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Gêneros textuais nos livros didáticos de Português (Santos) - 2011

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Gêneros textuais nos livros didáticos de Português: uma análise de manuais do ensino fundamental / Leonor Werneck dos Santos [org.].- Rio de
Janeiro: UFRJ, 2011. ISBN: 978-85-87043-99-3
Gêneros textuais nos livros didáticos de Português: uma análise de manuais do ensino fundamental / Leonor Werneck dos Santos [org.].- Rio de
Janeiro: UFRJ, 2011. ISBN: 978-85-87043-99-3

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Joaquim Dolz e Bernard Schneuwly são professores da

Universidade de Genebra, na Suíça, e ambos atuam no Grupo

Grafe – Grupo Romando de Análise do Francês Ensinado. Dolz &

Schneuwly apresentam um trabalho voltado para o ensino de

Língua Materna tendo o diferencial de reunir teorias de

Sociolinguística e Psicolinguística, que contribuem e dão

diretrizes diferenciadas ao trato da língua materna em sala de aula.

Embora os autores suíços tenham seus estudos recentes

voltados principalmente para o trabalho com os gêneros textuais

orais e escritos na escola, os autores tomam as questões de

tipologia textual como um processo de reconhecimento de certas

estruturas – psicológicas e linguísticas – por parte do falante, a

fim de que este desenvolva estas operações de maneira gradativa a

fim de que seja um produtor proficiente de textos em diferentes

tipologias em sua língua.

Os autores, por não focalizarem a pesquisa na questão da

tipologia, adotam como base de análise as definições de Bronckart

et al. (1985) e Adam (1992). O primeiro descreve os tipos como

processos heterogêneos de linguagem, já que são elaborados a

partir das formações sócio-linguísticas que têm diversas maneiras

de apresentação. Já o último, como foi observado no tópico

anterior, volta seu esquema de análise para a composição

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prototípica dos textos, considerando um processo de sequências

que se relacionam com o todo do texto e produzem certa

sequência textual.

Para Dolz & Schneuwly (2004), os tipos de texto, sob o

ponto de vista psicológico, são consequências de operações de

linguagem efetuadas no curso da produção. Tais operações estão

relacionadas à situação material de produção, possibilitando o que

os autores chamam de relação de implicação / autonomia,

correspondente às relações estabelecidas entre os gêneros

primários e secundários. Ainda imbricadas nestas operações

textuais, estão as relações instauradas entre a enunciação e o

enunciado, num processo de disjunção / conjunção com os objetos

do mundo, passando de um nível mais ou menos ficcional com a

situação

Cabe ressaltar ainda a forma como essas operações se

desenvolvem para os estudiosos. Os tipos de texto, que são

resultados destas operações, são processos que não se tornam

disponíveis de uma só vez, mas que se constroem ao longo do

curso das interações entre os sujeitos e as relações que se

estabelecem entre o nível estrutural e pragmático.

Propõem, então, os autores, uma definição de tipologia

está relacionada aos gêneros textuais no sentido de que as opções

de escolha do falante garantem um domínio mais eficiente do

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gênero, gerando uma maior heterogeneidade de textos. Segundo

os autores:

Os tipos de texto – ou, psicologicamente falando, as escolhas
discursivas que se operam em níveis diversos do
funcionamento psicológico de produção – seriam, portanto,
construções ontogenéticas necessárias à autonomização dos
diversos tipos de funcionamento e, de modo mais geral, da
passagem dos gêneros primários aos secundários (digo
psicologicamente falando, à medida que os tipos [...] têm
sempre duas faces: uma operação psicológica de escolha
dentro de um conjunto possível e uma expressão linguística
dessa escolha no nível linguístico). (DOLZ & SCNEUWLY,
2004, p.33)

Para Dolz & Schneuwly, um quadro teórico das tipologias

textuais compreende um agrupamento dos gêneros de maneira

prototípica, pensando a atividade psicológica envolvida no

processo de categorização das tipologias. Segue abaixo o

agrupamento dos gêneros em função das tipologias:

Sequências textuais Domínios sociais /
capacidades

de

linguagem

Gêneros prototípicos

Narrar

Cultura literária ficcional
/ mimeses da ação
através da criação de
intriga

Conto maravilhoso,
fábula, lenda.

28

Relatar

Documentação

e
memorização de ações
humanas / representação
pelo

discurso

de

experiências

vividas,

situadas no tempo.

Relato de experiência
vivida, relato de viagem,
testemunho.

Argumentar

Discussão de problemas
sociais controversos /
sustentação, refutação e
negociação de tomadas
de posição.

Texto de opinião,
diálogo argumentativo,
carta do leitor

Expor

Transmissão e construção
de saberes / apresentação
textual de diferentes
formas dos saberes.

Seminário, conferência,
artigo

Descrever ações

Instruções e prescrições /
Regulação mútua de
comportamentos.

Regras de jogo,
instrução, regulamento.

Tabela 2: Quadro dos gêneros em função das capacidades
linguísticas dominantes
(adaptado de DOLZ & SCHNEUWLY, 2004, p. 102)

A partir do quadro tipológico dos autores suíços, pode-se

perceber que há diferenças com relação ao enfoque de alguns

processos. Dolz & Schneuwly estabelecem uma distinção entre

narração e relato, uma vez que, segundo os estudiosos, o que

caracteriza o mundo do narrar é a existência da intriga, enquanto

o mundo do relatar estaria mais relacionado à representação de

memória e documentação.

29

Em outro aspecto, os autores não consideram a sequência

descritiva como uma sequência textual específica, inserindo,

entretanto, uma organização esquemática deixada de lado em

estudos mais recentes de Adam, a sequência injuntiva, com

modelos específicos e gêneros prototípicos.

A seguir, far-se-á uma relação entre as teorias analisadas e

as coleções pesquisadas, relacionando a abordagem da tipologia

textual às atividades de leitura e produção propostas pelas autoras.

4. A abordagem da tipologia nas coleções

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