares.1 Introdução Uma ligação do tipo base de pilar é constituída por um pilar.

considera-se uma distribuição plástica de tensões.3. O modelo garante ainda.8 da EN 1993-1-8. Questão 7. As fronteiras para a classificação das bases de pilares em termos de resistência e rigidez são apresentadas na cláusula 6. deve ser tomado como: M′ = 1 2 t ⋅ fyd 6 (7. como efeito secundário. As regras para determinação da resistência de bases de pilares encontramse na cláusula 6. 1/4 t2? _____________________________________________________________________ A área útil da placa de base (flexível) é determinada com base no comprimento efectivo c. através da restrição das deformações da placa a comportamento elástico [Bijlaard.2. Para cálculo da rigidez e à semelhança do que acontece para as ligações viga-pilar. c c O valor do momento resistente elástico por unidade de comprimento da placa de base. Para cálculo relativamente aos Estados Limites Últimos.4.2: Modelo 2D de elementos finitos da placa de base (T-Stub).BASES DE PILARES permitindo que o nível de tensão na fundação de betão atinja o valor da resistência deste à compressão. 1982].2 do mesmo Documento Normativo. 1/6 t2.3. utiliza-se o método das componentes. na determinação da resistência da placa de base em vez de análise plástica. que a tensão de cedência do material da placa não é excedida. O modelo utilizado limita os valores das tensões concentradas sob a placa de base flexível.2. As regras homólogas para determinação da rigidez encontramse na cláusula 6. Malha deformada e indeformada e direcções principais no betão [Wald. 1998]. e do bloco de betão à compressão.1: Análise Elástica da Placa de Base Porquê utilizar análise elástica. Figura 7. M c c c c c t Figura 7. ver Figura 7. Baniotopoulos.1) 62 Manual de ligações metálicas .3: Modelo de análise da placa de base.

Bijlaard. o coeficiente da ligação βj é considerado igual a 2/3. A maior parte das argamassas tem uma resistência mais elevada do que o material que constitui o bloco [Stark. ver Figura 7.4) Questão 7. Quando os momento anteriores são iguais.3. ver Figura 7.3) então: c=t fy 3fj ⋅ γ M0 (7. e a fórmula para avaliar o comprimento c pode ser obtida de: 1 1 fj ⋅ c 2 = t 2 ⋅ fy 2 6 (7. 1988]. Informações adicionais são fornecidas na Questão 7. ou seja: a argamassa entre o betão e a placa de base é semelhante a um líquido. admitindo uma distribuição de tensões normais a 45° sob a área útil da placa de base. No caso em que a espessura da argamassa é superior a 50 mm. Nestes casos. a fina camada de argamassa não afecta a resistência do betão ao esmagamento. tg t tg tg tg 45° Figura 7. a camada de argamassa pode ser desprezada.5 da EN 1993-1-8.4. Nas outras situações. Deste modo.3.4: Distribuição de tensões na argamassa.BASES DE PILARES e o valor do momento actuante na placa de base .2) que é o momento actuante numa consola de vão c. quando a argamassa de assentamento tiver pelo menos 20% da resistência característica do betão da fundação. Que valor deve ser utilizado quando a resistência da argamassa é menor? ____________________________________________________________________ A problemática da argamassa de assentamento de baixa qualidade tem sido alvo de vários estudos experimentais e numéricos. a resistência ao esmagamento pode ser verificada.2: Cálculo da Resistência da Placa de Base com Argamassa de Assentamento de Baixa Qualidade Na cláusula 6. 45° Manual de ligações metálicas 63 . quer dizer que foi atingida a capacidade de resistência à flexão da placa.2. Admite-se que a camada de argamassa esteja sujeita a compressão triaxial. a resistência característica da argamassa deve ser igual ou superior à resistência da fundação de betão [prEN 1993-1-8: 2003]. deve ser considerado igual a: M′ = 1 fj ⋅ c 2 2 (7.

1978] conduziram ao desenvolvimento de um modelo adequado para a tensão resistente ao esmagamento de bases de pilares. 64 Manual de ligações metálicas . [DeWolf. No total. nomeadamente a relação entre a resistência do betão e a área da placa. Hawkins. um estudo análogo. que trata o problema da resistência ao esmagamento de um bloco de betão carregado através de uma placa. conduz a resultados semelhantes aos obtidos através da EN 1992-1-1. [Hawkins. A abordagem de dimensionamento preconizada na EN 1993-1-8 está de acordo com os resultados experimentais. mas para placas flexíveis carregadas pela secção transversal do pilar avalia a transferência da carga feita apenas numa parte da placa. foram analisados resultados de 50 ensaios para verificar a resistência esmagamento do betão [DeWolf.4 a 2. as investigações direccionaram-se no sentido da determinação da tensão de esmagamento de placas rígidas. Estudos experimentais [Shelson. 3A c0 ⋅ fcd A c0 De acordo com EN 1993-1-8 o valor máximo de kj é 5. a espessura relativa do bloco de betão. pode ser dividida em duas categorias.5 ilustra a relação existente entre a esbelteza da placa de base (quociente entre a espessura da placa e a distância livre até à extremidade da placa). 1957]. Qual é a justificação científica deste facto? _____________________________________________________________________ Ambos os Documentos Normativos apresentam forma de determinar a resistência esmagamento do betão quando sujeito à acção imposta por uma placa de aço. Verificou-se que a rotura ocorre quando se forma uma pirâmide invertida no betão sob a placa. sendo no entanto os métodos de cálculo diferentes.0. A capacidade resistente dos espécimes ensaiados correspondente à rotura do betão é 1. mas é conservativa. Para calcular a resistência do bloco de betão ao corte. A análise do betão para Estados Limites Últimos obriga à consideração do comportamento tridimensional do material. à flexão e ao punçoamento. A investigação realizada fez uso de modelos experimentais e analíticos e foram vários os parâmetros em estudo. 1968a]. Por outro lado. com um valor médio de 1. De acordo com EN 1992-1-1 têm-se: FRd = A c0 ⋅ fcd A c1 ≤ 3. 33fcd ⇒ FRd = 3. A Figura 7.BASES DE PILARES Questão 7. 3A c0 ⋅ fcd 3 O resultado é o mesmo.3: Cálculo Comparativo da Resistência do Betão pela EN 1992-1-1 e EN 19931-8 Aparentemente o cálculo da resistência da base do pilar ao esmagamento fj calculado de acordo com a EN 1993-1-8. Para este valor a resistência esmagamento da base do pilar será: fj = 2 ⋅ 5 ⋅ fcd = 3.b]. é necessário uma verificação separada que depende da geometria e pormenorização do bloco. 1978. a posição da placa relativamente à fundação de betão e os efeitos de elementos de reforço. com plastificação e fendilhação. A resistência ao esmagamento é limitada pela resistência do betão ao esmagamento. A bibliografia técnica. 1968a. e a resistência ao esmagamento relativa. que tem vindo a ser adoptado pelos Documentos Normativos recentes. O modelo preconizado na EN 1993-1-8 foi verificado experimentalmente. com carga centrada actuando através de uma placa de aço.5 vezes a capacidade resistente calculada segundo a EN 1993-1-8. Os parâmetros utilizados foram as dimensões do bloco de betão. Por um lado. Os espécimens ensaiados consistiam em cubos de betão com dimensões que variavam desde 150 até 330 mm.75. as dimensões da placa de aço e a resistência do betão.

N (kN) 700 600 500 400 300 200 100 0 t= Cálculo Ensaios f 0. [Murray.76 mm 1. Com base em observações experimentais. 1982]. 1978]. é necessário utilizar a teoria do dano.89 mm 25. foram seleccionados 16 ensaios em provetes com geometria e propriedades materiais semelhantes. Esta metodologia simples e prática foi modificada e verificada através de ensaios experimentais [Bijlaard. 1968a]. vem de encontro à situação mais realista de distribuição não uniforme de tensões.4 mm a b c d e f < > < > < > < > e d c b a 0 10 20 30 40 50 60 Fcd (MPa) a × b = 600 × 600 mm Figura 7. [Hawkins. Esta hipótese. dada a sua complexidade. 1980].6: Relação entre a resistência do betão e a carga última [Hawkins. verificou-se que a tensão de esmagamento aumenta para valores elevados de excentricidade da força normal [DeWolf e Sarisley.52 mm 3. 1968a]. A EN 1993-1-8 adoptou este método numa forma conservativa. o que conduz a um aumento da tensão de esmagamento.35 mm 8. A influência da flexibilidade da placa foi considerada através da utilização de uma placa rígida equivalente [Stockwell. A partir de um programa experimental realizado por Hawkins sobre esta temática [Hawkins. Neste caso. quando a distância desde a extremidade da placa até à extremidade de bloco é constante e a excentricidade da carga aumenta. 1968a]. tendo sido utilizados os valores de 19. a área de contacto diminui.6. A influência da resistência do betão é apresentada na Figura 7. O único factor variável foi a resistência do betão.5 Relação: Resistência ao esmagamento relativa – Esbeltez da placa de base Resultados numéricos e experimentais [DeWolf.BASES DE PILARES fj /fCd 2 Cálculo analítico Ensaios e 1 0 0 5 10 15 20 25 30 t/e Figura 7. 1983]. 1975]. Manual de ligações metálicas 65 . No caso de esmagamento localizado da superfície de betão sob a superfície rígida. pelo que esta situação define o limite de utilização da análise acima descrita. com valores máximos sob a secção transversal do perfil. 31 e 42 MPa. [Wald. Este tipo de análise não é aceitável para dimensionamento ordinário.05 mm 6. 1993].

A qualidade e espessura da argamassa são consideradas no coeficiente da ligação βj. Esta verificação deverá ser semelhante ao cálculo da resistência do bloco de betão.g=3. é necessário fazer uma verificação separada em relação à argamassa. A resistência da placa de base ao esmagamento Fc. 2fck ).7. admite-se que a tensão característica da argamassa fck.Rd é calculada a partir de: ⎧a + 2 ar ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ 5a ⎪ ⎨ ⎬ . a1 ≥ a ⎪ a+h ⎪ ⎪ 5 b1 ⎪ ⎩ ⎭ ⎧b + 2 br ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ 5b ⎪ ⎨ ⎬ . o valor máximo de kj é 5. e que a espessura da argamassa é tg ≤ 0.66 fcd. sempre que a tensão característica da argamassa de assentamento seja igual ou superior a 20% da resistência característica do betão.5b) kj = a1 ⋅ b1 a⋅b (7. Nos modelos de cálculo utilizados.6) fj = 2 3 k j ⋅ fck γC fy 3 fj ⋅ γ M0 (7. 66 Manual de ligações metálicas .7.g é igual ou superior 20% da tensão característica da fundação de betão fck ( Fck.Rd = A eff ⋅ fj (7. obtém-se o valor de fj=2/3*5*fcd = 3.9) A área efectiva Aeff é definida de acordo com o ilustrado na Figura 7. _____________________________________________________________________ A resistência da argamassa de assentamento e do bloco de betão à compressão é limitada pela resistência da argamassa de assentamento ao esmagamento ou pela resistência do betão sob uma placa de base flexível. Para este valor máximo. a placa de base flexível é substituída por uma placa rígida equivalente.33*fcd / 0.BASES DE PILARES Questão 7. A área da placa rígida equivalente obtém-se a partir da área da secção transversal do pilar acrescida de uma faixa de largura efectiva c.g ≥ 0. como tal.7) c= t (7.4: Factor de Concentração de Tensões kj para Bases de Pilares Indique bibliografia de apoio para justificar a utilização do valor de kj.5a) b1 = min (7. ver Figura 7. é necessário determinar o coeficiente de concentração da ligação kj.33 fcd.0 para uma placa de base quadrada. b). que pode conduzir a valores de fj 10 vezes superiores aos da tensão característica da argamassa de assentamento. a resistência mínima da argamassa de assentamento é: fcd.2 = 16.8) Fc. Para βj=2/3. No caso da argamassa ter uma resistência menor ou uma espessura maior do que o admitido acima.2 min(a. b1 ≥ b ⎪ b+h ⎪ ⎪ 5a ⎪ ⎩ ⎭ 1 a1 = min (7. Segundo a EN 1993-1-8. Recomenda-se a utilização do valor do coeficiente da ligação de βj=2/3. Para o cálculo da resistência do betão ao esmagamento fj.

8. O resultado é um novo modo de rotura designado 1*.9. O T-stub de placa de base é semelhante ao T-stub de uma ligação com placa de extremidade.Rd m (7.5: Comprimento Efectivo do T-Stub Associado à Placa de Base No cálculo do comprimento efectivo do T-Stub da placa de base pode-se usar a tabela de comprimentos efectivos de uma ligação com placa de extremidade? _____________________________________________________________________ O comprimento efectivo de um T-stub à tracção é definido pelo modo de rotura do T-stub. Esta diferença deve-se essencialmente à presença de chumbadouros com grande comprimento e de uma placa de base espessa. quando comparada com uma placa de extremidade. De uma maneira geral esta situação conduz a um afastamento do T-stub da fundação de betão. como tal não é necessária uma verificação separada da argamassa.25 vezes superior à resistência à compressão do betão. mas os modos de rotura podem ser diferentes.10) A relação entre o modo de rotura 1* e os modos de rotura do T-stub em situações de contacto. A resistência ao esmagamento do betão da fundação representa uma situação de carregamento tridimensional para o betão. é necessária uma verificação separada da argamassa. a resistência obtido experimentalmente é cerca de 6. Manual de ligações metálicas 67 . Na EN 1993-1-8. A verificação pode ser feita de forma semelhante à realizada para a resistência do betão. Uma camada pouco espessa de argamassa de assentamento não afecta a resistência da base do pilar. este facto é tido em conta através da utilização de um factor de concentração de tensões kj com um valor máximo de 5. ver Figura 7.7: Dimensões da fundação de betão. A resistência do T-stub sem contacto com o betão é: Ft = 2L eff ⋅ mpl. Neste caso.BASES DE PILARES Só esforço axial A eff t h Esforço axial e momento flector Área efectiva em torno do pilar c Área efectiva em torno da zona comprimida do pilar a1 a ar Eixo neutro A eff Só momento flector A eff b br Eixo neutro Área efectiva em torno da zona comprimida do pilar Figura 7. para uma placa de base quadrada. Questão 7.0. é ilustrada na Figura 7. e consequentemente à ausência de forças de alavanca. área efectiva da placa flexível. Quando a camada de argamassa de assentamento é espessa ou é de má qualidade. O cálculo da resistência da camada de argamassa de assentamento baseia-se em vários pressupostos e não deve ser confundida com a resistência do betão ao esmagamento.

lim não há contacto ou forças de alavanca.10: Comprimento livre dos chumbadouros embebidos na fundação de betão. L b.5 2 2.11. Para dimensões dos chumbadouros superiores a Lb. 68 Manual de ligações metálicas . por exemplo em termos de dimensão máxima do chumbador Lb. F/ΣΒt. Este último pode ser estimado como: Lbe = 8 d.lim = 8. 82 m3 ⋅ A s < Lb > L eff ⋅ t 3 (7.Rd 1 0.8: T-stub sem contacto com o bloco de betão.lim.4 0.8 0.5 Figura 7. Lbf Lb Lbe d Figura 7.2 0 Modo 1 Modo 1* Modo 2 Modo 3 4. ver Figura 7.11) Para chumbadouros embebidos na fundação de betão. com e sem contacto.5 1 1.9: Modos de rotura para os T-stubs de bases de pilares. tal como representado na Figura 7.10 [Wald. o comprimento Lb pode ser considerado como o comprimento acima da superfície de betão Lbf mais o comprimento efectivo da parte embebidos Lbe.Rd /ΣBtRd 0 0.2. A fronteira entre os modos de rotura.BASES DE PILARES F m n Q=0 Q=0 Figura 7.6 0. encontram-se sistematizados no Quadro 7. determina-se através de uma análise das deformações elásticas do T-stub. 1999].1 e Quadro 7.λeff mpl. Os comprimentos efectivos do T-stub de uma placa de base. Essa fronteira pode ser expressa de diversas formas.

BASES DE PILARES

e

p

e

ex mx

e b

m

Figura 7.11: Dimensões da placa de base com parafusos dentro e fora dos banzos do pilar. Quadro 7.1: Comprimentos efectivos de T-stubs para placas de base com chumbadouros fora dos banzos do pilar. há efeito de alavanca não há efeito de alavanca

L1 = 4mx + 1, 25e x L 2 = 2π ⋅ mx L 3 = 0,5b L 4 = 2mx + 0, 625e x + 0,5p L 5 = 2mx + 0, 625e x + e L 6 = π ⋅ mx + 2e L 7 = π ⋅ mx + p
L eff.1 = min (L1 ; L 2 ; L 3 ; L 4 ; L 5 ; L 6 ; L 7 )
L eff.2 = min (L1 ; L 3 ; L 4 ;L 5 )

L1 = 4mx + 1, 25e x L 2 = 4π ⋅ mx L 3 = 0,5b L 4 = 2mx + 0, 625e x + 0,5p L 5 = 2mx + 0, 625e x + e L 6 = 2π ⋅ mx + 4e L 7 = 2π ⋅ mx + 2p
L eff.1 = min (L1 ;L 2 ; L 3 ;L 4 ; L 5 ; L 6 ;L 7 )
L eff.2 = min (L1 ; L 3 ; L 4 ; L 5 )

Quadro 7.2: Comprimentos efectivos de T-stubs para placas de base com chumbadouros dentro dos banzo do pilar.

L1 = 2α ⋅ m − ( 4m + 1, 25e )

há efeito de alavanca

L1 = 2α ⋅ m − ( 4m + 1, 25e )

não há efeito de alavanca

L 2 = 2π ⋅ m L eff ,1 = min (L1 ;L 2 )

L 2 = 4π ⋅ m L eff ,1 = min (L1 ; L 2 )

L eff ,2 = L1

L eff ,2 = L1

Questão 7.6: Comprimento Efectivo do T-Stub da Placa de Base com Chumbadouros fora da Largura dos Banzos

Os quadros para cálculo do comprimento efectivo de um T-stub, consideram apenas os casos em que todos os parafusos se encontram dentro dos limites da largura do banzo da viga. Quando os parafusos se encontram fora dos limites do banzo da viga podem utilizar-se as mesmas fórmulas?

_____________________________________________________________________
Os padrões de linhas de rotura para placas com parafusos situados fora dos limite da largura do banzo da viga foram estudados por Wald [Wald et al., 2000]. O estudo concluiu que, para este caso, existe um padrão adicional, cuja fórmula deve ser adicionada aos quadros de ligações viga-pilar.

Manual de ligações metálicas

69

BASES DE PILARES

1

Δ

a a c b bc

d c

α
y Lb eb
eff.5 Caso 5 eff.4 Caso 4

eff.1 Caso 1

eff.2 Caso 2 eff.3 Caso 3

Linha de rotura

x La

α
ea

a)

b)

Figura 7.12: Placa de base com chumbadouros fora dos limites do banzo do pilar: a) geometria da placa de base, b) comprimentos efectivos do T-stub.

O comprimento efectivo do T-stub pode ser determinado através do método das linhas de rotura. A posição do chumbadouro é definida pelas coordenadas x e y. A linha de rotura é uma linha recta que é perpendicular à linha que une a posição do chumbadouro ao canto da placa. O ângulo α representa a inclinação da linha de rotura e c é a distância mínima desde a linha de rotura ao canto da placa. Para calcular a distância c, utiliza-se o método das linhas de rotura juntamente com o princípio dos trabalhos virtuais. O trabalho realizado pelas forças interiores (energia de deformação interna) na linha de rotura é: ⎛1 1 ⎞ Wi = mpl ⎜ x + y ⎟ x ⎠ ⎝y O trabalho realizado pelas forças exteriores é:
We = Fpl ⋅ Δ

(7.12)

(7.13)

O trabalho realizado pelas forças exteriores é igual à energia de deformação interna, logo:
⎛1 1 ⎞ mpl ⎜ x + y ⎟ = Fpl ⋅ Δ x ⎠ ⎝y

(7.14)

O deslocamento virtual Δ representa a deformação da placa na coordenada do chumbadouro, ver Figura 7.12, e é igual a: Δ= x2 + y2 c (7.15)

Substituindo a expressão de Δ na equação (7.14), vem:
Fpl e x2 + y2 ⎛ x2 + y2 ⎞ = mpl ⎜ ⎟ c ⎝ x⋅y ⎠ (7.16)

70

Manual de ligações metálicas

BASES DE PILARES

Fpl = mpl ⋅ c
∂Fpl ∂c = mpl

x2 + y2 x⋅y
x2 + y2 = const . x⋅y

(7.17) (7.18)

Como tal, o comprimento efectivo Leff é igual a:
L eff = c x2 + y2 x⋅y

(7.19)

No canto do pilar podem observar-se cinco padrões de linhas de rotura, ver Quadro 7.3 [Wald et al., 2000] admitindo que não há contacto entre a placa de base e a superfície do betão, e que portanto não há forças de alavanca.
Quadro 7.3: Determinação do comprimento efectivo do T-stub, Casos 1 a 3. Caso 1 Caso 2 Caso 3

Wext = Fpl ⋅ δ Wext = Fpl ⋅ δ

Wext = Fpl ⋅ δ

δ =

a − ac − 2e a a − ac

δ =

(b − bc ) + (a − ac ) − 2 ea2 + e b2 2 2 (b − bc ) + (a − ac )
2 2

Wint = 4π ⋅ mpl ⋅ δ
Fpl = 4π ⋅ mpl m= a − ac − ea 2

Wint = mpl Fpl = mpl

b a − ac

⎛e e ⎞ Wint = mpl ⎜ a + b ⎟ eb e a ⎠ ⎝ Fpl = mpl ⎛ e a eb ⎞ ⎜ + ⎟ δ ⎝ eb e a ⎠

b a − ac − 2e a

L eff.1 = π ⋅ m

L eff.2

b = 4

L eff.3 =

(a − a )
c

2

+ ( b − b c ) ⎛ e a eb ⎞ ⎜ + ⎟ 8 ⎝ eb e a ⎠
2

Os casos 4 e 5 são semelhantes aos casos 2 e 1 respectivamente. Os resultados das simulações com modelos de Elementos Finitos apresentam-se na Figura 7.13.

Figura 7.13: Simulações com modelos de Elementos Finitos de linhas de rotura. Representação da malha e dos diferentes padrões de rotura para diferentes posições diferentes do chumbadouro em relação à placa de base.

Manual de ligações metálicas

71

5.2(6) da EN 1993-1-8. por forma a acomodar a tolerância relativa à posição dos chumbadouros. (d) contacto directo. Questão 7. ver Figura 7. a força normal de compressão se anule ou passe mesmo a tracção. Por vezes pode suceder que.2. O valor de Cf. é apresentado o coeficiente de atrito entre a placa de base e a camada de solo. no caso da placa de base estar embebida no betão.14.20 é apresentado para argamassa com inerte do tipo areia. para Estados Limites Últimos. O documento CEB [CEB.5 d. a força horizontal de corte não pode ser transmitida por atrito entre a placa de base e a argamassa de assentamento.d = 0. O atrito depende na força de compressão mínima e do coeficiente de atrito. conectores de esforço transverso). conforme recomendado no documento EN 1990 [prEN 1990: 2001]. • corte e flexão dos chumbadouros. devido a acções horizontais (vento). 14: Bases de pilares sujeitas a corte horizontal (a) atrito entre a placa de base e a argamassa e o betão da fundação. A utilização de pré-esforço nos chumbadouros faz aumentar a resistência ao corte associada ao atrito. Neste caso. tem sido bastante difundida nos EUA [DeWolf and Ricker 1990]. A versão mais conservativa é sintetizada no documento CEB. (b) corte e flexão dos chumbadouros.15.30 para argamassa especial. • um dispositivo especial para resistir ao corte. Na maior parte dos casos. a) b) c) d) Figura 7. como por exemplo um troço de perfil I ou T ou de uma simples placa. Nestes casos. soldados à base da placa de base. no caso da placa de base estar embebida no betão. como por exemplo um troço de perfil I ou T ou de uma simples placa.8: Transmissão de Forças de Corte Através dos Chumbadouros Os chumbadouros podem ser utilizados para transmitir forças horizontais à fundação de betão? _____________________________________________________________________ As forças horizontais de corte nas bases de pilares podem ser resistidas por: • atrito entre a placa de base e a argamassa e o betão da fundação. Se não forem previstos outros dispositivos (ex.7: Coeficiente de Atrito entre o Aço e o Betão Qual é o coeficiente de atrito entre o aço e o betão? _____________________________________________________________________ Na cláusula 6. em edifícios esbeltos. • contacto directo.BASES DE PILARES Questão 7. (c) dispositivo especial para resistir ao corte. o vão pode ser reduzido para L/2. ver Figura 7.4 para coeficiente de atrito. deve utilizar-se um factor parcial de segurança γMf = 1. quando é usada uma camada de argamassa de assentamento fina com menos de 3mm. a força de corte é resistida por atrito entre a placa de base e a argamassa de assentamento. os chumbadouros terão que transmitir estas forças de corte. 1997] sugere a utilização de um valor de 0. Os furos da placa de base necessitam de ter as folga adequadas. Considerase que os chumbadouros funcionam como uma consola com vão igual à espessura do betão acrescida de 0.d = 0. 72 Manual de ligações metálicas . e um valor de Cf. soldados à base da placa de base. A utilização de chumbadouros para transferir a força de corte. Quando a rotação da porca é impedida pela placa de base.

Rd Nc.Sd δv. o esquema de dimensionamento é simplificado de modo a permitir a sua implementação prática.Sd F v.16..furo Fv. Considera-se que o chumbadouro vai deformar o que permite o desenvolvimento de tracção no chumbadouro e compressão na argamassa. resistência à tracção.2. 1989]. O método aí descrito baseia-se em trabalho experimental e analítico apresentado em Bouwman et al. Nc. A resistência total ao corte é então devida ao atrito entre a sapata de betão e a placa de base e à resistência à tracção dos chumbadouros da zona comprimida. será seguro adicionar a resistência ao atrito à resistência de todos os chumbadouros? _____________________________________________________________________ O modelo de resistência às forças de corte preconizado na cláusula 6.20) Fv δ v δv. Tal como indicado na EN 1993-1-8.. O modelo de resistência às forças de corte é descrito na EN 1993-1-8.16: Comportamento do chumbadouro solicitado ao corte. Apenas os chumbadouros que se encontram na zona comprimida da placa de base podem ser utilizados para transferência de forças de corte. Este estado inicializa o efeito de encruamento do material de que são constituídos os parafusos.Rd + n ⋅ Fvb.Rd Ff. Manual de ligações metálicas 73 . [Bouwman et al. pelo que facilmente se pode atingir a capacidade resistente do material.2 da EN 1993-1-8 baseia-se na hipótese de que os chumbadouros sujeitos ao corte têm deformação de flexão. Fv.Rd Fa Ft Fv Fv Resistência à tracção Resistência à tracção reduzida Resistência à flexão e corte δv δv Figura 7.16. ver Figura 7.9: Transferência de Forças de Corte por Atrito e através de Chumbadouros Uma vez que as folgas na furação são grandes. Questão 7.Rd L Figura 7.furo δv Figura 7. A resistência dos parafusos à tracção é pequena. o que corresponde ao desenvolvimento de tracção nos chumbadouros.17: Atrito e resistência à tracção dos chumbadouros. ver Figura 7. ver Figura 7.17.Rd Resistência ao escorregamento (7.15: Esquema estrutural do chumbadouro à flexão.Rd = Ft.BASES DE PILARES Fv.

b) barras com gancho. ver Figura 7. e) chumbadouros cimentados. A força actuante no parafuso NSd deve verificar: NSd ≤ Ft.4 da EN 1993-1-8: para determinação da capacidade resistente de parafusos à tracção podem ser utilizadas para todos os tipo de aço. O factor de redução tem o valor de βb = 0.Rd ≤ NRd.21) βb é o factor de redução a aplicar a peças obtidas a partir de varões redondos em que as roscas não são normalizadas.p = NRk . 1997] com base em trabalho de Eligehausen [Eligehausen 1990]. se for aplicável.s = A s ⋅ fyb γ M2 (7. 9 A s ⋅ fub γ M2 (7. Ancoragem a vigas embebidas em espera no bloco de betão.18: Tipos de chumbadouros: a) chumbadouros de cabeça aplicados na obra . destina-se apenas a pilares com um momento flector muito elevado. nomeadamente: chumbadouros de cabeça aplicados na obra. foram publicados no Guia CEB [CEB. Modelos de resistência de chumbadouros de acordo com a EN 1993-1-8. c) chumbadouros com extremidade em cone.Rd = βb 0.18.BASES DE PILARES A resistência dos parafusos ao esmagamento deve ser verificada separadamente na zona do bloco de betão e na zona da placa de base.85. Que regras se devem seguir? _____________________________________________________________________ As regras indicadas no quadro 3. a) b) c) d) e) f) Figura 7. Podem ser utilizados diferentes sistemas de ancoragem. De acordo com este Guia. chumbadouros com extremidade em cone. barras com gancho.23) 74 Manual de ligações metálicas . incluindo o dos chumbadouros. no entanto.p γ Mp (7. chumbadouros colados e chumbadouros cimentados.Rd ≤ NRd. Questão 7.10: Regras para Realização da Ancoragem dos Chumbadouros O estabelecimento de um sistema de ancoragem adequado é o critério mais importante para o dimensionamento de chumbadouros. não é considerado na EN 1993-1-8. d) chumbadouros colados.22) Arrancamento NSd ≤ Na. é necessária a verificação dos seguintes modos de rotura de chumbadouros: Cedência do aço NSd ≤ Na. pois é uma solução muito onerosa. f) ancoragem a vigas embebidas em espera no bloco de betão.

N A0 c.N (7.N ⋅ Ψ s.19: Geometria dos chumbadouros de cabeça aplicados na obra. A resistência ao arrancamento é dada por: NRd.25) Para os chumbadouros em grupo são necessárias as mesmas verificações.28b) A h = ah2 − π A resistência do cone de betão.c = NRk . Para chumbadouros de cabeça circular e quadrada Ah é dada por: Ah = π (d 2 h − d2 ) 4 d2 4 (7. De seguida indica-se o dimensionamento de ancoragens realizadas com chumbadouros de cabeça aplicados na obra.c = NRd.19).c A c.BASES DE PILARES Rotura do cone de betão NSd ≤ Na.7 t 1 h ef ah t1 a1 h1 th dh Figura 7.24) Resistência do betão à projecção NSd ≤ NRd.sp γ Msp (7.20.27) e Ah é a área da cabeça do chumbadouros sujeita a esmagamento.N ⋅ Ψ ucr. é dada por: 0 NRd.c γ Mc (7. é: pk = 11 fck (7.p = pk ⋅ A h (7.26) γ Mp onde pk para betão não-fissurado. p e d 0.N ⋅ Ψ ec. ver Figura 7.Rd ≤ NRd. sujeitas a tracção (Figura 7.28a) (7.N ⋅ Ψ re.29) onde: Manual de ligações metálicas 75 .sp = NRk .

b) grupo de chumbadouros. utiliza-se no caso de chumbadouros a pequenas profundidades (hef ≤ 100 mm). a) chumbadouro individual.N Ψ s. como: A 0 c.N = 1.N ≤1 (7. a resistência é aumentada através do parâmetro Ψure. pode ser impedida se o betão passar a ser armado e se se limitar a zona de aplicação dos chumbadouros. 5 pcr. O espaçamento dos chumbadouros deve ser maior que: pmin = ( 5 dh .N + p1 )( pcr.34) a distância dos chumbadouros à extremidade do bloco deve ser maior que: 76 Manual de ligações metálicas .N2 (7. 7 + 0.20: Cone virtual de betão.5 pcr.N A largura do cone de betão pode ser tomada aproximadamente como: pcr.4.5 k1 ⋅ fck ⋅ h1.5 pode ser utilizado para betão não fissurado.c = 0.N e 0.30) é o valor da resistência de um elemento de ligação isolado.N ) pcr. O efeito geométrico relativo ao espaçamento dos chumbadouros (p1.N = pcr. 3 e e cr.N p1 pcr. Se a ancoragem for realizada numa zona de betão não fissurado.N pcr. O coeficiente k1 = 11 (N/mm)0.31c) A c.33) O parâmetro Ψec.20).32) 0.N = ( e + 0. c) chumbadouro individual junto à extremidade.N a) b) c) Figura 7.50 mm ) (7.N = ( pcr.N + p2 ) A c. A rotura do betão por projecção. A perturbação na distribuição de tensões no betão pode ser contabilizada através do parâmetro Ψs. p2) e da distância à extremidade (e1.N = 0. e2). é incluído na expressão da área do cone (Figura 7.BASES DE PILARES 0 NRk .N p cr.5 ef γ Mc (7.N = 3 hef (7. para chumbadouros aplicados em obra.5 pcr.31b) (7.N é introduzido para ter em conta o efeito de vários chumbadouros em conjunto.N p2 0.5 p cr.31a) (7.

50 mm ) (7. corte e a ambos está disponível no Guia CEB [CEB. Manual de ligações metálicas 77 .36) Para chumbadouros a uma distância da extremidade do bloco e > 0.5 hef em todas as direcções. 1994].BASES DE PILARES emin = ( 3 dh . A descrição detalhada da resistência de diferentes tipos de chumbadouros sujeitos a esforços de tracção. a verificação de rotura do betão por projecção pode ser omitida.35) e a altura do bloco de betão não deve ser menor que: hmin = hef + t h + c ∅ (7.

2 Critérios de Dimensionamento de Actualmente. que alegadamente tiveram um papel de relevo nas roturas observadas pós-sismo. . As técnicas de pormenorização de soldadura. desenvolve-se em três vertentes principais: • Pesquisa bibliográfica aprofundada. O Documento EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] inclui regras de avaliação da resistência e rigidez de ligações metálicas. e por outro. É óbvio que. respectivamente. comprometendo assim as capacidades dissipativas da ligação e o seu bom comportamento sísmico.8 ACÇÃO SÍSMICA 8. a utilização de perfis e ligações com dimensões significativamente maiores do que as dos modelos utilizados na maioria dos ensaios experimentais realizados. A influência de acções sísmicas ou dinâmicas. Infelizmente. não é considerada neste Documento Normativo. • Critério de robustez (pormenorização e comportamento do material adequados). a investigação direccionada para o desenvolvimento de procedimentos dimensionamento de edifícios de estrutura metálica. Nos EUA e no Japão. nomeadamente factores que se prendem com a pormenorização e técnicas de execução da soldadura vigentes no passado. nomeadamente: • Critério de sobre-resistência. as estruturas metálicas sofreram danos durante estes sismos. no que diz respeito às ligações metálicas dimensionadas para zonas sísmicas. Entretanto foi desenvolvido um programa de investigação no sentido de analisar a razão do mau comportamento sísmico das ligações em determinadas estruturas metálicas. a resistência a acções sísmicas e o comportamento deste tipo de estruturas eram tidos como muito favoráveis até se verificarem os sismos de Northridge e de Kobe. e ainda hoje os engenheiros tentam compreender a resposta deste tipo de estruturas face às acções sísmicas verificadas. Os danos inesperados invalidaram os procedimentos de projecto e construção estabelecidos e utilizados nessa altura para ligações viga-pilar.1 Generalidades As estruturas metálicas porticadas são largamente utilizadas no dimensionamento associado a acções sísmicas. há condições básicas que têm que ser satisfeitas. 8. Existe consenso no que diz respeito ao facto de que vários factores devem ter contribuído para as roturas observadas. a utilização de opções de dimensionamento que conduzem a um enfraquecimento excessivo da zona do painel de alma do pilar. • Critério de ductilidade (capacidade de rotação). incluem detalhes que conduziram ao desenvolvimento de grandes concentrações de tensões. incluem por um lado. que pode ser condicionante em regiões sísmicas. As deficiências no processo de soldadura prendem-se maioritariamente com o uso de metal de adição de baixa tenacidade e controlo de qualidade insuficiente. os procedimentos que se julga terem contribuído para uma má performance sísmica das ligações. A nível de projecto. necessidades excessivas de ductilidade local e confinamento tri-axial elevado na zona de interface viga-pilar.

respectivamente. • Instabilidade local de secções. As condições de dimensionamento apresentadas a seguir são consideradas genéricas. Por um lado fornecem indicações específicas para ligações normalizadas.01. Ligações Aparafusadas: • Dimensões do parafuso. • Cordão de reverso e guias perdidas. • Dimensões e forma do orifício de acesso. ou seja: se duas ligações quaisquer. As recomendações fornecem indicações para escolha do sistema mais adequado para o fim em causa.03. análise estrutural. Desses aspectos destacase a caracterização das solicitações sísmicas. De um modo geral a investigação realizada conduz a procedimentos actualizados e mais rigorosos para o controlo de qualidade dos materiais e dos processos de fabrico. 80 Manual de ligações metálicas . aperto. • Ensaios à escala real de ligações usuais ou suas componentes. e de relações de dimensionamento que afectam o comportamento global do pórtico.ACÇÃO SÍSMICA • Investigação analítica e experimental relativamente a vários aspectos que demonstraram ter um papel significativo na resposta sísmica de estruturas metálicas. definida pelo momento resistente Mj. • Resistência da área útil. 0. Pórtico Não Rotulado de Resistência Intermédia (IMRF) e Pórtico Não Rotulado de Resistência Melhorada (SMRF). material de base. e também. subdividem as estruturas consoante o nível de solicitação sísmica a que devem resistir à priori: Pórtico Não Rotulado de Resistência Ordinária (OMRF). tipo de furo. apresenta informação adicional. A EN 1998-1 [prEN 1998-1: 2001]. os limites da categoria estrutural seleccionada. sendo os valores limites de 0. soldadura. e por outro disponibilizam uma gama alargada de informações relativas a certos itens relativos ou mesmo à totalidade dos processos de dimensionamento. do comportamento das ligações. Na Europa. As suas ligações podem ser rígidas ou rotuladas. O comportamento dos pórticos é função de muitos factores relacionados entre si. Estudos recentes que visam a produção de recomendações de projecto. em termos de capacidade de rotação. a EN 1993-1-8 caracteriza as ligações metálicas através de uma curva não-linear momento-rotação. rigidez de rotação Sj e capacidade de rotação φCd.viga fraca. • Resistência da ligação e características de degradação do comportamento. tal como o indicado no Capítulo 6 desta publicação. As recomendações para o dimensionamento de ligações dividem-se em dois campos. • Cordões de soldadura de ângulo para reforço. as recomendações de dimensionamento de pórticos sujeitos a acções sísmicas. considera-se que o seu comportamento é semelhante ou que pelo menos têm as características exigidas para que assim seja. direccionam-se para a determinação dos efeitos e da importância dos seguintes aspectos: • Critério de dimensionamento pilar forte .Rd. do mesmo tipo ou não. aspectos de dimensionamento do pórtico ou para o dimensionamento de ligações adequadas que verifiquem. Ligações Soldadas: • Resistência na espessura. verificarem as mesmas condições. Os três tipos de pórticos referidos devem ser classificados consoante a capacidade de rotação plástica. • Efeitos P-δ. • Tenacidade do entalhe para o material de base. relativamente a ligações metálicas sujeitas a acções sísmicas. Nos EUA. • Tenacidade do entalhe para o material do cordão de soldadura.02 e 0. • Resistência do painel da alma do pilar. em alguns casos. quer seja a obtenção de redundância estrutural. mão-de-obra.

Manual de ligações metálicas 81 .1: Ligações tipo pré-qualificadas em utilização nos EUA.1b).1a). • Soldada – Alma reforçada com placa cobrejunta (SARCC).1c). • Soldada com reforço duplo (SRD). forneceu dados suficientes para permitir o desenvolvimento de directivas fiáveis de dimensionamento para vários tipos de ligações soldadas.ACÇÃO SÍSMICA 8. especificado em termos de dimensões das secções e da rotação plástica.3 Tipos de Ligações Viga-Pilar O programa de ensaios experimentais levado a cabo pelo consórcio FEMA/SAC (EUA). • Soldada – Banzos da viga reforçados com placa (SBVRC). Figura 8. • Soldada – Banzos da viga não reforçados (SBVNR). Os tipos de ligações apresentados abaixo estão pré-certificados para utilização corrente. se necessário Placa de reforço a) Ligação viga-pilar pré-qualificada Placa cobrejunta soldada à viga (de ambos os lados) Ligação de alma soldada Placas nos banzos b) Ligação soldada com banzos da viga reforçados com placa Parafusos de alta resistência (c) Soldada com t em espera ligado à viga por placa cobrejunta aparafusada Placa cobrejunta soldada à viga (d) Ligação aparafusada com placa de extremidade estendida Parafusos de alta resistência Parafusos de alta resistência Placas soldadas ou Tês variáveis com placas soldadas (f) Ligação aparafusada com reforço duplo (e) Ligação soldada com placas cobrejunta aparafusadas à viga Figura 8. Cada tipo de ligação é classificado como adequado para determinado intervalo. se necessário Guia para alma Parafusos de alta resistência Soldadura. • Soldada com cantoneira na alma (SCA). Figura 8. semelhante à configuração da Figura 8. • Soldada com T em espera ligado à viga por placa cobrejunta aparafusada (STELVCCA). Placa de continuidade Placa dupla. • Soldada com reforço simples (SRS).

ACÇÃO SÍSMICA

As recomendações incluem, para além das ligações soldadas enumeradas acima, vários tipos de ligações aparafusadas em obra, que também se encontram pré-qualificadas para determinadas condições de utilização. As tipologias disponíveis, dentro das ligações aparafusadas são: • Aparafusada com placa de extremidade (ACT), Figura 8.1d); • Soldada com placas cobrejunta aparafusadas à viga (SCCAV), Figura 8.1e); • Aparafusada com esquadro simples (ARIVS) Figura 8.1f); • Aparafusada com esquadro duplo (ARIVD), Figura 8.1f). Na Figura 8.2 apresentam-se algumas ligações específicas utilizadas no Japão e na Figura 8.3, ligações ensaiadas e utilizadas habitualmente na Europa [Mazzolani, 2000].
diafragma metálico steel diaphragm diafragma metálico steel diaphragm

viga beam pilar column pilar column

cantilever consola

viga beam

Figura 8.2: Ligações usuais no Japão.
A
pilar

pilar

. . .

column beam viga

. . .
10M20 gr 10.9

column beam viga

. . .

column beam viga

pilar

A

B

B

C

C

3M20 gr6.6 B-B C-C

A-A

Ligação com Placa de Extremidade Estendida

Ligação Soldada

Ligação Soldada com Placas Soldadas ao Banzo da Viga

Figura 8.3: Ligações usuais na Europa.

8.4

Recomendações de Projecto e Produção

O Documento EN 1998-1 preconiza as seguintes regras de carácter geral para ligações metálicas, em estruturas dissipativas: • Devem-se evitar deformações plásticas localizadas, concentrações de tensões elevadas e defeitos de construção. A qualidade do dimensionamento deve ser comprovada através de ensaios experimentais. • Ligações não dissipativas de elementos dissipativos, realizadas com soldadura de penetração total, têm que verificar o critério de sobre-resistência. • Para ligações soldadas com cordão de ângulo, ou ligações aparafusadas não dissipativas, deve ser verificada a seguinte condição:

82

Manual de ligações metálicas

ACÇÃO SÍSMICA

R d ≥ 1, 35 R fy

(8.1)

em que Rd é a resistência da ligação e Rfy é resistência plástica do elemento dissipativo ligado. • Nas ligações aparafusadas com corte, apenas as categorias B e C devem ser utilizadas, e nas ligações aparafusadas com tracção, apenas a categoria E com aperto controlado dos parafusos deve ser utilizada. Parafusos desta categoria, também poderão ser utilizados em ligações ao corte com parafusos em furos sem folga. • Para ligações aparafusadas ao corte, a resistência dos parafusos ao corte deve ser 1,2 vezes superior à resistência da placa ao esmagamento. • A resistência e ductilidade dos perfis e suas ligações sujeitas a solicitações cíclicas devem ser comprovados através de ensaios experimentais, por forma a estarem de acordo com os requisitos definidos para cada tipo estrutural e para cada classe de ductilidade. Este procedimento aplica-se a todos os tipos de ligações em estruturas em zonas sísmicas. Os requisitos exigidos em termos de ductilidade para os vários tipos estruturais encontram-se expressos nas cláusulas 6.6 e 6.9 da EN 1998-1. Para esses mesmos requisitos, quando expressos em termos de capacidade de rotação plástica, o parâmetro utilizado é θp:

θp = δ

0,5L

(8.2)

em que δ é a flecha da viga a meio vão. O Documento EN 1998-1 apresenta os seguintes requisitos para ligações viga-pilar: • Se a estrutura for dimensionada de forma que a energia seja dissipada nas vigas, a ligação viga-pilar deve ser dimensionada de forma a verificar o critério de sobre-resistência, considerando o momento resistente Mpl.Rd e o esforço transverso avaliados conforme a cláusula 6.6.2 da EN 1998-1. • Ligações semi-rígidas dissipativas e/ou de resistência parcial podem ser utilizadas desde que sejam satisfeitas as seguintes condições: a) as ligações têm uma capacidade de rotação consistente com as deformações globais; b) os elementos associados às ligações se mantenham estáveis para Estados Limites Últimos; c) o efeito da deformação das ligações seja tido em conta no deslocamento horizontal global. • O dimensionamento das ligações deve ser tal que a capacidade de rotação plástica θp na linha de rotura, não seja menor que 35 mrad para estruturas de classe de ductilidade H, e 25 mrad para estruturas de classe de ductilidade M, com q>2. Estes valores devem ser obtidos para ensaios cíclicos em que a degradação de resistência e de rigidez se limite a 20%. Este requisito é válido independentemente do local onde se pretende a zona dissipativa. • Quando se utilizam ligações de resistência parcial, o dimensionamento do pilar deve ser condicionado pela capacidade de rotação plástica da ligação. A influência da pormenorização local e das propriedades materiais no comportamento plástico de ligações em pórticos de nós fixos tem sido investigado em vários países nos últimos anos. Algumas das conclusões dessas investigações são apresentadas de seguida [El-Tawil et al., 2000], [Mao et al., 2001]:

Propriedades Materiais – relação tensão de cedência/ tensão última (RTCTU) Ligações com RTCTU (fy/fu) de 0,65 e 0,80 exibiram um comportamento semelhante para capacidades de rotação plástica até 0,030 rad. Comparativamente com os dois casos referidos, ligações com RTCTU de 0,95 apresentaram um comprimento significativamente menor na linha de rotura, para uma capacidade e rotação plástica 0,030 rad. A dimensão da zona plastificada na viga com RTCTU de 0,95
Manual de ligações metálicas 83

ACÇÃO SÍSMICA

era sensivelmente metade da dimensão da zona plastificada na viga com RTCTU de 0,80. Como consequência de um menor comprimento plastificado verificou-se um aumento de extensões locais, o que por sua vez conduziu a instabilidade localizada prematura. Este nível elevado de extensões conduz também a uma maior susceptibilidade à rotura oligocíclica.

Pormenores construtivos – furo de acesso para soldar: dimensões e geometria
O aumento das dimensões do entalhe da alma para soldar torna mais fácil a operação de soldar no banzo inferior da viga e conduz a um trabalho de soldadura de melhor qualidade. No entanto, as investigações sugerem que é importante utilizar um furo de acesso de pequenas dimensões, por forma a reduzir o potencial de fractura frágil na base do furo. A análise confirma que o comportamento dos furos de acesso que terminam perpendicularmente ao banzo é inferior ao dos furos de configuração semi-circular, em termos de propensão à fractura frágil.

Pormenores construtivos – placas de continuidade
As recomendações FEMA-267 preconizam a utilização de placas de continuidade em todas as ligações. No entanto, a investigação sugere que as recomendações possam não ser cumpridas no caso de ligações em T.

Questão 8.1: Dimensionamento de Ligações Sujeitas a Carregamento Dinâmico

O Documento Normativo EN 1993-1-8 é aplicável a ligações sujeitas a acções estáticas. Será também aplicável a ligações sujeitas a acções dinâmicas, nomeadamente à acção do vento?

_____________________________________________________________________
A aplicabilidade do Documento EN 1993-1-8 depende do parâmetro em estudo: • No que diz respeito ao momento resistente Mj.Rd e à rigidez inicial de rotação da ligação Sj.ini, a formulação apresentada neste Documento pode ser perfeitamente utilizada para o caso de acções dinâmicas. • No que diz respeito à capacidade de rotação de ligações metálicas, as disposições apresentadas na EN 1993-1-8 não consideram a tipologia das ligações metálicas. De qualquer forma, após um vasto programa experimental, concluiu-se que a capacidade de rotação de uma ligação sujeita a acções dinâmicas é cerca de 0,5 da capacidade de rotação medida no caso de carregamento monotónico. • O mecanismo de colapso também pode sofrer alterações no caso de carregamento dinâmico em relação ao mecanismo de colapso determinado de acordo com este Documento Normativo.

Questão 8.2: Influência de Carregamento Não-simétrico

O Documento Normativo EN 1993-1-8 é aplicável a ligações sujeitas a acções estáticas. Será também aplicável a ligações sujeitas a acções sísmicas, nomeadamente à acção de cargas sísmicas nãosimétricas?

_____________________________________________________________________
Segundo um programa de investigação desenvolvido na Europa [Mazzolani, 2000], conclui-se que os valores preconizados na EN 1993-1-8 não podem ser utilizados para este tipo de carregamento. Na questão anterior foi apresentada uma comparação entre os valores apresentados na EN 1993-1-8 e os valores homólogos obtidos de ensaios de ligações simétricas sujeitas a carregamento cíclico. Foi realizado um estudo similar para estabelecer a comparação entre o comportamento de ligações

84

Manual de ligações metálicas

que em muitos casos atingiu 27% do seu valor. e a um nível mais reduzido provoca o aumento da resistência última das ligações soldadas. enquanto que as soldaduras de viés duplo e de ângulo obrigam a soldar em posição invertida no caso de o trabalho ser realizado na obra. Questão 8. este fenómeno é já bem conhecido para o aço estrutural. sendo a causa principal de rotura. particularmente quando o trabalho é realizado em obra. Também se verificou uma redução de ductilidade. verificou-se nas soldaduras de duplo viés. tendo-se obtido as seguintes conclusões: • Os valores do momento resistente obtidos com o segundo grupo são menores entre 20% a 40% do momento resistente do primeiro grupo. De um modo geral. Os espécimens com soldadura de ângulo apresentaram um comportamento intermédio.3: Influência do Encruamento Qual é a influência do encruamento no comportamento de ligações metálicas? _____________________________________________________________________ Ensaios experimentais realizados por Mazzolani permitiram concluir que o encruamento tem um papel importante no comportamento das ligações [Mazzolani. que consiste na dificuldade de controlar e verificar a dimensão do cordão. permitindo assim o início da propagação de fendas. a dimensão insuficiente do cordão.ACÇÃO SÍSMICA sujeitas a carregamentos cíclicos simétricos e não simétricos. 2000].03-0. em geral. dependendo da configuração da ligação.06 s-1 (comum para perfis metálicos em cedência devido a acções sísmicas) provoca um aumento na tensão de cedência. 2000]. não é possível retirar ilações com grande fiabilidade quanto à redução de ductilidade devido a altos níveis de extensão no caso de carregamento cíclico. Questão 8. • A capacidade de rotação do segundo grupo é 150% a 200% da capacidade de rotação do primeiro grupo. Os espécimens com cordão de viés simples apresentam. são propostas as seguintes recomendações: • As técnicas de duplo viés e de ângulo são recomendadas para soldadura de componentes em estaleiro. Este facto evidencia uma das desvantagens deste tipo de processo de soldadura. No caso de soldadura de ângulo é condição obrigatória a verificação das dimensões do cordão.4: Influência da Tecnologia e Pormenorização da Soldadura Qual é a influência da tecnologia e pormenorização da soldadura no comportamento de ligações metálicas? _____________________________________________________________________ Ensaios experimentais evidenciam uma vez mais a importância da qualidade da soldadura [Mazzolani. ângulo e viés simples. um comportamento insatisfatório devido à penetração parcial da solda. A explicação foi atribuída ao facto de este tipo de soldadura não apresentar imperfeições em comparação com os outros dois processos referidos. dependendo igualmente da configuração da ligação. No caso particular de ligações viga-pilar em pórticos não-rotulados. No entanto. Uma taxa de extensão no intervalo 0. Manual de ligações metálicas 85 . Foram estudados três tipos de soldadura: duplo viés. A análise do comportamento destes três tipos de soldadura tem que ter em conta os aspectos tecnológicos e económicos da soldadura. o comportamento ideal que corresponde à rotura no metal de base. já que os resultados deste tipo de ensaios apresentaram grande dispersão. As soldaduras de viés simples e duplo requerem operações mecânicas adicionais (preparação dos topos a soldar).

A pormenorização consiste na utilização de soldadura de penetração completa na zona da alma e cordões suplementares como reforço da soldadura de ângulo utilizada na placa ao corte. quer no caso de ligações soldadas. O carregamento cíclico faz aumentar a probabilidade de fractura da solda para ligações incompletas (solda de ângulo com dimensões insuficientes) e para soldas que apresentem defeitos como penetração incompleta (solda de viés simples).. verificou-se que a fractura inicia-se na base dos furos de acesso para soldar. com dióxido de Carbono (CO2).ACÇÃO SÍSMICA • A técnica de viés simples é adequada para trabalho em obra. As técnicas de soldadura que envolvam eléctrodo de elevada tenacidade para o cordão de ângulo usado para soldar a alma. a técnica de soldadura utilizada é por arco submerso – fluxo metálico. Nos EUA. Além disso recomenda-se a utilização de um painel de alma do pilar mais forte. Em ensaios cíclicos de ligações em regime plástico. com soldas nos banzos da viga. e que apenas se utilizem ligações por placa de alma aparafusada em pórticos ordinários. Foi feito um estudo da influência da geometria e dimensões do furo de acesso no potencial início de fractura na vizinhança dos furos. Esses procedimentos passam pela utilização de materiais com maior tenacidade e melhor acabamento superficial da soldadura. Neste último aspecto destaca-se a remoção da barra de suporte. É de realçar que os defeitos referidos foram observados quer no caso de ligações viga-pilar. Os resultados mostraram a importância de seleccionar uma configuração adequada para o furo de acesso. enquanto que no Japão é por arco submerso – fluxo gasoso. exibida na Figura 8. a) Furo de acesso standard a) Standard Weld Access Hole b)b) furo de acesso Access Hole Modified Weld modificado Figura 8.030 rad antes do início da fractura na base da soldadura. para este tipo de situação. 86 Manual de ligações metálicas . devem ser executadas com todo o rigor de modo a minimizar os defeitos da solda. A comparação entre ambas as técnicas sugere que a primeira é mais onerosa mas pode conduzir a uma maior tenacidade da solda. mas obriga à re-soldagem da base da soldadura de forma a eliminar os defeitos que aí aparecem. Nos EUA e no Japão também foram realizados ensaios sobre a mesma problemática. Os resultados das várias análises demonstram que determinados procedimentos podem permitir uma rotação não elástica de 0. foi definida uma pormenorização que é recomendada para estruturas sujeitas a acções sísmicas.4b) mostra-se uma configuração modificada do furo de acesso que é recomendada para estruturas sujeitas a acções sísmicas.4a) [Mao et al. Com base nos resultados analisados. pequena sobreposição das resistências da solda e limitação das deformações de corte do painel. do que o da configuração standard. 2001]. Na Figura 8. Observou-se que o pormenor de ligação à alma tem um papel de relevo no potencial de fractura do banzo da viga junto à interface entre o metal da solda e o metal de base.4: Configurações standard e modificada para o furo de acesso para soldar. cujo comportamento se considera melhor.

Schneider e Amidi. 2000]. o que introduz tensões adicionais à ligação. 1998]. conforme Figura 8. A resistência da ligação pode ser aumentada mediante a utilização de placas de alma como reforço do painel de alma do pilar. Amidi.6: Importância do Comportamento do Painel de Alma do Pilar (Reforços) Qual é a influência do painel de alma do pilar numa ligação sujeita a cargas dinâmicas? _____________________________________________________________________ O comportamento do painel da alma do pilar é descrito na EN 1993-1-8. demonstrou-se que a resistência da ligação se reduz entre 20% e 40% e a ductilidade aumenta entre 150% e 200%.5b). de modo a que as superfícies das placas não tenham que ser preparadas para resistir ao escorregamento. com carregamento não simétrico. No entanto. A solução da Figura 8.5. devido à influência do painel de alma do pilar. realizaram um estudo numérico relativamente ao comportamento sísmico de estruturas metálicas com ligações com painéis de alma deformáveis [Schneider. em nó externo ou em nó interno. relativas ao critério de resistência mínima dos Manual de ligações metálicas 87 . É recomendado que sejam apertados a um nível que corresponda a 50% da sua carga de pré-esforço. No caso de ligações.5: Exemplos de placas de alma. Questão 8. tem a vantagem de evitar as referidas tensões adicionais na zona de ligação alma-banzo.5a) requer que sejam soldadas placas de alma junto à zona de transição almabanzo. tendo chegado à conclusão que as normativas actuais.. _____________________________________________________________________ Os HSFG podem ser utilizados como parafusos ordinárias em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas.5: Utilização de Parafusos de Alta Resistência em Ligações de Estruturas Sujeitas a Acções Sísmicas É possível utilizar parafusos de alta resistência (HSFG) como parafusos ordinários em ligações de estruturas sujeitas a acções sísmicas. mas apenas para acções estáticas. representada na Figura 8.ACÇÃO SÍSMICA Questão 8. esta solução reduz o comprimento útil do banzo e limita a utilização de uma ligação aparafusada de eixo forte [Dubina et al. Estas soluções apresentam vantagens e desvantagens. e que consiste em soldar as placas de alma directamente aos banzos. A segunda solução. o painel de alma do pilar tem uma forte influência no comportamento da ligação. r b) beff Ls beff a) Figura 8. Para determinadas cargas não simétricas do tipo dinâmico e sísmico.

Estes resultados sugerem que o valor preconizado na normativa de NEHRP 1991 para a resistência do painel de alma (pelo menos 90% da soma das resistências das vigas que confluem na ligação). podem conduzir a ligações com elevadas distorções por corte que aumenta a probabilidade de fractura dos banzos dos elementos ligados.ACÇÃO SÍSMICA painéis. seja apenas um valor mínimo. 88 Manual de ligações metálicas .

aumentando o tempo de vida útil da estrutura. assim como à redução do módulo de elasticidade (E).1 Introdução Durante um incêndio.. Tradicionalmente.1 e no Quadro 9. onde a capacidade última dos parafusos em estado limite de incêndio é obtida pela aplicação do factor de redução da resistência elástica kb.θ definido na Figura 9.. 2002].. No seguimento do dimensionamento de ligações metálicas à temperatura ambiente. [Simões da Silva et al. 2001].1. No entanto. nomeadamente entre 300 e 700ºC [Sakumoto et al. o método das componentes também se poderá aplicar a temperaturas elevadas.. Para além disso. 1995]. . as ligações aparafusadas tendem a sofrer escorregamento quando sujeitas a temperaturas elevadas. 1992].. assim como a previsão da variação da temperatura nas ligações. as ligações entre vigas e pilares são consideradas perfeitamente rígidas ou perfeitamente rotuladas e raramente se considera que estas últimas consigam resistir a momentos flectores. 2003]. actualmente. em incêndios reais [SCI recommendation. a EN 1993-1-2 permite a análise de sub-estruturas. 1991] e em resultados experimentais de elementos isolados [El-Rimawi et al. mostraram que a redução da resistência do aço tem uma influência significativa na redução da capacidade última dos parafusos. referente à avaliação da resistência estrutural à acção do fogo [prEN 1993-12: 2002]. e ao desenvolvimento tensões devido à dilatação (fase de aquecimento) e à contracção dos elementos aquecidos (fase de arrefecimento). O capítulo do Eurocódigo. e tal como observado em ensaios em estruturas reais [Moore. em situação de incêndio. Para além da verificação isolada de cada ligação. inclui um Anexo com expressões de avaliação da resistência das soldaduras e parafusos sujeitos a temperaturas elevadas. tal como se indica na bibliografia [Simões da Silva et al. Ensaios experimentais em parafusos sujeitos a temperaturas elevadas.9 ACÇÃO DO FOGO 9. em que o comportamento resultante da interacção entre elementos é fundamental.1: Resistência dos Parafusos a Temperaturas Elevadas Como se calcula a resistência dos parafusos a temperaturas elevadas? _____________________________________________________________________ Devido à diminuição das forças de aperto. as estruturas metálicas estão sujeitas a alteração das suas propriedades (mecânicas e térmicas). Esta diminuição de força deve-se à relaxação dos parafusos e das placas metálicas. considera-se que deverão ser verificadas tal como qualquer outro elemento estrutural. pela elevada concentração de massa existente na zona das ligações que retarda o seu aquecimento relativamente aos perfis ligados (vigas e colunas). 1997]. e embora no passado [prEN 1993-1-2: 1995] se tenha desprezado a avaliação do seu comportamento em situação de incêndio. Estas conclusões são reproduzidas na EN 1993-1-2. as ligações consideradas rotuladas à temperatura ambiente conseguem absorver níveis de resistência e rigidez consideráveis quando sujeitas a temperaturas elevadas. [Kirby. 1997]. Questão 9. [Spyrou et al.

ACÇÃO DO FOGO 1 0.t .6 0. Temperatura θa Factor de redução para parafusos kb.100 0.2) e a resistência de cálculo de um parafuso traccionado.000 0.935 0.4 0.fi (9.Rd = Fv .fi (9.θ ky.θ para a resistência de parafusos.8 0.θ γm γ m. em situação de incêndio é: Ften.fi (9.Rd ⋅ k b.952 0.Rd ⋅ k b.5 0.2 0.220 0.θ θa.θ (tensão e corte) 20 100 150 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1.9 0.000 A resistência de cálculo dos parafusos ao corte.θ γm γ m.1) a resistência de cálculo dos parafusos ao esmagamento.Rd = Fb.3) 90 Manual de ligações metálicas .968 0.θ para a resistência elástica do aço.550 0.θ para a resistência da soldadura e ky.067 0.033 0.Rd ⋅ k b.θ kb.t . Quadro 9. kw.1: Factor de redução kb. ºC Figura 9. em situação de incêndio é dada por: Fv .1 0 0 200 400 600 800 1000 1200 kw.t . em situação de incêndio é dada por: Fb.Rd = Ft .θ γm γ m.903 0.775 0.7 0.1: Factor de redução para a resistência de parafusos.3 0.

a temperatura na ligação deverá ser calculada em função do valor de massividade (A/V) das componentes da ligação. De acordo com a EN 1993-1-2. poderão ser utilizadas para qualquer geometria de ligação? _____________________________________________________________________ A conductilibidade térmica do aço é muito elevada. O Quadro 9. 88θ0 h é inferior a D/2 h é superior a D/2 (9.7) θh = 0. Para temperaturas superiores a 700ºC. a temperatura na alma é ligeiramente inferior. Tendo como objectivo principal a quantificação da distribuição da temperatura em ligações. enquanto que em vigas mais compactas. este valor de temperatura poderá ser calculado com base no maior valor dos racios A/V dos perfis metálicos adjacentes. 3 ( h / D ) ⎤ ⎣ ⎦ • Altura da viga é superior a 400 mm (9. foram efectuados estudos experimentais em várias tipologias de ligações. deverá ser considerado pelo menos igual à da peça ligada mais fraca. a temperatura na alma de vigas esbeltas é similar à temperatura do banzo inferior. 88θ0 ⎡1 + 0. 1990].Rd ⋅ k w. Como simplificação. a variação de temperatura na ligação deverá ser avaliada separadamente dos elementos ligados. Existem várias distribuições de temperatura propostas e/ou utilizadas em ensaios experimentais. e a resistência da soldadura a temperaturas elevadas. em que as vigas suportam uma laje de betão. Observa-se que.3: Distribuição da Temperatura numa Ligação.6) (9.5) θh = 0.θ ⋅ γm γ m.2). indicadas na EN 1993-1-2. A resistência de cálculo por unidade de comprimento de um cordão de soldadura.fi (9. 2 (1 − 2h / D ) ⎤ ⎣ ⎦ Sendo h a distância do banzo inferior da viga à componente em estudo (Figura 9. Descrições mais detalhadas encontram-se na bibliografia. para temperaturas inferiores a 700ºC.Rd = Fw . a temperatura nas componentes da ligação é determinada do seguinte modo: • Altura da viga é inferior a 400 mm θh = 0. [Lawson. Para as ligações viga-pilar e viga-viga. 88θ0 ⎡1 − 0. é considerada uma distribuição uniforme de temperatura na ligação. a presença da laje de betão provoca uma redução na temperatura do banzo superior da viga. devido à concentração de massa na ligação. No entanto. ao Longo do Tempo As expressões simplificadas referentes à distribuição da temperatura. a temperatura da ligação é calculada a partir da temperatura do banzo inferior da viga a meio vão.4) Questão 9. Para além disso. sujeita a temperaturas elevadas? _____________________________________________________________________ A resposta a esta questão poderá ser dividida em duas partes: a variação da temperatura na ligação (ver resposta à Questão 9. Aplicando as expressões referidas na EN 1993-1-2.t. A resistência de cálculo da soldadura de topo por penetração completa.2: Resistência da Soldadura a Temperaturas Elevadas Como se avalia a resistência de uma ligação soldada. os factores de redução apresentados para os cordões de soldadura de ângulo podem ser aplicados à soldadura de topo.2 apresenta esses resultados. Manual de ligações metálicas 91 .3).ACÇÃO DO FOGO Questão 9. utilizando o factor de reducção apropriado para o aço. deve ser determinada a partir de: Fw.

Autor Distribuição de temperatura Lawson (1990) Ensaio em oito ligações viga-pilar. Os resultados obtidos indicam que a componente da ligação com temperaturas mais elevadas foi a alma do pilar.75 0.・ 0.2: Distribuição da temperatura numa ligação. A sua temperatura foi 8%-26% superior à temperatura do banzo inferior da viga. Adoptou: θ banzo superior da viga = 0. ・・ Placa de extremidade θ fb ・・: Temperatura do banzo inferior da viga Al-Jabri et al (1998) e Al-Jabri et al (1997) Ensaios em ligações viga-pilar metálicas e mistas: No interior do forno.036 ×θ fb .・・ Banzo superior da viga ・・Fiada superior de parafusos Fiada inferior de parafusos 0. foi aplicada uma variação linear de temperatura.88 Figura 9. θ alma da coluna ≈ 450 ºC.parafusos superiores embebidos em betão SCI recommendation (1990) Temperatura (ºC) Compartimento de incêndio Temperatura no banzo inferior da viga (ºC) Modelação numérica de ligações de nó interno mistas com placa de extremidade estendida: Variação Liu (1996) da temperatura na ligação: Para t =45 min: θ fiada inferior de parafusos ≈ 650 ºC.928 ×θ fb .ACÇÃO DO FOGO Viga mista D < 400 mm 0.banzo superior da viga.・ 1. junto à ligação .parafusos inferiores .982 ×θ fb .2: Gradiente térmico na viga mista.parafusos superiores (expostos) . 0. 0.000 ×θ fb . 3 parafusos M16 (8. As temperaturas médias obtidas foram: Leston-Jones et al (1997) Banzo inferior da viga Alma da viga Fiada média de parafusos Banzo da coluna 1.8)): No interior do forno. pilar: 152x152x23.966 ×θ fb . considerando a fiada superior de parafusos embebida no betão: 1 6 3 4 2 7 5 . θ parafusos embebidos ≈ 350 ºC Ensaios em ligações de nó interno com placa de extremidade rasa (viga: 254x102x22.987 ×θ fb . 0.7 θ banzo inferior da viga = θ alma da viga El-Rimawi et al.banzo inferior da viga. θ fiada superior de parafusos ≈ 520 ºC.70 h D 0.88 0.banzo superior da viga .677 ×θ fb . de geometria similar às utilizadas em edifícios metálicos (ligações metálicas e mistas): As temperaturas médias obtidas foram: θ banzo inferior da viga = 650 ºC a 750 ºC θ fiada superior de parafusos = 150 ºC a 200 ºC inferior a θ banzo inferior da viga θ fiada inferior de parafusos = 100 ºC a 150 ºC inferior a θ fiada superior de parafusos Ligação com placa de extremidade estendida.88 0. A presença da laje de betão sobre a ligação provocou uma redução de 20%-30% da temperatura do banzo superior da viga.banzo inferior da viga . ao longo do tempo. θ placa de extremidade ≈ 550 ºC. foi aplicada uma variação linear de temperatura.985 ×θ fb . junto à ligação .・・ 0. de modo a atingir 900ºC em 90 min. de modo a atingir 900ºC em 90 min. Quadro 9. (1997) 92 Manual de ligações metálicas .62 D > 400 mm 0.

A rigidez elástica. Além do mais.ACÇÃO DO FOGO [SCI recommendation.θ para um dado nível de força F. pode ser adaptado e aplicado ao cálculo do comportamento de ligações metálicas a temperaturas elevadas. 1997] e [El-Rimawi et al. Os valores propostos na EN 1993-1-2. [Al-Jabri et al.4: Comportamento de Ligações Metálicas a Temperaturas Elevadas – Aplicação do Método das Componentes À temperatura ambiente..θ = k E. y Fi. 1990]. e da resistência de cálculo de um cordão de soldadura por unidade de comprimento. RESISTÊNCIA Tendo como base a Figura 9.8) (9. A temperaturas elevadas. A aplicação deste procedimento permite que o comportamento de ligações em situação de incêndio. estes valores foram obtidos com base na curva de incêndio padrão ISO 834. 1997]. provavelmente pelas dimensões das componentes serem de ordem muito inferior às dimensões dos perfis ligados e a influência destes perfis ser sentida nas componentes da ligação [Franssen. recorrendo a estudos numéricos e/ou experimentais. [Al-Jabri et al.3. 2001].10) K e i. estudos recentes contrariam as recomendações dadas pela EN 1993-1-2: Franssen mostrou que a variação da temperatura nas componentes é superior ao valor calculado com base na massividade local. é necessário efectuar uma análise específica. para além de expressões de cálculo da resistência dos parafusos ao corte. a deformação da componente ∆i. No contexto do método das componentes. tendo em consideração a curva não-linear força-deformação de cada uma das componentes. também é aplicável esta metodologia? _____________________________________________________________________ O método das componentes.yθ = k y . 2002]. 1998].. a curva de incêndio externo ou se se tratar de um incêndio natural. e a resistência de cada componente depende da tensão de cedência do aço (fy). estão de acordo com os resultados experimentais aqui referidos. é possível avaliar o comportamento da ligação para uma evolução de temperatura pré-definida. 1996]. Kpl e Fy relativas ao comportamento das componentes à temperatura ambiente. 1997]. em alternativa.20ºC Introduzindo nas equações (9.. o valor das constantes Ke. como a curva dos hidrocarbonetos.θ ⋅ Fi.9) (9.θ ⋅ K e i. pode ser avaliada a resistência e a rigidez inicial ou. Questão 9. [Leston-Jones et al.θ ⋅ K pl i. ao esmagamento e tracção. De modo a avaliar a resposta não-linear de ligações metálicas em situação de incêndio.10) apresentam a variação da resposta força-deformação da componente i à temperatura θ. é dada pelas seguintes expressões: Manual de ligações metálicas 93 . Dependendo do objectivo da análise. se o incêndio seguir outras curvas.8) a (9.θ = k E..10).8) a (9. • Temperatura: Cálculo da temperatura crítica.. é directamente proporcional ao seu módulo de elasticidade (E). esta variação é implementada ao nível das componentes.20ºC K pl i. [Liu. a EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] apresenta uma metodologia que permite calcular o comportamento global da ligação. As equações (9. No entanto. seja obtido em dois “domínios” diferentes: • Resistência: Resistência de cálculo à temperatura de dimensionamento. tal como apresentado no Capítulo 6 para ligações à temperatura ambiente [Simões da Silva et al. o comportamento não linear da ligação. é necessário conhecer a variação das propriedades mecânicas do aço com o aumento de temperatura.20ºC (9.

yθ ' Δi.θ z = k y .θ y φi. A rigidez inicial da ligação à temperatura θ é dada por: S1.θ = F' F' 1 = = Δi.3: Resposta isotérmica força-deformação de uma componente da ligação.20ºC − Fi.θ ⋅ Mi.θ ⋅ K i.θf (9.θ = k y .yθ F = Fi.θ Δy i .11) a (9.20ºC = k y .yθ F '' ≥ Fi.20ºC 1 ∑k i i.θ k E.θ Figura 9.θ Fi.20ºCΔ i.θ = y k y .16) As equações (9.20ºC k E.θ '' y Δi.17) 94 Manual de ligações metálicas .θ (9.2 0ºC f Δ fi.θ S y i.13) F fi. identificando-se a cedência de cada uma das componentes.θ (F '' ) = Δi.15) e a rotação da ligação na cedência da componente i obtêm-se a partir de: φ = y i.θ k E.Sd = Mj.20ºC (F ''− Fi.20ºC (9.θ Δ” i.θ = Eθ ⋅ z2 = k E.θ k E.20ºC Δ’ i.θ ⋅ S1.θ Δ” i.20ºC k E. a partir da correspondente distribuição de forças nas componentes: Mθ = Fr .θ ⋅ Si.θ F yi.ACÇÃO DO FOGO F ' < Fi.14) Expressões similares poderão ser obtidas para o cálculo da rigidez e rotação da ligação. Mj.yθ ) f y k E.θ Δ Δ’ i.θ y Mi.θ + f y 1 Δi.θ ⋅ M20ºC (r =1. TEMPERATURA Para uma ligação com distribuição uniforme de temperatura.yθ K e i.θ = Δi. a temperatura crítica representa a temperatura da ligação no instante em que se verifica a condição.20 ºC (9.20ºC − Δi.20ºC Análise à tem peratura am biente F yi.θ (F ' ) = Δi.θ = Fi.2) (9.16) permitem definir a curva momento-rotação à temperatura constante θ. Δi O momento flector é calculado no âmbito do modelo das componentes.θ Análise iso térm ica à tem peratura θ Δ yi.12) Δ y i.20ºC (F ' ) e e K i.2 0ºC yi.max.20ºC F fi.11) (9.20ºC (9.

a temperatura crítica depende do grau de utilização do elemento para t = 0.18) conduz ao cálculo directo da temperatura crítica da ligação [prEN 1993-1-2: 2002]: θ cr = 39. η0.ACÇÃO DO FOGO De acordo com EN 1993-1-2. para t = 0.20ºC (9.833 0. No caso de ligações.18) A aplicação da Equação (9.19) Manual de ligações metálicas 95 . o grau de utilização apresenta-se do seguinte modo: μ0 = Mj. 967 μ0 ⎣ ⎦ ⎡ (9.1⎥ + 482 3.19ln ⎢ ⎤ 1 .max .Sd Mj. que é definido como o quociente entre o valor de cálculo do efeito das acções em situação de incêndio e o valor de cálculo da capacidade resistente em situação de incêndio.

podendo no entanto.2 deste Documento Normativo. as resistências de cálculo de ligações entre perfis ocos e entre perfis ocos e secções abertas. já que o seu comportamento é diferenciado. Está ainda disponível a tecnologia tipo “blind bolting”.1) e as regras de aplicação fornecidas no parágrafo 7. o método mais usado em ligações de perfis CHS é a soldadura. apenas do lado exterior. As tipologias de ligações abrangidas pela EN 1993-1-8 (Figura 10.1 Introdução A tecnologia de ligação desempenha um papel preponderante no comportamento de estruturas com perfis tubulares. Importa fazer a distinção entre perfis do tipo CHS (perfis circulares ocos – Circular Hollow Sections) e do tipo RHS (perfis rectangulares ocos – Rectangular Hollow Sections). Este tipo de tecnologia permite a materialização da ligação ao pilar apesar da limitação do acesso. Esta secção sumaria os aspectos principais do comportamento e do dimensionamento de ligações com perfis ocos solicitadas predominantemente por esforços estáticos. e/ou momento flector resistente máximo para os elementos da estrutura.10 LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES 10.1.5 mm e 25 mm. aplicável a ligações de vigas em perfis abertos ou fechados ocos e pilares do tipo RHS ou CHS. a não ser que sejam tomadas medidas especiais para garantir propriedades adequadas ao longo da espessura. em estruturas compostas por perfis circulares. conforme a sua aplicabilidade: . Um caso particular é o de pórticos com ligações viga-pilar em que os pilares sejam do tipo CHS ou RHS cheios de betão (CFHS). São ainda tratadas as ligações planas em estruturas compostas por combinações de perfis ocos e abertos do tipo I ou H. As regras de aplicação são válidas para perfis laminados de acordo com a EN 10210 e para perfis enformados a frio de acordo com a EN 10219. De acordo com a EN 1993-1-8. 10. deverão ser baseadas nos seguintes modos de rotura. A resistência estática das ligações é expressa em função do esforço axial resistente máximo.2 Ligações Soldadas Embora seja frequente a utilização de ligações aparafusadas. quadrados ou rectangulares ocos. especialmente em treliças. só poderão ser usadas desde que satisfeitas todas as condições aí enumeradas. ser usadas em edifícios solicitados por acções sísmicas. desde que as dimensões desses perfis satisfaçam os requisitos necessários. A espessura nominal dos perfis ocos deverá estar compreendida entre 2. O capítulo 7 do Documento Normativo EN 1993-1-8 [prEN 1993-1-8: 2003] contém regras de aplicação detalhadas para o cálculo da resistência sob acções estáticas de ligações com geometria num só plano ou em vários planos. já que este tipo de acções não são consideradas passíveis de envolver fenómenos de fadiga. As ligações podem ser aparafusadas ou soldadas.

LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES • Plastificação da face do perfil principal ou plastificação da secção transversal do perfil principal. Outra vantagem das ligações aparafusadas. • Rotura por encurvadura local de um elemento transversal. Nestas condições. coroação ou dispositivos soldados e de seguida procede-se ao aparafusamento. Apesar desta limitação. como a abertura de orifícios no elemento oco para acesso e aparafusamento a partir do interior. Figura 10. Porém nestes casos. os perfis ocos podem ser ligados indirectamente usando chapas de banzos. é necessário que sejam tomadas medidas especiais. Outra alternativa é a utilização de processos que materializem a ligação através do exterior – “Blind bolting”. • Plastificação da face lateral do perfil principal. as ligações aparafusadas continuam a ser de utilização vantajosa e económica. • Rotura por punçoamento da face do perfil principal. esmagamento local ou encurvadura da face lateral ou alma do perfil principal sob a acção de compressão do membro interior. é a fácil montagem e desmontagem 98 Manual de ligações metálicas .3 Ligações Aparafusadas Uma vez que os perfis ocos permitem o acesso apenas pelo exterior. a ligação aparafusada entre dois perfis ocos ou entre um perfil oco e um perfil aberto ou uma chapa pode ser difícil. • Rotura por corte do perfil principal. na maior parte das situações. 10.1: Tipologias de ligações em vigas treliçadas.

2002]. 1995]. Yeomans [Yeomans. ou seja os elementos ou ligações críticas deverão proporcionar capacidade de rotação suficiente. F. preferível às soldaduras no local pelos defeitos que poderão advir destas e por serem mais onerosas que o aparafusamento no local. A pormenorização para ligações soldadas e para ligações aparafusadas é indicada no Guia de dimensionamento do CIDECT para ligações de perfis ocos em aplicações mecânicas. deverá ser usada uma análise plástica de segunda ordem. com empalme. Neste caso. classificadas como ligações aparafusadas normais de acordo com o capítulo 3 da EN 1993-1-8. apoio rotulado. • Modelo de rotura por corte no perfil principal. aparafusamento atravessando o perfil oco. aparafusamento de várias componentes e parafusos colocados através de orifícios de acesso [CIDECT. capítulo 6: pormenorização de ligações [CIDECT. [CIDECT. bases de colunas. 1995]. deverá ser dimensionada de modo a apresentar um comportamento dúctil. Manual de ligações metálicas 99 . como é o caso de secções de paredes finas. • Modelo de rotura por punçoamento. poderão ser desprezados no dimensionamento. Nos casos em que os elementos ou ligações críticas não tenham capacidade de rotação suficiente. 10.1: Modelos de Previsão do Comportamento para Ligações com Perfis Circulares Ocos (CHS) Que modelos analíticos são usados no cálculo da resistência das ligações com CHS? _____________________________________________________________________ Actualmente são usados três modelos que permitem caracterizar o comportamento das ligações CHS: • Modelo de tubo de rotura da face do perfil principal. aparafusadas com extremidades achatadas. os momentos secundários resultantes de deformações impostas ou da rigidez da ligação. Os principais tipos de ligações aparafusadas em estruturas de perfis ocos são: ligações aparafusadas tipo “joelho”. com cantoneiras de topo. 1995]. com extremidades em forquilha. Este parágrafo é apresentado de acordo com as publicações “Design guide for structural hollow sections in mechanical applications” de J.4 Considerações de Dimensionamento Uma estrutura realizada com secções ocas e solicitada predominantemente por acções estáticas. 1995] e “Guide on the use of bolts: single sided blind bolting systems” de N. O dimensionamento de ligações de perfis ocos deverá ser efectuado de acordo com o capítulo 7 da EN 1993-1-8: ligações de perfis ocos e capítulo 5 do Guia de Dimensionamento do CIDECT para ligações de perfis ocos em aplicações mecânicas: considerações de dimensionamento para ligações [CIDECT. e onde serão então materializadas as ligações aparafusadas. soldados aos perfis ocos. Questão 10. pernos roscados.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES em obra. As ligações aparafusadas entre dois perfis ocos são sempre realizadas usando dispositivos intermédios de ligação. Wardenier et al.

2) Figura 10. o esforço correspondente à plastificação do tubo é dado por: N1y = C0 t2 ⋅ fyo ⋅ o 1 − C1 ⋅ β sin θ1 (10. e considerando o comprimento efectivo Be calculado experimentalmente. para ligações mais complexas como do tipo K e N. deverão ser adicionados outros parâmetros tais como o esforço axial actuante e a distância entre diagonais. a relação entre os diâmetros dos tubos.3: Modelo para rotura por punçoamento do perfil principal numa ligação com perfis CHS.1) Sendo β = d1/d0. Desprezando as forças axiais e de corte.3 para um ligação do tipo Y traccionada.2. Este modelo dá bons resultados para ligações do tipo T. Modelo de rotura por punçoamento Este modelo é apresentado na Figura 10.2: Modelo de tubo para uma ligação tipo X em CHS. O esforço axial na diagonal é dado pela expressão: N2 = fyo 3 ⋅ π ⋅ d2 ⋅ t o 1 + θ2 2 sin2 θ2 (10. como indicado na Figura 10.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Modelo de tubo de rotura da face do perfil principal A ligação é modelada por um tubo de comprimento efectivo Be com geometria e propriedades mecânicas idênticas às do perfil principal em perfil CHS. Y e X. 100 Manual de ligações metálicas . Figura 10. No entanto.

LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES De um modo geral. g Figura 10.4: Modelo para rotura por corte no perfil principal numa ligação com perfis CHS. para ligações K e N com afastamento entre diagonais (g). 0 ⎟ ⎟ ⎠ 2 ⎛ No ⋅ g ⎜ ⎜ π (d − t ) t ⋅ f o o o yo ⎝ ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ 2 (10. Se o perfil principal é uma secção compacta. pois se o valor de β aumentar. a carga será transmitida ao perfil principal através de tensões circulares. que aumenta consideravelmente a sua resistência ao esforço transverso.5) Geralmente o momento flector é reduzido e deve-se considerar apenas a interacção entre o esforço axial e o esforço transverso: ⎛ ⎜ Ni ⋅ sin θi +⎜ ⎜ 2fyo ( do − t o ) t o ⎜ ⎝ 3 ⎞ ⎟ ⎟ ≤ 1. este critério aplica-se apenas para valores reduzidos de β. corte e momento flector. a secção transversal do perfil principal pode ruir na secção desse afastamento (secção A) pela combinação entre esforço axial.4. Modelo de rotura por corte no perfil principal Tal como indicado na Figura 10. sendo β = d2/d0. as diagonais funcionam como um reforço do perfil principal.4) No ⋅ g ≤ π ( do − t o ) t o ⋅ fyo Mo ⋅ g ≤ ( do − t o ) t o ⋅ fyo (10.3) (10. o dimensionamento plástico conduz às seguintes equações: Ni sin θi ≤ 2 fyo 3 (d 2 o − to ) to (10.6) Se o afastamento é reduzido. Manual de ligações metálicas 101 . As regras aplicadas ao cálculo da resistência ao punçoamento. são frequentemente usadas em recomendações de dimensionamento de estruturas do tipo “offshore”.

consiste em estabelecer o trabalho da força N1 segundo o deslocamento δ. Tomar em consideração todos os parâmetros torna-se impraticável. e igualar essa grandeza ao trabalho interno nas rótulas plásticas (comprimento li e ângulo de rotação ψi) [APK.7) Ligação Y Modelo Figura 10. Modelo de linhas de rotura plásticas O princípio geral deste modelo. Estes modelos simplificados e a sua combinação com resultados experimentais permitiram estabelecer expressões de dimensionamento. ilustrado na Figura 10. 1996]: N1 = fyo ⋅ t o ⎛ 2h1 +4 1−β ⎜ 1 − β ⎝ bo ⋅ sin θ1 ⎞ 1 ⎟ ⎠ sin θ1 (10. A resistência ao corte de ligações do tipo T. é dada pela expressão: N1 = fyo ⎛ 2h1 ⎞ 1 to ⎜ + 2bep ⎟ 3 ⎝ sin θ1 ⎠ sin θ1 (10. Y ou X (rotura da face do perfil principal).LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Questão 10.5 para um ligação do tipo Y.5: Modelo de linhas de rotura para ligações do tipo T. Modelo de rotura por punçoamento Este modelo é representado na Figura 10.8) 102 Manual de ligações metálicas . Y e X. por isso são utilizados modelos simplificados de acordo com o modo de rotura a estudar.6 para uma ligação do tipo Y traccionada.2: Modelos de Previsão do Comportamento para Ligações com Perfis Rectangulares Ocos (RHS) Quais os modelos analíticos usados no cálculo da resistência de ligações com perfis RHS? _____________________________________________________________________ Na caracterização deste tipo de ligações e no estudo da influência dos principais parâmetros são usados modelos analíticos.

Manual de ligações metálicas 103 . Figura 10. A resistência ao corte pode ser determinada analiticamente com base na resistência plástica da secção: Vpl.10) sendo Av = (2 h0+α b0) t0. a resistência é dada por: N1 = fy1 ⋅ t1 ⋅ ( 2h1 − 4t1 + 2beff ) (10. Y ou X (rotura da face do perfil principal). Y e X.7: Modelo para a resistência ao corte do perfil principal na secção de afastamento (g) de uma ligação K ou N.6: Modelo de linhas de rotura para ligações do tipo T.9) Modelo de rotura por corte do perfil principal A Figura 10.7 apresenta o modelo para a resistência ao corte do perfil principal na secção de afastamento (g) de uma ligação K ou N. Para ligações do tipo T.Rd = A v ⋅ fyo 3 γ M0 (10.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES (a) secção longitudinal (b) secção transversal (c) plano Figura 10. Modelo da largura efectiva da diagonal da viga treliçada A resistência é calculada em função das dimensões da diagonal.

12) Figura 10.10 [APK. Com o aumento do carregamento.Sd ≤ ( A o − A v ) fyo + A v ⋅ fyo ⎛ V ⎞ 1 − ⎜ Sd ⎟ ⎜V ⎟ ⎝ pl. 1996]. Este fenómeno deve-se às características da alma do perfil I ou H e à diferença de rigidez entre as extremidades e a parte central do banzo. Modelo da largura efectiva do perfil principal Para ligações de perfis ocos soldados a perfis de secção I ou H.3: Modelos Analíticos para Ligações entre Perfis Ocos e Secções Abertas Que modelos analíticos são usados para ligações entre perfis CHS ou RHS e perfis principais de secções em I ou H? _____________________________________________________________________ São usados modelos analíticos simplificados para descrever o comportamento destas ligações e o efeito dos principais parâmetros. capaz de transmitir o esforço de colapso iminente. a distribuição das tensões e deformações na extremidade do perfil de secção oca não é uniforme.8: Modelo de plastificação ou encurvadura local das paredes laterais do perfil principal. 104 Manual de ligações metálicas . Y e X com parâmetro β elevado podem ter a sua rotura associada à plastificação ou à encurvadura local das faces laterais do perfil principal.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES O resto da secção transversal suporta o esforço axial. ver Figura 10. é obtida a seguinte fórmula de interacção: No. são aplicados os conceitos de fissuração transversal e largura efectiva. ver Figura 10. Para ligações entre RHS de igual largura. Este último é representativo para o perímetro da secção oca. o modelo indicado na Figura 10. este fenómeno torna-se mais relevante. Para ter em conta estes efeitos. Utilizando o critério de cedência de Von Mises. ou por instabilidade localizada no bordo do elemento traccionado. podendo conduzir à rotura prematura da ligação pelo colapso na secção entre o elemento traccionado e o banzo do perfil principal.9.Rd ⎠ 2 (10. Questão 10.11) Modelo de plastificação ou encurvadura local das faces laterais do perfil principal As ligações T.8 conduz a: ⎛ h ⎞ 1 N1 = 2fyo ⋅ t o ⎜ 1 + 5t o ⎟ ⎝ sin θ1 ⎠ sin θ1 (10.

A resistência última de um elemento em ligações do tipo T.Rd = 2fyi ⋅ t i ⋅ beff (10.10: Perímetro efectivo. Manual de ligações metálicas 105 . pode ser quantificada da seguinte forma: Ni.13) onde beff é igual a metade do perímetro efectivo do membro em perfil oco. Figura 10.11. Figura 10.14) Modelo de rotura por corte no perfil principal A rotura por corte no perfil principal é o modo de rotura mais provável numa ligação do tipo K ou N com afastamento .LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Figura 10.Figura 10. e pode ser determinado por: beff = t w + 2r + 7 fyo fyi ⋅ tf (10. X.11: Corte do perfil principal numa ligação do tipo K com afastamento.9: Distribuição de tensões e deformações na extremidade de um perfil RHS. Y. K ou N (com afastamento).

Estes ábacos baseiam-se nas recomendações da EN 1993-1-8. 106 Manual de ligações metálicas . Para ligações com secção do tipo CHS.13 e 10. Questão 10.0 e t1 = 90. dado para cada diagonal.14.Rd = A v ⋅ fyo 3 γ M0 (10.12. com elementos interiores e perfil principal de espessura e classe de aço idênticas.Rd = fyo ⋅ t w ⋅ b w sin θi (10. CX para ligações em X e CK para ligações em K ou em N) avalia a eficácia de um ligação com kp = 1. é: Ni.4: Ábacos de Dimensionamento Qual o objectivo dos ábacos de dimensionamento de ligações numa época em que está vulgarizado o uso de meios informáticos na análise estrutural? _____________________________________________________________________ Para um dimensionamento rápido de uma ligação com perfis de secção oca é útil dispor de ábacos de dimensionamento como o representado nas Figura 10.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES A resistência ao corte do perfil principal pode ser quantificada através da seguinte expressão: Vpl.12: Plastificação local da alma do perfil principal. 1996]: N1. é directamente transposta da verificação da compressão local de ligações viga-pilar entre secções I ou H.Rd A1 ⋅ fy1 = Ce fyo ⋅ t o kp fy1 ⋅ t1 sin θ1 (10.15) Modelo de plastificação local da alma do perfil principal A plastificação localizada no perfil principal por tracção ou compressão. O esforço normal no perfil principal. e o valor da resistência é obtido a partir de um coeficiente de eficácia Ce. ver Figura 10.16) Figura 10.17) O parâmetro de eficácia Ce (CT para ligações em T ou Y. esta eficácia é dada pela seguinte expressão [APK.

0 0. a eficácia é dada pela seguinte expressão [APK.4 0.1 0. 1996]: N1.18) Por exemplo.Rd A i ⋅ fyi = Ce fyo ⋅ t o k n fyi ⋅ t i sin θi (10.6 0.0 0.8 0.6 0.2 1.4 1.4 0.7 0.9 0.8 0. Rd = CT A1 f y 1 f y1 t 1 sin θ 1 d0 t0 10 15 20 30 40 50 1.Rd = C Kg f yi t i sin θ i Ai f yi b 1+ b 2 2 bi b0 t0 Figura 10.6 f y0 t 0 k n N 1 .5 0. Manual de ligações metálicas 107 .0 0.1 0.2 0.8 0.0 0.8 0.0 0. 1995] fornece ábacos de dimensionamento para todos os tipos de ligações RHS com afastamento ou com sobreposição.14: Ábaco de eficácia da diagonal de uma viga treliçada para ligações soldadas em K ou N com afastamento.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES C T 1.0 β Figura 10.4 0.15.7 0.3 0.3 0. a eficácia total é dada pelo ábaco da Figura 10.5 0. Para ligações com secção do tipo RHS.3 0.13: Ábaco de dimensionamento para ligações do tipo T e Y com secções do tipo CHS.14 apresenta o coeficiente de eficácia para uma ligação do tipo K com afastamento em secções do tipo RHS.7 0. Para ligações sem afastamento.2 0.1 0.5 0. a Figura 10.9 f yo t o k p N 1. A referência bibliográfica [CIDECT.2 0.6 1.9 0.6 0. C Kg 1.0 10 15 20 25 30 35 1.

concluiram que o sistema pode ser usado em aplicações estruturais. Questão 10.16: Representação esquemática do processo “Flowdrill”.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES N i 1.15: Ábaco de eficácia para ligações de RHS soldados em K ou N sem afastamento entre as diagonais. Os resultados de uma série de ensaios com orifícios isolados executados através deste sistema [Yeomans.17: Ligação viga-pilar executado através do sistema “Flowdrill”. 2002].RHS parafusos standard 8.1 0.0 1. Figura 10. Na Figura 10.17 apresenta-se uma ligação típica viga-pilar com placa de extremidade.75 1.5 1. O processo “Flowdrill” é esquematizado na Figura 10.2 0.5 0. realizada com recurso a este sistema.0 Ai f yi 0.16.Aparafusamento com Acesso Apenas por um dos Lados Que sistemas do tipo “Blind Bolting” se encontram disponíveis no Mercado Europeu? _____________________________________________________________________ Sistema “Flowdrill” Este sistema actua por fricção e consiste na extrusão de orifícios que actua por fricção.4 0.3 0. ex. Estes ensaios mostraram que: 108 Manual de ligações metálicas . 2002].0 f yj t j f yi t i bj tj Figura 10.6 0.25 1.0 10 15 20 25 30 35 2.8 0. com recurso a uma broca com quatro lóbulos de tungsténio e carbono [Yeomans.9 0.7 0. placa de extremidade elemento ligado.8 completamente roscados Figura 10.5: Sistemas de “Blind Bolting” .

poderá ser considerada a resistência total à tracção de parafusos de classe 8. Dimensão e classe do parafuso Espessura mínima do material.RHS “Hollo-bolt” instalado Figura 10.5 mm.1 e que a tensão de cedência nominal esteja compreendida entre 275 e 355 MPa. b) procedimento de instalação.4 8. indicada em EN 1993-1-8. 2002].18a).19b). um cone roscado com rasgos e um parafuso standard de classe 8. • Os orifícios roscados poderão acomodar parafusos dos diâmetros M16. a resistência ao arrancamento é inferior ao indicado no Quadro 10.19a).8 6. em orifícios de diâmetro 2 mm superior ao diâmetro exterior dos parafusos. b) Ligação viga-pilar executado através de Hollo-Bolt.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES • Os orifícios executados através de “flowdrill” podem ser usados em secções com espessuras compreendidas entre 5.8. o que corresponde às tolerâncias usuais de montagem. Figura 10.8 M24 classe 8. Manual de ligações metálicas 109 . placa de extremidade elemento ligado. É instalado recorrendo a uma chave eléctrica específica.0 e 12. • A capacidade resistente ao corte e pressão diametral do parafuso e orifício é calculada de forma usual. • Desde que a espessura mínima do material obedeça ao especificado no Quadro 10.8 M20 classe 8.0 9. como apresentado na Figura 10.8. mm M16 classe 8. Parafuso tipo “Huck Ultra-Twist” O parafuso Huck Ultra-Twist é um dispositivo pré-montado [Yeomans. Quadro 10.19: Parafuso Huck Ultra-Twist: a) vista do sistema. 2002].1: Espessuras mínimas do material para desenvolver a resistência total à tracção em parafusos da classe 8. M20 e M24.6 Dispositivo “Lindapter Hollo-Bolt” O Hollo-Bolt é um dispositivo pré-montado constituído por 3 partes: corpo principal.18: a) Dispositivo Hollo-Bolt (como fornecido). porca anilha resistente ao esmagamento anilha resistente ao corte manga manga núcleo da cavilha Figura 10.8.1. Para roscas abertas pelos processos tradicionais. Existe também um outro sistema semelhante constituído por 5 peças [Yeomans. ex. ver Figura 10.

com tensões de cedência de 640 MPa ou superiores. ex. O primeiro consiste na abertura de um orifício e posterior abertura de uma rosca. Porcas soldadas Para além dos métodos apresentados. é necessário proceder à encomenda de quantidades elevadas.20 apresenta uma ligação típica efectuada através deste sistema.20: Ligação efectuada através de pernos roscados soldados.1 (4) da EN 1993-1-8 especifica que a tensão de cedência nominal de secções ocas laminadas e a tensão de cedência nominal do material de base de secções enformadas a frio.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Soldadura de pernos roscados Na materialização da ligação poderão ser usados pernos roscados. 1995] estipula que é possível produzir secções estruturais ocas com aços especiais. que são soldados à face do perfil oco.90. deverá ser reduzida através do factor 0. Outro método [Kato. ver Figura 10.21: Porcas soldadas à face do perfil tubular. como é o caso dos aços de alta resistência. note-se que neste caso não existe cavidade para acomodar a anilha. consiste na abertura de orifícios com dimensão suficiente para acomodar uma porca de tamanho adequado que é soldada à face do perfil de tal forma que não apresente saliências do lado exterior da secção. não deverá exceder 460 MPa. aços com composições químicas melhoradas ou especiais ou ainda aços patinados. Para aços da classe S420 e S460 a resistência estática avaliada de acordo com esta secção. 110 Manual de ligações metálicas . mas geralmente necessita de uma espessura da parede mínima de 16 mm para resistir a esforços de arrancamento. pernos roscados soldados elemento ligado. as especificações para o material são determinadas com base no produto final e não no material de base. existem muitos outros que permitem executar ligações apenas de um dos lados. A Figura 10. De seguida serão apresentados dois destes métodos.RHS porcas Figura 10.1. placa de extremidade parafusos ordinários elemento ligado. ex. O Guia de dimensionamento do CIDECT [CIDECT.21. De acordo com a EN 10210 e a EN 10219.6: Aço de Alta Resistência em Ligações de Secções Tubulares Haverá alguma razão para que as regras indicadas na EN 1993-1-8 não possam ser aplicadas a aços de alta resistência? _____________________________________________________________________ A cláusula 7. 1988].RHS placa de extremidade Figura 10. Questão 10. mas neste caso.

No caso de estruturas offshore. Adicionalmente. estes limites de aplicação geralmente não são respeitados. As regras de aplicação indicadas no capítulo 7 da EN 1993-1-8. para estruturas offshore solicitadas por acções que provoquem fadiga. Manual de ligações metálicas 111 . onde se incluem as estruturas offshore. é necessário considerar as disposições especiais dadas na EN 1993-1-9 [prEN 1993-1-9: 2002].7: Dimensionamento de Estruturas Offshore Poderão as recomendações da EN 1993-1-8 ser aplicadas às secções de grandes dimensões utilizadas em estruturas offshore? _____________________________________________________________________ O campo de aplicação de secções ocas é extenso e os domínios específicos de aplicação são enumerados no Guia de Dimensionamento do CIDECT. e terão que ser usadas recomendações especiais. desde que sejam reunidas as condições gerais. poderão ser aplicadas a qualquer tipo de estrutura.LIGAÇÕES DE SECÇÕES TUBULARES Questão 10.

[Yu. Figura 11.11 LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO 11. podem surgir efeitos adicionais no Estados Limites Últimos e de Serviço e o nível de segurança pode depender do controle de qualidade.2 Ligadores Para construções com elementos de secções de paredes finas. ex. Figura 11. • assemblagem de secções lineares enformadas a frio. • corte do parafuso.1 Introdução As ligações de elementos estruturais com secções de paredes finas são normalmente usadas para: • fixação de painéis metálicos a uma estrutura de suporte. de acordo com Toma [Toma et al.1d.1a. 1993]. • rotura da chapa à tracção. podem-se utilizar os seguintes tipos de ligadores [Toma et al. diferentes das regras previstas para elementos metálicos laminados.1 Ligadores Mecânicos O Quadro 1 apresenta as possíveis aplicações para os diferentes tipos de ligadores mecânicos. 2000]: • ligadores mecânicos. Figura 11. De acordo com resultados obtidos experimentalmente. 11. A utilização de elementos de secções de paredes finas requer o uso de parafusos roscados até à cabeça. Esta é a razão pela qual foram desenvolvidas regras específicas para ligações em elementos enformados a frio. podem ocorrer quatro tipos básicos de modos de rotura nas ligações aparafusadas de enformados a frio: • corte longitudinal da chapa ao longo de duas linhas paralelas. • interligação de dois ou mais painéis metálicos. Parafusos com porcas constituem ligadores roscados a colocar em orifícios previamente executados nos elementos a unir.1c. • esmagamento ou enrugamento de material na frente do parafuso.: uma madre.: costuras longitudinais de chapas. ex: estruturas de armazenamento. 11. Encontra-se disponível uma variedade de métodos de montagem de estruturas com elementos de secções de paredes finas. Exemplos de tais efeitos podem ser: a inclinação do ligador no esmagamento do orifício.8 ou 10. Figura 11. 1993]. ex... rotação do ligador em roturas por escorregamento ou a grande distorção da placa quando o ligador está à tracção e a chapa é solicitada directamente em cima da cabeça do ligador. Neste caso.9. . São ainda fornecidos alguns pormenores para cada um dos ligadores mecânicos. Em comparação com ligações mais espessas (t> 3 mm) o comportamento de ligações em elementos de paredes finas é caracterizado pela pequena rigidez das placas.2. • soldadura. • colas. nalguns casos. O diâmetro do parafuso varia normalmente entre M5-M16 e as classes mais utilizadas são 8.1b. que são.

8 mm φ 6. b) esmagamento da chapa.3 com anilhar ≥ 16 mm.2. Os parafusos podem constituir um modo rápido e efectivo de ligar chapas metálicas em painéis de fachada e cobertura.5 mm φ 6. c) rotura à tracção da chapa.3 ou 6.22 ou 4. a ligação está sujeita a uma combinação de modos de rotura. com anilha ≥ 16 mm.5. A fractura da chapa é muitas vezes causada pela rotação excessiva do parafuso e deformação da chapa. com diâmetros:・ φ 4. d) rotura por corte do parafuso.3 mm Rebites cegos. Figura 11. como ilustrado nas Figura 11. • parafusos auto-perfuradores.1: Resumo dos campos de aplicação para ligadores mecânicos. com diâmetros: φ 4. 1 mm de espessura com material elastomérico Parafusos auto-perfuradores.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Finas espessas Quadro 11.8 mm φ 5. 114 Manual de ligações metálicas . Existem dois tipos de parafusos: • parafusos auto-roscáveis (por deformação ou furação). bem como servir de ligadores de painéis de gesso cartonado a perfis metálicos.1: Tipos de roturas em ligações aparafusadas: a) corte longitudinal da chapa. 1 mm de espessura com material elastomérico X X Parafusos com cabeça hexagonal φ 6. Podem também ser usados em sistemas metálicos porticados e treliças de cobertura.4 mm Pregos X X X Em muitos casos. Aço Espessas Ligador Observação madeira espessas X X Parafuso M5-M16 X Parafusos auto-roscáveis φ 6.0 mm φ 4.

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

A maior parte dos parafusos são combinados com anilhas de modo a aumentar a resistência ao esmagamento da ligação e/ou selar a ligação. Alguns tipos têm cabeças plásticas ou protectores plásticos para conferir resistência à corrosão ou a côr desejada.

.....nervurado

.....plano

V - viga de cobertura

Chapa de cobertura ondulada

Figura 11.2: Aplicação de parafusos auto-roscáveis.

A Figura 11.3 mostra dois exemplos de parafusos auto-perfuradores. A Figura 11.4 apresenta os vários tipos de rosca para parafusos auto-roscáveis por deformação. O tipo A é usado para ligar chapas finas. O tipo B é usado para fixações a bases de aço de espessura superior a 2 mm. O tipo C é usado normalmente para fixações de bases metálicas finas (espessura até 4 mm) a bases metálicas. Os parafusos auto-roscáveis são usualmente fabricados em aço-carbono (zincado e lubrificado). A Figura 11.5 apresenta alguns exemplos de parafusos auto roscáveis por furação. Os parafusos autoroscáveis por furação são usados para ligações a bases metálicas espessas. Os parafusos autoperfuradores abrem o seu próprio orifício e formam a rosca numa única operação.
drill thread Comprimento Comprimento length length de furação da rosca

drill point Ponto de furação drill diameter Diâmetro de furação 7.7

Figura 11.3: Exemplos de parafusos auto-perfuradores.

Tipo A Tipo B Tipo C Figura 11.4: Exemplos de rosca para parafusos auto-roscáveis por deformação.

Figura 11.5: Exemplos de rosca para parafusos auto-roscáveis por furação.

Manual de ligações metálicas

screw length Comprimento do parafuso

drill flute

115

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

Rebites cegos e rebites tubulares são muitas vezes usados na construção com perfis enformados a frio. São usados para simplificar a montagem, reduzir o custo da ligação bem como por questões estéticas. Um rebite cego é um ligador mecânico capaz de ligar peças onde o acesso é limitado e é feito apenas por um dos lados. De acordo com o método de aplicação, os rebites-cegos encontram-se ilustrados na Figura 11.3. Os rebites tubulares são muitas vezes usados para ligar chapas metálicas. A resistência ao corte ou compressão é comparável à dos rebites sólidos. Os diâmetros do corpo dos rebites variam entre 0,8 e 7,9 mm. Os comprimentos mínimos variam entre 0,8 a 6,4 mm, respectivamente.

Cut amolação da and grind Corte eat rivet head cabeça do rebite

Self-plugging

Pull-through

Extremidades abertas

Open end

Closed end Extremidades fechadas
a)

Extremidades abertas

Open end
b)

Extremidades fechadas

Closed end

c)
Figura 11.3: Rebites cegos.

Pregos, tal como ilustrado na Figura 11.7, são ligadores que atravessam os painéis metálicos a ligar por meio de disparo ou ar comprimido.

116

Manual de ligações metálicas

LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO

Pregos a aplicar por disparo Figura 11.4: Pregos

pregos a aplicar por ar comprimido

Ligação por pressão é uma técnica relativamente recente para ligar secções metálicas de perfis enformados a frio. A ligação é formada usando o metal das secções a ligar. As ferramentas usadas consistem num punçuador e numa matriz de punção. A Figura 11.8 apresenta as etapas para execução de uma ligação por pressão.
Placas metálicas a ligar

punçuador

Matriz (de punção)

Corte do metal

Deformação lateral do aço

Pressão final

Figura 11.5: Sequência de execução de uma ligação por pressão.

Ligação em roseta (“Rosette-joining”), é um novo processo automático de ligação de componentes metálicas enformadas a frio, tais como painéis metálicos e treliças de cobertura. O processo de ligação é apresentado na Figura 11.9.

Figura 11.6: Representação da ligação em roseta e processo de fabricação.

11.2.2

Soldadura

As ligações de secções enformadas a frio podem ser feitas recorrendo ao processo do arco aberto bem como à soldadura por resistência. Para secções de paredes finas, podem ser usados os seguintes procedimentos de soldadura [Toma et al., 1993]: • soldadura MAG/MIG; • soldadura por arco manual; • soldadura TIG; • Soldadura por plasma.

Manual de ligações metálicas

117

b) soldadura por pontos. • soldadura em entalhe. • soldadura com recobrimento. são geralmente usados os seguintes tipos de soldadura por arco. • soldadura de bordos interrompidos. electrodes or ou matriz dies punção) (de electrodes or eléctrodos welding tips electrodes or eléctrodos welding tips eléctrodos projection Projecção das soldas welds Before antes da welding soldadura After após a welding soldadura a) b) c) Figura 11. A soldadura por resistência é executada sem arco aberto.8: Processo de soldadura resistente: a) soldadura pontual. e) soldadura em ângulo f) soldadura de bordos interrompidos. c) soldadura projectada. 118 Manual de ligações metálicas .7 [Yu. a) b) c) d) (end view) Aspecto final e) f) Figura 11. A Figura 11. Ao contrário do processo de arco aberto não há necessidade de protecção do metal fundido através de escória ou gás de protecção.11 apresenta este processo de soldadura. b) soldadura por costura. 2000]: • soldadura por pontos. c) soldadura em entalhe.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Em construções metálicas com secções enformadas a frio.7: a) Soldadura de topo. • soldadura de topo. • soldadura de ângulo. d) soldadura com recobrimento. ver Figura 11.

As vantagens das ligações coladas são: a distribuição uniforme das forças ao longo da ligação e um bom comportamento a cargas cíclicas.9.3 Considerações de Dimensionamento As considerações de dimensionamento para elementos enformados a frio estão especificadas no capítulo 8 do Documento Normativo EN 1993-1-3 [prEN 1993-1-3. 11. 2002].3). pregos (quadro 8. As ligações com ligadores mecânicos são tratadas no parágrafo 8. e capítulo 9 e Anexo Z do Documento EN 1993-1-1.3 Colas Na apresentação deste tipo de ligação. No que diz respeito aos ligadores mecânicos. estão na mesma situação e devem ser tratadas do mesmo modo que as restantes.4). quadro 8. As colas usadas para aços de secções de paredes finas são os seguintes: • resina epoxy– o melhor endurecimento aparecerá a temperaturas elevadas (na gama dos 80-120°C).4 deste Documento Normartivo como rebites cegos (quadro 8. uma combinação de colagem com ligadores mecânicos pode constituir uma opção. ver Figura 11.1). • adesivos acrílicos– mais flexíveis que as resinas epóxidas. Esforço de corte Loaded by shear Esforço de peeling Loaded by arrancamento Figura 11.9: Corte e arrancamento de ligações coladas.2.5. Por essa razão.6 refere-se a soldaduras sobrepostas. deverão ser aplicadas as disposições previstas na EN 1993-1-3.2) e soldaduras por pontos por arco (8. com cordão de soldadura (8. é de sublinhar que a sua resistência ao esmagamento. resistência ao corte.5.6. são calculadas do mesmo modo que as secções espessas para qualquer tipo de ligador. As resistências de dimensionamento para soldadura por pontos são fornecidas no parágrafo 8. No que diz respeito às ligações soldadas. Especificações para ligações coladas são incluídas em EN 1999-1. parafuso auto-perfuradores (quadro 8. enquanto o parágrafo 8. a soldadura por pontos representa uma tecnologia específica para ligar estruturas metálicas de paredes finas e já foram desenvolvidas regras de dimensionamento específicas [prEN 1993-1-3: 2002].6.3) e parafusos auto-roscáveis (quadro 8. Quando é usado dimensionamento com recurso a ensaios experimentais. Manual de ligações metálicas 119 . respectivamente. por punção ou em roseta.2). Modos de rotura específicos são verificados através de ensaios “pull-through” ou “pullout”. resistência à tracção e secção útil de resistência dos elementos ligados. Algumas desvantagens são: a necessidade de a superfície estar lisa e limpa e o tempo necessário ao seu endurecimento. As diferenças existentes referem-se aos coeficientes numéricos das fórmulas que estão especificados no Documento.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO 11. Ligações mecânicas especiais. interessa salientar que a ligação colada possui uma boa resistência ao corte e geralmente uma fraca resistência ao arrancamento.

O critério de dimensionamento para a capacidade de deformação por corte da ligação é apresentada como (Quadro 11.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO Questão 11.Rd = A net ⋅ fu γ M2 (11.2): FV . • Noutros casos pode ser demonstrado que os efeitos de enformagem a frio conduzem a um aumento da capacidade de carga. Em principio. a resistência da soldadura pode ser referida à tensão de cedência média fya. De acordo com o disposto no Documento. 2 Fn.1. com uma secção transversal totalmente efectiva. do material base.2 do Documento Normativo EN 1993-1-3? _____________________________________________________________________ Esta questão refere-se ao quadro 8. Diâmetro exterior da rosca Material do parafuso (mm) Aço endurecido Aço inoxidável 4. • O momento resistente de uma secção transversal com banzos completamente efectivos.Rd no quadro 8. • A resistência da secção transversal e a resistência à encurvadura de um elemento comprimido axialmente. Aeff a tensão de cedência fy deve ser tomada como fyb (tensão de cedência do material base).3: Resistência característica ao corte Fv.Rd (11.2) Quadro 11.Rk de parafusos auto-perfurantes [EN 1993-1-3: 2002]. recomenda-se fyb como tensão. O Documento EN 1993-1-3 permite o uso da tensão de cedência média fya da secção transversal para contabilizar o efeito de enformagem a frio (ver parágrafo 3. A tensão de cedência media fya pode ser usado para determinar: • A resistência da secção transversal de um membro traccionado axialmente.1) ou avaliada experimentalmente Fn.Rd ≥ 1.Rd ≥ 1.2: Capacidade de Deformação de Ligações ao Corte Qual a razão do limite Fv.2). Questão 11.8 5.1: Aumento da Tensão de Cedência das Secções Enformadas a Frio Pode o aumento da tensão de cedência devido a enformagem a frio.3 8. Para determinar a área efectiva da secção. o aumento na tensão de cedência devido à enformagem a frio deve ser tido em consideração do seguinte modo: • Em elementos carregados axialmente nos quais a área da secção transversal efectiva Aeff iguala a área bruta Ag. tendo em consideração as limitações anteriores e a dificuldade em controlar a aplicação destas limitações.2 do Documento EN 1993-1-3: Resistência de dimensionamento para parafusos auto-perfuradores.5 6. ser considerado no dimensionamento de ligações soldadas após a enformagem do elemento? _____________________________________________________________________ Este aumento pode ser usado no dimensionamento de ligações soldadas mas os efeitos devem ser avaliados experimentalmente.2 Fu.0 5200 7200 9800 16300 4600 6500 8500 14300 120 Manual de ligações metálicas .

As condições devem ser satisfeitas sempre que a capacidade de rotação é um requisito determinante.10b). Questão 11.4 do Documento EN 1993-1-8 e para parafusos em placas finas no quadro 8. temperatura e vento são geralmente cíclicas.3: Resistência dos Parafusos em Painéis Sandwich De que forma é avaliada a resistência ao corte e à tracção. tal como apresentado na Figura 11. b) Forças de membrana devidas à deflecção do painel sandwich [ECCS 66.4: Resistência ao Esmagamento de Placas Finas Qual a diferença entre o esmagamento de placas finas e espessas? _____________________________________________________________________ Os modelos de previsão da resistência ao esmagamento são baseados em observações experimentais.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO O factor 1. As acções normalmente condicionantes.13c [Mareš et al. 2000]. ver Figura 11. A contribuição dos painéis é tida em conta para prevenir o colapso sob a acção das diferenças de temperaturas. a2 a1 c) a) F b) a3 L d) a3 F Figure 11.11: a) Forças de alavanca provocadas pelos momentos de fixação adicionais. c) modelo de componentes do parafuso no painel sandwich [Mareš et al. c) Modo de rotura por esmagamento no orifício interno. Para prevenir a rotura sob acções de serviço.1 considera o encruamento do aço.1 do Documento EN 1993-1-3. d) Modo de rotura por fractura da rosca do parafuso. A distribuição de forças nas faces interior e exterior do painel sandwich podem ser tidas em conta pelo método das componentes. Manual de ligações metálicas 121 . onde se incluem também os rebites.. parafusos auto-perfurantes e cavilhas. Questão 11. dos parafusos de painéis sandwich? _____________________________________________________________________ Os parafusos auto-perfurantes são normalmente usados para ligar painéis sandwich [prEN 14509. Parafusos em flexão Bolt in bending Parafusos ao corte Bolt in shear Rótula plástica Plastic hinge Placa ao esmagamento Plate in bearing Parafusosshear Bolt in ao corte Placa ao esmagamento Plate in bearing Fd a) b) c) Figura 11.2 na expressão 11. b) parafuso com entalhe na rosca. são usados parafusos de aços austeníticos com formas especiais. 2000].. Quando estas condições não são satisfeitas deve ser provado que a capacidade de deformação será proporcionada por outras partes da estrutura. 2000]. A fórmula para parafusos em placas espessas (com espessura maior ou igual a 3 mm) encontra-se no quadro 3.10: a) Curva de deformação de um parafuso tradicional. 2002].

5 α b ⋅ k t ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (11.5) / 2. Fb. 8t + 1. 0 para t > 1. considerando a espessura da placa através do factor factor kt. através do factor k1.75 mm ≤ t ≤ 1.3) A resistência ao esmagamento das placas finas. com α b = 122 Manual de ligações metálicas .5) para 0.Rd = 2.25 mm ou k t = 1. Fb.25 mm.LIGAÇÕES DE PERFIS ENFORMADOS A FRIO A resistência ao esmagamento de placas espessas considera o espaçamento na direcção perpendicular. 3d Espessuras para além desta gama de valores podem ser usadas desde que a sua resistência seja determinada experimentalmente.Rd = k 1 ⋅ α b ⋅ fu ⋅ d ⋅ t γ M2 (11.4) e1 e k t = (0.

as ligações soldadas tem sido bastante desenvolvidas e consideradas de grande importância.12 LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO 12. que inclui especificações e expressões de dimensionamento de estruturas de alumínio. Com excepção da estabilidade e fadiga. No cálculo da resistência ao escorregamento de ligações soldadas. As indicações presentes em EN 1999-1-1. O dimensionamento deste tipo de ligações em relação ao estado limite de fadiga é apresentado em EN 1999-2 [prEN 1999-2: 1999].1 Introdução Nas últimas décadas. Os parafusos de aço galvanizado são preferidos em situação de risco de corrosão. o factor parcial de segurança γΜ =1.6. frequentemente sujeitas a acções repetitivas ou cíclicas que podem conduzir à rotura por fadiga do elemento. A soldadura é preferida para trabalhos genéricos de engenharia. ao baixo custo e ao facto de não limitar a ductilidade da ligação. o processo TIG só deverá ser utilizado em materiais de espessura superior a t = 6 mm e em reparações de soldas. o comportamento de ligações estruturais em alumínio é um dos principais focus dessa investigação [Andrade. predominantemente. A escolha do metal de adição tem uma importância significativa na resistência da ligação. geralmente inferior à resistência do material de base. Liga Metal de adição 5356 4043A 3103 95 5052 170 5083 240 5454 220 6060 160 150 6061 190 170 6082 210 190 7020 260 210 De acordo com o capítulo 6. e se for especificada uma qualidade de soldadura inferior para os perfis semi ou não-estruturais. No dimensionamento dos elementos da ligação é necessário considerar o limite de ductilidade do material de adição. deve ser compatível com a liga de alumínio dos elementos a ligar. Desde que a soldadura é utilizada em elementos estruturais de alumínio. Deverão ser tidos cuidados especiais no caso de ligações estruturais em alumínio. 2002].1 de EN 1999-1-1. • O processo de soldadura MIG pode ser utilizado para todas as espessuras. ver Quadro 12. poderão ser aplicadas desde que sejam satisfeitas as seguintes condições: • As estruturas estão carregadas com carregamento estático. .1: Valores da resistência característica do metal de adição fw [MPa]. devido à sua simplicidade de fabrico e de união. Quadro 12.1.65. • O material de adição. Em contrapartida. tem sido feito um grande esforço de modo a caracterizar o comportamento de estruturas em alumínio. Os resultados obtidos têm sido incorporados no Documento Normativo EN 1999-1-1 [prEN 1999-1-1: 1999]. O dimensionamento de ligações soldadas baseia-se na metodologia e considerações similares às utilizadas em estruturas metálicas (com as devidas modificações).25 deverá ser substituido por γΜ = 1. a transferência de forças é afectada pela relaxação das placas de alumínio.

ver Figura 12.2) 124 Manual de ligações metálicas . τ⊥ tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) perpendicular ao eixo do cordão de soldadura.2: Componente da tensão num cordão de soldadura de ângulo. τ// tensão tangencial (no plano crítico do cordão de soldadura) paralela ao eixo do cordão de soldadura.1: Resistência da Soldadura de Ângulo No cálculo da soldadura de ângulo. é decomposta nas componentes paralelas e transversais ao plano crítico do cordão. ver Figura 12. A tensão total num cordão de soldadura. g1 a a Figura 12. que tensões deverão ser verificadas de modo a satisfazer o indicado na EN 1999-1-1? _____________________________________________________________________ A abordagem é similar ao indicado no Capítulo 3.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. As componentes da tensão total são as seguintes. A resistência do cordão de soldadura de ângulo é suficiente se foram satisfeitas as seguintes condições: 2 σ ⊥ + 3 (τ ⊥ + τ // ) ≤ 2 fu β W ⋅ γ M2 (12.1: Definição da espessura do cordão de soldadura: a.1. σ// tensão normal paralela ao eixo da soldadura.1) e σ⊥ ≤ fu γ M2 (12.2: σ⊥ tensão normal perpendicular ao plano crítico do cordão de soldadura. σ _ I τ τ II _ I a 2a Figura 12. pode ser desprezada no dimensionamento dos cordões da soldadura de ângulo.

ver Figura 12. No caso de soldadura de topo com penetração parcial. relativas a largura efectiva e espessura do cordão de soldadura? _____________________________________________________________________ A pergunta já foi respondida no Capítulo 3.10) Manual de ligações metálicas 125 . quais são as restrições geométricas. que não existem defeitos aparentes na soldadura. O valor da tensão instalada em soldaduras de topo deverá satisfazer os seguintes critérios: tensão normal. A soldadura de topo com penetração parcial deve usar-se apenas nos casos.8) tensão de corte paralela ao eixo da soldadura τ ≤ 0.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. deve-se usar. Questão 12.2: Largura Efectiva e Espessura do Cordão de Soldadura de Ângulo Quando se utiliza soldadura de ângulo.3. Se forem soldados elementos de espessuras diferentes.9) combinação das tensões normais e de corte 2 σ ⊥ + 3τ 2 ≤ fw γ M2 (12. 6 fw γ M2 (12. a soldadura de topo com penetração parcial deverá ser aplicada com o factor parcial de segurança γΜ. a espessura da soldadura deverá ser igual à do elemento de menor espessura. deverá considerar-se o valor da espessura do cordão de soldadura.3: Soldadura de Topo em Ligações de Alumínio Quais as informações dadas em EN 1999-1-1. em relação às características da soldadura de topo em ligações de alumínio? _____________________________________________________________________ Quando se utiliza soldadura de topo em ligações de elementos estruturais de alumínio. perpendicular ao eixo da soldadura: σ⊥ ≤ fw γ M2 (12. Noutros casos. de preferência. tracção ou compressão. No que se refere às restrições geométricas não existe diferenças significativas entre a soldadura em elementos metálicos e elementos de alumínio.3: Espessura efectiva do cordão de soldadura de topo com penetração parcial. soldadura de topo com penetração completa. em que se verifique através de ensaios. A espessura efectiva da soldadura de topo com penetração completa deverá ser igual à espessura dos elementos ligados. devido à susceptibilidade do aparecimento de defeitos neste tipo de soldadura. te te Figura 12.

reduzindo-as do factor de amaciamento correspondente ρhaz. Os dois aspectos principais do amaciamento da ZAC são a severidade e a dimensão. fv na ZAC são calculadas de acordo com o indicado em EN 1999-1-1 para o metal de base. a resistência de cálculo de uma secção rectangular afectada pelo amaciamento da ZAC.3 dias após a soldadura.30 dias após a soldadura. O Documento EN 19991-1. Deste modo. fa. Em alternativa. t t ρ haz bhaz bhaz bhaz Figura 12. O fabricante deverá informar-se relativamente a esta situação. O processo de soldadura TIG. cláusula 6.6. do tipo de liga do elemento soldado e do processo de soldadura utilizado: TIG e/ou MIG. Estes valores são válidos. A severidade e dimensão da ZAC dependem do tratamento a que o elemento foi sujeito.haz γ M2 γ M2 (12.2. 126 Manual de ligações metálicas .LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Questão 12. • Série de ligas: 7xxx .4: Zona Afectada pelo Calor (ZAC) Qual o efeito das temperaturas elevadas na zona da soldadura. pode-se reduzir a área onde actuam as tensões. A região afectada estende-se em torno da soldadura. Estas zonas deverão ser tidas em atenção no caso de se utilizarem as seguintes ligas: • Ligas que podem ser tratadas termicamente com qualquer tratamento térmico inferior a T4 (séries 6xxx e 7xxx). considerando que o material foi soldado a uma temperatura não inferior a 10°C: • Série de ligas: 6xxx .11) Os valores de ρhaz são indicados no Quadro 12. é calculada a partir da expressão FRd = A ( fa ⋅ ρhaz ) = A ⋅ fa. no dimensionamento de ligações soldadas de alumínio? _____________________________________________________________________ O material estrutural alumínio composto por várias ligas e tratamentos é alterado nas zonas afectadas pelo calor (ZAC) junto à soldadura. • Ligas que não podem ser tratadas termicamente com qualquer encruamento (séries 3xxx e 5xxx). para além desta zona. o tempo de recuperação deverá ser aumentado. As resistências características fo.2 refere-se especificamente a zonas afectadas pelo calor (ZAC).4: Zona afectada pelo calor numa soldadura de topo. 1995]. provoca uma maior ZAC e um amaciamento mais severo devido a uma maior quantidade de calor [Mazzolani. a liga recupera o valor das propriedades resistentes rapidamente. Se o material é ligado a uma temperatura inferior a 10°C.4. ver Figura 12.

fa. os limites da ZAC deverão ser considerados com linhas rectas normais à superfície do metal. chapas.60 0. ρhaz. espessura t 0 < t ≤ 6 mm 6 < t ≤ 12 mm 12 < t ≤ 25 mm t > 25 mm bhaz (soldadura MIG) 20 mm.60 0. • Em soldaduras de topo aplicadas em extremidades.12) para tensões normais e a fv. especialmente se se tratar de chapas finas.haz para tensões de corte fv . No entanto. placas. ver Figura 12. O valor bhaz deve ser medido de seguinte modo: • Transversalmente a partir da linha central do cordão de soldadura. 35 mm.2: Valores dos factores de amaciamento da ZAC.80 0.65 0.86 0.haz = fa ⋅ ρhaz 3 (12.haz. placas e peças forjadas 0.60 0. quando se pretende soldar materiais espessos pode-se assumir um limite curvo com raio igual a bhaz. • Em soldaduras de ângulo: transversalmente a partir do ponto de intersecção das superfícies soldadas.80 ρhaz (processo de soldadura TIG) 1. 40 mm.00 5xxx 3xxx H22 H24 H14 H16 H18 H14 0.3.00 0.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Quadro 12.50 0. a ZAC prolonga-se a toda a largura do elemento. Quadro 12. Tês ou ligações cruciformes: transversalmente a partir do ponto de intersecção das superfícies soldadas. bhaz (soldadura TIG) 30 mm.5 e Quadro 12. Se a distância entre a zona da soldadura e a extremidade do elemento for inferior a três vezes bhaz.60 1xxx Assume-se que a zona afectada pelo calor se prolonga por uma distância bhaz.00 1.60 0. De um modo geral. 30 mm.3: Extensão da ZAC para soldaduras MIG e TIG.65 0. • Em qualquer direcção radial a partir da extremidade da soldadura.86 0. em qualquer direcção a partir da soldadura. Séries de ligas Quaisquer 6xxx Tratamento O F T4 T5 T6 T6 ρhaz (processo de soldadura MIG) 1.13) Manual de ligações metálicas 127 .80 Aplicado quando as tensões de tracção actuam transversalmente ao eixo da soldadura de ângulo ou topo Aplicado em quaisquer condições Chapas.80 0.haz = fa ⋅ ρhaz (12. tubos trefilados e peças forjadas 7xxx 1.00 0. A resistência característica das zonas afectadas pelo calor deverá ser reduzida a fa.60 Nota Extrusão.

haz γ M2 g1 fv. Em soldadura de ângulo.5: Zona afectada pelo calor em soldadura de ângulo.haz t γ M2 (12. em ligações de soldadura de ângulo.haz γ M2 g1 fa.14) 2) força de tracção perpendicular ao plano de rotura em ligações com soldadura de topo com penetração parcial σ haz ≤ t e fa. σ haz ≤ σ haz ≤ fa.17) Quando se aplica esforço de corte na soldadura.15) 3) força de tracção na raiz do cordão da soldadura e nos limites de fusão. a tensão na zona afectada pelo calor de soldaduras de topo é limitada a: τ haz ≤ fv.20) (12.haz t γ M2 (12.haz γ M2 (12.19) no limite da fusão.21) 128 Manual de ligações metálicas .haz t γ M2 (12. aplicam-se condições similares τ haz ≤ τ haz ≤ fv. respectivamente. bhaz bhaz bhaz bhaz <3 bhaz A tensão instalada em zonas afectadas pelo calor deverá ser inferior a: 1) força de tracção perpendicular ao plano de rotura em ligações com soldadura de topo com penetração completa σ haz ≤ fa.haz t γ M2 (12.16) (12.18) na raiz do cordão de soldadura e a τ haz ≤ t e fv.haz γ M2 (12.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz bhaz Figura 12.

haz t γ M2 (12.haz γ M2 t e fa. refere-se que a capacidade de deformação de ligações soldadas poderá aumentar se a resistência de cálculo da soldadura for superior à do material existente na ZAC.haz t γ M2 (12.23) 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ Em soldadura de ângulo aplicam-se condições similares 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ fa. devem ser aplicadas as seguintes condições 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ fa.24) (12.haz γ M2 g1 fa.25) 2 2 σ haz + 3τ haz ≤ Como conclusão.LIGAÇÕES EM ALUMÍNIO Quando se aplica a combinação de tensão de corte e tensão normal na soldadura. Manual de ligações metálicas 129 .22) (12.

facilidade e condições de montagem). excentricidades.1: Aspectos a considerar no dimensionamento de ligações metálicas.1.2 indica as principais razões das soluções recomendadas. Furação. consideram-se soluções desadequadas aquelas que: (i) não cumprem os parâmetros pré-estabelecidos. de acordo com a regulamentação vigente. etc. o critério de escolha difere de país para país (custos de fabrico. Quadro 13. (ii) ligações que introduzem efeitos secundários (i. etc. comprimentos e classes de parafusos Meios técnicos disponíveis. Cálculo • • • Transferência de forças através da ligação Excentricidade nas ligações Regulamentação: Dimensionamento de elementos [prEN 1993-1-1: 2003] Dimensionamento de ligações [prEN 1993-1-8: 2003] Montagem [EN 1090-1: 1996] Aspecto arquitectónico Corrosão Possibilidade de standarização Limitação do número de secções de perfis Limitação do número de tipo. que deverão ser considerados no dimensionamento e pormenorização de ligações metálicas são indicados no Quadro.e. produção.12 apresentam soluções correctas e incorrectas baseadas em alterações a projectos de estruturas completas e reais. calculadas como rotuladas quando se comportam como parcialmente rígidas. Ambas as abordagens apresentam vantagens e inconvenientes. No contexto deste manual. Os principais aspectos. Anilhas Método de aperto dos parafusos Aspecto estético Projecto Produção • • • • • • • • • • • • • • • Montagem . Adicionalmente. As Figuras 13. teoricamente mais ajustadas a cada ligação.13 EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO 13. Comprimento da parte roscadas. Comprimento. experiência e hábitos Limitação do número de operações por elemento: Corte.1 a 13. Soldadura.). ou a escolha de ligações individualizadas. com normalização extensiva. (iv) soluções demasiado caras e pesadas em relação a outras. (iii) ligações que apresentam limitações de fabrico ou montagem difícil. Classe.1 Casos Práticos Na concepção de ligações para estruturas metálicas verificam-se duas abordagens distintas: a procura de ligações “standard”. Reparação de pequenas deformações Manutenção: Pintura e/ou Galvanização Transporte (estragos) Pré-montagem Dificuldades de montagem em obra Tolerâncias: Dimensões das secções dos perfis. O Quadro 13. embora a primeira conduza habitualmente a soluções mais económicas. 13. Entalhe. Precisão na produção Encaixe dos perfis em obra Número de parafusos: Tipo. pelo que é difícil quantificar uma solução como a mais adequada. tradição.

2: Ligação viga-pilar com contraventamentos diagonais: a) solução incorrecta. ligação rotulada no eixo fraco: a) solução incorrecta. parafusos 4xM20 placa de extremidade Mj.72 kNm Dificuldade de fabricação e montagem. 2) Solução com custos elevados de fabricação e montagem SOLUÇÃO CORRECTA Momento na ligação Mj. b) solução correcta. soldadura: Mj.3 kNm 1) Instabilidade durante a montagem. a) 132 Manual de ligações metálicas . Solução com custos elevados SOLUÇÃO CORRECTA Esf.72 kNm Utilização de placas de alma b) Figura 13.1: Ligação viga-pilar.9 kNm 1) Utilização de placa de extremidade estendida no eixo forte e placas de extremidade com altura parcial no eixo fraco a) b) Figura 13.4 kNm. parafusos 8xM20 VRd = 62.Rd = 297.Rd = 139. pilar: HEB180. DADOS SOLUÇÃO INCORRECTA Esf.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO DADOS SOLUÇÃO INCORRECTA Momento na ligação vigas IPE 330.Rd = 98. transferência de momento no eixo forte do pilar. transverso na ligação vigas HEB180. transverso na ligação VRd = 62. b) solução correcta.

4 kNm 1) Transferência de forças confusa.Rd = 279. 1) Ligação com cantoneiras de alma Vj.9 kNm a) b) Figura 13. 2) Ligação de eixo fraco com placa de extremidade com altura parcial ou placa de alma a) b) Figura 13. ligação simples inclinada no eixo fraco: a) solução incorrecta. 2) Solução com custos elevados.3 kNm 1) Ligação de eixo forte com placa de extremidade estendida.4: Ligação viga-pilar. parafusos 6xM16 MRd = 65.Rd = 379. Manual de ligações metálicas 133 .2 kNm.viga de secção aberta e pilar de secção tubular RHS : a) solução incorrecta.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO DADOS Momento na ligação SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA Momento viga principal IPE270. b) solução correcta. Mj. na soldadura: Mj. transferência de momento no eixo forte do pilar. b) solução correcta. SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA Esforço transverso 1) Instabilidade durante a montagem. vigas secundárias: HEB120.Rd = 48. 2) Solução com custos elevados na ligação.3: Ligação viga-pilar.

EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO SOLUÇÃO INCORRECTA DADOS Esforço transverso na ligação viga principal HEA1000. 2) Instabilidade durante a montagem SOLUÇÃO CORRECTA DADOS Esforço transverso na ligação viga principal HEA1000. 13. parafusos 4xM16 VRd = 35.0 kN 1)Ligação com placas de alma alongadas (aleta longa) a) b) Figura 13. vigas secundárias: IPE240. poderão ser introduzidos reforços a) b) Fig.5: Ligação viga-viga rotulada: a) solução incorrecta. vigas secundárias: IPE240. b) solução correcta SOLUÇÃO INCORRECTA SOLUÇÃO CORRECTA 1) Ligação muito complicada 2) Ligação com placa de base rotulada (sem transmissão de momento flector). parafusos 6xM16 VRd = 35.6: Ligação à fundação a) solução incorrecta.0 kN 1) Introdução de excentricidades. 134 Manual de ligações metálicas . b) solução correcta.

Exemplo Parâmetros observados Fig.2 classificação dos exemplos de dimensionamento apresentados nas Figuras 13.1 Pilar+2 vigas (mom.3 13. 13.EXEMPLOS DE DIMENSIONAMENTO Quadro 13.5 Viga principal +1 travessa (ligação rotulada) 0 ++ 0 ++ 3 1 13. na ligação) 00 ++ 00 ++ 8 3 13.13.4 Pilar+2 Pilar+2 vigas+1 Pilar+4 vigas travessa vigas (ligação (momento na (ligação rotulada) ligação) rotulada) 000 0 000 +++ ++ +++ 000 00 00 ++ ++ ++ 7 9 8 3 3 2 0 8 000 00 00 +++ ++ +++ 00 + ++ + 00 00 00 + ++ + 12 10 14 12 8 12 00 00 00 ++ ++ + 000 0 00 ++ + ++ 0 0 0 + + + + ++ 00 00 +0 + ++ 0 0 0 + + ++ 13.2 .6 Base de pilar com possibilidade de rotação (ligação rotulada) 00 ++ 000 +++ 20 1 2 0 00 ++ 00 +++ 000 ++ 12 2 0 ++ 000 ++ 00 ++ 000 ++ 000 ++ Dimensionamento Projecto Placas Perfis Medição Furos Soldadura Parafusos Arquitectura Corrosão Transporte Tolerâncias de construção Montagem B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G B G 00 + 0 ++ 0 ++ 16 14 0 + 00 ++ 0 + 0 + + + + + 0 + + + 6 4 0 + 0 + ++ 0 ++ + 0 + NOTA: Nº 000 00 0 Exemplos incorrectos B Nível de qualidade muito mau mau duvidoso Nº + ++ +++ Exemplos correctos G Nível de qualidade suficiente bom muito bom Manual de ligações metálicas 135 .6.2 13.

diâmetro do parafuso. diâmetro. b1. comprimento da placa de base Altura da secção transversal do pilar Dimensão da cabeça do chumbador Comprimento efectivo da fundação Largura Largura efectiva da fundação Largura da zona afectada pelo calor Largura da secção transversal do pilar Largura efectiva Largura da placa de extremidade Largura do reforço de cada um dos lados Deformação. distâncias dos parafusos Distâncias entre parafusos Distância do parafuso à face da placa de extremidade Tensão característica à flexão e cedência à tracção e compressão Tensão característica local à tracção e compressão Tensão característica da zona afectada pelo calor Valor de dimensionamento da tensão de compressão para provete cilíndrico de betão fcd = fck / γc . ex. distância da extremidade de uma cantoneira ao eixo neutro.haz fcd Espessura de um cordão de ângulo. eb e1. distância do parafuso à face do T-stub Excentricidade da ligação Distância. e2 ex fo fa fa. ea. diâmetro do ligador Diâmetro do furo Diâmetro do chumbadouro Diâmetro médio do parafuso Diâmetro do núcleo da espiga do parafuso Largura efectiva da placa de base flexível Recobrimento mínimo para as armaduras do betão Excentricidade. b0.SIMBOLOGIA SIMBOLOGIA ZAC Zona Afectada pelo Calor a ac ah a1 b. bw b1 bhaz bc beff bp bsg d d0 dh dm dn c c∅ e e0 e.

θ kE.d g g1 h. fyi fya fyb fyc fyd fy.θ ky.haz fu. h0. fy0. tensão de cedência do aço da viga Tensão de cedência do aço do pilar Tensão de cedência mais baixa. kn k1 kj kc keff keq ki kb.g fck fj fy. h1 hef kp.SIMBOLOGIA fcd. fum fub fw fvw. fy1. no cálculo da resistência ao esmagamento Factor de concentração de tensões Coeficiente de rigidez total da zona de compressão Coeficiente de rigidez total para uma fiada de parafusos à tracção Coeficiente de rigidez total da zona de tracção Coeficiente de rigidez da componente i Factor de redução da resistência dos parafusos à temperatura θ Factor que depende da espessura da placa e é utilizado no cálculo da resistência ao esmagamento Factor de redução da resistência da soldadura à temperatura θ Factor de redução da tensão de cedência do aço à temperatura θ Factor de redução do módulo de elasticidade do aço à temperatura θ Comprimento efectivo do T-stub Distância do parafuso ao banzo da viga λeff mx 138 Manual de ligações metálicas . Tensão de cedência do banzo do pilar Tensão característica ao corte Tensão característica ao corte na zona afectada pelo calor Tensão última do aço Tensão última do parafuso Tensão característica do metal de adição Tensão resistente de um cordão de soldadura de ângulo por unidade de comprimento Comprimento do afastamento Comprimento do cordão de soldadura de ângulo Altura Comprimento do chumbadouro embebido no betão Constantes Factor relativo à distância entre parafusos e distancia dos parafusos à extremidade da placa.θ Valor de dimensionamento da tensão de compressão para provete cilíndrico de argamassa Tensão característica de compressão para provete cilíndrico de betão Tensão de esmagamento do betão Tensão de cedência do aço Tensão de cedência média Tensão de cedência do parafuso.θ kt kw.fc fv fv. entre o pilar e o reforço.

m2 m1 m2L m2U mpl. A0 Ab Ac Área Área total do parafuso. t1. braço da alavanca.t zc.b zt Distância do eixo do parafuso à solda Distância do parafuso à alma do T-stub Distância do centro do parafuso ao raio de concordância. w2 z. zona não roscada Área da secção transversal do pilar 139 Manual de ligações metálicas . Distância do bordo do reforço ao centro da fiada mais acima Momento resistente plástico da placa de base. mx m1. t2. distância entre o eixo de tracção e o eixo de compressão Braço de alavanca equivalente Braço de alavanca da zona de compressão Braço de alavanca da zona de compressão na zona superior da ligação Braço de alavanca da zona de compressão na zona inferior da ligação Braço de alavanca da zona de tracção A. p2 q r rc. tw te tfb tfc tp ts twc tf tg th twa w1.Rd n n p1.SIMBOLOGIA m. zr zeq zc zc. Distância do bordo do reforço ao centro da fiada mais abaixo. por unidade de comprimento Distância do eixo do parafuso à extremidade da placa de base Número de chumbadouros na placa de base Distâncias entre parafusos Factor de comportamento Braço da alavanca Raio de concordância na ligação da alma com o banzo do pilar Resistência teórica obtida a partir do modelo de dimensionamento Resistência obtida a partir ensaios experimentais Espessura Espessura efectiva da soldadura de topo por penetração parcial Espessura do banzo da viga Espessura do banzo do pilar Espessura da placa de extremidade Espessura do reforço Espessura da alma do pilar Espessura do banzo Espessura da argamassa Espessura da cabeça do chumbadouro Espessura da porca Distância entre parafusos Braço. t0. s re rt t.

Rd Fc.SIMBOLOGIA Aeff Ag Ah Anet As Asg Asn Av Be Bt. C1 Ce. avaliada experimentalmente Força de compressão aplicada Força de pré-esforço de dimensionamento Força de tracção na fiada mais acima Força de tracção na fiada mais abaixo Resistência de cálculo Força de cálculo actuante Resistência à tracção da fiada i de parafusos Resistência da zona traccionada Força de tracção 140 Manual de ligações metálicas . na zona roscada.Rd Fp Fp. Ft Área efectiva Área total (bruta) Área ao esmagamento da cabeça do parafuso Área útil Área útil do parafuso.Rd Fel Fexp Fn.b.Sd.Rd Fc.Cd Fri Frj FRd FSd Fti.d Fc.Rd Fb.Rd Ft. Área dos chumbadouros Área dos reforços Área de ambos os reforços Área de corte Comprimento efectivo Resistência de cálculo de um parafuso à tracção Constantes Parâmetro de eficácia Coeficiente de atrito Módulo de elasticidade do aço à temperatura θ Módulo de elasticidade do aço Força Resistência de cálculo ao esmagamento por parafuso Resistência de cálculo ao esmagamento por parafuso.Rd C0. CX. P Fb. CT. em situação de incêndio Resistência da zona comprimida Resistência de cálculo em compressão na zona inferior da ligação Resistência de cálculo em compressão na zona superior da ligação Resistência de cálculo do banzo da viga comprimido Resistência de cálculo da alma do pilar comprimida Limite elástico Resistência dos elementos estruturais obtida experimentalmente Resistência de dimensionamento para parafusos auto-perfuradores.wc.fb.t. CK Cf.Rd Ft.Rd Fc.t.Rd FcR.d Eθ E F.

θ I Ib Ic Ke. Kpli. L1 Lb Lc Leff Lw Lw.Rd Ft. comprimento livre do chumbadouro Comprimento do pilar Comprimento efectivo de um T-stub Comprimento do cordão da soldadura de ângulo Comprimento efectivo do cordão da soldadura de ângulo Momento flector 141 Manual de ligações metálicas .θ.θ. à temperatura θ Momento de inércia Momento de inércia da viga Momento de inércia do pilar Rigidez elástica da componente i. Kpl.Rd Fw. à temperatura ambiente Forças de cedência e de rotura da componente i.Rd Fy.Sd Fv.Rd Ft.Rd Fv Fn.20ºC Fui.Rd Fw.wb.t.Sd Fv. em situação de incêndio Força de corte actuante Resistência característica de elementos ao corte Resistência de cálculo ao corte Resistência de um cordão de soldadura Resistência de um cordão de soldadura.SIMBOLOGIA Ft.lim Lbe Lbf Leq L. à temperatura θ Comprimento da soldadura Comprimento limite dos parafusos para que haja forças de alavanca nos chumbadouros Comprimento da zona embebida do chumbadouro Comprimento do chumbadouro acima da fundação de betão Comprimento equivalente do chumbadouro Comprimento Comprimento da viga.eff M Resistência de cálculo da placa de extremidade flectida Resistência de cálculo do banzo do pilar flectido Resistência de cálculo da alma da viga traccionada Resistência de cálculo da alma da viga comprimida Resistência de cálculo dos parafusos à tracção.ep.Rd Fw. Kei. em situação de incêndio Resistência de um cordão de soldadura de ângulo por unidade de comprimento Forças de cedência da componente i.t.t. Kpli.Rd Ften.wc. à temperatura ambiente Rigidez plástica da componente i. à temperatura ambiente Rigidez elástica e plástica da componente i.Rd Fw. Fui. à temperatura ambiente Forças de rotura da componente i.20ºC. Fyi.20ºC Fyi.Rd Fv.fc.20ºC Kei.Rd Ft.θ La Lb. em situação de incêndio Força actuante num cordão de soldadura Esforço transverso actuante Máxima resistência ao corte obtida experimentalmente Resistência de cálculo dos parafusos ao corte.max Fv.

Mj. no instante de cedência da componente i Esforço de corte devido a acções não sísmicas Esforço de corte devido aos momentos resistentes nas extremidades da viga Esforço transverso actuante Esforço transverso plástico de cálculo Resistência de cálculo do painel de alma do pilar em corte Módulo de flexão plástica na direcção z e na direcção y.Ed VM.Rd Wpl. com capacidade dissipativa Rigidez da ligação Rigidez inicial da ligação Rigidez secante da ligação Rigidez de rotação da ligação à temperatura ambiente. N0.Rd Mc.max. ângulo.sec Si.20ºC VG. Wpl.SIMBOLOGIA M´ Mb Mpl.Rd Mj.el Mj. respectivamente MRd MSd N.Rd Mj.z.20ºC.Rd N1y Pv Q Rd Rfy Sj Sj. função Manual de ligações metálicas . à temperatura ambiente e a temperatura de rotura θf.Rd Mb.ult.20ºC Sj.ult.Ed VSd Vpl.ini.max.Sd.Rd Vwp.exp Momento flector por unidade de comprimento Momento na viga Momento flector plástico de cálculo Momento flector plástico de cálculo na viga Momento flector plástico de cálculo no pilar Momento flector plástico de cálculo da ligação Momento flector actuante na ligação Momento flector elástico da ligação Momento flector de rotura da ligação Valor esperado do momento flector de rotura da ligação Valor experimental do momento flector de rotura da ligação Mj.pl. S1. Mj Mj.ult Mj.θf Momento flector máximo da ligação j. N2 NSd Npl.y Momento flector resistente Momento flector actuante Esforço axial Esforço axial actuante Esforço axial plástico de cálculo Esforço axial resistente Esforço axial no elemento principal que corresponde à plastificação Resistência do painel de alma não reforçado Força de alavanca Resistência da ligação Resistência plástica do membro ligado.pl.Rd Nu. respectivamente α 142 Coeficiente de comprimento efectivo de um T-stub.d Mj. N1.

no cálculo da resistência ao esmagamento Coeficiente de transformação para solicitação por corte.SIMBOLOGIA αb Factor relativo à distância entre parafusos e distância dos parafusos à extremidade da placa. pela aplicação de forças exteriores Deformação de componentes na zona de tracção Capacidade de deformação Coeficientes utilizados para avaliar a rigidez inicial e o momento resistente da ligação e bases de pilares Coeficiente de modificação de rigidez Ângulo. ξ η θ θ1.ext δc δc. pela aplicação de forças exteriores Deformação de componentes na zona de compressão Deformação de componentes na zona de compressão na parte superior da ligação Deformação de componentes na zona de compressão na parte inferior da ligação Variação da espessura da placa Deformação total da placa.fi δ δb δb. temperatura Ângulo entre a diagonal e o perfil principal Capacidade de rotação plástica Temperatura do banzo inferior da viga Dimensões do T-stub Esbelteza relativa Coeficiente de rigidez. λ 2 λ μ μ0 ρhaz Manual de ligações metálicas .t δc. θi θp θ0 = θfb λ 1. quociente entre diâmetros Coeficiente da ligação Factor de correlação para avaliação da resistência de uma soldadura Factor de redução para cordões longos Factor parcial de segurança para o aço.b δp δp.ext δt δCd ζ. θ2. relativo à plastificação da secção transversal Coeficiente parcial de segurança da secção útil na zona da ligação Coeficiente parcial de segurança à temperatura ambiente Coeficiente parcial de segurança em situação de incêndio Deformação Deformação do parafuso Deformação total do parafuso. coeficiente de atrito Grau de utilização da estrutura Factor da amaciamento da ZAC 143 β βj βw βLw γM0 γM2 γm γm. ângulo entre o reforço e a horizontal.

Δi.SIMBOLOGIA σ σw σ⊥ σ// τ τ⊥ τ// φ.θ Δ f Tensão normal Tensão normal na soldadura Tensão normal perpendicular ao plano crítico de um cordão de soldadura Tensão normal paralela ao eixo de um cordão de soldadura Tensão de corte Tensão tangencial (no plano crítico do cordão) perpendicular ao eixo de um cordão de soldadura Tensão tangencial (no plano crítico do cordão) paralela ao eixo de um cordão de soldadura Rotação da ligação Capacidade de rotação da ligação Rotação da ligação no instante de cedência da componente i. respectivamente Factor de forma Ângulo de rotação Deformação. à temperatura ambiente e à temperatura θ.20ºC . à temperatura ambiente e à temperatura θ.20ºC . Δfi. Φj φCd φyi. Δy Δyi. à temperatura ambiente Deformação da componente i na rotura.θ ψ ψi Δ Δi. à temperatura θ 144 Manual de ligações metálicas . respectivamente Deformação da componente i na cedência. à temperatura θ Deformação da componente i na rotura. à temperatura ambiente Deformação da componente i na cedência.θ Δyi. tolerância Deformação da componente i.20ºC. φy i.θ Δfi.20ºC .

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Nos últimos anos foi feito um grande esforço para se tentar avaliar o comportamento real das ligações. O Comité Técnico de Ligações Estruturais da Convenção Europeia de Construção Metálica (ECCS TC10) apoia o desenvolvimento e a implementação de um conjunto de regras para o dimensionamento de ligações metálicas. em simultâneo com a introdução de materiais de construção de alto desempenho.O desenvolvimento no projecto. construtores e fabricantes. Tradicionalmente. fabricação e montagem de estruturas metálicas. Foi elaborado a partir de questões recolhidas junto dos projectistas. Este livro pretende fornecer informação detalhada sobre o comportamento das ligações. nomeadamente no que diz respeito às ligações. A parte 1. .8 do Eurocódigo 3 (prEN 1993-1-8) considerou estes desenvolvimentos e inclui uma abordagem ao cálculo da rigidez. resistência e capacidade de rotação para uma gama alargada de ligações aparafusadas e soldadas. em toda a União Europeia e respondidas por especialistas nas respectivas áreas. Uma das suas acções é o apoio ao desenvolvimento de material educacional necessário a incentivar os projectistas europeus a adoptarem a EN 1993-1-8. o dimensionamento de ligações metálicas baseia-se apenas em verificações da capacidade resistente. com base nos fundamentos e métodos de dimensionamento apresentados nesta Norma. tem conduzido à evolução e desenvolvimento de novos critérios de dimensionamento e construção de estruturas metálicas.

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